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Numero do processo: 11050.001470/2005-34
Data da sessão: Mon Nov 16 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Nov 16 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 30/06/2005
MULTA DIVERSA PELA NÃO APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEICULO OU CARGA TRANSPORTADA OU SOBRE OPERAÇÕES QUE EXECUTAR. ART. 107, INCISO IV, "e" e "f, DO DECRETO-LEI N° 37/1966.
Hipótese que depende da Secretaria da Receita Federal estabeleça, no caso, o prazo para que a empresa de transporte internacional preste informação em uma determinada situação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3101-000.281
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Corintho Oliveira Machado que apresentou declaração de voto.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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MINISTÉRIO DA FAZENDA 4 Mr. )?..r1 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11050.001470/2005-34 Recurso n° 340.835 Voluntário Acórdão n° 3101-00.281 – 1' Câmara tia Turma Ordinária Sessão de 16 de novembro de 2009 Matéria MULTA DIVERSA Recorrente COMMANDER LOGÍSTICA LTDA. Recorrida DRJ-FLORIANOPOLIS/SC ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/06/2005 MULTA DIVERSA PELA NÃO APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEICULO OU CARGA TRANSPORTADA OU SOBRE OPERAÇÕES QUE EXECUTAR. ART. 107, INCISO IV, "e" e "r, DO DECRETO-LEI N° 37/1966. Hipótese que depende da Secretaria da Receita Federal estabeleça, no caso, o prazo para que a empresa de transporte internacional preste informação em uma determinada situação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Corintho Oliveira Machado que apresentou declaração de voto. 4nicircKe–Einhdcircír7e'; r Jeelar> Valdete Apar6-71—fecid Mar nheiro - Relatora EDITADO EM: 05/11/2009 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tarásio Campelo Borges, Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa Albuquerque Valente. Relatório Por bem relatar adota-se o Relatório de fls. 30 verso a 31 dos autos emanados da decisão da DRI/FNS por meio do voto do relator José Luiz Bondignon, nos seguintes termos. "Trata o presente processo de auto de infração no valor de R$ 5.000,00 referente à multa pela não prestação de informação sobre veiculo ou carga transportada ou sobre operações que executar, prevista no art.I07, inciso .1V, "e" e "f" do Decreto- Lei n°. 37/1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n°. 10.833/2003. De acordo com a descrição dos fatos, a autoridade autuante, em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, constatou que, em síntese: • Cabe ao agente de carga e ao operador portuário prestar informações sobre operações que executem e respectivas cargas, sendo que não poderá ser efetuada qualquer operação de carga e descarga, em embarcações, enquanto não forem prestadas tais informações (¢1° e 2°, do art. 37 do DL n`). 37/66, com redação dada pela Lei 10.833/2003). • Caso deixe de prestar informações sobre cargas ou operações que executem, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplica-se a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) ao agente de carga (art. 107, IV "e" do DL 37/66 com redação dada pela Lei n° 10.833/2003) e o operador portuário (art. 107, IV "f" do DL 37/66, com redação dada pela Lei n°10.833/2003). • Cabe a Secretaria da Receita Federal definir prazos e forma de prestar as informações. • Conforme a Portaria da Delegacia da Receita Federal de Rio Grande n°55, de 31 de maio de 2004, publicada no Diário Oficial da União em 02/06/2004, o agente de carga — assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos — fica obrigado a prestar à DRF/RGE — no prazo máximo de 12h antes da chegada da embarcação, quando proveniente da Argentina ou do Uruguai e, no prazo máximo de 48h, quando proveniente de outros países — as informações sobre as operações que execute e sobre as respectivas cargas (art. 3, 5 e 6 da Portaria da DRF/RGE). /i/ 2 0.. Processo n° 11050.001470/2005-34 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.281 Fl. 70 • O NVOCC, agente desconsolidador, Commander Logística Ltda, submeteu a recepção, no dia 21 de junho de 2005, a documentação correspondente à operação de desconsolidação de carga do navio GAP CARMEL, viagem CCM0502N, amparada pelos conhecimentos de transporte máster "ANRMN5465200604" e "HBL n° NNGB05050013". Este navio chegou ao Porto de Rio Grande às 03:18 horas do dia 15 de junho de 2005. • Com base nos dados supramencionados, constata-se o descumprimento dos prazos estabelecidos pelas normas pertinentes, uma vez que a entrega da documentação ocorreu após a saída do navio atracado no terminal de contêineres TECON RIO GRANDE S. A. Cientificada em 8 de julho de 2005, fls. 01 — verso, a interessada apresentou a impugnação de fls. 09 a 12, alegando, em síntese que: • O navio CAP CARMEL, em sua viagem CM/10502N, efetivamente atracou no porto de Rio Grande no dia 18/06/2005 e não, como constou naquele documento, em 15/06/2005, o que se diz com base na consulta on line realizada no site do Tecon. • O Manifesto de Desconsideração das cargas trazidas pela embarcação em voga, deu entrada no Setor de Vigilância Aduaneira, antes da atracação do navio, tornando perfeitamente possível, assim, a realização da operação de descarga, conforme realmente acabou acontecendo, sendo que, apenas constou, por equívoco, o nome de um outro navio (NYK FREESL4), o que fora devidamente sanado pela despachante aduaneira através da Correção de Manifesto de Desconsolidação, apresentado no dia 20/06/2005 e de novo Manifesto de Desconsideração, protocolizado no dia seguinte. • Na realidade, não houve prejuízo algum relativamente à operação portuária, no que tange à entrega da documentação 24h antes da chegada da embarcação, eis que os contéineres foram retirados normalmente, tanto com base no primeiro Manifesto de Desconsolidação apresentado pela ora peticionária, como também em decorrência dos manifestos de cargas comumente entregues pelas agências que representam o armador. Por fim, pede o cancelamento do auto de infração." • Na sequencia , os autos trazem dois votos, um vencido de fls. 31 a 36 verso do relator antes identificado e um vencedor de fls. 36 verso a 38 da relatora designada Marta de Souza Marques, que repito aqui para melhor solução do caso: "Preenchidos os requisitos formais de admissibilidade do processo e conhecimento da impugnação procede-se ao julgamento. • A multa de que trata o presente processo está prevista no art. 107, IV, "e" e do Decreto-lei n°37/1966, com a redação dada pelo art. 77, da Lei n°10.833/2003, in verbis: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: IV- de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga; e f) por deixar de prestar informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ao depositário ou ao operador portuário. Para melhor compreensão, colaciono, a seguir, o art. 37 do DL n° 37/66 e excertos da Portaria DRF/RGE n°55, de 31 de maio de 2004: Decreto-Lei n°37, de 18 de novembro de 1966. Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § P O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. § 2 Não poderá ser efetuada qualquer operação de carga ou descarga, em embarcações, enquanto não forem prestadas as informações referidas neste artigo. § 3' A Secretaria da Receita Federal fica dispensada de participar da visita a embarcações prevista no art. 32 da Lei n' 5.025, de 10 de junho de 1966. § 4' A autoridade aduaneira poderá proceder às buscas em veículos necessárias para prevenir e reprimir a ocorrência de infração à legislação, inclusive em momento anterior à prestação das informações referidas no capar Portaria DRF/RGE n° 55, de 31 de maio de 2004. 4 Processo u° 11050.001470/2005-34 S3-C1T1 Acórdão a° 3101-00.281 Fl. 71 Dispensa a realização de Visita Aduaneira a embarcações procedentes do exterior, fixa procedimentos e dá outras providências. O DELEGADO DA RECEITA FEDERAL NO RIO GRANDE, no uso das atribuições que lhe são conferidas pela Portaria blE n° • 259, de 24 de agosto de 2001, e alterações posteriores, bem como no que dispõe o Decreto n°4543, de 26 de dezembro de 2002, alterado pelo Decreto n° 4.765, de 24 de junho de 2003, pelo que dispõe o artigo 37, do Decreto-lei n' 37, de 1966, alterado pelo artigo 77, da Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003 e pelo disposto na Portaria SRF n° 1, de 2 de janeiro de 2001, e, com vistas a facilitar a imediata liberação de início das operações de carga e descarga de mercadorias, embarque e desembarque de passageiros das embarcações atracadas ou fundeadas no complexo portuário do Porto do Rio Grande, resolve; •-• Art. 3— O transportador fica obrigado a prestar a Delegacia da Receita Federal de Rio Grande, no prazo máximo de 12h antes da chegada da embarcação quando proveniente da Argentina ou Uruguai e, no prazo máximo de 48h, quando proveniente de outros países, as seguintes informações: — Sobre as cargas transportadas, com a apresentação de: Cópia dos manifestos de carga; Cópia dos conhecimentos correspondentes; Plano de carga completa; Relação das unidades de carga vazias existentes a bordo, das que serão desembarcadas e das que serão embarcadas no porto de Rio Grande; ••• Art. 5 — O agente de carga, assim considerado qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar nos prazos dos artigos 3 e 4 da presente Portaria, as informações sobre as operações que execute e sobre as respectivas cargas. §1° - O consolidador ou desconsolidador de carga deverá apresentar, no mesmo prazo e forma dos artigos 3 e 4, os conhecimentos de transportes filhotes, acompanhados das cópias . dos conhecimentos máster correspondentes às cargas que serão por ele consolidadas ou desconsolidadas. iff fi Art. 6— Não poderá ser efetuada qualquer operação de carga ou descarga, em embarcações, enquanto não forem prestadas as informações referidas nos artigos 3°c 4' da presente Portaria. §1 0 - O descumprimento das exigências constantes da presente Portaria imputa aos responsáveis as sanções previstas na legislação de regência, não prejudicando a exigência dos impostos incidentes, a aplicação de outras penalidades cabíveis e a representação fiscal para fins penais, quando for o caso. (grifos acrescidos) Conforme se depreende da leitura da descrição dos fatos pela autoridade autuante, fls. 02, o agente desconsolidador, COMMANDER LOGÍSTICA LTDA, submeteu à recepção, no Setor de Vigilância Aduaneira da DRF/RGE, no dia 21 de junho de 2005, a documentação correspondente à operação de desconsolidação de carga do navio CAP CARMEL, viagem CCM0502N, amparada pelos conhecimentos de transporte máster "ANRIM1N5465200604 e HBL NNGB05050013". Este navio cheRou ao porto de Rio Grande às 03:18 horas do dia 15 de junho de 2005, documentos de/Is. 06 e 07. Por seu turno, a recorrente, às fls. 10 e 11, afirma que o navio CAP CARMEL, em sua viagem CMM0502N efetivamente atracou no porto de Rio Grande no dia 18/06/2005, dessa maneira o Manifesto de Desconsolidação das cargas trazidas deu entrada no Setor de Vigilância Aduaneira antes da atracação do navio, tornando possível a realização da operação de descarga. Confrontando-se as razões da autuante e da autuada com o texto da Portaria DRF/RGE n° 55/2004, verifica-se que não existe controvérsia no que se refere: 1, A checada do navio CAP CAR/VIEL, viagem CMM0502N, ocorreu dia 15/06/2004, às 03:18h; 2°) a atracarão do navio CÁ? CARMEL, viagem CMM0502N, ocorreu dia 18/06/2004, às 03:50h. Como já vimos, a Portaria DRF/RGE n°55/2004, em seu art. 3', refere-se à chegada da embarcação e não a atracação da mesma, assim, se a data de apresentação da documentação correspondente à operação de desconsoliclação de carga do navio CAI' CARMEL (viagem CMM0502N), para fins de cumprimento do art. 3° da referida Portaria, foi dia 17 ou 21 de junho de 2005 não tem relevância nenhuma, uma vez que o marco estabelecido para contagem do prazo de 12h ou 48h é o dia da chegada da embarcação, no caso, dia 15/06/2004, às 03:18k Portanto, por evidente, o prazo estabelecido não foi cumprido. A questão que neste momento se apresenta a este Julgador diz respeito à possibilidade de aplicação da multa art. 107, IV, "e" do Decreto-lei n° 37/1966, uma vez que inexiste ato emanado da Secretaria da Receita Federal que defina a forma, o prazo e que tipo de informações deverão ser prestadas pelo transportador, consoante disposto no caput do artigo 37 do DL n°37/66. 6 Processo ré 11050.001470/2005-34 S3-C1T1 Acórdão n.°3101-00.281 Fl. 72 Observa-se que o art. 37 do DL n°37/66 dispõe "O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal na forma e no prazo por ela estabelecidos...". Para auxiliar na solução da lide, transcrevo, a seguir, os artigos que tratam da competência dos dirigentes da Secretaria da Receita Federal, dispostos nas Portarias MF n° 259, de 24 de agosto de 2001 (art. 209 e 227); Portaria MF n°30, de 25 de fevereiro de 2005 (art. 230 e 250) e Portaria MF n°95, de 30 de abril de 2007 (art. 224 e 238): Portaria MF 10! 259, de 24 de Agosto de 2001 ATRIBUICÕES DOS DIRIGENTES Art. 209. Ao Secretário da Receita Federal incumbe: III - expedir atos administrativos de caráter normativo sobre assuntos de sua competência. Art. 227. Aos Delegados da Receita Federal e, no que couber, aos Inspetores e aos Chefes de Inspetoria, incumbe: 1 - promover atividades relacionadas com planejamento, organização e modernização, bem assim com a programação orçamentária e financeira. II - editar atos relacionados com a execução de serviços, observadas as instruções da SRRF sobre a matéria tratada. - determinar auditoria em estabelecimento integrante da rede arrecadadora, visando à verificação da normalidade do recolhimento do tributo arrecadado e o fiel cumprimento das instruções sobre o processamento da arrecadação. IV - suspender as atividades arrecadadoras de estabelecimentos bancários, sugerindo sua exclusão definitiva da rede arrecadadora, sempre que julgar conveniente para a Fazenda Nacional. V - apreciar recurso e representação dos agentes arrecadadores. VI — revogado. VII - solicitar a outras autoridades investigações e informações de interesse fiscal. Viii - requisitar informações e documentos de interesse fiscal aos estabelecimentos do sistema financeiro. IX - declarar inidõneo para assinar peças ou documentos, contábeis ou não, sujeitos à apreciação da SRF, o profissional que incorrer em fraudes de escrituração ou falsidade de documentos, nos casos previstos em lei, fazendo a necessária comunicação ao Superintendente da respectiva região fiscal e ao • correspondente Conselho Regional, ou a outros órgãos de fiscalização profissional. X - dirimir conflitos de competência e de jurisdição entre as unidades subordinadas. tA 011: 7 XI - nos casos de interesse exclusivo da SRF, praticar os atos de gestão orçamentária, financeira e patrimonial da DRF;• promover licitações para a realização de estudos, pesquisas, serviços, compras e obras de interesse exclusivo da SRF, até a modalidade de tomada de preços, bem assim dispensar ou reconhecer situação de inexigibilidade de licitação, cujos preços estejam compreendidos no limite daquela modalidade, e celebrar os respectivos contratos. XII - autorizar viagens a serviço, na respectiva jurisdição fiscal, e conceder diárias ao pessoal subordinado e a colaboradores eventuais, no interesse da SRF. XIII - conceder ajudas de custo ao pessoal subordinado. XIV - aplicar a legislação de pessoal aos servidores subordinados, inclusive, no interesse da ética e da disciplina, bem assim movimentá-los no âmbito de sua jurisdição. XV - propor programas de capacitação e desenvolvimento de recursos humanos; XVI - definir informações gerenciais necessárias à aferição de desempenho e de resultados. XVII - fazer inspecionar as unidades subordinadas e sugerir ou adotar as providências adequadas ao saneamento de irregularidades e ao suprimento de recursos humanos ou materiais necessários. XVIII - promover a integração das subunidades da DRF, necessária ao bom desempenho das atividades de atendimento ao contribuinte. XIX - expedir certidões relativas à situação do contribuinte quanto aos tributos e contribuições administrados pela SRF. XX - apreciar pleitos de contribuintes sobre matéria tributária. XXI - apreciar os processos administrativos relativos a restituição, compensação, ressarcimento, imunidade, suspensão, isenção e redução de tributos e contribuições administrados pela SRF. XXII - apreciar os pedidos de regime aduaneiro especial e atípico, inclusive os relativos a prorrogação de prazo; XXIII - aplicar pena de perdimento de mercadorias nacionais e estrangeiras apreendidas. XXIV - promover a divulgação de assuntos administrativos e de natureza tributária e orientar ações de integração fisco- contribuinte. § 12 ,4os Delegados das Delegacias mencionadas no § 1 2 do art. 125 são inerentes as atribuições descritas neste artigo, excetuando-se a descrita no inciso =I e a relativa à aplicação de pena de perdimento de mercadorias estrangeiras apreendidas. (Redação dada pela Portaria MF n 2 66, de 24 de março de 2003). a Processo n° 11050.001470/2005-34 83-C1T1 Acórdão a° 3101-00281 Fl. 73 § 22 Ás atribuições descritas nos incisos Â7 a XIII são inerentes apenas a dirigentes de unidades gestoras. Portaria MF n°30, de 25 de fevereiro de 2005 ATRIBUIÇÕES DOS DIRIGENTES Art. 230. Ao Secretário da Receita Federal incumbe: III - expedir atos administrativos de caráter normativo sobre assuntos de sua competência. Art. 250. Aos Delegados da Receita Federal e, no que couber, aos Inspetores e aos Chefes de Inspetoria, incumbe: I - promover atividades relacionadas com planejamento, organização e modernização, bem assim com a programação orçamentária e financeira. - editar atos relacionados com a execução de serviços, observadas as instruções da SRRF sobre a matéria tratada. III - determinar auditoria em estabelecimento de agente arrecadador, visando à verificação das atividades contratadas. IV - manifestar-se sobre contratação de instituição bancária para a prestação do serviço de arrecadação de receitas federais e sobre proposta de rescisão de contrato com agente arrecadador, encaminhada por representante da administração incumbido de fiscalizar o cumprimento do contrato. V- apreciar recurso e representação dos agentes arrecadadores. VI - adotar providências para a exibição judicial de livros e documentos, quando necessário. Vil - solicitar a outras autoridades investigações e informações de interesse fiscal. VIII - requisitar informações e documentos de interesse fiscal às instituições financeiras. IX - declarar inidõneo para assinar peças ou documentos, contábeis ou não, sujeitos à apreciação da SRF, o profissional que incorrer em fraudes de escrituração ou falsidade de documentos, nos casos previstos em lei, fazendo a necessária comunicação ao Superintendente da respectiva região fiscal e ao correspondente Conselho Regional, ou a outros órgãos de fiscalização profissional. X - dirimir conflitos de competência e de jurisdição entre as unidades subordinadas. X1 - nos casos de interesse exclusivo da SRF, quando se tratar de unidade gestora, praticar os atos de gestão orçamentária, financeira e patrimonial; promover licitações para a realização de estudos, pesquisas, serviços, compras e obras, bem assim fiv,V( 9 dispensar ou reconhecer situação de ineácigibilidade de licitação, e celebrar os respectivos contratos. XII- autorizar viagens a serviço, na respectiva jurisdição fiscal, e conceder diárias ao pessoal subordinado e a colaboradores eventuais, no interesse da SRF. XIII - conceder ajudas de custo ao pessoal subordinado. 'GT - aplicar a legislação de pessoal aos servidores subordinados, inclusive, no interesse da ética e da disciplina, bem assim movimentá-los no âmbito de sua jurisdição. XV - propor programas de capacitação e desenvolvimento de pessoas. XVI - definir informações gerenciais necessárias à aferição de desempenho e de resultados. XVII - fazer inspecionar as unidades subordinadas e sugerir ou adotar as providências adequadas ao saneamento de irregularidades e ao suprimento de recursos humanos ou materiais necessários. XVIII - promover a integração das subunidades da DRF, necessária ao bom desempenho das atividades de atendimento ao contribuinte. XIX - expedir certidões relativas à situação do contribuinte quanto aos tributos e contribuições administrados pela SI??. X - apreciar pleitos de contribuinte sobre matéria tributária. XXI - apreciar processos administrativos relativos à restituição, compensação, ressarcimento, imunidade, suspensão, isenção e redução de tributos e contribuições administrados pela SRF. XXII - apreciar pedidos de regime aduaneiro especial e atípico, inclusive os relativos à prorrogação de prazo. XXIII - aplicar pena de perdimento de mercadorias nacionais e estrangeiras apreendidas. XXIV - aplicar pena de perdimento de mercadorias nacionais e estrangeiras apreendidas, bem como de valores e numerários. XXIV - aplicar pena de perdimento de valores e numerários. XXV - apreciar processos administrativos relativos à aplicação de multa a transportador de passageiros ou de carga em viagem doméstica ou internacional que transportar mercadoria sujeita a pena de perdimento. XXVI - apreciar recurso de atos praticados por seus subordinados relativamente ao indeferimento de habilitação ou desabilitação de intervenientes no comércio exterior, ao indeferimento do despacho ou desembaraço aduaneiro ou de proposição de aplicação de penalidades administrativas. 44 ia . Processo ri" 11050.00147012005-34 S3-CIT1 Acórdão n.° 3101-00.281 Fl. 74 XXVII - promover a divulgação de assuntos administrativos e de natureza tributária e orientar ações de integração fisco- contribuinte. XXVIII - apreciar recursos sobre exclusão do contribuinte de parcelamentos especiais. § 1" Aos Delegados das Delegacias mencionadas no § 1° do art. 138 são inerentes as atribuições descritas neste artigo, excetuando-se as descritas nos incisos XXII a XXV. §1 0 Aos Delegados das Delegacias da Receita Federal do Brasil mencionadas no §1° do art. 138 são inerentes as atribuições descritas neste artigo, excetuando-se as descritas nos incisos MI, XXIII no que se refere a mercadorias estrangeiras, 2CCIV e AXE § 2° As atribuições descritas nos incisos )17 a XIII são inerentes apenas a dirigentes de Unidades Gestoras. § 3° Aos Delegados das Delegacias mencionadas nos arts. 158, 165, 172 e 180 são inerentes às atribuições descritas no inciso XVI do art. 145. § 4° Ao Delegado da Receita Federal em Brasília são inerentes as atribuições descritas nos incisos XX e XXI, relativamente às pessoas físicas não residentes no Brasil e àquelas residentes ausentes do Pais. §5° Aos Delegados da Receita Federal do Brasil em Vitória, Manaus, Cuiabá, Goiânia, Palmas, Campo Grande, Porto Velho, Boa Vista, Rio Branco, Macapá, São Luis, Teresina, Maceió, João Pessoa, Natal, Aracaju e Florianópolis incumbe, ainda, em relação aos servidores lotados em unidades da RFB no Estado: I - decidir sobre a concessão de direitos, vantagens, indenizações, gratificações, adicionais, ressarcimentos, consignações e benefícios; e II - dar posse e exercício a servidores nomeados para cargo efetivo e em comissão, bem como designados para função de confiança. Portaria MF n°95, de 30 de abril de 2007. DAS ATRIBUICÕES DOS DIRIGENTES Das Atribuições Especificas Art. 224. Ao Secretário da Receita Federal do Brasil incumbe: ... III - expedir atos administrativos e tributários de caráter normativo sobre assuntos de competência da RFB; ... I I 11 ( . Art. 238. Aos Delegados da Receita Federal do Brasil e Inspetores-Chefes da Receita Federal do Brasil incumbe, no 4 I i I âmbito da respectiva jurisdição as atividades relacionadas com a gerência e a modernizacã o da administração tributária e aduaneira e especificamente: I — decidir sobre a revisão de oficio, seja a pedido do contribuinte ou no interesse da administração, inclusive quanto aos créditos tributários lançados, inscritos ou não em Dívida Ativa da União; II - decidir sobre a inclusão e exclusão de contribuintes em regimes de tributação diferenciados; III - decidir quanto à suspensão, inaptidão e regularização de contribuintes nos cadastros da RFB; IV - aplicar pena de perdimento de mercadorias e valores; 3 - autorizar ou determinar a execução de perícia e de procedimentos fiscais mediante a expedição de Mandado de Procedimento Fiscal, inclusive para reexame ou abertura de novos procedimentos fiscais em períodos anteriormente auditados. VI - decidir sobre a concessão de regimes aduaneiros especiais e pedidos de parcelamento, sobre restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, suspensão e redução de tributos; VII - decidir sobre o reconhecimento de imunidades e isenções; VIII - decidir quanto à aplicação de multa a transportador de passageiros ou de carga em viagem doméstica ou internacional que transportar mercadoria sujeita a pena de perdimento; IX - expedir súmulas e atos declaratórios relativos à inidoneidade de documentos ou à situação cadastral e fiscal de pessoas físicas e jurídicas; X - declarar iniclôneo para assinar peças ou documentos, contábeis ou não, sujeitos à apreciação da RFB, o profissional que incorrer em fraude de escrituração ou falsidade de documentos; XI - decidir sobre pedidos de cancelamento ou reativação de declarações; XII — decidir sobre a expedição de certidões relativas à situação fiscal e cadastral do contribuinte; e • - negar o seguimento de impugnação, manifestação de inconformidade e recurso voluntário, quando não atendidos os requisitos legais. Das Atribuições Comuns Art. 249. Aos Superintendentes da Receita Federal do Brasil, Delegados da Receita Federal do Brasil Delegados da Receita Federal do Brasil de Julgamento e Inspetores-Chefes da Receita Federal do Brasil das ALF e IRF de Classe Especial A, Especial B e Especial C incumbe ainda, no âmbito da respectiva jurisdição: 12 Processou' 11050.001470/2005-34 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.281 Fl. 75 1 - coordenar, executar, controlar e avaliar a programação e execução orçamentária e financeira, gestão patrimonial, bem corno administrar mercadorias apreendidas. II - executar os procedimentos relativos a licitações de serviços, compras e obras, bem como as contratações diretas quando presentes as situações de dispensa ou de inexigibilidade de licitação e a celebração dos respectivos contratos. III - manter controle dos contratos de interesse da RFB, celebrados pela unidade. IV - autorizar viagens a serviço e conceder diárias ao pessoal subordinado e a colaboradores eventuais. V - conceder ajudas de custo ao pessoal subordinado. VI - requisitar informações e documentos de interesse fiscal às instituições financeiras. VII - transferir, temporariamente, competências e atribuições entre unidades, subunidades e dirigentes subordinados, no interesse da administração. VIII - publicar atos, avisos, editais e despachos nos órgãos oficiais e na imprensa privada. IX aplicar a legislação de pessoal aos servidores subordinados, dar-lhes posse e exercício, bem como localizá-los nas unidades de sua jurisdição. (Redação dada pela Portaria MF n 2 225, de 5 de setembro de 2007). A análise dos artigos 37 do DL n° 37/66 e dos artigos acima transcritos que tratam da competência dos dirigentes da Secretaria da Receita Federal me permite concluir que o estabelecimento da forma e do prazo pelo qual o transportador prestará as informações à Secretaria da Receita Federal (hoje denominada Secretaria da Receita Federal do Brasil) ficará a cargo desta, cuja competência para expedição de tal ato é do Sr. Secretário da Receita Federal. Corroborando este entendimento, trago a colação excertos da legislação aduaneira onde se pode constatar que o legislador distingue a Secretaria da Receita Federal das Unidades da Secretaria da Receita Federal, estabelecendo limites de competência á pratica de atos do titular da Unidade (autoridade aduaneira local). Decreto n°4.543/2002. Art. 288. Poderá ser objeto de procedimento especial de trânsito aduaneiro na forma a ser estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. I - o despacho para trânsito nas modalidades referidas nos incisos II e VII do art. 270; e 13 - a operação de transporte que envolva situações especificas caracterizadas por peculiaridades regionais ou sub-regionais. Parágrafo único. Poderá ter procedimento simplido a ser estabelecido pela autoridade aduaneira local o trânsito aduaneiro que tiver os locais de origem e de destino jurisdicionaclos à mesma unidade. Instrução Normativa n°114 DE 24 /09 /1998 Art. 3o Compete ao titular da unidade da Secretaria da Receita Federal - SRF responsável pelo controle aduaneiro da mercadoria importada, ou à pessoa por ele designada, autorizar o acesso, ao recinto ou local de depósito da mercadoria, de servidor do órgão responsável pela inspeção a que se refere o artigo anterior. § I o Á autorização a que se refere este artigo será concedida a pedido do representante do órgão interessado. § 2o A inspeção pelo órgão interveniente será realizada na presença do importador ou seu representante e, a critério da autoridade local, com acompanhamento fiscal. Instrução Normativa n° IDE 04 /01 /1993 Art. 8' A verificação aduaneira das remessas expressas será efetuada sobre parte destas segundo critérios de selecão e amostragem adotados pela autoridade local Parágrafo único. Em casos justificados a critério da autoridade local a verificação aduaneira poderá estender-se sobre todas as remessas. Decreto n°70235 DE 06 /03 /1972 Art. 34 A autoridade local fará realizar, no prazo de trinta dias, os atos processuais que devam ser praticados em sua jurisdição, por solicitação de outra autoridade preparadora ou julgadora. Exemplificando o teor do parágrafo anterior, faço uma análise do artigo 288 do Decreto n° 4.543/2002. Da leitura do referido artigo, depreende-se que o legislador autorizou a Secretaria da Receita Federal o estabelecimento de "procedimento especial de trânsito aduaneiro" e ao mesmo tempo, no parágrafo único, autorizou a autoridade aduaneira local estabelecer "procedimento simplificado" de trânsito aduaneiro, na situação especificaria (o trânsito aduaneiro que tiver os locais de origem e de destino jurisdicionados à mesma unidade). Assim, não pode a autoridade aduaneira local estabelecer "procedimento especial de trânsito aduaneiro" que não tenha como locais de origem e destino à mesma unidade jurisdicionante. Portanto, quando o dispositivo legal autoriza à Secretaria da Receita Federal a adoção de determina providência significa dizer que o ato disciplinador deve emanar do dirigente máximo da Instituição, no caso o Sr. Secretário da Receita Federal. Nas situações em que a legislação se refere a Unidade Local ou ao titular da Unidade ou ainda a autoridade aduaneira local 14 Processo ri° 1 / 050.001470/2005-34 S3-C1T/ Acórdão n.° 3101-00.281 Fl. 76 devemos entender que a prática do ato poderá ser levado a efeito pelo respectivo dirigente máximo da Unidade. No caso em comento, considerando que a Secretaria da Receita Federal, atualmente denominada de Secretaria da Receita Federal do Brasil, não determinou a forma e o prazo de que trata o art. 37 do DL n°37/66 e, ainda, uma vez que não existe competência expressa autorizando outro dirigente da Secretaria da Receita Federal para disciplinar o referido artigo, não vejo como possível subsistir a presente autuação. Por todo o exposto, encaminho meu voto pela improcedência da exigência da multa de que trata este processo. José Luiz Bordignon — Relator Vencido E, por sua vez, o voto vencedor, dispõe: "Com o devido respeito, divido do entendimento do nobre relatar quanto à preliminar de nulidade por incompetência do Delegado da Receita Federal em Rio Grande/RS para editar Portaria com função disciplinadora do Decreto-Lei n.° 37/66. Na verdade não se trata aqui de disciplinar artigo de lei, ou mais propriamente, de regulamentação, como entende o respeitável colega. O Decreto-Lei n.° 37/66 dispôs sobre a obrigatoriedade de "o transportador prestar à SRF, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem assim a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado" (art. 37). Como já transcrito no voto do relatar, este artigo ainda prevê em seus parágrafos a obrigação do agente de carga e do operador portuário em prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Também prevê a dispensa de visita aduaneira a embarcações. O Delegado da Receita Federal, que jurisdiciona o Porto de Rio Grande, editou a Portaria n.°5, publicada no DOU de 02/06/2004, dispondo sobre os procedimentos a serem adotados pelos navios procedentes do exterior quanto às operações de carga, descarga, transbordo ou baldeação, definindo um prazo para apresentação das informações exigidas no Decreto-Lei n.° 37/66. Assim vemos da leitura da referida portaria já transcrita acima no voto do relatar, que ela não cria obrigação, pois esta já está disposta no Decreto-Lei n.° 37/66 e tampouco cria penalidade, pois o próprio Decreto-Lei referido já prevê a penalidade para o caso de descumprimento destas obrigações, quais sejam a de prestar informações acerca da operação com a carga, inserta no' art. 107,1V, alínea "e", in verbis: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: 15 1V- de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): a) por ponto percentual que ultrapasse a margem de 5% (cinco por cento), na diferença de peso apurada em relação ao manifesto de carga a granel apresentado pelo transportador marítimo, fluvial ou lacustre,. b) por mês-calendário, a quem não apresentar à fiscalização os documentos relativos a operação que realizar ou em que intervier, bem como outros documentos exigidos pela Secretaria da Receita Federal, ou não mantiver os correspondentes arquivos em boa guarda e ordem; c) a quem, por qualquer meio ou forma, °missiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não-apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; cl) a quem promover a salda de veículo de local ou recinto sob controle aduaneiro, sem autorização prévia da autoridade aduaneira; e)por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga; e f) por deixar de prestar informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ao depositário ou ao operador portuário; (grifei) Á divergência de entendimento reside no fato de que a norma legal refere-se a -forma e prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal" e que esta competência seria apenas do Secretário da Receita Federal ou por delegação de competência expressa ao Delegado da Receita Federal. Sustento que o Delegado da Receita Federal possui competência para praticar ato que disponha sobre procedimentos que tenham ligação direta com o controle aduaneiro, mormente àqueles que por sua natureza casuística, assumam características próprias pelas peculiaridades locais. É o caso desta Portaria n. 05/2004 que não inovou quanto à obrigações nem penalidades, apenas atribuiu prazos compatíveis com o andamento e controle aduaneiro dentro da realidade de sua jurisdição. Pensar que o Secretário tivesse que expressamente delegar competência para todo ato que Delegados de Receita Federal devessem e necessitassem praticar para desenvolver suas atividades de forma viável e, principalmente, controlável, seria emperrar o serviço público com mais burocracias. Prt 16 Processo n° 11050.001470/2005-34 83-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.281 Fl 77 Ressalto que não se trata de ato normativo, mas sim de ato administrativo respaldado pela competência prevista no Regimento Interno da SRF, disposta na Portaria n.° 30/2005, à época dos fatos, in verbis: Art. 138. Às Delegacias da Delegacias da Receita Federal - DRF compete, quanto aos tributos e contribuições administrados pela SRF, desenvolver as atividades de arrecadação e cobrança, de atendimento ao contribuinte, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística e de gestão de pessoas, bem assim as relacionadas com planejamento, organização e modernização, nos limites de suas jurisdições. (grifei) Esta competência geral para os Delegados da Receita Federal (atualmente, Delegado da Receita Federal do Brasil) presente no Regimento Interno da SRF (hoje, SRB) está prevista e legalmente permitida no Decreto n.° 83.937/1979 que trata sobre delegação de competência. Veja-se: DECRETO 83.937 DE 06/09/1979 - DOU DE 10/09/1979 Dispõe sobre a Regulamentação do Capitulo IV, do Título II, do Decreto-Lei n°. 200, de 25 de fevereiro de 1967, Referente à Delegação de Competência. (.3 Art. 5° Quando conveniente ao interesse da Administração, as competências objeto de delegação poderão ser incorporadas, em caráter permanente, aos regimentos ou normas internas dos órgãos e entidades interessados. (grifei) Assim, estando dita competência incorporada no Regimento Interno da SRF, não se faz necessária uma delegação expressa para tal ato. Para corroborar a validade do ato praticado trago a IN SRF n.° 01/2001, art. 2.°, que dispõe sobre os atos editados pelas autoridades da SRF e em seu Anexo II determina quais matérias são objeto de emprego de portaria. Art. 2° Os atos a que se refere o art. 1° serão agrupados em função da matéria sobre as quais versam: I — atos tributários e aduaneiros (Anexo I) compreendendo: a-Instrução Normativa (IN); b-Norma de Execução (NE); c-Ato Declarató rio Intezpretativo (ADI); d-Ato Declarcztório Executivo (ADE); • e-Circular; , f-Solução de Consulta; I „,-/\ v 1 vu 17 g-Solução de Divergência; h-Decisão; — atos administrativos (Anexo II), compreendendo: a-Portaria; b-Ato de Destinação de Mercadorias (ADM); c-Ordem de Serviço (OS). ANEXO II ATOS ADMINISTRATIVOS Denominação . Autoridade Emprego ' - Portaria Secretário Dispõe, no âmbito da SRF, sobre o funcionamento de serviços de administração tributária (inclusive de Coordenador-Geral atendimento ao contribuinte), serviços aduaneiros e serviços gerais, a organização administrativa Corregedor-Gerai (inclusive jurisdição das unidades), a produção e controle de informações, os procedimentos Coordenador administrativo-disciplinares, a administração de recursos humanos, orçamentários e financeiros e Superintendente outras matérias administrativas. • Delegado 1 Inspetor Delegado de Julgamento Assim entendo que a Portaria DRF/Rio Grande n°55/2004, por não inovar na matéria nem criar penalidades, apenas por instituir no âmbito de sua jurisdição atos de controle aduaneiro, é perfeitamente válida, com eficácia plena. • Sendo válida, portanto, a Portaria DRF/Rio Grande n." 55/2004, há que se adentrar no mérito da controvérsia. Como já antecipou o colega Relatar em seu voto acima, o art. 3° da referida Portaria, refere-se a chegada da embarcação e não a atracação da mesma. Constata-se que a data de apresentação da documentação correspondente à operação de desconsolidação de carga do navio CAP CARMEL (viagem CMMO 5 O 2N), para fins de cumprimento do art. 3° da referida Portaria, foi dia 17 ou 21 de junho de 2005, de acordo com a impugnante e a fiscalização, respectivamente. De qualquer forma, não tem relevância a diferença de datas, uma vez que o marco estabelecido para contagem do prazo de 12h ou 48h é o dia da chegada da embarcação, que no caso foi dia 15/06/2004, às 03:18k Estando comprovado o não cumprimento do prazo, é devida a aplicação da multa em comento. Por todo o expos. to, voto no sentido de julgar procedente o lançamento de que trata o presente processo. 91(118 Processo n° 11050.001470/2005-34 S3-C111 Acórdão n.° 3101-00.281 Fl. 78 Marta de Souza Marques — Relatara Designada A decisão recorrida emanada do Acórdão n°. 07-10.979 — 2° Tunna da• DRJ/FNS de fls. 30, traz a seguinte ementa: "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/06/2005 Ementa: Acórdão dispensado de ementa, de acordo com a Portaria SRF n°. 1.364, de 10/11/2004. Lançamento Procedente Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário a este Egrégio Conselho — CARF (fls. 42 a 47), onde alega em suma o seguinte: I — a) Que o voto vencedor não pode prosperar, pois, deve ser reconhecido a nulidade do ato, proferido por autoridade incompetente; b)Que o artigo 138 da Portaria 30/2005 não seria hábil, uma vez que elenca apenas as atividades a serem executadas;c) Que não se admite presunção, sob pena de afronta ao Principio da Legalidade; d) Que o artigo 37 do Decreto-Lei n°. 37/66 é claro ao determinar à Secretaria da Receita Federal expedir normas tendente a regular a forma e os prazos, sem previsão para que possa delegá-la as Delegacias; II —Como esclarecimento, a Recorrente alega que o navio CAP CARMEL, em sua viagem CMM0502N, efetivamente atracou no porto de Rio Grande, no dia 18/06/2005 e não como constou naquele documento, em 15-06-2005, o que se diz com base na consulta on une realizada no site do Tecon, anexado aos autos. III — Alega que o Manifesto de Desconsolidação das cargas trazidas pela embarcação deu entrada no Setor de Vigilância Aduaneira antes da atracação do navio; IV — Que não houve prejuizo algum relativamente à operação portuária, no que tange à entrega da documentação 24 h antes da chegada da embarcação, eis que os contêineres forma retirados normalmente , tanto com base no primeiro Manifesto de Desconsolidação apresentado pela ora recorrente, como também em decorrência dos manifestos de cargas comumente entregues pelas agencias que representam o armador; V — Que não trouxe qualquer prejuízo ao Erário, para receber tão drástica punição; VI — Finalmente em seu pedido requer que seja acolhido seus argumentos e que seja cancelado o Auto de Infração como medida de Justiça. • Os autos foram encaminhados para este Conselho e distribuídos por sorteio a esta Conselheira. É o Relatório. JIA i9 Voto Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, pois, preenche as condições de admissibilidade. O voto vencido acrescentado ao recurso voluntário do recorrente e seus esclarecimentos adicionais são convincentes no meu entender. Repeti-los é desnecessário, mas confirmá-los é preciso. A multa em questão prevista no artigo 107, IV, "e" e "f' do Decreto-lei n°. 3711966, com a redação dada pelo art. 77, da Lei n°. 10.833/2003 é uma penalidade aplicável a uma hipótese que depende da Secretaria da Receita Federal estabeleça, no caso, o prazo para que a empresa de transporte internacional preste informação em uma determinada situação. A competência da Secretaria da Receita Federal de expedir atos administrativos de caráter normativo previsto no artigo 209 da Portaria MF no. 259 de 24/08/2001 ,de n°. 30 de 25 de fevereiro de 2005 e n°. 95 de 30/04/07 não pode ser delegada ou confundida com a competência dada pelas mesmas Portarias nos artigos 227, 250 e 238 aos Delegados da Receita Federal ou Inspetores e aos Chefes de Inspetoria. O tipo penal em questão advem de uma "lei" sua aplicabilidade deve ser de caráter geral e nacional não podendo estar estabelecido ao bel prazer e condições de autoridades administrativas regionais. Contudo, corroborando, novamente com o voto vencido que concluiu: "No caso em comento, considerando que a Secretaria da Receita Federal, atualmente denominada de Secretaria da Receita Federal do Brasil, não determinou a forma e o prazo de que trata o art. 37 do DL n°. 37/66 e, ainda, uma vez que não existe competência expressa autorizando outro dirigente da Secretaria da Receita Federal para disciplinar o referido artigo, não vejo como possível subsistir a presente autuação." Da mesma forma, DOU PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO pela improcedência da exigência da multa de que trata esse processo. Valdete A arec4 a 'nheiro 20 Processo rf 11050.001470/2005-34 S3-CIT1 Acórdão n.° 3101-00.281 Fl. 90 Declaração de Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado Sem embargo de a ilustrada maioria do Colegiado haver firmado entendimento no sentido de que o art. 37 do Decreto-lei n° 37/66 outorga competência apenas ao Secretário da Receita Federal do Brasil para estabelecer a forma e o prazo para o transportador prestar as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veiculo procedente do exterior ou a ele destinado, entendo, concessa maxima venta, que essa visão não se ajusta à melhor exegese da lei, conforme explicito a seguir. Para melhor explicar meu pensamento - de que compete aos titulares das Delegacias da Receita Federal do Brasil desenvolver as atividades de controle aduaneiro - e para tanto editar atos como o editado pelo titular da Delegacia da Receita Federal de Rio Grande (Portaria n° 55, de 31 de maio de 2004), trago a dicção do art. 37 do Decreto-lei n° 37/66: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem corno sobre a chegada de veiculo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei n°10.833, de 29.12.2003) § P O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei ri' 10.833, de 29.12.2003) § 22 Não poderá ser efetuada qualquer operação de carga ou descarga, em embarcações, enquanto não forem prestadas as informações referidas neste artigo. (Redação dada pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003) § 3 A Secretaria da Receita Federal fica dispensada de participar da visita a embarcações prevista no art. 32 da Lei n' 5.025, de 10 de junho de 1966. (Redação dada pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003) § A autoridade aduaneira poderá proceder às buscas em veículos necessárias para prevenir e reprimir a ocorrência de infração à legislação, inclusive em momento anterior à prestação das informações referidas no caput. (Renumerado do • Parágrafo único com nova redação dada pela Lei n°10.833 ) de 29.12.2003) Processo 13'11050.001470/2005-34 83-CIT1 Acórdão n.°3101-00.281 Fl. 91 Certamente, a melhor compreensão das normas jurídicas inserias no dispositivo legal supra é a que coloca o foco de suas atenções na atividade do transportador, que é a de prestar informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veiculo procedente do exterior ou a ele destinado. Note-se que se Secretaria da Receita Federal, no contexto do caput do art. 37, quisesse dizer Secretário da Receita Federal do Brasil, ter-se-ia uma incongruência tremenda, pois para que serviriam as informações prestadas pelo transportador ao Senhor Secretário, em Brasília-DF, se o veículo transportador chega em Rio Grande-RS? E para que serviriam as informações prestadas pelo agente de carga e pelo operador portuário, sobre as operações que executem e respectivas cargas? Não existe texto sem contexto, deve-se sempre lembrar dessa regra basilar de interpretação das leis e das normas jurídicas. É lógico que Secretaria da Receita Federal no contexto do art. 37 do Decreto-lei n°37/66, diz respeito à autoridade aduaneira da Secretaria da Receita Federal do Brasil onde chega o veículo transportador. Ainda no § 3° do retrocitado artigo há nova alusão à Secretaria da Receita Federal, dispensando-a de visita aduaneira. Será que aqui também estar-se-ia dispensando o Senhor Secretário de realizar a visita aduaneira? . O art. 37 do Decreto-lei n° 37/66 está sob o Capítulo II - Normas Gerais do Controle Aduaneiro dos Veículos - que por seu turno está sob o Título II - Controle Aduaneiro. O art. 36, imediatamente anterior ao artigo em comento, oferece valiosos subsídios para a boa compreensão do alcance da expressão Secretaria da Receita Federal no dispositivo que o segue, na medida em que diz competir à Administração Aduaneira determinar os horários e as condições de realização dos serviços aduaneiros: Art. 36. A fiscalização aduaneira poderá ser ininterrupta, em horários determinados, ou eventual, nos portos, aeroportos, pontos de fronteira e recintos alfandegados. (Redação dada pela Lei n°10.833, de 29.12.2003) § 12 A administração aduaneira determinará os horários e as condições de realização dos serviços aduaneiros, nos locais referidos no capto'. Nesse diapasão, Secretaria da Receita Federal deve ser entendida como Administração Aduaneira, e a competência para editar atos de controle aduaneiro não só deriva do próprio Decreto-lei n° 37/66, como se viu, como do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal aplicável à época dos fatos - Portaria Ministério da Fazenda n° 30/2005, art. 138: Art, 138. Às Delegacias da Receita Federal - DRF compete, quanto aos tributos e contribuições administrados pela SRF, desenvolver as atividades de arrecadação e cobrança, de atendimento ao contribuinte, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística e de gestão de pessoas, bem assim as relacionadas com planejamento, organização e modernização, nos limites de suas jurisdições. Essas são, em .intese apertada, as considerações mais relevantes que tenho a oferecer nessa Declaração de Vi ../ • # t 11 rlCorintho 01 ei achado 23
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Numero do processo: 36660.000443/2005-97
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/1999 a 31/12/2004
PRELIMINARMENTE. DECADÊNCIA PARCIAL. QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Tratando-se de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplica-se a decadência do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional.
REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62-A. VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO.
INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I , CTN.
Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62-A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543C
do Código de Processo Civil.
No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150,§ 4º do Código Tributário Nacional só será aplicado quando for constada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, será aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional. AUTUAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO SOBRE VALORES
LANÇADOS. ALEGAÇÕES AUTOR. VERDADEIRAS.
Os fatos não contestados pela parte, tornam-se incontroversos e,
consequentemente, o que foi alegado por uma parte (fisco) serão reputados como verdadeiros, em respeito à regra do artigo 302 do CPC e artigo 58 do Decreto nº 7.574/2011.
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. DEFINIÇÃO LEGAL. LEI 8.212/91. CONSTATAÇÃO.RETENÇÃO 11% SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA DE SERVIÇOS. NÃO OCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
A cessão de mão de obra é conceituada segundo a Lei n 8.212/91, e que, uma vez constatada, obriga o contratante de serviços, executados mediante cessão de mão de obra, a reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98, sistemática interpretada como legal e constitucional pelos Tribunais Superiores.
Todavia, tal retenção só poderá acontecer se for constatada a cessão de mão de obra., o que não foi feito pela autoridade fiscal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.895
Decisão: Acordam os membros do colegiado, nas preliminares, por maioria de votos, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência das competências de 06/1999 a 02/2000, inclusive, com base no § 4º, do artigo 150, do CTN. Vencidos os conselheiros Igor Araujo Souza e Jhonatas Ribeiro da Silva que votaram pela aplicação do Art. 173 do CTN no levantamento GF1; e o conselheiro Carlos Alberto Mess Stringari que votou pela aplicação do Art. 173 do CTN em todo o lançamento. No mérito, I) por maioria de voto, em dar provimento parcial para determinar o recalculo do valor da multa de mora, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com prevalência da mais
benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício na questão da multa de mora. II) por maioria de voto, afastar a cobrança sobre os levantamentos relativos à cessão de mão de obra. Vencidos os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mess Stringari nos levantamentos GER, IMJ, PRO,SIS E ZOQ. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mess Stringari no levantamento do PER.
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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DECADÊNCIA PARCIAL. QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Tratandose de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplicase a decadência do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62A. VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I , CTN. Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62 A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543C do Código de Processo Civil. Fl. 230DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150,§ 4º do Código Tributário Nacional só será aplicado quando for constada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, será aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional. AUTUAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO SOBRE VALORES LANÇADOS. ALEGAÇÕES AUTOR. VERDADEIRAS. Os fatos não contestados pela parte, tornamse incontroversos e, consequentemente, o que foi alegado por uma parte (fisco) serão reputados como verdadeiros, em respeito à regra do artigo 302 do CPC e artigo 58 do Decreto nº 7.574/2011. CESSÃO DE MÃODEOBRA. DEFINIÇÃO LEGAL. LEI 8.212/91. CONSTATAÇÃO.RETENÇÃO 11% SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA DE SERVIÇOS. NÃO OCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. A cessão de mãodeobra é conceituada segundo a Lei n 8.212/91, e que, uma vez constatada, obriga o contratante de serviços, executados mediante cessão de mãodeobra, a reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98, sistemática interpretada como legal e constitucional pelos Tribunais Superiores. Todavia, tal retenção só poderá acontecer se for constatada a cessão de mão deobra., o que não foi feito pela autoridade fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, nas preliminares, por maioria de votos, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência das competências de 06/1999 a 02/2000, inclusive, com base no § 4º, do artigo 150, do CTN. Vencidos os conselheiros Igor Araujo Souza e Jhonatas Ribeiro da Silva que votaram pela aplicação do Art. 173 do CTN no levantamento GF1; e o conselheiro Carlos Alberto Mess Stringari que votou pela aplicação do Art. 173 do CTN em todo o lançamento. No mérito, I) por maioria de voto, em dar provimento parcial para determinar o recalculo do valor da multa de mora, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício na questão da multa de mora. II) por maioria de voto, afastar a cobrança sobre os levantamentos relativos à cessão de mão deobra. Vencidos os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mess Stringari nos levantamentos GER, IMJ, PRO,SIS E ZOQ. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mess Stringari no levantamento do PER. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente. Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator. Fl. 231DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36660.000443/200597 Acórdão n.º 2403000.895 S2C4T3 Fl. 228 3 Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Cid Marconi Gurgel de Souza. Ausentes os conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato (substituído pelo conselheiro Igor Araujo Souza) e Marcelo Magalhães Peixoto (substituído pelo conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva). Fl. 232DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado às fls.204 a 217 contra decisão da Delegacia da Receita Previdenciária de Salvador/BA que julgou PROCEDENTE o lançamento constante na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n° 35.690.9492 no valor, consolidado em 21/03/2005, de R$ 555.376,53 (quinhentos e cinquenta e cinco mil, trezentos e setenta e seis reais e cinquenta e três centavos). Segundo o relatório fiscal às fls. 79 a 82, a auditoria identificou que a recorrente, no período de 06/1999 a 12/2004, descontou, da remuneração dos segurados empregados, o valor correspondente à contribuição social previdenciária, mas não o repassou à Seguridade Social. Além disso, nesse mesmo período, deixou de reter 11% (onze por cento) do valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços. A fiscalização procedeu ainda à divisão de lançamentos para melhor identificar os fatos geradores encontrados na presente ação fiscal, os quais estão demonstrados na tabela abaixo: Levantamento Descrição do levantamento Período do Levantamento GF1 Contrib. descontadas dos segurados empregados declaradas em GFIP 06/1999 a 02/2000 e 05/2003 FOL Contrib. descontadas dos segurados empregados constantes em folhas de pagamentos e não declaradas em GFIP 02/2003 a 04/2003 e 06/2003 a 07/2004 COR Ausência de retenção dos 11% pela prestação de serviço de refratário no forno de galvanização executado pela empresa COREL; 09/2004 FIN Ausência de retenção dos 11% pela prestação de serviço de ajudantes gerais executado pela empresa Find Work; 05/2000 a 12/2001 GER . Ausência de retenção dos 11% pela prestação de serviço de segurança patrimonial executado pela empresa GERSEG; 01/2002 a 05/2003 IMJ Ausência de retenção dos 11% pela prestação de serviço de terraplanagem executado pela empresa IMJ Construção Civil; 04/2002 INS Ausência de retenção dos 11% pela prestação de serviços gerais executados pela empresa Interservice Interm. Serviço Pessoal (Matriz); 07/1999 a 05/2002 INT Ausência de retenção dos 11% pela prestação de serviços gerais executados pela empresa Interservice Interm. Serviço Pessoal (Filial); 06/2002 a 01/2004 LIM Ausência de retenção dos 11% pela prestação de serviços de coleta de lixo e remoção de resíduos executados pela empresa LIMPEC; 03/2002 a 12/2004 PER Ausência de retenção dos 11% pela prestação de serviço de perfurações, bombeamento e instalação de poço tubular executados pela empresa PERCON; 04/2003 Fl. 233DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36660.000443/200597 Acórdão n.º 2403000.895 S2C4T3 Fl. 229 5 PRO Ausência de retenção dos 11% pela prestação de serviços de proteção e segurança de valores executados pela empresa PROSEGURANÇA; 04/2003 a 10/2004 SIS Ausência de retenção dos 11% pela prestação de serviços de limpeza executados pela empresa SISTIME; 03/2002 a 03/2003 ZOQ Ausência de retenção dos 11% pela prestação de serviço de construção civil executado pela empresa ZOQUIS 04/2002 Destacou a auditoria que foi formalizado o Relatório de Representação Fiscal para Fins Penais, em decorrência da prática, em tese, do crime de apropriação indébita previdenciária capitulado no art.168 –A do Código Penal. Asseverou ainda que comunicou ao Serviço Social da Industria, mediante Representação Administrativa, a ocorrência das infrações e das penalidades em virtude da empresa deixar de apresentar as guia de recolhimento específicas do convênio com o SESI referentes ao período de fevereiro de 2003 a janeiro de 2005. A recorrente foi notificada em 30/03/2005 e apresentou sua impugnação às fls. 88 a 113 alegando em síntese que: Preliminarmente: A NFLD encontrase prejudicada pela falta de comprovação efetiva dos valores apontados como devido, pois não foi encontrado nada de concreto, o que existe são apenas suposições fundamentadas em exame da contabilidade da empresa, sendo dever da fiscalização demonstrar através de documentos irrefutáveis a ocorrência do fato gerador do tributo omitido em respeito ao art.142 do Código Tributário Nacional; No mérito: A base de cálculo adotada na apuração do lançamento é ilegítima, pois não há qualquer indicação na NFLD dos valores que compuseram a base de cálculo das contribuições e que o ônus da prova da existência do débito é do fisco, o que não ficou devidamente comprovado; A Secretaria da Receita Previdenciária tem por costume incluir no salário contribuição outras quantias que não são propriamente remuneração, extrapolando, portanto o permissivo constitucional tributário; Não há vinculação entre a empresa contratante com a situação que constitui o fato gerador da obrigação da empresa cedente de mão deobra, sustentando ainda que essa tributação constitui nova exação a ser cobrada do contribuinte e fere o Código Tributário Nacional, principalmente no que se trata das considerações acerca do sujeito passivo e a Constituição Federal (art.195, parágrafo 4); Fl. 234DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 A multa supera o montante original da dívida entendendo ser absolutamente indevida e que há vedação à tributação com efeito de confisco, disto entendeu que multa pelo atraso nesse montante é absolutamente irreal; A taxa SELIC é ilegítima, por ser índice de juros remuneratório do capital investido pelos adquirentes de títulos públicos, e que não se adequa com o instituto dos juros moratórios, fundamentou em jurisprudência, mais especificamente em Recurso Especial originário do Superior Tribunal de Justiça; Por fim, requereu que fosse julgada procedente a presente Impugnação para fins de reconhecer a improcedência da NFLD n° 35.589.6492, afastando a imposição relativa às contribuições correspondentes a 11% (onze por cento) do valor bruto dos serviços nas notas fiscais de serviços emitidas em nome da Notificada, face à ilegalidade e inconstitucionalidade desta exação e também para afastar a ilegal cobrança das contribuições destinadas ao SEBRAE, ao Seguro de Acidente do Trabalho e ao INCRA; bem como para determinar a exclusão da aplicação da taxa referencial SELIC, no sentido de que prevaleçam os juros moratórios previstos no artigo 161, § 1° do Código Tributário Nacional, na ordem de 1% ao mês. Instada a manifestarse acerca da impugnação, a Delegacia da Receita Previdenciária de Salvador/BA, proferiu acórdão (decisão notificação n° 04.401.4/0305/2006) nos seguintes termos: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. SALÁRIO—DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA. COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO. DIVERGÊNCIA ENTRE GUIAS DE RECOLHIMENTO E GFIP. Cabe à empresa o recolhimento das contribuições sociais devidas ã Previdência Social — parte descontada do segurado incidentes sobre a remuneração dos seus empregados declaradas ou não em GFIP. A fiscalização é competente para apurar a falta de recolhimento e diferenças das contribuições devidas,bem como as divergências de valores informados na GFIP e nas guias de recolhimento do INSS, e, assim, lançar o crédito correspondente. CESSÃO DE MAODEOBRA. RETENÇÂO DE 11%. LEI 9.711/98. Cabe à empresa contratante de serviços mediante cessão de mãodeobra ou com empreitada de mãodeobra a retenção de 11% incidentes sobre os valores brutos das notas fiscais / faturas dos serviços e o devido recolhimento Previdência dos valores retidos em nome das empresas contratadas. Lei 8.212/91, art. 31 (com redação dada pela Lei 9.711/98). LANÇAMENTO PROCEDENTE Irresignada com a decisão supra a recorrente interpôs recurso voluntário às fls.204 a 217, vindo a ratificar as alegações trazidas em sede de impugnação, acrescentando que a exigência de depósito prévio de 30% do valor da dívida como requisito de admissibilidade para o recurso voluntário é indevida pela sua clara inconstitucionalidade. Fl. 235DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36660.000443/200597 Acórdão n.º 2403000.895 S2C4T3 Fl. 230 7 Por fim, requereu que o recurso voluntário fosse admitido sem a exigência do depósito prévio de 30% (trinta por cento) É o relatório. Fl. 236DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO: O recurso voluntário foi interposto tempestivamente (fls.204 a 217). Acontece que à época da discussão do crédito, exigiase do sujeito passivo que quisesse recorrer ao Contencioso Administrativo Federal o depósito de 30% (trinta por cento) equivalente ao crédito exigido. Desse modo, a recorrente pleiteou inicialmente o afastamento dessa exigência sob o argumento de que a mesma seria inconstitucional. Cabe destacar que não mais se exige a comprovação do depósito recursal como requisito de admissibilidade para a discussão de matéria no âmbito administrativo, tendo sido este o entendimento já firmado pelo Supremo Tribunal Federal ao editar a Súmula Vinculante nº. 21, que passa a vincular a administração pública, nos termos do art.103A da Constituição Federal: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Impendese ainda colacionar o teor do verbete sumular: Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Portanto, conheço a admissibilidade do presente recurso e passo a analisar as questões relevantes para a resolução da lide tributária. PRELIMINAR I – DA DECADÊNCIA QUINQUENAL COM BASE NO ART.150, §4° DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL: Não obstante a recorrente não ter suscitado a aplicação da decadência ao caso em tela, e, podendo ser a observância deste instituto, verificada de ofício pelo julgador do contencioso administrativo, passo a analisar sua adequação à autuação em querela. Fl. 237DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36660.000443/200597 Acórdão n.º 2403000.895 S2C4T3 Fl. 231 9 Vale destacar que as controvérsias que existiam no âmbito dos contenciosos administrativos e no judiciário com relação ao prazo decadencial da Secretaria da Receita Federal para apurar os valores devidos a título de contribuições previdenciárias tiveram seu fim com o advento da Súmula Vinculante n° 8, a qual reconheceu como inconstitucional os arts.45 e 46 da Lei n° 8.212/91. Ambos os dispositivos previam que os prazos para a Seguridade Social apurar e cobrar os seus créditos extinguiamse com 10 (dez) anos. A grande celeuma era a não aplicação do prazo previsto no Código Tributário Nacional de que os créditos tributários só poderão ser apurados ou cobrados até 5 (cinco) anos, estabelecendo ainda esta legislação o marco inicial para a contagem desses prazos. Assim, após várias decisões invocando a inconstitucionalidade dos arts.45 e 46 da Lei n° 8.212/91, o Egrégio Supremo Tribunal Federal sumulou a matéria com a edição da Súmula Vinculante de n º 8, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Sabese ainda que essas súmulas têm efeito vinculante sobre a Administração Pública, conforme previsão do art.103A da Constituição Federal, motivo pelo qual este Colegiado deve aplicar o entendimento acima. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional, o qual disciplina a decadência no art. 173 e no art. 150, § 4. Em ambos, o direito de a Fazenda constituir o crédito extinguese em cinco anos, sendo que pela regra do art. 150, § 4º, a contagem é a partir da ocorrência do fato gerador e a do 173, I, é a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ou da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Código Tributário Nacional Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 238DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homolo¬gação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos an¬teriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por tercei¬ro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. * * * Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Pelo exposto, percebese que o marco inicial da decadência diverge no Código Tributário Nacional. A regra exposta no art.173, inciso I é aplicável às espécies tributárias que não estão sujeitas ao lançamento por homologação, pois as que se sujeitam a este tipo de lançamento têm o prazo decadencial regulado pelo art.150, §4° do CTN. Não obstante a consideração de que o art.150, §4° do Código Tributário Nacional aplicase aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, vale destacar que esse Conselho só tem aplicado essa regra aos casos em que ocorre o recolhimento da exação, em virtude do entendimento do Superior Tribunal de Justiça na decisão do Recurso Especial n 973.733/SC (Informativo n 402/STJ), na qual teve como ponto pacífico a aplicação do dispositivo retro somente quando for constatado pagamento das contribuições. Desse modo, deve esse Conselho sujeitarse à regra definida pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça em razão do previsto no Regimento Interno do CARF, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 239DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36660.000443/200597 Acórdão n.º 2403000.895 S2C4T3 Fl. 232 11 Assim, levando em consideração o acima exposto, e, tendo o presente recurso voluntário como matéria objeto de discussão a decadência, fazse necessária a vinculação deste voto ao preceito do Regimento Interno do CARF enquanto tal regra permanecer vigente, tendo em vista que o julgamento do RESP n 973.733/SC ocorreu nos moldes do art.543C do Código de Processo Civil. No presente caso, foi verificada a ocorrência de recolhimento antecipado, conforme atesta os campos “créditos considerados – deduzido” nos Discriminativo Analítico de Débito (fls.04 a 23), bem como há apropriação de valores pela auditoria indicada pelos Relatórios de Apropriação de Documentos Apresentados (fls.35 a 37), constatandose, portanto, a existência de pagamento anterior à ação fiscal. Desse modo, considerando que a ciência da autuação deuse em 30/03/2005, considerando que o período objeto do débito compreende as competências 06/1999 a 12/2004, reconheço a decadência com base art.150, §4° do Código Tributário Nacional do período 06/1999 a 02/2000, tendo em vista que o fisco só poderia apurar créditos com fatos geradores relacionados a partir da competência 03/2000. DO MÉRITO: I – DA MATÉRIA NÃO IMPUGNADA: A recorrente, conforme foi demonstrado em suas oportunidades de defesa (impugnação e recurso voluntário), não contestou os levantamentos GF1 e FOL, relativos às contribuições descontadas dos segurados empregados declaradas em GFIP e às contribuições descontadas dos segurados empregados constantes em folhas de pagamentos e não declaradas em GFIP, respectivamente, manifestandose tão somente acerca dos levantamentos relativos à possível ausência de recolhimento de 11% (onze por cento) sobre as notas fiscais de prestação de serviços ocorrida mediante cessão de mãodeobra. Desse modo, em respeito às normas processuais vigente em nosso ordenamento jurídico (Código de Processo Civil e Decreto do PAF atualizado), o que não é contestado é considerado verdadeiro, então vejamos o que preleciona o Decreto 7.574/2011 que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, bem como dispõe acerca de outros procedimentos: Art.58.Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (Decreto no 70.235, de 1972, art. 17, com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997, art. 67). Assim, face à ausência de contestação dos valores lançados em auditoria com relação aos levantamentos GF1 e FOL, temse que a cobrança dos mesmos deverá ser mantida, ressalvadas as competências reconhecidas como decadentes no levantamento GF1. II – DA NÃO CARACTERIZAÇÃO DA CESSÃO DE MÃODEOBRA: Antes de discutir a validade dos levantamentos relativos à cessão de mãode obra, vale destacar que a contribuição ao SAT, discutida como indevida pela recorrente não foi sequer objeto do débito, conforme demonstra os Discriminativos de Débito e Relatório Fiscal, motivo pelo qual não me adentrarei aos argumentos relativos à essa exação. Fl. 240DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 O recurso voluntário da recorrente, bem como a impugnação formulada à Delegacia da Receita Previdenciária de Salvador/BA, rebate em sua grande parte a tributação sobre os serviços prestados mediante cessão de mãodeobra previsto no art.31 da Lei n 8.212/91, afirmando, dentre os mais diversos argumentos, que a exação foi instituída por uma sistemática que criou uma nova relação tributária em que o responsável pelo seu cumprimento nada tem relação com o fato gerador da obrigação, sendo esta antecipação um verdadeiro confisco, bem como asseverou que é assegurado ao contribuinte restituição dos valores cobrados em excesso sendo, portanto, a base de cálculo estimada irreal com a dimensão econômica do fato gerador. Sendo, portanto, a grande celeuma da parte meritória relativa à caracterização da cessão de mãodeobra, de um lado a fiscalização, autuando por entender que a empresa, ora recorrente, tomou serviços de prestadores de serviços, e deveria, segundo previsão legal do art.31 da Lei n 8.212/91, na redação dada pela Lei n 9.711/98, recolher a contribuição sobre os valores das notas fiscais de serviços e de outro lado, a empresa utilizandose dos mais diversos argumentos para tentar afastar a exigência, entendo que seja imprescindível trazer mais uma vez à baila os motivos pelos quais a fiscalização autuou a empresa com base na caracterização da cessão de mãodeobra, vejamos: Segundo o relatório fiscal às fls. 79 a 82, a fiscalização, ao analisar alguns documentos solicitados durante a auditoria, verificou que houve a prestação de serviços por algumas empresas à recorrente e, por esse motivo, autuoua por esta não ter recolhido os 11% (onze por cento) sobre as notas fiscais de serviços a título de contribuição previdenciária. Para entender como é a sistemática dessa tributação, analisaremos a seguir a legislação regente da matéria. Conforme previsão legal (Lei n 8.212/91), a prestação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra enseja a obrigação, para a contratante/tomadora, de reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço a título de contribuição social previdenciária, in verbis: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. Destacouse. Percebese que somente os serviços executados mediante cessão de mãode obra estão sujeitos à incidência da contribuição, mas, o que a legislação considera cessão de mãodeobra? Segundo a Lei n 8.212/91, a cessão de mão de obra é, ipsis litteris: Art.31 – (...) (...) §3oPara os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem Fl. 241DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36660.000443/200597 Acórdão n.º 2403000.895 S2C4T3 Fl. 233 13 serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998).Destacouse. Além disso, referida lei prevê que somente alguns serviços, além de outros discriminados em Regulamento da Previdência Social, sujeitarseão à tributação nos moldes da cessão de mãodeobra (tomador do serviço reterá 11% sobre o valor da nota fiscal/fatura prestação de serviço), in verbis: Lei n 8.212/91 Art.31 – (...) (...) §4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). I limpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). II vigilância e segurança; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). III empreitada de mãodeobra; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). Decreto n 3.048/99 – Regulamento Previdência Social Art.219.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) (...) §2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III construção civil; IV serviços rurais; V digitação e preparação de dados para processamento; VI acabamento, embalagem e acondicionamento de produtos; Fl. 242DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 VII cobrança; VIII coleta e reciclagem de lixo e resíduos; IX copa e hotelaria; X corte e ligação de serviços públicos; XI distribuição; XII treinamento e ensino; XIII entrega de contas e documentos; XIV ligação e leitura de medidores; XV manutenção de instalações, de máquinas e de equipamentos; XVI montagem; XVII operação de máquinas, equipamentos e veículos; XVIII operação de pedágio e de terminais de transporte; XIX operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão; (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) XX portaria, recepção e ascensorista; XXI recepção, triagem e movimentação de materiais; XXII promoção de vendas e eventos; XXIII secretaria e expediente; XXIV saúde;e XXV telefonia, inclusive telemarketing. Desse modo, sendo o serviço contínuo, realizado nas dependências da empresa contratante ou nas de terceiros, executado através de pessoas físicas à disposição desta, ele será considerado cessão de mãodeobra. Importante ainda é frisar que a retenção dos 11% (onze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal e/ou fatura de prestação de serviços é matéria superada em nossos Tribunais Superiores que entendem ser essa tributação um mecanismo eficaz que auxilia e assegura a arrecadação federal, configurandose como substituição tributária, medida de recolhimento autorizada constitucionalmente. Nesse diapasão, a empresa prestadora de serviços realiza, através de seus segurados, o fato gerador da contribuição social previdenciária (prestação de serviço remunerado), motivo pelo qual seria o contribuinte da contribuição patronal. Todavia, é substituída (contribuinte – substituído) por terceiro (substituto – tomador do serviço), tomando este a atitude de reter 11% (onze por cento) ensejando uma posterior compensação ou restituição. Fl. 243DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36660.000443/200597 Acórdão n.º 2403000.895 S2C4T3 Fl. 234 15 Ora, nada melhor do que o tomador, que será responsável pelo pagamento dos serviços, reter esses 11% (onze por cento) a título de contribuição previdenciária, valor esse que poderá ser compensado ou restituído na forma da legislação. Assim, foi que o Superior Tribunal de Justiça ao analisar a legalidade dessa tributação decidiu sabiamente que a retenção dos 11% (onze por cento) nada mais é do que uma sistemática de arrecadação inovadora, in verbis: RECURSO ESPECIAL Nº 1.036.375 SP PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO. RETENÇÃO DE 11% SOBRE FATURAS. ART. 31, DA LEI Nº 8.212/91, COM A REDAÇÃO DA LEI Nº 9.711/98. NOVA SISTEMÁTICA DE ARRECADAÇÃO MAIS COMPLEXA, SEM AFETAÇÃO DAS BASES LEGAIS DA ENTIDADE TRIBUTÁRIA MATERIAL DA EXAÇÃO. 1. A retenção de contribuição previdenciária determinada pela Lei 9.711/98 não configura nova exação e sim técnica arrecadatória via substituição tributária, sem que, com isso, resulte aumento da carga tributária. 2. A Lei nº 9.711/98, que alterou o artigo 31 da Lei nº 8.212/91, não criou nova contribuição sobre o faturamento, tampouco alterou a alíquota ou a base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento. 3. A determinação do mencionado artigo configura apenas uma nova sistemática de arrecadação da contribuição previdenciária, tornando as empresas tomadoras de serviço como responsáveis tributários pela forma de substituição tributária. Nesse sentido, o procedimento a ser adotado não viola qualquer disposição legal. 4. Precedentes: REsp 884.936/RJ, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/08/2008, DJe 20/08/2008; AgRg no Ag 906.813/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2007, DJe 23/10/2008; AgRg no Ag 965.911/SP, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/04/2008, DJe 21/05/2008; EDcl no REsp 806.226/RJ, Rel. MIN. CARLOS FERNANDO MATHIAS (JUIZ CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO), SEGUNDA TURMA, julgado em 04/03/2008, DJe 26/03/2008; AgRg no Ag 795.758/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/06/2007, DJ 09/08/2007. 5. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. No mesmo sentido, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, em decisão definitiva publicada em 05/09/2011, apreciou o Recurso Extraordinário de relatoria da Ministra Ellen Gracie e decidiu pela constitucionalidade da exação (retenção dos 11% a ser feita pelo tomador de serviços), vejamos: Fl. 244DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 RECURSO EXTRAORDINÁRIO 603.191 / MT EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RETENÇÃO DE 11% ART. 31 DA LEI 8.212/91, COM A REDAÇÃO DA LEI 9.711/98. CONSTITUCIONALIDADE. 1. Na substituição tributária, sempre teremos duas normas: a) a norma tributária impositiva, que estabelece a relação contributiva entre o contribuinte e o fisco; b) a norma de substituição tributária, que estabelece a relação de colaboração entre outra pessoa e o fisco, atribuindolhe o dever de recolher o tributo em lugar do contribuinte. 2. A validade do regime de substituição tributária depende da atenção a certos limites no que diz respeito a cada uma dessas relações jurídicas. Não se pode admitir que a substituição tributária resulte em transgressão às normas de competência tributária e ao princípio da capacidade contributiva, ofendendo os direitos do contribuinte, porquanto o contribuinte não é substituído no seu dever fundamental de pagar tributos. A par disso, há os limites à própria instituição do dever de colaboração que asseguram o terceiro substituto contra o arbítrio do legislador. A colaboração dele exigida deve guardar respeito aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, não se lhe podendo impor deveres inviáveis, excessivamente onerosos, desnecessários ou ineficazes. 3. Não há qualquer impedimento a que o legislador se valha de presunções para viabilizar a substituição tributária, desde que não lhes atribua caráter absoluto. 4. A retenção e recolhimento de 11% sobre o valor da nota fiscal é feita por conta do montante devido, não descaracterizando a contribuição sobre a folha de salários na medida em que a antecipação é em seguida compensada pelo contribuinte com os valores por ele apurados como efetivamente devidos forte na base de cálculo real. Ademais, resta assegurada a restituição de eventuais recolhimentos feitos a maior. 5. Inexistência de extrapolação da base econômica do art. 195, I, a, da Constituição, e de violação ao princípio da capacidade contributiva e à vedação do confisco, estampados nos arts. 145, § 1º, e 150, IV, da Constituição. Prejudicados os argumentos relativos à necessidade de lei complementar, esgrimidos com base no art. 195, § 4º, com a remissão que faz ao art. 154, I, da Constituição, porquanto não se trata de nova contribuição. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento. 7. Aos recursos sobrestados, que aguardavam a análise da matéria por este STF, aplicase o art. 543B, § 3º, do CPC. Diante de tudo o que foi exposto, é inegável que a retenção dos 11% (onze por cento) por parte do tomador de serviços é devida nos casos em que a cessão de mãode obra é constatada pela fiscalização, motivo pelo qual o argumento da recorrente em sustentar Fl. 245DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36660.000443/200597 Acórdão n.º 2403000.895 S2C4T3 Fl. 235 17 que a base de cálculo da exação bem como outros elementos desse tipo de relação tributária são inválidos deverá ser afastado pelos motivos acima expostos. Todavia, sendo considerada válida a contribuição de 11% (onze por cento) sobre os valores das notas fiscais de prestação de serviço, há que se atentar para a existência simultânea de dois requisitos para que a auditoria proceda à lavratura de NFLD com base na suposta omissão do sujeito passivo em recolher o tributo mediante desconto na nota fiscal de prestação de serviço. No caso em tela, a fiscalização entendeu que houve a prestação de alguns serviços (serviço de refratário, de ajudantes gerais, de segurança patrimonial, de terraplanagem, de serviços gerais, de coleta de lixo e remoção de resíduos, de perfurações, bombeamento e instalação de poço tubular, de proteção e segurança, de limpeza e de construção civil) mediante cessão de mãodeobra. Em respeito às disposições legais e ao entendimento de nossos Tribunais Superiores, o serviço para ser tributado pela regra do art.31 da Lei n 8.212/91 deve estar previsto na lista dessa lei ou do Decreto. Há alguns serviços, como o de ajudantes gerais, serviços gerais e refratário que não estão previstos na lista de operações tributáveis, razão pela qual ficarão fora do campo de incidência da contribuição social previdenciária sobre a alíquota de 11%. Entretanto, como fica a situação daqueles que estão previstos na lista para serem tributados (serviço de segurança patrimonial, de terraplanagem, de serviços gerais, de coleta de lixo e remoção de resíduos, de perfurações, bombeamento e instalação de poço tubular, de proteção e segurança, de limpeza e de construção civil)? Sobre tais serviços, é imprescindível analisar a legislação sob o conceito de cessão de mãodeobra, do qual se extrai que somente os serviços previstos na legislação (Lei n 8.212/91 e Regulamento da Previdência Social) se prestados mediante cessão de mãodeobra (colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação) serão tributados pela regra do art.31 da Lei n 8.212/91. Na autuação em tela, a autoridade lançadora lavrou a NFLD n 35.690.9492 precipitadamente com relação às supostas ausência de recolhimento sobre a prestação dos serviços mencionados acima, tendo em vista que efetuou o lançamento com base na análise de contratos e notas fiscais de prestação de serviço sem se atentar para a ocorrência da mãode obra cedida, tanto é que no relatório fiscal não é feita a subsunção de cada serviço à hipótese normativa (lista de serviços previstos na lei ou no Regulamento da Previdência Social), não juntando a auditoria nenhum contrato de prestação de serviço tampouco notas fiscais. Sendo assim, considerando que a autoridade fiscal responsável pelo lançamento não possuía certeza quanto à natureza dos serviços prestados à recorrente, violando a legalidade estrita do Direito Tributário, premissa maior que só permite ao fisco a praticar atos vinculados estritamente à lei, entendo que fica impossibilitada a cobrança com relação aos serviços prestados à empresa Detasa Bahia, tendo em vista que não foi provado no procedimento fiscal a cessão de mãodeobra. Fl. 246DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 III – DA APLICAÇÃO DE MULTA MORATÓRIA E JUROS COM BASE NA TAXA SELIC: Considerando a manutenção da cobrança com relação aos levantamento GF1 (competência 05/2003) e FOL, há que se considerar que o entendimento consolidado deste Conselho é de que os débitos serão recolhidos com a incidência de multa e juros na forma da legislação (Lei n 8.212/91), sendo indevidos os argumentos da recorrente com relação à indevida aplicação dessas parcelas (multa e juros com base na taxa SELIC) na cobrança dos créditos em atraso, in verbis: Lei N 8.212/91 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Sobre a aplicação deste dispositivo, o qual prevê multa de 0,33% ao dia e limitada a 20%, vale destacar que a redação acima foi dada por Lei diversa daquela vigente à época do fato gerador, motivo pelo qual será aplicada em conformidade com o art.106, II, do Código Tributário Nacional. Ademais, com relação à incidência da taxa SELIC sobre os débitos federais, inclusive contribuições sociais, registrese que a legislação de regência à época do fato gerador, a Lei nº 8.212/91, afastava literalmente os argumentos erguidos pela recorrente, in verbis:: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Entretanto, a Lei n 11.941/2009 revogou o dispositivo acima e deu nova redação ao art.35 da Lei n 8.212/91, determinando que os débitos tributários a nível federal, teriam suas cobranças acrescidas de multa e juros na forma do art.61 da Lei n 9.430/96. Então vejamos: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, Fl. 247DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36660.000443/200597 Acórdão n.º 2403000.895 S2C4T3 Fl. 236 19 nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). LEI N 9.430/96 Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seupagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Art. 5º(...) (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. A propósito, convém ainda mencionar que o CARF aprovou Súmula nº 04, nos seguintes termos: Súmula CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 248DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 Portanto, a aplicação da taxa SELIC sobre os débitos tributários federais é devida e tem amparo legal com fulcro no artigo 35, caput, da Lei nº 8.212/91. IV – DA APLICAÇÃO DA LEI MAIS BENÉFICA AO ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO: Tratandose de ato pendente de julgamento, há que se observar alguns preceitos legais do Código Tributário Nacional no que se refere à possibilidade de uma lei retroagir e alcançar fatos pretéritos, os quais ocorreram sob a égide de outra legislação. No caso em tela, verificase que tanto a aplicação de multa como a incidência de taxa SELIC sobre os débitos tributários federais encontra amparo atualmente no art.35, caput, da Lei n 8.212/91, dispositivo este alterado pela Lei n 11.941/2009. Deste modo, caso seja mais benéfico ao sujeito passivo, a Lei n 11.941/2009 deverá retroagir em respeito ao art.106 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para, em preliminar, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, reconhecendo a decadência das competências 06/1999 a 02/2000 com base no art.150, §4° do Código Tributário Nacional. No mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, afastando a cobrança sobre os levantamentos relativos à cessão de mãodeobra, mantendoa somente com relação aos levantamentos GF1 e FOL com o recálculo da multa de mora previsto no art.35, caput, da Lei n 8.212/91, com base na redação dada pela Lei n 11.941/2009, prevalecendo a legislação mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 249DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36660.000443/200597 Acórdão n.º 2403000.895 S2C4T3 Fl. 237 21 Fl. 250DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722227/2009-17
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
Ementa:
SIMPLES. EXCLUSÃO
Empresas excluídas do SIMPLES estão sujeitas às regras normais de
tributação.
Numero da decisão: 2403-000.875
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 11070.001674/2008-80
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2004 a 28/02/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS REPERCUSSÃO
GERAL
Inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação ao art. 25 da Lei nº 8.212/91, que determinou a incidência da contribuição sobre a comercialização da produção rural por empregador rural pessoa física.
Numero da decisão: 2403-000.782
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente/Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 101DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria, Acórdão 1811.245 3ª Turma, que julgou improcedente a impugnação. A autuação referese à glosa de compensação de contribuições incidentes sobre a comercialização de produtos rurais, decorrentes das receitas de exportação de produtos rurais adquiridos dos cooperados. O lançamento abrange as competências 10/2004 a 02/2005 e totaliza R$ 165.728,66. RELATÓRIO DO AUTO DE INFRAÇÃO AI. N°. 37.115.3522 ... 2. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas conforme rubricas: 2.1. CTR — COMPENSADO RURAL EXPORTAÇÃO.Assim o lançamento foi descrito no relatório do acórdão da DRJ: 2.1.1. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas deste débito os valores referente a aquisição de produtos rurais de segurados especiais conforme Artigo 25, I, II da Lei n°. 8.212/91 de 24 de julho de 1991.... 2.1.2. Considerando que a empresa efetuou a compensação referente 30% do valor devido conforme histórico apresentado no relatório de lançamentos da respectiva rubrica, mas a comercialização ocorreu entre produtor e a cooperativa, dessa forma entendemos que não está correta a interpretação dada pela empresa conforme a seguir art. 245, §1° e §2° da IN 03, de 14 de julho de 2005. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: • O governo federal visando incrementar as exportações, editou a Emenda Constitucional n° 33, em 11.12.2001, que alterou o artigo 149 da CF/88, criando nova hipótese de imunidade tributária em relação às receitas de exportação. • As receitas obtidas com vendas agrícolas para o exterior, com o advento da Emenda Constitucional n° 33/2001, encontramse fora do campo de incidência das contribuições sociais. • Questiona a Instrução Normativa n° 03, DOU de 15/07/2005, que orienta procedimentos em relação à aplicação da norma de imunidade determina que somente nas vendas efetuadas diretamente pelos Fl. 102DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11070.001674/200880 Acórdão n.º 240300.782 S2C4T3 Fl. 93 3 produtores (pessoa física ou jurídica) ao exterior estão abrangidas pela imunidade, ou seja, restringe às . ' vendas que podemos denominar "monofásicas". • O produtor rural associado da cooperativa deposita sua produção em seus armazéns, incumbindose a mesma de comercializar a mercadoria, inclusive, para fora do País, em decorrência da expansão das exportações de produtos agrícolas. É o Relatório. Fl. 103DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões levantadas pela recorrente. Em 1º/8/11, o Plenário do STF, no julgamento do RE 596.177, por unanimidade e nos termos do voto do relator, deu provimento ao recurso para declarar a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos arts. 12, V e VII, 25, I e II, e 30, IV, da Lei nº 8.212/91, e determinou a aplicação desse entendimento aos demais casos, nos termos do art. 543B do CPC. (acórdão publicado em 26/8/11). Art. 25.A contribuição da pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I dois por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho. § 1º O segurado especial de que trata este artigo, além da contribuição obrigatória referida no"caput", poderá contribuir, facultativamente, na forma do art. 21 desta Lei. § 2º A pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12, contribui, também, obrigatoriamente, na forma do art. 21 desta Lei. § 3º Integram a produção, para os efeitos deste artigo, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem, torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. § 4º Não integra a base de cálculo dessa contribuição a produção rural destinada ao plantio ou reflorescimento, nem sobre o produto animal destinado a reprodução ou criação pecuária ou granjeira e a utilização como cobaias para fins de pesquisas científicas, quando vendido pelo próprio produtor e quem a utilize diretamente com essas finalidades, e no caso de produto vegetal, por pessoa ou entidade que, registrada no Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, se dedique ao comércio de sementes e mudas no País. Fl. 104DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11070.001674/200880 Acórdão n.º 240300.782 S2C4T3 Fl. 94 5 § 5º (VETADO) ... Art. 30..................................................................................................... ........................................... IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea"a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; X a pessoa física de que trata a alínea "a"do inciso V do art. 12 e o segurado especial são obrigados a recolher a contribuição de que trata o art. 25 desta Lei no prazo estabelecido no inciso III deste artigo, caso comercializem a sua produção no exterior ou, diretamente, no varejo, ao consumidor. Os fatos geradores das contribuições lançadas são a aquisição de produtos rurais de segurados especiais conforme Artigo 25, I, II da Lei n°. 8.212/91 de 24 de julho de 1991. Como visto acima, a determinação da incidência da contribuição sobre a comercialização da produção rural por empregador rural pessoa física foi declarada inconstitucional. CONCLUSÃO Voto no sentido de dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 105DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10970.000099/2008-91
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/03/2008
PREVIDENCIÁRIO. APLICAÇÃO DO ART. 17 DO DECRETO N. 70.235/72. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. INCIDÊNCIA DE 11%.
MULTA DE MORA.
Consideram-se não impugnadas as matérias que não tenham sido
expressamente contestadas, nos termos do art. 17 do Decreto n. 70.235/72.
A empresa contratante deve reter 11% do valor da nota fiscal ou fatura, se realizou algum serviço previsto nas listas constantes no art. 31, § 4º da Lei n. 8.212/91 e art. 219 § 2º do Decreto n. 3.048/99.
Recálculo da multa para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.832
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, determinando o recalculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Vencidos os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora e Jhonatas Ribeiro da Silva na retenção para manutenção.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/03/2008 PREVIDENCIÁRIO. APLICAÇÃO DO ART. 17 DO DECRETO N. 70.235/72. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. INCIDÊNCIA DE 11%. MULTA DE MORA. Consideram-se não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas, nos termos do art. 17 do Decreto n. 70.235/72. A empresa contratante deve reter 11% do valor da nota fiscal ou fatura, se realizou algum serviço previsto nas listas constantes no art. 31, § 4º da Lei n. 8.212/91 e art. 219 § 2º do Decreto n. 3.048/99. Recálculo da multa para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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APLICAÇÃO DO ART. 17 DO DECRETO N. 70.235/72. CESSÃO DE MÃODEOBRA. INCIDÊNCIA DE 11%. MULTA DE MORA. Consideramse não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas, nos termos do art. 17 do Decreto n. 70.235/72. A empresa contratante deve reter 11% do valor da nota fiscal ou fatura, se realizou algum serviço previsto nas listas constantes no art. 31, § 4o da Lei n. 8.212/91 e art. 219 § 2o do Decreto n. 3.048/99. Recálculo da multa para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recalculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Vencidos os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora e Jhonatas Ribeiro da Silva na retenção para manutenção. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Fl. 272DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 28/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 273DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 28/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10970.000099/200891 Acórdão n.º 2403000.832 S2C4T3 Fl. 349 3 Relatório Tratase de Auto de Infração — AI para a cobrança de obrigação principal, lavrado sob DEBCAD n° 37.167.2791, consolidado em 16/06/2008, no valor de R$ 44.476,37 (quarenta e quatro mil e quatrocentos e setenta e seis reais e trinta e sete centavos), relativo ao período de 01/2004 a 03/2008, contendo a cobrança de contribuições destinadas ao custeio da seguridade social decorrentes da retenção de onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. A ciência do sujeito passivo deuse em 18/06/2008, mediante o recebimento pessoal do representante da empresa conforme recibo constante da folha inicial do processo de lançamento. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 61/66 e 263/267, demonstrativos anexados às fls. 67 a 103, as contribuições foram apuradas com base nas notas fiscais de serviços tendo sido os fatos geradores identificados nos levantamentos indicados no anexo Discriminativo Analítico de Débito — DAD, correspondentes a serviços considerados como contratados mediante cessão de mãodeobra da seguinte natureza: construção civil; manutenção conetiva e preventiva de ar condicionado, catracas e relógio de ponto; DA IMPUGNAÇÃO Dentro do prazo regulamentar de defesa, por meio da petição juntada às fls 151 a 155 datada de 17/07/2008, a autuada apresenta sua peça contestatória, onde em síntese: 1. Contesta o enquadramento das prestações de serviços como tendo natureza de cessão de mãodeobra, citando que para a empresa HIDROCALHAS houve a compra e venda de material com instalação inclusa, tendo isso também acontecido nas empresas Gesso Importação, Novogesso e Revestec; 2. diz que no serviço contratado para a manutenção conetiva e preventiva das catracas e relógios de ponto não existiu a prestação de serviço contínua; Em despacho datado de 25/09/2008 (fls. 258/259), esta julgadora considerou como necessário o retorno do processo à autoridade lançadora para saneamentos relativos à formalização do processo administrativo e manifestação no tocante a serviços enquadrados como cessão de mãodeobra. Atendendo à solicitação o AuditorFiscal autuante às fls. 307/310 dos autos presta os esclarecimentos solicitados, onde informa que o levantamento JMS deverá ser excluído do lançamento, haja vista a comprovação, mediante exame da nota fiscal, que houve somente compra de material. Fl. 274DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 28/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Sobre o serviço de manutenção de equipamentos de ar condicionado, catracas e relógio de ponto, sustenta que o contrato não tem só natureza de manutenção conetiva, pois existe previsão contratual de regularidade na prestação de serviço, ou seja, necessidade de visitas semanais em um estabelecimento da contratante e no outro quinzenal dos técnicos/funcionários da contratada. Destaca que os serviços possuem caráter rotineiro, são contínuos e permanentes, evidenciados na chamada "manutenção preventiva" o que demanda visitas regulares para a execução de reparos, substituição de peças, limpeza, lubrificação, ajustes e regulagens. Conclui pela configuração, no caso, dos requisitos necessários para a caracterização da cessão de mãodeobra, pois há a necessidade permanente, a continuidade, a cessão de trabalhadores e a colocação de equipe à disposição. Por fim salienta que no caso da empresa contratada para executar a manutenção do sistema de ar condicionado a autuada já reconheceu a existência da cessão de mãodeobra, tanto que a partir de 10/2005 passou a efetuar a retenção dos onze por cento como determinada na legislação previdenciária. Conforme documentos de fls. 604/605 em 22/12/2008 o autuado tomou ciência da informação fiscal emitida e lhe foi concedido reabertura do prazo de defesa para apresentação de nova manifestação. Em petição juntada às fls. 313/314 a empresa registra o recebimento dos esclarecimentos prestados pela autoridade lançadora e ratifica os termos da peça impugnatória já apresentada. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da impugnante, a 6a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora – MG DRJ/JFA, emitiu o Acórdão n° 0923.204, mantendo procedente em parte o lançamento. DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs Recurso Voluntário (fls. 341/345), com os mesmos argumentos de sua defesa. É o relatório. Fl. 275DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 28/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10970.000099/200891 Acórdão n.º 2403000.832 S2C4T3 Fl. 350 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls. 339 e 341, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DAS RUBRICAS NÃO IMPUGNADAS Diante da ausência de impugnação específica, nos termos do art. 17 do Decreto n. 70.235/72, consideramse aceitas as autuações referentes às Rubricas abaixo: AJS – CMO ALCIDES NF S/ RETENÇÃO; ARA – CMO ARC NF S/ RETENÇÃO; ASS – CMO ARIMAR NF S/ RETENÇÃO; CES – CMO CANTUARIA NF S/ RETENÇÃO; MFS CMO MARCUS NF SEM RETENÇÃO; PLS CMO PL ENG NF SEM RETENÇÃO; RRA CMO REJUNTAD SEM RETENÇÃO; SMS CMO SAMUEL NF SEM RETENÇÃO; TLS CMO TAVARES NF SEM RETENÇÃO; THS – CMO THERMO NF S/ RETENÇÃO; INO – CMO INOVAR NF S/ RETENÇÃO; DAL – DIFERENÇAS DE AC. LEGAIS. DA CESSÃO DE MÃODEOBRA É obrigatória a retenção de 11% no valor da nota fiscal ou fatura, quando houver cessão de mãodeobra, por parte da contratante, para fins de contribuição previdenciária. Essa obrigatoriedade não é o objeto da impugnação, tanto que a recorrente sustenta, em suma, que o Auto de Infração deve ser anulado por dois motivos: (i) não houve cessão de mãodeobra e sim compra e venda com a instalação inclusa (HIC, GIS, NGS e RTS); (ii) não houve serviço contínuo e sim esporádico (INS). Por tais motivos, mister se faz definir o que vem a ser cessão de mãodeobra, passível de retenção de 11%, para, a posteriori, analisar os casos objeto do Auto de Infração em tela. Assim disciplina o art. 31, §§ 3o e 4o da Lei n. 8.212/91, vigente há época, verbis: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33: Fl. 276DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 28/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 (...) § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (grifo nosso) Logo, diante do exposto, extraise que para haver a cessão de mãodeobra, passível de contribuição previdenciária, mister se faz que haja, concomitantemente, a (i) colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados e (ii) a realização de serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa. Com o fim de objetivar tais conceitos, a lei trouxe uma lista exemplificativa e a legislação trouxe uma lista taxativa dos serviços que são considerados como “cessão de mão deobra continuada”, passíveis a retenção dos 11%, no valor da nota fiscal ou fatura. A jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que a lista constante no § 4o do art. 31 da Lei n. 8.212/91, é exemplificativa. Nessa esteira, conforme delegação do citado parágrafo, o Regulamento traz o rol dos serviços que deverão ser considerados como “cessão de mãodeobra continuada”. Para melhor compreensão, mister destacar a lista constante no § 2o do art. 219 do Decreto n. 3.048/99, verbis: Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (...) § 2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: (...) III construção civil; (...) XV manutenção de instalações, de máquinas e de equipamentos; (grifo nosso) Fl. 277DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 28/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10970.000099/200891 Acórdão n.º 2403000.832 S2C4T3 Fl. 351 7 No que se referem às Rubricas HIC, GIS, NGS e RTS, a recorrente sustenta que se tratam de “venda de materiais com instalação inclusa”. A fiscalização entendeu que se trata de um serviço de construção civil, razão pela qual autuou. A fim de analisar o caso concreto, mister se faz saber o que vem a ser “empreitada”. Para tanto, analisemos a hodierna doutrina do Professor Wladmir Novaes Martinez (Curso de Direito Previdenciário. 4a Ed. – São Paulo: LTr, 2011. P. 735), verbis: “Como salientando por Mozart Victor Russomano, na empreitada o importante é a obra contratada e sua realização (‘O Empregado e o Empregador no Direito Brasileiro’, 5a Ed., São Paulo: LTr, 1976, p. 131). Entretanto, desassemelhase a prestação de serviços da empreitada. Nesta última, o contratado é a tarefa ou o resultado final e os trabalhos conducentes, a princípio, são sempre realizados na sede do tomador. Dificilmente, será possível a empreitada acontecer nas dependências do fornecedor do serviço. Dãose exemplos singelos: empreitada na agricultura (sucede no solo da propriedade da contratante) ou empreitada na construção civil (os serviços necessariamente sobrevêm na obra do propriedtário).” (grifo nosso) Logo, resta evidenciado que as Rubricas impugnadas não se tratam de “compra e venda com instalação”, e sim a contratação de uma obra de construção civil, na modalidade empreitada. Portanto, passível de retenção dos 11%, vez que a atividade está inserida não só na lista do § 2o do art. 219 do Regulamento da Previdência Social, como também na lista do § 4o do art. 31 da Lei n. 8.212/91. Em relação à empresa INSIGHT EMPREENDIMENTOS E COMÉRCIO LTDA, a recorrente entende que não deve incidir a retenção de 11% para a Previdência Social, pois “a prestação de serviços se dava de forma esporádica e não continua como quer fazer crer o agente fiscal.”. O contrato e seu aditivo, constante nas fls. 295/298, em particular a Cláusula 2a, assim disciplina o objeto, verbis: Clausula 2a A manutenção preventiva será efetuada uma vez por semana nos equipamentos instalados na FACULDADE POLITÉCNICA e quinzenalmente nos equipamentos instalados no Colégio Promove, tendo cada manutenção a duração e 01 (Uma) hora. É evidente que a manutenção tem a natureza de cessão de mãodeobra e serviço contínuo. Além de estar previsto no inciso XV do § 2o do art. 219 do Decreto n. 3.048/99. Fl. 278DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 28/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Portanto, diante da comprovação de continuidade do serviço de cessão de mãodeobra na manutenção dos equipamentos, bem como de previsão na legislação vigente, deve ser julgado improcedente os pedidos da recorrente. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabelece que os débitos referentes a contribuições não recolhidas no prazo previsto em lei, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO Do exposto, dou provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, “caput”, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), com prevalência do valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 279DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 28/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10970.000099/200891 Acórdão n.º 2403000.832 S2C4T3 Fl. 352 9 Fl. 280DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 28/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 13888.004921/2010-35
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
EXCLUSÃO DO SIMPLES. REGULARIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. GARANTIA DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INÉRCIA DA PARTE. RECOLHIMENTO COM BASE NO REGIME NORMAL DE TRIBUTAÇÃO.
A empresa excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES terá a oportunidade para defender-se desse ato de exclusão, não sendo apresentada nenhuma manifestação contrária, a empresa fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.897
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para determinar o recálculo do valor da multa de mora, de acordo com o disciplinado no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício na questão da multa de mora.
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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REGULARIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. GARANTIA DO CONTRADITÓRIO E AMPLADEFESA. INÉRCIA DA PARTE. RECOLHIMENTO COM BASE NO REGIME NORMAL DE TRIBUTAÇÃO. A empresa excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES terá a oportunidade para defenderse desse ato de exclusão, não sendo apresentada nenhuma manifestação contrária, a empresa fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para determinar o recálculo do valor da multa de mora, de acordo com o disciplinado no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente. Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Cid Marconi Gurgel de Souza. Ausentes os conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato (substituído pelo conselheiro Igor Araujo Souza) e Marcelo Magalhães Peixoto (substituído pelo conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva). Fl. 162DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado às fls.120 a 141 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto/SP que julgou PROCEDENTE o lançamento constante no Auto de Infração AI n° 37.271.2240 no valor, consolidado em 13/10/2010, de R$ 332.220,72 (trezentos e trinta e dois mil, duzentos e vinte reais e setenta e dois centavos). Segundo o relatório fiscal às fls. 22 a 27, a auditoria identificou que o contribuinte deixou de recolher a contribuição incidente sobre a remuneração de seus empregados lançados em folha de pagamento destinadas a terceiros (FNDE, INCRA, SESI, SENAI, e SEBRAE) durante o período de 01/2006 a 12/2007. A recorrente, após ser intimada a apresentar documentos fiscais, manifestouse apresentando parte da documentação exigida e deixando de apresentar os livros contábeis, os livros fiscais e os extratos de movimentação bancária das contas correntes, poupança e aplicações financeiras. Ainda segundo a auditoria e de acordo com as Declarações Simplificadas da Pessoa Jurídica Simples e da Declaração Anual do Simples Nacional, o contribuinte exerceu a opção pelo SIMPLES NACIONAL a partir de 01/07/2007. Entretanto, a empresa incorreu em situações que foram responsáveis por sua exclusão do regime simplificado de recolhimento, tais como deixar reiteradamente de considerar créditos bancários no cálculo de sua receita bruta durante todo o período fiscalizado e não fornecer qualquer tipo de informação sobre movimentação financeira, violando assim a legislação tributária. Por tais motivos, foi excluída do regime simplificado de arrecadação pelos Atos Declaratórios Executivos 100 (SIMPLES) e 101 (SIMPLES NACIONAL), os quais possuíram efeitos retroativos a partir de 01/2006 com relação ao SIMPLES e 07/2007 com relação ao SIMPLES NACIONAL, sendolhe garantida a oportunidade de defesa em ambas as exclusões (fls.35 e 36). A recorrente foi notificada em 20/10/2010 e apresentou sua impugnação às fls. 38 a 71 carreada de documentos, alegando em síntese que: Só foi autuada por ter sido excluída de ofício do regime simplificado de recolhimento; As informações exigidas não puderam ser prestadas somente em razão do curto prazo de tempo, não tendo ainda sido respeitada a dupla visita nas fiscalizações trabalhistas e previdenciárias; Precipitadamente, sem direito de defesa, muito menos de apresentála, e em desrespeito aos princípios constitucionais, a empresa de oficio foi excluída do sistema Simples e Simples Nacional; O princípio da legalidade preleciona que somente haverá cobrança, instituição ou modificação de tributo quando houver a devida previsão legal; Fl. 163DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.004921/201035 Acórdão n.º 2403000.897 S2C4T3 Fl. 150 3 Não é o contribuinte que tem de apresentar prova contra as alegações do auto, pois só lhe cabe contradizer o auto, não sendo tal ato capaz de inverter o ônus da prova; A sanção tributária deve ser pautada nos princípios da legalidade e razoabilidade, discorrendo acerca desses princípios; Deveria ter recebido um tratamento diferenciado em razão de ser empresa de pequeno porte, trazendo disposições legais e doutrinárias para fundamentar seu argumento; É necessária a realização de prova pericial, formulando, para isso, quesitos a serem respondidos pelo perito indicado pela própria empresa; A exclusão de ofício só apresenta malefícios, esses em destaque após a crise econômica de 2008, e que os débitos contraídos até novembro de 2008 podem ser parcelados em 180 vezes e os contraídos após esse período só poderão ser parcelados em 60 vezes. Por fim, requereu que fosse julgada procedente a Impugnação, para que fosse reconhecida a improcedência do auto de infração em epígrafe, entendendo que não cabe a aplicação da multa pelo motivo de que a exclusão dos sistema Simples e Simples Nacional ainda está sendo deliberada administrativamente sem prejuízo de reversão em ulterior esfera judicial. Postulou ainda o deferimento do pedido de prova pericial bem como o julgamento simultâneo dos autos de infração de IR/PIS/COFINS e CSLL que acompanha a peça contestatória pertinentes ao processo. Instada a manifestarse acerca da impugnação, a 9ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto/SP, proferiu acórdão (n° 1432.560) nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL. EMPRESA EXCLUIDA DO SIMPLES MEDIANTE PROCEDIMENTO FISCAL PRÓPRIO. É devida a contribuição previdenciária da empresa excluída do Simples mediante procedimento fiscal próprio. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Presentes nos autos todos os elementos fáticos e legais que embasam a autuação, não há que se falar em nulidade em decorrência do cerceamento do direito de defesa. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. DESNECESSIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. Deve ser indeferido o requerimento de produção de provas, quando presentes nos Autos todos os documentos necessários ao seu correto entendimento. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Irresignada com a decisão supra a recorrente Dor Rio Confecção LTDA interpôs recurso voluntário às fls.120 a 141, alegando inicialmente a inconstitucionalidade do depósito prévio de 30% (trinta por cento) como requisito de admissibilidade para o recurso voluntário dirigido ao CARF, ratificando as demais alegações levantadas em sede de impugnação, destacando a necessidade de ser realizada perícia, bem como a dupla visita da auditoria ao estabelecimento para depois realizar a lavratura do Auto de Infração. Por fim, requereu o acolhimento do recurso voluntário, julgandoo procedente e entendendo pela manutenção indevida da cobrança, haja vista que os cálculos relativos à exclusão do SIMPLES ainda estão sendo deliberados administrativamente. Sucessivamente, postulou o reconhecimento da nulidade do auto de infração, por não ter a fiscalização realizado a dupla visita e o julgamento simultâneo das outras autuações que acompanham o recurso. É o relatório. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.004921/201035 Acórdão n.º 2403000.897 S2C4T3 Fl. 151 5 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO: O recurso voluntário foi interposto tempestivamente (fls.120 a 141). Acontece que à época da discussão do crédito, exigiase do sujeito passivo que quisesse recorrer ao Contencioso Administrativo Federal o depósito de 30% (trinta por cento) equivalente ao crédito exigido. Desse modo, a recorrente pleiteou inicialmente o afastamento dessa exigência sob o argumento de que a mesma seria inconstitucional. Cabe destacar que não mais se exige a comprovação do depósito recursal como requisito de admissibilidade para a discussão de matéria no âmbito administrativo, tendo sido este o entendimento já firmado pelo Supremo Tribunal Federal ao editar a Súmula Vinculante nº. 21, que passa a vincular a administração pública, nos termos do art.103A da Constituição Federal: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Impendese ainda colacionar o teor do verbete sumular: Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Portanto, conheço a admissibilidade do presente recurso e passo a analisar as questões relevantes para a resolução da lide tributária. DO MÉRITO: I – DA EXCLUSÃO DO SIMPLES E SEUS EFEITOS: Fl. 166DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Cabe destacar que todos os argumentos da recorrente convergem para o mesmo ponto, qual seja, discutir a validade dos Atos Declaratórios Executivos 100 e 101, os quais referemse à exclusão da empresa do SIMPLES e do SIMPLES NACIONAL, respectivamente. Em destaque, ressalto o argumento da recorrente quando afirma que a exclusão da pessoa jurídica do regime simplificado de recolhimento foi ato que desrespeitou os princípios da legalidade, contraditório e ampladefesa, pois, de maneira arbitrária, o fisco não garantiu ao contribuinte a defesa para discutir a validade dos referidos Atos Declaratórios. Todavia, não há como prosperar tais argumentos pelos motivos que abaixo passo a expor. A recorrente, quando notificada que havia sido excluída do regime simplificado de tributação, foi informada que teria 30 (trinta) dias para apresentar defesa junto à DRJ de Ribeirão Preto/SP, caso manifestasse alguma discordância com os Atos Declaratórios Executivos, isso porque a exclusão do SIMPLES desfavorece a empresa, considerando o aumento significativo que terá em sua carga tributária ao passar a recolher os tributos sem nenhum benefício legal. Em razão dos prejuízos que a exclusão do SIMPLES pode representar, em especial, para a empresa, é que lhe é garantida a ampladefesa. Assim, caso haja manifestação contrária ao Ato Declaratório , a pessoa jurídica prejudicada dá início a um processo administrativo específico cujo objeto será o correto/incorreto enquadramento da empresa no regime simplificado de arrecadação. Esse processo administrativo terá sua tramitação normal, iniciase com a manifestação apresentada à DRJ, depois há o de 1 instância e eventual recurso, voluntário ou de ofício, apresentado a uma das turmas da 1 Seção de Julgamento do CARF, segundo previsão regimental (Anexo II da Portaria 256/2009 do Ministério da Fazenda), in verbis: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; {2} V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Fl. 167DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.004921/201035 Acórdão n.º 2403000.897 S2C4T3 Fl. 152 7 Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); VI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções.Destacouse. Ante o transcrito acima, percebese que a 1 Seção do CARF é a competente para apreciar hipóteses de inclusão ou exclusão de empresas do SIMPLES, motivo pelo qual à turma da qual faço parte só cabe analisar a autuação contra a recorrente, mantendo ou exonerando a cobrança que lhe estar sendo feita. Ademais, diante de tudo o que foi exposto, percebese que a empresa, ora recorrente, não demonstrou que interpôs defesa que tivesse como objetivo discutir a validade dos Atos Declaratórios, tendo sido feita inclusive consulta junto ao sítio do Ministério da Fazenda <comprot.fazenda.gov.br>, comprovandose que não há nenhum processo que discuta a exclusão da empresa do regime simplificado de tributação. Desse modo, em face da inércia da empresa em não ter ingressado com defesa para discutir a validade do Ato Declaratório em autos próprios, considero que a autuação é devida, haja vista o recolhimento da pessoa jurídica enquadrarse, após sua exclusão do regime simplificado de arrecadação, no regime normal, o qual, com relação às contribuições previdenciárias destinadas a terceiros (INCRA, SENAI, SEBRAE, SESI), determina a incidência deste tipo de tributo sobre a folha de salário dos segurados empregados. Sendo assim, após ser constatada a ausência de recolhimento com relação às contribuições sociais previdenciárias destinadas às outras entidades, e, considerando que no período autuado, entre 01/2006 a 12/2007, em razão dos efeitos dos Atos Declaratórios, a empresa estava obrigada ao recolhimento sob o regime de tributação normal, entendo pela manutenção da cobrança do AI de Obrigação Principal n 37.271.2240. II – DA APLICAÇÃO DE MULTA MORATÓRIA E JUROS COM BASE NA TAXA SELIC: Considerando a manutenção da cobrança, há que se destacar que esses débitos serão recolhidos com a incidência de multa e juros na forma da legislação, Lei n 8.212/91: Lei N 8.212/91 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 168DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Sobre a aplicação deste dispositivo, o qual prevê multa de 0,33% ao dia e limitada a 20%, vale destacar que a redação acima foi dada por Lei diversa daquela vigente à época do fato gerador, motivo pelo qual será aplicada em conformidade com o art.106, II, do Código Tributário Nacional. Ademais, com relação à incidência da taxa SELIC sobre os débitos federais, inclusive contribuições sociais, registrese que a legislação de regência à época do fato gerador, a Lei nº 8.212/91, afastava literalmente os argumentos erguidos pela recorrente, in verbis:: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Entretanto, a Lei n 11.941/2009 revogou o dispositivo acima e deu nova redação ao art.35 da Lei n 8.212/91, determinando que os débitos tributários a nível federal, teriam suas cobranças acrescidas de multa e juros na forma do art.61 da Lei n 9.430/96. Então vejamos: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). LEI N 9.430/96 Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a Fl. 169DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.004921/201035 Acórdão n.º 2403000.897 S2C4T3 Fl. 153 9 partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Art. 5º(...) (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. A propósito, convém ainda mencionar que o CARF aprovou Súmula nº 04, nos seguintes termos: Súmula CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, a aplicação de multa moratória e juros com base na taxa SELIC sobre os débitos tributários federais é devida e tem amparo legal com fulcro no artigo 35, caput, da Lei nº 8.212/91. III – DA APLICAÇÃO DA LEI MAIS BENÉFICA AO ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO: Tratandose de ato pendente de julgamento, há que se observar alguns preceitos legais do Código Tributário Nacional no que se refere à possibilidade de uma lei retroagir e alcançar fatos pretéritos, os quais ocorreram sob a égide de outra legislação. No caso em tela, verificase que tanto a aplicação de multa como a incidência de taxa SELIC sobre os débitos tributários federais encontra amparo atualmente no art.35, caput, da Lei n 8.212/91, dispositivo este alterado pela Lei n 11.941/2009. Deste modo, caso seja mais benéfico ao sujeito passivo, a Lei n 11.941/2009 deverá retroagir em respeito ao art.106 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 170DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, de modo que a cobrança seja mantida com o recálculo da multa de mora previsto no art.35, caput, da Lei n 8.212/91, com base na redação dada pela Lei n 11.941/2009, prevalecendo a legislação mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10070.001681/92-17
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 1999
Numero da decisão: 202-02.016
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MARCOS VINICIUS NEDER DE LIMA
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DRJ no Rio de Janeiro - RJ D I L I G ÊN C I A N° 202-02.016 • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: CHOZIL EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRlOS LTDA. RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. 02 de fevereiro de 1999 cllfclb 1 • Processo Diligência Recurso Recorrente : MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10070.001681192-17 202-02.016 101.289 CHOZIL EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA. RELATÓRIO • • A ora recorrente foi autuada por falta de recolhimento da Contribuição ao FINSOCIAL, no período compreendido entre janeiro/87 e março/92 (fls. 01/17) . Na petição impugnativa (fls. 20/26), a autuada argüi preliminar de decadência, quanto aos fatos geradores ocorridos até agosto/97, vez que o FINSOCIAL é espécie de tributo e, por conseguinte, se encontra regido pelo ~ 4°, do art. 150, do Código Tributário Nacional, como se depreende do julgamento da Suprema Corte no Recurso Extraordinário n° 103.705-7/85. No mérito, argumenta que o Fisco, na constituição do crédito tributário, aplicou alíquotas diferenciadas e progressivas, variando de 0,5% a 2,0%, em desacordo com a regra determinada pelo artigo 1° do Decreto-Lei n° 1.940/82, porquanto o Poder Judiciário já reconheceu inconstitucionais os dispositivos legais que alteraram a aliquota acima de 0,5%. A Decisão nO 128/93 (fls. 50/52) indeferiu o pleito do impugnante. Quanto à preliminar de decadência, entendeu assistir razão à fiscalização, pelo fato de que a norma contida no Decreto nO 92.698/86 fixa em I° anos o prazo para que se proceda o lançamento da Contribuição. No mérito, defende que as razões trazidas pela autuada não são suficientes para ilidir o feito fiscal. Em suas razões de recurso (fls. 56/61) a autuada sustenta a preliminar de decadência e as mesmas razões de mérito. É o relatório . 2 • Processo Diligência MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10070.001681192-17 202-02.016 • • VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR MARCOS VINICIUS NEOER DE LIMA Cuida-se de lançamento por falta de recolhimento da Contribuição ao FlNSOClAL. Para o deslinde da questão é necessário conhecer a natureza da atividade empresarial da Recorrente, se é exclusivamente prestadora de serviços ou se é empresa mista . A decisão proferida pelo Plenário do STF, ao julgar o Recurso Extraordinário n Q 187.436-8 (OJ nº 146, Seção I, pg. 33..2, de 01.08.97), declarou a constitucionalidade do art. 7º da Lei nº 7.787/89, do art. Iº da Lei nº 7.894/89 e do art. Iº da Lei nº 8.147/90, com relação às empresas exclusivamente prestadoras de serviços e concluiu pela legitimidade das majorações ocorridas das alíquotas do FlNSOClAL com base nos aludidos dispositivos legais, não se aplicando a essas empresas o precedente revelado pelo Recurso Extraordinário nº 150.764. Portanto, tendo em vista que os elementos constantes dos autos não elucidam a natureza da composição das receitas da Recorrente, voto no sentido de converter este julgamento em diligência à repartição de origem, para que sejam anexados aos autos os quadros de demonstração da Receita Líquida da OIRPJ da Recorrente, relativos aos anos-base de 1989 a 1992. Na impossibilidade de obtenção dessa declaração, a autoridade fiscal se digne apurar, por outros meios a seu dispor, se a empresa é exclusivamente prestadora de serviço ou não. No caso de pronunciamento da autoridade fiscal, a recorrente deve ser cientificada do resultado da diligência, conferindo-lhe prazo para manifestar-se a respeito, se qUiser. fevereiro de 1999 INICIUS NEOER DE LIMA 3 00000001 00000002 00000003
score : 1.0
Numero do processo: 10830.005107/95-41
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/07/1992 a 10/02/1995
Ementa: PEÇAS E PARTES DE VÁLVULAS COMPONENTES DO SISTEMA DE FREIOS.
Segundo a Nota de Seção XVI-2-a, as partes que constituam artefatos compreendidos em qualquer das posições dos Capítulos 84 ou 85 (exceto as posições 8409, 8431, 8448, 8466, 8473, 8485, 8503, 8522, 8529, 8538 e 8548) incluem-se nessas posições, qualquer que seja a máquina a que se destinem, portanto, as peças destinadas às Válvulas, ainda que estas componham um sistema de freios, classificam-se na posição 8481.
RECURSO A QUE SE NEGA PROVIMENTO
Numero da decisão: 301-33.577
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade, admissibilidade e inconstitucionalidade. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
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ementa_s : Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/07/1992 a 10/02/1995 Ementa: PEÇAS E PARTES DE VÁLVULAS COMPONENTES DO SISTEMA DE FREIOS. Segundo a Nota de Seção XVI-2-a, as partes que constituam artefatos compreendidos em qualquer das posições dos Capítulos 84 ou 85 (exceto as posições 8409, 8431, 8448, 8466, 8473, 8485, 8503, 8522, 8529, 8538 e 8548) incluem-se nessas posições, qualquer que seja a máquina a que se destinem, portanto, as peças destinadas às Válvulas, ainda que estas componham um sistema de freios, classificam-se na posição 8481. RECURSO A QUE SE NEGA PROVIMENTO
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Numero do processo: 10680.008736/2007-52
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/05/1999
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 01/1995 a 05/1999, o lançamento tendo sido cientificado em 28/12/2005, dessa forma, irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, ora o art.
150, § 4º, CTN ora o art. 173, I, CTN, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de ofício.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-000.886
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 01/1995 a 05/1999, o lançamento tendo sido cientificado em 28/12/2005, dessa forma, irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, ora o art. 150, § 4º, CTN ora o art. 173, I, CTN, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de ofício. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Igor Araújo Souza (suplente) e Jhonatas Ribeiro da Silva (suplente). Ausentes o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, o Conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato e o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10680.008736/200752 Acórdão n.º 240300.886 S2C4T3 Fl. 1.099 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, às fls. 1083 a 1092, apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte MG, Acórdão nº 0215.258 – 6ª Turma da DRJ/BHE, fls. 1030 a 1044, que julgou procedente em parte a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº. 35.762.4718, oriunda de descumprimento de obrigação tributária legal principal, com valor consolidado de R$ 228.975,19 (duzentos e vinte e oito mil, novecentos e setenta e cinco reais e dezenove centavos) que foi retificado para R$ 144.265,94 (cento e quarenta e quatro mil, duzentos e sessenta e cinco reais e noventa e quatro centavos). Segundo a AuditoriaFiscal, de acordo com o Relatório Fiscal, fls. 378 a 381, o lançamento referese às contribuições devidas pela empresa e as destinadas às outras entidades e fundos (Terceiros), incidentes: (i) sobre a remuneração paga aos segurados empregados apurada nas folhas de pagamento das obras de construção civil cujo código de levantamento corresponde ao número de identificação atribuído à obra pela empresa — LEVANTAMENTO 08A a 160. Consta, ainda, dos levantamentos 136/149/153 e 156, valores coletados na contabilidade, vez que não foram exibidos à fiscalização todos os documentos que deram origem à totalidade dos registros contábeis efetuados nos centros de custo das referidas obras, na parte relativa à verbas remuneratórias pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados; (ii) sobre a remuneração paga aos sóciosadministradores a título de prólabore — LEVANTAMENTO PRO; (iii) sobre as diferenças de acréscimos legais devidos em decorrência de recolhimento de contribuições previdenciárias em atraso — LEVANTAMENTO DAL. O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09250551, foi de 01/1995 a 12/2004, às fls. 334 a 335. O período objeto do débito, conforme o Relatório Demonstrativo Sintético do Débito DSD, às fls. 51, é de 01/1995 a 05/1999. A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 28.12.2005, conforme Aviso de recebimento – AR nº SQ 899293202BR, às fls. 388. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 4 A Recorrente apresentou impugnação tempestiva, às fls. 391 a 415, com Anexos às fls. 416 a 1009. Houve solicitação de Diligência Fiscal às fls. 1013 e posterior emissão de Informação Fiscal às fls. 1015 a 1028. A instância “a quo” analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, fls. 1030 a 1044, conforme a Ementa do Acórdão nº 0215.258 – 6ª Turma da DRJ/BHE a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 31/05/1999 DECADÊNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO. EQUÍVOCO NO LANÇAMENTO RETIFICAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA. JUROS. TAXA SELIC É de 10 (dez) anos o prazo para a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos. Não se constitui cerceamento de defesa quando o lançamento contém todos os elementos necessários ao seu perfeito entendimento. É fixado em lei o prazo para apresentação de impugnação. O lançamento do débito deve ser retificado quando for constatada a aplicação equivocada de alíquota, gerando contribuição maior do que a devida. Compete privativamente ao Poder Judiciário decidir acerca de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de leis. As contribuições sociais em atraso, arrecadadas pela Secretaria da Receita Previdenciária, estão sujeitas aos acréscimos legais, nos percentuais definidos pela legislação. Lançamento Procedente em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros da 6 ª Turma de Julgamento, por unanimidade de _votos, considerar_ procedente em parte o lançamento, mantendo o crédito exigido na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD n° 35.762.4718, de 19/12/2005, em seu valor retificado, conforme Discriminativo Analítico de Débito Retificado DADR. De acordo com o § 2° do artigo 366 do Regulamento da Previdência —RPS (aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999, acrescentado pelo Decreto 6.032, de 01/02/07), c/c o inciso II do artigo 1° da Portaria MPS n° 158, de 11 de abril de 2007, não cabe recurso de ofício ao Conselho de Contribuintes, pois o valor exonerado é inferior a R$200.000,00 (duzentos mil reais). Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, ressalvado o direito de interposição de recurso Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10680.008736/200752 Acórdão n.º 240300.886 S2C4T3 Fl. 1.100 5 voluntário ao Conselho de Contribuintes, em igual prazo, conforme facultado pelo §1°do artigo 305 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3048, de 06 de maio de 1999 c/c a Portaria MF n° 147 de 25 de junho de 2007. O recurso voluntário somente terá seguimento se o recorrente instruílo com prova de depósito administrativo no valor correspondente a, no mínimo, 30% (trinta por cento) do valor da exigência, conforme dispõe o § 1° do artigo 126 da Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991 ( na redação dada pela Lei 10.684, de 30 de maio de 2003). Encaminhese à Delegacia da Receita Federal de origem para cientificar o contribuinte do inteiro teor do Acórdão e demais providências. Sala de Sessões, em 17 de maio de 2007. Inconformada com a decisão da Recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário tempestivo, às fls. 1083 a 1092, onde alega, em apertada síntese, que: Em sede Preliminar: (i) do depósito recursal; (ii) da decadência total em função Súmula Vinculante n º 8, do STF. No Mérito: (iii) da inclusão indevida de valores objeto de LDC e de adesão ao REFIS. (iv) da ilegalidade da taxa SELIC. (v) da ilegalidade da Multa. (vi) das indevidas cobranças a título de SAT, 13 º, e de Terceiros SESI, SENAI, INCRA e SEBRAE. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 1097. É o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 1097. Anotase ainda que o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº. 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Preliminarmente, devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10680.008736/200752 Acórdão n.º 240300.886 S2C4T3 Fl. 1.101 7 Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula Fl. 7DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 8 vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 8DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10680.008736/200752 Acórdão n.º 240300.886 S2C4T3 Fl. 1.102 9 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (g.n.)” Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: “Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n.)” Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. “Ementa: ....1. O entendimento jurisprudencial consagrado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir do fato gerador.Todavia, se não Fl. 9DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 10 houver pagamento antecipado, incide a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.” (STJ.1ª Turma, AgRg no Ag 972.949/RS, Rel.: Min.Denise Arruda.,ago/08.) (g.n.) “Ementa: ....4. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Somente quand onão há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5.Hipótyese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN.” (STJ. 2ª Turma, AgRg no Ag 939.714/RS, Rel.: Min. Eliana Calmon., fev/08.) . (g.n.) “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. (...) Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN..” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) . (g.n.) Portanto, devese identificar o dispositivo legal a ser aplicado seja o art. 173, I, do CTN ou seja o art. 150, § 4°, do CTN para se declarar os efeitos da decadência no lançamento. Verificase, da análise dos autos, que a cientificação da NFLD pela Recorrente ocorreu em 28.12.2005, conforme Aviso de recebimento – AR nº SQ 899293202BR, às fls. 388., e o débito se refere a contribuições devidas à Seguridade Social para o período 01/1995 a 05/1999, segundo o Relatório Demonstrativo Sintético de Débito – DSD, às fls. 51. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, tanto nos termos do artigo 150, § 4o, CTN quanto nos termos do artigo 173, I, do CTN. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10680.008736/200752 Acórdão n.º 240300.886 S2C4T3 Fl. 1.103 11 CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, nas preliminares, DARLHE PROVIMENTO, face à aplicação da decadência qüinqüenal,, por quaisquer dos critérios adotados no CTN, ora o art. 150, § 4º, CTN, ora o art. 173, I, CTN. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 11DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13710.001163/99-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 1995
PROVISÃO PARA DESPESAS DE PROPAGANDA E CSLL. CONTROLE NA PARTE B DO LALUR. OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO. POSSIBILIDADE DE TRANSFERÊNCIA. DEDUTIBILIDADE SOMENTE QUANDO DA DESPESA EFETIVA.
A provisão constituída para fazer frente à despesa com propaganda e publicidade e devidamente adicionada ao cálculo do Lucro Real e controlada na parte B do Lalur pode ser transferida para empresa controladora em razão de operação de incorporação.
A dedutibil idade para fins de apuração do Lucro Real somente é permitida quando da ocorrência da despesa efetiva, o que pode ocorrer em período pós incorporação. A contagem do prazo de prescrição para retificação da DIPJ e apuração de crédito tributário, inicia-se no período em que a despesa fora incorrida e poderia ter sido deduzida.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Exercício: 1996
CSLL. COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS NA SUCESSÃO.
Até o advento da Medida Provisória n° 1.856-6, de 1.999, inexistia qualquer impedimento legal para que a sociedade sucessora por incorporação, fusão ou cisão pudesse compensar a base de cálculo negativa da CSLL, apurada pela sucedida a partir de janeiro de 1.992. Improcedente a glosa da compensação efetuada naquele sentido.
Numero da decisão: 1201-001.179
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o relator apenas em relação ao item 1 do seu voto. O Conselheiro Marcelo Cuba Netto acompanhou a divergência pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ANDRE ALMEIDA BLANCO
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