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Numero do processo: 12466.004165/2002-32
Data da sessão: Thu Jul 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 24/0.3/2000, 07/0.3/2001, 21/08/2001, 20/11/2001, 19/12/2001, 20/12/2001, 06/06/2001
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INCOMPETÊNCIA PARA CLASSIFICAR MERCADORIAS.
Descabe a invocação de cerceamento do direito de defesa quando a recorrente demonstra conhecimento integral da imputação, dos fatos e fundamentos jurídicos adotados pela autoridade autuante,
PRELIMINAR DE NULIDADE INCOMPETÊNCIA PARA CLASSIFICAR MERCADORIAS O SH.
A Receita Federal tem competência exclusiva para classificar mercadorias segundo o Sistema Harmonizado de Codificação e Classificação de Mercadorias - SH, inclusive para fins tributários.
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. TIPI. PERFUMES (EXTRATOS).
As mercadorias referidas como "perfumes" ("extratos") no código
3303.00.10 da NCM, compreendem os produtos com um teor de composição aromática superior a 15%, de acordo com a Nota Coana/Cotec/Dinom 253/2002, vigente até sua reformulação pela Nota Coana/Cotec/Dinom 344/2006, de 13/12/2006, que, para adequar-se ao disposto no Decreto 79.094/77, fixou como condição para enquadramento nesse código tarifário uma composição aromática em concentração superior a 10%.
Apurado em laudo técnico a existência de teor de composição aromática superior a 15% em se tratando de fato gerador ocorrido na vigência da Nota Coana nº 253/2002, há que se considerar os produtos como "perfumes" ou "extratos", e incorreta a classificação adotada pela importadora, própria para
águas-de-colônia.
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS NA TIPI. ÁGUAS DE COLÔNIA,
Da mesma forma, correta a classificação como água de colônia, adotada pela contribuinte, quando se enquadra nos exatos termos da Nota Coana nº 253/2002, vigente à época dos fatos.
MULTA POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA
A multa de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no art. 84 da Medida Provisória n° 2.158-35/2001, deve ser aplicada sempre que for apurada a classificação incorreta da mercadoria importada, observados os limites impostos pela legislação de regência,
MULTA PROPORCIONAL AO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO.
Inexiste impedimento na aplicação da multa proporcional ao imposto de importação, por declaração inexata ou falta de pagamento, cuja inflação punível difere da multa de 1% por errônea classificação no SH.
ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS, TAXA SELIC.
Não cabe questionar em sede administrativa a legalidade ou
constitucionalidade de normas legais, em face do princípio da estrita legalidade e da reserva constitucional, conferida ao poder judiciário.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3202-000.154
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Gilberto de Castro M. Júnior declarou-se impedido.
Nome do relator: JOÃO LUIZ FREGONAZZI
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Recorrida DRJ - Florianópolis/SC ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 24/0.3/2000, 07/0.3/2001, 21/08/2001, 20/11/2001, 19/12/2001, 20/12/2001, 06/06/2001 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INCOMPETÊNCIA PARA CLASSIFICAR MERCADORIAS, Descabe a invocação de cerceamento do direito de defesa quando a recorrente demonstra conhecimento integral da imputação, dos fatos e fundamentos jurídicos adotados pela autoridade autuante, PRELIMINAR DE NULIDADE INCOMPETÊNCIA PARA CLASSIFICAR MERCADORIAS O SH. A Receita Federal tem competência exclusiva para classificar mercadorias segundo o Sistema Harmonizado de Codificação e Classificação de Mercadorias - SH, inclusive para fins tributários. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. TIPI. PERFUMES (EXTRATOS). As mercadorias referidas como "perfumes" ("extratos") no código 3303.00.10 da NCM, compreendem os produtos com um teor de composição aromática superior a 15%, de acordo com a Nota Coana/Cotec/Dinom 253/2002, vigente até sua reformulação pela Nota Coana/Cotec/Dinom 344/2006, de 13/12/2006, que, para adequar-se ao disposto no Decreto 79.094/77, fixou como condição para enquadramento nesse código tarifário uma composição aromática em concentração superior a 10%. Apurado em laudo técnico a existência de teor de composição aromática superior a 15% em se tratando de fato gerador ocorrido na vigência da Nota Coana n 253/2002, há que se considerar os produtos como "perfumes" ou "extratos", e incorreta a classificação adotada pela importadora, própria para águas-de-colônia. 1-9 É-1:',UTZ- O O RIeSSARI - Presidente JOÃO, LIJIZ FR AZZI - Relator FORMALIZADO EM: de setembro de 2010. Processo n" 12466.004165/2002-32 53-C212 Acórdão n 320240.154 Fl 268 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS NA TIPI. ÁGUAS DE COLÔNIA, Da mesma forma, correta a classificação como água de colônia, adotada pela contribuinte, quando se enquadra nos exatos termos da Nota Coana 253/2002, vigente à época dos fatos. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA A multa de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no art. 84 da Medida Provisória ri° 2A 58-35/2001, deve ser aplicada sempre que for apurada a classificação incorreta da mercadoria importada, observados os limites impostos pela legislação de regência, MULTA PROPORCIONAL AO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. Inexiste impedimento na aplicação da multa proporcional ao imposto de importação, por declaração inexata ou falta de pagamento, cuja inflação punível difere da multa de 1% por errônea classificação no SH. ACRÉSCIMOS MORATORIOS, TAXA SELIC. Não cabe questionar em sede administrativa a legalidade ou constitucionalidade de normas legais, em face do princípio da estrita legalidade e da reserva constitucional, conferida ao poder judiciário. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Gilberto de Castro M. Júnior declarou-se impedido. Participaram do presente julgamento os conselheiros José Luiz Novo Rossari (Presidente), Rodrigo Cardozo Miranda, Heroldes Balir Neto, João Luiz Fregonazzi, Gilberto de Castro M. Júnior e Irene Souza da Trindade Torres, Processo n° 12466.004165/2002-32 53-C2T2 Acórdão n." 3202-00,154 F1. 269 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão DIU/SPOII n 03.119, de 08 de maio de 2003, da 1." Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento consubstanciado no auto de infração de fls. 01 e seguintes, para exigência do crédito tributário correspondente aos impostos de importação e sobre produtos industrializados vinculado à importação, multa de oficio relativa ao II e ao IPI, no percentual de 75%, e juros de mora. Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da autoridade julgadora de primeira instância, parcialmente transcrito. A empresa acima qualificada importou, por meio das DIs n"s 00/0257942-6, 01/0229254-4, 01/083166.5-8, 01/1131655-8, 01/1230815-0, 01/1234961-1 e 02/0501406-7, registradas respectivamente em 24/03/2000, 07/03/2001, 21/08/2001, 20/11/2001, 19/12/2001, 20/12/2001 e 06/06/2002, cinco produtos da marca Dolce &Gabanna, descritos como "Dolce & Gabanna Pour Femme Eau de Toilette (Prol 25000,029880/99-31)", " Doke & Gabanna Pour Homme Eua de Toilette (Prot. 2.5000.029869/99-06)", "13y Dolce & Gabanna Man — Eu de Toilette (Prot. 25000.029896/99-71)", "D & G — Eau de Toilette — Feminine (Prot. 25351,024199/0059)" e "D & G — Eau de Toilette — Masculine (Prot 253.51024200/00-36)", classificando-os no código NCM 3303.00 20 (21% de II — fatos geradores ocorridos em 2000, 20,5% de II — fatos geradores ocorridos em 2001, 19,5% de II — fatos geradores ocorridos em 2002, e 10% de IPI). Por sua vez, Laudos Técnicos expedidos pelo Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami (mm. "s 1637.11, 16.37.12, 1637,13, 1637.14, 1637.15 e 1637.21 — lis. 17 a 28) emitidos em função de amostras coletadas no curso do despacho aduaneiro referente à DI ti." 01/0831665-8, informaram que os produtos mencionados tratavam-se de "perfume, constituído de solução Hidro-Alcoólica e Substâncias Odoríferas, na forma líquida acondicionada em embalagem própria pra venda a retalho", em função do teor encontrado para os componentes Com base nessas informações e no §3," do art 30 do Decreto n." 70,235/1972, alterado pelo art. 67 da Lei n." 9.532/1997 ("produtos com o mesmo número de protocolo junto ao Ministério da Saúde), a autoridade autuante concluiu que as mercadorias importadas deveriam ser clas.sificadas no código NCM 330.3.00.10 (21% de 11—fatos geradores ocorridos em 2000, 20,5% de II — fatos geradores ocorridos em 2001, 19,5% de II — fatos geradores ocorridos em 2002, e 40% de IPI em todos os casos), o que gerou a lavratura do Auto de Infração de fls. 01 a 12 para exigência de R$ 104,480,12 a título de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPA acrescido de multa de oficio (75%) e juros de mora, e de R$ 2,500,00 a título de multa proporcional ao valor aduaneiro (mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul). Ciente da autuação, a interessada protocolizou a defesa de fls. 150 a 173, argumentando, em síntese, que: a) a conclusão imputada nas análises técnicas não pode gerar os efeitos pretendidos pela . fiscalização, pois se apóiam genericamente em "referências bibliográficas", sem indicar quais sejam essas; 3 Processo rl° 12466004165/2002-32 53-C2T2 Acórdão n.' 3202-00,154 Ft. 270 b) assim, como não houve alusão ao teor das "referências bibliográficas" utilizadas, restou prejudicado o exercício do seu direito de ampla defesa, c) não se conhece, no mundo, dijèrenciação de água de colônia e perfumes de acordo com a quantidade de concentração aromática dos produtos, motivo pelo qual entende que o apontamento realizado no laudo técnico é evasivo; d) acredita que a desclassificação fiscal deu-se em decorrência do que determina o Decreto n."79,094, de 05/01/1977, fique diferencia águas de colônia e perfumes em função da quantidade de concentração aromática existente nos produtos; e) embora desconheça o fundamento válido que ensejou a conclusão exarada no laudo técnico utilizado no auto de infração, mesmo assim é indubitável que o procedimento realizado pela Secretaria da Receita Federal nunca poderia ter ocorrido, pois carece de competência fitncional; I) após a edição da Lei n," 9,782/1999, compete exclusivamente à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) regulamentar, controlar e „fiscalizar o setor de águas de colônia e perfume; g) a partir desse marco legislativo, não cabe à Receita Federal, com fundamento no o Decreto n."79.094/1977, cumprir as funções citadas no item anterior; h) se a reclassificação foi , fundada nos dizeres do Decreto n.." 79..094/1977, resta clara a sua nulidade, pois o instrumento legislativo tornou-se incompatível com os dizeres da Lei n," 9,782/1999; i) ao pretender importar as mercadorias em questão, a impugnante protocolou os respectivos formulários perante a ANVISA, objetivando realizar a notificação de produto de grau de risco 1, classificando-as no grupo 2010470, atinente às águas perfumadas, águas de colônia; j) a ANV1SA, conhecendo inclusive a , fórmula de composição os produtos, ao autorizar a sua comercialização aduziu tacitamente que eles estão enquadrados no grupo das águas perfumadas/ águas de colônia, não podendo a Receita Federal interpretar de maneira diferente, por lhe faltar competência legal para tanto; k) o Decreto n," 79,094/1977 compromete os esforços engendrados na consecução dos objetivos delineados no Tratado de Assunção, ao considerar que águas perfumadas, águas de colônia, loções e similares são produtos constituídos pela dissolução de até 10% (dez por cento) de composição aromática em álcool de diversas graduações, sendo que nos demais países do Mercosul não há essa distinção, e, portanto, a carga fiscal é menor para a importação de perfumes; 1) após a assinatura do Tratado de Assunção, não há como sustentar válida disposição normativa que, de forma indireta, acaba por impor política comercial distinta em relação a terceiros Estados, onerando a tributação incidente na importação; ni) o aludido Decreto não pode se sobrepor ao Tratado de Assunção, aprovado por um Decreto Legislativo; n) não há como entender de outra forma o §1.." do artigo 161 do Código Tributário Nacional, senão de que os juros de 1% são o teto máximo, pois se assim não .fosse o preceito constitucional que limita a cobrança de juros a 12% ao ano seria descumprido; 4 Processo n' 12466004165/2002-32 S3-C2T2 Acórdão n° 3202-00.154 Fl. 271 o) a taxa SELIC nada mais representa do que verdadeiros juros remuneratórios, posto que reflete um autêntico pagamento pelo uso de dinheiro alheio, não sendo possível admiti-la como correção dos créditos da Fazenda, a título de juros moratórias, posto que esse último visa a recompor o patrimônio do credor ofendido pela mora do devedor, não podendo ser substituído por juros que visam a remunerar o capital emprestado; p) não pode o fisco, a pretexto de cobrar juros, adotar verdadeiro indexador monetário vinculado ao mercado de capitais, desvirtuando a real função dos juros, criando-se com a Sehc modalidade de índice de correção monetária; q) o nosso ordenamento jurídico não possui determinação constitucional que possibilite a exigência da taxa Selic; m) não se pode exigir cobrança de juros e correção numa taxa não clarificada e definida, pelo menos para fins tributário, se todo tributo deve ser definido em lei, sua quantificação monetária, bem como os juros, devem ser também previstos em lei; s) a multa de oficio imposta à impugnante, no percentual de 75%, está em completa desarmonia com o texto constitucional, em virtude de sua feição confiscatória 1,) cumular multa de oficio com nzulta regulamentam- é ato completamente ilegal, não sendo possível que o administrador tributário impute em duas oportunidades encargo com a mesma natureza; Ao .final, considerando as razões apresentadas, a impugnante requer que seja anulado o auto de infração em comento cancelando-se, em conseqüência, a exigência fiscal formalizada." A autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente o lançamento tributário, não acolhendo as razões da impugnante. Digno de nota é que vence a alegação de cerceamento de direito de defesa, demonstrando que a autuada em tudo conhece os fundamentos de fato e de direito erigidos pela autoridade autuante. Delimita corretamente a competência da autoridade administrativa para julgar circunscrita às normas legais, não sendo possível ultrapassar os limites impostos pela lei, muito menos ater-se à carta constitucional para afastar leis específicas. No mérito considera que os laudos técnicos cumpriram a função de identificar corretamente os produtos analisados, cabendo à autoridade autuante as questões atinentes à classificação fiscal com base nas regras do Sistema Harmonizado para classificação de mercadorias e na NESH. Considera corretamente que a competência para classificar mercadorias para fins tributários é da Receita Federal, competência esta, diga-se, delegada pelo Decreto n.° 70.235/1972, que tem status de norma legal e vigência. Irresignada, a querelante interpôs recurso voluntário onde reitera argumentação já erigida em sede de impugnação. 5 Processo n° 12466.004165/2002-32 S3-C2T2 Acórdão n ° 3202-00.154 El 272 Por meio da Resolução n.° 301-1.656, de fls. 228 e seguintes, a Colenda 1.° Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes converteu o julgamento em diligência a fim de que fosse solicitada a manifestação da Coana/SRF no que respeita aos seguintes quesitos: "a) Tendo em vista que a legislação do Ministério da Saúde (Lei n° 6:360/1976, regulamentada pelo Decreto tf 79.094/1977, e Lei n° 9.782/1999), estabelece a obrigatoriedade de classificação sanitária e o registro dos produtos de perfumaria, de forma a ser indicada em cada produto a sua identificação especifica, e que tal atividade é de competência da Anvisa, e considerando o disposto no art. 4°, Ç 3', da IN SRE IP 573/2005, que estabelece que na consulta sobre classificação de mercadorias que dependa de autorização de órgão especificado em lei, deverá ser anexada uma cópia da autorização do registro do produto, há alguma possibilidade técnica de os produtos da subposiçâo 3303.00 terem classificação fiscal diversa da identificação e registro que lhes foi concedido pela Anvisa.? b) Sem prejuízo do quesito anterior, a eventual apuração de composição aromática em laudo técnico solicitado pelas unidades fiscais da SRF, possui relevância suficiente para afastar a identificação e o registro de produto estabelecidos pelo órgão competente do Ministério da Saúde? c) As considerações contidas na Nota Coana/Cotac/Dinom n° 253, de 1°/8/2002, representam conclusão definitiva da SRF/Coana sobre a classificação das mercadorias ali discriminadas ("Essência ou extrato", "Eau de par/um", "Eatt de toiktte", "Água-de-colônia" ou "eau de cologne", e "Eau fraiehe"), de modo a vincular essa classificação ao teor de substâncias odoríferas (essências) existente em cada produto?" Por sua vez, cientificada da diligência retrocitada, a recorrente fez os seguintes questionamentos, verbis (fls. 239/240): "a) — Tendo em vista o objetivo do Laudo realizado à época da importação das mercadorias acima indicadas (verificação se os produtos possuíam de .fato a natureza de água de colônia.) é adequado que a apuração do "teor de substâncias odoríferas" seja feita "por diferença", excluindo-se apenas o teor de água e o teor de álcool, tendo em vista que no produto restante, considerado como "diferença", estão contidos elementos não aromáticos? b) — Teria o Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami competência para definir a classificação . fiscal dos produtos importados, tal como efetivado e acatado pela autoridade fiscal responsável pela autuação realizada no presente processo, ou sua função não seria exclusivamente a de descrever, de maneira pormenorizada (e não por diferença), as componentes contidos . nos bens impor fados? O processo retorna a este Conselho com a juntada da Informação n° 2007/0076, de 26/02/2007, da Coana/Cotac/Dinom da SRF (fls. 244/247), na qual foram respondidos os quesitos decorrentes da diligência, mencionado o Fax n° 490/00, de 28/12/2000, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e anexada a Nota n° 2006/0344, de 13/12/2006, da mesma Coana/Cotac/Dinom. A recorrente manifestou-se sobre a Informação prestada pela SRF (fls. 890/898), para aduzir que não foi observado pela Coana o critério comparativo estabelecido pelas Nesh, tendo aplicado o Decreto ri° 79.804/77 com o argumento de que essa norma traria 6 Processo If 12466.004165/2002-32 S3-C2T2 Acórdão n 3202-00J54 Fl 273 conceitos de observância obrigatória pela autoridade aduaneira, frente ao silêncio do Sistema Harmonizado e da NCM sobre o terna. Finaliza salientando o correto posicionamento externado na referida Nota, no sentido de que o laudo emitido pelo Labana é nulo, porque deveria conter somente explicitações e fundamentações técnicas, não podendo se manifestar sobre seu enquadramento na NCM e requer sejam desconsideradas as incorreções apresentadas na Informação da Coaria. Após cumprida a diligência, retomam os autos à 3 Seção, 2.' Câmara, 2. Turma Ordinária para julgamento. É o Relatório. 1 Processo n° 12466,004165/2002-32 S3-C212 Acórdão n.° 3202-00.154 Fl 274 Voto Conselheiro JOÃO LUIZ FREGONAZZI, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA E INCOMPETÊNCIA A preliminar de nulidade em face de suposto cerceamento de direito de defesa já foi corretamente afastada pelo voto proferido pelo nobre Relator Carlos Henrique Klaser Filho, acolhido por unanimidade pela 1 Câmara, conforme se verificam nos autos da Resolução n." 301-L656, cujos fundamentos acolho para confirmar aquela decisão, Veja-se fundamento às fls. 232, verbis: Primeiramente, cabe afastar a preliminar argüida pelo Recorrente, tendo em vista que o cerceamento do direito de defesa ocorre somente quando o contribuinte é impossibilitado de se defender e, no caso concreto, houve a possibilidade de defesa ao contribuinte, pois este contestou o auto de infração com plenitude. De fato, a recorrente demonstra, em tudo e por tudo, conhecimento dos fundamentos de fato e de direito que motivaram a lavratura do auto de infração, peça inaugural deste processo administrativo fiscal Dentre as muitas decisões do Conselho de Contribuintes que corroboram o entendimento supracitado, destaco aquela trazida à baila pelo nobre Relator a quo, às fls. 197, conforme abaixo transcrito: Cerceamento do Direito de Defesa Improcede a alegação do cerceamento ao direito de defesa, quando o contribuinte o exerce na sua plenitude como se depreende dos autos do processo. (Ac. n." 103-10,340. DOU de 11/10/1990, p. 19 279, Rei Cons. Luiz Alberto Cava Macieira), Outrossim, a autoridade autuante não apenas utiliza os laudos laboratoriais pata fins de identificação das mercadorias importadas, mas fundamenta a autuação nas regras de classificação de mercadorias constantes do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias — SH e na legislação vigente à época. Veja-se um dos fundamentos da autuação, às fls. 04, abaixo transcrito: O importador classificou tais itens na posição NCM 3303.00.20, que é especifica para água de colônia, estando tal posição sujeita a aliquota de 10% de IPI, mas através da análise do resultado dos laudos supracitados e da aplicação das Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado ir ." I, conclui-se que os produtos objeto de tais laudos deveriam ter 8 Processo ri° 12466.004165/2002-32 S3-C2T2 Acórdão n. 3202-00.154 Fl. 275 sido classificados na posição NCM .3303.00.10, que é a posição especifica para PERFUMES Não poderia haver então cerceamento do direito de defesa, notadamente quando as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado - NESH para a referida posição de perfume o define corno perfume propriamente dito ou extrato, ou seja, em concentração máxima, como bem definiu a NOTA COANA/COTAC/D1NOM n." 253/2002 ao afirmar que extrato é o perfume em sua concentração mais alta, entre 15% e 30%. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) referentes à posição 3303 dão as seguintes informações sobre os produtos dessa posição, verbis: "A presente posição compreende os perfumes que se apresentem nas formas de líquido, de creme ou de sólido (compreendendo os bastões (sticks)), e as águas-de-colônia, cuja função principal seja a de perfumar o corpo. Os perfinnes propriamente ditos, também chamados extratos, consistem geralmente em óleos essenciais, essências concretas de .flores, essências absolutas ou em misturas de substâncias odoríferas artificiais, dissolvidas em álcool de título elevado.. Usuahnente, estas composições contêm ainda adjuvantes (aromas suaves) e um fixador ou estabilizador. As águas-de-colônia (por exemplo, água-de-colônia propriamente dita, água de lavanda), que não devem confundir- se com águas destiladas aromáticas e soluções aquosas de óleos essenciais da posição 33.01, difèrenz dos perfumes propriamente ditos pela sua mais fraca concentração em óleos essenciais, etc. e pelo titulo geralmente menos elevado de álcool empregado." Ora, é evidente que a recorrente trouxe perfumes propriamente ditos, em concentrações entre 15% e 30% de substâncias aromáticas e com potente fixador, que os difere dos desodorantes e águas-de-colônia de aplicação corporal. Resta claro que esses casos prescindem inclusive da menção ao Decreto n.° 79.094/1977, que define concentrações iguais ou superiores a 10% como perfumes_ Muito embora as NESH não citem o teor de concentração de óleos essenciais e outras substâncias odoríferas, é de clareza solar que as concentrações entre 15 e 30 % são as mais elevadas encontradas no mercado_ Conforme a resposta da COANA acerca do quesito a), formulado na retrocitada Resolução da Câmara, a competência da ANVISA, nos termos da Lei n," 9.782/1999, está limitada a conceder registros de produtos, segundo as normas de sua área de atuação, a saber, vigilância sanitária_ Por óbvio, não tem aquele r. órgão competência para definir os efeitos tributários decorrentes da classificação fiscal de mercadorias_ Segundo o entendimento da COANA, com o qual concordamos, a identificação e o registro de "perfumes" pela ANVISA deveriam seguir os conceitos do Decreto n.° 79.094/1977. Porém, verifica-se às fis. 245 que a Gerência Geral de Cosméticos da ANVISA, por meio do FAX n,' 490/00, informou: 9 Processo na 12466,004165/2002-32 S3-C2I 2 Acórdão n ° 3202-00,154 Fl 276 No que se refere a concentração aromática, embora exista valor estabelecido para os tipos de perfumes mencionados na legislação, informamos que esta prática hoje foge da realidade. Por este motivo registramos e concedemos notificações para produtos com concentrações acima do estabelecido em Lei e isto se deve ao fato do crescimento tecnológico, das matérias primas, apresentação do produto e principalmente da formulação do mesmo. Existem produtos que podem até apresentar mais de 30% de concentração aromática e não ser um perfitme propriamente dito nem um extrato. Continuando, a COANA reconhece que embora opine que os valores de concentração aromática para perfumes e águas de colônia definidos pelo Decreto n.° 79.094/77 estejam superados, a ANVISA não providenciou alteração ou revogação da citada norma, continuando em vigor o inciso Il do artigo 49 do referido Decreto. Releva ainda considerar que, muito embora não seja competência do perito técnico classificar produtos, tal procedimento não invalida o laudo laboratorial, devendo apenas não ser levado em consideração para definir a classificação fiscal, competência exclusiva da autoridade autuante da RFB, que são os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil AFRFB, Todavia, resta evidente que o Decreto n.° 79.094/77 era de conhecimento da recorrente à época da impugnação, tendo sido utilizado em sua defesa visando afastar, tanto nos laudos quanto no lançamento de oficio, a classificação adotada pela autoridade autuante. Igualmente, os produtos que deveriam ser considerados perfumes ou águas-de-colônia de acordo com os teores de substâncias aromáticas no referido decreto eram de conhecimento da então impugnante. Tal fato é claramente identificado na impugnação, dele não fugindo a autuada em sua defesa, demonstrando pleno conhecimento das razões da autuação. Também o fez a autoridade julgadora de primeira instância, Também assim procedeu a ANVISA, que já possuía resposta pronta quanto à suposta ausência de eficácia do regulamento então vigente (Decreto n,' 79.094/77), como bem salientou a COANA. De tão repisada, a controvérsia em relação às definições de perfume e água-de-colônia passou a ser de notório conhecimento, o que de per si manda ao limbo a alegação de cerceamento do direito de defesa e ausência de fundamentação do auto de infração. No que respeita ao questionamento da competência exclusiva da Receita Federal do Brasil para classificar mercadorias de acordo com o Sistema Harmonizado — SH, especialmente para fins tributários, trata-se de argumentação recorrente em várias teses de defesa, que despreza o princípio da prevalência da lei mais específica sobre a genérica, que vai de encontro ao princípio da estrita legalidade em matéria tributária, dentre outros, norteadores do direito administrativo. A competência da Receita Federal está definida conforme o Anexo I, artigo 8.°, inciso XVIII, do Decreto tr..° 5.949, de 31 de outubro e 2006, sendo prerrogativa da autoridade aduaneira a verificação da correta classificação fiscal, obedecendo a princípios próprios estabelecidos pela Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, promulgada pelo Decreto n.° 97409, de 23 de dezembro de 1988, e a conceitos definidos no Decreto n.° 79.094, de 5 de janeiro de 1977, legislação específica 3 0 Processo n" 12466004165/2002-32 S3-C2T2 Acórdão ri 3202-00.154 Fl 277 que colide e suplanta quaisquer outras normas que não tenham por objeto regular matéria tributária. Por todo o exposto, rejeito as preliminares. MÉRITO Cinge-se a lide à controvérsia acerca da classificação fiscal de mercadorias importadas descritas no lançamento de oficio, consubstanciado no auto de infração de fis, 1 e seguintes. A delimitação dos pontos controversos, no que tange ao mérito, diz respeito à classificação das mercadorias importadas como águas-de-colônia pela contribuinte, no código NCM/SH 3.30.3.00.20, enquanto que a autoridade autuante entende que em razão da concentração de essências em percentual superior a 10%, as mesmas classificam-se como perfumes, na posição NCM/SH .330.3.00.10. No que pertine à classificação fiscal, adoto o entendimento exposto no voto do insigne Conselheiro José Luiz Novo Rossari, proferido nos autos do processo n.°12466.001198/2003-10, Recurso no° 131.724, adotando como água-de-colônia aqueles produtos com teor de substâncias aromáticas inferior a 15%, conforme abaixo transcrito: No caso sob exame, verifica-se nos laudos de ,fls, 31/34 e 37/38 que os teores de substâncias odoríferas dos produtos "Dolce Vita Eau de Toilette - Christian Dior", "Tendre Poisai] Eau de Toilette - Christian Dior" e "Dune Eau de Toilette - Christian Dior", são de 12,9%, 14,2% e 12,1%, percentuais que embora permitam o enquadramento como "perfume" ("extrato") nos termos do 49, II, do Decreto n2 79.094/77, não alcançam o limite estabelecido à época da importação pela Nota Coana/Cotac/Dinom d 253, de 12/8/2002, que, para efeitos de classificação .fiscal, orientava no sentido de considerar o produto como "água-de-colônia" quando o teor de essência nãofos.se superior a 15%. Cabe ressaltar que o reposicionamento interpretativo da SRF externado na Nota Coana/Cotac/Dinoni if 2006/344, de 13/12/2006, mais gravoso ("referente a teores acima de 10%), só pode viger a partir de fatos geradores ocorridos a partir dessa data. Isso porque a interpretação anterior (que .fixava teores acima de 15%) foi consubstanciado em ato administrativo que se subordina ao disposto no art. 100, I, do CTN e em vista do que preceitua o art. 14, § 62, da IN SRF n2 740/2007, que trata do processo de consulta, regra plenamente aplicável ao caso presente tendo em vista que a Nota Coana alterada originou-se de consulta, efetuada por órgão governamental. Diante do exposto, entendo que deve ser considerada correta a classificação tarifária adotada pela recorrente e voto por que se dê provimento ao recurso. Para os casos com teores superiores a 15%, é de se negar provimento ao recurso, também como já vinha adotando a 1. a Câmara do Egrégio 3.° Conselho de Contribuintes, conforme excertos do voto condutor do Acórdão proferido nos autos do processo ft° 12466.0021.39/2003-51, Recurso 131.699, abaixo transcrito: Trata-se de estabelecer a correta classificação do produto descrito pela empresa importadora na Dl n 2 03/0358354-6, registrada em 29/4/2003, como "Champs Elysees Eau de Toiktte — Água de Colônia" A declarante classificou a mercadoria no código NCM 3303.00.20, própria para "águas de colônia", enquanto que a fiscalização aduaneira entendeu que a mercadoria deveria ter sido 11 Processo n° 12466 004165/2002-32 83-C212 AcórdÉlo n '3202-00.154 Fl. 278 classificada no código NCM 3303,00,10, como "perfumes" ("extratos"), em !Unção do teor de substâncias odoríferas encontrado em laudo técnico, As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) referentes à posição 3303 dão as seguintes informações sobre os produtos dessa posição, verbis "A presente posição compreende os perfumes que se apresentem nas farinas de liquido, de creme ou de sólido (compreendendo os bastões (sticks)), e as águas- de-colônia, cuja função principal seja a de perfumar o corpo. Os perfirmes propriamente ditos, também chamados extratos, consistem geralmente em óleos essenciais, essências concretas de flores, essências absolutas ou em z misturas de substâncias odoríferas artificiais, dissolvidas em álcool de título elevado. Usualmente, estas composições contêm ainda adjuvantes (aromas suaves) e um fixador ou estabilizador, As águas-de-colônia (por exemplo, água-de-colônia propriamente dita, água de lavanda.), que não devem confundir-se com águas destiladas aromáticas e soluções aquosas de óleos essenciais da posição 33.01, diferem dos perfumes propriamente ditos pela sua mais fraca concentração em óleos essenciais, etc e pelo título geralmente menos elevado de álcool empregado." Conforme se constata, os regramentos estabelecidos pelas NESH não especificam a concentração de óleos essenciais que permita a diferenciação entre tais produtos. Apenas explicita que as águas-de-colônia diferem dos perfumes pela sua mais fraca concentração de óleos essenciais e pelo título menos elevado de álcool empregado.. E em nível nacional a NCM também não estabeleceu qualquer especificação que tendesse à distinção entre tais produtos, tendo em vista que, ao instituir para a posição 3303 os itens e subitens correspondentes (7' e 8" dígitos), apenas discriminou,: 3303. 0010— Perfumes (extratos) 3303. 00, 20 Águas-de-colônia Sobre tais produtos, o Decreto n' 79,094/1977, que trata do "Sistema de Vigilância Sanitária dos Medicamentos, 171SIIMOS Farmacêuticos, Drogas, ('orrelatos, Cosméticos, Produtos de Higiene, Saneantes e Outros" dispõe, em seu art. 49, 11, que os produtos citados compreendem, verbis: "II— Perfumes: a) Extratos — constituídos pela solução ou dispersão de uma composição aromática em concentração mínima de 10% (dez por cento) e máxima de 30% (trinta por cento).. b) Águas perfumadas, águas de colônia, loções e similares — constituídas pela dissolução até 10% (dez por cento) de composição aromática em álcool de diversas graduações, não podendo ser nas formas sólidas nem na de bastão." O Decreto acima citado regulamenta a Lei IP 6.360/1976, que dispõe sobre a vigilância sanitária a que ficam sujeitos os medicamentos, as drogas, os insumos 12 Processo n" 12466.004165/2002-32 S3-C212 Acórdão n.° 3202-00.154 Fl 279 .farmacêuticos e correlatas, cosméticos, saneantes e outros produtos, inclusive na importação e na exportação (art.. 554 do RA). Com a criação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pela Lei n2 9782/1999, .ficou afeta a esse órgão a competência para conceder o registro dos produtos tratados no Decreto n a 79.094/1977, entre eles os perfumes. Assim, a competência da Anvisa, prevista no art. 7 2 da Lei 17a 9,782/1999, diz respeito ao registro dos produtos dependentes de vigilância sanitária. No caso sob exame, a matéria foi objeto de manife.stação da Coordenação- Geral do Sistema Aduaneiro da Secretaria da Receita Federal, que através da Nota Coana/Cotac/Dinom n 2 253, de 12/8/2002, e em resposta à consulta formulada pela Divisão de Informação Comercial do Ministério das Relações Exteriores, pronunciou-se no sentido de esclarecer os critérios adotados para classificar uma preparação odorífera como "petfiane" ou "extrato", ou como "água-de-colônia" na Nomenclatura Comum do Mercostd, explicitando, verbis; "7,1 "Essência ou extrato" é o perfume em sua concentração mais alta, sendo que a percentagem varia, conforme a marca, de 15% a 30% de essência diluída em álcool de 90 0 Gay-Lussac (GL). É o tipo mais caro de perfume e, por não serem adequados ao clima tropical, são difíceis de serem encontrados em razão da pouca comerciabilidade. O ,fixador (por exemplo, gordura de origem animal reproduzida em laboratório) tem um poderoso efeito de .fixação que pode se prolongar por até 24 horas. 7,2 "Eau de padrun" é um perfinne com menor concentração de essência, de 10% a 15%, diluída em álcool etílico de 90" GL, cujo efeito de _fixação chega a ultrapassar as 12 horas, 7,3 "Eau de toilette" tem concentração de essência entre .5% e 10%, diluída habitualmente em álcool de 85' GL. Seus índices de , fixação não passam das 8 horas em temperaturas mais altas. 7.4 "Á gua-de-eolônia" ou "eau de cologne" é a fragrância cuja percentagem de essência varia entre 3% e 5%, e seu grau alcoólico fica entre 70' e 80° GL, Sua fixação não é maior do que 5 horas e seria, a priori, o ideal para o nosso clima. 7,5 "Eau fraidze"é a "água rgfrescante", perfumada quase sempre com pouquíssima essência cítrica (limão ou tangerina), Por isto, muitas vezes é chamada de "eau de sport". Tem uma baixa percentagem de essência, de 1% a 3%, e vem quase sempre diluída em álcool de 70" ou 80" GL, havendo poucas variantes de eat rfiviche" que não empregam álcool. Sua taxa de .fixação é mínima, de 2 a 4 horas„ 8. Tendo-se em mente o exposto e considerando as NESH pode-se afirmar que os "1mi:filmes ou extratos", citados no código 3303.00.10 da NC11/1, compreendem apenas as essências ou extratos (subitem 7.1). 9. Já as mercadorias mencionadas no código 3303,00,20 da NCM, referidas como "águas-de-colônia" englobam as chamadas "eau de parfian", "eatt de toilette", "eau de cologne" e "eaufraiche" (subitem 7.2 a 7,5)" Tendo em vista a existência de dúvidas sobre a classificação dos produtos, em função de divergência existente com a legislação referente à inspeção sanitária, a 13 Processo n° 12466 004165/2002-32 S3-C2I2 Acórdão n ° 3202-00.154 Fl 280 matéria .foi objeto de submissão, determinada por esta Câmara, à Coordenação- Geral de Administração Aduaneira, órgão da SRF responsável pela classificação tarifária de mercadorias. Em resposta, esse órgão informou que para adequar-se ao Decreto /IQ 79,094/77, foi reformado pela Nota Coana/Cotac/Dinom IP 2006/344, de 13/12/2006, o entendimento anteriormente explicitado na Nota Coana/Cotac/Dinom IP 253/2002, de forma que a partir dessa alteração passaram a ser classificadas no código 3303,00.10 da NCM as mercadorias constituídas pela solução ou dispersão de uma composição aromática em concentração superior a 10% e no código 3303.00.20 as mercadorias constituídas pela dissolução de uma composição aromática em concentração inferior ou igual a 10%, em álcool de diversas graduações Estabelecida pelo órgão competente para se pronunciar sobre a classificação de mercadorias a confirmação de que para esse mister, e relativamente aos produtos da posição 3303, há que se levar em consideração os teores de composição aromática estabelecidos no art. 49, II, do Decreto n' 79,094/77, norma vigente relativa à inspeção sanitária, resta apenas a necessidade de se cuidar da existência de laudo que identifique esses teores, para os efeitos da classificação pretendida. Não vejo a discrepância apontada pela recorrente no que respeita ao que consta na Informação da Coana. O Decreto é claro ao dispor quanto à dissolução de composição aromática em álcool; e bem assim as NESH da posição 3303, acima transcritas, ao se referirem sobre dissolução de óleos essenciais, essências concretas de flores, essências absolutas ou misturas de substâncias odoríferas artificiais, em álcool, o que também respeita à dissolução de uma composição aromática, variando apenas a concentração de essências e o título mais ou menos elevado do álcool, De outra parte, não houve, como alegado pela recorrente, qualquer manifestação da Coana no sentido de que o laudo técnico emitido pelo Labana é nulo e afronta a IN SRF n 157/98, que trata da assistência técnica para identificação e quantificação de mercadorias, tendo em vista que no laudo que embasou este processo não consta a indicação de enquadramento em posição ou código da NCM. De mais, essa restrição foi estabelecida apenas a partir da IN SRF n'~' 492/2005, o que não invalidaria laudo que na época tivesse sido elaborado com esse elemento. Cumpre observar que a legislação processual atribui eficácia aos laudos exarados em outros processos administrativos fiscais, quando tratarem de produtos originários do mesmo .fabricante, com igual denominação, marca e especificação (art„30, 312, do Decreto d. 70.235/72, acrescentado pelo art, 67 da Lei n° 9.532/97). Trata-se do caso em exame, em que o Fisco utilizou laudo de produto com as mesmas especificações, razão pela qual considero o laudo eficaz para a .finalidade a que se propõe. No caso presente, verifica-se do laudo n' 3211.01 (Jls. 8/9) que o teor de substâncias odoríferas do produto é de 24,9%, percentual que permite considerá-lo como "petfume" ("extrato') por ultrapassar os limites estabelecidos no art. 49, II, do Decreto di 79.094/77 e na Nota Coana/Cotac/Dinom tf 253, de 1' 2/8/2002, que, para efeitos de classificação fiscal, orientava no sentido de considerar o produto como "perfume" ("extrato') quando o teor de essência fosse superior a 15%. 14 Processo n' 12466.004165/2002-32 Acórdão ri ," 3202-00.154 S3-C2T2 A 281 Em vista dos elementos constantes do processo e da legislação aplicável, o produto sob exame deve ser considerado como "perfiime" ("extrato') e cla,s,sificado no código NCM 3303..00.10, o mesmo adotado pelo Fisco por ocasião do lançamento.. No que respeita à multa por classificação incorreta, trata-se de penalidade prevista expressamente na legislação aduaneira e que tem plena aplicação ao caso presente, visto bastar o erro de classificação tarifária para ficar caracterizada a ocorrência da infração, como ocorreu inequivocamente no caso sob lide, Finalmente, não há objeto que justifique o recurso quanto à multa de oficio de 75%, por declaração inexata, simplesmente porque tal penalidade não foi exigida pelo Fisco, estando enganada a recorrente nesse particular. Quanto à exigência das Juros moratórias equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — Selic para títulos federais, há previsão expressa no art. 13 da Lei n° 9,065/95, para vigência a partir de 12/4/95, estando, portanto, revestida de integral legitimidade. Destarte, é descabida a alegação de sua invalidade, o que somente poderia exsurgir se essa exigência viesse a ser declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal quando de apreciação das hipóteses ali previstas, de conformidade com a competência que lhe foi atribuída pelo ar!. 102, 1; "a", da Constituição Federal. Diante do exposto, e considerando a plena vigência do Decreto n 2 79.094/77, entendo que deve ser considerada incorreta a classificaçã o tarifária adotada pela recorrente, própria para "águas-de-colônia", e voto por que se negue provimento ao recurso. Apenas retomando exposição já mencionada quando da análise do cerceamento do direito de defesa, repise-se, é evidente que a recorrente trouxe extratos, perfumes propriamente ditos, em concentrações iguais ou superiores a 15% de substâncias aromáticas e com potente fixador, que os difere dos desodorantes e águas-de-colônia de aplicação corporal. Resta claro que esses casos prescindem inclusive da menção ao Decreto n.° 79.09411977, que define concentrações iguais ou superiores a 10% como perfumes. Somente isso já seria suficiente para rejeitar a argüição de cerceamento do direito de defesa. Muito embora as NESH não citem expressamente o teor de concentração de óleos essenciais e outras substâncias odoríferas, resta claro que as concentrações entre 15% e 30% são as mais elevadas encontradas no mercado, e assim denominadas extratos pelas NESH da posição 3303. Veja que a Nota Coana/Cotac/Dinom n(-2 253, de 1 Q/812002 considera que os produtos de mais alta concentração são os perfumes ou extratos, cujo percentual de substâncias odoríferas situa-se entre 15 e 30%. A mencionada nota considera inclusive que os produtos denominados como "Eau de Porfiai?" são categoria à parte, inferior aos extratos ou perfumes propriamente ditos. Portanto, a norma interpretativa vigente à época autoriza a classificação dos "Bua de Parfum" como água de colônia no SH/NCM, sendo amplamente favorável à recorrente, somente considerando como perfume os produtos de mais alta concentração existentes no mercado. É um exemplo típico de "in dublo pro reo", mas é a posição que adotamos por se tratar de interpretação da legislação vigente à época dos fatos e que é mais benéfica que a atual (Nota Coona/Cotoc/Dinoin tz2 2006/344, de 13/12/2006), de observância a partir de 2006, 15 Processo n° 12466.004165/2002-32 S3-C212 Acórdão n.° 3202-00,154 Fl. 282 Somente para argumentar, se a Nota Coana/Cotac/Dinom ri° 253/2002, que adotamos neste voto, pudesse ser contestada, que produto no mercado sobraria para ser classificado como perfume? Por óbvio, por lógica e até por exclusão, somente os produtos de mais alta concentração foram classificados como perfumes ou extratos pela supracitada norma interpretativa da COANA. A contrario sensu, em prevalecendo o entendimento da recorrente, não haveria mais produtos a serem classificados como perfumes, tudo no mercado seria "Eau de Toilette" Sob essa ótica, as NESH relativas a perfumes seriam letra morta, mas o estado brasileiro subscreveu acordo internacional que trata do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias - SH, não podendo transformar em letra morta aquilo que o referido acordo não transformou ou reformou, Incumbe ao Comitê do Sistema Harmonizado da Organização Mundial das Alfândegas (OMA), do qual o Brasil é participe, a reforma e atualização de disposições do SH, emitindo o referido Comitê pareceres que são adotados pela Receita Federal, que publica esses novos entendimentos através de instruções normativas. Um exemplo é a IN/RFB 873/2008, que aprovou diversos pareceres do supracitado Comitê do SH. Não poderia, pois, ser divergente o entendimento exposto ao longo deste voto daquele adotado pela Nota COANA/COTAC/DINOM ri° 253, de 1Q/8/2002. Quanto aos questionamentos acerca das multas, é de se considerar que foram aplicadas em face da legislação vigente. Mesmo raciocínio se aplica à taxa SELIC, como ademais explicitado nos excertos de acórdãos acima mencionados. Nesse diapasão, cabe a aplicação concomitante da multa administrativa de 1% por classificação incorreta, cuja infração punível é o simples erro de classificação, e da multa proporcional ao valor aduaneiro, cuja infração punível é a declaração inexata com a conseqüente classificação incorreta e o pagamento a menor do tributo devido, ou o pagamento a menor do tributo devido. Veja-se o disposto no artigo 84 da Medida Provisória (MP) n,' 2.158-35, vigendo a partir de 2'7 de agosto de 2001: Ari, 84, Aplica-se a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria:. 1 - classificada incorretamente na Nomenclatura comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou 11 - quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal; § 1", O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando o seu cálculo resultar valor inferior, §. 2" A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no artigo 44 da Lei n" 9..430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. Questões sobre a legalidade ou constitucionalidade dos referidos dispositivos de lei não são matéria de competência da esfera administrativa para a sua apreciação, tendo em vista a reserva constitucional conferida ao Poder Judiciário. A teor do disposto no art. 102, inciso I, alínea "a" da Carta Magna, o controle concentrado da constitucionalidade de norma legal é conferido à esfera judicial, competente ainda o juiz para apreciar a constitucionalidade 16 Processo o 12466004165/2002-32 S3 -C2T2 Acórdão o " 3202-00,154 Fl 283 mediante controle difuso. De igual forma, não se pode obstar a incidência de juros moratórias à taca Selic, e da multa de oficio no percentual aferido no auto de infração. Eis que há previsão legal a sustentar a ação fiscal, da qual a recorrente foi regularmente notificada ao tomar ciência do feito fiscal. Nessa marcha, forçoso reconhecer, a teor do disposto no art. 142 e Parágrafo Único, do CTN, incabível à autoridade administrativa a não aplicação da lei. É remansosa a jurisprudência do 3.° Conselho de Contribuintes a amparar a argumentação nesse sentido. Art.. 142.. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Concluindo, no presente caso deve ser observada a Nota COANA/COTAC/D1NOM n.° 253/2002 pois os fatos geradores acorreram na data em que vigia essa norma interpretativa. Assim, dou provimento ao recurso apenas para os produtos a que se aplica o laudo laboratorial n.° 1637.13, de fis. 21 e 22, pois o teor de substâncias odoríferas situa-se em 14.1%. Quanto aos produtos amparados pelos laudas laboratoriais n."s 1637,11, 1637.12, 1637.14, 1637.15 e 1637.21 nego provimento ao recurso voluntário porque os teores de substâncias odoríferas situam-se no conjunto denominado pela norma interpretativa vigente à época como perfumes ou extratos. É como voto. Sala das Sessões, em 29 de julho de 2010 / /1( JOÃO LUIZ :FREGONAZZI 17
score : 1.0
Numero do processo: 10768.004181/2001-14
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1995
DECADÊNCIA
Descabe a alegação de decadência quando o lançamento se deu dentro do prazo decadencial, qualquer que seja a regra aplicável que se invoque.
PRESCRIÇÃO. SÚMULA CARF Nº 11
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
ITR. CONTRIBUINTE. PROPRIETÁRIO RURAL.
O proprietário do imóvel rural tem legitimidade passiva para figurar na relação tributária, por expressa previsão legal.
Preliminares Rejeitadas
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-001.468
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE
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PRESCRIÇÃO. SÚMULA CARF Nº 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. ITR. CONTRIBUINTE. PROPRIETÁRIO RURAL. O proprietário do imóvel rural tem legitimidade passiva para figurar na relação tributária, por expressa previsão legal. Preliminares Rejeitadas Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Fl. 40DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 25/03/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 30/03/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL 2 Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Julio Cezar da Fonseca Furtado e Carlos César Quadros Pierre. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi expedida Notificação de Lançamento de fls. 09, referente a Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), exercício 1995, formalizando a exigência de imposto e contribuições no total de R$ 110,82, relativo ao imóvel denominado “Mambucaba”, localizado no Município de Parati/RJ, NIRF – Número do Imóvel na Receita Federal – 40940578. AUTUAÇÃO A autuação decorreu de alteração do Valor da Terra Nua (VTN) declarado. SOLICITAÇÃO DE RETIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO (SRL) Cientificada, a inventariante apresentou SRL pleiteando inclusão do nº do CPF, retificação do nome e contestando a diferença entre o valor declarado e o valor tributado constante da Notificação de Lançamento. A autoridade competente deferiu a retificação do nome e do número do CPF. Quanto ao valor tributado, destacou que esse se encontra em consonância com a legislação de regência, determinando que prosseguisse com a cobrança. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do resultado da SRL, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, nos termos relatados no acórdão recorrido (fls. 19): 4.1) O lançamento constante da notificação foi realizado com prazo superior a cinco anos; 4.2) Os créditos fiscais prescrevem em cinco anos; 4.3) No presente caso, a data da apuração foi feita em prazo superior ao estabelecido pela regra prescricional. consequentemente é ineficaz a presente cobrança; 4.4) O Espólio em questão não está na condição apontada na supra citada notificação, como empregador, não lhe podendo imputar qualquer tributação neste sentido; 4.5) O imóvel em epígrafe, em se achando ocupado por posseiros, que ali executem atividades rurais, pelo que deverão os mesmos serem chamados ao processo administrativo, como corresponsáveis pelo eventual débito; Fl. 41DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 25/03/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 30/03/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10768.004181/200114 Acórdão n.º 280101.468 S2TE01 Fl. 33 3 4.6) — Pelo exposto, visto não ser devida a cobrança em questão, requer seja a presente notificação arquivada por falta de amparo legal. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 2ª Turma DRJ Recife/PE, conforme Acórdão de fls. 17 a 20, julgou procedente o lançamento. Os fundamentos da decisão de primeira instância estão consubstanciados nas seguintes ementas: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1995 Ementa: DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário só se extingue após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PRESCRIÇÃO. As reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo suspendem a exigibilidade do crédito tributário, de acordo com o inciso III, art. 151, da Lei n°5.172/1966 (CTN). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. As provas devem ser apresentadas na forma e no tempo previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CONTRIBUINTE DO ITR. O Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título, de acordo com o art. 31, da Lei n°5.172/1966 (CTN). CONTRIBUIÇÃO SIND. EMPREGADOR. É empregador rural, quem, proprietário ou não e mesmo sem empregado, em regime de economia familiar, explore imóvel rural que lhe absorva toda a força de trabalho e lhe garanta a subsistência social e econômico em área igual ou superior à dimensão do módulo rural da respectiva região. Sendo esta lançada e cobrada dos empregadores rurais sobre o valor adotado para o lançamento do imposto territorial rural, quando o empregador não é organizado em empresa ou firma, de acordo com o Decretolei n° 1.166/1971. Lançamento Procedente RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Fl. 42DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 25/03/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 30/03/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL 4 Cientificado da decisão de primeira instância em 09/02/2007 (fls. 30), o contribuinte, por intermédio de representantes (Procuração às fls. 33), apresentou, em 13/03/2007, o Recurso de fls. 36 a 44, argumentando, em síntese, que se não ficou provado que o imóvel estava ocupado por posseiros é porque não foi aberta ao recorrente a oportunidade de apresentar suas provas adequadamente. Nesse contexto, o acórdão recorrido é nulo e outro deverá ser proferido após serem abertas vistas ao recorrente para a prova de suas alegações. Reitera todos os termos da impugnação. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 31, a saber, Termo de Encaminhamento de Processo emitido pelo então Terceiro Conselho de Contribuintes. É o Relatório. Voto Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Preliminarmente, no tocante à alegação de nulidade do acórdão recorrido porque não lhe teria sido proporcionado oportunidade para provar a ocupação do imóvel por posseiros, destaquese que, em conformidade com o disposto no artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, é ônus do contribuinte instruir a impugnação com todos os elementos de prova que possuir, sendo indeferido pedido de posterior juntada de provas quando não ocorra uma das hipóteses previstas em seu § 4º. Confirase o comando legal: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome endereço e qualificação profissional de seu perito; (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) (...) § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Fl. 43DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 25/03/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 30/03/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10768.004181/200114 Acórdão n.º 280101.468 S2TE01 Fl. 34 5 b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/97) § 5º. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/97) (grifos acrescidos) Diante dos dispositivos legais acima transcritos, além de não competir à autoridade julgadora suprir a inércia do contribuinte na instrução probatória de suas alegações, inexistindo, desse modo, a nulidade do acórdão recorrido, também não é caso de conceder ao interessado nova oportunidade para a juntada de provas, eis que, mesmo após a ciência do acórdão recorrido, o interessado não cuidou de instruir seu recurso voluntário com todos os elementos de prova de seus argumentos. Quanto à reapreciação dos argumentos da impugnação, relativamente à preliminar de decadência do direito de a Fazenda constituir o crédito tributário aqui em litígio, destaquese que a Notificação de Lançamento, exercício 1995, originariamente expedida encontrase às fls. 05 e traz como data de vencimento 30/09/1996. Ora, em 26/09/1996 (fls. 04), tempestivamente, tal Notificação foi objeto de Solicitação de Retificação de Lançamento, cujo resultado encontrase consubstanciado na Notificação de Lançamento de fls. 09, emitida em 04/04/2001. Cientificada do resultado da SRL, o interessado apresentou manifestação de inconformidade à DRJ, dando prosseguimento ao rito processual. Portanto, o lançamento ocorreu dentro do prazo decadencial, falecendo razão ao contribuinte quanto a este argumento. No tocante à alegação de prescrição, registrese que tal prazo sequer começou a fluir, eis que, até o presente momento, não houve a constituição definitiva do crédito tributário aqui em discussão. Por oportuno, destaquese que a Súmula CARF nº 11 estabelece que não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Outro tópico abordado na impugnação seria a ilegitimidade passiva do contribuinte, pois o imóvel estaria ocupado por posseiros. Ora, a titularidade passiva como contribuinte do ITR está prevista no art. 131 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 4° da Lei n° 9.393, de 1996 e art. 50 do Decreto 4.382, de 2002, que regulamenta: Contribuinte do ITR é o proprietário do imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou seu possuidor a qualquer título. Portanto, o contribuinte, na condição de proprietário do imóvel tem legitimidade para figurar no pólo passivo da obrigação tributária em discussão. Relativamente às exigências de contribuições rurais (Contribuição Sindical do Empregador e SENAR), como bem exposto no acórdão recorrido, essas foram feitas com estrita observância dos dispositivos legais que regem a matéria, motivo pelo qual ratifico os fundamentos do acórdão recorrido como razão de decidir. Fl. 44DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 25/03/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 30/03/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL 6 Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Fl. 45DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 25/03/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 30/03/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL
score : 1.0
Numero do processo: 10680.008734/2006-82
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. GLOSA. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A falta de comprovação, por documentos hábeis e idôneos, dos efetivos pagamentos por serviços médicos enseja a manutenção dos valores glosados, posto que todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 2801-001.615
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO DE PÁDUA ATHAYDE MAGALHÃES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. GLOSA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação, por documentos hábeis e idôneos, dos efetivos pagamentos por serviços médicos enseja a manutenção dos valores glosados, posto que todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Recurso Negado.
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DEDUÇÃO. GLOSA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação, por documentos hábeis e idôneos, dos efetivos pagamentos por serviços médicos enseja a manutenção dos valores glosados, posto que todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Relatório Fl. 72DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Assinado digitalmente em 22/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10680.008734/200682 Acórdão n.º 280101.615 S2TE01 Fl. 62 2 Trata o presente processo de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física em que está o Fisco a exigir do recorrente o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 15.762,54, sendo R$ 6.410,41 a título de imposto suplementar, R$ 4.807,80 de multa de oficio, e R$ 4.544,33 de juros de mora calculados até o mês de abril de 2006. A exigência fiscal decorreu da revisão efetuada na declaração de ajuste anual apresentada pelo contribuinte referente ao exercício 2002, anocalendário 2001, por meio da qual se constatou infração ao disposto no art. 8°, inciso II, alínea “a” e § 2° da Lei nº 9.250/95, e arts. 43 a 48 da Instrução Normativa da SRF nº 15/2001 (glosa de despesas médicas). Cientificado da exigência fiscal em 21/07/2006, conforme AR – Aviso de Recebimento à fl. 42, o contribuinte apresentou tempestivamente sua impugnação, às fls. 01/02, anexando ao processo a documentação às fls. 03/33, e com as seguintes alegações: em setembro de 2005 recebeu o Termo de Intimação para apresentar originais e cópias dos documentos que comprovassem os efetivos pagamentos prestados pelos profissional Celso Guilherme Ferreira (dentista), Teresa Cristina D'Avila 0 Alves ( dentista), Prisca A. Vilaça da Silva Cruz ( dentista), Maria da Graça Avelino (psicóloga) e da Clinica geriátrica José Eduardo Faria S.C (medicina ortomolecular), faltando somente os documentos desta última clinica para os devidos fins de comprovação, A exceção deste último documento citado, todos os demais foram apresentados à servidora Simone Seldmaier cujo recebimento ocorreu em 21/10/2005. Alega que a referida servidora solicitou que se possível fosse apresentado fotocópias de cheques emitidos, quando reafirmei que na época trabalhava na Federação Mineira de Futebol e recebia em espécie por advir o numerário das rendas dos diversos jogos, motivo pelo qual não fazia os pagamentos em cheques; diz que a servidora anotou em sua via de forma genérica que não foram apresentados os comprovantes de efetivo pagamento das despesas médicas. Nesta data solicitou prorrogação de prazo para a apresentação do documento que faltava o qual foi concedido ate 18 de novembro de 2005; alega ter se indignado com o recebimento do Auto de Infração uma vez que atendeu As solicitações, apresentando a documentação pedida e a Declaração do Dr. José Eduardo Lopes de Faria. A indignação e revolta devese ao fato de ter constado no Auto que as despesas médicas foram indevidamente deduzidas e que o contribuinte não havia comparecido para comproválas, apesar da dilação de prazo, falível esse raciocínio e equivocada a autuação; aduz que ao pesquisar os fatos foi informado por um profissional da área contábil que pelo fato da servidora Simone Seldmaier ter dito genericamente "despesas médicas" ela deixa subentendido que não se tratava apenas do recibo da Clinica, mas de todos os profissionais citados no termo de intimação. Argumenta, ainda, que "a equivocada fiscalização da servidora gera a injusta autuação, pois, tal postura baseouse em um erro Fl. 73DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Assinado digitalmente em 22/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10680.008734/200682 Acórdão n.º 280101.615 S2TE01 Fl. 63 3 ou em procedimento duvidoso e até mesmo malicioso na apuração dos lamentáveis fatos, merecendo inclusive as repreensões e advertências administrativas quanto aos fatos"; ressalta que na qualidade de contribuinte cumpriu as exigências fiscais e espera que a própria Receita Federal faça o cruzamento de dados e verifique os profissionais envolvidos confirmando os atendimentos através de suas escrituras, recebimentos e outros meios cabíveis. Observa que os profissionais já forneceram os recibos e anteciparam, tempestivamente, as informações fornecendo relatórios de atendimento quer seja mensal ou continuamente e, ainda, discriminaram a realização de exames e avaliações; afirma ser improcedente a autuação, pois todos os pagamentos foram efetuados, devidamente comprovados e entregues, bem como são acostados inclusive os relatórios de todos os profissionais citados. Ao apreciar a impugnação, a 7a Turma de Julgamento da DRJ/Belo Horizonte(MG) decidiu, por unanimidade de votos, considerar improcedente a impugnação, mantendo a exigência do crédito tributário, nos termos do Acórdão DRJ/BHE nº 0223.223, de 04/08/2009, às fls. 45/50, cujas ementas encontramse a seguir transcritas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF. Exercício: 2002 DESPESAS MEDICAS. Somente são dedutíveis quando comprovada a efetiva prestação dos serviços médicos e a vinculação do pagamento ao serviço prestado. Com a ciência da decisão de primeira instância ocorrendo em 13/11/2009, nos termos do AR – Aviso de Recebimento à fl. 53, o contribuinte interpôs em 10/12/2009 o Recurso Voluntário às fls. 56/58, sustentando que todos os pagamentos das despesas médicas questionadas foram realizados de forma parcelada e em dinheiro, compatível com o recebimento de uma das fontes do contribuinte, ou seja, valores recebidos em espécie de uma de suas fontes pagadoras, não havendo norma que disponha acerca da obrigatoriedade de o contribuinte, para realização de qualquer pagamento, ter que recolher o numerário primeiramente as instituições bancárias, para simplesmente corroborar com a convicção do Fisco. Em 29/12/2009, por meio do despacho à fl. 60, a unidade de origem encaminhou o presente processo a este E. Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. Fl. 74DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Assinado digitalmente em 22/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10680.008734/200682 Acórdão n.º 280101.615 S2TE01 Fl. 64 4 O recurso foi tempestivamente apresentado, preenchendo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Segundo consta dos autos, a glosa de despesas médicas ocorreu sob as determinações restritivas contidas no artigo 8°, inciso II, alínea “a”, e § 2o, da Lei n° 9.250, de 1995, com a regulamentação estabelecida pelos artigos 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n° 15, de 2001. O artigo 8° da Lei n° 9.250, de 1995, assim dispõe: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: II das deduções relativas. a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (....) § 2° O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (destaque nosso) Em sua defesa, o contribuinte se insurge contra a exigência, por parte da autoridade lançadora, de elementos de prova complementares aos recibos e declarações por ele apresentados para validação das despesas médicas que foram glosadas. No entanto, como se pode observar do dispositivo legal acima destacado, todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade fiscal. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Assinado digitalmente em 22/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10680.008734/200682 Acórdão n.º 280101.615 S2TE01 Fl. 65 5 No caso em exame, observase que o contribuinte pleiteou em sua declaração de rendimentos do exercício 2002, anocalendário 2001 (doc. às fls. 39/41 dos autos) deduções elevadas com despesas médicas (R$ 28.107,12) que alcançam o percentual de 41,38% em relação aos rendimentos declarados no período (no total de R$ 67.922,46, quando somados os rendimentos tributáveis, isentos e nãotributáveis, e sujeitos à tributação exclusiva). Portanto, as deduções são expressivas e cabe ao fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, que se infere da interpretação do art. 11, § 4°, do DecretoLei n° 5.844, de 1943. A dedutibilidade de despesas médicas na declaração do contribuinte está, assim, condicionada à comprovação hábil e idônea dos pagamentos efetuados. E neste caso, a contribuinte limitouse a apresentar declarações e recibos (fls. 05/33), desacompanhados de qualquer documentação hábil e idônea a comprovar a efetividade dos correspondentes pagamentos. De fato, a legislação não veda o pagamento em espécie, como bem ressalvou o recorrente. Ocorre que também não são suficientes simples recibos e declarações particulares para comprovar despesas médicas elevadas, que necessitam, para seu diagnóstico e tratamento, de realização de exames, radiografias, consultas, etc. Sobre o assunto, destaquese o disposto no artigo 368 do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 368. As declarações constantes do documento particular, escrito e assinado, ou somente assinado, presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência, relativa a determinado fato, o documento particular prova a declaração, mas não o fato declarado, competindo ao interessado em sua veracidade o ônus de provar o fato. Também é equivocado entender que o inciso III do § 2° do art. 8° da Lei 9.250, de 1995, reproduzido no inciso III do § 1° do art. 80 do RIR/1999, apenas exige que o recibo tenha o nome, endereço e número do CPF ou CNPJ de quem prestou o serviço. Esta não é a correta interpretação do dispositivo. A indicação referese aos dados que devem constar na declaração de ajuste. Dados estes baseados na documentação. Entretanto, a tônica do dispositivo é a especificação e comprovação dos pagamentos. Tanto que admite o cheque nominativo como documento comprobatório, por ser prova cabal de transferência de numerários entre pessoas, quando dúvidas razoáveis acudirem ao fisco, pois essa prestação é o substrato material a dar guarida à dedução, consoante os dispositivos legais referidos. Portanto, como já ressaltado, documentos de natureza particular, por si sós, podem não ser suficientes para a comprovação do efetivo pagamento das despesas. Assim, tomo por consistente a manutenção da glosa a título de despesas médicas, formando, deste modo, convencimento de que a exigência fiscal deve mesmo prevalecer, como destacado no acórdão recorrido. Face ao exposto, VOTO em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 76DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Assinado digitalmente em 22/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10680.008734/200682 Acórdão n.º 280101.615 S2TE01 Fl. 66 6 Fl. 77DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Assinado digitalmente em 22/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.010807/2006-15
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2003
RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO.
Os rendimentos recebidos pelos anistiados políticos, nos termos da Lei nº 10.559, de 2002, são isentos do imposto de renda a partir de 29 de agosto de 2002.
RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO.
A isenção do imposto de renda dos rendimentos relacionados § 1º do art. 1º do Decreto nº 4.897/03 não está condicionada a prévio requerimento de substituição do pagamento daqueles rendimentos pelo regime de prestação mensal, permanente e continuada, instituído pela Lei nº 10.559/2002.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2801-001.600
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento o montante de R$ 22.469,12, correspondente aos rendimentos recebidos nos meses de setembro a dezembro de 2002.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCÃO LIMA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO. Os rendimentos recebidos pelos anistiados políticos, nos termos da Lei nº 10.559, de 2002, são isentos do imposto de renda a partir de 29 de agosto de 2002. RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO. A isenção do imposto de renda dos rendimentos relacionados § 1º do art. 1º do Decreto nº 4.897/03 não está condicionada a prévio requerimento de substituição do pagamento daqueles rendimentos pelo regime de prestação mensal, permanente e continuada, instituído pela Lei nº 10.559/2002. Recurso parcialmente provido.
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ISENÇÃO. Os rendimentos recebidos pelos anistiados políticos, nos termos da Lei nº 10.559, de 2002, são isentos do imposto de renda a partir de 29 de agosto de 2002. RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO. A isenção do imposto de renda dos rendimentos relacionados § 1º do art. 1º do Decreto nº 4.897/03 não está condicionada a prévio requerimento de substituição do pagamento daqueles rendimentos pelo regime de prestação mensal, permanente e continuada, instituído pela Lei nº 10.559/2002. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento o montante de R$ 22.469,12, correspondente aos rendimentos recebidos nos meses de setembro a dezembro de 2002. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Fl. 104DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 23/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 23/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10166.010807/200615 Acórdão n.º 2801001.600 S2TE01 Fl. 101 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcão Lima, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, e Sandro Machado dos Reis. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 07/11, tendo sido constatada a seguinte infração, conforme descrição dos fatos contida no respectivo auto: Rendimentos indevidamente considerados como isentos. O contribuinte pleiteia isenção do imposto de renda desde 29/08/2002, nos termos do disposto no parágrafo único do art. segundo do Decreto número 4.897/2003, entanto, o mesmo não apresentou documento comprobatório da substituição de regime a que alude o art. 19, caput, da Lei 10.559/2002, acompanhada de ato do Ministro da Justiça declarando anistiado, nos termos da referida Lei. Esta documentação é fundamental para a devolução do imposto de renda retido na fonte, conforme art. 2o., parágrafo único do Decreto número 4.897 de 25 de novembro de 2003. Os respectivos rendimentos foram recebidos da Polícia Civil do Distrito Federal e o lançamento resultou em um imposto suplementar de R$ 6.490,57 mais acréscimos legais. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/02, acatada como tempestiva, alegando, em síntese, conforme relatório do acórdão de primeira instância, que: recebeu anistia política da Comissão Geral de Anistia do Distrito Federal, sendo reintegrado ao quadro daquela Polícia Civil e, depois de cumprir mais de 35 anos no serviço público, aposentouse no cargo de Agente de Polícia. Entende que, na forma do Decreto nº 4.897/2003, que regulamenta a Lei nº 10.559/2002, sobretudo o parágrafo único do art. 9º, os rendimentos recebidos na qualidade de anistiado político devem ser isentos do imposto de renda. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Embora tenha reconhecido que os rendimentos lançados no auto de infração gozam da isenção prevista no art. 19, parágrafo único, da Lei nº 10.559/2002, a DRJBrasília julgou procedente o lançamento (fls. 75/79), por considerar que o presente caso trata de pedido de restituição do imposto de renda retido na fonte antes da publicação do Decreto nº Fl. 105DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 23/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 23/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10166.010807/200615 Acórdão n.º 2801001.600 S2TE01 Fl. 102 3 4.897/2003, e que, de acordo com o parágrafo único do art. 2º daquela norma, tal restituição somente poderá ser efetivada após a substituição do regime prevista na Lei nº 10.559/2002, e que essa providência não foi levada a efeito pelo sujeito passivo, conforme se depreende dos autos. Além dos dispositivos legais citados, a decisão fundamentouse nas Soluções de Consulta nº 223/2004, da Disit 10, e nº 21/2005, da Disit 01. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 06/12/07, fls. 84, o contribuinte apresentou, em 04/01/08, o Recurso de fls. 85/86, juntamente com os documentos de fls. 87/97, em que alega o seguinte: a) requereu a restituição do imposto de renda retido na fonte dos valores correspondentes ao período relativo à isenção do referido tributo estabelecida pela Lei nº 10.559/2002 conforme orientação verbal da DRF/Brasília; b) em 24/11/06 foi surpreendido com o auto de infração em discussão devido a não apresentação do documento comprobatório da substituição de regime a que alude o art. 19, caput da Lei nº 10.559/2002, acompanhada de ato do Ministro da Justiça declarandoo anistiado, nos termos da referida Lei; c) foi declarado anistiado pela Comissão Geral de Anistia do Distrito Federal CGADF em 22 de maio de, 1998, com publicação no Diário Oficial do DF em 14/12/1998, e em junho de 1999 foi aposentado no cargo de Agente de Polícia Civil – Classe Especial; d) por ter sido anistiado pelo Governo do Distrito Federal, reintegrado à Polícia Civil do DF e aposentado, pertencente ao quadro de inativos daquela corporação, sem que houvesse qualquer mudança ou substituição de regime na sua aposentadoria, entende ser improcedente o referido Auto de Infração. Diante do exposto acima requer o acolhimento do recurso para cancelar o débito fiscal em questão. É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. É importante destacar, inicialmente, que a infração que foi objeto do lançamento e que está sendo questionada no recurso apresentado diz respeito à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, e deve ser analisada sob esta ótica. Com a devida Fl. 106DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 23/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 23/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10166.010807/200615 Acórdão n.º 2801001.600 S2TE01 Fl. 103 4 venia dos nobres julgadores da 3ª Turma da DRJ em Brasília, entendo que o caso não pode ser apreciado como se tratasse de um pedido de restituição de imposto de renda retido na fonte, como foi analisado por aquele órgão julgador. Para que o julgamento ocorresse dessa forma o lançamento deveria ter originado de glosa de imposto de renda retido na fonte declarado indevidamente e não omissão de rendimentos. Por conseguinte, para a tomada de decisão acerca da procedência da autuação resta saber se os rendimentos considerados como omitidos estão alcançados pela isenção reclamada pelo recorrente ou não. É o que veremos a seguir. A isenção do imposto de renda dos valores pagos a título de indenização a anistiados políticos foi estabelecida pelo parágrafo único do art. 9º da Lei nº 10.559, de 13/11/02, abaixo reproduzido: Lei nº 10.559, de 13/11/02 Art. 9o Os valores pagos por anistia não poderão ser objeto de contribuição ao INSS, a caixas de assistência ou fundos de pensão ou previdência, nem objeto de ressarcimento por estes de suas responsabilidades estatutárias. Parágrafo único. Os valores pagos a título de indenização a anistiados políticos são isentos do Imposto de Renda. (Regulamento) Para fins de regulamentação dessa isenção foi editado o Decreto nº 4.897, de 25/11/03, cuja íntegra é a seguinte: O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto no parágrafo único do art. 9o da Lei no 10.559, de 13 de novembro de 2002, DECRETA: Art. 1o Os valores pagos a título de indenização a anistiados políticos são isentos do Imposto de Renda, nos termos do parágrafo único do art. 9o da Lei no 10.559, de 13 de novembro de 2002. § 1o O disposto no caput inclui as aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza pagos aos já anistiados políticos, civis ou militares, nos termos do art. 19 da Lei no 10.559, de 2002. § 2o Caso seja indeferida a substituição de regime prevista no art. 19 da Lei no 10.559, de 2002, a fonte pagadora deverá efetuar a retenção retroativa do imposto devido até o total pagamento do valor pendente, observado o limite de trinta por cento do valor líquido da aposentadoria ou pensão. Fl. 107DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 23/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 23/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10166.010807/200615 Acórdão n.º 2801001.600 S2TE01 Fl. 104 5 Art. 2o O disposto neste Decreto produz efeitos a partir de 29 de agosto de 2002, nos termos do art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. Parágrafo único. Eventual restituição do Imposto de Renda já pago até a publicação deste Decreto efetivarseá após deferimento da substituição de regime prevista no art. 19 da Lei no 10.559, de 2002. Art. 3o A Secretaria da Receita Federal poderá editar normas complementares a este Decreto. Art. 4º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Convém ressaltar que a isenção abrange as aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza, desde que pagos aos já anistiados políticos, civis ou militares, conforme dispõe o § 1º do art. 1º do Decreto nº 4.897/03. O art. 2o da Lei no 10.559/02, abaixo transcrito, estabelece quem são declarados anistiados políticos: Lei n o 10.559/02 Art. 2o São declarados anistiados políticos aqueles que, no período de 18 de setembro de 1946 até 5 de outubro de 1988, por motivação exclusivamente política, foram: I atingidos por atos institucionais ou complementares, ou de exceção na plena abrangência do termo; II punidos com transferência para localidade diversa daquela onde exerciam suas atividades profissionais, impondose mudanças de local de residência; III punidos com perda de comissões já incorporadas ao contrato de trabalho ou inerentes às suas carreiras administrativas; IV compelidos ao afastamento da atividade profissional remunerada, para acompanhar o cônjuge; V impedidos de exercer, na vida civil, atividade profissional específica em decorrência das Portarias Reservadas do Ministério da Aeronáutica no S50GM5, de 19 de junho de 1964, e no S285GM5; VI punidos, demitidos ou compelidos ao afastamento das atividades remuneradas que exerciam, bem como impedidos de exercer atividades profissionais em virtude de pressões ostensivas ou expedientes oficiais sigilosos, sendo trabalhadores do setor privado ou dirigentes e representantes sindicais, nos termos do § 2o do art. 8o do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; Fl. 108DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 23/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 23/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10166.010807/200615 Acórdão n.º 2801001.600 S2TE01 Fl. 105 6 VII punidos com fundamento em atos de exceção, institucionais ou complementares, ou sofreram punição disciplinar, sendo estudantes; VIII abrangidos pelo Decreto Legislativo no 18, de 15 de dezembro de 1961, e pelo DecretoLei no 864, de 12 de setembro de 1969; IX demitidos, sendo servidores públicos civis e empregados em todos os níveis de governo ou em suas fundações públicas, empresas públicas ou empresas mistas ou sob controle estatal, exceto nos Comandos militares no que se refere ao disposto no § 5o do art. 8o do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; X punidos com a cassação da aposentadoria ou disponibilidade; XI desligados, licenciados, expulsos ou de qualquer forma compelidos ao afastamento de suas atividades remuneradas, ainda que com fundamento na legislação comum, ou decorrentes de expedientes oficiais sigilosos. XII punidos com a transferência para a reserva remunerada, reformados, ou, já na condição de inativos, com perda de proventos, por atos de exceção, institucionais ou complementares, na plena abrangência do termo; XIII compelidos a exercer gratuitamente mandato eletivo de vereador, por força de atos institucionais; XIV punidos com a cassação de seus mandatos eletivos nos Poderes Legislativo ou Executivo, em todos os níveis de governo; XV na condição de servidores públicos civis ou empregados em todos os níveis de governo ou de suas fundações, empresas públicas ou de economia mista ou sob controle estatal, punidos ou demitidos por interrupção de atividades profissionais, em decorrência de decisão de trabalhadores; XVI sendo servidores públicos, punidos com demissão ou afastamento, e que não requereram retorno ou reversão à atividade, no prazo que transcorreu de 28 de agosto de 1979 a 26 de dezembro do mesmo ano, ou tiveram seu pedido indeferido, arquivado ou não conhecido e tampouco foram considerados aposentados, transferidos para a reserva ou reformados; XVII impedidos de tomar posse ou de entrar em exercício de cargo público, nos Poderes Judiciário, Legislativo ou Executivo, em todos os níveis, tendo sido válido o concurso. Fl. 109DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 23/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 23/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10166.010807/200615 Acórdão n.º 2801001.600 S2TE01 Fl. 106 7 § 1o No caso previsto no inciso XIII, o período de mandato exercido gratuitamente contase apenas para efeito de aposentadoria no serviço público e de previdência social. § 2o Fica assegurado o direito de requerer a correspondente declaração aos sucessores ou dependentes daquele que seria beneficiário da condição de anistiado político. O art. 19 da Lei no 10.559, de 2002 (transcrito abaixo), citado no § 2o do art. 1o do citado Decreto, dispõe sobre a continuidade do pagamento de aposentadoria ou pensão excepcional relativa aos já anistiados políticos até a sua substituição pelo regime de prestação mensal, permanente e continuada: Lei no 10.559, de 2002 Art. 19. O pagamento de aposentadoria ou pensão excepcional relativa aos já anistiados políticos , que vem sendo efetuado pelo INSS e demais entidades públicas, bem como por empresas, mediante convênio com o referido instituto, será mantido, sem solução de continuidade, até a sua substituição pelo regime de prestação mensal, permanente e continuada, instituído por esta Lei, obedecido o que determina o art. 11. O parágrafo único do art. 2º do Decreto nº 4.897/03 determina que, se a substituição de que trata o art. 19 for indeferida, a fonte pagadora deverá efetuar a retenção retroativa do imposto devido até o total pagamento do valor pendente, observado o limite de trinta por cento do valor líquido da aposentadoria ou pensão. Entretanto, em nenhum momento, o legislador estabeleceu que a isenção do imposto de renda dos rendimentos relacionados § 1º do art. 1º do Decreto nº 4.897/03 estaria condicionada a prévio requerimento de substituição do pagamento daqueles rendimentos pelo regime de prestação mensal, permanente e continuada, instituído pela Lei no 10.559/2002. De acordo com o documento de fls. 04 o recorrente teve seu pedido de anistia deferido em 22/05/98 pela Comissão Geral de Anistia do Distrito Federal, instituída pelo Decreto no 11.456, de 20/02/89, e, como pode ser constatado pelo Ofício no 072 (fls. 58), de 01/03/99, expedido pela Polícia Civil do Distrito Federal, o contribuinte foi reintegrado ao cargo de Agente de Polícia naquela data (cópia do respectivo Diário Oficial do DF às fls. 70), estando em 2002 na condição de aposentado, conforme doc. de fls. 55. Por conseguinte não restam dúvidas que os rendimentos recebidos pelo contribuinte da fonte pagadora Polícia Civil do Distrito Federal a partir de 29/08/02 são isentos do imposto de renda, por estarem enquadrados no art. 1o, § 1º, do Decreto nº 4.897/03. Não obstante o acima exposto, cumpre informar que o recorrente considerou como isentos os rendimentos recebidos da Polícia Civil do Distrito Federal nos meses de setembro a dezembro de 2002 que, segundo seus cálculos, totalizou um montante de R$ 23.602,08. Todavia, verificando a DIRF encaminhada pela respectiva fonte pagadora à Receita Federal (fls. 31 e 48), constatase que o montante dos rendimentos recebidos naqueles meses corresponde a R$ 22.469,12, logo são esses rendimentos que gozam da isenção em discussão. Vale dizer que o recorrente declarou como rendimentos tributáveis, auferidos da citada fonte Fl. 110DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 23/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 23/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10166.010807/200615 Acórdão n.º 2801001.600 S2TE01 Fl. 107 8 pagadora, em sua declaração de ajuste anual retificadora (fls. 28) o montante de R$ 45.812,62, sendo que o correto é R$ 46.945,58, conforme somatório dos valores recebidos nos meses de janeiro a agosto de 2002, discriminados na DIRF de fls. 31 e 48, o que representa uma diferença de R$ 1.132,96. Este valor corresponde exatamente à diferença entre os valores de R$ 23.602,08 e R$ 22.469,12, acima citados. Por tais razões, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir do lançamento o montante de R$ 22.469,12, correspondente aos rendimentos recebidos nos meses de setembro a dezembro de 2002. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima – Relator Fl. 111DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 23/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 23/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL
score : 1.0
Numero do processo: 10845.004659/2002-27
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Exercício: 2002
IRPF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
Estando o contribuinte obrigado a apresentar a Declaração de Ajuste Anual do IRPF, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória.
IRPF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
VALOR ABUSIVO. A alegação de que o valor da multa aplicada é abusivo, por se tratar de matéria que envolve questionamento acerca da constitucionalidade de norma, não é passível de apreciação pelo CARF, por este órgão não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula CARF nº 2.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2801-001.539
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto infração - multa por atraso na entrega da DIRPF
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCÃO LIMA
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. Estando o contribuinte obrigado a apresentar a Declaração de Ajuste Anual do IRPF, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. IRPF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. VALOR ABUSIVO. A alegação de que o valor da multa aplicada é abusivo, por se tratar de matéria que envolve questionamento acerca da constitucionalidade de norma, não é passível de apreciação pelo CARF, por este órgão não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula CARF nº 2. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Fl. 87DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 26/04/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 26/04/2011 por AMARYLLES REINAL DI E HENRIQUES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar, Walter Reinaldo Falcão Lima, Sandro Machado dos Reis. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 02, referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual – DAA do IRPF do exercício 2002, anocalendário 2001, no valor de R$ 165,74. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01, acatada como tempestiva, alegando que, na ocasião, estava efetuando sua mudança domiciliar do estado do Rio de Janeiro para o estado de São Paulo e, por isso, não conseguiu entregar a respectiva DAA dentro do prazo. Sustentou, ainda, estar na categoria de contribuinte sem imposto a pagar e, por conseguinte, entende não ter causado qualquer prejuízo aos cofres públicos que justifique a imposição da multa em questão. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A DRJSão PauloII julgou procedente o lançamento (fls. 28/30), com base no art. 88 da Lei nº 8.981/95, em virtude de o contribuinte ter apresentado a DAA com atraso, sendo que estava obrigado a apresentála por ter participação societária na empresa Russanga Bar e Lanchonete Ltda ME em 2001, incorrendo na hipótese de obrigatoriedade de entrega da declaração prevista no inciso III do art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 110, de 28/12/01. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 23/10/03, fls. 34, o contribuinte apresentou, em 06/11/03, o Recurso de fls. 35/36, reiterando os mesmos argumentos expostos na impugnação, além de alegar que a multa aplicada foi abusiva por representar 28,5% de seus vencimentos mensais, requerendo, ao final, seu cancelamento. Por meio da Resolução nº 10202.229 (fls. 42/44) o julgamento deste processo foi convertido em diligência para fins de esclarecimento acerca da participação do contribuinte na sociedade, com o envio dos autos a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária do Rio de Janeiro. Às fls. 54/85 foram juntadas cópias do contrato social da referida pessoa jurídica e das alterações contratuais realizadas, documentos que foram fornecidos pela Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro. Diante do exposto acima os autos foram devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento, tendo sido sorteado para este Conselheiro. É o Relatório. Voto Fl. 88DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 26/04/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 26/04/2011 por AMARYLLES REINAL DI E HENRIQUES Processo nº 10845.004659/200227 Acórdão n.º 280101.539 S2TE01 Fl. 88 3 Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A Instrução Normativa SRF nº 110, de 28/12/01 dispõe em seu art. 1º, inciso III, que a pessoa física que participou do quadro societário de empresa, como titular ou sócio, no anocalendário de 2001, está obrigada a apresentar a DAA relativa ao exercício de 2002. De acordo com a alteração contratual de fls. 67/71 o contribuinte ingressou como sócio da pessoa jurídica Russanga Bar e Lanchonete Ltda ME em dezembro de 1990 e desligouse da citada sociedade por intermédio da alteração contratual datada de 30/11/01 (fls. 77/80) e registrada em 05/12/01 na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro, cedendo e transferindo a totalidade de suas cotas. É importante destacar que o inciso III do art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 110 não exige que o contribuinte esteja participando do quadro societário de pessoa jurídica em 31/12/01 para que seja obrigado a apresentar a aludida DAA, mas tãosomente que tal participação tenha ocorrido durante o ano de 2001, como se trata o presente caso. Convém ressaltar que o recorrente sequer contestou esse fato em seu recurso. Assim, como restou comprovado que o recorrente participou do quadro societário da empresa Russanga Bar e Lanchonete Ltda ME no anocalendário de 2001, estava obrigado a apresentar a DAA relativa ao exercício de 2002 e, como não o fez dentro do prazo legal, correta a aplicação da multa por atraso na entrega em discussão, nos termos do art. 88 da Lei n° 8.981/95. Cumpre informar que alegações de ausência de culpa e de não ter agido com má fé não têm o condão de modificar o lançamento nesse caso. Vale lembrar que, de acordo com o disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente. Por fim não cabe a este Colegiado apreciar alegação de que o valor da multa aplicada é abusivo, por se tratar de matéria que envolve o questionamento de constitucionalidade de norma e, nos termos da Súmula CARF nº 2, este órgão não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto acima NEGO PROVIMENTO ao recurso. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima – Relator Fl. 89DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 26/04/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 26/04/2011 por AMARYLLES REINAL DI E HENRIQUES 4 Fl. 90DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 26/04/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 26/04/2011 por AMARYLLES REINAL DI E HENRIQUES
score : 1.0
Numero do processo: 11128.000665/00-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 05/04/1999
Processo de consulta - eficácia - nulidade.
A consulta formulada tempestivamente, ainda que eficaz, não atinge fatos concretos ou hipóteses estranhas à matéria submetida a consulta, não cabendo alegar nulidade do lançamento tributário em face do descumprimento de norma legal.
Embarcações estrangeiras. Mercadorias doadas ou vendidas a bordo.
Cabe a tributação das mercadorias existentes a bordo de embarcação estrangeira , vendidas ou doadas a titulo de brinde a passageiros ou terceiras pessoas. Descabe a tributação se consumidas a bordo, sendo nesta parte improcedente o lançamento, bem como na hipótese de tributação bis-in-idem.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3101-000.117
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Auto de Infração, por ter sido lavrado antes da decisão que declarou a consulta ineficaz. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da exigência os valores previamente pagos, bem como, a tributação incidente sobre as mercadorias consumidas a bordo.
Nome do relator: JOÃO LUIZ FREGONAZZI
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A consulta formulada tempestivamente, ainda que eficaz, não atinge fatos concretos ou hipóteses estranhas à matéria submetida a consulta, não cabendo alegar nulidade do lançamento tributário em face do descumprimento de norma legal. Embarcações estrangeiras. Mercadorias doadas ou vendidas a bordo. Cabe a tributação das mercadorias existentes a bordo de embarcação estrangeira , vendidas ou doadas a titulo de brinde a passageiros ou terceiras pessoas. Descabe a tributação se consumidas a bordo, sendo nesta parte improcedente o lançamento, bem como na hipótese de tributação bis-in-idem, Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Auto de Infração, por ter sido lavrado antes da decisão que declarou a consulta ineficaz. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da exigência os valores previamente pagos, bem como, a tributação incidente sobre as mercadorias consumidas a bordo. l""rult:'4-'efit-Pinheiro Toms - P esidente ,,- . João Lui y ego-n4z: - lator i 1 EDITADO EM 22/07/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, João Luiz Fregonazzi, Rodrigo Cardozo Miranda, Valdete Aparecida Marinheiro, Tarásio Campeio Borges e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão DRJ/SPOII n." 01119, de 08 de maio de 2003, da 1,a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento consubstanciado no auto de infração de fls. 01 e seguintes, para exigência do crédito tributário correspondente aos impostos de importação e sobre produtos industrializados vinculado à importação, multa de oficio relativa ao II e ao IPI, no percentual de 75%, e juros de mora. Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da autoridade julgadora de primeira instância, abaixo transcrito. A empresa supracitada submeteu a despacho aduaneiro as mercadorias constantes na Declaração Simplificada de Importação DSI n" 099/100,070 (Navio Costa Alle.gra), registrada em 02/03/99, cópia de fls.. 19 e 20, recolhendo o Imposto de Importação e o IPI vinculado. Entretanto, em ato de revisão aduaneira, a autoridade .fiscal constatou a falta de recolhimento do Imposto sobre a Importação —II e do Imposto sobre Produtos Industrializados- IPI em decorrência da aplicação de alíquotas incorretas às mercadorias declaradas, conforme planilha anexas que instruem e fazem parte do presente processo e a constatação de falta de recolhimento do II e do IPI sobre as mercadorias declaradas "para uso ou free" e pela utilização "no revenue", Em consequência foi lavrado o presente auto de infração,fls. 01 a 17, formalizando a exigência do recolhimento do II e do IPI, bem como seus acréscimos legais, em decorrência da diferença de tributos apurada. Devidamente cientificada, a interessada apresentou impugnação, às 17.5. 29 a 46, alegando preliminarmente e em síntese o que se segue: É pessoa juridica que tem como atividade principal a realização de cruzeiros marítimos nacionais (navegação de cabotagem), com fins turísticos, em navios próprios ou arrendados, bem como a exploração do ramo de agência de viagens e turismo; É subsidiária da empresa italiana Costa Crociere, sendo responsável pela operação dos navios do grupo, que vêm à costa brasileira para realizar cruzeiros marítimos; 2 Processo n" 11128 000665/00-40 S3-C1T1 Acórdão n 0310100117 Fl 269 Durante o percurso do navio são colocados à disposição dos passageiros a bordo, produtos que são comercializados em loja de conveniência, bares, restaurantes e instalações semelhantes.. Além dos citados, outras mercadorias são utilizadas no âmbito da prestação de serviços; De acordo com a legislação vigente, deverão ser calculados e pagos os impostos e contribuições federais devidos, decorrentes das vendas desenvolvidas a bordo do navio ou a ele relacionados, no período em que permanecer em operação de cabotagem em águas brasileiras; A impugnante procedeu ao recolhimento do referido tributo nos valores de 3.466,10 (três mil, quatrocentos e sessenta e seis reais e dez centavos) de Imposto sobre produtos Industrializados e R$ 2.465,52 (dois mil, quatrocentos e sessenta e cinco reais e cinqüenta e dois centavos) de Imposto de Importação; Antes da lavratura do auto de infração a impugnante já havia adotado providências que comprometem a validade do auto de infração.: .formulou consulta sobre a aplicação da Instrução Normativa n." 137/98, e pagou diferenças de impostos relativas a mesma DSI, fato este completamente ignorado pela .fiscalização; Desse modo, a interessada foi ,surpreendida com a lavratura do auto de infração, no qual foram lançados valores correspondentes ao Imposto de Importação e ao IPI vinculado, peifazendo o crédito tributário de R$ 34..536,98 (trinta e quatro mil, quinhentos e trinta e seis reais e noventa e oito centavos); No entanto, a requerente formulou consulta à Administração no que tange à forma de apuração dos referidos impostos face ao disposto na Instrução Normativa SRF n"I.37/98; Desta forma, por haver consulta ainda pendente de apreciação, a impugnante não poderia ser autuada; A requerente apresentou em 29/12/98, junto à Delegacia da Receita Federal em Santos, consulta sobre a interpretação e aplicação da referida norma; Até a presente data, a impagnante não obteve resposta a consulta formulada, fato este que, em consonância com o artigo 48 do Decreto n. 70.235/72 e com jurisprudência predominante, impede que seja lavrado o Auto de Infração, É nulo o lançamento com base em argumento sobre matéria que está sob consulta; A impugnante encontra-se resguardada no seu direito de não ser autuada, uma vez que há consulta formulada pendente de apreciação por Autoridade Fiscal; Segundo se depreende da descrição dos .fatos, os motivos da autuação foram: (1) a aplicação de aliquota incoreta em relação ao Imposto de Importação — II, (ii) utilização de taxa de conversão diferente daquela aplicável na data do registro da /1" 3 DS1, e (iii) falta de recolhimento do II e do IPI sobre as mercadorias infbrmadas como 'para uso ou .fi've" e utilização em "no revenue"; Conforme demonstrativo, do total lançado pode identificar que no caso do Imposto de Importação, R$ 428,17 (quatrocentos e vinte e oito reais e dezessete centavos), referem-se ao ajuste de aliquota e da taxa de conversão e R$ 4.133,14 (quatro mil, cento e trinta e três reais e quatorze centavos) seriam referentes às mercadorias 'Para uso ou fiee" e utilização em "no revenue". Já no caso do Imposto sobre Produtos Industrializados os valores são respectivamente R$ 6 746,64 (seis mil setecentos e quarenta e seis reais e sessenta e quatro reais) e R$ 6.930,75 (seis mil, novecentos e trinta reais e setenta e cinco centavos); Deve se destaca, que no demonstrativo efetuado os produtos descritos como "não identificados" referem-se as mercadorias 'Para uso ou .free" e para utilização "no revenue", nos quais a fiscalização se baseou para a autuação; As diferenças de ai/quotas e de taxa de conversão apuradas fbram já foram devidamente regularizadas em atendimento à Intimação formulada pela autoridade fiscal, Uma análise mais detalhada dos fritos, revela um procedimento equivocado da autoridade responsável pela lavratura do auto de infração, vez que a descrição dos fatos não faz qualquer menção as quantias exigidas e pagas em decorrência de aplicação de aliquota e taxa de conversão distintas aceitas pelo .fisco; Na data de 20 de julho de 1999, foi emitida Intimação pela ALF/Porto de Santos/SEOPE/EO 'VIB n." 012/99 para o contribuinte regularizar diferenças relativas às DSI n." 099/10U071 e 099/100.070; Em relação à .DSI, objeto do presente processo, for" recolhidas as seguintes importâncias: R$ 9.119,75 (nove mil, cento e dezenove reais e setenta e cinco centavos) de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e R$ 428,16 (quatrocentos e vinte e oito reais e dezesseis centavos) a titulo de Imposto de Importação — II, apurados em atendimento aos ajustes na aliquota do II e do IPI e na taxa de conversão; Tais valores nada mais são do que os novos valores apurados com os ajustes das aliquotas e da taxa de conversão deter minados pela Intimação n." 012/99, devidamente atendida pela inzpugnante; As diferenças apuradas fbram devidamente recolhidas em 08/09/99, conforme cópias dos respectivos DARF, em atendimento à Intimação, que devidamente protocolado recebeu o número de identificação 11128.006359/99-11; Tendo pago aquilo que julgou ser devido em relação aos termos da Intimação, a impugnante demonstra sua total incredulidade quanto ao auto de infração lavrado em relação a mesma DSI, pois julgava já ter passado pela revisão aduaneira, uma vez que foram pagos os impostos exigidos na Intimação 012/99, que foi totalmente desconsideraria, 4 Processo n" 11128 000665/00-40 S3-CIT1 Acórdão n 310/-00,117 Fl 270 Se considerada a possibilidade do presente auto de infração estar exigindo as diferenças dos impostos não recolhidos integralmente quando do atendimento à Intimação, a impugnante anexa as cópias das respectivas guias de recolhimento, ratificando suas ponderações quanto o não cabimento da multa e furos constantes da petição de 08/09/99 que, se acolhidas, deverão determinar a devolução dos valores pagos a tal título; Trata-se de clara ofensa a verdade material dos fatos. Se por um lado a lavratura do auto de infração mostra-se indevida em virtude da pendência da consulta .formulada, por outro lado também é indevida diante da existência de um outro processo, aberto com apresentação das guias de recolhimento das impostos julgados devidos no atendimento à Intimação; O auto de infração é nulo porque indevidas as exigências relativas às diferenças de alíquotas e taxa de conversão. Igualmente indevidas são as exigências relativas as mercadorias informadas como "para uso ou .free" e para utilização "no revenue", pois dada a generalidade da base legal, artigos 83, 84, 85 e 86 do Regulamento Aduaneiro, utilizada para estas, não permite que seja identificada a real motivação da autoridade; Dentre as mercadorias relacionadas como utilizadas a tal título encontram-se bebidas e ciganas, que não tendo de.stinação comercial, fbram distribuídos entre a tripulação e passageiros, nos diversos eventos sociais que caracterizam a prestação de serviços de cruzeiros marítimos, ou então foram, por quaisquer. motivos, danificados; A fiscalização pretendeu tributar também as mercadorias destinadas às provisões de bordo, muito embora não tenha .justificado o porquê. Diante do exposto, requer a procedência da presente impugnação, com declaração de nulidade do Auto de Infração, tendo em vista o fato da impugnanie encontrar-se em processo de consulta, motivo pelo qual não poderia ter sido lavrada a presente autuação. Outrossim, caso entenda insuficiente o argumento acima, requer que seja cancelada a exigência .fiscal lançada no Auto de Infração em virtude dos créditos serem indevidos, porque pagos em intimação anterior, bem como em observância ao disposto no inciso IV do artigo 10 do Decreto e 70.235/72, por falta de embasamento legal da parte que exige os impostos sobre as mercadorias destinadas às provisões de bordo, Tendo em vista o disposto na Portaria MF n." 416/00, o presente processo foi encaminhado à DRI/Florianópolis, às fls. 81. Face as alegações da interessada, àquela Delegacia converteu o processo em diligência, para que a Alfândega de Santos informasse se: 5 O contribuinte efetivamente formulou consulta relativa à aplicação da IN S.RF n." 137/98, conforme alegado em sua impugnação; A matéria objeto da consulta é coincidente com aquela de que trata o presente processo; Em caso afirmativo, informar se existe solução definitiva para a referida consulta, anexando cópia da mesma ao processo e informando a data da ciência do contribuinte. A Alfândega do Porto de Santos, às fis 96, com o intuito de evitar excessiva demora no atendimento da solicitação formulada pela DRI/Florianópolis, encaminhou o processo para à Equipe de Orientação e Consulta — SRRE — 8" RF, local em que se encontrava o processo n. 11128 000662/00-51 para que respondesse às questões suscitadas. A Divisão de Tributação da Superintendência da Receita Federal — 8" RF", às . fis 105/110, assim se pronunciou. "È ineficaz a consulta, não produzindo efeitos quando formulada em desacordo com os artigos 2" a 5" da IN SRF n " 2, de 1997, A finalidade única do instituto da consulta é dirimir dúvidas quanto à interpretação de dispositivo da legislação tributária federal aplicáveis aos fatos concretos descritos pelo interessado, não sendo, assim, via adequada para solucionar questões do sujeito passivo quanto a procedimentos de escrituração contábil e correlatas que deve adotar- na prática. Excetuada a hipótese de matérias conexas, uma mesma petição de consulta não pode referir-se a mais de um tributo ou contribuição. Após, o presente processo . foi encaminhado à .DRIII/SPO/SP para prosseguimento. A autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente o lançamento, não acolhendo as razões da impugnante. Consoante Resolução n," 301-1365, documento de fls. 136 e seguintes, esta Câmara converteu o julgamento em diligência para verificar acerca da tempestividade do recurso voluntário, haja vista que interposto após vencido o prazo de trinta dias contados da ciência. Realizada a diligência pela unidade de origem, entendeu a 1." Câmara do Egrégio 3.° Conselho de Contribuintes que o recurso é tempestivo, mediante Resolução n." 301-1.650, autuada às fls. 193 e seguintes. Vencida a preliminar de intempestividade, o recurso foi novamente convertido em diligência para manifestação da unidade de origem acerca dos recolhimentos efetuados pela recorrente em face da intimação de fis. 52/53 deste processo. Retomam os autos para julgamento É o relatório. 6 Processo o° 1128.000665100-40 53-C11-1 Acórdão o.' 3101-00.117 Fl 271 Voto Concluo pela tempestividade do recurso, nos termos da supracitada Resolução n.° 301-1.650. O recurso preenche os demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento Consoante despacho exarado às fls. 240 e 241, da lavra da Divisão de Vigilância e Controle Aduaneiro da Alfândega da RFB do Porto de Santos, os documentos de arrecadação de fls. 54, 55 e 56 são hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores com as informações obtidas do sistema SINAL, extratos acostados às fls. 205/211, bem assim relacionam-se perfeitamente aos valores devidos em face da referida intimação. Os referidos pagamentos restaram comprovados e não foram objeto de retificação ou restituição, consoante informação de fls. 219. Outrossim, restou constatado pela unidade de origem, no que tange à falta de recolhimento do imposto de importação, no valor de R$ 4.133,14, e do imposto sobre produtos industrializados vinculado, no valor original de R$ 1,090,97, sobre as mercadorias declaradas sob a rubrica de "para uso ou free" e "no revenue", não constam recolhimentos no presente processo. Eis aí o cerne da lide, qual seja a tributação de mercadorias destinadas para uso ou consumo de bordo e aquelas objeto de doação ou venda aos passageiros, autoridades e visitantes ilustres. PRELIMINAR DE NULIDADE — PROCESSO DE CONSULTA A recorrente alega nulidade em razão do lançamento ter sido efetivado no período em que se encontrava protegida por consulta formulada justamente sobre a matéria objeto dos autos. Da análise do processo de consulta, em especial do despacho decisório acostados às fls 91 deste processo, verifica-se que a consulta foi declarada ineficaz. Caberia algum questionamento caso houvesse correspondência biunívoca entre a matéria consultada e os atos praticados pela recorrente, guindados à condição de infração à legislação aduaneira, os quais motivaram a lavratura do auto de infração para cobrança do crédito tributário devido e não pago. Ocorre que a então consulente trouxe questões genéricas acerca da interpretação da legislação tributária que não dizem respeito aos fatos concretos descritos nos autos, os quais ensejaram a exigência do crédito tributário controverso Outrossim, releva considerar que a recorrente procedeu ao recolhimento dos tributos que entendia cabíveis em face dos atos jurídicos praticados, demonstrando conhecimento da matéria de que cuidam os autos, e sobretudo do cerne da lide, qual seja a tributação de mercadorias estrangeiras consumidas a bordo, vendidas ou doadas a passageiros ou terceiros, 7 As infrações constatadas pela autoridade autuante consistem em não cumprir a obrigação tributária decorrente da materialização da hipótese de incidência concernente à importação das mercadorias estrangeiras sob a rubrica de brindes, vendidas a passageiros ou consumidas a bordo, declaradas "para uso ou fi-ee" ou pela utilização "no revenue", Repise-se, essas hipóteses não foram objeto de consulta. Da simples análise da matéria sob consulta, inclusive da resposta aos quesitos, verifica-se que, ainda que fosse eficaz, a consulta não poderia surtir efeito algum em face dos atos concretos praticados pela contribuinte e dos critérios jurídicos adotados pela autoridade autuante, Consoante voto do Insigne Conselheiro Luiz Roberto Domingo, proferido no Acórdão n" 301-32.576, Processo n" 11128,000651/00-35 e Recurso Voluntário n" 128.612, do qual transcrevo o trecho a seguir, a consulta declarada ineficaz não surte efeitos: Não procede a alegação da Recori ente de que a Consulta declarada ineficaz tem o condão de suspende, a exigibilidade do crédito ou impedir o lançamento dos tributos Na verdade, somente a consulta eficaz produz *hos jurídicos atinentes à impedir, ainda que momentaneamente, a incidência da norma que o constelemte quer afastar. Não se verifica, pois, qualquer vício no lançamento consubstanciado no auto de infração de fis, 01 e seguintes. A consulta não diz respeito aos fatos concretos motivadores da ação fiscal. Por todo o exposto, rejeito a preliminar. MÉRITO O ceme da lide cinge-se à tributação de mercadorias objeto de consumo de bordo, vendidas ou doadas a passageiros ou terceiros. Há controvérsia também acerca da cobrança, em duplicidade, da diferença relativa aos tributos recolhidos conforme DSI de folhas 19. Assiste razão à contribuinte quando informa que no auto de infração houve cobrança de diferença de tributos, em razão da aplicação da taxa de câmbio vigente na data de registro da DSL De fato, tais diferenças foram cobradas em momento anterior, por ocasião da intimação da ALF Porto de Santos /SEOPE/EQVIB n." 12/99, cópias às fls. 52 e seguintes. Consta na referida intimação a exigência de pagamento dos tributos às alíquotas de II e IPI informadas no auto de infração às fis 06 (II — alíquota de 23% - diferença de R$ 428,17) e às fls, 12 (IPI alíquota de 330% - cigarros) cujo valor do tributo devido é idêntico ao cobrado: R$ 7352,68 em atendimento à supracitada intimação. Os demais créditos cobrados às fis. 12 dizem respeito a mercadorias identificadas como "free" ou "no revenue", cujo mérito será discutido posteriormente.. A tabela apresentada pela autuada às fis,37 é esclarecedora quanto aos valores praticados pela autoridade autuante. Outrossim, demonstra nas tabelas de fls. 41 que de fato houve cobrança de tributos em duplicidade. Assim, deve ser cancelado o auto de infração na parte em que há cobrança em duplicidade (bis in ideln), nos termos da tabela abaixo: 8 Processo n" I I 28 000665/00-40 S3-C1T1 Acórdão n ° 310140.117 Fl. 272 IMPOSTO ALÍQUOTA BASE DE CRÉDITO DIFERENÇA CÁLCULO TRIBUTÁRIO COBRADA NO AUTO DE INFRAÇÃO II 23% 1811,45 416,63 79,63 II 23% 157,96 36,33 6,94 23% 2.692,50 619,28 118,34 II 23% 3.448,07 793,06 151,04 II 23% 4.471,14 1.028,36 71,72 1PI j 330% 2.228,08 7.532,68 6.746,04 No que pertine às mercadorias para uso e consumo de bordo, vendidas a passageiros ou destinadas a brinde, é de se considerar o que segue. Inicialmente convém registrar que as embarcações estrangeiras que ingressem no território aduaneiro, juntamente com a equipagem, lista de sobressalentes e provisões de bordo, ingressam automaticamente no regime aduaneiro especial de admissão temporária, estando os tributos incidentes na importação automaticamente suspensos. É o que dispõe o artigo 65 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n.° 91030/1985, in verbis: Ari. 65 - Considera-se em admissão temporária, independentemente de qualquer procedimento administrativo, o veículo que ingressar no território aduaneiro a serviço de empresa estrangeira autorizada a operar no Brasil. A Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a IN SRF n.° 285, de 14 de janeiro de 200.3, que veio, na seqüência de atos normativos similares, disciplinar a matéria, considerando automaticamente submetidas ao regime de admissão temporária, sem qualquer atuação da autoridade aduaneira, as embarcações estrangeiras, verbis: Ari. 5° Consideram-se automaticamente submetidos ao regime de que trata o art. C.. - os veículos, utilizados exclusivamente no transporte internacional de carga ou passageiro, que ingressem no País exercendo esta atividade; II - os veículos de viajante estrangeiro não residente, exclusivamente em tráfego fronteiriço, observado o disposto na Instrução Normativa SRF n" 69/91, de 5 de setembro de 1991; III - as embarcações, aeronaves e outros bens, destinados à realização de atividades de pesquisa e investigação científica, na plataforma continental e em águas sob jurisdição brasileira, autorizadas pelo Comando da Marinha, do Ministério da Defesa, nos termos do Decreto 17 96,000, de 2 de maio de 1988; IV - as embarcações pesqueiras autorizadas a operar em águas nacionais pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, nos termos do Decreto n" 2.840, de 10 de novembro de 1998; V - as unidades de carga estrangeiras, seus equipamentos e acessórios, inclusive para utilização no transporte doméstico; 9 VI - as embarcações estrangeiras, em viagem de cruzeiro pela costa brasileira, com escala em portos nacionais, ou em navegação de cabotagem Assim, devem ser pagos os tributos incidentes na importação apenas nos casos de venda ou doação de mercadorias a passageiros ou terceiras pessoas, como será demonstrado, Já as mercadorias destinadas ao uso e consumo de bordo dos tripulantes e passageiros não podem ser tributadas. Veja-se que as mercadorias nacionais fornecidas para uso e consumo de bordo de embarcações estrangeiras estão isentas de IPI, mesmo se consumidas em território aduaneiro, a teor do disposto no artigo 44, Incisos I e II, do Decreto n.° 87.981/1982 — RIPI, verbis: Art. 44. São isentos do imposto (Lei n" 4,502/64, artigos 7 e 8, e Decreto-Lei n°34/66, art. 2, alteração 3)..' 1 — os produtos exportados para o exterior, desde que obedecidas as instruções baixadas pelo Ministro da .Fazenda;11 — os produtos saídos do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, em operação equiparada à exportação, ou para a qual sejam atribuídos os benefícios fiscais concedidos à exportação, salvo quando adquiridos e exportados pelas empresas nacionais exportadoras de serviços, na fOrma do Decreto-Lei n" 1.633, de 9 de agosto de 1978, ) De igual forma, não incide o imposto de importação sobre as mercadorias exportadas para uso e consumo de bordo, nos termos da IN SRF a,' 28/94, que cuida dos procedimentos especiais na exportação, dentre esses o fornecimento para uso e consumo de bordo, artigos 52 e 53. Tampouco incide sobre as mercadorias estrangeiras consumidas a bordo das embarcações, ainda que consumidas no território aduaneiro, a teor do disposto no artigo 40 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n.° 91.030/1985, verbis: Art. 40 - As mercadorias incluídas em listas de sobressalentes e provisões de bordo deverão corresponder, em quantidade e qualidade, às necessidades do serviço de manutenção do veículo e de uso ou consumo de sua tripulação e passageiros. Parágrafo 1" - As mercadorias mencionadas neste artigo que, durante a permanência do veículo na zona primária, não .forem necessárias aos fins indicados, serão depositadas em compartimento . fechado, o qual só poderá ser aberto após a saída do veículo da zona primária ou na presença da _fiscalização aduaneira. Parágrafo 2" - A critério da fiscalização, poderá ser dispensada a cautela prevista no parágrafo anterior, se for de curta duração a permanência do veículo na zona primária. Trago a lume os dispositivos supracitados para, mediante análise sistemática da legislação pertinente ao fornecimento de mercadorias para uso e consumo de bordo, concluir que as mercadorias consumidas a bordo não podem ser tributadas. lo Processo o" 11128 .000665/00-40 S3-C1T1 Acórdão n . D 3101-00.117 El 273 De fato, a embarcação encontra-se em admissão temporária, juntamente com a equipagem e provisões de bordo. As mercadorias utilizadas pela tripulação e passageiros e não cobradas, portanto destinadas a uso e consumo de bordo, não podem ser tributadas. Eis que não ocorreu o fato gerador na importação de mercadorias estrangeiras, pois os tributos aduaneiros encontram-se suspensos. Veja-se que as mercadorias nacionais exportadas para uso e consumo de bordo, e portanto desnacionalizadas, não são tributadas se consumidas a bordo, em território aduaneiro,. Outrossim o supracitado artigo 40 do Regulamento Aduaneiro vai ao encontro dessa posição, ao determinar que as mercadorias incluídas em lista de sobressalentes e provisões de bordo deverão corresponder em quantidade e qualidade à necessidade de uso e consumo de bordo da tripulação e passageiros. Desta forma, entendo que as mercadorias destinadas a uso e consumo de bordo, sejam estrangeiras ou desnacionalizadas, não podem mais ser tributadas. Não obstante, consoante norma inserta no artigo 41 do supracitado Regulamento Aduaneiro, o imposto sobre a importação haverá de incidir sobre as mercadorias vendidas a bordo, verbis: Art. 41 - O Secretário da Receita Federal disciplinará o funcionamento de lojas, bares e instalações semelhantes, em embarcações, aeronaves e outros veículos empregados no transporte internacional, de modo a impedir a venda de produtos com descomprimem° da legislação aduaneira (Decreto-Lei n" 37/66, Art.. 40. Visando disciplinar o disposto no artigo 41, suprareferenciado, o Secretário da Receita Federal editou a IN SRF n.° 137/98, que no artigo 9. 0 estabelece os casos em que haverá a incidência do imposto de importação, verbis; Art 9" A autorização de saída do veículo do País .fica condicionada à apresentação, pelo mandatário, na unidade aduaneira que jurisdicone o porto onde ocorro- a última escala do navio com destino ao exterior, dos seguintes documentos.- I - relatório sobre a movimentação de mercadorias estrangeiras durante o período, identificando a posição de seu estoque ,final e relacionando as mercadorias vendidas, com indicação da quantidade, discriminação do produto e valores, unitários e totais, em moeda nacional, determinados pela taxa cambial vigente na data de registro da DSL II - DARF, referentes ao recolhimento das impostos e contribuições devidos no período Corrobora esse entendimento a disposição contida no artigo 3.° da IN/SRF n,° 137/98, que faz corretamente separação entre provisão de bordo e mercadorias destinadas à venda: Art. 5' O controle aduaneiro sobre as mercadorias de origem estrangeira transportadas no navio em viagem de cruzeiro, ou embarcadas no País para reposição de estoques, destinadas à provisão de bordo ou à venda em lojas, bares e instalações semelhantes, observará o seguinte- 1 - provisões de bordo, os víveres de origem estrangeira deverão ser depositados em compartimento próprio, de onde serão retirados conforme as necessidades de consumo da tripulação e dos passageiros, II - mercadorias estrangeiras destinadas à venda, o comandante do navio manterá registro do estoque diário de mercadorias estrangeiras a bordo, que permita identificar o movimento ocorrido no período, relativamente ao saldo inicial, entradas, saldas e saldo .final, § 1" No ato da visita, no porto de entrada no Pais, o comandante do navio apresentará, à autoridade aduaneira, relação, em três vias, das mercadorias estrangeiras existentes a bordo, destinadas à venda, que constituirão o estoque inicial, para efeito do disposto no inciso II § 2" As vias da relação referida no parágrafo anterior terão as seguintes destinações.' a) 1" via; unidade aduaneira que jurisdicione o porto de entrada, b) 2" via.• representante legal, no País, do armador estrangeiro, averbada pela autoridade aduaneira; c)3" via comandante do navio. § 3" O despacho aduaneiro das mercadorias estrangeiras será processado em nome do mandatário, com base em uma única Declaração Simplificada de Importação - DSI, para o total de mercadorias vendidas no período de apuração estabelecido no § 3" do art 2" Portanto, cabe a exigência fiscal no que respeita às mercadorias objeto de venda aos passageiros.. Quanto às mercadorias doadas a título de brinde não há qualquer distinção, pois essas ainda que não vendidas revelam destinação comercial, como as amostras comerciais que, mesmo doadas, poderiam ser objeto de uma venda para o país de importação e são normalmente tributadas, a teor do disposto no artigo 149 do supracitado Regulamento Aduaneiro, verbis: Art. 149 - Será concedida isenção do imposto nos termos, limites e condições estabelecidos no presente Capítulo.' ) VI - às amostras comerciais e remessas postais internacionais, sem valor comercial (Decreto-Lei n" 37/66, art. 15, VI, e Decreto-Lei n" 1726/79, ar! 2, IV, '.7"); Portanto, somente as mercadorias destinadas a uso ou consumo de bordo não são tributadas, Incluem-se nesta lista todas as mercadorias consumidas a bordo por tripulantes e passageiros, inclusive bebidas, desde que consumidas a bordo. Os cigarros ofertados a tripulantes fazem parte das provisões de bordo e são destinados a uso e consumo de bordo, não podendo ser tributados. Todavia, os cigarros ofertados a passageiros e terceiras pessoas não podem ser considerados para uso e consumo de bordo, devendo ser considerados como brinde ou cortesia e, portanto, tributados. 12 Processo rl° 11128 000665/00-40 S3-C1T1 Acó ydão y1'3101-00..117 F1 274 No que respeita aos passageiros e terceiras pessoas, a venda de mercadorias a bordo e a destinação a título de brinde ou cortesia devem ser objeto de tributação, a teor do disposto na IN SRF n" 137/98, artigos 2,', 5.° e 9.0. Assim, quanto às informações prestadas às fis, 22, mercadorias "no revenue", devem ser excluídas da tributação e incluídas conforme abaixo explicitado: BEBIDAS Cocktail de bemvenudo a bordo — excluído da tributação — Não Tributável - NT; Espumante nas noites de gala (restaurante) — NT; Champanhe nas suítes — NT Cocktail dos repeaters — NT; Tratamento vip na ponte de comando — NT; Cocktail dos solteiros — NT; Quebras e produtos recusados — NT; Vinhos oficiais e staff para consumo próprio NT; Agua mineral equipagem — NT; Vinhos para uso em cozinha- NT; Demonstração em cocktails — NT; Inspeção autoridades na combusa (depósito) — Tributável; Mesa de comando e convidados de honra — NT; Restaurante oficiais de alta patente — NT; Restaurante oficiais outros — NT; Cortesia a passageiros — Tributável; Hospital e capela — NT; Cortesia a agência de viagem e excursões — Tributável; Cortesia a autoridades, representantes diplomáticos — Tributável; Dotação a equipagem e marinheiros (alcoólicos) — NT; Dotação à tripulação em geral (refrigerantes ) — NT, 13 Inobstante, tributa-se as bebidas vendidas a bordo a passageiros ou terceiras pessoas, em unidades, pois não se pode presumir que são destinadas a consumo de bordo em face da aplicação do artigo 111 do Código "Tributário Nacional - CTN. CIGARROS Dotação de ciganos à tripulação em geral — Não tributável; Cortesia para autoridades — Tributável. Com relação às mercadorias para uso ou "Tree", conforme relatório da contribuinte autuado às fls. 25, devem ser excluídas da tributação. A única ressalva é a doação a passageiros ou terceiros a título de brinde ou cortesia, mas não há provas nos autos de que essas mercadorias para uso e consumo de bordo tiveram outra destinação. Tributa-se a venda de cigarros a bordo em pacotes pois, a teor do disposto no artigo 111 do CTN, não se pode presumir o consumo a bordo. Por todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a cobrança de tributos exigidos em duplicidade (bis in idem), afastar a incidência no caso das mercadorias destinadas a uso e consumo de bordo de tripulantes e passageiros e terceiras pessoas, ficando mantido o lançamento relativamente àquelas mercadorias destinadas aos passageiros, autoridades e visitantes, a título de doação ou brinde ou venda a bordo. É corno voto c-4 • 1:7.G /, )? ?I' 1fÍ João han re -ÃzÁi,' 14
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Numero do processo: 10209.000403/2004-16
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 24 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Aug 24 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 301-01.691
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: ATALINA RODRIGUES ALVES
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Numero do processo: 10730.004318/2006-72
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002, 2003
DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS.
Comprovado o pagamento a título de despesas médicas, o contribuinte faz jus à dedução das respectivas despesas na apuração da base de cálculo do imposto.
MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DESPESAS COM INSTRUÇÃO.
Tem-se como definitivamente constituído na esfera administrativa, o crédito tributário decorrente de matéria não contestada em sede recursal.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2801-001.660
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução de despesas médicas no valor de R$ 2.920,00, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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Comprovado o pagamento a título de despesas médicas, o contribuinte faz jus à dedução das respectivas despesas na apuração da base de cálculo do imposto. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Temse como definitivamente constituído na esfera administrativa, o crédito tributário decorrente de matéria não contestada em sede recursal. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução de despesas médicas no valor de R$ 2.920,00, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Fl. 318DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 15/06/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, 17/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAY DE MAGALHA Processo nº 10730.004318/200672 Acórdão n.º 280101.660 S2TE01 Fl. 319 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 76.683,46, referente aos exercícios de 2002 e 2003, a título de imposto (R$ 27.699,27), acrescido da multa de ofício equivalente a 75% do valor do tributo apurado (R$ 20.774,45), dos juros de mora (R$ 17.423,46), além da multa isolada (R$ 10.786,28). O lançamento é decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica, omissão de rendimentos recebidos de pessoa física decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício, dedução indevida de despesas com previdência social, dedução indevida de despesas médicas e falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. Em sua impugnação, o contribuinte alegou que: • Os rendimentos de R$ 2.082,00 foram recebidos por sua esposa, Ângela Maria Leitão de Souza, CPF n° 222.388.91749, e informados na linha 1 da sua Declaração de Ajuste Anual Simplificada; • É apenas sócio cotista da empresa Consultórios Integrados Mariz e Barros LTDA, CNPJ 00.089.812/000155, recebendo apenas participação nos lucros; • Dúvidas ainda existem sobre a importância de R$ 7.330,00 referente a soma dos valores informados pelos contribuintes Maria Aparecida Braga de Queiroz, Ricardo da Silva Bustamante, Robson Maia Franco, Miguel Luiz Lontra Erthal, Fátima Regina Costa Machado, Luiz Augusto Cruz de Sá, Jorge Luiz Correa Gonçalves e Mariza Cecília da S. Espírito Santo, relativamente a rendimentos por serviços médicos prestados no anocalendário 2001 • Não recebeu nenhum rendimento de serviços médicos prestados a Robson Maia Franco (R$ 540,00), Luiz Augusto Cruz de Sá (R$ 1.800,00, e Mariza Cecília da S. Espírito Santo (R$ 570,00) no ano calendário 2001; • Quanto aos outros clientes, confirma o recebimento dos rendimentos no AnoCalendário de 2001, ressaltando, todavia, que parte já tinha sido reconhecida e incluída na coluna 3 do anexo II da impugnação, já computados no valor inicialmente reconhecido de R$ 46.894,25; • Ainda existem as dúvidas sobre a importância de R$ 6.410,00 referente à soma dos valores informados por Maria Aparecida Braga de Queiroz, Miguel Luiz Lontra Erthal, Fátima Regina Costa Machado, Aderbal Abreu Filho, Paulo Roberto de Sousa Dias, Jorge Luiz Correa Gonçalves, Mariza Cecília da S. Espírito Santo e Sílvia Regina Carvalho Ribeiro no anocalendário 2002; Fl. 319DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 15/06/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, 17/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAY DE MAGALHA Processo nº 10730.004318/200672 Acórdão n.º 280101.660 S2TE01 Fl. 320 3 • Não recebeu nenhum rendimento de serviços médicos prestados, no anocalendário de 2002, a Mariza Cecilia da S. Espírito Santo (R$ 570,00) e Sílvia Regina Carvalho Ribeiro (R$ 900,00) que, intimadas pela auditoria, não apresentaram recibos comprovando os pagamentos, mas apenas declarações de próprio punho, que não representam a verdade e não são documentos hábeis e idôneos para comprovarem tais despesas. A soma destes valores deve ser excluída do Auto de Infração; • Quanto aos outros clientes, confirma o recebimento dos rendimentos no AnoCalendário de 2002, ressaltando, todavia, que parte já tinha sido reconhecida e incluída na coluna 3 do anexo II da impugnação, já computados no valor inicialmente reconhecido de R$ 49.775,35. • Em relação aos aluguéis, esclarece que as salas ficaram alugadas apenas nos meses de janeiro e fevereiro, ficando vazias nos meses seguintes, pois precisou vendêlas, devendo ser excluídos os valores dos aluguéis de março a dezembro de 2002, no total de R$ 6.300,00; • Em 2001, foram pagos ao cirurgião dentista Mario Massao Ishikiryama R$ 4.750,00 por serviços prestados ao contribuinte e seus dependentes, sendo que só possui um recibo de R$ 150,00, porém estão sendo providenciadas junto ao Banco HSBC as cópias dos cheques emitidos para pagamentos dessas despesas glosadas; • A impugnação é parcial eis que foi transferida a parte não contestada para o processo n° 10730.720014/200656, conforme Termo de Transferência de fls. 226/248. A 7ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro II/RJ, conforme Acórdão de fls. 278/286, julgou procedente em parte o lançamento para a exclusão dos rendimentos de R$ 2.340,00 em 2001 e R$ 900,00 em 2002, apurados apenas com base em declarações de próprio punho dos contribuintes intimados a comprovar a prestação do serviço. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 05/02/2010 (fl. 289), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 290/291, em 25/02/2010, no qual requer sejam consideradas as despesas médicas tendo em vista a apresentação de 10 cheques nominativos ao cirurgião dentista Mário Massao Ishikiryama, emitidos contra a sua conta corrente n° 67895 3, mantida na Agência 0241 do Banco HSBC, que efetivamente provam o pagamento do tratamento dentário em questão. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Fl. 320DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 15/06/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, 17/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAY DE MAGALHA Processo nº 10730.004318/200672 Acórdão n.º 280101.660 S2TE01 Fl. 321 4 O contribuinte limita suas alegações à infração de dedução indevida de despesas médicas pagas ao cirurgião dentista Mário Massao Ishikiryama, não se manifestando, no recurso apresentado, expressamente contra as demais infrações. Nesse sentido, devese observar o disposto no parágrafo único do art. 42 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e, assim, considerar definitiva a decisão de primeira instância, relativamente ao crédito tributário não contestado. Registrese que o contribuinte declarou, em sua DIRPF/2002, ter efetuado pagamentos ao referido profissional, no anocalendário de 2001, no montante de R$ 4.750,00. Entretanto, durante a fiscalização, o sujeito passivo somente apresentou documentação para comprovar o valor correspondente a R$150,00. A decisão recorrida manteve a parcela glosada de R$ 4.600,0 devido a falta de apresentação dos prometidos comprovantes dessas despesas médicas. Em sede de recurso, o interessado apresentou as cópias microfilmadas de 10 cheques juntados às fls. 292/310. De acordo com o art. 8º, III, do RIR/99, no caso em que não haja recibo do médico comprovando as despesas, é admissível comprovarse que houve efetivamente os gastos com saúde mediante a colação de cópia do cheque nominal pelo qual foi efetuado o pagamento. As referida cópias de cheques (fls. 292/310) comprovam que o contribuinte efetuou pagamentos ao cirurgião dentista Mário Massao Ishikiryama, no anocalendário de 2001, no montante de R$ 2.920,00. Portanto, deve ser acolhido esse valor para fins de dedução a título de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução de despesas médicas, no valor de R$ 2.920,00. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 321DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 15/06/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, 17/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAY DE MAGALHA
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Numero do processo: 10209.000558/2002-82
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 06/05/1998
Ementa: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO — PREFERÊNCIA TARIFÁRIA — TRIANGULAÇÃO COMERCIAL — NECESSIDADE DE PROVA — Em operações internacionais de triangulação comercial, cuja origem do produto importado está certificada para os fins de atendimento de Acordo de preferência tarifária, é imprescindível a demonstração documental da vinculação das operações, ainda que a mercadoria
seja remetida diretamente, e que a intervenção de terceiro país não desfigure a origem. O requisito formal é imprescindível para comprovação e lastro da origem, conforme norma internacional.
MULTA DE OFÍCIO — PREFERÊNCIA
TARIFÁRIA SOLICITADA NO DESPACHO
ADUANEIRO. Incabível a aplicação da multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em caso de solicitação indevida, feita no despacho de importação, de reconhecimento de preferência percentual negociada em acordo
internacional, quando o produto estiver corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e não ficar caracterizado intuito doloso ou má fé por parte do declarante.
RECURSO PROVIDO EM PARTE
Numero da decisão: 301-34.086
Decisão: ACORDA_M os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir a multa de oficio, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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O requisito formal é imprescindível para comprovação e lastro da origem, conforme norma internacional. 419 MULTA DE OFÍCIO — PREFERÊNCIA TARIFÁRIA SOLICITADA NO DESPACHO ADUANEIRO. Incabível a aplicação da multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em caso de solicitação indevida, feita no despacho de importação, de reconhecimento de preferência percentual negociada em acordo internacional, quando o produto estiver corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e não ficar caracterizado intuito doloso ou má fé por parte do declarante. RECURSO PROVIDO EM PARTE , , . , CCO3/C01. . Fls. 139 _ _ Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDA_M os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir a multa de oficio, nos termos do voto do relator. CiellV OTACtLIO DA1n11-..: t CARTAXO - Presidente v 4i"lardel 401.1,./.--07' 4,-.'..."....7n-•,-------F—..- II LUIZ ROBERTO DOMINGO - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Davi Machado Evangelista (Suplente), Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado (Suplente), João Luiz Fregonazzi e Susy Gomes Hoffmann. Estiveram presentes os Procuradores da Fazenda Nacional Diana Bastos Azevedo de Almeida Rosa e José Carlos Brochini. Estiveram presentes os advogados Dr. Rafael de Matos Gomes da Silva OAB/DF n° 21.428 e Dra N4icaela Dorninguez Dutra, 0.A13/RJ n° 121,248. 1 , , Processo n.° 10209.000558/2002-82 CCO3/C01- Acórdão n.° 301-34.086 Fls. 140 _ Relatório Trata-se retorno de diligência determinada pela Resolução n". 301-1.653, de 12 de julho de 2006, cujo relatório adoto para este voto. A Resolução determinou a remessa dos autos à repartição de origem para que fosse intimada a Recorrente a trazer aos autos cópia da fatura da Importadora originária para a PFICO referida nos documentos juntados. Intimada a Recorrente apresentou a Invoice n°. 36722-0 da PDVSA que amparou a venda de "PROPANE" para a Petróleo Brasileiro S/A e a Fatura da Petrobras International Finance Company n°. PIF-SB-65/98, que amparou a venda de "PROPANE" para a Petróleo Brasileiro S/A.. Reintimada a apresentar a Invoice da Petróleo Brasileiro S/A para a Petrobras • International Finance Company, que comprovaria a alegada triangulação, a Recorrente manifestou-se por petição de fls. 133, aduzindo em suma que "o documento solicitado (fatura da importadora originária para a REPICO) não existe, tendo em vista que trata-se de uma importação" (sic). Intimada do Relatório da Diligência (fls. 134), a Recorrente não se manifestou, tendo o processo retornado para julgamento. Ressalte-se que o presente feito está apensado ao Processo Administrativo Fiscal n°. 10209.000667/00-94, no qual a Recorrente requer restituição de Importo de Importação pago a maior por conta da indevida inclusão do frete na base de cálculo, e que, sob procedimento de revisão para análise do pedido verificou-se o descurnprimento dos requisitos formais do ACE para preferência tarifária. É o relatório. 40 1 , , . . Processo n.° 10209.000558/2002-82 CCO3/C0 1•, - Acórdão n.° 301-34.086 Fls. 141 : Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do Recurso por ser tempestivo, por atender aos requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência deste Conselho. Retornam os autos para julgamento depois de cumprida a diligência determinada pela Resolução n° 301-1.624, de 20/06/2006, em que pese frustrada pela impossibilidade da juntada das faturas solicitadas. A questão trazida pela Recorrente não é nova e conta com diversos julgados que ratificam a preferência tarifária, se e quando, houver a interveniência de terceiro de país não signatária do Acordo Internacional, desde que tenha sido remetida diretamente do país de - origem ao país de destino, desde que, mantida a rastreabilidade do produto, na forma 11111 documental. Entendo que a Certificação de Origem, como o próprio nome diz é documento que atesta a origem da mercadoria, sua nacionalidade ou procedência primária. O privilégio dado pelo Acordo Internacional não é pessoal, mas objetivo, ou seja, dá-se preferência a atos comerciais que tenha por objeto mercadorias originárias dos países signatários, o que permite a intermediação, desde que seja preservada a integridade da mercadoria. E esse foi o objetivo das exceções criadas pelo art. 40, da Resolução ALADI/CR n° 78 — Regime Geral de Origem (RGO)-, aprovada pelo Decreto n° 98.836, de 1990, o de tratar das circunstâncias em que se mantém a preferência tarifária, quando preservada a origem da mercadoria importada, ou, pelo menos, quando se é possível comprovar tal preservação de origem. Nesse sentido adoto o excelente voto condutor do Acórdão n°. 303-29.776, de 06 de junho de 2001 de lavra do Ilustre Conselheiro Irineu Bianchi: "Entende a fiscalização que a recorrente perdeu o direito de redução IP pleiteado, pelos seguintes motivos: a) divergência constatada entre o número da fatura comercial informada no Certificado de Origem e o da fatura apresentada pelo importador como documento de instrução das respectivas declarações de importação e; b) a operação intentada pelo importador (triangulação comercial) não está acobertada pelas normas que regem os acordos internacionais no âmbito da ALADI. Observa-se que a ação fiscal não impugna a validade dos Certificados de Origem e nem das Faturas Comerciais, pelo que, afasta-se de imediato a alegação da recorrente no sentido de ter ocorrido prejuízo quanto a ver suprimida a diligência prevista no art. 10 da Resolução n° 78 da ALADI, que prevê a consulta entre os Governos, sempre e antes da adoção de medidas no sentido da rejeição do certificado apresentado. ' Processo n.° 10209.000558/2002-82 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-34.086 Fls. 142 Assim, válidos os documentos apresentados no desembaraço aduaneiro, ao menos no seu aspecto formal, entendo que o deslinde do conflito passa necessariamente pela análise dos atos praticados pela recorrente, vale dizer, se foram realizados atos contrários aos requisitos preceituados na legislação de regência, capazes de gerar a perda do beneficio tarifário. A fruição dos tratamentos preferenciais acha-se normatizada no art. 4', da Resolução ALADI/CR n" 781 — Regime Geral de Origem (RGO)-, aprovada pelo Decreto n°98.836, de 1990, 4", in verbis: CUARTO.- Para que las mercancias originarias se beneficien de los tratamientos preferenciales, las mismas deben haber sido expedidas directamente dei país exportador al país importador. Para tales efectos, se considera como expedición directa: a) Las mercancias transportadas sin pesar por el território de algún país-no participante - delacuerdo. 110 b) Las mercancias transportadas en tránsito por uno o más países no participantes, com o sin transbordo o almacenamiento temporal, baj o la vigilancia de la autoridade aduanera competente em tales países, siempre que: i) el tránsito esté justificado por razones geográficas o por consideraciones relativas a requerimientos dei transporte; h) no estén destinadas ai comercio, uso o empleo en el país de tránsito; iii) no sufran, durante su transporte y depósito, ninguna operación distinta a la carga y descarga o manipule° para mantenerlas en buenas condiciones o assegurar su conservación. O caput do dispositivo em comento, combinado com sua letra "a ", estabelece, de forma expressa e clara, que é requisito para a fruição dos tratamentos preferenciais, que as mercadorias tenham sido expedidas diretamente do país exportador ao país importador, considerando-se expedição direta, as mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do acordo." Note-se neste ponto que as prova carreada aos autos demonstram que as mercadorias foram expedidas diretamente da Venezuela para o Brasil não tendo aportado em outro Pais o que comprova que interveniência do terceiro não participante foi meramente negocial. Continua a voto condutor: "As hipóteses perfiladas na letra "b", segundo entendo, destinam-se àqueles casos em que, fisicamente, a mercadoria passe por terceiro país não participante do acordo, e por isto mesmo não se aplicam ao presente caso. Texto consolidado, extraído diretamente do site www.aladi.org ,contendo as disposições das Resol ões n's 227, 232 e dos Acordos 25, 91 e 215 do Comitê de Representantes Processo n." 10209.000558/2002-82 CCO31C0 1 Acórdão n° 301-34.086 Fls. 143 É que a análise ci(9.s- C1C)CLL1lItC12 tos apresentados demonstra que embora a ocorrência de tr-iczrzgulczçao co 771ercicil, as mercadorias foram transportadas diretamente- da Verzez-uela pczna o Brasil, e apenas virtualmente passaram pelas _Ilhas Caymczn. Logo, sob o ponto de vista da origem das mercadorias, não há nenhuma dúvida de que as mesmas são procedentes da Venezuela, pais signatário do Tratado de 114ontevidéu, ficando atez-zdido o requisito para que a impo rtaclorcz se beneficiasse do tratamento preferencial. Entendo, outrossim, que o conteúdo do Certificado de Origem e as divergências qt4C' po demn causar no confronto com as Faturas Comercias, nif o podem ernbas ar- a negativa ao beneficio pretendido. Com efeito, analisando Cl dicção do art. 434„ caput, do Regulamento Aduaneiro, verifica-se que o znesnao determina que no caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a compro-maçã-o desta mesma origem será feita por qualquer meio julgczdo idôneo. Já o parágrafo Útil CC, faz- r-es-scilva em relação às mercadorias importadas de pczis-rnernbro da Associação Latino-Americana de Integração (AL_A_Ekl), quando solicitada a aplicação de reduções tarifárias neg-ociczclas pelo Brasil, caso em que cz comprovação da origem se fará cziravés- de certificado emitido por entidade competente, de acordo com mode lo aprovado pela citada Associação. A previsão legal acima acha-se perfilada com o que estabelece o art. 7", da Resolução AL,4ZDJ/C1R n" 782 — Regime Geral de Origem (RGO) - , aprovada pelo Decreto ra" 98.836, de 1990. A finalidade prec-ipzza do Certificado de Origem, na forma do dispositivo leg-al citado e nos termos da NOTA COANA/COLAIJ)/DiTEG _1\1' 60/97, de 19 de agosto de 1997, acostada pela recorrente às- 1 79/1 8'1, é tratar-se : "... um docurn emito exclusivamente destinado a acreditar o cumprimento cias requisitos de origem pactuculos pelos países membros de um determinado Acordo ou Tratado, com cz finalidade especzfica de tornar efetivo o beneficio derivado das preferências tarifárias negociadas". Já o art. 8" deter--rnina que as mercadorias- incluídas ria declaração que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições vigentes, cleverci coincidir com a que corresponde a mercadoria negociackz crassificczda de canja ~idade com a NALADI/SH com a que _foi registrada na _fcztz-tra comercial que acompanha os documen tos apresentados para o despacho aduaneiro. Analisando e con_P-ontczrzclo cada urna das BIS e respectivos documentos complementares (Certificado de. Origem, Bill of. Lading, Faturas Comerciais), czpreserztacios para despacho, -verifica-se que a descrição das mercadorias é a trzes-rrzcz, não se constatando qualquer divergência, 2 Texto consolidado, extraído diretamentedo site www.a.ladi.org ,cc•ritendo as disposições as Resoluções nos 227, 232 e dos Acordos 25, 91 e 2 15 do Comitê de Representantes _ Processo n.° 10209.000558/2002-82 CCO3/C0 I Acórdão n.° 301-34.086 Fls. 144 o que reforça o entendimento de que as operações atenderam ao disposto no art. 4 0, letra "a", da Resolução n" 78. Resta uma análise no que se refere à triangulação comercial, apontada pelo fisco como causa para a negativa do beneficio pleiteado. A mesma NOTA COANA/COLAD/DITEG N° 60/97, de 19 de agosto de 1997, antes referenciada, traz importante constatação, sendo pertinente a respectiva transcrição: "Na triangulação comercial que reiteramos, é prática frequente no comércio moderno, essa acredita ção não corre riscos, pois se trata de uma operação na qual o vendedor declara o cumprimento do requisito de origem correspondente ao Acordo em que foi negociado o produto, habilitando o comprador, ou seja, o importador a beneficiar-se do tratamento preferencial no país de destino da mercadoria. O fato de que um terceiro país fature essa mercadoria é irrelevante no que concerne à- origem. -O -número da fatura comercial aposto na 411 Declaração de Origem é uma condição coadjuvante com essa finalidade. Importante notar ainda que, em ambos os casos (ALADI e MERCOSUL), não há exigência expressa de apresentação de duas faturas comerciais. No caso MERCOSUL, se obriga apenas que na falta da fatura emitida pelo interveniente, se indique, na fatura apresentada para despacho (aquela emitida pelo exportador e/ou fabricante), a modo de declaração jurada, que "esta se corresponde com o certificado, com o número correlativo e a data de emissão, e devidamente firmado pelo operador". A lacuna apontada na referida NOTA restou preenchida através da Resolução n°232 do Comitê de Representantes da ALADI, incorporada ao ordenamento jurídico pátrio pelo Decreto n" 2.865, de 7 de dezembro de 1988, que alterou o Acordo 91 e deu nova redação ao art. 9" da Resolução 78, prevendo: "Quando a mercadoria objeto de intercâmbio, for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que em definitivo será o que fature a operação a destino. Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um país, a área correspondente do certificado não deverá ser preenchida. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação." ff Por outra via, se a PIFCO for qualificada como operadora, nos termos da Resolução 78, fica evidente que a norma em apreço não : • Processo n.° 10209.000558/2002-82 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-34.086 Fls. 145 observada, visto que os Certificados de Origem contêm, em sua totalidade, o número da Fatura Comercial emitida pela empresa venezuelana. Na primeira hipótese, como entendido pela decisão singular, retorna- se à situação, justamente aquela analisada pela NOTA COA1VA antes mencionada, no sentido de que as triangulações comerciais são práticas frequentes e que não prejudicam a acredita ção estampada no Certificado de Origem, caso em que, os requisitos para a fruição do beneficio estão atendidos. Na segunda hipótese, configura-se a inobservância ao disposto na Resolução 78, porquanto com o desembaraço aduaneiro, a recorrente, na qualidade de importadora, deveria apresentar uma declaração juramentada justificando a razão pela qual no campo relativo a "observações" do Certificado de Origem não foi preenchido, informando ainda os números e datas das faturas comerciais e dos certificados de origem que ampararam as operações de importação. • Mas nestas alturas cabe averiguar se a não entrega da declaração juramentada tem o condão de desqualificar as operações corno hábeis à fruição do tratamento diferenciado ou mesmo, se o conjunto de documentos apresentados no desembaraço suprem as informações que deveriam constar do aludido documento. A única justificativa plausível e racional para a exigência de uma declaração juranzentada é a consideração de que, no ato do desembaraço, seria apresentada apenas a fatura emitida pelo operador. Não é o caso presente, uma vez que todos os documentos utilizados nas ditas triangulações, foram apresentados à autoridade aduaneira, de sorte que as informações que deveriam constar da mencionada declaração já se acham presentes nos mesmos, suprindo, ao meu ver, toda e qualquer exigência legal. Não vislumbro, assim, qualquer motivo para descaracterizar as operações realizadas sob o pálio do tratamento tributário favorecido, segundo o espírito que norteou a elaboração da Resolução n° 78." É necessário ressaltar que a decisão supra baseia-se em operação que mantém a rastreabilidade documental do produto importado. De outro modo, neste caso, a rastreabilidade documental do produto importado não foi mantida, tendo em vista, que uma das faturas comerciais que amparam a triangulação comercial, qual seja, a Invoice da Petróleo Brasileiro S/A para a Petrobras International Finance Company, que comprovaria a alegada triangulação, conforme manifestação da Recorrente (fls. 133), "o documento solicitado (fatura da importadora originária para a PIFICO) não existe, tendo em vista que trata-se de uma importação" (sic). Os documentos atinentes à operação triangular ocorrida entre as empresas em questão, não se interligam diretamente, de modo que é necessário examinar todos os documentos emitidos e identificar a relação de rastreabilidade mantida entre eles, de modo a Processo n.° 10209.000558/2002-82 CCO3/C0 I Acórdão n.° 301-34.086 Fls. 146 permitir caracterizar a operação como triangulação comercial que mantenha a origem do produto. Aliás, se considerada a operação na forma como foi exposta pela Recorrente às fls. 133, é de concluir-se que a Petróleo Brasileiro S/A realizou duas importações, sendo uma amparada pela Invoice n°. 36722-0 da PDVSA e outra amparada pela Fatura da Petrobras International Finance Company n°. PIF-SB-65/98, ambas importando "PROFANE". Assim, para o aproveitamento do beneficio da preferência tarifária seria essencial a apresentação da fatura requisitada, uma vez que sua ausência não permite assegurar que houve uma única operação com os beneficios concedidos aos países signatários da ALADI, neste passo, deve a Recorrente, na verdade, recolher a diferença do imposto de importação. No que se refere à exigência da multa prevista no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96 cumpre destacar o disposto no Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF n° 13, de 10/09/2002, em seu art. 1°: e"Art. 1" Não constitui infração punível com a multa prevista no art. 44 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque ex, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante." No presente caso, tratando-se de solicitação de preferência tarifária negociada em acordo internacional, sem que tenha havido incorreção na descrição da mercadoria, nem tampouco indícios que possam evidenciar dolo ou má fé por parte do importador, deve ser a aplicação do disposto no Ato Declaratório. De modo que, torna-se descabida a multa de oficio aplicada pela fiscalização. e excluir a multa , . ano arap pDiante do exposto DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário Sala d. - sões - 7 d- out oro de 2007 Tr. LUIZ ROBERTO O GO - Relator
score : 1.0
Numero do processo: 11618.004427/2006-49
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Comprovada a devolução dos valores à fonte pagadora, recebidos
indevidamente por estar o contribuinte no gozo de licença para tratar de interesses particulares, o montante devolvido deve ser excluído do lançamento.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2801-001.667
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o montante de R$ 9.311,92, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCÃO LIMA
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Comprovada a devolução dos valores à fonte pagadora, recebidos indevidamente por estar o contribuinte no gozo de licença para tratar de interesses particulares, o montante devolvido deve ser excluído do lançamento. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o montante de R$ 9.311,92, nos termos do voto do Relator Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcão Lima e Tânia Mara Paschoalin. Fl. 64DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 16/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 11618.004427/200649 Acórdão n.º 2801001.667 S2TE01 Fl. 60 2 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 02/05, relativa à Declaração de Ajuste AnualDAA do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2005, anocalendário 2004, decorrente de omissão de rendimentos no valor de R$ 10.007,79, recebidos da fonte pagadora Universidade Federal da Paraíba, tendo sido apurado um imposto suplementar de R$ 2.686,27 mais acréscimos legais. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o interessado apresentou a impugnação de fls. 01, acatada como tempestiva, alegando que o valor lançado como omissão foi devolvido à respectiva fonte pagadora, apresentando como prova declaração fornecida pela Universidade Federal da Paraíba (fls. 07) informando que o autuado depositou na conta daquela instituição o montante de R$ 12.953,97, correspondente ao ressarcimento dos seus vencimentos período de 01/03/2004 a 31/01/2005 e às contribuições previdenciárias repassadas ao PSS, tendo em vista decisão constante no processo no 23074.000343/0594, arquivado em sua pasta funcional. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A DRJ/Recife julgou o lançamento procedente (fls. 21/24) em virtude de o valor informado como devolvido pelo contribuinte não coincidir com o montante recebido em 2004, e lançado pela fiscalização, tendo ressaltado que não foi juntada cópia do processo no 23074.000343/0594, citado na declaração prestada pela Universidade Federal da Paraíba, e que na DIRF apresentada (fls. 15) consta rendimento pago a partir de fevereiro, ao passo que a aludida declaração informa que o ressarcimento dos vencimentos foi no período de 01/03/2004 a 31/01/2005. Por conseguinte não acatou as informações prestadas pela fonte pagadora naquele documento. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 15/09/08, fls. 27, o interessado apresentou, em 08/10/08, o Recurso de fls. 29, juntamente com os documentos de fls. 30/57, reiterando as alegações apresentadas na impugnação. Entre os documentos anexados consta cópia do processo no 23074.000343/0594, comprovante do depósito efetuado em 28/02/05 (fls. 52) na conta única do Tesouro Nacional no valor de R$ 12.953,97. Diante do exposto acima requer o provimento de seu recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima Fl. 65DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 16/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 11618.004427/200649 Acórdão n.º 2801001.667 S2TE01 Fl. 61 3 O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O processo no 23074.000343/0594 referese à licença para tratar de interesses particulares solicitada pelo recorrente à Universidade Federal da Paraíba em 01/03/04, que foi deferida por meio da Portaria/CLVDDD/SRH/N° 193, de 17 de maio de 2005, com efeitos a partir de 01/03/04 findando em 01/03/07(fls. 53). Conforme informação prestada naquele processo (fls. 42), o contribuinte recebeu indevidamente os seus vencimentos no período de 01/03/04 a 31/01/05, mesmo estando no gozo da aludida licença a partir de 01/03/04, razão pela qual a Superintendência de Recursos Humanos daquela instituição adotou providências para que o recorrente efetuasse a devolução de tais valores (fls. 43), apurados como sendo R$ 12.953,97 (fls. 49). Conforme documentos de fls. 50/52, a citada quantia foi devolvida à Universidade Federal da Paraíba pelo interessado. O art. 43 do CTN dispõe sobre o fato gerador do imposto de renda, in verbis: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) De acordo com o dispositivo legal acima reproduzido o fato gerador do imposto de renda constituise pela aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza. No presente caso a devolução dos valores recebidos indevidamente pelo contribuinte, em virtude de não ter prestado serviços no período de 01/03/04 a 31/01/05, por estar no gozo de licença para tratar de interesses particulares, descaracteriza a ocorrência do fato gerador naquele interregno temporal. Convém ressaltar que, embora o total apurado pela fonte pagadora para o período de 01/03/04 a 31/12/04 (fls. 48) não coincida com os valores informados na DIRF (fls. 15), tal divergência não tem relevância nesse julgamento, pelo fato de o valor apurado e Fl. 66DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 16/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 11618.004427/200649 Acórdão n.º 2801001.667 S2TE01 Fl. 62 4 recolhido para aquele período, R$ 11.850,67, ser superior ao valor recebido indevidamente, R$ 9.311,92, de acordo com a citada DIRF. Não obstante o acima exposto, cumpre observar que o lançamento abrangeu os rendimentos recebidos nos meses de fevereiro a dezembro de 2004, e o contribuinte efetuou a devolução dos valores recebidos no período de 01/03/04 a 31/01/05, pois a sua licença para tratar de assuntos particulares teve início em 01/03/04. Assim resta a omissão relativa aos rendimentos recebidos em fevereiro, correspondente a R$ 695,87, conforme DIRF de fls. 15. Diante do exposto acima voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir do lançamento o montante de R$ 9.311,92, correspondente aos rendimentos recebidos nos meses de março a dezembro de 2004. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima – Relator Fl. 67DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 16/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA
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