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Numero do processo: 13855.002919/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OMISSÃO DE RECEITA, Valores creditados em conta bancária que não possuem suas origens comprovadas. Presunção legal omissão nos termos do artigo 287, RIR/99.
INCONSTITUCIONALIDADE, Nos termos da Súmula CARF n° 2, este Conselho não tem competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LUCRO ARBITRADO. Na falta de escrituração regular, é cabível o arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida.
MULTA QUALIFICADA. Caracterizado o intuito doloso que autoriza o lançamento de multa agravada, conforme previsto no artigo 44, inciso, I, parágrafo 1º, da lei nº 9.430/96, mantém-se a aplicação da multa qualificada.
JUROS DE MORA - TAXA SELIC. Incidência. Aplicação da Súmula CARF nº 4.
Numero da decisão: 1102-000.212
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: João Carlos de Lima Junior
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A . . .. ..::,..'S.:: •,...=:.:-7.,,:.; MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS R,..4::-:7WV, - PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 1.3855,002919/2007-11 Recurso n" 173,146 Voluntário Acórdão n" 1102-00.212 — 1" Câmara / 2' Turma Ordinária Sessão de 20 de maio de 2010 Matéria IRPJ e outros Recorrente DOGUINHO CALÇADOS ESPORTIVOS LIDA Recorrida 1" TURMA/ DRJ - Ribeirão Preto/RPO OMISSÃO DE RECEITA, Valores creditados em conta bancária que não possuem suas origens comprovadas. Presunção legal omissão nos termos do artigo 287, RIR/99, INCONSTITUCIONALIDADE, Nos termos da Súmula CARF n° 2, este Conselho não tem competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LUCRO ARBITRADO. Na falta de escrituração regular, é cabível o arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida, MULTA QUALIFICADA. Caracterizado o intuito doloso que autoriza o lançamento de multa agravada, conforme previsto no artigo 44, inciso, I, parágrafo 1", da lei n" 9,4:30/96, mantém-se a aplicação da multa qualificada, JUROS DE MORA - TAXA SELIC. Incidência. Aplicação da Súmula CARF n" 4. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente .julgado. f w `..,.. P) / IVfeTÉMALAQUIAS - PESSOA ONTEIRO - Presidente. / .---- („-- -}---- JOÃO CARLOS DE. I ' JUNIOR - Relator, EDITADO EM: (1 1 SE T 20 /0 [ Processo 0" 13855. 002919/2007-11 S1-C112 Acórdão o" 1102-00,212 F1 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente), João Carlos de Lima Júnior (Vice-Presidente), João Otávio Opperman 'Thomé, Silvaria Rescigno Guerra Barreto, José Sérgio Gomes (Suplente Convocado), e Manoel Mota Fonseca (Suplente Convocado). Processo o 13855 002919/2007-11 SI-CIT2 Acórao ri" H02-00.212 Fl 3 Relatório Trata-se de autos de infração lavrados em 07/12/2007, relativos ao IRPI, CSLL, PIS e COFINS, oriundos de depósitos bancários de origem não comprovada, receitas operacionais não reconhecidas, práticas reiteradas de grave infração à legislação tributária e impedimento da opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES nos anos de 2004 e 2005. Constatados os fatos acima mencionados, foi expedido Ato Declaratório Executivo DRF/Franca ri' 19, de 09/11/2007, com efeito a partir de 1° de janeiro de 2004, para excluir o contribuinte do SIMPLES, visto que a receita dos dois anos fiscalizados superou o limite anual de R$ 1,200,000,00 (um milhão e duzentos mil reais) concedido como limite para as empresas adotarem o SIMPLES, restando, assim, caracterizada a prática reiterada de infração à legislação tributária (art. 90, II e art, 14, V, da Lei n" 9317/1 ,996).. O procedimento fiscal foi instaurado após verificação de movimentações financeiras efetuadas em conta bancária da pessoa fisica Sr.. Gustavo Moreti Ribeiro em montante incompatível com a renda verificada em suas declarações relativas aos anos calendários 2004 e 2005. A pessoa fisica Sr. Gustavo Moreti Ribeiro e a pessoa jurídica Doguinho Calçados Esportivos Ltda EPP foram intimados a comprovar a origem dos valores depositados nas contas bancárias, porém não foram apresentadas tais origens, limitando-se a empresa a afirmar que não mantinha controles contábeis minuciosos de suas operações, atribuindo a responsabilidade ao escritório que lhe prestava serviços contábeis e fiscais, justificando que o mesmo não estava formalizando os atos de maneira correta. Ainda, alguns depositantes e beneficiários de depósito originados da referida conta foram intimados a justificar tais operações, sendo constatado que o Sr, Gustavo Moreti Ribeiro utilizou-se de suas contas bancárias para realizar movimentação financeira da pessoa jurídica Doguinho Calçados Esportivos Ltda EPP da qual era sócio-administrador, de modo que as vendas da pessoa jurídica eram subfaturadas e os valores omitidos eram depositados em suas contas correntes. Verificou-se que, de um modo geral, os valores recebidos de algumas vendas eram recebidos por meio de cobrança integrada do Banco do Brasil, já os valores destacados em notas fiscais e subfaturados eram depositados nas contas de pessoa jurídica e os valores sonegados proveniente das vendas eram depositados nas contas da pessoa fisica do Sr, Gustavo Moreti Ribeiro, A autoridade verificou que o contribuinte emitia notas fiscais com a mesma numeração para não superar o limite do SIMPLES e, consequentemente, sonegar impostos. Ainda, constatou que o contribuinte deixou de registrar as despesas realizadas com o intuito de evitar que resultasse saldo credor de caixa, 3 Pmcesso n" 13855.002919/2007-11 S 1-C 112 ~alijo n " (102-0(1212 El 4 De posse dessas informações, a autoridade fiscal, baseada no arr. 42 da Lei n" 9.430/96, considerou corno receitas omitidas os valores dos depósitos bancários de origem não comprovada efetuados nas contas correntes da empresa Doguinho e do Sr, Gustavo Moreti Ribeiro.. Intimou o autuado a apresentar os documentos fiscais e contábeis para apurar o lucro real e, em resposta a essa solicitação, o contribuinte limitou-se a solicitar prorrogação de prazo, a qual se deu por 10 (dez) dias, de modo que, findo prazo, nada foi apresentado à fiscalização. Diante disso, para a devida apuração do IRPI e CSLL, a autoridade fiscal arbitrou o lucro com base na receita bruta conhecida, qual seja, a soma da receita bruta declarada e da receita bruta omitida, aplicando a multa de oficio qualificada de 150% sobre os créditos tributários apurados, tendo em vista a caracterização de evidente intuito de fraude pela utilização de conta da pessoa fisica para ocultar movimentação financeira da pessoa jurídica, subfaturamento e notas fiscais paralelas. Inconformado com a exclusão do SIMPLES, o autuado apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade contra o Ato Declaratório Executivo DRF/Franca n 19/2007, alegando em síntese que não ocorreu a intimação para contrapor as razões de representação que o excluiu do referido regime antes da publicação do Ato Declaratório Executivo e, somente após edição deste Ato, foi aberto prazo para defesa, restando, portanto, prejudicado seu direito de contrapor' à decisão do Delegado pela exclusão ou não, ofendendo, assim, os princípios do contraditório e da ampla defesa. Ainda, alegou que a garantia de defesa foi desrespeitada por não ter sido assegurado o direito de ter vistas de todos os documentos e informações constantes no processo administrativo, conforme dispõe o art. 3", II da Lei n" 9,784/99. Ademais, afirma que o Ato Declaratório n" 19/2007 só poderia produzir efeitos a partir de janeiro de 2005, conforme o previsto no art. 15,1V da Lei n° 9,317/1996. Completa ainda que, como não teve ciência de todo o processo administrativo para elaboração de sua defesa, se de fato houvesse causa que pudesse excluí-10 do referido regime, esta só teria sido demonstrada no tocante ao excesso da receita bruta.. No que tange a alegação do Fisco de que houve pratica reiterada de infração à legislação tributária, referida alegação não mereceria prosperar', haja vista que decorre de amostra pouco significativa.. Ademais, a exclusão do SIMPLES só poderia ocorrer após regular processo administrativo do qual já não coubesse mais recurso e a reiteração induz sempre a um segundo momento da prática da infração, de forma que a prática reiterada só ficaria caracterizada com o cometimento de uma infração após a outra. Assim, caso fosse mantida a exclusão do SIMPLES, só poderia surtir efeitos a partir do ano calendário subseqüente àquele em que fosse ultrapassado o limite da receita estabelecido por lei, ou seja, janeiro de 2005, Diante do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação contra o auto de infração requerendo, em resumo, que não está obrigado a tributar' com base no lucro real, conforme indicado pela autoridade fisealizadora, pois estava incluído no SIMPLES e também não se enquadr • nas condições legais estabelecidos para caracterização de tributação pelo lucro real. 4 Processo n" 1.3855 002919/2007-11 S1-C1T2 Acórd'a- o n" 1102-00,212 El 5 . Ademais, afirma que a escrituração fiscal e contábil contém elementos suficientes para identificação da movimentação financeira da empresa Doguinho Calçados Esportivos Ltda — EPP, tanto que, no Termo de Verificação Fiscal, consta a apuração de eventuais irregularidades sanáveis provenientes da falta de lançamento dos valores depositados em nome da pessoa fisica do sócio-administrador. As irregularidades apontadas são motivadas por não ter o contador anterior registrado as movimentações financeiras corretamente, inclusive, no que concernem as movimentações efetuadas na conta do sócio, fato esse constatado pela fiscalização e que é comumente aplicado pelos pequenos empresários, ou seja, misturam o movimento particular com o movimento comercial, de modo que essas operações estão sendo corrigidas na nova escrituração a ser apresentada. A nova escrituração deveria ser aceita em observância ao princípio da verdade material e que a escrituração apresentada foi elaborada de forma resumida, pois é habitual dos pequenos empresários optantes pelo SIMPLES elaborarem uma escrituração rudimentar, apenas com movimentações de receitas e despesas. Alega o cerceamento ao direito de defesa ao solicitar a apresentação da escrituração necessária para apuração pelo lucro real no prazo insuficiente de dez dias, que compreendem os Livros Diários, Razões e Livros de Apuração do Lucro Real dos anos calendários de 2004 e 2005. Por outro lado, afirma que também que houve cerceamento ao direito de defesa pela impossibilidade de optar pelo lucro presumido por não ter recolhido o valor da primeira parcela ou cota única do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano-calendário, e, de acordo com o art. 25 da IN SRF n" 608/2006, a empresa excluída do SIMPLES submete-se às normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Baseado, portanto, no art. 219 do RIR199, o auto de infração deve ser anulado e deve ser concedido prazo para empresa apresentar sua apuração de IRPJ com base no lucro presumido e apresentação da nova escrituração das movimentações financeiras que já está sendo feita pelo atual contador. Assevera a necessidade de perícia contábil ou diligência da autoridade administrativa na empresa para análise da escrituração antiga e a atual, buscando a devida . constatação de que a empresa possui requisitos suficientes para tributar sua atividade pelo lucro presumido. Solicita ainda perícia para verificação de que não há omissões de receitas e diferenças de impostos relativos ao SIMPLES a serem recolhidos. Para tanto, apresenta quesitos (fls. 3536) e nomeia perito, o Sr. Clóvis Plácido Barbosa. Alega o arbitramento e tributação em duplicidade das receitas . já declaradas no SIMPLES, haja vista que a receita declarada também faz parte das receitas proveniente das movimentações financeiras, assim como as omitidas, restando assim duplicidade de tributação. Reconheceu a autoridade administrativa que a movimentação financeira realizadas nas contas-correntes do Sr. Gustavo Moreti Ribeiro são parte da pessoa jurídica e parte da pessoa física, devendo, portanto, segregar os valores e provar quanto cabe a cada um. Essa prova não foi realizada, limitando a autoridade apenas a excluir da soma dos depósitos o valor constante na declaração de imposto de renda da pessoa física. Afirma que a aplicação da multa qualificada de 150% sobre o crédito azoa. i ritributário apurado com base na presunção relativa é descabida por violar a rbTdade e 5 Processo n" 13855 002919/2007-11 S1-CI 12 Acórdão o " 1102-011212 F I (i proporcionalidade, pois o lançamento efetuado por presunção de omissão de receita impede que seja considerado um evidente intuito de fraude. Por outro lado, afirma que a utilização da taxa Selic para cálculo dos juros moratórios infringe o princípio da legalidade, tendo em vista que a Selic foi criada por meio de Circular do Banco Central, violando-se assim o disposto no art. 161, § 1" do CTN, que determina a aplicação de juros de 1% ao mês. O contribuinte reiterou o cerceamento de defesa visto que alguns dos volumes do processo sequer haviam sido formalizados quando da ciência do Ato Declaratório Executivo n" 19/2007 e a falta da devida formalização de parte dos volumes impede que o direito em questão seja regularmente exercido. Esse fato motivou a intimação do contribuinte, reabrindo-se prazo de 30 dias para apresentação da manifestação de inconformidade contra sua exclusão do SIMPLES, por meio da Resolução DRJ/POR 1" Turma n" 1039/2008.. Devidamente intimado, o contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade às fis, 3598/3609, acrescendo aos argumentos já produzidos na manifestação de inconformidade anteriormente apresentada, ressaltando o seguinte: Que diante da grande movimentação bancária apenas alguns beneficiários de depósito e depositantes foram intimados a prestarem esclarecimentos. Muitos destes comprovaram as operações, como exemplo a empresa Sinomar Menezes do Amaral e Fonseca — ME. Que houve apenas um único caso detectado de notas fiscais com a mesma numeração, fato esse que não pode ser generalizado para sustentar a tese de que o contribuinte utilizou desse meio para não ultrapassar o limite de receita bruta admitido para empresas do SIMPLES. Por fim, reitera que a jurisprudência é pacífica no sentido de que depósito bancário, mesmo sem origem, não é fraude, conforme consta do Enunciado if 152 da Súmula do 1 0 Conselho de Contribuintes. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto — SP manteve em parte o lançamento efetuado, exonerando apenas os valores lançados a titulo de PIS e COHNS que já haviam sido recolhidos pelo SIMPLES e entendendo pela presunção de omissão de receita da empresa Doguinho Calçados Esportivos Ltda EPP, quantificada através de movimentações bancárias efetuadas nas contas de titularidade do Sr. Gustavo .Moreti Ribeiro. Quanto ao desenquadramento da empresa do SIMPLES em 2004 e 2005, fundamentou que esta se deu depois de verificada a prática reiterada de infrações tributárias e excesso do limite de receita bruta aplicável ao SIMPLES, considerando como receita bruta a receita omitida e a receita deClarada.. Por fim, face à intenção dolosa da autuada tendente a impedir o conhec -mento da total extensão da sonegação, foi mantida a multa de 150% (cento e cinqüenta por ce to) e no que concernem os juros de mora, pacifica a aplicação da Taxa Selic. 6 Processo n" 13855 002919/2007-11 SI-CIT2 Acórdão n." 1102-00,212 Fl 7 Em suas razões de recurso, a recorrente reitera as alegações apontadas na impugnação, requerendo por fim a nulidade do lançamento fiscal por restar o mesmo maculado de irregularidades e declaração de improcedência do auto de infração com amparo na suposta omissão de receitas e declarações não condizentes, objetos de presunção precipitada. É o relatório -7 Processo n" 13855 002919/2007-11 Acórdão n." 1102-00.212 El 8 Voto Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Relatou Presentes as condições de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele tomo conhecimento, Preliminarmente, argúi nulidade do auto de infração pelos seguintes motivos: Que a empresa não se enquadra nas condições legais estabelecidas para a obrigatoriedade do lucro real, pois é optante pelo SIMPLES, mantendo em boa ordem a escrituração rudimentar que era obrigatória para sua opção de tributação; Que houve cerceamento ao direito de defesa quando solicitada a documentação relativa ao lucro real no prazo escasso de 10 (dez) dias, bem como houve também cerceamento de defesa por ter sido impossibilitada pela autoridade administrativa de optar pelo Lucro Presumido quando da exclusão do SIMPLES, pois não havia efetuado o recolhimento da primeira parcela ou quota única do imposto; Que a autoridade lançadora, ao arbitrar o lucro, deveria excluir da receita declarada o montante relativo à receita presumida, para que não ensejasse tributação em duplicidade; Que as movimentações financeiras realizadas nas contas-correntes são em parte da pessoa fisica e em parte da pessoa jurídica, devendo, portanto, serem segregados os valores e provados quanto cabe a cada um. Analisando o caso, constato que a recorrente foi intimada em 09/11/2007 do Termo de intimação n° 30 para apresentação da escrituração dos documentos relativos ao lucro real dos anos-calendário 2004 e 2005 no prazo de 10 (dez) dias, sendo que, em 20/11/2007, a contribuinte não apresenta nenhum dos documentos, apenas solicita prorrogação do prazo por mais 60 (sessenta) dias, no qual são concedidos mais 10 (dez), de modo que, restando vencidos os prazos, em nenhuma das respostas o contribuinte apresentou os documentos solicitados. Em 07/12/2007 a empresa ibi autuada pelas infrações já conhecidas, Assim, diante das várias possibilidades oferecidas à recorrente para que apresentasse sua documentação à fiscalização, temos que não há o que se falar em cerceamento de defesa. Nota-se pela conduta da recorrente que não houve interesse na apresentação da escrituração, pois, desde a primeira intimação (09/11/2007) para apresentação de documentos, até a efetivação do auto de infração (07/12/07), passaram-se 27 (vinte e sete) dias sem qualquer justificativa ou apresentação dos documentos que ensejasse o afastamento do lucro arb.•rado.. ky Processo n" 13855.002919/2007-11 SI-CIT2 Acórdão n 1102-00.212 Fl 9 Por oportuno, vale ressaltar que poderia a recorrente ter, ao menos, apresentado parte da documentação relativa ao Lucro Presumido, haja vista que alega ser direito da empresa excluída realizar a opção de tributação Entretanto, não o fez. Entendo, portanto, que não houve "preterição do direito de defesa", razão pela qual deve ser afastada a preliminar de nulidade argüida. Em relação ao arbitramento das receitas presumidas pela fiscalização, o pedido da recorrente não merece prosperar, haja vista que a legislação tributária autoriza o lançamento do tributo quando não comprovada a origem dos valores creditados em conta corrente mantida junto às instituições financeiras. Nesse sentido diz o art. 42 da Lei n" 9430/1.996: Art. 4.2, Caracterizam-se também 0111iSSãO de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jur(dica, reculannente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea a ori em dos recursos utilizados nessas operações. Assim, diante da não apresentação da documentação que comprovasse as referidas movimentações financeiras, bem como diante da não apresentação da escrituração relativa ao lucro real, não restou alternativa à fiscalização senão tributar a receita bruta pelo Lucro Arbitrado, conforme dispõe o art. 5.30 do Decreto n" .3,000/1999, vejamos: Art. 530. O imposto, devido trime.strahnente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei ri r 8.981, de 199.5, art 47, e Lei nr 9,4.30, de 1996, art. 12).. - o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e „fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações .financeiras exigidas pela legislação fiscal; - a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva moviMentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III - o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527, VI - o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. 9 Processo n" 13855 002919/2007-11 51-C1-12 Acórdão n " 1102-00.212 Fl Sob esse mesmo prisma é assente o 1° Conselho de Contribuintes, conforme se verifica abaixo: Exercício 1992 - IRPJ - LUCRO ARBITRADO - A constatação de deficiências na escrituração contábil da pessoa jurídica, manifistada pela inexistência de livros auxiliares que possam suportar os lançamentos resumidos em partidas mensais no livro Diário, affilta de registro de movimentação bancária, bem como a ocorrência de vícios e erros insanáveis na escrita comercial, a torna imprestável para determinação do lucro líquido do exercício e, por conseqüência, inviabiliza a apuração do Lucro Real restando como única órma de tributação o arbitramento do lucro tributável. (I" Conselho de Contribuintes / 8a Câmara /ACÓRDÃO 108-09 700 em 15 08 2008) ASSUNTO. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 ARBITRAMENTO - .Excluída do Simples, a .falta de escrituração contábil e ,fiscal suficiente à apuração do Lucro Real, bem assim a escrituração . financeira (livro caixa) considerada imprestável implica no arbitramento do lucro.( I" Conselho de Contribuintes / 3a. Câmara / ACÓRDÃO 103- 23.530 em 13 08 2008) Quanto ao pedido de segregação dos valores movimentados nas contas correntes da pessoa jurídica e da pessoa física, bem como quanto a necessidade de provar o quanto cabe a cada uma, não assiste razão a recorrente, pois restou cabalmente comprovado nos autos por meio de intimações de beneficiários de depósitos e depositantes que as contas correntes do Sr. Gustavo Moreti Ribeiro tinham a finalidade de movimentar as operações financeiras da pessoa jurídica Doguinho Calçados Esportivos Ltda EPP. Cumpre ressaltar que, nem a pessoa física, nem a pessoa jurídica, quando devidamente intimados, apresentaram provas da origem dos valores movimentados para que se possibilitasse a segregação das mesmas,. As autoridades, no curso da ação fiscal, colheram elementos factíveis para demonstrar que os depósitos de origem não comprovada decorrem de receitas omitidas da pessoa jurídica. Sendo assim, não assiste razão à contribuinte no que concerne à alegação de que apenas alguns beneficiários de depósito e depositantes foram intimados a prestarem esclarecimentos e que houve apenas um único caso detectado de notas fiscais com a mesma numeração. O conjunto probatório é forte suficiente para demonstrar que houve dolo do contribuinte. Não prevalece o pedido de perícia contábil, visto que os elementos constantes nos autos são suficientes para a formação da convicção do julgador. Ainda, a recorrente não trouxe nenhuma documentação complementar a já existente que justificassem a perícia. Relativamente à multa de oficio agravada prevista no art. 44, inciso 11 da Lei n" 430/1.996, entendo que não há incompatibilidade entre a aplicação da presunção de on issão de receitas fundada em depósito bancários de origem não comprovada e a aplicação da Processo n" 13855 002919/2007-11 SI-C1T2 Aeóiclão u" 1102-00,212 Fl II multa qualificada quando da efetiva ocorrência da omissão de receitas e da prática dolosa de uma das condutas previstas nos artigos n's 71, 72 e 7.3 da Lei n" 4.502/64, senão vejamos: Lei 9.430, de 27/12/1996 Ar!. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) 1 - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata,. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) § 1 O percentual de multa de que trata o inciso 1 do capta' deste artigo será duplicado ?WS casos previstos nos arts. 71 72 e 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidade.s administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007 'Grifo Nosso) Lei 4502/64, de 30/11/1996 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar; total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária • 1 - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, 11 - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar; total ou parciahnente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72 Assim, diante dos fatos narrados, restou claro no presente caso que houve dolo na conduta da Recorrente, de forma que se enquadra nos artigos supracitados. Portanto, mantenho a qualificação da multa. 1 Processo n" 13855.00291912007-11 S -C112 Acórdão o" 1102-00.212 FI. 12 Com relação à alegação sobre o a utilização da taxa Selic para atualização do crédito tributário, faz-se necessário trazer à baila a súmula n" 4 deste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, vejamos: Súmula CARF N" 4 - A partir de 1" de abril de 199.5, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Logo, a aplicação da taxa Selic para cálculo dos juros moratórios é entendimento pacificado no âmbito deste Tribunal Administrativo, devendo a alegação da Recorrente ser rejeitada.. Por todo o exposto, rejeito as preliminares arguidas e, no mérito, nego provimento ao recurso. É como voto, JOÃO CAR OS D . LIMA JUNIOR , 12
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Numero do processo: 10925.002369/2007-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Sep 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
Lançamento por homologação. Dolo, fraude ou simulação. Decadência. Art.173 do CTN.
Nos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial desloca-se daquele previsto no art. 150 para as regras estabelecidas no art.173 (ambos do CTN).
Numero da decisão: 1401-001.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 Lançamento por homologação. Dolo, fraude ou simulação. Decadência. Art.173 do CTN. Nos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial deslocase daquele previsto no art. 150 para as regras estabelecidas no art.173 (ambos do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 23 69 /2 00 7- 63 Fl. 4650DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10925.002369/200763 Acórdão n.º 1401001.415 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório que consta da decisão de piso, fls. 45874589: Tratase nos presentes autos de litígio já julgado por esta Turma no Acórdão nº 0715.281, de 20 de fevereiro de 2009, no processo nº 10925.003144/200724, juntado ao presente pela autoridade preparadora (f. 4.534 a 4.545 numeração do eProcesso), em que foi declarada a nulidade dos lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e Cofins, em razão da constatação de vício de procedimento, consistente na falta de prévia exclusão de ofício da pessoa jurídica do Simples Federal, mediante emissão de Ato Declaratório Executivo que lhe reconhecesse o direito à manifestação de inconformidade no trintídio subsequente à ciência, em respeito a seu direito constitucional à ampla defesa. Para saneamento da nulidade apontada no acórdão referido, a autoridade preparadora (Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRF em Joaçaba SC) procedeu à regular exclusão da pessoa jurídica do Simples Federal, mediante desarquivamento do processo (f. 4.567), informação (f. 4.569/4.570) e demais peças que culminaram com a exclusão e lançamento com base no regime do lucro arbitrado. A pessoa jurídica foi intimada, em 20/1/2012, de sua exclusão de ofício do Simples Federal, com data retroativa a 1º de janeiro de 2002, bem como de seu direito à interposição de manifestação de inconformidade no prazo de trinta dias da ciência. Na petição de f. 4.578 a 4.583, a contribuinte manifesta sua inconformidade com a exclusão do Simples Federal, a partir de 1º/1/2002, de que foi intimada apenas em 20 de janeiro de 2012, além de impugnar os lançamentos tributários (sobretudo pela alegação de decadência) e a exasperação da multa de ofício para 150 % (principalmente por alegada relação com a questão da regularidade de sua situação no Simples Federal), como se pode ver na transcrição que segue: II – O DIREITO II. 1 PRELIMINAR 11.1.1. VICIO FORMAL Os requisitos [sic] do Vicio Formal capitulado no art. 173 do CTN estão detalhados no art. 10 do Decreto n° 70.235/72, que transcrevo adiante: Art. 10. [...] Fl. 4651DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10925.002369/200763 Acórdão n.º 1401001.415 S1C4T1 Fl. 4 3 Assim, conforme o próprio Acórdão citado, fica evidente que o caso tratado referese a "VÍCIO MATERIAL", sendo que em nenhuma hipótese vislumbrase o Vício Formal. II. 1. 2 – EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL A Exclusão do Simples Federal baseouse no art. 14, inciso V da Lei 9.317/96, determinando como termo inicial o dia 01/01/2002. No entanto, a Exclusão do Simples Federal ocorreu somente em 2012, sendo a contribuinte cientificada somente em 20/01/2012. II.2 MÉRITO 11.2.1. VICIO MATERIAL Conforme citado no próprio Acórdão, estamos tratando de "VICIO MATERIAL". Verificase que na própria Decisão está contida a importante frase: " NULIDADE. VÍCIO MATERIAL O vício material de motivo ocorre quando a matéria, de fato ou de direito, em que se fundamenta o auto de infração, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido, ou seja, quando o fato narrado pela autoridade fiscal não ocorreu ou ocorreu de maneira distinta daquela lançada. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO." Conforme relatado no processo 10925.003144/200724, o Auto de Infração foi declarado NULO pela DRJ/FLORIANÓPOLIS. O motivo da Nulidade do Auto de Infração é justamente o fato da empresa "não estar excluída do Simples Federal" na época dos fatos. Assim, verificamos que o fato da empresa não estar devidamente excluída do Simples Federal confirma o "VICIO MATERIAL", ou seja, conforme a própria Decisão no Acórdão citado, "o fato narrado pela autoridade fiscal não ocorreu, ou ocorreu de maneira distinta daquela lançada". Percebese com nítida clareza "a não ocorrência do vicio formal". Assim, julgamos que não se faz necessário a juntada de outros Acórdãos e demais decisões para demonstrar a ocorrência do Vicio Material para o caso em discussão. II. 2. 2 EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL A Exclusão do Simples Federal baseouse no art. 14, inciso V da Lei 9.317/96, determinando como termo inicial o dia 01/01/2002. Como verificase na fl. 3293 deste processo, o digno Sr. Auditor Fiscal insiste na seguinte frase: "Sendo que a contribuinte sabiase não optante pelo SIMPLES (grifo nosso), como foi visto, deveria obedecer ao art. 259 que determina a obrigatoriedade da manutenção da escrituração do Livro Razão sob pena de em descumprindo este dever a contribuinte se submeter ao regime de tributação do Lucro Arbitrado conforme determina o § 2º daquele mesmo artigo. Contudo a contribuinte não apresentou o Livro Razão referente ao anocalendário 2006." Fl. 4652DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10925.002369/200763 Acórdão n.º 1401001.415 S1C4T1 Fl. 5 4 Esta alegação não procede, pois a contribuinte sempre "foi optante pelo Simples Federal", conforme consta no processo 10925.003]44/200724 e também nos próprios sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil. Tudo isto já ficou devidamente comprovado anteriormente, sendo inclusive o fator determinante para declarar NULO o Auto de Infração ora em discussão. A contribuinte somente foi cientificada da Exclusão do Simples Federal em 20/01/2012, conforme consta neste processo. Assim, não cabe a alegação de que a contribuinte "sabiase não optante pelo Simples Federal". Verificase, então, que o período de 01/2002 até 12/2006, que é objeto do presente Auto de Infração (fl. 3274), está abrangido pela Decadência, tendo em vista que a exclusão do Simples Federal ocorreu somente em 2012. III CONCLUSÃO À vista de todo exposto, demonstrado o direito da impugnante, a mesma requer: Que seja desconsiderado o Auto de Infração e declarado NULO o lançamento, tendo em vista que não ocorreu o Vicio Formal conforme relatado no presente processo. Também ocorreu a Decadência dos créditos tributários do período de 01/2002 até 12/2006, que são objeto do Auto de Infração, pois a contribuinte somente foi cientificada da decisão de Exclusão do Simples Federal em 20/01/2012. A 3ª Turma da DRJ Florianópolis, por unanimidade, manteve a exclusão da impugnante do Simples e, por maioria de votos, julgou procedente em parte a impugnação, por meio de Acórdão assim ementado (fls. 4586): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 A ausência do ato declaratório de exclusão de uma empresa do SIMPLES não é um vício de procedimento para fins de concepção do lançamento que consta nos autos, pelo contrário, sua presença é um ato indispensável ao lançamento, não se podendo tratar sua ausência como um mero erro de forma/procedimento. Se não se trata de vício formal, não há que se cogitar de contagem de prazo decadencial nos termos do disposto no inciso II do art.173 do Código tributário Nacional – CTN. Lançamento por homologação. Dolo, fraude ou simulação. Decadência. Art.173 do CTN. Lançamento Nulo. Nos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial deslocase daquele previsto no art.159 (sic) para as regras estabelecidas no art.173 (ambos do Fl. 4653DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10925.002369/200763 Acórdão n.º 1401001.415 S1C4T1 Fl. 6 5 CTN), onde ficou constatado que, mesmo sob as regras deste último, ocorreu a decadência para os fatos geradores anteriores a dezembro de 2006. LANÇAMENTOS DECORRENTES (COFINS, PIS, CSLL). Aplicase às exigências decorrentes o que foi decidido no lançamento do IRPJ, devido à íntima relação de causa e efeito existente entre eles. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificada do Acórdão em 31/07/2012 (fls. 4610), a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 46124616 em 29/08/2012, argumentando que não há motivo para que a contagem do prazo decadencial seja realizada segundo as regras do art. 173, I do CTN. No seu entender, devem ser respeitadas as regras estabelecidas no art. 150, § 4º do CTN, pois houve “pagamento antecipados”. Segundo a recorrente, a pessoa jurídica pagou os tributos apurados na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples do Exercício 2007, conforme comprovantes anexados à sua peça recursal. Visando sustentar seu entendimento, fez referência a alguns precedentes deste CARF e transcreveu a ementas da Acórdão nº 9202 00.770, da CSRF. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Conforme relatado, tratase de autuação a título de IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e Cofins, decorrente exclusão de ofício da pessoa jurídica do Simples Federal. Originalmente a presente exigência foi exigida por meio de lançamentos constantes do processo administrativo nº 10925.003144/200724. Ao apreciar o referido processo, a DRJ Florianópolis, por meio do Acórdão nº 0715.281, de 20 de fevereiro de 2009, cancelou as presentes exigências, por vício de procedimento, tendo em vista a falta de prévia exclusão de ofício da pessoa jurídica do Simples Federal, mediante emissão de Ato Declaratório Executivo. Para sanear a nulidade identificada pelo colegiado a quo, a DRF Joaçaba – SC intimou a contribuinte, em 20/01/2012, de sua exclusão de ofício do Simples Federal, com efeitos retroativos a 1º de janeiro de 2002. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte questionou a exclusão do Simples Federal e impugnou os lançamentos tributários. Em 08 de junho de 2012, a 3ª Turma da DRJ Florianópolis, por unanimidade de votos manteve a exclusão da impugnante do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2002. No que tange à exigência fiscal, a decisão de piso, por maioria de votos, considerou que a ausência do ato declaratório de exclusão de uma empresa do SIMPLES configurava um vício Fl. 4654DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10925.002369/200763 Acórdão n.º 1401001.415 S1C4T1 Fl. 7 6 de natureza material. Por não se tratar de vício formal, não se deveria proceder a contagem de prazo decadencial nos termos do disposto no inciso II do art.173 do Código Tributário Nacional – CTN. O colegiado julgador recorrido, considerando os elevados valores subtraídos à tributação, aliados à constância da prática de omitir o registro de receitas tributáveis, manteve a qualificação da multa de ofício, por entender presentes os pressupostos do art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 e do art. 44, II da Lei nº 9.430/96. Por conta da aplicação da multa qualificada, entendeu o colegiado recorrido que o prazo de decadência deveria ser contado não mais pela regra especial prevista no §4º do art. 150 do CTN, mas sim pela regra geral prevista no inciso I do art. 173 do aludido Código. Forte neste entendimento, e considerando que os presentes lançamentos somente foram cientificados à contribuinte em 20/01/12, a decisão de piso anulou todos os lançamentos referentes aos fatos geradores anteriores a dezembro de 2006. Assim sendo, apenas remanesceu no presente processo as exigências do IRPJ e CSLL referentes ao 4º trimestre de 2006, bem como as exigências de PIS e COFINS referentes ao mês de dezembro de 2006. Em sua peça recursal, a contribuinte pleiteia que a decadência não seja contada segundo as regras do art. 173, I do CTN. Considerando que houve “pagamento antecipados”, considera que deveriam ser observadas as regras estabelecidas no art. 150, § 4º do CTN. Neste sentido, fez referência a alguns precedentes deste CARF e bem como da CSRF. Não assiste razão à recorrente. Não foi a ausência de pagamentos antecipados, que motivou a utilização do art. 173, I do CTN para fins de contagem do prazo decadencial. Na realidade, tal fato ocorreu em razão da constatação de dolo da contribuinte na omissão de receitas tributáveis. Sobre o tema, manifestouse com suficiente clareza o Acórdão recorrido, fls. 46004601 (grifado no original): Quanto à decadência, por conta da aplicação da multa qualificada (em face de que a conduta da contribuinte esteve associada às situações previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64) aos lançamentos trimestrais ocorridos nos anos de 2002 a 2006, o prazo de decadência regese, não mais pelas regras do §4º do art.150, mas pelas regras do inciso I do art.173, ambos do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 4655DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10925.002369/200763 Acórdão n.º 1401001.415 S1C4T1 Fl. 8 7 Em sua peça recursal, a contribuinte não questionou os fatos que ensejaram a qualificação da multa de ofício. Ressalto, por oportuno, que tal matéria também foi apreciada com muita correção e objetividade pela decisão de piso, fls. 4599 (grifado no original): [...] os elevados valores subtraídos à tributação, aliados à constância da prática de omitir o registro de receitas tributáveis, seriam amplamente suficientes para a configuração do pressuposto indispensável à exigência de tal multa que, no caso, foi definida pelo Art. 71 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, prevista no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme descrito à f. 3.320 (eprocesso) e f. 123 (processo em papel). Destarte, nada alegou a impugnante nem consta nos presentes autos que possa levar à redução da multa de ofício qualificada, de 150 %, ante os fatos constatados pela autoridade fiscal. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 4656DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 15374.916989/2009-41
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IOF. PAGAMENTO A MAIOR. LEGITIMIDADE PARA PLEITEAR A DEVOLUÇÃO.
Nos termos do art. 166 do Código Tributário Nacional, somente possui legitimidade para repetir o indébito, seja pela via da restituição ou da compensação, o contribuinte que, tendo repassado o ônus econômico a terceiros, receber autorização destes. Assim, para que o responsável possa pleitear restituição em seu nome, deverá obter autorização junto a quem sofreu o ônus econômico, juntando-a ao processo administrativo para fins de prova.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi (Relator), Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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IOF. PAGAMENTO A MAIOR. LEGITIMIDADE PARA PLEITEAR A DEVOLUÇÃO. Nos termos do art. 166 do Código Tributário Nacional, somente possui legitimidade para repetir o indébito, seja pela via da restituição ou da compensação, o contribuinte que, tendo repassado o ônus econômico a terceiros, receber autorização destes. Assim, para que o responsável possa pleitear restituição em seu nome, deverá obter autorização junto a quem sofreu o ônus econômico, juntandoa ao processo administrativo para fins de prova. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 69 89 /2 00 9- 41 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi (Relator), Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 132), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. A Recorrente, PRECE – PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR, insurgese no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1238.675, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro –DRJ/RJ1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, mantendo o crédito tributário formalizado contra o referido contribuinte. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da manifestação de inconformidade, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: Tratase do Despacho Decisório n° 831256419, de 09.04.2009, da então Delegacia Especial de Instituições Financeiras Deinf/RJO (fls.6), que, sob o fundamento de que o Darf já havia sido integralmente utilizado, não homologou a seguinte Declaração de CompensaçãoDcomp: (...) vide quadro. Em Manifestação de InconformidadeMI (fls.11/16), instruída com os documentos de fls. 17/65, o interessado afirma que é entidade fechada de previdência complementar, tendo por objeto instituir plano de previdência complementar e pagar aposentadorias complementares, e, ainda, que: a) o crédito utilizado teve "origem na apuração de equivoco no procedimento adotado para cálculo do IOF nas operações de empréstimos, conforme laudo técnico em anexo (doc.01)"; b) equivocouse no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e não demonstrou a existência de crédito de I0F, e "declarou como devido exatamente o valor recolhido"; c) os equívocos nas declarações não criam tributos, e não podem, comprovado o erro de fato, gerar obrigação tributária; d) "se a confissão do contribuinte não estiver de acordo com a lei e com a realidade fática, nenhum valor terá para o juízo tributário"; e) se o valor confessado não corresponde às hipóteses de incidência, "a confissão de divida e o consequente pagamento são absolutamente irrelevantes, não gerando qualquer obrigação tributária". Fl. 134DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 15374.916989/200941 Acórdão n.º 3802001.978 S3TE02 Fl. 134 3 3. O interessado alega que "o valor realmente devido para esta competência é de R$ 1.982.69, e não R$ 3.792,58, como erroneamente declarado em DCTF". Sustenta que "a existência deste crédito pode ser facilmente observada, bastandose comparar os valores apresentados como devidos (...), conforme planilha em anexo (doc.2), com a guia de recolhimento da mesma competência (doc.3)". 4. Afirma que, "desta forma, fica clara a existência de simples equívoco no preenchimento da DCTF (...) e a existência do crédito, bem como a consequente extinção do débito ora indevidamente imputado". 5. Pede que a Manifestação de Inconformidade seja julgada procedente, bem como, que se homologue a compensação procedida, extinguindose o crédito tributário cobrado. 6. Nesta Turma, foram acostadas as consultas de fls. 68/82. 7. Relatados. Não acatando as razões aduzidas pela interessada na instância a quo, a 3ª Turma da DRJ/RJ1 resumiu na forma da ementa abaixo os motivos pelos quais julgou improcedente a impugnação apresentada. Vejase: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o interessado fazêlo em outro momento processual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. IOF. ANOCALENDÁRIO DE 2002. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO. Mantémse o Despacho Decisório se não elidido o débito ao qual o alegado pagamento indevido ou a maior foi alocado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. IOF. ANOCALENDÁRIO 2002. EMPRÉSTIMOS. LEGITIMIDADE. O responsável tributário tem direito à restituição do IOF que recolheu nessa condição, desde que autorizado por aquele que efetivamente suportou tal encargo. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada com a decisão supra, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário reafirmando as alegações já trazidas na manifestação de inconformidade, e enfatizando a legitimidade para pleitear a compensação, por ter ocorrido decisão do Conselho da Recorrente nesse sentido. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 132), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. Tratase de recurso destinado a reconhecer a validade da compensação realizada pelo sujeito passivo, que alega, na qualidade de responsável pela retenção do IOF junto a seus segurados, haver adotado procedimento equivocado para cálculo do imposto nas operações de empréstimos que realizou. A Recorrente atua como responsável pela retenção e recolhimento do IOF incidente sobre os contratos de crédito celebrados com seus clientes, nos termos da legislação aplicável, mormente o Decreto nº 4.494, de 2002, que, regulamentando o IOF à época da ocorrência dos fatos geradores, permitenos analisar a questão de modo objetivo. O contribuinte do IOF crédito, nos termos do art. 4º do antigo RIOF, é o tomador do crédito, seja este pessoa física ou jurídica. Todavia, o art. 5º do mesmo diploma atribui a responsabilidade pela retenção (a norma se refere a “cobrança”, mas em verdade referese a retenção) e recolhimento do IOF às instituições financeiras que efetuarem operações de crédito, empresas de factoring adquirentes do direito de crédito e pessoas jurídicas que concederem o crédito, nas operações correspondentes a mútuo de recursos financeiros. A situação, portanto, está bem posta. A Recorrente, na qualidade de entidade fechada de previdência complementar, ao realizar empréstimos atua como responsável tributário do IOF – cujo ônus econômico pertence não a si, mas ao contribuinte tomador do crédito. Logo, ao perceber que houve cálculo a maior do IOF, seguramente houve retenção a maior do imposto, não somente um recolhimento a maior do que fora retido junto aos contribuintes. Pelo menos, não consta dos autos qualquer prova que leve a uma presunção em contrário. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 15374.916989/200941 Acórdão n.º 3802001.978 S3TE02 Fl. 135 5 Ora, havendo retenção do imposto a maior, cada cliente dos financiamentos realizados pela Recorrente tornase passível de repetição do indébito de IOF, pois são os efetivos contribuintes do imposto, e que sofreram oneração econômica indevida. Estes, portanto, os legítimos pleiteantes de restituição junto à RFB. A Recorrente, ao seu turno, na qualidade de responsável pela retenção e recolhimento do imposto, não sofre qualquer prejuízo, carecendo sua legitimidade para buscar o indébito. Essa situação lógica é refletida no art. 166 do Código Tributário Nacional, o qual confere a legitimidade para pleitear repetição do indébito apenas àquelas pessoas que demonstrarem ter sofrido o ônus econômico do tributo. A única exceção permitida pelo CTN diz respeito aos casos nos quais os prejudicados autorizem expressamente um terceiro (no caso, a Recorrente) a buscar, em seu nome, o justo indébito tributário. Para provar, portanto, legitimidade no seu pleito, a Recorrente deveria ter primeiramente apresentado autorização de cada cliente seu, objeto de retenção a maior do IOF, para que esta efetuasse o pedido. No entanto, em seu recurso informa que, "(...) Assim é que mediante decisão do Conselho da Recorrente ficou decidido que a ora Recorrente estaria autorizada a buscar a repetição do indébito tributário objeto do presente processo e em contrapartida, assim que houvesse a recuperação destes valores, devolveria aos participantes (...)". Não me parece suficiente, portanto, que uma deliberação do Conselho da Recorrente faça as vezes de instrumento autorizador de indébito tributário, em nome de particulares. Até porque, dos documentos juntados ao Recurso Voluntário não enxergo nem mesmo a referida deliberação – somente consta a deliberação de 26/01/2005 para executar auditoria de empréstimos, e uma resposta de 29/03/2005 a memorando em que expressamente o Diretor de Seguridade da Recorrente entende ser “necessária consulta à SRF, para dirimir dúvidas quanto aos detalhes técnicos”, a fim de que se faça a “recuperação dos valores pagos a maior”, ainda que “de uma só vez, mediante pedido de restituição junto à Receita Federal”. Uma vez não demonstrada a legitimidade da Recorrente para buscar o indébito do IOF, resta prejudicada até mesmo a análise da materialidade do crédito. Conclusão Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 13811.004093/2003-08
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
DECADÊNCIA.
O prazo de decadência para constituição de crédito tributário no caso de não ter havido qualquer pagamento é o fixado pela regra do art.. 173, inc. I do CTN, contando-se o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
PIS - DECISÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1212/1995.
Foi decido pelo STF na Ação judicial ajuizada pela recorrente que o PIS É devido nos termos da MP n° 1.212/1995 e suas reedições convertida em Lei n° 9.715/98, cuja eficácia deu-se a partir do período de apuração de março dc 1996, e, não estando o contribuinte respaldado em medida judicial, impõe a fiscalização constituir o crédito tributário.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 3403-003.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Jorge Freire.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 DECADÊNCIA. O prazo de decadência para constituição de crédito tributário no caso de não ter havido qualquer pagamento é o fixado pela regra do art.. 173, inc. I do CTN, contando-se o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PIS - DECISÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1212/1995. Foi decido pelo STF na Ação judicial ajuizada pela recorrente que o PIS É devido nos termos da MP n° 1.212/1995 e suas reedições convertida em Lei n° 9.715/98, cuja eficácia deu-se a partir do período de apuração de março dc 1996, e, não estando o contribuinte respaldado em medida judicial, impõe a fiscalização constituir o crédito tributário. Recurso Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Jorge Freire. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawaya Batista.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 DECADÊNCIA. O prazo de decadência para constituição de crédito tributário no caso de não ter havido qualquer pagamento é o fixado pela regra do art.. 173, inc. I do CTN, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PIS DECISÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1212/1995. Foi decido pelo STF na Ação judicial ajuizada pela recorrente que o PIS É devido nos termos da MP n° 1.212/1995 e suas reedições convertida em Lei n° 9.715/98, cuja eficácia deuse a partir do período de apuração de março dc 1996, e, não estando o contribuinte respaldado em medida judicial, impõe a fiscalização constituir o crédito tributário. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Jorge Freire. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho – Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 40 93 /2 00 3- 08 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra a decisão que manteve parcialmente o crédito tributário de PIS/Pasep dos fatos geradores do período de apuração de 01.01.1998 a 31.03.1998 e 01/11/1998 a 31/12/1998, tendo sido afastado a Multa de Ofício pela aplicação da retroatividade benigna do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, mantido parcialmente o lançamento para exigir a contribuição ao argumento de que o STF entendeu cabível aplicação da Medida Provisória nº 1.212/1995, como se vê da ementa: “PIS DECISÃO JUDICIAL APLICASE A MP 1212/1995. Foi decido pelo STF na Ação Ordinária ajuizada pela Impugnante que o PIS é devido nos termos da MP n° 1.212/1995 e suas reedições convertida em Lei n° 9.715/98, que terão eficácia a partir do período de apuração de março dc 1996.” O contribuinte buscou amparo em ação cautelar e ordinária para apurar e recolher o PIS com base na Lei Complementar nº 7/70 e não nos termos estabelecidos pela Medida Provisória 1.212/1995, convertida na Lei nº 9.715/98, obteve antecipação de tutela, a qual foi confirmada pelo Tribunal Federal, e, posteriormente julgada improcedente pelo STF que afirmou a constitucionalidade e o reconhecimento de que apuração davase com arrimo na Medida Provisória impugnada. Em sede de Medida Cautelar Inominada de nº 95.0050293 obteve provimento favorável, ação preparatória da Ação Ordinária nº 95.0028605, ambas promovidas perante a 6ª Vara Federais Seção Judiciária de São Paulo. Em procedimento de revisão interna em DCTF foi constatada ausência de pagamento, e, a motivação é de processo judicial não localizado (Proc. Jud. Não Comprovado) motivando a lavratura do Auto de Infração parametrizado. A recorrente alega decadência quanto à constituição do crédito tributário relativo ao período de apuração de 01.01.1998 a 31.03.1998, tanto pelos fundamentos do § 4º do art. 150 e do art. 173, ambos do CTN. Em sede recursal afirma que imediatamente após o trânsito em julgado da decisão do Colendo STF promoveu o pagamento do débito ora cobrado, na forma do art. 63, § 2º, da Lei nº 9.430/96 por meio de Declaração de Compensação, com seus créditos acumulados da COFINS não cumulativa – Exportação. Argumenta, ainda, que a referida Declaração de Compensação fez gerar o Processo Administrativo nº 19679.010704/200569, que teriam sido compensados com os débitos exigidos neste processado, homologado as declarações de compensações até o limite do crédito reconhecido, razão pela qual motivou a interposição de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório, pendente ainda de decisão. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13811.004093/200308 Acórdão n.º 3403003.598 S3C4T3 Fl. 5 3 Em face de esse fato qualificao como superveniente, sendo assim entende que autuação não merece prosperar. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de recurso tempestivo e atende as demais formalidades necessárias ao conhecimento. Impõe inicialmente examinar alegação da perda do direito da Fazenda Nacional constituir o crédito aos fatos geradores do período de apuração 01.01.1998 a 31.03.1998. Há prova nestes autos suficientes demonstrando a inexistência de pagamento referente ao período acima mencionado, em sendo assim, não há de se falar da aplicação da regra do § 4º do art. 150 do CTN, por isso não se conta o prazo decadencial a partir do fato gerador. Cabe verificar se ocorreu a decadência pela regra do art. 173 do mesmo diploma legal. A ciência do auto de infração nº 0082563 de fls. 23/32 aconteceu em 11 de agosto de 2003 – “AR” de fl. 23, quanto aos fatos geradores de janeiro/1998 a 31 de março de 1998. Contando o prazo a partir do primeiro dia do exercício seguinte, isso é primeiro de janeiro de 1999, verificase que o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito não decaiu. Assim, cabe afastar a alegação de decadência. Diante da decisão do Colendo STF de que no período da apuração da contribuição aqui discutida, a regra é aquela ditada pela Medida Provisória nº 1.212/95, convertida na Lei nº 9.715/98, e, não as normas da Lei Complementar nº 7/1970. Definitivamente, a resistência demonstrada quanto o modo de apurar a contribuição devida para o PIS deixou de existir. Como se vê, o lançamento deuse em conformidade com os ditames da legislação em vigor ao tempo dos fatos, por isso a decisão recorrida não merece reparo, devendo, portanto, manter o crédito tributário nos moldes que foram apurados. O que se busca é extinguir a dívida constituída pelo Auto de Infração com os créditos pleiteados em Declaração de Compensação, como matéria de fundo do recurso. Como se sabe a compensação não serve de matéria de defesa. Constatado existência de crédito a favor da Recorrente, cabe a Autoridade Administrativa Fiscal imputar os créditos aos débitos desse processado, portanto, não há como acudir o pleito e reconhecer a quitação da dívida em sede recursal. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Em sendo assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso, mantendo o crédito tributário. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 177DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.000092/2008-51
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2002
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE NATUREZA NÃO-TRIBUTÁRIA. MULTA ISOLADA.
Constatada, em declaração prestada pelo sujeito passivo, a compensação indevida em face da pretensão de utilização de crédito de natureza não tributária, representado por cautela de obrigações da Eletrobrás, cabível a aplicação de multa isolada sobre o valor que se pretendia compensar.
AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL PARA PROMOVER A COMPENSAÇÃO DE OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF 24.
Não compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. NORMAS LEGAIS.
A exigência de multa de ofício está prevista cm normas regularmente editadas, não tendo o julgador administrativo competência paia apreciar arguições de invalidade c/ou inconstitucionalidade contra a sua cobrança.
Numero da decisão: 1803-001.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório de voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Acórdão
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à Época do Julgamento), Marcos Antonio Pires, Meigan Sack Rodrigues, Sergio Luiz Bezerra Presta, Victor Humberto da Silva Maizman e Sergio Rodrigues Mendes.
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2002 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE NATUREZA NÃO-TRIBUTÁRIA. MULTA ISOLADA. Constatada, em declaração prestada pelo sujeito passivo, a compensação indevida em face da pretensão de utilização de crédito de natureza não tributária, representado por cautela de obrigações da Eletrobrás, cabível a aplicação de multa isolada sobre o valor que se pretendia compensar. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL PARA PROMOVER A COMPENSAÇÃO DE OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF 24. Não compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. NORMAS LEGAIS. A exigência de multa de ofício está prevista cm normas regularmente editadas, não tendo o julgador administrativo competência paia apreciar arguições de invalidade c/ou inconstitucionalidade contra a sua cobrança.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório de voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Acórdão Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à Época do Julgamento), Marcos Antonio Pires, Meigan Sack Rodrigues, Sergio Luiz Bezerra Presta, Victor Humberto da Silva Maizman e Sergio Rodrigues Mendes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2002 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE NATUREZA NÃOTRIBUTÁRIA. MULTA ISOLADA. Constatada, em declaração prestada pelo sujeito passivo, a compensação indevida em face da pretensão de utilização de crédito de natureza não tributária, representado por cautela de obrigações da Eletrobrás, cabível a aplicação de multa isolada sobre o valor que se pretendia compensar. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL PARA PROMOVER A COMPENSAÇÃO DE OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF 24. Não compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. NORMAS LEGAIS. A exigência de multa de ofício está prevista cm normas regularmente editadas, não tendo o julgador administrativo competência paia apreciar arguições de invalidade c/ou inconstitucionalidade contra a sua cobrança. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório de voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente e Redator para Formalização do Acórdão AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 00 92 /2 00 8- 51 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.000092/200851 Acórdão n.º 1803001.931 S1TE03 Fl. 3 2 Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à Época do Julgamento), Marcos Antonio Pires, Meigan Sack Rodrigues, Sergio Luiz Bezerra Presta, Victor Humberto da Silva Maizman e Sergio Rodrigues Mendes. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração, de fls. 34/37, que exige R$277.205,87 de Multa Isolada, em virtude de compensação indevida, considerada não declarada, pela utilização de créditos oriundos de títulos de dívida mobiliária da Eletrobrás, que não se refere a tributo ou contribuição administrado pela SRF. Tem como enquadramento legal o art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, com a redação dada pelas Leis n° 11.051, de 2004, e n° 11.196, de 2005, sendo aplicada à infração constatada a multa de 75% prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996. Cientificada do lançamento em 17/12/2007 (fl. 38), a interessada apresentou, em 16/01/2008, a impugnação de fls. 40/72, discorrendo, inicialmente, sobre princípios constitucionais e infraconstitucionais norteadores do processo administrativo, para suscitar a nulidade do auto de infração por não conter: a) o Mandado de Procedimento Fiscal; b) a identificação da pessoa que recebeu o auto, seu cargo, seu documento de identidade e a data cm que foi autuado; c) falta de instrução com documentos que comprovem terem sido consideradas não declaradas as compensações realizadas; d) os processos administrativos não chegaram ao seu conhecimento; e e) ausência de embasamento para aplicação da multa; f) índice de correção monetária utilizada no auto. Diz que, embora o agente administrativo faça menção a um "cálculo constante no Demonstrativo das Compensações Indevidas", no espaço indicativo das 'fls." do auto dc infração não consta a numeração, obviamente porque não existia tal cálculo acostado aos autos, resultando num auto de infração incompleto, enigmático, ausente de objetividade, além do que dissente das formalidades legais. Indaga qual teria sido o critério do agente administrativo para classificar a compensação como indevida para fins de aplicação de penalidade tão grave, afirmando que o entendimento do auditor fiscal de que a contribuinte está legalmente impedida de buscar a compensação de seus débitos com créditos oriundos de obrigação ao portador, que não se caracteriza como tributo, dando ensejo à imputação da multa é prematura e inconsistente. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.000092/200851 Acórdão n.º 1803001.931 S1TE03 Fl. 4 3 A seguir, discorre sobre a compensação como forma de extinção da obrigação tributária e do meio adequado para se proceder à compensação. Faz um breve relato do empréstimo compulsório sobre energia elétrica instituído pela Lei n. 4.152, de 1962, enfatizando que as obrigações da Eletrobrás são espécie dc tributo, possuindo natureza tributária, o que poderia ser utilizado nas compensações declaradas. Contesta a multa de ofício aplicada, alegando que a aplicação do percentual de 75% da multa demonstra a abusividade da cobrança, impondo ao contribuinte excessiva carga tributária que pode ser traduzido como a implicância do indesejado efeito confiscatório; que a redução da multa de 50% ou 40% evidencia que a mensuração da alíquota sobre a multa administrativa foi estabelecida por um critério amoral, ou seja, sem qualquer correlação econômicofinanceira pela falta do pagamento no momento oportuno; e da não ocorrência de fraude no presente caso. Em sede de cognição ampla, a DRJ afastou a nulidade e rejeitou os argumentos da Recorrente, desafiando, para tanto, a interposição de Recurso Voluntário, oportunidade em que extraíse os seguintes argumentos: a) Da ausência de dispositivo legal que vede expressamente a compensação engendrada; b) Da ilegalidade e inconstitucionalidade do ato declaratório interpretativo SRF n° 17, de 02 de outubro de 2002; c) Não ocorrência de fraude no presente caso e; d) Da vedação ao confisco. Cabe formalizar a presente decisão conforme apresentada em plenário, dado que o relator original não mais compõe o colegiado, nos termos do art. 17 e do art. 18 ambos do Anexo II do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 343, 09 de junho de 2015, que em seu art. 6º extinguiu as turmas especiais. Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento formalizada no processo nº 15169.000109/201162: Aos dez dias do mês de outubro do ano de dois mil e treze, às nove horas , reuniramse os membros da 3ªTE/4ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF/DF, estando presentes WALTER ADOLFO MARESCH (Presidente), MARCOS ANTONIO PIRES, MEIGAN SACK RODRIGUES, SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, SERGIO RODRIGUES MENDES, ROBERTO ARMOND FERREIRA DA SILVA e eu, MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. [...] Relator(a): VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN Processo: 10980.000092/200851 Recorrente: ORGANIZACAO EDUCACIONAL EXPOENTE LTDA e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão 1803001.931 Decisão: Por unanimidade de votos negaram provimento ao recurso voluntário. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.000092/200851 Acórdão n.º 1803001.931 S1TE03 Fl. 5 4 Votação: Por Unanimidade Questionamento: RECURSO VOLUNTARIO Resultado: Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido É o Relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Redator para Formalização do Voto. Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a transcrição do voto. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Com relação ao argumento de que inexiste lei que vede expressamente a compensação pretendida, tornase importante salientar que o art. 74, § 12, II, da Lei n.° 9.430. de 1996 (com a redação pela Lei n. 1 1.051, dc 2004) impede expressamente a pretensão da Recorrente, verbis: § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no parágrafo 3O deste artigo: (Incluído pela Lei n" 11.051, de 2004) II em que o crédito: a) seja de terceiros: h) refirase a "créditopremio" instituido pelo art. 1" do Decreto Lei n" 491, de 5 de março de 1969: c) refirase a título público: Fl. 136DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.000092/200851 Acórdão n.º 1803001.931 S1TE03 Fl. 6 5 d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado: ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Grifouse) Portanto, cai por terra o argumento da Recorrente no sentido de que inexiste lei impedindo a compensação almejada. Demais a mais, de acordo com a súmula CARF 24, “não compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários.” O segundo argumento suscitado pela Recorrente é quanto a ilegalidade e inconstitucionalidade do ato declaratório interpretativo SRF n° 17, de 02 de outubro de 2002. Sem delongas, é cediço que à luz da Súmula CARF 02 abaixo descrita resta vedado ao Conselho efetivar controle de constitucionalidade e legalidade dos enunciados normativos tributários, verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Nesse contexto, rejeito tal pedido. Consta ainda das razões recursais que não foi evidenciada a conduta dolosa com a pretensão de fraudar o fisco. Todavia, no caso, foi aplicado o percentual de 75%, de acordo com o inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, não havendo razão para se falar em ocorrência de dolo, como definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, hipótese em que seria aplicável a multa de 150%, nos termos do inciso II do mesmo art. 44. Por fim, nos mesmos moldes do verbete sumular 02/CARF, afasto a pretensão de afastar a multa aplicada em razão de ter efeito confiscatório. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Fl. 137DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA
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Numero do processo: 10280.901968/2009-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da RFB.
DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO EM DILIGÊNCIA Direito creditório do contribuinte foi comprovado por diligência realizada pela Delegacia da Receita Federal de circunscrição do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3301-002.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento, em dar provimento parcial ao recurso voluntário reconhecendo o direito creditório até o limite do crédito.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina de Freitas e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da RFB. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO EM DILIGÊNCIA Direito creditório do contribuinte foi comprovado por diligência realizada pela Delegacia da Receita Federal de circunscrição do contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento, em dar provimento parcial ao recurso voluntário reconhecendo o direito creditório até o limite do crédito. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina de Freitas e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 19 68 /2 00 9- 56 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 26 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10280.901968/200956 Acórdão n.º 3301002.568 S3C3T1 Fl. 190 2 Relatório O Contribuinte CADAM S.A. devidamente qualificado nos autos, recorre a este Conselho, através de recurso voluntário tempestivo, contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém – PA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, resultante de pagamento indevido ou a maior através de DARF relativo a pagamento de COFINS, conforme relatório nos seguintes termos, ao qual me reporto: Tratase de declaração de compensação transmitida em 07/11/2006 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de R$ 39.297,64, resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo a receita de código 5856, do período de apuração de 31/12/2004, no valor originário de R$ 293.906,61. A Delegacia de origem, em análise datada de 25.05.2009 (fl. 05), constatou que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 04/06/2009, a interessada apresentou, em 03.07.2009, manifestação de inconformidade na qual alega (fls. 09/16): "O crédito analisado (...) deriva do pagamento de DARF (...) referente à COFINS apurada em 31/12/04 pela empresa. Conforme já exposto, o pagamento do referido DARF foi indevido, pois, ao apurar o valor da COFINS devida em 31/12/04, a empresa não considerou os créditos tributários acumulados até o período. Constatado o equivoco, a empresa providenciou imediatamente a retificação do (...) DACON (...), relativo ao quarto trimestre de 2004, a fim de incluir os créditos decorrentes de exportação (...) e de incidência não cumulativa, demonstrando, inequivocamente, que não havia COFINS a pagar naquele período. Todavia, a empresa deixou de retificar a (...) DCTF referente ao mesmo período. Logo, verificase na referida DCTF (...) que foi apurado — e pago. Um débito de COFINS no valor de R$ 293.906,61 (...) Fl. 190DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 26 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10280.901968/200956 Acórdão n.º 3301002.568 S3C3T1 Fl. 191 3 Em que pese o fato de a empresa ter deixado de retificar a DCTF, é inequívoca a existência do crédito declarado na PER/DCOMP, conforme se verifica no DACON RETIFICADOR apresentado pela empresa antes da prolação do despacho decisório ora recorrido. É certo que o DACON RETIFICADORA, transmitido pela empresa à SRF antes da apresentação da PER/DCOMP, é bastante para comprovar a existência do crédito tributário declarado na compensação (...). Logo, considerando que a empresa apontou a existência do crédito no DACON RETIFICADORA antes da realização do PER/DCOMP, é forçoso que a autoridade fiscal reveja a decisão recorrida a fim de homologar a compensação declarada pela Requerente em face da indubitável existência do crédito declarado. Nesse sentido é o entendimento do Conselho de Contribuintes. Ressaltese que, em atenção ao principio da verdade material, que deve nortear o processo administrativo fiscal, não se pode ignorar o conjunto de provas acostado aos autos, o qual revela a existência do crédito tributário declarado (.)." A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, indeferindo o pedido de ressarcimento de IPI, nos termos da seguinte Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2004. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária; como é o caso da DCTF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Irresignada, a Contribuinte apresentou o recurso voluntário pedindo a reforma do Julgado insistindo na existência do crédito negado, o qual transcrevo alguns trechos: Fl. 191DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 26 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10280.901968/200956 Acórdão n.º 3301002.568 S3C3T1 Fl. 192 4 Conforme já exposto, o pagamento do referido DARF foi indevido, pois, ao apurar o valor da COFINS devida em 31/12/04, a empresa não considerou os créditos tributários acumulados até o período. Constatado o equivoco, a empresa providenciou imediatamente a retificação do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais DACON (documento já anexado), relativo ao quarto trimestre de 2004, a fim de incluir os créditos decorrentes de exportação (art. 6°, § 1° da Lei n. 10.833/03) e de incidência não cumulativa, demonstrando, inequivocamente, que não havia COFINS a pagar naquele período. Todavia, a empresa deixou de retificar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF referente ao mesmo período. Logo, verificase na referida DCTF, na página 59 (documento já anexado), que foi apurado e pago um débito de COFINS no valor de R$ 293.906,61 (duzentos e noventa e três mil novecentos e seis reais e sessenta e um centavos). Ao analisar o pedido de compensação apresentado pela empresa, a autoridade fiscal considerou o crédito tributário declarado como inexistente, pois o DARF discriminado no PER/DCOMP foi vinculado ao pagamento da COFINS, conforme indicado na DCTF, o que resultou na não homologação da compensação realizada pela empresa. Em que pese o fato de a empresa ter deixado de retificar a DCTF, é inequívoca a existência do crédito declarado na PER/DCOMP, conforme se verifica no DACON RETIFICADOR apresentado pela empresa antes da prolação do despacho decisório. É certo que o DACON RETIFICADOR, transmitido pela empresa à SRF antes da apresentação da PER/DCOMP, é bastante para comprovar a existência do crédito tributário declarado na compensação. O art. 11 § 10 da Instrução Normativa n° 590/05 da Secretaria da Receita Federal estabelece que: Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, com observância das mesmas normas estabelecidas, para a demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou Fl. 192DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 26 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10280.901968/200956 Acórdão n.º 3301002.568 S3C3T1 Fl. 193 5 efetivar qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. Ou seja, o DACON RETIFICADOR tem o condão de substituir integralmente o demonstrativo apresentado originariamente, inclusive para efetivar a inclusão de créditos não informados anteriormente. É imperioso que o Fisco constate que os créditos apontados pela empresa no DACON RETIFICADOR apontam um valor de R$ 293.906,61 (duzentos e noventa e três mil, novecentos e seis reais e sessenta e um centavos),ou seja, o mesmo valor indicado pela empresa na PER/DCOMP 01667.42148.081106.1.3.042827 Por fim, requer seja cancelado o débito fiscal reclamado. O julgamento do presente recurso foi convertido em diligência a fim de que a DRF de origem examinasse as alegações do Contribuinte e os documentos juntados, e também para que se verificasse se realmente existe pagamento a maior do tributo e suas conseqüências no PER/DCOMP apresentado. A diligência foi realizada. É o Relatório. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 26 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10280.901968/200956 Acórdão n.º 3301002.568 S3C3T1 Fl. 194 6 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos na lei e deve ser conhecido. A minuciosa e efetiva diligência foi realizada pela DRF/Belém, solicitada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para que se procedesse à apuração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, período de apuração 31/12/2004. O contribuinte alega que “ao apurar o valor da Cofins devida em 31/12/2004, a empresa não considerou os créditos tributários acumulados até o período”. Isso gerou para a empresa um valor a pagar de R$ 293.906,61 referente a Cofins, que foi efetivamente recolhido por meio de DARF. Posteriormente, houve a retificação do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (DACON), referente ao 4º trimestre de 2004. A retificação teve o efeito de fazer com que os créditos provenientes da Cofins não cumulativa fossem suficientes para compensar os valores da contribuição devida. Dessa forma, o valor recolhido anteriormente a título de Cofins seria indevido. Sendo assim, a diligência analisou o DACON, referente ao 4º trimestre de 2004, para aferir se há contribuição a pagar para esse período de apuração, se o pagamento efetuado pelo contribuinte é indevido e quais os efeitos sobre o PER/DCOMP objeto do presente processo. A análise verificou os créditos de Cofins já que esses créditos podem ser utilizados para dedução do valor da contribuição a recolher conforme estabelece o art. 6º, § 1º, inciso I da Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003. O cálculo dos créditos de Cofins, pelo fato de poderem ser utilizados para dedução da contribuição a recolher, influenciam diretamente o valor da contribuição a pagar o que representa informação fundamental para determinar se o valor pago pelo contribuinte foi indevido. A tabela abaixo relaciona os processos, e respectivas Declarações de Compensação (DCOMP), que se utilizam do mesmo pagamento indevido que a empresa alega ter efetuado. Dessa forma, a diligência serviu como base para a análise dos seguintes processos cujas diligências foram solicitadas pelo CARF: Fl. 194DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 26 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10280.901968/200956 Acórdão n.º 3301002.568 S3C3T1 Fl. 195 7 A diligência analisou com precisão todas as glosas realizadas pela fiscalização e concordou totalmente com o procedimento realizado. Posteriormente a diligência realizou a recomposição da base de cálculo e dos créditos da Cofins no período em tela. Após a análise, verificouse que mesmo tendo sido efetuadas glosas o contribuinte ainda possui créditos suficientes para compensar a contribuição apurada, ou seja, não houve contribuição a pagar para o período analisado conforme demonstrado na recomposição do DACON referente ao 4º trimestre de 2004. Sendo assim, constatou que o pagamento de R$ 293.906,61, do período de apuração de 31/12/2004, é indevido e pode ser utilizado para compensar os débitos declarados no PER/DCOMP nº 41230.61407.301106.1.3.046597, em análise neste processo, até o limite do crédito solicitado no PER/DCOMP nº 33288.05564.031006.1.3.048950. Importa ressaltar que a PER/DCOMP nº 33288.05564.031006.1.3.048950 está sendo analisada no processo nº 10280.901632/200993 e encontrase atualmente em fase de julgamento no CARF. Assim, pelos fatos expostos, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório até o limite do crédito e aguardando a análise da PER/DCOMP nº 33288.05564.031006.1.3.048950. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 195DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 26 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 11128.005550/2005-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 11/04/2005
AÇÃO JUDICIAL. MATÉRIA DISTINTA SUBMETIDA À APRECIAÇÃO ADMINISTRATIVA. PARCIAL CONCOMITÂNCIA ANÁLISE DO MÉRITO POSSIBILIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal não se toma conhecimento da matéria submetida à apreciação judicial, por qualquer modalidade processual, entretanto, havendo matéria distinta em litígio no processo administrativo esta parcela deve ser conhecida, sob pena de grave prejuízo aos princípios do contraditório e da ampla defesa de índole constitucional.
DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
Em consonância com o pi ineípio do duplo grau de jurisdição e para que não configure supressão de instância, a matéria não conhecida no julgamento de primeiro grau que, em nível reeursal, seja admitido o seu conhecimento, deve ser devolvida ao Órgão julgador de primeiro grau, para conhecimento e apreciação do mérito
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-00.695
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a prejudicial de concomitância relativamente às multas regular, por classificação fiscal incorreta, e do controle administrativo, por falta der, licenciamento, e devolver o processo ao órgão julgador de primeira instância para que sejam enfrentadas as razões da impugnação atreladas essa fração da exigência.
Nome do relator: José Fernandes do Nascimento
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO A DMINISTRA I IVO FISCAL Data do fato gerador: 11/04/2005 AÇÃO JUDICIAL. MATÉRIA DISTINTA SU RIME' DA À APRECIAÇÃO ADMINISTRA VI VA. PA KC I A L CONCOMITÂNCIA ANÁLISE DC) MÉRITO POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal não se toma conhecimento da matéria submetida à apreciação .judicial, por qualquer modalidade processual, entretanto, havendo matéria distinta em litígio no processo administrativo esta parcela deve ser conhecida, sob pena de grave prejuízo aos princípios do contraditório e da ampla defesa de índole constitucional. DUPLO GRAU 1).E. JURISDIÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Em consonância com o pi ineípio do duplo grau de _jurisdição e para que não configure supressão de instância, a matéria não conhecida no julgamento de primeiro grau que, em nível reeursal, seja admitido o seu conhecimento, deve ser devolvida ao Órgão julgador de primeiro grau, para conhecimento e apreciação do mérito Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a prejudicial de concomitância relativamente às multas regular, por classificação fiscal incorreta, e do controle administrativo, por falta der, licenciamento, e devolver o processo ao órgão julgador de primeira instância para que sejam enfrentadas as razões da impugnação atreladas essa fração da exigência. / Luis arclo-Cluerra de Castro - Presidente ( sZ-Terna nas do Nascimento - Relator • EDITADO KM: 20/06/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Jose Perimirdes do Nascimento, Paulo Sérgio Celani (Suplente), N .anci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Mias l'ernandes EuIrásio (Suplente). Relatório rata-se de Re ,urso Voluntário interposto pel ,, autiiada visando a r,-lbrrna Acórdão n" 1T29.627, de 21 de jmeiro de 2009 (lis, 254/257), proferido pelos membros da 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo 1l/SP (DM/S.1'010, cuja ementa restou assim redigida: S,S't Ail'O CLASSIFK (," Ã.0 DE MERCADORIAS Data do fato „,,erador 11/04/2005 'OArC 0411 'NOA LKIRL PROCESSO 4D.1111NLS'IRAj'IVO L JUDICIAL Ação Declatalória Não se lema conhecimento da impugnat,.'ão 1 tocante à matéria objeto de ação judicia/ ADN n" 3/96 Lançamento Procedente aro Parte Os lançamentos que deram origem aos presentes autos foram formalizados por meio dos Autos de Infração de lis, 01/29, contendo a exigência dos seguintes gravames: (i) Imposto sobre a importação (11), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuições para o I' IS-Pasep e Cotins Importação, acrescidos dos juros moratórios e da muita de („)ficto de 75% (setenta e cinco por cento); (ii) multa do controle administrativo das impor fações, por falta de licenciamento; e (iii) multa regulamentar de i'l/0 (um por cento) do valor aduaneiro, por classificação fiscal incorreta. Os motivos da presente autuação e as razões de defesa apresentadas na impugnação foram resumidos no relatório integrante do Acórdão recorrido, conforme excertos a seguir transcritos: impugnanle promoveu a importação, no regime de ruhnissão terriporát ia, atraVéS da DI 0" 04/0276327-5, de 24/03/2004, das mercadorias descritas nas fis 34 a 38 A mercadoria era 2 l'recesso 11' 11128 00.5550/2005-11'1 S3-C1T2 Acórdão n 3102-00.695 II 317 composta basicamente de tubo .s flexíveis e &puladores de ar em diversos modelos. Em 11/04/2005 a impugnante registrou a Dl de acteionaliwção a" 05/036.5252-5, para os bens descritos como "DEPURA DOR Nh,13L1A 600 1NOX 110V 60 HZ" e "DEPURAnOR NISI.LA 600 1NOX 220V 60 11Z", classificando-os na NCill 842.1.39.90 A fiscalização, conforme 02, solicitou a realização de laudo de assistência técnica, concluindo que a classificação fiscal correta seria a MAI 8414.60.00, EX 001, 77~c/cimente em função da aplicação doméstica e da dimensão horizontal das aparelhas Em &Não da decisão judicial em Agravo de bistrumenio n" 2005 03.00.00575.9-5, relativa à Ação Ordinátta 200.5 61.00.000382-6, da 17" Vara da Justiça Federal, fui determinado o desembaraço dos bens . mediante depósito judicial dos valores corai O Ver.S os. Lavrou-se em seguida O presente auto cic.' infração, com exigibilidade suspensa, para constituição dos créditos 7-dativos à reclassificação, incluindo juros, multa de oficio, multa por erro na classificação fiscal e multa por falta de guia de importação. Intimada do Auto de Inflação em 11/10/2005 (ff 156), a interrssada apresentou impugnação e documentos em 10/11/2005, juntados . às fls 157 e seguintes, alegando em síntese. .1 Alega .ser incabível o lançamento de . juros e multas pois, o crédito tributário estaria suspenso por força decisão judicial que permitiu o depósito das quantias controversas. Alega que já possuía decisão judicial amparando sua classificação antes do registro da declaração dc importação Cita doutrina e jurisprudência administrativa sobre o lema 2.. Tece comentários sobre a classificação .fiscal do produto importado. 3. Requer, I) O I. fim, que sela julgado improcedente o presente auto de infração. Em seguida . 1-oi prolatado mencionado Acórdão, em que, por unanimidade de votos, os membros da Turma julgadora a (filo consideraram procedente, em parte, os presentes lançamentos, para (i) excluir as multas de oficio aplicadas sobre os valores dos tributos lançados, com o argumento de que na data do lançamento o crédito tributário lançado estava suspenso por medida judicial, e (ii) manter a exigência dos tributos lançados, acrescidos dos juros moratórios, e das multas do controle administrativo e regulamentar, com a alegação de que a matéria atinente a esses gravames também se encontrava em discussão na esfera _judicial. Em 23/03/2009, por via postal (ti. 261), autuada tomou ciência do citado Acórdão. Descontente com o desfecho do julgamento, retornou aos autos por intermédio do Recurso Voluntário de fls. 275/314, protocolado em 20/04/2009 (11. 275), em que reitera os fr - \ argumentos de defesa aduzidos na peça impugnatoria e, em síntese, acrescentou as seguintes razões de defesa: a) no caso presente, não se verifica a identidade de matéria discutida administrativa e judicialmente, uma vez que na ação judicial se discute, apenas e tão somente, a correta classificação fiscal dos aparelhos "depuradores de ar", enquanto que o objeto do presente processo é mais amplo, porque envolve, alem da cobrança dos tributos incidentes sobre a importação, objeto de questionamento .judicial, a exigência de juros de moia, multa de oficio, regulamentar, de controle administrativo, bem como as diferenças das contribuição para o PIS cri Cofins, incidentes na importação; .1)) a ação judicial por ela interposta (Ação Ordinário n° 2005.61 0(1000382- 6) já transitou cf11 julgado, logo, se este Conselho ignorar essa circunstância, nunca seria apreciada a sua irresignação, no tocante a ilegalidade da exigência da multa regulamentar, de controle administrativo e dos juros de mora; c) discutia judicialmente a classificação fiscal do produto e possuía autorização .judicial para importa-10 como "depurador de gases/ar", classificado-o no código 'FIM 8421.39.90, bem como depositava judicialmente o valor relativo ao diferencial de alíquotas dos tributos devidos; d) com a sua desistência ação judicial, cru seguida homologada pelo Juiz da causa, todos os depósitos por ela efetuados no âmbito da referida Ação -foram convertidos cru renda da União, dentre os quais esta° incluídos os valores referentes ao diferencial de alíquota do II., IP', P1S/Importação e Cotins/Importação, exigidos quando do desembaraço das mercadorias objeto das D .1 que deram origem ao presente Auto de Infração, ensejando a extinção do crédito tributário nos termos do art. 156, VI., do CTN; e) houve o trânsito em julgado do referido processo judicial, inclusive com a conversão em renda de todos os depósitos lá efetuados, e o cancelamento dos valores a titulo de 11, 1.P1, PIS/Importação e COFINS/Importação, Objeto desse processo adininistrativo; t) em relação à exigência das multas regulamentar e de controle administrativo, a discussão ainda não teve um (tesfecho, razão pela qual. este e. Conselho deve analisar as razões recursíns; e g) as multas regulamentar e de controle administrativo são totalmente descabidas e o Acórdão recorrido merece reparos nesse sentido, visto que vigorava, na época do desembaraço aduaneiro, decisão judicial que lhe autorizava a classificação dos produtos importados como "depurador ar". No final, pediu que tosse conhecido e provido o presente Recurso Voluntário, e refillmado, parcialmente, o Acórdão recorrido, determinando-se o cancelamento de todos os Autos de Infração e o arquivamento deste processo.. / 4 )\ Processo n" 11128.005550/2005-18 S3-C112 Acórdão ri 3102-00,695 II 3 [ 8 Em cumprimento ao despacho de fl. 315 (última), os presentes autos foram. enviados a este e. Conselho. Na sessão de 04/02/2010, em cumprimento ao disposto no art., 49 do Anexo ft do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MV ri' 256, de 22 de junho de 2009, foram distribuídos, mediante sorteio, para. este Conselheiro. o Relatório. Voto Conselheiro 'José Fernandes d.o Nascimento - Relator O presente Recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiada portanto, dele tomo conhecimento.. Inicialmente, cabe esclarecer que os lançamentos que deram origem aos presentes autos foram formalizados por meio dos Autos de Infração de fls. 01/29, contendo a exigência dos seguintes gravames: (i) Imposto sobre a Iniportação (II), imposto sobre Produtos • Industrializados (III), Contribuições paia o .PIS-Pasep e Colins - Importação, acrescidos dos juros moratórios e da multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento); (ii) multa do controle administrativo das importações, por falta de licenciamento; e (iii) multa regulamentar d.e 1% (um por cento) do valor aduaneiro, por classificação fiscal incorreta_ Na peça impugnatória, a autuada, em preliminar, discordou da cobrança dos .juros moratórios e das multas de oficio, regulamentar e por controle administrativo, com o argumento de que a exigibilidade do crédito tributário estava suspensa. na data do lançamento, por força do disposto nos incisos H e IV do artigo 151 do CIN. No mérito, contestou a cobrança da diferença dos referidos impostos e contribuições, com a alegação de que a classi li cação fiscal por ela adotada estava correta.. Conibrune consignado no Acórdão recorrido, os membros da Turma julgadora a (lua, por unanimidade de votos, consideraram procedente, em parte, os presentes lançamentos, para (i) excluir as multas de oficio aplicadas sobre os valores dos tributos lançados, com o argumento de que, na data do lançamento, o crédito tributário lançado estava suspenso por . medida . judicial, e (ii.) manter a exigência dos tributos lançados, acrescidos dos juros moratórios, e das multas do controle administrativo e regulamentar, com a alegação de que a matéria, atinente a esses gravames encontravam-se sob apreciação da esfera judicial.. Nas razões recursais, alegou, a recorrente que não havia concomitância de matéria discutida administrativa e judicialmente, uma vez que na ação judicial se discute, apenas e tão somente, a correta classi ficação fiscal dos aparelhos "depuradores de ar", enquanto que o objeto do presente processo é mais amplo, porque envolve, além da cobrança do valor da diferença dos impostos incidentes sobre a importação (II e III), a exigência de juros de mora e as multas de oficio, regulamentar e do controle administrativo das importações, bem como as diferenças dos valores das contribuição para o .PIS e a Cotins, incidentes na mporta.ção. Em parte, está com a razão a recorrente. Não procede a sua alegação apenas em relação aos .juros moratórios, a multa de ofício e as diferenças dos valores das contribuições para PIS/Pasep-Impostação e Co fins-Importação.. Os primeiros (os juros moratórios..e-a-UNlta de oficio), porque foram objeto de pedido expresso no âmbito da referida ação judicial, por estarem diretamente vinculados aos valores das diferenças dos impostos lançados.. As segundas (as diferenças dos valores das contribuições para o PIS/Pasep- Imposta.ção e Cotins-Importação), pelo fato de que, embora tais contribuições não tenham sido objeto da referida ação judicial, as diferenças cobras nos presentes lançamentos decorrem diretamente da recomposição da base cálculo pela inclusão das valores exigidos do II e do IP I, em . decorrência da reclassificação do produto do código NCM 8421.39,90 (informado na Dl) pata o código NCM 8414.60,00, realizada autoridade fiscal. Corrobora o asseverado, o lato de a recorrente ter providenciado os depósitos judiciais dos valores das referidas contribuições (fis, 127/.133) No que tange as multas regulamentar c do controle administi ativo das importações, entendo que é totalmente procedente a alegação da recorrente, Aliás, por óbvio, era impossível que tais multas tivessem sido questionadas no âmbito da citada ação .judicial, haja vista que, na data da sua propositura, ainda não 'havia sido lavrado o presente Auto de Infração. Assim, se não fora objeto de apreciação no âmbito da ação judicial referenciada, o Órgão julgador dc primeiro grau deveria ter se pronunciado sobre a legalidade da cobrança das ditas multas, o que não foi feito, embora expressamente impugnada a matéria pela autuada, conforme expressamente consignado no item 15 da sua Impugnação (11, 1(2), a seguir transcrito: 1) Vale dizer, Cl)? relação 00 citado produto, tanto em face da inicia antecipada obtida, quanto Cl)'? decotrência da realização dos depósitos judiciais, o Se APTN não podei-ia ler lavrado o indigitado 41, exigindo juros', multas de oficio, regulamentar e por cotam& administrativo, dada à suspensão da exigibilidade do crédito ailniténio, por [Orça do disposto 00 artigo 151, 11 e IV, ambos do (.1 'N Compulsando o voto condutor do Acórdão recorrido, verifica-se que a multa regular, por classificação incorreta, e a multa do controle administrativo, por falta dc , licenciamento, não ibram apreciadas no julgamento de primeiro de grau, com o argumento de que estavam em discussão no âmbito da mencionada ação judicial proposta pela recorrente .Dessa forma, em prestigio ao principio do duplo grau de jurisdição e pala que não haja supressão de instância, em relação as multas regular e do controle administrativo, voto no sentido de AFASTAR a preliminar de concomitância de instância, a fim de que os presentes autos retornem ao :Órgão julgador de primeiro grau, para fins de apreciação do mérito da aplicação dessas ienalidadcs, ----- '_„- `, n ,4),..,'-'--. ' , (----- \ José Ferna`OdeS dó Nascimento \ , . ' ,/..,„ 7 ,... '\, \\,... .,
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Numero do processo: 13746.001223/2002-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
PROCESSO CONEXO - DECISÃO ÚNICA PROFERIDA NOS AUTOS DO PROCESSO PRINCIPAL - APLICAÇÃO
Um vez que a complexidade da matéria fez com que a turma de julgamento analisasse os casos de forma concomitante e proferisse uma única decisão, adota-se integralmente nos processos conexos a decisão proferida nos autos do processo principal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, , por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Fez sustentação oral: Ricardo Alexandre Hidalgo Pace - OAB/SP 182632.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora.
EDITADO EM: 14/05/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deraulede, Gileno Gurjão Barreto, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 PROCESSO CONEXO - DECISÃO ÚNICA PROFERIDA NOS AUTOS DO PROCESSO PRINCIPAL - APLICAÇÃO Um vez que a complexidade da matéria fez com que a turma de julgamento analisasse os casos de forma concomitante e proferisse uma única decisão, adota-se integralmente nos processos conexos a decisão proferida nos autos do processo principal. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, , por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral: Ricardo Alexandre Hidalgo Pace - OAB/SP 182632. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora. EDITADO EM: 14/05/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deraulede, Gileno Gurjão Barreto, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas.
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INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 PROCESSO CONEXO DECISÃO ÚNICA PROFERIDA NOS AUTOS DO PROCESSO PRINCIPAL APLICAÇÃO Um vez que a complexidade da matéria fez com que a turma de julgamento analisasse os casos de forma concomitante e proferisse uma única decisão, adotase integralmente nos processos conexos a decisão proferida nos autos do processo principal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, , por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral: Ricardo Alexandre Hidalgo Pace OAB/SP 182632. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 6. 00 12 23 /2 00 2- 92 Fl. 329DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 22/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 EDITADO EM: 14/05/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deraulede, Gileno Gurjão Barreto, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas. Relatório Tratase de processo administrativo de compensação para a qual o contribuinte utilizouse de crédito de IPI decorrente da entrada de insumos isentos. O direito ao crédito foi reconhecido por meio de ação judicial já transitada em julgado. O caso é complexo e envolve muitos processos administrativos e judiciais. Por razão de economia processual e lógica de julgamento, todos os processos administrativos referentes a este assunto, portanto conexos, que estavam em pauta na sessão de 27 de janeiro de 2015, foram julgado concomitantemente, tendo sido proferido uma única e completa decisão nos autos do processo administrativo principal, qual seja: 10735.000001/99 18. Em virtude deste fato, adoto, para os devidos fins de direito, o relatório proferido naqueles autos e lido em sessão. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso é tempestivo e atende os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, este processo foi julgado concomitantemente ao processo administrativo principal no 10735.000001/9918. Nesta oportunidade resumiuse o assunto em discussão da seguinte forma: “O debate em relação ao CRÉDITO abrange os efeitos da alteração da norma que obrigou (i) o trânsito em julgado da ação para fins de compensação (art. 170A do CTN) e os efeitos da Instrução Normativa nº 41/2000, que inseriu uma nova situação ao direito da contribuinte em contraposição à coisa julgada favorável à empresa Nitriflex, proferida nos autos do MS nº 98.00166580 (o qual concedia o direito de crédito no período de Jul/88 a Jul/98 e autorizava a compensação nos moldes da IN 21/97) (ii) a situação específica da Recorrente em face da decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança no 2001.51.10.0010250 e, (iii) os efeitos da IN/SRF 517, que a partir de 2005 passou a exigir a habilitação de créditos reconhecidos por decisões judiciais transitadas em julgado (iv) quantificação dos créditos. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 22/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13746.001223/200292 Acórdão n.º 3302002.820 S3C3T2 Fl. 11 3 Em relação aos DÉBITOS é preciso analisar (i) a homologação tácita das compensações de terceiros e (ii) especificamente em relação aos processos administrativos no 11516.002703/200411, 11610.001259/200367 e 10930.003102/200391 a preliminar de nulidade da decisão proferida pela DRFFlorianópolis/SC, por suposta incompetência para tanto, nos termos da IN/SRF 21/97.” A decisão proferida foi única e completa, tendose analisado, nesta oportunidade, todas as matérias em julgamento. Ante o exposto, é o presente para ADOTAR e REITERAR a decisão proferida nos autos do processo 10735.000001/9918, concluindose pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso ora analisado. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Fl. 331DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 22/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 10768.005948/2002-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Aug 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/04/1997, 31/05/1997, 30/06/1997
NORMAS PROCESSUAIS. IMPROCEDÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO.
Comprovada a existência do processo judicial informado na DCTF, e que nele houve decisão autorizando a realização de depósitos judiciais para a suspensão da exigibilidade do PIS, deve ser considerado improcedente o lançamento eletrônico que tem por fundamentação proc. jud. não comprova.
Recurso Especial Negado
Numero da decisão: 9303-003.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
assinado digitalmente
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
assinado digitalmente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López, Carlos Alberto Freitas Barreto e a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, que participou do julgamento em substituição à Conselheira Nanci Gama, ausente.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/04/1997, 31/05/1997, 30/06/1997 NORMAS PROCESSUAIS. IMPROCEDÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovada a existência do processo judicial informado na DCTF, e que nele houve decisão autorizando a realização de depósitos judiciais para a suspensão da exigibilidade do PIS, deve ser considerado improcedente o lançamento eletrônico que tem por fundamentação proc. jud. não comprova. Recurso Especial Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. assinado digitalmente Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente assinado digitalmente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López, Carlos Alberto Freitas Barreto e a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, que participou do julgamento em substituição à Conselheira Nanci Gama, ausente.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/1997, 31/05/1997, 30/06/1997 NORMAS PROCESSUAIS. IMPROCEDÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovada a existência do processo judicial informado na DCTF, e que nele houve decisão autorizando a realização de depósitos judiciais para a suspensão da exigibilidade do PIS, deve ser considerado improcedente o lançamento “eletrônico” que tem por fundamentação “proc. jud. não comprova”. Recurso Especial Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. assinado digitalmente Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente assinado digitalmente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López, Carlos Alberto Freitas Barreto e a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, que participou do julgamento em substituição à Conselheira Nanci Gama, ausente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 59 48 /2 00 2- 11 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10768.005948/200211 Acórdão n.º 9303003.307 CSRFT3 Fl. 258 2 Relatório Os fatos foram bem descritos no relatório do acórdão recorrido, o qual transcrevo: Tratase de Auto de Infração lavrado em decorrência de irregularidades constatadas nos créditos vinculados informados em DCTF correspondentes ao PIS não recolhido referente aos meses 04/1997 a 06/1997, acrescido da multa de oficio e dos juros de mora correspondentes, tendo por fundamento a expressão “processo judicial não comprovado”. O relatório produzido pela DRJ do Rio de Janeiro assim sintetizou os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade: Na impugnação, anexada às folhas 1 a 17, a Interessada alega, em síntese: Que o débito inexiste, correspondendo todo ele a débito com exigibilidade suspensa por força de medida judicial, devidamente informada nas DCTF. A impropriedade da utilização do lançamento em situação que enseja, não a exigência da tributo, mas a intimação para apresentação de documentos suficientes à satisfação das necessidades do ente tributante, sem necessidade de instauração do contencioso. Assim, falta ao caso em exame a indispensável caracterização ao ato de lançamento, tendo em vista que o fundamento apontado na peça de autuação não corresponde a qualquer inadimplemento obrigacional, mas sim à necessidade de comprovação da discussão judicial informada na declaração. Esclarece que propôs em 08/05/1997 Ação Cautelar Inominada com Pedido de Liminar n° 97.00131572, cujo objeto é ver garantido o direito de permanecer recolhendo o PIS na forma estabelecida pela Lei n° 7/70 (fl. 61 a 82). Em 22/05/1997 foi deferida a realização de depósitos judiciais para a suspensão da exigibilidade do crédito tributário discutido (fls. 83 a 89). A teor do artigo 151 do CTN, o depósito do montante integral suspende a exigibilidade do crédito tributário. Em conseqüência, é incabível a exigência de multa e juros de mora. Com base no exposto afirma ser a exigência materialmente improcedente, por supressão de sua razão de existir — a ausência de comprovação da suspensão de exigibilidade por via de depósito judicial. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10768.005948/200211 Acórdão n.º 9303003.307 CSRFT3 Fl. 259 3 A partir das informações e documentos apresentados, a DRJ do Rio de Janeiro entendeu por bem cancelar o lançamento fiscal em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/1997, 31/05/1997, 30/06/1997 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO.DCTF. Cancelase a autuação fundamentada tão somente pela expressão "processo judicial não comprovado" a partir da constatação de que a interessada é parte na demanda judicial tida como inexistente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Exonerado Julgando o feito, o Colegiado recorrido negou provimento ao recurso de ofício, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/1997, 31/05/1997, 30/06/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PROCESSO JUDICIAL.Comprovado pelo contribuinte a existência de processo judicial, ocorre impossibilidade de manutenção do auto de infração, por total ausência de fundamento e objeto. Recurso de Ofício Negado. Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial, onde pugna pelo restabelecimento da exigência fiscal. O apelo fazendário logrou seguimento, nos termos do despacho de admissibilidade de fls. 197 a 200. Regularmente cientificado do acórdão e do recurso fazendário, o sujeito passivo apresentou contrarrazões, onde requer a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a autuação de que trata o presente teria sido motivada pelo fato de o processo de n° 97.00131572, indicado nas DCTF como aquele que respaldaria a suspensão dos débitos ora exigidos, ser "não comprovado". Em função da falta de Fl. 260DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10768.005948/200211 Acórdão n.º 9303003.307 CSRFT3 Fl. 260 4 comprovação do referido processo foram lançados os valores tidos como indevidamente suspensos, acompanhados de multa de oficio e juros de mora. De outro lado, como bem consignou a decisão de primeira instância, o sujeito passivo trouxe aos autos, fls. 83 e 85, decisão proferida nos autos do processo n° 97.0013157 2 que deferiu a realização de depósitos judiciais para a suspensão da exigibilidade do PIS. Às folhas 87 a 89 trouxe as cópias das guias de depósito judicial referentes às competências objeto de lançamento de oficio. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento II do Rio de Janeiro, cancelou o lançamento fiscal, por considerar que a comprovação da existência do processo e dos depósitos judiciais derrubariam a fundamentação do lançamento de ofício. A Câmara recorrida negou provimento ao recurso de ofício, por entender que a comprovação do processo judicial tornaria inexistente o fundamento do auto de infração. O Processo Administrativo Fiscal exige uma série de requisitos para a formalização do crédito tributário por meio de lançamento de ofício, dentre os quais destacase o da correta fundamentação da acusação fiscal. Isso porque, no estado democrático de direito, a todos os administrados é assegurado, diante de uma acusação, seja administrativa ou judicial, saber os fatos que lhes foram imputados e os fundamentos que justificaram tal acusação. Isso em decorrência de princípios basilares assentados nas constituições democráticas modernas. No nosso ordenamento jurídico, os acusados defendemse dos fatos que lhes foram imputados, inconsistentes esses, inconsistente também será a acusação. No caso dos autos, a autuação deuse sob a premissa de que a ação judicial e os depósitos judiciais informados pelo sujeito passivo, como base para a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não existiriam. Ora, se essa era a acusação, proc jud não comprova, e se o sujeito passivo comprovou a existência tanto da ação quanto dos depósitos, não resta dúvida que a acusação fiscal é totalmente insubsistente. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 261DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10510.000364/96-08
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2001
Ementa: DCTF — DENÚNCIA ESPONTÂNEA - ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO. A entidade denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a DCTF. Cabível a aplicação da penalidade decorrente de descumprimento dessa obrigação acessória, prevista nos Decreto-lei n°2.124/84.
Recurso provido.
Numero da decisão: PLENO/00-00.006
Decisão: ACORDAM os Membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e - voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Luiz Alberto Cava Maceira, Victor Luis de Salles Freire, VVilfrido Augusto Marques, Remis Almeida estol, Nilton Luiz Bartoll, José Carlos Passuello, Maria Goretti de Bulhões Carvalho, Paulo Roberto Cuco Antunes, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Carlos Alberto Gonçalves Nunes
Nome do relator: Marcos Vinicius Neder de Lima
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ementa_s : DCTF — DENÚNCIA ESPONTÂNEA - ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO. A entidade denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a DCTF. Cabível a aplicação da penalidade decorrente de descumprimento dessa obrigação acessória, prevista nos Decreto-lei n°2.124/84. Recurso provido.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e - voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Luiz Alberto Cava Maceira, Victor Luis de Salles Freire, VVilfrido Augusto Marques, Remis Almeida estol, Nilton Luiz Bartoll, José Carlos Passuello, Maria Goretti de Bulhões Carvalho, Paulo Roberto Cuco Antunes, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Carlos Alberto Gonçalves Nunes
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-09T15:54:12Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-09T15:54:12Z; Last-Modified: 2009-09-09T15:54:12Z; dcterms:modified: 2009-09-09T15:54:12Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-09T15:54:12Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-09T15:54:12Z; meta:save-date: 2009-09-09T15:54:12Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-09T15:54:12Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-09T15:54:12Z; created: 2009-09-09T15:54:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2009-09-09T15:54:12Z; pdf:charsPerPage: 1368; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-09T15:54:12Z | Conteúdo => . • . ."; • . r MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS -;;; ›• SEGUNDA TURMA Processo n° :10510.000364/96-08 Recurso n° : RP/201-0.371 Matéria : DCTF Recorrente : FAZENDA NACIONAL Recorrida :1. CÂMARA DO 2' CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sujeito Passivo : FASOUTO FARIA SOUTO COM. LTDA Acórdão n° : CSRF/PLEN0-00.06 • Sessão de :11 DE DEZEMBRO DE 2001 DCTF — DENÚNCIA ESPONTÂNEA - ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO. A entidade denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a DCTF. Cabível a aplicação da penalidade decorrente de descumprimento dessa obrigação acessória, prevista nos Decreto-lei n°2.124/84. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e - voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Luiz Alberto Cava Maceira, Victor Luis de Salles Freire, VVilfrido Augusto Marques, Remis Almeida estol, Nilton Luiz Bartoll, José Carlos Passuello, Maria Goretti de Bulhões Carvalho, Paulo Roberto Cuco Antunes, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Carlos Alberto Gonçalves Nunes. NION PE -'RODRIGUES PRESIDE, //, ' VINICIUS NEDER DE LIMA e f • • R FORMALIZADO EM: 1 5 JAN 2002 1 • • a . • . Processo n° : 10510.000364/96-08. Acórdão n° CSFIF/PLEN0-00.06 -Participaram, ainda, - do presente julgamento, os • Conselheiros: • CELSO -ALVES FETOS& _ANTONIO DE FREITAS DUTRA„ -CÂNDIDO RODRIGUES NEMER LEILA MARIA SCHERRER- LEITÃO; VERINALDO HENRIQUE DA SILVA; IACY - NOGUEIRA MARTINS MORMS, JOSÉ CLÕVIS ALVES, MANOEL ANTONIO -GADELHA -DIAS, ..10-R3E FREIRE, SÉRGIO GOMES VELLOSO, -DALTON 'CÉSAR CORDEIRO DE MIRANDA, MOACYR ELOY GE MEDEIROS, -HENRIQUE -PRADO MEGDA, MÁRCIO NUNES IÓRIO ARANHA OLIVEIRA (Suplente Convocado) e JOÃO HOLANDA COSTA. Ausentes justiftcademente os Conselheiros OTACktO DANTAS CARTAXO e MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ. 2 . • • • . •. Processo n° :10510.000364/96-08 Acórdão n° : CSRF/PLEN0-00.06 Recurso n° : RP/201-0.371 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Sujeito Passivo : FASOUTO — FARIA SOUTO COMÉRCIO LTDA. RELATÓRIO Discute-se nos presentes autos a exigência da multa por atraso na entrega da DCTF, considerando-se - à luz do artigo 138 do CTN - a exclusão da responsabilidade em razão de denúncia espontânea da infração. Com fundamento no artigo 52, inciso II e § 42, do Mexo I da Portaria ME n2 55/98, o Procurador-Representante da Fazenda Nacional interpôs recurso especial ao Egrégio Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 121/131) contra a decisão consubstanciada no Acórdão n2 CSRF/02-0.821, de 16/08/99, cuja ementa se transcreve (fls. 107): "DCTF - ENTREGA A DESTEMPO - A denúncia espontânea elide a exigência de multa punitiva por descumprimento de obrigação acessória (art. 138 do CTN). Recurso negado? Em suas considerações, a Fazenda Nacional alega que os fundamentos embasadores do julgado em epígrafe contrariam o entendimento jurisprudencial presente no Acórdão n2 CSRF/01-03.045, quanto à interpretação dada ao artigo 138 do CTN sobre a aplicabilidade da multa de mora em se tratando de procedimento de denúncia espontânea. Às fls. 124/131, cópia do inteiro teor do acórdão paradigma (n2 CSRF/02-0.821) proferido em 11/07/00, por maioria de votos da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos termos da ementa a seguir transcrita: 3 ., • . Processo n° : 10510.000364/96-08 Acórdão n° : CSRF/PLEN0-00.06 'MULTA - ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS - A entrega intempestiva da declaração de Rendimentos, a partir de 1995, ainda que dela não resulte imposto devido, sujeita a pessoa física ou jurídica ao pagamento de multa equivalente, no mínimo, a 200 UFIR ou 500 UFIR, respectivamente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA - exclusão de responsabilidade pelo cometimento de infração à legislação tributária - a norma inserta no artigo 138 do CTN não abrange as penalidades pecuniárias decorrentes do inadimplemento de obrigações acessórias? A controvérsia cinge-se, pois, essencialmente, ao alcance e implicações da norma inserta no artigo 138 do CTN no tocante ao cabimento da aplicação da multa de natureza moratória decorrente do descumprimento de obrigações acessórias. Nesse sentido, o acórdão recorrido (CSRF/02-0.821) manifesta-se pelo entendimento de que o procedimento da denúncia espontânea exclui a responsabilidade e afasta a exigência da penalidade. O paradigma (CSRF/01-03.045), em posicionamento manifestamente adverso, proclama que a determinação contida no artigo 138 não abrange a multa decorrente do inadimplemento de obrigação acessória, uma vez que, referindo-se explicitamente a tributo, alcança tão-somente as sanções de natureza punitiva. Segundo o Procurador-Representante da Fazenda Nacional, restando configurada a divergência entre a 1 2 e a 22 Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, deve prevalecer a tese esposada pela Primeira Turma por representar a melhor interpretação da legislação de regência, bem como a universalidade da jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça. Ademais, argumenta que a matéria já foi objeto de contradições e controvérsias junto aos Conselhos de Contribuintes, encontrando-se, porém, pacificada, inclusive junto à Segunda Turma da CSRF (protetora do acórdão recorrido), no mesmo sentido ora sustentado pela Fazenda Nacional: para o cumprimento de obrigações acessórias, não se aplica o artigo 138 do CTN. 4 . . .. • • Processo n° : 10510.000364/96-08 Acórdão n° : CSRF/PLEN0-00.06 Pelo Despacho de fls. 132/133, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais recebeu o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, vez que devidamente observados os pressupostos regimentais de admissibilidade. É o relatório. 5 • - . Processo n° :10510.000364/96-08 Acórdão n° : CSRF/PLEN0-00.06 VOTO Conselheiro MARCOS VINICIUS NEDER DE LIMA, Relator. O Recurso Especial do Sr. Procurador-Representante da Fazenda Nacional atendeu aos pressupostos para sua admissibilidade. O apelo merece ser conhecido. Exsurge do relatório que o litígio cinge-se à aplicação do benefício da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, ao contribuinte que entrega em atraso a DCTF, mas voluntariamente e antes de qualquer iniciativa da fiscalização. A argumentação trazida pelo voto vencedor do aresto, em apertada síntese, funda-se no fato de a contribuinte ter entregado a declaração antes de qualquer procedimento fiscal, excluindo sua responsabilidade por infrações. Sustenta que a obrigação tributária em debate, por sua natureza meramente acessória, não envolve qualquer forma de pagamento de tributo, somente multa. Com a devida vênia dos que defendem este respeitável entendimento, tenho para mim que tal interpretação estende, equivocadamente, o alcance do instituto da denúncia espontânea à hipótese de mera inadimplència da obrigação tributária, como a questionada nos autos. Em verdade, a guerreada multa é aplicável por imposição do disposto no § 3°, do art. 5°, do Decreto-lei n° 2.124, de 13.06.84, nos seguintes termos: '§ 3° Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na 6 - Processo n° :10510.000364/96-08 Acórdão n° : CSRF/PLEN0-00.06 forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 20, 30 e 40, do artigo 11, do Decreto-lei n° 1968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decreto-lei n° 2.065, de outubro de 1983? O quantum aplicável da multa foi instituída pelo § 2°, do art. 11, do Decreto-lei n° 1968/82, e atualizada sucessivamente pelas Leis n° 7.730/89, 7.799/89, 8.178/91, 8218/91, MP 978/95 e Lei n°8.981/95. Negar aplicação a esta norma, nas hipóteses de entrega espontânea fora de prazo, ao argumento de que afronta o artigo 138 do CTN, implica em tomar o §4°, do art. 11 citado Decreto-lei n° 1.968/82, letra morta, eis que este dispositivo normatiza a penalidade nos caso de apresentação do formulário, fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento 'ex officio". Em verdade, não só esta multa mas todas as outras aplicáveis na hipótese de não cumprimento espontâneo de prazo previsto na legislação tributária perderiam a razão de ser, pois não haveria outra situação em que pudessem ser aplicadas. Ora, a norma do art. 115 do CTN sujeita o contribuinte à prestação de obrigações positivas ou negativas, ao interesse da arrecadação e da fiscalização. O artigo 97 prevê a possibilidade de 'cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas' Tais normas refletem o poder de coerção do Estado, como ente tributante, em exigir o cumprimento das obrigações tributárias previstas no ordenamento jurídico pátrio. Sem a imposição de sanção pecuniária, não há como assegurar o adimplemento voluntário e tempestivo destas obrigações, tomando a atividade de adminstração tributária tarefa de extraordinária dificuldade. A lei estaria a estimular a impontualidade, que passaria a ser a regra e não a exceção. 7 Processo n° : 10510.000364/96-08 Acórdão n° : CSRF/PLEN0-00.06 Como bem aponta o ilustre Conselheiro José Antonio Minatel / 'o próprio conceito de mora pressupõe um termo final para o cumprimento de uma obrigação, ou na linguagem coloquial, pressupõe um vencimento predeterminado. O vencimento não é um dos componentes necessários para o surgimento da obrigação tributária, pois não é ínsito à estrutura do fato gerador, tanto que nada obsta que seja fixado por outra norma, até mesmo de escalão inferior aquela que define a incidência tributária. Caracteriza-se, assim, o vencimento como delimitador da tolerância do credor, para recebimento do objeto da sua pretensão? Assim, a obrigação de apresentar a DCTF, como toda obrigação legal, também está provida de sanção, que é a prevista no art. 11 do Decreto-lei n° 1.968/82 e alterações posteriores. Essa também é o entendimento do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, como se depreende do julgamento do REsp n° 243.241-RS, da lavra do ilustre Ministro Franciulli Netto (DJ de 21.08.2000), que assim se posicionou: "a par de existir expressa previsão legal para punir o contribuinte desidioso (art. 88 da Lei n° 8.981/95), é de fácil inferência que a Fazenda não pode ficar à disposição do contribuinte, não fazendo sentido que a declaração possa ser entregue a qualquer tempo, segundo o arbítrio de cada um". Ademais, só haveria sentido na denúncia espontânea de fato desconhecido pela autoridade, o que não é o caso dos autos, eis que o atraso da DCTF toma-se ostensivo com o decurso do prazo fixado para entrega tempestiva da mesma. O fato de o contribuinte confessar que está em mora no cumprimento da obrigação acessória não tem qualquer validade jurídica, uma vez que o fato se evidencia por si só, não assumindo os contornos de uma denúncia espontânea. Tal instituto, aliás, não é aplicado exclusivamente em matéria tributária. No âmbito do Direito Penal, a apresentação espontânea do acusado à autoridade policial, confessando ilícito até então ignorado, pode ensejar benefícios ao denunciante2. Denúncia Espontânea e Multa de Mora nos Julgamentos Administrativos Revista Dialética do Direito Tributário n°33, ed. Dialética, p. 87 2 Nesse sentido: STF: RT53I/422 8 Processo n° :10510.000364/96-08 Acórdão n° : CSRF/PLEN0-00.06 Neste sentido, nos ensina Julio Fabrini Mirabete3: 'Dispõe a lei, de outro lado, em relação àquele que se tiver apresentado espontaneamente à prisão, confessado crime de autoria ignorada ou imputada a outrem, não terá efeito suspensivo a apelação interposta da sentença absolutória, ainda nos casos em que o Código lhe atribuir tais efeitos (art.318). Trata-se de hipótese em que se vislumbra arrependimento do agente que colabora com a Justiça ao confessar o ilícito. Mas o benefício só pode ser reconhecido se a autoria era ignorada ou havia erro na imputação a terceirb."(Grifo nosso) Verifica-se, portanto, que, em matéria penal, a denúncia espontânea só beneficia o agente quando o crime é desconhecido da autoridade. Esse entendimento, embora pertinente ao processo penal, contribui consideravelmente para a interpretação do artigo 138, porquanto este trata da exclusão da responsabilidade do agente quanto ao crime, contravenção ou dolo. Corroborando tal entendimento, reiteradas decisões do Superior Tribunal de Justiça, de ambas as Turmas, a partir do precedente julgado no Resp n° 190388/GO, de 3 de dezembro de 1998, em que se esclareceu bem a aplicação da multa por atraso na entrega de declaração, a saber *TRIBUTÁRIO — DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. 1. A entidade denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do imposto de renda. 2. As responsabilidades acessórias autónomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. a Há de se acolher a incidência do art. 88, da Lei n° 8.981/95, por não entrar em conflito com o art. 138, do CTN. Os referidos dispositivos tratam de entidades jurídicas diferentes." A Primeira Seção do STJ pacificou a questão mediante o ERESP 208097/PR, publicado no DJ do dia 15/10/2001, verbis: "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DA DECLARAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO 3 Ntrabete, PROCESSO PENAL, Ir ed, ed Atlas, p. 392 9 „ .• Processo n° :10510.000364/96-08 Acórdão n° : CSRF/PLEN0-00.06 INFRAÇÃO FORMAL. NÃO CONFIGURAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. I. A entrega da declaração do Imposto de Renda fora do prazo previsto na lei constitui infração formal, não podendo ser tida como pura infração de natureza tributária, apta a atrair o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional. Il. Ademais, "a par de existir expressa previsão legal para punir o contribuinte desidioso (art. 88 da Lei n° 8.981)95), é de fácil inferência que a Fazenda não pode ficar à disposição do contribuinte, não fazendo sentido que a declaração possa ser entregue a qualquer tempo, segundo o arbítrio de cada um”. (REsp n° 243.241-RS, ReL Min. Fn3nciulli Netto, DJ de 21.08.2000). ff Embargos de divergência rejeitados". Estas assertivas permitem generalizar para a seguinte conclusão: a denúncia espontânea não possibilita excluir a penalidade decorrente de descumprimento de obrigação acessória. Isto posto, dou provimento ao recurso. Sala das Sesseeds i)F, 11 de dezembro de 2001. tr a : 4 ICIUS NEDER DE LIMA • 10 Page 1 _0004700.PDF Page 1 _0004800.PDF Page 1 _0004900.PDF Page 1 _0005000.PDF Page 1 _0005100.PDF Page 1 _0005200.PDF Page 1 _0005300.PDF Page 1 _0005400.PDF Page 1 _0005500.PDF Page 1
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