Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
4700039 #
Numero do processo: 11131.001448/2002-41
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2006
Ementa: RESTITUIÇÃO DA MULTA MORATÓRIA POR ATRASO NO PAGAMENTO DE RESSARCIMENTO AO FUNDAF SUPERIOR A TRINTA DIAS. IMPOSSIBILIDADE DA PRETENSÃO. A cobrança da Multa de Mora por atraso no pagamento referente ao ressarcimento das despesas administrativas decorrentes das atividades extraordinárias da fiscalização aduaneira prestadas em Portos organizados (IN SRF 048/1996), deverá observar os critérios estabelecidos na legislação específica em vigor, e que se encontra legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Pagamentos efetuados após a data de seu vencimento ficarão sujeitos as mesmas penalidades legais aplicáveis aos tributos e contribuições federais, respaldada no artigo 61, §§ 2º e 3º da Lei 9.430 de 27/12/96. RECURSO NEGADO.
Numero da decisão: 303-32784
Decisão: Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário.
Matéria: II/IE/IPI- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: SÍLVIO MARCOS BARCELOS FIUZA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : II/IE/IPI- proc. que não versem s/exigências cred.tributario

dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 200602

ementa_s : RESTITUIÇÃO DA MULTA MORATÓRIA POR ATRASO NO PAGAMENTO DE RESSARCIMENTO AO FUNDAF SUPERIOR A TRINTA DIAS. IMPOSSIBILIDADE DA PRETENSÃO. A cobrança da Multa de Mora por atraso no pagamento referente ao ressarcimento das despesas administrativas decorrentes das atividades extraordinárias da fiscalização aduaneira prestadas em Portos organizados (IN SRF 048/1996), deverá observar os critérios estabelecidos na legislação específica em vigor, e que se encontra legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Pagamentos efetuados após a data de seu vencimento ficarão sujeitos as mesmas penalidades legais aplicáveis aos tributos e contribuições federais, respaldada no artigo 61, §§ 2º e 3º da Lei 9.430 de 27/12/96. RECURSO NEGADO.

turma_s : Terceira Câmara

dt_publicacao_tdt : Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2006

numero_processo_s : 11131.001448/2002-41

anomes_publicacao_s : 200602

conteudo_id_s : 4402821

dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 303-32784

nome_arquivo_s : 30332784_130710_11131001448200241_014.PDF

ano_publicacao_s : 2006

nome_relator_s : SÍLVIO MARCOS BARCELOS FIUZA

nome_arquivo_pdf_s : 11131001448200241_4402821.pdf

secao_s : Terceiro Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário.

dt_sessao_tdt : Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2006

id : 4700039

ano_sessao_s : 2006

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:26:43 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713043177275916288

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-07T11:06:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-07T11:06:13Z; Last-Modified: 2009-08-07T11:06:13Z; dcterms:modified: 2009-08-07T11:06:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-07T11:06:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-07T11:06:13Z; meta:save-date: 2009-08-07T11:06:13Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-07T11:06:13Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-07T11:06:13Z; created: 2009-08-07T11:06:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2009-08-07T11:06:13Z; pdf:charsPerPage: 1542; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-07T11:06:13Z | Conteúdo => • -av MINISTÉRIO DA FAZENDA ' ' ,..Anuld TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 11131.001448/2002-41 Recurso n° : 130.710 Acórdão n° : 303-32.784 Sessão de : 22 de fevereiro de 2006 Recorrente : COMPANHIA DE INTEGRAÇÃO PORTUÁRIA DO CEARÁ - CEARÁPORTOS Recorrida : DM/FORTALEZA/CE RESTITUIÇÃO DA MULTA MORATÓRIA POR ATRASO NO PAGAMENTO DE RESSARCIMENTO AO FUNDAF SUPERIOR A TRINTA DIAS. IMPOSSIBILIDADE DA PRETENSÃO. A cobrança da Multa de Mora por atraso no pagamento referente ao ressarcimento das despesas administrativas decorrentes das atividades extraordinárias da fiscalização aduaneira prestadas em • Portos organizados (IN SRF 048/1996), deverá observar os critérios estabelecidos na legislação específica em vigor, e que se encontra legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Pagamentos efetuados após a data de seu vencimento ficarão sujeitos as mesmas penalidades legais aplicáveis aos tributos e contribuições federais, respaldada no artigo 61, §§ 2° e 3° da Lei 9.430 de 27/12/96. RECURSO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Al ANELISE AU RIETO President- SIL 10 MAR ELOS FIÚZ Relator Formalizado em: 05 Agp Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Zenaldo Loibman, Nanci Gama, Sérgio de Castro Neves, Marciel Eder Costa, Nilton Luiz Bartoli e Tarásio Campelo Borges. Ri Processo n° : 11131.001448/2002-41 Acórdão n° : 303-32.784 RELATÓRIO O processo em referência trata do pedido de restituição das parcelas relativas aos juros de mora (R$ 472,12) e multa de oficio (R$ 1.396,80), que foram pagas somente em 30/08/2002 (Ver cópia DARF — fl. 04), juntamente com o valor de R$ 6.984,00, referente ao ressarcimento das despesas administrativas decorrentes das atividades extraordinárias de fiscalização aduaneira prestadas no Terminal Portuário do PECÉM, do dia 01, 08, 09, 13, 14, 19, 20, 21, 22, 26, 27 e 28 de fevereiro de 2002, cujo vencimento da obrigação se deu no dia 10/03/2002. Justificando o pedido, o requerente alegou que a administração do terminal não efetuou os pagamentos no prazo normativo por desconhecer o montante do valor a ser quitado, e que tão logo a Alfândega informou os valores devidos através • do Oficio n° 260/2002/Gabin/Alf/For, o pagamento foi efetivado. Ressalta que o artigo 3°, § 2° da IN SRF n° 048/96 outorga às unidades de jurisdição da SRF o controle das requisições de presença da fiscalização aduaneira extraordinária, para fins de viabilizar os pagamentos inerentes à fiscalização nos prazos previstos na mencionada norma. Para subsidiar seu pleito anexou os documentos de fls. 02/08. Diante da solicitação acima destacada, o processo foi encaminhado para a SARAT/ALF/FOR, que minutou o despacho de fls. 10/11. Submetida a minuta à apreciação da Inspetora da Alfândega do Porto de Fortaleza, a mesma decidiu no sentido de não reconhecer o direito creditório, tendo em vista o § 3°, artigo 3° da IN SRF 48/96, § 3° do art. 61 e § 3° do art. 5°, ambos da Lei n° 9.430/96. Quanto ao argumento apresentado pela requerente de que não efetuou o pagamento no prazo por desconhecer o montante do valor a ser quitado, e que tão logo a Alfândega informou os dados, o pagamento foi efetivado, entende a autoridade administrativa que os acréscimos legais não são dispensados, pois a • atividade fiscal é vinculada ao principio da estrita legalidade, e por esta razão não há caminho legal que permita fazer restituição conforme requerida. Cientificado do despacho decisório, em 30/10/2002, conforme Aviso de Recebimento de fl. 12, o contribuinte apresentou em 29/11/2002 manifestação de inconformidade (fls. 13/18), oportunidade em que discorda da decisão proferida. Em sua manifestação, após breve relato dos fatos, constam as seguintes alegações: "5.1 que cabia à unidade com jurisdição no Terminal Portuário do Pecém o controle mensal das requisições e presença da fiscalização aduaneira, afim de que seja viabilizado o pagamento pelo devedor no prazo estipulado na IN SRF 48/96, conforme o 5S" 2° do seu artigo 3°, pelo que caberia à fiscalização informar mensalmente os valores a serem pagos, o que de fato ocorreu, sob o fito de que a 2 Processo n° : 11131.001448/2002-41 Acórdão n° : 303-32.784 impugnante efetivasse os pagamentos nos prazos previstos no supracitado preceito, pois não havia meios do sujeito passivo quantificar o ónus pecuniário;] 5.2 coleciona trecho da obra "Direito Tributário Brasileiro", do tributarista Luciano Amaro, inerente à aplicabilidade do Direito Privado às questões afetas ao direito tributário, bem como o artigo 960 do Código Civil Brasileiro, argumenta que a mora do devedor sucede a existência de obrigação líquida e positiva, sendo que, a obrigação não era à época positiva, nem líquida, pelo que não poderiam incidir os efeitos da mora sobre a então devedora CEARÁ PORTOS, pelo simples fato da mesma não se encontrar em mora. 5.3 alude que o Artigo 142 do Código Tributário Nacional é taxativo quando determina competência privativa a autoridade aduaneira para constituir o crédito tributário através do • lançamento, sem embargo das hipóteses de lançamento por homologação segundo as quais o sujeito passivo antecipa o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, de forma que a autoridade tomando conhecimento da atividade desenvolvida pelo obrigado, expressamente o homologa (o lançamento), nos termos da definição legal prevista no artigo 150 do CTN; 5.4 afirma que no caso em espécie não estamos diante de um tipo de tributo cujo lançamento deva ocorrer por homologação, haja vista que naquela modalidade a autoridade homologa o lançamento quando se cientifica da atividade exercida pelo contribuinte, ou seja, o domínio das informações é do contribuinte obrigado, não da autoridade, que só homologa quando dispõe das informações repassadas pelo contribuinte, sendo que no presente caso é a autoridade (Alftindega do Porto de Fortaleza) que detém todas as • informações, de forma impossibilitar qualquer pagamento antecipado por parte da interessada, antes de notificada pela mesma; 5.5 Destaca trecho do comentário de Luciano Amaro, afirma que é o lançamento ex-oficio por parte da autoridade que melhor vem se adequar ao caso, cabendo à autoridade fiscalizadora o controle das requisições e presença da fiscalização, que no caso é a própria ocorrência do fato gerador, pelo que não há como o particular contribuinte antecipar-se ao pagamento para ulterior homologação; 5.6 declara que como poderia a CEARÁPORTOS determinar o período em que a fiscalização deveria ficar à disposição do gterminal se o poder de polícia Alfándega é autónomo e sem 3 ' Processo n° : 11131.001448/2002-41 Acórdão n° : 303-32.784 restrições ? Lembramos que a impugnante apenas informava a existência de embarcações advindas do exterior em suas instalações, por ser seu dever legal, porém jamais coube à CEARAPORTOS ditar prazos de permanência da Alfándega em suas instalações, pelo simples fato do poder de fiscalização desta não se encontrar adstrito às determinações de qualquer titular de instalação alfandegada, pois a fiscalização opera ex vi legis." Finalizando a sua manifestação de inconformidade, o contribuinte requer o acolhimento de sua manifestação para que seja deferida a restituição dos valores pagos a titulo de multa e encargos moratórios, devendo ser acrescidos os juros compensatórios previstos no art. 38 da IN SRF n° 210/2002. A DRF de Julgamento em Fortaleza - CE, através do Acórdão N° 4.479 de 31 de maio de 2004, manteve por unanimidade de votos o indeferimento do pedido de restituição, conforme a seguir se transcreve e adoto, em razão de já ter sido relatado com bastante clareza e fidelidade o voto brilhantemente conduzido pelo 411 AFRF Luis Carlos Maia Cerqueira: "Atendidos aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972 e suas posteriores alterações, no que tange a tempestividade e legitimidade, a impugnação deve ser conhecida. A Instrução Normativa SRF n° 048, de 23 de agosto de 1996 estabeleceu critérios de ressarcimento ao FUNDAF, referentes às despesas administrativas decorrentes das atividades extraordinárias da fiscalização aduaneira prestadas em portos organizados, como é o caso da lide, bem como das prestadas em instalações portuárias, silos e tanques alfandegados. Vejamos alguns dispositivos da referida Instrução Normativa aplicáveis à lide: • Art. 1° A titulo de ressarcimento das despesas administrativas decorrentes das atividades extraordinárias da fiscalização aduaneira, aplica-se aos portos organizados e instalações portuárias, a partir da data de publicação do ato de alfandegamento, o disposto no art. 566 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n°91.030, de 5 de março de 1985, conforme previsto no art. 22 do Decreto-lei n°1.455, de 7 de abril de 1976. § 1° O pagamento das despesas de que trata o caput deste artigo será efetuado de acordo com os seguintes valores: 1 - R$ 582,00, por solicitação diária da presença da fiscalização iaduaneira ( alfandegamento 'tufo extraordinário); 4 Processo n° : 11131.001448/2002-41 Acórdão n° : 303-32.784 Art. 30 O pagamento ao FUNDAF devido pelas administradoras de portos organizados, instalações portuárias, silos e tanques alfandegados, relativo a cada mês, deverá ser efetuado até o décimo dia do mês subseqüente ao da ocorrência dos fatos que geraram o débito, em qualquer agência bancária integrante da Rede Arrecadadora de Receitas Federais da jurisdição fiscal dos mencionados locais alfandegados, por meio de Documento de Arrecadação de Receitas Federais — DARF, emitido em três vias, conforme modelo aprovado pela Instrução Normativa RF n° 82, de 1° de outubro de 1991. § 1° A administradora fará a comprovação do pagamento mediante entrega da 3' via do DARF quitado, autenticada por carimbo e acompanhada do demonstrativo de cálculo do valor recolhido, até o quinto dia do efetivo pagamento, no setor de • controle aduaneiro da unidade da SRF com jurisdição sobre o local alfandegado. § 2° A unidade com jurisdição sobre os portos organizados e instalações portuárias alfandegados a título extraordinário deverão manter controle das requisições de presença da fiscalização aduaneira referentes ao mês, com vista ao cumprimento do disposto neste artigo. § 3° Os pagamentos que forem efetuados a menor, bem como após a data de seu vencimento ficarão sujeitos às mesmas penalidades e aos acréscimos legais aplicáveis aos tributos e contribuições federais. Em análise à norma em destaque, percebe-se com relativa clareza que: 111 1. - Não se trata de tributo ou contribuição federal, e sim, de ressarcimento das despesas administrativas decorrentes das atividades extraordinárias da fiscalização aduaneira (Art. 1°, capuz); 2° - É de conhecimento público o valor a ser recolhido, sendo de R$ 582,00, por solicitação diária da presença da fiscalização aduaneira, quando se tratar de alfandegamento a titulo extraordinário (Art. 1°, § 1°, inciso I); 30 - É de conhecimento público que o pagamento ao FUNDAF devido pelas administradoras de portos organizados, como é o caso da interessada, relativo a cada mês, deverá ser efetuado até o décimo dia do mês subseqüente ao da ocorrência dos fatos que geraram o itdébito, em agência bancária e por eio de DARF (Art. 3°, caput); s Processo n° : 11131.001448/2002-41 Acórdão n° : 303-32.784 4° - A norma prevê que a administradora fará a comprovação do pagamento mediante entrega da 3° via do DARF quitado, autenticada por carimbo e acompanhada do demonstrativo de cálculo do valor recolhido, até o quinto dia do efetivo pagamento, no setor de controle aduaneiro da unidade da SRF com jurisdição sobre o local alfandegado, não estando previsto que este ato dependa ou esteja vinculado a qualquer prestação de informação por parte da unidade da SRF jurisdicionante. É evidente, que na condição de demandante dos serviços da fiscalização, a administradora do porto é sabedora da quantidade das solicitações diárias efetuadas por mês, ou pelo menos, deveria ser, pois sobre si recai a obrigação de proceder ao pagamento correspondente sem a participação da unidade da SRF jurisdicionante, não podendo aquela aduzir desconhecimento de seus próprios atos; 5° - O controle das requisições de presença da fiscalização aduaneira referentes ao mês, a ser mantido pela unidade com jurisdição sobre 111 o porto organizado a título extraordinário, visa ao cumprimento do pagamento ao FUNDAF, ou seja, que a unidade se certifique se a administradora do porto efetuou corretamente o pagamento de que trata a norma. O disposto no § 2° do art. 3° é perfeitamente coerente, considerando que diante da obrigação do pagamento por parte da empresa administradora do porto organizado, é óbvio que cabe à unidade da SRF jurisdicionante que mantenha controle das requisições dos serviços prestados por esta, caso contrário, de que forma a mesma poderia exigir o cumprimento do pagamento ao FUNDAF. Em suma, a medida visa um controle interno de forma a viabilizar o exercício da fiscalização sobre um ato de responsabilidade exclusiva da interessada, ou seja, a efetivação dos correspondentes pagamentos; 6° - Os valores objeto do pedido de restituição pagos a título de multa e juros em virtude do pagamento ter sido efetuado após a data • de seu vencimento estão previstos no artigo 3°, § 30 da aludida norma; 70 - Ao dispor que "Os pagamentos que forem efetuados a menor, bem como após a data de seu vencimento, ficarão sujeitos às mesmas penalidades e aos acréscimos legais aplicáveis aos tributos e contribuições federais", o texto do § 3° do artigo 3° da norma em epígrafe consolida o entendimento de que a receita inerente ao ressarcimento de despesas administrativas não se trata de tributo ou contribuição federal, pois se assim fosse desnecessário seria tal disposição. Verifica-se, portanto que a IN SRF n° 048/96 é esclarecedora quanto às questões trazidas à lide, entretanto, considerando que a interessada pautou sua arguneação no pressuposto de que a 6 Processo n° : 11131.001448/2002-41 Acórdão n° : 303-32.784 receita que suscitou os acréscimos legais objeto da lide tratava-se efetivamente de um tributo, utilizando-se, inclusive, de conceitos próprios destes, como lançamento, crédito tributário, fato gerador, dentre outros, convém que se aprecie mais especificamente tal alegação. Conforme já visto, cabe destacar que a receita em epígrafe destina- se ao ressarcimento ao fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização — FUNDAF, em decorrência das despesas administrativas decorrentes das atividades extraordinárias da fiscalização aduaneira prestadas em portos organizados e outros recintos alfandegados. O FUNDAF foi instituído pelo Decreto-Lei n° 1.437, de 17/12/1975, nos termos do seu artigo 6°, in verbis: "Art 6° Fica instituído, no Ministério da Fazenda, o Fundo • Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização — FUNDAF, destinado a fornecer recursos para financiar o reaparelhamento e reequipamento da Secretaria da Receita Federal, a atender aos demais encargos específicos inerentes ao desenvolvimento e aperfeiçoamento das atividades de fiscalização dos tributos federais e, especialmente, a intensificar a repressão às infrações relativas a mercadorias estrangeiras e a outras modalidades de fraude fiscal ou cambial, inclusive mediante a instituição de sistemas especiais de controle do valor externo de mercadorias e de exames laboratoriais." Da mesma forma, o referido Decreto-Lei previu em seus artigos 7° e 8° as receitas que constituem recursos do FUNDAF, conforme a seguir se transcreve: "Art. 7° Os recursos provenientes do fornecimento dos selos de controle, a que se refere o art. 3°, constituirão receita do FUNDAF • e à conta deste serão recolhidos ao Banco do Brasil S.A. Art. 8° Constituirão, também, recursos do FUNDAF: I — Dotações especificas consignadas na Lei de Orçamento ou em créditos adicionais; II — Transferências de outros fundos; III — Receitas diversas; e IV — Outras receitas que lhe forem atribuídas por Lei." Nos termos da legislação transcrita, percebe-se que o FUNDAF não é alimentado diretamente por alquer tributo e/ou contribuição fiscal. 7 Processo n° : 11131.001448/2002-41 Acórdão n° : 303-32.784 Outra evidência no sentido de que a receita em apreço não se trata de um tributo é a forma com que as normas se referem à mesma, tal como o artigo 22 do Decreto-Lei n° 1.455, de 07/04/1976 (norma que disciplinou o regime de entreposto aduaneiro), in verbis: "Art 22. O regulamento fixará a forma de ressarcimento pelos permissionários beneficiários, concessionários ou usuários, das despesas administrativas decorrentes de atividades extraordinárias de fiscalização, nos casos de que tratam os artigos 9° a 21 deste Decreto-lei, que constituirá receita do Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização - FUNDAF, criado pelo Decreto-lei número 1.437, de 17 de dezembro de 1975." No mesmo sentido, dispõe o artigo 4° do Decreto n° 1.912, de 21/05/1996 (norma que dispõe sobre o alfandegamento de portos organizados e instalações portuárias de uso público e de uso • privativo): "Art C. A título de ressarcimento das despesas administrativas decorrentes das atividades extraordinárias da fiscalização aduaneira, aplica-se aos portos organizados e instalações portuárias, a partir da data de publicação do ato de alfandegamento, o disposto no art. 566 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030, de 5 de março de 1985, conforme previsto no art. 22 do Decreto-lei n°1.455, de 7 de abril de 1976." Podemos citar ainda o artigo 723 do Decreto n° 4.543, de 26/12/2002, in verbis: "Art. 723. A remuneração devida ao Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização pelos permissionários ou concessionários de recintos alfandegados, e pelos beneficiários de regimes aduaneiros especiais ou aplicados • em áreas especiais, se for o caso, observará a legislação específica, inclusive as normas complementares editadas pela Secretaria da Receita Federal." Em se tratando de um ressarcimento das despesas administrativas decorrentes das atividades extraordinárias da fiscalização aduaneira, a receita em apreço não se encaixa no conceito de tributo, conforme dispõe o artigo 3° do Código tributário Nacional, que nos diz que "Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada" sendo que, nos termos do seu artigo 5°, "Os tributos são impostos, taxas e contribuições de melhoria.", ou seja, não constituindo a receita em apreço qualquer das formas previstas de tributo. Dif 8 Processo n° : 11131.001448/2002-41 Acórdão n° : 303-32.784 Restando claro que a receita em apreço não se caracteriza como tributo, toma-se sem efeito a argumentação do interessado, que entendendo tratar-se de um tributo, este não se sujeitaria ao lançamento por homologação, e sim, ao lançamento de oficio. Não há de se falar em lançamento na forma prescrita às receitas tributárias, e sim, a aplicação direta da IN SRF n° 048/96, a qual prevê o ressarcimento por parte da administradora do porto organizado, independentemente da prestação de qualquer informação da unidade jurisdicionante da Secretaria da Receita Federal. Assim, em observância ao § 3° do artigo 3° da IN SRF n° 048/96, e considerando que o pagamento a título de ressarcimento das despesas administrativas incorridas pela fiscalização no porto administrado pela interessada ocorreu somente após o seu vencimento, entendo que o pagamento da multa e juros objeto do pleito ocorreu em consonância com as normas legais, não cabendo o 110 deferimento do pedido de restituição. Portanto, com base nos fundamentos acima expostos e considerando a competência definida no art. 204 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 259, de 24 de agosto de 2001, c/c as Portarias SRF n° 1.514, de 23 de outubro de 2003, e, 1.780, de 26 de dezembro de 2003. VOTO no sentido de MANTER O INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, objeto do presente litígio, de que trata o despacho decisório de fls. 10/11. LUíS CARLOS MAIA CERQUEIRA - Auditor Fiscal da Receita Federal — Relator." Irresignada com essa decisão de primeira instância, a requerente, interpôs recurso voluntário a este terceiro Conselho, onde reapresenta os argumentos de defesa expendidos na impugnação a quo e, complementa suas razões afirmando, 411 em resumo, que: - ao se analisar de forma mais precisa a natureza jurídica do FUNDAF e suas disposições legais, verifica-se que os elementos estruturais dessa contribuição vêm sendo fixados por meio de Instruções Normativas; - assim, a cobrança do FUNDEF ofende de maneira explícita os princípios da legalidade estrita, da vinculação da tributação, reunindo dessa forma contornos de uma norma inconstitucional; - e que ao criar o FUNDEF, o Decreto-Lei 1.437/76, não determinou, seu fato gerador, não indicou sua base de cálculo e não fixou sua alíquota, restando apenas indicação de que eç4 realizado por intermédio de seu Regulamento; 9 ' Processo n° : 11131.001448/2002-41 Acórdão n° : 303-32.784 - transcreveu na íntegra a IN SRF 048/1996, e afirma que o Sr. Secretario da RF enfatizou que os pagamentos que fossem efetuados após a data de seu vencimento ficarão sujeitos às mesmas penalidades e aos acréscimos legais aplicáveis aos tributos e contribuições federais; - afirma, que se o controle de requisição e presença da Fiscalização nas dependências da requerente era de responsabilidade exclusiva da SRF, e devia ocorrer mensalmente, se fazendo, portanto, necessário para que o recolhimento fosse efetivado que o órgão arrecadador informasse mensalmente quais os valores que deveriam ser recolhidos, e que não pode o contribuinte ser penalizado pela não observância de um procedimento de cunho exclusivo da administração pública; - alega com base no artigo 142 do CTN que determina a competência privativa da autoridade aduaneira para constituir o crédito tributário, através do lançamento, sem embargo das hipóteses de lançamento por homologação; - em seguida exprime sobre o que diz ser um juizo categórico e • necessário para legitimidade do ato, o principio da legalidade, que não teria sido respeitado pela ação fiscal; - ao final requereu o provimento do recurso com a conseqüente restituição dos valores pagos à SRF a título de multa e encargos moratórios. É o relatório.IS • it) , Processo n° : 11131.001448/2002-41 Acórdão n° : 303-32.784 VOTO Conselheiro Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Relator Não assiste razão a recorrente para afirmar que analisando de forma mais precisa a natureza jurídica do FUNDAF e suas disposições legais, verificava que os elementos estruturais da contribuição estariam sendo fixados por meio de instruções normativas. Verifica-se que o FUNDAF foi instituído pelo Decreto-Lei n° 1.437, de 17/12/1975, nos termos do seu artigo 6°, in verbis: "Art 6° Fica instituído, no Ministério da Fazenda, o Fundo Especial lel de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização — FUNDAF, destinado a fornecer recursos para financiar o reaparelhamento e reequipamento da Secretaria da Receita Federal, a atender aos demais encargos específicos inerentes ao desenvolvimento e aperfeiçoamento das atividades de fiscalização dos tributos federais e, especialmente, a intensificar a repressão às infrações relativas a mercadorias estrangeiras e a outras modalidades de fraude fiscal ou cambial, inclusive mediante a instituição de sistemas especiais de controle do valor externo de mercadorias e de exames laboratoriais." Igualmente, o próprio Decreto-Lei que instituiu o FUNDAF, em seu artigo 9°, delegou poderes de gerencia para a Secretaria da Receita Federal, já sendo pacífico o entendimento junto ao poder judiciário, de que as Instruções Normativas são imprescindíveis para regulamentar e adequar devidamente o funcionamento dos mandamentos legais. 41 Nos termos da legislação de regência do FUNDAF anteriormente citada, percebe-se claramente que o mesmo não é alimentado diretamente por qualquer tributo e/ou contribuição fiscal. Outra evidência no sentido de que a receita em referência não se trata de um tributo é a forma com que as normas se referem à mesma, tal como o artigo 22 do Decreto-Lei n° 1.455, de 07/04/1976 (norma que disciplinou o regime de entreposto aduaneiro), quando reza literalmente em seu artigo 22: "Artigo 22. O regulamento fixará a forma de ressarcimento pelos permissionétrios beneficiários, concessionários ou usuários, das despesas administrativas decorrentes de atividades extraordinárias de fiscalização, nos casos de ue tratam os artigos 9° a 21° deste Decreto-Lei, que constitui receita do Fundo Especial de II (p • Processo n° : 11131.001448/2002-41 Acórdão n° : 303-32.784 Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização - FUNDAF, criado pelo Decreto-lei número 1.437, de 17 de dezembro de 1975." Nessa mesma esteira, dispõe o artigo 4° do Decreto n° 1.912, de 21/05/1996 (norma que dispõe sobre o alfandegamento de portos organizados e instalações portuárias de uso público e de uso privativo): "Artigo 4°. A título de ressarcimento das despesas administrativas decorrentes das atividades extraordinárias da fiscalização aduaneira, aplica-se aos portos organizados e instalações portuárias, a partir da data de publicação do ato de alfandegamento, o disposto no art. 566 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n°91.030, de 5 de março de 1985, conforme previsto no art. 22 do Decreto-lei n°1.455, de 7 de abril de 1976." Igualmente, é relevante que se transcreva, ainda, o artigo 723 do • Decreto n°4.543, de 26/12/2002, in verbis: "Artigo 723. A remuneração devida ao Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização pelos permissionários ou concessionários de recintos alfandegados, e pelos beneficiários de regimes aduaneiros especiais ou aplicados em áreas especiais, se for o caso, observará a legislação específica, inclusive as normas complementares editadas pela Secretaria da Receita Federal." Em se tratando de um ressarcimento das despesas administrativas decorrentes das atividades extraordinárias da fiscalização aduaneira, a receita em referência não se encaixa no conceito de tributo, conforme dispõe o artigo 3° do Código Tributário Nacional, quando prescreve que "Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade • administrativa plenamente vinculada" sendo que, nos termos do seu artigo 5°, "Os tributos são impostos, taxas e contribuições de melhoria.", ou seja, não constituindo a receita em apreço qualquer das formas previstas de tributo. Restando claro, pois, que a receita ora vergastada, não se caracteriza como tributo, tomando sem efeito a argumentação do recorrente, que entendendo tratar-se de um tributo, este não se sujeitaria ao lançamento por homologação, e sim, ao lançamento de oficio. Não há de se falar em lançamento na forma preconizada para as receitas tributárias, e sim, a aplicação direta da N SRF n° 048/96, a qual prevê o ressarcimento por parte da administradora do porto organizado, independentemente da prestação de qualquer informação da unidade jurisdicionante da Secretaria da Receita Federal. Como também, os valores à serem ressarcidos pelos serviços prestados são do conhecimento pleno de todo os que deles se utilizam, conforme se itudepreende do que se contém na IN SRF 48/96, a s ir transcrita: 12 ' Processo n° : 11131.001448/2002-41 Acórdão n° : 303-32.784 "Art. I° A titulo de ressarcimento das despesas administrativas decorrentes das atividades extraordinárias da fiscalização aduaneira, aplica-se aos portos organizados e instalações portuárias, a partir da data de publicação do ato de alfandegamento, o disposto no art. 566 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n°91.030, de 5 de março de 1985, conforme previsto no art. 22 do Decreto-lei n°1.455, de 7 de abril de 1976. § 1° O pagamento das despesas de que trata o caput deste artigo será efetuado de acordo com os seguintes valores: I - R$ 582,00, por solicitação diária da presença da fiscalização aduaneira ( alfandegamento a titulo extraordinário); Art. 300 pagamento ao FUNDAF devido pelas administradoras de • portos organizados, instalações portuárias, silos e tanques alfandegados, relativo a cada mês, deverá ser efetuado até o décimo dia do mês subseqüente ao da ocorrência dos fatos que geraram o débito, em qualquer agência bancária integrante da Rede Arrecadadora de Receitas Federais da jurisdição fiscal dos mencionados locais alfandegados, por meio de Documento de Arrecadação de Receitas Federais — DARF, emitido em três vias, conforme modelo aprovado pela Instrução Normativa RF n° 82, de 1° de outubro de 1991. § 1° A administradora fará a comprovação do pagamento mediante entrega da 3' via do DARF quitado, autenticada por carimbo e acompanhada do demonstrativo de cálculo do valor recolhido, até o quinto dia do efetivo pagamento, no setor de controle aduaneiro da unidade da SRF com jurisdição sobre o local alfandegado. • § 2° A unidade com jurisdição sobre os portos organizados e instalações portuárias alfandegados a titulo extraordinário deverão manter controle das requisições de presença da fiscalização aduaneira referentes ao mês, com vista ao cumprimento do disposto neste artigo. § 3° Os pagamentos que forem efetuados a menor, bem como após a data de seu vencimento ficarão sujeitos às mesmas penalidades e aos acréscimos legais aplicáveis aos tributos e contribuições federais" Ademais, não consta do processo em apreciação e julgamento, nenhum documento que possa comprovar ter o recorrente solicitado informação, qualquer que seja à SRF, como foi apenas afirmado, para que pudesse auxiliar na efetivação do pagamento correspondente. Mesmo porque, a quitação do valor da ocontra prestação desses serviços se operam atravp de DARF, para serem quitados na 13 Processo n° : 11131.001448/2002-41 Acórdão n° : 303-32.784 rede bancária oficial do país, e que deverão ser preenchidos pelos próprios contribuintes e não pela Secretaria da Receita Federal. Desta maneira, o controle que exerce a Secretaria da Receita Federal sobre os pagamentos devidos, tem a finalidade de controlar a arrecadação, como prevê as normas legais, e nunca para fazer a cobrança mensal, dever este dos contribuintes que utilizam os aludidos serviços. Assim, a cobrança da Multa de Mora por atraso no pagamento referente ao ressarcimento das despesas administrativas decorrentes das atividades extraordinárias da fiscalização aduaneira prestadas em Portos organizados (§ 3° do artigo 3° da IN SRF n° 048/96), deverá observar os critérios estabelecidos na legislação específica em vigor, e que se encontra legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Pagamentos efetuados após a data de seu vencimento ficarão sujeitos as mesmas penalidades legais aplicáveis aos tributos e contribuições federais, • respaldada no artigo 61, §§ 2° e 3° da Lei 9.430 de 27/12/96. Outrossim, não nos compete emitir juízo sobre a legalidade de norma tributária, prerrogativa exclusiva do poder judiciário. Portanto, com base nos fundamentos acima expostos considero descabida a pretensão da Recorrente que efetuando o pagamento para ressarcimento das despesas administrativas decorrentes das atividades extraordinárias da fiscalização aduaneira devidos, mesmo espontaneamente, foram feitos fora dos prazos de vencimentos, e portanto, acrescidos dos encargos legais, não cabendo o deferimento do seu pedido de restituição. Sala das Ses • -0 s, em 22 de fevereiro de 2006 ...- Aio 11, SILV‘ O M' ',BARCELOS FIÚZA - : elator 14 Page 1 _0004400.PDF Page 1 _0004500.PDF Page 1 _0004600.PDF Page 1 _0004700.PDF Page 1 _0004800.PDF Page 1 _0004900.PDF Page 1 _0005000.PDF Page 1 _0005100.PDF Page 1 _0005200.PDF Page 1 _0005300.PDF Page 1 _0005400.PDF Page 1 _0005500.PDF Page 1 _0005600.PDF Page 1

score : 1.0
4698704 #
Numero do processo: 11080.011389/2002-62
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2003
Ementa: RESPONSABILIDADE LEGAL TRIBUTÁRIA - FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE - O imposto de renda de pessoa física é devido no momento da percepção dos rendimentos. Na hipótese de falta ou inexatidão de recolhimento do imposto devido na fonte, a ação fiscal deverá ser contra a fonte pagadora dos rendimentos, autora da infração tributária. Recurso negado.
Numero da decisão: 106-13459
Decisão: Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos a Conselheira Luiz Antonio de Paula (Relator) e Thaisa Jansen Pereira, que davam provimento parcial ao recurso para excluir a imposição fiscal referente aos valores de retenção do ano de 2002. Designada a Conselheira Sueli Efigênia Mendes de Britto para redigir o voto vencedor.
Matéria: IRF- ação fiscal- ñ retenção/recolhim. (rend.trib.exclusiva)
Nome do relator: Luiz Antonio de Paula

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : IRF- ação fiscal- ñ retenção/recolhim. (rend.trib.exclusiva)

dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 200308

ementa_s : RESPONSABILIDADE LEGAL TRIBUTÁRIA - FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE - O imposto de renda de pessoa física é devido no momento da percepção dos rendimentos. Na hipótese de falta ou inexatidão de recolhimento do imposto devido na fonte, a ação fiscal deverá ser contra a fonte pagadora dos rendimentos, autora da infração tributária. Recurso negado.

turma_s : Sexta Câmara

dt_publicacao_tdt : Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2003

numero_processo_s : 11080.011389/2002-62

anomes_publicacao_s : 200308

conteudo_id_s : 4197427

dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 106-13459

nome_arquivo_s : 10613459_134122_11080011389200262_021.PDF

ano_publicacao_s : 2003

nome_relator_s : Luiz Antonio de Paula

nome_arquivo_pdf_s : 11080011389200262_4197427.pdf

secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos a Conselheira Luiz Antonio de Paula (Relator) e Thaisa Jansen Pereira, que davam provimento parcial ao recurso para excluir a imposição fiscal referente aos valores de retenção do ano de 2002. Designada a Conselheira Sueli Efigênia Mendes de Britto para redigir o voto vencedor.

dt_sessao_tdt : Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2003

id : 4698704

ano_sessao_s : 2003

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:26:20 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713043177292693504

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-26T18:25:09Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-26T18:25:09Z; Last-Modified: 2009-08-26T18:25:09Z; dcterms:modified: 2009-08-26T18:25:09Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-26T18:25:09Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-26T18:25:09Z; meta:save-date: 2009-08-26T18:25:09Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-26T18:25:09Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-26T18:25:09Z; created: 2009-08-26T18:25:09Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; Creation-Date: 2009-08-26T18:25:09Z; pdf:charsPerPage: 1406; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-26T18:25:09Z | Conteúdo => - . • ..?"1:ra MINISTÉRIO DA FAZENDA 14;: -4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA "'ic., •:-' e Processo n°. : 11080.011389/2002-62 Recurso n°. : 134.122 Matéria : IRF - Ex(s): 1998 a 2002 Recorrente : SOCIEDADE PORTUGUESA DE BENEFICÊNCIA Recorrida : 1° TURMA/DRJ em PORTO ALEGRE - RS Sessão de : 13 DE AGOSTO DE 2003 Acórdão n°. : 106-13.459 RESPONSABILIDADE LEGAL TRIBUTÁRIA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE - O imposto de renda de pessoa física é devido no momento da percepção dos rendimentos. Na hipótese de falta ou inexatidão de recolhimento do imposto devido na fonte, a ação fiscal deverá ser contra a fonte pagadora dos rendimentos, autora da infração tributária. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por SOCIEDADE PORTUGUESA DE BENEFICÊNCIA. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Luiz Antonio de Paula (Relator) e Thaisa Jansen Pereira, que davam provimento parcial ao recurso para excluir a imposição fiscal referente aos valores de retenção do ano de 2002. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Sueli Efigênia Mendes de Britto. , Ar .. .. DORIV j 'ADOVAi P R ESt E,o 14 it ',i IA M ‘IES DE BRITTO trk s.,TO - A DESIGNADA FORMALIZADO EM: 26 FEV 2004 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 11080.011389/2002-62 Acórdão n° : 106-13.459 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ROMEU BUENO DE CAMARGO, ORLANDO JOSÉ GONÇALVES BUENO, EDISON CARLOS FERNANDES e WILFRIDO AUGUSTO MARQUES. .l» _ e 1 1 I I ãa -a e i I 1 -=í 2 -a a -E I I A 1 I E ! E 1 -e 1 -; ._ 2 "- I -E E ;= I - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 11080.011389/2002-62 Acórdão n° : 106-13.459 Recurso n°. : 134.122 Recorrente : SOCIEDADE PORTUGUESA DE BENEFICÊNCIA RELATÓRIO Sociedade Portuguesa de Beneficiência, já qualificada nos autos, inconformada com a decisão de primeiro grau de fls. 317/322, prolatada pelos Membros da 1 8 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre - RS, recorre a este Conselho pleiteando a sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário de fls. 329/332. Contra a contribuinte acima mencionada foi lavrado, em 19/08/2002, o Auto de Infração — Imposto de Renda Retido na Fonte de fls. 53/66, exigindo-se o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 295.358,99, sendo: R$ 149.653,19 de imposto, R$ 33.466,74 de juros de mora (calculados até 31/07/2002), R$ 112.239,06 de multa de oficio (75%), referente aos períodos de apuração de abril de 1999 a junho de 2002. Da ação fiscal resultou a constatação das seguintes irregularidades: 1) FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE TRABALHO ASSALARIADO. Não efetuou os recolhimentos do Imposto de Renda Retida na Fonte, incidente sobre o pagamento de salários (folha de pagamento e reclamatória trabalhista), conforme descrito no Relatório de Atividade Fiscal e planilhas, parte integrante do Auto de Infração. - Fatos Geradores: de abril de 1999 a junho de 2002. -19 3 tfr MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 11080.011389/2002-62 Acórdão n° : 106-13.459 - Enquadramento Legal: Arts. 620, 621, 624, 625, 626, 636, 637, 638, 641 a 646, do RIR/99, c/c art. 21 da Lei n° 9.887/99. - Multa = 75% 2) TRABALHO SEM VÍNCULO DE EMPREGO - FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE TRABALHO SEM VÍNCULO DE EMPREGO. Não efetuou o recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte, incidente sobre pagamentos de serviços prestados por pessoas físicas sem vínculo de emprego, nos termos do Relatório de Atividade Fiscal e planilhas anexo, parte integrante do Auto de Infração. - Fatos Geradores: janeiro de 2000 a junho de 2002 - Enquadramento Legal: Arts. 620, 628, 629, 630, 641 a 644 e 646, do RIR199, c/c art. e 21 da Lei n° 9.887/99.E e - Multa de ofício: 75% 3) IMPOSTO DE RENDA NA FONTE - FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRF. Não efetuou o recolhimento do Imposto de Renda na Fonte, incidente sobre pagamentos de serviços prestados por pessoas jurídicas, conforme descrito no Relatório de Atividade Fiscal e planilhas anexas ao Auto de Infração. - Fatos Geradores: Janeiro de 2000 a junho de 2002 - Enquadramento Legal: Arts. 647, 648, 649,650, 717, 865 do RIR199. - Multa de Oficio: 75% A autuada irresignada com o lançamento, por intermédio de seu advogado, apresentou tempestivamente (19109/2002) a sua peça impugnatória de fls. 308/310 cujos argumentos foram resumidos pela relatora à fl. 319. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 11080.011389/2002-62 Acórdão n° : 106-13.459 Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, os Membros da 1° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre - RS , acordaram, por unanimidade de votos, JULGAR PROCEDENTE o lançamento, nos termos do relatório e voto (Acórdão DRJ/POA/N° 1669, de 25 de outubro de 2002), fls. 317/322. A ementa que consubstancia a r.decisão de primeira instância é a seguinte: "Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF IRRF RETIDO E NÃO RECOLHIDO. RESPONSABILIDADE E PENALIDADE. Ocorrendo a retenção e o não recolhimento do imposto, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, devendo o contribuinte oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto retido. IRRF. RESPONSABILIDADE ()NUS DA PROVA. Cabe à fonte pagadora provar que o beneficiário incluíra os rendimentos em sua declaração, para que cesse sua responsabilidade pelo recolhimento do imposto. IRRF. O Imposto de renda incide, na fonte e na declaração de rendimentos anual, quando da efetiva percepção dos rendimentos pela pessoa física rregime de caixas). REMISSÃO DE DIVIDA TRIBUTÁRIA. - O artigo 172 do Código Tributário Nacional estabelece a necessidade de lei para a concessão de remissão total ou parcial do crédito tributário. A atividade fiscal é plenamente vinculada, não podendo a autoridade administrativa agir senão no estrito cumprimento do dever legal. Lançamento Procedente." Cientificada dessa decisão em 11/11/2002 ("AR" - fl. 328), e, com ela não se conformando, a recorrente, por intermédio de seu advogado, interpôs em tempo -192 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 11080.011389/2002-62 Acórdão n° : 106-13.459 hábil (04/12/2002), o recurso voluntário de fls. 329/332, no qual demonstrou sua inconformidade, que em apertada síntese, pode assim ser resumido: -como alicerce básico de sua inconformidade, tem que há equívoco, por falta até de juridicidade, na alegação reportada no r. Acórdão, relativa a negativa de considerar a possibilidade de estar o fisco federal cobrando, em duplicidade, valores que ele pagou a beneficiário, pessoa física, sem retenção, e por conseqüência, sem o recolhimento; -o ônus probatório escapa de ser alcance; -este é o caso evidente da prova que está à disposição do fisco, ou seja, a autoridade que detém a comprovação de tal alegação ou fato, ou seja, se o beneficiário incluiu em suas declarações de ajustes anuais. E, se isso tiver ocorrido, já ficou suprida a obrigatoriedade de tributação; -deve ser determinada a realização de diligência pela Receita Federal no sentido de averiguar se o beneficiário dos rendimentos em foco (Sr. Nenami Tromka) incluiu-os, ou não, em suas declarações, pois essa providência é essencial à comprovação de que a cobrança aqui atacada é legal e justa, quando não esteja ocorrendo sobre valores já tributados; De outra parte, no que se refere aos valores retidos, contabilmente registrados e não recolhidos aos cofres públicos, novamente apela para a consecução do que está previsto no artigo 122 do CTN, seja deferida a remissão da penalidade, levando-se em conta a sua situação especial, entidade assistencial de saúde, que atende, precipuamente, a paciente do SUS, cujas dificuldades financeiras decorrem em parte, da irrisória remuneração que a União fixa para remunerar tais serviços. Às fls. 335/338 e 342/383 1350/1367, constam procedimentos administrativos do arrolamento de bens, para seguimento do recurso voluntário, conforme despacho de fl. 389. ii/1# 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 11080.011389/2002-62 Acórdão n° : 106-13.459 É o Relatório. -a 1 g • 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 11080.011389/2002-62 Acórdão n° : 106-13.459 VOTO VENCIDO Conselheiro LUIZ ANTONIO DE PAULA, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo art. 33 do Decreto n° 70.235 de 06 de março de 1972, tendo sido interposto por parte legítima, razão porque dele tomo conhecimento. Do relatório, verifica-se que o objeto da autuação, é a falta de recolhimento do IRRF, sobre: 1) Trabalho Assalariado: a) incidente sobre folha de pagamento; b)decorrente de reclamatória trabalhista. 02) Trabalho sem vinculo de emprego prestados por pessoas físicas 03) Pagamentos de serviços prestados por pessoas jurídicas. TRABALHO ASSALARIADO E SEM VÍNCULO DE EMPREGO. É pacifico que os valores que foram pagos aos funcionários da recorrente sob a denominação de salários, constituem, a meu ver, verdadeiros rendimentos pagos, sendo, portanto, tributáveis de imediato à época do seu recebimento. Também é mister esclarecer que no sistema de retenção na fonte, a pessoa obrigada a satisfazer a obrigação, a principio, é a pessoa que lhe atribuiu esse rendimento. Assim, a lei elegeu a fonte pagadora do rendimento para sujeito passivo da obrigação. Desta forma, a princípio, rendimentos recebidos (salários), integra o rol de rendimentos sujeitos a incidência por antecipação, ou seja, a tributação na fonte dá- s y MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 11080.01138912002-62 Acórdão n° : 106-13.459 se por antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual, de cujo imposto apurado será deduzido o pago na fonte. Sendo que a obrigação da fonte pagadora é a de recolher o imposto de renda na fonte. Por outro lado, é obrigação do beneficiário declarar o rendimento auferido e pagar o imposto apurado na declaração de ajuste anual, compensando o imposto retido quando tiver ocorrido a retenção. Assim sendo, não se justifica, a manutenção da exigência à fonte pagadora, pois representa simples antecipação do tributo devido pelas pessoas físicas envolvidas no caso em questão. Como também é entendimento deste relator, que se a previsão da tributação na fonte dá-se por antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual de rendimentos, e se a ação fiscal ocorrer após a entrega desta declaração anual, descabe a constituição de crédito tributário por intermédio do lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. O lançamento, a título de imposto de renda, deverá ser efetuado em nome dos beneficiários dos rendimentos, e, no caso em questão, serão os relativos aos períodos de apuração de 1999, 2000, 2001. Entretanto, deve ser mantida a exigência do imposto de renda retido na fonte e não recolhido pela fonte pagadora para os períodos de apuração de 2002, pois a ação fiscal ocorreu antes da entrega da Declaração de Ajuste Anual dos beneficiários (exercício 2003, ano-calendário 2002). Esse também é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que peço vênia para, neste ponto, transcrever parte do recente Acórdão de junho de 2003, de autoria do Conselheiro José Clóvis Alves, que traz elucidações de bastante valia para este processo: , (fi MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 11080.011389/2002-62 Acórdão n° : 106-13.459 A conclusão correta sobre o tema é aquela que consta do acórdão recorrido, pois a partir da conclusão do fato gerador anual, os rendimentos sujeitos à declaração de ajuste saem da esfera de incidência na fonte e passam à esfera de incidência anual de responsabilidade única, exclusiva e total da pessoa física beneficiária, ficando a pagador sujeita somente à multa prevista na legislação pelo não cumprimento da obrigação legal de reter e recolher o imposto na fonte" Novamente, em grau recursal vem a recorrente apelar para a consecução do que está previsto no artigo 172 do Código Tributário Nacional — Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966— CTN (apesar de ter sido mencionado o artigo 122), ser deferida a remissão da penalidade, levando-se em conta a sua situação especial (entidade assistencial de saúde, que atende, precipuamente, a paciente do SUS). Cabe aqui ressaltar que, o artigo 172 do CTN trata da remissão do crédito tributário. Remissão é perdão. É dispensa do pagamento de um crédito. Pode ser total, caso em que extingue totalmente o crédito tributário, ou parcial, caso em que representa apenas uma diminuição do seu montante. Também a remissão, para que possa ser concedida pela autoridade administrativa, deve estar expressamente autorizada em lei, e somente pode ser concedida nos exatos limites do texto legal. Os fundamentos a que a lei deve atender, quando dispuser sobre remissão de créditos tributários, estão elencados nos incisos do art. 172. Assim, não cabe a autoridade julgadora a concessão de remissão. De todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para excluir a exigência fiscal em relação aos períodos de 1999, 2000 e 2001, mantendo-se em relação aos períodos de apuração de 2002. Sala das Sessões - DF, em 13 de agosto de 2003. A9.11ea- LUIZ ANTONIO DE PAULA 91:5 io MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 11080.011389/2002-62 Acórdão n° : 106-13.459 VOTO VENCEDOR Conselheira SUELI EFIGÉNIA MENDES DE BRITTO, Relatora designada Em que pese a argumentação expendida pelo ilustre Conselheiro Relator, entendo que a responsabilidade do pagamento do imposto de renda, no caso em pauta, é da fonte pagadora. Para o devido exame da matéria, preliminarmente, analiso as regras aplicáveis ao imposto sobre a renda fixadas pela Lei n° 5.172/66, Código Tributário Nacional, nos seguintes dispositivos: Art. 16. Imposto é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal especifica, ao contribuinte. Art. 43 - O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, de renda ou de proventos tributáveis. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1°A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. II MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 11080.01138912002-62 Acórdão n° : 106-13.459 Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente á sua ocorrência. Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considera-se ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I — tratando-se de situação de fato, desde o momento em que verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II — tratando-se da situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. (grifos não são do original) Desse conjunto de normas extrai-se: a)a obrigação principal só existe com a ocorrência do fato gerador; b)o fato gerador do imposto sobre a renda nasce com a disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou proventos de qualquer natureza; c)o momento da ocorrência do fato gerador é aquele definido em lei; d)com o pagamento do imposto extingue-se a obrigação tributária principal. Por óbvio, o sujeito ativo da obrigação tributária só pode exigir imposto do sujeito passivo na ocorrência do fato gerador. A normas legais que disciplinam a incidência do imposto de renda, vigentes a época do fato gerador (art. 144 do CTN ), encontram-se inseridas no Regulamento do Imposto Sobre a Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99, as quais passo a comentar. Os rendimentos auferidos pela pessoa física estão sujeitos ao imposto de renda sob duas formas de tributação, num primeiro momento — na percepção do rendimento: 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 11080.011389/2002-62 Acórdão n° : 106-13.459 Art. 2° - As pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil, titulares de disponibilidade económica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, inclusive rendimentos e ganhos de capital, são contribuintes do imposto de renda, sem distinção da nacionalidade, sexo, idade, estado civil ou profissão (Leis ns. 4.506, de 30 de novembro de 1964, art. 1°, 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 43, e 8.383, de 30 de dezembro de 1991, art. 4°). § 1° - São também contribuintes as pessoas físicas que perceberem rendimentos de bens de que tenham a posse como se lhes pertencessem, de acordo com a legislação em vigor (Decreto-lei n° 5.844, de 23 de setembro de 1943, art. 1°, parágrafo único, e Lei n° 5.172 de 1966, art. 45). § 2° - O imposto será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 93 (Lei n° 8.134, de 27 de dezembro de 1990, art. 2°). Num segundo momento — apurado e calculado na Declaração de Ajuste Anual: Art. 85— Sem prejuízo do disposto no § 2° do art. 2°, a pessoa física deverá apurar o saldo em Reais do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos durante o ano - calendário (Lei n° 9.250, de 1995, art. 7°). (grifos não são do original) Registro, por ser oportuno, que a norma legal é clara no sentido de que recolhimento de imposto, via declaração, só é permitida para SALDO de imposto. Isso significa, para aqueles rendimentos que por autorização legal escaparam da tributação mensal. Essa norma, aliás, está em perfeita consonância com a regra do art. 7° do Decreto-lei n° 1.968 de 23/12/82, ainda em vigência, no sentido de que: A falta ou insuficiência de recolhimento de imposto ou de quota nos prazos fixados, apresentada ou não a declaração de rendimentos, sujeitará o contribuinte à multa de mora de 20% ou a multa de lançamento ' rex officio; acrescida, em qualquer dos casos, de juros de mora. 54" 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 11080.011389/2002-62 Acórdão n° : 106-13.459 As normas que deram origem a essa sistemática estão consignadas nas Leis n°7.713/88 e 8.134/90. Pela primeira (art. 2°), o imposto passou a ser devido mensalmente à medida em que os rendimentos e ganhos de capital fossem percebidos. Pela segunda (art. 2°), foi excluída a palavra mensalmente e incluída a frase, sem prejuízo do ajuste estabelecido no artigo 11, e no art. 9° foi "ressuscitada" a obrigação da pessoa física apresentar anualmente a declaração de rendimentos, para determinar o saldo do imposto a pagar ou a restituir. As modificações introduzidas por essa última norma, não afetaram a obrigação principal de pagar o imposto de renda no momento da percepção do rendimento. Portanto, para apuração de imposto o legislador manteve o regime de caixa. Posteriormente a Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, devolveu o critério de apuração mensal ao determinar que: Art. 50 - A partir de primeiro de janeiro do ano —calendário de 1992, o imposto de renda incidente sobre os rendimentos de que tratam os arts. 7°, 8° e 12 da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, será calculado de acordo com a seguinte tabela progressiva: Parágrafo único — O imposto de que trata esse artigo será calculado sobre os rendimentos mensais efetivamente recebidos em cada mês. (grifei) Art. 12 — As pessoas físicas deverão apresentar anualmente declaração de ajuste, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou o valor a ser restituído. Mais tarde, a Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, manteve o indicado critério (art. 2°, parágrafo único), e pelo art. 70 determinou a apuração em Reais do saldo de imposto a pagar ou a restituir. 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 11080.011389/2002-62 Acórdão n° : 106-13.459 Essas normas legais confirmam o raciocínio, anteriormente registrado, de que a previsão de ajuste na declaração anual tem por objetivo trazer a tributação aqueles rendimentos que legalmente, no momento do recebimento, deixaram de ser tributados. Incide nessa hipótese, o contribuinte que recebe remuneração de duas ou mais fontes pagadoras que, consideradas isoladamente, ficaram abaixo do limite de isenção e quando somadas no final do ano-calendário, sujeitam-se ao imposto de renda. Desse breve histórico, conclui-se que a declaração de rendimentos entregue depois do encerramento do ano - calendário, ou seja, no início do exercício seguinte, não é o documento próprio para OFERECER rendimentos à tributação, e caso o contribuinte o faça caracteriza postergação do PAGAMENTO DE IMPOSTO, ficando, inclusive, sujeito a aplicação da multa isolada fixada pelo art. 80, inciso I da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996. Insisto, todas essas normas legais são no sentido de que todo rendimento percebido pelo contribuinte durante o ano — calendário, superior ao limite mensal de isenção, sofrerá o ônus do imposto que deve ser recolhido até o mês seguinte ao de sua percepção. Não havendo a retenção ou antecipação e o conseqüente pagamento do imposto caracterizada está a INFRAÇÃO à legislação tributária. O legislador não deixou margem alguma para que se pudesse entender que, não havendo tributação no mês da percepção, o contribuinte DEVE ou PODE tributar anualmente os rendimentos percebidos nos doze meses do ano - calendário. Assim sendo, os rendimentos sofrem mensalmente a incidência do imposto de renda que, por determinação legal, deverá ser retido e recolhido pela fonte pagadora. Esta responsabilidade está fixada no Livro III — Imposto de Renda na Fonte, Capítulo VII — Retenção e Recolhimento, do já mencionado regulamento: 15 r2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 11080.011389/2002-62 Acórdão n° : 106-13.459 Art. 717. Compete à fonte reter o imposto de que trata este Título, salvo disposição em contrário ( Decreto-Lei n°5.844, de 1943, arts. 99 e 100, e Lei n°7.713, de 1988, art. 7°, § Essa obrigação legal produz o seguinte efeito: o beneficiário do rendimento suporta o ônus do imposto, contudo, o sujeito passivo da obrigação tributária passa a ser a FONTE PAGADORA, como se depreende das seguintes normas do Código Tributário Nacional: Art. 45 — Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o art. 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz-se: I — contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II- responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste Capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.(grifei) Por sua vez, o beneficiário do rendimento só assumirá a posição de sujeito passivo do imposto quando, ao levar a totalidade dos rendimentos percebidos durante o ano-calendário para a declaração de ajuste anual, apurar suplemento de imposto a pagar. 0 iZ 16 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 11080.011389/2002-62 Acórdão n° : 106-13.459 Acolher a hipótese de que o beneficiário do pagamento tem a obrigação de oferece-los a tributação na declaração anual seria admitir, por mais absurdo que pareça, que o legislador ao ressuscitar a DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL, buscou proporcionar ao contribuinte uma oportunidade de acertar situações irregulares ou, ainda, de remediar infrações à legislação tributária, praticadas durante o ano-calendário. Retornando as disposições legais que integram o R.I.R/99. Art. 722. A fonte pagadora fica obrigada ao recolhimento do imposto, ainda que não o tenha retido (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 103). Parágrafo único. No caso deste artigo, quando se tratar de imposto devido como antecipação e a fonte pagadora comprovar que o beneficiário já incluiu o rendimento em sua declaração, aplicar-se-á a penalidade prevista no art. 957, além dos juros e multa de mora pelo atraso, calculados sobre o valor do imposto que deveria ter sido retido, sem obriqatoriedade do recolhimento deste. Art. 842. Quando houver falta ou inexatidão de recolhimento do imposto devido na fonte, será iniciada a ação fiscal, para a exigência do imposto, pela repartição competente, que intimará a fonte ou o procurador a efetuar o recolhimento do imposto devido, com o acréscimo da multa cabível, ou a prestar, no prazo de vinte dias, os esclarecimentos que forem necessários, observado o disposto no parágrafo único do art. 722. (Lei n°2.862, de 1956, art. 28, e Lei n° 3.470, de 1958, art. 19)." (grifos não são do original) Primeiramente, faz-se necessário analisar a matriz legal do art. 722 que está no Decreto-lei n° 5.844/43, no capitulo III - Do recolhimento do imposto, nos seguintes artigos: Art. 101. As pessoas obrigadas a reter o imposto compete o recolhimento às repartições fiscais. 17 . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 11080.011389/2002-62 Acórdão n° : 106-13.459 Art. 102. O recolhimento do imposto será efetuado dentro do prazo de 30 dias contados da data em que se tornou obrigatória a retenção pela fonte, ou pelo procurador do residente ou domiciliado no estrangeiro. Art. 103. Se a fonte ou o procurador não tiver efetuado a retenção do imposto, responderá pelo recolhimento deste, como se não houvesse retido. Art. 104. O recolhimento do imposto pela fonte ou pelo procurador será feito por meio de guia própria. De imediato, percebe-se que o parágrafo único do art. 722, anteriormente copiado, é criação do REGULAMENTO, e isso fere a garantia constitucional esculpida no art. 5 0 , inciso II da Constituição Federal de 1988 de que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de leÉ Hely Lopes Meirelles, em seu livro Direito Administrativo Brasileiro, editora Revista dos Tribunais, 7' Edição, pág. 106, ensina que: Regulamento é ato administrativo geral e normativo expedido privativamente pelo Chefe do Poder Executivo (federal, estadual, municipal), através de decreto, com o fim de explicar o modo e a forma de execução da lei (regulamento de execução), ou prover situações não disciplinadas em lei (regulamento autónomo ou independente). O regulamento não é lei, embora a ela se assemelhe no conteúdo e no poder normativo. Nem toda lei depende de regulamento para ser executada, mas toda e qualquer lei pode ser regulamentada se o Executivo julgar conveniente fazê-lo. Sendo o regulamento, na hierarquia das normas, ato inferior à lei, não a pode contrariar, nem restringir ou ampliar suas disposições. Sb lhe cabe explicitar lei, dentro dos limites por ela traçados. Na omissão da lei o regulamento supre a lacuna que o legislador compete os claros da legislação. Enquanto não o fizer, vige o regulamento, desde que não invada matéria reservada á leL Na página 156 da citada obra, o reconhecido autor conclui: No que o regulamento infringir ou extravasar da lei, é irrito e nulo. 18 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 11080.011389/2002-62 Acórdão n° : 106-13.459 Disso se extrai, que a disposição do parágrafo único do art. 722 é ineficaz. Assim podemos concluir que: a) a pessoa jurídica pagadora dos rendimentos é o sujeito passivo do imposto de renda incidente na fonte, na qualidade de responsável; b) independentemente de ter feito a retenção está obrigada a recolher o valor do imposto devido. Na letra "a" temos a regra: o responsável pelo recolhimento do imposto é a fonte pagadora, e o devedor originário, isto é aquele que tem relação direta com o fato imponivel, suporta o ónus do tributo. Na letra "b", temos a exceção: a fonte pagadora que normalmente está na posição de sujeito passivo como responsável, continua sendo sujeito passivo, porém, na qualidade de contribuinte. As regras inseridas no art. 722 e 842, anteriormente copiadas, são claras: no caso do imposto deixar de ser retido ou quando a fonte pagadora assumir expressa ou tacitamente o seu ônus QUEM DEVE PAGAR O IMPOSTO É A FONTE PAGADORA • na qualidade de contribuinte. Aqui, ocorre o que a doutrina define como sujeição passiva por substituição, que no dizer de Rubens Gomes de Souza , em sua obra "Compêndio de Legislação Tributária", 3"• Edição, pág. 72, tem lugar, quando, em virtude de disposição expressa de lei, a obrigação tributária surge desde logo contra uma pessoa diferente daquela que esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio tributado: nesse caso é a própria lei que substitui o sujeito passivo direto por outro indireto. Dessa maneira, o responsável pelo recolhimento não é a pessoa que tira a vantagem económica do ato, fato ou negócio tributado, embora seja esta quem efetivamente suporta o ónus do encargo fr's/- 19 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 11080.011389/2002-62 Acórdão n° : 106-13.459 Esta posição, até o momento, é a mais apropriada para o caso aqui discutido e está defendida detalhadamente, pelo referido autor no livro Pareceres — volume 3 — Imposto de Renda — Edição Póstuma Coordenada pelo Instituto Brasileiros de Estudos tributários — 1975 — Editora Resenha tributária, páginas 270/ , nos seguintes termos: 3/3.2 — (..) A fonte pagadora não é simples auxiliar da autoridade administrativa de lançamento e na arrecadação do imposto: é o próprio devedor dele, ou seja, o sujeito passivo da obrigação principal, definido pelo art. 121 do CTN como "a pessoa obrigada ao pagamento do tributo" o parágrafo único desse artigo define duas figuras de sujeito passivo: a fonte pagadora oferece a condição sui qeneris de enquadrar-se em ambas essas figuras. 3/3.3: Com efeito: dispõe o art. 121 do CTN que o sujeito passivo se diz "contribuinte" quando tenha relação pessoal e direta com o fato gerador; e "responsável" quando, sem revestir a condição de contribuinte seja obrigado a pagar o tributo por disposição expressa de lei. Ora, a fonte pagadora certamente está no primeiro caso: sua relação pessoal e direta com o fato gerador do imposto de renda consiste em lhe dar causa, ao pagar ao beneficiado o rendimento, ou o provento sujeito ao imposto. Mas está também na segunda situação: o contribuinte do imposto de renda, normalmente seria o beneficiário do rendimento ou provento, ou seja, aquele a quem a fonte pagou; mas quanto a metodologia da tributação seja a agora em exame, a obrigação principal da fonte decorre de disposição expressa de lei : "a fonte pagadora(...) fica obrigada ao recolhimento do imposto, ainda que não o tenha retido (Dec. lei n° 5.844/43, art. 103..) (grifos não são do original) No caso em discussão, a fonte pagadora reteve e não recolheu o Imposto, dessa forma correto o lançamento nos termos em que foi feito. Quanto a remissão do crédito tributário, o art. 172 do C.T.N assim preceitua: 'Art. 172. A lei pode autorizar a autoridade administrativa a conceder, por despacho fundamentado, remissão total ou parcial do crédito tributário, atendendo:" 12 20 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 11080.011389/2002-62 Acórdão n° : 106-13.459 Assim, na falta de lei que autorize a remissão do crédito tributário para a hipótese tratada nos autos não há como concedê-la. Isso posto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das -ssões - DF, em 13 de agosto de 2003. " Ors. I fre • ME e 21 Page 1 _0004000.PDF Page 1 _0004100.PDF Page 1 _0004200.PDF Page 1 _0004300.PDF Page 1 _0004400.PDF Page 1 _0004500.PDF Page 1 _0004600.PDF Page 1 _0004700.PDF Page 1 _0004800.PDF Page 1 _0004900.PDF Page 1 _0005000.PDF Page 1 _0005100.PDF Page 1 _0005200.PDF Page 1 _0005300.PDF Page 1 _0005400.PDF Page 1 _0005500.PDF Page 1 _0005600.PDF Page 1 _0005700.PDF Page 1 _0005800.PDF Page 1 _0005900.PDF Page 1

score : 1.0
4699174 #
Numero do processo: 11128.000953/94-84
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2001
Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. VISTORIA ADUANEIRA. Cabe ao transportador a responsabilidade sobre a avaria de mercadoria, ocorrida em função de condições de conservação inadequadas durante o transporte. NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA.
Numero da decisão: 302-34.851
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cuco Antunes, relator, Luis Antonio Flora e Francisco Martins Leite Cavalcanti (Suplente) que davam provimento. Designada para redigir o acórdão a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 200107

ementa_s : RECURSO VOLUNTÁRIO. VISTORIA ADUANEIRA. Cabe ao transportador a responsabilidade sobre a avaria de mercadoria, ocorrida em função de condições de conservação inadequadas durante o transporte. NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA.

turma_s : Segunda Câmara

dt_publicacao_tdt : Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2001

numero_processo_s : 11128.000953/94-84

anomes_publicacao_s : 200107

conteudo_id_s : 4268276

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 21 00:00:00 UTC 2021

numero_decisao_s : 302-34.851

nome_arquivo_s : 30234851_118627_111280009539484_016.PDF

ano_publicacao_s : 2001

nome_relator_s : PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES

nome_arquivo_pdf_s : 111280009539484_4268276.pdf

secao_s : Terceiro Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cuco Antunes, relator, Luis Antonio Flora e Francisco Martins Leite Cavalcanti (Suplente) que davam provimento. Designada para redigir o acórdão a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.

dt_sessao_tdt : Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2001

id : 4699174

ano_sessao_s : 2001

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:26:27 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713043177296887808

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-07T00:31:47Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-07T00:31:47Z; Last-Modified: 2009-08-07T00:31:47Z; dcterms:modified: 2009-08-07T00:31:47Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-07T00:31:47Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-07T00:31:47Z; meta:save-date: 2009-08-07T00:31:47Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-07T00:31:47Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-07T00:31:47Z; created: 2009-08-07T00:31:47Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; Creation-Date: 2009-08-07T00:31:47Z; pdf:charsPerPage: 1309; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-07T00:31:47Z | Conteúdo => vl!,V At. ir. MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA PROCESSO N° : 11128.000953/94-84 SESSÃO DE : 04 de julho de 2001 ACÓRDÃO N° : 302-34.851 RECURSO N° : 118.627 RECORRENTE : LACHMANN AGÊNCIAS MARÍTIMAS S/A RECORRIDA : DRJ/SÃO PAULO/SP RECURSO VOLUNTÁRIO. VISTORIA ADUANEIRA. Cabe ao transportador a responsabilidade sobre a avaria de mercadoria, ocorrida em função de condições de conservação einadequadas durante o transporte. NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cuco Antunes, relator, Luis Antonio Flora e Francisco Martins Leite Cavalcanti (Suplente) que davam provimento. Designada para redigir o acórdão a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. Brasília-DF, em 04 de julho de 2001 _A% ENRIQU • "RADO MEGDA • Presidente ARUfrtEtteált)TTA CARDOeber Relatora Designada 30 ABR 202 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO, HÉLIO FERNANDO RODRIGUES SILVA e JORGE CIIMACO VIEIRA (Suplente). Ausente o Conselheiro PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR. Une • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 118.627 ACÓRDÃO N° : 302-34.851 RECORRENTE : LACHMANN AGÊNCIAS MARÍTIMAS S/A RECORRIDA : DRI/SÃO PAULO/SP RELATOR(A) : PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES RELATOR DESIG. : MARIA HELENA COTTA CARDOZO RELATÓRIO Retorna novamente o processo a esta Câmara para apreciação e julgamento, após realização de diligências determinadas pelas Resoluções n's 302- 0.859, de 22/08/97 (fls. 75/99) e 302-0.934, de 10/12/99 (fls. 149/155), cujos Relatórios e Votos, de ambas, adoto e reproduzo oralmente nesta oportunidade, deixando de aqui transcreve-los, devendo fazer parte integrante do presente julgado. (leitura fls. 75/99 e 149/155). Desta última diligência determinada pela Câmara, respondeu a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), às fls. 164, informando que: "A ABNT não emite pareceres a respeito da aplicação e interpretação das normas de sua autoria; todavia, anexamos uma relação das normas disponíveis que tratam do referido assunto com o objetivo de orientar os profissionais que farão a consulta sobre a matéria. Q Informamos também, que a ANFIR — Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários, entidade do setor, , poderá ser consultada e oferecer uma orientação mais adequada". Nenhuma serventia nos trouxe a consulta formulada à mencionada ABNT que a julgar pela sua resposta, acompanhada de uma lista enorme de normas editadas sobre Containers (51 normas), sem qualquer informação que possa nos indicar em qual delas estariam as respostas aos nossos questionamentos, mas estampando o preço individual e total das mesmas, podemos deduzir que a ABNT só estaria mesmo interessada em nos vender suas normas, preferencialmente o conjunto completo, e não dar-nos qualquer auxílio no deslinde da questão que aqui nos é dada a decidir. Já o Ministério da Agricultura e do Abastecimento — Serviço dedfp/ Vigilância Agropecuária do Porto de Santos, pelas informações contidas nos 2 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N" : 118.627 ACÓRDÃO N° : 302-34.851 documentos de fls. 170 e 178/179, nos dá conta que em virtude da destruição da documentação relacionada ao evento, está impossibilitada de responder aos quesitos formulados, em sua maioria. Informa, entretanto, que por ocasião do transporte da mercadoria estava em vigor a Portaria n° 127, de 04/10/91. Esclarece, ainda, que o aparecimento e utilização de embalagens de papelão para o acondicionamento do produto (alhos), provocou alterações nas normas e uma autorização especial concedida pela Gerência Nacional de Classificação e Padronização de Vegetais — GCP/DFPV/SDR/MA para o III acondicionamento nesse tipo de embalagem; e que o uso de embalagens de papelão vem mostrando-se vantajosa quando comparado com embalagens de madeira, ao ponto de predominar no mercado internacional. Destaque-se que se trata de uma informação prestada em 25/09/2000, ao passo que o transporte em epígrafe ocorreu nos idos de 1993/1994. Nada mais havendo a acrescentar, concluo o Relatório do presente processo. É o relatório. op I ii a 3 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÁMARA RECURSO N" : 118.627 ACÓRDÃO N° : 302-34.851 VOTO VENCEDOR Discordo do posicionamento do Ilustre Conselheiro Relator, e tenho como configurada a responsabilidade do transportador, no caso em questão. As peças do processo evidenciam a inadequação da temperatura do contêiner ao tipo de mercadoria acondicionada, e esta era responsabilidade do transportador, que não diligenciou para que fossem mantidas as condições ideais de Otransporte. Aliás, a própria recorrente afirma não haver sido instruída sobre as condições frigorificas de acondicionamento da mercadoria, o que vem a corroborar a conclusão de sua culpa, tendo em vista não ter, ela própria, buscado tais informações, em face do caráter perecível do produto que lhe foi dado transportar. Diante do exposto, reiterando as razões contidas na decisão recorrida, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Sala das Sessões, em 04 de julho de 2001 ARIA Fl LENA COTTA CARtftatora Designada D 4 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 118.627 ACÓRDÃO N° : 302-34.851 VOTO VENCIDO A questão que aqui nos é dada a decidir está pautada nos seguintes fatos que a seguir resumimos: I. O navio "MC DIAMOND", aportado em Santos no dia 13/01/94 transportou, dentre outras coisas, dois (2) Containers, prefixos TRLU 100.365-5 e NIKU 760.127-6, sob cobertura do Conhecimento de Transporte n° • NYKS479026477, de emissão da empresa transportadora NIPPON YUSEN KA1SHA (NYK LINE), 2.000 (duas mil) caixas de papelão contendo alhos brancos frescos, da China, procedentes de SHENZHEN (CHINA) para SANTOS (BRASIL) — doc. De fls. 07 2. O transportador não fez qualquer ressalva no Conhecimento de Transporte a respeito de alguma irregularidade na temperatura dos Containers, quando do seu recebimento para embarque. 3. Consoante o Manifesto de Carga acostado às fls. 20, ditos containers embarcaram no porto de HONG KONG com destino a SANTOS (Brasil). 4. O Termo de Visita Aduaneira de fls. 19, indica que o navio entrou naquele porto de II. Kong em 14/11 e saiu a 15/11/93, tendo ainda escalado nos portos de Singapore (20 a 27/11), Buenos Aires (28/12/93 a 06/01/94) e Montevidéu (07/01 a 10/01/94), chegando finalmente a Santos em 13/01/94, quando se processou a descarga dos referidos Containers. 5. O período decorrido entre o embarque em Hong Kong e a descarga em Santos foi da ordem de 60 (sessenta) dias — 2 meses. 6. Nesse mesmo dia — 13/01/94 - os referidos Cofres de Carga foram removidos das dependências portuárias para armazenamento no Terminal Retroportuário Alfandegado — TRA, da DEICMAR, ocasião em que se anotou os seguintes sinais de avarias: amassado, arranhado, enferrujado. (Vide GMCI às fls. 22). 7. Nenhuma ressalva foi efetuada, tanto por parte da entidade portuária, quanto pelo Terminal (TRA), sobre qualquer irregularidade com a temperatura dos Containers no momento de seu recebimento em tais dependências. i 41 5 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 118.627 ACÓRDÃO N° : 302-34.851 8. No dia 09/02/94, cerca de 27 (vinte e sete) dias após a descarga, a Secretaria de Vigilância Agropecuária, do Ministério da Agricultura, Abastecimento e Reforma Agrária, no porto de Santos, emitiu a INFORMAÇÃO n° 008/94-S, dizendo ter sido constatado: FERMENTAÇÃO, BROTAÇÃO EXCESSIVA, DESIDRATAÇÃO, PERDA DE CONSISTÊNCIA E PRESENÇA DE BOLOR. (Vide documento às fls. 11). • 9. Em 22/03/94 foi requerida Vistoria Aduaneira pelo importador — GERALDO AMARANTE COM. INDÚSTRIA LTDA; a qual foi realizada tão- somente no dia 01/06/94, nas dependências do referido TRA — IV — DEICMAR, como noticiam os documentos de fls. 03-verso, 06, 28 e 29 dos autos. o 10. A mercadoria foi considerada totalmente depreciada e imprestável, conforme Laudos acostados às fls. 31/32 e 34/35, emitidos pelo Serviço de Vigilância Agropecuária do Porto de Santos e pelo Perito designado pela repartição fiscal, Engenheiro Agrônomo Luiz Aurélio Alonso, respectivamente. 11. Pelas avarias apuradas e prejuízos decorrentes causados à Fazenda Nacional foi responsabilizado o Transportador Marítimo, designado pelo seu Agente, a ora Recorrente. 12. O perito designado pela R. Federal, em seu Laudo de fls. 34/35, asseverou que: "3c) Após exame minucioso dos registros de temperatura mantida nos interiores desses containers (períodos compreendidos entre a chegada desse container ao Armazém em Santos, TRA- Deicmar, até a data da vistoria) e com base no laudo do Ministério da Agricultura relativo a vistoria dessa mercadoria na sua chegada, admitimos como causa mais provável para a ocorrência dessa avaria, que os alhos em questão foram expostos a condições térmicas deferentes daquela especificada antes de sua descarga em Santos". 13. Segundo, ainda, o mesmo Perito, de acordo com a documentação verificada, durante a sua estufagem nesses containers, esse produto deveria permanecer a uma temperatura de +3°C. 14. A Autuada contrapôs-se à causa da avaria apontada e a responsabilidade atribuída ao transportador, trazendo também Laudo Técnico de lavra do Perito por ela constituído, Engenheiro Agrônomo Nelson Teixeira de Mendonça, acostado às fls. 41/45 dos autos, trazendo como anexos alguns • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 118.627 ACÓRDÃO N" : 302-34.851 documentos, dentre os quais xerocópias de dois (2) discos registradores de temperaturas (fls. 49/50), que mais tarde veio a informar tratarem-se dos discos correspondentes aos registros efetuados durante a viagem marítima, extraídos do interior dos respectivos Containers. 15 Nesse Laudo o mencionado Perito assevera, dentre outras coisas, o seguinte: "3- Nas laterais das caixas-de-papelão verificou-se somente o peso e o nome do produto dela contida e pequenos furos circulares ou cortes longitudinais, impróprios e inadequados para a aeração ou trocas gasosas. 5- Nos discos acoplados ao sistema de refrigeração foi verificado que a temperatura solicitada é 3°C (três) graus Celsius, acima de zero, o que permite a nós afirmar que os embarcadores desconheciam a boa temperatura para transporte da mercadoria. 6- No Conhecimento Marítimo, emitido em 16 de Novembro de 1993, não foi encontrada qualquer nota ou recomendação sobre a temperatura que deveria ser mantida durante a viagem. 7- As partes envolvidas embarcadores e recebedores claramente desconheciam o sistema de conservação de alhos frescos, bem como desconheciam que o navio escolhido para fazer a viagem da origem — Shenzhen — para Santos, levaria aproximadamente 60 (sessenta) dias e que este tempo é totalmente incompatível com as regras normais empregadas para conservação e transporte desta mercadoria." 15. Mais adiante, em suas INFORMAÇÕES TÉCNICAS, o mesmo Perito esclarece que: "1-Em caso de transporte frigorífico, sempre se recomenda 0° C (zero) graus Celsius com total ventilação para conservação do alho, isto é, janelas de ventilação totalmente abertas = 100%. — Ver Documento Anexo no. 2. Observação: As unidades frigorificas apresentavam no momento da Vistoria as janelas do sistema de ventilação fechadas, condição não recomendada para esta espécie de mercadoria. 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 118.627 ACÓRDÃO N° : 302-34.851 2-Sistema de Estivagem O Sistema de estivagem era adequado e próprio para esta espécie de mercadoria: - caixas sobre caixas, a uma altura máxima de 10 (dez) caixas-de- papelão com a camada superior abaixo da tarja vermelha, que indica "nenhuma caixa acima desta faixa, quando usado como frigorífico". 3- Qualidade da embalagem ØAs caixas-de-papelão não estavam de acordo com a Legislação Brasileira, emitida em 04 de Outubro de 1991 pelo Ministério da Agricultura. Embalagens de Produtos Hortícolas Nesta legislação somente é autorizado o emprego de caixas-de- madeira de formato octogonal para embalagem de alhos. Ver Documento Anexo no. 3." 15. Em suas conclusões o Perito afirma que todas essas anormalidades são de responsabilidade dos embarcadores, incluindo também a escolha de uma viagem marítima longa, as quais permitiram acontecer toda a brotação verificada nos dentes de alhos frescos examinados e a sua infestação por fungos. 16. Às fls. 52 encontra-se cópia da Portaria n° 127, de 04 de outubro de 1991, do Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, normatizando o emprego de embalagens para acondicionamento, manuseio, transporte, armazenagem e comercialização de produtos hortícolas destinados ao mercado interno, trazendo a indicação de que para o produto "alho", a embalagem é de madeira, nas dimensões e formato que menciona. 17. Chamado novamente o Perito nomeado pela Receita Federal para complementar seu Laudo anteriormente emitido, respondendo ao quesito formulado às fls. 55, respondeu, no verso do mesmo documento: "Entendemos que, devido às condições apresentadas pela mercadoria no momento de sua vistoria e tomando, por base os documentos apresentados (laudos técnicos do Ministério da Agricultura e registros de temperatura), essa mercadoria (alhos) 8 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N" : 118.627 ACÓRDÃO N° : 302-34.851 ficou exposta a temperaturas superiores à especificada, provavelmente durante o seu transporte marítimo. Obs: embora tenhamos solicitado os registros da temperatura dos containers durante o transporte marítimo, estes não foram apresentados até a presente data". 18. Os Container são do tipo refrigerados (REEFER) significando que possuem equipamentos próprios de refrigeração, ajustados internamente antes do embarque e que necessitam somente do fornecimento, de fora, de energia elétrica. 19. Foram estofados (consolidados) pelos embarcadores/exportadores na origem, o que se designa pela expressão "SH1PPER'S LOAD AND COUT" estampada no corpo do Conhecimento de Transporte, tendo sido efetuado o transporte na modalidade "Porta a Porta" (House to House). 20. O Julgador a quo manteve a responsabilidade do Transportador, na pessoa da Agência ora recorrente, mantendo o entendimento do Autuante. Estes, portanto, os principais fatos que marcam a primeira fase de instrução do processo de que se trata, até a realização das diligências determinadas por este Colegiado. Nos quesitos que formulamos para serem respondidos pelos diversos envolvidos no assunto e, ainda, na consulta formulada à antes citada ABNT, tudo estampado às fls. 93/99 destes autos, ficou configurado o rosário de dúvidas que nos acercavam com relação ao litígio aqui em exame. Pois bem, já numa segunda fase do desenrolar do feito, após o retorno da primeira diligência determinada, novos fatos e informações foram trazidos aos autos que, ao invés de nos dar maiores esclarecimentos, ao contrário, tornou ainda maior o imbróglio que reveste este processo. É marcante a divergência de opiniões entre os Peritos das partes contrárias, com relação à adequabilidade da embalagem utilizada para transporte da mercadoria envolvida — caixas-de-papelão, sendo que a Recorrente tem a seu favor da norma do M. da Agricultura que estabelece como sendo caixas-de-madeira as embalagens adequadas para transporte, armazenamento, etc., de alhos. 9 - MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO IV : 118.627 ACÓRDÃO NI' : 302-34 .851 O Perito designado pela fiscalização insiste em que a causa da avaria foi a elevada temperatura à qual a mercadoria foi submetida, em local fechado, o que implica em rápida maturação destes organismos vivos. O referido Perito designado pela fiscalização esclarece que examinou tão-somente os Registros de Temperatura dos Containers colocados após a descarga, ou seja, que mediram a temperatura durante o período de armazenamento no TRA —IV DEICMAR. Reitera que os registros de temperatura dos containers durante o transporte marítimo não lhe foram apresentados. e Ocorre que, como já mencionado, tais discos de registros da temperatura, relativos à viagem marítima, já haviam sido trazidos aos autos por cópias pela Autuada, estando acostados às fls. 49/50, desde 01/08/94, data da apresentação da Impugnação de Lançamento. Afirma, ainda, que os registros referentes a todo o período de armazenamento no Terminal, entre a descarga e a vistoria, indicam que a temperatura manteve-se adequada, em torno de +3°C, e que o produto já se encontrava totalmente deteriorado há aproximadamente 5 meses antes da data da vistoria. De outro modo, o Engenheiro Agrónomo Nelson Teixeira de Mendonça, Perito nomeado pela Recorrente, em seu Laudo Complementar de lis. 139/141, traz as seguintes informações: O- Os discos por ele examinados se referem aos períodos situados entre a estufagem, embarque e realização da Vistoria Aduaneira, portanto com 140 dias de registros. Significa que teve acesso a todos os discos registradores de temperaturas pertinentes. Reporta-se aos documentos acostados às fls. 49150 e reafirma que lhe foram entregues pela Agência Laclunann. - A temperatura de +3° C foi solicitada por transcrição escrita à mão nos bordos dos discos acoplados ao sistema de refrigeração e de acordo com recomendação do embarcador que contratou o transporte. - A informação anterior é contraditada pela resposta ao 5 0 quesito 1(5formulado, quando afirma que não teve acesso aos discos / lu MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 118.627 ACÓRDÃO N° : 302-34.851 registradores correspondentes ao período de armazenamento no TRA. - Novamente reafirma a contradição, na resposta ao quesito n° 6, ao afirmar: "Container TRLU 100365-5 temperatura constante de +3° C. Container NYKU 760127-6 — Temperatura de +3° C durante a viagem e descontrole após 67 (sessenta e sete) dias, de viagem e já em terra, armazenada no TRA Deicmar, com máxima de 30° C e mínima de 8° C. - Nos dois módulos utilizados para transporte não ocorreram eregistros de variações de temperatura, com aquela registrada de +3° C, durante o percurso da viagem de Shenzhen — China até o Porto de Santos, num total de 58 dias. A Depositária — TRA IV — DEICMAR, por sua vez, às lis 112, esclarece que: "Como normalmente acontece, os discos registradores de temperatura são retirados pelo representante do armador, sendo os containers entregues sem nenhum disco. Neste caso dos oito containers, dois foram entregues com disco apontando o registro da viagetn e um com o disco totalmente em branco, confortne citado no Laudo Técnico SETCDE 0524194 datado de 28102/94. Assim sendo, torna-se impraticável a leitura da temperatura durante o transporte, bem como no ato da descarga. Isto posto, o depositário não dispõe de elementos para ressalvar qualquer anormalidade na refrigeração da mercadoria, razão pela qual o termo de avaria do TRA IV limita-se ao estado aparente dos conta iners, conforme constou nas BMC's relativas ao caso. Por tais razões, não é correto afirmar que o Depositário aceitou os conta iners em boas condições, especialmente no que diz respeito ao seu sistema de refrigeração. A falha no sistema de refrigeração só foi possível ser detectada após a avaliação citada no laudo técnico SETCDE 0524194, reforçada pelo estado físico da mercadoria quando da abertura dos referidos containers. Dos dois containers cujos discos foram encontrados, na vistoria oficial foi verificado que a temperatura fixada inicialmente foi de MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N" : 118.627 ACÓRDÃO N" : 302-34.851 3° C, alterando-se posteriormente com queda e depois elevação até 30 0 e 32°C, notando-se grande descontrole". Essas considerações sobre a sistemática de recebimentos e ressalvas de containers, com relação aos discos registradores de temperatura da viagem (antes do armazenamento no terminal), podem ser verdadeiras mas não convencem, pelo aspecto da fixação de responsabilidades por avarias à carga. É inadmissível que o Depositário, sendo responsável por quaisquer danos/avarias verificados em mercadorias recebidas em seus armazéns ou depósitos, sem ressalva ou protesto, como estabelece o Regulamento Aduaneiro aprovado epelo Decreto n° 91.030/85, possa aceitar tal situação, ou seja, que os containers sejam-lhe entregues pelos transportadores marítimos (Agentes) sem os respectivos discos registradores de temperaturas da viagem, ou cópias deles. O fato da inexistência de tais discos registradores, por si só, já deveria ensejar uma ressalva específica a respeito, colocando sob suspeição a integridade da carga acondicionada nos respectivos Containers. Por outro lado, a parte final da informação da DEICMAR, dando conta de que "Dos dois conta iners cujos discos foram encontrados na vistoria oficial foi verificado que a temperatura fixada inicialmente foi de 3° C, alterando-se posteriormente com queda e depois elevação até 30 0 e 32° C, notando-se grande descontrole", choca-se, frontalmente, com as afirmações do Perito designado pela fiscalização, no sentido de que os registros de temperatura do período do transporte marítimo não foram por Ele examinados, pois nunca lhe foram entregues. Ora, se estavam tais discos presentes quando da Vistoria Oficial, com as anomalias mencionadas pela Depositária, como pode o I. Perito não ter tido conhecimento de tais registros, se esteve presente na mesma vistoria ??? A Agência Lachmann, ora recorrente, presta informação às fls. 124, dizendo que "não está de posse dos discos registradores de temperatura dos contéineres nos quais a carga estava estufada". Por último, nesta segunda fase de instrução do processo, provocada por esta Câmara, a Importadora também se manifestou, com esclarecimentos às fls. 133. Afirma, dentre outras coisas, que: 12 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 118.627 ACÓRDÃO N" : 302-34.851 A) Não teve conhecimento de como a mercadoria estava sendo transportada, desde sua origem, a CHINA, até o destino. Tanto naquela oportunidade, como também até hoje, sabemos que os alhos chinês são transportadas acondicionadas em caixas de papelão. A mercadoria estava chegando para outros comerciantes, em ótimo estado, motivo pelo qual acreditávamos que a embalagem utilizada devia ser de padrão internacional. Essa afirmação vem a demonstrar que a importadora desconhecia as normas de embalagens ditadas pela Portaria n° 127/91, do Ministério da Agricultura. e Afirma, ainda, dentre outras coisas, que: B) O exportador julga que a mercadoria foi enviada em bom estado, tendo sido avariada durante o período de transporte pelo seu mal acondicionamento. (grifei) Ora, se a avaria houvesse decorrido, efetivamente, em virtude de mal acondicionamento no período de transporte, é certo que toda a responsabilidade seria do exportador ou do importador, mas nunca do transportador, uma vez que esse mal acondicionamento, no interior dos Containers, foi de responsabilidade do embarcador/exportador. Finalmente, numa terceira e última fase de instrução processual, após a segunda diligência determinada por esta Câmara, pela Resolução n° 302- 0.934, de 10/12/99 (fls. 149/55), veio a informação de fls. 170, produzida pelo Fiscal do M. Agricultura, dando conta de que: "...em virtude do intervalo de tempo decorrido entre os fatos e a presente solicitação, as informações necessárias foram prejudicadas uma vez que, dada as precariedades de local adequado para o arquivamento dos processos relativos às atividades operacionais; através da Portaria n° 289/98 o Sr.Delegado Federal de Agricultura do Estado de São Paulo, criou uma comissão Especial incumbida de proceder a seleção e posterior destruição de documentos com mais de (05) cinco anos de arquivamento. No último dia 14/06/2000, procedeu-se à destruição do material selecionado, entre eles os processos e correspondências relativas a 1994. 13 / MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 118.627 ACÓRDÃO N° : 302-34.851 Quanto aos quesitos formulados nas paginas 152/154 temos as seguintes informações: (a) A Portaria n° 127 de 04 de outubro de 1991, estava em vigor por ocasião do transporte da mercadoria. O fato do aparecimento de utilização de embalagens de papelão para o acondicionamento do produto, provocou alterações nas normas e uma autorização especial concedida pela Gerência Nacional de Classificação e Padronização de Vegetais — GCP1DFPVISDRIMA para o acondicionamento nesse tipo de embala getn. Ø(b) O uso de embalagens de papelão vem mostrando-se vantajosa quando comparado com embalagens de madeira, ao ponto de predominar no mercado intencional. De tudo quanto se viu acima, Nobres Pares, este Relator entende que não existe a razoável segurança necessária para se estabelecer, com certeza, a responsabilidade concreta pelas avarias apuradas na mercadoria envolvida. Com efeito, não se consegue determinar, com exatidão, tanto a causa (ou causas) da avaria, nem tampouco precisar o momento em que ela se configurou. Conseqüentemente, impossível chegar-se a apontar o responsável pelo dano constatado. Do ponto de vista do transportador marítimo, que é o de quem aqui se cuida, na qualidade de responsável pelo crédito tributário exigido, posso asseverar que: (a) A mercadoria envolvida foi estufada (consolidada) nos Containers mencionados pelos exportadores/embarcadores, na origem, o que se comprova pela expressão inserida no Conhecimento de Transporte: "SHIPPER'S LOAD AND COUT", tratando-se de um transporte na modalidade porta a porta ou "House to House"; (b) Isto significa que o transportador não tem nenhuma interferência nem responsabilidade (1) pelo tipo de embalagem utilizado pelo exportador — caixas de papelão — (2) nem tampouco pela sua adequada ou inadequada acomodação no interior dos cofres de carga; (c) Os Containers são do tipo REEFER, dotados de equipamento próprio de refrigeração, com controle de temperatura interior. O transportador é 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N" : 118.627 ACÓRDÃO N° : 302-34.851 responsável tão-somente pelo fornecimento ininterrupto da energia elétrica necessária ao funcionamento do equipamento. Em momento algum se cogitou a possibilidade de ter havido, durante a viagem, a interrupção desse fornecimento de energia elétrica pelo respectivo navio. Nada se falou a respeito nestes autos. (d) O Perito designado pela Receita Federal não examinou os discos registradores de temperatura referentes ao período da viagem marítima, não tendo tido condições de afirmar se houve ou não variação da mesma temperatura a bordo da embarcação transportadora. (e) O Laudo inicial produzido pelo M. da Agricultura (11s. 11), apontando as avarias mencionadas, só foi emitido em 09/02/94, ou seja, 28 (vinte e oito) dias após a descarga, quando a mercadoria já se encontrava sob a responsabilidade da depositária — Deic-mar. Esse tempo poderia ter sido suficiente para a danificação da carga, no todo ou em parte, desde que tenha havido variação de temperatura no interior dos Containers, pois segundo o perito designado pela repartição fiscal, tais condições implica numa rápida maturação dos organismos vivos. (f) O depositário — TRA — IV DE1CMAR, pelos motivos alegados, não fez qualquer ressalva ou protesto em relação à qualquer eventual variação da temperatura no interior dos referidos Containers, antes do seu recebimento, em suas dependências, para armazenamento. OTenho, portanto, por não configurada a responsabilidade do transportador marítimo e, conseqüentemente, pelo seu Agente ora autuado, pelas avarias apuradas na mercadoria de que se trata, razão pela qual voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário aqui em exame, por ser improcedente a ação fiscal de que se trata. Sala das Sessões, em 04 de julho de 2001 rAdr, PAUL• ROB rs' • UCO ANTUNES - Conselheiro IS ' ,..• L MINISTÉRIO DA FAZENDA •Sr TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4 2.1 CÂMARA Processo n°: 11128.000953/94-84 Recurso n.°: 118.627 TERMO DE INTIMAÇÃO • Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda ("acionai junto à 2 Câmara, intimado a tomar ciência do Acórdão n.° 302-34.851. Brasília-DF, ka-) L002 C: • J!atua <. . 3CI LI Ciente em: )20°2 i 1 111P- Lç (3\a-d<2 Ff't !PE 6 •,) Cfw PiRcio.)wzit a- D A 4—P2~A UftLWnj\

score : 1.0
4702929 #
Numero do processo: 13020.000072/97-67
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 1998
Ementa: COMPENSAÇÃO - PIS/COFINS/TDA - Não há previsão legal para a compensação de direitos creditórios relativos a Títulos de Dívida Agrária - TDA com débitos concernentes às Contribuições PIS/COFINS. A admissibilidade do recurso voluntário deverá ser feita pela autoridade ad quem em obediência ao duplo grau de jurisdição. Recurso negado.
Numero da decisão: 201-71982
Decisão: Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
Nome do relator: Luiza Helena Galante de Moraes

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 199808

ementa_s : COMPENSAÇÃO - PIS/COFINS/TDA - Não há previsão legal para a compensação de direitos creditórios relativos a Títulos de Dívida Agrária - TDA com débitos concernentes às Contribuições PIS/COFINS. A admissibilidade do recurso voluntário deverá ser feita pela autoridade ad quem em obediência ao duplo grau de jurisdição. Recurso negado.

turma_s : Primeira Câmara

dt_publicacao_tdt : Wed Aug 19 00:00:00 UTC 1998

numero_processo_s : 13020.000072/97-67

anomes_publicacao_s : 199808

conteudo_id_s : 4444519

dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 201-71982

nome_arquivo_s : 20171982_107532_130200000729767_007.PDF

ano_publicacao_s : 1998

nome_relator_s : Luiza Helena Galante de Moraes

nome_arquivo_pdf_s : 130200000729767_4444519.pdf

secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.

dt_sessao_tdt : Wed Aug 19 00:00:00 UTC 1998

id : 4702929

ano_sessao_s : 1998

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:27:46 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713043177307373568

conteudo_txt : Metadados => date: 2010-01-30T04:34:53Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-01-30T04:34:53Z; Last-Modified: 2010-01-30T04:34:53Z; dcterms:modified: 2010-01-30T04:34:53Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-01-30T04:34:53Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-01-30T04:34:53Z; meta:save-date: 2010-01-30T04:34:53Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-01-30T04:34:53Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-01-30T04:34:53Z; created: 2010-01-30T04:34:53Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2010-01-30T04:34:53Z; pdf:charsPerPage: 1166; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-01-30T04:34:53Z | Conteúdo => • • ADO NO D. O. U. 2.2 .,a O 41i ,9 .e9 c Sua_ MINISTÉRIO DA FAZENDA C Rubrica • .MIS4WJM SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13020.000072/97-67 Acórdão : 201-71.982 Sessão 19 de agosto de 1998 Recurso : 107.532 Recorrente FERTIPRATA ADUBOS E CORRETIVOS LIDA Recorrida DRJ em Porto Alegre - RS COMPENSAÇÃO — P1S/COFENS/TDA - Não há previsão legal para a compensação de direitos creditários relativos a "[nulos de Divida Agrária - TDA com débitos concernentes às Contribuições PIS/COFINS. A admissibilidade do recurso voluntário deverá ser feita pela autoridade cid quem em obediência ao duplo grau de jurisdição. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: FERT1PRATA ADUBOS E CORRETIVOS LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 19 de agosto de 1998 Luiza 'Retem Vfante de Moraes Presidenta e RÉlatora Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Valdemar Ludvig, Rogério Gustavo Dreyer, Ana Neyle Olímpio Holanda, Jorge Freire, João Beijas (Suplente), Geber Moreira e Sérgio Gomes Velloso. Eaal/mas/felb 1 • ..,""•91 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13020.000072/97-67 Acórdão : 201-71.982 Recurso : 107.532 Recorrente : FERTIPRATA ADUBOS E CORRETIVOS LTDA. RELATÓRIO Por bem descrever os fatos em exame no presente processo, adoto e transcrevo o relatório que compõe a Decisão Recorrida de fls. 27: "Trata, o presente processo, de pleito dirigido ao Delegado da Receita Federal em Caxias do Sul, visando à compensação de direitos creditários referentes a Títulos de Divida Agrária com débitos de PIS e COEINS relativos ao periodo relacionado na folha 1. Forte no disposto pelo artigo 7, § 1 do Decreto 70.235/72, aduz que o seu pedido configura denúncia espontânea para prevenir o procedimento fiscal e a aplicação de penalidade frente ao seu inadimplemento. 2_ Junta ao processo escritura de cessão de direitos creditorios relativos a Titulas da Divida Agrária (TDA'S), para a empresa acima qualificada, pelo valor constante naquele documento. Tais titulos seriam originados da desapropriação de áreas situadas no oeste do Paraná. 3_ A repartição de origem, através da decisão 250/97 desconheceu do pedido, face à inexistência de previsão legal da hipótese pretendida, de acordo com o artigo 170 do CTN, em consonância com a artigo 66 da Lei 8.383/91 e alterações posteriores e, ainda, da Lei 9.430/96, também não aplicável à espécie. 4. Discordando da decisão denegatória referida, a interessada apresentou o recurso de fls. 21/23 ; onde afirma que os TDA's têm valor real constitucionalmente assegurado e que possuem a mesma origem federal dos créditos tributários, pelo que estada autorizada a sua compensação com estes. Embasa suas alegações no Direito Natural e reitera, em sintese, que os TDA's cumprem os requisitos necessários para promover a sua compensação com os débitos tributários que mantém com a União Ao final, requer seja julgado procedente o recurso para reformar a decisão denegatária, possibilitando a compensação proposta e extinguindo o crédito tributário objeto deste processo." • Na mencionada decisão, a autoridade julgadora de primeira instância, através da Decisão de fls. 26/36, julgou improcedente a impugnação interposta pela interessada, tendo em vista não haver previsão legal para a compensação efetuada pela mesma, resumindo seu entendimento nos termos da ementa de fls. 26, que se transcreve: 2 .;"]. MINISTÉRIO DA FAZENDA - 34" SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13020.000072197-67 Acórdão : 201-71.982 "COMPENSAÇÃO PIS e COF1NS/TDA O direito à compensação previsto no artigo 170 do CTN só poderá ser imponivel à Administração Pública por expressa autorização de lei que a autorize. O artigo 66 da Lei 8383/81 permite a compensação de créditos decorrentes do pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais e receitas patrimoniais. Os direitos creditórios relativos a 'fitulos de Divida Agrária não se enquadram em nenhuma das hipóteses previstas naquele diploma leeal. Tampouco o advento da Lei 9.430/96 lhe dá fundamento, na medida em que trata de restituição ou compensação de indébito oriundo de pagamento indevido de tributo ou contribuição, e não de crédito de natureza financeira (TDA's)." Cientificada em 05.03.98. a recorrente apresentou recurso voluntário ao Segundo Conselho de Contribuintes em 0204. 98, ás As, 40/44, repisando os pontos expendidos na peça impugnatoria, reafirmando o indiscutível direito de utilizar seus direitos sobre TDAs para o fim de quitar débitos tributários federais, por ser este um titulo de crédito de natureza constitucional e usado pela União, para fins de desapropriação, não havendo como a mesma não aceitar tais titulos. É o relatório. 3 , MINISTÉRIO DA FAZENDA • ' SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13020.000072/97-67 Acórdão : 201-71.982 VOTO DA CONSELETEIRA-RELATORA LUIZA HELENA GALANTE DE MORAES O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento_ As competências dos Conselhos de Contribuintes estão relacionadas no art. 3° da Lei 11 0 8 . 748/93 , alterada pela Medida Provisória n° 1542/96. "Art 3 0 - Compete aos Conselhos de Contribuintes observada sua competência por malária e dentro de limite de alçada fixados pelo Ministro da Fazenda: I - julgar os recursos de oficio e voluntário de decisão de primeira inserindo, no processo a que se refere o art. 1° desta Lei; (processos administrativos de determinação e exigência de créditos tributários): II - julgar recurso voluntário de decisão de primeira instáncia, nos processos relativos à restituição de impostos ou contribungies e a ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados. (sublinhei).- Embora não conste, explicitamente dos dispositivos transcritos, a competência do Conselho de Contribuintes para julgar pedidos de compensação em segunda instância, entendo que, por analogia e em respeito à Carta Magna de 1988, esta competência está implicita. Ao analisar os pedidos de restituição e ressarcimento, o julgador de segunda instância está aplicando a lei a contribuintes que tiveram a oportunidade de compensar créditos tributários. Entretanto, à vista de saldos credores remanescentes, usam da faculdade de solicitar restituição ou ressarcimento. O art. 5° do Estatuto Maior assegurou, a todos que buscam a prestação jurisdicional a aplicação do devido processo legal, ou seja, o due process of law Destarte, não há mais dúvida: o art. 5°, inciso LV, da CF/88, assegura aos litigantes, em processo judicial e administrativo, o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Estabeleceu-se, no citado dispositivo constitucional, a obrigatoriedade do duplo grau de jurisdição no procedimento administrativo. Assim exposto, tomo conhecimento do recurso. Vencida a preliminar, passo a analisar o mérito. Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra a Decisão do Delegado da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre - RS, que manteve o 4 - Sr.-;.4 MINISTÉRIO DA FAZENDA "e1W- SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13020.000072/97-67 Acórdão : 201-71.982 indeferimento do pleito, nos termos da decisão do Delegado da Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul - RS, de Pedido de Compensação do MS e COF1NS, com direitos creditorios representados por "Fitulos da Divida Agrária - TDA. Ora, cabe esclarecer que Titulas da Divida A grária - TUA são titulos de créditos nominativos ou ao portador, emitidos pela União, para pagamento de indenizações de desapropriações, por interesse social, de imóveis rurais para fins de reforma agrária e têm toda uma legislação especifica, que trata de emissão, valor, pagamento de juros e resgate e não têm qualquer relação com créditos de natureza tributária. Cabe registrar a procedência da alegação, da requerente, de que a Lei n° 8.383/91 é estranha à lide e que, o seu direito à compensação estaria garantido pelo artigo 170 do Código Tributário Nacional - CTN. A referida lei trata especificamente da compensação de créditos tributários do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, enquanto que os direitos creditorios da contribuinte são representados por Títulos da Divida Agrária - TDA, com prazo certo de vencimento. Segundo o artigo 170 do CTN: "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos vencidos ou vicendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.- lgrtFe0 Já o artigo 34 do ADCT-CF/88, assevera: "O sistema tributário nacional entrará em vigor a partir do primeiro dia do quinto mês seguinte ao da promulgação da Constituição, mamido, ate então, o da Constituição de 1967, com a redação dada pela Entenda n° 1. de 1969. e pelas posteriores.- No seu § 5 0, assim dispõe. "Vigente o novo sistema tributário nacional, .fica assegurada a aplicação da legislação anterior, no que não seja incompatível com ele e com a legislação referida nas §§ 3°c O artigo 170 do CTN não deixa dúvida de que a compensação deve ser feita sob lei especifica, enquanto que o artigo 34, § 5 0, assegura a aplicação da legislação vigente anteriormente à nova Constituição, no que não seja incompativel com o novo Sistema Tributário Nacional. 5 . 1 , MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13020.000072/97-67 Acórdão : 201-71.982 Ora, a Lei n° 4.504/64, em seu artigo 105, que trata da criação dos Títulos da Divida Agrária - TDA, cuidou também de seus resgates e utilizações. O § I° deste artigo dispõe: "Os títulos de que trata este artigo vencerão juros de seis por cento a doze por cento ao ano, terão cláusula de garantia contra eventual desvalorização da moeda, em função dos índices lixados pelo Conselho Nacional de Economia, e poderão ser utilizados: a) em pagamento de até cinqüenta por cento do Imposto Territorial Rural; '(grifos nossos). Já o artigo 184 da Constituição Federal de 1988 estabelece que a utilização dos Titulos da Divida Agrária será definida em lei. O Presidente da República, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 84, inciso IV, da Constituição Federal, e tendo em vista o disposto nos artigos 184 da Constituição Federal, 105 da Lei n°4.504/64 (Estatuto da Terra), e 50 da Lei n°8.177/9!, editou o Decreto n° 578, de 24 de junho de 1992, dando nova regulamentação do lançamento dos Titulos da Divida Agraria. O arti go 11 deste decreto estabelece que os TDA poderão ser utilizados em: "I. pagamento de até cinqüenta por cento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural; 11 pagamento de preços de terras públicas: III. prestação de garantia; IV depósito, para assegurar a execução em ações judiciais ou administrativas; V Caução, para garantia de: a) quaisquer contratos de obras ou serviços celebrados com a União: h) empréstimos ou financiamentos em estabelecimentos da União, autarquias federais e sociedades de economia mista, entidades ou fundos de aplicação às atividades rurais criadas para este fim. VI. a partir do seu vencimento, em aquisição de açiies de empresas estatais incluida.y no Programa Nacional de Desestatização," Portanto, demonstrado está, claramente, que a compensação depende de lei especifica - artigo 170 do CTN - que a Lei n° 4.504/64, anterior á CF/88, autorizava a utilização dos TDA em pagamento de até 50,0% do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural-ITR; que esse diploma legal foi recepcionado pela nova Constituição Federal, art. 34, § 5°, do ADCT: que o Decreto n° 578/92 manteve o limite de utilização dos TDA, em até 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA •- ' SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • ' 1.¡J' "'e Processo : 13020.000072/97-67 Acórdão : 201-71.982 50,0% para pagamento do 1TR, que entre as demais utilizações desses titulos, elencadas no artigo 11 deste Decreto, não há qualquer tipo de compensação com créditos tributários devidos por sujeitos passivos à Fazenda Nacional, e que a decisão da autoridade singular não merece reparo. Não apresentou contra-razões o Procurador da Fazenda Nacional junto à DRJ/Porto Alegre-RS. Pelo exposto, tomo conhecimento do presente recurso, mas, no mérito, NEGO PROVIMENTO, mantendo o indeferimento do pedido dc compensação de TDA com o crédito do PIS e COFINS. Sala das Sessões, em 19 de agosto de 1998 LU1ZA HELENA GALANTE DE MORAES 7

score : 1.0
4701129 #
Numero do processo: 11543.007192/99-50
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2005
Ementa: IRPJ e CSLL - LUCRO INFLACIONÁRIO - VIGÊNCIA DE LEI - SÚMULA 584 DO STF - Ao imposto calculado sobre os rendimentos do ano-base, aplica-se a lei vigente no exercício financeiro em que deve ser apresentada a declaração. IRPJ e CSLL - LUCRO INFLACIONÁRIO - DECADÊNCIA - Tratando-se de matéria sobre lucro inflacionário, tem-se que a contagem da decadência deve ter como base o exercício em que deve ser tributada a sua realização, e não o período em que o lucro inflacionário foi apurado, haja vista que o Fisco não tem como efetuar este lançamento antes da sua realização. Recurso negado.
Numero da decisão: 108-08.244
Decisão: ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - tributação de lucro inflacionário diferido(LI)
Nome do relator: Luiz Alberto Cava Maceira

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : IRPJ - tributação de lucro inflacionário diferido(LI)

dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 200503

ementa_s : IRPJ e CSLL - LUCRO INFLACIONÁRIO - VIGÊNCIA DE LEI - SÚMULA 584 DO STF - Ao imposto calculado sobre os rendimentos do ano-base, aplica-se a lei vigente no exercício financeiro em que deve ser apresentada a declaração. IRPJ e CSLL - LUCRO INFLACIONÁRIO - DECADÊNCIA - Tratando-se de matéria sobre lucro inflacionário, tem-se que a contagem da decadência deve ter como base o exercício em que deve ser tributada a sua realização, e não o período em que o lucro inflacionário foi apurado, haja vista que o Fisco não tem como efetuar este lançamento antes da sua realização. Recurso negado.

turma_s : Oitava Câmara

dt_publicacao_tdt : Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2005

numero_processo_s : 11543.007192/99-50

anomes_publicacao_s : 200503

conteudo_id_s : 4220530

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 31 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 108-08.244

nome_arquivo_s : 10808244_142706_115430071929950_005.PDF

ano_publicacao_s : 2005

nome_relator_s : Luiz Alberto Cava Maceira

nome_arquivo_pdf_s : 115430071929950_4220530.pdf

secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.

dt_sessao_tdt : Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2005

id : 4701129

ano_sessao_s : 2005

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:27:09 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713043177326247936

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-01T17:06:54Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-01T17:06:54Z; Last-Modified: 2009-09-01T17:06:54Z; dcterms:modified: 2009-09-01T17:06:54Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-01T17:06:54Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-01T17:06:54Z; meta:save-date: 2009-09-01T17:06:54Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-01T17:06:54Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-01T17:06:54Z; created: 2009-09-01T17:06:54Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-09-01T17:06:54Z; pdf:charsPerPage: 1644; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-01T17:06:54Z | Conteúdo => .,. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. : 11543.007192/99-50 Recurso n°. : 142.706 Matéria : IRPJ e OUTRO - EX.: 1996 Recorrente : ENGENHARIA E CONSTRUTORA ARARIBÕIA LTDA. Recorrida : r TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ 1 Sessão de : 18 DE MARÇO DE 2005 Acórdão n°. : 108-08.244 IRPJ e CSLL — LUCRO INFLACIONÁRIO — VIGÊNCIA DE LEI — SÚMULA 584 DO STF - Ao imposto calculado sobre os rendimentos do ano-base, aplica-se a lei vigente no exercício financeiro em que deve ser apresentada a declaração. IRPJ e CSLL — LUCRO INFLACIONÁRIO — DECADÊNCIA - Tratando-se de matéria sobre lucro inflacionário, tem-se que a contagem da decadência deve ter como base o exercício em que deve ser tributada a sua realização, e não o período em que o lucro inflacionário foi apurado, haja vista que o Fisco não tem como efetuar este lançamento antes da sua realização. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ENGENHARIA E CONSTRUTORA ARARIBCIA LTDA. ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. DORI•PAD• AN PRE" I -N I LUI AL '; ERTO CAVA M á CEIRA RELAT o R FORMALIZADO EM: T5 AM 2005 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, FERNANDO AMÉRICO WALTHER (Suplente convocado), MARGIL MOURÀ0 GIL NUNES, JOSÉ CARLOS TEIXEIRA DA FONSECA e JOSÉ HENRIQUE LONGO. Ausente, momentaneamente, a Conselheira KAREM JUREIDINI DIAS DE MELLO PEIXOTO. Ausente, Justificadamente, o Conselheiro NELSON LOSS° FILHO. MINISTÉRIO DA FAZENDA 'es'..-.=;?:0 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. : 11543.007192/99-50 Acórdão n°. : 108-08.244 Recurso n°. : 142.706 Recorrente : ENGENHARIA E CONSTRUTORA ARARIBÓIA LTDA. RELATÓRIO ENGENHARIA E CONSTRUTORA ARARIBOIA LTDA., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no C.N.P.J. sob o n° 28.038.024/0001-59, estabelecida na Rodovia ES-10, trecho BR-101 S/N, Km 4,5, Jacaraipe — Serra/ES, inconformada com a decisão de primeira instância que julgou parcialmente procedente o lançamento objeto do presente feito, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, ano-calendário de 1995, vem recorrer a este Egrégio Colegiado. A matéria remanescente sob litígio corresponde à constatação do lucro inflacionário acumulado realizado em valor inferior ao limite mínimo obrigatório, com enquadramento legal nos arts. 30, II, da Lei 8.200/91; 195, II, 419 e 426, §3° do RIR/94; arts. 4° e 6° da Lei 9.065/95 (fls. 01/02). Inconformada com o lançamento, a empresa apresentou tempestivamente sua impugnação (fls. 53/58), alegando, preliminarmente, inaplicabilidade da Lei 9.065/95 como enquadramento legal do lançamento referente ao ano-calendário de 1995, eis que somente entrou em vigor em 1° de janeiro de 1996. Também como preliminar, argüi decadência do direito do Fisco para efetuar a autuação, eis que o lucro inflacionário se refere ao ano-calendário de 1991, com a declaração de rendimentos entregue em 30 de abril de 1992, data de inicio da contagem do prazo decadencial. A ação fiscal foi julgada parcialmente procedente pela autoridade de primeira instância (fls. 93/99), nos termos do ementário a seguir transcrito. •2 MINISTÉRIO DA FAZENDA Sztf PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .::"*1-'nl-k7>' OITAVA CÂMARA Processo n°. : 11543.007192/99-50 Acórdão n°. :108-08.244 'Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Ano-calendário: 1995 Ementa: LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO. DECADÊNCIA. O prazo decadencial do lucro inflacionário conta-se a partir do exercício em que deve ser tributada sua realização e não do diferimento. REALIZAÇÃO MÍNIMA — A partir de 01/01/1995, a pessoa jurídica deverá considerar realizado, no mínimo, dez por cento do lucro inflacionário acumulado, nele incluído o saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF. Excluem-se as parcelas atingidas pela decadência. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL Ano-calendário: 1995 Ementa: REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL — Improcede o lançamento, uma vez comprovada a existência de base de cálculo negativa de períodos anteriores declarada, não incluída no sistema de acompanhamento da repartição tributária (SAPLI). Lançamento Procedente em Parte." lrresignada com a decisão do juizo de primeiro grau, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 102/105), ratificando as razões de Impugnação. Tocante ao depósito recursal equivalente a 30% do crédito fiscal, fica este dispensado por se tratar o presente caso de base de cálculo negativa. É o Relatório. 3 44 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. : 11543.007192/99-50 Acórdão n°. : 108-08.244 VOTO Conselheiro LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Quanto à inaplicabilidade dos arts. 4° e 6° da Lei 9.065/95, andou bem a decisão de primeira instância ao se referir ao art. 18 do mesmo diploma legal, o qual refere que o início de vigência da dita lei seria o dia 1° de janeiro de 1995, exceto outros artigos que não se referem ao caso em tela. Isso porque o fato gerador do Imposto de Renda é do tipo conhecido como complexivo, ou seja, ele apenas se concretiza no exercício financeiro relativo a apresentação da declaração de rendimentos. Assim, a lei publicada antes deste momento está apta a alcançar o fato gerador ainda pendente, sendo esta a regra disposta no art. 105 do CTN, nestes termos: "Art. 105 — A legislação tributária aplica-se imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido inicio, mas não esteja completa nos termos do artigo 116. No mesmo entendimento, Noé Winkler, no livro Imposto de Renda — Estudos, Editora Resenha Tributária, São Paulo, 1987, ao citar o eminente tributarista Ricardo Mariz de Oliveira, pág. 98, assim refere: "...aquisições de disponibilidades econômicas ou jurídicas de renda ou proventos ocorridas dentro de um certo período de tempo podem ser alcançadas por lei nova, vigente apôs terem ocorrido, materialmente, cada uma de per si, desde que essa lei entre em vigor antes do término do período." , 4 7,/ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ••;=-;ltk,-> OITAVA CÂMARA Processo n°. : 11543.007192/99-50 Acórdão n°. : 108-08.244 Note-se que no Supremo Tribunal Federal a matéria já se encontra pacificada, conforme se depreende da transcrição da Súmula n° 584 do Excelso Pretório: "Ao imposto calculado sobre os rendimentos do ano-base, aplica-se a lei vigente no exercício financeiro em que deve ser apresentada a declaração." Portanto, não há qualquer reparo a ser feito na decisão recorrida neste sentido. Acerca da decadência argüida, melhor sorte não assiste à recorrente. No presente caso, tratando-se de matéria sobre lucro inflacionário, tem- se que a contagem da decadência deve ter como base o exercício em que deve ser tributada a sua realização, e não o período em que o lucro inflacionário foi apurado, haja vista que o Fisco não tem como efetuar este lançamento antes da sua realização. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em48 de março de 2005. / LUIZ A BERTO CAV MACEIRA 5 Page 1 _0026200.PDF Page 1 _0026300.PDF Page 1 _0026400.PDF Page 1 _0026500.PDF Page 1

score : 1.0
4702177 #
Numero do processo: 12466.003632/2004-79
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 02/07/1999 a 09/08/1999 Ementa: PRELIMINARES DE NULIDADE. As argüições são de cerceamento ao direito de defesa. Não houve falta de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), no máximo pode ter ocorrido falta de intimação a uma parte dos envolvidos quanto à prévia existência de MPF. As três questões suscitadas convergem a uma. A mera falta de exposição ao contribuinte do MPF pré-existente, é, por si só, incapaz de anular o lançamento. Ao contribuinte ao qual não foi apresentado o MPF, pode o fato servir como escusa à não apresentação de documentos e/ou esclarecimentos exigidos por auditor fiscal que não lhe apresentou previamente o MPF específico. Afastadas todas as preliminares argüidas. NÃO DECADÊNCIA. No caso de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial começa a fluir a partir dessa constatação, desde que a descoberta tenha ocorrido dentro do prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. A constatação neste caso se deu com o Relatório Telefonia Celular (RTC), em 28.10.2004, antes de concluído o prazo decadencial de cinco anos contados a partir da data do fato gerador mais antigo. Só então, a partir da constatação da fraude, passou a fluir o prazo decadencial definido no art.173, I, do CTN. As ciências das autuações aos interessados ocorreram em novembro e dezembro de 2004. Afastada a prejudicial de decadência. VALORAÇÃO ADUANEIRA EX OFFICIO. Os documentos que instruíram as DI’s, registradas em nome da RF TOTAL, foram apresentados por empresas inidôneas que indicavam como titular uma pessoa física que também figurava como sócio da RF TOTAL. O AVA prevê que a administração aduaneira em caso de dúvida sobre o valor de transação deve proceder a investigações complementares, deve dar ao importador a oportunidade de fornecer informações mais detalhadas e necessárias ao exame das circunstâncias da venda. No caso houve autuação do importador de direito, do suposto importador de fato e dos demais interessados na importação, todos levados ao pólo passivo da obrigação tributária, sendo nesse conjunto de pessoas que se poderiam buscar as evidências documentais e testemunhais do suposto esquema para subtração de tributos. A esse conjunto de pessoas correspondia o direito subjetivo de ter oportunidade para demonstrar a impropriedade da valoração aduaneira ex officio, por isso foi determinada a realização de diligência. RETORNO DA DILIGÊNCIA. SUBFATURAMENTO NA IMPORTAÇÃO. VALORAÇÃO ADUANEIRA. Restou evidenciado que nas DI’s - paradigmas explicitadas nestes autos se identificam importações de mercadorias efetivamente similares, em quantidades compatíveis, em épocas comparáveis, porém com indicação de valor de transação significativamente superior. A resposta à diligência determinada especificou com maior clareza as informações identificadoras do subfaturamento no preço de transação declarado, que já estavam descritas no Relatório Telefonia Celular (RTC) anexo aos autos de infração lavrados. A ligação societária entre a MOTOROLA e a CELLSTAR CORP alegada pelos recorrentes, ao contrário de poder justificar o oferecimento de valor sensivelmente reduzido para base de cálculo do imposto de importação nas operações sob julgamento administrativo, milita no sentido de rejeição do valor declarado de transação, reforçando o acerto da recusa pela autoridade aduaneira quanto à utilização do primeiro método de valoração. Resultou explicitado que os dados essenciais utilizados pela administração aduaneira para a valoração ex officio já estavam nos autos à disposição dos interessados. A providência saneadora de explicitação desses dados essenciais, bem como a oportunidade oferecida aos recorrentes de se manifestarem acerca dos documentos utilizados e também quanto a todas as informações adicionadas, ainda que não aproveitadas pelos intimados, vista a ausência de suas esperadas manifestações no prazo legal, é suficiente a afastar qualquer argüição de cerceamento ao direito de discutir a valoração produzida na autuação fiscal; houve a partir de então preclusão quanto a essa matéria. Os documentos acostados demonstram que foi adequado o método utilizado para a valoração aduaneira de ofício. Foram tomadas treze DI’s como paradigmas, nas quais constam os elementos essenciais utilizados na valoração, método, origem, nº da DI – paradigma, se similar a indicação do modelo utilizado, descrição dos bens, data da importação e quantidades negociadas. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA DOS SUJEITOS PASSIVOS. A sucessão de indícios levantados pela fiscalização permite no seu conjunto que se perceba que há entre os interessados apontados como responsáveis solidários entre si, e de todos em relação ao autuado na qualidade de contribuinte, RF TOTAL, um interesse comum na situação que constituiu os fatos geradores relacionados à importação de aparelhos celulares com valor declarado indevidamente reduzido. Essa qualidade perceptível caracteriza a obrigação tributária solidária. Justificado reunir as empresas e pessoas físicas indicadas nos autos de infração no mesmo pólo passivo, com exceção da empresa BLUE CLOUD PARTICIPAÇÕES LTDA que não existia à época dos fatos geradores das importações sob análise, não podendo a ela ser imputada responsabilidade por atos e fatos anteriores à sua constituição, tendo sido corretamente excluída do pólo passivo pela decisão a quo. RESPONSABILIDADE PELA INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. Ilícitos societários graves praticados pelo administrador serão, em princípio, hábeis a modificar a configuração do pólo passivo da relação jurídica tributária, que além de praticado com excesso de poderes, infração à lei, ao contrato social, ou aos estatutos, agrida o interesse e finalidades da sociedade. Na regra geral, é ilícito societário grave o praticado em nome da pessoa jurídica, mas no interesse pessoal do próprio agente administrador. Entretanto, há casos em que tanto o administrador que agiu com excesso de poderes, infração à lei ou ao contrato social, quanto a empresa se beneficiam, conjuntamente, da situação relacionada à infração tributária praticada. Nesse caso, a base legal para a responsabilidade não está apenas no art. 135, III, do CTN; o administrador responderá conjuntamente com a empresa pelo crédito tributário lançado, tributo e penalidade administrativa tributária, compatibilizando-se neste caso a norma antes citada com a prevista no art.124, I, do CTN, tendo em conta o interesse comum e o benefício de ambos com os resultados pretendidos indevidamente. As evidências apresentadas identificaram a prática de subfaturamento nas importações focadas. Os valores de transação formalmente declarados na importação pela empresa de fachada manipulada RF TOTAL, visavam beneficiar os reais adquirentes da mercadoria importada no Brasil, DICOM e seus gerentes, de fato ou de direito, quanto à situação analisada, que viriam a ser também os efetivos revendedores no mercado interno com a inicial perspectiva de redução ilícita da base de cálculo dos impostos incidentes na importação e, posteriormente, na transferência das mercadorias da RF TOTAL para a DICOM com valores três vezes superiores aos declarados, aumentar artificialmente custos para redução aparente de lucro (ou produzir prejuízos contábeis), e com isso formar recursos extracontábeis (caixa dois). Confrontando-se o disposto no art. 135, III, com o que prescreve o art. 124, I, ambos do CTN, pode-se concluir que neste caso devem responder solidariamente pela infração os interessados que se apresentaram como recorrentes neste processo, que havia interesse comum dos administradores e da empresa na situação que constituiu os fatos geradores das obrigações principais. MULTA AGRAVADA DE OFÍCIO. Apurada a ocorrência de fraude, por subfaturamento na importação, seria já aplicável a multa de 150% sobre os tributos sonegados por conseqüência do subfaturamento demonstrado. No caso concreto, houve ainda agravamento das multas de ofício aplicadas respectivamente sobre as diferenças apuradas de imposto de importação e de IPI-vinculado, para 225%. O agravamento das multas de ofício foi justificado pela não apresentação de esclarecimentos, arquivos e documentos no prazo determinado na intimação fiscal. AFASTADA A MULTA DO ART.526, III, RA/85. A interpretação mais adequada distingue que o subfaturamento na importação é entendido, nesta hipótese, para o intuito de pagar menos imposto, infração de caráter nitidamente tributário. No caso, não cabe punir com duas penalidades o mesmo fato do subfaturamento na importação, infração-meio em relação à finalidade de recolher menor valor de tributos na importação. No caso já foram lançadas as multas de ofício agravadas com relação às diferenças de imposto de importação e de IPI-vinculado, conforme previstas na Lei nº 9.430/96, devendo ser afastada a penalidade do art.526, III, do RA/85. JUROS SELIC INCIDENTES TAMBÉM SOBRE O VALOR REMANESCENTE DAS MULTAS LANÇADAS. Exceto no mês do pagamento, na vigência da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, os juros moratórios são equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) para títulos federais. Não importa se o valor do crédito a ser atualizado em favor da Fazenda Nacional decorre de multa de ofício lançada. Ainda assim cabe a sua atualização por meio dos juros de mora.
Numero da decisão: 303-34.941
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade do lançamento, sendo que o Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro votou pela conclusão. Por unanimidade de votos, afastar a prejudicial de decadência, sendo que os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli, Tarásio Campelo Borges, Silvio Marcos Barcelos Fiúza e Marciel Eder Costa, votaram pela conclusão. Por unanimidade de votos, afastar as preliminares de ilegitimidade passiva. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário quanto aos tributos. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário quanto à multa de oficio agravada, vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Nilton Luiz Bartoli, Silvio Marcos Barcelos Fiúza e Marciel Eder Costa que a desagravavam de 225% para 150%. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para afastar a multa administrativa, vencidos os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro e Anelise Daudt Prieto, que negaram provimento. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário quanto aos juros de mora, vencido o Conselheiro Marciel Eder Costa, que deu provimento parcial para excluir os juros de mora sobre a multa de oficio.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: Zenaldo Loibman

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento

dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 200712

turma_s : Terceira Câmara

dt_publicacao_tdt : Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2007

numero_processo_s : 12466.003632/2004-79

anomes_publicacao_s : 200712

conteudo_id_s : 4440813

dt_registro_atualizacao_tdt : Sun Jun 07 00:00:00 UTC 2020

numero_decisao_s : 303-34.941

nome_arquivo_s : 30334941_133303_12466003632200479_038.PDF

ano_publicacao_s : 2007

nome_relator_s : Zenaldo Loibman

nome_arquivo_pdf_s : 12466003632200479_4440813.pdf

secao_s : Terceiro Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade do lançamento, sendo que o Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro votou pela conclusão. Por unanimidade de votos, afastar a prejudicial de decadência, sendo que os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli, Tarásio Campelo Borges, Silvio Marcos Barcelos Fiúza e Marciel Eder Costa, votaram pela conclusão. Por unanimidade de votos, afastar as preliminares de ilegitimidade passiva. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário quanto aos tributos. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário quanto à multa de oficio agravada, vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Nilton Luiz Bartoli, Silvio Marcos Barcelos Fiúza e Marciel Eder Costa que a desagravavam de 225% para 150%. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para afastar a multa administrativa, vencidos os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro e Anelise Daudt Prieto, que negaram provimento. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário quanto aos juros de mora, vencido o Conselheiro Marciel Eder Costa, que deu provimento parcial para excluir os juros de mora sobre a multa de oficio.

dt_sessao_tdt : Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2007

id : 4702177

ano_sessao_s : 2007

ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 02/07/1999 a 09/08/1999 Ementa: PRELIMINARES DE NULIDADE. As argüições são de cerceamento ao direito de defesa. Não houve falta de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), no máximo pode ter ocorrido falta de intimação a uma parte dos envolvidos quanto à prévia existência de MPF. As três questões suscitadas convergem a uma. A mera falta de exposição ao contribuinte do MPF pré-existente, é, por si só, incapaz de anular o lançamento. Ao contribuinte ao qual não foi apresentado o MPF, pode o fato servir como escusa à não apresentação de documentos e/ou esclarecimentos exigidos por auditor fiscal que não lhe apresentou previamente o MPF específico. Afastadas todas as preliminares argüidas. NÃO DECADÊNCIA. No caso de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial começa a fluir a partir dessa constatação, desde que a descoberta tenha ocorrido dentro do prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. A constatação neste caso se deu com o Relatório Telefonia Celular (RTC), em 28.10.2004, antes de concluído o prazo decadencial de cinco anos contados a partir da data do fato gerador mais antigo. Só então, a partir da constatação da fraude, passou a fluir o prazo decadencial definido no art.173, I, do CTN. As ciências das autuações aos interessados ocorreram em novembro e dezembro de 2004. Afastada a prejudicial de decadência. VALORAÇÃO ADUANEIRA EX OFFICIO. Os documentos que instruíram as DI’s, registradas em nome da RF TOTAL, foram apresentados por empresas inidôneas que indicavam como titular uma pessoa física que também figurava como sócio da RF TOTAL. O AVA prevê que a administração aduaneira em caso de dúvida sobre o valor de transação deve proceder a investigações complementares, deve dar ao importador a oportunidade de fornecer informações mais detalhadas e necessárias ao exame das circunstâncias da venda. No caso houve autuação do importador de direito, do suposto importador de fato e dos demais interessados na importação, todos levados ao pólo passivo da obrigação tributária, sendo nesse conjunto de pessoas que se poderiam buscar as evidências documentais e testemunhais do suposto esquema para subtração de tributos. A esse conjunto de pessoas correspondia o direito subjetivo de ter oportunidade para demonstrar a impropriedade da valoração aduaneira ex officio, por isso foi determinada a realização de diligência. RETORNO DA DILIGÊNCIA. SUBFATURAMENTO NA IMPORTAÇÃO. VALORAÇÃO ADUANEIRA. Restou evidenciado que nas DI’s - paradigmas explicitadas nestes autos se identificam importações de mercadorias efetivamente similares, em quantidades compatíveis, em épocas comparáveis, porém com indicação de valor de transação significativamente superior. A resposta à diligência determinada especificou com maior clareza as informações identificadoras do subfaturamento no preço de transação declarado, que já estavam descritas no Relatório Telefonia Celular (RTC) anexo aos autos de infração lavrados. A ligação societária entre a MOTOROLA e a CELLSTAR CORP alegada pelos recorrentes, ao contrário de poder justificar o oferecimento de valor sensivelmente reduzido para base de cálculo do imposto de importação nas operações sob julgamento administrativo, milita no sentido de rejeição do valor declarado de transação, reforçando o acerto da recusa pela autoridade aduaneira quanto à utilização do primeiro método de valoração. Resultou explicitado que os dados essenciais utilizados pela administração aduaneira para a valoração ex officio já estavam nos autos à disposição dos interessados. A providência saneadora de explicitação desses dados essenciais, bem como a oportunidade oferecida aos recorrentes de se manifestarem acerca dos documentos utilizados e também quanto a todas as informações adicionadas, ainda que não aproveitadas pelos intimados, vista a ausência de suas esperadas manifestações no prazo legal, é suficiente a afastar qualquer argüição de cerceamento ao direito de discutir a valoração produzida na autuação fiscal; houve a partir de então preclusão quanto a essa matéria. Os documentos acostados demonstram que foi adequado o método utilizado para a valoração aduaneira de ofício. Foram tomadas treze DI’s como paradigmas, nas quais constam os elementos essenciais utilizados na valoração, método, origem, nº da DI – paradigma, se similar a indicação do modelo utilizado, descrição dos bens, data da importação e quantidades negociadas. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA DOS SUJEITOS PASSIVOS. A sucessão de indícios levantados pela fiscalização permite no seu conjunto que se perceba que há entre os interessados apontados como responsáveis solidários entre si, e de todos em relação ao autuado na qualidade de contribuinte, RF TOTAL, um interesse comum na situação que constituiu os fatos geradores relacionados à importação de aparelhos celulares com valor declarado indevidamente reduzido. Essa qualidade perceptível caracteriza a obrigação tributária solidária. Justificado reunir as empresas e pessoas físicas indicadas nos autos de infração no mesmo pólo passivo, com exceção da empresa BLUE CLOUD PARTICIPAÇÕES LTDA que não existia à época dos fatos geradores das importações sob análise, não podendo a ela ser imputada responsabilidade por atos e fatos anteriores à sua constituição, tendo sido corretamente excluída do pólo passivo pela decisão a quo. RESPONSABILIDADE PELA INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. Ilícitos societários graves praticados pelo administrador serão, em princípio, hábeis a modificar a configuração do pólo passivo da relação jurídica tributária, que além de praticado com excesso de poderes, infração à lei, ao contrato social, ou aos estatutos, agrida o interesse e finalidades da sociedade. Na regra geral, é ilícito societário grave o praticado em nome da pessoa jurídica, mas no interesse pessoal do próprio agente administrador. Entretanto, há casos em que tanto o administrador que agiu com excesso de poderes, infração à lei ou ao contrato social, quanto a empresa se beneficiam, conjuntamente, da situação relacionada à infração tributária praticada. Nesse caso, a base legal para a responsabilidade não está apenas no art. 135, III, do CTN; o administrador responderá conjuntamente com a empresa pelo crédito tributário lançado, tributo e penalidade administrativa tributária, compatibilizando-se neste caso a norma antes citada com a prevista no art.124, I, do CTN, tendo em conta o interesse comum e o benefício de ambos com os resultados pretendidos indevidamente. As evidências apresentadas identificaram a prática de subfaturamento nas importações focadas. Os valores de transação formalmente declarados na importação pela empresa de fachada manipulada RF TOTAL, visavam beneficiar os reais adquirentes da mercadoria importada no Brasil, DICOM e seus gerentes, de fato ou de direito, quanto à situação analisada, que viriam a ser também os efetivos revendedores no mercado interno com a inicial perspectiva de redução ilícita da base de cálculo dos impostos incidentes na importação e, posteriormente, na transferência das mercadorias da RF TOTAL para a DICOM com valores três vezes superiores aos declarados, aumentar artificialmente custos para redução aparente de lucro (ou produzir prejuízos contábeis), e com isso formar recursos extracontábeis (caixa dois). Confrontando-se o disposto no art. 135, III, com o que prescreve o art. 124, I, ambos do CTN, pode-se concluir que neste caso devem responder solidariamente pela infração os interessados que se apresentaram como recorrentes neste processo, que havia interesse comum dos administradores e da empresa na situação que constituiu os fatos geradores das obrigações principais. MULTA AGRAVADA DE OFÍCIO. Apurada a ocorrência de fraude, por subfaturamento na importação, seria já aplicável a multa de 150% sobre os tributos sonegados por conseqüência do subfaturamento demonstrado. No caso concreto, houve ainda agravamento das multas de ofício aplicadas respectivamente sobre as diferenças apuradas de imposto de importação e de IPI-vinculado, para 225%. O agravamento das multas de ofício foi justificado pela não apresentação de esclarecimentos, arquivos e documentos no prazo determinado na intimação fiscal. AFASTADA A MULTA DO ART.526, III, RA/85. A interpretação mais adequada distingue que o subfaturamento na importação é entendido, nesta hipótese, para o intuito de pagar menos imposto, infração de caráter nitidamente tributário. No caso, não cabe punir com duas penalidades o mesmo fato do subfaturamento na importação, infração-meio em relação à finalidade de recolher menor valor de tributos na importação. No caso já foram lançadas as multas de ofício agravadas com relação às diferenças de imposto de importação e de IPI-vinculado, conforme previstas na Lei nº 9.430/96, devendo ser afastada a penalidade do art.526, III, do RA/85. JUROS SELIC INCIDENTES TAMBÉM SOBRE O VALOR REMANESCENTE DAS MULTAS LANÇADAS. Exceto no mês do pagamento, na vigência da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, os juros moratórios são equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) para títulos federais. Não importa se o valor do crédito a ser atualizado em favor da Fazenda Nacional decorre de multa de ofício lançada. Ainda assim cabe a sua atualização por meio dos juros de mora.

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:27:31 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713043177336733696

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-11-10T14:45:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-11-10T14:45:21Z; Last-Modified: 2009-11-10T14:45:23Z; dcterms:modified: 2009-11-10T14:45:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-11-10T14:45:23Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-11-10T14:45:23Z; meta:save-date: 2009-11-10T14:45:23Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-11-10T14:45:23Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-11-10T14:45:21Z; created: 2009-11-10T14:45:21Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 38; Creation-Date: 2009-11-10T14:45:21Z; pdf:charsPerPage: 1766; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-11-10T14:45:21Z | Conteúdo => CCO3/CO3 Fls. 1n MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - TERCEIRA CÂMARA- Processo n° 12466.003632/2004-79 Recurso n° 133.303 De Oficio e Voluntário Matéria VALOR ADUANEIRO Acórdão n° 303-34.941 Sessão de 4 de dezembro de 2007 Recorrentes RF TOTAL COMERCIAL LTDA. DRJ-FLORIANÓPOLIS/SC • Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 02/07/1999 a 09/08/1999 Ementa: PRELIMINARES DE NULIDADE. As argüições são de cerceamento ao direito de defesa. Não houve falta de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), no máximo pode ter ocorrido falta de intimação a uma parte dos envolvidos quanto à prévia existência de MPF. As três questões suscitadas convergem a uma. A mera falta de exposição ao contribuinte do MPF pré-existente, é, por si só, incapaz de anular o lançamento. Ao contribuinte ao qual não foi apresentado o MPF, pode o fato servir como escusa à não apresentação de documentos e/ou 11110 esclarecimentos exigidos por auditor fiscal que não lhe apresentou previamente o MPF específico. Afastadas todas as preliminares argüidas. NÃO DECADÊNCIA. No caso de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial começa a fluir a partir dessa constatação, desde que a descoberta tenha ocorrido dentro do prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. A constatação neste caso se deu com o Relatório Telefonia Celular (RTC), em 28.10.2004, antes de concluído o prazo decadencial de cinco anos contados a partir da data do fato gerador mais antigo. Só então, a partir da constatação da fraude, passou a fluir o prazo decadencial definido no art.173, I, do CTN. As ciências das autuações aos interessados ocorreram em novembro e dezembro de 2004. Afastada a prejudicial de decadência. VALORAÇÃO ADUANEIRA EX OFFICIO. Os documentos que instruíram as DI's, registradas em é*, n processo n.° 12466.003632/2004-79 CCO3/CO3 / Acórdão) n.° 303-34.941 Fls. 2 nome da RF TOTAL, foram apresentados por empresas inidôneas que indicavam como titular uma pessoa fisica que também figurava como sócio da RF TOTAL. O AVA prevê que a administração aduaneira em caso de dúvida sobre o valor de transação deve proceder a investigações complementares, deve dar ao importador a oportunidade de fornecer informações mais detalhadas e necessárias ao exame das circunstâncias da venda. No caso houve autuação do importador de direito, do suposto importador de fato e dos demais interessados na importação, todos levados ao pólo passivo da obrigação tributária, sendo nesse conjunto de pessoas que se poderiam buscar as evidências documentais e testemunhais do suposto esquema para • subtração de tributos. A esse conjunto de pessoas correspondia o direito subjetivo de ter oportunidade para demonstrar a impropriedade da valoração aduaneira ex officio, por isso foi determinada a realização de diligência. RETORNO DA DILIGÊNCIA. SUBFATURAMENTO NA IMPORTAÇÃO. VALORAÇÃO ADUANEIRA. Restou evidenciado que nas DI's - paradigmas explicitadas nestes autos se identificam importações de mercadorias efetivamente similares, em quantidades compatíveis, em épocas comparáveis, porém com indicação de valor de transação significativamente superior. A resposta à diligência determinada especificou com maior clareza as informações identificadoras do subfaturamento no preço de transação declarado, que já estavam • descritas no Relatório Telefonia Celular (RTC) anexo aos autos de infração lavrados. A ligação societária entre a MOTOROLA e a CELLSTAR CORP alegada pelos recorrentes, ao contrário de poder justificar o oferecimento de valor sensivelmente reduzido para base de cálculo do imposto de importação nas operações sob julgamento administrativo, milita no sentido de rejeição do valor declarado de transação, reforçando o acerto da recusa pela autoridade aduaneira quanto à utilização do primeiro método de valoração. Resultou explicitado que os dados essenciais utilizados pela administração aduaneira para a valoração ex officio já estavam nos autos à disposição dos interessados. A providência saneadora de explicitação desses dados essenciais, bem como a oportunidade oferecida aos recorrentes de se manifestarem acerca dos documentos utilizados e também quanto a todas as informações adicionadas, l'rocesso n.° 12466.003632/2004-79 CCO3/CO3 o Acórdãà n.° 303-34.941 Fls. 3 ainda que não aproveitadas pelos intimados, vista a ausência de suas esperadas manifestações no prazo legal, é suficiente a afastar qualquer argüição de cerceamento ao direito de discutir a valoração produzida na autuação fiscal; houve a partir de então preclusão quanto a essa matéria. Os documentos acostados demonstram que foi adequado o método utilizado para a valoração aduaneira de oficio. Foram tomadas treze DI's como paradigmas, nas quais constam os elementos essenciais utilizados na valoração, método, origem, n° da DI — paradigma, se similar a indicação do modelo utilizado, descrição dos bens, data da importação e quantidades negociadas. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA DOS SUJEITOS PASSIVOS. A sucessão de indícios levantados pela 4111 fiscalização permite no seu conjunto que se perceba que há entre os interessados apontados como responsáveis solidários entre si, e de todos em relação ao autuado na qualidade de contribuinte, RF TOTAL, um interesse comum na situação que constituiu os fatos geradores relacionados à importação de aparelhos celulares com valor declarado indevidamente reduzido. Essa qualidade perceptível caracteriza a obrigação tributária solidária. Justificado reunir as empresas e pessoas fisicas indicadas nos autos de infração no mesmo pólo passivo, com exceção da empresa BLUE CLOUD PARTICIPAÇÕES LTDA que não existia à época dos fatos geradores das importações sob análise, não podendo a ela ser imputada responsabilidade por atos e fatos anteriores à sua constituição, tendo sido corretamente excluída do pólo passivo pela decisão a quo. RESPONSABILIDADE PELA INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. Ilícitos societários graves praticados pelo administrador serão, em princípio, hábeis a modificar a configuração do pólo passivo da relação jurídica tributária, que além de praticado com excesso de poderes, infração à lei, ao contrato social, ou aos estatutos, agrida o interesse e finalidades da sociedade. Na regra geral, é ilícito societário grave o praticado em nome da pessoa jurídica, mas no interesse pessoal do próprio agente administrador. Entretanto, há casos em que tanto o administrador que agiu com excesso de poderes, infração à lei ou ao contrato social, quanto a empresa se beneficiam, conjuntamente, da situação relacionada à infração tributária praticada. Nesse caso, a base legal para a responsabilidade não está apenas no art. 135, III, do Processo n.° 12466.003632/2004-79 CCO3/CO3 g Acórdão n.° 303-34.941 Fls. 4 CTN; o administrador responderá conjuntamente com a empresa pelo crédito tributário lançado, tributo e penalidade administrativa tributária, compatibilizando-se neste caso a norma antes citada com a prevista no art.124, I, do CTN, tendo em conta o interesse comum e o beneficio de ambos com os resultados pretendidos indevidamente. As evidências apresentadas identificaram a prática de subfaturamento nas importações focadas. Os valores de transação formalmente declarados na importação pela empresa de fachada manipulada RF TOTAL, visavam beneficiar os reais adquirentes da mercadoria importada no Brasil, DICOM e seus gerentes, de fato ou de direito, quanto à situação analisada, que viriam a ser também os efetivos revendedores no mercado • interno com a inicial perspectiva de redução ilícita da base de cálculo dos impostos incidentes na importação e, posteriormente, na transferência das mercadorias da RF TOTAL para a DICOM com valores três vezes superiores aos declarados, aumentar artificialmente custos para redução aparente de lucro (ou produzir prejuízos contábeis), e com isso formar recursos extracontábeis (caixa dois). Confrontando-se o disposto no art. 135, III, com o que prescreve o art. 124, I, ambos do CTN, pode-se concluir que neste caso devem responder solidariamente pela infração os interessados que se apresentaram como recorrentes neste processo, que havia interesse comum dos administradores e da empresa na situação que constituiu os fatos geradores das obrigações principais. 1110 MULTA AGRAVADA DE OFÍCIO. Apurada a ocorrência de fraude, por subfaturamento na importação, seria já aplicável a multa de 150% sobre os tributos sonegados por conseqüência do subfaturamento demonstrado. No caso concreto, houve ainda agravamento das multas de oficio aplicadas respectivamente sobre as diferenças apuradas de imposto de importação e de IPI- vinculado, para 225%. O agravamento das multas de oficio foi justificado pela não apresentação de esclarecimentos, arquivos e documentos no prazo determinado na intimação fiscal. AFASTADA A MULTA DO ART.526, III, RA/85. A interpretação mais adequada distingue que o subfaturamento na importação é entendido, nesta hipótese, para o intuito de pagar menos imposto, infração de caráter nitidamente tributário. No caso, não cabe punir com duas penalidades o mesmo fato Processo n.° 12466.003632/2004-79 CCO3/CO3 Acórclãe n.° 303-34.941 Fls. 5 do subfaturamento na importação, infração-meio em relação à finalidade de recolher menor valor de tributos na importação. No caso já foram lançadas as multas de oficio agravadas com relação às diferenças de imposto de importação e de IPI-vinculado, conforme previstas na Lei n° 9.430/96, devendo ser afastada a penalidade do art.526, III, do RA/85. JUROS SELIC INCIDENTES TAMBÉM SOBRE O VALOR REMANESCENTE DAS MULTAS LANÇADAS. Exceto no mês do pagamento, na vigência da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, os juros moratórios são equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) para títulos federais. Não importa se o valor do crédito a ser atualizado em favor da Fazenda Nacional decorre de multa de oficio lançada. Ainda assim cabe a sua atualização por meio dos juros de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade do lançamento, sendo que o Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro votou pela conclusão. Por unanimidade de votos, afastar a prejudicial de decadência, sendo que os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli, Tarásio Campelo Borges, Silvio Marcos Barcelos Fiúza e Marciel Eder Costa, votaram pela conclusão. Por unanimidade de votos, afastar as preliminares de ilegitimidade passiva. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário quanto aos tributos. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário quanto à multa de oficio agravada, vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Nilton Luiz Bartoli, Silvio Marcos Barcelos Fiúza e Marciel Eder Costa que a desagravavam de 225% para 150%. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para afastar a multa administrativa, vencidos os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro e Anelise Daudt Prieto, que negaram provimento. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário quanto aos juros de mora, vencido o Conselheiro Marciel Eder Costa, que deu provimento parcial para excluir os juros de mora sobre a multa de oficio. lAi ANELISE D • DT PRIETO - Presidente orp Z A 13 LOIBMAN - Relator Processo n.° 12466.003632/2004-79 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-34.941 Fls. 6 Relatório O presente processo trata dos créditos tributários constituídos nos autos de infração de fls.05/16, 17/28 e 29/36, com exigência de créditos tributários em relação aos contribuintes RF TOTAL COMERCIAL LTDA e dos responsáveis solidários DICOM TELECOMUNICAÇÕES LTDA, TC IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., BLUE CLOUD PARTICIPAÇÕES LTDA, CLÁUDIO ROSSI ZAMPINI, JOÃO CARLOS ROSSI ZAMPINI E THIMOTHY LOUIS MARETTI. Considera-se aqui o inteiro teor do relatório constante às fls.2.840/2.890. A Terceira Câmara na sessão realizada em 15.08.2006, por meio da Resolução n° 303-01.182, determinou a realização de diligência por considerar necessário complementar a instrução destes autos, solicitando especialmente informações acerca dos dados da (s) DI(s) paradigma (s) utilizada (s), e dos eventuais ajustes feitos sobre eles, informações importantes • porque a partir daqueles paradigmas houve definição do valor aduaneiro descartando-se os preços de transação indicados nas DI's registradas pelo importador. A diligência determinada à repartição de origem foi para que: (1°) informasse se foram efetivamente aceitos, e em valor suficiente, os bens arrolados pelos interessados em garantia recursal; (2°) promovesse o suprimento instrutório destes autos referente à(s) DI(s) tomadas como paradigma, explicitando os dados significativos à valoração aduaneira. Acrescentou-se que deveria a fiscalização explicitar os ajustes que eventualmente mereceram tais dados para se chegar ao valor aduaneiro assumido nas autuações em foco. Determinou-se, ainda, que essas novas informações, a serem adicionadas ao presente processo, deveriam ser levadas, antes do retorno destes autos, ao conhecimento dos 111 autuados, para que no prazo legal, se quisessem, pudessem analisá-las ou contestá-las. Somente depois de facultadas essas informações ao conhecimento dos recorrentes, e esgotado o prazo legal para as suas contestações, deveria o presente processo retornar a este Conselho de Contribuintes. Em cumprimento à diligência foram juntados aos autos os documentos de fls.2.898/3.340, e mais 06(seis) folhas não numeradas, sendo que quatro delas são originais assinados pelo AFTF Luciano Rocha Madeira, Matrícula 495.189, SECAT/ALF/VIT, e são intimações para ciência da RESOLUÇÃO 303-01.182, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho, bem como da documentação de fls.2.839/3.337, juntada aos autos por decorrência da diligência, a JOÃO CARLOS ROSSI ZAMPINI, CLÁUDIO ROSSI ZAMPINI e DICOM TELECOMUNICAÇÕES LTDA, constando no verso de cada folha o AR correspondente. A última folha assinada pelo mesmo AFRF acima identificado, em 22.02.2007, é um sucinto despacho de encaminhamento dos autos ao Terceiro Conselho sem nada dizer expressamente a respeito de ter havido, ou não, preclusão do prazo para manifestação dos interessados acerca da documentação acrescida aos autos (seria a fl.3.346, se tomada como referência a última folha numerada na origem, que é a fl.3.340). , Processo n.° 12466.003632/2004-79 CCO3/CO3 . Acórdão n.° 303-34.941 Fls. 7 As intimações foram realizadas em novembro e dezembro de 2006, conforme AR's constantes nos versos das folhas de intimação no final do volume XIV, não numeradas na origem, conforme acima se registrou, mas que foram anexadas na repartição de origem em seqüência à fl.3.340 (última numerada), e deveriam pela ordem corresponder às fls.3.343, 3.344 e 3.345. O despacho de reencaminhamento dos autos ao Terceiro Conselho é de 22.02.2007, o que tacitamente aponta que o prazo de trinta dias a partir da ciência da intimação concedida para a manifestação dos interessados se esgotou sem qualquer aproveitamento. Dentre os documentos juntados pela repartição de origem se encontra, às fls.2.898/3.311, os referentes a informações consideradas necessárias às providências solicitadas pela Alfândega do Porto de Vitória à Procuradoria da República no Espírito Santo para assegurar na via judicial a adoção de medidas cautelares no sentido de tornar indisponíveis os bens discriminados em anexo, integrantes dos patrimônios das pessoas fisicas e jurídicas apontadas no mesmo oficio como, em tese, responsáveis pela prática de crimes tributários e penais, de modo a salvaguardar créditos tributários lançados da ordem de R$ 375 milhões. Foram juntadas às fls.3.312/3.326 cópias de documentos referentes à DI 98/0989863-0, registrada em 05.10.1998, à DI 99/0227677-6, registrada em 22.03.1999, e à DI 98/12539-7, registrada em 30.11.1998. Constam, às fls.3.327/3.330, informações acerca do aparelho celular modelo "Nokia 6120** Phone". Estão às fls.3.331/3.333 cópias de documentos referentes à ordem judicial de apreensão dos veículos ali relacionados, cujo depositário CLÁUDIO ROSSI ZAMPINI removeu os referidos veículos do local onde se encontravam sem informar ao juízo a localidade atual dos mesmos, bem como o registro do cumprimento, em 24.04.2006, da ordem judicial de apreensão pela Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários ligada à Superintendência Regional da Polícia Federal em São Paulo. Por fim, consta às fls. 3.334/3.336 informação fiscal de autoria do AFRF Rodrigo Torres Teixeira Leite, Matrícula n° 64.862, de 30.10.2006, acerca do suprimento instrutório requerido pela Resolução 303-01.182, de 15 de agosto de 2006. A seguir se transcreve a parte substancial da informação fiscal. • - Em primeiro lugar, afirma que em tese a eventual não juntada de DI's tomadas como paradigma de valor não desmereceria o presente processo administrativo porque todos os elementos indispensáveis à avaliação dos critérios de valoração utilizados foram, exaustivamente, explicitados no Relatório Telefonia Celular (RTC), na Parte V, intitulada Valoração Aduaneira. Afirma que os únicos elementos omitidos no RTC com relação às tais DI's foram os nomes dos importadores, que a SRF entende estarem protegidos pelo sigilo fiscal, sendo legalmente vedada sua exposição. Mas que, conforme está determinado no Manual de Auditoria de Valoração Aduaneira 2006, aprovado pela COANA, haviam sido anexadas no RTC, que compõe estes autos, cópias das DI's utilizadas contendo as partes relevantes para a valoração, porém com o cuidado de não identificar a denominação/razão social do contribuinte ou seu endereço.(grifos nossos). Contudo, a despeito de entender que a divulgação dos nomes dos importadores estaria condicionada a uma autorização judicial, em cumprimento ao determinado na Resolução do Conselho de Contribuintes, foram anexadas cópias das declarações paradigmas utilizadas para a valoração das importações realizadas em nome da RF TOTAL, às fls.3.312/3.326. Reafirma, contudo, que todos os elementos indispensáveis à valoração já , s Processo n.° 12466.003632/2004-79 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-34.941 Fls. 8 constavam no RTC, não havendo a omissão de nenhum dado que pudesse representar prejuízo à defesa do contribuinte. Acredita, entretanto, que aos que assim não percebem, parece haver desconhecimento da legislação que rege a matéria. Destaca, então, que os documentos que instruíram as DI's, registradas pela RF TOTAL, foram emitidos pelas empresas "fantasmas" DATA AIR e TALENT BUSINESS cujo titular Rufino Ferreira Pinto Filho também era sócio da RF TOTAL. São documentos inidôneos, ideologicamente e materialmente falsos, inaceitáveis como provas. Reclama que estando comprovada a fraude, tornou-se despropositada a afirmação contida no voto condutor da Resolução do Conselho de Contribuintes de que haveria para os autuados responsáveis solidários o "direito subjetivo de tentar demonstrar a impropriedade da autuação, ou de algum aspecto da autuação, por exemplo, a descaracterização do valor de transação promovida pela autuação". Que não há elemento que pudesse ser trazido aos autos capaz de transformar o falso em verdadeiro, para assim se acatar a utilização do primeiro método de valoração. Que não se pode olvidar que só se discute valoração aduaneira com quem existe ou quem se presta a fornecer informações. Sendo "laranjas" os importadores e exportadores, e como a RF TOTAL, e os demais 1111 responsáveis solidários, não atenderam às intimações da fiscalização, não caberia mais em sede recursal discutir a valoração porque houvera preclusão desta matéria. Continua, por afirmar, que o RTC não traz apenas uma única DI paradigma, "misteriosa" ou "secreta", conforme sugerem os autuados e, pelo que lhe pareceu, também o relator, mas sim 13 DI's, às fls.161/173, nas quais constam os elementos utilizados na valoração: método, origem, n° da DI — paradigma, se similar, a indicação do modelo utilizado, descrição dos bens e quantidades negociadas. Assegura que não se incorreu no erro óbvio sugerido pelos autuados de "comparar carro de luxo com popular", que assim não seriam similares. Mas, não foram necessários ajustes em razão das quantidades porque no caso em questão o nível comercial e quantidade correspondente a cada DI-paradigma considerada, são compatíveis com os constantes na DI respectivamente valorada. A apuração do valor, descrita no item 5.10 do RTC (fls.138), traz o n° da DI valorada e o n° da DI-paradigma. Assim, por exemplo, a DI n° 99/0540539-9, que se refere à 111 importação de 14.520 aparelhos Motorola Ultratac 700a, declarados por US$ 61,00, pela RF TOTAL, foram valorados com base na DI paradigma n° 98/0989863-0, por US$ 180,23, na qual a importadora "secreta" MOTOROLA INDUSTRIAL LTDA importou 11.960 aparelhos IDÊNTICOS (grifos do AFRF autor da informação). Assim se constatou que a fabricante MOTOROLA INC exportou idêntico produto para a MOTOROLA DO BRASIL por US$ 180,23, e não cabe aceitar que os autuados o tivessem importado da mesma fonte por um terço do preço. Ressalta que as DI's 99/0540540-2, 99/0604848-4 e 99/0656078-9 (fls.138 e fls.3.316) registradas em nome da RF TOTAL se referem ao mesmo equipamento, daí porque foram valoradas com base na mesma DI paradigma n° 98/0989863-0. Esclarece que não consta na DI o nome do importador em razão de estar suspenso o CNPJ da filial da MOTOROLA INDUSTRIAL LTDA, contudo, na tela do SISCOMEX- Consulta DI- está consignado o n° de inscrição deste importador (fls.3.316). A DI n° 99/0594936-4, registrada pela RF TOTAL, se refere à importação de 13.440 aparelhos celulares da marca LG, modelo LGC DIG 330WB, supostamente adquiridos por US$ 52,30, e foram valorados com base na DI paradigma n° 99/0227677-6, pelo valor de • P.rocesso n.° 12466.003632/2004-79 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-34.941 Fls. 9 US$ 215,00, importados por TEREX IMP.EXP.LTDA (Atual CISA TRADING S/A), sendo que o importador na DI paradigma importou 12.000 unidades de produto IDÊNTICO. As DI's n° 99/0594522-9, 99/0594937-2, 99/0613309-0, 99/0613310-4, 99/0658489-0 e 99/0658490-4, registradas pela RF TOTAL, referentes ao mesmo produto LGC DIG 330WB foram valoradas com base na mesma DI paradigma n° 99/0227677-6. Informa, por fim, que a DI n° 99/0604846-8, formalizada em nome da RF TOTAL, é relativa à importação de 5.950 aparelhos Nokia modelo 6120, por US$ 54,60, que foram valorados com base na DI paradigma n° 98/1203539-7, pela qual a NOKIA DO BRASIL LTDA importa do mesmo fabricante, NOKIA MOBILE PHONES INC, 4.998 aparelhos SIMILARES, modelo 2180 (mais simples), por US$ 168,00 (vide fls. 3.327/3330). Conclui afirmando que não se pode dizer que a omissão inicial apenas dos nomes dos importadores relacionados às DI's tomadas como paradigma no RTC pudesse de alguma forma prejudicar a defesa dos autuados. Afirma que, ao contrário, a explicitação agora daqueles nomes apenas reforça a certeza da falsidade das informações nas faturas e declarações prestadas pelos envolvidos com relação à valoração aduaneira dos bens. É o Relatório. ' Processo n.° 12466.003632/2004-79 CCO3/CO3 Acórdãe n.° 303-34.941 Fls. 10 Voto Conselheiro ZENALDO LOIBMAN, Relator A matéria apresentada é da competência do Terceiro Conselho de Contribuintes e estão presentes os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário. De plano se considera desnecessário apreciar as providências relacionadas com a demonstração da efetividade da garantia recursal, posto que mais recentemente, depois da sessão que determinou a diligência, houve decisão do Pretório Excelso, em meio ao controle concentrado de constitucionalidade, no sentido de ser inexigível a garantia recursal no processo administrativo. Lembra-se aqui que os três autos de infração foram lavrados contra a RF 411 TOTAL, como contribuinte (embora empresa de fachada), e, contra a DICOM, a TC, a BLUE CLOUD, CLÁUDIO ZAMPINI, JOÃO CARLOS ZAMPINI E THIMOTY MARETTI, como responsáveis solidários, com base nos artigos 124 e 135, do CTN. Com exceção do último, os demais apresentaram tempestivamente suas impugnações, porém, apenas DICOM, CLÁUDIO ZAMPINI E JOÃO CARLOS ZAMPINI apresentaram os respectivos recursos voluntários tempestivamente. A BLUE CLOUD PARTICIPAÇÕES LTDA foi corretamente excluída da lide pela decisão recorrida porque não existia ainda à época dos fatos geradores das importações sob análise. Entretanto, dada a hipótese de solidariedade na responsabilidade tributária, as razões de recurso apresentadas, em princípio, aproveitam a todos os autuados em face do litisconsórcio passivo estabelecido, com exceção de alegações relativas a eventuais penalidades de caráter pessoal. Dada a configuração da autuação, contra o contribuinte e contra responsáveis solidários, as razões de impugnação e recurso serão apreciadas em conjunto quanto aos fatos que dizem respeito a todos os sujeitos passivos, vale dizer, imputação de fraudes e conluio em importações subfaturadas, créditos e transferências de recursos em espécie entre os participantes do esquema de importação subfaturada, para ludibriar o Fisco, com utilização de interpostas pessoas, pessoas jurídicas criadas para fachada, e falhas de escrituração, tudo com objetivo de pagar tributo menor que o devido nas importações. No entanto, neste voto, a responsabilidade tributária e a responsabilidade por infração merecerão análise apartada. A lide abrange questões preliminares, sendo a primeira, uma argüição de nulidade do processo por cerceamento ao direito de defesa por alegado desconhecimento de alguns dos interessados quanto à existência do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e quanto aos seus termos, e uma segunda argüição, é que seria ato nulo o lançamento realizado sem ter havido a prévia expedição de MPF. Quanto ao MPF, alegaram seu desconhecimento apenas: DICOM, TC e RF TOTAL (dessas apenas a DICOM apresentou tempestivo recurso voluntário). Entretanto, observa-se que os MPF referentes a eles, e também com relação à BLUE CLOUD estão às fls.01/04, portanto existiam. No caso da DICOM, foi certamente cientificada do MPF n° 2002.02.466-7, mediante o termo de fls.500, posto aue às fls. 502 consta sua resposta com 1(1( , ' Processo n.° 12466.003632/2004-79 • CCO3/CO3 , Acórdão n.° 303-34.941 Fls. 11 referência expressa ao citado MPF. Não consta dos autos a informação quanto a se houve ciência por parte dos outros dois envolvidos acima referidos que não apresentaram recurso. Entretanto, ressalta-se a título de informação, que ao contribuinte ao qual não foi apresentado o MPF antes da autuação, pode o fato servir como escusa à não apresentação de documentos e/ou esclarecimentos exigidos por auditor fiscal (que não lhe apresentou previamente o MPF específico). Do contrário, no que toca ao caráter externo do MPF acima destacado, não seria efetiva a norma administrativa de segurança que o ato normativo da SRF pretendeu garantir como um direito subjetivo do cidadão contribuinte. Portanto, nos casos em que o investigado deixe de apresentar documentos/esclarecimentos exigidos por agente fiscal da SRF que não lhe exibiu previamente o MPF, descabe, em princípio, a aplicação de agravamento de multa por essa motivação específica de não atendimento ao que eventualmente foi solicitado pelo autuante. Que a não-apresentação permite, por parte do contribuinte, a presunção de inexistência do MPF, ou de não estar o auditor autorizado pela administração a proceder àquela fiscalização (Nesses termos, em tese, apenas não caberia agravamento por falta de atendimento à fiscalização em relação à TC e à RF, que, entretanto, não apresentaram recurso). Contudo, o lançamento autorizado pela administração, via MPF, e efetivado por autoridade legalmente competente, no caso AFRF, ainda quando o MPF não tenha sido eventualmente cientificado ao interessado antes da ciência da lavratura do auto de infração, é, mesmo assim, lançamento válido. Relembra-se, por fim, que no presente caso, em face do que acima foi exposto, nenhum dos recorrentes pode se beneficiar da argüição de falta de citação quanto a existência de MPF, posto que segundo consta dos autos, a DICOM foi expressamente intimada. Já a TC e a RF TOTAL não apresentaram recurso voluntário. A questão real que ainda resta enfrentar é se os lançamentos seriam nulos, por cerceamento ao direito de defesa, com base na alegação de que um dos responsáveis solidários autuados, TC, e também a RF TOTAL, suposta contribuinte autuada e apontada como empresa de fachada para o esquema de importações subfaturadas, não teriam sido intimados previamente da existência do MPF que autorizou a fiscalização, da qual resultaram os 11 lançamentos tributários sob análise. A rigor, percebe-se ainda implícita a argüição de uma terceira questão preliminar que deriva também da suposta falta de intimação a uma parte dos envolvidos quanto ao MPF, pela qual se pretende acusar nulidade do procedimento pelo menos em relação à uma parte dos envolvidos (RF TOTAL e TC), porque seria nulo o próprio procedimento de fiscalização, ou seja, a investigação fiscal sem o suporte de prévio MPF seria ato administrativo nulo. Contudo, observa-se nos autos, neste ponto, que não houve falta de MPF, no máximo pode ter ocorrido falta de intimação a uma parte dos envolvidos quanto à prévia existência de MPF. Com o que convergem a uma as três primeiras questões apresentadas. Entendo que o MPF é precipuamente ato administrativo de controle, por parte da SRF, quanto às próprias fiscalizações. Está previsto na Portaria SRF 1.265/99, editada pelos motivos expostos na Mensagem n° 11/2001, mas, sem dúvida, cumpre um duplo papel, um de caráter interno à administração tributária, de preservação da hierarquia e disciplina, de controle da produtividade dos auditores, dos prazos de fiscalização, etc., e outro, de caráter externo, no sentido de propiciar a segurança ao contribuinte selecionado de que estará sendo oficialmente auditado por servidor competente destacado pela administração tributária, com nome e s • Processo n.° 12466.003632/2004-79 CCO3/CO3 . Acórdão n.° 303-34.941 Fls. 12 matricula indicados, indicação do objeto do exame, da duração prevista para a sua execução, dos períodos abrangidos, tudo no sentido de conferir ao cidadão maior segurança em face da possibilidade de abusos, de atuação criminosa de "falsos auditores", ou mesmo de auditores que não estejam oficialmente autorizados a agir em nome da administração tributária. Aproveito, então, para explicitar minha discordância em relação à assertiva da i. DRJ de que aos órgãos julgadores administrativos (DRJ e Conselho de Contribuintes) não seria dado apreciar a validade/invalidade de atos administrativos de vinculo hierárquico, de competência das DRF/IRF, entre os quais incluiu o MPF. Ora, s.m.j., a primeira função dos órgãos julgadores administrativos, ainda que não única, é de propiciar à administração um controle da legalidade dos próprios atos, e qualquer que seja o ato administrativo praticado pela autoridade lançadora em nome da SRF, é dever da DRJ, e depois do Conselho de Contribuintes, avaliar se o procedimento se realizou de modo legal e válido, devendo assim ser mantido, ou se deve de alguma forma ser refeito ou saneado, ou simplesmente ser anulado por ilegalidade. Neste caso, entretanto, está claro que houve a emissão de MPF com relação a todos os autuados, somente há a questão, lançada por alguns dos envolvidos, de que o MPF não lhes foi apresentado nem dado a conhecer previamente à autuação. Quanto à questão posta em tese, defendida no voto condutor da decisão recorrida, de que seria válido um lançamento mesmo sem a existência de MPF, reservo-me o direito de sucintamente dizer que no meu entender não cabe uma resposta absoluta, podendo em face das eventuais circunstâncias ser, ou não, válido o lançamento, mas este não é o caso sob exame. No caso concreto, estou de acordo apenas com as conclusões apresentadas pela r. decisão recorrida, no sentido de que se há o MPF, e o servidor que lavra a autuação é Auditor Fiscal competente em face da lei para o ato de lançamento, a mera falta de exposição ao contribuinte do MPF pré-existente à autuação, é, por si só, incapaz de anular o lançamento. Entendo que também não cabe a alegação de cerceamento ao direito de defesa pelo fato de que alguns dos alvos da autuação (por sinal, ausentes da fase recursal), não tenham• sido cientificados, previamente ao lançamento, da existência de MPF. O procedimento de fiscalização, prévio à lavratura do auto de infração, é obviamente também anterior à instauração da lide, ou seja, é anterior ao chamado processo administrativo fiscal. Aquela primeira fase é inquisitorial, e pode mesmo se desenvolver com o objetivo de colher dados e provas que possam sustentar suspeitas iniciais, muitas vezes derivadas de denúncias, e podem até exigir que a administração aja em busca de confirmações e provas antes mesmo de dar ciência ao suposto infrator, do MPF, ou já diretamente do auto de infração, especialmente, nos casos que envolvam esquemas suspeitos de fraude e simulação, que se precise desmascarar, e que deverão ser demonstrados no âmbito do processo administrativo e/ou judicial. Mas, é claro que uma vez cientificado o interessado do auto de infração, este deve dispor da garantia constitucional e legal de tomar ciência de todos os fatos contra ele imputados, podendo deles divergir e, dentro do prazo legal, inaugurar o contraditório no âmbito do processo administrativo, com direito à ampla defesa, para apresentar suas impugnações e recursos acompanhados de provas que possam sustentar as alegações tendentes a contradizer as provas que sustentaram o lançamento. Pelo exposto, tenho por afastadas todas as preliminares argüidas. , Processo n.° 12466.003632/2004-79 • CCO3/CO3 Acórdãe n.° 303-34.941 Fls. 13 Ainda na fase de impugnação foi ar2üida uma nreiudicial de mérito acusando decadência do lançamento. A DRJ a rejeitou com base no argumento de que a DI mais antiga foi registrada em 02.07.1999 (fls.11) e a decadência desses créditos ocorreria em cinco anos a contar de 01.01.2000, ou seja, em 31.12.2004, mas, antes dessa data se evidenciou a fraude. Concordo, neste ponto, com a conclusão da DRJ, e entendo que não ocorreu a decadência. A regra que efetivamente disciplina o caso concreto, é a do art. 150, §4°, do CTN, combinado com o disposto no art. 173, I, do mesmo Diploma Legal. No caso de constatação de dolo, fraude ou simulação, conforme o CTN, o prazo decadencial começa a fluir a partir dessa constatação, desde que a descoberta da fraude ou dolo tenha ocorrido dentro do prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. A constatação neste caso se deu com o Relatório Telefonia Celular (RTC), em 28.10.2004, conforme documento anexo às fls. 56/184. Efetivamente, o RTC, que apontou a ocorrência de fraude e conluio, foi produzido antes de concluído o prazo decadencial de cinco anos contados a partir da data do fato gerador mais antigo. Portanto, por força do disposto no §4° do art.150 passou a fluir o prazo decadencial definido no art.173, I, do CTN, a partir da constatação da fraude. A meu ver foi afastada corretamente a argüição de decadência. Vamos ao mérito. Casos de fraude e simulação freqüentemente são desvendados a partir de denúncia de terceiros ou, às vezes, por depoimento testemunhal de participe do esquema. De forma que se uma série de indícios são alinhados e se encaixam com dados objetivamente obtidos nos livros contábeis, declarações ao fisco, e outros por vezes esparsos, colhidos nas denúncias/depoimentos, este conjunto pode perfeitamente resultar na configuração de prova suficiente a formar a convicção do julgador quanto à efetiva existência de uma articulação voltada a sonegar tributos, à configuração de conluio, a evidenciar uma simulação. Neste ponto me parece acertado o raciocínio exposto no início do voto condutor da decisão recorrida, que o fato de se contar nestes autos para complemento da demonstração de solidariedade na responsabilidade tributária, com declarações de terceiros, complementadas com dados documentais referentes a transferências de fundos em datas compatíveis com as operações de importação realizadas, além de perfeitamente aceitável, é procedimento adequado às circunstâncias. Ademais, de forma alguma se pode exigir dos testemunhos que sejam "irrespondíveis", se é que pode haver algum argumento irrespondível. Costumam os crentes dizer que a única verdade absoluta é Deus, e, ainda assim sempre há os ateus para estabelecer alguma controvérsia. O contraditório e o balanceamento das provas servem para sopesar os argumentos de lado a lado, e daí deve resultar para o julgador um convencimento motivado, ou seja, cujas razões devem ser explicitadas. A questão de mérito que neste momento será apreciada é quanto à solidariedade tributária dos sujeitos passivos indicados nas autuações em causa. A sucessão de indícios levantados pela fiscalização ainda que, isoladamente, nenhum deles individualmente constitua prova definitiva, permite no seu conjunto, em princípio, que se perceba que há com relação aos apontados como responsáveis solidários, entre si, e deles em relação ao contribuinte RF TOTAL, um interesse comum na situação representada na importação de aparelhos celulares com preço de transação muito abaixo do valor de mercado, bem como quanto ao fato subjacente a essa importação, a realização do negócio de compra e venda internacional de aparelhos celulares. Essa qualidade restou percebida nestes autos e justifica que estejam presentes no mesmo pólo passivo da relação jurídica tributária o que, segundo o CTN, caracteriza a obrigação tributária solidária. , Processo n.° 12466.003632/2004-79 CCO3/CO3 • Acórdão n.° 303-34.941 Fls. 14 Em princípio, em face dos elementos presentes neste processo, se considera aqui justificável reunir aquelas empresas e pessoas fisicas indicadas nos autos de infração no mesmo pólo passivo, naturalmente com exceção da empresa BLUE CLOUD PARTICIPAÇÕES LTDA, que conforme assentiu a DRJ, não existia à época dos fatos geradores das importações sob análise, não podendo a ela ser imputada qualquer responsabilidade por atos e fatos anteriores à sua constituição, tendo sido, pois, corretamente excluída do pólo passivo pela decisão a quo. Quanto ao momento de apresentação de provas, a regra geral no PAF é que as provas sejam trazidas aos autos na fase de impugnação, salvo as exceções legais apresentadas na lei. Porém, podem se apresentar circunstâncias que conduzam o julgador segundo o princípio da oficialidade a buscar se aproximar ao máximo da verdade material, determinando complementação da instrução do processo, justificativa válida para autorizar a produção de prova essencial mesmo em momento posterior à impugnação, conforme esta Câmara fez ao determinar a realização de diligência referida no início deste voto. É chegado o momento de se analisar os argumentos arrolados nos recursos, para em seguida apreciar os resultados da diligência determinada pela Resolução n° 303-01.182, de 15.08.2006. CLÁUDIO ZAMPINI E JOÃO CARLOS ZAMPINI requereram nos seus recursos voluntários que: A) Sejam excluídos da relação tributária por absoluta falta de provas materiais diretas e suficientes para conceituá-los como co- obrigados. B) seja declarada nula de pleno direito a decisão recorrida, por falta de apreciação das provas e argumentos dos ora recorrentes na fase de impugnação, determinando-se a devolução do mérito ao órgão julgador de origem para correção de instância. C) seja determinada a exclusão da incidência da taxa SELIC sobre a multa de lançamento de oficio. O recurso voluntário referente a JOÃO CARLOS ZAMPINI reproduz ipsis literis o que foi apresentado por seu irmão CLÁUDIO ZAMPINI. Queixam-se, preliminarmente, que a DRJ/Florianópolis não teria enfrentado todos os argumentos trazidos na impugnação. Solicitam, por economia processual, que as razões de impugnação sejam consideradas como parte integrante do recurso voluntário. Afirmam que a decisão recorrida analisou os fatos por atacado, mas condenou no varejo, sem distinguir responsabilidades, e por esse motivo deve ser reformada. Em primeiro plano, conforme já advertimos mais acima, analisaremos a responsabilidade tributária e a responsabilidade pelas infrações em momentos separados. Não há dúvida, nem em geral é alvo de contestação, que pode ser solidária a responsabilidade dos sujeitos passivos com relação aos tributos que eventualmente deixaram de ser recolhidos. Por método, apreciaremos as teses apresentadas nos recursos na ordem dos pedidos dos recorrentes, primeiro dos dois irmãos acima identificados, e depois, o da empresa DICOM, sem, contudo, praticar repetições indevidas de argumentação quanto a questionamentos semelhantes. • Processo n.° 12466.003632/2004-79 CCO3/CO3 •Acárdãd n.° 303-34.941 Fls. 15 (I) A primeira argüição, é preliminar de ilegitimidade passiva dos irmãos João Carlos Zampini e Cláudio Zampini. A meu ver ficaram caracterizadas nestes autos as seguintes evidências do envolvimento destes recorrentes no esquema acusado de fraude, com utilização e participação de interpostas pessoas: 1. A DICOM insurgindo-se contra a solidariedade passiva que lhe foi imputada, afirma que não importou nenhuma mercadoria, que se limitou a distribuir os aparelhos de telefonia celular quando eles já estavam em território nacional. Que o valor da importação de cada aparelho, bem como as reais condições de desembaraço aduaneiro no Brasil, não foram tratados nem definidos pela DICOM, porém, reconheceu que sua sócia majoritária "CELLSTAR" era a responsável pela colocacão dos aludidos aparelhos em plena condicão de uso junto à TELESP Celular, TELERJ e outras operadoras. • principais clientes da DICOM e destinatárias da quase totalidade dos aparelhos de telefonia celular: 2. O envolvimento da empresa RF TOTAL e de seus sócios ficou estabelecida em novembro/2002, por ocasião do cumprimento dos mandados judiciais de busca e apreensão expedidos contra as empresas DICOM, CON7'ABS, AMP e SOCEL CONSULTORIA ADUANEIRA, nas quais foram apreendidos diversos documentos relativos à RF TOTAL, conforme registra o Relatório Telefonia Celular (RTC) que serviu de base à autuação. Após análise preliminar dos documentos coletados foi solicitada à autoridade judicial, em fevereiro/2003, a extensão da quebra de sigilo bancário em relação às empresas RF TOTAL, TC IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO, E. A ELETRÔNICOS, DATAKIA e OPEN IMPORTAÇÃO, pleito que foi integralmente atendido. Os elementos então obtidos expostos no referido RTC que compõe a peça de autuação, explicitam a utilização e manejo da empresa RF TOTAL no esquema de importações subfaturadas sob análise e destacam a participação dos sócios dessa 10 empresa, Srs. RUFINO FERREIRA PINTO FILHO e LAERTE PACHECO FERREIRA PINTO, que exerceram, também, papel de relevo na constituição das interpostas importadoras e exportadoras, identifkadas no referido RTC, e também na operacionalização pela importadora de fachada. Acerca das vincula ções entre os acusados, importa destacar que a RF TOTAL foi constituída formalmente em 19.02.1998, com um capital social, em tese, de R$ 50.000,00. A fiscalização constatou, entretanto, que o Sr. RUFINO FERREIRA PINTO FILHO, também "sócio" da interposta exportadora TALE1VT BUSINESS e da interposta importadora TC IMPORTAÇÃO, é pessoa de poucas posses, e evidentemente não dispunha de recursos ou crédito que pudessem amparar as operações realizadas em nome da RF TOTAL, TC IMPORTAÇÃO e TALENT, que juntas somaram US$ 18,8 MILHÕES. Idêntica é a conclusão em relação ao outro "sócio" LAERTE PACHECO FERREIRA PINTO, que percebeu R$ 8.000,00 de rendimentos em 2001, tendo se declarado isento de imposto de renda nos exercícios anteriores. A fiscalização ainda pôde perceber e constatar que na montagem das seis "importadoras" utilizadas para fachada de proteção ao real adquirente das mercadorias, a RF TOTAL apresentou uma peculiaridade, foi a única em que aparentemente os , Processo n.° 12466.003632/2004-79 CCO3/CO3 • Acórdão n.° 303-34.941 Fls. 16 sócios cederam conscientemente seus nomes atuando como típicos "laranjas". Esta conclusão se baseou em informações colhidas que apontavam uma amizade de infância entre RUFINO e CLÁUDIO ROSSI ZAMPINI, assim como um parentesco entre RUFINO e LAERTE. Por outro lado, as diligências fiscais realizadas confirmaram que estes senhores não estavam domiciliados no endereço informado ao Cadastro de Pessoa Física do Ministério da Fazenda, nem tampouco no local informado nos contratos de constituição da RF TOTAL e da TC IMPORTAÇÃO (pessoas inidôneas perante o fisco). Mas, aprofundando as vincula ções do esquema de importação subfaturada com os ora recorrentes, cabe destacar que na sede da empresa "CONTABS", que responde pela escrituração da RF TOTAL, foram apreendidos entre outros documentos, uma correspondência enviada à Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo, pela RF TOTAL, subscrita pelo Dr. Carlos Alberto da Costa Silva, o mesmo advogado que defendeu os interesses da DICOM e dos irmãos 41) CLAUDIO ZAMPINI e JOÃO CARLOS ROSSI ZAMPINI. Na ocasião também se coletou um instrumento de alteração contratual da RF TOTAL no qual o Sr. Alexandre Paulo Germano, administrador da CONTABS, assina como testemunha, bem como cópia da identidade e CPF dos sócios RUFINO e LAERTE. A importadora de fachada RF TOTAL foi a única, dentre as seis interpostas importadoras, que apresentou declaração de imposto de renda em 1999, ano-base em que ocorreram as importações em causa, todavia, a partir dela podem ser destacadas irregularidades relevantes na apuração do esquema de fraude: (i) no ano da declaração informou que sua receita bruta foi de R$ 37,4 MILHÕES, contudo, a contabilidade da DICOM registra que apenas para esta empresa a RF TOTAL emitiu notas no valor de R$ 54,1 MILHÕES,- (ii) nos dois anos-base seguintes, 2000 e 2001, quando a RF TOTAL não entregou declaração, foram movimentados em contas de sua titularidade R$ 40,5 MILHÕES. Somando-se a tudo o mais o fato de a RF TOTAL não ter sido localizada no endereço informado à SRF, foi declarada, em procedimento regularmente instaurado, a INAPTIDÃO dessa empresa, enquadrada como OMISSA NÃO LOCALIZADA, nos termos da IN SRF 200/02, motivo que levou ao cancelamento de oficio de sua inscrição no CNPJ (Veja- se quanto a este ponto JURISPRUDÊNCIA STJ referente a "dissolução irregular'). 3. A vinculaçã o da RF TOTAL com as demais interpostas importadoras ficou suficientemente demonstrada nos seguintes fatos apurados: (i) através da NF anexa (doc.354), na qual aquela empresa formalizou a venda de 15 mil aparelhos celulares para a ÓPISSOM, que constitui exemplo da triangulação de notas fiscais e a simulação de operações entre as partes; (h) a SOCEL, mesma comissária que cuidou das operações realizadas pela FALLS, MAGNA, INFO WEST e ÓPISSOM, também formalizou despachos de importação em nome da RF TOTAL; e, sobretudo, (iii) a evidência das transferências financeiras realizadas entre essas empresas e seus agentes, conforme restou demonstrado nos itens 5.4 a 5.7 do Relatório Telefonia Celular. 4. Segundo demonstração feita pela fiscalização aduaneira a RF TOTAL operou por apenas dois meses, mas registrou 12 DI's (docs. 355/366) que somaram US$ 6,5 MILHÕES FOB, tendo como , Processo n.° 12466.003632/2004-79 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-34.941 Fls. 17 fornecedores as "exportadoras" inidôneas (fantasmas') DATA AIR WORLDWIDE e TALEN7' BUSINESS FLORIDA CORP. As mercadorias, relativas às declarações acima referidas, deram entrada na DICOM através de notas fiscais da própria RF TOTAL (doc.367), todavia, por valores TRÊS VEZES SUPERIORES aos declarados quando da importação formalizada por meio da RF TOTAL (conforme se observa no quadro às fls.131 do Relatório Telefonia Celular). 5. Resultou apurado quanto aos tributos incidentes na importação que os impostos então recolhidos traduzem flagrante redução indevida da base de cálculo exigível, por utilização de valores de transação incompatíveis, sensivelmente inferiores ao preço normal praticado em operações análogas e em quantidades comparáveis, conforme ficou documentado através das DI's- paradigmas apresentadas neste processo. Os valores aviltados foram expressos através de faturas comerciais suspeitas, que depois se revelaram inidâneas, produzidas por empresas exportadoras constituídas apenas para viabilizar uma simulação (abuso de direito). Os impostos então exigidos da RF TOTAL, que se apresentou como importadora, foram debitados automaticamente na conta dessa empresa (doc. 378), porém os recursos financeiros para tanto foram supridos pela CELLSTAR DO BRASIL que vem a ser a DICOM na forma explicitada pela fiscalização, em conformidade com os comprovantes constantes do RTC (doc. 379, e ver também quadro de fls. 132 do RTC). Identificou- se quanto à movimentação financeira para suporte do esquema montado, que em nome da RF TOTAL foram abertas duas contas correntes. A primeira, no BANCO SAFRA (doc. 380), criada basicamente para quitar os impostos incidentes sobre as operações de comércio exterior devidos pela RF TOTAL, e também para liquidar 01 (um) contrato de câmbio firmado em nome desta empresa (doc. 381). Esta conta, porém, suportou ainda débitos automáticos relativos a tributos devidos por outra interposta importadora "TC IMPORTAÇÃO", o que demonstra inequivocamente a vinculação entre essas empresas, e também a responsabilidade tributária da RF TOTAL sobre os créditos tributários devidos pela TC IMPORTAÇÃO, o que está exposto no item 6 do Relatório RTC. A segunda conta corrente foi aberta no BANCO CIDADE (doc. 382), e se prestou à liquidação de três (03) contratos de câmbio (doc. 383) e à movimentação dos demais recursos captados pela empresa RF TOTAL. A simples análise da movimentação financeira realizada nesta segunda conta corrente identificou a ocorrência de diversas transferências financeiras efetuadas pela RF TOTAL em favor de JOÃO CARLOS ROSSI ZAMPINI (DICOM), ALEXANDRE PAULO GERMANO (CONTABS), JOSÉ MARCOS DA SILVA (DATAKIA), MAGNA TRADING, ÓPISSOM, TC IMPORTAÇÃO e CRZ TELECOMUNICAÇÕES (doc.384). 6. O procedimento realizado na remessa cambial referente às importações também fornece elementos de convicção quanto à vincula ção entre os apontados como envolvidos no esquema desvendado de subfaturamento de importações. Os valores, referentes às lia uidacães das operacães de câmbio, debitados diretamente numa conta da RF TOTAL se encontram expostos no quadro de fls.133 do Relatório Telefonia Celular. Os recursos necessários para tanto , • ' Processo n.° 12466.003632/2004-79 CCO3/CO3 •Acórdãd n.° 303-34.941 Fls. 18 também foram supridos pela CELLSTAR DO BRASIL(DICOM) e pela TC IMPORTAÇÃO na forma especificada no RTC e em conformidade com os documentos anexados (doc. 385 e doc. 386). Há que se observar, ainda, que os recursos transferidos pela interposta importadora TC IMPORTAÇÃO para a conta da RF TOTAL foram providos através de liquidação de cobrança junto a CELLSTAR DO BRASIL (DICOM), o que evidencia a vinculação entre elas, e reforca a tese de que a DICOM efetivamente exercia o controle sobre essas sociedades utilizadas com o propósito de ocultar sua condicão de real importadora adquirente. 7. O fato de DICOM E TC terem concorrido com recursos financeiros da ordem de R$ 20,1 MILHÕES utilizados para o recolhimento de impostos relativos à importação formalizada pela RF TOTAL, e também para a liquidação dos contratos de câmbio correspondentes, demonstram o interesse comum previsto no art. 124. 410 I. do CTN, que justifica o arrolamento dessas empresas como SOLIDARIAMENTE RESPONSÁVEIS PELO PAGAMENTO DOS TRIBUTOS, portanto exigíveis estes não apenas da RF TOTAL COMERCIAL LTDA, mas também das outras empresas incluídas no pólo passivo da relação jurídico-tributária, notadamente a recorrente DICOM O mesmo se pode dizer quanto a JOÃO CARLOS ROSSI ZAMPINI THIMOTHY LOUIS MARETTI e CLÁUDIO ROSSI ZAMPINI gerentes dos negócios da DICOM arrolados neste caso, beneficiários em conjunto da instrumentalização da empresa RF TOTAL COMERCIAL LTDA com o objetivo de acobertar operações próprias da empresa DICOM, em flagrante violacii o das leis tributárias e cometendo também infração ao controle aduaneiro. A descrição feita até aqui, aliada às evidências de inidoneidade dos preços de transação declarados (a serem destacadas especificamente mais adiante na análise das informações colhidas na diligência), decorrentes das informações registradas nas DI's—paradigma anexadas a este processo, é suficiente, s.m j., para identificar objetivamente a ocorrência de fraude nas importações. 110 Lembra-se, neste ponto, que a eventual responsabilidade penal, resultante do eventual cometimento de ilícitos penais por parte dos envolvidos, apenas no âmbito do processo penal, que decorra da representação fiscal para fms penais realizada pelos auditores fiscais autuantes, deverá ser subjetivamente demonstrada, com relação a cada um deles, ou seja, é na seara penal que haverá necessidade de se especificar o dolo e o grau de participação de cada envolvido. Aqui se trata apenas do processo administrativo, abrangendo a responsabilidade pelo recolhimento de tributos e pela prática de infrações administrativas. Este segundo aspecto, o da responsabilidade pelas infrações administrativas cometidas será alvo de análise mais adiante. Neste momento se pretendeu apenas justificar a le2itimidade passiva dos ora recorrentes, sendo recusado o provimento ao pedido de suas exclusões da presente lide. (II) Quanto à argüição de nulidade da decisão recorrida, por suposta falta de apreciação de provas e argumentos dos ora recorrentes na fase de impugnação, com pedido de devolução do mérito ao órgão julgador de origem para correção de instância. , ' Processo n.° 12466.003632/2004-79 CCO3/CO3 . Acórdão n.° 303-34.941 Fls. 19 Trata-se de exagero, a queixa não procede. Ainda que não tivessem sido refutadas absolutamente todas as argumentações das impugnações apresentadas, é certo que as mais relevantes o foram, e basta como exemplo recordar as seguintes razões apontadas na decisão recorrida. As alegações de defesa que pretendiam a desconsideração do depoimento- denúncia do Sr. Moysés Pereira Neva ao afirmar que Cláudio Rossi Zampini o havia contratado e que lhe houvera dito ter comprado a empresa FALLS, foram refutadas na parte em que se discorreu sobre o livre convencimento do julgador em face das provas que lhe são apresentadas, incluídas as testemunhais. Cláudio Rossi Zampini procurou minimizar o valor, às fls. 2.070/2.089, das provas em geral, e em especial das várias declarações feitas por terceiros. Neste ponto a decisão recorrida apontou as evidências reunidas no Relatório Telefonia Celular, às fls.56/184, especialmente a parte relativa à RF TOTAL e também a referente à T C Importação e Exportação Ltda, para com base nesses elementos concluir que o peticionário, juntamente com seu irmão João Carlos Zampini, foram os executores senão os mentores de I1P todo o esquema de importações fraudulentas. A DRJ enumerou resumidamente algumas dasvárias evidências existentes nos autos quanto a isto: a) João Carlos Zampini recebeu procuração da Fontana Business Corp., (fih. 391/393), para constituir a CELLSTAR DO BRASIL (DICOM). A composição societária da DICOM está às fls. 69, e documentada às fls. 357/366; b) declaração testemunhal do Sr. Moysés Pereira Neva (fls. 423/426) acompanhada dos documentos de fls. 427/436, em resposta à intimação de fls. 423/424; c) a DICOM contabilizou compras simuladas da E. A Eletrônicos no valor global de R$ 161.241.341,19 (fls. 427/485). Ficou constatado que o imóvel de domicílio da E. A Eletrônicos pertence ao Sr. Cláudio Rossi Zampini, conforme descrito pela fiscalização às fls.72; d) correspondência datada de 18.03.1999 (fls. 617), enviada pela 411 MOTOROLA aos irmãos Cláudio Zampini e João Carlos Zampini; e) contratação da AMP Fomento Comercial Ltda pela CRZ Telecomunicações Ltda pertencente a Cláudio Rossi Zampini (fls. 1.016/1.018); .1) declaração pertinente do Gerente-Geral Operacional do Banco SAFRA S/A à época, às fls. 662/663; assinatura de Cláudio Rossi Zampini, às fls. 757, a respeito da negociação de duplicatas (doc. 149, fls. 754/762); h) termo de declaração da CONTABS ASSESSORIA EMPRESARIAL S/C LTDA, de fls. 887/891. Conforme consta às fls.113, a fiscalização apurou que um depósito na conta da FALLS, de R$ 1.077.000,00, ocorreu na seqüência de um saque em espécie feito pelo Sr. João Carlos Rossi Zampini na conta da DICOM junto ao Banco SAFRA (doc. 294- fls.1.303), depositado na mesma data (doc. 295- fls. 1.305). João Carlos Zampini alegara que quanto às operações realizadas no Banco SAFRA, a FALLS adquiriu mercadoria no mercado externo, por conta e ordem da CELLSTAR (DICOM) e não haveria lei que proibisse saque e depósito , Processo n.° 12466.003632/2004-79 CCO3/CO3 . Acórdão n.° 303-34.941 Fls. 20 em dinheiro (espécie), no mesmo dia e banco, entre duas pessoas jurídicas, que não existe nenhuma fraude na escrituração do Livro Diário da DICOM (doc. 296, fls. 1.305) e quem deveria dar as devidas explicações seria o profissional responsável com registro no órgão de classe. Na verdade a fraude constatada se estende além da escrituração do Livro Diário da DICOM (doc. 296- fls.1.305), no qual consta que os cheques eram destinados ao pagamento das duplicatas n° 000013 e 000051 da E A Eletrônicos. O que a fiscalização descobriu é que se tratou de saque em espécie com depósito em favor da FALLS Import. Com . Export. (fls. 1.303/1.304), e isto reforçou a certeza da utilização de terceiros "fantasmas", ou pessoas insolventes, nas importações realizadas por interesse da CELLSTAR DO BRASIL (DICOM), com a provável finalidade de pagar menos tributos aduaneiros e camuflar o vinculo entre o importador real e o exportador no exterior. João Carlos Zampini reconheceu, e chamou de única verdade, o fato de que a CELLSTAR (DICOM) comprava os aparelhos celulares das importadoras, antecipando-lhes os recursos financeiros, para revendê-los no mercado interno, mas que não haveria como se 41 afirmar que o impugnante se beneficiou pessoalmente dos recursos devolvidos pela T C Importação e Exportação Ltda à DICOM. Que não haveria prova nos autos de que o impugnante tivesse incorporado em seu patrimônio qualquer valor advindo desses recursos. A DRJ contestou por não ser necessário demonstrar que o impugnante se beneficiara pessoalmente dos recursos devolvidos pela T C à DICOM, ou que tivesse incorporado em seu patrimônio qualquer valor advindo de tais recursos, tratando-se de matéria secundária, posto que ainda que os impugnantes, ou os demais envolvidos no esquema de subfaturamento das importações, não houvesse lucrado um único centavo com as operações, o fato relevante é que eles causaram prejuízo ao erário. Além da razão alegada na decisão recorrida, acrescentamos que a prova que compete ao fisco em situação como esta se esgota na demonstração apenas da probabilidade fática de ocorrência do beneficio pessoal, de forma a proporcionar suficiente convicção do julgador administrativo, sem necessidade de deixar inequívoca uma reversão, que não é obrigatória, do valor do beneficio ao patrimônio do gerente'. Nesse sentido a decisão recorrida argumentou com todas as letras e evidenciou o suficiente quanto ao manejo do esquema, 410 concluindo que à autoridade aduaneira se apresentaram empresas de fachada como se fossem as importadoras, sem, entretanto, possuir nenhuma capacidade patrimonial para se responsabilizar por eventuais débitos fiscais, em substituição à importadora de fato, real adquirente das mercadorias (DICOM), revelando expediente condenável. Caracterizou-se que a articulação nefasta descrita nos autos não se justificaria se os Srs. João Carlos Zampini e Cláudio Zampini não tivessem interesse na sonegação do valor correspondente à grande diferença de tributos cuja incidência se buscou esconder do fisco, efetivamente não recolhida na ocasião das importações de seus interesses, por decorrência de planejado subfaturamento, utilizando-se de empresas constituídas por "laranjas", terceiros insolventes, exatamente para prevenir a evidência de suas participações e a da DICOM, no caso de o fisco perceber as irregularidades no preço declarado nas importações, o que, aliás, ocorreu. A conclusão delineada foi que a tentativa dos ora recorrentes de desviar a sua responsabilidade tributária identificada em face dos numerosos indícios apresentados ajudou a reforçar a convicção de dolo dos responsáveis pela DICOM na prática das questionáveis operações em comento, posto que se fossem operações legítimas não haveria interesse daquela empresa, através dos irmãos I Sobre este aspecto se recomenda a leitura de Responsabilidade Tributária, coordenadores Maria Rita Ferragut, Marcos Vinicius Neder, São Paulo: Dialética, 2007, artigo de Maria Rita Ferragut, Reflexões de natureza material e processual sobre aspectos controvertidos da Responsabilidade Tributária, p.211. , Processo n.° 12466.003632/2004-79 CCO3/CO3• • Acórdão n.° 303-34.941 Fls. 21 João Carlos e Cláudio, de interpor terceiros "laranjas". A própria DICOM se apresentaria como importadora, ou então contrataria trading companies com adequada capacidade financeira para proceder às importações. Ademais, a informação dada pelo Sr. João Carlos Zampini de que a CELLSTAR DO BRASIL (DICOM) comprava os aparelhos celulares antecipando os recursos às importadoras, que se revelaram inidôneas no caso destes autos, para depois revender os aparelhos no mercado interno, se encaixa perfeitamente na lógica da acusação fiscal quanto ao gerenciamento do esquema apurado, e a meu ver demonstrado suficientemente neste processo. Em tudo isso se cristalizou a convicção de que os irmãos João Carlos Zampini e Cláudio Rossi Zampini (a mando, ou não, do Sr Thimothy Louis Maretti, gerente-delegado da CELLSTAR/DICOM), capitanearam uma gigantesca operação de importações subfaturadas, interpondo entre o exportador no exterior e o real importador várias empresas insolventes constituídas com sócios "laranjas". Diga-se, por fim, ainda que a decisão recorrida houvesse eventualmente deixado de se pronunciar sobre um ou outro aspecto argüido na impugnação, estando estes autos suficientemente instruídos, não se estando a depender de produção de novas provas, e restando tão-somente a apreciação de matéria de direito, não deve a autoridade julgadora de segunda instância militar contra a economia processual e a favor de procrastinações desnecessárias. É nesse sentido que determina o C.P.C, usado subsidiariamente ao PAF, especialmente o disposto no art.515, razões pelas quais afasto a argüição de nulidade da decisão recorrida. (III) Quanto às razões de mérito. Uma grande parte das alegações dos recorrentes traduzem inconformidade com o procedimento realizado para descaracterização do valor de transação e definição do valor aduaneiro a ser considerado como base para o cálculo dos impostos devidos nas importações. A contestação começa por acusar falta de oportunidade dos ora recorrentes para justificar perante a autoridade aduaneira as operações de importação que consideram legítimas, posto que os produtos não eram diferentes daqueles declarados, e nem tampouco em quantidade diversa, que apenas se pôs em dúvida o valor das operações, o que teria acarretado insuficiente recolhimento de tributos. Em seguida se insurgem contra a idéia defendida na decisão recorrida de que a inaceitabilidade do preço declarado, em meio às • suspeitas de fraude e conluio, permitiriam à autoridade aduaneira dirigir argüições apenas ao importador formal, negando-se aos demais apontados como co-obrigados solidariamente qualquer oportunidade de questionar os critérios de valoração eventualmente utilizados pela fiscalização. Esta falha os recorrentes apontaram na decisão recorrida e de fato poderia caracterizar uma nulidade relativa, passível de saneamento. E foi justamente por entender que neste ponto específico havia parcial razão na queixa dos recorrentes, que esta Câmara determinou a realização de diligência mediante a Resolução n° 303-01.182, de 15.08.2006, de 15.08.2006. Reclamara-se de suposta falta de oportunidade para conhecer o método e critérios utilizados pela fiscalização, bem como dados relevantes das DI's-paradigma para apurar o valor aduaneiro estabelecido de oficio, e conseqüentemente o saldo de tributos devidos na importação. Houve, a meu ver, com o cumprimento da diligência, um saneamento eficaz deste processo. Apreciaremos, mais adiante, as informações apresentadas por decorrência da diligência realizada, porém, desde já se registra que todas as informações que os interessados afirmavam terem sido omitidas, já constavam destes autos anteriormente, ao menos as mais relevantes e suficientes ao entendimento do valor aduaneiro adotado, e já permitiam a iniciativa de contestação específica que não se realizou. Entretanto, mesmo tendo sido renovada a ?) s. Processo n.° 12466.003632/2004-79 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-34.941 Fls. 22 oportunidade aos ora recorrentes, pela Resolução tomada nesta Câmara, para que conhecessem de modo direto e expresso as informações essenciais utilizadas na valoração aduaneira realizada de oficio, e supostamente desconhecidas até então, intimados que foram a se manifestar novamente no prazo legal concedido, mais uma vez nada disseram. A avaliação dos dados explicitados na diligência será realizada mais adiante. Neste momento, apenas se pretende evidenciar que a oportunidade reclamada foi definitivamente desprezada em meio à diligência determinada pelo Conselho de Contribuintes, e esta matéria agora efetivamente encontrou sua preclusão. Outra parte das alegações recursais se refere a não distinção do lançamento quanto às responsabilidades pessoais pelas infrações acusadas, e que em nenhum momento se preocuparam nem os fiscais autuantes e nem a decisão recorrida em estabelecer a culpa in concreto de cada um dos acusados, que não se levou em conta que cada um deve responder, pelas infrações e crimes apontados, no limite de suas eventuais participações, que devem ser provadas. A decisão recorrida, por sua vez, pretendeu destacar a possibilidade de solidariedade • na responsabilidade também por infração, por decorrência de evidência de interesse e participação no esquema de subfaturamento das importações, sem se sentir obrigação neste processo administrativo com a individualização do papel de cada agente infrator. Ressalva-se, entretanto, neste momento, que foram suficientes as provas apresentadas neste processo com base nos numerosos indícios reunidos para caracterizar a vinculação e interesse comum das pessoas arroladas no pólo passivo desta lide administrativa, ficando objetivamente demonstrado o esforço conjunto dos envolvidos em promover importações com preços substancialmente reduzidos em contraste com outros negócios realizados com mercadoria similar, em quantidade comparável, e em alguns casos envolvendo importadora nacional também referida no presente processo. O interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária caracteriza sem dúvida a solidariedade quanto à obrigação de pagamento dos tributos incidentes, bastando para isso a caracterização objetiva de infração à lei tributária. Neste processo administrativo efetivamente se pôde constatar a evidência objetiva de fraude e conluio, e se não chegou a ponto de definir precisamente o grau de participação de cada envolvido, apontou e identificou os efetivos • gerentes do esquema de fraude. Talvez o apurado neste processo administrativo fiscal não seja ainda suficiente a caracterizar a responsabilidade penal individualizada, seja por crime ou contravenção. A tese defendida no voto condutor do acórdão recorrido pode até parecer insuficiente a se poder individualizar a responsabilidade penal por decorrência dos fatos descritos neste processo. Lembra-se, contudo, que este não é um processo penal. Por outro lado, mesmo a demonstração de responsabilidade pessoal por infração administrativa tributária pode eventualmente requerer investigação policial mais aprofundada, em que se exige demonstração ao menos de culpa em sentido estrito se não de dolo, aspecto subjetivo encarado de forma peculiar na seara tributária, de modo um pouco diferente do que se vê no campo do direito penal. Estes aspectos serão analisados mais amiúde quando formos apreciar a responsabilidade por infração administrativa tributária, mais à frente. Por enquanto, diga-se que, conquanto este não seja um processo penal, as evidências apontadas, a meu ver, e s.m.j., já permitem a convicção do julgador administrativo quanto a ter sido praticado subfaturamento das importações, e pode-se concluir, ao menos em relação àqueles apontados como reais adquirentes da mercadoria importada (DICOM e seus gerentes de direito ou de fato), por conta da indicação de valor aduaneiro aviltado, que Processo n.° 12466.003632/2004-79 CCO3/CO3 . Acórdão n.° 303-34.941 Fls. 23 identifica subfaturamento das mercadorias importadas, em razão dos valores de transação declarados por empresa de fachada manipulada serem sensivelmente reduzidos em face das informações colhidas nas DI's adequadamente utilizadas como paradigmas, e que instruem estes autos. Lembra-se que a condição de reais adquirentes das mercadorias, e, portanto, pessoas que estiveram diretamente envolvidas com o fato subjacente às operações de importação, quais sejam as negociações de compra e venda internacional dos celulares, ficou evidenciada na constatação de ser a DICOM a real fonte dos recursos financeiros utilizados pela importadora de fachada RF TOTAL para recolhimento dos tributos aduaneiros relativos aos preços subfaturados declarados, bem como para o fechamento do câmbio respectivo. Sem esquecer que também foi a CELLSTAR DO BRASIL/DICOM que promoveu a revenda das mercadorias no mercado interno. A propósito há jurisprudência firmada pelo E. STJ no sentido de se admitir responsabilidade por infração também para sócios gerentes, prevista no art.135, III, do CTN, na hipótese de ato ou fato eivado de excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou • • estatutos. 2 O somo gerente responde por ser gerente, não por ser sócio. Analisaremos a seguir as teses de defesa articuladas pela empresa DICOM no seu recurso voluntário, sem necessidade de repetir informações e análise de mérito que eventualmente já foram explicitadas no enfrentamento dos argumentos dos outros recorrentes acima registrados, e, quando for indispensável apenas faremos a remissão devida. O recurso voluntário da DICOM foi juntado às fls. 2.754/2.802, e, em resumo, assinala em preliminares: (a) primeira, de nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa e inobservância da legislação aduaneira específica. Que em nenhum momento fora exibido à DICOM qualquer MPF, nem lhe foi dada qualquer oportunidade de prestar esclarecimentos ao tempo da fiscalização, impossibilitando o exercício da ampla defesa. Que só depois de concluído o auto de infração é que teve ciência de seu enquadramento como responsável solidária. Esta preliminar já foi apreciada e rejeitada no início deste voto, ficando demonstrado que especialmente a DICOM não pode se queixar de ignorância quanto ao MPF específico, cujo conhecimento de sua parte está documentado nestes autos. Ademais exercitou tempestivamente e com conhecimento de causa seu direito ao contraditório e ampla defesa, apresentando impugnação e recurso voluntário; (b) A segunda preliminar, acusa de equivocada a valoração aduaneira de oficio quanto aos aparelhos celulares, pedindo a nulidade do lançamento por cerceamento ao direito de defesa. Alegou que os auditores autuantes não haveriam observado a legislação específica sobre a matéria, ignorando os termos do Decreto 2.498/98 que regula a aplicação do GATT/94, não adotaram os procedimentos do "EXAME 2 Nesse sentido o aresto do E. STJ, exarado no REsp n° 656.860-RS (2004/0056192-2), Relatora Min. Eliana Calmon, cuja ementa foi assim redigida: "PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO AR7.515 DO CPC. INEXISTÊNCIA. TRIBUTÁRIO. SÓCIO-GERENTE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NATUREZA SUBJETIVA. REDIRECIONAMEIVTO DA EXECUÇÃO FISCAL. PRECEDENTES. DISSOLUÇÃO IRREGULAR. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO MINORITARLIMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. 1. ... (omissis)... 2. É pacífico o entendimento desta Corte no sentido de que o simples inadimplemento da obrigação tributária não caracteriza infração à lei. 3. Em caso de dissolução irregular da pessoa jurídica, somente as pessoas com poder de mando devem ser responsabilizadas. Sendo incontroverso nos autos que a empresa (sociedade por quotas de responsabilidade limitada) foi dissolvida irregularmente e que a sócia executada não detinha poderes de gerência, descabe a sua responsabilização (art.10 do Decreto 3.708/1919). s. • ' Processo n.° 12466.003632/2004-79 CCO3/CO3 . Acórdão n.° 303-34.941 Fls. 24 PRELIMINAR" e do "EXAME CONCLUSIVO" de que tratam os artigos 5° e 6° do aludido Decreto. O argumento central da DICOM neste ponto estava em dizer que embora a valoração aduaneira fosse em princípio matéria estranha à sua atuação, já que pretendia que apenas a RF TOTAL respondesse pelo procedimento de importação, para assegurar eficiência ao exercício da ampla defesa que lhe era assegurada não haveria como deixar de entrar no assunto tratado pela fiscalização a seu ver equivocadamente, com utilização de paradigma discutível, com referência aos aparelhos de telefonia celular cujos valores de importação foram declarados ao fisco pela RF TOTAL, gerando supostas diferenças de tributos. Pretendeu apontar que a quase totalidade dos aparelhos objeto desta autuação (119.836 unidades), além de outros fabricados pela LG e NOKIA, são de fabricação da MOTOROLA. Aduzindo que, conforme já se tomara notório para a fiscalização, a MOTOROLA é acionista da CELLSTAR CORPORATION, pactuando ambas as partes, apenas no período de 01 de janeiro a 31 de novembro de 1998, transações comerciais da vultosa importância de U$ 1.276.100.000 (UM BILHÃO, DUZENTOS E SETENTA E SEIS MILHÕES E CEM MIL DOLARES AMERICANOS), e isto, por si só, requeria melhor atenção quanto a qualquer paradigma a ser considerado. Chamando a atenção para se dever levar em conta o expressivo quantitativo de aparelhos celulares (119.836), o estreito relacionamento entre o fabricante (MOTOROLA) e a CELLSTAR CORPORATION, responsável pela entrega dos aparelhos à exportadora DATA AIR WORDWIDE INC, e por tais características não haveria porque se duvidar do valor da transação declarado (apontada ligação entre exportador no exterior e importador, que sugere preço de transferência afetado por tal vinculação, potencial causa de desqualificação do 1° método de valoraao). Neste ponto acusa que além de se ter ignorado o grau de importância do relacionamento entre a CELLSTAR CORP e a MOTOROLA, envolvendo vultosos contratos, restava claro para a DICOM que neste caso concreto, para a valoração aduaneira os auditores autuantes teriam se limitado a utilizar como paradigma uma (ÚNICA) "Consulta de Declaração de Importação", e, mesmo assim, sem identificar a importadora e, o que é mais grave ainda, sem consignar a data em que se teria realizado tal importação, afastando por (110 completo o valor da transação, contrariando o que recomenda o ACORDO DE VALORAÇAO ADUANEIRA — AVA, que deve ser respeitado por força da lei. Entretanto, por meio da diligência determinada pela Resolução n° 303-01.182, desta Câmara, foi possível perceber que já se encontravam presentes nestes autos, em sua parte essencial, as informações solicitadas na diligência em atenção às queixas dos ora recorrentes quanto a alegados defeitos no procedimento de valoração aduaneira, desmontando-se praticamente todas as contestações descritas no parágrafo anterior. Restou claro, afinal, que a única queixa que fazia algum sentido antes da diligência, havia sido a falta de intimação à DICOM e aos seus gerentes, de direito ou de fato, recorrentes neste processo, para argumentar com relação aos negócios de compra e venda internacional que antecederam as operações de importação, trazendo à consideração da autoridade aduaneira os documentos que pudessem oferecer confiabilidade quanto ao valor de transação correspondente a tais negociações, de forma a permitir a escolha adequada do método de valoração aduaneira a ser aplicado nestes casos. Por força da diligência determinada por esta Câmara foi intimada a DICOM, bem como os demais recorrentes, João Carlos Zampini e Cláudio Zampini, para que tomassem ciência das informações relacionadas ao procedimento da valoração aduaneira, explicitadas na • Processo n.° 12466.003632/2004-79 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-34.941 Fls. 25 informação fiscal produzida em resposta à diligência determinada pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, havendo esclarecimento acerca de tudo o quanto já constava no processo, bem como informações adicionais referentes a importadores identificados nas DI's-paradigma, por requisição desta Câmara, mas permaneceram silentes e nada disseram no prazo legal que lhes foi concedido. Circunstância que retira, ou ao menos, desautoriza o argumento antes esgrimido pelos recorrentes neste processo, de falta de oportunidade para discutir os parâmetros da valoração feita de oficio, também para contra- argumentar em relação às DI's tomadas por paradigmas, e tudo o mais que instruiu o referido procedimento. A propósito, ao contrário do que afirmara a DICOM, foram tomadas treze DI's como paradigma (ver documentos de fls.161/173), nas quais constam os elementos utilizados na valoração, método, origem, n° da DI— paradigma, se similar a indicação do modelo utilizado, descrição dos bens e quantidades negociadas, bem como a data da importação. Portanto, é infundada a alegação de que fora apenas uma, e sem informações essenciais ao conhecimento dos acusados. De fato, restou evidenciado que nas DI's-paradigma explicitadas nestes autos se identificam importações de mercadorias efetivamente similares, em quantidades • compatíveis, em épocas comparáveis, e em alguns casos envolvendo importadoras como a MOTOROLA, porém com indicação de valor de transação significativamente superior. Lembra-se que segundo o Sr. João Carlos Zampini, aquela empresa é acionista da CELLSTAR CORP. Aliás, a ligação que este recorrente aponta entre a MOTOROLA e a CELLSTAR, ao contrário de poder justificar o oferecimento de reduzidíssimo valor para base de cálculo do imposto de importação nas operações sob julgamento administrativo, de fato milita no sentido de justificar a rejeição do valor declarado de transação, que segundo sugere a própria alegação do recorrente João Carlos Zampini, estaria afetado pela relação de sociedade, reforçando o acerto da recusa pela autoridade aduaneira quanto à utilização do primeiro método de valoração. No caso presente havia de fato a necessidade de se realizar a diligência, determinada exatamente por decorrência dos questionamentos expostos pelos recorrentes, de forma a que se afastasse qualquer possibilidade de cerceamento ao direito de defesa, exigindo- se da repartição fiscal de origem que complementasse adequadamente a instrução destes autos. A partir dos dados obtidos nas DI's tomadas como paradigmas pela fiscalização, adequados e • suficientes para o fim de determinar o valor aduaneiro das importações, foram confirmadas informações essenciais à apreciação da procedência da autuação no que tange à valoração aduaneira, dados cujo amplo conhecimento era devido, e foi efetivamente disponibilizado aos autuados, e também aos julgadores, posto que em essência já se encontravam nos autos, mas foram convenientemente explicitados e eficientemente complementados em resposta à diligência. Alegara-se na r. decisão recorrida que a identificação da importadora e demais informações constantes das DI's-paradigma constituíam dados protegidos por sigilo fiscal, com o que, em princípio, se parecia confirmar a reclamação dos recorrentes quanto a lhes terem sido antes negadas tais informações. Aparentemente, segundo a argüição levantada pelos interessados em sede recursal, estava-se ali a justificar a negativa de conhecimento aos acusados, e também aos julgadores administrativos, quanto a informações essenciais constantes das DI's tomadas por paradigmas, tais como a quantidade importada, a descrição do produto a fim de se aferir sua similaridade, o n° da DI, a data de registro da importação, o preço praticado, enfim todas as informações que fossem essenciais à analise da valoração efetuada de oficio. Seria inadmissível no estado de direito, e na vigência da atual Constituição, que ao acusado fosse negado conhecer as provas que sustentam a acusação fiscal. Mas a verdade é que isto não ocorreu neste processo, conforme esclarecimentos prestados na informação de , PrOcesso n.° 12466.003632/2004-79 CCO3/CO3 • Acórdão n.° 303-34.941 Fls. 26 fls.3.334/3.336. Porém, se de algum modo tivesse antes ocorrido, dado o teor substancial da referida informação, cuja ciência foi disponibilizada aos ora recorrentes por meio de intimação enviada com AR, a suposta falha procedimental estaria agora totalmente saneada. Entendeu esta Câmara a necessidade de complementar a instrução processual no que tange especificamente aos dados utilizados com base nas DI's tomadas por paradigma para a determinação do valor aduaneiro, posto que antes pareceram pertinentes as argüições que a DICOM, ladeada por outro interessado, CLAUDIO ROSSI ZAMPINI, apresentavam em relação ao que alegavam ser uma única DI tomada como paradigma, para se descartar o preço de transação tomado pelo importador como base de cálculo dos tributos aduaneiros; até então, afirmavam que a suposta única DI, tomada por referência, era misteriosa para eles, posto que, segundo diziam, os dados utilizados, com base numa única DI-paradigma, não haviam sido a eles explicitados. A queixa dos recorrentes parecia fazer sentido conforme registro feito por este • relator para justificar a realização de diligência, que em alguns outros processos sobre valoração aduaneira, já se havia percebido nesta Câmara esse tipo de recusa da autoridade fiscal em apresentar nos autos do processo administrativo fiscal os dados essenciais referentes a DI's-paradigma. Entretanto, no presente caso, a informação de fls.3.334/3.336 produzida em resposta ao requerido pela Resolução 303-01.182, apontou que, com exceção do nome do importador, os demais dados essenciais relativos às DI's paradigmas já estavam explicitados no RTC (fls.56/184), que compôs o auto de infração, mas, em todo caso, e providencialmente, o auditor fiscal informante tratou de explicitá-los de maneira precisa, inclusive destacando o nome do exportador no exterior em algumas das declarações de importação tomadas como paradigma, que curiosamente se referiam a empresas já citadas nestes autos, o que evidencia a desnecessidade de que fossem omitidos. Contudo, aqui se registra que não há discordância nem deste relator, e muito menos desta Câmara do Terceiro Conselho, quanto ao que o auditor informante afirmou ser a orientação emanada da COANA/SRF, de instruir o processo com cópia da DI-paradigma sem revelar apenas o nome do contribuinte/importador e o seu endereço, devendo, entretanto, ser expostas todas as informações relevantes para a valoração aduaneira. 41, Segundo a informação prestada no curso da diligência determinada, já estavam explicitados no RTC, fls.56/184, os documentos que instruíram as DI's registradas em nome da RF TOTAL, que foram apresentados pelas empresas-fantasma DATA AR e TALENT BUSINESS e indicavam como titular o Sr. Rufino Ferreira Pinto Filho, que também era sócio da RF TOTAL. Mas, ainda assim, não deve prosperar o duvidoso argumento utilizado pela i. DRJ e apoiado, sem razão, pelo insigne auditor informante, às fls.3.335, de que a partir da constatação da fraude deixaria de existir o direito de defesa dos acusados em face da autuação produzida. Evidentemente não basta apenas a convicção da autoridade aduaneira de que houve fraude, é necessário demonstrar a terceiros, julgadores administrativos e eventualmente autoridades judiciais, o acerto do lançamento produzido a partir daquela convicção que deve ser sustentada em um conjunto suficiente de indícios e provas. Não se trata de admitir, como pretendeu afirmar o auditor informante, qualquer conversão de documentos que se demonstraram viciados em válidos, evidentemente também não se trata de manter a qualquer custo o primeiro método de valoração, mas é indispensável no âmbito do processo administrativo fiscal, além de se demonstrar a inidoneidade dos tais documentos, também explicitar a correção da valoração aduaneira produzida ex officio. Outro equívoco cometido pela decisão recorrida, e reproduzida pelo ilustre informante, somente agora sanado pela realização da diligência, estava em pretender negar ao conjunto dos acusados postos no pólo ,, . , . ' Processo n.° 12466.003632/2004-79 CCO3/CO3 • Acórdão n.° 303-34.941 ' Fls. 27, passivo das obrigações tributárias que se exigem neste processo, a possibilidade de questionar I os parâmetros utilizados na valoração sob a ingênua, porém falaciosa, alegação de que só se pode discutir valoração aduaneira com quem existe ou com quem se dispõe a fornecer informações à autoridade aduaneira. Ora, se os interlocutores não existissem como poderiam estar arrolados no pólo passivo. Mesmo no caso de caracterização de empresas-fantasma, ou , "laranjas", não se pode negar o direito de defesa àqueles que forem eventualmente descobertos do manto da simulação, especialmente quando dos fatos descritos puderem resultar efeitos penais além de tributários. Ajuda a explicitar, e nesse ponto é por demais meritória a informação de fls.3.334/3.336, que constam no RTC, e, portanto, já estavam nos autos, e eram conhecidos pelos interessados ora recorrentes e também pelos demais interessados ausentes nesta fase recursal, os dados essenciais utilizados pela autoridade aduaneira para uma valoração adequada das importações, em detrimento das informações injustificadas que foram registradas nas DI's em nome da RF TOTAL. Era, entretanto, descabida a alegação da decisão recorrida de que 411 houvera preclusão da matéria referente à discussão da valoração na fase recursal. Durante ocurso do processo é direito do contribuinte discutir e questionar a valoração produzida. Talvez a alusão fosse contra a produção de provas somente na fase recursal, mas não era essa a pretensão das recorrentes, a queixa era quanto a não serem explicitados desde o início aos interessados os dados relevantes das DI's paradigmas que levaram ao resultado do lançamento. De qualquer forma, a providência saneadora de explicitação desses dados essenciais, por meio da diligência determinada, bem como a oportunidade oferecida aos recorrentes de se manifestar acerca de todos os documentos essenciais à valoração, tanto os que já estavam nos autos quanto os juntados na diligência, bem como quanto a todas as informações adicionadas, não aproveitada no prazo legal concedido, parece-me suficiente a afastar qualquer argüição de cerceamento ao direito de discutir a valoração produzida na autuação fiscal, e agora sim se pode dizer que houve preclusão quanto a essa matéria. No voto condutor do acórdão da DR.I se afirmou que a DICOM e a RF TOTAL deveriam ter tomado a iniciativa, desde a impugnação, de nos termos preconizados no AVA, demonstrar que a fiscalização se equivocou em alterar o valor aduaneiro das importações. A • meu ver, e s.m.j., o AVA prevê que a administração aduaneira quando entender que não pode aceitar o valor de transação sem investigações complementares, deverá dar ao importador uma oportunidade de fornecer informações mais detalhadas, necessárias para capacitá-la a examinar as circunstâncias da venda. Ainda que neste caso houvesse a premissa de fiscalização de que o importador de fato, o que tinha real interesse na importação, e não aquele que figurou formalmente como tal, buscou se esconder, e assim também ocorreu com os demais interessados identificados pela administração tributária como responsáveis solidários, é também verdade que a fiscalização na autuação incluiu todos, o importador de direito, o suposto importador de fato, os demais interessados na importação, todos levados ao pólo passivo da relação de obrigação tributária, e é inescapavelmente nesse conjunto de pessoas que Ise poderia e deveria buscar as evidências, documentais e testemunhais, do suposto esquema para subtração de tributos. Por essa mesma razão, não se poderia negar que a esse mesmo conjunto de pessoas correspondia o direito subjetivo de defesa, ou seja, de tentar demonstrar a impropriedade da autuação, ou de algum aspecto da autuação, por exemplo, a suposta invalidade da descaracterização do valor de transação promovida na autuação. Se fosse verdadeira a conclusão defendida pela decisão recorrida, de que esse conjunto de pessoas levadas ao pólo passivo da relação jurídico-tributária, isto é, cada uma delas e todas elas, conjuntamente, desconheciam as condições de negociação subjacentes às importações, então o trabalho de autuação fiscal resultaria contraditório e inviável. Neste ponto cabe conclu. • • Processo n.° 12466.003632/2004-79 CCO3/CO3 • Acórdão n.° 303-34.941 Fls. 28 conforme acima já foi destacado, ter sido correto e adequado o método utilizado para a valoração aduaneira de oficio. As informações e documentos, juntados na diligência, somados às informações constantes do RTC, são suficientes a afastar a argüição de cerceamento ao direito de defesa. A resposta dada à diligência es pecificou agora com maior clareza as informações identificadoras do subfaturamento no preco de transação declarado, que já estavam citadas no RTC constante destes autos, e antes a penas não identificavam o importador nas DI's paradigmas, agora foram também identificados. (Fls. 3.335/3.336, itens 7, 10, 11, 12, 13, 14 a 18). Diga-se, ainda, que se antes, por qualquer motivo, os recorrentes se sentiram impedidos de apresentarem contestação, por suposto desconhecimento dos dados essenciais das DI's-paradigma utilizadas, a partir da nova oportunidade oferecida aos interessados de conhecê-las e eventualmente contestá-las, em meio à diligência determinada pela Resolução n° 303-01.182, bem como em face das informações fornecidas, em resposta à diligência, explicitando a localização no processo das informações essenciais relativas às DI's tomadas • por paradigma para a valoração ex officio, oportunidade reclamada e concedida, mas que foi deliberadamente desprezada pelos ora recorrentes, não cabe mais qualquer queixa de cerceamento ao direito de defesa por parte deles. É chegado, finalmente, o momento de analisar as penalidades administrativas tributárias lançadas. Antes, porém teremos que esclarecer a solução da lide quanto a aspecto relevante preliminar à análise das penalidades cabíveis. Trata-se de identificar a responsabilidade pelas infrações cometidas no campo do direito administrativo tributário, lembrando que eventual responsabilidade penal individual, de cada envolvido, no esquema de fraude nas importações objeto deste processo, haverá de ser apurada em competente processo penal que resulte da representação fiscal produzida pelos auditores autuantes. Recorda-se que em boa parte das alegações recursais há a queixa da não distinção do lançamento quanto às responsabilidades pessoais pelas infrações acusadas. Alegam os recorrentes que em nenhum momento se preocuparam os fiscais autuantes, nem tampouco a decisão recorrida, em estabelecer a culpa in concreto de cada um dos acusados, • que assim não se levou em conta que cada um deveria responder pelas infrações, e crimes, apontados, no limite de suas eventuais participações. Por outro lado, a decisão recorrida argumentou pela possibilidade de a solidariedade se estender também à responsabilidade por infração, por decorrência de evidente interesse e participação coletiva, com expectativa de beneficios de cada participante no esquema de subfaturamento das importações, independentemente da individualização do papel de cada agente infrator. É esta divergência de posições que cumpre apreciar agora. Partamos de sucinta análise quanto aos conceitos de infração tributária e sanção. As obrigações tributárias, principais ou acessórias, são evidentemente passíveis de descumprimento, vulnerabilidade a que de resto se sujeitam as normas jurídicas em geral, seja no direito penal e assim também no campo do direito privado. A noção de infração surge para identificar uma conduta contrária ao direito, e o conhecimento de sua ocorrência demanda castigo ou punição pela conduta ilícita, a sanção, e por isso há sanções previstas no campo do direito civil, comercial, administrativo, trabalhista, tributário, etc. 3 . No direito tributário há um leque de diferentes conseqüências que devem decorrer de infração. Se a conduta flagrada é inadimplência, o sujeito ativo ao lado de poder exigir coercitivamente o pagamento do valor devido, terá o direito de impor uma sanção, 3 Amaro, Luciano, Direito tributário brasileiro, São Paulo: Saraiva, 2006, 12.ed, pp.431-432. , Processo n.° 12466.003632/2004-79 CCO3/CO3 AcórdãO n.° 303-34.941 • Fls. 29 geralmente um valor pecuniário proporcional ao valor do tributo não recolhido. Se a obrigação era acessória formal, a sanção em geral também traduz uma prestação em valor monetário. São as chamadas multas ou penalidades pecuniárias, também presentes no direito administrativo em geral, no direito civil, e até mesmo na seara do direito penal ainda que sob enfoque bem peculiar. Ocorre, porém, que em certas hipóteses legais a infração pode ensejar punição mais intensa, muito mais severa em face dos valores sociais prevalecentes, caso das penas criminais. Cabe ao legislador graduar a gravidade das condutas ilícitas, aquelas que atinjam elevado nível de gravidade são classificadas como crimes, passíveis das chamadas sanções penais. Ainda no campo penal, há as contravenções penais, catalogados como ilícitos penais menos graves, merecedores de penas criminais mais leves. Entretanto, na essência conceitual, independente de se estar no campo do direito civil, administrativo ou criminal, a conduta transgressora de norma legal traduz um ilícito, e as diferenças entre sanção penal e sanção administrativa são basicamente formais 4. • Uma determinada conduta ser ou não crime depende de previsão legal, é opção do legislador. A palavra "pena" foi apropriada pelo direito penal com sentido estrito de sanção penal, de forma que a palavra derivada "penalidade" foi mais bem assimilada noutros setores do direito, ainda que se possa enxergá-la como um sentido amplo para pena. Há no código penal a previsão de crimes ditos tributários, assim chamados porque o bem tutelado é no fundo a boa administração fiscal pelo Estado, mas se especificamente esse bem objeto da tutela penal for eventualmente o recolhimento de tributo, isto não desloca do direito penal a disciplina relativa a este crime. Daí que se observarmos de um referencial de interesse puramente didático não haveria maiores inconvenientes em agrupar o estudo dos crimes tributários sob o rótulo de "direito penal tributário", como um capítulo do direito penal que tutela a arrecadação de tributos. Em lado oposto poderíamos colocar o que a doutrina resolveu chamar de "direito tributário penal". À primeira vista, do ponto de vista puramente lingüístico, poderiam parecer expressões sinônimas, mas o que os autores especializados quiseram discriminar com esta segunda expressão foi um subcampo do direito tributário no qual se cominam sancões não criminais para determinadas condutas ilegais que • identificam infrações administrativas, ou ilícitos administrativos, passíveis de sanções meramente administrativas, aplicadas pela autoridade administrativa mediante procedimento administrativo. O processo administrativo fiscal é evidência de que o direito tributário não cortou definitivamente suas ligações originais com o direito administrativo do qual derivou, de forma que não se duvida de que faz sentido classificar distintamente das infrações e sanções criminais, as infrações e sanções administrativas. Dessa forma se pode separar dois sistemas sancionatórios aplicáveis pelo Estado, um o criminal, implementado segundo o direito penal, mediante processo penal, no juízo criminal, e outro, o administrativo, aplicado conforme a disciplina do direito administrativo, no processo administrativo, aplicado por autoridade administrativa. Não esqueçamos o que ultimamente já se tornou uma obviedade, que o ordenamento jurídico é em verdade um todo indivisível, mas não se pode desdenhar da utilidade didática das classificações, sendo aqui adotada aquela posição crítica de que em matéria de classificações, o que realmente importa é que sejam úteis. Assim, nessa perspectiva 4 Gomes, Luiz Flávio, Responsabilidade penal objetiva e culpabilidade nos crimes contra a ordem tributária, in Direito penal empresarial, São Paulo: Dialética, 1995, p.95. . ' Processo n.° 12466.003632/2004-79 CCO3/CO3 • Acórdãõ n.° 303-34.941 Fls. 30 de utilidade classificatória, fica claro que um determinado bem jurídico pode estar eventualmente tutelado por ambos os sistemas sancionatórios mencionados, sendo o caso da arrecadação tributária, protegida tanto por um sistema de sanções administrativas quanto por outro sistema de sanções penais. O que importa destacar é que as sanções administrativas, aplicadas por autoridade administrativa, se sujeitam ao mesmo controle de legalidade a que se submetem os atos administrativos em geral, de forma que se ao final de um processo administrativo o administrado não concordar com o castigo que lhe resultou imposto poderá ainda buscar guarida perante o Poder Judiciário, obviamente não no processo penal, mas no processo civil. Em resumo, dentro dessa visão exposta, podemos visualizar um direito administrativo tributário penal (ou simplesmente direito tributário penal) abrangendo especificamente as sanções aplicáveis pela administração tributária, de acordo com as normas do processo administrativo fiscal. Dada a maior gravidade da infração criminal, e conseqüentemente da sanção penal, em geral restritiva de liberdade, sem esquecer da considerável reprovação social que a acompanha como se fosse uma pena acessória, em grau muito maior do que a reprovação social que eventualmente decorra de uma sanção administrativa, e em que pese a observância de princípios comuns aos dois campos jurídicos, a exemplo do da legalidade estrita e até mesmo o famoso "in dúbio pro reo", adaptado para "in dúbio pro contribuinte", há que se marcar peculiaridades. No que diz respeito ao elemento subjetivo, embora esteja presente mesmo em sanções administrativas uma idéia de culpabilidade, o rigor é sensivelmente maior no direito penal, no qual a regra é ser dolosa a conduta infracional, e a pena costuma ser de privação de liberdade. Somente por exceção, em situações expressas e específicas, se comina sanção penal a modalidade culposa. Por isso é controversa no direito penal a questão referente aos chamados delitos da pessoa jurídica. Leis penais procuram identificar a pessoa fisica que agiu como representante da pessoa jurídica, para puni-la criminalmente, não sendo fácil discriminar com precisão o real culpado na pessoa jurídica, responsável pela prática do delito. Já no caso das infrações administrativas que, na regra geral, não supõem o dolo, e lembra-se ao lado disto que tais sanções não são privativas de liberdade, a punição • implementável, por meio de multa ou mesmo de interdição de direito, à própria pessoa jurídica, dispensa a necessidade de identificação da pessoa fisica que, na qualidade de representante da pessoa jurídica, tenha sido o agente da infração. Além disso, no campo das sanções administrativas pecuniárias é importante não confundir a proteção ao interesse da arrecadação tributária (bem jurídico) com o objetivo de arrecadar dinheiro por via de multas. A sanção prevista na lei tem a missão de estimular o cumprimento da obrigação tributária, e o devedor que tentar fugir ao seu dever deve ser atingido pelo gravame adicional da multa a ser graduada de acordo com a gravidade da infração, cumprindo função intimidatória educativa e preventiva de reincidência, contudo não se deve entender a multa como um instrumento de arrecadação. Costuma-se na doutrina de direito tributário afirmar, com base no que dispõe o art.136 do CTN, que a responsabilidade por infração tributária é objetiva, dispensando qualquer pesquisa do elemento subjetivo (dolo ou culpa), ao que se contrapõem autores penalistas acusando de inconstitucional norma legal que venha a tratar de responsabilidade com sentido objetivo, isto é, cominando sanção sem dolo ou culpa, por afronta ao princípio da presunção de inocência. , ' Processo n.° 12466.003632/2004-79 CCO3/CO3 • Acórdão n.° 303-34.941 Fls. 31 A nosso ver, o CTN não merece nenhuma dessas críticas radicais s . O que se prevê na norma referida é que a responsabilidade não depende da intenção do agente, o que, em princípio dispensa a constatação de dolo, no sentido de vontade consciente de adotar a conduta ilícita, porém de forma nenhuma afasta a discussão de culpa em sentido estrito. Quando fique demonstrado que o eventual descumprimento se deveu a razões que fugiram ao controle do indivíduo, que este não queria descumpri-la, não caberá segundo a dicção da norma do CTN, falar em responsabilidade. Daí que no mesmo diploma legal, art.108, IV, se prevê como modo de integração da legislação tributária a eqüidade. A missão precípua do art.136 é prevenir a argüição de ignorância da lei tributária. O que se quer pontuar, entretanto, é que na verificação da responsabilidade tributária está presente a noção de culpa em sentido estrito, lembrando que ainda que o indivíduo aja sem intenção do resultado ilícito, remanescerá a responsabilidade por falta de diligência ou vigilância, negligência sua ou de seus prepostos no trato de seus negócios. É cediço que na prática o dolo individual é de dificil comprovação, salvo exceções, e por isso é que o CTN foi construído de forma a que, na caracterização da responsabilidade por infração tributária, o fisco fique dispensado de provar que o indivíduo agiu com conhecimento • e consciência de que sua ação ou omissão era contrária à lei, e que ele de fato quis descumpri- la. Mas, o art.136 não afirma a responsabilidade tributária sem culpa em sentido estrito. A interpretação desse preceito em sistemática harmonia com o art.108, IV, leva o aplicador da lei no sentido de afastar a sanção em situações em que as circunstâncias materiais ou pessoais não justifiquem a penalidade. Vale dizer, que nesse passo não se pode afirmar ser objetiva a responsabilidade tributária em matéria de infrações administrativas. Em regra, não cabe é alegar ausência de dolo para se eximir de sanção por infração que não requer intencionalidade. A dicção dessa norma abrange as figuras do agente executor material do ato, e também o terceiro, em nome e por conta de quem o agente tenha praticado o ato. Já o art.137, do CTN, aponta situações em que a responsabilidade por infração é pessoal do agente quando, embora agindo em nome de terceiro, a responsabilidade é imputada ao próprio agente. Na prática, visa a situações em que o agente ardilosamente, fugindo aos deveres da representação, age no seu próprio interesse, daí a responsabilidade pessoal. A • primeira situação em que o agente é responsabilizado pessoalmente, transborda em obviedade, é no caso das infrações conceituadas em lei como crime ou contravenção, que a pena criminal depende do elemento subjetivo e deve ser aplicada ao agente, sem deixar escapar eventuais co- autores, ainda quando seja mentor intelectual, isto é, não obstante a pessoalidade da responsabilidade do agente, o terceiro também pode ser apenado se tiver participado do delito, como autor intelectual ou como mandante. Uma segunda hipótese, de responsabilidade pessoal do agente diz respeito a infrações em que o dolo específico do agente seja elementar. A expressão "dolo específico" é criticada pelos penalistas, mas sem dúvida tem utilidade didática. Nessas figuras delituosas se observa que na descrição objetiva do tipo está presente a intenção de atingir o resultado, sem essa intenção não se aperfeiçoa o enquadramento típico. Embora o resultado não seja exigido para o aperfeiçoamento do tipo, a intenção de atingir o resultado é indispensável. Oportuno lembrar que neste dispositivo, item II do art.137 do CTN, está a se falar não de crimes, mas de infrações administrativas em cuja definição seja elementar a vontade de atingir determinado resultado, já que quanto aos crimes, com dolo específico ou não, se trata no item I do art.137. Note-se, também neste ponto, que o executor do ato deve ter em mente determinado resultado, embora o proveito ou interesse possa ser de terceiro em nome e por conta de quem atue. Portanto, cumpre verificar se há evidência de que o representado 5 Nesse sentido Luciano Amaro, op.cit., p.444. , , Processo n.° 12466.003632/2004-79 CCO3/CO3 - Acera() n.° 303-34.941 Fls. 32 também participou, material ou ideologicamente, da prática do ilícito, situação em que não faria sentido simplesmente substitui-lo pelo agente na posição de acusado. Devemos agora nos transportar ao art.124, do CTN, no qual se prevêem hipóteses de solidariedade. Uma discussão que já ocupou por muito tempo a doutrina era se os casos de interesse comum, de que fala a norma no inciso I do art.124, necessitariam, ou não, de ser explicitados em lei. Bem se vê pela simples leitura do inciso II do mesmo art.124, que seria inútil o disposto no inciso I se houvesse também ali a exigência de explicitação na lei. Somente as situações que não estejam abrangidas pelo inciso I é que precisarão ser definidas na lei quando esta quiser eleger um terceiro como responsável solidário. Sabendo da exigência de que a eleição de terceiro como responsável supõe sua vinculação ao fato gerador, conforme art.128, é preciso por um lado, distinguir as situações em que a responsabilidade do terceiro derive de haver interesse comum na situacão Que constitua o fato gerador, o que dispensa previsão na lei instituidora do tributo, e de outro lado, as situações em que o terceiro apenas tenha algum interesse (ou se diria melhor, as situações com que tenha algum vínculo), em razão do qual ele possa ser eleito como responsável. Pois é neste segundo caso que a responsabilidade solidária do terceiro depende de que a lei expressamente o estabeleça. Entretanto, o só fato de o CTN dizer que numa operação pode a lei tributária eleger qualquer das partes como contribuinte não significa que tendo elegido uma delas, a outra seja solidariamente responsável. Veja-se o caso da alienação de imóvel. O interesse de cada uma das partes no negócio não é comum; o interesse do vendedor é de alienação, já o do comprador do imóvel é de aquisição. No entanto, se no negócio houver, por exemplo, dois vendedores, ou dois compradores (co-propriedade), aí sim haverá interesse comum dos vendedores ou dos compradores, respectivamente. Desse modo se a lei definir como contribuinte a figura do comprador, ambos os compradores serão responsáveis solidários, não porque a lei tenha eventualmente vindo a proclamar essa solidariedade, mas sim porque ela decorre do interesse comum de ambos no fato da aquisição. O mesmo raciocínio se aplica aos dois co-proprietários de um imóvel que em relação ao IPTU ambos são devedores solidários. 6 • O aspecto a destacar é que o chamado interesse comum na situação que constitua o fato gerador deve encontrar os devedores solidários também numa posição comum. Se, em dada situação, no exemplo citado a co-propriedade, a lei define o titular do domínio como contribuinte, então nenhum dos co-proprietários seria qualificável como terceiro, posto que ambos ocupariam na relação jurídico-tributária entre o fisco e o contribuinte o lugar de contribuinte. Claro que cada qual só se poderá dizer contribuinte em relação à parcela de tributo correspondente ao seu quinhão de interesse na situação. A obrigação tributária, sendo pecuniária, seria divisível e, em princípio, cada qual poderia ser obrigado apenas pela parte equivalente ao seu quinhão de interesse. Porém, o que o CTN determina no art. 124, I, é a solidariedade de ambos como devedores da obrigação inteira, e daí se poderia concluir que no pólo passivo haveria uma situação híbrida em que cada co-devedor seria contribuinte na parte que lhe toca e responsável pela porção que caiba ao outro. Diga-se, ainda, que em se tratando de solidariedade passiva, situação na qual o credor (no caso a Fazenda Pública) tem a prerrogativa de exigir de qualquer dos co-obrigados (ou de todos) o cumprimento da obrigação, 6 Sobre este aspecto se recomenda a leitura de Responsabilidade Tributária, coordenadores Maria Rita Ferragut, Marcos Vinicius Neder, São Paulo: Dialética, 2007, artigo de Marcos Vinicius Neder, Solidariedade de direito e de fato, pp.27-47. • . • Processo n.° 12466.003632/2004-79 CCO3/CO3 Acórdã6 n.° 303-34.941 Fls. 33 seria até desnecessário dizer o que está no parágrafo único do art.124, que a solidariedade aqui referida não comporta beneficio de ordem. Neste diapasão, e em contraste com a previsão legal do art.135 do CTN, segundo o qual administradores com poder de gestão ou sócios-gerentes podem vir a ser incluídos no pólo passivo da relação jurídica tributária, porque seus poderes de gestão dos negócios estão definidos em lei (dicção de lei societária, a nosso ver), contrato social ou estatutos, posto que só estes gerentes são passíveis de atuar com excesso de poderes em relação àqueles referenciais normativos societários. Com isto estamos dizendo que se excluiriam da aplicação do art.135, IIII, do C'FN, as hipóteses de simulação dos atos societários, mediante as quais interpostas pessoas comumente denominadas "laranjas" ingressam no quadro societário e de administração de uma sociedade com a finalidade de que sejam ocultados os reais beneficiários e administradores do empreendimento. Pois bem, o administrador oculto não responderá pessoalmente, com base no art.135, III, pelo crédito tributário lançado contra a sociedade (tributo e penalidade administrativa tributária), mas sim com base no art.124, I, do • CTN, tendo em conta o interesse comum do sócio oculto nos resultados do empreendimento. Entretanto, se fosse de se adotar a linha interpretativa de que para os administradores/sócios-gerentes serem incluídos pessoalmente no pólo passivo da relação jurídica tributária, bastasse que atuassem com excesso de poderes, ou seja, fora dos limites da competência definida em lei, contrato social ou estatutos, estar-se-ia a ignorar que tais atos, ainda quando praticados com excesso de poderes, muitas vezes podem estar sendo praticados em nome e no interesse da sociedade, casos em que, apesar de praticados fora dos limites de competência do gerente, os atos foram praticados exclusivamente no interesse da sociedade, aí evidentemente não soaria razoável a aplicação da regra excepcional do art.135, III, do CTN. Portanto, haveremos de distinguir duas categorias de ilícitos passíveis de serem praticados por administrador/sócio-gerente com excesso de poderes: (i) ilícito societário leve, praticado em nome e no interesse da pessoa jurídica e, (ii) ilícito societário grave, praticado em nome da pessoa jurídica, mas no interesse pessoal do próprio agente administrador. No primeiro grupo do ilícito societário leve, mesmo tendo sido praticado pelo • administrador, a situação descrita não é capaz de alterar a configuração do pólo passivo da relação jurídico-tributária. Portanto, somente no grupo dos ilícitos societários graves, conforme acima definido, é que o ilícito praticado pelo administrador será hábil a modificar a configuração do pólo passivo da relação jurídica tributária, que além de praticado com excesso de poderes, também agrediu o interesse e finalidades da sociedade 7. Em face do que já foi dito e se confrontando o disposto no art. 135, III, com o que prescreve o art. 124, I, ambos do CTN, poderemos concluir: /. O administrador deve responder pelo crédito tributário devido pela sociedade quando houver incompatibilidade de interesses na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; 7 Sobre este aspecto se recomenda a leitura de Responsabilidade Tributária, coordenadores Maria Rita Ferragut, Marcos Vinicius Neder, São Paulo: Dialética, 2007, artigo de Maria Lúcia Aguilera, A Responsabilidade de Terceiros Decorrente da Prática de Ilícitos e o Lançamento de Oficio: O Caso da Responsabilidade Pessoal dos Administradores, pp.130-137. \)1 . • • Processo n.° 12466.003632/2004-79 CCO3/CO3 . Ac&dão n.° 303-34.941 Fls. 34 2. O administrador responderá solidariamente com a sociedade guando houver interesse comum na situacão que constitua o fato gerador da obrizacão principal. O enquadramento na hipótese prevista no art.135, III, exige a demonstração do beneficio exclusivo do administrador com o fato gerador praticado, com conseqüente prejuízo da sociedade, portanto somente cabe quando o administrador atue em beneficio próprio, contra os fins e os interesses da pessoa jurídica. Por exemplo, a escrituração pela pessoa jurídica de custos lastreados em notas fiscais "frias", em que a diferença indevidamente deduzida da base de cálculo do tributo incidente sobre o lucro seja desviado para o patrimônio do administrador ou de interpostas pessoas, fica flagrante a fraude praticada pelo administrador contra a sociedade, fato que justificaria a colocação do fraudador no pólo passivo da relação tributária. Deve ser notado, no exemplo mencionado, que embora possa parecer ter a sociedade se "beneficiado" com uma redução indevida da base de cálculo do tributo devido, os recursos financeiros obtidos com as despesas fictícias foram completamente desviados para o patrimônio do administrador. A questão é evidentemente complexa. Perceba-se que na prática a dificuldade de prova reside numa correta distinção da situação. Pode acontecer que os recursos desviados da tributação ilicitamente sejam carreados ao chamado "caixa dois" da empresa, situação em que esta comporia o pólo passivo, não cabendo responsabilidade pessoal ao administrador. Porém, se os recursos desviados da tributação, também forem desviados da atividade operacional da sociedade, deverá ser o administrador incluído como responsável no pólo passivo. Por outro lado, outros casos comuns de "caixa dois" são descritos em que recursos financeiros são mantidos à margem da contabilidade da sociedade, em contas correntes de titularidade do administrador, caracterizando confusão patrimonial (recursos utilizados tanto em proveito da pessoa fisica titular da conta, quanto da pessoa jurídica), situação em que o administrador deverá ser levado ao pólo passivo na qualidade de responsável solidário, por se caracterizar o interesse comum na situação constitutiva do fato gerador, ou seja, com base no art.124, I, do CTN.8 • Buscaremos agora enquadrar o caso concreto na moldura acima construída. João Carlos Zampini reconheceu nestes autos que a CELLSTAR DO BRASIL/DICOM comprava os aparelhos celulares das importadoras, antecipando-lhes os recursos fmanceiros, para revendê-los no mercado interno, insistindo, porém, que não haveria como se afirmar que ele se beneficiou pessoalmente dos recursos devolvidos, por exemplo, pela T C Importação e Exportação Ltda à DICOM. O argumento esgrimido não serve para livrar a responsabilidade solidária do referido gerente conjuntamente com seu irmão, identificados como co-gerentes do esquema desvendado, nem da empresa que representavam. Conforme já havia assinalado mais acima, na análise da responsabilidade pelo tributo devido, entendo que as evidências apontadas, a meu ver, e s.m.j., permitem a convicção quanto a ter sido praticado subfaturamento das importações, por conta dos valores de transação declarados, pela empresa de fachada manipulada (RF TOTAL), e pode-se concluir que para beneficio, ao menos, daqueles apontados como reais adquirentes da mercadoria importada 8 Sobre este aspecto se recomenda a leitura de Responsabilidade Tributária, coordenadores Maria Rita Ferragut, Marcos Vinicius Neder, São Paulo: Dialética, 2007, artigo de Emanuel Carlos Dantas de Assis, Arts. 134 e 135 do CTN: Responsabilidade Culposa e Dolosa dos sócios e administradores de empresas por dívidas tributárias da pessoa jurídica, pp.143-162. TrA 4 Processo n.° 12466.003632/2004-79 • CCO3/CO3 • AcOitãto n.° 303-34.941 Fls. 35 (DICOM, por meio de seus gerentes de fato), também seus efetivos revendedores no mercado interno; beneficios obtidos inicialmente pela redução ilícita da base de cálculo dos impostos incidentes na importação, e, num segundo momento, beneficios com apuração de indevido "lucro extracontábil". As mercadorias nacionalizadas com preço subfaturado (em três vezes) eram transferidas aos reais adquirentes para revendê-las no mercado interno, porém nessa transferência das mercadorias da RF TOTAL para a DICOM foram utilizados valores três vezes superiores aos declarados nas DI's (recomposição do preço real de transação que fora indevidamente reduzido para se beneficiar inicialmente no valor da tributação na importação), aumentando neste segundo momento os custos para redução aparente de lucro tributável ou para produzir prejuízos contábeis, e com isso formar recursos extracontábeis (caixa dois) que interessavam tanto à DICOM como às pessoas fisicas dos gerentes de fato do esquema. Confrontando-se o disposto no art. 135, III, com o que prescreve o art. 124, I, ambos do CTN, pode-se concluir que neste caso devem responder solidariamente pela infração os interessados que se apresentaram como recorrentes neste processo, que havia interesse comum dos administradores, ou gerentes de fato do esquema, e da empresa na situação que constituiu os fatos geradores das obrigações principais. Lembra-se, ainda uma vez, que a condição de reais adquirentes das mercadorias, e, portanto, pessoas que estiveram diretamente envolvidas com a situação que constituiu o fato gerador, ou seja, o fato subjacente às operações de importação, quais sejam as negociações de compra e venda internacional dos celulares, ficou evidenciada na constatação de ser a DICOM a real fonte dos recursos financeiros utilizados pela importadora de fachada RF TOTAL para recolhimento dos tributos aduaneiros relativos aos preços subfaturados declarados, bem como para o fechamento do câmbio respectivo. A articulação descrita nos autos pela fiscalização, com suporte nas evidências arroladas no Relatório Telefonia Celular, parcialmente transcrito neste voto, aponta que os Srs. João Carlos Zampini e Cláudio Zampini, administradores de fato da DICOM no esquema desvendado, para lograr êxito em mi planejado esquema de subfaturamento de importações de celulares, lideraram esforços no sentido de utilizar empresas interpostas constituídas por "laranjas", de forma a que pudessem ocultar a participação e interesse na situação por parte da DICOM e de seus gerentes de fato na situação sob análise, João Carlos Zampini e Cláudio Zampini, e assim tentar desviar a imputação de responsabilidade para aquelas empresas de 410 fachada manipuladas, a exemplo do papel exercido no caso presente pela RF TOTAL que formalmente se apresentou como importadora no procedimento de nacionalização das mercadorias. A meu ver é plausível a conclusão da decisão recorrida, que não tivesse a DICOM e seus gerentes, conjuntamente, interesse nos recursos financeiros oriundos da indevida redução da base de cálculo dos tributos incidentes na importação, não haveria a necessidade das empresas inidôneas interpostas tanto para o papel de importador aparente, caso da RF TOTAL, como para o de exportador aparente, no caso da DATA AIR e da TALENT BUSINESS (os documentos que instruíram as DI's registradas em nome da RF TOTAL foram apresentados pelas empresas-fantasma DATA AIR e TALENT BUSINESS, e indicavam como titular o Sr. Rufino Ferreira Pinto Filho, que também figurava como sócio da RF TOTAL). Pelo porte dos negócios praticados no interesse da DICOM e de seus gerentes, o normal seria a contratação de serviços de trading companies idôneas, isto é, com capacidade patrimonial compatível a oferecer suporte e garantia para negócios desse porte, se não fosse o caso de ser a própria DICOM a se encarregar de tais importações. O fato de que a CELLSTAR DO BRASIL/DICOM comprava os aparelhos celulares antecipando os recursos às importadoras interpostas, e que se revelaram inidôneas no . • Processo n.° 12466.003632/2004-79 CCO3/CO3 , Acértclão n.° 303-34.941 Fls. 36 caso destes autos, para depois revender os aparelhos no mercado interno, se encaixa perfeitamente na lógica da acusação fiscal quanto ao gerenciamento do esquema apurado, a meu ver demonstrado suficientemente neste processo. Em tudo isso se cristalizou a convicção de que os irmãos João Carlos Zampini e Cláudio Rossi Zampini, a mando, ou não, do Sr Thimothy Louis Maretti, gerente-delegado da CELLSTAR/DICOM, capitanearam, à frente dos movimentos da DICOM, uma considerável operação de importações subfaturadas, interpondo entre o exportador no exterior e o real adquirente das mercadorias no Brasil várias empresas insolventes constituídas com sócios "laranjas". A fiscalização, com base nos artigos 124, I c/c art. 135, III, do CTN, caracterizou adequadamente a responsabilidade solidária dos ora recorrentes, DICOM Telecomunicações Ltda., João Carlos Rossi Zampini e Cláudio Rossi Zampini, além de Thimothy Louis Maretti e das empresas RF TOTAL Comercial Ltda e TC Importação e Exportação Ltda, estes três últimos ausentes na fase recursal, para com a obrigação tributária representada na diferença de tributos não recolhida, bem como pelas penalidades 1111 administrativas tributárias lançadas. Foram exigidos dos autuados: RF TOTAL COMERCIAL LTDA, DICOM TELECOMUNICAÇÕES LTDA, TC IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, CLÁUDIO ROSSI ZAMPINI, JOÃO CARLOS ROSSI ZAMPINI e THIMOTHY LOUIS MARETTI, os valores correspondentes às seguintes penalidades (só os marcados em negrito são recorrentes): I) No auto de Infração de fls.05/16, R$ 14.387.708,57, a titulo de multa de oficio, agravada, 225% sobre o saldo do imposto de importação devido, com base no art.44, II e §2°, da Lei 9.430/96. No auto de Infração de fls. 17/28, R$ 17.265.250,26 a titulo de multa de oficio, agravada, 225% sobre o saldo de IPI-vinculado devido, com base no art.80 da Lei 4.502/64, c/a redação dada pelo art.45 da Lei 9.430/96. O agravamento de ambas as multas de oficio acima destacadas, para 225%, foi motivado pela não apresentação de esclarecimentos, arquivos e documentos no prazo determinado na intimação fiscal. Cabe fazer o registro de que as empresas DICOM, TC e RF TOTAL alegaram na fase de impugnação, não terem sido cientificadas antes da lavratura do auto de infração quanto a expedição de MPF com relação a elas. De acordo com o que afirmamos no preâmbulo deste voto, em tese, essa omissão por parte dos auditores fiscais autuantes poderia ser motivo de liberação destes autuados quanto ao agravamento de penalidade aplicada por falta de atendimento a exigências da fiscalização quanto a prestar informações na fase inquisitorial. Entendo, entretanto, que não há neste caso beneficiário a ser contemplado, posto que com relação à DICOM, conforme já registramos no inicio deste voto há evidência nestes autos em contrário atestando sua ciência oportuna, e quanto às outras duas empresas estiveram presentes no processo apenas na fase de impugnação não encontrando reconhecimento do direito alegado por parte da autoridade julgadora a quo. Estão ambas ausentes da fase recursal, assim há impossibilidade em face das normas processuais de apreciar nesta instância a questão em relação a estas. II) No auto de Infração de fls. 29/36, foi exigido R$ 31.972.685,82 a titulo de multa por infração administrativa ao controle das importações — subfaturamento do preço ou valor da mercadoria. A multa lançada . - . • Processo n.° 12466.003632/2004-79 CCO3/CO3 • Atâclãõ n.° 303-34.941 Fls. 37 foi de 100% sobre a diferença de imposto constatada, com base no art.526, III do Regulamento Aduaneiro (RA) aprovado pelo Decreto n° 91.030/85, cuja base legal originária é o art.169, II, do Dl n°37/66. O subfaturamento que ficou caracterizado neste processo teve a intenção de pagar menos imposto, é infração de natureza nitidamente tributária, e as diferenças de 11 e de IPI-vinculado, apuradas neste caso foram submetidas a penalidade de oficio, sendo em ambos os tributos ainda agravada de 150% para 225% sobre as diferenças apuradas. Entendo que não cabe punir a mesma infração de natureza tributária, de insuficiência de recolhimento dos tributos por subfaturamento na importação, com duas multas distintas, aquela da Lei 9.430/96 (150%) e a do art.526, III, do RA185. Veja-se que uma interpretação mais atenta há de distinguir que a ocorrência de subfaturamento na importação só pode encontrar como motivação lógica, o recolhimento de menos tributo do que o devido. Daí a posição defendida por certa corrente doutrinária de que só caberia no Regulamento Aduaneiro (RA) a previsão de multa administrativa para reprimir infração exclusivamente referida ao controle aduaneiro, • quando fosse não por subfaturamento, mas por superfaturarnento na importação, posto que neste caso haveria razão em reprimir a tentativa de remeter ao exterior mais divisas do que o devido. O contrário seria hipótese de infração impossível. Parece-me, contudo, flagrante a impossibilidade de coexistência da multa de oficio tributária agravada pela constatação do subfaturamento (150%, depois mais agravada para 225%) com a multa por subfaturamento na importação, de 100% sobre o preço ou valor da mercadoria, que foram aplicadas para punir a mesma infração. Apurada a ocorrência de fraude, por subfaturamento na importação, seria normalmente devida a multa de 150% sobre os tributos sonegados por conseqüência do subfaturamento. No caso concreto, conforme vimos no item anterior, houve ainda agravamento da multa de oficio, para 225%, e obviamente essa penalidade já absorveu o que neste caso seria a infração tributária-meio, o subfaturamento praticado. Naturalmente a infração tributária-fim foi a redução dos tributos devidos na importação. A aplicação concomitante das duas penalidades indicadas não pode prevalecer, pois do contrário seria admitir o absurdo de dupla punição quanto à mesma infração. Sobre • isto o Primeiro Conselho se manifestou reiteradamente, conforme ocorreu, por exemplo, no acórdão n° 106-13.198, de 26.02.03. Neste a decisão foi no sentido de impossibilidade de cumulação da multa isolada prevista no art.44, §1°, III, da Lei 9.430/96, com multa de oficio, em face de dupla penalização sobre a mesma base de incidência. Em síntese, a interpretação mais adequada distingue que o subfaturamento na importação só pode ser entendido para o intuito de pagar menos imposto, que não haveria de ser para remeter menos divisas ao exterior, por isso só poderia ser infração possível contra o controle administrativo aduaneiro o superfaturamento na importação, cujo intuito é a remessa de mais divisas do que deveria ser. O subfaturamento praticado com intenção de pagar menos tributo é infração de natureza nitidamente tributária, e a diferença de tributo neste caso se submete à penalidade prevista na Lei 9.430/96, com multa de 150% sobre a diferença de tributo, podendo haver ainda agravamento para 225% na hipótese prevista no §2° do art.44 da mesma Lei, no caso do imposto de importação, e com base no art.46 da Lei 9.430/96, que deu nova redação ao art.80 da Lei 4.502/64, para o caso do IPI-vinculado. Não caberia punir o subfaturamento na importação, também de natureza tributária, com duas penalidades, aquela do art.44, II e §2°, da Lei 9.430/96 e também a do art.526, III, do RA/85. 1(.11 • • • Processo n.° 12466.003632/2004-79 CCO3/CO3 -Atóálãel n.° 303-34.941 Fls. 38 Quanto à aplicação dos juros SELIC, e depois especificamente quanto à sua incidência sobre o valor das multas lançadas de oficio remanescentes. A norma que impõe a aplicação de juros moratórios equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) para títulos federais, não apresenta nenhum conflito com o disposto no artigo 161, § 1°, do Código Tributário Nacional, visto que, em conformidade com a dicção do § 1°, a taxa de 1% ao mês somente prevalece se a lei não dispuser de modo diverso. No caso presente tem primazia o artigo 61, § 3 0, c/c o artigo 50, § 30 ambos da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabeleceu, exceto para o mês do pagamento, a incidência de juros moratórios equivalentes à taxa referencial SELIC. Está firmado na doutrina e principalmente na jurisprudência dos tribunais superiores que os juros de mora não constituem penalidade, tratando-se de mera atualização monetária do valor pecuniário correspondente a um direito de crédito reconhecido, devendo incidir juros durante o período de tempo em que o valor devido vencido permaneça no patrimônio do devedor. No caso, não importa se parte do valor do crédito a ser atualizado em favor da Fazenda Nacional decorre de multa de oficio lançada. Ainda assim cabe a sua atualização por meio dos juros de mora. A norma prevista no parágrafo único do art.43 da Lei 9.430/96 não deixa dúvida que mesmo quando o crédito tributário corresponda a exigência exclusivamente de multa, sobre tal crédito não pago no vencimento incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art.5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de 1% no mês de pagamento. Da mesma forma quando o crédito a ser atualizado se constitua parte em diferença de tributo não recolhida, e parte em multa de oficio. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial aos recursos voluntários, para afastar tão-somente a aplicação da penalidade prevista no art.526, III, do RA/85. Sala das Sessões, em 4 de dezembro de 2007 ZENA IB O O 1: MAN - Relator

score : 1.0
4701247 #
Numero do processo: 11610.003405/2001-27
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2007
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - ERRO DE FATO - EXAME DE PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE - Verificado erro de fato no exame dos pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário os embargos são acolhidos para retificar o acórdão 104-21.099. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE - RECURSO VOLUNTÁRIO - INTEMPESTIVIDADE - A interposição do Recurso Voluntário após a fluência do prazo regulamentar, trinta dias da ciência da decisão de primeira instância, caracteriza a intempestividade. Embargos acolhidos. Acórdão retificado. Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 104-22.162
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, ACOLHER os Embargos Declaratórios para, retificando o Acórdão n° 104-21.099, de 20/10/2005, NÃO CONHECER do recurso, por intempestivo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Maria Beatriz Andrade de Carvalho

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior

dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 200701

ementa_s : EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - ERRO DE FATO - EXAME DE PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE - Verificado erro de fato no exame dos pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário os embargos são acolhidos para retificar o acórdão 104-21.099. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE - RECURSO VOLUNTÁRIO - INTEMPESTIVIDADE - A interposição do Recurso Voluntário após a fluência do prazo regulamentar, trinta dias da ciência da decisão de primeira instância, caracteriza a intempestividade. Embargos acolhidos. Acórdão retificado. Recurso não conhecido.

turma_s : Quarta Câmara

dt_publicacao_tdt : Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2007

numero_processo_s : 11610.003405/2001-27

anomes_publicacao_s : 200701

conteudo_id_s : 4172193

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 104-22.162

nome_arquivo_s : 10422162_143207_11610003405200127_005.PDF

ano_publicacao_s : 2007

nome_relator_s : Maria Beatriz Andrade de Carvalho

nome_arquivo_pdf_s : 11610003405200127_4172193.pdf

secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, ACOLHER os Embargos Declaratórios para, retificando o Acórdão n° 104-21.099, de 20/10/2005, NÃO CONHECER do recurso, por intempestivo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.

dt_sessao_tdt : Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2007

id : 4701247

ano_sessao_s : 2007

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:27:11 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713043177355608064

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-14T17:58:00Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-14T17:58:00Z; Last-Modified: 2009-07-14T17:58:00Z; dcterms:modified: 2009-07-14T17:58:00Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-14T17:58:00Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-14T17:58:00Z; meta:save-date: 2009-07-14T17:58:00Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-14T17:58:00Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-14T17:58:00Z; created: 2009-07-14T17:58:00Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-07-14T17:58:00Z; pdf:charsPerPage: 1400; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-14T17:58:00Z | Conteúdo => • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 11610.003405/2001-27 Recurso n°. : 143.207 Matéria : EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Embargante : MARIA BEATRIZ ANDRADE DE CARVALHO Embargada : QUARTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Interessados : EDSEL GUIDI FILHO e FAZENDA NACIONAL Sessão de : 24 de janeiro de 2007 Acórdão n° : 104-22.162 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - ERRO DE FATO - EXAME DE PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE - Verificado erro de fato no exame dos pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário os embargos são acolhidos para retificar o acórdão 104-21.099. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE - RECURSO VOLUNTÁRIO - INTEMPESTIVIDADE - A interposição do Recurso Voluntário após a fluência do prazo regulamentar, trinta dias da ciência da decisão de primeira instância, caracteriza a intempestividade. Embargos acolhidos. Acórdão retificado. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de Embargos de Declaração interpostos por MARIA BEATRIZ ANDRADE DE CARVALHO. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, ACOLHER os Embargos Declaratórios para, retificando o Acórdão n° 104-21.099, de 20/10/2005, NÃO CONHECER do recurso, por intempestivo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. MARIA HELENA COTTA CUISiáti PRESIDENTE MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 11610.003405/2001-27 Acórdão n°. : 104-22.162 ,inaLCA S .11 MARIA BEATRI A L, RAD a R ALHO RELATORA FORMALIZADO EM: 05 MAR 2007 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN, OSCAR LUIZ MENDONÇA DE AGUIAR, PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, HELOISA GUARITA SOUZA, GUSTAVO LIAN HADDAD e REMIS ALMEIDA ESTOL.70-C, 2 'MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 11610.003405/2001-27 Acórdão n°. : 104-22.162 Recurso n°. : 143.207 Embargante : MARIA BEATRIZ ANDRADE DE CARVALHO RELATÓRIO Trata-se de Embargos de Declaração opostos por mim, relatora do voto condutor do v. Acórdão de n° 104-21.099 prolatado por este colegiado na sessão de 20 de outubro de 2005. O julgado está ementado nestes termos:• "IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. A tributação independe da denominação dos rendimentos, da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo. Recurso negado". As razões da interposição dos embargos estão assim postas: "Ao formalizar o v. voto que fundamenta o Acórdão de n° 104.21.099, proferido na sessão de 20 de outubro de 2005, compulsando os autos verifiquei que o recurso voluntário acostado às fls. 70/86 foi protocolado tão só em 22 de outubro de 2004, ou seja, após o transcurso do prazo regulamentar para sua apresentação, 20 de outubro de 2004, contudo este fato não foi observado quando da apreciação dos pressupostos de admissibilidade o que deu ensejo a apreciação do recurso por esta Câmara, que naquela oportunidade apreciou o mérito do recurso e negou provimento razão pela qual manifesto os presentes embargos para exame da questão pelo colegiado, nos termos assentados no art. 27 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes" (fls. 103). Os embargos foram acolhidos pela Presidência nos termos do despacho de n° 104-396/2006 acostado às fls.104. É o Relatório. 3 'MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 11610.003405/2001-27 Acórdão n°. : 104-22.162 VOTO Conselheira MARIA BEATRIZ ANDRADE DE CARVALHO, Relatora Acolhidos os embargos, nos termos do art. 27, § 2°, face à apontada contradição contida no final do voto condutor do v. acórdão prolatado por este colegiado. O objeto dos embargos cinge-se ao fato de que o voto condutor do v. acórdão de n° 104-21.099, da minha lavra, entendeu ser tempestiva a interposição do recurso voluntário, contudo aviva que a manifestação ocorreu após o transcurso do prazo regulamentar. • Compulsando os autos verifica-se que a ciência do Acórdão DRJ/STM n° 3.110, de 27 de agosto de 2004, ocorreu em 20 de setembro de 2004, conforme Termo de Ciência acostado às fls. 64, contudo o recurso foi interposto tão só em 22 de outubro de 2004, nos termos do protocolo da Delegacia da Receita Federal de Curitiba — DRF(fls. 71) patente assim a apresentação a destempo vez que o art. 33 do Decreto 70.235/72 dispõe expressamente: "Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão". Porquanto não há como este Colegiado conhecer do recurso manifestado em face de ter decorrido o prazo regulamentar para a sua manifestação. Em exame de questão similar este colegiado assim se manifestou: "EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - Evidenciada a contradição no julgado, procedem os embargos. 4 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 11610.003405/2001-27 Acórdão n°. : 104-22.162 RECURSO VOLUNTÁRIO - INTEMPESTIVIDADE - Não se conhece do recurso interposto sem observância do prazo de trinta dias prescrito no Decreto n° 70.235, de 1972. Embargos acolhidos. Recurso não conhecido". (Ac. 104-18575) "IRPF - RECURSO VOLUNTÁRIO - INTEMPESTIVIDADE - Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado após decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Embargos acolhidos. Recurso não conhecido"(Ac. 104.20.641). Pelo exposto, voto no sentido de retificar o Acórdão de n° 104.21.099, prolatado na sessão de 20 de outubro de 2005, vez que patente a interposição tardia do recurso voluntário, conforme Termo de Perempção acostado às fls. 69, não conheço do recurso. É o voto. Sala das Sessões - DF, em 24 de janeiro de 2007 W—CU e MARIA BEATRIZ ANDRAD DE CARVALHO 5 Page 1 _0010300.PDF Page 1 _0010400.PDF Page 1 _0010500.PDF Page 1 _0010600.PDF Page 1

score : 1.0
4703080 #
Numero do processo: 13038.000041/2001-18
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2006
Ementa: SIMPLES. INCLUSÃO RETROATIVA. Demonstrado a intenção da pessoa jurídica de utilizar-se da sistemática do SIMPLES deve-se admitir a sua opção retroativa, ainda que esta o contribuinte não o tenha feito ao seu tempo e que conste débitos na conta corrente da SRF não inscrito em dívida. Fundamentos nos itens 11 e 12 do Parecer Cosit nr. 60/1999 e inciso XV do artigo 9º da Lei 9.317/96. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 303-33.485
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Marciel Eder Costa

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento

dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 200608

ementa_s : SIMPLES. INCLUSÃO RETROATIVA. Demonstrado a intenção da pessoa jurídica de utilizar-se da sistemática do SIMPLES deve-se admitir a sua opção retroativa, ainda que esta o contribuinte não o tenha feito ao seu tempo e que conste débitos na conta corrente da SRF não inscrito em dívida. Fundamentos nos itens 11 e 12 do Parecer Cosit nr. 60/1999 e inciso XV do artigo 9º da Lei 9.317/96. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.

turma_s : Terceira Câmara

dt_publicacao_tdt : Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2006

numero_processo_s : 13038.000041/2001-18

anomes_publicacao_s : 200608

conteudo_id_s : 4459822

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 20 00:00:00 UTC 2017

numero_decisao_s : 303-33.485

nome_arquivo_s : 30333485_132278_13038000041200118_004.PDF

ano_publicacao_s : 2006

nome_relator_s : Marciel Eder Costa

nome_arquivo_pdf_s : 13038000041200118_4459822.pdf

secao_s : Terceiro Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.

dt_sessao_tdt : Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2006

id : 4703080

ano_sessao_s : 2006

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:27:48 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713043177375531008

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-11-10T18:19:33Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-11-10T18:19:33Z; Last-Modified: 2009-11-10T18:19:33Z; dcterms:modified: 2009-11-10T18:19:33Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-11-10T18:19:33Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-11-10T18:19:33Z; meta:save-date: 2009-11-10T18:19:33Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-11-10T18:19:33Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-11-10T18:19:33Z; created: 2009-11-10T18:19:33Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2009-11-10T18:19:33Z; pdf:charsPerPage: 1296; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-11-10T18:19:33Z | Conteúdo => # MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 13038.000041/2001-18 Recurso n° : 132.278 Acórdão n° : 303-33.485 Sessão de : 17 de agosto de 2006 Recorrente : RUBIN SCHEUNEMANN — ME. Recorrida : DRJ/PORTO ALEGRE/RS SIMPLES. INCLUSÃO RETROATIVA. Demonstrado a intenção da pessoa jurídica de utilizar-se da sistemática do SIMPLES deve-se admitir a sua opção retroativa, ainda que esta o contribuinte não o tenha feito ao seu tempo e que conste débitos na conta corrente da SRF não inscrito em dívida. Fundamentos nos itens 11 e 12 do Parecer Cosit nr. 60/1999 e inciso XV do artigo 9° da Lei 9.317/96. • Recurso voluntário provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. AN0; . E DA 'RIET • Presi 110 1111 • - • : : • Relator Formalizado em: 28 SEI 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Nanci Gama, Zenaldo Loibman, Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Nilton Luis Bartoli, Tarásio Campelo Borges e Luis Carlos Maia Cerqueira. Ausente o Conselheiro Sérgio de Castro Neves. Presente o Procurador da Fazenda Nacional Leandro Felipe Bueno Tiemo. DM Processo n'' : 13038.000041/2001-18 • Acórdão : 303-33.485 RELATÓRIO Trata-se de pedido de inclusão retroativa ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, a 01 de janeiro de 1997. A Delegacia da Receita Federal em Pelotas (RS) indeferiu a solicitação (fls.40 a 43), sob o argumento de que o contribuinte possui diversos débitos extraídos do conta-corrente, relativos aos exercícios de 1995 a 1997, fls. 132. Cientificada da decisão de sua solicitação, fl. 135, apresentou recurso de fls 136/137, alegando que: a)teria em dezembro de 1997 requerido a sua • inclusão, mas o documento fora extraviado, b) procedeu o recolhimento sob código 5909, referente parcela antecipação/parcelamento do Simples-PJ, no entanto, não efetuou os demais recolhimentos em função das crises financeiras e econômicas, c) manifestou sua clara intenção de optar pelo SIMPLES, mas não pode cumprir com as suas obrigações tributárias, d)efetuou um segundo pedido em 05/06/2001. A decisão proferida pela DRJ — Porto Alegre -RS — proferiu julgamento indeferindo a solicitação sob o argumento da existência de débitos junto ao conta corrente da Secretaria da Receita Federal. Incoforrnada com a decisão "a quo", o Contribuinte propõe recurso voluntário a este Conselho, aduzindo em síntese que passa por situação dificil, que hoje se encontra velho, doente, vivendo de beneficio previdenciário, o qual gasta quase todo com medicamentos e consultas e que mesmo assim pretende saldar a suas dividas. Face a ausência de valoração para o crédito tributário em discussão, fica o contribuinte dispensado da apresentação de garantia recursal. Os autos foram distribuídos a este Conselheiro contendo 153 folhas, última. É o relatório. ç 2 Processo n° : 13038.000041/2001-18 • Acórdão n° : 303-33.485 VOTO Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O indeferimento a que trata o presente processo pela opção no SIMPLES está fundamentado no fato de o contribuinte possuir débitos em conta corrente da Secretaria da Receita Federal. Todavia, não nos parece apropriada à posição da instância a quo, pelas razões que passamos a expor: • A Recorrente se posiciona alegando que demonstrou clara intenção de optar pelo SIMPLES, apresentando todas as declarações simplificadas no seu prazo regular. O contribuinte demonstrou inequívoca vontade em optar pelo sistema SIMPLES, a vista da documentação acostada aos autos, verificamos que o contribuinte procedeu o recolhimento sob código 5909 e entregou as declarações simplificadas de forma tempestiva, no entanto não apresentou o Termo de Opção de 1997, desta forma, entendo que este possa beneficiar-se das disposições contidas nos itens 11 e 12 do Parecer Cosit n° 28/1997. Ocorre que conforme demonstrado nos documentos de fls. 121 a 129, o contribuinte encontra-se com débitos junto ao conta corrente da Secretaria da Receita Federal, sem contudo, que estes débitos estivessem inscritos em dívida, certidões de folhas 35 e 36. Nos termos no inciso XV do artigo 9° da Lei 9.317/96 constitui- . se motivo de exclusão da sistemática do SIMPLES a inscrição em dívida ativa de débitos do contribuinte. Ocorre que ainda que constasse a existência de débitos do contribuinte na conta corrente da Secretaria da Receita Federal, estes, por si só, não poderiam ser um fato impeditivo à opção do contribuinte ao sistema SIMPLES, por absoluto desamparo de legislação impeditiva. Assim, não estando os débitos inscritos em divida, não é possível negar ao contribuinte o direito à opção da sistemática do SIMPLES. Por óbvio, caso estes débitos sejam posteriormente inscritos em dívida, deverá se promover a devida a exclusão através de Ato Declaratório expedido pelo delegado da SRF da jurisdição do Recorrente. Desta feita, deve-se considera a inclusão no Si ma Integrado de Pagamento de impostos e Contribuições das Microempresas das Empresas de 3 . - . Processo n° : 13038.000041/2001-18 ' • Acórdão n° : 303-33.485 Pequeno Porte SIMPLES da data em que o contribuinte manifestará a sua inequívoca vontade em optar por esta sistemática, ou seja, 01/01/1997. Pelo exposto, voto por sentido de dar provimento ao recurso voluntário. É como voto Sala das S - o ' - Of e e agosto de 2006.111 ii 1 .. CIEL DE' 1, e 1A - Rel .tor I • \ i II 4

score : 1.0
4702377 #
Numero do processo: 13002.000306/2002-68
Turma: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2006
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - RETROATIVIDADE BENIGNA - MULTA DE OFICIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DA MULTA DE MORA - Revogado o dispositivo legal que estabelecia a penalidade, cancela-se sua exigência à luz do art. 106, inciso III, alínea “c” do Código Tributário Nacional. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 102-48.022
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da exigência a multa isolada, nos termos do voto do Relator.
Matéria: DCTF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada(TODOS)
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : DCTF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada(TODOS)

dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 200610

ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - RETROATIVIDADE BENIGNA - MULTA DE OFICIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DA MULTA DE MORA - Revogado o dispositivo legal que estabelecia a penalidade, cancela-se sua exigência à luz do art. 106, inciso III, alínea “c” do Código Tributário Nacional. Recurso parcialmente provido.

turma_s : Segunda Câmara

dt_publicacao_tdt : Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2006

numero_processo_s : 13002.000306/2002-68

anomes_publicacao_s : 200610

conteudo_id_s : 4212961

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 102-48.022

nome_arquivo_s : 10248022_153243_13002000306200268_005.PDF

ano_publicacao_s : 2006

nome_relator_s : Antônio José Praga de Souza

nome_arquivo_pdf_s : 13002000306200268_4212961.pdf

secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da exigência a multa isolada, nos termos do voto do Relator.

dt_sessao_tdt : Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2006

id : 4702377

ano_sessao_s : 2006

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:27:36 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713043177380773888

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-10T16:27:33Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-10T16:27:33Z; Last-Modified: 2009-07-10T16:27:33Z; dcterms:modified: 2009-07-10T16:27:33Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-10T16:27:33Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-10T16:27:33Z; meta:save-date: 2009-07-10T16:27:33Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-10T16:27:33Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-10T16:27:33Z; created: 2009-07-10T16:27:33Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-07-10T16:27:33Z; pdf:charsPerPage: 1061; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-10T16:27:33Z | Conteúdo => CCOI/CO2 . • Fls. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES si c-, • SEGUNDA CÂMARA Processo n° 13002.000306/2002-68 Recurso n° 153.243 Voluntário Matéria IRF - Ano: 1997 Acórdão n° 102-48.022 Sessão de 20 de outubro de 2006 Recorrente SPRINGER CARRIER LTDA. Recorrida la TURMA/DRJ-PORTO ALEGRE/RS Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte — IRRF. Ano-calendário: 1997. Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - RETROATIVIDADE BENIGNA - MULTA DE OFICIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DA MULTA DE MORA - Revogado o dispositivo legal que estabelecia a penalidade, cancela-se sua exigência à luz do art. 106, inciso III, alínea "c" do Código Tributário Nacional. • Recurso parcialmente provido. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do PRIMEIRO • CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da exigência a multa isolada, nos termos do voto do Relator. LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO Presidente ANTONIO JOSE PRAGA DE SOU A Relator • FORMALIZADO EM: 1 6 NOV 2006 Processo n.°13002.000306/2002-68 CCOI/CO2 • Acórdão n.° 102-48.022 Fls. 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: NAURY FRAGOSO TANAKA, LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, SILVANA MANCINI ICARAM, MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO. Processo n.° 13002.000306/2002-68 CCO I /CO2 • Acórdão n.• 102-48.022 Fls. 3 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela 1 a. TURMA DA DRJ PORTO ALEGRE - RS, em 13/08/2006 (11s. 30-40). Em seu acórdão, a DRJ confirmou as seguintes exigências: Multa isolada no valor de R$ 282.043,62 e juros de mora isolados no valor de R$ 2.519,34. O lançamento, que se refere ao Imposto de Renda Retido na Fonte, originou-se em revisão das DCTF apresentadas pelo contribuinte relativas ao ano de 1997. Cientificada, a contribuinte apresentou recurso voluntário 22/10/2004 (fls. 44- 49), contestando os valores cobrados A seguir, os autos foram encaminhados a este Conselho para julgamento, haja vista que foram cumpridas as determinações da Instrução Normativa SRF 264 de 2002, quanto ao arrolamento de bens ou depósito recursal. É o Relatório. ./C". • Processo n.° 13002.000306/2002-68 CCOI/CO2 • ' Acórdão n.• 102-48.022 Fls. 4 Voto Conselheiro ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Câmara. De início, abordo a exigência da multa isolada de 75% por recolhimento em atraso sem a multa de mora. Isto porque, a Medida Provisória n° 303, publicada no Diário • Oficial de 30/06/2006, em seu artigo 18, alterou a redação do artigo 44 da Lei 9.430 de 1996, que passou a vigorar com os seguintes termos: "Art. 18. O art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: 'Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: 1- de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II - de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: • a) na forma do art. 8o da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § I o O percentual de multa de que trata o inciso Ido capta será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n°4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. • § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do capuz e o § I o, serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: 1- prestar esclarecimentos; II - apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8218, de 29 de agosto de 1991; III - apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38. ' (7VR) . • Observa-se que a hipótese de exigência da multa de oficio isolada, por falta de recolhimento da multa de mora, que constava do inciso I e do §1°, inc. I, da redação anterior do artigo 44, foi subtraída do ordenamento legal. Sendo assim, essa penalidade deve ser excluída da exigência por força do artigo 106, inciso II, alínea "c" do Código Tributário Nacional, que • dispõe: Processo n.° 13002.000306/2002-68 Can /CO2 Acórdão n.° 102-48.022. . • Fls. 5 "Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; 11- tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." No que tange a exigência dos juros de mora isolados (R$ 2.519,34) , pela análise dos autos formei convencimento de que não cabe razão ao contribuinte quanto a alegação de que não consta nos autos o demonstrativo de apuração da exigência. Consoante Anexo Ila do auto de infração, fl. 15 e 16, o contribuinte efetuou recolhimentos em 07/05/1997 e 04/06/2007 do IR-Fonte devido com vencimentos em 30/04/1997 e 28/05/1997, nos valores de R$ 134.235,22 e 116.383,41; porém deixou de incluir os juros de mora à taxa de 1%, conforme disposto no art. 61 da Lei 9.430/1996. Logo, a exigência deve ser mantida nessa parte. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a exigência da multa de oficio isolada. Sala das Sessões— DF, em 20 de outubro de 2006. ANTONIO JOSE P GA D SOUZA Page 1 _0012300.PDF Page 1 _0012400.PDF Page 1 _0012500.PDF Page 1 _0012600.PDF Page 1

score : 1.0
4703300 #
Numero do processo: 13056.000613/98-11
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2003
Ementa: IPI - CRÉDITOS PRESUMIDOS - RECEITA OPERACIONAL BRUTA - O seu conceito, para efeito do cálculo do benefício, é aquele estabelecido na legislação do Imposto sobre a Renda. BASE DE CÁLCULO - Da glosa dos insumos revendidos deve ser abatido o valor das devoluções dessas revendas. LEI 9.363/96. AQUISIÇÃO DE NÃO-CONTRIBUINTES. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO.É de se admitir o direito ao crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, mesmo quando os insumos utilizados no processo produtivo de bens destinados ao mercado externo sejam adquiridos de não-contribuintes de PIS e de COFINS. MATÉRIA PRECLUSA - Questão não provocada a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnatória inicial, e que somente vem a ser demandada na petição de recurso, constitui matéria preclusa, da qual não se toma conhecimento. TAXA SELIC - INCIDÊNCIA - É garantido ao Contribuinte a aplicação da denominada Taxa SELIC sobre seu crédito, por aplicação analógica do art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95 - que determina a incidência da mencionada taxa sobre indébitos tributários a partir do pagamento indevido. Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 202-14.734
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator-Designado. Vencidos os Conselheiros Antônio Carlos Bueno Ribeiro (Relator), Henrique Pinheiro Torres e Nayra Bastos Manatta, que negavam provimento quanto às aquisições de não-contribuintes e a Taxa SELIC. Designado o Conselheiro Gustavo Kelly Alencar para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: Antônio Carlos Bueno Ribeiro

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 200304

ementa_s : IPI - CRÉDITOS PRESUMIDOS - RECEITA OPERACIONAL BRUTA - O seu conceito, para efeito do cálculo do benefício, é aquele estabelecido na legislação do Imposto sobre a Renda. BASE DE CÁLCULO - Da glosa dos insumos revendidos deve ser abatido o valor das devoluções dessas revendas. LEI 9.363/96. AQUISIÇÃO DE NÃO-CONTRIBUINTES. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO.É de se admitir o direito ao crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, mesmo quando os insumos utilizados no processo produtivo de bens destinados ao mercado externo sejam adquiridos de não-contribuintes de PIS e de COFINS. MATÉRIA PRECLUSA - Questão não provocada a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnatória inicial, e que somente vem a ser demandada na petição de recurso, constitui matéria preclusa, da qual não se toma conhecimento. TAXA SELIC - INCIDÊNCIA - É garantido ao Contribuinte a aplicação da denominada Taxa SELIC sobre seu crédito, por aplicação analógica do art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95 - que determina a incidência da mencionada taxa sobre indébitos tributários a partir do pagamento indevido. Recurso provido em parte.

turma_s : Segunda Câmara

dt_publicacao_tdt : Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2003

numero_processo_s : 13056.000613/98-11

anomes_publicacao_s : 200304

conteudo_id_s : 4123632

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017

numero_decisao_s : 202-14.734

nome_arquivo_s : 20214734_120922_130560006139811_031.PDF

ano_publicacao_s : 2003

nome_relator_s : Antônio Carlos Bueno Ribeiro

nome_arquivo_pdf_s : 130560006139811_4123632.pdf

secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator-Designado. Vencidos os Conselheiros Antônio Carlos Bueno Ribeiro (Relator), Henrique Pinheiro Torres e Nayra Bastos Manatta, que negavam provimento quanto às aquisições de não-contribuintes e a Taxa SELIC. Designado o Conselheiro Gustavo Kelly Alencar para redigir o voto vencedor.

dt_sessao_tdt : Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2003

id : 4703300

ano_sessao_s : 2003

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:27:52 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713043177388113920

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-10-23T17:08:21Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-10-23T17:08:20Z; Last-Modified: 2009-10-23T17:08:21Z; dcterms:modified: 2009-10-23T17:08:21Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-10-23T17:08:21Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-10-23T17:08:21Z; meta:save-date: 2009-10-23T17:08:21Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-10-23T17:08:21Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-10-23T17:08:20Z; created: 2009-10-23T17:08:20Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; Creation-Date: 2009-10-23T17:08:20Z; pdf:charsPerPage: 2470; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-10-23T17:08:20Z | Conteúdo => , MINISTÉRIO DA FAZE 22 CC-MF Ministério da Fazenda ,',•“:..t.' - Segundo Conselho de Contribuintes a FAZENDA Fl. tli:tti` usbeli Gado g u mao no Diá rio d Cic a e O O f oin r UniãoProcesso n2 : 13056.000 6 13/98- 11 F' Recurso n 2 : 120.922 De ..:1___:2_/—__a__/QS___ Acórdão n2 : 202-14.734 VISTO Recorrente : MUSA CALÇADOS LTDA. Recorrida : DFtJ em Porto Alegre - RS IPI - CRÉDITOS PRESUMIDOS - RECEITA OPERACIONAL BRUTA - O seu conceito, para efeito do cálculo do beneficio, é aquele estabelecido na legislação do Imposto sobre a Renda. m ut DA FAZENI3A - 2" CG BASE DE CÁLCULO - Da glosa dos insumos revendidos deve ser abatido o valor das devoluções dessas revendas. CONFERE4DM 0 GINAI, LEI 9.363/96. AQUISIÇÃO DE NÃO-CONTRIBUINTES. BRASILIA21 111 • - I -- I 05- MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. É de se admitir o direito ao crédito ./^ és presumido de IPI de que trata a Lei n° 9.363/96, mesmo quando os.. 1.».- .11 rsit . visto insumos utilizados no processo produtivo de bens destinados ao mercado externo sejam adquiridos de não-contribuintes de PIS e de COFINS. MATÉRIA PRECLUSA - Questão não provocada a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnatoria inicial, e que somente vem a ser demandada na petição de recurso, constitui matéria preclusa, da qual não se toma conhecimento. TAXA SELIC - INCIDÊNCIA - É garantido ao Contribuinte a aplicação da denominada Taxa SELIC sobre seu crédito, por aplicação analógica do art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250/95 - que determina a incidência da mencionada taxa sobre indébitos tributários a partir do pagamento indevido. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MUSA CALÇADOS LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator-De- signado. Vencidos os Conselheiros Antônio Carlos Bueno Ribeiro (Relator), Henrique Pinheiro Torres e Nayra Bastos Manatta, que negavam provimento quanto às aquisições de não-contribuintes e a Taxa SELIC. Designado o Conselheiro Gustavo Kelly Alencar para redigir o voto vencedor. Sala das Sessões, em 16 de abril de 2003 i -a • "" ~.f -A/ciee lieifrique Pinheiro To e 7'19 Presidente , Re tovr°- lánado r Participaram, ainda, presente julgamento os Conselheiros Ana Neyle Olimpio Holanda, Eduardo da Rocha Schrnidt, Raimar da Silva Aguiar e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. cl/opr I _ _ 22 CC-MFMinistério da Fazenda MIN. DA FazErion . Fl.tí:1-5,;.tf:- Segundo Conselho de Contribuintes .; CONFERE:32.d 0 I G:NAL Processo n2 : 13056.000613/98- 1 1 BRA5iLIA _ Recurso n2 : 120.922 Acórdão n2 : 202-14.734 vIsto Recorrente : MUSA CALÇADOS LTDA. RELATÓRIO Versam os autos sobre pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, no valor de RS 166_366,42, referente ao 3° trimestre de 1997, como ressarcimento das contribuições ao Fundo de Participação — PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), incidentes nas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo de bens destinados à exportação, criado pelas Medidas Provisórias sucessivamente reeditadas e, afinal, convertidas na Lei n° 9.363/96. Segundo o Relatório de Verificação Fiscal de fls 64/68, na apuração dos valores relativos às compras para industrialização (CFOP 1.11 e 2.11), não foram excluídos os valores correspondentes à devolução de compras, aos insumos revendidos, ao IPI e às compras efetuadas junto a cooperativas. Ajustou-se também o estoque final de insumos mediante a exclusão das aquisições efetuadas junto ao mercado externo. Após os devidos ajustes, apurou-se que o total do consumo até o 3° trimestre de 1997 foi reduzido de R$ 25.156.447,28 para R$ 15_540.275,88, conforme demonstrado na planilha de fl. 68. De sorte que, desses ajustes e das deduções dos créditos presumidos apurados até o 1° e 2° trimestres/97 (R$ 388.623,47), e mais ainda o efeito da alteração, devido à utilização a maior do crédito presumido nos meses de março, abril e maio/97, implicou a redução do valor a ser ressarcido no 3° trimestre de 1997 para R$ 14.834,65. A Delegacia da Receita Federal em Nova Hamburgo — RS, mediante o Despacho de fl. 69, reconheceu parcialmente o pedido de crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS e a COFTNS incidentes sobre as aquisições de inswnos empregados em produtos exportados, conforme deduzido na informação supra. Inconformada, a contribuinte impugna a referida decisão (fls. 91/98), alegando, em síntese, que: - a receita operacional bruta acumulada até o 3° trimestre de 1997 está a maior, já que dela deve ser excluída a revenda de matérias-primas adquiridas que não foram consideradas no cômputo dos instunos consumidos na produção, pois a legislação (Lei n° 9.363/96, art. 2°) limita a receita operacional bruta à receita decorrente de produção própria; - na determinação pelo Fisco do valor da glosa das matérias-primas revendidas não foram consideradas as devoluções de matérias-primas mercadorias revendidas (CFOP 1.32 e 2.32 e 1.12 e 2.12); f2 ,. -".••_.:',ér_ Ministério da Fazenda MIN. DA FAZENOA - 2" CC Fl. 't=t-.--,;;;.• Segundo Conselho de Contribuintes ..,..i.„enti, •., CONFERE ,ÇON1 O ORIGINAI. BRASILIA o. :-.. i .... 03 / Processo n2 : 13056.000613/98-11 Recurso n 2 : 120.922 Acórdão n2 : 202-14.734 Vis - a Instrução Normativa SRF n° 103/97 (art. 2°) destoa da lei que regula a matéria, dai que não pode prevalecer a glosa nela determinada, , - art. 2° da Lei n° 9.363/96, ao tratar da base de cálculo do crédito presumido, não faz restrição em relação às cooperativas. Não havendo previsão expressa em lei vedando a forma de aquisição, conclui-se que o crédito presumido refere-se a todas as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, sem qualquer exclusão; - as cooperativas são também contribuintes do PIS e da COFINS, não se justificando, portanto, a exclusão de seus fornecimentos da base de cálculo do incentivo previsto na Lei n° 9.363/96, - a Lei n° 9.715/98 (art. 2°, § 1°), conversão da MP n° 1.212/95, que regulava o PIS nos trimestres alcançados no presente litígio, previa a sua cobrança também em relação às receitas decorrentes de operações praticadas com não associados; - quanto à COFINS, na época, segundo o inciso I do art. 6° da LC 70/91, era devida pelas cooperativas apenas sobre o faturamento de operações com não associados. A partir de 30.06.99, por força da MP n° 1.858-6 (art. 23, II, -a"), passou a ser devida sobre todo o faturamento. Isto não significa, todavia, que, por ocasião das aquisições da litigante, essas não estivessem oneradas pelo PIS e COFINS, pois as mesmas são cumulativas, onerando todas as etapas da cadeia produtiva. A DRJ em Porto Alegre — RS manteve o deferimento em parte do pedido de ressarcimento em exame, corrigindo o erro aritmético contido na decisão local, o que elevou o valor a ser ressarcido para R$ 44.834,65, mediante a Decisão DR.I/P0A N° 356/2001 (fls. 100/105), cuja ementa se transcreve: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI Na apuração do Crédito Presumido de !PI deve ser excluído o valor dos insumos revendidos, das devoluções de compra de insumos, como também o valor do IPI incidente nos insumos empregados nos produtos exportados, e as aquisições de cooperativas em suas operações típicas. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA". Em tempo hábil, a interessada interpôs recurso a este Conselho (lis. 1 1 9/161), --- no qual, em suma, além de reiterar os argumentos anteriormente expendidos na pe 2.7 impugnatória, aduz que:ir s 22 CC-MFMinistério da Fazenda mtN. na FA ZE:W.)4 - 7. ) r.::. Fl. ,M 1GIN, "—AL Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE OR O Olgt BRASÍLIA,-,i_pl--/ 0 '' L-)0 Processo n2 : 13056.000613/98-11 Recurso n2 : 120.922 Acórdão n2 : 202-14.734 v - os valores glosados não foram individualizadamente quantificados, especialmente os relativos às aquisições de cooperativas, em flagrante cerceamento ao direito de defesa; - nenhuma diligência foi efetuada para verificar se os produtos vendidos à litigante pela cooperativa tiveram origem em produção de não-associados. Recentes decisões reconhecem a ilegalidade da IN SRF 103/97, na qual se baseou a decisão recorrida, a exemplo das que relaciona; - na exclusão do valor das matérias-primas revendidas (R$ 9.086.715,02) o Fisco não considerou os valores das devoluções de matérias-primas revendidas (R$ 2.014.648,49), conforme demonstrado no anexo III e detalhado nos anexos IV e V; - até pode concordar com o conceito de receita operacional bruta talhado na Lei n° 8.981/95, art. 31, mas considerando apenas a parcela desta receita bruta gerada pela produção, excluindo-se desta a receita bruta derivada de revendas; - os valores relativos aos estoques, inicial e final, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados pelo Fisco, respectivamente R$ 7.938.651,97 e 7.543.076,7 1 , diferem dos valores que representam efetivamente os estoques corretos, respectivamente, R$vv---- 8.779.651,62 e R$ 8.366.322,88, consoante demonstrado no anexo IV. , É o relatório/ , 4 , 22 CC-MF -4.,..e....1; - Ministério da Fazenda MIN. DA FA ZE-NO[1 - 2" te cs2 às.A. Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE AGINI O IRRIGINA 2 Fl. .. EIRASILIA Processo n2 : 13056.000613/98-11 Recurso n2 : 120.922 v, TO Acórdão n2 : 202-14.734 VOTO VENCIDO DO CONSELHEIRO-RELATOR ANTÔNIO CARLOS BUENO RIBEIRO Conforme relatado, o litígio ora em exame centra-se no inconforrnismo da recorrente com a redução do valor pleiteado de crédito presumido de IPI, referente ao 3° trimestre de 1997, como ressarcimento das contribuições ao Fundo de Participação — PIS/PASEP e para o financiamento da seguridade social (COFINS), incidentes nas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo de bens destinados à exportação, de que trata a Lei n°9.363/96. Em primeiro lugar, deve ser afastada de plano a preliminar de cerceamento ao direito de defesa, sob a alegação de que os valores glosados não foram individualizadamente quantificados, especialmente os relativos às aquisições de cooperativas, porquanto tais valores encontram-se devidamente nomeados no demonstrativo de apuração do crédito presumido de IPI à fl. 68, anexo ao Relatório de Verificação Fiscal de fls. 64/67. Passemos, agora, ao exame das razões substantivas interpostas pela recorrente no sentido de infirmar a redução do beneficio, cabendo desde logo apontar a contradição . decorrente do fato de a recorrente pretender a mantença integral de seu pleito, já que não se insurgiu contra as alterações reducionistas no cálculo do beneficio relativas a devolução de compras para industrialização, ao IPI destacado nas notas fiscais relativas às compras para industrialização e, até mesmo, acerca dos insumos revendidos, já que, neste particular, contesta apenas o valor adotado pelo Fisco. Embora a recorrente tenha admitido que a revenda de matérias-primas adquiridas deva ser excluída, como é óbvio, do cômputo dos insumos consumidos na produção, protesta também pela sua exclusão do cálculo da receita operacional bruta, alegando que o art. 2° da Lei n° 9.363/96 1 a limita à receita decorrente de produção própria Acontece que a expressão "do produtor exportador -, adotada no aludido dispositivo, em absoluto implica em restringir a "receita operacional bruta" daquele sujeito às receitas advindas de sua produção própria, pois a própria lei estabelece no § único do art. 3° que será utilizada subsidiariamente a legislação do Imposto de Renda para o estabelecimento do conceito de receita operacional bruta E, nos termos daquela legislação, consoante o disposto no art. 31 da Lei n° 8.981/95 2, não há como tergiversar: "revenda de matérias-primas" está compreendida no "Art. 2° - A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. 2Art. 31 - A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo única Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontas incondicionais concedidos e os impostas não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor do iffbens ou o prestador dos serviços seja mero depositário." . 5 C.Ztr •-n a— Ir Ministério da Fazenda MIN. DA FAZE:N.0A - 2" CC CC -MF CONIFERE 9,1 0„91..rt 1G %MJ__ ELSegundo Conselho de Contribuintes Processo n2 : 13056.000613/98-11 -- Recurso n2 : 120.922 VISTO Acórdão n2 : 202-14.734 "produto da venda de bens nas operações de conta própria" e, portanto, constitui parcela integrante da receita operacional bruta. Quanto ao reclamo da recorrente de que na determinação pelo Fisco do valor da glosa das matérias-primas revendidas, não foram consideradas as devoluções de vendas de matérias-primas adquiridas de terceiros (CFOP 1.32 e 2.32), não resta dúvida, como reconhecido pela decisão recorrida, que essa exclusão é ínsita à sistemática de apuração do custo deste Sumo. A perlenga aqui se situa na circunstância de a recorrente não ter dimensionado e apresentado prova de sua alegação, com a juntada dos meios hábeis para tal, conforme invocado pela decisão recorrida. Na verdade a recorrente já. na impugnação apresentara indiretamente o valor dessas devoluções ao afirmar que o valor das revendas de Sumos (R$ 9.086.715,02), se diminuído das parcelas questionadas, iria para R$ 7.072.066,53, daí ser de R$ 2.014.648,49 o valor das devoluções de vendas de matérias-primas adquiridas de terceiros (R$ 9.086.715,02 - R$ 7.072.066,53). No recurso, além de explicitar este valor, a recorrente remete aos anexos que segundo ela demonstrariam o alegado. Impende registrar que Fisco apresentou o valor da glosa correspondente às revendas de matérias-primas, sem qualquer detalhamento e com a simples indicação de que as informações utilizadas para a apuração do crédito presumido referente ao 3° Trimestre de 1997 foram extraídas da "DCP" respectiva, que juntamente com o Registro de Apuração do IPI, relativo a 1997, não foram na sua totalidade anexados aos autos, de sorte a possibilitar a verificação se nessa glosa (R$ 9.086.715,02) deduziu ou não o valor das devoluções de vendas de matérias-primas, adquiridas de terceiros (CFOP 1.32 e 2.32). Nessas circunstâncias, tendo em vista os princípios da economia processual e da verdade material, sou pelo reconhecimento do direito á indigitada dedução, caso já não tenha sido considerada, com sujeição às verificações de estilo por parte da fiscalização. A propósito da exclusão do cálculo do incentivo das aquisições de Sumos de não-contribuintes do PIS/PASEP e da COF1NS, como seria o caso das cooperativas, trata-se de matéria que tem provocado muita celeuma neste Conselho, ora prevalecendo a posição do Fisco, ora a do contribuinte, dependendo da composição do Colegiado, sendo de reconhecer que está se consolidando a posição defendida pela recorrente na CSRF. De qualquer maneira, tenho que a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão da aquisição de Sumos de não-contribuintes no cômputo da base de cálculo do crédito presumido, conforme defendida corri o brilho costumeiro pelo então conselheiro e presidente desta câmara, Marcos Vinícius Neder de Lima, no voto condutor do Acórdão n°202-12.551, cujas razões, neste particular, adoto e abaixo transcrevo: "(..) O incentivo em questão constitui-se num crédito fiscal concedido pela Fazenda Nacional em função do valor das aquisições de insumos aplicados em produtos exportados. Tem origem na carga tributária CC-MF _ Ministério da Fazenda MIN. DA FAZENOA - 2 n Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE eçqm O ORIGINA Fl 8RASILIA 02 diz Processo n2 : 13056.000613/98-11 Recurso n' : 120.922 me.Virfe Acórdão n2 : 202-14.734 que onera os produtos exportados e tem por finalidade permitir maior competitividade desses produtos no mercado externo. Trata-se, portanto, de norma de natureza incentivadora, em que a pessoa tributante renuncia à parcela de sua arrecadação tributária em favor de contribuintes que a ordem jurídica considera conveniente estimular. A exegese deste preceito, à luz dos- princípios que norteiem as concessões de benefícios fiscais, há de ser estrita, para que não se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes. Neste diapasita, caso não haja previsão na norma compulsória para determinada situação divergente da regra geral, deve-se interpretar como se o legislador não tivesse tido o intento de autorizar a concessão do beneficio nessa hipótese. No dizer do mestre Carlos Maximi liano 3: "o rigor é maior em se tratando de dispositivo excepcional, de isenções ou abrandamentos de ónus em proveito de indivíduos ou corporações. Não se presume o intuito de abrir mão de direitos inerentes à autoridade suprema. A outorga deve ser feita em termos claros, irretorquiveis; ficar provada até a evidência, e se não estender além das hipóteses figuradas no texto; jamais será inferida de fatos que não indiquem irresistivelmente a existência da concessão ou de um contrato que a envolva." A fruição deste incentivo fiscal deve, destarte, ser analisada nos estritos termos do art. I° da MP n° 948/95, posteriormente convertida na Lei n° 9.363/96 Ou seja, as aquisições de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem devem ser feitas no mercado interno, utilizadas no processo produtivo e o beneficiário deve ser, simultaneamente, produtor e exportador. Vejamos o que disse o referido artigo: "Art. 1"- O produtor exportador de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares números 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem. para a utilização no processo produtivo." (Grifo meu) Verifica-se que o legislador estabeleceu nesse dispositivo que o incentivo fiscal deve ser concedido como ressarcimento da Contribuição ao PIS e da COFINS A empresa paga o tributo embutido no preço de aquisição 3 Hermenêutica e aplicação do Direito, ed. Forense, 16' ed, p. 333. 7 Ministério da Fazenda MIN. DA FAZENOA - 2" CC CC-MF Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE,cq Fl.m OSIGINIAL BRASILIA Processo na : 13056.000613/98-11 Recurso n a : 120.922 visto Acórdão na : 202-14.734 do insumo e recebe. posteriormente, a restituição da quantia desembolsada, mediante compensação do crédito presumido e, na impossibilidade desta, na forma de ressarcimento em espécie. Ao compensar o contribuinte, na forma de crédito presumido, com a devolução do montante de tributo pago, o incentivo visa justamente anular os efeitos da tributação incidente nas etapas precedentes. As pequenas diferenças, para mais ou para menos, porventura existentes nesse processo, se compensam mutuamente dentro de um contexto mais abrangente. Não sendo relevante, sob o ponto de vista econômico, que o crédito concedido não corresponda exatamente aos valores pagos de tributo na aquisição da mercadoria. Esse tratamento, aliás, tem sido muito empregado pelo legislador na concessão de incentivos. A Administração Pública, para facilitar os mecanismos de execução e controle, vem realizando os ressarcimentos dos créditos por valores estimados (v.g. a regra geral de apuração proporcional de créditos prevista na Instrução Normativa n°1 14/884). Esclareça-se, por oportuno, que o crédito presumido não pode ter a natureza de subvenção econômica para incremento de exportações. como defende a ilustre Relatora. Segundo De Plácido e Silva s, a subvenção, juridicamente, não tem o caráter de compensação. Sabidamente, o crédito presumido é uma forma de compensação pelos tributos pagos na etapa anterior, tanto que a própria lei o tratou como ressarcimento de contribuições. Feita essa breve introdução, verifica-se que o artigo I° restringe o beneficio ao "ressarcimento de contribuições.., incidentes nas respectivas aquisições". Em que pese a impropriedade na redação da norma, eis que não há incidência sobre aquisições de mercadorias na legislação que rege as contribuições sociais, a melhor exegese é no sentido de que a lei tem de ser referida à incidência de COPINS e de PIS sobre as operações mercantis que compõem o faturam ento da empresa fornecedora. Ou seja, a locução "incidentes sobre as respectivas aquisições" exprime a incidência sobre as operações de vendas faturadas pelo fornecedor para a empresa produtora e exportadora. 6 4 "IN SRF 114/88... item 4. Poderão ser cakulados proporcionalmente, com base no valor das saídas dos produtos fabricados pelo estabelecimento industrial nos três meses imediatamente anteriores ao período de apuração a considerar, os créditos oriundos de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem que se destinem indistintamente à industrialização de: a)produtos que tenham expressamente assegurada a manutenção de créditos como incentivo; b)produtos que gerem créditos básicos; c)produtos desonerados do imposto no mercado interno, sem direito a crédito". 5 De Plácido e Silva, Vocabulário Jurídico, volume IV. Ed. Forense, 2° ed. p. 1462. 60 termo "respectivas" foi introduzido pela Medida Provisória n°948/95. Veio a substituir a expressão "adquiridos no mercado interno pelo exportador" constantes do enunciado do artigo I° nas Medidas Provisórias n°5 845/95 e 945/95, que tratavam da concessão de crédito presumido antes da MP n° 948/95. 8 ,, 1iL4 . 2g CC-MF--• ;,ç,., _ Ministério da Fazenda MIN. 0A FAZENDA - 2" CC Segundo Conselho de Contribuintes i:t4,4,itt CONFER01.".,_,C.91%1 0_,Q.RIGINAL H. BRASiLl . I El.2 1 ã . Processo n2 : 13056.000613/98-11 Recurso n9 : 120.922 óAcórdão n2 : 202-14.734 - Alias, a linguagem e termos jurídicos postos em uma norma devem ser investigados sob a ótica da ciência do direi to e não sob a referência do direitopositivo, de índole apenas prescritiva. Como ensina Paulo de Barros Carvalho', "À Ciência do Direito cabe descrever esse enredo normativo, ordenando-o, declarando sua hierarquia, exibindo as formas lógicas que governam o entrelaçamento das várias unidades do sistema e oferecendo seus conteúdos e significação". O termo incidência tem significação própria na Ciência do Direito. Segundo Alfredo Augusto Beckers: "(..) quando o direito tributário usa esta expressão, ela significa incidência da regra jurídica sobre sua hipótese de incidência realizada (fato gerador). juridicizando-a, e a conseqüente irradiação, pela hipótese de incidência juridicizada, da eficácia jurídica tributária e seu conteúdo jurídico: direito (do Estado) à prestação (cujo objeto é o tributo) e o correlativo dever (do sujeito passivo, o contribuinte) de prestá-la; pretensão e correlativa obrigação: coação e correlativa sujeição." Nesse caso, se as vendas de ir:sumos efetuadas pelo fornecedor para a interessada não sofreram a incidência de contribuição, não há como haver o ressarcimento previsto na norma. Se em alguma etapa anterior houve o pagamento de Contribuição ao PIS e de COTINS, o ressarcimento, tal como foi concebido, não alcança esse pagamento especifico. Estar-se-ia concedendo o ressarcimento de contribuições "incidentes" sobre aquisições de terceiros que compõem a cadeia comercial do produto e não das respectivas aquisições do produtor e exportador previstas no artigo I°. O contra-senso aparente dessa afirmação, se cotejada com a finalidade do incentivo de desonerar o valor dos produtos exportados de tributos sobre ele incidentes, resolve-se em função da opção do legislador pela facilidade de controle e praticidade do incentivo. Sabidamente, instituir uma sistemática que permitisse o crédito de todo o valor dos tributos, que, direta ou indiretamente, houvesse onerado o produto exportado, é tarefa complexa e de muito dificil controle. Basta lembrar as inúmeras imposições tributárias que incidem sobre o valor dos serviços contratados e sobre a aquisição de equipamentos necessários ao processo industrial, além das diversas taxas a titulo de contraprestação de serviço cobradas pelos entes da Federação que, somadas àquelas incidentes sobre folha de pagamento, oneram expressivamente a empresa industrial 4011, 7 Paulo de Barros Carvalho, Curso de Direito Tributário, ed. Saraiva, 6* ed., 1993. 'In Teoria Geral do Direito Tributário, 3.• Ed. Lajus, São Paulo, 1998, p. 83/84. 9 MIN. DA FAZEN IOn - 2 22 CC -MF7•4;:t,>;;* Ministério da Fazenda ti 2i.g.t Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE ,S511!1 O CO GIN Fl. ZUM" 1:31RASILI : _..PÕ Processo n2 : 13056.000613198-1 1 Recurso n a : 120.922 VIS TO Acórdão n2 : 202-14.734 O escopo da lei, partindo de tais premissas. foi o de instituir, a titulo de estimulo fiscal, um incentivo consubstanciado num crédito presumido calculado sobre o valor das notas fiscais de aquisição de insumos de contribuintes sujeitos às referidas contribuições sociais. É certo que esse crédito não tem por objetivo ressarcir todos os tributos que incidem na cadeia de produção da mercadoria, até por impossibilidade prática. Todavia, chega a desonerar o contribuinte da parcela mais significativa da carga tributária incidente sobre o produto exportado. A opção do legislador por essa determinada sistemática de apuração do incentivo às exportações decorre da contraposição de dois valores igualmente relevantes. O primeiro cuida da obtenção do bem-estar social e/ou desenvolvimento nacional através do cumprimento das metas econômicas de exportação fixadas pelo Estado. O outro decorre da necessidade de coibir desvios de recursos públicos e de garantir a efetiva aplicação dos incentivos na finalidade perseguida pela regra de Direito. O Estado tem de dispor de meios de verificação que evitem a utilização do beneficio _fiscal apenas para fugir ao pagamento do tributo devido. Dai o legislador buscou atingir tais objetivos de política econômica, sem inviabilizar o indispensável exame da legitimidade dos créditos pela Fazenda. Ocorre que, para pessoa física, não há obrigatoriedade de manter escrituração fiscal, nem de registrar suas operações mercantis em livros fiscais ou de emitir os documentos fiscais respectivos. A comprovação das operações envolvendo a compra de produtos, nessas condições, é de difícil realização. Assim, a exclusão dessas aquisições no cômputo do incentivo tem por finalidade tornar factível o controle do incentivo. Nesse sentido, a Lei n°9.363/96 dispõe, em seu artigo 3°, que a apuração da Receita Bruta, da Receita de Exportação e do valor das aquisições de insumos será efetuada nos termos das normas que regem a incidência do PIS e da COFIIVS, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo _fornecedor ao produtor/exportador. vinculação da apuração do montante das aquisições às normas de regência das contribuições e ao valor da nota fiscal do fornecedor confirma o entendimento de que somente as aquisições de insumos, que sofreram a incidência direta das contribuições, é que devem ser consideradas. A negação dessa premissa tornaria supérflua tal disposição legal, contrariando o principio elementar do direito, segundo o qual não existem palavras inúteis na lei. Reforça tal entendimento o fato de o artigo 5° da Lei n° 9.363/96 prever o imediato estorno da parcela do incentivo a que faz jus o produtor/exportador, quando houver restituição ou compensação da Contribuição para o PIS e da COFIIVS pagas pelo fornecedor na ela. Ministério da Fazenda MIN. DA FAZENDA - 2 Ge CC-MF Fl.Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE ÇÇW1 O IGIN BRASÍLIA Processo n2 : 13056.000613/98-11 Recurso n2 : 120.922 o Acórdão n 202-14.734 anterior. Ou seja, o legislador prevê o estorno da parcela de incentivo que corresponda às aquisições de fornecedor, no caso de restituição ou de compensação dos referidos tributos. Ora, se há imposição legal para estornar a correspondente parcela de incentivo, na hipótese em que a contribuição foi paga pelo fornecedor e restituída a seguir, resta claro que o legislador optou por condicionar o incentivo à existência de tributação na última etapa. Pensar de outra forma levaria ao seguinte tratamento desigual: o legislador consideraria no incentivo o valor dos insumos adquiridos de fornecedor que não pagou a contribuição e negaria o mesmo incentivo quando houve o pagamento da contribuição e a posterior restituição. As duas situações são em tudo semelhantes, mas na primeira haveria o direito ao incentivo sem que houvesse ônus do pagamento da contribuição e na outra não. O que se constata é que o legislador foi judicioso ao elaborar a norma que deu origem ao incentivo, definindo sua natureza jurídica, os beneficiários, a forma de cálculo a ser empregada, os percentuais e a base de cálculo, não havendo razão para o intérprete supor que a lei disse menos do que queria e crie, em conseqüência, exceções à regra geral, alargando a exoneração fiscal para hipóteses não previstas. E, como ensina o mestre Becker9, "na extensão não há interpretação, mas criação de regra jurídica nova. Com efeito, continua ele, o intérprete constata que o fato por ele focalizado não realiza a hipótese de incidência da regra jurídica; entretanto, em virtude de certa analogia, o intérprete estende ou alarga a hipótese de incidência da regra jurídica de modo a abranger o fato por ele focalizado. Ora, isto é criar regra jurídica nova, cuja hipótese de incidência passa a ser alargada pelo intérprete e que não era a hipótese de incidência da regra jurídica velha". (grifo meu) Em harmonia com as exigências de segurança pública do Direito Tributário, utilizando-se a lição de Karl English. pode-se dizer que devemos fazer coincidir a expressão da lei com seu pensamento efetiva mas, para tanto, a interpretação deve se manter sempre, de qualquer modo, nos "limites do sentido literal" e, portanto, pode (e, por vezes, deve) inclusive forçar estes limites, embora não possa ultrapassá-los. A interpretação encontra, pois, o seu limite, onde o sentido das palavras já não dá cobertura a uma decisão jurídica. Como frisa Heck: "o limite das hipóteses de interpretação é o sentido possível da letra". 9 In Teoria Geral do Direito Tributário 3'. Ed. Lajus, São Paulo, 1998, p. 133. I ° Batista Júnior, Onofre. A Fraude à Lei Tributária e os Negócios Jurídicos Indiretos. Revista Dialética de Direto Tributário n° 61. 2000.p. 100 11 Ministério da Fazenda MIN. Da FAZENDA - 2" CC 2-`1CC-MF Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE 49im o pi,Rioi L Fl. BRASILI, Processo n'2 : 13056.000613/98-11 Recurso n2 : 120.922 TO Acórdão n2 : 202-14.734 E mesmo que se recorra à interpretação histórica da norma. verifica-se, pela Exposição de Motivos n° 120. de 23 de março de 1995, que acompanha a Medida Provisória n° 948/95, que o intuito de seus elaboradores não era outro se não o aqui exposto. Os motivos para a edição de nova versão da Medida Provisória, que institui o beneficio, foram assim expressos: "(..) na versão ora editada, busca-se a sinwlificação dos mecanistnos de controle das pessoas que irão fluir o beneficio, ao se substituir a exigência de apresentação das guias de recolhimento das contribuições por parte dos fornecedores de rrzatérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, por documentos fiscais mais simples, a serem especificados em ato do Ministro da Fazenda, que permitam o efetivo controle das operações em foco". (Grifo meu) Ressalte-se, por relevante, que o Ministro da Fazenda, autor da proposta, sustenta que a dispensa de apresentação de guias de recolhimento das contribuições por parte dos fornecedores decorre unicamente da simplificação dos mecanismos de controle. Aliás, o ato normativo, citado na exposição de motivos in _fine, foi editado logo após, em 05 de abril de 1995. e estabelece, em seu artigo 2°, inciso II, que o percentual (receita de exportação sobre receita operacional bruta) deve ser aplicado sobre "o valor das aquisições, no mercado interno, das matérias-primas, produtos intermediá rios e material de embalagem, realizadas pelo produtor exportador". (Grifo meu) Do exposto, conclui-se que, mesmo que se admita que o ressarcimento vise desonerar os insumos de incidências anteriores, a lei, ao estabelecer a maneira de se operacionalizar o incentivo, excluiu do total de aquisições aquelas que não sofreram incidência na última etapa. No caso em tela, a ora recorrente considerou no cálculo do incentivo as aquisições de insumos de pessoas físicas não sujeitas ao recolhimento de COFIIVS e de PIS. Assim, não sendo contribuintes das referidas contribuições, não há o que ressarcir ao adquirente, como ficou largamente demonstrado." Ainda recentemente o ilustre conselheiro Eduardo da Rocha Schmidt apresentou um respeitável e bem articulado voto, relevando inteligência do art. 5° da Lei n° 9.363/96, para se opor às razões acima expostas (Acórdão n°202-13.651). Na qualidade de relator-designado para redigir o voto-vencedor, naquela assentada, apresentei as seguintes razões em prol da manutenção da posição que acima adotei: I 4%. Isto porque, d. m. v., não vejo o disposto no art. 5° da Lei n° 9.363/96 corno sendo "o pilar fundamental do entendimento até agora 12 .;14 ;";•* . MIN. DA FAZENUA -2" CC. 22 CC -MFr`tf;u4i-:;•;- Ministério da Fazenda - Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE ÇO41 O RIGINAL Fl. BRASILIA Processo n2 : 13056.000613/98-11 Recurso n2 : 120.922 iSTO Acórdão n 202-14.734 prevalente" para a exclusão dos insumos adquiridos de não contribuintes, de sorte que, mesmo admitindo as conclusões a que chegou através de percudente exegese o voto vencido a propósito do aludido dispositivo legal, considero ilesa a estrutura do entendimento prevalecente nesta matéria, porquanto, como bem disse o ilustre conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, a análise que fez do art 5° da Lei n° 9.363/96 foi a titulo-de "reforço" de entendimento já cristalizado, mercê dos fundamentos precedentes. Aliás, cabe registrar que nos fundamentos a que me socorri, em julgados semelhantes, não lancei mão do indigitado art. 5° da Lei n° 9.363/96 para a mantença dessa posição, como, por exemplo, no Acórdão n° (202-11.198) , verbis: 'No que diz respeito às aquisições feitas a produtores, sociedades cooperativas e ao Ministério da Indústria, Comércio e Turismo - MICT, ou seja, a não contribuintes das contribuições sociais que a lei objetivou ressarcir de seu gravame o produtor exportador de mercadorias nacionais nas aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem que utiliza no processo produtivo, também reformulo minha posição anterior, e, assim, divido da prolatora do voto vencido nesta matéria. Isto porque me convenci de que a extensão do beneficio em relação à tais aquisições vai além do que está previsto no texto legal em decorrência de se estar conferindo uma primazia aos delineamento gerais de seu escopo, traçados na exposição de motivos da medida provisória que lhe deu origem, quando o inverso é que deve prevalecer, segundo preleciona Carlos Maximilianon. O art. 1° da Lei n° 9.563/96 dispõe que o produtor /- exportador fará jus a crédito presumido d ti Reforça tal entendimento o fato de o artigo 5° da Lei n° 9.363196 prever o imediato estorno da parcela o incentivo a que faz jus o produtor/exportador, quando houver restituição ou compensação da Contribuição para o PIS e da COFINS pagas pelo fornecedor na etapa anterior. Ou seja, o legislador prevê o estorno da parcela de incentivo que corresponda às aquisições de fornecedor, no caso de restituição ou de compensação dos referidos tributos. 12 Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito, Forense, 1.998, pg. 143: "151 - Embora ainda apreciáveis, os Materiais Legislativos têm o seu prestigio em decadência, desde que a teoria da vontade, o processo psicológico, a mens legislatoris, cedeu a primazia ao sistema de ncrmas objetivadas. Os motivos intrínsecos, imanentes no contexto e por ele próprio revelados, prevalecem, contra subsídios extrínsecos; o conteúdo da lei é independente do que pretendeu o seu autor." 13 , , MIN. 04 FAZENDA . afre:•• 2° CC-MF Munsteno da Fazenda CONFERE M 2" CC 2 O gRIGINAL Fl. -s( Segundo Conselho de Contribuintes a•C',,.L4.e. BRASiLIA. _/ O / QC Processo n2 : 13056.000613/98-11 -- a._ Recurso n9 : 120.922 TO Acórdão n2 : 202-14.734 IPI, como ressarcimento das contribuições (PIS/PASEP/COFINS), incidentes sobre as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem para utilização no processo produtivo, deixando claro o vínculo do ressarcimento à incidência das contribuições nas aquisições. _ O fato de o art. 2° dizer que na determinação da base de cálculo do crédito presumido será considerado o total das aquisições daqueles insumos, não permite que se tire a conclusão de que isso abrangeria todos os insumos adquiridos, quer gravados ou não pelas contribuições, eis que no texto deste dispositivo a expressão "referidos no artigo anterior particulariza esse total às aquisições de insumos que sofreram a incidência das contribuições, pois é disso que trata o artigo primeiro. E, para arrematar esse raciocínio, o art. 3°, que indica as fontes dos critérios a serem observados na apuração do valor das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, assim como das outras categorias envolvidas no cálculo do benefício, ao jungir essas apurações aos "... termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1°, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador", reforça o entendimento de que somente as aquisições que sofreram a incidência direta das contribuições é que devem ser consideradas. Caso assim não fosse, supérflua seria essa disposição legal, o que contraria princípio elementar de direito. A propósito do argumento de que as regras estabelecidas nos §§ 5° e 7° do art. 3° da Portaria MF n° 38/97, referentes à apuração do crédito presumido com base ou não em sistema de custos integrado e coordenado com a escrituração comercial da pessoa jurídica, seriam dispensáveis, se não tivessem que ser levadas em consideração as incidências ocorridas em etapas anteriores, observo que essas regras se prestam para determinar as quantidades de insumos /7 utilizadas na produção durante o período, provenientes4/ 4 MIN. DA FAI.F."A - 2" CO 22 CC-MF --tÀ;-4; Ministério da Fazenda tra Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE ,COM 0^,RRIGINAt. Fl 13RAS~ _l_.Y°5 I Processo n2 : 13056.000613/98-11 Recurso n9 : 120.922 o Acórdão n2 : 202-14.734 de distintas partidas de insumos e não a estágios anteriores ao da aquisição pelo produtor exportador.' Da mesma forma, tenho como reducionista a atribuição de que a não inclusão de tais parcelas na base de cálculo do crédito presumido seria necessária por "simplificar os mecanismos de controle", teria como supedâneo a interpretação histórica da norma, de vez que, no voto em comento, está evidente que isso foi um argumento ancilar, pois a ênfase ali dada aos mecanismos de controle, como instrumento para coibir desvios de recursos públicos e de garantir a efetiva aplicação dos incentivos na finalidade perseguida pela regra de direito, exsurgiu do conteúdo expresso da norma legal, denotando a opção do legislador pela contraposição de dois valores igualmente relevantes (incentivo às exportações x prevenção de desvios de recursos públicos) em perfeita sintonia com a finalidade a que se destina a lei e às exigências do bem comum." Quanto ao aspecto argüido pela recorrente de que as cooperativas de produtores, à época, não gozavam de isenção em relação às operações realizadas com não associados, ou seja, quando as operações de venda não envolviam atos cooperativos, invocando nesse sentido o disposto nos art. 6° da Lei Complementar n° 70/91 (COFINS) e parágrafo único do art. 2° da Medida Provisória n° 1.215/95 (PIS), posteriormente convertida na Lei n° 9.715/98 (art. 2°, § 1 0) 13 , não há o que se discutir, porém, in casu, incumbia à recorrente provar e não ligeiramente suscitar que as operações em questão não envolviam atos cooperativos, de sorte a afastá-las da isenção e, assim, justificar a inclusão dos insumos adquiridos de cooperativas no cálculo do crédito presumido de IPI. No que conceme à alegada incorreção dos valores relativos aos estoques, inicial e final, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados pelo Fisco, só no recurso veio a ser suscitada essa questão, constitui, portanto, matéria preclusa, da qual não se toma conhecimento, já que não provocada a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial. Por último, acerca da aplicação da denominada Taxa SELIC sobre o N'alor de créditos incentivados do IPI em pedidos de ressarcimento, à guisa de correção monetária, por aplicação analógica do art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250/95, assim me manifestei em casos semelhantes ao presente: "Neste Colegiado é pacifico o entendimento quanto ao direito à atualização monetária, segundo a variação da UFIR. no período entre o protocolo do pedido e a data do respectivo crédito em conta corrente do valor 13 'Art. 2°-.4 contribuição para o P1S/PASEP será apurada mensalmente: f 1° As sociedades cooperativas, além da contribuição sobre a folha de pagamento mensal, pagarão, também, • , contribuição calculada na forma do inciso 1, em relação às receitas decorrentes de operações praticadas com n •,r, associados." 5 CC-MF:.tr áykr_- Ministério da Fazenda MIN. DA FAZENDA - 7 CC Fl.-ti./.,--ttittt Segundo Conselho de Contribuintes CONFEREregm o_ QRIGINAJ... BRASILIA C.a (-0tr Processo ng : 13056.000613/98-11 -- Recurso n9- : 120.922 Acórdão n2 : 202-14.734 VISTO de créditos incentivados do 1P1 em pedidos de ressarcimento, conforme muito bem expresso no Acórdão CSRF/02-0.72 3 e segundo a metodologia de cálculo ali referendada, válida até 31.12.1.995. No entanto, não vejo amparo nessa mesma jurisprudência para a pretensão de dar continuidade à atualização desses créditos, a partir de 31.1295, com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SEL1C para títulos federais (Taxa SELIC), consoante o disposto no § 4° do art. 39 da Lei n°9.250, de 26 12. 1995 (DOU 27.121995).14 Apesar desse dispositivo legal ter derrogado e substituído, a partir de lo de janeiro de 1.996, o § 3° do art. 66 da Lei no 8.383/91, que foi utilizado, por analogia, para estender a correção monetária nele estabelecido para a compensação ou restituição de pagamentos indevidos ou a maior de tributos e contribuições ao ressarcimento de créditos incentivados de Com efeito, todo o raciocínio desenvolvido no aludido acórdão, bem como no Parecer AGU n°01/96 e às decisões judiciais a que se reporta, dizem respeito exclusivamente à correção monetária como "... simples resgate da expressão real do incentivo, não constituindo :pita' a exigir expressa previsão legal". Ora, em sendo a referida taxa a média mensal dos juros pagos pela União na captação de recursos através de títulos lançados no mercado financeiro, é evidente a sua natureza de taxa de juros e, assim, a sua desvalio como índice de inflação, já que informados por pressupostos econômicos distintos. De se ressaltar que, no período em referência, a Taxa SEL1C refletiu patamares muito superiores aos correspondentes índices de inflação, em virtude da política monetária em curso, o que traduziria, caso adotada, na concessão de um "plus", o que manifestamente só é possível por expressa previsão legal. Desse modo, considerando o novo contexto econômico introduzido pelo Plano Real de uma economia desindexada e as distinções existentes entre o ressarcimento e o instituto da restituição, conforme assinalado pela decisão recorrida, aqui não pode mais se invocar os princípios 14 'Art. 39 - A compensação de que trata o art 66 da Lei n°8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art.58 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. § 1° (VETADO). § 2° (VETADO). §3° (VETADO). § 4°A partir de 1° de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação, ou restituição e de I% relativamente ao mis em que estiver sendo efetuada. " . MtN. DA FAZEronn 22 CC -MFMinistério da Fazenda 29 CC Fl. Segundo Conselho de Contribuintes CONFEREÊM 0,40RIDINAL ~et' 8RASILIA / 11-Áa4 Processo n2 : 13056.000613/98-11 Recurso n2 : 120.922 VISTO Acórdão n2 : 202-14.734 da igualdade, finalidade e da repulsa ao enriquecimento sem causa para também aplicar, por analogia. a Taxa SELIC ao ressarcimento de créditos incentivados de IPI Pois, se assim ocorresse, poderia advir, na realidade, um tratamento privilegiado, mercê dos acréscimos derivados da Taxa SELIC, para os contribuintes que não tivessem como aproveitar autoniaticamente os créditos incentivados na escrita fiscal, que seria o procedimento usual, em comparação com a maioria que assim o faz." Agora passo a fazer apreciações adicionais para realçar os motivos que me levam a manter essa posição. Em primeiro lugar, manifesto minha discordância com o entendimento manifestado, inclusive nos tribunais superiores, de que a Taxa SELIC possuiria a natureza mista de juros e correção monetária, o que se depreenderia da definição a ela conferida pelo Banco Central e da aferição de sua metodologia, consoante afirmado no voto condutor do RESP n° 215.881 — PR, da lavra do ilustre Ministro Franciulli Netto, no qual é realizada uma extensa análise sobre vários aspectos dessa taxa, culminando justamente por suscitar o incidente de inconstitucionalidade do art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250/95, que se pretende aqui adotar analogicamente para estender a aplicação da Taxa SELIC no ressarcimento de créditos incentivados do IPI. Da definição do que seja a Taxa SELIC só vislumbro taxa de juros, como se pode conferir, dentre outros normativos, nas Circulares BACEN nu° 2.868 e 2.900/99, ambas no art. 2°, § 1°, a saber: "Define-se Taxa SELIC como a taxa média ajustada dos financiamentos diários apurados no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) para títulos federais." No que respeita à metodologia de cálculo da Taxa SELIC, segundo as informações colhidas em consulta junto ao Banco Central, citadas no indigitado RESP n° 215.881 — PR, só vejo reforçada a sua exclusiva natureza de juros, a saber: "as taxas das operações overnight, realizadas no mercado aberto entre diferentes instituições financeiras, que envolvem títulos de emissão do Tesouro Nacional e do Banco Central, formam a base para o cálculo da Taxa SELIC. Portanto, a Taxa SELIC é um indicador diário da taxa de juros, podendo ser definida como a taxa média ajustada dos financiamentos diários apurados com títulos públicos federais. Essa taxa média é calculada com precisão, tendo em vista que, por força da legislação, os títulos encontram-se registrados no Sistema SELIC e todas as operações são por ele processadas. A taxa média diária ajustada das mencionadas opera çõe compromissadas overnight é calculada de acordo com a seguinte fórmula: /17 flol • • e't.1.- 22 CC-MFMinistério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes MIN. 04 FAZENDA 2° Cf: Fl. CONFERE,R1M O QI,RIGINS..- Processo nQ : 13056.000613/98-11 BRASit.18.1.,4h. I Recurso n2 : 120.922 Acórdão nQ : 202-14.734 VISTO (-) Com a _finalidade de dar maior representatividade à referida taxa, são consideradas as taxas de juros de todas as operações overnight ponderadas pelos respectivos montantes em reais" (negritei). Em resposta a essa mesma consulta é dito pelo Banco Central que "a Taxa SELIC reflete, basicamente, as condições instantâneas de liquidez no mercado monetário (oferta versus demanda por recursos financeiros). Finalmente, ressalte-se que a Taxa SELIC acumulada para determinado período de tettqw correlaciona-se positivamente com a taxa de inflação apurada "ex-post", embora a sua fórmula de cálculo não contemple a participa cão expressa de índices de preços". (negritei e subscritei) Aqui releva salientar que a ocorrência da aludida "correlação" nada afeta a natureza de juros da Taxa SELIC e nem a toma híbrida pela incorporação da taxa de inflação, mas simplesmente indica que, em termos estatísticos, tem-se verificado uma relação positiva entre essas duas variáveis, ou seja, que as suas grandezas variaram no mesmo sentido no período considerado, sem que haja alteração na especificidade de cada uma dessas variáveis. A Taxa SELIC em si não está investida de nenhum propósito, sendo, inclusive, impróprio acoimá-la de neutralizadora dos efeitos da inflação, já que, como visto, é urna variável de resultado que reflete a média das taxas de juros praticadas pelo mercado nas operações ovemight com títulos públicos, que é reconhecida pela teoria econômica como um indicador das condições de liquidez do mercado monetário, constituindo também na denominada taxa básica da economia Por outro lado, é certo que o Banco Central na qualidade de autoridade monetária (CF, art. 164) dispõe de um amplo arsenal de instrumentos de política monetária com vistas a assegurar o nível de liquidez adequada para a economia, inclusive no sentido de prevenir a ocorrência de surtos inflacionários, que, em última análise, influencia as taxas praticadas no mercado de financiamentos por um dia lastreados com títulos públicos e, conseqüentemente, a Taxa SELIC. Mais recentemente foi estabelecido como instrumento de politica monetária a fixação de meta para a Taxa SELIC e seu eventual viés", visando o cumprimento da meta para a Inflação, estabelecida pelo Decreto n°3.088, de 21 de junho de 1999. É importante salientar que esse instrumento apenas fixa a meta para a Taxa SELIC e não essa taxa em si, valendo mais uma vez repisar que a taxa de financiamento, como qualquer outro preço, é determinada no mercado pelas forças de procura e oferta de financiamento, refletindo a situação das reservas do sistema bancário a cada momento. Com o estabelecimento da meta, obviamente que o Banco Central na condução da política monetária e da política de títulos públicos buscará induzir o mercado na direção da meta para a Taxa SELIC estabelecida, julgada, por sua vez, adequada para assegurar a met Álts" inflação perseguida 15 Circulares Bacen n'" 2.868 e 2.900 de 1999. 18 MIN. 04 FAZENDA - 2 ' CC 22 CC-MF Ministério da Fazenda - Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE,ÇORNI O ORIGINAL Fl. BRASILIA Processo nel : 13056.000613198-11 Recurso n2 : 120.922 VISTO Acórdão n2 : 202-14.734 Portanto, na realidade, com essas políticas o Banco Central objetiva que a taxa de juros básica praticada na economia seja suficiente para prevenir a inflação ou mantê-la nos limites da meta fixada, atuando, assim, a autoridade monetária na esfera das expectativas inflacionárias dos agentes econômicos, aspecto esse que também realça a distinção entre taxa de juros e taxa de inflação, já que esta última é voltada para mensuração da inflação pretérita. Aliás, considerando a similaridade entre a Taxa SELIC e a TR, é de se notar que a impropriedade e desvalia de se pretender valer de taxa de juros dessa natureza, como instrumento de correção monetária, foi muito percebida pelo STF ao declarar a inconstitucionalidade da TR como tal, na ADIN 493 — DF, como se verifica no excerto do voto do ilustre Ministro Moreira Alves: "a taxa referencial (TR) não é índice de correção monetária, pois, refletindo as variações do custo primário da captação dos depósitos a prazo fixo, não constitui índice que reflita variação do poder aquisitivo da moeda..." Do exposto, tenho também como equivocado o entendimento de que a Fazenda Nacional estaria se valendo da Taxa SELIC como uma forma velada de dar continuidade à correção monetária dos créditos tributários não integralmente pagos no vencimento em face do advento do Plano Real, a partir do qual paulatinamente foi extinta a utilização da correção monetária para fins tributários. Em verdade o emprego da Taxa SELIC como juros de mora, no ambiente econômico de uma economia desindexada, está em consonância com o imperativo econômico de inibir os contribuintes a adiarem o adimplemento de suag obrigações tributárias como forma alternativa de se financiarem junto ao sistema bancário. Com isso, mais uma vez impende gizar que a natureza da Taxa SELIC é exclusivamente de juros e como tal é a lógica econômica de seu uso para fins tributários, o que tomam prejudicadas as ilações extraídas a partir do falso pressuposto de ela estar mesclada com um componente de correção monetária. • Quanto à incidência da Taxa SELIC sobre indébitos tributários a partir do pagamento indevido, instituída pelo art. 39, § 4 0, da Lei n° 9.250/95, é indisfarçável a motivação isonômica dessa medida ao garantir o mesmo tratamento, neste particular, para os créditos da Fazenda Pública e aos dos contribuintes, quando decorrentes do pagamento indevido ou a maior de tributos, chegando, inclusive, a preponderar sobre a disposição do parágrafo único do art. 167 do Código Tributário Nacional, que faculta à Fazenda Pública restituir o indébito com vencimento de juros não capitalizáveis a partir do trânsito em julgado da decisão definitiva que a determinar. Agora, como já havia dito alhures, não vejo como justo e nem próprio, muito pelo contrário, pretender lançar mão da analogia, com base nos princípios constitucionais da isonomia e da moralidade, para estender a incidência da Taxa SELIC aos valores a serem ressarcidos oriundos de créditos incentivados na área do IPI, a exemplo do decidido no Acórdã, .. .atli. l'4,, - 2'2 CC-MF-• --.4, _ Ministério da Fazenda ,til-lr-'-, - MIN• DA FAZEN -15) -•;,gl' Segundo Conselho de Contribuintes - 2") ec,,, ,,._, e,* ..,. CONFERE 1 14-1.1nr-,-- : .., eRASil/A ffi. ,J. °X.91GINAL Processo 412 : 13056.000613/98- 11 -- -- ---- t'.- _/ O'S Recurso n2 : 120.922 Acórdão n2 : 202-14.734 v157 0-___________ CSRF/02-0.723, no que diz respeito à atualização monetária, segundo a variação da UFIR, no período entre o protocolo do pedido e a data do respectivo crédito em conta corrente, do valor de créditos incentivados do IPI e segundo a metodologia de cálculo ali referendada, válida até 31.12.1995 . Aqui não se está a tratar de recursos do contribuinte que foram indevidamente carreados para a Fazenda Pública, mas sim de renúncia fiscal com o propósito de estimular setores da economia, cuja concessão, à evidência, se subordina aos termos e condições do poder concedente e necessariamente deve ser objeto de estrita delimitação pela lei, que, por se tratar de disposição excepcional em proveito de empresas, como é consabido, não permite ao interprete ir além do que nela estabelecido. Numa conjuntura econômica de inflação alta., como a vigente antes do Plano Real, em que o valor da importância a ser ressarcida acusava perda de até 95% devido ao fenômeno inflacionário, se justificou, forte no princípio da finalidade, que se recorresse ao processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma para que fosse deferida a correção monetária aos pleitos de ressarcimento em espécie de créditos incentivados do IPI, sob pena de, em certos casos, tomar inócuo o incentivo fiscal, conforme asseverado no aludido Acórdão CS RF/02-0. 723. De se ressaltar, ainda, que a extensão da correção monetária, sem expressa previsão legal, ali defendida também se escorou no entendimento do Parecer da Advocacia Geral da União n° GQ — 96 e na jurisprudência dos tribunais superiores, no sentido de que "a correção monetária não constitui 'pios' a exigir expressa previsão legal." (negritei) A partir do Plano Real, pela primeira vez, com um sucesso duradouro, logrou- se reduzir os efeitos da inflação inercial l °, passando a economia a apresentar níveis de inflação significativamente inferiores ao período anterior, tendo sido crucial para isso a eliminação ou alargamento dos prazos para a incidência da correção monetária, ou seja, pela progressiva atenuação do nível de indexação até então vigente na economia, que se prestava num moto contínuo a realimentar a inflação. Nesse novo contexto, não há mais nem mesmo como invocar o princípio da finalidade para tout court justificar a recorrência ao princípio de integração analógica para a correção monetária como forma de simples resgate de da expressão real dos créditos incentivados do IPI, em relação ao período de tramitação do pleito correspondente, que na quase totalidade são solucionados em prazos inferiores a um ano. O que não dizer então do emprego da Taxa SELIC com esse propósito que, a par de não guardar a menor verossimilhança com índices de preços, consoante já exaustivamente asseverado, apresentou, no período, patamares muito superiores aos correspondentes índices de inflação, em virtude da política monetária praticada desde a edição do Plano Real, em razão, inclusive, de contingências exógenos tais como a necessidade de defender a economia naciona ,....1 116 Inflação inercial. Econ. 1. A que se origina da repetição dos aumentos passados de preços, pela ação dos mecanismos de indexação. (Dicionário Aurélio - Século XXI) 20 -;, : k. 'n», MIN. DA FAZEP'04 - 2- CG 22CC-NIF-da-4:- Ministério da Fazenda f Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE,40/yi O QRIGINAL Fl. tio3.4.12. 'il BRASILIA,..,,,kf-:_/....12. Processo rte : 13056.0006 13/98-1 1 Recurso na : 120.922 ISTO Acórdão na : 202-14.734 de choques externos provocados por crises corno a asiática a russa e, presentemente, a Argentina e a relacionada com o atentado às torres do Word Trade Center. Para ilustrar a discrepância entre os valores da Taxa SELIC e os dos principais índices de preços, a exemplo do índice Nacional de Preços ao Consumidor - INPC, no período de 1996 a 200117, apresento a tabela abaixo: TAXA SELIC X INPC 1996/2001 ANOMINDICE SELIC INPC TAXA UNITÁRIO TAXA UNITÁRIO SELIC/INPC ANUAL ANUAL 1996 24,91 1,2491 00 9,12 1,091 200 2,731360 1997 40,84 1,759232 4,34 1,1 38558 9,4101 38 1998 28,96 2,268706 2,49 1,1 66908 11,630522 1999 19,04 2,700668 8,43 1,265279 2,258600 2000 15,84 3,1 28454 5,27 1,33 1959 3,005693 2001 19,05 3,724424 7,25 1,428526 2,627586 FONTE: BACEN/IB GE Dessa tabela, verifica-se que no período de 1 996/200 1 (até 3 1.10.2001) a Taxa SELIC superou, no mínimo, 2,25 vezes (1999) e, no máximo, 11,63 vezes (1998) o 1NPC, apresentando uma variação total de 272,44% em contraste com a de 42,85% relativa ao 1NPC. Portanto, a adoção da Taxa SELIC como indexador monetário, além de configurar uma impropriedade técnica, implica uma desmesurada e adicional vantagem econômica aos agraciados (na realidade um extra "plus"), promovendo enriquecimento sem causa e expressa previsão legal, condição inarredável para a outorga de recursos públicos a particulares. Isto posto, dou provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à dedução do valor das devoluções de vendas de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridas de terceiros (CFOP 1.32 e 2.32) do valor da glosa relativa aos insumos revendidos, desde que ainda não considerado e que seja devidamente comprovado perante a fiscalização. Sala das Sessões, em , á- r.1: • de 2003 ll - -. 2 -''....-•--.-:.-- , - . - - - '' •- - - -. --- - -- -I-.'.#‘;-------'- - '' e - - - -- . . _00000•••••••••••.#00,•••••••••••••,,, ANTi .s. ,,' c-scr,er •". e .. .: • • ....• - -- - 17 até 31.10.2001 21 22 CC-MFMinistério da Fazenda MIN. DA FAZENDA - CC , - Fl.Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE,ÇSM Pe$4,-gt BRASÍLIA Processo n2 : 13056.000613/98-11 Recurso n2 : 120.922 ISTO Acórdão n2 : 202-14.734 VOTO DO CONSELHEIRO GUSTAVO KELLY ALENCAR RELATOR-DESIGNADO Em que pese o respeito que possuo pela pessoa do Ilmo. Conselheiro-Relator do presente processo, ouso divergir do mesmo quanto a questão da utilização do valor referente aos Sumos adquiridos de não-contribuintes do PIS e da COFINS no cômputo do montante do crédito presumido de IPI de que trata a Lei n°9.363/96. Vejamos: Antes de adentrar no exame da questão propriamente dita, parece-me pertinente tecer algumas breves considerações sobre a Lei n° 9.363/96, cuja correta interpretação determinará a solução da lide. Com efeito, através do referido diploma legal foi instituído beneficio fiscal por meio do qual se objetivou única e exclusivamente desonerar as exportações de produtos manufaturados brasileiros, mediante o ressarcimento, na forma de crédito presumido de Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), das Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), incidentes sobre os instunos adquiridos para consumo no processo produtivo de bens nacionais destinados ao mercado externo. O objetivo que se buscou e se busca alcançar, mediante a desoneração tributária das exportações de produtos manufaturados brasileiros, não é o de simplesmente tomar mais competitivos, no mercado externo, tais produtos, mas sim o de melhorar o balanço de pagamento brasileiro e, via de conseqüência, diminuir nossa perigosa dependência do cada vez mais volátil capital financeiro internacional. Tal necessidade, que mesmo antes dos recentes acontecimentos externos já se mostrava premente, levando o Presidente da República a afirmar que "é exportar ou morrer", revela-se, agora, de primeiríssima grandeza, por relacionar-se direta e intrinsecamente com a saúde financeira do Brasil e, portanto, com o bem estar de toda a nação. Releva notar, a propósito, que a simples instituição do beneficio fiscal em questão não tem o condão de proporcionar um automático incremento das exportações, e, por conseguinte, tornar de imediato o País menos dependente ou mesmo independente do volátil capital financeiro internacional, o que efetivamente é o fim colirnado. Esta pretendida independência somente será alcançada pelo contínuo e firme estímulo estatal às exportações. Este pequeno intróito se fez necessário para ressaltar que a questão deve ser examinada à luz das disposições do artigo 5° da Lei Introdução ao Código Civil (LICC) — lei de introdução a todas as leis —, que determina que "na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum". No caso, os fins sociais a que se destina a lei e as exigências do bem comum se vêem representados pela imperiosa necessidade de se tornar mais competitivos, no mercado externo, os produtos manufaturados pr duzidos no Brasil, com vistas a proporcionar uma melhora no balanço de pagamentos. 22 ' i3:C;Zgr MiN. DA - Ct.: I 22 CC-MFMinistério da Fazenda Acdt• Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE ir O gRIG IN Fl. BRASÍLIA Processo n2 : 13056.000613/98-11 Recurso n2 : 120.922 Acórdão ri2 : 202-14.734 Tendo sempre em mira tal necessidade e o disposto no art. 5° da LICC, passo, agora, a efetivamente decidir, examinando de forma separada as diversas questões que permeiam a controvérsia. O beneficio fiscal instituído pela Lei n° 9.363/96, não é demais repetir, visa a desonerar as exportações de produtos manufaturados brasileiros, mediante o ressarcimento, na forma de crédito presumido de Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), das Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) incidentes sobre os insumos adquiridos para consumo no processo produtivo de bens nacionais destinados ao mercado externo. Tendo em vista que, segundo o art. 1° da Lei n° 9.363/96, o beneficio fiscal consiste no ressarcimento das contribuições incidentes sobre as aquisições dos insumos, nesta 2' Câmara do 2° Conselho de Contribuintes tem prevalecido o entendimento de que não entrariam no cômputo da base de cálculo os valores despendidos nas aquisições de produtos cujos fornecedores não se encontrem sujeitos à incidência de PIS e C OFINS. Os trechos a seguir transcritos do voto condutor proferido pelo ilustre Conselheiro MARCOS VINICIUS NEDER DE LIMA, ao ensejo do julgamento do Recurso n° 108.027, bem resumem os fundamentos do entendimento que tem prevalecido: "(..) verifica-se que o artigo I ° restringe o beneficio ao "ressarcimento de contribuições ... incidentes nas respectivas aquisições". Em que pese a impropriedade na redação da norma, eis que não há incidência sobre aquisições de mercadorias na legislação que rege as contribuições sociais, a melhor exegese é no sentido de que a lei tem de ser referida à incidência de COFINS e de PIS sobre as operações mercantis que compõem o faturamento da empresa fornecedora. Ou seja, a locução "incidentes sobre as respectivas aquisições" exprime a incidência sobre as operações de vendas faturadas pelo fornecedor para a empresa produtora e exportadora.18 Nesse caso, se as vendas de insumos efetuadas pelo fornecedor para a interessada não sofreram a incidência de contribuição, não há como haver o ressarcimento previsto na norma. Se em alguma etapa anterior houve o pagamento de Contribuição ao PIS e de COFINS, o ressarcimento, tal como foi concebido, não alcança esse pagamento específico. Estar-se-ia concedendo o ressarcimento de contribuições "incidentes" sobre aquisições de terceiros que compõem a cadeia comercial do produto e não das respectivas aquisições do produtor e exportador previstas no artigo I°. 18 0 termo "respectivas" foi introduzido pela Medida Punisória n° 948/95. Veio a substituir a expressão "adquiridos no mercado interno pelo exportador" constantes do enunciado do artigo 1 nas Medidas Provisórias n's 845/95 e 945195, que tratavam da concessão de crédito presumido antes da MP n°948/95. t, 23 , MIN. CA F4ZENOA - ri) ce 2CC -MF Ministério da Fazenda CROANsFEIRAI OcARIGINA 9. ;.*.A.. Segundo Conselho de Contribuintes B iL ES Fl. -- r• Processo n2 : 13056.000613/98-11 —_ Recurso n2 : 120.922 ISTO Acórdão n2 : 202-14.734 O contra-senso aparente dessa afirmação, se cotejada com a .finalidade do incentivo de desonerar o valor dos produtos exportados de tributos sobre ele incidentes, resolve-se em função da opção do legislador pela facilidade de controle e praticidade do incentivo. (..) O escopo da lei, partindo de tais premissas, foi o de instituir, a titulo de estimulo fiscal, um incentivo consubstanciado num crédito presumido calculado sobre o valor das notas _fiscais de aquisição de insumos de contribuintes sujeitos às referidas contribuições sociais. É certo que esse crédito não tem por objetivo ressarcir todos os tributos que incidem na cadeia de produção da mercadoria, até por impossibilidade prática. Todavia, chega a desonerar o contribuinte da parcela mais significativa da carga tributária incidente sobre o produto exportado. A opção do legislador por essa determinada sistemática de apuração do incentivo às exportações decorre da contraposição de dois valores igualmente relevantes. O primeiro cuida da obtenção do bem-estar social e,/ou desenvolvimento nacional através do cumprimento das metas económicos de exportação .fixadas pelo Estado. O outro decorre da necessidade de coibir desvios de recursos públicos e de garantir a efetiva aplicação dos incentivos na finalidade perseguida pela regra de Direito. O Estado tem de dispor de meios de verificação que evitem a utilização do beneficio fiscal apenas para fugir ao pagamento do tributo devido. Dai o legislador buscou atingir tais objetivos de política económica, sem inviabilizar o indispensável exame da legitimidade dos créditos pela Fazenda. Ocorre que, para pessoa fisica, não há obrigatoriedade de manter escrituração fiscal, nem de registrar suas operações mercantis em livros fiscais ou de emitir os documentos fiscais respectivos. A comprovação das operações envolvendo a compra de produtos, nessas condições, é de dijicil realização. Assim, a exclusão dessas aquisições no computo do incentivo tem por finalidade tornar .factivel o controle do incentivo. Nesse sentido, a Lei n°9.363/96 dispõe, em seu artigo 3°, que a apuração da Receita Bruta, da Receita de Exportação e do valor das aquisições de insumos será efetuada nos termos das normas que regem a incidência do PIS e da CORNS, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor/exportador. A vincula 00 da apuração do montante das aquisições às normas de regência das contribuições e ao valor da nota fiscal do fornecedor confirma o entendimento de que somente as aquisições de insumos, que sofreram a incidência direta das contribuições, é que devem ser consideradas. A negação dessa premissa tornaria supérflua tal disposição legal. 24 „ MIN. DA FAZENOA - 2” CC 22 CC-MF -••!-;.sf.:::1-r-_- Ministério da Fazenda ylà-ti.t Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE SOSI O TU- Fl. BRASILIA ..._Q ..._1 Processo n2 : 13056.000613198-11 Recurso n2 : 120.922 TO Acórdão na : 202-14.734 contrariando o princípio elementar do direito, segundo o qual não existem palavras inúteis na lei. (grifos nossos) Reforça tal entendimento o fato de o artigo 5° da Lei n° 9.363196 prever o imediato estorno da parcela do incentivo a que faz jus o produtor/exportador, quando houver restituição ou compensação da Contribuição para o PIS e da COFINS pagas pelo fornecedor na etapa anterior Ou seja, o legislador prevê o estorno da parcela de incentivo que corresponda às aquisições de fornecedor, no caso de restituição ou de compensação dos referidos tributos. (grifos nossos) Ora, se há imposição legal para estornar a correspondente parcela de incentivo, na hipótese em que a contribuição foi paga pelo fornecedor e restituída a seguir, resta claro que o legislador optou por condicionar o incentivo à existência de tributação na última etapa. Pensar de outra forma levaria ao seguinte tratamento desigual: o legislador consideraria no incentivo o valor dos insumos adquiridos de fornecedor que não pagou a contribuição e negaria o mesmo incentivo quando houve o pagamento da contribuição e a posterior restituição. As duas situações são em tudo semelhantes, mas na primeira haveria o direito ao incentivo sem que houvesse (5111IS do pagamento da contribuição e na outra não. O que se constata é que o legislador foi judicioso ao elaborar a norma que deu origem ao incentivo, definindo sua natureza jurídica. os beneficiários, a forma de cálculo a ser empregada, os percentuais e a base de cálculo, não havendo razão para o intérprete supor que a lei disse menos do que queria e crie, em conseqüência, exceções à regra geral, alargando a exoneração fiscal para hipóteses não previstas. E mesmo que se recorra à interpretação histórica da norma, verifica-se, pela Exposição de Motivos n°120. de 23 de março de 1995, que acompanha a Medida Provisória n° 948/95, que o intuito de seus elaboradores não era outro se não o aqui exposto. Os motivos para a edição de nova versão da Medida Provisória, que institui o benefício, foram assim expressos: "(..) na versão ora editada, busca-se a simplijkação dos mecanismos de controle das pessoas que irão fluir o benefício, ao se substituir a exigência de apresentação das guias de recolhimento das contribuições por parte dos fornecedores de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, por documentos fiscais mais simples, a serem especificados em ato do Ministro da Fazenda, que permitam o efetivo controle das operações em foco". (Grifo meu) Ressalte-se, por relevante, que o Ministro da Fazenda, autor da proposta, sustenta que a dispensa de apresentação de guias de /1(25 , R e' • ;#.; 1; :" MIN. DA FAZENI)A - - • • 22 CC -MF_ Ministério da Fazenda ...—,____________ 4 Gl. - ..----, Segundo Conselho de Contribuintes corIFERE Aqm Q Fl. ppRIGINW 8RASILI4 ../02// V5. . Processo na : 13056.000613/98-11 Recurso na : 120.922 n STO, Acórdão na : 202-14.734 recolhimento das contribuições por parte dos fornecedores decorre unicamente da simplificação dos mecanismos de controle. (..) Do exposto, conclui-se que, mesmo que se admita que o ressarcimento vise desonerar os insumos de incidências anteriores, a lei, ao estabelecer a maneira de se operacionalizar o incentivo, excluiu do total de aquisições aquelas que não sofreram incidência na última etapa." Corno se vê, o pilar fundamental do entendimento até agora prevalente é o disposto no artigo 5° da Lei n° 9.363/96, que determina que "a eventual restituição, ao fornecedor, das importâncias recolhidas em pagamento das contribuições referidas no art. I°, bem assim a compensação mediante crédito, implica imediato estorno, pelo produtor exportador, do valor correspondente", pois, ao determinar que o PIS e a COFINS restituídos a fornecedores devem ser estornados do valor do ressarcimento, teria o legislador optado "por condicionar o incentivo à existência de tributação na última etapa", o que impediria a inclusão de aquisições feitas de não contribuintes — sobre cuja receita naturalmente não incidem o PIS e a COFINS —, na base de cálculo do beneficio fiscal. Concessa venia daqueles que defendem o respeitável entendimento até agora prevalente, ouso divergir. Trata-se, de fato, de argumento praticamente insuperável. Sucumbe, dito argumento, apenas, mas definitivamente, diante da singela constatação de que o artigo 50 da Lei n° 9.363/96 é inaplicável, inaplicabilidade esta que se revela, primeiro, e de forma sintomática, quando se verifica, do exame das Portarias Ministeriais e Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal que regulam e regularam a matéria, que não existe e nunca existiu qualquer norma a regulamentá-lo. Este primeiro sintoma — lacuna regulamentar —, todavia, não parece fruto do acaso, encontrando, ao revés, fácil explicação no fato de o comando contido no citado artigo 5° ser, repita-se, inaplicável, notadamente por contrariar a sistemática estabelecida na Lei n° 9.363/96. Com efeito, a possibilidade de estorno somente teria razão de ser caso o crédito de IPI em questão não fosse presumido e estimado, mas em sentido contrário, calculado com base em valores efetivamente pagos pelo produtor fornecedor a titulo de PIS e COFINS, pois somente em tal hipótese o crédito poderia ser apurado com base em valores pagos de forma indevida ou a maior, que, se restituídos, naturalmente deveriam ser estornados da base de cálculo do crédito presumido de IPI. No caso, entretanto, o que ocorre é exatamente o oposto, sendo o crédito calculado de forma presumida e estimada, sem levar em conta os valores efetivamente recolhidos pelo produtor fornecedor a titulo de PIS e COF1NS. Tendo-se adotado tal sistemática, o estorno, conforme previsto no artigo 5 0, fica impossibilitado, pois, considerando que o Direito Brasileiro admite somente a restituição de tributos pagos a maior, em se adotando a tese até agora vencedora, estar-se-á admitindo que o estorno seja devido mesmo quando a restituição dec er 1) 26 7 MIN. DA FAZEN rIA - 2' CC 22 CC -INF Ministério da Fazenda gSegundo Conselho de Contribuintes CONFERE oivi O 0-IGINAL Fl, BRASIL IA ÁL4 f- Processo n2 : 13056.000613/98-11 Recurso n2 : 120.922 Acórdão n2 : 202-14.734 de valores pagos indevidamente e que, portanto não redundaram no pagamento de tributo a menor, o que não se afigura jurídico nem tampouco razoável. Não obstante a incoerência lógica acima apontada, os possíveis métodos de apuração do montante a estornar conduzem a situações injurídicas, ilógicas e absolutamente contrárias ao espírito da Lei n° 9.363/96, senão vejamos: a) caso se admita que qualquer restituição, independentemente da causa do pagamento indevido, dê ensejo ao estorno, estar-se-á admitindo também que mesmo quando o indébito tenha sido motivado por erro no cálculo do tributo devido (v. g.: adoção de aliquota maior, cômputo de vendas canceladas na base de cálculo, etc.), e, portanto a sua restituição não redunde em um recolhimento a menor do tributo efetivamente devido segundo a lei tributária e em preiuizo aos cofres públicos, haverá a necessidade de se realizar o estorno, conclusão que não se compadece com a lógica da Lei n° 9.363/96; b) considerando que tanto o PIS como a COFINS são calculados com base na receita bruta das empresas, e não sobre vendas isoladas caso se entenda que o estorno deve corresponder ao exato valor restituído ao fornecedor, estar- se-á admitindo a absurda possibilidade de a restituição de PIS e COFINS incidentes sobre vendas não realizadas ao produtor exportador possam causar a redução de seu crédito presumido- e c) como argutamente percebido por RICARDO MARIZ DE OLIVEIRA (Crédito Presumido de IPI - Ressarcimento de PIS e COFINS - Direito ao cálculo sobre aquisições de insumos não tributadas — no prelo), "o ressarcimento, por ser presumido e estimado na forma da lei, é referente às possíveis incidências das contribuições em todas as etapas anteriores à aquisição dos insumos e à exportação, as quais integram o custo do produto exportado", de modo que o não pagamento do PIS e da COFINS pelo fornecedor dos insumos não pode impedir o nascimento do crédito presumido, pena de se contrariar o disposto no artigo 1° da Lei n° 9.363/96. Sendo a norma do artigo 50 inaplicável e contrária à sistemática estabelecida na própria Lei n° 9.363/96, convém recordar as lições de ALÍPIO SILVEIRA em sua "Hermenêutica no Direito Brasileiro" (VoL I, RT, 1968, págs. 189 e segs.): "Concebidos dessa forma os fins do direito, o seu reflexo sobre a hermenêutica jurídica é imediato, manifestando-se pela amplitude na aplicação dos textos legais, e pela abolição do servilismo á letra da lei. Tal amplitude interpretativa é mínima para aqueles que reputam o juiz seguir a vontade do legislador. Mas se dilata, quando se preconiza ao julgador seguir os fins sociais da lei e as exigências específicas do bem comum, como o faz o art. 5° da Lei de Introdução do Código Civil Brasileiro. É igualmente notável • 27 e ir MC,. • L)/À F tinètnA - 2 • C". CC-MF " °- Mm isterio da Fazenda C4.- .t.e. CONFERE COM O „ORJGI?IM A. Segundo Conselho de Contribuintes r, — Processo n9 : 13056.000613198-11 Recurso n it 120.922 ISTO Acórdão n2 : 202-14.734 essa amplitude para aqueles que, como M4URICE HARIOU preconizam ao juiz colocar os princípios acima dos textos. Já o notaram os mestres da hermenêutica a interpretação das leis é um único processo mental, sendo descabido opor, como se tem freqüentemente feito, a interpretação literal à interpretação lógica. Uma e outra se completam necessariamente, e as deduções racionais, seguindo as inspirações de uma sã lógica, servirão para dar pleno desenvolvimento, quer à vontade da lei, quer aos fins sociais a que ela se destina, quer às exigências do bem comum. Ainda menos cabível será propor ao intérprete a escolha, um tanto infantil. entre o texto e o espirito da lei. O texto intervém como manifestação solene do espírito, inseparável deste, pois o objeto do texto é justamente revelar o espirito. Este prevalece sobre a letra. A decisão contra a lei pode ser considerada em face das várias operações relativas à aplicação: a interpretação, a adaptação, o afastamento do texto supostamente aplicável. Passemos a focalizar a interpretação. As idéias do liberalismo revolucionário, anteriormente expostas, tinham estas conseqüências: se o aplicador se afastasse da letra para sentir o espírito da lei, estaria violando a lei. Ainda hoje como observam o Min. EDUARDO ESPINOLA e o Des. ESPÍNOLA FILHO, isso se dá. Eis a passagem invocada: 'Muitos juizes se apegam, numa demasia que convém evitar, à letra da lei, aplicando-a, sempre que lhes parece clara, como se não fosse possível descobrir o seu verdadeiro conteúdo, mercê de uma análise critica, e então repelem toda a sorte de interpretação sob o injustificável pretexto de que não há discussão possível diante do texto translúcido. • As tendências modernas preconizam ao aplicador que tenha em vista os .fins sociais a que a lei se dirige e as exigências do bem comum. Em outras palavras, não viola a lei o aplicador que se afasta de sua letra para seguir os fins sociais a que se destina a lei, e as exigências do bem comum que lhe servem de fundamento." Sendo, portanto, dever do intérprete ater-se mais à essência do que à forma, mais ao espirito do que ao texto da lei, privilegiando, sempre, os ditames da LICC, e considerando que a norma do artigo 5° da Lei n° 9.363/96, além de contrariar a sistemática estabelecida na lei, é de fato e juridicamente inaplicável, evidencia-se, às escâncaras, a impossibilidade de se utilizar o referido dispositivo legal como fundamento para se negar a inclusão de aquisições feitas de não-contribuintes na base de cálculo do beneficio fiscal em exame. II 28 II .: Muusterio da Fazenda MiN. DA FAZENDA . 2" DD —.............. Fl.-seh-..g.rt• Segundo Conselho de Contribuintes CONFERinGDM O ORIG INAL_ •;;'8.74:.1','`` BR 4:1 Sillti_. i c _ iu•>_. • - Processo n2 : 13056.000613/98-11 Recurso n2 : 120.922 VISTO Acórdão 112 : 202-14.734 Não se presta, também, data venia, a sustentar a tese até agora prevalente, o argumento de que a não inclusão de tais parcelas na base de cálculo seria necessária para 'fins de controle", como afirmado na Exposição de Motivos apresentada pelo Ministro da Fazenda, por conferir à vontade do legislador importância superior aos fins sociais a que destina a lei e às exigências do bem comum, contrariamente ao entendimento da melhor doutrina, bem representada por CARLOS MAXIMILIANO ("Hermenêutica e Aplicação do Direito", 19° ed., Forense, p. 25): "A lei é a expressão da vontade do Estado, e esta persiste autônoma, independente do complexo de pensamentos e tendências que animaram as pessoas cooperantes na sua emanação. Deve o intérprete descobrir e revelar o conteúdo de vontade expresso em forma constitucional, e as violações algures manifestadas, ou deixadas no campo intencional; pois que a lei não é o que o legislador quis, nem o que pretendeu exprimir, e, sim, o que exprimiu de fato." Pelo exposto, entendo ter a Recorrente direito ao crédito presumido de IPI de que trata a Lei n° 9.363/96, mesmo quando os insumos utilizados no processo produtivo de bens destinados ao mercado externo sejam adquiridos de não-contribuintes de PIS e de COFINS, haja vista ser este o único entendimento capaz de atingir os fins a que se destina a lei e compatível às exigências do bem comum. Ainda, deve-se tratar da questão de a grande maioria dos produtos exportados estarem excluídos da incidência do IPI, enquadrados na categoria de não-tributados — NT. Tal é irrelevante. Por força do texto constitucional, produtos exportados encontram-se fora da incidência tributária do IPI, ou seja, possuem, intrinsicamente, o bônus da não-tributação. Assim, o resultado prático é exatamente o mesmo — a não-incidência do IPI. Outrossim, o objetivo do crédito presumido aqui tratado é cuidar das aquisições oneradas pelo tributo, vinculando a concessão do beneficio somente à destinação final do produto industrializado — e é um exagero afirmar-se que o fato de não incidir o IPI numa operação, a mesma estaria descaracterizada como industrialização; um nada tem a ver com o outro. Não há vinculação nem à incidência do PIS e da COFINS na aquisição, tampouco à incidência do IPI na exportação, e os próprios diplomas legais pertinentes à matéria — Lei 9.363/96 e Portaria MF n° 38/97, sequer fazem menção a tal fato. Assim, é de se dar provimento ao pedido da Recorrente, reconhecendo-se o direito à concessão do crédito presumido em relação as parcelas glosadas pela Autoridade preparadora. Tais valores devem ser corrigidos de acordo com os índices reconhecidos por este Egrégio Conselho, a saber, a Taxa SELIC a partir da protocolização do pedido de ressarcimento. Com efeito, como se sabe, esta Câmara firmou entendimento no sentido de que até o advento da Lei n° 9.250/95, ou até o exercício de 1995, inclusive, não obstante a inexistência de expressa disposição legal neste sentido, os créditos incentivados de IPI deveriam ser corrigidos monetariamente pelos mesmos índices até então utilizados pela Fazenda Nacion 5 9 I . 1:4 FA7.5.:y riA n.• rCC-MF-to Ministério da Fazenda CONFEREO ORIGINAt...- "4-44 Segundo Conselho de Contribuintes BRASÍLIA ár/ i4U-5 turt- Processo n2 : 13056.000613/98-11 vise Recurso n2 : 120.922 Acórdão n2 : 202-14.734 para atualização de seus créditos tributários, direito este reconhecido por aplicação analógica do disposto no § 3° do art. 66 da Lei n° 8.383/91. Todavia, com a (pretensa) desindexação da economia, realizada pelo Plano Real, e com o advento da citada Lei n° 9.250195, que acabou com a correção monetária dos créditos dos contribuintes contra a Fazenda Nacional havidos em decorrência _do pagamento indevido de tributos, prevaleceu o entendimento de que a partir de então não haveria mais direito à atualização monetária, e de que não se poderia aplicar a Taxa SELIC para tal fim, pois teria a mesma natureza jurídica de taxa de juros, o que impediria sua aplicação como índice de correção monetária. Tal entendimento, com a devida venia dos ilustres Conselheiros que o adotam, penso merecer uma maior reflexão. Tal necessidade, decorre, ao meu ver, d. m. v., de um equívoco no exame da natureza jurídica da denominada Taxa SELIC. Isto porque, conforme argutamente percebeu o ilustre Ministro Domingos Franciulli Nerto, do Superior Tribunal de Justiça, no melhor e mais aprofundado estudo já publicado sobre a matéria 19, a referida taxa se destina também a afastar os efeitos da inflação, tal qual reconhecido pelo próprio Banco Central do Brasil: "Entre os objetivos da taxa Selic encarta-se o de neutralizar os efeitos da inflação. A correção monetária, ainda que aplicada de forma senão disfarçada, no mínimo obscura, é mera cláusula de readaptação do valor da moeda corroída pelos efeitos da inflação. O índice que procura reajustar esse valor imiscui-se no principal e passa. uma vez feita a operação, a exteriorizar novo valor. Isso quer dizer que o índice corretivo não é um plus. como, por exemplo, ocorre com os juros, que são adicionais, adventícios, adjacentes ao principal, com o qual não se confundem. Sabe-se, segundo a mesma consulta, que a 'a taxa Selic reflete, basicamente, as condições instantâneas de liquidez no mercado monetário (oferta versus demanda por recursos financeiros). Finalmente, ressalte-se que a taxa Selic acumulada para determinado período de tempo correlaciona-se positivamente com a taxa de inflação acumulada a post, embora a sua fórmula de cálculo não contemple a participação expressa de índices de preços'. A correlação entre a taxa Seli c e a correção monetária, na hipótese supra, é admitida pelo próprio Banco Central." Por outro lado, cumpre salientar, a utilização da Taxa SELIC para fins tributários pela Fazenda Nacional, apesar possuir natureza híbrida — juros de mora e correção monetária -, e o fato de a correção monetária ter sido extinta pela Lei n° 9.249/95, por seu art. 36,1!, se dá exclusivamente a título de juros de mora (art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96). Ou seja, o fato de a atualização monetária ter sido expressamente banida de nosso ordenamento não impediu o Governo Federal de, por via transversa, garantir o valor real 17 ' 9 1n, Da Inconstitucionalidade da Taxa Selic para fins tributários, RT 33-59. 30 • .s MIN. 1)A FAZEM:IA • 2" CC CC-MFMinistério da Fazenda 11411t1;1r Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE po.t.I . o _WRIG!tJAL„. Fi. en't,4:t• BRASILIA Processo n2 : 13056.000613/98-11 - Recurso n2 : 120.922 Acórdão n2 : 202-14.734 de seus créditos tributários através da utilização de uma taxa de juros que traz em si embutido e escamoteado índice de correção monetária. Ora, diante de tais considerações, por imposição dos princípios constitucionais da isonomia e da moralidade, nada mais justo que ao contribuinte titular de crédito incentivado de IPI, a quem, antes desta pseudo extinção da correção monetária, se garanti; por aplicação analógica do art. 66, § 3 0 , da Lei n° 8.383/91, conforme autorizado pelo art. 108, I, do Código Tributário Nacional, direito à correção monetária — e sem que tenha existido disposição expressa neste sentido com relação aos créditos incentivados sob exame —, se garanta agora direito à aplicação da denominada Taxa SELIC sobre seu crédito, também por aplicação analógica de dispositivo da legislação tributária, desta feita o art. 39, § 4 0, da Lei n° 9.250/95 — que determina a incidência da mencionada taxa sobre indébitos tributários a partir do pagamento indevido —, crédito este que em caso contrário restará grandemente minorado pelos efeitos de uma inflação enfraquecida, mas ainda sabidamente danosa e que continua a corroer o valor da moeda. Tal convicção resta ainda mais arraigada quando se percebe que a incidência de juros sobre indébitos tributários a partir do pagamento indevido, nasceu, dê-se destaque, exatamente com o advento do citado art. 39, § 4 0, da Lei n° 9.250/95, pois, antes disso, a incidência dos mesmos, segundo o parágrafo único do art. 167 do Código Tributário Nacional, só ocorria "a partir do trânsito em julgado da decisão definitiva" que determinasse a sua restituição, sendo, inclusive, este o teor do enunciado 188 da Súmula da Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça Percebe-se, assim, fato raro, que o Governo Federal, neste particular, foi extremamente isonômico, pois adotou a mesma sistemática para os créditos fazendários e os dos contribuintes, quando decorrentes do pagamento indevido de tributos. Assim, por todo o exposto, dou provimento ao recurso voluntário para determinar que no cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96 sejam consideradas as aquisições realizadas de não-contribuintes; corrigidas nos termos da exposição supra. É Como voto. Sala das Sessões, em 16 de abril de 2003 G S O 115.1RjYLKL ENC AR if 31

score : 1.0