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Numero do processo: 10943.000058/2007-41
Data da sessão: Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006
RECEBIMENTO DE INTIMAÇÕES NO DOMICILIO FISCAL. INEXIGIBILIDADE DE PODERES PARA TANTO PARA 0 RECEBEDOR DOS DOCUMENTOS.
Em consonância corn a Súmula CARF nº 9, é válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicilio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada corn a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este
não seja o representante legal do destinatário.
NULIDADE.CERCEAMENTO DE DEFESA.. INEXISTÊNCIA.
Incabível a argüição de nulidade do lançamento de oficio quando este atender
as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Quando
presentes a completa descrição dos fatos e o enquadramento legal, mesmo
que sucintos, de modo a atender integralmente ao que determina o art. 10 do
Decreto if 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito
defesa.
Recurso Voluntário Negado
Credito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2301-001.586
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a)
Nome do relator: MAURO JOSÉ SILVA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006 RECEBIMENTO DE INTIMAÇÕES NO DOMICILIO FISCAL. INEXIGIBILIDADE DE PODERES PARA TANTO PARA 0 RECEBEDOR DOS DOCUMENTOS. Em consonância corn a Súmula CARF nº 9, é válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicilio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada corn a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. NULIDADE.CERCEAMENTO DE DEFESA.. INEXISTÊNCIA. Incabível a argüição de nulidade do lançamento de oficio quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Quando presentes a completa descrição dos fatos e o enquadramento legal, mesmo que sucintos, de modo a atender integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto if 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito defesa. Recurso Voluntário Negado Credito Tributário Mantido
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Recorrente C.M. CONTRUÇÕES MECÂNICAS LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIARIA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006 RECEBIMENTO DE INTIMAÇÕES NO DOMICILIO FISCAL. INEXIGIBILIDADE DE PODERES PARA TANTO PARA 0 RECEBEDOR DOS DOCUMENTOS. Em consonância corn a Súmula CARF if 9, é válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicilio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada corn a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. NULIDADE.CERCEAMENTO DE DEFESA.. INEXISTÊNCIA. Incabível a argüição de nulidade do lançamento de oficio quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Quando presentes a completa descrição dos fatos e o enquadramento legal, mesmo que sucintos, de modo a atender integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto if 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito defesa. Recurso Voluntário Negado Credito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Câmara / 1" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar proviment ao ri rso, nos termos do voto do(a) Relator(a). I I !! ! Or ! , ' Par ici aran do presente julgamento os conselheiros: Bemadete de Oliveira Banos Leonardo Henri u Piles Lopes, Mauro Jose Silva, Edgar Silva Vidal (suplente), Damido Gorden° de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). Relatório ! Trata-se de Auto de Infração, lavrado em 29/0512006, por ter a empresa acima identificada, segundo Relatório Fiscal da Infração, fls. 20/21, deixado de apresentar tlperméntos' solicitados pela fiscalização, conforme a seguir enumerados, o que estaria em ofensa' à obrigação acessória prevista no art 33, §2° e 3° da Lei 8.212/91, tendo resultado na aplicaçao de multa de RS 11.568,34, Os documentos solicitados pela fiscalização e não apresentados pela recorrente foram os seguintes: 1 ' • o Livro Diário e o Razão do mês 12/2005; • as folhas de pagamento dos empregados que lhe prestam serviço do período de 01 a 03/2006, no estabelecimento número de ordem do CNPJ 0001,e respectivas GF1Ps; • relação dos funcionários demitidos, corn respectiva remuneração, que continuaram a prestar serviços a empresa no período de 01 a 03/2006; Alem de não apresentar tais documentos, a empresa apresentou sua eser' ui-aeão contábil referente ao período de 01 a 11/2005 sem as formalidades legais exigidas. A interessada apresentou impugnação no prazo legal, fls. 27/78, que foi apreciada Pela Delegacia de Sao Bernardo do Campo.° referido orgão emitiu decisão de primerra instancia, afastando os argumentos da impugnante no documento de fls.. 112/120, do qUal a 'recorrente foi cientificada em 21/11/2006, recurso voluntário, apresentado em 20/12/2006 lb. 126/143, contém os seguintes argumentos: nulidade do lançamento por falta de motivação e ausência de "citação" válida Ida NFLD. Segundo entende a recorrente, o lançamento teria sido lavrado em ofensa ao art. 142 do CTN, pois não foi feita urna adequada motivação do ato administrativo do linFami ento. Os artigos citados não permitiriam urna compreensão perfeita do ilícito cometido. Deveria o fisco ter demonstrado que a recorrente "infringiu o artigo X, o parágrafo Y, o inciso Ile alinl ea W" para embasar a autuação. Insiste que, da forma ern que consta o enquadramento legal da autuação, poderiam ter sido muitas as infrações cometidas. Alega desconhecer com exatidão a descrição clara e objetiva da infração, o que a impediu de exercer a mais ampla defesa. , Prossegue colacionando julgados do SU e deste Colegiado, bem como diver sas opiniões doutrinárias para sustentar sua tese de cerceamento de defesa e ofensa ao art. 59il ciso LV 'da Constituição Federal. Processo n° 10943,000058/2007-41 1 Accirdrio n,° 2301-01.586 S2-C3T1 Fl 174 Por fim, suscita que houve vicio na ciência da primeira intimação, pois o Sr. Osmar do Amaral não possuía procuração válida para receber intimações, apesar de ser, a época funcionário da recorrente. Protesta pela nulidade do que chamou de citação. J Voto Conselheiro MAURO JOSE SILVA, Relator I I Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Enfrentaremos os argumentos da recorrente na ordem que entendemos mais apropriada. 11 11 Ciência de intimação. Nulidade. Inocortincia. A recorrente alega que a primeira intimação foi recebida por pessoa sem poderes para tanto, o que acarretaria sua nulidade. Corno podemos notar em tis. 06/07, o Sr. Osmar do Amaral deu ciência ao Mandado de Procedimento Fiscal em 27/03/2006, apresentando-se como Diretor Técnico da recorrente. Novamente, em fls. 09/12, o mesmo Diretor recebeu intimações em nome da empresa até 30/03/2006. A partir dessa data, a empresa recuou-se a assinar as intimações, tendo a fiscalização deixado os respectivos Termos no estabelecimento da recorrente, fls.. 13/18. j Sobre a validade da ciência de intimações, este Colegiado já emitiu a Súmula CARP 09, in verbis: Stinuda CARF n° 9 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicilio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada coin a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário Corno se vê, o documento emitido pela fiscalização que 6 recebido no domicilio fiscal da autuada é considerado como de conhecimento desta, ainda que o funcionário que o receba não seja seu representante legal, pois prevalece a responsabilidade da empresa de manter funcionários diligentes em seu estabelecimento. O Poder Judiciário também acolhe entendimento no mesmo diapasão: É o relatório. ADMINISTRATIVO - RECURSO ADMINISTRATIVO - INTIMAÇÃO POSTAL - DOMICÍLIO FISCAL - ELEIÇÃO PELO CONTRIBUINTE - CONDOMINIO - PORTEIRO - ART 23, DO DECRETO N" 70235/72 - I- 0 art 23, II, do Decreto 70.235/72 dispõe que se considera realizada a intimação por via postal na data do recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo Conforineprevê o citado dispositivo, não existe a obrigatoriedade de que a intimação postal seja feita com a 3 assinatura do sujeito passivo (exigancia Pita tão somente às intimações pessoais- art, 23, I) Para a intimação postal basta, apenas, a prom do recebimento da correspondencia no domicilio fiscal, podendo ser recebida por porteiro do prédio de condominio, data a partir da qual passa a correr o prazo processual administrativo Precedentes de ambas as Turmas de direito público do STJ (REsp 754 21 0/RS; REsp 109153/DF). 2- Apelação e remessa oficial providas. segurança denegada. 3- Peças liberadas pelo Relatol; em 07/12/2009, para publicação do acórdão. (TRF-1" R - Ap-RN 14/05/2009 - Rel. Juiz Fed, Raliiel Paulo Soares Pinto - Die 29.01.2010 p, 522) ' Assim considerado, como a própria recorrente admitiu que o Sr. Osmar do Amara! era seu frincionário, nenhum vicio há na ciência da intimação na medida em que este atestou o recebimento do documento da fiscalização. Relevante destacar que a ciência do Auto de Infração foi dada por via postal, coiifornie atesta o AR de tis. 25, o que afasta qualquer possibilidade de considerarmos que haVeria vício na ciência da autuação. 1 1' Nu idade por cerceamento do direito de defesa. Referência genérica a artigos no enquadramento legal. Inocorrência. Incabível a declaração de nulidade de lançamento que traz o enquadramento das infrações que permite ao sujeito passivo identificar os dispositivos legais aplicáveis de modo a construir adequadamente sua defesa. O enquadramento legal contido no lançamento de oficio não contém qualquer vicio que possa resultar ern nulidade, pois o relatório fiscal de fls. 20/21, parte integrante do Auto de Infração, foi bastante claro ao apontar os motivos da autuação e os dispositivos legais infringidos. O referido documento especifica claramente os periodos em que não foram „ILI! apresentados os livros contábeis, as folhas de pagamento da matriz, o que possibilitou ao ora recorrente seu completo entendimento.. Apesar disso, a recorrente, em seu próprio prejuízo, optou por limitar suas alegações à nulidade por cerceamento de defesa. No mesmo sentido há vários julgados deste Colegiado: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA Inexiste nulidade no auto que contén, a descrição dos fatos e seu enquadramento legal, permitindo amplo conhecimento da alegado infiveão. ( Ac. 1" CC - 108-05.383) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE - Contendo o auto de infração completa descried° dos fatos e enquadramento legal, niesnw que sucintos, atendendo integralmente ao que determina o art, 10 do Decreto n" 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, especialmente quando a infração detectada foi simples falta de tecolhimento de tributo. ( Ac. 2" CC - 202-11700) leg-1 PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO - CERCEAMENTO DE DEFESA - Incabível a argiiição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender as fbi malidades legais e fin- *mad° por servido,' competente. Estando o enquadramento legal e a de.scrição dos fatos aptos a permitir a identificação da in fração imputada ao sujeito passivo, Processo re 10943 000058/2007-41 S2-C3T1 AcOrdtio n '2301-01.586 Fl. 175 nào há que se falar em nulidade do lançamento por cc; ceamenio de defesa O cerceamento do direito de defesa não pi evalece quando todos os valores tailizados no autuação se original» de documentos e demonstrativos constantes nos au/ac do procesvo (Acórdão 1"CC, 106-13409) Entendemos que o lançamento cumpriu as exigências do art. I 42 do CTN, o que resulta em afastarmos a preliminar de cerceamento de defesa para iniciarmos a análise do mérito. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. Sala das Sessties, 08 de julho de 2010 5
score : 1.0
Numero do processo: 10909.000637/2007-19
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001
COFINS. DECADÊNCIA.
Indiscutível nos autos a adoção do art. 173, I, do CTN em razão de não ter havido recolhimento a homologar e sendo o período base de dezembro de 2001 com vencimento para janeiro de 2002 o prazo decadencial se estende a janeiro de 2008, data posterior a do lançamento.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-002.305
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 COFINS. DECADÊNCIA. Indiscutível nos autos a adoção do art. 173, I, do CTN em razão de não ter havido recolhimento a homologar e sendo o período base de dezembro de 2001 com vencimento para janeiro de 2002 o prazo decadencial se estende a janeiro de 2008, data posterior a do lançamento. Recurso Especial do Procurador Provido.
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DECADÊNCIA. Indiscutível nos autos a adoção do art. 173, I, do CTN em razão de não ter havido recolhimento a homologar e sendo o período base de dezembro de 2001 com vencimento para janeiro de 2002 o prazo decadencial se estende a janeiro de 2008, data posterior a do lançamento. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 06 37 /2 00 7- 19 Fl. 795DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Em Recurso Especial de fls. 740/750, recebido pelo Despacho de fls. 751/752, insurgese a Fazenda Nacional contra o acórdão de fl. 730, que por maioria de votos, deu provimento ao Recurso da Contribuinte para acolher a preliminar de decadência do direito da Fazenda Nacional em constituir o crédito tributário. O acórdão recorrido traz a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 DECADÊNCIA. Nos casos de lançamento por homologação, aplicase o artigo 150, § 4º do CTN, contandose o prazo de 5 anos a partir da ocorrência do fato gerador. Recurso provido.” Aduz a Recorrente que o acórdão recorrido errou ao aplicar ao caso o prazo decadencial do art. 150, § 4º, CTN, quando deveria ter usado o art. 173, inciso I, do mesmo Código. Desta forma, correto seria contar o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o pagamento deveria ter sido efetuado. Isto porque aduz que a Contribuinte não efetuou nenhum pagamento antecipado do tributo, requisito autorizativo à contagem do prazo de decadência a partir do art. 173. Neste sentido, transcreve ementas do E. STJ às fls. 746/749 favoráveis à tese de que não havendo pagamento antecipado, o prazo de decadência da Fazenda Nacional deve ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o pagamento deveria ter sido efetuado. Por fim, requer a reforma do acórdão recorrido para afastar a decadência do auto de infração, com fulcro nas razões demonstradas. Sem Contrarrazões. É o Relatório Voto Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Relator O Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Fl. 796DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10909.000637/200719 Acórdão n.º 9303002.305 CSRFT3 Fl. 769 3 Entendo pertinentes as razões expendidas pela Fazenda Nacional quanto à aplicação do art. 173, I, do CTN ao presente caso em face da inexistência de recolhimento da COFINS pela Recorrida fato que desloca o procedimento fiscal para a modalidade de lançamento de ofício. Esta minha tendência repousa no fato indiscutível de que a competência referente ao mês de dezembro de 2001, constante do lançamento, somente seria oferecida à homologação ou não no vencimento respectivo presente na lei, que se materializou em janeiro de 2002. Assim sendo, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado seria o dia 01.01.2003 ultimandose e 01.01.2008, isto caracterizando que a competência de dezembro de 2001 não foi alvejada pela decadência, uma vez que o Auto de Infração foi recebido em 12.03.2007. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Fl. 797DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 11618.003888/2007-85
Data da sessão: Tue Jun 08 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 2803-000.003
Decisão: RESOLVEM os membros da Turma Especial / 3ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE
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Participaram do presente julgamento os conselheiros: Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Vera Kempeis de Moraes Abreu (Suplente), Gustavo Vettorato (Vice-Presidente), Helton Carlos Praia de Lima (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de notificação fiscal da lançamento de débito, consubstanciada na NFLD n° 37.0.34,140-6, lavrada contra a Companhia de Agua e Esgoto da Paraiba — CAGEPA, na condição de responsável solidária, e Poliobras Empreendimentos Ltda., no valor de RS 112.107,84, pelo suposto não recolhimento das seguintes contribuições destinadas a Seguridade Social: 1.1 (a) Contribuições a cargo da empresa, previstas no art. 22, incisos I e II da Lei I 8.212/91 (parte patronal e para o financiamento dos beneticios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentedos riscos ambientais do trabalho - SAT); e ;1, Jj 1 II h PrIOCesso n" 11618.003888/2007-85 S2-TE03 RcsoIuço n " 2803-00,003 Fl 2 (b) Contribuições dos segurados empregados, previstas no att. 20 da Lei 8,212/91, cuja obrigação de an-ecadar e recolher é da empresa, nos termos do att. 30, inc.. I, alíneas a e b, da, Lei 8.212/91.. O credito previdenciário refere-se a contribuições incidentes sobre as remunerações pagas aos empregados da empresa Poliobras Empreendimentos Ltda no período de 02/2002 a 01/2004, cuja mão-de-obra foi utilizada na execução de obra de construção civil, por empreitada total, tendo corno contratante a CAGEPA, considerando-se o instituto da responsabilidade solidária, consoante determinação do art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/91. A Poliobras Empreendimentos Ltda.. apresentou defesa As fls, 71/75, juntando os documentos de fls. 76/87. Em suas razões, o contribuinte alegou, em síntese, que a fiscalização foi realizada no estabelecimento do contratante, tendo a empresa sido surpreendida pela laviatura da NFLD em questão; que a ordem constitucional admite a cobrança de contribuições Previdencidrias tão-somente sobre as verbas pagas em folha de salários, não podendo se admitir a ell xigência das referidas contribuições sobre os valores pagos aos seus administradores; que a alíquota da contribuição ao SAT seria de 1% e não de 3%; que o debito foi pago no âmbito do REM III, restando claro que a aferição indireta não é urn método valido, por ser regulado por norma infra-legal e por alterar a real base de cálculo do tributo. Id a Companhia de Agua e Esgoto da Paraiba — CAGEPA apresentou defesa às fls. 91/99, também juntando documentos. Em suas razões, alegou que o lançamento foi realizado , após o encerramento do prazo para a finalização do MPF e que o pagamento do débito pelo contribuinte ilidiria a sua responsabilidade. Ao analisar a documentação acostada aos autos, a Delegacia da Receita previdenciária em João Pessoa, entendeu que, quanto à alegada adesão ao REM III pela Poliobias, foi verificada a existência de parcelamentos, onde estão incluídos dados referentes a três obras, Matriculas CEE n.° 33.940.01894/74 (Teixeira), 13.076.10074/78 (Catolé do Rocha) e l 33.940.02818/78 (Taperod), que, provavelmente, referem-se aos contratos citados no Relatório Fiscal, Determinou-se, então, o encaminhamento dos autos aos Auditores Fiscais notificantes, a fim de que houvesse manifestação sobre a necessidade ou não de retificação do débito. Nas fls.. 107/109, a Seção de Fiscalização determinou a retificação do valor dos débitos consubstanciados na NFLD, devendo ser deduzidos os valeros do "campo 6" das GPS ("Valor do INSS"), assim como as rubricas "Empresas" e "Sat" dos LDC. A Delegacia da Receita de Julgamento em Recife, na decisão de fls. 117/124, julgou procedente o lançamento, sob os seguintes fundamentos: (a) a aliquota de contribuição para o SAT varia de acordo com o grau de risco da atividade preponderante da empresa, com base na tabela constante no anexo V do Regulamento (la Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, sendo que, no caso, a aliquota é de 3%, Pais a atividade 6 de risco grave; (b) a simples apresentação de termo de adesão a parcelamento não comprova a inclusão das contribuições lançadas na NFLD; (c) a adesão a parcelamento, em regra, imprescinde da confissão irretratável, coin a desistência de quaisquer impugnações ou recursos, seja na esfera judicial ou administrativa; 2 Processo n° 11618 003888/2007-85 Resoluctio n.° 2803-00.003 S2-1- E03 Fl 3 (d) a aferição indireta de bases de cálculo de contribuições incidentes sobre a remuneração de obreiros que laboraram em obras de construção civil tem previsão no art. 33, §§ 2° e 3°, da Lei 8.212/91 c/c o art. 220, do Regulamento da Previdência Social; II I (e) o prazo previsto no MPF é determinante apenas para marcar o encerramento do ' procedimento fiscal, não existindo óbice a que a ciência ao contribuinte da constituição do crédito seja efetuada fora dele; (f) as alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo; e (g) a apreciação de constitucionalidade ou não de uma norma não é cabível na seara administrativa. O responsável solidário, no caso a Companhia de Agua e Esgoto da Paraiba — CAGEPA, apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário as Es. 140/151, ratificando os argumentos trazidos em sua peça impugnatória. O contribuinte, no caso a Poliobras Empreendimentos Ltda, também apresentou Recurso Voluntário tempestivo as Es. 1521159_ Em suas razões, ratificou os argumentos da sua defesa inicial e arguiu, ainda, que a multa aplicada supera os limites de vedação ao con fisco, devendo ser reduzida a 75%; que "não há que se falar em incidência de omissão com o objetivo de fornecer informações relativas a valores supostamente deixados de serem recolhidos no período fiscalizado, 'in loco', na CAGEPA, sem o conhecimento e/ou intimação/notificação da POLIOBRAS" (fl. 157); que a NFLD deve ser anulada, uma vez que o Auditor Fiscal incorreu 11 em erro, pois omitiu a fundamentação legal, nos termos do art. II, inciso Ill, do Decreto 70.235/7; que o Supremo Tribunal Federal, posicionou-se no sentido de que é ilegal a cobrança da taxa de juros acima de 12% ao mês, com base no Decreto 22.626/64 (Lei da Usura); e que o Superior Tribunal de Justiça corrobora entendimento de que a multa moratória deve ser aplicada corn base no art. 35 da Lei 8.212/91, por ser mais benéfica ao devedor, nos termos do art. 106. inc. II, 'c', do Código Tributário Nacional. Por fim, junta, as fls. 160/557, cópias do Resumo das Folhas de Pagamento das Obras Contratadas, referente ao período de fevereiro de 2002 a dezembro de 2003; copias das Faturas emitidas pela POL1OBRAS, referentes ao Período de fevereiro de 2002 a janeiro de 2004; Relatórios do Ministério da Fazenda onde consta a comprovação do parcelamento solicitado pela POLIOBRAS, adimplente, quando do ingresso no REFIS Ill, migrado para o PAEX, onde está incluído o débito, motivo da Notificação, ora objeto do presente recurso. Os autos foram encaminhados ao Conselheiro Administrativo de Recursos Fiscais para regular julgamento. É o Relatório. VOTO ' Em que pese o fato de os Recursos Voluntários interpostos pelas partes interessadas preencherem todos os requisitos de admissibilidade, ha que se esclarecer que os documentos acostados aos autos pela empresa Poliobras Empreendimentos Ltda. não foram analisados pela autoridade fiscal. ' Processo n" 11618,003888/2007-85 52-1E03 Resoluçao 2803-00.003 Fl 4 11 1 1 Consta do Relatório Fiscal que a Companhia de Agua e Esgoto da Paraiba — CAGEPA, responsável tributário pelos débitos exigidos na presente NFLD, não apresentou a antoridade fiscal os documentos necessários à comprovação do correto recolhimento dos tributos devidos em razão das obras de construção civil realizadas a seu favor, o que, por si só, autorizaria a lavratura da NFLD por aferiçdo indireta. E o que se verifica do trecho abaixo transcrito: "Deixaram de ser apresentados pela empresa contratante os documentos previstos no art, 220, § 2°, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, tais como; Folha de Pagamento, Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social — GFIP e as respectivas Guias da Pi-evidência Social — GPS " Essa informação foi corroborada pela DRJ, na decisão que julgou procedente o lançamento fiscal realizado em desfavor dos Recorrentes, nos seguintes termos: "Da análise dos dispositivos acima, chegamos à conclusão que a afèrição indireta é possível quando da recusa de apresentação de documentos relacionados coin as contribuigeies previdenciárias, Neste tom, os auditores notificantes afirmaram em seu relatório, item 4, que não lhes foram apresentadas as folhas de pagamento, GFIP e GPS especificas das obras, coi¡forme determinação do art. 220, § 2°, do RPS. Ou seja, ficou representada a situação ,fatica autorizadora do procedimento da aferição indireta " E sabido que a Administração Pública, no correto exercício de suas atribuições, deve buscar a realidade dos fatos, além das informações trazidas aos autos pelas partes. E dever administrador trazer ao processo todas as provas que entender imprescindíveis h. sua livre convicção, desde que a sua produção se de ern conformidade com a lei, por força do que dispõe o art. 5, LVI, da Constituição federla de 1988.. Nas palavras do professor Celso Antônio Bandeira de Mello, o Principio da 'Verdade Material "consiste em que a Administração, ao in -'és de.ficar restrita ao que as partes demonstrarem 110 procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, coin 'prescindencia do que os interessados hajam alegado e provado (.) esta busca da verdade jizaferial está escorada no dever administrativo de realizar o interesse público." E exatamente pelo fato de a busca pela verdade material estar fundamentada no ,interesse público é que se deve admitir a produção de provas também na fase recursal. Revela- se, pois, irrelevante, para o caso ora em análise, que a documentação comprobatória dos fatos ,tenha sido acostada aos autos tardiamente. A própria Câmara Superior de Recursos Fiscais tern acolhido esse entendimento: "PREVALÊNCIA DOS PRINCÍPIOS DA BUSCA DA VERDADE MATERIAL E DA OFICIALIDADE SOBRE O RIGOR FORMAL. O objetivo do process° administrativo fiscal é a constatação da ocorrência ('ou não do fato gerador da obrigação tributária. Tendo a Administração ciência de que o ato administrativo de lançamento não seguiu os ditames da legalidade, ainda que 4 I I Processo n° 11618 003888/2007-85 S2-7E03 Resoluçao n 2803-00.003 Fl 5 através de documento juntado tardiamente, deve o Fisco, de oficio, rever o ato." (ACÓRDÃO CSRF/03-04.382, Relator: Nihon Luiz Bartoli, DOU 26.12.2006) Ante o exposto, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que autoridade fiscal analise toda a documentação acostada aos autos pelo contribuinte Poliobras Empreendimentos Ltda. e, se for o caso, determine a retificação do lançamento consubstanciado na NFLD 37.034,140-6. aMAA/VVIAVC4440(4a66 CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE - Relatora 5
score : 1.0
Numero do processo: 10925.002585/2004-66
Data da sessão: Mon Aug 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1999
IRPF - DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA - PRESUNÇÃO LEGAL - MULTA QUALIFICADA,
Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9,4:30/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela
fiscalização. O valor dos rendimentos omitidos ou a apresentação de declaração de isento, isoladamente, sem nenhum outro elemento adicional, não caracterizam o dolo que autorizaria a qualificação da multa, conforme bem evidenciado pelo acórdão recorrido,
1RPF - DECADÊNCIA - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM OR1C3EM COMPROVADA (ARTIGO 42 DA LEI N° 9.4.30/96).
O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, inclusive no caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, ocorre em .31 de dezembro
de cada ano-calendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de oficio, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Para o início da contagem do prazo decadencial relativamente aos tributos sujeitos
ao lançamento por homologação, a existência ou não de pagamento
antecipado é irrelevante. A regra do artigo 173, inciso I, do CTN, é aplicável, exclusivamente, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Lançamento atingido pela decadência.
Recurso especial negada
Numero da decisão: 9202-000.910
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso em relação à multa qualificada. Vencidos os Conselheiros Caio Marcos Candido, Francisco Assis de Oliveira Junior e Carlos Alberto Freitas Barreto que lhe davam provimento nesta parte. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso em relação à decadência do direito da Fazenda Nacional em constituir o crédito tributário. Vencidos os Conselheiros Julio César Vieira Gomes, Francisco Assis de Oliveira Junior, Elias Sampaio Freire e Carlos Alberto Freitas Barreto que davam provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1999 IRPF - DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA - PRESUNÇÃO LEGAL - MULTA QUALIFICADA, Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9,4:30/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. O valor dos rendimentos omitidos ou a apresentação de declaração de isento, isoladamente, sem nenhum outro elemento adicional, não caracterizam o dolo que autorizaria a qualificação da multa, conforme bem evidenciado pelo acórdão recorrido, 1RPF - DECADÊNCIA - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM OR1C3EM COMPROVADA (ARTIGO 42 DA LEI N° 9.4.30/96). O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, inclusive no caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, ocorre em .31 de dezembro de cada ano-calendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de oficio, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Para o início da contagem do prazo decadencial relativamente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a existência ou não de pagamento antecipado é irrelevante. A regra do artigo 173, inciso I, do CTN, é aplicável, exclusivamente, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Lançamento atingido pela decadência. Recurso especial negada
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-10-07T16:12:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-10-07T16:12:13Z; Last-Modified: 2010-10-07T16:12:13Z; dcterms:modified: 2010-10-07T16:12:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:a8080d0b-f239-4b66-be74-f0fe7d1a5d4f; Last-Save-Date: 2010-10-07T16:12:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-10-07T16:12:13Z; meta:save-date: 2010-10-07T16:12:13Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-10-07T16:12:13Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-10-07T16:12:13Z; created: 2010-10-07T16:12:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2010-10-07T16:12:13Z; pdf:charsPerPage: 2183; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-10-07T16:12:13Z | Conteúdo => CSRF-T2 Fl. MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10925.002585/2004-66 Recurso n° 147,164 Especial do Procurador Acórdão n° 9202-00.910 — 2" Turma Sessão de 16 de agosto de 2010 Matéria 1RPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FERNANDO DE SIQUEIRA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1999 IRPF - DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA - PRESUNÇÃO LEGAL - MULTA QUALIFICADA, Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9,4:30/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. O valor dos rendimentos omitidos ou a apresentação de declaração de isento, isoladamente, sem nenhum outro elemento adicional, não caracterizam o dolo que autorizaria a qualificação da multa, conforme bem evidenciado pelo acórdão recorrido, 1RPF - DECADÊNCIA - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM OR1C3EM COMPROVADA (ARTIGO 42 DA LEI N° 9.4.30/96). O imposto de renda pessoa fisica é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, inclusive no caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, ocorre em .31 de dezembro de cada ano-calendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de oficio, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4' e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Para o início da contagem do prazo decadencial relativamente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a existência ou não de pagamento antecipado é irrelevante. A regra do artigo 173, inciso I, do CTN, é aplicável, Carlos Alberto Ban eto - !Presidente #0. •! Gonçalo Bone Allage Relator EDITADO EM: 22 SET 2010 Processo n° 10925.002585/2004-66 Acórdão a° 9202-00.910 CSRF-12 F I 2 exclusivamente, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Lançamento atingido pela decadência. Recurso especial negada Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso em relação à multa qualificada. Vencidos os Conselheiros Caio Marcos Candido, Francisco Assis de Oliveira Junior e Carlos Alberto Freitas Barreto que lhe davam provimento nesta parte. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso em relação à decadência do direito da Fazenda Nacional em c nstituir • o crédito tributário. Vencidos os Conselheiros Julio César Vieira Gol 'es, Francisc Assis de Oliveira Junior, Elias Sampaio Freire e Carlos Alberto Freitas Barreto I 1ue davam irovimento ao recurso, Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Fernando de Siqueira foi lavrado o auto de infração de fis. 11-14 (Volume I), para a exigência de imposto de renda pessoa fisica, exercício 1999, em razão da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, com multa de oficio qualificada para o patamar de 150%. O trabalho desenvolvido pela autoridade lançadora encontra-se sintetizado no Relatório da Atividade Fiscal de fls. 15-17, de onde extraio as seguintes assertivas com relação à penalidade aplicada: O sujeito passivo demonstra uma conduta dolosa ao infOrmar Receita Federal, no ano-calendário de 1998, declaração de isenção do imposto de renda, o que se comprovou incompatível com o grande volume de recursos creditados/depositados em sua conta-corrente, ainda, após ser intimado para justificar-se, limitou-se apenas a pedir prazos de prorrogação Processo n" 10925.002585/2004-66 Acórdão n.' 9202-00.910 CSRF-T2 Fl 3 A ciência do lançamento ocorreu em 10/12/2004, nos termos do comprovante de fls. 90 A 4a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC) considerou o lançamento procedente (fls. 239-253, Volume I). Por sua vez, a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, apreciando o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, proferiu o acórdão n° 102-48,7.38, que se encontra às fls. 323-340 (Volume II), cuja ementa é a seguinte: IRPF — EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA - A simples .fidta de comprovação da origem dos recursos transitados em conta bancária, por si só, não é suficiente para que se considere ocorridas as condições. mínimas necessárias para justificar a acusação de comportamento delituoso. A prática criminosa tem de ser objetivamente comprovada, não podendo sua comprovação estar baseada em mera presunção IRPF - DECADÊNCIA — LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, O fato gerador do IRPF sobre rendimentos percebidos no curso do ano-calendário ocorre no dia 31 de dezembro do ano da percepção Em se tratando de lançamento por homologação, sem que tenha sido expressamente homologado, considera-se decaído o direito do sujeito ativo de efetuar sua revisão após o transcurso do prazo qüinqüenal verificado entre a data do . fato gerador e a ciência do lançamento ao contribuinte. Impende ressaltar que a homologação tácita que se premune ocorrida após o mencionado prazo de cinco anos diz respeito à atividade exercida pelo sujeito passivo, da qual pode resultar ou não o recolhimento de tributo Recurso conhecido. Multa desqualfficada Preliminar de decadência acolhida Lançamento cancelado. A decisão recorrida, por maioria de votos, conheceu do recurso, vencidos os Conselheiros Naury Fragoso Tanaka, que apresentou declaração de voto, José Raimundo Tosta Santos e Luiza Helena Gallante de Moraes (Suplente Convocada). No mérito, por maioria de votos, desqualificou a multa de oficio, vencidos os Conselheiros Naury Fragoso Tanaka, José Raimundo Tosta Santos e Leila Maria Scherrer Leitão e, também por maioria, acolheu a preliminar de decadência e cancelou o lançamento, vencido o Conselheiro Naury Fragoso Tanaka. Intimada do acórdão em 25/08/2008 (fls. 341, Volume II), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria á° 147/2007, recurso especial às fis, .344- .362, cujas razões podem ser assim sintetizadas: 3 Processo ne 10925,002585/2004-66 Acórdão n. 9202-0O910 CSRF - I2 El 4 a) A multa de oficio qualificada aplicada está prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9,430, de 27 de dezembro de 1996. Esse dispositivo legal determina que será aplicada multa qualificada (150%), quando do lançamento de oficio, sobre a totalidade ou a diferença do imposto devido, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964; b) No caso em pauta, a autoridade fiscal, tendo recebido denúncia da Secretaria da Fazenda do Estado de Santa Catarina (v, fls. 18 a 21) da prática de sonegação fiscal de tributo estadual com reflexo direto nos tributos federais, instaurou procedimento fiscal contra o contribuinte, que entregou declaração de isento do Imposto de Renda, mediante MPF de fl. 01, e intimou-o e reintimou-o a apresentar os extratos bancários, não sendo atendida. A partir dos extratos obtidas junto ao Banco Bradesco apurou depósitos de origem não comprovada, nos meses de janeiro, abril, maio e junho de 1998, nos valores de R$ 103,077,95, R$ 207.409,82, R$ 374.810,34 e R$ 78,069,39, respectivamente, no total de R$763,367,50. Intimou-o e reintimou-o, novamente, a apresentar documentação hábil e idônea capaz de justificar a origem dos mencionados depósitos. O requerente não logrou fazê-lo ficando, dessa forma, caracterizada a omissão dos rendimentos; c) Assim, tendo em vista a omissão de importâncias significativas associada à apresentação de declaração de isento, fica configurada a intenção dolosa do contribuinte, não podendo se esquivar das conseqüências tributárias impostas; d) Quanto à decadência, tem-se que, a teor do parágrafo 4° do artigo 150 do CTN, o prazo para a Fazenda efetuar o lançamento é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, a menos que tenha restado evidenciada a presença de dolo, fraude ou simulação, caso em que o prazo de cinco anos passa a ter transcurso a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, a teor do inciso I do artigo 173 do mesmo CTN; e) Como dos autos se infere, logrou a autoridade lançadora comprovar o intuito fraudulento do contribuinte, o que faz com que, desde já, se tenha como aplicável não a regra do § 4', do artigo 150, do CTN, mas a do inciso I do artigo 173 do CTN; f) No caso do IRPF, a tributação se dá em bases anuais; assim, a regularidade fiscal da contribuinte relativa a um determinado ano-calendário, só pode ser aferida no ano imediatamente posterior, ano este, portanto, em que o lançamento já poderia ser efetuado, Diante deste quadro, apenas ao início do ano seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter ocorrido é que tem inicio o curso do prazo decadencial previsto no inciso I do artigo 173 do CTN. Deste modo, como no presente processo se está a tratar de fatos geradores ocorridos em 1998, o lançamento só poderia ter sido efetuado a partir de 1999, o que faz com que o primeiro dia do exercício seguinte seja 01/01/2000; 4 Processo n° 10925 002585/2004-66 CSRF-T2 Acórdão n° 9202-00910 Fl 5 g) Tendo o curso do prazo decadencial de cinco anos seu termo inicial em 01/01/2000, percebe-se que só ao final de 2004 é que se teve o termo final do lapso temporal, o que torna o lançamento aqui discutido — cientificado que foi ao contribuinte em 10/12/2004 (folha 90) — perfeitamente regular à luz desta questão específica; h) Deve ser reformado o acórdão recorrido, com o restabelecimento da decisão de primeira instância. Admitido o recurso por meio do Despacho n° 575 (fis. .363-364, Volume II), o contribuinte foi intimado e, devidamente representado, apresentou contra-razões às fis. 370- 387, onde alegou, em apertada síntese, que: O recurso não pode ser conhecido, pois não houve a indicação da prova supostamente contrariada, nem tampouco prequestionamento da matéria; 2. Juntou relação de cheques que comprovam apenas o trânsito dos valores, já que todos foram utilizados para cumprir compromissos da empresa Agrotec Ltda., o que também foi desconsiderado pelas autoridades fiscais; 3. Quanto à multa qualificada e à decadência, o acórdão deve ser confirmado, É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Na visão deste julgador, a preliminar suscitada pelo contribuinte em sede de contra-razões, no sentido da impossibilidade de conhecimento do recurso, não merece prosperar, pois a ocorrência ou não de contrariedade à lei ou à evidência da prova será decidida por esta Turma na apreciação do mérito do recurso interposto pela Fazenda Nacional. No caso, tal preliminar se confunde com o mérito da questão trazida à apreciação deste Colegiada Ademais, tenho como evidente o prequestionamento das matérias em apreço, pois o lançamento só foi considerado improcedente após sua efetiva apreciação por parte da decisão recorrida. Passa-se, então, à análise do mérito da insurgência da recorrente. Cumpre reiterar ., de inicio, que o acórdão proferido pela Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, desqualificou a multa de oficio e acolheu a decadência do lançamento. 5 6 Processo n" 10925002585/2004-66 Acórdão o " 9202-00910 CSRF-1"2 Fl 6 Segundo a recorrente, a qualificação da multa de oficio é justificada pela omissão de rendimentos em quantias expressivas, aliada à apresentação de declaração de isento. Com isso, a decadência referente ao ano-calendário 1998 deve ser afastada, pois a ciência do lançamento ocorreu em 10/12/2004 e aplica-se ao caso a regra prevista no artigo 173, inciso 1, do CTN. Eis as matérias em litígio. A multa qualificada para a presunção do artigo 42 da Lei n o 9.430/96 A autoridade lançadora entendeu que se está diante de caso de multa qualificada de 150%, prevista, ao tempo do auto de infração, no artigo 44, inciso 11, da Lei n° 9A30/96, nos seguintes termos: Art. 44, Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição. ) II 150% (cento e cinqüenta por cento), nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts, 71, 72 e 73 da Lei n° 4. 502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Segundo tal norma, os casos de evidente intuito de fraude estão previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4,502/64, os quais determinam que: Art 71 . Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardai', total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I — da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais,- II — das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73, conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72, Ressalto, novamente, que no Relatório da Atividade Fiscal de fls. 15-17, a autoridade lançadora justificou a exasperação da penalidade no montante dos rendimentos omitidos e no fato de o contribuinte ter apresentado declaração de isento. Segundo penso, a qualificação da multa não se vincula às importâncias envolvidas no lançamento, Não cabe à autoridade administrativa, em razão do valor apurado no Processo na 10925 002585/2004-66 Acórdão n 9202-00,910 CSRP-1-2 11 7 auto de infração, aplicar ou deixar de aplicar a multa qualificada. Deve basear-se, sim, na conduta adotada pelo sujeito passivo em relação à infração. Se revelado o dolo, a multa deve ser qualificada, sejam grandes ou ínfimos os valores discutidos, O dolo é elemento específico da sonegação, da fraude e do conluio, que o diferencia da mera falta de pagamento do tributo ou da simples omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, ou seja, o intuito doloso deve estar plenamente demonstrado, sob pena de não restarem evidenciados os ardis característicos da fraude, elementos indispensáveis para ensejar o lançamento da multa qualificada. O evidente intuito de fraude, autorizador da aplicação da multa de 150%, não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. Tenho como inaceitável presumir-se o evidente intuito de fraude nos casos da presunção legal de omissão de rendimentos do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Entendo que para a correta aplicação da multa qualificada, a inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova que o contribuinte, por ato fraudulento, levou a autoridade administrativa a erro, por meio, ilustrativamente, da utilização de documentos falsos, notas frias, etc. Sob minha ótica, nenhum elemento que pudesse justificar a exasperação da penalidade foi coligido aos autos pela autoridade lançadora. Devo trazer à colação, adotando-as como razões de decidir, as colocações feitas pelo Relatar do acórdão recorrido, Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (fls, 3.30): A propósito do primeiro ponto supra, sou da opinião de que a simples falta de comprovação da origem dos recursos que teriam transitado na conta bancária do recorrente, por si só, não é suficiente para que se considere ocorridas as condições mínimas necessárias para justificar a acusação de comportamento delituoso impingido ao autuado pelo autor do procedimento À evidência, o lançamento do tributo tendo como base a presunção de receitas omitidas, sob o aspecto .fiscal, está correto, mas essa presunção legal jamais pode ser utilizada para atribuir intenção dolosa ao agente pelo fato de o mesmo não ter informado à fiscalização a origem dos questionados recursos. Ademais, a prática criminosa tem de ser objetivamente comprovada, não podendo sua comprovação estar baseada em mera presunção. Deveria a . fiscalização ter explicitado, com absoluta precisão, quais seriam os elementos que levaram à sua extrema e grave conclusão de que realmente o contribuinte utilizara-se de meios ardilosos para fugir da tributação. E isto ela não fez Sendo assim, discordo do entendimento de que no caso estaria caracterizado o evidente intuito de dolo, motivo pelo qual 7 8 Processo n° 10925.002585/2004-66 Acórdão n " 9202-00,910 CSRE-I2 Fl 8 considero indevido o agravamento da multa de oficio, devendo a mesma ser reduzida para 75%. As circunstâncias dos autos podem subsumir-se à presunção legal do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, mas não caracterizam o evidente intuito de fraude do contribuinte Fernando de Siqueira, previsto ao tempo do lançamento, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9A30/96, por não se enquadrar em nenhuma das regras dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A jurisprudência do extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes era firme nesse sentido, conforme ilustram as ementas dos seguintes acórdãos: ) IMPOSTO DE RENDA - TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE' COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - POSSIBILIDADE - A partir da vigência do art 42 da Lei /I" 9 430/96, o fisco não mais . ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompativeis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5" do art 6" da Lei n°8.021/90 Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que esses são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. MULTA QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO - MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n" 9 430/96, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n" 4 502/64, O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado sumular n" 14 deste Primeiro Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de oficio nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, mormente quando estribada em presunção legal, sem a devida comprovação do evidente intuito de„fraude. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA - NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES DA AUTORIDADE AUTUANTE - AUSÊNCIA DE PREJUiZO PARA O LANÇAMENTO - DESCABIMENTO — Como a fiscalização já detinha informações suficientes para concretizar a autuação, deve-se desagravar a multa de oficio O não atendimento às intimações da fiscalização não obstou a lavratura do auto de inflação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA — OMISSÃO DE RENDIMENTOS ALEGAÇÃO DE QUE OS DEPÓSITOS BANCÁRIOS ERAM DE PROPRIEDADES DE' TERCEIROS - NECESSIDAD.E DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS, COM IDENTIDADE DE DATA E VALOR INOCORRÊNCIA — A alegação de que os depósitos Processo n° 10925 002585/2004-66 Acórdão n° 9202-00.910 CSRS--12 Fl 9 bancários eram recursos de terceiros não restou comprovada nos autos. Assim, ausente a comprovação da origem dos depósitos, com identidade de data e valor, deve-se manter o lançamento vergastado. Recurso voluntário parcialmente provido, (Primeiro Conselho, Sexta Câmara, Recurso n° 148.837, Acórdão n° 106-17,015, Relato,- Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, julgado em 07/08/2008) OMISSÃO DE RENDIMENTOS - PRESUNÇÃO LEGAL - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Presume-se a existência de renda omitida em montante compatível com depósitos e créditos bancários de origem não comprovada, INCONSTITUCIONALIDADE - Súmula 1" CC n°2 - O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA QUALIFICADA, O lançamento de multa qualificada exige que a autoridade fiscalizadora traga elementos para os autos que provem o evidente intuito defraude. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido, (Primeiro Conselho, Segunda Câmara, Recurso n° 152,0.24, Acórdão n° 102-49.094, Redatora Designada Conselheira Nábia Matos Moura, julgado em 29/05/2008) OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI .154 9..430, DE 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição .financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regulamente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PERÍODO-BASE DE INCIDÊNCIA - APURAÇÃO MENSAL - TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL - Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de I" de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÓNUS DA PROVA - As presunções legais relativas obrigam a autoridade .fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei, SANÇÃO TRIBUTÁRIA - MULTA QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO - EVIDENTE INTUITO 9 Processo n" 10925.002585/2004-66 Acórdão n,° 9202-00.910 CSRF-1.2 Fl 10 DE FRAUDE - Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de oficio de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exige-se que a contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n" 4.502, de 1964, A apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem não foi justificada, independentemente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n". 9.430, de 1996. Recurso parcialmente provido. (Primeiro Conselho, Quarta Câmara, Recurso n° 155.366, Acórdão n° 104-22.619, Relatar Conselheiro Nelson Mallmann, julgado em 13/09/2007) Penso ser plenamente aplicável ao caso o Enunciado de Súmula n° 14 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CAIU . n° 14, segundo o qual "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de .fraude do sujeito passivo." Ademais, o artigo 112, incisos II e IV, do CTN determina que: "Art. 112, A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) ii— à natureza ou às circunstâncias materiais do . fato, ou à natureza ou evensão dos seus efeitos; („) IV — à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.." Com esses fundamentos, voto no sentido de manter a decisão recorrida, na medida em que deve ser afastada a qualificação da multa de oficio aplicada. A decadência Pois bem, como regra geral, o fato gerador do imposto de renda pessoa física é complexivo e tem seu marco temporal no dia 31 de dezembro de cada ano-calendário, contando-se, a partir dessa data, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários.. Tal raciocínio aplica-se ao caso em comento, haja vista que os rendimentos presumidamente omitidos pelo contribuinte, quando submetidos a lançamento de oficio, embora apurados mês a mês, conforme previsão do artigo 2° da Lei n° 7.713/88, sujeitam-se à tributação apenas na declaração de ajuste anual. Inteligência dos artigos 9' e seguintes da Lei n° 8,134/1990, especialmente do artigo 10, inciso I, do referido texto normativo. Embora tenha me posicionado por alguns anos no sentido de que o fato gerador do imposto de renda das pessoas fisicas, no caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, prevista no artigo 42 da Lei n° 9A30/96, é mensal, passei, a partir das sessões de setembro de 2008, a seguir a jurisprudência amplamente majoritária da Câmara Superior de Recursos Fiscais sobre a 1() PI °cesso n° I 0925.002585/2004-66 Acórdão n 9202-00.910 CSRF-T2 I 11 matéria, segundo a qual, também neste caso, o fato gerador do tributo ocorre em .31 de dezembro do ano-calendário. Tal entendimento, atualmente, encontra-se consubstanciado no Enunciado de Súmula CARF n° 38, cuja redação prevê que "O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário." Seguindo essa linha de raciocínio, os valores recolhidos e/ou devidos a título de antecipação, com suas respectivas bases de cálculo, devem compor as informações prestadas através da declaração de ajuste anual, aí sim se apurando o total de imposto devido no ano- calendário. Assim, no caso, o tributo lançado tem como fato gerador o dia 31/12/1998. Segundo a legislação e de acordo com a jurisprudência pacífica desta Corte Administrativa, o imposto de renda pessoa fisica é tributo sujeito ao regime do chamado lançamento por homologação, já que cabe aos contribuintes a apuração da base de cálculo do imposto e o recolhimento do montante devido, submetendo, posteriormente, esse procedimento à autoridade administrativa, que deverá, homologar ou não, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo obrigado. A homologação expressa, para os tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, deve se dar no prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Ultrapassado esse prazo, sem ter sido lavrado lançamento de oficio pela autoridade administrativa, considera-se homologada tacitamente a atividade exercida pelo contribuinte e extinto o crédito tributário, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, que prevê: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato CM que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. 4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de .5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador,' expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação O decurso do prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, implica na homologação tácita da atividade exercida pelo contribuinte e, em razão do instituto da decadência, previsto no artigo 156, inciso V, do CTN, extingue o crédito tributário, Considerando que, no caso em apreço, o fato gerador do imposto de renda pessoa fisica ocorreu em 31/12/1998 e diante do fato de que o sujeito passivo da obrjgação Gonçal Processo n" 0925002585/2004-66 CSRF-12 Acerdilo n° 9202-00.910 Fl 12 tributária tomou ciência do auto de infração em 10/12/2004 (fis, 90, Volume 1), concluo que a decadência impede a manutenção do lançamento. Na visão deste julgador, como houve a desqualificação da penalidade, que restou reduzida de 150% para 75%, não se está diante de dolo, fraude ou simulação e, portanto, inexiste fundamento legal que justifique a contagem do prazo decadencial da forma prevista no artigo 173, inciso 1, do Código Tributário Nacional. Sob minha ótica, para o inicio da contagem do prazo decadencial relativamente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a existência ou não de pagamento antecipado é irrelevante, Entendo que a decisão recorrida merece ser confirmada Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. 2
score : 1.0
Numero do processo: 11080.000690/2006-74
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 2802-000.026
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade RESOLVEM
determinar o retorno à Unidade da Receita Federal de origem a fim de que (1) intime o recorrente para que compareça à Unidade de origem para ter vista aos autos;(2) certifique nos autos a data de concessão de vista aos autos e (3) notifique o recorrente da concessão de cinco dias, a contar da vista aos autos, para apresentar complementação ao recurso voluntário, se assim desejar.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade RESOLVEM determinar o retorno à Unidade da Receita Federal de origem a fim de que (1) intime o recorrente para que compareça à Unidade de origem para ter vista aos autos;(2) certifique nos autos a data de concessão de vista aos autos e (3) notifique o recorrente da concessão de cinco dias, a contar da vista aos autos, para apresentar complementação ao recurso voluntário, se assim desejar. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martin Fernandez e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão da 4ª Turma da DRJ Porto Alegre que julgou improcedente a impugnação apresentada contra lançamento de IRPF dos exercícios 2002 e 2003, anoscalendários 2001 e 2002, respectivamente, promovido em virtude da apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, discriminado conforme Relatório de Ação Fiscal às fls. 06. Na impugnação (fls. 206/209) alegouse que as notificações não foram recebidas diretamente, pois foram recebidas na portaria do prédio, tendo sido solicitado que as Fl. 270DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 23 /11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.000690/200674 Resolução n.º 2802000.026 S2TE02 Fl. 257 2 notificações fossem remetidas para a Rua dos Andradas no 1646/23, com ARMP (aviso de recebimento em mãos próprias). Quanto ao mérito, argumentouse que foram pagos empréstimos ao Banco Real e ao Banco Econômico, os quais devem ser considerados como ingresso e que os veículos Corsa e Cherokee foram vendidos pelo valor de R$ 12.500,00 e R$ 40.000,00, respectivamente, e, por fim, que o recorrente se encontra separado de fato da esposa e que os bens deveriam constar da declaração dela. Entendeu o órgão julgador que a notificação somente ocorreria da forma solicitada se houvesse tal previsão no convênio firmado entre a Receita Federal e os Correios, no mérito a impugnação foi indeferida por falta de prova dos empréstimos alegados e pelo fato de os veículos estarem registrados no nome do recorrente sem que o mesmo tenha trazido provas para refutar esse fato. Ciência do acórdão em 10/06/2010. A peça recursal protocolada em 07/07/2010 contém , em resumo, os seguintes argumentos: cerceamento do direito de defesa em razão de no dia 05/07/2010, no curso do prazo para interposição do recurso, ter solicitado vista ao processo, recebendo a informação de que não poderia ter acesso aos autos na mesma oportunidade, requer seja realizada nova intimação concedendolhe novo prazo de trinta dias a contar da vista aos autos; a fiscalização teve início nas vésperas de expirar o prazo prescricional e por isso não obedeceu o devido processo legal, acarretando cerceamento do direito de defesa; não foram considerados os rendimentos do cônjuge que possui renda própria e declara em separado e, ainda exigiu documentação que deveria ser aguardada pela esposa do recorrente, Srª Andréa Maria Souza de Lemos, de quem, à época, o recorrente estava separado de fato e em litígio, o que justifica a impossibilidade de apresentação dos documentos; embora considerados os pagamentos de empréstimo não se computou o recebimento do dinheiro desse mesmo empréstimo; manifesta inconformismo com o relacionamento fiscocontribuinte; ratifica os termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. De início registro que as formas de notificação estão previstas no decreto 70.235/1972, uma delas é a notificação com via postal, direcionada ao domicílio tributário do Fl. 271DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 23 /11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.000690/200674 Resolução n.º 2802000.026 S2TE02 Fl. 258 3 sujeito passivo com prova do recebimento, não se exigindo que o recebimento se dê pelo próprio sujeito passivo. Vale consignar a Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. O recorrente em 05/07/2010 peticionou para ter vista aos autos (fls. 241) e requereu cópia desse e de outros autos (fls. 243), em 07/07/2010 protocolou o presente recurso alegando cerceamento do direito de defesa por não ter tido vista aos autos durante o interregno disponível para apresentar o recurso. Destaco que os atos processuais devem ser reduzidos a termo (§1º do art. 22 da Lei 9.784/1999), porém não consta dos autos o termo de vista aos autos, nem a comprovação da entrega das cópias solicitadas. Destarte não se tem a comprovação de que o pedido do recorrente tenha sido atendido, logo para não comprometer o exercício da ampla defesa tal falta deve ser sanada. O protocolo do pedido de vistas foi feito no 25º dia do prazo recursal. Para que não haja cerceamento do direito de defesa, após realização da vista aos autos devese conceder cinco dias para apresentar complementação ao recurso voluntário, se assim desejar Diante do exposto, voto para que seja realizada diligência a fim de que a Unidade da Receita Federal de origem (1) intime o recorrente para que compareça à Unidade de origem para ter vista aos autos;(2) certifique nos autos a data de concessão de vista aos autos e (3) notifique o recorrente da concessão de cinco dias, a contar da vista aos autos, para apresentar complementação ao recurso voluntário, se assim desejar. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 272DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 23 /11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.001789/2005-11
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.519
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Declarou-se impedido por ter participado do julgamento em primeira instância o Conselheiro José Luiz Feistauer de
Oliveira. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gabriel do Nascimento, OAB/SC 22.912.
Nome do relator: Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Declarouse impedido por ter participado do julgamento em primeira instância o Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gabriel do Nascimento, OAB/SC 22.912. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .0 01 78 9/ 20 05 -1 1 Fl. 467DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0221.15221.R12Y. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11080.001789/200511 Resolução nº 3801000.519 S3TE01 Fl. 12 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ Porto Alegre/RS, abaixo transcrito: O contribuinte supracitado solicitou compensação de supostos créditos e PIS Nãocumulativo de fevereiro de 2003 com débitos da filial, conforme declaração de compensação de fls 01 e 02. Devido ao pedido de compensação, foi apensado aos autos o processo administrativo n°s 10925.000834/200641, que envolvem a exigência dos débitos da filial contidos na declaração de compensação (fl.21). A DRF de origem indeferiu o pleito do contribuinte através do Despacho Decisório 2.519/2007, de fl.129, fundamentado nos demonstrativos e na Informação Fiscal, de fls.118 a 128. Inconformado, o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, de fls.136 a 141. Nesta, começa alegando que as receitas financeiras, outras receitas e crédito presumido de IPI não podem ser tributadas, pois não tem o objeto/finalidade principal da empresa, bem como não fazem parte da base de cálculo da contribuição, conforme jurisprudência que analisou a inconstitucionalidade do art.3° da Lei 9.718/1998. Ademais, a tributação sobre o crédito presumido de IPI não poderia ocorrer, pois é uma recuperação de custos de insumos aplicados em produtos exportados, não uma receita. Mesmo que receita fosse, seria isenta, porque decorre da exportação de produtos. Traz jurisprudência para alicerçar sua defesa. No tocante à glosa de créditos do tributo decorrentes da utilização indevida de valores de oriundos de fretes nas vendas e aluguéis (de veículos e software) pagos, haveria uma incorreta interpretação dos fatos pela autoridade fiscal, pois os créditos se enquadram dentro dos permissivos legais contidos na Lei 10.637/2002, conforme doutrina. Analisando o litígio, a DRJ Porto Alegre/RS indeferiu a manifestação, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 RECEITAS NÃOCONSIDERADAS DESPESAS/CUSTOS INDEVIDOS COMPONDO A BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO AO CONTRIBUINTE INFLUÊNCIA NO VALOR A RESSARCIR PLEITO INDEFERIDO. Na apuração do valor a ressarcir de PIS não cumulativo devem se somar as receitas não consideradas e diminuir a/os despesas/custos indevidamente considerados, que são regidos pela lei aplicável aos fatos, ambos para fins de apuração da base de cálculo da contribuição que serve para apurar o valor do ressarcimento, nos termos da legislação. Fl. 468DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0221.15221.R12Y. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11080.001789/200511 Resolução nº 3801000.519 S3TE01 Fl. 13 3 Às fls. consta recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a empresa traz as seguintes alegações, em resumo: • O Fisco não considerou os estornos de lançamentos efetuados indevidamente ou a maior, os quais podem ser identificados no Razão da empresa (juros sobre duplicata, descontos lançados e não obtidos, despesas de aluguel, multa e juros de débitos inscritos no PAES); • Tais valores representam estorno de custo ou despesa, não sendo tributáveis pelo PIS; • O Fisco glosou também valores referentes a estorno de variação cambial e outras receitas não operacionais (créditos de PIS, ajustes de folha de pagamento, reembolsos), sendo estes não tributáveis, pois não se referem a receitas; • O valor referente ao crédito presumido de IPI não foi incluído na base de cálculo do PIS, pois corresponde a recuperação de custo e sua tributação ofenderia a razão da criação do referido crédito; • Transcrevese jurisprudência administrativa e judicial sobre a questão; • Os créditos glosados oriundos de despesas com aluguéis e fretes foram utilizados na produção de bens destinados à venda, sem os quais não se completaria o ciclo produtivo da recorrente, nos termos previstos no inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.637/02; • Requer que o presente processo seja apensado ao de nº 11080.013973/200767, correspondente ao auto de infração decorrente do não reconhecimento dos créditos pleiteados. É o relatório. Voto Como visto acima, trata o presente processo de compensação pretendida pelo contribuinte, utilizandose de créditos decorrentes da apuração do PIS não cumulativo, no período de janeiro a outubro de 2003. Verificando tais créditos, a Fiscalização efetuou glosas relativas a receitas financeiras (juros e variações cambiais ativas, aluguéis recebidos), além de valores referentes ao crédito presumido de IPI, não oferecidos à tributação. Também foram glosados créditos decorrentes de fretes pagos nas operações de vendas, por falta de previsão legal para tanto à época da ocorrência dos fatos geradores, e, ainda, créditos sobre valores de aluguéis pagos para utilização de veículos e software, por não se classificarem tais dispêndios como aluguéis de máquinas e equipamentos, conforme previsão legal. O contribuinte alega em seu recurso que a Fiscalização não levou em conta os estornos de lançamentos registrados nas contas por ela consideradas em sua apuração, os quais correspondem ao cancelamento de receitas registradas indevidamente. Analisandose os autos, vêse que a autoridade fiscal tomou como base os balancetes mensais trazidos pela empresa tendo sido elaborada a planilha, na qual consta a relação das contas consideradas, o total da receita apurada e o PIS devido em cada mês. Os balancetes em questão trazem os valores lançados a crédito nas contas de apuração de receita relacionadas pela Fiscalização, bem como aqueles lançados a débito, sem, no entanto, especificar a natureza destes últimos. A empresa junta ao recurso cópia do Livro Razão Fl. 469DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0221.15221.R12Y. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11080.001789/200511 Resolução nº 3801000.519 S3TE01 Fl. 14 4 das contas nas quais constam registros a débito, solicitando a exclusão destes da base de cálculo do PIS, uma vez que não corresponderiam a receitas efetivamente. A princípio parece ter razão a recorrente, uma vez que, comparandose os valores relacionados pela Fiscalização na planilha de fl. e aqueles constantes dos balancetes mensais, vêse que a autoridade fiscal considerou apenas os registros a crédito, sem fazer qualquer exclusão relativa àqueles registrados a débito. Diante do exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência à DRF Porto Alegre/RS para: 1. Verificar os valores lançados a débito nas contas relacionadas na planilha de fl. 118, registrados no balancete do mês de janeiro e no Livro Razão da recorrente, apurando se efetivamente correspondem a estornos das respectivas receitas lançadas a crédito, devendo, nesta hipótese, ser excluídos dos totais relacionados na referida planilha, respectivamente a cada conta; 2. Considerando o apurado no item anterior, elaborar novas planilhas de cálculo em substituição àquelas constantes da informação fiscal de fls. 123 a 128; 3. Intimar a empresa a se manifestar em aditamento ao recurso voluntário interposto, se assim desejar, relativamente apenas ao resultado da presente diligência, no prazo de trinta dias de sua ciência; 4. Retornar os autos a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Fl. 470DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0221.15221.R12Y. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL em 23/09/2013 14:20:50. Documento autenticado digitalmente por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL em 23/09/2013. Documento assinado digitalmente por: FLAVIO DE CASTRO PONTES em 02/10/2013 e MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL em 23/09/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 01/02/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP01.0221.15221.R12Y Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 68EA068D55657832B5086B1C631E68460BF935F3 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 11080.001789/2005-11. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10855.722809/2017-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.161
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento até a definitividade do processo nº 16027.720387/201711, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Denise Madalena Green
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL 2. CRÉDITOS INDEVIDOS RReeccoorrrreennttee WOBBEN WINDPOWER INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. RReeccoorrrriiddaa FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento até a definitividade do processo nº 16027.720387/201711, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente. (assinado digitalmente) Denise Madalena Green Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1472.663 – 8º Turma de DRJ/RPO (fls.500/539) que indeferiu a manifestação de inconformidade em relação ao pedido de ressarcimento de IPI da interessada relativo ao período de 01/01/2015 a 31/03/2015 (PER nº 27326.81754.270815.1.1.011118). O Recurso é Tempestivo (Despacho de Encaminhamento de fl. 540: ciência do AC recorrido em 13/11/2017 (fls. 544) Recurso apresentado em 12/12/17 (fls. 547/683). RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 55 .7 22 80 9/ 20 17 -4 5 Fl. 919DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.20265.9OSL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722809/201745 Resolução nº 3302001.161 S3C3T2 Fl. 920 2 Consta da Informação Fiscal que o Auditor reconstituiu a escrita fiscal do contribuinte, e considerou indevidos créditos relativos as saídas de cabos fixadores das torres, denominados cordoalhas, bem como tributadas as saídas do produto denominado emodule, classificandoo do no Código 8504.40.90, submetido ao regime de tributação normal, ao invés do adotado pela Recorrente, contemplado com alíquota zero, no Código 8502.31.00. Os motivos fundantes do indeferimento do ressarcimento de IPI da interessada são, resumidamente: I. Crédito tomado indevidamente em relação às entradas de insumos empregados na industrialização do produto designado “cabo de cordoalha”, que é utilizado na fixação das torres montadas fora do estabelecimento da Recorrente. No entendimento da autoridade lançadora, como a fixação das torres ao solo é uma atividade fora do campo de incidência do IPI, em razão do estatuído pelo art. 5º, inciso VIII, do Regulamento, referidos créditos são indevidos, dado que alusivos à materiais aplicados na montagem realizada no local da instalação, operação não tributada e não com alíquota zero. II. Classificação indevida como contemplado com alíquota zero do produto denominado “emodule” (NCM 8502.31.00). O entendimento esposado pela autoridade lançadora está secundado em Parecer exarado na solução de consulta formulada pela própria Recorrente, cuja conclusão é pela classificação do referido produto na NCM 8504.40.90, por se tratar de um conversor de energia, e, como tal, sujeito ao regime normal de tributação. Cientificada do Despacho Decisório em 2707/2017 (fls. 125), a interessada apresentou em 23/08/2017, a manifestação de inconformidade (Fls. 129/243), alegando, em síntese: Preliminarmente, sustenta que a autoridade administrativa refazendo sua escrituração fiscal, nos períodos de 02/2012, 04/2012 a 06/2012, 02/2013, 04/2014, 07/2014, 03/2015 a 05/2015, dentre eles o discutido nos autos, apurou débito de IPI, incidente sobre as saídas do sistema emodule (suas funções, necessidade sob o ponto de vista dos aerogeradores etc) e às cordoalhas utilizadas para sustentação das torres, procedendo com o lançamento do Auto de Infração objeto do Processo Administrativo nº 16027.720387/201711. Em decorrência disso, requer o sobrestamento do presente feito, até a decisão final dos autos em epígrafe, sucessivamente o julgamento em conjunto. Os produtos acima (II e III) compõem o aerogerador e que por questões de logística são transportados separadamente, constituindose, no entanto, em partes indispensáveis ao funcionamento do produto final, bem assim que é irrelevante que sejam produzidos no próprio estabelecimento fabril ou que sejam incorporados ao mesmo no local onde devam funcionar, ou, ainda, nas unidades fabris móveis (está demonstrado nos autos que Fl. 920DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.20265.9OSL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722809/201745 Resolução nº 3302001.161 S3C3T2 Fl. 921 3 parte das torres são fabricadas em unidades industriais móveis), suscetíveis de locomoção e que são deslocadas para locais próximos à construção das usinas. Não há discussão quanto aos cálculos e dados numéricos constantes do lançamento tributário. Da leitura do despacho decisório, através do qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade, verificase que a DRJ acolheu a integralidade dos argumentos do Auditor Fiscal, in verbis: Pela leitura dos parágrafos acima, constatase que os componentes do Emodule (módulos de gerenciamento e controle de energia) têm a sua classificação fiscal no código 8504.40.90. Isto é indicado tanto no Processo de nº 10855.720958/201346 da DRJ/Ribeirão Preto/SP como no próprio Processo de Consulta de nº 0855.000178/201114 (Solução de Consulta SRRF/8º RF/DIANA Nº 50, de 31 de julho de 2013). O fato do Emodule (NCM 8504.40.90) fazer parte do aerogerador (NCM 8502.31.00) não modifica a sua classificação fiscal para a da máquina a que se destina (no caso, a máquina a que se destina é o próprio aerogerador – NCM 8502.31.00). Isto porque, aplicando a Nota 2 a) da Seção XVI da NESH (Normas Explicativas do Sistema Harmonizado), encontrase a classificação do Emodule na posição do Capítulo 85, não importando a máquina a que se destina. Assim, não se confunde a classificação fiscal do aerogerador e do emodule. Oportuno informar que a alíquota de IPI da NCM 8504.40.90 para o período aqui analisado é de 15%, devendo ser aplicada nas saídas das mercadorias que compõe o emodule, conforme se verá adiante. (fls. 575/576) Prosseguindo, sustenta: Assim, como o produto é um inversor (transformando corrente contínua em alternada), pela aplicação da Nota 4 da Seção XVI, em combinação com a Nota 2 da mesma Seção, o produto deve se classificado na posição 85.04(...) No âmbito dessa posição, encontrase compreendido na subposição 8504.40, específica para os conversores estáticos. Por ser um inversor e, por falta de item específico, classificase, finalmente, no código 8504.40.90. ” O Auditor entendeu, portanto, que o denominado emodule é um inversor e como tal deve ser classificado separadamente da máquina a que se destina, por falta de item específico. Fl. 921DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.20265.9OSL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722809/201745 Resolução nº 3302001.161 S3C3T2 Fl. 922 4 Como mencionado, a autoridade invoca a solução de Consulta nº 50/2013, que concluiu que o referido “Emodule” deve ser classificado na NCM 8504.40.90, de modo que, ainda que integrante do aerogerador, continua classificável no seu código original, não acompanhando o equipamento ao qual se incorpora. Quanto aos cabos de cordoalha, a impossibilidade do crédito do imposto tem como supedâneo o fato de serem aplicados na montagem das torres, o que atrai a regra da não incidência do imposto, prevista no art. 5º, inciso VIII, do RIPI. Se a norma é da não incidência e não da alíquota zero, não existe possibilidade de ressarcimento, conforme concluiu. A 8º TURMA DA DRJ/POR indeferiu o pedido, entendo que os créditos requeridos não dão direito a ressarcimento, adotando quase integralmente os fundamentos constantes da Informação Fiscal, mas dando ênfase a algumas questões, como o caráter meramente complementar do Laudo Técnico. Menciona solução de consulta, no mesmo sentido da formulada pela empresa autuada. O Acórdão recorrido faz referência ao processo nº 16027720.387/201711 da mesma empresa, versando sobre situação fática e jurídica idêntica. Resumidamente os argumentos da decisão são os seguintes: Detendose no exame dos pareceres exarados nas soluções de consulta que menciona, relacionados com a classificação dos produtos de que tratam o presente processo, os quais, segundo afirma, são vinculantes para os integrantes da Administração Tributária Federal, conforme legislação que menciona, as referidas soluções de consulta não podem ser postas de lado, devendo ser seguidas pelas autoridades fiscais nos procedimentos de fiscalização. A propósito do Laudo Pericial, afirma a decisão: “Neste sentido, os laudos técnicos apresentados, ao afirmarem que não é possível definir a classificação fiscal do emodule por sua função principal, contrariam frontalmente as disposições da NESH sobre a posição 85.04 acima citada, não podendo ser aceitas no que tange à determinação da classificação fiscal do produto em comento. Tais laudos são válidos para sanear dúvidas sobre a situação fática envolvida, mas não para determinar os efeitos legais decorrentes destes fatos, matéria de direito e alheia ao escopo das perícias, conforme determina o já citado art. 64, §1º, do Decreto nº 7.574/2011.” Dos argumentos da recorrente. Fl. 922DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.20265.9OSL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722809/201745 Resolução nº 3302001.161 S3C3T2 Fl. 923 5 No Recurso a contribuinte volta e invocar os argumentos aduzidos ao ensejo da discussão alusiva ao Auto de Infração através do processo administrativo nº 16027 720.387/201711, no qual levantou as seguintes questões: (I) a parcela substancial do crédito tributário exigido no auto de infração (fatos geradores ocorridos em 02/2012, 04/2012 a 06/2012) está extinta pelo advento da decadência, nos termos do art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional; (II) a negativa do ressarcimento é baseado exclusivamente em presunções, ignorando por completo orientações anteriores da própria Receita Federal do Brasil e laudos técnicos sobre o assunto, em clara violação ao art. 142 do CTN; (III) o lançamento viola o entendimento firmado no Processo Administrativo nº 10855.720958/201346, no qual se decidiu que, no contexto do fornecimento de aerogeradores, suas partes, peças e componentes devem ter classificação fiscal correspondente à função desempenhada pelo conjunto do qual integram; (IV) diferentemente do entendimento adotado pela fiscalização, o sistema emodule é parte integrante e indissociável dos aerogeradores, sendo que, como tal, é sujeito à alíquota zero, sendo equivocada a classificação fiscal do equipamento na posição NCM 8504.40.90; e, (V) em relação às cordoalhas, a montagem e instalação das torres, pelo que são necessários os referidos bens, se inserem dentro do contexto do fornecimento dos aerogeradores, sendo que a própria Receita Federal do Brasil já reconheceu que as torres são partes indissociáveis dos produtos comercializados pela Recorrente (aerogeradores). Aduz, ainda: Contrapondose ao argumento expendido pela Autoridade Lançadora, secundados pela decisão recorrida, a Recorrente insiste na prevalência do Parecer Técnico emitido a pedido da própria RFB (Processo Administrativo nº 16027.720387/201711, fls. 69) do qual destaca o seguinte trecho: (... dentre os seus componentes, estão os gabinetes de potência (Gabinete de potência 300Kw V3 Facts) e controle (Gabinete de controle CS48a V2 STD), transformador e controle de UPS (uninterruptible power suplies – Gabinete UPS Enercon V1.0 STD) que, juntos, formam o sistema emodule, parte integrante e essencial dos aerogeradores, conforme resposta ao Quesito X.” Insiste na aplicação do art. 146, do CTN e pondera que a decisão proferida, anteriormente no processo referido, não distinguiu peças e partes de máquinas e aparelhos, sufragando o entendimento geral de que todos os componentes do gerador, independentemente de terem saído totalmente montados dos seus estabelecimentos, parcialmente montados ou separadamente, não altera a classificação fiscal. Insiste que o emodule não é um simples conversor de energia, mas é o próprio “cérebro” do gerador. Também rechaça o argumento de que Fl. 923DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.20265.9OSL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722809/201745 Resolução nº 3302001.161 S3C3T2 Fl. 924 6 se trata de construção civil, indicando inclusive decisão da RFB que a desclassificou como construtora. Sobre este tópico, pede atenção para as folhas 81 e 82 (Processo Administrativo nº 16027.720387/201711), na resposta do Perito ao quesito X, da consulta formada pela RFB, com detalhamento dos componentes do aerogerador. Na fl. 82 o Perito afirmou: “Sim, no caso de ausência de algum desses elementos, a eficiência na captação da energia cinética dos ventos resta comprometida.” È o relatório. Voto Conselheira Denise Madalena Green, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. Primeiramente, com relação ao pedido de sobrestamento do presente processo administrativo até ulterior decisão definitiva nos autos do Processo Administrativo nº 16027.720387/201711, tendo em vista que o julgamento por este Conselho tanto do processo administrativo de lançamento de ofício nº 16027.720387/201711 quanto deste processo se dará nesta mesma sessão de julgamento, não haverá qualquer prejuízo ou possibilidade de decisões conflitante. I – DO PEDIDO DE PROVA PERICIAL: A Recorrente invocou a previsão contida no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/721, tendo, já na defesa, formulado quesitos e indicado seu assistente técnico, objetivando esclarecer a finalidade do sistema emodule e fornecer elementos essenciais para possibilitar o seu correto enquadramento na sua classificação fiscal, bem como fornecer subsídios de ordem técnica acerca das torres dos aerogeradores e da utilização das cordoalhas no contexto de sua montagem e instalação. Contudo, consta no processo perícia realizada na data de 24/03/2014 e juntada às fls. 441/427 solicitada pela MF/SRF/Delegacia da Receita Federal do Brasil de 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 924DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.20265.9OSL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722809/201745 Resolução nº 3302001.161 S3C3T2 Fl. 925 7 Sorocaba/SECAT e Laudo Técnico Complementar elaborado em 04/11/2014 às fls. 479/483, contendo apontamentos a cerca da composição e funcionamento dos aerogeradores eólicos. Tais esclarecimentos, deixam claro o enquadramento na classificação fiscal dessas partes e peças a definir o tratamento tributário dos aerogeradores. Portanto, entendo ser desnecessária a perícia solicitada, para a análise do presente recurso voluntário, pois a perícia só se justifica para esclarecimento de fatos obscuros nos autos ou caso seja necessário conhecimento técnico especializado para esclarecimento de algum ponto discorrido nos autos. Nos termos do Decreto nº 70.235/72 a autoridade julgadora determinará a realização de diligências ou perícias quando entender necessárias para elucidação do litígio, o que não é o caso: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendelas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (redação dada pelo art. 10 da Lei n°8.748/93). Com efeito, a matéria objeto do presente litígio não demanda nova realização de qualquer diligência ou perícia. Além do mais, indeferimento do pedido de perícia também não configura cerceamento ao direito a ampla defesa por entender suficiente a prova já existente. Restando motivado o indeferimento da perícia e escorado na legislação de regência, afasto, de plano, a arguição da nulidade suscitada. II DA DECADÊNCIA: A Recorrente pede que seja reconhecido a decadência do parcela do crédito tributário de IPI decorrente das saídas do sistema emodule (fatos geradores ocorridos em 28/02/2012, 30/04/2012, 31/05/2012 e 30/06/2012), por força da aplicação do art. 150, §4º, do CTN, em razão da existência de pagamento antecipado do imposto nos períodos fiscalizados (existência de saldo credor – art. 183, parágrafo único, III, do RIPI/2010). Para a Recorrente, o direito do Fisco constituir o crédito tributário estaria parcialmente decaído, pois possuía créditos acumulados do IPI que foram utilizados na quitação do próprio imposto declarado na escrita fiscal, atraindo a regra do art. 150, § 4º do CTN. Essa tese não pode prosperar. Vejamos. Fl. 925DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.20265.9OSL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722809/201745 Resolução nº 3302001.161 S3C3T2 Fl. 926 8 Primeiramente, cabe esclarecer que trata os autos de PER/DCOMP´s apresentadas pela Recorrente (Declarações de Compensação). No presente processo não há qualquer discussão sobre lançamento de IPI ou constituição de crédito tributário. Não podemos confundir a apreciação de direito creditório vinculado a compensação de débitos com o lançamento de tributo pela Administração Tributária. A Declaração de compensação (DComp), instituto consagrado no art. 74 da Lei 9.430/96, tem autonomia e independência em relação às espécies de tributos ali declarados, seja os (i) débitos ou (ii) créditos. Para esclarecer a aparente confusão, há que se compreender a decadência aplicada no âmbito tributário. O instituto da decadência tem por objetivo último garantir a estabilidade jurídica, impedindo que direitos permaneçam latentes ad eternum no plano do deverser e podem se materializar a qualquer momento, invocados pelos seus titulares, produzindo efeitos para os sujeitos do polo passivo desses direitos e até terceiros envolvidos em relações jurídicas subsequentes. Assim, a decadência sempre opera no sentido de extinguir direitos do sujeito do polo ativo de uma relação obrigacional com o decurso de um prazo predeterminado. Ou seja, a decadência sempre atua contra o credor. No caso da relação obrigacional tributária usual, a Administração Tributária é o polo ativo, o credor, e, portanto, a decadência atua contra ela, impedindoa de constituir o crédito tributário pelo lançamento, após decorrido o prazo decadencial estipulado nos artigos 150, §4º, e 173, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional. Ocorre que, no caso do ressarcimento do saldo credor de IPI e de sua utilização para compensação de tributos federais, a situação é inversa. A primeira relação obrigacional que surge a partir do saldo credor apurado ao final do trimestrecalendário é tal que a contribuinte é o polo ativo e o Fisco o polo passivo. Para essa situação também existe um prazo, porém este seria um prazo prescricional de cinco anos, conforme previsão do art. 1º do Decreto no 20.910, de 06/01/1932, consoante o Parecer Normativo CST nº 515, de 10 de agosto de 1971. E esse prazo decadencial corre contra o titular do direito, ou seja, contra a contribuinte, que deve materializar seu direito dentro desse prazo por meio da formalização do correspondente pedido de ressarcimento, sob pena de perda do direito. No presente caso, os pedidos foram feitos dentro do prazo, portanto não ocorreu a decadência do direito ao ressarcimento, o que não interfere na necessária análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Fl. 926DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.20265.9OSL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722809/201745 Resolução nº 3302001.161 S3C3T2 Fl. 927 9 Superada a decadência do direito creditório da contribuinte pela formulação do pedido de ressarcimento e com a superveniente declaração de compensação que pretende a utilização desse crédito, no todo ou em parte, para quitação de tributos federais, o prazo estabelecido pelo sistema normativo para garantir a estabilidade jurídica é o prazo de homologação tácita da compensação declarada, e está disposto no § 5º do art. 74 da Lei 9.430/19962 . Esse prazo, por seu turno, corre contra a Administração Tributária, tem natureza prescricional e referese ao direito de cobrar a eventual diferença a maior entre o tributo compensado e o crédito reconhecido em favor da contribuinte. Portanto, não há que se falar em decadência contra a Administração Tributária, pois o CTN, artigos 150, § 4º e 173, inciso I, se refere ao prazo para a constituição do crédito tributário mediante lançamento de ofício e o que houve de fato foi a glosa de créditos em âmbito de PER/DCOMP, ou seja, de um pedido administrativo de ressarcimento/compensação. III – DO PRECEDENTE INVOCADO: Segundo o Recurso, a classificação fiscal dos produtos objeto da presente discussão já foram resolvidas, a nível do CARF, em processo na qual a matéria foi exaustivamente examinada. O produto Emodule foi alvo de análise no Acórdão 10855.720958/201346, invocado como paradigmático. No citado processo foi julgado procedente a impugnação realizada pela empresa ora Recorrente, em face da resposta apresentada pela perícia realizada em diligência fiscal. A DRJ, naquela oportunidade, concluiu estar correta a classificação fiscal adotada pela contribuinte, nos seguintes termos “o Aerogerador, constituído de uma combinação de máquinas, que conjuntamente desempenham função específica, deve receber classificação fiscal na posição 8502.31.00, correspondente a esta função, independentemente de como tais máquinas sejam transportadas”. Conforme citado acima, o Parecer Técnico emitido a pedido da própria RFB (fls. 69 do Processo Administrativo nº 16027.72.0387/201711), entendeu que “(...) dentre os seus componentes, estão os gabinetes de potência (Gabinete de potência 300Kw V3 Facts) e controle (Gabinete de controle CS48a V2 STD), transformador e controle de UPS (uninterruptible power suplies – Gabinete UPS Enercon V1.0 STD) que, juntos, formam o sistema emodule, parte integrante e essencial dos aerogeradores, conforme resposta ao Quesito X.” 2 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pela sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 927DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.20265.9OSL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722809/201745 Resolução nº 3302001.161 S3C3T2 Fl. 928 10 Contrariamente ao decidido na decisão recorrida, o Acórdão do CARF, alusiva à classificação dos componentes do gerador, evidencia, que a matéria consta daquela discussão. O Acórdão nº 3201002.248, proferido no processo 10855.720958/201346, invocado pela Recorrente como paradigma, verificase que a questão do Emodule, ao contrário do afirmado na decisão em julgamento no presente processo, foi discutida naquela oportunidade, ou que pelo menos a sua existência já era conhecida. Os aerogeradores objeto da presente exigência fiscal são idênticos ou muito similares aos que deram azo à discussão daquele processo. Aqueles equipamentos, como os alvo do presente processo, continham “emodule” e torres e estas eram fixadas da mesma forma, através do produto denominado cordoalha. A circunstância das autoridades que participaram do julgamento daquele processo, citado como paradigma, não terem se detido no exame de questões tão detalhadas, como as que foram levadas a cabo na presente demanda, não é argumento suficiente para afastar a premissa de “precedente”. Não é admissível que os contribuintes sejam surpreendidos, no desempenho das suas atividades, com as mudanças interpretativas e investigativas das autoridades tributárias. Se tivesse ocorrido um fato novo, uma mudança na legislação ou outro evento alterador das questões suscitadas no referido julgamento tudo bem, que se alterasse o entendimento fiscal. O mesmo produto não pode ter uma classificação fiscal em 2013 e outra um ou dois anos depois, sem que tenha se processado qualquer alteração da legislação, ou das suas características físicas e ou funcionais. Além do art. 146 do CTN, há que se levar em conta as recentes alterações da Lei de Introdução ao Código Civil, designada atualmente de Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, da qual destaco os dispositivos abaixo: “Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) “Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)”. Fl. 928DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.20265.9OSL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722809/201745 Resolução nº 3302001.161 S3C3T2 Fl. 929 11 Está evidente que o ressarcimento pretendido, objeto do PER ora em julgamento, foi lavrado com flagrante mudança de critério jurídico, contrariando o disposto no art. 146 do CTN, o qual se aplica a casos em que a revisão fiscal é feita, não para reparar uma ilegalidade, mas para alterar elementos que a lei deixa à escolha da Autoridade administrativa no exercício do lançamento, em relação a um mesmo sujeito passivo, quando o fato gerador ocorrido posteriormente a sua introdução. Ou seja, é impedida a migração de um critério legalmente válido para outro igualmente legítimo, porém mais gravoso. IV – DOS FUNDAMENTOS DA RECLASSIFICAÇÃO PELA AUTORIDADE FISCAL: Compulsando os autos, verifico que a Recorrente é uma empresa industrial de fabricação de geradores de corrente contínua e alternada, peças e acessórios, CNAE: 2710 401. Segundo seu site www.wobben.com.br, “A Wobben Windpower Ind. e Com. Ltda. é a primeira fabricante de aerogeradores (turbinas eólicas) de grande porte da América do Sul. Foi criada para produzir componentes e aerogeradores para o mercado interno e exportação, além de projetar, instalar, operar e prestar serviços de assistência técnica para usinas eólicas. É subsidiária da Enercon GmbH, líder mundial em tecnologia eólica de ponta e um dos líderes do mercado eólico mundial.” Conforme relatado, o auto de infração objeto dos autos nº 16027720.387/2017 11, foi emitido devido a glosas de crédito considerados indevidos nos meses 09, 10, 11 e 12/2011; 1, 2, 3, 5, 6, 7, e 8/2012, conforme fls. 350 a 353 (processo citado), bem como no mês 07/2011 (fls. 317); e, ainda, foram constatadas ocorrências de saídas tributadas sem IPI lançado, no valor de R$ 19.728.007,37 (fls. 363PC). Consta da decisão recorrida que a infração relativa ao IPI não destacado nas saídas decorreu da constatação de que os aparelhos denominados "emodule" importados pela interessada e instalados na base das torres dos aerogeradores não teriam a classificação NCM 8502.31.00, utilizada pela interessada (fls. 308), mas sim a da NCM 8504.40.90, que possuía alíquota de 15% do IPI, nos termos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados anexa ao então vigente Decreto nº 7.660/2011. Assim, para a fiscalização, segundo as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado relativas à posição 8502, grupo eletrogêneo de energia eólica é a combinação de uma roda eólica (a máquina motriz citada na nota explicativa, I GRUPOS ELETROGÊNEOS) com um gerador elétrico, não cabendo a aplicação da Nota 4 da Seção XVI para agregar o aparelhos denominados "emodule" ao conjunto pás/cubo/gerador, caracterizando todo o conjunto como uma unidade funcional, destinada a produzir energia elétrica a partir do vento. Dessa forma o Sistema Pás/Cubo/Gerador e o emodule, considerado como conversor de energia, formariam subconjuntos com funções diferentes e específicas, quais sejam: a função de geração de energia elétrica (pás/cubo/gerador) e a função de Fl. 929DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.20265.9OSL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722809/201745 Resolução nº 3302001.161 S3C3T2 Fl. 930 12 converter/regular/controlar tensão e frequência vindas do gerador (Conversor de Energia). Em vista disso, a fiscalização classificou emodule no código 8504.40.90, com alíquota de IPI de 15%. A Recorrente esclarece que o "emodule" é um dos itens que integra um "aerogerador" e que, precisamente, é parte essencial daquele. Ainda, demonstra como se dá a montagem de um aerogerador completo e defende que não se pode classificar cada peça de forma individualizada, uma vez que, nas hipóteses analisadas, elas se destinavam a formação de um conjunto único e, por essa razão, a classificação NCM 8502.31.00, atendeu ao bem final (aerogerador) entregue pela Contribuinte ao seu cliente. A foto ilustrativa anexada pela Recorrente às fls. 192 revela, mesmo para quem não seja especialista, que o emodule não pode ser confundido com um simples transformador ou inversor. Aliás, o mesmo, entre outros componentes, tem um transformador, corroborando o Laudo Técnico. Cumpre apontar que consta no “Compêndio de Ementas do Centro de Classificação Fiscal de Mercadorias (CECLAM)”, que o grupo eletrogêneo para a geração de energia elétrica a partir de energia eólica (gerador eólico), apresentado por montar e incompleto, composto por gerador elétrico a ser associado, em corpo único, ao rotor de três pás, acompanhado de sistema de lubrificação, instrumentos de medição e controle e de outros equipamentos vinculados à função do grupo gerador (geração de energia), classificado em 8502.31.00: 8502.31.00 Grupo eletrogêneo para a geração de energia elétrica a partir de energia eólica (gerador eólico), com potência nominal de saída de 1.500 a 1.580 kW, com frequência variável a uma velocidade de rotação compreendida entre 919 rpm, podendo trabalhar com velocidades de vento entre 325 m/s, apresentado por montar e incompleto, composto por gerador elétrico a ser associado, em corpo único, ao rotor de três pás, acompanhado de sistema de lubrificação, instrumentos de medição e controle e de outros equipamentos vinculados à função do grupo gerador (geração de energia). SD 29/20017 Comitê Fonte:http://receita.economia.gov.br/orientacao/aduaneira/classificaca ofiscaldemercadorias/compendioceclamfev2019/view Entendo que a SD 29/2017 é mais uma constatação que aponta o desacerto da fiscalização na reclassificação. Sobre o tema, deixou a DRJ de analisar as elucidações trazidas pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias NESH em relação aos conceitos de grupo eletrogêneo e de unidade funcional, o que se constitui em elemento subsidiário de caráter fundamental para interpretação do conteúdos das Notas de Seções, Capítulos, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado, nos termos do parágrafo único do art. 1º do Decreto nº. 435/1992. Com relação ao Acórdão, objeto de discussão em outro processo de interesse da Recorrente, concordo inteiramente quando sustenta serem meramente auxiliares os laudos Fl. 930DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.20265.9OSL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722809/201745 Resolução nº 3302001.161 S3C3T2 Fl. 931 13 periciais. Não há a menor dúvida que cabe ao operador do direito extrair dos fatos a sua consequência jurídica. O que não se pode admitir é que a conclusão do jurista, como no presente caso, se sustente em negativa do dado técnico fulcrado na perícia. A autoridade lançadora afirma que o aerogerador pode gerar energia sem o “E module”. O laudo pericial diz que não. Não se trata, como afirmado no Acórdão citado, de extrair a consequência legal de um determinado fato, mas de contestar a existência do próprio fato. Outra conclusão, que não tem nada de jurídica, é quanto ao fato, incontroverso, porque demonstrado exaustivamente no Laudo, por descrição expositiva e por fotos, de que o emodule é fabricado exclusivamente para colocação na base da torre do aerogerador, o que atrai a norma da posição 85403.00. Não tem nenhuma serventia a não ser esta. Igualmente relevante é que o “emodule”, segundo o laudo pericial, é composto de vários equipamentos e que exerce várias funções e diversamente do alegado na autuação, é fundamental para o funcionamento do aerogerador. A foto juntada no Recurso (fls. 623) está repetida no Laudo Pericial às fls. 92 do Processo Administrativo nº 16027.720387/201711, sendo visível, mesmo para quem não domina as técnicas envolvidas, que se trata de um equipamento complexo, integrado por vários componentes, entre os quais um transformador. Ao responder o Quesito XI o Perito foi contundente: “Qualquer ausência dos citados elementos compromete a eficiência e captação da energia cinética dos ventos”. Inegável, portanto, que o transformador, é o único dos componentes do Emodule suscetível de enquadramento no item 2, das notas explicativas, citadas pela autoridade lançadora, e que seria, portanto, passível de enquadramento na exclusão pretendida, hipótese em que o lançamento deveria ter determinado, com precisão, o respectivo valor em relação ao todo. Está bem claro, no Laudo, que um dos equipamentos que integram o emodule é um computador, verdadeiro cérebro do aerogerador. Da forma como foi elaborado o lançamento, está sendo incluído na base de cálculo do imposto inclusive o referido computador. Por último, quanto à classificação fiscal, na dúvida, deve se aplicar o disposto no item 3, das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, integrante da TIPI: REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO “3. Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos Fl. 931DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.20265.9OSL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722809/201745 Resolução nº 3302001.161 S3C3T2 Fl. 932 14 componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria.” “Ex 01 Partes utilizadas exclusiva ou principalmente em aerogeradores classificados no código 8502.31.00 – 0”. Não há como negar que dentre duas classificações possíveis (Outros – 8504.90) e o Código 8502.31.00, o último é muito mais específico que aquele. Quando às soluções de consulta e a impossibilidade deste Conselho contrariar o nelas decidido, não é matéria nova, conforme Acórdão 3403.003, citado pela Recorrente. Oportuno esclarecer que a tese aqui debatida já foi objeto de discussão tanto pela Delegacia Regional Tributária da Receita Federal Tributária, quanto por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos autos do processo de nº 10855.720958/201346 (Acórdão 1451.727 2ª Turma da DRJ/POR), cujas ementas passo a transcrever abaixo: Ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CLASSIFICAÇÃO FISCAL AEROGERADOR O Aerogerador, constituído de uma combinação de máquinas, que conjuntamente desempenham função específica, deve receber classificação fiscal na posição 8502.31.00, correspondente a esta função, independentemente de como tais máquinas sejam transportadas. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO – IRREGULARIDADE. A falta de aprofundamento nas circunstâncias e elementos veritativos da hipótese de incidência, revela falha no elemento nuclear constitutivo da relação jurídicotributária, desatendendo o preceito do art. 142, do CTN. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Entendo que a matéria foi analisada com propriedade pela DRJ nos autos do processo acima citado e, por essa razão, admito integralmente aos termos: Compulsando os autos, verifico que a Interessada é uma empresa industrial de fabricação de geradores de corrente contínua e alternada, peças e acessórios, CNAE: 2710 401. Assim sendo, a operação fiscal que melhor satisfaz esta condição é a venda para entrega futura (CFOP 6922), cuja base legal encontrase definida pelo Art. 127 e seguintes do ICMS/SP:” A autoridade fiscal entendeu, à fl. 329, que: “De acordo com a Nota Explicativa da NESH (85.02 – Grupos Eletrogêneos e Conversores Rotativos, Elétricos), abaixo reproduzido, e os esclarecimentos acima Fl. 932DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.20265.9OSL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722809/201745 Resolução nº 3302001.161 S3C3T2 Fl. 933 15 apresentados, entendemos que a Classificação Fiscal correta para os Produtos Fabricados e Vendidos (CFOP 6116) pela empresa, deveriam ser os seguintes: a)Aerogerador E481 completo – 800 KM transmissão: NCM código 8502.31.00 (De energiaeólica) – alíquota 0% (zero) para o conjunto Gerador / Rotor; e NCM código 8503.00.90 (Outros – Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas às máquinas das posições 8501 ou 8502) – alíquota 10% (dez), para os demais elementos (fundação, torre, segmentos de aço, pás etc); b) Segmentos E48 – acabado: NCM código 8503.00.90 (Outros – Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas às máquinas das posições 8501 ou 8502) – alíquota 10% (dez); c) Rotor completo E48: NCM código 8502.31.00 (De energia eólica) – alíquota 0% (zero); d) Máquina E48 completo (produção) ou Nacele: NCM código 8502.31.00 (De energia eólica) – alíquota 0% (zero).” Assim, após confecção do Anexo I que detalha o trabalho fiscal, lavrouse Auto de Infração sob a motivação de erro de classificação fiscal. O Anexo II trás a recomposição da escrita fiscal. A Nota 4 da Secção XVI assim disciplina: “4. Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do Capítulo 84 ou do Capítulo 85, o conjunto classificase na posição correspondente à função que desempenha.” (grifouse) Não resta dúvida para este julgador, que o Aerogerador, constituído de uma combinação de máquinas, que conjuntamente desempenham função específica, deva receber a classificação fiscal correspondente a esta função, independentemente de como tais máquinas sejam transportadas. Não importa se transportadas de uma única vez, ainda que isso seja praticamente impossível, à vista que, um Aerogerador, é composto de fundação (base), torre de aproximadamente 70 metros e pesar algumas dezenas de toneladas. O fato de serem transportadas, separadamente, por notas fiscais de simples remessa, não descaracteriza as orientações emanadas para fins de classificação fiscal. De certo, o esclarecimento de que o componente faz parte de um “Sistema Eólico” ou “combinação de máquinas” no próprio documento de simples remessa é medida salutar e preventiva. Estas são as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da posição 85.02.5.02 Grupos eletrogêneos e conversores rotativos elétricos. I. GRUPOS ELETROGÊNEOS A expressão “grupos eletrogêneos” aplicase à combinação de um gerador elétrico com uma máquina motriz, que não seja um motor elétrico (turbina hidráulica, turbina a vapor, roda eólica, máquina a vapor, motor de ignição por centelha (faísca), motor diesel, etc.). Quando a máquina motriz e o gerador formam um só corpo ou quando, separados mas apresentados ao Fl. 933DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.20265.9OSL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722809/201745 Resolução nº 3302001.161 S3C3T2 Fl. 934 16 mesmo tempo, as duas máquinas são concebidas para formar um só corpo ou ser montadas em uma base comum (ver as Considerações Gerais desta Seção), o conjunto classificase na presente posição. (grifouse) Os grupos eletrogêneos para soldadura só se classificam aqui se apresentados isoladamente, desprovidos das suas cabeças ou pinças de soldadura; caso contrário, classificamse na posição 85.15. II. CONVERSORES ROTATIVOS ELÉTRICOS As máquinas deste tipo consistem essencialmente em associação de um gerador elétrico e de uma máquina motriz de motor elétrico, que podem ser montados de modo solidário em uma base, armação ou suporte comum (grupos conversores), ou simplesmente ligados por meio de dispositivos apropriados; estas máquinas são utilizadas para transformar a natureza da corrente (conversão de corrente alternada em corrente contínua ou viceversa) ou para modificar algumas características da corrente, tais como potência, freqüência ou fase da corrente alternada (por exemplo, levar a freqüência de 50 a 200 ciclos ou transformar uma corrente monofásica em trifásica). Algumas destas máquinas denominamse, às vezes, transformadores rotativos. PARTES Ressalvadas as disposições gerais relativas à classificação das partes (ver as Considerações Gerais da Seção) as partes das máquinas da presente posição classificamse na posição 85.03. Assim, para estes não há outra classificação a adotar senão a 8502.31.00, tributados a alíquota zero. 85.02 Grupos eletrogêneos e conversores rotativos elétricos. 8502.1 Grupos eletrogêneos de motor de pistão, de ignição por compressão (motores diesel ou semidiesel): 8502.11 De potência não superior a 75 kVA 8502.11.10 De corrente alternada 0 8502.11.90 Outros 0 8502.12 De potência superior a 75 kVA, mas não superior a 375 kVA 8502.12.10 De corrente alternada 0 8502.12.90 Outros 0 8502.13 De potência superior a 375 kVA 8502.13.1 De corrente alternada 8502.13.11 De potência inferior ou igual a 430 kVA 0 8502.13.19 Outros 0 8502.13.90 Outros 0 8502.20 Grupos eletrogêneos de motor de pistão, de ignição por centelha (motor de explosão) 8502.20.1 De corrente alternada 8502.20.11 De potência inferior ou igual a 210 kVA 0 8502.20.19 Outros 0 8502.20.90 Outros 0 8502.3 Outros grupos eletrogêneos: 8502.31.00 De energia eólica 0 Assim, para estes não há outra classificação a adotar senão a 8502.31.00, tributados a alíquota zero. As regras de interpretação são, tão somente, aquelas contidas na TIPI –Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados. Isso não afasta, em tese, a tributação das saídas de partes, peças e componentes do “sistema eólico”, quando tais saídas estiverem desassociadas do “conjunto”, do “grupo eletrogêneo”. Por óbvio, dependerá da classificação fiscal e previsão de alíquota na TIPI. Mas, para alguns destes, Segundo a Solução de Consulta nº 50 – SRRF08/Diana, de 31 de Julho de 2013, da própria Interessada, adotarseá a classificação fiscal posição 8504.40.90 e não a pretendida pela autoridade fiscal. Fl. 934DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.20265.9OSL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722809/201745 Resolução nº 3302001.161 S3C3T2 Fl. 935 17 Aliás, conforme noticiado pela Impugnante em suas respostas às intimações, à data do procedimento fiscal e do lançamento tributário, tal matéria, classificação fiscal do componente EModule, estava pendente de apreciação administrativa e, portanto, insuscetível de procedimento fiscal, nos termos do Art. 89 do Decreto nº 7574. de 29 de Setembro de 2011. A Impugnante asseverou por diversas vezes que os Aerogeradores, embora composto por um conjunto de sistemas e máquinas, são comercializados como único produto tributado à alíquota zero. E segue a Impugnante, à fl. 360. “Nesse contexto, a fiscalização segregou, baseandose exclusivamente em documentos fiscais (não realizando qualquer verificação in loco, ou outra avaliação pormenorizada do produto comercializado pela impugnante), as partes, peças e componentes dos referidos aerogeradores para tributar pelo IPI cada um desses materiais como se independentes fossem. ” A Impugnante alega, ainda, que não está devidamente identificada a “matéria tributável, calcado em presunções equivocadas e arbitramentos indevidos, em flagrante afronta ao Art. 142 do Código Tributário Nacional”. Ora, ao selecionar os produtos mencionados nas notas fiscais de simples remessa e tributandoos, simplesmente, a autoridade fiscal deixou de analisar se tais produtos foram industrializados pela Impugnante, bem como, no caso de têlos adquiridos de terceiros, se há situação de equiparação a estabelecimento industrial, fora dos quais, não se pode falar em incidência de IPI. Analisando o Anexo I do Relatório Fiscal, verificase que exigiuse IPI da Impugnante sobre os seguintes produtos: tinta, funil de PVC, anel de vedação, arruela, parafuso, borracha para vedar, adesivo, selante, cimento, escada, dentre outros. A falta de aprofundamento nas circunstâncias e elementos veritativos da hipótese de incidência, revela falha no elemento nuclear constitutivo da relação jurídico tributária, desatendendo o preceito do art. 142, do CTN, como lembrou a Impugnante. Não é crível que a Impugnante fabrique um rol tão diversos de produtos, cuja saída pudesse ser onerada pelo IPI. Se não é estabelecimento industrial ou equiparada a industrial em relação a estes produtos remetidos, separadamente, pelas notas de simples remessa não há que se falar em incidência do IPI. Assim, como esta circunstância material não foi devidamente esclarecida nos autos, não há como afirmar, categoricamente, que realizouse a hipótese de incidência. Nos itens 70 a 75 de sua impugnação, fl. 383, alegando ferimento à ampla defesa e motivação do ato administrativo, comprova a utilização no trabalho fiscal de NCM´s inexistentes. Os itens 81 a 84 da Impugnação, demonstram a cobrança em duplicidade do IPI em algumas notas fiscais e os itens 95 a 105, classificações fiscais inadequadas no trabalho fiscal. Assim, verificase, ainda, a falta de perquirição sobre as saídas dos produtos submetidos a lançamento de ofício, objeto das notas fiscais de simples remessa. Fl. 935DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.20265.9OSL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722809/201745 Resolução nº 3302001.161 S3C3T2 Fl. 936 18 Somente teria sentido o lançamento tributário se as saídas dos produtos lançados estivessem desassociadas de uma venda de um grupo eletrogêneo, o que impõe observar se a Impugnante preencheria, para tais produtos, o conceito de estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. A ausência destes cuidados e o exigência indiscriminada de IPI dos produtos constantes das notas fiscais de simples remessa, traz o trabalho fiscal para o campo das presunções. Assim, por todo exposto, voto pela procedência da Impugnação. Esse julgamento foi confirmado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Acórdão nº 3201002.248 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária), cuja ementa transcrevo abaixo: Ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Períododeapuração:01/01/2008a31/12/2008 RECURSO DE OFÍCIO. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL Prova pericial que confirma a classificação fiscal adotada pelo contribuinte. Lançamento improcedente. Impossibilidade de lançamento fiscal por presunção. No julgado acima transcrito, proferido no processo 10855.720958/201346, invocado pela Recorrente como paradigma, a DRJ deixou claro que “somente teria sentido o lançamento tributário se as saídas dos produtos lançados estivessem dissociadas de uma venda de um grupo eletrogêneo, o que impõe observar se a Impugnante preencheria, para tais produtos, o conceito de estabelecimento industrial ou equiparado a industrial”. Ressalto, mais uma vez, que, ao contrário do afirmado na decisão recorrida, a questão do emodule não passou desapercebida no referido julgamento, invocado pela Recorrente como paradigmático, ou que pelo menos a sua existência já era reconhecida e que somente a não considerou pois, na época, estava pendente de apreciação administrativa e, portanto, insuscetível de procedimento fiscal. Além do mais, a circunstância das autoridades que se debruçaram sobre aquele processo, não terem se detido no exame de questões tão detalhadas como as que foram levadas a cabo na presente demanda, não é argumento suficiente para afastar a premissa de “precedente”. Até porque, naquela oportunidade a DRJ deixou claro que devido ao fato de que independente e classificação fiscal que viesse a ser definida para o sistema emodule individualmente considerado, essa seria irrelevante para classificálo quando a saída, caso estivesse atrelada ao fornecimento do conjunto aerogerador, pois se trata de parte exclusiva e essencial. Para corroborar com o entendimento acima, cito como precedente o Acórdão nº 3301005.698, da relatoria da nobre Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, da 1ª Turma Fl. 936DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.20265.9OSL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722809/201745 Resolução nº 3302001.161 S3C3T2 Fl. 937 19 Ordinária da 3ª Câmara, que por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/07/2011 a 31/01/2012 LAUDO TÉCNICO ELABORADO PELO INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA. PROVA. Nos termos do art. 30 do Decreto n° 70.235/72 cabe ao Instituto Nacional de Tecnologia, do Ministério da Ciência e Tecnologia, a elaboração de laudo visando ao esclarecimento de questões de natureza técnica postas à análise dos órgãos julgadores administrativos, cujas conclusões sobre tais questões técnicas, devem ser acatadas pelas instâncias julgadoras. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AEROGERADOR. POSIÇÃO 8502.31.00. O aerogerador constituído de uma combinação de partes, com unidade funcional, para desempenho de função específica de produção de energia elétrica, deve ser classificado na posição 8502.31.00. Recurso Voluntário Provido. Chamo a atenção para a jurisprudência acima citada pelo fato de se tratar do mesmo componente aqui debatido nesses autos o “Emodule”, mas lá descrito como “conversor de energia”, ambas com classificação de entrada considerada como código 85.04.40.90. Porém entendeu no julgado acima que por tratar de parte essencial da turbina eólica, sem o qual não há produção de energia elétrica, formando um “corpo único” com função bem delimitada que é a geração de energia elétrica, e por isso, classificados na posição 8502.31.00. No mesmo sentido das conclusões aqui esposadas (classificação fiscal de aerogerador em 8502.31.00), cito o Acórdão nº 9303003.872, in verbis: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 03/11/2002 GRUPOS ELETROGÊNEOS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL Classificamse na posição 8502.39.00 tanto o gerador elétrico quanto a máquina motriz que compõem os grupos eletrogêneos, nos termos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado relativas à posição 8502. Como máquinas motrizes aí enquadráveis, incluemse os elementos essenciais ao seu funcionamento que com ela formem uma "unidade funcional" nos termos da Nota 4 da Seção XVI. Cito ainda, os acórdãos n° 3201002.248 e 330005.698. No tocante à cordoalha, mais se revela indevida a exigência fiscal, haja vista que o citado inciso VIII, do art. 5, do Regulamento, adiante transcrito, não exclui a incidência do imposto nas saídas dos produtos destinados à montagem do estabelecimento do contribuinte. Confirase: Fl. 937DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.20265.9OSL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722809/201745 Resolução nº 3302001.161 S3C3T2 Fl. 938 20 “Art. 5° Não se considera industrialização: (...) VIII a operação efetuada fora do estabelecimento industrial, consistente na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte: a) edificação (casas, edifícios, pontes, hangares, galpões e semelhantes, e suas coberturas); b) instalação de oleodutos, usinas hidrelétricas, torres de refrigeração, estações e centrais telefônicas ou outros sistemas de telecomunicação e telefonia, estações, usinas e redes de distribuição de energia elétrica e semelhantes; ou c) fixação de unidades ou complexos industriais ao solo;” A norma do inciso, acima transcrito, está sujeita à limitação contida no preceito do parágrafo único do mesmo artigo, não mencionado na informação do Auditor: “Parágrafo único. O disposto no inciso VIII não exclui a incidência do imposto sobre os produtos, partes ou peças utilizados nas operações nele referidas.” Aliás, nesse tópico a exigência revela, em certa medida, uma posição contraditória do procedimento fiscal, como um todo, porque se a instalação das cordoalhas não fosse fato gerador do IPI, pelo mesmo motivo não o seria a instalação do “emodule”. Sem dúvida, nesses casos, a montagem não é fato gerador do imposto, mas a saída dos produtos do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial é, por força do acima transcrito parágrafo único. Estando o produto classificado na posição 85.02.31.00, mesmo sendo tributável a saída, a alíquota é zero, com manutenção dos créditos derivados das entradas ou mesmo do devido no desembaraço aduaneiro. Quanto à classificação, no caso das cordoalhas, a situação é diferente do “e module”, pois a exigência não teria como fundarse na a invocação da exceção citada pela autoridade fiscal, porque não se trata de produto classificado em nenhuma posições do Capítulo 85. Neste caso, mas por força da expressa disposição contida na descrição do produto da posição 8503.00, por serem fabricadas na medida certa para fixação das torres dos aerogeradores, a única classificação possível é nesta última. Neste caso também não paira qualquer dúvida sobre o precedente invocado pela Recorrente, no processo acima referido. Por conseguinte, restando irrepreensível a classificação adotada pelo contribuinte em relação ao sistema Emolule e cordoalhas, não há falarse em aplicação de multa de ofício. Fl. 938DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.20265.9OSL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722809/201745 Resolução nº 3302001.161 S3C3T2 Fl. 939 21 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no processo nº 16027.720387/201711, de tal sorte o meu voto é no sentido de sobrestar o julgamento até a definitividade do processo nº 16027.720387/201711. É como voto. Denise Madalena Green Relator Fl. 939DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.20265.9OSL. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por DENISE MADALENA GREEN em 24/07/2019 22:07:00. Documento autenticado digitalmente por DENISE MADALENA GREEN em 24/07/2019. Documento assinado digitalmente por: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO em 30/07/2019 e DENISE MADALENA GREEN em 24/07/2019. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 24/05/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP24.0520.20265.9OSL Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: 137C3DDA7B0765026DDFBAC2916FFB30D884B4BA1490A27CCD919A14B30DBCC6 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10855.722809/2017-45. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 19515.003080/2009-20
Data da sessão: Fri Nov 06 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2005
SIGILO FISCAL. TRANSFERÊNCIA DE INFORMAÇÕES. POSSIBILIDADE.
O Supremo Tribunal Federal declarou a constitucionalidade do art. 6° da LC 105/2001 e fixou o entendimento de que a Receita Federal pode receber diretamente os dados bancários de contribuintes fornecidos pelas instituições financeiras, sem necessidade de prévia autorização judicial, por não se tratar de quebra de sigilo bancário e, sim, transferência do sigilo.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. SÚMULA CARF Nº 26.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei no 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada - Súmula CARF nº 26.
ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99.
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
Antes da alteração introduzida pela Lei nº 11.488, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, era indevida a exigência da penalidade isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão, cumulada multa de ofício incidente sobre a omissão de rendimentos no ajuste anual. Súmula CARF nº 147.
MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. PODER JUDICIÁRIO.
A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de atos normativos é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 2402-009.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, cancelando-se a multa isolada por não recolhimento do carnê-leão referente ao ano-calendário 2005, nos termos da Súmula CARF nº 147.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ana Claudia Borges de Oliveira - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira (Relatora), Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Honório Albuquerque de Brito (Suplente Convocado), Márcio Augusto Sekeff Sallem, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Renata Toratti Cassini. Ausente o Conselheiro Luís Henrique Dias Lima.
Nome do relator: Ana Claudia Borges de Oliveira
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2005 SIGILO FISCAL. TRANSFERÊNCIA DE INFORMAÇÕES. POSSIBILIDADE. O Supremo Tribunal Federal declarou a constitucionalidade do art. 6° da LC 105/2001 e fixou o entendimento de que a Receita Federal pode receber diretamente os dados bancários de contribuintes fornecidos pelas instituições financeiras, sem necessidade de prévia autorização judicial, por não se tratar de quebra de sigilo bancário e, sim, transferência do sigilo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei no 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada - Súmula CARF nº 26. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Antes da alteração introduzida pela Lei nº 11.488, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, era indevida a exigência da penalidade isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão, cumulada multa de ofício incidente sobre a omissão de rendimentos no ajuste anual. Súmula CARF nº 147. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. PODER JUDICIÁRIO. A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de atos normativos é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Súmula CARF nº 2.
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TRANSFERÊNCIA DE INFORMAÇÕES. POSSIBILIDADE. O Supremo Tribunal Federal declarou a constitucionalidade do art. 6˚ da LC 105/2001 e fixou o entendimento de que a Receita Federal pode receber diretamente os dados bancários de contribuintes fornecidos pelas instituições financeiras, sem necessidade de prévia autorização judicial, por não se tratar de quebra de sigilo bancário e, sim, transferência do sigilo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei no 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada - Súmula CARF nº 26. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Antes da alteração introduzida pela Lei nº 11.488, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, era indevida a exigência da penalidade isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão, cumulada multa de ofício incidente sobre a omissão de rendimentos no ajuste anual. Súmula CARF nº 147. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. PODER JUDICIÁRIO. A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de atos normativos é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 30 80 /2 00 9- 20 Fl. 315DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-009.237 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003080/2009-20 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, cancelando-se a multa isolada por não recolhimento do carnê-leão referente ao ano-calendário 2005, nos termos da Súmula CARF nº 147. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Ana Claudia Borges de Oliveira - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira (Relatora), Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Honório Albuquerque de Brito (Suplente Convocado), Márcio Augusto Sekeff Sallem, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Renata Toratti Cassini. Ausente o Conselheiro Luís Henrique Dias Lima. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto da decisão (fls. 260 a 276) que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração (fls. 185 a 192) de IRPF, ano- calendário 2005, em decorrência da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, omissão de rendimentos recebidos de pessoa física e falta de antecipação mensal obrigatória do Imposto de Renda da Pessoa Física (Carnê-Leão), referente a rendimentos pagos por pessoas físicas. O valor original do crédito tributário lançado é de R$ 511.960,85. A impugnação foi julgada improcedente em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Ano-calendário: 2005 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não se cogita a nulidade processual, nem a nulidade do ato administrativo de lançamento quando o lançamento de oficio atende aos requisitos legais e os autos não apresentam as causas apontadas no artigo 59 do Decreto n° 70.235/1.972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. A emissão regular de intimações, bem como os esclarecimentos e elementos de prova solicitados, demonstram a observância do princípio da verdade material e o cumprimento do dever de investigação por parte da autoridade fiscal. LANÇAMENTO COM BASE EM EXTRATOS BANCÁRIOS. SÚMULA 182 - TFR. A Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos - TFR, com edição anterior ao ano de 1988, não serve como parâmetro para decisões a serem proferidas em lançamentos fundados na Lei n° 9.430/96, a qual autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A não comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem de recursos creditados em contas bancárias ou de investimentos, remete à presunção legal de Fl. 316DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-009.237 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003080/2009-20 omissão de rendimentos e autoriza o lançamento do imposto correspondente, conforme dispõe a Lei n° 9.430 / 1996. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL. Quando se tratar de presunções legais, cabe ao contribuinte o ônus de produzir provas hábeis e irrefutáveis da não-ocorrência da infração. RENDIMENTOS PAGOS POR PESSOAS FÍSICAS. Os rendimentos pagos por pessoa física à pessoa física, estão sujeitos à antecipação mensal do imposto concernente, sem prejuízo de sua inclusão, como tributáveis, na declaração de ajuste anual. RECOLHIMENTO MENSAL OBRIGATÓRIO - CARNÊ-LEÃO. A falta do recolhimento de imposto de renda relativo a rendimentos recebidos de pessoa física e sujeito à antecipação mensal enseja a aplicação da multa isolada nos termos da legislação vigente, tendo como base de cálculo o imposto de renda devido e não pago ou pago após o início do procedimento fiscal. JUROS DE MORA. REDUÇÃO. RELEVAÇÃO A aplicação dos juros de mora decorre de expressa previsão legal o que veda a sua supressão. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EXTENSÃO. As decisões judiciais, a exceção daquelas proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais, e as administrativas não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela, objeto da decisão. ILEGALIDADE. Não cabe a discussão de ilegalidade ou inconstitucionalidade de legislação vigente, na esfera administrativa. INTIMAÇÃO / NOTIFICAÇÃO AO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indefere-se o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do advogado/procurador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte foi cientificada da decisão em 05/04/2013 (fl. 281) e apresentou recurso voluntário em 07/05/2013 (fls. 291 a 311) sustentando: a) violação do sigilo bancário; b) impossibilidade jurídica de lançamento baseado em indícios; c) inconsistência das provas; d) multa confiscatória e; e) multa isolada indevida. Sem contrarrazões. r at r . Voto Conselheira Ana Claudia Borges de Oliveira, Relatora. Da admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele conheço e passo à análise da matéria. Das alegações recursais Fl. 317DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-009.237 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003080/2009-20 1. Sigilo bancário A contribuinte alega a ilegalidade do lançamento porque lastreado no uso indevido de informações sigilosas. O Código Tributário Nacional (CTN) atribui às autoridades fiscais o poder de requisitar dos bancos e instituições financeiras todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros – art. 197, II. A L C mp m ntar n˚ 105, d 10 d jan r d 2001 (LC 105/2001), qu d spõ s br s g das p raçõ s das nst tu çõ s f nanc ras, stab c n art. 6˚ qu as aut r dad s fiscais podem examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Ess art g stá r gu am ntad p D cr t n˚ 3.724, d 10 d jan r d 2001, quanto à requisição, acesso e uso pela Secretaria da Receita Federal de informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras e entidades equiparadas, disciplinando a quebra do sigilo bancário pela autoridade administrativa. N ju gam nt das ADIs n˚ 2.390, 2.386, 2.397 e 2.859 1 , o Supremo Tribunal Federal declarou a constitucionalidade do art. 6º da LC 105/2001e fixou o entendimento de que a 1 EMENTA: Ação direta de inconstitucionalidade. Julgamento conjunto das ADI nº 2.390, 2.386, 2.397 e 2.859. Normas federais relativas ao sigilo das operações de instituições financeiras. Decreto nº 4.545/2002. Exaurimento da f các a. P rda parc a d bj t da açã d r ta nº 2.859. Expr ssã “d nquér t u”, c nstant n § 4º d art. 1º, da Lei Complementar nº 105/2001. Acesso ao sigilo bancário nos autos do inquérito policial. Possibilidade. Precedentes. Art. 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e seus decretos regulamentadores. Ausência de quebra de sigilo e de ofensa a direito fundamental. Confluência entre os deveres do contribuinte (o dever fundamental de pagar tributos) e os deveres do Fisco (o dever de bem tributar e fiscalizar). Compromissos internacionais assumidos pelo Brasil em matéria de compartilhamento de informações bancárias. Art. 1º da Lei Complementar nº 104/2001. Ausência de quebra de sigilo. Art. 3º, § 3º, da LC 105/2001. Informações necessárias à defesa judicial da atuação do Fisco. Constitucionalidade dos preceitos impugnados. ADI nº 2.859. Ação que se conhece em parte e, na parte conhecida, é julgada improcedente. ADI nº 2.390, 2.386, 2.397. Ações conhecidas e julgadas improcedentes. 1. Julgamento conjunto das ADI nº 2.390, 2.386, 2.397 e 2.859, que têm como núcleo comum de impugnação normas relativas ao fornecimento, pelas instituições financeiras, de informações bancárias de contribuintes à administração tributária. 2. Encontra-se exaurida a eficácia jurídico-normativa do Decreto nº 4.545/2002, visto que a Lei n º 9.311, de 24 de outubro de 1996, de que trata este decreto e que instituiu a CPMF, não está mais em vigência desde janeiro de 2008, conforme se depreende do art. 90, § 1º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias -ADCT. Por essa razão, houve parcial perda de objeto da ADI nº 2.859/DF, restando o pedido desta ação parcialmente pr jud cad . Pr c d nt s. 3. A xpr ssã “d nquér t u”, c nstant d § 4º d art. 1º da L C mp m ntar nº 105/2001, refere-se à investigação criminal levada a efeito no inquérito policial, em cujo âmbito esta Suprema Corte admite o acesso ao sigilo bancário do investigado, quando presentes indícios de prática criminosa. Precedentes: AC 3.872/DF-AgR, Relator o Ministro Teori Zavascki, Tribunal Pleno, DJe de 13/11/15; HC 125.585/PE-AgR, Relatora a Ministra Cármen Lúcia, Segunda Turma, DJe de 19/12/14; Inq 897-AgR, Relator o Ministro Francisco Rezek, Tribunal Pleno, DJ de 24/3/95. 4. Os artigos 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e seus decretos regulamentares (Decretos nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, e nº 4.489, de 28 de novembro de 2009) consagram, de modo expresso, a permanência do sigilo das informações bancárias obtidas com espeque em seus comandos, não havendo neles autorização para a exposição ou circulação daqueles dados. Trata-se de uma transferência de dados sigilosos de um determinado portador, que tem o dever de sigilo, para outro, que mantém a obrigação de sigilo, permanecendo resguardadas a intimidade e a vida privada do correntista, exatamente como determina o art. 145, § 1º, da Constituição Federal. 5. A ordem constitucional instaurada em 1988 estabeleceu, dentre os objetivos da República Federativa do Brasil, a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, a erradicação da pobreza e a marginalização e a redução das desigualdades sociais e regionais. Para tanto, a Carta foi generosa na previsão de direitos individuais, sociais, econômicos e culturais para o cidadão. Ocorre que, correlatos a esses direitos, existem também deveres, cujo atendimento é, também, condição sine qua non para a realização do projeto de sociedade Fl. 318DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-009.237 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003080/2009-20 Receita Federal pode receber diretamente os dados bancários de contribuintes fornecidos pelas instituições financeiras, sem necessidade de prévia autorização judicial, por não se tratar de quebra de sigilo bancário e, sim, transferência do sigilo. A transferência de inf rmaçõ s é f ta d s banc s d r tam nt a sc , que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, resguardando a intimidade e a vida privada do correntista, em consonância com os ditames pontuados pelo art. 145, § 1˚, da C nst tu çã d ra 2 . Ademais, este Tribunal Administrativo não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, nos termos do Enunciado da mu a CA n˚ 2 “ CA nã é c mp t nt para s pr nunc ar s br a nc nst tuc na dad d tr butár a”. Pois bem. Até adv nt da L n˚ 10.174, d 9 d jan r d 2001, § 3˚ d art. 11 da L n˚ 9.311/96 v dava a ut zaçã das nf rmaçõ s r f r nt s à CPM para c nst tu çã d créd t tributário, nos seguintes termos: Art. 11. Compete à Secretaria da Receita Federal a administração da contribuição, incluídas as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação. (...) § 3° A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicada à matéria, o sigilo das informações prestadas, vedada sua utilização para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos. esculpido na Carta Federal. Dentre esses deveres, consta o dever fundamental de pagar tributos, visto que são eles que, majoritariamente, financiam as ações estatais voltadas à concretização dos direitos do cidadão. Nesse quadro, é preciso que se adotem mecanismos efetivos de combate à sonegação fiscal, sendo o instrumento fiscalizatório instituído nos arts. 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/ 2001 de extrema significância nessa tarefa. 6. O Brasil se comprometeu, perante o G20 e o Fórum Global sobre Transparência e Intercâmbio de Informações para Fins Tributários (Global Forum on Transparency and Exchange of Information for Tax Purposes), a cumprir os padrões internacionais de transparência e de troca de informações bancárias, estabelecidos com o fito de evitar o descumprimento de normas tributárias, assim como combater práticas criminosas. Não deve o Estado brasileiro prescindir do acesso automático aos dados bancários dos contribuintes por sua administração tributária, sob pena de descumprimento de seus compromissos internacionais. 7. O art. 1º da Lei Complementar 104/2001, no ponto em que insere o § 1º, inciso II, e o § 2º ao art. 198 do CTN, não determina quebra de sigilo, mas transferência de informações sigilosas no âmbito da Administração Pública. Outrossim, a previsão vai ao encontro de outros comandos legais já amplamente consolidados em nosso ordenamento jurídico que permitem o acesso da Administração Pública à relação de bens, renda e patrimônio de determinados indivíduos. 8. À Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, órgão da Advocacia-Geral da União, caberá a defesa da atuação do Fisco em âmbito judicial, sendo, para tanto, necessário o conhecimento dos dados e informações embasadores do ato por ela defendido. Resulta, portanto, legítima a previsão constante do art. 3º, § 3º, da LC 105/2001. 9. Ação direta de inconstitucionalidade nº 2.859/DF conhecida parcialmente e, na parte conhecida, julgada improcedente. Ações diretas de inconstitucionalidade nº 2390, 2397, e 2386 conhecidas e julgadas improcedentes. Ressalva em relação aos Estados e Municípios, que somente poderão obter as informações de que trata o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 quando a matéria estiver devidamente regulamentada, de maneira análoga ao Decreto federal nº 3.724/2001, de modo a resguardar as garantias processuais do contribuinte, na forma preconizada pela Lei nº 9.784/99, e o sigilo dos seus dados bancários. (ADI 2859, Relator(a): DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe- 225 DIVULG 20-10-2016 PUBLIC 21-10-2016) 2 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) § 1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. Fl. 319DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-009.237 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003080/2009-20 A L n˚ 10.174/2001 a t r u ss parágraf para p rm t r a ut zaçã das informações relativas à CPMF para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário, in verbis: § 3 o A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. Ao realizar o lançamento, a autoridade fiscal deve aplicar a legislação vigente no momento da ocorrência do fato gerador, mesmo que a norma já tenha sido revogada ou modificada. Trata-se da regra material (legislação substantiva) relativa ao tributo correspondente – art. 144, caput. Já § 1˚ d art. 144 se refere às regras formais (legislação adjetiva) que regulam o procedimento de lançamento, ou seja, as normas que estipulam a competência para lançar, o modo de documentar o início do procedimento, os poderes que possuem as autoridades lançadoras, os prazos para conclusão das atividades etc. Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. De modo que, a modificação de uma norma procedimental não muda a essência de qualquer obrigação já surgida, mas tão somente o modo de sua apuração. É justamente por isso que são aplicáveis ao lançamento as normas formais que estiverem em vigor na data da realização do próprio procedimento (ALEXANDRE, Ricardo. Direito tributário. 13ª ed. Salvador: JusPodivm, 2019, p. 451). N ss s nt d , é Enunc ad n˚ 35 da mu a do CARF: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. Daí porque é válida a utilização da nova legislação para lançamento referente a fatos geradores passados, diante da aplicabilidade imediata das regras que ampliam os poderes de investigação da autoridade administrativa, não havendo que se falar em prova ilícita. O procedimento de fiscalização transcorreu dentro dos limites legais, não se identificando no lançamento qualquer irregularidade no acesso às informações bancárias do recorrente. Portanto, sem razão a recorrente. 2. Da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada Aduz a recorrente a impossibilidade de lançamento realizado com base em presunção de omissão de receitas. A L n˚ 9.430, 27 d d z mbr d 1996, r v g u § 5˚ d art. 6˚ da L n˚ 8.021, de 12 de abril de 1990, abaixo reproduzido: Fl. 320DF CARF MF Documento nato-digital file:///C:/Users/anaclaudiaborgesdeoliveira/Documents/CARF/Março%202020/VOTOS/L9430.htm%23art42§3II file:///C:/Users/anaclaudiaborgesdeoliveira/Documents/CARF/Março%202020/VOTOS/L9430.htm%23art42§3II Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-009.237 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003080/2009-20 Art. 6 ançam nt d f c , a ém d s cas s já sp c f cad s m , far-s -á arbitrando-se os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) § 5 arb tram nt p d rá a nda s r f tuad c m bas m d p s t s u ap caçõ s realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Sob a égide do dispositivo legal suprimido, exigia-se a prévia demonstração de sinais exteriores de riqueza pelo agente fiscal para o lançamento de ofício com base na renda presumida decorrente de depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras. Para s fat s g rad r s c rr d s a part r d 1˚ d jan r d 1997, art. 42 da L nº 9.430/96, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários cuja origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira não for comprovada pelo titular, após regular intimação para fazê-lo. Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Segundo o preceito legal, os extratos bancários possuem força probatória, recaindo o ônus de comprovar a origem dos depósitos sobre o contribuinte, por meio de documentação hábil e idônea, sob pena de presunção de rendimentos tributáveis omitidos em seu nome. O que se tributa não são os depósitos bancários, como tais considerados, mas a omissão de rendimentos representada por eles. Os depósitos bancários são apenas a forma, o sinal de exteriorização, pelos quais se manifesta a omissão de rendimentos objeto de tributação. Os depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício de existência de omissão de rendimentos. Esse indício transforma-se na prova da omissão de rendimentos apenas quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, após regular intimação fiscal, nega-se a fazê-lo, ou não o faz, a tempo e modo, ou não o faz satisfatoriamente. É função privativa da autoridade fiscal, entre outras, investigar a aferição de renda por parte do contribuinte, para tanto podendo se aprofundar sobre o crédito dos valores em Fl. 321DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-009.237 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003080/2009-20 contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o sujeito passivo da conta bancária a apresentar os documentos, informações ou esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência, ou não, de omissão de rendimentos. Para o lançamento tributário com base nesse dispositivo de lei nem m sm á necessidade de descortinar a origem do crédito bancário na obtenção de riqueza nova pelo titular da conta ou mostrar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Na mesma linha de entendimento sobre a matéria, confira-se o enunciado sumu ad n˚ 26 d CA mu a CA n˚ 26 A pr sunçã stab c da n art. 42 da L n 9.430/96 d sp nsa Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. A disposição contida no art. 42 é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatarem afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem deve ser feita pelo contribuinte de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. A comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é ônus do contribuinte, conforme dicção do art. 36 da Lei n° 9.784/99, não havendo razão a recorrente quando alega a inconsistência dos elementos probantes. Confira-se: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Trata-se de uma presunção legal, no entanto, relativa, dado que, conforme estabelece o próprio dispositivo legal, pode ser afastada por prova em contrário a cargo do contribuinte, no caso, do recorrente. Assim, não se comprovando a origem dos demais depósitos bancários, configurado está o fato gerador do Imposto de Renda, por presunção legal de infração de omissão de rendimentos, não assistindo razão ao recorrente em suas argumentações, quando corretamente se aplicou o procedimento de presunção advindo do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 (art. 849 do RIR/1999). Logo, sem razão a recorrente devendo ser mantida a Decisão proferida pela DRJ. 3. Concomitância da multa isolada e multa proporcional A recorrente alega que a multa é confiscatória e que não deve ser aplicada a multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão. Inicialmente, importa ressaltar que não compete à autoridade administrativa apreciar a arguição e declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de lei, pois essa competência foi atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário, pela Constitucional Federal, art. 102. A atuação das turmas de julgamento do CARF está circunscrita a verificar os aspectos legais da atuação do Fisco, não sendo possível afastar a aplicação ou deixar de observar os comandos emanados por lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, o que dispõem o artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/15, bem como a Súmula CARF nº 2, que assim dispõe: Fl. 322DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2402-009.237 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003080/2009-20 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Consta do Auto de Infração combatido (fl. 189), que a aplicação da multa isolada decorre da falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido a título de carnê- leão, apurada conforme discriminação contida no Termo de Verificação Fiscal, nos termos dos arts. 8º da L nº 7.713/88, 43 44, II, “a”, da L nº 9.430/96, c m a r daçã dada p art. 14 da L nº 11.488/07, 106, II, “c”, da L nº 5.172/66. Já a multa de 75% foi aplicada tendo como fundamento legal o art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 (fl. 184). A pessoa física que recebe de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos e ganhos de capital que não tenham sido tributados na fonte, está obrigada ao pagamento do carnê-leão, nos termos do art. 8º da Lei nº 7.713/88: Art. 8º Fica sujeito ao pagamento do imposto de renda, calculado de acordo com o disposto no art. 25 desta Lei, a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos e ganhos de capital que não tenham sido tributados na fonte, no País. § 1º O disposto neste artigo se aplica, também, aos emolumentos e custas dos serventuários da justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e outros, quando não forem remunerados exclusivamente pelos cofres públicos. § 2º O imposto de que trata este artigo deverá ser pago até o último dia útil da primeira quinzena do mês subsequente ao da percepção dos rendimentos. A falta de seu recolhimento enseja a aplicação de multa isolada, independentemente de ter sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste anual. O lançamento refere-se ao fato gerador ocorrido em 2005, antes portanto da alteração introduzida no art. 44 da Lei nº 9.430/96 pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Na redação anterior o inciso I previa a incidência de multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata e o § 1º do mesmo artigo previa que essa multa poderia exigida juntamente com o imposto ou isoladamente. Confira-se: Art. 44 [...] § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I - juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteri rm nt pag s; II - isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o v nc m nt d praz pr v st , mas s m acrésc m d mu ta d m ra; III - isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnê-leão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê- , a nda qu nã t n a apurad mp st a pagar na d c araçã d ajust ; IV - isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazê-lo, Ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-ca ndár c rr sp nd nt ; A Lei nº 11.488/2007 introduziu modificação na definição dessa penalidade, ao prever multa de 75% pela falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata e outra de 50% pela falta de antecipação do pagamento mensal: Fl. 323DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2402-009.237 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003080/2009-20 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e n s d d c araçã n xata; II – de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no cas d p ss a f s ca; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Portanto, somente com a edição da MP 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei nº 11.488/07, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, passou a existir previsão específica de incidência da multa isolada na hipótese de falta de pagamento do carnê-leão (50%) com a multa de ofício devida em caso de lançamento (75%). O entendimento está consolidado na Súmula CARF nº 147: Súmula CARF nº 147: Somente com a edição da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, passou a existir a previsão específica de incidência da multa isolada na hipótese de falta de pagamento do carnê-leão (50%), sem prejuízo da penalidade simultânea pelo lançamento de ofício do respectivo rendimento no ajuste anual (75%). Portanto, uma vez que a exigência fiscal abrange período de apuração anterior a 2006, indevida a cumulação de multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas com a multa isolada com base na falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão. Nesse ponto, voto por pelo parcial provimento do recurso voluntário apenas para cancelar a multa isolada por falta de pagamento do Carne-Leão, nos termos da Súmula CARF nº 147. Conclusão Diante do exposto, voto pelo parcial provimento do recurso voluntário apenas para cancelar a multa isolada por falta de pagamento do Carne-Leão referente ao ano-calendário 2005, nos termos da Súmula CARF nº 147. (documento assinado digitalmente) Ana Claudia Borges de Oliveira Fl. 324DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10280.001889/2007-81
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 2803-000.026
Decisão: RESOLVEM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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(Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato e Helton Carlos Praia de Lima (presidente). Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10280.001889/200781 Resolução n.º 280300.026 S2TE03 Fl. 2 2 RELATÓRIO Tratase de Pedido de Restituição formulado em 01 de junho de 2007 pela Cooperativa Habitacional de Belém relativamente a valores indevidos pagos a maior nas competências 01, 02, 03, 04, 05 e 07/2003. De acordo com o documento de fls. 05, a requerente solicita que seja realizada, de acordo com a legislação vigente, operação concomitante com o débito existente, conforme processo número 603310397. No despacho de fls. 15 (Ofício nº 7066/2007), o Chefe da SEORT/DRF/BEL, comunica à requerente que, no processo protocolado sob o nº 10280.001889/200781, foi verificada a ausência do Estatuto e ata que identifique os responsáveis pela administração da cooperativa, o cartão do CNPJ da empresa, bem como folha de pagamento e respectivo resumo, relativa a cada competência em que é pleiteada a restituição, assinalando o prazo de 10 (dez) dias para o contribuinte cumprir a exigência, sob pena de arquivamento do processo por falta de elementos necessários à instrução e análise do mesmo. Em 19 de junho de 2007, de acordo com o despacho de fls. 251, o contribuinte apresentou a documentação objeto do ofício nº 7066/2007, emitido em 12/06/2007. Depois de analisada a documentação de que trata o parágrafo anterior, em 07 de agosto de 2007, o Serviço de Orientação e Análise Tributária – SEORT envia ao contribuinte o Ofício nº 7104/2007 (fls. 290) comunicando a existência de divergência entre as informações declaradas no requerimento de restituição e as constantes nos sistemas informatizados da Previdência Social, solicitando que, em 10 (dez) dias, sejam retificadas e apresentadas novas GFIP`s. Em 27 de agosto de 2007, de acordo com o despacho de fls. 424, o contribuinte apresentou a documentação objeto do ofício nº 7104/2007, emitido em 07/08/2007. Da análise da documentação apresentada, o Chefe da SEORT/DRF/BEL, em 30 de agosto de 2007 exara, às fls. 426, despacho afirmando que após a entrega das GFIP´s retificadas, foi possível apurar o real valor devido à Previdência Social e a Outras Entidades, e com isso não só deixaram de existir créditos passíveis de restituição, como passaram a tributar débitos apurados através das diferenças entre os valores já recolhidos e os informados nas novas GFIP´s, conforme planilha elaborada (fls. 425). Em virtude das constatações foi indeferido o pedido de restituição formulado pelo contribuinte. Os autos foram baixados para despacho conclusivo de um Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, conforme art. 216, § 1º, inciso III, da IN SRP nº 03/2005 e à vista do disposto no art. 6º, inciso I, alínea “b”, da Lei nº 11.427/2007 (item 5 do despacho de fls. 426). Do despacho referido no parágrafo anterior, o AFRFB Silberto Marcus Furtado de Oliveira constatou que: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10280.001889/200781 Resolução n.º 280300.026 S2TE03 Fl. 3 3 (...) Acontece que na análise dos autos, em especial das GPS de fls. 06/13 e dos documentos juntados aos autos pelo interessado como comprobatórios da retificação das GFIP (fls. 292/423), verifiquei que não prospera a alegação do contribuinte de que recolheu a maior nas competências presentes no processo em tela, haja vista que os valores declarados em GFIP são maiores do que os recolhidos em GPS e, portanto, apontam para um recolhimento menor. (...) Com base na Tabela 2 (fls. 466) verificase que o interessado deixou de recolher em GPS nas competências relativas ao presente processo um valor total declarado em GFIP de R$44.321,62 (quarenta e quatro mil, trezentos e vinte e um reais e sessenta e dois centavos), sendo R$32.359,39 (Trinta e dois mil, trezentos e cinqüenta e nove reais e trinta e nove centavos) das rubricas referentes ao INSS e R$11.962,23 (Onze mil, novecentos e sessenta e dois reais e vinte e três centavos) das rubricas referentes a Outras Entidades (Terceiros). Assim, como o processo em tela não gerou crédito para o interessado, não há o que se falar em operação concomitante com os débitos relativos ao Processo nº 603310397, à luz do art. 215 da IN SRP nº 03/2005, já citado anteriormente. (...) Diante do exposto e considerando as informações contidas nos autos, proponho que seja indeferido o pedido de restituição constante do processo em tela e que o contribuinte seja declarado em débito com a RFB no valor de R$44.321,62 (Quarenta e quatro mil, trezentos e vinte e um reais e sessenta e dois centavos), conforme delineado na Tabela 2, que deverá ser corrigido de acordo com o previsto no art. 34 e 35 da Lei nº 8212/91, c/c o art. 239 do Decreto nº 3048/99. Em 09 de outubro de 2007 (fls. 471), foi encaminhado ao contribuinte o Ofício nº 7186/2007 comunicandoo sobre o indeferimento do pedido de restituição e concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias contados da data de recebimento da comunicação para apresentar recurso contra a decisão que indeferiu o pedido de restituição. Tal recurso, de acordo com o ofício, deverá ser apresentado à DRJ/BEL, com as razões e, se for o caso, com os documentos que o fundamente. Seguindo a orientação contida no Ofício 7186/2007, de 09 de outubro de 2007, o contribuinte apresenta recurso à DRJ/BEL, onde alega a ocorrência de compreensão equivocada de existência de débito em aberto, proveniente de valores pagos a menor em GFIP, uma vez que os mesmos foram reconhecidos, parcelados e estão sendo devidamente quitados; e Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10280.001889/200781 Resolução n.º 280300.026 S2TE03 Fl. 4 4 a existência efetiva de valores recolhidos a maior. Em razão disto, pede a reconsideração da decisão exarada no Parecer SEORT/DRF/BEL nº 0529/2007 (fls. 464 / 470), assim como: a) o recebimento do presente recurso em face do acatamento ao artigo 174, III, da Portaria MF nº 95/2007 e do artigo 15, do Decreto nº 70.235/72; b) a não declaração de débito no valor de 44.321,62 (quarenta e quatro mil, trezentos e vinte e um reais e sessenta e dois centavos), uma vez que o mesmo foi examinado e negociado através dos processos nº 603332862 e nº 603897843; c) e por fim, a restituição de valores indevidos, relativo a contribuições previdenciárias das competências 01/2003, 02/2003, 03/2003, 04/2003, 05/2003 e 07/2003, em um total de R$22.286,45 (vinte e dois mil, duzentos e oitenta e seis reais e quarenta e cinco centavos), por meio de operação concomitante junto ao débito derivado do Processo nº 603310397. Nos documentos de fls. 674, 675 e 676, ficou demonstrado que o recurso à DRJ/BEL foi apresentado dentro do prazo assinalado pelo sujeito ativo da obrigação tributária. No entanto, apesar dos argumentos e pleitos formulados pelo contribuinte, não consta dos autos qualquer manifestação da primeira instância administrativa, porquanto o recurso foi encaminhado diretamente para análise do então 2º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10280.001889/200781 Resolução n.º 280300.026 S2TE03 Fl. 5 5 VOTO Conselheiro, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. Em atenção ao princípio da instrumentalidade das formas a peça apresentada como Recurso à DRJ/BEL será apreciada como Recurso Voluntário, tendo em vista que ela preenche os requisitos de admissibilidade, bem como à regra de que trata o § 1º do art. 1º da Portaria CARF nº 49, de 29/04/2009, publicada no DOU na pag. 00022, em 30/04/2009. Antes de se adentrar a análise das alegações contidas no Recurso Voluntário, fazse necessário trazer a baila alguns esclarecimentos acerca da competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para analisar o recurso aviado pelo contribuinte contra a decisão que indeferiu o seu pedido de restituição. A Medida Provisória nº 449, de 03 de dezembro de 2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, alterou substancialmente o artigo 89 da Lei nº 8.212/91, para estabelecer que a Secretaria da Receita Federal do Brasil é o órgão competente para regulamentar os procedimentos de restituição e a compensação de contribuições previdenciárias, nos seguintes termos: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Essa regulamentação se deu por meio da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, que, além de outras matérias, tratou da restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Especificamente em seu artigo 66, § 2º, o mencionado ato normativo facultou ao sujeito passivo a apresentação de manifestação de inconformidade contra a decisão que indeferir o seu pedido de restituição, a ser analisada pela Delegacia da Receita de Julgamento (DRJ) de sua circunscrição fiscal, in verbis: Art. 66. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso ou, ainda, da data da ciência do despacho que não homologou a compensação por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação. (...) Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10280.001889/200781 Resolução n.º 280300.026 S2TE03 Fl. 6 6 § 2º A competência para julgar manifestação de inconformidade é da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em cuja circunscrição territorial se inclua a unidade da RFB que indeferiu o pedido de restituição ou ressarcimento ou não homologou a compensação, observada a competência material em razão da natureza do direito creditório em litígio. No caso dos autos, conforme relatado acima, o contribuinte apresentou recurso administrativo contra o despacho decisório proferido pela DRJ/BEL, em 09 de novembro de 2007, ou seja, antes da alteração legal promovida pelo legislador ordinário. Destarte, verificase que, à época da interposição do recurso, o órgão competente para a sua análise era o Conselho de Contribuintes, e não a Delegacia da Receita de Julgamento, conforme previsto na Instrução Normativa RFB nº 900/2009. Não obstante a alteração do procedimento tenha aplicação imediata, por se tratar de norma processual, a situação foi regulamentada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio da Portaria nº 49, de 29/04/2009, nos seguintes termos: Art. 1º Os processos relativos a restituição de contribuições previdenciárias, inclusive as contribuições instituídas a título de substituição e de contribuições devidas a terceiros, e de reembolso de saláriofamília ou saláriomaternidade que estejam aguardando julgamento no âmbito do CARF serão encaminhados, através da unidade local da Secretaria da Receita Federal do Brasil de jurisdição da autoridade que exarou o despacho decisório, à Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente para o julgamento da manifestação de inconformidade apresentada. §1º Permanecerão no âmbito do CARF, para julgamento, os recursos que já tenham sido distribuídos para suas câmaras e turmas. Em consulta às informações processuais disponíveis no sitio do CARF, verificase que a distribuição do presente processo à 5ª Câmara do 2º Conselho ocorreu em 26 de maio de 2008. Diante disso, aplicarseá no caso a disposição legal contida no § 1º do art. 1º da Portaria CARF nº 49/2009, permanecendo o recurso no âmbito do Conselho para seu regular julgamento. Conforme mencionado no relatório, o contribuinte pleiteia a restituição dos valores indevidamente recolhidos a título de contribuição previdenciária relativamente às competências 01, 02, 03, 04, 05 e 07/2003. A decisão que indeferiu o pedido da ora Recorrente se baseou finalmente no entendimento contido no Parecer nº 0529 (fls. 464/470) que, inclusive, informa sobre a impossibilidade da operação concomitante e que o contribuinte ao invés de credor é devedor do montante de R$44.321,62 à Previdência Social / Terceiros. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10280.001889/200781 Resolução n.º 280300.026 S2TE03 Fl. 7 7 Como se pode observar dos argumentos apresentados pelas partes, a questão ainda não se encontra madura para o devido julgamento da segunda instância administrativa, tendo em vista a ausência de manifestação da DRJ/BEL em relação ao recurso apresentado pelo contribuinte, nomeadamente no ponto em que o sujeito passivo aduz que o suposto débito existente foi por ele reconhecido e parcelado e está sendo devidamente quitado, motivo pelo qual pede inclusive a reconsideração da decisão exarada no Parecer SEORT/DRF/BEL nº 0529/2007. Ora, se ao fim e ao cabo, o motivo pelo indeferimento do pedido de restituição foi a constatação de débito em nome do contribuinte, o reconhecimento e parcelamento da dívida implicam necessariamente na suspensão do impedimento. Assim sendo, a conseqüência lógica seria o atendimento do pleito formulado pelo contribuinte restituindolhe os valores relativos às competências 01, 02, 03, 04, 05 e 07/2003. Contudo, não se pode concluir, pelo menos por enquanto, se é possível deferir ou não o pedido de restituição dos valores em questão. Desse modo, fazse necessário o esclarecimento do ponto controvertido, ou seja, saber se efetivamente o contribuinte reconheceu e parcelou o débito apurado por ocasião da análise que redundou no Parecer SEORT/DRF/BEL nº 0529/2007. Por todo o exposto, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a autoridade fiscal se manifeste sobre a existência ou não do parcelamento do débito mencionado no Parecer SEORT/DRF/BEL nº 0529/2007, bem como se ele está sendo devidamente quitado como informa o contribuinte em seu recurso endereçado à DRJ/BEL. Da manifestação mencionada no parágrafo anterior, a autoridade fiscal deverá dar ciência ao contribuinte para que ele exerça o direito ao contraditório e ampla defesa. Após, retornem os autos para o seu regular processamento na segunda instância administrativa. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Fl. 7DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 36202.003123/2007-58
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2401-000.232
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1156; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 716 1 715 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 36202.003123/200758 Recurso nº 000.000 Resolução nº 2401000.232 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 10 de julho de 2012. Assunto Solicitação de Diligência Recorrentes CIA IMPORTADORA E EXPORTADORA COIMEX Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 716DF CARF MF Impresso em 10/08/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/07 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase do Auto de Infração n.º 37.063.3903, lavrado contra o contribuinte acima identificado para aplicação de multa por descumprimento da obrigação acessória de declarar a totalidade dos fatos geradores de contribuições previdenciárias na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Afirma o fisco que os fatos geradores que os fatos geradores não declarados foram: a) assistência médica paga aos dependentes dos segurados; b) seguro de vida em grupo não previsto em norma coletiva de trabalho; c) plano de previdência complementar não extensível a todos os segurados; d) operações de mútuo consideradas pelo fisco como remuneração dos mutuários; e) pagamentos efetuados a contribuintes individuais; f) pagamentos efetuados a cooperativas de trabalho médico; g) produção rural adquirida de pessoa física; h) ressarcimento de despesas com plano de saúde especial feita a dirigente da empresa. A empresa apresentou impugnação, cujas razões não foram acatadas pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ no Rio de Janeiro II, que declarou procedente a lavratura. Inconformada a empresa interpôs recurso voluntário, no qual alegou que parte das competência do AI foram alcançadas pela decadência. Suscita a indevida inclusão dos representantes legais no polo passivo da autuação. Alega merecer relevação para os fatos geradores que foram declarados após a ação fiscal. Assevera que o critério para fixação do valor da penalidade é ilegal. Advoga também que o fisco incluiu dentre as condutas infracionais pagamentos que não se subsumem a hipótese de incidência das contribuições sociais. É o relatório. Fl. 717DF CARF MF Impresso em 10/08/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/07 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36202.003123/200758 Resolução n.º 2401000.232 S2C4T1 Fl. 717 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Essa Turma de Julgamento tem entendido que o andamento do PE processo relativo à lavratura de AI por falta de declaração de fatos geradores na GFIP deve aguardar o desfecho administrativo do processo em que é exigida a contribuição correspondente aos fatos geradores não declarados. Tal procedimento é justificado pela conexão existente entre os processos, uma vez que se for declarada a insubsistência das contribuições lançadas não poderá prosperar o AI conexo. Nesse sentido, verifico que dentre todos os fatos geradores constantes do AI alguns não têm exigência de contribuições correspondentes, posto que as mesmas haviam sido recolhidas. Outros já tiveram o julgamento no CARF realizado ou estão em julgamento nessa sessão. Todavia, do processo n.º 36202.003109/200754 (NFLD n.º 37.063.3873), que trata das contribuições decorrentes supostas operações de mútuo consideradas como remuneração, não tenho notícia do seu andamento. Assim, fazse necessário a conversão do presente julgamento em diligência, de modo que o órgão de origem informe o andamento do processo em questão e, caso o mesmo não tenha tido trânsito em julgado administrativo, que passe a tramitar conjuntamente com que ora se julga. Conclusão Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência nos termos acima propostos. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 718DF CARF MF Impresso em 10/08/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/07 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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