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Numero do processo: 16062.000135/2007-65
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 30/04/2007
CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI Nº 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO Nº 3.048/99 - OMISSÃO EM GFIP - CO-RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS - MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”.
A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela empresa Spirit. é fato gerador de contribuição previdenciária.
Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.
Entendo que a fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Se assim não o fosse, estaríamos falando de uma empresa - pessoa jurídica, com capacidade de pensar e agir.
MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 206-01.733
Decisão: ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, no mérito, em dar
provimento parcial ao recurso para adequar o valor da multa ao disciplinado pela MP n° 449/2008.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Siara? 752748 Fls. 309 •eLkf..•44 _tdy.:.-=----;„ MINISTÉRIO DA FAZENDA Npiric:np z'or.ja SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° 16062.000135/2007-65 Recurso n° 155.022 Voluntário • Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Acórdão n° 206-01.733 Sessão de 03 de fevereiro de 2009 Recorrente JOHNSON & JOHNSON PRODUTOS PROFISSIONAIS LTDA Recorrida SRP - SP • ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Data do fato gerador: 30/04/2007 CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5° E ARTIGO 41 DA LEI N° 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N° 3.048/99 - OMISSÃO EM GFIP - CO- RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS - MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de- infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do art. 32, IV, § 5° da Lei n° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999: " informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)". A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela empresa Spirit. é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Entendo que a fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Se assim não o fosse, estaríamos falando de uma empresa - pessoa jurídica, com capacidade de pensar e agir. (4( É, . — T3rniril! COFfrGariNAL Processo n° 16062.00013512007-65 CONFCE"R CPC Sexta C O CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.733 11.5,:n ia r ir moto Eu 310 It;rt. g iaps 752748 MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para adequar o valor da multa ao disciplinado pela MP n° 449/2008. , ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente • ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, Cleusa Vieira de Souza, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira de Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n° 16062.000135/2007-65 flrnvtp,07--- CCOIC06 Acórdão n°206-01.733 'da, !is ri e • t • fls. 311 R 'at. S ta pe 752741t Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprirnento do art. 32, IV, § 5° da Lei n° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições, em especial deixou de informar por segurado e por competência, as remunerações recebidas por meio dos cartões de premiação da Spirit Marketing Promocional Ltda Importante, destacar que a lavratura do AI deu-se em 30/04/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 07/05/2007. Contudo, relevante informar que o procedimento fiscal teve início em 08/03/2007, com a ciência do MPF, servindo este como medida preparatória indispensável para o lançamento. , Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 90 a 105. Foi exarada a Decisão-Notificação - DN que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 143 a 149. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela autuada, conforme fls. 156 a 174 Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: Preliminarmente, da necessidade de sobrestar o julgamento do presente feito, visto tratar-se de auto de infração pelo não inclusão em FOPAG de valores pagos por meio de cartão de premiação. Todavia, a recorrente não reconhece os valores pagos como salário de contribuição, tendo apresentado recurso em relação a NFLD lavrada em relação ao este fato gerador (DEBCAD n° 37037001-5 e 37030000-7, o que torna prudente o sobrestamento até a apreciação do recurso interposto; As gratificações constituem recompensas incondicionais concedidas pelo empregador, por mera liberalidade, sendo que as denominadas verdadeiras não integram a remuneração em razão de inexistência de previsão legal. No mesmo sentido há de se considerar os prêmios pagos por liberalidade que objetivam apenas recompensar o empregado; Em não sendo considerado salário de contribuição, indevida também é a informação em GFIP. Para concluir que um pagamento seja considerado como remuneração, o mesmo deve ter características de contraprestação ao serviço, ser decorrente do contrato de trabalho, bem como ser habitual, periódico, quantificável, essencial e recíproco, o que não se coaduna com o pagamento em questão; O auditor deveria ter exposto algo especifico, que permitisse efetivamente a impugnante, reconhecer as razões que o levaram a crer que todos os pagamentos feitos por meio de cartões de premiação consideram-se remuneração; 3 - - - 2° CCARF Sexta Câmara CONFERE COM O ORIGINAL • Processo n° 16062.000135/2007-65 Bretanha, 4 • , CCO2/C06 Acórdãom*206-01.733 Marta edn eiXhs pInto Fls. 312 Mat. Slape 752743 Impossível a responsabilização das pessoas arroladas nas relações de co'responsáveis, visto não terem agido com excesso de poderes ou infração à lei, como descrito no art. 135 do CTN; Requer a improcedência do presente auto de infração e o cancelamento do débito fiscal, bem como a exclusão dos nomes contidos nas relações de co-responsáveis. A Receita Previdenciária encaminhou o recurso a este conselho, sem a apresentação de contra-razões à fl. 187. É o relatório. Voto Conselheira ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Relatora . • PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 148. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Quanto ao argumento de ser impróprio o auto de infração, eis que a sua lavraturá se deu em nítida afronta a disposição legal, por não ter a autoridade realizado a devida fundamentação, frise-se que pela análise dos documentos acostados ao presente processo, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, inclusive, quanto a indicação da existência de NFLD considerando os valores dos prêmios como salário de contribuição, quais sejam: Autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal — MPF- F, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; Intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; . Autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Com base nestes fatos, quanto à alegação do recorrente de que o procedimento fiscal encontra-se eivado de nulidade, por não atender aos ditames legais, provocando o cerceamento de defesa, não lhe confiro razão. igg 4 _ e CCIIIF Sexta Cám raCONFERE COM C ORIGINAL Processo n° 16062.000135/2007-65 Eiresilial'D r CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.733 Marta Edil Ger)1`117>in Eis. 313Mat. Mapa 752748 te A fiscalização previdenciária é competente para constituir os ciéditos tributários decorrentes dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme descrito no art. 1° da Lei 11.098/2005: "Art. I° Ao Ministério da Previdência Social compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento, em nome do Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição, bem como as demais atribuições correlatas e conseqüentes, inclusive as relativas ao contencioso administrativo fiscal, conforme' disposto em regulamento." Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições: Desta forma; em constatando a ocorrência de infração a dispositivo da legislação previdenciária, cumpri-lhe lavrar de imediato auto-de-infração de forma vinculada. O art. 293 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: "Art. 293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, auto-de-infração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes." Quanto ao sobrestamento do julgamento em questão, também não confiro o pleito do recorrente, por entender que a NFLD com o fato gerador relacionado encontra-se em julgamento nesta mesma sessão. Dessa forma, rejeito as preliminares argüidas pelo recorrente. DO MÉRITO Conforme prevê o art. 32, IV da Lei n° 8.212/1991,0 contribuinte é obrigado informar ao INSS, por meio de documento próprio, informações a respeito dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, nestas palavras: "Art. 32. A empresa é também obrigada a: IV - informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)." (grifo nosso). Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de informar a remuneração por segurado por competência, recebida por meio dos cartões de premiação da Spirit Marketing Promocional Ltda. 29 CCIMF Sineta Câmara CONFERE COM O ORIGINAL • n Brandlia, ffitPlUal Maria Ed 40:À- Processo n° 16062.000135/2007 -65 CCO2/C06 Acórdão e 206-01.733 Mat. Slap• 752748into Fls. 314• Justificável apenas a necessária apreciação do desfecho do julgamento da NFLD que indicou como fatos geradores as remunerações pagas na modalidade de cartões de premiação. Contudo, entendo que no mérito são realmente devidas contribuições acerca desses fatos geradores, razão porque em sendo devidas contribuições, necessária, por conseqüência informação em GFIP. Dessa maneira, não tem porque o presente auto-de-infração ser anulado em virtude da ausência de vicio formal na elaboração. Foi identificada a infração, havendo subsunção desta ao dispositivo legal infringido. Os fundamentos legais da multa aplicada foram discriminados e aplicados de maneira adequada. Destaca-se que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. • Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõeo art. 113, § 2° do CTN, nestas palavras. "Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1 0 A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. § 2° A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3° A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária." A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CIN. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo órgão previdenciário. O relatório fiscal, indicou de maneira clara e precisa todos os fatos ocorridos, havendo subsunção destes à norma prevista no art. 32, III, da Lei n° 8.212/1991. O Auto de Infração sendo aplicado da maneira como foi imposto não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a finalidade precipua de arrecadação, o que pode ser demonstrado pela previsão de atenuação ou até mesmo da relevação da multa, neste último caso, o infrator não pagará nenhum valor (art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999). Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo. edb.„../ 6 r CCEMF Sexta Câmara CONFERE COMO ORIGINAL Brasina, ir O7zi o9 Processo n° 16062.000135/2007 -65 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.733 Maria EdnV roLra- nto Sia" 752748 Fls. 315Siais" Resta-nos agora, averiguar a procedência dos fatos geradores não informados em GFIP, o que se faz possível, por estar sendo submetida a julgamento nesta mesma sessão a NFLD que constitui o crédie Quanto ao argumento de que a NFLD deve ser declarada nula, por estarem inseridas diversas verbas sem natureza salarial, não lhe confiro razão. Conforme discutido nos autos o ponto chave é a identificação do campo de incidência das contribuições previdenciárias. Para isso façamos uso da legislação previdenciária, atrelada a conceitos trazidos da legislação trabalhista. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n° 8.212/1991, para o segurado empregado entende-se por salário-de-contribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: - "Art.28. Entende-se por salário-de-cc7ntribuição: I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;" (Redação dada pela Lei n°9.528, de 10/12/97). O conceito de remuneração, descrito no art. 457 da CLT, deve ser analisado em sua acepção mais ampla, ou seja, correspondendo ao gênero, do qual são espécies principais os termos salários, ordenados, vencimentos etc. "Art. 457. Compreendem-se na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § I° Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Súmulas nos 84, 101 e 226 do TST) § 2° Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de cinqüenta por cento do salário percebido pelo empregado. § 3° Considera-se gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer titulo, e destinada a distribuição aos empregados. (k.."*. 7 r CCIME Sexta Câmara CONFERE COM o ontoium. Processo n° 16062.000135/2007-65 emanta. 126-J42112t CCO2/C06 Acórdão n.°206-01.733 Maria r ra nto Fls. 316 Mat. Slape 752748 Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreende-se no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas." Não procede o argumento do recorrente, uma vez que já está pacificado na doutrina e jurisprudência que os prêmios pagos possuem natureza salarial. A definição de "prêmios" dada pela recorrente não se coaduna com a de verba indenizatória, mas, com a de parcelas suplementares pagas em razão do exercício de atividades, tendo o empregado alcançado resultados no exercício da atividade laborai. O ilustre professor Maurício Godinho Delgado, em seu livro "Curso de Direito do Trabalho", 3° edição, editora LTr, pág. 747, assim refere-se ao assunto: "(4 , Os prêmios consistem em parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa.(..). O prêmio, na qualidade de contraprestação paga pelo empregador ao empregado, têm nítida feição salarial. (...)." Claro é o posicionamento do STF, acerca da natureza salarial dos prêmios, posto o descrito na súmula 209, nestes termos: "Súmula 209 — Salário-Prêmio, salário —produção. O salário- produção, como outras modalidades de salário prêmio, é devido, desde que verificada a condição a que estiver subordinado, e não pode ser suprimido, unilateralmente, pelo empregador, quando pago com habitualidade." Os prêmios são considerados parcelas salariais suplementares, pagas em função do exercício de atividades atingindo determinadas condições. Neste sentido, adquirem caráter estritamente contraprestativo, ou seja, de um valor pago a mais, um "plus" em função do alcance de metas e resultados Não tem por escopo indenizar despesas, ressarcir danos, mas, atribuir um incentivo ao empregado. Segundo o professor Amauri Mascaro Nascimento, em seu livro Manual do salário, Ed. Ltr, p. 334, nestas palavras "Prêmio é modalidade de salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como produtividade e eficiência. Os prêmios caracterizam-se por seu aspecto condicional, sendo que uma vez instituídos e pagos com habitualidade não podem ser suprimidos." P8 CC/MF Sexta CantaraCONFERE COM O ORIGINAL lua, littain Processo e 116062.00013512007-65-65 ccoztos Acórdão n.' 206-01.733 Marta Edna reIRS'— Fls. 317MAL Etapa 75274aint° Vale destacar ainda, que por se caracterizarem como remuneração, os prêmios devem, em regra, refletir no pagamento de todas as demais verbas trabalhistas, sejam elas: férias, 13 0 salário, repouso semanal remunerado, devendo-se observar a habitualidade dependendo da verba que se faça incidir. Pelo exposto o campo de incidência é delimitado pelo conceito remuneração. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado ou de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. Cabe destacar nesse ponto, que os conceitos de salário e de remuneração não se confundem. Enquanto o primeiro é restrito à contraprestação do serviço devida e paga diretamente pelo empregador ao empregado, em virtude da relação de emprego; a remuneração é mais ampla, abrangendo o salário, com todos o,s componentes, e as gorjetas, pagas por terceiros. Nesse sentido é a lição de Alice Monteiro de Barros, na obra Curso de Direito do Trabalho, Editora LTR, 3a edição, página 730. A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9°, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatéria ou assistencial, nestas palavras: "Art. 18 (.). f 9° Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10/12/97). a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o salário-maternidade; (Redação dada pela Lei n" 9.528, de 10/12/97). b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei n°5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n°6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho-CLT; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10/12/97). e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei n" 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei n°9.711, de 20/11/98). I. previstas no inciso 1 do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 1(g--1) ?COME Sexta Câmara CONFERE COMO ORIGINAL • 9111911111, 0.‘Ap_b 0 c? Processo e° 16062.000135/2007-65 Maria ti. , a r CCO2/C06 Acórdão n.• 206-01.733 MM. S ia pe 752748 Fls. 318 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de ,,,1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço-FGTS; 3. recebidas a titulo da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a titulo da indenização de que trata o art. 14 da Lei n°5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a titulo de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a titulo de licença-prênilo indenizada; 9. recebidas a titulo da indenização de que trata o art. 9° da Lei n° 7.238, de 29 de outubro de 1984; .A a parcela recebida a titulo de vale-transporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da ar; (Redação dada pela Lei n°9.528. de 10/12/97). h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; z) a importância recebida a titulo de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei n° 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei especifica; 1) o abono do Programa de Integração Social-PIS e do Programa de Assistência ao Servidor Público-PASEP; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97). m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada,. observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97). n) a importância paga ao empregado a titulo de complementação ao valor do auxilio-doença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97). á, o CONFERECFE"REFCSIO:2 C0 ORIGINAL - — ensina o i? • Processo n° 16062.00013$/2007-65 Maria Edna 131-nto CCO2/036 Acórdão n.• 206-01.733 Mat. Etapa 762748 Fls. 319 o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústrif canavieira, de que trata o art. 36 da Lei n° 4.870, de 1° de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei n° 9.528, de 10/12/97). p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus• empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 90 e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei n° 9.528, de 10/12/97). q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico-hospitalares e outras similares, desde que a cobertura .abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97). r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97). s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a • legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97). t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n°9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei n°9.711, de 20/11/98). zo a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei n° 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97). v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97). x) o valor da multa prevista no g 8° do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97)." Pela análise do dispositivo legal, podemos observar que nãb existe nenhuma exclusão quanto aos prêmios concedidos seja aos segurados empregados ou contribuintes individuais. Além disso, o texto legal não cria distinção entre as exclusões aplicáveis aos empregados e aos contribuintes individuais. •11 _ . 2. COMIF Sexta C "NFERE com ima"O ORIGKAL • • Processo n° 16062.000135/2007 -65 Brasília, _060s CCO2/C06 Acórdão n.°206-01.733 Maria Edna eira FLs. 320 NIct. Siape 7on4.0“.1.° Segundo o ilustre professor Arnaldo Siissekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21' edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: "No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, "costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autónomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o fisico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo,. o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subprdinado." Ademais, o art. 458 da CLT, § 2° descreve as verbas fornecidas aos empregados que não possuem natureza salarial. Senão vejamos: "Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreende-se no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao • empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas._ (Súmula n°258 do TST) ! I° Os valores atribuídos às prestações in natura deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do salário mínimo (artigos 81 e 82). 2° Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador 1— vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; II — educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; III — transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; IV — assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante seguro-saúde; V— seguros de vida e de acidentes pessoais; VI —previdência privada; 2 01 o q - Urn ..tlês, _0 Processo e Maria 4 2748 t" 16062.000135/2007-65 CCO2/C06 SIE/P*16 Acórdão . Mat.• 206-01.733 Fls. 321ri Vil— VETADO." Observa-se: ainda que a interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpreta-se literalmente a legislação que disponha sobre esse beneficio fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: "Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: 1- suspensão ou exclusão do crédito tributário;" Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violar-se os princípios da reserva legal e da isonomia. • Estando, portanto, no campo de iqcidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. A responsabilidade pela infração é objetiva, independe da culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. O Auto de Infração sendo aplicado da maneira como foi imposto não se transforma em meio obtuso de arrecadação. Na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a finalidade i3recípua de arrecadação, o que pode ser demonstrado pela previsão de atenuação ou até mesmo da relevação da multa, neste último caso o infrator não pagará nenhum valor (art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n°3.048/1999). Os valores aplicados em auto de infração pela omissão ou erro na entrega da GFIP justificam-se pelo fato da importância deste documento para administração previdenciária. As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão de base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo INSS e comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos beneficios previdenciários. Desse modo, a omissão irá prejudicar não apenas a autarquia previdenciária, mas principalmente o segurado do Regime Geral de Previdência Social. Não possuindo caráter confiscatório a multa aplicada. Quanto a exclusão dos co-responsáveis, deve-se esclarecer ao recorrente que se trata do julgamento de Al pelo descumprimento de obrigações acessórias, em sendo assim a autuada é a empresa, que é o sujeito passivo da obrigação tributária e não seus sócios. Esses, por serem os representantes legais do sujeito passivo, constam da relação de Co-Responsáveis — CORESP, consoante determinação contida no art. 660, da IN 03/2005, vigente à época da lavratura do Auto, qual seja: "Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativo-fiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: r CC/MF Sexta Câmara CONFERE COM O 0:11GINAL Brensllis, Processo n° 16062.000135/2007-65CCO2/C06 Acórdão n.• 206-01.733 Maria Edna va nto Mat. Slapo 752748 Fls. 322 X - Relação de Co-Responsáveis (CORESP), que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação;" Não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento nos termos do normativo vigente à época da lavratura do AI, foi editada a Medida Provisória MP 449/09, que revogou o art. 32, § 6°, da Lei 8.212/91. No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória n° 449/2008. A citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32-A, o qual dispõe o seguinte: "Art.32-A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou filnissões será intimado a apresentá-la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar-se-á às seguintes multas: I- de dois por cento ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §32; e II- de R$ 20,00 (vinte. reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. §1-Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não- apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. §22 Observado o disposto no § 32, as multas serão reduzidas: I- à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; ou II- a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. §32 A multa mínima a ser aplicada será de: I- R$ 200,00 (duzentos reais), tratando-se de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II- R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos". Entretanto, a MP 449/2008, também acrescentou o art. 35-A que dispõe o seguinte: el-r4 _ . 2° CCIMF Sexta Cámara • CONFERE COMO ORIGINAL S7 /0 Maria EdnaS abielnto Processo n° 16062.000135/2007- GrasIlIa 06- 65 CCOVC06 Acórdão n.° 206-01.733 Fls. 323 Mat. Siape 752743 "Art. 35-A - Nos casos de lançamento de oficio relativos às contribuiçõeê referidas no art. 35, aplica-se o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996". O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: 1 - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata." Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando -ao lançamento de oficio, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado. , As contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio da notificação já mencionada e, tendo havido o lançamento de oficio, não se aplicaria o art. 32-A, sob pena de bis in idem. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea "c", do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. - No caso da notificação conexa e já julgada, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008. No caso da autuação em tela, a multa. aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 50, da Lei n° 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de cem por cento da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4° do mesmo artigo. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5°, observada a limitação imposta pelo § 4° do mesmo artigo, ou Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. Diante o exposto e de tudo o mais que dos autos consta. et, is r CC/MF Suba Cm ara CONFERE COMO ORIGINAL Brasnle, Processo n°16062.000135/2007-65CCO2/C06 .°Acórdão n206-01.733 Maria Ed aC11Dite Pinto F1s. 324Mat. Slaps 702748 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, rejeitar as preliminares, para no mérito DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei n2 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. É como voto. Sala das Sessões, em 03 de fevereiro de 2009 - • • ISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 16 Page 1 _0027800.PDF Page 1 _0027900.PDF Page 1 _0028000.PDF Page 1 _0028100.PDF Page 1 _0028200.PDF Page 1 _0028300.PDF Page 1 _0028400.PDF Page 1 _0028500.PDF Page 1 _0028600.PDF Page 1 _0028700.PDF Page 1 _0028800.PDF Page 1 _0028900.PDF Page 1 _0029000.PDF Page 1 _0029100.PDF Page 1 _0029200.PDF Page 1
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Numero do processo: 10711.005957/2007-64
Data da sessão: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 29/09/2005
MULTA REGULAMENTAR. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA
RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. SÚMULA CARF N°
02. CONTROLE DE INCONSTITUCIONALIDADE DE ATOS
NORMATIVOS NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
De acordo com a Súmula Carf n° 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Matéria não conhecida.
PERÍCIA. PROVA DE FATO INCONTROVERSO. INDEFERIMENTO.
Não há necessidade de produção de provas quando a matéria é incontroversa.
Portanto, se a perícia requerida destina-se a comprovar uma informação técnica admitida pela parte contrária, é injustificável o seu deferimento.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PREPARAÇÕES IMPERMEABILIZANTES
À BASE DE FLÚOR PARA USO NA INDÚSTRIA TÊXTIL. NCM 3809.91.90.
De acordo com o disposto na Seção VI das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, os produtos ou preparações impermeabilizantes, com efeito oleofóbico e hidrofóbico à base de flúor, para uso na indústria têxtil, submetem-se à NCM 38.09.91.90.
ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT No.12/1997. MULTA
PREVISTA NO ART. 84, I, DA MP N°.2.158/2001. INAPLICABILIDADE.
O Ato Declaratório Normativo Cosit n° 12/1997, que trata da multa por falta de licença de importação, não se aplica à sanção por erro na classificação fiscal da mercadoria, prevista no art. 84, I, da MP 2.158/2001.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-000.654
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 29/09/2005 MULTA REGULAMENTAR. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. SÚMULA CARF N° 02. CONTROLE DE INCONSTITUCIONALIDADE DE ATOS NORMATIVOS NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com a Súmula Carf n° 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Matéria não conhecida. PERÍCIA. PROVA DE FATO INCONTROVERSO. INDEFERIMENTO. Não há necessidade de produção de provas quando a matéria é incontroversa. Portanto, se a perícia requerida destina-se a comprovar uma informação técnica admitida pela parte contrária, é injustificável o seu deferimento. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PREPARAÇÕES IMPERMEABILIZANTES À BASE DE FLÚOR PARA USO NA INDÚSTRIA TÊXTIL. NCM 3809.91.90. De acordo com o disposto na Seção VI das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, os produtos ou preparações impermeabilizantes, com efeito oleofóbico e hidrofóbico à base de flúor, para uso na indústria têxtil, submetem-se à NCM 38.09.91.90. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT No.12/1997. MULTA PREVISTA NO ART. 84, I, DA MP N°.2.158/2001. INAPLICABILIDADE. O Ato Declaratório Normativo Cosit n° 12/1997, que trata da multa por falta de licença de importação, não se aplica à sanção por erro na classificação fiscal da mercadoria, prevista no art. 84, I, da MP 2.158/2001. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 29/09/2005 MULTA REGULAMENTAR. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. SÚMULA CARF No 02. CONTROLE DE INCONSTITUCIONALIDADE DE ATOS NORMATIVOS NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com a Súmula Carf no 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Matéria não conhecida. PERÍCIA. PROVA DE FATO INCONTROVERSO. INDEFERIMENTO. Não há necessidade de produção de provas quando a matéria é incontroversa. Portanto, se a perícia requerida destinase a comprovar uma informação técnica admitida pela parte contrária, é injustificável o seu deferimento. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PREPARAÇÕES IMPERMEABILIZANTES À BASE DE FLÚOR PARA USO NA INDÚSTRIA TÊXTIL. NCM 3809.91.90. De acordo com o disposto na Seção VI das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, os produtos ou preparações impermeabilizantes, com efeito oleofóbico e hidrofóbico à base de flúor, para uso na indústria têxtil, submetemse à NCM 38.09.91.90. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT No.12/1997. MULTA PREVISTA NO ART. 84, I, DA MP No.2.158/2001. INAPLICABILIDADE. O Ato Declaratório Normativo Cosit no 12/1997, que trata da multa por falta de licença de importação, não se aplica à sanção por erro na classificação fiscal da mercadoria, prevista no art. 84, I, da MP 2.158/2001. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Fl. 133DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 13/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Tatiana Midori Migiyama, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, na qual se discute a legalidade da aplicação da multa prevista no art. 84, I, da Medida Provisória n° 2.15835/2001, cabível nas hipóteses de classificação incorreta de mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). O Recorrente importou a mercadoria “Nuva TH”, classificandoa na NCM 3906.90.19, aplicável aos “polímeros acrílicos, em forma primárias”, sujeito à alíquota de 14% de II e 5% de IPI. A autoridade lançadora, porém, após solicitar a elaboração de laudo pericial, entendeu que o produto seria uma “preparação a base de perfluralquil acrílico, éter glicol, emulsionante, em meio aquoso, apta para uso na indústria têxtil”, a classificado na NCM 3809.91.90 (sujeito à 14% de II e 0% de IPI). O acórdão recorrido, dispensado de ementa nos termos da Portaria SRF n.° 1.364/2004, manteve a multa cominada, por entender que o produto não seria um polímero acrílico, mas “preparação apta a ser utilizada pela indústria têxtil”, enquadrado na NCM 3809.91.90 (Outros – Preparação do tipo utilizadas na indústria têxtil”). Foi afastada a alegação de violação ao princípio da razoabilidade e da proporcionalidade, uma vez que a sanção é prevista em lei, sendo defeso aos órgãos do contencioso administrativo o exame de constitucionalidade de atos normativos. A DRJ, por fim, não acolheu o pedido de aplicação do ADC Cosit no 12/1997, por entender que este não abrangeria no a multa do art. 84, I, da Medida Provisória n° 2.15835/2001. O Recorrente, nas razões de fls. 102112, reitera os argumentos expostos na impugnação, requerendo a reforma integral da decisão recorrida, bem como a realização de perícia. É o relatório Fl. 134DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10711.005957/200764 Acórdão n.º 380200.654 S3TE02 Fl. 125 3 Voto Conselheiro Solon Sehn Não há, nos autos, indicação da data da ciência da decisão. O aviso de recebimento não permite qualquer identificação. O número de rastreamento da correspondência, por outro lado, não é legível. Apesar disso, considerando a data da expedição da intimação (dia 27/09/2001 fls. 100/v), verificase que a tempestividade do protocolo (ocorrido dia 25/10/2010 fls. 102). O recurso, assim, pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. O Laudo do Laboratório Nacional de Análises do Ministério da Fazenda concluiu que a mercadoria importada é uma “preparação a base de perfluoralquil acrílico, éter glicol, emulsionante, em meio aquoso, apta para uso na indústria têxtil” (fls. 06). O Recorrente, por sua vez, na condição de fabricante da mercadoria, apresentou declaração afirmando que o produto constitui “uma dispersão aquosa de Perfluoralquil acrilatos e alquil acrilados copolimerizados destinada, à impermeabilização de artefatos têxteis” (fls. 62). As informações técnicas do produto, por sua vez, esclarecem o seguinte (fls. 7183): Nuva TTH liq. é um produto de acabamento com capacidades extraordinárias de impermeabilidade A água e óleo para têxteis feitos de fibras sintéticas celulósicas, especialmente algodão, poliéster e suas misturas. Nuva TTH liq.também gera impermeabilidades extraordinárias ao óleo e Água em tecidos não trançados. [...] 2 Propriedades de aplicação Efeito oleofóbico/hidrofóbico [...] 3. Composição/informações sobre os ingredientes Caracterização química copolimerizado de acrílico perfluoroalquil Verificase, assim, que não há divergência no tocante à natureza do produtivo, inclusive porque o Laudo do Laboratório Nacional de Análises teve, dentre suas fontes de consulta (fls. 06), a “informação técnica produzida pela fabricante”. A dúvida, consoante destacado pelo Recorrente nas razões recursais, reside na classificação fiscal cabível. Logo, em se tratando de matéria incontroversa, não se justifica a realização de perícia, adequadamente indeferida pela instância a quo. Nesse sentido, cumpre destacar as seguintes lições de Antonio Carlos de Araújo Cintra, Ada Pellegrini Grinover e Cândido Rangel Dinamarco: Fl. 135DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 “[...] não deve ser admitida a prova dos fatos notórios (conhecido de todos), dos impertinentes (estranhos à causa), dos irrelevantes (que, embora pertençam à causa, não influem na decisão), dos incontroversos (confessados ou admitidos por ambas as partes), dos que sejam cobertos por presunção legal de existência ou de veracidade (CPC, art. 334) ou dos impossíveis (embora se admita a prova dos fatos improváveis)” (CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria Geral do Processo. 13. ed. São Paulo: Malheiros, 1997, p. 353354). Esse mesmo critério é previsto no art. 18 do Decreto no 70.235/1972: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Assim, partindose da premissa de que o Nuva TTH liq. constitui um produto impermeabilizante, com efeito oleofóbico e hidrofóbico à base de flúor, para uso na indústria têxtil, entendese que deve ser aplicada a NCM 3809.91.90. Isso porque, de acordo com o disposto na Seção VI das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, aprovadas pelo Decreto no 435/1992, a referida posição 3809 abrange as preparações e os produtos empregados pela indústria têxtil, para impermeabilização à óleo e à água, à base de flúor: SEÇÃO VI PRODUTOS DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS OU DAS INDÚSTRIAS CONEXAS 38 Produtos diversos das indústrias químicas. 38.09 Agentes de apresto ou de acabamento, aceleradores de tingimento ou de fixação de matérias corantes e outros produtos e preparações (por exemplo, aprestos preparados e preparações mordentes) dos tipos utilizados na indústria têxtil, na indústria do papel, na indústria do couro ou em indústrias semelhantes, não especificados nem compreendidos em outras posições. [...] 3809.91 Dos tipos utilizados na indústria têxtil ou nas indústrias semelhantes A presente posição abrange uma grande gama de produtos e preparações dos tipos utilizados, geralmente, durante as operações de fabricação e acabamento de fios têxteis, tecidos, feltros, papel, cartão, couro ou matérias semelhantes, não especificados nem compreendidos em outras posições da Nomenclatura. Reconhecemse como classificáveis na presente posição pelo fato de a sua composição e a sua apresentação lhes conferirem Fl. 136DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10711.005957/200764 Acórdão n.º 380200.654 S3TE02 Fl. 126 5 uma utilização específica nas indústrias referidas no texto da posição e em indústrias semelhantes, tais como a indústria de revestimentos têxteis para o assoalho, a indústria de fibras vulcanizadas e a indústria de peleteria (peles com pêlo*). Os produtos e preparações destinados mais particularmente a utilizações domésticas, tais como os amaciadores de têxteis, classificamse tambémḿ nesta posição. Estão compreendidos aqui: A) Os produtos e preparações utilizados na indústria têxtil e nas indústrias semelhantes. [..]. 12) Produtos para impermeabilização ao óleo. Estes produtos empregamse para tornar as matérias têxteis impermeáveis aos óleos. São, em geral, emulsões ou soluções à base de compostos orgânicos de flúor, tais como ácidos carboxílicos perfluorados, podendo também conter resinas modificadas (cargas inertes). 13) Produtos para impermeabilização à água. Em geral, são emulsões aquosas de produtos hidrófobos (parafina, cera, lanolina) estabilizados por éteres de celulose, gelatina, cola, agentes orgânicos de superfície ou por outros produtos, e adicionados de sais solúveis de alumínio e de zircônio, por exemplo. A este grupo pertencem também os produtos à base de silicones e de derivados fluorados. (g.n.) A decisão recorrida não merece qualquer reparo, porquanto o produto, efetivamente, se enquadra na NCM 3809.91.90: 3809.91 Dos tipos utilizados na indústria têxtil ou nas indústrias semelhantes 3809.91.10 Aprestos preparados 3809.91.20 Preparações mordentes 3809.91.30 Produtos ignifugos 3809.91.4 Impermeabilizantes [...] 3809.91.90 Outros Logo, tendo ocorrido equívoco na classificação fiscal da mercadoria importada, mostrase aplicável a multa prevista no art. 84, I, da MP 2.158/2001: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou Fl. 137DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 [...] § 1º O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. § 2º A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. Referida sanção, por sua vez, não é afastada pelo Ato Declaratório Normativo Cosit no 12/1997, que trata da multa por falta de licença de importação: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa n° 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, as Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamentoe aos demais interessados, que não constitui infracão administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifcirio pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. A alegada violação aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, por sua vez, não pode ser conhecida. Isso porque, em que pese os argumentos apresentados pelo Recorrente, esse Conselho Administrativo, de acordo com a Súmula Carf no 02, não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno: Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 138DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10711.005957/200764 Acórdão n.º 380200.654 S3TE02 Fl. 127 7 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Ante o exposto, votase pelo conhecimento parcial do recurso e, em relação à matéria conhecida, o seu desprovimento, mantendose integralmente a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 139DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 36624.006392/2005-43
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 29/06/2005
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE.
I - a realização da prova pericial, muito embora seja garantia dos
litigantes, só restará possível quando se mostrar realmente
necessária para elucidação dos fatos, sendo perfeitamente licito o
seu indeferimento em situações onde se apresenta prescindível.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 206-01.608
Decisão: ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada; II) em rejeitar a preliminar de decadência; III) em rejeitar a realização de perícia; e
IV) no mérito, em negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o(a) advogado(a) da recorrente Dr(a) Leo do Amaral Filho, OAB/SP n° 146437.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ROGERIO DE LELLIS PINTO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 29/06/2005 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. I - a realização da prova pericial, muito embora seja garantia dos litigantes, só restará possível quando se mostrar realmente necessária para elucidação dos fatos, sendo perfeitamente licito o seu indeferimento em situações onde se apresenta prescindível. Recurso Voluntário Negado.
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COM r...t: COM O ORIGINAL r Brasília i SOLS-- / ,-\ CCO2./C06 ceglit° Latig- Fls. 395 Maria de Fá . ateira Can Mat. Siape 751683 ,-.t..:...4-....,,, MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES r .,,,ekNa- 4'.:tdon,.,40-,--, - gr* SEXTA CÂMARA Processo e 36624.006392/2005-43 Recurso n° 151.531 Voluntário Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Acórdão n 206-01.608 Sessão de 02 de dezembro de 2008 Recorrente PARMALAT BRASIL S/A INDÚSTRIA DE ALIMENTOS Recorrida DRJ São Paulo-SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRLAS Data do fato gerador: 29/06/2005 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. SOLICITAÇÃO DE PERiCIA. DESNECESSIDADE. I - a realização da prova pericial, muito embora seja garantia dos litigantes, só restará possível quando se mostrar realmente necessária para elucidação dos fatos, sendo perfeitamente licito o seu indeferimento em situações onde se apresenta prescindível. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (1)41.-- I • • 'CF - SEGcoUNNIF, : r .z.E4LOHOeDDiEnVANTRIL Ber4TES Processo e 36624.006392/2005-43 10 • • , /sa, CCO2/C06 BssaiAcórdão n. • 206-01.608 — - Fls. 3% grt Marta de Fe . ti ira n Mat. Suor 751683 ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada; II) em rejeitar a preliminar de decadência; III) em rejeitar a realização de perícia; e IV) no mérito, em negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o(a) advogado(a) da recorrente Dr(a) Leo do Amaral Filho, OAB/SP n° 146437. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente TÊ, re \I R • lb E LELLIS PINTO Re r Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bemadete de Oliveira Barros, Cleusa Vieira de Souza, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n°36624.006392/200543 CO32/036 Acórdão n.°206-01.608 - SEGUNOn t-ONÇ MO DE CONTRIBUINTES Fls. 397 CON I O o I'CrUNAL 9,0 OCS--‘i Brunia, — -- Relatório Mana de mail,nseiafreeis iril6d8e3Can alho Trata-se re curso voluntário interposto pela empresa PARMALAT BRASIL S/A INDÚSTRIA DE ALIMENTOS, contra decisão de fis. 291 e s., exarada pela 14a Turma da Egrégia Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo-SP, a qual julgou procedente o presente Auto-de-Infração, no valor de 22.034,94 (vinte e dois mil trinta e quatro reais e noventa e quatro centavos) lavrado em decorrência de não apresentação de documentos solicitados pela fiscalização. A empresa recorre alegando que teria formulado seu pedido de perícia nos termos previstos na legislação previdenciária, tendo sido negada sob fundamento de que não teria demonstrado a justificativa para seu pleito, o que configuraria clara afronta ao seu direito de ampla defesa. Reclama da decadência do crédito previdenciária ora discutido, já que se referiria a competências de 2000 para trás, portanto, há mais de cinco anos da constituição do AI questionada, lavrado em 06/2005. Volta à questão da diligência, que a seu ver seria imprescindível. Sustenta que o fato da fiscalização não ter ido in loco a empresa fere a razoabilidade e a ampla defesa. No mérito afirma apenas que as alterações introduzidas pelo Decreto 6.042 tornariam desnecessário o presente levantamento, e encerra requerendo o provimento do seu recurso. Não foram apresentadas contra-razões ao recurso da empresa. É o relatório. Voto Conselheiro ROGÉRIO DE LELLIS PINTO, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Trata-se de auto-de-infração lavrado pela fiscalização da extinta Secretaria da Receita Previdenciária, face a não apresentação de audiometrias, folhas de pagamento, relação de funcionários apontados na CEPA como vitimas de acidente de trabalho, e ainda do piso normativo de alguns estabelecimentos do Recorrente. A empresa sustenta que a decisão recorrida teria afrontado seu direito de ampla defesa, na medida em que indeferiu seu pedido de perícia, formulado adequadamente, o qual seria imprescindível para o deslinde da controvérsia aqui travada, o que, contudo, acredito alega sem razão:» 3 MF - SEGUNDO rt) ..g i: LHO DE CONTRA:Il. :NTES CONTER.' t .. • O rm'OINAL Processo tf 36624.006392/2005-43é") P CCO2/C06 Acórdão n." 206-01.608 Braália,a_ / Fls. 398 , Maria de Fás • •• emir* • Carvalho Mm. Siape 751683 Nesse tom, é oportuno lembrar que a Constituição Federal, ao "junsdicionalizar o procedimento administrativo" (MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro, 28 Ed. Pág. 99), garantiu aos administrados em geral, o direito ao contraditório e à ampla defesa, sempre que o Estado venha lhe impor o seu poder sancionatório, ou ainda em processos que envolvam situações de litígio, configurando-se em inolvidável alicerce, sobre o qual se assenta o próprio Estado Democrático de Direito. Tais direitos decorrem do próprio princípio do devido processo legal (due process of law), e sua inobservância no procedimento fiscal, impõe a nulidade da própria execução que por ventura possa vir a ser ajuizada pelo sujeito ativo da obrigação tributária. Assim, é que o contraditório e a ampla defesa não se traduz em mera faculdade da Administração Pública, antes disso, é na verdade direito subjetivo garantido pela Carta Magna, e previsto também em lei, fora da alçada de conveniência administrativa, e retira do Estado qualquer possibilidade de impor seu poder de gravame ou sanção, sem que ouça adequadamente os cidadãos, possibilitando-lhes sua defesa. Não se pode duvidar que ao querer impor sua vontade, especialmente por meio de um procedimento administrativo, o Estado tem seu poder severamente limitado pelo direito, que na sua função precípua, vem socorrer o cidadão de possíveis arbitrariedades, garantido-lhe um julgamento adequado e justo. Nesse diapasão, sem dúvida que disponibilizar aos litigantes todos os meios de se comprovar suas alegações, onde aí se inclui a realização de prova pericial, significa não apenas garantir o irrestrito e necessário direito de defesa, mas, sobretudo, dar vida ao comando Constitucional. Com vistas a tal previsão, a Portaria MPAS n° 357/02, e no mesmo sentido a 520/05, que regulava os Procedimentos Fiscais em âmbito previdenciário, possibilitou a realização de perícias, nos moldes consignados no seu art. 7°, que assim rezava: "Art. 70 A autoridade julgadora determinará de oficio ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva decisão-notificação, aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis." É de se notar que o citado dispositivo conferiu a autoridade julgadora o poder de determinar a realização de diligências ou perícias, bem como deferir o seu requerimento, sempre que entender necessárias. De tal fato podemos concluir que a realização da prova pericial, muito embora seja garantia do litigante, como vimos, só restará possível quando se mostrar realmente necessária para elucidação dos fatos, sendo perfeitamente licito o seu indeferimento em situações onde se apresenta prescindível. Certamente foi com vistas à prescindibilidade da perícia requerida pela Contribuinte, que a mesma foi corretamente indeferida pelo douto julgador a quo, aliás, como restou consignado na DN. Vejo que o julgamento de I° grau não significou qualquer ofensa ao direito de defesa da empresa, ao passo que a indigitada perícia se mostrava, e se mostra ainda, totalmente impertinente» 4 ME - SEGUNI CONSELHO DE CONTRIBIZ•n'ES COM. Ur. COM O (NP IrilNAL Brasília ag-C /Processo n°36624.006392/2005-43 CLq‘ CCO21C06 Acórdão n.°206-01.608 Fls. 399 Maria de Fát ma erreira Mat. Siape 751683 Ora, a autuação em comento decorreu do fato da empresa ter deixado de apresentar a autoridade da fiscalização Previdenciária, documentos solicitados durante a ação fiscal. Portanto, o fato transgressor ao dever tributário formal ora vilipendiado, não exige uma análise pericial para confirmar a sua ocorrência, sendo a simples omissão em atender a solicitação da fiscalização, suficiente para justificar a lavratura do AI, com a consequente imposição da penalidade decorrente. Nesse ponto, não faria sentido, e seria até mesmo atentar contra a eficiência dos atos da Administração Pública, deferir a realização de diligência pericial, para elucidação de fatos claramente identificáveis e compreensíveis. Por isso, rejeito de plano a preliminar agitada, e com os mesmos fundamentos indefiro o pedido de perícia, feito em sede recursal, eis que se mostra verdadeiramente impertinente e desnecessária a sua realização, nos termos já demonstrados. Quanto à alegada decadência é imperioso reconhecer que os documentos não entregues a autoridade fiscal e ensejadores da autuação em comento, não se referem integralmente a período decadente, conforme comprova a planilha de fls. retro. Portanto, existindo documentos em períodos não cobertos pela decadência, configurada esta a infração ora em estudo, não havendo a ocorrência da decadência suscitada. Na esteira desse raciocínio, a ausência de fiscalização in /oco, como aventa a empresa, não tem o condão de viciar o trabalho fiscal em tela, conquanto, como já visto, discute-se aqui apenas a não apresentação de documentos, ou seja, estar no ambiente de trabalho da empresa, embora seja importante em alguns lançamentos específicos, não o é no caso em baila. No que tange a alteração promovida pelo citado Decreto Presidencial, mais uma vez sem sorte o Contribuinte, já que e nada repercute nestes autos, permanecendo a infração prevista na legislação previdenciária. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, para rejeitar a preliminar de nulidade da DN, rejeitar a perícia solicitada, e negar-lhe provimento no mérito. Sala das Sessões, em 02 de dezembro de 2008 Okilh RI 1" P LLIS PINTO Page 1 _0011000.PDF Page 1 _0011100.PDF Page 1 _0011200.PDF Page 1 _0011300.PDF Page 1
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Numero do processo: 35884.002938/2004-82
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2001 a 31/12/2003
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - RETENÇÃO DOS 11% -NÃO CIENTIFICAÇÃO DE DILIGÊNCIA - CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DE DN.
Não cientificação do recorrente acerca de diligência efetuadas -
cerceamento de defesa, nula a decisão de 1ª instância.
Processo Anulado.
Numero da decisão: 206-01.553
Decisão: ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos em anular a Decisão de Primeira Instância. Fez sustentação oral o(a) advogado(a) da recorrente Dr(a). Renato de Oliveira Silva, OAB/RJ no 133.477.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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NULIDADE DE DN. Não cientificação do recorrente acerca de diligência efetuadas - cerceamento de defesa, nula a decisão de 1a instância. Processo Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo n° 35884.002938/2004-82 Acórdão n.° 206-01.553 MF .SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIB.. 'TES CONFERE COM 0 ORMINAL Bm 9i J OS- , O' CCO2/C06 Fls. 228 Maria de Nitima Feireis de Caru;:.illo Mat. Siape 75 15S3 ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos em anular a Decisão de Primeira Instância. Fez sustentação oral o(a) advogado(a) da recorrente Dr(a). Renato de Oliveira Silva, OAB/RJ no 133.477. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto, Bernadete de Oliveira Barros, Cleusa Vieira de Souza, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n° 35884.002938/2004 -82 MF SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Acórdão n.° 206-01.553 CONFERE CDM o ORrfiiNAL Maria de Fátij Ferreira Ve-4(Cag'rvalito—e Mat. Siape 751683 CCO2/C06 Fls. 229 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa sobre a contratação de pessoas jurídicas mediante cessão de mão de obra. 0 lançamento compreende competências entre o período de 09/2001 a 12/2003, fls.04 a 09. A base de cálculo dos segurados utilizados na prestação de serviços mediante cessão de mão de obra pela empresa SERVIFACIL LTDA foram obtidas mediante a verificação das notas fiscais e contratos, boletins de medição, inclusive com valores de matérias discriminados. 0 relatório fiscal detalha a forma como os serviços foram prestados, identificando tratar-se de prestação de serviços mediante cessão de mão de obra. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deu-se em 28/09/2004, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido na mesma data. Contudo, relevante informar que o procedimento fiscal teve inicio em 17/10/2003, com a ciência do MPF, servindo este como medida preparatória para o lançamento. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa pela empresa notificada, fls. 59 a 65. Apresentou também defesa a Petrobrds distribuidora, fls. 140 a 145. e 0 processo foi baixado em diligencia tendo o auditor fiscal após a análise dos documentos apresentados emitido informação fiscal rebatendo os argumentos apresentados em sede de defesa, fls. 165 a 166. A Decisão-Notificação confirmou a procedência do lançamento fiscal, fls. 168 a 175. Não concordando com a decisão do órgão previdencidrio, foi interposto recurso, conforme fls. 189 a 195 por uma das responsáveis solidárias no caso a GASPRETO, no sentido de que teve cerceado o seu direito de defesa, ao não ter tido acesso a todo o teor da NFLD em questão, mas tão somente ao resultado do julgamento das mesmas. Ademais, só é cabível responsabilidade solidária, quando o terceiro esteja de alguma forma, vinculado a hipóteses de incidência, uma vez que somente o contribuinte principal tem relação jurídica direta e pessoal com o fato imponivel. A Petrobris — Petróleo Brasileiro S/A, ora recorrente também não concordando com a decisão do órgão previdencidrio, interpôs recurso, conforme fls. 202 a 210. Em síntese, a recorrente alega o seguinte: Ao contrário do alegado pela autoridade fiscal, tanto a recorrente quanto a contratada cumpriram integralmente com as suas obrigações, não ocasionando dessa forma, qualquer prejuízo ao cofre previdencidrio. 0 contrato em questão não envolveu cessão de mão de obra, razão porque inaplicável a retenção de 11%. - SEAAIN 00 CONSELHO 1)E CONTRIBuiNTES CONFERE COM 0 ORIGINAL Brasilia, Ci /c) , C4t e Maria de Pátua Ferreira de Carvalho Mat. Siape 751683 CCO2/C06 Fls. 230 Processo n° 35884.002938/2004-82 Acórdão n.° 206-01.553 Ao efetuar o lançamento contra o responsável tributário, sem verificar, contudo se o contribuinte originário já adimpliu a mesma obrigação, qual seja a de promover o recolhimento correto dessas contribuições, a fiscalização incorreu em "bis in idem". As orientações do próprio INSS são no sentido de cruzar informações de todos os devedores solidários, com vistas a verificação da regularidade do credito a ser constituído, evitando a cobrança de créditos já extintos. A autarquia considerou o valor bruto das notas fiscais como base de cálculo, sendo que deveria faze-10 apenas em relação ao montante da mão de obra empregada. Ademais, não se trata de cessão de mão de obra, mas venda de mercadorias, tendo em vista que referia-se ao fornecimento de refeições prontas. Não tem competência o tomador dos serviços para fiscalizar a regularidade do prestador. Requer o cancelamento da NFLD. A Petrobris distribuidora também apresentou seu recurso ás fls. 213 a 219, no sentido de além de não ter participado da relação jurídica previdencidria que deu origem ao lançamento da respectiva contribuição, não lhe foi dado a conhecer as razões e motivos que levaram a autarquia a lançar o débito previdencidrio. A SRP apresenta contra-razões as fls. 222 a 226. É o Relatório. Voto Conselheira ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: 0 recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 222. Pressupostos superados, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Analisando os autos verifiquei uma irregularidade. A Receita Previdencidria realizou diligência fiscal, e como resultado dessa diligência, foi emitida informação fiscal e não há provas de que o recorrente foi cientificado do resultado da diligência, sendo exarada DN, sem a possibilidade do contraditório em relação à diligência fiscal. Dessa forma, contata-se que, após a impugnação do sujeito passivo e antes do julgamento de la instância, o processo foi convertido em diligencia e a autoridade notificante se manifestou rebatendo as razões trazidas pela recorrente em sua defesa. CCO2/C06 Fls. 231 NTEIRO E SILVA VIEIRA arliima....M.110.ApaorA.M......46.11••••& —AM ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONIREBUINTBS CONFERE COM 0 ORIGINAL C"1 /Õ • / Maria de Fitinta (mere de Mat. Siape 751683 Segundo o Manual do Contencioso, o processo, como espécie de procedimento em contraditório, exige a manifestação de uma parte sempre que a outra traz para os autos fatos novos. Assim, se no curso do procedimento, são efetuadas diligências com manifestações do agente notificante sem conhecimento do sujeito passivo, faz-se necessária a abertura de prazo para sua manifestação, sob pena de cerceamento do direito de defesa. E, conforme art. 31, inciso II, da Portaria MPAS n° 520/04, são nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa. Portanto, a nulidade da DN merece ser decretada afim de que se possa oferecer oportunidade à recorrente de se manifestar a respeito da IF antes de qualquer decisão da Autarquia a respeito do lançamento. Entendo que a nulidade argüida de oficio só é cabível, quando identificado tratar-se de matéria de ordem pública, ou seja, caso reste constatado o efetivo cerceamento de defesa, falta de cumprimento de dispositivo legal que vicia todo o ato. A mera não cientificação dos termos de uma diligência fiscal, produzida após o lançamento não é a principio matéria de ordem público, se na própria Decisão Notificação resta transcrita os termos da diligência. Neste caso, não haveria que se falar em cerceamento de defesa, visto ter o notificado acesso aos termos da diligência, podendo inclusive rebatê-la pela via recursal. Caso não venha a fazê-lo não caberia a este conselho fazê-lo de oficio. Pela análise dos autos durante o julgamento, observei que a decisão notificação se resume a mencionar a diligência, sem contudo, trazer os seus termos, razão porque poder-se- ia argüir ter o contribuinte em parte prejudicado o seu direito ao contraditório e a ampla defesa. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, nos termos acima expostos. E como voto. Sala das Sessões, em 06 de novembro de 2008 Processo n° 35884.002938/2004-82 Acórdão n.° 206-01.553 5
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Numero do processo: 16024.000133/2007-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/10/2005
NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF.
OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA GFIP.
Constitui infração a empresa deixar de informar na GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DA GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES. CONEXÃO COM OS PROCESSOS RELATIVOS ÀS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS PRINCIPAIS.
Tratando-se de autuação decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória vinculada à obrigação principal, deve ser replicado, no julgamento do processo relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do julgamento do processo atinente ao descumprimento da obrigação tributária principal, que se constitui em questão antecedente ao dever instrumental.
Numero da decisão: 2402-011.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário interposto, nos termos do voto que segue no acórdão. Vencidos os conselheiros Francisco Ibiapino Luz e Rodrigo Duarte Firmino, que deram-lhe provimento parcial em menor extensão, não reconhecendo o reflexo decorrente dos créditos cancelados nos processos ditos principais em face do atingimento da decadência prevista no art. 150, § 4º, do CTN. O conselheiro Rodrigo Rigo Pinheiro não votou, por ter se declarado impedido, sendo substituído pelo conselheiro Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado).
(documento assinado digitalmente)
Francisco Ibiapino Luz Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Cláudia Borges de Oliveira, Diogo Cristian Denny, Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, José Márcio Bittes, Rodrigo Duarte Firmino, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado) e Wilderson Botto (suplente convocado).
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF. OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA GFIP. Constitui infração a empresa deixar de informar na GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DA GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES. CONEXÃO COM OS PROCESSOS RELATIVOS ÀS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS PRINCIPAIS. Tratando-se de autuação decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória vinculada à obrigação principal, deve ser replicado, no julgamento do processo relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do julgamento do processo atinente ao descumprimento da obrigação tributária principal, que se constitui em questão antecedente ao dever instrumental. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário interposto, nos termos do voto que segue no acórdão. Vencidos os conselheiros Francisco Ibiapino Luz e Rodrigo Duarte Firmino, que deram-lhe provimento parcial em menor extensão, não reconhecendo o reflexo decorrente dos créditos cancelados nos processos ditos principais em face do atingimento da decadência prevista no art. 150, § 4º, do CTN. O conselheiro Rodrigo Rigo Pinheiro não votou, por ter se declarado impedido, sendo substituído pelo conselheiro Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 01 33 /2 00 7- 22 Fl. 947DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-011.376 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16024.000133/2007-22 (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz – Presidente (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Cláudia Borges de Oliveira, Diogo Cristian Denny, Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, José Márcio Bittes, Rodrigo Duarte Firmino, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado) e Wilderson Botto (suplente convocado). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto em face da decisão da 6ª Tuma da DRJ/RPO, consubstanciada no Acórdão nº 14-32.245 (p. 691), que julgou a impugnação procedente em parte. Na origem, trata-se de Auto de Infração referente ao DEBCAD 35.906.665-8 (p. 2), com vistas a exigir multa por descumprimento de obrigação acessória, consistente em apresentar a empresa Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP e/ou GFIP RETIFICADORAS, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias (CFL 68). Nos termos do relatório da r. decisão, tem-se que: O Auto-de-Infração — AI n° 35.906.665-8, de 30/11/2006, foi lavrado por ter sido constatado que a Autuada apresentou GFIP - Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações A Previdência Social, relativas às competências 01/1999 a 12/2005, com dados não correspondentes a todos os fatos geradores, de acordo com o explanado pela Auditoria Fiscal, o que constitui infração As disposições contidas no art. 32, inc. IV, da Lei n°8.212, de 24.07.91, com a redação dada pela Lei n°9.528, de 10.12.97. De acordo com o contido no Relatório, os fatos geradores constantes dos Levantamentos GR2, PL2, PP2, S52, UN2, CI1 e AJ2 não foram declarados em GFIP e, em razão do não recolhimento das contribuições devidas, os valores foram lançados nas NFLD correspondentes, de acordo com o Anexo RL — RELATÓRIO DE LANÇAMENTOS, como segue: Fl. 948DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-011.376 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16024.000133/2007-22 Elaborado pela fiscalização a Relação de Autônomos não informados em GFIP (ordem por competência) e Relação de Pagamentos de Ajuda de Custo por mudança de local de trabalho (ordem de data). Aplicada a multa no valor de R$ 3.401.080,20 (três milhões, quatrocentos e um mil, oitenta reais e vinte centavos), fundamentada no art. 32, parágrafo 5°, da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 9.528/97, e art. 284, inc. II, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, e na redação do Decreto n° 4.729/03, e atualizada pela Portaria Ministerial n° 119, de 18.04.06 (DOU de 19.04.06). De acordo com a Auditoria Fiscal, não há circunstâncias atenuantes e não se aplica agravante para esta multa. A Empresa foi cientificada da autuação em 04/12/2006, conforme fl. 01 dos autos. Tudo de acordo com o explicitado no Feito, Relatório Fiscal da Infração, Relatório Fiscal da Aplicação Multa/Planilhas e Anexos, do presente processo. Dentro do prazo regulamentar, a Autuada apresenta Impugnação, alegando, em síntese: a) inicialmente, aponta as NFLD correlatas e em face da evidente conexão entre os mesmos e o AI em tela, requer a suspensão do presente até o julgamento final das impugnações apresentadas, evitando-se julgamentos conflitantes em relação As obrigações principais e As acessórias. E consigna que o AI (bem como as NFLD) não pode prosperar por falta de amparo legal; b) Preliminarmente. Da Decadência do direito à constituição do crédito referente à multa aplicada. Traz uma ampla argumentação alegando que está exonerada do recolhimento relativo ao período de 07/1996 a 11/2001; c) Da ilegitimidade dos Co-Responsáveis. Fundamenta fartamente sobre o tema para deixar patente a impossibilidade de responsabilização das pessoas físicas ou jurídica apontadas indevidamente como co-responsáveis pelos débitos; d) Da precariedade na instrução do AI. Nulidade decorrente de ausência de documentos na via do Impugnante. Ao contrário do informado, a via do AI entregue não está instruída com cópias do TIAD. Dessa forma, está maculado de nulidade formal. A ausência de documentação utilizada na autuação implica ofensa aos principio do contraditório e da ampla defesa — corolários do devido processo legal, assegurados em nossa Carta Magna. Traz doutrina e julgado do 1° Conselho de Contribuintes. Resta demonstrada a nulidade da NFLD, em razão de cerceamento de defesa, uma vez que não houve descrição precisa dos fatos que ensejaram a exigência fiscal; e) Do Mérito. Da ausência de dados em GFIP. Fatos geradores descritos na NFLD n° 35.906.523-6. Da real composição da remuneração. Reporta-se ao Plano de Previdência Privada Complementar, implementado em abril/1997, incluindo tão somente como beneficiários os dirigentes e empregados que naquela data ocupavam cargo de confiança e auferiam salários iguais ou superiores a R$ 1.500,00 e transcreve art. 2° do Contrato Previdenciário firmado, sistemática adotada aos estipular quais beneficiários, nos termos do art. 5° do mesmo Contrato, que também transcreve. Segundo equivocado entendimento do Sr. AFPS, por não ser extensivo a todos os segurados, tal beneficio deve ser integrado à remuneração. Todavia, referidos valores não estão compreendidos no conceito de remuneração, conforme art. 458 da CLT, que cola aos autos. No mesmo sentido, transcreve art. 2° do Decreto-lei n° 2.296/86. Contudo a Lei n° 9.528/97 deu nova recta* ao § 9° da Lei n° 8.212/91, que em cuja alínea "p" trouxe a exigência para não integrar o salário -de-contribuição o valor pago a titulo de previdência complementar desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. Foi nesse enfoque que a Auditoria formou sua convicção. Entretanto, tal argumento está desprovido de qualquer razão, evidenciando a ilegalidade e inconstitucionalidade da exigência em tela, e tece elaborado arrazoado sobre o assunto; f) Da ausência de dados em GFIP. Fatos geradores descritos na NFLD n° 35.906.524-4. Da imunidade da PLR — art 7°, XI, da CF/88. 0 Al decorre do entendimento de que a Fl. 949DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-011.376 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16024.000133/2007-22 Impugnante não apresentou critérios objetivos para o pagamento da PLR. No entanto, não pode prosperar tal pretensão por duas razões: (i) apresentou sim critérios objetivos para o pagamento da PLR e (ii) a despeito disso, a PLR não pode ser base de calculo, por expressa vedação constitucional. 0 Relatório da NFLD traz que apresentou declaração afirmando que os valores são distribuídos a todos os funcionários de forma igualitária, em montantes fixos. Assim não há que se falar na ausência de critérios objetivos. E da declaração fornecida jamais constou qualquer afirmação no sentido de que não havia documentos referentes aos critérios objetivos utilizados para o pagamento da PLR. E nem poderia, já que tem acordos firmados com os Sindicatos, nos termos do inc. II do art. 2° da Lei n° 10.101/00. Conforme se denota da juntada de diversas convenções de sindicatos, paga valores iguais ou maiores do que os previstos nas referidas convenções e cita exemplos. E nem se alegue que não apresentou todas convenções. Os pagamentos são maiores que os determinados de modo que não seria justo nem moral o desembolso de valores maiores para determinados empregados de uma filial e menores para os de outra, isso com base em acordos sindicais. E, apenas para argumentar, ainda que se pudesse considerar que não apresentou os critérios objetivos, tal fato não teria o condão de afastar a vedação constitucional à tributação de tal verba. Traz o art. 7° da CF, com a expressão "desvinculada da remuneração", auto aplicável, e artigos da Lei n° 10.101/00, de caráter meramente indicativo, que enumera os requisitos, devidamente cumpridos. Cola jurisprudência. Ainda, que tivesse descumprido o art. 2° da Lei n° 10.101/00 — apenas para argumentar — não poderia implicar tributação vedada constitucionalmente. Quando muito poderia oficiar o Ministério Público do Trabalho ou aplicar multa, eventualmente, prevista em lei. Não poderia, jamais, tributar o que a Lei Maior diz não tributável; g) Da ausência de dados em GFIP. Fatos geradores descritos na NFLD n° 35.906.528-7. Da real composição da remuneração. Segundo equivocado entendimento do Sr. Auditor, em razão do Seguro-Saúde não ser extensivo a todos os segurados integra a remuneração para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias. Mas, tais valores não estão compreendidos no conceito de remuneração, conforme art. 458 da CLT. E como já dito, a Lei n° 9.528/97 deu nova redação ao § 9° da Lei n° 8.212/91, e transcreve a alínea "q", que disciplina que o valor relativo à assistência médica/odontológica não integra o salário-de-contribuição desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes. Transcreve o art. 214 do RPS. E sobre esse enfoque que a Auditoria firmou sua convicção. Entretanto, tal argumento esta desprovido de qualquer razão, evidenciando a ilegalidade e inconstitucionalidade da exigência em tela, e traz um arrazoado semelhante contido em item anterior (e). Aponta outro equivoco do Sr. Auditor e traça a diferença entre Plano de Saúde e Seguro-Saúde, espécies do gênero assistência médica. Foi lavrada a NFLD por vislumbrar "supostas" diferenças dos planos de saúde disponibilizado a todos os empregados, porém para seus diretores e alguns empregados disponibiliza ainda o Seguro-Saúde. Exigir que a assistência médica seja exatamente igual a todos os empregados (plano de saúde ou seguro saúde) viola o principio constitucional da legalidade, insculpido no art. 5°, inc II, da CF/88. Disponibilizou o beneficio da assistência médica (seja por plano de saúde seja por seguro saúde) a todos os seus empregados, indistintamente, e a legislação não exige que o beneficio seja idêntico para todos. Tal exigência é inconstitucional e ilegal; h) Da ausência de dados em GFIP. Fatos geradores descritos na NFLD n° 35.906.525-2. Da real composição da remuneração. Argumentação análoga ao item anterior, referente a NFLD n°35.906.528-7; i) Da ausência de dados em GFIP. Fatos geradores descritos na NFLD n° 35.906.663-1. Da ofensa à legalidade do ato administrativo — Finalidade/Competência/Motivo. Robustamente contesta a Notificação n° 35.906.663-1, que para o presente se torna dispensável, em razão de que tais valores não foram objeto de inclusão no AI em discussão; j) Inaplicabilidade da Multa de 100%. Na hipótese dos argumentos não serem acolhidos e a multa mantida, é mister que a multa cobrada seja minorada, pois, a multa equivalente a 100% carrega efeitos confiscatórios, vedado pela CF/88; Fl. 950DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-011.376 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16024.000133/2007-22 k) e, ao final, requer a suspensão do presente até o julgamento final das Impugnações apresentadas em face das NFLD n° 35.906.661-5, 35.906.663-1, 35.906.528-7, 35.906.525-2, 35.906.527-9, 35.906.524-4, 35.906.523-6 e 35.906.662-3; a exclusão das pessoas físicas e jurídica arroladas como co-responsáveis; o cancelamento total do Al e arquivamento do processo e, caso mantida a autuação, redução da multa. Inicialmente, pelas razões explicitadas no Despacho n° 0025, de 08/maio/2009, o processo foi baixado em diligência ao Órgão lançador, notadamente para especificar os motivos que tais rubricas foram consideradas salário-de-contribuição, e, ainda, se possível, juntar a Declaração alusiva ao PLR. Em cumprimento, foi emitido Relatório Fiscal onde se tem a motivação de cada rubrica aqui incluída e um quadro demonstrativo, em observância ao artigo 106, inc. II, "c", do CTN, que trata da retroatividade de multa, e comparou-se à multa imposta pela legislação vigente A época da ocorrência dos fatos geradores e a superveniente - Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, que alterou as penalidades aplicáveis tanto para o descumprimento de obrigações acessórias quanto de obrigações principais. Cópia do mencionado Relatório foi remetida à Empresa, que cientificada apresentou aditamento à Defesa e alegou, em síntese: a) inicialmente, reporta-se à autuação, à Impugnação inicial e ao Despacho desta Relatora, que ao invés de declarar a nulidade do Auto, determinou a devolução dos autos para que fossem esclarecidos os motivos para a constituição do pretenso crédito; b) Preliminarmente. Da Nulidade da Autuação — Ausência de Motivação. O AI é nulo de pleno direito, uma vez que não cumpre os requisitos essenciais de validade, pois foi lavrado sem a adequada descrição e determinação dos fatos que ensejaram a contribuição pretendida bem como desprovida de documentação a embasar a pretensão; c) e o retomo dos autos para regularização determinada pela Presidente da 6ª Turma de Julgamento ao invés de declarar a nulidade do AI, afrontou dispositivos constitucionais e legais. Transcreve art. 10, III, do Decreto n°70.235/72, que explicita requisito essencial — correta motivação, e na sua ausência ou incorreção há de ser decretada sua nulidade e cola aos autos doutrinas e julgado da DRJ/Sao Paulo; d) repete a nulidade, invocada na Defesa inicial, uma vez que a via do AI entregue à Impugnante não foi instruída com cópias dos TIAD; e) o Relatório ora apresentado não supre as nulidade do AI, muito menos apresenta a documentação requisitada, ou seja, não logrou êxito em motivar suas razões, o que comprova, mais uma vez, sua nulidade e traz julgados, o que gerou incertezas, prejudicou a ampla defesa e perpetrou vicio insanável no AI, nos termos do art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72; f) repete o tema da Responsabilidade dos Sócios e Administradores e traz um arrazoado sobre a matéria e ressalta que não deve prevalecer o entendimento, que foram arrolados apenas com a finalidade meramente administrativas; g) Do Direito. Da Ausência de Dados em GFIP/Fatos Geradores Descritos nas NFLD n° 35.906.523-6, 35.906.524-4, 35.906.528-7, 35.906.525-2 e 35.906.663-1. Apresenta um breve resumo, reportando-se aos argumentos da primeira defesa, a qual deverá ser apreciada juntamente com o presente aditamento, destacando que em referência à rubrica PLR, quedou-se inerte a Impugnada quanto à apresentação de documento solicitado. Acrescenta, ainda, que quanto à parcela Previdência Privada, optou por incluir referido débito no parcelamento REFIS IV, conforme comprovam documentos anexos; h) Da Aplicação do art. 32-A da Lei n° 8.212/91 — Retroatividade Benéfica. Ad argumentandum, não acolhidos os argumentos anteriores (e em cada um dos processos administrativos vinculados), é mister que a multa seja minorada em decorrência da aplicação do art. 32-A da Lei n° 8.212/91, introduzido pela Medida Provisória n° 449/2008. Reporta-se à planilha elaborada pela Auditoria e a redução é infundada, vez que se utilizou fundamento diverso do aplicável, para tentar manter quantia arbitrária e confiscatória. Além disso, confundiu a suposta multa do presente com a já aplicada em Fl. 951DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-011.376 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16024.000133/2007-22 cada uma das NFLD, o que acarreta duplicidade de exigência. Traz os art. 32, IV e 32- A, I e II, da novel legislação, que também revogou o art. 34 e alterou a redação do art. 35, todos da Lei n°8.212/91. O art. 44 da Lei n° 9.430/96 prevê a multa de 75% aos casos de ausência de recolhimento de contribuições. E está havendo confusão, uma vez que as multas já são objeto das NFLD mencionadas. E as novas normas trazidas pela Lei n° 11.941/09 reduziram de forma substancial os valores aplicados a titulo de multa. Deve ser aplicado o art. 32-A, conforme assegura o principio da retroatividade benigna, expresso no art. 106 do CTN, devendo o processo retornar ao órgão lançador para sua adequação e traz julgados do então Conselhos de Contribuintes e do Poder Judiciário, também reconhecida pela Presidente da 63 Turma da DRJ/RPO; i) Do Pedido. E, ao final, requer a declaração de nulidade, pela ausência de motivação e não apresentação de documentos; a exclusão das pessoas físicas e jurídica arroladas como co-responsáveis (ou vinculados) do polo passivo do AI; cancelamento total do Al, quer pelas preliminares quer pelas razões de mérito apresentados na Impugnação de 16/12/2006 e aditamento, com o arquivamento do processo, e, caso mantida a autuação, redução da multa aos termos do art. 32-A da Lei n° 8.212/91, introduzido pela Lei n° 11.941/09. A DRJ julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela Contribuinte, nos termos do susodito Acórdão nº 14-32.245 (p. 691), conforme ementa abaixo reproduzida: AUTO-DE-INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos fatos geradores de contribuições previdenciárias. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Descabida a arguição de nulidade do feito, quando o Auto-de-Infração está motivado, com a descrição das razões de fato e de direito, contendo as informações suficientes ao exercício do contraditório e da ampla defesa. Preservado o direito de defesa do sujeito passivo quando os motivos fáticos e jurídicos são adequadamente apresentados pela Auditoria Fiscal. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA EM PARTE. A partir da publicação da Súmula Vinculante STF n° 08, a decadência no âmbito previdenciário passa a ser regida pelo CTN. Em se tratando de autuação em razão de descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento, aplicando-se a regra geral. RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS. CORESP. MEDIDA ADMINISTRATIVA. Constitui peça de instrução do processo administrativo-fiscal previdenciário o Anexo CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação, medida meramente administrativa, com a finalidade de subsidiar a Procuradoria da Fazenda Nacional em eventual necessidade de execução judicial. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. PREVIDÊNCIA PRIVADA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. GRATIFICAÇÃO. SEGURO SAÚDE. ASSISTÊNCIA MÉDICA. AJUDA DE CUSTO. Integram o salário -de-contribuição: - o valor atinente a programa de previdência privada, quando não extensivo a todos os segurados; - o pagamento de participação nos lucros ou resultados da empresa, em desacordo com a lei especifica. - o valor pago a titulo de gratificação eventual, em desacordo com a legislação pertinente. Fl. 952DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-011.376 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16024.000133/2007-22 - o valor relativo a seguro saúde, em razão de tal rubrica não estar incluída no rol das parcelas não componentes. - a importância concernente a assistência médica e reembolso de despesas médicas e hospitalares, quando pago em discordância com a legislação correspondente. - a parcela recebida pelo segurado empregado a titulo de ajuda de custo, quando não recebida em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado e em parcela única. MULTA APLICADA. LEGALIDADE. Multa fixada nos parâmetros da legislação vigente à época da exação tem respaldo legal. MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. READEQUAÇÃO DE VALORES. MOMENTO DO PAGAMENTO. A retroatividade benéfica da lei, cominando penalidade menos severa que a anterior, pode ensejar a retificação da multa lançada, a ser verificada no momento do pagamento. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e a legalidade dos atos normativos infralegais. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificada da decisão exarada pela DRJ, a Contribuinte apresentou o competente recurso voluntário (p. 729), esgrimindo suas razões de defesa nos seguintes pontos, em síntese: (i) consunção das penas; (ii) julgamento conjunto do AI com as NFLDs (referentes às obrigações principais); (iii) inexistência de responsabilidade solidária dos sócios e administradores; insubsistência do Relatório CORESP; (iv) improcedência do lançamento fiscal em face da insubsistência das autuações referentes às obrigações principais; e (v) aplicação de multa mais benéfica. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Conforme se verifica do relatório supra, trata-se, o presente caso, de autuação fiscal em decorrência de descumprimento de obrigação acessória, consistente em apresentar a empresa Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP e/ou GFIP RETIFICADORAS, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias (CFL 68). Fl. 953DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-011.376 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16024.000133/2007-22 A Contribuinte, em sua peça recursal, esgrime suas razões de defesa nos seguintes pontos, em síntese: (i) consunção das penas; (ii) julgamento conjunto do AI com as NFLDs (referentes às obrigações principais); (iii) inexistência de responsabilidade solidária dos sócios e administradores; insubsistência do Relatório CORESP; (iv) improcedência do lançamento fiscal em face da insubsistência das autuações referentes às obrigações principais; e (v) aplicação de multa mais benéfica. Pois bem! Com exceção da alegação referente à improcedência do lançamento fiscal em face da improcedência dos lançamentos referentes às obrigações principais, considerando que as demais razões de defesa objeto do recurso voluntário em análise, em nada diferem daquelas apresentadas em sede de impugnação, em vista do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adoto os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do inteiro teor de seu voto condutor neste particular, in verbis: Os fatos geradores lançados no Al em tela (a exceção da NFLD n° 35.906.661-5) referem-se a salários indiretos que podem integrar ou não o salário-de-contribuição, de acordo com o § 9° do art. 28 da Lei n° 8.212/91, o que depende da realidade Mica encontrada pela Auditoria durante a ação fiscal, que, de principio, a Fiscalização juntou cópia dos Relatórios de Lançamentos das respectivas NFLD. E que tanto o AI bem como as NFLD foram lavrados durante a mesma ação fiscal e em cada uma das Notificações traz a motivação especifica. Preocupou-se a fiscalização em trazer detalhadamente ao presente AI os valores de cada NFLD para deixar patente o valor da multa apurado pelo descumprimento da obrigação acessória deixando para as Notificações as razões de que os valores pagos, nas rubricas citadas, compõem o salário-de-contribuição. Tivessem todos os processos julgamento simultâneo nem haveria necessidade da diligência solicitada, pois as informações se complementariam. No entanto, por questões que não afetam o julgamento do presente, as NFLD foram julgadas pela então Secretaria da Receita Previdenciária e parte delas, a maioria, sequer transitaram por esta Delegacia de Julgamento. E embora a Defendente alegue que o Relatório Complementar não supre a nulidade arguida, não compartilho com essa tese. Totalmente incabível a alegação de cerceamento de defesa. Isso fica muito claro pela Defesa inicial apresentada, que traz uma robusta argumentação para contestar cada uma das inúmeras rubricas componentes do salário-de-contribuição. (...) Alias, quero ressaltar que o próprio Despacho traz "... pois embora a Auditoria Fiscal juntou copia dos Relatórios de Lançamentos das respectivas NFLD e uma parte da argumentação da Defendente corrobora o procedimento fiscal..... Portanto, não se pode falar em cerceamento de defesa. Ao contrário, os direitos ao contraditório, a ampla defesa e ao devido processo legal foram integralmente preservados, como se verifica pela própria Defesa apresentada. Fl. 954DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2402-011.376 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16024.000133/2007-22 A Autuada sempre teve total conhecimento do que lhe era imposto. Do contrário, não teria condição de apresentar uma Defesa tão detalhada, demonstrando ter pleno conhecimento da matéria objeto do crédito tributário em litígio, não se observando o desrespeito apontado pela Notificada. Os direitos fundamentais à ampla defesa e ao contraditório, assegurados pela Constituição de 1988, garantem tratamento ison8mico aos litigantes, seja em processo judicial ou administrativo, oferecendo-lhes iguais oportunidades de manifestação e produção de provas, com o propósito de influir no convencimento do julgador. Dessa forma, quando a Administração, antes de decidir sobre o mérito de uma questão administrativa, da a parte contraria a oportunidade de impugnar da forma mais ampla que entender, não está infringindo, nem de longe, os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Dessa forma, o Relatório Complementar supre sim a motivação imprescindível para a convicção desta Julgadora, o que possibilita o pleno julgamento. E quanto ao documento alusivo ao PLR, que a Impugnada "quedou-se inerte", lembro que tal solicitação foi acompanhada de "se possível" e deixo claro que tal ausência não vai prejudicar o julgamento neste tópico, em razão do contido no Relatório Complementar e documentos pertinentes juntados aos autos. E quanto à via da Impugnante não estar instruída com cópias do TIAD, também não hi qualquer irregularidade, e, muito menos, leva a nulidade dos autos, pois tais documentos foram devidamente recebidos por representante da Autuada, conforme fazem prova as cópias juntadas aos autos, as fls. 315 a 343. Ou seja, a Autuada detém cópia dessa documentação. Dessa forma, afasto por completo as arguições de nulidade, pretendida pela Defendente. (...) DO RELATÓRIO CORESP — RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS. A Impugnante se mostra irresignada com a responsabilização das pessoas físicas e jurídica apontadas indevidamente como co-responsáveis pelos débitos. Cumpre esclarecer que o Anexo especifico denominado CORESP — RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS, de acordo com a Instrução Normativa/INSS/DC 100, de 18/11/2003 (DOU de 24/12/2003), o qual, em seus próprios dizeres, "... lista iodas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação." Vê-se nitidamente que os efeitos gerados pela inclusão de pessoas físicas no referido Relatório não implicam automaticamente na co-responsabilização das mesmas pelo crédito lançado bem como não foram arroladas no pólo passivo do AI. Pelo contrário, de inicio o CORESP serve apenas como subsidio à Procuradoria, caso haja a necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, após o encerramento do contencioso administrativo. (...) DA MULTA APLICADA. LEGALIDADE. A Autuada assinala que a multa cobrada deve ser minorada, pois carrega efeitos confiscatórios. Contudo, em face da infração, a Empresa está sujeita a multa punitiva , que foi aposta de conformidade com o Relatório Fiscal e Anexos, em consonância com o que determinam os dispositivos legais e Portaria Interministerial, vigentes à data da autuação. (...) Os reajustes previstos na Lei/Regulamento são estabelecidos através de Portaria, e o valor imposto no presente AI foi fixado pela Portaria Ministerial MPS n° 119, de 18.04.06 (DOU de 19.04.06). Fl. 955DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2402-011.376 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16024.000133/2007-22 Dessa forma, a fundamentação da multa pela infração, objeto da presente autuação, encontra-se estritamente contida na legislação de comando vigente à época, cabendo a esfera administrativa zelar pelo seu cumprimento, não podendo este Órgão Julgador afastá-la, ou mesmo reduzi-la, em face da submissão desta ao Principio da Legalidade. O caput do art. 37 do Texto Constitucional estabelece os fundamentais princípios orientadores da Administração Pública, dentre eles, destaca-se o da Legalidade, o qual é claro ao dispor que a administração só pode fazer exatamente o que a lei manda, determina. Por fim, no que diz respeito ao caráter confiscatório da multa, não se pode acatar esta tese. A argumentação de que a Constituição Federal proíbe o confisco, não prospera, eis que a vedação constitucional ao confisco, antes de tudo, é dirigida ao legislador ordinário, que deve respeitá-lo no processo de elaboração legislativa, cabendo às autoridades administrativas o papel de aplicar as determinações legais emanadas dos poderes competentes e zelar pelo cumprimento das obrigações tributarias por parte dos contribuintes. O lançamento é uma atividade vinculada e obrigatória, não cabendo juízo de valor quanto a este suposto aspecto alegado pela Impugnante. E como será abordado no tópico especifico, a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência e a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário. DA MULTA APLICADA. ALTERAÇÃO. COMPARAÇÃO. LEGISLAÇÃO VIGENTE A ÉPOCA DOS FATOS GERADORES E A NOVEL. Em seu Aditamento, alega que as novas normas trazidas pela Lei n° 11.941/09 reduziram de forma substancial os valores aplicados a titulo de multa e que deve ser aplicado o art. 32-A, devendo o processo retomar ao órgão lançador para sua adequação. Conforme já disposto anteriormente, a multa aplicada no presente AI estava prevista nos dispositivos supra mencionados, uma vez vigentes a época da ocorrência da infração e da lavratura do Al, estando correta a Auditoria Fiscal agindo como o fez. No que tange à aplicação de multa, exigida no Auto em exame, necessário se faz apresentar a sistemática das duas legislações. É bom destacar que, em razão do advento da Medida Provisória n°. 449/2008, convertida na Lei n°. 11.941/2009, que alterou as penalidades aplicáveis tanto para o descumprimento de obrigações acessórias quanto de obrigações principais, em observância ao artigo 106, inc. II, "c", do CTN, que trata da retroatividade de multa, para até a competência 11/2008, deve-se comparar à multa imposta pela legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e a superveniente, devendo ser aplicada a mais favorável ao contribuinte. Na legislação anterior, na NFLD ou AlOP, a multa aplicada em decorrência do inadimplemento no recolhimento das contribuições previdenciárias obedecia ao artigo 35 da Lei no 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.528, de 10/12/97, e alterações introduzidas pela Lei n° 9.876/99. (...) E na legislação anterior, também caberia a autuação por descumprimento de obrigação acessória prevista no inc. IV da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei n° 9.528/97 - apresentação de GFIP com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, com a imposição da multa correspondente. (...) Em resumo, na legislação antecedente, a empresa que deixasse de recolher as contribuições bem como de declará-las em GFIP tinha contra si a lavratura de dois AI, a saber: Fl. 956DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 2402-011.376 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16024.000133/2007-22 a) um relativo ao descumprimento da obrigação acessória, de acordo com o artigo 32, inc. IV e § 5º, da Lei n°8.212/91, correspondente a 100% do valor devido, relativo à contribuição não declarada (declaração inexata), limitada em função do número de segurados — AIOA — AI 68; b) outro pelo descumprimento da obrigação principal, correspondente, inicialmente, à multa de mora de 24%, prevista no art. 35, II, "a", da mesma Lei. No entanto, com a alteração havida no ordenamento jurídico com o advento da Medida Provisória n°449/08 (convertida na Lei n° 11.941/09), que em seu art. 24, alterou a Lei n° 8.212/91, e no tocante à multa aplicada por descumprimento da obrigação acessória contida no inc. IV do art. 32 da Lei citada, acrescentou o art. 32-A, modificando substancialmente as regras estabelecidas originalmente. Alterou ainda a redação do art. 35 e incluiu o 35-A do mesmo diploma legal, passando a aplicar-se a multa prevista no artigo 44, inc. I, da Lei n° 9.430/96, caso haja lançamento de oficio. (...) Assim, já na novel, em breve síntese, a multa de oficio prevista no art. 44, inc. I, da aludida Lei n°9.430/96, é (mica, no importe de 75% e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) das contribuições devidas, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata. Sendo assim, para as duas infrações, relativamente à obrigação principal e à obrigação acessória, haverá a incidência de apenas uma multa (de oficio), no montante de 75% das contribuições não recolhidas. É importante ressaltar que a superveniente Medida Provisória não deixou de imputar penalidade A conduta omissiva praticada pela Autuada, mas cominou-a com sistemática de penalização diversa da original. Ressalte-se, mais, que o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, assim, o regime de tributação deve também obedecer às normas vigentes à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN. No entanto, considerando-se as disposições contidas no art. 106, II, "c" do Código Tributário Nacional - CTN, que trata da aplicação retroativa de lei que impute penalidade menos severa que a prevista ao tempo de sua prática, necessário se faz à análise comparativa da multa, devendo prevalecer aquela mais favorável ao Sujeito Passivo. (...) Nesse sentido, no caso de lançamento de oficio das obrigações principais não declaradas e nem recolhidas em período anterior à MP n° 449, necessário o cotejo das duas multas, de mora e do descumprimento de obrigação acessória, em conjunto, com a penalidade prevista no art. 44, inc. I, da Lei no 9.430/96, pois, esta abarca ambas as infrações (decorrentes do descumprimento da obrigação acessória e principal). (...) A nova legislação, para os lançamentos de oficio, prevê uma única multa para os casos de falta de recolhimento e de falta de declaração ou apresentação de declaração inexata em GFIP ou apenas a multa de mora quando não ocorrer o lançamento de oficio, enquanto que a legislação que vigia até a edição da Medida Provisória acima, previa uma multa de mora para a falta de recolhimento de contribuições (NFLD ou AIOP — Auto de Infração de Obrigações Principais) e mais uma multa pecuniária para falta de declaração ou declaração inexata em GFIP, cobrada através de um AIOA (Auto de Infração de Obrigações Acessórias). Desta forma, para efeito da comparação das multas para se definir a mais benéfica ao contribuinte, deverão ser consideradas as multas aplicadas sob a égide da legislação anterior, quais sejam, a multa de mora da NFLD ou AIOP conjuntamente com as multas aplicadas através dos AIOA de GFIP, quando existirem, conexos com os AIOP, e a multa a ser aplicada diante da nova legislação. Fl. 957DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 2402-011.376 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16024.000133/2007-22 E na hipótese de não declaração em GFIP de valores recolhidos pelo contribuinte, ou seja, sem lançamento de oficio, a comparação se dá de forma isolada — AIOA — art. 32, § 5° (Al 68) versus AIOA — art. 32-A, inc. II (AI 78), ambos da Lei n°8.212/91, em suas redações respectivas. De tais disposições legais e como na presente ação fiscal tem-se descumprimento de obrigação acessória e também principal, pelo mesmo fato gerador, mostra-se necessária à análise comparativa da multa - em conformidade com a legislação à época e a cominada no novo ordenamento jurídico, devendo prevalecer a mais benéfica ao Sujeito Passivo. No entanto, em razão das características da multa de mora aplicada apenas nos AIOP ou NFLD e que era prevista no artigo 35 da Lei 8.212/91, cujo percentual de multa varia conforme a fase processual e o quantum é definido apenas no momento do pagamento do débito, tal comparação não é factível no presente momento, devendo ser realizada apenas quando da quitação pelo sujeito passivo dos valores lançados ou de seu parcelamento ou no momento do ajuizamento da execução fiscal, em conformidade, inclusive, com a Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14, de 2009, DOU de 8.12.2009, restando certo que deverá ser aplicada à multa mais benéfica ao contribuinte nos termos do supracitado artigo do CTN. Assim, a melhor interpretação dos dispositivos trazidos pela novel legislação, ao encontro do mandamento da retroatividade benéfica imposto pelo art. 106, II, do CTN, acarreta a desconsideração do Demonstrativo do novo valor da multa, elaborado pela Auditoria, pois tal comparação não é factível no presente momento, restando certo que deverá ser aplicada à multa mais benéfica ao contribuinte. DA LEGALIDADE E CONSTITUCIONAL1DADE DAS LEIS. Há que se destacar que um dos princípios basilares da administração pública é o da legalidade, principio que obsta a aplicação da discricionariedade pelo gestor público, ou seja, existe a obrigação de cumprir e respeitar as leis em vigor. Assim, a lei, cuja invalidade ou inconstitucionalidade não tenha sido declarada, surtirá efeito enquanto vigente e será obrigatoriamente cumprida pela administração por força do ato administrativo vinculado. Não é possível, em sede administrativa, afastar a aplicação de legislação em vigor, conforme estabelece o art. 18 da Portaria RFB n°. 10.875, de 16/08/2007 (DOU de 24.08.2007), e art. 26-A do Decreto n°. 70.235/1972, acrescentado pela Medida Provisória n°. 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n°. 11.941, de 27.05.2009. E por estarmos todos submetidos ao principio da legalidade, cumpre-nos aplicar as Leis tais como estejam em vigor, possuindo somente nossa Corte Magna a prerrogativa de declarar a inconstitucionalidade de Leis (art. 102, I, "a", da Lei Soberana), ressaltando- se que o guardião da Constituição Federal é o STF, cabendo, unicamente a ele, declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional, o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei porque o seu destinatário entende ser ilegal / inconstitucional quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. Sendo assim, a Administração deve abster-se de reconhecer ou declarar a inconstitucionalidade e, sobretudo, de aplicar tal reconhecimento ou declaração nos casos concretos, de leis, dispositivos legais e atos normativos que não tenham sido assim expressamente declarados pelos órgãos competentes ou reconhecidos pela Chefia do Poder Executivo. Adicionalmente às conclusões supra reproduzidas, ora adotadas como razões de decidir, destaque-se que, em relação à irresignação da Contribuinte referente ao Relatório de Co- Responsáveis, o tema em questão não comporta discussão no âmbito do contencioso administrativo, conforme Súmula CARF nº 88, in verbis: Fl. 958DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 2402-011.376 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16024.000133/2007-22 Súmula CARF nº 88 A Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o"Relatório de Representantes Legais - RepLeg"e a"Relação de Vínculos -VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). No que tange à alegação de efeito confiscatório da multa aplicada, ressalta-se que não compete à autoridade administrativa apreciar a arguição e declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de lei, pois essa competência foi atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário, pela Constitucional Federal, art. 102. A mais abalizada doutrina escreve que toda atividade da Administração Pública passa-se na esfera infralegal e que as normas jurídicas, quando emanadas do órgão legiferante competente, gozam de presunção de constitucionalidade, bastando sua mera existência para inferir a sua validade. Sobre o tema, conferia-se o enunciado da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Com relação, especificamente, à alegação de consução das penas, improcede a alegação da Contribuinte, não havendo que se falar com cobrança de mais de uma multa em decorrência do mesmo fato. Isto porque, uma coisa é a cobrança da multa de ofício exigida em decorrência do lançamento do tributo exigido pela Fiscalização; outra coisa, completamente diferença, é a cobrança de multa por descumprimento de obrigação acessória, sendo este o caso dos presentes autos. É dizer: a multa do presente Auto de Infração não se confunde com a multa de mora, não havendo incidência de juros ou correção monetária no momento da lavratura do Auto de Infração. Tratando-se de institutos diversos, podem ser aplicados de forma cumulativa. Por fim, mas não menos importante, analisando-se a decisão de primeira instância, verifica-se que a DRJ já concluiu pela aplicação da multa mais benéfica, a qual deverá ser apurada à época do pagamento do crédito tributário. Da Insubsistência do Lançamento em face da Improcedência dos Lançamentos objeto dos Processos Principais. Conforme exposto no relatório supra, trata-se, o presente caso, de autuação fiscal em decorrência de descumprimento de obrigação acessória consubstanciada no dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. Verifica-se, pois, que o caso ora em análise é uma decorrência do descumprimento da própria obrigação principal: fatos geradores da contribuição previdenciária. Assim, deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, os resultados dos julgamentos dos processos atinentes ao descumprimento das obrigações tributárias principais, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental. Pois bem! Fl. 959DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 2402-011.376 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16024.000133/2007-22 Em consulta ao endereço eletrônico do Comprot – Comunicação e Protocolo do Ministério da Fazenda, ao sítio eletrônico do CARF e às decisões anexadas ao presente processo administrativo, tem-se o seguinte panorama em relação aos processos administrativos referentes às obrigações principais: DRJ CARF 35.906.527-9 13876.000332/2007-11 Gratificação Eventual Lançamento Procedente Recurso Voluntário Provido em Parte, reconhecendo-se a decadência até competência 11/2001 - Acórdão 206-01.350 - 35.906.662-3 13876.000333/2007-66 Ajuda de Custo Lançamento Procedente Recurso Voluntário Provido em Parte, reconhecendo-se a decadência até competência 11/2000 - Acórdão 2402-00.732 - 35.906.523-6 13876.000335/2007-55 Previdência Privada Lançamento Procedente Recurso Especial Provido, reconhecendo-se a decadência até competência 11/2001 - Acórdão 9202-01.099 - 35.906.524-4 13876.000336/2007-08 PLR Lançamento Procedente Recurso Voluntário Provido em Parte, reconhecendo-se a decadência até competência 11/2001 - Acórdão 206-01.351 - 35.906.525-2 13876.000337/2007-44 Seguro Saúde Lançamento Procedente Recurso Voluntário Provido em Parte, reconhecendo-se a decadência até competência 11/2001 - Acórdão 206-01.352 - 35.906.528-7 13876.000338/2007-99 Plano de Saúde Lançamento Procedente * Recurso Voluntário Provido em Parte, para que a contribuição dos segundos seja calculada, individualmente, observando-se as aliquotas aplicáveis a cada faixa salarial, bem como o limite estabelecido na legislação - Acórdão 206-00.928 - * Recurso Especial Provido, reconhecendo-se a decadência até competência 11/2001 - Acórdão 9202-01.098 - 35.906.661-5 16034.000136/2007-66 Pgto Contribuinte Individual Lançamento Procedente em Parte, reconhecendo- se a decadência até a competência 09/2001 - Acórdão 14.22.257 - Processo não tramitou no CARF. A decisão de primeira instância cancelou o lançamento fiscal até a competência 09/2001 em razão da decadência. O débito referente às demais competência foi pago. JULGAMENTO FATO GERADORPAFDEBCAD Neste espeque, considerando que a base de cálculo da multa aplicada no presente lançamento corresponde a 100% da contribuição não declarada (observado o limite legal) e lançada no processo referente ao descumprimento da obrigação principal e que, nos referidos processos, os valores lançados até as competências informadas no parágrafo antecedente foram cancelados em face do transcurso do lustro decadencial ao qual o Fisco está adstrito para efetuar o lançamento, deve ser dado provimento parcial ao presente recurso voluntário, excluindo-se da base de cálculo da multa aplicada no presente processo administrativo os valores exonerados (parcial ou integralmente, conforme o caso) nos processos referentes ao descumprimento de obrigações principais supra sinalizados. Sobre o tema em análise, destaque-se o excerto abaixo transcrito do Acórdão nº 2402-006.780, sessão de 7 de novembro de 2018 Muito embora nas obrigações acessórias não haja pagamento a ser homologado pelo Fisco, sendo aplicável o art. 173, inc. I, do CTN (vide acórdão 2402005.900 1 , julgado em 01/08/2017), e não o art. 150, § 4º, fato é que, como se reconheceu a decadência de parte das obrigações principais, haverá repercussão neste lançamento. No entender deste relator, o crédito tributário extinto com a decadência não pode mais se constituir em base de cálculo da multa, ou, noutro giro verbal, como a contribuição deixa de ser devida com o advento do prazo extintivo, ela não mais se presta como base para o cálculo da sanção pecuniária e nem como parâmetro para aferição de informações incorretas ou omitidas. Expressando-se em outras palavras, e atendo-se à multa aplicada ao sujeito passivo, a decadência atinge não só as contribuições como também afasta a acusação de informações incorretas ou omitidas, pois não há que se cogitar de incorreção ou omissão no tocante a valores já extintos. 1 [...] OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I, DO CTN. COMPETÊNCIA DEZEMBRO. TERMO INICIAL QUE CORRESPONDE AO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. SÚMULA CARF 101. Fl. 960DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 2402-011.376 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16024.000133/2007-22 Logo, o recurso deve ser parcialmente provido não porque o prazo aplicável é o do art. 150, § 4º, mas apenas porque está se reconhecendo os efeitos da decadência das obrigações principais à presente autuação. Registre-se, pela sua importância que, conforme exposto no excerto supra transcrito, não se trata de reconhecer a ocorrência da decadência no caso em análise em face do reconhecimento do lustro decadencial nos autos do PAF principal. Não é isso! O que se defende é a extinção do crédito tributário no presente caso, em face da extinção da sua base de cálculo, a qual foi apurada e cancelada no processo principal, sendo irrelevante, no entendimento deste conselheiro, os motivos que ensejaram o cancelamento da autuação naquele outro processo. Neste contexto, conforme já exposto linhas acima, voto por cancelar parcialmente o lançamento fiscal em análise nos termos acima declinados. Conclusão Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário da contribuinte, excluindo-se da base de cálculo da multa aplicada no presente processo administrativo os valores exonerados (parcial ou integralmente, conforme o caso) nos processos referentes ao descumprimento de obrigações principais, conforme quadro resumo abaixo: DRJ CARF 35.906.527-9 13876.000332/2007-11 Gratificação Eventual Lançamento Procedente Recurso Voluntário Provido em Parte, reconhecendo-se a decadência até competência 11/2001 - Acórdão 206-01.350 - 35.906.662-3 13876.000333/2007-66 Ajuda de Custo Lançamento Procedente Recurso Voluntário Provido em Parte, reconhecendo-se a decadência até competência 11/2000 - Acórdão 2402-00.732 - 35.906.523-6 13876.000335/2007-55 Previdência Privada Lançamento Procedente Recurso Especial Provido, reconhecendo-se a decadência até competência 11/2001 - Acórdão 9202-01.099 - 35.906.524-4 13876.000336/2007-08 PLR Lançamento Procedente Recurso Voluntário Provido em Parte, reconhecendo-se a decadência até competência 11/2001 - Acórdão 206-01.351 - 35.906.525-2 13876.000337/2007-44 Seguro Saúde Lançamento Procedente Recurso Voluntário Provido em Parte, reconhecendo-se a decadência até competência 11/2001 - Acórdão 206-01.352 - 35.906.528-7 13876.000338/2007-99 Plano de Saúde Lançamento Procedente * Recurso Voluntário Provido em Parte, para que a contribuição dos segundos seja calculada, individualmente, observando-se as aliquotas aplicáveis a cada faixa salarial, bem como o limite estabelecido na legislação - Acórdão 206-00.928 - * Recurso Especial Provido, reconhecendo-se a decadência até competência 11/2001 - Acórdão 9202-01.098 - 35.906.661-5 16034.000136/2007-66 Pgto Contribuinte Individual Lançamento Procedente em Parte, reconhecendo- se a decadência até a competência 09/2001 - Acórdão 14.22.257 - Processo não tramitou no CARF. A decisão de primeira instância cancelou o lançamento fiscal até a competência 09/2001 em razão da decadência. O débito referente às demais competência foi pago. JULGAMENTO FATO GERADORPAFDEBCAD (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 961DF CARF MF Original
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Numero do processo: 13819.904659/2012-14
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2010
DIREITO SUPERVENIENTE. IRRF. SÚMULAS CARF Nº Nº 143 e Nº 164
A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.
A retificação de DCTF após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou que não homologou a declaração de compensação é insuficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se fundamenta a retificação.
Tem-se que no processo administrativo fiscal a Administração deve se pautar no princípio da verdade material, flexibilizando a preclusão no que se refere a apresentação de documentos, a fim de que se busque ao máximo a incidência tributária (Parecer PGFN nº 591, de 17 de abril de 2014).
Numero da decisão: 1003-003.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para aplicação do direito superveniente previsto nas determinações das Súmulas CARF nº 143 e nº 164 para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Gustavo de Oliveira Machado e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2010 DIREITO SUPERVENIENTE. IRRF. SÚMULAS CARF Nº Nº 143 e Nº 164 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. A retificação de DCTF após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou que não homologou a declaração de compensação é insuficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se fundamenta a retificação. Tem-se que no processo administrativo fiscal a Administração deve se pautar no princípio da verdade material, flexibilizando a preclusão no que se refere a apresentação de documentos, a fim de que se busque ao máximo a incidência tributária (Parecer PGFN nº 591, de 17 de abril de 2014).
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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2010 DIREITO SUPERVENIENTE. IRRF. SÚMULAS CARF Nº Nº 143 e Nº 164 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. A retificação de DCTF após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou que não homologou a declaração de compensação é insuficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se fundamenta a retificação. Tem-se que no processo administrativo fiscal a Administração deve se pautar no princípio da verdade material, flexibilizando a preclusão no que se refere a apresentação de documentos, a fim de que se busque ao máximo a incidência tributária (Parecer PGFN nº 591, de 17 de abril de 2014). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para aplicação do direito superveniente previsto nas determinações das Súmulas CARF nº 143 e nº 164 para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva– Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Gustavo de Oliveira Machado e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 46 59 /2 01 2- 14 Fl. 169DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-003.604 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.904659/2012-14 Per/DComp e Despacho Decisório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 32080.24621.310310.1.3.04-5011, em 31.10.2010, e-fls. 80- 83, utilizando-se do crédito relativo ao pagamento a maior de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), código 9385, no valor de R$ 22.823,53 contido no DARF de R$ 04.309,93 recolhido em 03.02.2010 para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório, e-fls. 84-85: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 122.823,53 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. [...]. Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Manifestação de Inconformidade e Decisão de Primeira Instância Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado no Acórdão da 6ª Turma DRJ/RPO/SP nº 14-91.820, de 08.05.2019, e-fls. 88-92: Acórdão Acordam os membros da 6ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Notificada em 23.09.2019, e-fl. 99, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 16.10.2019, e-fls. 101-107, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: DO DIREITO No que se refere ao pedido de homologação da PER/DCOMP nº 32080.24621.310310.1.3.04-5011, o d. Acórdão ora impugnado não o faz sob a argumentação de que, embora a Recorrente tenha realizado o estorno previsto no inciso I do artigo 82 da IN RFB n" 900, de 30/12 /2008, e a retificação das declarações prevista no inciso II do mesmo artigo, não há comprovação nos autos de que a beneficiária (Selzer Automotiva do Brasil Ltda.) também tenha realizado o estorno dos lançamentos contábeis e a retificação das declarações, previstos nos incisos I e III do mesmo artigo 8 da IN RFB riP 900, de 30/1 2 / 2008. Ocorre, contudo, que não pode a ora Recorrente ser onerada com a não homologação de seu pedido de compensação, uma vez que assumiu o encargo financeiro do imposto recolhido a maior. Neste sentido, é clara a disposição do art. 166 do Código Tributário Nacional [...]. Além disso, considerando a já mencionada retificação das obrigações acessórias da ora Recorrente, a beneficiária sequer possui documentação que lhe suporte direito Fl. 170DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-003.604 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.904659/2012-14 creditório que eventualmente esteja registrado em sua contabilidade (como por exemplo, Informe de Rendimento). Como já comprovado nos autos do processo administrativo em referência, que o assumiu foi a ora Recorrente e por este motivo é quem pleiteia o reconhecimento do crédito do imposto pago indevidamente a maior. Ora, não pode a Recorrente ter o seu direito negado em virtude da omissão de terceiros no cumprimento de suas obrigações fiscais e tributárias quando a própria Recorrente o fez de forma correta, nos termos da legislação em vigor, conforme consta no próprio Acórdão emitido pela 6ª Turma da DRJ/POR. Não restam dúvidas, portanto, de que a ora Recorrente é a real titular do direito creditório ora pleiteado. No que concerne ao pedido conclui que: DO PEDIDO Face a todo o exposto, a Recorrente pede: a) Pelo conhecimento e processamento do presente Recurso Voluntário; b) Pela homologação integral do pedido de compensação nº 32080.24621.310310.1.3.04-5011, com o consequente reconhecimento do direito creditório da Recorrente no montante de 122.823,53 (cento e vinte e dois mil, oitocentos e vinte e três reais e cinquenta e três centavos); c) A extinção do crédito fazendário objeto do Processo Administrativo nº 13819.904659/2012-14. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora. Tempestividade O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, inclusive para os fins do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Assim, dele tomo conhecimento. Necessidade de Comprovação da Liquidez e Certeza do Indébito A Recorrente discorda do procedimento fiscal ao argumento de que deve ser considerado o conjunto probatório produzido nos autos que evidenciam o direito creditório. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizá-lo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos, de modo que em regra a retificação somente é possível se encontrar pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e o seu cancelamento é procedimento cabível ao sujeito passivo na forma, Fl. 171DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-003.604 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.904659/2012-14 no tempo e lugar previstos na legislação tributária (art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170-A do Código Tributário Nacional, art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 com redação dada pelo art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, que entrou em vigor em 01.10.2002 e foi convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002). Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que o Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega até a intimação válida do despacho decisório. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do Decreto-Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado detalhando os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental imprescindível à comprovação das matérias suscitadas dada a concentração dos atos em momento oportuno (art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 15, art. 16, art. 18 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Observe-se que no caso de “o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias”, conforme art. 37 e art. 69 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que se aplica subsidiariamente ao Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. O IRRF, código 9385, refere-se à importância paga ou creditada por pessoa jurídica correspondentes a multas e qualquer outra vantagem, ainda que a título de indenização, em virtude de rescisão de contrato (art. 70 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Sujeita- se à incidência de imposto sobre a renda na fonte à alíquota de quinze por cento sobre o valor dos juros pagos. O IRRF é deduzido do apurado no encerramento do período de apuração trimestral ou anual. O pagamento compete à pessoa jurídica que efetuar o pagamento ou crédito da multa ou vantagem e deve ser recolhido até o terceiro dia útil subsequente ao decêndio de ocorrência dos fatos geradores. Fl. 172DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-003.604 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.904659/2012-14 Para fins de análise do litígio tem-se que no processo administrativo fiscal a Administração deve se pautar no princípio da verdade material, flexibilizando a preclusão no que se refere a apresentação de documentos, a fim de que se busque ao máximo a incidência tributária (Parecer PGFN nº 591, de 17 de abril de 2014). Ademais, não há impedimento que se baixe em diligência para que se averigue o erro de fato na DCTF original, retificada ou não, depois de apresentado o Per/DComp que utiliza como crédito o pagamento inteiramente alocado (Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015). O Parecer Normativo Cosit nº 01, de 24 de setembro de 2002, orienta: 7. No caso do imposto de renda, há que ser feita distinção entre os dois regimes de retenção na fonte: o de retenção exclusiva e o de retenção por antecipação do imposto que será tributado posteriormente pelo contribuinte. Retenção exclusiva na fonte 8. Na retenção exclusiva na fonte, o imposto devido é retido pela fonte pagadora que entrega o valor já líquido ao beneficiário. 9. Nesse regime, a fonte pagadora substitui o contribuinte desde logo, no momento em que surge a obrigação tributária. A sujeição passiva é exclusiva da fonte pagadora, embora quem arque economicamente com o ônus do imposto seja o contribuinte. 10. Ressalvada a hipótese prevista nos parágrafos 18 a 22, a responsabilidade exclusiva da fonte pagadora subsiste, ainda que ela não tenha retido o imposto. Imposto retido como antecipação 11. Diferentemente do regime anterior, no qual a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é exclusiva da fonte pagadora, no regime de retenção do imposto por antecipação, além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual, e, pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. Para a análise das provas, cabe a aplicação dos enunciados estabelecidos nos termos do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Súmula CARF nº 143 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Súmula CARF nº 164 A retificação de DCTF após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou que não homologou a declaração de compensação é insuficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se fundamenta a retificação.. O fundamento de fato e de direito que alicerça o pedido da Recorrente é de que “é a real titular do direito creditório ora pleiteado” dado o pagamento indevido, conforme a DCTF Retificadora, DARF, Contrato, Nota de Débito e Livro Diário, e-fls. 34-79 e 128-166. Tendo em vista as divergências identificadas no recurso voluntário é possível analisar a possibilidade de deferimento do indébito pleiteado nos presentes autos em cotejo com Fl. 173DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-003.604 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.904659/2012-14 as informações constantes nos sistemas da RFB e aquelas originárias dos registros contábeis e fiscais que a Recorrente deve apresentar, uma vez que há indícios de que o referido direito creditório encontra-se disponível para compensação dos débitos ali confessados. Os efeitos da aplicação do direito superveniente fixa a relação de causalidade com a possibilidade de deferimento da Per/DComp. Esta legislação impõe, pois, o retorno dos autos a DRF de origem que inaugurou o litígio sob esse fundamento para que seja analisado o conjunto probatório produzido junto com o recurso voluntário referente ao mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que evidenciada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais em cotejo com os registros internos da RFB. O procedimento previsto no rito do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pode ser revisto no caso em que foi instaurada a fase litigiosa no procedimento ou ainda que pela autoridade administrativa quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião ao ato original decorrente de fato ou a direito superveniente, e ainda se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, caso em que é elaborado ato administrativo complementar com efeito retroativo ao tempo de sua execução. Assim, no rito do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, sendo afastado o óbice do despacho decisório original em que a compensação não foi homologada na sua integralidade, cabe a autoridade preparadora retomar a verificação do indébito. Registre-se que não se tratar de nova lide, mas sim a continuação de análise do direito creditório pleiteado considerando o saneamento no seu exame. Por conseguinte, não há que se falar em preclusão do direito de a Fazenda Pública analisar o Per/DComp nesse segundo momento, já que da ciência deste ato complementar não ocorre a homologação tácita, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa desde a instauração do litígio. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, deve ser possibilitada a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, conforme o rito processual do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Princípio da Legalidade Tem-se que nos estritos termos legais este procedimento está de acordo com o princípio da legalidade ao qual o agente público está vinculado em razão da obrigatoriedade da aplicação da lei de ofício. Trata-se de poder-dever funcional irrenunciável vinculado à norma jurídica, cuja atuação está direcionada ao cumprimentos das determinações constantes no ordenamento jurídico. Como corolário encontra-se o princípio da indisponibilidade que decorre da supremacia do interesse público no que tange aos direitos fundamentais (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Dispositivo Em assim sucedendo, voto em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para aplicação do direito superveniente previsto nas determinações das Súmulas CARF nº 143 e Fl. 174DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-003.604 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.904659/2012-14 nº 164 para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 175DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10935.002189/2001-77
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/09/2000
IPI. CRÉDITOS ACUMULADOS APÓS A LEI N° 9.779/1999.
RESTITUIÇÃO. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N° 33/1999.
REQUISITOS AUTORIZADORES PRESENTES.
O direito de compensação ou de restituição em dinheiro do saldo credor acumulado do IPI aplica-se exclusivamente aos insumos adquiridos após 01/01/1999, na vigência da Lei n° 9.779/1999, e depende do esgotamento prévio dos créditos acumulados até 31/12/1998. Estes, por sua vez, somente podem ser utilizados para dedução do IPI incidente na saída de produtos acabados até essa data ou fabricados a partir de 01/01/1999, com a utilização de insumos adquiridos antes de 31/12/1998, originadores dos créditos
acumulados. Presentes os requisitos autorizadores, deve ser reconhecido o direito à restituição, ressalvados os créditos objeto do estorno realizado pelo próprio sujeito passivo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Parcialmente Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-000.670
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Regis Xavier Holanda e José Fernandes do Nascimento que negavam provimento ao recurso.
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/09/2000 IPI. CRÉDITOS ACUMULADOS APÓS A LEI No 9.779/1999. RESTITUIÇÃO. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF No 33/1999. REQUISITOS AUTORIZADORES PRESENTES. O direito de compensação ou de restituição em dinheiro do saldo credor acumulado do IPI aplicase exclusivamente aos insumos adquiridos após 01/01/1999, na vigência da Lei no 9.779/1999, e depende do esgotamento prévio dos créditos acumulados até 31/12/1998. Estes, por sua vez, somente podem ser utilizados para dedução do IPI incidente na saída de produtos acabados até essa data ou fabricados a partir de 01/01/1999, com a utilização de insumos adquiridos antes de 31/12/1998, originadores dos créditos acumulados. Presentes os requisitos autorizadores, deve ser reconhecido o direito à restituição, ressalvados os créditos objeto do estorno realizado pelo próprio sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Parcialmente Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Regis Xavier Holanda e José Fernandes do Nascimento que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. Fl. 337DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 13/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios,Tatiana Midori Migiyama, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, em decisão assim ementada (fls. 296): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/09/2000 IPI. RESSARCIMENTO. O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, está condicionado ao esgotamento do saldo credor de IPI existente em 31/12/1998, nos termos estabelecidos pela Instrução Normativa SRF n° 33/99. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A decisão recorrida entendeu que o ressarcimento pleiteado pelo contribuinte, de acordo com a Instrução Normativa SRF no 33/1999, pressupõe o esgotamento dos créditos acumulados antes da vigência da Lei no 9.779/1999, o que não teria ocorrido no caso em exame, pelas razões a seguir (fls. 296 e ss.): [...] o deferimento do pedido de ressarcimento efetuado pela contribuinte depende do esgotamento do saldo credor de 31/12/1998. Conforme informa a fiscalização à fl. 233, no período de janeiro a julho de 1999, o faturamento da empresa foi de R$ 6.502.166,63, sendo que em 31/12/1998 os estoques totalizavam R$ 2.975.392,17, o que torna evidente de que todos os produtos em estoque em 31/12/1998 já haviam saído do estabelecimento. Entretanto, essas saídas geraram um débito de apenas R$ 21.073,55, enquanto que o saldo credor da escrita em 31/12/1998 era de R$ 440.166,91. Fl. 338DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10935.002189/200177 Acórdão n.º 380200.670 S3TE02 Fl. 330 3 Resta claro que o crédito existente em 1998 não se esgotou com as saídas dos estoques de 31/12/1998, e que o parágrafo 2°, do art. 5° da IN SRF n° 33/99 foi descumprido. Além disso, a contribuinte não escriturou os referidos créditos à margem da escrita fiscal, como determinado pelo parágrafo 1° do mesmo artigo, e nem tampouco, realizou qualquer estorno, como previsto pelo ADI SRF n° 15/2002, mantendo o crédito em sua escrita e utilizandoo indevidamente no abatimento de débitos de produtos que não estavam em estoque em 31/12/1998. O Recorrente, por sua vez, pleiteia a reforma da decisão recorrida, alegando, em síntese, que a Instrução Normativa SRF n o33/1999 seria contrária aos princípios da legalidade e da hierarquia das normas, ao direito adquirido, ao ato jurídico perfeito, à sistemática de compensação do IPI, bem como aos princípios constitucionais da seletividade e da nãocumulatividade do imposto. Aduz que, diferentemente do que entendeu a decisão recorrida, os créditos objeto do pedido de ressarcimento são oriundos exclusivamente de entradas de insumos, matériasprimas, materiais intermediários e de embalagem ocorridas a partir de 01 de janeiro de 1999, de acordo, portanto, com o preceituado no art. 4o da IN SRF 33/1999. Sustenta, por fim, que o art. 11 da Lei no 9.779/1999 apenas expandiu o benefício do crédito do imposto e que, antes de sua vigência, o Recorrente, em função da natureza dos produtos que industrializa, já tinha esse direito assegurado pelas Leis no 8.191/1991 e 9.493/1997, pela IN SRF no 21/1997 e pelo Decreto no 2.944/1999 (fls. 306325). É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão recorrida ocorreu em 10/01/2011 (fls. 303), ao passo que o recurso foi protocolizado em 09/02/2011 (fls. 306), dentro do prazo legal. A matéria em debate está inserida na competência da Terceira Seção, de sorte que, presentes os demais requisitos de admissibilidade, o recurso pode ser conhecido. Inicialmente, antes de ingressar nas particularidades do caso concreto, cumpre registrar que, de acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), o direito ao crédito de IPI na aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos isentos ou sujeitos à alíquota zero depende de previsão legal específica. Tratase de interpretação consolidada no julgamento do Recurso Extraordinário no 562.980/SC, no qual foi negada a aplicação do art. 11 da Lei no 9.779/1999 a fatos ocorridos antes de sua vigência: IPI CREDITAMENTO ISENÇÃO OPERAÇÃO ANTERIOR À LEI Nº 9.779/99. A ficção jurídica prevista no artigo 11 da Lei nº 9.779/99 não alcança situação reveladora de isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI que a antecedeu1. 1 STF. T. Pleno. RE 562.980/SC. Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI. Relator p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO. DJe167, de 04/09/2009. Fl. 339DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Referida decisão foi proferida em recurso processado nos moldes do art. 543 B do Código de Processo Civil (CPC), razão pela qual deve ser reproduzida nos julgamentos desse Conselho, conforme prescreve o art. 62A do Regime Interno: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A Lei no 9.779/1999, por sua vez, assegura não apenas o direito ao crédito do IPI decorrente da aquisição de insumos empregados na industrialização de produtos isentos ou sujeitos à alíquota zero, como também a possibilidade de utilização do saldo credor acumulado na forma dos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430/1996, para fins de compensação com outros tributos federais ou de ressarcimento em dinheiro: Art.11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Antes da Lei no 9.779/1999, contudo, já havia previsão legal para a manutenção do crédito do IPI em determinadas situações. Um desses casos é a Lei no 9.493/1997, que assim estabelece: Art. 1º Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI os equipamentos, máquinas, aparelhos e instrumentos novos, relacionados em anexo, importados ou de fabricação nacional, bem como os respectivos acessórios, sobressalentes e ferramentas. § 1º São asseguradas a manutenção e a utilização dos créditos do referido imposto, relativos a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, efetivamente empregados na industrialização dos bens referidos neste artigo. § 2º O disposto neste artigo aplicase aos fatos geradores que ocorrerem até 31 de dezembro de 1998. A Lei no 9.493/1997, porém, diferentemente do que dispõe o art. 11 da Lei no 9.779/1999, permitia somente a manutenção do crédito do imposto, que deveria ser utilizado exclusivamente para fins de compensação com o saldo devedor do IPI. Não havia previsão para a compensação com outros tributos nem tampouco para a restituição em dinheiro do saldo credor acumulado. Assim, em decorrência do conteúdo distinto do direito assegurado por cada uma dessas leis, o advento da Lei no 9.779/1999 tornou necessária a regulamentação da aplicação intertemporal do direito ao crédito do IPI, uma vez que a grande maioria das Fl. 340DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10935.002189/200177 Acórdão n.º 380200.670 S3TE02 Fl. 331 5 empresas apresentava saldo credor acumulado, bem como estoques de produtos acabados e de insumos adquiridos antes de 31 dezembro de 1998. Nesse contexto, foi editada a Instrução Normativa SRF no 33, de 04 de março de 1999, que, por sua vez, prevê as seguintes regras: Do direito ao aproveitamento do saldo credor do IPI – Art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999 Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei no 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999. Art. 5º Os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31 de dezembro de 1998, decorrentes de excesso de crédito em relação ao débito e da saída de produtos isentos com direito apenas à manutenção dos créditos, somente poderão ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado seu ressarcimento ou compensação. § 1º Os créditos a que se refere este artigo deverão ficar anotados à margem da escrita fiscal do IPI. § 2º O aproveitamento dos créditos do IPI de que trata este artigo somente poderá ser efetuado com débitos decorrente da saída dos produtos acabados, existentes em 31 de dezembro de 1998, e dos fabricados a partir de 1º de janeiro de 1999, com a utilização dos insumos originadores desses créditos, considerandose que os produtos que primeiro saírem foram industrializados com a utilização dos insumos que primeiro entraram no estabelecimento. § 3º O aproveitamento dos créditos, nas condições estabelecidas no artigo anterior, somente será admitido após esgotados os créditos referidos neste artigo. Ao contrário do que sustenta o Recorrente, essa instrução normativa, quando adequadamente interpretada, não implica qualquer ofensa – direta ou reflexa – ao texto constitucional. Seus enunciados limitamse a regulamentar a aplicação intertemporal da Lei no 9.779/1999, assegurando, mesmo após 31 de dezembro de 1998, a manutenção do direito de crédito adquirido em consonância com outras legislações específicas, como é o caso da Lei no 9.493/1997. Ao mesmo tempo, como não poderia deixar de ser diferente, impedem a utilização indevida do saldo credor acumulado até essa data para fins de compensação com débitos de outros tributos federais ou de ressarcimento em dinheiro, o que, de acordo com a jurisprudência do STF, foi admitido apenas a partir da Lei no 9.779/1999. Em razão disso, também deve ser afastada a alegação do Recorrente, no sentido de que o art. 11 da Lei no 9.779/1999 teria apenas expandido o benefício do crédito do imposto assegurado por legislações anteriores (fls. 306325). Afinal, conforme destacado, estas Fl. 341DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 previam apenas a manutenção do crédito, mas não o direito de restituição ou de compensação com outros tributos federais. Com efeito, a partir das disposições da IN SRF 33/1999, verificase que: (a) o direito de compensação ou de restituição em dinheiro do saldo credor acumulado do IPI aplicase exclusivamente aos insumos adquiridos após 01/01/1999; e depende do esgotamento dos acumulados até 31/12/1998; (b) os créditos acumulados até 31/12/1998, por sua vez, somente podem ser utilizados para dedução do IPI incidente na saída de produtos acabados até essa data; ou fabricados a partir de 01/01/1999, com a utilização de insumos adquiridos antes de 31/12/1998, originadores dos créditos acumulados. Importa destacar ainda, em relação a essa última hipótese (produtos fabricados após 01/01/1999 com insumos adquiridos antes de 31/12/1998), que a IN SRF 33/1999, na parte final do art. 5o, § 2º, estabeleceu uma regra de presunção, segundo a qual os produtos que primeiro saírem devem ser considerados como tendo sido fabricados com a utilização dos insumos que primeiro entraram no estabelecimento: Art. 5o [...] § 2º O aproveitamento dos créditos do IPI [...] somente poderá ser efetuado com débitos decorrente da saída dos produtos [...] fabricados a partir de 1º de janeiro de 1999, com a utilização dos insumos originadores desses créditos, considerandose que os produtos que primeiro saírem foram industrializados com a utilização dos insumos que primeiro entraram no estabelecimento. (grifamos) Essa disposição é condizente com a natureza fungível dos insumos, que, sem qualquer perda, podem ser substituídos por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade (Código Civil, art. 852). É o caso do minério de ferro de uma siderúrgica, do calcário da indústria de cimento, dos materiais refratários, dentre outros exemplos. Em decorrência dessa característica, não há como se individualizar os insumos novos e antigos. Por fim, não sendo possível a fruição na forma do art. 5o, § 2º, da IN SRF 33/1999, o Ato Declaratório Interpretativo SRF no 15/2002 permite o esgotamento mediante estorno do crédito acumulado: Artigo único. Será considerado esgotado, nas condições previstas no § 3º do art. 5o da Instrução Normativa SRF no 33/1999, o saldo credor que remanescer do aproveitamento previsto no § 2º do mencionado artigo, quando o contribuinte optar pelo estorno daquele saldo. Feitas essas considerações, ingressando na análise do caso concreto, notase que são incontroversos os seguintes aspectos: (a) o Recorrente, conforme apurado pela Fiscalização, mesmo antes da Lei no 9.779/1999, já tinha assegurada a manutenção do crédito do IPI, devido à natureza dos produtos fabricados em seu estabelecimento (relacionados às fls. 230) e da previsão específica da Lei no 9.493/1997; e (b) em 31/12/1998, o crédito acumulado era de: R$ 440.166,91 (fls. 04). 2 "Art. 85. São fungíveis os móveis que podem substituirse por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade." Fl. 342DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10935.002189/200177 Acórdão n.º 380200.670 S3TE02 Fl. 332 7 Portanto, para ter direito à restituição, interessa verificar se o Recorrente: (c) acumulou crédito após 01/01/1999 (já na vigência da Lei no 9.779/1999); (d) esgotou todos os créditos acumulados até 31/12/1998; e (e) se esse esgotamento ocorreu mediante dedução do IPI incidente na saída de (i) produtos acabados em existentes no dia 31/12/1998; ou de (ii) produtos fabricados a partir de 01/01/1999, com a utilização de insumos adquiridos antes de 31/12/1998. Em relação ao primeiro aspecto (item “c”), a Fiscalização partiu da planilha de composição do saldo de fls. 223, elaborada pela Seção de Fiscalização e Controle Aduaneiro (Fiana), da Delegacia da Receita Federal, com base na compilação dos dados do livro de registro de apuração do IPI (fls. 07 a 208); e, assentada em tais dados, entendeu que o saldo credor acumulado em 31/12/1998 ainda não havia se esgotado, porque, no dia 30/09/2000, ainda seria de R$ 379.028,62 (fls. 232): Analisando a evolução do saldo credor a partir de, 31 de dezembro de 1998, até a data de, 30 de setembro de 2000, constatamos que em 31/12/98, seu saldo credor era de R$ 440.166,91 ( Quatrocentos e quarenta mil, cento e sessenta e seis reais de noventa e um centavos), e em 30/09/00 seu saldo credor ainda permanecia em R$ 379.028,62 ( Trezentos e setenta e nove mil, vinte e oito reais e sessenta e dois centavos), portanto o saldo credor em, 30 de setembro de 2000, é proveniente daquele que existia em 31/12/98. Porém, essa afirmação, com a devida vênia, não se mostra correta. Na verdade, a planilha elaborada pela Fiana (fls. 223) apresenta os mesmos dados do livro de registro de apuração do IPI (fls. 07 a 208). O Fiscal, no entanto, concluiu que ainda haveria saldo credor acumulado em 31/12/1998 porque inverteu a ordem de dedução prevista no art. 5o, § 3º, na IN SRF 33/1999. Esta, vale ressaltar, estabelece que o aproveitamento dos créditos das aquisições de insumos após 01/01/1999 somente será admitido após esgotados os créditos acumulados em 31/12/1998: Art. 5º [...] § 3º O aproveitamento dos créditos, nas condições estabelecidas no artigo anterior, somente será admitido após esgotados os créditos referidos neste artigo. Contudo, a planilha de fls. 223 deduz de imediato os créditos das entradas de 01/01/1999, deixando os créditos acumulados em 31/12/1998 para dedução apenas ao final. Estes, em outras palavras, são aproveitados de forma subsidiária à dedução dos créditos decorrentes das aquisições de insumos de 1999 e 2000, o que não está correto, porque o art. 5o, § 3º, da IN SRF 33/1999, estabelece justamente o contrário. Fl. 343DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 Isso também evidencia que foram esgotados todos os créditos acumulados até 31/12/1998 (requisito exposto no item “d”, reproduzido acima). Na verdade, alterandose a ordem de dedução da planilha de fls. 223 e ajustandoa ao disposto no art. 5o, § 3º, da IN SRF 33/1999, verificase que o exaurimento do crédito ocorreu no 2o decênio de 2000. A análise da escrita fiscal, com efeito, indica que o saldo credor acumulado em 31/12/1998 era R$ 440.166,91 (fls.16 e 223). E que esse saldo, de acordo com a própria planilha elaborada pela Fiscalização (fls. 223), não sendo deduzidos os créditos das aquisições de insumos ocorridas a partir de 01/01/1999 (registrados na segunda coluna da tabela), é esgotado completamente no 2o decênio de fevereiro 2000. Basta diminuir o débito (coluna terceira) do saldo credor (sétima coluna), que o resultado passará a ser negativo a partir desse decênio. É bastante nítido, ademais, que o saldo credor de R$ 379.028,62, acumulado em 30/09/2000, resulta apenas do somatório dos créditos de entradas ocorridas a partir de 01/01/1999, também totalizados na planilha elaborada pela Fiscalização (fls. 223) e no livro de registro de apuração do IPI (fls. 07 a 208). Em relação a esses dois aspectos, portanto, entendese que, ao contrário do da decisão recorrida, o Recorrente cumpriu os requisitos da IN SRF 33/1999, porque o saldo credor da data do pedido de restituição decorre efetivamente de crédito acumulado após 01/01/1999, já na vigência da Lei no 9.779/1999 (item “c) e houve o exaurimento do crédito acumulado em 31/12/1998 no 2o decênio de 2000 (item “d). Resta saber, entretanto, se o esgotamento dos créditos ocorreu na forma da IN SRF no 33/1999 (requisito especificado no item “e”, acima), ou seja, mediante dedução do IPI incidente na saída de (i) produtos acabados em existentes no dia 31/12/1998; ou (ii) fabricados a partir de 01/01/1999, com a utilização de insumos adquiridos anteriormente. A decisão recorrida, reproduzindo os argumentos da Fiscalização, partiu da análise do valor contábil dos estoques em 31/12/1998 (R$ 2.975.392,17) e do faturamento nos sete primeiros meses (R$ 6.502.166,63), concluindo que o débito de IPI do período (R$ 21.073,55) foi insuficiente para amortizar todo o saldo credor apresentado em 31/12/1998. Além disso, entendeu que, para ter direito à restituição após a Lei no 9.779/1999, o contribuinte deveria estornar as sobras existentes na forma do ADI SRF no15/2002 (fls. 299): O esgotamento dos créditos existentes em 31/12/1998 deve ser realizado de acordo com o disposto no parágrafo 2°, do art. 5° da IN SRF no 33/99, transcrito acima, qual seja, o seu aproveitamento na compensação de débitos decorrentes da saída de produtos acabados existentes em 31/12/1998 e de produtos fabricados em 1999 com insumos que geraram créditos em 1998. Outra alternativa para se considerar esgotado o saldo credor existente em 31/12/1998 é o estorno deste saldo conforme o artigo único do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15, de 25 de setembro de 2002, in verbis: [...] Assim, o deferimento do pedido de ressarcimento efetuado pela contribuinte depende do esgotamento do saldo credor de 31/12/1998. Conforme informa a fiscalização à fl. 233, no período de janeiro a julho de 1999, o faturamento da empresa foi de R$ 6.502.166,63, sendo que em 31/12/1998 os estoques totalizavam R$ 2.975.392,17, o que torna evidente de que todos Fl. 344DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10935.002189/200177 Acórdão n.º 380200.670 S3TE02 Fl. 333 9 os produtos em estoque em 31/12/1998 já haviam saído do estabelecimento. Entretanto, essas saídas geraram um débito de apenas R$ 21.073,55, enquanto que o saldo credor da escrita em 31'12/1998 era de R$ 440.166,91”. Essa análise, com o devido respeito, não se afigura adequada, porque, de acordo com os registros de saídas do livro de registro de apuração do IPI (fls. 07 a 208), o faturamento nos sete primeiros meses (R$ 6.502.166,63) não foi exclusivo da venda de produtos existentes em 31/12/1998. O valor encontrado pela Fiscalização, a rigor, resulta da composição de diversas saídas, inclusive de serviços e de fatos não tributados pelo IPI, não refletindo exclusivamente o faturamento da venda de produtos em estoque. Para adotar o faturamento como critério de comparação, infirmando a prova do fato constitutivo do direito apresentada com o pedido de restituição, a Fiscalização deveria ter analisado com maior precisão a matéria, decompondo os elementos do faturamento de todo o período, e não apenas os números globais brutos, restritos aos primeiros sete meses. Nesse sentido, deveria ter sido descontado da base de faturamento, o valor das mercadorias acabadas adquiridas no mesmo período para fins de revenda, que foram comercializadas nesses sete primeiros meses (código fiscal 1.11 – “compras p/ comercialização” e código fiscal 5.12 e 6.12 – “vend. de merc. adqu. ou receb. terc.”). O mesmo deveria ter ocorrido em relação aos itens 5.99 e 7.99, que refletem saídas não tributadas pelo IPI (“outras saídas ou prest. serv. n. espec.”). Estas integraram o valor de R$ 6.502.166,63 encontrado pela Fiscalização. Mas não deveriam ter sido consideradas na análise, porque não têm qualquer pertinência com a apuração do imposto, já que não são e nem foram tributadas pelo IPI. São operações que, em outras palavras, não geraram crédito nem débito e não poderiam ter sido consideradas como produto da venda do estoque em 31/12/1998. Ao mesmo tempo, não é apropriada a correlação de valores estabelecida entre o faturamento e estoque. Isso porque, segundo o art. 183, II, da Lei 6.404/1976, o valor do estoque é estabelecido a partir do custo de aquisição ou de produção, devendo ser adotado o preço de mercado apenas quando este for menor: Art. 183. No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes critérios: [...] II os direitos que tiverem por objeto mercadorias e produtos do comércio da companhia, assim como matériasprimas, produtos em fabricação e bens em almoxarifado, pelo custo de aquisição ou produção, deduzido de provisão para ajustálo ao valor de mercado, quando este for inferior; O mesmo é previsto no Regulamento do Imposto de Renda (arts. 293 e ss.): Art. 293. As mercadorias, as matériasprimas e os bens em almoxarifado serão avaliados pelo custo de aquisição (Lei nº 154, de 1947, art. 2º, §§ 3º e 4º, e Lei nº 6.404, de 1976, art. 183, inciso II). Fl. 345DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 10 Art. 294. Os produtos em fabricação e acabados serão avaliados pelo custo de produção (Lei nº 154, de 1947, art. 2º, § 4º, e Lei nº 6.404, de 1976, art. 183, inciso II). Art. 295. O valor dos bens existentes no encerramento do período de apuração poderá ser o custo médio ou o dos bens adquiridos ou produzidos mais recentemente, admitida, ainda, a avaliação com base no preço de venda, subtraída a margem de lucro (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14, § 2º, Lei nº 7.959, de 21 de dezembro de 1989, art. 2º, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 55). Portanto, salvo na venda com prejuízo, é perfeitamente natural e esperado que o faturamento da venda dos bens acabados seja maior do que o custo do estoque. Não há a menor razoabilidade em se interpretar essa diferença como algo estranho, em desfavor do sujeito passivo. Vale destacar que, no presente caso, apenas o montante R$ 313.348,82, de um total de R$ 2.973.591,17, se refere a produtos acabados em 31/12/1998 (fls. 228). A maior parte do estoque, portanto, se refere a matériasprimas e outros bens, ainda sujeitas a um processo de transformação e beneficiamento. Após a fabricação, o valor do estoque deixa de ser estabelecido exclusivamente em função do custo de aquisição do insumo, mas em função de outros fatores que elevam substancialmente o seu montante, conforme definido no art. 290 do Regulamento do Imposto de Renda: Art.290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, §1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; II o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; III os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; IV os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; V os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. Parágrafo único.A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda a cinco por cento do custo total dos produtos vendidos no período de apuração anterior, poderá ser registrada diretamente como custo (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, §2º). Essa diferença é ajustada no curso do exercício, de modo que, ao considerar o valor do insumo na posição estática de 31/12/1998, a Fiscalização desconsidera o incremento que decorre do custo de aquisição de outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, o custo do pessoal, de locação, de manutenção e reparo e os encargos de depreciação Fl. 346DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10935.002189/200177 Acórdão n.º 380200.670 S3TE02 Fl. 334 11 dos bens aplicados na produção, dos encargos de amortização e de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. Isso mostra claramente que, com a devida vênia, não parece adequada a comparação realizada, quer pelo ângulo do faturamento bruto, quer pelo custo do estoque. É por isso que a IN SRF 33/1999, ao autorizar o abatimento do crédito com o IPI incidente na venda de bens fabricados a partir de 01/01/1999, condiciona o aproveitamento à utilização dos insumos existentes antes dessa data, geradores do crédito acumulado, sem qualquer referência ao valor do faturamento que decorre da operação. Por fim, não se pode deixar de considerar a regra prevista na parte final do art. 5o, § 2º, da IN SRF 33/1999, que estabeleceu a presunção segundo os produtos que primeiro saírem devem ser considerados como sendo industrializados com a utilização dos insumos que primeiro entraram no estabelecimento. Entendese, assim, que o esgotamento dos créditos ocorreu na forma da IN SRF no 33/1999 (requisitos especificado no item “e”, acima), mediante dedução do IPI incidente na saída de produtos acabados existentes no dia 31/12/1998; e fabricados a partir de 01/01/1999, com a utilização de insumos adquiridos anteriormente. Por esse motivo, diversamente do que entendeu a decisão recorrida, não há que se falar em obrigatoriedade de estorno no crédito nos termos do Ato Declaratório Interpretativo SRF no 15/2002. Isso somente seria exigível caso o contribuinte ainda tivesse saldo credor acumulado antes da Lei no 9.779/1999, o que, como destacado, não é o caso. Por fim, consoante destacado na declaração de voto do eminente Conselheiro Francisco José Barroso Rios, o direito ao crédito não abrange os valores estornados pelo próprio sujeito passivo. Portanto, votase pelo conhecimento e provimento parcial do recurso, com o reconhecimento do direito creditório. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Declaração de Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Conforme delineado no brilhante Voto proferido pelo i. ConselheiroRelator, a presente controvérsia cingese as seguintes questões de direito e de fato: Fl. 347DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 12 a) o efeito da aplicação (retroativo ou não) do regime de compensação e ressarcimento do saldo credor do IPI, acumulado no final do trimestre calendário, nos termos estabelecidos no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999; b) a legalidade do critério de aproveitamento do saldo credor do IPI, existente em 31/12/1998, decorrente dos créditos dos insumo aplicados na fabricação de produtos isentos, instituído pelo art. 5º da Instrução Normativa SRF no 33, de 04 de março de 1999; e c) a legalidade do procedimento de dedução do saldo credor do IPI, existente em 31/12/1998, dos débitos do IPI, apurados a partir de 1º de janeiro de 1999, realizado pela Recorrente, no período de janeiro a março de 2000. Em relação às duas primeiras questões de direito, estou de pleno acordo com entendimento esposado pelo nobre ConselheiroRelator que, em síntese, concluiu que: a) o regime de compensação e ressarcimento do saldo credor do IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, em conformidade com a jurisprudência do C. STF, não teria efeito retroativo, aplicandose somente a partir de 01/01/1999, data que entrou em vigor o art. 11 da Lei no 9.779, de 1999; e b) a Instrução Normativa SRF no 33, de 1999, quando adequadamente interpretada, não implicava qualquer ofensa – direta ou reflexa – ao texto constitucional, haja vista que seus enunciados limitavamse a regulamentar a aplicação intertemporal do disposto no art. 11 da Lei no 9.779, de 1999, assegurando, mesmo após 31 de dezembro de 1998, a manutenção do direito de crédito adquirido em consonância com outras legislações específicas, a exemplo da Lei no 9.493, de 1997, que isentou os produtos industrializados pela Recorrente. Da mesma forma, no que tange à norma de direito intertemporal, inserta no art. 5º da Instrução Normativa SRF no 33, de 1999, que instituiu o regime de aproveitamento do saldo credor do IPI, existente em 31/12/1998, ao meu ver, o i. ConselheiroRelator interpretou a corretamente, conforme se observa nos excertos extraídos do citado Voto, que seguem reproduzidos: (a) o direito de compensação ou de restituição em dinheiro do saldo credor acumulado do IPI aplicase exclusivamente aos insumos adquiridos após 01/01/1999; e depende do esgotamento dos acumulados até 31/12/1998; (b) os créditos acumulados até 31/12/1998, por sua vez, somente podem ser utilizados para dedução do IPI incidente na saída de produtos acabados até essa data; ou fabricados a partir de 01/01/1999, com a utilização de insumos adquiridos antes de 31/12/1998, originadores dos créditos acumulados. Aliás, nesse sentido, consolidouse a jurisprudência dos extintos Conselhos de Contribuintes e ratificada por este E. Conselho, por meio da Súmula Carf nº 16, a seguir reproduzida: Fl. 348DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10935.002189/200177 Acórdão n.º 380200.670 S3TE02 Fl. 335 13 Súmula CARF nº 16: O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a partir de 1º de janeiro de 1999. Logo, por estar de pleno acordo com esse entendimento, alicerçado em sólidos fundamentos jurídicos, deixo de apreciar o mérito das mencionadas questões de direito. Entretanto, peço vênia ao i. ConselheiroRelator para discordar do seu entendimento a respeito das questões de fato objeto da presente controvérsia, especialmente no que atine às alegações que: a) o AuditorFiscal, autor do Termo de Informação Fiscal (fls. 230/233) que serviu de base para a prolação da decisão consignada no Despacho Decisório de fl. 234, concluíra que ainda havia saldo credor acumulado em 31/12/1998, porque inverteu a ordem de dedução do referido saldo credor, estabelecida no § 3º do art. 5o da Instrução Normativa SRF nº 33, de 1999, ou seja, segundo a Planilha de fl. 223, foram deduzidos de imediato os créditos das entradas ocorridas a partir de 01/01/1999, deixando os créditos acumulados em 31/12/1998, para dedução apenas ao final; e b) a análise do valor contábil dos estoques (R$ 2.975.392,17), existente em 31/12/1998, e do faturamento (R$ 6.502.166,63) dos meses de janeiro a julho de 1999, era inadequada para se chegar a conclusão de que o débito de IPI do citado período, no valor de R$ 21.073,55, era insuficiente para amortizar todo o saldo credor apresentado em 31/12/1998, no valor de R$ 440.166,91, conforme entendimento consignado no Acórdão recorrido. Face as especificidades das referida alegações, para melhor clareza da exposição, passo a análise de cada uma delas em tópicos distintos. Da inversão da ordem de dedução do saldo credor do IPI existente em 31/12/1998. Ante os elementos probatórios colacionados aos autos, com a devida vênia, não posso concordar com a alegação do i. ConselheiroRelator de que a Autoridade Fiscal informante, na apuração do valor do crédito passível de ressarcimento, inverteu a ordem de dedução do saldo dos créditos do IPI, existente em 31/12/1998. Inicialmente, é oportuno esclarecer que, ao contrário do afirmado, a conclusão apresentada pela dita Autoridade Fiscal não foi baseada na Planilha de fls. 223/224, que reproduz de forma consolidada os dados extraídos do livro Registro de Apuração do IPI (RAIPI) (cópias de fls. 18/208), referentes aos períodos que vai desde o 1º decêndio do mês de janeiro de 1999 até o 3º decêndio do mês de setembro de 2000. Da mesma, também não corresponde ao consignado nos autos, a assertiva segunda a qual a mencionada Autoridade Fiscal propusera o indeferimento do pleito em apreço Fl. 349DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 14 com respaldo na conclusão de “que o saldo credor acumulado em 31/12/1998 ainda não havia se esgotado, porque, no dia 30/09/2000, ainda seria de R$ 379.028,62 (fls. 232)”. Na verdade, a conclusão apresentada pelo AuditorFiscal, que serviu de fundamento para o indeferimento do pleito em tela, não foi baseada nos dados da Planilha de fls. 223/224, como asseverado, mas com base na evolução dos valores do faturamento discriminados na Planilha de fl. 225, relativo às vendas dos produtos acabados, ocorridas no período de 01/01/1999 a 31/07/1999. No caso, para que não reste qualquer dúvida acerca dessa questão, entendo oportuno trazer à colação os seguintes trechos extraídos da citada Informação Fiscal (fls. 232/233), in verbis: Portanto conforme determina da IN/SRF n.° 33/99, a contribuinte só tem direito ao ressarcimento dos saldos credores apresentados referentes as aquisições de insumos a partir de 01 de janeiro de 1999, e ainda, depois de ter utilizado todo o saldo credor que existia em 31 de dezembro de 1998, com os débitos das saídas, a partir de 01 de janeiro de 1999, dos estoques de produtos acabados existentes em 31 de dezembro de 1998 e dos produtos fabricados a partir de 01 de janeiro de 1999, com os estoques de insumos também existentes em 31 de dezembro de 1998. Analisando a evolução do saldo credor a partir de, 31 de dezembro de 1998, até a data de, 30 de setembro de 2000, constatamos que em 31/12/98, seu saldo credor era de R$ 440.166,91 (Quatrocentos e quarenta mil, cento e sessenta e seis reais de noventa e um centavos), e em 30/09/00 seu saldo credor ainda permanecia em R$ 379.028,62 ( Trezentos e setenta e nove mil, vinte e oito reais e sessenta e dois centavos), portanto o saldo credor em, 30 de setembro de 2000, é proveniente daquele que existia em 31/12/98. Como se pode observar os débitos apresentados em seu livro de apuração do IPI, no inicio do ano de 1999, são valores baixos (ver planilha fls. 223 e 224), em função de que seus produtos na maioria eram tributados à alíquota zero, somente a partir de agosto de 1999, é que passaram a ter aumentos de \alíquotas gradativamente conforme Decreto n.° 3.102/99. As saídas dos estoques existentes em 31/12/98, não geraram débitos suficientes para amortizar o saldo credor daquela data. Seus estoques em 31 de dezembro de 1998, totalizavam R$ 2.975.392,17 (Dois milhões, três mil, novecentos e setenta e cinco mil, trezentos e noventa e dois reais e dezessete centavos) (Fls. 227 à 229), e seus faturamentos nos 07 (sete) primeiros meses do ano de 1999, totalizaram R$ 6.502.166,63 (Seis milhões, quinhentos e dois mil, cento e sessenta e seis reais e sessenta e três centavos), gerando um débito de IPI no valor de R$ 21.073,55 (Vinte e um mil, setenta e três reais e cinqüenta e cinco centavos) (ver planilha às (Fls. 225), insuficientes para amortizar todo o saldo credor apresentado em 31/12/1998. Portanto os débitos que poderiam ser utilizados para amortizar o saldo credor apresentado em 31 de dezembro de 1998, seriam somente aqueles referentes as saídas até o limite dos estoques Fl. 350DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10935.002189/200177 Acórdão n.º 380200.670 S3TE02 Fl. 336 15 existentes em 31 de dezembro de 1998, considerando que as primeiras saídas de 1999, foram referentes aos estoques anteriores. Não vejo qualquer possibilidade de ressarcimento, antes de zerar todo aquele saldo que existia em 31/12/98. (grifos não originais). Analisando o inteiro teor dos textos transcritos, verificase que, assim como o nobre ConselheiroRelator, também entendeu o AuditorFiscal informante que o aproveitamento do saldo credor do IPI, existente em 31/12/1998, somente poderia ser deduzido dos débitos do IPI referente às saídas, ocorridas a partir de 01 de janeiro de 1999, dos estoques dos produtos acabados, existentes em 31 de dezembro de 1998, e dos produtos fabricados, a partir de 01 de janeiro de 1999, com os estoques dos insumos, também existentes em 31 de dezembro de 1998. Portanto, no que tange à questão exclusivamente de direito, concernente ao critério de aproveitamento do citado saldo credor, verificase que não existe qualquer divergência entre o entendimento da Fiscalização e o do Relator. A divergência entre ambos surge de forma evidente, em relação ao procedimento concreto, atinente ao aproveitamento do saldo credor do IPI, existente em 31/12/1998. Segundo a Autoridade Fiscal, em conformidade com o critério PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai), instituído no § 2º do art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 1999, o valor do referido saldo credor somente poderia ser deduzido dos débitos do IPI, no valor de R$ 21.073,55, apurados no período do 1º decêndio de janeiro de 1999 até 3º decêndio de julho de 1999, decorrentes das saídas dos produtos acabados, existentes em estoque em 31/12/1999, e dos produzidos com o estoque dos insumos, existentes na mesma data. Assiste razão à Autoridade Fiscal. Com efeito, analisando os dados do Demonstrativo de fl. 225, chegase a conclusão que os estoques dos produtos acabados e dos insumos, existentes em 31/12/1998, esgotouse em 31/07/1999, gerando um débito de IPI, no período de janeiro a julho de 1999, no valor de R$ 21.073,55, não suficiente, por conseguinte, para absorver todo o saldo credor do IPI existente em 31/12/1998, no valor de R$ 440.166,91, remanescendo ainda a quantia de R$ 419.093,36. Em relação a esse fato, a Recorrente não apresentou qualquer contestação ou prova que o contraditasse, tornandoo incontroverso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF). Assim, uma vez esgotados os estoques dos referidos insumos e produtos acabados, em cumprimento ao disposto § 3º do art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 1999, o saldo credor remanescente (R$ 419.093,36) deveria ter sido estornado pela Recorrente, da sua escrita fiscal, o que não foi feito. Cabe esclarecer que, nesse sentido, havia orientação expressa da Administração tributária, nos termos estabelecido no artigo único do Ato Declaratório Interpretativo SRF (ADI/SRF) no 15, de 2002, que segue reproduzido: Fl. 351DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 16 Artigo único. Será considerado esgotado, nas condições previstas no § 3º do art. 5o da Instrução Normativa SRF no 33/1999, o saldo credor que remanescer do aproveitamento previsto no § 2º do mencionado artigo, quando o contribuinte optar pelo estorno daquele saldo. Dessarte, em decorrência do descumprimento desse mandamento normativo, além de não estornar o saldo credor do IPI remanescente, no valor de R$ 419.093,36, a Recorrente continuou deduzindoo, indevidamente e forma irrestrita, dos débitos do IPI apurados a partir de 01/08/1999, conforme se constata nas cópias do livro de RAIPI (fls. 18/208) e nos dados coligidos no Demonstrativo de fls. 223/224, os quais foram extraídos do citado livro. Diante desse fato irrefutável, concluiu com acerto a Autoridade Fiscal informante que o saldo credor do IPI, acumulado no final do 3º trimestre de 2000, no valor de R$ 379.028,62, pleiteado pela Recorrente nos presentes autos (fl. 01), na verdade, representava parte do crédito não estornado e indevidamente compensado com os débitos do IPI, apurados no período de 01/08/1999 a 30/09/2000. No mesmo sentido, concluiu o Colegiado julgador de primeiro grau, conforme se verifica no excerto a seguir transcrito, extraído do Voto condutor do referido julgado: Resta claro que o crédito existente em 1998 não se esgotou com as saídas dos estoques de 31/12/1998, e que o parágrafo 2°, do art. 5° da IN SRF n° 33/99 foi descumprido. Além disso, a contribuinte não escriturou os referidos créditos à margem da escrita fiscal, como determinado pelo parágrafo 1° do mesmo artigo, e nem tampouco, realizou qualquer estorno, como previsto pelo ADI SRF n° 15/2002, mantendo o crédito em sua escrita e utilizandoo indevidamente no abatimento de débitos de produtos que não estavam em estoque em 31/12/1998. De fato, se a Recorrente, em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 1999, houvesse seguido a orientação veiculada no ADI/SRF no 15, de 2002, ao invés de saldo credor, em 30/09/2000, ela teria era saldo devedor do IPI, no valor de R$ 40.064,74 (R$ 419.093,36 R$ 379.028,62). Com essas considerações, fica cabalmente demonstrado que, além de ter cumprido fielmente o critério de aproveitamento do saldo credor do IPI, existente em 31/12/1998, inclusive seguindo a ordem estabelecida, a referida Autoridade Fiscal concluiu, acertadamente, que o saldo credor do IPI, existente em 30 de setembro de 2000, pleiteado pela Recorrente nos presentes autos, era proveniente daquele que existia em 31/12/1998. Da análise do valor contábil dos estoques existentes em 31/12/1998. Para o i. ConselheiroRelator, a análise do valor contábil dos estoques (R$ 2.975.392,17), existente em 31/12/1998, e do faturamento (R$ 6.502.166,63) dos 7 (sete) primeiro meses de 1999, era inadequada para obtenção da conclusão, apresentada no Acórdão recorrido, de que o débito de IPI do citado período, no valor de R$ 21.073,55, fora insuficiente para amortizar todo o saldo credor apresentado em 31/12/1998, no valor de R$ 440.166,91. No meu entendimento, o Demonstrativo apresentado pela Autoridade Fiscal (fl. 225), baseado no valor do faturamento ocorrido nos meses de janeiro a julho de 1999, embora não fosse a forma mais indicada, consiste no único documento colacionado aos autos, Fl. 352DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10935.002189/200177 Acórdão n.º 380200.670 S3TE02 Fl. 337 17 com o fim específico de comprovar a saída dos estoques dos produtos acabados e dos insumos, existentes em 31/12/1998. Além disso, conforme mencionado precedentemente, o fato de a Recorrente, nas duas oportunidades que interveio no processo, não ter contestado tal Demonstrativo, torna incontroverso os dados nele apresentados. Em consequência, por força da preclusão processual (art. 16, § 4º, do PAF), nesta fase recursal, entendo que é defesa a abordagem dessa questão, especialmente, se adotada como fundamento da decisão exarada, como pretendido pelo Relator. Com efeito, compulsando as peças impugnatória (fls. 282/284) e recursal (fls. 324/327), encartadas nos presentes autos, verificase que a Recorrente, coerentemente com o seu argumento de que seria ilegal o critério de aproveitamento do saldo credor do IPI, existente em 31/12/1998, instituído no art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 1999, elaborou outro Demonstrativo (fls. 284 e 327), em que a compensação do referido saldo credor com os débitos do IPI, apurados a partir de 1º decêndio de janeiro de 1999, foi feita sem qualquer restrição quanto a origem dos débitos, ou seja, independentemente deles serem provenientes da venda dos produtos fabricados com insumos adquiridos antes ou depois de 1º de janeiro de 1999. Ratifica o asseverado, o fato de a Interessada ter deixado expressamente registrado no presente Recurso que, diante da ilegalidade da restrição imposta pelo art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 1999, ela havia realizado a compensação do citado saldo credor, com observância apenas do disposto no art. 4º, combinado com o § 2º do art. 2º, da referida Instrução Normativa3, que trata da forma de aproveitamento, exclusivamente, dos créditos vinculados aos insumos adquiridos a partir de 1º de janeiro de 1999, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999. Também os dados apresentados no Demonstrativo elaborado pela Recorrente (fls. 284 e 327) deixam claro que não foi levado em consideração o critério de aproveitamento do saldo credor do IPI, segundo o qual a dedução do referido saldo somente poderia ser feita com os débitos decorrentes da venda dos produtos fabricados com os insumos adquiridos antes de 31/12/1998. 3 "Art. 2º Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do artigo 347 do RIPI: I quando do recebimento da respectiva nota fiscal, na hipótese de entrada simbólica dos referidos insumos; II no período de apuração da efetiva entrada dos referidos insumos no estabelecimento industrial, nos demais casos. § 1º O aproveitamento dos créditos a que faz menção o "caput" darseá, inicialmente, por compensação do imposto devido pelas saídas dos produtos do estabelecimento industrial no período de apuração em que forem escriturados. § 2º No caso de remanescer saldo credor, após efetuada a compensação referida no parágrafo anterior, será adotado o seguinte procedimento: I o saldo credor remanescente de cada período de apuração será transferido para o período de apuração subseqüente; II ao final de cada trimestrecalendário, permanecendo saldo credor, esse poderá ser utilizado para ressarcimento ou compensação, na forma da Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997. (...) Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no o artigo 11 da Lei nº 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1º de janeiro de 1999". Fl. 353DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 18 No mesmo sentido, concluiu o Relator do voto que serviu de base para o Acórdão recorrido, conforme exposto no excerto a seguir transcrito: O demonstrativo de fl. 284 elaborado pela recorrente apenas comprova que o crédito existente em 31/12/1998 foi utilizado indiscriminadamente, mesmo quando já tinham saído todos os produtos em estoque em 1998. É oportuno esclarecer ainda que os valores apresentados no referido Demonstrativo não têm correspondência com os valores consignados no livro RAIPI e compilados no Demonstrativo de fls. 04/05, originariamente apresentado pela Recorrente, por ocasião da apresentação do Pedido de Ressarcimento de fl. 01. O acolhimento, pelo nobre ConselheiroRelator, do critério de aproveitamento adotado pela Recorrente, contraria o critério de aproveitamento do saldo credor do IPI, existente em 31/12/1998, instituído pelo art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 1999. Com a devida vênia, também discordo da conclusão apresentada pelo i. ConselheiroRelator, no sentido de que o esgotamento do citado saldo credor do IPI ocorreu na forma da citada Instrução Normativa, conforme se verifica no trecho a seguir transcrito: Entendese, assim, que o esgotamento dos créditos ocorreu na forma da IN SRF no 33/1999 (requisitos especificado no item “e, acima), mediante dedução do IPI incidente na saída de produtos acabados em existentes no dia 31/12/1998; e fabricados a partir de 01/01/1999, com a utilização de insumos adquiridos anteriormente. No meu entendimento, além de não ter suporte nas provas colacionadas aos autos, tal conclusão representaria, na prática, a admissão do efeito da irretroatividade da norma veiculada no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, bem como o reconhecimento da ilegalidade do critério de aproveitamento do saldo credor do IPI, estabelecido no art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 1999, preceito normativo de direito intertemporal, instituído com o objetivo de preservar o direito adquirido, nos termos da legislação pretérita, e evitar que o novo critério de aproveitamento do saldo credor do IPI, introduzido pela novel norma legal, tenha efeito retroativo. Essa matéria, de natureza eminentemente jurídica, ao meu sentir, já foi suficientemente analisada no voto do ConselheiroRelator, dispensando, assim, qualquer abordagem adicional. Por todas essas considerações, data maxima vênia do entendimento do i. Relator, ao meu ver, não merece qualquer reparo o entendimento esposado pela Turma de Julgamento a quo que de forma coerente acolheu os dados apresentados no Demonstrativo de fl. 225, elaborado pela Fiscalização em conformidade com o critério estabelecido no art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 1999. Do indeferimento dos pedidos de ressarcimento objeto dos processos nºs. 10935.000845/9930 e 10935.002403/9982. No Demonstrativo de fls. 04/05, informou a Recorrente que, após ser cientificada, em 18/09/2000, das decisões administrativas definitivas, proferidas no âmbito dos processos nºs 10935.000845/9930 e 10935.002403/9982, nos quais foram indeferidos os pedidos de ressarcimento/compensação da parcela do saldo credor do IPI, existente em 31/12/1998, no valor de R$ 192.728,07, no 2º decêndio do mês de setembro de 2000, procedeu o ajuste a crédito desse valor. Fl. 354DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10935.002189/200177 Acórdão n.º 380200.670 S3TE02 Fl. 338 19 De fato, analisando as cópias do livro RAIPI colacionadas aos autos, especificamente no resumo de apuração do IPI do 2º decêndio do mês de setembro de 2000 (fl. 205), verificase que a Recorrente registrou a crédito a importância de R$ 192.728,07, que tinha sido objeto dos referidos pedidos de ressarcimento. Em seguida, já no mês seguinte após a ciência do indeferimento dos referidos pedidos de ressarcimento, precisamente no dia 16/10/2000, conforme Pedido de Ressarcimento de fl. 01, a Recorrente ingressou novamente o pedido de ressarcimento do referido valor. Assim, ad argumentandum tantum, caso este Colegiado não acate o entendimento esposado nos tópicos precedentes, que ao menos seja dado provimento parcial ao presente Recurso, para manter o indeferimento do direito creditório pleiteado, no valor de R$ R$ 192.728,07, sob pena de grave violação ao disposto nos arts. 42 e 43 do PAF. Da conclusão. Diante do exposto, com a devida vênia do i. Relator, NEGO PROVIMENTO ao presente Recurso, para manter na íntegra o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Declaração de Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Inicio minhas considerações ressaltando que, quanto ao direito de aproveitamento do saldo credor do IPI na forma preconizada pela Lei nº 9.779/99, não tenho maiores considerações diante das já perfeitamente apresentadas pelos distintos colegas Conselheiros que apreciaram tal questão. Com efeito, conforme ressaltado, a Lei nº 9.779/99 ampliou a forma de aproveitamento dos saldos credores do IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, aplicados na industrialização de produtos, inclusive isentos ou tributados à alíquota zero, conforme redação de seu artigo 11, já reproduzido nos posicionamentos acima exarados, observadas as regras prescritas pela também retrocitada IN SRF no 33/99. Dessa forma, e em conformidade com as pertinentes considerações elaboradas pelo Conselheiro Solon Sehn: (a) o direito de compensação ou de restituição em dinheiro do saldo credor acumulado do IPI aplicase exclusivamente aos insumos adquiridos após 01/01/1999; e depende do esgotamento dos créditos acumulados até 31/12/1998; Fl. 355DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 20 (b) os créditos acumulados até 31/12/1998, por sua vez, somente podem ser utilizados para dedução do IPI incidente na saída de produtos acabados até essa data; ou fabricados a partir de 01/01/1999, com a utilização de insumos adquiridos antes de 31/12/1998, originadores dos créditos acumulados; (c) quanto aos produtos fabricados após 01/01/1999 com insumos adquiridos antes de 31/12/1998, a IN SRF 33/99, na parte final do art. 5o, § 2º, estabeleceu uma regra de presunção, segundo a qual os produtos que primeiro saírem devem ser considerados como tendo sido fabricados com a utilização dos insumos que primeiro entraram no estabelecimento; e, (d) não sendo possível a fruição na forma do art. 5o, § 2º, da IN SRF no 33/99, o Ato Declaratório Interpretativo SRF no 15/2002 permite o esgotamento mediante estorno do crédito acumulado: Artigo único. Será considerado esgotado, nas condições previstas no § 3º do art. 5o da Instrução Normativa SRF no 33/1999, o saldo credor que remanescer do aproveitamento previsto no § 2º do mencionado artigo, quando o contribuinte optar pelo estorno daquele saldo. No caso concreto, observase que a recorrente – que, efetivamente, apresentava créditos do IPI escriturados em 31/12/1998 (no montante de R$ 440.166,91) –, embora também tenha acumulado créditos do imposto depois de 01/01/1999, não estornou os valores inerentes aos períodos anteriores à vigência da Lei no 9.779/99, como, repetindo, lhe facultava o ADI SRF no 15/2002. Tal fato trouxe como consequência para a empresa o direito de gozo ao ressarcimento do saldo credor do imposto tãosomente quando esgotado o saldo escriturado em 31/12/1998, o que, nos termos da planilha abaixo colacionada (e como já observado pelo ConselheiroRelator), ocorreu no segundo decêndio de fevereiro de 2000. Saldo credor IPI em 31/12/1998 = 440.166,91 Período IPI Débitos IPI Estornos Saldo credor do IPI em 31/12/1998 deduzido dos débitos do imposto 1o Dec 122,88 440.044,03 Jan/99 2o Dec 361,32 439.682,71 3o Dec 192,99 439.489,72 1o Dec 1.196,11 438.293,61 Fev/99 2o Dec 957,94 437.335,67 3o Dec 348,96 436.986,71 1o Dec 334,95 436.651,76 mar/99 2o Dec 2.154,29 434.497,47 3o Dec 848,61 433.648,86 1o Dec 450,70 433.198,16 abr/99 2o Dec 122,00 433.076,16 3o Dec 261,54 432.814,62 1o Dec 835,64 431.978,98 mai/99 2o Dec 307,28 431.671,70 3o Dec 457,92 431.213,78 1o Dec 9.603,19 421.610,59 Jun/99 2o Dec 82,07 421.528,52 3o Dec 571,47 420.957,05 1o Dec 92,37 420.864,68 Jul/99 2o Dec 581,36 420.283,32 3o Dec 1.189,96 419.093,36 1o Dec 2.778,56 416.314,80 Fl. 356DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10935.002189/200177 Acórdão n.º 380200.670 S3TE02 Fl. 339 21 ago/99 2o Dec 3.145,08 133,48 413.303,20 3o Dec 5.983,74 407.319,46 1o Dec 6.373,38 400.946,08 set/99 2o Dec 734,18 400.211,90 3o Dec 8.086,60 392.125,30 1o Dec 7.105,13 385.020,17 out/99 2o Dec 8.755,85 376.264,32 3o Dec 13.662,52 362.601,80 1o Dec 24.867,40 337.734,40 nov/99 2o Dec 16.231,79 321.502,61 3o Dec 8.377,68 313.124,93 1o Dec 54.523,61 258.601,32 dez/99 2o Dec 28.673,38 229.927,94 3o Dec 40.896,23 189.031,71 1o Dec 69.110,22 119.921,49 Jan/00 2o Dec 28.068,91 91.852,58 3o Dec 58.118,77 33.733,81 1o Dec 14.655,21 19.078,60 Fev/00 2o Dec 26.673,81 2.535,70 5.059,51 Assim, como o pedido de ressarcimento do IPI (nos termos da Lei no 9.779/99) corresponde a períodos posteriores (a partir do 2o decêndio de março/2000), conclui se que, desde então, a empresa já cumprira com os requisitos legais inerentes à prévia utilização dos créditos escriturados em 31/12/1998, necessários para o gozo do direito ao ressarcimento pleiteado. No mais, também concordo com as observações feitas pelo Conselheiro Relator na parte em que demonstra o equívoco cometido pela Fiscalização ao inverter a ordem de dedução dos créditos prevista no artigo 5o, § 2º, na IN SRF no 33/99. Na mesma toada, entendo como inadequada a metodologia empregada pela Fiscalização quando compara estoque de mercadorias com faturamento, até porque a IN SRF no 33/99 trouxe uma presunção legal específica destinada a apurar o esgotamento do saldo credor do imposto existente em 31/12/1998, contida na parte final do § 2º de seu artigo 5o, segundo o qual “os produtos que primeiro saírem devem ser considerados como sendo industrializados com a utilização dos insumos que primeiro entraram no estabelecimento”. Não custa repetir o inteiro teor do retrocitado dispositivo: Art. 5º Os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31 de dezembro de 1998, decorrentes de excesso de crédito em relação ao débito e da saída de produtos isentos com direito apenas à manutenção dos créditos, somente poderão ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado seu ressarcimento ou compensação. [...] § 2º O aproveitamento dos créditos do IPI de que trata este artigo somente poderá ser efetuado com débitos decorrente da saída dos produtos acabados, existentes em 31 de dezembro de 1998, e dos fabricados a partir de 1º de janeiro de 1999, com a utilização dos insumos originadores desses créditos, considerandose que os produtos que primeiro saírem foram industrializados com a utilização dos insumos que primeiro entraram no estabelecimento. (grifei) Fl. 357DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 22 Ainda sobre a metodologia empregada pela Fiscalização – segundo a qual, como ressaltado, não teriam sido exauridos completamente os créditos do imposto existentes em 31/12/1998 –, reproduzo, abaixo, trecho do Termo de Informação Fiscal de fls. 232/233: Analisando a evolução do saldo credor a partir de, 31 de dezembro de 1998, até a data de, 30 de setembro de 2000, constatamos que em 31/12/98, seu saldo credor era de R$ 440.166,91 (Quatrocentos e quarenta mil, cento e sessenta e seis reais e noventa e um centavos), e em 30/09/00 seu saldo credor ainda permanecia em R$ 379.028,62 (Trezentos e setenta e nove mil, vinte e oito reais e sessenta e dois centavos), portanto o saldo credor em, 30 de setembro de 2000, é proveniente daquele que existia em 31/12/98. Como se pode observar os débitos apresentados em seu livro de apuração do IPI, no início do ano de 1999, são valores baixos (ver planilha fls. 223 e 224), em função de que seus produtos na maioria eram tributados à aliquota zero, somente a partir de agosto de 1999, é que passaram a ter aumentos de alíquotas gradativamente conforme Decreto n.° 3.102/99. As saídas dos estoques existentes em 31/12/98, não geraram débitos suficientes para amortizar o saldo credor daquela data. Seus estoques em 31 de dezembro de 1998, totalizavam R$ 2.975.392,17 (Dois milhões, três mil, novecentos e setenta e cinco mil, trezentos e noventa e dois reais e dezessete centavos) (sic) (Fls. 227 à 229), e seus faturamentos nos 07 (sete) primeiros meses do ano de 1999, totalizaram R$ 6.502.166,63 (Seis milhões, quinhentos e dois mil, cento e sessenta e seis reais e sessenta e três centavos), gerando um débito de IPI no valor de R$ 21.073,55 (Vinte e um mil, setenta e três reais e cinqüenta e cinco centavos) (ver planilha às (Fls. 225), insuficientes para amortizar todo o saldo credor apresentado em 31/12/1998. Portanto os débitos que poderiam ser utilizados para amortizar o saldo credor apresentado em 31 de dezembro de 1998, seriam somente aqueles referentes as saídas até o limite dos estoques existentes em 31 de dezembro de 1998, considerando que as primeiras saídas de 1999, foram referentes aos estoques anteriores. Não vejo qualquer possibilidade de ressarcimento, antes de zerar todo aquele saldo que existia em 31/12/98. (grifos nossos) Com a devida vênia, o trecho acima transcrito – além de demonstrar a inapropriada comparação entre as grandezas faturamento e saldo credor do IPI – revela, ao menos, mais dois equívocos cometidos pela Fiscalização quando da análise do pleito. Primeiro – reportandome ao último trecho grifado –, e considerando que o pleito corresponde ao 2o decêndio de março/2000 (parcial) até o 3o decêndio de setembro/2000, a autoridade administrativa não poderia ter estancado sua análise (quanto ao exaurimento do saldo credor do imposto existente em 31/12/1998) apenas nos sete primeiros meses do ano de 1999. De fato, no referido período, o débito do IPI não foi suficiente para amortizar todo o saldo escriturado em 31/12/1998; no entanto, como já demonstramos (ver tabela supra), e considerando a presunção legal objeto da IN SRF no 33/99 (artigo 5o, § 2º), todo o crédito existente em 31/12/1998 foi exaurido no segundo decêndio de fevereiro de 2000, antes, portanto, do período correspondente ao pleito de ressarcimento, que, como já dito, se iniciou no 2o decêndio de março/2000. Fl. 358DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10935.002189/200177 Acórdão n.º 380200.670 S3TE02 Fl. 340 23 Reitero, aqui, meu posicionamento no sentido de que a apuração da utilização do saldo credor do IPI existente em 31/12/1998 deve ser feita considerando a presunção legal contida na IN 33/99, ou seja, mediante amortização do crédito com o débito do mesmo imposto, grandezas de mesma “unidade de medida”. Ao admitir tal presunção, referida instrução normativa, de forma salutar, tornou mais prática a adequação da realidade fática ao direito intertemporal aplicável ao caso concreto, praticidade esta reiterada no reportado ADI SRF no 15/2002, o qual, como já dito, permitia o imediato gozo ao direito de ressarcimento do saldo credor do IPI apurado a partir de 1999, desde que estornado o saldo existente em 31/12/1999. Continuando o exame das considerações traçadas pela Fiscalização, releva destacar, em segundo lugar, que é equivocada a afirmação fiscal segundo a qual o saldo credor existente em 30/09/2000 (de R$ 379.028,62) seria “[...] proveniente daquele que existia em 31/12/98” (ver primeiro trecho grifado do Termo de Informação Fiscal acima reproduzido). Com efeito, de acordo com a apuração objeto da planilha adiante colacionada, onde estão computados apenas os créditos do imposto de competência do segundo decêndio de março/2000 e períodos posteriores, observase que o crédito do IPI no interregno pleiteado – concluído em 30/09/2000 –, se não considerada a glosa fiscal estornada no terceiro decêndio de abril/2000 (de R$ 6.252,85), equivaleria, de fato, ao montante de R$ 379.028,62. Evidente, pois, que todo o crédito pleiteado é proveniente de aquisições realizadas a partir de 1999, e, mais especificamente, a partir do segundo decêndio de março de 2000. Neste comenos, e diante dos cálculos apresentados na planilha abaixo, constatase que o saldo credor do IPI passível de ressarcimento nos termos da Lei no 9.779/99, correspondente ao 2o decêndio de março/2000 (parcial) até o 3o decêndio de setembro/2000 (período correspondente ao pedido), é de R$ 372.775,77, portanto, um pouco inferior ao montante pleiteado, que, conforme fls. 01, equivale a R$ 379.028,62. Análise quantitativa do crédito pleiteado (a partir do segundo decêndio de março/2000) Período IPI Débitos IPI Estornos Créditos IPI Saldo credor IPI passível de ressarcimento (mês) Saldo credor IPI passível de ressarcimento (acumulado) mar/00 2o Dec 35.436,41 25.743,88 25.743,88 3o Dec 19.637,39 26.199,37 51.943,25 51.943,25 1o Dec 850,40 10.018,95 61.962,20 abr/00 2o Dec 10.797,96 14.188,67 76.150,87 3o Dec 14.426,07 6.252,85 12.695,70 36.903,32 88.846,57 1o Dec 727,30 7.784,04 96.630,61 mai/00 2o Dec 1.880,16 8.686,18 105.316,79 3o Dec 8.646,31 17.472,84 33.943,06 122.789,63 1o Dec 26.482,35 5.943,01 128.732,64 jun/00 2o Dec 4.913,26 11.959,50 140.692,14 3o Dec 8.231,87 17.883,48 35.785,99 158.575,62 1o Dec 21.387,26 6.904,58 165.480,20 jul/00 2o Dec 33.278,80 9.529,74 175.009,94 3o Dec 77.540,77 55.866,98 72.301,30 230.876,92 Fl. 359DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 24 1o Dec 27.912,30 48.914,03 279.790,95 ago/00 2o Dec 12.058,22 11.363,67 291.154,62 3o Dec 66.578,05 29.041,15 89.318,85 320.195,77 1o Dec 615,33 10.823,11 331.018,88 set/00 2o Dec 46.750,55 192.728,07 24.142,02 355.160,90 3o Dec 17.350,45 17.614,87 52.580,00 372.775,77 (A) Total do crédito apurado = 372.775,77 (B) Valor pleiteado pela interessada = 379.028,62 (B) (A) = 6.252,85 Como já adiantado linhas acima, a diferença entre o valor requerido e o apurado, de R$ 6.252,85, diz respeito a glosa fiscal estornada no terceiro decêndio de abril/2000. Nesse período, a interessada informara como valor correspondente ao decêndio R$ 18.948,55 (v. fls. 04); no entanto, conforme fls. 161, o crédito correto equivale a R$ 12.695,70, valor este utilizado na planilha da Fiscalização e não contestado pela reclamante. Por fim, vale ressaltar que no segundo decêndio de setembro/2000 foram escriturados dois estornos de débitos no valor total de R$ 192.728,07, correspondentes a dois processos de ressarcimento do primeiro e do terceiro trimestres de 1999, indeferidos pela autoridade fazendária. Os estornos em tela, como dito, só lançados no segundo decêndio de setembro/2000 (conf. fls. 205), se destinaram a anular os débitos do imposto escriturados no 2o decêndio de abril/99 (R$ 113.470,68 – ver fls. 50) e no 3o decêndio de outubro/99 (R$ 79.257,39 – ver fls. 107). Nos nossos cálculos, não consideramos esse valor para fins de dedução do saldo credor passível de ressarcimento, uma vez que o estorno – registrado no segundo decêndio de setembro de 2000 – objetivou apenas corrigir o saldo credor do imposto mantido na escrituração da empresa, não influenciando, pois, sobre o direito correspondente ao pedido (2o decêndio de março/2000 até o 3o decêndio de setembro/2000), onde, de acordo com os cálculos acima demonstrados, restou evidente a existência de créditos passíveis de ressarcimento no montante de R$ 372.775,77. Diante de todo o exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso interposto pela reclamante, reconhecendo o direito creditório correspondente ao saldo credor do IPI de competência do 2o decêndio de março/2000 até o 3o decêndio de setembro/2000, no montante de R$ 372.775,77 (trezentos e setenta e dois mil, setecentos e setenta e cinco reais e setenta e sete centavos). (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Declaração de Voto Conselheiro Regis Xavier Holanda A Delegacia da Receita Federal em Cascavel indeferiu o pedido de ressarcimento do IPI relativo aos 2º e 3º trimestres de 2000, no valor de R$ 379.028,62, porque Fl. 360DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10935.002189/200177 Acórdão n.º 380200.670 S3TE02 Fl. 341 25 a contribuinte não teria esgotado o saldo credor de IPI existente em 31/12/1998 no Livro Registro de Apuração do IPI, em conformidade com os artigos 4º e 5º da Instrução Normativa SRF nº 33/99: Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei no 9.779, de 1999, do saldo credor do IP I decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999. Art. 5º Os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31 de dezembro de 1998, decorrentes de excesso de crédito em relação ao débito e da saída de produtos isentos com direito apenas à manutenção dos créditos, somente poderão ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado seu ressarcimento ou compensação. § 1º Os créditos a que se refere este artigo deverão ficar anotados à margem da escrita fiscal do IPI. § 2º O aproveitamento dos créditos do IPI de que trata este artigo somente poderá ser efetuado com débitos decorrente da saída dos produtos acabados, existentes em 31 de dezembro de 1998, e dos fabricados a partir de 1º de janeiro de 1999, com a utilização dos insumos originadores desses créditos, considerandose que os produtos que primeiro saírem foram industrializados com a utilização dos insumos que primeiro entraram no estabelecimento. § 3º O aproveitamento dos créditos, nas condições estabelecidas no artigo anterior, somente será admitido após esgotados os créditos referidos neste artigo. Portanto, o esgotamento dos créditos existentes em 31/12/1998 deve ser realizado de acordo com o disposto no parágrafo 2º, do art. 5º da IN SRF nº 33/99, transcrito acima, qual seja, o seu aproveitamento na compensação de débitos decorrentes da saída de produtos acabados existentes em 31/12/1998 e de produtos fabricados em 1999 com insumos que geraram créditos em 1998. Outra alternativa para se considerar esgotado o saldo credor existente em 31/12/1998 é o estorno deste saldo conforme o artigo único do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15, de 25 de setembro de 2002, in verbis: Artigo único. Será considerado esgotado, nas condições previstas no § 3º do art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 33/99, o saldo credor que remanescer do aproveitamento previsto no § 2º do mencionado artigo, quando o contribuinte optar pelo estorno daquele saldo. A Lei no 9.779/1999 veio assegurar, além do direito ao crédito do IPI decorrente da aquisição de insumos empregados na industrialização de produtos isentos ou sujeitos à alíquota zero, a possibilidade de utilização do saldo credor acumulado para fins de compensação com outros tributos federais ou de ressarcimento em dinheiro: Fl. 361DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 26 Art.11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Também tratando da matéria, o Enunciado nº 16 da Súmula CARF dispõe que “o direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a partir de 1º de janeiro de 1999.” Dessa forma, o deferimento do pedido de ressarcimento efetuado pela contribuinte dependeria do esgotamento do saldo credor de 31/12/1998. A Fiscalização informa à fl. 233 que, no período de janeiro a julho de 1999, o faturamento da empresa foi de R$ 6.502.166,63, sendo que em 31/12/1998 os estoques totalizavam R$ 2.975.392,17, o que tornaria evidente de que todos os produtos em estoque em 31/12/1998 já haviam saído do estabelecimento. Entretanto, essas saídas geraram um débito de apenas R$ 21.073,55, enquanto que o saldo credor da escrita em 31/12/1998 era de R$ 440.166,91. Nesse ponto, tenho que o Demonstrativo apresentado pela Autoridade Fiscal (fl. 225) baseado no valor do faturamento ocorrido nos meses de janeiro a julho de 1999 não é a forma mais indicada para comprovar a saída dos estoques dos produtos acabados e dos insumos existentes em 31/12/1998. Por conseguinte, tenho que, ao contrário do quanto afirmado pela Fiscalização e pela decisão recorrida, não se pode ter certeza – pela documentação juntada aos autos – que o esgotamento dos estoques dos produtos acabados e dos insumos existentes em 31/12/1998 teria ocorrido em 31/07/1999. No entanto, é relevante a informação acrescentada pela Fiscalização de que os débitos apresentados em seu livro de apuração do IPI, no inicio do ano de 1999, são valores baixos (ver planilha fls. 223 e 224), em função de que seus produtos na maioria eram tributados à alíquota zero, somente a partir de agosto de 1999, é que passaram a ter aumentos de alíquotas gradativamente conforme Decreto n.° 3.102/99. Já com base nesses dados, é forçoso concluir que os estoques dos produtos acabados e dos insumos existentes em 31/12/1998 esgotaramse – se não em 31/07/1999 – certamente em data anterior à absorção de todo o saldo credor do IPI existente em 31/12/1998 quantificado em R$ 440.166,91. Com efeito, a geração de um débito de apenas R$ 21.073,55 diante de um faturamento de R$ 6.502.166,63 (período de janeiro a julho de 1999) dãonos uma convicção que houve sim, e muito, a saída de produtos acabados e de insumos existentes em 31/12/1998 com tributação à alíquota zero, o que, de per si, sem qualquer fixação de data certa, conduz ao fato de que certamente algum saldo credor – e não pouco – remanesceria do Fl. 362DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10935.002189/200177 Acórdão n.º 380200.670 S3TE02 Fl. 342 27 aproveitamento imposto pelo artigo 5º, §2º da IN SRF nº 33/99 apto a ser estornado consoante o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15, de 2002. Portanto, as saídas dos estoques existentes em 31/12/98 não geraram débitos suficientes para amortizar o saldo credor daquela data. Além disso, a contribuinte não escriturou os referidos créditos à margem da escrita fiscal, como determinado pelo parágrafo 1º do mesmo artigo, e nem tampouco, realizou qualquer estorno, como previsto pelo ADI SRF nº 15/2002, mantendo o crédito em sua escrita e utilizandoo indevidamente no abatimento de débitos de produtos que não estavam em estoque em 31/12/1998. Com efeito, como bem destacado pelo i. Conselheiro José Fernandes do Nascimento, compulsando as peças impugnatória (fls. 282/284) e recursal (fls. 324/327), encartadas nos presentes autos, verificase que a Recorrente, coerentemente com o seu argumento de que seria ilegal o critério de aproveitamento do saldo credor do IPI, existente em 31/12/1998, instituído no art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 1999, elaborou outro Demonstrativo (fls. 284 e 327), em que a compensação do referido saldo credor com os débitos do IPI, apurados a partir de 1º decêndio de janeiro de 1999, foi feita sem qualquer restrição quanto a origem dos débitos, ou seja, independentemente deles serem provenientes da venda dos produtos fabricados com insumos adquiridos antes ou depois de 1º de janeiro de 1999. Segue anotando que ratifica o asseverado, o fato de a Interessada ter deixado expressamente registrado no presente Recurso que, diante da ilegalidade da restrição imposta pelo art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 1999, ela havia realizado a compensação do citado saldo credor, com observância apenas do disposto no art. 4º, combinado com o § 2º do art. 2º, da referida Instrução Normativa4, que trata da forma de aproveitamento, exclusivamente, dos créditos vinculados aos insumos adquiridos a partir de 1º de janeiro de 1999, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999. Ora, não tendo realizado o devido estorno do saldo credor remanescente relativo à 31/12/1998 no momento adequado, mas, ao contrário, mantendo o crédito em sua 4 "Art. 2º Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do artigo 347 do RIPI: I quando do recebimento da respectiva nota fiscal, na hipótese de entrada simbólica dos referidos insumos; II no período de apuração da efetiva entrada dos referidos insumos no estabelecimento industrial, nos demais casos. § 1º O aproveitamento dos créditos a que faz menção o "caput" darseá, inicialmente, por compensação do imposto devido pelas saídas dos produtos do estabelecimento industrial no período de apuração em que forem escriturados. § 2º No caso de remanescer saldo credor, após efetuada a compensação referida no parágrafo anterior, será adotado o seguinte procedimento: I o saldo credor remanescente de cada período de apuração será transferido para o período de apuração subseqüente; II ao final de cada trimestrecalendário, permanecendo saldo credor, esse poderá ser utilizado para ressarcimento ou compensação, na forma da Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997. (...) Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no o artigo 11 da Lei nº 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1º de janeiro de 1999". Fl. 363DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 28 escrita e utilizandoo indevidamente no abatimento de débitos de produtos que não estavam em estoque em 31/12/1998, o interessado, em conseqüência, acabou por não se utilizar de créditos oriundos do exercício de 1999 para o abatimento de tais débitos, o que, em cascata, acabam se constituindo em valores objeto do presente pedido de ressarcimento, ou seja, em cascata, o que aqui está se pedindo em ressarcimento são valores que, ao contrário, deveriam é ter sido estornados pela empresa recorrente. Vejase ainda que era obrigação do contribuinte anotar os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31 de dezembro de 1998, à margem da escrita fiscal do IPI – o que não foi feito. De certo ainda que o controle e a demonstração da data certa em que os estoques dos produtos acabados e dos insumos existentes em 31/12/1998 se esgotaram e o respectivo estorno do saldo remanescente de crédito do IPI caberia ao contribuinte – e não à fiscalização como condição/requisito para a fruição da presente renúncia fiscal que, como tal, deve ter restrita sua interpretação. Por fim, cabe ainda esclarecer que a questão relativa à inversão, pela fiscalização, na planilha de fl. 223, da ordem de dedução prevista no art. 5o, §3º, na IN SRF nº 33/1999, deduzindo de imediato os créditos das entradas de 01/01/1999, deixando os créditos acumulados em 31/12/1998 para dedução apenas ao final, não trazem qualquer implicação ao raciocínio até então exposto uma vez que tal planilha não foi aqui levada em consideração e o equívoco apontado não infirma as conclusões a que chegamos. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário. Sala das Sessões, em 30 de agosto de 2011 (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Fl. 364DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10850.900929/2008-49
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 15/07/2004
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO.
Não comprovada a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo, condição essencial para a compensação nos termos do disposto no art. 170, do CTN, é de se não homologar a compensação declarada.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-000.594
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/07/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Não comprovada a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo, condição essencial para a compensação nos termos do disposto no art. 170, do CTN, é de se não homologar a compensação declarada. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/07/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Não comprovada a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo, condição essencial para a compensação nos termos do disposto no art. 170, do CTN, é de se não homologar a compensação declarada. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 13/07/2011 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto (SP), que, por unanimidade de Fl. 51DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/07/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, em acórdão assim ementado (fls. 28): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 15/07/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LIQUIDO E CERTO. Não comprovada a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo, condição essencial para a compensação nos termos do disposto no art. 170, do CTN, é de se não homologar a compensação declarada. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. Incabível a homologação de compensação com base em DCTF retificado após a data de indeferimento do pleito pela autoridade administratiya recorrida. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido em Parte Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório do acórdão da DRJ (fl. 29): O interessado apresentou Declaração de Compensação DCOMP, fls. 13/17 objetivando compensar débito próprio da contribuição para a COFINS, do período de apuração out/2004, com crédito apurado em decorrência de pagamento indevido ou a maior, no valor de R$ 8.933,42, valor esse contido no recolhimento efetuado através de DARF, em 15/07/2004, no valor de R$ 46.479,89, referente ao pagamento da contribuição para a Cofins do período de apuração junho de 2004. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em São José do Rio Preto, através do Despacho Decisório eletrônico de fl. 2, não homologou a compensação por inexistência de crédito, registrando que foi encontrado o pagamento declarado em DCOMP, mas que o mesmo foi totalmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, no caso, débito da Cofins do período de apuração junho de 2004. Cientificado da decisão, o interessado apresentou manifestação de inconformidade, fls. 01, alegando, em breve síntese, que nos período de apuração de abril a agosto de 2004 foram recolhidos a maior as contribuições para o PIS e Cotins, gerando crédito a favor do contribuinte, mas que tais créditos não foram encontrados por conta de que tal informação não constou em DCTF, retificadas posteriormente. Solicita o cancelamento da cobrança do débito devidamente compensado. A decisão recorrida rejeitou as alegações do sujeito passivo, por entender que, em virtude de divergência existente entre os valores constantes na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (Dctf) e na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessao Jurídica (Dipj), o crédito não seria líquido e certo. Foi reconhecido, no entanto, o crédito de R$ 2.624,26, resultante de retificação anterior da Dctf, ocorrida em 20/05/2006. Fl. 52DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/07/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10850.900929/200849 Acórdão n.º 380200.594 S3TE02 Fl. 51 3 O Recorrente, em suas razões recursais (fls. 3235), alega que a divergência seria decorrente de omissão na retificação da Dipj, ocorrida apenas em 12/11/2009. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 06/11/2009 (fls. 31) e o protocolo do recurso, em 04/12/2009 (fls. 32). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. No mérito, entendese que deve ser mantida a decisão recorrida. A prova apresentada pelo Recorrente não é suficiente para demonstrar a liquidez e a certeza do crédito, porque a retificação da Dipj ocorreu em 12/11/2009, após a intimação da decisão da DRJ. Além disso, não foi apresentada cópia da escrituração fiscal. O recurso deve ser conhecido, porém, desprovido, uma vez que a liquidez e a certeza são pressupostos para a compensação ex vi art. 170 do Código Tributário Nacional. Solon Sehn Relator Fl. 53DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/07/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 16027.720025/2014-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
CRÉDITO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE ESTORNO.
No período de apuração em que for apresentado o pedido de ressarcimento, o estabelecimento que escriturou os referidos créditos deverá estornar, em sua escrituração fiscal, o valor do crédito solicitado.
Estando obrigado à EFD ICMS/IPI, o contribuinte deve realizar o estorno citado neste documento, sendo-lhe vedada a escrituração do Livro Registro de Apuração do IPI, conforme determina o AJUSTE SINIEF nº 02, de 03/04/2009.
Numero da decisão: 3402-010.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Lázaro Antônio Souza Soares Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luís Cabral, Marina Righi Rodrigues Lara, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Mateus Soares de Oliveira (suplente convocado), Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente a conselheira Renata da Silveira Bilhim, substituída pelo conselheiro Mateus Soares de Oliveira.
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 CRÉDITO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE ESTORNO. No período de apuração em que for apresentado o pedido de ressarcimento, o estabelecimento que escriturou os referidos créditos deverá estornar, em sua escrituração fiscal, o valor do crédito solicitado. Estando obrigado à EFD ICMS/IPI, o contribuinte deve realizar o estorno citado neste documento, sendo-lhe vedada a escrituração do Livro Registro de Apuração do IPI, conforme determina o AJUSTE SINIEF nº 02, de 03/04/2009.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Presidente (documento assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luís Cabral, Marina Righi Rodrigues Lara, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Mateus Soares de Oliveira (suplente convocado), Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente a conselheira Renata da Silveira Bilhim, substituída pelo conselheiro Mateus Soares de Oliveira.
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE ESTORNO. No período de apuração em que for apresentado o pedido de ressarcimento, o estabelecimento que escriturou os referidos créditos deverá estornar, em sua escrituração fiscal, o valor do crédito solicitado. Estando obrigado à EFD ICMS/IPI, o contribuinte deve realizar o estorno citado neste documento, sendo-lhe vedada a escrituração do Livro Registro de Apuração do IPI, conforme determina o AJUSTE SINIEF nº 02, de 03/04/2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Presidente (documento assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luís Cabral, Marina Righi Rodrigues Lara, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Mateus Soares de Oliveira (suplente convocado), Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente a conselheira Renata da Silveira Bilhim, substituída pelo conselheiro Mateus Soares de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 7. 72 00 25 /2 01 4- 79 Fl. 1610DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-010.454 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16027.720025/2014-79 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento (PER) eletrônico nº 04768.05724.210513.1.1.01-7358, transmitido em 21/05/2013, por meio da qual o contribuinte solicita ressarcimento de crédito de IPI no valor de R$ 662.111,46, referente ao 2° Trimestre de 2009. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba (DRF-SOC) decidiu pelo indeferimento do pedido, mediante Despacho Decisório emitido em 19/11/2013, às folhas 95/100, por se tratar de pedido em duplicidade, tendo em vista a entrega do PER/DCOMP nº 23717.98843.161211.1.1.01-6640 com pedido de ressarcimento do mesmo crédito. Regularmente cientificada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 102/110, nos seguintes termos: DOS FATOS Em 16 de dezembro de 2011 foi transmitido o PER 23717.98843.161211.1.1.01-6640 no valor de R$339.797,85, totalmente homologado com suas compensações também homologadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Ocorre que posteriormente, revisando o pleito anteriormente transmitido, percebeu-se que por divergências de CF0Ps o pleito correto seria de R$662.111,46. Tendo em vista a impossibilidade de retificar e/ou cancelar Pedido de Ressarcimento Homologado. Tendo em vista a inexistência de material técnico e procedimentos em situações similares. Tendo em vista termos buscado diligentemente junto a Secretaria da Receita Federal, sem sucesso, instruções sobre o modus operandi, elaboramos e transmitimos em 21/05/2013 novo PER 04768.05724.210513.1.1.01-7358, pleiteando crédito no montante de R$ 662.111,46, valores originais, cuja diferença entre os documentos transmitidos em 16/12/2011 e 21/05/2013, no montante de R$322.313,61 não foi utilizada em nenhuma compensação DCOMP, descaracterizando-se completamente a intenção de má fé de nossa parte. Posteriormente, em 18/06/2013, recepcionamos o Termo de Intimação RF055525161BR solicitando-nos cancelar o 2° pleito ou retificar o 1º pleito, por duplicidade de pedidos de ressarcimento. Em atendimento ao seu Termo de Intimação RF055525175BR, expusemos mediante protocolo de 01/08/2013, todos as justificativas aqui trazidas da existência do crédito, bem como da impossibilidade da retificação ou cancelamento de pleitos previamente homologados, peticionando respeitosamente inclusive, que a Secretaria da Receita Federal do Brasil acolhesse ambos pleitos ou nos orientasse quanto aos procedimentos. (...) Vale lembrar ainda que ambos os pleitos foram feitos de acordo com o que determina a legislação, no que cerne ao prazo legal, efetuado portanto no prazo prescricional de 5 (cinco) anos, conforme artigo 168 do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/1966): A DRJ - Ribeirão Preto (DRJ/RPO), em sessão de 24/04/2018, proferiu o Acórdão nº 14-83.516, às fls. 321/331, através do qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos seguintes termos: De plano, constato que a defesa nada trouxe que comprovasse cabalmente seu direito creditório, sendo que o invocado direito não socorre o interessado nesse caso. Qualquer Fl. 1611DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-010.454 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16027.720025/2014-79 direito somente é certo quando tem sua liquidez e origem comprovada, ou seja, quando quantificado. (...) Logo, na hipótese de solicitação administrativa, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Assim, o pedido administrativo deve ser instruído com todos os elementos hábeis a demonstrar o direito da requerente, ou seja, a empresa deve provar o que alegou em sua manifestação. (...) Contudo, em sua peça contestatória, a contribuinte alegou que houve erros/divergências de CFOP, mas não deu maiores explicações de quais seriam estas divergências, e se essas divergências ocorreram em qual CFOP e se no próprio período. Também não esclareceu a origem dos créditos, nem apresentou sua escrituração nos livros fiscais. Ou melhor, não apresentou sua escrituração fiscal para comprovar que houve qualquer erro ou equivoco entre o escriturado em 2011 e o declarado no PER do mesmo ano. Alegou que seu direito pode vir de pagamento a maior, de restituição, do artigo 11 da Lei n° 9.779/99 e até de créditos judiciais, mas não explicou exatamente de quais destes atos viria seu direito. No entanto, o que se vê pelo demonstrativos de créditos abaixo é que a empresa pretendeu adicionar créditos na rubrica "demais créditos" e "outros créditos", sem demonstrar sua origem, ou seja, se ao menos são passíveis de escrituração. (...) Conforme se verifica da data do encaminhamento do PER em análise - 21/05/2013, sabe-se que a contribuinte já estava ciente do deferimento do seu pedido anterior, já que foi o que alegou na manifestação de inconformidade, e mesmo sabendo que não poderia pedir novo ressarcimento ou retificá-lo o fez, incluindo, em 2013, outros créditos, que não declarados anteriormente - em 2011. (...) Fica claro da leitura do ato legal acima que somente se admite um pedido de ressarcimento para cada período de apuração (trimestre), já que neste deve ser informado o saldo credor do período e que este pleito pode ser retificado até a data da ciência da decisão administrativa. A ciência deste Acórdão pelo contribuinte se deu em 04/05/2018, conforme “Termo de Ciência por Abertura de Mensagem”, à fl. 335. Irresignado com a decisão da DRJ- RPO, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 04/06/2018, às fls. 406/425, acompanhado de diversos documentos para comprovar suas alegações. A Turma 3401 deste Conselho, ao apreciar o Recurso Voluntário na sessão de 18/06/2019, decidiu por converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 3401- 001.846, às fls. 506/514: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil (RFB), à vista dos documentos apresentados e de outros que julgar necessários, se manifeste conclusivamente, mediante relatório circunstanciado, acerca: (i) de qual o valor a que o contribuinte tem direito a ser ressarcido pelo saldo credor de IPI no PA do 2º trimestre de 2009, se tal direito efetivamente existir; (ii) da comprovação de que o contribuinte realizou o estorno das notas fiscais de simples Fl. 1612DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-010.454 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16027.720025/2014-79 faturamento, CFOPs X922, na sua escrita fiscal (livro RAIPI), bem como nos PER/DCOMPs respectivos, evitando o creditamento em duplicidade; (iii) da comprovação de que o valor do 1º PER, R$339.797,85, novamente incluído no 2º PER (que não pedia unicamente a diferença entre as apurações, mas sim o valor total do PA), não foi utilizado em duplicidade; (iv) da comprovação de que o valor do crédito complementar não foi utilizado para dedução com IPI devido na escrita fiscal, entre o PA do seu registro contábil e o do seu estorno na escrita (ou seja, até a data da apresentação do 2º PER); (v) da comprovação de ter realizado o estorno na escrita fiscal do crédito complementar pleiteado neste processo; e (vi) após, cientifique o Recorrente para, querendo, manifestar-se em trinta dias, retornando-se os autos a este CARF após esgotado esse prazo. Em atendimento ao quanto solicitado pelo CARF, a EQUIPE REGIONAL DE RDC IPI da 8ª RF iniciou o procedimento de diligência, resultando, ao final, no Parecer nº 45/2022, emitido em 20/01/2022 e anexado às fls. 1587/1594, com as seguintes conclusões: Em face das alegações de erro, dos aspectos legais discutidos e das considerações supra, verifica-se que os valores, após a reclassificação dos CFOPs, para o 2º Trimestre de 2009, descontados os valores do 1º PER com créditos já reconhecidos, são os descritos na tabela a seguir: Porém, diante dos documentos elencados nas fls. 1582 a 1586 do presente processo (dados extraídos da escrita fiscal de dezembro de 2011 e de maio de 2013 da filial 33.194.200/0006-96 e da matriz 33.194.200/0001-81) este parecer entende que a diferença total pleiteada (R$ 322.313,61) não é devida para fins de créditos passíveis de ressarcimento, por ausência de estorno do referido valor na EFD ICMS/IPI. Do presente resultado, reabre-se prazo de 30 (trinta dias) para, em desejando, aditar a defesa inicial, conforme determinação da Egrégia 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF. O contribuinte, cientificado desse Parecer, se manifestou em discordância com o mesmo, tanto em relação ao valor reconhecido (R$294.115,42) quanto em relação ao estorno na escrita fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Fl. 1613DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-010.454 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16027.720025/2014-79 I – DA PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – DA AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO O recorrente alega a nulidade do Despacho Decisório, sob os seguintes fundamento, in littteris: 13. Não se pode negar que a Fiscalização deixou de orientar a respeito do correto procedimento que deveria ter sido adotado pela Recorrente, para final dizer, sem razão, que o trâmite adotado não seria o adequado, já que não poderia apreciar 2 PER/DCOMPs sobre o mesmo período. 14. Isso se deve em grande parte às respostas automáticas e eletrônicas geradas pelo sistema de informática, sem evidentemente ler ou compreender os reais motivos que estariam obstando a solução do problema. (...) 20. Ademais, não se pode afirmar que o Termo de Intimação acostado a fls. 111 tenha sido eficaz e efetivo no sentido de orientar a Recorrente. Sim, porque, gerado pelo sistema de informática, ele deixou de considerar a informação vital de que o 1º pedido já estava sido homologado, a inviabilizar o cancelamento e a sua eventual retificação. 21. A resposta da Recorrente a fls. 117 aborda suas dificuldades nesse sentido, mas, novamente, o sistema de informática fez o que estava programado para fazer: mandou corrigir o problema via PerDComp (fls. 119) - o que era impossível, como já dito e provado – e indeferiu o pedido sob argumento de haver duplicidade nos pedidos, quando na verdade a Recorrente tinha intenção de apresentar novo ressarcimento, ainda que do mesmo período. Sem razão o recorrente. O Despacho Decisório (fl. 95) trouxe a seguinte fundamentação: Indefiro o pedido de ressarcimento apresentado no PER/DCOMP acima identificado, uma vez que se trata de pedido em duplicidade. Período de apuração do crédito: 2º TRIMESTRE DE 2009 PER/DCOMP com pedido de ressarcimento do mesmo crédito: 23717.98843.161211.1.1.01-6640. O texto é bastante claro sobre a razão para o indeferimento, tanto que o contribuinte apresentou minuciosa Manifestação de Inconformidade, abordando as razões para a duplicidade apontada, o que demonstra sua perfeita compreensão sobre a decisão e seus fundamentos. Quanto à suposta falta de orientação por parte da Receita Federal, o último tópico deste voto aborda a questão da necessidade de protocolar um processo de solução de consulta. Ademais, conforme o art. 3º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, Decreto-Lei nº 4.657, de 1942, com redação dada pela Lei nº 12.376, de 2010, o contribuinte não pode alegar que descumpriu a legislação porque não a conhecia: Art. 3º Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece. Casos semelhantes a este, nos quais o contribuinte, após apresentar o PER, verifica a existência de outros créditos, são bastante comuns, resultando em incontáveis pedidos Fl. 1614DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-010.454 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16027.720025/2014-79 de retificação de PER ou de creditamento extemporâneo. Não vejo como o contribuinte pleitear a nulidade da decisão por não ter conhecimento de como proceder em caso tão corriqueiro. Pelo exposto, voto por rejeitar esta preliminar de nulidade do Despacho Decisório. II – DA PRELIMINAR DE AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO E SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA O recorrente alega a nulidade do Acórdão da DRJ, sob os seguintes fundamento, verbis: 27. De outra parte, o acórdão da DRJ alega que caberia a Recorrente provar o seu direito de crédito, e que isso não teria sido concretizado na manifestação de inconformidade. 28. Sucede, todavia, que a matéria de mérito, relacionada ao conteúdo do pedido de reconhecimento do crédito de IPI, não foi em momento algum analisada pelo r. despacho decisório. 29. Ora, nesse contexto, não pode o acórdão da DRJ arguir que a Recorrente não apresentou provas de seu crédito se esta questão (objeto do crédito) não foi objeto do despacho decisório. Tal aspecto não foi tratado no referido despacho, que se conformou em dizer que havia sobreposição dos pedidos. (...) 31. Com efeito, deve-se reconhecer que houve supressão de instância e o cerceamento de defesa, no sentido que o julgamento da DRJ exigiu provas da validade do conteúdo do crédito pleiteado, as quais em momento algum foram reclamadas ou sequer abordadas nas fases anteriores do processo. Não poderia a primeira instância administrativa inovar nos fundamentos da decisão de indeferimento do crédito, se este ponto nunca foi ventilado nos autos. (...) 33. Diante do exposto, resta configurada a supressão de instância e o cerceamento de defesa, impondo-se a declaração de nulidade do r. acórdão da DRJ para permitir que a Recorrente realize a prova do crédito pleiteado. Não verifico qualquer supressão de instância ou inovação nas razões de decidir. O Acórdão a quo manteve a decisão de indeferimento pelo mesmo motivo apontado no Despacho Decisório, apenas acrescentando que, além de descumprir o procedimento adequado para a sua solicitação (que seria um pedido de creditamento extemporâneo, em PER de outro período de apuração), não trouxe qualquer prova para justificar o aumento do seu alegado direito creditório. A produção probatória é essencial em qualquer pedido, administrativo ou judicial. Mesmo que a DRJ ou este Conselho entendessem pela possibilidade de apresentação de 2 (dois) PER para o mesmo período de apuração, isso representaria tão somente que se estaria superando uma questão preliminar; restaria, de todo modo, pendente a prova do quanto alegado pelo contribuinte. Pelo exposto, voto por rejeitar esta preliminar de nulidade do Acórdão da DRJ. Fl. 1615DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-010.454 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16027.720025/2014-79 III – VALOR DO DIREITO CREDITÓRIO DO CONTRIBUINTE Conforme relatado pelo Auditor-Fiscal, o contribuinte realmente tinha direito a um valor de crédito superior àquele constante do 1º PER/DCOMP. Contudo, enquanto para o contribuinte essa diferença era no valor de R$322.313,61, a diligência apurou que o valor é de R$294.115,42. Vejamos os fundamentos para a conclusão da Autoridade Fazendária: 2 - (i) de qual o valor a que o contribuinte tem direito a ser ressarcido pelo saldo credor de IPI no PA do 2º trimestre de 2009, se tal direito efetivamente existir. Para efetuar tal análise foi necessária a intimação 19.773/2021. Diante dos documentos comprobatórios apresentados, que descrevem em detalhes as operações e atividades da empresa, é possível verificar a existência de industrialização sob encomenda por conta e ordem de terceiros e, operações de encomenda para entrega futura. As descrições dos projetos e das atividades permitem inferir possível erro na escrituração dos CFOPs causando, assim, diferença no crédito de IPI a ser ressarcido no segundo trimestre de 2009. Nos lançamentos da industrialização por encomenda a comprovação das diferenças apresentadas pelo contribuinte e a confrontação com as notas fiscais apresentadas no documento 3 do recurso voluntário (fls. 427 a 437) permitem identificar um crédito no valor de R$ 183.154,65. Diferença de R$ 2.276,42 com relação aos valores pleiteados pelo contribuinte: As planilhas apresentadas no documento 4 em resposta à intimação 19.773 (fls. 1030 com seus anexos não pagináveis) relacionam as notas fiscais com suas descrições (emitente, descrição do produto, número da nota, valor do IPI e seu projeto relacionado). Tais esclarecimentos são bem detalhados e não carecem de observações no tocante às industrializações por encomenda acima descritas. Nos lançamentos decorrentes de entrega futura foram lançadas 46 notas fiscais no campo das notas fiscais de créditos extemporâneos e demais créditos do PER. Ao confrontar as 46 notas fiscais lançadas com as notas fiscais apresentadas ao processo não foram localizadas as notas fiscais dos itens 1, 19, 42 e 43 do PER 04768.05724.210513.1.1.01-7358 (soma R$25.921,77). Mesmo com o detalhamento das atividades, operações e projetos apresentados pelo contribuinte em resposta à intimação 19.773, não é possível validar o crédito pleiteado descrito acima. Para as operações de entrega futura o presente parecer entende por saldo credor passível de ressarcimento para o 2° trimestre de 2009 o valor de R$ 110.960,77 (soma após a exclusão dos itens 1, 19, 42 e 43 do campo notas fiscais de créditos extemporâneos e demais créditos PER 04768.05724.210513.1.1.01-7358). Fl. 1616DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-010.454 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16027.720025/2014-79 Para complementar a análise do saldo credor passível de ressarcimento se faz necessária a análise dos estornos das operações na escrita fiscal. Nos documentos processuais os estornos foram efetuados apenas com relação aos valores pleiteados em ressarcimento (RAIP fls. 1582 a 1586 e indicativos de estornos no PER), sem indicativos da reescrita fiscal para averiguar saldos de períodos anteriores e reflexos prospectivos. Com base nas análises acima o presente parecer vislumbra o seguinte saldo credor passível de ressarcimento, sem levar em conta possíveis aproveitamentos futuros para abater débitos, após a reclassificação dos CFOPs, para o 2º Trimestre de 2009, descontados os valores do 1º PER já reconhecido: Contra tais argumentos, assim se manifestou o contribuinte: 2. O Parecer reconhece a validade de grande parte (91,25% do total) do crédito pleiteado, conforme abaixo resumido: (...) 3. No tange à ausência de determinadas notas fiscais que foram o crédito complementar, pondera-se que são documentos datados de 2009, muito antigos portanto, de modo que a Recorrente não logrou localizá-lo em 100% em seu arquivo morto. De toda forma, trata-se de lançamento legítimo, o que se pode verificar pelo alto percentual de conformidade e de acurácia de que própria a auditoria e diligência realizada constatou com relação aos números e documentos apresentados. 4. Requer-se que se considere, portanto, a integralidade do crédito pleiteado. Apesar do inconformismo do recorrente, observo que não é possível conceder 100% do crédito solicitado com base no argumento do “alto percentual de conformidade e de acurácia de que própria a auditoria e diligência realizada constatou”, o qual, no caso, foi de 91,25%. Da mesma forma, inaceitável o argumento de que determinadas notas fiscais solicitadas são muito antigos e que não foi possível localizá-los, pois a legislação determina que o contribuinte deve guardar todos os documentos pelo tempo que for necessário para a homologação dos pedidos de crédito ou a ocorrência de decadência/prescrição. IV – DO ESTORNO DOS CRÉDITOS PLEITEADOS O Auditor-Fiscal responsável pela diligência identificou que, apesar da existência de parte do crédito extra pleiteado no 2º PER/DCOMP, o pedido não poderia ser deferido, pois este crédito não foi estornado pelo contribuinte. Vejamos: 3 - (ii) da comprovação de que o contribuinte realizou o estorno das notas fiscais de simples faturamento, CFOPs X922, na sua escrita fiscal (livro RAIPI), bem como nos PER/DCOMPs respectivos, evitando o creditamento em duplicidade. Fl. 1617DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-010.454 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16027.720025/2014-79 O presente item foi prontamente atendido pelo contribuinte no documento 7 da resposta à intimação 19.773/2021 (fls. 1442 a 1478 do processo). Os estornos comprovam que não ocorreu o creditamento em duplicidade ao enviar o novo PER, mas como não foi efetuado o estorno na escrita fiscal EFD ICMS/IPI, não fica comprovado que o crédito não foi utilizado em duplicidade como crédito em outros períodos. Análise dos estornos na escrita fiscal descritas nos itens 4 e 6 a seguir. 4 - (iii) da comprovação de que o valor do 1º PER, R$ R$ 339.797,85, novamente incluído no 2º PER (que não pedia unicamente a diferença entre as apurações, mas sim o valor total do PA), não foi utilizado em duplicidade; O valor total solicitado de R$662.111,46 foi estornado pelo contribuinte em momentos distintos. Primeiramente em dezembro de 2011 quando da transmissão do 1º PER 23717.98843.161211.1.1.01-6640 (no seu livro de registros do IPI e na escrita fiscal) e, posteriormente, a diferença pleiteada foi estornada (apenas nos registros do IPI, mas não estornou da escrita fiscal, fls. 1582 a 1586 do presente processo) em maio de 2013 quando da transmissão do 2º PER 04768.05724.210513.1.1.01-7358 (documento 7 da resposta à intimação fls. 1442 a 1478 do processo). Portanto, conforme já reconhecido pelo contribuinte, o valor solicitado no 2º PER de R$662.111,46 está errado. A discussão deve figurar apenas sobre a diferença de R$322.313,61. Sendo que na escrita fiscal não consta tal estorno (fls. 1582 a 1586 do processo). Contra tais argumentos, assim se manifestou o contribuinte: 4 - (iii) da comprovação de que o valor do 1º PER, R$ 339.797,85, novamente incluído no 2º PER (que não pedia unicamente a diferença entre as apurações, mas sim o valor total do PA), não foi utilizado em duplicidade 7. O Parecer certifica que o valor total solicitado foi estornado em dois momentos distintos do saldo credor do IPI: quando da transmissão do primeiro PerDComp e, posteriormente, quando a diferença pleiteada foi estornada dos registros do IPI por oportunidade da PerDComp que materializou o crédito complementar. 8. De qualquer forma, está claro que a Recorrente não utilizou o crédito ora pleiteado em duplicidade, já que subtraiu o seu valor do saldo credor do IPI. 5 - (iv) da comprovação de que o valor do crédito complementar não foi utilizado para dedução com IPI devido na escrita fiscal, entre o PA do seu registro contábil e o do seu estorno na escrita (ou seja, até a data da apresentação do 2º PER); 9. Em resumo, o Parecer sustenta que o crédito pleiteado teve os seus efeitos anulados no Livro de Apuração do IPI (RAIPI), mas não da “escrita fiscal”, assim entendido os lançamentos na EFD-IPI-ICMS, conforme os documentos de fls. 1582/1586. 10. Sucede, no entanto, que não assiste razão ao Parecer nesse aspecto. É que a análise fiscal se baseou no saldo credor do IPI (para o CNPJ da filial 0006-96), de maio de 2013 (data de transmissão da 2ª PerDcomp), no valor de R$1.420.687,14, fls. 1585/1586 dos autos. 11. Contudo, a baixa do valor pleiteado nestes autos pode ser vista na EFD- IPI/ICMS retificada, relativa ao mês de julho de 2013. Nesse sentido, calha conferir as EFDs dos meses de maio, junho e julho, sob Doc. 1, 2 e 3 ora juntados. Fl. 1618DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3402-010.454 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16027.720025/2014-79 12. Como se pode verificar, a Recorrente procedeu à baixa manual do crédito diretamente no saldo credor do imposto. Entre o mês de junho e o de julho de 2013 referido saldo foi reduzido em R$1.047.319,32, valor este exatamente igual ao pleiteado nestes autos e nos dois demais que lhe são correlatos. Confira-se a que o valor do estorno (e da diferença entre os saldos credores do imposto) corresponde aos montantes objeto destes autos (e dos outros dois correlacionados). 13. Por fim, sem prejuízo de que, de fato, o crédito complementar fora anulado na EFD, cabe argumentar ponderar que em nenhum momento o CARF solicitou que se procedesse a análise da EFD-IPI-ICMS. Estava claro no referido acórdão que o estorno da escrita fiscal deveria ser realizado mediante consulta ao RAIPI. 14. Em verdade, a Recorrente continuou adotando o Livro RAIPI em sua versão eletrônica anterior, já que este é provido pelo seu sistema de informática (ERP). Com base nesse sistema, se providencia a geração automática dos arquivos da EFD- IPI/ICMS. No entanto, na situação ora descrita o sistema não gerou automaticamente o lançamento do estorno, de maneira que, neste caso específico, se processou a baixa manual do crédito diretamente no saldo credor do IPI. 15. Com efeito, a Recorrente reitera que o valor do crédito complementar não foi utilizado em duplicidade e que ele foi, de fato, estornado do saldo credor, como claramente demonstrado nesta petição. 16. De todo o modo, caso assim não fosse – o que se admite apenas para argumentar, já que não se considera que isso seja realmente necessário - a Recorrente se coloca à disposição do Emérito Julgador para proceder à eventual retificação adicional ou complementar de qualquer obrigação acessória que seja permitida pelos sistemas de informática e pela legislação, conforme o que vier a ser determinado. Sem razão o recorrente. Sobre o argumento da defesa de que procedeu à retificação da EFD ICMS/IPI para registrar o estorno da diferença entre o 1º e o 2º PER, devo destacar que a legislação não permite este procedimento, conforme art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72 (recepcionado pela Constituição Federal de 1988 com status de lei ordinária): Fl. 1619DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3402-010.454 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16027.720025/2014-79 Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (...) § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Nesse mesmo sentido, a Súmula Vinculante CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Além da vedação imposta pela legislação, há outra questão relevante que impede a aceitação deste argumento: como o valor da diferença pleiteada somente foi estornada agora, já houve a sua utilização na escrita fiscal para dedução com o IPI devido pelas saídas. Logo, a simples retificação, mesmo que tivesse sido efetivada ANTES do início do procedimento fiscal, deveria estar acompanhada da completa retificação da escrituração em relação aos períodos posteriores, bem como do recolhimento do IPI que havia sido compensado dentro da escrita fiscal com o valor posteriormente pedido em ressarcimento (no 2º PER), a fim de evitar a duplicidade de utilização do crédito, o que não ocorreu. Quanto ao argumento de que a diligência fiscal concluiu pela existência de estorno no Livro de Apuração do IPI (RAIPI), apesar de sua inexistência na EFD ICMS/IPI, devo destacar que está vedada ao contribuinte obrigado à EFD a escrituração do Livro Registro de Apuração do IPI, conforme a Cláusula segunda do AJUSTE SINIEF nº 02, de 03/04/2009 (publicado no DOU de 08/04/2009): Dispõe sobre a Escrituração Fiscal Digital - EFD. O Conselho Nacional de Política Fazendária - CONFAZ e o Secretário da Receita Federal do Brasil, na 133ª reunião ordinária do Conselho Nacional de Política Fazendária - CONFAZ, realizada em Teresina, PI, no dia 3 de abril de 2009, tendo em vista o disposto no art. 199 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), resolve celebrar o seguinte A J U S T E CAPITULO I DA INSTITUIÇÃO DA EFD Cláusula primeira. Fica instituída a Escrituração Fiscal Digital - EFD, para uso pelos contribuintes do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS e/ou do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI. § 1º A Escrituração Fiscal Digital - EFD compõe-se da totalidade das informações, em meio digital, necessárias à apuração dos impostos referentes às operações e prestações praticadas pelo contribuinte, bem como outras de interesse das administrações tributárias das unidades federadas e da Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB. § 2º Para garantir a autenticidade, a integridade e a validade jurídica da EFD, as informações a que se refere o § 1º serão prestadas em arquivo digital com assinatura Fl. 1620DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3402-010.454 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16027.720025/2014-79 digital do contribuinte ou seu representante legal, certificada por entidade credenciada pela Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. § 3º O contribuinte deverá utilizar a EFD para efetuar a escrituração do: I - Livro Registro de Entradas; II - Livro Registro de Saídas; III - Livro Registro de Inventário; IV - Livro Registro de Apuração do IPI; V - Livro Registro de Apuração do ICMS; VI - documento Controle de Crédito de ICMS do Ativo Permanente - CIAP. VII - Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque. Cláusula segunda. Fica vedada ao contribuinte obrigado à EFD a escrituração dos livros e do documento mencionados no § 3º da cláusula primeira em discordância com o disposto neste ajuste. CAPÍTULO II DA OBRIGATORIEDADE Cláusula terceira. A EFD será obrigatória, a partir de 1º de janeiro de 2009, para todos os contribuintes do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS e/ou do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI. Deve ser ressaltado que não se trata de crédito desconhecido pelo contribuinte; na verdade, o contribuinte já havia escriturado tal crédito, porém entendia, inicialmente, que este crédito não era ressarcível, e que, portanto, deveria ser utilizado para dedução na escrita fiscal com o IPI devido pelas saídas. Posteriormente, verificou que poderia aumentar seu saldo de crédito ressarcível; tais fatos levam à conclusão de que, sem o estorno, houve a sua utilização em duplicidade, pois o referido crédito já havia sido escriturado. Por fim, quanto ao argumento de que em nenhum momento o CARF solicitou que se procedesse a análise da EFD ICMS/IPI, observo que de forma alguma seria possível supor que uma Resolução de Turma deste Conselho possa se sobrepujar à legislação vigente; mesmo que, por hipótese, a Resolução tivesse se limitado ao livro RAIPI, não poderia o Auditor-Fiscal, cuja atividade é estritamente vinculada à lei, ignorar o fato de que, durante suas análises, verificou a inexistência do referido estorno, fato este que é determinante para a negativa de qualquer pedido de ressarcimento. De qualquer sorte, observo que tal limitação não consta nos demais itens da Resolução, que implicam uma análise completa por parte da Autoridade Fazendária que realizou a diligência: (i) de qual o valor a que o contribuinte tem direito a ser ressarcido pelo saldo credor de IPI no PA do 2º trimestre de 2009, se tal direito efetivamente existir; Fl. 1621DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 3402-010.454 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16027.720025/2014-79 (ii) da comprovação de que o contribuinte realizou o estorno das notas fiscais de simples faturamento, CFOPs X922, na sua escrita fiscal (livro RAIPI), bem como nos PER/DCOMPs respectivos, evitando o creditamento em duplicidade; (iii) da comprovação de que o valor do 1º PER, R$339.797,85, novamente incluído no 2º PER (que não pedia unicamente a diferença entre as apurações, mas sim o valor total do PA), não foi utilizado em duplicidade; (iv) da comprovação de que o valor do crédito complementar não foi utilizado para dedução com IPI devido na escrita fiscal, entre o PA do seu registro contábil e o do seu estorno na escrita (ou seja, até a data da apresentação do 2º PER); (v) da comprovação de ter realizado o estorno na escrita fiscal do crédito complementar pleiteado neste processo; De imediato é possível identificar que, para a elucidação dos itens acima, exceto o (ii), seria necessário examinar a EFD ICMS/IPI. Logo, não é possível conceder a diferença de crédito pleiteada, tendo em vista a inexistência de estorno deste valor na EFD ICMS/IPI, como exige a legislação, o que possibilita a utilização do crédito em duplicidade, ou seja, tanto por dedução na escrita fiscal quanto através de ressarcimento. V – DISPOSITIVO Pelo exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Fl. 1622DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10850.900931/2008-18
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 15/09/2004
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO.
Não comprovada a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo, condição essencial para a compensação nos termos do disposto no art. 170, do CTN, é de se não homologar a compensação declarada.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-000.595
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/09/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Não comprovada a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo, condição essencial para a compensação nos termos do disposto no art. 170, do CTN, é de se não homologar a compensação declarada. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 13/07/2011 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto (SP), que, por unanimidade de Fl. 50DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0320.16249.5LYZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, em acórdão assim ementado (fls. 28): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 15/09/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LIQUIDO E CERTO. Não comprovada a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo, condição essencial para a compensação nos termos do disposto no art. 170, do CTN, é de se não homologar a compensação declarada. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. Incabível a homologação de compensação com base em DCTF retificado após a data de indeferimento do pleito pela autoridade administrativa recorrida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório do acórdão da DRJ (fl. 29): O interessado apresentou Declaração de Compensação DCOMP, fls. 13/17 objetivando compensar débito próprio da contribuição para a COFINS, do período de apuração out/2004, com crédito apurado em decorrência de pagamento indevido ou a maior, no valor de R$ 5.870,10, valor esse contido no recolhimento efetuado através de DARF, em 15/09/2004, no valor de R$ 53.858,26, referente ao pagamento da contribuição para a Cofins do período de apuração agosto de 2004. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em São José do Rio Preto, através do Despacho Decisório eletrônico de fl. 2, não homologou a compensação por inexistência de crédito, registrando que foi encontrado o pagamento declarado em DCOMP, mas que o mesmo foi totalmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, no caso, débito da Cofins do período de apuração agosto de 2004. Cientificado da decisão, o interessado apresentou manifestação de inconformidade, fls. 01, alegando, em breve síntese, que nos período de apuração de abril a agosto de 2004 foram recolhidos a maior as contribuições para o PIS e Cofins, gerando crédito a favor do contribuinte, mas que tais créditos não foram encontrados por conta de que tal informação não constou em DCTF, retificadas posteriormente. Solicita o cancelamento da cobrança do débito devidamente compensado. A decisão recorrida rejeitou as alegações do sujeito passivo, por entender que, em virtude de divergência existente entre os valores constantes na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (Dctf) e na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (Dipj), o crédito não seria líquido e certo. Fl. 51DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0320.16249.5LYZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10850.900931/200818 Acórdão n.º 380200.595 S3TE02 Fl. 50 3 O Recorrente, em suas razões recursais (fls. 3235), alega que a divergência seria decorrente de omissão na retificação da Dipj, ocorrida apenas em 12/11/2009. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn Ao preencher o campo destinado à data da ciência da decisão no AR (Aviso de Recebimento), o contribuinte fez constar a data de 09/10/2009. Tratase, no entanto, de erro material, porquanto a postagem ocorreu em 05/11/2009 e o carimbo de entrega dos Correios é datado de 09/11/2009 (fls. 31). A ciência, na verdade, ocorreu em 09/11/2009. Assim, considerando que o protocolo ocorreu em 04/12/2009 (fls. 32), o recurso mostrase tempestivo e deve ser conhecido, uma vez que a matéria se insere na competência da Terceira Seção e encontramse presentes os demais pressupostos de admissibilidade. No mérito, entendese que deve ser mantida a decisão recorrida. A prova apresentada pelo Recorrente não é suficiente para demonstrar a liquidez e a certeza do crédito, porque a retificação da Dipj ocorreu em 12/11/2009, após a intimação da decisão da DRJ. Além disso, não foi apresentada cópia da escrituração fiscal. O recurso deve ser conhecido, porém, desprovido, uma vez que a liquidez e a certeza são pressupostos para a compensação ex vi art. 170 do Código Tributário Nacional. Solon Sehn Relator Fl. 52DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0320.16249.5LYZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por SOLON SEHN em 13/07/2011 19:17:25. Documento autenticado digitalmente por SOLON SEHN em 13/07/2011. Documento assinado digitalmente por: REGIS XAVIER HOLANDA em 19/08/2011 e SOLON SEHN em 13/07/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 23/03/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP23.0320.16249.5LYZ Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 1A4D90FC6D3C023287A1C1559959BAEAB8DF8741 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10850.900931/2008-18. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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