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Numero do processo: 13609.000708/2004-03
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003, 2004
RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS.
UNESCO. SÚMULA CARF N° 39.
Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
MULTA DE OFÍCIO.
A Multa de ofício é devida no caso de falta de recolhimento ou declaração inexata.
JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF N° 4.
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO E MULTA EXIGIDA
ISOLADAMENTE. CONCOMITÂNCIA.
Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1°, inciso III, da Lei n° 9.430/96), quando em concomitância com a multa de oficio (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo.
Recurso Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-001.568
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para excluir da exigência tributária a multa isolada por falta de recolhimento do carnê-leão, nos termos do voto do Relator
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS. UNESCO. SÚMULA CARF N° 39. Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. MULTA DE OFÍCIO. A Multa de ofício é devida no caso de falta de recolhimento ou declaração inexata. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF N° 4. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO E MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1°, inciso III, da Lei n° 9.430/96), quando em concomitância com a multa de oficio (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. Recurso Provido em Parte
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UNESCO. SÚMULA CARF N° 39. Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. MULTA DE OFÍCIO. A Multa de ofício é devida no caso de falta de recolhimento ou declaração inexata. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF N° 4. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO E MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1°, inciso III, da Lei n° 9.430/96), quando em concomitância com a multa de oficio (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. Recurso Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 148DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 15/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13609.000708/200403 Acórdão n.º 280101.568 S2TE01 Fl. 137 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência tributária a multa isolada por falta de recolhimento do carnêleão, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente ANTÔNIO DE PÁDUA ATHAYDE MAGALHÃES Presidente. Assinado digitalmente CARLOS CÉSAR QUADROS PIERRE Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Sandro Machado dos Reis, Luiz Claudio Farina Ventrilho, Carlos Cesár Quadros Pierre, Antônio de Pádua Athayde Magalhães e Tânia Mara Paschoalin. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela 5' Turma da DRJ/BHE, na decisão recorrida (Fls.97 a 98), que transcrevo abaixo: Contra o interessado foi lavrado o auto de infração de fls. 58 a 64, referente :aos exercícios 2003 e 2004, com exigência de crédito tributário no valor de R$46.306,15 a título de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), juro de mora, multa proporcional de 75% e multa exigida isoladamente. A exigência resultou' da omissão de rendimentos tributáveis recebidos pela prestação de serviços de consultoria paga por Organismo Internacional (contrato de serviço:2002/000550, fls. 20 a 26 e 39 a 42) no valor de R$42.386,21 (exercício 2003) e de R$52.800,00 (exercício 2004), ensejando falta de recolhimento de carnêleão e conseqüente multa exigida isoladamente. , Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, conforme folhas de continuação anexas do referido auto de infração. Irresignado, tendo sido cientificado em 07/10/2004 (fl. 66), o contribuinte impugnou o feito fiscal em 04/11/2004, apresentando o arrazoado de fls. 67/76, acompanhado dos documentos de fls. 77/94. Na oportunidade, o autuado fezse representado por instrumento de procuração firmado para o senhor Ruy José Furst Gonçalves. ' Ressaltese que a competência para o lançamento de tributos, privativa da autoridade administrativa, é parte das atribuições do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB). Assim, o presente auto de infração foi lavrado pelo AFRFB Gustavo Salles Tolentino, servidor público devidamente legitimado para tal ato. O teor da peça impugnatória está sintetizado adiante. Fl. 149DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 15/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13609.000708/200403 Acórdão n.º 280101.568 S2TE01 Fl. 138 3 O contribuinte prestou serviços às Nações Unidas — Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento — PNUD, conforme contratos de fls. 20 a 26. Narrando acerca , do funcionamento da ONU/ por intermédio de suas Agências Especializadas, o contribuinte conclui ser funcionário do quadro o PNUD. O Fisco pretende, nos autos, restringir o que a Lei n° 4.506, de 1964, não restringe. É verdade que o contrato do PNUD não concede isenção do pagamento de impostos (fl. 46), "mas, no final, remete o caso à Legislação Aplicável, que, no caso do Imposto de Renda, é o art. 50 dá Lei ri° 4.506/64". É verdade quê o contribuinte é considerado consultor independente, mas d art. V do Decreto 59.308/66, em seu inc. I, in fine, não exclui dos privilégios concedidos os peritos de assistência técnica. As suas funções eram exercidas de forma estável (anos seguidos), inclusive no exterior e a título oficial (anexa documentos sobre tal situação). Entende, pois, indevida a conclusão da Fiscalização de que o fiscalizado não faz jus às isenções por não ser considerado funcionário de organismo internacional. Transcreve ementas de acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais, bem como do Conselho de Contribuintes que corroboram o pensamento traduzido na impugnação. Não há que se falar em ausência de recolhimento do carnêleão, pois rendimentos imunes não se sujeitam a recolhimento antecipado de impostos. Tampouco se pode falar em multas. Não há nos autos prova de que as atividades foram exercidas no território nacional e mesmo se o fossem, alega o autuado, "as leis internacionais não se referem a serviços prestados no exterior somente". Conforme § 2° do art. 5° da CF/88 e o art. 98 do CTN, leis brasileiras não podem contrariar as normas contidas em tratados ou convenções internacionais. Reproduz doutrina nesse sentido. O Acordo Básico de Assistência e Cooperação Técnica, Decreto n° 59.308/66, equipara os peritos e assistentes técnicos aos demais funcionários de organismos internacionais e comina ao Governo Brasileiro a obrigação de aplicar as convenções que tratam de privilégios e imunidades das Nações Unidas e de suas Agências Especializadas a esses peritos e assistentes técnicos. O art. 58, V, do RIR194, determina a tributação dos rendimentos auferidos por brasileiros de organismos internacionais, entretanto há o art. 23, II, do RIR/94, como situação particular, que considera "isentos do imposto os rendimentos do trabalho percebidos por servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte e aos quais se tenha obrigado, por tratado ou convênio, a conceder isenção". Fl. 150DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 15/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13609.000708/200403 Acórdão n.º 280101.568 S2TE01 Fl. 139 4 Assevera o impugnante, por intermédio de seu procurador, não ser outro o entendimento da Secretaria da Receita Federal a respeito do assunto, tanto por meio de pareceres quanto da publicação "Perguntas e Respostas". Assim, entendendo ser funcionário do quadro do PNUD, o impugnante está sujeito à jornada normal de trabalho, recebendo remuneração mensal, aplicandose a isenção do art. 23 norma especial , como descrito anteriormente. Requer, ao final, seja julgada procedente a impugnação para o fim de declarar a inexigibilidade do crédito tributário lançado como medida de direito e de justiça fiscal. Passo adiante, a 5' Turma da DRJ/BHE entendeu por bem julgar procedente em parte o lançamento, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS. Sujeitamse à tributação, sob a forma de recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), sem prejuízo do ajuste anual, os rendimentos recebidos por residentes ou domiciliados no Brasil decorrentes da prestação de serviços a Organismos Internacionais. MULTA ISOLADA (CARNÊLEÃO). CABIMENTO. A multa de lançamento de oficio é exigida isoladamente no caso de pessoa fisica sujeita ao recolhimento mensal obrigatório do imposto (carnêleão) que deixar de fazêlo. MULTA ISOLADA. (CARNÊLEÃO). REDUÇÃO DO PERCENTUAL DE 75% PARA 50%. A lei nova que prevê penalidade menos severa do que a vigente ao tempo da prática da infração deverá ser aplicada retroativamente aos fatos pretéritos ainda não definitivamente julgados. Cientificado em 01/10/08 (Fls.109 verso), NÃO CONSTA A DATA em que o Recorrente interpôs Recurso Voluntário, no entanto, consta a juntada dos documentos pela EQCOB/DICAT/DERAT/SP aos autos somente em 02/03/2009, onde o recorrente reitera os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação. É o relatório. Voto Fl. 151DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 15/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13609.000708/200403 Acórdão n.º 280101.568 S2TE01 Fl. 140 5 Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. O recorrente, na condição de funcionário contratado do Programa das Nações Unidas Para o Desenvolvimento PNUD, fundamentado na isenção tributária de que gozam tais entidades igualmente, considerou como isentos os rendimentos dela recebidos. Contudo, não merecem prosperar os argumentos expendidos em sede recursal, sendo certo que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) já pacificou a matéria, entendendo que a remuneração advinda de contratos firmados por nacionais junto a organismos internacionais não está abrangida pelo instituto da isenção fiscal. Ademais, a Súmula CARF n° 39, de aplicação obrigatória para os Conselheiros do CARF, assim estabeleceu: Súmula CARF N° 39 Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. No caso em tela, o próprio recorrente anexou o contrato de serviço celebrado entre este e a Agência Especializada (ONU/PNUD), página 22 dos autos, no qual consta expressamente, in verbis: O CONTRATADO não estará isento do pagamento de imposto em virtude deste contrato, obrigandose ao pagamento de impostos, encargos, taxas e outros tributos devidos em função das importâncias recebidas sob este contrato, conforme Legislação aplicável. IV. DA DENOMINAÇÃO O CONTRATADO será considerado como consultor independente. O CONTRATADO não será considerado, sob aspecto algum. membro do quadro de funcionários da Agência Nacional de Execução do Projeto ou do PNUD. Assim, não restam dúvidas de que o recorrente não fazia parte do quadro funcional próprio e estatutário daquele Organismo Internacional. A cláusula IV supra transcrita é clara e expressa nesse sentido. Possuía o contribuinte apenas um vínculo contratual temporário com esta Agência Especializada para prestação de serviços. Desse modo, não tem direito à isenção pleiteada, estando tais rendimentos recebidos sujeitos à tributação pelo Imposto de Renda. Melhor sorte não resta ao recorrente no que concerne ao seu pedido de improcedência da multa de ofício e da aplicação de juros de mora – SELIC. Quando ao pedido de não aplicação da multa de ofício, não há como ser acatado, em razão do disposto no artigo 44, inciso I, da Lei nº. 9.430/ 96, que prega: Fl. 152DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 15/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13609.000708/200403 Acórdão n.º 280101.568 S2TE01 Fl. 141 6 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de declaração e nos de declaração inexata. No presente caso o lançamento promoveu a omissão de rendimentos, que carreou na apuração de Imposto de Renda que não foi recolhido. Deste modo, confirmada a omissão de rendimentos, é cabível a aplicação da multa de ofício. No tocante ao pedido de não aplicação de juros, a Súmula CARF n° 4, de aplicação obrigatória para os Conselheiros do CARF, assim estabeleceu: Súmula CARF N° 4 – A partir de 1 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia –SELIC para títulos federais. Assim, confirmada a omissão de rendimentos, é cabível a aplicação de juros moratórios. Por fim, quanto a multa isolada por falta de recolhimento do carnêleão, consoante jurisprudência Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, não é devida concomitantemente com a multa de ofício. “MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº. 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso especial negado.” (Acórdão CSRF/0104.987, de 15/06/2004) Deste modo, cabível, neste caso, tãosomente a multa proporcional 75% exigida juntamente com o tributo. Ante o acima exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência tributária a multa isolada do carnêleão. Carlos César Quadros Pierre Relator Fl. 153DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 15/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13609.000708/200403 Acórdão n.º 280101.568 S2TE01 Fl. 142 7 Fl. 154DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 15/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL
score : 1.0
Numero do processo: 13161.001006/2005-16
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2001
PROPRIETÁRIO CONTRIBUINTE DO IMPOSTO.
A propriedade do imóvel rural é fato gerador de 1TR, sujeitando o
proprietário à apresentação de DITR e ao recolhimento do imposto, mesmo no caso de exploração do imóvel por terceiros.
PASTAGENS. ÍNDICE DE RENDIMENTO.
A aplicação do índice de rendimento da pecuária decorre de disposição legal contida no art. 10, parágrafo 1°, inciso V, alínea b, da Lei n° 9.393/96, não havendo previsão legal para que o índice possa ser afastado pela autoridade julgadora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-001.453
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre que converteria o julgamento em diligencia. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: JULIO CEZAR DA FONSECA FURTADO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2001 PROPRIETÁRIO CONTRIBUINTE DO IMPOSTO. A propriedade do imóvel rural é fato gerador de 1TR, sujeitando o proprietário à apresentação de DITR e ao recolhimento do imposto, mesmo no caso de exploração do imóvel por terceiros. PASTAGENS. ÍNDICE DE RENDIMENTO. A aplicação do índice de rendimento da pecuária decorre de disposição legal contida no art. 10, parágrafo 1°, inciso V, alínea b, da Lei n° 9.393/96, não havendo previsão legal para que o índice possa ser afastado pela autoridade julgadora. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre que converteria o julgamento em diligencia. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SECA() DE JULGAMENTO Processo le 13161.001006/2005-16 Recurso n° Voluntário Acórdão no 2801-01.453 — 1a Turma Especial Sessão de 16 de março de 2011 Matéria ITR Recorrente CESP COMPANHIA ENERGÉTICA DE SAO PAULO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2001 PROPRIETÁRIO CONTRIBUINTE DO IMPOSTO. A propriedade do imóvel rural é fato gerador de 1TR, sujeitando o proprietário à apresentação de DITR e ao recolhimento do imposto, mesmo no caso de exploração do imóvel por terceiros. PASTAGENS. ÍNDICE DE RENDIMENTO. A aplicação do índice de rendimento da pecuária decorre de disposição legal contida no art. 10, parágrafo 1°, inciso V, alínea b, da Lei n° 9.393/96, não havendo previsão legal para que o índice possa ser afastado pela autoridade julgadora. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre que converteria o julgamento em diligencia. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. , r 1(5) IkN[k. Ant nio de á ua At ay c e Magalhães - Presidente Julio Ce ar a onseca Furtado - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Julio Cezar da Fonseca Furtado e Carlos César Quadros Piêne. Relatório Relativo ao imóvel denominado Reassentamento Rural da Fazenda Mineira, localizada no município de Anaurilândia-MS, n° de inscrição na Receita Federal 3.096.751-1, foi lavrado auto de infração do ITR referente ao exercício de 2001 no valor total de R$ 113.183,17( cento e treze mil, cento e oitenta e três e dezessete centavos), conforme descrição dos fatos (fls. 01 à 13). A area de pastagem foi glosada totalmente, pois não foi declarada a existência de nenhum animal no imóvel, sendo que na DIRT 2001, foi declarada area de pastagem, totalizando 888,1 hectares. A impugnação foi apresentada pelo contribuinte tempestivamente, argumentando que a area foi adquirida com o objetivo de realizar um assentamento de famílias em virtude do impacto ambiental decorrente da construção da barragem da Usina Hidrelétrica Engenheiro Sérgio Motta e que as area adquiridas foram empossadas pelas famílias, tornando- as, portanto, responsáveis pelos tributos devidos se não fosse a imunidade disposta no § 4° do artigo 153 da Carta Magna. Voto Conselheiro Julio Cezar da Fonseca Furtado, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Do exame dos autos verifica-se que o objetivo do presente Recurso Voluntario é atacar Auto de Infração em que houve glosa total da área de pastagem, isto 6, de 888,1 ha para zero. O proprietário afirma não ser sujeito passivo do tributo por não haver promovido a exploração do imóvel no ano-base do exercício de 2001. Alegando ter adquirido a propriedade para realizar um assentamento em que os assentados já são detentores da posse. Entretanto, não há norma que autorize o entendimento de que a posse se sobrepõe à propriedade para fins de definição de sujeito passivo. Outrossim, não existe impedimento no sentido de o proprietário declarar utilizando-se dos dados de quem explora efetivamente a area. Pelas referidas razões, é rejeitada a preliminar de ilegitimidade, conforme decisão de ia instância. O ITR passou a ser tributo lançado por homologação com o advento da Lei n° 9.393, de 1996, cabendo ao sujeito passivo apurar o imposto e efetuar seu pagamento, sem exame prévio da autoridade administrativa, conforme disposto no artigo 150 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, o Código Tributário Nacional — CTN. 2 Processo n" 13161.001006/2005-16 S2-TE01 Acórdão n.° 2801-01.453 Fl. 2 No caso de informações inexatas encontra previsão no art. 14, da Lei n° 9.393/1996, abaixo transcrito, o qual também prevê a exigência da multa cabível no procedimento de oficio: "Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliaçeio ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informações sobre pregos de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimento de fiscalização. § 2°. As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis ais demais tributos federais. " No caso, a multa é de 75%, conforme o disposto no art. 44, I da Lei no 9.430/96 e os juros de mora em percentual equivalente a taxa SELIC, para tributos federais, acumulada mensalmente, de acordo com o art. 61, § 3° da Lei n° 9.430/96. Ainda, na DITR de exercício de 2001, não foi declarada existência de qualquer quantitativo de animais no imóvel. Logo, fazendo os ajustes previstos no referido artigo e aplicando o índice de lotação minima, para fins de apuração do ITR, verifica-se que não ha como a area ser aceita como de pastagens. Desse modo, conclui-se que o lançamento esta correto e amparado devidamente pela legislação. Ante todo o exposto, oriento o meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Julio Ce )r a onseca Furtado 3
score : 1.0
Numero do processo: 11080.101117/2003-34
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2008
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES
Ano-calendário: 2003
ORGANIZAÇÃO E PRODUÇÃO DE EVENTOS CINEMATOGRÁFICOS E TELEVISIVOS - ATIVIDADE VEDADA AO OPTANTE DO SIMPLES.
Neste caso em concreto e na abrangência legal do termo, envolve produção de filmes, agenciamento, assessoria, treinamento e promoções, que, pela complexidade do objeto social da empresa, não comporta adequação ao regime simplificado.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 301-34.313
Decisão: ACORDAM os membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da
relatora.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Ano-calendário: 2003 ORGANIZAÇÃO E PRODUÇÃO DE EVENTOS CINEMATOGRÁFICOS E TELEVISIVOS - ATIVIDADE VEDADA AO OPTANTE DO SIMPLES. Neste caso em concreto e na abrangência legal do termo, envolve produção de filmes, agenciamento, assessoria, treinamento e promoções, que, pela complexidade do objeto social da empresa, não comporta adequação ao regime simplificado. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
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Neste caso em concreto e na abrangência legal do termo, envolve produção de filmes, agenciamento, assessoria, treinamento e promoções, que, pela complexidade do objeto social da empresa, não comporta adequação ao regime simplificado. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. nf0 OTACÍLIO DAN S CARTAXO - Presidente 4r.• SUS-Y GOMES HOFFMANN — Relatora Processo n° 11080.101117/2003-34 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-34.313 Fls. 141 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, João Luiz Fregonazzi e Valdete Aparecida Marinheiro. Processo n° 11080.1 01117/2003-34 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-34_ 313 Fls. 142 Relatório Cuida-se de pedido de LM CINE1V1A E VÍDEO com CNPJ/CPF n° 04.020.580/0001-30, em que se impugna a exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das 1Vlicroempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples instituído pela Lei n°. 9317/96. Em solicitação de revisão da exclusão do simples (fls.01) o contribuinte informou que a atividade desenvolvida pela empresa é a produção e pós-produção de vídeo- tapes, áudio visuais, documentários institucionais e comerciais, assim como a locação de equipamentos para captação de imagens Ato contínuo, seguiu-se voto do Relator (fls.32/35), descrevendo-se o fundamento legal utilizado para exclusão do contribuinte do Regime Simplificado, com base no artigo 9°, inciso XIII, da Lei 1-1°_ 93 17/96. Citou-se ainda pronunciamento da SRRF da 7" Região Fiscal, que dispõe sobre a solução da consulta n°. 309, de 1 7/10/2003, aliada a consulta 274 de 07/11/2003, sendo certo que ambas são contrárias a permanência do contribuinte no Simples. Por fim, justificou a manutenção do lançarnento com a questão n°. 147, respondida pela COSIT — Coordenação-Geral do Sistema de Tributação, que amplia as atividades legalmente vedadas ao integrante do Simples, consideradas "assemelhadas". Seguiu-se recurso voluntário, fls. 38/44, em que se fez breve relatório fático do processo. Sustentou que a atividade exercida não se enquadra naquelas impedidas. Em preliminar, impugnou o inicio do ter-n--io da exclusão, destacando-se que o ADE não pode ter eficácia retroativa. No mérito, Reno-varam-se os argumentos da Solicitação de Revisão, com fundamento de que a empresa não possui profissional legalmente habilitado, sendo plenamente possível sua manutemção no Simples_ • Os membros da 1 a Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes acordaram em converter o julgamento em diligência (fls_ 66/70) à repartição de origem a fim de verificar no local da empresa o que segue: . Que seja indicado a eal ou reais atividades da empresajantando-se notas fiscais e/014 co n tra tos que co ~ovem a atividade; 2. Que seja indicado, expressamente, se a ernpres-a Recorrente produz .filmes, em caso positiva, de qual porte e se a e1zpresa contrata atores e atrizes, juntando-se para tal, cópia do livr-o de registro de empregados; 3. Que seja indicado, expressamente, se a empresa Recorrente realiza atividade de treinamento, de pessoal. A Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre solicitou os seguintes documentos para verificar qual a atividade exercida pelo contribuinte: I) Livros Caixcz dos- arzos--c-cz lendário 2002 a 2006, que contenham escriturada toda a rno-vir-nerztação firzarzeeira, inclusive bancária, da empresa; 3 Processo n° 11080.101117/2003-34 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-34.313 Fls. 143 2) Todos os documentos e demais papéis (notas fiscais e contratos) que serviram de base para a escrituração dos livros Caixa; 3) Livro de registro de empregados; 4) Relação das pessoas fisicas e jurídicas que deram origem às receitas da empresa nos anos-calendário 2002 a 2006, com indicação do nome, CPF/CNPJ e valor recebido; 5) Informar se a empresa realiza atividade de treinamento de pessoal. O contribuinte apresentou petição (fls.77178) informando que a empresa atua na área de prestação de serviços de produção de vídeo, gravações e locação de equipamentos de vídeo. Apresentou os seguintes documentos (79/136): lista de principais clientes, notas fiscais, contratos de prestação de serviços e livro de registro de empregados. Em relatório de diligência fiscal (fls.1371139) verificou-se o seguinte: "as • atividades da empresa incluem a realização de comerciais (vide autorização n°. 0419, notas fiscais n'. 166 e 369 e Orçamento v885/03), programetes institucionais (Pedido de Produção n°. 010715), vídeos institucionais (PPs n°. 019467, n°. 020903, n°. 009122 e NF n°. 493), "vídeo- jornal" de veiculação interna (contratos n°. 34/2004 e 36/2004), vídeo para palestra (NF n°. 321), vídeos para campanha eleitorais (NF n°. 457) e vídeos e audiovisuais para veiculação interna (contrato n°. 13/2002 e NF n°. Ordem de Produção n°. 0054/03). É o relatório. • 4 Processo n° 11080.101117/2003-34 CCO3/C01 Acórao n.° 301-34.313 Fls. 144 Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora Conheço do Recurso por preencher os requisitos legais. Cuida-se de pedido de DI CINEMA E VÍDEO com CNPJ/CPF n° 04.020.580/0001-30, em que se impugna a exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples instituído pela Lei n°. 9317/96. O principal motivo da exclusão deu-se pelo fato de incorrer em hipótese de • vedação expressa prevista na legislação do Simples, tendo sido tipificada a atividade desenvolvida pela empresa no inciso XIII, do artigo 90 da Lei 9317/96. Esta vedação legal foi anotada em Ato Declaratório Executivo de fls. 04, do qual se extrai: "Artigo 9". Não poderá optar pelo Simples a pessoa jurídica XIII - que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, fisico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente •exigida;" (grifos acrescidos ao original) Consta do Ato Declaratório de Exclusão, de fls. 04, a seguinte descrição: "atividade econômica vedada: 9211-8/01 - Estúdios cinematográficos". Consta ainda dos autos, que a empresa exerce, segundo seu contrato social, fls. 55: "A sociedade terá como objeto principal a atividade de produção e pós-produção em cinema, video-tape e áudio de: filmes, áudio-visuais, documentários, institucionais, treinamento, peças comerciais e culturais. Produção e comercialização de obras cinematográficas. Agenciamento de propaganda, publicidade e planejamento. Assessoria de comunicação social e marketing. Locação de equipamentos para captação e edição de imagens". O Nobre Relator a quo sustentou que se trata de atividade assemelhada a de empresário ou diretor cultural de espetáculo, razão pela qual o regime simplificado torna-se vedado ao contribuinte. • Processo n° 11080.101117/2003-34 CCO3/C0 I Acórdão n.° 301-34.313 Fls. 145 Por outro lado, o contribuinte sustentou que a permanência no regime do Simples deve ser acolhida, vez que suas atividades não necessitam de profissional legalmente habilitado, não se enquadrando na vedação do inciso XIII, do artigo 9°, da Lei 9317/96. Notadamente, das informações analisadas, toma-se descabido entender que as atividades prestadas por esta empresa não são vedadas pelo regime Simplificado. Neste sentido, veda-se a produção de eventos, que impliquem na coordenação executiva e administração de serviços para fins cinematográficos, inclusive, a produção de filmes, conforme interpretação sistemática da Lei n°. 931 7/96_ Entendimento este consubstanciado no Recurso 129922, da Primeira Câmara deste mesmo Conselho de Contribuintes, que por unanimidade decidiu: Matéria:SIMPLES - EXCLUSÃO Relator:OTACÍLIO DANTAS CARTAXO • Resultado:NPU - NEGADO PROVIMENTO* F.o!? UNANIMIDADE Ementa: OPÇÃO PELO SIMPLES_ E-XCL,USA-GP. É vedada opção pelo SIMPLES à pessoa jurídico que' preste serviços profissionais de produção, de ser-viços técnicos e de criação nas áreas de cinema, vídeo e televisif o, a lénz de diretor- ou produtor de espetáculos, de consultor ou assernelhczcio-s, e de qualquer profissão cujo exercício dependa de habilita ça o pr-ofis-sio nczl legalmente exigida. RECURSO VOLUNTÁRIO _NEGADO. E ainda, veda-se o treinamento de profissionais_ Neste mesmo sentido, tem-se o Recurso 127.054, da Segunda Câmara, que também por unanimidade decidiu: Matéria:SIMPLES- EXCLUSÃO Relator:WALBER JOSÉ DA SILVA 1111 Ementa:SIMPLES - ORGA NIZ,A ÇA- Go DE' CURSOS LIVRES. REALIZAÇÃO DE EVENTOS CCIL.T'URArS_ T'REIIVAMENTO DE PESSOAL. As pessoas jurídicas que se dediquem às atividades e organização de cursos livres e eventos culturais, por se assernelhar à atividade de produtor de espetáculo, estão impedidas de Optc2r- pelo SIMPLES. Também não podem optar pelo SIMPLES as pessoas jurídicas que se dediquem à atividade de treinanzento de pessoal, por- se assemelhar à atividade de professor. NEGADO PROVIMENTO POR LTIV4IVIMIL>,41,E-- O objeto social da empresa é muito abrangente, o que acabou por acolher inúmeras atividades profissionais, sendo algumas delas vedadas ao optante do Simples. Com efeito, pelos documentos acostados aos autos, em cumprimento a diligência, verificou-se que a empresa realiza as seguintes atividades vedadas pela legislação do Simples: "as atividades da empresa incluem a realização de comerciais (vide autorização n°. 0419, notas fiscais n°. 166 e 369 e Orçamento v885/03), prograrnetes institucionais (Pedido de 6 Processo n° 11080.101117/2003-34 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-34.313 Fls. 146 Produção n°. 010715), vídeos institucionais (PPs n°. 019467, n°. 020903, n°. 009122 e NF n°. 493), "vídeo-jornal" de veiculação interna (contratos n°. 34/2004 e 36/2004), vídeo para palestra (NF n°. 321), vídeos para campanha eleitorais (NF n°. 457) e vídeos e audiovisuais para veiculação interna (contrato n°. 13/2002 e NF n°. Ordem de Produção n°. 0054/03). Posto isto, voto para NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, para considerar válido o Ato Declaratório de Exclusão, vez que está de acordo com a legislação tributária simplificada, nos termos da Lei do Simples — 9.317/96. É como voto. Sala das Sessões, em 28 de fevereiro de 2008 nkaik 'A SUSY g • S ‘ FFMANN - Relatora1111 • 7
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Numero do processo: 10640.001228/2007-10
Data da sessão: Thu May 28 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu May 28 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005
DESPESAS MÉDICAS - PROVA - EXISTÊNCIA DE SÚMULA DE DOCUMENTAÇÃO
TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ - São insuficientes para comprovar o direito à dedução declarada, a apresentação tão-somente de documentos de emissão de profissional para o qual existe "Súmula de Documentação Tributariamente Ineficaz".
MULTA DE OFICIO QUALIFICADA - RECIBOS MÉDICOS INIDÔNEOS - CABIMENTO
- A utilização de recibos médicos inidôneos, emitidos por profissional para o qual há Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, tão-somente com o propósito de reduzir a base de cálculo do imposto devido, caracteriza o evidente intuito de fraude, justificando a imposição da multa de oficio qualificada.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3804-000.063
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Turma Especial da Terceira Seção do
Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 DESPESAS MÉDICAS - PROVA - EXISTÊNCIA DE SÚMULA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ - São insuficientes para comprovar o direito à dedução declarada, a apresentação tão-somente de documentos de emissão de profissional para o qual existe "Súmula de Documentação Tributariamente Ineficaz". MULTA DE OFICIO QUALIFICADA - RECIBOS MÉDICOS INIDÔNEOS - CABIMENTO - A utilização de recibos médicos inidôneos, emitidos por profissional para o qual há Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, tão-somente com o propósito de reduzir a base de cálculo do imposto devido, caracteriza o evidente intuito de fraude, justificando a imposição da multa de oficio qualificada. Recurso negado.
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I , 4. , f' . 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA0, nt ' . .. -. tiik CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS A/ -a TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO s...._ , • ,;. Processo n° 10640.001228/2007-10 Recurso n° 163.989 Voluntário Acórdão n° 3804-00.063 — 4' Turma Especial Sessão de 28 de maio de 2009 Matéria IRPF Recorrente IVALDO JOSÉ DA CUNHA Recorrida 4aTURMA/DRJ-JUIZ DE FORA/MG ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - I RPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 DESPESAS MÉDICAS - PROVA - EXISTÊNCIA DE SÚMULA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ - São insuficientes para comprovar o direito à dedução declarada, a apresentação tão-somente de documentos de emissão de profissional para o qual existe "Súmula de Documentação Tributariamente Ineficaz". MULTA DE OFICIO QUALIFICADA - RECIBOS MÉDICOS INIDÕNEOS - CABIMENTO - A utilização de recibos médicos inicio:irmos, emitidos por profissional para o qual há Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, tão-somente com o propósito de reduzir a base de cálculo do imposto devido, caracteriza o evidente intuito de fraude, justificando a imposição da multa de oficio qualificada. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por IVALDO JOSÉ DA CUNHA. ACORDAM os Membros da Quarta Turma Especial da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. NE • O trif P esi . - NE/O/ A 7- i Processo n° 10640.001228/2007-10 83-T E04 Acórdão 3804-00.063 Fl. 2 ' AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE . Relatora FORMALIZADO EM: 03 ABO 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Júlio Cezar da Fonseca Furtado. 2 Processo n° 10640.001228/2007-10 S3-TE04 Acórdão n.° 3804-00.063 Fl. 3 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 02 a 07, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2002 a 2005, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$12.192,97, acrescido de multa de oficio qualificada e juros de mora. A autuação foi assim resumida no relatório do acórdão de primeira instância (fls. 179): "Decorreu o citado lançamento da fiscalização levada a efeito junto ao contribuinte, relativa aos exercícios financeiros de 2002 a 2005, anos-calendário de 2001 a 2004, quando foi apurada a seguinte infração, minuciosamente relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 4/7: dedução indevida de despesas médico-psicológicas — recibos inickineos emitidos por Sérgio Luis de Campos, no valor total de R$ 12.000,00 em cada um dos anos fiscalizados. Sobre o imposto decorrente dessa infração aplicou-se a multa de oficio qualificada (150%) e formalizou-se o processo administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais n° 10640.001229/2007-64, que se encontra apensado ao presente, visto ter ficado demonstrada a ocorrência de fatos que configurariam crime contra a Ordem Tributária, consoante definido pelo art. 1" da Lei n°8.137, de 1990." IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação (fls. 135 a 144), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 179a 181): ". Durante os anos de 2001 a 2004 contratou os serviços do psicólogo Sérgio Luis de Campos, CPF..., CRP 04/9658, os quais foram efetivamente prestados a este impugnante e aos seus dependentes, e pagos em dinheiro. • O fato de terem sido pagas despesas homogêneas na ordem de R$ 12.000,00 por ano, em nada prejudica concluir que foram gastos reais, pois as consultas eram periódicas. A dedução que pleiteou em suas declarações de rendimentos encontra amparo no art. 80 do RIR/1999. • Nada mais legitimo e compreensível que a autoridade fiscal intimasse o contribuinte para apresentar os recibos e demais documentos que sustentaram tais pagamentos, haja vista o disposto no art. 149. III, do CTN. 3 Processo n°10640.001228/2007-10 S3-TE04 Acórdão n.° 3804-00.063 Fl. 4 • Todavia, a Fiscalização solicitou apenas os recibos correspondentes aos dois primeiros anos-calendário, 2001 e 2002. Entende este autuado que atendeu in totum às solicitações fiscais, dentro do que era possível, pois enviou todos recibos comprovando os pagamentos efetuados. • Este contribuinte jamais foi intimado a apresentar os recibos probantes dos pagamentos realizados em 2003 e 2004, tendo sido o autuante, no mínimo, imprudente, vez que rotulou ditos recibos como inidõneos, sem, ao menos, visualizá-los previamente a ponto de extrair tal conclusão. • Como adimplemento e extinção das obrigações privadas, o pagamento, quando feito, exige do credor o termo de quitação, o Recibo propriamente dito. • E. no presente caso, os recibos apresentados contêm todos os requisitos exigidos em lei, não se podendo duvidar de seu teor por simples desejo da auditoria fiscal da RFB, principalmente porque a legislação tributária não exige forma diferente para a comprovação do pagamento de despesas médicas. Nesse sentido, já apresentou os recibos comprobatórios dessas despesas nos anos de 2001 e 2002 e está juntando aqueles referentes aos anos de 2003 e 2004. • O contribuinte comprovou não só a efetiva prestação dos serviços, como também os respectivos pagamentos, apresentando documentos de quitação que somam a quantia de R$ 48.000,00 deduzida nos moldes do art. 80 do R1R/1999. • Se dito profissional inexiste ou se a pessoa que se apresentou como tal não possui qualificações de psicólogo a ponto de se credenciar à prestação deste tipo de serviço, não poderá o contribuinte ser responsabilizado por tais circunstâncias em não poder exercer o direito que lhe é assegurado de deduzir, os gastos que realizou, da base de cálculo do imposto de renda. • Ninguém procura conhecer as habilitações profissionais de alguém antes de contratar os seus serviços. Em geral, se o profissional está com o consultório aberto e possui boa referência, o serviço é contratado sem outros pormenores. • Se aquele psicólogo confessou, em depoimento à Polícia Federal, que vendia recibos — se é que tal confissão ocorreu, haja vista não constar dos autos em epígrafe sequer indício de eventual depoimento — não quer necessariamente significar que os recibos dados a este contribuinte foram vendidos, e não fornecidos como contraprestação pelos serviços tomados. • Diante dessa explanação, requer, então, o cancelamento do auto de infração. Alternativamente, caso se entenda pela procedência do lançamento, requer sejam relevados os argumentos lançados nos sentido de se determinar a aplicação da penalidade prevista no art. 44, 1, da Lei n° 9.430/96, em substituição ao contido no seu inciso II, pois não se trata, 4 Processo n° 10640.001228/2007-10 S3-TE04 Acórdão n.° 3804-00.063 Fl. 5 efetivamente, de se valer de uma benesse legal tributária com o intuito defraude. Em seu socorro o impugnante transcreve ementas de Acórdãos, tanto de Delegacias de Julgamento, quanto do Primeiro Conselho de Contribuintes, tratando de glosa de despesas médicas. E, para instruir sua defesa, o interessado junta os elementos de j1s. 146/176." ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A DRJ-Juiz de Fora/MG julgou procedente o lançamento. Os fundamentos da decisão de primeira instância estão consubstanciados nas seguintes ementas: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF • Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. - Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem - a vincula ção do pagamento e da efetiva prestação de serviços, mormente quando foi declarada a inidoneidade dos recibos apontados pela Fiscalização. - A existência de Súmula de Documentação Tributariamente Ineficaz impede a utilização dos recibos médicos, que deram origem a tal Súmula, como elementos de prova de serviços prestados, quando apresentados isoladamente, sem apoio em outros documentos probatórios complementares. MULTA DE OFÍCIO. Correta a aplicação da multa de oficio (proporcional) em 150%, quando apurado, pela autoridade fiscal, o evidente intuito de fraude por parte do contribuinte. Lançamento Procedente" • RECURSO AO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Cientificado da decisão de primeira instância ém 10/10/2007 (fls. 190), o contribuinte, por intermédio de representante (Procuração às fls. 145), apresentou, em 09/11/2007, o Recurso de fls. 192 a 195, argumentando, em apertada síntese, que, ao contrário do que leva a supor a Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz emitida para o profissional Sérgio Luís de Campos, efetivamente contratou os serviços do mencionado psicólogo e efetuou os correspondentes pagamentos em dinheiro. Aduz que os recibos foram emitidos em conformidade com a legislação e provam a quitação dos valores acordados. Afirma ser descabido exigir-lhe outros elementos de prova da efetividade dos serviços ou dos pagamentos. Entende que o Fisco não logrou comprovar que os recibos apresentados não correspondem aos serviços efetivamente prestados. Por fim, pede que, na hipótese de ser mantida a glosa das despesas médicas, seja desqualificada a multa de oficio. 5 • Processo n° 10640.001228/2007-10 S3-TE04 Acórdão n.°3804-00.063 Fl. 6 O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 196, que também trata do envio dos autos ao Primeiro Conselho de Contribuintes. É o Relatório. 6 Processo n° 10640.001228/2007-10 83-TE04 Acórdão n.° 3804-00.063 Fl. 7 • Voto Conselheira AIVL4RYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE, Relatora No caso, o interessado pleiteou deduções de despesas médicas que teria tido com o psicólogo por Sérgio Luis de Campos, nos anos-calendário 2001 a 2004. Ocorre que, conforme Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz (fls. 79 a 129) e Ato Declaratório Executivo n° 22, da DRF Juiz de Fora/MG, de 07/08/2006 (fls. 124), os recibos de tratamento psicológicos emitidos pelo referido profissional, CPF 552.906.206-72, no período de 01/01/2001 a 31/12/2004, foram declarados inidôneos, por serem ideologicamente falsos, portanto, imprestáveis e ineficazes para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa fisica. Insta frisar que Súmula é o processo administrativo de levantamento de elementos de prova da inidoneidade de documentos fiscais, realizado pela administração tributária, mediante procedimentos fiscais apropriados, com vistas a propiciar a formação de convicção por parte das autoridades julgadoras. Assim, sempre que a Fiscalização se deparar com documentos de emissão de empresas e/ou pessoas fisicas sumuladas, poderá recorrer à respectiva súmula, sem a necessidade de realizar novas diligências para apurar os mesmos fatos já conhecidos. Dessa forma, comprovada pelo Fisco a inidoneidade dos recibos emitidos pelo citado profissional, cabe ao impugnante a prova de que a prestação de serviços e o correspondente pagamento existiram de fato, podendo, eventualmente, dependendo das provas apresentadas, caracterizar tais operações uma exceção relativamente ao conjunto de provas produzidas em sentido contrário, no que tange a inidoneidade dos recibos emitidos. Portanto, embora a declaração de inidoneidade alcance todos os recibos emitidos no período, o contribuinte que efetivamente tenha realizado o tratamento psicológico e efetuado o correspondente pagamento tem a oportunidade de comprová-lo. Todavia, no caso, o interessado não logrou trazer aos autos elementos hábeis de prova para corroborar sua assertiva de que efetivamente teria recebido o atendimento profissional alegado, bem como efetuado os pagamentos decorrentes. Ora, nesse contexto, suas alegações são estéreis e os recibos apresentados não podem ser considerados idôneos, restando configurado o evidente intuito de fraude referido nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964: "Art. 71 - Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; 7 Processo n° 10640.001228/2007-10 S3-TE04 Acórdão n.°3804-00.063 Fl. 8 - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 - Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 - Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no artigo 71 e 72." • Assim, correta a multa aplicada, prevista na Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 44, inciso II, redação então vigente, reproduzido a seguir: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 1— de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II — cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n o 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões — DF, em 28 de maio de 2009 AMARYLLES RE1NALDI E HENRIQUES RESENDE 8 Page 1 _0005100.PDF Page 1 _0005200.PDF Page 1 _0005300.PDF Page 1 _0005400.PDF Page 1 _0005500.PDF Page 1 _0005600.PDF Page 1 _0005700.PDF Page 1
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Numero do processo: 19515.002398/2005-60
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003
DECADÊNCIA.
Descabe a alegação de decadência quando o lançamento se deu dentro do prazo decadencial, qualquer que seja a regra aplicável que se invoque.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. FASE DE APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INAPLICABILIDADE DOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA.
Somente com a apresentação da impugnação tempestiva, o sujeito passivo formaliza a existência da lide tributária no âmbito administrativo e transmuda o procedimento administrativo preparatório do ato de lançamento em processo administrativo de julgamento da lide fiscal, passando a assistir ao contribuinte as garantias constitucionais e legais do devido processo legal.
ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. EFEITOS.
O ato declaratório gera efeitos desde a ocorrência da situação que gerou a exclusão dos documentos do mundo jurídico, assim, possui efeitos a partir da emissão dos recibos de prestação de serviços considerados inaptos.
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. GLOSA.
Cabe ao sujeito passivo a comprovação, com documentação idônea, da zada como dedução na declaração de ajuste anual. A falta da comprovação permite o lançamento de ofício do imposto que deixou de ser pago.
DEDUÇÃO DE DESPESAS COM DEPENDENTES.
Deve ser comprovada, documentalmente, a condição de dependência, para fins de dedução de despesas com dependentes da base de cálculo do imposto sobre a renda da pessoa física.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONFRONTO DE INFORMAÇÕES.
É legítimo o lançamento baseado em omissão de rendimentos apurada pelo confronto das informações prestadas pela fonte pagadora com os rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte.
SÚMULA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ.
Faz-se necessária a comprovação da efetividade dos serviços prestados, bem como a comprovação de forma inequívoca do pagamento dos serviços, quando existir súmula de documentação ineficaz para o emite dos documentos.
MULTA QUALIFICADA.
Restando comprovado que o sujeito passivo da obrigação tributária utilizou-se de documentação inidônea, com o fim de reduzir a base de cálculo do imposto, aplicável a multa qualificada, vez que caracterizado o intuito de obter, ilicitamente, benefícios em matéria tributária.
Preliminares rejeitadas.
Pedido de diligência indeferido.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2801-001.563
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 DECADÊNCIA. Descabe a alegação de decadência quando o lançamento se deu dentro do prazo decadencial, qualquer que seja a regra aplicável que se invoque. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. FASE DE APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INAPLICABILIDADE DOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. Somente com a apresentação da impugnação tempestiva, o sujeito passivo formaliza a existência da lide tributária no âmbito administrativo e transmuda o procedimento administrativo preparatório do ato de lançamento em processo administrativo de julgamento da lide fiscal, passando a assistir ao contribuinte as garantias constitucionais e legais do devido processo legal. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. EFEITOS. O ato declaratório gera efeitos desde a ocorrência da situação que gerou a exclusão dos documentos do mundo jurídico, assim, possui efeitos a partir da emissão dos recibos de prestação de serviços considerados inaptos. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. GLOSA. Cabe ao sujeito passivo a comprovação, com documentação idônea, da zada como dedução na declaração de ajuste anual. A falta da comprovação permite o lançamento de ofício do imposto que deixou de ser pago. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM DEPENDENTES. Deve ser comprovada, documentalmente, a condição de dependência, para fins de dedução de despesas com dependentes da base de cálculo do imposto sobre a renda da pessoa física. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONFRONTO DE INFORMAÇÕES. É legítimo o lançamento baseado em omissão de rendimentos apurada pelo confronto das informações prestadas pela fonte pagadora com os rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte. SÚMULA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. Faz-se necessária a comprovação da efetividade dos serviços prestados, bem como a comprovação de forma inequívoca do pagamento dos serviços, quando existir súmula de documentação ineficaz para o emite dos documentos. MULTA QUALIFICADA. Restando comprovado que o sujeito passivo da obrigação tributária utilizou-se de documentação inidônea, com o fim de reduzir a base de cálculo do imposto, aplicável a multa qualificada, vez que caracterizado o intuito de obter, ilicitamente, benefícios em matéria tributária. Preliminares rejeitadas. Pedido de diligência indeferido. Recurso voluntário negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2125; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 394 1 393 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.002398/200560 Recurso nº 174.479 Voluntário Acórdão nº 280101.563 – 1ª Turma Especial Sessão de 12 de maio de 2011 Matéria IRPF Recorrente MARCOS AURÉLIO GALEANO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 DECADÊNCIA. Descabe a alegação de decadência quando o lançamento se deu dentro do prazo decadencial, qualquer que seja a regra aplicável que se invoque. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. FASE DE APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INAPLICABILIDADE DOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. Somente com a apresentação da impugnação tempestiva, o sujeito passivo formaliza a existência da lide tributária no âmbito administrativo e transmuda o procedimento administrativo preparatório do ato de lançamento em processo administrativo de julgamento da lide fiscal, passando a assistir ao contribuinte as garantias constitucionais e legais do devido processo legal. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. EFEITOS. O ato declaratório gera efeitos desde a ocorrência da situação que gerou a exclusão dos documentos do mundo jurídico, assim, possui efeitos a partir da emissão dos recibos de prestação de serviços considerados inaptos. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. GLOSA. Cabe ao sujeito passivo a comprovação, com documentação idônea, da efetividade da despesa médica utilizada como dedução na declaração de ajuste anual. A falta da comprovação permite o lançamento de ofício do imposto que deixou de ser pago. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM DEPENDENTES. Deve ser comprovada, documentalmente, a condição de dependência, para fins de dedução de despesas com dependentes da base de cálculo do imposto sobre a renda da pessoa física. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONFRONTO DE INFORMAÇÕES. Fl. 409DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 19/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, 18/05/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.002398/200560 Acórdão n.º 280101.563 S2TE01 Fl. 395 2 É legítimo o lançamento baseado em omissão de rendimentos apurada pelo confronto das informações prestadas pela fonte pagadora com os rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte. SÚMULA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. Fazse necessária a comprovação da efetividade dos serviços prestados, bem como a comprovação de forma inequívoca do pagamento dos serviços, quando existir súmula de documentação ineficaz para o emite dos documentos. MULTA QUALIFICADA. Restando comprovado que o sujeito passivo da obrigação tributária utilizou se de documentação inidônea, com o fim de reduzir a base de cálculo do imposto, aplicável a multa qualificada, vez que caracterizado o intuito de obter, ilicitamente, benefícios em matéria tributária. Preliminares rejeitadas. Pedido de diligência indeferido. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 120.147,43, referente aos exercícios de 2001, 2002 e 2003, a título de imposto (R$ 43.895,99), acrescido da multa de ofício equivalente a 75% ou 150% do valor do tributo apurado (R$ 48.009,16), além de juros de mora (R$ 28.242,28). O lançamento é decorrente da apuração de omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica, dedução indevida de dependente, dedução indevida de despesas médicas e dedução indevidas de despesas com instrução. Fl. 410DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 19/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, 18/05/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.002398/200560 Acórdão n.º 280101.563 S2TE01 Fl. 396 3 Em sua impugnação, o contribuinte alegou, em preliminar, a nulidade do lançamento pelos seguintes motivos: • Não tomou conhecimento do processo integral que resultou no Ato Declaratório n° 35, de 23/08/2004, em nome de Sandra Maria de Melo Amaral, razão pela qual o fisco não pode, com base em tal procedimento, glosar as referidas despesas; • Não tomou conhecimento antes do lançamento tributário da existência da receita omitida, para que pudesse contestála com plenitude, e poder valerse do princípio constitucional da ampla defesa e do contraditório, que lhe é assegurado pelo inciso LV do art. 5° da Constituição Federal; • Não há disposição legal para que o Delegado da Delegacia da Receita Federal de São José do Rio Preto/SP possa expedir o Ato Declaratório com base na Portaria FM 187, de 26/04/1993 e no artigo 227, do Regulamento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 259, de 24.08.2001, que considerou os recibos inidôneos, emitidos por pessoa física, já que a citada Portaria é específica para os atos praticados por pessoa jurídica e não por pessoa física; • Na época da entrega das declarações da pessoa física, a profissional encontravase em situação de seu CPF regular perante ao Fisco, não podendo ser penalizado em decorrência de imposição retroativa e de dupla autuação, o que é arbitrário e ilegal; • Foi autuado em decorrência de fatos praticados em 2000 a 2002 e o Ato Declaratório Executivo n° 35, foi publicado em 03 de setembro de 2004, entendendo que tal ato só alcançaria os recibos emitidos a partir da data de sua publicação; • No anocalendário de 2002, também foi autuado por meio do Processo n° 10850.0000940/200542, em razão da glosa da dedução de dependente (Sr. Brasilino Urias da Silva) e da glosa da dedução dos recibos emitidos pela psicóloga Sandra Maria de Melo Amaral. Na sequência, protestou pela realização de diligência, para que fosse requisitada a juntada da cópia da declaração de rendimentos da empresa Faleiros & Arana S/C Ltda., no anocalendário de 2000, bem como do seu livro caixa, afim de que os fatos alegados fossem comprovados, sob pena de cerceamento do direito de defesa. Também requereu a juntada de cópia do processo em nome de Sandra Matia de Melo Amaral, que deu origem à Súmula Administrativa e ao Ato Declaratório Executivo n° 35, com a reabertura do prazo razoável para oferecer impugnação complementar. No que tange à omissão de rendimentos, argumentou que não existe a exata descrição da receita omitida, com a perfeita identificação da fonte pagadora, o número do CNPJ, a data a que se refere o rendimento, mesmo porque em todas as vezes em que o contribuinte foi notificado e em nenhuma delas lhe foi comunicado da existência de uma fonte Fl. 411DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 19/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, 18/05/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.002398/200560 Acórdão n.º 280101.563 S2TE01 Fl. 397 4 pagadora não declarada, para que pudesse contestála. Além disso, afirmou que não recebeu o rendimento e o desconhece por inteiro. Afirmou que as deduções pleiteadas com o Senhor Brasilino Urias da Silva, como seu dependente nos anoscalendários de 2000 a 2002, foram glosadas em razão desse Senhor ter apresentado declarações de rendimentos correspondentes a esses períodos, embora desconhecesse tais fatos. Solicitou o cancelamento da glosa da dedução do anocalendário de 2002, correspondente ao citado dependente, tendo em vista que já foi autuado em idêntico período e com esse mesmo valor. Discordou da glosa da dedução com despesas médicas, no anocalendário de 2000, no valor de R$ 60.000,00, uma vez que foi intimado e apresentou vinte recibos originais, emitidos por Faleiros & Arana S/C Ltda., que considera ser pessoa jurídica idônea. Apresentou inconformismo com a glosa das despesas médicas relativas aos serviços profissionais de Sandra Maria de Melo Amaral, defendendo que os serviços foram prestados e pagos, conforme os recibos entregues à fiscalização, não cabendo ao tomador do serviço comprovar o dispêndio financeiro. Defendeu, ainda, ser indevida a glosa de dedução com despesas médicas em nome de Carlos Roberto de Souza, no valor de R$ 3.400,00, relativo ao anocalendário de 2000, pelas mesmas razões expostas anteriormente. Trouxe à colação jurisprudência administrativa com o intuito de amparar seus argumentos de defesa. A 5ª Turma da DRJ/São Paulo II/SP, conforme Acórdão de fls. 276/295, julgou procedente em parte o lançamento, para cancelar a parcela do lançamento que já havia sido objeto de autuação anterior, relativa ao anocalendário de 2002, correspondente à glosa de dependente, no valor de R$ 1.272,00, e à glosa das despesas com a psicóloga Sandra Maria de Melo Amaral, no valor de R$ 19.650,00. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 23/06/2008 (fl. 301), o interessado, representada por seu advogado (fl. 241), interpôs recurso voluntário de fls. 302/391, em 23/07/2008, no qual, além de repetir os argumentos da impugnação, suscita a decadência relativamente ao anocalendário de 2000. Requer o cancelamento da glosa do valor de R$.6.713,87, do anocalendário de 2002, objeto desta autuação, por ter sido exigido no Processo n° 10850.000944/200542. Pretende sejam aceitos os extratos bancários em anexo para comprovar os pagamentos efetuados à empresa Faleiros & Arana S/C Ltda. Solicita o restabelecimento da dedução referente à psicóloga Sandra Maria de Melo Amaral, dado que foi deferido o pedido de parcelamento dos débitos declarados por ela no PAES. Nega ter recebido os rendimentos, considerados omitidos, oriundos da empresa Panini Brasil Ltda. CNPJ n° 58.732.058/000110. Insiste em deduzir como dependente o seu pai – Sr. Brasilino Urias da Silva. Contesta a aplicação da multa agravada, porquanto não houve dolo, máfé ou fraude à época da prestação dos serviços. É o relatório. Voto Fl. 412DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 19/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, 18/05/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.002398/200560 Acórdão n.º 280101.563 S2TE01 Fl. 398 5 Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Em preliminar deve ser afastada a decadência suscitada pela recorrente relativamente ao fatos geradores ocorridos durante o anocalendário de 2000, tendo em vista que a ciência do lançamento se deu em 01/09/2005, portanto, antes mesmo de transcorrido o prazo de cinco anos contados da data do fato gerador (31/12/2000). Assim, qualquer que seja a regra aplicável que se invoque (art. 150, §4o, do CTN, ou art. 173, I, do CTN), descabe a alegação de decadência para o presente caso. Também, não há que se falar em de nulidade do auto de infração, por cerceamento do direito de defesa, vez que não foi juntado, na íntegra, o Ato Declaratório Executivo nº 35, em nome de Sandra Maria de Melo Amaral, para o conhecimento do sujeito passivo e julgadores. Isto porque as garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa estão preservadas quando o contribuinte é notificado do lançamento, e lhe é garantido o prazo de trinta dias para impugnar o feito (Decreto n° 70.235, de 1972, artigo 15), ocasião em que pode alegar as razões de fato e direito a seu favor e produzir provas do alegado, requerendo inclusive diligências e perícias. Por outro lado, consta dos autos (fls. 179 a 180) cópias do Diário Oficial da União (DOU), em que foram publicados o Ato Declaratório nº 35, de 23/08/2004, e o Ato Declaratório nº 41, de 03/11/2004, que declaram a inidoneidade, para todos os efeitos tributários, dos recibos emitidos pela psicóloga Sandra Maria de Melo Amaral, CPF nº 080.736.368/59, no período de 01/01/1997 a 31/12/2002. Assim, descabida a argumentação de que o sujeito passivo não tomara conhecimento do inteiro teor dos referidos atos declaratórios, o que teria impedido a sua defesa. Ainda, deve ser enfrentada a arguição de nulidade do auto de infração, por ilegalidade das súmulas publicadas, vez que o Delegado da Receita Federal não tem competência para sumular atos praticados por pessoas físicas, vez que tal competência é restrita para os atos praticados por pessoa jurídica, conforme o artigo 3º da Portaria MF nº 187, de 1993. A Portaria MF nº 187, de 26/04/1993, trata do procedimento administrativo de suporte a Ato Declaratório do Secretário da Receita Federal, publicado no Diário Oficial da União, será declarado ineficaz, para todos os efeitos tributários, o documento emitido em nome de pessoa jurídica que: i) não exista de fato e de direito; ou ii) apesar de constituída formalmente, não possua existência de fato, ou iii) esteja desativada, extinta ou baixada no órgão competente. Realmente, as determinações daquele ato administrativo não se aplicam à espécie, entretanto, a expedição dos Atos Declaratórios em questão, pelo Delegado da Receita Federal em São José do Rio Preto (SP), tiveram por suporte o artigo 227, IX, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24/08/2001, nos seguintes termos: Fl. 413DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 19/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, 18/05/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.002398/200560 Acórdão n.º 280101.563 S2TE01 Fl. 399 6 Art. 227. Aos Delegados da Receita Federal e, no que couber, aos Inspetores e aos Chefes de Inspetoria, incumbe: (...) IX declarar inidôneo para assinar peças ou documentos, contábeis ou não, sujeitos à apreciação da SRF, o profissional que incorrer em fraudes de escrituração ou falsidade de documentos, nos casos previstos em lei, fazendo a necessária comunicação ao Superintendente da respectiva região fiscal e ao correspondente Conselho Regional, ou a outros órgãos de fiscalização profissional; Com efeito, sem razão o recorrente quando busca fundamentação legal equivocada para os atos que declaram a inidoneidade dos recibos de tratamentos de saúde emitidos pela profissional Sandra Maria de Melo Amaral, no período de 01/01/1997 a 31/12/2002. Além disso, o recorrente aduz a nulidade do auto de infração, por ineficácia da aplicação retroativa dos Atos Declaratórios Executivos do Delegado da Receita Federal. Como antes reportado, o Ato Declaratório Executivo nº 35, de 23/08/2004, e o Ato Declaratório nº 41, de 03/11/2004, que declararam a inidoneidade, para todos os efeitos tributários, dos recibos emitidos pela psicóloga Sandra Maria de Melo Amaral, CPF nº 080.736.368/59, decorreram de averiguações fiscais, que deram suporte à Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz. As investigações fiscais reportaramse ao período de 01/01/1997 a 31/12/2002, e o ato declaratório em questão teve o escopo de tornar pública a situação evidenciada pelas apurações empreendidas pelas autoridades fiscais e dizem respeito a situações de fato ocorridas no lapso temporal determinado. Portanto, o ato administrativo tem o objetivo de declarar uma situação preexistente, ou seja, que os documentos emitidos pela profissional Sandra Maria de Melo Amaral, naquele período, não evidenciariam a efetiva prestação dos serviços indicados nos recibos por ela emitidos, ou seja, o ato declaratório gera efeitos desde a ocorrência da situação que gerou a exclusão dos documentos do mundo jurídico (a partir da emissão dos recibos de prestação de serviços considerados inaptos). Assim. sem razão o recorrente na alegação de irretroatividade do Ato Declaratório Executivo nº 35, de 23/08/2004, e o Ato Declaratório nº 41, de 03/11/2004. Ademais, rejeitase o pedido de diligência que tem por finalidade obter provas que deveriam e poderiam ter sido produzidas pela recorrente. Desarrazoado imputar tal ônus probatório ao fisco. A autoridade fiscal não tem o dever de produzir a prova necessária à defesa do sujeito passivo. No mérito, afirma o recorrente que contratou os serviços de psicologia de Sandra Maria de Melo Amaral, que foram efetivamente pagos, conforme recibos e declaração emitidos pela profissional que foram apresentados à fiscalização, o que, por si só, ensejam o cancelamento da autuação. Fl. 414DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 19/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, 18/05/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.002398/200560 Acórdão n.º 280101.563 S2TE01 Fl. 400 7 Ao contrário do entende o peticionário, tais documentos, por si só, não se prestam a comprovar a efetividade da prestação dos serviços em questão, pois que, devido a natureza daqueles serviços, essencial que ficasse demonstrada, por meio da apresentação de elementos capazes de demonstrar a necessidade dos serviços, como diagnóstico médico e fichas de acompanhamento, com a identificação precisa dos tratamentos efetuados. Principalmente que os tratamentos alegados seriam decorrentes de transtornos psíquicos, para cuja identificação e prescrição de tratamento são imprescindíveis a indicação médica. Impende observar que as deduções permitidas quando da apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda somente podem ocorrer quando ficar comprovada a sua efetiva realização. É evidente que o legislador não poderia estabelecer que o documento apresentado pelo contribuinte, por si só, fosse suficiente para permitir a dedução do gasto na apuração da base de cálculo do imposto de renda. Tão importante quanto o preenchimento dos requisitos formais do documento comprobatório da despesa, é a constatação da efetividade do pagamento direcionado ao fim indicado. Isto quer dizer que os documentos relacionados às despesas permitidas como dedução da base de cálculo do imposto sobre a renda não representam uma presunção absoluta e inquestionável, pois, sempre que necessário, a autoridade tributária poderá exigir do sujeito passivo a comprovação da sua efetividade. Comprovar a efetividade da despesa não é simplesmente apresentar os documentos que lastreiam a dedução. É mais do que isso: na comprovação da efetividade do gasto, devem ser apresentadas as provas da saída dos recursos e a destinação coincidente com o fim utilizado. Destarte, os documentos carreados aos autos não apresentam valor probatório em favor do recorrente, eis que são documentos falsos e não produzem os efeitos a que se propõem. Tais circunstâncias, somadas às constatações por parte da autoridade fiscal, no tocante a fatos que infirmam a efetividade dos serviços prestados, levamnos a confirmar a glosa realizada referente aos recibos que teriam sido emitidos pela referida profissional, o que foi confirmado pela expedição da Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz (fls. 179/180. Pelos mesmos motivos deve ser mantida a glosa das despesas médicas atribuídas ao profissional Carlos Roberto de Souza, tendo em vista o Ato Declaratório Executivo nº 23, de 14 de Dezembro de 2001 (cópia fl. 18a), que declarou: “INEFICAZES, para todos os efeitos tributários, todos os, RECIBOS e. tratamentos odontológicos, emitidos por CARLOS ROBERTO D SOUZA, CPF n.° 067.539.90178, odontólogo, com endereço à R a José Bonifácio, n° 56, Bairro Centro, Neves Paulista . SP, a partir de 01 de Fevereiro de 1993 e, portanto, imprestáveis e ineficazes para dedução da base cálculo do IRPF a quaisquer usuários dos mesmo, tendo em vista. O processo de aposentadoria por invalidez do profissional em epígrafe e demais documentos, conforme apurado no processo administrativo nº" 10850.002539/200135.” Fl. 415DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 19/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, 18/05/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.002398/200560 Acórdão n.º 280101.563 S2TE01 Fl. 401 8 Quanto ao pretenso acolhimento dos extratos bancários de fls. 381/391 para comprovar os pagamentos efetuados à empresa Faleiros & Arana S/C Ltda., consignados no recibos apresentados novamente, às fls. 351/370, melhor sorte não socorre o contribuinte, vez que não exibem quaisquer registros de saques ou pagamentos de cheques compatíveis em datas e valores com os aludidos recibos. Importa, ainda destacar, que, dentre os recibos emitidos pela Faleiros & Arana S/C Ltda, constam despesas referentes ao Sr. Brasilino Urias da Silva, cuja dedução de dependência foi glosada pela fiscalização e confirmada acertadamente pela decisão recorrida, visto que ficou comprovado que o Sr. Brasilino Urias da Silva apresentou separadamente as declarações relativas aos anoscalendário de 2000 a 2002, sendo que a glosa referente ao ano calendário de 2002 foi cancelada pela decisão recorrida por já ter sido objeto de lançamento anterior constante do Processo n° 10850.000944/200542. Aliás, é infundada o pedido do contribuinte quanto ao cancelamento de parcela restante da glosa de despesas médicas no valor de R$.6.713,87, sob o argumento de que tal glosa também teria sido objeto do lançamento formalizado no Processo n° 10850.000944/200542, pois, conforme consta das cópias daquele lançamento (fls. 246/247), tal glosa não foi perpetrada naqueles autos. Logo, resta manter a referida glosa por falta de documentos hábeis para justificar a dedução. O recorrente também não logrou refutar os rendimentos omitidos apurados conforme informação da fonte pagadora Panini Brasil Ltda, CNPJ sn° 58.732.058/000110, prestada em DIRF, cujos dados encontramse reproduzidos às fls. 156/159. Por conseguinte, não merece reparos o lançamento no que se refere a esse aspecto, dado que é legítimo o lançamento baseado em omissão de rendimentos apurada pelo confronto das informações prestadas pela fonte pagadora com os rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte. A glosa de dedução de despesas com instrução, registrese, não foi contestada na fase impugnatória nem em sede de recurso voluntário. Por fim, recorrente insurgese contra a imposição da multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, que, no presente caso, foi aplicada somente em relação às glosas das despesas declaradas relativas aos profissionais Sandra Maria de Melo Amaral e Carlos Roberto de Souza. Na espécie, a multa de ofício atribuída teve esteio no artigo 44, II, da Lei no 9.430, de 27/12/1996, que assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: ... II – cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 416DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 19/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, 18/05/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.002398/200560 Acórdão n.º 280101.563 S2TE01 Fl. 402 9 Como se percebe, para a aplicação da multa de ofício de 150% é indispensável tratarse de casos de evidente intuito de fraude como definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964, litteris: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Da leitura dos dispositivos da Lei nº 4.502, de 1964, supra referidos, inferese que as condutas descritas pela norma exigem do sujeito passivo a ação com dolo, ou seja, a deliberada intenção de obter o resultado que seria o impedimento ou retardamento da ocorrência do fato gerador, ou a exclusão ou modificação das suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Nesse sentido, o cerne do comportamento delituoso consiste na modificação das características da situação de fato ou situação jurídica que, ocorrendo, determina a incidência da norma tributária, com o escopo da redução do valor do tributo devido. Com efeito, a fraude se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, num propósito deliberado de subtrair, no todo ou em parte, a obrigação tributária. No caso dos autos, o recorrente pretendeu, de forma dolosa, beneficiarse de recibos de despesas médicas que efetivamente não foram realizadas, pois que amparadas em documentos inidôneos. Este fato, por si só, evidencia o intuito de fraude, razão pela qual deve permanecer a penalidade com a qualificação. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 417DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 19/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, 18/05/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.002398/200560 Acórdão n.º 280101.563 S2TE01 Fl. 403 10 Fl. 418DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 19/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, 18/05/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 10209.000558/2002-82
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 301-01.653
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Numero do processo: 10283.007538/00-43
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jul 13 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Jul 13 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 301-01.666
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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Numero do processo: 10166.724859/2020-21
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES)
Ano-calendário: 2020
DEFERIMENTO DE OPÇÃO. ATIVIDADE NÃO VEDADA.
Afasta-se o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, posto que o exercício da atividade de Cooperativa de Consumo, conforme a respectiva legislação, não impede o ingresso no Simples Nacional.
Numero da decisão: 1003-003.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Márcio Avito Ribeiro Faria - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Gustavo de Oliveira Machado e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: Márcio Avito Ribeiro Faria
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ATIVIDADE NÃO VEDADA. Afasta-se o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, posto que o exercício da atividade de Cooperativa de Consumo, conforme a respectiva legislação, não impede o ingresso no Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Márcio Avito Ribeiro Faria - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Gustavo de Oliveira Machado e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário contra acórdão, de nº 109-001.972, proferido pela 14ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 09 que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte (fls. 58/62). A contribuinte se insurge contra o Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional (fl. 9), para o ano de 2020, negado por incorrer no seguinte impedimento: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 48 59 /2 02 0- 21 Fl. 82DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-003.162 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.724859/2020-21 Com fundamento no parágrafo 6º do artigo 16 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, fica a pessoa jurídica acima identificada impedida de optar pelo Simples Nacional por incorrer na(s) seguinte(s) situação(ões): Estabelecimento CNPJ: 35.928.452/0001-12 - Natureza jurídica não permitida: 214-3 Cooperativa Fundamentação legal: Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 3º, § 4º, inciso VI. Em sua manifestação de inconformidade alegou tratar-se de uma Cooperativa de Consumo, portanto, enquadrada na exceção do caput do art. 3º da Lei Complementar nº 123, de 2006. DO RECURSO Regularmente cientificada, por via postal, do acórdão da DRJ no dia 11.2.2021 (cópia de Aviso de Recebimento – AR de fl. 64), apresentou recurso voluntário no dia 4.3.2021 (fls. 67 a 71) com os fatos e fundamentos abaixo sintetizados. Sustentou ser constituída, nos termos da Lei n° 5.764/71, estritamente por profissionais vendedores, gestores, representantes e propagandistas de diversas áreas do comercio do Estado de São Paulo, sua finalidade seria especificamente de Cooperativa de Consumo, conforme pode se verificar através do Estatuto e Ata de Constituição que constam nos autos do processo. Defendeu ser uma Cooperativa mantida somente com a finalidade de consumo e por isso não prevê lucros, enquadrando-se na exceção prevista no artigo 3º, § 4º, inciso VI da Lei complementar n° 123/2006. Asseverou que na época da abertura da Cooperativa, não constava a natureza jurídica Cooperativa de Consumo, código 233-0, por isso constaria em seu cadastro a natureza jurídica Cooperativa, código 214-3. Aduziu que a descrição do objeto social constante no ato constitutivo da cooperativa de consumo tem como parâmetro respeitante a descrição das atividades econômicas constantes no código CNAE, o contribuinte fica sujeito ao rol taxativo dos códigos, ou seja, não tem o poder de escolha alguma na vinculação que lá se faz entre o código e a descrição das atividades econômicas. Assevera que o objeto social da Cooperativa faz referência idêntica as descrições das atividades econômicas constantes no comprovante de inscrição e situação cadastral (CNPJ). Defendeu, colacionando trechos da Ata de Constituição, que os atos constitutivos desta Cooperativa revelam ser uma cooperativa de consumo. Assim, assevera que qualquer decisão diversa ao deferimento do pedido de enquadramento ao Simples Nacional será injusta com a recorrente, uma vez que se trata de Cooperativa de Consumo. Fl. 83DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-003.162 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.724859/2020-21 Traz à baila uma decisão da 22ª turma da DRJ08 que teria julgado procedente o pedido de uma Cooperativa de Consumo, cujas características são idênticas a esta Cooperativa (cópia da decisão em anexo). É o relatório. Voto Conselheiro Márcio Avito Ribeiro Faria, Relator. Submete-se à apreciação desta Turma de Julgamento o recurso voluntário oferecido pela contribuinte ARUJACOOP – COOPERATIVA DE CONSUMO E DO COMÉRCIO VAREJISTA DE ALIMENTOS E BEBIDAS DO ESTADO DE SÃO PAULO. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, inclusive para os fins do inciso III, do art. 151, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada Código Tributário Nacional – CTN. Assim, dele toma-se conhecimento. A contribuinte teve o seu pedido de opção pelo Simples Nacional indeferido com base no art. 3º, § 4º, inciso VI, da Lei Complementar nº 123, de 2006: Art. 3º Para os efeitos desta Lei Complementar, consideram-se mícroempresas ou empresas de pequeno porte, a sociedade empresária, a sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que: (...) § 4º Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, incluído o regime de que trata o art. 12 desta Lei Complementar, para nenhum efeito legal, a pessoa jurídica: (...) VI - constituída sob a forma de cooperativas, salvo as de consumo; A legislação do Simples Nacional é clara em estabelecer que as sociedades Cooperativas não podem optar pelo regime simplificado, salvo as cooperativas de consumo. Assim, toda a celeuma cinge-se em torno da constituição da Recorrente. A RFB defende que não teria sido demonstrado o enquadramento da entidade Recorrente como sendo cooperativa de consumo, de modo a permitir sua adesão ao Simples Nacional. A Recorrente, por sua vez, defende ser uma cooperativa de consumo, sem fins lucrativos. Sem maiores delongas assiste razão à Recorrente. Fl. 84DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-003.162 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.724859/2020-21 A partir dos seus atos constitutivos, vislumbra-se a existência d’uma cooperativa de consumo. Em especial a sua Ata de Constituição Social (fls. 17, 18 e 41): Fl. 85DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-003.162 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.724859/2020-21 Vejam que, a própria legislação tributária, no artigo 69, da Lei nº 9.532/1972, define que as sociedades cooperativas de consumo, são aquelas que tem “por objeto a compra e fornecimento de bens aos consumidores” – leia-se atividade varejista. Art. 69. As sociedades cooperativas de consumo, que tenham por objeto a compra e fornecimento de bens aos consumidores, sujeitam-se às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União, aplicáveis às demais pessoas jurídicas. E, por mais que a ora Recorrente não tenha alterado seu CNAE para cooperativa de consumo (233-0 - Cooperativas de Consumo - as sociedades de pessoas dedicadas à compra em comum de artigos de consumo para seus cooperados), é certo que em termos fáticos a contribuinte tem essa característica societária e as doutas autoridades fiscais não demonstraram a efetiva execução da atividade vedada. Em vista das considerações supra, verifico que ora Recorrente não está impedida de recolher os tributos na sistemática do Simples Nacional e, portanto, deve ser deferido o seu termo de opção para ingresso no regime, já que foi constituída sob a forma de cooperativa de consumo. Logo, a Recorrente se enquadra na porção final e excepcional do já mencionado art. 3º, § 4º, inciso VI, LC nº 123, de 2006. Diante do exposto, conhece-se do Recurso Voluntário, para dar-lhe provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Márcio Avito Ribeiro Faria Fl. 86DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10510.001529/2009-91
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou já tributados exclusivamente na fonte
ATIVIDADE RURAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA RECEITA.
As receitas das atividades rurais devem ser comprovadas por documentos usualmente utilizados nessas atividades, tais como nota fiscal do produtor e nota promissória rural, bem como demais documentos oficialmente reconhecidos pelas fiscalizações estaduais para comprovar a produção, circulação e percepção de rendimentos classificáveis como de atividades rurais.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE
DE R$ 80.000,00.
Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do ano-calendário.
CONSTITUCIONALIDADE. LEI TRIBUTÁRIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2801-001.591
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para excluir da exigência tributária os valores de R$ 15.901,70 e R$ 71.407,00, referente aos anos calendários 2004 e 2005, respectivamente, nos termos do
voto da Relatora.
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou já tributados exclusivamente na fonte ATIVIDADE RURAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA RECEITA. As receitas das atividades rurais devem ser comprovadas por documentos usualmente utilizados nessas atividades, tais como nota fiscal do produtor e nota promissória rural, bem como demais documentos oficialmente reconhecidos pelas fiscalizações estaduais para comprovar a produção, circulação e percepção de rendimentos classificáveis como de atividades rurais. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00. Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do ano-calendário. CONSTITUCIONALIDADE. LEI TRIBUTÁRIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso voluntário provido em parte.
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São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou já tributados exclusivamente na fonte ATIVIDADE RURAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA RECEITA. As receitas das atividades rurais devem ser comprovadas por documentos usualmente utilizados nessas atividades, tais como nota fiscal do produtor e nota promissória rural, bem como demais documentos oficialmente reconhecidos pelas fiscalizações estaduais para comprovar a produção, circulação e percepção de rendimentos classificáveis como de atividades rurais. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00. Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do anocalendário. CONSTITUCIONALIDADE. LEI TRIBUTÁRIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Fl. 430DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, 18/05/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10510.001529/200991 Acórdão n.º 280101.591 S2TE01 Fl. 532 2 Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência tributária os valores de R$ 15.901,70 e R$ 71.407,00, referente aos anoscalendários 2004 e 2005, respectivamente, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 439.495,48, referente aos exercícios de 2005, 2006 e 2007, a título de imposto (R$ 206.940,41), acrescido da multa de ofício equivalente a 75% do valor do tributo apurado (R$ 155.205,29), além de juros de mora (R$ 77.349,78). O lançamento é decorrente da apuração de omissão de rendimentos evidenciada em variação patrimonial a descoberto e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Em sua impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, que: • No demonstrativo da variação patrimonial em 2004 (fls. 263) não foram considerados como origem os rendimentos de férias pagos pela DESO, no total de R$ 17.137,14, conforme contracheque às fls. 310; • Não foram considerados também os rendimentos isentos ou não tributáveis recebidos em 2004 e devidamente declarados, no total de R$ 20.236,95 (fls. 13); • Não foram considerados como recursos os saques de poupança em 2004 no total de R$ 9.074,77, conforme extratos mensais; • Comprovara o recebimento de receitas da atividade rural através de documentação hábil, suficiente para justificar a variação patrimonial em 2004 e para comprovar a origem dos depósitos em 2005 e 2006. Os recibos de venda de gado trazem nomes e CPF dos compradores, de modo que somente poderiam ser desconsiderados pelo Fisco se Fl. 431DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, 18/05/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10510.001529/200991 Acórdão n.º 280101.591 S2TE01 Fl. 533 3 comprovada a sua inidoneidade. O fato de não haver declarado rendimentos da atividade rural não comprova que não os tenha recebido. A sua omissão se deve a erro do contador. Comprova o exercício desta atividade o fato de possuir fazendas e de haver contratado em 2005 e 2006 empréstimos agropecuários no Banese, devidamente declarados; • Diversos depósitos em 2005 e 2006 foram indevidamente incluídos na autuação, pois provêm de transferências entre suas próprias contas ou de créditos indevidos e posteriormente estornados pela instituição financeira; • Depósitos bancários não se constituem em fato gerador do imposto de renda. Como meros indícios, caberia ao Fisco investigar e demonstrar o nexo entre os depósitos e a disponibilidade "econômica ou jurídica de renda, ou ainda a variação patrimonial a descoberto. No seu caso, seu patrimônio, a atividade rural e seu padrão de vida demonstram que os depósitos em questão são compatíveis com os rendimentos declarados; • A jurisprudência predominante nos tribunais superiores é de que somente 50% do valor dos depósitos não comprovados podem ser presumidos rendimentos omitidos; • A multa aplicada é desproporcional e confiscatória, e por isso inconstitucional. A 3ª Turma da DRJ/Salvador/BA, conforme Acórdão de fls. 434/436, julgou procedente em parte o lançamento para excluir da base de cálculo da infração, referente aos anoscalendário de 2005 e 2006, os valores de R$ 3.150,00 e R$ 60.870,00, respectivamente, considerando que foram comprovadas as origens de alguns depósitos, conforme demonstrativo constante da referida decisão. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 24/09/2009 (fl. 439), o interessado, representado por seus advogados (fl. 466), interpôs recurso voluntário de fls. 440/464, em 23/10/2009, no qual pretende seja reformada a decisão recorrida, apresentando as mesmas razões de defesa da impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A omissão de rendimentos em litígio é decorrente da apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, relativamente ao anocalendário de 2004, e depósitos bancários de origem não comprovada, no que se refere aos anoscalendário de 2005 e 2006. Fl. 432DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, 18/05/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10510.001529/200991 Acórdão n.º 280101.591 S2TE01 Fl. 534 4 No que tange ao acréscimo patrimonial a descoberto, o recorrente reclama que não foi levado em conta o valor de R$ 17.137,14, referente aos rendimentos percebidos no mês de janeiro da empresa DESO, conforme contracheque de f1. 310. Pelo que consta dos autos, foi computado como recursos no “Demonstrativo Mensal de Evolução Patrimonial”, para o mês de janeiro de 2004 (fl. 263), o rendimento bruto de R$ 4.079,34 constante do contracheque emitido pelo Tribunal de Contas do Estado do Sergipe (fl. 41), e 1/12 do total dos rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício informado pela DESO Companhia de Saneamento de Sergipe no Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, à fl. 247. Também foi computado como dispêndios os correspondentes valores de desconto consignados em folha de pagamento. De fato, não foram incluídas, no referido demonstrativo, as informações registradas no contracheque de fl. 310, referentes aos rendimentos de trabalho com vínculo empregatício recebidos pelo contribuinte, em janeiro de 2004, da fonte pagadora DESO Companhia de Saneamento de Sergipe. Assim, considerando que o correspondente rendimento bruto é de R$ 17.137,14 e o respectivo desconto em folha de pagamento é de R$ 10.311,18, deve ser reduzido o valor do patrimônio descoberto de janeiro de 2004 em R$ 6.825,96, que equivale ao valor do rendimento líquido comprovado no contracheque de fl. 310. Também verificase, consoante indicado na defesa, que, no mês de dezembro de 2004, não foi computado na análise da variação patrimonial o rendimento líquido pago pela DESO Companhia de Saneamento de Sergipe, informado no comprovante de fl. 336. Tal inclusão, entretanto, não tem o condão de alterar o lançamento, dado que a fiscalização não apurou acréscimo patrimonial a descoberto para o referido mês. O recorrente alega que a decisão recorrida equivocouse quanto ao valor de R$ 20.236,92 indicado como rendimentos isentos e não tributáveis na declaração de ajuste anual do anocalendário de 2004 (fl. 13), pois entendeu que os rendimentos seriam exclusivamente de poupança e, portanto, já haviam sido computados no cálculo da evolução patrimonial na medida em que estão incorporados nos saldos credores computados no início de cada mês do anocalendário de 2004. Destaca, porém, que do montante de R$ 20.236,95, R$ 4.012,50 são referentes a diárias por ele recebidas. Em que pese o contribuinte ter informado, na DIRPF/2004 (fl. 37), rendimentos não tributáveis referentes a diárias que somam R$ 4.012,50, não há nos autos documento que os comprove. Observase que o contribuinte deixou de apresentar tal prova durante o procedimento fiscal, quando foi intimado a comprovar todos os rendimentos tributáveis, não tributáveis e tributáveis exclusivamente na fonte, bem como na fase impugnatória e em sede de recurso. Sem razão, portanto, o contribuinte. Ainda assim, importar salientar que, para o reconhecimento da isenção prevista no inciso II do art. 6o da Lei nº 7.713, de 1988, seria necessário demonstrar que as diárias são destinadas, exclusivamente, ao pagamento de despesas de alimentação e pousada, por serviço eventual realizado em município diferente do da sede de trabalho. Em relação ao valor dos saques de poupança realizado no mês de setembro de 2004, verificase que a fiscalização computou o valor de R$ 26.613,79. Todavia, conforme Fl. 433DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, 18/05/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10510.001529/200991 Acórdão n.º 280101.591 S2TE01 Fl. 535 5 extrato de fls. 107/108, os saques de poupança nesse mês montam R$ 35.689,53. Consequentemente, o correspondente acréscimo patrimonial deve ser reduzido em R$ 9.075,74. Quanto aos rendimentos da atividade rural, corroborase o entendimento da fiscalização e da decisão recorrida no sentido de que os recibos apresentados não são documentos hábeis a comprovar as aludidas operações de venda de gado. Se o recorrente de fato exercia atividade rural deveria comprovála com documentos usualmente utilizados nesta atividade, tais como nota fiscal do produtor, lLivroCaixa, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada a nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais. Para encerrar a discussão a respeito do acréscimo patrimonial, esclareçase que o valor tributado no ajuste anual é o total do acréscimo patrimonial a descoberto representado pela soma dos valores apurados mensalmente. Com efeito, o montante a ser tributado como omissão de rendimentos deverá ser alterado de R$ 316.908,58 para R$ 301.006,88, no anocalendário de 2004. Relativamente à omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira com origem não comprovada, importa salientar que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 prevê expressamente que os valores creditados em conta de depósito que não tenham sua origem comprovada caracterizamse como omissão de rendimento para efeitos de tributação do imposto de renda, nos seguintes termos: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Mister esclarecer que não é ônus do Fisco comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários a descoberto. Tal entendimento encontrase consolidado no CARF, conforme enunciado da Súmula CARF n° 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Essa presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. De acordo com o demonstrativo de fl. 270, o contribuinte comprovou, durante o procedimento fiscal, a origem de depósitos bancários realizados nos anoscalendário de 2005 e 2006, nos montantes de R$ 245.114,00 e R$ 200.754,00, respectivamente. A decisão recorrida, por seu turno, admitiu a comprovação de depósitos referente aos anoscalendário de 2005 e 2006, nos valores respectivos de R$ 3.150,00 e R$ 60.870,00. Em sede de recurso, o contribuinte pretende demonstrar que os valores de vários depósitos são oriundos de saques anteriores efetuados em suas contas bancárias. Fl. 434DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, 18/05/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10510.001529/200991 Acórdão n.º 280101.591 S2TE01 Fl. 536 6 Tal justificativa não se sustenta, pois se baseia em uma metodologia semelhante à apuração de omissão de rendimentos com base em acréscimo patrimonial, cuja forma de apuração é distinta e não se confunde com a que deve ser adotada para omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Nesse sentido, inclusive, foi editada a Súmula nº 30, de aplicação obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que dispõe: Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. Melhor sorte não socorre o recorrente quanto à comprovação da origem do depósito datado de 25/01/2005, conta poupança nº 56765, agência 016, BANESE, no valor de R$14.000,00, pois, ao contrário do que afirma o peticionário, o histórico constante do extrato de fl. 164, por si só, não permite concluir que o referido crédito é decorrente de valor estornado na mesma data (25/01/2005) só que em valores individualizados. Já os extratos de fls. 160 e 165 confirmam que o crédito no valor de R$ 5.500,00 na conta poupança nº 56765, agência 016, BANESE, tem como origem a transferência de sua conta corrente de nº 5492, agência 051, BANESE, feita na mesma data de 28/02/2005, razão pela qual o correspondente valor deve ser excluído da base de calculo em questão. Os recibos de venda de gado apresentados, reiterese, não são provas hábeis a comprovar as receitas da atividade rural. Portanto, não servem para justificar a origem de depósitos bancário, conforme pleiteia o recorrente, mormente considerando que ele não declarou rendimentos da atividade rural nas declarações de ajuste anual em tela. Relativamente à jurisprudência citada sobre arbitramento de 50% dos valores detectados nas movimentações financeiras, cumpre registrar que essa não vincula as decisões prolatadas por este Colegiado. De outro parte, após a exclusão dos depósitos considerados comprovados pela decisão recorrida e pelo presente voto,verificase que, em relação aos anocalendário de 2005, restaram não justificados depósitos de valores inferiores a R$ 12.000,00 e cujo somatório corresponde a R$ 71.407,00. Tais depósitos, portanto, não deverão ser considerados para efeito de determinação da receita omitida, conforme expressa determinação do § 3º, inciso II, do artigo 42 da Lei º 9.430, de 1996, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: Fl. 435DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, 18/05/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10510.001529/200991 Acórdão n.º 280101.591 S2TE01 Fl. 537 7 (...) II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).” (Redação inserida pela Lei nº 9.481, de 1997.) Por fim, no tocante ao suscitado caráter confiscatório da multa de ofício, cite se a Súmula CARF nº 2, a saber: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência tributária os valores de R$ 15.901,70 e R$ 71.407,00, referentes aos anoscalendários de 2004 e 2005, respectivamente. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 436DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, 18/05/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 10209.000349/2004-09
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 04/06/1999
Ementa: ACORDOS DA ALADI. TRÂNSITO POR TERCEIRO PAÍS, NÃO SIGNATÁRIO DA ALADI, SEM QUE SEJA JUSTIFICADO POR MOTIVOS GEOGRÁFICOS OU REQUERIMENTOS DE TRANSPORTE.
O trânsito de mercadoria por terceiro país, sem que esteja devidamente justificado por motivos geográficos ou por necessidade de requerimento de transporte, é motivo determinante da perda do benefício da ALADI (Artigo Quarto, “b”, i, da Resolução 78 da Aladi).
RECURSO DESPROVIDO
Numero da decisão: 301-33.943
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Luiz Roberto Domingo e Adriana Giuntini Viana.
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
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ementa_s : Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 04/06/1999 Ementa: ACORDOS DA ALADI. TRÂNSITO POR TERCEIRO PAÍS, NÃO SIGNATÁRIO DA ALADI, SEM QUE SEJA JUSTIFICADO POR MOTIVOS GEOGRÁFICOS OU REQUERIMENTOS DE TRANSPORTE. O trânsito de mercadoria por terceiro país, sem que esteja devidamente justificado por motivos geográficos ou por necessidade de requerimento de transporte, é motivo determinante da perda do benefício da ALADI (Artigo Quarto, “b”, i, da Resolução 78 da Aladi). RECURSO DESPROVIDO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2013-08-28T15:11:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2013-08-28T15:11:25Z; Last-Modified: 2013-08-28T15:11:25Z; dcterms:modified: 2013-08-28T15:11:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:a53ae9b3-d8ae-4358-be64-07168849a626; Last-Save-Date: 2013-08-28T15:11:25Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2013-08-28T15:11:25Z; meta:save-date: 2013-08-28T15:11:25Z; pdf:encrypted: false; modified: 2013-08-28T15:11:25Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2013-08-28T15:11:25Z; created: 2013-08-28T15:11:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2013-08-28T15:11:25Z; pdf:charsPerPage: 1158; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2013-08-28T15:11:25Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA CCO3 CO! Fls. 156 Processo n° 10209.000349/2004-09 Recurso n° 132.038 Voluntário Matéria II / ALÍQUOTA Acórdão n" 301-33.943 Sessão de 13 de junho de 2007 Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. - PETROBRÁS Recorrida DRJ/FORTALEZA/CE Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 04/06/1999 Ementa: ACORDOS DA ALADI. TRANSITO POR TERCEIRO PAÍS, NÃO SIGNATÁRIO DA ALADI, SEM QUE SEJA JUSTIFICADO POR MOTIVOS GEOGRÁFICOS OU REQUERIMENTOS DE TRANSPORTE. 0 transito de mercadoria por terceiro pais, sem que esteja devidamente justificado por motivos geográficos ou por necessidade de requerimento de transporte, é motivo determinante da perda do beneficio da ALADI (Artigo Quarto, "b", i, da Resolução 78 da Aladi). RECURSO DESPROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Luiz Roberto Domingo e Adriana Giuntini Viana. 41K v9) OTACiLIO DANT CARTAXO — Presidente • Processo n.° 10209.000349/2004-09 Acórdão n.° 301-33.943 CC03, CO! Fls. 157 VAL R FONStJ. MENEZES - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: José Luiz Novo Rossari, George Lippert Neto, Irene Souza da Trindade Torres e Susy Gomes Hoffmann. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional Diana Bastos Azevedo de Almeida Rosa. Esteve presente o advogado Dr. Rafael de Matos Gomes da Silva OAB/DF n° 21.428. • Processo n.° 10209.000349/2004-09 Acórdão n.° 301-33.943 CCOI CO I Fls. 158 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir. "Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação acrescido de juros de mora e da multa de oficio, no percentual de 75%, bem como da multa prevista no art. 106, inciso V, do Decreto-lei 17" 37/1966, perfazendo, na data da autuação, uni crédito tributário no valor total de R$ 311.698,54, objeto do Auto de Infração fls. 01/09. 2. Segundo descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa em epígrafe registrou a Declaração de Importação de n°99/0447305-6, em 04/06/1999 , com a utilização da redução de 80% da aliquota, prevista no Acordo de Complementação Econômica n°27 (ACE 27), conforme Decreto de execução n°1.381/95. 3. Esclarece a fiscalização, quanto a operação, o seguinte: a) a fatura comercial que instruiu a DI, n° PIFSB-521/99, foi emitida pela Petrobrcis International Finance Company (Pifco), situada na cidade de Gran Cayman, nas Ilhas Cayman, pais não signatário do ACE 27; b) o regime de origem estabelecido para o ACE 27 é o previsto na Resolução n" 78, anexa ao Decreto n" 98.874/1990, e no Acordo 91, apenso ao Decreto n" 98.836/1990, este ultimo alterado pela Resolução n" 232, executada pelo Decreto n° 2.865/1998, todos firmados no âmbito da ALADI; c) o certificado de origem apresentado pelo importador não obedece ao art. 3" da Resolução n" 232, no que diz respeito a sua emissão, a qual é anterior a emissão da fatura comercial que instruiu o despacho aduaneiro, quando deveria ser na mesma data ou dentro dos sessenta dias seguintes a emissão dessa fatura,) não há uma correspondência entre o certificado de origem, ALD 9900609053 e a fatura comercial n" PlFSB-521/99, emitida pela empresaPetrobrás International Finance Company (PIFC0), situada nas Ilhas Cayman, pais que não é membro da ALADI; e) o certificado de origem não faz menção a fatura comercial que instrui o despacho, mas faz referencia à fatura n" 63348-0, emitida pela empresa PDVSA Petróleo e Gás; f) o certificado de origem indica ainda que o pais exportador é a Venezuela, porém, na DI consta como exportadora a empresa PFICO, de onde se conclui que opals de aquisição é as Ilhas Cayman; g) o próprio contribuinte afirmou que adquire a mercadoria da Venezuela, revende para sua subsidiária nas Ilhas Cayman (PIFC0) e, posteriormente, a recompra, fato que caracteriza a participação de um terceiro pais na qualidade de exportador; Processo n.° 10209.000349/2004-09 Acórdão n.° 301-33.943 h) a Resolução n" 232 da ALADI passou a permitir que a mercadoria possa ser faturada por um operador de terceiro pais, desde que atendidos os requisitos por ela exigidos; i) não se aplica ao caso a Resolução n" 232 da ALADI, uma vez que não houve intervenção de um operador nos termos previstos na citada Resolução, mas a participação de uni terceiro pais na qualidade de exportador; j) ainda que a PIFCO se enquadrasse como operadora, deveria constar no certificado de origem a observação de que a mercadoria seria faturada por terceiro pais, indicando nome, denominação ou razão social e domicilio ou, se no momento de expedição do certificado não se conhecesse o número da fatura emitida pelo operador, o importador deveria ter apresentado uma declaração juramentada que justificasse o fato; I) a fatura comercial n" PIFSB-521/99, emitida pela PIFCO não contém os elementos essenciais previstos no art. 425, alíneas "a", "h", "i" e "in" do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/1985. 4. Diante dos fatos, conclui a fiscalização, conforme fls.14, que tanto a fatura comercial como o certificado de origem não atendem as normas estatuídas na legislação pertinente, não se constituindo em documentos hábeis para assegurar a pretendida redução tarifária. Assevera ainda que a operação comercial envolvendo um terceiro pais não membro da ALA DI não se caracteriza como intervenção de operador, nos termos previstos na legislação. 5. Em função do constatado, foi lavrado Auto de Infração para cobrança da diferença do Imposto de Importação, com juros e multa de oficio, e ainda a multa prevista no art. 106, inciso V, do Decreto-lei n" 37/1966, em razão de a fatura não conter os requisitos previstos no Regulamento Aduaneiro. 6. 0 enquadramento legal citado no Auto de Infração foi o seguinte: arts: 77, inciso I; 80, inciso I, alínea "a"; 83; 86; 87, inciso I; 89, inciso II; 99; 100; 103; 111; 112; 129 a 133; 411 a 413; 416; 418; 425; 455; 456; 499• 500, incisos I e IV; 501, inciso III e 542 Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n" 91.030/85, de 05 de março de 1985, e Decretos 98.836 e 98.874, de 1990. 7. Cientificado do lançamento em 02/06/2004, conforme fls.01, o contribuinte insurgiu-se contra a exigência, apresentando em 02/07/2004 a impugnação de fls. 41/52, nos termos a seguir resumidos: 7.1- adquiriu através da (PIFCO), sediada nas Ilhas Cayman, adquiriu propano, produzido na Venezuela, junto a empresa PDVSA; 7.2 - o envolvimento de três empresas gerou a emissão de duas faturas comerciais, conforme descrito no Auto de Infração, unia expedida pela PDVSA, de n" 63.348-0, e outra pela PIFCO, de n" PIFSB-521/99, sendo que esta última faz referencia expressa a fatura originária emitida na Venezuela; CC03/C01 Fls. 159 Processo n.° 10209.000349/2004-09 Acórdão n.° 301-33.943 7.3 - a triangulação comercial é prática internacional comum, adotada por razões de alongamento de prazo para pagamento e ampliação das fontes de recursos, não elidindo a aplicação de redução tarifciria prevista em acordo firmado no âmbito da ALADI; 7.4 - não se pode afirmar que na importação não há intervenção de um operador de terceiro pais, nos termos da Resolução n" 232, pois esta não define afigura do operador, bem como não informa como deve ser a operação, trazendo conteúdo meramente instrumental; 7.5 — também não é verídica a afirmação do fiscal de que a Resolução 17 ° 232 veio permitir a participação de uni operador de terceiro pais, pois esta já era permitida pela ALADI; 7.6 - a Coana, órgão da SRF responsável por orientar e controlar as atividades aduaneiras, bem como aplicar a legislação e baixar atos normativos, expediu a NOTA COANA/COLAD/DITEG n" 60, em 19/08/1997, que conclui pela regularidade da triangulação comercial, inclusive quando envolver preferencia tarifária, considerando prática freqüente na ALADI, inexistindo exigência expressa de apresentação de duas faturas, não havendo riscos para a declaração de origem, mesmo antes da Resolução 232; 7.7 - esse entendimento está de acordo com a Resolução 78/87 e o Acordo 91/89 e com o próprio objetivo da ALADI, ou seja, de implantar um mercado comum latino-americano, caracterizado pela adoção de preferencias tariftirias; 7.8 - a impugnante utilizou-se de sua subsidiária sediada nas Ilhas Cayman, na qualidade de operadora comercial e não exportadora; 7.9 - a PIFCO sequer teve a posse da mercadoria ou lucrou com a sua revenda, e o fato de na Declaração de Importação constar como exportadora a empresa PIFCO e haver sido apresentada apenas a fatura por ela emitida, por ocasião do despacho, decorre de não existir previsão de procedimento especifico, por parte da Receita Federal, a ser seguido nos casos de triangulação comercial; 7.10 - a assertiva do fiscal de que o certificado não obedece ao art. 3° da Resolução n°232 carece de fundamentação legal; 7.11 - a fatura comercial traz informações condizentes com aquelas contidas no certificado de origem, fazendo referência a este próprio documento, em consonância coin o art. 1" do Acordo 91; 7.12 - o alegado descumprimento dos requisitos previstos no art. 425 do Regulamento Aduaneiro está vinculado a questão da falta de previsão de procedimento especifico para os casos de triangulação comercial, pois na ausência de norma especifica, o importador apresentou somente uma fatura, mas diligenciou para que no corpo desse documento fossem anotados os números do certificado de origem e da fatura originária; 7.13 - o art. 425 impõe regras voltadas para o exportador e, no caso, a PIFCO atuou na qualidade de simples operadora; CC03/C01 Fls. 160 Processo n.° 10209.000349/2004-09 Acórdão n.° 301-33.943 CC03/C01 Fls. 161 7.14 - o Imposto de Importação é instrumento regulador do comércio exterior, possuindo função extrafiscal e não arrecadató ria, sendo por isso permitido ao Poder Executivo alterar sua aliquota ou base de cálculo; 7.15 - traz a colação os artigos 153, ssç 1" da Constituição Federal e o art. 21 do Código Tributário Nacional; 7.16 — invoca o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13 de 10/09/2002, afim de seja afastada a multa prevista no art. 44, inciso /, da Lei n°9.430/96; 7.17 — requer que seja excluída a aplicação da taxa SELIC em face da impossibilidade de se utilizar a taxa SELIC como taxa de juros moratórios, dada que a mesma é taxa de remuneração de capital investido, assim quando o Fisco aplica a taxa SELIG sobre créditos em atraso, ele está, em verdade agindo como agente financeiro, ademais a aplicação da SELIG decorre da Lei Ordinária n" 9.065/95, quando imperioso a utilização de lei complementar para que a Unido aumente os juros de mora além dos limites fixados no CTN. 7.18 — protesta o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, notadamente a documental ora apresentada." A Delegacia de Julgamento proferiu decisão, nos termos da ementa transcrita adiante: "Assunto: Imposto sobre a Importação -II Data do fato gerador: 04/06/1999 Ementa: PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. incabível a aplicação de preferencia tarifária percentual ern caso de divergência entre Certificado de Origem e fatura comercial bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro pais, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. MULTA DE OFICIO. INEXIGIBILIDADE. Estando a mercadoria corretamente descrita na declaração de importa cão, coin todos os elementos necessários à sua identificação e enquadramento tarifário, torna-se incabível a exigência da multa de oficio capitulada no artigo 44, inciso 1, da Lei n° 9.430/96, em consonância com o Ato Declaratório Interpretativo SRF n" 13/2002. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 04/06/1999 Ementa: FATURA COMERCIAL Comprovado nos autos que a Fatura Comercial não contém os requisitos exigidos na legislação de regência, torna-se cabível a exigência da penalidade. • Processo n.° 10209.000349/2004-09 Acórdão n.° 301-33.943 CC03/C01 Fls. 162 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 04/06/1999 Ementa: ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Falece competência a autoridade administrativa para apreciar argüição de inconstitucionalidade de normas legais. Lançamento Procedente em Palle" Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme petição, nos autos, inclusive repisando argumentos, nos termos a seguir dispostos, alegando que: É o relatório. • Processo n. 0 10209.000349/2004-09 Acórdão n.° 301-33.943 CC03/C01 Fls. 163 Voto Conselheiro Valmar Fonséca de Menezes, Relator 1. 0 recurso preenche as condições de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. 2. A questão proposta nos autos, neste aspecto, já bastante discutida nesta Camara, foi brilhantemente enfrentada, no mérito, pelo eminente Conselheiro José Luiz Novo Rossari, por ocasião do julgamento do recurso de no. 128.746,da mesma recorrente, cujo voto condutor adoto como razões de decidir, corn a devida licença dos meus pares, do qual transcrevo, a seguir, excertos: "Em exame a questão sobre o cabimento do beneficio de redução do imposto de importação em face do Acordo de Complementação Econômica n 27 (ACE-27), no âmbito da Aladi, para produtos que tenham z sido exportados por terceiro pais, não signatário desse acordo. Preliminarmente, e no que respeita à Nota Coana/Colad/Diteg 60/97,(..), deve-se ressaltar que, no que concerne ao regime de origem especifico da Aladi, esse ato apenas sugere providências temporárias na hipótese de interveniência de operador de terceiro pais. Destarte, esse ato não teve aplicação definitiva quanto ao regramento de origem estabelecido na Aladi, tendo em vista que teve por finalidade determinar as providências sugeridas até que fossem adotadas regras especificas pelo Comitê de Representantes da Aladi, isso em vista de até aquele momento não terem sido regulamentadas as operações envolvendo intervenientes de terceiros países. 0 referido ato apenas prevê a possibilidade de opera cão comercial em que participe interveniente de terceiro pais, o que é expressamente permitido na legislação da Aludi, observados os requisitos e condições nela estabelecidos. 0 ACE 27 determina, em seu art. 10, que para a qualificação da origem das mercadorias para as quais se pleiteie o beneficio de preferência tarifiiria, as partes contratantes deverão aplicar o Regime Geral de Origem previsto na Resolução 78 do Comitê de Representantes da Aladi. Dentre os dispositivos instintidos por essa Resolução, para o uso do beneficio tarifário, está o que obriga a que a mercadoria seja transportada diretamente da parte-contratante exportadora para a parte-contratante importadora. Esse 'dispositivo está contido no Artigo QUARTO, que estabelece, verbis: "QUARTO — Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as 'mesmas devem ter sido expedidas diretamente do pais exportador para o pais importador. Para esses efeitos, considera-se como expedição direta: Processo n.° 10209.000349/2004-09 Acórdão n.° 301-33.943 a) As mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum pais não participante do acordo. b) As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais poises não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses poises, desde que: i) o trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos de transporte; ii,) não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no pais de trânsito, iii) (..)" destaquei A legislação da Aludi não veda a participação de operador de terceiro pais, como dá conta expressamente o Artigo Segundo do Acordo no 91 da ALAD1, incorporado pela Resolução no 232 do Comitê de Representantes da Aladi. Assim, não vejo fundamento na motivação exposta no auto de infração, de ocorrência de comércio, como referida na letra "b", item ii, do retrotranscrito Artigo, razão por que afasto a suposta irregularidade. A caracterização de comércio ali vedada não se trata da venda pura e simples para o operador de terceiro pais, e sim, o comércio, no referido pais, da mercadoria objeto de trânsito, o que não foi apurado na ação fiscal. No entanto, no caso ora sob exame, não vejo como se possa dar razão recorrente, tendo em vista que a operação comercial levada a efeito não foi realizada com observância do disposto na letra "b", item i, do mesmo Artigo QUARTO da Resolução 78 do Comitê de Representantes da Aladi. No caso de que trata este processo, e de conformidade coin o que afirma a própria recorrente, a mercadoria foi inicialmente vendida e embarcada para armazenamento em empresa localizada nas Bahamas. Essa operação fere frontalmente o disposto na letra "b", item i, tendo em vista que o referido embarque não tem qualquer justificativa. Com efeito, o trânsito para esse pais não está amparado pela norma que permite tal operação, que obriga a que o trânsito se justifique por motivos geográficos ou por considerações relativas a requerimentos de transporte. Como bem assinalado no auto de infração, conforme mapas anexos, o arquipélago das Bahamas encontra-se totalmente distante e localizado em direção praticamente contrária à localização dos portos brasileiros, destino .final da mercadoria. Não há motivo justificador desse embarque. (-) Não se questionam n nesse processo os aspectos comerciais da recorrente, mesmo por que não é matéria de interesse da administração aduaneira. Nesse sentido, os importadores podem se CC03/C01 Fls. 164 Processo n.° 10209.000349/2004-09 Acórdão n.° 301-33.943 CC03/C01 Fls. 165 utilizar das opções comerciais que melhor lhes aprouver. A questão aqui é exclusivamente tributária e, nessa parte, por certo que os interesses comerciais utilizados pelos contribuintes não podem se sobrepor as regras fiscais existentes, com mais vigor se essas decorrerem de atos internacionais de que o Brasil for signatário. Cumpre observar, por derradeiro, que o caso em exame dá conta de mais uma lide da recorrente que, embora se tratando da maior empresa brasileira, e dispondo de um sólido e eficiente departamento jurídico, não obedece aos regramentos e requisitos básicos e claros previstos na legislação de origem da Aladi, o que causa estranheza, por levar a mais uma lide que poderia ser evitada, porque, por certo, os planejamentos e opções comerciais da recorrente são feitos de forma a que estejam previstos os passos futuros de cada opera cão comercial levada a efeito. De resto, também não assiste razão a recorrente quando se reporta ao Artigo DEZ da Resolução 78 da Aladi (atual Artigo QUINZE da Resolução 252), tendo em vista que as hipóteses ali referidas dizem respeito a expedição de certificações pelas entidades credenciadas sem o cumprimento das regras de origem estabelecidas no Regime Geral de Origem, casos esses que demandam a comunicação do fato ao pais exportador para que adote as medidas necessárias de forma a que se adeque as disposições estabelecidas. Não se trata do caso presente, em que o documento denominado Certificado de Origem foi expedido nos moldes e com o formulário instituído pelo Regime de Origem. Do exposto, entendo que a preferencia tarifária somente beneficia as importações que se adequarem as regras previstas nos referidos acordos internacionais. Aquelas. que não se conformam coin essas determinações não estão contempladas pela preferencia tarifária, devendo se processar pelo regime normal de tributação, ficando sujeitas ao Imposto de Importação, calculado sob a aliquota normal estabelecida para a respectiva classificagdo fiscal, vigente na data do fato gerador, tal como, no caso presente, foi exigido no auto de O transito de mercadoria por terceiro pais, sem que esteja devidamente justificado por motivos geográficos ou por necessidade de requerimento de transporte, é motivo determinante da perda do beneficio da ALADI (Artigo Quarto, "b", i, da Resolução 78 da Aladi). Destarte, e ainda considerando que devem ser interpretadas de forma não extensiva as disposições tributárias que • digam respeito a concessão de beneficios fiscais (art. 112 do CTN), não vejo como dar tratamento benéfico a recorrente na hipótese circunstanciada nos autos, de forma a ultrapassar as determinações da Aladi decorrentes do Tratado de Montevidéu 1980. (..)" No caso em espécie, cabe tecer algumas considerações adicionais, acerca da documentação constante dos autos, concernente ã operação comercial realizada, especificamente sobre as faturas correspondentes: Processo n.° 10209.000349/2004-09 Acórdão n.° 301-33.943 CC03/C01 Fls. 166 a fl. 22, consta fatura emitida pela Petrobrás Internacional Finance Company ã Petróleo Brasileiro S.A.; a fl. 75, consta fatura emitida pela PDVSA Petróleo à Petróleo Brasileiro S.A.; Não consta dos autos, no entanto, a fatura da venda da Petróleo Brasileiro S.A. a Petrobrós Internacional Finance Company, o que comprovaria a operação comercial de triangula cão, justificando a aplicação da Resolução 232 da ALADL Ressalte-se que o presente processo já foi objeto de diligencia à repartição de origem, tendo sido intimada a recorrente a apresentar tal documento, o que não ocorreu. Diante do exposto, e considerando que os acordos internacionais firmados pelo Brasil devem ser integral e obrigatoriamente observados, voto por que seja negado provimento • ao recurso. Sala das Sessões, em 1.3-d unho de 2007 VALMAR FONSE DE MEZES - Relator
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