Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,050)
- Primeira Turma Ordinária (16,516)
- Primeira Turma Ordinária (16,445)
- Primeira Turma Ordinária (16,325)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,024)
- Segunda Turma Ordinária d (14,547)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,572)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,851)
- Terceira Câmara (68,403)
- Segunda Câmara (57,284)
- Primeira Câmara (21,503)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,891)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,425)
- Segunda Seção de Julgamen (115,920)
- Primeira Seção de Julgame (77,827)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,142)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,440)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,597)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,147)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,856)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,753)
- WILDERSON BOTTO (2,679)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,474)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,671)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,021)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10882.000706/2003-06
Data da sessão: Mon Aug 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/2002 a 30/06/2002
CERCEAMENTO DA AMPLA DEFESA
Deve ser anulado o processo quando decisão que se encaminhe para não reconhecer direito de contribuinte não lhe permite o exercício de sua defesa de forma ampla, mesmo tendo a Administração servido-se de regra legal para amparar o ato.
Numero da decisão: 3803-000.573
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo desde a decisão de primeira instância, inclusive, para que uma nova decisão seja proferida, conhecendo da documentação que instrui a Manifestação de Inconformidade.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
dt_index_tdt : Sat Oct 01 09:00:02 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201008
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/2002 a 30/06/2002 CERCEAMENTO DA AMPLA DEFESA Deve ser anulado o processo quando decisão que se encaminhe para não reconhecer direito de contribuinte não lhe permite o exercício de sua defesa de forma ampla, mesmo tendo a Administração servido-se de regra legal para amparar o ato.
numero_processo_s : 10882.000706/2003-06
conteudo_id_s : 6670576
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 3803-000.573
nome_arquivo_s : Decisao_10882000706200306.pdf
nome_relator_s : BELCHIOR MELO DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10882000706200306_6670576.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo desde a decisão de primeira instância, inclusive, para que uma nova decisão seja proferida, conhecendo da documentação que instrui a Manifestação de Inconformidade.
dt_sessao_tdt : Mon Aug 23 00:00:00 UTC 2010
id : 9519071
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Sat Oct 01 09:41:04 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1745477715023101952
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-03-10T13:13:07Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-03-10T13:13:07Z; Last-Modified: 2011-03-10T13:13:07Z; dcterms:modified: 2011-03-10T13:13:07Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:bb6c774d-87c4-4b86-8038-af452e821405; Last-Save-Date: 2011-03-10T13:13:07Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-03-10T13:13:07Z; meta:save-date: 2011-03-10T13:13:07Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-03-10T13:13:07Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-03-10T13:13:07Z; created: 2011-03-10T13:13:07Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2011-03-10T13:13:07Z; pdf:charsPerPage: 1450; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-03-10T13:13:07Z | Conteúdo => die Kern Presidente S3 - T E03 Fl I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10882,000706/2003-06 Recurso n" Voluntário Acórdão n" 3803-00.573 — 3 Turma Especial Sessão de 23 de agosto de 2010 Matéria RESSARCIMENTO DE IPI Recorrente PINCÉIS TIGRE S/A Recorrida DM-PORTO ALEGRE/RS ASS UNTO: PROCESS° ADMINISTRATIVO FISCAL PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/2002 a 30/06/2002 CERCEAMENTO DA AMPLA DEFESA Deve ser anulado o processo quando decisão que se encaminhe para não reconhecer direito de contribuinte não lhe permite o exercício de sua defesa de forma ampla, mesmo tendo a Administração servido-se de regra legal para amparar o ato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo desde a decisão de primeira instancia, inclusive, para que uma nova decisão seja proferida, conhecendo da documentação que instrui a Manifestação de Inconformidade. Belcl ior Meio de Sousa - Relator ParticTaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente da Turma). Belchior Melo de Sousa (Relator), Daniel Mauricio Fedato, Carlos Henrique Martins de Li\ a, Hélcio Lafetd Reis e Rangel Perrucci Fiorin., Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de n° 14-20,559, de 24 de setembro de 2008, da DIU-Ribeirao Preto/SP, fls, 119 a 122, que indeferiu a solicitação de ressarcimento de crédito de IPI apurado no 2° trimestre de 2002, fls. 01, no montante de R$ 56,878,41, O indeferimento do seu direito creditório, que seria utilizado na compensação dos débitos declarados, deve-se ao fato de não ter atendido A intimação para apresentar os respectivos documentos comprobatórios do crédito alegado. Em sua manifestação de inconformidade alegou, preliminarmente, que desconhecia a intimação, em razão de extravio, aduzindo que tal fato não tern o condão de subtrair o seu legitimo direito ao crédito, que, para comprová-lo atesta ter estornado o valor correspondente ao solicitado, no somatório com outros pedidos, e declara estar anexando toda a documentação solicitada, A DRJ-Ribeirão Preto contesta o desconhecimento da intimação pela impugnante, demonstrando ter sido esta enviada e recebida no mesmo endereço do despacho decisório denegatório do pedido. Vista assim, considera intempestiva a entrega da documentação que pretende justificar o crédito, evoca sua incompetência para apreciá-la, sob pena de suprimir a instancia administrativa e, dessa maneira, estar avocando a competência para conceder direitos creditórios e homologar as compensações declaradas Desse modo, inclina-se para apreciar apenas a legalidade ou nulidade do despacho denegatório, bem como se houve cerceamento de direitos do contribuinte, E indefere a solicitação. o relatório, Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço . Pode-se conceder razão à Delegacia de Julgamento ao entender, em suma, que nap há ilegalidade no ato da Delegacia da Receita Federal em Ponta Grossa, substanciado no despacho decisório que não reconheceu o direito creditório, face ao não-atendimento da intimação para apresentação dos documentos comprobatórios da existência do crédito. Também, propriamente, não se pode eivar com esta mesma mancha (de ilegalidade) a decisão recorrida, eis que fundou-se em regiamentos específicos bem definidos. Todavia, o caso concreto reclama a ponderação de valores sopesando-se o ato do não-atendimento de uma única intimação e sua resultante: o não-reconhecimento de urn direito creditório passivel de ser legitimo.. Com efeito, não há nas disposições legais que regem o Processo Administrativo determinação para que a Administração Tributária promova a intimação do contribuinte mais de uma vez, para atendimento de providencias que, ao final, atendem o seu interesse. Contudo, de igual maneira, não há óbice para que a Administração o faça, corno sói acontecer quando o interesse é da Administração Fazendária, tendo em vista a coleta de dados para a apuração de crédito tributário, Processo n" 10882.000706/2003-06 S3-T E03 Acórcliio n." 3803-00.573 Fl. 2 Sem prejuízo nem menoscabo das regras que deram supedâneo ao despacho decisório e, de resto, no que ora importa, à decisão recorrida, a leitura da norma que lhe subjaz, vista, como deve ser, sob o olhar panorâmico do ordenamento juridic°, não prescinde dos princípios, que, irradiando-se sobre o texto que lhe compõe, dão-lhe o verdadeiro conteúdo, bem como a dosagem de sua graduação. Malgrado a Delegacia em Ponta Grossa ter aplicado a regra do artigo 40 da Lei n" 9:784/98, segundo a qual "quando dodos, atuações ou documentos solicitados ao interessado /Oren' necessários a aprecia cão de pedido fbtinulado, o não atendimento no prow fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processa", dada a possibilidade deintercorrêneias, bem assim de variações no curso esperado dos acontecimentos, entre a ordem (intimação) e o seu cumprimento, é meu ver que foi impedido ao contribuinte o exercício, não da sua defesa, porque não foi, mas, da sua ampla defesa — que 6 o seu estrito direito ao não ser intimado ao menos uma segunda vez para que viesse a sustentar o seu direito, conforme peticionado, apresentando documentos para o cotejo da fiscalização. Não 6 a solução mais razoável para o problema jurídico concreto, na circunstância que envolve a questão, vale dizer, a Administração não submeter-se ao custo ínfimo de reintimar o contribuinte quando o valor em jogo é a subtração de um direito reivindicado, E, registre-se que, se curvar a esse ato de cautela, embora procedimento não obrigatório, não implica em se afastar dos parâmetros legais. Avaliando-se por este prisma, a negação do direito pretendido, por decorrência, fere o principio da razoabilidade, Ambos, a informarem o processo administrativo e aquele a consistir em garantia constitucional. O arrazoado acima ancora-se, sobretudo, no fato de o conjunto da documentação, anexado desde a impugnação e continente de cópias do livro fiscal e as respostas do contribuinte, darem a fbrte aparência de estarem consentâneas com o solicitado na intimação, atendendo o requisito do art. 16, § 4".do Decreto IV 70.235/72. Pelo exposto, voto por anular o processo desde desde a decisão de primeira instância, inclusive, para que uma nova decisão seja proferida, conhecendo da documentação que instrui a Manifestação de inconformidade. Belc -nor Melo de Sousa 3
score : 1.0
Numero do processo: 10183.005852/2007-21
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
NULIDADE DO LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. INOCORRÊNCIA.
Não enseja a nulidade do lançamento, por violação aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal, o fato de o contribuinte ter sido intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentação em prazo inferior a vinte dias, com o objetivo de subsidiar a revisão de sua declaração de ajuste anual
de IRPF.
NULIDADE DA DECISÃO. NÃO ENFRENTAMENTO DE TODAS AS ALEGAÇÕES DAS PARTES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não constitui cerceamento do direito de defesa o fato de o julgador não ter enfrentado todas as alegações das partes, cabendo-lhe apenas indicar a motivação adequada ao deslinde da lide.
IRRF. DEDUÇÃO. GLOSA
Nos casos em que a responsabilidade pelo recolhimento do imposto de renda retido na fonte não for do beneficiário dos rendimentos, para que o referido
tributo possa ser deduzido do imposto devido na declaração de ajuste anual,
indispensável a existência de prova de que a fonte pagadora efetuou a
retenção do imposto ou de que fez o seu recolhimento.
IRRF. RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA.
O contribuinte do imposto de renda é o adquirente da disponibilidade
econômica ou jurídica da renda ou de proventos de qualquer natureza. A
responsabilidade atribuída à fonte pagadora tem caráter apenas supletivo, não
exonerando o contribuinte da obrigação de oferecer os rendimentos à
tributação.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de
qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização,
relacionados com a infração.
Preliminares Rejeitadas
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.670
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCAO LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Oct 01 09:00:02 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201209
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 NULIDADE DO LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. INOCORRÊNCIA. Não enseja a nulidade do lançamento, por violação aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal, o fato de o contribuinte ter sido intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentação em prazo inferior a vinte dias, com o objetivo de subsidiar a revisão de sua declaração de ajuste anual de IRPF. NULIDADE DA DECISÃO. NÃO ENFRENTAMENTO DE TODAS AS ALEGAÇÕES DAS PARTES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não constitui cerceamento do direito de defesa o fato de o julgador não ter enfrentado todas as alegações das partes, cabendo-lhe apenas indicar a motivação adequada ao deslinde da lide. IRRF. DEDUÇÃO. GLOSA Nos casos em que a responsabilidade pelo recolhimento do imposto de renda retido na fonte não for do beneficiário dos rendimentos, para que o referido tributo possa ser deduzido do imposto devido na declaração de ajuste anual, indispensável a existência de prova de que a fonte pagadora efetuou a retenção do imposto ou de que fez o seu recolhimento. IRRF. RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA. O contribuinte do imposto de renda é o adquirente da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou de proventos de qualquer natureza. A responsabilidade atribuída à fonte pagadora tem caráter apenas supletivo, não exonerando o contribuinte da obrigação de oferecer os rendimentos à tributação. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Preliminares Rejeitadas Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
numero_processo_s : 10183.005852/2007-21
conteudo_id_s : 5217491
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2801-002.670
nome_arquivo_s : Decisao_10183005852200721.pdf
nome_relator_s : WALTER REINALDO FALCAO LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 10183005852200721_5217491.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
id : 4567346
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Oct 01 09:40:59 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1745477715030441984
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2248; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 1 1 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.005852/200721 Recurso nº 916.196 Voluntário Acórdão nº 2801002.670 – 1ª Turma Especial Sessão de 18 de setembro de 2012 Matéria IRPF Recorrente MARIO BRUNING Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 NULIDADE DO LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. INOCORRÊNCIA. Não enseja a nulidade do lançamento, por violação aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal, o fato de o contribuinte ter sido intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentação em prazo inferior a vinte dias, com o objetivo de subsidiar a revisão de sua declaração de ajuste anual de IRPF. NULIDADE DA DECISÃO. NÃO ENFRENTAMENTO DE TODAS AS ALEGAÇÕES DAS PARTES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não constitui cerceamento do direito de defesa o fato de o julgador não ter enfrentado todas as alegações das partes, cabendolhe apenas indicar a motivação adequada ao deslinde da lide. IRRF. DEDUÇÃO. GLOSA Nos casos em que a responsabilidade pelo recolhimento do imposto de renda retido na fonte não for do beneficiário dos rendimentos, para que o referido tributo possa ser deduzido do imposto devido na declaração de ajuste anual, indispensável a existência de prova de que a fonte pagadora efetuou a retenção do imposto ou de que fez o seu recolhimento. IRRF. RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA. O contribuinte do imposto de renda é o adquirente da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou de proventos de qualquer natureza. A responsabilidade atribuída à fonte pagadora tem caráter apenas supletivo, não exonerando o contribuinte da obrigação de oferecer os rendimentos à tributação. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10183.005852/200721 Acórdão n.º 2801002.670 S2TE01 Fl. 2 2 Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Preliminares Rejeitadas Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Ewan Teles Aguiar, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Tânia Mara Paschoalin e Walter Reinaldo Falcão Lima. Relatório Por descrever bem os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 123/124), que reproduzo a seguir: “A Notificação de Lançamento de fls. 43/45, exige do contribuinte, já qualificado nos autos, o recolhimento do crédito tributário consolidado em 10/2007, no valor de R$ 102.719,74 (cento e dois mil, setecentos e dezenove reais e setenta e quatro centavos). O lançamento originouse da compensação indevida de imposto de renda. Na impugnação oferecida, às fl. 01/28, o autuado alegou, em síntese, que: DA NULIDADE DO ATO. O lançamento violou a Lei, em razão de seus fundamentos e por evidente cerceamento de defesa quando considerou verbas rescisórias indenizatórias e atribuir a responsabilidade do recolhimento do tributo ao impugnante. DA ORIGEM DA RENDA DECLARADA, RESULTANTE DO RECEBIMENTO DE INDENIZAÇÃO DE VERBAS RESCISÓRIAS TRABALHISTAS, RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA (EMPREGADORES), DENÚNCIA Fl. 163DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10183.005852/200721 Acórdão n.º 2801002.670 S2TE01 Fl. 3 3 ESPONTÂNEA. DA AUSÊNCIA DE DEDUÇÃO INDEVIDA DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. DA ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA, VERBAS INDENIZATÓRIAS TRABALHISTAS. Os rendimentos percebidos são em decorrência do termo de transação para prevenir litígio e este foi questionado na justiça trabalhista; Os rendimentos são verbas indenizatórias, segundo a reclamatória trabalhista anexa, como também a contestação do empregador; Diante da omissiva dos empregadores em recolher o imposto devido e prestar informações ao empregado, restoulhe informar em sua declaração; Embora a fonte pagadora não tenha feita a retenção do imposto de renda, não poderá o impugnante responder pelo erro, já que o responsável principal é o substituto legal tributário; Assim, o lançamento é improcedente, devendose em decorrência imputar a tributação e consectários legais as empregadoras, enquanto fonte pagadora; A fundamentação do lançamento não espelha a ocorrência indevida, uma vez que os dispêndios lançados na declaração do impugnante, observara os preceitos legais, cabendo ao órgão fiscalizador autuar as fontes pagadoras; Os valores do termo de transação para prevenir litigio referem se exclusivamente as verbas indenizatórias, conforme a reclamatória trabalhista e as contestações dos empregadores anexos; DO PEDIDO. Reconheça a insubsistência e a improcedência do lançamento, por se tratar de verbas indenizatórias e não ser o responsável pelo recolhimento do tributo; Reconheça a denúncia espontânea; Requer a produção de provas por meio de perícia contábil e juntada de novos documentos.” A DRJ/Campo GrandeMS julgou a impugnação improcedente (fls. 121/128), nos termos da ementa a seguir transcrita: “COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE PAGADORA. O imposto de renda retido na fonte glosado pelo lançamento deve ser mantido, quando o contribuinte não comprova a retenção. DA NULIDADE DA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10183.005852/200721 Acórdão n.º 2801002.670 S2TE01 Fl. 4 4 Não se visualiza nesta Notificação de Lançamento nenhuma hipótese de nulidade constante no artigo 59, do Decreto nº 70.235/72.” Cientificado do acórdão de primeira instância em 30/05/11 (fls. 133), o interessado interpôs, em 29/06/11, o recurso de fls. 135/144, alegando, preliminarmente: a) nulidade da decisão de primeira instância, por não apreciar todas as questões de direito invocadas na defesa prévia (impugnação), proferindo decisão totalmente desvencilhada da realidade fática noticiada e dos notórios fundamentos jurídicos invocados, violando, assim, os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa; b) nulidade do lançamento de ofício por violação aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal, haja vista que o § 3° do art. 845, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, aduz que o prazo para o contribuinte atender ao pedido de esclarecimentos é de 20 (vinte) dias, e não de 5 (cinco) dias como fez constar na requisição inicial. Discorre sobre os prejuízos que entende terem sido decorrentes do prazo exíguo que lhe foi concedido para apresentar resposta à solicitação da fiscalização. Quanto ao mérito, argumenta, em suma, que: a) nas situações como a que ora se discute, a responsabilidade pelo pagamento do tributo em questão é da fonte pagadora, e não do beneficiário dos rendimentos; b) ocorrência de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, por ter declarado o tributo antes de qualquer procedimento administrativo por parte da Receita Federal do Brasil RFB; c) não houve dedução indevida de IRRF, uma vez que, os dispêndios lançados em sua declaração observara preceitos legais, alem de normas e regulamentos da RFB, que instituiu a compensação sob o valor do imposto devido. Aduz que não tem o dever de fiscalizar a retenção e recolhimento aos cofres públicos por parte da fonte pagadora; d) ausência de incidência do IRPF sobre os valores por ele declarados, por se tratarem de verbas indenizatórias, nos termos do arts. 39, XX, e 55 do Decreto n° 3.000, e art. 70, § 5°, da Lei n° 9.430/96, matéria que alega não ter sido apreciada pelo órgão julgador de primeira instância. Cita decisão judicial que teria sido proferida nesse sentido; e) o valor ora cobrado sofreu remissão por força do dispositivo no artigo 14 da Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, resultante da conversão da MP n° 9.449, de 03/12/2008. Diante do exposto acima requer o provimento do recurso. É o Relatório. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10183.005852/200721 Acórdão n.º 2801002.670 S2TE01 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima, Relator O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. DAS PRELIMINARES A) DA NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA Não prospera a alegação de nulidade da decisão recorrida, sob o argumento de que não foram apreciadas todas as questões de direito invocadas na impugnação, como será demonstrado a seguir. Como pode ser observado no acórdão de primeira instância (fls. 121/128), todos os tópicos elencados na impugnação foram apreciados, haja vista que aquela decisão abordou, separadamente, as questões suscitadas pelo interessado, utilizandose da mesma nomenclatura adotada pelo impugnante, além da questão relativa à nulidade do ato, expondo as razões pelas quais não foram aceitos os argumentos apresentados pelo contribuinte. Convém ressaltar que, conforme entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, o julgador não está obrigado a responder a todos os questionamentos formulados pelas partes, cabendolhe apenas indicar a motivação adequada ao deslinde da questão, observadas as peculiaridades do caso concreto, o que ocorreu neste caso. Vejamos abaixo ementa de julgamento daquela Corte, que esclarece essa questão: “AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 1.400.606 RS (2011/00444916) RELATOR : MINISTRO CESAR ASFOR ROCHA AGRAVANTE : DÁCIO BORBA DAVI ADVOGADO : FABIANA FERREIRA DA SILVA E OUTRO(S) AGRAVADO : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. SERVIDOR PÚBLICO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 QUE NÃO SE VERIFICA. OFENSA ÀS LEIS 8.622/93 E 8.627/93. 28,86%. REESTRUTURAÇÃO DA CARREIRA. LIMITAÇÃO TEMPORAL. MODIFICAÇÃO DO JULGADO. VERBETE N. 7 DA SÚMULA DO STJ. INCIDÊNCIA. – O Tribunal de origem decidiu a controvérsia de forma clara e fundamentada, embora desfavoravelmente à pretensão da parte, pelo que afastada a apontada violação do art. 535 do Código de Processo Civil. O julgador não está obrigado a responder a Fl. 166DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10183.005852/200721 Acórdão n.º 2801002.670 S2TE01 Fl. 6 6 todos os questionamentos formulados pelas partes, cabendolhe apenas indicar a motivação adequada ao deslinde da quaestio, observadas as peculiaridades do caso concreto. – A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que não ofende a coisa julgada a limitação temporal do pagamento do reajuste de 28,86%, devido em razão de decisão judicial, à data da edição de lei que reestrutura a carreira do servidor. Precedentes. – A modificação do julgado demandaria o revolvimento do acervo fático e probatório dos autos, inviável em sede de recurso especial, a teor do verbete n. 7 da Súmula desta Corte. Agravo regimental improvido. (Data do julgamento: 25/10/11)” (Grifo meu) Por tais razões rejeito a preliminar de nulidade da decisão recorrida. B) DA NULIDADE DO LANÇAMENTO POR VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL O recorrente sustenta que o fato de a fiscalização ter lhe concedido o prazo de cinco dias para responder ao Termo de Intimação Fiscal de fls. 33 representa violação aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal, haja vista que o § 3° do art. 845, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), aduz que o prazo para o contribuinte atender ao pedido de esclarecimentos é de 20 (vinte) dias, e não de 5 (cinco) dias. O art. 844 do RIR/99, que estabelece o prazo acima citado, assim dispõe: Art. 844. O processo de lançamento de ofício, ressalvado o disposto no art. 926, será iniciado por despacho mandando intimar o interessado para, no prazo de vinte dias, prestar esclarecimentos, quando necessários, ou para efetuar o recolhimento do imposto devido, com o acréscimo da multa cabível, no prazo de trinta dias (Lei nº 3.470, de 1958, art. 19). § 1º As intimações a que se refere este artigo serão feitas pessoalmente, mediante declaração de ciente no processo, ou por meio de registrado postal com direito a aviso de recepção AR, ou, ainda, por edital publicado uma única vez em órgão de imprensa oficial local, ou afixado em dependência, franqueada ao público, da repartição encarregada da intimação, quando impraticáveis os dois primeiros meios (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 78, § 1º). § 2º Se os esclarecimentos não forem apresentados para sua juntada ao processo, certificarseá nele a circunstância e, quando feita a intimação mediante registrado postal, juntarseá o aviso de recepção AR ou, quando por edital, mencionarseá o nome do jornal em que foi publicado ou o lugar em que esteve afixado (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 78, § 2º). (grifo meu) Fl. 167DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10183.005852/200721 Acórdão n.º 2801002.670 S2TE01 Fl. 7 7 Por sua vez, o art. 926 do mesmo diploma legal, que constitui ressalva à disposição contida no art. 844 supracitado, estabelece que: Art. 926. Sempre que apurarem infração às disposições deste Decreto, inclusive pela verificação de omissão de valores na declaração de bens, os AuditoresFiscais do Tesouro Nacional lavrarão o competente auto de infração, com observância do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações posteriores, que dispõem sobre o Processo Administrativo Fiscal. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pacificou o entendimento, por meio da Súmula CARF nº 46, que não é necessária intimação prévia ao sujeito passivo para a realização do lançamento de ofício, quando o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. O fato de não ter sido concedido o prazo de vinte dias para o contribuinte atender ao Termo de Intimação Fiscal de fls. 33 não representa, por si só, violação aos princípios do devido processo legal e da ampla defesa. Isso porque no âmbito do processo administrativo fiscal os princípios da ampla defesa e do devido processo legal devem estar presentes a partir da fase impugnatória, momento em que se instaura o litígio. Até então, no curso do procedimento de fiscalização, estamos diante de uma fase inquisitória, em que não há, sequer, obrigatoriedade de o Fisco intimar o contribuinte acerca de todos os procedimentos realizados. Por tais razões não resta configurado qualquer cerceamento do direito de defesa ou mesmo ofensa ao devido processo legal. É importante destacar que o interessado sequer solicitou prorrogação do prazo para atendimento do Termo de Intimação Fiscal de fls. 33, tampouco afirmou em sua resposta que deixaria de atender determinadas solicitações devido ao prazo de cinco dias estabelecido pela fiscalização. Cumpre assinalar, ainda, que foi oportunizado ao recorrente apresentar suas razões de defesa na impugnação e no recurso voluntário, que utilizou de tais instrumentos processuais para expor todas as suas alegações e as provas que entendera serem pertinentes. Daí a total ausência de cerceamento do direito de defesa no caso em pauta. Diante do exposto acima rejeito a preliminar de nulidade do lançamento de ofício por violação aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. DO MÉRITO O lançamento foi decorrente da compensação indevida de R$ 59.873,95, a título de IRRF relativa à fonte pagadora Slavieiro Agroindustrial Ltda., após análise das informações prestadas pelo contribuinte e dos dados contidos nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, como pode ser constatado na descrição dos fatos da respectiva Notificação de Lançamento (fls. 44). Fl. 168DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10183.005852/200721 Acórdão n.º 2801002.670 S2TE01 Fl. 8 8 Compulsando os autos, verificase que os rendimentos referentes ao IRRF glosado são oriundos de reclamação trabalhista proposta pelo recorrente contra a aludida empresa. Ocorre que não há provas de que houve a retenção na fonte do valor glosado ou mesmo seu recolhimento. Não consta qualquer informação nos sistemas da Receita Federal do Brasil de que foi efetuado, pela respectiva fonte pagadora, o recolhimento do imposto glosado ou mesmo sua retenção na fonte. Diante desse fato, caberia ao contribuinte carrear aos autos documentos que comprovassem ter havido a retenção na fonte do respectivo imposto de renda. Para tanto, foi intimado a apresentar documentação nesse sentido (termo de Intimação Fiscal de fls. 33), porém não logrou êxito em comprovar o que foi solicitado, posto que nenhum dos documentos anexados, mesmo em sede de impugnação, comprovam a retenção ou o recolhimento do IRRF glosado. O fato de a fonte pagadora não ter efetuado a retenção do imposto de renda na fonte não exime o beneficiário dos rendimentos de oferecêlos à tributação, na declaração de ajuste anual, haja vista que nos termos do art. 45 do CTN, o contribuinte do imposto de renda é o titular da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou de proventos de qualquer natureza. A responsabilidade atribuída à fonte pagadora, que decorre da norma contida no parágrafo único do artigo 45 do CTN, finda na data limite da entrega da declaração de ajuste anual de IRPF respectiva, oportunidade em que o sujeito passivo direto da obrigação tributária está obrigado a informar todos os rendimentos percebidos no anocalendário, apurando se há saldo de imposto a pagar ou valor a ser restituído. Assim, a autoridade lançadora somente pode exigir da fonte pagadora o imposto que ela não reteve quando tal fato for constatado antes do prazo fixado para a entrega da respectiva declaração de ajuste anual. Daí em diante a exigência do recolhimento do imposto em questão recai sobre o beneficiário dos rendimentos. Este tem sido o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme demonstra o Acórdão CSRF/0105.026, de 09/08/2004, cuja ementa transcrevo a seguir: “IMPOSTO DE RENDA NA FONTE ANTECIPAÇÃO – FALTA DE RETENÇÃO — LANÇAMENTO APÓS 31 DE DEZEMBRO DO ANOCALENDÁRIO — EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA PELO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DEVIDO. Se a previsão da tributação na fonte se dá por antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual de rendimentos, e se a ação fiscal ocorrer após 31 de dezembro do ano do fato gerador; incabível a constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte, pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. Recurso especial negado.” Não há que se falar em denúncia espontânea quando o contribuinte requer a compensação de IRRF cuja retenção ou recolhimento não reste comprovado. Esse instituto se encontra presente nos casos em que o contribuinte denuncia espontaneamente a infração antes do início do procedimento de ofício, o que representaria, neste caso, o reconhecimento, por parte do recorrente, antes do início da ação fiscal, de que o IRRF glosado não era passível de compensação em sua declaração de ajuste anual. E isso não restou comprovado nos autos. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10183.005852/200721 Acórdão n.º 2801002.670 S2TE01 Fl. 9 9 Acerca da alegação de não incidência de IRPF sobre os valores declarados, tratase de matéria estranha à lide, que não será apreciada, visto que o objeto do lançamento em discussão é “Compensação indevida de imposto de renda retido na fonte”, conforme consta na descrição dos fatos da notificação de lançamento (fls. 44). Por fim, não procede o argumento de que o valor ora cobrado sofreu remissão por força do dispositivo no artigo 14 da Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, resultante da conversão da MP n° 9.449, de 03/12/2008. Isso porque o crédito tributário em questão foi constituído em 29/10/07, por meio da notificação de lançamento em discussão, e, nos termos do caput daquele artigo (abaixo reproduzido), aquela remissão abrange somente débitos que, em 31/12/07, estejam vencidos há cinco anos ou mais. Art. 14. Ficam remitidos os débitos com a Fazenda Nacional, inclusive aqueles com exigibilidade suspensa que, em 31 de dezembro de 2007, estejam vencidos há 5 (cinco) anos ou mais e cujo valor total consolidado, nessa mesma data, seja igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). Ademais o valor do crédito tributário em discussão, R$ 102.719,74, é muito superior ao limite previsto naquela norma. Diante do exposto acima voto por REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Fl. 170DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001486/2002-21
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU
TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA
FINANCEIRA - CPMF
Ano-calendário: 1997
AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO - NULIDADE - ALTERAÇÃO
DOS FUNDAMENTOS DE FATO NO JULGAMENTO DE SEGUNDA
INSTÂNCIA
Se a autuação toma como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte, limitando-se a indicar como dado concreto
"PROC JUD DE OUTRO CNPJ",ou "PROC JUD NÃO COMPROVAD" e o
contribuinte demonstra a existência desta ação, bem como que figura no pólo ativo, deve-se reconhecer a nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles constantes no ato do lançamento. Teoria dos motivos
determinantes.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3803-000.625
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso. Os Conselheiros Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis e Rangel Perrucci Fiorin votaram pelas conclusões. O Dr. Guilherme Macedo Soares, OAB/DF nº 9665-E, acompanhou o julgamento.
Matéria: CPMF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
Nome do relator: DANIEL MAURÍCIO FEDATO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : CPMF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
dt_index_tdt : Sat Oct 01 09:00:02 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201008
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA - CPMF Ano-calendário: 1997 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO - NULIDADE - ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE FATO NO JULGAMENTO DE SEGUNDA INSTÂNCIA Se a autuação toma como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte, limitando-se a indicar como dado concreto "PROC JUD DE OUTRO CNPJ",ou "PROC JUD NÃO COMPROVAD" e o contribuinte demonstra a existência desta ação, bem como que figura no pólo ativo, deve-se reconhecer a nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles constantes no ato do lançamento. Teoria dos motivos determinantes. Recurso Voluntário Provido.
numero_processo_s : 16327.001486/2002-21
conteudo_id_s : 6671864
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 3803-000.625
nome_arquivo_s : Decisao_16327001486200221.pdf
nome_relator_s : DANIEL MAURÍCIO FEDATO
nome_arquivo_pdf_s : 16327001486200221_6671864.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis e Rangel Perrucci Fiorin votaram pelas conclusões. O Dr. Guilherme Macedo Soares, OAB/DF nº 9665-E, acompanhou o julgamento.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2010
id : 9522186
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Sat Oct 01 09:41:05 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1745477715037782016
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-11-24T16:36:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-11-24T16:36:13Z; Last-Modified: 2010-11-24T16:36:13Z; dcterms:modified: 2010-11-24T16:36:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:b31dae97-b4cf-4bc0-9923-ae4317fc8ce1; Last-Save-Date: 2010-11-24T16:36:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-11-24T16:36:13Z; meta:save-date: 2010-11-24T16:36:13Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-11-24T16:36:13Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-11-24T16:36:13Z; created: 2010-11-24T16:36:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2010-11-24T16:36:13Z; pdf:charsPerPage: 1487; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-11-24T16:36:13Z | Conteúdo => S3-1- E03 350 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 16327,001486/.200.2-21 Recurso n" 250.299 Voluntário Acórdão n" 3803-00.625 — 3" Turma Especial Sessão de 24 de agosto de 2010 Matéria CPMF Recorrente BANCO ÚNICO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Ano-calendário: 1997 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO - NULIDADE - ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE FATO NO JULGAMENTO DE SEGUNDA INSTÂNCIA Se a autuação toma como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte, limitando-se a indicar como dado concreto "PROC JUD DE OUTRO CNP.1",ou "PROC JUD NÃO COMPROVAD" e o contribuinte demonstra a existência desta ação, bem como que figura no pólo ativo, deve-se reconhecer a nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fálico. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles constantes no ato do lançamento. Teoria dos motivos determinantes, Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, Os Conselheiros Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Moio Lafetá Reis e Rangel Permeei Fiorin votaram pelas conclusões, O Dr. Guilherme Macedo Soares, OAB/DF n" 9665-E, acompanhou o julgamento, Alexandre Kern — Presidente j, th Daniel Maurício Fedato Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente da Turma), Belchior Melo de Sousa, Daniel Maurício Fedato (Relator), Carlos 'Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis e Rangel PCITUCCi Relatório Trata a matéria de Auto de Infração relativo à CPMF, lavrado em 21/02/2002, no valor de R$ 60.313,19, com os acréscimos legais cabíveis até a data da lavratura, em virtude da não confirmação do processo judicial indicado, para fins de suspensão da exigibilidade de débitos declarados de junho a dezembro/97.. Inconformada com o Auto, a Interessada ingressou impugnação (fis, 01/26) anexada de documento (fls. 27/215), apresentando em sua defesa as seguintes alegações: "a) alega que uni dos processos . judiciais indicados na .DCTF, o de n" 97,1010440- 3, corresponde a Mandado de Segurança impetrado par Cooperativa Agropecuária Três Fronteiras Lida e Cooperativa Agrícola Mista Rondon Lida, perante a 2' Vara Federal de Foz do Iguaçu/PR, com vistas a suspender a exigibilidade da CPMF mediante depósito judicial, nos termos do art. 151, inciso [Ido CTN,. b) os depósitos .foram efetuados, conforme guias juntadas aos autos, mas houve erro no preenchimento da DCTF, indicando-se como número do processo judicial 97.10104440-3, e não 97,1010440-3; c) relata que a segurança fai denegada, bem como lai negado provimento à apelação interposta contra tal sentença, já tenda ocorrido o trânsito em julgado,' d) com referência ao outro processo judicial, n" 97,0009365-4, trata-se de Mandado de Segurança impetrado por Spaipa S A Indústria Brasileira de Bebidas, perante a 3' Vara Federal de Curitiba/PR, no qual foi deferido o depósito dos valores questionados, o que se processou regularmente; e) a segurança foi denegada, bem como se negou provimento à apelação interposta pelo impetrante, estando os autos no Supremo Tribunal Federal em razão de recurso extraordinário; f) justifica, assim, o . fato de os processos judiciais pertencerem a outros CNPJ, e entende improcedente a exigência; e g) opõe-se também à exigência de multa de ofício e juros de mora, em face da suspensão da exigibilidade do crédito tributário e conseqüente inexistência de mora. Ainda, entende inaplicável a taxa SELIC para cálculo dos juros moratórias, por seu caráter remuneratório, inexistência de .fixação em lei e por exceder o limite de 1% ao mês," Ocorre, que os autos encontravam-se aguardando julgamento na Delegacia da Receita Federal de Julgamento/São Paulo-I, e foram remetidos a unidade em referência pela Portaria SRF n" 1,161/2005, que cuidou da transferência de competência para julgamento de processos administrativo-fiscais entre as DRI. Onde, em 08,1 L2005 os autos seguiram em diligência nos seguintes termos: 2 Processo n" 16327 001486/2002-21 Acórdão n." 3803-00.625 S3-TE03 F1 351 "O contribuinte aduz que efetuou depósitos judiciais em razão de decisões judiciais proferidas nos autos dos Mandados de Segurança 17 97 1010440-3 e 97 0009365-4, impetrados por Cooperativa Agropecuária Três Fronteiras Lida/Cooperativa Agrícola Mista Rondou Lida e Spaipa 5 A Indústria Brasileira de Bebidas, ambos perante a Justiça Federal do Estado do Paraná. Às fls. 79/80 e 136/142 apresenta guias de depósitos judiciais çfetuados nas contas CEF 1270,00.5.00011650-8 e 0650..00.5.00.53210-5, asseverando que, relativamente à primeira, ,já houve trânsito em . julgado em favor da União, e, quanto a segunda, que os autos do Mandado de Segurança encontram-se no Supremo Tribunal Federal em razão de recurso extraordinário interposto pelo impetrante, após lhe ter sido denegada a segurança em 1" e 2" instância. Todavia, em consulta aos sistemas infOrmatizados da Receita Federal, não localizei as referidas contas (fls. 220/221), bem como não há registros de eventuais levantamentos/conversão em renda dos depósitos em discussão (fls. .222/2.24). Assim, para garantir o bom julgamento da lide, SOLICITO o retorno do presente processo à Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo — DEINF/SP, para que confirme a manutenção, em conta, dos depósitos judiciais alegados, ou sua eventual conversão em renda da União." Em resposta, a autoridade preparadora juntou os elementos de fls. 229/259 e devolveu os autos para julgamento.. A DRJ de Campinas/SP, em 1508,2007, julgou parcialmente procedente as exigências relativas a CPMF, para cancelar' as exigências pertinentes aos períodos de 1-04/97 a 1-08/97; e cancelar a multa de oficio sobre os valores depositados judicialmente de 4-09/97 a 5-12/97, inclusive sem aplicação de multa de mora, enquanto presente causa, para que o valor principal lançado permaneça com a exigibilidade suspensa, ressaltando-se que, a partir da data da efetivação dos depósitos judiciais não fluem juros de mora. Ementa da Decisão: "ASSUNTO; CONTRIBuipin PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA - CPMF Ano-calendário: 1997 DCTF.. REVISÃO INTERNA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. DEPÓSITOS JUDICIAIS, CONVERSÃO EM RENDA DA UNIÃO ANTERIOR AO LANÇAMENTO Frente a indícios de que os débitos declarados foram objeto de depósitos judiciais, e ausente prova de que os valores correspondentes não estariam contidos naqueles convertidos em renda da União antes do lançamento, cancela-se a exigência. DEPÓSITO JUDICIAL. PROCESSO JUDICIAL CONFIRA/IAD°. LANÇAMENTO A propositura de ação judicial antes da km-atura do auto de infração, com o mesmo objeto, não obstaculiza a formalização do lançamento. MULTA DE OdCIO. Não cabe a aplicação de multa de ofício na constituição do crédito tributário de períodos para os quais foram efetuados depósitos judiciais no montante integral do tributo devido. Juros de Mora. Não são devidos juros de mora sobre o crédito tributário quando existente depósito no montante integral, Lançamento Procedente em Parte. Insatisfeita com a decisão, a Recorrente apr escutou Recurso Voluntário (fls. 278/285) a este Conselho, almejando cancelando integral dos débitos constituídos no Auto de Infração, alegando que: a) não efetuou o recolhimento do tributo em discussão em função da decisão judicial e em função de ter garantido o juízo em sua completude; e b) não é contribuinte do referido imposto, razão pela qual carece de interesse processual para discutir sua incidência ou não, em processo administrativo ou judicial tributário. Em síntese, é o Relatório. Voto Conselheiro Daniel Maurício Fedato, Relator O Recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Inicialmente é pertinente registrar', que Banco Único S.A. é a nova denominação do Banco BNL do Brasil S.A que foi largamente citado desde o início dos autos. Documentação comprobatória a esse respeito, fls. 276 e 277. A respeito desta matéria, primeiramente informo que no Auto de Infração (n° 1704) de tis,. 35/43, constata-se no "campo" "Ocorrência": "Proc jud de outro CNRI" e "Proc .jud não comprovad". A DRJ, reconheceu do ocorrido, tanto é verdade que "cancelou a multa de ofício sobre os valores depositados judicialmente de 4-09/97 a 5-12/97, inclusive sem aplicação de multa de mora, enquanto presente causa para que o valor principal lançado permaneça com a exigibilidade suspensa, ressaltando-se que, a partir da data da efetivação dos depósitos judiciais não .fluem juros de mora." Grifo meu Inclusive, demonstro algumas considerações que foram apresentadas no Voto da Relatora Presidente, onde mais urna vez comprova que abordou do mérito referente aos Processos Judiciais: " __contudo, urna vez confirmados os depósitos judiciais indicados pelo impugnante em sua DCTF, inaplicável é a multa de ofício__ " e ",..impõe-se, pois, o cancelamento da multa de oficio sobre o crédito tributário depositado judicialmente_ " Griro Meu 4 Processo n" I 6:327.001486/2002-2 I Acórdão n " 3803-00.625 S3-TE03 H . 352 Nessa mesma linha, também reconheço deste mérito, para aplicar a Teoria dos Motivos Determinantes tanto para "Proc jud de outro CNPJ" como "Proe jud não comprovad" No que se refere a "Proe jud de outro CNPJ" a autoridade recorrida informa a inexistência de liminar ou tutela na data da lavratura do Auto de Infração, que desse causa a suspensão de exigibilidade do crédito tributário. Ocorre que no auto de infração a descrição dos fatos é feita de forma genérica, indicando apenas e exclusivamente a ocorrência de "Proe jud de outro CNPJ". Presume-se, com isso, que o auto de infração foi lavrado em virtude de acreditar a fiscalização que a ação judicial existente referia-se a outro contribuinte. E a certidão judicial apresentada demonstra que a recorrente era uma das partes que figura no pólo ativo. Ou seja, o pressuposto de fato que dá supor te ao auto de inflação é falso. A respeito do tema, vale a pena transcrever as seguintes considerações, extraídas de voto vencido no Acórdão IV 7,386, de 17 de novembro de 2004, da DR.I Curitiba/PR, proferido em situação parecida: "3 Respeitosamente, COns.idero que . fazer agora tais considerações, no âmbito do processo, e manter o lançamento sob pressupostos outros que sequer Muni, ou puderam ser, cogitados pela autoridade autuante corresponde à verdadeira inovação no que pertine à valoração jurídica dos fatos, em época em que descabe à autoridade julgadora proceder ao agravamento da exigência, por força do que determina o § 3" do art. 18 do Decreto n " 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. I da Lei n."8.748, de 1993, in verbis-. "§ 3", Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizadas no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da . fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar devolvendo-se, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada." 4. Em sintonia com o que determina a disposição legal supra, também a doutrina jurídica, na exegese de MARCOS VINICIUS NEDER e MARIA TERESA MAR TINEZ LOPES (in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, Dialética, .2002, p 184), recomenda o seguinte. "Assim, constatadas pela autoridade Julgadora inexatidões na verificação do fato gerador; relacionadas com o mesmo ilícito descrito no lançamento original, o saneamento do processo fiscal será promovido pela feitura de Auto de Infração Complementar. Esta peça, sob pena de nulidade, deverá descrever os motivos que fundamentam a alteração do 5 lançamento original, indicando o fato ou circunstância que ele pretende aditar ou retificar, demonstrando o crédito tributário unificado, de modo a permitir ao contribuinte o pleno conhecimento da alteração" 5.No caso em pauta, sabemos todos que o auto de infração é lavrado mediante simples cruzamento de dados entre o que é informado pelo contribuinte e os demais registros contidos no sistema informatizado da Receita Federal O procedimento in casa é totalmente eletrónico e não obstante a sua validade, visto que autorizado por autoridade competente, Innclainenta-se apenas no estreito limite desse cruzamento de infOrmações. descrição do .fato, requisito de validade do auto de inflação e elemento essencial ao exercício do direito à ampla defesa do sujeito passivo, encontra-se no âmbito de competência da autoridade lançadora, descabendo à autoridade julgadora supri- lo, ao argumento de que a exigência seria válida sob o prisma da 'falta de recolhimento", Ora, a falta de recolhimento é, em sentido amplo e via de regra, a razão de qualquer lançamento de oficio efetuado de modo a constituir o crédito tributário Vale dizer, em linguagem mais simples, que o Fisco não pode, durante o procedimento, atirar no que vê e, então, a autoridade julgadora, já no curso do processo, .fazê-lo acertar no que não viu, subtraindo ao impugnante o direito de opor contra-razões, quaisquer que sejam, sem que isto, pelo menos a meu juizo, resulte na preterição do direito de defesa do contribuinte autuado, 6.Em apertada .sintese, estas são as razões pelas quais, não promovido o aludido saneamento processual e ante a insubsistência cio fato que ensejou a lavratura do auto de infração em exame, visto que agora são outros os pressupostos que o ensejariam, divirjo, respeitosamente, da relatou, e dos demais colegas julgadores que votaram pela procedência do feito, eis que, a meu juizo, sem que o processo seja saneado, impõe-se o cancelamento do auto de infração, cabendo ao Fisco efetuar o lançamento que achar devido, então já sob o pálio de novos pressupostos, e desde que dentro de prazo decadencial. 7.Isto posto, VOTO PELA IMPROCEDÊNCIA do lançamento, bem assim respectiva multa lançada de oficio e juros moratórios." Concordo com este entendimento.. Se a autuação tomou corno pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte, e o contribuinte demonstrou a existência da ação em seu nome, resta patente que o lançamento não tem suporte, pois o motivo que lhe deu causa na verdade não existe. De acordo com a teoria dos motivos determinantes, o ato administrativo está fbrçosamente vinculado aos fatos e aos fundamentos legais que lhe dão suporte. A fiscalização preferiu tomar um suporte tático genérico e impreciso para dar suporte à autuação, ao invés de promover a apuração concreta da realidade do caso. Errou de fundamento, sendo então incabível que as instâncias julgadoras promovam a atividade de fiscalização que a autoridade lançadora devia ter executado, decantando o suporte concreto que 6 7 Processo n" I 6327 001486/2002-21 S3-TE03 Acórdão n." 3803-00.625 Fl 353 deveria ter sido apurado e indicado como fundamento no momento da lavratura do auto de infração. Deve-se, pois, reconhecer a nulidade do lançamento por erro e falta de amparo fático. E no que tange a "Proc jud não comprovtur, ocorre que no Auto de Infração, a descrição dos fatos é feita de forma genérica, indicando apenas e exclusivamente a ocorrência de "Proc jud não comprovad". Presume-se, com isso, que o auto de infração foi lavrado em virtude de acreditar a fiscalização que a referida ação judicial não existia. As peças processuais da ação judicial apresentadas pelo contribuinte demonstram que o processo judicial existia, e se a ação existia, o pressuposto de fato que dá suporte ao auto de infração é falso.. A respeito do tema, novamente transcrevo as considerações, extraídas de voto vencido no Acórdão n" 7,386, de 17 de novembro de 2004, da DRJ-Curitiba/PR, proferido em situação idêntica: 3. Respeitosamente, considero que fazer agora tais considerações, no âmbito do processo, e manter o lançamento sob pressupostos outros que sequer furam, puderam ser, cogitados pela autoridade autuante corresponde à verdadeira inovação no que pertine à valoração jurídica dos fatos, em época em que descabe à autoridade julgadora proceder ao agravamento da exigência, por força do que determina o § 3" do ar!. 18 do Decreto n," 70,23,5, de 1972, com redação dada pelo art.. 1" da Lei n. 0 8,748, de 1993, in verbis: "§ 3 Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizadas no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da .fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar devolvendo-se, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada," 4. Em sintonia com o que determina a disposição legal supra, também a doutrina jurídica, na exegese de MARCOS VINICIUS NEDER e MARIA TERESA MARTINEZ LOPES (hl Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, Dialética, 2002, p 184), recomenda o seguinte: "Assim, constatadas pela autoridade julgadora inexatidões na verificação do .fato gerador, relacionadas com o mesmo ilícito descrito no lançamento original, o saneamento do processo fiscal será promovido pela ,feitura de Auto de Infração Complementar. Esta peça, sob pena de nulidade, deverá descrever os motivos que fundamentam a alteração do lançamento original, indicando o fato ou circunstância que ele pretende aditar ou retificar, demonstrando o crédito tributário unificado, de modo a permitir ao contribuinte o pleno conhecimento da alteração". 5,No caso em pauta, sabemos todos que o auto de infração é lavrado mediante simples cruzamento de dados entre o que é informado pelo contribuinte e os demais registros contidos no sistema informatizado da Receita Federal, O procedimento ia casu é totalmente eletrônico e não obstante a sua validade, visto que autorizado por autoridade competente, .fundamenta-se apenas no estreito limite desse cruzamento de informações. A descrição do fato, requisito de validade do auto de infração e elemento essencial ao exercício do direito à ampla defesa do sujeito passivo, encontra-se no âmbito de competência da autoridade lançadora, descabendo à autoridade julgadora supri-lo, ao argumento de que a exigência seria válida sob o prisma da 'falta de recolhimento". Ora, a .falta de recolhimento é, eia sentido amplo e via de regra, a razão de qualquer lançamento de ofício efetuado de modo a constituir o crédito tributário. Vale dizer, em linguagem mais simples, que o Fisco não pode, durante o procedimento, atirar no que vê e, então, a autoridade .julgadora, já no curso do processo, .fazê-lo acertar no que não viu, subtraindo ao impugnante o direito de opor contra-razões, quaisquer que sejam, sem que isto, pelo menos a meu .juízo, resulte na preterição do direito de defesa do contribuinte autuado. 6Em apertada síntese, estas são as razões pelas quais, não promovido o aludido saneamento processual e ante a insubsistência do fato que ensejou a lavratura do auto de infração em exame, visto que agora são outros os. pressupostos que o ensejariam, divirjo, respeitosamente, da relatara e dos demais colegas julgadores que votaram pela procedência do feito, eis que, a meu . juízo, sem que o processo seja saneado, impõe-se o cancelamento do auto de infração, cabendo ao Fisco efetuar o lançamento que achar devido, então já sob o pálio de novos pressupostos, e desde que dentro de prazo decadencial. 7,Isto posto, VOTO PELA IMPROCEDÊNCIA do lançamento, bem assim respectiva multa lançada de oficio e juros moratórias. Concordo com este entendimento, 8 Processo o" 16327 001486/2002-21 Ae6rfflo o " 3803-00.625 S3-TE03 Fl 354 Irrita perceber, neste caso, que o auto de infração singelamente se anima na inexistência da ação judicial e que, depois de demonstrada a existência da ação judicial, a Autoridade Julgadora de Primeira Instância se arvorou em esmiuçar os detalhes da ação judicial existente, buscando outros motivos de fato para sustentar a manutenção da exigência, passando a argumentar que o lançamento pretenderia prevenir a decadência quanto à exigência dos créditos em discussão na ação judicial - justamente aquela ação judicial que a autoridade lançadora dizia não existir ! Se a autuação tomou como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial, e o contribuinte demonstrou a existência da ação, resta patente que o lançamento não tem suporte fático válido, pois o motivo que lhe deu causa na verdade não existe. De acordo com a teoria dos motivos determinantes, o ato administrativo está forçosamente vinculado aos fatos concretos apurados e aos fundamentos legais que lhe dão suporte, A fiscalização preferiu tomar um suporte fático genérico e impreciso para dar suporte à autuação, ao invés de promover a apuração concreta da realidade do caso,. E errou de fundamento, sendo então incabível que as instâncias julgadoras promovam a atividade de fiscalização que a autoridade lançadora devia ter executado, decantando o suporte concreto que deveria ter sido apurado e indicado pela autoridade lançadora para a lavratura do auto de infração. Deve-se, pois, reconhecer a nulidade do lançamento por erro e falta de amparo fático. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar o Auto de Infração, 0.<7 Daniel Maurício Fedato 9
score : 1.0
Numero do processo: 11020.002581/2002-72
Data da sessão: Mon Aug 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000
PEDIDOS DE RESSARCIMENTO, DESPACHO DECISÓRIO. VÍCIO DE
LEGALIDADE, ANULAÇÃO. PRAZO,
A autoridade administrativa tem prazo de 5 (cinco) anos, contados da data de sua edição, para anular ato administrativo eivado de vício de legalidade.
Inexistem prazos preclusivos para que a autoridade administrativo profira decisão em processos que versem sobre pedidos de ressarcimento de créditos de IPI.
Assunto: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR BÁSICO,
Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. (Súmula CARF nº20)
O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, nos termos do art 11 da Lei Nº 9.779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a partir de 1º de janeiro de 1999, (Súmula CARF nº 16)
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO
A autoridade administrativa tem prazo de 5 (cinco) anos para apreciar a compensação regularmente declarada, findo o qual, ela estará tacitamente homologada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3803-000.599
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Ranegel Perrucci Fiorin (Relator) e Carlos Henrique Martins de Lima. Designado o Conselheiro Alexandre Kern para a redação do voto vencedor.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: RANGEL PERRUCCI FIORIN
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
dt_index_tdt : Sat Oct 01 09:00:02 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201008
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 PEDIDOS DE RESSARCIMENTO, DESPACHO DECISÓRIO. VÍCIO DE LEGALIDADE, ANULAÇÃO. PRAZO, A autoridade administrativa tem prazo de 5 (cinco) anos, contados da data de sua edição, para anular ato administrativo eivado de vício de legalidade. Inexistem prazos preclusivos para que a autoridade administrativo profira decisão em processos que versem sobre pedidos de ressarcimento de créditos de IPI. Assunto: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR BÁSICO, Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. (Súmula CARF nº20) O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, nos termos do art 11 da Lei Nº 9.779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a partir de 1º de janeiro de 1999, (Súmula CARF nº 16) DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO A autoridade administrativa tem prazo de 5 (cinco) anos para apreciar a compensação regularmente declarada, findo o qual, ela estará tacitamente homologada. Recurso Voluntário Negado.
numero_processo_s : 11020.002581/2002-72
conteudo_id_s : 6671080
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 3803-000.599
nome_arquivo_s : Decisao_11020002581200272.pdf
nome_relator_s : RANGEL PERRUCCI FIORIN
nome_arquivo_pdf_s : 11020002581200272_6671080.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Ranegel Perrucci Fiorin (Relator) e Carlos Henrique Martins de Lima. Designado o Conselheiro Alexandre Kern para a redação do voto vencedor.
dt_sessao_tdt : Mon Aug 23 00:00:00 UTC 2010
id : 9520043
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Sat Oct 01 09:41:05 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1745477715040927744
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-21T10:49:40Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-21T10:49:40Z; Last-Modified: 2010-12-21T10:49:40Z; dcterms:modified: 2010-12-21T10:49:40Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:788b5830-5fd8-461b-896a-797a5c037031; Last-Save-Date: 2010-12-21T10:49:40Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-21T10:49:40Z; meta:save-date: 2010-12-21T10:49:40Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-21T10:49:40Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-21T10:49:40Z; created: 2010-12-21T10:49:40Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2010-12-21T10:49:40Z; pdf:charsPerPage: 1806; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-21T10:49:40Z | Conteúdo => S3-T E03 Fl. 203 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 11020:001581/2002-72, Recurso n" 264.9.32 Voluntário Acórdão ri" 3803-00.599 — .3" Turma Especial Sessão de 23 de agosto de 2010 Matéria IPI - PEDIDO DE RESSARCIMENTO - SALDO CREDOR BÁSICO - INSUMOS APLICADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS NT - DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente RBS - ZERO HORA EDITORA JORNALÍSTICA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 PEDIDOS DE RESSARCIMENTO, DESPACHO DECISÓRIO. VÍCIO DE LEGALIDADE, ANULAÇÃO. PRAZO, A autoridade administrativa tem prazo de 5 (cinco) anos, contados da data de sua edição, para anular ato administrativo eivado de vício de legalidade. Inexistem prazos preclusivos para que a autoridade administrativo profira decisão em processos que versem sobre pedidos de ressarcimento de créditos de IP I . Assumro: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR BÁSICO, Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI corno NT, (Súmula CARF n220) O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, nos termos do art 11 da Lei N" 9,779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a partir de 1' de janeiro de 1999, (Súmula CARF n216) DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO A autoridade administrativa tem prazo de 5 (cinco) anos para apreciar a compensação regularmente declarada, findo o qual, ela estará tacitamente homologada, Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Ranegel Permeei Fiorin (Relator) e Carlos Henrique Martins de Lima. Designado o Conselheiro Alexandre Kern para a redação do voto vencedor.. Alexar dre Kern — Presidente e Redator Designado, ( ,e Rak ; n kyr"fri Rélator. EDITADO 08í l0 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Souza, Carlos Henrique Martins Lima, Hélcio Lafetá Reis e Daniel Mauricio Fedato, Relatório Trata-se de Recurso Voluntário apresentado por Empresa Jornalística Pioneiro S/A, incorporada por RBS — Zero Hora Editora Jornalística S/A contra o Acórdão de fls.169/ 188, que indeferiu o pedido de ressarcimento do saldo credor de 'PI. Assim, relatando o processo sob julgamento, cabe informar que a recorrente apresentou pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI, correspondente ao 2" trimestre de 2000, autorizado pelo art.11 da lei 9779/99, no valor de R$ 22,704,66, A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul, pela decisão de fls 83, de 12 de setembro de 2007, reconheceu integralmente o valor do ressarcimento pleiteado, e homologou as compensações vinculadas a esse crédito.. Após decisão de fls, 83, pelo despacho decisório 476 a DRF/Caxias do Sul, com base no parecer SUIS de Revisão de Direito de Crédito, de 14 de julho de 2008, fls 85/88, anulou a decisão anteriormente deferida, não reconhecendo o crédito pleiteado, e não homologando as compensações vinculadas ao crédito, O não reconhecimento do crédito tributário se deu pelo fato de que a recorrente dava saída unicamente ao Jornal Pioneiro e outros periódicos, classificados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), como NT (não tributados). Inconformada com a decisão foi apresentada manifestação de inconformidade fls. 106/132, alegando em síntese: i) A decadência do direito de reaver o direito ao crédito, urna vez que foi protocolizado o pedido ressarcimento de crédito de IPI em junho de 2002 e no ano seguinte, 2 Processo n" 1 1020 002.58 l/2002-7Z S3-TE03 Acórd5o n " 3803-00,599 Fl. 204 como não havia sido analisado o pedido, e como faculta a legislação, o referido crédito foi utilizado para a compensação com outros tributos federais.. ii) A impossibilidade de revisão de lançamento, por ser manifestamente inválido o procedimento de revisão e lançamento de oficio praticado pela autoridade fiscal, visto que inexiste autorização para tal iniciativa, seja com base em "erro de direito", seja em virtude de suposta existência de vício de nulidade do ato. Por fim, ainda que se admite a revisão do lançamento, tal alteração não poderia se aplicada retroativamente. A adequada interpretação da lei 9.779/99, compatível com as normas constitucionais, é no sentido de que a saída de todos os produtos industrializados permite o aproveitamento do saldo credor.. Nos termos da IN SRF n" 33, de 04 de março de 1999 não há nenhum impedimento ao creditamento do 1P1 envolvendo insumos empregados na impressão de jornais não fosse previsão do Ato Declaratório Interpretativo SRF if 05, editado em 17 de abril de 2006. A aplicação retroativa de ato infralegal, em violação aos artigos 106, 1 e 144, ambos do CTN A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre — RS, acordam por unanimidade de votos, não tornar conhecimento da preliminar de ilegalidade, e, no mérito, julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, para manter o Despacho Decisório, que não reconheceu o direito pleiteado e não homologou as compensações declaradas, nos termos do relatório e voto, por entenderem, em síntese: i) O artigo 17.3 do Código Tributário Nacional trata do prazo de decadência de cinco anos para a constituição de crédito tributário, que não se trata do caso em questão, por se tratar de pedido de ressarcimento. ii) Trata-se de caso de ressarcimento de saldo credor do IPI cumulado com a declaração de compensação, não se aplicando no caso as hipóteses previstas no artigo 149 do Código Tributário Nacional, que trata da revisão de lançamento, iii) O artigo 54 da Lei 8,718/99 admite a anulação dos atos administrativos, observado o prazo de cinco anos contados da data que foram praticados. iv) A súmula n" 13 do Segundo Conselho de Contribuintes, citada nas decisões acima, foi aprovada na Sessão plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no DOU de 26/09/07 e está assim redigida: Não há direito aos créditos de IN em relação às aquisições de insumos aplicadas na fabricação de produtos na TIPI como NT. v) O ato de natureza interpretativa retroage ao momento em que a norma interpretada começou a surtir efeitos. A recorrente informada com o acórdão da 3" Turma da DRJ/P0A, apresentou Recurso Voluntário requerendo seja recebido e julgado integralmente para o efeito de; jurídia: i) reformar a decisão proferida no Acórdão, reconhecendo o direito à manutenção do crédito do IFI, incidente na aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem aplicados no processo de industrialização de produtos imunes. ii) reconhecer o direito à homologação das compensações efetuadas. É o Relatório.. Voto Vencido Conselheiro Rangel Permeei Fiorin, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço e passo a votar. Litiga-se o indeferimento do pedido de ressarcimento do saldo credor de IFI, após a homologação da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul, que em decisão reconheceu integralmente o valor do ressarcimento pleiteado. Assim, o cerne do questionamento é saber se poderia a Administração Pública, por meio dos seus agentes, anular decisão anteriormente deferida, não reconhecendo o crédito pleiteado, e não homologando as compensações vinculadas ao crédito. Considerando que o lançamento é ato vinculado da administração pública que tem por escopo verificar a ocorrência do fato gerador, quem deve e o quanto é devido, no caso em tela, foi homologado expressamente por agente fazendário competente, impondo respeito aos seus atos e segurança ao contribuinte. Nesse mister, entende-se que o prazo para a autoridade administrativa homologar a constituição do crédito não pode perdurar por tempo superior ao previsto na legislação tributária, qual seja cinco anos, sob pena de quebrar os preceitos consagrados no sistema tributário como um todo. Se assim não fosse o princípio da segurança jurídica deixaria de ser um sustentáculo que ordena a tributação e garante aos contribuintes e ao fisco uma relação jurídica confiável Os direitos fundamentais garantidos pela Constituição Federal e legislação infraconstitucional devem ser observados pelo Estado e por seus agentes quando praticarem suas atividades, De ver, a possibilidade de exigir tributos não pode ultrapassar os limites impostos pela legislação tributaria, tal como o princípio da segurança jurídica, estampado na Lei 9784/99, que regula o processo administrativo federal: Art., 2 A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Celso Antonio Bandeira de Mello, comenta sobre o principio da segurança Processo n" 1 020 002 58 I /2002-7Z S3-1-E03 Acórdão n." 3803-00,599 Ff. 205 o princípio da segurança .jurídica, o qual, se acaso não é o maior de todos os principias gerais de direito, como acreditamos que efetivamente o seja, por certo é um dos maiores dentre eles. Por força do sobredito princípio cuida-se de evitar alterações sutpreendentes que instabilizem a situação dos administrados e de minorar os efeitos traumáticos que resultem de novas disposições jurídicas que alcançariam situações em curso. A prescrição, o direito adquirido, são exemplos de institutos prestigiados da segurança jurídica. (Curso de Direito Administrativo. São Paulo: Malheiros.. 2010.,p.87). Ora, no caso sob apreciação e julgamento a recorrente apresentou pedido de ressarcimento do saldo credor cio IP] em junho de 2002 e a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul, em 1 2 de setembro de 2007, reconheceu integralmente o valor do ressarcimento pleiteado e, por conseguinte homologou as compensações vinculadas a esse crédito. Destarte, a alteração do lançamento tributário, se pudesse ser realizada, deveria ter ocorrido enquanto não estivesse extinto o direito da Fazenda Pública.. Ou seja, somente dentro do lapso temporal admitido no direito tributário brasileiro, qual seja cinco anos, de acordo com a combinação dos artigos 149 e 173 do Código Tributário Nacional, É de se observar que os atos jurídicos administrativos eivados de vícios podem ser anulados ou revogados por motivo de conveniência ou oportunidade, de acordo com a Súmula n. 473 do STF: "A administração pode anular seus próprios atos, quando eivadas de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitas;ou revogá-los, por motivo de conveniéncia ou oportunidade,respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casava api eciação judicial". Porém, não são ilegais os atos realizados de acordo ao legislação vigente a época do fato gerador, que impõe ao representante do fisco o dever de verificar a ocorrência da materialização da hipótese de incidência, de acordo com artigo 144 do Código Tributário Nacional. Destarte, o lançamento não pode ser alterado por não configurar as hipóteses previstas em lei que autorizam a modificação, bem como por ter decorrido o lapso temporal, para tal revisão. No tocante ao não reconhecimento do crédito tributário, o mesmo se deu pelo fato de que a recorrente dava saída unicamente ao Jornal Pioneiro e outros periódicos, classificados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), como NT (não tributados). Sobre está controvérsia o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF -sumulou entendimento de que não há direito a aos créditos de IPI, conforme súmula n" 70: "Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na . fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. "A lide seria ceifada se não fosse a ocorrência da decadência e a observação dos princípios consagrados na legislação que cuida do processo administrativo tributário federal em consonância com Constituição Federal e que garantem o respeito ao princípio da segurança jurídica, Destarte, julgo procedente o presente Recurso Voluntário para acolher a preliminar de decadência do direito de alterar o lançamento/homologação correspondente ao 4° trimestre de 1999 e, no mérito, amparado pela súmula n" 20 do CARF, nego provimento ao recurso. Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Kem, Redator Designado Para o bem da clareza, sintetizo, abaixo, as efemérides processuais. Zero Hora Editora Jornalística S/A formulou, em 14/6/2002, o pedido de ressarcimento do saldo credor do 2° trimestre de 2000 do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, no valor de 22. 704,66, autorizado pelo art. 11 da Lei 11 1-' 9.779, de 19 de janeiro de 1999, regulamentado pela Instrução Normativa — SRF n2 33, de 4 de março de 1999. Em 1/8/2003, transmitiu Declaração de Compensação, cujos débitos passaram a ser controlados no processo 11080.720210/2008-57, posto que se tratava de débitos da sociedade incorporadora. Em 12/9/2007, foi proferido Despacho Decisório, reconhecendo a procedência do pleito. A compensação requerida foi efetuada, e, restando saldo credor, o contribuinte, em 18/3/2008 foi intimado a se pronunciar sobre a compensação de oficio desse saldo de crédito remanescente com os demais débitos existentes sob sua responsabilidade. Nada obstante, em 14/7/2008, o Serviço de Fiscalização da DRF/CXL reviu o crédito pleiteado e concluiu pela improcedência do pedido sob a consideração de que o requerente, enquanto fabricante de produtos situados fora do campo de incidência do imposto (NT), não é contribuinte e não tem direito a créditos. A DRF/CXL, em 14/7/2008, emitiu então o Despacho Decisório n 19/7/2008, anulando o despacho anterior, indeferindo o pedido de ressarcimento e não homologando as compensações declaradas. Irresignado com a reversão, o requerente interpôs reclamação, julgada improcedente pela 3" Turma da DRI/P0A. O Acórdão n2 10-17.662, de 7 de novembro de 2008, fls. 163 a 167, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — Período de apuração- 01/04/2000 a 30/06/2000 RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR DO IPI - O prazo a que está sujeita a autoridade administrativa, para o exame de pedido de i ressarcimento, cumulado com declaração de compensação, é aquele que diz respeito à homologação das 6 Processo n" 11020 002 551/2002-72, S3-TE03 Acórdão n " 3803-00.599 El 206 compensações, que é de cinco anos contados da data da entrega da declaração de compensação. - A autoridade administrativa, em obediência ao Principio da Legalidade, deve anular suas decisões, quando eivadas de vicio de legalidade - Não são admitidos, na composição do saldo credor do IPI, os créditos decorrentes da aquisição de ins-umos empregados na fabricação de produtos com a notação 'WT" (não-tributados) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), - Ilegalidade. Não compete à autoridade administrativa manifestar-se quanto à ilegalidade dos atos normativos, por ser essa prerrogativa exchisiva do Poder Judiciário. - Aplicação dos atos normativos.. O julgador deve observar o entendimento da SRF expresso em atos normativos. Solicitação Indeferida Cuida-se agora de recurso voluntário contra a decisão da 3" Turma da DRJ/P0A„ O arrazoado de fis. 169 a 188 pede reforma da decisão recorrida e homologação das compensações declaradas, articulando as seguintes razões: 1. decadência do direito de rever o direito ao crédito; 2, impossibilidade de revisão de lançamento por suposto erro de direito; 3. Vinculação da Administração Pública aos atos normativos por ela expedidos: violação ao art. 11 da Lei n2 9.779, 1999 e, em especial, ao art. 4" da IN SRF n° 33, de 1999, uma vez que os produtos industrializados sujeitos à alíquota zero englobam os produtos imunes; 4. Violação ao principio da legalidade, insculpido no art. 97 do Código Tributário Nacional; 5. Aplicação retroativa de ato infralegal, em violação aos artigos 106, I, e 144, ambos do Código Tributário Nacional; Esses, em síntese, os fatos processuais. Quanto ao direito ao crédito, a matéria já tem entendimento pacificado nesta segunda instância administrativa, plasmado na Súmula CARF n 2 20: Súmula CARF N", 20 - Não há direito aos créditos de IPI em relação àr aquisições de illS111110S aplicados na . fabricação de produtos classificados na TIPI como NT O fato de os produtos fabricados pelo recorrente gozarem da imunidade prevista no art. 150, inc. VI, alínea "d", da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 — CRFB/88 não alcança ao recorrente a possibilidade de creditamento aventada pelo art. 4" da IN-SRF 112 33, de 1999, que, nessa hipótese, trata exclusivamente dos produtos imunes por serem exportados. O argumento de que os produtos industrializados sujeitos à alíquota zero englobam os produtos imunes é risível e só posso atribuí-lo ao fato de o recorrente não estar 7 afeito à sistemática peculiar do IPI, já que dele não é contribuinte. Produto sujeito à alíquota zero produto tributado é, enquanto produto imune, será ou não, a depender da natureza dessa forma qualificada de não-incidência, Explico: será tributado, nos casos de operações no mercado interno, quando a imunidade disser respeito à exportação. Será não-tributado quando, como no caso concreto, a imunidade tiver natureza objetiva. A alegação de impossibilidade de revisão de lançamento não procede, visto que de lançamento não se trata no processo, sendo inaplicáveis as regras preclusivas dos arts„ 149, 150 ou 173 do CIN. Pela mesma razão, i. é, por não se tratar de lançamento de oficio, também é inaplicável a norma do art. 146. Não se trata tampouco de incidência da norma do art, 74, § 5 0, da Lei ri2 9.430, de 1996, haja vista não terem transcorridos os cinco anos nela previsto. Trata-se, isso sim, de ato administrativo decisório eivado de vício, passível de ser anulado no prazo de cinco anos da sua edição, a teor do art. 59 da Lei ns2. 9,784, de 1999, já transcrito na decisão recorrida. A norma do art, 49 da Lei rr 9 9.784, de 1999, por outro lado, não tem sanção, não fazendo precluir o poder-dever da Administração de apreciar os pleitos dos administrado segundo os ditames legais. Finalmente, esclarece-se também, que não se cogita da aplicação retroativa do AD(I)112 05, de 17 de abril de 2006 O art, 11 da Lei n2 9.779, de 1999, não tem natureza meramente interpretativa, como quer o recorrente, mas, ao contrário, inovou no ordenamento jurídico, introduzindo direito novo e exercível somente após a edição da referida norma. É o que se dessume da exegese da Súmula CAIU n 2 16: Súmula CARF N2_16 O direito ao aproveitamento dos créditos de IP[ decorrentes da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utihrados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou aliquota 2ero, nos termos do art. 11 da Lei N" 9.779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a partir de 1"de janeiro de 1999 Em face do exposto, negue-se provimento ao recurso Alexandre Kern 8
score : 1.0
Numero do processo: 10882.000705/2003-53
Data da sessão: Mon Aug 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/07/2002 a 30/09/2002
CERCEAMENTO DA AMPLA DEFESA
Deve ser anulado o processo quando decisão que se encaminhe para não reconhecer direito de contribuinte não lhe permite o exercício de sua defesa de forma ampla, mesmo tendo a Administração servido-se de regra legal para amparar o ato.
Numero da decisão: 3803-000.574
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo desde a decisão de primeira instância, inclusive, para que uma nova decisão seja proferida, conhecendo da documentação que instrui a Manifestação de Inconformidade.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
dt_index_tdt : Sat Oct 01 09:00:02 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201008
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/07/2002 a 30/09/2002 CERCEAMENTO DA AMPLA DEFESA Deve ser anulado o processo quando decisão que se encaminhe para não reconhecer direito de contribuinte não lhe permite o exercício de sua defesa de forma ampla, mesmo tendo a Administração servido-se de regra legal para amparar o ato.
numero_processo_s : 10882.000705/2003-53
conteudo_id_s : 6670688
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 3803-000.574
nome_arquivo_s : Decisao_10882000705200353.pdf
nome_relator_s : BELCHIOR MELO DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10882000705200353_6670688.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo desde a decisão de primeira instância, inclusive, para que uma nova decisão seja proferida, conhecendo da documentação que instrui a Manifestação de Inconformidade.
dt_sessao_tdt : Mon Aug 23 00:00:00 UTC 2010
id : 9519073
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Sat Oct 01 09:41:04 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1745477715045122048
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-03-10T13:13:18Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-03-10T13:13:18Z; Last-Modified: 2011-03-10T13:13:18Z; dcterms:modified: 2011-03-10T13:13:18Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:cc75478b-d303-4d93-8820-61eb94488706; Last-Save-Date: 2011-03-10T13:13:18Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-03-10T13:13:18Z; meta:save-date: 2011-03-10T13:13:18Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-03-10T13:13:18Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-03-10T13:13:18Z; created: 2011-03-10T13:13:18Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2011-03-10T13:13:18Z; pdf:charsPerPage: 1477; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-03-10T13:13:18Z | Conteúdo => S3-1E03 FL 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10882,000705/200.3-.53 Recurso n" Voluntária Acórdão n" 3803-00.574 — 3' Turma Especial Sessão de 23 de agosto de 2010 Matéria RESSARCIMENTO DE IPI Recorrente PINCÉIS TIGRE S/A Recorrida DRJ-PORTO ALEGRE/RS ASSUNTO: PROCESS° ADMINISTRATIVO FISCAL PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/07/2002 a 30/09/2002 CERCEAMENTO DA AMPLA DEFESA Deve ser anulado o processo quando decisão que se encaminhe para não reconhecer direito de contribuinte não lhe permite o exercício de sua defesa de forma ampla, mesmo tendo a Administração servido-se de regra legal para amparar o ato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, em anular o process() desde a decisão de primeira instância, inclusive, para que uma nova decisão seja oferida, conhecendo da documentação que instrui a Manifestação de Inconformidade. ( Alexat dre Kern — residente ç----— --774' Belcl or Melo de Sousa - Relator Partici aram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente da Turma Belchior Melo de Sousa (Relator), Daniel Mauricio Fedato, Carlos Henrique Martins de Li la, Hélcio Lafetá Reis e Rangel Perrucci Fiarin. Relatório \F. Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de n° 14-20.558, de 24 de setembro de 2008, da DRI-Ribeirão Preto/SP, fls. 118 a 121, que indeferiu a solicitação de ressarcimento de crédito de IPI apurado no 3 0 trimestre de 2002, fis. 01, no montante de RS 90..742,15. O indeferimento do seu direito creditório, que seria utilizado na compensação dos débitos declarados, deve-se ao fato de não ter atendido à intimação para apresentar os respectivos documentos comprobatórios do crédito alegado. Em sua manifestação de inconformidade alegou, preliminarmente, que desconhecia a intimação, em razão de extravio, aduzindo que tal fato não tern o condão de subtrair o seu legitimo direito ao crédito, que, para comprová-lo atesta ter estornado o valor correspondente ao solicitado, no somatório com outros pedidos, e declara estar anexando toda a documentação solicitada, A DRI-Ribeirão Preto contesta o desconhecimento da intimação pela impugnante, demonstrando ter sido esta enviada e recebida no mesmo endereço do despacho decisório denegatório do pedido, Visto assim, considera intempestiva a entrega da documentação que pretende justificar o crédito, evoca sua incompetência para apreciá-la, sob pena de suprimir a instancia administrativa e, dessa maneira, estar avocando a competência para conceder direitos creditários e homologar as compensações declaradas. Desse modo, inclina-se para apreciar apenas a legalidade ou nulidade do despacho denegatório, bem como se houve cerceamento de direitos do contribuinte. E indefere a solicitação. o relatório.. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Pode-se conceder razão A Delegacia de Julgamento ao entender, em suma, que não há ilegalidade no ato da Delegacia da Receita Federal em Ponta Grossa, substanciado no despacho decisório que não reconheceu o direito creditário, face ao não-atendimento da intimação para apresentação dos documentos comprobatórios da existência do crédito.. Também, propriamente, não se pode eivar corn esta mesma mancha (de ilegalidade) a decisão recorrida, eis que fundou-se em regramentos especificos bem definidos . Todavia, o caso concreto reclama a ponderação de valores sopesando-se o ato do não-atendimento de uma única intimação e sua resultante: o não-reconhecimento de urn direito creditório passive! de ser legitimo, Com efeito, não há nas disposições legais que regem o Processo Administrativo determinação para que a Administração Tributária promova a intimação do contribuinte mais de uma vez, para atendimento de providências que, ao final, atendem o seu interesse.. Contudo, de igual maneira, não há óbice para que a Administração o faça, como sói acontecer quando o interesse é da Administração Fazenddria, tendo em vista a coleta de dados para a apuração de crédito tributário. 2 Processo Q 10882,000705/2003-53 S3-TE03 Acórd5o n ° 3803-00.574 Fl 2 Sem prejuizo nem menoscabo das regras que deram supedâneo ao despacho decisório e, de resto, no que ora importa, A decisão recorrida, a leitura da norma que lhe subjaz, vista, corno deve ser, sob o olhar panorâmico do ordenamento jurídico, não prescinde dos princípios, que, irradiando-se sobre o texto que lhe compõe, dão-lhe o verdadeiro conteúdo, bem como a dosagem de sua graduação. Malgrado a Delegacia em Ponta Grossa ter aplicado a regra do artigo 40 da Lei n" 9.784/98, segundo a qual "quando dodos, atuações ou documentos .solicitados ao interessado forem necessários a apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fivado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo", dada a possibilidade de interconencias, bem assim de variações no curso esperado dos acontecimentos, entre a ordem (intimação) e o seu cumprimento, á meu ver que foi impedido ao contribuinte o exercício, não da sua defesa, porque não foi, mas, da sua ampla defesa — que 6 o seu estrito direito ao não ser intimado ao menos urna segunda vez para que viesse a sustentar o seu direito, conforme peticionado, apresentando documentos para o cotejo da fiscalização . Não 6 a solução mais razoável para o problema jurídico concreto, na circunstancia que envolve a questão, vale dizer, a Administração não submeter-se ao custo ínfimo de reintimar o contribuinte quando o valor em jogo 6 a subtração de um direito reivindicado. E, registre-se que, se curvar a esse ato de cautela, embora procedimento não obrigatório, não implica em se afastar dos parâmetros legais, Avaliando-se por este prisma, a negação do direito pretendido, por decorrência, fere o princípio da razoabilidade. Ambos, a informarem o processo administrativo e aquele a consistir em garantia constitucional. O arrazoado acima ancora-se, sobretudo, no fato de o conjunto da documentação, anexado desde a impugnação e continente de cópias do livro fiscal e as respostas do contribuinte, darem a forte aparência de estarem consentâneas com o solicitado na intimação, atendendo o requisito do art, 16, § 4°.,do Decreto n" 70.235/72. Pelo exposto, voto por anular o processo desde desde a decisão de primeira instancia, inclusive, para que urna nova decisão seja proferida, conhecendo da documentação que instrui a Manifestação de inconformidade. Belch or Mero de Sousa 3
score : 1.0
Numero do processo: 37178.001209/2003-20
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/1998
Ementa: PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO – NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO – CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA NA CONSTRUÇÃO CIVIL E PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO. INEXISTÊNCIA DE SOLIDARIEDADE POR FORÇA DO PARECER AGU N° 8/2006.
Não há responsabilidade solidária da pessoa jurídica de direito público com as construtoras, por força do Parecer AGU n° 8/2006.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 206-00.028
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Oct 01 09:00:02 UTC 2022
anomes_sessao_s : 200710
ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/1998 Ementa: PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO – NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO – CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA NA CONSTRUÇÃO CIVIL E PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO. INEXISTÊNCIA DE SOLIDARIEDADE POR FORÇA DO PARECER AGU N° 8/2006. Não há responsabilidade solidária da pessoa jurídica de direito público com as construtoras, por força do Parecer AGU n° 8/2006. Recurso de Ofício Negado.
turma_s : Sexta Câmara
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2007
numero_processo_s : 37178.001209/2003-20
anomes_publicacao_s : 200710
conteudo_id_s : 4116831
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 206-00.028
nome_arquivo_s : 20600028_141236_37178001209200320_005.PDF
ano_publicacao_s : 2007
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 37178001209200320_4116831.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2007
id : 4841518
ano_sessao_s : 2007
atualizado_anexos_dt : Sat Oct 01 09:41:01 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1745477715075530752
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-05T21:11:48Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-05T21:11:47Z; Last-Modified: 2009-08-05T21:11:48Z; dcterms:modified: 2009-08-05T21:11:48Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-05T21:11:48Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-05T21:11:48Z; meta:save-date: 2009-08-05T21:11:48Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-05T21:11:48Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-05T21:11:47Z; created: 2009-08-05T21:11:47Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-08-05T21:11:47Z; pdf:charsPerPage: 995; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-05T21:11:47Z | Conteúdo => 2° CC/MF - Sexta Cerne. CONFERE COMO ORIGii.. n Sramilia 23 to CCO2JC06 Mana de Fátima ra O arvait Fls. 133Mae. Slape 751683 411:4n1 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° 37178.001209/2003-20 Recurso n° 141.236 De Oficio Matéria RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Acórdão n° 206-00.028 Sessão de 09 de outubro de 2007 Recorrente SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA-RORAIMA Interessado ESTADO DE RORAIMA — DEPARTAMENTO DE ESTRADAS DE RODAGEM DO ESTADO DE RORAIMA EM EXTINÇÃO Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/1998 Ementa: PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO — NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO — CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA NA CONSTRUÇÃO CIVIL E PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO. INEXISTÊNCIA DE SOLIDARIEDADE POR FORÇA DO PARECER AGU N° 8/2006. Não há responsabilidade solidária da pessoa jurídica de direito público com as construtoras, por força do Parecer AGU n ° 8/2006. Recurso de Oficio Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. CONFERE cciam'c76-ãiáli:4-1AL Brasnia, Processo n.°37178.001209/2003-20 CCO2C06 • Acórdão n.°206-00.026 Mana de Fátima Fe ira de CarvalhoMau. Sisa° 751683 Fls. 134 ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES or unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente r-----TeCGCL7 .) ELAINt CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Relatora - Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, Daniel Ayres Kalume Reis, Cleusa Vieira de Souza e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Processo n.° 37178.001209/2003-20 CCOVC06• "2° CC/MF - Sexta Câmara Acórdão n.° 206-00.026 CONFERE COM O ORIGINAL Fls. 135 • Brasilia 23 Maria de Fatima Fe cor de Carvalho Matr. S •ape 751683 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, bem como da parcela relativa aos segurados. O período do presente levantamento abrange as competências março de 1996 a julho de 1997, novembro de 1997 e maio e agosto de 1998, fls. 04 a 08; decorrente da responsabilidade solidária com a empresa C.S.M. CONSTRUÇÕES LTDA. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 42, a notificação foi lavrada diretamente no ente público estadual — ESTADO DE RORAIMA, por encontrar-se o DEPARTAMENTO DE ESTRADAS E RODAGEM DO ESTADO DE RORAIMA, autarquia estadual, em fase de extinção, conforme previsto em Lei Estadual n° 332 de 30 de abril de 2002 e Decreto Estadual n° 4731-E, de 30 de abril de 2002, tendo sido cópia da NFLD encaminhada ao Procurador Geral do Estado de Roraima. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa, fls. 60 a 67, pela C.S.M. CONSTRUÇÕES LTDA. Foi comandada diligência fiscal, a fim de esclarecer as alegações apresentadas pelo notificado quando da apresentação da defesa, devendo a fiscalização manifestar-se acerca: natureza e tipo das obras executadas, percentual de aferição utilizado, se existem hipóteses de elisão da responsabilidade solidária, existência de recolhimentos a serem aproveitados, encaminhamento de relatório fiscal complementar com a fundamentação legal do arbitramento. A fiscalização emitiu o relatório complementar às fls. 101 a 106, restringindo-se a encaminhar ao contribuinte relatório complementar com a fundamentação legal solicitada, tendo sido reaberto prazo para impugnação, fl. 105. A empresa construtora na condição de responsável solidário apresentou nova impugnação relativa ao relatório fiscal complementar às fls.109 a 110. Não tendo a fiscalização cumprido integralmente a diligência solicitada os autos retornaram a fiscalização para manifestação quanto aos pontos indicados pelo serviço de contencioso administrativo. A seção de fiscalização apresentou relatório em cumprimento a diligência solicitada, fls. 116 a 121. A Decisão-Notificação determinou a improcedência do lançamento tendo em vista a publicação do parecer da Advocacia Geral do União — AC 55 de 24/11/2006, que determina que a Administração Pública não responde solidariamente pelas obrigações da empresa contratada para execução de obras de construção civil por empreitada total, desde a edição do Decreto Lei n°2.300/86, fls. 123 a 132. A unidade da SRP apresenta Recurso de Oficio para o Conselho de Recursos da Previdência Social, nos termos do art. 366, § 2°, do RPS e art. 1°, Ida Portaria MPS n° 158, de 11 de abril de 2007. Decide, também, notificar o contribuinte acerca da decisão recorrida, fl. 132. É o Relatório. (IPZ Processo n.° 37178.001209/2003-20 . CCO21C06 Acórdão n.° 206-00.026 2° CC/MF - Sexta Câmara AS. 136 CONFERE COM O ORIGINAL Brasília 42 K93 / Mana de Fátima rrea cie Carvalho Mau; Siape 751683 Voto Conselheira ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: Trata-se de Recurso de Oficio apresentado pela unidade local da SRP, nos termos do art. 366, § 2°, do RPS e art. 10,1 da Portaria MPS n° 158, de 11 de abril de 2007, por ter sido declarado a improcedência de notificação fiscal de lançamento de débito - NFLD contra o Ente Público Estadual — ESTADO DE RORAIMA, na qualidade de responsável solidário na construção civil. DO MÉRITO: . Com a publicação em 24 de novembro de 2006 no DOU do Parecer n° AGU/MS-08/2006 adotado pelo Advogado-Geral da União e aprovado pelo Presidente da República, toda a Administração Federal está vinculada ao cumprimento da tese jurídica nele fixada, conforme previsão nos arts. 40 e 41 da Lei Complementar n°73/1993. Do referido Parecer infere-se o seguinte: entre a vigência do Decreto-Lei n° 2.300/86, até a Lei n° 9.032/1995, a Administração Pública não responde solidariamente, em nenhuma hipótese, pelas contribuições previdenciárias. Os arts. 30, VI, e 31 da Lei de Custeio são inaplicáveis ante a norma - especifica referente a licitações e contratos públicos (Decreto-Lei n°2.300/86 e Lei n° 8.666/93). Com a entrada em vigor da Lei n° 9.032, de 28 de abril de 1995, que conferiu nova redação ao § 2° do art.71 da Lei n° 8.666/93; há remissão expressa somente ao art.3I da Lei de Custeio, porém, sem alteração do caput e do parágrafo 1°. Desse modo, a responsabilidade solidária prevista no art. 30, VI, da Lei de Custeio continuaria inaplicável à Administração Pública. Nesse sentido é o disposto no caput e no §1° do art. 71 da Lei n°8.666/93, nestas palavras: "Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais, resultantes da execução do contrato. § 1° A inadimplência do contratado, com referência aos encargos referidos neste artigo, não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e uso das obras e edificação, inclusive perante o Registro de Imóveis". Por sua vez, o disposto no art. 31 da Lei de Custeio (responsabilidade solidária na cessão de mão-de-obra) somente é aplicável a partir da vigência do novo § 2° do art. 71 da Lei n°8.666/93, na redação conferida pela Lei n° 9.032/1995, e até 31/01/1999 (quando passa a viger a retenção de 11% (onze por cento) a partir de 01/02/99, conforme a Lei n° 9.711/1998, nestas palavras: 42' Le csii n ia O ORIGINAL • CC/IVIF - Sexta Cacear. C ItattR • ••• ..• • • t • 5, Processo n.° 37178.001209/2003-20 - -ottlatape F-tt jati* alho CCO2/C06 Acórdão n°206-00.026 • - teaát-1:0;• **st Fls. 137Man • e Mia dr de3 Cla ir.Ma Sapa 751683 "§ 2" A Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciá rios resultantes da execução do contrato, nos termos do art. 31 da Lei n°8.212, de 24 de julho de 1991. (redação dada pela Lei n" 9.032/95)". Uma vez que o presente lançamento foi baseado na solidariedade do art. 30, inciso VI da Lei de Custeio, fls. 101; e diante da força vinculante do Parecer da AGU, ratifico o procedimento adotado pela unidade local da Secretaria da Receita Previdenciária em Boa Vista, não existindo como sustentar o presente lançamento em nome do ESTADO DE RORAIMA. Desse modo, a apuração do crédito previdenciário resultante desta NFLD deve ser efetuada junto à Construtora. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso de oficio para no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO, RATIFICANDO A IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. O lançamento não poderia ter sido realizado junto ao ente público estadual, em função da inexistência de responsabilidade solidária na construção civil. É como voto. Sala das Sessões, em 09 de outubro de 2007. - ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Page 1 _0018200.PDF Page 1 _0018300.PDF Page 1 _0018400.PDF Page 1 _0018500.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10120.002053/2005-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO DA COFINS E DA
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS LANÇAMENTO DE OFÍCIO DESSAS
EXAÇÕES FISCAIS. ALEGAÇÃO DE TRIBUTAÇÃO DE
DEVOLUÇÕES OU VENDAS CANCELADAS.
A irresignação da autuada não pode prosperar, quando ela própria, mediante documento específico, informou à fiscalização, que não tinha devoluções ou vendas canceladas, deixando o campo "vendas canceladas ou devoluções" em branco
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. LEI
Nº 9.718, Art. 3° § 1°.
Deve ser cancelado auto de infração efetuado sob a égide do art. 3º, § 1º, da Lei n° 9.718/98, em face da declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária, nos termos do art. 62, do Regimento do CARF e art 26-A, 6º, I, do PAF, introduzido pelo art. 25 da Lei nº 11.941, art. 69.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3803-000.518
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para cancelar o lançamento na parcela referente ao alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pelo § 1° do art. 3° da Lei nº 9.718, de 1999. Vencido o relator, que negou provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Belchior Melo de Sousa para a redação do voto vencedor.
Nome do relator: DANIEL MAURÍCIO FEDATO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Oct 01 09:00:02 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201007
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO DA COFINS E DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS LANÇAMENTO DE OFÍCIO DESSAS EXAÇÕES FISCAIS. ALEGAÇÃO DE TRIBUTAÇÃO DE DEVOLUÇÕES OU VENDAS CANCELADAS. A irresignação da autuada não pode prosperar, quando ela própria, mediante documento específico, informou à fiscalização, que não tinha devoluções ou vendas canceladas, deixando o campo "vendas canceladas ou devoluções" em branco PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. LEI Nº 9.718, Art. 3° § 1°. Deve ser cancelado auto de infração efetuado sob a égide do art. 3º, § 1º, da Lei n° 9.718/98, em face da declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária, nos termos do art. 62, do Regimento do CARF e art 26-A, 6º, I, do PAF, introduzido pelo art. 25 da Lei nº 11.941, art. 69. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 10120.002053/2005-75
conteudo_id_s : 6669541
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 3803-000.518
nome_arquivo_s : Decisao_10120002053200575.pdf
nome_relator_s : DANIEL MAURÍCIO FEDATO
nome_arquivo_pdf_s : 10120002053200575_6669541.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para cancelar o lançamento na parcela referente ao alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pelo § 1° do art. 3° da Lei nº 9.718, de 1999. Vencido o relator, que negou provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Belchior Melo de Sousa para a redação do voto vencedor.
dt_sessao_tdt : Mon Jul 26 00:00:00 UTC 2010
id : 9518034
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Sat Oct 01 09:41:02 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1745477715095453696
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-21T10:16:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-21T10:16:10Z; Last-Modified: 2010-12-21T10:16:13Z; dcterms:modified: 2010-12-21T10:16:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:b530786f-7af8-4bbf-9579-687a35aa4b28; Last-Save-Date: 2010-12-21T10:16:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-21T10:16:13Z; meta:save-date: 2010-12-21T10:16:13Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-21T10:16:13Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-21T10:16:10Z; created: 2010-12-21T10:16:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2010-12-21T10:16:10Z; pdf:charsPerPage: 1695; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-21T10:16:10Z | Conteúdo => indre Kern — PresidenteAlem S.3-TE03 El. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10120,00205.3/2005-75 Recurso n" 251,654 Voluntário Acórdão ri° 3803-00.518 — 3" Turma Especial Sessão de 26 de julho de 2010 Matéria COFINS E PIS Recorrente FUGA COUROS HODROLÂNDIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO DA COFINS E DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS LANÇAMENTO DE OFÍCIO DESSAS EXAÇÕES FISCAIS. ALEGAÇÃO DE TRIBUTAÇÃO DE DEVOLUÇÕES OU VENDAS CANCELADAS, A irresignação da autuada não pode prosperar, quando ela própria, mediante documento específico, informou à fiscalização, que não tinha devoluções ou vendas canceladas, deixando o campo "vendas canceladas ou devoluções" em branco PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. LEI N" 9.718, Art.. 3°. § 1°. Deve ser cancelado auto de infração efetuado sob a égide do art.. 3", § 1', da Lei IV 9,718/98, em face da declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária, nos termos do art. 62, do Regimento do CARF e art 26-A, 6", I, do PAF, introduzido pelo art. 25 da Lei ri° 11.941, art. 69. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para cancelar o lançamento na parcela referente ao alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pelo § 1° do art, 3° da Lei ri° 9318, de 1999. Vencido o relatar, que negou provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Belchior Melo de Sousa para a redação do voto vencedor., 2 151- Designado Particijkaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente da Turma), 13eichior Melo de Sousa, Daniel Mauricio Fedato (Relator), Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis e Rangel Perrucci Relatório Contra a empresa em epígrafe, em 29_012005 foi lavrado Auto de Infração de Cofins e PIS (fls. 224/229), referente aos anos-calendário 2001, 2002 e 2003, no montante de RS 19.207,51 Descrição da Infração: a) "COFINS FATURAMENTO - DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO - VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS; que cotejando os valores informados nas DIPJ com os valores escriturados na contabilidade, constatou-se que a base de cálculo da COFINS fbi declarada a menor; que, ainda, a contribuinte deixou de incluir na ba.se de cálculo para apuração da COFINS os valores relativos às receitas financeiras escriturados no Livro Razão e consolidados nos balanceies contábeis de fis. 60/7.5, que, conseqüentemente, a contribuinte declarou débitos à RFB, através das DCIF (fls. 81/85), e efetuou pagamentos, conforme verificado no sistema de pagamentos da RFB SINAL (fih. 92/93), relativos à referida contribuição, em valores inferiores ao efetivamente devidos; que, diante desses fatos, a Fiscalização efetuou o Lançamento de Oficio, através de Auto de Infração, somente das diferenças constatadas ente os valores escriturados na contabilidade e os declarados nas DIPJ, que as planilhas de apuração da base de cálculo, apuração de débitos, de pagamentos efetuados e os demonstrativos de situação fiscal apurada, elaboradas pela Fiscalização encontram-se às lis 86/96." b) "PIS FATURAMENTO - DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO - VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. que cotejando os valores intim-macios nas DIP .1 com os valores escriturados na contabilidade, constatou-se que a base de cálculo da Contribuição para o PIS foi declarada a menor,. que, ainda, a contribuinte deixou de incluir na base de cálculo para apuração da COFINS os valores relativos às receitas financeiras escriturados no Livro Razão e consolidados nos balancetes contábeis de fls. 196/207; que, conseqüentemente, a contribuinte declarou débitos à RFB, através das DM . ('lis 211/213), e efetuou pagamentos, confbrme verificado no sistema de pagamentos da RE'B - SINAL (fIs 218/219), relativos à referida contribuição, em valores inferiores ao efetivamente devidos, que, diante destes fatos, a Fiscalização efetuou o Lançamento de Oficio, através de Auto de Infração, somente das diferenças constatadas, entre os valores escriturados na contabilidade e os infbrmados nas DIRI, que as planilhas de apuração da base de cálculo, apuração de débitos, de pagamentos efetuados e os demonstrativos de situação fiscal apu rada, elaboradas pela Fiscalização encontram-se às . fls. 86/96," Processo n" 10120.002053/2005-75 S3-1-E03 Acórdão n " 3803-00,518 Fl. 2 Os autos do processo do PIS n' 101211002054/2005-10 foram juntados a presente peça, em face da conexão dos fatos e dos elementos probatórios, Em 29M4,05 a Recorrente insatisfeita, aduziu impugnação com as seguintes alegações, em síntese: "1) Que, ao constituir o crédito tributário da COFINS e da Contribuição para o PIS, a autoridade fiscal, equivocadamente, exige a inclusão de receitas que não correspondem à base de cálculo determinada na legislação aplicável, qual seja, a Lei n° 9.718/98, o que resulta em cobrança indevida ou a maior. 2 - DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS E DA CONTRIBUIÇÃO PARA O P18 (Lei ti° 9.718/98): que a Lei Ordinária n° 9.718, de 30 de novembro de 1998, dentre outras providências, instituiu o aumento da &iguala da COFINS de .2% para 3%, bem como alargou a base de cálculo da COFINS e da Contribuição para o PIS, .fazendo incidir essas exações fiscais sobre a receita bruta das empresas, que apenas com a promulgação da Emenda Constitucional n° 20, publicada no DOU de 16/12/1998, foi possível, constitucionalmente, ao legislador ampliar a incidência dessas exações .fiscais para receita ou 'aturamento (antes da EC .20/98, o art. 19.5, I, da CF somente previa incidência sobre o "aturamento); que, pelo ,sç I° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 "entende-se sor receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Lei n° 9 718/98, como visto, ampliou o conceito de .faturamento do art. 195, I, da CF, para receita de qualquer natureza, inclusive financeira, que, entretanto, o conceito de receita ou faturamento deve ser entendido como ato de emitir fatura de venda mercantil e/ott prestação de serviços; que, ao contrário do que sempre se entendeu, com a edição da Lei 9.718/98, passou-se a definir .faturamento não só os valores recebidos pelas vendas de produtos e/ou serviços, mas também a totalidade dos rendimentos da empresa, como rendimentos de aplicações financeiras, aluguéis, ou qualquer outros valores recebidos pela pessoa jurídica; que, não obstante, o § I" do ar! 3° da Lei n° 9 718/98 é objeto de discussão judicial; que no STI tem ..sido declarado ilegal por afrontar o ar/ 110 do CTN, que no STF existem várias decisões, em sede de Recurso Extraordinál lo, declarando sua inconstitucionalidade; que, entretanto, no caso, esse não é o mérito ensejador da impugnação ora apresentada, apesar de constituir fundamento de tamanha relevância e merecedor de total atenção; que a contribuinte, ora autuada, não recolheu os valores das receitas escrituradas em sua contabilidade, conforme aduz a autuação .fiscal, porque .foram incluídos pela .fiscalização na base de cálculo da COF1NS e da Contribuição para o PIS valores considerados como receita bruta, que na verdade não o são. Ou seja: que foram incluídos na base de cálculo valores estranhos ao determinado pela legislação vigente, pois não constituem .faturamento, nem receita bruta, que não finam observarias pela fiscalização as DEDUCÕES garantidas ao contribuinte no momento da verificação das receitas a serem consideradas na base de cálculo da respectiva exação fiscal. bem como foram consideradas importâncias como receitas auferidas. que. na verdade. são despesas financeiras. 2.1 - Deduções.- a) quanto à COFINS.. que da análise da Planilha de Apuração da COFINS (fls. 86/88), não consta o campo com os valores das devoluções do mercado interno, o qual deveria .sem o item 7, que, por conseguinte, o total das deduções e exclusões estão embutidas na base de cálculo da exação fiscal, que isso ocotteu nas competências de junho e aeosto/2003 (não finam 3 4 deduzidas as devoluções do mercado Miemo . vendas canceladas), que mio podem deixai de ser deduzi das da base de cálculo da COFINS os valores das vendas caneladas e devolvidas, confbrine balancete (fis.125/134); b) no que concerne à Contribuição para o PIS. que da análise da Planilha de Apuração da Contribuição para o PIS (fls 214/215), não consta o campo com os valores das devoluções do mercado interno, o qual deveria ser o item 7, que, por conseguinte, o total das deduções e exclusões estão embutidas na base de cálculo da exação fiscal, que isso ocorreu nas competências de agosto/2001 e outubro/2002 (não fbram deduzidas as devoluções do mercado interno - vendas canceladas), que não podem deixar de ser deduzi das da base de cálculo da COFINS os valores das vendas caneladas e devolvidas, confOrme balancete (fl.s. 250/265), 7 2 - Despesa financeira: Que o STF equiparou o conceito de receita bruta ao de 'aturamento, como sendo o resultado das vendas de mercadorias ., e serviços de qualquer natureza; que o art. 3', 10, da Lei 'I' 9.718/98, ao estender o conceito de faturamento para fins de incidência da COF1NS e da Contribuição para o PIS, incluiu outras receitas além das advindas de vendas de mercadorias e serviços, mormente as financeiras, violando dessa forma o art. 110 do CIN; que, contudo, a irresignação da autuada, no caso, não se refere ao alargamento da base de cálculo das exaçõe.s citadas, mas sim. a) à inclusão de despesa financeira como receita financeira na base de cálculo da COFINS, nas competências de agosto/200.1, julho e outubro/2002 (fi. 86/87 e 94/95); que o valor considerado como outras receitas, na verdade, é despesa financeira sofrida pela empresa, pois houve o estorno de receitas tributadas nos meses anteriores julho/2001, junho/2002 e .setembro/2002; b) à inclusão de despesa financeira como receita financeira na base de cálculo da Contribuição para o PIS, na competência julho/2002 «1. 215 e 221); que o valor considerado como outras receitas, na verdade, é despesa financeira sofrida pela empresa, pois houve o estorno de receita tributada no mês anterior junho/2002." Com essas considerações, solicitou a insubsistência do Auto de Infração. Por- sua vez a DRJ de Brasilia/DF, julgou o lançamento procedente em parte, para reduzir: a) quanto à competência julho/2002, o valor da Cofins de R$ 3.950,86 para R$ 3,314,68, bem assim a multa de oficio e os juros de mora respectivos; b) quanto à competência julho/2002, o valor da Contribuição para o PIS de R$ 856,02 para R$ 718,18, bem assim a multa de oficio e os juros de mora respectivos; e c) em relação às demais competências objeto dos autos, mantém-se, integralmente, os lançamento da Cofins e do PIS, 5 Processo n" 10120. 002053/2005-75 S3-TE03 Acórdão o " 3803-00.518 Fl 3 Ementa da Decisão: "DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO DA COFINS E DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS LANÇAMENTO DE OFICIO DESSAS EXAÇÕES FISCAIS. ALEGAÇÃO DE TRIBUTAÇÃO DE DEVOLUÇÕES OU VENDAS CANCELADAS. A irresignação da autuada não pode prosperar, quando ela própria, mediante documento especifico, informou à „fiscalização, que não tinha devoluções ou vendas canceladas, deixando o campo "vendas canceladas ou devoluções" em branco. Havendo divergência entre as informações prestadas à ,fiscalização pela autuada e as informações constantes de sua contabilidade, valem aquelas inibi-mações, se estas não restam comprovadas nos autos, pela ausência de documentação de suporte. PIS E COFINS SOBRE RECEITAS FINANCEIRAS. LEI N" 9.718 ('RT 3'. § MATÉRIA NÃO IMPUGNADA, PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. Quanto à matéria não contestada, o lançamento fiscal considera-se definitivo, não cabendo mais discussão na órbita administrativa. Lamento Procedente cm Parte" Irresignada, a Intimada ingressou Recurso Voluntário (fls. 228/295), aguardando deste Conselho que se julgue improcedente o lançamento fiscal. Em síntese, é o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Daniel Maurício Fedato, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende às demais exigências legais, razão pela qual dele conheço. Quanto ao crédito tributário da Cofins, referente ao período de junho/03 e agosto/03 que a base de cálculo da COFINS desses meses estaria inflada, pois o Fisco não teria efetuado as deduções e exclusões permitidas pela legislação de regência, que a Autoridade Fiscal não incluíra nas deduções da base de cálculo os valores das devoluções do mercado interno, dedução autorizada, inclusive, pelo inciso 1, § 2" do art. 3° da, Lei n° 9.718/98. No que compete a data de junho/2003, também da Cotins, a autuada informou à Receita Federal do Brasil receitas de vendas no mercado interno no valor de R$ 659.829,22 (fl. 48)„ O Fisco, ainda, adicionou outras receitas auferidas no valor de R$ 54.955,41 (valor que corresponde a receita financeira, conforme consta da cópia do Balancete - contabilidade da autuada à fl. 72). De modo que a base de cálculo da COFINS ficou sendo RS 714.784,63 (fl.. 88), Diferença de base de cálculo lançada de oficio R$ 43.661,00 (fl.. 96)„ A autuada não contesta a inclusão do valor da receita financeira, porém rebela-se pela não exclusão de vendas canceladas (devolução de vendas no valor de R$ 43,660,99 à fl. 71). Constata-se que a inconformidade da autuada não pode ser acatada, pois ela própria informou ao Fisco que não tinha devoluções ou vendas canceladas, deixando o campo "VENDAS CANCELADA E VOLUÇÕES" em branco, no documento à fl, 48. Havendo divergência entre os dados dos documentos às fls. 48 e 71. quanto a devoluções, o Fisco utilizou - para efeito de lançamento fiscal - a informação constante da fl. 48 "inexistência de devolução ou venda cancelada". Face a essa divergência, essa dedução somente poderia ser acatada, no caso, se a contribuinte tivesse comprovado a operação de venda e a respectiva operação de devolução, juntado aos autos as cópias da nota fiscal de venda da mercadoria e de devolução, cópia da nota fiscal de entrada da devolução, e a comprovação da razão da devolução pelo adquirente. Tais documentos, entretanto, não constam dos autos; por isso, a alegação é improcedente. A respeito do período de competência de agosto/2003, também da Cofins, a autuada informou à Receita Federal do Brasil receitas de vendas no mercado interno no valor de R$ 758.347,50 (fl. 48). O Fisco, ainda, adicionou outras receitas auferidas no valor de R$ 9.235,19 (valor que corresponde a receita financeira, conforme consta da cópia do Balancete - contabilidade da autuada à fl. 74). De modo que a base de cálculo da COF1NS ficou sendo R$ 767,582,69 (fl. 88). Diferença de base de cálculo lançada de oficio R$ 6,160,00 (fl., 96), A autuada não contesta a inclusão dessa receita financeira, porém rebela-se pela não exclusão de vendas canceladas (devolução de vendas no valor de R$ 6.160,14 à ti. 73). A inconformidade da autuada não pode ser acatada, pois ela própria informou ao Fisco que não tinha devoluções ou vendas canceladas, deixando o campo "VENDAS CANCELADA E VOLUÇÕES" em branco, no documento à 11. 48. Havendo divergência entre os dados dos documentos às fls. 48 e 73 quanto a devoluções, o Fisco utilizou - para efeito de lançamento fiscal - a informação constante da 48 (inexistência de devolução ou venda cancelada). Face a essa divergência, essa dedução somente poderia ser acatada, no caso, se a contribuinte tivesse comprovado a operação de venda e a respectiva operação de devolução, juntado aos autos as cópias da nota fiscal de venda da mercadoria e de devolução, cópia da nota fiscal de entrada da devolução, e a comprovação da razão da devolução pelo 6 7 Processo n" 10L20 002053/2005-75 53-TE03 Acórdão o" 3803-00.518 Fl. 4 adquirente.. Tais documentos, entretanto, não constam dos autos; por isso, a alegação é improcedente. Quanto às competências de agosto/01, a autuada informou à RFB receita de vendas no mercado interno no valor de R$ 189,838,36 (fl. 45), O Fisco adicionou, ainda, outras receitas R$ 27,772,30 (valor que corresponde a receitas financeiras, constante do Balancete, contabilidade da autuada à fl. 62). Total da base de cálculo da COFINS R$ 217.610,66 (fl. 86). Diferença de base de cálculo lançada de oficio R$ 32.679,67 (11, 94), A impugnante alegou que o Fisco não excluiu devolução de vendas R$ 32.679,78 (fl. 61). A inconformidade da autuada não pode ser acatada, pois ela própria informou ao Fisco que não tinha devoluções ou vendas canceladas, deixando o campo "VENDAS CANCELADA E VOLUÇÕES" em branco, no documento à fl. 48. Havendo divergência entre os dados dos documentos às fls. 45 e 61 quanto a evoluções, o Fisco utilizou - para efeito de lançamento fiscal - a informação constante da fl. 45 (inexistência de devolução ou venda cancelada). Face a essa divergência, essa dedução somente poderia ser acatada, no caso, se a contribuinte tivesse comprovado a operação de venda e a respectiva operação de devolução, juntado aos autos as cópias da nota fiscal de venda da mercadoria e de devolução, cópia da nota fiscal de entrada da devolução, e a comprovação da razão da devolução pelo adquirente. Tais documentos, entretanto, não constam dos autos; por isso, a alegação é improcedente. No que tange a competência, outubro/02, a autuada informou à RFB receita de vendas no mercado interno no valor de R$ 426.722,75 (fl. 47), O Fisco adicionou, ainda, outras receitas R$ 3.699,38 (valor que corresponde a receitas financeiras, constante do Balancete contabilidade da autuada à fl. 68). Total da base de cálculo da COF1NS R$ 430.422,13 (fl. 87). Diferença de base de cálculo lançada de oficio R$ .35.801,67 (fl. 95) A impugnante alegou que o Fisco não excluiu devolução de vendas R$ 35.801,7.3 (fl. 67). Havendo divergência entre os dados dos documentos às fls. 47 e 67 quanto a devoluções, o Fisco utilizou - para efeito de lançamento fiscal - a informação constante da fl. 48 (inexistência de devolução ou venda cancelada). Face a essa divergência, essa dedução somente poderia ser acatada, no caso, se a contribuinte tivesse comprovado a operação de venda e a respectiva operação de devolução, juntado aos autos as cópias da nota fiscal de venda da mercadoria e de devolução, cópia da nota fiscal de entrada da devolução, e a comprovação da razão da devolução pelo adquirente. Tais documentos, entretanto, não constam dos autos; por isso, a alegação é improcedente. Com relação, ao crédito tributário da Contribuição para o PIS, a autuada manifestou sua irresignação, quanto às competências de agosto/2001, julho/2002 e outubro/2002: que a base de cálculo da COFINS desses meses estaria inflada, pois o Fisco não teria efetuado as deduções e exclusões permitidas pela legislação de regência; que a Autoridade Fiscal não incluíra nas deduções da base de cálculo os valores das devoluções do mercado interno, dedução autorizada, inclusive, pelo inciso I, § 2°, do art. 3° da. Lei n° 9.718/98, E na competência agosto/2001, onde a Autora informou à RFB, receita de vendas no mercado interno no valor de R$ 189.8.38,36 (fls. 45 e 188), O Fisco adicionou, 8 ainda, outras receitas R$ 27.772,30 (valor que corresponde a receitas financeiras, constante do Balancete - contabilidade da autuada às fls.. 62 e 198).. Total da base de cálculo da COFINS R$ 217.610,66 (ti. 214). Diferença de base de cálculo lançada de oficio R$ 32,680,00 (ti. 220). A impugnante alegou que o Fisco não excluiu devolução de vendas R$ 32.679,78 (fl. 61). A inconformidade da autuada não pode ser acatada, pois ela própria informou ao Fisco que não tinha devoluções ou vendas canceladas, deixando o campo "VENDAS CANCELADA E VOLUÇÕES" em branco, no documento à fi. 45. E havendo divergência entre os dados dos documentos às fls.. 45 e 61 quanto a devoluções, o Fisco utilizou - para efeito de lançamento fiscal - a informação constante da ti.. 48 (inexistência de devolução ou venda cancelada). Face a essa divergência, essa dedução somente poderia ser acatada, no caso, se a contribuinte tivesse comprovado a operação de venda e a respectiva operação de devolução, juntado aos autos as cópias da nota fiscal de venda da mercadoria e de devolução, cópia da nota fiscal de entrada da devolução, e a comprovação da razão da devolução pelo adquirente. Tais documentos, entretanto, não constam dos autos; por isso, a alegação é improcedente. No período de outubro/02, a autuada informou à REB receita de vendas no mercado interno no valor de R$ 426,722,75 (tis. 47 e 184). O Fisco adicionou, ainda, outras receitas R$ 3.699,38 (valor que corresponde a receitas financeiras, constante do Balancete - contabilidade da autuada às fls. 68 e 206). Total da base de cálculo da Contribuição para o PIS R$ 430,422,13 (fls. 87 e 215).. Diferença de base de cálculo lançada de oficio R$ 35..801,54 (ti 221).. A impug,nante alegou que o Fisco não excluiu devolução de vendas R$ 35.801,73 (fis .67 e 205). A inconformidade da autuada não pode ser acatada, pois ela própria informou ao Fisco que não tinha devoluções ou vendas canceladas, deixando o campo "VENDAS CANCELADA E VOLUÇÕES" em branco, no documento à fl. 184. Portanto, aos órgãos do Executivo, mormente aos órgãos do Fisco, não cabe analisar a constitucionalidade ou legalidade da legislação vigente, e nem deixar de aplicá-la, sob pena de responsabilidade funcional. (C'TN, art. 142, parágrafo único). A Lei n° 9.718/98, realmente, entrou em vigor antes da Emenda Constitucional n° 20/98 ser promulgada pelo Congresso Nacional, a qual lhe daria suporte constitucional, desde o inicio. Entretanto, essa questão não trouxe problema algum. Na verdade, essa questão, inclusive, foi apreciada pelo Supremo Tribunal Federal, o qual decidiu que a Lei infraconstitucional pode receber o amparo ou o respaldo da Constituição, via emenda constitucional, na sua "vacatio Quanto à constitucionalidade do § 1' do art. 3' da Lei n°9.718/98, o mérito, até agora, foi apreciado pelo STF somente em grau de Recurso Extraordinário, beneficiando apenas as empresas que fazem parte dos autos dos processos com julgamento favorável.. Vale dizer: nos Recursos Extraordinários a declaração de inconstitucionalidade tem efeito apenas inter parte_s . , não tem efeito "erga °nines", Portanto, em quanto não houver decisão do STF', pelo afastamento de vigência, com efeito "erga 017117eS ", seja em sede de ADIn , seja em Recurso Extraordinário cuja decisão tenha sido referendada por Resolução do Senado Federal nos termos do art. .52, 9 Processo n" 10120 00205.3/2005-75 Acórdão o" 3803-00.518 S3-TE03 Fl 5 inciso X, da CF, o § 1° do art.. 3 0 da Lei n° 9.718/98 tem vigência normal, em face da presunção de legitimidade dos atos do Poder Público. Diante do exposto, considerando procedente o lançamento fiscal, nego provimento ao Recurso Voluntário. , Daniel Maurício Fedato Voto Vencedor Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Redator Designado No marco de tempo em que nos encontramos, toda a controvérsia que se trava neste processo tem seu deslinde facilitado, pois noto que se resumiu a um núcleo que parece já ter recebido o golpe fatal da Corte Suprema: a ineonstitucionalidade do art 3', § 1°, da Lei n" 9.718/98. A questão é: está ou não a Administração Pública vinculada a esta decisão, na forma como tomada, para a prática dos atos pertinentes a esta matéria? O desate começa por analisar o comando que vincula este Conselho, enquanto órgão judieante. O art. 49, 1, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, veiculado pela Portaria MF ir 147, de 25 de junho de 2007, já prescrevia que a aplicação de lei declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal, podia ser afastada por membros das turmas de julgamento, verbis: Art. 49. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no capta não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo, 1 - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Este regramento não era suficiente para respaldar a tomada de posição de conselheiros-relatores e outros, tendo em vista afastar a aplicação cio art. 3", § 1°, da Lei no 9,718/98, por se verem diante de um conflito aparente entre esta regra e a do art. 1', § 1°c § 2', do Decreto n" 2.346/97, em razão do efeito erga amues implícito na indicação do trânsito em julgado e da publicação da Resolução do Senado Feder ai como fases terminativos do processo a conferir o efeito ex tune às decisões do Supremo Tribunal Federal, verbis: Art 1" As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de fOrnia inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser unifitmemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos aos procedimentos estabelecidos neste Decreto [grifo nosso] §- 1" Transitada em Julgado decisão do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionandade de lei ou ato nOrniativo, em ação direta, a decisão, dotada de eficácia ex tune, produzirá eleitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais fOr suscetível de revisão administrativa ou judicial. §- 2" O disposto no parágrafo anterior aplica-se, igualmente, à lei ou ao ato normativo que tenha sua inconsiitticionalidade proferida, incidentahnente, pelo Supremo Tribunal Federal, após a suspensão de sua execução pelo Senado Federal 3" O Presidente da República, mediante proposta de Ministro de EStado, dirigente de órgão integrante da Presidência da República ou do Advogado-Geral da União, poderá autorizar a e.xtensão dos eleitos jurídicos de decisão proferida em caso concreto. [1 Art 2" Firmada .jurisprudência pelos Tribunais Superiores, a Advocacia-Geral da União expedirá súmula a respeito da matéria, cujo enunciado deve ser publicado no Diário Oficial da Oficial da União, em conformidade com o disposto no ar/ 43 da Lei Complementar n" 7.3, de 10 de fevereiro de 1993 Assim, prevalecia a obediência à exigência do eftito para todos que se extraia da regra da norma hierarquicamente maior, o Decreto n°2.346/97. Recentemente, a Lei if 11.941, de 27 de maio de 2009, alterando as disposições do art, 26-A do Decreto n" 70,235/72, recepcionou o próprio teor do que dispunha o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, e estabelece: Art. 26-A No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob .fundamento de hiconstitucionalidade. [ O disposto no capta deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo.. 1 — que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal,. 10 11 Processo o" 10120 002053/2005-75 S3-TE03 Acórdão o" 3803-00,518 Fl . 6 Logo a seguir, um mês após, o Regimento Interno do CARF, Portaria MF n" 256, de 22 de junho de 2009, em seu art. 62 reedita os mesmos termos do art. 49 do Regimento Interno dos extintos Conselhos de Contribuintes, passando, agora, o regramento, a gozar de fundamento de validade no âmbito formal, eis que subssumido ao ditame legal acima. Nada obstante o respaldo legal, dúvidas remanesceram, posto que não estava claro para alguns o alcance do conceito de "decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal", quanto a estar ou não vinculado ainda ao efeito erga onmes inferido do art. I", e parágrafos, do Decreto n" 2,346/97. Buscando-se, na tecitura dos seus termos, o conteúdo e o alcance do comando inserto no art. 1" e seus parágrafos 1" e 2' do Decreto, pode-se depreender: a) primeiro, a obrigatoriedade da observância, pela Administração Pública, de textos constitucionais interpretados de forma inequívoca e definitiva pelo Supremo Tribunal Federal, que emana do ; b) segundo, a prescrição do momento inicial da produção dos efeitos de decisão com eficácia ex time: i) após o trânsito em julgado, se no controle concentrado; ii) após a publicação de Resolução do Senado, suspendendo a execução da lei declarada inconstitucional, se decisão proferida incidentalmente, O § 3' trata da prerrogativa do Chefe do Executivo Federal para estender os efeitos de decisão, se proferida em caso concreto (incidental/difusa), E o texto denota que nada obsta que este poder decorra de uma única decisão. Já o art. 2" concede prerrogativa ao Advogado-Geral da União para expedir súmulas com base em jurisprudências dos Tribunais Superiores. Note-se que há um grau de poder conferido em função direta da escala de autoridade: uma única decisão do STF na via de controle incidental pode respaldar o ato do Presidente da República de estender os efeitos dessa. A expedição de súmula pela Advocagia- Geral da União requer o respaldo de várias decisões no mesmo sentido, portanto, jurisprudenciais, do STJ. O que está disposto são as formas como a Administração Pública se vê vinculada na prática dos seus atos e resolução dos litígios. Exclui-se da análise subseqüente, para o caso presente, as hipóteses de vinculação previstas no § 3", do art. I" e do art. 20. Mais próximo do comando regimental que baliza as decisões deste Conselho em matéria de lei declarada inconstitucional está o art. 4". Observe-se que, enquanto as normas do art. I' e art. 2° são genéricas, estas regulamentam ações a serem tomadas em casos específicos, relativamente a crédito tributário constituído, a ser constituído e sub judice, por autoridades em plano hierárquico subordinado aos antecedentes, verbis: Art. 4" Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procinador- Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão ddinitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que. I - não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados,. H - não sejam efetivadas inscrições de débitos em divida ativa da União, III - sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV - sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal Parágrafh único Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os Órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. [grifo nosso] De notar que o parágrafo único deste artigo fornece a base da formulação do art. 49 do Regimento Interno dos, então, Conselhos de Contribuintes, que na sua dicção acrescentou a expressão "por decisão definitiva" extraído do caput. E é aí que reside o nó, ainda não tão fácil de ser desatado, Isso porque em nenhum ponto do decreto em análise há definição de como urna decisão, ou uma "interpretação de texto constitucional", se torna "definitiva", Será esta qualidade alcançada apenas nas condições dos parágrafos 1' e 2', do art 1", das quais resultam o efeito erga anules, como vem entendendo alguns Conselheiros? Penso que não. Vejamos.. A própria norma que estampa o teimo não exprime o seu conceito; revelando ser uni conceito (relativamente) indeterminado. Primeiro, a ponto de permitir que o Chefe do Poder Executivo, considerando a "inequivocidade" (clareza, precisão, inconfundibilidade) de apenas urna decisão no caso concreto, a considere definitiva e estenda o seu efeito para a Administração Pública.. Flexibilizado ainda mais ao permitir que — mesmo não sendo decisão da Corte Suprema, mas da Corte Superior — um conjunto de decisões no mesmo sentido respaldem súmula expedida pela Advocacia-Geral da União, a vincular a Administração Pública Federal. Nesse diapasão, resta inquirir se a decisão que o Supremo Tribunal Federal tomou na matéria ora em pauta tem ou não o caráter de definitividade, a permitir que os órgãos julgadores da Administração Tributária Federal, francamente amparados pelo art. 62, do Regimento do CARF (art. 26-A do Decreto n" 70.235/72), possam afastar o art.. 3", § I", da Lei n0 9,718/98, em face da declaração de inconstitucionalidade por aquela C. Corte. Tal decisão, proferida no RE n° 346.046, sucedendo outras na mesma linha, foi tornada pelo Pleno daquele Tribunal, em novembro de 2006. Posteriormente, em 10 de setembro de 2008, resolveu questão de ordem no RE n" 585.235, por unanimidade, para reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1 0, art. 3" da Lei n° 9.718/98 e para negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, Reconhecer a repercussão geral na matéria, implica o reconhecimento "da existência de questóes relevante do ponto de vista econômico, político social ou jurídico que ultrapassem os interesses subjetivos da causa", e ocorrendo "sempre que o recurso impugnar decisão contrária a súmula ou jurisprudência dominante do Tribunal", nos termos do art 543- Piocesso n'' 10120 002053/2005-75 S3-TE03 Acórdão n." 3803-00.518 EL 7 A, §§ 1" e .3", do CPC.. Pelo reconhecimento, o Tribunal está a anunciar que a causa é provida de interesse geral pela sua conclusão, vale dizer, de interesse público, deixando de afetar apenas as partes envolvidas no processo. Inobstante a decisão não tenha sido proferida em controle direto de constitucionaliclale, e não oficiado o Senado Federal para — a seu alvitre ou não, segundo a linha doutrinária — expedição de Resolução suspendendo a eficácia da norma em discussão, o regime da repercussão geral aplicado às reiteradas decisões de mérito pela inconstitucionalidade do indigitado dispositivo, pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, tem a força de conferir-lhes o caráter de definitividade, sendo por fim aquela da que não mais cabe recurso.. Desse modo, as circunstâncias destes julgados tornam a decisão, além de definitiva, também inequívoca, exatamente como o exige o art. 1", caput, do decreto n" 2.346/97, dessumindo-se desse entendimento que as prerrogativas concedidas aos órgãos julgadores referidos no art. 4", parágrafo único, não estão, necessariamente, condicionados ao efeito erga onmes decorrente dos destinos finais das ações de inconstitucionalidade mecanismos descritos nos §§ I" e 20, do art. 1°, do referido decreto. O Regimento Interno do CARF, Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, reedita os mesmos termos do art. 49 do Regimento interno dos extintos Conselhos de Contribuintes, agora subssumindo-se ao ditame legal acima. Para os que defendiam a necessidade urna base legal, e não apenas urna norma em texto de regulamento, agora podem sentir-se amparados para afastar aplicação de lei declarada inconstitucional, sem pretender sujeitar-se a acréscimos que a própria lei if 11.941 não consignou, ou seja, à condição de a inconstitucionandade ser proclamada em controle direto, com trânsito em julgado, ou após resolução do Senado Federal, se em controle difuso. A matéria tratada neste processo, os juros sobre aplicações financeiras e variações cambiais ativas, é parte (espécie) da que o objeto da inconstitucionalidade declarada no RE .346.084, entre outros, a tributação de receitas que exorbitassem do conceito mais restrito de faturamento, qual seja, a venda de bens, mercadorias e serviços. O efeito da declaração de inconstitucionalidade alcança o período de 01 de fevereiro de 1999 a 30 de novembro de 2002, para a contribuição para o PIS, termo final da anterioridade nonagesimal das contribuições, em face da mudança legislativa introduzida pela MP if 66, de 29 de agosto de 2002. Este intervalo de ineficácia da Lei n° 9.718/98 abrange os períodos de apuração sob exame. Este, o fundamento pelo qual deve ser procedida a exclusão das ditas receitas financeiras da base de cálculo Quanto à inclusão do ICMS na base de cálculo esta matéria não cumpre o requisito do questionamento na primeira fase de sua defesa, sendo preclusa. Sobre a incidência da multa de oficio no percentual de 75%, por se tratar de lançamento de oficio, não pode a auditoria fiscal deixar de aplicá-la por força do preceitua o art. 44, inciso 1, da Lei n" 9.4.30/96, restando a discussão quanto à inconstitucionalidade de sua imposição por ter caráter confiscatorio, impertinente a este Conselho nela imiscuir-se por lhe c—Ác—Á ... 13 ser vedado afastar aplicação de lei sob tal argumento. Apenas ao Judiciário cabe enfrentar este questionamento, Com respeito à incidência dos juros de mora, nada a reparar na decisão recorrida, em face também de sua previsão legal, conforme a regência do art. 61, § 3", configurando-se, ademais, corno objeto da Súmula n" 3, do Segundo Conselho de Contribuintes, cujas matérias são hoje do encargo da 3" Seção, que subordina esta turma, verbis: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais: De todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, para excluir da base de cálculo 4s contribuições as receitas financeiras. Belcinor Melo- dé 14
score : 1.0
Numero do processo: 10680.013684/2003-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 29 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Sep 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002
NULIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA.
Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de perícia considerada desnecessária e prescindível à solução da lide administrativa, mormente quando formulado de forma genérica e sem atendimento aos requisitos do Diploma Processual Administrativo Federal.
ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/12/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL.
O prazo para que a Autoridade Administrativa, expressamente, homologue, ou não, as compensações efetuadas pelo sujeito passivo começam a fluir da data de entrega das respectivas declarações.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002
CREDITAMENTO. ENTRADA DE INSUMOS APLICADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NT.
Inexiste direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. (Súmula CARF N° 20)
Numero da decisão: 3803-000.711
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
dt_index_tdt : Sat Oct 01 09:00:02 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201009
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 NULIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de perícia considerada desnecessária e prescindível à solução da lide administrativa, mormente quando formulado de forma genérica e sem atendimento aos requisitos do Diploma Processual Administrativo Federal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. Período de apuração: 01/08/2003 a 31/12/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. O prazo para que a Autoridade Administrativa, expressamente, homologue, ou não, as compensações efetuadas pelo sujeito passivo começam a fluir da data de entrega das respectivas declarações. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 CREDITAMENTO. ENTRADA DE INSUMOS APLICADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NT. Inexiste direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. (Súmula CARF N° 20)
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 29 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 10680.013684/2003-11
anomes_publicacao_s : 201009
conteudo_id_s : 5277416
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 3803-000.711
nome_arquivo_s : 380300711_505069_10680013684200311_007.PDF
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : ALEXANDRE KERN
nome_arquivo_pdf_s : 10680013684200311_5277416.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 29 00:00:00 UTC 2010
id : 4621690
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Sat Oct 01 09:41:00 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1745477715099648000
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-21T11:27:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-21T11:27:25Z; Last-Modified: 2010-12-21T11:27:25Z; dcterms:modified: 2010-12-21T11:27:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:05c96c5c-5cfb-465f-9960-797e117e2b74; Last-Save-Date: 2010-12-21T11:27:25Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-21T11:27:25Z; meta:save-date: 2010-12-21T11:27:25Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-21T11:27:25Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-21T11:27:25Z; created: 2010-12-21T11:27:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2010-12-21T11:27:25Z; pdf:charsPerPage: 1513; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-21T11:27:25Z | Conteúdo => S3-TE03 11. 259 ,SM,;..lt MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10680,013684/2003-11 Recurso n" 505.069 Voluntário Acórdão n" 3803-00.711 — 3" Turma Especial Sessão de 29 de setembro de 2010 Matéria 'PI - PEDIDO DE. RESSARCIMENTO - SALDO CREDOR TRIMESTRAL Recorrente GRÁFICA LÊ LTDA. (SUCEDIDA POR LABEL ARTES GRÁFICAS LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 NULIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de perícia considerada desnecessária e prescindível à solução da lide administrativa, mormente quando formulado de forma genérica e sem atendimento aos requisitos do Diploma Processual Administrativo Federal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/08/2003 a 31/12/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. O prazo para que a Autoridade Administrativa, expressamente, homologue, ou não, as compensações efetuadas pelo sujeito passivo começa a fluir da data de entrega das respectivas declarações„ ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 CREDITAMENTO. ENTRADA DE INSUMOS APLICADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NT. Inexiste direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.. (Súmula CARF N° 20) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos„ ACORDAM os membros do Colegiado„ por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Presidente e Relato'. Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio ',afeta Reis, Daniel Maurício Fedato, Carlos Henrique Martins de Lima e Rangel Permeei Floriu. Relatório 'Trata o presente processo de pedidos de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, fls. 1 a 27, relativos às aquisições de insumos a pessoas jurídicas não-contribuintes do imposto (sociedades comerciais atacadistas) efetuadas entre janeiro de 1999 e dezembro de 2002, amparado no art. 148 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, aprovado pelo Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 – RIP1/2002, cumulados com declarações de compensação de fls.. 73 a 104. A DRF/Belo Horizonte-MG indeferiu o pleito sob a consideração de que não existe direito ao crédito básico do !PI nas aquisições de instamos aplicados na fabricação de produtos não-tributados (livros, jornais e periódicos — produtos imunes), nos termos do Despacho Decisório de tis.. 106 a 109.. Sobreveio reclamação, fls.. 127 a 144, julgada improcedente pela 3" Turma da DRI/WA. Acórdão n2 09-24..346, de 9 de junho de 2009, .fls. 235 a 239, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Per iodo de apuração- 01/01/1999 a 31/12/2002 CRÉDITO BÁSICO IMPOSSIBILIDADE Não esiste direito a crédito básico do IPI ncr aquisiçãe,s de insinuas utilizados na fabricação de produtos não-tributados, ainda que a notação NT decorra de imunidade constitucional ASSUNTO. NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO IRIBUTÁR1A Período de apuração 01/08/2003 a 31/12/200.5 COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO Consoante a legislação tributária vigente, o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos contados a partir da data da entrega da DCOMP Rest/Ress brc./der-ido Comp não homologada Cuida-se agora de recurso (fls. 245 a 257) interposto pelo requerente acima qualificado, contra a decisão da DR.ILIFA-3 Turma. Após resumo dos fatos relacionados, o recorrente argúi preliminar de nulidade por cerceamento de defesa, em face do indeferimento do seu pedido de perícia. Também retoma a alegação de que estava prescrito o direito de a 2 ; Processo n'' 10680 013684/2003-11 Acórdão n " 3803-00..711 S3-i' E03 Fl 260 Fazenda Pública homologar as compensações declaradas. Argumenta que o § 4 0 do art. 150 da Lei n2 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional - CTN é regra específica para os tributos sujeitos ao autolançamento, como é o caso das contribuições compensadas (PIS, Cofins e CSLL).. No mérito, argumenta que os arts. 164; 163, inc. 1, e; 190, § I', do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados — IP], aprovado pelo Decreto if 4.544, de 26 de dezembro de 2002 — RIPI/2002, invocados pela decisão recorrida, afrontam a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 — CRFB/88, ao violarem o princípio da não-cumulatividade. Aduz que a decisão recorrida contrariou o disposto na Solução de Consulta SRRF/6" RF/D1SIT n 2 127, de 01-08-20.3 (processo n 2 10680.0008529/200.3-74), proposta pelo ora recorrente, referindo-se à alínea "c" da Conclusão. Rechaça também a Instrução Normativa — SRF n 2 33, de 4 de março de 1999, que violaria normas superiores. Refere . jurisprudência do TU-4" Região, que entende amparar seu pleito. Conclui, requerendo reforma da decisão a tino, para o efeito de homologação das compensações declaradas. É o Relatório, Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recusais, a petição de fls. 245 a 257 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão n°09-24.346, de 9 de . junho de 2009. Preliminar de nulidade A prova pericial foi considerada desnecessária pela decisão de piso,visto que as questões objeto dos quesitos formulados não eram controversas, isso é, jamais foi contestado que as operações realizadas pelo estabelecimento do requerente subsumiam-se ao conceito de industrialização. É entendimento há muito assentado na segunda instância de julgamento administrativo o de que não caracteriza cerceamento do direito de defesa o indeferimento fundamentado de pedido de produção de prova pericial, mormente quando o contribuinte não indica com precisão o objeto e relevância da prova respectiva, em atendimento ao disposto no art. 16. IV. do Decreto n2 70.235, de 6 de março 1972 - PAF, tal como ocorre no caso dos autos. Número do Recurso 139822 CCunara,TERCEIRA CálARA Número dá Processo.. 10768.021875/98-50 Tipo do Recurso VOLUNTÁRIO Matéria . IRPJ E OUTROS Recorrente ..MED UNE URGÊNCIAS E TRANSPORTE AEROMÉDICO LIDA Recorrida/Interessado. 5" TURMA/DAI-RIO DE ,IANEIRO/RI I Data da Sessão . 23/03/2006 00 . 00..00 Relato] Paulo Jacinto do Nascimento Decisão. Acórdão 103-22368 Resultado NPU - NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso Ementa.. PEDIDO DE PERÍCIA - INDEFERIMENTO CERCEAMENTO DE DEFESA - Não constitui cerceamento do 3 direito de defesa o indeferimento dai pedido de per iria cemsideracia desnecessária e piescindivel e formulado sem atendimento aos í equisitos do art. 16, IV do Decreto a' 70 235/72 Publicado no D O U n° 107 de 06/06/2006 No mesmo sentido: 'Vulnero do Recurso 14.53,50 Cânial a OUA RIA CAMARA Numero do Processo 10730 005293/2003-81 Tipo do Recurso VOLUNTÁRIO Matér IRPF Recorrente SÉRGIO VIC FOR LEU -TWILER TAUIL Recorrida/Interessado 2" TURAIA/DRI- RIO DE ,IANEIRO/RI 11 Data da Sessão 131091200.5 00 00 00 Relato] Pecho Paulo Pereira Barbosa Decisão Acórdão 1 04- 21032 Resultado NPU - NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares argüidas pelo Recori ente No mér ito, poi maior ia de votos, NEGAR provimento ao recurso Vencidos os Conselheiros José .Pereira cio Nascimento e Meigan Sack Rodrigues, que moviam parcialmente o recurso para que os valores tributados em um mês constimissem origem para os depósitos do mês subseqüente Ementa. PAF - INDEFERIMENTO DE PEDIDOS DE DILIGÊNCIA E - PERÍCIAS - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INOCORRÊNCIA - Não configura cerceamento de direito de defesa o indeferimento, na decisão de primei; a instância, de pedido de realização de diligência e perícia, quando as iaz,ães do indeferimento estão claramente expostas na decisão PAF - PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA - INDEFERIMENTO - A diligência e a pericia não se prestam para produzir provas de responsabilidade das partes ou colher juízo de terceiros sobre a matéria em litígio, mas a trazer aos autos elementos que possam contribuir para o deslinde do processo Devem ser indeferidos os pedidos piescindiveis ara o desfeche) da lide Recurso negado No mesmo sentido: Número cio Recurso 132391 Ccimai a SEGUNDA CAMARA Número cio Processo.- 10730 000683/00-14 Tipo do Recurso VOLUNTÁRIO Matéria IRPF Recorrente. ROZANE RANGEL DA CUNHA Recorrida/Interessado-2a TURMA/DRI-RIO DE JANEIRO/RI Data da Sessão: 16/04/2003 00 00 00 Relato] Geraldo Mascar cilhas Lopes Cançado Diniz Decisão. Acórdão 102-45999 Resultado . NPU - NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão Por unanimidade de votos, NEGAI? provimento ao rema so Ementa. IRPF — PERÍCIA — REOUISITOS - O pedido pericia deve mencionar as diligências que o Impurante pi etenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a fOrmulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o 4 5 Processo n" 10680 013684/2003-11 534E93 Acórdão n " 3803-00311 El 26 ! endereço e a qualificação profissional do seu perito (ali 16, IV, do Decreto n° 70 235, de 06/03/72) PERICIA - NEGATIVA DO PEDIDO - CERCEAMENTO DE DEFESA - PRINCIPIO DO CONTRADITÓRIO — INEXISTÊNCIA - Havendo nos autos documentos que permitam a atividade de fiscalização, tendo o Contribuinte oportunidades para acostar os documentos solicitados e por ele não apresentados (ai 1 16, ,sç. 5° e 6°, do Decreto n° 70 23.5, de 06/03/72), e abertos todos os prazos de defesa, não há como se falar em cerceamento de defesa ou ofensa ao principio do contraditório em sede do contencioso administrativo. IMPUGNAÇÃO - DEFINIÇÃO DOS MOTIVOS DE FATO E DE DIREITO — PRECLUSÃO - Considerando-se que, com espeque no artigo 16, I, cumulado com o artigo 17, ambos do Decreto n° 70 23.5/72, a Impugnação é o momento em que a lide administrativa se instaura, precluindo neste instante os Motivos de faio e de direito em que apóia. Não há como se apreciar as razões trazidos em sede de Recurso Voluntário que inauguram debate sobre questões .füticas e articulações de direito não impugnadas, o que impede que a instância 1 ecui sal sobre - -Ia se manifeste Por tais fundamentos, rejeito a preliminar de nulidade argüida em sede de recurso voluntário, Preliminar de prescrição Não prosperará tampouco a alegação de que estava extinto o direito da Administração Tributária de analisar e homologar ou não as compensações declaradas, em face do transcurso do prazo inscrito no § 4' do art. 150 do CTN, eis que, depois desse prazo, nenhum crédito poderia ser constituído. Não assiste razão ao contribuinte eis que a data inicial para contagem do prazo para homologação tácita é a da apresentação da declaração conforme artigo 74, § 5', da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, já referido na decisão a giro. Mérito: direito ao creditamento do imposto nas entradas de insumos aplicados em produtos situados fora do campo de incidência Matéria incontroversa, os produtos fabricados pelo ora recorrente estão fora do campo de incidência do 1P1, segundo informação prestada pelo próprio requerente. Não é por outra razão que o mesmo não é contribuinte desse imposto e está dispensado da escrituração do Livro Registro de Apuração do 1P1 — RA1PL A propósito do direito ao creditamento do IPI e ao conseqüente ressarcimento de eventuais saldos credores trimestrais, a Súmula CARI' n 2 20, publicada no DOU de .22/12/2009. já vaticinou: Súmula CARF N"20 Não hó direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de i115111110S aplicados na fábr reação de produtos classificados na fl1)1 como NI' Conclusão Do exposto, meu voto é no sentido de iejeitar as preliminares argüidas e,no mérito, negai provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 29 de setembro de 2010 Alexandre Kern 6 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção - Terceira Câmara CARF-NIF El Processo n2: 10680 013684/2003-11 Interessada: GRÁFICA LÊ LTDA. Encaminhem-se, de ordem, os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão n2 3803-000,711, de , e demais providências. Brasília, de de 2010.
score : 1.0
Numero do processo: 13881.000059/2009-18
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
IRPF. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS.
A Lei n°. 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (Súmula CARF nº 68).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.627
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Oct 01 09:00:02 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201208
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. A Lei n°. 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (Súmula CARF nº 68). Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
numero_processo_s : 13881.000059/2009-18
conteudo_id_s : 6669512
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2801-002.627
nome_arquivo_s : 280102627_13881000059200918_201208.pdf
nome_relator_s : TÂNIA MARA PASCHOALIN
nome_arquivo_pdf_s : 13881000059200918_6669512.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
id : 4573820
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Oct 01 09:40:59 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1745477715111182336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1603; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 45 1 44 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13881.000059/200918 Recurso nº 915.628 Voluntário Acórdão nº 2801002.627 – 1ª Turma Especial Sessão de 15 de agosto de 2012 Matéria IRPF Recorrente JOSÉ AMAURY GOMES BOAVENTURA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. A Lei n°. 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (Súmula CARF nº 68). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre e Marcelo Vasconcelos de Almeida. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Fl. 45DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 13881.000059/200918 Acórdão n.º 2801002.627 S2TE01 Fl. 46 2 Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ/SP2/SP. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 07/09, que exige crédito tributário referente ao anocalendário de 2004, no montante de R$ 3.755,53, sendo R$ 1.667,50, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, R$ 1.250,62, de multa de ofício, e R$ 837,41, de juros de mora, calculados até 30/01/2009. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 08 verso e anverso), o procedimento resultou na apuração das seguintes infrações: 1. Dedução Indevida de Previdência Oficial Glosa do valor de R$ 6.063,67, por falta de comprovação. 2. Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos no valor de R$ 35.688,18, recebidos do Ministério da Justiça, CNPJ n° 00.394.494/011251. Cientificado da autuação em 11/02/2009 (fls. 16), o interessado apresentou, em 20/02/2009, a impugnação de fls. 01/06, trazendo, em síntese, as seguintes alegações: 1. o requerente se ativa como funcionário público federal no Departamento de Polícia Rodoviária Federal, recebendo seus vencimentos já com as deduções na fonte do Imposto de renda, deduções estas calculadas sobre a somatória das verbas contidas em sue demonstrativo de pagamentos; 2. com o advento da Lei n° 8.852, de 04 de fevereiro de 1994, ficou disciplinado que não entrariam no cômputo da remuneração parcelas tidas como indenizatórias (art. 1º , inciso III, alínea "r"); 3. no caso em tela, o servidor possui as seguintes parcelas indenizatórias: Gratificação por Atividade Executiva, Gratificação de Atividade de Polícia Rodoviária Federal, Gratificação por Desgaste Físico e Mental, Gratificação de Atividade de Risco, Gratificação de Operações Especiais e Adicional por Tempo de Serviço; 4. não há fato gerador a justificar a incidência de imposto de renda sobre parcelas pagas a título de indenizações especiais com a finalidade única de minorar os efeitos das condições de Fl. 46DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 13881.000059/200918 Acórdão n.º 2801002.627 S2TE01 Fl. 47 3 trabalho a que estavam sujeitos tais obreiros, posto que pagas para compensar danos, inclusive aos já aposentados; 5. tais parcelas estariam isentas de tributação por não se caracterizarem, ao teor da lei, como remuneração, o que, de per si, já está a justificar a Declaração Retificadora, não havendo porque se falar em omissão de rendimentos posto que estes estão revestidos de caráter indenizatório, uma vez que não são produto do trabalho; 6. não há que se falar em imposto suplementar no valor de R$1.667,50 e seus acréscimos, pois, se desconsiderada a retificadora, houve o correto pagamento dos impostos devidos quando da declaração original; 7. quanto à glosa da dedução de contribuição à previdência oficial, melhor sorte não lhe cabe senão o seu cancelamento, pois o referido desconto é feito diretamente pela fonte pagadora; 8. deste modo, o requerente teve sua base de cálculo de Imposto de Renda Pessoa Física, para efeito de retenção na fonte, alterada, o que lhe causou uma cobrança de imposto maior do que a efetivamente devida e, por conseguinte, uma restituição, menor da que deveria acontecer; 9. traz à colação jurisprudência sobre o assunto; 10. em face do princípio da igualdade expresso no art. 5º da Constituição Federal, requer o mesmo tratamento dado aos parlamentares com relação a suas verbas indenizatórias, as quais, como sobejamente sabido, encontramse absolutamente isentas de tributação por se tratar de valores necessários ao desempenho de sua atividade parlamentar; 11. isto posto, requer o cancelamento da Notificação de Lançamento por ser medida de imperiosa Justiça pelo todo demonstrado, ex vi da Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal, segundo a qual a Administração pode anular seus próprios atos.” A impugnação foi considerada improcedente, conforme Acórdão de fls. 29/35, que restou assim ementado: DEDUÇÃO DE PREVIDÊNCIA OFICIAL. Uma vez não comprovado o valor descontado a título de previdência oficial, cabe manter a dedução correspondente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, em obediência ao princípio da legalidade em matéria tributária, disposição legal específica. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 13881.000059/200918 Acórdão n.º 2801002.627 S2TE01 Fl. 48 4 Regularmente cientificado daquele acórdão em 30/05/2011 (fl. 38), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 39/42, em 21/06/2011, no qual, em síntese, sustenta os argumentos expendidos na impugnação no sentido de que, com o advento da Lei n° 8.852, de 4 de fevereiro de 1994, ficou disciplinado que não entrariam no computo da remuneração parcelas tidas como indenizatórias. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Do exame das peças processuais, constatase que o litígio cingese à discussão acerca da interpretação da Lei nº 8.852, de 04/02/1994, especialmente no tocante à tributação de valores (rendimentos) recebidos pelo interessado no anocalendário 2004, sobre os quais sustentou em sua defesa que não deveria incidir o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF). Ocorre que, da análise da referida legislação, inferese claramente que as alíneas “a” até “r” do inciso III, do art. 1°, da Lei n° 8.852/94, tratam de exclusões do conceito de remuneração, mas não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, ou seja, não determinam sua exclusão do rendimento bruto para fins de não incidência do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Assim, os rendimentos destacados pelo recorrente encontramse incluídos no rol dos rendimentos tributáveis, entre aqueles elencados no artigo 3º, § 1°, da Lei n° 7.713, de 1988. Nesse sentido, foi editada a Súmula CARF nº 68, de aplicação obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: A Lei n°. 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Logo, é de se considerar acertado o lançamento em tela. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 48DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 13881.000059/200918 Acórdão n.º 2801002.627 S2TE01 Fl. 49 5 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A
score : 1.0
Numero do processo: 14751.000247/2006-41
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
CRÉDITO PRESUMIDO. MATÉRIAS PRIMAS, PRODUTOS
INTERMEDIÁRIOS E MATERIAL DE EMBALAGEM.
Para serem computados no cálculo do crédito presumido do IPI, os insumos devem se referir a matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem utilizados no processo produtivo voltado à exportação. Ainda que não integrem o produto final, os insumos devem ter sido consumidos em contato direito com o produto no processo de industrialização.
CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO.
As receitas de exportação computadas no cálculo do crédito presumido referem-se àquelas decorrentes da venda de produtos em cujo processo de fabricação tenham sido utilizados insumos enquadrados no conceito da legislação do IPI.
CREDITAMENTO, FORNECEDOR PESSOA FÍSICA. PRODUÇÃO
PRÓPRIA.
As aquisições de insumos de pessoas físicas, bem como a produção própria do Recorrente, não tributadas pelas contribuições que o beneficio visa a ressarcir, são excluídas do cômputo do crédito presumido do IPI.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3803-000.692
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar
provimento ao recurso. Vencido o Relator e os Conselheiros Carlos Henrique Martins de Lima e Daniel Mauricio Fedato. Designado o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis para a redação do voto vencedor
Nome do relator: RANGEL PERRUCCI FIORIN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Oct 01 09:00:02 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201008
ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. MATÉRIAS PRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS E MATERIAL DE EMBALAGEM. Para serem computados no cálculo do crédito presumido do IPI, os insumos devem se referir a matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem utilizados no processo produtivo voltado à exportação. Ainda que não integrem o produto final, os insumos devem ter sido consumidos em contato direito com o produto no processo de industrialização. CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. As receitas de exportação computadas no cálculo do crédito presumido referem-se àquelas decorrentes da venda de produtos em cujo processo de fabricação tenham sido utilizados insumos enquadrados no conceito da legislação do IPI. CREDITAMENTO, FORNECEDOR PESSOA FÍSICA. PRODUÇÃO PRÓPRIA. As aquisições de insumos de pessoas físicas, bem como a produção própria do Recorrente, não tributadas pelas contribuições que o beneficio visa a ressarcir, são excluídas do cômputo do crédito presumido do IPI. Recurso Voluntário Negado.
numero_processo_s : 14751.000247/2006-41
conteudo_id_s : 6672312
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 3803-000.692
nome_arquivo_s : Decisao_14751000247200641.pdf
nome_relator_s : RANGEL PERRUCCI FIORIN
nome_arquivo_pdf_s : 14751000247200641_6672312.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencido o Relator e os Conselheiros Carlos Henrique Martins de Lima e Daniel Mauricio Fedato. Designado o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis para a redação do voto vencedor
dt_sessao_tdt : Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2010
id : 9524790
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Sat Oct 01 09:41:06 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1745477715122716672
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-11-24T16:34:11Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-11-24T16:34:11Z; Last-Modified: 2010-11-24T16:34:11Z; dcterms:modified: 2010-11-24T16:34:11Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:8e3d7690-61fb-408e-8d0a-0c5eef88f318; Last-Save-Date: 2010-11-24T16:34:11Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-11-24T16:34:11Z; meta:save-date: 2010-11-24T16:34:11Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-11-24T16:34:11Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-11-24T16:34:11Z; created: 2010-11-24T16:34:11Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2010-11-24T16:34:11Z; pdf:charsPerPage: 1717; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-11-24T16:34:11Z | Conteúdo => S3-T E03 Fl 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo u" 14751.000247/2006-41 Recurso n" Voluntário Acórdão n" 3803-00.692 — 3" Turma Especial Sessão de 24 de agosto de 2010 Matéria RESSARCIMENTO DE IPI Recorrente AGRO INDUSTRIAL TABU S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. MATÉRIAS PRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS E MATERIAL DE EMBALAGEM. Para serem computados no cálculo do crédito presumido do IPI, os insurnos devem se referir a matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem utilizados no processo produtivo voltado à exportação. Ainda que não integrem o produto final, os insumos devem ter sido consumidos em contato direito com o produto no processo de industrialização. CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. As receitas de exportação computadas no cálculo do crédito presumido referem-se àquelas decorrentes da venda de produtos em cujo processo de fabricação tenham sido utilizados insumos enquadrados no conceito da legislação do In CREDITAMENTO, FORNECEDOR PESSOA FÍSICA. PRODUÇÃO PRÓPRIA. As aquisições de insumos de pessoas físicas, bem como a produção própria do Recorrente, não tributadas pelas contribuições que o beneficio visa a ressarcir, são excluídas do cômputo do crédito presumido do IPI, Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso.. Vencido o Relator e os Conselheiros Carlos Henrique Martins de Lima e Daniel Mauricio Pedato. Designado o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis para a redação do voto vencedor Alexandre Kern — Presidente Hélcio Lafetá Reis — Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente da Turma), Belchior Melo de Sousa, Daniel Maurício F"edato, Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis e Rangel Perrucci Fiorin (Relator) Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto por, AGRO INDUSTRIAL TABU S/A, ora Recorrente, em face do v. Acórdão proferido pela 5' Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife - PE (fis,185/201), que por unanimidade de votos indeferiu o pedido integral compensação constante do PER/COMP n" I 1181.8211 ,12034 A 3.01-0031, por entender, em apertada síntese, que: a) Na apuração da base de cálculo do crédito presumido de IPI os valores provenientes da exportação de álcool não foram utilizados no beneficio do álcool importado, vinculado ao regime de Drawback, b) O contribuinte importou álcool etílico não desnaturado e, após beneficiamento, alterou o seu teor alcoólico de 85° GL para 95" GL, a fim de exportá-lo. c) Não foram acostados aos autos documentos que prove a utilização de Sulfato de Alumínio, Hidróxido de Sódio e Sulfito de Sódio, como produtos intermediários que se consomem na operação de industrialização; d) O legislador restringiu o incentivo às exportações diretas de produtos industrializados, além de vincular, expressamente, a apuração do beneficio aos conceitos aplicáveis à legislação do imposto. e) Os produtos (sulfato de alumínio, hidróxido de sódio e sulfato de sódio), apesar de se desgastarem no processo de industrialização, são utilizados para tratamento do vapor de água, ou seja, não se desgasta por ação diretamente sofrida pelo produto em fabricação. f) Insumos adquiridos de pessoas fisicas não podem ser incluído na base de cálculo do crédito presumido, tendo sido correta a glosa efetivada pela fiscalização. g) A utilização de cana-de-açúcar de produção própria não se trata de matérias-primas adquiridas no mercado interno, como dispõe o artigo 1' da Lei 9.63/96. h) Os insumos agrícolas mencionados pela contribuinte (fertilizantes, herbicidas e inseticidas), utilizados no plantio da cana-de-açúcar não tiveram contato fisico direto, nem exercem diretamente ação, no produto industrializados (álcool). 2 i) Mesmo não existindo a cobrança de PIS e COF1NS sobre a cana-de-açúcar comprada do exportador de álcool — aquisição final -, os mencionados tributos foram pagos anteriormente em todo o processo de produção, desde o preparo da terra com adubos até o uso de máquinas. Ou seja, o produtor pessoa fisica, mesmo não sendo contribuinte direto do PIS e da COFINS, pagou indiretamente os tributos, Processo n" 14751.000247/2006-41 S3-TE03 Acórdão n " 3803-00,692 Fl 2 i) A autoridade julgadora, em conformidade com o artigo 18 do PAF, pode decidir pelo descambimento de perícia quando reunidos no autos todos os elementos necessários à formação de sua convicção. g) ocorreu a preclusão temporal para .juntada de provas. A recorrente, em seu Recurso Voluntário, alega que não deve prosperar o entendimento contido no v. Acórdão, por entender que: a) Pela redação do artigo 3 0 da Portaria n° 38 MF, de 27/02/1997 não há qualquer condicionante para apuração da receita bruta de exportação, receita esta que é composta simplesmente pelo produto da venda, com o fim específico de exportação de mercadorias nacionais. b) O álcool importado é submetido a processo de beneficiamento, com vistas a melhorar a qualidade.. c) O álcool exportado é considerado produtos industrializado devidamente destinado ao exterior, nos termos do art. 4', II, do Decreto n". 4.544/2002. d) A IN SRF if 69/01, art, 21 ao limitar a receita bruta de exportação nada dispôs acerca da receita decorrente de exportação vinculada ao regime de Drawback. Logo, o valor proveniente da exportação do álcool é receita de exportação. e) O processo de beneficiamento se dá mediante a redisilacao do álcool, sendo que para atingir o teor do vapor necessário à alterar a qualidade do álcool, a água é tratada com o sulfato de alumínio, para que seja clarificada, retirando o material orgânico. Em seguida, utiliza-se o hidróxido de sódio para regular acidez e, ao final o sulfito de sódio que seqüestra o oxigênio, além de ser dispersante, f) Caracteriza-se como insumo o produto que, embora não se integre ao novo produto fabricado, seja consumido em razão de ação direta sobre o produtos, no processo de fabricação (matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens). g) Por não estabelecer o conceito de "matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem" a lei 9.363/96 determina a utilização subsidiária da legislação do Imposto Sobre Produtos Intermediários. Dessa maneira deve ser analisado o Decreto n" 2.637/98. h) Os produtos citados, utilizados no beneficiamento do álcool, são considerados inusumos, porquanto não integrem o produto final, são consumidos no processo de industrialização destes, nos termos do artigo 164, inciso 1, do RA1P1/2002. j) Os insumos agrícolas (fertilizantes, herbicidas e inseticidas) são consumidos no processo industrial de produção do álcool, que se inicia com a produção da cana-de-açúcar, que posteriormente passará a integrar o produto final, o álcool É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rangel Permeei Fiorin, Relatar No caso sob julgamento, alega-se que o álcool importado foi submetido ao processo de beneficiamento para alcançar melhor qualidade, utilizando-se para tanto o hidróxido de alumínio, hidróxido de sódio e sulfito de sódio - matérias-primas e produtos intermediários consumidas no processo de industrialização. Por força da Lei 9.363/96 a empresa exportadora de mercadorias nacionais faz jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Sob esta ótica, os conceitos de matéria-prima (MP), produtos intermediários (PI) e materiais de embalagem (ME) são os constantes da legislação do IPI, qual seja o Decreto 2637/98, que prescrevia à época: Ar! 147 Os estabelecimentos industriais ., e os que lhes são equiparados, poderão creditar-se (Lei n." 4.502, de 1964, art. 25). 1 - do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo- se, entre as matérias-primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem COliSillnidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente,- Conforme se depreende da leitura do referido artigo, o hidróxido de alumínio, hidróxido de sódio e sulfito de sódio, quando utilizados no processo de industrialização do álcool etílico para exportação, geram direito ao ressarcimento do crédito presumido de IPI relativo ao PIS/PASEP e a COFINS, Acredita-se que o crédito presumido do IPI é um importante beneficio fiscal concedido também aos exportadores para ressarcimento com as contribuições incidentes, a fim de estimular a exportação. Nesse sentido leciona Hugo de Brito Machado in Curso de Direito Tributário, editora Malheiros — 28 ed., revisada, atualizada e ampliada., São Paulo. 2007,, p353: "Objetivando superai dificuldades de interpretação, o Regulamento do IP1 estabelece que entre as matérias-primas e 5 Processo n" 14751,000247/2006-41 Acórdão n." 3803-00.692 S3-1'I03 Fl 3 produtos intermediários cuja entrada enseja o crédito do imposto estão 'aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, .forem COITS11111idOS no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente'Ort. 82, inc. D. Ficou, assim, afastado o rigor do sistema do crédito .físico,c1c O direito ao crédito já não depende da integração física do irmano ao produto. Basta que a matéria-prima, ou o produto intermediário, lenha sido consumido no processo de - industrialização, e não se exige que o tenha sido imediata e integralmente, como ocorreria em face da legislação anterior." De ver, a norma tributária que incidente sobre a exportação não deveria onerar a produção industrial destinada a exportação. Ou seja, tal beneficio deveria se estender aos materiais destinados a produção dos produtos exportados. Deste modo, em análise aos documentos acostados aos autos entende-se que álcool etílico industrializado para exportação, necessita para seu beneficiamento do hidróxido de alumínio, hidróxido de sódio e sulfito de sódio. No tocante a questão das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e matérias de embalagem de pessoas fisicas as Instruções Normativas da SRF n. 27/97, de 13 de março de 1997, n. .313, de .3 de abril de 200.3, bem como a 419 de maio de 2004, que dispõe sobre o cálculo e utilização de IPI, vedam tal aproveitamento, sob a condição de que as pessoas físicas não são contribuintes de COFINS nem do PIS. Porém, de acordo com o entendimento do STJ (Resp 586,392/RN, Rel. Min, Eliane Calmon, DJU de 6/12/04) (STJ, 2" T,, Resp 763,521/PI, Rel, Castro Moreira, j, em 11/10/2005, v,u,, DJ de 7/11/2005, p2444) a IN 23/97 extrapolou a regra do artigo 1 0 da Lei 9.363/96, ao excluir da base de cálculo beneficio do crédito presumido do IPI as aquisições, relativamente aos produtos da atividade rural, de matéria de insumos de pessoas fisicas, Frisa-se que no caso sob julgamento pretende respeitar a hierarquia normativa e o escalonamento das normas, sem se pronunciar sobre a inconstitucionalidade ou ilegalidade, uma vez que o próprio artigo 2 da Lei 9,784/29, que regula o processo administrativo no Âmbito da Administração Pública Federal, determina: "Art.2" A administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, ,finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios deT 1— atuação conforme a Lei e o Direito" Em sintonia com o que vem sendo exposto, Paulo de Barros Carvalho tratando do principio de legalidade entende que: " O princípio da legalidade é limite objetivo que se presta, ao mesmo tempo, para oferecer segurança jurídica aos cidadãos, na certeza de que não serão compelidos a praticar ações diversas c)5 daquelas prescritas por representantes legislativos, e para assegurar observância ao primado constitucional da tripartição do poderes. O principio da legalidade compele ao interprete, como é o caso dos julgadores, a procurar . frases prescritivas, única e exclusivamente, entre as introduzidas no ordenamento positivo por via de lei ou de diploma que tenha o mesmo status. Se do conseqüente da regia adevier obrigação de dar, fazer ou não fazer alguma coisa, sua construção reivindicará a seleção de enunciados colhidos apenas e tão-somente no plano legal" (Direito Tributário, linguagem e método São Paulo Noeses, 2008.p 282-283), No mesmo sentido, Mateus Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez López in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado,. Dialética. São Paulo, 2002. p, 30, sustentam que: "Como regra geral, a lei é a mais importante das fontes de Direito Administrativo. Deve ser entendida em sentido amplo, incluindo as várias maneiras de o Estado exercer suas atividades normativas Abrange desde a Constituição Federal até os atos normativos mais simples, isto é, aqueles que se destinam a aplicabilidade das leis, como os decretos, os regulamentos e as instruções, entre outros. De acordo com a teoria kelsiana, as normas estão alocadas dentro de uma ordem hierárquica, onde a norma inferior extrai a sua validade de norma, hierarquicamente, superior, sendo que a Constituição Federal é a norma da norma, que dá validade e eficácia a todas as outras. Dentro desta ordem hierárquica, podemos assim " Constituição Federal,- emenda à Constituição; leis complementares; leis ordinárias; leis delegacias, medidas provisórias,- decretos, resoluções, e atos administrativos. Ressalte-se que os atos administrativos das autoridades integram a legislação tributária, mas não tem caráter de lei em sentido .formal — aquela que é regularmente editada pelo Poder Legislativo. Assim, tais atos não podem inovar, indo além do que está previsto na lei, pois se destinam à sua fiel execução. Em suma, o propósito da Lei 9363/96, dentre outros, é possibilitar o creditamento A par do caso em concreto, em que pese não existir a cobrança de PIS e COFINS sobre a cana-de-açúcar comprada do exportador de álcool — aquisição final -, são pagos anteriormente em todo o processo de produção, face o preparo da terra com adubos até o uso de máquinas. O produtor pessoa física, mesmo não sendo contribuinte direto do PIS e da COFINS, pagou indiretamente os tributos, em questão. Sendo assim, o processo produtivo de álcool está atrelado a produção de ao cultivo de cana-de-açúcar. Quanto os produtos (fertilizantes, herbicidas e inseticidas), excluídos da base de cálculo por não terem sido considerados insumos, são considerados produtos intermediários, que mesmo não integrando diretamente a produção do álcool ético, são consumidos durante o processo de fabricação, como já mencionado neste voto, 6 Processo ri" 14751. 000247/2006-4 I Acõi dão ri" 3803-00.692 S3-T E03 F I 4 Pelo exposto,--:_p_....per - ais que consta dos autos do processo, DOU PROVIMENTO ao-reCUrsp.Volupt Voto Ven(cdo'r Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, Redator Designado O recurso é tempestivo, preenche as demais condições de admissibilidade e dele torno conhecimento. Quanto às decisões administrativas colacionadas pelo Recorrente com o intuito de embasar seu entendimento, registre-se que a autoridade administrativa julgadora não se encontra obrigada a se submeter a decisões envolvendo terceiros estranhos à controvérsia de que tratam os autos, podendo filmar seu livre convencimento na apreciação da matéria, em consonância com a legislação de regência a que se encontre vinculada. 1. Crédito presumido. Irisumos. A Lei n" 9„363/1996 estipula que, para fins de cálculo do crédito presumido do IPI, o valor das matérias primas, dos produtos intermediários e do material de embalagem será computado observando-se a legislação tributária que rege a incidência das contribuições Cofins e para o PIS e utilizando-se, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do IP I, O Regulamento do IPI (Decreto IV 4.544/2002), em seu art. 164, inciso I, prescreve que o creditamento do imposto abarca o valor das matérias primas e dos produtos intermediários que, embora não se integrando ao produto final, sejam consumidos no processo de industrialização, O Parecer Normativo CST n° 65/79, ao interpretar o Regulamento do IPI, estabeleceu que os produtos de que trata o artigo 164, I, do RIPI seriam aqueles que exercessem ação direta sobre o produto em fabricação. Não se pode perder de vista que, de acordo com o Código Tributário Nacional (CTN), artigos 96 e 100, a legislação tributária compreende, além das leis e dos tratados internacionais, os decretos e as normas complementares, dentre as quais se incluem os pareceres normativos. Nesse sentido, considerando que os os produtos químicos (hidróxido de alumínio, hidróxido de sódio e sulfito de sódio) e os fertilizantes, herbicidas e inseticidas glosados pela Fiscalização não se enquadram nas exigências da legislação, pois que não foram consumidos no processo de fabricação em contato direto com o produto, o valor de sua aquisição não pode ser computado no cálculo do crédito presumido do IPL. A previsão contida no Parecer Normativo CST n° 65/79, quanto à exigência de contato direto do insumo com o produto, foi reproduzida na redação da súmula CARF n° 19, não obstante tratar-se exclusivamente de aquisições de combustíveis e de energia elétrica. Reza a súmula: Súmula CARF n" 19 Não integram a base de cãkulo do crédito presumido da Lei a" 9,363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direito com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. (grifei) Diante disso, não há o que reformar na decisão a quo quanto à glosa dos valores gastos com insumos não consumidos em contato direito com o produto na apuração do crédito presumido do IPL Receitas de exportação. A forma de apuração do crédito presumido do 'PI, instituído pela Lei n° 9.363/1996, em cuja ementa se prevê sua natureza de ressarcimento, foi regulamentada pela Portaria MF n° 38/1997. Tal ressarcimento decorre do valor das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes nas aquisições, no mercado interno, de insumos, ou seja, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo, cuja produção terá como destino o mercado externo. Para a determinação do valor do crédito, apura-se urna base de cálculo a partir da aplicação, sobre o valor total das referidas aquisições de insumos, de um percentual obtido a partir da relação existente entre a Receita de Exportação e a Receita Operacional Bruta do produtor exportador (REx/ROB). Não se pode olvidar que, com essa relação percentual, o que se busca é determinar quanto do volume total de insumos adquiridos está aplicado nos produtos exportados. Presume-se que, da quantidade total de insumos adquiridos para utilização na industrialização, o resultado da razão (REx/ROB) terá sido aplicado nos produtos exportados. Numa interpretação teleológica da norma instituidora do beneficio, é possível inferir que o crédito presumido destina-se a ressarcir o produtor das contribuições que oneraram as exportações de produtos nacionais, industrializados e exportados, e não as mercadorias ou outros produtos que não sofreram a adição de qualquer insumo, nos termos estipulados pela legislação de regência, No presente caso, para fins de apuração da referida base de cálculo, a Fiscalização glosou as receitas de exportação decorrentes de vendas no mercado externo de produtos industrializados sob o regime de drawback, em relação aos quais não se aplicou de forma direta no produto fabricado qualquer insumo adquirido no mercado interno, conforme demonstrado no item anterior deste voto, Esse entendimento tem sido esposado em julgados deste Conselho, conforme se depreende da ementa do acórdão n° 202-17.264, da relatoria de Maria Cristina Roza da Costa, em sessão realizada em 23 de agosto de 2006, decicido por unanimidade nos seguintes termos: IPI. RESSARCIMENTO CÁL CUL O DA RECEITA DE EXPORTAÇÃO, Não tem respaldo legal a inclusão da venda , t éleio Lafe 9 Processo e 14751. 000247/2006-41 S3-TE03 Acórdão n .3803-00,692 FI 5 para o exterior de produtos adquiridos de terceiros na receita de exportação para apuração da relação percentual entre as receita.s operacional bruta e de exportação Portanto, não há o que se reformar na decisão a quo, haja vista que a Fiscalização procedera de acordo com o espírito da norma instituidora do benefício Insumos adquiridos de pessoas físicas. Produção própria. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei n g. 9.363/1996, visa a ressarcir os produtores-exportadores do valor da Contribuição para o Plano de Integração Social — PIS - e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins - incidentes nas aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, a teor do contido no art. I' da Lei Instituidora: Art. 1" A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições-, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único, O disposto neste artigo aplica-se, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação para o exterior. No caso das aquisições de insumos diretamente de pessoas fisicas, bem corno da produção própria do Recorrente, não há que se falar em incidência das referidas contribuições, pois as pessoas físicas não são contribuintes desses tributos e na produção própria inexiste a incidência por ausência de fato gerador, não havendo, portanto, o que ressarcir. IV. Conclusão Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, tendo em vista a impossibilidade de se apurar o crédito presumido do IPI em relação a insumos adquiridos de pessoas físicas, de produção própria, de insurnos não consumidos de forma direta no produto industrializado, bem como na impossibilidade de adição das receitas de exportação respectivas na apuração da base de cálculo do beneficio. É como voto.
score : 1.0
