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Numero do processo: 10120.001567/2002-61
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2006
Ementa: CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE - Não compete à autoridade administrativa decidir sobre a legalidade ou a constitucionalidade dos atos emanados dos Poderes Legislativo e
Executivo.
PAF - PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO - Os princípios são as diretrizes que devem ser observadas pelo administrador tributário. A constituição traz em si normas e Princípios jurídicos vinculantes que apontam o sentido no
qual a decisão deve seguir.
PAF — PRINCIPIO INQUISITÓRIO x CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - O dever de investigação decorre da necessidade que tem o fisco de provar a ocorrência do fato constitutivo do seu direito de lançar. Sendo seu & encargo de provar a ocorrência do fato
imponível, para exercício do direito de realizar o lançamento, a este corresponderá o dever de investigação com o qual deverá produzir as provas ou indícios, segundo determine a regra aplicável ao caso, sendo esta fase privativa da autoridade lançadora. O contraditório se instala com a impugnação.
PAF - PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS OBSERVÂNCIA - Na função de aplicador da lei não pode o julgador tributário esquecer de
integrar a interpretação aos princípios constitucionais que funcionam como "vetores interpretativos"."0 agente público que fiscaliza e apura créditos tributários está sujeito ao principio da indisponibilidade dos bens públicos e deverá atuar aplicando a lei — que disciplina o tributo —ao caso concreto, sem margem de
discricionariedade. A renúncia total ou parcial e a redução de suas garantias pelo funcionário, fora das hipóteses estabelecidas na Lei - n. 5.172/66, acarretará a sua responsabilização funcionar( Aliomar Baleeiro).
PAF - NULIDADES - Não provada violação às regras do artigo 142
do CTN nem dos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235/1972, não há
que se falar em nulidade, do lançamento, do procedimento fiscal
que lhe deu origem, ou do documento que formalizou a exigência
fiscal
PAF - COMPENSAÇÃO - PROCEDIMENTO DE OFICIO - o artigo 16 da IN SRF 21 de 1997, determina que a autoridade competente para conhecimento da matéria referente a compensação de valores
de oficio lançados, com supostos indébitos, será aquela da Unidade Jurisdicionante. A forma de compensação seguirá o comando do parágrafo 3. do artigo 12 deste diploma legal.
PAF - APURAÇÃO CONTÁBIL - A ciência contábil é formada por
uma estrutura única composta de postulados e orientada por
princípios. Sua produção deve ser a correta apresentação do
patrimônio, com apuração de suas mutações e análise das causas
de suas variações. A apuração contábil observará as três dimensões na qual está inserida e as quais deve servir; comercial - a Lei 6404/1976; contábil - Resolução 750/1992 e fiscal, que implica em chegar ao cálculo da renda, obedecendo aos critérios
constitucionais com fins tributários. A regência da norma jurídica, originária de registro contábil, tem a sua natureza dupla: descrever um fato econômico em linguagem contábil, sob forma legal e um fato jurídico, imposto legal e prescritivamente. Feito o registro contábil como determina a lei torna-se norma jurídica individual e concreta, observada por todos, inclusive a administração, fazendo prova a favor do sujeito passivo. Caso contrário fará prova contra.
IRPJ - ARBITRAMENTO DO LUCRO - FORMA DE APURAÇÃO DE RESULTADO — O arbitramento do lucro não é penalidade, sendo apenas mais uma forma de apuração dos resultados. O Código Tributário Nacional, em seu artigo 44, prevê a incidência do IRPJ sobre três possíveis bases de cálculo: lucro real, lucro arbitrado e lucro presumido. A apuração do lucro real, parte do lucro líqüido do exercício, ajustando-o, fornecendo o lucro tributável. Na apuração do lucro presumido e do arbitrado, seu resultado decorre da aplicação de um percentual, previsto em lei, sobre a receita bruta conhecida, cujo resultado já é o lucro tributável.
MULTA DE OFICIO AGRAVADA - Sobre os créditos apurados em
procedimento de oficio cabe a exasperação da multa, quando o
contribuinte, sistemática e intencionalmente, omite receitas à
tributação.
Recurso negado.
Numero da decisão: 108-08.780
Decisão: ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
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ementa_s : CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE - Não compete à autoridade administrativa decidir sobre a legalidade ou a constitucionalidade dos atos emanados dos Poderes Legislativo e Executivo. PAF - PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO - Os princípios são as diretrizes que devem ser observadas pelo administrador tributário. A constituição traz em si normas e Princípios jurídicos vinculantes que apontam o sentido no qual a decisão deve seguir. PAF — PRINCIPIO INQUISITÓRIO x CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - O dever de investigação decorre da necessidade que tem o fisco de provar a ocorrência do fato constitutivo do seu direito de lançar. Sendo seu & encargo de provar a ocorrência do fato imponível, para exercício do direito de realizar o lançamento, a este corresponderá o dever de investigação com o qual deverá produzir as provas ou indícios, segundo determine a regra aplicável ao caso, sendo esta fase privativa da autoridade lançadora. O contraditório se instala com a impugnação. PAF - PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS OBSERVÂNCIA - Na função de aplicador da lei não pode o julgador tributário esquecer de integrar a interpretação aos princípios constitucionais que funcionam como "vetores interpretativos"."0 agente público que fiscaliza e apura créditos tributários está sujeito ao principio da indisponibilidade dos bens públicos e deverá atuar aplicando a lei — que disciplina o tributo —ao caso concreto, sem margem de discricionariedade. A renúncia total ou parcial e a redução de suas garantias pelo funcionário, fora das hipóteses estabelecidas na Lei - n. 5.172/66, acarretará a sua responsabilização funcionar( Aliomar Baleeiro). PAF - NULIDADES - Não provada violação às regras do artigo 142 do CTN nem dos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235/1972, não há que se falar em nulidade, do lançamento, do procedimento fiscal que lhe deu origem, ou do documento que formalizou a exigência fiscal PAF - COMPENSAÇÃO - PROCEDIMENTO DE OFICIO - o artigo 16 da IN SRF 21 de 1997, determina que a autoridade competente para conhecimento da matéria referente a compensação de valores de oficio lançados, com supostos indébitos, será aquela da Unidade Jurisdicionante. A forma de compensação seguirá o comando do parágrafo 3. do artigo 12 deste diploma legal. PAF - APURAÇÃO CONTÁBIL - A ciência contábil é formada por uma estrutura única composta de postulados e orientada por princípios. Sua produção deve ser a correta apresentação do patrimônio, com apuração de suas mutações e análise das causas de suas variações. A apuração contábil observará as três dimensões na qual está inserida e as quais deve servir; comercial - a Lei 6404/1976; contábil - Resolução 750/1992 e fiscal, que implica em chegar ao cálculo da renda, obedecendo aos critérios constitucionais com fins tributários. A regência da norma jurídica, originária de registro contábil, tem a sua natureza dupla: descrever um fato econômico em linguagem contábil, sob forma legal e um fato jurídico, imposto legal e prescritivamente. Feito o registro contábil como determina a lei torna-se norma jurídica individual e concreta, observada por todos, inclusive a administração, fazendo prova a favor do sujeito passivo. Caso contrário fará prova contra. IRPJ - ARBITRAMENTO DO LUCRO - FORMA DE APURAÇÃO DE RESULTADO — O arbitramento do lucro não é penalidade, sendo apenas mais uma forma de apuração dos resultados. O Código Tributário Nacional, em seu artigo 44, prevê a incidência do IRPJ sobre três possíveis bases de cálculo: lucro real, lucro arbitrado e lucro presumido. A apuração do lucro real, parte do lucro líqüido do exercício, ajustando-o, fornecendo o lucro tributável. Na apuração do lucro presumido e do arbitrado, seu resultado decorre da aplicação de um percentual, previsto em lei, sobre a receita bruta conhecida, cujo resultado já é o lucro tributável. MULTA DE OFICIO AGRAVADA - Sobre os créditos apurados em procedimento de oficio cabe a exasperação da multa, quando o contribuinte, sistemática e intencionalmente, omite receitas à tributação. Recurso negado.
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T.; -r; MINISTÉRIO DA FAZENDA 3' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. :10120.001567/2002-61 Recurso n°. : 145.337 Matéria : IRPJ — EXS.: 1998 a 2002 Recorrente : NA ANDRASCHKO-ME Recorrida : 2° TURMA/DRJ-BRASILIA/OF Sessão de : 26 DE ABRIL DE 2006 Acórdão n°. : 108-08.780 CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE - Não compete à autoridade administrativa decidir sobre a legalidade ou a constitucionalidade dos atos emanados dos Poderes Legislativo e Executivo. PAF - PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO - Os princípios são as diretrizes que devem ser observadas pelo administrador tributário. A constituição traz em si normas e Princípios jurídicos vinculantes que apontam o sentido no qual a decisão deve seguir. PAF — PRINCIPIO INQUISITÓRIO x CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - O dever de investigação decorre da necessidade que tem o fisco de provar a ocorrência do fato constitutivo do seu direito de lançar. Sendo seu & encargo de provar a ocorrência do fato imponível, para exercício do direito de realizar o lançamento, a este corresponderá o dever de investigação com o qual deverá produzir as provas ou indícios, segundo determine a regra aplicável ao caso, sendo esta fase privativa da autoridade lançadora. O contraditório se instala com a impugnação. • 1 1 PAF - PRINCÍPIOS CONStITUCIONAIS OBSERVÂNCIA - Na função de aplicador da lei não pode o julgador tributário esquecer de integrar a interpretação aos princípios constitucionais que funcionam como "vetores interpretativos"."0 agente público que fiscaliza e apura créditos tributários está sujeito ao principio da indisponibilidade dos bens públicos e deverá atuar aplicando a lei — que disciplina o tributo —ao caso concreto, sem margem de discricionariedade. A renúncia total ou parcial e a redução de suas garantias pelo funcionário, fora das hipóteses estabelecidas na Lei - n. 5.172/66, acarretará a sua responsabilização funcionar( Aliomar Baleeiro). PAF - NULIDADES - Não provada violação às regras do artigo 142 do CTN nem dos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235/1972, não há que se falar em nulidade, do lançamento, do procedimento fiscal que lhe deu origem, ou do documento que formalizou a exigência fiscal. j - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '1/4S.;".:5 OITAVA CÂMARA Processo n°. :10120.001567/2002-61 Acórdão n°. :108-08.780 Recurso n°. : 145.337 Recorrente : NA ANDRASCHKO-ME PAF - COMPENSAÇÃO - PROCEDIMENTO DE OFICIO - o artigo 16 da IN SRF 21 de 1997, determina que a autoridade competente para conhecimento da matéria referente a compensação de valores de oficio lançados, com supostos indébitos, será aquela da Unidade Jurisdicionante. A forma de compensação seguirá o comando do parágrafo 3. do artigo 12 deste diploma legal, PAF - APURAÇÃO CONTÁBIL - A ciência contábil é formada por uma estrutura única composta de postulados e orientada por princípios. Sua produção deve ser a correta apresentação do patrimônio, com apuração de suas mutações e análise das causas de suas variações. A apuração contábil observará as três dimensões na qual está inserida e as quais deve servir; comercial - a Lei 6404/1976; contábil - Resolução 750/1992 e fiscal, que implica em chegar ao cálculo da renda, obedecendo aos critérios constitucionais com fins tributários. A regência da norma jurídica, originária de registro contábil, tem a sua natureza dupla: descrever um fato econômico em linguagem contábil, sob forma legal e um fato jurídico, imposto legal e prescritivamente. Feito o registro contábil como determina a lei torna-se norma jurídica individual e concreta, observada por todos, inclusive a administração, fazendo prova a favor do sujeito passivo. Caso contrário fará prova contra. IRPJ - ARBITRAMENTO DO LUCRO - FORMA DE APURAÇÃO DE RESULTADO — O arbitramento do lucro não é penalidade, sendo apenas mais uma forma de apuração dos resultados. O Código Tributário Nacional, em seu artigo 44, prevê a incidência do IRPJ sobre três possíveis bases de cálculo: lucro real, lucro arbitrado e lucro presumido. A apuração do lucro real, parte do lucro liqüido do exercício, ajustando-o, fornecendo o lucro tributável. Na apuração do lucro presumido e do arbitrado, seu resultado decorre da aplicação de um percentual, previsto em lei, sobre a receita bruta conhecida, cujo resultado já é o lucro tributável. MULTA DE OFICIO AGRAVADA - Sobre os créditos apurados em procedimento de oficio cabe a exasperação da multa, quando o contribuinte, sistemática e intencionalmente, omite receitas à tributação. Recurso negado. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ef:5 OITAVA CÂMARA Processo n°. :10120.001567/2002-61 Acórdão n°. :108-08.780 Recurso n°. :145.337 Recorrente : NA ANDRASCHKO-ME Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por NA ANDRASCHKO-ME. ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. DORIV • L PAD AN PRES /9E TEsl 101 VII E • . AS PESSOA MONTEIRO RE • TO -P FORMALIZADOEM:30 nmisi 2006 Participaram ainda do presente julgamento, os Conselheiros: NELSON LOSS° FILHO, MARGIL ALEXANDRE SALLES STEIL, JOSÉ CARLOS TEIXEIRA DA FONSECA e JOSÉ HENRIQUE LONGO. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros KAREM JUREIDINI DIAS e MARGIL MOURA() GIL NUNES. 3 t. MINISTÉRIO DA FAZENDA t:1:4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES d" OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10120.00156712002-61 Acórdão n°. :108-08.780 Recurso n°. : 145.337 Recorrente : NA ANDRASCHKO-ME RELATÓRIO NA ADRASCHKO ME, Pessoa Jurídica de Direito Privado, já qualificada nos autos, teve contra si lavrado o auto de infração de fls,185/193, para o IRPJ, no valor de R$ 586.294,42, de janeiro de 1997 a junho de 2001 . Enquadramento legal nos respectivos termos A base de cálculo da exação se fez arbitrando o lucro, com base nas planilhas de fls. 18/30 (Planilhas de Informações prestadas a SRF), vez que a contribuinte não apresentou os Livros Caixa, Diário e Razão, conforme termos de fls. 15, 33, 35. A empresa, optante pelo SIMPLES, foi desenquadrada conforme AD de fls. 118. Houve imposição de multa agravada e qualificada. Impugnação de fls. 139/154, e 178/182, em breve síntese, invocou a nulidade do procedimento posto que não lhe fora assegurada a totalidade do prazo para interposição do contraditório, implicando em cerceamento do seu direito de defesa, frente a inconformidade relativa ao Ato Declaratório Executivo n° 8, de 27 de fevereiro de 2002, publicado no DOU de 15 de março de 2002. Ainda, porque o lançamento não atendera ao princípio da legalidade e da ampla defesa, vez que não alinhou o fato com enquadramento legal, faltando informação e fundamento do motivo que gerou a autuação. Na planilha de cálculos de fls. fls. 181/182, caso restasse valores a recolher, a título de IRPJ, deveria ser abatida a importância recolhida como "SIMPLES" (o valor não corresponderia a R$ 144.976,37 e sim R$ 144.074,30) A imposição de multa confiscatória feriria o art. 150, IV da Constituição Federal e a Lei 9.298/1996, não observando os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, 4 . ",:.; MINISTÉRIO DA FAZENDA 1 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES f,1„:".> OITAVA CÂMARA Processo n°. :10120.001567/2002-61 Acórdão n°. :108-08.780 rejeitada inclusive pelo STF e doutrinadores. Sua aplicação deveria observar a capacidade contributiva, o grau da falta, os antecedentes fiscais do contribuinte, o dano sofrido pelo erário público, a existência ou não de conluio, fraude fiscal, sonegação fiscal, a má-fé ou dolo, enfim, os elementos subjetivos que devem ser analisados pelo aplicador da Lei, a fim de que esta siga o primado da justiça e vigie os princípios teleológicos. Alternativamente, a persistir a procedência do ilícito fosse deduzido do montante apurado como devido os valores já pagos a titulo de Simples, conforme atestado pelas guias juntadas. Decisão de fls. 185/193 esteve assim ementada: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 - Ementa: Nulidade - Não há que se falar de nulidade quando a exigência fiscal sustenta-se em processo instruído com todas as peças indispensáveis e não se vislumbra nos autos que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe confere para se defender. Arbitramento do Lucro - O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Basede Cálculo do Imposto - O conceito de receita bruta para fins de determinação da base de cálculo do imposto, quer incidente sobre o lucro real, quer lucro presumido ou arbitrado, é o que está definido no art. 31 da Lei n.° 8.981/1995. Não se enquadrando a contribuinte nas situações excepcionadas, há que considerar toda a receita bruta de suas vendas, excluindo- se apenas as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, dos quais a autuada seja mera depositária. Multa Qualificada - Declarando a menor seus rendimentos, a contribuinte tentou impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Essa prática, sistemática e reiterada durante anos consecutivos, realizada com fim de enquadrar-se em 5 • .47; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES -:#7rM:i- OITAVA CÂMARA Processo n°. :10120.001567/2002-61 Acórdão n°. :108-08.780 sistemática de pagamento de tributos menos onerosa, caracteriza a conduta dolosa e premeditada, cuja situação fática se subsume perfeitamente aos tipos previstos nos arts. 71 e 72 da Lei n.° 4.502/1964, ainda que a contribuinte tenha escriturado corretamente suas receitas nos Livros de Apuração do ICMS. Multa Confiscatória - O instituto do confisco, constitucionalmente posto, importa em prejuízos exorbitantes para toda a sociedade, não ocorre com infrações à legislação tributária. Multa Por Não Atendimento à Intimação - Incabível a elevação da multa de 150% para 225%, se demonstrado nos autos que o contribuinte atendeu, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos. Lançamento Procedente em Parte." Afastou a preliMinar de nulidade, porque às fls.120 a 123, estariam presentes tanto o fundamento legal quanto a perfeita descrição da ocorrência de infração à legislação tributária.Também ausentes os pressupostos do artigo 10 do DL 70235/1972. A causa de lançar partiu da constatação da ocorrência de receita bruta de vendas nos anos de 1997 a 2001 em limite superior aquele estabelecido para o optante do Simples. A base legal para o arbitramento se fez no art. 47, inciso III da Lei 8.981/1995 e inciso III do art. 530 do RIR/99, ou seja, a empresa deixou de apresentar os livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal. Por outro lado, a exclusão do simples sujeita a empresa às normas gerais de apuração dos resultados, nos termos dos arts. 16 e 18 da Lei n° 9.317/1996). O ADE n° 8, de 27/0212002, teve por fundamento receita bruta superior ao limite estabelecido na Lei n° 9.317/96, constatada na escrituração do contribuinte nos anos de 1997 a 2001, portanto, a empresa sequer poderia optar pelo Simples ou nele permanecer. Teve sua publicidade através do DOU de 15 de março de 2002 (fls. 118) nos termos dos arts. 31, 32 e 33 da Instrução Normativa SRF n° 74/1996. ef'D 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA yp̀ PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4"4:5 OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10120.00156712002-61 Acórdão n°. :108-08.780 Comentou sobre a emissão do ADE,concordando com o procedimento do fisco (embora ressaltando que não era matéria deste litígio). Afastou a preliminar. Quanto ao mérito salientou que o arbitramento não representaria sanção tributária, mas uma modalidade de apuração dos tributos, na linha de fartajurisprudência da CSRF, da qual transcreveu, como exemplo, a ementa do Ac. CSRF/01-0.123/81. Os autos demonstram que o autuante intimou formalmente a contribuinte a apresentar os livros contábeis e fiscais, como houve resposta a necessidade do arbitramento como forma de apuração dos resultados. Não houve qualquer manifestação para oferecimento dos Livros Caixa, Diário e Razão, porque inexistentes, segundo se depreende da resposta de fls. 147. No tocante a base de cálculo do imposto está se deu no valor das receitas conhecidas, registrada pelo contribuinte nos Livros Registro de Apuração do ICMS e informações prestadas a SRF. Dessas receitas foram realizadas as exclusões, que têm permissão legal, no caso, devoluções de vendas, conforme se pode ver dos demonstrativos acostados aos autos, nos termos do inciso III do art. 47 da Lei n.° 8.981/1995. ( Descrição dos Fatos às folhas 120/123). A apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro, no lucro real, presumido, ou arbitrado, obedece ao conceito de receita bruta instituído no art. 31, e parágrafo único, da Lei n.° 8.981/1995. A multa foi qualificada, segundo fls. 123, por suposta infrigência ao inciso I do art. 20 da Lei 8.137/90. A recorrente em todo o período autuado (1997 a 2001) declarou à SRF apenas uma pequena fração da receita de vendas (fls. 101 a 110 e 111 a 112), visando manter-se no SIMPLES, desde o ano-calendário de 1997. Com se vê, também,às folhas 01 a 03, do processo 10120.001574/2002-62). 7 re MINISTÉRIO DA FAZENDA 4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4;tzfk:Lz5 OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10120.001567/2002-61 Acórdão n°. : 108-08.780 O fundamento legal para a qualificação da multa se fez no art. 44, inciso II, da Lei n.° 9.430/1996. Dispõe o dispositivo que a multa é devida nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por seu turno, os arts. 71, 72 e 73 da Lei n.° 4.502/1964, assim rezam: "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I — da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II — das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72". Ao declarar os rendimentos em desacordo com a verdade material,( declarou em tomo de 9,5% do valor escriturado) visou furtar-se à tributação impedindo e retardando, ainda que parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. O procedimento tipifica a conduta dolosa e premeditada, cuja situação fática se subsume perfeitamente aos tipos previstos nos arts. 71 e 72 da Lei n.° 4.502/1964, ainda que escriturado corretamente suas receitas nos livros de Apuração do ICMS. Quanto ao aspecto de confisco opôs a vasta jurisprudência deste conselho, espelhada na ementa do Acórdão n° 106-07.948/96: "outro exemplo da distinção entre tributo e multa ou penalidade pecuniária nos é fornecido, também, pelo CTN em seu art. 121: sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento do tributo ou penalidade pecuniária". tf MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA • Processo n°. : 10120.00156712002-61 Acórdão n°. :108-08.780 Afastou o agravamento da qualificação , por entender que houve atendimento, pois a empresa prestou esclarecimentos à fiscalização ao entregar os demonstrativos "Informações Prestadas à SRF", folhas 18 a 30, e os livros relacionados às folhas 17 e 31, não cabendo o comando do parágrafo 2° do art. 44 da Lei 9.430/1996. Arrematou: "Mesmo porque, o arbitramento com base na receita bruta conhecida foi realizado com os dados colhidos naquelas informações prestadas e escrituradas." Esclareceu que a compensação seria possível (realizada pela autoridade jurisdicionante). No recurso de fls. 203/214 reitera o argumento de nulidade por descumprimento do artigo 10, V do Decreto 70235/72, quando concedeu 20 dias de prazo para defesa do autuado quando a Lei determinaria 30 dias, linha na qual discordou da decisão recorrida pedindo a decretação da nulidade do ato combatido. No mérito não se conformaria com o arbitramento porque,embora reconhecendo a paciência dos fiscais em esperar a entrega dos documentos, o lançamento não poderia prosperar, porque sua base de cálculo estaria além da verdade material, como provaria o Diário anexo às razões. Comentou: "Assim, pacientemente ,os respeitáveis agentes fiscais aguardaram a entrega dos referidos livros. Mas tendo em vista a demora na apresentação dos mesmos, e o fato de que o procedimento fiscal não pode esperar em demasia, os mesmos primaram pelo auto de infração em comento, apurando o lucro conforme o faturamento bruto mensal constante nos livros fiscais da empresa" (fls. 207). Erro também haveria na base de cálculo, pois o autuante teria se equivocado quando não atribuiu o percentual de arbitramento, tributando a receita total,em desacordo com o artigo 47 da 8981/95; 31e § único, 15 e 16 da 9249/95. Discorrendo sobre dolo e fraude concluiu por sua ausência no presente caso, pois o recolhimento a menor não os configurariam. A multa aplicada seria abusiva. Juntou jurisprudência sobre a matéria (longamente discorrida) pedindo justiça. 9 ..zr MINISTÉRIO DA FAZENDA s4t..5.4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 5 OITAVA CÂMARA Processo n°. :10120.001567/2002-61 Acórdão n°. :108-08.780 Arrolamento de bens conforme fls. 915. As fls. 919 saneei o processo no tocante a numeração de páginas. Fls. 920/926 Resolução 303-00.997 do 3° Conselho,declinando da competência de julgamento. Despacho de fls. 927 encaminha o processo para este Conselho É o Relatório. io 3; e ‘',12; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10120.001567/2002-61 Acórdão n°. : 108-08.780 VOTO Conselheira IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Relatora O recurso esta revestido dos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Trata-se de auto de infração de fls.185/193, para o IRP,J no valor de R$ 586.294,42, de 1997 a junho de 2001, com arbitramento dos lucros. A empresa optante pelo SIMPLES, foi desenquadrada por excesso de receita em todo período fiscalizado. Ademais, da receita bruta auferida ofereceu à tributação no período , apenas, 9,5%. As razões iniciam arguindo nulidade por vários motivos. Um deles estaria no prazo de 20 dias para atendimento às intimações. Mas,embora seja este o prazo legal concedido no PAF (§ 3° do artigo 835 RIR/99) em todo o desenrolar do procedimento a autoridade lançadora o estendeu para que a recorrente atendesse às intimações, conforme fls. 18 a 31, e corno ela própria atestou às fls. 207 "Assim, pacientemente ,os respeitáveis agentes fiscais aguardaram a entrega dos referidos livros. Mas tendo em vista a demora na apresentação dos mesmos, e o fato de que o procedimento fiscal não pode esperar em demasia, os mesmos primaram pelo auto de infração em comento, apurando o lucro conforme o faturamento bruto mensal constante nos livros fiscais da empresa". O prazo de 30 dias é instituído no Decreto 70235/1974, artigo 15 na instalação do contraditório e nos atos posteriores. E este foi cumprido. Como exemplo, a ciência do auto se deu em 02/04/2002, e a impugnação foi protocolada, tempestivamente, em 02/05/2002, portanto não procedem as alegações de recurso neste particular. 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA -::Jk PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES f41, OITAVA CÂMARA Processo n°. :10120.001567/2002-61 Acórdão n°. :108-08.780 Não provada violação às regras do artigo 142 do CTN nem dos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235/1972, não há que se falar em nulidade, do lançamento, do procedimento fiscal que lhe deu origem, ou do documento que formalizou a exigência fiscal. Outro argumento que também não procede é quanto ao possível erro na base imponível, por falta de aplicação do percentual adequado ao arbitramento. A base de cálculo está de acordo com a verdade material, constante das planilhas de fls.111 e 112, onde estão os valores das receitas, as exclusões de vendas, (receita bruta menos deduções legalmente admitidas) e o coeficiente aplicável no arbitramento, 9,6%. Às fls. 113/117 consta o resumo dos créditos apurados pelo Autuante. Afasto a preliminar. O cabimento do arbitramento resta inconteste, pois não havia escrita regular, nos termos do artigo 539, II do RIR/1994 e artigo 16 da Lei 924911995, que têm as seguintes redações: "Artigo 539 - A autoridade tributária arbitrará o lucro da pessoa jurídica, inclusive da empresa individual equiparada, que servirá de base de cálculo do imposto quando (DL 1648/78, art.?, Lei 8218/91, arts. 13 e 14 parágrafo único, 8383/91, art. 62 e 8541/92 art.21): II - a escrituração mantida pelo contribuinte contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real ou, ainda, revelar evidentes indícios de fraude. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: (...) II - a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte, revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tomem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; b) determinar o lucro real. '741 12 .;-;• MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES •-t'e:, OITAVA CÂMARA Processo n°. :10120.001567/2002-61 Acórdão n°. :108-08.780 O Parecer Normativo n° 23/1978, ao tratar das hipóteses de arbitramento, referindo-se ao inciso 1 do art 539 do RIR/1994, distingiu o arbitramento como forma de aferição de lucro e não como penalidade, quando afirmou com propriedade que: "Falta de escrita regular - O pressuposto de fato previsto no inciso (falta de escrituração regular) não distingue as causas dessa falta. O arbitramento não representa penalidade e sim valoração do lucro tributável." A falha apontava o arbitramento como a medida de que dispunha a administração para fazer cumprir a obrigação tributária. A matéria é pacífica neste Colegiada, refletida na ementa a seguir transcrita: "IRPJ — ARBITRAMENTO DO LUCRO — FORMA DE APURAÇÃO DE RESULTADO — O arbitramento do lucro não é penalidade, sendo apenas mais uma forma de apuração. O Código Tributário Nacional, em seu artigo 44, prevê a incidência do IRPJ sobre três possíveis bases de cálculo: lucro real, lucro arbitrado e lucro presumido. A apuração do lucro real, parte do lucro liqüido do exercício, ajustando-o, fornecendo o lucro tributável. Na apuração do lucro presumido e do arbitrado seu resultado decorre da aplicação de um percentual, previsto em lei, sobre a receita bruta conhecida, cujo resultado já é o lucro tributável, não comportando mais qualquer ajustes". (Ao. 108-08.157 de 26/01/2005) A atividade fiscal é vinculada e obrigatória sob pena de responsabilidade funcional Não compete a autoridade fiscal nem ao julgador administrativo, determinar outra forma de proceder, quando os fatos se subsumem a norma, não sendo possível o desvio do seu comando. Pela mesma razão não é possível esta instância se pronunciar quanto a compensação. A tal pedido é oposto o artigo 16 da IN SRF 21/1997, que determinou a competência das Autoridades das unidades jurisdicionante para conhecimento da matéria, na forma do parágrafo 3" do artigo 12 do mesmo diplom; legal. 13 4 „ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES zi:Xlre",;',› OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10120.001567/2002-61 Acórdão n°. :108-08.780 O Prof. Souto Maior Borges em seu Livro Lançamento Tributário, Malheiros Editores, SP. r ed.1999, p. 120/121 leciona, ainda, que o "procedimento administrativo de lançamento é o caminho juridicamente condicionado por meio do qual a manifestações jurídicas de plano superior - a legislação - produz manifestação jurídica de plano inferior o ato administrativo do lançamento. (..) E, porque o procedimento de lançamento é vinculado e obrigatório, o seu objeto não é relegado pela lei à livre disponibilidade das partes que nele intervêm. É indisponível, em princípio, a atividade de lançamento- e , portanto insuscetível de renúncia”. A multa aplicada tem natureza jurídica obrigacional. Pela teoria dos atos jurídicos a multa que se institui unilateral ou bilateralmente, conforme seja legal ou convencional, executa-se com prevalência de uma só vontade: a do credor. É o instrumento que o estado dispõe para compelir o contribuinte, sujeito passivo da obrigação, à satisfazê-la. No caso de mora, tem por fim estimular o cumprimento de obrigações, tempestivamente. Quando pune infração específica, tem características semelhantes à sanção penal comum, por punir um ilícito fiscal. Ela não prevê o ânimo de delinqüir. Basta o não cumprimento da obrigação, a infração a um dispositivo legal administrativo, independente da vontade do agente. Ocorre se presentes os pressupostos de natureza material. Na Lei 9430/1998 está o resumo das normas reguladoras da aplicação das multas no sistema tributário federal. A seção V do capítulo IV- Procedimentos de Fiscalização - disciplina a aplicação das multas de oficio. As multas, impostas no descumprimento da obrigação tributária principal, tem analogia com a cláusula penal convencional, prevista no direito privado. A diferença é que nestes casos ocorre de acordo de vontade entre as partes e no caso do Direito Público decorre da lei. 14 .41. , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES -; .(k'tef> OITAVA CÂMARA Processo n°. :10120.001567/2002-61 Acórdão n°. : 108-08.780 Havendo atos praticados com infração conceituada como crime, ou • quando há presença de dolo específico nas infrações, conforme o artigo 137 do CTN, cabem as multas de caráter punitivo e por isto de maior valor, pois sua natureza não é mais compensatória e sim punitiva. Nos autos são tratados ilícitos tributários que, em tese, apontam para ocorrência de crime contra a ordem tributária. As razões apresentadas tangenciam esse aspecto do litígio. A multa decorre da natureza dos ilícitos. Como norma penal em branco, é preenchida segundo o tipo penal ao qual se subsume. Sendo norma de superposição, em complemento ao direito tributário, somente este dirá o que vem a ser tributo, qual sua espécie, quem é o contribuinte, responsável ou substituto. Nos autos o ilícito decorreu da manutenção à margem dos seus registros contábeis 90,5% da receita auferida em todo período, com a finalidade de omitir do fisco tais valores e oferecer à tributação um quanto menor que o devido. Conduta prevista na norma insculpida no artigo 44 inciso II da lei 9430/1996. Também não se verifica a possibilidade de exclusão da multa nos moldes do artigo- 138 do CTN, pois os valores apresentados ao fisco não fizeram parte de um arrependimento eficaz. A confissão da recorrente quanto ao real faturamento só ocorreu durante o procedimento fiscal, sem qualquer espontaneidade. O suposto confisco no percentual aplicado não é matéria afeta a competência deste Colegiado, por implicar na análise de legalidade e constitucionalidade de lei. Toda matéria objeto do auto de infração está submetida às *rir instâncias administrativa, exceto a análise jurídica da constitucionalidade e legalidade dos dispositivos aplicados por estrita observância à atividade vinculada do administrador e julgador tributário. Argüição de ilegalidade e inconstitucionalidade 15 S ktr MINISTÉRIO DA FAZENDA g!,...-F 4` PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10120.001567/2002-61 Acórdão n°. : 108-08.780 são privativas do Poder Judiciário, não podendo o aplicador tributário negar vigência a dispositivo legal validamente editado. O controle dos atos administrativos nesta instância, se refere aos procedimentos próprios da administração, que são revistos conforme determinação do artigo 149 do Código Tributário Nacional, seguindo o comando do Decreto 70235/1972 nos artigos 59, 60, 61. O Jurista Hugo de Brito Machado, em ensaio sobre "O Devido Processo Legal Administrativo e Tributário e o Mandado de Segurança", publicado no volume Processo Administrativo Fiscal coordenado por Valdir de Oliveira Rocha - Dialética - 1995 esclarece: "Se um órgão do Contencioso Administrativo Fiscal pudesse examinar a argüição de inconstitucionalidade de uma lei tributária, disso poderia resultar a prevalência de decisões divergentes sobre um mesmo dispositivo de uma lei, sem qualquer possibilidade de uniformização. Acolhida a argüição de inconstitucionalidade, a Fazenda não pode ir ao judiciário contra a decisão de um órgão que integra a própria administração. O contribuinte por seu turno, não terá interesse processual, nem fato para fazê-lo. A decisão tomar-se-á assim definitiva, ainda que o mesmo dispositivo tenha sido ou venha a ser considerado constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, que é, em nosso ordenamento jurídico, o responsável maior pelo deslinde de todas as questões de constitucionalidade, vale dizer, o 'guardião da Constituição." A-autoridade lançadora provou a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. A prática adotada pelo sujeito passivo demonstrou, inequivocamente, seu erro consciente e até sinalizou para a possibilidade de ocorrência de crime contra a ordem tributária. Por isto, segundo o princípio da indisponibilidade dos bens públicos, como bem ensina o Mestre Aliomar Baleiro (Direito Tributário Brasileiro, Sp. 1999. pg. 799) nenhum outro procedimento caberia: 16 if . , MINISTÉRIO DA FAZENDA , PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 'a:tf:ir> OITAVA CAMARA Processo n°. : 10120.00156712002-61 Acórdão n°. : 108-08.780 "No Direito Tributário onde se fortalece ao extremo a segurança jurídica, os princípios da legalidade e da especificidade legal são de sabida relevância. O agente da administração Fazendária que fiscaliza e apura créditos tributários, está sujeito ao princípio da indisponibilidade dos bens públicos e deverá atuar aplicando a lei que - que disciplina o tributo - ao caso concreto, sem margem de discricionariedade. A renúncia total ou parcial e a redução de suas garantias pelo funcionário, fora das hipóteses estabelecidas na Lei 5172/66, acarretará a sua responsabilidade funcional". Quanto aos lançamentos decorrentes, frente aos efeitos da decisão do principal, por conta da vinculação que os une, as conclusões daquele prevalecerão na apreciação destes, desde que não apresente argüições específicas ou elementos de prova novos. Diante do exposto deixo de comentar os demais argumentos por restarem prejudicados e Voto no sentido de Negar provimento ao recurso. Sa a das Sessões - DF, em 26 de abril de 2006. at 1 , NO II IV E • 'à IAS PESSOA MONTEIRO 17 Page 1 _0028600.PDF Page 1 _0028700.PDF Page 1 _0028800.PDF Page 1 _0028900.PDF Page 1 _0029000.PDF Page 1 _0029100.PDF Page 1 _0029200.PDF Page 1 _0029300.PDF Page 1 _0029400.PDF Page 1 _0029500.PDF Page 1 _0029600.PDF Page 1 _0029700.PDF Page 1 _0029800.PDF Page 1 _0029900.PDF Page 1 _0030000.PDF Page 1 _0030100.PDF Page 1
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Numero do processo: 11041.000592/2004-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 303-01.497
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto do relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: CELSO LOPES PEREIRA NETO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2013-10-09T14:17:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 5; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2013-10-09T14:17:25Z; Last-Modified: 2013-10-09T14:17:25Z; dcterms:modified: 2013-10-09T14:17:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:0a8a8bc0-1faa-4b01-9620-9b896e240e98; Last-Save-Date: 2013-10-09T14:17:25Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2013-10-09T14:17:25Z; meta:save-date: 2013-10-09T14:17:25Z; pdf:encrypted: false; modified: 2013-10-09T14:17:25Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2013-10-09T14:17:25Z; created: 2013-10-09T14:17:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2013-10-09T14:17:25Z; pdf:charsPerPage: 833; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2013-10-09T14:17:25Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo IV 11041.000592/2004-31 Recurso n° 138615 Assunto Solicitação de Diligência Resolução n° 303-01.497 Data 16 de outubro de 2008 Recorrente GILBERTO AMARO MIRANDA ME Recorrida DRJ-SANTA MARIA/RS CC03/0:13 Fls. 70 RESOLUÇÃO N303-01.497 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto do relator. ANE SE DAUDT PRIETO Presid nte CELSO LOPES PEREIRA NETO Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Nanci Gama, Nilton Luiz Bartoli, Vanessa Albuquerque Valente, Heroldes Bahr Neto, Luis Marcelo Guerra de Castro e Tarásio Campelo Borges. 1 2 Processo n.° 11041.000592/2004-31 ResoluvAo n.° 303-01.497 CC03/CO3 Fls. 71 RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário manejado contra Acórdão DRJ/STM n° 18-6.680, de 26 de janeiro de 2007, proferido pela DRJ Santa Maria/RS Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório componente da decisão recorrida, de -fls. 56/57, que transcrevo, a seguir: Trata-se da exclusão da interessada do Simples levada a efeito nos termos do Ato Declaratório Executivo DRF/SLV n° 4, de 21 de março de 2005. No presente caso houve Representação Fiscal Administrativa de Auditor-Fiscal da Receita Federal, Sr. Luiz Adelar porque, em tese, a empresa estaria sujeita a exclusão do Simples por ter infringido o artigo 14, inciso II, da Lei n° 9.317, de 1996, ou seja, por embaraço à fiscalização porque teria deixado de "manter em seu poder e, conseqüentemente, de apresentar a fiscalização, embora regularmente intimada (Termo de Inicio de Fiscalização as folhas 03 a 06, e Termo de Intimação Fiscal as folhas 07 a 09), o Livro Caixa, documento de adoção obrigatória para pessoas jurídicas enquadradas no Simples ". Em 10/12/2004 foi lavrado "Termo de Embaraço a Fiscalização" (folhas 21 e 22). Consta nesse Termo que a falta de apresentação do Livro Caixa é relativa ao período de 1 0/01/2000 a 31/12/2000. Em 24/12/2004 a empresa protocolou expediente para 'formalizar a entrega dos livros caixas referentes aos anos de 2000 e 2001". Em 19/01/2005, o Auditor-Fiscal da Receita Federal, Luiz Adelar encaminhado ao Sotat — Setor de Administração Tributaria, Tecnologia e Segurança da InfOrmação/IRF/BGE o Memorando n° 010/05/IRF/BGE/SIANA (f/s. 27 a 29), instruido com cópias e/ou originais de documentos de folhas 30 a 35. Então foi proposta a exclusão interessada do Simples, com efeitos a partir de 10 de janeiro de 2000, conforme Parecer IRRBAG/SOTAT n° 03, de 25 de janeiro de 2005 (lis. 36 a 38), Conforme Despacho, de 21 de março de 2005, decidiu-se pela exclusão da interessada do Simples, com efeitos a partir do mês de agosto de 2004 (li. 39), com a publicação do Ato Declaratório Executivo DRF/SLV n° 4, de 21 de mat-go de 2005. A interessada tomou ciência desse Ato Declaratário, em 05 de abril de 2005, conforme Aviso de Recebimento — AR a folha 42. Processo n.° 11041.000592/2004-31 Resolução n.° 303-01.497 Em 4 de maio de 2005 a interessada apresentou SRS — Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples. Na análise da SRS, diante da ausência de inconsistências que tivessem provocado a emissão indevida do Ato Declaratório, foi entendido que a interessada propunha a discussão de matérias de direito e, por isso, foi proposta a manutenção do Ato Declaratório (folhas 43 e 44). A interessada tomou ciência do indeferimento da SRS, em 10/05/2005, conforme AR a folha 51. Em 07/06/2005, a interessada apresenta sua manifestação de inconformidade conforme folhas 52 e 53. Os argumentos da manifestante são, em síntese, os seguintes: - Inicialmente refere-se a sua exclusão do Simples e a SRS apresentada; - Quanto a falta de apresentação do Livro Caixa argumenta que o contador da empresa, Sr. Genes Glecy da Costa, informou equivocadamente que o livro caixa não tinha sido feito, quando o correto seria dizer que "havia sido extraviado"; - Acrescenta que o contador, na época desta fiscalização encontrava-se muito doente, "não podendo confeccioná-lo até o prazo concedido pelo auditor-fiscal"; - Informa que contratou outro contador para refazer a escrituração dos livros caixas, sendo estes entregues a fiscalização; - Entende que o auditor-fiscal não poderia solicitar a exclusão da interessada do Simples pelo fato de não ter apresentado os livros caixas, porque o fiscal utilizou o livro caixa referente ao ano- calendário de 2000, apresentado em 24/12/2004, para concluir sua auditoria fiscal, tanto 6 que lavrou auto de infração no valor de R$ 2.358,58 (processo 11041.000591/2004-97), o que só teria ocorrido porque o auditor-fiscal não teria considerado o saldo de caixa informado pelo contribuinte ao final do ano-calendário de 2000, no valor de R$ 30.000,00; - Insiste que em nenhum momento deixou de atender a fiscalização de forma educada e cordial; tampouco deixou de entregar os livros e documentos fiscais solicitados pela fiscalização, tanto é que foi lavrado auto de infração com base nos lançamentos do livro caixa do ano de 2000; conclui que não houve descumprimento ao que preceitua o Inciso II do artigo 14 da Lei n°9.317, de 1996; - Destaca que a empresa iniciou suas atividades, em 02/01/1970, e nunca teve problemas com a fiscalização; e que depende desta empresa para sustentar sua família e mais 3 funcionários; com a exclusão da empresa do Simples esta se tornaria inviável economicamente. CCONC03 Fls. 72 3 Processo 11. ° 11041.000592/2004-31 Resoltnio n.° 303-01.497 CC03/0:13 Fls. 73 Por entender que a exclusão do Simples deu-se única e exclusivamente por falta dos livros caixas que haviam sido extraviados e que foram refeitos e entregues a fiscalização, podendo esta concluir a auditoria-fiscal a tempo, portanto, sem nenhum prejuízo no andamento dos trabalhos requer sua permanência no Simples. A DRJ/Santa Maria/RS não acolheu as alegações do contribuinte e indeferiu sua solicitação, através do referido Acórdão, cuja ementa transcrevemos, verbis: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2004 EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO. EXCLUSÃO DO SIMPLES. O embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, é hipótese que determina a exclusão de oficio da empresa do Simples. EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO. EXCLUSÃO. EFEITOS. No caso de embaraço à fiscalização o efeito da exclusão ocorre a partir, inclusive, do mês de ocorrência do mencionado fato. Solicitação Indeferida Seguiu-se recurso voluntário, de fls. 62/65, em que o recorrente repete os argumentos já apresentados por ocasião de sua manifestação de inconfon-nidade. o Relatório. 4 Processo n.° 11041.000592/2004-31 Resolução n.° 303-01.497 CC03/CO3 Fls. 74 VOTO Conselheiro CELSO LOPES PEREIRA NETO, Relator 0 inciso XX do art. 22 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 /06 /2007, estabelece a competência do Terceiro Conselho de Contribuintes para julgar o presente recurso voluntário: "Art. 22. Compete ao Terceiro Conselho de Contribuintes julgar recursos de oficio e voluntário de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação referente a: (--) JU' - exclusão e vedação de empresas optantes do Simples, exceto na hipótese de lançamento; e (..)" A comprovação da intimação da decisão de la instancia encontra-se ás fls. 61. No Aviso de Recebimento, não consta a data de recebimento pelo contribuinte. A data da postagem foi 26/03/2007. Pelo disposto no art. 23, §2°, inciso II do Decreto n° 70.235/72 (PAF), considera-se feita a intimação quinze dias após a data da expedição da intimação, ou seja, 10/04/2007. 0 recurso voluntário foi protocolado em 20/04/2007 (fls. 62) Portanto, o recurso é tempestivo e trata de matéria de competência do Terceiro Conselho de Contribuintes, pelo que dele se conhece. A representação fiscal, que deu o inicio ao presente processo e que redundou na exclusão do recorrente do Simples, informa que foi materializada a situação prevista no art. 195, II do Decreto n°3.000/99 "Decreto n°3.000/1999 Seção VII Exclusão do SIMPLES Exclusão de Oficio Art. 195. A exclusão dar-se-á de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses (Lei n° 9.317, de 1996, art. 14): II - embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a u\\ Processo n.° 11041.000592/2004-31 Resolução n.° 303-01.497 CC03/CO3 Fls. 75 requisição de auxilio da forge:: pública, nos termos do art. 200 da Lei n° 5.172, de 1966 (CTN); "Lei n°9.317/96 Art. 14. A exclusão dar-se-á de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: (.) II - embaraço a fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição de auxilio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Sistema Tributário Nacional); (..)" Na representação fiscal, informou-se que o embaraço caracterizou-se pela não apresentação pelo recorrente, embora regularmente notificado, do Livro Caixa, documento de adoção obrigatória por pessoas jurídicas enquadradas no Simples, conforme dispõe o art. 7°, § 1 0, "a", da Lei n°9.317/96, verbis: "Art. 7 0 A microempresa e a empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES apresentarão, anualmente, declaração simplificada que será entregue até o último dia útil do mês de maio do ano-calendário subseqüente ao da ocorrência dos fatos geradores dos impostos e contribuições de que tratam os arts. 3° e 4°. § 1 0 A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; (..)"(grifei) Tanto Parecer de fls. 36/38 que baseou a decisão de excluir a empresa do Simples, com a conseqüente edição do ADE de exclusão (fls. 39/40) quanto a decisão recorrida consideraram que restou comprovado o embaraço A fiscalização pela falta de apresentação tempestiva do Livro Caixa, livro obrigatório no caso da empresa, quando a mesma foi regularmente intimada para a apresentação dos mesmos (fls. 07 a 09). Também caracterizaria o embaraço o fato de que, em 10/08/2004, em resposta A intimação, o contribuinte havia informado que o Livro Caixa não estaria sendo apresentado "por não ter sido feito" (fls. 10) e, em 24/12/2004, quando encaminhou os livros A Unidade da SRF afirmou que os livros haviam sido "recentemente recuperados" (tis. 25). 6 Processo n.° 11041.000592/2004-31 Resolução n.° 303-01.497 CC03/CO3 Fls. 76 0 recorrente argumenta que o contador da empresa informou equivocadamente que o livro caixa não tinha sido feito, quando o correto seria dizer que "havia sido extraviado"; 0 fato é que está demonstrado, nos autos, que esse Livro Caixa foi apresentado posteriormente, em 24/12/2004, após refeito, segundo a recorrente, por ter sido extraviado. Segundo alegação do recorrente, este Livro Caixa foi usado, pela fiscalização, para concluir sua auditoria fiscal, resultando na lavratura, ern 23/11/2004, de auto de infração (processo 11041.000591/2004-97). No sistema Comprot (acompanhamento de processos da Receita Federal), podemos constatar a existência deste processo, que se encontra, segundo informação constante do referido sistema, na Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Bagé-RS. Ainda no sistema Comprot, consta a lavratura de Auto de Infração-IRRF, também no mesmo dia 23/11/2004, Processo n° 11041.000573/2004-13, que se encontra, segundo informação constante do referido sistema, na Seção de Controle e Acompanhamento Tributário, da DRF-Pelotas-RS. Por entender que os referidos processos contêm informações relevantes para o deslinde do presente processo, voto pela conversão do julgamento em diligencia para que a Unidade de Origem proceda à juntada, aos presentes autos, de cópia dos processos n° 11041.000591/2004-97 e 11041.000573/2004-13. Atendida a providência relacionada anteriormente, deverão as partes ser intimidas para apresentar manifestações em 15 (quinze) dias. Após, devolvam os autos para julgamento. Sala das Sessões, em 16 de outubro de 2008 CES-he)PES PEREIRA NETO - Relator 7
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Numero do processo: 10865.900357/2006-77
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 31/10/2002
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3803-002.784
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/ 05/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Tratase de declaração de compensação, transmitida em 25/06/2003 por meio da qual a contribuinte busca compensar crédito de PIS no valor de R$ 95,09 com débito de CSLL, no importe de R$ 6.326,63. Em despacho decisório a DRF em Limeira não homologou a compensação tendo em vista que o DARF discriminado no Per/Dcomp foi integralmente utilizado para quitar outros débitos da contribuinte, não restando crédito suficiente para compensar. Cientificada apresentou manifestação de inconformidade, na qual argumenta que é comerciante varejista de combustíveis operando tão somente com produtos sujeitos à substituição tributária e, portanto a contribuição para o PIS foi retida pela distribuidora. Alega que, indevidamente, fez o recolhimento da contribuição sobre as vendas de combustível utilizando o valor indevidamente recolhido para compensar com débito próprio. Não fez a retificação da DCTF, motivo pelo qual a compensação não foi homologada e, agora, regularizando a situação, apresentou a DCTF retificadora, bem como a DIPJ do ano calendário 2002, constando os valores corretos de receitas e débitos. Juntou cópia das notas fiscais das vendas ocorridas no período. A DRJ em Ribeirão Preto, não reconheceu o crédito nem homologou a compensação, sob o fundamento de que a partir de 1° de julho de 2000, as contribuições para o PIS e Cofins não mais estavam sob o regime de substituição tributária, previsto na redação original da Lei n° 9.718, de 1998, sendo devidas pelos comerciantes varejistas de combustível na forma estipulada nos arts. 1° a 3° da mesma Lei n° 9.718, de 1998. Consignouse, ainda, que a retificação efetuada na DCTF e DIPJ, não faz prova da liquidez e certeza do crédito e, assim, não é cabível a compensação, nos termos da legislação aplicável. Notificada em 20/08/2009, apresentou recurso voluntário em 03/09/2009, onde aduz que: Como a RECORRENTE fez as juntadas do DARF recolhido indevidamente, faz prova que pagou; fez mencionar a compensação na DCTF e apresentou as notas fiscais 'de vendas ocorridas no período que requereu a homologação das compensações, tudo anexadas aos autos, e pela Medida Provisória e suas reedições e Emenda Constitucional que cabalmente prova que no seu ramo de atividade e na condição de comerciante varejista, não há como não dar pela procedência deste recurso e pela homologação das compensações, se não agirem assim, estarão frontalmente ferindo um direito líquido e certo do contribuinte, ora Recorrente. Pugna pela homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Fl. 181DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/ 05/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10865.900357/200677 Acórdão n.º 380302.784 S3TE03 Fl. 179 3 Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Narram os autos que a contribuinte ora Recorrente buscou compensar crédito com débito próprio, encontrando óbice no despacho decisório não homologatório da compensação que alegou insuficiência de crédito a compensar. A Interessada alega atuar no ramo de postos de combustíveis, operando à época, tãosomente com produtos sujeitos a substituição tributária, de forma que o PIS – substituição tributária já era recolhido pela distribuidora. Como prova de que a empresa somente trabalhava com produtos sujeitos à substituição tributária, acostou aos autos as notas fiscais de fls. 13/109 que atestam operações de compra e venda com gasolina e álcool. O erro que ensejou a não homologação do despacho decisório ocorreu quando a contadora do posto, inadvertidamente, fez o recolhimento da contribuição sobre as vendas de combustíveis já retido pela distribuidora no regime de substituição tributária. Anexa o comprovante de arrecadação. Constatado o equívoco, compensou o tributo pago indevidamente com a CSLL, contudo sem retificar a DCTF transmitida à época, o que só ocorreu após a ciência do despacho decisório. Alega que na DIPJ de 2003, anocalendário 2002, fez mencionar corretamente as receitas e a dedução do valor, zerando, por trabalhar exclusivamente com produtos cuja retenção é feita pela distribuidora. Anexa cópia da DIPJ e DCTF retificadoras. Salientase que a retificação da declaração do imposto de renda somente se deu após o indeferimento do pedido. Entretanto, compulsando os autos observase que a Recorrente não trouxe provas que efetivamente comprovassem o crédito alegado, limitandose a tãosomente anexar aos autos cópia da DIPJ e DCTF retificadoras e nota fiscal de produtos comercializados à época, documentos estes que não permitem aferir o montante que supostamente teria sido recolhido indevidamente. Como regra, impende a quem alega o ônus da prova. A ambos, administração fazendária e contribuintes, cabe a produção de provas que proporcionem condições de convicção ao julgador favoráveis à sua pretensão. No direito tributário devese sempre triunfar a verdade material dos fatos, desta feita, cabe à administração fazendária o ônus da prova no ilícito tributário, entretanto, não conferiu a lei ao contribuinte o poder de se eximir de sua responsabilidade através da omissão da entrega dos elementos materiais à apreciação objetiva e subjetiva estabelecida na legislação tributária. Frisase que, em casos como este, em que o contribuinte alega a existência de crédito, sobre este recai a responsabilidade da apresentação de todos os elementos de provas que demonstrem a cabal existência do crédito pretendido, desta forma, a apresentação de tais documentos oferecem maior possibilidade de apreciação objetiva e segura quanto às conclusões extraídas de seus resultados, assegurando ampla defesa ao contribuinte, para que o mesmo não seja maculado além do expressamente previsto na legislação tributária. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/ 05/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Diante disto, competirá exclusivamente ao contribuinte, exibir as provas técnicas, contábeis e jurídicas de que suas operações não se realizaram ao arrepio da lei, sob pena de acatamento do ato administrativo realizado . Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e não homologar a compensação declarada tendo em vista a não comprovação do direito creditório alegado. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 183DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/ 05/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10865.900357/200677 Acórdão n.º 380302.784 S3TE03 Fl. 180 5 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10865.900357/200677 Interessada: AUTO POSTO AVENIDA CAMPINAS LTDA Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380302.784, de 24 de abril de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 24 de abril de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 184DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/ 05/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 12466.004000/2004-22
Data da sessão: Fri Feb 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 17/05/1999 a 01/09/1999
AUTO DE INFRAÇÃO. LITISCONSÓRCIO PASSIVO. ATENDIMENTO DE REQUISITOS FORMAIS E MATERIAIS. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Caracterizada a solidariedade de fato, por interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal (art. 124,I, do CTN), devem compor o pólo passivo da exigência fiscal o contribuinte e os responsáveis solidários.
DECISÃO PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
Não caracteriza preterição do direito de defesa, a decisão administrativa de primeiro grau que contenha as razões de decidir de forma clara e coerente. A falta de análise, de forma pormenorizada, de todos os argumentos suscitados na peça impugnatória não implica cerceamento do direito de defesa, quando suficiente os fundamentos da decisão nela apresentados.
IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II
Período de apuração: 17/05/1999 a 01/09/1999
VALOR ADUANEIRO. SUBFATURAMENTO NO PREÇO. REJEIÇÃO DO PRIMEIRO MÉTODO. APLICAÇÃO DO 6º MÉTODO. FLEXIBILIDADE DO 2º E 3º MÉTODOS. POSSIBILIDADE.
Caracterizada a impossibilidade de utilização do valor de transação (1º método), por se revelarem inidôneos (subfaturados) os preços declarados, e diante da impossibilidade de utilização dos métodos precedentes (2º ao 5º), é legítimo a adoção do 6º método de valoração, mediante a flexibilização dos critérios de valoração utilizados nos 2º e 3º métodos e utilização, como paradigma, dos preços de produtos idênticos e similares das importações precedentes, disponíveis na base de dados da Administração aduaneira do País.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 17/05/1999 a 01/09/1999
PRAZO DE DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE E SIMULAÇÃO. TERMO INICIAL.
Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário somente se opera após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO. OCORRÊNCIA DE FRAUDE. POSSIBILIDADE.
A prática de subfaturamento nos preços, mediante o uso de documentos inidôneos, com o fim de não pagar ou pagar valor a menor de tributos, caracteriza artifícios dolosos na prática de fraude, que justificam o agravamento da multa de ofício aplicada.
MULTA POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVO AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. COMPROVADO O SUBFATURAMENTO. APLICAÇÃO ADMITIDA.
O subfaturamento dos preços dos produtos importados caracteriza a infração administrativa ao controle das importações, sancionada com a multa de 100% (cem por cento) do valor diferença de preço subfaturada (art. 169, II, do Decreto-lei nº 37, de 1966)
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 17/05/1999 a 01/09/1999
Ementa:. MULTA REGULAMENTAR. INEXISTÊNCIA DE FATURA COMERCIAL. REVOGAÇÃO. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. RELEVAÇÃO.
Nos presentes autos, a infração por falta de apresentação de fatura comercial, prevista na alínea “a” do inciso IV do art. 106 do Decreto-lei nº 37, de 1966, encontra-se devidamente materializada, todavia a dita infração foi expressamente revogada pelo inciso I do art. 94 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. No presente caso, tratando-se de ato não definitivamente julgado, com respaldo no princípio da retroatividade benigna, previsto na alínea “a” do inciso II do artigo 106 do CTN, a multa aplicada deve ser relevada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-000.903
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, afastar as preliminares de nulidade e de ilegitimidade passiva. Vencidos os Conselheiros Beatriz Veríssimo de Sena, Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama, que acolhiam exclusivamente a preliminar de ilegitimidade passiva com relação ao Sr Izaac Sverner. No mérito, também por voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso, para afastar a multa de 10% do Valor Aduaneiro, por falta de fatura. Vencidos os Conselheiros Beatriz Veríssimo de Sena, Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama, que afastavam ainda a multa por subfaturamento e o agravamento da multa de ofício de 75%, exclusivamente com relação à pessoa jurídica Kapal. A Conselheira Nanci Gama acompanhou o Relator pelas conclusões no que se refere à prejudicial de decadência.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 17/05/1999 a 01/09/1999 AUTO DE INFRAÇÃO. LITISCONSÓRCIO PASSIVO. ATENDIMENTO DE REQUISITOS FORMAIS E MATERIAIS. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Caracterizada a solidariedade de fato, por interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal (art. 124,I, do CTN), devem compor o pólo passivo da exigência fiscal o contribuinte e os responsáveis solidários. DECISÃO PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Não caracteriza preterição do direito de defesa, a decisão administrativa de primeiro grau que contenha as razões de decidir de forma clara e coerente. A falta de análise, de forma pormenorizada, de todos os argumentos suscitados na peça impugnatória não implica cerceamento do direito de defesa, quando suficiente os fundamentos da decisão nela apresentados. IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 17/05/1999 a 01/09/1999 VALOR ADUANEIRO. SUBFATURAMENTO NO PREÇO. REJEIÇÃO DO PRIMEIRO MÉTODO. APLICAÇÃO DO 6º MÉTODO. FLEXIBILIDADE DO 2º E 3º MÉTODOS. POSSIBILIDADE. Caracterizada a impossibilidade de utilização do valor de transação (1º método), por se revelarem inidôneos (subfaturados) os preços declarados, e diante da impossibilidade de utilização dos métodos precedentes (2º ao 5º), é legítimo a adoção do 6º método de valoração, mediante a flexibilização dos critérios de valoração utilizados nos 2º e 3º métodos e utilização, como paradigma, dos preços de produtos idênticos e similares das importações precedentes, disponíveis na base de dados da Administração aduaneira do País. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 17/05/1999 a 01/09/1999 PRAZO DE DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE E SIMULAÇÃO. TERMO INICIAL. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário somente se opera após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO. OCORRÊNCIA DE FRAUDE. POSSIBILIDADE. A prática de subfaturamento nos preços, mediante o uso de documentos inidôneos, com o fim de não pagar ou pagar valor a menor de tributos, caracteriza artifícios dolosos na prática de fraude, que justificam o agravamento da multa de ofício aplicada. MULTA POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVO AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. COMPROVADO O SUBFATURAMENTO. APLICAÇÃO ADMITIDA. O subfaturamento dos preços dos produtos importados caracteriza a infração administrativa ao controle das importações, sancionada com a multa de 100% (cem por cento) do valor diferença de preço subfaturada (art. 169, II, do Decreto-lei nº 37, de 1966) OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 17/05/1999 a 01/09/1999 Ementa:. MULTA REGULAMENTAR. INEXISTÊNCIA DE FATURA COMERCIAL. REVOGAÇÃO. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. RELEVAÇÃO. Nos presentes autos, a infração por falta de apresentação de fatura comercial, prevista na alínea “a” do inciso IV do art. 106 do Decreto-lei nº 37, de 1966, encontra-se devidamente materializada, todavia a dita infração foi expressamente revogada pelo inciso I do art. 94 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. No presente caso, tratando-se de ato não definitivamente julgado, com respaldo no princípio da retroatividade benigna, previsto na alínea “a” do inciso II do artigo 106 do CTN, a multa aplicada deve ser relevada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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LITISCONSÓRCIO PASSIVO. ATENDIMENTO DE REQUISITOS FORMAIS E MATERIAIS. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Caracterizada a solidariedade de fato, por interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal (art. 124,I, do CTN), devem compor o pólo passivo da exigência fiscal o contribuinte e os responsáveis solidários. DECISÃO PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Não caracteriza preterição do direito de defesa, a decisão administrativa de primeiro grau que contenha as razões de decidir de forma clara e coerente. A falta de análise, de forma pormenorizada, de todos os argumentos suscitados na peça impugnatória não implica cerceamento do direito de defesa, quando suficiente os fundamentos da decisão nela apresentados. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 17/05/1999 a 01/09/1999 VALOR ADUANEIRO. SUBFATURAMENTO NO PREÇO. REJEIÇÃO DO PRIMEIRO MÉTODO. APLICAÇÃO DO 6º MÉTODO. FLEXIBILIDADE DO 2º E 3º MÉTODOS. POSSIBILIDADE. Caracterizada a impossibilidade de utilização do valor de transação (1º método), por se revelarem inidôneos (subfaturados) os preços declarados, e diante da impossibilidade de utilização dos métodos precedentes (2º ao 5º), é legítimo a adoção do 6º método de valoração, mediante a flexibilização dos critérios de valoração utilizados nos 2º e 3º métodos e utilização, como paradigma, dos preços de produtos idênticos e similares das importações Fl. 1DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 2 precedentes, disponíveis na base de dados da Administração aduaneira do País. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 17/05/1999 a 01/09/1999 PRAZO DE DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE E SIMULAÇÃO. TERMO INICIAL. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário somente se opera após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO. OCORRÊNCIA DE FRAUDE. POSSIBILIDADE. A prática de subfaturamento nos preços, mediante o uso de documentos inidôneos, com o fim de não pagar ou pagar valor a menor de tributos, caracteriza artifícios dolosos na prática de fraude, que justificam o agravamento da multa de ofício aplicada. MULTA POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVO AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. COMPROVADO O SUBFATURAMENTO. APLICAÇÃO ADMITIDA. O subfaturamento dos preços dos produtos importados caracteriza a infração administrativa ao controle das importações, sancionada com a multa de 100% (cem por cento) do valor diferença de preço subfaturada (art. 169, II, do Decretolei nº 37, de 1966) ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 17/05/1999 a 01/09/1999 Ementa:. MULTA REGULAMENTAR. INEXISTÊNCIA DE FATURA COMERCIAL. REVOGAÇÃO. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. RELEVAÇÃO. Nos presentes autos, a infração por falta de apresentação de fatura comercial, prevista na alínea “a” do inciso IV do art. 106 do Decretolei nº 37, de 1966, encontrase devidamente materializada, todavia a dita infração foi expressamente revogada pelo inciso I do art. 94 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. No presente caso, tratandose de ato não definitivamente julgado, com respaldo no princípio da retroatividade benigna, previsto na alínea “a” do inciso II do artigo 106 do CTN, a multa aplicada deve ser relevada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, afastar as preliminares de nulidade e de ilegitimidade passiva. Vencidos os Conselheiros Beatriz Veríssimo de Sena, Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama, que acolhiam exclusivamente a preliminar de ilegitimidade passiva com relação ao Sr Izaac Sverner. No mérito, também por voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso, para afastar a multa Fl. 2DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 310200.903 S3C1T2 Fl. 2.741 3 de 10% do Valor Aduaneiro, por falta de fatura. Vencidos os Conselheiros Beatriz Veríssimo de Sena, Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama, que afastavam ainda a multa por subfaturamento e o agravamento da multa de ofício de 75%, exclusivamente com relação à pessoa jurídica Kapal. A Conselheira Nanci Gama acompanhou o Relator pelas conclusões no que se refere à prejudicial de decadência. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. EDITADO EM: 21/02/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama. Relatório Tratase de Recursos Voluntários oposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 6.262, de 05 de agosto de 2005 (fls. 2.385/2.412 – Vol. IX), proferido pelos membros da 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florinópolis/SC (DRJ/FNS), em que, por unidade de votos, julgaram procedentes os presentes lançamentos, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 17/05/1999 a 01/09/1999 Ementa: NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Atendidas as determinações legais contidas nas normas de regência (CTN e Decreto no 70.235/72) e reunidos nos autos todos os elementos garantidores do amplo direito de defesa, não há que se falar de nulidade do feito fiscal. Assunto: Imposto sobre a Importação – II Período de apuração: 17/05/1999 a 01/09/1999 Ementa: VALORAÇÃO ADUANEIRA. REJEIÇÃO DO PRIMEIRO MÉTODO. Verificada a inexatidão dos elementos utilizados para a determinação do valor aduaneiro declarado, com base no método do Valor de Transação (1o Método), será esse valor apurado com base em método substitutivo, observada a ordem seqüencial estabelecida no Acordo de Valoração Aduaneira. SUBFATURAMENTO. INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. É devida a multa por infração ao controle administrativo das importações, a título de Fl. 3DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 4 subfaturamento, quando constatado que os despachos aduaneiros foram instruídos com documentos ideologicamente falsos, com vista a atribuir valores ínfimos às mercadorias importadas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 17/05/1999 a 01/09/1999 Ementa: SOLIDARIEDADE PASSIVA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Sendo, portanto, devida a indicação das pessoas físicas como responsáveis solidários, haja vista figurarem como sócias das empresas participantes das operações comerciais que deu ensejo a lavratura dos autos de infração em apreço. DECADÊNCIA. Verificandose a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial relativo ao direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário somente se encerra após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO. FRAUDE. OCORRÊNCIA. A utilização de artifícios dolosos na prática de ilícitos, com o fim de ludibriar o fisco, caracteriza a fraude e implica no agravamento da multa exigida de ofício. RESPONSABILIDADE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECORRENTE DE INFRAÇÕES. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 17/05/1999 a 01/09/1999 Ementa: INEXISTÊNCIA DE FATURA COMERCIAL. PENALIDADE. Cabe aplicar a penalidade tipificada no Regulamento Aduaneiro para os casos de inexistência de fatura comercial, haja vista que não há como levar em consideração faturas comerciais que não atendem aos requisitos essenciais, por lhes faltar a necessária assinatura do exportador e por não representar a transação comercial efetivamente ocorrida. Lançamento Procedente Por descrever com clareza e objetividade os fatos atinentes ao presente procedimento fiscal, transcrevo a seguir o Relatório encartado no Acórdão recorrido, ipsis litteris: Trata, o presente processo, de quatro Autos de Infração, lavrados para a exigência de Imposto de Importação, no valor de R$ 3.282.783,29, e de Imposto sobre Produtos Industrializados, no montante de R$ 3.185.760,21, acrescidos de multa agravada de 150% e juros de mora, bem como da multa Fl. 4DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 310200.903 S3C1T2 Fl. 2.742 5 por infração ao controle administrativo das importações, na quantia de R$ 11.574.856,33 e da multa por falta de fatura, no valor de R$ 354.900,77. Em todos os Autos de Infração, foram arrolados os seguintes responsáveis solidários: Rodrigo Cunha Lima – CPF 751.308.90787, Guy Alexandre Lemos Fernandes – CPF 829.699.65704, NHTP Assessoria Aduaneira Ltda. – CNPJ 03.119.273/000148, Jairo Dias de Souza – CPF 039.808.698 22, Vera Regina Ribeiro Ferreira – CPF 272.531.63320, DM Eletrônica da Amazônia Ltda. – CNPJ 01.523.413/000113, Daniel Lewin – CPF 943.505.82800, Fisel Perl – CPF 458.230.14872, David Perl – CPF 132.938.88879, Isaac Sverner – CPF 004.843.85887. Segundo consta relatado nos quadros destinados à Descrição dos Fatos dos Autos de Infração de fls. 6 a 14, 47 a 55, 104 a 112, e 145 a 153, a autoridade lançadora, em ato de Revisão Aduaneira, apurou que a interessada efetuou importações de mercadorias informando valores inverídicos, além de adotar conduta com vista a burlar os mecanismos de controle aduaneiro. As declarações prestadas pelos administradores da autuada revelam que houve a cessão do uso do nome da empresa para acobertar operações de terceiros, caracterizandose a inidoneidade da documentação apresentada para o despacho aduaneiro, uma vez que tais documentos não refletem as transações efetivamente ocorridas. Por meio do Relatório de Valoração Aduaneira SAFIA no 01/2000 e seus anexos (fls. 229 a 454), a autoridade fiscal consignou as razões da nãoaceitação dos valores informados pela interessada nas declarações de importação. Cientificada do relatório, a contribuinte prestou esclarecimentos que, no entanto, foram considerados insuficientes pela autoridade fiscalizadora a fim de demonstrar a veracidade dos valores de transação declarados, bem como para demonstrar a regularidade das respectivas importações. A autoridade lançadora apontou diversas irregularidades, adiante detalhadas, as quais possibilitaram que 41 das 44 DI’s analisadas fossem direcionadas para o canal verde de conferência aduaneira: 97% das mercadorias importadas foram enquadradas em posição tarifária incorreta, nas quais não se exigia a informação de atributos NVE – Nomenclatura de Valor Estatístico, conseqüentemente, as importações não eram selecionadas para o Canal Cinza; utilização de “unidade de medida” incorreta, que consistia em anotar, por exemplo, no campo destinado ao número de unidades de determinado produto, o número de caixas contendo o mesmo produto, burlando assim o controle que compara o Fl. 5DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 6 valor de cada unidade com o valor de referência registrado no Siscomex. A autoridade lançadora constatou, também, que a interessada disponibilizou documentos próprios em favor de terceiros, efetuando importações de terceiros em seu próprio nome, com o objetivo de se valer dos incentivos financeiros do FUNDAP. Restou evidente que coube a NHTP – Assessoria Aduaneira Ltda. o gerenciamento, de fato, de todo o processo de importação e nacionalização das mercadorias, compreendendo os ajustes entre o exportador e o adquirente, os registros das DI’s no Siscomex, inclusive utilização de conta corrente da NHTP para o débito automático dos tributos devidos nas importações, o fornecimento das faturas comerciais e dos demais dados relativos a Kapal Comércio Exterior Ltda., para a emissão de notas fiscais de entrada e saída de mercadorias, determinando valores, adquirentes ou consignantes, bem como o destino dos bens importados. A fiscalização esclarece que o despachante aduaneiro e seu ajudante, se efetuarem em nome próprio ou de terceiro, a importação e o comércio interno de mercadorias estrangeiras, sujeitamse ao pagamento dos tributos e das multas aplicáveis, caracterizandose a responsabilidade solidária, com o importador, da empresa NHTP e seus sócios Jairo Dias de Souza e Vera Regina Ribeiro Ferreira. A empresa DM Eletrônica da Amazônia Ltda. é apontada como a real importadora dos bens nacionalizados pela Kapal, implicando na sua responsabilidade pelos tributos devidos, em solidariedade com os seus sóciosgerentes Daniel Lewin, Fisel Perl, David Perl e Isaac Sverner. Os bens nacionalizados, constituídos de aparelhos eletrônicos, são em sua maioria da marca Lenoxx Sound, importados e distribuídos no País pela Topmar até meados de 1999, quando então entrou em funcionamento a empresa DM Eletrônica, sucedendo de fato a primeira, passando a produzir, em tese, referidos produtos Lenoxx na Zona Franca de Manaus. Foram apuradas irregularidades no fechamento dos contratos de câmbio, pois em apenas três dos vinte e dois contratos formalizados entre o Banco do Brasil e a Kapal foram observadas as disposições normativas, onde mencionam que o pagamento do contravalor em moeda nacional deverá, obrigatoriamente, ser efetuado por meio de cheque ou débito em conta do próprio comprador da moeda. Os pagamentos irregulares foram debitados em uma conta transitória interna do Banco do Brasil, sem titularidade, a qual recebeu créditos de diversas fontes, demonstrando que a Kapal se prestou, tão somente, a ceder seu nome para a realização fraudulenta das operações em questão, não tendo participado da negociação que promoveu a compra e venda internacional, nem participado da revenda subseqüente das mercadorias no mercado interno, assim como do gerenciamento dos recursos que envolveram as respectivas importações. As faturas comerciais apresentadas, com exceção daquelas relativas às Declarações de Importação no 99/06926864 e Fl. 6DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 310200.903 S3C1T2 Fl. 2.743 7 99/06539739, não se encontram assinadas, carecendo de formalidade essencial prevista em lei, fator este que somado a inexpressividade dos valores declarados e as irregularidades apontadas nos contratos de câmbio, demonstram a falta de idoneidade das referidas faturas comerciais. A autoridade autuante verificou, também, que nas notas fiscais de saída das mercadorias importadas, emitidas pela empresa Kapal, figuram como principais clientes, responsáveis por 85% do valor consignado nesses documentos, três empresas, as quais não foram localizadas, por não existirem de fato. São empresas de “fachada”, utilizadas para ocultar o real comprador, a destinação dos bens, assim como os preços efetivamente praticados, comprovando, demonstrando, desta feita, a ocorrência de fraude. A autoridade lançadora assevera, ainda, que diante da comprovada ocorrência de sonegação, por meio da utilização de documentos ideologicamente falsos, que visam ocultar o verdadeiro valor das transações, e restando caracterizado o conluio das empresas DM Eletrônica da Amazônia Ltda. e NHTP – Assessoria Aduaneira Ltda. com a autuada, o prazo decadencial deve ser contado segundo estabelece o artigo 173, inciso I, da Lei no 5.172/66 (Código Tributário Nacional). Tratando da valoração aduaneira das mercadorias importadas, no Relatório de Valoração Aduaneira SAFIA no 001/2000, a autoridade arrola os motivos que a levaram a entender inaplicável o 1o Método de Valoração Aduaneira, os quais, examinados em conjunto, atestam que a documentação que amparou as importações é inidônea, não refletindo a transação comercial efetivamente ocorrida, conforme já tratado no presente relatório. É enfatizado, no mesmo relatório, que a quase totalidade dos preços praticados nas importações são absolutamente inverossímeis, e que a autuada adotou, de maneira deliberada/intencional, uma série de práticas com o claro intuito de burlar os mecanismos de controle do valor aduaneiro. Afastada a aplicação do 1o Método de Valoração Aduaneira, foram examinadas as condições para a aplicação dos métodos substitutivos, em ordem seqüencial, conforme a seguir demonstrado: 2o e 3o Métodos: a utilização de tais métodos pressupõe a existência de importações que tenham sido aceitas pela autoridade aduaneira como referências válidas de valor aduaneiro declarado, no entanto, ainda não foi concluída a construção de um banco de dados de declarações de importação paradigmas, razão pela qual não é possível a aplicação de tais métodos; 4o Método valor de revenda: a aplicação do método em apreço requer que a fiscalizada forneça elementos materiais que indiquem os compradores efetivos e os contratos firmados, para Fl. 7DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 8 a determinação do valor de revenda praticado, no entanto, restou demonstrado que a interessada não efetuou, de fato, operações de revenda, revelandose inaplicável o 4o Método de Valoração Aduaneira; 5o Método: a utilização do método em referência é improvável, pois requer farta documentação produzida pelo fabricante dos bens e demais intervenientes no comércio internacional das mercadorias, os quais não estão obrigados a fornecêla, nos termos do item 2, do art. 6o, do Acordo de Valoração Aduaneira AVA; 6o Método: este método foi utilizado para a determinação do valor aduaneiro de 85 produtos, mediante flexibilização do 2o e 3o métodos, tendo sido atendidos todos os requisitos legais previstos no AVA. Para cada produto submetido a revaloração, foi indicado o modelo e a marca do produto similar utilizado como padrão de valor, respeitando os níveis comerciais praticados, as marcas envolvidas, e a obrigatoriedade de inexistir vinculação entre comprador e vendedor que afete o valor de transação, exceção feita aos poucos casos em que não foi possível identificar importações de bens idênticos ou similares, em tempo aproximado, do mesmo País, sendo então utilizada uma importação alternativa. Todas as informações a respeito das importações que serviram como paradigma constam no Anexo VII, juntado às fls. 275 a 376. Considerando que as práticas adotadas pela interessada resultaram em bases de cálculo dos tributos intencionalmente diminuídas, com vistas a ilidir o pagamento dos tributos, caracterizouse a ocorrência de subfaturamento, sujeitando a interessada à penalidade prevista no artigo 526, inciso III, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto no 91.030/85. Comprovado, ainda, o evidente intuito de fraude, a multa de ofício foi agravada para o percentual de 150%, e efetuada a “Representação Fiscal para Fins Penais”, nos termos do processo no 12466.004001/200477. Tendo sido a autuada e os responsáveis solidários cientificados dos lançamentos, apresentaram impugnações, as quais foram assim juntadas aos autos: DM Eletrônica da Amazônia Ltda. (fls. 1.716 a 1.749), Isaac Sverner (fls. 1.822 a 1.854, 1.928 a 1.961, 2.017 a 2.048, e 2.120 a 2.152), NHTP – Assessoria Aduaneira Ltda. (fls. 2.211 a 2.243) e Kapal Comércio Exterior Ltda. (fls. 2.257 a 2.295). A empresa Kapal Comércio Exterior Ltda. alegou, em síntese, que: o dolo, fraude ou simulação não podem ser presumidos, mas devem ser provados, como de fato restou comprovado em relação aos reais importadores e destinatários das mercadorias, arrolados no presente processo, no entanto, em relação à impugnante e seus sócios não há prova de fraude, sendo inaplicável o disposto no artigo 173, inciso I, do CTN, tendo ocorrido a decadência do direito do Fisco proceder ao lançamento dos créditos tributários objeto do presente processo; Fl. 8DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 310200.903 S3C1T2 Fl. 2.744 9 somente foi validamente notificada em 06/01/2005, pois o Edital afixado em 13/12/2004 não foi precedido da intimação pessoal e por via postal, conforme determina o § 3o, do artigo 23, do Decreto no 70.235/72, tendo também por este aspecto ocorrida a decadência do crédito tributário; deve ser excluída, bem como seus sócios, do pólo passivo da obrigação tributária, pois agiu apenas na condição de empresa fundapiana, consignatária das mercadorias, conforme reconhece o próprio Fisco no Relatório da Fiscalização; as empresas DM Eletrônica e NHTP são contribuintes e não responsáveis solidários, pois a legislação estabelece que importador é qualquer pessoa que promove a entrada de mercadoria no território aduaneiro, e tendo referidas empresas efetuado a compra no exterior, a contratação do transporte, providenciado a documentação que instruiu o despacho e ainda disponibilizado as mercadorias a seus destinatários finais, resta demonstrado que promoveram a entrada da mercadoria, como diz a lei; o fato de não ter informado, no campo próprio da DI, o CNPJ da empresa adquirente, é mero erro formal, que não pode se sobrepor à verdade material, de que os atos infracionários foram praticados pelas demais empresas autuadas, sem qualquer participação da impugnante; a inidoneidade das faturas, por falta de assinatura, não é da responsabilidade da impugnante, e sim, dos reais importadores e das empresas consignantes, que contrataram a Kapal para importar com os benefícios do FUNDAP; na condição de empresa fundapiana, funcionava em conformidade com o sistema, à época, em vigor, não lhe cabendo fiscalizar o destino das mercadorias importadas e seus adquirentes, assim, emitiu as notas fiscais de saída com base nos dados fornecidos pela empresa NHTP; na ocasião da contratação das importações, as empresas para as quais as mercadorias foram destinadas estavam com sua situação regular, não eram inaptas perante o CNPJ, portanto, se fraude houve, tal somente ocorreu depois das importações, não podendo alcançar a empresa fundapiana; o suposto dolo atribuído aos administradores da impugnante, sob o argumento de que conscientemente cederam o nome da empresa para acobertar operações de terceiros, não procede, pois o nome foi cedido ao amparo da legislação do FUNDAP; os sócios da impugnante devem ser excluídos do pólo passivo da presente exigência tributária por não preencherem as condições tipificadoras de sujeitos passivos, não podendo ser responsabilizados pelos tributos, e nem mesmo pelas infrações, tendo em vista que não se enquadram em nenhuma das hipóteses previstas nos artigos 134, 135 e 137 do CTN, e não promoveram nenhum despacho aduaneiro (inciso IV, do artigo 500, do RA); Fl. 9DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 10 a rejeição dos valores de transação calcouse em presunções advindas de indícios, não havendo provas contundentes para amparar as conclusões que conduziram aos Autos de Infração; as relações ou operações comerciais entre vendedores e fabricantes no exterior e as reais importadoras são alheias à impugnante, para a qual o preço contratado e pago foi o constante nos documentos oficialmente prescritos: fatura comercial, contrato de câmbio e declaração de importação, sendo os indícios insuficientes para se concluir que ocorreram remessas complementares de numerário para pagamento de importações; não competiam às empresas fundapianas fiscalizar os atos das contratantes nem a idoneidade ou licitude de suas operações; o Fisco aplicou o Regulamento Aduaneiro vigente à época das importações, mas aplicou indevidamente a legislação penal/tributária editada posteriormente, que trata das importações por conta e ordem de terceiros; na época da ocorrência das infrações, o inciso III do artigo 526, do RA, que trata das infrações ao controle administrativo das importações, prescrevia a multa de 100% da diferença por subfaturar ou superfaturar o preço ou valor da mercadoria, sem mencionar a palavra “importação”; a penalidade acima referida é a mesma tipificada no artigo 44, da Lei no 9.430/96, como infração tributária, tanto é assim que a autoridade autuante buscou os elementos fáticos e jurídicos para a sua cominação no Relatório de Valoração Aduaneira SAFIA no 001/2000, que foi o mesmo que embasou a infração tributária de declaração inexata de valor (Valor de Transação incorreto); na importação, a infração administrativa atinente ao licenciamento, câmbio e controle de preços somente pode ocorrer na hipótese de superfaturamento, que acarreta remessa a maior de divisas, caracterizando lavagem de dinheiro; na exportação, a infração ocorre no subfaturamento, visando o menor ingresso de divisas, ficando o diferencial à disposição do exportador brasileiro no exterior; a multa de natureza administrativa é inaplicável ao caso, porque não foram transgredidas as normas administrativas de controle das importações, mas apenas apurada infração de natureza fiscal, praticada com o fim de reduzir a base de cálculo dos tributos, e também porque a apuração de base de cálculo nos termos do Acordo de Valoração Aduaneira visa exclusivamente à percepção dos tributos incidentes na importação, não se reportando a parte cambial e administrativa das operações; à época da ocorrência do fato gerador, a legislação do Imposto de Importação previa penalidade específica para a inexatidão da declaração quanto ao valor, conforme artigo 524 do Regulamento Aduaneiro, não se aplicando ao caso, no que tange ao Imposto de Importação, a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei no 9.430/96; Fl. 10DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 310200.903 S3C1T2 Fl. 2.745 11 conforme legislação em vigor, a apuração do valor aduaneiro era feita com base no que dispunha o artigo 2o do AVA, no entanto, a fiscalização efetuou um arbitramento nos moldes do disposto no artigo 88 da MP no 2.158/01, o qual é aplicável para situações que passaram a ser consideradas fraudulentas, as quais anteriormente não tinham essa conotação, como é o caso das operações por conta e ordem de terceiros; deve ser mantida a base de cálculo declarada nas importações do ano de 1999, pois indevido o arbitramento do valor aduaneiro na forma como feita pelo Fisco, afastandose a responsabilidade da impugnante pelos créditos tributários decorrentes das diferenças apontadas. A impugnante tece, ainda, considerações a respeito da aplicação do princípio da responsabilidade objetiva, o qual, no seu entender, fere o princípio da isonomia, ao tratar contribuintes zelosos e contribuintes que nunca cumprem suas obrigações tributárias de forma idêntica. Neste sentido, defende que não está sujeita à multa qualificada, pois as infrações originaramse de ações praticadas pelos reais importadores. Alega, também, que somente a partir de 2001 a legislação foi aperfeiçoada, dando efetividade ao princípio da subjetivação da responsabilidade no direito penal tributário. Por fim, a autuada (Kapal) requer a desconstituição total do crédito tributário lançado, através da decretação da improcedência dos Autos de Infração. A responsável solidária NHTP – Assessoria Aduaneira Ltda., em sua peça impugnatória, argumenta, em resumo, que: são nulos os Autos de Infração, pois não houve observância das formalidades previstas nos artigos 9o e 10 do Decreto no 70.235/72, segundo os quais é vedada a lavratura de vários Autos de Infração, em um mesmo processo, contra sujeitos passivos diferentes; não mantém qualquer vínculo, exceto eventual relacionamento comercial, com a empresa Kapal, não podendo a autoridade lançadora aproveitar os Autos de Infração lavrados contra a Kapal, estendendoos à empresa impugnante, criando assim um novo instrumento fiscal não previsto em lei; houve flagrante violação aos princípios do contraditório em ampla defesa, pois os Autos de Infração foram lavrados fora da jurisdição fiscal da impugnante, onde também tramita o processo administrativo, e os documentos que o embasaram pertencem à empresa Kapal, impossibilitando a adequada defesa da impugnante; para a lavratura dos Autos de Infração, a autoridade autuante não efetuou quaisquer diligências ou fiscalizações junto à impugnante, embasando os Autos de Infração exclusivamente nos documentos da empresa Kapal, caracterizando, também, por este aspecto, o cerceamento do direito de defesa, pois a Fl. 11DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 12 impugnante não pode devassar os documentos da empresa Kapal, para elaborar sua defesa; cada pessoa jurídica tem autonomia em relação às demais, e é responsável pelos atos que pratica, também os estabelecimentos de uma mesma empresa são autônomos, para fins fiscais, não podendo o Fisco atribuir à impugnante responsabilidade por ato ilícito ou criminoso praticado por outra pessoa jurídica; é parte ilegítima, pois o PAF impede que os autuantes a “chamem ao processo”, ou a intimem para que forme, com a autuada Kapal, um esdrúxulo e anômalo “litisconsórcio”, não previsto na lei processual administrativa; inexiste a alegada responsabilidade tributária da impugnante, pois não há lei que caracterize tal solidariedade, pelo contrário, a legislação mencionada pela autoridade lançadora dispõe claramente que a responsabilidade tributária, como regra, é exclusiva da empresa importadora, no caso, a empresa Kapal, que deu causa a ocorrência do fato gerador; a situação examinada nos autos não se enquadra nas hipóteses de responsabilidade solidária previstas em lei, e nem mesmo a ela se aplica o inciso I, do artigo 124, do CTN, pois o “interesse comum” não é suficiente para caracterizar a solidariedade, que desta forma alcançaria sempre compradores e vendedores, ou prestadores de serviços e seus tomadores; o artigo 135 do CTN alcança somente as pessoas físicas que tenham cargo de gestão, tanto que não menciona sócios, e sim diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas, atribuindolhes responsabilidade pessoal pela prática intencional de ilícitos de natureza subjetiva; no caso dos autos, não restou demonstrado que os sócios arrolados como responsáveis solidários praticassem atos de gerência, e que tivessem poderes para tanto, e nem mesmo restou provada a autoria de ato ilícito, devendo ser afastados do pólo passivo da obrigação tributária; em relação à impugnante, foram feitas apenas acusações genéricas e vazias, sendo impossível defenderse de generalidades ou apresentar provas negativas; ao tratar da decadência, os autuantes não se referiram expressamente à defendente e seus sócios, mas apenas à empresa Kapal e seus sócios, pois efetivamente não há qualquer prova de que a impugnante tenha agido com dolo, fraude ou simulação, não se aplicando a exceção prevista no parágrafo 4o, do artigo 150, do CTN; o crédito tributário ora exigido foi extinto pela decadência, tendo em vista que a contagem do prazo se inicia na data da ocorrência do fato gerador; tendo em vista que as autuações foram baseadas em meras presunções, foi violado o princípio da verdade material, pois a simples desconfiança não tem o condão de gerar obrigação tributária, a lei exige a existência concreta de um fato; Fl. 12DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 310200.903 S3C1T2 Fl. 2.746 13 o Fisco tenta transferir para a impugnante o ônus da prova em sua integralidade, pois lhe autua sem lhe solicitar que apresente quaisquer documentos, ou mesmo sem fazer qualquer diligência em seu estabelecimento, impondolhe o encargo de provar que nada tem que ver com os atos praticados pela autuada Kapal; a responsabilidade pela emissão de notas fiscais ideologicamente falsas deve ser atribuída exclusivamente à empresa Kapal, pois a aplicação de punições, em nosso sistema jurídico, depende da prova concreta do fato e da sua autoria; define como ilegal e impertinente a menção que a autoridade lançadora faz a atos alheios a autuação, que os fiscais consideram ilícitos e que lhe imputam, pois os autos deveriam se restringir, tãosomente, aos fatos apurados na presente fiscalização. Sobre outros ilícitos, a impugnante se reserva o direito de produzir a competente defesa no devido processo legal; tratandose da acusação de que exerceu a função de “gerenciamento de fato” de todo o processo de importação e nacionalização de bens em benefício da Kapal, aduz que esta é a sua função enquanto prestadora de serviço de assessoria aduaneira. Para caracterizar a infração, deveria o Fisco indicar , com detalhes, onde e porquê foi extrapolado o mandato que a Kapal lhe outorgou; não aceita que a autuação seja fundamentada em simples declaração de um dos administradores da Kapal, que com tal declaração procura se isentar de responsabilidades; não há nos autos um só ato atribuído ao despachante aduaneiro que possa ser considerado doloso ou ilícito, não podendo ser responsabilizados por eventuais documentos fiscais emitidos por terceiros que, embora formalmente legais, contenham algum dado incorreto. Ao final, a impugnante requer que, diante das preliminares argüidas, sejam aos Autos de Infração declarados nulos, e caso assim não entenda a autoridade julgadora, seja determinada a exclusão da impugnante e de seus sócios do presente processo. A empresa DM Eletrônica da Amazônia Ltda., em sua defesa, apresenta alegações tendentes a demonstrar a nulidade do lançamento, utilizando argumentos semelhantes aos apresentados na impugnação da empresa NHTP Assessoria Aduaneira Ltda. afirmando também que não tem qualquer vínculo com a empresa Kapal, a não ser eventual relacionamento comercial, não podendo ser responsabilizada por infrações cometidas por outra empresa. Afirma, igualmente, que houve cerceamento do seu direito de defesa, pois o processo foi instaurado e tramita longe do seu domicílio tributário. A impugnante alega que é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da presente relação jurídico processual, porque os Autos de Infração foram lavrados contra a empresa Kapal, com Fl. 13DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 14 fundamento nos documentos e livros contábeis daquela empresa. Aduz que a responsabilidade solidária que a autoridade lançadora pretende lhe atribuir não tem respaldo na lei, e nem mesmo a responsabilidade por sucessão, que teria origem em indícios de que seus sócios eram titulares de uma outra empresa denominada Topmar. Prosseguindo em seus argumentos, a empresa DM afirma que não é sucessora da empresa Topmar, e que o Fisco não apresentou prova de que seus sócios façam parte do quadro societário das empresas CCE e Topmar, bem como não provou que tais sócios têm cargos de gerência e que, em decorrência de tais cargos, tenham praticado os atos mencionados nos Autos de Infração. Assim, entende que os artigos 132 e 133 do CTN não se enquadram no fato descrito, pois a impugnante não se originou de transformação ou alienação da empresa Topmar. Outrossim, alega que até mesmo a Topmar não tem a responsabilidade tributária que lhe está sendo atribuída, pois segundo os próprios fiscais “os bens nacionalizados... foram importados e distribuídos no País pela Topmar até meados de 1999”, e os fatos infracionários ocorreram durante todo o ano de 1999. A impugnante entende, com fundamento nos mesmos argumentos trazidos pela empresa NHTP, que se operou a decadência do direito de o Fisco exigir o crédito tributário em apreço, que a autuação foi baseada somente em presunções, e que a autoridade lançadora tenta transferir o ônus da prova para o autuado. O acusado conluio entre a autuada Kapal, a Topmar e a impugnante, que a autoridade autuante afirma estar evidenciado no fato de que os bens importados foram, de fato, revendidos pela Topmar e pela DM Eletrônica, não para os pretensos adquirentes informados nas notas fiscais de saída de mercadorias emitidas pela Kapal, mas sim para grande empresas nacionais, por valores superiores aos informados nas notas fiscais, não ocorreu. O fato descrito pela autoridade lançadora apenas confirma que a empresa Kapal emitiu notas fiscais suspeitas, não havendo qualquer prova de ajuste doloso com a impugnante. Diante do exposto, a impugnante requer seja o Auto de Infração declarado nulo, e não sendo este o entendimento da autoridade lançadora, seja determinada a exclusão da impugnante e de seus sócios do presente processo. Também o responsável solidário Sr. Isaac Sverner apresentou impugnação, alegando, em resumo, que: as operações evidenciadas nos autos são de inteira responsabilidade da empresa Kapal, que em nada se relaciona com a empresa DM, e muito menos com o impugnante; não tem nenhuma vinculação com o fato gerador (desembaraço aduaneiro de mercadorias), sobre o qual se pretende exigir o imposto e acréscimos, não tendo legitimidade passiva para figurar como responsável solidário do Auto de Infração; Fl. 14DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 310200.903 S3C1T2 Fl. 2.747 15 não existem provas suficientes capazes de comprovar o suposto envolvimento entre as empresas Kapal e DM Eletrônica, baseandose as autuações em deduções e meros indícios, que maculam a ação fiscal de nulidade, ilegalidade e arbitrariedade; com meras alegações, o Fisco buscou envolver na infração o impugnante, que jamais fez parte do quadro societário da empresa Topmar, e sequer exercia poderes de gerência na empresa DM Eletrônica, restando afastada a aplicação do artigo 135, inciso III, do CTN; os lançamentos referentes às importações realizadas no mês de maio de 1999 e seguintes são nulos, pois fulminados pela decadência, nos termos do artigo 150, § 4o, do CTN; ainda que se aceite a equivocada suposição de que houve dolo quando do recolhimento do tributo, é de se esclarecer que o parágrafo único, do artigo 173, do CTN, determina que o prazo será contado a partir da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário, que no caso da importação de mercadorias é a data do registro da DI, operandose, também na hipótese examinada, a decadência do direito do Fisco constituir o crédito tributário; caso se admitisse a existência de responsabilidade solidária atingindo a DM Eletrônica, esta não alcançaria as multas lançadas, pois nos termos do artigo 137 do CTN, a responsabilidade é pessoal do agente quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar; assim, tendo a empresa Kapal, enquanto importadora, tentado fraudar o Fisco, não há como atribuir responsabilidade solidária, com relação às multas, a outras empresas e pessoas físicas, por expressa determinação do CTN; a empresa DM foi constituída em outubro de 1996, e durante um longo período conviveu no mercado com a empresa Topmar, explorando, cada uma a sua maneira, o negócio de aparelhos eletrônicos, não procedendo à alegação de que a empresa DM sucedeu a Topmar, até porque a Topmar não foi extinta em 1999, não se tratando da hipótese prevista no artigo 132, § único, do CTN, de sócio remanescente de pessoa jurídica extinta que dá continuidade à exploração da atividade dessa; a responsabilização da empresa Topmar em relação às importações realizadas pela Kapal é uma nítida alusão à operação que atualmente foi denominada de “importação por conta e ordem”, cujas regras somente entraram em vigor com a edição da Medida Provisória no 2.15835/01, e não podem alcançar importações efetuadas em data anterior; se, à época dos fatos, o ordenamento jurídico atribuísse à empresa Topmar responsabilidade pelas importações efetuadas pela Kapal, a legislação não precisaria ter sido alterada como ocorreu, razão pela qual impõese o afastamento da Topmar do pólo passivo da infração por total ilegitimidade; Fl. 15DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 16 a regra do artigo 124, inciso I, do CTN, não pode ser aplicada à situação dos autos, por ser regra genérica sobre a qual prevalecem regras mais específicas, determinadas por Decretos lei que regem as operações de importação, mostrandose impossível responsabilizar o impugnante pela suposta infração; não existindo premissa da qual decorra a não aplicação do primeiro método de valoração aduaneira, o que certamente se aplica às operações tratadas nos presentes autos, e estando comprovado que o valor declarado pela importadora corresponde ao valor efetivamente pago, não pode o Fisco exigir diferenças, como pretendeu nos presentes autos, em decorrência da comparação entre o preço praticado em outras operações semelhantes; ainda que inaplicável o 1o Método de Valoração Aduaneira, é incorreta a forma com que os preços das mercadorias foram obtidos, mediante paradigmas insuficientes ou inadequados, que não retratam a realidade das operações no mercado. O impugnante conclui sua defesa requerendo o cancelamento das autuações lavradas, ou quando menos, a exoneração das multas aplicadas. Considerando o disposto no art. 22, § 2o, da Portaria MF no 258, de 2001 a 1ª Turma de Julgamento desta delegacia, por maioria de votos, converteu o julgamento em diligência, por meio da Resolução DRJ/FNS no 0007/2005 (fls. 2.349), nos termos do despacho do relator designado (fls. 2.347/2.348), a fim de que a unidade de preparo diligenciasse junto ao proprietário do imóvel situado na rua Barão de Itapemirim, no 209, sala 407, Centro, Vitória/ES, a fim de que seja demonstrada a autenticidade das informações constantes no contrato de locação, firmado em 01/09/2004 (fls. 2.336) e na 5ª Alteração do Contrato Social e Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral (CNPJ), todos relativos à empresa Kapal Comércio Exterior Ltda., uma vez que referida contribuinte alega que somente foi notificada em 06/01/2005, haja vista que o edital afixado em 13/12/2004 não havia sido precedido de intimação pessoal e por via postal, tendo, portanto, decaído o direito de a Fazenda Federal constituir o crédito tributário. Quanto aos demais cientificados, argúem, também, a decadência do crédito tributário em litígio, porém, por razões outras. Tal demonstração se mostra imprescindível, haja vista que as informações colhidas pela fiscalização, por meio do Termo de Constatação de fls. 1.627, contradizem as veiculadas no retrocitado contrato de aluguel, na medida que demonstra que a autuada (Kapal) não se encontrava devidamente estabelecida no citado imóvel no período que a fiscalização aduaneira envidou esforços no sentido de proceder à ciência pessoal da autuação em trato. Por conseqüência, a SEFIA/ALF/VIT/ES, determinou a execução do referido procedimento por meio do Mandado de Procedimento FiscalDiligência de no 07.2.76.002005001782 de fls. 2.353, que ensejou a expedição do Relatório de Diligência Fl. 16DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 310200.903 S3C1T2 Fl. 2.748 17 de fls. 2.351/2.352, acompanhado dos documentos de fls. 2.354 a 2.380. Tendo em vista a solicitação de fls. 2.381, a Kapal, por meio de seu sócio gerente (Rodrigo Cunha Lima) obteve as cópias dos autos do processo (fls. 1.692 a 2.380). Por fim, a autoridade preparadora, por meio do despacho de fls. 2.384, uma vez mais, encaminhou, em 24/05/2005, os autos do presente processo para a DRJ/FNS/SC para prosseguimento e apreciação. Após as referidas Impugnações, sobreveio o Acórdão recorrido, sendo dele cientificados a Autuada e os Responsáveis Solidários, nos termos das Intimações de fls. 2.415/2.425 (Vol. X). Irresignados com a decisão de primeiro grau, interpuseram Recurso a contribuinte (Kapal) e os seguintes Responsáveis Solidários: o Sr. Isaac Sverner (fls. 2.537/2.579 Vol. X) e a DM Eletrônica da Amazônia Ltda. (fls. 2602/2637 Vol. XI). Da peça recursal da Autuada, a importadora Kapal Comércio Exterior Ltda. Em 01/09/2005, a Autuada foi cientificada do Acórdão recorrido (fl. 2.415v). Inconformada, em 29/09/2005 (fl. 2.426), opôs o Recurso Voluntário de fls. 2.427/2.482 (Vol. X), em que a Autuada reitera os argumentos de defesa aduzidos na peça impugnatória, trazendo de novo, em síntese, o seguinte: a) quanto a preliminar de decadência, alegou que: (i) a diligência realizada não logrou descaracterizar o caráter de ilegalidade da sua intimação por edital; (ii) houve descumprimento do disposto no § 3º do art. 23 do PAF, pois, não logrando êxito na intimação pessoal, a Fiscalização deveria ter feito uma segunda tentativa ou tentado a intimação pela via postal; (iii) a intimação por edital somente poderia ser utilizada como último recurso; (iv) a Turma de Julgamento de primeiro grau não aplicou a firme jurisprudência dos extintos Conselhos de Contribuintes, nem especificou porque discordava dos Acórdãos indicados; (v) a única ciência válida dos contestados Autos de Infração seria aquela ocorrida em 06/01/2005, quando o crédito tributário já se encontrava fulminado pela decadência; e (vi) a data do registro da DI seria o único termo inicial do prazo decadencial de 5 (cinco) anos, fixado no § 1º do art. 150 CTN, combinado com o disposto no art. 3º da Lei Complementar 118, de 9 de fevereiro de 2005; b) quanto a inaplicabilidade do art. 173 do CTN, alegou que: (i) não se lhe aplicava a exceção prevista no § 4º, in fine, do art. 150 do CTN, pois não participou da negociação envolvendo a compra e venda internacional, da revenda subseqüente das mercadorias no Pais e do gerenciamento dos recursos gerados na importação; e (ii) a simulação fora praticada apenas pela Solidária DM Eletrônica da Amazônia Ltda. e sua incorporada, a pessoa jurídica Topmar; Fl. 17DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 18 c) quanto a ilegitimidade passiva, alegou que: (i) faltavalhe capacidade contributiva, pois, na condição de empresa fundapiana, não realizara, nem de fato nem de direito, as referidas importações, mas apenas prestara serviços de intermediação, com fim de viabilizar o incentivo fiscal atinente ao Fundap; (ii) havia inadequação entre o fato jurídico in concretu (registro da DI) e o ato administrativo de lançamento que resultou no elevado crédito tributário apurado; e (iii) os presentes lançamentos seriam procedentes apenas em relação aos responsáveis solidários, autênticos sujeitos passivos; d) quando ao Fundap alegou que agira de conformidade com os atos editados pelos órgãos públicos incumbidos da sua regulamentação, vigentes na época das importações e) quanto a vinculação com as demais solidárias alegou que: (i) no presente caso, não havia vinculo por interesse comum, nos termos do art. 124, I, do CTN, pois, na condição de empresa fundapeana, os seus interesses não eram coincidentes com os dos importadores contratantes dos seus serviços; e (ii) os únicos contribuintes, no caso, seriam as pessoas jurídicas que lhe contrataram para figurar na DI como importadora (consignatária), pois foram elas quem adquiriram a mercadoria no exterior, pagaram ao exportador e revenderam a mercadoria no mercado interno; e f) quanto ao mérito alegou que: (i) embora ainda não vigente a legislação que instituíra a importação por conta e ordem de terceiro, na condição de empresa fundapeana, as presentes importações teriam a mesma natureza; (ii) não houve o alegado conluio entre ela (Autuada) e as demais pessoas jurídicas solidárias, uma vez que os ilícitos descritos foram praticados por estas últimas e as pessoas jurídicas, para quem foram revendidas mercadorias no mercado interno, ainda estavam inaptas na época transações; (iii) não cometera a infração administrativa ao controle das importações por subfaturamento (art. 526, III, do RA/851), pois as fraudes, se ocorridas, não eram de seu conhecimento e foram perpetradas desde a origem, pelas empresas que negociaram as importações do exterior, emitiram as faturas, conhecimentos de carga, pagaram os fornecedores, etc.; e (iv) na condição de empresa fundapiana não teria possibilidade material de contestar os preços praticados, pois não fora ela quem realizou a transação comercial, nem negociara a mercadoria com o fornecedor estrangeiro e não os conhecia, sendo apenas titular da DI, cujos dados lhe foram fornecidos pela NHTP e pelos reais importadores. No final, requereu o provimento do seu Recurso, para que os presentes Autos de Infração fossem declarados insubsistentes em relação a ora Recorrente e aos seus sócios. Da peça recursal do Sr. Isaac Sverner (Responsável Solidário). Em 01/09/2005, o Sr. Isaac Sverner, na condição de Responsável Solidário, foi cientificado do Acórdão recorrido (fl. 2.416v). Inconformado, em 03/10/2005 (fl. 2.537), opôs o Recurso Voluntário de fls. 2.539/2.579 (Vol. X), em que reproduziu os argumentos de fato e de direito aduzidos na peça impugnatória, trazendo de novo, em síntese, o seguinte: 1 Regulamento Aduaneiro de 1985, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1985, vigente na época dos fatos objeto da presente autuação. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 310200.903 S3C1T2 Fl. 2.749 19 a) no que tange à responsabilidade pessoal de sócio, alegou que: (i) a decisão recorrida havia inovado o fundamento legal dos lançamentos, ao asseverar que a legitimidade passiva do ora Recorrente teria fundamento no art. 124, I, ao invés do art. 135, ambos do CTN; (ii) seria ilegítima a inclusão do ora Recorrente no pólo passivo da presente autuação, independentemente do enquadramento legal; (iii) o novo fundamento legal apresentado pelo Órgão julgador a quo seria um reconhecimento de que os presentes Autos de Infração não lhe alcançariam; (iv) jamais participou do quadro societário da pessoa jurídica Topmar, não podendo ser responsabilizado pelos atos praticados em nome dessa empresa; (v) somente a partir de maio de 1999, deuse a sua participação quadro societário da DM Eletrônica, porém, jamais atuara como seu gerente; e (vi) não poderia ser responsabilizado pelos atos da pessoa jurídica DM Eletrônica, com base no art. 135, III, do CTN, onde nunca exercera cargo de gerência; b) era descabida a alegação da fiscalização de que as atividades praticadas pela Topmar, supostamente extinta, foram assumidas pela DM Eletrônica. Argumento ainda que essa imputação somente lhe fora feita com o objetivo de configurar a responsabilidade prevista no art. 132, parágrafo único, do CTN; c) por falta de previsão legal, na época das mencionadas operações de importação, não poderia o Fisco responsabilizar pelo crédito tributário a Topmar e DM Eletrônica, mas apenas a importadora Kapal; somente a partir da vigência MP 2.15835, de 2001, que introduziu o regime de importação por conta e ordem de terceiro, a figura da responsabilidade tributária solidária foi estendida ao real importador; d) embora a responsabilidade solidária já fosse prevista expressamente no art.124, I, do CTN, por se tratar de regra genérica, seria inaplicável aos tributos e infrações aduaneiros, sujeito a regramento específico, prescrito no DL nº 37, de 1966, que também seria inaplicável ao caso, pois essa nova previsão legal somente entrou vigor a partir de agosto de 2001, data posterior ao período em que ocorrera as supostas infrações; e) carecendo de fundamento legal a responsabilização tributária da Topmar e da DM Eletrônica, relativamente às operações de importação realizadas pela Kapal, era também de se concluir pela impossibilidade de responsabilização do ora Recorrente; f) também inexistiria solidariedade com relação às multas lançadas, uma vez que a responsabilidade é pessoal quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente fosse elementar; g) ainda que a arguição de inexistência de solidariedade quanto à totalidade das multas lançadas não fosse acolhida, seria incabível a solidariedade em relação à multa por infração administrativa ao controle das importações, posto que as disposições do CTN restringirseiam apenas aos tributos e acessórios, não alcançando tais tipos de multa; Fl. 19DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 20 h) ainda que a diferença de tributos fosse devida, a multa agravada aplicada na presente autuação não teria cabimento, pois não existiam nem indícios, muito menos prova de fraude praticada pelo ora Recorrente; i) a multa por falta de fatura (art. 521, III, do RA/85) não poderia ser aplicada, pois o próprio fisco admite que as faturas existem, porém, com irregularidades. Quando muito seria aplicada a multa por apresentação de fatura em desacordo com as exigências legais, prevista no art. 521, IV, do RA/85; e j) em relação a decadência e ao método de valoração aduaneira, a Recorrente reafirmou os argumentos aduzidos na fase de impugnatória. No final, pede o provimento do Recurso em tela e o reconhecimento da insubsistência do lançamento contra o Recorrente. Da peça recursal do DM Eletrônica da Amazônia Ltda. (Responsável Solidária). Em 06/09/2005, a Responsável Solidária em epígrafe foi cientificada do Acórdão recorrido (fl. 2.420v). Inconformado, em 03/10/2005 (fl. 2.609), opôs o Recurso Voluntário de fls. 2.603/2.637 (Vol. XI), em que reproduziu os argumentos de fato e de direito aduzidos na peça impugnatória, trazendo de novo, em síntese, as seguintes alegações: a) o Acórdão recorrido seria nulo, porque incorrera no mesmo erro formal da autuação, ao não observar os requisitos mínimos de validade, legitimidade e legalidade, previstos em nosso ordenamento jurídico, violando princípios constitucionais fundamentais; b) o Voto condutor do referido Acórdão seria uma “teratologia jurídica”, uma monstruosidade processual, uma vez que se refere genericamente a todas as impugnações apresentadas e não apreciou todas as alegações de defesa aduzidas na Impugnação; c) o Relator do citado Acórdão confundiu o motivo do ato de lançamento (ato lícito) com ato punitivo (infração cometida); d) fora mencionada uma absurda modalidade de “responsabilidade solidária de terceiro por infração”, pretendendo consolidar em uma só as responsabilidades previstas no art. 124 (solidária), no art.134 (de terceiro) e nos arts. 136 e 137 (por infração), todos do CTN; e) como não inexistia lei atribuindo “responsabilidade tributária solidária por infração”, o Relator apontou o DL 37/66, art.32, II, b, como suposta base legal para tal solidariedade “especial”, todavia, no art. 32 não existe alínea “b”, e o inciso II faz referência ao “transportador”, enquanto substituto tributário, que nada tem a ver com os fatos sob análise; f) ao utilizar o exemplo da responsabilidade solidária do transportador, o Relator procurou justificar a equivocada utilização da “interpretação extensiva”, repudiada pelo ordenamento jurídico tributário, no que concerne à exigência tributo e multa; Fl. 20DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 310200.903 S3C1T2 Fl. 2.750 21 g) não havia nos autos qualquer prova de conluio entre os responsáveis pela Kapal e pela Recorrente, mas apenas indícios, devendo ser aplicado ao caso o “in dubio pro reo”; h) o conluio, a fraude e o dolo seriam atribuíveis apenas às pessoas físicas. Seria uma aberração jurídica imputar tais infrações de natureza subjetiva à pessoa jurídica, porque esta seria uma mera ficção legal; i) o presente procedimento fiscal somente poderia ser instaurado contra a Kapal, logo, o litisconsórcio forçado na presente autuação, com o beneplácito dos julgadores de primeiro grau, seria uma inovação nefasta, sem previsão no PAF, e j) somente uma prova inequívoca de cometimento do delito poderia autorizar a consideração de “coautoria”, termo originário do direito penal. No final, requereu o conhecimento e a procedência presente Recurso, a reforma do Acórdão recorrido, declarando a improcedência dos citados Autos de Infração e o cancelamento do crédito tributário lançado, bem como das multas e dos acréscimos legais decorrentes. Em atenção ao despacho de fls. 2.646 (Vol. XI), os presentes autos foram enviados ao extinto Terceiro Conselho de Contribuintes e, em seguida, distribuído para a Terceira Câmara do citado Conselho, onde foi designado Relator, o Conselheiro Zenaldo Loibman (fl. 2.647 – Vol. XI). Na Sessão de 16 de outubro de 2007, por meio do Voto encartado na Resolução no 30301.369 (fls. 2.648/2.690 – Vol. XI), os membros da Terceira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converteram o julgamento dos presentes Recursos em diligência à Unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de origem, para as seguintes providências, in verbis: 1. A autoridade aduaneira promova a intimação do Sr. Isaac Sverner, e também da empresa DM Eletrônica Ltda, para tomar ciência das irregularidades constatadas, e descritas no RVA SAFIA Nº 001/2000 (às fls.228/454, Volume 2), de modo a colocar o valor de transação sob suspeita da autoridade aduaneira, tendente a desconsiderar o valor de transação declarado. Deve ser concedido prazo para que tais interessados possam manifestar suas contrarazões e apresentar os documentos que a fiscalização julgar pertinentes, bem como aqueles outros que a seus critérios considerem válidos a elucidar o valor de transação efetivamente praticado nas operações de compra e venda internacional que originaram as importações sob exame, ou alternativamente, possam ser úteis à escolha do método de valoração substitutivo; 2. Também se deve requerer ao Sr. Isaac Sverner, em face da possibilidade de eventual não acatamento das contrarazões que vierem a ser apresentadas, com possibilidade de haver descarte do valor de transação declarado, que especifique Fl. 21DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 22 as razões da sua alegação, feita no recurso voluntário, de serem os paradigmas considerados pela fiscalização aduaneira, na busca de valor aduaneiro por método substitutivo do primeiro, insuficientes e inadequados. O mesmo procedimento deve ser observado em relação à empresa DM Eletrônica Ltda; 3. Depois de obtidas as respostas dos interessados ou, na ausência delas dentro do prazo legal a ser concedido, deve a autoridade fiscal aduaneira apresentar suas conclusões de modo a especificar se é o caso de insistir no abandono do primeiro método de avaliação, e neste caso justificar o método substitutivo adotado bem como o valor aduaneiro considerado, expondo seus fundamentos. (os grifos são originais) Em atenção ao disposto na citada Resolução, a Autoridade Fiscal da Unidade da RFB de origem, por meio dos Termos de Intimação Fiscal de fls. 2.694/2.697 (Vol. XI), intimou os mencionados Responsáveis Solidários a apresentar, no prazo máximo de 30 (trinta) dias, todos os documentos e elementos necessários aos esclarecimentos solicitados no referenciado pedido de diligência. Em resposta, os Responsáveis Solidários, no prazo estabelecido, assim se manifestaram sobre as questões que lhe foram apresentadas: Da resposta do Sr. Isaac Sverner. Na petição de fls. 2.704/2.727 (Vol. XI), o Sr. Isaac Sverner reapresentou as razões de defesa aduzidas na peça recursal (o que não lhe fora facultado). No que tange ao objeto da diligência, no item 4 da referida Petição (fls. 2.724/2.727), alegou que (i) os critérios de valoração utilizados pela Fiscalização foram desarrazoados e não correspondiam ou se aproximavam do verdadeiro valor da operação; (ii) a amostragem utilizada pela Fiscalização foi insignificante diante da elevada quantidade de mercadorias importadas; (iii) o motivo apresentado (inexistência de banco de dados), para não utilização dos 2º e 3º métodos de valoração aduaneira, era insuficiente, posto que o Fisco dispunha de outros meios para obtenção dos dados necessários para a realização do valoração, pois os produtos importados seriam comuns, inexistindo dificuldade para identificar outras operações de importação dos mesmos tipos de produto; (iv) o 6º método de valoração, utilizado pela fiscalização, além de ser o menos preciso de todos, seria insuficiente, subjetivo e arbitrário; e (v) apesar do 6º método fosse aceito, no caso presente, a Fiscalização utilizara paradigmas insuficientes e inadequados. Embora lhe tenha sido facultado a apresentação de documentos válidos a elucidar o valor de transação efetivamente praticado nas operações de importação sob exame, o peticionário não trouxe aos autos qualquer documento. Da resposta do DM Eletrônica da Amazônia Lida. Por intermédio da Petição de fls. 2.731/2.734 (Vol. XI), a pessoa jurídica em epígrafe reapresentou algumas considerações sobre o mérito da presente autuação (o que não lhe fora facultado). Em relação ao objeto da prsente diligência, em síntese, alegou que (i) o Termo de Intimação que lhe fora entregue não veio acompanhado do Relatório de Valoração Aduaneira de SAFIA nº 001/2000 (fls. 228/454), o que tornaria impossível a ciência das irrgularidades nele contidas e, por consguinte, de se pronunciar sobre elas; e (ii) deixava de Fl. 22DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 310200.903 S3C1T2 Fl. 2.751 23 apresentar os novos documentos solicitados, porque não era parte legítima para integrar a presente relação jurídico processual. Da manifestação da Autoridade Fiscal. Por sua vez, a Autoridade Fiscal, através da Informação de fls. 2.736/2.738 (Vol. XI), apresentou as seguintes considerações: (i) de acordo com a Decisão nº 6.12 do Comitê de Valoração Aduaneira, da Organização Mundial de Comércio (OMC), em caso de apuração de fraude nos preços, como no caso em tela, a Administração aduaneira deve comunicar o fato apenas ao Importador, dandolhe oportunidade razoável para se manifestar a respeito; (ii) não havia previsão nem determinação para que oportunidade de manifestação fosse facultada aos demais interessados, incluindo; e (iii) foi dado a conhecer o inteiro teor do processo aos responsáveis solidários, oportunizandolhes o amplo direito de defesa sobre todos os pontos da autuação, inclusive no tocante aos critérios de valoração, que fora exercido mediante as impugnações e os recursos apresentados. No que se refere aos resultados da diligência, a Autoridade Fiscal limitouse apenas em relatar as alegações suscitadas pelos Responsáveis Solidários, sem emitir juízo de valor acerca do assunto. No dia 06/06/2008, em cumprimento ao despacho de fl. 2.739, o presentes autos retornaram a este e. Conselho, para prosseguimento do julgamento do feito. Na Sessão do mês de junho de 2010, em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro. É o relatório. 2 Divulgada em anexo a Instrução Normativa SRF nº 318, de 4 de abril de 2003. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator Os presentes Recursos foram apresentados no prazo legal e por partes legítimas, tratam de matéria da competência deste Colegiado e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles tomo conhecimento. Inicialmente, é oportuno esclarecer que recorreram da decisão de primeiro grau a Autuada (Kapal Comércio Exterior Ltda.) e os seguintes Responsáveis Solidários: a pessoa jurídica DM Eletrônica da Amazônia Ltda. e a pessoa física Isaac Sverner. Os demais impugnantes, apesar de regularmente cientificados do Acórdão de primeiro grau, não apresentaram recurso. Analisando o conteúdo das peças recursais colacionadas aos autos, identifiquei razões de defesa que são comuns e outras que diz respeito apenas a determinados Recorrentes. Estas últimas, apesar de algumas delas estarem baseadas em argumentos diferentes, em determinados aspectos, complementamse. Fl. 23DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 24 Assim, com o objetivo de conferir racionalidade e objetividade ao presente julgado, as primeiras serão apreciadas individualmente, levando em conta os argumentos aduzidos por cada Recorrente, e segundas em conjunto, evitando repetições desnecessárias, ressaltando que os argumentos distintos e relevantes serão abordados separadamente, levando em conta o que foi suscitado por cada Recorrente. I – DAS PRELIMINARES No presente ponto, serão apreciadas apenas as questões de natureza preliminar, isto é, aquelas relacionadas com os aspectos formais e materiais de validade dos presentes Autos de Infração e do Acórdão recorrido. Nos presentes Recursos, em termos gerais, foram suscitadas duas questões preliminares, uma atinente a nulidade dos referidos Autos de Infração e a outra concernente à nulidade do Acórdão recorrido. I.1 Da Nulidade dos Autos de Infração Os Recorrentes, em conjunto, propugnaram a nulidade dos presentes Autos de Infração, com base nas seguintes alegações: (i) descumprimento de requisitos formais; (ii) ilegitimidade passiva; e (iii) cerceamento do direito de defesa. A) Da nulidade por inobservância dos aspectos formais. De forma genérica, alegaram os Recorrentes que eram nulos os presentes Autos de Infração, porque não foram observadas as formalidades previstas nos artigos 9o e 103do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, com as alterações posteriores, que dispõe sobre Processo Administrativo Fiscal federal (PAF). Tendo em conta o disposto nos citados preceitos legais, compulsei os Autos de Infração colacionados aos autos (fls. 03/201 Vol. I), com vista a verificar se houve descumprimento de alguma das formalidades legais. 3 "Art. 9o A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. § 1o Quando, na apuração dos fatos, for verificada a prática de infrações a dispositivos legais relativos a um imposto, que impliquem a exigência de outros impostos da mesma natureza ou de contribuições, e a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, as exigências relativas ao mesmo sujeito passivo serão objeto de um só processo, contendo todas as notificações de lançamento e autos de infração. § 2o Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. § 3o A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. (...)". (grifos não originais) Fl. 24DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 310200.903 S3C1T2 Fl. 2.752 25 No caso, constatei que as exigências fiscais em apreço foram formalizadas em autos de infração distintos para cada imposto e penalidade e encartados em único processo, compondo os presentes autos. Esse procedimento tem amparo no § 1º do art. 9º do PAF, com o nítido objetivo de facilitar o direito de defesa dos Autuados, uma vez que a comprovação dos fatos geradores e dos ilícitos praticados depende dos mesmos elementos de prova. Logo, contrariamente ao suscitado pelos Recorrentes, tal medida está em perfeita consonância com os princípios do devido processo legal e os seus corolários, o princípio do amplo direito de defesa e do contraditório. Também por força dessa circunstância, entendo que não procede a alegação de cerceamento do direito de defesa, baseada no argumento de que as autuações foram realizadas em jurisdição fiscal diversa do domicílio tributário dos sujeitos passivos, pois tal procedimento encontra respaldado no § 2o do art. 9o do PAF. Ademais, todos os sujeitos passivos foram regularmente cientificados em seu domicílio fiscal, sendolhes facultado, perante a Unidade da Receita Federal do respectivo domicílio fiscal, amplo acesso aos autos e, por conseguinte, pleno conhecimento dos fatos que lhes foram imputados, sendolhes proporcionado amplo direito de petição e de contestação, portanto, sem qualquer prejuízo ao direito de defesa. Não procede ainda a alegação de que no âmbito do procedimento fiscal não seria admitida a formação de litisconsórcio passivo entre pessoas sem vínculo jurídico. Com efeito, a inclusão das diferentes pessoas jurídicas no pólo passivo das presentes ações fiscais deuse em razão da solidariedade de fato, prevista no inciso I do art. 124 do CTN, caracterizada pelo interesse comum de todas elas no resultado advindo das irregularidades apontadas nos presentes autos. Enquanto que a integração no pólo passivo dos sócios das respectivas pessoas jurídicas foi fundamentada na denominada responsabilidade solidária e pessoal (que não admite benefício de ordem), determinada no inciso III do art. 135, combinado com o disposto no inciso I do art. 124, ambos do CTN, haja vista que os elementos colacionados aos autos são robustos no sentido de demonstrar que os sócios das respectivas pessoas jurídicas agiram com “excesso de poderes ou infração da lei, contrato social ou estatutos”, situação que se subsume perfeitamente as hipóteses descritas nos citados preceitos legais. Assim, estando devidamente configurado que todas as pessoas jurídicas partícipes dos ilícitos narrados nas citadas peças fiscais, assim como os seus sócios, foram beneficiados direta ou indiretamente dos resultados obtidos na execução dos relatados atos ilícitos, ao meu ver, todos eles devem igualmente responder pela totalidade do crédito tributário exigido nos presentes autos, sob regime de solidariedade pessoal, ou seja, sem qualquer benefício de ordem. Ademais, é oportuno ressaltar que, além de atender às exigências legais, a formação de litisconsórcio passivo em situação desse jaez tratase de medida que visa conferir racionalidade ao julgamento das controvérsias, evitando que haja decisões diferentes para as situações idênticas ou análogas. Fl. 25DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 26 Com essas considerações, concluo que o presente procedimento não transgrediu nenhum dos requisitos estabelecidos nos artigos 9º e 10 do PAF, portanto, não havendo qualquer mácula que conspurque a sua higidez. B) Da nulidade por ilegitimidade passiva. Conforme delineado precedentemente, no caso em tela, a composição do pólo passivo das presentes ações fiscais decorreu de três condições distintas, a saber: a) a Autuada, na condição de contribuinte (art. 121, parágrafo único, I, do CTN); b) as pessoas jurídicas responsáveis, na condição de responsáveis solidários, por força do interesse comum (art. 124, I, do CTN); e c) as pessoas físicas dos sócios, na condição responsáveis solidários por terem, além do interesse comum, agido com excesso de poderes ou infração de lei ou contrato social (art. 135, III, combinado com o art. 124, I, ambos do CTN). B.1) Da solidariedade por interesse comum. A integração dos responsáveis solidários ao pólo passivo da presente autuação deuse por força da solidariedade de fato, prevista no inciso I do art. 124 do CTN, caracterizada pela unidade de interesse comum nas situações que motivaram os fatos geradores dos tributos lançados e das infrações relativas às multas aplicadas. No que concerne especificamente às pessoas jurídicas, entendo que encontra se devidamente comprovada nos autos a unidade de interesse nos resultados econômico financeiros dos fatos geradores e ilícitos tributários relatados, envolvendo de forma direta a Autuada Kapal e as duas Responsáveis Solidárias, as pessoas jurídicas DM Eletrônica da Amazônia Ltda. (inclusive, na condição de sucessora da Topmar) e NHTP – Assessoria Aduaneira Ltda. Com efeito, existem fartos elementos probatórios colacionados aos autos que confirmam que as três pessoas jurídicas associaramse numa empreitada fraudulenta, em que a cada uma delas desempenhou uma função essencial e complementar dentro esquema de fraude em referência, mediante a prática comprovada do ilícito de subfaturamento nos preços dos produtos importados objeto da presente autuação. No caso presente, o modus operandi das pessoas jurídicas intervenientes no procedimento fraudulento demonstra, de forma evidente, a contribuição de cada uma delas para prática da fraude referenciada. De fato, compulsando os robustos elementos probatórios carreados aos autos, fica nitidamente evidenciado o conluio das referidas pessoas jurídicas, com o fim de fraudar o controle aduaneiro, administrativo, cambial, bem como o pagamento dos tributos devidos nas operações de importação, objeto das presentes autuações, incluindo o valor do ICMS devido ao Estado do Espírito Santo e a respectiva parcela destinada ao incentivo fiscal administrado pelo Fundo para Desenvolvimento das Atividades Portuárias (Fundap), instituído pelo Estado do Espírito Santo. Existem fartas provas acostadas aos autos que, ao meu ver, demonstram cabalmente o funcionamento do esquema de fraude em apreço, com divisão de funções bem definidas, cabendo a cada participante, dentre outras, as seguintes atribuições: a) a pessoa jurídica Kapal Comércio Exterior Ltda. (Autuada), mediante cessão do nome, simulando a condição de real importadora das mercadorias; Fl. 26DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 310200.903 S3C1T2 Fl. 2.753 27 b) a pessoa jurídica NHTP – Assessoria Aduaneira Ltda. (Responsável Solidária), mediante o gerenciamento, de fato, de todas as etapas das operações de importação4, compreendendo: (i) os procedimentos de importação e de nacionalização das mercadorias, inclusive os ajustes entre o exportador e o real importador, (ii) a captação dos recursos financeiros necessários para fechamento das operações cambiais; (iii) a preparação da documentação e o processamento do despacho aduaneiro; (iv) a disponibilização da sua própria contacorrente para débito automático dos tributos devidos; (v) o fornecimento dos dados para a emissão das notas fiscais de entrada e saída das mercadorias, determinação dos valores, adquirentes ou consignantes, bem como o destino dos bens importados; e c) a pessoa jurídica DM Eletrônica da Amazônia Ltda. (Responsável Solidária), juntamente com a sucedida Topmar Eletrônica, apontadas como sendo as reais importadoras, mediante o fornecimento dos recursos financeiros indispensáveis para financiamento do esquema fraudulento em destaque. Assim, fica demonstrado que a participação de cada uma das pessoas jurídicas foi fundamental para concretização da fraude em apreço, a qual fora perpetrada com o nítido objetivo de não pagar os tributos devidos na operação de importação, também com grave prejuízo financeiro ao Fundap. É evidente a contribuição de cada participante na realização da presente empreitada fraudulenta, ficando clara a participação de cada integrante no esquema, seja fornecendo o conhecimento intelectual, indispensável para burlar os sistemas de controle aduaneiro, cambial e administrativo das importações; seja fornecendo os recursos materiais, logísticos, financeiros e operacionais para realização dos negócios viciados; ou seja fornecendo o próprio nome, atuando como interposta pessoa, com a finalidade de ocultar os reais importadores. Usando de linguagem metafórica, poderseia afirmar que, nessa máquina de fraude, cada pessoa jurídica funcionava como uma peça essencial, sendo indispensável a participação de cada uma delas no funcionamento do esquema. Sem qualquer uma delas a referida engrenagem de fraude não funcionaria. Em decorrência dessa circunstância, o vínculo entre as pessoas jurídicas arroladas como solidárias na presente autuação, tem que ser analisado dentro do contexto das condutas ilícitas que foram cometidas e sobejamente comprovadas nos autos, com o objetivo 4 Nesse sentido, veja o excerto da Descrição dos Fatos dos citados Autos de Infração, a seguir transcrito: "Conforme se depreende das declarações prestadas pelos administradores da KAPAL, coube à NHTP – ASSESSORIA ADUANEIRA LTDA., CNPJ 03.119.273/000148 (doc. 21), o gerenciamento, DE FATO, de todo o processo de importação enacionalização dos bens, compreendendo: (a) ajustes entre exportador e adquirente; (b) registro das declarações no SISCOMEX;(c) utilização de conta corrente própria para débito automático dos tributos devidos nessas operações e obtenção desses recursos;(d) determinação de despachantes e envio de modelo de procuração para a KAPAL (doc. 22); (e) fornecimento dos dados a serem consignados pela KAPAL nas notas fiscais de entrada e saída de mercadorias, determinando valores, adquirerttes/consignantes e destino dos bens; (e) disponibilização de faturas comerciais;(f) desembaraço e entrega das mercadorias ao real importador/cliente final e (g) gerenciamento e captação dos recursos necessários ao fechamento das operações de câmbio e indicação do beneficiário desses créditos no exterior". Fl. 27DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 28 de obter vantagem financeira ilícita, especialmente, em decorrência da falta de pagamento ou pagamento a menor dos tributos devidos nas operações. Cabe ressaltar ainda que, no caso em tela, o vínculo entre as ditas pessoas jurídicas deve ser analisado a luz das relações de fato, construídas a margem da lei pelas intervenientes nas operações de importação em tela. Por outro lado, como as operações normais e regulares, amparadas pelo ordenamento jurídico, não foram objeto da presente autuação, essa circunstância é irrelevante para fim de definição da solidariedade passiva atinentes às exigências fiscais objeto das presentes autuações. Dessa forma, o vínculo que resultou na integração dos Recorrentes no pólo passivo do presente procedimento fiscal deve ser buscado também na natureza factual, nos fatos que foram devidamente provados nos autos, e não sob prisma puramente jurídico, como pretendido pelas Recorrentes. Sob essa ótica, estou convencido de que a solidariedade passiva em apreço encontrase devidamente materializada. B.2) Das alegações de ilegitimidade passiva da Autuada: a pessoa jurídica Kapal Comércio Exterior Ltda. Para a Recorrente Kapal Comércio Exterior Ltda. apenas os responsáveis solidários teriam legitimidade passiva, pois, na condição de empresa fundapiana, ela não havia realizado, nem de fato nem de direito, as referidas importações, mas apenas prestado serviços de intermediação, com fim de viabilizar o incentivo fiscal vinculado ao Fundap. Discordo. O fato de a importadora ser beneficiária do Fundap em nada altera a sua condição de importadora. Como todas as DI foram registradas em seu nome, é inquestionável que ela é a importadora de direito e a responsável pela operação de importação, portanto, sendo a contribuinte dos tributos incidentes na operação, nos termos do inciso I do art. 121 do CTN. Corrobora o asseverado, o fato de as operações de importação serem a principal atividade econômica consignada no contrato social da Kapal, o que se deduz ser da realização dessa atividade a fonte normal dos resultados econômicos financeiros por ela obtidos, incluindo os resultados financeiros advindos do incentivo fiscal do Fundap. Nesse sentido, é oportuno esclarecer que, segundo a legislação do Fundap vigente na época das referidas importações, o ganho financeiro do importador vinculado ao referido Fundo representava 60% do valor do ICMS que era devido ao Estado do Espírito Sento. Dessa forma, tendo em conta que alíquota interestadual o citado imposto era de 12%, temse o ganho financeiro líquido representava o equivalente a 7,2% da base de cálculo do ICMS (normalmente, valor aduaneiro da mercadoria + II + IPI), conforme esclarecido pela Recorrente no trecho da peça recursal em apreço (fl. 2.444), que segue transcrito: A vantagem financeira das empresas do FUNDAP naquela época era de ter de volta 8% dos 12% de ICMS que o cliente repassava para KAPAL pagar o ICMS que era diferido para pagamento em até 56 dias (26 dias fora o mês de faturamento ). Esses 8% eram repassados em forma de financiamento com 25 anos para pagar, com 5 anos de carência sendo 1% de juros ao ano. Além disso o governo que repassava esse recurso via BANDES ( Banco do Desenvolvimento do ES), promovia leilão de 2 em 2 meses onde a empresa podia comprar a dóvida com Fl. 28DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 310200.903 S3C1T2 Fl. 2.754 29 deságio de 90%. Isso quer dizer que se fosse feita uma importação de R$ 100.000,00 a KAPAL pagaria com dinheiro do cliente R$ 12.000,00 de ICMS e receberia em sua conta 30 dias após o pagamento do ICMS o valor de R$ 8.000,00. Depois de 2 meses pagava essa divida com R$ 800,00 no leilão, tendo um ganho líquido de R$ 7.200,00. Por isso, não se cobrava nada do cliente final. Assim, do valor total do ICMS devido ao Estado (alíquota de 12%), 40% era destinado ao Estado e ao Fundap (4,8% da alíquota) e os 60% restantes ficavam com a importadora fundapiana (7,2% da alíquota). Com base nessas informações e tendo conta os dados consolidados no Demonstrativo de fl. 376 (Vol. II), não contestado pela Recorrente, verificase que o valor aduaneiro total das mercadorias informado nas DI foi de R$ 1.384.949,83, ao passo que o valor aduaneiro real apurado pela Fiscalização foi de R$ 13.020.595,61, resultando numa diferença de R$ 11.635.645,78, que acrescido do valor do II (R$ 3.232.320,80) e do IPI (3.185.725,98), resultou na seguinte base cálculo do ICMS: R$ 18.053.692,56. Logo, com a presente fraude, as perdas do Estado do Espírito Sento e do Fundap foram de aproximadamente de R$ 866.577,24, que representa em torno 90% do valor do ICMS que foi declarado nos documentos fiscais atinentes às operações de importação. Por sua vez, o suposto prejuízo da Recorrente teria sido de R$ 1.299.865,86, aproximadamente 90% do valor declarado pela Autuada nas DI (R$ 155.147,21). Dessa forma, aparentemente, tais importações em nada contribuíram ou contribuíram muito pouco para incrementar o incentivo fiscal em destaque. Na verdade, contrariamente ao alegado pela Recorrente, ao lado da Fazenda Nacional, o referido Fundo também foi o grande prejudicado pela fraude em tela, posto que, em função do gritante subfaturamento, não foram carreados os recursos que lhe eram devidos. É inquestionável que a Importadora Kapal também foi a grande prejudicada financeiramente nas citadas operações de importação. Dessa forma, contraria o bom senso admitir que a Autuada Kapal não foi compensada financeiramente por outros meios e formas de pagamento, uma vez que, na situação vertente, afronta a lógica de qualquer negócio que uma pessoa jurídica de direito privado, com fim lucrativo, fosse abrir mão de uma quantia tão elevada, sem benefício algum e ainda correndo um sério risco de responder por encargos e penalidades tributários tão elevados, inclusive, por crimes contra a ordem tributária, como vem se delineando no caso em tela. Com base nessas considerações, tenho por impertinentes as alegações da Recorrente no sentido de que havia inadequação entre o fato jurídico in concretu (registro da DI) e o ato administrativo de lançamento que resultou no elevado crédito tributário apurado e que os presentes lançamentos seriam procedentes apenas em relação aos responsáveis solidários, autênticos sujeitos passivos. Com efeito, nas presentes autuações, resta claro que os autênticos sujeitos passivos são tanto a Autuada, na condição de contribuinte, quanto os Responsáveis Solidários, em decorrência da solidariedade de fato já analisada. Fl. 29DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 30 Não se deve olvidar, ademais, que os tributos lançados e as penalidades aplicadas referemse aos produtos importados pela Recorrente, na condição de contribuinte (art. 31 da Decretolei nº 37, de 1966, com redação Decretolei nº 2.472, de 1988). Por todas essas considerações, corroboradas com as robustas provas colacionadas aos autos, tenho que a participação da Autuada Kapal foi indispensável para efetivação da fraude em destaque, portanto, com acerto procedeu a Fiscalização ao integrála ao pólo passivo da presente autuação, na condição de contribuinte. B.3) Das alegações de ilegitimidade passiva da Responsável Solidária: a pessoa jurídica DM Eletrônica da Amazônia Ltda. A Recorrente em epígrafe alegou que era parte ilegítima para figurar no pólo passivo da presente autuação, posto que a responsabilidade solidária que lhe fora atribuída não tinha respaldo em lei. Não assiste razão a Recorrente. Conforme demonstrado precedentemente, a responsabilidade que lhe foi atribuída na presente autuação decorreu do interesse comum (art. 124, I, do CTN) nos resultados obtidos com a fraude no pagamento dos tributos devidos na operação. A solidariedade, nesta hipótese, independe de previsão legal, diversamente da responsabilidade por determinação, estabelecida no inciso II do art. 124 do CTN. Alegou a Recorrente que, por força do princípio da irretroatividade da norma tributária mais gravosa (art. 150, III, “a”, da CF/88), não poderia ser responsabilizada por infração cometida por outrem, com base na norma da solidariedade passiva estabelecida no âmbito do regime de importação por conta e ordem de terceiro, introduzido pelo arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, que se deu posteriormente aos fatos objeto da presente autuação. Com a devida vênia, incorre em equívoco a Recorrente. Na verdade, a sua integração ao pólo passivo das presentes autuações foi fundamentada no art. 124, I, do CTN, que trata da solidariedade de fato, motivada por interesse comum na situação que constitua fato gerador da “obrigação principal”, que compreende tanto os tributos quanto as penalidades de natureza tributária. Por outro lado, a responsabilidade solidária aplicável ao regime de importação por conta e ordem de terceiro não foi objeto da presente autuação. Alegou ainda a Recorrente que não era sucessora da pessoa jurídica Topmar, nem se originara da sua transformação ou alienação, logo não poderia ser responsabilizada pelos créditos tributários devidos pela referida pessoa jurídica. Não procede a alegação da Recorrente, uma vez que, de acordo com item 6 da Descrição dos Fatos que integra os presentes Autos de Infração, a sua inclusão como responsável tributária da sucedida Topmar deuse com base no que dispõem o parágrafo único do art. 132 e inciso I do art. 133 do CTN, a seguir transcritos: Art. 132 A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a Fl. 30DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 310200.903 S3C1T2 Fl. 2.755 31 exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. Art. 133 A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até a data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; (...) (grifos não originais) Os elementos probatórios colacionados aos autos não deixam dúvida quanto ao fato de a Recorrente ter sucedido a pessoa jurídica Topmar em suas atividades, inclusive, com a manutenção de seus sócios e quadro de pessoal. Confirmam o asseverado, as declarações prestadas pelo Sr. Ivo Regato Cabral, sóciogerente da pessoa jurídica Regato Representações Ltda., representante dos produtos Lennoxx Sound no Estado do Espírito Santo, desde 1997, que foram corroboradas por farta documentação colacionada aos autos, tais como: correspondência comercial, notas de faturamento, pagamento de comissão de vendedores e pedidos de compras etc. No mesmo sentido, dispõem o Relatório de Diligência Fiscal e as Representações Fiscais para Fins Penais acostadas aos autos, dando conta de que se tratava de mera simulação a venda da sucedida Topmar para uma pessoa jurídica com sede na cidade de Aparecida de Goiânia/GO, uma vez que a adquirente jamais existira de fato no endereço indicado. Sobre tais fatos, não se dignou a Recorrente de trazer qualquer que elemento que os infirmassem. Assim, tenho que a Recorrente foi, de fato, a sucessora da pessoa jurídica Topmar. Ademais, como os sócios da sucedida, os Srs. Fisel Perl e Daniel Lewin, passaram a integrar o quadro societário da DM Eletrônica, por força do disposto no parágrafo único do art. 132 do CTN, esta última sociedade deve responder pelos tributos devidos pela sucedida até a data do ato da sucessão. Ainda alegou a Recorrente que na ausência de prova da existência de conluio entre ela e a Autuada Kapal não poderia responder solidariamente com a dívida tributária da responsabilidade exclusiva da Autuada. Não procede essa alegação. Ao contrário do alegado, o conjunto de elementos probatórios colacionadas aos autos não deixam qualquer dúvida acerca da participação da Recorrente nas fraudes cometidas, sendo ela, na condição de real adquirente das mercadorias, a principal beneficiária do subfaturamento dos preços dos produtos importados pela Kapal. Com esses esclarecimentos, rejeito todas as alegações de ilegitimidade passiva suscitadas pela Recorrente DM Eletrônica. Fl. 31DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 32 B.4) Das alegações de ilegitimidade passiva do Responsável Solidário, o Sr. Isaac Sverner. O Sr. Isaac Sverner alegou ilegitimidade passiva, com o argumento de que não poderia ser responsabilizado pelos atos praticados pelas pessoas jurídicas Topmar Eletrônica e DM Eletrônica, com base no art. 135, III, do CTN, pois nunca participara do quadro societário da primeira, e que somente a partir de maio de 1999, integrara o quadro societário da segunda, porém, jamais exercera o cargo de gerente. Inicialmente, é oportuno esclarecer que a inclusão do Sr. Isaac Sverner no pólo passivo da presente autuação deuse em função da sua condição de sóciogerente da pessoa jurídica DM Eletrônica, sucessora de fato da Topmar, conforme anteriormente demonstrado. O fato de o Recorrente não ter integrado o quadro societário da pessoa jurídica Topmar Eletrônica não foi que o determinou a sua integração ao pólo passivo da presente ação fiscal. Na verdade, foi a sua condição de sóciogerente da DM Eletrônica, na época das importações em apreço, que motivou a sua integração ao pólo passivo da presente autuação. Não é verídica a afirmação do Recorrente de que somente a partir de maio de 1999 havia integrado o quadro societário da DM Eletrônica. Ao contrário do asseverado, há provas colacionadas aos autos que desqualificam tal informação. Refirome ao Contrato Social de fls. 1.758/1.766 (Vol. VII), com data de 10 de outubro de 1996, devidamente registrado na Junta Comercial do Estado do Amazonas. Nesse documento, encontrase consignado que o Sr. Isaac Sverner integrou o quadro societário da dita Sociedade desde a sua constituição, inclusive, na condição de maior cotista, com participação de 35,5% no capital social. Assim, ao contrário do alegado, com base no citado Contrato, fica cabalmente demonstrado que o Recorrente era sócio da DM Eletrônica desde 10 de outubro de 1996, data da constituição da citada Sociedade. Logo, na data das importações objeto da presente autuação, o Sr. Isaac Sverner era sócia majoritária da mencionada pessoa jurídica. Não também não é verdadeira a afirmação do Recorrente de que nunca exercera cargo de gerência na pessoa jurídica DM Eletrônica. Mais uma vez, as provas colacionadas aos autos contrariam o infirmam o asseverado pelo Recorrente. Tratase da Cláusula 8ª do Contrato Social de fls. 1751/1.757 (Vol. VII), onde se encontra redigido que a “administração da sociedade caberá exclusivamente a gerência da sociedade, que será exercida por qualquer um dos sócios, os quais são denominados SóciosGerentes” (grifos não originais). Além disso, segundo os sistemas de cadastro da Receita Federal do Brasil (RFB), o Sr. Isaac Sverner foi incluído como sóciogerente da DM Eletrônica desde 09/03/1999, ou seja, antes do início das operações de importação em apreço. Ratifica o asseverado o disposto nos extratos do CNPJ da DM Eletrônica de fl. 1.271 (Vol. V) e do CPF do Recorrente de fl. 1.292 (Vol. V). Por outro lado, é oportuno esclarecer que o Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento probatório que confirmasse o que alegou, nem tampouco contraditou as informações contidas nos citados documentos. Fl. 32DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 310200.903 S3C1T2 Fl. 2.756 33 Por tudo isso, tenho por improcedente todas as alegações de ilegitimidade passiva suscitadas pelo Sr. Isaac Sverner. Com essas considerações, rejeito todas as preliminares de nulidade baseada na alegação de ilegitimidade passiva. Passo a análise da outra preliminar. I.2 Da Nulidade do Acórdão Recorrido Alegou a Recorrente, DM Eletrônica da Amazônia Ltda., que o Acórdão recorrido seria nulo, porque incorrera no mesmo erro formal da autuação, ao não observar os requisitos mínimos de validade, legitimidade e legalidade, previstos em nosso ordenamento jurídico, violando princípios constitucionais fundamentais. Além disso, ainda segundo a Recorrente, o Voto condutor do referido Acórdão seria uma “teratologia jurídica”, uma monstruosidade processual, uma vez que se referira genericamente a todas as impugnações apresentadas e não apreciou todas as alegações de defesa aduzidas na fase impugnatória. Em relação à primeira alegação, entendo que ela não procede, pelas razões apresentadas no tópico anterior. No que tange à segunda alegação, também entendo que não merece acolhimento. De fato, o Voto condutor do Acórdão recorrido, concessa vênia, encontrase devidamente fundamentado e as razões de decidir foram apresentadas com clareza e objetividade, não havendo qualquer agressão ao direito de defesa da Recorrente. Se algum equívoco houve, tenho que o instrumento adequado para suscitálo seria por intermédio presente Recurso Voluntário. Além disso, não vejo caracterizado prejuízo ao direito de defesa da Recorrente, pelo fato de o Relator do Acórdão recorrido não ter analisa separadamente ou ter enfrentado todas as razões aduzidas na peça impugnatória. Diversamente do alegado, tenho que houve motivação adequada da decisão proferida, uma vez que foram abordados os pontos relevantes e essenciais para o deslinde da controvérsia, em consonância com o mandamento de que se motiva no essencial e relevante, dispensandose o periférico e circunstancial. É de sabença que o julgador não está obrigado a enfrentar todas as teses jurídicas deduzidas pelos litigantes, sendo suficiente que fundamente adequadamente a sua decisão. In casu, estou convencido de que a lide foi adequadamente apreciada e julgada pela Turma julgadora a quo, o que afasta a alegada violação aos princípios constitucionais fundamentais. Com base nessas explicações, rejeito a presente preliminar. Assim, superadas todas as preliminares suscitadas pelos Recorrentes, passo a analisar o mérito. II – DO MÉRITO Antes de analisar as questões principais de mérito, cabe apreciar a prejudicial de mérito, concernente a decadência do direito de Fisco constituir o crédito tributário objeto da presente autuação. Fl. 33DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 34 II.1 – Da Prejudicial de Mérito: Decadência do Direito de Lançar. Previamente, cabe fazer uma rápida digressão sobre o instituto da decadência em matéria tributária, especialmente, em relação aos casos de lançamento por homologação. No âmbito do CTN, o assunto encontrase disciplinado no § 4º do art. 150, nos seguintes termos, in verbis: Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifos não originais) Assim, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a segunda parte do § 4º transcrito estabelece expressamente uma exceção à regra normal de contagem do prazo decadencial, nas hipóteses de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Diante dessa exceção e na falta de um preceito legal que disciplinando o assunto, o entendimento majoritário da doutrina e da jurisprudência majoritária do c. Superior Tribunal de Justiça (STJ) e deste e. Conselho, é no sentido de que deve ser aplicado ao caso a regra insculpida no art. 173, I, do CTN, que dispõe o seguinte: Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...). No meu entendimento, no caso em tela encontrase devidamente comprovado a prática do dolo, fraude ou simulação, logo, a contagem do prazo decadencial deve obedecer ao regramento estabelecido no art. 173, I, do CTN, portanto, iniciandose a contagem a partir do “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. A) Das alegações comuns: inexistência de prova do dolo, fraude ou simulação. Compulsando as peças recursais colacionadas, constatei que todos os Recorrentes insurgiramse contra a aplicação do inciso I do artigo 173 do CTN, com o argumento de que, na presente autuação, havia apenas presunção da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o que não seria suficiente para alterar o termo inicial da contagem do prazo decadencial (da data do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte), previsto na segunda parte, in fine, do § 4º do art. 150 do CTN. Fl. 34DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 310200.903 S3C1T2 Fl. 2.757 35 Ainda segundo os Recorrentes, para que se concretizasse tal alteração seria imprescindível a comprovação inequívoca dos mencionados ilícitos. Antes de analisar as presentes alegações, entendo oportuno trazer à colação o relato que as Autoridades Fiscais apresentaram acerca do modus operandi empregado nas operações de importação em apreço. Segundo as ditas Autoridades: mais de 97 % (noventa e sete por cento) dos produtos importados, ou seja, 99 em 102, foram classificados em posição tarifária incorreta; o importador, ciente que as classificações tarifárias vinculadas à NVE são direcionadas para o canal cinza de conferência aduaneira, informou para cento e um produtos, em um universo de cento e dois, códigos que não exigem a informação de atributos na NVE, o único item que foi corretamente classificado e que possuía atributo NVE foi direcionado pelo Sistema para o canal cinza; 85 aparelhos são receptores de radiodifusão com outros elementos incorporados, como aparelhos de gravação, de reprodução de som (tocafitas, tocadiscos, CDs) e relógios, que integram a posição 8527 da NCM. Logicamente, um maior número de componentes no mesmo aparelho elevará seu valor agregado, e é exatamente sobre estes que há interesse em se controlar o valor aduaneiro. Todos foram classificados sob o código 8527.13.10, primeiro subitem da posição, reservado aos aparelhos mais simples que possuam apenas tocafitas, sob o qual não se exige NVE, a despeito de se tratarem, em sua quase totalidade, de aparelhos complexos, como micro systens; outra prática adotada pela empresa, que pode ser vista no quadro abaixo, foi a de utilizar como “unidade de medida” “caixa”, quando pela descrição dos produtos verificase que, em 37 casos o importador trouxe caixas contendo, por exemplo, até 40 unidades por caixa. Como o cálculo do “valor unitário na condição de venda” é feito a partir da medida estatística informada, e não pelo texto da descrição do produto, o valor unitário fica multiplicado, nesse caso, por quarenta vezes. Como o SISCOMEX compara, para fins de direcionamento ao canal cinza, valores unitários na condição de venda de mercadorias com idêntica classificação fiscal, o Sistema é induzido a reconhecer esse campo como valor unitário, o que não procede. Tais irregularidades foram devidamente comprovadas nos autos (fls. 236/238 e 275/454). Aliás, em relação a tais fatos nada foi dito pelos Recorrentes. Em decorrência, tenhoos como incontroversos. Feitas essas breves considerações, passo analisar os ilícitos em destaque, em cotejo com os fatos relatados nos autos, com o objetivo de avaliar a pertinência ou não das alegações em apreço. 1) Em relação à prática do dolo. Fl. 35DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 36 No âmbito do direito tributário5, o dolo se caracteriza pela intenção deliberada do sujeito passivo de prejudicar o Fisco, de forma comissiva ou omissiva, tendo como contrapartida a obtenção de benefício próprio ou de terceiro. Nos presentes autos, comprovam a ação dolosa dos Recorrentes, os fatos a seguir relatados: a) a burla intencional e planejada aos mecanismos de controle aduaneiro, operacionalizados através do Siscomex, mediante enquadramento tarifário das mercadorias em códigos incorretos, para as quais não eram exigidos atributos da Nomenclatura de Valor Estatístico (NVE), com o nítido objetivo de não se submeter ao Canal Cinza de conferência e valoração aduaneiras; e b) utilização de “unidade de medida” e do “Valor Unitário na Condição de Venda” incorretos6, com a clara intenção de fugir ao controle do valor aduaneira declarado. Em decorrência dessas informações erradas, a quase totalidade das DI foram direcionadas para o Canal Verde de conferência aduaneira, não sendo submetidas a nenhum tipo de verificação (documental, física e de valor), na fase do processamento do despacho aduaneiro; e c) em decorrência das irregularidades nas unidades medidas, após a correção dos dados e informações equivocados, o total de itens declarados passaram de 207.529 para 489.397. 2) Em relação à prática da fraude. Em termos gerais, a fraude é o ato ou conjunto de atos praticados dolosamente, com o objetivo de violar uma obrigação ou proibição determinada em lei. No direito tributário7, a fraude se caracteriza pela intenção deliberada de lesionar o Fisco, reduzindo o montante do tributo devido ou evitando ou diferindo o seu pagamento. No presente caso, comprovam as condutas fraudulentas dos Recorrentes, os fatos a seguir relatados: a) os valores das mercadorias informados nas DI eram irrisórios, o que demonstra a nítida intenção das Recorrentes de fraudar o pagamento dos tributos devidos nas operações; b) irregularidades na liquidação dos contratos de câmbio, para os quais foram utilizadas remessas efetuadas por pessoas jurídicas inexistentes de fato, e por pessoas físicas sem condições financeiras, posto que no ano das operações nem sequer apresentaram declaração de rendimentos; e 5 No direito civil, o dolo é definido como o expediene astucioso, utilizado para induzir alguém à prática de um ato jurídico pernicioso para si e proveitoso para o autor do dolo ou terceiro. Tratase de vício do consentimento que torna anulável o ato jurídico defeituoso. 6 Veja o seguinte exemplo (fl. 289 Vol. II): O campo “Quantidade Informada” da DI apresentava 932 caixas contendo 20 (vinte) CD Player cada caixa. Na unidade correta: 18.640 unidades. Valor Unitário da DI: U$ 5,30. Valor Unitário correto: U$ 0,2650. 7 O art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964, define fraude com os seguintes termos "Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento". Fl. 36DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 310200.903 S3C1T2 Fl. 2.758 37 c) as notas fiscais de saída emitidas pela Kapal tinham como adquirentes pessoas jurídica “fantasmas”, que não existem de fato, não estiveram instaladas nos domicílios fiscais indicados nem apresentaram à Receita Federal qualquer declaração de entrega obrigatória a partir do ano de 1993. 3) Em relação à prática da simulação. Ocorre a simulação8 quando duas ou mais pessoas, ajustadas entre si, apresentam uma declaração distinta de seu íntimo querer, com o objetivo de enganar terceiros. No âmbito tributário, a simulação consiste no conluio entre dois ou mais contribuintes, com o fim de lesionar o Fisco, disfarçando o fato jurídico tributário verdadeiro. No presente caso, comprovam a simulação dos Recorrentes, os fatos a seguir relatados: a) o fato de a Importadora Kapal Comércio Exterior Ltda. figurar na relação comercial como mera “repassadora” dos produtos, ocultando os reais importadores; b) as declarações prestadas pelos administradores da Kapal de que ela apenas não participara da transação comercial, servindo apenas de intermediária, ou seja, na prática, cedera o nome, para que fossem realizadas as referidas operações de importação; e c) os administradores da Kapal atestaram ainda que as notas de prestação de serviços emitidas em seu favor pela Responsável Solidária NHTP – Assessoria Aduaneira Ltda., no valor de R$ 100.000,00 (cem mil reais), “nunca foram pagas nem tampouco cobradas pela NHTP, até porque não havia qualquer contrato ou acordo que a obrigasse a tanto”. Esse fato também demonstra a simulação na emissão do documentário fiscal, evidenciando que as receitas auferidas pela NHTP tinham origem outras fontes não declaradas, decorrentes dos acordos que firmara com os reais importadores dos bens, aos quais tentou ocultar do conhecimento do Fisco. Diante das mencionadas constatações, corroborados por elementos probatórios idôneos colacionados aos autos, estou convencido da comprovação da ocorrência do dolo, fraude e da simulação no presente procedimento fiscal, os quais foram praticados em conluio, com a participação tanto da Autuada quanto das Responsáveis Solidárias, que o claro objetivo de eximir as ditas importações do pagamento dos tributos ou realizando pagamento ínfimo. 8 O § 1º do art. 167 do Código Civil de 2002, define os atos jurídicos simulados, com os seguintes dizeres: "Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. (...)" Fl. 37DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 38 Dessa forma, restando sobejamente caracterizados os mencionados ilícitos, em consonância com o disposto na segunda parte, in fine, do § 4º do art. 150 do CTN, a forma de contagem do prazo decadencial deve ser procedida nos do artigo 173, I, do CTN, conforme anteriormente definido. Assim, devidamente comprovado o dolo, a fraude e a simulação e tendo em conta que os fatos geradores e respectivos infrações tributárias ocorreram no período de 17/05/1999 a 01/09/1999, o dia 01/01/2000 (primeiro dia do exercício seguinte) foi o termo inicial do prazo decadencial de constituição do crédito tributário em tela, tendo o termo final ocorrido em 31/12/2004, portanto, posterior as datas das ciências dos Autos de Infração pelas Autuada e Responsáveis Solidários. Com essas conclusões, fica demonstrada a improcedência das referidas alegações. B) Das alegações da Autuadas Kapal Comércio Exterior Ltda. Alegou a Recorrente em epígrafe que não lhe seria aplicável o art. 173 do CTN, com o argumento de que não se enquadraria na exceção prevista no § 4º, in fine, do art. 150 do CTN, uma vez que a simulação fora praticada apenas pela Solidária DM Eletrônica e pela pessoa jurídica Topmar Eletrônica, pois foram somente essas pessoas jurídicas que participaram da compra e venda internacional, da revenda das mercadorias no mercado interno e do gerenciamento dos recursos gerados na importação. Discordo. Conforme anteriormente demonstrado, as operações de importação fraudulentas objeto da presente autuação somente foram realizadas porque houve participação direta da pessoa jurídica NHTP, responsável pelo planejando e gerenciando as operações, da DM Eletronica, que financiou as operações, e da Autuada Kapal, que cedeu seu nome. Portanto, não é demais repetir, sem participação de cada uma dessas três pessoas jurídicas, evidentemente, a citada fraude não teria se consumado. Além disso, a afirmação da própria Autuada Kapal de que não participara das transações comerciais no mercado externo e interno, bem como não gerenciara os recursos financeiros da operação, consiste na confissão de que apenas cedera o seu nome, acobertando o real importador das mercadorias, no caso a Responsável Solidária DM Eletrônica e a sua sucedida Topmar Eletrônica. Dessa forma, ao contrário do alegado pela Recorrente, o argumento por ela apresentado é o reconhecimento expresso da sua participação na prática da simulação em tela, o que ratifica a formação do conluio entre os intervenientes na operação ilícita, buscando disfarçar o real importador das mercadorias, com finalidade clara de fraudar o preço dos produtos importados e, dessa forma, não pagar ou pagar menos tributos nas referenciadas operações de importação, causando graves prejuízos a Fazenda Nacional, ao Estado do Espírito Santo e ao Fundap. No que tange a ciência por edital, alegou a referenciada Recorrente que seria inválida tal ciência, por descumprimento o disposto no § 3º do art. 23 do PAF, posto que, não logrando êxito na intimação pessoal, a Fiscalização deveria ter feito uma segunda tentativa ou tentado a intimação por via postal. Em decorrência, a única ciência válida seria aquela ocorrida em 06/01/2005, quando já havia se consumado o prazo decadencial. Em face das inúmeras alterações ocorridas no PAF, a análise da presente alegação deve levar em conta o preceito legal que estava vigente na data em que foi realizada a Fl. 38DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 310200.903 S3C1T2 Fl. 2.759 39 intimação dos presente Autos de Infração, pois, como é cediço, em termos processuais, a lei que rege o ato é aquela vigente na data da sua prática. Tratase da aplicação da regra tempus regit actum. Na data em que a Autuada fora intimada, vigia a seguinte redação do art. 23 do PAF, a seguir transcrito: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. § 1° O edital será publicado, uma única vez, em órgão de imprensa oficial local, ou afixado em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação. § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III quinze dias após a publicação ou afixação do edital, se este for o meio utilizado. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos I e II deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 4º Considerase domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo o do endereço postal, eletrônico ou de fax, por ele fornecido, para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Com base na redação do § 3º do art. 23 do PAF, resta claro que, diferentemente do alegado pela Recorrente, a utilização dos meios de intimação pessoal ou via postal ficou a critério exclusivo da Administração tributária. Somente em relação a intimação por meio de edital, nos termos do inciso III do artigo em apreço, condicionou a sua realização após terem resultado inútil a intimação pessoal ou por via postal. No caso presente, segundo o Termo de Constatação de fls. 1.627, informaram as Autoridades Fiscais lançadoras que, previamente a intimação por edital, elas tentaram Fl. 39DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 40 cientificar, pessoalmente, a Autuada no seu domicílio fiscal, porém, a sala indicada no endereço declarado àquele Òrgão estava fechada, sem qualquer identificação da Autuada. Relataram ainda que procuraram a Administradora do Condomínio, a qual declarou que a dita sala estava alugada para uma outra pessoa jurídica. Em seguida, procuraram os sócios nos seus respectivos endereços, mas não obtiveram êxito, pois os endereços informados à Receita Federal estavam incorretos. Corrobora o asseverado, os novos esclarecimento apresentados no Relatório Diligência de fls. 2.351/2.352 (Vol. IX), elaborados com base nas declarações e informações, consignadas nos documentos de fls. 2.357/2.380, que ratificam as informações anteriormente prestadas. No caso presente, tendo sido esgotados todos meios para a efetivação da intimação pessoal, não restou outra alternativa à Fiscalização que não fosse a utilização da forma alternativa da intimação editalícia, na época prevista no inciso III do art. 23 do PAF. Dessa forma, fica demonstrado que a intimação por via edital foi realizado com estrita observância do preceito legal em vigor. Com efeito, sendo válida a intimação por edital e tendo sido ele afixado em 13/12/2004, nos termos do inciso do § 2o, III, do artigo 23 do PAF, tenho que a Autuada foi regularmente cientificada em 28/12/2004, portanto, antes que completasse o prazo quinquenal de decadência, estabelecido no inciso I do art. 173 do CTN. Com essas considerações, rejeito todas as alegações de decadência suscitadas pela Autuada Kapal. C) Das alegações da DM Eletrônica da Amazônia Ltda. No seu Recurso, alegou a citada Recorrente que os ilícitos de conluio, fraude e dolo seriam praticados somente por pessoas físicas. Tratarseia de uma aberração jurídica imputar tais infrações de natureza subjetiva à pessoa jurídica, porque esta seria uma mera ficção legal. Antes apreciar a questão suscitada, entendo pertinente fazer uma rápida digressão acerca da natureza, efeitos e limites da personalização da sociedade empresária, tendo por supedâneo o estabelecido pelas teorias normativistas. Segundo essas teorias, a pessoa jurídica é uma criação do direito, portanto um sujeito de direito inanimado personalizado. Em decorrência, no âmbito jurídico, os efeitos da personalização da sociedade empresária, basicamente, são três: a titularidade obrigacional, a titularidade processual e a responsabilidade patrimonial. Pela pertinência ao caso em apreço, a figura da responsabilidade patrimonial é a que merece atenção. Nesse sentindo, de acordo com o princípio da autonomia patrimonial, em regra, a sociedade empresária responde, com seu patrimônio, pelas obrigações de natureza civil. Somente em condições excepcionais, os sócios são chamados a responder pelas obrigações da sociedade, tais como nos casos que envolve: (i) o uso fraudulento da personalidade autônoma da pessoa jurídica; (ii) confusão patrimonial; e (iii) a tutela dos Fl. 40DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 310200.903 S3C1T2 Fl. 2.760 41 direitos dos titulares de créditos não negociáveis, não decorrentes de negócios jurídicos (créditos tributários, trabalhistas, previdenciários, decorrentes das relações de consumo etc.). Em decorrência da autonomia patrimonial, no âmbito da responsabilidade civil, quem responde pelos ilícitos cometidos pelos prepostos, que agiram em nome da sociedade empresária, é ela própria, com as forças do seu patrimônio. Por sua vez, por motivos óbvios, no âmbito da responsabilidade criminal, não tem sentido atribuir a pessoa jurídica as penas privativas da liberdade. Nesta hipótese, quem responderá criminalmente são os representantes legais. Cabe ressaltar ainda que todos os atos praticados pelos administradores e prepostos, inclusive com excesso de poderes, desde que tenham sido realizados em nome da pessoa jurídica, perante terceiros e até prova em contrário, tendo em conta o disposto na teoria da aparência, é a pessoa jurídica quem deve responder pelos atos cometidos. No âmbito tributário, nos termos do art. 135, III, do CTN, os sócios administradores da sociedade só responderão pessoalmente pelas dívidas tributárias da sociedade se ficar provado que: (i) agiram com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto; e (ii) o ilícito societário tenha sido praticado contra a sociedade, em prejuízo desta. Não atendidas tais condições, quem responde pelo crédito tributário, inclusive decorrente de multa qualificada, é a própria pessoa jurídica, em solidariedade com a pessoa física que tenha poderes de gestão e representação da sociedade, desde que esta tenha agido com excesso de poderes ou infração de lei e contrato social. Não é demais repetir que a responsabilidade solidária da Recorrente foi motivada pelo interesse comum nos resultados advindos da presente fraude. Além disso, em consonância com o disposto no art. 124, I, do CTN, a solidariedade de fato também se estende às penalidades impostas. Neste sentido, dispõe o inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966, a seguir transcrito: Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...). (grifos não originais). Com essas considerações, fica demonstrada a improcedência da presente alegação. D) Das alegações do Sr. Isaac Sverner. Alegou o Recorrente que se aceita a equivocada suposição de dolo no recolhimento dos tributos em questão, como o registro da DI seria uma medida preparatória ao lançamento, por força do disposto no parágrafo único do artigo 173 do CTN, o prazo de decadência seria contado a partir do registro da DI. Em decorrência, como as DI objeto da presente autuação foram registradas no período de maio/99 a setembro/99, a conclusão dos presentes lançamentos ocorreu após a ocorrência da decadência. Fl. 41DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 42 Não procede a alegação do Recorrente. O art. 173 do CTN trata do lançamento de ofício e o seu parágrafo único, evidentemente, trata da notificação da autoridade fiscal com vista a dar conhecer ao sujeito de qualquer medida preparatória indispensável ao referido lançamento. Senão, veja o teor do citado preceito legal, a seguir transcrito: Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Além disso, cabe esclarecer que na DI o importador apura o valor dos tributos devidos e antecipa o pagamento. Portanto, o registro dessa declaração tratase de ato de lançamento por homologação, conforme definido no art. 150 do CTN, estando, portanto, sujeito a exceção estabelecida no § 4º deste dispositivo legal, conforme anteriormente demonstrado. Por todas essas razões, rejeito a presente prejudicial de mérito. II.2 – Das Demais Questões de Mérito. Superadas todas as preliminares e a prejudicial de mérito, passo a análise das controvérsias acerca das demais questões de mérito, a saber: os critérios de valoração aduaneira e a cobrança das multas aplicadas. A) Da Valoração Aduaneira. Por força do disposto no art. 4º do Decreto nº 92.930, de 16 de junho de 1986, a partir de 23 de julho de 1986, a base de cálculo do Imposto sobre Importação (II), passou a ser o valor aduaneiro apurado segundo as normas do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio – GATT 1994, dispostas no Acordo de Valoração Aduaneira (AVA). A.1) Do exame preliminar do valoração aduaneira. Segundo o 1º método de valoração do AVA, a base primeira para a determinação do valor aduaneiro é o valor de transação, que corresponde ao preço efetivamente pago ou a pagar das mercadorias importadas, que normalmente, representam os preços estampados nas faturas comerciais. Em consonância com os princípios e disposições gerais do referido Acordo, somente quando inviável o valor de transação, a Autoridade Aduaneira poderá, justificadamente, desconsiderálo, passando então a aplicar, de modo sequencial e sucessivo, os métodos substitutivos seguintes (2º ao 6º métodos). No presente procedimento de valoração, o principal motivo apresentado como justificativa para a não aplicação do 1º método fora a falta de documentos idôneos que comprovassem a grande discrepância entre os preços das mercadorias importadas e os preços dos produtos idênticos e similares, normalmente, praticados no mercado internacional, em momento aproximado. Fl. 42DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 310200.903 S3C1T2 Fl. 2.761 43 Diante dessa constatação, previamente ao presente procedimento de valoração, por meio do Termo de Intimação de fls. 261/264, as Autoridades Aduaneiras intimaram a Importadora a apresentar as informações e os elementos que fundamentassem a valoração aduaneira dos produtos importados, mediante aplicação de um dos métodos substitutivos ao 1º método de valoração do AVA. Em resposta, a Importadora Kapal apresentou os documentos de fls. 266/272, sem contudo apresentar as informações e os elementos probatórios solicitados, necessários para atribuição dos valores substitutos. A.2) Do exame conclusivo procedimento do valoração aduaneira. De acordo com o Relatório de Valoração Aduaneira SAFIA no 001/2000 (fls. 229/454), as Autoridades Aduaneiras informaram que: (i) mantiveram o 1º método, para as operações de importação em que os valores declarados correspondiam aos dos produtos idênticos ou similares; e (ii) rejeitaram o 1º método e aplicaram o 6º método, para as demais operações em que ficou comprovado que os valores declarados eram insignificantes, comparados com os valores dos produtos idênticos e similares. Consta do citado Relatório que, dos 102 (cento e dois) tipos de produtos analisados, apenas 17 (dezessete) deles tiveram o valor de transação aceito. Os demais foram valorados de acordo com o 6º método, mediante aplicação flexibilizada dos 2º e 3º métodos, que têm como parâmetro, respectivamente, a valoração das mercadorias idênticas e similares. No Relatório de Valoração Aduaneira (fls. 243/247), a Fiscalização apontou, em síntese, as seguintes razões para não aceitação dos métodos de valoração substitutivos precedentes (2º ao 5º métodos) ao 6º método: a) razões para não aceitação do 2º e 3º métodos: inexistência de importações que tenham sido aceitas pela Aduana como referências válidas de valor aduaneiro declarado, segundo o parágrafo 4 da Nota Interpretativa do Artigo 2 do AVA, constante do seu Anexo; b) razões para não aceitação do 4º método: falta de uma real revenda das mercadorias. Por não ser a real importadora, as operações de venda realizadas pela Importadora não foram aceitas; e c) razões para não aceitação do 5º método: inexistência de documentação fornecida pelos fabricantes e demais intervenientes no comércio internacional, visando identificar com precisão o custo de produção de cada produto, as margens de lucro praticadas e os demais encargos efetivamente suportados até a colocação do produto no ponto de entrada do território nacional. No procedimento de valoração em apreço, para cada produto submetido à valoração a Fiscalização indicou o modelo e a marca do produto idêntico ou similar utilizado como padrão ou paradigma. No quadro “EXAME DE CONCLUSIVO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA” das fichas individuais de cada um dos produtos importados (descrito em cada Adição das DI referenciadas), que integram o Demonstrativo de Valoração Aduaneiro de fls. Fl. 43DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 44 275/454 (Anexo VII do referido Relatório), foram apresentadas, dentre outras, as seguintes informações: (i) o método de valoração utilizado e, conforme o caso, o método que foi flexibilizado; (ii) a fonte de pesquisa do valor utilizado; (iii) o nº da DI que serviu de paradigma para atribuição do valor aduaneiro substituto; (iv) o produto idêntico ou similar utilizado como parâmetro de comparação; e (iv) demais observações relevantes para o procedimento de valoração. No citado Demonstrativo de Valoração Aduaneiro, as fichas de cada produto foram organizadas em ordem alfabética crescente, por mercadoria, levando em conta as características comuns, concernentes aos elementos técnicos e comerciais. Analisando as fichas contidas no referido Demonstrativo e os demais esclarecimentos contidos no citado Relatório de Valoração Aduaneira, bem como a documentação colacionada aos autos, tenho que o procedimento de valoração aduaneira, atinente ao 6º método substitutivo, foi efetivado de acordo com os ditames do Artigo 7 do AVA, que determina o seguinte: Se o valor aduaneiro das mercadorias importadas não puder ser determinado com base no disposto nos Artigos 1 a 6, inclusive, tal valor será determinado usandose critérios razoáveis, condizentes com os princípios e disposições gerais deste Acordo e com o Artigo VII do Acordo Geral, e com base em dados disponíveis no país de importação. (grifos não originais) Além do referido Demonstrativo, para fim de comparação e com o único propósito de demonstrar que o valor de transação declarado nas DI era absolutamente irreal e incompatível com os preços praticados no mercado externo e interno, para produtos idênticos ou similares, as Autoridades Fiscais ainda trouxeram à colação dos autos (fls. 378/454) dados obtidos de uma ampla pesquisa de preços realizada nos sítios dos fabricantes dos produtos importados e nas lojas virtuais que vendem tais produtos no exterior. O resultado desse trabalho de comparação de preços, encontrase resumido na planilha de fl. 242 (Vol. II), de onde extraio os seguintes principais dados: Produto VU Decl (U$) VU Apurado (U$)* VU Merc Ext (U$) VU Merc. Inten. (R$) Rádio Portátil AM/FM 0,4529 2,4944 9,99 Rádio Relógio Despertador 0,1860 5,4000 7,99 26,90 Rádio Portátil c/10 Bandas 0,3074 10,8000 13,95 29,90 a 39,90 Walkman 0,1262 8,0000 9,95 a 34,99 28,90 a 52,90 Rádio Gravador Portátil 0,9019 6,0000 12,00 44,90 a 79,90 Tocafitas para Carro 0,8333 11,1000 179,00 CD Player Portátil 0,4238 31,2500 39,99 a 44,95 139,00 a 189,00 Rádio Gravador c/CD Portátil 2,7802 39,9307 49,99 a 69,99 165,00 a 239,00 Caixa Acústica AIWA 3,6158 8,9761 Micro System AIWA 3,9182 69,1794 123,99 a 364,35 549,00 a 829,00 Fl. 44DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 310200.903 S3C1T2 Fl. 2.762 45 Telefones Coby 0,8381 3,5000 24,90 VU (Valor Unitário) * Valor Extraído das DI paradigmas. Os dados comparativos apresentados na presente Tabela, ao meu ver, evidenciam que os preços dos produtos idênticos ou similares obtidos das DI paradigmas estão bem abaixo dos preços praticados no mercado externo e interno, obtidos na pesquisa de preços realizada na internet, demonstrando que os paradigmas utilizados atendem adequadamente os critérios de valoração estabelecidos pelo 6º método. A.3) Do exame conclusivo de valor aduaneiro: notificação ao Importador. A notificação ao Importador, para se manifestar sobre o procedimento de valoração adotado pela Administração aduaneira, é recomendação que se encontra prevista no art. 16 do AVA, que dispõe o seguinte: Através de solicitação por escrito,o importador terá o direito de receber, da administração aduaneira do pais de importação, uma explicação por escrito sobre como foi determinado o valor aduaneiro das mercadorias por ele importadas. Em conformidade com o disposto no referido preceito normativo, na fase do exame conclusivo do valor aduaneiro, em cumprimento ao disposto no art. 159 do Decreto n° 2.498, de 1998, vigente na época das presentes operações de importação, as Autoridades Aduaneiras, por meio do Termo de fl. 227 (Vol. II), enviaram a Importadora Kapal o citado Relatório de Valoração Aduaneira e lhe concederam o prazo de 30 (trinta) dias, para que fornecesse elementos idôneos que justificassem a adoção de método de valoração diverso. Em resposta (fls. 460/462), a Importadora alegou apenas que não era parte legítima para compor o pólo passivo da presente relação processual, posto que realizara as referida operações de importação na qualidade de consignatária, atuando como mera prestadora de serviços. É oportuno ainda ressaltar que, com base nos mencionados comandos normativos, a referida notificação deve ser realizada apenas ao importador e, exclusivamente, durante a fase do exame conclusivo de valor. Neste sentido, a Decisão 6.110 do Comitê de Valoração Aduaneira da Organização Mundial de Comércio (OMC), a seguir reproduzida: 9 "Art. 15. No contexto da revisão aduaneira prevista no art. 54 do DecretoLei nº 37, de 1966, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1º de setembro de 1988, o controle do valor será efetuado de conformidade com os procedimentos estabelecidos para o exame conclusivo. § 1º Na hipótese deste artigo, o importador deverá apresentar a declaração referida no art. 3º, acompanhada dos respectivos documentos comprobatórios, no prazo de trinta dias, contado da ciência da notificação de seleção para o controle do valor aduaneiro. § 2º A falta de apresentação da declaração de valor aduaneiro no prazo estabelecido no parágrafo anterior configura recusa na prestação de informações, para os efeitos referidos no art. 8º". 10 A referida Decisão consta do anexo único da Instrução Normativa SRF nº 318, de 4 de abril de 2003. Disponível em: <www.receita.fazenda.gov.br>. Acesso em: 21 out. 2010. Fl. 45DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 46 1. Quando tiver sido apresentada uma declaração e a Administração Aduaneira tiver motivo para duvidar da veracidade ou exatidão das informações ou dos documentos apresentados para justificar essa declaração, a Administração Aduaneira poderá solicitar ao importador o fornecimento de uma explicação adicional, bem assim documentos ou outras provas, de que o valor declarado representa o montante efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas, ajustado em conformidade com as disposições do Artigo 8. Se, após o recebimento de informação adicional, ou na falta de resposta, a Administração Aduaneira ainda tiver dúvidas razoáveis sobre a veracidade ou exatidão do valor declarado, poderá decidir, tendo em conta as disposições do Artigo 11, que o valor aduaneiro das mercadorias importadas não pode ser determinado com base nas disposições do Artigo 1. Antes de tomar uma decisão definitiva, a Administração Aduaneira comunicará ao importador, por escrito, quando solicitado, suas razões para duvidar da veracidade ou exatidão das informações ou dos documentos apresentados e lhe dará oportunidade razoável para responder. Quando for tomada uma decisão definitiva, a Administração Aduaneira comunicará ao importador, por escrito, os motivos que a embasaram. Assim, além de não ter amparo nas disposições do AVA e nas normas internas que dispõe sobre o assunto, revelase de todo inoportuno, após a lavratura do auto de infração e, portanto, já na fase de defesa, intimar os Responsáveis Solidários, para se manifestarem sobre os critérios de valoração aduaneira empregados pelas Autoridades Aduaneiras. Com efeito, após a lavratura e ciência do procedimento fiscal, as oportunidades de defesa, tanto do autuado quanto dos responsáveis solidários, devem seguir o rito processual estabelecido no PAF. Com esses esclarecimentos, pretendo deixar consignado que, no presente caso, não houve descumprimento de qualquer formalidade legal na fase do exame conclusivo de valor, o que ratifica, ao meu ver, a higidez de todo o procedimento de valoração realizado pela Fiscalização. Entretanto, em prestígio ao amplo direito defesa, os membros da e. Terceira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes baixaram os presentes autos em diligência, oportunizando também aos Responsáveis Solidários o direito de se manifestarem sobre o questionado procedimento de valoração aduaneira. Em atenção ao que fora demandado no referido procedimento de diligência, foram apresentadas as alegações, que serão a seguir analisadas. A.4) Das alegações do Sr. Isaac Sverner. Na petição de fls. 2.704/2.727 (Vol. XI), alegou o Recorrente que eram desarrazoados os critérios de valoração utilizados pela Fiscalização. Não assiste razão ao Recorrente, pois, de acordo o citado Relatório de Valoração Aduaneira, em especial, o Demonstrativo de fls. 275/454, verificase que o procedimento de valoração adotado nos presentes autos não contrariou nenhuma das proibições elencadas no item 2 do art. 7 do AVA. Ademais, ao contrário do alegado, o critério valoração Fl. 46DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 310200.903 S3C1T2 Fl. 2.763 47 utilizado foi razoável e condizente com os princípios e disposições gerais do AVA, uma vez os valores utilizados como parâmetro referemse a produtos idênticos ou similares declarados em outras DI registradas em momentos próximos ao das datas das importações em tela. Não se pode olvidar que, na aplicação do método residual (6º método), os o métodos anteriores de valoração são aplicados de forma flexível. No presente caso, foi exatamente o que aconteceu. 11 Argumentou ainda o Recorrente que o critério de valoração utilizado não correspondia nem se aproximava do verdadeiro valor da operação declarado. Essa alegação não procede. A explicação está nos dados coligidos na planilha de fl. 242 (Vol. II), parcialmente reproduzidos na Tabela precedente. De fato, como valores declarados eram tão ínfimos, temse como normal o fato de os valores dos paradigmas não se aproximarem dos valores declarados. Além disso, a Recorrente não se dignou apresentar qualquer dado proveniente de fonte fidedigna que justificasse os valores declarados ou aproximados dos produtos valorados. Alegou a ainda o Recorrente que o motivo apresentado (inexistência de banco de dados), para não utilização dos 2º e 3º métodos de valoração aduaneira, era insuficiente, posto que o Fisco dispunha de outros meios para obtenção dos dados necessários para a realização da valoração, pois os produtos importados seriam comuns, inexistindo dificuldade para identificar outras operações de importação dos mesmos tipos de produto. No caso presente, foi exatamente o que fizeram as Autoridades Aduaneiras. Consultando a base de dados dos sistemas da RFB, localizaram as DI que continham produtos idênticos e similares ao que foram valorados, as quais não se enquadravam nos requisitos do 2º e 3º métodos, porém, satisfaziam plenamente as exigências do 6º método, que consiste na aplicação dos métodos anteriores (2º e 3º), com as flexibilizações admitidas pelo AVA, ou seja, que as DI paradigmas não tenha se submetido a um prévio procedimento de valoração aduaneira. Ainda alegou a Recorrente que o 6º método de valoração, além de ser o menos preciso de todos, seria insuficiente, subjetivo e arbitrário. 11 O referido procedimento está de acordo com o disposto na Nota Interpretativa do 7º do AVA, a seguir transcrita: "1. Valores aduaneiros determinados conforme as disposições do artigo 7º deverão, na medida do possível, basear se em valores aduaneiros determinados anteriormente. 2. Os métodos de valoração a serem empregados de acordo com o artigo 7º serão os definidos nos artigos 1º a 6º, inclusive, mas uma razoável flexibilidade na aplicação de tais métodos será compatível com os objetivos e disposições do artigo 7º 3. Seguemse alguns exemplos de flexibilidade razoável: a) Mercadorias idênticas a exigência de que as mercadorias idênticas devem ser exportadas no mesmo tempo ou aproximadamente no mesmo tempo que as mercadorias objeto de valoração poderá ser interpretada de maneira flexível; mercadorias importadas idênticas, produzidas num país diferente do país de exportação das mercadorias sendo valoradas poderão servir de base para a valoração aduaneira; os valores aduaneiros de mercadorias importadas idênticas, já determinados conforme as disposições dos artigos 5º e 6º, poderão ser utilizados. b) Mercadorias similares a exigência de que as mercadorias similares devem ser exportadas no mesmo tempo ou aproximadamente no mesmo tempo que as mercadorias objeto de valoração poderá ser interpretada de maneira flexível; mercadorias importadas similares, produzidas num país diferente do país de exportação das mercadorias sendo valoradas poderão servir de base para a valoração aduaneira; os valores aduaneiros de mercadorias importadas similares, já determinados conforme as disposições dos artigos 5º e 6º, poderão ser utilizados". Fl. 47DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 48 Nenhum desses qualificativos se aplica ao 6º método. Aliás, no âmbito do AVA inexiste permissão para subjetivismo e arbitrariedade. Na verdade, a única diferença dos métodos propugnados pela Recorrente em relação 6º método, consiste apenas na flexibilização de alguns parâmetros, não admitida nos 2 métodos referenciados, sem, contudo, abrir mão da objetividade que norteia o escopo do AVA. Tal alegação revela total desconhecimento do procedimento de valoração que fora empregado pela Fiscalização, que se utilizou dos dados de outras importações realizadas em tempo aproximado às que foram valoradas, portanto, em consonância com o escopo do AVA, a diferença está apenas no fato das DI paradigmas não terem sido submetidas a um prévio de procedimento de valoração. Por fim, alegou o Recorrente que, ainda que fosse aceito o 6º método, a Fiscalização havia utilizado paradigmas insuficientes e inadequados. Na presente alegação, além de não dizer o que seria um paradigma suficiente e adequado, o Recorrente não apontou a deficiência ou inadequação dos paradigmas utilizados. Em consequência, entendo que a simples menção, de forma genérica, sem apontar um dado concreto, impossibilita qualquer análise dessa questão, tornandoa irrelevante para o deslinde da presente contenda. Ademais, segundo o AVA, apenas uma operação de importação é suficiente para definir o paradigma. Por outro lado, cabe enfatizar que, conforme precedentemente demonstrado, os paradigmas utilizados no presente procedimento de valoração atendem plenamente os requisitos estabelecidos pelo 6º método de valoração do AVA, uma vez que se referem a importações de mercadorias idênticas ou similares, realizadas em tempo aproximado das que foram objeto da presente valoração. Com base nessas considerações, resta exaustivamente demonstrada a improcedência das alegações suscitadas em relação a valoração aduaneira das mercadorias. A.5) Das alegações da DM Eletrônica da Amazônia Lida. Por intermédio da Petição de fls. 2.731/2.734 (Vol. XI), a pessoa jurídica em epígrafe alegou que (i) o Termo de Intimação que lhe fora entregue não veio acompanhado do Relatório de Valoração Aduaneira de SAFIA nº 001/2000 (fls. 228/454), o que tornaria impossível a ciência das irrgularidades nele contidas e, por consguinte, de se pronunciar sobre elas; e (ii) deixava de apresentar os novos documentos solicitados, porque não era parte legítima para integrar a presente relação jurídico processual. Há notícias nos autos que o referido Relatório de Valoração Aduaneira foi enviado em anexo ao Termo de Intimação Fiscal de fl. 2.696, logo, se a Intimada recebeu o referido Termo, a conclusão é que também recebeu o dito Relatório. Se não constava o anexo referenciado no Termo, deveria não ter recebido o citado Termo e comunicar o fato à Autoridade Fiscal. Como nada foi feito nesse sentido e tendo em conta que há provas nos autos de que o citado Relatório foi enviado junto com o Termo de Intimação, reputo irrelevante a presente alegação. Além disso, consta dos autos prova inequívoca de que o seu procurador, regularmente habilitado nos autos (fl. 1.715, frente e verso), recebeu cópia integral do presente processo, incluindo o referido Relatório, conforme recibo consignado no corpo da Intimação de fls. 1.698. Fl. 48DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 310200.903 S3C1T2 Fl. 2.764 49 Assim, fica demonstrada a não procedência das alegações suscitadas, não merecendo qualquer reforma o Acórdão recorrido em relação o procedimento de valoração aduaneira realizado. II.3 – Das Multas Aplicadas. No presente procedimento fiscal, foram aplicadas as seguintes penalidades: a) multa por infração administrativa ao controle das importações, por subfaturamento do preço ou valor da mercadoria (art. 526, III, do RA/85); e b) multa regulamentar, por falta de fatura comercial (art. 521, III, do RA/85); e c) multa proporcional (ou de ofício) agravada de 150% (cento e cinquenta por cento), por evidente intuito de fraude (art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996, para o II, e art. 80, II, da Lei nº 4.502, de 1964, com a redação do art. 45 da Lei nº 9.430, de 1996, para o IPI ). A) Da multa por subfaturamento no preço dos produtos importados. No presente procedimento fiscal (fls. 28/29), a multa por infração ao controle administrativo das importações, materializada pela prática de subfaturamento, foi capitulada no inciso III do artigo 526 do RA/85 (matriz legal: art. 169, II, do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação do art. 2º da Lei nº 6.562, de 1978), que dispõe o seguinte, in verbis: Art. 526. Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas (Decretolei nº 37/66, art. 169, alterado pela Lei nº 6.562/78, art. 2º): (...) III subfaturar ou superfaturar o preço ou valor da mercadoria: multa de 100% (cem por cento) da diferença; (...) (grifo não original). No presente caso, são robustas as provas colacionadas aos autos no sentido de comprovar a prática do subfaturamento dos preços dos produtos importados pela Autuada, conforme exaustivamente demonstrado no presente análise, não remanescendo qualquer dúvida acerca da subsunção da conduta cometida à descrição típica da infração em apreço. No que concerne ao mérito, apenas a Autuada suscitou a falta de fundamento legal para a imposição da presente multa, conforme a seguir analisado. A.1) Das alegações da Autuada Kapal Comércio Exterior Ltda. Alegou a referenciada Recorrente que a prática de subfaturamento na importação implicaria apenas infração de natureza tributária, jamais infração administrativa ao controle das importações. Com a devida vênia, a presente alegação não tem consistência. O preceito regulamentar transcrito não deixa qualquer dúvida acerca do alcance da descrição típica da Fl. 49DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 50 infração em comento, no sentido de enquadrar as operações de importação no campo de incidência da penalidade em questão. Ademais, a aplicação da presente penalidade não exclui a imposição de outras, inclusive criminais, previstas em legislação específica, conforme dispõe o § 5º do art. 169 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação do art. 2º da Lei nº 6.562, de 1978, a seguir transcrito: Art.169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: (...) § 5º A aplicação das penas previstas neste artigo: I não exclui o pagamento dos tributos devidos, nem a imposição de outras penas, inclusive criminais, previstas em legislação específica; (...) (grifos não originais) Dessa forma, fica demonstrada a improcedência da presente alegação, devendo ser mantida integralmente a presente penalidade. B) Da multa por inexistência de fatura comercial. No presente procedimento fiscal (fls. 126 e 129), a multa regulamentar ou do controle aduaneiro, materializada pela inexistência de fatura comercial, foi capitulada na alínea “a” do inciso III do artigo 521 do RA/85 (matriz legal: art. 106, IV, “a”, do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação do art. 2º da Lei nº 6.562, de 1978), que dispõe o seguinte, in verbis: Art. 521. Aplicamse as seguintes multas proporcionais ao valor do imposto incidente, sobre a importação da mercadoria ou que incidiria se não houvesse isenção ou redução (Decretolei n.° 37/66, artigo 106, I, II, IV e V ): (...) III de 10% (dez por cento): a) pela inexistência da fatura comercial ou falta de sua apresentação no prazo fixado em termo de responsabilidade; (...) (grifos originais). Acontece que o referido preceito legal foi expressamente revogado pelo inciso I do art. 94 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Assim, tratandose de ato não definitivamente julgado, com respaldo no princípio da retroatividade benigna, em matéria de penalidade pecuniária, previsto na alínea “a” do inciso II do artigo 10612 do CTN, entendo que a multa em apreço deve ser excluída da presente exigência fiscal, por conseguinte, o Acórdão recorrido deve ser reformado neste ponto específico. 12 "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; (...)”. Fl. 50DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 310200.903 S3C1T2 Fl. 2.765 51 C) Das multas de ofício agravadas. Em relação à diferença do Imposto sobre a Importação (II), no presente procedimento fiscal (fls. 167/169), a multa agravada foi capitulada art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996, que tinha a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) No que tange à diferença do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no presente procedimento fiscal (fls. 69/71), a multa agravada foi capitulada no art. 80, II, da Lei nº 4.502, de 1964, com a redação do art. 45 da Lei nº 9.430, de 1996, que tinha o seguinte teor: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: (...) II cento e cinqüenta por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido, quando se tratar de infração qualificada. As circunstâncias qualificadoras de que trata o referido preceito legal são a sonegação, a fraude e o conluio, conforme estabelecido no § 2º do art. 68 da Lei nº 4.502, de 1964, com redação dada pelo Decretolei nº 34, de 1966, a seguir transcrito: Art. 68. A autoridade fixará a pena de multa partindo da pena básica estabelecida para a infração, como se atenuantes houvesse, só a majorando em razão das circunstâncias agravantes ou qualificativas provadas no processo. (Redação dada pelo DecretoLei nº 34, de 1966) (...) § 2º São circunstâncias qualificativas a sonegação, a fraude e o conluio. Fl. 51DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 52 Logo, no que tange as penalidades em apreço, a sonegação, a fraude e o conluio, nos termos em que definidos nos artigos 71 a 7313 da Lei nº 4.502,de 1964, são a circunstâncias qualificadoras da multa de ofício aplicada nos presentes autos. No meu entendimento, todas as três circunstâncias qualificadoras estão devidamente comprovadas nos autos, conforme exaustivamente demonstrado nos tópicos precedentes. Portanto, corretamente agravadas as penalidades em apreço. III – DA CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL aos presentes Recursos, para excluir apenas a multa por inexistência de fatura comercial. Sala das Sessões, em 04 de fevereiro de 2011. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento 13 "Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72". Fl. 52DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 26/02/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 13770.001057/2007-31
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
AUTO DE INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTO.
O preenchimento de folha de pagamento em desacordo com os padrões e normas estabelecidos na legislação previdenciária caracteriza infração ao disposto no art. 32, I, da Lei 8212/91 c/c art. 225, I, § 9° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3048/99, ensejando a aplicação de multa decorrente do descumprimento da obrigação acessória.
VALOR ABUSIVO DA MULTA. CONFISCO.
Não caracteriza valor abusivo da multa nem confisco a multa aplicada nos estritos termos legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-000.659
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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FOLHA DE PAGAMENTO. O preenchimento de folha de pagamento em desacordo com os padrões e normas estabelecidos na legislação previdenciária caracteriza infração ao disposto no art. 32, I, da Lei 8212/91 c/c art. 225, I, § 9° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3048/99, ensejando a aplicação de multa decorrente do descumprimento da obrigação acessória. VALOR ABUSIVO DA MULTA. CONFISCO. Não caracteriza valor abusivo da multa nem confisco a multa aplicada nos estritos termos legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Wilson Antonio de Souza Corrêa, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13770.001057/200731 Acórdão n.º 280300.659 S2TE03 Fl. 331 2 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de Auto de Infração (DEBCAD 37.089.4901) que tem fundamento no art. 32, inciso I, da Lei 8212/91 c/c art. 225, inciso I, § 9° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3048/99. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, de fls. 17, a empresa apresentou folhas de pagamento incompletas, tendo omitido as remunerações dos segurados empregados relacionados na planilha de fls. 19. Não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes nem atenuantes da penalidade. A multa aplicada foi apurada conforme previsto no artigo 283, inciso I, alínea "a" e art. 373, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, e arts. 92 e 102 da Lei 8212/91, atualizada pela Portaria MPS n° 342/2006, conforme exposto no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 18). DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO A ciência da autuação fiscal se deu em 10/04/2007, fl. 01, inconformado o recorrente apresentou impugnação, fls. 36 a 52. A decisão do órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal confirmou a procedência do lançamento, fls. 301 a 308. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte tomou ciência da decisão em 31/10/2007, fls. 312, inconformado interpôs recurso voluntário em 30/11/2007, fls. 315 a 323, alegando em síntese: o depósito recursal de 30% do valor da exigência fiscal é indevido; a decadência do período da autuação; os documentos foram anexados à defesa, mas o julgamento foi pela procedência do lançamento. Todos os livros continuam à disposição para que possa ser feita a reconsideração do lançamento feito por engano. A folha de pagamentos juntada na defesa é meio hábil para que prove o alegado, pois fora gerada dentro dos ditames legais e refletem a realidade dos fatos; tais documentos não foram considerados válidos sob a fundamentação de já terem sido examinados pela fiscalização. Assim, na confiança de que os documentos acostados refletem a verdade dos fatos e comprovam a regularidade da situação fiscal reitera que sejam analisados e considerados suficientes para elisão do crédito atacado; todas as pendências que o acórdão combatido afirma não sanadas foram na medida de sua veracidade sanadas sim, e os respectivos documentos acostados à defesa, motivo que deve ser considerado para afastar a manutenção da autuação nos termos iniciais, o que desde já se requer; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13770.001057/200731 Acórdão n.º 280300.659 S2TE03 Fl. 332 3 houve a análise de documentos trocados, de períodos diferentes, e não a ausência de tais documentos ou sua omissão. Dessa forma, importante que sejam verificados os documentos anexados aos autos, pois os mesmos revelam a justiça e verdade do que se alega, para ao final concluirse pela anulação da atacada autuação; o valor abusivo da multa; por fim requer o cancelamento da autuação, ou parcialmente cancelada a autuação nos tópicos apresentados com documentos e arbitrado no mínimo legal o valor da multa a ser aplicada. O contribuinte anexou aos autos decisão judicial determinando a suspensão da exigência do depósito recursal de 30% do valor lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13770.001057/200731 Acórdão n.º 280300.659 S2TE03 Fl. 333 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, fls. 329, e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual, passo a analisálo. O depósito prévio no valor mínimo de 30% da exigência fiscal como condição para seguimento do recurso voluntário foi declarado inconstitucional pela Súmula Vinculante do STF n º 21, DOU de 10/11/2009, não sendo mais exigível. O preenchimento de folha de pagamento em desacordo com os padrões e normas estabelecidos na legislação previdenciária caracteriza infração ao disposto no art. 32, inciso I, da Lei 8212/91 c/c art. 225, inciso I, § 9°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3048/99, ensejando a aplicação de multa decorrente do descumprimento da obrigação acessória. Quanto à questão relativa à fluência do prazo decadencial, a mesma deve ser analisada. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Se não houver pagamento antecipado sobre a rubrica há que ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13770.001057/200731 Acórdão n.º 280300.659 S2TE03 Fl. 334 5 previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Os acórdãos exarados pelas Turmas do Superior Tribunal de Justiça STJ prevêem a aplicação de regras de contagem da decadência para as contribuições previdenciárias. Havendo pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento pelo Fisco de eventuais diferenças de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos a contar do fato gerador (§ 4º do art. 150 do CTN). Se não houve pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, desde que não se tenha constatado a ocorrência de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, aplicandose o art. 173,I, do CTN. São os textos dos julgados: Processo RESP 200800367430RESP RECURSO ESPECIAL – 1033444 , Relator(a) MAURO CAMPBELL MARQUES , Sigla do órgão STJ , Órgão julgador SEGUNDA TURMA , Fonte DJE DATA:24/08/2010 Ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL.TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO.TERMO INICIAL. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150,§ 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO POR MEDIDA LIMINAR. POSSIBILIDADE.ART.151, V, DO CTN. 1. Ausente a violação ao art.535, do CPC, quando a Corte de Origem expressamente se manifesta a respeito dos artigos de lei invocados. Ademais, o Poder Judiciário não é obrigado a efetuar expresso juízo de valor a respeito de todas as teses levantadas pelas partes, bastando proferir decisão suficientemente e adequadamente fundamentada. 2. Se houve pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento pelo Fisco de eventuais diferenças de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006 p. 111; e EREsp. n. 101.407/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Ari Pargendler, DJ de 08.05.2000. 3. Se não houve pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário(lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, desde que não se tenha constatado a ocorrência de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, aplicandose o art. 173,I, do CTN. Precedente representativo da controvérsia: REsp. n. 973.733 SC, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 12.8.2009. 4. Em ambos os casos, não há que se falar em prazo decenal derivado da aplicação conjugada do art. 150,§4º, com o art. 173,I, do CTN. 5. O art.151, V, do CTN, estabelece que Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13770.001057/200731 Acórdão n.º 280300.659 S2TE03 Fl. 335 6 suspende a exigibilidade do crédito tributário a concessão de medida liminar ou tutela antecipada. 6. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Data da Decisão 03/08/2010 , Data da Publicação 24/08/2010 Processo AGRESP 200900824759AGRESP AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL – 1137836 , Relator(a) HAMILTON CARVALHIDO , Sigla do órgão STJ , Órgão julgador PRIMEIRA TURMA , Fonte DJE DATA:01/07/2010 Ementa : AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL.TRIBUTÁRIO.DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. SÚMULA Nº 7/STJ. ISS. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO.DECADÊNCIA.INCIDÊNCIA DO ARTIGO173,INCISO I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. QUESTÃO DIRIMIDA EM RECURSO REPETITIVO. 1. A alegação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação esbarra no reexame da prova, inviável de ser dirimida na sede do recurso especial, sendo certo que o acórdão recorrido decidiu que, inexistindo a antecipação do pagamento, o termo inicial da decadência é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 2. "O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo173,I, do CTN, sendo certo que o 'primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado' corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, §4º, e 173, do Codex Tributário,ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal" (REsp nº 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, in DJe 18/9/2009). 3. Agravo regimental improvido. Data da Decisão 15/06/2010 , Data da Publicação 01/07/2010 REGRA DO ART. 173, I DO CTN. Na interpretação em análise de recurso repetitivo do Superior Tribunal de Justiça STJ, o início do prazo decadencial se dá “ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível” (REsp. n. 973.733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, 18.09.2009). No caso em concreto, o período do lançamento se deu em 01/2003 a 12/2003. Trata de auto de infração em razão de descumprimento de obrigação acessória (lançamento de ofício). A ciência da notificação se deu em 10/04/2007 (fl. 01). Logo deve ser aplicado o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. Para a competência mais remota (01/2003), a contar de 01/01/2004, o prazo decadencial para o lançamento dos gatos geradores findaria em 01/01/2009. Assim, não há competência decadente registrada na autuação fiscal. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13770.001057/200731 Acórdão n.º 280300.659 S2TE03 Fl. 336 7 A autoridade fiscal anexou planilha contendo a relação dos empregados cujas remunerações não constam na folha de pagamento de 01/2003 a 13 º salário/2003, fls. 19, Não se confundem as multas impostas em razão do descumprimento das obrigações tributárias principal (recolher tributos) e acessória (inobservância da legislação tributária que impõe prestações positivas – como entregar declarações sobre a ocorrência de situações tributáveis – ou negativas, instituídas no interesse da arrecadação ou fiscalização). O interesse público na arrecadação e na fiscalização tributária legitima o ente federado a instituir obrigações, aos contribuintes, que tenham por objeto prestações, positivas ou negativas, que visem guarnecer o fisco do maior número de informações possíveis acerca do universo das atividades desenvolvidas pelos sujeitos passivos (artigo 113, do CTN). A relação jurídica tributária referese não só à obrigação tributária stricto sensu (obrigação principal), como ao conjunto de deveres instrumentais (positivos ou negativos) que a viabilizam. A obrigação acessória prevista no artigo 113, § 2º c/c 115, do CTN, constitui dever instrumental, independente da obrigação principal, principalmente para os fins de fiscalização da Administração Tributária. Os deveres instrumentais (obrigações acessórias) são autônomos em relação à regra matriz de incidência tributária, aos quais devem se submeter, até mesmo, as pessoas físicas ou jurídicas que gozem de imunidade ou outro benefício fiscal, ex vi dos artigos 175, parágrafo único, e 194, parágrafo único, do CTN. Estes são os entendimentos exarados do Superior Tribunal de Justiça – STJ quanto ao assunto em questão: Processo RESP 2009017 34755RESP RECURSO ESPECIAL – 1182354 Relator(a) HERMAN BENJAMIN, STJ, SEGUNDA TURMA , Fonte DJE DATA:30/06/2010 Ementa : PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO.OFENSA AO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. ART. 32 DA LEI 8.212/1991. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA (ENTREGA DE GFIP). MULTA PELO INADIMPLEMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA (OBRIGAÇÃO PRINCIPAL). BIS IN IDEM. NÃOOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. FUNDAMENTO INATACADO. SÚMULA 283/STF. 1. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 2. Não se conhece de Recurso Especial quanto a matéria não especificamente enfrentada pelo Tribunal de origem, dada a ausência de prequestionamento. Incidência, por analogia, da Súmula 282/STF. 3. Hipótese em que foram aplicadas quatro multas,cujos fatos geradores são: a) ausência de entrega de declaração dos valores pagos a clubes de futebol, decorrentes de contratos de publicidade; b) inadimplemento das respectivas contribuições previdenciárias incidentes; c) ausência de declaração, na GFIP, dos salários pagos aos empregados do recorrido; e d) inadimplemento do tributo incidente sobre a referida folha de salários. 4. Não se confundem as multas impostas em razão do descumprimento das obrigações tributárias principal (recolher tributos) e acessória Fl. 7DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13770.001057/200731 Acórdão n.º 280300.659 S2TE03 Fl. 337 8 (inobservância da legislação tributária que impõe prestações positivas – como entregar declarações sobre a ocorrência de situações tributáveis – ou negativas, instituídas no interesse da arrecadação ou fiscalização). 5. A título exemplificativo, são plenamente cumuláveis as multas impostas pelo inadimplemento do Imposto de Renda (obrigação principal) e pelo atraso na entrega da Declaração Anual de Ajuste (obrigação acessória). 6. Em conseqüência, merece reforma o acórdão que se fundamentou na vedação do bis in idem para excluir as multas cominadas pelo descumprimento das obrigações acessórias. 7. Em relação à multa de R$105.490,15, contudo, deve ser mantido o acórdão hostilizado, porque o fundamento adotado para sua exclusão (desproporcionalidade, em função do valor da obrigação principal– cujo valor aproximado é de R$20.000,00) não foi impugnado no presente apelo. Aplicação da Súmula 283/STF. 8. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. Processo AGA 200802641195AGA AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO – 1138833 Relator(a) LUIZ FUX , STJ, PRIMEIRA TURMA , Fonte DJE DATA:06/10/2009 Ementa : PROCESSUAL CIVIL.TRIBUTÁRIO.AGRAVO DE INSTRUMENTO. ART. 544 DO CPC. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL .MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA(EXPEDIÇÃO DE NOTAS FISCAIS). IRRELEVÂNCIA DA INCIDÊNCIA OU NÃO DO ICMS. ARTIGOS 113, §2º, 115, 175 PARÁGRAFO ÚNICO, E 194, DO CTN. 1. O interesse público na arrecadação e na fiscalização tributária legitima o ente federado a instituir obrigações, aos contribuintes, que tenham por objeto prestações, positivas ou negativas, que visem guarnecer o fisco do maior número de informações possíveis acerca do universo das atividades desenvolvidas pelos sujeitos passivos (artigo 113, do CTN). 2. É cediço que, entre os deveres instrumentais ou formais, encontramse "o de escriturar livros, prestar informações, expedir notas fiscais, fazer declarações, promover levantamentos físicos, econômicos ou financeiros, manter dados e documentos à disposição das autoridades administrativas, aceitar a fiscalização periódica de suas atividades, tudo com o objetivo de propiciar ao ente que tributa a verificação do adequado cumprimento da obrigação tributária" (Paulo de Barros Carvalho, in "Curso de Direito Tributário", Ed. Saraiva, 16ª ed., 2004, págs. 288/289). 3. A relação jurídica tributária referese não só à obrigação tributária stricto sensu (obrigação tributária principal), como ao conjunto de deveres instrumentais (positivos ou negativos) que a viabilizam. 4. A obrigação acessória prevista no artigo 113, § 2º c/c 115, do CTN, constitui dever instrumental, independente da obrigação principal, e subsiste, ainda que o tributo seja declarado inconstitucional, principalmente para os fins de fiscalização da Administração Tributária. 5. Os deveres instrumentais (obrigações acessórias) são autônomos em relação à regra matriz de incidência tributária, aos quais devem se submeter, até mesmo, as pessoas físicas ou jurídicas que gozem de imunidade ou outro benefício Fl. 8DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13770.001057/200731 Acórdão n.º 280300.659 S2TE03 Fl. 338 9 fiscal, ex vi dos artigos 175, parágrafo único, e 194, parágrafo único, do CTN. 6. Agravo regimental desprovido. Destarte, tratase de multas com natureza diversa: uma punitiva (aplicada no presente Auto de Infração) e outra moratória (aplicada na NFLD a esta relacionada), que não se confundem entre si. Nos termos do relatório fiscal, o contribuinte apresentou folhas de pagamento incompletas, no período de 01/2003 a 13/2003, nas quais não constam todas as remunerações dos segurados empregados. Observese que não está sendo exigida a contribuição previdenciária, mas apenas sendo imputada multa por infração à obrigação acessória citada (deixar de lançar na folha de pagamento remunerações de empregados, conforme planilha anexa às folhas 19). A decisão de primeira instância informa que foram analisados os documentos apresentados pelo contribuinte, entretanto, a falta não foi corrigida na sua totalidade. É o que dispõe o texto da decisão abaixo (fls. 307 e 308): 18. O sujeito passivo juntou aos autos novas folhas de pagamento das competências 01/03, 03/03, 04/03 (rasurada), 05/03 e 07/03 a 11/03 . Nestes documentos, alguns dos segurados relacionados pela auditoria fiscal aparecem com a remuneração da RAIS. No entanto, para outros permanece a omissão da remuneração na folha de pagamento. Para exemplificar, na competência 01/2003, a empresa fez constar as remunerações dos segurados Alfredo Carlo Neto, Anna Izabel Ferreira e Luiz Carlos Mello, mas deixou de informar as remunerações de Camila Silva Pereira, Cláudio Simões Salim, Marcelo Lima de Castro, Maria Carolina Vargas Souza e Tércio Girelli Kill. 19. A impugnante trouxe, ainda, ao processo Termos de Rescisão do Contrato de Trabalho de Camila Silva Pereira (fls. 55), e Maria Carolina Vargas de Souza (fls. 56), de 30 de janeiro de 2003 e 09 de fevereiro de 2003, respectivamente, além de recibos de adiantamento de férias de alguns segurados datados de 01/07/2003 (fls. 57 a 60), documentos estes não autenticados, com intuito de comprovar que as remunerações do mês de janeiro de 2003 e agosto de 2003 estariam ali consignadas. 20. Cumpre registrar que os documentos não autenticados não podem ser considerados, uma vez que o art. 7°, § 4 0, da Portaria RFB n° 10.875/2007, dispõe que as provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas por servidor da RFB, mediante conferência com os originais, ou em cartório. De qualquer forma, mesmo que os documentos estivessem autenticados, estes não seriam suficientes a elidir o crédito tributário. 21. A rescisão da segurada Camila Silva Pereira (afastamento em 30/01/03) só faz referência a verbas indenizatórias, incluindo aviso prévio, sem demonstrar o pagamento relativo a saldo de salário do mês de janeiro e o respectivo comprovante do Fl. 9DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13770.001057/200731 Acórdão n.º 280300.659 S2TE03 Fl. 339 10 pagamento da parcela previdenciária. A rescisão de Maria Carolina Vargas de Souza (afastamento em 09/02/03) apresenta apenas o saldo de salários do mês de fevereiro, além de verbas indenizatórias, entre as quais o aviso prévio. Ambas as segurados, portanto, deveriam constar na folha de pagamento do mês de janeiro. 22. Pelos recibos de férias, de fls. 57/60, todos assinados em 01/07/03, não há como identificar nem um possível pagamento de adiantamento relativo ao mês de agosto, nem o recolhimento da contribuição social respectiva, até porque o período de gozo é no mês de julho. Notese que o adiantamento não pago é descontado da remuneração naquele recibo, sem qualquer informação a respeito de quando teria sido pago. Assim, não restou esclarecido por que motivo estes segurados não constam das folhas de pagamento do mês de agosto de 2003. 23. Também cabe ressaltar que há competências para as quais sequer foram apresentadas novas folhas de pagamento, como 02/03, 12/03 e 13/03, não havendo que se falar em correção da falta cometida pela empresa, que apresentou na ação fiscal folhas de pagamento com omissão de fatos geradores. 24. O ônus de comprovar as alegações que traz aos autos é do sujeito passivo, a teor do art. 36 da Lei 9784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. Como o contribuinte não apresentou as folhas de pagamento corrigidas, não há que se falar em modificação do AutodeInfração. Cumpre observar que a multa imposta pela autoridade fiscal foi aplicada em valor fixo, sendo irrelevante, portanto, que parte da falta apontada tenha sido corrigida. A correção de parte dos fatos geradores da infração não altera seu valor, pois a infração continua existindo, mesmo que parcialmente. No mesmo sentido, sua exclusão, atenuação e/ou relevação só seria possível se toda a falta fosse corrigida dentro do prazo legal, o que não ocorreu. Por conseguinte, resta prejudicada a análise dos argumentos apresentados a esse título, pois perdurando a falta mesmo que parcialmente, deve ser mantida a multa em sua integralidade. O auto de infração em tela encontra fundamento de validade na Lei nº 8.212/91, e não na Portaria Ministerial que se limita a atualizar o valor da multa já anteriormente prevista naquele diploma legal. O valor estabelecido como pena pecuniária não é abusivo e nem confiscatório porque o cálculo desta está previsto na Lei nº 8.212/91, sendo o valor da multa,como visto na fundamentação mencionada, não é relativo, mas sim absoluto. Este é o entendimento do Tribunal Federal – TRF2 quanto ao assunto, cujos transcritos seguem: Processo AC 200150010069641AC APELAÇÃO CIVEL – 375867 , Relator(a) Desembargadora Federal SANDRA CHALU BARBOSA , Sigla do órgão TRF2 , Órgão julgador TERCEIRA TURMA ESPECIALIZADA , Fonte EDJF2R Data::12/11/2010 Página::279/280 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13770.001057/200731 Acórdão n.º 280300.659 S2TE03 Fl. 340 11 Ementa ; TRIBUTÁRIO. APELAÇÃO EM AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. INADIMPLEMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA COM BASE NA LEI 8.212/91. NÃO VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE CONFISCO. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. 1. Tratase de apelação contra a sentença que julgou improcedente o pedido de desconstituição do auto de infração nº 35.135.1272, a fim de que seja anulado o decorrente débito fiscal. 2. Inicialmente, é de se dizer que o próprio INSS já reconheceu que o depósito judicial realizado pela autora é suficiente para garantir o crédito tributário em questão, de modo que se mostra desnecessário novo esclarecimento acerca do pagamento integral da dívida em debate. 3. No mérito, cabe consignar que, como bem observou a sentença, “existe fundamento legal para a autuação imposta à autora. Com efeito, encontrase no artigo 32 da Lei 8.212/91, com as alterações empreendidas pela Lei 9.528/97, a obrigação de as empresas apresentarem mensalmente informações relativas às contribuições exigidas pelo INSS, por meio da chamada GFIP”. Por outro lado, também aduziu corretamente a sentença que a Portaria 6.211/00, do Ministério da Saúde e Previdência Social, não criou “embasamento infralegal para a obrigação acessória em tela”, mas sim atualizou “o valor da multa por seu descumprimento”, e que não houve violação ao “princípio da irretroatividade da lei tributária”, eis que a Portaria em questão “foi utilizada pelo agente fiscal para fins de fixação do valor da multa,uma vez que já se aplicava no momento da autuação, nos moldes do § 8º do mesmo artigo 32, Lei 8.212/91”. Outrossim, preciso foi o entendimento do juízo a quo no sentido de que “em relação ao valor da multa aplicada, temos que o que fez o agente administrativo foi apenas aplicar os dispositivos legais transcritos nesta decisão, mediante atividade plenamente vinculada”; de que “o seu valor não é relativo, tomado com base em percentual do montante da obrigação principal, mas absoluto, levando em conta o porte da empresa, com base na quantidade de segurados”; e de que a autora se limitou a pedir a anulação do débito fiscal, não tendo formulado pedido para “a atenuação da multa aplicada”. 4. Oportuno reforçar que o entendimento contido no parecer do Ministério Público Federal é análogo ao da sentença supra especificada, ou seja, que o auto de infração em tela encontra fundamento de validade na Lei nº 8.212/91, e não naPortarianº 6.211/00; que a referida portaria se limitou a “atualizar o valor da multa já anteriormente prevista naquele diploma legal”; que o valor estabelecido como pena pecuniária não é confiscatório porque o cálculo desta está previsto no artigo 32, inciso IV, e §§ 4º e 7º da Lei nº 8.212/91; e que o valor da multa,como visto na sentença, não é relativo, mas sim absoluto. 5. Não obstante os fortes argumentos supra defendidos tanto na sentença quanto no parecer ministerial,vale colacionar os seguintes julgados do Egrégio Superior Tribunal de Justiça acerca do tema: STJ, REsp 1182354/PE, Rel. Min. Herman Benjamin, 2ª T., DJe 30/06/2010; REsp 899.895/SP, Rel. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13770.001057/200731 Acórdão n.º 280300.659 S2TE03 Fl. 341 12 Min. Luiz Fux, 1ª T., DJe 05/08/2009. 6. Recurso conhecido e desprovido. Data da Decisão 26/10/2010 , Data da Publicação 12/11/2010 O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 115, todos do CTN, com a descrição da infração e dispositivo legal infringido, o valor da multa aplicada e sua fundamentação legal, período apurado, relatório fiscal da infração e da aplicação da multa, as Instrução para o Contribuinte – IPC; a identificação do contribuinte, identificação do Auditor Fiscal notificante, e demais informações constantes das folhas 01 a 19, bem como, lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o artigo 33 da Lei n° 8.212/91. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 12DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 13116.000407/2001-71
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 31/07/1991 a 31/03/1992
DECADÊNCIA. FINSOCIAL. O direito de constituição do crédito tributário pertencente à Fazenda Nacional, relativo ao Finsocial, decai no prazo de 5 anos contados da data da ocorrência do fato gerador. Inteligência do artigo 150, § 4º do CTN. Observado o artigo 146, III, b, da Constituição Federal.
Numero da decisão: 303-34.201
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, declarar a decadência do direito de lançar, nos termos do voto da relatora, vencidos os Conselheiros Sergio de Castro Neves e Anelise Daudt Prieto.
Nome do relator: NANCI GAMA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-07T15:20:16Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-07T15:20:16Z; Last-Modified: 2009-08-07T15:20:16Z; dcterms:modified: 2009-08-07T15:20:16Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-07T15:20:16Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-07T15:20:16Z; meta:save-date: 2009-08-07T15:20:16Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-07T15:20:16Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-07T15:20:16Z; created: 2009-08-07T15:20:16Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2009-08-07T15:20:16Z; pdf:charsPerPage: 1231; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-07T15:20:16Z | Conteúdo => CCO3/CO3 Fls. 205 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTEStyf'1* TERCEIRA CÂMARA)---, Processo n° 13116.000407/2001-71 Recurso n° 125.797 Voluntário Matéria FINSOCIAL - FALTA DE RECOLHIMENTO Acórdão n° 303-34.201 Sessão de 29 de março de 2007 Recorrente TRANSBRASILIANA HOTÉIS LTDA Recorrida • DRJ/BRASILIA/DF Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração . 31/07/1991 a 31/03/1992 Ementa: DECADÊNCIA. F1NSOCIAL. O direito de constituição do crédito tributário pertencente à Fazenda Nacional, relativo ao Finsocial, decai no prazo de 5 anos contados da data da ocorrência do fato gerador. Inteligência do artigo 150, § 40 do CTN. Observado o artigo 146, III, b, da Constituição Federal. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, declarar a decadência do direito de lançar, nos termos do voto da relatora, vencidos os Conselheiros Sergio de Castro Neves e Anelise Daudt Prieto. • r ANELISE D A PT PRIETO - Presidente - edAVCI G — Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Zenaldo Loibman, Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Marciel Eder Costa, Nilton Luiz Bartoli, Sergio de Castro Neves e Tarásio Campeio Borges. Processo n.° 13116.000407/2001-71 CCO3/CO3 • Acórdão n.°303-34.201 Fls. 206 Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado em 17 de abril de 2001 exigindo o pagamento de Contribuição para o Fundo de Investimento Social — FINSOCIAL referente ao período de julho de 1991 a março de 1992, no montante de R$ 12.223,11 (doze mil, duzentos e vinte e três reais e onze centavos), nos termos do art. 1°, §1°, do Decreto-Lei n° 1.940/82 e dos artigos 16, 80 e 83 do Regulamento do FINSOCIAL, aprovado pelo Decreto n° 92.698/86. O contribuinte, ao tomar conhecimento de referido auto infração, apresentou impugnação de fls. 41 a 53, que trouxe em suas razões, em síntese, o seguinte: - no período entre 07/91 a 03/92 não adimpliu suas obrigações relativas ao F1NSOCL4L, pois discutia judicialmente a exigibilidade de tal contribuição; 41/ _ o contribuinte encontra-se amparado por medida judicial que declarou inconstitucionais as majorações de alíquota do FINSOCIAL, garantindo-lhe o direito de recolher o tributo sob a alíquota de 0,5%, conforme atesta certidão judicial; - todo valor pago acima do percentual reconhecido em juízo é pagamento a maior e passível de restituição e/ou compensação, nos termos do art 156 do CTN e demais legislações aplicáveis; - amparado pela decisão judicial, ingressou, em 09/06/99, através do processo administrativo n° 13116.000296/99-26, com o pedido de restituição do crédito originado dos valores que pagou, excedentes ao garantido em juízo, para posterior compensação com outros débitos, dentre os quais os de FINSOCIAL do período de 07/91 a 03/92, objeto da presente autuação; - a DRF em Anápolis — GO indeferiu o pedido de restituição, alegando a decadência do direito do contribuinte pelo decurso do lapso temporal de 5 anos entre o pagamento a maior e a data do pedido de • restituição/compensação; - a DRJ de Brasília-DF manteve o entendimento da DRF em Anápolis, tendo o contribuinte recorrido ao Segundo Conselho de Contribuintes; - quando do preenchimento do formulário do Pedido de Compensação o contribuinte informou espontaneanietue os débitos de FINSOCIAL compreendidos no período de 07/91 a 03/92, ou seja, declarou-os; - é notário que não que se fala em autuação de débito já declarado ao fisco; - o Pedido de Compensação incentiva o contribuinte a informar o que deve para que possa gozar do beneficio de extinguir seus débitos, sem os encargos pelo não pagamento quando o crédito for anterior ao débito; - se assim, não fosse seria desnecessário preenche o campo 04 do formulário de Pedido de Compensação, pois o FISCO dispõe em seus Processo n.°13116.000407i2001-71 CCO3/CO3 Acórdão n.°303-34.201 Fls. 207• arquivos a relação de todos tributos declarados e não pagos pelos contribuintes; - não cabe lançamento dos débitos informados no Pedido de Compensação, pois os mesmos já foram devidamente declarados ao FISCO, espontaneamente e em formulário próprio; - a autuação foi lavrada com o intuito de prevenir a decadência do crédito de FINSOCIAL; - o parágrafo I° do art.14 da IN SRF n° 21/97 dispõe que a compensação se dá sem a incidência de multa e juros, incidindo somente esses sobre o saldo devedor porventura remanescente se o crédito não for suficiente para adimplir o débito; - no caso em tela, ainda não há decisão final acerca do quantum a restituir, haja vista que o processo ainda encontra-se aguardando decisão do Segundo Conselho de Contribuintes; _ não há como cobrar multa e juros dos débitos informados pelo contribuinte, pois ainda não há decisão final da administração acerca do pedido de restituição/compensação; - os débitos cobrados já estavam extintos, via compensação, vez que o crédito do contribuinte era anterior aos débitos; - ao informar no Pedido de Compensação os débitos ora cobrados, além de declará-los, a intenção do contribuinte foi evitar que o Fisco lhe restituísse valor superior ao que tinha direito; - a autuação do principal é insubsistente, pois mesmo que se adote o absurdo entendimento do FISCO acerca da contagem do prazo decadencial para o pedido de restituição, pode-se alegar que a compensação acorreu na data do fato gerador do débito, extinguindo- o, nos termos do art. 156, II, do CIN; - basta unia simples análise do processo para denotar-se a ocorrência • da decadência do lançamento efetuado, haja vista que o lapso temporal previsto no artigo, 150, §4°, do CIN, expirou-se, pois o lançamento de oficio ocorreu em 24/04/01, enquanto que o termo final para que o mesmo ocorresse validamente deu-se no período 31/07/96 a 31/03/97 — cinco anos contados da ocorrência dos fatos geradores; - é notório que o disposto no CM acerca da decadência, com status de lei complementar, não pode ser alterado pelo Decreto n° 92.698 que disciplina o FINSOCIAL e estabelece que o prazo tanto para o FISCO lançar, como para o contribuinte pedir restituição de valores pagos a maior é de 10 anos; - cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes; - o auto atacado carece de sustentação legal, haja vista a caducidade do direito do Fisco autuar a ocorrência da suposta infração, razão pela qual o mesmo deverá ser cancelado e declarado extinto o crédito tributário lançado, nos termos do art. 156, V, do CTN. Processo n.0 13116.000407/2001-71 CCO3/CO3 • Acórdão n.° 303-34.201 Fls. 208 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília - DF, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, exarando a seguinte ementa: "Ementa: Decadência. O prazo de decadência das contribuições é de 10 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ser constituído. Falta de Recolhimento. Constatada a falte de recolhimento da contribuição no período alcançado pelo auto de infração, é de se manter o lançamento, por força da lei. Compensação. Compete às DRF efetuar a compensação, nos estritos ermos das Instruções Normativos SRF 0221 e 073/1997. Multa de Oficio. O não pagamento das parcelas devidas, em suas épocas próprias, sujeita a empresa à incidência de multa e juros. No caso dos autos, o percentual da multa equivale a setenta e cinco por cento, porque o lançamento é de oficio, em face da falta de recolhimento. Lançamento procedente." Intimado da mencionada decisão em 13/02/02 (fls. 71), o contribuinte 4111 apresentou o presente Recurso Voluntário em 05/03/02 (fls. 74 a 96), insistindo nos pontos objeto de sua impugnação, alegando ainda, em síntese, que: - a Lei n° 8.212/91 é uma lei ordinária, portanto, não possui competência para regular matéria (decadência) que, por força de determinação constitucional, é atributo de Lei Complementar (art. 146, IH, "c", da CF/88; - cita jurisprudência do Primeiro e do Segundo Conselho de Contribuintes sobre o prazo de decadéncia da Fazenda Nacional; - considerando que a decadência tributária se caracteriza pela preclusão do direito de a Fazenda Pública vir a praticar o ato administrativo de lançamento, não há mais o que se falar em lançamento de tributo cujo fato gerador tenha ocorrido nos períodos de 1991/1992; - o contribuinte apurou e declarou espontaneamente o valor devido, 40 bem como o saldo a seu favor e comunicou o resultado dessa apuração à autoridade fiscal competente, isso tudo através do pedido de restituição/compensação; - o exercício do direito de compensação de débitos com créditos do mesmo tributo independe de autorização da Fazenda Pública; - no presente caso, os débitos já estavam extintos via compensação, uma vez que os créditos oriundos do pagamento a maior se referiam ao período anterior àquele dos débitos; - o contribuinte deixou de recolher tributo em comento porque o discutia judicialmente e entendia que os valores que já havia suportado eram suficientes para adimplir os períodos em aberto; - o direito ao crédito foi reconhecido judicialmente, retroagindo até a data da situação que ensejou a discussão, razão pela qual tão logo nascido, o débito foi compensado; ‘ Processo n.° 13116.000407/2001-71 CCO3/CO3. . 20Acórdão n.° 303-34.1. Fls. 209 - a DRF em Anápolis deveria ter aguardado o julgamento final do pedido de restituição/compensação para então julgar o presente processo; - quando for reconhecido o direito do contribuinte aos valores pagos a maior, entrarão no cômputo da compensação, relativamente aos créditos tributários lançados de oficio, multa e juros, em discordância com o art. 14, §1 0, da IN SRF 21/97. A Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converteu o julgamento do recurso em diligência, a fim de que fosse apensado ao presente processo os autos do processo tramitado no Poder Judiciário. Em cumprimento da diligência, a Delegacia da Receita Federal em Anápolis, através da intimação n° 456/2005 — Sacat (fls. 170), intimou o contribuinte a apresentar cópia da sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 91.00.04651-5. Cientificado de referida intimação, em 14 de setembro de 2005, o contribuinte • apresentou cópia da sentença e do acórdão referente ao mandado de segurança n° 91.00.04651- 5, bem como cópia da ementa do acórdão proferido nos autos do processo administrativo n° 13116.000296/99-26 (Restituição/FINSOCIAL). Cumprida a diligência determinada, o presente processo retomou a este E. Terceiro Conselho de Contribuintes para julgamento. É o Relatório. IP Processo n.° 13116.000407/2001-71 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-34.201 Fls. 210 Voto Conselheiro NANCI GAMA, Relatora O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal, portanto, dele tomo conhecimento. Inicialmente, cumpre ressaltar que, o auto de infração que originou o presente processo administrativo foi lavrado em 17 de abril de 2001, reportando-se a fatos geradores ocorridos no período de julho de 1991 a março de 1992, ou seja, decorridos mais de 5 (cinco) anos da sua ocorrência. O Código Tributário Nacional (CTN), com o status de lei complementar que lhe é conferido, regula os prazos de decadência do direito ao lançamento nos arts. 150, § 4° e 173, que dispõem, respectivamente o seguinte:• "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (.) sÇ 4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1— do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento • poderia ter sido efetuado; II — da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Nesse sentido, o CTN, por imperativo constitucional (art. 146, III, "b" da CF/88), exerce uma função garantística, típica das leis complementares, de estabelecer um limite máximo para os prazos de prescrição e decadência, ao qual a lei ordinária, baseada no reconhecimento da suficiência de menor período para o exercício do poder de controle, pode porventura reduzir, mas nunca excedê-lo. Processo n.° 13116.000407/2001-71 CCO3/CO3 • Acórdão n.°303-34.201 Fls. 211 Assim, entendo que, ao contrário do consignado no acórdão proferido pela DRJ de origem, não há como fundamentar a não decadência do lançamento efetuado no inciso I do art. 45, da Lei n°8.212, de 24 de julho de 1991, que fixa em 10 (dez) anos o prazo decadencial do direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos. Isto porque, a fixação direta pelo CTN do prazo de decadência em 5 (cinco) anos tem o significado e alcance de uma proibição de ampliação do mesmo prazo, dirigida ao legislador ordinário, que deve circunscrever-se aos limites temporais máximos, e isto em obediência ao princípio da segurança jurídica, limite constitucional implícito ao poder de tributar. Ademais, o fato de o § 4° do art. 150 do CTN estabelecer que a lei poderá fixar prazo para a homologação não representa uma autorização para a lei ordinária fixar prazos de decadência superiores ao de 5 (cinco) anos fixado diretamente pelo CTN. À corroborar o entendimento desta Relatora, cumpre consignar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais ("CSRF") também vêm se posicionando no sentido de que o • prazo decadencial previsto no art. 150, 4°, do Código Tributário Nacional deve ser observado também em matéria de F1NSOCIAL, afastando-se, por conseguinte, o art. 45 da Lei n. 8.212/91, conforme se infere das ementas abaixo transcritas: "FINSOCIAL — JANEIRO DE 1989 a DEZEMBRO DE 1990 - LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO — DECADÊNCIA. É de 05 (cinco) anos, a contar da data da ocorrência do fato gerador, o prazo para a Fazenda Nacional constituir, de oficio, o crédito tributário correspondente à quantia deixada de ser recolhida a título de Contribuição para o Finsocial, observado o disposto no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional." (CSRF, 3° Turma, recurso n° 201- 100928, sessão de 07/11/05) "DECADÊNCIA — FINSOCIAL — O direito de constituição do crédito tributário pertencente à Fazenda Nacional, relativo ao Finsocial, decai no prazo de 5 anos contados da data da ocorrência do fato gerador. Inteligência do artigo 150, § 4° do C77V. Observado o artigo 146, III, b, • da Constituição Federal. Recurso negado." (CSRF, 3° Turma, recurso n°201-115142, sessão de 03/11/03) Ressalte-se ainda que, idêntica orientação já vem sendo acolhida por esta Terceira Câmara deste E. Terceiro Conselho de Contribuintes, conforme se verifica da ementa abaixo transcrita: "DECADÊNCIA. A partir da CF/88, de acordo com o disposto no art. 146, III, b, as normas gerais a respeito de decadência ficaram sob a reserva de lei complementar. A solução do conflito normativo explicitado combina a competência constitucional endereçado à lei complementar, de observáncia obrigatória pelos entes federados, com a constatação da verdadeira ojeriza que tem o ordenamento jurídico pelos prazos eternos. Os prazos decadenciais no CT1V estão regrados tão-somente nos artigos 150, § 4° e 173. O que o § 4° do art. 150, no caso de haver pagamento antecipado, prescreve que se não houver lei federal, estadual ou municipal prevendo prazo menor para a efetivação • • Processo n.° 13116.000407/2001-71 CCO3/CO3 . • Acórdão n.° 303-34.201 Fls. 212 da homologação, o poder para fazê-la escoará em cinco anos a contar do fato gerador da obrigação. Se não houver a antecipação de pagamento, dá-se a hipótese prevista e regrada no art. 173, aí se define o prazo decadencial para os lançamentos ex officio, que é de cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso concreto não houve antecipação de pagamento para os fatos geradores de FINSOCI4I, ocorridos no período de novembro/I991 a março/1992, indicados na autuação, e o auto de infração para constituir o crédito tributário correspondente, lavrado com o intuito de prevenir a decadência, foi cientificado ao contribuinte em 18/04/2000 quando já se havia escoado por completo o prazo decadencial para o direito-dever do lançamento." (Terceiro Conselho de Contribuinte, Terceira Câmara, Recurso Voluntário n° 122922, sessão de 12/05/04) Dessa forma, como a autuação fiscal reporta-se a fatos geradores ocorridos no • período de julho de 1991 a março de 1992, ou seja, decorridos mais de 5 (cinco) anos da sua ocorrência, operou-se, de forma inquestionável, a decadência do direito da Fazenda Pública constituir o crédito fiscal por ela exigido. Sendo assim, em razão da ocorrência da decadência que de plano extingue o direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito relativo à FINSOCIAL, deixo de analisar as demais questões suscitadas pelo contribuinte. Por todo o exposto, tendo por fundamento os argumentos apresentados, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao presente recurso interposto, julgando totalmente improcedente o lançamento efetuado por meio do auto de infração, em razão da extinção do crédito tributário pela constatação de sua decadência. É como voto. • Sala das Sessões, em 29 de março de 2007 1\d-L4CI - Relatora Page 1 _0011400.PDF Page 1 _0011500.PDF Page 1 _0011600.PDF Page 1 _0011700.PDF Page 1 _0011800.PDF Page 1 _0011900.PDF Page 1 _0012000.PDF Page 1
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Numero do processo: 10510.900453/2009-88
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 02 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Sep 22 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2004
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO.
PRECLUSÃO. CONTEXTOS FÁTICOS DIFERENTES. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. Não se conhece de recurso especial cujos acórdãos apresentados para demonstrar a divergência evidenciam decisão em contexto fático distinto, concernentes à possibilidade de apresentação de provas em recurso voluntário para esclarecimento de matéria fática importante para a solução do litígio, e não para deferimento de diligências requeridas pela Contribuinte para exame das provas do indébito por ela utilizado em compensação.
Numero da decisão: 9101-005.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Livia De Carli Germano (relatora) e Amélia Wakako Morishita Yamamoto, que conheceram do recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Edeli Pereira Bessa.
(documento assinado digitalmente)
Andrea Duek Simantob - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
(documento assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Viviane Vidal Wagner, Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Luis Henrique Marotti Toselli, Caio Cesar Nader Quintella, Andrea Duek Simantob (Presidente).
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2004 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. PRECLUSÃO. CONTEXTOS FÁTICOS DIFERENTES. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. Não se conhece de recurso especial cujos acórdãos apresentados para demonstrar a divergência evidenciam decisão em contexto fático distinto, concernentes à possibilidade de apresentação de provas em recurso voluntário para esclarecimento de matéria fática importante para a solução do litígio, e não para deferimento de diligências requeridas pela Contribuinte para exame das provas do indébito por ela utilizado em compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Livia De Carli Germano (relatora) e Amélia Wakako Morishita Yamamoto, que conheceram do recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) Andrea Duek Simantob - Presidente (documento assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora (documento assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Viviane Vidal Wagner, Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Luis Henrique Marotti Toselli, Caio Cesar Nader Quintella, Andrea Duek Simantob (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 04 53 /2 00 9- 88 Fl. 254DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-005.091 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10510.900453/2009-88 Relatório Trata-se de recurso especial interposto pelo sujeito passivo em face do acórdão acórdão nº 1001-000.882, de 04 de outubro de 2018, da 1ª Turma Extraordinária da Primeira Seção, assim ementado: Acórdão recorrido 1001-000.882 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar proposta de diligência suscitada e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Contra essa decisão o sujeito passivo havia oposto embargos de declaração acusando o acórdão de omissão, no entanto o apelo foi rejeitado por despacho da presidência da turma. No recurso especial o sujeito passivo alega divergência jurisprudencial em relação à possibilidade de apresentação de provas/retificação de declarações após a apresentação da manifestação de inconformidade. Alega divergência a respeito da interpretação conferida ao artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972, indicando como paradigmas o acórdão nº 2202- 005.098 e o acórdão nº 9101-002.203 Requer, ao final, além do conhecimento do recurso, (i) a reforma do acórdão recorrido, para que sejam analisados os documentos trazidos aos autos e, consequentemente, a regularidade da sua compensação, que importará na extinção do crédito tributário, (ii) a nulidade das decisões proferidas sem a análise dos documentos trazidos os autos pela Recorrente, determinando-se a remessa do processo ao julgador originário para que proceda a novo julgamento da causa valorando corretamente as provas carreadas de modo regular, e (iii) subsidiariamente, a aplicação de ofício do parecer normativo Parecer Normativo COSIT nº 2/2015, de modo a reconhecer a possibilidade da retificação da DCTF posteriormente ao despacho decisório, com a consequente análise da compensação e extinção do crédito tributário. Em 2 de agosto de 2019, a Presidente da Primeira Câmara da Primeira Seção deu seguimento ao recurso especial, nos seguintes termos (grifos do original): (...) Fl. 255DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-005.091 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10510.900453/2009-88 3 Análise da Divergência Tema: Possibilidade de apresentação de provas/retificação de declarações após a apresentação da Manifestação de Inconformidade. Divergência a respeito da interpretação conferida ao art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. A Recorrente invoca divergência jurisprudencial na interpretação da possibilidade de se admitir a apresentação de elementos de prova após a impugnação/manifestação de inconformidade, afirmando que no processo administrativo fiscal deve haver um formalismo moderado e a busca pela verdade material. Afirma que os acórdãos indicados como paradigmas "reconhecem, analisando o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, que vige no Processo Administrativo Fiscal o princípio da formalidade moderada e a busca pela verdade material, que mitigam a preclusão exposta no referido diploma." De acordo com a descrição contida no relatório do acórdão recorrido, este processo trata de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) pela qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos de IRPJ 2362 (março de 2004). O pedido foi indeferido pelo órgão de origem que analisou as informações e concluiu que o crédito havia sido integralmente utilizado na quitação de outro débito declarado, não restando saldo disponível para liquidar os débitos informados no PER/DCOMP. Em manifestação de inconformidade a ora Recorrente explicou que recolheu o IRPJ (código 2362) de março/2004 no valor de R$ 35.673,57, acrescido de multa (R$ 7.134,71) e juros (R$ 4.006,14). Contudo cometeu equívoco no preenchimento da DCTF, eis que o valor efetivamente devido correspondia a R$ 6.106,37 e, assim, haveria um recolhimento indevido de R$ 29.567,20. Ao dar-se conta do equívoco, depois da não homologação da compensação, promoveu a retificação da DCTF que anexou aos autos e pugnou pelo deferimento do pleito. A DRJ em Salvador/BA julgou a manifestação de inconformidade improcedente por entender que o pagamento de estimativa mensal somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em montante superior ao calculado na declaração de ajuste anual e acrescentou que o momento adequado para o autuado apresentar as provas documentais era juntamente com a impugnação. Em Recurso Voluntário pugnou o interessado pela análise da documentação acostada aos autos do processo que afirma demonstraria a ocorrência de recolhimento indevido aos cofres públicos, no valor do DARF de R$ 29.567,20 (sem correção), do período de apuração de março de 2004, para o tributo classificado sob o código 2362. Ao apreciar o litígio o acórdão a quo consignou, em resumo, que o recorrente não comprovou a certeza e liquidez do indébito, e que os elementos apresentados após a manifestação de inconformidade se encontravam preclusos, em razão das disposições do art. 16, do Decreto nº 70.235/72: [...] Conforme disposto nos artigos 16 (em especial seus §§ 4º e 5º) e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade (efls. 13/14), pois opera-se o fenômeno da preclusão.(...) [...] Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento. (...) E concluiu: Fl. 256DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-005.091 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10510.900453/2009-88 Adiciono que concordo com o asseverado na decisão de primeira instância de que a simples alegação de pagamento indevido de estimativa declarada (desacompanhada dos documentos contábeis que corroborem a afirmação de erro) não comprova a liquidez e certeza do alegado crédito, não sendo desta forma passível de compensação. O crédito passível de ser restituído ou compensado, no caso, seria aquele apurado no ajuste anual e demonstrado na declaração de rendimentos. Pelo exposto, voto em rejeitar proposta de diligência suscitada e negar provimento ao recurso. O primeiro paradigma indicado pela Recorrente registrou a seguinte ementa: Acórdão nº 2202-005.098 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PROVAS DOCUMENTAIS COMPLEMENTARES APRESENTADAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO RELACIONADAS COM A FUNDAMENTAÇÃO DO OBJETO LITIGIOSO TEMPESTIVAMENTE INSTAURADO. APRECIAÇÃO. PRINCÍPIOS DO FORMALISMO MODERADO E DA BUSCA PELA VERDADE MATERIAL. NECESSIDADE DE SE CONTRAPOR FATOS E FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA DE PRECLUSÃO. Em homenagem ao princípio da verdade material e do formalismo moderado, que devem viger no âmbito do processo administrativo fiscal, deve-se conhecer a prova documental complementar apresentada no recurso voluntário que guarda relação com a matéria litigiosa controvertida desde a manifestação de inconformidade ou impugnação, especialmente para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. O documento novo, colacionado com o recurso voluntário, pode ser apreciado quando se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, sendo certo que os fundamentos da decisão de primeira instância constituem nova linguagem jurídica a ser contraposta pelo administrado, de modo a se invocar a normatividade da alínea "c" do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, não se cogitando de preclusão. SUSTENTAÇÃO ORAL. A sustentação oral no processo administrativo fiscal é regulamentada conforme disciplinado no Regimento Interno do CARF, não cabendo intimação pessoal e específica ao causídico da causa ou ao representante legal do contribuinte ou ao responsável. A intimação que se efetiva é exclusivamente pelo diário oficial da União e para comunicar o dia da sessão de julgamento, ocasião em que pode-se comparecer voluntariamente e, se desejar, registrar-se presencialmente para sustentar oralmente. NULIDADE INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da decisão hostilizada quando ela decidiu fundamentadamente a matéria, inclusive quando apreciou, no mérito, a alegada violação de diapositivo legal pelo ato de lançamento. O pedido de realização de diligência deve ser acompanhado dos quesitos necessários para o exame da matéria, inclusive para motivá-lo e demonstrar sua pertinência, sob pena de indeferimento. A realização de diligência pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento especializado, fora do campo de atuação do julgador. a autoridade julgadora indeferirá os pedidos de diligência que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Não é nula a decisão de piso que indefere, motivadamente, requerimento para a realização de perícia. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 257DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-005.091 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10510.900453/2009-88 Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 GFIP. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. GLOSA. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Na falta de comprovação do direito creditório, ônus da prova que compete ao contribuinte, não há que se falar em compensação, sendo legítima a glosa quando se consubstanciar indevida a declaração de compensação efetivada. Demais disto, não estando constituído o crédito tributário, deve se exarar o auto de infração para fins do lançamento de ofício. A compensação é uma faculdade conferida ao contribuinte que deve comprovar de forma inequívoca ter dela se utilizado nos termos da lei. Nas compensações glosadas, em sede de litígio, é dever do contribuinte demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, a sua tese, sendo ônus seu provar a liquidez e certeza do vindicado direito creditório, obrigando-se, inclusive, a demonstrar a origem do alegado crédito, permitindo a rastreabilidade, valendo-se de todos os meios de prova permitidos em direito para tanto. Incumbe a quem alega, na forma definida pela legislação, o ônus de provar, de modo que, não comprovadas as alegações de existência de direito creditório, mantém-se incólume a decisão hostilizada. Este paradigma apreciou glosa de compensações, consideradas indevidas, em vista de não se reconhecer a certeza e liquidez do direito creditório reivindicado. Partindo da glosa das compensações, lançou-se os créditos tributários que não se encontravam constituídos. Em impugnação a defesa alegou que a auditoria fiscal equivocou-se ao considerar que a compensação fora feita com base em processos judiciais. Asseverou tratar-se de compensação da retenção de 11% do valor bruto da nota fiscal de prestação de serviços, devidamente autorizada por lei (§ 1º do art. 31 da Lei nº 8.212/91) e que agiu dentro da estrita legalidade, utilizando corretamente o valor das retenções devidamente informadas em GFIP, conforme documentos que teria juntado à impugnação. Requereu, ainda, a apresentação posterior de outros documentos e a improcedência do auto de infração. A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ que, em síntese, não reconheceu a compensação e indeferiu a realização de diligências. Ao julgar o recurso voluntário, o colegiado do CARF, especificamente sobre as disposições do art. 16, do Decreto nº 70.235/72 em referência a apresentação de provas em sede de impugnação e sobre aquelas juntadas ao Recurso Voluntário, pronunciou-se pela possibilidade de seu conhecimento, no caso, em razão da busca da verdade material. Os seguintes trechos do julgado demonstram a convicção da turma a respeito do tema: Disciplinando o processo administrativo fiscal, o Decreto nº 70.235, de 1972, traz regramento específico quanto a apresentação da prova documental. Lá temos normatizado que, em regra, a prova documental será apresentada com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual (art. 16, § 4º, caput). Porém, há ressalvas, isto porque resta prevista que não ocorre a preclusão quando: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior (art. 16, § 4º, alínea "a"); b) refira-se a fato ou direito superveniente (art. 16, § 4º, alínea c"). A juntada de novos documentos, com supedâneo em quaisquer das ressalvas, deve ser formulada pelo contribuinte à autoridade julgadora (art. 16, § 5º). Dito isto, tenho que na resolução da lide, sempre que possível, deve-se buscar a revelação da verdade material, especialmente na tutela do processo Fl. 258DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-005.091 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10510.900453/2009-88 administrativo, de modo a dar satisfatividade ao administrado, objetivando efetiva pacificação do litígio. (...) [...] (...) Por último, este Conselho tem entendido que é possível a apresentação de novos documentos quando da interposição do Recurso Voluntário (Acórdão nº 9303-005.065, 1002-000.4601 , 9202-001.634, 9101-002.781, 9101-002.871, 9303-007.555 e 9303-007.855). Especialmente, tenho em mente que o documento novo, juntado com a interposição do recurso voluntário, quando vinculado a matéria controvertida objeto do litígio instaurado a tempo e modo com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que, portanto, é relativo a questão controversa previamente delimitada no início da lide, não objetivando trazer aos autos discussão jurídica nova, mas tão-somente pretendendo aclarar matéria fática importante para o âmbito do quaestio iuris, deve ser apreciada regularmente, inclusive para os fins da busca da verdade material, da observância do princípio do formalismo moderado, bem como na esperada normatividade que deve ser dada para a alínea "c" do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, ao dispor que o documento novo pode ser apreciado quando se destinar a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, sendo certo que os fundamentos da decisão de primeira instância constituem nova linguagem jurídica a ser contraposta pelo administrado. De mais a mais, o contribuinte requereu a juntada dos novos documentos, na forma do art. 16, § 5º, do Decreto nº 70.235, de 1972. Sendo assim, os documentos novos (efls. 373/381, 382/384, 385, 386, 390, 391 e 392/397) apresentados no recurso voluntário devem ser apreciados quando da análise do mérito. Nota-se que este paradigma, analisando situação fática similar àquela tratada no recorrido e conferindo interpretação às disposições do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, concluiu que seria possível afastar a preclusão e admitir a análise de elementos de prova apresentados junto do Recurso Voluntário, que não objetivaram trazer discussão jurídica nova, mas tão-somente pretenderam aclarar matéria fática importante para a solução do litígio. Por outro lado, o acórdão recorrido, adotando as disposições do mesmo art. 16, do Decreto nº 70.235/72, concluiu pela impossibilidade de juntada e apreciação de provas junto do Recurso Voluntário, sob qualquer circunstância, em virtude da preclusão processual. Entendo que este paradigma está apto a caracterizar a divergência. O paradigma seguinte registrou a seguinte ementa: Acórdão nº 9101-002.203 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO. DIVERGÊNCIA ENTRE DCOMP E DIPJ. ESCLARECIMENTO E SANEAMENTO DE ERRO NO CURSO DO PROCESSO. POSSIBILIDADE. 1. Um erro de preenchimento de DCOMP, que motivou uma primeira negativa por parte da administração tributária (DRF de origem), não pode gerar um impasse insuperável, uma situação em que a contribuinte não pode apresentar nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo. Tal interpretação estabelece uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal. Não há como acolher a idéia de preclusão total, sustentada no entendimento de que a contribuinte pretende realizar uma nova compensação por vias indiretas, dentro Fl. 259DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-005.091 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10510.900453/2009-88 do processo, especialmente pelas circunstâncias do caso concreto, em que ela não pretende modificar a natureza do crédito (saldo negativo de IRPJ), nem seu período de apuração (ano-calendário de 2003, e nem mesmo aumentar o seu valor. 2. A decisão de primeira instância administrativa decidiu não examinar as informações que pretendiam justificar as divergências entre DCOMP e DIPJ, sustentando seu entendimento na questão formal da impossibilidade de retificação de DCOMP após ter sido exarado o despacho decisório, óbice que nesse momento está sendo afastado. Afastado o óbice formal que fundamentou a decisão da Delegacia de Julgamento, o processo deve retornar àquela fase, para que se examine o mérito do direito creditório e das compensações pretendidas pela contribuinte. Extrai-se deste acórdão que este processo teve por objeto várias declarações de compensação nas quais a interessada se utilizou de crédito referente a saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 2003 para quitar diversos débitos. O órgão de origem indeferiu o pleito porque o valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP era incompatível com aquele informado na DIPJ. De acordo com o relato, as decisões de primeira e segunda instância administrativa mantiveram a negativa em relação às compensações, sob o fundamento de que após ter sido proferido o despacho decisório a legislação não mais permite a retificação do direito creditório. Ao apreciar o litígio o voto se manifestou por admitir pela possibilidade de o sujeito passivo ter cometido erro no preenchimento da PER/DCOMP, sem que isso implicasse na retificação do PER/DCOMP. Além disso, consignou que o sujeito passivo teria trazido aos autos elementos que demonstrariam o erro de preenchimento do PER/DCOMP, no montante do crédito reivindicado, que divergiria daquele constante da DIPJ, e determinou o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para apreciá-los. Observe-se dos seguintes trechos ora colacionados: Quanto ao mérito, cabe registrar que os argumentos contrários à homologação das DCOMP buscam fundamento em regras que disciplinam os procedimentos de compensação. Além dos dispositivos da IN SRF 460/2004 (já transcritos), é interessante trazer à baila regras contidas no art. 74 da Lei 9.430/1996, em especial aquelas previstas em seu § 3º, incisos V e VI: [...] É no contexto dessas normas que se ampara o entendimento de que qualquer medida para ajuste ou correção de DCOMP deve ser tomada pela contribuinte antes de ser proferido o despacho decisório, porque após essa decisão ela não pode mais apresentar nova declaração, nem pode retificar a declaração original, e, de acordo com o acórdão recorrido e a PGFN, também não poderia ter o erro saneado no curso do próprio processo. Não penso que essa seja a melhor interpretação, porque ela estabelece uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal. [...] Do contrário, um erro de preenchimento de DCOMP, que motivou uma primeira negativa por parte da administração tributária (DRF de origem), geraria um impasse insuperável, uma situação em que a contribuinte não pode apresentar nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem poderia ter o erro saneado no processo. Não vejo como acolher essa idéia de preclusão total, especialmente pelas circunstâncias do caso concreto. Vê-se que a contribuinte solicitou em sua DCOMP um crédito a título de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2003 no valor de R$ 44.321.343,63, Fl. 260DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-005.091 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10510.900453/2009-88 enquanto que a DIPJ indicava apuração de saldo negativo no valor de R$ 44.407.708,51. Essa divergência motivou a negativa total do pleito da contribuinte, apesar de o crédito reivindicado na DCOMP ser menor do que o valor apurado na DIPJ. O direito creditório reivindicado pela contribuinte continua sendo crédito a título de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2003, no valor de R$ 44.321.343,63, como informado na DCOMP. A contribuinte não pretende modificar a natureza do crédito (saldo negativo de IRPJ), nem seu período de apuração (ano-calendário 2003), e nem mesmo aumentar o seu valor. As informações apresentadas em relação à composição do saldo negativo (retenções na fonte) não objetivam criar uma nova compensação por vias indiretas, dentro do processo. Na linha do entendimento apresentado no acórdão recorrido, qualquer situação que ensejasse um reconhecimento parcial de crédito no decorrer do processo, com redução de seu valor, poderia implicar em negativa total, uma vez que essa redução caracterizaria retificação do valor pleiteado inicialmente, e após o despacho decisório nenhuma retificação seria permitida. A realidade cotidiana dos procedimentos/processos de compensação não acolhe essa forma de interpretação, pelo que as decisões anteriores devem ser reformadas. [...] A decisão de primeira instância administrativa decidiu não examinar as informações que pretendiam justificar as divergências entre DCOMP e DIPJ, sustentando seu entendimento na questão formal da impossibilidade de retificação de DCOMP após ter sido exarado o despacho decisório, óbice que nesse momento está sendo afastado. O processo, portanto, deve retornar àquela fase, para que uma nova decisão seja proferida. [...] Verifica-se que este paradigma, analisando igualmente PER/DCOMP indeferida pelo órgão de origem e pela DRJ em virtude de divergências de informação, relativizou e afastou, no caso, a preclusão, fundamento adotado pela decisão de 1ª instância para negar o pleito, e decidiu pela possibilidade de apreciação de elementos apresentados após a prolação do despacho decisório que, em tese, comprovariam o equívoco no preenchimento do PER/DCOMP, no valor do crédito reivindicado. Superada a preclusão, determinou o retorno dos autos àquela autoridade julgadora de 1ª instância para analisar os elementos. Este paradigma, portanto, trata de situação fática similar àquela apreciada pelo acórdão recorrido. Contudo, consignou entendimento divergente daquele registrado na decisão de piso, no sentido de que é possível superar a preclusão e promover a busca da verdade material, mediante a admissão e análise de elementos de prova trazidos aos autos após a prolação do despacho decisório de não homologação da compensação. Dessa forma, deve ser dado seguimento ao Recurso Especial. Intimada em 13 de agosto de 2019 (fl. 238), a Fazenda Nacional apresentou “memoriais” em 20 de setembro de 2019, questionando exclusivamente o mérito do recurso. É o relatório. Fl. 261DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 9101-005.091 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10510.900453/2009-88 Voto Vencido Conselheira Livia De Carli Germano, Relatora. Admissibilidade recursal O recurso especial é tempestivo e atendeu aos demais requisitos de admissibilidade, não havendo, inclusive, questionamento pela parte recorrida no tocante ao seu seguimento, motivo pelo qual concordo e adoto as razões da i. Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF para conhecimento do recurso especial quanto ao paradigma 2202-005.098, nos termos do permissivo do art. 50, § 1º, da Lei 9.784/1999. Não obstante, compreendo que o acórdão 9101-002.203 não serve de paradigma para a questão que se pretende discutir no recurso especial. As razões foram expostas no despacho de admissibilidade de recurso especial interposto nos autos do processo 10510.900452/2009-33, que está sendo julgado nesta mesma sessão por esta 1ª Turma da CSRF, que abaixo reproduzo: (...) O paradigma seguinte registrou a seguinte ementa: Acórdão nº 9101-002.203 (...) Em que pese a aparente semelhança este paradigma denuncia que as situações cotejadas não são semelhantes. Isto porque no acórdão recorrido discutiu-se a impossibilidade de se admitir a análise, em razão da preclusão, de elementos de prova da certeza e liquidez do indébito que foram trazidos apenas junto do Recurso Voluntário, neles incluída a DCTF retificadora. Por outro lado, neste paradigma, o cerne do litígio foi a possibilidade de se admitir que o sujeito passivo cometera erro no preenchimento do PER/DCOMP, e que esta admissão não significaria retificação do PER/DCOMP, após a prolação do despacho decisório. Em consequência, os autos retornaram à DRJ para apreciação dos documentos juntados à manifestação de inconformidade, e não em recurso voluntário, o que afasta a discussão acerca dos limites fixados no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72, aqui em debate. Com efeito, tratam-se de circunstâncias diversas, o que impede a caracterização da divergência jurisprudencial, na comparação entre este paradigma e o acórdão recorrido. (...) Assim, conheço do recurso especial, exclusivamente quanto ao paradigma 2202- 005.098. Conclusão Ante o exposto, oriento meu voto para conhecer do recurso especial. (documento assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 262DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 9101-005.091 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10510.900453/2009-88 Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A I. Relatora restou vencida em seu posicionamento favorável ao conhecimento do recurso especial da Contribuinte. Para além da objeção ao paradigma nº 9101-002.203, por ela demonstrada, a maioria do Colegiado, ao analisar o acórdão recorrido, constatou, que, em verdade, a Contribuinte não trouxe provas em seu recurso voluntário, e esta circunstância foi determinante para que lhe fosse negado provimento. Veja-se o que consta do voto condutor do acórdão recorrido: [...] Observo que no caso em apreciação nesta segunda instância o recorrente não traz documentos que comprovariam, segundo alega, seu crédito. Limita-se, como na primeira instância, a sugerir diligência. Conforme disposto nos artigos 16 (em especial seus §§ 4º e 5º) e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade (efls. 13/14), pois opera-se o fenômeno da preclusão. Não cabe, desta forma, e nesta segunda fase recursal, diligência para colher provas que o contribuinte devia já ter juntado aos autos. Os créditos (que seriam líquidos e certos) alegados já eram do conhecimento do contribuinte, visto comporem o fundamento da manifestação de inconformidade dirigida à DRJ. Mas não anexou àquele recurso qualquer documentação contábil que corroborasse suas alegações. O texto legal está assim redigido: [...] Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento. Não cabe pedido de diligência para trazer aos autos documentos que deveriam ser juntados pelo recorrente, caso não comprove a impossibilidade de fazê-lo (§ 4º do art. 16 c/c art. 18 do Decreto 70235/72). Adiciono que concordo com o asseverado na decisão de primeira instância de que a simples alegação de pagamento indevido de estimativa declarada (desacompanhada dos documentos contábeis que corroborem a afirmação de erro) não comprova a liquidez e certeza do alegado crédito, não sendo desta forma passível de compensação. O crédito passível de ser restituído ou compensado, no caso, seria aquele apurado no ajuste anual e demonstrado na declaração de rendimentos. Pelo exposto, voto em rejeitar proposta de diligência suscitada e negar provimento ao recurso. Em embargos, a Contribuinte suscitou omissão que impediria a devolução do processo para diligências específicas, sendo eles rejeitados porque o acórdão embargado deixou claramente assente que o crédito alegado não possuía liquidez nem certeza, por absoluta falta de apresentação de quaisquer documentos que corroborassem as suas alegações, dessa forma rejeitando a proposta de diligência e negado provimento ao recurso voluntário. Em exame de admissibilidade do recurso especial, esta Conselheira, no exercício da Presidência da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, equivocou-se ao centrar foco na parte do voto condutor do acórdão recorrido que genericamente afirma preclusos elementos Fl. 263DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 9101-005.091 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10510.900453/2009-88 apresentados após a manifestação de inconformidade, sem dar o necessário relevo à afirmação precedente de que nada fora juntado ao recurso voluntário, limitando-se a Contribuinte a sugerir diligência. Tais circunstâncias distinguem-se substancialmente das verificadas no paradigma nº 2202-005.098, único admitido, que, como bem apontado no exame de admissibilidade, pronunciou-se pela possibilidade de conhecimento das provas trazidas em recurso voluntário em razão da busca da verdade material. De fato, referido paradigma concluiu que seria possível afastar a preclusão e admitir a análise de elementos de prova apresentados junto do Recurso Voluntário, que não objetivaram trazer discussão jurídica nova, mas tão-somente pretenderam aclarar matéria fática importante para a solução do litígio, mas esta situação não é semelhante à do recorrido, vez que a Contribuinte não juntara provas ao recurso voluntário. Consequência desta semelhança é a impossibilidade de se inferir como decidiria o Colegiado que proferiu o paradigma se estivesse frente a um recurso voluntário questionando, apenas, a não conversão do julgamento em diligência, pela autoridade julgadora de 1ª instância, para verificação das provas de seu indébito. Nos termos do art. 67 do Anexo II do RICARF, o recurso especial somente tem cabimento se a decisão der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outro Colegiado deste Conselho. Por sua vez, para comparação de interpretações e constatação de divergência é indispensável que situações fáticas semelhantes tenham sido decididas nos acórdãos confrontados. Se inexiste tal semelhança, a pretendida decisão se prestaria, apenas, a definir, no caso concreto, o alcance das normas tributárias, extrapolando a competência da CSRF, que não representa terceira instância administrativa, mas apenas órgão destinado a solucionar divergências jurisprudenciais. Neste sentido, aliás, é o entendimento firmado por todas as Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como são exemplos os recentes Acórdãos nº 9101-002.239, 9202-003.903 e 9303-004.148, reproduzindo entendimento há muito consolidado administrativamente, consoante Acórdão CSRF nº 01-0.956, de 27/11/1989: Caracteriza-se a divergência de julgados, e justifica-se o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterá-lo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1º vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado. Assim, não caracterizado o dissídio jurisprudencial, deve ser NEGADO CONHECIMENTO ao recurso especial da Contribuinte. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Redatora designada Fl. 264DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 9101-005.091 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10510.900453/2009-88 Fl. 265DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 14485.001640/2007-21
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ASSESSORIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2006
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS.
Integra o salário de contribuição do segurado empregado o pagamento de participação nos lucros ou resultados da empresa em desacordo com a lei especifica.
AUTO DE INFRAÇÃO - GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos
geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração a lei.
CONFISCO.
Não caracteriza confisco a multa aplicada nos estritos termos legais.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI N° 11.941/2009. REDUÇÃO
DA MULTA.
As multas em GF1P foram alteradas pela Medida Provisória n° 449 de 2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, devendo ser aplicada a mais benéfica para o infrator.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-000.711
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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FATOS GERADORES Recorrente SYNGENTA SEEDS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSORIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2006 DECADÊNCIA. 0 Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. Integra o salário de contribuição do segurado empregado o pagamento de participação nos lucros ou resultados da empresa em desacordo com a lei especifica. AUTO DE INFRAÇÃO - GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdencidrias constitui infração a lei. CONFISCO. Não caracteriza confisco a multa aplicada nos estritos termos legais. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI N ° 11.941/2009. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GF1P foram alteradas pela Medida Provisória n ° 449 de 2008, convertida na Lei n ° 11.941/2009, devendo ser aplicada a mais benéfica para o infrator. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Assinado digitalmente em 1//05/2011 por HEI TON CARLOS PRAIA DO LIMA Autenticado digitalmente em 1702011 por laiON CA;;L:Y3 PRAIA DE LAMA Impress° cru 20/W/2011 pr FRANC,ISCO JOF,E Vic:CA DF CARFMF Fl. 2 Processo n° 14485.001640/2007-21 82-TE03 Acórdão n.° 2803-2.803.000.711 Fl. 398 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima — Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato. Assinado digitaimente em 17105/2011 ;}or HEI TON CARI OS PRAIA DE LIMA Autenticado digitalmente ern 17/05/2011 por HELTON CARLOS FRAIA DE LIMA 2 Impresso em 20/07/2011 por FRANCISCO JOSE \inRA DF CART' NH Fl. 3 Processo n° 14485.001640/2007-21 82-TE03 Acórdão n.° 2803-2.803.000.711 Fl. 399 Relatório DO LANÇAMENTO Trata-se de auto de infração (AI no 37.042.777-7/2007) lavrado contra a empresa supracitada, por infração ao artigo 32, inciso IV e parágrafo 5°, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei no 9.528/1997, por ter a empresa apresentado GFIP- Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com omissão de fatos geradores de contribuições previdencidrias, conforme discriminado no Relatório Fiscal da Infração de fls. 04, competências: 01/1999 a 04/1999, 04/2000, 05/2000, 04/2001, 05/2001, 04/2002, 05/2002, 04/2003, 05/2003, 04/2004, 05/2004, 04/2005 e 04/2006, relativos a valores pagos a titulo de PLR — Participação nos Lucros e Resultados em desacordo com a lei especifica. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa de fl. 05, bem como a Planilha de fls. 06, informam como foi calculada a multa, de acordo com o disposto no art. 284, inciso H, do RPS e art. 32 e parágrafo 5 ° ., da Lei n° 8.212/91. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO A ciência da autuação fiscal se deu em 30/10/2007, fl. 01, inconformado o recorrente apresentou impugnação. A decisão do órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal deu provimento parcial à autuação, excluindo as competências de 04/2004, 05/2004 e 04/2005, para que sejam objeto de autuação complementar (fls. 263), pois os cálculos consideraram apenas as contribuições descontadas dos empregados (item 11.4 da Decisão de primeira instância, fls. 269). DO RECURSO VOLUNTÁRIO 0 contribuinte tomou ciência da decisão em 18/07/2008, fls. 277, inconformado interpôs recurso voluntário em 18/08/2008, fls. 279 a 294, alegando em síntese: - a decadência do período 1998 a 2002; - a fiscalização não investigou a fundo toda a documentação da PLR disponibilizada; - segundo as previsões da Lei no 10.101/2000, para aferir a legitimidade do acordo de PLR deve ser observado: i) comum e soberano acordo entre as partes, refletido em deliberação de comissão de representantes da empresa e dos funcionários, assistidos por um Sindicato da Categoria, (ii) existência de regras claras e objetivas, assim entendidas como escritas e fixadoras de critérios, para fruição de programa de PLR, e (iii) existência de no máximo 2 pagamentos por ano a titulo de PLR; - a Recorrente demonstrou cabalmente que (i) todos os acordos de PLR contaram com programas de metas de resultado pactuados previamente, (ii) os pagamentos das Assinado digitalmente em 17/0512011 or H1.ION CAF;1...DS PRAIA DE IMA 3 Aulenticado digitaimenle ern 17/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA Dr: LIMA Impresso em 20/(17/2011 por FRANCISCO JOSE DF CA RI' N4F FL 4 Processo n° 14485.001640/2007-21 82-TE03 Acórdão n.° 2803-2.803.000.711 Fl. 400 verbas de PLR somente ocorreram após a assinatura dos acordos, que contaram com pactuação prévia das metas de resultado de cada exercício e (iii) a Lei n° 10.101/2000 não obriga, mas apenas faculta as empresas que pactuem previamente as metas de resultado dos acordos de PLR, o que inclusive foi cumprido pela Recorrente; - demonstrou que as avaliações individuais utilizadas para aferição das metas de produtividade foram objeto de negociação coletiva, e que os acordos coletivos continham regras claras e objetivas sobre as metas de produtividade conforme determinado pelo § 1° do art. 2° da Lei no 10.101/2000; - demonstrou que as verbas pagas a titulo de PLR, assim como as pontuais gratificações pagas pela Recorrente a 4 (quatro) de seus funcionários não podem ser consideradas como salário, pois a natureza destas verbas são constitucionalmente desvinculadas do salário. Além disso, os pagamentos a titulo de PLR não são feitos de forma habitual, não denotam qualquer contraprestação pelos serviços prestados pelos segurados e são realizados de forma absolutamente variável, o que também reforça a ausência do conceito de salário; - há duplicidade do lançamento de multas relativamente ao mesmo fato (NFLD e Al). A Jurisprudência dos Tribunais Superiores igualmente afasta a possibilidade de superposição de multas sobre o mesmo fato tido por infracional; - a multa imposta é absolutamente desproporcional a conduta tida por delituosa, além do que se revela confiscatória; - a necessidade de realização do julgamento conjunto da NFLD n° 37.042.776-9 e do Auto de Infração - AI n° 37.042.777-7, uma vez que todas essas autuações se referem a PLR; - Por fim, requer a anulação da autuação, protestando pela sustentação oral, com prévia intimação nas pessoas dos seus representantes legais (advogados), com endereço na Av. Brigadeiro Faria Lima n° 3.144, 11 0 andar, Centro, CEP 01451-000, Sao Paulo - SP. E o relatório. Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator 0 Recurso Voluntário é tempestivo, fls. 396, e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual, passo a analisa-lo. A omissão de fatos geradores de contribuições previdencidrias não informados em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social — GFIPs, infringe o art. 32, inciso IV e parágrafos 3 ° e 5° ., da Lei n ° 8.212/91. Em que pese a conveniência do simultâneo julgamento de matérias afins do mesmo contribuinte, evitando-se decisões divergentes versando sobre situações análogas, o Assinado digitalmente em 17/05/2011 por 1-ih:LTON CARLOS FiAIA DF JM Autenticado digitahente cal 17/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LltvIA Impresso em 20/07/2011 per FRANCISCO JOSE VIEIRA DF CA R.F iVIF Fl. 5 Processo n° 14485.001640/2007-21 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-2.803.000.711 Fl. 401 fato de existir outro processo de débito em trâmite normal não é fator impeditivo de julgamento por esta Turma do presente Auto de Infração, que possui inclusive fundamentação totalmente distinta da NFLD lavrada. Quanto à questão relativa à fluência do prazo decadencial, a mesma deve ser analisada. 0 Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante n° 8"Seio inconstitucionais os parágrafo único do artigo 50 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal a Súmula de n ° 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá-la. Art. 103-A. 0 Supremo Tribunal Federal poderd, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e el administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n ° 8.212/1991, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional - CTN. As contribuições previdencidrias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4 ° do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observar-se-á a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Se não houver pagamento antecipado sobre a rubrica há que ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4 ° do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Os acórdãos exarados pelas Turmas do Superior Tribunal de Justiça - STJ prevêem a aplicação de regras de contagem da decadência para as contribuições previdenciárias. Havendo pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento pelo Fisco de eventuais diferenças de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos a contar do fato gerador (§ 4° do art. 150 do CTN). Se não houver pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário (lançamento de oficio) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, desde que não se tenha constatado a ocorrência de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, aplicando-se o art. 173, inciso I, do CTN. São os textos dos julgados: Assinado digitalmente em 17/05/2011 por HFIToN CARLOS PRAIA LIMA Autenticado digitalmente cm 11/05/2011 por HELTON CARLOS I , KAIA DE LIMA Impresso orn 20/07/2011 por F RANCISCO jaSE VLIRA DF CARF NiF FL 6 Processo n° 14485.001640/2007-21 82-TE03 Acórdão n.° 2803-2.803.000.711 Fl. 402 Processo RESP 200800367430RESP - RECURSO ESPECIAL — 1033444, Relator(a) MAURO CAMPBELL MARQUES, Sigla do órgão STJ , Cirgdojulgador SEGUNDA TURMA, Fonte DJE DATA:24/08/2010 Ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO 'ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁR10.TERMO INICIAL. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150,§ 4 0, e 173, do CTN IMPOSSIBILIDADE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO POR MEDIDA LIMINAR. POSSIBILIDADE.ART.151, V, DO CTN. 1. Ausente a violação ao art. 535, do CPC, quando a Corte de Origem expressamente se manifesta a respeito dos artigos de lei invocados. Ademais, o Poder Judiciário não é obrigado a efetuar expresso juizo de valor a respeito de todas as teses levantadas pelas partes, bastando proferir decisão suficientemente e adequadamente fundamentada. 2. Se houve pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento pelo Fisco de eventuais diferenças de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o ,sS 4 0 do art. 150 do CTN. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006 p. 111; e EREsp. n. 101.407/SP, Primeira Seção, MM. All Pargendler, DJ de 08.05.2000. 3. Se não houve pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tribiacirio(lançamento de oficio) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, desde que não se tenha constatado a ocorrência de dolo, fraude ou simulação do contribztinte, aplicando-se o art. 173,1, do CTN. Precedente representativo da controvérsia: REsp. n. 973.733 - SC, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 12.8.2009. 4. Em ambos os casos, não ha que se falar em prazo decenal derivado da aplicação conjugada do art. 150,§4°, com o art. 173,1, do CTN. 5. 0 art.151, V, do CTN, estabelece que suspende a exigibilidade do crédito tributário a concessão de medida liminar ou tutela antecipada. 6. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Data da Decisão 03/08/2010, Data da Publicação 24/08/2010 Processo AGRESP 200900824759AGRESP - AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL — 1137836 , Relator(a) HAMILTON CAR VALHIDO , Sigla do órgão STJ , trirg'do julgador PRIMEIRA TURMA , Fonte DJE DATA :01/07/2010 Ementa : AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIALTRIBUTÁRIO.DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Assinado digitalmente em 17/05/2011 nor H'L'1 ON CARLOS PitAIA DE LIMA Autenticado digitaimente ern 1710512011 por HELTON CARLOS PRAIA CROMA Impresso are 20/0712011 por FRANCISCO JOSE VIEIRA DF CARF MF Ft. 7 Processo n° 14485.001640/2007-21 82-TE03 Acórdão n.° 2803-2.803.000.711 Fl. 403 SÚMULA N° 7/STJ ISS. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO.DECADÊNCIA.INCIDÊNCLI DO ARTIG0173,INCISO I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. QUESTÃO DIRIMIDA EM RECURSO REPETITIVO. I. A alegação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação esbarra no reexarne da prova, inviável de ser dirimida ,na sede do recurso especial, sendo certo que o acórdão recorrido decidiu que, inexistindo a antecipação do pagamento, o termo inicial da decadência é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 2. "0 dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo173,I, do CTN, sendo certo que o 'primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado' corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigosI50,§ 4°, el73,do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal" (REsp n° 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fax, in DJe 18/9/2009). 3. Agravo regimental improvido. Data da Decisão 15/06/2010, Data da Publicação 01/07/2010 REGRA DO ART. 173,1 DO CTN. Na interpretação em análise de recurso repetitivo do Superior Tribunal de Justiça - STJ, o inicio do prazo decadencial se dá. "ao primeiro dia do exercício seguinte ocorrência do fato imponivel" (REsp. n. 973.733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, 18.09.2009). No caso em concreto, o período do lançamento se deu de 01/1999 a 04/1999, 04/2000, 05/2000, 04/2001, 05/2001, 04/2002, 05/2002, 04/2003, 05/2003, 04/2004, 05/2004, 04/2005 e 04/2006. Trata-se de auto de infração (lançamento de oficio) relativo a valores pagos a titulo de PLR em desacordo com a lei especifica. A ciência da notificação se deu em 30/10/2007, fl. 01. Logo deve ser aplicado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para essas competências encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos at a competência dezembro de 2001, inclusive, sendo as demais competências objeto de analise do recurso voluntário. Consta nos autos, folhas 180/181, cópia do relatório fiscal da NFLD n° 37.042.776-9 informando os motivos dos valores lançados a titulo de PLR em notificação fiscal e na autuação, como se: Analisou-se o Acordo Coletivo de Participação dos Empregados nos Resultados da Empresa conforme descrito abaixo: .a) não foi atendido a Lei 10.101, artigo 2, parágrafo 1, inciso II - programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente, devido a: Assinado digitalmente cm 17 105/2011 por HELI ON CAi ,,LOS PRAIA Otz. LIMA Autenticado digitalmente em 17/00/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Impress° em 20/07/2011 por Fl :ANCISCO JOSE: VIFIRA DF CARFM.F F1.8 Processo n° 14485.001640/2007-21 82-TE03 Acórdão n.° 2803-2.803.000.711 Fl. 404 - o Acordo Coletivo, tem prazo de vigência de 01 de janeiro a 31 de dezembro, de cada ano; - o Acordo Coletivo, do ano 1998, pago em 01 a 04/1999, só foi assinado em 08/07/1998; -o Acordo Coletivo, do ano 1999, pago em 04 e 05/2000, só foi assinado em 18/08/1999; - o Acordo Coletivo, do ano 2000, pago em 04 e 05/2001, só foi assinado em 18/08/2000; - o Acordo Coletivo, do ano 2001, pago em 04 e 05/2002; só foi assinado em 19/10/2001; - o Acordo Coletivo, do ano 2002, pago em 04 e 05/2003, s6 foi assinado em 04/10/2002; - o Acordo Coletivo, do ano 2003, pago em 04 e 05/2004, s6 foi assinado em 17/07/2003; - o Acordo Coletivo, do ano 2004, pago em 04/2005, foi assinado em 29/03/2004, portanto, no inicio do período de vigência; - o Acordo Coletivo, do ano 2005, pago em 04/2006, só foi assinado em 26/10/2005. Portanto, meta de auto-avaliação, subjetiva, meta que não consta no Acordo Coletivo, valor pago acima do estipulado, s.m.j., afronta o que determina a Lei 10.101, de 1911212000. 4. A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD 37.042.776-9, foi lavrada com fimdamento na Lei 8.212/91, artigo 28, parágrafo 9, "j ", a Medida Provisória 794, de 24112/1994,e suas reedições, e a Lei 10.101, de 19/12/2000, considerando que a empresa procedeu ao pagamento de verba, a titulo de PLR, sem atender ao disposto nas referidas legislações. 5. Foi lavrado o Auto de Infração — AI 37.042.777-7, correspondente a não inclusão dos valores pagos a titulo de PLR na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação a Previdência Social — GFIP (fundamento legal 68), infringindo o disposto no artigo 32, inciso IV, parágrafo 5, da Lei 8.212/91 nosso grifo. A fundamentação legal para os lançamentos fiscais (NFLD e AI) foi, basicamente, a Lei n ° 8.212/91, artigo 28, parágrafo 9, "j ", que exclui a Participação nos Lucros ou Resultados - PLR como base de incidência da contribuição previdencidria "quando paga ou creditada de acordo com lei especifica", bem como, o art. 2 °, incisos I e If, e parágrafo 1°., incisos I e II, da Lei n ° 10.101/2000, como segue: Art.2 2 A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Assinado digitalmente em 17/05/2011 por lii7LTON CARLOS PRAIA DE LIMA Autenticado digiialmente em 17/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Impresso em 20/07/2011 por FRANCISCO slOSF: DF CARF IMF FL 9 Processo no 14485.001640/2007-21 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-2.803.000.711 Fl. 405 comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; convenção ou acordo coletivo. §1 (2 Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão ,constar regras claras e objetivas quanto a fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I- indices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II- programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Como se vê no texto da Lei n ° 10.101/2000, art. 2 ° ., existem alguns pré- requisitos legais para que o empregado participe da distribuição dos lucros ou resultados da empresa, que são, dentre outros: a) negociação entre a empresa e seus empregados mediante comissão escolhida pelas partes, com representação do sindicato categoria; b) convenção ou acordo coletivo; c) deverão constar regras claras e objetivas quanto à participação dos empregados; mecanismos de aferição das regras acordadas, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo; d) pode ser considerado, entre outros, indices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa e programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Como o período até 12/2001 esta decadente a analise sera feita a partir do ano de 2002. As alegações da recorrente quanto a PLR, fls. 139/155, são: B.2 — Acordo de 2002 208. Relativamente ao ano de 2002, assim considerou a D. Fiscalização: "em relação ao Acordo Coletivo, ano 2002, na Cláusula Sexta: Do programa de Metas, item III, - INDIVIDUAL, introduzido a avaliação individual - auto-avaliação, principalmente, no setor Diretoria e Gerência, existindo a planilha - "Individual Performance Management Forms" toda em inglês, onde consta a avaliação de cada segurado empregado." 209. Note-se, de inicio, que a acusação fisc9l em referência que a D. Fiscalização expressamente reconheceu o fato de que a partir de 2002 a avaliação de performance individual passou a Assinado digitalmente em 17/05/2011 per HELTON CARLOS PitAlA D LIMA Autenficacio digitatmenle em 17/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Impresso em 20/070011 por F RANCISCO .10: -31-: VIEIRA DF CARF MF Fl. lo Processo n° 14485.001640/2007-21 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-2.803.000.711 Fl. 406 ser indicador de referência para a formatação da verba de PLR paga a todos os segurados da Impugn ante. 210. No entanto, tratou de desconsiderar o acordo de PLR de 2002, sob o fundamento único de que no setor Diretoria e (erência as avaliações individuais estariam em inglês, o que retiraria a condição de normas claras e objetivas de que trata a Lei n° 10.101/2000. 211. Ora, renovada vênia, nada mais absurda a referida alegação. 212. Primeiro porque ao reconhecer existência do indicador "Individual", presente no item II da cláusula 6 do referido acordo, que discrimina o escopo da avaliação de cada colaborador e a representatividade desta aferição em relação ao pagamento da verba de PLR, acabou por atestar a existência de regras claras e objetivas no acordo celebrado entre a Impugnante e seus funcionários no ano e 2002 (DOC. 10). 213. Segundo porque não há na Lei 10.101/2000 qualquer exigência de que as avaliações individuais dos funcionários da Impugnante sejam escritas a lingua portuguesa, ainda mais considerando que a Impugnante é empresa multinacional e nos cargos de gerência e diretoria há necessidade de reportar as avaliações destes funcionários a nível mundial. 214. Terceiro porque se existem critérios claros e objetivos relativamente à representatividade deste indicador individual na formação da verba de PLR não poderia a D. Fiscalização ter desconsiderado tal realidade, ao argumento singelo de que parte das avaliações estão em outro idioma. Nesse particular, cumpre ressaltar que a D. Fiscalização nem ao menos facultou a Impugnante apresentar traduções do material analisado pela ação fiscal, caso fosse entendido necessário. 215. Quarto porque ao mesmo tempo em que algumas avaliações dos funcionários da Impugnante eram em inglês muitas delas foram feitas em português, especialmente em relação aos funcionários que não precisam ser reportados ao exterior, para fins gerenciais da Impugnante. A titulo de exemplo, a Imp ugnante anexa algumas avaliações realizadas em português, que se repetem em outros tantos casos objeto da autuação (DOC. 14). 216. Quinto e derradeiro porque se quisesse ser coerente com a premissa adotada deveria a D. Fiscalização ter considerado todas as avaliações dos funcionários da Impugnante que foram realizadas em português e desconsiderar o acordo de PLR apenas em relação àqueles funcionários que tiveram suas avaliações em inglês e, por conseguinte, exigiu as contribuições previdenciárias sobre essa especifica parcela. 217. Assim, demonstrado está a improcedência de mais este item da acusação fiscal. Assinado digitalmente em 17/0512011 porilFi.:ION CARI OS PRAIA DE. L.MA Autenticado digitaimente ern 17/05/2011 por HEL1 ON CARLOS PRAIA DE LIMA Impresso em 20/07/2011 por FRANCISCO JOSE VIEIRA 10 DF CARF MF Fl. I Processo n° 14485.001640/2007-21 82-TE03 Acórdão n.° 2803-2.803.000.711 Fl. 407 Destarte, ern relação a PLR, Acordo Coletivo do ano 2002, a autoridade fiscal não conseguiu demonstrar a irregularidade do plano, disposto no art. 2 ° ., §1 ° ., inciso II, da Lei n ° 10.101/2000, ou seja, no programa de metas pactuadas previamente. A avaliação individual, auto-avaliação, principalmente, no setor Diretoria e Gerência, existindo a planilha - "Individual Performance Management Forms" toda em inglês, onde consta a avaliação de cada segurado empregado, não ó razão suficiente para descaracterizar o plano PLR. Não consta nos autos de que houve por parte da fiscalização a solicitação da planilha traduzida para o português, tampouco a recusa do contribuinte em fornecê-la. Assim, ficam excluídas as competências relativas a PLR do ano 2002, pago em B.3 —Acordo de 2003 218. Em análise do acordo celebrado no ano de 2003, considerou a D. Fiscalização que: "em relação ao Acordo Coletivo, ano 2003, na Cláusula Sexta: Do Programa de Metas, item II - Individual - Definir 5 ou 6 objetivos/competências com a Chefia imediata, a empresa não discrimina, no Acordo Coletivo, os objetivos/competências pretendidos. Existe uma planilha chamada Gerenciamento de Desempenho Individual, onde o próprio segurado faz a sua auto- avaliação, existindo muitas planilhas sem avaliação do Gerente responsável. Foram pagos, a titulo de PLR, aos segurados com a seguinte observação: - Flavio Agostinho de Carvalho - R$ 5.936,67 - programa vinculado ao expatriado Basel - Joaquim Aparecido Machado - R$ 36.748,00 - programa vinculado aos resultados Plant Science LATAM - Lilian de Aguiar Saldanha - R$ 31.413,00-programa vinculado aos resultados Plant Science LATAM - Ricardo Rinaldo de Góes - R$ 5.947,20 - programa vinculado aos resultados da Europa 219. Nesse especifico ano, como visto acima, argumenta a D. Fiscalização inicialmente que o acordo de PLR firmado pela Impugnante no ano de 2003 não conteria regras claras e objetivas, uma vez que relativamente ao indicador de performance individual não haveria no acordo a definição das competências e objetivos sujeitos a avaliação para cada segurado. 220. É importante dizer, uma vez mais, que a definição das competências e objetivos sujeitos à avaliação de cada empregado está expresso de forma clara no acordo. 221. De qualquer forma, a questão não é relevante para a determinação das regras claras e objetivas do acordo em comento, nem muito menos as planilhas de auto-avaliação citadas pela D. Fiscalização, uma vez esqueceu-se a D. Assinado digitalmente ern 1710512011 por HILTON CARLOS PRAIA Di:. UMA Autenticado digitalmente om 17105/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Impresso ern 2010712011 por FRANCISCO ,JCSF",71t:IFZA 11 DF CARF MF FL 12 Processo n° 14485.001640/2007-21 82-TE03 Acórdão n.° 2803-2.803.000.711 Fl. 408 Fiscalização de averiguar que, no ano de 2003, devido ao enorme revés que sofreu o setor agrícola no pais, as metas previamente pactuadas entre a Impugnante e seus funcionários, tanto as financeiras quanto as individuais, não foram nem de longe atingidas. 222. E o que se verifica do demonstrativo financeiro anexo, que atesta que no ano de 2003 a Impugnante encerrou o exercício com prejuízo da ordem de U$4.150.000,00 (quatro milhões, cento e cinqüenta mil dólares americanos) (DOC. 15). 223. Por tal razão, tendo em vista os prejuízos incorridos pela Impugnante e o não atingimento de qualquer meta de performance individual pelos funcionários houve o pagamento da verba de PLR a todos os segurados no importe de R$ 386,00 (trezentos e oitenta e seis reais). 224. Este valor somente foi pago, pois no termos da cláusula oitava do acordo de PLR de 2003 estava previsto que: "0 cumprimento do pagamento de qualquer valor deste programa, fica condicionado ao atingimento mínimo das metas determinadas na cláusula sexta deste instrumento. Caso não ocorra este atingimento minim, os participantes deste programa receberão 01 (um) salário normativo da categoria, ou seja, R$ 386,00 (trezentos e oitenta e seus reais)." 225. E certo que se a D. Fiscalização tivesse se atentado a essa realidade certamente teria identificado que as regras para pagamento das verbas de PLR do acordo de 2003 são claras e objetivas, principalmente porque não houve o atingimento das metas previamente pactuadas e por tal motivo foi pago o valor minim, consistente no importe de 01 (um) salário normativo da categoria. 226. Decorre dai o fato de muitas avaliações individuais não estarem visadas pelos superiores hierárquicos, já que em função do não atingimento das metas e da perda de função de tais documento não houve a necessidade de formalização das avaliações individuais para fins de registro. 227. Ademais, especificamente aos quatro pagamentos identificados pela D. Fiscalização Flavio Agostinho de Carvalho (R$ 5.936,67), Joaquim Aparecido Machado (R$ 36.748,00), Lilian de Aguiar Saldanha ( R$ 31.413,00) e Ricardo Rinaldo de Goes (R$ 5.947,20) abaixo a Impugnante demonstrará, em tópico próprio (item 11.6), que tais valores foram inseridos erroneamente sob a rubrica PLR, porém, tal fato não ocasionou qualquer prejuízo ao Erário, uma vez que os valores foram pagos corno mera gratificação pelo desempenho atingido por tais funcionários no ano de 2003. 228. Tais verbas, como se verá, não se qualificam como salário, uma vez que foram pagas de forma absolutamente eventual (uma única vez) e ainda não representam qualquer contraprestacclo pelos serviços prestados por tais segurados, se qualificando Assinado digitalmente ern 17/05/2011 por HLftN CARLOS PRAIA DE LIMA Autenticado digitalmente ern 17105/2011 por HELTON CARLOS PRAIA CE LIMA Impresso ern 20/07/2011 por FRANCISCO JOSE VIEIRA 12 DF CARF MF Fl. 13 Processo n° 14485.001640/2007-21 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-2.803.000.711 Fl. 409 como verdadeiros pagamentos realizados em proveito da produtividade da empresa. 229. Assim, mais nesse especifico ano não merecem prevalecer as alegações da D. Fiscalização. Em relação a PLR, Acordo Coletivo do ano 2003, o contribuinte informa que as metas pro, iamente pactuadas, tanto as financeiras quanto as individuais, não foram atingidas em decorrência do prejuízo no exercício financeiro. E que os pagamentos identificados pela fiscalização: Flavio Agostinho de Carvalho (R$ 5.936,67), Joaquim Aparecido Machado (R$ 36.748,00), Lilian de Aguiar Saldanha ( R$ 31.413,00) e Ricardo Rinaldo de Góes (R$ 5.947,20), foram inseridos erroneamente sob a rubrica PLR, uma vez que os valores foram pagos como mera gratificação pelo desempenho atingido por tais funcionários no ano de 2003. São gratificações de produtividade que se caracterizam como beneficio concedido por mera liberalidade do contribuinte (item 257, II. 6, fls. 151 e item 271, lis. 155). Neste sentido, entendo que houve pagamento em desacordo as normas pactuadas na PLR, bem como, não foram cumpridos os requisitos básicos da Lei n ° 10.101/2000. Ademais, as Gratificações de produtividade concedidas por mera liberalidade do contribuinte, mesmo quando a empresa apresenta prejuízo financeiro, são consideradas salário- de-contribuição, nos termos do art. 28, inciso I, da Lei n ° 8.212/91, pois se trata de remuneração, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer titulo, durante o riles, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo A. disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho. Assim, ficam mantidas as competências para a PLR do ano 2003, pago em 04 e 05/2004. B.4 — Acordo de 2004 230. No ano de 2004, por sua vez, a D. Fiscalização entendeu que: "- em relação ao Acordo Coletivo, ano 2004, na cláusula Sexta: Do Programa de Metas, Item II- INDIVIDUAL - Definir 5 ou 6 objetivos/competências com a Chefia imediata, a empresa não discrimina, no Acordo Coletivo, os objetivos/competências pretendidos. Como a meta financeira não foi atingida, foi pago, com o PLR, apenas a meta Individual, tendo a maioria do segurado, recebido o valor mínimo, porém, para a Diretoria e Gerência, o valor foi muito maior e na dependência da auto- avaliação. Os valores estão na planilha em anexo." 231. Como visto, a D. Fiscalização verificou que a empresa não atingiu as metas financeiras previamente tragadas, bem como identificou o não atingimento das metas de performance individual por todos os colaboradores da empresa, o que motivou, por conseguinte, o pagamento da verba de PLR a grande maioria dos segurados no valor mínimo previamente pactuado no acordo (cláusula oitava). 232. No entanto, o motivo da desconsideração do acordo de PLR como um todo foi o pagamento das verbas de participação nos Assinado digitalmente ern 17/05/2011 por Fit LION CARLOS PRAIA DE. I IMA Autenlicado digitalmente em 17/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Impresso em 20/07/2011 por FRANCISCO JOSE VIEIRA 13 DF CAR.F 114F Fl. 14 Processo n° 14485.001640/2007-21 S2-TE03 AcOrdao n.° 2803-2.803.000.711 Fl. 410 lucros e/ou resultados a determinados empregados em importes superiores aos demais. 233. Nesse particular, argumentou a D. Fiscalização que as avaliações dos segurados no quesito performance individual dependeriam de auto-avaliação do segurado, o que retiraria a condição de regras claras e objetivas do acordo firmado pela Impugnante com seus funcionários neste ano de 2004. 234. Conforme se verá adiante a premissa de que partiu a D. Fiscalização para realizar o lançamento das contribuições previdenciárias neste ano de 2004, tal como ocorreu nos demais anos, é equivocada. 235. Isso porque, as verbas de PLR somente foram pagas em montante superior ao mínimo relativamente aos segurados que obtiveram êxito em suas metas de performance individual. 236. Tal possibilidade, inclusive, consta expressamente do acordo firmado entre as partes, que assegura, mesmo nas situações de não atingimento da meta financeira, a possibilidade dos profissionais, que forem bem avaliados segundo o plano individual de metas, perceberem um valor adicional a titulo de parte individual, conforme a sua performance no ano. Eis o teor do parágrafo único da cláusula oitava do acordo: "Parágrafo Único - Os empregados com funções sujeitas elaboração de Plano Individual de Metas, fixados de comum acordo com os respectivos Superiores Hierárquicos receberão a participação nos resultados conforme programa de metas e os respectivos valores de distribuição para cada uma das respectivas funções. A EMPRESA manterá arquivado todos os Planos Individuais de Metas dos empregados nessas funções, sempre em conformidade com a lei vigente." 237. Assim, nos termos do programa de PLR mantido pela Impzignante no ano de 2004, como somente alguns funcionários atingiram as metas individuais previamente acordadas, somente estes receberam, além do valor minim, a respectiva importância correspondente ao indicador "individual". 238. A aferição de tal desempenho foi realizada segundo a avaliação da performance individual de cada segurado, o que foi levada a efeito pelo respectivo superior hierárquico, nos termos do previamente acordado entre as partes no programa de PLR. Estas avaliações foram disponibilizadas a D. Fiscalização, mas ao que tudo indica foram simplesmente ignoradas pela ação fiscal (DOC. 16). 239. Nesse particular, não merece qualquer amparo a alegação da D. Fiscalização de que a avaliação individual não preencheria o requisito das regras claras e objetivas da Lei n° 10.101/2000, uma vez que dependeria da auto-avaliação do segurado. Ass nado digitalmente em 1710512011 per I-1ELI ON CAI;1. OS PIZAIA DE I :MA Autenticado digita!mente em 17/05/2011 por FIELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Impress° em 20/07/2011 poi FRANCISCO JOSE VIEIRA 14 DF CARF MF FL 15 Processo n° 14485.001640/2007-21 S2-TE03 Acórdao n.° 2803-2.803.000.711 Fl. 411 240. Ora I. Julgador, mais nesse ponto não se atentou a D. Fiscalização para o fato incontroverso de que nas avaliações de desempenho do ano de 2004 a autoavaliação de cada funcionário é apenas um referencial para a aferição realizada pelo Superior Hierárquico, este sim o responsável pela ,aliageio do atingimento das metas previamente pactuadas. 241. Da simples análise das avaliações anexadas a presente defesa nota-se que a avaliação de desempenho individual do segurado é atribuída exclusivamente pelo Superior Hierárquico. 242. Como houve a pactuação prévia da meta de performance individual entre empregado e empresa, é de fundamental importância para a avaliação deste indicador pela Impugnante que ofuncionário inicialmente indique a sua percepção sobre os objetivos alcançados para enteio ter o respectivo "feed back" por parte do superior hierárquico em torno da performance do empregado. 243. 0 "feed back", como dito, é a condição determinante para a avaliação do empregado, que é realizada exclusivamente pelo superior hierárquico, segundo os objetivos previamente tragados em conjunto com o funcionario. 244. Assim, percebe-se destas considerações que, diferentemente do alegado pela D. Fiscalização, a existência da auto-avaliação não macula a clareza e objetividade das regras presentes no acordo firmado pela lmpugnante, pois configura importante ferramenta de referência para a avaliação que sera realizada exclusivamente pelo Superior Hierárquico, além do que corrobora a plena participação do segurado na formatação do programa de remuneração variável mantido pela Impugnante e cujas regras são previamente pactuadas entre as partes. 245. Ademais, para espancar quaisquer dúvidas que pudessem surgir sobre este tema, não é demais mencionar que o parágrafo 1° do artigo 2° da Lei no 10.101/2000, como acima visto, obriga não só a existência de regras claras e objetivas quanto afixação dos direito a participação dos funcionários nos lucros da empresa, mas também determina a existência da delimitação das regras adjetivas para aferição de tal mister. 246. Assim, além das regras claras e objetivas presentes no acordo coletivo firmado pela Impugnante, no item avaliação individual existem parâmetros previamente delimitados concernentes as regras adjetivas para a aferigeio do atingimento deste indicador. 247. Estes parâmetros constam da cláusula 6, item II do acordo, como inclusive reconhece a D Fiscalização. 248. No entanto, ainda que tenha assim reconhecido, a D. Fiscalização houve por bem desconsiderar tal realidade ao argumento, não previsto na Lei n° 10.101/2000, de que a auto- avaliação realizada pelo segurado violaria a legislação que regula o PLR. Assinado digitaimente cm 17/0:J/2011 por iir4 . 1 ON CARI OS PRAIA I, Autenticado d!gOlmente em 17/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Impresso ern 20/0712011 por FRANCISCO JOSE VIEIRA 15 DF CARF MF Fl. 16 Processo n° 14485.001640/2007-21 S2-TE03 Acórdão n. ° 2803-2.803.000.711 Fl. 412 249. Como visto, tal assertiva não merece prevalecer, primeiro porque não consta da Lei n° 10.101/2000, segundo porque a auto-avaliação não conta para fins de aferição do resultado do indicador "individual", sendo mera referência para a avaliação realizada exclusivamente pelo superior hierárquico, e terceiro porque as regras da avaliação da performance individual presentes no acordo (clausula 6, item II) prestigiam a determinação legal da existência dos parâmetros adjetivos da determinação do valor da verba do PLR. 250. Por fim, é importante ressaltar que relativamente ao acordo de PLR de 2004 a D. Fiscalização expressamente reconheceu que as metas de resultado foram previamente fixadas entre as partes, uma vez que o acordo foi assinado ainda no inicio do exercicio. Não é demais transcrever o trecho em que tal realidade fica evidente: "o Acordo Coletivo, do ano 2004, pago em 04/2005, foi assinado em 29/03/2004, portanto, no inicio do período de vigência;" 251. A partir desta constatação percebe-se que a causa de desconsideração do acordo de PLR do ano de 2004 foi exclusivamente a ausência de regras claras e objetivas relativamente as metas previamente fixadas e os parâmetros de valor do beneficio a ser pago a cada funcionário caso os objetivos sejam alcançados. 252. Ocorre que, como acima visto, ainda que a D. Fiscalização tenha indicado como causa de desconsideração do acordo de PLR 2004 exclusivamente o pagamento da verba a determinados segurados em importância superior aos demais e ainda segundo a auto-avaliação dos empregados, acabou por desconsiderar o acordo de PLR como um todo e incluiu todas as verbas pagas aos segurados da Impugnante na base de cálculo das contribuições previdenciárias, isto é, inclusive os empregados não sujeitos â auto-avaliação e que receberam a importância minima. 253. Mais nesse ponto, para a D. Fiscalização ser coerente com sua premissa, deveria ter incluído na base de cálculo das contribuições previdencicirias somente os valores pagos aos segurados que receberam valores em montante superior ao valor mínimo percebido pelos demais segurados. 254. A partir de mais esta constatação revela-se a incongruência que imperou a ação fiscal, que não se preocupou em investigar corretamente os fatos e tratou de indicar aleatoriamente causas ilegítimas para a desconsideração dos acordos de PLR celebrados pela Impugnante nos exatos termos determinados pela Lei n° 10.101/2000. 255. Em suma D. Julgador, acaso tivesse notado estas realidades acima expostas, certamente o I. Agente fiscal não teria lavrado a NFLD ora impugnada, uma vez que não s6 as regras do acordo de PLR do ano de 2004 são claras e objetivas, como também foram rigorosamente cumpridas. Assinado digitairriente em 1710512011 por HELTON CARLOS PiZAtAIN: LIMA Autenticado digitaimenle cm 17105/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Inipresso em 20/0712011 por FRA:t4C2SCO .JOSF VitirtA 16 DF CARFMF Fl. 17 Processo n° 14485.001640/2007-21 82-TE03 Acórdão n.° 2803-2.803.000.711 Fl. 413 Quanto a PLR, Acordo Coletivo do ano 2004, para a fiscalização a Diretoria e Gerência receberam valores pagos muito maiores e na dependência da auto-avaliação. 0 contribuinte alega esta possibilidade, que inclusive consta expressamente do acordo firmado entre as partes. Mesmo nas situações de não atingimento da meta financeira, há possibilidade de profissionais que foram bem avaliados segundo o plano individual de metas perceberem urn valor adicional a titulo de parte individual, conforme a sua performance no ano. Isio está no parágrafo único da cláusula oitava do acordo. Assim, nos termos do programa de PLR mantido no ano de 2004, como somente alguns funcionários atingiram as metas individuais previamente acordadas, somente estes receberam, além do valor mínimo, a respectiva importância correspondente ao indicador "individual". A aferição de tal desempenho ,foi realizada segundo a avaliação da performance individual de cada segurado, o que foi levada a efeito pelo respectivo superior hierárquico, nos termos do previamente acordado entre as partes no programa de PLR. Assim, entendo que a PLR, Acordo Coletivo do ano 2004, pago em 04/2005, está de acordo com as normas estabelecidas pela Lei n ° 10.101/2000, devendo a competência ser excluída da autuação. B.5 — Acordo de 2005 256. Por fim, no ano de 2005, argumentou a D. Fiscalização que: - em relação ao Acordo Coletivo, ano 2005, na Cláusula Sexta: programa de Metas, item II - INDIVIDUAL - Definir até 6 objetivos/competências pretendidos. A empresa apresentou um manual - Processo de Gestão do Desempenho, para acompanhar o desempenho individual de cada segurado empregado. Um dos itens - Ferramenta para Viabilização do Processo - é um sistema de informática, cujo objetivo é otimizar o processo de gerenciamento de performance, em que cada segurado, com a sua devida senha, faz a sua auto-avaliação. Citamos, abaixo, alguns itens de avaliação, como exemplo: -Definir Direção: define estratégia, incentiva a inovação, conhece o negócio, comunica-se com efeiciência; -Buscar Resultados: alcança os objetivos, ser decisivo, exibe iniciativa, inspira compromisso; -Liberar Potencial: promove o próprio desenvolvimento, aproveita a diversidade, desenvolve outras pessoas; -Criar Diferencial: constrói confiança, lidera mudança, concentra a energia, motiva a equipe." 257. Como se vê, mais uma vez argumentou a D. Fiscalização que as avaliações dos segurados no quesito performance individual dependeriam de auto-avaliação do segurado, o que, segundo seu entendimento, retiraria a condição de regras claras e objetivas do acordo firmado pela Impugnante com seus funcionários neste ano de 2004. Assinado digitalmente ern 17/0512011 por HFL"ION CAI ;LOS PRAIA DE LIMA 17 AuteMicado digitalmente em 17/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Impress() ern 20/07/2011 por FRANCISCO JOSE VIEW :A DF CARFMF Fl. 18 Processo n° 14485.001640 12007-21 82-TE03 Acórdão n.° 2803-2.803.000.711 Fl. 414 258. Ocorre que tais assertivas não podem prevalecer, pois, conforme será visto abaixo, o acordo de PLR formalizado entre a Impugnante e seus funcionários no ano de 2005 contemplam regras claras e objetivas das metas previamente fixadas e os parâmetros de valor do beneficio a ser pago a cada funcionário caso os objetivos sejam alcançados. 259. Nos acordos celebrados entre a Impugnante , como já adiantado, seus funcionários podem receber uma verba a titulo de PLR, calculada segundo número de salários, que varia de acordo com o cargo do colaborador, da seguinte forma. CARGO N° Salários Anuais Limitador Máximo (100% das Metas) (Superação de 100% das Metas) Diretoria 4,0 Gerentes 3,0 Profissionais 1,5 6,0 260. Para aferir estes resultados, o acordo celebrado entre a Implignante e seus funcionários no ano de 2005 contempla, em linhas gerais, dois indicadores: (i) parte financeira (EBITDA + ROlC) e (ii) parte individual. 261. A (i) parte financeira neste ano é medida através do resultado operacional da empresa comparado com o orçado previamente e somado ao ROIC - retorno sobre o capital investido, enquanto que o (ii) indicador individual traz as metas de performance individual (avaliação anual dos profissionais). 262. Estes indicadores, reveladores das regras claras e objetivas do programa de PLR, constam expressamente dos acordos firmados entre a Impugnante e seus funcionários. A titulo de exemplo, vide a Cláusula 6° do Acordo de PLR do firmado no exercício de 2005 (DOC. 10): CLÁUSULA 6 - PROGRAMA DE METAS A EMPRESA, a COMISSÃO e a CONFEDERAÇÃO estabelecem nos termos do artigo 20, parágrafo 1°, letra II da Lei n° 10.101, de 19 de dezembro de 2000, o programa de metas para o ano de 2005, que fica subordinado a Participação nos Resultados, considerando os seguintes indicadores: I - PARTE FINANCEIRA A. EBITDA OBJETIVO 100% - US$ 9.797.000,00 EBITDA % % de Atingimento sobre PPR ABAIXO DE 85% 0% DE 86% A 114% 25% ACIMA DE 115% 50% B. ROIC OBJETIVO 100% - US$ 9.797.000,00 ROIC % % de Atingimento sobre PPR ABAIXO DE 85% 0% DE 86%A 114% 25% ACIMA DE 115% 50% II- INDIVIDUAL Definir até 6 objetivos/competências com a Chefia imediata. Nas avaliações de objetivos e competências, o gestor apresenta suas notas e comentários, justificando-os por meio de fatos e exemplos, classificando o profissional como: Assinado digitaimente em 17/0512011 por HELTON CARLOS PRAIAG!'L MA Autenticado digitalmente ern 17/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Impresso em 2.0101/2011 por FRANCISCO JOSE VIEIRA 18 DF CARF NIF Fl. 19 Processo n° 14485.001640/2007-21 82-TE03 Acórdão n.° 2803-2.803.000.711 Fl. 415 OBJETIVOS / COMPETÊNCIAS % de Atingimento sobre PPR Lower Quartile 0% a 75% Stretch 75% a 125% Upper Quartile 125% a 200% 263. Como acima visto, cada indicador (financeiro e individual) tern seu peso na formação do valor do beneficio, calculado em número de salários, a ser pago ao colaborador. 264. No encerramento do exercício, após a aferição do atingimento das metas financeiras, inicia-se o processo das avaliações individuais dos colaboradores para se validar o resultado da performance individual. 265. Este fato foi expressamente reconhecido pela D. Fiscalização que, no entanto, entendeu que a existência da auto- avaliação retiraria a condição de regras claras e objetivas do programa. Nada mais inveridico, como se verá. 266. Ora I Julgador, não se atentou a D. Fiscalização para o fato incontroverso de que nas avaliações de desempenho do ano de 2005 a auto-avaliação de cada funcionário e apenas um referencial para a aferição realizada pelo Superior Hierárquico, este sim o responsável pela avaliação do atingimento das metas previamente pactuadas. 267. Vide novamente nesse sentido o que determina a cláusula 6, item II do Acordo: Definir até 6 objetivos/competências com a Chefia imediata. Nas avaliações de objetivos e competências, o gestor apresenta suas notas e comentários, just ificando-os por meio de fatos e exemplos, classificando o profissional como: 268. Da simples análise da cláusula em destaque percebe-se que a nota de desempenho individual do segurado é atribuida exclusivamente pelo Superior Hierárquico, segundo critérios objetivos fixados entre as partes (competências e objetivos previamente traçados, como reconheceu a própria Fiscalização). 269. Acaso tivesse analisado as determinações do acordo acima citadas juntamente com as avaliações dos funcionários da Impugnante (DOC. 17), que são ora anexadas à defesa, certamente a D. Fiscalização não teria lavrado a NFLD ora impugnada. 270. Isso porque, como houve a pactuação prévia da meta de performance individual entre empregado e empresa, é de fundamental importância para a avaliação deste indicador pela Impugnante que o funcionário inicialmente indique a sua percepção sobre os objetivos alcançados para então ter o respectivo 'feed back" por parte do superior hierárquico em torno da performance do empregado. 271. - 0 'feed back", como já anteriormente dito, é a condição determinante para a avaliação do empregado, que é realizada Assinado digitalmente em 17/05 1 2011 por HIE.L.ToN CARLOS PRA:A DL LIMA Autenticado digitaImente cm 17105/2011 por FELTON CARLOG PRAIA DE LIMA Impresso ern 20/07/2011 por F- RANGI/GO VIL:;ZA 19 DF CARF MF Fl. 20 Processo n° 14485.001640/2007-21 82-TE03 Acórdão n.° 2803-2.803.000.711 Fl. 416 exclusivamente pelo superior hierárquico, segundo os objetivos previamente tragados em conjunto com o funcionário. 272. Uma vez superada essa questão, vejamos alguns exemplos práticos da aplicação das regras claras e objetivas do programa de PLR mantido pela Impugnante no ano de 2005: Nome Ind. Objetivos Fator Salário Total Fator Real Financeiro Base WO Real Pago Ating (10) Pes Result Peso ,Resu ido o Eliane Porfirio 50 50 50 40 1,5 4.337,00 90 1,08 4.683,96 Brunelli Paulo César 50 50 50 38,5 1,5 3.655,00 87,5 1,05 3.838,75 Domingues Sérgio Hoshi 50 50 50 0 1,5 5.390,00 50 0,60 3.234,00 273. Tomemos como exemplo a Sra . Eliane Porfirio Brunelli, que, por ocupar tal cargo, faz jus ao recebimento de 1,5 salários caso atinja 100% das metas previamente pactuadas, podendo chegar a 6,00 salários caso superasse seus objetivos (200% ou mais) . 274. Veja 1. Julgador que a Sra. Eliane Porfirio Brunelli não atingiu 100% das metas previamente pactuadas, o que motivou o recebimento de 1,08 salários, que foi calculado mediante o confronto dos indicadores econômico e individual alcançados. 275. Nos demais casos objeto do lançamento esta situação também se repetiu, o que demonstra à evidência a improcedência da acusação fiscal. 248. Resta cabalmente demonstrado, portanto, que o Acordo de PLR do ano de 2005 contêm regras claras e objetivas acerca do programa de metas de resultado, bem como indicam com clareza os valores máximos e mínimos do beneficio a ser auferido pelo colaborador, caso os objetivos prévios sejam alcançados. Ainda, é importante mencionar que, caso alguma dúvida paire sobre o PLR, o funcionário tem a seu alcance diversas ferramentas para sua compreensão, como por exetnplo o sistema Rhadar e, ainda, os textos do acordo arquivados no Departamento de Recursos Humanos da Empresa (cláusula 13a. do PLR), nos exatos termos do art. 2 da Lei n° 10.101/2000. Quanto a PLR, Acordo Coletivo do ano 2005, A empresa apresentou um manual - Processo de Gestão do Desempenho para acompanhar o desempenho individual de cada segurado empregado. Um dos itens - Ferramenta para Viabilização do Processo - é um sistema de informática, cujo objetivo é otimizar o processo de gerenciamento de performance, em que cada segurado, com a sua devida senha, faz a sua auto-avaliação. 0 contribuinte alega que nos acordos celebrados seus funcionários podem receber uma verba a titulo de PLR, calculada segundo número de salários, que varia de acordo com o cargo do colaborador. Nas avaliações de desempenho do ano de 2005 a auto-avaliação de cada funcionário é apenas um referencial para a aferição realizada pelo Superior Hierárquico, este sim o responsável pela avaliação do atingimento das metas previamente pactuadas, é o que determina a cláusula 6, item II do Acordo. Resta demonstrado que o Acordo de PLR do ano de 2005 contêm regras claras e objetivas acerca do programa de metas de Assinacio digitalmente em 17/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Autenticado digitalmente cm 17105/2011 por HELTON CARLOS PRAIA CC LIMA Impresso orn 20/07/2011 por I 1:ANC,'ISOO JOSE VIEIRA 20 DF CARF MF Ft. 21 Processo no 14485.001640/2007-21 82-TE03 Acórdão n.° 2803-2.803.000.711 Fl. 417 resultado, bem como indicam com clareza os valores máximos e mínimos do beneficio a ser auferido pelo colaborador, caso os objetivos prévios sejam alcançados. Caso alguma dúvida paire sobre a PLR, o funcionário tem a seu alcance diversas ferramentas para sua compreensão e, ainda, os textos do acordo arquivados no Departamento de Recursos Humanos da Empresa (cláusula 13'. dâ PLR), nos exatos termos do art. 2 da Lei n° 10.101/2000. Assim, entendo que a PLR, Acordo Coletivo do ano 2005, pago em 04/2006, está de acordo com as normas estabelecidas pela Lei n ° 10.101/2000, devendo a competência excluída da autuação. A aplicação de duas penalidades ao mesmo fato gerador não se trata necessariamente de bis in idem. Não se confundem as multas impostas em razão do descumprimento das obrigações tributárias principal (recolher tributos) e acessória (inobservância da legislação tributária que impõe prestações positivas — como entregar declarações sobre a ocorrência de situações tributáveis — ou negativas, institufdas no interesse da arrecadação ou fiscalização). 0 interesse público na arrecadação e na fiscalização tributária legitima o ente federado a instituir obrigações, aos contribuintes, que tenham por objeto prestações, positivas ou negativas, que visem guarnecer o fisco do maior número de informações possíveis acerca do universo das atividades desenvolvidas pelos sujeitos passivos (artigo 113, do CTN). A relação jurídica tributária refere-se não só à obrigação tributária stricto sensu (obrigação principal), como ao conjunto de deveres instrumentais (positivos ou negativos) que a viabilizam. A obrigação acessória prevista no artigo 113, § 2° c/c 115, do CTN, constitui dever instrumental, independente da obrigação principal, principalmente para os fins de fiscalização da Administração Tributária. Os deveres instrumentais (obrigações acessórias) são autônomos em relação à regra matriz de incidência tributária, aos quais devem se submeter, até mesmo, as pessoas físicas ou jurídicas que gozem de imunidade ou outro beneficio fiscal, ex vi dos artigos 175, parágrafo único, e 194, parágrafo único, do CTN. Estes são os entendimentos exarados do Superior Tribunal de Justiça — STJ quanto ao assunto em questão: Processo RESP 2009017 34755RESP - RECURSO ESPECIAL — 1182354 Relator(a) HERMAN BENJAMIN, STJ, SEGUNDA TURMA, Fonte DJE DATA:30/06/2010 Ementa : PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. ART. 32 DA LEI 8.212/1991. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONA MENTO. SÚMULA 282/STF. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA (ENTREGA DE GFIP). MULTA PELO INADIMPLEMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA (OBRIGAÇÃO PRINCIPAL). BIS IN IDEM NÃO-OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO PRINCIPIO DA PROPORCIONALIDADE. FUNDAMENTO INATACADO. SÚMULA 283/STF. 1. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 2. Não se conhece de Recurso Especial quanto a matéria não especificamente enfrentada pelo Tribunal de origem, dada a ausência de prequestionamento. Incidência, por analogia, da Assinaao digitalrnente em 17/05/2011 por HFLION OAR( OS PRAIA DE LIMA Aulenlicado digitalmente cm 17105/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 21 Impresso orn 20/07/2011 por FRANCISCO JOSE VIEIRA DF CARF MF Fl. 22 Processo n° 14485.001640/2007-21 S2-TE03 Acórdao n.° 2803-2.803.000.711 Fl. 418 Súmula 282/STF. 3. Hipótese em que foram aplicadas quatro multas,cujos fatos geradores são: a) ausência de entrega de declaração dos valores pagos a clubes de futebol, decorrentes de contratos de publicidade; b) inadimplemento das respectivas contribuições previdencicirias incidentes; c) ausência de declaração, na GFIP, dos salários pagos aos empregados do recorrido; e d) inadimplemento do tributo incidente sobre a referida folha de salários. 4. Não se confundem as multas impostas em razão do descumprimento das obrigações tributárias principal (recolher tributos) e acessória (inobservância da legislação tributária que impõe prestações positivas — como entregar declarações sobre a ocorrência de situações tributáveis — ou negativas, instituídas no interesse da arrecadação ou fiscalização). 5. A titulo exemplificativo, são plenamente cumuláveis as multas impostas pelo inadimplemento do Imposto de Renda (obrigação principal) e pelo atraso na entrega da Declaração Anual de Ajuste (obrigação acessória). 6. Ern conseqüência, merece reforma o acórdão que se fundamentou na vedação do bis in idem para excluir as multas cominadas pelo descumprimento das obrigações acessórias. 7. Em relação a multa de R$105.490,15, contudo, deve ser mantido o acórdão hostilizado, porque o fundamento adotado para sua exclusão (desproporcionalidade, em função do valor da obrigação principal— cujo valor aproximado é de R$20.000,00) não foi impugnado no presente apelo. Aplicação da Súmula 283/STF. 8. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. Processo AGA 200802641195AGA - AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO — 1138833 Relator(a) LUIZ FUX , STJ, PRIMEIRA TURMA, Fonte DJE DATA:06/10/2009 Ementa : PROCESSUAL CIVILTRIBUTÁRIO.AGRAVO DE INSTRUMENTO. ART 544 DO CPC. AÇÃO ANULATÓRL4 DE DÉBITO FISCAL .MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA(EXPEDIÇ.ÃO DE NOTAS FISCAIS). IRRELEVÂNCIA DA INCIDÊNCIA OU NÃO DO ICMS. ARTIGOS 113, §2°, 115, 175 PARÁGRAFO ÚNICO, E 194, DO CTN. 1. 0 interesse público na arrecadação e na fiscalização tributária legitima o ente federado a instituir obrigações, aos contribuintes, que tenham por objeto prestações, positivas ou negativas, que visem guarnecer o fisco do maior número de informações possíveis acerca do universo das atividades desenvolvidas pelos sujeitos passivos (artigo 113, do CTN). 2. Ê cediço que, entre os deveres instrumentais ou formais, encontram-se "o de escriturar livros, prestar informações, expedir notas fiscais, fazer declarações, promover levantamentos fisicos, econômicos ou financeiros, manter dados e documentos a disposição das autoridades administrativas, aceitar a fiscalização periódica de suas atividades, tudo com o objetivo de propiciar ao ente que tributa a verificação do adequado cumprimento da obrigação tributária" (Paulo de Barros Carvalho, in "Curso de Direito Tributário", Ed. Saraiva, le ed, 2004, págs. 288/289). 3. A relação jurídica tributária refere-se não só à obrigação tributdria strict() sensu (obrigação tributária Assinado digitalmenle em 17/00/2011 por H1-1•1 ON CARLOS PRAIA DE LIMA Autenticado digitaimente em 17105/2011 por FIELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 22 Impresso ern 20/07/2011 por FRANCISCO JOSE. VIEIRA C. DF CARF MT' FL 23 Processo n° 14485.001640/2007-21 Acórdão n.° 2803-2.803.000.711 S2-TE03 Fl. 419 principal), como ao conjunto de deveres instrumentais (positivos ou negativos) que a viabilizam. 4. A obrigação acessória prevista no artigo 113, 2° c/c 115, do CTN, constitui dever instrumental, independente da obrigação principal, e subsiste, ainda que o tributo seja declarado inconstitucional, principalmente para os fins de fiscalização da Administração Tributária. 5. Os deveres instrumentais (obrigações acessórias) são autônomos em relação et regra matriz de incidência tributária, aos quais devem se submeter, até mesmo, as pessoas físicas ou jurídicas que gozem de imunidade ou outro beneficio fiscal, ex vi dos artigos 175, parágrafo único, e 194, parágrafo único, do CTN. 6. Agravo regimental desprovido. Destarte, é improcedente a alegação de aplicação da multa em duplicidade por terem sido lavradas NFLD e o presente Auto de Infração. Trata-se de multas com natureza diversa: uma punitiva (aplicada no presente Auto de Infração) e outra moratória (aplicada na NFLD a esta relacionada), que não se confundem entre si. Não caracteriza confisco a multa aplicada nos estritos termos legais. 0 valor estabelecido como pena pecuniária não é abusivo e nem confiscatório porque o cálculo desta está previsto na Lei n° 8.212/91, sendo o valor da multa,como visto na fundamentação mencionada na autuação, não é relativo, mas sim absoluto. Este é o entendimento do Tribunal Federal — TRF2 quanto ao assunto, cujos transcritos seguem: Processo AC 200150010069641AC - APELAÇÃO CIVEL — 375867, Relator(a) Desembargadora Federal SANDRA CHALU BARBOSA, Sigla do ()mil° TRF2 , Orgdo julgador TERCEIRA TURMA ESPECIALIZADA, Fonte E-DJF2R - Data:: 12/11/2010 - Página:: 279/280 Ementa ; TRIBUTÁRIO. APELAÇÃO EM AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. INADIMPLEMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA COM BASE NA LEI 8.212/91. NÃO VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE CONFISCO. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. 1. Trata-se de apelação contra a sentença que julgou improcedente o pedido de desconstituição do auto de infração n° 35.135.127-2, a fim de que seja anulado o decorrente débito fiscal. 2. Inicialmente, é de se dizer que o próprio INSS já reconheceu que o depósito judicial realizado pela autora é suficiente para garantir o crédito tributário em questão, de modo que se mostra desnecessário novo esclarecimento acerca do pagamento integral da divida em debate. 3. No mérito, cabe consignar que, como bem observou a sentença, "existe fundamento legal para a autuação imposta à autora. Com efeito, encontra-se no artigo 32 da Lei 8.212/91, com as alterações empreendidas pela Lei 9.528/97, a obrigação de as empresas apresentarem mensalmente informações relativas ás contribuições exigidas pelo INSS, por meio da chamada GFIP". Por outro lado, também aduziu corretamente a sentença que a Portaria 6.211/00, do Ministério da Saúde e Previdência Social, não criou "embasamento infi-alegal para a obrigação acessória em tela", mas sim atualizou "o valor da multa por seu descumprimento", e Assinado diqitalmenle em 17105 1 2011 por HEL1ON CARLOS PRAIA DV: Aulonticado dinitaImenle ern 17/05/2011 pari ELION CARLOS PRAIA DE LIMA Impresso em 2010712011 por FRANCISCO JOSE VIEIRA 23 '• DF CARF MF Processo n° 14485.001640/2007-21 AcOrdao n.° 2803-2.803.000.711 Fl. 24 82-TE03 Fl. 420 que não houve violação ao "principio da irretroatividade da lei tributária", eis que a Portaria em questão "foi utilizada pelo agente fiscalpara fins de fixação do valor da multa, uma vez que já se aplicava no momento da autuação, nos moldes do § 8° do mesmo artigo 32, Lei 8.212/91". Outrossim, preciso foi o entendimento do juizo a quo no sentido de que "em relação ao valor da multa aplicada, temos que o que fez o agente administrativo foi apenas aplicar os dispositivos legais transcritos nesta decisão, mediante atividade plenamente vinculada": de que "o seu valor não é relativo, tomado com base em percentual do montante da obrigação principal, mas absoluto, levando em conta o porte da empresa, com base na quantidade de segurados"; e de que a autora se limitou a pedir a anulação do débito fiscal, não tendo formulado pedido para "a atenuação da multa aplicada". 4. Oportuno reforçar que o entendimento contido no parecer do Ministério Público Federal é análogo ao da sentença supra especificada, ou seja, que o auto de infração em tela encontra fundamento validade na Lei n° 8.212/91, e não naPortarian° 6.211/00; que a referida portaria se limitou a "atualizar o valor da multa já anteriormente prevista naquele diploma legal"; que o valor estabelecido como pena pecuniária não é confiscatório porque o cálculo desta está previsto no artigo 32, inciso IV, e §§ 4°c 7° da Lei n°8.212/91; e que o valor da multa,como visto na sentença, não é relativo, mas sim absoluto. 5. Não obstante os fortes argumentos supra defendidos tanto na sentença quanto no parecer ministerial,vale colacionar os seguintes julgados do Egrégio Superior Tribunal de Justiça acerca do tema: ST.!, REsp 1182354/PE, Rel. Min. Herman Benjamin, 2 0 T, DJe 30/06/2010; REsp 899.895/SP, Rel. Min. Luiz Fux, 10 T, DJe 05/08/2009. 6 Recurso conhecido e desprovido. Data da Decisão 26/10/2010, Data da Publicação 12/11/2010 Não há necessidade de citação pessoal dos procuradores quanto A. data da sessão do julgamento do processo com intuito de promoverem sustentação oral. Os dias das sessões são publicados no Diário Oficial da Unido - DOU e no sitio do CARF (www.conselhos.fazenda.gov.br ), com antecedência, informando local e horário. Tais direitos são garantidos e encontram-se respaldados no parágrafo único do art. 55 e art. 58, inciso II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela portaria ME n ° 256, de 22 de junho de 2009, como segue: Art. 55. A pauta da reunido indicará: Parágrafo único. A pauta será publicada no Diário Oficial da Unido com 10 (dez) dias de antecedência e divulgada no sitio do CARF na Internet. Art. 58. Anunciado o julgamento de cada recurso, o presidente dará apalavra, sucessivamente: Assinado digita iene em 17/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Autenticado dicitalmente cm 17105120 11 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA ImpresGo cm 20/07/2011 por FRANCISCO JOSE VIEIRA 24 DF CARF MI? Fl. 25 Processo n° 14485.001640/2007-21 82-TE03 Acórdão n.° 2803-2.803.000.711 Fl. 421 I - ao relator, para leitura do relatório; II - ao recorrente ou ao seu representante legal para, se desejar, fazer sustentação oral por 15 (quinze) minutos, prorrogáveis por igual período; Quanto à multa aplicada na autuação fiscal em comento, há, que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Lei n° 11.941, de 27/05/2009, sendo ais benéficas para o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A da Lei n ° 8.212, nestas palavras: Art. 32-A.0 contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentá-la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar- se-6 ás seguintes multas: I — de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II — de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3°c/este artigo. § 1' Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não- apresentação, a data da lavrantra do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2' Observado o disposto no § 3°c/este artigo, as multas serão reduzidas: I — à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; ou — a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação § 3' A multa minima a ser aplicada será de: I — R$ 200,00 (duzentos reais), tratando-se de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciciria; e 11—R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Desse modo, resta evidenciado, que a conduta de apresentar a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator A. pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo a contribuição não declarada, Assinalo digitalmente em 17/0512011 por HELTON CARLOS PRAIA DR LIMA Aulenticado digitalmente orn 17/00/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Impsesso cm 2.0107120 1 1 p(A FRANCISCO JOSE VIEIRA 25 t • DF CARF MF FL 26 Processo n° 14485.001640/2007-21 82-TE03 Acórdão n.° 2803-2.803.000.711 Fl. 422 limitada aos valores previstos no parágrafo 4° do artigo 32 da Lei n ° 8.212 de 1991. Agora, com a Lei no 11.941/2009, a tipificação passou a ser: "apresentar a GFIP com incorreções ou omissões", com multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas, art. 32-A, inciso I, da Lei n° 8.212/91. O núcleo do tipo infracional d: "apresentar a GFIP com erros". A multa sera aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32-A. Resta demonstrado, assim, que estamos diante de uma obrigação puramente formal, devendo ser aplicada a multa isolada. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso: I — em preliminar, excluir do lançamento as contribuições apuradas com fatos geradores ocorridos até a competência 12/2001, em razão da regra decadencial disposta no art. 173, inciso I do CTN; inclusive, os valores constantes das competências 04 e 05/2002 que se referem a PLR - Acordo Coletivo do ano 2001, cujos fatos geradores estão abrangidos pela decadência; II — no mérito, excluir as competências 04 e 05/2003 referentes a PLR - Acordo Coletivo do ano 2002; comp. 04/2005 referente a PLR - Acordo Coletivo do ano de 2004; comp. 04/2006 referente a PLR - Acordo Coletivo do ano de 2005; considerados de acordo com a Lei no 10.101/2000; III — manter a autuação para as competências 04 e 05/2004, referente a PLR - Acordo Coletivo do ano de 2003, considerado em desacordo com a Lei n ° 10.101/2000. IV - determinar a retificação da multa de oficio em razão da apresentação de GFIP com incorreções ou omissões, devendo-se aplicar o disposto no art. 32-A, inciso I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Assinado digitalmente: ern 17/05/2011 por HELTON CAIU OS PRAIA DE t MA Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por IIELTON CARLOS PRAIA DE LIMA impresso ern 20/07/2011 por FRANCISCO JOSE VIEIRA 26 • - • 4 DF CARF MF Fl. 27 Processo n° 14485.001640/2007-21 82-TE03 Acórdão n.° 2803-2.803.000.711 Fl. 423 Assinado digitalmente ern 17/05/2011 por HEHLION CA1 ■1...OS PRAIA DE LIMA Autenticado dgita!mente em 17105/2011 por 'ELTON CARLOS PRAIA D: I IMA 27 Impresso ern 20/07/2011 por FRANCISCO JOSE VIEIRA
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Numero do processo: 11065.005052/2002-12
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2007
Ementa: OMISSÃO DE RECEITA — DEPÓSITOS BANCÁRIOS — Improcede o lançamento com base na presunção legal de omissão de receita caracterizada por depósitos bancários, quando demonstrado que os recursos depositados não se incorporaram ao patrimônio do contribuinte.
Recurso provido.
Numero da decisão: 103-23.215
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: PAULO JACINTO DO NASCIMENTO
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MINISTÉRIO DA FAZENDA Els.: .-•:• tr. ":g PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES cc j4 TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 11065.00505212002-12 Recurso n° :149.745 Matéria : IRPJ/SIMPLES - Ex(s): 2000 e 2001 Recorrente : RV VEÍCULOS LTDA. Recorrida : 4° TURMA/DRJ-PORTO ALEGRE/RS Sessão de : 17 de outubro de 2007 Acórdão n° :103-23.215 OMISSÃO DE RECEITA — DEPÓSITOS BANCÁRIOS — Improcede o lançamento com base na presunção legal de omissão de receita caracterizada por depósitos bancários, quando demonstrado que os recursos depositados não se incorporaram ao património do contribuinte. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por RV VEÍCULOS LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a,Jtitegrar. resente julgado. 411 WOr OfsLUCIANO DE OLIVEI - L» E ÇA PRESIDENTE / NOr",PAULO J O 50 NASCIMENTO RELATO - FORMALIZADO EM: o 9 NOV 2007 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: ALOYSIO JOSÉ PERCINIO DA SILVA, MÁRCIO MACHADO CALDEIRA, LEONARDO DE ANDRADE COUTO, ALEXANDRE BARBOSA JAGUARIBE, ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO e GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES. 149.7451.1SR•07/11/07 3° Ctimara MINISTÉRIO DA FAZENDA As.: • Xti I • k. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1° CC g?ir,e, TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 11065.00505212002-12 Acórdão n° :103-23.215 Recurso n° :149.745 Recorrente : RV VEÍCULOS LTDA. RELATÓRIO Aos 11/02/2003 a contribuinte, optante pelo SIMPLES, foi cientificada dos autos de infração de IRPJ, PIS, COFINS, CSLL e INSS, relativos aos anos- calendário de 1999 e 2000, lavrados em decorrência de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Na impugnação, tempestivamente oferecida, a autuada se vale da argumentação que pode ser assim resumida: - O estratosférico valor da exigência, R$ 1.356.226,07, é totalmente incompatível com a sua realidade de pequena empresa, dirigida por pessoas de formação primária e de parcos conhecimentos das leis, cuja verdadeira receita auferida nos dois anos fiscalizados não passa de 5% do valor de cinco milhões de reais apurado pela fiscalização. - Exerce a intermediação de compra e venda de veículos e por isto os recursos depositados na sua conta bancária quase sempre não lhe pertencem, representativos que são da liberação de recursos pelas instituições financeiras, de operações de financiamento que eram repassados aos alienantes dos veículos. - Ao lançar os tributos sobre a totalidade dos depósitos bancários, a fiscalização ignorou integralmente todas as provas e argumentos apresentados, ferindo os princípios constitucionais da legalidade tributária e da proibição de utilização de tributos com efeito de confisco. - Não cabe o agravamento da multa, dado que o lançamento foi baseado em u a presunção e o dolo não se presume, devendo ser comprovado. 149.745*MSR*07/11/07 2 32Câmara st&-b. treli• MINISTÉRIO DA FAZENDA Fls.: • - 41 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1° CC TERCEIRA CÂMARA Processo n° :11065.005052/2002-12 Acórdão n° :103-23.215 - É inconstitucional a incidência de juros calculados à taxa SELIC. A decisão de primeira instância deu pela procedência do lançamento em decisão assim ementada: "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples Exercício: 2000, 2001 Ementa: DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS — As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. OMISSÃO DE RECEITAS — DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA — ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430, DE 1996 — Caracteriza como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA — Se o ônus da prova, por presunção legal, é da contribuinte, cabe a ela a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. MULTA QUALIFICADA — Mantém-se a multa qualificada de 150%, tendo sido verificado o intuito de fraude, com conseqüente redução do montante de imposto devido. TAXA SELIC — APLICABILIDADE — Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos a partir de abril de 1995, incidem juros de mora equivalentes à taxa SELIC para títulos federais. Lançamento Procedente". Dessa decisão recorre a contribuinte, alegando, basicamente, ofensa aos princípios constitucionais já elencados na impugnação, reafirmando que o trânsito de numerário pelas suas contas-correntes bancárias representam simples repasse de 149.745*MSR*07/11/07 3 3° Cômoro t, MINISTÉRIO DA FAZENDA Fls.: t;4.-tjc, t PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 0cc• TERCEIRA CÂMARA Processo n° :11065.005052/2002-12 Acórdão n° :103-23.215 recursos oriundos de intermediação na venda de veículos de terceiros, auferindo ela apenas as comissões, que é o que constitui a sua receita, bem como o descabimento da multa exacerbada e a inconstitucionalidade do uso da Taxa SEL1C a titulo de juros de mora. É o relatório. 0/ 149.745*MSR*07/11/07 4 • 05mara V1/4 MINISTÉRIO DA FAZENDA Fls.: • • ?-•;it PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1° CC TERCEIRA CÂMARA Processo n° :11065.005052/2002-12 Acórdão n° :103-23.215 VOTO Conselheiro PAULO JACINTO DO NASCIMENTO - Relator Enquanto a recorrente declarou, no ano-calendário de 1999, uma receita bruta de R$ 186,00 e, no ano-calendário de 2000, uma receita bruta de R$ 7.865,99, a fiscalização apurou uma movimentação financeira, em uma única conta bancária, da ordem de R$ 2.592.705,98 no ano de 1999 e de R$ 2.550.994,95 no ano de 2000 e, com base na presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96, entendendo que a recorrente não comprovou a origem dos recursos depositados, os tributou como receita omitida. A recorrente, por sua vez, sustenta que dos valores depositados apenas cerca de 5% são receita, enquanto os restantes 95% correspondem a repasses de financiamentos por ela intermediados que a financiadora depositava em sua conta bancária e eram por ela transferidos para os vendedores dos veículos. Como prova do alegado junta cerca de 300 (trezentas) propostas de financiamento e/ou de arrendamento mercantil. Essas propostas que, isoladamente consideradas, teriam pouco ou nenhum valor probante, ganham foro de veracidade quando cotejadas com outros documentos constantes dos autos. Com efeito, quando comparadas com o Termo de Intimação de fls. 433/441, datado de 03/09/2002 e com a relação de depósitos que integra o Relatório da Ação Fiscal, fls. 630/638, se constata que os valores dos financiamentos, os nomes dos compradores e o tipo, modelo, ano de fabricação e placa dos veículos financiados sã coincidentes. 149.745*M5R*07/11/07 5 C , almara C:44• - MINISTÉRIO DA FAZENDA Fls.: 4.‘• k• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1° CC TERCEIRA CÂMARA Processo n° :11065.005052/2002-12 Acórdão n° :103-23.215 De outra parte, ao se examinar os extratos bancários, se verifica que para os valores creditados são lançados, senão no mesmo dia em data muito próxima, débitos que os consomem por inteiro e, não raro, ocasionam até mesmo saldos devedores. Do cotejo desses documentos, concluo ser verdadeira a versão da recorrente de que os depósitos bancários não lhe constituem receita, transitaram pela sua conta, mas não se incorporaram ao seu património. Diante disso, entendo elidida a presunção de omissão de receita com base nos depósitos bancários. Ademais, ainda que prevalecesse a receita presumida, como esta representa a quase totalidade das receitas, impunha-se o arbitramento do lucro, sob pena de se tributar receita e não renda, o que acarretaria a nulidade do lançamento em relação ao IRPJ e à CSLL. Por tais fundamentos, julgando prejudicadas, por perda de objeto, as demais questões suscitadas, dou provimento ao recurso para, reformando a decisão recorrida, julgar improcedente o lançamento. Sala das Sessões - DF, em de outubro de 2007 "PAULO JACI TO y NASCIMENTO 149.745*MSR*07/11/07 6 Page 1 _0010100.PDF Page 1 _0010200.PDF Page 1 _0010300.PDF Page 1 _0010400.PDF Page 1 _0010500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10865.903787/2009-93
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL
SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.174
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto vencedor que integram o presente julgado. Vencido o Relator, que votou pela conversão do julgamento em diligência. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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BENEFICIAMENTO DE MATERIAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto vencedor que integram o presente julgado. Vencido o Relator, que votou pela conversão do julgamento em diligência. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Redator designado [assinado digitalmente] Juliano Eduardo Lirani Relator Fl. 105DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 2 Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Jorge Victor Rodrigues. Relatório O contribuinte supra descrito apresenta Recurso Voluntário contra decisão denegatória de PER/DCOMP eletrônico referente ao recolhimento a maior de COFINS referente ao PA de 31.10.2003. O despacho eletrônico anexo fls. 06 indeferiu o pedido de homologação da compensação com fundamento no fato de que o “suposto” pagamento a maior não foi comprovado pelo contribuinte. Na manifestação de inconformidade anexa fls. 11/14 o contribuinte sustentou que a partir de 1º de novembro de 2002 a Lei n.º 10.485/2002 reduziu para zero a alíquota da COFINS incidente sobre as receitas auferidas com a venda e industrialização por encomenda de autopeças. Afirmou ainda que com a edição da Lei n.º 10.865/2004 foi afastado o regime monofásico do setor automotivo, retornando a incidência do PIS e da Cofíns a todos os componentes da cadeia, a partir de 1º de agosto de 2004. Alegou ainda ter recolhido indevidamente PIS e COFINS durante o período de dezembro de 2002 ao final de julho de 2004, incidente sobre suas receitas de venda e industrialização sob encomenda de autopeças relacionadas nos anexos I e II da Lei n 10.485/2002 e por essa razão tem direito a homologação da compensação desses créditos, embora não tenha retificado a DCTF para informar a alteração do valor correto devido. Por fim, o contribuinte alegou na Manifestação de Inconformidade que não informou o número do recibo da DCOMP na correspondente DCTF, sendo que, por outro equívoco, pagou o tributo informado nesta DCOMP por meio de DARF, ocasionando um pagamento em duplicidade (Darf e Dcomp). As fls. 26/28 sobreveio a Decisão n.º 1428.839 4 º Turma da DRJ/POR, cuja ementa foi lavrada com o seguinte teor: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/10/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. O direito creditório só é passível de ser reconhecido se lastreado em documentação fiscal e contábil, demonstrada nos autos pelo contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Extraise da decisão atacada que os julgadores de primeiro grau têm ciência de que a alíquota do PIS e COFINS foi reduzida a zero relativamente à receita bruta de venda de produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei n.º 10.485/2002 dos produtos classificados nos códigos da TIPI mencionados no art. 1º desta Lei. Entretanto, a decisão recorrida concluiu que o direito creditório pleiteado não restou comprovado por meio de documentação idônea, uma vez que o contribuinte não demonstrou que toda ou parte das receitas auferidas foram Fl. 106DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10865.903787/200993 Acórdão n.º 3803003.174 S3TE03 Fl. 106 3 provenientes de venda de produtos classificados nos códigos da TIPI, conforme definido no art. 1º da Lei n.º 10.485/2002, logo o motivo do indeferimento decorreu da ausência de provas, segundo a decisão recorrida. Em Recurso Voluntário, anexo fls. 30/40 o contribuinte alega nulidade da decisão de primeiro grau, com fundamento no art. 59, II do Decreto n.º 70.235/72 tendo em vista que a mesma desconsiderou o direito a ampla defesa e contraditório, pois o Fisco não o intimou a apresentar documentos e deixou de reconhecer o direito creditório sob o argumento de que não foram apresentada prova contábil que fizesse lastro com o direito pretendido, quando na realidade é obrigação da Fazenda Nacional realizar diligência e buscar informações no sentido de apurar a existência do crédito. Afirmou que o cerne da questão neste processo se refere a discussão da alíquota zero da contribuição incidente sobre as receitas auferidas com a venda e com a industrialização por encomenda relacionadas nos anexos I e II da Lei nº 10.845/02, durante o período compreendido entre dezembro de 2002 a julho de 2004. Argumenta ter acontecido equívoco da não retificação da DCTF informando sobre a alteração do valor efetivamente devido de PIS e COFINS, isto é, deveria ter informado na DCTF que sobre estas contribuições incidia alíquota zero, razão pela qual houve o pagamento a maior do tributo no período de apuração em tela. Neste sentido, ressalta o contribuinte que por não ter acontecido a retificação da DCTF, o despacho decisório concluiu pela inexistência de crédito para fazer frente aos débitos apontados no PER/DCOMP. Assim, com fulcro no princípio da verdade material o contribuinte solicita que seja homologada a Dcomp apresentada e que seja cancelado o saldo devedor constante no despacho decisório, principalmente porque agora trás em seu recurso voluntário planilha contendo relação de notas fiscais objeto de recolhimento indevido de PIS e COFINS e notas fiscais por amostragem, conforme se observa dos DOCUMENTOS 2 e 3, respectivamente. Por fim, requer que seja homologada a Dcomp e seja cancelado o saldo devedor apurado. Voto Vencido Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, Relator O recurso é tempestivo e por isso merece ser analisado. Conforme relatado, tratase de decisão denegatória de pedido de compensação em razão de pagamento a maior de PIS/Pasep, sob o argumento de que o pagamento indevido não foi comprovado pelo contribuinte. Retirase da decisão recorrida, que os julgadores de primeiro grau concluíram não ter trazido o contribuinte “quaisquer” elementos de prova por meio das quais a Fazenda Nacional pudesse verificar quais receitas do período apontado se referem efetivamente a Fl. 107DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 4 industrialização por encomenda, principalmente se os produtos estariam relacionados nos códigos da TIPI listados nos anexo I e II à Lei 10.845/2002. Já compulsando os autos, constatase que o despacho decisório foi emitido de forma eletrônica e se limitou a indeferir o pedido por falta de comprovação do crédito apontado para realizar a compensação pleiteada. Acontece que em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte teceu comentários a respeito da incidência da alíquota zero da COFINS para as operações de industrialização por encomenda de autopeças relacionadas nos anexos I e II da Lei n 10.485/2002 e informou também ter recolhido indevidamente o tributo, pois indicou valores equivocados em DCTF. É verdade que em sua Manifestação de Inconformidade não trouxe elementos probatórios capazes de derruir a premissa fazendária de ausência de crédito e por conta disso a DRJ concluiu pelo indeferimento do pedido. Entretanto, agora em seu recurso voluntário o contribuinte trouxe importantes provas da existência do crédito, ou seja, planilha contendo relação de notas fiscais objeto de recolhimento indevido de PIS e COFINS e notas fiscais, ainda que por amostragem. Com efeito, “data vênia”, entendimento contrário, manifesto posicionamento de que os autos devem ser encaminhados à repartição de origem, com o propósito de que a fiscalização intime o contribuinte a apresentar todas as notas fiscais relacionadas na referida planilha, bem como lançamentos contábeis, relatório do seu processo produtivo e demais documentos que entenda necessários para a apuração do direito creditório. Alertase ainda para o fato de que em momento algum ocorreu a intimação, por parte da Fazenda Nacional, para que o contribuinte apresentasse qualquer documento fiscal. Assim, ainda que seja ônus do sujeito passivo colacionar aos autos provas constitutivas do seu direito, por outro lado também é verdade que uma vez trazidos pelo contribuinte elementos de provas do seu direito, ainda que posteriormente a decisão da DRJ, não deve ser criado óbice a apuração da verdade material. Ante o exposto, considerando o contido no art. 18, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF – Portaria MF n 256/2008 – que prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, bem como o princípio da verdade material, proponho que se converta o julgamento em diligência à repartição de origem para que se proceda à verificação se os produtos sob os quais ocorreu a industrialização por encomenda estão relacionados nos códigos da TIPI listados nos anexo I e II à Lei 10.845/2002, pois tal constatação é fundamental para a apuração do direito crédito. Sala das Sessões, em 17 de julho de 2012 Juliano Eduardo Lirani Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Kern, Redator designado A compensação declarada não foi homologada porque o pagamento apontado como indevido estava integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A decisão recorrida, por sua vez, não reconheceu o direito creditório reivindicado, no valor de R$ Fl. 108DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10865.903787/200993 Acórdão n.º 3803003.174 S3TE03 Fl. 107 5 752,23, mantendo o Despacho Decisório atacado, porque o interessado não trouxe quaisquer elementos de prova que permitisse a verificação de se toda ou parte das receitas daquele período referemse à industrialização por encomenda especificamente daqueles produtos classificados nos códigos da TIPI listados nos anexo I e II à Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002. Fazendo tabola rasa das regras processuais de preclusão e apoiandose em noção arrevesada do princípio da verdade material, o redator, equivocadamente, propôs a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal de jurisdição sobre o contribuinte produzisse a prova que toca ao interessado produzir, nos momentos processuais adequados. Evidentemente, a 3ª Turma Especial, à exceção do Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, jamais respaldaria tal proposição. A natureza extintiva –ainda que condicionada a ulterior homologação – da Declaração de Compensação, impõe que o interessado assegurese que crédito oposto no encontro de contas seja líquido e certo, já no momento da transmissão da Dcomp, sob pena de não têlo homologado. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, quando já não mais teria espontaneidade para retificar a DCTF1,o requerente, enquanto manifestante, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do PAF, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008, apresentando, não apenas as alegações que fez, vazias, pois desacompanhadas de qualquer embasamento documental, mas de documentação contábilfiscal idônea e hábil para demonstrar o erro cometido e afastar o atributo de irretratabilidade da confissão feita na DCTF. O que o recorrente – e o relator também não pode esperar é que a autoridade fiscal suplemente a sua vontade e o intime a tanto. Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação 1 Súmula CARF No. 33 A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 6 impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10865.903787/200993 Acórdão n.º 3803003.174 S3TE03 Fl. 108 7 Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito; sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. É certo que as normas acima transcritas prevêem a realização de diligências, por parte da autoridade fiscal, destinadas à verificação da exatidão das informações trazidas pelos contribuintes, mas é preciso ter em conta que tal previsão não existe com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante; em outras palavras, as diligências servem para esclarecer pontos duvidosos específicos, e não para que a autoridade fiscal, diante da falta de comprovação da existência do crédito, supra tal omissão do contribuinte. No caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. Em regra, portanto, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas, não lhe sendo lícito simplesmente juntar uma massa de documentos ao processo, sem indicação individualizada de a quais registros se referem. A atividade de "provar" não se limita, no mais das vezes, a simplesmente juntar documentos aos autos; nos casos em que se tem inúmeros registros associados a inúmeros documentos, provar significa associar registros e documentos de forma individualizada, do mesmo modo que, no caso das provas indiciárias, exigese a contextualização dos fatos por via do cruzamento dos indícios. Não é tarefa do julgador contextualizar os elementos de prova trazidos pelo contribuinte no caso de um pedido de restituição, compensação ou ressarcimento, tanto quanto não é contextualizar os elementos de prova trazidos pela autoridade fiscal no âmbito de um lançamento de oficio. Quem acusa deve provar, contextualizando os elementos de prova que evidenciam a infração; da mesma forma, quem pleiteia repetição deve provar a existência do direito creditório, contextualizando os elementos de prova que evidenciam o indébito. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas Fl. 111DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 8 questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Dentro deste quadro, percebese que quando a Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, acima parcialmente transcrita, prevê a "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas", não está querendo dizer que, diante de qualquer pleito repetitório apresentado, deve a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado. O que o ato legal quer dizer, e isto sim, é que, apresentado o pedido e constatado que o contribuinte demonstrou, por documentos e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais (natureza da operação em um ou outro registro, falta de clareza de algum documento ou registro etc.), demandar por diligências para dirimir tais dúvidas. Por certo que o ato legal não quer, com a previsão da realização das diligências, transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao contribuinte no caso dos pedidos de repetição de indébito. E é isso que ocorreria, por exemplo, se fossem promovidas diligências no caso, por exemplo, em que o contribuinte, junto com seu pleito, nada aporta aos autos além de suas alegações, ou traz apenas uma listagem genérica de créditos e uma massa de documentos fiscais sem vinculação recíproca; neste caso, a promoção das diligências estaria suprindo, irregularmente, a omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10865.903787/200993 Acórdão n.º 3803003.174 S3TE03 Fl. 109 9 No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 10 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. O recorrente poderia objetar que, dada sistemática declaratória atual do procedimento de compensação, não lhe foi oportunizada a comprovação do crédito, originado do pagamento indevido. Objeção improcedente. Bastaria que o contribuinte, prévia e espontaneamente, retificasse a DCTF respectiva, conforme lhe autorizava o art. 10 da Instrução Normativa SRF no 482, de 21 de dezembro de 2004, então vigente, e o próprio processamento eletrônico do PER/Dcomp lhe deferiria o crédito pleiteado, transferindo para o Fisco o ônus da posterior verificação do seu procedimento. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, quando já não mais teria espontaneidade para retificar a DCTF,o requerente, enquanto manifestante, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 2008. O recorrente, contudo, limitouse a apresentar planilha de bases de cálculo, sem o necessário lastro na sua escrita contábil e em documentação idônea e hábil para atestar a liquidez e a certeza do crédito oposta na compensação declarada. Nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 17 de julho de 2012 Alexandre Kern Fl. 114DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI
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