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Numero do processo: 13660.000055/2001-87
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Sep 16 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Thu Sep 16 00:00:00 UTC 2004
Ementa: SIMPLES - EXCLUSÃO - DÉBITO INSCRITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO, COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA..
A existência de débito da empresa e/ou de sócio, junto à Procuradoria da Fazenda Nacional ou do INSS, inscrito em dívida ativa, é condição impeditiva para a inscrição ou manutenção da Contribuinte no SIMPLES.
Correta a sua exclusão de ofício, na forma como prescreve a Lei nº 9.317, de 1996.
NEGADO PROVIMENTO AO RECUROS POR MAIORIA.
Numero da decisão: 302-36386
Decisão: Por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luis Antonio Flora, relator, Simone Cristina Bissoto e Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior que davam provimento. Designado para redigir o acórdão o Conselheiro Paulo Roberto Cucco Antunes.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: LUIS ANTONIO FLORA
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Correta a sua exclusão de oficio, na forma como prescreve a Lei n°. 9.317, de 1996. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO POR MAIORIA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Luis Antonio Flora, relator, Simone Cristina Bissoto e Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior que davam provimento. Designado para redigir o acórdão o Conselheiro Paulo Roberto Cucco Antunes. Brasilia-DF, em 16 de setembro de 2004 - - O _ HENRIQUE •-• • DO MEGDA Presidente _d./Lar — •°- PAULO ROB Po O CUCCO ANTUNES Relator Designado n 'n Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO, MARIA HELENA COTTA CARDOZO e WALBER JOSÉ DA SILVA. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional PEDRO VALTER LEAL. mE MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 125.129 ACÓRDÃO N° : 302-36.386 RECORRENTE : JOSÉ GILBERTO FONSECA RECORRIDA : DRJ/JUIZ DE FORA/MG RELATOR(A) : LUIS ANTONIO FLORA RELATOR DESIG. : PAULO ROBERTO CUCCO ANTUNES RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão de primeiro grau de jurisdição administrativa que indeferiu solicitação de contribuinte relativa a exclusão do SIMPLES por "Pendência da Empresa e/ou Sócios junto a PGFN". No apelo recursal a contribuinte diz que quitou o débito e junta os respectivos documentos de arrecadação. É a síntese do essencial. É o relatório. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 125.129 ACÓRDÃO N° : 302-36.386 VOTO VENCEDOR Com a devida vênia, permito-me discordar do entendimento extemado pelo Nobre Relator, pois que não vejo como reformar, no presente caso, a R. Decisão atacada. Com efeito, ocorreu a exclusão do Contribuinte do sistema de pagamento simplificado denominado SIMPLES, instituído pela Lei n°. 9.317/66, em razão de pendências, da empresa e do sócio, junto à Procuradoria da Fazenda • Nacional, com inscrição em Dívida Ativa e sem a suspensão de sua exigibilidade. O ato de exclusão foi praticado por servidor competente, tudo na forma da legislação de regência. Propõe o I. Relator o acolhimento do Recurso, sob fundamento de que o Contribuinte resolveu suas pendências enquanto suspensa a exclusão decretada, em virtude da apresentação de solicitação de revisão Com tal entendimento, data maxima venta, não posso concordar, pois que tal proposição, em meu modesto entendimento, não encontra amparo na legislação de regência e conflita com os fatos constantes dos autos. Não vejo motivo para reforma da R. Decisão recorrida, a qual deve ser mantida, no presente caso. Achei por bem transcrever aqui trechos da referida Decisão, como • segue: "(...) Simples constitui um regime tributário diferenciado, simplificado e favorecido aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte, criado pela Lei n° 9.317,d e 05 de dezembro de 1996. A Lei 9.317/1996, traz que: An. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XV — que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 125.129 ACÓRDÃO N° : 302-36.386 XVI— cujo titular, ou sócio que participe de seu capital com mais de 10% (dez por cento), esteja inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (.) Art. 14. A exclusão dar-se-á de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I — exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; O A partir da edição da Lei n°9.732, de 1998, as exclusões de oficio passaram a observar seus efeitos a partir do mês subseqüente à ciência, pela pessoal jurídica, do Ato Declara tório, emitido pela Secretaria da Receita Federal, para esse fim. Claro está que a inscrição em divida ativa da empresa e/ou de seus sócios junto à PGFN é condição impeditiva de optar pelo Simples. O ato declaratório, lastreado em informações da PGFN que acusam pendências da empresa e de seu sócio junto aquele órgão, exclui a contribuinte do sistema simplificado de tributação, a partir do mês subseqüente à sua ciência. De modo que, o ato declaratório não é uma cobrança de qualquer débito tributário da empresa. Apenas indica que, mantida a exclusão, a reclamante terá que optar por uma outra forma de apuração para os tributos e contribuições a vencer. Cabe esclarecer que, de acordo com a legislação pertinente: Art. 62. Em todos os casos em que a lei exigir a apresentação de provas de quitação de tributos federais, incluir-se-á, obrigatoriamente, dentre aquelas, a certidão negativa de inscrição de divida ativa da União, fornecida pela Procuradoria da Fazenda Nacional competente. (Decreto-lei n° 147,d e 3 de fevereiro de 1967). Portanto, para comprovação da regularidade da empresa e de seus sócios junto à PGFN, deve ser anexada aos autos a CND — Certidão Negativa de Débitos, ou Certidão Positiva com efeito de negativa, ou documento similar especificando que não existe qualquer impedimento à confirmação de sua opção pelo SIMPLES fornecido por aquele órgão. /4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 125.129 ACÓRDÃO N° : 302-36.386 A CND é fornecida quando não existir qualquer pendència junto à PGFN; a Certidão Positiva com efeito de negativa é fornecida quando, existindo pendências, estas estejam suspensas, em conformidade com o Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/1966), ou seja: Art 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I — Moratória; Ii — o depósito do seu montante integral; III — as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV — a concessão de medida liminar em mandado de segurança. 3 — a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em eoutras espécies de ação judicial; (Inciso incluído pela Lcp n° 104, de 10.1.201) VI — o parcelamento. (Inciso incluído pela Lcp n° 104, de 10.1.2001) Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. De modo que, tendo a empresa ingressado na esfera judicial, teria que, dependendo do tipo de ação, enquadrar-se em um dos incisos acima, mais especificamente incisos II, IV ou V, para conseguir Certidão Positiva com efeito de negativa na PGFN e não incidir na regra de exclusão do Simples determinada na Lei n° 9.317/1996. O Parcelamento é uma das hipóteses de suspensão do crédito tributário. Portanto, se todos os débitos inscritos em divida ativa estivessem parcelados, não haveria impedimento à emissão de Certidão Positiva com efeito de Negativa. Quanto à prescrição da divida, se esta encontra-se com inscrição ativa é porque a PGFN tem entendimento contrário às pretensões da reclamante e não cabe aqui discutir matéria submetida à competência daquele órgão. Por outro lado, o ingresso na esfera judicial faz prova somente em relação aos débitos ali relacionados, não implicando na regularidade da empresa em relação a outros débitos porventura inscritos em divida ativa. Esclareça-se que a empresa apresentou, às fls. 40, Certidão quanto à Divida Ativa da União Positiva. MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 125.129 ACÓRDÃO N° : 302-36.386 Importa registrar que, no presente processo, não há prova de que a contribuinte tenha ingressado na esfera judicial para discutir qualquer débito inscrito em dívida ativa da União. Os documentos juntados, às fls. 24/31, referem-se a outras empresas. Assim, resta caracterizado que a pessoa jurídica não comprovou a regularidade de sua situação junto à PGFN, não teve cerceado o seu direito de defesa e não está sendo obrigada a pagar o que não deve. Ressalte-se que, mesmo se fossem aceitos os argumentos quanto à regularidade da empresa junto à PGFN, o que não ocorreu, restaria sem comprovação a situação pendente indicada para o seu sócio O (José Gilberto Fonseca) que não foi rebatida em nenhum momento na fase impugnatória. Condição, por si só, impeditiva de opção pelo Simples." Neste caso, sem dúvida alguma, perfeito o entendimento da instância a quo de julgamento, que não merece reforma. Vale ressaltar, por oportuno, que a Recorrente não logrou fazer qualquer prova, quando da apresentação de seu Recurso Voluntário a este Conselho, que pudesse ensejar alguma modificação na situação enfocada na Decisão atacada. Por tais razões, data venha do entendimento manifestado pelo Insigne Relator, permito-me dele discordar para externar meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ora em exame. Sala das Sessões, em 16 de setembro de 2004 PAULO ROB ti CUCCO ANTUNES — Relator Designado MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 125.129 ACÓRDÃO N° : 302-36.386 VOTO VENCIDO O comunicado de exclusão do SIMPLES foi expedido sob a alegação de pendência junto à PGFN. Após a comunicação a contribuinte pessoa jurídica apresentou solicitação de revisão, que foi posteriormente indeferida. Contra o indeferimento a interessada apresentou impugnação. Verifica-se assim que desde a comunicação a exclusão está suspensa. Em grau de recurso a contribuinte faz prova da regularização do motivo da exclusão, confirmando as suas alegações iniciais, juntando certidão nesse sentido. Sobre a dita suspensão, deve ser ressaltado que o § 6°, do art. 8° da Lei 9.317/96, acrescido pela Lei 10.833/03, diz que o indeferimento da opção pelo SIMPLES, mediante despacho decisório de autoridade da Secretaria da Receita Federal, submeter-se-á ao rito processual do Decreto 70.235/72. Por outro lado, cumpre destacar que a contribuinte promoveu diligência, no curso do processo, no sentido de regularizar a pendência, fato esse que ao meu ver milita em seu favor da sua permanência no regime tributário do SIMPLES e da intenção do legislador constituinte ao estabelecer tratamento diferenciado às microempresas e empresas de pequeno porte. Deve ser levado em conta, acima de qualquer intuito arrecadatório, O que o incentivo concedido pela Constituição de 1988 às microempresas e empresas de pequeno porte decorre, dentre outros, do fato que são notórias geradoras de empregos. Portanto, o SIMPLES foi editado como mecanismo de defesa e auxílio contra o abuso do poder econômico, de retirá-las da economia informal e de possibilitar-lhes o desenvolvimento do próprio negócio de acordo com a respectiva capacidade econômica e técnica, gerando, desse modo, maior número de empregos. Manter um ato declaratório de exclusão do regime, cujas pendências foram regularizadas no curso do processo, é contrariar os princípios que regem a atividade econômica elencados no art. 170 da Constituição Federal. Assim, quando o contribuinte, no curso do processo, faz prova da quitação do débito apontado no ato declaratório deve ser mantido no regime. Corroborando este entendimento foi publicada a Lei 10.925, de 23 de julho de 2004, publicada no DOU do dia 26 do mesmo mês, onde nos arts. 10 e 11 é concedido parcelamento às empresas e a vedação da exclusão durante o prazo para 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 125.129 ACÓRDÃO N° : 302-36.386 requerer o beneficio. Verifica-se, assim, novamente, que o legislador vem dispensando atenção especial às microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo SIMPLES, adequando a legislação à realidade dessas empresas. Ante o exposto, dou provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 16 de setembro de 2004 # k LUIS AN 4,1 kiÀ IRA - Conselheiro o o 1 • Page 1 _0009700.PDF Page 1 _0009800.PDF Page 1 _0009900.PDF Page 1 _0010000.PDF Page 1 _0010100.PDF Page 1 _0010200.PDF Page 1 _0010300.PDF Page 1
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Numero do processo: 13749.000205/2001-82
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Jun 23 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Fri Jun 23 00:00:00 UTC 2006
Ementa: IRPF – RENDIMENTOS RECEBIDOS POR HORAS EXTRAS TRABALHADAS – TRIBUTAÇÃO – O valor pago pela PETROBRÁS a título de "Indenização de Horas Trabalhadas - IHT" não se encontra sujeito à incidência do imposto de renda, por se tratar de verba indenizatória que recompõe os períodos de folga não gozados e a supressão de horas extras (Precedentes do STJ).
Recurso provido.
Numero da decisão: 106-15.671
Decisão: ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Ana Neyle Olímpio Holanda
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-27T13:16:08Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-27T13:16:08Z; Last-Modified: 2009-08-27T13:16:08Z; dcterms:modified: 2009-08-27T13:16:08Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-27T13:16:08Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-27T13:16:08Z; meta:save-date: 2009-08-27T13:16:08Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-27T13:16:08Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-27T13:16:08Z; created: 2009-08-27T13:16:08Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2009-08-27T13:16:08Z; pdf:charsPerPage: 1377; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-27T13:16:08Z | Conteúdo => -; • _ ,11.04 MINISTÉRIO DA FAZENDA •p.;,,.•.S. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4(St•It4 SEXTA CÂMARA Processo n°. : 13749.000205/2001-82 Recurso n°. : 146.930 Matéria : IRPF - Ex(s): 1997 Recorrente : JORGE LUIZ PEREIRA DE SOUZA Recorrida : r TURMA/DRJ no RIO DE JANEIRO — RJ II Sessão de : 23 DE JUNHO DE 2006 Acórdão n°. : 106-15.671 IRPF — RENDIMENTOS RECEBIDOS POR HORAS EXTRAS TRABALHADAS — TRIBUTAÇÃO — O valor pago pela PETROBRÁS a titulo de "Indenização de Horas Trabalhadas - INT" não se encontra sujeito à incidência do imposto de renda, por se tratar de verba indenizatória que recompõe os períodos de folga não gozados e a supressão de horas extras (Precedentes do STJ). Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JORGE LUIZ PEREIRA DE SOUZA. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integr r o presente julgado. ‘JOSÉ :AMA /AR OS PENHA PRESIDENTE eitivue,., • 160ea,..L__ ANA N'ENILE OLIMI?10 HOLANDA RELATORA FORMALIZADO EM: IO 1 AGO 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO, GONÇALO BONET ALLAGE, LUIZ ANTONIO DE PAULA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI e WILFRIDO AUGUSTO MARQUES. Ausente, justificadamente, o Conselheiro JOSÉ CARLOS DA MATTA RIVITTI. "4. MINISTÉRIO DA FAZENDA 1/44 p' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES tinjiziAr' SEXTA CÂMARA.r.t,;,ta• Processo n° : 13749.000205/2001-82 Acórdão n° : 106-15.671 Recurso n° : 146.930 Recorrente : JORGE LUIZ PEREIRA DE SOUZA RELATÓRIO Trata o presente processo de auto de infração que exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 5.076,90, a título de imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), acrescido de juros de mora, em face de haver sido constatada a omissão de rendimentos de trabalho com vínculo empregatício. 2. Isto porque o sujeito passivo foi autor obteve a tutela jurisdicional em ação em que pleiteava indenização por horas trabalhadas na empresa Petróleo Brasileiro S/A - PETROBRAS, sendo que entendeu tratarem-se tais verbas de rendimentos isentos, não os apresentando como sujeitos à tributação na declaração de ajuste anual do exercício 1997, ano-calendário 1996. 3. Inconformado com a exação, o autuado apresentou impugnação, de onde resumidamente se extraem os seguintes argumentos: I — os rendimentos em questão decorrem de acordo judicial com a empresa Petróleo Brasileiro S/A - PETROBRAS, em decorrência de não cumprimento da Constituição Federal de 1988, no que diz respeito à jornada de trabalho de turno de revezamento em plataforma petrolífera; II — por ocasião da declaração de ajuste anual, informou os rendimentos como tributáveis, depois empreendeu a retificação de tal declaração de rendimentos, informando tais verbas como rendimentos não tributáveis, pelo que requereu a restituição devida; IV — conforme mandamentos dos artigos 18 e 835 do Regulamento do Imposto de Renda, as dúvidas havidas durante a análise da declaração de rendimentos, mesmo que retificadora, devem ser tiradas pela autoridade lançadora, sendo que tal 2 40;À; MINISTÉRIO DA FAZENDA giv4:4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTESte SEXTA CÂMARA Processo n° : 13749.000205/2001-82 Acórdão n° : 106-15.671 situação não ocorreu durante a ação fiscal, pois que a autoridade fiscal o notificou para prestar os esclarecimentos entendidos devidos; V — desta forma, o auto de infração lavrado em decorrência de pedido de retificação é nulo, posto que realizado após notificação de lançamento, que inclusive reconheceu o reconhecimento a maior realizado na fonte pagadora, como também disponibilizou os valores corrigidos; VI — sem qualquer contestação, a Secretaria da Receita Federal devolveu a importância indevidamente retida na fonte, com isso, concordou plenamente com a tese da indenização trabalhista recebida, já que a autoridade competente analisou e aprovou o pedido de retificação, tendo enviado notificação de lançamento, relativa à declaração retificadora apresentada; VII — o conceito constitucional de renda e proventos passa pela avaliação da capacidade contributiva, pois o artigo 145, § 1°, da Constituição Federal de 1988 determina que a tributação por via de impostos deve levar em consideração a situação particular do contribuinte; VIII — a verba recebida é de natureza indenizatória, pois, tendo sido paga tanto tempo depois do trabalho realizado ganhou características alimentares, perdendo, por conseqüência a natureza salarial, também que não se pode aguardar tanto tempo pelo recebimento de uma verba sem qualquer prejuízo; IX — o fato de a empresa ter se reportado no Termo de Acordo Judicial que sobre a indenização seriam descontados os encargos como contribuições previdenciárias e imposto sobre a renda não significa que tais descontos estejam legalmente amparados; X — tempos após da assinatura do Termo de Acordo Judicial, a PETROBRAS reconheceu o erro em recolher a contribuição previdenciária sobre esta verba, com isso, os valores pagos foram devolvidos, conforme documento interno da empresa (REVA/DIRELT/SEPEL 00050/96 )H 3 • •Ef...:•;;; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ;frartkr, SEXTA CÂMARA Processo n° : 13749.000205/2001-82 Acórdão n° : 106-15.671 XI — nenhum documento que tenha sido apresentado na consulta feita pela FUP e por outras pessoas físicas lhe foi apresentado, não obstante, deixa claro que não autorizou qualquer entidade ou pessoa a intervir junto à Secretaria da Receita Federal sobre assunto que lhe é particular e que está em questão. 5. Os membros da 3a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília - DF acordaram por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e, no mérito, dar o lançamento por procedente, sob o fundamento de que, no caso de pagamento de diferença de horas extras trabalhadas, verifica-se que se trata de rendimentos oriundos do produto do trabalho, referentes à remuneração de horas trabalhadas além da jornada prevista constitucionalmente, figurando, portanto, no campo de incidência do imposto sobre a renda. 6. Intimado do acórdão de primeira instância, o autuado, irresignado, interpôs, tempestivamente, recurso voluntário, para cujo seguimento apresentou o arrolamento de bens de fl. 80. 7. Na petição recursal reapresenta os mesmos argumentos de defesa expendidos na impugnação. É o relatório. 4 it?„c:,:-.;;;¡ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES •Whl..fr SEXTA CÂMARA Processo n° : 13749.000205/2001-82 Acórdão n° : 106-15.671 VOTO Conselheira ANA NEYLE OLÍMPIO HOLANDA, Relatora. O recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. A controvérsia tratada nos autos versa sobre a natureza tributária dos rendimentos percebidos pelo recorrente da PETROBRÁS a titulo de diferença de horas trabalhadas, que excederam a jornada normal de trabalho. A tese defendida pelo recorrente se dá no sentido de que as verbas por ele recebidas no ano-calendário 1996, exercício 1997, sob a denominação de Indenização de Horas Trabalhadas — INT, possuem natureza indenizatória e, como tal, não se sujeitam à incidência do imposto sobre a renda das pessoas físicas (IRPF). Em manifestações anteriores, em que me foi designada a relatoria de recurso tratando do mesmo objeto, venho entendendo que as verbas em questão têm por origem remuneração por sua atividade laborai, decorrentes de horas excedentes ajustadas em acordo coletivo reconhecido pela Justiça do Trabalho, impossível emprestar-lhes a pretendida natureza de indenização, pois nada mais são que a contraprestação pelo trabalho desenvolvido. O recebimento desses rendimentos implica em aumento da capacidade contributiva e é fato gerador do imposto sobre a renda, pois que, no presente caso, não se está de fronte com indenizações, já que inexiste a figura do "dano" estando presente a da "contraprestação" de jornada de trabalho. Sendo que, para fins de tributação, não influi o fato de a fonte pagadora ter denominado tais verbas de "Indenização de Horas Trabalhadas (INT)", o que não lhes modifica a natureza jurídica, sendo por completo indiferente no que tange à obrigação do sujeito passivo de oferecê- las à tributação. Ademais que a fonte pagadora, em atendimento a legislação em vigor, efetuou a retenção do imposto na fonte, apesar da denominação empregada. 5 • ;AU& MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° : 13749.000205/2001-82 Acórdão n° : 106-15.671 Entretanto, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) em julgamentos sobre a mesma matéria tem se pronunciado no sentido de que, o dano sofrido pelos empregados da Petrobrás que ensejou a intitulada IHT está consubstanciado justamente nos dias de folga acrescidos pela Constituição Federal, mas não gozados, percepção que descaracteriza e afasta o tratamento de mera hipótese de pagamento de hora extra a destempo. Para aquele tribunal, a impossibilidade do empregado de usufruir desse beneficio gera a indenização, porque, negado o direito que deveria ser desfrutado in natura, surge o substitutivo da indenização em pecúnia. A natureza indenizatória desse pagamento não se modifica para salarial, diante da conversão em pecúnia desse direito. O valor pago não se traduz em riqueza nova, nem tampouco em acréscimo patrimonial, mas apenas recompõe o patrimônio do empregado que sofreu prejuízo por não exercitar esse direito à folga. Em conseqüência, não incide o imposto de renda sobre essa indenização. Assim se posicionou a Primeira Turma do STJ no julgamento do REsp n° 639.903/RN, da relatoria dó Ministro Teori Albino Zavascki, cujo entendimento pode ser resumido nos termos da ementa a seguir transcrita: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. PETROBRÁS. HORAS-EXTRAS. INDENIZAÇÃO DE HORAS TRABALHADAS. NATUREZA INDENIZA TÓRIA. 1. A Primeira Turma do STJ, no julgamento do RESP 584.182, Rel. p/ o acórdão Min. José Delgado, DJ de 30/08/2004, consagrou o entendimento segundo o qual o valor pago pela PETROBRÁS a titulo de "Indenização de Horas Trabalhadas - IHT" não se encontra sujeito à incidência do imposto de renda, por se tratar de verba indenizatória que recompõe os períodos de folga não gozados e a supressão de horas-extras. 2. Recurso especial a que se nega provimento. Como antes frisado, embora não seja este o meu entendimento pessoal, passo a corroborar a posição do STJ, para ter as verbas recebidas a titulo de IHT como de caráter indenizatório, não sujeitas à incidência do imposto sobre a renda. 6 • ar40: ' MINISTÉRIO DA FAZENDA ":ti.ifrre PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES *ti,» SEXTA CÂMARA irs Processo n° : 13749.000205/2001-82 Acórdão n° : 106-15.671 Dessarte, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões - DF, em 23 de junho de 2006. • --ÁrNWE- OLÍM"ItHOLANDA 7 Page 1 _0016600.PDF Page 1 _0016700.PDF Page 1 _0016800.PDF Page 1 _0016900.PDF Page 1 _0017000.PDF Page 1 _0017100.PDF Page 1
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Numero do processo: 13648.000040/95-22
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2002
Ementa: ITR/94 - VALOR DA TERRA NUA MÍNIMO - VTN.
A autoridade administrativa competente poderá rever, com base em laudo de avaliação emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, o Valor da Terra Nua mínimo - VTN declarado, que vier a ser questionado.
Negado provimento por maioria.
Numero da decisão: 302-35058
Decisão: Por maioria de votos, rejeitou-se a preliminar de nulidade da notificação do lançamento, argüída pelo Conselheiro Paulo Roberto Cuco Antunes, vencidos também, os Conselheiros Luis Antonio Flora e Sidney Ferreira Batalha. No mérito, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso, nos termos do voto do Conselheiro relator.
Nome do relator: HENRIQUE PRADO MEGDA
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A autoridade administrativa competente poderá rever, com base em laudo de avaliação emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, o Valor da Terra Nua — VTN declarado, que vier a ser questionado. NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da Notificação do Lançamento, argüida pelo Conselheiro Paulo Roberto Cuco Antunes, vencidos, também, os Conselheiros Luis Antonio Flora e Sidney Ferreira Batalha. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 21 de fevereiro de 2002 • HENRIQUE O MEGDA Presidente e Relator • .2 2 JUL2002 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO, MARIA HELENA CUTTA CARDOZO, PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR e WALBER JOSÉ DA SILVA. trnc , ' MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.171 ACÓRDÃO N° : 302-35.058 RECORRENTE : JOSÉ GONTIJO DOS SANTOS RECORRIDA : DRJ/BELO HORIZONTE/MG RELATOR(A) : HENRIQUE PRADO MEGDA RELATÓRIO JOSÉ GONTIJO DOS SANTOS foi notificado e intimado a recolher o crédito tributário referente ao ITR/94 e contribuições acessórias (doc. fls. 02), incidentes sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Brandão", localizado no • Município de Tiros — MG, com área de 744,1 hectares, cadastrado na SRF sob o n° 1428788-9. Inconformado, impugnou o feito (doc. fls. 01), informando tratar se • de área de topografia muito acidentada, pedregosa, não podendo ser beneficiada mecanicamente, questionando o Grau de Utilização da Terra utilizado pela autoridade tributária, decorrente de erro no quadro 03, linha 09, da declaração, bem como o VTNm utilizado como base de cálculo do tributo e contribuições, muito acima da realidade da região. Após exame preliminar do pleito, a autoridade fazendária, em consonância com as normas vigentes, intimou o contribuinte a apresentar cópia autenticada do Certificado de Vacinação e/ou Declaração de Produtor Rural - demonstrativo anual referente ao ano de 1993. Como o sujeito passivo não atendeu à exigência formulada, a autoridade julgadora monocrática indeferiu a impugnação, considerando que procede o lançamento cuja Notificação foi processada em conformidade com a declaração do contribuinte e respectiva legislação de regência, quando não se comprova erro nele contido. Cientificado da decisão singular, o sujeito passivo interpôs recurso ao Conselho de Contribuintes reafirmando seu inconformismo com o lançamento efetuado (fls. 25 e 26), juntando Laudo de Avaliação do imóvel objeto da lide e cópias de outros documentos (fls. 27 a 54). É o relatório. 2 . • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.171 ACÓRDÃO N° : 302-35.058 VOTO Conheço do recurso por tempestivo e devidamente acompanhado de prova de recolhimento do depósito recursal legalmente exigido. Conforme consta dos autos, o lançamento do imposto está feito com fundamento na Lei n° 8.847/94, Decreto n° 84.685/80 e IN SRF n° 16/95, utilizando- se o VTNm fixado para o município de localização do imóvel por ser superior ao VTN declarado pelo contribuinte. • No entanto, em relação às particularidades de cada imóvel, a Lei 8.847/94 estatui que a autoridade administrativa competente poderá rever, com base em laudo técnico emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, o Valor da Terra Nua mínimo - VTNm, que vier a ser questionado pelo contribuinte, permissivo legal este que se encontra disciplinado detalhadamente pela SRF através da Norma de Execução COSAR/COSIT/N° 01, de 19/05/95. De fato, para ser acatado, o Laudo de Avaliação deve estar • acompanhado da respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica junto ao CREA da região e subordinado às normas prescritas na NBR 8.799/85, demonstrando entre outros requisitos: 1- a escolha e justificativa dos métodos e critérios de avaliação; • 2- a homogeneização dos elementos pesquisados, de acordo com o nível de precisão da avaliação; 3- a pesquisa de valores, abrangendo avaliações e/ou estimativas anteriores, produtividade das explorações, transações e ofertas. No caso em comento, verifica-se, no entanto, que o Laudo Técnico juntado pela recorrente já na fase recursal, deixou de abordar elementos imprescindíveis à valoração da terra nua tais como caracterização fisica da região e do imóvel, pesquisa de valores, justificativa dos métodos e critérios de avaliação, homogeneização dos elementos pesquisados de acordo com o nível de precisão da avaliação, bem como a data da vistoria do imóvel, dentre outros. Destarte, é forçoso considerar que os documentos acostados aos autos não fazem prova suficiente para se efetivar a modificação solicitada, havendo que manter-se a base de cálculo do imposto utilizada no lançamento, confirmando-se a decisão singular por seus próprios e judiciosos fundamentos. 3 • * MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.171 ACÓRDÃO N° : 302-35.058 No que concerne à quantidade de animais, examinando-se as provas acostadas aos autos, fora do prazo legal, não tendo sido, inclusive, sequer, apreciadas pelo julgador de primeiro grau, é imperativo reconhecer que as mesmas carecem de elementos que respaldem as conclusões alcançadas, nos termos da legislação de regência. Entendo, portanto, que, também, não servem como elemento de prova e considero demonstrada a total correção da decisão singular. Do exposto e por tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 21 de fevereiro de 2002 • HENRI* D .W19 e • 1 • tor 01, 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.171 ACÓRDÃO N° : 302-35.058 DECLARAÇÃO DE VOTO Antes de qualquer outra análise, reporto-me ao lançamento do crédito tributário que aqui se discute, constituído pela Notificação de Lançamento de fls. 06, a qual foi emitida por processo eletrônico, não contendo a indicação do cargo ou função, nome ou número de matrícula do chefe do órgão expedidor, tampouco de outro servidor autorizado a emitir tal documento. O Decreto n° 70.235/72, em seu art. 11, determina: • "Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: IV — a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único — Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico." Percebe-se, portanto, que embora o parágrafo único do mencionado dispositivo legal dispense a assinatura da notificação de lançamento, quando emitida por processo eletrônico, é certo que não dispensa, contudo, a identificação do chefe do órgão ou do servidor autorizado, nem a indicação de seu cargo ou função e o número da respectiva matrícula. Acompanho entendimento do nobre colega, Conselheiro Irineu Bianchi, da D. Terceira Câmara deste Conselho, assentado em vários julgados da mesma natureza, que assim se manifesta: "A ausência de tal requisito essencial, vulnera o ato, primeiro, porque esbarra nas prescrições contidas no art. 142 e seu parágrafo, do Código Tributário Nacional, e segundo, porque revela a existência de vício formal, motivos estes que autorizam a decretação de nulidade da notificação em exame. Com efeito, segundo o art. 142, parágrafo único, do CTN, "a atividade administrativa de lançamento é vinculada e didd rif MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.171 ACÓRDÃO N° : 302-35.058 obrigatória...", entendendo-se que esta vincula ção refere-se não apenas aos fatos e seu enquadramento legal, mas também às normas procedimentais. Assim, o "ato deverá ser presidido pelo princípio da legalidade e ser praticado nos termos, forma, conteúdo e critérios determinados pela lei..." (MAM, Mary Elbe Gomes Queiroz. Do lançamento tributário: Execução e controle. São Paulo: Dialética, 1999, p. 20). Para Paulo de Barros Carvalho, "a vincula ção do ato • administrativo, que, no fundo, é a vincula ção do procedimento aos termos estritos da lei, assume as proporções de um limite objetivo a que deverá estar atrelado o agente da administração, mas que realiza, imediatamente, o valor da segurança jurídica" (CARVALHO, Paulo de Barros, Curso de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 372). Ou seja, o ato de lançamento deve ser executado nas hipóteses previstas em lei, por agente cuja competência foi nela estabelecida, em cumprimento às prescrições legais sobre a forma e o modo de como deverá revestir-se a exteriorização do ato, para a exigência de obrigação tributária expressa na lei. Assim sendo, a notificação de lançamento em análise, por não conter um dos requisitos essenciais, passa à margem do princípio da estrita legalidade e escapa dos rígidos limites da atividade vinculada, ficando ela passível de anulação. Outrossim, como ato administrativo que é, o lançamento deve apresentar-se revestido de todos os requisitos exigidos para os atos jurídicos em geral, quais sejam, ser praticado por agente capaz, referir-se a objeto lícito e ser praticado consoante forma prescrita ou não defesa em lei (art. 82, Código Civil), enquanto que o art. 145, II, do mesmo diploma legal diz que é nulo o ato jurídico quando não revestir a forma prescrita em lei. Para os casos de lançamento realizado por Auto de Infração, a SRF, através da Instrução Normativa n° 94, de 24112197, determinou no art. 5 `', inciso VI, que "em conformidade com o disposto no art. 142 da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1996 (Código Tributário Nacional — CTN) o auto de infração lavrado de 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.171 ACÓRDÃO N° : 302-35.058 acordo com o artigo anterior conterá, obrigatoriamente, o nome, o cargo, o número de matrícula e a assinatura do AFTN autuante". Na seqüência, o art. 60 da mesma IN prescreve que "sem prejuízo do disposto no art. 173, inciso II, da Lei n° 5.172166, será declarada a nulidade do lançamento que houver sido constituído em desacordo com o disposto no art. 5 °." Posteriormente e em sintonia com os dispositivos legais apontados, o Coordenador-Geral do Sistema de Tributação, em 3 de fevereiro • de 1999, expediu o ADN COSIT n° 2, que "dispõe sobre a • nulidade de lançamentos que contiverem vício formal e sobre o prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário objeto de lançamento declarado nulo por essa razão", assim dispondo em sua letra "a": Os lançamentos que contiverem vício de forma — incluídos aqueles constituídos em desacordo com o disposto no art. 5° da IN SRF n° 94, de 1997 — devem ser declarados nulos, de ofício, pela autoridade competente: Infere-se dos termos dos diplomas retrocitados, mas principalmente do ADN COSIT n° 2, que trata do lançamento, englobando o Auto de Infração e a Notificação, que é imperativa a declaração de nulidade do lançamento que contiver vício formal." Acrescento, outrossim, que tal entendimento encontra-se ratificado pela instância máxima de julgamento administrativo tributário, qual seja, a E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, que em recentes sessões, de 07/08 de maio do corrente ano, proferiu diversas decisões de igual sentido, como se pode constatar pela leitura dos Acórdãos n°s. CSRF/03.150, 03.151, 03.153, 03.154, 03.156, 03.158, 03.172, 03.176, 03.182, dentre muitos outros. Por tais razões e considerando que a Notificação de Lançamento do ITR apresentada nestes autos não preenche os requisitos legais, especificamente aqueles estabelecidos no art. 11, do Decreto n° 70.235/72, voto no sentido de declarar, de ofício, a nulidade do referido lançamento e, conseqüentemente, de todos os atos que foram a seguir praticados. Sala das Sessões, em 21 de fevereiro de 2002 PAULO ROBERT e O ANTUNES - Conselheiro 7 ." MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 2a cÂmARA Processo n°: 13648.000040/95-22 Recurso n.°: 121.171 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à r Câmara, intimado a tomar ciência do Acórdão n.° 302-35.058. Brasília- DF, c2c2/oi2 A-9 (2 --' MF C.• . Peelbtr—d- ' • ulntes ' - Pensi,' Prado ...tlegcla Preaidenta da L.' Câmara 2 DO/ Ciente em: /11.1 1Q £1.2 Lwe Gv Ev Pai IbF Page 1 _0013500.PDF Page 1 _0013600.PDF Page 1 _0013700.PDF Page 1 _0013800.PDF Page 1 _0013900.PDF Page 1 _0014000.PDF Page 1 _0014100.PDF Page 1
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Numero do processo: 11020.003973/2002-59
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Ano-calendário: 2000
IRRF. NORMAS PROCESSUAIS. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. POSSIBILIDADE LANÇAMENTO. INAPLICABILIDADE DE MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 18 DA LEI Nº 10.833/2003.
De conformidade com a legislação de regência, especialmente artigo 142 do Código Tributário Nacional, inexiste óbice legal para o lançamento de ofício exigindo tributos declarados pelo contribuinte mediante Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, efetuado anteriormente à vigência do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, ainda sob o manto dos preceitos contidos
no artigo 90 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, o qual expressamente exigia o lançamento de ofício para as hipóteses relativas à ausência de comprovação do pagamento de tributo declarado.
Entrementes, em face de legislação posterior afastando a aplicabilidade multa de ofício para lançamentos de créditos declarados em DCTF, objetos de pedido de compensação indeferido, impõe-se rechaçar a manutenção de referida multa, conquanto que não constatada a prática das infrações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/1964, em observância ao princípio da
retroatividade benigna da norma, insculpida no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional.
Recurso voluntário conhecido em parte e provido.
Numero da decisão: 9202-002.058
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, dar provimento.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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NORMAS PROCESSUAIS. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. POSSIBILIDADE LANÇAMENTO. INAPLICABILIDADE DE MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 18 DA LEI Nº 10.833/2003. De conformidade com a legislação de regência, especialmente artigo 142 do Código Tributário Nacional, inexiste óbice legal para o lançamento de ofício exigindo tributos declarados pelo contribuinte mediante Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, efetuado anteriormente à vigência do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, ainda sob o manto dos preceitos contidos no artigo 90 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, o qual expressamente exigia o lançamento de ofício para as hipóteses relativas à ausência de comprovação do pagamento de tributo declarado. 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Fl. 1DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 23/03/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório VINHOS SALTON SA INDÚSTRIA E COMÉRCIO, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 12/09/2002, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, incidente sobre juros pagos ou creditados sobre capital próprio, em relação ao anocalendário 2000, decorrente de pedido de compensação, de fl. 13, que não fora homologado, conforme peça inaugural do feito, às fls. 05/10, e demais documentos que instruem o processo. De conformidade com a Descrição dos Fatos, às fls. 06/07, o lançamento fora lavrado em razão de compensação indevidamente realizada pela contribuinte, consoante processo administrativo n° 13016.000366/200141, onde se pretendia ver restituídos créditos relativos à contribuição sobre Operações de Café em Grão Cru, decorrentes de decisão judicial transitada em julgado nos autos do processo judicial n° 93.00040561 e objeto de contrato de cessão de créditos. Como referida contribuição não teria natureza tributária, sua compensação seria vedada, razão pela qual foi também aplicada a multa de 75% ao crédito exigido. Após regular processamento, interposto recurso de ofício ao então 1o Conselho de Contribuintes em face de decisão da 5a Turma da DRJ em Porto Alegre/RS, consubstanciada no Acórdão nº 6.593/2005, às fls. 1.064/1.067, que julgou improcedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 6a Câmara, em 19/10/2006, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 10615.913, sintetizados na seguinte ementa: “IRRF – LANÇAMENTO DE OFÍCIO COMPENSAÇÃO INDEVIDA – O disposto no § 8º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 não constitui uma vedação ao lançamento – que é atividade obrigatória e vinculada. Pelo mesmo motivo, a posterior declaração de nulidade de decisão que sugeriu o lançamento de ofício de débito indevidamente compensado, não implica na nulidade deste lançamento, desde que o mesmo tenha sido efetuado de acordo com a lei. Recurso de ofício provido.” Fl. 2DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 11020.003973/200259 Acórdão n.º 920202.058 CSRFT2 Fl. 1.223 3 Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário à Câmara Superior de Recursos Fiscais, às fls. 1.129/1.166, com arrimo no artigo 36 do então Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 55/1998, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, relatando, inclusive, a natureza e o trâmite do pedido de restituição/compensação pleiteado pela contribuinte, insurgese contra o decisum atacado, pretendendo seja reconhecido o efeito suspensivo da presente exigência fiscal, nos termos do artigo 33 do Decreto n° 70.235/72, em virtude da interposição de recursos administrativos nos autos do processo de compensação. Pugna pela decretação da nulidade da autuação, reiterando à existência de efeito suspensivo em face das impugnações/recursos opostos nos autos do processo de compensação, sobretudo quando a impugnante declarou através de DCTF e requereu a restituição/compensação, tudo na forma da legislação em vigor. Acrescenta que o indeferimento ao pedido de restituição/compensação ainda tem a possibilidade de ser alterado na esfera administrativa, encontrandose pendente de julgamento, o que inviabiliza a exigência fiscal em comento a partir do auto de infração que se contesta. Contrapõese ao entendimento levado a efeito no Acórdão recorrido, por entender a Medida Provisória n° 2.158/2001, adotada pela fiscalização na lavratura da autuação, não pode ser utilizada nestes autos, tendo em vista que a DCTF apresentada pela contribuinte nos pedidos de compensação fora confeccionada na forma que exigem as Instruções Normativas n°s 21 e 73/97, não havendo diferença entre o valor declarado e o valor escriturado. Infere que o artigo 90 da MP n° 2.158/2001, contempla a possibilidade de lançamento somente nos casos de compensação considerada indevida ou não comprovada, o que não se vislumbra na hipótese vertente, uma vez que arrimada em decisão judicial transitada em julgado e, bem assim, na legislação de regência. Repisa os argumentos vinculados ao pretenso direito de restituição/compensação em relação aos valores pagos a título de quota de exportação de café, que no entender da contribuinte se trata de uma exação, ou seja, uma espécie de tributo, mais precisamente, contribuição social de intervenção no domínio econômico, a qual sempre foi administrada pela Secretaria Receita Federal, como se comprova das normas legais emanadas por aquele Órgão regulando tal tributo. Pretende seja afastada a aplicabilidade da multa de ofício de 75%, por entender que sua cobrança é ilegal e tem caráter confiscatório, mormente quando a recorrente agiu em conformidade com os dispositivos legais que regulam a matéria. Assevera que só o fato de ser a própria recorrente que informou em DCTF os valores corretos e em data apropriada, já exclui por completo a multa confiscatória, dado que agiu de forma espontânea. Aduz, ainda, que não deixou de pagar as exações, o que ocorreu foi que a forma de pagamento não foi aceita, e se encontra pendente de nova decisão administrativa. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 4 Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Voluntário, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Voluntário da contribuinte, a Procuradoria ofereceu suas contrarrazões, às fls. 1.175/1.184, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. Ato contínuo, em 01/03/2010, a contribuinte protocolizou petição de fl. 1.190, requerendo a desistência parcial do recurso voluntário, renunciando quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam a peça recursal, com exceção do seu insurgimento em relação à aplicação da multa de 75%, o qual deverá ser submetido a julgamento. Consoante Despacho de fl. 1.191, o ilustre Presidente da 2a Seção de Julgamento do CARF, acolhendo a desistência pleiteada pela contribuinte, nos termos do artigo 78 do Regimento Interno deste Conselho, determinou a remessa dos autos à Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul/RS, para o seu devido processamento. Em 03/09/2010, a contribuinte protocolizou nova petição, às fls. 1.193/1.194, asseverando que o crédito tributário sob análise, igualmente, está sendo exigido a partir da inscrição em dívida ativa (CDA 00 2 0500992368), sendo objeto do processo administrativo n° 11020.003846/200501, o qual fora incluído no Parcelamento instituído pela Lei n° 11.941/09, impondo seja decretada a improcedência do feito, sob pena de bis in idem. Diante da argumentação encimada, o processo fora submetido à análise do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário – SECAT em Caxias do Sul, que emitiu Despacho n° 036/2010, às fls. 1.207/1.209, acolhendo o pleito da contribuinte no sentido de reconhecer a duplicidade da cobrança da exigência fiscal sub examine, razão pela qual determinou a revisão de ofício do débito insculpido no processo administrativo n° 11020.003846/200501, excluindoo da inscrição em Dívida Ativa da União, mantendo, portanto, a discussão nestes autos. Em face dos incidentes processuais acima elencados, a Agência da Receita Federal do Brasil em Bento Gonçalves, emitiu Notificação, às fls. 1.218/1.219, contextualizando todo o andamento processual, cientificando a contribuinte da revisão de ofício retro, do processamento de seu pedido de desistência parcial, bem como, informando que nos presentes autos permanece em discussão exclusivamente a Multa Vinculada de 75%. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 11020.003973/200259 Acórdão n.º 920202.058 CSRFT2 Fl. 1.224 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário e passo a análise das alegações recursais. Consoante se infere dos autos, tratase de Auto de Infração exigindo Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, incidente sobre juros pagos ou creditados sobre capital próprio, em relação ao anocalendário 2000, lavrado contra a contribuinte em razão de compensação indevidamente realizada, consoante processo administrativo n° 13016.000366/200141, onde se pretendia ver restituídos créditos relativos à contribuição sobre Operações de Café em Grão Cru, decorrentes de decisão judicial transitada em julgado nos autos do processo judicial n° 93.00040561 e objeto de contrato de cessão de créditos. Como referida contribuição não teria natureza tributária, sua compensação seria vedada, razão pela qual foi também aplicada a multa de 75% ao crédito exigido. Após os inúmeros incidentes processuais ocorridos no decorrer do processo administrativo fiscal, devidamente elencados no Relatório alhures, sobretudo pedido de desistência parcial da contribuinte e, bem assim, revisão de ofício e desmembramento do débito fiscal, remanesce em discussão exclusivamente a aplicabilidade da multa de ofício de 75% em face de crédito tributário devidamente declarado em DCTF, nos termos do recurso voluntário interposto contra o Acórdão n° 10615.913, ora recorrido, que deu provimento ao recurso de ofício oposto em razão da decisão da 5a Turma da DRJ em Porto Alegre/RS, consubstanciada no Acórdão n° 6.593/2005, o qual julgou improcedente o lançamento fiscal. Em sua razões recursais, pretende a contribuinte a reforma do decisum guerreado, o qual restabeleceu a exigência fiscal inscrita na peça vestibular do feito, aduzindo, relativamente à matéria que remasce sob análise, que a aplicabilidade da multa de ofício de 75% é ilegal e confiscatória, mormente quando a recorrente agiu em conformidade com os dispositivos legais que regulam a matéria. A fazer prevalecer sua pretensão, suscita que só o fato de ser a própria recorrente que informou em DCTF os valores corretos e em data apropriada, já exclui por completo a multa confiscatória, dado que agiu de forma espontânea. Defende, ainda, que não deixou de pagar as exações, o que ocorreu foi que a forma de pagamento não foi aceita, e se encontra pendente de nova decisão administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que a pretensão da contribuinte merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, em consonância com a farta e mansa jurisprudência administrativa, impondo a reforma do Acórdão recorrido com o fito de excluir a aplicabilidade da multa de ofício, como passaremos a demonstrar. Preliminarmente, mister trazer à baila a evolução dos dispositivos legais que regulamentam o tema, a começar pelo artigo 5º do DecretoLei nº 2.124/1984, que assim estabelece: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 6 “Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2º do artigo 7º do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983.” Por sua vez, o artigo 90 da MP nº 215835, de 24 de agosto de 2001, exigiu expressamente o lançamento de ofício nas hipóteses relativas à falta ou não comprovação do pagamento do tributo declarado, como segue: “Art 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.” Posteriormente, o artigo 18 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003, fruto da conversão da Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, delimitou o alcance da norma legal retromencionada, assim prescrevendo: “Art. 18 – O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964.” Registrese que o dispositivo legal encimado fora novamente alterado, estando atualmente com a redação introduzida pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, nos seguintes termos: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.” (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) A teor da evolução das normas legais acima transcritas, o cerne da questão reside em determinar se os tributos declarados pelo contribuinte mediante DCTF, são passíveis de lançamento de ofício, com a consequente aplicação da multa de ofício. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 11020.003973/200259 Acórdão n.º 920202.058 CSRFT2 Fl. 1.225 7 Com mais especificidade, podese inferir que o ponto de maior celeuma diz respeito ao lançamento de ofício de tributos declarados e não pagos pelo contribuinte relativamente ao período anterior e posterior à edição do artigo 18 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003. Com efeito, escorado no princípio do “tempus regit actum”, parte da jurisprudência administrativa entende que os lançamentos de ofício, exigindo tributos declarados em DCTF, formalizados sob o manto do artigo 90 da MP nº 215835, de 24 de agosto de 2001, devem ser considerados válidos, com o devido processamento dos recursos interpostos pelo contribuinte contra aludidas autuações, sob pena de afronta ao artigo 142 do CTN e, bem assim, aos princípios do contraditório e ampla defesa dos autuados. Por outro lado, corrente jurisprudencial diversa sustenta que, uma vez declarado o tributo pelo contribuinte mediante DCTF, seria totalmente desnecessária a lavratura de auto de infração, exigindo multa de ofício, bastando a simples citação para pagamento, o que não ocorrendo ensejaria a inscrição em Dívida Ativa da União. Com a devida vênia aos que defendem a aplicabilidade do segundo entendimento acima esposado, o qual já nos filiamos anteriormente, após melhor estudo a propósito da matéria, passamos a compartilhar com a primeira corrente, entendendo ser possível a lavratura de auto de infração, em relação a tributos declarados em DCTF e não pagos pela contribuinte, inexistindo, porém, a aplicação de multa de ofício. A ilustre Conselheira Heloisa Guarita Souza dissertou como muita propriedade a respeito do tema, nos autos do Recurso Voluntário nº 156.831, Acórdão nº 104 22.979, de onde peço vênia para transcrever excerto do voto vencido e adotar como razões de decidir, in verbis: “Não se nega que a DCTF é uma confissão feita pelo próprio contribuinte, que dispensa, como regra geral, um novo lançamento, a teor do artigo 5º, § 1º, do DecretoLei nº 2.124, de 13.06.1984: Art. 5º. O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. É fato inegável, porém, que o auto de infração em questão foi lavrado em decorrência de comando legal expresso veiculado pelo artigo 90 da MP 215835, que expressamente exigia o lançamento de ofício nas hipóteses relativas à falta ou não comprovação do pagamento do tributo declarado. Vale, aqui, lembrar do princípio jurídico de que “TEMPUS REGIT ACTUM”, ou seja, o ato jurídico é regido pela lei vigente à época da sua constituição. Nesse sentido, vejase a interpretação do Superior Tribunal de Justiça à questão da aplicação do direito intertemporal: PROCESSUAL CIVIL AÇÃO ORDINÁRIA. SENTENÇA DESFAVORÁVEL À FAZENDA PÚBLICA PUBLICAÇÃO ANTERIOR À LEI 10.352/2001 REMESSA NECESSÁRIA CABIMENTO. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 8 1. Tratandose de sentença proferida anteriormente à reforma promovida pela Lei 10.352/2001, o cabimento da remessa oficial não se submete ao valor de alçada de 60 (sessenta salários mínimos). 2. O princípio tempus regit actum, adotado no nosso ordenamento processual, implica respeito aos atos praticados na vigência da lei revogada, bem como aos desdobramentos imediatos desses atos, não sendo possível a retroação da lei nova. Assim, a lei em vigor no momento da sentença regula os recursos cabíveis contra ela, bem como a sua sujeição ao duplo grau de jurisdição obrigatório. 3. Precedentes da Corte: REsp 576.698/RS, Quinta Turma, Rel. Min. Gilson Dipp, DJ 01/07/2004; REsp 605.296/SP, Quinta Turma Turma., Rel. Min. José Arnaldo da Fonseca, DJ 05/04/2004; REsp 521.714/AL, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 22/03/2004; REsp 642838/SP, Primeira Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ 08/11/2004) 4. Recurso especial provido, determinando o retorno dos autos à instância de origem, para a apreciação da remessa ex officio. (Resp 729.514/MG, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU 20/06/05) PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO ORDINÁRIA. SENTENÇA DESFAVORÁVEL À FAZENDA PÚBLICA, PROFERIDA ANTES DA LEI 10.352/2001. REMESSA NECESSÁRIA. CABIMENTO. 1. Tratandose de sentença proferida anteriormente à reforma engendrada pela Lei 10.352/2001, época em que não havia limitação ao cabimento da remessa oficial, restava imperiosa a incidência do duplo grau de jurisdição obrigatório. 2. A adoção do princípio tempus regit actum pelo art. 1.211 do CPC, impõe o respeito aos atos praticados sob o pálio da lei revogada, bem como aos efeitos desses atos, impossibilitando a retroação da lei nova. Sob esse enfoque, a lei em vigor à data da sentença regula os recursos cabíveis contra o ato decisório e, a fortiori, a sua submissão ao duplo grau obrigatório de jurisdição. 3. Precedentes da Corte: REsp 576.698/RS , 5ª T., Rel. Min. Gilson Dipp, DJ 01/07/2004; REsp 605.296/SP , 5ª T., Rel. Min. José Arnaldo da Fonseca, DJ 05/04/2004; REsp 521.714/AL , 1ª T., desta relatoria, DJ 22/03/2004. 4. Recurso especial provido, determinando o retorno dos autos à instância de origem, para a apreciação da remessa ex officio. (Resp 605.552/SP, Rel. Min. Luiz Fux, DJU 13/12/2004) Sobre a mesma questão, a processualista Teresa Arruda Alvim Wambier apresenta as seguintes considerações (“Os Agravos no CPC Brasileiro”, RT, 3ª ed., pp. 485/492), as quais devem ser bem sopesadas no estudo do tema: “A incidência imediata das normas processuais, regra de que fala a doutrina e que consta do art. 1.211 do CPC, quer dizer, sem dúvida, que, havendo alteração de regra de natureza processual, a nova regra atinge os processos em curso. A regra, porém, é equívoca, podendo ter vários significados. Sabese que as normas processuais têm incidência imediata. É necessário que se fixe o que se deve entender por aplicação imediata para que não se dê a essa expressão sentido que acabe resultando em verdadeira aplicação retroativa. Importantíssimo observarse o seguinte: à expressão “aplicação imediata” podem, de fato, ser atribuídos muitos sentidos. Portanto, afirmarse, laconicamente, que a incidência da norma processual nova se dá imediatamente, aplicandose aos feitos pendentes, é o mesmo que nada. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 11020.003973/200259 Acórdão n.º 920202.058 CSRFT2 Fl. 1.226 9 Este é o único ponto em que todos estão de acordo: a lei processual, alterando, incide nos feitos pendentes. Cumpre, então, interpretála de modo harmônico com o sistema jurídico, à luz da inspiração do sistema político em que vivemos. Neste contexto, acreditamos que não se deve dar à expressão “incidência imediata” um tal alcance, de molde a que se trate de verdadeira aplicação retroativa da lei, fenômeno incompatível com os valores SEGURANÇA e PREVISIBILIDADE, que se querem ver preservados num Estado de Direito. Daí a nossa receptividade à noção de “direito adquirido processual” tão utilizada por Galeno Lacerda em seu primoroso trabalho sobre direito intertemporal. Atentarse aos princípios que inspiram a lei e ao sistema político em que vivemos é o único modo de o jurista não se tornar verdadeiro prisioneiro de jogos de palavras, em que vence o participante mais hábil. ... Transpondo este raciocínio para o plano do processo e especificamente dos recursos, podese dizer que quem interpôs certo recurso sob determinado procedimento tem a legítima expectativa de vêlo julgado naquele regime. Até porque o fato de se ter alterado o regime do recurso pode, por exemplo, fazer desaparecer o interesse de agir para têlo interposto. Clássica a lição de Galeno Lacerda, no sentido de que lei processual nova não atinge situações já constituídas ou extintas sob a autoridade da lei antiga. Portanto, não se aplica a lei nova aos recursos já interpostos, que devem seguir, até o seu julgamento, no sistema da lei vigente ao tempo de sua interposição. Galeno Lacerda invoca, em seu primoroso trabalho, a noção de direito adquirido que, embora, a nosso ver, não se aplique integralmente às situações processuais, decorre de princípio constitucional que, indubitavelmente, referese a todo o direito, cujo respeito tem em vista gerar segurança, previsibilidade e paz social. ... Galeno Lacerda diz expressamente que “os recursos interpostos pela lei antiga e ainda não julgados, deverão sêlo, consoante as regras desta, embora abolidas ou modificadas”, pela nova lei.” Logo, adotandose tais conclusões para o procedimento administrativofiscal, temos, como paralelo, que a lei procedimental nova – no caso o artigo 18, da Lei nº 10.833, de 29.12.2003 – não pode atingir situações já constituídas sob a égide da lei anterior – no caso, o artigo 90, da Medida Provisória nº 215835. E, mais, o contribuinte que teve um auto de infração contra si lavrado, oportunizandoselhe o direito do contraditório, e da ampla defesa, segundo as regras do contencioso administrativo, não pode, de uma hora para outra, no meio do caminho, ter frustrada essa sua expectativa, de solução da lide administrativamente. Data vênia dos que entendem de forma diferente, cancelar o auto de infração, pela aplicação da nóvel legislação, determinandose o encaminhamento do débito para dívida ativa, é uma violenta restrição e violação ao amplo direito de defesa do contribuinte, que, muitas vezes, trouxe aos autos todas as provas concretas e necessárias à desconstituição daquele lançamento de ofício e um desprestígio ao procedimento administrativo fiscal. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 10 A mesma é a conclusão da própria hoje Secretaria da Receita Federal do Brasil. ao examinar especificamente a necessidade ou não de lançamento nos casos de declaração de compensação. Entendo que esse pronunciamento oficial em tudo se aplica aos débitos lançados em DCTF, já que, tanto a DCOMP, quanto a DCTF, têm a mesma natureza, qual seja, a de se constituírem em confissões de dívida do contribuinte e, originalmente, ambas as hipóteses estavam tratadas no artigo 90, da MP 215835, já transcrito, que depois sofreu a limitação imposto pelo artigo 18, da MP 135, de 30.10.2003, transformada na Lei nº 10.833, de 29.12.2003. Tratase da Solução de Consulta Interna, da Coordenação Geral de Tributação, nº 3, de 08.01.2004, cujos principais excertos que interessam ao caso concreto são os seguintes: “11. Quanto ao art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, assim dispõe referido dispositivo: ‘Art. 18 – O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. ...’ 12. A legislação tributária a que se refere o art. 18 evoluiu da forma a seguir. 13. O art. 5°. § 1°, do Decretolei n" 2.124. de 13 de junho de 1984, estabeleceu que o documento que formalizasse o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de credito tributário (declaração de débitos), constituirseia confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência do crédito tributário. 14. Referido crédito tributário, evidentemente, somente seria exigido caso não tivesse sido extinto nem estivesse com sua exigibilidade suspensa, circunstância essa por vezes apurada pela autoridade fazendária somente após revisão do documento encaminhado pelo sujeito passivo à Secretaria da Receita Federal (SRF). 15. É com espeque no aludido dispositivo legal que a SRF poderia cobrar o débito confessado, inclusive encaminhálo à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa da União, sem a necessidade de lançamento de ofício do crédito tributário. 16. Contudo, o art. 90 da Medida Provisória (MP) n° 2.15835, de 24 de agosto de 200, determinou que a SRF promovesse o lançamento de oficio de todas as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pelo órgão. 17. Assim, não obstante o débito informado em documento encaminhado pelo sujeito passivo à SRF já estivesse por ele confessado o art. 90 da MP n" 2.15835, de 2001, não revogou o art. 5a do Decretolei n" 2.124, de 1984 , faziase necessário, para dar cumprimento ao disposto no art. 90 da MP n3 2.15835, de 2001, o lançamento de ofício do crédito tributário confessado pelo sujeito passivo em sua declaração encaminhada à SRF. 18. Esclareçase que o fato de um débito ter sido confessado não significa dizer que o mesmo não possa ser lançado de oficio; contudo, havendo referido Fl. 10DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 11020.003973/200259 Acórdão n.º 920202.058 CSRFT2 Fl. 1.227 11 lançamento, inclusive com a exigência da multa de lançamento de ofício, ficava sempre assegurado o direito de o sujeito passivo discutilo nas instâncias julgadoras administrativas previstas no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 19. Tal sistemática perdurou até a edição da MP n° 135, de 30 de outubro de 2003, cujo art.18 derrogou o art. 90 da MP n° 215835, de 2001, estabelecendo que o lançamento de ofício de que trata esse artigo, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. 20. Assim, com a edição da MP nº 135, de 2003, restabeleceuse a sistemática de exigência dos débitos confessados exclusivamente com fundamento no documento que formaliza o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário (DCTF, DIRPF, etc.), sistemática essa que vinha sendo adotada, com espeque no art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 1984, até a edição da MP nº 2.15835. de 2001. 21. Muito embora a MP nº 135, de 2003, dispense referido lançamento inclusive em relação aos documentos apresentados nesse período, os lançamentos que foram efetuados, assim como eventuais impugnações ou recursos tempestivos apresentados pelo sujeito passivo no curso do processo administrativo fiscal, constituemse atos perfeitos segundo a norma vigente à data em que foram, elaborados, motivo pelo qual devem ser apreciados pelas instâncias julgadoras administrativas previstas para o processo administrativo fiscal. 22. Nesse julgamento, em face do principio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, é cabível a exoneração da multa de lançamento de ofício sempre que não tenha sido verificada nenhuma das hipóteses previstas no art. 18 da Lei n6 10.833, de 2003, ou seja, que as diferenças apuradas tenham decorrido de compensação indevida em virtude de o credito ou o debito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que tenha ficado caracterizada a prática de sonegação, fraude ou conluio.” (grifouse) [...]” Outro não foi o entendimento desta Colenda 2a Turma da CSRF ao enfrentar a matéria recentemente, nos autos do processo n° 10920.003202/200336, de relatoria do nobre Conselheiro Marcelo Oliveira, cujo entendimento encontrase sintetizado na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 2003 Ementa: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 12 Em lançamento de oficio para a formalização de crédito tributário já informado em declaração que configure confissão da dívida, deve ser excluída a multa de oficio, face ao instituto da retroatividade benigna prevista no Art. 106 do CTN, sempre que não tenha sido verificada a prática das infrações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964. Recurso Especial do Procurador Negado.” (Acórdão n° 9202 01.700 – Sessão de 27/07/2011 – Unânime) Na esteira desse entendimento, em que pese ser plenamente possível a realização de lançamento de ofício, anteriormente à edição do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, concernente a tributos declarados pelo contribuinte mediante DCTF, merece reforma o Acórdão recorrido tão somente para afastar a multa de ofício de 75% aplicada, em observância ao princípio da retroatividade benigna insculpido no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado parcialmente em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER EM PARTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO, somente em relação à multa de ofício, E DARLHE PROVIMENTO, excluindo da presente exigência fiscal referida penalidade, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 12DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL
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Numero do processo: 14474.000124/2007-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 11/07/2007
CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 6.º DA LEI N.º
8.212/1991 C/C ARTIGO 284, III, DO RPS, APROVADO PELO
DECRETO N.º 3.048/99.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do art. 32, IV, § 6º º da Lei n° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, III e do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”.
Mesmo considerando a relevação total da multa, a autuação é julgada para efeitos de identificar a correta aplicação do auto de infração.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 11/07/2007
GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EXISTÊNCIA OBRIGAÇÃO
ACESSÓRIA.
As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei 8212/91, nos termos do art. 30, IX.”
INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.219
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; II) rejeitar a preliminar de inexistência de grupo econômico de fato; e III) no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 11/07/2007 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 6.º DA LEI N.º 8.212/1991 C/C ARTIGO 284, III, DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do art. 32, IV, § 6º º da Lei n° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, III e do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. Mesmo considerando a relevação total da multa, a autuação é julgada para efeitos de identificar a correta aplicação do auto de infração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/07/2007 GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EXISTÊNCIA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei 8212/91, nos termos do art. 30, IX.” INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do art. 32, IV, § 6º º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, III e do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. Mesmo considerando a relevação total da multa, a autuação é julgada para efeitos de identificar a correta aplicação do auto de infração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/07/2007 GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EXISTÊNCIA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei 8212/91, nos termos do art. 30, IX.” INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; II) rejeitar a preliminar de inexistência de grupo econômico de fato; e III) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14474.000124/200716 Acórdão n.º 240102.219 S2C4T1 Fl. 201 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado sob o n. 37.097.9206, em desfavor da recorrente, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 3º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, III do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, por apresentar GFIP com informações inexatas. Segundo a fiscalização previdenciária, em procedimento fiscal na empresa, abrangendo as competências 01/2002 a 12/2003, verificouse que as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social que foram entregues pela empresa até o inicio da ação fiscal, possuíam informações incorretas no campo "RETENÇÃO (LEI 9711/98)". A empresa prestadora de serviços (contratada) deve informar em GFIP, em relação a cada tomador (contratante), o valor correspondente às retenções sofridas, durante o mês, sobre o valor dos serviços contidos nas notas fiscais de prestação de serviços emitidas, retenção essa de que tratam o artigo 31 e parágrafos da Lei 8212/91, com a redação dada pela Lei 9711/98 e o artigo 219 e parágrafos do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3048, de 06/05/99. Foram ainda indicadas outras empresas componentes do grupo econômico como responsáveis solidarias: • SD EMPREENDIMENTOS ESPORTIVOS LTDA CNPJ: 00.527.196/000177 • POLISERVICE SEGURANÇA ELETRONICA LTDA CNPJ: 02.337.641/000161 • HUNTER'S ESCOLA DE SEGURANÇA LTDA. / CNPJ: 01.289.220/000140 • POLISERVICE SISTEMA DE SANEAMENTO SC LTDA CNPJ: 02.390.909/000129 • RCA SERVIÇOS TEMPORÁRIOS LTDA. • POLISERVICE SISTEMAS DE HIGIENIZAÇÃO SERVIÇOS SC LTDA,, CNPJ: 73.946.204/000193 As empresas acima citadas constituem grupo econômico. A POLISERVICE SISTEMAS DE SEGURANÇA SC LTDA é controladora da empresa listada no subitem 2.1. Está sediada no mesmo endereço e utiliza as mesmas instalações das empresas relacionadas nos subitens 2.2, 2.3, 2.4, 2.5 e 2.6; e o sóciogerente da empresa autuada, Sr. Algacir Sermann Filho é também sócio gerente de todas as demais empresas. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Ainda conforme o relatório fiscal, fl. 30 a empresa retificou no curso da ação fiscal, nas datas de 13, 14, 15 e 25/06/2007, as informações das GFIP referentes As competências janeiro de 2002 a dezembro de 2003, no que se refere aos valores das retenções sofridas sobre os valores das notas fiscais emitidas. Os valores das multas aplicadas para estas competências foram atenuados em 50% conforme demonstrado na coluna "I" da Tabela do Anexo II, alterando o valor total da multa aplicada segundo j6 exposto no subitem 9.3. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 11/07/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 16/07/2007. As empresas componentes do grupo econômico foram devidamente cientificadas, conforme fls. 49 a 54. Não concordando com a autuação apresentou a empresa notificada principal, defesa, fl. 53 a 89: Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, tendo a multa ido relevada, conforme fls. 130 a 142 . ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 11/07/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. LEGITIMIDADE PARA ASSINAR O AUTO DE INFRAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. GRUPO ECONÔMICO. CORREÇÃO DA FALTA. RELEVAÇÃO DA MULTA. A empresa é obrigada a informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto. Apresentar GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas acarreta multa no valor de 5% do limite mínimo fixado pela Previdência Social, por campo da GFIP com tais irregularidades. No âmbito das contribuições que eram fiscalizadas e lançadas pela Secretaria da Receita Previdenciária SRP, cabe ao AuditorFiscal que proceder a fiscalização assinar Notificação Fiscal e Auto de Infração. 0 Processo Administrativo Fiscal não é o foro adequado para se discutir a compatibilidade entre os dispositivos da Lei 8.212/91 e a Constituição. Se no exame da documentação apresentada pelas empresas, bem como através de outras informações obtidas a fiscalização constatar a formação de grupo econômico de fato, não ha como negar a legitimidade do procedimento fiscal que arrolou as empresas componentes do grupo como sendo corresponsáveis pelo crédito lançado. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14474.000124/200716 Acórdão n.º 240102.219 S2C4T1 Fl. 202 5 A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. Com multa relevada. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 158 a 188, onde alega: 1. Ocorreu "cerceamento de defesa quando a Fiscalização Previdenciária, ao autuar empresa contribuinte, não apresenta o Relatório Fiscal — REFISC do presente Auto de Infração de forma completa e discriminada, impedindoa de conhecer plenamente o fato gerador e a conseqüente origem do débito previdenciário, mormente a forma como se apurou o valor final da infração, tudo em conformidade com o caso em tela, devendo, pois, se declarada sua nulidade". 2. Nos termos do art. 11, do Decreto 70.235/72, "a Notificação de Lançamento deve ser expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente a assinatura do chefe do órgão. Não obstante, o presente Auto de Infração — DEBCAD foi lavrado e constituído em conjunto com uma Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD. 3. Agindo em contrário do que está determinado na legislação especifica, o servidor ocupante do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil não tem a competência legal para emitir e assinar o presente documento, portanto este é nulo de pleno direito." 4. O presente procedimento fiscal foi proposto em face das pessoas físicas que detém vinculo de administração com a ora requerente, porém, entende que tais pessoas não possuem legitimidade para figurar no pólo passivo, nem mesmo na qualidade de Co Responsáveis do pretenso débito previdenciário, porquanto não fid provas nos autos de que tenham praticado atos com excesso de poderes ou infração da Lei, Contrato Social ou Estatutos, pressupostos exigidos pelo art. 135 do Código Tributário Nacional — CTN; 5. Deve ser observado que a solidariedade estabelecida no Plano .de Custeio da Seguridade Social se submete aos princípios constitucionais aplicável aos tributos em geral. 6. A responsabilidade solidária não se presume, decorre de Lei. E não há previsão legal elastecendo a responsabilidade solidária de empresa sucessora daquela que pertenceu a grupo econômico. 7. Mesmo que a empresa Poliservice Sistemas de Segurança S/C Ltda fosse integrante de Grupo Econômico com as empresas relacionadas no Relatório Fiscal — REFISC, o que efetivamente não o são, a solidariedade entre elas é inexistente, tendo em vista que decorre de artigo de Lei com ares de inconstitucionalidade (Inconstitucionalidade do Art. 30, inciso IX, da Lei 8.212/91), não podendo este produzir quaisquer efeitos. (...) A Lei 8.212/91 não pode criar ente contribuinte ao seu bel prazer. E necessária a formalidade de Lei Complementar." 8. Não restou devidamente constatada pela fiscalização previdenciária, nem mesmo de forma superficial, a existência de grupo econômico em que supostamente se encontram as empresas em tela; Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 9. Estando eivada de vicio insanável o presente Auto de Infração — DEBCAD, também não merece prosperar a multa aplicada pela fiscalização previdenciária. 10. Todos os requisitos constantes para que a multa de oficio seja relevada estão presentes, impondo expressamente a revisão desta por esta Autarquia Previdenciária.. Todavia, Senhores Julgadores, conforme se verifica da planilha de competências constantes da página 12 do referido Acórdão não houve valor retificado e a empresa ora Recorrente continua com a plenitude da multa imposta. 11. Seja julgado procedente em todos os seus termos o presente Recurso Voluntário em face da Decisão/Notificação — Acórdão h.° 0617.034, da 6.a ,Turma da DRJ/CTA, exarada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que considerou procedente o\ lançamento, e, declarou o contribuinte, ora Recorrente devedor do crédito previdenciário apurado no Auto de Infração —DEBCAD n.° 37.097.9206, •com a declaração de insubsistência e consequente anulação do Procedimento Administrativo, em apreço; 12. Consequentemente seja dada baixa nas respectivas anotações constantes em nome da POLISERVICE SISTEMAS DE SEGURANÇA ,S/C LTDA. liberandoa de qualquer pagamento indevido decorrente da lavratura do presente Processo Administrativo Fiscal, por representar quantia realmente indevida. 13. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14474.000124/200716 Acórdão n.º 240102.219 S2C4T1 Fl. 203 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 199. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: RESPONSABILIDADE DE GRUPO ECONÔMICO POR AUTO DE INFRAÇÃO Em primeiro lugar cumprenos destacar a possibilidade de atribuir a grupo econômico, mesmo que “de fato” a responsabilidade para assumir multas resultantes do descumprimento de obrigações acessórias. Vejamos trecho de acordão do STJ do Ministro Herman Benjamin, Resp 1.199.080 SC (2010/01144730): TRIBUTÁRIO E PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PENALIDADE PECUNIÁRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE EMPRESAS INTEGRANTES DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. INTELIGÊNCIA DO ART. 265 DO CC/2002, ART. 113, § 1°, E 124, II, DO CTN E ART. 30, IX, DA LEI 8.212/1991. 1. A Lei 8.212/1991 prevê, expressamente e de modo incontroverso, em seu art. 30, IX, a solidariedade das empresas integrantes do mesmo grupo econômico em relação às obrigações decorrentes de sua aplicação. 2. Apesar de serem reconhecidamente distintas, o legislador infraconstitucional decidiu dar o mesmo tratamento – no que se refere à exigibilidade e cobrança – à obrigação principal e à penalidade pecuniária, situação em que esta se transmuda em crédito tributário. 3. O tratamento diferenciado dado à penalidade pecuniária no CTN, por ocasião de sua exigência e cobrança, possibilita a extensão ao grupo econômico da solidariedade no caso de seu inadimplemento. (...) Para o perfeito entendimento da questão, devese preliminarmente analisar a incidência do art. 265 do Código Civil de 2002 cumulada com a do art. 124, II, do CTN, segundo os quais poderemos falar em solidariedade quando a lei assim dispuser. Tratase de solidariedade por presunção legal. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 No caso dos autos, a Lei 8.212/1991 prevê, expressamente e de modo incontroverso, em seu art. 30, IX, a solidariedade das empresas integrantes do mesmo grupo econômico em relação às obrigações decorrentes de sua aplicação: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (..) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei (grifei); Firmada esse premissa, passemos à análise do art. 113 do CTN, no qual o legislador, ao enunciar as espécies de obrigações tributárias, deu disciplina especial às penalidades pecuniárias. Fenômeno evidenciado por Luiz Alberto Gurgel de Faria, in verbis: O preceito é bastante criticado na doutrina em razão de inserir a penalidade pecuniária como um dos objetos da obrigação principal, o que poderia gerar a idéia de confusão entre tributo e multa, em total desacordo com a disciplina contida no art 3° do CTN ("Tributo é toda prestação compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituído em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada"). Certamente não foi essa a intenção do legislador, após definir de forma tão clara o tributo, de maneira que o dispositivo há de ser interpretado como uma equiparação entre tributo e penalidade pecuniária, para efeitos de exigência e cobrança; ou seja, através do citado preceptivo se iguala o tratamento concedido às referidas exações, ambas as constituindo o crédito tributário (art. 139 do CTN). Não se deve, destarte, confundir tributo com penalidade pecuniária, que são coisas distintas, apenas recebendo disciplina legal equivalente para facilitar a cobrança conjunta. (Código Tributário Nacional Comentado, coordenador:Vladimir Passos de Freitas, 4. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2007, fls. 574575, grifei). Observase que, apesar de serem reconhecidamente distintas, o legislador infraconstitucional decidiu dar o mesmo tratamento – no que se refere à exigibilidade e cobrança – à obrigação principal e à penalidade pecuniária, situação em que esta se transmuda em crédito tributário. Nessa linha de raciocínio, em razão de interpretação sistemática do ordenamento brasileiro, ante a previsão legal expressa (art. 30, IX, da Lei 8.212/1991) e pelo tratamento diferenciado dado à penalidade pecuniária no CTN, quando de sua exigência e cobrança, há que reconhecer a extensão ao grupo econômico da solidariedade no caso de seu inadimplemento. Assim, verificada a ocorrência in concreto da infração, tratou a agente fiscal de lavrar o presente Auto, em cumprimento do disposto no art. 293 do Regulamento da Fl. 216DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14474.000124/200716 Acórdão n.º 240102.219 S2C4T1 Fl. 204 9 Previdência Social, devendo por força do disposto no art. 30, IX da lei 8212/91, indicar as empresas pertencentes ao grupo como solidárias. Art. 293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a Fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. QUANTO AO GRUPO ECONÔMICO Quanto ao questionamento do recorrente para que se desconsidere a existência de grupo econômico, entendo que pertinente a sua apreciação. Assim, conforme se depreende da legislação tributária, existe expressa previsão legal no âmbito previdenciário para que em sendo constatado que a administração de empresas é realizada de forma centralizada, por um sócio comum entre as mesmas, ou mesmo não figurando expressamente como sócio, exerça a direção de fato sobre as mesmas, deverseá atribuir a todos as empresas do grupo a responsabilidade pelas obrigações principais e acessórias. No caso vertente, destacou a autoridade fiscal, que a gerência da empresa é exercida pelo mesmo sócio gerente, figurando a empresa notificada como controladora das demais. Importante, mencionar que não houve por parte do recorrente qualquer argumentação quanto aos fatos descritos no relatório, resumindose a argumentar a inconstitucionalidade do dispositivo legal que define grupo econômico para efeitos previdenciários. Vejamos os dispositivos que ensejaram a autuação e a responsabilização solidária: O artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, não deixa dúvida quanto a matéria trazidas nos presentes autos, ensejando a possibilidade de indicação de várias empresas pelo montante do débito: “ Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei;” No mesmo sentido, reportase a legislação trabalhista em seu § 2º, do art. 2º da CLT, ao tratar da matéria: “Art. 2º Considerase empregador a empresa individual ou coletiva, que, assumindo os riscos de atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços. § 1º [...] Fl. 217DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas.” A Lei nº 6.404/76, igualmente, oferece proteção ao entendimento da autoridade fiscal, ao conceituar Grupo Econômico em seus artigos 265 e 267, nos seguintes termos: “ Art. 265 A sociedade controladora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capítulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. § 1º A sociedade controladora, ou de comando do grupo, deve ser brasileira, e exercer, direta ou indiretamente, e de modo permanente, o controle das sociedades filiadas, como titular de direitos de sócio ou acionista, ou mediante acordo com outros sócios ou acionistas. § 2º A participação recíproca das sociedades do grupo obedecerá ao disposto no artigo 244. Art. 267 O grupo de sociedades terá designação de que constarão as palavras "grupo de sociedades" ou "grupo". Parágrafo Único Somente os grupos organizados de acordo com este Capítulo poderão usar designação com as palavras "grupo" ou "grupo de sociedade".” Nesse sentido, os artigos 121, 124 e 128 do Código Tributário Nacional, assim prescrevem: “Art. 121 Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo Único O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direita com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art.124 São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo Único A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14474.000124/200716 Acórdão n.º 240102.219 S2C4T1 Fl. 205 11 Art.128 Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.” Assim, após identificar os dispositivos legais que disciplinam a matéria, pertinente, apreciar os argumento trazidos pelo auditor fiscal, que justificaram a indicação do grupo: As empresas acima citadas constituem grupo econômico. A POLISERVICE SISTEMAS DE SEGURANÇA SC LTDA é controladora da empresa listada no subitenn 2.1. Está sediada no mesmo endereço e utiliza as mesmas instalações das empresas relacionadas nos subitens 2.2, 2.3, 2.4, 2.5 e 2.6; e o sóciogerente da empresa autuada, Sr. Algacir Sermann Filho é também sóciogerente de todas as demais empresas. Nesse sentido, entendo que a autoridade julgadora, esclareceu devidamente a possibilidade de formação de grupo econômico de fato, conforme se observa dos pontos dos relatórios transcritos acima. Importante notar, que nenhuma das empresas, rebateu qualquer dos pontos trazidos, tendo apenas a notificada principal apresentado recurso. Ora, entendo que compete ao auditor identificar quais os elementos de prova que o levaram a formação do grupo, mas em realizando dita caracterização, compete as recorrentes a apresentação de fatos capazes de desconstituir o lançamento, ou afastarlhe a responsabilidade que lhe foi imputada. No recurso apresentado, houve a demonstração da inexistência do grupo, ou do equivoco cometido pelo auditor, demonstrando a inexistência de administração pelo mesmo sócio gerente. Dessa forma, resta claro que as empresas do Grupo Econômico de fato têm, efetivamente, interesse comum no fato gerador dos tributos ora exigidos, na forma estipulada no artigo 124, inciso I, do CTN, impondo a manutenção do feito em sua plenitude, não se cogitando em ilegalidade e/ou irregularidade na atuação fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE DA RESPONSABILIDADE DO GRUPO No que tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre a formação do grupo econômico (art. 30, IX), frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidade na cobrança das contribuições previdenciárias, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis a aplicação da taxa de juros SELIC, e a multa pela inadimplência. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo Fl. 219DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este 2º Conselho de Contribuintes ao publicar a súmula nº. 2 aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicadas no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28: SÚMULA N. 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. EXCLUSÃO DOS CORRESPONSÁVEIS Por fim, quanto a exclusão dos coresponsáveis, devese esclarecer ao recorrente que se trata do julgamento de AI pelo descumprimento de obrigações PRINCIPAL, em sendo assim a autuada é a empresa, que é o sujeito passivo da obrigação tributária e não seus sócios. Esses, por serem os representantes legais do sujeito passivo, constam da relação de CoResponsáveis – CORESP, consoante determinação contida no art. 660, da IN 03/2005, vigente à época da lavratura do Auto, qual seja: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: X Relação de CoResponsáveis (CORESP), que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; Entendo que a fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Se assim não o fosse, estaríamos falando de uma empresa pessoa jurídica, com capacidade de pensar e agir, e até onde conheço as decisões de administrar e gerir os empreendimentos partem de seus sócios e diretores. Dessa forma, entendo desnecessária a apreciação do questionamento. DO MPF ASSINADO POR PESSOA INCOMPETENTE Fl. 220DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14474.000124/200716 Acórdão n.º 240102.219 S2C4T1 Fl. 206 13 Quanto a arguição de que o auditor não poderia emitir e assinar a presente NFLD, entendo que equivocado o entendimento do recorrente, razão pela qual não vislumbro a nulidade avençada. Em primeiro lugar, apenas para esclarecimento no Mandado de Procedimento Fiscal (que autoriza o auditor a realizar o procedimento), consta o nome da chefia imediata, que registrese, ainda, o reconhecimento da assinatura eletrônica, nos termos do art. 7º da Portaria MPS/SRP nº 3031, descrita no próprio documento. Já quanto a realização do procedimento e assinatura pelo mesmo auditor, correto o procedimento adotado, competindo ao auditor intimar para apresentação dos documentos, bem como emitir o correspondente Auto de Infração ou NFLD, considerando que o lançamento é ato privativo, sendo de responsabilidade do próprio auditor que realizou o procedimento fiscal. Quanto a este argumento não foi apresentado qualquer novo elemento pelo recorrente, tendo se limitado a apresentar os mesmos argumentos da impugnação, já devidamente afastados pelo julgamento em 1 instância, senão vejamos: Da competência do AuditorFiscal 14. Pugna a Impugnante pela nulidade do Auto de Infração, alegando que o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil não teria competência legal para emitir e assinar Auto de Infração, posto que o Auto de Infração, ora impugnando, acompanha a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD lavrada na ação fiscal e, nos termos do art. 11, do Decreto 70.235/72, a NFLD deve ser assinada pelo chefe do órgão. 15. A esse respeito, insta esclarecer que não procedem as alegações constantes da peça impugnatória pelas seguintes razões: (a) não há dispositivo legal estendendo a exigência prevista no art. 11, do Decreto 70.235/72, ao Auto de Infração; (b) o Decreto 70.235/72 ainda não rege a fiscalização e o lançamento das contribuições sociais que eram arrecadadas pela Secretaria da Receita Previdencidria — SRP. 16. Vejamos, pois, o que diz a Lei 11.457/07 quanto à aplicação do Decreto 70.235/72 em relação as contribuições previdencidrias: Art. 1' A Secretaria da Receita Federal passa a denominarse Secretaria da Receita Federal do Brasil, órgdo da administração direta subordinado ao Ministro de Estado da Fazenda. Art. 22 Além das competências atribuidas pela legislação vigente Secretaria da Receita Federal, cabe a Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituidas a titulo de substituição. (Vide Decreto n°6.103, de 2007). () Fl. 221DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Art. 16. A partir do 1" (primeiro) dia do 2 (segundo) inês subseqüente ao da publicação desta Lei, o débito original e seus acréscimos além de outras multas previstas em lei, relativos as contribuições de que tratam os arts. 2° e 30 desta Lei, constituem divida ativa da União. 1' A partir do 1° (primeiro) dia do 130 (décimo terceiro) mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o disposto no caput deste artigo se estende a divida ativa do Instituto Nacional do Seguro Social INSS e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE decorrente das contribuições a que se referem os arts. 2" e 30 desta Lei. Art. 25. Passam a ser regidos pelo Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972: I a partir da data fixada no § 1° do art. 16 desta Lei, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais de determinação e exigência de créditos tributdrios referentes its contribuições de que tratam os arts. 20 e 30 desta Lei; 17. Além do mais, a notificação referida no art. 11, do Decreto 70.235/72, não corresponde A mesma NFLD citada nesta impugnação. No âmbito dos tributos que eram fiscalizados e lançados pela Secretaria da Receita Federal SRF, o lançamento se dá por meio de Auto de Infração, sendo que a Notificação Fiscal é empregada em algumas situações especificas, como, por exemplo, no caso de revisão da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (DIRPF) e do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), que poderá resultar em notificação de lançamento quando se constatarem inexatidões materiais devidas a lapso manifesto ou erros de cálculos cometidos pelo sujeito passivo ou infração à legislação tributária (vide Instrução Normativa SRF 579, de 08 de dezembro de 2005). Nesse caso, a notificação, realmente, deverá ser assinada pelo Chefe do Órgão. 18. No âmbito das contribuições que eram fiscalizadas e lançadas pela Secretaria da Receita Previdencidria SRP, que é o caso das contribuições ora em tela, o lançamento se dá por meio da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, cujo procedimento é regido pela Lei 8.212/91, pelo Decreto 3.048/91 e pela Instrução Normativa 03/2007. Nesse caso, portanto, é o Auditor Fiscal, que fiscalizou a empresa, que deve assinar a notificação, conforme devidamente ocorreu. 19. Portanto, considerando demonstrada a distinção entre a notificação prevista no art. 11, do Decreto 70.235/72 e a citada NFLD, bem como que o Auto de Infração foi lavrado em conformidade com as exigências legais, concluímos por improcedente a alegação de nulidade do lançamento por falta de legitimidade da autoridade que assinou o documento. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14474.000124/200716 Acórdão n.º 240102.219 S2C4T1 Fl. 207 15 Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito. DO MÉRITO Quanto ao mérito conforme prevê o artigo 32 , inciso IV „ parágrafo 6° , da Lei n° 8.212/91 e alterações posteriores, a empresa será autuada se apresentar ao INSS , por intermédio de documento a ser definido em regulamento , informações inexatas nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária. O referido documento tratase da GFIP , conforme artigo 225 , inciso IV , e parágrafo do RegulamentodaPrevidênciaSocial. Observase o reconhecimento pela própria autuada, considerando ter procedido a correção das faltas que lhe foram imputadas ainda durante o procedimento fiscal. Importante destacar, que, ao contrário da interpretação dado pelo recorrente aos termos da Decisão de 1 instância, o valor da multa imposta foi retificada para “zero”, conforme fl. 141 dos autos. Assim, quanto ao valor da multa imposta, não há o que ser apreciado considerando sua relevação total. Notese que a manutenção da autuação, mesmo que sem valores monetários, visa julgar procedente a autuação realizada, fazendo constar nos sistemas da DRFB, que a empresa foi autuada na forma devida, restando afastada sua primariedade para efeitos de futuras autuações. Dessa maneira, não tem porque o presente autodeinfração ser anulado em virtude da ausência de vício formal na elaboração. Foi identificada a infração, havendo subsunção desta ao dispositivo legal infringido, tendo o recorrente procedido a correção da falta. Os fundamentos legais da multa aplicada foram discriminados e aplicados de maneira adequada, sendo relevados a posteriori. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. O Auto de Infração sendo aplicado da maneira como foi imposto não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a finalidade precípua de arrecadação, o que pode ser demonstrado pela previsão de atenuação ou até mesmo da relevação da multa, neste último caso, o infrator não pagará nenhum valor (art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999). Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo. Diante o exposto e de tudo o mais que dos autos consta entendo que o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos acima propostos. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER DO RECURSO, para rejeitar a preliminares de nulidade, de inexistência de grupo econômico de fato e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 224DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 18471.000513/2006-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: DECADÊNCIA. PAGAMENTO. CONTAGEM DA DATA DO
FATO GERADOR.
A decadência de tributo pago a menor do que o devido conta-se
da data da ocorrência do fato gerador, na forma do art. 150, § 40
do CTN, aplicável a todos os tributos, inclusive as contribuições
sociais PIS e COFINS, consoante Súmula Vinculante n° 8 do Col.
STF.
Numero da decisão: 1201-000.373
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso de oficio. Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso
voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEIROZ
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Recorrida DRJ RIO DE JANEIRO I DECADÊNCIA. PAGAMENTO. CONTAGEM DA DATA DO FATO GERADOR. A decadência de tributo pago a menor do que o devido conta-se da data da ocorrência do fato gerador, na forma do art. 150, § 40 do CTN, aplicável a todos os tributos, inclusive as contribuições sociais PIS e COFINS, consoante Súmula Vinculante n° 8 do Col. STF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio. Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto e i tegram o presente julgado. Regis Magalhães Soares EDITADO EM: \ 111 kik— Relator Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros, Claudemir Rodrigues Malaquias, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcelo Cuba Netto, Antonio Carlos Guidoni Filho, Rafael Correia Fuso, Regis Magalhães Soares Queiroz. Processo n° 18471.000513/2006-33 S 1 -C2T1 Acórdão n.° 1201-00.373 Fl. 2 Relatório Por sua completude, transcrevo e adoto o relatório elaborado na Delegacia da Receita Federal de Julgamento, verbis: I - Do Lançamento O presente processo tem origem no auto de infração de fls. 52/67, lavrado pela Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro, em 13/06/2006, do qual a interessada acima foi cientificada, na pessoa de seu Procurador, na mesma data, consubstanciando exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ, no valor de R$4.934.873,44; além das autuações, sob o mesmo fundamento fático, referentes ás Contribuições "Social sobre o Lucro Liquido" — CSLL, no valor de R$1.579.817,71; "Financiamento da Seguridade Social" — COFINS, no valor de R$592.431,64, "Programa de Integração Social" — PIS, no valor de R$128.360,18. Estes tributos, acrescidos dos juros de mora e da correspondente multa de oficio de 75%, refere-se ao fato gerador ocorrido em 31/12/2000. II — Da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela interessada, efetuou o autuante o lançamento de oficio do IRPJ, que, de acordo com a descrição dos fatos contida no corpo do auto de infração, resultou na apuração da infração denominada: — "Omissão de Receitas — Passivo Não Comprovado" — Art. 24, da Lei n°9.249/95; Art. 40 da Lei n°9.430/96 e Arts. 249, inciso II, 251 e único, 279, 281, inciso III, e 288, do RIR/99; Os lançamentos da CSLL; COFINS e PIS têm a mesma fundamentação fática do de IRPJ; As razões que motivaram os lançamentos estão descritas no Termo de Constatação dos Fatos, its fls. 49/51, e atentam para os seguintes fatos: — a impugnante foi instada, mediante Termo de Intimação Fiscal, a apresentar os documentos contábeis comprobatórios de liquidação da obrigação de R$12.858.000,00 registrada na conta "2.1.11.09 Atendimentos Ocorridos e Não Avisados — AONA", alocada na Ficha 39A — Passivo/Linha 10 — Outras Contas da respectiva DIPJ2001 de fls. 04/39, tendo solicitado prorrogação de 5 dias para atendimento do pleito, sem, contudo, ter se manifestado após o vencimento do prazo; — a defendente foi intimada a apresentar os documentos contábeis comprobatórios da liquidação das obrigações descritas no documento de fls. 47/48, no valor total de R$6.889.721,43 registradas nas contas ali apontadas, alocadas na Ficha 39A — Passivo/Linha 10 — Outras Contas da DIPJ2001 de fls. 04/39, tendo se mantido silente em relação ao solicitado; 2 Processo n° 18471.000513/2006-33 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-00.373 Fl. 3 A autoridade julgado a quo deu parcial provimento h impugnação, mantendo o lançamento apenas em parte, em r. acórdão assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000 ARGUIÇÃO DE NULIDADE. Rejeitam-se as preliminares de nulidade do auto de infração, quando este estiver revestido de todos as formalidades exigidas em lei para sua lavratura. DILIGÊNCIA. PEDIDO. Considera-se não formulado o pedido de quando tenha sido proposto de maneira vaga, genérica, sem justificar a necessidade da prova pretendida. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000 DECADÊNCIA. IRPJ - Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial para contagem do prazo de decadência, quando ocorre pagamento de imposto, é a data do fato gerador. Para o Ano-calendário de 2000, o prazo para efetuar o lançamento de oficio esgotou-se em 31/12/2005, não subsistindo, portanto, o lançamento efetuado em 13/06/2006. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. 0 direito de a Fazenda Pública apurar e constituir seus créditos relativos ei COFINS, PIS e da CSLL extingue-se após dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2000 ATOS NÃO COOPERATIVOS. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. Os contratos de planos de saúde e o encaminhamento de usuários da cooperativa a terceiros não associados, como médicos, hospitais, clinicas ou laboratórios, mesmo que complementar ou indispensável et boa prestação do serviço profissional médico, constituem atos não cooperativos. TRIBUTAÇÃO. COOPERATIVAS DE SERVIÇOS MÉDICOS. resultado positivo de operações praticadas pelas cooperativas com a intermediageio de terceiros, é passível da tributação normal, por não se tratar de ato cooperativo, se situando, portanto, dentro do campo de incidência da legislação de regência de cada contribuição. PASSIVO NÃO COMPROVADO. OMISSÃO DE RECEITA. Autoriza a presunção de omissão de receita, a manutenção no passivo de obrigação cuja exigibilidade não foi comprovada. Recurso voluntário juntado a fls. 438, aduzindo em resumo: (i) da nulidade do auto por imprecisão na sua descrição, vez que contém lacunas que impedem sua compreensão; (ii) decadência, (iii) cerceamento do direito de defesa pelo indeferimento da perícia; (iv) que a 3 Processo n° 18471.000513/2006-33 S 1 -C2T1 Acórdão n.° 1201-00373 Fl. 4 "Provisão para Eventos Ocorridos e Não-Avisados — EONA" não implicou em redução de suas bases tributáveis. o relatório. 4 Processo n° 18471.000513/2006-33 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-00.373 Fl. 5 Voto Conselheiro Relator, Regis Magalhães Soares De Queiroz 0 recurso voluntário foi protocolizado dentro do prazo legal e, portanto, dele tomo conhecimento. Conheço também da remessa oficial. Depreende-se da DIPJ 2001 do recorrente (fls. 04) sua opção pela apuração do IRPJ e CSLL anual. Logo, os fatos geradores destes tributos ocorreram em 31/12/2000. Sobre a contagem do prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o art. 150, § 40, do CTN dispõe do seguinte: "Art. 150. 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (.) § 40 Se a lei lido fixar prazo a homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." Logo, o prazo decadencial do direito de lançar os respectivos créditos tributários encerrou-se em 31/12/2005. Ocorre que a data da intimação do recorrente acerca dos lançamentos 13.06.2006, ou seja, quando já havia ocorrido a decadência. 0 mesmo entendimento é aplicável também ao PIS e à COFINS, por força da Súmula Vinculante n° 8, do Col. STF, que estabelece: Silo inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-Lei n° 1.56911977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.21211991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Desta forma, deve ser reformada a r. decisão a quo que deixou de reconhecer a decadência das contribuições sociais, ao considerar o prazo decadencial decenal fixado no inconstitucional art. 46, da Lei 8.212/95. Por fim, registro estar consignado nos autos a existência de débitos declarados de IRPJ e seus pagamentos efetuados por DARF (cfr. fls. 406 a 408). 5 Processo n° 18471.000513/2006-33 S 1 -C2T1 Acórdão n.° 1201-00.373 Fl. 6 Isso posto, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência e julgar totalmente improcedente o lançamento. Nego pro -nto à r essa oficial. Regis Magalhães So ueiroz 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO PROCESSO 18471.000513/2006-33 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada nos despachos supra, nos termos do art. 81, § 3 0 , do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasilia, 31 de março de 2011 ) I Maria Conceiçao ae Soodrigues Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; []com Embargos de Declaração.
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000563/2007-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 02/01/1997 a 30/09/1997
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada
Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, §4° ou 173, do CTN).
PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO.
Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.043
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Ma MINISTÉRIO DA FAZENDA N„..._42.;fr CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ,t , - SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 16004.00056312007-82 Recurso n° 161.380 Voluntário Acórdão n° 2401-01.043 — 4° Câmara / r Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2010 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente I.MARINO INDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A Recorrida DRI-R1BEIRÃO PRETO/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 02/01/1997 a 30/09/1997 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, §4° ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4a Câmara / 1° Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. IC\/ ELIAS S AIO FREIRE - Presidente 40",,its RYC • O e- ir QUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA — Relator Participaram, do presente julg..i ; to, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n° 16004.000563/2007-82 52-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.043 Fl. 234 Relatório Trata-se de recurso repetitivo a ser julgado com a adoção do procedimento previsto no artigo 47 do Regimento interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos moldes em que disciplina a Portaria CAltF no 83, de 24/09/2009. No julgamento do Recurso-Padrão, o Recurso: n° 265466 (165466), Processo: no 35301.004061/2007-11, Recorrente: KOBE FLUA VEÍCULOS LTDA, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n° 2401-01.015, assim ementado:, _ Ementa:CONTRIBUIÇÕES PREYIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE 's es 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Yinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 40 ou 173, do CI'N). É o relatório. • • cki _ 3 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Iniciahnente há de se esclarecer que o presente acórdão supre o despacho previsto no art. 2°, § 2° Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No Recurso-Padrão, o Recurso: n° 265466 (165466), Processo: n° 35301.004061/2007-11, Recorrente: KOBE ELUA VEÍCULOS LTDA, a Turma decidiu, por -unanimidade -de -votos,—reconhecer a-decadência da totalidade das -Contribuições aguadas, através do Acórdão n°2401-01.015. Portanto, decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão. Pelo exposto, voto por reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. Sala das Ses I•, es, em 24 de fevereiro de 2010 4 gi 1 Má/ á !II 4.1.•‘,..L.L.=_—_=a,..is RYC • • -I, O InItn QUE MAGALHAES DE OLIVEIRA - Relator 4 • MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n0 : 16004.000563/2007-82 Recurso n": 161.380 TERMO DE INTIMAÇÃO cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão ir 2401-01.043 Brasília, 12 de abril de 2010 . _ n . ELIAS S O FRE RE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: . [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial ( ] Com Embargos de Declaração Data da ciência. / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 13302.000051/2007-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/05/2005
PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AQUELE EM QUE 0 LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO.
Não se verificando antecipação de pagamento das contribuições, aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
PERÍCIA - DESNECESSIDADE - Não restando comprovada a sua necessidade e os requisitos a ela ensej adores, a perícia não se justifica.
ARROLAMENTO DE BENS - Lei 9.532/97- 0 arrolamento previsto na Lei
9532/97 é apenas uma averbação nos registros competentes sobre a existência do arrolamento promovido pelo fisco, ocorre sempre que o valor dos créditos tributários lançados superar 30% do patrimônio conhecido da empresa e não se confunde com o arrolamento como condição de seguimento de recurso.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 2401-001.076
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos, em declarar a decadência até a competência 11/2001. Vencidos os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa (relator) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por declarar a decadência até 05/2002. III) Por unanimidade de votos, em rejeitar as demais preliminares suscitadas. IV) Por unanimidade de votos, no mérito, em dar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor, na parte referente à decadência, o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos, em declarar a decadência até a competência 11/2001. Vencidos os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa (relator) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por declarar a decadência até 05/2002. III) Por unanimidade de votos, em rejeitar as demais preliminares suscitadas. IV) Por unanimidade de votos, no mérito, em dar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor, na parte referente à decadência, o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
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PRAZO DECADENCIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AQUELE EM QUE 0 LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. Não se verificando antecipação de pagamento das contribuições, aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PERÍCIA - DESNECESSIDADE - Não restando comprovada a sua necessidade e os requisitos a ela ensej adores, a perícia não se justifica. ARROLAMENTO DE BENS - Lei 9.532/97- 0 arrolamento previsto na Lei 9532/97 é apenas uma averbação nos registros competentes sobre a existência do arrolamento promovido pelo fisco, ocorre sempre que o valor dos créditos tributários lançados superar 30% do patrimônio conhecido da empresa e não se confunde com o arrolamento como condição de seguimento de recurso. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4a Câmara / la Turuia Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos, em declarar a decadência até a competência 11/2001. Vencidos os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa (relator) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por declarar a decadência até 05/2002. III) Por unanimidade de votos, em rejeitar as demais preliminares suscitadas. IV) Por unanimidade de votos, no mérito, em dar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor, na parte referente A, decadência, o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente MARCELO F ll'AS DE 1. -Zii--COSTA — Relator KLEBER FERREIRA DE A UJO — Redator Designado Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente justificadamente a Conselheira Cleusa Vieira de Souza. ... Processo n° 13302.000051/2007-63 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.076 Fl. 237 Relatório Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada contra o contribuinte acima identificado por descumprimento de obrigação principal contida na Lei 8212/91 no art. 25, incisos I e II. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 148/152, a NFLD foi lavrada em face a não retenção das contribuições sociais incidentes sobre a comercialização da produção rural (camarão, peixe e lagosta) por segurada especial e produtor rural pessoa fisica no período compreendido entre janeiro de 2001 a maio de 2005. Inconfollnada com a Decisão de fls. 211/218 a empresa apresentou recurso á. este conselho onde alega em síntese: Em sede preliminar a recorrente alega excesso no arrolamento de bens para garantir os supostos débitos bem como a desnecessidade do depósito prévio de 30 % para o seguimento do recurso. No mérito insurge-se contra o lançamento por estar discutindo judicialmente a legalidade da cobrança das contribuições objeto da presente notificação cuja exigibilidade está suspensa conforme a própria autoridade notificante reconhece no Relatório Fiscal. Por fim, pugna pela improcedência do lançamento com o provimento do recurso. A DRJ de Fortaleza não apresentou contra razões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. DAS PRELIMINARES. Da Decadência Embora não tenha sido suscitado pela recorrente, há nos autos uma preliminar que deve ser conhecida de oficio por este colegiado que é a questão do prazo decadencial. Quanto a este aspecto, trazemos a baila a decisão do STF, proferida recentemente. Dessa fauna, quanto a decadência de 5 anos, razão assiste ao contribuinte nos termos abaixo expostos. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008 declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n ° 8, sendo vejamos: Súmula Vinculante n° 8"Scio inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". O texto constitucional em seu art. 103-A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicá-la de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103-A. 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional — C'TN, quanto ao prazo para a autoridade previdencidria constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdencidrias. No presente caso o lançamento foi efetuado em 21/06/2007, fl. 01, tendo os fatos geradores ocorridos entre janeiro de 2001 a maio de 2005, o que fulmina em parte o direito do fisco de constituir o lançamento. / 4 Processo n° 13302.000051/2007-63 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.076 Fl. 238 Para a contagem do lapso de tempo alguns julgadores vem lançando mão do art. 150, § 4.°, para os casos em que há antecipação do pagamento (mesmo que parcial) e do art. 173, I, para as situações em que não ocorreu pagamento antecipado. E o que se observa da ementa abaixo reproduzida (REsp n2 1034520/SP, Relatora: Ministra Teori Albino Zavascki, julgamento em 19/08/2008, DJ de 28/08/2008): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUDIRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCL4' RIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. QÜINQÜENAL. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXER CICIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART 150, § 4°). PRECEDENTES DA 1' SEÇÃO. DECISÃO ULTRA PETITA. INVIABILIDADE DE EXAME EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. SÚMULA 7/STJ. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESTA PARTE, DESPRO VIDO. No caso vertente, a ciência do lançamento deu-se em 21/06/2007 e o período do crédito é de 01/2001 a 05/2005. Considerando-se que para todas as competências envolvidas houve depósito judicial das contribuições, deve-se, para aferir o termo inicial do prazo decadencial, lançar mão do § 4.0 do art. 150 do CTN, que sera contado a partir da ocorrência do fato gerador. Pelo mencionado critério, então, a decadência se operou para as contribuições relativas as competências até 05/2002, mesmo para aqueles que entendem ser relevante a antecipação do pagamento. As demais preliminares suscitadas pela recorrente não merecem ser acolhidas. Com relação ao depósito prévio de 30% a MP 413/2008 revogou os dispositivos legais que exigiam a comprovação do referido depósito como condição de prosseguimento do recurso administrativo. Já o arrolamento de bens previsto no art. 64 da Lei 9.532/97 é apenas uma averbação nos registros competentes sobre a existência do arrolamento promovido pelo fisco e ocorre sempre que o valor dos créditos tributários lançados superar 30% do patrimônio conhecido da empresa, com o intuito de a Receita Federal do Brasil acompanhar a evolução patrimonial desta, de modo a garantir uma eventual execução fiscal. Conforme já esclarecido na decisão guerreada, o arrolamento acima mencionado não se confunde com o arrolamento como condição de acesso do recurso segunda instancia administrativa. Portanto, correto o procedimento fiscal adotado, razão pela qual rejeito estas preliminares. Quanto ao direito a contestar administrativamente matéria que está sendo submetida ao Poder Judiciário entendo importante tecer algumas considerações. Existem dois grandes sistemas administrativos: o sistema do contencioso administrativo e o sistema de jurisdição única. Alexandre de Moraes (Direito Constitucional Administrativo. Atlas, 2002), traz a seguinte síntese: "0 sistema do contencioso administrativo, também conhecido como sistema francês, caracteriza-se pela impossibilidade de intromissão do Poder Judiciário no julgamento dos atos da Administração, que ficam sujeitos tão-somente à jurisdição especial do contencioso administrativo. Dessa forma, há uma divisão jurisdicional entre a Justiça Comum e o Contencioso Administrativo, e somente este pode analisar a legalidade dos atos administrativos. Diversamente, o sistema de jurisdição também conhecido por sistema judiciário ou inglês, tem como característica básica a possibilidade de pleno acesso ao Poder Judiciário, tanto nos conflitos de natureza privada, quanto dos conflitos de natureza administrativa." Desde a instauração do período republicano, o Brasil sempre adotou o sistema de jurisdição única como forma de controle jurisdicional da Administração Pública, cuja fundamentação encontra-se no art. 5°, inciso XXXV, da CF/88; Art. 5 0 Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pais a inviolabilidade do direito à vida, ci liberdade, a igualdade, a segurança e it propriedade, nos termos seguintes XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito Nesse sentido, a decisão administrativa estará sempre sujeita á. apreciação do Poder Judiciário, ou, em outras palavras, as decisões judiciais sobrepõem-se às decisões administrativas. Deste modo, estando uma matéria submetida à apreciação judicial, não deverá a mesma ser analisada na esfera administrativa; Em matéria fiscal, os seguintes dispositivos tratam da existência concomitante de ação judicial e processo administrativo: Lei n.° 6.830, de 22/09/80 (trata da cobrança judicial da Divida Ativa da Fazenda Pública): "Art. 38. A discussão judicial da Divida Ativa da Fazenda Pública só é admissivel em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ott ação anulatória do ato, declarativo da divida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo único. A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renuncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto." Lei ri.° 8.213/91 (reproduzido pelo art. 307 do Decreto n.° 3.048/99): 6 Processo n° 13302.000051/2007-63 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.076 Fl. 239 "Art.126 (.) § 3 0 A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto," No entanto, a propositura pelo contribuinte de ação judicial para afastar a cobrança de determinada contribuição, não impede a Fazenda Pública de proceder ao lançamento, pois este, segundo o parágrafo único do artigo 142 do CTN, constitui atividade vinculada e obrigatória da autoridade administrativa, sob pena de responsabilidade funcional. 0 lançamento tem como objetivo resguardar o crédito tributário. Não efetuado o lançamento no curso do prazo de decadência, o Fisco não mais poderá faze-1o, ainda que obtenha decisão judicial favorável, pelo fato de o crédito achar-se fulminado pela decadência. E que o prazo decadencial não se interrompe nem se suspende com a interposição de medida judicial, fluindo a partir da ocorrência do fato gerador ou da data prevista em lei. Pelas razões citadas é irrelevante se a ação judicial proposta se deu antes ou depois do lançamento. Nesta instância administrativa, tal questão foi definida na Súmula n° 01 do então 2° CC do Ministério da Fazenda, publicada no DOU de 26/09/2007, que demonstra a posição pacifica dos órgãos julgadores no âmbito administrativo "Súmula n° I Importa renúncia its instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo Como já argüido a discussão judicial não impede que o fisco constitua o crédito por meio do lançamento, nesse sentido, o que se verifica é que houve a arrecadação das contribuições dos segurados empregados, as quais não foram vertidas aos cofres previdencidrios e, a respeito, assim dispõe o art. 30, incisos I e II, da Lei n° 8.212/1991: "Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas a Seguridade Social obedecem as seguintes normas: I - a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração; b) recolher os valores arrecadados na forma da alínea a deste inciso, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22 desta Lei, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer titulo, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da competência" Assim, não verificados os pagamentos, correto o procedimento da auditoria fiscal em realizar o lançamento. DO MÉRITO No mérito a recorrente apenas se limita a dizer que recolheu todos os tributos referenciados na NFLD e que tal fato seria comprovado pela sua escrituração contábil-fiscal a ser oportunamente periciada pelo órgão competente. Contudo, não trouxe aos autos qualquer elemento que demonstrasse a veracidade das afirmações e a perícia também não se justifica no presente caso já que não se vislumbra fato controvertido que justifique sua realização e o seu pedido não veio acompanhado de indicação de perito e folinulação de quesitos. Porém, a questão da sub-rogação sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores pessoas naturais, foi matéria de decisão proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal — STF, que em caso idêntico ao presente, julgou inconstitucional o artigo 1° da Lei 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII; 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91 (Lei geral da Previdência), com redação atualizada até a Lei 9.528/97. Embora a decisão não vincule este órgão colegiado, entendo ser aplicável o entendimento da Corte Superior ao caso sob análise, desobrigando a recorrente da retenção e do recolhimento da contribuição social ou de seu recolhimento por sub-rogação sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de produtores pessoas fisicas, fornecedores de camarão, peixe e lagosta. Tal previsão encontra respaldo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARP, mais precisamente no art. 62, § único, inciso I, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. 0 disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Da mesma forma é a interpretação contida no Decreto 70235, art. 26-A, § 6°, inciso I, com redação dada pela Lei 11941/2009: "Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1" (Revogado). § 2' (Revogado). § 3' (Revogado). § 4' (Revogado). Processo n° 13302.000051/2007-63 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.076 Fl. 240 § 5' (Revogado). § 6 c 0 disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; Amparado pelos dispositivos legais acima transcritos e considerando tudo mais que dos autos constam; VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, ACOLHER DE OFÍCIO A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA PARCIAL para excluir da notificação os valores lançados em período até 05/2002, REJEITAR AS DEMAIS PRELIMINARES e NO MÉRITO DAR-LHE PROVIMENTO Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2010 MARCELO FRE DE UZA COSTA - Relator ft 9 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo — Redator Designado Em que pese a corriqueira diligência com que o ilustre Conselheiro relator elabora os seus votos, ouso discordar do seu posicionamento quanto A contagem do prazo decadencial. Analisando detidamente os autos da NFLD em questão, constatei que não se verifica na espécie a antecipação do pagamento parcial do tributo, motivo pelo qual, deve ser lançado mão, para fins de aferição do lapso de decadência, o dispositivo encartado no inciso I do art. 173 do CTN. Nesse sentido, tendo-se em conta que a ciência do lançamento deu-se em 21/06/2007, entendo que devam ser afastadas por decadência as contribuições relativas às competências de 01/2001 a 11/2001, incluindo aquela concernente ao décimo terceiro salário. Diante do exposto, voto pelo reconhecimento de oficio da decadência para o período de 01/2001 a 11/2001, incluindo aquela concernente ao decimo terceiro salário. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2010 KLEBER FERREIRA DE OJO — Redator Designado 10 t Brasili abril de 2010 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS t*I" QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO -Processo n°: 3302.000051/2007-63 Recurso n°: 157.500 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Camara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401 1.076 ELIAS SA PAIO FREIRE Presidente da Quarta Camara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10380.014804/2008-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 11/01/2004 a 31/12/2005
CRÉDITOS BÁSICOS. AQUISIÇÕES DE INSUMOS ISENTOS.
O princípio da não-cumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos do estabelecimento do
contribuinte com o crédito relativo ao imposto que fora cobrado na operação
anterior referente à entrada de matérias-primas. Não havendo exação de IPI na compra do insumo por ser ele isento, não há valor algum a ser creditado.
CRÉDITO BÁSICOS. INSUMOS ISENTOS. ARTIGO 82, INCISO III, DO RIPI/2002. CRÉDITO AUTORIZADO. CONDIÇÕES.
Comprovado que a aquisição de matérias-primas atendem aos requisitos
legais previsto no art. 175 do RIPI/2002, há que se reconhecer o direito à
escrituração e utilização do crédito básico do IPI.
Recurso de Ofício e Recurso Voluntário Negados.
Numero da decisão: 3302-001.493
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 11/01/2004 a 31/12/2005 CRÉDITOS BÁSICOS. AQUISIÇÕES DE INSUMOS ISENTOS. O princípio da não-cumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos do estabelecimento do contribuinte com o crédito relativo ao imposto que fora cobrado na operação anterior referente à entrada de matérias-primas. Não havendo exação de IPI na compra do insumo por ser ele isento, não há valor algum a ser creditado. CRÉDITO BÁSICOS. INSUMOS ISENTOS. ARTIGO 82, INCISO III, DO RIPI/2002. CRÉDITO AUTORIZADO. CONDIÇÕES. Comprovado que a aquisição de matérias-primas atendem aos requisitos legais previsto no art. 175 do RIPI/2002, há que se reconhecer o direito à escrituração e utilização do crédito básico do IPI. Recurso de Ofício e Recurso Voluntário Negados.
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AQUISIÇÕES DE INSUMOS ISENTOS. O princípio da nãocumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos do estabelecimento do contribuinte com o crédito relativo ao imposto que fora cobrado na operação anterior referente à entrada de matériasprimas. Não havendo exação de IPI na compra do insumo por ser ele isento, não há valor algum a ser creditado. CRÉDITO BÁSICOS. INSUMOS ISENTOS. ARTIGO 82, INCISO III, DO RIPI/2002. CRÉDITO AUTORIZADO. CONDIÇÕES. Comprovado que a aquisição de matériasprimas atendem aos requisitos legais previsto no art. 175 do RIPI/2002, há que se reconhecer o direito à escrituração e utilização do crédito básico do IPI. Recurso de Ofício e Recurso Voluntário Negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/03/2012 Fl. 677DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Contra a COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS AMBEV foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de IPI, relativo a fatos geradores ocorridos entre janeiro de 2004 e dezembro de 2005, tendo em vista que a Fiscalização glosou os seguintes créditos escriturados como “outros créditos”: 1 insumos (abaixo listados) adquiridos com a isenção de IPI prevista no art. 69, inciso II, do Decreto nº 4.55/2002, que não dá direito a crédito: 1.1 rolha metálica; 1.2 rolha plástica; 1.3 concentrado natural e artificial PepsiCola; 1.4 concentrado natural e artificial PepsiTwist; 1.5 película de plástico; 1.6 tampa; 1.7 filme stretch; 1.8 película de plástico; 2 insumos (abaixo listados) adquiridos com a isenção de IPI prevista no art. 82, inciso III, do Decreto nº 4.544/2002, que não atendem aos requisitos do art. 175 do mesmo decreto: 2.1 concentrado natural de limão; 2.2 concentrado natural de guaraná; 2.3 concentrado natural de laranja. Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A DRJ em Belém PA converteu o julgamento em diligência para que fosse apurado se os concentrados naturais de limão, guaraná e laranja atendiam aos requisitos do art. 175 do RIPI para a fruição do crédito. Realizado a diligência, ficou comprovado que o concentrado natural de guaraná atendia aos requisitos legais para o creditamento do IPI pela recorrente e que os concentrados naturais de limão e laranja não atendiam aos requisitos para a fruição do crédito Fl. 678DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10380.014804/200888 Acórdão n.º 330201.493 S3C3T2 Fl. 624 3 posto que a matériaprima (suco concentrado) para a sua produção foi adquirida no estado de São Paulo, portanto, fora da Amazônia Ocidental. A 3a Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA julgou parcialmente procedente o lançamento, para reconhecer o direito ao crédito nas aquisições de concentrado natural de guaraná, nos termos do Acórdão no 0115.674, de 24/11/2009, cuja ementa abaixo se transcreve. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial, salvo na hipótese de decisões objetivas do Supremo Tribunal Federal (STF), com efeito erga omnes (súmula vinculante ou julgados em sede de ADI e ADC). ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRATIVA. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores pois não faz parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 do Código Tributário Nacional, salvo na hipótese de decisões do STF vinculantes para a Administração Pública Federal. IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS BÁSICOS RELATIVOS AS AQUISIÇÕES DESONERADAS DO IMPOSTO. O principio da nãocumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos do estabelecimento do contribuinte com o crédito relativo ao imposto que fora cobrado na operação anterior referente à entrada de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Não havendo exigência de IPI nas aquisições desses insumos, por serem eles tributados à alíquota zero, isentos ou não estarem dentro do campo de incidência do imposto, não há valor algum a ser creditado. ARTIGO 82, INCISO III, DO RIPI/2002. AMAZÔNIA OCIDENTAL. ISENÇÃO. CREDITAMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO FISCO. INSUMOS ELABORADOS COM MATÉRIASPRIMAS VEGETAIS DE PRODUÇÃO REGIONAL. PROJETOS APROVADOS PELA SUFRAMA. Para a isenção disposta no artigo 82, inciso III, do RIPI/2002, compete ao fisco demonstrar que as condições ali impostas (insumos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional e estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da:SUFRAMA) não foram satisfeitas. Caso o fisco se desincumba desse ônus probatório, deve o correspondente creditamento ser glosado. Fl. 679DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 ARTIGO 69, INCISO II, DO RIPI/2002. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. CREDITAMENTO. FALTA DE BASE LEGAL. Para a isenção discriminada no art. 69, inciso II, do RIPI/2002, relativo a insumos adquiridos na Zona Franca de Manaus, inexiste previsão legal para o creditamento do comprador desses produtos. Ciente desta decisão em 22/02/2010 (fl. 533), a interessada ingressou, no dia 18/03/2010, com o recurso voluntário de fls. 534/544, no qual alega, em síntese, que: 1 para o Fisco considerar infringido o disposto no art. 69, inciso II, do Decreto nº 4.544/2002, deveria ter questionado os fabricantes para saber se os mesmos tinham ou não projetos aprovados pela SUFRAMA; 2 os julgados do STJ, a que se refere a Fiscalização, apenas não admitiu o crédito do IPI quando o produto for não tributado ou de alíquota zero. Quanto aos produtos isentos, a decisão do Tribunal foi no sentido de reconhecer o direito ao crédito (discorre sobre o direito ao crédito e sobre os conceitos de isenção, não incidência e alíquota zero, citando jurisprudência administrativa e judicial); A Douta PGFN apresentou contra razões ao recurso voluntário, que pode ser resumida nos seguintes termos: 1 discorre sobre a nãocumulatividade do IPI e o direito ao creditamento; 2 o STF manifestouse a respeito da temática, no julgamento do RE nº 566.819, cuja repercussão geral foi reconhecida, assentando entendimento de que, se não há incidência do imposto na fase anterior, como consectário lógico, jamais se poderia pleitear o creditamento na fase seguinte; 3 a única hipótese legalmente admitida para o creditamento do IPI em face da aquisição de insumos isentos é a prevista no art. 175 do RIPI/2002. Quaisquer outras situações que se afastem das condições estabelecidas no referido art. 175 do RIPI/2002 não dão ensejo escrituração de créditos de IPI. 4 os demais produtos sob análise não estavam de acordo com o art. 82, III, do RIPI/2002, capaz de ensejar o beneficio fiscal do art. 175 do RIPI/2002, situação esta não só consolidada através da diligência fiscal realizada, como também corroborada pelo próprio contribuinte, através dos documentos de fls. 450/453, onde o autuado informa que somente os concentrados de "guarani" e "guaraná diet" são elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. É dizer que, o próprio contribuinte reconhece que os concentrados de "laranja" e "lima" são fabricados no Município de Matão, Estado de São Paulo (fora da Amazônia Ocidental) e, portanto, não são de produção regional; Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro Relator. É o Relatório. Voto Fl. 680DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10380.014804/200888 Acórdão n.º 330201.493 S3C3T2 Fl. 625 5 Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais e, portanto, deve ser conhecido. Como relatado, a empresa foi autuada porque escriturou e utilizou créditos básicos de IPI nas aquisições de insumos com as isenções previstas nos artigos 69, inciso II, e 82, inciso III, ambos do Decreto nº 4.544/2002. Com relação aos insumos adquiridos com a isenção prevista no 82, inciso III, do Decreto nº 4.544/2002, ficou provado que o insumo “concentrado natural de guaraná” atendia ao disposto no art. 175 do mesmo decreto e, portanto, poderia a recorrente escriturar e utilizar o crédito básicos nas aquisições deste produto. A decisão recorrida restabeleceu estes créditos, reduzindo o valor do auto de infração e recorrente de ofício a este Colegiado. Diante das provas trazidas aos autos no curso da diligência solicitada pela DRJ de Juiz de Fora, é inquestionável o direito de a recorrente creditarse do IPI nas aquisições de concentrado natural de guaraná e, portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida, nesta parte, devendo o recurso de ofício ser negado. Quanto ao recurso voluntário, não merece prosperar o argumento da recorrente de que a Fiscalização considerou infringido o disposto no art. 69, inciso II, do Decreto nº 4.544/2002. Em nenhum momento a Fiscalização disse que a isenção era improcedente e que as matériasprimas seriam tributadas pelo IPI. Portanto, ao contrário do que afirma a recorrente, a Fiscalização não afirma que a Recorrente ou o fabricante infringiu o dispositivo legal acima citado. Também não merece prosperar os argumentos da recorrente a respeito do direito em si ao crédito objeto da lide. Considerando a vinculação plena da atividade administrativa tributária, não há como rebater os argumentos da decisão recorrida, e da Douta PGFN, de que a única hipótese legalmente admitida para o creditamento do IPI, em face da aquisição de insumos isentos, é a prevista no art. 175 do RIPI/2002. E para estes, apenas o “concentrado natural de guaraná” atende aos requisitos legais para o referido creditamento. Os demais produtos objeto da glosa não atendem ao disposto no art. 175 do RIPI/2002 ou sequer gozam da isenção prevista no art. 82, III, do RIPI/2002. Todos os demais créditos básicos admitidos pela legislação do IPI (arts. 164 e 165 do RIPI/2002) foram cobrados na operação anterior. Existindo isenção do IPI, não há que se falar em imposto “cobrado na operação anterior” a que se refere o texto constitucional e muito bem explicado pela decisão recorrida, cujos fundamentos ratifico integralmente. Como disse a decisão recorrida, a premissa básica da nãocumulatividade do IPI reside justamente em se compensar o tributo lançado (na nota fiscal de aquisição de insumo) na operação anterior com o devido na operação seguinte. O texto constitucional é taxativo em garantir a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado na anterior. Ora, se no caso em análise não houve a cobrança (nem lançamento na Fl. 681DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 nota fiscal houve) do tributo na operação de entrada de insumo, não há que falarse em direito a crédito, tampouco em nãocumulatividade. Positivamente, o crédito escriturado pela recorrente e glosado pelo Fisco é um crédito ficto, presumido, posto que ele não existe de fato. O mesmo não foi lançado nas notas fiscais de aquisição de insumos. Como acima se disse, não há lei específica que autorize a recorrente a escriturar os créditos glosados pela Fiscalização e a Constituição Federal veda expressamente a concessão de crédito presumido, ficto ou estimado, sem lei que autorize, conforme comando contido no § 6o do art. 150, que reproduzo: “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g.” (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) (grifei) Quando à jurisprudência do STJ sobre a matéria, além de não ser de aplicação obrigatória por parte deste Colegiado, o STF declarou a mesma de repercussão geral no RE 592.891 e, consequentemente, deve colocar uma pá de cal sobre o tema. Relativamente à jurisprudência deste CARF trazida à colação pela Recorrente, embora respeite, não posso acompanhar. Comungo com aqueles conselheiros que defendem o princípio da estrita legalidade na atividade administrativa tributária. Sempre votei neste sentido, a exemplo do voto proferido no Acórdão nº 20180106 (Processo nº 10830.009255/200370), de relatoria do Ilustre Conselheiro Maurício Taveira e Silva, citado pela Douta PGFN. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10380.014804/200888 Acórdão n.º 330201.493 S3C3T2 Fl. 626 7 Fl. 683DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10680.012792/2007-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do Fato Gerador: 11/04/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91.
Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos
geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), constitui-se
violação à obrigação acessória prevista no art. 32, IV da Lei nº 8.212/91, e sujeita o infrator à multa prevista na legislação
previdenciária.
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91.
RETROATIVIDADE BENIGNA.
As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A
à Lei nº 8.212/91.
Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-001.575
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do Fato Gerador: 11/04/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91. Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), constitui-se violação à obrigação acessória prevista no art. 32, IV da Lei nº 8.212/91, e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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CFL 68. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91. Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), constituise violação à obrigação acessória prevista no art. 32, IV da Lei nº 8.212/91, e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando Fl. 192DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 as disposições da Medida Provisória nº 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II da Lei nº 8.212/91, que na conversão à Lei nº 11.941/2009, foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei nº 8.212/91. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Arlindo da Costa e Silva. Ausência momentânea: Eduardo Augusto Marcondes de Freitas Fl. 193DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10680.012792/200791 Acórdão n.º 230201.575 S2C3T2 Fl. 190 3 Relatório Período de apuração: 06/2003 a 12/2003. Data de lavratura do Auto de Infração: 11/04/2007. Data da Ciência do Auto de Infração: 02/05/2007. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, lavrado em desfavor do Recorrente em virtude de esta, por se declarar optante do SIMPLES, ter deixado de considerar como devidas contribuições à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa incidentes sobre a remuneração paga aos seus empregados e a contribuintes individuais que lhe prestaram serviço, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 09/12. CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) – Art. 284, II na redação do Dec.4.729, de 09/06/2003. A multa aplicada corresponde a 100% do valor das contribuições previdenciárias devidas e não declaradas em GFIP, relativas aos fatos geradores descritos no parágrafo precedente, apurados pela fiscalização, consoante critério pormenorizado no Relatório Fiscal de Aplicação da Multa a fls. 10/12. Irresignado com a autuação, o autuado apresentou impugnação administrativa a fls. 21/38. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG baixou o feito em diligência, para que fossem esclarecidos pontos controversos no lançamento, conforme Despacho a fls. 125/126. Informação fiscal a fls. 128/129. Promovida a ciência da referida Informação Fiscal ao sujeito passivo, este se manifestou a fls. 144/146. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão a fls. 151/161, julgando procedente em parte a autuação, para fazer nela incidir a retroatividade da lei mais benigna. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 12/04/2010, conforme Aviso de Recebimento a fl. 168. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 169/183, deduzindo seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: • Que a conduta é atípica; • Que não foi excluída do SIMPLES; • Que o Manual da GFIP extrapolou o âmbito da mera regulamentação, criando exceção sistemática do SIMPLES não prevista em lei; • Requer a incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN; Ao fim, requer a anulação, o cancelamento ou a improcedência do lançamento. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10680.012792/200791 Acórdão n.º 230201.575 S2C3T2 Fl. 191 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 12/04/2010. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 04 de maio do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO 2.1. DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Cumpre destacar, ab initio, que a obrigação principal correspondente aos fatos geradores tratados neste Auto de Infração é objeto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.088.8120 Processo Administrativo Fiscal nº 10680.012803/200733 lavrada na mesma ação fiscal, a qual promoveu o lançamento tributário das contribuições previdenciárias de acordo com os seguintes levantamentos: FP1 – Resultante de diferenças recolhidas a menor, no período de 01/97 a 12/99, apuradas pelo confronto das folhas de pagamento e as guias de recolhimento; DIF – Diferenças de RAT, resultante de diferenças recolhidas a menor, no período de 01/97 a 12/99, apuradas pelo confronto das folhas de pagamento e as guias de recolhimento; FP – Contribuições previdenciárias não recolhidas, decorrentes do enquadramento indevido da empresa no SIMPLES; FPO Contribuições sociais incidentes sobre a remuneração de mãode obra própria utilizada na execução de obra de construção civil. Os fatos geradores acima mencionados, por se subsumirem no conceito de Salário de Contribuição, no entendimento da fiscalização, deveriam ter sido declarados em GFIP e não o foram, fato que motivou a lavratura do presente Auto de Infração. O Recorrente assevera que a conduta apontada pela fiscalização é atípica, eis que a empresa recorrente não foi excluída do SIMPLES, como assim considerou a fiscalização. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Argumenta ainda que o Manual da GFIP extrapolou o âmbito da regulamentação legislativa, criando hipótese de exceção na sistemática do SIMPLES não prevista em lei. Com efeito, o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação não se encontra instruído com os elementos necessários aptos a indicar, de forma inequívoca, se os fatos jurídicos apurados na NFLD conexa acima apontada se caracterizam, efetivamente, como fatos geradores de contribuições previdenciárias. Ocorre, todavia, que no julgamento do Processo Administrativo Fiscal nº 10680.012803/200733, realizado no plenário desta mesma Corte Administrativa, o lançamento tributário objeto da NFLD nº 37.088.8120 foi julgado parcialmente procedente, sendo dele excluídos os levantamentos FP1 (diferenças recolhidas a menor, no período de 01/97 a 12/99) e DIF (diferenças de RAT, resultante de diferenças recolhidas a menor, no período de 01/97 a 12/99) em razão do decurso do prazo decadencial, assim como o levantamento FP (Contribuições previdenciárias não recolhidas, decorrentes do enquadramento indevido da empresa no SIMPLES). Nesse cenário, o crédito tributário remanescente no citado processo conexo passou a contemplar, tão somente, o levantamento FPO (Contribuições sociais incidentes sobre a remuneração de mãodeobra própria utilizada na execução de obra de construção civil), eis que o Colegiado pautouse pelo entendimento de que as contribuições sociais incidentes sobre a remuneração de mãodeobra própria utilizada na execução de obra de construção civil, inclusive a destinada a uso próprio, por pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, não são abrangidas pela substituição de contribuições sociais que lhes é atribuída em virtude da Lei nº 9.317/96, ficando o responsável pela obra sujeito às contribuições previstas no art. 22 da Lei nº 8.212/91, bem como às destinadas a outras entidades e fundos. Dessarte, qualificandose a remuneração de mãodeobra própria utilizada na execução de obra de construção civil, inclusive a destinada a uso próprio, paga por pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, fato gerador de contribuição previdenciária, tais valores deveriam ter sido declarados em GFIP. Não o foram, porém. A conduta omissiva perpetrada nesses termos pela empresa em foco representa violação à obrigação acessória inscrita no art. 32, IV da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 225, §4º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, sujeitando o sujeito passivo ao pagamento de penalidade pecuniária prevista no art. 32, §5º da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 284, II do RPS, correspondente a 100% do valor da contribuição devida e não declarada por competência, e limitada, mensalmente, em função do número de empregados da empresa, conforme previsto no parágrafo 4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (grifos nossos) (...) §4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no Fl. 197DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10680.012792/200791 Acórdão n.º 230201.575 S2C3T2 Fl. 192 7 art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 2.2. DA RETROATIVIDADE BENIGNA Urge, de plano, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato Fl. 198DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente, como assim demonstra acreditar o Recorrente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ocorre, no entanto, que as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades decorrentes da não entrega de GFIP ou de sua entrega contendo incorreções foram alteradas pela Lei nº 11.941/2009, produto da conversão da Medida Provisória nº 449/2008. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Lei federal revogou os §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, fazendo introduzir no bojo desse mesmo Diploma Legal o art. 32A, ad litteris et verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). (grifos nossos) §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §2º Observado o disposto no §3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §3 A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Fl. 199DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10680.012792/200791 Acórdão n.º 230201.575 S2C3T2 Fl. 193 9 I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Originariamente, a conduta infracional consistente em apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores era punível com pena pecuniária correspondente a cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91. A Medida Provisória nº 449/2009, convertida na Lei nº 11.941/2009, alterou a memória de cálculo da penalidade em tela, passando a impor a multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omissas, mantendo inalterada a tipificação legal da conduta punível. A multa acima delineada será aplicada ao infrator independentemente de este ter promovido ou não o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, a teor do inciso I do art. 32A acima transcrito, fato que demonstra tratarse a ora discutida imputação, de penalidade administrativa motivada, unicamente, pelo descumprimento de obrigação instrumental acessória. Assim, a sua mera inobservância consubstanciase infração e implica a imposição de penalidade pecuniária, em atenção às disposições estampadas no art. 113, §3º do CTN. A Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a IN RFB nº 1.027/2010, que assim dispôs em seu art. 4º: Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22 de abril de 2010 Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Mostrase flagrante que a citada IN RFN nº 1.027/2010 extrapolou os limites da lei, inovando o ordenamento jurídico. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e com aquelas decorrentes da inobservância de obrigações acessória, para, em seguida, se confrontar tal somatório com o valor da multa calculada segundo a metodologia descrita no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa se revela mais benéfica ao infrator. Entendo que o exame da retroatividade benigna deve se adstringir ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação acessória, calculada segundo a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação acessória, não havendo que se imiscuir com a multa decorrente de lançamento de ofício de obrigação tributária principal. Lé com lé, cré com cré. A análise da lei mais benéfica não pode superar tais condições de contorno pois, como já afirmado alhures, tratase de obrigação acessória que é absolutamente independente de qualquer obrigação principal. Notese que o princípio tempus regit actum somente será afastado quando a lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO, in casu, o descumprimento de determinada obrigação acessória, penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessarte, nos termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação entre (a) o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair dos documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação entre a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da IN RFB nº 971/2009 e o valor da penalidade prevista na alínea ‘b’ do inciso I do mesmo dispositivo legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica. De outro eito, mas trigo de outra safra, o art. 97 do CTN estatui que somente a lei formal pode dispor sobre a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Código Tributário Nacional CTN Fl. 201DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10680.012792/200791 Acórdão n.º 230201.575 S2C3T2 Fl. 194 11 Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Mostrase flagrante que a alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir, sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos em que a multa de ofício, aplicada pelo descumprimento de obrigação principal, for mais benéfica ao infrator. Tal hipótese não se enquadra, de forma alguma, na situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’ do CTN, pois emprega como parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória. Há que se reconhecer que as penalidades acima apontadas são autônomas e independentes entre si, pois que a aplicação de uma não afasta a incidência da outra e vice versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa de penalidade pecuniária estabelecida mediante Instrução Normativa, favor tributário que somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN. É mister ainda destacar que o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, apenas se refere ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, não produzindo qualquer menção às penalidades administrativas Fl. 202DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art. 44 da Lei nº 9.430/96. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Assim, em virtude da total independência e autonomia entre as obrigações tributárias principal e acessória, o preceito inscrito no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído Fl. 203DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10680.012792/200791 Acórdão n.º 230201.575 S2C3T2 Fl. 195 13 pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão exclusiva de descumprimento de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Uma vez que a penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória encontrase prevista em lei, somente o Poder Legislativo dispõe de competência para dela dispor. A legislação complementar, na forma de Instrução Normativa emanada do Poder Executivo, é pai pequeno no terreiro, não podendo dispor autonomamente de forma contrária a diplomas normativos de mais graduada estatura na hierarquia do ordenamento jurídico, in casu, a lei formal, e assim extrapolar os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão de crédito tributário, em violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige lei em sentido estrito. Vislumbrase inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser flagrantemente ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, mesmo que o sujeito passivo haja promovido, tempestivamente, o exato recolhimento do tributo correspondente, conforme assentado no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Nesse contexto, afastada por ilegalidade a norma estatuída pela IN RFB nº 1.027/2010, por representar a novel legislação encartada no art. 32A da Lei nº 8.212/91 um benefício ao contribuinte, verificase a incidência do preceito encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN, devendo ser observada a retroatividade benigna, sempre que a multa decorrente da sistemática de cálculo realizada na forma prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91 cominar ao Sujeito Passivo uma penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração. Assim, tratandose o presente caso de hipótese de entrega de GFIP contendo informações incorretas ou com omissão de informações, deverá ser aplicada a penalidade prevista no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, se esta se mostrar mais benéfica ao Recorrente. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo a penalidade ser recalculada tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, I da Lei nº 8.212/91, inserido pela Medida Provisória nº 449/2008, somente na estrita hipótese de o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN. É como voto. Arlindo da Costa e Silva. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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