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4635640 #
Numero do processo: 13603.000610/2004-06
Data da sessão: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IRPJ - LUCRO PRESUMIDO - OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA DE VEÍCULOS - Nos termos do art. 5o da Lei n. 9.716, de 1998, as pessoas jurídicas que tenham como objeto social a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Referido dispositivo não traz qualquer menção (rectius, restrição) às empresas que apuram o IRPJ pela modalidade do lucro real ou lucro presumido. Fazendo o contribuinte a opção pela tributação nos moldes da Lei n. 9.716, de 1998, embora tenha praticado operação de venda e compra (sujeita a priori à alíquota de 8%), tal evento deverá se tratado para efeitos tributários como consignação e, portanto, sujeito à alíquota de 32% para a apuração do lucro a ser tributado.
Numero da decisão: 9101-000.017
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos DAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Antonio Carlos Guidoni Filho

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Numero do processo: 13607.000385/2003-89
Data da sessão: Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 2801-000.011
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto, do Relator.
Nome do relator: JULIO CEZAR DA FONSECA FURTADO

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Resolvem os membros do - •legiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos d• voto, do Relator„ Marcelo Magalhãali t ,s • P -esidente em Exercício • Julio C zar da Fonseca Furtado - Relator EDITADO EM: 2 a C UT ''1O Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Conselheiro convocado), Sandro Machado dos Reis, Bernardo Augusto Duque Barcelar (Suplente convocado), Julio Cezar Fonseca Furtado e Marcelo Magalhães Peixoto, Conselheiro Julio Cezar da F Furtado, Relator Voto 2 Processo n° 13607.000385/2003-89 S2-TE01 Reso1ução a° 2801-00A11 FI, 55 Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o auto de infração de fls. 04/11, referente ao exercício de 2001, para cobrança de imposto suplementar de R$ 1346,17, acrescido de multa de oficio e juros de mora calculados até março de 2003. Conforme consta dos autos foram alterados na declaração de ajuste anual (fls. 17/19), valores relativos a rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas de R$ 1.767,00 para R$ 21,967,00 e imposto de renda na fonte de R$ 0,00 para R$ 825,00. Cientificado, em 28/02/2003 (AR de fl 21, de 23/04/2003), o contribuinte impugnou o lançamento com as razões de fls. 01 e documentos de fl.s 02/03, alegando: - que prestava serviços de transporte para a Prefeitura Municipal de Ribeirão das Neves; - que não recebeu o comprovante de rendimentos, tempestivamente, optando por informar rendimentos tributáveis de pessoas fisicas; - que somente sessenta por cento do valor recebido pela Prefeitura Municipal de Ribeirão das Neves, deve ser tributado; - que a Delegacia de Julgamento propôs o retomo do processo à repartição de origem, a fim de que fosse solicitado da fonte pagadora que ratifique ou retifique a DIRF de fls, 25, relativamente rendimentos tributáveis pagos; a qual respondeu, conforme documentos de fls, 31 e 32, confirmando os rendimentos tributáveis de R$ 20,200,00, e retenção na fonte de R$ 825,00. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte, julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão 02-12.790, de 19/12/2006, que porta a seguinte Ementa: ASSUNTO. IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício,- 2001 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO.. Coldirmado o efetivo rendimento tributável auferido pelo contribuinte e seu respectivo imposto retido, ratifica-se o lançamento com base na documentação constante dos autos. Lançamento Procedente. Cientificado da decisão, em 17/01/2007, o contribuinte interpôs, em 02/02/2007, o recurso voluntário de fls. 44, acompanhado pelos documentos de fls. 45/46. É o Relatório. 3 Processo n 13607.000.385/2003-89 S2-TE01 Resolução n .° 2801-00,011 Fi 56 O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, Portanto, dele torno conhecimento. O lançamento em foco refere-se à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício, no valor de R$ 20.200,00, conforme demonstrativo das infrações de fls. 05 do auto de infração. De início, é de se esclarecer que, desde a fase impugnatória, o interessado vem sustentando que os rendimentos recebidos da Prefeitura de Ribeirão da Neves foram decorrentes de "serviços automotivos (caminhão)", cuja tributação recai somente sobre 60% do montante recebido. O ponto básico que serviu de suporte às conclusões da decisão recorrida encontra-se às fls. 35, onde está dito: Quanto aos rendimentos recebidos da Prefeitura Municipal de Ribeirão das Neves, observe-se que nos documentas de fls.. 02 e03 a natureza dos rendimentos é "locação de veículos". A locação de veículos, diferentemente do que aparente supor o interessado, não se confrade com a prestação de serviços de transporte de carga ou de passageiros. A pedido da julgadora, o processo foi baixado em diligências (fls. 26/28) para que a fonte pagadora ratificasse ou retificasse as informações constantes dos Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção na Fonte, de fls. 02 e 03, os quais informam, respectivamente, os valores de R$ 12,120,00 de rendimentos e R$ 825,00 de imposto retido na fonte, e R$ 20.200,00 de rendimentos, com imposto retido na fonte de R$ 825,00; De notar que os rendimentos referidos no documento de fls. 02, no montante de R$ 12.120,00, são, justamente, aqueles que o recorrente afirma serem provenientes de serviços de transporte prestados à Prefeitura, e correspondentes a 60% daqueles de R$ 20.200,00 objeto da documento de fls. 03. Em resposta ao pedido de diligência a que se refere a INTIMAÇÃO DRF/STL/ARF/PLO 1\1° 71/2006, a Prefeitura Municipal de Ribeirão das Neves, pelo Oficio 062, de 07 de dezembro de 2006, encaminhou RETIFICAÇÃO DE DIRF elaborada em 06/12/2006, confirmando, para o ano-calendário de 2000, o valor de R$ 20200,00. Entretanto, desse fato, a repartição de origem não deu conhecimento ao interessado para se manifestar a respeito. Outrossim, considero que ocorreu no caso em exame um lapso, tanto da autoridade julgadora, como da fonte pagadora, já que no pedido de diligência não foi solicitada cópia do contrato celebrado entre o interessada e a fonte pagadora, definindo o objeto e a natureza dos serviços a serem prestados. Dessa forma, antes de examinar o mérito da questão, e em prol da verdade material, bem assim do principio da mais ampla defesa, que devem presidir o processo administrativo, sugiro baixar em diligência o processo-rreartição de origem, para que esta solicite da Prefeitura de Ribeirão da Neves, cópia, da contr o que embasou o pagamento dos rendimentos ao interessado, no calendário de 200, 4 Processo n° 13607.000385/2003-89 S2-11E01 Resolução n ° 2801-00,011 Fl 57 Após, abtir prazo para o interessado, querendo, se manifeste a respeito sobre o documento porventura juntado aos autos. Julio Ceç~' onseca Furtado

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Numero do processo: 11030.000957/96-31
Data da sessão: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2008
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - PROCEDÊNCIA - RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO - Confirmado lapso manifesto no resultado do julgamento, deve o Colegiado acolher os embargos, para retificar esse decisum, no sentido de adequá-lo á realidade dos autos. PIS - BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo do PIS das empresas industriais e comerciais, até a data em que passou a viger as modificações introduzidas pela Medida Provisória n° 1.212/95 (29/02/1996), era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Sobre esta base de cálculo incidia a alíquota de 0,75%. Embargos de declaração acolhidos.
Numero da decisão: CSRF/02-02.875
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos para rerratificar o Acórdão n° CSRF/02-02.083, de 17 de outubro de 2005, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres

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Sessão de : 28 de janeiro de 2008 Acórdão n° : CSRF/02-02.875 NORMAS PROCESSUAIS - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - PROCEDÊNCIA - RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO - Confirmado lapso manifesto no resultado do julgamento, deve o Colegiado acolher os embargos, para retificar esse decisum, no sentido de adequá-lo á realidade dos autos. PIS - BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo do PIS das empresas industriais e comerciais, até a data em que passou a viger as modificações introduzidas pela Medida Provisória n° 1.212/95 (29/02/1996), era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Sobre esta base de cálculo incidia a aliquota de 0,75%. Embargos dede declaração acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes embargos de declaração. ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos para rerratificar o Acórdão n° CSRF/02-02.083, de 17 de outubro de 2005, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. 4 p ati O PRAGA Presidente _d_a_ 1 tt et cio ....#4774- 1-ZIKQUE 11 HERO TORRES Relator FORMALIZADO EM: 08 JUN 2009 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Josefa Maria Coelho Marques, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Antonio Carlos Atulim, Antonio Lisboa Cardoso (Substituto convocado), Emanuel Carlos Dantas de Assis (Substituto convocado), Maria Teresa Martinez Lopez, Leonardo Siade Manzan, Júlio César Vieira Gomes, Misael Lima Barreto, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Processo n°11030.000957/96-31 Acórdão n°02-02.875 Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Ausentes justificadamente os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto e Dalton César Cordeiro de Miranda. RELATÓRIO Os autos deste processo vieram a julgamento nesta Segunda Turma, na sessão plenária de 17 de outubro de 2005, tendo o Colegiado decidido, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial apresentado pelo sujeito passivo. A Turma decidiu que o auto de infração deveria ser alterado de tal forma que, para os períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 1992 e fevereiro de 1996, a base de cálculo da contribuição devida pela reclamante seria apurada com base no faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Sobre esta base de cálculo deveria incidir a aliquota de 0,75%. Entretanto, ocorreu um lapso manifesto na redação do acórdão, pois ao invés de constar RECURSO PROVIDO EM PARTE, constou RECURSO NÃO CONHECIDO. Esse equivoco evidencia o error in procedendum que é sanável por meio de embargos de declaração previstos no artigo 28 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A competência para embargar é dada, dentre outros, aos conselheiros da Turma julgadora. Diante disso, na qualidade de relator do acórdão em questão, interpus embargos e requeri o retorno dos autos à pauta de julgamento para que o Colegiado apreciasse os declaratórios. Recebidos os embargos, o Sr. Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais remeteu os autos à Secretária da CSRF para providenciar pauta de julgamento. É o relatório., Processo n° 11030.000957/96-31 Acórdão n° 02-02.875 VOTO Conselheiro Relator Henrique Pinheiro Torres Por atender aos requisitos de admissibilidade, deve-se conhecer dos embargos. Da análise dos autos, confirma-se o lapso manifesto na redação do rosto do acórdão. Para sanar esse erro no procedimento, o Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a exemplo do Código do Processo Civil, prevê o remédio processual dos embargos, por meio dos quais, o Colegiado pode emitir decisão retificadora que integrará o acórdão embargado. No presente caso, a retificação deve ser feita de tal sorte que o resultado estampado no rosto do acórdão passe a refletir o que se efetivamente decidiu no julgamento do recurso especial, assim, onde se lia: PIS — BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo do PIS das empresas industriais e comerciais, até a data em que passou a viger as modificações introduzidas pela Medida Provisória n° 1.212/95 (29/02/1996), era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Sobre esta base de cálculo incidia a aliquota de 0,75%. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos do recurso interposto por INDUCALCA INDÚSTRIA DE CALCÁRIO LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER DO RECURSO, nos termos do relatório e voto que se passam a integrar o presente julgado. Passe-se a ler: P15 — BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo do PIS das empresas industriais e comerciais, até a data em que passou a viger as modificações introduzidas pela Medida Provisória n° 1.212/95 (29/02/1996), era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Sobre esta base de cálculo incidia a aliquota de 0,75%. Recurso especial parcialmente provido.,r . . Processo n°11030.000957/96-31 Acórdão n°02-02.875 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos do recurso interposto por INDUCALCA INDÚSTRIA DE CALCÁRIO LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, EM DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, nos termos do relatório e voto que se passam a integrar o presente julgado. Sala de Sessões, em 28 janeiro de 2008. "4-4.'"e Seir CNnE PINHEIRO TORRn Page 1 _0002900.PDF Page 1 _0003100.PDF Page 1 _0003300.PDF Page 1

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4629649 #
Numero do processo: 37039.000791/2006-44
Data da sessão: Mon Sep 28 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Sep 28 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 2301-000.034
Decisão: RESOLVEM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, na forma do voto do Relator
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS

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' :ii.,"/' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - '.- - SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 37039.000791/2006-44 Recurso n° 147.383 Resolução n° 2301-00.034 - 3' Câmara / 1" Turma Ordinária Data 28 de setembro de 2009 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente PREFEITURA MUNICIPAL DE PORTO Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁR1A RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 3' câmara / 1' turma ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, na \ k forma do voto do Relato4 . JULIO C S VIEIRA GOMES - Presidente \i 1 D2.) :—)C us --) 1 BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relatora i Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Bemadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Edgar Silva Vidal (suplente), Leôncio Nobre de Medeiros (suplente), Damião Cordeiro de Moraes, Julio Cesar Vieira Gomes (presidente).. 1 Processo n°37039.000791/2006-44 S2-C3T1 Erro! A origem da referência Mio foi encontrada. n.° 2301-00.034 Fl. 2 RELATÓRIO Trata-se de crédito previdenciário lançado contra o órgão público acima identificado, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos empregados, à da empresa e à destinada ao financiamento dos beneficios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Conforme Relatório Fiscal (fls. 23 a 28), o fato gerador da contribuição lançada é o pagamento efetuado pela prestação de serviços, à recorrente, de servidores não vinculados a regime próprio de previdência social, de pessoas fisicas enquadradas pela fismdi7ação como contribuintes individuais, e de pessoas físicas consideradas segurados empregados pela fiscalização, por ter sido constatada a presença dos requisitos caracterizadores da relação de emprego. A autoridade lançadora discorre sobre cada elemento caracterizador da relação de emprego verificada na ação fiscal e relaciona os documentos que serviram de base para o lançamento fiscal. A Prefeitura notificada impugnou o débito via peça de fls. 35 a 84 e a Seção de Análise de Defesas e Recursos do INSS, ao constatar que a NFLD foi lavrada em desconformidade com o estabelecido no artigo 14, da IN 65/02, encaminhou os autos à fiscalização para o saneamento do vício com a emissão de nova folha de rosto e de relatórios da notificação com a identificação correta do sujeito passivo (fls. 88). Cientificada da emissão dos novos relatórios, a notificada se manifestou às fls. 117 a 125 e da análise dos argumentos apresentados, o processo foi novamente baixado em diligência, nos termos do despacho de fls. 129 a 130, resultando na Informação Fiscal de fls. 133, e na retificação do débito. A Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da Decisão-Notificação n° 16.401.4/0148/2006 (fls. 138 a 153), julgou a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD procedente em parte, acatando o parecer retificador da fiscalização. Inconformada com a decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (158 a 168), repetindo basicamente as alegações trazidas nas defesas apresentadas. Preliminarmente, repete que cada servidor incluído na NFLD, como médicos, enfermeiros, e que pagaram o ISS como pessoa fisica prestadora de serviços, deveria ter sido notificado para que pudesse apresentar sua defesa, esclarecendo porque não contribuiu com o INSS, sob pena de cerceamento de defesa e do contraditório. Entende que não cabe ao Município descontar, cobrar ou pagar contribuição previdenciária de pessoas que não tem o dever de contribuir, como as pessoas fisicas prestadoras de serviço, que pagam ISS e não INSS e insiste na nulidade da NFLD por ausência de MPF-Ex. No mérito, reitera que não há 500 servidores no quadro de pessoal do Município, além de terem sido incluídos, nos cálculos objeto do Auto de Infração, duas pensionistas, além de agentes de saúde admitidos de forma indireta por se tratar de um programa do Governo Federal, e médicos e enfermeiros que prestam serviços ao Programa de Yr) 2 Processo n° 37039.000791/2006-44 S2-C3T1 Erro! A origem da referência ao foi encontrada. n.° 2301-00.034 Fl. 3 Saúde em Casa, também do Governo Federal, não sendo, portanto, servidores municipais, tendo sido contratados por prazo determinado. Informa que os referidos módicos e enfermeiros já possuem vínculo empregatícios com outros órgãos e que há ainda aqueles que exercem cargo em comissão, que não tem vínculo empregatício com a municipalidade, pois são servidores de outros órgãos. Cita as pessoa fisica que, conforme entende, não tem vinculo empregaticio com o Município, as que já contribuem para o INSS, e as que prestam serviços eventuais na qualidade de autônomas, que devem sofrer desconto de ISS em favor da Prefeitura, mas não INSS. Informa que as GFIPs enviadas para o INSS já foram complementadas e requer que seja dado provimento ao recurso. Em contra-razões, às fls. 172 a 185, a SRP manteve os termos da Decisão- Notificação. É o relatório. VOTO Da análise dos autos, observa-se que antes do julgamento de P instância o processo foi convertido em diligência e a fiscalização se manifestou rebatendo os argumentos trazidos na peça impugnatória e retificando o débito. Todavia, verifica-se que não foi dada, à notificada, a oportunidade se manifestar após o pronunciamento da autoridade notificante e antes da decisão da Autarquia Previdenciária, suprimindo uma instância administrativa do contribuinte, configurando, dessa forma, desrespeito ao contraditório e à ampla defesa. O processo, como espécie de procedimento em contraditório, exige a manifestação de uma parte sempre que a outra traz para os autos fatos novos. Assim, se no curso do procedimento, são efetuadas diligências com manifestações do agente notificante e retificação do débito sem conhecimento do sujeito passivo, faz-se necessária a abertura de prazo para sua manifestação, sob pena de cerceamento do direito de defesa. Portanto, diante da irregularidade acima apontada, entendo que os autos deve ser convertido em diligência para ciência do contribuinte afim de que se possa oferecer oportunidade ao recorrente de se manifestar a respeito da informação fiscal antes do julgamento de P. instância e retificação do débito. É como voto. Sala das Sessões, em 28 de setembro de 2009. #) , O- - BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS — Relatora 3

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4638957 #
Numero do processo: 10875.001358/2005-37
Data da sessão: Wed Nov 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Nov 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES, CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA - CPMF Data do fato gerador: 22/09/1999, 29/09/1999, 06/10/1999, 20/10/1999, 27/10/1999, 0.3/11/1999, 10/11/1999, 17/11/1999, 08/12/1999, 17/05/2000, 24/05/2000, 31/05/2000, 07/06/2000, 20/06/2000, 28/06/2000, 05/07/2000, 12/07/2000, 19/07/2000, 02/08/2000, 09/08/2000, 16/08/2000, 23/08/2000, 30/08/2000, 1.3/09/2000, 20/09/2000, 27/09/2000, 04/10/2000, 10/10/2000, 25/10/2000, .31/10/2000, 08/11/2000, 06/12/2000, 03/01/2001, 31/01/2001, 07/02/2001, 28/02/2001, 07/03/2001, 10/04/2001, 04/07/2001, 11/07/2001, 18/07/2001, 01/08/2001, 08/08/2001 13/10/1999, 01/12/1999, 14/06/2000, 26/07/2000, 05/09/2000, 18/10/2000, 10/01/2001, 25/04/2001, NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO, CPMF. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. O prazo decadencial de 10 anos previsto no art. 45 da Lei n° 8112/1991 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal por meio da Súmula Vinculante n° 8. Não tendo havido antecipação de pagamento por parte do contribuinte, nem mesmo após a revogação da medida judicial, não há que se falar em homologação tácita do lançamento, aplicando-se ao caso a regra geral da decadência prevista no art. 173, I, do CTN.. Em razão disso, encontram-se extintos os créditos tributários referentes aos períodos anteriores a 31/12/1999. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. O lançamento sob análise se baseou em informações prestadas pela instituição financeira e repassadas à Administração Tributária pelo próprio contribuinte, bem corno em dados relacionados à medida judicial que autorizara, anteriormente à sua revogação, abstenção dos atos de retenção e recolhimento do tributo. Qualquer outro fator impeditivo, modificativo ou extintivo do crédito tributário pendente de prova toma-se ônus do sujeito passivo que o alega. CPMF, FALTA DE RECOLHIMENTO POR FORÇA DE MEDIDA JUDICIAL POSTERIORMENTE REVOGADA. Nos termos da legislação de regência, deverá ser exigida por meio de lançamento de oficio a CPMF não recolhida por força de medida judicial posteriormente revogada. A obrigação de pagar o tributo não recolhido no vencimento, juntamente com seus acréscimos legais, é do contribuinte, por inexistir autorização legal que transfira essa obrigação a terceiros, ainda que responsável pela retenção dos valores devidos. PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. A instituição do Mandado de Procedimento Fiscal — Min; — visa ao melhor controle administrativo das ações fiscais a cargo da Secretaria da Receita Federal do Brasil e fui dirigida aos recursos humanos desse órgão, não devendo ser entendida corno instrumento capaz de afastar a vinculação da autoridade administrativa à Lei, sujeita a sua atividade à responsabilidade funcional nos exatos termos do que dispõe o art. 142 do CIE, O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, no pleno gozo de suas funções, detém competência exclusiva para o lançamento, não podendo se esquivar do cumprimento do seu dever funcional, sob pena de responsabilização. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DA CPMF versus LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A Declaração da CPMF decorre de obrigação acessória instituída por lei, cuja apresentação é da responsabilidade das instituições financeiras gestoras dos fatos geradores da contribuição, não se confundindo com declarações do próprio contribuinte a que a lei atribua eficácia de constituição do crédito tributário. O lançamento de oficio se operou nos exatos termos da legislação de regência. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE Não cabe na esfera administrativa a discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei, nos termos contidos no art. 26-A e parágrafo único do Decreto n° 70,235/1972 (PAF), com redação dada pela Lei n° 11.941/2009, e no art. 62 e parágrafo único do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA.. TAXA SELIC, PREVISÃO LEGAL. Nos lançamentos de oficio, em razão de ausência de pagamento ou recolhimento a menor do tributo, incide a multa de oficio no percentual de 75%, conforme previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, bem como no art 14 da Lei n° 9.311/1996. Os juros de mora são calculados pela taxa Selic nos termos da legislação aplicável — art. 13, I, da Lei n° 9.311/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3803-000.200
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade argüidas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar o auto de infração na parte relativa aos débitos anteriores a 31/12/1999 em face do transcurso do prazo decadencial, na linha da Súmula Vinculante STF n° 8 e nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Helcio Lafeta Reis

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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES, CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA - CPMF Data do fato gerador: 22/09/1999, 29/09/1999, 06/10/1999, 20/10/1999, 27/10/1999, 0.3/11/1999, 10/11/1999, 17/11/1999, 08/12/1999, 17/05/2000, 24/05/2000, 31/05/2000, 07/06/2000, 20/06/2000, 28/06/2000, 05/07/2000, 12/07/2000, 19/07/2000, 02/08/2000, 09/08/2000, 16/08/2000, 23/08/2000, 30/08/2000, 1.3/09/2000, 20/09/2000, 27/09/2000, 04/10/2000, 10/10/2000, 25/10/2000, .31/10/2000, 08/11/2000, 06/12/2000, 03/01/2001, 31/01/2001, 07/02/2001, 28/02/2001, 07/03/2001, 10/04/2001, 04/07/2001, 11/07/2001, 18/07/2001, 01/08/2001, 08/08/2001 13/10/1999, 01/12/1999, 14/06/2000, 26/07/2000, 05/09/2000, 18/10/2000, 10/01/2001, 25/04/2001, NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO, CPMF. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. O prazo decadencial de 10 anos previsto no art. 45 da Lei n° 8112/1991 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal por meio da Súmula Vinculante n° 8. Não tendo havido antecipação de pagamento por parte do contribuinte, nem mesmo após a revogação da medida judicial, não há que se falar em homologação tácita do lançamento, aplicando-se ao caso a regra geral da decadência prevista no art. 173, I, do CTN.. Em razão disso, encontram-se extintos os créditos tributários referentes aos períodos anteriores a 31/12/1999. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. O lançamento sob análise se baseou em informações prestadas pela instituição financeira e repassadas à Administração Tributária pelo próprio contribuinte, bem corno em dados relacionados à medida judicial que autorizara, anteriormente à sua revogação, abstenção dos atos de retenção e recolhimento do tributo. Qualquer outro fator impeditivo, modificativo ou extintivo do crédito tributário pendente de prova toma-se ônus do sujeito passivo que o alega. CPMF, FALTA DE RECOLHIMENTO POR FORÇA DE MEDIDA JUDICIAL POSTERIORMENTE REVOGADA. Nos termos da legislação de regência, deverá ser exigida por meio de lançamento de oficio a CPMF não recolhida por força de medida judicial posteriormente revogada. A obrigação de pagar o tributo não recolhido no vencimento, juntamente com seus acréscimos legais, é do contribuinte, por inexistir autorização legal que transfira essa obrigação a terceiros, ainda que responsável pela retenção dos valores devidos. PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. A instituição do Mandado de Procedimento Fiscal — Min; — visa ao melhor controle administrativo das ações fiscais a cargo da Secretaria da Receita Federal do Brasil e fui dirigida aos recursos humanos desse órgão, não devendo ser entendida corno instrumento capaz de afastar a vinculação da autoridade administrativa à Lei, sujeita a sua atividade à responsabilidade funcional nos exatos termos do que dispõe o art. 142 do CIE, O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, no pleno gozo de suas funções, detém competência exclusiva para o lançamento, não podendo se esquivar do cumprimento do seu dever funcional, sob pena de responsabilização. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DA CPMF versus LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A Declaração da CPMF decorre de obrigação acessória instituída por lei, cuja apresentação é da responsabilidade das instituições financeiras gestoras dos fatos geradores da contribuição, não se confundindo com declarações do próprio contribuinte a que a lei atribua eficácia de constituição do crédito tributário. O lançamento de oficio se operou nos exatos termos da legislação de regência. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE Não cabe na esfera administrativa a discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei, nos termos contidos no art. 26-A e parágrafo único do Decreto n° 70,235/1972 (PAF), com redação dada pela Lei n° 11.941/2009, e no art. 62 e parágrafo único do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA.. TAXA SELIC, PREVISÃO LEGAL. Nos lançamentos de oficio, em razão de ausência de pagamento ou recolhimento a menor do tributo, incide a multa de oficio no percentual de 75%, conforme previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, bem como no art 14 da Lei n° 9.311/1996. Os juros de mora são calculados pela taxa Selic nos termos da legislação aplicável — art. 13, I, da Lei n° 9.311/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte

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DRJ-CAMPINAS/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES, CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA - CPMF Data do fato gerador: 22/09/1999, 29/09/1999, 06/10/1999, 20/10/1999, 27/10/1999, 0.3/11/1999, 10/11/1999, 17/11/1999, 08/12/1999, 17/05/2000, 24/05/2000, 31/05/2000, 07/06/2000, 20/06/2000, 28/06/2000, 05/07/2000, 12/07/2000, 19/07/2000, 02/08/2000, 09/08/2000, 16/08/2000, 23/08/2000, 30/08/2000, 1.3/09/2000, 20/09/2000, 27/09/2000, 04/10/2000, 10/10/2000, 25/10/2000, .31/10/2000, 08/11/2000, 06/12/2000, 03/01/2001, 31/01/2001, 07/02/2001, 28/02/2001, 07/03/2001, 10/04/2001, 04/07/2001, 11/07/2001, 18/07/2001, 01/08/2001, 08/08/2001 1.3/10/1999, 01/12/1999, 14/06/2000, 26/07/2000, 05/09/2000, 18/10/2000, 10/01/2001, 25/04/2001, NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO, CPMF. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. O prazo decadencial de 10 anos previsto no art. 45 da Lei n° 8112/1991 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal por meio da Súmula Vinculante n° 8. Não tendo havido antecipação de pagamento por parte do contribuinte, nem mesmo após a revogação da medida judicial, não há que se falar em homologação tácita do lançamento, aplicando-se ao caso a regra geral da decadência prevista no art. 173, I, do CTN.. Em razão disso, encontram-se extintos os créditos tributários referentes aos períodos anteriores a 31/12/1999. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. O lançamento sob análise se baseou em informações prestadas pela instituição financeira e repassadas à Administração Tributária pelo próprio contribuinte, bem corno em dados relacionados à medida judtei.al que ("•- autorizara, anteriormente à sua revogação, abstenção dos atos de retenção e recolhimento do tributo. Qualquer outro fator impeditivo, modificativo ou extintivo do crédito tributário pendente de prova toma-se ônus do sujeito passivo que o alega, CPMF, FALTA DE RECOLHIMENTO POR FORÇA DE MEDIDA JUDICIAL POSTERIORMENTE REVOGADA. Nos termos da legislação de regência, deverá ser exigida por meio de lançamento de oficio a CPMF não recolhida por força de medida judicial posteriormente revogada. A obrigação de pagar o tributo não recolhido no vencimento, juntamente com seus acréscimos legais, é do contribuinte, por inexistir autorização legal que transfira essa obrigação a terceiros, ainda que responsável pela retenção dos valores devidos. PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. A instituição do Mandado de Procedimento Fiscal — Min; — visa ao melhor controle administrativo das ações fiscais a cargo da Secretaria da Receita Federal do Brasil e fui dirigida aos recursos humanos desse órgão, não devendo ser entendida corno instrumento capaz de afastar a vinculação da autoridade administrativa à Lei, sujeita a sua atividade à responsabilidade funcional nos exatos termos do que dispõe o art. 142 do CIE, O Auditor- Fiscal da Receita Federal do Brasil, no pleno gozo de suas funções, detém competência exclusiva para o lançamento, não podendo se esquivar do cumprimento do seu dever funcional, sob pena de responsabilização. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DA CPMF versus LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A Declaração da CPMF decorre de obrigação acessória instituída por lei, cuja apresentação é da responsabilidade das instituições financeiras gestoras dos fatos geradores da contribuição, não se confundindo com declarações do próprio contribuinte a que a lei atribua eficácia de constituição do crédito tributário. O lançamento de oficio se operou nos exatos termos da legislação de regência. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE Não cabe na esfera administrativa a discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei, nos termos contidos no art. 26-A e parágrafo único do Decreto n° 70,235/1972 (PAF), com redação dada pela Lei n° 11.941/2009, e no art. 62 e parágrafo único do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA.. TAXA SELIC, PREVISÃO LEGAL, Nos lançamentos de oficio, em razão de ausência de pagamento ou recolhimento a menor do tributo, incide a multa de oficio no percentual de 75%, conforme previsto no art. 44 da Lei n" 9.430/1996, bem como no art 14 da Lei n° 9.311/1996. Os juros de mora são calculados pela taxa Selic nos termos da legislação aplicável — art. 13, 1, da Lei n° 9.311/1996. 2 ALEXNDRE KERN Presidente HËLCIO LAFETÁ REIS Relator Processo n" 10875 001358/2005-37 S3-.1 ECO Acórfflo n." 3803-00.200 R 241 Recurso Voluntário Provido em Parte, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade argüidas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar o auto de infração na parte relativa aos débitos anteriores a 31/12/1999 em face do transcurso do prazo decadencial, na linha da Súmula Vinculante STF n° 8 e nos termos do voto do relator, Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Ivan Allegretti, Belchior Melo de Sousa, Daniel Maurício Fedato e Carlos Henrique Martins de Lima. Relatório Em razão da ausência de retenção da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores, Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF) por força de medida judicial posteriormente revogada, a Fiscalização da DRF Guarulhos/SP, em 26/04/2005, procedeu à lavratura do auto de infração (fls. 23 a 38), por meio do qual se exigiram do contribuinte os valores da contribuição devidos nas datas especificadas na Descrição dos Fatos (tis, 35 a .37), tendo por base declaração prestada por instituição financeira (fls. 19 a 22), certidão da Justiça Federal (fl.. 9), bem corno a ausência de comprovação do recolhimento da CPMF no período sob análise. Não se conformando com tal procedimento, o contribuinte impugnou o auto de infração (fls, 49 a 1.35), alegando, em síntese, o seguinte: a) os fatos geradores ocorridos no período de 22/09 a 8/12/1999 encontravam-se, à época do lançamento de oficio, alcançados pela decadência; b) imprescindibilidade da intimação da instituição financeira para a apresentação dos comprovantes de recolhimento da CPMF, em razão de sua exclusiva responsabilidade pela retenção dos valores; 3 c) as instituições financeiras, tendo em vista a medida liminar posteriormente revogada que afastava a exigência da CPMF, tornaram-se responsáveis pela retenção do tributo; d) nulidade do auto de infração em decorrência da falta de comprovação do encerramento do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF; e) o ônus de demonstrar a inexistência de retenção da CPMF é das instituições financeiras; O impossibilidade de utilização de presunção no ato de lançamento, em detrimento da verdade real; g) as declarações de CPMF entregues pelas instituições financeiras têm força de constituição do crédito tributário, em razão do que se tornaria inócua a lavratura de autos de infração abarcando os mesmos fatos geradores declarados; h) inconstitucionalidade da cobrança da CPMF no período objeto da autuação; i) desproporcionalidade e irrazoabilidade da multa aplicada; j) impossibilidade de aplicação da taxa Selic como juros de mora. Por fim, requereu, preliminarmente, o reconhecimento da consumação da decadência cio direito de lançar o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos entre 22/09/1999 a 08/12/1999 e a declaração de nulidade do auto de infração ou, no caso de superação das preliminares, a proclamação da inconstitucionalidade da CPMF e dos acréscimos legais. A DRJ Campinas/SP julgou o lançamento procedente (fis.. 162 a 167), afastando a preliminar de decadência em face da existência de prazo decadencial de dez anos próprio para as contribuições destinadas à seguridade social e decidindo pela correta formalização do auto de infração, amparada em informações prestadas pelo próprio contribuinte. Afastaram-se, também, as alegações de inconstitucionalidade, de nulidade do auto de infração e de irregularidade no encerramento do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF. lnesignado com tal decisão, o contribuinte recorre a este Conselho (fis. 179 a 230) e pede o reconhecimento da decadência do direito de lançar o crédito tributário relativamente ao período de 22/09 a 8/12/1999 e a declaração de nulidade do auto de infração, repisando os mesmos argumentos É o relatório. 4 Processo n" 10875 001358/2005-37 53-1E03 Acórcrm ri" 3803-00.200 Fl 242 Voto Conselheiro HÉLCIO LAFETÁ REIS, Relator O recurso é tempestivo, reúne as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Trata-se de lançamento de oficio efetuado em face da ausência de retenção da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores, Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF) em contas bancárias da titularidade do contribuinte acima identificado em razão da existência de medida judicial, posteriormente revogada, que impedia o recolhimento da contribuição. O auto de infração foi lavrado tendo por base informações prestadas por instituição financeira, repassadas à autoridade fiscal pelo próprio contribuinte em resposta a termo de intimação, bem como dados relativos à medida judicial acima referenciada. Passa-se, então, à análise das alegações do Recorrente que serão examinadas por itens. 1. Decadência - Fatos geradores ocorridos no período de 22/09 a 8/12/1999 (subitem 11,1 do Recurso Voluntário) Amparado no disposto no art, 150, § 4 0 , do Código Tributário Nacional, o Recorrente alega que, relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 22 de setembro a oito de dezembro de 1999, já se operara o transcurso do prazo decadencial, fato esse que implicaria na extinção dos créditos tributários respectivos. A DR3 Campinas/SP afastou essa preliminar, ancorada no art. 45 da Lei n° 8.212/1991 que definia o prazo decadencial de dez anos para a constituição de créditos relativos a tributos destinados à Seguridade Social, Contudo, conforme demonstrado a seguir, essa decisão não poderá prosperar em razão do efetivo transcurso do prazo decadencial relativamente aos fatos geradores alegados pelo Recorrente. De início, registre-se que o Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante n° 8, a seguir transcrita, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8,212/1991, que previa o prazo decadencial de dez anos para a constituição de créditos tributários relativos a contribuições sociais, dispositivo legal esse que serviu de base para o afastamento da preliminar de decadência alegada pelo contribuinte em sede de impugnação. São inconstitucionais o parágrafo único do artigo .5" do Decreto- Lei n°1 .569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n°8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. (Súmula vinculante n° 8 de 12/06/2008). A Constituição Federal, por sua vez, em seu art., 103-A e §§, determina que o conteúdo de súmula vineulante deve ser observado pelo Poder Judiciário e pela Administração Pública, Ui verbis: Ai t. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinca/omite em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder ó sua revisão ou cancelamento, na foi ma estabelecida em lei (Inchado pela Emenda Constitucional n" 45. de 2004) (Vide Lei 17" 11.417, de 2006).- Grifei § 1" A súmula terá por objetivo a validade, a intempretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos ludiciárlos ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2" Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá sei. provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade § 3" Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicam, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja preferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso Consoante tais dispositivos, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF — prevê dispensa, por parte dos julgadores, de observância de lei já declarada inconstitucional pelo STF, a saber: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CAIU' afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreta, sob fundamento de inconstitucionalidade, Parágrafb único. O disposto no capuz` não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: 1 - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal, (grifei)i fei ) No mesmo sentido, a Lei Complementar n ° 118/2008 revogou o referido art. 45, conforme demonstrado a seguir: Art. 13 Ficam revogados: 1 — a partir da data de publicação desta Lei Complementar: a) os mis. 45 e 46 da Lei no 8.212, de 24 de "ulho de 1991. Processo n" 10875.001358/2005-37 S3-T E.03 Acórdão n." 3803-00,200 F l. 243 Dessa forma, diante do fato de se tratar a CPMF de tributo sujeito ao lançamento por homologação previsto no att, 150 do CTN, para fins de apuração do prazo decadencial, dever-se-ia aplicar a regra prevista no § 40 do mesmo artigo, in verbis Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributas cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ) § 4" Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem i que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo .se comprovada a ocorrência de dolo, .fraude ou simulação. Contudo, considerando que no presente caso não houve pagamento antecipado sujeito à homologação por parte da Fazenda Pública, não há que se falar em homologação tácita do lançamento, por inexistir atuação prévia do contribuinte voltada ao cumprimento da obrigação tributária, nem mesmo após a revogação da medida judicial que amparava a ausência de retenção e recolhimento da contribuição. Nessa situação, deve-se aplicar a regra geral da decadência prevista no art, 173, I, do CTN, in verbis: Art 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já decidiu nesse sentido, conforme se verifica na ementa a seguir reproduzida referente ao REsp 445137/MG de agosto de 2006: PROCESSUAL CIVIL TRIBUTÁRIO. ISS. LISTA DE SERVIÇOS. TAXATIVIDADE INTERPRETAçÃo EXTENSIVA, PREOUESTIONAMENTO AUSÊNCIA:. PRAZO DEELDENCIAL CORREÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INICIO DA AÇÃO FISCAL. NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. SÚMULAS 7 E 211 DO STI SÚMULAS 282 E 3.56 DO STF ARTIGO 53.5, II, DO CPC (-) 3 Se não houve pagamento antecipado pelo contribuinte, é cabível o lançamento direto substitutivo, previsto no art. 149, V do CTN, e o prazo decadencial rege-se pela regra geral do art. 173, Ido CTN Precedentes da 1" Seção. ) 0'3 7 9, Recurso especial conhecido em parte e provido. Nesse mesmo sentido, tem-se o seguinte posicionamento doutrinário: Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, podem ocorrer duas hipóteses quanto à contagem do prazo decadencial do Fisco paro a constituição do crédito tributário• 1) quando o contribuinte efetua o pagamento no vencimento, o prazo para o lançamento de ofício de eventual diferença a maior , ainda devida, é de cinco anos contados da ocorrência do ,fato gerador, .fbrte no art. 150, § 4,do CTN; 2) quando o contribuinte não efetua o pagamento no vencimento, o prazo para o lançamento de oficio é de cinco anos contados do primeiro dia cio exercício seguinte ao de ocorrência do _fato gerador, o que decorre da aplicação, ao caso, do art. 173, .1, do CTN. Importante é considerar que, confirme o caso, será aplicável um ou outro prazo; jamais os dois sucessivamente, pois. são =bidentes uni do outro. Ou é o caso da aplicação da regra especial ou da regra geral, jamais aplicando-se as duas no mesmo caso Esse entendimento acima reproduzido consta da súmula n° 219 do extinto Tribunal Federal de Recursos, bem como da decisão do Tribunal Regional Federal da 4" Região, 2" Turma, AC 2004„70,00.004560-0/PR, in verbis: TFR Súmula n" 219 - 12-08-1986 - DJ 18-08-86 Antecipação de Pagamento - Direito de Constituir.. o Crédito Previdenciátio Extinção - Fato Gerador.- Não havendo antecipação de pagamento, o direito de constituir o crédito previdenciário extingue-se decorridos cinco anos do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que ocorreu o fato gerador APELAÇÃO CiVEL N" 2004, 7000004560-0/PR. EXECUÇÃO FISCAL, DE CADÊNCIA TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO 1. Em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, poderá ocorrer as seguintes situações .• (a) o contribuinte efetua o pagamento tempestivo do tributo. neste caso, a Fazenda poderá homologar ou efetuar lançamento de oficio de eventuais diferenças no prazo decadencial de .5 anos contados na firma do artigo 150, § 4", do CTN, (b) o contribuinte não efetua o pagamento tempestivo.. o Fisco terá que efetuar lançamento de oficio no prazo decadencial de 5 anos contados na forma do artigo 173, I, do CIN. ) 4. No caso em tela, não houve qualquer pagamento, incidindo, pois, o prazo do art 173, I, do CTN O Auto de Inflação lavrado em janeiro de 2000 relativamente a competências de 1989/1990 revela lançamento a destempo, quando o Fisco já decaíra de tal direito. PAULSEN, Leandro. Direito tributário; Constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10. ed Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2008 Processo ir 10875 001358/2005-37 Acórdão o " 3803-00.200 S3-TE03 Fl 244 Portanto, tendo em vista que o auto de infração fora lavrado em 26/04/2005, aplicando-se quaisquer das regras de decadência anteriormente abordadas — homologação tácita ou regra geral da decadência —, tem-se que todos os créditos tributários referentes a períodos de apuração ocorridos em 1999 já se encontravam decaídos naquela data, com base nos dispositivos acima reproduzidos. Em razão disso, dá-se provimento ao recurso na parte relativa ao reconhecimento do transcurso do prazo decadencial quando da lavratura do auto de infração relativamente aos fatos geradores ocorridos em 22/09/1999, 29/09/1999, 06/10/1999, 13/10/1999, 20/10/1999, 27/10/1999, 03/11/1999, 10/1111999, 17/11/1999, 01/12/1999 e 08/12/1999. II. Processo Administrativo Fiscal - Ônus da prova (subitens 11,2, 11,5 e 11,6 do Recurso Voluntário) O Recorrente alega que, para fins de comprovar a retenção do tributo ou a ausência desta, o onus probandi é da Fazenda Pública, que deveria intimar a instituição financeira com vistas a obter a prova do fato controverso, em respeito ao princípio da verdade material ou real. Alega, também, ausência de demonstração do método adotado pela Fiscalização na apuração das infrações que ensejaram a lavratura do auto de infração, tendo esta se amparado em meras presunções, suposições e aparências, não havendo prova inconteste da ocorrência da infração, Tais alegações, contudo, não podem prosperar, como será demonstrado a seguir. Conforme consta dos autos, a prova obtida junto à instituição financeira e apresentada à Fiscalização pelo contribuinte (fls. 20 a 22) informa as bases de cálculo, os valores de CPMF e os juros cabíveis no período sob análise, não havendo indicação da retenção e do recolhimento da contribuição. A Fiscalização da DRF Guarulhos/SP, ao intimar o contribuinte, solicitou a apresentação de Comprovantes de recolhimento da CPMF sub-judice„se houver, bem como os demonstrativos das respectivas bases de cálculo (fl. .3), e ainda Demonstrativo/relatório da CPMF emitido pelos próprios bancos acima, onde consta base de cálculo, período de apuração, CPMF devida, CPMF recolhida (fls. 11 e 13) - grifei. Em resposta, o contribuinte apresentou o documento fornecido pela instituição financeira (fls. 20 a 22), em que se relacionam as informações requeridas pelo Fisco, exceto os valores de CPMF recolhidos. Ora, não há prova mais evidente que essa, fornecida pelo próprio Recorrente e que serviu de base inconteste para o lançamento de oficio, O Decreto n e` 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF) assim delineia essa matéria: At!. 16. A impugnação mencionará. 9 1- a autoridade julgadora a quem é dirigida,. II - a qualificação do impugnante, III - os motivos de .firto e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, (Redação dada pela Lei n° 8348, de 1993) — Grifei ) 4" Á prova documental será apresentada na impugnação, prechando o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei n°9.532, de 1997) Ao Recorrente foram assegurados os princípios da ampla defesa e do contraditório, tanto na fase investigativa que precedeu o lançamento, quanto na instauração do processo administrativo fiscal, sendo que sua defesa se sustenta na alegação de inexistir base tática ao lançamento. No presente caso, o lançamento de oficio se deu com base em informações prestadas pela própria instituição financeira e repassadas pelo contribuinte à autoridade fiscal em atendimento aos termos de intimação em que os itens requeridos foram identificados de forma pormenorizada. Nesse contexto, mostra-se oportuno e esclarecedor o seguinte excerto: Dessa feita, em muitas situações, a mera alegação não se apresenta suficiente É necessário conferir-lhe grau substancial de veracidade, com elementos que revelem liame entre o alegado e o ocorrido Assim, o impugnante deve se desinicumbir de sua tarefa de comprovar o que alega, para que suas alegações se revistam de um 'ônus diverso do meramente protelató rio, Já que a impugnação administrativa suspende a exigibilidade do crédito tributário2 Ao se contrapor à atuação da Administração Tributária em face dos elementos probatórios que embasaram o lançamento de oficio, cabe ao contribuinte demonstrar e comprovar os fatos impeditivos, modificativos e extintivos do crédito tributário por ele alegados, sob pena de preclusão, nos termos do art. 16, § 4°, do Decreto n° 70135/1972 acima transcrito. Portanto, conclui-se, no que se refere à parcela do crédito não alcançada pela decadência, pela correta atuação do agente fiscal no momento da lavratura do auto de infração, exigindo-se o tributo apurado em procedimento de fiscalização, bem como os acréscimos legais cabíveis. III. Retenção da CPMF — Responsabilidade da instituição financeira (subitem 113 do Recurso Voluntário) A CPMF foi instituída pela Lei n° 9.31111996, com base no art. 74 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), tendo como contribuinte o titular em 2 PAULA, Rodrigo Francisco de Processo administrativo fiscal federal Belo Horizonte: Dei Rey, 2006, p. 153 154 10 11 Processo n" 10875 001358/2005-37 Acórdão n " 3803-00.200 S3-TE03 Fl. 245 cuja conta ocorreriam as movimentações financeiras caracterizadoras dos fatos geradores do tributo, in verbis: Art. 4° São contribuintes 1 - os titulares das contas referidas nos incisos I e II do art. 2' ainda que movimentadas por terceiros; Art. .5° É atribuída a responsabilidade pela retenção e recolhimento da contribuição: I - às instituições que efetuarem os lançamentos, as liquidações ou os pagamentos de que tratam os incisos 1, II e III do art. 2' - às instituições que interina-liarem as operações a que se refere o inciso V do art. 2° Iii - àqueles que intermediarenz operações a que se refere o inciso Vicio art. 2° . ç 3 0 Na falta de retenção da contribuição, .fica mantida, em,5 • caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento. (grifei) Do acima exposto, pode-se inferir que o contribuinte de direito e de fato do tributo é o titular da conta corrente movimentada, sendo atribuída às instituições financeiras a responsabilidade pela retenção e recolhimento, sendo esse o entendimento que se pode extrair na seguinte passagem: O recolhimento da CPMF não é fito pelos próprios contribuintes, mas pelos substitutos tributários aos quais a lei atribui a obrigação de proceder à retenção e ao recolhimento dos montantes devidos, viabilizando operacionalmente tal tributo. São sujeitos passivos, na qualidade de responsáveis tributários por substituição, as instituições financeiras, tal como arrolado no art. .5° da Lei n° 9.31 I/96 3 Tal responsabilização atribuída às instituições financeiras, portanto, não tem o condão de afastar a condição de contribuinte do ora Recorrente em face dos fatos geradores por ele produzidos. O Código Tributário Nacional (CTN) assim aborda essa questão: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz- se: ' PAULSEN, Leandro. Direito Tributário; Constituição e Código Tributário Nacional à luz da doutrina e da jurisprudência 10 ed. Porto Alegre; Livraria do Advogado; ESMAFE, 2008, p. 607. rx\ 1 - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fido gerador; II - responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei ) Art 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. ) Au t 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infi-açõe.s da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato Considerando os dispositivos acima transcritos, é possível concluir que o contribuinte permanece no polo passivo da obrigação tributária, havendo a transferência do dever de reter e recolher a contribuição para a instituição financeira como medida de facilitação dos procedimentos de fiscalização e arrecadação. A responsabilização das instituições financeiras como operadoras do recolhimento do tributo não substitui o Recorrente na sua condição de contribuinte. A possibilidade aventada de transferir a obrigação tributária para um terceiro — no caso, as instituições financeiras —, nos termos do CTN, seria consistente se e somente se fosse, além do dever acessório de reter e recolher a contribuição, transferida também a carga tributária devida. Ora, em relação à CPMF, as instituições financeiras não arcam com seus próprios recursos para quitar débitos tributários dos seus correntistas. O pagamento é realizado com recursos próprios dos contribuintes, havendo apenas a transferência da obrigação de retenção e recolhimento, como Ocorre nos casos de retenção na fonte do imposto de renda das pessoas físicas, em que as fontes pagadoras retêm o tributo devido, mas sobre os rendimentos brutos pertencentes aos contribuintes, se manifestou: Nesse sentido, tem-se a lição do tributarista Heleno 'Taveira 'Urres que assim Agente de retenção é o sujeito que fica "no lugar" do contribuinte, pagando o tributo em nome deste, porque assim dispôs a lei, mesmo sem guardar qualquer relação pessoal ou material com o lato jurídico tributário Trata-se de um "intermediário" legalmente interposto para os fins de arrecadação tributária, suportando uma obrigação tributária acessória, meramente de natureza &mal, relativamente à entrega do dinheiro ao Estado, como fazer algo no interesse da arrecadação e da fiscalização. O substituido .fica como se fosse UM estranho à sistemática de arrecadação, que se opera exclusivamente em face deste, mesmo sendo a situação .jurídica do substituído a que sirva como base para a incidência da norma 12 13 Processo n" 10875 001358/2005-37 S3-1E03 Acórclào n " 3803-00100 Fl. 246 tributária impositiva, pela respectiva demonstração de capacidade contributim Por isso, o regime jurídico aplicável é o do substituído, .sempre4 Ressalte-se, também, que, não havendo prescrição legal em sentido contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária é da espécie objetiva, não dependendo da intenção ou vontade do agente ou do responsável, afastando-se, portanto, qualquer exigência de dolo ou culpa para sua caracterização. Relativamente às alegações do Recorrente de que a falta de retenção e recolhimento da contribuição não se deveu à sua liberalidade e que as penalidades porventura cabíveis deveriam ser impostas às instituições financeiras, mister se torna esclarecer que, com base no art. 150, § 6°, da Constituição Federal, e tendo em vista o disposto no art. 128 do CTN supra reproduzido, a dispensa de pagamento de tributo e a anistia ou remissão de penalidades exigem previsão legal expressa, não sendo possível presumir a exclusão da responsabilidade do contribuinte, mormente em razão do fato de que a capacidade contributiva revelada em face do fato gerador é dele. O fato de ter havido medida liminar amparando a ausência de retenção da CPMF durante um determinado lapso de tempo não afasta a obrigação tributária decorrente após a sua revogação, permanecendo os mesmos sujeitos ativo e passivo da relação obrigacional.. Portanto, afasta-se a pretensão do Recorrente de transferir a responsabilidade pelo pagamento do crédito tributário à instituição financeira responsável tão-somente por deveres instrumentais. IV. Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) — Encerramento (subitem 11.4 do Recurso Voluntário) O Recorrente requer, ainda, a decretação de nulidade do auto de infração em razão da falta de comunicação acerca do encerramento do MPF, em afronta ao formalismo exigido do ato administrativo. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é instrumento interno e operacional de planejamento e controle das atividades de fiscalização, tendo sido instituído visando ao melhor controle administrativo das ações fiscais da Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB. Tal disciplinamento foi dirigido aos recursos humanos daquele órgão e não pode ser entendido como instrumento capaz de afastar a vinculação da autoridade administrativa à Lei, sujeita a sua atividade à responsabilidade funcional nos exatos termos do que dispõe o art. 142 do Código Tributário Nacional. Por isso que, no pleno gozo de suas funções, o Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil detém competência exclusiva para o lançamento, não podendo se esquivar do cumprimento do seu dever funcional em função de portaria administrativa e em detrimento das determinações superiores estabelecidas no Código Tributário Nacional. TÓRRE.S, Heleno -faveira Substituição tributária - regime constitucional, classificação e relações jurídicas (materiais e processuais). RDDT n° 70, julho/01, p. 87/108. (--;\ , Nesse sentido já houve o pronunciamento do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes em caso semelhante (Acórdão ri' 301-31806, de 18/5/2005), bem como da 1 Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão ri' CSRF/01-05.558, de 4/12/2006, cuja 11 ementa dispôs, in verbis: MPF DESCUMPRIMENTO DA PORTARIA SRF 3007/2001 — NULIDADE — O desrespeito à previsão de indicação no il/IP.F-F de período fiscalizado e autuado não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores, porque Portaria do Secretário da Receita Federal não pode interferir na investidura de competência do AFRF de fiscalizar e promover lançamento, ademais, o descumprimento de algum item do art. 7 da Portaria SRF 3007/2001 não traz como conseqüência a nulidade do ato. Portanto, considerando não estar tal hipótese incluída entre as sujeitas à nulidade de que trata o art. 59 do Decreto n° 70..235/72, entendo descabida a argüição de nulidade do Auto de Infração em decorrência da falta de comunicação do encerramento do V. Declaração — Constituição do crédito tributário (subitem 11.7 do Recurso Voluntário) Segundo o contribuinte, as declarações prestadas pelas Instituições Bancárias (inclusive pelo Unibanco S/A) à Receita Federal, quanto à retenção da CPII/IF no período considerado, têm força de constituição dos créditos tributários nelas dispostos (fl. 204). Nada mais inverossímil que isso. O lançamento de oficio se baseou em informação prestada ao contribuinte pela instituição financeira, não tendo havido nenhuma relação com eventual Declaração de CPMF que o banco possa ter enviado à Receita Federal, E niesmo que tivesse, tal declaração não tem o condão de constituir qualquer crédito tributário; primeiro por inexistir lei autorizando nesse sentido; segundo por se referir a declaração prestada por terceiros (instituições financeiras) e não pelos próprios contribuintes; e terceiro em razão da existência de comando legal (Medida Provisória n° 2.158-35/2001) determinando a lavratura de autos de infração para os casos da espécie, Portanto, restam totalmente descabidas tais alegações. VI. Inconstitucionalidade da cobrança da CPMF e da multa de oficio e impossibilidade de aplicação da taxa Selie como juros de mora (subitens III 1, 111.2 e 111.3 do Recurso Voluntário) Alega o Recorrente que a CPMF foi instituída pela Emenda Constitucional n° 21/1999, que, por sua vez, não identificou os elementos da norma matriz de incidência, tornando inconstitucional a exigência de tal contribuição. De pronto, registre-se que, não se configurando nenhuma das exceções previstas na legislação de regência, não cabe na esfera administrativa a discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei, nos termos contidos no art. 26-A e parágrafb único do Decreto n° 70.235/1972 (PAF), com redação dada pela Lei á° 11.941/2009, 15 Processo ri" 10875 001358/2005-.37 83-TE03 Acárdào ri" 3803-00.200 Fl. 247 bem como no art. 62 e parágrafo único do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Quanto aos acréscimos legais exigidos no auto de infração, o CTN assim dispõe: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da .falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. A lei instituidora da CPMF — Lei n° 9.311/1996 — não alterou a imputação dos acréscimos legais decorrentes da falta de pagamento da contribuição a outra pessoa que não ao próprio contribuinte, in verbis:. Art. 13. A contribuição não paga nos praz,os previstos nesta Lei será acrescida de: 1 - juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento da obrigação até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento; II - multa de mora aplicada na forma do disposto no inciso 11 do art. 84 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Art, 14. Nos casos de lançamento de ofício, aplicar-se-á o disposto liOS arts. 44, 47 e 61 da Lei n 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Os artigos 44 e 47 da Lei n° 9.430/1996 citados no reproduzido art. 14 supra assim dispõem: Art. 44 Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas. (Redimia dada pela Lei n" 11.488, de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; fRedação dada pela Lei n" 11.488, de 2007) II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: !Redação dada pela Lei n" 11.488, de 2007) (. ) 0 percentual de multa de que trata o inciso 1 do capa! deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n' 4..502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redaçào dada pela Lei n" 11.488, de 2007) ) Art. 47. A pessoa física ou jurídica submetida a ação . fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal poderá pagar, até o vigésimo dia subsecpiente à data de recebimento do termo de de fiscalização, os tributos e contribuições já declarados, de que jr. o sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo. (Redação dada pela Lei n"9.532, de 1997) - Grilei Quanto à exigência dos juros moratórias, sua previsão encontra-se, também, no art. 61, § .3°, da Lei n° 9.430/1996, que definiu por seu cálculo com base na taxa Selic, conforme se operou, no presente caso, por meio do lançamento de oficio. Portanto, constata-se inexistir autorização legislativa para a remissão das penalidades aplicáveis ao contribuinte que não pagou o tributo devido, e muito menos previsão para transferir tal obrigação a terceiros, ainda que responsável pela retenção da contribuição. VIL Conclusão Diante do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, declarando-se transcorrido o prazo decadencial quando da lavratura do auto de infração relativamente aos fatos geradores ocorridos em 22/09/1999, 29/09/1999, 06/10/1999, 13/10/1999, 20/10/1999, 27/10/1999, 03/11/1999, 10/11/1999, 17/11/1999, 01/12/1999 e 08/12/1999, mantendo-se a autuação relativamente aos demais fatos geradores, tendo sido afastadas as demais preliminares e alegações trazidas pelo Recorrente. É como voto.. HELCIO LAFWA REIS 16

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4640432 #
Numero do processo: 13984.000634/00-70
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1994 IRPF. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4° DO CTN. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento do crédito tributário decai em cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. IRPF. MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Reconhecida a decadência do imposto de renda, a multa por atraso na entrega da declaração a ser exigida será a multa mínima prevista no § 1 0, "a" do art. 88 da Lei n°8.981, de 20 de janeiro de 1995. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9304-0008
Decisão: ACORDAM os membros da quarta turma da câmara superior de recursos fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para afastar a decadência apenas quanto a multa por atraso na entrega da DIPRF, reduzindo-a ao valor de RS 165,74 (multa mínima).
Nome do relator: Ana Maria Ribeiro dos Reis

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Sessão de 2 de março de 2009 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CLÓVIS SEFEN DE ALBUQUERQÚE Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1994 Ementa: IRPF. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4° DO CTN. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento do crédito tributário decai em cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. IRPF. MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Reconhecida a decadência do imposto de renda, a multa por atraso na entrega da declaração a ser exigida será a multa mínima prevista no § 1 0, "a" do art. 88 da Lei n°8.981, de 20 de janeiro de 1995. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da quarta turma da câmara superior de recursos fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para afastar a decadência apenas quanto a multa por atraso na entrega da DIPRF, reduzindo-a ao valor de RS 165,74 (multa mínima). A Ô • ' RAGA residente , ANAV /Á it El-1W ITà S REIS Relatora FORMALIZADO EM: o 6 eUT 2019 Processo n° 13984.000634/00-70 CSRF/T04 Acórdão n.° 9304-00.008. Fls. 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro;; Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Hadadd., Moises Giacomelli Nunes da Silva, Gonçalo Bonet Allage e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Relatório A Fazenda Nacional, por meio de sua Representante, intimada do Acórdão n° 104-22.401 (fls. 66/71), que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, interpõe o Recurso Especial de fls. 75/84. O Acórdão recorrido está assim ementado: DECADÊNCIA - OCORRÊNCIA - O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, cujo prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 150, ,sç' 4°, do CTN, que ocorre em 31 de dezembro de cada ano, por se tratar de fato gerador complexivo anual. Trata-se de omissão de rendimentos, com vínculo empregatício, recebidos de pessoa jurídica no ano-calendário de 1994 e multa por falta de entrega da declaração de ajuste anual. A decisão recorrida reconheceu que, em 11/12/2000, data da ciência do auto de infração, estava decaído o direito do fisco de efetuar o lançamento, a teor do art. 150, § 4°, do CTN, e deu provimento ao recurso. Pede a Fazenda Nacional que seja afastada a decadência, uma vez que o prazo para a constituição do crédito tributário deve obedecer à regra fixada pelo art. 173, I, do CTN. Admitido o recurso por meio do Despacho n° 104-154/2008 (fls.109/110), e intimado o contribuinte, este apresentou as contra-razões de fls. 114/121. Na sessão de 5 de agosto de 2008 foram os autos distribuídos a esta conselheira, numerados até a fl. 124. • É o relatório.4 2 Processo n° 13984.000634/00-70 CSRF/T04 Acórdão n.° 9304-00.008. Fls. 3 Voto Conselheira ANA MARIA RIBEIRO DOS REIS, Relatora O presente recurso especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Trata-se da exigência de imposto dè renda sobre rendimentos recebidos de pessoa jurídica pela prestação de serviços com vínculo empregatício, no ano-calendário de 1994, e de multa pela falta de entrega da declaração de ajuste anual a que o contribuinte estava obrigado. A decisão recorrida reconheceu a decadência do lançamento, a teor do art. 150, § 4°, do CTN, uma vez que o imposto de,renda da pessoa fisica enquadra-se entre os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, cujo fato gerador se completou em 31/12/1994. Pugna a Fazenda Nacional pelo afastamento da decadência ao entendimento de que a regra aplicável encontra-se no art. 173, I, do CTN. A análise da questão deve ser desdobrada em duas partes: uma, o lançamento do imposto e a outra, o da multa pela falta de entrega da declaração. No tocante ao imposto de renda da pessoa fisica, é de se reconhecer tratar-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, cuja 'regra de decadência encontra-se plasmada no art. 150 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional (CTN), que tem a seguinte dicção: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § JO O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resoliztória da ulterior homologação ao lançamento. § 2" Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3' Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4' Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o . 3 Processo n° 13984.000634/00-70 CSRF/T04 Acórdão n.° 9304-00.008. Fls. 4 lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Caracteriza tal modalidade de lançamento pela realização pelo sujeito passivo de pagamento anterior a qualquer notificação por parte da Fazenda, provavelmente, por isso o tratamento a ele conferido pelo Código de pagamento antecipado. Realizado tal pagamento, compete à Administração a homologação ou não desa atividade realizada pelo obrigado. Nos termos do § 1°, esse "pagamento antecipado" pelo sujeito que tem o dever de fazê-lo extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. Daí a previsão pelo art. 156 desse pagamento como forma de extinção do crédito tributário, colocado em inciso topologicamente distinto do pagamento normal, este no inciso I e aquele no inciso VII. Entendemos que o pagamento antecipado extingue o crédito tributário, ficando esta extinção sujeita ao implemento de condição resolutória, que será a "não- homologação" do pagamento.' Apesar de o artigo tratar da modalidade de lançamento dito por homologação, traz o seu § 4° urna regra de decadência, ao dispor que, se a autoridade administrativa não se manifestar durante o prazo de cinco anos contados do fato gerador, considera-se homologado o lançamento e "definitivamente" extinto o crédito — homologação tácita. Como o pagamento antecipado está sujeito à condição resolutória da não homologação, provavelmente esta deve ter sido a razão para o § 4° falar em sua definitividade, como se esse pagamento fosse provisório. Costuma-se chamar essa homologação por decurso do prazo nele previsto de homologação tácita. Assim, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a autoridade administrativa tem o prazo de cinco anos para homologar a atividade do sujeito passivo ou, não a homologando, efetuar o competente lançamento de oficio, acrescida dos consectários legais. A ocorrência da homologação tácita, portanto, implica reconhecer definitivamente extinto o crédito tributário. Em síntese, a homologação tácita opera a decadência do direito de realização do lançamento de oficio relativo ao tributo que deixou de ser pago e os respectivos acréscimos legais. Em razão dessas vicissitudes que cercam o dito lançamento por homologação e, por decorrência, sua decadência, as críticas não são poucas na doutrina brasileira.2 Em razão da previsão pelo art. 150 do dever do sujeito passivo de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, e do ato em que essa autoridade, tomando conhecimento da atividade exercida pelo obrigado, expressamente a homologa, uma das correntes sobre a decadência, que é a adotada pelo STJ, advoga que só há falar em homologação, quando o sujeito passivo realiza algum pagamento, ainda que em quantum 1 Para Paulo de Barros Carvalho, o pagamento antecipado não extingue o crédito tributário, mas apenas deflagra um processo de extinção desse crédito, que chega ao término com o ato homologatório, expresso ou tácito (Lançamento por homologação: decadência e pedido de restituição, in Repertório 10B d - Jurisprudência n° 3/97 - Caderno 1) 2 AMARO, Luciano. Op cit., p. 393-400. 4 , Processo n° 13984.000634/00-70 CS RFri-04 Acórdão n.° 9304-00.008. Fls. 5 menor que o que deveria ser efetuado. Esse pagamento, ainda que a menor, daria conhecimento dessa atividade do sujeito passivo, o que possibilitarià o agir da Administração. Não tendo o contribuinte efetuado qualquer pagamento do tributo, não existe atividade a ser homologada pela Fazenda, devendo o lançamento ser efetuado de oficio pela autoridade administrativa, conforme preceitua o art. 149, V, do CTN. Nesse caso, a regra para contagem do prazo decadencial seria a regra geral estabelecida no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito será de cinco anos contados do primeiro dia do exercicio seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Caso tenha sido realizado o pagamento antecipado, na hipótese de tributo sujeito, a lançamento por homologação, o prazo para a Fazenda Pública exigir eventuais diferenças será de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Findo este prazo, sem que tenha havido lançamento, o pagamento antecipado será homologado tacitamente e o crédito extinto independentemente do montante recolhido pelo contribuinte. De forma diversa a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), entendimento ao qual me filio. Para essa corrente, o tipo de lançamento a que está sujeito o tributo é que determina a regra de decadência aplicável, independente de haver ou não pagamento. Nessa linha a decisão proferida pela CSRF, na sessão de 27 de setembro de 2006, mediante o Acórdão CSRF/04-00.341, conforme ementa abaixo transcrita: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA - Nos casos em que a lei atribui ao sujeito passivo a obrigação de apurar e recolher o tributo independentemente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento ajusta-se à modalidade por homologação, devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro do ano-calendário correspondente, tendo o fisco cinco anos, a partir dessa data, para efetuar o lançamento. Assim, como a ciência do lançamento deu-se em 11/12/2000, decadente o direito da Fazenda Nacional em efetuar o lançamento relativo ao ano-calendário 1994. No que tange ao lançamento da multa pela falta de entrega da declaração de ajuste anual, não há que se falar em lançamento por homologação, aplicando-se, portanto a regra geral de decadência inscrita no art. 173, I, do CTN, verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Não há dúvida, e isto o recorrente não contesta, a declaração de rendimentos foi apresentada extemporaneamente, conduta sujeita à sanção. Resta perquirir sobre o cálculo da 1.penalidade que sanciona tal conduta. . 5 Processo n° 13984.000634/00-70 CSRF/T04 Acórdão n.° 9304-00.008. Fls. 6 A multa por atraso na entrega na declaração de rendimentos está tratada no art. 88 da lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, verbis: Art. 88. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física ou jurídica: I - à multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago; (Vide Lei n° 9.532, de 1997) ii - à multa de duzentas Ufirs a oito mil Ufirs, no caso de declaração de que não resulte imposto devido. § 1 0 0 valor mínimo a ser aplicado será: - a) de duzentas Ufirs, para as pessoas fisicas; b) de quinhentas Ufirs, para as pessoas jurídicas. Percebe-se que o "imposto de renda devido" foi eleito pelo legislador como a base para o cálculo da referida multa, sobre a qual será aplicado o percentual correspondente ao número de meses de atraso no cumprimento da obrigação acessória de apresentação da declaração de ajuste anual. Assim, levando-se em conta que o lançamento do imposto que foi utilizado para o mencionado cálculo está caduco, deve ser exigida do contribuinte a multa mínima de R$ 165, 74, a teor do art. 88, § 1 0, "a" do art. 88 da Lei n" 8.981, de 1995. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para reduzir a multa por falta de entrega da declaração de ajuste anual a R$ 165, 74. Sala das Sessões, em 2 de março de 2009. AN .4i ã1W 4 uis 6

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4638081 #
Numero do processo: 10215.000373/2004-51
Data da sessão: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. COMPROVAÇÃO. A comprovação da área de interesse ecológico, para efeito de sua exclusão na base de cálculo do ITR, não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA), no prazo estabelecido. É se reputar feita sua comprovação, à época da DITR/2000, em função do Decreto de utilidade pública, editado no ano de 1998 (exegese do artigo 7º, do Decreto-Lei n° 3.365/41). Recurso Especial Negado.
Numero da decisão: 9303-000.017
Decisão: ACORDAM os membros da terceira turma do câmara superior de recursos fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro

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CSRF/T03 Fls. 1 ;MIN MINISTÉRIO DA FAZENDA *,,P 11) CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS -------,-, ç .*-- TERCEIRA TURMA 1 Processo n° 10215.000373/2004-51 Recurso n" 301-132.348 Especial do Procurador Matéria ITR Acórdão u° 9303-00.017 Sessão de 23 de março de 2009 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ANTÔNIO CELSO SGANZERLA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. COMPROVAÇÃO. A comprovação da área de interesse ecológico, para efeito de sua exclusão na base de cálculo do ITR, não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA), no prazo estabelecido. É se reputar feita sua comprovação, à época da DITR/2000, em função do Decreto de utilidade pública, editado no ano de 1998 (exegese do artigo 70, do Decreto-Lei n° 3.365/41). 1 Recurso Especial Negado. 1 1 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da terceira urma do câmara superior de recursos fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o iresente julg. ao. 1,4 1 /..------ .11Mi CARLOS ALBERT14 O !v • EITAS i: ARRETO v Presidente ,,.----- 4 / ROSA M IA C DE JES1 S DA SI A COSTA DE CASTRO Relatora/ FORMALIZADO EM: 2 9 OUT 2009 , 1 , Processo n° 10215.000373/2004-51 CSRF/T03 Acórdão n.° 9303-00.017 Fls. 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto de Freitas Barreto (Presidente), Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice-Presidente Substituto convocado), Henrique Pinheiro Torres, Susy Gomes Hoffmann, Judith do Amaral Marcondes Armando (Substituta convocada), Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Irene Souza da Trindade Torres (Substituta Convocada), Nanci Gama. Relatório Trata-se de Recurso Especial de Divergência interposto pela i. Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n° 301-33381, exarado pela E. Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, sintetizado nas ementas abaixo transcritas: ITR EXERCICIO 2000. ATO DECLARA TÓRIO AMBIENTAL. IMÓVEL SITUADO EM RESERVA EXTRA TIVISTA CRIADA E DECLARADA DE INTERESSE ECOLÓGICO PELA UNIÃO. A obrigatoriedade de apresentação do ADA como condição para o gozo da redução do ITR para áreas declaradas de interesse ecológico teve vigência apenas a partir do exercício de 2001, em vista de ter sido instituída pelo art. 17-0 da Lei no 6.938/81, na redação do art. 1 o da Lei no 10.165/2000. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RERRATIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. Em vista da existência de dúvidas no acórdão, há que se acolher e prover os embargos no sentido de tornar clara a decisão. Acórdão rerratificado para manter a decisão prolatada. EMBARGOS ACOLHIDOS E PROVIDOS Em suas razões recursais, a i. Procuradoria alega, em síntese, que a adoção da exigência do ADA destina-se a evitar distorções, eis que garante que a exclusão do crédito tributário está de acordo com a realidade material do imóvel, além de fortalecer a proteção ambiental. Afirma, ainda, que a obrigação de protocolo do ADA, dentro do prazo de seis meses a contar do fato gerador, foi devidamente estabelecida através do ato normativo criador da própria obrigação e deve ser observada. Regularmente intimado do supra citado recurso, o contribuinte em epígrafe (doravante denominada Interessado) apresentou suas contra-razões requerendo a manutenção do inteiro teor do acórdão recorrido, eis que apenas lei em sentido estrito poderia criar obrigação referente ao ADA e, portanto, não pode ser exigido sob pena de sujeição do contribuinte à tributação pelo ITR. É o relatório 2 Processo n° 10215.000373/2004-51 CSRF/T03 Acórdão n.° 9303-00.017 Fls. 3 Voto Conselheira Rosa Maria De Jesus Da Silva Costa De Castro, Relatora O recurso teve seus requisitos de admissibilidade analisados mediante Despacho proferido pela i. Presidência da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes e, portanto, deve ser conhecido. O cerne da questão discutida no presente feito diz respeito à comprovação da área de interesse ecológico para fim de isenção do ITR. A Delegacia de Julgamento entendeu ser incabível a aceitação do Decreto que declarou a utilidade pública do bem, eis que apenas se trata da fase declaratória do procedimento de desapropriação pendente, portanto, da realização da fase executória, na qual a titularidade do imóvel seria efetivamente alterada. Dessa forma, entendeu que, nessa hipótese, a tributação somente seria afastada mediante a apresentação do ADA do prazo de seis meses a contar do respectivo fato gerador, conforme previsto na IN/SRF n° 43/97. Nada obstante a lógica acima exposta, a Primeira Câmara do Conselho de Contribuintes, conhecendo do Recurso Voluntário interposto, deu-lhe provimento para afastar a exigência do ADA como única via comprobatória, bem como para aceitar outras provas contidas nos autos, em apreço à Verdade Material. Entendo, nesse contexto, que a decisão recorrida deva ser mantida. Com efeito, além de entender não ser o ADA exigível, in casu l , concluo válido e suficiente, como meio de prova, o Decreto de utilidade pública da área em questão, editado no ano de 1998. Isso porque, embora com ele se dê apenas, como bem lembrado pela Delegacia de Julgamento, a fase declaratória do procedimento de desapropriação, na qual a expropriação não ocorreu de direito, é certo que a partir de então as faculdades inerentes ao domínio, de que dispunha o Interessado, ficaram paralisadas, especialmente porque seria criada ali uma reserva ecológica. 1 Como é cediço, a "obrigatoriedade" da ratificação pelo IBAMA da indicação das áreas de preservação permanente, de utilização limitada (área de reserva legal, área de reserva particular do patrimônio natural, área de declarado interesse ecológico) e de outras áreas passíveis de exclusão (área com plano de manejo florestal e área com reflorestamento) somente passou a ter previsão legal com a edição da Lei n° 10.165/2000, publicada em 28.12.00, a qual alterou o art. 17-0 da Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981 (que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação). Apenas a partir da edição daquele diploma legal (lei em stricto sensu) é que o ADA passou a ser obrigatório para efeito de exclusão da base de cálculo do ITR das referidas áreas. A norma em evidência passou a ter a seguinte redação : Art. 17-0. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (...) § 1 o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Grifo nosso) Nesse esteio, é certo que à época do fato gerador da obrigação em comento, no primeiro dia do respectivo ano- calendário, não havia determinação legal de prazo para a apresentação do ADA. 3 Processo n° 10215.000373/2004-51 CSRF/T03 Acórdão n.° 9303-00.017 Fls. 4 Prova disso é a letra do artigo 7 0, do Decreto-Lei n° 3365/41 (responsável pela regulamentação da matéria em tela), o qual estabelece que, a partir do Decreto expropriatório, o proprietário do imóvel fica à mercê das eventuais necessidades da Administração Pública, a qual pode, até mesmo, ocupar o local: Art. 7° Declarada a utilidade pública, ficam as autoridades administrativas autorizadas a penetrar nos prédios compreendidos na declaração, podendo recorrer, em caso de oposição, ao auxílio de força policial. Àquele que for molestado por excesso ou abuso de poder, cabe indenização por perdas e danos, sem prejuízo da ação penal. Sendo assim, entendo que, em razão desse Decreto (sujeito à decadência no prazo de cinco anos, se a fase executiva não for efetivada, nos termos do art. 10 do mesmo diploma), fica afastada a tributação pelo ITR no exercício em questão. De outra forma, estaria o Poder Público sobrecarregando de limitações a propriedade privada, pois que exigiria tributo sobre uma expressão de riqueza cuja livre disposição foi retirada de seu proprietário, o que afronta o Princípio da Razoabilidade que deve pautar a atuação estatal. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. Sala das Sessões, 23 de março de 2009. _ O ROSA MA, A DE JESUS DA SILVA COSTA DE CASTRO 4

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Numero do processo: 12045.000327/2007-29
Data da sessão: Thu Oct 29 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Oct 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2001 LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DOMICILIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. DIREITO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE. CTN. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verifica-se que a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte e somente pode ser recusado pela autoridade fiscalizadora nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal. O prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, urna vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que dificultou a sua apresentação. Processo Anulado.
Numero da decisão: 2301-000.725
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em anular o auto de infração/lançamento, nos termos do voto do relator Fez sustentação oral o advogado da recorrente Dr. Nelson Borges de Barros Neto.
Nome do relator: Damião Cordeiro de Moraes

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SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 12045.000327/2007-29 Recurso n° 146.335 Voluntário Acórdão n° 2301-00.725 — 3' Câmara I 1' Turma Ordinária Sessão de 29 de outubro de 2009 Matéria REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO Recorrente MI MONTREAL INFORMÁTICA Recorrida DEI' Rio de Janeiro-Centro/RJ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2001 LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DOMICILIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. DIREITO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE. CTN. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verifica-se que a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte e somente pode ser recusado pela autoridade fiscalizadora nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal. O prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, urna vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que dificultou a sua apresentação. Processo Anulado. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. cl Processo n° 12045.000327/2007-29 52-C311 •Acórdão n.° 2301-00.725 Fl. 2 ACORDAM os membros da 3 Câmara 1 P Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por . e de votos, em anular o auto de infração/lançamento, nos termos do voto do relator F . - ação oral o advogado da recorrente Dr. Nelson Borges de Barros Neto. j n§1, JULIO C S • VIEIRA GOMES -Presidente DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES -Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal (Suplente), Maria Helena Lima dos Santos (Suplente), Bemadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). Relatório I. Trata-se de recurso voluntário interposto pela empresa MI Montreal Informática LTDA contra decisão monocrática que julgou procedente o lançamento de contribuições devidas a terceiros (SESC, SENAC e SEBRAE). 2. A ementa da decisão restou assim resumida: "LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. PRESUNÇÃO DE LEGITWLDADE. IMPUGNAÇÃO IMPRECISA. Quando a narração dos fatos não se chega a uma conclusão lógica, impossível análise da impugnação. O ônus probandi elisivo é do sujeito passivo. Ausência de indicação clara de documentos sustentadores da alegação. LANÇAMENTO PROCEDENTE." 3. Como razões recursais aduz a empresa, em síntese, o seguinte: a) preliminarmente, defende que a fiscalização teria ignorado o domicilio fiscal da recorrente, pois não observou que a empresa possuiu sua sede no Município de Rio das Flores, no Estado do Rio de Janeiro, conforme consta do seu contrato social e outros documentos carreados aos autos; a exigência de documentos de todos os estabelecimentos da empresa em exíguo prazo e fora do estabelecimento centralizador, impossibilitou a completa apresentação formal dos elementos solicitados pelo fisco; b) houve abuso de poder pela fiscalização, tendo em vista que os auditores permaneceram na empresa por quase um na; c) no mérito, defende que a compensação, ao contrário do que afirmado no relatório fiscal, não teria sido realizada pela empresa de forma indevida, uma vez que autorizada por decisão judicial. 2 Processo n° 12045.000327/2007-29 52-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.725 Fl. 3 4. As contra-razões do fisco batalham pela manutenção do decisum, haja vista que o crédito teria sido apurado e constituído corretamente, nos termos da legislação previdenciária aplicável o lançamento fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro DAMIÁO CORDEIRO DE MORAES, Relator DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade, e passo ao exame das questões preliminares adiante identificadas. DAS QUESTÕES PRELIMINARES 2. Creio que o Colegiado deve enfrentar, primeiramente, a irregularidade cometida pelo fisco e que é suficiente para determinar a anulação do lançamento fiscal, qual seja o desrespeito, por parte da autoridade fiscalizadora, do domicílio tributário do sujeito passivo. 3. Compulsando os autos, verifica-se que a auditoria fiscal realizada no estabelecimento da recorrente, através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, determinou que a documentação fosse apresentada no estabelecimento 42.563.692/0012-89 situado na Rua São José, 90 - 70 andar Centro Rio de Janeiro/RJ e lá permanecesse até o encerramento da ação fiscal. 4.O contribuinte argumenta que, de acordo com seu contrato social e outros documentos acostados aos autos, o domicílio tributário estava situado na Rua Capitão Jorge Soares, 04 - Rio das Flores - Volta Redonda/RJ. 5.O fisco, por sua vez, tanta afastar os argumentos do contribuinte trazendo aos autos indícios de prova no sentido de que a empresa elegeu como domicílio tributário o estabelecimento em que se desenvolveu o procedimento fiscalizatório portanto não haveria razão alguma para anular o lançamento fiscal. 6. A questão foi levada ao Judiciário Em consulta realizada sobre o andamento do processo, constata-se que houve trânsito em julgado em favor do recorrente. Com efeito, o Tribunal Regional Federal da r Região entendeu que os motivos trazidos pela Procuradoria do INSS para justificar a fiscalização em estabelecimento distinto ao eleito como domicilio tributário foram insuficientes para a aplicação do artigo 127, §2° do CTN. Segue transcrição do voto vencedor, ementa, acórdão e fase processual: "VOTO 3 Processo n° 12045.00032712007-29 52-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.725 Fl. 4 O Código Tributário Nacional proclama, em seu an. 127, inciso II, que, na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, será este o do lugar de sua sede, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado. A Autora, de acordo com dado constante em seu CNPJ, encontra-se em atividade desde o ano de 1976 (/7s. 14). Por conta da 20° alteração de seu Contrato Social, datada de 30 de janeiro de 1995 (fls. 2021204), promoveu a transferência de sua sede, originariamente estabelecida na Rua São José, n°90 — Centro, Rio de Janeiro/RI, para a Rua Capitão Jorge Soares, n° 04, no Município de Rio das Flores, Estado do Rio de Janeira Entendeu a Autarquia-previdenciária que a Autora, ao promover a mudança de sua sede, e, por consectário legal, de seu domicílio tributário, buscou criar empecilhos à atuação fiscal da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, porquanto circunscrita ao limite territorial da Capital do Estado. Em razão desta situação, aplicou ao caso a regra positivada no § 2° do art. 127 do CTN, o qual permite que a autoridade administrativa recuse o domicílio eleito pelo contribuinte quando se torne impossível ou dificultou' a arrecadação ou a fiscalização do tributo. Não obstante repute louvável toda e qualquer medida administrativa que tenha como escopo resguardar o munus fiscalizatório dos órgãos públicos, mormente em se tratando de hipótese de persecução de débitos fiscais, a ilação feita pela autoridade administrativa a respeito do verdadeiro objetivo a ser alcançado pela parte autora com a alteração de sua sede não se sustenta diante de uma leitura mais apropriada dos dispositivos do CTN reguladores da matéria, nem tampouco se verificarmos atentamente a cronologia dos fatos ocorridos. Primeiramente, cabe consignar ser evidente a distinção existente entre (a) autonomia da pessoa jurídica para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede e (b) faculdade de eleição, pelo contribuinte, de seu domicílio tributário. Da leitura do caput do artigo 127 do CIN verifica-se que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado, tem-se como domicílio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. A incidência, na espécie, da regra do §2° do art. 127 do CTN - "A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleita.." -, não se revela apropriada, visto que a definição do domicílio fiscal da Autora em Rio das Flores não se deu em razão do exercício da faculdade de eleição, mas sim por conta da fixação é 4 Processo nó 12045.000327/2007-29 52-C3T1 Acórdão o. 2301-00.725 Fl. 5 de sua sede naquele Município, hipóteses que não guardam similitude entre si. Noutro giro, entendo que o fato de a Autora figurar no rol de contribuintes sujeitos à atuação fiscal da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores do INSS não se revela, por si só, motivo razoável a justificar a desconsideração de sua nova sede como sendo o seu domicílio tributário. O Município de Rio das Flores está localizado a apenas 180 Km de distância da Cidade do Rio de Janeiro, não podendo tal circunstância ser considerada como impeditiva do exercício, pelos agentes públicos vinculados ao aludido órgão autárquico, da atividade de fiscalização/arrecadação de tributos. A opção administrativa do INSS de circunscrever aos limites territoriais da Capital do Estado a atuação da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, como consignado na contestação (fls. 93), não pode implicar restrição ao legítimo direito do contribuinte de, no livre exercício de sua atividade empresarial, e diante das conveniências e vantagens econômicas a serem eventualmente auferidas com a medida adotada, estabelecer sua sede onde nielhnr lhe aprnwpr Ainda que não dispondo de dados estatísticos para dar esteio a presente ilação, podemos presumir que, tal como na Capital, há, também, no interior do Estado do RJ, grandes devedores do INSS, o que não significa dizer que, por tal razão, deixe a Autarquia previdenciária de adotar as medidas administrativas necessárias para inscrição dos débitos existentes em Dívida Ativa e posterior ajuizamento de execuções fiscais, mesmo que sem a participação da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores. Outro ponto merecedor de destaque, relevante ao deslinde da questão jurídica em testilha, é a constatação de que, da análise dos atos normativos administrativos expedidos pelo Ministério da Previdência Social, concernentes à definição da estrutura organizacional do INSS, as Divisões de Cobrança de Grandes Devedores só passaram a ter expressa previsão a partir do advento da Portaria MPAS n° 6.247. de 28 de dezembro de 1999 que. revogando a Portaria n°458/92. aprovou o novo Regimento Interno daquela Autarquia. Cabe indagar, assim, como poderia a Autora, no ano de 1995promover a mudança de sua sede buscando dificultar a atuação fiscal de um órgão até então inexistente? Destarte, entendo que os motivos invocados pelo Réu para recusar a sede da Autora como sendo o seu domicílio tributário carecem de maior consistência, impondo-se, portanto, no âmbito desta E. Corte, a reforma da r. sentença recorrida. Face ao acima exposto, dou provimento ao recurso para, reformando a sentença, julgar procedente o pedido e declarar como domicílio tributário da Autora a sua sede, situada na Rua 5 Processo n°12045000327/2007-29 52-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.725 Fl. 6 Capitão Jorge Soares n°04, Centro, Município de Rio das Flores — RJ. Condeno o Réu no reembolso das custas judiciais e no pagamento de honorários de advogado, estes fixados em 10% (dez por cento) sobre o valor atribuído à causa. É como voto. EMENTA ADMINISTRATIVO — ALTERAÇÃO DE SEDE - DOMICILIO TRIBUTÁRIO — RECUSA PELA ADMINISTRAÇÃO - ARI: 127, § 2°, DO CTN. 1— Da leitura do caput do artigo 127 do C7N verifica-se que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado, tem-se como domicílio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. II — A autonomia que a pessoa jurídica possui para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede, não se confunde com o exercício da faculdade de eleição do seu domicílio tributário. O § 2° do art. 127 do CTIV permite que a autoridade administrativa recuse domicílio fiscal apenas quando este tenha sido fixado por eleição, e não em virtude de mudança de sede promovida por conta de alteração de contrato social da empresa. Hl — Recurso provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos em que são partes as acima indicadas. Decide a Sétima Turma do Tribunal Regional Federal da T Região, à unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relatar, constante dos autos, que fica fazendo parte integrante do presente julgado. Rio de Janeiro, 15 de agosto de 2007. (data de julgamento) SERGIO SCHWAITZER RELATOR PROCESSO N° 2003.51.01.022430-0 IV - APELACAO CIVEL ( AC /346266) AUTUADO EM 14.07.2004 PROC. ORIGINÁRIO N°200351010224300 JUSTIÇA FEDERAL RIO DE JANEIRO VARA: 19CI APTE: MI MONTREAL INFORMÁTICA LTDA ADV: JOAO LUIZ PINTO DA NOBREGÁ E OUTROS Processo e 12045.000327/2007-29 52-C3T/ Acórdão n.° 2301-00.725 Fl. 7 APDO: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS ADV. FERNANDO UNO VIEIRA RELATOR: DES FED.SERGIO SCHWAITZER - 7A.TURMA ESPECIALIZADA LOCALIZAÇÃO: BAIXADO Em 07E2/2007 - 12:40 Baixa Definitiva Remetido a(o) A(0) Décima Nona Vara Federal do Rio de Janeiro(GR 00/0162527)07/0162527 Em 27/11/2007 - ' 12:40 Trânsito em Julgado DATA DO ÚLTIMO PRAZO: • Em 05/11/2007 - 16:44 Recebimento NA(0) SUBSECRETÁRIA DA 7A. TURMA ESPECIALIZADA" 7. Considerando a decisão judicial, temos como assegurado que o domicílio tributário da empresa recorrente é a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares n° 04, Centro, Município de Rio das Flores — RJ, conforme defendido em suas razões recursais. Portanto, está eivado de nulidade o lançamento fiscal em seu nascedouro. 8. E o prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que certamente dificultou a sua apresentação para o fisco. 9. Com efeito, a fiscalização deixou de observar a legislação que disciplina a matéria relativa ao domicilio tributário, a começar pelo próprio Código Civil: Código Civil: "Art. 75. Quanto às pessoas jurídicas, o domicilio é: IV - das demais pessoas jurídicas, o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações ou onde elegerem domicílio especial no seu estatuto ou atos constitutivos." 10. A seu turno, o Código Tributário Nacional assevera com clareza: "Art. 127. Na falta de eleicão pelo contribuinte ou responsável, de domicilio tributário, na forma da legislação aplicável, considera-se como tal: II - quanto as pessoas jurídicas de direito privado ou às firmas individuais, o lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento; § 1° Quando não couber a aplicação das regras fixadas em qualquer dos incisos deste artigo, considerar-se-á como domicilio tributário do contribuinte ou responsável o lugar da 7 Processo n° 12045.000327/2007-29 52-C371 Acórdão n.° 2301-00.725 Fl. 8 situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. § 2°Á autoridade administrativa pode recusar o domicilio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalizacão do tributo, aplicando-se então a regra do parágrafo anterior." 11. Pelos dispositivos legais acima alinhavados, constata-se que é pacifico o entendimento quanto ao estabelecimento do domicílio tributário por intermédio da fixação da sede da empresa. É bem verdade que o órgão fiscalizador pode recusar o domicílio eleito nas hipóteses previstas no artigo 127, §2° do CIN, mas desde que o faça de forma justificada. Para tanto, o ato normativo cuidou de estabelecer regras para a fixação de oficio do domicilio. Neste caso, o estabelecimento centralizador é aquele onde se encontra a documentação necessária e suficiente à fiscalização integral. 12 Em síntese, temos que, em regra, é respeitada a vontade do sujeito passivo na eleição de seu domicílio tributário e, conseqüentemente, de seu estabelecimento centralizador perante o fisco, que pode ser alterada de oficio nas hipóteses, comprovadamente, de impedimento ou dificuldade para a realização da auditoria fiscal. E no presente caso a fiscalização em momento algum recusou o domicilio eleito pelo recorrente preferindo, entretanto, defender o acerto da fiscalização no estabelecimento determinado pelos próprios auditores. 13. Há que se destacar ainda, porque importante, que o cerceamento do direito de defesa é nitidamente reconhecido, tendo em vista as autuações por falta de documentos e recusa em prestar esclarecimentos além dos inúmeros lançamentos por arbitramento, todos realizados com enorme gravame para o sujeito passivo. 14. Sem falar que ficou prejudicado o direito da empresa em acompanhar a ação fiscal e prestar os esclarecimentos necessários, o que denota clara afronta aos preceitos constitucionais garantidores da ampla defesa e do contraditório. 15. Por fim, diante de todo o exposto e uma vez transitada em julgado a sentença reconhecendo que o domicílio tributário é o estabelecimento centralizador do recorrente, situado na Rua Capitão Soares, 04 Rio das Flores Volta Redonda/RJ, somente resta a este órgão administrativo julgador acatar a decisão judicial e, conseqüentemente, a preliminar ora examinada, para anular o lançamento por vício formal. Restando, portanto, prejudicado o exame de mérito. CONCLUSÃO 16. Assim, voto pela ANULAÇÃO do lançamento. É como voto. Sala das Sessões, em 2 de Gutubro de 2009. J `tr—far. DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator

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Numero do processo: 13602.000519/99-37
Data da sessão: Mon Oct 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Oct 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1988 a 31/08/1994 PIS. DIREITO DE CRÉDITO E COMPENSAÇÃO. ACÓRDÃO DO ANTIGO 2° CONSELHO DE CONTRIBUINTES. EXECUÇÃO. NOVO PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESCABIMENTO. Descabe novo processo administrativo para examinar a forma como a autoridade fiscal deve cumprir acórdão definitivo do antigo 2° Conselho de Contribuintes. Recurso Voluntário de que não se Conhece.
Numero da decisão: 3302-00210
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ªTurma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - Carf, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto dó Relator.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: José Antonio Francisco

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DIREITO DE CRÉDITO E COMPENSAÇÃO. ACÓRDÃO DO ANTIGO 2° CONSELHO DE CONTRIBUINTES. EXECUÇÃO. NOVO PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESCABIMENTO. Descabe novo processo administrativo para examinar a forma como a autoridade fiscal deve cumprir acórdão definitivo do antigo 2° Conselho de Contribuintes. Recurso Voluntário de que não se Conhece. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Câmara / 2 Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - Carf, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto dó Relator. 4 Qkboxe.:0_, . •SEF MARIA COELHO MARQUES - PresidOnte JOSE A ONII0friCkNeISCO - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Ausente o Conselheiro Alexandre Gomes. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 354 a 366) apresentado em 16 de abril de 2008 contra o Acórdão n°02-17.340, de 3 de março de 2008, da DRJ Belo Horizonte / MG (fls. 313 a 318), do qual tomou ciência a Interessada em 17 de março de 2008 e que, relativamente a pedido de compensação de PIS dos períodos de julho de 1988 a agosto de 1994, indeferiu a solicitação da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1989 a 28/02/1995 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Nos termos da legislação de regência, é de reconhecer-se o pedido de restituição/compensação até o limite do montante creditó rio verificado. Solicitação Indeferida O pedido, apresentado em 26 de outubro de 1999, foi inicialmente indeferido pelo despacho de fls. 64 a 70, de 20 de novembro de 2002, segundo o qual, na versão da Interessada, estaria amparado em mandado de segurança (processo n. 95.0000292-2, JFMG) apresentado com base na inconstitucionalidade dos Decretos-Leis n. 2.445 e 2.448, de 1988, em que requereu, ainda, a compensação com a CSLL, contribuição previdenciáia e Cofins. Segundo o despacho, a sentença de primeira instância concedeu a segurança, limitando a compensação ao próprio PIS, à Cofins e à CSLL. O Tribunal Regional Federal da 1' Região, no julgamento da remessa de oficio, limitou a compensação aos débitos da mesma espécie e destinação constitucional. Segundo o despacho, a pretensão da Interessada nos autos seria o reconhecimento da semestralidade da contribuição, o que seria inconsistente com a legislação, não havendo saldo credor. Tal despacho foi objeto de pronunciamento anterior da DRJ (fls. 162 a 167), que indeferiu a reclamação da Interessada. Entretanto, à vista do primeiro recurso voluntário da Interessada, a antiga 1' Câmara do 2° Conselho de Contribuintes reformou a decisão no Acórdão n. 201-77.872, de 16 de setembro de 2004 (fls. 200 a 203), admitindo a semestralidade da base de cálculo. Após efetuar a apuração dos valores devidos (fls. 217 a 276), a DRF Belo Horizonte emitiu o despacho decisório de fls. 277 a 280, em que reconheceu em parte o direito de crédito requerido. Segundo o despacho, não constaria do presente processo pedido de restituição e "os débitos constantes do pedido de compensação de fls. 1 e 2 foram inscritos em divida ativa da União pelos valores dos respectivos saldos devedores existentes em contas correntes". /.._.,./-1 ,,h, 2 Processo n° 13602.000519/99-37 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.210 Fl. 380 Concluiu que se apurou "um crédito total de R$ 107.213,96 [...], a ser utilizado pelo contribuinte em compensações a pedido ou espontâneas, observado o prazo prescricional". A Interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o despacho, alegando que seria nulo, uma vez que "a planilha (de cálculo) não contempla dados e informações suficientes para que o contribuinte verifique o cálculo". Na seqüência, tratou do direito de compensação, à vista da decisão judicial transitada em julgado. Tratou, também, da semestralidade da base de cálculo da contribuição e afirmou não ter sido demonstrado nos autos a inexistência do crédito Pleiteado, o que inviabilizaria a não homologação das compensações. A DRJ, entretanto, indeferiu a solicitação, considerando, conforme ementa anteriormente reproduzida, que o direito de crédito vai "até o limite do montante creditório verificado". No recurso, a Interessada alegou que teve que apresentar a manifestação de inconformidade para compreensão da demanda e, na seqüência, repetiu as alegações lá apresentadas. Além disso, requereu a realização de perícia contábil para apuração do crédito, indicando o perito e os quesitos. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendo-se tomar conhecimento. Conforme esclarecido no relatório, a questão discutida no recurso originou-se de um despacho decisório da autoridade fiscal, que objetivou justificar o cumprimento de acórdão anterior da antiga i a Câmara do 2° Conselho de Contribuintes. Nesse contexto, a DRJ decidiu que o montante a que a Interessada teria direito foi apurado pela DRF. A Interessada, no recurso, rediscute, no recurso, o direito de crédito (montante), alegando incompreensão do demonstrativo, e a compensação apresentada, uma vez que a DRF considerou que os débitos compensados teriam sido inscritos em dívida ativa, sugerindo impossibilidade de compensação. Ao considerar que os débitos indicados pela Interessada no formulário de compensação não seriam passíveis de compensação, por terem sido inscritos em dívida ativa, que não haveria pedido de restituição e que a Interessada deveria utilizar os créditos em compensações futuras, observado o prazo decadencial, a DRF aparentemente acabou por fulminar o direito da Interessada. n I 3 No meu entendimento, se se tratava de pedido de compensação, reconhecido o direito de crédito, a DRF teria que requerer o cancelamento da inscrição e efetuar a compensação, até o limite do crédito reconhecido, pois a vedação legal à compensação de débitos inscritos refere-se ao momento da apresentação do pedido ou declaração de compensação e não ao momento da sua efetivação. Em que pesem tais circunstâncias, não existe previsão legal para um novo processo administrativo que trate do cumprimento de acórdão que pôs fim a processo administrativo anterior. As questões colocadas ao exame do antigo 2° Conselho de Contribuintes à época do julgamento do primeiro recurso, que tratavam especificamente do direito de crédito e de sua determinação, foram julgadas pelo Colegiado, cabendo à DRF cumprir o acórdão, conforme as regras vigentes. Se a DRF não cumpre o determinado no acórdão, caberá ao contribuinte apresentar reclamação à autoridade hierarquicamente superior ao Delegado da Receita Federal do Brasil, nos termos da Lei n. 9.784, de 1998, art. 56. À vista do exposto, voto por não tomar conhecimento do recurso, sugerindo que os autos sejam encaminhados à autoridade fiscal para apreciar o recurso apresentado nos presentes autos como o recurso previsto na Lei n. 9.784, de 1998, art. 56, § 1°, à vista do princípio da fungibilidade. --"( O S ONIO RANCISCO kf 4

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Numero do processo: 10640.001332/98-06
Data da sessão: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2002
Ementa: IPI – CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI – AQUISIÇÕES DE ENERGIA ELÉTRICA – A Lei n° 9.363, de 13.12.96, enumera taxativamente as espécies de insumo, cuja aquisição dá direito ao crédito presumido de IPI, são elas: as matérias primas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem. Para a legislação da exação em questão somente se caracterizam como tais espécies os produtos que, embora não se integrando ao novo produto fabricado, sejam consumidos, em decorrência de ação direta sobre o produto, no processo de fabricação. A energia elétrica não sofre essa ação direta, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. Recurso a que se dá provimento.
Numero da decisão: CSRF/02-01.234
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma do Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Rogério Gustavo Dreyer e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: Dalton César Cordeiro de Miranda

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Para a legislação da exação em questão somente se caracterizam como tais espécies os produtos que, embora não se integrando ao novo produto fabricado, sejam consumidos, em decorrência de ação direta sobre o produto, no processo de fabricação. A energia elétrica não sofre essa ação direta, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. Recurso a que se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos do recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Segunda Turma do Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Rogério Gustavo Dreyer e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. e,....fror.407 SON P '''-- - à R, 'á -IGUES PRESIDENTE , Nb Á 4a -t DALTON— .. "-- O • ID - - di 1 - IRANDA RELATOR FORMALIZADO EM: 24 ABR 2003 imp/cf Processo n° : 10640.001332/98-06 Acórdão n° : CSRF/02-01.234 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, JOSEFA MARIA COELHO MARQUES, HENRIQUE PINHEIRO TORRES e OTACÍLIO DANTAS CARTAXO. JURBR 27097v1 9.148614 2 Processo n° : 10640.001332/98-06 Acórdão n° : CSRF/02-01.234 Recurso n° :201-112.640 (RD/201-0.507) Recorrente : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Trata-se de recurso especial, por divergência, agitado pela Fazenda Nacional contra v. aresto de n° 201-74.715, que consubstancia r. decisão a que chegou a Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que, em sessão de julgamentos de 23/5/2001, externou o entendimento de que as aquisições de energia elétrica, pela contribuinte, integraria a base de cálculo do crédito presumido de IPI, nas operações de exportação, referente ao período de apuração segundo trimestre de 1998. Pelo despacho n° 201.466, o apelo especial foi admitido, abrindo-se "vistas" dos autos à contribuinte que, em apertada síntese e em contra-razões, sustenta que esta Turma deve manter o entendimento Camerário, resguardando seu direito "... à inclusão dos custos provenientes da aquisição de energia elétrica na base de cálculo do crédito presumido de IPI." (f 1. 135). É o relatório. JURJEUZ 27097v1 9.148614 3 Processo n° : 10640.001332/98-06 Acórdão n° : CSRF/02-01.234 VOTO Conselheiro DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA, Relator: O recurso especial em exame atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais dos Conselhos de Contribuintes. Assim, conheço do presente apelo. Como relatado, a matéria restringi-se à análise de se incluir, ou não, os custos provenientes de energia elétrica na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Com a devida vênia aos que possuem entendimento contrário, posiciono-me a favor da tese sustentada pela ora recorrente. E, neste sentido, adoto a manifestação externada pelo então Conselheiro Marcos Vinicius Neder de Lima, quando do julgamento do Recurso Voluntário n° 112.613, acórdão 202-12.306: „(...) Relativamente à exclusão dos valores relativos às aquisições de lenha, de energia elétrica e de óleos combustíveis no cálculo do incentivo, vale lembrar que a Lei n° 9.363/96 não se refere à insumos utilizados na produção, mas enumerou taxativamente algumas espécies de insumo: matéria-prima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME). Os produtos acima referidos se enquadram no conceito de insumos em seu sentido lato, mas a controvérsia surge no enquadramento destes produtos para gozo do benefício, isto é, se podem ser considerados como matéria-prima ou produto intermediário em stricto-sensu. O parágrafo único do art. 30 da MP n° 948/95 prevê que se utilize, subsidiariamente a legislação do IPI para o estabelecimento de conceitos de matéria-prima e produtos intermediários. O termo "subsidiariamente" não é novo na legislação tributária, eis que foi utilizado pelo artigo 133, inciso II, do Código Tributário Nacional, para definir responsabilidade subsidiária. Segundo a jurisprudência desta casa, a palavra "subsidiariamente" neste contexto significa que a responsabilidade pelo tributo é inicialmente do alienante do estabelecimento e, na impossibilidade deste, cobra-se do adquirente. Neste mesmo sentido, De Plácido da Silva (2) define subsidiário como sendo "o que vem em segundo lugar, isto é, é secundário, auxiliar, ou subjetivo". PURJUI 27097v1 9.148614 4 Processo n° : 10640.001332/98-06 Acórdão n° : CSRF/02-01.234 Daí pode se inferir que o legislador, ao mencionar expressamente a utilização subsisdiária da legislação do IPI, quis limitar a abrangência do conceito, determinando que se busque, inicialmente, o significado na própria lei criadora do incentivo e, se não for possível, na legislação do IPI. A simples exegese lógica do dispositivo já demonstra a improcedência do argumento da ora recorrente que quer buscar o conceito em outras fontes mais genéricas antes de utilizar a legislação do IPI, tornando o referido parágrafo em letra morta. A Portaria do Ministro da Fazenda n° 129, de 05 de abril de 1995, em seu § 3°, art. 2°, confirma este entendimento: (...) Ora, este Colegiado tem se utilizado do entendimento expresso no Parecer Normativo CST n° 65/79 para esclarecer os conceitos de matéria-prima e produtos intermediários para o IPI, (...) Destarte, somente geram direito ao crédito para a legislação do IPI os produtos que embora não se integrando ao novo produto fabricado, sejam consumidos, em decorrência de ação direta sobre o produto, no processo de fabricação. Assim, não se admite o crédito presumido dos produtos supramencionados quando utilizados como força motriz, eis que não há ação direta do insumo sobre o produto, nãos e enquadrando no conceito de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem." Ademais, cumpre-nos destacar o quanto vai nos autos, no sentido de que tal processo ocorre, como já vimos, através da intervenção indireta da energia elétrica. (grifei). Diante do exposto, voto pelo provimento ao recurso da Fazenda Nacional. É meu voto. Sala das Sessões-DF - de novembro de 2002. 11DÁ ~•OR ti DE MIRANDA- PUR_Filt 27097v1 9.148614 5 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1

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