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Numero do processo: 11610.001958/2002-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ASSUNT 0: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997
PIS. FALTA DE RECOLHIMENTO DA MULTA DE MORA.
LANÇAMENTO DE MULTA DE OFICIO ISOLADA. REVOGAÇÃO DA
PREVISÃO LEGAL PARA APLICAÇÃO DA MULTA E SUA
SUBSTITUIÇÃO PELA MULTA DE MORA PELA AUTORIDADE
JULGADORA. IMPOSSIBILIDADE.
Ao aplicar o principio da retroatividade benigna, a substituição da multa de
oficio isolada aplicada pelo recolhimento do tributo em atraso
desacompanhado da multa de mora, pela multa de mora, implica dar nova
fundamentação ao lançamento original, o que não pode ser efetuado pela
autoridade julgadora.
Recurso voluntario provido
Numero da decisão: 3302-000.701
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso volunuirio, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Alan
Fialho Gandra.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNT 0: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 PIS. FALTA DE RECOLHIMENTO DA MULTA DE MORA. LANÇAMENTO DE MULTA DE OFICIO ISOLADA. REVOGAÇÃO DA PREVISÃO LEGAL PARA APLICAÇÃO DA MULTA E SUA SUBSTITUIÇÃO PELA MULTA DE MORA PELA AUTORIDADE JULGADORA. IMPOSSIBILIDADE. Ao aplicar o principio da retroatividade benigna, a substituição da multa de oficio isolada aplicada pelo recolhimento do tributo em atraso desacompanhado da multa de mora, pela multa de mora, implica dar nova fundamentação ao lançamento original, o que não pode ser efetuado pela autoridade julgadora. Recurso voluntario provido Vistas, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso volunuirio, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Alan Fialho Gandra. (ASSINADO DIGITALMENTE) Walber lose' da Silva - Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE.) vcr ARV I' 22:3 Jose Antonio Francisco - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Guild() Barletta. Relatório 1 'Trata-se de recurso voluntário (fls. 168 a 209) apresentado em 07 de julho de 200 contra o Acôrddo na 16-19,804, de 09 de dezembro de 2008, da 9 Turma da DRJ/SPO 1 (fis i 153 a 164), cienti ficado em 30 de junho de 2009 e que, relativamente a auto de infraçAo eletrônico do PIS dos períodos de janeiro a junho de 1997, considerou procedente em parte o lançamento, nos termos da ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO CONT RIBm-TO PARA 0 PIS/PASEP Per lodo de opus (NA° . 01/01/1997 a 30/06/1997 PRODU(7.4.0 DE PROVAS :Is pr ovas de vein se; apresentadas no pi u:o de impugnação, não se admitindo a pi adução poster i01 c/c pr ovas nos casos em que não tique demons» ado a impossibilidade de saci apresentação oportuna, poi motivo de força maicn, nab se rein ir a fato on direito supoveniente on não se destinar a corm . apor fatos ou rarties poster iormeme nrcidos aos curios COMPETÊNC1A 'TERRITORIAL DO AFRF A exigialcia de es édito 1, ibruchio mechanic Auto de Infração válkia mesmo quando formalkacla por servidor competente de jurisdição diversa da cio do,nkiIio da corm ibuinte AUTO DE INFRAC,".J0 - NULIDADE Salisfeitos os requisitas do art 10 cio Dec, eta n" 70 235/72 e não tenclo °coil ido o disposto no art 59 do mesmo diploma legal, »do lid que se Mat ern anulação ou invalidaçâo do Auto de uns ação DENÚNCIA ESPONIA.NEA - CONCOMIT :NUT A in apositur a de ação judicial na qua l ado deduzidas as mesmas azdes traficlas na Impugnação ajasla a apreciação desta CONSTITUIÇÃO DO cRÉDIro 7 Nair ARIO MEDIDA JUDICIAL SUSPENSIM - COMPATIBILIDADE Para que tenha sentido a suspensão da exigibilidade cio crédito ti ibutário, fa:-se necessária spa prévia constituição Assim. o provimento judicial suspensivo da exigibilidade do crédito tr 'brad, h.; não obsta o lançanrento 2 I f !I' ! • A l< Processo n" 11610 001958/2002-26 S3-C3T2 AeOrdiio n 3302-00.701 1=1 219 PIS RECOLIIIMENTO ATR4S0 SEM ACRÉSCIMO DA MUM DE MORA - 11•01.7:4 DE OFICIO ISOLADA - RETROATIVIDA DE BENIGNA Ern face do pi incipio da ten oatividade benigna (art 106, 11, "c" do CTIV), a mho de oficio isolada de 75% sabre pagamento em atraso sent o acre:white da multa de mora não é mais aplicável Cabe, então. a aplicação da muha de mora de 0,33% até 20% conforme disposto no at t 61 da lei n' 9.430/96 La»çamento ocedente em parte 0 auto de infraçdo foi lavrado em 28 de dezembro de 2001 e, segundo termo de tls. 19 a 26, o pagamento vinculado ao d6bito de fevereiro de 1997 na DCTF no feria sido localizado e, em relaçao aos demais períodos, os pagamentos teriam sido efetuados a destempo sem a incluso da multa de mom, ensejando o lançamento da multa de oficio isolada de 75%. A DR.! assim relatou o litígio: [ 2 6 5 E isto porque o valor do pincipal do n limn.) fora pogo pelo conic ibuinte. ainda que IMP do vencimento, não merecendo ser exigido novamente Somente a multa de mot a não tecolhicla à época é que poderia ser objeto de cobrança administrativa, o que não se vet ifica no auto de infração ora impugnado, visto que autoridade adminisn calm aplicou mho de 75% sobe o valor do recolhimento, e não sobre o valor da audio, se considerada devida, o que leva a oer que o valor do tributo, efetivamente recolhido, está sendo esigido novamente 2 66 Assim sendo, a insubstência do auto de infiação vertente, quanta ao valo; autuado. implica na nulidade do mesmo, o que deve ser acolhida pot es-ser E Julgadores Adminisnativos 2 7 Diante do expasto, leque,' sejam acolhidas a r engumentaçães expendidas nesta impugnação, dela conhecendo. para dar-lhe integral provimento, decimando a total insubsistiincia do auto de infração, impondo-se via de conseqiiéncia o cancelamento da tespectiva autuação fiscal tinia se: que os tecolhimento,s havidos a titulo de PIS, nas competências autuados. foram feitos corretamente, tal conto restou demonsuPdo 2 7 I Pt ()testa pela psodução de provas par radios os meios em di: elm admitidos. especiahnente juntada de documentos pet Ida conuibil-fiscal se necessch ia, juntando. 3 No tocante aos periodos de apuração acinto, a impugnanle ajukou em 12/11/98, Ação Dec/a: atória com Pedido de Antecipação da Tutela -hwisdicional tz' 98 0613591-1 07s 35- 66,. com o seguinte pedido, entre outro.s. - "Isio posto, cequer respeitosamente a Vossa Excelência, pm ocedente a pi crente ação, Pat a os fins de declarar iiil:!!. .!»:,!j!!!!9::, ! T.or DA 3 • ;1 4."..` 1 I ".% R F inexistência de se/ação jus idico-a ibutói la que obi igue a autoi a ao iecollihnento das penalidades detoirentes dos pagamentos realizados cm ad aso, constantes nos autos, assegurando-se-lhe o di, eI(a àexclustio das multas que pet a I'd sejam impostas, etonhecendo-se, em contrapcn tida. lei ()per ado, na espécie, o instituto da denlincia esponkinea codfoi me preceituado pelo art 138 do Código 7 .1 ibuttiiio National" - "Requel, oun assim, com base nos 'Mick:memos jut idicos expedidos, digne-se antecipar , nos ter mos do al ligo 273, da Lei na 8 952. de 14 12 94, os . feitos cio pi ovimento jut isditional acima pleiteada com eficácia aid ti (hullo em julgado cio dec is& final de mél ito 3 I No Agravo de Instrumento if 1999 03 006516-4. en: 05/03/1999. o 1 RF da 3u Região pi ofi:riu a seguinte detislio - 'Aso posto, concedo o efeito suspensivo com eficácia ativa, aid a Wilda das igfot maçaes, pa, a suspender a ex igibilidade da nudta 3 2 0 site do 1 RE most/a que em 11/09 ,2008 o refill /do piDtesso Ai destinado ao STJ (11s 142) 4 A impugnaciio foi pi eviamente analisada pela ORE/CA JUN WAS que conchdu pela extinção do débito de RS 226 120,92 e multa de oficio de RS 169 590,69 e jui os de mora de RS 217 980,56 referentes ao PA de 02/1997. na fauna do al ago 149 (lo Código Ti ibutái io National, cancelando parcialmente a exigência e seus aCMISCillIOS (lis 125/126) e demonstrativos (11s 127/131) Assim. pet maneceu em lidgio a cobrança da multa isolada de R$ 842 536.39, refillente aos PA de 01/1997, 03/1997 a 0611997 A DRJ, conforme esclarecido pela ementa anteriormente reproduzida, sub tituiu a multa de oficio pela multa de mora e considerou haver concomitância entre proéessos judicial e administrativo ern relação ao restante da matéria, ! ! ! No recurso, a Interessada alegou haver "compatibilidade" entre os processos; esclareceu o ajuizamento da twit° declaratória, afirmando ser necessário "aguardar o desfecho da ção! "; reafirmou a denúncia espontânea; requereu aplicação do principio da verdade mat • tial e alegou ser equivocado o entendimento de que se aplicaria a multa ao caso dos autos. Analisnu, ainda, a aplicação da retroatividade benigna, afirmando que a multa deveria ser exclulda e não substituicla pela de mora, É o relatório. Voto ! I ! Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso E tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, devendo-se tomar conhecimento.. del Primeiramente, deve-se esclarecer a questão da concomitância de processos, matéria objeto da Súmula Car f IP :1 1 • 4 f, ••• 1 - 1 .2116 Process() a' 11610001958/2002-26 S3-C3 12 ActirdAo a" 33024011.7(11 H 220 Súmula C-IRF a" l Importa tenfincia lasteincias administrarivas a pi op 05111/i a pelo sujeito passivo de (Kilo judicial por qualquer modalidade processual. antes ou depois do lançamento da oficio, com o memo objeto do processo administrativo, send° cabível apenas a apt eciaçila pelo cirgilo de julgamemo administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial Quando se analisa deter mina exigência, corno é o caso da multa de mora, a concomitância pode ocorrer em relação a toda ela, a parte, a matéria preliminar ou sucessiva.. No presente caso, a concomitância existe em relação à configuração da denúncia espontânea, que, se ieconhecida, implicará a não possibilidade de exigência da multa de mora. Entretanto, não existe concomitância em rein -do à alegação da Interessada, de que, corn o cancelamento da multa de oficio, única multa objeto da autuação, a DIU nit° poderia substitui-la, no mesmo lançamento, pela multa de mora. Tal matéria é questão de processo administrativo e não representa o mesmo objeto da ação judicial, Por outro lado, o pedido da Interessada de que se deveria aguardar o desfecho da ação judicial é descabido. Quando há concomitância de objeto, a consequência para o processo administrativo é a impossibilidade de apreciar a matéria, que se resolverá pelo processo judicial. Não existe, portanto, em relação ao processo administrativo de impugnação de lançamento, relação de dependência processual ern relação ao processo judicial, para se justificar o pretendido sobrestamento do . julgamento administrativo, Na realidade, no caso de concomitância, a autoridade julgadora administrativa simplesmente não tem competência para analisar a matéria comum, A vista da renuncia its instâncias administrativas, de forma que o processo segue o que é determinado no Ato DeclaratOrio Cosit na 3, de 1996. Voltando à matéria que é unicamente objeto do presente processo administrative, como se trata de matéria posterior à impugnação, pois se refere a decisão da DR.', é matéria que somente poderia ter sido alegada no recurso e, assim, deverá ser analisada. Antes, entretanto, é preciso esclarecer que o objeto do iecurso é unicamente a possibilidade de a DRJ, no julgamento da impugnação, substituir a multa de oficio pela de mora - e não a exigibilidade da multa de mora em si. Esse esclarecimento é importante, h. vista das teses que a seguir serão apt esentadas em relação à exigência da multa de morn. No caso, é controversa a matéria de se a multa de mora, para ser exigível, precisaria ser lançada. .............. I2122 22 :cy . • :if.: 1 (1 rrr T .: ' " . Quanto aos débitos declarados em DCTF ou qualquer outra declaração apresentada á Receita Federal, como a declaração de compensação, a exigência da multa de moia e dos juros de mora sobre o débito principal não quitado no vencimento se faz (e sempre se f z) sem a realização de lançamento, Entretanto, nos lançamentos de revisão de DCTP, até anteriormente revogação do dispositivo legal que previa a aplicação da multa de oficio, o procedimento era de, na ausência de recolhimento da multa de mora no pagamento em atraso de tributo, lançai mula isolada de oficio (75%) e, havendo recolhimento parcial da multa de mora, lançar a dife l ença da multa de mora devida. Em relação ao lançamento da multa de oficio, o lançamento tinha respaldo no dispositivo revogado que justificou o cancelamento parcial do lançamento pela DRJ. resPald Em relação multa de mora, o lançamento tinha (e ainda tem, em tese) no art. 43 da Lei ita 9.430, de 1996: Ar 1 43 Poder á ser A:mall:add exigéncia de crédito ifibuttitio col respondente exclusivamente a multa on a pa os de mota, isolada ou conjuntamente Parcignrfo fink() Sobre o crédito consumido na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão jrn os de mora, calculados à taw a que se refire o § 3"d an 5', a par da /31/melro dia do mês subsequente ao votointenfo do ptcco até o mês anterior ao do pagamento e de um poi cento no mês de pagamento EI • certo que, em relação ã multa de oficio isolada, era necessário lavrar auto de fnfiação para que pudesse ser exigida, uma vez que a mesma norma que previa sua exigência também previa o lançamento. Entretanto, reforçando o que se disse anteriormente, ern relação á multa de mora, o dispositivo que a criou (art. 61 da Lei n 9.430, de 1996) não previu lançamento para sua exigência e nem essa é a regra adotada na maioria dos casos. Haveria, assim, três teses a respeito da exigência da multa de mora que poderiam ser aplicadas ao caso: 1) a multa de mora não deve ser lançada, pois 6 exigivel sem nee lessidade de lançamento; 2) a multa de mora tern que ser lançada paia poder ser exigida; e 3) o lançamento da multa de mora poderia ocorrer, mas não seria essencial para a sua exigência. Mas o que importa ao presente rectuso 6, especificamente, a possibilidade de alteração do lançamento pela DRJ, sendo irrelevante para o caso se a multa de mora pode ou nãoI pode ser exigida sem lançamento. Fala-se, aqui, em alteração de Lançamento, por -que é inegável que o prooedimento adotado pela DRJ representa, em si, urna espécie da revisão de lançamento preWsta no art 149 do CTN, uma vez que o lançamento original era de multa de oficio isolada, cot' suporte legal em urna norma revogada, e a exigência de multa de mora baseia-se em outro dispositivo legal, O fundamento juiidico também mudou, pois, originalmente, justificava-se a exigência de multa de oficio isolada por se haver configurado a infração de recolher a destempo o tributo sem a respectiva multa de mora. Na nova exigência, a acusação é de , • 6 simplesmente no ter sido recolhida a =ha de mora, cuja exigência somente passou a ser possível após a revogação daquela norma que previa a incidência de multa de oficio. Ademais, a própria DRJ observou estar suspensa a exigibilidade da multa de mora, o que poderia, em tese, exigir a lavratura de auto de infração para prevenir a decadência, nos termos do já citado art. 63 da Lei ti° 9430, de 1996, sendo lançada a multa de moia com exigibilidade suspensa (o efeito suspensivo ativo era de 1999 e o auto de infração de 2001). Entretanto, evidentemente esse no foi o propósito do lançamento originalmente efetuado.. Portanto, são estes os fundamentos do voto, suficientes por si sós para cancelar a parte da autuação mantida pela DRJ. Tais fundamentos, no entanto, no vinculam o entendimento eventual da autoridade fiscal ern relação a possibilidade de exigência de multa de mora sem lançamento ou necessidade e possibilidade da realização de novo lançamento . A vista do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 09 de dezembro de 2010 (ASSINADO DIGITALMENTE) losê Antonio Francisco S3-C3 12 F1 221 Processo if 11610 001958/2002-26 AcOrd5o " 3302410.701 vv,r-1.12,.E1 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção - Terceira Câmara CAR F-MF Fl Processo n2 : 11610.001958/2002-26 itecorrente : PEPSI COLA ENGARRAFADORA LTDA. TERMO DE. INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 4 0 do art. 63 e no § 32 do art. 81 do Anexo II, c/c inciso VII do art. 11 do Anexo I, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n 2 256, de 22 de junho de /2009, fica um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, L intimado a tomar ciência do Acórdão 1-12 3302-00.701. Brasilia - DF, em 10 de janeiro de 2011, /Areova o ria' o Tavares -. Chefe da i ecretaria da Terceira Seção Terceira Camara 'ente, com a observação abaixo: ( Apenas com ciência ( Com embargos de declaração ( Com recurso especial Ma Em / /
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Numero do processo: 11080.007907/2007-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
Ementa: IRRF. COMPROVAÇÃO. Não tendo o Contribuinte comprovado a
efetividade da retenção e recolhimento do IRRF pela fonte pagadora, deve prevalecer os valores informados na Dirf.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-000.902
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso. Ausência justificada da conselheira Rayana Alves de Oliveira França.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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COMPROVAÇÃO. Não tendo o Contribuinte comprovado a efetividade da retenção e recolhimento do IRRF pela fonte pagadora, deve prevalecer os valores informados na Dirf. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso. Ausência justificada da conselheira Rayana Alves de Oliveira França. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator EDITADO EM: 03/12/2010 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah e Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Ausente justificadamente a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França. Relatório Fl. 79DF CARF MF Emitido em 07/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 09/12/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/12/2010 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 GASTÃO MOSTARDEIRO FILHO interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJ-PORTO ALEGRE/RS (fls. 57) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio da notificação de lançamento de fls. 04/06, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício de 2005, no valor de R$ 5.004,48, acrescido de multa de mora e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 7.658,34. As infrações que ensejaram a autuação estão assim descritas na notificação de lançamento: 1) Compensação Indevida de imposto Complementar - Da analise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos Sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatou-se compensação indevida a titulo de Imposto Complementar (Mensalão), pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ 2.774,00, referente à diferença entre o valor declarado de R$ 2.774,00, e o efetivamente comprovado R$ 0,00. Glosa do imposto complementar declarado indevidamente no valor de R$ 2.774,00 sem comprovação de recolhimento. 2) Compensação Indevida de imposto de renda retido na Fonte. - Da .análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatou-se a compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ 2.230,94 referente às fontes pagadoras abaixo relacionadas. O Contribuinte impugnou o lançamento apenas quanto à glosa dos valores declarados como IRRF. Sustentou que, ou a fonte pagadora errou ao informar o valor retido, ou não recolheu todo o valor que reteve. O fato é que, afirma, o valor retido foi aquele que informou na declaração. A DRJ negou provimento ao recurso com base, em síntese, na consideração de que a fonte pagadora informou em Dirf a retenção e recolhimento em valor menor do que o declarado pelo Contribuinte e que a Dirf é o documento hábil a fazer a prova da retenção. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 27/05/2009 (fls. 60) e, em 23/06/2009, interpôs o recurso voluntário de fls. 61/64 no qual reafirma que houve a retenção do imposto no valor por ele declarado e apresenta, como reforço de suas alegações, DIMOB na qual consta o valor de R$ 5.317,94 como IRRF. Argumenta que não pode ser prejudicado por uma omissão da fonte pagadora. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator Fl. 80DF CARF MF Emitido em 07/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 09/12/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/12/2010 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 11080.007907/2007-58 Acórdão n.º 2201-00902 S2-C2T1 Fl. 2 3 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, resta em discussão apenas a glosa do IRRF. Compulsando os autos, nota-se que o lançamento lastreou-se na Dirf de fls. 27, apresentada pela fonte pagadora dos rendimentos, e segundo a qual teria sido pago ao ora recorrente, no ano de 2004, a importância de R$ 15.840,90 com imposto retido na fonte de R$ 3.087,00. O Contribuinte, em sua defesa, apresenta documentos particulares, segundo os quais o valor pago e o imposto retido na fonte são aqueles que foram informados na declaração. Analisando o documento de fls. 03, que é uma espécie de prestação de contas apresentada pela Imobiliária que, presumivelmente, administra os alugueres do Contribuinte, onde consta pagamentos correspondentes ao período de agosto a dezembro de 2004, do valor total de R$ 27.030,38, com IRRF de R$ 5.317,94, que são os valores que foram informados pelo Contribuinte em sua declaração. É interessante observar, contudo, que os valores indicados na Dirf fornecida pela fonte pagadora correspondem apenas aos pagamentos dos meses de agosto, outubro e novembro. Há, portanto, uma discrepância entre os valores que o Contribuinte diz ter recebido e o correspondente imposto retido e os valores declarados pela Fonte pagadora. Neste caso, entretanto, deve prevalecer os valores informados na Dirf. É que o Recorrente não faz prova da efetividade da retenção do imposto. Os documentos que apresenta são particulares, emitidos por ele próprio ou por pessoa a ele ligada, como a Administradora dos imóveis. Não há como se deferir o creditamento de um imposto nestas circunstâncias, isto é, sem que se tenha a comprovação de que os valores foram efetivamente retidos e recolhidos aos cofres da União. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 81DF CARF MF Emitido em 07/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 09/12/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/12/2010 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
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Numero do processo: 12045.000287/2007-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/1993 a 30/04/2004
PREVIDENCIÁRIO. NFLD, AFERIÇÃO DA REMUNERAÇÃO PELA ÁREA CONSTRUÍDA. COMPROVAÇÃO DE INICIO E TÉRMINO DA OBRA. DECADÊNCIA.
Para fins de comprovação da execução da obra de construção civil em período alcançado pela decadência somente podem ser aceitos documentos contemporâneos do fato a ser provado e que tenham vinculação inequívoca com a edificação objeto do lançamento, valendo apenas para o mês a que se referirem.
A juntada de Certidão emitida pelo órgão municipal, somente faz prova do término da obra, caso esteja lastreada em documentos existentes no cadastro imobiliário do órgão e que se refira expressamente a área do imóvel que se deseja comprovar a conclusão.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/10/1993 a 30/04/2004
PREVIDENCIÁRIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE
SOCIALPRAZO DECADENCIAL.
A teor da Súmula Vinculante n.° 08, o prazo para constituição de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2401-000.964
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos, em declarar a decadência até a competência 11/1998. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Freitas de Souza Costa, que votaram por declarar a decadência até a competência 06/1999; II) Por unanimidade de votos no mérito, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1993 a 30/04/2004 PREVIDENCIÁRIO. NFLD, AFERIÇÃO DA REMUNERAÇÃO PELA ÁREA CONSTRUÍDA. COMPROVAÇÃO DE INICIO E TÉRMINO DA OBRA. DECADÊNCIA. Para fins de comprovação da execução da obra de construção civil em período alcançado pela decadência somente podem ser aceitos documentos contemporâneos do fato a ser provado e que tenham vinculação inequívoca com a edificação objeto do lançamento, valendo apenas para o mês a que se referirem. A juntada de Certidão emitida pelo órgão municipal, somente faz prova do término da obra, caso esteja lastreada em documentos existentes no cadastro imobiliário do órgão e que se refira expressamente a área do imóvel que se deseja comprovar a conclusão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1993 a 30/04/2004 PREVIDENCIÁRIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIALPRAZO DECADENCIAL. A teor da Súmula Vinculante n.° 08, o prazo para constituição de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos, em declarar a decadência até a competência 11/1998. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Freitas de Souza Costa, que votaram por declarar a decadência até a competência 06/1999; II) Por unanimidade de votos no mérito, em negar provimento ao recurso.
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"Jiskra”t2é, SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO t-C°Tnt7.- Processo n° 12045.000287/2007-15 Recurso n° 146.198 Voluntário Acórdão n° 2401-00.964 — 4' Câmara tia Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2010 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - CONSTRUÇÃO CIVIL Recorrente WILMAR GUIMARÃES JÚNIOR Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA - SRP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1993 a 30/04/2004 PREVIDENCIÁRIO. NFLD, AFERIÇÃO DA REMUNERAÇÃO PELA ÁREA CONSTRUÍDA. COMPROVAÇÃO DE INICIO E TÉRMINO DA OBRA. DECADÊNCIA. Para fins de comprovação da execução da obra de construção civil em período alcançado pela decadência somente podem ser aceitos documentos contemporâneos do fato a ser provado e que tenham vinculação inequívoca com a edificação objeto do lançamento, valendo apenas para o mês a que se referirem. A juntada de Certidão emitida pelo órgão municipal, somente faz prova do término da obra, caso esteja lastreada em documentos existentes no cadastro imobiliário do órgão e que se refira expressamente a área do imóvel que se deseja comprovar a conclusão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1993 a 30/04/2004 PREVIDENCIÁRIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIALPRAZO DECADENCIAL. A teor da Súmula Vinculante n.° 08, o prazo para constituição de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4 2 Câmara / l a Turma Ordinária da Segunda /1. Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos, em declarar a decadência até a com êncja i c<1 it .b‘W 11/1998. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Freitas de Souza Costa, que votaram por declarar a decadência até a competência 06/1999; II) Por unanimidade de votos no má, 'to, em negar provimento ao recurso. 44 ELIAS SAMP s Ij FREIRE - Presidente N KLEBER FERREIRA DE A ' is LIJO - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, deusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n° 12045.000287/2007-15 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.964 Fl. I I I Relatório Trata o presente processo da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, DEBCAD n.° 35.696.007-2, posteriormente cadastrada na RFB sob o número de processo constante no cabeçalho e lavrada contra a pessoa fisica já qualificada. O crédito diz respeito a contribuição dos segurados e às contribuições da empresa, incluindo aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência laborativa deconuntes dos riscos ambientais do trabalho — RAT e as destinadas a outras entidades e findos. O valor consolidado em 06/07/2004 assumiu o montante de R$ 47.304,38(quarenta e sete mil, trezentos e quatro reais e trinta e oito centavos). De acordo como relato do fisco, fls. 18/21, os fatos geradores presentes na NFLD foram os pagamentos de remuneração aos trabalhadores que laboraram na execução da obra de construção civil de propriedade do notificado. A auditoria informa ainda que, por se tratar de obra de construção civil sob a responsabilidade de pessoa física, a base de cálculo foi obtida por aferição indireta pelo método do Custo Unitário Básico, o qual leva em conta a área construída e o padrão da construção. Assevera-se também que os dados identificadores da obra e a existência da edificação foram obtidas de informações fornecidas pela Prefeitura Municipal de Três Ranchos (GO). O notificado apresentou defesa, fls. 27/34, alegando a decadência das contribuições lançadas, tendo juntado documentos que, supostamente, comprovariam a realização da obra em período alcançado pelo lapso decadencial, fls. 36/50. O órgão de primeira instância requereu a realização de diligência, fls. 54/55, para que a autoridade fiscal se manifestasse sobre a documentação acostada. Em sua resposta, fls. 56/57, o fisco defendeu que dos documentos juntados apenas três, por atenderem aos requisitos normativos, poderiam ser considerados para fins de atestar a realização da obra em período decadente. Assim, foram consideradas decadentes as competências 08,09 e 10/1991, tendo sido proposta a retificação do valor originário do crédito para de R$ 40.010,47 para R$ 39.065,33. Cientificado da diligência fiscal, o sujeito passivo aditou sua defesa, fls. 64/73, no qual reafirma a sua tese de decadência total da NFLD, juntado para corroborar sua alegação Certidão emitida pela Prefeitura Municipal de Três Ranchos, reconhecendo que o imóvel em questão foi concluído em 1993, E. 76. Nova diligência foi requerida, fl. 78, desta feita para que a fiscalização verificasse junto à Prefeitura de Três Ranchos a documentação que serviu de base para emissão da referida Certidão. 3 'C' A autoridade notificante, em seu arrazoado, fl. 80, assevera que não há no órgão, em relação à obra em questão, cadastro imobiliário da época ou registro equivalente, que se prestasse a comprovar o seu término em período decadente. Instado a se pronunciar sobre esse fato, o notificado permaneceu silente. Foi, então, exara Decisão Notificação, fls. 85/89, declarando o crédito parcialmente procedente, com exclusão das competências, cujos documentos foram considerados pelo fisco hábeis a comprovar a decadência. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 96/106, no qual reafirma a alegação de transcurso do prazo decadencial com base nos documentos já acostados. Pede ainda o reconhecimento de que no processo teve seu direito de defesa cerceado quando o fisco na resposta à diligência perpetrada na Prefeitura de Três Ranchos não indicou os documentos em que se baseou para alegar a impossibilidade de verificar o término da edificação em prazo abrangido pela decadência. É o relatório. 4 Processo n0 12045.000287/2007-15 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.964 Fl. 112 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tunpestividade e legitimidade. Inicio pela análise da documentação acostada pelo notificado para comprovar o término da obra em prazo decadencial. Foram juntadas inicialmente notas fiscais de compra de material de construção e faturas em nome do sujeito passivo. Concordo com o fisco quando deixou de considerar os documentos em que não constava a data de emissão, bem como, aqueles para os quais não havia indicação do endereço da obra. É que a matéria, na época do lançamento, era regida pela Instrução Normativa INSS/DC 11.0 100, de 18/12/2003, a qual trazia as seguintes disposições: Art. 496. O direito da Previdência Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após dez anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. § 1° Cabe ao interessado a comprovação da realização de parte da obra ou da sua total conclusão em período abrangido pela decadência. § 2° Servirá para comprovar a realização da obra em período decadencial, e apenas para o mês ou os meses a que se referir, um dos seguintes documentos, contanto que tenha vineulação inequívoca à obra e seja contemporâneo do fato a comprovar: I - comprovante de recolhimento de contribuições sociais na matricula CEI da obra,. - notas fiscais de prestação de serviços; III - recibos de pagamento a trabalhadores; IV - comprovante de ligação de água ou de luz; V — notas fiscais de compra de material nas quais conste o endereço da obra como local de entrega; VI — ordem de serviço ou autorização para o início da obra, quando contratada com órgão público; VII — alvará de concessão de licença para construção. 5 Pois bem, somente poderiam ser aproveitadas para comprovar a realização da obra em prazo decadencial, as notas fiscais emitidas no período alegado, bem como, as que tenham vinculação inequívoca com a obra, ou seja, conste o endereço da mesma como o da entrega das mercadorias. Nesse sentido, agiu corretamente o fisco quando desprezou os documentos que não atendiam a esses requisitos. Portanto, os documentos de fls. 36/40 não se prestam a comprovar a realização da obra, posto que não guardam vineulação com a mesma, por não trazerem a indicação de endereço. Por outro lado, as notas fiscais constantes nas fls. 47/50, também não podem ser acatadas para o fim proposto, haja vista que não tem a data de emissão. Posso concluir então que dos documentos acostados, devem ser acatados para comprovação da realização da obra os de fls. 41, 42, 43 e 46, do que se pode concluir que a obra teve início no mês 08/2001, continuando até 10/2001. Chamo atenção que as duas faturas apresentadas em nada alteram essa conclusão, posto que têm data de emissão no mês 08/2001. Passo agora à verificação da Certidão emitida pela Prefeitura Municipal de Três Ranchos, fl. 76. Embora o documento faça menção ao endereço a que se refere a fiscalização, verifica-se que a área mencionada na certidão, 3.650,50 m 2 não corresponde aquela tomada como base para apuração do crédito, 735 m2, a qual foi obtida em relação de imóveis encaminhadas pela própria Prefeitura de Três Ranchos. Nesse sentido, estou convencido de que esse documento não se presta para o fim almejado, haja vista que a área menciona não corresponde a área da obra fornecida anteriormente e tomada como base para apuração da NFLD, área essa, diga-se de passagem não foi contestada pela recorrente. De outra banda, em diligência realizada no referido órgão não foram apresentados quaisquer elementos que indicassem a conclusão da obra no ano de 1993, como consta da Certidão. • Para reforçar suas afirmações poderia o recorrente ter apresentado outras provas, previstas na legislação, tais como contas de luz ou de água, documento de quitação do IPTU. Teve várias oportunidade de fazê-lo. Diante dessas duas constatações, concluo como imprestável para comprovar o témrtno da obra a Certidão emitida pela Prefeitura de Três Ranchos. Deixo de acatar o argumento de prejuízo ao direito de defesa. É que em momento algum no transcorrer desse processo se negou oportunidade do recorrente se manifestar. Na defesa, após os resultados das duas diligências efetuadas e agora no recurso. O fato do fisco não indicar a fonte de dados na qual se baseou para concluir que não havia na Prefeitura qualquer documento que comprovasse a conclusão da obra no prazo decadencial não pode ser tida como prejudicial à defesa. É que ficou assentada no pronunciamento fiscal a inexistência de documentos, não podendo a auditoria ser obrigada a comprovar a inexistência de um dado. O notificado é que deixou de aproveitar o prazo que lhe foi facultado para trazer novos elementos, quem sabe, obtidos até na própria repartição que lhe forneceu a Certidão questionada. Preferiu manter-se inerte Vamos a preliminar de decadência. Na data da lavratura o fisco previdenciário aplicava, para fins de aferição da decadência do direito de constituir o crédito, as disposições contidas no art. 45 da Lei n.° 8.212/1991, todavia, tal dispositivo foi declarado O MT.i-1•5 Processo n° 12045.000287/2007-1.5 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.964 Fl. 113 inconstitucional com a aprovação da Súmula Vinculante n.° 08, de 12/06/2008 (Dl 20/06/2008), que carrega a seguinte redação: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5 0 do decreto- lei n°1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei n°8.212/1991, que• tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. É cediço que essas súmulas são de observância obrigatória, inclusive para a Administração Pública, conforme se deflui do comando constitucional abaixo: Art. I03-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e á administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Então, uma vez afastada pela Corte Maior a aplicação do prazo de dez anos previsto na Lei 11. 0 8.212/1991, aplica-se às contribuições a decadência qüinqüenal do Código Tributário Nacional — CTN. Para a contagem do lapso de tempo a jurisprudência vem lançando mão do art. 150, § 4.°, para os casos em que há antecipação do pagamento (mesmo que parcial) e do art. 173, I, para as situações em que não ocorreu pagamento antecipado. E o que se observa da ementa abaixo reproduzida (REsp n9 1034520/SP, Relatora: Ministra Teori Albino Zavascici, julgamento em 19/08/2008, DJ de 28/08/2008): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁIUA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. QÜINQÜENAL. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 4°). PRECEDENTES DA 1" SEÇÃO. DECISÃO ULTRA PETITA. INVIABILIDADE DE EXAME EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL, SÚMULA 7/STJ. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESTA PARTE, DESPROVIDO. No caso vertente, por inexistirem recolhimentos para a matrícula da obra, deve-se aplicar, para a contagem da decadência, o art. 171 do CTN. Considerando-se que no cálculo das contribuições, fl. 58, o período tomado como de execução da obra foi de 01/10/1993 a 30/04/2004, e que ciência do lançamento deu-se em 19/07/2004, fl. 25, devo reconhecer como decadentes as contribuições lançadas para as competências 01/1994 a 11/1998, haja vista que o período de 10 a 12/1993 já havia sido excluído no julgamento de primeira instância. , \CW'' Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, reconhecendo a decadência das contribuições para o período de 01/1994 a 11/1998. Sala das Sessões, em 28 de janeiro de 2010 eklLi‘4 KLEBER FERA IRA DE IB-0 - Relator ,,; AN MINISTÉRIO DA FAZENDA•_ CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS C151111t QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo 11°: 12045.000287/2007-15 Recurso /I': 146.198 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-00.964 Brasília, 25 ereiro de 2010 ELIA • '41}r• FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10680.002373/2004-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 29 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Nov 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2000
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. PER.CENTUAL FIXO RECEBIDO MENSALMENTE.
Os valores pagos mensalmente ao contribuinte equivalente a um percentual sobre a remuneração recebida, independentemente da denominação que lhe seja dada, estão contidos no âmbito da incidência tributária e devem ser considerados como rendimento tributável na Declaração de Ajuste Anual.
AJUDA DE CUSTA. ISENÇÃO. REQUISITOS.
Apenas a ajuda de custo que comprovadamente se destine a custear despesas de transporte e instalação do contribuinte e sua família, em localidade diferente daquela em que residia, por transferência de seu centro de atividades, esta isenta do imposto de renda.
Numero da decisão: 2202-000.866
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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PER.CENTUAL FIXO RECEBIDO MENSALMENTE. Os valores pagos mensalmente ao contribuinte equivalente a um percentual sobre a remuneração recebida, independentemente da denominação que lhe seja dada, estão contidos no âmbito da incidência tributária e devem ser considerados como rendimento tributável na Declaração de Ajuste Anual, AJUDA DE CUSTA. ISENÇÃO. REQUISITOS. Apenas a ajuda de custo que comprovadamente se destine a custear despesas de transporte e instalação do contribuinte e sua família, em localidade diferente daquela em que residia, por transferência de seu centro de atividades, esta isenta do imposto de renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recut so (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann — Presidente (Assinado digitalmente) 30 DEZ 2010 Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora Assinalo dioitalmeote em 09112/2010 poi NELSON IvIALLMANN 00/12'2010 por MARIA LUCIA MONIZ DE AP.AGAO AU16:r.ticsdo dioitalmente em 08/1212010 por MARIA LUCIA Ni'ONIZ DE ARAG.A0 CA Emitido am 30/12.'2010 pelo MiniVerio da Fazenda DE CAM; MI Fl. 2 Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Atagão Calotnino Astorga, João Carlos Cassuli Junior, Antonio Lopo Martinez, Ewan Teles Aguiar, Pedro Anan Junior e Nelson Mallrnann. Ausente, justificadarnente, o Conselheiro HeIenilson Cunha Pontes. Aszinado digitalmente em 09/12 ,2010 par NELSON MALIMANN, 0E/12,2010 par MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Autenticedo dipitalmente ern t)8 , 122010 pct . MARIA LUCIA MOMZ DE AP,AGAD CA 2 Smitido em 30/12/2010 polo Ministério de FezE:nde CARE: MF FL 3 Processo ri° 10680 002373/2004-07 Acdrc a.' 2202-00.866 52-C2T2 Fl. ") Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fl 4, integrado pelos documentos de Es. 5 a 11, pelo qual se exige a importância de RS8 951,37, a titulo de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, ano-calendário 2000, acrescida de multa de oficio de 75% e juros de mora, além de Multa por Atraso na entrega da declaração no valor de R$461,18. Verifica-se que foram apuradas as seguintes infrações (fls. 6, 7): 1, Omissão de rendimentos recebidos da Companhia Energética de Pernambuco — CELPE e da Companhia Energética de Minas Gerais — CEMIG, nos valores de R$3.130,02 e R$30.921,33, respectivamente. imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos omitidos, nos montantes de R$709,38 e R$375,47, foram considerados para fins de apuração do imposto devido. Glosa do valor excedente aos limites para dedução de dependentes e de despesas com instrução, por falta de previsão para correção da tabela do Imposto de Renda. DA IMPUGNAÇÃO Irresigrado com o lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de ft 1, instruída com os documentos de fls. 2 a 15, cujo resumo se extrai da decisão recorrida (fls. 52): Inconformado, o contribuinte apresenta a impugnação de E. 01, instruída com os documentos de Es, 02, 14 e 15, argumentando, em síntese, que houve retificação da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirt) apresentada pela fonte pagadora Companhia Energética de Minas Gerais — Cernig, CNPJ 17.155 730/0001- 64 Dessa forma, os rendimentos decorrentes de habalho sem vinculo empregatício (R$ 30921,33, com retenção de R$ 709,38), tidos como omitidos no lançamento, foram excluídos por terem sido informados equivocadamente. Pondera, ainda, que caso seja necessário, devem ser solicitados esclarecimentos adicionais a referida fonte pagadora. DO JULGAMENTO DE 12 INSTANCIA Apreciando a impugnação apresentada, a autoridade julgadora de primeiro grau solicitou a diligência defis. 42 e 43 para que fosse intimada a fonte pagadora em questão a informar se pagou rendimentos decorrentes de trabalho sem vinculo empregaticio ao interessado no ano-calendário 2000 e, em caso afirmativo, especificar o montante e correspondente imposto de renda retido na fonte. Em resposta (D., 49), a Companhia Energética de Minas Gerais informou que: [..] pagou rendimentos ao Sr. Lincoln de Brito Xavier, CPF 055,790.236-34, pela prestação de trabalko sem vinculo Ai3sinacio digitalmente ern 09/12/2010 por NIEldWiNgAchlaisilly).137aG-A97spoevoyirtmisp&E.-ANI. K.tc:33 e Autenticado digitalmente em 091120010 pr MARIA LUCIA M01,11Z DE ARA.GAO C 3 Emitido en, 30/12/2010 pelo Ministério d Fe:endo DF CARF ME Fl 4 reteve imposto de renda no total de R$709,38, recolhido Receita Federal corn o código de retenção 0588 A 5 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte (MG) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão 02-17.692 (fls. 51 a 53), de 09/05/2008, assim ementado: ASSUNTO: IMPOST O SOBRE A RENDA DE PESSOA FiSICA - IRPF Exercício 2001 RENDIMENTOS TRIBUTÃPETS RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃo. Confirmado o efetivo rendimento tributável auferido pelo contribuinte e seu respectivo imposto retida ratifica-se o lançamento com base na documentação constante dos autos 0 julgador a quo esclarece que não foram impugnadas as seguintes infraçbes: glosa da dedução de dependentes, glosas de despesas com instrução e omissão de rendimentos recebidos da Companhia Energética de Pernambuco, no valor de R$3.130,00 (fl. 52). Do RECURS° Cientificado do Acórdão de primeira instância, em 23/05/2008 (vide AR de 11. 59), o contribuinte apresentou, em 20/06/2008, tempestivamente, o recurso de fls. 64 a 68, no qual alega, em síntese, que: L foi funcionário da Companhia Energética de Minas Gerais - CEMEG, ininterruptamente, de 10/09/1979 a 05/05/2001, conforme cópia da carteira de trabalho, da carteira de identidade e do CPF que anexa (fls. 69 a 71) e, em dois períodos, foi cedido para outras empresas ligadas ao setor elétrico brasileiro; no segundo período, de setembro de 1995 a março de 2001 foi cedido à ELETROBRÁS no Rio de Janeiro, que, por sua vez, o cedeu a outras empresas do setor elétrico (vide documentos de fls. 74 a 80), dentre as quais, a Companhia Energética de Pernambuco.. CELPE, em Recife-PE (de janeiro de 1999 a março de 2000) e a Companhia Energética de Goias — CELG (de junho de 200 a março de 2001), conforme documentos anexados as fls. 84 a 90; 3 , continuou a receber os vencimentos pela CEMIG, uma vez que não houve interrupção do vinculo empregaticio, conforme copia de comprovante e contra-cheques (Us. 91 a 94); 4 aduz que declarou o pagamento de alugueis, no ano-calendário 2000, a Benoni Davi dos Santos - CPF 006.142.464-13, pela locação do imóvel sito a. Rua Setúbal I? 682, unidade 401 do Ed. Timoneiro em Boa Viagem — Recife/PE e a Maria Clad Alves da Costa - CISSPG0 n° 01597356 pela locação de imóvel de sua propriedade situado em Goiânia/GO; 5. entende que os fates relatados comprovam que estando fisicamente fora de Minas Gerais, seria improvável que tivesse prestado "serviços sem vinculo empregaticio" para a CEMIG e que seria pouco provável que uma empresa contratasse um empregado que já era seu para prestar outros trabalhos fora do vinculo empregaticio; 6. alega que à época de sua cessão à ELEIROBRAS, em setembro de 1995, ficou acertado As:;inacir; digitzlnieEger, fgydaaaat „..,,, ,,,i&isaybyt*A.teampiti3gzaaffichtewilialiwz rtlastgfiNria 25% dos CA Autenticado digitalmenie em 0812/2010 pc i :v1ARIA LUCIA MONI::: DE ARACAO CA 4 Emitido em 30/1212010 pelo toirlisióto do Fnzond i; DF CA RF FL 5 Processo n" 10680 002373/2004-07 S'.2-C212 Acórchlo n.° 2202-00..866 Fl 3 ganhos (salário base + anuenios + gratificação de função + incorporação de gratificação), cujos pagamentos foram feitos mediante crédito em conta corrente, elaborando um exemplo à fl. 66; 7. foi informado que teria havido engano nos dados do imposto de renda e que a empresa faria uma retificação, lhe sendo entregues cópia da DIRE original e retificadora (fls.. 98 e 99); 8. por fim, alega ser isento de pagamento de imposto de renda, desde abril de 2007, conforme documentos oficiais emitidos pelo INSS, em 24 de dezembro de 2007, e pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, em 7 de dezembro de 2007 (fls. 95 e 96) DA DISTRIBUIÇA0 Processo que compôs o Lote n5 04, sorteado e distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 26/07/2010, veio numerado ate â. fl. 101 (última folha digitalizada) r . Assitlado digit;;;Imente et- ',g/7.2/2010 nor Fci.SON MALLMANN 081i 2/2f4'10 nïfiMAR1k LUCI A MONÍZ DE ARAGACA Nra'b rot eneamin a o o processo iisieo a esta Louse ece too apenas o arquivo c A Auinntit;adr.; diejilalment:: em 03112/20l0 par MARIA LUCIA kICX.117 DE ARAGA0 CA Erniiido em 30/12/2010 pelf) Minist/3ric d Fazimcia 5 DF CA R_F vtU El.. 6 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido, A questão controversa submetida a apreciação deste Colegiado, restringe-se a omissão de rendimentos recebidos da Companhia Energética de Minas Gerais — CEMIG, no valor R$30,921,33. Importa ressaltar que o contribuinte não nega o recebimento dos rendimentos, uma vez que admite terem sido depositados ern conta corrente a titulo de "ajuda de custo para deslocamentos, moradia, alimentação", no valor de 23% sobre seus ganhos (rendimento bruto). Resta assim, analisar a natureza dos rendimentos recebidos Ern se tratando do imposto de renda pessoa fisica, a Lei n° 7713, de 1988, preceitua (grifei): Art 3 = 0 imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts, 9' a 14 desta Lei. § - Constituent rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho on da combinação de ambos, os alimentos e perisZes percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos pan imoniais não correspondentes aos rendimentos declarados § 4= A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer § 52 Ficam revogados todos os dispositivos legais concessivos de isenção ou exclusão, da base de ailculo do imposto de renda das pessoas fisicas, de rendimentos e proventos de qualquer natureza, bem como os que autorizam redução do imposto por investimento de interesse econômico ou social Infere-se, assim, que de acordo com a Lei n 0 7.713, de 1998, são tributáveis todos os rendimentos produto do trabalho, do capital, ou da combinação de ambos, bem como os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, que não estiverem contemplados nas hipóteses de isenção. A tributação dos rendimentos independem de sua denominação, bastando que tique demonstrado o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo A,55inario digiL:Iments em 00112/2010 por NELSON NIALLMANNI, 00112!2010 por MARIA LUCIA MONIZ DE AFIAGAO CA Autenticado digitalmente em 08/12/2010 por MARIA LUCIA IVIONIZ DE AP.AGAO CA 6 Emitido em 30/12;2010 pelo Ministerio da Fazenda DF CARF MI; Fl 7 Processo n° 10680 002373/2004-07 S2-C2T2 AcOrd5o n ° 2202-00.866 F14 Destaque-se que a referida lei tratou também de revogar todas as isenções e exclusões da base de calculo do imposto de renda das pessoas fisicas, passando a considerar isentos apenas os rendimentos listados em seu art. 0. Trata-se de uma lista exaustiva e somente se poderá invocar nova hipótese de isenção não contemplada no referido artigo se esta estiver expressa em lei especifica, tendo em vista o disposto no art 111 do CTN. Para que os valores recebidos a titulo de ajuda de custo sejam considerados isentos é necessário que se destinem a despesas de transporte e instalação do contribuinte e sua familia, em localidade diferente daquela em que residia, por transferência de seu centro de atividades, já que a lei refere-se a "ajuda de custo destinada a atender as despesas com transporte, frete e locomoção do beneficiado e seus familiares, eia caso de remoção de inn município para mum, sujeita à comprovação posterior pelo contribuinte" (art 62, inciso XX, da Lei ri?- 7,713, 1988) Compulsando-se os elementos que compõem os autos, verifica-se que os rendimentos em questão corresponde a cerca de 25% do salário bruto pago pela CEM1G (vide extrato das DIRE anexados as fls. 36 e 37, códigos 0561 e 0588), pagos mensalmente ao contribuinte, fato que o próprio interessado procura demonstrar com o exemplo elaborado à fl. 66. Ressalte-se, ainda, que de acordo com o documento anexado pelo recorrente as fls. 75 e 76, devido á cessão feita pela CEM1G à ELETROBRA.S, ele receberia uma "ajuda de custo" composta de duas parcelas: a primeira para cobrir despesas com hospedagem, alimentação e transporte e, a segunda, denominada "Gratificação Eletrobris", correspondente a 25% do salário bruto recebido. Quanto á alegada retificação da DIRE (vide cópia da DIRE original e retificadora anexadas as fls. 98 e 99), observa-se que de acordo com a declaração retificadora, entregue pela CEMIG, em 09/06/2005 (fl. 34), foram mantidos como tributáveis os rendimentos pagos sob o código de receita 0588, no valor de R$30.921,33, sobre os quais houve a retenção de imposto na fonte de RS709,38, informação que foi ratificada pela declaração apresentada pela fonte pagadora a fl. 49, de 05/05/2008. Como se vê os rendimentos ora tributados não se enquadram no conceito de ajusta de custo prevista no art. 6° da Lei 7.713, de 1988, pois trata-se de verba recebida mensalmente em valor fixo e, por conseguinte, sujeita à tributação. Por fim, cabe esclarecer que a isenção para os portadores de moléstia considerada grave alcança apenas os rendimentos oriundos de aposentadoria ou pensão, recebidos após a data em que a doença foi reconhecida por laudo medido oficial, Assim, essa isenção não se aplica aos rendimentos ora tributados, uma vez que não se trata de proventos de aposentadoria e foram auferidos muito antes da data constante dos laudos apresentados pelo recorrente as fls. 95 e 96. Diante do exposto, voto NEGAR provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragdo Calomino Astorga 4ti -sirprtoo digif.2;ftnente um 00/12/2010 oar NIEU-3,C1,1 MALLMANN 0E112/2010 pot MARIA LUCIA M01`,1171 DE ARAGAD CA Au:;t:mioocto dioitrzimemte em OS112,2010 pot MARIA LUCIA MONtZ. DE ARAGAO CA 7 Emitido tF;m1 :30:1212010 polo MinistOrio da Fazondo DE CARE IMF 1L S Anado ciigitaimente em 0011212010 por NELSON MALLMANP1 03/12)2010 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Autenticado digitalmente em 08/1212010 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 8 Emitido em 30/1212010 pelo Nlinisterio d Fazecia
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Numero do processo: 13971.002380/2004-13
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS. O
registro na escrituração mercantil do crédito presumido do IPI tem como fundamento a desoneração do custo dos produtos vendidos, classificando-se como recuperação de custos ou receita operacional, sendo inadmissível a sua exclusão da base de cálculo do IRPJ e da CSLL.
PIS.COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI.
O crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 não constitui receita da pessoa jurídica, mas mera recomposição de custos, razão porque não podem ser considerados na determinação da base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins.
Numero da decisão: 1803-000.703
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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RECUPERAÇÃO DE CUSTOS. O registro na escrituração mercantil do crédito presumido do IPI tem como fundamento a desoneração do custo dos produtos vendidos, classificando-se como recuperação de custos ou receita operacional, sendo inadmissível a sua exclusão da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. PIS.COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. O crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 não constitui receita da pessoa jurídica, mas mera recomposição de custos, razão porque não podem ser considerados na determinação da base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES 2 EDITADO EM: 29/11/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Walter Adolfo Maresch, Marcelo Fonseca Vicentini, Sérgio Rodrigues Mendes, Luciano Inocêncio dos Santos. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: I — Do Auto de Infração O Auto de Infração lavrado contra a empresa acima identificada (fls. 194/202) formaliza a exigência do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ relativo a fato gerador ocorrido em todos os trimestres dos anos-calendário de 2000 e 2001. Em decorrência foram lavrados os Autos de Infração: Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS (fls.203/209), Contribuição para a Seguridade Social — COF1NS (fis.213/223) e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL (fls.224/233). (...) Depreende-se da Descrição dos Fatos, fls. 195, e Termo de Verificação Fiscal, fls. 174/193, que a autuação é decorrente de: IRPJ 1- Receita Não Operacional Omitida. Omissão de Receitas referentes aos rendimentos de aplicações financeiras, e ao crédito presumido de IP1. (...) II - Da Impugnação. A impugnante, fl. 244, segrega a omissão de receita tributada em Receitas Financeiras e Crédito Presumido IPI. Quanto à omissão de receita referente às receitas financeiras noticia que por ser matéria incontroversa não é objeto de impugnação e que já foi objeto de pedido de parcelamento. Do Crédito Presumido de IPI — Receita não Operacional Omitida. Discorda do procedimento fiscal que considerou crédito presumido de IPI como receita, com fundamento em jurisprudência. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13971.002380/2004-13 Acórdão n.º 1803-00.703 S1-TE03 Fl. 2 3 Referindo-se ao feito fiscal, ao significado de receita e avaliando o conteúdo das disposições contidas na Lei n° 9.718, em especial artigo 3° e seu § 1°, conclui: 2.18 — Notadamente, o crédito presumido de IPI, estabelecido pela Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, NÃO atende aos pressupostos para sua inclusão no conceito de receita, pois NÃO é um ingresso de bem ou direito, vinculado a venda de bens ou serviços, NÃO é um ingresso de bem ou direito vinculado a investimentos de capital ou aplicação financeira. Em verdade, o referido crédito presumido de IPI, que ao final sequer tem sua origem no IPI, e sim no Pis e na COF1NS pagos e/ou embutidos no valor das aquisições das matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, que foram insumidos na produção, de bens destinados à exportação, é sem a menor dúvida, uma recuperação de custos, não por classificação, e sim por conceito técnico privado. Transcrevendo o art. 1° e parágrafo único da Lei n° 9.363/96, afirma que a própria lei estabelece a natureza jurídica do crédito presumido de IPI: recuperação de parcela do custo despendido na aquisição de insumos, aplicados nos produtos exportados ou, com destino à exportação, pela via do crédito, em conta gráfica de IPI.. E, continua: (...) Tal permissão não caracteriza a existência de ingresso de um novo valor e sim o "estorno" de parte do valor despendido nas aquisições dos referidos insumos, razão pela qual, não há o que falar em receita e sim em recuperação de custos. Invoca, a seu favor, o artigo 110 do CTN — Lei n° 5.172, de 1966, que determina que a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, utilizados na Constituição. A impugnante acrescenta quanto ao lançamento referente ao IRPJ e CSLL especificamente, que os créditos presumidos de IPI em questão são todos referentes aos anoscalendário de 2000 e 2001 e que nestes anos apurou seus resultados de acordo com a sistemática do lucro presumido. Invocando o artigo 53 da Lei n° 9.430, de 1996, afirma que tais valores são indiscutivelmente recuperação de custo e não podem ser incluídos nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, em decisão assim ementada: “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI A receita relativa ao crédito presumido do IP1 de que trata a Lei n° 9.363/1996 deverá ser integralmente oferecida a tributação Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES 4 pelo imposto de renda e contribuição social apurados pela sistemática do Lucro Presumido. CREDITO PRESUMIDO DE IPI. A partir de 1° de fevereiro de 1999 a receita relativa ao crédito presumido de IPI integra a base de cálculo da COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI A partir de 10 de fevereiro de 1999 a receita relativa ao crédito presumido de IPI integra a base de cálculo do PIS.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, além de reiterar as alegações contidas na impugnação, acrescenta as seguintes considerações: a) A Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes já teve oportunidade de conceituar o crédito presumido de PI, considerando-o como recuperação de custos. Do corpo do acórdão do Processo n° 10835.001642/2001-56, julgado em 9 de setembro de 2006, de Relatoria do Conselheiro Paulo Roberto Cortes, extrai-se essa certeza: "O crédito presumido do IPI definitivo é uma recuperação de custos. b) Sendo considerado o crédito presumido de IPI como recuperação de custos e estando a Recorrente, à época dos fatos, sob o regime de tributação pelo LUCRO PRESUMIDO, de acordo com o disposto no art. 53, da Lei 9.430/96, tal rubrica não pode compor a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. c) A se manter a autuação e a decisão vergastada, estará se diminuindo o benefício fiscal, higido e determinado, do crédito presumido do IPI, concedido às empresas exportadoras, o que é um contra-senso. A prevalência do entendimento adotado culmina por negar vigência ao art. 1°, da Lei 9.363/96 que instituiu o incentivo, tornando-o inútil, na medida que impede, por vias transversas, a fruição integral da benesse fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 22/09/2008 (AR de fls. 246). O recurso foi protocolado em 20/10/2008, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. A questão central a ser dirimida no presente recurso gira em torno da natureza jurídica do crédito presumido de IPI, previsto na Lei n° 9.363/1996, se é receita bruta ou mera recomposição de custos, a fim de verificar se tais valores integram a base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Primeiramente cumpre observar que nos anos calendário objeto da tributação a recorrente foi tributada com base no lucro presumido (fls. 3 e 33). Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13971.002380/2004-13 Acórdão n.º 1803-00.703 S1-TE03 Fl. 3 5 Como os fundamentos legais do IRPJ e da CSLL calculados com base no lucro presumido e do PIS e da COFINS são distintos é necessário organizarmos a discussão em dois blocos distintos. O art. 25 da Lei n° 9.430/1996 assim dispõe acerca do lucro presumido: “Art. 25. O lucro presumido será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: I - o valor resultante da aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 31 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, auferida no período de apuração de que trata o art. 1º desta Lei; II - os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período”. Lei n° 8.981/1995 Art. 31. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Art. 32. Os ganhos de capital, demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo artigo anterior, serão acrescidos à base de cálculo determinada na forma dos arts. 28 ou 29, para efeito de incidência do imposto de renda de que trata esta Seção.” O art. 53 da mesma lei traz comando legal específico sobre valores recuperados, correspondentes a custos e despesas: “Art. 53. Os valores recuperados, correspondentes a custos e despesas, inclusive em perdas no recebimento de créditos, deverão ser adicionados ao lucro presumido ou arbitrado para determinação do imposto de renda, salvo se o contribuinte comprovar não os ter deduzido em período anterior no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro real ou que se refiram a período no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado.” Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES 6 De acordo com o dispositivo legal retro transcrito, não devem ser adicionados à base de cálculo os valores dos custos ou despesas, se eles se referem a períodos no qual o contribuinte tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido. Extrai-se do texto do art. 1° e parágrafo único da Lei n° 9.363/96 que o objetivo do crédito de IPI é ressarcir os valores gastos com a contribuição ao PIS e à COFINS, incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo de mercadorias exportadas, in verbis: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior.” Os valores de PIS e COFINS, no sistema cumulativo, integram o custo de aquisição das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem empregados nas mercadorias exportadas. Por disposição expressa de lei o crédito presumido de IPI corresponde ao ressarcimento do PIS e da COFINS, ou seja, à recuperação de custos com tributos embutidos no custo de aquisição dos insumos utilizados na fabricação das mercadorias exportadas. O fato do valor do crédito ser presumido, e recuperado na forma de IPI não descaracteriza o benefício como recuperação de custos. Tal entendimento está claramente expresso no voto do Conselheiro Paulo Roberto Cortez, exarado no julgamento do recurso n° 132.046: “O crédito presumido do IPI definitivo é uma recuperação de custos. Portanto, contabilmente, o valor apurado deve ser registrado a crédito de conta retificadora do custo dos produtos vendidos, tendo como contrapartida a conta de IPI a Recolher (Passivo Circulante) ou a Recuperar (Ativo Circulante) ou, ainda, Contas a Receber (Ativo Circulante), no caso de ressarcimento em dinheiro, ou conta representativa da obrigação de pagar outro tributo com o qual for compensado, se for o caso. A classificação contábil como recuperação de custos, em conta retificadora de custo dos produtos vendidos, justifica-se em razão de que o crédito presumido do IPI trata-se de ressarcimento das contribuições para a COFINS e para o PIS, as quais oneraram o custo de aquisição dos insumos utilizados na fabricação dos produtos exportados, cujo valor está embutido no custo das vendas desses produtos. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13971.002380/2004-13 Acórdão n.º 1803-00.703 S1-TE03 Fl. 4 7 Para melhor entendimento segue abaixo um exemplo do crédito presumido do IPI: a) valor total dos insumos utilizados na produção em um determinado período: R$ 1.000.000,00; b) receita operacional bruta auferida no mesmo período: R$ 1.600.000,00; c) receita de exportação dos produtos no mesmo período: R$ 600.000,00. Assim, temos: Relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do período em questão: R$ 600.000,00 x 100 = 37,5% R$1.600.000,00 O percentual acima apurado é aplicado sobre o valor total dos insumos utilizados na produção do mesmo período, para a apuração da parcela relativa à fabricação dos produtos exportados: 37,5% x R$ 1.000.000,00 = R$ 375.000,00 Valor do crédito presumido do IPI acumulado no período: 5,37% (*) x R$ 375.000,00 = R$ 20.137,50 (*) Percentual fixado pelo art. 2°, § 1°, da Lei n° 9.363/96. Assim, tendo a empresa apurado crédito definitivo do IPI no valor de R$ 20.137,50, o procedimento recomendado pela boa técnica contábil é registrar esse valor a débito da conta de IPI a Recolher ou mesmo na conta IPI a Recuperar, em contrapartida a crédito da conta de "Crédito Presumido do IPI" em conta de resultado, qual seja, conta retificadora de custo dos produtos vendidos. Como visto acima, referidos valores constituem indubitavelmente, recuperação de custos, pois os mesmos oneravam o custo das mercadorias exportadas. Assim, toda a recuperação de custos relativa a valores que majoravam o custo dos produtos vendidos, corresponde a um aumento do lucro do período, pois eliminam os efeitos anteriormente produzidos, independentemente do registro contábil ser procedido como redução de custos ou mesmo como receita operacional.(Acórdão n° 101-94.343, em sessão de 9 de setembro de 2003).” O crédito presumido do IPI é um ingresso, que deve ser contabilizado quando a forma de tributação é o lucro real, mas que não pode ser considerado como receita. A melhor classificação contábil é como redução das despesas ou custos, ao invés de ser registrado como outras receitas. Assim, merece acolhida a tese da recorrente de que o crédito presumido de IPI não integra a base de cálculo do lucro presumido, uma vez que não constitui receita da Fl. 7DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES 8 pessoa jurídica, mas mera recomposição de custos. Logo deve ser cancelada a exigência de IRPJ. O mesmo se aplica à exigência de CSLL, nos termos da legislação a seguir reproduzida: “Lei 9.430/1996 Art. 29. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado e pelas demais empresas dispensadas de escrituração contábil, corresponderá à soma dos valores: I - de que trata o art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II - os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período. Lei 9.249/1995 Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano-calendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1º do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento.” Nesta linha de raciocínio, o crédito presumido de IPI também não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS. A Delegacia de Julgamento manteve o lançamento por entender que a partir da Lei 9.718/1998, a base de cálculo do PIS e da COFINS, abrange, todas as receitas da empresa, independentemente da classificação contábil adotada, exceto aquelas explicitamente citadas. No entanto, ao entendermos que o crédito presumido de IPI não tem a natureza jurídica de receita, mas é uma recuperação de custos, não é pertinente a discussão sobre os conceitos de faturamento e receita brutal tal como veiculados na Lei n° 9.718/1996. É oportuno citar o entendimento do STJ sobre o tema, expresso na decisão exarada no Resp 1.003.029 - RS (2007/0259886-0): “Passo ao exame de mérito. A tese fazendária é engenhosa, mas não convence. Não estão em discussão os conceitos de faturamento e receita bruta tal como veiculados no art. 3º da Lei 9.718/98. A tarefa desta Corte, ao examinar este recurso, é a de definir a natureza Fl. 8DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13971.002380/2004-13 Acórdão n.º 1803-00.703 S1-TE03 Fl. 5 9 do crédito presumido de IPI: enquanto a Fazenda Nacional defende a inclusão desses créditos como receita bruta do estabelecimento exportador, a parte autora, contemplada no acórdão recorrido, sustenta que o crédito presumido é mera recomposição de custos. O legislador, em respeito à máxima econômica de que não se exportam tributos, criou o crédito presumido de IPI como um incentivo às exportações, ressarcindo o exportador de parte das contribuições ao PIS e à Cofins incidentes sobre as matérias- primas adquiridas para a industrialização de produtos a serem exportados. Seria um contra-senso admitir que sobre o crédito presumido de IPI, criado justamente para desonerar a incidência do PIS e da Cofins sobre as matérias-primas utilizadas no processo de industrialização de produtos exportados, incidam essas duas contribuições. A se adotar a tese fazendária, estaria o Judiciário neutralizando o benefício fiscal concedido por lei. Segundo a boa hermenêutica, deve ser rechaçada toda e qualquer interpretação que conduza à inutilidade da norma interpretada, o que se verifica caso consideremos como receita o crédito presumido de IPI. Não se pode atribuir a esse benefício outra natureza que não a de ressarcimento de custos. A respeito da natureza jurídica do crédito presumido de IPI, confira-se a lição de José Antônio Minatel: "A estrutura do incentivo e a própria lei acenam para a específica natureza de ressarcimento de contribuições incidentes nos custos de fabricação, portanto crédito concedido com a qualificação de redutor de custos, inabilitando qualquer pretensão de considerá-lo com a natureza de receita. [...] Por revestir a natureza de mera recuperação de custo, o chamado 'crédito presumido' da COFINS e PIS, utilizado para abatimento do IPI, não tem natureza de receita, assim como já reconheceu a administração tributária que também não tem natureza de receita o crédito presumido concedido por lei na apuração de COFINS e PIS das empresas fabricantes de determinados medicamentos, por conta de adesão em regime especial que prevê compromisso de redução de seus preços ao consumidor" ("Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação", MP 2005, p. 224-225). Outra não foi a orientação adotada pela Primeira Turma, que reconheceu a natureza de recomposição de custos do crédito presumido de IPI. Observe-se: "TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIAL- EXPORTADOR..RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS EMBUTIDOS NO PREÇO DOS INSUMOS.INCLUSÃO NA Fl. 9DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES 10 BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. LEI Nº 9.363/96. PRECEDENTES. 1.De acordo com o disposto no art. 1º da Lei 9.363/96, o benefício fiscal de ressarcimento de crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS e da COFINS, é relativo ao crédito decorrente da aquisição de mercadorias que são integradas no processo de produção de produto final destinado à exportação. Portanto, inexiste óbice legal à concessão de tal crédito pelo fato de o produtor/exportador ter encomendado a outra empresa o beneficiamento de insumos, mormente em tal operação ter havido a incidência do PIS/COFINS, o que possibilitará a sua desoneração posterior, independente de essa operação ter sido ou não tributada pelo IPI (REsp nº 576857/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 19/12/2005). 2. Mesmo quando as matérias-primas ou insumos forem comprados de quem não é obrigado a pagar as contribuições sociais para o PIS/PASEP, as empresas exportadoras devem obter o creditamento do IPI (REsp nº 763521/PI, 2ª Turma, Rel. Min.Castro Meira, DJ de 07/11/2005) 3. O crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 não representa receita nova. É uma importância para corrigir o custo. O motivo da existência do crédito são os insumos utilizados no processo de produção, em cujo preço foram acrescidos os valores do PIS e COFINS, cumulativamente, os quais devem ser devolvidos ao industrial-exportador. 4. Precedentes das egrégias 1ª e 2ª Turmas desta Corte. 5. Recurso não-provido" (REsp 813.280/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJU de 02.05.06).” Ante todo o exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 10DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 13982.000498/2006-40
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
COOPERATIVA DE CRÉDITO. ATO COOPERATIVO.
O fato de as cooperativas de crédito estarem incluídas entre as instituições financeiras arroladas no artigo 22, § 1°, da Lei n° 8.212/91 não implica a tributação do resultado dos atos cooperados por elas praticados. O ato cooperado não configura operação de comércio, seu resultado não é lucro, mas “sobra, está fora do campo de incidência da Contribuição Social instituída pela Lei n° 7.689/88.
MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DE CSLL POR
ESTIMATIVA MENSAL. RESULTADO DE ATO COOPERADO. AUSÊNCIA DE BASE DE CÁLCULO. PENALIDADE PREJUDICADA.
A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido não incide sobre o resultado positivo obtido pelas cooperativas de crédito nas operações que constituem atos cooperativos. Por conseguinte, resta prejudicada a exigência de multa isolada por falta de pagamento de CSLL – Estimativa sobre resultado decorrente de ato cooperativo, pela inexistência de base de cálculo tributável.
Numero da decisão: 1802-000.739
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Nelso Kichel
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COOPERATIVA DE CRÉDITO. ATO COOPERATIVO. O fato de as cooperativas de crédito estarem incluídas entre as instituições financeiras arroladas no artigo 22, § 1°, da Lei n° 8.212/91 não implica a tributação do resultado dos atos cooperados por elas praticados. O ato cooperado não configura operação de comércio, seu resultado não é lucro, mas “sobra, está fora do campo de incidência da Contribuição Social instituída pela Lei n° 7.689/88. MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DE CSLL POR ESTIMATIVA MENSAL. RESULTADO DE ATO COOPERADO. AUSÊNCIA DE BASE DE CÁLCULO. PENALIDADE PREJUDICADA. A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido não incide sobre o resultado positivo obtido pelas cooperativas de crédito nas operações que constituem atos cooperativos. Por conseguinte, resta prejudicada a exigência de multa isolada por falta de pagamento de CSLL – Estimativa sobre resultado decorrente de ato cooperativo, pela inexistência de base de cálculo tributável.
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Recorrida 3ª TURMA/DRJ FLORINAÓPOLIS/SC ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COOPERATIVA DE CRÉDITO. ATO COOPERATIVO. O fato de as cooperativas de crédito estarem incluídas entre as instituições financeiras arroladas no artigo 22, § 1°, da Lei n° 8.212/91 não implica a tributação do resultado dos atos cooperados por elas praticados. O ato cooperado não configura operação de comércio, seu resultado não é lucro, mas “sobra, está fora do campo de incidência da Contribuição Social instituída pela Lei n° 7.689/88. MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DE CSLL POR ESTIMATIVA MENSAL. RESULTADO DE ATO COOPERADO. AUSÊNCIA DE BASE DE CÁLCULO. PENALIDADE PREJUDICADA. A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido não incide sobre o resultado positivo obtido pelas cooperativas de crédito nas operações que constituem atos cooperativos. Por conseguinte, resta prejudicada a exigência de multa isolada por falta de pagamento de CSLL – Estimativa sobre resultado decorrente de ato cooperativo, pela inexistência de base de cálculo tributável. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2010 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 23/12/2010 por NELSO KICHEL 2 Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. Nelso Kichel - Relator. EDITADO EM: 23/12/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente de Turma), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Nelso Kichel, André Almeida Blanco(Suplente Convocado), João Francisco Bianco (Vice Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário de fls. 276/288 interposto pela contribuinte em face da decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/Florianópolis (fls. 261/268) que julgou o lançamento fiscal procedente em parte quanto ao crédito tributário da CSLL do ano-calendário 2001, 2002, 2003 e 2004, lançado via auto de Auto de infração em 27/11/2006 (fls. 02/16). Quantos aos fatos, por resumir a lide com propriedade, transcrevo o relatório constante da decisão recorrida (fls. 262/263): (...) Em procedimento fiscal a que submetida a pessoa jurídica em epígrafe de 15 de setembro de 2006 (fl. 25) a 29 novembro de 2006 (fls. 15 e 195), nos termos do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF — Fiscalização (MPF-F) à fl. 01, foram constatadas as seguintes infrações tributárias, conforme descritas no Auto de Infração de fls. 03 a 08, nos demonstrativos anexos (fls. 09 a 14) e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 17 a 23), relatIvas aos anos-calendário de 2001, 2002, 2003 e 2004: 1. APURAÇÃO INCORRETA DA CSLL (FINANCEIRAS) - APURAÇÃO INCORRETA DA CSLL — EXCLUSÃO INDEVIDA DO ATO COOPERADO. Valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal a fls. 17 a 23 2. MULTAS ISOLADAS — FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE A BASE ESTIMADA. Falta de pagamento da Contribuição Social incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, conforme Termo de Verificação Fiscal a fls. 17 a 23. Do relato fiscal O procedimento fiscal está descrito em Termo de Verificação Fiscal circunstanciado, de fls. 17 a 23, instruído com planilhas de fls. 31 a 36, que expressamente fazem parte do auto de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2010 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 23/12/2010 por NELSO KICHEL Processo nº 13982.000498/2006-40 Acórdão n.º 1802-00.739 S1-TE02 Fl. 2 3 infração lavrado. Os valores lançados são demonstrados a seguir (fl. 3): EXAÇÃO PRINCIPAL JUROS DE MORA (ATÉ 30/10/2006) MULTA DE OFÍCIO PROPORCIO-NAL (75%) MULTA DE OFÍCIO ISOLADA 75% TOTAL CSLL 156.293,19 68.094,66 117.219,87 95.238,66 436.846,38 No Termo de Verificação Fiscal, mais especificamente na fl. 17, a fiscalização informa que: (...) a autuada se constitui em uma COOPERATIVA DE CRÉDITO. Sendo assim, a pessoa jurídica em epígrafe está relacionada entre aquelas obrigadas ao Lucro Real, conforme artigo 14 da Lei nº 9.718/98 (..). Conforme se observa na ficha 01 das DIPJ relativas aos anos- calendário de 2001 a 2004 (fls. 77/85/93/101), a cooperativa optou pela apuração anual do IRPJ e da CSLL. A constatação da fiscalização, da qual resultou a lavratura do auto de infração, restou bem delimitada na seguinte passagem do Termo de Verificação Fiscal: DA AUTUAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL (...) o contribuinte excluiu da base de cálculo da CSLL valor por ele denominado "ato cooperado". A exclusão praticada pela autuada não encontra respaldo legal (...). (...) Sendo assim, recalculamos a apuração da CSLL anual da autuada conforme o seguinte demonstrativo: Apuração Anual (fl.. 32). Nesta planilha o valor referente ao lucro líquido antes da CSLL foi compulsado junto aos demonstrativos de fls. 79/87/95/103. O valor das adições e das exclusões foram compulsados junto as DIPJ's respectivas (fls. 84/92/100/108). A glosa efetuada pela fiscalização refere-se ao valor do ato cooperado, o qual havia sido informado pelo contribuinte nas DIPJ's respectivas (fls. 84/92/100/108 — linhas 26/28). (...) Na apuração anual a pagar referente ao ano-calendário de 2004 deduzimos o valor de R$ 10.619,13 o qual se refere a valor solvido a título de CSLL estimativa (fl. 193). Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2010 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 23/12/2010 por NELSO KICHEL 4 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL — MULTA ISOLADA a) anos-calendário 2001 a 2003: Conforme consta das DIPJ's dos anos-calendário 2001 a 2003 (fls. 77 a 100) o contribuinte optou por apurar a CSLL mensal de acordo com a receita bruta e acréscimos. Para este período não foi identificado nenhum pagamento a título da CSLL mensal (fl.. 193). Sendo assim, apuramos a CSLL mensal devida com base na receita bruta e acréscimos (nos anos-calendário 2001 a 2003) utilizando a base de cálculo e alíquota previstas na IN SRF n° 93/97 e IN SRF n° 390/2004, a qual está demonstrada nas planilhas de fls. 33/34. b) ano-calendário 2004: Para o ano-calendário de 2004, a opção do contribuinte para a apuração mensal da CSLL se deu com base em balanços de suspensão/redução (fls. 104 a 107). A apuração da base de cálculo utilizada pelo contribuinte está transcrita no Livro LALUR cuja cópia consta a fls. 154 a 165, onde se infere que a autuada excluiu da base de cálculo da CSLL mensal o valor por ela considerado de ato cooperado. Sendo assim, a apuração mensal da CSLL com base em balanços de suspensão foi recalculada por esta fiscalização, conforme planilha a fls. 35/36 (glosamos a exclusão referente ao "resultado do ato cooperado”). Na apuração da CSLL mensal foi considerado o valor pago a este título pela autuada (ti. 193). Frente ao acima exposto, constituímos o crédito tributário relativo à multa prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/96, in verbis: (...) Da impugnação Por meio de intimação postal com Aviso de Recebimento (AR), a contribuinte teve ciência do auto de infração, do Termo de Verificação Fiscal e de seus demonstrativos, no dia 29 de novembro de 2006 (fl. 195). Inconformada, em 21 de dezembro de 2006, a cooperativa impugna as exigências fiscais constantes no Auto de Infração, por meio da petição de fls. 198 a 210, instruída com as peças processuais de fls. 211 a 258, em que alega: "Da Legislação Vigente" (fls. 199 e 200): neste item, a impugnante invoca a disciplina do art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995, na redação que lhe deu a Lei nº 9.065, de 1995, no tocante à aplicação da legislação do Imposto de Renda — Pessoa Jurídica (IRPJ) à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), e conclui: Portanto Senhor Julgador, claramente está definido neste dispositivo que se APLICAM À CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO AS MESMAS NORMAS DE APURAÇÃO E DE PAGAMENTO ESTABELECIDAS PARA O IMPOSTO DE RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2010 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 23/12/2010 por NELSO KICHEL Processo nº 13982.000498/2006-40 Acórdão n.º 1802-00.739 S1-TE02 Fl. 3 5 Neste caso, sendo a impugnante uma Cooperativa, está amparada pela NÃO-INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA NO QUE SE REFERE AOS SEUS ATOS COOPERATIVOS, NOS TERMOS DO ARTIGO 182 E SEGUINTES DO DECRETO 3000/99 (RIR), ESTANDO, PORTANTO FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA, TAMBÉM, DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO, pois conforme determinado pela própria lei, sua apuração e pagamento devem seguir as regras do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, normas esta que definem claramente que cooperativa não sofre incidência do imposto de renda sobre seus atos cooperativos, somente devendo incidir tributo sobre os resultados de operações praticadas com não-cooperados, o que não é o caso da Cooperativa/Impugnante, que por ser uma Cooperativa de Crédito, está proibida de operar com terceiros por força de normativos do Banco Central do Brasil. Portanto, claro está que Cooperativa, seja qual for seu ramo, que no caso da impugnante, por determinação do Banco Central do Brasil, somente opera com associados, sendo todo seu resultado um ATO COOPERATIVO, não sofre incidência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, tributo este devido apenas pelas pessoas jurídicas com fins lucrativos. Mais adiante em sua impugnação (fl. 205), a cooperativa sustenta que, ao determinar a aplicação, em relação à CSLL, das mesmas regas de apuração e de pagamento do IRPJ (não- incidência), a "Lei nº 9.065/95 [...] estabeleceu (implicitamente) a NÃO-INCIDÊNCIA da CSLL para as cooperativas, pois as mesmas não sofrem a incidência do Imposto de Renda sobre os atos cooperativos, conforme art. 182 do RIR/99." À fl. 200, no tópico "DA REALIDADE JURÍDICA" — NATUREZA JURÍDICA DAS COOPERATIVAS DE CRÉDITO DENTRO DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL, a impugnante discorre sobre as diferenças legais e regulamentares entre sua natureza e a dos bancos e de outras instituições financeiras; ao passo que as cooperativas de crédito são sociedades civis, de pessoas, sem objetivo de lucro, as demais instituições financeiras são sociedades de natureza mercantil, voltadas à obtenção de lucro. Embora sejam obrigadas a seguir as regulamentações expedidas pelo Banco Central do Brasil — Bacen, que por isso também as fiscaliza, são proibidas de usar a denominação "Banco" ou, seja, embora financeiras, as cooperativas de crédito não são entidades bancárias. Entre as fls. 200 e 202, refere-se a impugnante aos aspectos legais do "ATO COOPERATIVO" e volta a destacar as diferenças entre as operações de uma cooperativa de crédito — seu caso —, e as de uma instituição bancária. Como não pode operar com terceiros não-associados, todas suas operações corresponderiam à prática de "atos cooperativos", não sujeitos à tributação. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2010 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 23/12/2010 por NELSO KICHEL 6 A seguir, às fls. 204, trata a impugnação "DA NÃO- INCIDÊNCIA DA CSLL". Neste passo, a impugnante ressalta que a cooperativa, por definição legal, não pode visar a obtenção de lucro; eventuais sobras de suas operações típicas, representadas pelos "atos cooperativos", não revestem a condição tributária de "lucros" e assim, sobre seus valores, não pode incidir a CSLL. Lucros são apenas os resultados obtidos nas operações com terceiros não associados. Em novo tópico, às fls. 204 a 209, denominado "DA NÃO- INCIDÊNCIA — LEI 10.865/04", a impugnante busca esclarecer que a isenção concedida por via da referida lei, com vigência a partir de 1º de janeiro de 2005, não pode obstar ao reconhecimento da existência prévia de não-incidência, que não pode ser ilidida pela sobreposição da isenção. Em apoio à sua tese, a impugnante transcreve às fls. 205 a 207, nove ementas de acórdãos (de 1996, 1998 e 1999) das lª, 3ª, 5ª e 7ª Câmaras do então PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES DO MINISTÉRIO DA FAZENDA. Às fls. 207 e 208, constam ementas de acórdãos mais recentes (2003, 2005 e 2006) das 1ª e 8ª Câmaras do mesmo Conselho e à fl. 209, traz a impugnante notícia de mais dois acórdãos, em mesmo sentido, da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Em "Do REQUERIMENTO", à fl. 209, assim requer a cooperativa: Seja julgada PROCEDENTE A PRESENTE IMPUGNAÇÃO, determinando o cancelamento do Auto de Infração e desconstituição do crédito tributário, por não ser devida a CSLL sobre os atos cooperativos próprios de suas atividades (inclusive aplicações financeiras), atos estes praticados entre a cooperativa de crédito e seus cooperados. (...) Por sua vez, a DRJ/Florianópolis julgou a lide, mantendo parcialmente o crédito tributário, cuja ementa da decisão foi lavravadas nos seguintes termos (fl.261): (..) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COOPERATIVA. ATOS COOPERATIVOS E NÃO- COOPERATIVOS. TRIBUTAÇÃO. Até 31 de dezembro de 2004, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL é devida por todas as sociedades cooperativas e incide sobre todos os seus resultados, sejam eles relativos a operações com associados ou não (Lei nº. 8.212, de 1991, art. 10, Lei ri 7.689, de 1988, art. 4, e IN SRF nº 198, de 1988). O fato de a lei do cooperativismo denominar a mais valia de "sobra" não tem o intuito de excluí-la do conceito de lucro, Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2010 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 23/12/2010 por NELSO KICHEL Processo nº 13982.000498/2006-40 Acórdão n.º 1802-00.739 S1-TE02 Fl. 4 7 mas permitir um disciplinamento específico da destinação desses resultados ("sobras"), cujo parâmetro é o volume de operações de cada associado, enquanto a distribuição do lucro deve guardar relação com a contribuição de cada sócio na formação do capital (Lei nº 6.404, de 1976, art. 187). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI. MULTA DE OFÍCIO APLICADA ISOLADAMENTE. REDUÇÃO DE 75% PARA 50%. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática (Lei nº 5.172, de 1966, art. 106). Lançamento Procedente em Parte (...) Ciente dessa decisão em 02/07/2009 (fl.275), a recorrente apresentou Recurso Voluntário em 22/07/2009 de fls. 276/289, reiterando as razões que já haviam sido apresentadas na instância a quo. Por fim, a recorrente pediu provimento ao recurso. É o relatório. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2010 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 23/12/2010 por NELSO KICHEL 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade; dele, portanto, tomo conhecimento. A contribuinte é uma Cooperativa de Crédito, conforme documentos de fls. 47/75. Como já caracterizado no Relatório, a lide versa acerca da exigência, de ofício, da CSLL dos anos-calendário 2001, 2002, 2003 e 2004 sobre resultados decorrentes de ato cooperativo, bem como a imposição de multa isolada por falta de antecipação da CSLL devida por estimativa mensal nesses períodos de apuração. No caso, a autuada excluiu da tributação da CSLL a receita auferida a título de ato cooperativo. Esse fato está narrado, de forma detalhada, no Termo de Verificação Fiscal (fl. 18), o qual é parte integrante do lançamento fiscal, in verbis: (...) De início, é de se esclarecer que o presente procedimento fiscal se realizou no âmbito da operação especial de fiscalização sobre sociedades cooperativas de crédito, e teve por desiderato exclusivamente verificar se as empresas desta natureza estariam apurando e recolhendo a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido - CSLL de acordo com os atos legais e normativos regentes. (sobre todo o resultado). Deste modo, para fins de apurar se o contribuinte estava apurando a CSLL de forma regular, esse foi intimado (Fls. 24) a disponibilizar a esta fiscalização os Livros de Apuração do Lucro Real - LALUR referentes aos períodos abrangidos pelo procedimento fiscal em curso, bem como os demais livros contábeis. Por sua vez, analisando as DIPJ's apresentadas pelo contribuinte referentes aos anos calendários de 2001 a 2004 (Fls. 77 a 108) infere-se que: a) Ano calendário 2001, 2002 e 2003: Na demonstração de apuração da CSLL dos referidos anos calendários, (Fls. 84/92/100), constata-se que o contribuinte excluiu (linha 26/28 - outras exclusões) da base de cálculo da CSLL exatamente o valor do lucro líquido do exercício antes da CSLL. (Fls. 79187/95). Tal exclusão refere-se ao valor que o contribuinte considera como resultado do ato cooperado, qual seja, todo o resultado do exercício. b)Ano calendário 2004 - Para este ano calendário o contribuinte excluiu da base de cálculo da CSLL o valor de R $ 330.895,89 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 19/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2010 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 23/12/2010 por NELSO KICHEL Processo nº 13982.000498/2006-40 Acórdão n.º 1802-00.739 S1-TE02 Fl. 5 9 (Fls. 108 - linha 28 – outras exclusões) a título de ato cooperado. Sendo assim, considerando as exclusões levadas a efeito pelo contribuinte na apuração da CSLL, lavramos a presente autuação (...) Ainda, prosseguindo na narrativa dos fatos pela fiscalização - Termo de Verificação Fiscal-, (flS. 18, 19 e 20), consta: (...) 4. DA AUTUAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Como já dito, o contribuinte excluiu da apuração da base de cálculo da CSLL valor por ele denominado de "ato cooperado". A exclusão pratica da pela autuada não encontra respaldo legal, se não vejamos. A Constituição Federal de 1988 estabeleceu, em seu art. 195, que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, tendo como fonte de recursos, dentre outros, a contribuição social sobre o lucro; adotou-se, desta forma, o princípio da universalidade da tributação, conforme se extrai do excerto constitucional em comento. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I - dos empregadores, incidente sobre a folha desalários, o faturamento e o lucro; (...) § 7.° São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (grifos nossos). Ao instituir a CSLL, a Lei n.° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, atendeu o disposto no caput do art. 195 supracitado, definindo, em seu art. 40, que são contribuintes da CSLL as pessoas jurídicas domiciliadas no País e as que lhes são equiparadas pela legislação tributária. (...) O art. 2°, § 1°, "c", da lei n.° 7.689, de 1988, com redação dada pelo art. 2° da Lei n.° 8.034, de 12 de abril de 1990, relaciona os valores que devem ser adicionados e excluídos do resultado do período-base, na obtenção da base de cálculo da CSLL, e não prevê a exclusão dos resultados das sociedades cooperativas decorrentes da prática de atos cooperativos. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 19/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2010 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 23/12/2010 por NELSO KICHEL 10 Somente a partir de janeiro de 2005, com o advento da Lei n° 10.865, de 2004, (artigos 39 e 48 a seguir transcritos), as sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica, relativamente aos atos cooperativos, ficaram isentas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL: (...) Por todo o exposto, conclui-se que a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL incide sobre a totalidade do resultado do período-base da cooperativa, isto é, sobre as receitas decorrentes de atos cooperativos e não-cooperativos. (...) Nesse contexto, a fiscalização da RFB, em sede de procedimento de verificações obrigatórias, sob o pretexto de que inexiste amparo legal para exclusão da tributação da receita auferida em decorrência da prática de ato cooperativo, lavrou o respectivo Auto de Infração da CSLL para os anos-calendário 2001 a 2004, glosando essa exclusão de resultados a título de ato cooperativo, imputando as seguintes infrações – Auto de Infração (fl. 05): 1) “APURAÇÃO INCORRETA DA CSLL (FINANCEIRAS) - APURAÇÃO INCORRETA DA CSLL - EXCLUSÃO INDEVIDA DO ATO COOPERATIVO”. 2) “MULTAS ISOLADAS - FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE A BASE ESTIMADA”. (em relação ao resultado decorrente de ato cooperado). Na situação dos autos, não está em discussão o quanto da receita auferida pela Recorrente, nesses anos, seria a título de ato cooperativo e de ato não cooperativo. Vale dizer: não se trata de tributação da Cooperativa por falta de segregação dos resultados em atos não cooperados e atos cooperados. Na verdade, a fiscalização acatou os resultados a título de ato cooperado, como informados nas DIPJ respectivas; porém, entendeu que inexiste base de legal para exclusão dos resultados do ato cooperado da incidência da CSLL. Destarte, a fiscalização – no procedimento de verificação obrigatória – limitou-se a glosar as exclusões informadas nas DIPJ a título de ato cooperativo, sob pretexto que tais resultados, também, são tributadas pela CSLL. Como demonstrado, todo lucro líquido antes da CSLL dos anos-calendário 2001 a 2003 foi excluído da tributação da CSLL pela recorrente nas DIPJ, a título de ato cooperativo. Quanto ao ano-calendário 2004, a contribuinte informou a segregação dos resultados, excluindo apenas da tributação a parcela a título de ato cooperado. De modo que os resultados objeto do lançamento fiscal são, destarte, decorretes de ato cooperativo. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 19/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2010 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 23/12/2010 por NELSO KICHEL Processo nº 13982.000498/2006-40 Acórdão n.º 1802-00.739 S1-TE02 Fl. 6 11 Então, a questão a ser dirimida resume-se a matéria de direito, ou seja, se o ato cooperativo da Cooperativa de Crédito sofre, ou não, incidência da CSLL, quanto ao período anterior à edição da Lei nº 10.865/2004. Colocada a questão, no mérito, de plano, o feito fiscal não merece prosperar. A fiscalização considerou todo o resultado apurado pela Cooperativa como base de cálculo da CSLL, pois, para efeito da CSLL, seria irrelevante a segregação dos resultados em ato cooperado e ato não cooperados, pois ambos seriam tributados pela CSLL. Isso implica, em tese, descaracterização da Cooperativa para fins tributários. Ora, apurados corretamente os resultados a título de ato cooperativo, é incabível a descaracterização da Cooperativa. A legislação, nesse caso, não autoriza a RFB a descaracterizar a Sociedade Cooperativa. O aplicador da lei deve se atentar para as particularidades de cada tipo de cooperativa, verificar qual o tratamento dado pelo legislador para a atividade específica da cooperativa. Nesse sentido, a recorrente, em síntese, alegou (fls. 278/287) que, por determinação do Banco Central do Brasil, somente opera com associados, e que: • todo seu resultado decorre de ATO COOPERATIVO, não sofrendo incidência da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, tributo esse devido apenas pelas pessoas jurídicas com fins lucrativos; • difere Cooperativa de Crédito das demais instituições financeiras; que suas estruturas jurídicas não guardam qualquer semelhança; que as instituições financeiras são sociedades de capital, visando lucro e operam com todos os componentes do mercado e seus negócios são essencialmente de natureza mercantil, isto é, em busca do lucro; que, por sua vez, as sociedades Cooperativas de Crédito são sociedades de pessoas, de natureza civil, e só podem operar com os membros do seu quadro social e não podem objetivar lucro, por força de determinação do Conselho Monetário Nacional; • as Cooperativas de Crédito pelo fato de terem objeto social ligado ao mercado financeiro, são obrigadas a seguir as instruções do Banco Central do Brasil, sendo pela Lei n° 4.595/64, art. 18, I, equiparadas às instituições financeiras. Todavia, é certo afirmar que o fato de serem equiparadas às instituições financeiras não são descaracterizadas como sociedades cooperativas, dotadas de prerrogativas tributárias em relação ao ato cooperativo; • as cooperativas de crédito são regidas pela Lei n° 5.764/71, a qual não as considera com entidade financeiro-bancária. O próprio órgão fiscalizador do Sistema Financeiro Nacional, o Banco Central do Brasil, reproduz em seus normativos a norma do art. 51, parágrafo Fl. 11DF CARF MF Emitido em 19/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2010 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 23/12/2010 por NELSO KICHEL 12 único da Lei Cooperativista, apartando as cooperativas de crédito das instituições bancárias e afins; que a Lei n° 4.595, de 31/12/64, que rege o Sistema Financeiro Nacional, também não considera as Cooperativas de Crédito como entidades bancárias, inclusive, proíbe o uso da expressão "banco". Quanto aos resultados decorrentes de ato cooperativo, assiste razão à Recorrente. As Cooperativas, em relação ao ato cooperativo, não geram LUCROS, mas sim “SOBRAS”; por isso, não sofrem incidência do IRPJ e da CSLL (Lei nº 5.764/71, arts. 3º, 79 e 111). A tese da universalidade da contribuição com base no artigo 195, inciso I, da CF de 1988 não se sustenta, uma vez que não basta a previsão constitucional para a exigência de determinado tributo ou contribuição; é preciso que o ente titular da competência crie o tributo e uma vez criado deve o aplicador da lei exigi-lo dentro dos estritos ditames da lei instituidora, não podendo alargar nem estreitar os limites impostos pelo legislador ordinário, sob pena de quebra do princípio da legalidade, princípio que deve ser observado pelas autoridades encarregadas de lançamento do tributo ou contribuição. Analisemos a legislação que instituiu a CSLL, ou seja, a Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988: Art.1º - Fica instituída contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, destinada ao financiamento da seguridade social. No caso, a norma em abstrato não deixa qualquer dúvida de que o fato econômico escolhido para tributar é o LUCRO das pessoas jurídicas, e não qualquer outra figura, pois em relação às outras hipóteses de incidência, como sobre os salários e faturamento, existem normas tributárias específicas. Destarte, o fato imponível — lucro — não ocorre na Sociedade Cooperativa em relação aos atos cooperados. O fato da Constituição Federal ter dado imunidade para contribuições somente para as entidades beneficentes e de assistência social, isso não autoriza a exigência da contribuição sobre um fato — “sobras” das cooperativas — , pois o legislador ordinário não elegeu tal figura como hipótese de incidência da CSLL. Na verdade, o constituinte bem como o legislador ordinário elegeram como base da CSLL o lucro, e não qualquer outra figura; logo, o Fisco somente poderá exigir a referida exação fiscal sobre o lucro decorrente de ato não-cooperativo; sendo, portanto, vedado exigi-lo sobre as “sobras” da Cooperativa, pois elas decorrem de ato cooperativo. Isso não implica que a Cooperativa não tenha lucro. Aliás, a própria lei especial das Cooperativas autorizou a Cooperativa a praticar atos não-cooperativos, obviamente que em relação a esses atos a entidade não terá “sobras”, mas lucro, o qual é tributável. Nesse caso, para afastar da tributação do ato cooperativo, há necessidade de segregação na contabilidade do ato não-cooperativo. Na ausência de contas específicas para controle de receitas, custos e despesas em relação a atos cooperados, pode e deve a autoridade fiscal intimar a sociedade para que o contribuinte faça a Fl. 12DF CARF MF Emitido em 19/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2010 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 23/12/2010 por NELSO KICHEL Processo nº 13982.000498/2006-40 Acórdão n.º 1802-00.739 S1-TE02 Fl. 7 13 segregação, e assim exigir tanto o IRPJ como a CSLL sobre o lucro real e lucro líquido respectivamente. Com isso, estará o aplicador da lei trilhando a estrita legalidade a que está submetido. Logo, para as Cooperativas não basta aludir a mero resultado positivo, para vislumbrar a incidência da CSLL; é necessário o lucro. Em relação à Lei nº 8.212/91 (artigos 15, 22 e 23), também, não se vislumbra melhor sorte, no sentido de sustentação de incidência da CSLL sobre o ato cooperativo. O fato das Cooperativas de Crédito terem sido equiparadas a instituição financeira e terem resultado positivo, isso não é suficiente para a exigência de CSLL sobre o ato cooperativo. Senão vejamos: Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991: Art. 15 - Considera-se: I - empresa: a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II - empregador doméstico: a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equipara-se a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (redação dada pela Lei n° 9.876, de 26 de novembro de 1999). Como visto pela leitura do texto legal, o legislador tratou de definições, equiparando a cooperativa a empresa, porém não alterou o fato imponível da CSLL que continuou sendo o lucro. Prosseguindo: Art. 22 - A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I - vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (redação dada pela Lei n° 9.876, de 26 de novembro de 1999). II - para o financiamento do beneficio previsto nos arts. 57 e 58 da Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das Fl. 13DF CARF MF Emitido em 19/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2010 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 23/12/2010 por NELSO KICHEL 14 remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (redação dada pela Lei n° 9.732, de 11 de dezembro de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. III - vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer titulo, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (redação dada pela Lei n° 9.876, de 26 de novembrode 1999). IV - quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (redação dada pela Lei n° 9.876, de 26 de novembro de 1999). § 1° No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições referidas neste artigo e no art. 23, é devida a contribuição adicional de dois vírgula cinco por cento sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste artigo. (redação dada pela Lei n° 9.876, de 26 de novembro de 1999). Pela simples leitura da norma legal pode-se perceber que o legislador no artigo 22 não tratou de Contribuição Social sobre o Lucro mas da contribuição previdenciária sobre as remunerações pagas conforme incisos I e III supra. Continuando: Art. 23 - As contribuições a cargo da empresa provenientes do faturamento e do lucro, destinadas à Seguridade Social, além do disposto no art. 22, são calculadas mediante a aplicação das seguintes alíquotas: I - 2% (dois por cento) sobre sua receita bruta, estabelecida segundo o disposto no § 1° do art. 1° do Decreto-lei n° 1.940, de 25 de maio de 1982, com a redação dada pelo art. 22, do Decreto-lei n° 2.397, de 21 de dezembro de 1987, e alterações posteriores; II - 10% (dez por cento) sobre o lucro líquido do período-base, antes da provisão para o Imposto de Renda, ajustado na forma do art. 2° da Lei n° 8.034, de 12 de abril de 1990. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 19/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2010 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 23/12/2010 por NELSO KICHEL Processo nº 13982.000498/2006-40 Acórdão n.º 1802-00.739 S1-TE02 Fl. 8 15 § 1° - No caso das instituições citadas no § 1° do art. 22 desta Lei, a alíquota da contribuição prevista no inciso II é de 15% (quinze por cento). § 2° - O disposto neste artigo não se aplica às pessoas de que trata o art. 25. Mais uma vez o legislador se limitou a estabelecer as alíquotas da Contribuição sobre o lucro e, obviamente, em relação às cooperativas de crédito quanto aos atos ou operações com não associados, cujo lucro líquido apurado advindo dessas operações seria base de cálculo para aplicação da aliquota prevista na norma acima transcrita. De modo que não há como estender para outros fatos não previstos na norma em abstrato (hipótese de incidência) a exigência da CSLL, a qual incide apenas sobre o lucro. Assim, enquanto não houver alteração da lei especial das Cooperativas, no sentido de mudar o nome do resultado percebido pelas Cooperativas de “sobras” para lucro, elas continuarão inalcançáveis pela referida exação fiscal quanto ao ato cooperativo. Ainda, acerca da natureza jurídica do ato cooperativo na Lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971- LEI GERAL DAS COOPERATIVAS-, convém transcrever: Art. 3º - Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. Art. 4° As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindo-se das demais sociedades pelas seguintes características: (...) X - prestação de assistência aos associados, e, quando previsto nos estatutos, aos empregados da cooperativa; (...) Art. 79 - Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associadas, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. (...) Art. 85. As cooperativas agropecuárias e de pesca poderão adquirir produtos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou suprir capacidade ociosa de instalações industriais das cooperativas que as possuem. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 19/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2010 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 23/12/2010 por NELSO KICHEL 16 Art. 86 - As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e esteja de conformidade com a presente Lei. Art. 87 - Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos arts. 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Art. 88. Poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas para melhor atendimento dos próprios objetivos e de outros de caráter acessório ou complementar. (...) Art. 111 - Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os arts. 85, 86 e 88 desta Lei. Como demonstrado, os atos cooperados não constituem base de cálculo do IRPJ e da CSLL, pois não geram lucro, mas tão-somente “sobras”. Por outro lado, em relação aos atos não-cooperativos, conforme determinações contidas nos artigos 85, 86 e 88, os quais não desnaturam a natureza jurídica da Cooperativa (a Cooperativa pode praticar atos não cooperativos), geram lucros, os quais se submetem à tributação como as demais atividades econômicas com fins lucrativos, os quais devem ser segregados dos atos cooperativos (art. 111). De modo que as operações típicas exercidas pelas sociedades cooperativas – ato cooperados - não sofrem a incidência de tributação do IRPJ e da CSLL. Nesse sentido, quanto ao IRPJ, o RIR/99 é enfático no art. 182, in verbis: Art. 182. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica não terão incidência do imposto sobre suas atividades econômicas, de proveito comum, sem objetivo de lucro (Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, art. 3º, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 69). § 1º É vedado às cooperativas distribuirem qualquer espécie de benefício às quotas-partes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuados os juros até o máximo de doze por cento ao ano atribuídos ao capital integralizado (Lei nº 5.764, de 1971, art. 24, § 3º). § 2º A inobservância do disposto no parágrafo anterior importará tributação dos resultados, na forma prevista neste Decreto. Como visto, se os resultados decorrentes de ato cooperado não sofrem incidência do IRPJ pois não configuram lucro, então, pela mesma razão, tais resultados (“sobras”) não sofrem incidência da CSLL, cujo fato gerador é o lcuro e não “sobras”. Como bem apontado pela Recorrente, é da essência da sociedade cooperativa que ela não realize qualquer ganho em decorrência do ato cooperativo com seus associados, eis que não adquire de seus associados quaisquer bens ou serviços com a finalidade de revendê-los Fl. 16DF CARF MF Emitido em 19/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2010 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 23/12/2010 por NELSO KICHEL Processo nº 13982.000498/2006-40 Acórdão n.º 1802-00.739 S1-TE02 Fl. 9 17 e obter lucro para si própria, mas apenas funciona como uma mera prestadora de serviços daqueles, sendo que os ganhos obtidos nas operações para a qual foi constituída são das pessoas dos associados, que são os legais destinatários das receitas obtidas, como também os responsáveis pelas despesas incorridas. No caso, aplica-se à CSLL a mesma base legal que justifica a não incidência do IRPJ prevista no art. 192 do RIR/99, ou seja: Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971 (arts. 3º, 79 e 111). Ainda, à luz dos arts. 59 da Lei nº 8.981/95 (com alterações dadas pela Lei nº 9.065/95) e art. 28 da Lei nº 9.430/96, infere-se que as normas de apuração do IRPJ têm extensão à CSLL. De modo que em relação aos resultados decorrentes de ato cooperativo inxiste base de cálculo do IRPJ e da CSLL, e com relação aos resultados do ato não- cooperativo, há apuração do IRPJ e da CSLL, observado, ainda, o art. 28 da Lei nº 9.430/96. Nesse contexo, a Lei nº 10.865/04 (arts. 39 e 48) tem caráter interpretativo ao estabelecer isenção da CSLL para o ato cooperativo (CTN, art. 106, I). Vale dizer, essa novel legislação tão-somente veio reconhecer tratamento tributário já existente da CSLL em relação ao ato cooperativo, embora, equivocadamente, trate de isenção, quando tecnicamente o correto seria não–incidência. De modo que, por não apurarem lucro as sociedades cooperativas de crédito decorrente de sua atividade com cooperados, mas apenas “sobras” que tem destinação especifica, não se subsumem tais “sobras” ao pressuposto básico para a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Em sede jurisprudencial, seja administrativa ou judicial, também, o entendimento predominante é no sentido de que o ato cooperativo não se submente à incidência da CSLL. A propósito, em relação à jurisprudência administrativa, convém citar os seguintes julgados do então Conselho de Contribuintes, atual CARF: "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO — COOPERATIVA DE CRÉDITO — O fato de as cooperativas de crédito estarem incluídas entre as instituições financeiras arroladas no artigo 22, § 1°, da Lei n 8.212/91, não implica a tributação do resultado dos atos cooperados por elas praticados. O ato cooperado não configura operação de comércio, seu resultado não é lucro e está situado fora do campo de incidência da Contribuição Social instituída pela Lei n 7.689/88. Recurso provido.” (Acórdão 101-93828, Rel. Cons. Paulo Roberto Cortez, j. em 21.05.2002) "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO — COOPERATIVA DE CRÉDITO — O fato de as cooperativas de crédito estarem incluídas entre as instituições financeiras arroladas no artigo 22, § 1°, da Lei n 8.212/91, não implica a tributação do resultado dos atos cooperados por elas praticados. O ato cooperado não configura operação de comércio, seu resultado não é lucro e está situado fora do campo de incidência Fl. 17DF CARF MF Emitido em 19/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2010 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 23/12/2010 por NELSO KICHEL 18 da Contribuição Social instituída pela Lei nº 7.689/88. Recurso provido." (Acórdão n° 107-06739, Rel. Cons. Natanael Martins, j. em 21.08.2002) “CSLL — RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PELAS SOCIEDADES COOPERATIVAS DE CRÉDITO — a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido não incide sobre o resultado positivo obtido pelas cooperativas nas operações que constituem atos cooperativos." (Acórdão n° 108-07373, Rel. Cons. José Henrique Longo, j. em 17.04.2003) Na Câmara Superior de Recursos Fiscais, tem prevalecido em sua Primeira Turma o entendimento de que a incidência da contribuição alcança tão-somente o resultado originado da prática de atos não cooperados: "COOPERATIVA — SOBRAS — CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO — As sobras apuradas pelas cooperativas, resultado de atos exclusivamente cooperativos, não podem ser confundidas com o lucro. Os artigos 22 e 23 da Lei n° 22 e 23 da Lei n° 8.212/91 não ensejam o entendimento de que a CSL deva incidir sobre as denominadas 'sobras', mas somente sobre a renda derivada de atos não cooperativos." (Acórdão CSRF n° 01-04.445, Rel. Cons. Mario Junqueira Franco Junior, j. em 24.02.2003) COOPERATIVA — CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. As sobras apuradas pelas sociedades cooperativas, resultado obtido através da prática de atos cooperados, não são considerados lucros. Ante a inexistência de lucros, inviável a contribuição social sobre o lucro pela ausência de base de cálculo. Recurso especial provido." (Acórdão CSRF n° 01-04.202, Rel. Cons. Remis Almeida Restol, j. em 14.10.2002) "COOPERATIVA DE CRÉDITO — CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO — INCIDÊNCIA — Mesmo na vigência da Lei n° 8.212/91 permanece inalterado o benefício outorgado por lei erigida a nível complementar a todas as cooperativas, inclusive a de crédito, de não incidência da CSLL sobre as chamadas 'sobras liquidas' em atos cooperados. Somente assim os 'atos não cooperados', a partir daquele diploma, pela equiparação das entidades às instituições financeiras, é que passaram a se subsumir à exação." (Acórdão CSRF n° 01-03.803, Rel. Cons. Victor Luis de Salles Freire, j. em 20.02.2002) Como demonstrado, o entendimento que afinal prevaleceu na CSRF - com relação à CSLL - é o de que somente devem ser oferecidos à tributação os resultados que decorram da prática de atos não cooperados. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 19/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2010 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 23/12/2010 por NELSO KICHEL Processo nº 13982.000498/2006-40 Acórdão n.º 1802-00.739 S1-TE02 Fl. 10 19 Em leading case sobre a matéria, relativamente à CSLL, em Recurso Especial interposto pela Cooperativa de Crédito Rural de Alegrete Ltda.— CREDIAL, a 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça decidiu que os resultados econômicos auferidos por sociedades cooperativas em decorrência da prática de atos cooperados, "estão isentos do pagamento de tributos": "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. COOPERATIVAS. RECEITA RESULTANTE DE ATOS COOPERATIVOS. ISENÇÃO. CABIMENTO. Os resultados decorrentes da prática de atos com não associados das cooperativas estão sujeitos a tributação. Os resultados positivos obtidos em decorrência das atividades regulares das cooperativas estão isentos do pagamento de tributos, inclusive da Contribuição Social Sobre o Lucro. Recurso desprovido. Decisão unânime." (RESP 170371/RS, Rel. Min. Demócrito Reinaldo, DJU de14.06.1999, p. 113). Confira-se o elucidativo e bem fundamentado voto do Ministro Relator: "Sob este aspecto, contudo, não vejo como possa prosperar a pretensão recursal. É que, ao interpretar tais dispositivos legais, o voto condutor do aresto hostilizado faz um raciocínio dedutivo que se me afigura lógico e irretocável, assim formulado in expressis: 'Nos termos da Lei n° 5.764/71, denominam-se atos cooperativos 'os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais, não implicando operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria' (art. 79 e parágrafo único). Os resultados das operações das cooperativas com não associados, na forma do art. 87, serão levados à conta do Fundo de Assistência Técnica e Social' e serão contabilizados em separado, para 'permitir cálculo para incidência de tributos'. E o art. 111 da mesma lei é categórico ao afirmar que 'serão considerados como renda tributável os resultados obtidas pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei', vale dizer, atos com não-associados. As chamadas 'sobras' estão disciplinadas devem ser objeto de deliberação da Assembléia Geral Ordinária das Cooperativas. Feita a prestação de contas, verificar-se-á se houve insuficiência ou excesso nas contribuições dos associados para cobertura das despesas da sociedade. Conforme o resultado, proceder-se-á de uma ou outra forma, sendo que na hipótese da existência de "sobras", estas serão devolvidas aos associados, proporcionalmente às operações que realizarem com a Cooperativa. Impossível, assim, equipará-las a lucro. Fl. 19DF CARF MF Emitido em 19/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2010 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 23/12/2010 por NELSO KICHEL 20 Desta forma, a interpretação dos dispositivos legais deixa claro que todas as receitas geradas pela cooperativas através das práticas de atos cooperativos são isentas de qualquer tributo — e a contribuição social sobre o lucro tem natureza tributária. Somente os resultados obtidos com a prática de operações que não envolvam atos cooperativos estão sujeitos ao pagamento de tributo, em virtude de não estarem amparados por regra isentiva. O STJ, analisando a legislação acima referida, com relação à temática do imposto de renda, deixou claro que "a isenção do imposto de renda das cooperativas decorre da essência dos atos por ela praticados e não da natureza de que elas se revestem (REsp. 36.887-1/PR, Rel. M Garcia Vieira, julg. 10-09-93, RSTJ 571385), concluindo, para aquela hipótese, que as aplicações financeiras, sendo atos não cooperativos que produzem resultados positivos, estão sujeitas à incidência do imposto de renda (fls. 171/172).' De sua vez ao alegar violação aos artigos 87 e 111 da Lei 5.764/71, a recorrente limita-se a afirmar que não se pode invocar as disposições ali contidas, 'para afastar a exigência da exação instituída pelo art. 1º da Lei 7.689/88, devida pelas pessoas jurídicas domiciliadas no Pais e as que lhes são equiparadas pela legislação tributária (art. 4° da Lei 7.689/88), sob pena de ser negada vigência não só a estes dispositivos legais, como, também, à regra insculpida nos artigos 111, II, do Código Tributário Nacional' (fl. 197). Não se detém, todavia, na argumentação indispensável para demonstrar, de forma objetiva e clara, como teria se configurado a alegada negativa de vigência das disposições legais que, ao contrário, foram bem e corretamente aplicadas. Por estas razões é que, ao meu entendimento, não se negou vigência, aos dispositivos legais efetivamente prequestionados, nem a exegese adotada no acórdão paradigma trazido à colação deve prevalecer sobre o decisum vergastado, que deu escorreita interpretação à espécie. É verdade que esta egrégia Corte, em reiterados precedentes jurisprudenciais, tem firmado entendimento no sentido de que negócios jurídicos não vinculados à finalidade básica dos atos cooperativos, a exemplo das aplicações de sobra de caixa das cooperativas no mercado financeiro, sujeitam-se à incidência do imposto de renda. Isto porque 'a atividade desenvolvida junto ao mercado de risco não é inerente à finalidade a que se destinam as cooperativas' (REsp. n° 109.71 1/RS, da minha lavra, D.J. 26.05.97). Mas, igualmente, tem reconhecido que 'as cooperativas gozam de não-incidência do imposto de renda sobre resultados positivos obtidos em decorrência de suas regulares atividades (arts. 85, 86 e 111 da Lei 5.764/71), conforme restou assentado no REsp. 58.124/SP, também da minha lavra (D.J. 1311.95). Na hipótese sob exame, ao que parece, restou esclarecido no acórdão objurgado que a isenção reconhecida é sobre 'receitas resultantes da prática de atos cooperativos'. Fl. 20DF CARF MF Emitido em 19/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2010 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 23/12/2010 por NELSO KICHEL Processo nº 13982.000498/2006-40 Acórdão n.º 1802-00.739 S1-TE02 Fl. 11 21 Com estas considerações, conheço parcialmente do recurso, mas lhe nego provimento." Por tudo que foi exposto, voto no sentido DAR provimento ao recurso, para afastar a exigência da CSLL sobre os atos cooperados, bem como, também, afastar a exigência da Multa Isolada, pois – inexistindo norma de incidência de CSLL sobre ato cooperativo - não há que se falar em descumprimento do dever legal de antecipação da CSLL por estimativa, relativo a ato cooperativo. Nelso Kichel Fl. 21DF CARF MF Emitido em 19/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/12/2010 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 28/12/2010 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 23/12/2010 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 15586.000098/2007-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jan 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Anocalendário:
2002
AUTO DE INFRAÇÃO. MPF. NULIDADE
Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo
administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o
lançamento, descabe a alegação de nulidade.
AUTONOMIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E CRIMINAL.
Não interfere no processo fiscal o procedimento criminal, seguindo, ambos o
seu curso normal, de forma independente, até o desfecho final.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Anocalendário:
2002
OMISSÃO DE RECEITA. RECEBIMENTOS SEM CAUSA.
Considerase
omissão de receita a entrada de recursos do exterior, quando
não comprovada a causa do recebimento e nem efetuada a sua devolução.
INFRAÇÕES DE NATUREZA TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE
OBJETIVA.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da
intenção do agente.
PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo admitido em
Direito, quando a sua formação está apoiada em ma concatenação lógica de
fatos, que se constituem em indícios precisos, “econômicos” e convergentes.
OMISSÃO DE RECEITA. FALTA DE EMISSÃO DE DOCUMENTOS
FISCAIS. Provado por robusta prova indiciária que a distribuição de
combustível foi desviada para o mercado interno, sem a emissão de
documentos fiscais, caracterizado está a omissão de receita.
OMISSÃO DE RECEITA. DIFERENÇA. PROVA. Provado nos autos que
parte da omissão de receita não ocorreu, cancelase
em parte o lançamento.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL.
Aplicase
ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao
lançamento matriz em razão da relação de causa e efeito que os vincula.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SEL1C.
A multa de ofício de 75% e os juros de mora equivalentes à taxa SELIC
encontram amparo na legislação.
MULTA QUALIFICADA.
É cabível a multa qualificada de 150%, quando comprovado que o
interessado omitiu escrituração de receitas, visando impedir ou retardar o
conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação principal.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE.
Não compete à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento
declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de lei.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Anocalendário:
2002
ISENÇÃO. EXPORTAÇÃO NÃO COMPROVADA. FALTA DE
RECOLHIMENTO.
É cabível lançamento da contribuição, relativamente à mercadoria não
exportada adquirida com isenção.
VALOR DEVIDO. DEDUÇÃO DO VALOR DA CIDE.
Somente nos casos previstos em lei, podese
deduzir a CIDE paga do valor da
COFINS devida.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Anocalendário:
2002
ISENÇÃO. EXPORTAÇÃO NÃO COMPROVADA. FALTA DE
RECOLHIMENTO.
É cabível lançamento da contribuição, relativamente à mercadoria não
exportada adquirida com isenção.
VALOR DEVIDO. DEDUÇÃO DO VALOR DA CIDE.
Somente nos casos previstos em lei, podese
deduzir a CIDE paga do valor
do PIS devido.
Numero da decisão: 1401-000.405
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial para excluir da base de cálculo do IRPJ e seus reflexos a receita referente a venda sem nota fiscal de 1.242.335,88 (um milhão, duzentos e quarenta e dois mil, trezentos e trinta e cinco litros e 88 centésimos) litros de gasolina. Fará declaração de voto o conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 AUTO DE INFRAÇÃO. MPF. NULIDADE Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade. AUTONOMIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E CRIMINAL. Não interfere no processo fiscal o procedimento criminal, seguindo, ambos o seu curso normal, de forma independente, até o desfecho final. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 OMISSÃO DE RECEITA. RECEBIMENTOS SEM CAUSA. Considerase omissão de receita a entrada de recursos do exterior, quando não comprovada a causa do recebimento e nem efetuada a sua devolução. INFRAÇÕES DE NATUREZA TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente. PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo admitido em Direito, quando a sua formação está apoiada em ma concatenação lógica de fatos, que se constituem em indícios precisos, “econômicos” e convergentes. OMISSÃO DE RECEITA. FALTA DE EMISSÃO DE DOCUMENTOS FISCAIS. Provado por robusta prova indiciária que a distribuição de combustível foi desviada para o mercado interno, sem a emissão de documentos fiscais, caracterizado está a omissão de receita. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 2 4/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE 2 OMISSÃO DE RECEITA. DIFERENÇA. PROVA. Provado nos autos que parte da omissão de receita não ocorreu, cancelase em parte o lançamento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz em razão da relação de causa e efeito que os vincula. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SEL1C. A multa de ofício de 75% e os juros de mora equivalentes à taxa SELIC encontram amparo na legislação. MULTA QUALIFICADA. É cabível a multa qualificada de 150%, quando comprovado que o interessado omitiu escrituração de receitas, visando impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação principal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. Não compete à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 ISENÇÃO. EXPORTAÇÃO NÃO COMPROVADA. FALTA DE RECOLHIMENTO. É cabível lançamento da contribuição, relativamente à mercadoria não exportada adquirida com isenção. VALOR DEVIDO. DEDUÇÃO DO VALOR DA CIDE. Somente nos casos previstos em lei, podese deduzir a CIDE paga do valor da COFINS devida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2002 ISENÇÃO. EXPORTAÇÃO NÃO COMPROVADA. FALTA DE RECOLHIMENTO. É cabível lançamento da contribuição, relativamente à mercadoria não exportada adquirida com isenção. VALOR DEVIDO. DEDUÇÃO DO VALOR DA CIDE. Somente nos casos previstos em lei, podese deduzir a CIDE paga do valor do PIS devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial para excluir da base de cálculo do IRPJ e seus reflexos a receita referente a venda sem nota fiscal de 1.242.335,88 (um milhão, duzentos e quarenta e dois mil, trezentos e trinta e cinco litros e 88 centésimos) litros de gasolina. Fará declaração de voto o conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 2 4/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Processo nº 15586.000098/200713 Acórdão n.º 140100.405 S1C4T1 Fl. 3.001 3 (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Viviane Vidal Wagner. Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1215.347, da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Rio de Janeiro I RJ. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Tratase de autos de infração lavrados pela Delegacia da Receita Federal em Vitória/ES (Volume 07 fls. 1.180/1.223, 1.232/1.237,. 1.243/1.248), todos cientificados ao interessado em 26 02 2007, para exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ de R$ 1.491.937,54,. Contribuição para o Programa de Integração Social PIS de RS 70.162,65, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL de RS 545.737,51, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS de RS 331.019,26 e acréscimos legais. totalizando o crédito tributário de RS 7.641.692,28 (fls. 02 e 1.203/1.204). 2 Inicialmente, cumpre observar que existem dois processos administrativos fiscais. com créditos tributários cadastrados no SIEF, originários do mesmo procedimento fiscal: o de n° 15586.000101/200707 (CIDE) e este (IRPJ e reflexo, PIS e COFINS). 3 No curso do procedimento fiscal, a autoridade administrativa lançadora, conforme Relatório de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 1.180/1.204) e descrição dos fatos constantes nos autos de infração, constatou as seguintes irregularidades, relativas ao ano calendário de 2002: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 2 4/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE 4 I Falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS; caracterizada por não haver "o efetivo embarque do combustível adquirido como destinado à exportação e armazenado nas empresas EXCEL Brasileira de Petróleo Ltda. e ALAMO Distribuidora de Petróleo Ltda.", tomandose indevida a isenção das Contribuições para Financiamento da Seguridade Sócia! (COFINS) e para o Programa de Integração Social (PIS). conforme base de cálculo demonstrada às fls. 1.172/1.175. II Recebimentos sem causa: caracterizada pela comprovação de que o interessado recebeu recursos do exterior, na forma de recebimentos antecipados de exportação (fl. 1.196 – tabela 3), sem, no entanto, apresentar documentos comprobatórios do embarque das mercadorias ou da devolução do numerário recebido em função do desfazimento do negócio “tendo em vista que tais valores não foram contabilizados nem declarados como receita pela interessada, restou caracterizada a manutenção de recursos à margem da escrituração". III Omissão de Receita: caracterizada pela distribuição de combustível no mercado interno, sem a emissão de notas fiscais e sem o registro contábil da operação de venda, conforme base de cálculo demonstrada às fls. 1.176/1.179. A infração I resultou na formalização dos processos administrativos n° 15586.000099/200768 (PIS) e 15586.000100/200754 (COFINS), os quais foram juntados a estes autos (fls. 1.228). As infrações II e III importaram lançamento de IRPJ e reflexos (PIS, COFINS e CSLL). Por configurarem falta de registro contábil de receitas e a consequente manutenção de recursos à margem. da contabilidade, a autoridade lançadora aplicou a multa de 150% (art. 44, inciso II da Lei nº 9.430, de 1996). por caracterizarem evidente intuito de fraude, realizadas com o claro propósito de impedir o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do: fato gerador da obrigação principal. O enquadramento legal da autuação encontrase descrito no Relatório de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 1.180/1.204) e na descrição dos fatos e enquadramento legal dos autos de infração. O interessado, cientificado em 26/02/2007 (fl. 1.223), apresentou impugnação às fls. 1.516/1.562 c 1.565/1.566 (IRPJ e reflexos), fls. 1.647/1.694 (COFINS) e fls. 2.397/2.444 (PIS), em 27/03/2007, na qual alega em síntese que: NULIDADE Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 2 4/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Processo nº 15586.000098/200713 Acórdão n.º 140100.405 S1C4T1 Fl. 3.002 5 1 o auto de infração é nulo, uma vez que os procedimentos cabíveis para a prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal original não foram adotados (art. 7°., 12°. e da Portaria SRF n° 3.007/2001), assim como não foi expedido Mandado de Procedimento Complementar (MPFC), para a constituição de crédito tributário relativo a tributos daquele previsto inicialmente. OMISSÃO DE RECEITA Recebimento de valores sem justa causa. foi contratado para realizar a exportação de aproximadamente 30 milhões de litros de gasolina para empresa Cambra SRL, localizada na Bolívia; iniciada a operação o interessado recebeu do exterior RS 1.093.444,76, a título de adiantamento de contrato de câmbio, e repassou a quantia à Refinaria de Petróleo de Manguinhos S/A, para pagamento de 1.498.648,17 litros de gasolina, através de cheques administrativos, cujas cópias se encontram anexadas (docs 11 e 08); os recursos oriundos do exterior foram corretamente contabilizados, conforme a seguir demonstrado, e utilizados para pagamento das mercadorias que seriam exportadas, não tendo o interessado auferido qualquer receita tributável: :' débito: Banco crédito: Adiantamento de Cliente : débito: Adiantamento a Terceiros crédito: Banco as mercadorias foram extraviadas pelas armazenadoras Álamo Distribuidora Derivativos de Petróleo Ltda e Exxel Brasileira de Petróleo Lida. razão pela qual não ocorreu a exportação, sendo a devolução do numerário para o importador inviável, pois o valor foi utilizado ara pagamento do fornecedor. OMISSÃO DE RECEITA venda no mercado interno sem a emissão de nota fiscal efetivamente não exportou a mercadoria, pelos motivos expostos anteriormente (extravio da mercadoria pelos armazenadores); os armazenadores foram os responsáveis pela introdução da mercadoria no mercado interno; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 2 4/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE 6 no laudo pericial contábil, emanado por perito judicial, nos autos da Ação movida por ele contra os armazenadores, está consignado que a gasolina, que se encontrava depositada, não foi entregue ao interessado (doc. 16); a falta de apresentação à fiscalização de canhotos de entrega das mercadorias aos armazenadores ou do conhecimento de transporte dos produtos não são suficientes para se :concluir que as mercadorias não foram encaminhadas aos atacadistas depositários; não pode apresentar tais documentos, porque as mercadorias foram transportadas diretamente da Refinaria de Petróleo Manguinhos S.A para as empresas depositárias (Exxel e Álamo). Assim, o transporte não foi realizado pelo interessado, mas provavelmente pela Refinaria de Petróleo Manguinhos S.A. conforme se verifica no "Relatório de Encerramento da Ação Fiscal"', as empresas depositárias atestam que as mercadorias foram recebidas em seus estabelecimentos para. armazenagem e o próprio laudo pericial contábil confirma a entrada da mercadoria nos estabelecimentos dos atacadistas depositários; não omitiu dolosamente a informação "Marcador" na descrição do produto, visando à venda da mercadoria no mercado interno. Somente em parte as notas fiscais de remessa simbólica para armazenagem, emitidas pelo interessado, não constou a palavra "marcador" (doc. 10) e todas as notas fiscais possuem a informação, em dados adicionais, de que a mercadoria se destinava à exportação; o fato de a empresa Álamo Ltda não ter capacidade para armazenar as mercadorias não caracteriza que as mesmas foram destinadas ao mercado interno, pois a referida empresa utilizou também as bases da empresa Transo, operadora de tancagem: o auto de infração foi lavrado sem que houvesse qualquer prova, ao arrepio do princípio da reserva legal; a falta de emissão, de nota fiscal, para que seja caracterizada a omissão de receita não pode ser presumida, deve ser provada cabalmente; SUSPENSÃO DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO caso haja alguma dúvida quanto à participação do interessado na autoria dos crimes de sonegação fiscal e/ou descaminho, faz se necessária a suspensão do presente processo administrativo até que ocorra o encerramento das ações penais e cíveis; EXCLUSÃO DE NOTAS FISCAIS (1.242.335,88 litros de gasolina) caso o julgamento venha a concluir pela omissão de receitas, deverá ser, pelo menos desconsiderada a cobrança do IRPJ e reflexos incidentes sobre a suposta venda de mercadorias relativas às notas fiscais emitidas pela Refinaria de Petróleo Manguinhos S.A, durante o período de 28/05/2002 a 04/06/2002, Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 2 4/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Processo nº 15586.000098/200713 Acórdão n.º 140100.405 S1C4T1 Fl. 3.003 7 discriminadas à fl. 1.546 (parágrafo 95 da impugnação), uma vez que tais mercadorias não foram vendidas ao interessado; a fiscalização afirma, no Relatório de Encerramento e no demonstrativo da base de cálculo (fls. 1.163/1.179), que o interessado teria omitido receita, em razão da venda no mercado interno de 7.140.744,26 litros de gasolina destinos à exportação para a Bolívia, sem a correspondente emissão de nota fiscal de saída. Entretanto, nos livros Registro de Entradas (doc. 13) e Registro de Saídas (doc. 14), somente foi recebido pelo interessado o volume de 5.903.229,138 litros de gasolina, conforme listagem anexa (doe. 18), dos quais 5.206.530,138 litros remetidos à empresa Álamo e 696.699 litros, à empresa Exxel(doc. 10); nesse sentido, o laudo pericial contábil concluiu que a quantidade de 1.242.315 litros de gasolina não foi recebida pelo interessado (doc. 16); a Auditora Fiscal alega que a infração em questão está comprovada pela existência de documentos referentes aos pagamentos, bem como dos canhotos assinados, não tendo ocorrido qualquer diligência fiscal para verificação dos documentos de pagamento, bem como de quem havia assinado os canhotos; tais documentos são representados por depósito em dinheiro e cheques de terceiros que não possuem qualquer ligação com o interessado (doc. 08); o interessado somente efetuou o pagamento de 1.495.561,79 litros de gasolina, sendo a diferença, entre este volume e o total recebido (5.903.230,027 litros), qual seja, 4.407.668,237 litros, entregue sem qualquer pagamento (doc. 11); os canhotos de entrega não foram assinados por qualquer preposto do interessado, alem de não estarem preenchidos corretamente, já que na grande maioria o campo “Data" sequer está assinado e o campo '"Nome"' encontrase ilegível, não sendo assim hábeis a demonstrar a efetiva transmissão de propriedade; conforme já esclarecido, as mercadorias foram remetidas diretamente da refinaria de Petróleo de Manguinhos S.A para depósito nos estabelecimentos da Álamo Ltda e Exxel Ltda, assim não há como se provar que os canhotos foram assinados por preposto do interessado e pelo mesmo fato não há conhecimento de transporte emitido em seu nome; desta forma, não pode prosperar a cobrança do IR e reflexos incidentes sobre a suposta venda no mercado interno de 1.242.315 litros de gasolina, uma vez que o interessado jamais recebeu as mercadorias em questão; ARGUMENTOS ESPECÍFICOS DO PIS E DA COFINS (ISENÇÃO) Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 2 4/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE 8 ''Uma vez que a gasolina, apesar de ter sido vendida à Impugnante com fim específico de exportação, não foi remetida para embarque ou para recintos alfandegados, não há que se falar em isenção e. portanto, não há que se falar em responsabilidade da Impugnante, devendo a Refinaria de Petróleo de Manguinhos S.A pagar os tributos que incidiram na operação de venda da gasolina à Impugnante.". o interessado é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da presente autuação haja vista que os responsáveis pelo pagamento da contribuição, nos lermos do artigo 137, incisos I e II, do CTN, são as empresas depositárias Álamo Distribuidora de Derivativos e Exxel Brasileira de Petróleo Ltda. que ate o presente momento não devolveram as mercadorias depositadas; da COFINS e do PIS supostamente devidos, devem ser excluídos os valores cobrados a título de CIDE , nos termos do art. 8". Da Lei n° 10.336, de 2001; MULTA a porcentagem da multa caracteriza confisco, vedado pela Constituição 1988; não é cabível a aplicação de multa quando há boafé do contribuinte, o que ocorreu no caso em tela; JUROS DE MORA a utilização da taxa Selic, no cômputo dos juros de mora dos débitos ora discutidos, fere dispositivo constitucional e infraconstitucional e contraria o princípio da legalidade; a Selic não foi criada por lei, haja vista não serem encontrados na legislação vigente quais os critérios necessários para se chegar ao resultado da referida taxa; os juros de débitos tributários devem ser de 1% ao mês, como dispõe o art. 161 do CTN c/c art. 192, § 3o. da CF/1988; a Selic tem características remuneratórias e não moratórias; PEDIDO Encerra requerendo: seja declarado nulo o presente auto de infração, haja vista que não foram seguidos os procedimentos cabíveis para prorrogação do MPF original, assim como houve a constituição do crédito tributário sem a correspondente emissão do MPFC; seja declarado nulo o presente auto de infração, pois o interessado é parte _ legítima para figurar no pólo passivo da Fl. 8DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 2 4/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Processo nº 15586.000098/200713 Acórdão n.º 140100.405 S1C4T1 Fl. 3.004 9 presente atuação, nos termos do artigo 137, incisos I e III do CTN; sejam determinadas a improcedência da ação fiscal e a anulação da exigência e anulação da exigência imposta; ou, seja suspenso o procedimento administrativo até que ocorra o tento das ações penais e cíveis; ou, seja julgado parcialmente procedente, sendo excluída a cobrança do IRPJ e reflexos incidentes sobre a suposta venda no mercado interno de 1.242.315 litros de gasolina, que o interessado jamais recebeu as mercadorias em questão; sejam deduzidos da COFINS e do PIS a pagar os valores cobrados a título de CIDE sobre a mesma operação, exigidos por meio do processo administrativo nº 15586.000101/200707; seja reduzida a multa aplicada e afastada a taxa de juros pretendida, substituindoa pelos juros legais de 1% ao mês (art. 161, § 1º. do CTN). Transcreve em sua impugnação trechos jurisprudenciais. Acosta ao processo documentos às fls. 1.567/ 2.774. E o relatório. Leio em sessão a Nota Técnica n.° 522/SAB, de 04/12/2002 (fls. 466/478), emitida com base em diligências realizadas pela ANP. A DRJ, manteve o lançamento, nos termos da ementa abaixo: Anocalendário: 2002 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceituam os artigos 142 do CTN e 10 e 59 do PAF. NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades c procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade dos procedimentos as eventuais falhas na sua emissão, trâmite ou ciência. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgão colegiado, sem lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 Fl. 9DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 2 4/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE 10 OMISSÃO DE RECEITA. RECEBIMENTOS SEM CAUSA. Considerase omissão de receita a entrada de recursos do exterior, quando não comprovada a causa do recebimento e nem efetuada a sua devolução. OMISSÃO DE RECEITA. FALTA DE EMISSÃO DE DOCUMENTOS FISCAIS. A distribuição de combustível no mercado interno, sem a emissão de documentos fiscais, caracteriza omissão de receita. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SEL1C. A multa dc ofício de 75% e os juros de mora equivalentes à taxa SELIC encontram amparo na legislação. MULTA QUALIFICADA. É cabível a multa qualificada de 150%, quando comprovado que o interessado omitiu escrituração de receitas, visando impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação principal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. Não compete à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de lei. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz em razão da relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 ISENÇÃO. EXPORTAÇÃO NÃO COMPROVADA. FALTA DE RECOLHIMENTO. É cabível lançamento da contribuição, relativamente à mercadoria não exportada adquirida com isenção. VALOR DEVIDO. DEDUÇÃO DO VALOR DA CIDE. Somente nos casos previstos em lei, podese deduzir a CIDE paga do valor da COFINS devida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2002 ISENÇÃO. EXPORTAÇÃO NÃO COMPROVADA. FALTA DE RECOLHIMENTO. É cabível lançamento da contribuição, relativamente à mercadoria não exportada adquirida com isenção. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 2 4/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Processo nº 15586.000098/200713 Acórdão n.º 140100.405 S1C4T1 Fl. 3.005 11 VALOR DEVIDO. DEDUÇÃO DO VALOR DA CIDE. Somente nos casos previstos em lei, podese deduzir a CIDE paga do valor do PIS devido. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação, ressaltando através de jurisprudência e de doutrina a tese das excludentes de responsabilidade (caso fortuito e força maior), em face do aparecimento de evento alheios a sua vontade, como é o caso do “descaminho”. Informo que novos documentos foram anexados aos autos quando do ingresso do recurso voluntário (fls. 2901/2907) dando notícia de que o Ministério Público propôs o arquivamento do inquérito policial, sendo acatado pelo MM. Juízo da 2a Vara Criminal da Justiça Federal de São Paulo nos autos do processo nº 2006.61.81.0061238, em razão da falta de materialidade por conta de a mercadoria não ter sido exportada em função do desaparecimento da base onde foi depositada. Também trouxe aos autos sentença proferida pelo MM. Juízo da Vara Distrital da Justiça Civil de Paulínea nos autos do processo nº 428.01.2002.0013310, ainda em fase de apelação, cuja trecho relevante da sentença abaixo se transcreve, ajuizado pela Recorrente para o fim de condenar a Álamo a devolver a gasolina por ela armazenada: “constatase, portanto, do resultado da perícia que a ré (Álamo) armazenou o combustível junto à base Transo, porém deulhe destinação diversa, não consistente na devolução do volume total à autora, que ocorreu tão somente no papel, sem que tenha verificado fisicamente” O recurso de fls. 2912/2938 relativo a CIDE não será conhecido pois o auto de infração da referida contribuição consta de dos autos do processo nº 15586.000101/200707. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que o auto de infração é nulo, uma vez que os procedimentos cabíveis para a prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal original não foram adotados, assim como não foi expedido Mandado de Procedimento Complementar Fl. 11DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 2 4/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE 12 (MPFC), para a constituição de crédito tributário relativo a tributos daquele previsto inicialmente. O MPF é mero instrumento interno de planejamento, controle e gerência das atividades de fiscalização, disciplinado por portarias da Receita Federal que não têm o condão de alterar a competência atribuída ao auditor fiscal e não o desoneram da atividade obrigatória e vinculada do lançamento. O art. 142 do Código Tributário Nacional expressamente confere à autoridade administrativa a competência indelegável e privativa de formalizar o lançamento. E esta autoridade, nos termos da Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º, e do Decreto nº 2.225, de 1985, é o auditor fiscal da Receita Federal. Logo, verificando a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou o descumprimento de uma obrigação tributária acessória, tem ele o dever indeclinável de promover o lançamento. Neste sentido direcionase o Conselho de Contribuintes, conforme ementas a seguir transcritas: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PORTARIA SRF Nº 1.265/99. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE. O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. A Portaria SRF nº 1.265/99 estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, sendo o Mandado de Procedimento Fiscal MPF mero instrumento de controle administrativo da atividade fiscal. (Acórdão nº 20308483 de 16/10/2002) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não tem o condão de limitar a atuação da Administração Pública na realização do lançamento. Não é o mesmo sequer pressuposto obrigatório para tal ato administrativo, sob pena de contrariar o Código Tributário Nacional, o que não se permite a uma Portaria. (...) (Acórdão 10707268 de 13/08/2003) NORMAS PROCESSUAIS MPFMANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO RECURSO EX OFFICIO. O pleno exercício da atividade fiscal não pode ser obstruído por força de um ato administrativo que deve ser entendido como sendo de caráter meramente gerencial. Tal instituto, por ser medida disciplinadora, visando a administração dos trabalhos de fiscalização, não pode se sobrepor ao que dispõe o Código Tributário Nacional acerca do lançamento tributário, e aos dispositivos do Decretolei nº 2.354/54, que trata da competência funcional para a lavratura do auto de infração. Recurso de ofício a que se dá provimento. (Acórdão 10706952 de 29/01/2003) MPF O Mandado de Procedimento Fiscal, é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade dos procedimentos fiscais as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. (Acórdão 10514070 de 19/03/2003) Fl. 12DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 2 4/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Processo nº 15586.000098/200713 Acórdão n.º 140100.405 S1C4T1 Fl. 3.006 13 Por conseguinte, eventual inobservância da norma infralegal em nada macularia o lançamento, razão pela qual não merece prosperar, de plano, a alegação da Recorrente. De qualquer forma, no caso concreto sequer se configura a impropriedade alegada. E foi o que aconteceu, conforme inclusive reportado pela DRJ e não refutado pela Recorrente: “Consultando as informações disponíveis (fl. 2.778), verificase que o Mandado de Procedimento Fiscal nº 0720100 2005 00598 foi prorrogado até 13 de abril de 2007. Tendo em vista que a ciência dos autos de infração ocorreu em 26/02/2007, antes, portanto, da data final, não há que se cogitar em irregularidades quanto à prorrogação do MPF. De igual forma, verificase, no referido documento (fls. 356 e 2778), que houve ampliação de tributos/contribuições e do período de apuração.” Outrossim, não merece melhor sorte em relação a tentativa de anular o lançamento devido à suposta irregularidade de não ter sido expedido Mandado de Procedimento Complementar (MPFC), para a constituição de crédito tributário relativo a tributos daquele previsto inicialmente. Em primeiro lugar porque a atuação da CIDE, conforme relatado, está fora do escopo deste processo, tendo sido lavrado nos autos do processo nº 15586.000101/200707 (CIDE). É que o art. 9º da Portaria SRF n°3007, de 26 de novembro de 2001, não dá guarida a esse entendimento quando os mesmos elementos de prova tiverem repercussões em outros tributos ou contribuições, situação na qual estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização independente de menção expressa: Art. 9º Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. Rejeitase, portanto, a preliminar de nulidade suscitada. Solicitação de Suspensão do Procedimento Administrativo Fl. 13DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 2 4/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE 14 A Recorrente solicita a suspensão deste processo de forma a permitir o encerramento das ações penais e civis que tratam da apuração do destino do combustível adquirido, que tinha o fim específico de exportação. Cabe salientar a esse respeito que não existe previsão legal para tal diferimento, pois os procedimentos administrativo, penal e civil são independentes entre si, a não ser que a mesma matéria tributária seja levada à justiça, o que não foi o caso. É que a convicção dos julgadores de primeira instância é formada a partir da interpretação da legislação tributária e da análise do conjunto probatório formado por provas constantes do processo administrativo. Outrossim, cabe aqui salientar a distinção entre ilícito penal e ilícito fiscal, pois, enquanto para o primeiro aplicase o elemento subjetivo (tratase de sanção de caráter personalíssimo), para o segundo, aplicase o critério objetivo. Enquanto as sanções penais e penaistributárias se referem à conduta do agente, as sanções meramente fiscais, assim como as sanções administrativas, referemse ao fato (falta de recolhimento do tributo). Nessa linha de raciocínio a notícia de que o Ministério Público arquivou o inquérito policial nos autos do processo nº 2006.61.81.0061238 em razão da falta de materialidade por conta do desaparecimento da base onde foi depositada não interfere no presente julgamento, pois como se demonstrará mais adiante é justamente o contexto em que se deu esse desaparecimento bem assim o papel desempenhado pela Recorrente nessas circunstâncias é que será relevante para determinação da correção do presente lançamento tributário. Aqui o protagonista principal é “fato gerador” e seus consectários legais e desdobramentos, tais como, obrigação tributária, responsabilidade tributária, se o fato gerador ocorreu, se teve sua ocorrência retardada e, por fim, se houve ação dolosa do contribuinte quando este exclui ou modifica as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária, de modo a reduzir o montante do imposto devido De igual sorte, qualquer que seja o resultado de ação impetrada pela Recorrente no campo do Direito civil contra os depositários e que por acaso envolva o ressarcimento de eventuais prejuízos também não interfere no presente julgamento por possuir escopo completamente distinto da presente lide tributária. Isso não quer dizer que tais ações judiciais sejam completamente inócuas. São inócuas no que concerne a atribuir a ela algum tipo de caráter vinculante às suas conclusões finais. Mas, são antes de tudo fatos. E fatos podem interferir no presente processo, desde que sejam relevantes e se vinculem de alguma forma como o objeto desta lide. E se verá mais adiante que vou me valer de alguns fatos aduzidos nessas ações ora a favor ora contra as pretensões da Recorrente. Nos próximos dois parágrafos, observese que trato de algo factual, uma omissão, que gera efeitos pragmáticos que depõe contra a Recorrente, senão vejamos. Conforme relatado a Recorrente trouxe aos autos sentença proferida pelo MM. Juízo da Vara Distrital da Justiça Civil de Paulínea nos autos do processo nº 428.01.2002.0013310, ainda em fase de apelação, tendo ela como autora e para o fim de condenar a Álamo a devolver a gasolina por ela armazenada, onde, como já se viu, está obtendo sucesso. Porém, deixou de trazer também aos autos sentença proferida pelo MM. Juízo da Vara Distrital da Justiça Civil de Paulínea nos autos do processo nº 428.01.2002.0013320, ainda em fase de apelação, que dessa feita lhe foi desfavorável: Fl. 14DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 2 4/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Processo nº 15586.000098/200713 Acórdão n.º 140100.405 S1C4T1 Fl. 3.007 15 (...)Como se vê, os fatos ainda são nebulosos, não permitindo imputação de responsabilidade, seja pelo desaparecimento da mercadoria, seja pelos danos sofridos pela ré em razão do envolvimento de seu nome no caso. Portanto, a improcedência a ação e da reconvenção é medida de rigor. Ante o exposto e por tudo mais que dos autos consta, JULGO IMPROCEDENTE a ação para cumprimento de obrigação de fazer que THORK COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. ajuizou contra EXXEL BRASILEIRA DE PETRÓLEO LTDA. e JULGO IMPROCEDENTE a reconvenção ajuizada por esta contra aquela.(...) (grifei) Como se vê, se o nosso juízo de valor for depender dessas ações entraremos em uma verdadeira aporia, pois uma ação lhe é favorável e a outra, desfavorável. O problema é que os objetos e escopos são distintos e como já se disse, os procedimentos administrativo, penal e civil são independentes entre si, a não ser que a mesma matéria tributária seja levada à justiça, o que não foi o caso. Rejeito, portanto, esse pedido de suspensão ou de vinculação direta aos referidos processos. Isenção do PIS e COFINS Conforme relatado, durante a auditoria realizada, foi constatado que a fiscalizada adquiriu a mercadoria objeto dos Adiantamentos de Contrato de Câmbio (Gasolina A com Marcador) com isenção das Contribuições de Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e do Programa de Integração Social (PIS), por tratarse de produto com o fim específico de exportação para o exterior. No entanto, a exportação não foi realizada, fato confirmado pela própria Recorrente. Em sua defesa, o interessado afirmou que a exportação não ocorreu, em virtude de as mercadorias terem sido extraviadas pelas armazenadoras Álamo Distribuidora de Derivativos de Petróleo Ltda e Exxel Brasileira de Petróleo Ltda e que, em função do ocorrido, propôs ações cíveis contra as referidas empresas visando à busca e apreensão de combustível (fls. 1.632/1.646e 1.761/1.763e 1.76671.777). A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, instituída pela Lei complementar n.° 70, de 1991, que incide sobre o faturamento mensal isenta as vendas realizadas diretamente ao exterior pelo exportador e pelas empresas comerciais exportadoras ou empresas exclusivamente exportadoras. Contudo, para a fruição do benefício, tornase necessário que a venda tenha fim único de exportação e não estando comprovada a destinação ao exterior das mercadorias adquiridas pela Thork, não cabe o locupletamento da isenção da Cofins. Descaracterizada a exportação, a empresa fica obrigada ao pagamento das contribuições não recolhidas, incidentes sobre o valor de aquisição dos produtos adquiridos e não exportados conforme art. 89 inciso I do Decreto 4.524/2002. A mesma base legal aplicase ao Pis. Art. 89. A empresa comercial exportadora que utilizar ou revender no mercado interno produtos adquiridos com o fim específico de exportação, ou que no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contado da data da emissão da nota fiscal de venda pela empresa vendedora, não efetuar a exportação dos referidos produtos para Fl. 15DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 2 4/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE 16 o exterior, fica obrigada, cumulativamente, ao pagamento (Lei nº 9.363, de 1996, art. 2º, §§ 4º a 7º, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 7º): I das contribuições não recolhidas em decorrência do disposto no inciso III1 do art. 44 e nos incisos VIII e IX do art. 452, incidentes sobre o valor de aquisição dos produtos adquiridos e não exportados; e II das contribuições incidentes sobre o seu faturamento, na hipótese de revenda no mercado interno. Como argumento subsidiário, pois aqui não se trata da isenção da CIDE, mas tratase da mesma forma de uma Contribuição onde o legislador melhor explicitou tal circunstância. A Lei 10.336/2001 que instituiu a CIDE também trata especificamente em seu artigo 10° dos produtos adquiridos com o fim especifico de exportação para o exterior. Seu parágrafo 1º é bastante claro na indicação do responsável pela não exportação dos produtos nas condições que se cuida: § 1o A empresa comercial exportadora que no prazo de 180 dias (cento oitenta) dias, contado da data de aquisição, não houver efetuado a exportação dos produtos para o exterior, fica obrigada ao pagamento da Cide de que trata esta Lei, relativamente aos produtos adquiridos e não exportados". E o parágrafo 4º dispõe: "§ 4° A empresa comercial exportadora que alterar a destinação do produto adquirido com o fim especifico de exportação, ficará sujeita ao pagamento da Cide objeto da isenção na aquisição". A Recorrente alega, também, que a isenção das contribuições (PIS e COFINS) somente abrange as receitas oriundas de vendas de mercadorias, com fim específico de exportação, à empresa comercial exportadora, quando as mercadorias forem remetidas diretamente ao estabelecimento industrial, no caso a Refinaria de Petróleo de Manguinhos S.A, para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, o que não teria ocorrido. Vejamos o que a legislação considera com a expressão “fim específico de exportação”: 1 Art. 44. O PIS/Pasep nãocumulativo não incide sobre as receitas decorrentes das operações de (Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 5º): I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; e III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. 2 Art. 45. São isentas do PIS/Pasep e da Cofins as receitas (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 14, Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º, e Lei nº 10.560, de 2002, art. 3º, e Medida Provisória nº 75, de 2002, art. 7º): (...) VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; e IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 2 4/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Processo nº 15586.000098/200713 Acórdão n.º 140100.405 S1C4T1 Fl. 3.008 17 Decreto nº 4.502, de 2002, art. 45, inciso IX, § 1º:: § 1º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. (grifei) Ora, provado que os produtos foram efetivamente entregue a uma empresa comercial exportadora (Recorrente), entendo que foram cumpridas as condições que autorizavam a saída com suspensão do imposto. Se a empresa comercial exportadora (Recorrente) recebe o produto com preço desonerado dos tributos com a condição de exportar, condição essa devidamente registrada nos documentos fiscais emitidos pela Usina Manguinhos, assume a responsabilidade de pagar os tributos suspenso se descumprida a condição que autorizava esse procedimento, como foi o caso Sendo assim, não prospera a alegação da Recorrente no sentido de afirmar que a responsabilidade pelo recolhimento das referidas contribuições é do estabelecimento industrial fornecedor (Usina Manguinhos). Se aceitarmos tal raciocínio estaríamos indiretamente desacatando o princípio basilar do Direito de que ninguém pode se aproveitar de sua própria torpeza em benefício próprio. Outrossim, não merece melhor sorte o argumento utilizado de que não seria parte legítima para figurar no pólo passivo da presente atuação, haja vista que os responsáveis pelo pagamento das contribuições, nos termos artigo 137. incisos I e II, do CTN. seriam as empresas depositárias Álamo Distribuidora de Derivativos de Petróleo Ltda e Exxel Brasileira de Petróleo Ltda, pois não devolveram as mercadorias depositadas. A Recorrente confunde responsabilidade tributária por infrações (art. 137 do CTN) com o conceito de sujeito passivo, na qualidade de responsável (art. 121, inciso II do CTN). O interessado na medida em que descumpriu requisitos para a concessão da isenção, pois deu destinação diversa a mercadorias que deveriam ter sido exportadas, assumiu a condição de sujeito passivo, por expressa disposição legal sob (responsável). Definida a sujeição passiva por expressa previsão legal, nada impede que se atribua também ao agente (administrador, sócio etc) responsabilidade pessoal pelas infrações por ele praticadas, nos termos do art. 137 do CTN, o que não modifica a sujeição passiva da tributária principal. Dessa forma, descabe seu argumento de que a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições caberia às empresas depositárias. Omissão de Receitas Recebimento sem causa O procedimento inicial de fiscalização tomou por base o trabalho elaborado pela Equipe Especial de Fiscalização instituída pela Portaria SRF – Secretaria da Receita Federal – n° 463, de 30/04/2004, que, apoiandose em decisão do Juízo da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba/PR, a pedido da Polícia Federal do mesmo Estado, autorizou a quebra de sigilo bancário de contas mantidas no exterior por Instituições Financeiras que atuavam como Fl. 17DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 2 4/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE 18 prepostos bancáriosfinanceiros de pessoas físicas e jurídicas representadas por cidadãos brasileiros. Dentre essas pessoas jurídicas encontrase o contribuinte sob fiscalização, como recebedor de recursos financeiros movimentados no exterior. Comprovouse que a Recorrente era beneficiária de recursos de empresa localizada no exterior, na forma de adiantamentos de contrato de câmbio, para realização de exportação de gasolina ao importador CAMBRA da Bolívia, no montante de RS 1.093.524,62 (US$ 439.982,00) . Correspondência encaminhada pelo Banco Central do Brasil (BACEN) informou da celebração de os contratos de câmbio de exportação pela fiscalizada em que não houve a comprovação de embarque das mercadorias ao exterior, como demonstrado. O expediente do BACEN aponta indícios de irregularidades que tem conexão com os informados na Representação Fiscal n° 774/05 e documentos anexos (fls. 351 a 352). Como a referida exportação não ocorreu, nem foi efetuada a devolução do numerário recebido, tampouco foi alterado o contrato de câmbio para uma finalidade de financiamento ou investimento direto de capital, a autoridade administrativa considerou os recursos recebidos como "outras receitas recebidas”, informando que os valores não foram contabilizados e declarados como receita pelo interessado, fato que ensejou a lavratura do auto de infração. Diligências realizadas pela Agência Nacional do Petróleo, de fato, constataram que a mercadoria não exportada foi distribuída no mercado interno (fls. 393 a 691). Nesse sentido a ANP autuou a Recorrente. Desta forma a presente ação fiscal constatou que o sujeito passivo violou dispositivos legislação tributária relativamente aos produtos adquiridos com isenção de contribuições e não exportados, e ainda omitiu receitas decorrente da operação de venda do combustível no mercado interno. Contra essa acusação alega que foi contratada pela CAMBRA SRL, localizada na Bolívia para realizar a exportação de gasolina. Iniciada a operação recebeu R$ 1.093.444,76, referente aos contratos de câmbio para exportação, na modalidade antecipada, repassando a quantia à Refinaria de Petróleo de Manguinhos S/A, conforme documento em anexo. Alega que os recursos foram corretamente contabilizados, através de contas Banco. Adiantamento de Cliente, Adiantamento a Terceiros), e utilizados para das mercadorias que seriam exportadas, não tendo auferido qualquer receita tributável. Por fim, informa que a exportação não ocorreu, visto que as mercadorias foram extraviadas pelas empresas armazenadoras. Não se contesta que as operações de crédito na forma de adiantamento de contrato de câmbio existiram. Acontece que essas operações dependem da concretização das exportações em um determinado prazo, sendo estas a efetiva causa do recebimento de recursos do exterior. Assim, se não comprovada a exportação da mercadoria, nem a devolução do numerário, a causa da antecipação de recursos oriundos do exterior deixa de existir. Embora alegue que foi contratado para realizar operação de exportação pela empresa boliviana Cambra SRL, conforme muito bem colocado pela DRJ, o interessado sequer apresenta contrato comercial realizado com o importador. Informa que a falta de risco da Fl. 18DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 2 4/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Processo nº 15586.000098/200713 Acórdão n.º 140100.405 S1C4T1 Fl. 3.009 19 operação (sob o argumento de que só compraria a mercadoria da refinaria, após receber o adiantamento justifica a ausência de contrato). Entretanto, tal argumento já foi muito bem rechaçado pela DRJ, não tendo sido refutado: Uma, porque não é razoável realizar operação não escrita envolvendo vultosa quantia; outra, porque o interessado não é a única parte na operação. Se não existia risco para o interessado (exportador), certamente teria para outra ponta, para o importador, o que exigiria acordo escrito. Quanto ao alegado extravio da mercadoria, é necessário registrar que, nos autos não há elementos suficientes a sua comprovação e ainda que estivesse comprovado, a infração não seria afastada, pois a causa do recebimento dos recursos do exterior, exportação de mercadorias. não ocorreu. Quanto ao repasse à Refinaria de Petróleo Manguinhos S/A (fls. 1.783/1.784), cabe salientar que não justifica a causa do recebimento dos recursos do exterior (fls. 83, 89 e 94). Tal situação não substitui a necessidade de devolução do numerário ou de regularização da natureza da operação junto ao Banco Central. O locupletamento indevido permanece, pois tratase apenas de permutar o dinheiro recebido por mercadoria que teoricamente passa a ser um ativo de sua propriedade. Quanto à escrituração dos valores recebidos do exterior, embora alegue, não traz aos autos documentos relativos à contabilização da operação. Cabe salientar, entretanto, que os lançamentos contábeis da operação, tal como informado pela Recorrente registram fatos permutativos (contas patrimoniais), não envolvendo qualquer conta de resultado;• que não afasta a infração ora imputada: falta de registro de receita. Ademais, a contabilização aduzida pela Recorrente levanta mais suspeitas ainda em relação o seu modus operandis. É que o crédito no passivo na conta Adiantamento de Clientes em contra partida à conta Caixa, não poderia ser desfeita com a saída de caixa para fins de compra do combustível da Usina Manguinhos, pois esse fato contábil deveria apenas registrar uma permutação entre ativos: saída caixa e entrada mercadoria no estoque. Logo, não poderia baixar a conta de passivo que ainda deveria permanecer credora, afinal quando desse evento, o Importador ainda não teria recebido a mercadoria importada. Em suma, tendo em vista que o interessado não realizou a exportação, não devolveu os recursos ao importador, nem procedeu à alteração, junto ao Banco Central, da finalidade do recebimento::dos recursos, a causa do recebimento não restou comprovada, agiu corretamente a autoridade lançadora ao considerar como receita tributável ("outras receitas recebidas” o montante oriundo do exterior. Deste modo, em relação a esse item nego provimento ao recurso. Omissão de Receita – Falta de emissão de notas fiscais Fl. 19DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 2 4/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE 20 O autuante constituiu o lançamento tributário tendo em vista a ocorrência de omissão de receita, caracterizada pela falta de emissão de documentos fiscais, referente à distribuição da mercadoria no mercado interno e a conseqüente ausência de registro contábil, conforme base de cálculo demonstrada às fls. 1.176/1.179. Especificamente, no caso em comento, não pairam dúvidas de que ocorrera a omissão de receita. É de se ver. A recorrente acusa a falta de provas. A comprovação material de uma determinada situação fática pode ser feita, em regra ou por uma prova única, direta, concludente por si só, ou por um conjunto de elementos/indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a inequivocidade daquela matéria de fato. Afinal a prova indiciária é meio idôneo admitido em Direito, quando a sua formação está apoiada em ma concatenação lógica de fatos, que se constituem em indícios precisos, “econômicos” e convergentes. É o que se passa a demonstrar. .Conforme relatado, a Recorrente recebeu recursos do exterior com o intuito de proceder com a exportação para empresa Boliviana (Cambras). As provas dos autos (492/691e fls. 1.163/1.167) dão conta de que o interessado adquiriu da Refinaria de Petróleo Manguinhos produto com a descrição "Gasolina A com Marcador", no total de 7.140.744,26 litros, com fim específico de exportação . Entretanto, ao invés de exportar diretamente a mercadoria, o interessado remeteu parte do volume mencionado para as empresas Álamo Distribuidora de Derivados de Petróleo Ltda (fls. 426/431 e 1.793/1.938) e Exxel Brasileira de Petróleo Ltda (fls. 432). .A remessa das mercadorias foi efetuada com suporte nas notas fiscais de remessas, tendo porém suprimido da maior parte delas em relação à descrição do produto a expressão “Marcador”. A referida expressão é utilizada nas notas fiscais, para identificar a gasolina destinada ao mercado internacional, que é adquirida isenta de tributos , caracterizando assim a intenção de revender o produto no mercado interno. Através do boletim de ocorrência n°. 2.222/02 (fls. 437/438), ficou registrado que os fiscais da Agência Nacional de Petróleo (ANP) foram nas bases da Transo Distribuidora 1 depósito da Álamo) e da Exxel Brasileira de Petróleo Ltda e não localizaram a "Gasolina A" no local informado pelo interessado. Por outro lado. as referidas empresas afirmaram ter devolvido a mercadoria ao interessado. A esse respeito a DRJ assim se pronunciou: Da parte conclusiva do item 2 da Nota Técnica n.° 522/SAB, de 04/12/2002 (fls. 466/478), emitida com base em diligências realizadas pela ANP, extraise que a empresa Álamo não possuía capacidade suficiente para armazenar o volume total de combustível remetido peio interessado e que a empresa Exxel misturou a Gasolina A, proveniente de Manguinhos, no mesmo tanque destinado à movimentação de produtos originários de outros lagares. No item 7, da mesma Nota Técnica, há a informação de que a gasolina enviada pelo interessado para armazenamento no Pool Transo (base da Álamo), nos meses de maio e junho de 2002, foi vendida ou para postos revendedores ou para outras empresas; Fl. 20DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 2 4/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Processo nº 15586.000098/200713 Acórdão n.º 140100.405 S1C4T1 Fl. 3.010 21 mesma conclusão verificada no item 8.3 da mencionada Nota Técnica. A matéria foi objeto de apuração na Comissão Parlamentar de Inquérito de combustíveis (fls. 366 386) e divulgado na imprensa (fls. 353 355). É incontroverso e o interessado reconhece que a mercadoria não foi exportada e os 7.140.744,26 litros de gasolina não foram localizados onde deveriam estar armazenados. Além disso, existe informação oficial de que o produto foi revendido no mercado interno. E não se venha alegar que tal circunstância seria alheia à sua vontade, pois não adotou o mínimo de cautela necessário que uma comercial exportadora deveria adotar em suas operações. Não certificouse da idoneidade das empresas depositárias e pessoas físicas envolvidas. Não celebrou contratos com o importador; não exigiu recibo de entrega da mercadoria e como se não bastasse ao remeter as mercadorias para os armazéns, o interessado fez constar na descrição do produto das notas fiscais de remessa apenas "Gasolina A", omitindo a expressão "Marcador", dando azo inclusive a que os depositários viessem depois alegar desconhecimento do fim específico de exportação das referidas mercadorias, como foi o caso da Distribuidora Exxel. A Recorrente, ressaltese novamente, deixou de trazer também aos autos sentença proferida pelo MM. Juízo da Vara Distrital da Justiça Civil de Paulínea nos autos do processo nº 428.01.2002.0013320, que lhe foi desfavorável. Extraise trecho relevante da sentença, encontrada no site da justiça, justamente demonstrando que a omissão da expressão “Marcador” foi alegada de forma veemente pela requerida e, quem sabe, pode ter sido determinante para o insucesso da Recorrente nesta ação: Por sua vez, a requerida [Álamo] afirmou a devolução da mercadoria, nos termos da nota fiscal de fls. 209, apontando prejuízos a sua imagem, daí a reconvenção, uma vez que desconhecia a existência do marcador na gasolina, fato dela omitido pela autora. Como se vê, apesar das alegações das partes, não restaram comprovados os fatos constitutivos do direito delas, pois a requerida[Álamo] aponta documentos os quais ventila comprovam a devolução da mercadoria, tal seja, a nota fiscal de fls. 209, a qual encontrase devidamente assinada pelo recebedor (1ª via a fls. 76) e as autorizações de devolução de mercadoria fls. 211/220, devidamente assinadas pela empresa autora, [Thork] figurando como transportadora Stein Antunes Transportes Ltda. Realmente, tais documentos conferem verossimilhança aos fatos ventilados pela ré, mas a suplicante contra eles se insurge apontando que configuram mera formalidade, não tendo havido a devolução física da mercadoria. Outrossim, a Recorrente como real proprietário da mercadoria possuía a responsabilidade de exportar o produto que era seu, pois além de receber recursos do exterior, assumindo obrigação com o importador, conforme alegado, assumiu o ônus legal de pagar as tributos contribuições relativos à mercadoria adquirida com isenção, caso a exportação não se efetivasse. Assim, todo cuidado aplicado na operação seria pouco. Fl. 21DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 2 4/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE 22 O Laudo Pericial Contábil à fl. 1.990 (sexto parágrafo) consta registrado pelo perito que "ao ser reenviada pela Requerida (Álamo) para a armazenadora Transo, tal expressão havia sido suprimida.". E no parágrafo seguinte o Perito arremata: "Tal fato está sendo citado apenas em razão dos desdobramentos que tal ocorrência certamente irá ocasionar na área tributária, já que se tratava de uma mercadoria que deveria ser exportada e, por conseguinte, estava contemplada com os incentivos fiscais pertinentes.". Conforme registrado pela DRJ, “O que se percebe é que gradativamente se omitiu, nas notas fiscais, o destino precípuo da gasolina adquirida.” A história poderia ser mais um caso de roubo de carga em estradas brasileiras não fosse o rastro de irregularidades deixado pela primeira exportação terrestre do produto. O desaparecimento de mais de sete milhões de litros de gasolina foi motivo de repercussão na imprensa nacional e bem demonstra o descaso, a ingenuidade ou engenhosidade da Recorrente, comercial exportadora que deveria ser a guardiã maior desse tipo operação: A incrível história dos sete milhões de litros de gasolina que saíram da refinaria de Manguinhos para exportação, sem imposto, mas foram parar nas distribuidoras Você consegue imaginar o que são sete milhões de litros de gasolina? Uma dica: se essa quantidade fosse colocada em caminhõestanque, seria necessário um total de 233 carretas para armazenála. Outra pista: o número equivale à venda, durante todo um mês, de nada menos que 100 postos de combustível de porte médio no País. Mais difícil do que visualizar o gigantesco volume, porém, é entender como toda essa gasolina, retirada da refinaria de Manguinhos, em Duque de Caxias (RJ), nos meses de maio e junho, desapareceu sem chegar ao destino previsto no contrato de venda: um suposto comprador na Bolívia. A história poderia ser mais um caso de roubo de carga em estradas brasileiras não fosse o rastro de irregularidades deixado pela primeira exportação terrestre do produto. Começa pelo tipo de mercadoria comercializada na operação. A gasolina que Manguinhos separou para a Bolívia por ser para exportação está livre da cobrança de impostos e, consequentemente, é muito visada no mercado clandestino brasileiro. Ou seja, o larápio já previa o lucro de 40% que teria sobre o preço do concorrente na hora de passála adiante. O valor que a suposta distribuidora boliviana aceitou pagar à refinaria fluminense também desperta desconfiança – R$ 0,70, por litro, contra os cerca de R$ 0,50 pedidos pela Petrobras. Sim, num mercado livre, cada um vende pelo preço que quer. Essa foi a resposta de Manguinhos, uma das duas únicas refinarias privadas do País. Mas quem tenta saber da compradora por que optou pelo preço mais alto começa a entender a fraude.(..)(destaquei) Fl. 22DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 2 4/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Processo nº 15586.000098/200713 Acórdão n.º 140100.405 S1C4T1 Fl. 3.011 23 Como se vê, o preço na faixa de R$ 0,70 já de antemão fala muito alto a qualquer um que entenda do negócio. Como crer que a comercial exportadora não sabia onde estava se metendo? Outro fato que chama a atenção é a falta não só de contrato entre a Thork e o importador, mas a própria falta de contato entre eles é que mais assusta. Espanta inclusive a falta de qualquer correspondência da Cambras cobrando o numerário adiantado à Thork pela exportação que não se realizou. Vejamos o que foi notificado por aquele mesmo órgão de imprensa a esse respeito: (..) No contrato de exportação consta que a receptora da gasolina na Bolívia seria a Cambras, com sede em Santa Cruz de la Sierra. Consultados por ISTO É, nem o Consulado Boliviano em São Paulo nem a Câmara de Comércio daquela cidade conseguiram localizar a empresa. Tampouco ela é conhecida no setor de combustíveis. O diretor comercial de Manguinhos, Luiz Henrique Sanches, não se preocupou em saber quem era sua cliente num negócio de R$ 21 milhões. Segundo ele, cabia à refinaria responder apenas para a Thork, a trade responsável pelo desembaraço aduaneiro do produto do Rio de Janeiro até chegar às mãos da Cambras. “A Thork foi aprovada pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) para operar no setor de exportação”, afirma Sanches. “O crivo da agência bastou para nós”, acrescenta. Na quartafeira 17, o polêmico empresário falou a ISTOÉ e trouxe um novo nome na transação entre Manguinhos e a misteriosa compradora da Bolívia. Seria a Rush Oil, uma empresa com sede no paraíso fiscal das Ilhas Virgens. Na versão de Daim, no final do ano passado os dois sócios da Rush – que ele só revela que são holandeses – procuraram sua ajuda para comercializar gasolina do Brasil para a Bolívia. Os holandeses anônimos são os únicos que dizem conhecer a Cambras. Pelo acordo, Daim deveria arranjar uma trade que levasse a carga até lá. “Um amigo meu, de grande influência política, ajudou a Thork a conseguir a aprovação na ANP. Eles não aprovam nada sem lobby”, diz. Sobre o fato de a agência saber da sua participação no projeto, fala que foi recebido pelo superintendente Carlos Valois antes da aprovação da trade. “Ele me chamou para conversar porque queria saber mais detalhes sobre o mercado na Bolívia.” (...) Mas bastava um telefonema à Bolívia para descobrir que a única empresa brasileira que tem autorização para entrar com gasolina naquele país se chama Petrobras. Os bolivianos vêem a gasolina como “produto controlado”, pois suspeitam que seus compradores a usem no refino da cocaína.(destaquei). Como já foi referido, também causa surpresa o descaso com que a Recorrente lidou as pessoas envolvidas em transação tão importante sem levantar referências das mesmas: Fl. 23DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 2 4/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE 24 A justificativa de Manguinhos só não é perfeita aos olhos da Polícia Civil de Paulínia, que apura o caso, por causa de dois pontos. O primeiro é a pessoa com quem a refinaria negociava, o empresário Ricardo Daim – preso em 14 de março deste ano, pela CPI dos Combustíveis de São Paulo, por venda de combustível da Petrobras sem imposto e emissão de notas frias de sua empresa, a distribuidora Pollus em Paulínia (SP), fechada por desvio de mercadoria em 1999. Segundo Henrique Sanches, era Daim quem autorizava a maior parte do carregamento dos caminhões na refinaria. (...) Na quartafeira 17, o polêmico empresário falou a ISTOÉ e trouxe um novo nome na transação entre Manguinhos e a misteriosa compradora da Bolívia. Seria a Rush Oil, uma empresa com sede no paraíso fiscal das Ilhas Virgens. Na versão de Daim, no final do ano passado os dois sócios da Rush – que ele só revela que são holandeses – procuraram sua ajuda para comercializar gasolina do Brasil para a Bolívia. Os holandeses anônimos são os únicos que dizem conhecer a Cambras. Pelo acordo, Daim deveria arranjar uma trade que levasse a carga até lá. “Um amigo meu, de grande influência política, ajudou a Thork a conseguir a aprovação na ANP. Eles não aprovam nada sem lobby”, diz. Sobre o fato de a agência saber da sua participação no projeto, fala que foi recebido pelo superintendente Carlos Valois antes da aprovação da trade. “Ele me chamou para conversar porque queria saber mais detalhes sobre o mercado na Bolívia.” Nota Técnica n.° 522/SAB, de 04/12/2002 (fls. 466/478), emitida com base em diligências realizadas pela ANP retrata o mesmo espanto em relação a situação em que a Recorrente se coloca, ou seja totalmente como vítima dos acontecimentos que seriam alheios a sua vontade e assim lhe isentando de qualquer responsabilidade. De acordo com os fatos narrados no Relatório transcrito acima, podese perceber que a Thork alega que pretendeu realizar operação de exportação de Gasolina A, a ser realizada pela primeira vez no Brasil por via terrestre e que envolveria milhões de reais sem procurar certificarse, minimamente, nem das informações relativas às pessoas que lhe foram apresentadas, como os Srs. Fernando Gorguet, André Feldman e Ricardo Daim, nem quanto às empresas envolvidas (como, por exemplo., a importadora CAMBRAS SRL) até para preservar a reputação da empresa contra possíveis fraudadores. Notese que, na peça de defesa, os representantes legais querem fazer crer que a Thork foi ludibriada porque agiu por confiança. Acontece que, de acordo com o relatado, a confiança foi bem superior ao limite aceitável para qualquer empresa idônea que atue neste mercado. Alegam que a Thork atuou, praticamente, como uma marionete, por acreditar plenamente em pessoas que nunca havia conhecido, baseando toda uma complexa operação de exportação apenas nas palavras convincentes de Fl. 24DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 2 4/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Processo nº 15586.000098/200713 Acórdão n.º 140100.405 S1C4T1 Fl. 3.012 25 desconhecidos. Senão vejamos alguns trechos extraídos da peça de defesa apresentada pela Thork: " ressaltese que, anteriormente ao início da operação, foi providenciado o registro da Autuada junto à ANP, o que também foi efetuado sob a responsabilidade do Sr. Ricardo Lyra Daim e do Sr. André Feldman (o que, inclusive, é confirmado pelo primeiro em declarações prestadas à imprensa), que solicitaram à Autuada a documentação bastante e cederam iodos os trâmites para a obtenção da referida autorização. Importante dizer que a Autuada foi escolhida por referidos senhores para realização da operação porque, para obtensão da autorização junto à ANP, era necessário que a empresa possuísse reputação ilibada como é o caso da Thork. Vale dizer, ainda, que a coordenação direta dos trabalhos de obtenção da autorização de exportação junto à ANP foi realizada pelo Sr. Ricardo Daim e pelo Sr. André Feldman, sem qualquer contato por parte dos representantes da Thork, os quais unicamente providenciaram os documentos necessários e solicitados por estes senhores" (fls. 484 Vol II); “ para o trânsito dessa mercadoria, foram solicitadas à Thork as emissões de notas fiscais de remessa para armazenagem, tudo isso devidamente justificado e demonstrado sobre bases plausíveis pelo Sr. Ricardo Lyra Daím, que efetivamente induziu a Autuada a efetuar essas providências" (fl. 485 Vol. II); " no procedimento de devolução à Refinaria de Manguinhos, novamente a Autuada foi enganada pelo Sr. Ricardo Lyra Daim, que novamente investido na qualidade de representante dos envolvidos, disse que buscaria outra trading para efetuar a exportação (...)" fl. 487 Vol. II; ' (...) Embora a Autuada tenha tentado contato direto com as partes envolvidas, o mesmo Sr. Daim nunca consentiu que isso ocorresse, dando sempre evasivas simpáticas e tênues, e, por ser leal em seus relacionamentos comerciais, até mesmo tendo construído toda sua imagem sobre esses preceitos, a Autuada não se sentiu confortável em efetuar esses contatos sem a sua expressa permissão" (fl. 490 Vol. II). Só agora, após a ocorrência de todas as irregularidades narradas ao longo desta Nota e que o problema veio à tona, a Thork atentou para o fato de que se pode fazer ume averiguação diligente das pessoas físicas e jurídicas envolvidas na operação de exportação em tela, conforme podese inferir a partir do requerimento contido nas fls. 28 a 32 de sua peça de defesa (fl. 505 a 509 Vol. II). Toda empresa idônea, que atue regularmente no mercado, deveria ter o bom senso e a prudência mínimos para se assegurar de que não está lidando com trambiqueiros, ainda mais quando está em jogo vultosa quantidade de capital, o que parece não ter ocorrido. (destaquei) Novamente coloco, ingenuidade ou engenhosidade? Fl. 25DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 2 4/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE 26 Dessa forma, se a mercadoria não foi exportada, nem se encontra armazenada nos depósitos para onde foi encaminhada, é razoável concluir que o produto, praticamente com o consentimento da Recorrente, foi mesmo vendido no mercado interno, conforme indica documentos oficiais (Nota Técnica da ANP) juntados aos autos. É deveras estranho, para não dizer absurdo, o fato de, por exemplo, não haver nenhuma reclamação do importador com relação ao valor adiantado, bem assim da Usina Manguinhos que vendeu mercadoria para Recorrente recebendo dela uma ínfima parte, sem clamar pelo seu ressarcimento, afinal alguém já pagou a mercadoria a ela ou está pacientemente esperando que as ações cíveis gerem os seus frutos monetários para que a Recorrente faça o ressarcimento? Uma coisa ou outra, aponta para no mínimo um conluio. E se não é uma dessas hipóteses, então, a reparação civil, qual seja o ressarcimento dos 5.930.229,138 litros de gasolina, pleiteados na justiça perante as distribuidoras Álamo e Exxel ficará todo no patrimônio da Recorrente? Afinal ela não deve nada a ninguém, ninguém lhe cobra nada! Mas, se esse é o caso, fica mais do que caracterizada a omissão de receitas. Assim, correto está o lançamento com base em omissão de receita, caracterizada peia falta de emissão de notas fiscais relativas à distribuição de gasolina no mercado interno. Exclusão de Notas Fiscais (1.242.335,88 litros de gasolina) A Recorrente alega que não recebeu as vendas de mercadorias, relativas às notas fiscais emitidas, em seu nome, pela Refinaria de Petróleo Manguinhos S.A., no total de 1.242.335,88 litros, durante o período de 28/05/2002 a 04/06/2002, discriminadas no § 95 da impugnação, razão pela qual pede a exclusão do valor no auto de infração. Junta cópias dos Livros Registros de Entrada e de Saída (doc 13 e 14). Eis os exatos termos de sua defesa: (...) é possível verificar, pela leitura dos livros contábeis da Recorrente: Registro de Entradas (doe. 13 da Impugnação Processo principal) e Registro de Saídas (doe. 14 da Impugnação Processo principal), que somente foi faturado à Recorrente o volume de 5.930.229,138 litros de gasolina, dos quais: 5.206.530,138 litros foram remetidos à empresa Álamo Distribuidora de Derivados de Petróleo Ltda., estabelecida na Cidade de Paulínia, sendo certo que a armazenagem dos produtos foi realizada nos tanques da empresa Transo Combustíveis Ltda. (notas fiscais de "remessa para armazenagem" emitidas pela Recorrente encontramse em anexo doe. 10 da Impugnação); 696.699 litros foram remetidos à empresa Exxel Brasileira de Petróleo Ltda., igualmente estabelecida na Cidade de Paulínia (notas fiscais de "remessa para armazenagem" emitidas pela Recorrente encontramse em anexo doe. 10 da Impugnação). Em relação à diferença entre o volume informado pela Refinaria de Petróleo de Manguinhos S.A (7.145.544,300 litros) e aquele faturado à Recorrente, qual seja 1.242.315 litros, a Sociedade não os recebeu, não tendo assim procedido a qualquer registro contábil ou fiscal a respeito de referida aquisição. Nesse ínterim, a Recorrente recebeu uma primeira comunicação da Agência Nacional do Petróleo ANP para que fosse informado onde estaria a gasolina Fl. 26DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 2 4/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Processo nº 15586.000098/200713 Acórdão n.º 140100.405 S1C4T1 Fl. 3.013 27 destinada à exportação, ao que respondeu, sem, contudo, saber que estava sendo ludibriada, que o combustível encontravase junto às referidas bases de Paulínia. Por meio da fiscalização da ANP junto às bases de Paulínia, a Recorrente tomou conhecimento de que o volume de gasolina não se encontrava mais depositado. Sendo assim, dirigiuse, juntamente com o representante da ANP, à delegacia de polícia de Paulínia para dar notícia do ocorrido, bem como providenciou a proposição de medidas judiciais visando à devolução da gasolina remetida para depósito (doe. 06 e 15 da Impugnação). Importante esclarecer que até o presente momento o Inquérito Policial, iniciado em decorrência do Boletim de Ocorrência n° 2222/02, junto à Delegacia de Paulínia, bem como as ações judiciais, ainda não foram finalizados. Ademais, conforme se verifica dos processos judiciais propostos pela Recorrente, as armazenadoras e distribuidoras de derivados de petróleo Exxel Brasileira de Petróleo Ltda. e Álamo Distribuidora de Derivados de Petróleo Ltda. alegam que as mercadorias foram efetivamente devolvidas à Recorrente, tendo sido emitidas notas fiscais de retorno de armazenagem, bem como foram destacados os canhotos correspondentes. Entretanto, tal alegação já foi devidamente rechaçada nos autos do processo judicial proposta em face da Álamo Distribuidora de Derivados de Petróleo Ltda. através das seguintes provas: (i) carta enviada pela empresa Álamo Distribuidora de Derivados de Petróleo Ltda. à Recorrente, datada de 28.06.02, ou seja, data posterior àquelas de "emissão" das notas fiscais de devolução da mesma empresa para a Recorrente (última data de emissão foi 25.06.02), onde está expressamente consignado que o volume de 5.206.530,138 litros, e somente este volume, encontrase depositado nas bases da Transo, subcontratada da Álamo Distribuidora de Derivados de Petróleo Ltda (doc. 12 da impugnação). (ii) laudo pericial contábil emanado por perito judicial nos autos da Ação Ordinária para Cumprimento de Obrigação de Fazer com Pedido de Tutela Específica Antecipada, que a Recorrente move contra Álamo Distribuidora de Derivados de Petróleo Ltda., Processo n° 1514/02, que tramita perante a Vara Distrital de Paulínia, Estado de São Paulo, que expressamente consignou que o combustível depositado não foi entregue à Recorrente (doc. 16 da impugnação). Frisese que referido laudo pericial não só concluiu que os combustíveis não foram devolvidos à Recorrente pela armazenadora, como igualmente deixou claro que a diferença existente entre o faturamento informado pela vendedora, Refinaria de Petróleo de Manguinhos S.A e aguele contabilizado pela Recorrente^ qual seja 1.242.315 litros, que supostamente teriam sido depositados nas bases da Álamo Distribuidora de Derivados de Petróleo Ltda., não foram efetivamente recebidos pela Recorrente. A Recorrente destaca, por ser de grande importância, que: (i) todos os fornecimentos vindos da Refinaria de Petróleo de Manguinhos S.A ocorreram em dias do mês de maio de 2002, sendo certo que a última nota fiscal emitida pela Refinaria de Petróleo de Manguinhos S.A, e efetivamente recebida pela Recorrente é a de n° 139469, de 27.05.02; as demais notas fiscais, emitidas entre os dias 28.05.02 e 04.06.02, jamais foram enviadas à Recorrente, conforme cópia de fls. do livro Registro de Entrada da Recorrente (doe. 13 da Impugnação); (...) Fl. 27DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 2 4/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE 28 A DRJ refuta os argumentos da Recorrente, nos seguintes termos: 138 A Refinaria de Petróleo Manguinhos S.A. emitiu notas fiscais em nome do interessado contemplando 7.140.744,26 litros de “Gasolina A com Marcador” (fls. 786/967 e 1.163/1.167 do principal). O interessado alega que só recebeu 5.903.229,138 litros, registrados em seus Livros de Entrada e de Saída, e que efetuou o pagamento de apenas 1.495.561,79 litros, ou seja, a diferença 4.407.668,237 litros, o interessado alega que recebeu sem efetuar qualquer pagamento. 139 Ocorre que, em diligência realizada junto a Refinaria de Petróleo Manguinhos S.A., foram coletadas cópias dos pagamentos efetuados pelo interessado (cheques e depósitos), relativo ao volume total adquirido (fls. 968/974 do principal). 140 Embora seja alegado pelo interessado que os documentos de pagamento são representados por depósitos em dinheiro e cheques de terceiros, que não possuem qualquer ligação com o mesmo, através dos documentos juntados às fls. 968/974 do principal, verificase que os pagamentos foram efetuados, através de cheques administrativos, ordenados pelo interessado, e de depósitos em dinheiro, onde o interessado consta como depositante. 141 Ademais, se os argumentos do interessado prevalecessem, chegaríamos à conclusão, pouco comum, de que os 4.407.668,237 litros de combustível, que o interessado afirma ter recebido e registrado em seus livros, foram pagos por terceiros, sem que eles tenham recebido o combustível. 142 Há de se esclarecer que o fato de as notas fiscais não terem sido registradas em seus livros, cuja comprovação do pagamento encontrase nos autos, não significa que a mercadoria não tenha sido recebida, haja vista que o registro é feito pelo interessado e que, portanto, pode ser omitido. 143 No laudo pericial foi descrito que quanto aos “1.242.315 litros, não existe nenhum registro a respeito em sua (do interessado) escrituração contábil ou fiscal e tampouco é admitido pela Requerente (interessado) como tendo sido efetivamente comprado pela mesma.”. 144 Tal registro é apenas uma constatação, obtida através de informações prestadas ou apresentadas pelo próprio interessado, não tendo caráter conclusivo algum, como fora alegado. 145 Deste modo, os documentos coletados em diligência realizada pela autoridade autuante junto a Refinaria de Petróleo Manguinhos S.A., constituídos por cópias dos pagamentos efetuados pelo interessado (cheques, depósitos e planilha cotejando recebimentos e retiradas), relativos ao volume total adquirido (fls. 968/980 do principal), cópias dos Livros Diário e Razão da Refinaria (fls. 699/785 do principal), cópias das notas fiscais (fls. 786/967 do principal) e cópias dos comprovantes de entrega do combustível (canhotos de notas fiscais, fls. Fl. 28DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 2 4/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Processo nº 15586.000098/200713 Acórdão n.º 140100.405 S1C4T1 Fl. 3.014 29 1.132/1.142 do principal, autorização, fl. 1.143 do principal e ordens de carregamento, fls. 981/1.131 e fls. 1.144/1.160 do principal) são suficientes a comprovar que o volume total (7.140.744,26 litros – fl. 1.167 do principal) foi adquirido pelo interessado. Discordo da conclusão chegada pela DRJ, por dois motivos convergentes. O primeiro motivo, apesar de não ser condição sine qua non, terá seu peso reforçado pelo próximo argumento. Tratase do fato de a Recorrente ter Registrado nos seus livros de Entradas e Saídas apenas o correspondente a 5.903.229,138 litros, registrados em seus Livros de Entrada e de Saída Juntase a esse argumento um outro argumento ainda mais forte que em conjunto com o primeiro tornase digno de peso. Tratase de reconhecer que na ação civil que moveu contra a distribuidora Álamo, o objeto de ressarcimento é exatamente o correspondente à indenização pela não devolução de 5.206.530,138 litros, que se adicionado os 696.699 litros que foram remetidos para Exxel perfazem exatamente o montante total que a empresa assume ter movimentado. Esses mesmos 696.699 litros, por sua vez, é objeto de outra ação civil de indenização contra a Distribuidora Exxel (processo original : 420.01.2002.001332), ainda em fase de apelação, que dessa feita lhe foi desfavorável. Transcrevese abaixo excerto do voto do Juiz da Fórum distrital de Paulínia nos autos do processo nº 1514/02 (processo original : 420.01.2002.001331), tendo como Autora a Thork Comércio Importação e Exportação e como ré a distribuidora Álamo: THORK COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, já qualificada nos autos, propôs ação de obrigação de fazer, com pedido de tutela específica antecipada, contra ÁLAMO DISTRIBUIDORA DE DERIVADOS DE PETRÓLEO LDA, também já qualificada, aduzindo que adquiriu da Refinaria de Petróleo de Manguinhos, Rio de Janeiro, 5.206.530,138 litros de gasolina tipo "A" e os remeteu à ré, para armazenamento, antes de, enviála para uma empresa boliviana, a quem seria exportada a mercadoria. Afirmou que a ré depositou a gasolina junto à empresa Transo Combustíveis Ltda, situada em Paulínia, e que a própria ré emitiu relatório de recebimento da mercadoria, identificando cada descarregamento efetuado. Acrescentou que cancelou o negócio de exportação e passou a providenciar a devolução da mercadoria para a refinaria, tendo a ré emitido nota fiscal de devolução da armazenagem, porém não disponibilizou fisicamente o produto, que supôs continuar retido junto à Transo. Alegou que, em 2 de julho de 2002, foi convocada por agentes da ANP a comparecer em Paulínia, no armazém da ré, a fim de informar onde a gasolina havia sido depositada e se surpreendeu com a notícia de que a ré e o armazém não tinham tanques bastantes para a estocagem do volume a eles remetido. Requereu a antecipação de tutela (...) Assim é que, no período compreendido entre 03/05/2002 a 28/05/2002, a ré recebeu da autora 5.206.530,138 litros de gasolina tipo "A", e os armazenou junto à empresa Transo. Ressaltese que, além de este fato ser incontroverso, os documentos de fls. 76/78 evidenciam que a ré efetivamente recebeu mencionado volume de combustível e o armazenou. Ainda segundo a narrativa da autora, depois de já estarem depositados os milhões de litros de gasolina, ela desistiu do negócio que seria realizado com a Fl. 29DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 2 4/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE 30 importadora boliviana, por desconfiança em sua idoneidade, e solicitou à ré a devolução do combustível armazenado. Neste ponto reside a controvérsia, pois a ré afirma que devolveu o combustível e a autora nega têlo recebido. (...) (destaquei) Portanto, dou provimento em relação a este item, para cancelar da base de cálculo a omissão de receita referente a venda sem nota fiscal de 1.242.335,88 (um milhão, duzentos e quarenta e dois mil, trezentos e trinta e cinco litros e 88 centésimos) litros de gasolina. EXCLUSÃO DA CIDE NA COBRANÇA DO PIS E DA COFINS Neste ponto, pleiteia a Recorrente a observância do disposto no art. 8º da Lei n° 10.336, de 2001, de forma a excluir os valores cobrados a título de CIDE do apurado de COFINS/PIS. Apesar de a DRJ ter refutado os argumentos da interessada, ela faz ouvido de mercador e em sede recursal contentase em repisar as mesmas justificativas já refutadas. Dessa forma, em vista das explicações escorreitas da decisão de piso não refutada pela Recorrente, adoto aqui como razão de decidir os fundamentos utilizados pela decisão de piso, abaixo reproduzidos: Abaixo transcrevo o citado artigo, com o texto vigente à época do fato gerador: Art. 8º O contribuinte poderá, ainda, deduzir o valor da Cide, pago na importação ou na comercialização, no mercado interno, dos valores da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidos na comercialização, no mercado interno, dos produtos referidos no art. 5º, até o limite de, respectivamente: IRS 39,40 e RS 181,70 por m3, no caso de gasolinas. (...) Do excerto, extraise que a contribuição aludida (CIDE), referese àquela paga na entrada da mercadoria no estabelecimento, oriunda do exterior (importação), ou àquela saída da mercadoria do estabelecimento, quando da comercialização no mercado interno. O lançamento em análise se refere à constituição de crédito tributário relativo à CIDE decorrente da entrada de mercadoria no estabelecimento comprador, adquirida no mercado interno (aquisição para exportação não efetivada), ou seja, situação distinta daquelas contempladas na Lei. Fl. 30DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 2 4/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Processo nº 15586.000098/200713 Acórdão n.º 140100.405 S1C4T1 Fl. 3.015 31 Desta forma, não assiste razão ao interessado, por falta de previsão legal, quanto à alegada exclusão da CIDE. nos valores devidos a titulo de PIS COFINS. Portanto, nego provimento a este item. MULTA 75% e QUALIFICADA A multa qualificada de 150% foi aplicada apenas nas infrações que envolveram omissões de receitas, ficando de fora as que ensejaram a falta de pagamentos das contribuições isentas em função de as mercadorias não terem sido destinadas à exportação (multa de 75%). Multa de Ofício (75%) e Juros de Mora Quanto à legalidade da multa de ofício, está ela prevista em disposição legal em vigor, não cabendo a este órgão do Poder Executivo deixar de aplicála, encontrando óbice, inclusive nas Súmulas nº 2 do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Multa Qualificada de 150% Assoma claro nos autos que a empresa, de forma intencional e reiterada, buscou ocultar receitas com o fim de eximirse do devido recolhimento dos tributos, o que caracteriza ação dolosa visando a impedir ou retardar o conhecimento da obrigação tributária por parte da Fazenda Pública, nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, adiante reproduzido: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.” Foram constatadas infrações, referentes à receita não escriturada nos livros contábeis (recebimento sem causa e distribuição de combustível no mercado interno sem emissão de documentos fiscais) e, conforme foi detalhadamente exposto neste voto, não se pode apenas cogitar que as inúmeras demonstrações de negligências no trato da operação e de tanta “ingenuidade” seja factível. Na verdade a Recorrente não conseguiu justificar a contento Fl. 31DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 2 4/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE 32 o seu papel lícito em meio a um sabido esquema de desvio para o mercado interno de gasolina originalmente destinada ao mercado externo. A falta de escrituração de receitas impede ou retarda o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação principal por parte do fisco, reduzindo o montante do imposto devido. Diante desse contexto, deve ser mantida a multa qualificada de 150%. Juros de Mora Quanto à legalidade dos juros de mora segundo as taxas SELIC, estão eles previstos em disposição legal em vigor, não cabendo a este órgão do Poder Executivo deixar de aplicálos, encontrando óbice, inclusive nas Súmula CARF Nº 4, in verbis: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (DOU, Seção 1, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006). Lançamentos Reflexos (PIS, COFINS e CSLL) Por estarem sustentados na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear a manutenção das exigências lançadas por via reflexa. Considerar nos reflexos o provimento parcial em relação a este item, para cancelar da base de cálculo a omissão de receita referente a venda sem nota fiscal de 1.242.335,88 (um milhão, duzentos e quarenta e dois mil, trezentos e trinta e cinco litros e 88 centésimos) litros de gasolina. Por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial para dou provimento em relação a este item, para cancelar da base de cálculo do IRPJ e seus reflexos a omissão de receita referente à venda sem nota fiscal de 1.242.335,88 (um milhão, duzentos e quarenta e dois mil, trezentos e trinta e cinco litros e 88 centésimos) litros de gasolina. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 32DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 2 4/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Processo nº 15586.000098/200713 Acórdão n.º 140100.405 S1C4T1 Fl. 3.016 33 Declaração de Voto O Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira: Conforme se extrai do auto de infração em questão, imputase que a Recorrente teria adquirido gasolina sob a alegação de que o combustível seria exportado para a Bolívia, quando na verdade pretendiase, desde o inicio, que referido produto fosse destinado ao mercado interno. Assim, a Recorrente teria simulado a perda de referido combustível, com o desfazimento do negocio, pelo que o resultado desse "desaparecimento" da gasolina seria tributável como omissão de receita, concluindose que a gasolina teria sido vendida ilegalmente no mercado interno (para o procedimento comumente conhecido como batizar a bomba do posto, fugindo dos contratos de exclusividade das bandeiras distribuidoras). Dentre as alegações da Recorrente, alegase que um inquérito instaurado no âmbito da Policia Federal teria sido arquivado, sem que tivesse sido constatada qualquer irregularidade atribuível aos administradores da Recorrente. Ainda, alega que propôs ação de indenização contra o transportador e o armazém onde a gasolina estava estocada, tendo em vista o seu desaparecimento, julgada procedente perante o Juízo da Comarca de Paulínea. Diante dessas alegações, pedi vista dos autos para melhor analise dessas situações. Isso porque, apesar de existir uma independência do conhecimento da matéria fatica pela Autoridade Fiscal, incomodame sobremaneira a ocorrência de incompatibilidade jurídica sistêmica, verificada quando instâncias e órgãos dão versões incompatíveis sobre os mesmos fatos. Em verdade, entendo que o direito tributário funciona em superposição ao direito privado. Afinal, conforme o disposto no art. 110 do CTN, a legislação tributaria sofre limitações na caracterização dos institutos, conceitos e forma de Direito privado, justamente por depender dessa superposição. Feitas essas considerações, identifico que não assiste razão à Recorrente quanto a alegação de que o inquérito instaurado no âmbito da Policia Federal fora arquivado, posto não ter sido identificada qualquer ação ilícita por parte dos responsáveis pela Recorrente. Isso porque as razões que levaram ao arquivamento daquele feito foram 1) a gasolina não ter sido exportada, o que retira a competência da Policia Federal para verificar qualquer ilícito relacionado ao negocio e 2) já existir investigação em curto perante a Policia do estado de São Paulo. Não existiu, assim, seja pela autoridade policial, seja pelo Ministério Publico Federal, qualquer investigação e solução de mérito que fosse relevante para o deslinde do presente feito. No que toca a ação movida pela recorrente contra a empresa ALAMO DISTRIBUIDORA DE DERIVADOS DE PETROLEO LTDA, temse o seguinte: A Recorrente entrou com ação de obrigação de fazer contra a empresa ALAMO DISTRIBUIDORA DE PETROLEO LTDA. alegando que as mesmas teria se apropriado de 5.206.530,138 litros de gasolina que a recorrente teria armazenado junto a referidos estabelecimentos. Fl. 33DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 2 4/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE 34 Ante a resistência da parte ré, promoveuse perícia judicial, em que ficou constatado a existência de divergências na documentação de remessa e recebimento da mercadoria, o que levou o Juízo Cível a julgar procedente a ação. É certo que referida decisão, além de não estar transitada em julgado, não vincula a Autoridade Fiscal e esta Corte Administrativa. No entanto, como disse anteriormente, não lido bem com as incongruências jurídicas, aqui refletida na imputação de omissão de receitas a Recorrente, sob a alegação de que ela teria praticado desvio de combustíveis, quando uma instancia do poder judiciário a considerou como vitima do fato que a Autoridade Fiscal a ela imputa. Voltando os olhos para a prova colhida na presente ação fiscal, assim como daquela apresentada pela Recorrente vinda dos autos da ação judicial em debate, não tenho duvidas de que existe prova de que a Recorrente foi resposnsável, em conluio com a armazenadora, pelo desapararecimento da gasolina Na verdade, a decisão judicial parte do pressuposto apenas da não entrega da mercadoria. No entanto, para fins tributários, verifico que a Recorrente participou ou permitiu que se utilizasse seu nome para revenda da mercadoria no mercado interno, sendo que essa ação poderia equivaler à remuneração pela venda da gasolina. Diante do exposto, concordo plenamente com a solução dada ao presente processo pelo nobre Conselheiro Relator, com a manutenção do crédito tributário quesitonado. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 34DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 2 4/02/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE
score : 1.0
Numero do processo: 19647.010749/2006-91
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLLAno-calendário: 2002COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA.A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a possibilidade de os pagamentos efetuados se caracterizarem como indevidos. O valor a ser restituído corresponde ao saldo negativo apurado ao final do exercício, sobre o qual incidem juros calculados com base na taxa Selic a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 1803-000.726
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Luciano Inocêncio dos Santos e Sérgio Rodrigues Mendes que davam provimento. Acompanhou o julgamento a Dra. Lenisa P. Matos, OAB/DF n° 21698.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a possibilidade de os pagamentos efetuados se caracterizarem como indevidos. O valor a ser restituído corresponde ao saldo negativo apurado ao final do exercício, sobre o qual incidem juros calculados com base na taxa Selic a partir do mês subsequente ao do encerramento do período de apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Luciano Inocêncio dos Santos e Sérgio Rodrigues Mendes que davam provimento. Acompanhou o julgamento a Dra. Lenisa P. Matos, OAB/DF n° 21698. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. EDITADO EM: 20/12/2010 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/12/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 20/12/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Walter Adolfo Maresch, Marcelo Fonseca Vicentini, Sérgio Rodrigues Mendes, Luciano Inocêncio dos Santos. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “A interessada acima qualificada apresentou as Declarações de Compensação - DCOMPs de fls. 02/11, transmitidas em 16/01/2004, por meio das quais compensou crédito da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL com débitos de sua responsabilidade. O crédito inicial informado, no valor de R$ 5.000,03, seria decorrente de pagamento indevido ou a maior da CSLL apurada por estimativa no mês de maio de 2002. 2. Em diligência realizada pela Delegacia da Receita Federal no Recife —DRF/Recife (relatório de fls. 12/15), concluiu-se pela inexistência do crédito apontado nas DCOMPs, tendo em conta que, conforme preceitua o art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, a pessoa jurídica somente poderá utilizar o valor a maior pago por estimativa ao final do período de apuração. Por meio do Despacho Decisório de fl.16, a autoridade a quo, acatando os fundamentos expostos no relatório, não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações. 3. A empresa TIM Nordeste S/A, CNPJ n° 01.009.686/0001-44, sucessora da TELERN CELULAR S/A, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 22/36), alegando, em síntese: a) que o art. 10 da lnstrução Normativa SRF n° 600, de 2005, não tem amparo legal, já que a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não prevê a restrição nele estabelecida e adotada na decisão da DRF/Recife; b) que quando da realização das compensações ainda não existia a regra do art.10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005; c) que, quando muito, o art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, impediria a compensação do IRPJ e da CSLL pagos a maior com outros tributos, e não com eles próprios, e que esse entendimento está exposto no "perguntas e respostas" do sítio da Receita Federal; d) que, se não fosse realizada a compensação da CSLL recolhida a maior, haveria saldo negativo ao final do ano. Ter-se-ia, então, no máximo um problema de inobservância de exercício, vez que Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/12/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 20/12/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.010749/2006-91 Acórdão n.º 1803-00.726 S1-TE03 Fl. 117 3 o saldo negativo seria passível de compensação a partir do final do ano de 2002; e) que possivelmente a decisão supôs, em virtude do lançamento que deu origem ao processo n° 19647.009690/2006-99, que não haveria saldo negativo ao final do ano-calendário 2002. Nessa hipótese, o julgamento da manifestação de inconformidade ficaria na dependência da decisão adotada nos autos do mencionado processo; f) que o despacho decisório decorre da revisão de oficio havida nos autos do processo n° 19647.009690/2006-99 e que dessa revisão teria decorrido aumento do crédito tributário original, em afronta aos arts. 145 a 149 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966— Código Tributário Nacional (CTN). A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação, com base nos seguintes fundamentos (fls.70): a) O regramento expresso no art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, que já se estampava no art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004, não constituiu inovação nem restrição de direito não prevista na lei. b) As estimativas mensais não são passíveis de restituição, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do ano-calendário. Sendo mera antecipação, não extinguem o crédito tributário, não havendo falar em pagamento indevido ou a maior. Quando, ao final do ano-calendário, apura-se saldo negativo do tributo, resta então configurado o pagamento indevido ou a maior, aí sim passível de restituição ou compensação. c) Pagamentos a maior a título de estimativa em determinado mês, por constituírem mera antecipação da contribuição devida, não estão aptos a ser restituídos e não se revestem dos atributos de liquidez e certeza, razão pela qual não podem ser utilizados para extinguir créditos tributários por via da compensação (art. 170 do CTN). d) A regra em debate não foi introduzida pelas Instruções Normativas SRF n° 460, de 2004, e n° 600, de 2005, tendo vigência desde a inauguração da sistemática de apuração da CSLL sobre base estimada. As mencionadas instruções normativas apenas trataram, como compete a tais atos, de explicitar o texto da lei visando à sua correta aplicação. e) Conforme reproduzido neste voto (item 17), o art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 093, de 1997, dispõe que a pessoa jurídica que efetuar pagamento a maior sob o regime de estimativa poderá utilizar a diferença para deduzir a contribuição apurada em meses subsequentes do próprio ano-calendário, desde que mediante o levantamento do balanço ou balancete de suspensão da contribuição durante o ano-calendário.É nesse contexto que se insere a resposta n° 606 invocada pela interessada. f) O caso concreto, entretanto, é inteiramente distinto, já que não se está a tratar de dedução da CSLL apurada mediante balanço de suspensão ou redução durante o próprio período, e sim de compensação mediante DCOMP`s transmitidas após o encerramento do ano calendário 2002. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/12/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 20/12/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES 4 g) Processo n° 19647.009690/2006-99: diversamente do que esgrime a defesa, o processo n° 19647.009690/2006-99 é que foi influenciado por este, e não o contrário. É através do presente processo que o débito da estimativa não homologado será cobrado, razão pela qual reduziu-se o lançamento objeto daquele outro processo. A homologação parcial ora combatida nestes autos em nada decorreu do processo n° 19647.009690/2006-99, nem da Solução de Consulta Interna Cosit n° 18, de 2006, e o débito que será cobrado por via do presente processo é rigorosamente aquele espontaneamente declarado pela contribuinte na DCOMP. Não sofreu o débito, por conseguinte, nenhuma modificação em virtude do processo n° 19647.009690/2006-99, não havendo falar em ofensa aos arts. 145, 146 e 149 do CTN. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, tece as seguintes considerações: a) Aceitando-se a premissa da ausência de vinculação entre o presente pleito de compensação e o processo administrativo n° 19647.009690/2006-99, o julgador administrativo, necessariamente, deverá analisar o presente litígio, aceitando o saldo negativo de CSLL, no valor de R$ 22.823,95 apurado pela contribuinte no ano- calendário de 2002 (conforme a ficha 17 da DIPJ/2003 — doc. j). Isso porque, de acordo com o posicionamento adotado pela DRJ, não existe qualquer influência decorrente do processo administrativo n° 19647.009690/2006-99 na apuração da CSLL do ano-calendário de 2002 e que, eventualmente, pudesse alterar o saldo negativo apurado. b) Assim, a apuração do saldo negativo de CSLL, devidamente escriturado na DIPJ do período, é fato que não pode ser contraditado pelo julgador administrativo, cujo montante é passível de compensação com tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430/96. c) O legislador concedeu um direito genérico de compensação de tributos recolhidos a maior ou indevidamente pelo contribuinte e já estabeleceu os casos em que tal direito era vedado. Contudo, não proibiu a compensação do IRPJ e da CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do período de apuração desses tributos. d) A Secretaria da Receita Federal não poderia criar restrições e proibições não previstas na Lei. O artigo 10 da IN SRF n° 600/05 não poderia ter estabelecido uma restrição ao direito de compensação do contribuinte que já não estivesse prevista em lei. Apenas por tal razão, o Despacho Decisório da DRF/Recife já deve ser alterado, a fim de que seja homologada a compensação realizada pela contribuinte. e) Nos tópicos “III- A Secretaria da Receita Federal aceita a compensação de IRPJ/CSLL recolhido indevidamente ou a maior nos meses posteriores”, e “IV- Quando das compensações realizadas pela contribuinte a regra do artigo 10 da IN-SRF 600/05 ainda não existia”, reitera os mesmos argumentos da impugnação, sem contestar diretamente os fundamentos da decisão recorrida que os considerou improcedentes. f) É irrelevante o fato do crédito de CSLL ter sido utilizado antes do encerramento do ano-calendário de 2002, se o recolhimento se revelar efetivamente a maior ao final do período de apuração. g) No processo n° 19647.009690/2006-99 a amortização de ágio realizada pela contribuinte sucedida pela TIM Nordeste S/A fo considerada indedutível. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/12/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 20/12/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.010749/2006-91 Acórdão n.º 1803-00.726 S1-TE03 Fl. 118 5 h) Na hipótese de se considerar improcedentes as razões anteriormente apresentadas, suficientes, por si sós, para levar ao provimento do presente recurso —, a decisão final a ser proferida neste processo administrativo de compensação ficará na dependência do destino a ser dado ao referido processo n° 19647.009690/2006-99, após a defesa administrativa apresentada pela contribuinte (o recurso voluntário já foi apresentado em 20 de novembro p.p. e aguarda julgamento no Conselho de Contribuintes). Se a decisão vier a ser pelo cancelamento do Auto de Infração, o provimento deste recurso voluntário será um imperativo. i) Requer-se que seja reformada a decisão recorrida, homologando a compensação realizada, na medida em que seja dado provimento à defesa administrativa apresentada ao Auto de Infração que deu origem ao processo administrativo n° 19647.009690/2006- 99. Quando menos, a cobrança decorrente do presente pleito de compensação deverá ficar sobrestada até a decisão final a ser proferida no processo administrativo n° 19647.009690/2006-99. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 03/12/2009 (AR de fls. 81). O recurso foi protocolado em 16/12/2009, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. No presente caso, é analisada a compensação da estimativa da CSLL relativa ao mês de maio de 2002, com estimativa de CSLL relativa ao mês de outubro de 2002. O cerne da questão a ser analisada no presente processo gira em torno do mecanismo de restituição das estimativas, na hipótese de apuração do lucro real anual: a recorrente entende ser possível a restituição/compensação da estimativa isoladamente, indepententemente do confronto com o tributo devido ao final do exercício, ao passo que a autoridade administrativa afirma que não são as estimativas, mas o saldo negativo apurado em 31/12 que consituem o direito creditório passível de restituição, contando-se o termo inicial para aplicação dos juros calculados com base na taxa Selic a partir de janeiro do exercício seguinte, e não da data do pagamento da estimativa. O antigo Conselho de Contribuintes já se manifestou no sentido de que a opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a possibilidade de os pagamentos efetuados se caracterizarem com indevidos. A seguir reproduzimos trecho do voto proferido pela Conselheira Sandra Maria Faroni, no recurso n° 150.629, com o qual concordamos integralmente: “No caso concreto, a legislação de regência é a Lei 9.430/96. De acordo com esse diploma legal: (a) imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano-calendário (art. 1°); (b) a pessoa Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/12/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 20/12/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES 6 jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado segundo base de cálculo estimada, mediante a aplicação de percentuais fixados na lei, sobre a receita bruta auferida mensalmente (art. 2°); (c) as pessoas jurídicas obrigadas a pagar o imposto pelo lucro real e que tiverem optado por fazê-lo a cada mês com base na estimativa deverão, anualmente, apurar o lucro real em 31 de dezembro, apurando o saldo do imposto a pagar ou a compensar (art.2°, §§ 3° e 4°); (d) para as pessoas jurídicas sujeitas ao regime do lucro real, a adoção da forma de pagamento do imposto pelo lucro real trimestral, ou a opção pela forma de pagamento mensal sobre bases estimadas será irretratável para todo o ano calendário (art. 3°). O pagamento mensal por estimativa é apenas forma de pagamento opcional. Ou seja, os períodos-base são trimestrais, porém a lei instituiu um regime especial de pagamento ao qual as empresas podem aderir. Assim, as estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei, não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior, uma vez que constituem, apenas, regime especial de pagamento, facultado pela lei. Só seria possível avaliar rigorosamente se o valor pago por estimativa é indevido ou maior que o devido comparando-o com o tributo devido no período de apuração (somatório das três estimativas mensais versus imposto devido sobre o lucro real trimestral1) ou, por assim ter previsto a lei, com o tributo apurado sobre o lucro real anual (somatório das estimativas mensais versus imposto apurado sobre o lucro real anual). A caracterização de tributo indevido mediante comparação com o lucro real trimestral, todavia, não é possível, em razão da disposição específica da lei, no sentido de que a opção pelo regime de pagamento por estimativa afasta o regime de pagamento pelo lucro real trimestral. Ao optar por pagar segundo as estimativas, o contribuinte tem que observar o sistema como um todo, e não parcialmente. Por isso, optando pelo pagamento por estimativa, só é possível determinar o tributo indevido ou maior que o devido mediante comparação com o lucro real anual. A lei não admite a imediata restituição de valores pagos por estimativa, mas o sistema criado permite que o contribuinte administre os pagamentos de maneira a pagar, durante o ano, o valor o mais próximo possível com o tributo devido sobre o lucro real anual. Foi nesse sentido que a norma permitiu a suspensão ou redução do pagamento das estimativas com base em balanços ou balancetes mensais. O que, todavia, não é possível, porque a opção pelo regime de pagamento por estimativa afasta o regime de pagamento sobre o lucro real trimestral. De fato, o art. 2º da Lei 9.430/96 remete aos artigos 30 a 32, 34 e 35 da Lei 8.981/95, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. Os artigos 30, 31, 32 e 34 tratam da apuração da base estimada. O art. 35 permite a redução ou suspensão de pagamento, assim dispondo: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/12/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 20/12/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.010749/2006-91 Acórdão n.º 1803-00.726 S1-TE03 Fl. 119 7 Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do ano-calendário. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do ano-calendário. § 3º O pagamento mensal, relativo ao mês de janeiro do ano- calendário, poderá ser efetuado com base em balanço ou balancete mensal, desde que neste fique demonstrado que o imposto devido no período é inferior ao calculado com base no disposto nos arts. 28 e 29. Como visto, não é possível concluir que o valor pago por estimativa é passível de restituição apenas comparando-o com as regras que estabelecem a forma de calcular o valor a pagar segundo o regime opcional de pagamento. A lei criou um sistema complexo em que, não obstante o período de apuração ser trimestral, o sujeito passivo tem a faculdade de efetuar pagamentos sobre uma base estimada. Mas, ao exercer essa opção, a possibilidade de os pagamentos efetuados se caracterizarem como indevidos fica diferida para o ajuste anual. A análise isolada do artigo que determina como calcular a estimativa mensal traz distorção, dada a complexidade do sistema legal, que estabelece fato gerador trimestral, mas permite pagamento mensal por estimativa e ajuste anual. O valor pago, enquanto se caracterizar apenas como pagamento por estimativa, não se caracteriza como pagamento indevido, que daria direito à restituição. E não havendo direito à restituição, não se aplica o art. 74 da Lei 9.430/96, que autoriza usar o crédito passível de restituição para compensação. No caso concreto, a única conclusão a que se pode chegar é que a interessada efetuou pagamento estimado relativo ao mês de fevereiro de 2004 superior àquele a que estava obrigada por lei, mas nada indica que a diferença se caracteriza como tributo indevido, passível de restituição. Essa apuração só é possível mediante comparação com o lucro real anual.(Acórdão n° 101- 96.046, em sessão de 28/03/2007)” Fl. 7DF CARF MF Emitido em 20/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/12/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 20/12/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES 8 Esposamos integralmente o entendimento expresso no voto acima transcrito, sendo que as instruções normativas que explicitaram a regra segundo a qual as estimativas devem compor o saldo negativo não inovaram o ordenamento jurídico, nem representam restrições ou proibições não previstas em lei. Os arts. 10 da IN n° 460/2004 e 600/2005 estão em conformidade com todas as normas que regulam o pagamento mensal por estimativa e o ajuste anual, e não padecem de qualquer ilegalidade. Deve ser afastada a interpretação isolada do artigo que determina como calcular a estimativa mensal, sendo que não há como surgir pagamento indevido de estimativa de CSLL pela simples razão de que o montante do tributo devido apenas surge em 31/12 de cada ano calendário. Em decorrência deste entendimento, torna-se irrelevante a questão da vigência da IN SRF n° 600/2005, uma vez que o sistema legal de normas, dos quais decorre a impossibilidade de compensação das estimativas antes da apuração do tributo anual, já estava plenamente em vigor no ano calendário de 2002. In casu, foi efetuada compensação de estimativas relativas ao mesmo ano calendário, ou seja, estimativa de maio de 2002 com estimativa de outubro do mesmo ano. Como anteriormente salientado o direito creditório apenas surge em 31/12, não sendo possível a compensação. Passemos a analisar a relação entre o presente processo e o de n° 19647.009690/2006-99. Cumpre transcrevermos os itens 5 e 6 do Relatório de Informação Fiscal de fls. 105/109, que fundamentou a revisão de ofício do lançamento objeto do processo n° 19647.009690/2006-99: “5. Saliente-se por oportuno que as estimativas mensais de IRPJ e da CSLL declaradas em DCOMP, objeto de compensação não homologada, que, por força do item 12.1.4 da Solução de Consulta Interna n. 18, de 13 de outubro de 2006, foram acatadas (nesta revisão) no ajuste anual, para efeitos de apuração do IRPJ e da CSLL. a pagar ou do saldo negativo na DIPJ, serão tratadas em processos específicos objeto de cobrança espontânea, acrescidos de multa de mora e juros equivalentes à taxa Selic. 6. Os pagamentos de estimativa mensal de IRPJ e da CSLL indevidos ou a maior foram aproveitados (nesta revisão) no ajuste anual, respectivamente, para dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devidos no ano-calendário em que houve o pa gamento indevido ou para compor o saldo negativo do período, conforme art 10 da IN N.° 600/2005. Quanto aos débitos declarados em DCOMP para compensação com tais créditos (Pagamento Indevido ou a Maior por Estimativas Mensais do IR.PJ e da CSLL), serão objeto de não homologação e também de cobrança espontânea.” Em conformidade com o item 5 deste despacho, a estimativa de outubro de 2002, débito discriminado na Dcomp às fls. 5, compôs o saldo negativo de 2002. Ou seja, a cobrança deste débito será efetuada com base na Dcomp, que constitui confissão de dívida, e não influenciará o montante apurado no auto de infração. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 20/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/12/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 20/12/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.010749/2006-91 Acórdão n.º 1803-00.726 S1-TE03 Fl. 120 9 Nos termos do item 6, os pagamentos de estimativa mensal de CSLL indevidos ou a maior foram aproveitados no ajuste anual. Ou seja, eventual influência deste processo naquele lançamento já foi considerada. A avaliação da decisão recorrida está correta. O processo n° 19647.009690/2006-99, como a própria recorrente nos informa, é um auto de infração relativo ao ano de 2002. Com a revisão de ofício foi assegurada a independência dos processos e a possibilidade de que cada um siga seu curso normalmente. A fiscalização elaborou o seguinte quadro dos processos de compensação da empresa sucedida Telern Celular S/A, CNPJ n° 02.332.973/0001-53 (fls. 18): 19647.004709/2005-20 IRPJ Saldo Negativo 1998 2.682.451,33 19647.004708/2005-85 IRPJ Saldo Negativo 1999 70.109,36 19847.004707/2005-31 IRPJ Saldo Negativo 2000 155.636,23 19647.004706/2005-96 IRPJ Saldo Negativo 2001 464.344,19 19647.004705/2005-41 IRPJ Saldo Negativo 2002 3.254.351,98 19647.010742/2006-70 IRPJ Pagamento Indevido 28/02/2003 370.412,98 19647.010744/2006-69 IRPJ Pagamento Indevido 31/03/2003 185.744,94 19647.010745/2006-11 IRPJ Pagamento Indevido 30/04/2003 335.130,66 19647.010746/2006-58 IRPJ Pagamento Indevido 31/05/2003 334.771,15 19647.004704/2005-05 CSLL Saldo Negativo 1998 551.418,05 19647.004702/2005-16 CSLL Saldo Negativo 2000 4.267,08 19647.004701/2005-63 CSLL Saldo Negativo 2001 49.883,52 19647.004700/2005-19 CSLL Saldo Negativo 2002 22.823,95 19647.010749/2006-91 CSLL Pagamento Indevido 30/06/2002 5.000,03 19647.010751/2006-61 CSLL Pagamento Indevido 28/02/2003 1.990,77 19647.010752/2006-13 CSLL Pagamento Indevido 31/03/2003 1.990,76 19647.010753/2006-50 CSLL Pagamento Indevido 30/04/2003 14.106,31 19647.010756/2006-93 CSLL Pagamento Indevido 31/05/2003 2.843,96 O presente processo não sofre influência do processo n° 19647.009690/2006- 99, e deve ser julgado isoladamente. Após a revisão de ofício, eventual resultado favorável à recorrente não ocasionará nenhuma repercussão no presente processo, pois já foi deduzido do montante devido o valor da estimativa de CSLL compensada, relativa ao mês de outubro de 2002. O auto de infração apenas está vinculado com o processo n° 19647.004700/2005-19, em que foi utilizado como crédito o saldo negativo de 2002. Este último processo depende do desfecho do julgamento do lançamento de ofício relativo àquele ano. Por fim, a repercussão do presente processo no lançamento de ofício, qual seja, o cômputo do montante da estimativa de CSLL, cuja compensação não foi homologada, no saldo negativo, já foi considerada na revisão de ofício. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 20/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/12/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 20/12/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES 10 (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 10DF CARF MF Emitido em 20/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/12/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 20/12/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 36624.014336/2006-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/08/1999 a 30/03/2003
AUTO DE INFRAÇÃO DEIXAR DE INCLUIR REMUNERAÇÃO DE SEGURADO EM FOLHA DE PAGAMENTO
Toda empresa está obrigada a preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditada a todos os segurados a seu serviço.
SALÁRIO INDIRETO PRÊMIO
O prêmio fornecido pela empresa a seus empregados a título de incentivo pelas vendas, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial.
REMUNERAÇÃO CONCEITO
Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho.
HABITUALIDADE
O conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando
implementada a condição para seu recebimento retira-lhe o caráter da eventualidade, tornando-o habitual.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-001.822
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/1999 a 30/03/2003 AUTO DE INFRAÇÃO DEIXAR DE INCLUIR REMUNERAÇÃO DE SEGURADO EM FOLHA DE PAGAMENTO Toda empresa está obrigada a preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditada a todos os segurados a seu serviço. SALÁRIO INDIRETO PRÊMIO O prêmio fornecido pela empresa a seus empregados a título de incentivo pelas vendas, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial. REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho. HABITUALIDADE O conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição para seu recebimento retira-lhe o caráter da eventualidade, tornando-o habitual. Recurso Voluntário Negado.
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SALÁRIO INDIRETO PRÊMIO O prêmio fornecido pela empresa a seus empregados a título de incentivo pelas vendas, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial. REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho. HABITUALIDADE O conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição para seu recebimento retiralhe o caráter da eventualidade, tornandoo habitual. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora Marcelo Oliveira Presidente. Fl. 91DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 92DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 36624.014336/200663 Acórdão n.º 230101.822 S2C3T1 Fl. 88 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 30/10/2006, por ter deixado a empresa acima identificada de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS, infringindo, dessa forma, o art. 32, inciso I, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, inciso I e § 9o, Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls. 04), a empresa deixou de incluir, em folhas de pagamento, parte das remunerações de segurados que lhe prestaram serviços. A autoridade autuante informa que a empresa remunera os segurados a seu serviço por meio da entrega de cartões de premiação, intermediada pela empresa administradora do programa, Incentive House S/A, e não registrou tal remuneração nas folhas de pagamento nas competências entre 08/1999 a 03/2003. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da DN 21.003.0/0274/2007 (fls. 34 a 40), julgou a autuação procedente. Inconformada com a decisão, a autuada, apresentou recurso tempestivo (fls. 48 a 50), alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, alega nulidade da infração por ausência, nos autos, de provas de sua ocorrência, já que não há evidência no sentido de que os pagamentos que ensejaram à lavratura da NFLD n. 37.014.6638, da qual decorre este auto de infração, eram feitos com habitualidade, requisito esse necessário para que fossem eles considerados salários, para fins de incidência de contribuições previdenciárias e, por conseguinte, informados em folhas de pagamento. Afirma que também não está igualmente provado, nos autos, que os prêmios de produtividade a que alude a decisão recorrida estariam previstos, de forma expressa ou tácita, nos contratos de trabalhos, mesmo porque nem o agente fiscal e tampouco a Recorrente têm conhecimento de quais contratos se está falando, uma vez que não consta dos autos a lista dos empregados beneficiados pela dita premiação. Sustenta que esta ausência de provas, aliada às graves lacunas e distorções constatadas no auto de infração, além de confrontar expressamente o art. 142 do CTN e art. 243 do Decreto n. 3.048/99, torna insubsistente a autuação, por ofensa vitanda, à evidência, ao artigo 112 do Código Tributário Nacional. Ainda em preliminar, alega decadência dos fatos geradores ocorridos entre 08/1999 a 10/2001. No mérito, alega que é impossível a aplicação da multa em questão, já que para a infração supostamente cometida pela recorrente, a saber, deixar de recolher a contribuição devida, já existe penalidade específica, não havendo, portanto, possibilidade de Fl. 93DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 cumulação de penalidades sobre uma mesma suposta conduta infratora, como, segundo entende, ocorreu nestes autos. Reitera que deixou de incluir os valores objeto desta autuação nas folhas de pagamento dos períodos em questão, porquanto, consoante exposto na impugnação à NFLD 37.014.6638, tais valores não foram pagos com habitualidade, não tendo eles, em razão disso, natureza salarial. Ressalta que os prêmios entregues pela Recorrente a alguns de seus colaboradores, a título de incentivo à produtividade, não foram pagos com habitualidade, não tendo, em face disso, natureza salarial, e não integrando, à luz da legislação que rege a matéria, o salário para fins de contribuição previdenciária, não estando a Recorrente, em face disso, obrigada a informar tais valores em folhas de pagamento. Assevera que a premiação ofertada pela Recorrente a alguns de seus colaboradores não se destinava a remunerar o trabalho deles, não era contraprestação pelos serviços prestados, mas visava ela, sim, premiar os empregados que se empenhavam durante todo o ano no atingimento das metas estabelecidas pela companhia, diferenciandoos dos demais que assim não atuavam, motivo pelo qual não pode ser considerada como salário para fins de cálculo das contribuições objeto deste processo. Requer, por fim, que o recurso seja admitido e que seja declarado, ao final, a improcedência da autuação, cancelandose o AI em debate. É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 36624.014336/200663 Acórdão n.º 230101.822 S2C3T1 Fl. 89 5 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Assim, passo à análise das razões recursais trazidas pela recorrente. Preliminarmente, a autuada alega nulidade do auto, entendendo que não restou comprovada a ocorrência da infração, já que não há, nos autos, evidência no sentido de que os pagamentos que ensejaram à lavratura da NFLD n. 37.014.6638, da qual decorre este auto de infração, eram feitos com habitualidade, ou que estariam previstos, de forma expressa ou tácita, nos contratos de trabalho. Alega, também, decadência do direito de a autoridade fiscal efetuar o lançamento relativo aos fatos geradores ocorridos entre 08/1999 a 10/2001 Porém, o auto objeto da discussão administrativa foi lavrado pelo fato de a recorrente não ter incluído, em folha de salário, os pagamentos efetuados a título de premiação, considerados remuneração pela auditoria fiscal. A penalidade pela infração descrita acima é um valor que independe do montante que deixou de ser declarado ou do número de empregados ou competências em que a remuneração deixou de constar nas folhas de pagamento. Basta a empresa deixar de informar a remuneração de um segurado a seu serviço e em uma competência não alcançada pela decadência para que fique configurada a infração à legislação previdenciária. Portanto, o fato de a fiscalização não citar quais os empregados foram contemplados com a premiação não implica na nulidade do auto em tela, uma vez que, a própria recorrente confirma, em seu recurso, que alguns de seus colaboradores foram contemplados com o pagamento de prêmios. Verificase, sim, que a autoridade autuante identificou, de forma clara e precisa, a obrigação acessória descumprida e os fundamentos legais da autuação e da penalidade, bem como demonstrou, de forma discriminada, o cálculo da multa aplicada. Assim, o auto foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria e, como houve omissão em folha em competências não alcançadas pela decadência, rejeito as preliminares suscitadas. No mérito, verificase que a recorrente não nega que deixou de incluir, em sua folha de pagamento, os valores referentes à concessão dos referidos prêmios. Ela apenas tenta demonstrar que os valores relativos à premiação concedida por meio de empresa contratada, administradora do programa, não possuem natureza salarial e, portanto, não integram o salário de contribuição. Fl. 95DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 Contudo, a Constituição Federal, preceitua, no § 4º do art. 201, renumerado para o § 11, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98, o seguinte: § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüentemente repercussão em benefícios, nos casos e na \forma da lei. (grifei) A Lei 8.212/91 consubstanciou o disposto na Constituição Federal, ao estabelecer, no inciso I, do art. 28 da Lei 8.212/91, que salário de contribuição é“...a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma,...” (grifei). Restou claro, nos autos, que a concessão de prêmio aos empregados em função de desempenho, como incentivo para as vendas não é eventual e esporádica, e sim habitual. Tais verbas, como a própria recorrente insiste em afirmar em seu recurso, possuem a natureza de prêmio. E, segundo Amauri Mascaro Nascimento: "A natureza jurídica do prêmio não sofre, praticamente, contestações. É uma forma de salário vinculado a um fator de ordem pessoal do empregado ou geral de muitos empregados, via de regra a sua produção. Daí falar se, também, em salário por rendimento ou salário por produção. Caracterizase, também, pelo seu aspecto condicional. Uma vez verificada a condição de que resultam, devem ser pagos". (In “Teoria Jurídica do Salário”, Editora LTR, 1994, pg. 256). Assim, prêmio é remuneração. Esse também é o entendimento do TST: “Prêmio é gratificação, e gratificação é salário, se ajustada expressa ou tacitamente, porque a CLT não exige o ajuste expresso" TST pleno ERR 1943/82 DJU 06/12/85 pág. 22644” . E a CLT discrimina as parcelas que compõem a remuneração do empregado, conforme seu art. 457: Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário, não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagem e abonos pagos pelo empregador. Assim as gratificações, que podem ser eventuais, integram a remuneração do empregado por expressa previsão legal. A fiscalização constatou, o que não foi negado pela recorrente em sua peça recursal, que tais valores são pagos por meio de empresa interposta para premiar alguns de seus empregados. Dessa forma, os valores referentes aos prêmios concedidos pela recorrente aos segurados que lhe prestam serviços integram o salário de contribuição, conforme inciso I, art 28, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória nº 1.59614/1997, convertida na Lei 9.528/97. Fl. 96DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 36624.014336/200663 Acórdão n.º 230101.822 S2C3T1 Fl. 90 7 Ademais, é oportuno lembrar que, conforme art. 176 do CTN, “a isenção, ainda que prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão...”. No presente caso, não resta dúvida que os prêmios concedidos por meio da empresa prestadora citada no Relatório Fiscal, não estão incluídos nas hipóteses legais de isenção previdenciária, previstas no § 9º, art. 28, da Lei 8.212/91. Resta claro que o pagamento feito pela recorrente a título de programa de incentivo em favor dos segurados que lhe prestam serviços não se trata de fornecimento de meio para que esses trabalhadores possam exercer suas funções, e sim uma vantagem que representa um acréscimo indireto à sua remuneração, devendo, portanto, sofrer incidência de contribuição previdenciária. É inegável, no caso presente, o acréscimo patrimonial do empregado ao receber as quantias correspondentes aos prêmios de incentivo. Em que pese o esforço argumentativo da recorrente, verificase que os pagamentos em tela realmente se a amoldam ao figurino legal que delimita a basedecálculo da contribuição previdenciária, como bem entendeu a fiscalização e o julgador de primeira instância. Cumpre esclarecer que a condição de se tratar ou não de salário não está vinculada ao interesse da fonte pagadora ou do empregador em, com aquele pagamento, assalariar ou não seu empregado. Ou seja, não é o nome do pagamento ou a vontade da empresa em si que vai determinar sua natureza jurídica. O que irá afastar a verba paga da incidência tributária é a estreita observância à legislação a que trata da matéria. Dessa forma, os valores recebidos pelos empregados da recorrente título de prêmios integram o salário de contribuição, conforme inciso I, art 28, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória nº 1.59614/1997, convertida na Lei 9.528/97. Em relação aos argumentos de que a verba em comento não teria natureza salarial já que ausente de qualquer característica contraprestativa, cumpre observar que tais prêmios, oferecidos por mera liberalidade, ainda que de forma condicionada, pela empregadora a seus empregados não nega sua característica remuneratória, já que é decorrência única e exclusiva do contrato existente entre ambos, e mais, representa ganho obtido da empresa, o que nos mostra uma vinculação entre seu fornecimento e o labor do seu beneficiário, indicadora da sua natureza contraprestativa, numa forma indireta. Da mesma forma, constatase que não estamos diante de um pagamento eventual, como veementemente sustenta a recorrente, já que o ganho habitual passível de exação não é necessariamente aquele valor auferido mês a mês, trimestralmente ou mesmo bimestralmente etc. Há verbas pagas no decorrer do contrato de trabalho, ainda que não sejam auferidas nessas condições, e que não podem ser vistas como meramente eventuais. Ademais, o conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição para seu recebimento retiralhe o caráter da eventualidade, tornando o habitual. Fl. 97DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA 8 Há, portanto, uma expectativa criada que se sobrepõe ao fato de não ser seqüencial a continuidade a liberalidade; a continuidade existe por todo o tempo que perdurar o contrato, o recebimento é que depende acontecer a condição estabelecida pelo empregador, que concede o prêmio. A expectativa criada, o costume e a certeza do benefício em se caracterizando a situação prédefinida pela empresa empregadora gera a habitualidade, afasta por completo a eventualidade que poderia enquadrar o pagamento no item 7 da letra “e” do § 9º da Lei 8.213/91. Dessa forma, tendo a verba paga a título de premiação natureza salarial, a sua não inclusão em folha de pagamento constitui infração à legislação previdenciária, consoante determinação expressa no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/91, transcrito a seguir: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; Com relação ao argumento de que é impossível a aplicação da multa em questão, já que para a infração supostamente cometida pela recorrente, a saber, deixar de recolher a contribuição devida, já existe penalidade específica, cumpre reiterar que é objeto do presente processo administrativo um Auto de Infração pelo descumprimento da obrigação acessória de informar, em folhas de pagamento, todas as remunerações pagas a todos os segurados que lhe prestaram serviços. É oportuno esclarecer que na NFLD é lançada a multa de mora e, no AI, a multa de ofício. A autuada confunde multa, penalidade, com contribuição previdenciária. Na NFLD mencionada, o fiscal não impôs uma multa e sim notificou o valor que a recorrente deve à previdência. E o valor notificado foi acrescido de juros e multa moratória, tendo em vista o nãorecolhimento da contribuição no prazo legal. Tal procedimento encontra amparo nos artigos 34 e 35 da Lei 8.212/91, vigentes à época do lançamento. Já a multa de ofício lançada por meio do presente AI possui caráter punitivo e se refere ao descumprimento de uma obrigação acessória, o que, conforme demonstrado nos autos, ocorreu no presente caso. Assim, conforme exposto acima, houve infração à legislação previdenciária, uma vez que a fiscalização constatou que a empresa concedeu prêmios a alguns dos seus empregados e deixou de registrar esses pagamentos em folha. E, como não é facultado ao servidor público eximirse de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, em observância ao art. 33 da Lei 8212/99 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e Fl. 98DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 36624.014336/200663 Acórdão n.º 230101.822 S2C3T1 Fl. 91 9 os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; Voto por CONHECER DO RECURSO para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relatora Fl. 99DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 17546.000181/2007-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 29 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005
DECADÊNCIA PARCIAL
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência.
Havendo pagamento parcial antecipado do tributo exigido no lançamento, aplica-se o prazo quinqüenal previsto no artigo 150, § 4º da Lei nº 5.172, 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional.
NULIDADE - AFERIÇÃO INDIRETA
Não prestando o contribuinte as declarações, esclarecimentos ou documentos a que está obrigando, ou sendo esses omissos ou não merecedores de fé, cabe a autoridade fiscal, nos termos do artigo 148 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de. 1966, Código Tributário Nacional e artigo 33 da Lei nº 8.212, de
24 de julho . de 1991 aferir indiretamente o tributo.
ABONO. NATUREZA JURiD1CA QUE EXIGE SEJA PARCELA QUE SUBSTITUI PARCIALMENTE UM REAJUSTE SALARIAL. ISENÇÃO PARA OS CASOS EM QUE FOR DESVINCULADO DO SALÁRIO.
Os abonos são pagamentos feitos ao empregado que substituem, em parte, o reajuste salarial. Estando desvinculados do salário; por sua própria natureza ou por determinação do acordo coletivo, desfrutam da isenção prevista no art. 28, §9º, alínea "e", item 7.
INDENIZAÇÕES DE FERIAS E DE APOSENTADORIA
No caso concreto, os valores previstos nas Convenções Coletivas têm por função proteger o empregado contra a dispensa arbitraria ou sem justa causa, seja por conta do retorno das suas ferias, a fim de que não seja surpreendido, seja em razão de idade mais adiantada, a qual o Mercado de trabalho, como fato notório, aponta maior índice de rejeição para a reinclusão desse
trabalhador .
Esses valores, nesse sentido, possuem nítida natureza indenizatória, pois têm por objetivo reparar o trabalhador que, cm situações sabidamente delicadas, seja surpreendido como uma dispensa sem justa causa.
AQUISIÇÃO DE MEDICAMENTOS
No caso dos autos, a sistemática adotada pela recorrente se assemelha muito ao sistema de reembolso, pois, na pratica, o trabalhador empregado esta sendo beneficiado, pelo empregador, quando da aquisição de medicamentos, sendo a única diferença o fato de não transitar pela sua conta valores reembolsados pela empresa.
Na pratica, os resultados são semelhantes, pois tanto faz o empregado pagar 100 por um dado medicamento e buscar, junto ao empregador, o reembolso de 80% (oitenta por cento), custeando 20, como comprá-lo, diretamente junto rede conveniada, e custear os mesmos 20, uma vez que o medicamento já contara com o desconto de 80% (oitenta por cento).
AUXÍLIO-CRECHE
Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a titulo de auxílio creche.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Credito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-001.706
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento. Em relação à decadência, por maioria de votos, em dar provimento parcial para declarar a decadência de parte do período com base artigo 150, §4° do CTN, vencida a conselheira Bernadete de Oliveira Barros que aplicava o artigo 173, I do CTN.
Nome do relator: Adriano González Silvério
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Havendo pagamento parcial antecipado do tributo exigido no lançamento, aplica-se o prazo quinqüenal previsto no artigo 150, § 4º da Lei nº 5.172, 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. NULIDADE - AFERIÇÃO INDIRETA Não prestando o contribuinte as declarações, esclarecimentos ou documentos a que está obrigando, ou sendo esses omissos ou não merecedores de fé, cabe a autoridade fiscal, nos termos do artigo 148 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de. 1966, Código Tributário Nacional e artigo 33 da Lei nº 8.212, de 24 de julho . de 1991 aferir indiretamente o tributo. ABONO. NATUREZA JURiD1CA QUE EXIGE SEJA PARCELA QUE SUBSTITUI PARCIALMENTE UM REAJUSTE SALARIAL. ISENÇÃO PARA OS CASOS EM QUE FOR DESVINCULADO DO SALÁRIO. Os abonos são pagamentos feitos ao empregado que substituem, em parte, o reajuste salarial. Estando desvinculados do salário; por sua própria natureza ou por determinação do acordo coletivo, desfrutam da isenção prevista no art. 28, §9º, alínea "e", item 7. INDENIZAÇÕES DE FERIAS E DE APOSENTADORIA No caso concreto, os valores previstos nas Convenções Coletivas têm por função proteger o empregado contra a dispensa arbitraria ou sem justa causa, seja por conta do retorno das suas ferias, a fim de que não seja surpreendido, seja em razão de idade mais adiantada, a qual o Mercado de trabalho, como fato notório, aponta maior índice de rejeição para a reinclusão desse trabalhador . Esses valores, nesse sentido, possuem nítida natureza indenizatória, pois têm por objetivo reparar o trabalhador que, cm situações sabidamente delicadas, seja surpreendido como uma dispensa sem justa causa. AQUISIÇÃO DE MEDICAMENTOS No caso dos autos, a sistemática adotada pela recorrente se assemelha muito ao sistema de reembolso, pois, na pratica, o trabalhador empregado esta sendo beneficiado, pelo empregador, quando da aquisição de medicamentos, sendo a única diferença o fato de não transitar pela sua conta valores reembolsados pela empresa. Na pratica, os resultados são semelhantes, pois tanto faz o empregado pagar 100 por um dado medicamento e buscar, junto ao empregador, o reembolso de 80% (oitenta por cento), custeando 20, como comprá-lo, diretamente junto rede conveniada, e custear os mesmos 20, uma vez que o medicamento já contara com o desconto de 80% (oitenta por cento). AUXÍLIO-CRECHE Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a titulo de auxílio creche. Recurso Voluntário Provido em Parte Credito Tributário Mantido em Parte
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 17546.000181/2007-94 Recurso n" 257.952 Voluntário Ac6rdáo n" 2301 -01.706 — Câmara / 1" Turma Ordinária Sessáo de 21 de outubro de 2010 Matéria SALÁRIO INDIRETO Recorrente MOTOROLA INDUSTRIAL BRASIL LTDA Recorrida DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM CAMPINAS/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PBEVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante n 0 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei 0 0 8.212, de 24 cie julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Havendo pagamento parcial antecipado do tributo exigido no lançamento, aplica-se o prazo qiiinqüenal previsto no artigo 150, § 4 0 da Lei n" 5.172, 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. NULIDADE - AFERIÇÃO INDIRETA Não prestando o contribuinte as declarações, esclarecimentos ou documentos\ a que está obrigando, ou sendo esses omissos ou não merecedores de fé, cabe a autoridade fiscal, nos termos do artigo 148 da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de. 1966, Código Tributário Nacional e artigo 33 da Lei n' 8.212, de 24 de julho . de 1991 aferir indiretamente o tributo. ABONO. NATUREZA JURiD1CA QUE EXIGE SEJA PARCELA QUE SUBSTITUI PARCIALMENTE UM REAJUSTE SALARIAL. ISENÇÃO PARA OS CASOS EM QUE FOR DESVINCULADO DO SALÁRIO. Os abonos são pagamentos feitos ao empregado que substituem, em parte, o reajuste salarial. Estando desvinculados do salário; por sua própria natureza ou por determinação do acordo coletivo, desfrutam da isenção prevista no art. 28, §90, alínea "e", item 7. INDENIZAÇÕES DE FERIAS E DE APOSENTADORIA No caso concreto, os valores previstos nas Convenções Coletivas têm por função proteger o empregado contra a dispensa arbitraria ou sem justa causa, seja por conta do retorno das suas ferias, a fim de que não seja surpreendido, seja em razão de idade mais adiantada, a qual o Mercado de trabalho, como fato notório, aponta maior índice de rejeição para a reinclusão desse trabalhador . Esses valores, nesse sentido, possuem nítida natureza indenizatória, pois têm por objetivo reparar o trabalhador que, cm situações sabidamente delicadas, seja surpreendido como uma dispensa sem justa causa. AQUISIÇÃO DE MEDICAMENTOS No caso dos autos, a sistemática adotada pela recorrente se assemelha muito ao sistema de reembolso, pois, na pratica, o trabalhador empregado esta sendo beneficiado, pelo empregador, quando da aquisição de medicamentos, sendo a imica diferença o fato de não transitar pela sua conta valores reembolsados pela empresa. Na pratica, os resultados são semelhantes, pois tanto faz o empregado pagar 100 por um dado medicamento e buscar, junto ao empregador, o reembolso dc 80% (oitenta por cento), custeando 20, como comprá-lo, diretamente junto rede conveniada, e custear os mesmos 20, uma vez que o medicamento já contara com o desconto de 80% (oitenta por cento). AUXÍLIO-CRECHE Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a titulo de auxílio-creche. Recurso Voluntário Provido em Parte Credito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados c discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Câmara / la Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento. Em relação à decadência, por maioria de votos, em dar provimento parcial para declarar a decadência de parte do período corn base artigo 150, §4° do CTN, vencida a conselheira Bernadete de Oliveira Barros que aplicava o artigo 173, I do CTN. No mérito: a) corn relação aos valores de indenização de férias e dc aposentadoria c auxilio-creche, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso; b) com relação ao abono cmergencial, por maioria dc votos, cm dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e Bernadete de Oliveira Barros que negavam provimento; c) corn relação ao abono especial, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Damiíio Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes e Adriano Gonzales Silvério que davam provimento; d) com relação ao SAT, por voto de qualidade, negar provimento ao rccurso, vencidos os conselheiros Damião Cordeiro de Moracs, 2 l'rocesm)11" ( 7546.000181 12007-94 s2-c3T1 Acórao n." 2301-01.706 H. 2 Leonardo Henrique Pires Lopes e Adriano Gonzales Silver que davam 'provimento; e) com relação ao reembolso de medicamentos, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Daiiiião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes e Adriano Gonzales Silvério que davam provimento. Resultado final do julgamento: provimento parcial ao recurso pela decadência de parte do período e ainda para exclusão das parcelas acima discriminadas nas alíneas "a" e "b". Designado o Conselheiro M uro Jose Silva para redigir o voto vencedor corn relação as matérias constantes das ali e “e” . JULIO lEIRA GOMES — Presidente • ADRIANO GOWALES SILVÉRIO - Relator m9_ 6 J SICVA-----Redator designado Pa tic pa in do presente julgamento os conselheiros: Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzales Silveri°, Damião Cordeiro de Monies e Julio Cesar Vieira (jollies (presidente). Fez sustentação oral o advogado da recorrente Dr. Rodrigo Arruda Campos, OAB/SP 157768. RelatOrio . Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n" 35.847.965-7, a qual exige à contribuição destinada ao HAS — Fundo de Previdência e Assistência Social , ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do gran de incidência de incapacidade laborativa e de outras entidades — terceiros (INCRA, SALÁRIO EDUCAÇÃO, SESI, SENA' e SEBRA E). De acordo corn o Relatório Fiscal, estão sendo exigidas contribuições previclenciarias sobre os valores pagos ou creditados aos segurados trabalhadores empregados titulo de abono emergencial e ou especial, indenização de ferias e cie aposentadoria, reembolso dos valores pagos na aquisição de medicamentos e auxilio creche. Ainda de acordo corn os autos, apura-se que as contribuições foram apuradas com base na análise das informações contidas nas Folhas de Pagamento, Convenções e Acordos Coletivos de Trabalho, Contrato de Prestação de Serviços com a empresa PBMS do Brasil S/A e as notas fiscais emitidas pela prestadora, Política Interna para Aquisição de, Medicamentos E-Pharma e respectiva planilha de pagamento. As It 472 c 473 dos autos consta Informação Fiscal relatada pelos Auditores- Fiscais autuantes, esclarecendo que em relação aos subsídios para a aquisição de medicamentos, fornecidos pela autuada, esse foi considerado base de calculo das contribuições, pois o bene ficio "não foi OPERACIONALIZADO NA MODALIDADE DE REEMBOLSO, CONFORME DETERMINA A LEI 8.212/91 E 0 DECRETO 3.048/99." Ademais, cm relação ao cálculo dos valores autuados, assim esclareceu: ' 3. Ein reluerio à quais empregados beneficiados C sells respectiros sakirios-de-contribuicao, .ficou constatado (pie os ralares' (yam .faturados globalmente pela PBA/15 DO BRASIL S'/A a MOTOROLA INDUSTRIAL LTDA, conforme .fotocópias das boletos hancyirios anexos as , folhas 395 e 396 do referido process°, 10° tendo a empresa apresentado a (liscriminaerio por enupregado.'' A autuada, devidamente intimada, apresentou impugnação, por mcio da qual expôs os seguintes argumentos: a) nulidade da NFLD, no tocante ao subsidio fornecido pela empresa, uma vez que essa deveria mencionar: "(i) os nomes dos referidos trabalhadores c (ii) os respectivos salários de contribuição individualizados, para que ao preparar a sua defesa a ora impugnante pudesse discutir o acerto ou não da decisão tomada pelo Sr. Fiscal, tendo como referência os empregados efetivamente incluídos no objeto da autuação;" b) decadência parcial do credito tributário, corn base no artigo 150, § 4 0, Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional; c) com relação aos abonos emergenciais e especiais, esses se constituem cm ganhos eventuais c, portanto, escapam á incidência da contribuição previdenciária; d) no tocante as indenizações de ferias de aposentadoria, essas, além de constituírem ganhos .eventuais, possuem caráter indenizatório e, assini também não estariam sujeitas às contribuições previdencidrias; e) a sistemática adotada pela empresa no sentido de fornecer subsidio para a aquisição de medicamentos assemelha-se à figura do reembolso de despesas com medicamentos, os quais não se submetem ca incidência das contribuições prevideneiárias; 1) . o auxilio-creche é verba de caráter assistencial, eventual c provisória, razão pela qual também não se submete a incidência das contribuições previdenciarias; c g) a aliquota do SAT aplicada na apuração do crédito tributário deveria ser de 2% (dois por cento) c não de 3% (três por cento) em relação a estabelecimento localizado na cidade de São Paulo, cuja razão social e comercial. A DR.I de Campinas, por meio do Acórdão 05-17.997 — 6" Turma da DRI/CPS manteve integralmente a autuação, assim fundamentando: a) não acolheu a preliminar de nulidade, pois "a própria empresa não disponibilizou os nomes dos beneficiários c conforme consta da 'F(N 472/473) Os valores cram faturados globalmente pela PBMS DO BRASIL S/A à MOTOROLA INDUSTRIAL LTDA.( Ressalte-se que, após a ciência de tal IF, por meio do Despacho 21.424.4/100/2006, o contribuinte não apresentou fatos novos que pudessem modificar o procedimento fiscal;" 4 Process() n' 17546.000151/2007-94 S2-C3 1 1 Acórao n." 2301-01.706 Fl. 3 6402 b) em relação à decadência aplicou o prazo decenal do artigo 45 da n" 8. 9 12, de 24 cle jullto de 1991; c) corn relação aos valores pagos a titulo de abono, indenizações e auxilio creche sustentou que apenas os ganhos e eventuais e abonos, expressamente previstos em lei não se constituíram ern base de cálculo das contribuições previdenciarias (artigo 214, § 90, item V, "j", do Decreto n.° 3.048/99, na redação dada pelo Decreto no. 3.265, de 29/11/1999). Ademais, com relação ao auxilio-creche, para que esse não fosse objeto de tributação seria necessário que houvesse a comprovação por parte da empresa dos gastos incorridos pelos funcionários, fato esse não comprovado; d) no tocante aos valores apurados na rubrica reembolso medicamento, considerou que o beneficio não era expandido a todos os funcionários, pois aqueles contratados corn prazo determinado não o usufruíam; A autuada, intimada da decisão, interpôs recurso voluntário renovando os argumentos deduzidos em sua inipugnação. o relatório. Vo to ,Conselheiro ADRIANO GONZALES SILVERI°, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Decadência Antes de adentrar ao mérito stricto senso cabe reconhecer a decadencia parcial do crédito tributário constituído na citada NFLD. Como é de . conhecimento notório, de acordo corn a Súmula Vinculante n" 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n" 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e A administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Verifica-se que a fiscalização lavrou a NFLD discutida com amparo na Lei 8.212, de 24 de julho de 1991 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, 'o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, lIt , `b' da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recurso Extraordinários n" 5596664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n° 8212/91. Na oportunidade, foi editada a Sumula Vinculante n" 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Sununu vinculante 8 "Sao inconstitucionais Os 'parágrafo único artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadéncia de crédito tributário" Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regiment() Interno do Conselho Administrativo de RecurSos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém. determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstóitucional por decisão plenária definitiva do. Supremo Tribunal Federal: "Art. 62. Pica vedado nos membros das turmas de julgamento do CARP al(' 'star a aplicação ou deixar dc observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, s•ob Andamento de POR'IgrOJO único. O OV,STOStO HO caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: — que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 c 46 da Lei n" 8.212/1991 pelo STF, restou extinto os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo dccadencial c prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103-A e parágrafo da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional n" 45/2004, in verbis: "Art. 103-A. 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante _decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmnulci que, a partir de sua publicação na imprensa terá efeito vinculante em relação aos demais Órgãos do Poder Judiciário e ã administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder sua revisão ou cancelamento, na forma estabele'cida em lei. §1" A Súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança juridica c relevante multiplica cão deproce,s'sos sobre questão idêntica. § 2" Scam prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou ccmcelamento de slinutla poderá ser provocada por aqueles que podem propor a. ação direta de inconstitucionalidade. Processo n° 17546.000181/2007-94 Ac61- ciao n." 2301-01.706 3" Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicai; caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-ti procedente, anulara o ato administrativo ou cassara a decisão judicial reclamada, e determinara que outra proferida coin ou sem a aplicação da stintula, conforme o caso (g.n.)." S2-C3T1 Fl. 4 LI _6.1114±. Da leitura do dispositivo constitucional acima, conclui-se que a vinculação síunula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no ambito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, nos ,termos do artigo 64-B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilidade pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. "Art. 64-B. Acolhicla pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação JUndada cai violação de enunciado da sfunula vinculante, cijneia à cuaoridade prolutora e ao õrgão competente para ojulgamento do recurso, que del'el'a0 adequar as jiauras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de revonsabilização pessoal nas es/áras cível, administrativa e penal" O fato gerador que ensejou a lavratura da NFLD em tela 6 o pagamento de valores denominados de abonos emergenciais e ou especial, indenização de ferias e de aposentadoria, reembolso dos valores pagos na aquisição de medicamentos e auxilio creche. Em suma, discute-se no presente caso se ocorreu ou não o fato gerador da contribuição previdenciária quando do pagamento dos valores acima citados. Sabe-se que, em regra, o aspecto material da regra-matriz de incidência 6 formal() por um verbo mais o complemento. Assim vemos no IPTU - "ser proprietário de imóvel urbano" -, no Imposto de Renda — "auferir renda", sendo que o mesmo acontece no caso das contribuições previdenciárias que, na hipótese desses autos 6, em síntese, "pagar remuneração". Determina o artigo 150, § 40 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, que nos tributos sujeitos ao lançamento por hotnologaçiT.o, cabe ao contribuinte o dever de pagar antecipadamente o tributo, sem prévio exame por parte da autoridade pública. Essa, por sua vez, cientificada dessa atividade do contribuinte terá o prazo de 5 (cinco) anos para homologá-lo ou não. No caso dos autos, a autoridade fiscal, no pleno exercício de suas funções de verificar a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, apurou, segundo seu entendimento, que a recorrente ao "pagar remuneração" sob as rubricas acima citadas teria cumprido parcialmente com a obrigação principal, ou, em outras palavras, quitou parcialmente o tributo correspondente a esse fato gerador, uma vez que não incluiu, na base de cálculo, somente as parcelas pagas a esse titulo. Temos adotado a posição doutrinária e jurisprudencial no sentido de que havendo pagamento antecipado . por parte do contribuinte, em relação ao lato gerador posto em discussão, deve incidir o prazo!decadencial qüinqüenal previsto no mencionado artigo 150, j . Í;22L7 • / 4". Ncsse sentido a decisão proferida pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial 989.421/RS, publicado no Diário da Justiça de 10 dc dezembro de 2008: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ICMS. DECADÊNCIA DO DIREITO DE 0 FISCO CONSTITUIR 0 CREDITO TRIBUTÁRIO. OCORRÊNCIA. ARTIGO 150, § 4`; DO CTN. 5. A decadência do direito de lançar do Fisco, C111 se tratando de tributo sujeito a langamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrida em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece ii regra prevista na primeira parte do § 4", do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, Sc a lei não fixar prazo a homologação, sera ele de cinco alias, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre contagem do prazo para o Eisen homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitcmtemente, com O prazo para o Fisco, no caso de não homologa cão, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidam-se simuhaneamente a homologação tacita, a perda do &relic) , de homologar expressamente e, conseqUentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de oficio" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributario, Enrico Marcos Diniz de Santi, 3" Ed., Max Linumad póg. 170)." No Ambit° desse Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (testae° o Acórdão n° 9202-00.495, da 28 Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da lavra do Eminente Conselheiro Ryeardo Henrique Magalhães de Oliveira, proferido nos autos do processo n" 36918.002964/2005-10: "Não bastasse isso, é. de bom alvitre esclarecer que o Menu da Camara Superior de RCC111-SOS Fiscais, em sessão de julgamento realizada no dia 15/12/2008, por maioria de votos (21 x 13), .firmou entendimento de que o prazo decadencial a ser aplicado para as contribuições previdenciarias ê o insculpido no artigo 150, § 4", do CTN, independentemente de ter havido ou não pagamento parcial do tributo devido, o que veio a ser ratificado, também por maioria de votos, pela Pleno da CSRE em sessão ocorrida em 08/12/2009, com ir ressalva existência de qualquer atividade do contribuinte tendente a apurar a base de calculo do tributo devido. (..) Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) (1170S, contados i/o fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150„ 4", do CTN, proceder â análise das informações prestadas pelo contribuinte homologando-as oi não, quando inexi,stir concordância. Neste Ultimo caso, promover o lançamento de oficio da importância que imputar devida." Assim, diante das razões acima aduzidas, entendo que há decadência parcial no caso concreto, conforme o cômputo do prazo decadencial qüinqüenal previsto no artigo 150, § 4", da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Sendo que o ‘\\ /11 Processo n° 17546.000181/2007-94 S2-C31'1 Acórdlio 11.° 2301-01.706 Fl. 5 ci ,s5 -1-P1 lançamento fora cientificado a recorrente em 19 de junho de 2006, tenho por decaídos osgtos geradores ocorridos no period() de janeiro a maio de 2001. Nulidade da NFLD Ainda em sede de preliminar a recorrente sustenta a nulidade da NUM, baseada nos argumentos abaixo transcritos: Se o Sr. Fiscal está sustentando a tese de que &versos trabalhadores da empresa teriam recebido subsidio para compra de medicamentos, que seria integrante do salário de contribuição, deveria mencionar: (i) os 'tomes dos referidas trabalhadore.s e (ii) os respectivas salários de contribuição individualizados, para que ao preparar a sua defesa a ora recorrente pudesse discutir o acerto ou loo da decisão tomada pelo Sr. Fiscal, tendo coma referencia os empregados efetivamente incluidas no objeto da autuação. Assiut sendo, torna-se praticamente impassive' discutir o acerto ou não do Sr. Fiscal, especialmente quanto aos ia/ores que serviram como base de cálculo das contribuições ora em cobrança, pois sequer 'brain individualizados Os Homes dos trabalhadores envolvidos na !VELD e os respectivos salários de calitribill00. A irresignacao da recorrente diz respeito ao fato dc que, quando da apuração da rubrica "aquisições de medicamentos" deveria a fiscalização ter levantado todos os trabalhadores da empresa que teriam recebido esse bene ficio, a fim de possibilitar o pleno exercício ao direito de defesa. Entendo que não ocorreu a propalada nulidade. Isto porque, as IL 470 desses autos, o Serviço de Contencioso Administrativo do Ministério da Previdência, atento ao argumento levantado ainda em sede de impugnação, solicitou que os fiscais autuantes manifestassem acerca da forma pela qual fbi apurada a base de calculo das contribuições no tocante a rubrica "aquisições de medicamentos". Essa informação consta as 11. 472 e 473 dos autos, esclarecendo que os valores pagos a esse titulo foram considerados salários, pelo fato de que não foi utilizado o sistema de reembolso. Exemplifica a citada informação, a sistemática adotada: "Exemplo B: 0 empregado dirige-se diretamente a uma larmácia conveniada da E-Pharma, para obter os medicamentos, pagando neste ato 20 'X (vinte por cento) do valor e sendo o restante 80 °X, (oitenta por cento) /aturado diretamente a MOTOROLA INDUSTRIAL LYDA (MODALIDADE DE SUBSÍDIO E UTILIZADO PELA EMPRESA)." Para o respectivo calculo das contribuições, aponta a informação que, " ficou constatado que os valores eram faturados globalmente pela PBMS DO BRASIL S/A MOTOROLA INDUSTRIAL LTDA, conforme fotocópias dos boletos bancários anexos as folhas 395 e 396 do referido processo, não tendo a empresa apresentado a discrimi.nação por empregado." Como se nota da mencionada informação, a empresa autuada niio apresentou á fiscalização a discriminação dos empregados que foram beneficiados com o progroma de desconto nas aquisições dos medicamentos. Nesse cenário, tem cabimento o § 6' do artigo 33, da Lei n' 8.212, de 24 de julho de I 991, que assim preceitua: "§ 6" Se, 710 exame da escrituração contail e de qualquer outro documento da empresa, a .fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de renumeração dos segurados a sett serviço, do .faturamento e (lo hicro„verão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo a empresa o ónus da prova em contrário." Não procede ao argumento levantado no 'recurso voluntário segundo o qual, pela sistemática adotada para a lavratura da presente NFLD não se poderia saber se "foram incluídos na base de cálculo os valores custeados pelos próprios empregados, na medida em que o ern-pregado area com 20% do custo dos medicamentos (vide item 3.2.1 do relatório fiscal)." Isto porque, pelo próprio programa desenvolvido pela autuada (Política para Aquisição de Medicamentos), fica evidente que de a "Motorola subsidia 80% (.10 medicamento e o funcionário pagará os 20% restante, no ato da compra (não haverá reembolso posterior)". Esclareça-se, ademais, que a recorrente, devidamente intimada da informação fiscal de fl. 472 c 473, não apresentou novos elementos ou mesmo a contestou, mas simplesmente reproduziu parte da peça inicial de defesa, a qual já se encontrava nesses autos as 11. 418 a 440. Assim, rejeito a preliminar dc nulidade da NFLD. No mérito, analisaremos cada unia das verbas pagas pela recorrente, a fi m dc facilitar a compreensão. Abono emergencial e abono especial. O abono emergencial estava previsto no Acordo Coletivo de trabalho datado de 20 dc Agosto de 2003, cuja cláusula 5" assim previa: "Será assegurado aos empregados mencionados na cláusula 2, pagamento de um ABONO EMERGENCIAL, desvinculado do salário, 170 valor de R$ 350,00 (Trezentos e cinqüenta reais), a ser pago em ünica parcela no dia 25 de Agosto de 2003." A fiscalização o considerou como salário, uma vez que pela redação da alínea parágrafb 9°, inciso V do artigo 214 do Decreto 3.048/99, não integram o salário-de- contribuição os abonos expressamente desvinculados cio salário por força de lei. Tenho para mim que o mencionado dispositivo transbordou na função regulamentar, uma vez que a Lei n° 8.212, de 24 de julho de '1991, especialmente o item 7, da alínea "c", do § 9", do artigo 28 não fazem essa distinção, OU melhor, não exige que o abono pago pelo empregador esteja desvinculado do salário por força de lei. Vejamos: "Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: 9" Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: l'focessu ii 17546.000181/2007-94 AL:61-(Mo n.' 2301-01.706 e) as importancia.s.: 7. recebidas a titulo de ganhos eventuais e os abonos expresscunente desvinculados do salario;" Outrossim, o abono pago, no caso dos autos, não é revelador de habitualidade e de retributividade, não agrega ao salário base do trabalhador empregado, provocando assim alteração no seu contrato de trabalho no que diz respeito a remuneração. Isto 6, não se torna elemento seguro do orçamento do empregado. Corn relação ao abono especial, esse estava previsto no Aditamento da Convenção Coletiva datado de 19 de Novembro de 2004, o qual previa que ate 06/12/2004 seria concedido um abono especial c eventual de' 3% (três por cento) com base no salário vigente em 01/01/2004, observado o teto salarial. de R$ 2.950,00 (Dois mil , novecentos e cinqüenta reais), sendo que para salário igual ou superior a R$ 2.950,00 (Dois mil, novecentos e cinqüenta reais), o abono correspondia ao valor fixo de R$ 88,50 (Oitenta oito reais e cinqüenta centavos). A fiscalização entendeu que também esse abono configurar-se-ia como salário pelas mesmas razões alhures descritas, o que nos faz remeter as mesmas fundamentações acima esposadas no sentido de não incidência das contribuições previdenciarias, haja vista expressa disposição no item 7, da alínea "e", do j 9", do artigo 28 da Lei n°8.212, de 24 de julho de 1991. Registro que o fato de o abono especial utilizar o salário do segurado trabalhador empregado como critério para o seu próprio cálculo não desnatura a sua natureza jurídica de "abonos expressamente desvinculados do salário", pois, no meu sentir, não 6, o inodo de se calcular o abono que a sua natureza sera alterada, mas a reunião de can] cteristicas que permitam defini-lo como "salário", tais como a habitualidade e a retributividade. Como dito acima, não estão presentes esses requisitos, razão pela qual seja o abono emergencial, wino 0 aboim especial, aqui analisado, não constituem base de cálculo das contribuições previdenciárias. Indenização de férias e indenização de aposentadoria A indenização cie lerias esta prevista nas Convenções Coletivas de Trabalho celebradas em 23 de Novembro de 1999 (Cláusula 20), 26 cie Novembro de 2001 (Cláusula 22) e 23 de Novembro de 2003 (Cláusula 22). Essas Convenções prevêem que o empregado cujo contrato de trabalho enha a ser rescindido por iniciativa cio empregador, sem justa causa, no prazo de 30 (trinta) dias após o retorno das ferias, fará jus a uma indenização adicional equivalente a 1 (hum) salário nominal mensal. A indenização de aposentadoria, por sua vez, encontra-se arrolada nas Convenções Coletivas de Trabalho celebradas em 26 de Novembro 2001 (Cláusula 24) e 23 de Novembro de 2003 (Cláusula 24). Consoante as Convenções o empregado coin 45 (quarenta cinco) anos de idade ou mais, caso seja demitido sem justa causa, receberá uma indenização correspondente a 20 (vinte) dias de salário, acrescido de 1 (hum) dia de salário por ano ou fração superior a - (seis) meses a partir cios 45 anos de idade. ,- / / A Constituição Federal, em seu artigo 195, inciso I, alínea "a" estabeleceu a competência do legislador ordinário de instituir contribuição destinada ao fi nanciamento da seguridade social incidente sobre a "folha de salários" c "demais rendimentos do trabalho". A Lei n" 8.212, de 24 de julho de 1991, instituiu o piano dc custeio da segi widade social , sendo que o seu artigo 22, inciso 1, com a redação dada pela Lei n" 9.876, de 26 de novembro de 1999, determina a obrigação da empresa de recolher contribuição previdenciária nos seguintes, moldes: "Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada Seguridade Social , alént cio disposto no art. 23, é de: 1 - vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que 'western ,serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a firma de utilidade.s e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo á disposição do empregador ott tomador de serviços, 170S termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção out acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei n" 9.876, de 1999)." Da redação acima citada podemos extrair que a legislação exige, para fins de incidência da contribuição previdenciária, em relação aos segurados empregados, como é o caso concreto, que as "remunerações pagas" sejam aquelas "destinadas a retribuir o trabalho" e corn habitual idade. A habitualidade, além de ser exigência , do dispositivo legal supra, con firmada pelo artigo 28, § 9', alínea "c", item 7, da Lei n" 8.212, de 24 de julho de 1991, segundo o qual não se incluem no salário -de-contribuição, os ganhos eventuais e os abonos desvincutados cio salário. Com efeito, a legislação mencionada utiliza-se de termo "remuneração" que ela prop ia não define e nem poderia por força do artigo 110 da Lei n° 5.172, dc 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, o qual determina que à legislação tributária 6. vedado alterar o conteúdo, a de fi nição c o alcance dos termos de direito privado. *Dessa forma, surge a obrigação de recorrermos ao direito do trabalho para buscarmos o conceito de remuneração. Dispõe o artigo 457 do Decreto-Lei IV 5.452, de 1" de maio dc 1943, na redação conferida pela Lei n° 1.999, de 1" de outubro de 1953: "Art. 457 - Compreendem-se na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do yervio, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei n" 1.999, de 1.10.1953) § I" - Integram o salário não só a importância .fixa estipulada, C01170 também as C0177iSS1-5eS, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei n" 1.999, de 1.10.1953) § 2" - NJ° se incluem nos salários as gjudas dc custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% 12 Pcocesso u" 17546.000181/2007-94 Acórd50 2301-01.706 (einqiienta pot cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei n" 1.999, de 1.10.1953) 30 - Considera-se gorjeta não só a importáncia espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, conto também aquela que for cobtYlda pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer titulo, e destinada a distribuição aos einpregados." Extrai-se do dispositivo supra transcrito que remuneração é a soma de salário (valor pago diretamente pelo empregador em decorrência da contraprestação do serviço, estipulada no contrato de trabalho) mais as gorjetas que o empregado receber. Importante aqui transcrever a nota dedicada a esse artigo por Eduardo Gabriel Saud na obra CLT Comentada, revista e atualizada por Jose Eduardo Duarte Sancta e Ana Maria Saada C. Branco, Editora LTr, 42" edição, 2009, pág. 563: "1) 0 caput do artigo acima transcrito distinção antra rennatemção e:salário. Este é contraprestação devida e paga diretamente ao empregado; a remuneração compreende o salário e mais o'que o empregado recebe (le terceiros (gorjetas, por exemplo), eat virtude do contrato de trabalho." (grifamos) A remuneração, desse modo, resultado de salário mais goljeta, é decorrente do contrato de trabalho firmado entre empregado e empregador. No caso das gorjetas, além do salário o empregado espera recebê-las, em decorrência da práxis da atividade exei'cida, sejam aquelas espontaneamente dadas pelo cliente, sejam aquelas cobradas pelo empregador nas contas e distribuídas aos empregados. Fla nítida caracterização da habitualidade decorrente da própria atividade exercida pelo empregado, tornando-se a gorjeta elemento seguro do seu orçamento. Além disso, não se esquecendo do disposto no retro citado § I" do artigo 457, integram o salário e, portanto, o conceito de remuneração, as comissões, percentagens e grain-teat:6es ajustadas. Aqui também podemos entender que se trata de verbas pagas com habitualidade, em decorrência da natureza da atividade exercida pelo empregado, previamente ajustas no contrato de trabalho ou em acordos ou convenções coletivas. Nesse ponto transcrevemos a nota registrada por Eduardo Gabriel Sand na obra UT Comentada, revista e atualizada por José Eduardo Duarte Suada e Ana Maria Suada C. Branco, Editora LTr, 42" edição, 2009, pág. 564: "Ajustadas são aquelas exigíveis pelo empregado por amstarem de seu central() de trabalho, de cláusula de pacto coletivo ou regulamento intern° (la enwesa. Tais documentos expriatem um (word() de vontades ou revelant o compromisso do empregador de pagar a gratificaçiio. Portanto, identificamos que os critérios da habitualidade e da retributividade são da essência do conceito de remuneração e, assim, da própria incidência das contribuições previdenciarias. Ausente qualquer valor pago ao empregado sem que essas características estejam presentes, não haverá que se falar em remuneração (conceito jurídico) e, por -- conseguinte, em incidência de contribuições previdencidrias. No caso concreto, os valores previstos nas Convenções Coletivas têm por função proteger o empregado contra a dispensa arbitrária ou sem justa causa, seja por conta do retomo das suas férias, a fim de que não seja surpreendido, seja em razão de idade mais adiantada, a qual o mercado de trabalho, corno é fato notório, aponta maior índice dc rejeição para a reinclusão desse trabalhador. Esses valores, nesse sentido, possuem nítida natureza indenizatória, pois têm por objetivo reparar o trabalhador que, em situações sabidamente delicadas, seja surpreendido como urna dispensa sem justa causa. Logo, também sobre as parcelas pagas sob as rubricas indenização dc férias c indenização de aposentadoria não devem incidir as contribuições previdenciárias. Aquisição de medicamentos No decorrer do procedimento fiscal foi constatado que a recorrente mantinha uni contrato de prestação de serviços com a empresa PBMS do Brasil S/A para o fornecimento de medicamentos aos scus empregados. Segundo o contrato os empregados da recorrente, excetuando-se os estagiários, terceiros Ott Os funcionários contratados por prazo determinado, podem adquirir medicamentos constantes de um formulário, ou outros medicamentos, ern rede previamente credenciada com os descontos pertinentes aos medicamentos definido em contrato. A sistemática se dá da seguinte forma: a recorrente subsidia 80% (oitenta por cento) do medicamento e o funcionário paga os 20% (vinte por cento) restante, no ato da compra, não havendo reembolso posterior. A fiscalização entendeu que como o fornecimento dos medicamentos aos empregados não estava operacionalizado na modalidade de reembolso e subsidiado pela empresa, entendeu que esses deveriam compor a base' de cálculo das contribuições previdenci arias. A alínea "q", do item 9, do § 9 0 do artigo 28, da Lei n" 8.212, de 24 de julho dc 1991 prevê que não incidirá contribuição previdenciaria sobre o "reembolso de despesas - corn medicamentos". No caso dos autos, a sistemática adotada pela recorrente se assemelha muito ao sistema de reembolso, pois, na prática, o trabalhador empregado está sendo beneficiado, pelo empregador, quando da aquisição de medicamentos, sendo a imica diferença o Ihto de não transitar pela sua conta valores reembolsados pela empresa. O que fica claro, a meu ver, é que seja pela via do reembolso, seja pela via do desconto prévio, esta assegurado ao trabalhador empregado o auxilio corn as despesas efetuadas com medicamentos, valor esse que pretende assegurar a legislação, quando o desonera da incidência da contribuição previdencidria. Na prática, os resultados são semelhantes, pois tanto faz o empregado pagar 100 por um dado medicamento c buscar, junto ao empregador, o reembolso de 80% (oitenta por cento), custeando 20, como comprá-lo, diretamente junto A rede conveniada, c custear os mesmos 20, uma vez que o medicamento já contará com o desconto de 80% (oitenta por cento). Processo n° 17546000! 81/2007-94 S2-C3T1 Acórdiio n.° 2301-01.706 Fl. 8 C A decisão recorrida considera também o fato de que o beneficio ora con at° está sujeito As contribuições previdencidrias, uma vez que não foi estendido a todos os empregados da ora recorrente, haja vista que não são beneficiados os empregados contratados por prazo determinado. Amauri Mascaro Nascimento, em sua obra Iniciação ao Direito do Trabalho, 24" ed., Ed LTr, pág. 204, assim explica acerca do cabimento do contrato a prazo: "Entende-se por atividade transitoria, em primeiro lugar, aquela que se limitar no tempo. Transitório é aquilo que é breve, passageiro, dura pouco, effinero. Assim, o serviço que o empregado executor deve ter breve duração, contrastando-se, portanto, COM (1 permanência própria das atividades da empresa e pertinentes aos setts fins normais." Extrai-se desses ensinamentos que o contrato por tempo determinado tern cabimento quando o serviço a ser desempenhado pelo empregado terá breve duração, cm oposição à atividade natural da empresa. Sendo o serviço passageiro, efêmero, também sera o empregado, para a empresa que for contratada para desempenhá-lo, exceto se, após o final do contrato de trabalho, a empresa decida contratá-lo por prazo indeterminado. . Entendo como razoável e proporcional o critério que descreve utilizado pela recorrida, o qual não atenta corn os objetivos traçados pela norma suso citada, uma vez que o bene ficio acoberta todos aqueles que estão ligados, direta ou indiretamente, "com a permanência própria" de suas atividades. Auxilio-creche Corn relação ao auxilio creche a questão foi paci fi cada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça que editou a Súmula 310, cuja redação é a seguinte: "0 auxilio -creche ndo integra 6 salário de contribuição" Em razão desse posicionamento do Poder Judiciário, fi xando o entendimento de que não incide a contribuição previdenciaria sobre os valores pagos a titulo d.c auxílio- creche, instituído em decorrência do dever do patrão a manter creche ou tereeirização do serviço, conforme previsão do art. 389, § 1 0 , da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a Procuradoria da Fazenda Nacional —PGFN emitiu Parecer n° 2600/2008, do qual transcrevo alguns excertos: "Vai Parecer, ern face (hi alteração trazida pela Lei 11 011.033, de 2004, a Lei n° 10.522/2002, teró também o coma) de dispensar a apresentação de contestação pelos Procuradores da Fazenda Nacional, bem como de impedir que a Secretaria (1(1 Receita Fecleatl do Brasil constitua o crédito tributário relativo presente hipótese, obrigando-a a rever de oficio os lançamentos já efetuados, nos termos do diode artigo 19 da Lei n°10.522/2002. ii interpretagão dada peht Fazenda Nacional é mio sentido de que cl verba relativa ao auxilio-creche não tent natureza indenizatória, mas sim salarial motivo pelo qual deveria incidir a contribuição previdenciária quando do seu recebimento. Ocorre que o Poder Judiciário entendeu diversamente, tendo sido. pact'. icado no âmbito do STJ que o auxilio-creche não integra O salário-de-contribuição, .base de cálculo da contribuição previdenciária e 1711111(7 iiideiuização pelo fato da empresa não manter em funcionametito uma creche ciii SC!! práprio estabelecimento. Ademais, o caráter salarial restaria descaracterizado pela cessação do recebimento do beneficio quando o menor ultrapasse os seis anos de idade. Vale lembrar que a controvérsia está superada pelo verbete sunudar n° 310 do STI Verbis: o Auxilio-creche não integra o salário-de-contribuição." E conclui, entendendo que "Nesses termos, não há dúvida de que .futuros recursos que versem sobre o mesmo tema, apenas sobrecarregarão o Poder Judiciário, sem nenhuma perspectiva de sucesso para a Fazenda Nacional que atualmente representa a União Federal em juizo, nas demandas interpostas contra as exações tributárias, inicialmente contestadas pelo INSS. Portanto, continuar insistindo nessa tese significará apenas alocar os recursos colocados à disposição da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, em causas nas quais, previsivelmente, não se terá éxito. Outrossim, deve-se buscar evitar a constituição de novos créditos tributários que levem em consideração inteipretação &versus daquela adotada pelo S7'J nessa matéria. Cumpre, pois, perquirir se, em face do sobredito, e tendo por . fundamento o disposto no art. 19, II, da Lei n°10.522, de 19.012002, e no art. 50 do Decreto n°2.346, de 10.10.97, é o caso de ser dispensada a interposição de recursos e a desistência dos jó interpostos, bem como a &spells(' de apresentação de contestação." Assim, presentes os pressupostos estabelecidos pelo art. 19, 11, da Lei n° 10.522, de 19.07.2002. c/c o art. 5 0 do Decreto 2.346, de 10.10.97, recomenda-se se/am autorizadas pelo Senhor Procurador-Geral da Fazenda Nacional a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desisténcia dos jcí interpostos, desde que inexista outro .fundamento relevante, nas ações judiciais que visem obter a declaração de que não incide a contribuição previdenciária devida pelo empregador sobre os valores pagos a titulo de auxilio-creche, recebido pelos empregados e pago até a idade dos seis (17705 de idade dos seus filhos menores." No tocante ao pleito da recorrente no sentido de que a aliquota de SAT aplicada para o estabelecimento da empresa localizado em São Paulo (CNP.1 0003), deve ser de 2% e não 3%, como procederam à fiscalização, pois se trata de unidade comercial autônoma, entendo que sua análise resta prejudicada ante o posicionamento aqui adotado. Portanto, voto no sentido de CONHECER o recurso voluntário para, acolher a preliminar argüida de decadência, c no mérito DAR-LHE PROVIMENTO, cancelando a Not ificaoão Fiscal dc Lançamento de Débito n° 35.847.965-7. - 7:• 7 —2 — AMTANO—GONZALES SILVÉRIO - Relator 16 Processo 17546.00018 /2007-94 S2-C311 Acórao n." 2301-01.706 Fl. 9 r CI Voto Vencedor Conselheiro MAURO JOSÉ SILVA, Redator designado — voto vencedor somente no tocante a abono. Coin a devida vênia, divergimos do ilustre relator coin relação a inclusão na base de cálculo das contribuições previdenciarias da verba paga intitulada "abono emergencial". Em nosso entendimento, o caso esta amparado na isenção prevista no item 7, alínea "e", do §9" do art. 28 da Lei 8.212/9 L. De plano, não 'reconheço a exigência de que a desvinculação do salário esteja prevista em lei, conforme consta do art. 214, §9", inciso V, alínea "j" do Decreto 3.048/99, por entender que a norma regulamentadora ofendeu o principio da legalidade ao ultrapassar o permitido ao poder regulamentar, uma vez que trouxe limitação não prevista no texto da Lei 8.212/91. Ressaltamos que, ao afastar o Decreto, não o fazemos por inconstitucionalidade — o que é vedado aos órgãos julgadores no ambit() do processo administrativo fiscal por Coro do art. 26-A do Decreto 70.235/72 -, mas sim por ilegalidade, o que nos coloca em harmonia coin o caput do art. 37 da Constituição Federal, bem como corn o caput do art. 2" da Lei 9.784/99. Assim, a desvinculação cio salário exigida dos abonos deve ser em si mesmo considerada, scm que necessite de previsão legal. Logo, para que seja reconhecida a isenção prevista no item 7 do §9" do art. 28 da Lei 8.212/91, devemos observar se tratamos de abonos desvinculados do salário. Para tanto, inicialmente verificaremos se, de fluo, tem a natureza de abono para, em seguida, conferir sua desvinculação do salário. O STJ já expressou entendimento no sentido de que o abono é irnportancia paga ao trabalhador como substituição ou antecipação de reajuste salarial, ou seja, é parcela paga corn objetivo de inerementação do pagamento do trabalhador corn vistas ã amenizaç1lo de dcfasagetn salarial, conforme pode ser constatado nos seguintes julgados: "TRIBUTÁRIO 11/RF ABONO SALARIAL CONCEDIDO POR MEIO DE CONVENÇÃO COLETIVA — NATUREZA „SALARIAL — INCIDÊNCIA DO TRIBUTO — PRECEDENTES. A jurisprudência desta Corte ha muito se cristalizou no sentido de que as verbas recebidas a titulo de abono solaria' em virtude de acordo ou convenção trabalhistct possuem luattreza renumerataria, porquanto substittient reajuste salarial e, assim, umstituent lato gerador do imposto de renda, sendo passíveis, portanto, de incidência do imposto de renda na 2. Precedentes: REsp 696.677/CE, Rel. Min. João Otavio de Noronha, DJ 7.3.2007; AgRg no REsp 766.016/CE, Rel. Min. El/anti Ca/man, DJ 12.12.2005; REsp 449.217/SC, Rel. Min. Francisco Peçanha Martins, DJ 6.12.2004. Agravo regimental inwrovido. "(AgRg no REsp 885.006/MG, Rel. Min. Humberto A4artins, DI de 31.5.2007,p. 424) "TRIBUTÁR IO E PROCESSUAL CIVIL. AGRA VO REGIMENTAL. ABONO CONCEDIDO EM DISSÍDIO 7'RABALIIISTA. NA7'UREZA REMUNERATÓR1A. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. SÚMULA 83/87:1. 1. O abono concedido em razão de dissidio coletivo de trabalho tem natureza nemuneratória, razão pela qual sobre ele incide o Imposto de Renda. 2. 'Não Se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrhhi' (SUmula 83/57:1). 3. Agravo regimental improvido." (ÁgRg no Ag . 764.115/PI, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 25.8.2006, p. 326) "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO - IR - ABONO CONCEDIDO EM CONVENÇÃO COLETIVA - NATUREZA SALARIAL - PRECEDENTES. 1. 0 abono concedido aos empregados, em virtude de acordo trabalhista, tem natureza jurídica de salário, por isso que em substituição de reajuste salarial, constituindo fato gerador do impost() de renda. 2. Agravo regimental provido." (AgRg 110 REsp 766016/CE, Rel. Min. EliC1110 C01117011, DJ de 12.12.2005, p. 349) Assim, somente podem ser reconhecidas corn a natureza dc abono as importâncias que tenham relação corn a negociação do reajuste salarial. In casa, o "abono emergencial" foi concedido na mesma cláusula que tratava reajuste, com conteúdo que claramente faz emergir a relação entre o reajuste e o abono. Logo, reconheço a natureza de abono de tal rubrica. ' A desvinculação cio salário pode também ser verificada na medida ern que o abono emergencial não traz qualquer vinculo C0111 o salário, nem mesmo como referencia para o cálculo. Assim, sendo Verba com natureza de abono c estando este desvinculado do salário. concluímos que o pagamento do abono emergencial está amparado pela isenção acima mencionada. Sala das Sessões, em 21 de outubro de 2010 S- 18
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