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Numero do processo: 10855.901797/2008-22
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Anocalendário:
2001
Ementa:
COMPENSAÇÃO – ÔNUS DA PROVA – LUCRO PRESUMIDO DO 4º TRIMESTRE DE 2001 – COEFICIENTE DE 8% OU DE 32%
Se a pretensão é da contribuinte, dela é o onus probandi, de modo que, se ela
se insurge contra despacho decisório sobre sua pretensão, a demonstração e
comprovação de seu direito deve ser exercida em seu momento próprio.
Sem embargo da questão da produção probatória no momento próprio, competia à contribuinte, no mínimo, anotar ou discriminar todos os lançamentos contábeis relativos às receitas da atividade de construção civil do Livro Diário e indicar um mínimo de conexão de tais receitas com os lançamentos referentes a compras (custos). Isso, para comprovar que a receita bruta do trimestre era somente de atividade de construção civil com emprego de materiais, para aplicação do coeficiente de 8%. O princípio da verdade material ou do formalismo moderado não é absoluto, a permitir a substituição do ônus “primário” das partes, e divorciado da finalidade de eficiência e de não eternização do processo.
Numero da decisão: 1103-000.458
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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Sem embargo da questão da produção probatória no momento próprio, competia à contribuinte, no mínimo, anotar ou discriminar todos os lançamentos contábeis relativos às receitas da atividade de construção civil do Livro Diário e indicar um mínimo de conexão de tais receitas com os lançamentos referentes a compras (custos). Isso, para comprovar que a receita bruta do trimestre era somente de atividade de construção civil com emprego de materiais, para aplicação do coeficiente de 8%. O princípio da verdade material ou do formalismo moderado não é absoluto, a permitir a substituição do ônus “primário” das partes, e divorciado da finalidade de eficiência e de não eternização do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente Fl. 470DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901797/200822 Acórdão n.º 110300.458 S1C1T3 Fl. 471 2 (assinado digitalmente) Marcos Shigueo Takata Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva (Presidente), Hugo Correia Sotero, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata (Relator), José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva. Fl. 471DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901797/200822 Acórdão n.º 110300.458 S1C1T3 Fl. 472 3 Relatório DO DESPACHO DECISÓRIO Em 18/07/2008, por intermédio do Despacho Decisório (fl. 3), não foi reconhecido nenhum direito creditório a favor da recorrente e, por conseguinte, não foi homologada a compensação declarada na PER/DCOMP (fls. 1 e 2), por meio da qual a recorrente pretendia compensar débito de Cofins (código de receita: 2172) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). O motivo da não homologação se fundou na constatação de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da recorrente, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Irresignada, em 22/08/2008, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 6 a 9), na qual alegou, em síntese, que: a) A sociedade em questão tem como atividade principal a exploração da construção civil, destacandose a prestação de diversos serviços; b) Em 23/01/2003, a recorrente formulou consulta fiscal, processo administrativo nº 10855.000267/20031 (fls. 18 a 21), requerendo solução acerca do percentual aplicável sobre a receita bruta da pessoa jurídica prestadora de serviços na área da construção civil, quando houver emprego de materiais, para fins de apuração do lucro presumido e obteve como resposta o percentual de 8%; c) Constatou que sempre apurou o lucro presumido pelo percentual de 32% sobre a receita bruta, mesmo empregando materiais nas obras, e, consequentemente, sempre recolheu IRPJ a maior, pelo quádruplo do valor devido; d) Procedeu à compensação do tributo pago a maior com tributos e contribuições arrecadados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB); e) Deixou de retificar o valor do débito de IRPJ declarado na DCTF e na DIPJ de modo que o sistema não constatou o pagamento a maior do imposto; f) Embora não tenha havido a retificação da DCTF e da DIPJ para permitir que o sistema constatasse automaticamente o pagamento a maior do IRPJ e o seu decorrente crédito, os documentos anexos comprovam claramente a sua existência, bem como a veracidade das informações prestadas; g) A não retificação do débito de IRPJ na DCTF e na DIPJ não decorreu de dolo da recorrente e sim do entendimento equivocado de que as informações prestadas na Declaração de Compensação supririam a sua necessidade. h) Requereu o apensamento deste processo ao processo de nº 10855.900739/200881 e que seja dado provimento à manifestação de inconformidade para Fl. 472DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901797/200822 Acórdão n.º 110300.458 S1C1T3 Fl. 473 4 homologar a compensação. Anexou aos autos notas fiscais emitidas no mês de novembro do anocalendário de 2001, os contratos com a SABESP e a notas fiscais dos materiais empregados nas obras. DA DECISÃO DA DRJ E DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em 26/01/2010, acordaram os julgadores da 5ª Turma da DRJ/RPO, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, pelos motivos abaixo sintetizados: a) Ao analisar o contrato social da recorrente, constatouse que a empresa exerce diversas modalidades de prestação de serviços. Por conseguinte, os contratos por ela firmados podem abrigar uma ou mais de uma atividade, o que torna imprescindível a apresentação de toda a documentação fiscal cabível para a apuração da base de cálculo do IRPJ do 4º trimestre de 2001, para demonstrar o montante do tributo devido; b) A recorrente apresentou notas fiscais, porém o direito à repetição do indébito não diz respeito a cada nota fiscal, vez que a recorrente pleiteia como indébito o IRPJ pago com base na apuração do lucro presumido do 4º trimestre de 2001, que incide sobre uma base de cálculo, e não incide em relação a cada nota fiscal em particular; c) Portanto, a recorrente deveria ter trazido aos autos demonstrativo da apuração do lucro presumido do 4º trimestre de 2001, com a aplicação, no caso de atividades diversificadas, do percentual correspondente a cada atividade, a fim de se determinar a base de cálculo e o imposto de renda devido e, em consequência, cotejar o IRPJ pago com aquele efetivamente devido; d) Ainda, a recorrente deveria ter apresentado provas que permitissem albergar a tese de pagamento indevido ou a maior, isto porque há na DCTF declaração de existência de débito de IRPJ, não sendo suficiente para desnaturála a simples alegação em contrário; e) O indébito, portanto, não contém os atributos necessários de liquidez e certeza e não cabe o apensamento ao processo administrativo de nº 10855.900739/200881 por referiremse a períodos de apuração distintos. Cientificada da decisão em 22/02/2010, interpôs a recorrente recurso voluntário de fls. 252 a 256 em 12/03/2010, reiterando, basicamente, as alegações feitas na manifestação de inconformidade, e juntou aos autos cópias do Livro Diário correspondente ao 4º trimestre do anocalendário de 2001, das notas fiscais emitidas nesse trimestre, dos contratos com a SABESP e das notas fiscais dos materiais empregados nas obras. É o relatório. Fl. 473DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901797/200822 Acórdão n.º 110300.458 S1C1T3 Fl. 474 5 Voto Conselheiro Marcos Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. A não homologação da DCOMP se deu por despacho decisório “eletrônico” com fundamento na existência de pagamento localizado para solução de débito do mesmo código (2089 – lucro presumido) e mesmo período de apuração (4º trimestre de 2001), não restando crédito disponível para compensação (fl. 3). Não obstante, vejo que a própria DCOMP estampa erros de preenchimento, pois é indicado, na ficha DARF IRPJ, como data do período de apuração 30/11/2001 ao invés de 31/12/2001 (fl. 2 – frente e fl. 27), e a falta de indicação de outra DCOMP, pois sendo informado como valor original do crédito inicial R$ 4.011,09 e crédito original na data da transmissão o valor de R$ 2.846,88 (fls. 1 e 26), é evidente que o pretenso crédito já havia sido utilizado parcialmente em outra DCOMP. A recorrente alega erro no preenchimento da DCTF e da DIPJ, que não forma retificadas. O erro defluiria do pagamento de IRPJ sob o regime do lucro presumido, pela aplicação da alíquota de 32% sobre a receita bruta para a determinação daquela, quando o correto seria a aplicação da alíquota de 8% sobre a receita bruta. A controvérsia acerca do direito creditório postulado pela recorrente de IRPJ pago a maior gravita em torno da aplicação da alíquota de 8% sobre a receita bruta do 4º trimestre do anocalendário de 2001 na determinação do lucro presumido, ao invés da alíquota de 32% sobre tal receita bruta – o que teria gerado o direito creditório da recorrente. Invoca a recorrente a Solução de Consulta a ela conferida pela SRRF da 8ª Região Fiscal, de março de 2005, no processo administrativo 10855.000267/200351. Nela se reconheceu a aplicação da alíquota de 8% na apuração do lucro presumido, na atividade de construção por empreitada, quando houver emprego de materiais em qualquer quantidade, e a alíquota de 32% na apuração do lucro presumido, quando houver unicamente emprego de mão deobra. Segundo o contrato social da recorrente, seu objeto social inclui atividades diversificadas na área da construção civil. Com a manifestação de inconformidade, a recorrente carreou aos autos cópia de contratos firmados com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – SABESP, de suspensão e de rescisão de um dos contratos celebrados com essa, cópias de notas fiscais emitidas pela recorrente para aquela em novembro de 2001, e cópias de notas fiscais de compra de matérias de construção civil. Documentação que fora acostada aos autos com a peça inaugural, para comprovar que as receitas auferidas pela recorrente no 4º trimestre do ano calendário de 2001 foram somente de construção civil com emprego de materiais. Fl. 474DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901797/200822 Acórdão n.º 110300.458 S1C1T3 Fl. 475 6 Na peça recursiva, a recorrente juntou aos autos cópia do Livro Diário correspondente ao 4º trimestre do anocalendário de 2001, cópia de mais contratos firmados com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – SABESP, e cópia alegadamente de todas as notas fiscais emitidas nesse trimestre e de todas as notas fiscais dos materiais empregados nas obras. Posto isso, é curial registrar que se a pretensão em jogo é da recorrente, desta é o onus probandi. E, assim, se ela se insurge contra despacho decisório que infirma total ou parcialmente sua pretensão, a demonstração e comprovação de seu direito deve ser exercida em seu momento próprio. Sendo a pretensão deduzida a da recorrente, a produção de provas devese limitar, em princípio, ao momento da manifestação de inconformidade. Reputo ser aceitável a apresentação de provas na fase recursiva, quando se tratar de comprovantes de rendimentos e de retenções de tributos, ou no caso de provas complementares às já apresentadas anteriormente. Diverso do que sucede (produção de provas) quando a pretensão em causa é do fisco. Em sede de processo de compensação, em que o onus probandi compete à recorrente, que postula o direito em causa, entendo não ser cabível convolar este juízo em fase de procedimento de auditoria, com a determinação de diligências para substituir papel “primário” que caberia ter sido levado a termo pela contraparte, à qual instaria provar ou demonstrar. Da mesma forma, se a pretensão for do fisco, minha intelecção é a de que não cabe transformar o órgão julgador ad quem em órgão de auditoria, com a determinação de diligências para substituir papel ou ônus “primário” (que compõe o que a doutrina italiana chama de instrução primária, a qual orienta a relação jurídicoformal do lançamento, em contraposição à instrução secundária, que se desenvolve na relação jurídicoformal processual) do fisco. A carência de certeza do crédito, nesse caso, implica nulidade (total ou parcial) do lançamento, a meu ver. O princípio da verdade material ou do formalismo moderado não é absoluto, a permitir a substituição do ônus “primário” das partes, e divorciado da finalidade de eficiência e de não eternização do processo. Compulsando os autos, vejo que há cópias: a) de notas fiscais emitidas pela recorrente; b) de notas fiscais de compra de materiais para construção civil; c) de contratos com a SABESP para execução de rede de distribuição de água, de rede coletora de esgotos, de ligações prediais de água e de esgotos, de corte e restabelecimento de fornecimento de água e supressões de fornecimento de água, de ligações domiciliares de água avulsas, de remanejamento de rede de distribuição de água, de melhorias Fl. 475DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901797/200822 Acórdão n.º 110300.458 S1C1T3 Fl. 476 7 nas ligações domiciliares de água, de construção de casa de bombas, de ampliação da estação de tratamento de esgotos; d) do Livro Diário do 4º trimestre de 2001, do plano de contas, do balanço e da demonstração de resultado. As cópias do Livro Diário do 4º trimestre de 2001, do plano de contas contábil, do balanço, da demonstração de resultado, das notas fiscais emitidas em outubro e dezembro de 2001, de parte das notas fiscais de compra, e de alguns dos contratos já mencionados somente foram trazidas aos autos com a peça recursiva. A documentação contábil, conectada às notas fiscais que dão lastro aos lançamentos contábeis, é fundamental para aferir se a recorrente não auferira receitas no trimestre em questão por atividade de construção civil sem emprego de materiais. Importa registrar, nesse passo, que a recorrente se limitou a juntar cópia do Livro Diário do trimestre em discussão, sem anotar ou discriminar todos os lançamentos contábeis relativos às receitas da atividade de construção civil, e sem indicar um mínimo de conexão de tais receitas com os registros de compras. Além disso, não juntou cópia das contas do Razão sensibilizadas com o reconhecimento das receitas e das compras: não há anotação da somatória dos lançamentos a crédito em conta de receita da atividade do Diário que teriam sido com emprego de materiais em “batimento” com a receita da atividade da demonstração do resultado do trimestre. Também, a recorrente não elaborou planilha demonstrativa de tais receitas indicando a “fonte” contábil, e demonstrativa das compras (custos) indicando a “fonte contábil”, com um mínimo de conexão entre elas as receitas que supostamente seriam com emprego de matérias e as compras (custos). Ademais disso, a cópia do Diário só foi juntada aos autos no momento processual recursivo (além, é claro, da cópia de notas fiscais emitidas em outubro e dezembro, de parte das notas fiscais de compra e da demonstração de resultado que parece ser do exercício, e não do 4º trimestre). Nesse passo, retomo o que deduzi acima, sobre o onus probandi, sobre o momento processual para produção de provas no caso de pretensão do contribuinte, sobre o princípio da verdade material não ser absoluto. Também, como disse alhures, não cabe transformar este juízo em fase de procedimento de auditoria. Sem embargo da questão da produção probatória no momento próprio, competia à recorrente, no mínimo, anotar ou discriminar todos os lançamentos contábeis relativos às receitas da atividade de construção civil do Livro Diário e indicar um mínimo de conexão de tais receitas com os lançamentos referentes a compras (custos). Não percebeu a recorrente que, sendo sua a pretensão, seu é o onus probandi, competindo a quem tem esse ônus a discriminação acima referida, para a comprovação de sua pretensão, e não simplesmente “lançar” nos autos lotes de notas fiscais, o Livro Diário Fl. 476DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901797/200822 Acórdão n.º 110300.458 S1C1T3 Fl. 477 8 correspondente ao 4º trimestre de 2001, balanço e demonstração de resultado do anocalendário de 2001. De outra parte, a determinação de diligência se presta para esclarecer produção probatória adequada feita por quem tem seu ônus, se o quanto consta nos autos reclama essa constatação (esclarecimentos); ou, eventualmente, a diligência se orienta a complementar produção probatória não imputável à parte que tenha o ônus da prova (por ex., o contribuinte carreia aos autos documento que comprova o pedido, à fonte pagadora, de entrega do informe de rendimentos, mas não o recebe). Ainda assim, apreciando os autos, encontro: o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo à nota fiscal nº 180, no valor de R$ 14.715,40 (fl. 279 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo à nota fiscal nº 181, no valor de R$ 82.622,02 (fl. 281 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo à nota fiscal nº 182 no valor de R$ 2.023,72 (fl. 282 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo à nota fiscal nº 183, no valor de R$ 2.344,97 (fl. 283 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo à nota fiscal nº 184, no valor de R$ 25.783,78 (fl. 285 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo à nota fiscal nº 186, no valor de R$ 14.286,80 (fl. 286 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo à nota fiscal nº 187, no valor de R$ 8.516,06 (fl. 289 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de Fl. 477DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901797/200822 Acórdão n.º 110300.458 S1C1T3 Fl. 478 9 resultado – a conta de receita), relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 478,05 (fl. 289 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 96.745,77 (fl. 289 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 1.930,00 (fl. 292 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 3.069,68 (fl. 294 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 188,18 (fl. 295 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 1.145,57 (fl. 295 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 1.220,90 (fl. 295 do processo); o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 1.946,58 (fl. 298 do processo) – em que pese a nota fiscal correspondente ser de 3 de dezembro de nº 195 (fl. 274) e o lançamento contábil ser também de 3 de dezembro; o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 60.022,87 (fl. 299 do processo) – em que pese a nota fiscal correspondente ser de 5 de dezembro de nº 196 (fl. 275) e o lançamento contábil ser também de 5 de dezembro; o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ Fl. 478DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901797/200822 Acórdão n.º 110300.458 S1C1T3 Fl. 479 10 16.232,40 (fl. 300 do processo) – em que pese a nota fiscal correspondente ser de 10 de dezembro de nº 197 (fl. 276) e o lançamento contábil ser também de 10 de dezembro; o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 26.056,91 (fl. 301 do processo) – em que pese a nota fiscal correspondente ser de 14 de dezembro de nº 198 (fl. 277) e o lançamento contábil ser também de 14 de dezembro; o lançamento contábil a débito na conta “Cia. de Saneamento Básico” contra o lançamento contábil a crédito na conta “Serviços Prestados a Terceiros” (conta de resultado – a conta de receita), relativo a prestação de serviço em novembro, no valor de R$ 4.525,99 (fls. 301 e 302 do processo) – em que pese a nota fiscal correspondente ser de 17 de dezembro de nº 198 (fl. 278) e o lançamento contábil ser também de 17 de dezembro. Mas isso é insuficiente para comprovar a alegação da recorrente, ademais do que tal documentação contábil foi carreada aos autos somente no recurso. Diante de tudo quanto deduzi, padece de falta de certeza o crédito postulado pela recorrente, conforme o art. 170 do CTN. Sob essa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 25 de maio de 2011 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 479DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10950.001521/2008-64
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2002 a 31/10/2007
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N 2.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.417
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao Art. 35, caput da Lei 8.212/91, com prevalência da mais benéfica ao
contribuinte. Vencido na questão da multa de mora o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Cid Marconi Gurgel de Souza
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AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N 2. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao Art. 35, caput da Lei 8.212/91, com prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido na questão da multa de mora o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Eivanice Canário da Silva (suplente). Ausentes os conselheiros: Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 10950.001521/200864 Acórdão n.º 2403000.417 S2C4T3 Fl. 236 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado às fls.185 a 194 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre/RS (fls.176 a 179) que julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE o lançamento constante na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n° 37.105.6780, no valor originário de R$ 94.288,43 (noventa e quatro mil, duzentos e oitenta e oito reais e quarenta e três centavos), sendo tal numerário reduzido para R$ 57.380,28 (cinquenta e sete mil, trezentos e oitenta reais e vinte e oito centavos), após essa decisão de 1 instância. Segundo o relatório fiscal às fls.70 a 74, a cobrança referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes a parte da empresa e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – SAT/RAT incidentes sobre a remuneração de segurados, bem como à devida a terceiros, que não foram recolhidas em época própria e são relativas às competências 04/2002 a 10/2007 (04/2002 a 01/2003; 04/2003 a 01/2004 e 07/2007 a 10/2007). Desta autuação, a recorrente apresentou impugnação às fls. 107 a 123 alegando em síntese: Preliminarmente: Que a prescrição/decadência do direito do fisco constituir o crédito tributário é de apenas 5 (cinco) anos, e que o art.45 e 46 da Lei n 8.212/91 são inconstitucionais; No Mérito: Ser inconstitucional a norma que determina a incidência de contribuição social sobre as remunerações pagas aos segurados empregados; Por fim, requereu o recebimento da peça de impugnação para que fosse instaurada a fase litigiosa administrativa e, ao final o julgamento pela improcedência dos lançamentos. Protestou ainda provar o alegado por todos os meios de prova, inclusive prova pericialcontábil. Instada a manifestarse acerca da impugnação, a 7° Turma da DRJ/Porto Alegre/RS proferiu acórdão (n°1016.973) nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2002 a 31/10/2007 Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n.°DEBCAD 37.105.6780. 1. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E DE TERCEIROS.SÚMULA VINCULANTE N° 8 DO STF. As contribuições previdenciárias e as contribuições destinadas aos terceiros estão sujeitas aos prazos decadenciais estabelecidos no Fl. 3DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 4 Código Tributário Nacional. 2. CONSTITUCIONALIDADE. A constitucionalidade das leis é vinculada para a Administração Pública. 3. PRODUÇÃO DE PROVAS. É de nenhum efeito o protesto genericamente formulado no tocante à produção de provas. Lançamento Procedente em Parte. Irresignada com a decisão supra, a recorrente interpôs recurso voluntário às fls.185 a 194, argumentando tão somente a inconstitucionalidade da norma que determina a incidência de contribuição social sobre as remunerações pagas aos segurados empregados; tendo em vista que, em sede de preliminar, a 1 instância reconheceu a decadência das competências anteriores a 03/2003 com base no art.150, parágrafo 4°, do Código Tributário Nacional. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 10950.001521/200864 Acórdão n.º 2403000.417 S2C4T3 Fl. 237 5 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. DO MÉRITO: I – DA IMPOSSIBILIDADE DO CARF MANIFESTARSE ACERCA DE (IN)CONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS: Considerando que o único argumento trazido à baila pela recorrente foi a suposta inconstitucionalidade da norma que determina a incidência de contribuição social sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, instituída pela Lei n° 9.876/99, devese destacar que todas as normas infraconstitucionais, quando vigentes no ordenamento jurídico, são para ser cumpridas, não podendo, em nenhuma hipótese a autoridade administrativa exercer juízo de valor e afastar a aplicação da norma, tendo em vista sua atividade como agente público ser vinculada à lei. Desse modo, é a atividade do agente público um poderdever, não podendo haver discricionariedade para a aplicação da lei, o que só é admitido quando a própria norma autoriza. Assim, estando a legislação vigente, deparandose o agente administrativo com uma situação que lhe exija a aplicação de norma infraconstitucional, esta será aplicada em todos os termos, sendo vedada a conduta de afastar a incidência dessa norma, sob pena de violação ao Princípio da Legalidade. Ademais, a Portaria RFB n° 10.875, de 16 de agosto de 2007, que disciplina o processo administrativo fiscal relativo às contribuições sociais de que tratam os arts. 2° e 3° da Lei n° 11.457/2007, veda, em seu art.18, que o Contencioso Administrativo Federal afaste aplicação de lei por inconstitucionalidade ou ilegalidade: Art. I8 É vedado à autoridade julgadora afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de tratado, acordo internacional, lei, decreto ou ato normativo em vigor, ressalvados os casos em que: 1 tenha sido declarada a inconstitucionalidade da norma pelo Supremo Tribunal Federal (STF); em ação direta, após a publicação da decisão, ou pela via incidental, após a publicação da resolução do Senado Federal que suspender a sua execução; II haja decisão judicial, proferida em caso concreto, afastando a aplicação da norma, por ilegalidade ou inconstitucionalidade, cuja extensão dos efeitos jurídicos tenha sido autorizada pelo Presidente da República ou, nos termos do art. 4 2 do Decreto n2 2.346, de 10 de outubro de 1997, pelo Secretário da Receita Federal do Brasil ou pelo ProcuradorGeral da Fazenda NacionaL. Além disso, vale destacar que a Portaria n 256 do Ministério da Fazenda, que aprovou o Regimento Interno do CARF, em seu artigo 62, veda aos julgadores do Contencioso Fl. 5DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 6 Administrativo Federal afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal acima citado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Para haver harmonia nos julgamentos, conforme artigo 72 do Regimento Interno, o CARF emitirá súmulas para decisões reiteradas e uniformes, de observância obrigatória pelos membros do CARF. Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Nesse sentido, o CARF sumulou a matéria em comento, Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; Dessa forma, não há como se acolher a pretensão do contribuinte em relação à possibilidade da autoridade julgadora afastar norma infraconstitucional, sob o argumento da Fl. 6DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 10950.001521/200864 Acórdão n.º 2403000.417 S2C4T3 Fl. 238 7 norma aplicável à multa ter supostamente caráter confiscatório, pois analisar essa natureza da multa seria função do judiciário, que goza da liberdade para decidir, desde que haja motivação em suas decisões. II – DA APLICAÇÃO DE MULTA MORATÓRIA E JUROS COM BASE NA TAXA SELIC: Considerando, portanto, o prosseguimento da cobrança da NFLD em tela, há que se destacar que esses débitos serão recolhidos com a incidência de multa e juros na forma da legislação, Lei n 8.212/91: Lei N 8.212/91 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Sobre a aplicação deste dispositivo, o qual prevê multa de 0,33% ao dia e limitada a 20%, vale destacar que a redação acima foi dada por Lei diversa daquela vigente à época do fato gerador, motivo pelo qual será aplicada em conformidade com o art.106, II, do Código Tributário Nacional. Ademais, com relação à incidência da taxa SELIC sobre os débitos federais, inclusive contribuições sociais, registrese que a legislação de regência à época do fato gerador, a Lei nº 8.212/91, afastava literalmente os argumentos erguidos pela recorrente, in verbis:: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Entretanto, a Lei n 11.941/2009 revogou o dispositivo acima e deu nova redação ao art.35 da Lei n 8.212/91, determinando que os débitos tributários a nível federal, teriam suas cobranças acrescidas de multa e juros na forma do art.61 da Lei n 9.430/96. Então vejamos: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 8 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). LEI N 9.430/96 Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seupagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Art. 5º(...) (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. A propósito, convém ainda mencionar que o CARF aprovou Súmula nº 04, nos seguintes termos: Súmula CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 10950.001521/200864 Acórdão n.º 2403000.417 S2C4T3 Fl. 239 9 Portanto, a aplicação da taxa SELIC sobre os débitos tributários federais é devida e tem amparo legal com fulcro no artigo 35, caput, da Lei nº 8.212/91. III – DA APLICAÇÃO DA LEI MAIS BENÉFICA AO ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO: Tratandose de ato pendente de julgamento, há que se observar alguns preceitos legais do Código Tributário Nacional no que se refere à possibilidade de uma lei retroagir e alcançar fatos pretéritos, os quais ocorreram sob a égide de outra legislação. No caso em tela, verificase que tanto a aplicação de multa como a incidência de taxa SELIC sobre os débitos tributários federais encontra amparo atualmente no art.35, caput, da Lei n 8.212/91, dispositivo este alterado pela Lei n 11.941/2009. Deste modo, caso seja mais benéfico ao sujeito passivo, a Lei n 11.941/2009 deverá retroagir em respeito ao art.106 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO de modo que a cobrança da NFLD nº 37.105.6780 seja mantida, devendose proceder ao recálculo da multa de mora previsto no art.35 da Lei n 8.212/91 com base na redação dada pela Lei n 11.941/2009, prevalecendo a legislação mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 10 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI
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Numero do processo: 37324.012816/2006-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA.
A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das
nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa.
Decisão Recorrida Nula
Numero da decisão: 2302-000.851
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA. A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Decisão Recorrida Nula Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Thiago D’ Ávila Melo Fernandes,Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato Fl. 1DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 2 Fl. 2DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 37324.012816/200637 Acórdão n.º 230200.851 S2C3T2 Fl. 68 3 Relatório Trata a notificação, lavrada em 31/03/2006, de contribuições previdenciárias incidentes sobre o valor da mão de obra empregada em obra de construção civil de propriedade do sujeito passivo acima identificado. Após a apresentação da defesa, os autos baixaram em diligência, fl. 26, com resposta às fls. 27/29 e posteriormente, baixaram novamente, com resultado à fl. 31. Em sequência, DecisãoNotificação de fls. 44/60, julgou o lançamento procedente. Inconformado o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde argúi em síntese: a) que há erro quanto ao padrão da obra; b) que não é pessoa jurídica c) que não há critérios claros de como foi efetuado o cálculo; d) que o valor é exorbitante; e) que não são devidos juros e multa, pois não houve mora; f) que não recebeu DISO e ARO; g) que não entende o significado dos documentos h) que a obra não é de luxo e não foi notificada a pessoa certa i) que a obra deve ser inspecionada para se cobrar um valor justo; j) que procedeu ao depósito recursal. A decisão foi reformada para retirar a exigência do depósito recursal e proceder a devolução do valor recolhido, visto se tratar de pessoa física. Reaberto o prazo recursal, não foi apresentada nova peça. É o relatório Fl. 3DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 4 Voto Conselheiro Liege Lacroix Thomasi Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar Analisando os autos verifiquei que não há provas de que a notificada tenha sido cientificada do resultado das diligências de fls. 27/29 e 31, que rebateram as argumentações da contribuinte. A DecisãoNotificação pugnou pela procedência do lançamento, sem a possibilidade do contraditório em relação à diligência fiscal. Mesmo que posteriormente reformada, a decisão foi emitida sem que a notificada tivesse ciência da realização da diligência e de seu resultado. A impossibilidade de conhecimento dos fatos elencados pelo Auditor Fiscal ocasionou a supressão de instância. O recorrente possui o direito de apresentar suas contra razões aos fatos apontados pela fiscalização ainda na primeira instância administrativa. Da forma como foi realizado o procedimento, o direito do contribuinte ao contraditório foi conferido somente em grau de recurso. Há vários precedentes deste órgão colegiado neste sentido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 10515982 (relator Conselheiro Daniel Sahagoff; data da sessão 20/09/2006), verbis: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CONTRIBUINTE NÃO TOMOU CIÊNCIA DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídicoprocedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação do processo, por cerceamento ao seu direito de defesa. Necessidade de retorno dos autos à instância originária para que se dê ciência ao contribuinte do resultado da diligência, concedendolhe o prazo regulamentar para, se assim o desejar, apresentar manifestação. Recurso provido. E a ampla defesa, assegurada constitucionalmente aos contribuintes, deve ser observada no processo administrativo fiscal. A propósito do tema, é salutar a adoção dos ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, esclarece de forma precisa e cristalina: A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifestase mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa oporse a pretensão do fisco, fazendose serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações. De fato, este entendimento também foi plasmado no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 37324.012816/200637 Acórdão n.º 230200.851 S2C3T2 Fl. 69 5 Feitas estas considerações, entendo que a decisão recorrida deve ser anulada, uma vez que prolatada sem que o contribuinte tivesse a oportunidade de se manifestar, regularmente, em relação à informação fiscal carreada aos autos pelo fisco. Pelo princípio constitucional do contraditório, é facultado à parte manifestar sua posição sobre fatos trazidos ao processo pela outra parte vez que tomando conhecimento dos atos processuais, pode, se desejar, reagir contra os mesmos. Inseremse no princípio do contraditório a chamada regra da informação geral e também a regra da ouvida dos sujeitos ou audiência das partes. O princípio do contraditório é de índole constitucional, devendo ser observado inclusive em processos administrativos, consoante art. 5°, LV, da Constituição Federal vigente. Art. 5°, LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Foi contemplado também no art. 2º, caput e parágrafo único, inciso X, da Lei nº 9.784/99, abaixo transcrito: Lei n° 9.784/99, art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (grifo nosso) Nesse sentido, entendo que a decisão proferida é nula, por cerceamento ao direito de defesa, com fulcro no art. 31, II, da Portaria MPS n° 520/2004, abaixo transcrito. Art. 31. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Por todo o exposto, voto pela anulação da decisão de primeira instância. devendo ser conferida ciência ao recorrente do resultado das diligências fiscais de fls. 27/29 e 31, abrindolhe prazo para manifestação. Liege Lacroix Thomasi Relator Fl. 5DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 6 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.011420/2007-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002
DECADÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO
ART. 543C DO CPC.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações.
Preliminar de decadência acolhida
Numero da decisão: 2101-001.187
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 DECADÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. Preliminar de decadência acolhida
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MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. Preliminar de decadência acolhida Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Raimundo Tosta Santos, Goncalo Bonet Allage, Jose Evande Carvalho Araujo, Celia Maria de Souza Murphy e Alexandre Naoki Nishioka. Fl. 64DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0626.841 (fl. 39), que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente o Auto de Infração às fls. 03/11, cancelando R$ 1.058,36 de imposto suplementar e consectários legais. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Por meio do Auto de Infração de fls. 03 a 11, exigemse da contribuinte os montantes de R$ 16.784,32 de imposto suplementar, R$ 12.588,24 de multa de oficio de 75% e encargos legais, relativos ao exercício 2002, anocalendário 2001. A autuação, originada da revisão da declaração de ajuste anual (fls. 33 e 34), constatou as seguintes infrações por falta de atendimento à intimação recebida em 20/12/2006: omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica ou física, R$ 61.527,00 omissão de rendimentos de aluguel, R$ 2.321,60 dedução indevida de imposto de renda retido na fonte, R$ 3.457,95 Cientificada, em 28/08/2007 (fl. 36), a contribuinte apresentou, em 20/09/2007, a impugnação de fls. 01 e 02, acatada como tempestiva pelo órgão de origem (fl. 36), alegando que os valores da declaração, assim compostos, estão corretos: Rendimentos Poupança (fl. 18) R$ 1.527,00 Doação de Belba Castelo Branco (fls. 19 a 27) R$ 60.000,00 Rendimentos Isentos R$ 61.527,00 Aluguéis (fls. 12 a 17) R$ 23.216,00 Taxa de administração (fl. 12) R$ (2.321,60) Rendimentos tributáveis R$ 20.894,40 Argumenta que o valor doado por sua mãe, Belba Castelo Branco, CPF 768.584.56953, foi devidamente declarado pela doadora e pela donatária, bem assim, os rendimentos de aluguéis, subtraídas as comissões pagas à Imobiliária M. de Mari Ltda., e consignado o respectivo IRRF. Acrescenta que em nenhum momento recebeu a intimação para esclarecimentos mencionada no Auto de Infração e requer o cancelamento da exigência nele consignada. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau resumiu o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF. Exercício: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. DOAÇÃO RECEBIDA. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. Fl. 65DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.011420/200763 Acórdão n.º 2101001.187 S2C1T1 Fl. 60 3 A simples informação da doação nas declarações de ajuste anual do doador e do donatário não faz prova suficiente da natureza isenta dos rendimentos declarados. RENDIMENTOS DE ALUGUEIS. TAXA DE ADMINISTRAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Excluise de tributação o montante despendido a titulo de taxa de administração, paga A. administradora do imóvel gerador do rendimento de aluguel. RENDIMENTOS DE POUPANÇA. ISENÇÃO. Excluise de tributação a parcela de natureza isenta correspondente a rendimentos de aplicação em poupança. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. DOCUMENTO INÁBIL. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. 0 comprovante emitido pela administradora do imóvel não se constitui em documento hábil à comprovação do IRRF que deve constar em informe anual de rendimentos fornecido pela fonte pagadora dos aluguéis. Impugnação Procedente em Parte Em seu apelo ao CARF, às fls. 49/56, a recorrente reitera as mesmas questões suscitadas perante o órgão julgador a quo, e acresce pedido pela decadência do direito de agir da Receita Federal do Brasil, uma vez que o lançamento relativo ao anocalendário de 2001 somente foi efetuado 09/2007. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Sobre a decadência, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já havia sedimentado o entendimento de que a natureza do lançamento é determinada pela legislação do tributo, que impõe ao sujeito passivo a obrigação de ocorrido o fato gerador, identificar a matéria tributável, apurar o imposto devido e efetuar o pagamento sem prévio exame da autoridade. As sucessivas alterações legislativas do imposto de renda, ao atribuir à pessoa física a incumbência de apurar e pagar o imposto, sem prévio exame da autoridade administrativa, classifica este tributo na modalidade de lançamento por homologação, na forma do artigo 150 do CTN. A entrega da declaração de rendimentos converteuse em mero cumprimento de obrigação acessória – repasse ao órgão administrativo de informações para fins de controle do adequado cumprimento da legislação tributária, com ou sem obrigação principal a ser adimplida (Acórdão CSRF/0104.493 de 14/04/2003 – DOU de 12/08/2003). Fl. 66DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Com efeito, a atividade não pode ser apenas a existência do pagamento. Na hipótese de não haver pagamento, pode, perfeitamente, incidir a hipótese típica do lançamento por homologação, posto que o sujeito passivo pode ter cumprido o dever legal e dele ter concluído que não há o que pagar. No caso em exame temos uma situação que muito bem exemplifica esta hipótese, já que a contribuinte informou em sua Declaração de Ajuste Anual doação recebida de sua mãe, no valor de R$60.000,00 (fls. 21 e 30) e rendimento de poupança R$1.527,00 (fl. 18), que foram reclassificados para rendimentos tributáveis decorrentes de emprego com vínculo empregatício (fl. 06). Entretanto, o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, estabeleceu que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. O Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4º, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Confirase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, cuja interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 67DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.011420/200763 Acórdão n.º 2101001.187 S2C1T1 Fl. 61 5 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Neste passo, os documentos às fls. 12/17 informam retenção de imposto no anocalendário de 2001, relativo aos rendimentos tributados pela contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual, efetuado pela empresa M. De Mari Assessoria e Empreendimentos Imobiliários Ltda, CNPJ nº 76.025.410/000159, que recebia os alugueres da locatária e repassava para a locadora, deduzidos do IRRF, taxa de administração e da CPMF. O Auto de Infração foi cientificado ao sujeito passivo em 28/08/2007 (fl. 36) e, para omissões sem qualificação por dolo, fraude ou simulação, apurados durante o ano calendário de 2001 (com fato gerador em 31/12/2001), a contagem do prazo decadencial tem seu termo final em 31/12/2006. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 68DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10283.002712/2005-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2000
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DO ERRO NA INFORMAÇÃO DA FONTE PAGADORA.
Comprovado que os valores lançados a título de omissão de rendimentos decorreram de informação incorreta da fonte pagadora, não tendo o contribuinte recebido essa quantia no anocalendário
sob fiscalização, há que se cancelar o lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-001.131
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DO ERRO NA INFORMAÇÃO DA FONTE PAGADORA. Comprovado que os valores lançados a título de omissão de rendimentos decorreram de informação incorreta da fonte pagadora, não tendo o contribuinte recebido essa quantia no anocalendário sob fiscalização, há que se cancelar o lançamento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Fl. 132DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 7 a 11, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2000, para lançar infração de omissão de rendimentos e para cobrar multa por atraso na entrega da declaração, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$816,19, acrescido de multa de ofício e juros de mora, e de multa por atraso de R$165,74. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 a 2), acatada como tempestiva. Alegou que, no anocalendário 1999, não trabalhou e não recebeu em momento algum rendimentos da pessoa jurídica de Adilson Alves da Fonseca, CNPJ:74.043 .993/000115, e que em tal período esteve empregado na empresa Crown Cork, como demonstram a carteira de trabalho e os comprovantes de rendimento anexos. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 97 a 99): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como matéria não impugnada aquela que expressamente o sujeito passivo não contesta, devendo ser apartada para imediata cobrança. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Será efetuado lançamento de ofício, no caso de omissão de rendimentos tributáveis percebidos pelo contribuinte e omitidos na declaração de ajuste anual. Lançamento Procedente O julgador de 1a instância considerou a multa por atraso na entrega não impugnada, e fundamentou sua decisão sobre o mérito da seguinte forma (fls. 98 e 99): Versa o Auto de Infração sobre omissão de rendimentos recebidos da empresa Adilson Alves da Fonseca, CNPJ:74.043.993/000115, cujo nome empresarial é PETROPAR EMBALAGENS S.A. Fl. 133DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10283.002712/200519 Acórdão n.º 2101001.131 S2C1T1 Fl. 142 3 Verificase à fl.81, que consta na Dirf da empresa PETROPAR EMPBALAGENS S.A., o nome do impugnante como beneficiário de rendimentos pagos por esta empresa no anocalendário 1999, no valor de R$9.731,96, exatamente como apura no Auto de Infração. No sentido de dirimir dúvidas a respeito da aludida omissão, solicitamos a realização de diligência à referida pessoa jurídica, fls.44/45, para que ficasse esclarecido se o impugnante recebeu ou não rendimentos da mesma no ano calendário 1999. Em resposta, fl.90, consta uma folha com o timbre de outra empresa “Crown Brand Building Packaging”, no qual uma pessoa de nome Luciana E. de Azeredo assina, que que diz em seu conteúdo que o impugnante não teve vínculo empregatício com a empresa Petropar Embalagens S/A no ano de 1999. Há que se notar que a citada resposta está deveras incompleta, visto que é assinada por pessoa não identificada nos autos, pertence ao timbre de outra empresa e não constam indicativos de que a signatária é pessoa competente a responder pela empresa Petropar Embalagens S/A. E complementando, não consta do processo a retificação da Dirf de folha 81, que motivou a autuação. Observando ainda a folha 05, verificase que o impugnante apresentou cópia de carteira de trabalho em que consta a data de entrada na empresa Petropar Embalagens S/A em 16/11/1995 e de saída somente em 07 de abril de 2000, ou seja, no anocalendário 1999, que é o apurado no Auto de Infração, estava o impugnante com a carteira de trabalho assinada pela empresa Petropar Embalagens S/A, o que corrobora com a autuação em curso. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 30/10/2007 (fl. 139), o contribuinte apresentou, em 22/11/2007, o recurso de fls. 102 a 138, onde argumenta que: a) em 16/11/1995, foi contratado pela empresa Petropar Embalagens S.A., CGC 74043993/000700, razão social Adilson Alves da Fonseca, como comprova pág.12 CTPS; b) em 01/10/1996, como comprova pág. 43 da mesma CTPS, foi transferido para a empresa Crown Cork Tampas Plásticas S.A. CGC 01008482/000199 também com a razão social de Adilson Alves da Fonseca; c) por motivos que não consegue identificar, erroneamente o responsável pela emissão das DIRFs da empresa Adilson Alves da Fonseca CGC 74043993/000115 (também Petropar Embalagens S.A.) acabou por relacionálo como empregado da referida empresa no ano de 1999, o que na verdade está incorreto, e assim houve duplicidade de informações; d) os dois CGC 74043993/000115 e 74043993/000700 são Petropar Embalagens S.A, porém a primeira unidade é a matriz e a outra é a filial, sendo que nunca trabalhou na matriz, somente na filial; e) para comprovar suas afirmações, anexa os seguintes documentos: Fl. 134DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 i) declaração da empresa CGC 01008482/000199 (Crown Cork Tampas Plásticas S.A.) informando que no ano de 1999 estava legalmente registrado e trabalhando nessa empresa, assinada pela Luciana E. de Azeredo, Coordenadora de Recursos Humanos, funcionária legal amparada pela procuração n° 16/07 em anexo e Ata da assembléia Geral Extraordinária realizada em 29/12/2006 devidamente autenticados; ii) declaração da empresa CGC 74043993/000115 (Petropar Embalagens S.A.) informando que, no ano de 1999, não era seu funcionário, assinada pela Coordenadora Controladoria Elaini Ruppenthal, funcionária legal amparada pela procuração n° 01/07 em anexo e Ata de Assembléia Geral Extraordinária realizada em 13.10.1998 e Ata de Reunião do conselho de Administração realizada em 13/04/2007 devidamente autenticados; iii) pág. 12 CTPS 49.689 série 046RS, onde consta o contrato de trabalho inicial datado de 16/11/1995, assinada pela empresa CGC 74043993/000700 (Petropar Embalagens S.A.), devidamente autenticada; iv) pág. 42 e 43 da CTPS 49.689 série 046RS onde formaliza a sua transferência de empresa, saindo do CGC 74043993/000700 (Petropar Embalagens S.A.) para CGC 01008482/000199 (Crown Cork Tampas Plásticas S.A.) devidamente autenticada; v) pág. 24 e 25 da CTPS 49.689 série 046RS onde se verifica que, em 01/09/1996, teve um aumento salarial assinado pela empresa Petropar Embalagens S.A. e já em 01/10/1996 teve outra alteração salarial, agora já assinada pela empresa Crown Cork Tampas Plásticas S.A. vi) pág. 22 e 23 da CTPS 49.689 série 046RS onde dispõe da contribuição sindical, conseguese visualizar o ano de 1995 com carimbo da Petropar Embalagens S.A. e já no ano de 1996 até 2000 o carimbo da Crown Cork Tampas Plásticas S.A. devidamente autenticada. vii) pág. 34 CTPS 49.689 série 046RS onde consta anotações de férias e também se consegue identificar que já em 1996 até 2000 o carimbo da empresa é Crown Cork Tampas Plásticas S.A. viii) cópias de todos os contracheques recebidos no ano de 1999. Ao final, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 140, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. É o Relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. Fl. 135DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10283.002712/200519 Acórdão n.º 2101001.131 S2C1T1 Fl. 143 5 O contribuinte informou, em sua declaração de ajuste do exercício de 2000, rendimentos tributáveis de R$10.570,28 recebidos de empresa com CNPJ no 01.008.482/0001 99 (fl. 37). De fato, na fl. 82 consta extrato da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF da empresa CROWN CORK TAMPAS PLASTICAS S/A, CNPJ no 01.008.482/000199, com a informação de pagamento ao contribuinte de rendimentos tributáveis de R$9.731,96, e R$772,42 de 13o salário, no anocalendário de 1999. Entretanto, na fl. 81, consta extrato da DIRF apresentada pela empresa PETROPAR EMBALAGENS S.A., CNPJ no 74.043.993/000115, informando o pagamento dos mesmos valores ao contribuinte nesse ano, o que motivou o lançamento da quantia de R$9.731,96 como omissão de rendimentos. O julgador de 1a instância baixou o processo em diligência para que se intimasse a empresa ADILSON ALVES DA FONSECA, nome empresarial: PETROPAR EMBALAGENS S.A., a informar por escrito se o contribuinte realizou no anocalendário de 1999 algum contrato de trabalho com ou sem vínculo empregatício (fls. 44 e 45). Devidamente intimada (fl. 80), a empresa respondeu (fl. 90) que “o Sr. Anderson Petter não teve vínculo empregatício nessa empresa no ano de 1999”, e que “no intuito de corrigir o erro de informação no Ano Base 1999, a empresa Petropar Embalagens S/A, tentou retificar a DIRF do Ano Base 1999 mas a Receita Federal aceita correções apenas a partir do ano base 2000”. Ao final, solicitou que essa informação fosse excluída da empresa Petropar como também nos registros do Sr. Anderson Petter, para que se corrigisse o erro realizado quando do envio das informações de rendimentos do Ano Base 1999. Entretanto, o julgador de 1a instância desconsiderou essa informação porque o timbre da folha era da empresa Crown Brand Building Packaging, porque a pessoa que assinou o documento não estava identificada nos autos, e por não constar do processo a retificação da Dirf. No voluntário, o recorrente demonstra que foi contratado pela empresa Petropar Embalagens S.A. em 1995 (fl. 120), e que em 1996 foi transferido para a empresa Crown Cork Tampas Plasticas S/A (fl. 121), lá permanecendo até seu desligamento em 2000 (fl. 120). Traz ainda declarações dessas empresas confirmando que, no anocalendário de 1999, não era funcionário da primeira (fls. 114 a 119) e que estava empregado na segunda (fls. 105 a 113). Ademais, a fonte pagadora já havia confirmado a informação em duplicidade na DIRF (fl. 90). Desta forma, está cabalmente demonstrado que o contribuinte não recebeu, no ano de 1999, os valores lançados a título de omissão de rendimentos nesta autuação. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 136DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 Fl. 137DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 13133.000336/2005-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano calendário: 2002
DENÚNCIA ESPONTÂNEA O instituto da denúncia espontânea não
alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do imposto de renda. (Acórdão: CSRF/0104.920).
BASE DE CÁLCULO E FORMA DE EXIGÊNCIA DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Negado Provimento.
Numero da decisão: 1402-000.531
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do imposto de renda. (Acórdão: CSRF/0104.920). BASE DE CÁLCULO E FORMA DE EXIGÊNCIA DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Negado Provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13133.000336/200521 Acórdão n.º 140200.531 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório TERMAQ COM. IMP. REP. LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela Quarta Turma da DRJ em BrasíliaDF em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Contra a contribuinte acima identificada foi formalizado o Auto de Infração de multa por atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais do anocalendário de 2002, folha 06, no qual está sendo exigido o crédito tributário no valor de R$ 44.338,80. Cientificada, a contribuinte apresentou a sua impugnação de folhas 01/05, alegando em síntese que : entregou as DCTF espontaneamente, e, assim estava alicerçada no que dispõe o art. 138 do CTN. Cita e transcreve acórdãos do Conselho de Contribuinte. atribuir uma multa de R$ 44.338,80, para se punir o retardo na entrega de uma obrigação acessória, é antes de tudo, cercear o direito ao exercício da atividade comercial, caracterizando um verdadeiro confisco; a multa formal tem caráter punitivo, sendo aplicada uma só vez. Não se concebe, pois, a imposição de cumulação das mesmas. Neste caso, como se observa da legislação, a pena, se cabível deveria ser aplicada em seu valor mínimo que é de R$ 500,00, e não como foi imposta, 20% sobre o valor dos impostos declarados. não há indícios de fraude e nem de sonegação de impostos, apenas atraso na apresentação de Declarações, daí não ensejar a penalidade imposta à recorrente; o excesso de exação, fere tanto o princípio da capacidade contributiva como o princípio da igualdade, ao submeter o contribuinte a um pesado e desmedido ônus fiscal. Assim, a multa imposta deve ser dosada segundo o resultado negativo apurado. Entretanto, não havendo negação do tributo, não se estabelece o princípio da punição pura e simples. Por fim, requer que seja considerado como nulo o Auto de Infração, ou na pior das hipóteses seja imputada multa justa e razoável de R$ 500,00 por declaração. A decisão recorrida está assim ementada: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13133.000336/200521 Acórdão n.º 140200.531 S1C4T2 Fl. 3 3 ESPONTANEIDADE A entrega da DCTF, intempestivamente, embora feito o recolhimento dos tributos devidos não caracteriza a espontaneidade prevista no Art. 138 do Código Tributário Nacional com o condão de ensejar a dispensa da multa prevista na legislação de regência pela falta de entrega da declaração. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS LEGAIS A instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF É cabível a exigência da multa pelo atraso na entrega da DCTF na forma em que foi consignada no auto de infração. Lançamento Procedente. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13133.000336/200521 Acórdão n.º 140200.531 S1C4T2 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Em que pese os veementes argumentos da peça recursal, o entendimento do contribuinte não pode prevalecer nessa esfera administrativa. Não assiste razão ao recorrente quando pleiteia os benefícios da denúncia espontânea no presente caso, por se tratar de obrigação acessória, puramente formal, de entrega de declaração. Já é entendimento assente, tanto na doutrina quanto na jurisprudência, que as responsabilidades autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência de um fato gerador, não estão alcançadas pela denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A figura da denúncia espontânea, contemplada no artigo 138 da Lei n° 5.172/66 – Código Tributário Nacional – argüida pelo recorrente, é inaplicável, porque juridicamente só é possível haver denúncia espontânea de fato desconhecido pela autoridade, o que não é o caso do atraso na entrega da DCTF, bem como de outras declarações, que se torna ostensivo com o decurso do prazo fixado para a entrega tempestiva da mesma. Apresentar declarações é uma obrigação para aqueles que se enquadram nos parâmetros legais e deve ser realizada no prazo fixado pela lei. Por ser uma “obrigação de fazer”, necessariamente, tem que ter prazo certo para seu cumprimento e, se for o caso, por seu desrespeito, uma penalidade pecuniária. A causa da multa está no atraso do cumprimento da obrigação, não na entrega da declaração, que tanto pode ser espontânea como por intimação, em qualquer dos dois casos a infração ao dispositivo legal já aconteceu e cabível é, tanto num quanto noutro, a cobrança da multa. Enfim, o fato de a declaração ter sido apresentada espontaneamente não implica na exclusão da penalidade, conforme entendimento pacífico da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, a exemplo dos julgados abaixo, cuja ementa transcrevese: “IRPF – MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A apresentação da declaração de ajuste anual do imposto de renda fora do prazo legal, sujeita o contribuinte à multa por atraso no valor de R$165,74, quando este seja superior a 1% do imposto devido. DENÚNCIA ESPONTÂNEA O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do imposto de renda. Recurso improvido.” Acórdão: CSRF/0104.920 “IRPF – MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS – A partir do exercício de 1995, a entrega extemporânea da declaração de rendimentos sujeitase à aplicação da multa prevista no artigo 88 da Lei 8.981/1995. DENÚNCIA ESPONTÂNEA – O instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, não alcança o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória.” Acórdão: CSRF/0103.721” Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13133.000336/200521 Acórdão n.º 140200.531 S1C4T2 Fl. 5 5 No que tange a base de cálculo da multa, 2% dos tributos devidos, ao mês de atraso, limitada a 20%, verificase que está em estrita consonância com a legislação que ampara a cobrança. Descabe aos julgadores administrativos, seja nas DRJ, seja no CARF, apreciar a constitucionalidade ou legalidade de normas legais em vigor. Nesse sentido a súmula n 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em verdade, os fundamentos da decisão de 1a. instancia não merecem reparos, pelo que peço vênia para transcrevelos e adotadalos. Destarte em que pese os argumentos da impugnante quanto à multa aplicada ser um verdadeiro confisco e que deveria ser aplicada uma única vez, os mesmos não podem prosperar nas esferas administrativas de julgamento em primeira instância, pois, ratifico que quanto à inconstitucionalidade das normas legais, a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição. Consigno, por fim, que embora a impugnante tenha tomado às providências necessárias para regularizar a sua situação perante este Órgão, as mesmas foram extemporaneamente, o que não lhe exime da exigência da multa pelo descumprimento da obrigação acessória conforme lhe é exigido no Auto de Infração. Com relação aos seus argumentos que a multa deveria ser aplicada em seu valor mínimo que é de R$ 500,00, e não como foi imposta, 20% sobre o valor dos impostos declarados, novamente, em que pese seus argumentos, são irrelevantes ao deslinde da pendência, pois as multas aplicadas foram de acordo com o disposto na IN SRF nº 126/98, porém com a alteração benéfica da IN SRF nº 255/2002. Isto porque a IN SRF nº 126/98 foi revogada posteriormente pela IN SRF nº 255/2002, sem interrupção de sua força normativa (art. 11 da IN SRF nº 255/2002). Para maior clareza do julgamento transcrevo inicialmente, o Art. 7º da IN SRF nº 255/2002. Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar a DCTF nos prazos fixados ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final à data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, da lavratura do auto de infração. § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I em cinqüenta por cento, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13133.000336/200521 Acórdão n.º 140200.531 S1C4T2 Fl. 6 6 II em vinte e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa; II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. § 4º Para DCTF que seja referente até o terceiro trimestre de 2001, a multa será de R$ 57,34 (cinqüenta e sete reais e trinta e quatro centavos) por mêscalendário ou fração, salvo quando da aplicação do disposto no caput resultar penalidade menos gravosa. § 5º Considerarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria Receita Federal. § 6º Na hipótese do § 5º, o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de dez dias, contado da ciência da intimação, e sujeitarseá à multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos §§ 1º a 3º. § 7º Nas hipóteses dos §§ 2º a 4º do art. 5º, é devida multa por atraso na entrega da DCTF, calculada na forma do caput, desde a data originalmente prevista na legislação para entrega de cada declaração. § 8º Na hipótese do § 3º do art. 5º, vencido o prazo, é devida multa por atraso na entrega da DCTF, calculada na forma do caput, desde a data originalmente prevista na legislação para entrega de cada declaração. § 9º As multas de que trata este artigo serão exigidas de ofício. § 10. Os contribuintes omissos na entrega da DCTF serão incluídos em programas de fiscalização. § 11. Será declarada inapta a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica omissa na entrega da DCTF que, intimada, não regularizar sua situação no prazo de 60 (sessenta) dias, contado da data em que foi considerada feita à intimação. Da exegese do dispositivo citado, concluise que: a) Para as DCTF referentes até o terceiro trimestre de 2001, aplicamse as regras do § 4º, e, por resultarem valores menores se efetua o cálculo conforme o caput do Art. 7º. b) Como se vê no caso o lançamento foi processado de forma escorreita (folha 06), pois calculadas as multas conforme o Art. 7º, I, c/c § 2º, I, da IN SRF 255/2002. Portanto, o valor aplicado da multa de R$ 44.338,80, foi devido[...]. (grifei) Diante do exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo integralmente a exigência da penalidade. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 15922.000241/2008-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 27/09/2005
CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 6.º DA LEI N.º 8.212/1991 C/C ARTIGO 284, III, DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Persistindo qualquer falha no documento GFIP, não é possível depreender-se que a falta foi corrigida.
Inobservância do art. 32, IV, § 6º º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, III e do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei
9.528, de 10.12.97)”.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 27/09/2005
CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 6.º DA LEI N.º
8.212/1991 C/C ARTIGO 284, III, DO RPS, APROVADO PELO
DECRETO N.º 3.048/99 DECADÊNCIA QUINQUENAL SUMULA
VINCULANTE N. 08 STF.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””.
Em se tratando de Auto de Infração por ter a empresa apresentado GFIP com campo inexatos, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN.
MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-001.932
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; II) excluir do lançamento face a aplicação da decadência as contribuições até 11/1999; III) relevar parcialmente a multa, nos termos da informação fiscal de fls. 270/302; e IV) recalcular o valor da multa, limitando-a, nos termos do art. 32A, I da Lei nº 8.212/91, se mais benéfico ao contribuinte.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Persistindo qualquer falha no documento GFIP, não é possível depreenderse que a falta foi corrigida. Inobservância do art. 32, IV, § 6º º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, III e do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 27/09/2005 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 6.º DA LEI N.º 8.212/1991 C/C ARTIGO 284, III, DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 DECADÊNCIA QUINQUENAL SUMULA VINCULANTE N. 08 STF. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os Fl. 1083DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Em se tratando de Auto de Infração por ter a empresa apresentado GFIP com campo inexatos, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; II) excluir do lançamento face a aplicação da decadência as contribuições até 11/1999; III) relevar parcialmente a multa, nos termos da informação fiscal de fls. 270/302; e IV) recalcular o valor da multa, limitandoa, nos termos do art. 32A, I da Lei nº 8.212/91, se mais benéfico ao contribuinte. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Walter Murilo Melo Andrade e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1084DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15922.000241/200890 Acórdão n.º 240101.932 S2C4T1 Fl. 1.084 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 6º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, III do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o Contribuinte apresentou as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, relativas ao período entre as competências de 01/1999 a 03/2005, com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação a dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. As informações inexatas, incompletas ou omissas estão devidamente enumeradas e explicadas, por competência e por quadro da GFIP, na planilha anexa ao Auto de Infração. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 27/09/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 04/10/2005. .Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 58 a 59 Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 75 a 76. O recorrente não concordando com a DN emitida pelo órgão previdenciário, interpôs recurso, fls. 92 a 95. Alega em síntese: O contribuinte providenciou a correção das irregularidades, tendo postado via correio os respectivos comprovantes. Ocorre que o contribuinte não recebeu a devolução do AR, razão pela qual não tem a respectiva comprovação de recebimento. Contudo, fato é que houve correção, conforme se comprova. dos documentos que ora se junta. Tendo em vista que o objetivo da fiscalização foi cumprido com a correção dos erros, entendese que a relevação da multa é medida que se impõe, sob pena de prevalência do caráter punitiva sobre o caráter corretivo. Considerando os documentos apresentados o processo foi baixado em diligência fls. 270, tendo o auditor se manifestado às fl. 272 a 302, indicando ter havido a correção parcial da falta Devidamente cientificada a recorrente manifestouse às fls. 306 a 307 indagando a nulidade da autuação, posto as ilegalidades aplicáveis, bem como questiona o posicionamento do auditor de não correção da falta nas competências 03 e 07/1999. Tendo em vista as incorreções apontadas para as demais competências, agora detalhadas, apresenta a Fl. 1085DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 autuação as respectivas correções.. Face o exposto requer a nulidade da autuação, ou a relevação da multa frente o cumprimento das faltas. A DRFB encaminhou o recurso a este conselho, para julgamento. É o relatório. Fl. 1086DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15922.000241/200890 Acórdão n.º 240101.932 S2C4T1 Fl. 1.085 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 1076. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Com relação a nulidade avençada pelo recorrente, considerando os termos do recurso, destacase de pronto que pela análise dos documentos presentes no presente processo, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, quais sejam: • autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal – MPF F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento. • intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar, devendo ser declarada a nulidade, por não ter a autoridade realizado a devida fundamentação e indicação das faltas cometidas, não lhe confiro razão. Não só o relatório fiscal da infração se presta a esclarecer as faltas objeto de autuação, como também a autoridade fiscal, providenciou planilhas indicando todas as competências em que foram identificados erros, inclusive quais os códigos incorretos e quais seriam os certos, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a ocorrência de infração a dispositivo da legislação previdenciária, cumprilhe lavrar de imediato autodeinfração de forma vinculada. Pelos documentos presentes nos autos a autoridade previdenciária requereu os documentos pertinentes ao cumprimento da legislação previdenciária, tendo identificados as faltas em GFIP. O art. 293 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Fl. 1087DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. DA DECADÊNCIA – DE OFÍCIO Apesar de não avençada pelo recorrente, entendo que considerando os fatos geradores que ensejaram a autuação, parte do lançamento encontrase alcançado pela decadência quinquenal, nos termos abaixo expostos. Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto deste Auto de Infração, entendo cabível a sua apreciação. Em primeiro lugar, devemos considerar que se trata de auto de infração, que ao contrário das NFLD, constitui obrigação acessória de “fazer” ou “deixar de fazer”, sendo irrelevante a existência ou não de recolhimentos antecipados. Porém, antes de identificar o período abrangido pela decadência, exponha a tese que adoto sobre o assunto. Dessa forma, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Fl. 1088DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15922.000241/200890 Acórdão n.º 240101.932 S2C4T1 Fl. 1.086 7 Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser Fl. 1089DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido Fl. 1090DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15922.000241/200890 Acórdão n.º 240101.932 S2C4T1 Fl. 1.087 9 efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial Fl. 1091DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 1092DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15922.000241/200890 Acórdão n.º 240101.932 S2C4T1 Fl. 1.088 11 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, conforme descrito anteriormente, tratase de lavratura de Auto de Infração por não ter a empresa comprovado o lançamento contábil na forma devida de alguns pagamentos feitos ainda no ano de 1997. Dessa forma, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. Assim, no lançamento em questão a lavratura do AI deuse em 27/09/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 04/10/2005, os fatos geradores Fl. 1093DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 ocorreram entre 01/1999 a 02/2005. Dessa forma, considerando a aplicação do art. 173, I do CTN devem ser excluídas do lançamento os fatos geradores até 11/1999. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito. DO MÉRITO Quanto ao mérito destacase que a Decisão Notificação julgou procedente a autuação, considerando que o contribuinte não apresentou as GFIP retificadas. Contudo, após a interposição do recurso, ao qual o recorrente apresentou as GFIP retificadoras o processo foi baixado em diligência, tendo o auditor se manifestado acerca de quais faltas restaram corrigidas, fls. 270 a 302. Após a manifestação da autoridade fiscal, devidamente cientificada a recorrente manifestouse às fls. 306 a 307 indagando a nulidade da autuação, posto as ilegalidades aplicáveis, bem como questiona o posicionamento do auditor de não correção da falta nas competências 03 e 07/1999. Tendo em vista as incorreções apontadas para as demais competências, agora detalhadas, apresenta a autuação as respectivas correções.. Face o exposto requer a nulidade da autuação, ou a relevação da multa frente o cumprimento das faltas. Conforme, já apreciado em sede de preliminar não vislumbro qualquer ilegalidade ou nulidade na autuação, tendo em vista que as planilhas descritas pelo auditor permitiram identificar quais os erros nas GFIP e as empresas que prestaram serviços. Quanto as alegações expressas sobre as competências 03 e 07/1999, deixo de apreciálas, tendo em vista que já foram excluídas pela decadência. Quanto aos demais documentos de GFIP retificadoras, apresentados após a diligência, o próprio recorrente destacou que a correção ocorreu apenas após a informação fiscal, ou seja fora do prazo da emissão da DN, o que nos termos da legislação previdenciária não promove a relevação da multa. Ademais, as cópias apresentadas não demosntram comprovante de entrega, data de entrega, sendo além do argumento de entrega fora do prazo imprestáveis para provar o cumprimento da falta. Assim, considerando a informação fiscal detalhada as fls. 270 a 302, acerca de quais as faltas corrigidas acato a posição da autoridade fiscal para que seja relevada a multa nas competências em que restou demonstrado o cumprimento da falta, bem como seja recalculada a multa, considerando o número de faltas restantes. O Auto de Infração ao ser aplicado no presente caso, não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Pelo contrário, na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a natureza meramente arrecadatória, o que se demonstra pela possibilidade de atenuação ou até mesmo de relevação da multa. Nesta última hipótese, o infrator não pagará nenhum valor, desde que cumpridas as disposições legais Nesse sentido, dispõe o art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. Fl. 1094DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15922.000241/200890 Acórdão n.º 240101.932 S2C4T1 Fl. 1.089 13 § 2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. § 3º A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de ofício para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366. Ainda com relação a aplicação da multa, outro ponto mostrase pertinente. Não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento nos termos do normativo vigente à época da lavratura do AI, foi editada a Medida Provisória MP 449/09, que revogou o art. 32, § 6o, da Lei 8.212/91, convertido na Lei 11941/2009. No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Lei 11.941/2009. A citada lei, conversão da MP 449/2008, alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: "Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I a metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: Fl. 1095DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos." "Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. Com a alteração acima, ocorreu alteração na sistemática de alteração da multa em função de informações inexatas ou omissas, passando o art. 32A, I a descrever a multa aplicável. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso da autuação em tela, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 6º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado. Assim, para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das multas apresenta condição mais favorável ao recorrente, a disposta no AI em questão, ou a nova sistemática adotada, considerando o art. 32A, I c//c com o § 3º do mesmo dispositivo. Diante o exposto e de tudo o mais que dos autos consta entendo que o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos acima propostos. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO para rejeitar a preliminar de nulidade, excluir do lançamento face a aplicação da decadência as contribuições até 11/1999, e no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, considerando os termos da informação fiscal, que identificou as faltas corrigidas, limitandoa, nos termos do art. 32A, I de acordo com o disciplinado na MP 449/2008, convertida na Lei 11941/2009.. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 1096DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15922.000241/200890 Acórdão n.º 240101.932 S2C4T1 Fl. 1.090 15 Fl. 1097DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10380.009530/2007-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2004
Ementa: ADITAMENTO DE RAZÕES AO RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERPOSIÇÃO EXTEMPORÂNEA. POSSIBILIDADE DE MITIGAÇÃO DO RIGOR DO ART. 16, § 4º E ALÍNEAS, DO DECRETO Nº 70.235/72, QUANDO APRECIADO O CASO CONCRETO. Há hipóteses extremamente estreitas a permitir a apreciação de documentação extemporânea no rito do processo administrativo fiscal, na forma da legislação citada acima. Porém, no âmbito dos recursos apresentados pelas pessoas físicas, entendo que o rigor legal deve ser abrandado, pois se sabe da
dificuldade que a pessoa física tem em compreender adequadamente todos os pormenores da legislação tributária. No caso presente, vê-se que foi o próprio contribuinte que produziu o recurso voluntário e os embargos, em essência nada inovando em termos de defesa, mas apenas trazendo documentos adicionais para fundamentar a pretensão já deduzida, alicerçada em documentos com fé pública. Rejeitar a análise dos documentos aditados seria
um excesso de formalismo, o que não se coaduna com os princípios do processo administrativo fiscal.
COMPROVAÇÃO DO VÍNCULO DE DEPENDÊNCIA À LUZ DA LEGISLAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. DEDUTIBILIDADE DO DEPENDENTE. Comprovado o vínculo de dependência à luz da legislação do imposto de renda, deve-se deferir a dedutibilidade da despesa de dependente da base de cálculo do imposto de renda.
RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. PENSÃO JUDICIAL. MATÉRIA NÃO CONTROVERTIDA NO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA.
Os rendimentos tributáveis e a pensão alimentícia não foram objeto de qualquer alteração por parte da autoridade autuante, sendo, assim, descabida qualquer irresignação nesta instância em face de valores que não são objeto de lide. Assim, caso o contribuinte queira discutir a correção dos montantes dos rendimentos tributáveis e da pensão alimentícia, deve fazê-lo
no âmbito da Delegacia da Receita Federal do Brasil que o jurisdiciona.
Numero da decisão: 2102-001.445
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, para retificar o resultado do Acórdão nº 2102001.215,
de 13/04/2011, dando-lhes provimento parcial, para acrescer o montante de R$ 1.272,00 de despesa dedutível àquelas já
deferidas na decisão embargada (R$ 16.730,00).
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 Ementa: ADITAMENTO DE RAZÕES AO RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERPOSIÇÃO EXTEMPORÂNEA. POSSIBILIDADE DE MITIGAÇÃO DO RIGOR DO ART. 16, § 4º E ALÍNEAS, DO DECRETO Nº 70.235/72, QUANDO APRECIADO O CASO CONCRETO. Há hipóteses extremamente estreitas a permitir a apreciação de documentação extemporânea no rito do processo administrativo fiscal, na forma da legislação citada acima. Porém, no âmbito dos recursos apresentados pelas pessoas físicas, entendo que o rigor legal deve ser abrandado, pois se sabe da dificuldade que a pessoa física tem em compreender adequadamente todos os pormenores da legislação tributária. No caso presente, vê-se que foi o próprio contribuinte que produziu o recurso voluntário e os embargos, em essência nada inovando em termos de defesa, mas apenas trazendo documentos adicionais para fundamentar a pretensão já deduzida, alicerçada em documentos com fé pública. Rejeitar a análise dos documentos aditados seria um excesso de formalismo, o que não se coaduna com os princípios do processo administrativo fiscal. COMPROVAÇÃO DO VÍNCULO DE DEPENDÊNCIA À LUZ DA LEGISLAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. DEDUTIBILIDADE DO DEPENDENTE. Comprovado o vínculo de dependência à luz da legislação do imposto de renda, deve-se deferir a dedutibilidade da despesa de dependente da base de cálculo do imposto de renda. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. PENSÃO JUDICIAL. MATÉRIA NÃO CONTROVERTIDA NO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. Os rendimentos tributáveis e a pensão alimentícia não foram objeto de qualquer alteração por parte da autoridade autuante, sendo, assim, descabida qualquer irresignação nesta instância em face de valores que não são objeto de lide. Assim, caso o contribuinte queira discutir a correção dos montantes dos rendimentos tributáveis e da pensão alimentícia, deve fazê-lo no âmbito da Delegacia da Receita Federal do Brasil que o jurisdiciona.
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INTERPOSIÇÃO EXTEMPORÂNEA. POSSIBILIDADE DE MITIGAÇÃO DO RIGOR DO ART. 16, § 4º E ALÍNEAS, DO DECRETO Nº 70.235/72, QUANDO APRECIADO O CASO CONCRETO. Há hipóteses extremamente estreitas a permitir a apreciação de documentação extemporânea no rito do processo administrativo fiscal, na forma da legislação citada acima. Porém, no âmbito dos recursos apresentados pelas pessoas físicas, entendo que o rigor legal deve ser abrandado, pois se sabe da dificuldade que a pessoa física tem em compreender adequadamente todos os pormenores da legislação tributária. No caso presente, vêse que foi o próprio contribuinte que produziu o recurso voluntário e os embargos, em essência nada inovando em termos de defesa, mas apenas trazendo documentos adicionais para fundamentar a pretensão já deduzida, alicerçada em documentos com fé pública. Rejeitar a análise dos documentos aditados seria um excesso de formalismo, o que não se coaduna com os princípios do processo administrativo fiscal. COMPROVAÇÃO DO VÍNCULO DE DEPENDÊNCIA À LUZ DA LEGISLAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. DEDUTIBILIDADE DO DEPENDENTE. Comprovado o vínculo de dependência à luz da legislação do imposto de renda, devese deferir a dedutibilidade da despesa de dependente da base de cálculo do imposto de renda. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. PENSÃO JUDICIAL. MATÉRIA NÃO CONTROVERTIDA NO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. Os rendimentos tributáveis e a pensão alimentícia não foram objeto de qualquer alteração por parte da autoridade autuante, sendo, assim, descabida qualquer irresignação nesta instância em face de valores que não são objeto de lide. Assim, caso o contribuinte queira discutir a correção dos montantes Fl. 117DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 dos rendimentos tributáveis e da pensão alimentícia, deve fazêlo no âmbito da Delegacia da Receita Federal do Brasil que o jurisdiciona. Embargos acolhidos e providos parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, para retificar o resultado do Acórdão nº 2102001.215, de 13/04/2011, dandolhes provimento parcial, para acrescer o montante de R$ 1.272,00 de despesa dedutível àquelas já deferidas na decisão embargada (R$ 16.730,00). Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 16/08/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Em face do contribuinte ALUÍZIO DE LIMA GOMES, CPF/MF nº 025.141.92234, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 28/05/2007, auto de infração (fls. 27 a 33). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 3.817,75 MULTA DE OFÍCIO R$ 2.863,31 Pelo que se apreende dos autos, ao contribuinte foram imputadas glosas de dependentes, de despesas médicas, de Contribuição à Previdência Privada/Fapi, de despesa com instrução, nos montantes de R$ 6.360,00 (fl. 28), R$ 41.180,00 (fl. 29), R$ 948,00 (fl. 30), R$ 1.998,00 (fl. 31), respectivamente, tudo por falta de comprovação, decorrente da revisão da declaração de ajuste anual do exercício 2004. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Fl. 118DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10380.009530/200724 Acórdão n.º 2102001.445 S2C1T2 Fl. 2 3 A 1ª Turma da DRJ/FOR, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0814.214, de 06 de outubro de 2008 (fls. 63 a 68). O Acórdão acima deduziu as seguintes razões em cada uma das glosas: § confirmou a glosa com dependentes, pois o contribuinte não acostou aos autos qualquer comprovação de parentesco em face daqueles informados como dependentes na declaração de ajuste anual revisada. Ainda, manteve a glosa da despesa com instrução, pois o beneficiário da despesa não teve o vínculo de dependência comprovado; § restabeleceu parcialmente a glosa com despesas médicas, no montante de R$ 15.764,00; § manteve a glosa de despesa com previdência privada/fapi por falta de comprovação. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 15/12/2008 (fl. 75). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 13/01/2009 (fls. 76 e 77). No voluntário, o recorrente alegou e acostou a seguinte documentação aos autos: I. certidões de nascimento dos dependentes Igor de Souza Gomes, filho nascido em 11/12/1998 (fl. 81), Aluízio de Lima Gomes Junior, filho nascido em 25/01/1996 (fl. 82), Julie Spissirits Gomes, filha nascida em 11/02/1983 (fl. 83) e Liv Spissirits Gomes, filha nascida em 07/05/1980 (fls. 84 e 85). Assim, pede o restabelecimento da despesa com dependente; II. solicitação de exames clínicos, receituários, pagamentos do odontólogo Augusto Mota Borges Filho no ano de 2005 (final do tratamento) e cópia de transferência eletrônica de fundos de sua filha Carolina Spissirits para esse odontólogo, com o fito de comprovação de uma despesa odontológica de R$ 6.000,00; III. recibo de R$ 920,00, pago ao Dr. Claudio Henrique Ximenes Ávila pelos serviços odontológicos realizados na filha Julie Spissirits Gomes, em 17/06/2003; IV. comprovou despesa com instrução dos dependentes de R$ 5.994,00; V. que os rendimentos tributáveis devem ser alterados para R$ 153.687,76 e pensão alimentícia para R$ 50.607,01, conforme documentação acostada aos autos. O recorrente ainda asseverou que houve engano com a dedução da despesa com previdência privada/fapi, devendo, em suas palavras, ser mantida a glosa. Fl. 119DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Em sessão plenária de 13 de abril de 2011, esta Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção julgou o Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em destaque, prolatando o Acórdão nº 2102001.215, na relatoria do Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, que restou assim ementado: DESPESAS DEDUTÍVEIS DO IMPOSTO DE RENDA. VINCULO DE DEPENDÊNCIA. COMPROVAÇÃO. DEFERIMENTO. DESPESAS MÉDICAS COMPROVADAS COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. DEFERIMENTO DA DEDUÇÃO. Comprovado o vínculo de dependência dos filhos em face do autuado à luz da legislação do imposto de renda, devese deferir a dedução das despesas dos dependentes elencadas na legislação tributária. Ainda, as despesas médicas do próprio autuado, desde que comprovadas com documentação hábil e idônea, devem ser abatidas da base de cálculo do IRPF. RENDIMENTOS PERCEBIDOS E PENSÃO ALIMENTÍCIA. TÍTULOS NÃO ALTERADOS PELA AUTORIDADE AUTUANTE. IMPOSSIBILIDADE DE CONTENCIOSO NA VIA ADMINISTRATIVA. Não havendo alteração nos rendimentos e na pensão alimentícia informados na declaração de ajuste auditada por parte da autoridade fiscalizadora, descabe qualquer irresignação no bojo do contencioso fiscal. Recurso parcialmente provido. Após o julgamento acima, em fins de junho último passado, este Conselheiro relator foi informado pela Secretaria da Câmara que o contribuinte havia protocolizado o processo nº 10380.000974/201181, em 22/02/2011, com razões adicionais ao recurso, ou seja, a Turma de Julgamento não tomou ciência do processo antes discriminado, protocolizado em data anterior ao julgamento. Com o objetivo de apreciar as razões adicionais apresentadas pelo contribuinte, em data anterior ao julgamento, o Presidente da Turma, com fundamento no artigo 66, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF (embargos inominados por inexatidão material devida a lapso manifesto), submeteu novamente à apreciação dos membros desta as razões adicionais do contribuinte. Compulsando as razões adicionais, apreendese: 1. o recorrente pugna pelo restabelecimento das despesas com dependentes, com instrução, com procedimento odontológicos, com pensão judicial, bem como ajuste nos rendimentos percebidos; 2. juntou documentação comprobatória do pagamento de despesa odontológica com o profissional Augusto Mota Borges Filho; 3. juntou histórico escolar emitido pela Universidade Federal do Ceará, comprovando que a filha Liv Spissirits Gomes cursava Odontologia, com ingresso no semestre 2003.2, bem como certidão de nascimento dessa dependente. É o relatório. Fl. 120DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10380.009530/200724 Acórdão n.º 2102001.445 S2C1T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Antes de tudo, devese debater a viabilidade da apreciação das razões adicionais, com documentação pertinente, apresentada pelo contribuinte, não somente no aspecto formal, mas também substancial. No aspecto formal, o contribuinte apresentou a documentação antes do julgamento do recurso voluntário e, obrigatoriamente, a Turma deveria decidir pela rejeição dela, ou não, na forma do art. 16, § 4º e alíneas, do Decreto nº 70.235/72, não sendo razoável o silêncio do órgão julgador, quando o contribuinte trouxe documentos dois meses antes da sessão de julgamento. É fato que a Turma não apreciou os documentos porque não tomou conhecimento deles, mas também não se pode imputar ao contribuinte recorrente o ônus das falhas dos serviços administrativos do Ministério da Fazenda, que deveriam ter notificado o relator do processo nº 10380.000974/201181, protocolizado em 22/02/2011, implicando que se devem acolher os presentes embargos inominados, suprindo a omissão decorrente do lapso manifesto perpetrado pela própria Administração. No aspecto substancial, como é cediço, há hipóteses extremamente estreitas a permitir a apreciação de documentação extemporânea no rito do processo administrativo fiscal, na forma da legislação citada acima. Porém, no âmbito dos recursos apresentados pelas pessoas físicas, entendo que o rigor legal deve ser abrandado, pois se sabe da dificuldade da própria pessoa física na interposição dos recursos, notadamente por desconhecimento da legislação. No caso presente, vêse que foi o próprio contribuinte que produziu o recurso primitivo, inclusive o aditamento, em essência nada inovando em termos de defesa, mas apenas trazendo documentos adicionais para fundamentar a pretensão já deduzida, inclusive com pelas dotadas de fé pública. Rejeitar a análise dos documentos aditados seria um excesso de formalismo, o que não se coaduna com os princípios do processo administrativo fiscal. Dessa forma, entendo que o aditamento deve ser apreciado, em sua inteireza. Assim avançando, vêse que não se controverteram na autuação os rendimentos tributáveis do contribuinte, nem a pensão alimentícia (fls. 27 a 31, 44, 45 e 56), o que impede a discussão nesta instância. Sobre este mesmo ponto, assim se tinha registrado no Acórdão aqui embargado: Por fim, no tocante à defesa do item V, anoto que os rendimentos tributáveis e a pensão alimentícia não foram objeto de qualquer alteração por parte da autoridade autuante, sendo, assim, descabida qualquer irresignação nesta instância em face de valores que não foram alterados pela autoridade fiscalizadora. Assim, caso o contribuinte queira discutir a correção dos montantes dos rendimentos tributáveis e da pensão alimentícia, deve fazêlo no âmbito da Delegacia da Receita Federal do Brasil que o jurisdiciona e não neste contencioso, pois, repisese, tal matéria não constou da autuação, não havendo lide a ser dirimida por esta Turma de Julgamento. Fl. 121DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 Quanto aos dependentes, a decisão embargada rejeitou apenas o vínculo de dependência do recorrente com a filha Liv Spissirits Gomes, com a seguinte razão: Já a filha Liv Spissirits Gomes, nascida em 07/05/1980 (fls. 84 e 85), com mais de 21 anos e menos de 24 anos, somente poderia ser considerada dependente se houvesse a comprovação de que ela estivesse cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau, o que não ocorreu nestes autos. No aditamento, vêse que o recorrente trouxe o histórico escolar da filha acima, subscrito pela Prof. Dra. Maria Eneide Leitão de Almeida, da Universidade Federal do Ceará, referente ao semestre 2003.2, sendo forçoso reconhecer que o contribuinte comprovou que a filha Liv era universitária, e, como tal, devese deferir a dedução dela para fins do imposto de renda (acrescer como despesa dedutível o importe de R$ 1.272,00). Por fim, quanto às despesas de instrução e médicas, a decisão embargada já havia acolhido a pretensão do contribuinte. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer dos embargos, dandolhes provimento parcial, para acrescer o montante de R$ 1.272,00 de despesa dedutível àquelas já deferidas na decisão embargada (R$ 16.730,00). Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 122DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 16/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10245.900332/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Data do Fato Gerador: 30/09/2001
OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de nulidade.
DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de não-homologação de compensação
que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP.
Numero da decisão: 1101-000.553
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que fez
declaração de voto.
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
1.0 = *:*
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do Fato Gerador: 30/09/2001 OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de nulidade. DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de não-homologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que fez declaração de voto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1941; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 64 1 63 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10245.900332/200913 Recurso nº 911.968 Voluntário Acórdão nº 110100.553 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 4 de agosto de 2011 Matéria DCOMP Pagamento indevido ou a maior CSLL Recorrente VIMEZER FORNC. DE SERV. LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do Fato Gerador: 30/09/2001 OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de nulidade. DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de nãohomologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que fez declaração de voto. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. Fl. 66DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900332/200913 Acórdão n.º 110100.553 S1C1T1 Fl. 65 2 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 67DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900332/200913 Acórdão n.º 110100.553 S1C1T1 Fl. 66 3 Relatório VIMEZER FORNC. DE SERV. LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém/PA que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação declarada sob nº 11150.64659.050906.1.7.042300, na qual foi utilizado crédito de R$ 127,47, apurado em recolhimento de CSLL (código 2372), realizado em 31/10/2001 e relativo à apuração de 30/09/2001. Constou do referido despacho decisório que o recolhimento apontado foi localizado, mas já havia sido utilizado integralmente para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte informou que o débito apurado no período em questão constou de DIPJ retificadora e foi recolhido a maior, ensejando a apuração de indébito utilizado na compensação questionada. Argumentou que a afirmação fiscal, no sentido de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débito, deixou dúvida quanto a origem do débito considerado como quitado. Acrescentou que a simples falha no preenchimento das declarações não afasta em hipótese alguma a existência do direito material em relação à compensação, e que as informações apresentadas nas peculiares declarações permitiriam a confirmação do crédito utilizado. Discorre sobre o conceito de compensação e afirma que além de ter oferecido indevidamente valores a tributação, não se creditou de valores que foram devidamente retidos na fonte pelas fontes pagadoras, conforme documento anexado e evidenciado quando da exposição dos fatos. Daí a utilização do crédito para compensação de débitos próprios do impugnante, e que também são administrados pela Receita Federal. Ressalta que o crédito utilizado não se enquadra em qualquer das hipóteses do art. 74, §12 da Lei nº 9.430/96, e afirma ter demonstrado a insubsistência e total improcedência do Despacho Decisório. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos, acolhendo o voto condutor da decisão recorrida que, depois de destacar o efeito extintivo da Declaração de Compensação DCOMP, e a sua homologação tácita depois de transcorridos cinco anos de sua entrega, de modo a caracterizar a compensação como um procedimento efetivado pelo próprio contribuinte, sujeito apenas à posterior homologação pelo Fisco, de forma expressa ou tácita, assim abordou a defesa da interessada: • (...) a interessada indicou como crédito a compensar aquele constante de DARF relativo à receita de código 2372, do período de apuração de 30/09/2001. Ocorre que em consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil (telas impressas de fls. 34/36) verificase que o referido DARF encontrase inteiramente alocado a débito informado pelo próprio sujeito Fl. 68DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900332/200913 Acórdão n.º 110100.553 S1C1T1 Fl. 67 4 passivo em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), não existindo, por conseguinte, crédito a compensar. • (...) o crédito tributário resulta constituído não somente pelo lançamento, mas também nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como se dá no caso de entrega da DCTF. Com efeito, o valor informado na DCTF, por decorrer de uma confissão do contribuinte, pode ser encaminhado à divida ativa da União sem que se faça necessário o lançamento de ofício. O valor confessado faz prova contra o contribuinte. Logo, se o valor declarado (confessado) em DCTF é igual ou maior que o valor pago, a conclusão imediata é que não há valor a restituir ou compensar, pois o próprio contribuinte está informando que efetuou um pagamento igual ou menor ao confessado. • (...) é condição necessária – embora não suficiente – a que o sujeito passivo pleiteie o reconhecimento de direito creditório referente a débito confessado em DCTF a apresentação prévia de nova declaração, retificando a confissão anterior. E nos termos da legislação que rege a matéria, a alteração de informações prestadas em DCTF efetuase mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. • (...) a desconstituição do crédito confessado em DCTF não depende apenas da apresentação de DCTFRetificadora, mas igualmente da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve pagamento indevido ou a maior. (...) • (...) No caso concreto, como permanece válida a confissão de dívida originalmente efetuada pela contribuinte, haja vista a não apresentação, ao que consta dos autos, de DCTFRetificadora, resulta notória a impossibilidade de ser acolhida sua pretensão. (...) em se tratando de pedido de restituição o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de apresentação de documentos comprobatórios de seu direito creditório, por ter sido ele quem inaugurou o procedimento administrativo. • Citando os arts. 15 e 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, destacou ser ônus do sujeito passivo trazer aos autos administrativos, já com sua peça impugnatória, as provas cuja produção encontrese em sua esfera de responsabilidade. Cientificada da decisão de primeira instância em 23/02/2011 (p. 43 dos autos digitalizados), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 15/03/2011 (fls. 44/57 dos autos digitalizados). Argumenta que a constituição do crédito tributário por meio de DIPJ ou DCTF é provisória, e somente se torna definitiva com a homologação, sendo que, em caso de retificação da declaração antes desta homologação, seu objeto passa a ser o valor retificado. E, ressaltando que a constituição do crédito tributário por meio de DCTF não exclui a constituição por meio de DIPJ retificadora, e citando o art. 1o da Instrução Normativa SRF nº 166/99, a recorrente discorda da afirmação, contida na decisão recorrida, de que o crédito tributário resulta constituído com a apresentação da DCTF. Fl. 69DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900332/200913 Acórdão n.º 110100.553 S1C1T1 Fl. 68 5 Assevera, também, que o ônus de aprovar ou não a compensação é do Fisco, cabendolhe questionar as informações veiculadas em declarações retificadoras, e exigir a apresentação de documentos comprobatórios, na medida em que não é permitido à contribuinte juntar estes elementos no momento da retificação. Enquanto o Fisco assim não procede, os valores declarados estarão revestidos de veracidade. Reconhece que a prova é de quem alega, mas, na constituição do crédito tributário mediante entrega de declaração, as provas devem ser guardadas na forma do art. 37 da Lei nº 9.430/96, durante o prazo em que o Fisco pode examinálas. Menciona, também, que a autoridade julgadora não atentou para o disposto no art. 9o do Decreto nº 70.235/72, que exige a juntada dos elementos comprobatórios do ilícito para formalização da exigência de crédito tributário, atuando de forma parcial de modo a, apenas, ratificar as decisões dos agentes fiscais. Esclarece que a afirmação fiscal de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos declarados somente é verdadeira de desconsiderada a retificação da DIPJ. Acrescenta que a declaração retificadora foi juntada à impugnação, mas que em momento algum foi mencionada no relatório, como sendo uma prova sem valor, e não motivando o julgador, apresentando as razões que o levaram à aparente glosa injustificada. Reitera que, enquanto não promovida qualquer glosa em face da declaração apresentada, esta subsiste como prova do crédito alegado. E, ainda que a declaração não tivesse sido juntada, na medida em que ela está sob guarda do Fisco, caberia à autoridade julgadora comprovar se a documentação de renda apresentada está em conformidade com o que fora apresentado à época. Aduz que a autoridade julgadora deveria, ao menos, ter procedido a uma diligência para confirmação destas informações, ao invés de optar pela omissão e glosa arbitrária. Conclui estar provado que a argumentação apresentada, no despacho decisório e corroborada pelo órgão julgador de primeira instância, é fraca e insubsistente, pois não respeitou as regras legais consagradas nos diplomas legais, dentre as quais a devida motivação, juntada de provas que corroborem o despacho (Dec. 70.235/72), e negligência na análise das provas carreadas pela Recorrente aos autos, como a ventilada Declaração de Renda Retificadora. Transcrevendo os dispositivos legais que regem a compensação no âmbito da Receita Federal, reafirma a necessidade de motivação e de provas para a nãohomologação da compensação, citando também dispositivos da Lei nº 9.784/99. Novamente menciona a necessidade de que o Fisco intime a contribuinte a apresentar as provas que não foram juntadas à declaração retificadora, e a prevalência das informações nela prestadas enquanto não questionadas. Reportase, também, às hipóteses nas quais a compensação é considerada não declarada (art. 74, §12 da Lei nº 9.430/96), para afirmar que não se consegue verificar no despacho decisório, nem as provas colacionadas e nem qual das hipóteses elencadas na lei que fora firmada a decisão, ou seja, com base em que regra legal a decisão está embasa (sic). Afirma que dentre as hipóteses previstas no referido dispositivo não se encontra o fato de o pagamento estar vinculado a débito declarado em DCTF, alegado pela autoridade julgadora. Destaca, mais uma vez, que a autoridade julgadora ignorou a DIPJ retificadora, e discorda da prevalência da declaração retificada, pois nada na legislação permite Fl. 70DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900332/200913 Acórdão n.º 110100.553 S1C1T1 Fl. 69 6 concluir que erro de procedimento do contribuinte resultasse na glosa de um direito líquido e certo. Reafirma a validade do que contido na DIPJ retificadora depois de transcorridos cinco anos de sua entrega, e a necessidade de, na dúvida, se decidir em favor do contribuinte, que figura como parte hipossuficiente na relação jurídica. Quanto à menção à necessidade de DCTF retificadora, a recorrente aduz que não pode o julgador analisar algo, não carreados nos autos pelas partes, sem com isso avaliar as provas trazidas aos autos e anexas ao mesmo (sic). Reafirma as evidências do crédito presentes na DIPJ retificadora e na DCOMP, a possibilidade que tinha o Fisco de exigirlhe as demais provas necessárias, e, mais à frente, acrescenta que não foi apresentada a fundamentação legal para a exigência veiculada na decisão recorrida. Questiona se a DIPJ retificadora e a DCOMP nada valem na análise, e novamente aborda o ônus da prova, destacando que tem o dever de guarda, e não de juntada de provas como cópias de livros contábeis ou de demonstrações contábeis. Quanto aos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, acrescenta que poderia apresentar sua documentação contábil à época da elaboração do despacho decisório, mas ela não lhe foi requerida. Pede, assim, um julgamento eqüidistante e que, se for necessário que seja corrigido o despacho decisório, determinando que o agente fiscal intime a Recorrente para apresentar os livros, se não considerar válido os créditos pretendidos. Que aplique a multa em caso da não apresentação das retificadoras de forma correta, conforme preceitua a lei, mas que o faça sob a égide da lei, respeitando o princípio da legalidade e motivação, peculiares ao procedimento administrativo. Invoca a aplicação do art. 37 da Constituição Federal e do art. 2o da Lei nº 9.784/99, e cita excertos da obra de Celso Antonio Bandeira de Mello, para concluir que o despacho estava divorciado com o regramento legal. Acrescenta que no caderno processual administrativo, não se encontra carreados elementos que fundamentam a decisão do agente fiscal (sic). Complementa que a decisão recorrida foi omissa quanto à apreciação do fato da Recorrente ter informado DIPJRetificadora e ter anexado a presente, ofendendo o disposto no art. 31 do Decreto nº 70.235/72. Na medida em que os agentes fiscais não questionaram as informações prestadas nesta declaração, uma vez apresentada esta prova pela contribuinte, o ônus de desconstituila passa ao Fisco. Por fim, aborda os efeitos das declarações retificadoras, reportase ao dever de retificar a DCTF quando retificada a DIPJ (art. 18 da Medida Provisória nº 2.18949/2001 e arts. 1o e 4o da Instrução Normativa SRF nº 166/99), mas aduz que o descumprimento desta norma não tem como penalidade a perda do crédito, até porque o próprio art. 2o, inciso II da Instrução Normativa SRF nº 166/99 reconhece os efeitos da retificação da DIPJ para fins de restituição. Fl. 71DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900332/200913 Acórdão n.º 110100.553 S1C1T1 Fl. 70 7 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A contribuinte juntou, à sua impugnação, cópia da ficha de apuração de CSLL incidente sobre o Lucro Presumido, constante de sua DIPJ do anocalendário correspondente à apuração do crédito alegado, e nela consta a declaração de tributo no valor de R$ 29.720,99, inferior ao recolhimento de R$ 30.638,03, confirmado na análise eletrônica da DCOMP nº 11150.64659.050906.1.7.042300. Nos sistemas informatizados da Receita Federal verificase que esta informação provém de declaração retificadora apresentada em 25/11/2005, e processada sob nº 1241163. Tais elementos confirmam a alegação de que a retificação de DIPJ promovida pela recorrente evidencia pagamento a maior de CSLL no valor de R$ 917,04, utilizado parcialmente na compensação aqui tratada. Cabe esclarecer, ainda, que a interessada também formalizou compensações de indébitos apurados em recolhimentos de COFINS e Contribuição ao PIS, as quais restaram, de igual forma, não homologadas, resultando em litígios já apreciados, em sua quase totalidade, pela 3a Seção de Julgamento deste Conselho, cuja 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, por meio dos Acórdãos nº 340101.262 a 340101.317, e 340101.365 a 340101.384, acolheu, à unanimidade, o voto do I. Conselheiro Emannuel Carlos Dantas de Assis, que concluiu pela nulidade da decisão recorrida com base nos seguintes fundamentos: Apesar de a Manifestação de Inconformidade estar centrada na existência de DIPJ retificadora, o acórdão recorrido tratou apenas da DCTF. Considerando que esta não foi retificada e seu valor coincide com o do recolhimento, julgou improcedente a inconformidade sem ao menos fazer menção à retificação da DIPJ. O voto nem ao menos cita a retificação da DIPJ, que para mim é tema crucial para o deslinde do litígio. Seria irrelevante a retificação? A DIPJ retificada deve ser confrontada com a DCTF ou, sem a retificação desta, deve ser simplesmente desprezada? A circunstância de a retificação ter sido anterior à DCOMP tem alguma importância? São indagações a serem respondidas, de modo a completar a fundamentação do acórdão recorrido. Houve, então, omissão do acórdão recorrido, no que desprezou por completo a retificação da DIPJ. E como essa omissão caracteriza preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, necessita ser sanada, sob pena de supressão de instância. Diante da possibilidade deste Colegiado decidir em desfavor da Recorrente, se considerar que a DCTF (não retificada) deve prevalecer sobre a DIPJ retificadora, apresentase inaplicável o § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72.1 Para a correição do feito fazse necessário que a DRJ trate da retificação da DIPJ, podendo, se julgar pertinente, determinar diligência visando investigar os valores informados pela Recorrente. Afinal, a confissão em DCTF é relativa e admite provas em contrário, cabendo ainda admitir sua retificação se demonstrado, pelo contribuinte, que os valores nela consignados são superiores aos realmente devidos. Para verificação desses valores, pode ser conveniente análise da contabilidade, da escrita fiscal e de documentos fiscais dos perídos em questão. De todo modo, a Fl. 72DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900332/200913 Acórdão n.º 110100.553 S1C1T1 Fl. 71 8 retificação da DIPJ há de analisada pela DRJ – com ou sem realização de diligência, ao seu juízo, que deve produzir novo acórdão em substituição ao ora anulado. Pelo exposto, voto por anular o acórdão recorrido para que a primeira instância o complemente, pronunciandose, também, sobre a DIPJ retificadora. Em seguida ao novo acórdão a ser prolatado deve ser reaberto o prazo para eventual recurso voluntário, tudo conforme o rito do Decreto nº 70.235/72. Contudo, ante a confirmação, junto aos sistemas da Receita Federal, das informações alegadas pela recorrente em sua impugnação, vislumbrase aqui a possibilidade de aplicação do art. 59, §3o do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Isto porque estáse diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada. E, em tais condições, não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado. A autoridade preparadora certamente entendeu de forma diversa, adotando apenas as informações constantes da DCTF como referencial para verificação do débito apurado no período que ensejou o alegado recolhimento indevido. É possível inferir que assim o fez por considerar, como expresso desde a Instrução Normativa SRF nº 14/2000, que a informação de débitos em DIPJ não se presta a instrumentalizar inscrições em Dívida Ativa da União: Art. 1o. O art. 1o. da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1o. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” [...] Fl. 73DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900332/200913 Acórdão n.º 110100.553 S1C1T1 Fl. 72 9 Esta é a interpretação que se extrai destes dispositivo, pois, até então, a Instrução Normativa SRF nº 77/98 relacionava a declaração de rendimentos da pessoa jurídica dentre os documentos que poderiam servir de base para a inscrição, em Dívida Ativa da União, de saldos de tributos a pagar: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições , constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Evidente, portanto, que um novo conceito foi atribuído à declaração de rendimentos da pessoa jurídica apresentada a partir do anocalendário 1999, a qual, inclusive, passou a denominarse Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. Desta forma, tal característica pode ter influenciado a definição dos parâmetros de análise da DCOMP pela autoridade preparadora. Além disso, como a própria recorrente antecipa em sua defesa, a análise realizada pela autoridade preparadora poderia estar orientada pela obrigação imposta na Instrução Normativa SRF nº 166/99, editada com fundamento na Medida Provisória nº 2.189 49/2001, nos termos a seguir transcritos: Medida Provisória nº 2.18949/2001, que convalida texto presente desde a Medida Provisória nº 1.99026, de 14 de dezembro de 1999: Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Art. 2o A pessoa jurídica que entregar declaração retificadora alterando valores que hajam sido informados na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF, deverá apresentar DCTF Complementar ou pedido de alteração de valores, mediante processo administrativo, conforme o caso. [...] Nestes termos, se a contribuinte estava obrigada a retificar a DCTF quando retificasse a DIPJ, desnecessária seria a comparação de ambas as declarações para aferição da compatibilidade das informações ali constantes com o indébito utilizado em DCOMP. Esclareçase, apenas, que, com a edição da Instrução Normativa SRF nº 255/2002, deixou de existir DCTF Complementar, bem como a necessidade de solicitação de alteração de DCTF, bastando a apresentação de DCTF retificadora para alteração dos valores Fl. 74DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900332/200913 Acórdão n.º 110100.553 S1C1T1 Fl. 73 10 constantes da DCTF antes apresentada. Tal mudança, inclusive, operou efeitos retroativos, como expresso nos dispositivos da referida Instrução Normativa, a seguir transcritos: Da Retificação da DCTF Art. 9º Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou II em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. § 3º As DCTF retificadoras, que vierem a ser apresentadas a partir da publicação desta Instrução Normativa, deverão consolidar todas as informações prestadas na DCTF original ou retificadoras e complementares, já apresentadas, relativas ao mesmo trimestre de ocorrência dos fatos geradores. § 4º As disposições constantes deste artigo alcançam, inclusive, as retificações de informações já prestadas nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) referentes aos trimestres a partir do anocalendário de 1997 até 1998 que vierem a ser apresentadas a partir da data de publicação desta Instrução Normativa. § 5º A pessoa jurídica que entregar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados na DIPJ, deverá apresentar, também, DIPJ retificadora. § 6º Verificandose a existência de imposto de renda postergado de períodos de apuração a partir do anocalendário de 1997, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 7º Fica extinta a DCTF complementar instituída pelo art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 45, de 05 de maio de 1998. Das Disposições Finais Art. 10. Deverão ser arquivados os processos administrativos contendo as solicitações de alteração de informações já prestadas nas DCTF, apresentadas até a data da publicação desta Instrução Normativa e ainda pendentes de apreciação, aplicandose, às DCTF retificadoras respectivas, referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, o disposto nos §§ 1º a 3º do art. 9º desta Instrução Normativa. §1º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, somente deverá ocorrer após a confirmação, pela unidade da SRF, da entrega da correspondente declaração em meio magnético. § 2º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anos calendário de 1997 e 1998, Fl. 75DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900332/200913 Acórdão n.º 110100.553 S1C1T1 Fl. 74 11 somente deverá ocorrer após os devidos acertos, pela unidade da SRF, nos Sistemas de Cobrança. Todavia, tem razão a recorrente quando afirma que o descumprimento daquela obrigação não enseja, como penalidade, a perda do crédito. A Instrução Normativa SRF nº 166/99 expressamente reconhece a produção de efeitos, por parte da DIPJ Retificadora, para fins de restituição ou compensação, e, embora firme ser dever da contribuinte também alterar o que antes informado em DCTF, em momento algum condiciona este direito à retificação da DCTF: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] § 2o A declaração retificadora referida neste artigo: I – terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF no 094, de 24 de dezembro de 1997; II – será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. [...] Art. 4º Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. Parágrafo único. Sobre o montante a ser compensado ou restituído incidirão juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, até o mês anterior ao da restituição ou compensação, adicionado de 1% no mês da restituição ou compensação, observado o disposto no art. 2º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 22, de 18 de abril de 1996. Adaptando estas disposições ao novo regramento da compensação, vigente desde a edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, uma vez formalizada a retificação da DIPJ, apresentando tributo menor que o da declaração retificada, pode a contribuinte transmitir Pedido de Restituição – PER ou DCOMP para receber o indébito em espécie, ou utilizálo em compensação, podendo o Fisco indeferir o PER, se não confirmar a veracidade da retificação, ou não homologar a compensação, desde que o faça dentro dos 5 (cinco) anos que a lei lhe confere (art. 74, §5o, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003). Logo, o fato de a contribuinte não ter retificado a DCTF para reduzir o tributo ali originalmente informado não pode obstar a utilização, em compensação, de indébito demonstrado em DIPJ retificadora apresentada antes da edição do despacho decisório que expressou a nãohomologação da compensação, especialmente porque a própria autoridade administrativa reputou desnecessária uma análise mais aprofundada ou detalhada da compensação, submetendoa ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Fl. 76DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900332/200913 Acórdão n.º 110100.553 S1C1T1 Fl. 75 12 Acrescentese, ainda, que a alteração das informações constantes em DCTF não se dá, apenas, por retificação de iniciativa do sujeito passivo. Desde a Instrução Normativa SRF nº 482/2004, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 255/2002, antes citada, a revisão de ofício da DCTF passou a estar expressamente admitida, nos seguintes termos: Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou [...] § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. [...] Observese, inclusive, que este dever de revisão pela autoridade administrativa ganhou maior relevo a partir do momento em que a interpretação quanto à impossibilidade de retificação da DCTF após o transcurso do prazo decadencial passou a ser cogente, no âmbito administrativo, a partir da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. [...] Ultrapassado este limite, a observância do princípio da legalidade na exigência de tributos confessados em DCTF somente se efetiva mediante revisão de ofício, pela autoridade administrativa, do débito declarado a maior. Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ retificadora, da qual consta não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Fl. 77DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900332/200913 Acórdão n.º 110100.553 S1C1T1 Fl. 76 13 Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por conseqüência, admitir sua compensação. Assim, embora evidente que a decisão recorrida foi omissa quanto a argumento da defesa, deixase de declarar sua nulidade pois, no mérito, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e homologar a compensação declarada. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 78DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900332/200913 Acórdão n.º 110100.553 S1C1T1 Fl. 77 14 Declaração de Voto Conselheiro CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Quando a Administração pratica algum ato que tem por base apenas declaração do próprio contribuinte e o contribuinte refuta ou retifica a declaração, o ato deve ser reformado, pois perde sua base fática. Isso porque, se é verdade que a Administração pode praticar seus atos considerando apenas as próprias declarações do contribuinte, também é verdade que as declarações podem ser retificadas ou infirmadas. Assim, se a Administração se acomoda em adotar como único elemento de convicção uma declaração, fica sujeita a ver seu ato reformado, quando o conteúdo desta declaração é alterado por quem a declarou, quer pela negativa do conteúdo, quer por uma retificação, quer por outra declaração com conteúdo divergente. Já manifestei meu entendimento sobre a questão em voto sobre situação semelhante, que transcrevo abaixo (negritei): ... Assim, o lançamento decorre da convicção do Fisco de que a compensação informada pelo contribuinte era de fato feita com base nos DARFs indicados e na constatação de que estes eram insuficientes. Noutro giro, esta convicção decorre na crença de que a DCTF informasse corretamente a forma pela qual foi feita a compensação. Talvez, até o lançamento tenha decorrido da crença de que os fatos informados em DCTF tornemse verdades absolutas e não possam ser retificados. No entanto, nenhuma destas crenças é pertinente, pois a retificação da DCTF é admitida, já que, como qualquer declaração de informação, pode conter erros. Inclusive, a retificação de DCTF não exige a prova de erro em que se fundamente, como demonstra o art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. A regra pode servir de parâmetro na verificação dos requisitos impostos pela própria RFB para a retificação de DCTF. O texto é o seguinte: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; Fl. 79DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900332/200913 Acórdão n.º 110100.553 S1C1T1 Fl. 78 15 b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Como visto acima, a disciplina posta pela Receita Federal para as alterações da DCTF não obrigam que o contribuinte tenha de comprovar o erro que motiva a alteração. As restrições apenas visam disciplinar as alterações com o instituto da espontaneidade, da inscrição em dívida ativa, e mudança do órgão que administra o título executivo constituído por débitos em aberto. Portanto, o contribuinte pode alterar o que informou em DCTF sem ter que, para isso, provar o seu erro anterior. Também no CTN não consta nenhuma exigência para retificação de DCTF. A única restrição feita no Código sobre retificação de declaração, é posta no art. 147, e referese a retificação de declaração preparatória de lançamento, relativa a tributo lançado por declaração e asssim mesmo aos casos em que esta nova declaração vise reduzir tributo. Ou seja, a única restrição legal se refere a alteração da declaração do sujeito passivo que será usada pela Administração para efetuar com base nela o lançamento, dentro da sistemática dos tributos lançados por declaração. Apenas este tipo de declaração é que sofre a exigencia de que o contribuinte precisa provar o erro que motiva a retificação. As outras declarações a que os contribuintes estão obrigados, não sofrem a restrição feita pela pelo art. 147 do CTN. Assim, submetemse a regra geral que é a da liberdade de modificar o informado sem necessidade de demosntrar o erro que justifique a retificação. Tal regra decorre do princípio constitucional de que o administrado não é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Assim, no caso concreto, era (ou deveria ser) de conhecimento do Fisco que a DCTF poderia estar errada e poderia ser infirmada pelo contribuinte a qualquer Fl. 80DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900332/200913 Acórdão n.º 110100.553 S1C1T1 Fl. 79 16 tempo, sem maior ônus para este do que a simples afirmação do erro. Deste modo, percebese que foi uma opção consciente do Fisco efetuar o lançamento com os poucos dados que ele tinha sobre a questão. O Fisco preferiu se abstrair da realidade, para considerar apenas as informações da DCTF. A fragilidade do lançamento decorre da opção do Fisco pelo nível de investigação dos fatos. Tal como alega o contribuinte, o Fisco, ao constatar que a compensação informada na DCTF não podia ser admitida por falta de crédito, podia e devia ter intimado o contribuinte a esclarecer a matéria. Deveria ter intimado o contribuinte a esclarecer a origem do crédito que fundamentava a compensação indicada. Ao não fazêlo, conformouse em trabalhar com uma situação instável, que poderia ser alterada unilateralmente pelo contribuinte. Bastaria que o contribuinte infirmasse, tal como fez, a compensação declarada e afirmasse que o crédito teria outra origem, que o lançamento perderia sua base fática. Também, vale destacar que a DCTF não era um instrumento pelo qual se solicitasse compensação, mas apenas um instrumento de informação. Recapitulando, é preciso ter em mente que, na época, a DCTF apenas indicava uma compensação que foi feita na contabilidade do contribuinte. Também, é preciso considerar que a DCTF não era um veículo de pedido de compensação, que pudesse ser deferido ou indeferido nos termos em que fosse solicitado, mas era um veículo meramente informativo quanto a compensação feita e registrada na contabilidade. Por isso, a compensação informada na DCTF não está sujeita ao crivo de ser ou não concedida, mas sim ao crivo de ser ou não considerada correta. ... Dentro dos poderes atribuídos ao Fisco para desempenho de sua função, não existe a prerrogativa substituir a investigação da matéria tributável por uma investigação de declaração sobre a matéria tributável. Caso o Fisco opte por investigar apenas os fatos declarados, e não a matéria sobre a qual pretende se manifestar, assume o risco de ver suas presunções feitas com base na declaração refutadas pela simples retificação. O ônus de provar que a compensação eventualmente estivesse errada era do Fisco. Não é razoável pretender inverter este ônus sem haver uma previsão legal para tanto. Portanto, não se pode pretender, como quis a DRJ, que o contribuinte tenha de comprovar sua compensação, sem que ninguém o tenha intimado a fazer isso, apenas porque o Fisco suspeitou da compensação declarada na DCTF. ... Não havendo regra que torne imutável o informado em declaração, não havendo regra que exija a comprovação para retificação de declaração, o uso da declaração como elemento de convicção para autuação é frágil e pode ser refutado pela simples negativa. Isso porque a matéria tributável não é o retratado na declaração, mas sim a que de fato ocorreu. Além disso, no presente caso, o ato da Administração foi praticado tendo por base a DCTF, mas desconsiderando a DIPJ, embora ambas as declarações estivessem disponíveis. Deste modo, mesmo antes do ato, o contribuinte já apresentava elementos divergentes de sorte que era absolutamente impróprio que a Administração considerasse apenas uma das declarações, em detrimento da outra. Essa situação de divergência, por sí só já obrigava que a Administração aprofundasse suas investigações, para analisar a divergência entre as declarações e para buscar elementos que entendesse corroborar sua convicção sobre os fatos. Mas, não foi este o caminho trilhado. Fl. 81DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900332/200913 Acórdão n.º 110100.553 S1C1T1 Fl. 80 17 O ato administrativo foi praticado e foi impugnado. Para demonstrar a impertinência do conteúdo da DCTF o contribuinte alega o conteúdo de sua DIPJ. Dessa forma o contribuinte infirma a sua DCTF e, com isso, retira as bases fáticas do despacho. Por tais razões, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Fl. 82DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000194/2006-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2002
Ementa: ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a
apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel.
ADA. RETIFICAÇÃO. EFEITOS. O Ato Declaratório Ambiental ADA
pode ser retificado e nas hipóteses em que admitido, substitui o originalmente apresentado para todos os efeitos. Sendo assim, qualquer procedimento de fiscalização deve tomar por base o último ato retificador regularmente apresentado.
DIVERGÊNCIA ENTRE A ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE
INFORMADA NA DITR. ERRO DE FATO. No caso de evidente erro de
fato no preenchimento da informação da DITR, comprovado com
documentais hábeis, que a área declarada de reserva legal, efetivamente é de preservação permanente e sendo ambas não sujeitas ao ITR, a mesma deve ser restabelecida.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2201-000.997
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria, dar parcial provimento ao recurso para reconhecer a área de preservação permanente equivalente a 167,3ha. Vencidos os conselheiros
Pedro Paulo Pereira Barbosa (relator) que reconhecia apenas 13,5ha e o conselheiro Eduardo Tadeu Farah que negava provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rayana Alves de Oliveira França.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 Ementa: ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. ADA. RETIFICAÇÃO. EFEITOS. O Ato Declaratório Ambiental ADA pode ser retificado e nas hipóteses em que admitido, substitui o originalmente apresentado para todos os efeitos. Sendo assim, qualquer procedimento de fiscalização deve tomar por base o último ato retificador regularmente apresentado. DIVERGÊNCIA ENTRE A ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE INFORMADA NA DITR. ERRO DE FATO. No caso de evidente erro de fato no preenchimento da informação da DITR, comprovado com documentais hábeis, que a área declarada de reserva legal, efetivamente é de preservação permanente e sendo ambas não sujeitas ao ITR, a mesma deve ser restabelecida. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2367; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15956.000194/200625 Recurso nº 343.892 Voluntário Acórdão nº 220100.997 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de fevereiro de 2011 Matéria ITR Recorrente USINA SÃO MARTINHO S/A Recorrida DRJCAMPO GRANDE/MS Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 Ementa: ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. ADA. RETIFICAÇÃO. EFEITOS. O Ato Declaratório Ambiental ADA pode ser retificado e nas hipóteses em que admitido, substitui o originalmente apresentado para todos os efeitos. Sendo assim, qualquer procedimento de fiscalização deve tomar por base o último ato retificador regularmente apresentado. DIVERGÊNCIA ENTRE A ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE INFORMADA NA DITR. ERRO DE FATO. No caso de evidente erro de fato no preenchimento da informação da DITR, comprovado com documentais hábeis, que a área declarada de reserva legal, efetivamente é de preservação permanente e sendo ambas não sujeitas ao ITR, a mesma deve ser restabelecida. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria, dar parcial provimento ao recurso para reconhecer a área de preservação permanente equivalente a 167,3ha. Vencidos os conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa (relator) que reconhecia apenas 13,5ha e o conselheiro Eduardo Tadeu Farah que negava provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rayana Alves de Oliveira França. Fl. 147DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 03/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 2 Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Rayana Alves de Oliveira França – Relatoradesignada EDITADO EM: Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Rayana Alves de Oliveira França. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Relatório USINA SÃO MARTINHO S/A interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJCAMPO GRANDE/MS (fls. 8) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 03/18, para exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR referente ao exercício de 2002, no valor de R$ 27.113,93, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 66.675,85. Segundo o relatório fiscal o lançamento decorre da revisão da DITR/2002 da qual foram glosados os valores declarados como área de preservação permanente (13,5ha) e área de utilização limitada (153,8ha) e foi arbitrado o Valor da Terra Nua – VTN que foi alterado de R$ 2.982.883,28 para R$ 3.594.435,67. O relatório Segundo relatório fiscal, as glosas das áreas ambientais ocorreram devido ao fato de a Contribuinte não ter apresentado Ato Declaratório Ambiental ou averbação da área à margem da matrícula do imóvel, que seriam requisitos necessários ao gozo do benefício da isenção. Quanto ao arbitramento do VTN este decorreu do fato de o Contribuinte não ter comprovado o valor declarado. A Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 47/60 na qual alegou, em síntese, que informou na DITR a área total do imóvel como sendo 722,1 ha, dos quais deduziu 13,5 ha consignados como de preservação permanente e 153,8 hectares como área de utilização limitada por gozarem de benefícios fiscais conforme previsto em lei; que o direito ao devido processo legal na via administrativa foi elevado à garantia fundamental e constitucional, espelhandose repetidamente, em vários dispositivos, como o direito à ampla defesa e ao contraditório, à publicidade dos atos decisórios, dupla instância de decisão, fundamentação das decisões, defesa técnica, produção de provas, proibição de tribunais de exceção, etc; que a Administração Pública lavrou o Auto de Infração, alegando falta de recolhimento do imposto sobre a propriedade territorial rural, não levando em consideração as áreas informadas na declaração como de preservação permanente e utilização limitada; que o lançamento é nulo porque não foram levados em consideração os princípios fundamentais que devem nortear o Ato Administrativo; que no imóvel não existe área de utilização limitada/reserva legal, só há área de preservação permanente no valor de 186,5 hectares, conforme enquadramento do art. 2º do Código Florestal. A DRJCAMPO GRANDE/MS julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Fl. 148DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 03/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 15956.000194/200625 Acórdão n.º 220100.997 S2C2T1 Fl. 2 3 Inicialmente, quanto à alegação de cerceamento de direito de defesa, a DRJ ressaltou que, no processo administrativo, somente com a fase contenciosa do procedimento, a partir da apresentação da impugnação, abrese a oportunidade do contraditório e da ampla defesa e que, no caso concreto, a Contribuinte pôde exercer com desembaraço o exercício do direito de defesa. Quanto ao mérito, relativamente à área de preservação permanente, já que, conforme a própria Contribuinte afirma, não há área de reserva legal no imóvel, entendeu a DRJ, em síntese, que a não apresentação do ADA é suficiente para justiçar a glosa uma vez que a apresentação deste documento ao Ibama é uma das condições para o exercício do direito à isenção sobre as áreas ambientais. Sobre o arbitramento do VTN, observou a DRJ que não houve manifestação da defesa quanto a este ponto, considerando não impugnada a matéria. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 13/10/2008 (fls. 92) e, em 06/11/2008, interpôs o recurso voluntário de fls. 94/118 na qual alega, em síntese, que o lançamento baseouse em presunção simples; que a autoridade fiscal não comprovou a inexistência das áreas de preservação permanente e de reserva legal. Reafirma que, embora tenha declarado uma área de preservação permanente de 13,5ha e uma área de reserva legal de 153,8ha, posteriormente constatou que não possuía uma área de reserva legal, mas apenas área de preservação permanente e que esta mede 186,5ha. e que se prontificou a apresentar novo ADA, o que já fez. Diz que essa área de preservação permanente está corroborada pelo levantamento topográfico feito à época da fiscalização, por engenheiro agrônomo. Argumenta que a apresentação do ADA não é condição necessária para o exercício do direito á isenção das áreas ambientais, bastando comprovar a existência efetiva das áreas, o que diz ter feito neste caso. Também argumenta a respeito da desnecessidade de averbação de área de reserva legal. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Segundo o relatório fiscal, o lançamento decorre da revisão da DITR/2002 da qual foram glosados os valores declarados como área de preservação permanente (13,5ha) e área de utilização limitada (153,8ha) e foi arbitrado o Valor da Terra Nua – VTN que foi alterado de R$ 2.982.883,28 para R$ 3.594.435,67. Quanto às glosas, a matéria em discussão diz respeito apenas à necessidade do ADA como condição para a exclusão das áreas ambientais para fins de apuração do ITR. O único fundamento da autuação para as glosas foi a falta de apresentação do ADA. Fl. 149DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 03/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 4 Pois bem, o dispositivo que trata da obrigatoriedade do ADA, e que é o fundamento legal da autuação, é o art. 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, que deu nova redação ao artigo 17O da Lei nº 6.938/81, in verbis: Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. [...] § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. [...] Inicialmente, embora admitindo como possibilidade a interpretação de que o dispositivo esteja a prescrever a necessidade do ADA, para todas as situações de áreas ambientais, como condição para a redução dessas áreas para fins de apuração do valor do ITR a pagar, conforme os atos normativos da RFB e do Ibama, não me parece que este sentido e alcance da norma estejam claramente delineados, a ponto de dispensar o esforço de interpretação. Isto é, não me parece que se aplique aqui o brocardo in claris cessat interpretatio. Não basta, portanto, simplesmente dizer que a lei impõe ou não a necessidade do ADA, é preciso expor as razões que levam a esta conclusão. O que chama a atenção no dispositivo em apreço é que o mesmo tem como escopo claro a instituição de uma Taxa de Vistoria, a ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar de uma redução de ITR com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, de uma taxa que tem como fato gerador o serviço público específico e divisível de realização da vistoria, que presumivelmente será realizada nos casos de apresentação do ADA, e não de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento de tais áreas e muito menos de criar obrigações tributárias acessórias ou regular procedimentos de apuração do ITR. Também não se deve desprezar o fato de que a referência à obrigatoriedade do ADA vem apenas no parágrafo primeiro e, portanto, deve ser entendido levando em conta o quanto disposto no caput. E este, como se viu, restringe a tal taxa às situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, o que implica no reconhecimento da existência de reduções que não sejam baseadas no ADA. Aliás, a função sintática da expressão “com base em Ato Declaratório Ambiental” é exatamente denotar uma circunstância relativa ao fato expresso pelo verbo “beneficiar”. Ora, entendendose o chamado “benefício de redução” como sendo a exclusão de áreas ambientais para fins de apuração da base de cálculo do ITR, indagase se a exclusão de áreas ambientais cuja existência decorre diretamente da lei, independentemente de reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público, pode ser entendida como uma redução “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”. Penso que não. Vejase o caso da área de preservação permanente de que trata o art. 2º da lei nº 4.771, de 1965, e que existe “pelo só efeito desta lei”, in verbis: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: (sublinhei) Fl. 150DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 03/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 15956.000194/200625 Acórdão n.º 220100.997 S2C2T1 Fl. 3 5 [...] E também o caso da área de reserva legal do art. 16 da mesma lei, a saber; Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) No caso da área de preservação permanente, a lei define, objetivamente, por exemplo, que tanto metros à margem dos rios, conforme a largura deste, é área de preservação permanente, independentemente de qualquer ato do Poder Público. É a própria lei que impõe ao proprietário o dever de preservar essa área e, para tanto, este não deve esperar qualquer determinação do Poder Público. O mesmo ocorre com relação à área de reserva legal. A lei impõe que, conforme certas circunstâncias de localização etc. da propriedade, um mínimo das florestas e outras formas de vegetação nativa devem ser preservadas de forma permanente. E a lei também exige que estas áreas, identificadas mediante termo de compromisso com o órgão ambiental competente, sejam averbadas à margem da matricula do imóvel, vedada sua alteração em caso de transmissão a qualquer título. Também neste caso o proprietário não deve esperar qualquer ato do Poder Público determinando que tal ou qual área deve ser preservada. Por outro lado, a Lei nº 9.393, de 1996, ao cuidar da apuração do ITR, define a área tributável como sendo a área total do imóvel subtraída de áreas diversas, dentre elas as de preservação permanente e de reserva legal, sem impor qualquer condição, in verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou Fl. 151DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 03/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 6 estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) Se as áreas de preservação permanente e as de reserva legal independem de manifestação do Poder Público, outras áreas ambientais, passíveis de exclusão, para fins de apuração do ITR, dependem da manifestação de vontade do proprietário ou da imposição do próprio órgão ambiental, observadas certas circunstâncias específicas do imóvel. Vejase, por exemplo, o caso da área de preservação permanente de que trata o art. 3º da Lei nº 4.771, de 1965, in verbis: Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. Aqui, a declaração da área como de preservação permanente deve ocorrer em cada caso, conforme entenda o órgão ambiental, considerada a necessidade específica em face de alguma circunstância de risco ao meio ambiente ou de preservação da fauna ou da flora. O mesmo se pode dizer das áreas de que trata a alínea “b” do § 1º do inciso II da lei nº 9.393, de 1996. Ali a área deve ser declarada de interesse ecológico visando à proteção de um determinado ecossistema. Ela não existe “pelo só efeito da lei”, e nem decorre de uma imposição legal genérica de preservação, de uma fração determinada da floresta ou mata nativa. Decorre do entendimento por parte do Poder Público, com base no exame do caso concreto, que aquela área deve ser preservada. Fl. 152DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 03/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 15956.000194/200625 Acórdão n.º 220100.997 S2C2T1 Fl. 4 7 Existe, portanto, uma clara diferença entre áreas ambientais: umas cujas existências decorrem diretamente da lei, sem necessidade de prévia manifestação por parte do Poder Público por meio de qualquer ato, e outras que devem ser declaradas ou reconhecidas pelo poder Público por meio de ato próprio. Dito isto, não me parece minimamente razoável que a exclusão, prevista em lei, de uma área ambiental, cuja existência independe de manifestação do Poder Público, fique condicionada a um ato formal de apresentação do tal ADA. Mas não há dúvida de que a lei poderia criar tal exigência: A questão aqui, entretanto, é se o art. 170, em que se baseiam os que defendem esta posição, permite esta interpretação; se é este o sentido e o alcance que se deve extrair da norma que melhor a harmonize com os demais princípios e normas que regem a tributação do ITR e a preservação do meio ambiente. E a resposta é negativa. Em conclusão, penso que o art. 170 da Lei nº 6.938/81 impõe a exigência da apresentação tempestiva do ADA apenas nos casos em que a existência da área ambiental dependa de declaração ou reconhecimento por parte do Poder Público. No caso concreto, foi declarada uma área de reserva legal de 153,8ha, a qual, todavia, a própria Recorrente admite não existir de fato. Nestas condições não vejo razão para se negar o direito á isenção relativamente á área de reserva legal. Sustenta, entretanto, que apesar de ter declarado uma área de preservação permanente de apenas 13,5ha, a qual também foi glosada, esta mede, de fato, 186,5ha, conforme documentos que acosta aos autos e que afirma comprovar a alegação, e pede seja considerada, então, a área de preservação permanente de 186,5ha. Com relação à are de preservação permanente originalmente declarada, por tudo o que foi exposto acima, penso que deve ser restabelecido o valor declarado. Porém, quanto à área originalmente declarada como de reserva legal e que a Recorrente pretende ver admitida como área de preservação permanente, penso que o pleito não merece prosperar. É que não cabe aos órgãos julgadores promover retificações em declarações apresentadas pelos Contribuintes no que se refere a matérias em relação às quais não se instaurou o litígio, salvo, eventualmente, nos casos de evidente erro de fato. Neste caso, não vislumbro que a declaração da área de reserva legal tenha isso um erro de fato. Aliás, a própria Contribuinte reconhece que somente em momento posterior à declaração é que verificou a inexistência de área de preservação permanente, sendo que já havia declarado como APP um valor menor. Finalmente, apenas para que não pairem dúvidas, a Recorrente não se insurgiu na impugnação contra a retificação do VTN e, portanto, em relação a este item, não se instaurou o litígio. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reconhecer uma área de preservação permanente de 13,5ha. Assinatura digital Fl. 153DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 03/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 8 Pedro Paulo Pereira Barbosa Voto Vencedor Conselheira Rayana Alves de Oliveira França – Relatoradesignada Com todo respeito à posição do nobre Conselheiro Relator, com o qual coaduno, ipsis litreris, o entendimento da prescindibilidade do ADA para exclusão das áreas de reserva legal e preservação permanente para fins de apuração do ITR. Entretanto, nesse processo específico, ouso discordar das conclusões apresentadas. Como bem enfatizado no seu voto: “O único fundamento da autuação para as glosas foi a falta de apresentação do ADA”. Em 21/10/10, fui relatora do Processo nº 10840.001145/200511, da mesma contribuinte e matéria, cujo fato gerador era referente ao exercício anterior, 2001, nesse processo através do Acórdão nº22.0100.877, foi dado , por unanimidade de votos, provimento ao recurso, em decisão assim ementada: “ADA. RETIFICAÇÃO. EFEITOS. O Ato Declaratório Ambiental ADA pode ser retificado e nas hipóteses em que admitido, substitui o originalmente apresentado para todos os efeitos. Sendo assim, qualquer procedimento de fiscalização deve tomar por base o último ato retificador regularmente apresentado. DIVERGÊNCIA ENTRE A ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE INFORMADA NA DITR. ERRO DE FATO. No caso de evidente erro de fato no preenchimento da informação da DITR, comprovado com documentais hábeis, que a área declarada de reserva legal, efetivamente é de preservação permanente e sendo ambas não sujeitas ao ITR, não deve prosperar o lançamento. Recurso Voluntário Provido.” Verificando o presente processo, constato que a contribuinte apresentou o ADA em 21/09/1998 (fls.39) e o retificou em 16/13/2003 (fls.40), antes de iniciada a fiscalização, conforme se verifica do Termo de Intimação Fiscal, emitido em 14/08/2006 (fls.22/23). Nesse período ainda não havia sido instituída anualidade da apresentação do ADA, que foi implementada pela Instrução Normativa IBAMA n°76/05, posteriormente revogada pela Instrução Normativa IBAMA n°25/2009. Assim, apenas a partir do Exercício de 2007, o ADA passou a ser exigido anualmente, independentemente de entregas efetuadas em exercícios anteriores, 1997 a 2006, e/ou da ocorrência de alterações nas características dos imóveis rurais. Fl. 154DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 03/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 15956.000194/200625 Acórdão n.º 220100.997 S2C2T1 Fl. 5 9 Entre 1997 e 2006, bastava uma só apresentação do ADA, desde que nesse intervalo não tivesse ocorrido alterações nas características do imóvel rural. Em caso de alteração após a primeira apresentação, deveria ser apresentado um ADA retificador. No caso em tela, o ADA foi apresentado inicialmente em 1998 e retificado em 2003, antes da exigência da anualidade da apresentação. Portando, deve ser considerado como prova, o ADA retificador,. Não há portanto, que se falar em intempestividade na apresentação do ADA, no exercício 2002, como entendeu a decisão de primeira instância, pois o mesmo foi protocolado tempestivamente e retificado, antes do inicio de qualquer procedimento fiscal. Durante o curso do processo ficou comprovado que a área de 186,5ha efetivamente é Área de Preservação Permanente, conforme demonstrado no ADA retificador e no Levantamento Planimétrico apresentado, não havendo como se exigir sua averbação na matrícula do Imóvel. Ademais, não há como o contribuinte averbar um reserva legal que não existe. Efetivamente ocorreu erro na DITR que não foi retificada. Entretanto, constatada que a área declarada de reserva legal, efetivamente é de preservação permanente e sendo ambas não sujeitas ao ITR, não deve prosperar o lançamento neste tocante. Assim, reconheço como área de preservação permanente, além da área já reconhecida pelo Relator de 13,5ha, também a área de 153,8ha, declarada por erro de fato como de reserva legal. Diante do exposto voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para reconhecer a área de preservação permanente equivalente a 167,3ha, restando incólume o lançamento no que se refere a retificação do VTN. Assinatura digital Rayana Alves de Oliveira França Fl. 155DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 03/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 10 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência da decisão consubstanciada no acórdão supra. Brasília/DF, 28/07/2011 __________(assinado digitalmente)_____________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 156DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 03/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI
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