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Numero do processo: 15504.722038/2011-02
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PENALIDADE. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. LEGALIDADE.
Não constitui ofensa ao art. 144 do CTN a aplicação de multa prevista em norma vigente à época do fato gerador, em valor atualizado até o momento do lançamento, nos termos da legislação de regência.
Numero da decisão: 9202-006.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. LEGALIDADE. Não constitui ofensa ao art. 144 do CTN a aplicação de multa prevista em norma vigente à época do fato gerador, em valor atualizado até o momento do lançamento, nos termos da legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente processo é composto por seis Autos de Infração (AI), lavrados pelo descumprimento de obrigações acessórias (Relatório Fiscal de fls. 11 a 23), a saber: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 20 38 /2 01 1- 02 Fl. 25034DF CARF MF 2 i) AI nº 54.004.0460, por ter a empresa deixado de incluir segurado em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) ( Código de Fundamentação Legal CFL 78); ii) AI nº 50.004.0478, por deixar a empresa de elaborar a folha de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidos na legislação (Código de Fundamentação Legal CFL 30); iii) AI nº 50.004.0486, por ter a empresa deixado de contabilizar em título próprios de sua contabilidade os fatos geradores de contribuição previdenciária (Código de Fundamentação Legal CFL 34); iv) AI nº 50.004.0494, por deixar a empresa de descontar a contribuição previdenciária de segurado empregado e contribuinte individual a seu serviço (Código de Fundamentação Legal CFL 59); v) AI nº 50.004.0508, por ter a empresa emitido documento de comprovação de exposição de seus trabalhadores a agentes nocivos existentes no ambiente de trabalho em desacordo com o respectivo laudo técnico (Código de Fundamentação Legal CFL 66); e vi) AI nº 50.004.0516, por deixar a empresa de elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento (Código de Fundamentação Legal CFL 89). Entretanto, cientificada das autuações, a Contribuinte apresentou impugnação parcial, instaurandose o litígio apenas quanto às exigências fiscais consubstanciadas nos AIs nº 50.004.0508 ( CFL 66) e 50.004.0516 (CFL 89), fls. 819 a 871. Em sessão plenária de 19/02/2016, foram julgados os Recursos de Ofício e Voluntário, exarandose o Acórdão nº 2401004.187 (fls. 24.902 a 24.926), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 DILIGÊNCIA FISCAL. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO E FATOS QUE NÃO CARACTERIZAM A INFRAÇÃO. RECONHECIMENTO PELA AUTORIDADE LANÇADORA. RETIFICAÇÃO. REDUÇÃO DE PENALIDADE. Confirmase a decisão de piso que reduz o valor da penalidade imposta no auto de infração, exonerando o sujeito passivo do pagamento do crédito tributário, quando a autoridade lançadora, na fase de defesa e diligência, manifestase fundamentadamente pela retificação do lançamento fiscal em razão da constatação de valores duplicados e da existência de fatos que não caracterizam a infração. RETIFICAÇÃO PARCIAL DO LANÇAMENTO FISCAL. INSUBSISTÊNCIA INTEGRAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE RAZÕES. A inconsistência relativamente a determinados fatos, que levaram à retificação significativa do lançamento fiscal, não justifica a decretação da insubsistência integral do auto de Fl. 25035DF CARF MF Processo nº 15504.722038/201102 Acórdão n.º 9202006.834 CSRFT2 Fl. 25.034 3 infração, mormente quando se trata de fiscalização complexa e com análise de extensa documentação, mantendose a procedência das demais infrações devidamente comprovadas e para as quais a empresa não apresenta prova em contrário. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. Ao afirmar o Fisco os fatos jurídicos e detalhar os elementos comprobatórios da infração, cabe ao sujeito passivo demonstrar a inocorrência dos fatos alegados pela acusação fiscal, mediante argumentos precisos e convergente, apoiados igualmente em linguagem de provas, sob pena de manutenção do lançamento fiscal. DILIGÊNCIA FISCAL. MOTIVAÇÃO. ALTERAÇÃO PELA AUTORIDADE FISCAL. NOVO LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. ARTIGO 173 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). A alteração da questão fática descrita pela fiscalização no lançamento original, que compreende a própria motivação do ato administrativo, quando da realização da diligência fiscal determinada pela autoridade julgadora, equivale a um novo lançamento. Decorridos mais de cinco anos entre o fato gerador da obrigação acessória e a ciência pelo sujeito passivo do resultado da diligência, contados na forma do inciso I do art. 173 do CTN, deve ser reconhecida a decadência do crédito tributário. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PERFIL PROFISSIOGRÁFICO PREVIDENCIÁRIO (PPP). LAUDO TÉCNICO DE CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO (LTCAT). MULTA FIXA. Constitui infração à legislação previdenciária a empresa emitir o PPP em desacordo com o respectivo laudo técnico, a qual é punível com multa em valor fixo, prevista na alínea "n" do inciso II do art. 283 do Regulamento da Previdência Social (RPS), veiculado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, independentemente do número de ocorrências. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PPP. ELABORAÇÃO. ENTREGA AO SEGURADO. MULTA POR OCORRÊNCIA. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de elaborar e manter atualizado o PPP e de fornecer ao segurado, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento. Cada PPP não emitido ou não entregue por trabalhador exposto aos agentes nocivos representa uma ocorrência, com aplicação da multa capitulada na alínea "h" do inciso I do art. 283 do RPS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PPP. MULTA. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. REAJUSTA DO VALOR. VALORBASE VIGENTE NA DATA DA ATUAÇÃO. Fl. 25036DF CARF MF 4 Aplicase a multa por infração a dispositivo da legislação previdenciária de acordo com a legislação da época dos fatos geradores, porém o seu valorbase, reajustado na forma prevista na legislação, será o vigente na data da lavratura do auto de infração. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e, no mérito, negarlhe provimento; por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento parcial para reduzir a multa aplicada no AI nº 50.004.0516, dele excluindo o valor de R$ 123.478,83 (81 x R$ 1.524,43), em expressão monetária original, correspondente a 81 (oitenta e um) ocorrências. O Conselheiro Carlos Alexandre Tortato acompanha o relator pelas conclusões." O processo foi encaminhado à PGFN em 23/03/2016 (Despacho de Encaminhamento de fls. 24.927), que não interpôs Recurso Especial. Cientificada do acórdão em 06/06/2016 (AR Aviso de Recebimento de fls. 24.937/24.938), a Contribuinte interpôs, em 17/06/2016 (Termo de Solicitação de Juntada de fls. 24.939), o Recurso Especial de fls. 24.940 a 24.955, com fundamento nos arts. 67 e seguintes, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, visando rediscutir a nulidade do lançamento, por vício material, uma vez que a multa por infração à legislação tributária deveria ser aplicada de acordo com os valores de atualização previstos pela lei vigente à época dos fatos geradores. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 18/07/2016 (fls. 25.013 a 25.018). Em seu apelo, a Contribuinte alega: as multas impostas à Recorrente, ora combatidas (Al n° 50.004.0508 e 50.004.0516), estão dispostas, respectivamente, no art. 283, inc. II, "n" e 283, inc. I, "h", ambos do Decreto nº 3.048, de 1999, e, ademais, os respectivos valores vêm sendo objeto de inúmeras atualizações, veiculadas por meio de Portarias Interministeriais do Ministério da Previdência Social e do Ministério da Fazenda, com base no art. 102 da Lei n° 8.212, de 1991, art. 134 da Lei n° 8.213, de 1991, e art. 373 do Decreto 3.048, de 1999; à época da ocorrência dos fatos geradores, vigoravam as Portarias Interministeriais MPS/MF n° 342, de 2006 (jan/07 a mar/07), e n° 142, de 2007 (a partir de abr/07), que previam os valores das multas referentes aos artigos supramencionados; à época da lavratura do Auto de Infração, os valores das multas eram definidos pela Portaria MPS/MF 407, de 2011 (a partir de 1o de janeiro de 2011); considerando que as autuações combatidas foram decorrentes de fatos geradores ocorridos em 2007, tendo sido o auto de infração lavrado em 2011, deveria ter sido aplicado, na definição dos valores autuados, os critérios de cálculo previstos na Portaria Interministerial vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, nos termos do art. 144 do Fl. 25037DF CARF MF Processo nº 15504.722038/201102 Acórdão n.º 9202006.834 CSRFT2 Fl. 25.035 5 CTN, que determina que "o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada"; ocorre que indevidamente a fiscalização aplicou os valores de multa previstos à época da lavratura dos Autos de Infração, que eram os valores definidos pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 407, de 14/07/2011, tendo o acórdão recorrido chancelado tal equívoco material na tipificação da autuação; observase que o acórdão recorrido deu interpretação ao art. 144 do CTN diametralmente oposta àquela conferida por julgados de outra turma de câmara, justificando, portanto, a interposição do presente Recurso Especial; é de se ver que a 3a Turma da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento, nos acórdãos paradigmas anexados ao presente recurso, consolidou entendimento de que "a atualização dos valores da multa deve obedecer o momento da ocorrência do fato gerador, sendo aplicável tão somente o ato normativo em vigor, nos termos do art. 144 do CTN"; a conclusão de ambos os acórdãos paradigmas foi pelo provimento do recurso do contribuinte para anular o lançamento pelo reconhecimento do vício material (Portaria que definiu o valor da multa não vigorava à época dos fatos geradores); nos julgados supramencionados, foi firmado o entendimento de que o valor da multa deve ser regido pela lei vigente à época dos fatos geradores, anulandose integralmente os autos de infração respectivos, por vício material na aplicação, para definição do valor da multa, de Portaria que não vigorava à época dos fatos geradores; à guisa de conclusão, não se pode olvidar que quando o legislador pretendeu que o valor da multa a ser aplicada fosse o vigente à época da lavratura do auto de infração, em detrimento da regra do art. 144 do CTN, assim determinou expressamente, a exemplo da multa prevista no art. 284, inc. I e § 2o do Decreto nº 3.048, de 1999, hipótese inocorrente na situação dos autos. Ao final, a Contribuinte pede que seja conhecido e provido o recurso, reconhecendose a nulidade do lançamento, por vício material. Caso assim não se entenda, requer que sejam ajustados os valores das multas considerando os critérios de atualização vigentes à época dos fatos geradores. Cientificada do Recurso Especial da Contribuinte e do despacho que lhe deu seguimento em 31/10/2016 (Despacho de Encaminhamento de fls. 25.019), a Fazenda Nacional ofereceu, em 04/11/2016 (Despacho de Encaminhamento de fls. 25.023), as Contrarrazões de fls. 25.020 a 25.022, com os seguintes argumentos: o sujeito passivo pleiteia a utilização do valorbase da multa para a sanção pecuniária vigente à época dos fatos geradores, ocorridos em 2007, correspondente a um valor monetário defasado, sem correção monetária ou incidência de juros de mora até a data da constatação da infração, no ano de 2011, quando então lavrouse o Auto de Infração e aplicou se a multa; Fl. 25038DF CARF MF 6 porém, conforme bem salientado na decisão recorrida, a multa por infração a dispositivo da legislação previdenciária aplicase de acordo com a legislação da época dos fatos geradores, e o seu valorbase deve ser reajustado na forma prevista na legislação; na hipótese, o reajuste deve ocorrer de acordo com a legislação vigente na data da lavratura do auto de infração; de acordo com o art. 134 da Lei nº 8.213, de 1991, e o art. 373 do RPS, os valores em moeda corrente serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices dos benefícios previdenciários; esses dispositivos não cuidam de majoração da base de cálculo da penalidade que a torne mais onerosa, até porque o reajustamento é definido por intermédio de portaria interministerial; tratam apenas de atualização do valor monetário da penalidade, dado que a moeda, com o passar do tempo sofre depreciação, cujo resultado ao final não representa aumento de valor, mas mero incremento nominal; mostrase, assim, inapropriado o raciocínio desenvolvido pela recorrente, comparando o valorbase da multa e os critérios que são utilizados para as obrigações principais, isso porque, no caso de obrigação principal, a simples ocorrência do fato gerador previsto em lei faz nascer a obrigação tributária e, consequentemente, instaurase a relação jurídica entre as partes. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja negado provimento ao Recurso Especial da Contribuinte. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de arguição de nulidade do lançamento, por vício material, ao argumento de que a multa por infração à legislação tributária deveria ser aplicada de acordo com os valores vigentes à época dos fatos geradores, e não no momento da lavratura do Auto de Infração. As penalidades ora tratadas, bem como a atualização dos respectivos valores, estão previstas nos artigos 133 e 134, da Lei nº 8.213, de 1991, artigos 92 e 102, da Lei nº 8.212, de 1991, e artigos 283 e 373, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999, conforme a seguir: Lei nº 8.212, 1991 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Fl. 25039DF CARF MF Processo nº 15504.722038/201102 Acórdão n.º 9202006.834 CSRFT2 Fl. 25.036 7 (...) Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Lei nº 8.213, de 1991 Art. 133. A infração a qualquer dispositivo desta Lei, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, à multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros). (...) Art. 134. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos valores dos benefícios. Decreto nº 3.048, de 1999 "Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: (...) h) deixar a empresa de elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e de fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica deste documento; e II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: (...) n) deixar a empresa de manter laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos existentes no ambiente de trabalho de seus trabalhadores ou de emitir documento de comprovação de efetiva exposição em desacordo com o respectivo laudo; e (...) Fl. 25040DF CARF MF 8 Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social." Assim, os valores que figuraram na legislação acima expressaram os valores monetários da época de sua edição, que obviamente não poderiam permanecer congelados, até porque os benefícios previdenciárias são corrigidos utilizandose a mesma sistemática aplicada às multas, conforme expresso no art. 102, da Lei nº 8.212, de 1991, acima transcrito. Assim, no presente caso, a penalidade aplicada encontravase tipificada em lei no momento em que ocorreram os fatos geradores, sendo que a diferença verificada entre os valores daquela época e do momento da lavratura do Auto de Infração deveuse unicamente à atualização monetária, perfeitamente prevista nas próprias normas que instituíram as multas. Destarte, não constitui ofensa ao art. 144 do CTN a aplicação de multa com previsão legal à época do fato gerador, em valor atualizado conforme previsão legal, o que não caracteriza inovação mas tão somente a manutenção do valor monetário vigente à época de sua instituição. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Contribuinte e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 25041DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13827.001396/2007-15
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
É assegurado ao contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se toma conhecimento das razões de mérito.
Numero da decisão: 1002-000.165
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se toma conhecimento das razões de mérito.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se toma conhecimento das razões de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 13 96 /2 00 7- 15 Fl. 42DF CARF MF 2 Relatório O presente processo se refere à auto de infração lavrado em razão de atraso na entrega da declaração DCTF relativa ao 1°, 2°, 3° e 4° trimestres de 2003, cujo valor totaliza RS 800,00. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou a impugnação de e fl. 02, na qual invoca doutrina e jurisprudência para defender o entendimento de que a multa é confiscatória e que houve denúncia espontânea da infração na forma do art. 138 do CTN, de modo que sua responsabilidade pela infração foi excluída. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003 ENTREGA FORA A DO PRAZO DCTF DENÚNCIA ESPONTÂNEA INOCORRÊNCIA. Não há denúncia espontânea quando o contribuinte apresenta, com atraso, a DCTF. O art. 138 do CTN não se aplica às penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Tratandose de ato puramente formal e de obrigação acessória sem relação direta com a ocorrência de fato gerador, o atraso na entrega da DCTF não encontra guarida no instituto da exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea. Inconformado com a decisão de primeira instância, o Recorrente apresenta o Recurso Voluntário de efl. 33, no qual alega, em síntese: a) que as declarações entregues com atraso estão albergadas pelo instituto da Denúncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN, eis que foram apresentadas antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização; b) que a multa não poderia ser cobrada de forma cumulativa, isto é, uma para cada trimestre no qual ficou constatado o atraso na entrega da declaração, apresentando jurisprudência que, entende, corrobora sua alegação segundo a qual seria indevido o somatório das multas; c) que não tinha a obrigação legal de (sic) "entregar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, relativas aos trimestres dos anos de 2003 e 2004, pois sempre foi microempresa e encontravase devidamente enquadrada no SIMPLES." É o Relatório. Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13827.001396/200715 Acórdão n.º 1002000.165 S1C0T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator Conforme se demonstrará a seguir, o Recurso é intempestivo e, portanto, dele não se toma conhecimento. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias o prazo para interposição do Recurso Voluntário contra decisão de DRJ Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, a contar da ciência da decisão: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A Regra Geral de contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal Federal é estabelecida pelo art. 5º, do Decreto nº 70.235/72: Art. 5º: Os prazos serão contínuos, excluindose, na sua contagem, o dia de início e incluindose o dia do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Considerando que o Recorrente tomou ciência da decisão da DRJ no dia 03/09/2009 (efl. 30) e apresentou seu recurso voluntário somente no dia 14/10/2009 (efl. 33), observase que o Recurso Voluntário é manifestamente intempestivo e não deve ser conhecido por este colegiado, tornandose definitiva a decisão de primeira instância no âmbito administrativo, a teor do que dispõe o artigo 42 do Decreto n° 70.235/1972: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...] Cabe ressaltar que foi lavrado Termo de Perempção pela Unidade de Origem atestando a intempestividade (efl. 31) e que o processo foi enviado a este CARF por força do comando do artigo 35 do já mencionado Decreto: Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Fl. 44DF CARF MF 4 Assim, descumprido o pressuposto de admissibilidade previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário por considerálo intempestivo. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 45DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.923844/2011-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2004
VALIDADE DA INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. CIÊNCIA.
De acordo com a Súmula CARF nº 9 considera-se válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.377
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2004 VALIDADE DA INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. CIÊNCIA. De acordo com a Súmula CARF nº 9 considera-se válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/01/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente PLÁSTICOS MACHINI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2004 VALIDADE DA INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. CIÊNCIA. De acordo com a Súmula CARF nº 9 considerase válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 38 44 /2 01 1- 87 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.923844/201187 Acórdão n.º 3301004.377 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 02052.716, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade, não conhecendo do direito creditório postulado e não homologando a compensação em litígio. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou manifestação de inconformidade, tendo indicado endereço para onde deverão ser enviadas todas as notificações e intimações referentes ao presente processo. Também aduziu que o débito decorrente da não homologação da compensação está com a sua exigibilidade suspensa, consoante legislação especificada, alegando ainda, em síntese: "Em preliminar, argumenta que recebeu o despacho decisório questionado, mas o Aviso de Recebimento (AR) não foi juntado aos autos, como instrumento de prova, pelo fato de a Receita Federal não entregar cópia do documento em tempo hábil, apesar de solicitado pelo manifestante. Requer a anexação do termo de assinatura do AR pelos motivos que passa a discorrer. Alega que o despacho decisório teria sido recebido por pessoa não autorizada para recebimento da sua correspondência e que apenas o sócio, o representante legal da empresa ou qualquer pessoa legitimada poderiam ter recebido a correspondência que trata de intimação com aviso de recebimento. Transcreve doutrina relativa ao Código de Processo Civil que sustenta que as citações de pessoas jurídicas devem ser feitas aos seus representantes designados nos estatutos. No processo administrativo, expõe, as intimações devem ser realizadas de modo a garantir a ciência do interessado. Dada a importância da citação inicial e das repercussões de tal ato na lide e com vistas a garantir o pleno exercício do direito ao contraditório, conclui que, no caso de pessoas jurídicas, ela seja feita ao representante legal. Em não sendo observada a formalidade defendida, pugna pela nulidade dos atos processuais por cerceamento ao direito de defesa. Defende que os princípios da verdade material e da legalidade impõem à Administração rever seus atos contrários ao ordenamento jurídico, o que a leva a requerer a anulação da notificação do despacho decisório. Na possibilidade de que não ser acolhida a preliminar suscitada, passa a discorrer sobre o mérito da compensação. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.923844/201187 Acórdão n.º 3301004.377 S3C3T1 Fl. 4 3 Nas questões de fato, alega que efetuou compensação em conformidade com o disposto no artigo 66 da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991, tendo feito menção ainda ao Código Tributário Nacional (CTN) e às instruções normativas que regularam a matéria. O sistema, na hipótese de crédito proveniente de decisão judicial, apenas aceita a compensação se corretamente informada a data do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito creditório. Entende ser descabida tal exigência, na medida em que as compensações são realizadas dentro da sistemática do lançamento por homologação, na qual o contribuinte apura por sua conta e risco o valor devido ao Fisco. Argui que o processo eletrônico a impede de esclarecer a origem do crédito (“declaração expressa de inconstitucionalidade do STF”) e de exercer seu direito constitucional de petição, a qual somente pode ser providenciada com a interposição da manifestação de inconformidade. Na parte que trata dos fundamentos legais, assevera que recolheu a Cofins na forma prevista pela Lei no 9.718, de 1998, a qual majorou a alíquota do tributo de 2% para 3%, inconstitucionalmente a seu ver, pois a Lei Complementar no 70, de 1991, previa a alíquota de 2%. Assim, se viu obrigado a recuperar os valores indevidamente recolhidos por meio da compensação. Destaca que o legislador editou a Lei Complementar 70, de 1991, que descreveu minuciosamente a regra matriz da hipótese de incidência da Cofins, sendo sua base de cálculo o faturamento. Em seguida, o Poder Executivo, por meio da Medida Provisória no 1.724, de 1998, teria alterado a base de cálculo da Cofins para receita bruta e majorado a alíquota para 3%, em afronta ao disposto no artigo 155 da Magna Carta, pois a tributação deveria recair apenas sobre o “faturamento”. Argumenta ainda que a inclusão das receitas financeiras no cálculo da Cofins somente foi permitida com a edição da Emenda Constitucional no 20, de 1998. Contudo, a Lei no 9.718, de 1998 foi editada em data anterior à emenda, e deveria ter respeitado o antigo texto do art. 195 da Constituição Federal, que não previa a cobrança de contribuições à seguridade social sobre receitas financeiras. Portanto, totalmente inconstitucional a alteração da base de cálculo da Cofins por lei ordinária, que não se convalida com a superveniência da Emenda Constitucional. Alega que a MP no 1.724, de 1998, convertida na Lei no 9.718, de 1998, que dispõe sobre a cobrança adicional de 1% da Cofins, fere o princípio da equidade na participação do custeio da seguridade social, tendo a Lei estabelecido que o acréscimo de 1% da Cofins deveria ser pago por todas as empresas, mas poderia ser compensado com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Com isso, as empresas altamente lucrativas não sofreram os efeitos do aumento da carga tributária; somente as empresas que tiveram prejuízos ou lucro baixo, como o manifestante, é que arcaram com a majoração da Cofins. Passa, na continuação, a tratar do prazo prescricional para a repetição do indébito tributário. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.923844/201187 Acórdão n.º 3301004.377 S3C3T1 Fl. 5 4 Defende que, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário se dá com a homologação, expressa ou tácita, do Fisco. Adotada esta premissa, o prazo prescricional para a recuperação de valores indevidamente recolhidos deveria ter início cinco anos após a data do efetivo pagamento (a chamada tese dos cinco mais cinco). Salienta que a empresa “efetuou a restituição do COFINS dentro do prazo prescricional” (sic), em conformidade com as jurisprudências do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Conselho de Contribuintes, tendo o manifestante dez anos para pedir de volta o que foi pago indevidamente. Assevera que, para fundamentar sua decisão, o julgador monocrático aduziu que a Lei Complementar 118/05, dispondo sobre a interpretação do inciso I do art. 168, descreveu que a extinção do credito tributário nos tributos com lançamento por homologação ocorre no pagamento, entendimento que considera equivocado, uma vez que a lei interpretativa deve esclarecer o significado de texto legal controverso, o que não foi o caso, posto que a interpretação posta foi inovadora e contrária à jurisprudência. Ao final, requer o provimento da presente manifestação de inconformidade, para o fim de reformar o Despacho Decisório. Pede ainda que seja mantida vinculada a compensação ao processo, nos moldes da MP 135/03 transformada na Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, em seu art 17, § 11, e deste modo os valores compensados estarão suspensos conforme legislação pertinente." Tendo em vista a decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário para que seja reformada a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.364, de 21 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.675899/200951, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.364): "O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0252.701, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.923844/201187 Acórdão n.º 3301004.377 S3C3T1 Fl. 6 5 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2003 VALIDADE DA INTIMAÇÃO É válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Contribuinte, por meio do ora analisado Recurso Voluntário, visa reformar o Acórdão referido por compreender que (i) há liquidez e certeza do crédito discutido; (ii) não foi respeitado o devido processo legal, no que diz respeito ao contraditório, uma vez que a notificação não foi feita na pessoa de seus sócios ou administradores; e (iii) deve ser excluído o valor devido de ICMS da base de cálculo das contribuições PIS/COFINS. Como a questão da (i) liquidez e certeza do crédito tributário tem reflexos na discussão acerca (iii) da exclusão ou não do ICMS da base de cálculo das contribuições PIS/COFINS, enfrentarseá primeiro a discussão do ponto sobre o (ii) devido processo legal e a ofensa ao contraditório no que tange a notificação, para posteriormente em conjunto tratar dos dois outros pontos. Do devido processo legal e contraditório O Contribuinte alega que houve violação ao devido processo legal, mais especificamente no seu direito ao contraditório, uma vez que a notificação não se deu na pessoa de seus sócios ou administradores, o que segundo ele, acaba por trazer a nulidade ao Despacho Decisório (fl. 2) em questão. Acerca deste argumento percebese, por meio do voto no Acórdão ora recorrido, que o Contribuinte, ciente do referido Despacho, foi capaz de apresentar sua Manifestação de Inconformidade (fls. 12 a 29) de forma tempestiva para questionar o objeto da Intimação. Cito a seguir trecho do voto do acórdão recorrido, como razões para decidir, que bem esclarece os fatos acerca da notificação e da alegada nulidade do Despacho Decisório por não respeitar o devido processo legal e contraditório (fls. 71 a 73): Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10880.923844/201187 Acórdão n.º 3301004.377 S3C3T1 Fl. 7 6 Quanto à arguição de nulidade do Despacho Decisório, uma vez que teria sido recebido por pessoa não autorizada pela empresa, cumpre destacar o que prescreve o inciso II do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: Art. 23. Farseá a intimação: [...] II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; Exige a norma legal que a entrega da intimação seja efetuada no domicílio eleito pelo sujeito passivo. Não se impõe que o sócio ou representante legal do sujeito passivo pessoa jurídica tenha diretamente recebido a intimação cientificada por via postal. Acerca do assunto em pauta, vale ressaltar também o entendimento expresso na Súmula nº 9 editada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Em consulta aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), foi possível extrair o AR correspondente à ciência do Despacho Decisório ora contestado, que comprova que o documento foi entregue no domicílio tributário do sujeito passivo à época da intimação: (...) Conforme se vê, o contribuinte, ciente do Despacho Decisório, foi capaz de apresentar, tempestivamente, sua manifestação de inconformidade, questionando o ato administrativo objeto da intimação. As argumentações apresentadas pelo manifestante demonstram que a intimação cumpriu sua finalidade de cientificálo acerca da não homologação da compensação e consequente exigência do débito que não foi extinto, concedendolhe prazo para apresentar sua contestação. Tendo sido válida a intimação e analisada a manifestação de inconformidade no presente ato, não ficou configurada nenhuma hipótese de cerceamento do direito de defesa, devendo ser afastada a tese de nulidade do Despacho Decisório. Nesse sentido, considerando que a notificação sobre o Despacho Decisório se deu de forma legal, de acordo inclusive com o previsto na Súmula CARF nº 9, sem prejuízo ao direito ao contraditório, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. Da liquidez e certeza do crédito discutido e do ICMS integrar a base de cálculo de PIS/COFINS Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.923844/201187 Acórdão n.º 3301004.377 S3C3T1 Fl. 8 7 O Contribuinte aduz que não é pressuposto para admissão da ação a definição sobre a liquidez e certeza do crédito discutido. Para tanto o Contribuinte cita o art. 170 do CTN, que, segundo ele e a doutrina colada aos autos, estabelece como requisito de liquidez e certeza se referem apenas a créditos da União e não do Contribuinte. Alega também que o valor de ICMS na sua nota fiscal é simplesmente para fins contábeis e que não devem ser incluídos na base de cálculo das contribuições PIS/COFINS, uma vez que não configura faturamento e que se caso assim fosse feriria o princípio da capacidade contributiva e teria como efeito o confisco. Em que pese os argumentos trazidos pelo Contribuinte acerca destas duas matérias, resta prejudicada a discussão acerca do ICMS integrar ou não a base de cálculo das contribuições, se não ficar demonstrado a liquidez e certeza do crédito discutido. Nesse sentido cito trechos do voto do acórdão recorrido que bem elucidam a discussão, bem como, as razões para decidir (fl. 74): (...) Para as pessoas jurídicas que se sujeitam ao regime cumulativo e apuram as contribuições com base na Lei nº 9.718, de 1998, o conceito de receita bruta deve ser entendido como proveniente das receitas oriundas da venda de mercadorias, de serviços ou da venda de mercadorias e prestação de serviços. Porém, cabe salientar que, no Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria relativamente aos processos de restituição ou compensação, por isso utilizase a existente no CPC. Em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do PER/DCOMP, de tal sorte que, se a RFB resistir à pretensão do interessado, indeferindo o pedido ou não homologando a compensação, incumbirá a ele – o contribuinte –, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Na situação dos autos, o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que, na apuração da Cofins do período analisado, incluiu receitas financeiras na base de cálculo, de forma a caracterizar o pagamento indevido ou a maior de tributo. É bom lembrar ainda que a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170), princípio este que também se aplica a pedido de restituição. Concluise, portanto, que deve a RFB indeferir o pedido ou não homologar a compensação, se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, como evidenciado no caso em comento. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.923844/201187 Acórdão n.º 3301004.377 S3C3T1 Fl. 9 8 (...) (Grifouse) Com o intuito de verificar a miúde se o Contribuinte fez prova em seu Recurso Voluntário, de que tenha feito o recolhimento a maior, cabe citar suas alegações (fls. 84 e 85): Portanto, constatase que como não foi comprovado a liquidez e certeza do crédito alegado, tanto na Impugnação, quanto no Recurso Voluntário, sendo Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10880.923844/201187 Acórdão n.º 3301004.377 S3C3T1 Fl. 10 9 requisito legal para a concessão da compensação e restituição, fica prejudicada a discussão e análise acerca do ICMS integrar ou não a base de cálculo das contribuições. Assim voto por negar provimento ao Recurso Voluntário no que tange a comprovação da liquidez e certeza do crédito e restando prejudicado a questão concernente a composição da base de cálculo da Cofins. Conclusão De acordo com os autos do processo e da legislação vigente, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, restando prejudicada a questão concernente a composição da base de cálculo do PIS/COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.905554/2012-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/08/2002
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-004.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/08/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri - Presidente. Semíramis de Oliveira Duro - Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório A Recorrente transmitiu pedido de ressarcimento, visando à restituição do crédito nele informado em razão de pagamento indevido ou a maior de Cofins, relativo ao fato gerador de 31/08/2002. A transmissão se deu em 12/03/2007. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 55 54 /2 01 2- 73 Fl. 34DF CARF MF Processo nº 10380.905554/201273 Acórdão n.º 3301004.528 S3C3T1 Fl. 35 2 A Delegacia de origem emitiu despacho decisório eletrônico no qual indeferiu o Pedido de Restituição pleiteado, diante da inexistência do crédito, nos termos do art. 165 do CTN. Em manifestação de inconformidade, aduziu o contribuinte que entre a data de transmissão do PER até a ciência do despacho decisório transcorreu prazo superior a cinco anos, o que implica na homologação tácita do ressarcimento, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 e do art. 29 da IN SRF nº 600/2005. Isso porque a ciência do despacho decisório se deu em 17/08/2012. Logo, requer a homologação tácita do pedido de ressarcimento. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, pois entendeu a 1ª Turma da DRJ/BHE, no acórdão n° 0252.319, que não há previsão legal para o pleito do contribuinte. Inconformada, a Recorrente, tempestivamente, protocolizou o recurso voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. A Recorrente apresentou pedido de ressarcimento e não pedido de compensação, logo não há falarse de homologação tácita, por inexistência de previsão legal. Dispõe o §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 que: “o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação”. Esse dispositivo legal trata de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Ressaltese que a Declaração de Compensação DCOMP e o Pedido de Restituição PER são declarações diferentes com efeitos também diversos. Como bem apontado pela DRJ, não cabe aplicar ao Pedido de Restituição a homologação tácita prevista para a Declaração de Compensação, dado que a compensação se viabiliza por via de um regime declaratório (Declaração de Compensação), enquanto que a restituição se viabiliza por um regime de requerimento (Pedido de Restituição), sendo a compensação operada e satisfeita de imediato, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, ao passo que o valor da restituição pleiteada não é entregue imediatamente ao contribuinte, havendo a necessidade de uma decisão explícita e nunca tácita da Administração Tributária. Fl. 35DF CARF MF Processo nº 10380.905554/201273 Acórdão n.º 3301004.528 S3C3T1 Fl. 36 3 Em suma, a previsão legal de homologação tácita referese tão somente ao pedido de compensação. Observese que neste processo não houve qualquer vinculação entre crédito e débito, apenas houve o pleito de ressarcimento. Assim, inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos, dessa forma, não há como se acolher o requerimento do contribuinte. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 36DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.722020/2015-84
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
ISENÇÃO DE RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE RECONHECIDA POR LAUDO MÉDICO COMPETENTE. CEGUEIRA MONOCULAR.
A legislação pertinente ao disciplinar o assunto, quando estabeleceu a isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria de contribuinte portador de cegueira, não fez qualquer menção no sentido de que apenas o portador de cegueira total fizesse jus ao benefício.
Numero da decisão: 2002-000.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 ISENÇÃO DE RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE RECONHECIDA POR LAUDO MÉDICO COMPETENTE. CEGUEIRA MONOCULAR. A legislação pertinente ao disciplinar o assunto, quando estabeleceu a isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria de contribuinte portador de cegueira, não fez qualquer menção no sentido de que apenas o portador de cegueira total fizesse jus ao benefício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
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MOLÉSTIA GRAVE RECONHECIDA POR LAUDO MÉDICO COMPETENTE. CEGUEIRA MONOCULAR. A legislação pertinente ao disciplinar o assunto, quando estabeleceu a isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria de contribuinte portador de cegueira, não fez qualquer menção no sentido de que apenas o portador de cegueira total fizesse jus ao benefício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 20 20 /2 01 5- 84 Fl. 84DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls.45/48), contra decisão de primeira instância (fls.36/39) que negou provimento a impugnação do sujeito passivo. Foi lavrado auto de infração por Omissão de Rendimentos do Trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício. A contribuinte apresentou Laudo Médico, indicando ser portador de Moléstia Grave Cegueira. Inconformada com o auto de infração, a contribuinte apresentou impugnação, requerendo a nulidade ou insubsistência do auto, por entender que é portadora de Moléstia Grave "Cegueira", e portanto, está isenta de pagar o IRPF, relativo ao provento de sua aposentadoria. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento a impugnação, para manter o auto de infração em sua integralidade, sob os seguintes argumentos: a) que a moléstia cegueira, é um olho, que no laudo médico, consta a patologia classificada como CID10, H54.4 Cegueira de um olho; b) que em obediência ao princípio da interpretação literal das normas isentivas, o conceito de cegueira (visão zero) não pode ser estendido por interpretação sistemática normativa para incluir o diagnóstico de visão monocular (cegueira legal); c) diz ainda que, as situações de perda parcial da visão podem ser relevantes para outros fins, para caracterizar a invalidez, por exemplo, ou ainda para isenção do IPI de veículos, mas não para o imposto de renda. Inconformada a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação, requerendo a insubsistência e improcedência da ação fiscal. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário, aviado a modo (fls.48) e tempo (fls.42/43), portanto dele conheço. Carece de reparos, a r. decisão revisanda, pois assim diz o Laudo Médico Pericial, acostado aos autos às fls 14, elaborado pelo Serviço Médico do Tribunal de Justiça do Estado do Pará: Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10280.722020/201584 Acórdão n.º 2002000.123 S2C0T2 Fl. 3 3 "concluiu que a patologia que a acomete, codificada no CID 10 sob o código alfanumérico: H54.4 (Cegueira em um olho), a enquadra como portadora de cegueira, elencada na Lei Federal nº 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV, alterada pelo art. 47 da Lei 8.541/1992 e pela Lei 9.250/1995 e Decreto nº 3000/1999, no seu artigo 39, inciso XXXIII". Diz a r. decisão revisanda: "Apesar da patologia "cegueira" estar inserida na legislação inciso XXXIII do art. 39 do RIR sem qualquer qualificação ou ampliação que inclua graus de perda de acuidade visual que lhe sejam equiparáveis a classificação H54.0"... O legislador tributário, ao estabelecer a isenção do IRPF sob os proventos de aposentadoria de contribuinte portador de cegueira, não fez qualquer limitação no sentido de que somente o portador de cegueira nos dois olhos faz jus ao benefício. A r. decisão primeira também é contraditória, eis que para determinada finalidade a cegueira monocular é válida, exemplo: isenção do IPI de veículos, mas não para IR. Assim, dáse provimento ao Recurso Voluntário, cancelandose a ação fiscal. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito, dáse provimento total para cancelar a ação fiscal. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.907064/2011-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
O não enfrentamento das alegações de defesa essenciais ao deslinde do litígio caracteriza cerceamento do direito de defesa e reclama a nulidade da decisão administrativa correspondente.
Numero da decisão: 3201-003.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para anular a decisão proferida pela DRJ.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RESSARCIMENTO. Recorrente ABB LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. O não enfrentamento das alegações de defesa essenciais ao deslinde do litígio caracteriza cerceamento do direito de defesa e reclama a nulidade da decisão administrativa correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para anular a decisão proferida pela DRJ. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de ressarcimento de crédito de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com fundamento na Lei 9.779, de 1999. A unidade de origem reconheceu em parte o crédito vindicado, utilizado na compensação de débitos próprios. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 70 64 /2 01 1- 70 Fl. 725DF CARF MF 2 Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento relativo ao 1º trimestre de 2009, nos termos da Lei nº 9779/99, cujo Despacho Decisório de fls. 546, reconheceu, parcialmente, o crédito solicitado no PER/DCOMP n° 09512.83614.110509.1.1.014420, em virtude de trabalho fiscal. Segundo as informações fiscais, o contribuinte deu saída de produtos de sua fabricação sem destaque do IPI, deixou de estornar créditos de IPI nas saídas de insumos a empresas não industriais e revendedoras, não destacou o IPI nas saídas de insumos a estabelecimentos industriais e revendedoras. O contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório em 12/11/2013, e irresignado apresentou sua Manifestação de Inconformidade deduzindo em sua defesa, o seguinte: 1. Superficialidade da instrução probatória com ferimento da Verdade Material e cerceamento ao direito de defesa da Requerente, o que acarreta nulidade do Despacho Decisório; 2. No mérito, que o direito creditório pleiteado está regular; 3. E que não incide o IPI, nas vendas de partes e peças utilizadas em reparos ou prestação de serviço; 4. Ilegalidade do método utilizado pela fiscalização para fazer o estorno dos créditos da requerente; O processo foi baixado para diligência em 27 de agosto de 2014, conforme Resolução de fls. , que solicitou esclarecimento sobre o seguinte: Nesse sentido, a fim de que sejam cumpridas as providências indispensáveis, voto, com fulcro no Decreto nº 70.235, de 1972, art. 18, para que o processo seja restituído à unidade de origem para a realização de diligência, que deverá confirmar, para cada produto e nota fiscal constante do Demonstrativo (1.2) – Revenda de Insumos (nac e estrangeira) Efetuadas a Empresas Industriais e Revendedoras – se tais insumos foram utilizados em alguma etapa de “industrialização” ou “revenda” no adquirente. A diligência retornou a esta DRJ com a informação de que a impugnação ao Auto de Infração de imposição de penalidade e que trata da mesma matéria e períodos de apuração foi julgada improcedente em 28/02/2014, conforme Acórdão 0950.187 3ª Turma da DRJ/JFA, tendo efetuado o recolhimento do débito, processo 16095.720185/201323. É o Relatório. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 1456.805, de 25/02/2015 (fls. 604 e ss.), assim ementado: Fl. 726DF CARF MF Processo nº 10882.907064/201170 Acórdão n.º 3201003.732 S3C2T1 Fl. 726 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 IPI. FALTA DE LANÇAMENTO. SAÍDAS DE PRODUÇÃO PRÓPRIA E REVENDA DE INSUMOS. As saídas de produção própria bem como a revenda de insumos para industrialização ou nova revenda são passíveis de tributação pelo Imposto sobre Produtos Industrializados nos termos dos artigos 8º, 9º §4º e 24 do RIPI/2002. Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 626 e ss., por meio do qual, além de requerer, por identidade de matéria, julgamento conjunto com outros processos idênticos, suscita, em síntese, os seguintes argumentos de defesa: PRELIMINARES DE NULIDADE Nulidade da decisão da DRJ A DRJ copiou os fundamentos da decisão prolatada no processo administrativo de nº 16095.720185/201323, que consubstanciou auto de infração contra o mesmo contribuinte. Todavia, as defesas apresentadas no presente processo e no citado são bem diversas, inclusive foram elaboradas por patronos distintos. Os débitos referentes ao processo nº 16095.720185/201323 foram quitados, porque perdeuse o prazo para a interposição do recurso, mas isso em nada se relaciona com a materialidade dos fatos jurídicotributários que são objeto destes autos. Deveria ter a DRJ enfrentado todos os argumentos. Houve cerceamento do direito de defesa. Nulidade do Despacho Decisório O Despacho Decisório é nulo, em face da superficialidade das informações necessárias para a sua adequada decisão, o que fere o princípio da verdade material. O não reconhecimento de parte dos créditos devese à apuração de débitos em valor superior aos por ela apurados e à glosa de créditos referentes a estornos não realizados. Todavia, analisado o documento intitulado "Análise do Crédito", verificase uma completa superficialidade das alegações da fiscalização. Não houve explicação individualizada dos itens que o compõem. A fiscalização não se atentou para diversas situações em que não ocorre o fato gerador do IPI: a) saídas de insumos para utilização em conserto, manutenção ou reparo; b) revenda de insumos a não industriais ou a não revendedores. MÉRITO A fiscalização afirma que se deu saída, sem o destaque do IPI, de produtos de fabricação própria e de insumos (matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem) nacionais e importados a pessoas jurídicas revendedoras ou industriais. Não se atentou, contudo, que muitos desses produtos foram utilizados como insumos na manutenção e reparo, de modo que não poderiam ter sido tributados pelo IPI. Não é qualquer saída que autoriza a cobrança do imposto, mas aquela a que se realiza com a intenção de venda. No caso em que utilizou os insumos ou produtos industrializados na prestação de serviços de conserto, manutenção ou reparo, nunca teve a intenção de vendêlos, mas apenas Fl. 727DF CARF MF 4 de prestar o serviço (reproduz o art. 5º, XI, do RIPI/2010, e cita os Acórdãos nº 3202002.236 e 20215.523). A fiscalização não comprovou que as pessoas jurídicas compradoras dos insumos vendidos seriam revendedores ou industriais, o que, por si só, já é motivo de nulidade do Despacho Decisório. A fiscalização não separou as pessoas jurídicas adquirentes que são revendedores ou industriais das que não seriam (cita alguns exemplos de adquirentes de insumos que nunca revenderam ou os utilizaram nos seus processos industriais). Cita, por exemplo, a nota fiscal de nº 60004, que se refere a uma chave seccionadora 145 KV 2000A, que, obviamente, não foi utilizada no processo industrial da adquirente (produção de açúcar). A fiscalização utilizouse da mesma mercadoria para imputar duas infrações (cita a nota fiscal de nº 58535, que se refere a uma chave comutadora PS15120M, que se teria considerado como revenda de mercadoria a revendedores ou industriais e, ao mesmo tempo, como revenda de mercadoria a NÃO revendedores ou industriais A fiscalização afirma que não foram estornados créditos quando da revenda de mercadorias a não revendedores e industriais, fato que foi levantado a partir da análise das notas fiscais de entrada e saída. Todavia, poderia ter solicitado documentos contábeis, como Livros Razão e de Apuração do IPI. A fiscalização afirmou que considerou para o estorno o valor do crédito destacado na nota fiscal de entrada mais próxima da nota fiscal de saída, ou das notas fiscais mais próxima, considerando a quantidade vendida. Não foram questionados critérios de contabilização de custos. Agiuse com verdadeira presunção. Deverseia ter ao menos adotado o critério de controle de estoques adotado pela empresa, que é da média ponderada, tal como declarado na DIPJ. O arbitramento do valor dos estoques é medida extrema (cita Acórdão nº 10707.694). O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente requer, inicialmente, o julgamento conjunto deste processos com outros idênticos, entre os quais o de nº 10882.907069/201101, ainda não distribuído. Não obstante a sua não distribuição conjunta mediante sorteio, não há, com efeito, prejudicialidade para o julgamento dos indicados para a pauta, pelo que é de se indeferir o pleito. No que respeita ao litígio, a Recorrente apresentou PER/DCOMPs por meio dos quais requereu, com fundamento no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, o ressarcimento de créditos de IPI com origem no 4º trimestre de 2008 ao 3º trimestre de 2010. Tal como informado nos respectivos Despachos Decisórios, os valores foram parcialmente reconhecidos, em face dos seguintes motivos: a) constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado; b) ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos e c) redução do saldo credor do trimestre passível de ressarcimento, em decorrência dos débitos apurados em procedimento fiscal. Na ocasião, a fiscalização também lavrou auto de infração, exigindo multa de ofício isolada por falta de lançamento do imposto, com cobertura de crédito, nas notas fiscais Fl. 728DF CARF MF Processo nº 10882.907064/201170 Acórdão n.º 3201003.732 S3C2T1 Fl. 727 5 respectivas. Os Despachos Decisórios foram mantidos pela DRJ, assim como mantida foi a autuação. A Recorrente, contudo, embora intimada, não apresentou recurso voluntário nos autos do processo administrativo de nº 16095.720185/201323 (o auto de infração), de modo que os valores lançados de ofício tornaramse definitivos (conforme ela mesma afirmou, já foram, inclusive, quitados). A DRJ transcreveu os fundamentos do voto condutor do Acórdão DRJ/JFA nº 0950.187, de 28/02/2014, e os adotou como razão de decidir. Afinal, os fatos são exatamente os mesmos. Em resumo, a falta de destaque do IPI nas saídas de produtos com alíquota positiva na TIPI ou nas saídas de insumos nacionais e importados a estabelecimentos industriais ou revendedores, bem como a não anulação do crédito do imposto na revenda de insumos a estabelecimentos não industriais ou não revendedores. Refeita a apuração do IPI em face da constatação desses fatos, é que se lavrou o auto de infração. Todavia, não se atentou a DRJ para o fato de que as defesas apresentadas no processo nº 16095.720185/201323 e nos processos que consubstanciam os pedidos de ressarcimento suscitam alegações diversas (foram, inclusive, apresentadas por escritórios de advocacia também diversos), que, assim, não foram enfrentadas nas decisões proferidas nos processos de ressarcimento, como o ora em julgamento, fato que, a nosso juízo, caracteriza cerceamento do direito de defesa da Recorrente e reclama a anulação da decisão, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972. Referimonos, por exemplo, à alegação de que algumas das notas fiscais utilizadas pela fiscalização para comprovar as vendas de mercadorias recebidas ou adquiridas de terceiro referemse, na realidade, a uma prestação de serviços de reparo, conforme indicam as informações registradas nas acostadas à manifestação de inconformidade: a) nota fiscal nº 60404, com CFOP 6102, mas que, nos campos "Dados Adicionais" e "Descrição dos Produtos", traz a informação de tratarse a operação de um reparo; b) nota fiscal nº 60620, com CFOP 5102, que traz as mesmas informações registradas na anterior. Não sabemos se os valores correspondentes a tais notas fiscais foram ou não consideradas pela fiscalização. Porém, mesmo que acessássemos o processo que consubstanciou o auto de infração para verificálo, não se poderia suprimir uma instância administrativa, o que findaria por ocorrer se aqui, depois de fazêlo, decidíssemos a respeito, inclusive quanto às demais alegações de defesa. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para ANULAR a decisão pela DRJ, a fim de que outra seja proferida, para a qual devem ser consideradas todas as alegações encartadas na manifestação de inconformidade. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 729DF CARF MF 6 Fl. 730DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11075.000022/2006-16
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Data do Fato Gerador: 01/01/2003
ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. SERVIÇOS ELÉTRICOS, HIDRÁULICOS E DE PEDREIRO. ATIVIDADE DE ENGENHEIRO NÃO CONFIGURADA. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA NÃO OBSERVADA. ÔNUS DA PROVA.
A jurisprudência do CARF é firme no sentido de que a vedação de opção pelo SIMPLES do inciso XIII do art. 9.º da Lei n.º 9.317, de 1996, abrange serviços prestados por profissionais cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida, e não por trabalhadores que prescinde de maior qualificação profissional.
Não é possível se concluir que a atividade de prestação de serviços em elétrica e hidráulica seja executada por engenheiros, podendo ser realizada por profissionais sem qualificação técnica, como eletricistas e encanadores.
É ônus da autoridade fiscal que pretende excluir a empresa do SIMPLES demonstrar que ela presta serviços próprios de engenheiros, não bastando o singelo argumento de que adotou código de atividade econômica incompatível, em especial quando esse código é genérico e não vinculado à profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida.
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 146 DO CTN. SEGURANÇA JURÍDICA. PROTEÇÃO DA CONFIANÇA.
O julgamento de primeira instância não pode modificar o critério jurídico utilizado no ato declaratório de exclusão do Simples pela autoridade da administração tributária. A utilização, nas razões de decidir, de outro critério para a exclusão, diferente daquele originalmente utilizado no ato declaratório, configura-se como mudança de critério jurídico, sendo vedada a alteração.
Recurso Voluntário Provido
Sem crédito em Litígio
Numero da decisão: 1002-000.213
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: 00962070432 - CPF não encontrado.
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Data do Fato Gerador: 01/01/2003 ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. SERVIÇOS ELÉTRICOS, HIDRÁULICOS E DE PEDREIRO. ATIVIDADE DE ENGENHEIRO NÃO CONFIGURADA. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA NÃO OBSERVADA. ÔNUS DA PROVA. A jurisprudência do CARF é firme no sentido de que a vedação de opção pelo SIMPLES do inciso XIII do art. 9.º da Lei n.º 9.317, de 1996, abrange serviços prestados por profissionais cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida, e não por trabalhadores que prescinde de maior qualificação profissional. Não é possível se concluir que a atividade de prestação de serviços em elétrica e hidráulica seja executada por engenheiros, podendo ser realizada por profissionais sem qualificação técnica, como eletricistas e encanadores. É ônus da autoridade fiscal que pretende excluir a empresa do SIMPLES demonstrar que ela presta serviços próprios de engenheiros, não bastando o singelo argumento de que adotou código de atividade econômica incompatível, em especial quando esse código é genérico e não vinculado à profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 146 DO CTN. SEGURANÇA JURÍDICA. PROTEÇÃO DA CONFIANÇA. O julgamento de primeira instância não pode modificar o critério jurídico utilizado no ato declaratório de exclusão do Simples pela autoridade da administração tributária. A utilização, nas razões de decidir, de outro critério para a exclusão, diferente daquele originalmente utilizado no ato declaratório, configura-se como mudança de critério jurídico, sendo vedada a alteração. Recurso Voluntário Provido Sem crédito em Litígio
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2183; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 60 1 59 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11075.000022/200616 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.213 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 05 de junho de 2018 Matéria Simples Exclusão Recorrente JOSÉ CARLOS REZER FERNANDES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do Fato Gerador: 01/01/2003 ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. SERVIÇOS ELÉTRICOS, HIDRÁULICOS E DE PEDREIRO. ATIVIDADE DE ENGENHEIRO NÃO CONFIGURADA. CESSÃO DE MÃODEOBRA NÃO OBSERVADA. ÔNUS DA PROVA. A jurisprudência do CARF é firme no sentido de que a vedação de opção pelo SIMPLES do inciso XIII do art. 9.º da Lei n.º 9.317, de 1996, abrange serviços prestados por profissionais cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida, e não por trabalhadores que prescinde de maior qualificação profissional. Não é possível se concluir que a atividade de prestação de serviços em elétrica e hidráulica seja executada por engenheiros, podendo ser realizada por profissionais sem qualificação técnica, como eletricistas e encanadores. É ônus da autoridade fiscal que pretende excluir a empresa do SIMPLES demonstrar que ela presta serviços próprios de engenheiros, não bastando o singelo argumento de que adotou código de atividade econômica incompatível, em especial quando esse código é genérico e não vinculado à profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 146 DO CTN. SEGURANÇA JURÍDICA. PROTEÇÃO DA CONFIANÇA. O julgamento de primeira instância não pode modificar o critério jurídico utilizado no ato declaratório de exclusão do Simples pela autoridade da administração tributária. A utilização, nas razões de decidir, de outro critério para a exclusão, diferente daquele originalmente utilizado no ato declaratório, configurase como mudança de critério jurídico, sendo vedada a alteração. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 00 00 22 /2 00 6- 16 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 11075.000022/200616 Acórdão n.º 1002000.213 S1C0T2 Fl. 61 2 Recurso Voluntário Provido Sem crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 54/57) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 46/52), proferida em sessão de 07/08/2009, consubstanciada no Acórdão n.º 1811.153, da 2.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria/RS (DRJ/STM), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade (efls. 54/58) que pretendia desconstituir o Ato Declaratório Executivo DRF em Uruguaiana/RS n.º 12, de 13 de abril de 2006 (efl. 36), que excluiu a contribuinte do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples, com efeitos a partir de 10 de julho de 2002, por exercício de atividades vedadas, quais sejam, 74500/02 Locação de mãodeobra em eletricidade, 4541 1/01 Serviço de eletricidade e 45438/01 Serviço de hidráulica, nos termos do artigo 9.º, inciso XII, alínea "f", XIII, da Lei nº 9.317/1996, tendo sido assim ementada a decisão vergastada: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 VEDAÇÃO À OPÇÃO PELO SIMPLES. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 11075.000022/200616 Acórdão n.º 1002000.213 S1C0T2 Fl. 62 3 Pessoa jurídica que se dedique à construção de imóveis não poderá optar pelo Simples. A atividade de construção de imóveis abrange as obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, tais como: a construção, demolição, reforma e ampliação de edificações, pintura, carpintaria, instalações elétricas e hidráulicas, aplicações de tacos e azulejos, colocação de vidros e esquadrias e quaisquer outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. EXCLUSÃO. EFEITOS. Para as pessoas jurídicas que se dediquem à construção de imóveis ou serviços auxiliares e complementares da construção civil, atividades que vedam a opção pelo Simples, que tenham optado pelo sistema após 27 de julho de 2001, o efeito da exclusão darseá a partir do mês subseqüente àquele em que incorrida a situação excludente Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Sem Crédito em Litígio Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Inicialmente houve Representação Administrativa do INSS — Instituto Nacional do Seguro Social (fls. 01 e 03), instruída com originais e/ou cópias de documentos de folhas 04 a 07, pela constatação de que a empresa teria prestado "serviços de pinturas em paredes e reparos de calçadas, ou seja, serviços de conservação de imóveis", o que estaria comprovado pela cópia da nota fiscal que anexou. A autoridade fiscal instruiu os autos com originais e/ou cópias de documentos (fls. 08 a 22). Então foi emitido o Parecer DRF/URA/Sacat n.º 001/2006 (fls. 23 a 27), propondo a exclusão da interessada do Simples por exercer atividades econômicas vedadas: a) Locação de mãodeobra em eletricidade; b) Serviços em eletricidade; c) Serviços hidráulicos. Esse Parecer n.º 001/2006 foi aprovado pelo Despacho Decisório DRF/URA, de 04/01/2006 (fl. 27). Então a empresa foi excluída do Sistema Integrado de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES conforme Ato Declaratório Executivo n.º 12, de 13/04/2006 (fl. 30), com efeitos a partir de 10/07/2002, pelo exercício das atividades econômicas vedadas, acima referidas. A interessada tomou ciência da exclusão, em 02/05/2006, conforme Aviso de Recebimento AR que consta à folha 32. Apresentou sua manifestação de inconformidade (impugnação), em 23/05/2006, conforme consta às folhas 33 a 35, instruída com cópias e/ou originais de documentos de folhas 36 a 38, argumentando, em síntese, como segue: argumenta que ao optar pelo Simples apresentou todos os documentos requeridos e teve deferida sua opção em 10/07/2002; Fl. 62DF CARF MF Processo nº 11075.000022/200616 Acórdão n.º 1002000.213 S1C0T2 Fl. 63 4 diz que após o deferimento da opção continuou a exercer as mesmas atividades, apresentando suas declarações pelo sistema simplificado e recolhendo seus tributos por essa sistemática; questiona como poderia ser excluído do Simples, com efeitos retroativos, após ter sua opção aprovada pela Receita Federal; diz que se trata de empresa muito pequena, impossibilitada de suportar o ônus decorrente da exclusão do Simples; argumenta que não presta serviços de locação de mãode obra; destaca que não agiu de máfé, entendendo estar em situação regular; cita ementas de decisões judiciais sobre exclusões do Simples, não aceitas, entre as quais uma negando efeitos retroativos à exclusão (TRF 3ª R. AG. 2004.03.00.0736871); Requer seja mantido como optante pelo Simples. A tese de defesa foi acolhida em parte pela DRJ, apenas com a mudança da data da exclusão. Primeiro, o juízo de piso ponderou que a opção pelo Simples é responsabilidade exclusiva da empresa optante, sendo sujeita a fiscalização posterior e, caso a autoridade fiscal verifique que a opção é indevida, ela tem o poder/dever de proceder a exclusão da empresa da sistemática. Segundo, ponderou que a jurisprudência administrativa e judicial mencionadas tem efeito apenas entre as partes, não alcançando estes autos, não sendo as decisões de efeito vinculante. Terceiro, diz que o tratamento diferenciado, simplificado e favorecido do Simples pode ser usufruído, desde que atenda as exigências legais e dentre as condições encontrase a vedação a prestação de serviços profissionais elencados no art. 9.º, inciso V, § 4.º, da Lei n.º 9.317, de 1996, isto é, execução de obras de construção civil. Quarto, com relação às atividades de execução de obras de construção civil, afirma que o Ato Declaratório Normativo Cosit n.º 30, de 14 de novembro de 1999, estabeleceu que a vedação abrange as obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, tais como, pintura, instalações elétricas e hidráulicas e quaisquer outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. Quinto, pontuou que a empresa prestou serviços de instalações elétricas e hidráulicas, bem como serviços de pinturas em paredes e reparos de calçadas, restando caracterizada a realização de obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, o que impede a opção pelo Simples. Sexto, mudando a data da exclusão, consigna que não consta dos autos a data em que se aferiu receitas de atividades vedadas, pelo que se pressupõe a data mais favorável ao se ter ciência que foi no ano de 2002, isto é, considerase 31/12/2002 como data da ocorrência da situação excludente, pelo que o efeito da exclusão se dá em 1.º de janeiro de 2003, pois os efeitos da exclusão devem surgir a partir do mês subseqüente àquele em que incorrida a situação excludente, na forma do inciso II do artigo 24 da Instrução Normativa SRF n.º 355, de 29 de agosto de 2003. Deste modo, inconformado com a decisão a quo, sobreveio recurso voluntário no qual, em resumo reiterou os termos da impugnação. Disse que teve seu pedido de opção no Simples deferido em 10/07/2002, de modo que a decisão da DRJ/STM é equivocada. Isto porque, a responsabilidade pelo enquadramento seria da Receita Federal, cabendo ao contribuinte apenas a opção. Desta forma, após análise do órgão e consequente deferimento de enquadramento, o contribuinte não poderia ser penalizado. Diz que, atualmente, todas atividades exercidas pela empresa são tributáveis pelo Simples Nacional que substituiu o Simples (Simples Federal). Afirma que a exclusão foi retroativa, mas, por analogia e amparado Fl. 63DF CARF MF Processo nº 11075.000022/200616 Acórdão n.º 1002000.213 S1C0T2 Fl. 64 5 nos princípios gerais norteadores do direito, estando com o objetivo social de acordo com a nova lei do Simples Nacional a mesma deveria retroagir para beneficiálo. Reivindica a observância do fim social. Sustenta que a atividade principal de prestação de serviços em eletricidade e hidráulica é exercida pelo próprio titular, não possuindo empregados. Cita jurisprudências. Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 06/10/2009, efl. 53, e protocolo em 05/11/2009, efl. 54), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Isto porque, trata de exclusão do Simples, desvinculado do crédito tributário. Eventual crédito tributário não é exigido nestes autos, bem como não visualizo qualquer critério que justifique a vinculação destes autos a eventual processo de exigibilidade do crédito tributário, não verificando a aplicação de quaisquer das formas de vinculação constantes do art. 6.º, § 1.º, do Anexo II, do RICARF. Sendo assim, a competência é desta Colenda Turma Extraordinária por cuidar os autos de exclusão do Simples, desvinculado de exigência de crédito tributário, a indicar a aplicação do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, dele conheço. Mérito Quanto ao mérito, entendo que assiste razão ao recorrente. Inicialmente, vejase que o Ato Declaratório Executivo n.º 12, de 13 de abril de 2006 (efl. 36), que excluiu o contribuinte do Simples, tem por fundamento o exercício de atividades vedadas relativas a: 74500/02 Locação de mãodeobra em Fl. 64DF CARF MF Processo nº 11075.000022/200616 Acórdão n.º 1002000.213 S1C0T2 Fl. 65 6 eletricidade, 45411/01 Serviço de eletricidade, 45438/01 Serviço de hidráulica. O fundamento jurídico é o artigo 9.º, XII, alínea "f", XIII, da Lei n.º 9.317/1996. Pois bem. Não observo nos autos provas de que houve o exercício de atividade vedada de locação de mãodeobra ou serviços de atividades regulamentada, como atividades de engenheiro. Por sua vez, em contra fluxo, a DRJ fundamentou sua decisão no 9.º, inciso V, § 4.º, da Lei n.º 9.317, de 1996, isto é, na execução de obras de construção civil, inclusive tendo invocado o Ato Declaratório Normativo Cosit n.º 30, de 14 de novembro de 1999, que estabeleceu que a vedação abrange as obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil. Desta feita, penso que a DRJ tentou "reclassificar" os fundamentos da exclusão, objetivando modificar o critério jurídico, com nova valoração jurídica dos fatos, alterando a qualificação jurídica adotada no ato de exclusão, com mudança no enquadramento legal do fato, o que não entendo como permitido ao órgão julgador, pois estava vinculado ao critério jurídico adotado no Ato Declaratório Executivo n.º 12, de 13 de abril de 2006 (efl. 36), que excluiu o contribuinte do Simples. A adoção de critérios novos para a manutenção do lançamento, em conteúdo diverso daquele inicialmente utilizado, importa em efetiva nulidade da atuação das autoridades julgadoras, acarretando, assim, a sua invalidade. Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento. Entretanto, considerando a possibilidade de julgamento do feito de maneira favorável à contribuinte, segundo a inteligência contida nas disposições do Art. 59, § 3º do Decreto 70.235/72, afastase a nulidade apontada, apreciandose o mérito da causa. (Acórdão n.º 1301001.436 – 3.ª Câmara / 1.ª Turma Ordinária – Sessão de 12 de março de 2014). Acerca de referida temática importante destacar trechos do Recurso Repetitivo no STJ REsp n.º 1.130.545/RJ, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 09/08/2010, DJe 22/02/2011, ipsis litteris: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO E PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. (...). (...) 6. Ao revés, nas hipóteses de erro de direito (equívoco na valoração jurídica dos fatos), o ato administrativo de lançamento tributário revelase imodificável, máxime em virtude do princípio da proteção à confiança, encartado no artigo 146, do CTN, segundo o qual "a modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução". Fl. 65DF CARF MF Processo nº 11075.000022/200616 Acórdão n.º 1002000.213 S1C0T2 Fl. 66 7 7. Nesse segmento, é que a Súmula 227/TFR consolidou o entendimento de que "a mudança de critério jurídico adotado pelo Fisco não autoriza a revisão de lançamento". 8. A distinção entre o "erro de fato" (que autoriza a revisão do lançamento) e o "erro de direito" (hipótese que inviabiliza a revisão) é enfrentada pela doutrina, verbis: "Enquanto o 'erro de fato' é um problema intranormativo, um desajuste interno na estrutura do enunciado, o 'erro de direito' é vício de feição internormativa, um descompasso entre a norma geral e abstrata e a individual e concreta. Assim constitui 'erro de fato', por exemplo, a contingência de o evento ter ocorrido no território do Município 'X', mas estar consignado como tendo acontecido no Município 'Y' (erro de fato localizado no critério espacial), ou, ainda, quando a base de cálculo registrada para efeito do IPTU foi o valor do imóvel vizinho (erro de fato verificado no elemento quantitativo). 'Erro de direito', por sua vez, está configurado, exemplificativamente, quando a autoridade administrativa, em vez de exigir o ITR do proprietário do imóvel rural, entende que o sujeito passivo pode ser o arrendatário, ou quando, ao lavrar o lançamento relativo à contribuição social incidente sobre o lucro, mal interpreta a lei, elaborando seus cálculos com base no faturamento da empresa, ou, ainda, quando a base de cálculo de certo imposto é o valor da operação, acrescido do frete, mas o agente, ao lavrar o ato de lançamento, registra apenas o valor da operação, por assim entender a previsão legal. A distinção entre ambos é sutil, mas incisiva." (Paulo de Barros Carvalho, in "Direito Tributário Linguagem e Método", 2ª Ed., Ed. Noeses, São Paulo, 2008, págs. 445/446) "O erro de fato ou erro sobre o fato darseia no plano dos acontecimentos: dar por ocorrido o que não ocorreu. Valorar fato diverso daquele implicado na controvérsia ou no tema sob inspeção. O erro de direito seria, à sua vez, decorrente da escolha equivocada de um módulo normativo inservível ou não mais aplicável à regência da questão que estivesse sendo juridicamente considerada. Entre nós, os critérios jurídicos (art. 146, do CTN) reiteradamente aplicados pela Administração na feitura de lançamentos têm conteúdo de precedente obrigatório. Significa que tais critérios podem ser alterados em razão de decisão judicial ou administrativa, mas a aplicação dos novos critérios somente pode darse em relação aos fatos geradores posteriores à alteração." (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in "Curso de Direito Tributário Brasileiro", 10ª Ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2009, pág. 708) "O comando dispõe sobre a apreciação de fato não conhecido ou não provado à época do lançamento anterior. Dizse que este lançamento teria sido perpetrado com erro de fato, ou seja, defeito que não depende de interpretação normativa para sua verificação. Frisese que não se trata de qualquer 'fato', mas aquele que não foi considerado por puro desconhecimento de sua Fl. 66DF CARF MF Processo nº 11075.000022/200616 Acórdão n.º 1002000.213 S1C0T2 Fl. 67 8 existência. Não é, portanto, aquele fato, já de conhecimento do Fisco, em sua inteireza, e, por reputálo despido de relevância, tenhao deixado de lado, no momento do lançamento. Se o Fisco passa, em momento ulterior, a dar a um fato conhecido uma 'relevância jurídica', a qual não lhe havia dado, em momento pretérito, não será caso de apreciação de fato novo, mas de pura modificação do critério jurídico adotado no lançamento anterior, com fulcro no artigo 146, do CTN, (...). Neste art. 146, do CTN, prevêse um 'erro' de valoração jurídica do fato (o tal 'erro de direito'), que impõe a modificação quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua ocorrência. Não perca de vista, aliás, que inexiste previsão de erro de direito, entre as hipóteses do art. 149, como causa permissiva de revisão de lançamento anterior." (Eduardo Sabbag, in "Manual de Direito Tributário", 1ª ed., Ed. Saraiva, pág. 707). (...) 10. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1130545/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/08/2010, DJe 22/02/2011) Portanto, não pode haver mudanças no critério jurídico do ato de exclusão (não se deve considerar que a exclusão tenha por base execução de obras de construção civil ou serviços auxiliares ou complementares), de forma que devese partir unicamente da premissa de que a exclusão é fundamentada em locação de mãodeobra ou em atividades assemelhadas a engenharia, conforme consta no Ato Declaratório Executivo n.º 12, de 13 de abril de 2006 (efl. 36), que excluiu o contribuinte do Simples. Sendo assim, percebo que não há provas nos autos para sustentar tais teses de locação de mãodeobra e serviços de engenharia. Isto porque, vêse nos autos que os relatos são de que o próprio contribuinte exercia as atividades, as quais eram de eletricista, encanador e, eventualmente, de pedreiro, que não se assemelham a locação ou cessão de mãodeobra, nem tampouco as atividades de engenharia, profissão regulamentada. Para casos similares de atividades mais básicas do que as de engenharia, houve, inclusive, a elaboração da Súmula CARF n.º 57 enunciando que: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. No Acórdão n.º 1102000.932, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 12 e setembro de 2013, no CARF, em caso similar, decidiuse, por unanimidade, cancelar ato declaratório de exclusão do Simples dando provimento ao recurso, sendo a ementa: Fl. 67DF CARF MF Processo nº 11075.000022/200616 Acórdão n.º 1002000.213 S1C0T2 Fl. 68 9 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES. SERVIÇOS ELÉTRICOS E HIDRÁULICOS. ATIVIDADE DE ENGENHEIRO OU DE ELETRICISTA E ENCANADOR. ÔNUS DA PROVA. A jurisprudência do CARF é firme no sentido de que a vedação de opção pelo SIMPLES do inciso XIII do art. 9.º da Lei n.º 9.317, de 1996, abrange serviços prestados por profissionais cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida, e não por trabalhadores de mais baixa qualificação. Nesse sentido, foi editada a Súmula CARF n.º 57, que determina que 'a prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal'. Não é possível se concluir que a atividade de prestação de serviços em elétrica e hidráulica sempre é executada por engenheiros, podendo ser realizada por profissionais de mais baixa qualificação, como eletricistas e encanadores. É ônus da autoridade fiscal que pretende excluir a empresa do SIMPLES demonstrar que ela presta serviços próprios de engenheiros, não bastando o singelo argumento de que adotou código de atividade econômica incompatível, em especial quando esse código é genérico e não vinculado à profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. Hipótese em que se pretende excluir do SIMPLES empresa que adotou o CNAE Fiscal 4541100 (Instalação e manutenção elétrica em edificações, inclusive elevadores, escadas, esteiras rolantes e antenas) e que indicava em seu contrato social a prestação de serviços em elétrica e hidráulica, sem quaisquer provas de que os serviços eram prestados por engenheiros. Recurso Voluntário Provido. Por sua vez, no Acórdão n.º 39300.077, Terceira Turma Especial, do Terceiro Conselho de Contribuintes, sessão de 19 e novembro de 2008, decidiuse na forma da seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2001 SIMPLES. NÃO EXCLUSÃO. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO HIDRÁULICA, SANITÁRIA E DE GÁS. A prestação de serviços de instalação hidráulica, sanitária e de gás não é própria da atividade de engenheiro, portanto, Fl. 68DF CARF MF Processo nº 11075.000022/200616 Acórdão n.º 1002000.213 S1C0T2 Fl. 69 10 não se enquadra na condição impeditiva prevista no art. 9.º, inciso XIII da Lei n.º 9.317/96. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Noutro giro, no Acórdão n.º 30331.978, Terceira Câmara, do Terceiro Conselho de Contribuintes, sessão de 13 e abril de 2005, decidiuse, por unanimidade, conforme ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO DESMOTIVADA. Carece de legitimidade a exclusão de pessoa jurídica do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples) quando comprovada a inexistência do fato motivador do evento. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Desta forma, concluo que o ato de exclusão do Simples deve ser cancelado. Logo, considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela reforma do julgamento da DRJ. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe dar provimento, reformando integralmente a decisão recorrida para cancelar o ato declaratório de exclusão. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 69DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.724851/2014-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009
Ementa:
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. FATO GERADOR.
Considera-se ocorrido o fato gerador no momento em que for firmado incondicionalmente contrato particular de compra e venda de imóvel, apurando-se e tributando-se, então, o resultado da operação quanto a IRPJ e CSLL.
EMPRESA VEÍCULO. SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA.
A sucessão de eventos modificativos de controle societário em um mesmo grupo empresarial sem qualquer finalidade negocial que resulte em incorporação de pessoa jurídica em cuja contabilidade constava registro de ágio, com utilização de empresa veículo, caracteriza simulação montada para o fim exclusivo de economia tributária, o que autoriza o lançamento de ofício com imposição de multa qualificada em razão do intuito de fraude demonstrado.
SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO. MULTA. RESPONSABILIDADE.
Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico (Súmula STJ n° 554).
Numero da decisão: 1302-002.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido os Conselheiros Jose Roberto Adelino da Silva e Breno do Carmo Moreira Viera que votaram por cancelar a multa qualificada. Votou pelas conclusões do relator o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Jose Roberto Adelino da Silva (suplente convocado), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008, 2009 Ementa: GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. FATO GERADOR. Considera-se ocorrido o fato gerador no momento em que for firmado incondicionalmente contrato particular de compra e venda de imóvel, apurando-se e tributando-se, então, o resultado da operação quanto a IRPJ e CSLL. EMPRESA VEÍCULO. SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. A sucessão de eventos modificativos de controle societário em um mesmo grupo empresarial sem qualquer finalidade negocial que resulte em incorporação de pessoa jurídica em cuja contabilidade constava registro de ágio, com utilização de empresa veículo, caracteriza simulação montada para o fim exclusivo de economia tributária, o que autoriza o lançamento de ofício com imposição de multa qualificada em razão do intuito de fraude demonstrado. SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO. MULTA. RESPONSABILIDADE. Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico (Súmula STJ n° 554).
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ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. ÁGIO INTERNO Recorrente FORMOSA PARTICIPAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 Ementa: GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. FATO GERADOR. Considerase ocorrido o fato gerador no momento em que for firmado incondicionalmente contrato particular de compra e venda de imóvel, apurandose e tributandose, então, o resultado da operação quanto a IRPJ e CSLL. EMPRESA VEÍCULO. SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. A sucessão de eventos modificativos de controle societário em um mesmo grupo empresarial sem qualquer finalidade negocial que resulte em incorporação de pessoa jurídica em cuja contabilidade constava registro de ágio, com utilização de empresa veículo, caracteriza simulação montada para o fim exclusivo de economia tributária, o que autoriza o lançamento de ofício com imposição de multa qualificada em razão do intuito de fraude demonstrado. SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO. MULTA. RESPONSABILIDADE. Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico (Súmula STJ n° 554). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido os Conselheiros Jose Roberto Adelino da Silva e Breno do Carmo Moreira Viera que votaram por cancelar a multa qualificada. Votou pelas conclusões do relator o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 48 51 /2 01 4- 67 Fl. 897DF CARF MF Processo nº 11060.724851/201467 Acórdão n.º 1302002.618 S1C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Jose Roberto Adelino da Silva (suplente convocado), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão nº 1153.480, de 27 de junho de 2016, da 4ª Turma da DRJ de Recife PE (DRJ/REC), que por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, registrandose a seguinte ementa: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Aplicase a norma de decadência do art. 173, I, do CTN nos casos de tributos submetidos ao regime de lançamento por homologação quando o sujeito passivo não realizar os pagamentos ditos antecipados, contandose o prazo qüinqüenal a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. FATO GERADOR. Considerase ocorrido o fato gerador no momento em que for firmado incondicionalmente contrato particular de compra e venda de imóvel, apurandose e tributandose, então, o resultado da operação quanto a IRPJ e CSLL. EMPRESA VEÍCULO. SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. A sucessão de eventos modificativos de controle societário em um mesmo grupo empresarial sem qualquer finalidade negocial que resulte em incorporação de pessoa jurídica em cuja contabilidade constava registro de ágio, com utilização de empresa veículo, caracteriza simulação montada para o fim exclusivo de economia tributária, o que autoriza o lançamento de ofício com imposição de multa qualificada em razão do intuito de fraude demonstrado. SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO. MULTA. RESPONSABILIDADE. Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico (Súmula CARF n° 47). TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Fl. 898DF CARF MF Processo nº 11060.724851/201467 Acórdão n.º 1302002.618 S1C3T2 Fl. 4 3 A decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração conexo, decorrente ou reflexo, no que couber, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. Infrações Recorrentes A Fiscalização concluiu pela ocorrência das seguintes infrações: a) receitas financeiras e variações monetárias ativas. Omissão de receitas financeiras. R$ 168.553,99 fato gerador: 31/12/2009 multa: 150 %; b) resultados não operacionais. Omissão de receitas não operacionais. R$4.184.587,18 fato gerador: 31/12/2008 multa: 150%. A Recorrente, Formosa Participações Ltda. (Formosa) foi Recorrente como sujeito passivo, na condição de sucessora, por incorporação de Dona Teodora Participações Ltda. (Dona Teodora). Constituída em 2004, sob a forma de sociedade empresária de responsabilidade limitada, a Recorrente originouse da cisão parcial da Planalto Transportes Ltda. (Planalto). Na época do procedimento fiscal, eram detentoras do capital da Recorrente as pessoas jurídicas: a) Planalto Transportes Ltda.; b) JMT Administração e Participações Ltda.; c) Veísa Veículos Ltda;. e as pessoas físicas d) José Moacyr Teixeira Neto; e) Pedro Antônio Teixeira; f) Maria Consuelo Teixeira dal Ponte; g) Maria Regina Teixeira; e h) Dileta Fricks Pereira. A Recorrente, juntamente com Dona Teodora foram constituídas para o fim comum de "desvincular os imóveis não operacionais das empresas operacionais" do Grupo Planalto (fls. 69). Inicialmente, o capital da Recorrente era de R$100.000,00 e o de Dona Teodora, R$1.318.170,92. A Planalto detinha 99,79% de Dona Teodora, JMT Administração e Participações Ltda. era proprietária de 96,87% do capital da Recorrente e de 96,87% de Planalto Transportes. As duas empresas detinham iguais objetos sociais participação no capital social de outras sociedades e locação e administração de bens móveis ou imóveis a si pertencentes e "praticamente" a mesma sede, na R. Dona Teodora, 435, Sala 05, Porto Alegre (RS). A empresa Dona Teodora mantevese inativa, desde a sua constituição e foi incorporada pela Recorrente em 30/04/2008, quando a empresa Planalto passou a deter 97,50% da Recorrente, cabendo 2,36% para JMT Administração e Participações. As participações societárias estão especificadas no anexo 2 do relatório de fiscalização (fls. 761). A Recorrente teve a sede transferida para a cidade de Formosa, no Estado de Goiás, mediante alteração do contrato social de 12/08/2005 (fls. 100). Fl. 899DF CARF MF Processo nº 11060.724851/201467 Acórdão n.º 1302002.618 S1C3T2 Fl. 5 4 O Relatório Fiscal apresentou o seguinte resumo da sequência de eventos societários: " Em 15/08/2004, a DONA TEODORA PART. é constituída pela subscrição, pelas empresas VEÍSA VEÍCULOS e PLANALTO TRANSP., das quotas de R$ 2.758,10 e R$ 1.315.412,82, representadas pelo imóvel de São Gabriel (RS) (VEÍSA VEÍCULOS) e pelos imóveis de Passo Fundo RS (PLANALTO TRANSP.) (vide Anexo 2); Em 15/08/2004, a FORMOSA PART. é constituída pela cisão parcial da PLANALTO TRANSP., com capital social de R$ 100.000,00, com a atribuição aos seis sócios que constavam em sua alteração de contrato social de 15/08/2004, em substituição às parcelas das quotas que detinham na PLANALTO TRANSP. (vide Anexo 2); Em 15/08/2004, a PLANALTO TRANSP. efetuou a alteração de seu contrato social, que dispõe que a parcela de R$ 100.000,00 fica extinta de seu capital social, que fica reduzido de R$ 12.926.000,00 para R$ 12.826.000,00 (vide Anexo 2); Em 28/12/2004, os imóveis de Passo Fundo (RS), que haviam sido subscritos pela PLANALTO TRANSP. no capital social da DONA TEODORA PART., pelo valor de R$ 1.315.412,82, são avaliados, pelo Laudo no. 9432004, confeccionado pela BAI/RS, pelo valor de mercado de R$ 3.500.000,00; Em 29/12/2004, a PLANALTO TRANSP. ingressou no quadro societário da FORMOSA PART. com a quota de R$ 4.000.000,00, a qual, adicionada às demais quotas no valor de R$ 100.000,00, resultou no capital social de R$ 4.100.000,00, de acordo com a alteração de contrato social da FORMOSA PART. de 12/08/2005, rerratificado pela alteração do contrato social de 07/12/2009 (vide Anexo 2); Em 30/04/2008, as empresas DONA TEODORA PART. (sociedade incorporada) e FORMOSA PART. (sociedade incorporadora) constituíram Protocolo de Incorporação, onde consta como condição, dentre outras, que o Ativo Permanente da sociedade incorporada (imóveis) será avaliado a valor de mercado, enquanto que seu patrimônio líquido, assim como seus elementos ativos e passivos serão avaliados por seus valores contábeis evidenciados no Balanço Patrimonial de 30/04/2008, nos termos do artigo 224, inciso III da Lei no. 6.404/76; Em 30/04/2008, a FORMOSA PART. efetuou a incorporação total da DONA TEODORA PART., ocorrida através de Laudo de Avaliação assinado pelos contadores da FORMOSA PART. em 30/04/2008, onde constam os elementos ativos e passivos que integram o Balanço Patrimonial encerrado em 30/04/2008 da DONA TEODORA PART. (incorporada), constituídos por imóveis e capital social nos valores de R$ 1.318.170,92, com a informação de que os imóveis de Passo Fundo (RS) foram avaliados a valor de mercado, pelo valor de R$ 4.000.000,00, obtido por empresa especializada, bem como a informação de que a BAI/RS iria avaliar os referidos imóveis; Em 30/04/2008, a DONA TEODORA PART. efetuou a alteração de seu contrato social, com a aprovação do protocolo de incorporação e do Laudo de Avaliação, a extinção do capital social e da sociedade devido à incorporação, sendo atribuída à empresa VEÍSA VEÍCULOS uma quota no valor de R$ 2.758,10 no capital social da FORMOSA PART. (vide Anexo 2); Fl. 900DF CARF MF Processo nº 11060.724851/201467 Acórdão n.º 1302002.618 S1C3T2 Fl. 6 5 Em 30/04/2008, a PLANALTO TRANSP. efetuou a alteração de seu contrato social, onde o capital social de R$ 4.100.000,00 foi aumentado para R$4.102.758,00, pela integralização pela empresa VEÍSA VEÍCULOS, no valor de R$ 2.758,10, quanto à quota que a mesma detinha no capital social da DONA TEODORA PART. (incorporada) (vide Anexo 2); Na DIPJ exercício 2005, ano 2004 da PLANALTO TRANSP., consta a informação, na Ficha 51 (Participação Permanente em Coligadas ou Controladas), de sua participação societária de 97,57% no capital social da FORMOSA PART., pelo valor de R$ 4.000.000,00, bem como a informação, na Ficha 09A (Demonstração do Lucro Real), do valor de R$ 2.684.587,18, como exclusão do lucro real do ano de 2004, em face de diferimento de tributação de ágio, nos termos do artigo 36 da Lei nº 10.637/2002 (vide Anexo 3); Na DIPJ exercício 2005, ano 2004 da FORMOSA PART., consta a informação do valor de R$ 4.100.000,00 como capital registrado na Ficha 56B (Outras Informações), sendo que a PLANALTO TRANSP. constou como sócia na Ficha 49 (Identificação de Sócios ou Titular) apenas na DIPJ exercício 2006, ano 2005 (vide Anexo 3); Na DIPJ exercício 2007, ano 2006 da FORMOSA PART., consta a informação, na Ficha 52 (Participação Permanente em Coligadas ou Controladas), de sua participação societária de 99,79% no capital social da DONA TEODORA PART., com valor de R$ 4.000.000,00, a qual foi baixada na DIPJ exercício 2011, ano 2010, em face da incorporação da mesma (vide Anexo 3); Os valores de R$ 1.315.412,82 e R$ 2.684.587,18, no total de R$ 4.000.000,00, constam na contabilidade da FORMOSA PART., relativamente à sua participação societária na DONA TEODORA PART., como saldos iniciais, em 01/01/2008, das contas de ativo permanente "Dona Teodora Part. Ltda Capital" (códigos 01.3.1.2.01.0001 e 1030) e "Dona Teodora Part. Ltda Ágio" (códigos 01.3.1.2.01.0002 e 1031), do Grupo "Investimento" (códigos 01.3.1 e 1015) (vide Anexo 4)." Ágio Tratase também de ágio de R$ 2.684.587,18, originário da integralização do capital por Planalto Transportes na Recorrente: "Como reconhecido na resposta entregue em 01/12/2014 (fls. 68 a 206), em atendimento ao Item 1 do TIAF de 22/10/2014 (fls. 02 a 25), o ágio de R$2.684.587,18, apurado pela PLANALTO TRANSP. em 29/12/2004, quando da integralização do capital social da FORMOSA PART. foi informado, como exclusão do lucro real do ano de 2004, na Ficha 09A (Demonstração do Lucro Real) de sua DIPJ exercício 2005, ano 2004 (fls. 282 a 451), nos termos do artigo 36 da Lei n° 10.637/2002. Ou seja, em 29/12/2004, a PLANALTO TRANSP., controladora da DONA TEODORA PART., integralizou o capital social da FORMOSA PART., conferindo a sua participação societária de 99,79% na DONA TEODORA PART., a qual foi reavaliada, de R$ 1.315.412,82, para R$ 4.000.000,00, com o ágio de R$ 2.684.587,18. Por sua vez, a FORMOSA PART. registrou contabilmente a sua participação na DONA TEODORA PART., desdobrada em equivalência patrimonial (R$ 1.315.412,82) e ágio (R$ 2.684.587,18), enquanto que a PLANALTO TRANSP. ficou obrigada a controlar na Fl. 901DF CARF MF Processo nº 11060.724851/201467 Acórdão n.º 1302002.618 S1C3T2 Fl. 7 6 Parte B do LALUR o ganho de capital diferido, decorrente da reavaliação, para tributálo quando da ocorrência das hipóteses previstas no artigo 36, § 1°, incisos I e II da Lei no. 10.637/2002, o qual foi REVOGADO, a partir de 21/11/2005, pelo artigo 133, inciso III da Lei no. 11.196/2005. Posteriormente, em 30/04/2008, a FORMOSA PART. incorporou a DONA TEODORA PART., tendo os imóveis de Passo Fundo (RS) da sociedade incorporada sido avaliados a valor de mercado (R$ 4.000.000,00). Entretanto, como salientado no Relatório de Fiscalização, a referida incorporação foi contabilizada pela FORMOSA PART., apenas em 06/01/2010, como mostra o Anexo 4. Para a Fiscalização, a reorganização societária do Grupo Planalto teria sido realizada mediante operações estruturadas em sequência, com a utilização de empresa veículo Dona Teodora em razão da sua constituição com o fim único de servir de instrumento para a criação e transferência de ágio para a Recorrente, concluindose com a alienação dos imóveis de Passo Fundo (RS) (matrículas 44.299 e 82.259) por Dona Teodora à Comercial Zaffari Ltda. (Zaffari), em 15/03/2008, operação que foi assim descrita no relatório fiscal: "Ou seja, no período de 18/03/2008 a 15/01/2009, a FORMOSA PART. recebeu da COMERCIAL ZAFFARI o montante de R$ 5.668.553,99, correspondente ao valor de R$ 5.500.000,00, pago pela COMERCIAL ZAFFARI à DONA TEODORA PART., pela compra, em 20/03/2008, dos imóveis de Passo Fundo (RS), adicionado à receita financeira de R$ 168.553,99, contabilizada em 03/03/2010 pelo lançamento a débito da conta de passivo circulante "Comercial Zaffari Ltda." (código 2043), em contrapartida do lançamento a crédito da conta de resultado "Receitas Financeiras" (código 5029), com o histórico "Vlr Atual. Monetária Vlrs Parcelas Compra Imóvel PF Matric. 82259 c/prédio e terreno Matric. 44299 Comp. Zaffari Ltda", como mostra o Anexo 4 ao Relatório de Fiscalização. Entretanto, como salientado anteriormente, a apuração do ganho de capital de R$ 1.500.000,00 na alienação dos imóveis de Passo Fundo RS foi contabilizada, pela FORMOSA PART., apenas em 03/03/2010, pelo lançamento a débito da conta de passivo circulante "Comercial Zaffari Ltda." (código 2043), do Grupo "Recebimentos Antecipados" (código 2041), em contrapartida do lançamento a crédito da conta de resultado "Ganhos / Perdas de Capital" (código 5031), do Grupo "Resultado Não Operacional" (código 5024), pelo valor de venda de R$ 5.500.000,00 dos referidos imóveis à COMERCIAL ZAFFARI, bem como pelo lançamento do valor de R$ 4.000.000,00 a débito da conta da conta de resultado "Ganhos/Perdas de Capital" (código 5031), em contrapartida do lançamento a crédito da conta de ativo nãocirculante "Prédios" (código 1091), do Grupo "Imobilizado" (código 1089), pelo valor contábil (custo de aquisição) dos referidos imóveis. Verificouse, assim, que a FORMOSA PART. descumpriu o disposto no artigo 421, caput do RIR/99, e que não caberia o diferimento, no todo ou em parte, do ganho de capital, uma vez que não ocorreram recebimentos após o término do ano seguinte (ano de 2009) ao ano da contratação (ano de 2008), ou seja, não ocorreram recebimentos no ano de 2010." Entendeu a Fiscalização que o ganho decorrente da venda dos imóveis deveria ser apurado em 15/03/2008, ano em que foi firmado de forma irrevogável e Fl. 902DF CARF MF Processo nº 11060.724851/201467 Acórdão n.º 1302002.618 S1C3T2 Fl. 8 7 irretratável o compromisso particular de compra e venda (fls. 223), e não em 03/03/2010, ano do registro da escritura pública, como fez a Recorrente. Constou do contrato, na cláusula 9.5, a informação de que o "compromitente vendedor" Dona Teodora se encontrava em "processo de incorporação" pela Formosa (Recorrente). O histórico de alienações desses imóveis está detalhado no anexo 1 (fls. 760). Sobre a utilização de empresa veículo, afirmou a autoridade fiscal: "No planejamento tributário em comento, verificamos, também, a utilização de EMPRESA VEÍCULO, uma vez que a DONA TEODORA PART. foi criada com o objetivo específico de servir de instrumento para a criação e transferência do ágio para a FORMOSA PART. (... ) Ou seja, a DONA TEODORA PART. serviu APENAS para a alienação dos imóveis de Passo Fundo RS, de sua propriedade, bem como serviu apenas para que a PLANALTO TRANSP. utilizasse sua participação societária, devidamente reavaliada, para a integralização do capital social da FORMOSA PART., em 29/12/2004, sendo que, após o registro contábil de sua incorporação total pela FORMOSA PART., em 06/01/2010, o valor do ágio de R$ 2.684.587,18 foi incorporado, na mesma data, ao valor contábil dos imóveis, com o registro contábil, em 03/03/2010, da alienação dos referidos imóveis pela FORMOSA PART. à COMERCIAL ZAFFARI, sem que a PLANALTO TRANSP. tributasse o ganho de capital diferido decorrente da reavaliação de sua participação societária na DONA TEODORA PART., nos termos do artigo 36 da Lei no. 10.637/2002. Salientouse que, em consulta aos Livros LALUR dos anos de 2008 a 2013 da PLANALTO TRANSP., não havia registro, na Parte B, de folha específica para o controle individualizado do ganho de capital diferido, decorrente da reavaliação da participação societária que a mesma detinha na DONA TEODORA PART., nos termos do disposto no artigo 36 da Lei no. 10.637/2002, e sequer de registros a débito (valores que constituirão adições ao lucro líquido de exercícios futuros, para determinação do lucro real respectivo, nos termos da IN/SRF no. 28, de 13/06/1978) dos referidos Livros LALUR, quanto à tributação do ganho de capital diferido, pela ocorrência das hipóteses previstas no artigo 36, § 1°, incisos I e II da Lei no. 10.637/2002." O relatório fiscal contém referência a registro de perda de capital de R$ 1.577.901,33 em 06/01/2010, relativa a alienação de ações da Remington Stell, que teria "compensado" o ganho de R$ 1.500.000,00 originário da venda dos imóveis de Passo Fundo RS. Há processo de representação fiscal para fins penais (11060.724852/201410) apenso aos presentes autos. Não obstante as razões sustentadas pela Recorrente em sua Impugnação (fls. 781), a DRJ/REC julgoua improcedente. Recurso Voluntário Fl. 903DF CARF MF Processo nº 11060.724851/201467 Acórdão n.º 1302002.618 S1C3T2 Fl. 9 8 A Recorrente foi regularmente intimada do Acórdão recorrido, em 06/07/2016 (fl. 861) e interpôs Recurso Voluntário, em 29/07/2016 (fl. 862), cujas razões são a seguir sintetizadas. Suscitou preliminar de decadência com suporte no art. 150, § 4° do CTN e jurisprudência do STJ. Especificamente acerca do ágio, afirmou que o auto de infração está fundamentado em atos jurídicos, constituição e contabilização do ágio, alcançados pela decadência no momento da sua lavratura, sendo, portanto, definitivo (o ágio) após cinco anos da celebração dos atos societários. No mérito, destacou a realização de diversas alterações contratuais na estrita "liberdade contratual", todas elas arquivadas na Junta Comercial, sem qualquer questionamento. Os atos praticados seriam livres e literalmente permitidos e "as oportunidades de praticálos não podem sofrer qualquer ingerência da RFB, pois, o Estado não possui essa atribuição ou prerrogativa de assim o fazer, sob pena de afrontar a liberdade negocial de cada Recorrente." Na sua interpretação, o art. 36 da Lei 10.637/2002 seria incentivador da capitalização com ganho de capital, propiciando a reorganização societária e contábil. Entretanto, a fiscalização teria considerado proibido o que a lei "faculta e incentiva", além de alegar que "o Recorrente agiu maliciosamente". Em seu entendimento, a venda dos imóveis só teria se "aperfeiçoado" no momento da transferência, com registro dos títulos translativos no Registro de Imóveis, segundo o art. 1.245 do Código Civil, o que ocorreu em março de 2010, ano no qual o ganho de capital foi reconhecido. No caso do lucro real, o ganho passa a ser reconhecido a partir dos eventos que transferem o patrimônio, de acordo com o regime contábil de competência. Devese considerar o comando do art. 110 do CTN, que impõe a observância da lei civil "para os efeitos da legislação tributária". A integralização seria forma de alienação e "se esta implicar ganho de capital, este deveria ter sido pago, caso não houvesse a prescrição contida no art. 36 da Lei 10.637/2002". Informou ter contabilizado o valor da perda com as ações da Remington Stell no período da alienação, compondo o resultado juntamente com o ganho na venda dos imóveis, em 2010. Conclusões da Recorrente: "O que se refere é que há dois regimes jurídicos que sempre partem da natureza jurídica de eventos alinhados segundo os critérios jurídicos tributários. O lucro presumido é que permitiria a exigência do IR e da CSLL em 2008 pelo regime de caixa. Como a Recorrente está submetida ao regime do lucro real ela somente deve refletir nos seus resultados os eventos segundo a eficácia técnica da legislação aplicável às transferências patrimoniais, sob pena de violação direta ao artigo 1.245, do Código Civil combinado com o artigo 110, do Código Tributário Nacional." Fl. 904DF CARF MF Processo nº 11060.724851/201467 Acórdão n.º 1302002.618 S1C3T2 Fl. 10 9 Sustentou ser o termo empresaveículo uma "invenção fiscal desprovida de conteúdo substancial" e refutou a classificação de Dona Teodora como inativa, eis que não teria realizado muitas operações em razão da "escassez de boas oportunidades rentáveis." Quanto à receita financeira, afirmou: "Em relação a este tema, cabe simplesmente pontuar que, as parcelas que foram destacadas como receitas financeiras integram parcelas acessórias ao principal preço de vendas dos bens e que foram inclusos na composição do ganho de capital, oferecido à tributação" Careceria de fundamento a aplicação da multa qualificada, em razão da ausência de operações sem autorização literal na legislação aplicável e das figuras da fraude e da simulação. Citou o princípio constitucional da personalização da pena para refutar a multa a si aplicada na condição de sucessora. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Conheço do recurso. Da Inconstitucionalidade Questionamentos acerca de inconstitucionalidade de lei não serão objeto do presente julgamento administrativo por se tratar de matéria reservada ao exame pelo Poder Judiciário, segundo dispõe o art. 102 da Constituição da República. Tal entendimento se encontra pacificado na jurisprudência administrativa, como se observa no enunciado da Súmula Carf n° 2, verbis: "Súmula CARF n° 2: O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Da preliminar de decadência Esclareçase, inicialmente, que a glosa fiscal do ágio se refere ao período de apuração, no qual ocorreram os efeitos tributários da dedução do ágio, em 2008, portanto. Aplicase a norma de decadência do art. 173, I, do CTN nos casos de tributos submetidos ao regime de lançamento por homologação, quando o sujeito passivo não realizar os pagamentos ditos antecipados, contandose o prazo quinquenal a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. Assim já vem decidindo, a tempo, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, a exemplo do Acórdão 9302003.062, de 13/02/2014: Fl. 905DF CARF MF Processo nº 11060.724851/201467 Acórdão n.º 1302002.618 S1C3T2 Fl. 11 10 DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO, ART. 173, I. DO CTN. Não comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no Art. 173, I, do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. Conforme citado no julgado acima, a interpretação do STJ restou consolidada com o julgamento do REsp 973.733/SC, de relatoria do Ministro Luiz Fux, processado sob o rito do art. 543C do CPC, de recurso repetitivo. Constatase que a Recorrente não realizou pagamentos de IRPJ e CSLL relativamente a fatos geradores do anocalendário 2008, segundo se vê na DIPJ do exercício correspondente (fls. 356), o que atrai para o caso a norma do art. 173, I, do CTN, contandose o prazo de cinco anos a partir "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado." O fato gerador ocorreu em 31/12/2008, sendo possível a realização do lançamento de ofício pela autoridade fiscal a partir de 01/01/2009. Contandose, portanto, o prazo de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao que se poderia fazer o lançamento (2009), é válido o auto de infração lavrado até 31/12/2014. No caso concreto, o lançamento se completou com a ciência da Recorrente ocorrida em 24/12/2014 (fls. 771). À vista de tais constatações, rejeitase a preliminar de decadência. Do ganho de capital Conforme relatado, as partes não divergem quanto à efetiva contabilização em 2010, pela Recorrente, do ganho de capital decorrente da alienação dos ditos imóveis de Passo Fundo (RS). O litígio surge com o entendimento fiscal de obrigatoriedade de tal reconhecimento contábil em 2008, e, consequentemente, a obrigatoriedade de oferecimento à tributação nesse período de apuração. Discutese, portanto, a contabilização e a tributação do ganho no período em que foi firmado o compromisso particular de compra e venda, em 2008, como entendeu a autoridade fiscal, ou a sua escrituração (e tributação) em momento posterior, em 2010, por ocasião do registro dos títulos translativos no Registro de Imóveis, como efetivamente fez a Recorrente em observância ao regime contábil de competência, segundo alegou. Viuse acima, no relatório, que o Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda de Imóvel, de 15/03/2008, foi firmado em caráter irrevogável e irretratável, segundo a sua cláusula 8a (fls. 226), e incondicionalmente. Entendeu a fiscalização que o ganho decorrente da venda dos imóveis deveria ser apurado e tributado em 2008, (fls. 223), e não em 2010, ano do registro da escritura pública, como fez a Recorrente. A interpretação da Receita Federal foi apresentada no relatório fiscal com a citação da Decisão SRRF/9a RF/DISIT n° 119, de 18/09/1999, assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 906DF CARF MF Processo nº 11060.724851/201467 Acórdão n.º 1302002.618 S1C3T2 Fl. 12 11 Ementa: A assinatura de contrato particular de compra e venda é suficiente para que se considere ocorrido o fato gerador do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro incidente sobre o resultado obtido na alienação de imóveis. Contudo, em se tratando de permuta de bens imóveis devese adotar os procedimentos constantes da IN SRF n° 107/1988. Dispositivos Legais: IN SRF n° 107, de 14 de julho de 1988; Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, art. 219, parágrafo único." (Destaque acrescido). Esse entendimento da Administração Tributária está harmonizado com a melhor doutrina, a exemplo da adotada pelo professor Luciano Amaro: Tratandose de situação de fato, diz o Código Tributário Nacional, temse por ocorrido o fato gerador 'desde o momento em que se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios' (art. 116, I). Com essa perífrase, procura talvez o Código definir o óbvio, ou seja, afirmase que uma situação material existe desde que ela esteja apta a produzir seus efeitos. Com base em tais fundamentos, a DRJ concluiu que está correta a tributação promovida pela fiscalização. Da mesma forma, registrou que não cabe falar no caso sobre a hipótese de postergação de pagamento do tributo em 2010. Tendo em vista que, verificouse a anulação da tributação do ganho, relativo aos imóveis pelo registro da perda decorrente da alienação das ações da Remington Stell no mesmo período de apuração, conforme relatado. Vejase como a Fiscalização demonstrou esses fatos: O recebimento do valor de R$ 42.370,32 foi contabilizado em 30/04/2010 pelo lançamento contábil a débito da conta de ativo circulante "HSBC c/0160/1391967" (código 1041), do Grupo "Bancos Conta Movimento" (código 1039), em contrapartida do lançamento a crédito da conta de passivo circulante "Adiantamento de Clientes." (código 2044), do Grupo "Recebimentos Antecipados" (código 2041), sendo que em 01/05/2014, os saldos das contas de ativo circulante "Edison Moreno Garcia" (código 1057), do Grupo "Clientes" (código 1054), e da conta de passivo circulante "Adiantamento de Clientes." (código 2044) foram mutuamente baixados. Ou seja, a referida operação teria produzido uma perda de capital de R$ 1.577.901,33, em decorrência da venda em 06/01/2010, pelo valor de R$ 42.370,32, de 19.000 ações ordinárias ao portador da empresa REMINGTON STELL ao Sr. EDISON MORENO GARCIA, com valor unitário de R$ 85,28 e custo de aquisição de R$ 1.620.271,65 (R$ 85,28 x 19.000 = R$ 1.620.320,00). Tal perda de capital acabou por COMPENSAR o ganho de capital de R$ 1.500.000,00 apurado pela FORMOSA PART. em 03/03/2010, na alienação dos imóveis de Passo Fundo RS, o que resultou na informação prestada na linha "63. Outras Despesas Não Relacionadas nas Linhas Anteriores" da Ficha 06A (Demonstração do Resultado) da DIPJ exercício 2011, ano 2010 da FORMOSA PART., no valor de R$ 77.901,33 (R$ 1.577.901,33 R$ 1.500.000,00). Verificase, portanto, que em realidade a Recorrente não ofereceu à tributação o ganho de capital auferido na alienação do imóvel em questão, nem por ocasião da formalização do instrumento particular de compra e venda, em 2008, nem mesmo em 2010, quando lavrouse a escritura pública translativa da propriedade do imóvel e respectivos registros públicos. Fl. 907DF CARF MF Processo nº 11060.724851/201467 Acórdão n.º 1302002.618 S1C3T2 Fl. 13 12 De todo modo, o artigo 116, caput do CTN, dispõe que salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios, tratandose de situação de fato, (inciso I), ou desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável, tratandose de situação jurídica (inciso II). Por sua vez, o artigo 117 do CTN dispõe que para os efeitos do artigo 116, inciso II (situação jurídica), e salvo disposição de lei em contrário, os atos ou negócios jurídicos condicionais reputamse perfeitos e acabados, desde o momento de seu implemento, sendo SUSPENSIVA a condição (inciso I), ou desde o momento da prática do ato ou da celebração do negócio, sendo resolutória a condição (inciso II). Finalmente, o artigo 118 do CTN dispõe que a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos (inciso I), e dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos (inciso II). Assim, com base em tais fundamentos, considero como fato gerador, a data do instrumento particular formalizado em caráter irrevogável e irretratável e mantenho a conclusão do acórdão recorrido a esse respeito. Do ágio O acórdão recorrido registrou entendimento, baseado em jurisprudência administrativa que tem conceituado como empresa veículo a pessoa jurídica criada no seio de um grupo empresarial sem propósito negocial ou objetivo de exploração de atividade econômica, servindo apenas de meio (veículo) para transferência de ágio de outra sociedade com o fim único de proporcionar artificialmente as condições para amortização do valor transferido, conferindo aparência de legalidade à consequente redução da base de cálculo tributável. A ausência de propósito negocial ou a inexistência de fundamento econômico vêm, via de regra, associadas à utilização de empresa veículo, sem que seja possível caracterizar um fim econômico ou empresarial próprio diverso da economia tributária, utilizando simulação. A DRJ ainda salientou que, no exame de casos de amortização de ágio, fazse necessária a avaliação do conjunto de operações investigadas, não apenas de cada uma isoladamente, de tal forma a identificarse a situação das sociedades antes e depois da sucessão dos fatos, verificandose se houve alguma alteração efetiva nos negócios, na organização do grupo societário, ou se tudo continuou como antes, criandose tãosomente as condições para a redução da base de cálculo artificialmente. Devese, afinal, procurar identificar se a sucessão de eventos foi real ou se foi artificialmente montada com o fim único de economia tributária. O Acórdão recorrido destaca que, sob o enfoque dado por James Marins, podese definir planejamento tributário como o estudo do conjunto de atividades econômico financeiras atuais e futuras do Recorrente comparativamente as suas obrigações tributárias com o objetivo de organizar suas finanças, seus bens, negócios, rendas e demais atividades, de modo que "venha a sofrer o menor ônus tributário possível." Fl. 908DF CARF MF Processo nº 11060.724851/201467 Acórdão n.º 1302002.618 S1C3T2 Fl. 14 13 Ainda segundo o referido doutrinador, elisão fiscal é sinônimo de planejamento tributário stricto sensu. Nessa linha, "a simulação é artifício de inveracidade, de subtração da verdade, a elisão não mascara a realidade, servese dela." Não se questiona o fato de que, é dado às pessoas liberdade negocial plena nos limites da legalidade, no exercício da sua autonomia de vontade. No entanto, não se pode perder de vista o comando do art. 118 do CTN, ao estabelecer que a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose (i) da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos Recorrentes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos e (ii) dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Contratos ou negócios pactuados com a finalidade única de redução ou afastamento da tributação não podem ser opostos ao Fisco (art. 123 do CTN). Ao aplicador da lei tributária cabe identificar os efeitos econômicos dos atos pactuados para fins de identificação das suas conseqüências tributárias. Segundo Rubens Gomes de Souza , "os atos, contratos, ou negócios cujos efeitos econômicos sejam idênticos devem produzir efeitos tributários também idênticos, muito embora as partes lhes tenham atribuído formas jurídicas diferentes." Em suma, os fatos devem ser investigados conjunta e diligentemente para identificação do limite entre planejamento tributário lícito (ou elisão) e simulação. O aplicador da lei deve extrair do conjunto de atos praticados a sua real essência, de tal forma a identificar os seus efeitos no âmbito tributário. O conjunto de operações societárias descrito no Relatório Fiscal, sintetizada no relato que antecede este voto revela que, a utilização de Dona Teodora teve como único objetivo, o de proporcionar economia tributária planejada pelo grupo empresarial, sem qualquer finalidade negocial ou societária, sem qualquer fundamento econômico. A empresa permaneceu sem realizar operações relativas ao seu objeto social, com os imóveis de sua propriedade, desde a constituição até a incorporação pela Recorrente. Sobre esses fatos que envolvem a contabilização e a amortização de ágio, temse que, o artigo 385, caput e incisos I e II do RIR/99 dispõe que o contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 386 (inciso I), e ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o artigo 385, inciso I (inciso II). O artigo 385, § 1° do RIR/99 dispõe que o valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento, o § 2° dispõe que o lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico, através do valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade (inciso I), o valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros (inciso II), ou o fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas (inciso III), enquanto que o § 3° dispõe que o lançamento com os fundamentos de que tratam o artigo 385, § 2°, incisos I e II deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Fl. 909DF CARF MF Processo nº 11060.724851/201467 Acórdão n.º 1302002.618 S1C3T2 Fl. 15 14 O artigo 386, caput e incisos I e II do RIR/99 dispõe que a pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo 385 do RIR/99 deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o artigo 385, § 2°, inciso I, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa (inciso I), ou deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o artigo 385, § 2°, inciso III, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização (inciso II), ou poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o artigo 385, § 2°, inciso II, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração (inciso III), ou deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o artigo 385, § 2°, inciso II, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração (inciso IV). O artigo 386, § 1° do RIR/99 dispõe que o valor registrado na forma do artigo 386, inciso I, integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. O artigo 224, caput da Lei no. 6.404, de 15/12/1976, dispõe que as condições da incorporação, fusão ou cisão com incorporação em sociedade existente constarão de protocolo firmado pelos órgãos de administração ou sócios das sociedades interessadas, que incluirá, dentre outras condições, o número, espécie e classe das ações que serão atribuídas em substituição dos direitos de sócios que se extinguirão e os critérios utilizados para determinar as relações de substituição (inciso I), os elementos ativos e passivos que formarão cada parcela do patrimônio, no caso de cisão (inciso II), os critérios de avaliação do patrimônio líquido, a data a que será referida a avaliação, e o tratamento das variações patrimoniais posteriores (inciso III), a solução a ser adotada quanto às ações ou quotas do capital de uma das sociedades possuídas por outra (inciso IV), o valor do capital das sociedades a serem criadas ou do aumento ou redução do capital das sociedades que forem parte na operação (inciso V), o projeto ou projetos de estatuto, ou de alterações estatutárias, que deverão ser aprovados para efetivar a operação (inciso VI), e todas as demais condições a que estiver sujeita a operação (inciso VII). Por sua vez, o artigo 225, caput da Lei no. 6.404/76 dispõe que as operações de incorporação, fusão e cisão serão submetidas à deliberação da assembléia geral das companhias interessadas mediante justificação, na qual serão expostos os motivos ou fins da operação, e o interesse da companhia na sua realização (inciso I), as ações que os acionistas preferenciais receberão e as razões para a modificação dos seus direitos, se prevista (inciso II), a composição, após a operação, segundo espécies e classes das ações, do capital das companhias que deverão emitir ações em substituição às que se deverão extinguir (inciso III), e o valor de reembolso das ações a que terão direito os acionistas dissidentes (inciso IV). Diante de tais fundamentos, não há como acolher a pretensão da Recorrente, neste caso, quanto à dedutibilidade das despesas de amortização de ágio, pois os fatos, fundamentos e documentos constantes dos autos não atendem às exigências legais acima expostas para tanto. Nesse sentido, voto por negar provimento ao recurso voluntário, neste ponto. Fl. 910DF CARF MF Processo nº 11060.724851/201467 Acórdão n.º 1302002.618 S1C3T2 Fl. 16 15 Da receita financeira Quanto à receita financeira, a Recorrente apenas afirmou: "Em relação a este tema, cabe simplesmente pontuar que, as parcelas que foram destacadas como receitas financeiras integram parcelas acessórias ao principal preço de vendas dos bens e que foram inclusos na composição do ganho de capital, oferecido à tributação" Examinandose os demonstrativos de cálculos do ganho de capital integrantes do relatório fiscal e dos autos de infração, constatase a correção da apuração dos tributos devidos, com a devida tributação da receita financeira. Da multa O exame do conjunto de operações realizadas, detalhadas no relatório fiscal, confirma a alegação da autoridade fiscal acerca da ocorrência de operações estruturadas em sequência com a utilização de empresa veículo, sem qualquer finalidade negocial. Tal contexto autoriza a imposição da multa qualificada no percentual de 150%, em razão da caracterização de simulação montada para o fim exclusivo de economia tributária, restando demonstrado o intuito de fraude. A questão relativa à aplicação da multa na condição de sucessora se resolve com a interpretação contida na Súmula STJ nº 554, assim enunciada: Súmula 554 Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão. (Súmula 554, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2015, DJ 15/12/2015) Tributação reflexa (CSLL) Como o processo também trata de lançamentos do tipo conexo, decorrente ou reflexo, a decisão relativa ao auto de infração matriz (IRPJ) deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração conexo, decorrente ou reflexo (CSLL), no que couber, conforme entendimento amplamente consolidado na jurisprudência administrativa, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 911DF CARF MF Processo nº 11060.724851/201467 Acórdão n.º 1302002.618 S1C3T2 Fl. 17 16 Fl. 912DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000777/2007-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
BASE DE CÁLCULO. CIDE-REMESSAS AO EXTERIOR. VALOR TOTAL DA OPERAÇÃO, INCLUINDO O IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE COMO ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO PELO DESTINATÁRIO. FATOS GERADORES E SUJEITOS PASSIVOS DIVERSOS, MAS COM INCIDÊNCIA SIMULTÂNEA.
O valor do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da contribuição, independentemente de a fonte pagadora assumir o ônus do imposto. Apesar de terem fatos geradores e sujeitos passivos diversos, ambos os tributos incidem de forma simultânea, quando realizado o pagamento. Caberá ao adquirente, na qualidade de contribuinte, recolher a CIDE, e, na qualidade de responsável tributário, reter o imposto de renda. O valor da operação não se altera pela retenção, pois o instituto tem por fulcro apenas antecipar o devido pelo beneficiário no exterior em razão da obtenção da renda, já no momento do pagamento, para fins de facilitar o recolhimento do imposto e a sua fiscalização.
Numero da decisão: 9303-005.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran.
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CIDEREMESSAS AO EXTERIOR. VALOR TOTAL DA OPERAÇÃO, INCLUINDO O IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE COMO ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO PELO DESTINATÁRIO. FATOS GERADORES E SUJEITOS PASSIVOS DIVERSOS, MAS COM INCIDÊNCIA SIMULTÂNEA. O valor do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da contribuição, independentemente de a fonte pagadora assumir o ônus do imposto. Apesar de terem fatos geradores e sujeitos passivos diversos, ambos os tributos incidem de forma simultânea, quando realizado o pagamento. Caberá ao adquirente, na qualidade de contribuinte, recolher a CIDE, e, na qualidade de responsável tributário, reter o imposto de renda. O valor da operação não se altera pela retenção, pois o instituto tem por fulcro apenas antecipar o devido pelo beneficiário no exterior em razão da obtenção da renda, já no momento do pagamento, para fins de facilitar o recolhimento do imposto e a sua fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 07 77 /2 00 7- 91 Fl. 1887DF CARF MF Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 9303005.982 CSRFT3 Fl. 1.888 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 1.807 a 1.819), interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, contra Acórdão 3201000.437, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 1.791 a 1.805), sob a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2002, 2003, 2004 PEDIDO DE PERÍCIA. NEGATIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Compete à autoridade julgadora de primeira instância decidir, em despacho fundamentado, sobre o pedido de perícia apresentado pelo contribuinte. CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. BASE DE CÁLCULO. O Imposto de Renda Retido na Fonte sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações especificadas em Lei não integra a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide Remessas), instituída pelo art. 2º da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar e observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE. Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração serão exigidos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, por expressa previsão legal. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 1888DF CARF MF Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 9303005.982 CSRFT3 Fl. 1.889 3 Foi dado seguimento (fls. 1.821 a 1.823) ao Recurso Especial, no qual a PGFN utilizase do seguinte paradigma: Acórdão nº: 3301001.683 (1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de Apuração: 05/06/2003 a 21/12/2004 CIDE. BASE DE CÁLCULO. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. A base de cálculo da CIDE é o valor do serviço contratado, creditado e/ ou pago ao prestador no exterior. Inexiste amparo legal para a exclusão do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), em nome e por conta a licenciante, da base de cálculo desta contribuição. Recurso Voluntário Negado. Justifica a recorrente a divergência dizendo que ela “referese à interpretação concedida ao art. 2º da Lei nº 10.168/00, quanto à inclusão na base de cálculo da CIDE do valor atinente ao IRFonte” e “resta patente da simples leitura da ementa dos acórdãos. Porém, convém detalhar a fundamentação acatada nos votos condutores dos arestos, consoante se verifica das seguintes passagens ..." (transcreve excertos dos Votos dos acórdãos recorrido e do paradigma). No mérito, traz os seguintes argumentos basilares: "... a CIDE possui regime constitucionalmente estabelecido e, em conseqüência, bases de cálculo determinadas na própria Carta Magna. Nesse sentido, as contribuições de intervenção no domínio econômico estão previstas no artigo 149 da Constituição Federal, que assim determina: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (...) II incidirão também sobre a importação de produtos estrangeiros ou serviços; III poderão ter alíquotas: Fl. 1889DF CARF MF Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 9303005.982 CSRFT3 Fl. 1.890 4 a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; b) específica, tendo por base a unidade de medida adotada. Vêse que com o advento da EC nº 33/01, a Constituição Federal especificou, como bases de cálculo que devem ser eleitas pelo legislador ordinário quando da instituição de tal exação, o faturamento, a receita bruta, o valor da operação ou o valor aduaneiro. Com isso, afirmase que o disposto no artigo 149, § 2°, III da CF traz uma norma permissiva com um conteúdo restritivo, na medida em que limita as opções do legislador ordinário somente a uma das bases de cálculo que indica de forma exaustiva. (...) Assim, quando a Lei nº 10.168/00, alterada pela Lei 10.332/01, determina, no seu artigo 2º, a incidência da CIDE sobre os VALORES pagos, creditados, entregues, empregados ou remetido, a título de royalties ou da contraprestação de serviços, o que se quer dizer é que tais valores referemse ao VALOR BRUTO da operação, sem levar em conta os custos da pessoa jurídica contratada, ajustandose, com isso, a idéia legal de valores pagos à noção constitucional de faturamento, receita bruta e valor da operação, bases de cálculo eleitas pelo Poder Constituinte para a incidência da CIDE. (...) Essa, aliás, é a inteligência do artigo 344, § 3º do RIR (aplicado subsidiariamente à CIDE, nos termos do art. 3º, parágrafo único da Lei 10.168/01), ... ao tratar da dedutibilidade de custos e despesas, afirma que quando a fonte pagadora assume o ônus do IRF, devese considerar o tributo como parte integrante do valor pago ou creditado a terceiros, permitindolhes a dedução. Nesse sentido, o montante do custo ou despesa a ser deduzido pela fonte pagadora, no caso a recorrida, é composto do IRF devido cujo ônus foi por ela assumido." Cita o Ato Declaratório Interpretativo/SRF nº 25/2004 e a Solução de Divergência Cosit nº 17/2011. O contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 1848 a 1.862), com os argumentos que sintetiza em seus pedidos finais: i) não seja admitido em seu mérito o combatido recurso, tendo em vista que, não foi cumprida a formalidade do parágrafo oitavo do artigo 67 do Regimento Interno ... apenas e tão somente mencionou o dissídio jurisprudencial, sem indicar analiticamente os pontos de similitude e controvérsia; ii) não seja admitido em seu mérito o combatido recurso, tendo em vista que, não foi cumprida a formalidade essencial para recursos manejados, qual seja, indicar, atacar e motivar o motivo da reforma do acórdão recorrido, tendo em vista que, das folhas 4 e 5 do recurso, há mera indicação dos termos legais da, em tese, autorização para tributar a CIDE com base majorada, sem indicar os pontos do recurso combatido que merecem reforma; iii) em caso de não admissão dos pleitos anteriores, o que se admite apenas por amor ao argumento, requer a manutenção do acordão recorrido no ponto referente a exclusão do Imposto de Renda Retido na Fonte da base de Calculo da Fl. 1890DF CARF MF Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 9303005.982 CSRFT3 Fl. 1.891 5 CIDE, uma vez que não há qualquer justificativa para que o valor majorado artificialmente seja considerado, uma vez que ele não represente valor efetivamente pago, creditado, entregue, empregado ou remetido, mas sim, um acréscimo desvinculado destes verbos, bem como que a legislação atinente a CIDE não permite a majoração da Base de Cálculo com os valores retidos a título de Imposto de Renda Retido na Fonte, motivo pelo qual deve prevalecer o entendimento do acórdão 3201000.437– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, em prevalência do acórdão paradigma trazido (Primeira Turma da Terceira Câmara da Terceira Seção, que, em novembro de 2012, por meio do acórdão nº 3301001.68). É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Quanto à preliminar de admissibilidade do recurso (dividida em dois tópicos, mas que considero, para análise, em conjunto), a divergência jurisprudencial entre duas interpretações diametralmente opostas da legislação, nas palavras da PGFN (as quais endosso), “resta patente da simples leitura da ementa dos acórdãos”, ou seja, é tão flagrante que qualquer Auditor, Procurador ou Representante do Contribuinte, mesmo que nunca tenha enfrentado a questão, a perceberia, sendo a sua demonstração analítica uma redundância em si própria (como se diz, no popular, "chover no molhado"). Ainda assim, a recorrente cuida de transcrever excertos dos Votos dos dois acórdãos. Conheço, então, do Recurso Especial. No Mérito, a discussão cingese à inclusão ("gross up") ou não do IRRF na base de cálculo da CIDERemessas ao Exterior. Este assunto, no âmbito da RFB, encontrase pacificado, via Solução de Divergência Cosit nº 17, de 29/06/2011 (citada pela PGFN no Recurso Especial): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE BASE DE CÁLCULO CIDE. PESSOA JURÍDICA BRASILEIRA. ASSUNÇÃO DO ÔNUS DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF). O valor do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE), independentemente de a fonte pagadora assumir o ônus imposto do IRRF. Dispositivos Legais: arts. 97 e 123 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; art. 682, inciso I, do Decreto nº 3.000, de 26 de Fl. 1891DF CARF MF Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 9303005.982 CSRFT3 Fl. 1.892 6 março de 1999; Art. 2º da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000, com a redação dada pela Lei nº 10.332, de 19 de dezembro de 2001, e pela Lei nº 11.452, de 27 de fevereiro de 2007. Há decisão, relativamente recente (09/06/2016), desta mesma 3º Turma da CSRF, com composição não muito diversa, no mesmo sentido. Vejamos a Ementa do Acórdão nº 9303004.142: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 CIDE. BASE DE CÁLCULO. A contribuição incide sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações contraídas, sendo considerada líquida a quantia enviada ao exterior. Sujeitase, subsidiariamente e no que couber, às disposições da legislação do imposto de renda, a qual que conceitua o IRRF como integrante da importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, razão pela qual, na apuração da CIDE devese considerar o IRRF como integrante da importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue. Recurso Especial do Procurador Provido. A mesma empresa (uma gigante mundial do ramo alimentício) discutiu a mesma questão no Judiciário, tendo sido o TRF da 3ª Região claríssimo sobre a inclusão do IRRF da base de Cálculo da CIDE, em decisão publicada em 20/04/2016 (contra a qual foram opostos Embargos de Declaração pela autora, os quais foram pouco depois rejeitados, e interpostos Recursos Especial e Extraordinário, cuja admissibilidade ainda se encontra sujeita a apreciação pelo TRF): APELAÇÃO E REEXAME NECESSÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. EXCLUSÃO DO IRRF DA BASE DE CÁLCULO DA CIDEROYALTIES PREVISTA NA LEI 10.168/00. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA SIMULTÂNEA, ENVOLVENDO SUJEITOS PASSIVOS DIVERSOS. CONCEITO DE RENDA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. SEGURANÇA DENEGADA. (grifei) 1. Nos termos da Lei 10.168/00, a CIDE tem por objetivo o custeio do Programa de Estímulo à Interação Universidade Empresa para o Apoio à Inovação, tendo por fato gerador a transferência onerosa de tecnologia detida por residente ou domiciliado no exterior para pessoa jurídica. Sua base de cálculo será a contraprestação ofertada, a título de remuneração pela transferência. 2. O imposto de renda retido na operação, por força do art. 710 do RIR/99, tem por fato gerador a disponibilidade econômica ou jurídica da renda auferida pelo residente no Fl. 1892DF CARF MF Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 9303005.982 CSRFT3 Fl. 1.893 7 exterior, tendo por base de cálculo também a contraprestação alcançada pela transferência. 3. Na espécie, não obstante terem fatos geradores e sujeitos passivos diversos, ambos os tributos incidem de forma simultânea, quando realizado o pagamento pela transferência da tecnologia. Caberá ao adquirente da tecnologia, na qualidade de contribuinte, recolher a CIDE, e, na qualidade de responsável tributário, reter o imposto de renda, tomando por base de cálculo de ambos o pagamento efetuado. 4. O valor da operação não se altera pela retenção, pois o instituto tem por fulcro apenas antecipar o que seria devido pelo titular da tecnologia no exterior pela obtenção da renda, já no momento do pagamento, para fins de facilitar o recolhimento do imposto e a sua fiscalização. 5. Entendimento obediente do previsto no art. 43 do CTN, pois nosso ordenamento adota um conceito de renda amplo para fins de tributação, bastando a sua disponibilidade econômica ou jurídica para a incidência tributária, independentemente do valor efetivamente auferido pelo contribuinte. Apesar do artigo questionado referirse ao imposto de renda, é plenamente aplicável à CIDE ROYALTIES, visto se valer do mesmo conceito ao caracterizar a base de cálculo da contribuição, como se percebe da redação idêntica utilizada no art. 2°, § 3°, da Lei 10.168/00 e no art. 710 do RIR/99. Ademais, o legislador não instituiu a dedução do IRRF do valor da operação para fins de incidência da CIDE, ou o inverso, até porque os contribuintes não são os mesmos. 6. Recurso de apelação e reexame necessário providos, denegandose a segurança com cassação da liminar. (Apelação/Reexame Necessário Nº 0016434 92.2011.4.03.6100/SP, Rel. Des. Federal Johonsom di Salvio, Publicação 20/04/2016) A transcrição de excertos do Voto do eminente Relator dispensa qualquer argumentação adicional (vejase que também é suscitada a convergência com a legislação do Imposto de Renda trazida no Recurso Especial): "O raciocínio fica mais claro se mantivermos o recolhimento do imposto de renda no momento do pagamento, mas agora de responsabilidade de seu contribuinte. Nesse caso, receberia os royalties devidos e recolheria a tributação, e tomaríamos como valor da operação aquele determinado no contrato, não descontando o imposto de renda recolhido. Por que, tornando o adquirente o responsável tributário pelo recolhimento, o raciocínio seria diferente ? Não o é, até porque o valor pago é sim aquele acordado pelas partes contratantes, recaindo sobre o mesmo os tributos devidos. Tudo o que o adquirente faz é reter o imposto de renda devido pelo titular da tecnologia justamente em razão do valor recebido. Fl. 1893DF CARF MF Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 9303005.982 CSRFT3 Fl. 1.894 8 Ao contrário do alegado pelas impetrantes, as normas em comento não trouxeram como base de cálculo o valor efetivamente pago, excluída a retenção, mas sim a disponibilidade de renda decorrente do contrato de transferência de tecnologia. Isso porque, conforme previsto no art. 43 do CTN, nosso ordenamento adota um conceito de renda amplo para fins de tributação, bastando a sua disponibilidade econômica ou jurídica para a incidência tributária, independentemente do valor efetivamente auferido pelo contribuinte. Apesar do artigo legal referirse ao imposto de renda, é plenamente aplicável à CIDE ROYALTIES, visto se valer do mesmo conceito ao caracterizar a base de cálculo da contribuição, como se percebe da redação idêntica utilizada no art. 2°, § 3°, da Lei 10.168/00 e no art. 710 do RIR/99. De forma a tornar a tributação mais próxima da realidade e atender à capacidade contributiva, o legislador elenca uma série de deduções da base de cálculo, possibilitando ao contribuinte reduzir o quantum tributário devido. O legislador não fez qualquer ressalva nesse sentido no caso, não permitindo a dedução do IRRF do valor da operação para fins de incidência da CIDE, ou o inverso, até porque os contribuintes não são os mesmos. Assim, ambos devem recair sobre o valor total do contrato, em respeito às normas de incidência em comento.” Matematicamente, teríamos o seguinte: Para se encontrar a base de cálculo da CIDE, há que tomar como referência o valor efetivamente remetido e fazer a recomposição (“cálculo por dentro” ou “gross up”) do valor bruto, antes da retenção do IRRF. Exemplifico: Valor do Contrato de Câmbio (Valor "Líquido" da Remessa): R$ 17.000,00 IRRF: 15 % Valor Bruto (Base de Cálculo da CIDE): R$ 17.000,00 / (10,15) = R$ 17.000,00 / 0,85 = R$ 20.000,00 Valor da CIDE: R$ 20.000,00 x 10 % = R$ 2.000,00. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1894DF CARF MF Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 9303005.982 CSRFT3 Fl. 1.895 9 Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama No que tange à base de cálculo da CIDE quando há assunção do ônus do IRF pelo tomador do serviço de residente ou domiciliado no exterior, peço vênia ao ilustre Conselheiro Presidente Rodrigo da Costa Pôssas para manifestar meu entendimento. Sendo assim, passo a discorrer sobre a base de cálculo da CIDE. Importante trazer, a priori, que a CIDE é uma contribuição que tem como sujeito passivo o tomador do serviço, e não o prestador de serviço residente no exterior, conforme os seguintes dispositivos da Lei 10.168/00 (Grifos meus): “Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (Vide Decreto nº 6.233, de 2007) (Vide Medida Provisória nº 510, de 2010) § 1º Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 1ºA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) § 2º A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. (Redação da pela Lei nº 10.332, de 2001) [...]” Ou seja, é diferente do IRF incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior, pois, nesse caso (CIDE), o contribuinte é o próprio prestador do serviço não residente. Ora, o próprio beneficiário da importância a ser recebida é o sujeito passivo. Tanto é assim que, em geral, após a recepção da “Invoice” pelo tomador do serviço, o tomador quando da liquidação do câmbio para pagamento ao não residente pela Fl. 1895DF CARF MF Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 9303005.982 CSRFT3 Fl. 1.896 10 prestação de serviço, deve apresentar DARF à Instituição Financeira autorizada a fechar o câmbio comprovando que reteve e recolheu 15% de IRRF sobre tal remessa direcionado ao prestador. Não obstante às situações corriqueiras, vêse que, eventualmente, por questões comerciais e, por conseguinte, contratuais, pode ser firmado “Agreement" entre o tomador do serviço e prestador de serviço não residente, prevendo a assunção do ônus do IRF devido pelo prestador ao tomador. Mas, em ambos os casos, o sujeito passivo continua claramente sendo o não residente. Tanto é assim, que na DIRF do tomador do serviço, deve constar o CNPJ e a NIF – Número de Identificação Fiscal do prestador de serviço não residente. Eis a IN SRF 1587/2015, que dispõe sobre a DIRF: “Art. 22. Na hipótese prevista no § 2º do art. 2º, a Dirf 2016 deverá conter as seguintes informações sobre os beneficiários residentes e domiciliados no exterior: I Número de Identificação Fiscal (NIF) fornecido pelo órgão de administração tributária no exterior; II indicador de pessoa física ou jurídica; III número de inscrição no CPF ou no CNPJ, quando houver; IV nome da pessoa física ou nome empresarial da pessoa jurídica beneficiária do rendimento; V endereço completo (rua, avenida, número, complemento, bairro, cidade, região administrativa, estado, província etc); VI país de residência fiscal; VII natureza da relação entre a fonte pagadora no País e o beneficiário no exterior, conforme Tabela constante do Anexo II desta Instrução Normativa; VIII relativamente aos rendimentos: a) código de receita; b) data de pagamento, remessa, crédito, emprego ou entrega; [...] Parágrafo único. O NIF será dispensado nos casos em que o país do beneficiário residente ou domiciliado no exterior não o exija ou nos casos em que, de acordo com as regras do órgão de administração tributária no exterior, o beneficiário do rendimento, remessa, pagamento, crédito, ou outras receitas, estiver dispensado desse número.” Continuando, temse que, quando, por questões comerciais, o tomador, responsável tributário por reter e recolher o IRF, assume o ônus do IRF DEVIDO PELO BENEFICIÁRIO, deve observar para o cálculo do IRF, a base de cálculo descrita no art. 725 do RIR/99, in verbis (Grifos Meus): Fl. 1896DF CARF MF Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 9303005.982 CSRFT3 Fl. 1.897 11 “Art. 725. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto, ressalvadas as hipóteses a que se referem os arts. 677 e 703, parágrafo único (Lei nº 4.154, de 1962, art. 5º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 63, § 2º).” Sendo assim, caso haja previsão contratual de assunção do ônus do IRF DEVIDO PELO BENEFICIÁRIO, o tomador deve “grossapar” o IRF – com o intuito de o beneficiário efetivamente receber o valor contratado sem os efeitos fiscais impostos pela autoridade fazendária do país do tomador. Não é demais ressaltar que o art. 725 do RIR/99 é plenamente aplicável para a hipótese de o tomador do serviço assumir o ônus do IRRF DEVIDO PELO BENEFICIÁRIO, pois, por óbvio, abarcou essa hipótese ao expressar literalmente o termo “ônus do imposto DEVIDO PELO BENEFICIÁRIO”. No que tange à CIDE, nos termos da Lei 10.168/00, vêse que o contribuinte/sujeito passivo não é o prestador de serviço não residente, mas sim o tomador do serviço. O que faz todo o sentido ser assim, vez que essa contribuição foi instituída com a pretensão de se estimular o desenvolvimento tecnológico e produtivo brasileiro. E para que haja tal estímulo deverseia imputar um “ônus financeiro” às pessoas jurídicas residentes no país que deixassem de contratar um residente para tomar serviço de um não residente, vez que, agindo dessa forma, desestimularia o setor produtivo no país desviando o “investimento” (recurso) ao exterior. Sendo assim, resta claro que o sujeito passivo da contribuição é o tomador de serviço – ou seja, que A CONTRIBUIÇÃO É DEVIDA PELO TOMADOR, e não pelo beneficiário do recurso (remuneração pela prestação do serviço), tal como ocorre com o IRRF. O que, a rigor, é de se afastar a aplicação do art. 725 do RIR/99 no cálculo de apuração da CIDE. Notase que faz todo o sentido aplicar o art. 725 do RIR/99 para a base de cálculo do IRRF, tendo em vista que se trata de tributo sujeito a retenção na fonte devido pelo beneficiário do recurso objeto da incidência desse imposto. E que, portanto, seria passível, por questões comerciais, de ter o ônus financeiro do imposto assumido pelo despendedor do referido recurso a ser remetido. O que, aplicar tal dispositivo à CIDE, extrapolaria matematicamente, economicamente, contabilmente e juridicamente a base de cálculo dessa contribuição, vez ser uma contribuição devida efetivamente pelo tomador do serviço prestado. E não se trata de contribuição a ser retida na fonte. A Cide não oneraria o prestador – o que, por óbvio, não há que se falar em assunção desse ônus, pois não é devido pelo beneficiário da remuneração, mas sim por seu despendedor. Para melhor elucidar, importante trazer ainda à baila o art. 2º, § 3º, da Lei 10.168/00, in verbis (Grifos meus): “Art. 2º (...) Fl. 1897DF CARF MF Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 9303005.982 CSRFT3 Fl. 1.898 12 (...) § 3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2º deste artigo. [...]” Nos termos do dispositivo, vêse claro que a base de cálculo da CIDE é a remuneração dos serviços prestados – remuneração essa prevista no contrato. Ora, quando é firmado um “Agreement" entre o tomador e prestador, há uma clausula específica de remuneração – que traz um valor mensurável de remuneração e outra cláusula, no caso de se optar pelo “grossup”, de “disposições gerais” que traz expressamente a assunção pelo tomador do serviço do IRF DEVIDO PELO BENEFICIÁRIO da remuneração. Sendo assim, ainda que haja previsão contratual determinado o “grossup” do IRF devido pelo beneficiário, a remuneração não se altera com tal disposição e, por conseguinte, a BASE DE CÁLCULO da contribuição. Não se altera a remuneração, em respeito à literalidade da Lei e aos termos contratuais (declaração de vontade das partes). A base de cálculo da CIDE não deve ser “reajustado”, pois sua base de cálculo é simplesmente a remuneração do prestador. Ora, reajustar a base de cálculo da CIDE, seria extrapolar as normas que regem sua instituição. E nem há previsão legal para tanto. E caso, por equívoco, se pretenda aplicar o art. 725 do RIR/99 por analogia, importante trazer os dizeres do art. 97 do CTN, in verbis (Grifos meus): “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo.” Fl. 1898DF CARF MF Processo nº 10932.000777/200791 Acórdão n.º 9303005.982 CSRFT3 Fl. 1.899 13 Considerando o enunciado, temse que aplicar por analogia o art. 725 do RIR/99 feriria gravemente o art. 97 do CTN, vez que aumentaria o valor da contribuição, bem como extrapolaria a base de cálculo definida pela própria Lei 10.168/00 – que DEFINIU A BASE DE CÁLCULO COMO SENDO A REMUNERAÇÃO PELA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. E, ainda, caso se entenda que a legislação pertinente ao IR poderia ser aplicada subsidiariamente à CIDE, invocando o art. 3º, parágrafo único da Lei 10.168/01, in verbis: “Art. 3º Compete à Secretaria da Receita Federal a administração e a fiscalização da contribuição de que trata esta Lei. Parágrafo único. A contribuição de que trata esta Lei sujeitase às normas relativas ao processo administrativo fiscal de determinação e exigência de créditos tributários federais, previstas no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações posteriores, bem como, subsidiariamente e no que couber, às disposições da legislação do imposto de renda, especialmente quanto a penalidades e demais acréscimos aplicáveis.” Não há que se aplicar ainda assim o art. 725 do RIR/99, pois o parágrafo único do art. 3º traz sua aplicação da legislação do IR apenas quanto a penalidades e demais acréscimos aplicáveis. Em respeito à ciência do direito, a aplicação subsidiaria “no que couber” só pode dar em matéria na qual a Lei 10.168/00 for omissa, o que não ocorre quanto à base de cálculo da CIDE, fixada no § 3º do art. 2º dessa lei. A omissão existe quando houver apenas lacunas normativas – o que não ocorreu na legislação da CIDE, pois o legislador quando da feitura da Lei 10.168/00 trouxe claramente que a base de cálculo da CIDE é a remuneração pela prestação do serviço. Em vista de todo o exposto, entendo que não há que se falar em “grossapar” o IRRF na base de cálculo da CIDE. O que, por conseguinte, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o meu voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 1899DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.904207/2012-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008
EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL.
A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.345
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. Recorrente JOÃO ALVES DE ALMEIDA GOIANO EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrandose que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 42 07 /2 01 2- 37 Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 10746.904207/201237 Acórdão n.º 3301004.345 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 03052.856, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília. Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor para a realização da compensação pretendida. Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. A 4ª Turma da DRJ/BSB julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório sob o fundamento, em síntese, que não foi comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição. Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte protocolou recurso voluntário e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos documentação comprobatória, e no que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Encaminhado o processo para julgamento por este Carf, a 3ª Turma Especial desta Terceira Sessão decidiu pela conversão daquele em diligência, por meio da Resolução 3803000.581. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, em cumprimento ao procedimento de Diligência Fiscal, através da Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, no qual foi realizado o confronto entre as informações provenientes de Declarações da requerente armazenadas nos sistemas de controle da RFB e as constantes nos documentos fiscais apresentados (planilhas e notas fiscais), onde propôs o indeferimento total do Pedido de Restituição. Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte veio "declarar que está de acordo com os valores propostos pela autoridade fiscal perante o CARF, conforme Fl. 1022DF CARF MF Processo nº 10746.904207/201237 Acórdão n.º 3301004.345 S3C3T1 Fl. 4 3 Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, onde propôs o deferimento parcial do Pedido de Restituição, reconhecendo assim o direito creditório em favor do requerente"(sic). É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.331, de 20 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10746.904181/201227, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.331): "A recorrente bem coloca a discussão, no recurso voluntário que apresentou: A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que, para se comprovar a existência de crédito supostamente decorrente de pagamento a maior, a simples entrega de declarações retificadoras não é bastante e que "é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 10746.904207/201237 Acórdão n.º 3301004.345 S3C3T1 Fl. 5 4 idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração", ônus este, da contribuinte. Em seu recurso a esta decisão de primeira instância, a contribuinte juntou livros contábeis e fiscais, além de notas fiscais. Sucederamse então exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação da documentação. Registrese que a norma faculta a apresentação desta em papel. Tal questão fora ultrapassada por resolução de Turma desta CARF, a qual determinou que se baixassem os autos em diligência, em apreço ao princípio da verdade material, "com vistas à apuração e pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente (sic) para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido", o que fez acertadamente, a meu ver. A norma em pauta, Lei nº 10.833/03, artigos 58A e 58B (revogados em 2015, mas vigentes à época dos fatos), de fato, dá direito à redução 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos lá especificados, o que fora verificado em sede de diligência A recorrente traz indevidamente tal questão como preliminar. Seguem os dispositivos legais referidos: Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 10746.904207/201237 Acórdão n.º 3301004.345 S3C3T1 Fl. 6 5 Por fim, ultrapassada a relatada questão da apresentação de documentos, o resultado da diligência demonstrou o desacerto das valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo o "indeferimento total do PER sob nº 01296.07698.291210.1.2.049025" (grifos do original), com o que concordo. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o resultado da diligência demonstrou o desacerto dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo o indeferimento total do PER apresentado, com o que concordo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 1025DF CARF MF
score : 1.0
