Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,966)
- Primeira Turma Ordinária (16,488)
- Primeira Turma Ordinária (16,437)
- Primeira Turma Ordinária (16,296)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,534)
- Primeira Turma Ordinária (13,106)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,532)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,725)
- Terceira Câmara (68,203)
- Segunda Câmara (57,034)
- Primeira Câmara (21,275)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,877)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (127,959)
- Segunda Seção de Julgamen (115,716)
- Primeira Seção de Julgame (77,508)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,120)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,472)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,545)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,896)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- WILDERSON BOTTO (2,674)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,654)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,655)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (19,010)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 16095.000513/2008-12
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2005
CESTA BÁSICA. PAGAMENTO. PECÚNIA.
INCIDÊNCIA.TRIBUTO.VIOLAÇÃO LEGAL.
O pagamento de cesta básica para ser excluído da incidência da contribuição social previdenciária precisa ser feito in natura, conforme previsão legal, caso contrário, haverá a incidência do tributo.
VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. CRÉDITO EM CONTA CORRENTE. CARÁTER NÃO SALARIAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO N 478.410/SP. UNANIMIDADE DE VOTOS. CONTROLE DIFUSO. TEORIA DA TRANSCENDÊNCIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES. EFEITOS ERGA OMNES. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO.
O vale-transporte pago em pecúnia, mediante crédito na conta corrente dos segurados, não afeta a natureza jurídica de ser não salarial, segundo entendimento proferido no Recurso Extraordinário n 478.410/SP por unanimidade de votos.
Sendo o recurso extraordinário instrumento de apreciação da
constitucionalidade pela via difusa, há de se prevalecer a corrente que defende a Teoria da Transcendência dos Motivos Determinantes, a qual admite que a decisão proferida nessa modalidade de controle tenha efeitos erga omnes, hipótese em que a contribuição previdenciária não incidirá sobre a verba.
AJUDA DE CUSTO E INDENIZAÇÃO. REQUISITO. PAGAMENTO. PARCELA ÚNICA. NÃO CONSTATAÇÃO.
O valor pago a título de ajuda de custo, para que seja excluído da incidência tributária, deverá ser pago em única parcela, o que não foi constatado.
UTILIDADES. PAGAMENTO HABITUAL. INTEGRA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
As utilidades pagas aos empregados, quando pagas habitualmente, integra o salário de contribuição, vindo a sofrer incidência das contribuições sociais previdenciárias.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.785
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35, caput, da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao
contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora, e vencido o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto na questão da tributação do PAT pago em pecúnia.
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 09 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201109
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2005 CESTA BÁSICA. PAGAMENTO. PECÚNIA. INCIDÊNCIA.TRIBUTO.VIOLAÇÃO LEGAL. O pagamento de cesta básica para ser excluído da incidência da contribuição social previdenciária precisa ser feito in natura, conforme previsão legal, caso contrário, haverá a incidência do tributo. VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. CRÉDITO EM CONTA CORRENTE. CARÁTER NÃO SALARIAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO N 478.410/SP. UNANIMIDADE DE VOTOS. CONTROLE DIFUSO. TEORIA DA TRANSCENDÊNCIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES. EFEITOS ERGA OMNES. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. O vale-transporte pago em pecúnia, mediante crédito na conta corrente dos segurados, não afeta a natureza jurídica de ser não salarial, segundo entendimento proferido no Recurso Extraordinário n 478.410/SP por unanimidade de votos. Sendo o recurso extraordinário instrumento de apreciação da constitucionalidade pela via difusa, há de se prevalecer a corrente que defende a Teoria da Transcendência dos Motivos Determinantes, a qual admite que a decisão proferida nessa modalidade de controle tenha efeitos erga omnes, hipótese em que a contribuição previdenciária não incidirá sobre a verba. AJUDA DE CUSTO E INDENIZAÇÃO. REQUISITO. PAGAMENTO. PARCELA ÚNICA. NÃO CONSTATAÇÃO. O valor pago a título de ajuda de custo, para que seja excluído da incidência tributária, deverá ser pago em única parcela, o que não foi constatado. UTILIDADES. PAGAMENTO HABITUAL. INTEGRA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. As utilidades pagas aos empregados, quando pagas habitualmente, integra o salário de contribuição, vindo a sofrer incidência das contribuições sociais previdenciárias. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 16095.000513/2008-12
anomes_publicacao_s : 201109
conteudo_id_s : 4894816
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-000.785
nome_arquivo_s : 2403000785_16095000513200812_201109.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 16095000513200812_4894816.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35, caput, da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora, e vencido o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto na questão da tributação do PAT pago em pecúnia.
dt_sessao_tdt : Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
id : 4745518
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 09 09:55:42 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1729624173906493440
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2144; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 178 1 177 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16095.000513/200812 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 2403000.785 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 30 de setembro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente LINCOLN ELETRIC DO BRASIL IND. E COM. LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2005 CESTA BÁSICA. PAGAMENTO. PECÚNIA. INCIDÊNCIA.TRIBUTO.VIOLAÇÃO LEGAL. O pagamento de cesta básica para ser excluído da incidência da contribuição social previdenciária precisa ser feito in natura, conforme previsão legal, caso contrário, haverá a incidência do tributo. VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. CRÉDITO EM CONTA CORRENTE. CARÁTER NÃO SALARIAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO N 478.410/SP. UNANIMIDADE DE VOTOS. CONTROLE DIFUSO. TEORIA DA TRANSCENDÊNCIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES. EFEITOS ERGA OMNES. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. O valetransporte pago em pecúnia, mediante crédito na conta corrente dos segurados, não afeta a natureza jurídica de ser não salarial, segundo entendimento proferido no Recurso Extraordinário n 478.410/SP por unanimidade de votos. Sendo o recurso extraordinário instrumento de apreciação da constitucionalidade pela via difusa, há de se prevalecer a corrente que defende a Teoria da Transcendência dos Motivos Determinantes, a qual admite que a decisão proferida nessa modalidade de controle tenha efeitos erga omnes, hipótese em que a contribuição previdenciária não incidirá sobre a verba. AJUDA DE CUSTO E INDENIZAÇÃO. REQUISITO. PAGAMENTO. PARCELA ÚNICA. NÃO CONSTATAÇÃO. O valor pago a título de ajuda de custo, para que seja excluído da incidência tributária, deverá ser pago em única parcela, o que não foi constatado. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 UTILIDADES. PAGAMENTO HABITUAL. INTEGRA. SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO. As utilidades pagas aos empregados, quando pagas habitualmente, integra o saláriodecontribuicão, vindo a sofrer incidência das contribuições sociais previdenciárias. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35, caput, da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora, e vencido o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto na questão da tributação do PAT pago em pecúnia. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16095.000513/200812 Acórdão n.º 2403000.785 S2C4T3 Fl. 179 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado às fls.516 a 536 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas/SP (fls.503 a 509) que julgou PROCEDENTE o lançamento constante no Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP n° 37.182.7043 no valor consolidado em 01/09/2008 de R$ 170.573,21 (cento e setenta mil, quinhentos e setenta e três reais e vinte e um centavos). Segundo o relatório fiscal às fls. 117 a 121, a cobrança referese à contribuição social a cargo da empresa, referente a terceiros não conveniados: Sebrae, Sesi, Senai, Incra e Sal. Educação, incidentes sobre parcelas de cunho remuneratório e que não foram recolhidas. Ainda consoante as informações do relatório, a fiscalização dividiu as parcelas integrantes da base de cálculo da contribuição social previdenciária em levantamentos, sobre as quais foi feita a constituição do crédito tributário com o lançamento do auto de infração de obrigação principal n° 37.182.7043. Vejamos: Levantamentos: Período do Levantamento: 1) DFP – Divergência FP x GFIP 12/2003 a 10/2005 2) CBS – Cesta Básica 09/2003 a 12/2005 3) VTR – Vale Transporte 09/2003 a 12/2005 4) GNV – Gerente Nacional de Vendas 09/2003 a 12/2005 5)PED – Patrick Educação 09/2003 a 12/2005 6) PMO – Patrick Moradia 09/2003 a 12/2005 7) PRE – Patrick Remuneração 09/2003 a 12/2005 8) PSW – Patrick Shawn Wahlen 09/2003 a 12/2005 9) RUB – Rubricas 109 e 192 06/2004 a 04/2005 10) MJS – Matthew Jay Shannon 06/2005 a 12/2005 Desta autuação, a recorrente apresentou impugnação às fls. 132 a 157 alegando em síntese: Preliminarmente: Que a empresa checou os lançamentos realizados e efetuou o pagamento e retificação de seus arquivos digitais dos levantamentos; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Que a defesa referese exclusivamente aos valores relacionados às rubricas mencionadas que a empresa entende não ser devidos, conforme os fatos e argumentos que se apresentam a seguir; Os pagamentos e correções efetuadas e a revelação parcial do valor do presente auto de infração. No Mérito: Não merece ser acolhido o entendimento da fiscalização, uma vez que o fornecimento do valor relativo à cesta básica a poucos segurados não foi uma prática usual da empresa, e sim uma medida emergencial tomada de forma a não prejudicar determinados trabalhadores; Destacou que existem muitos trabalhadores que também contam com os produtos da cesta básica fornecida para o sustento de sua família, e caso a empresa adotasse o entendimento da fiscalização, tais trabalhadores não poderiam se valer da ajuda recebida, reiterase, mais uma vez, que para todos os demais empregados da empresa, a concessão da cesta básica é feita in natura; Ressaltou que a intenção, ao conceder os valestransporte, foi auxiliar os seus trabalhadores, que estavam encontrando diversos problemas na utilização dos cartões eletrônicos, e por muitas vezes, tiveram que custear o valor das passagens; Frisou que necessitou realizar um inventário em toda a empresa, o que demandou o trabalho de alguns empregados; Salientou que a regra de incidência do art. 22 , I e 28, I, da Lei 8.212/91, tem como elementos essenciais que haja o pagamento de remuneração e que tal pagamento seja por serviços prestados ou tempo à disposição do empregador; Considerando que a natureza indenizatória da totalidade das verbas presentes na conta contábil em debate, merece ser anulado o auto de infração ora analisado. Por fim, requereu o recebimento da peça de impugnação para que fossem deduzidos do montante total da autuação, os valores das contribuições relacionadas a lançamentos que a empresa reputou como efetivamente devidos e também, que fosse acolhido a defesa apresentada, julgandose improcedente a exigência fiscal para o fim de determinar o cancelamento e arquivamento do auto de infração, dispensandose os valores exigidos, declarandoo nulo, protestando, por fim, pela produção de provas e juntada de documentos. Instada a manifestarse acerca da impugnação, a 9 Turma da DRJ/CPS CampinasSP proferiu acórdão (n° 0524.712) nos seguintes termos: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2003 a 30/11/2005 LANÇAMENTO FISCAL. CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS TERCEIROS. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16095.000513/200812 Acórdão n.º 2403000.785 S2C4T3 Fl. 180 5 A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições a seu cargo devidas aos Terceiros, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados. VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA. É vedado o fornecimento de vale transporte em pecúnia. HABITAÇÃO.INCIDÊNCIA. O pagamento de aluguéis só estará excluído do salário de contribuição quando fornecido pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada. ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA. Somente deixa de integrar o salário de contribuição, a parcela in natura recebida de acordo com programa de alimentação aprovado pelo PAT. Lançamento Procedente. Irresignada com a decisão supra, a recorrente interpôs recurso voluntário às fls.516 a 536, no qual ratificou todos os argumentos expendidos na impugnação, requerendo o recebimento do recurso apresentado, bem como o seu acolhimento, que culminaria no cancelamento do auto de infração n 37.182.7043. Requereu ainda que fossem deduzidos do montante integral os valores com recolhimento já efetuado. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO: O recurso voluntário foi interposto tempestivamente (fls.516 a 536). Acontece que à época da discussão do crédito, exigiase do sujeito passivo que quisesse recorrer ao Contencioso Administrativo Federal o depósito de 30% (trinta por cento) equivalente ao crédito exigido. Todavia, a recorrente informou que não realizou o depósito exigido com base na Medida Provisória n 413/08, que trouxe em seu art.19 a revogação dos parágrafos 1 e 2 do artigo 126 da Lei n 8.213/91, o qual previa referida exigência, trazendo ainda o entendimento da PGFN e do Supremo Tribunal Federal no sentido de afastar o depósito de 30% (trinta por cento), a fim de fundamentar seus argumentos e rogar pelo conhecimento do recurso. Cabe, portanto, destacar que não mais se exige a comprovação do depósito recursal como requisito de admissibilidade para a discussão de matéria no âmbito administrativo, tendo sido este o entendimento já firmado pelo Supremo Tribunal Federal ao editar a Súmula Vinculante nº. 21, que passa a vincular a administração pública, nos termos do art.103A da Constituição Federal: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Impendese ainda colacionar o teor do verbete sumular: Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Portanto, conheço a admissibilidade do presente recurso e passo a analisar as questões relevantes para a resolução da lide tributária. DA PRELIMINAR: I – DA ALEGAÇÃO DOS PAGAMENTOS E CORREÇÕES EFETUADOS: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16095.000513/200812 Acórdão n.º 2403000.785 S2C4T3 Fl. 181 7 A recorrente afirma ter apresentado a documentação comprobatória que poderá regularizar as alegadas divergências entre a Folha de Pagamento e a GFIP entre o período de 12/2003 a 10/2005. Todavia, vale salientar que o órgão julgador de 1 instância já analisou os argumentos da recorrente e tais valores já foram considerados na somatória de cada competência através do relatório RADA – Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados. DO MÉRITO: I – DA CESTA BÁSICA: Dentre os levantamentos considerados pela fiscalização, está o“CBS” – Cesta Básica relativo ao período 09/2003 a 12/2005. Com relação aos valores pagos aos segurados a título de cesta básica, destaca o relatório fiscal que tal prática, não obstante ser realizada por empresa inscrita no PAT – Programa de Alimentação ao Trabalhador, é feita com o pagamento em pecúnia, o que permite a incidência da contribuição social previdenciária pelos motivos abaixo demonstrados. Sobre essa forma de remuneração, dispõe a Lei n 8.212/91, em seu art.28, que não fará parte do salário de contribuição a parcela in natura paga de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, in verbis: Art.28 – (...) (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Pelo transcrito, percebese que é imprescindível que a alimentação seja fornecida in natura, sendo esse inclusive o entendimento de nosso Superior Tribunal de Justiça, vejamos: RESP n 895.146/CE (2006/02298426) EMENTA TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. PARCELAS PAGAS EM PECÚNIA, EM CARÁTER HABITUAL E REMUNERATÓRIO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 1.Recurso especial interposto pelo INSS contra acórdão proferido pelo TRF da 5ª Região segundo o qual: "A ajuda alimentação, paga pelo Banco do Brasil, mediante crédito em contacorrente, aos seus empregados, não configura salário in natura, e sim, salário, sobre o qual incidirá desconto de contribuição previdenciária, nos temos do Regulamento do Custeio da Previdência Social. " 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento in natura do auxílioalimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. 3. Na espécie, as parcelas referentes à ajudaalimentação foram pagas em pecúnia, em caráter habitual e remuneratório, mediante depósito em contacorrente dos respectivos valores, integrando, assim, a base de cálculo da contribuição previdenciária. 4. Precedentes: REsp nº 433230/RS; REsp nº 447766/RS; REsp nº 330003/CE; REsp nº 320185/RS; REsp nº 180567/CE; REsp nº 163962/RS; REsp nº 199742/PR; REsp nº 112209/RS; REsp n º 85306/DF e EREsp 603509/CE. 5. Recurso especial nãoprovido. (STJ, RESP n 895.146/CE, 1 Turma, Min. Relator José Delgado, D.O.U de 19/04/2007). Destacouse. A decisão supra ressaltou que somente o fornecimento da alimentação in natura é capaz de afastar a incidência da contribuição social previdenciária, destacando ainda que as parcelas fornecidas em pecúnia integram a base de cálculo do referido tributo. Desse modo, verificase que a atitude da empresa foge à regra legal que afasta a tributação sobre esse verba, considerando o pagamento em pecúnia e de modo habitual (09/2003 a 11/2005), motivo pelo qual entendo pela manutenção da cobrança com relação à essa parcela. II – DO VALOR PAGO A TÍTULO DE VALE TRANSPORTE: A recorrente afirma ainda que os valores pagos aos segurados a título de vale transporte em dinheiro não integraria a base de calculo das contribuições sociais previdenciárias, tendo em vista que tal conduta não descaracteriza a natureza não salarial da parcela. Afirma ainda que não obstante a legislação regente determinar que o benefício seja oferecido exclusivamente através de vales, sendo vedada a antecipação em dinheiro, a realidade mostrase diferente. No caso em tela, a recorrente efetuou o pagamento do benefício de vale transporte aos seus funcionários mediante crédito na conta corrente, o que pode impossibilitar a exclusão desta parcela da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias de acordo com o previsto no art.28, § 9º da Lei n 8.212/91. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16095.000513/200812 Acórdão n.º 2403000.785 S2C4T3 Fl. 182 9 Art.28 – (...) (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; Pelo exposto, só há exclusão se o valetransporte for pago em acordo com a legislação própria, vejamos os instrumentos normativos que tratam dessa parcela: Lei n 7.418/85: Art. 4º A concessão do benefício ora instituído implica a aquisição pelo empregador dos ValesTransporte necessários aos deslocamentos do trabalhador no percurso residência trabalho e viceversa, no serviço de transporte que melhor se adequar. Decreto n 95.247/87: Art. 5° É vedado ao empregador substituir o ValeTransporte por antecipação em dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo. Parágrafo único. No caso de falta ou insuficiência de estoque de ValeTransporte, necessário ao atendimento da demanda e ao funcionamento do sistema, o beneficiário será ressarcido pelo empregador, na folha de pagamento imediata, da parcela correspondente, quando tiver efetuado, por conta própria, a despesa para seu deslocamento. Pelo transcrito, caso o empregador não adquira os valestransporte necessários aos deslocamentos de seus trabalhadores, distribuindoos posteriormente, e, ao invés disso, pagar os vales em pecúnia, a contribuição social previdenciária incidirá sobre tal parcela, haja vista o não cumprimento de exigência legal. Ressaltese que há uma ressalva para que a contribuição não incida sobre as parcelas pagas aos segurados a título de valetransporte, que é a hipótese de faltar ou estiver insuficiente o estoque de valestransporte. Todavia, devese analisar que a realidade mostrase diferente, pois, nos dias atuais, é difícil encontrar uma empresa que forneça valestransporte em espécie, até mesmo pela facilidade que se tem de creditar o valor relativo aos vales em contacorrente. Lembrese que o Decreto 95.247, que regulamente tal benefício, é de 17 de novembro de 1985, época em que a dinâmica empresarial era outra. Além disso, cabe trazer à baila uma decisão da Corte Suprema (Recurso Extraordinário n 478.410/SP) que admite a exclusão da parcela paga em dinheiro a título de valetransporte da base de cálculo da contribuição previdenciária, vejamos: Fl. 9DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1.Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.(STF, RE 478.410/SP, Min. Relator Eros Grau, D.O.U de 14/05/2010). Destacouse. Há de ressaltar que os efeitos de uma decisão proferida em Recurso Extraordinário, via controle difuso, são, em regra, inter partes, tendo em vista que só serão erga omnes se o Supremo Tribunal Federal comunicar ao Senado Federal acerca do que foi decidido, o qual poderá editar resolução para suspender a eficácia da norma, segundo o art.52, X, da Constituição Federal. Assim, não tendo sido a decisão do RE n 478.410/SP comunicada ao Senado Federal seus efeitos ficariam somente inter partes e seriam ex tunc. Todavia, seria um retrocesso entender dessa maneira, considerando o atual estágio que se encontra nossa sociedade e as relevantes decisões que têm o Supremo Tribunal Federal proferido e influenciado nos julgamentos dos contenciosos administrativos. Destaco que tem ganhado força e conquistado cada vez mais espaço no cenário jurídico brasileiro a Teoria da transcendência dos motivos determinantes, que Fl. 10DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16095.000513/200812 Acórdão n.º 2403000.785 S2C4T3 Fl. 183 11 consiste na possibilidade de uma decisão proferida via controle difuso, que inicialmente só seria aplicada inter partes e teria efeito ex tunc, alcançar a todos. Sobre o tema, vejamos o que disse o Ministro Gilmar Mendes no informativo do STF 454 (resumos de decisões proferidas pelo Tribunal sobre determinadas matérias): Reclamação: Cabimento e Senado Federal no Controle da Constitucionalidade 3 Aduziu que, de acordo com a doutrina tradicional, a suspensão da execução pelo Senado do ato declarado inconstitucional pelo STF seria ato político que empresta eficácia erga omnes às decisões definitivas sobre inconstitucionalidade proferidas em caso concreto. Asseverou, no entanto, que a amplitude conferida ao controle abstrato de normas e a possibilidade de se suspender, liminarmente, a eficácia de leis ou atos normativos, com eficácia geral, no contexto da CF/88, concorreram para infirmar a crença na própria justificativa do instituto da suspensão da execução do ato pelo Senado, inspirado numa concepção de separação de poderes que hoje estaria ultrapassada. Ressaltou, ademais, que ao alargar, de forma significativa, o rol de entes e órgãos legitimados a provocar o STF, no processo de controle abstrato de normas, o constituinte restringiu a amplitude do controle difuso de constitucionalidade.Rcl 4335/AC, rel. Min. Gilmar Mendes, 1º.2.2007. (Rcl4335) Reclamação: Cabimento e Senado Federal no Controle da Constitucionalidade – 4 Considerou o relator que, em razão disso, bem como da multiplicação de decisões dotadas de eficácia geral e do advento da Lei 9.882/99, alterouse de forma radical a concepção que dominava sobre a divisão de poderes, tornando comum no sistema a decisão com eficácia geral, que era excepcional sob a EC 16/65 e a CF 67/69. Salientou serem inevitáveis, portanto, as reinterpretações dos institutos vinculados ao controle incidental de inconstitucionalidade, notadamente o da exigência da maioria absoluta para declaração de inconstitucionalidade e o da suspensão de execução da lei pelo Senado Federal. Reputou ser legítimo entender que, atualmente, a fórmula relativa à suspensão de execução da lei pelo Senado há de ter simples efeito de publicidade, ou seja, se o STF, em sede de controle incidental, declarar, definitivamente, que a lei é inconstitucional, essa decisão terá efeitos gerais, fazendose a comunicação àquela Casa legislativa para que publique a decisão no Diário do Congresso. Concluiu, assim, que as decisões proferidas pelo juízo reclamado desrespeitaram a eficácia erga omnes que deve ser atribuída à decisão do STF no HC 82959/SP. Após, pediu vista o Min. Eros Grau.Rcl 4335/AC, rel. Min. Gilmar Mendes, 1º.2.2007. (Rcl4335) Desse modo, entendo que o art.52, X, da Constituição Federal, sofreu uma mutação constitucional, ao passo que a norma sofreu alteração pelo avanço da sociedade e pela mudança de interpretação do texto constitucional sem ter havido expressa modificação nesse Fl. 11DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 texto, motivo pelo qual não se faz necessário ser expedida resolução do Senado Federal que suspenda a eficácia de norma (alínea f do parágrafo 9 do art. 28 da Lei n 8.212/91), considerando que a lei admite a exclusão apenas se a verba for paga de acordo com a legislação regente, que exige ser o pagamento em vale. Sendo assim, o pagamento de valetransporte em pecúnia não altera o caráter não salarial da verba, de modo que a incidência sobre essa parcela constitui afronta total à Constituição Federal, devendo, portanto, ser afastada a cobrança do levantamento Vale Transporte. Ademais, vale destacar que a decisão do Supremo Tribunal Federal foi utilizada na presente decisão também em respeito ao Regimento Interno do CARF, que, no seu art.62, parágrafo único, determina as hipóteses que uma norma pode ser afastada sob o argumento de inconstitucionalidade, estando dentre elas a obrigatoriedade da decisão ser proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, o que foi verificado no caso em tela. III – DOS LEVANTAMENTOS AJUDA DE CUSTO (109) E INDENIZAÇÃO (192): A recorrente alega que os pagamentos identificados pelas rubricas 109 e 192 referemse a reembolso de despesas e gastos em virtude trabalho extraordinário (inventário) realizado pelos seus empregados, razão pela qual deveriam tais verbas serem consideradas de cunho indenizatório. A Lei n 8.212/91 em seu art.28, § 9º, “g” preleciona que a ajuda de custo, para ser excluída da incidência da contribuição previdenciária, deverá ser paga em uma única parcela exclusivamente para o fim de custear a mudança/adaptação de um novo local de trabalho. Art.28 (...) (...) g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; Entretanto, o pagamento dessa “ajuda” não se deu dessa forma, tendo em vista que foi verificada tal prática durante o período de 06/2004 a 04/2005, ressaltando que de 06/2004 a 01/2005 ocorreu o pagamento da “ajuda de custo” e de 02/2005 a 04/2005 o pagamento de “indenização”, motivo pelo qual há que considerar a validade da incidência tributária. IV – DOS LEVANTAMENTOS GNV, MJS, PED, PMO, PRE, PSW: Sobre todos esses levantamentos, cabe destacar que os valores neles consubstanciados têm o caráter de pagamento de utilidades a alguns empregados, as quais poderão integrarse ao salário e compor a base de cálculo da contribuição social previdenciária, então vejamos: GNV – Referese a valores reembolsados ao Gerente Nacional de Vendas: Rogério Casanova Nicolay a título de aluguel de sua residência e deslocamentos do Rio de Janeiro (residência) a São Paulo (trabalho). Fl. 12DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16095.000513/200812 Acórdão n.º 2403000.785 S2C4T3 Fl. 184 13 A Lei n 8.212/91 também prevê as hipóteses em que algumas utilidades serão excluídas da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias, tais como a habitação e o custo com deslocamento, vejamos: Art.28 (...) (...) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho. Ante o exposto, percebese que os custos com transporte e alimentação só são excluídos da tributação se o empregado contratado trabalhar em localidade distante do labor, mas, ressaltese, não é apenas a distância que autoriza a exclusão, deverá ser o local considerado canteiro de obra ou que exija deslocamento e estada. No caso em tela, a hipótese não foi comprovada. O gerente Rogério tinha sua residência no Rio de Janeiro e deslocavase a São Paulo a trabalho. Assim, não há o que se falar em exclusão dessa parcela (despesas com deslocamento e aluguel de residência) da base de cálculo pelos motivos já expostos. MJS, PED, PMO, PRE, PSW – Tais levantamentos revelam a quantidade de utilidades recebidas pelos contratados Matthew Jay Shannon e Patrick Shawn Wahlen como moradia, escolas, cursos para filhos, despesas pessoais com hospedagem e outros benefícios que eram pagos em face da função exercida por essas pessoas, ou seja, o pagamento de tais parcelas ocorria com o fito de retribuir o trabalho prestado. Destaquese que tais valores não poderão ser considerados como “ajuda de custo”para a adaptação desses empregados contratados, um no exercício da função de auditor interno (Matthew Jay Shannon) e outro ocupando o cargo de Diretor Presidente (Patrick Shawn Wahlen), tendo em vista que as benesses foram recebidas habitualmente pelos empregados, o que reveste tais parcelas de caráter remuneratório. Ademais, é notório que todas as despesas com moradia, educação, cursos para os filhos como outros só ocorrem em razão do cargo que tais pessoas ocupam, em função do trabalho por elas exercido, não sendo aceitável o argumento da recorrente em afirmar que tais valores têm o caráter indenizatório, haja vista a habitualidade no pagamento, o que também afasta a natureza jurídica de tais parcelas de serem uma ajuda de custo, já que, como exposto no tópico anterior, essa verba deve ser paga de uma única vez. Desse modo, considerando que tais verbas não poderão ser excluídas da base de cálculo da contribuição social previdenciária, mantenho a cobrança sobre tais levantamentos. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, de modo que venha a contribuição social previdenciária incidir Fl. 13DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 sobre os levantamentos apurados pela fiscalização, com exceção do levantamento VTR (09/2003 a 12/2005), devendose proceder ao recálculo da multa moratória, na forma do art.35, caput, da Lei n 8.212/91, com a redação dada pela Lei n 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000954/2008-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2007
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ABONO SALARIAL PREVISTO EM CONVENÇÃO COLETIVA. DESVINCULAÇÃO DO SALÁRIO POR LEI. INEXISTÊNCIA.
Deve integrar o salário de contribuição e ser base de cálculo para a incidência das contribuições sociais previdenciárias o abono salarial pago aos segurados empregados por força de convenção coletiva, mas não desvinculado do salário por lei em sentido formal.
ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N°. 02
Aplicação da Súmula CARF n°. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2201-009.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Debora Fofano dos Santos, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado(a)), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: Daniel Melo Mendes Bezerra
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 09 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 202112
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2007 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ABONO SALARIAL PREVISTO EM CONVENÇÃO COLETIVA. DESVINCULAÇÃO DO SALÁRIO POR LEI. INEXISTÊNCIA. Deve integrar o salário de contribuição e ser base de cálculo para a incidência das contribuições sociais previdenciárias o abono salarial pago aos segurados empregados por força de convenção coletiva, mas não desvinculado do salário por lei em sentido formal. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N°. 02 Aplicação da Súmula CARF n°. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2022
numero_processo_s : 10865.000954/2008-61
anomes_publicacao_s : 202204
conteudo_id_s : 6588036
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2201-009.473
nome_arquivo_s : Decisao_10865000954200861.PDF
ano_publicacao_s : 2022
nome_relator_s : Daniel Melo Mendes Bezerra
nome_arquivo_pdf_s : 10865000954200861_6588036.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Debora Fofano dos Santos, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado(a)), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2021
id : 9270450
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 09 09:55:50 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1729624173930610688
conteudo_txt : Metadados => date: 2022-03-30T00:50:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.7; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2019; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2022-03-30T00:50:23Z; Last-Modified: 2022-03-30T00:50:23Z; dcterms:modified: 2022-03-30T00:50:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.7; xmpMM:DocumentID: uuid:160FBCFE-393C-45EE-A737-876D4060136A; Last-Save-Date: 2022-03-30T00:50:23Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2019; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2022-03-30T00:50:23Z; meta:save-date: 2022-03-30T00:50:23Z; pdf:encrypted: true; modified: 2022-03-30T00:50:23Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2022-03-30T00:50:23Z; created: 2022-03-30T00:50:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2022-03-30T00:50:23Z; pdf:charsPerPage: 1763; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2022-03-30T00:50:23Z | Conteúdo => S2-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10865.000954/2008-61 Recurso Voluntário Acórdão nº 2201-009.473 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 01 de dezembro de 2021 Recorrente IBERIA INDUSTRIA DE EMBALAGENS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2007 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ABONO SALARIAL PREVISTO EM CONVENÇÃO COLETIVA. DESVINCULAÇÃO DO SALÁRIO POR LEI. INEXISTÊNCIA. Deve integrar o salário de contribuição e ser base de cálculo para a incidência das contribuições sociais previdenciárias o abono salarial pago aos segurados empregados por força de convenção coletiva, mas não desvinculado do salário por lei em sentido formal. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N°. 02 Aplicação da Súmula CARF n°. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Debora Fofano dos Santos, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado(a)), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 09 54 /2 00 8- 61 Fl. 485DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-009.473 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.000954/2008-61 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra decisão da DRJ que julgou o lançamento procedente em parte. Reproduzo o relatório da decisão de primeira, por bem sintetizar os fatos: Trata-se o presente processo de Auto de Infração de obrigação principal - AI/DEBCAD n° 37.152.223-4. lavrado em face do contribuinte acima identificado, referente às contribuições devidas à Seguridade Social correspondentes às partes da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho Constituíram-se em fatos geradores da contribuição os valores pagos aos empregados a título de “abono pecuniário convenção ”, apurados nas folhas de pagamento e registrados na contabilidade da empresa autuada, em período descontínuo compreendido entre as competências janeiro/2002 a janeiro/2007, verbas estas não oferecidas à tributação. O lançamento assim constituído importou em R$ 358.649,81 (Trezentos e cinqüenta e oito mil, seiscentos e quarenta e nove reais e oitenta e um centavos), consolidado em 30/05/2008. A empresa interessada apresentou impugnação tempestiva alegando, em síntese, que: i) as contribuições cujos fatos geradores remontam às competências entre 01/2002 a 06/2003 estão atingidas pela decadência, conforme recente Súmula Vinculante n° 8, que declarou inconstitucional o art. 45 da Lei n° 8.212/91, o mesmo ocorrendo com as obrigações acessórias que lhe seguiram; ii) as verbas pagas a título de “Abono Pecuniário Convenção ” estão previstas nas Convenções Coletivas da qual a autuada é signatária e nela se encontram expressamente desvinculados do salário, por serem únicas e excepcionais; sustenta sua tese dizendo que “nunca se tem certeza se nos próximos acordos haverá a sua manutenção” (destacado no original), que seu pagamento não era mensal, e que as convenções coletivas tem força para assim o dispor; busca ainda enquadrar tais pagamentos sob a égide da Lei de Custeio da Previdência Social, art. 28, § 9o, ‘e\ 7; iii) aduz por fim, que não é devida a contribuição para financiamento dos benefícios por incapacidade laborativa, seja porque não há qualquer risco no ambiente de trabalho da Impugnante, seja porque entende inconstitucional tal contribuição, não instituída por Lei Complementar e não integralmente regulamentado por sua lei instituidora. Posto nestes argumentos, requer o cancelamento do lançamento com a conseqüente extinção do crédito tributário. A DRJ julgou o lançamento procedente em parte nos termos da seguinte ementa: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. HIPÓTESE DE NÃO INCIDÊNCIA. A contribuição a cargo da empresa incide sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviço. Fl. 486DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-009.473 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.000954/2008-61 O salário de contribuição do empregado corresponde à remuneração auferida, assim entendida como sendo a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados, a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. As hipóteses de não-incidência ao salário de contribuição são aquelas arroladas em relação exaustiva no § 9o do art. 28 da Lei 8.212/91. Entende-se por abono desvinculado do salário aqueles assim expressamente previstos em Lei, PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM DECORRÊNCIA DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. Devida a contribuição de 1, 2 ou 3%, conforme a atividade preponderante da empresa ofereça risco de acidente de trabalho considerado de grau leve, médio ou grave. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. A partir da publicação da Súmula Vinculante n° 08 do STF, em 20/06/2008, que reconheceu a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, aplicam-se aos créditos previdenciários os prazos decadenciais previstos no Código Tributário Nacional. Intimado da referida decisão em 10/03/2009 (fl.459), o sujeito passivo apresentou recurso voluntário em 07/04/2009 (fls.456/472), alegando, em síntese, que: - A decadência parcial do crédito tributário, em razão da aplicação da regra inserta no art. 150, § 4º do CTN; - A não incidência da contribuição previdenciária sobre o abono pecuniário previsto em Convenção Coletiva; - A Constituição prevê que em relação a contribuição destinadas a outras entidades e fundos (terceiros) só deve haver incidência sobre a folha de salários. O abono pecuniário pago não está compreendido no conceito de salário, mas sim de remuneração. - A inconstitucionalidade das contribuições destinadas ao INCRA, Salário Educação e a inexigibilidade das contribuições ao SESI, SEBRAE e SENAI. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Fl. 487DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-009.473 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.000954/2008-61 Da Decadência A recorrente roga pleiteia o reconhecimento da decadência em maior extensão, com o fundamento de que houve antecipação do pagamento, atraindo a regra de contagem do prazo decadencial estabelecida pelo art. 150, § 4º do CTN. A ciência do lançamento se deu em 11/06/2008 (fl.46). A decisão de piso aplicou a contagem do prazo decadencial do art. 173, I, do CTN, em razão de concluir não ter havido antecipação do pagamento das contribuições objeto do lançamento. As telas dos sistemas informatizados colacionadas às fls. 442/443, do processo nº 10865.000954/2008-61, não atestam antecipação do pagamento das contribuições destinadas a outras entidades e fundos (terceiros), mas tão somente o recolhimento das contribuições previdenciárias. Assim sendo, entendo que a decisão recorrida não merece retoque quanto a este tocante. No Mérito O presente lançamento tem por escopo apurar e constituir os créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias e destinadas a terceiros não recolhidas no prazo legal estabelecido, não declaradas em GFIP - Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre o abono pecuniário pago de acordo com o estabelecido em Convenção Coletiva de Trabalho. Em que pesem os notórios esforços do redator da Convenção Coletiva de Trabalho para desvincular o abono pago aos trabalhadores da respectiva remuneração, sem nenhuma repercussão nas esferas trabalhista e tributária, o referido instrumento normativo não pode se sobrepor à lei, que é taxativa ao prevê que não integram o salário de contribuição os abonos expressamente desvinculados da remuneração por força de lei. Prevê o art. 28, § 9º, “e”, 7, da Lei nº 8.212/91: Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: (...) § 9º Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário. Verifica-se, pois, que o abono recebido pelos empregados da recorrente não se enquadra em nenhuma das condições estabelecidas no supra citado item 7 da legislação de regência. Não é um ganho eventual, eis que se repetiu em vários anos consecutivos, nem é desvinculado da remuneração, diante da ausência de lei nesse sentido. Fl. 488DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-009.473 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.000954/2008-61 De outro lado, o abono não pode ser considerado como uma ajuda de custo isenta da tributação, vez que que não visa custear despesas com a mudança do local de trabalho do empregado, hipótese prevista na alínea “g” do citado dispositivo legal. Por fim, deve ser ressaltado que a folha de salários utilizada para o lançamento da contribuição destinada a terceiros, que, por força de lei, utiliza a mesma base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias, é a integralidade dos proventos recebidos pelo empregado que não se enquadram nas exceções previstas no art. 28, § 9º e incisos da Lei nº 8.212/91. Assim sendo, não assiste razão ao sujeito passivo. Da Alegação de Inconstitucionalidade de Normas Vigentes O recorrente baseou integralmente o seu recurso na afronta a normas e princípios constitucionais. No que pertine às alegações de inconstitucionalidade de lei válida, vigente e eficaz não cabe manifestação desse colegiado. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula CARF n° 02: Súmula CARF n°. 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. A autoridade administrativa é vinculada à legalidade estrita, seja nos termos da Lei 8.112 de 1990, em seu artigo 116, III, seja pelo artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015. Assim, a partir do momento em que a norma é inserida em nosso sistema legislativo, é obrigação da autoridade administrativa a sua aplicação, não cabendo ao julgador administrativo expressar seu juízo de valor por eventuais injustiças que esta norma tenha causado, papel este incumbido aos tribunais competentes. A hipótese colocada, sem dúvida alguma, configura aquela situação prevista na Súmula CARF n° 02 supra transcrita. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 489DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-009.473 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.000954/2008-61 Fl. 490DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10380.017769/2008-59
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2004
Ementa:
A atividade de vistoria, instalação, manutenção e reparação de equipamentos de comunicação depende de habilitação profissional pelo órgão competente (engenheiro), sendo vedada a sua inclusão no Simples, nos termos do art. 9°, inciso XIII da Lei n° 9.317/96.
Numero da decisão: 1802-001.142
Decisão: acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Sat Apr 09 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201203
ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2004 Ementa: A atividade de vistoria, instalação, manutenção e reparação de equipamentos de comunicação depende de habilitação profissional pelo órgão competente (engenheiro), sendo vedada a sua inclusão no Simples, nos termos do art. 9°, inciso XIII da Lei n° 9.317/96.
numero_processo_s : 10380.017769/2008-59
conteudo_id_s : 6587893
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1802-001.142
nome_arquivo_s : 1802001142_10380017769200859_201203.pdf
nome_relator_s : MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10380017769200859_6587893.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
id : 6901944
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 09 09:55:44 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1729624173934804992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1452; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 88 1 87 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.017769/200859 Recurso nº 344.868 Voluntário Acórdão nº 180201.142 – 2ª Turma Especial Sessão de 14 de março de 2012 Matéria SIMPLES Recorrente Jose Anchieta Magalhaes Moreira ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 Ementa: A atividade de vistoria, instalação, manutenção e reparação de equipamentos de comunicação depende de habilitação profissional pelo órgão competente (engenheiro), sendo vedada a sua inclusão no Simples, nos termos do art. 9°, inciso XIII da Lei n° 9.317/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10380.017769/200859 Acórdão n.º 180201.142 S1TE02 Fl. 89 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, (Presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Jose de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10380.017769/200859 Acórdão n.º 180201.142 S1TE02 Fl. 90 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza – CE (DRJCE) que, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação da ora Recorrente e manteve a empresa excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples, conforme Ato Declaratório Executivo DRF/FOR nº 069/2008. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte acima qualificado contra o Ato Declaratório de Executivo DRF/FOR n° 069, de 03/11/2008, que declarou excluída a empresa do Sistema Simples de que trata a Lei n° 9.317/96, em face de exercer atividade cuja natureza jurídica é impeditiva, ou seja, que preste serviços de reparação e manutenção de equipamentos de comunicação, conforme consta da Representação Fiscal contida no presente processo administrativo (fls. 01/02), e no ADE em apreço (fls. 53) 2. Fundamentação Legal: Art. 9º; inciso XIII, c/c o art. 15, inciso II, da Lei n° 9.317/96 (fls. 53). 3. Inconformado com a exclusão do referido sistema, do qual tomou ciência em 13/11/2008, conforme assinatura aposta no próprio ADE em apreço (fls. 55/56), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 04/12/2008 (fls. 57/59), conforme despachos próprios do SecatDRF/Fortaleza/CE (fls. 62/63). Alega, em síntese, que: 3.1 — a empresa tem como atividade principal o conserto de equipamentos de comunicação, enquadrandose, portanto, na Lei n° 9.317/96, uma vez que a mesma não veda nos termos de seu art. 9°, inciso XIII, tal atividade de optar por esta sistemática de tributação; 3.2 — a atividade excluída não necessita de habilitação profissional legalmente exigida, no caso em questão, pelo CREA — Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura, através de um engenheiro, podendo ser exercida por técnicos do 2° grau; 3.3 o ADE expedido pela SRF afronta frontalmente o art. 179 da Constituição Federal, segundo o qual às microempresas e empresas de pequeno porte deverão, pelos entes políticos da Federação (União, Estados, DF e Municípios), ser dispensado tratamento jurídico diferenciado, com o propósito de incentivá las pela simplificação de suas obrigações administrativas, Fl. 90DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10380.017769/200859 Acórdão n.º 180201.142 S1TE02 Fl. 91 4 tributárias, previdenciárias e creditícias, ou por eliminação ou redução destas obrigações por meio de lei; 3.4 – o intuito do legislador constituinte originário foi o de conferir a maior desburocratização do processo de incentivo ao empreendedorismo, criando, assim, maior número de empregos e gerando novas formas de custeio. Todavia, o que se vê é um rigor exagerado com a empresa, dado que, ao contrário,deveria estar sendo beneficiada; 3.5 – questiona, também os efeitos do ato de exclusão do Simples, pois, à luz do art. 150, inciso III, alínea "a", da CF/88, os efeitos do referido ADE não poderia retroagir, por ferir o princípio da irretroatividade tributária; 3.6 – argúi ainda que o próprio art. 15, inciso II, da Lei n° 9.317/96, que trata dos efeitos da exclusão, esta deve se verificar a partir do mês subseqüente ao em que ocorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9º, da referida Lei. Assim, não pode admitir que o mês em que ocorreu a situação excludente não seja outro, senão aquele em que recebeu a notificação do Ato Declaratório Executivo; 3.7 – nesse sentido, cabe à SRF a apuração e fiscalização das opções de ingresso no SIMPLES, e não pode o contribuinte ser penalizado por essa omissão, cinco anos depois, considerando se, ademais, que o contribuinte é a parte hipossuficiente da relação, sendo o Fisco o detentor de todo o aparato tecnológico e humano para verificar tais situações, afastando, de plano, qualquer tentativa de utilização de máfé do SIMPLES de sua parte, eis que a máfé deve ser provada; 3.8 – conclui, portanto, que o ADE em apreço possui duas ilegalidades que devem ser combatidas de duas formas, as saber: a) em primeiro lugar, a própria exclusão de atividade que não necessita de profissão legalmente habilitada; e b) mesmo que se opere a referida exclusão, esta devese dar a partir da notificação, não podendo, assim, retroagir; 3.9 – ante o exposto, requer seja deferida sua solicitação de revisão da exclusão do SIMPLES, que a notificação seja cancelada, permanecendo a empresa sob a forma de tributação da forma como foi concebida, tendo em vista que a mesma não se enquadra em nenhum dispositivo legal impeditivo de optar pelo SIMPLES, requerendo ao final que lhe seja deferida a produção de todos os meios de prova admitidos em Direito, especialmente as provas documentais, contábeis e periciais, tudo de acordo com a lei. É o Relatório.” A DRJCE indeferiu a solicitação da ora Recorrente através do Acórdão n° 0814.751 de 30 de janeiro de 2009, conforme ementa transcrita abaixo: Fl. 91DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10380.017769/200859 Acórdão n.º 180201.142 S1TE02 Fl. 92 5 “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES. Anocalendário: 2004 Constatandose, nos autos, que a pessoa jurídica embora constando como empresa optante do Simples exerceu de fato e de direito no anocalendário de 2004, atividade econômica apontada nos seus atos constitutivos como vedada de optar pelo sistema simplificado de tributação de que trata a Lei n° 9.317/96, deve ser mantido o ADE que a excluiu do SIMPLES. Solicitação Indeferida” Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário no qual aduziu, em síntese, os seguintes argumentos: a) Tratase de uma microempresa a qual deve ser dado todo o amparo e suporte pelos órgãos públicos da União, a fim de que a mesma sobreviva no mercado altamente competitivo; b) A prestação de serviços de manutenção e reparação de equipamentos de telecomunicações não necessita da presença ou supervisão de engenheiro, uma vez que tais serviços são executados por técnico responsável da empresa e registrado no CREACE; c) Os serviços técnicos de reparação e manutenção em comunicação podem ser executados por empresa, fato este que por si só afasta a privatividade do engenheiro; d) Por estar devidamente cadastrada e registrada no CREACE pode realizar as atividades constantes no objeto empresarial de acordo com a Certidão de Registro e Quitação de Pessoa Jurídica fornecida pelo CREACE; f) As atividades desenvolvidas não dependem de habilitação profissional de engenheiro. É o relatório, passo a decidir. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10380.017769/200859 Acórdão n.º 180201.142 S1TE02 Fl. 93 6 Voto Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A exclusão da Recorrente do Simples se deu considerandose a hipótese prevista no art. 9°, inciso XIII da Lei n° 9.317/96, in verbis: "Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII — que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida." (grifouse) No caso em tela, a Recorrente está enquadrada na Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE 95.12600 caracterizada como empresa que presta serviço de reparação e manutenção de equipamentos de comunicação, conforme o Comprovante de Inscrição e Situação Cadastral da RFB (fls. 03). Visualizando os documentos juntados aos autos pela Recorrente, no objeto do Contrato de Prestação de Serviços da Recorrente com a Norma Serviços Técnicos Comércio e Representações Ltda. (fls. 04/09) constam as atividades de “vistoria, projeto de instalação Preliminar e Definitivo, instalação, desinstalação, remanejamento, testes, ativação de equipamentos de transmissão e serviços diversos de transmissão pela CONTRATADA nas estações Telemar e clientes Telemar no estado do Ceará”. Além disso, especificamente nas cláusulas 3.1.3 e 3.4.2 do mesmo contrato há previsão da existência de um Responsável Técnico e/ou Comercial responsável pela supervisão dos trabalhos e de seus profissionais, orientando seu pessoal na execução de trabalhos menos complexos. Também foi juntados aos autos outro Contrato de Prestação de Serviços, este celebrado entre a Telemar Norte Leste S/A e José Anchieta Magalhães Moreira – ME que estipula as condições para a execução de serviços de implantação de STFC, via tecnologia WLL. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10380.017769/200859 Acórdão n.º 180201.142 S1TE02 Fl. 94 7 Importante citar que na cláusula de obrigações, a Contratada, aqui Recorrente, se compromete a apresentar a ART – Anotação de Responsabilidade Técnica do Projeto e/ou Obra, devidamente emitida junto ao CREA. Constatase ainda que pelo artigo 1º da Lei 5.194/66 a profissão de engenheiro é caracterizada por atividades de interesse social que importe na realização de empreendimentos relativos aos meios de comunicação e exerce a profissão aqueles legalmente registrados nos Conselhos Regionais. Ademais, com relação às atividades e atribuições do engenheiro, o artigo 7º, da Lei acima referida prevê especificamente o seguinte: “Art. 7º As atividades e atribuições profissionais do engenheiro, do arquiteto e do engenheiroagrônomo consistem em: a) desempenho de cargos, funções e comissões em entidades estatais, paraestatais, autárquicas, de economia mista e privada; b) planejamento ou projeto, em geral, de regiões, zonas, cidades, obras, estruturas, transportes, explorações de recursos naturais e desenvolvimento da produção industrial e agropecuária; c) estudos, projetos, análises, avaliações, vistorias, perícias, pareceres e divulgação técnica; d) ensino, pesquisas, experimentação e ensaios; e) fiscalização de obras e serviços técnicos; f) direção de obras e serviços técnicos; g) execução de obras e serviços técnicos; h) produção técnica especializada, industrial ou agropecuária. Parágrafo único. Os engenheiros, arquitetos e engenheiros agrônomos poderão exercer qualquer outra atividade que, por sua natureza, se inclua no âmbito de suas profissões.” (grifou se). Por sua vez, a Resolução da CONFEA nº 218, de 1973, ao regulamentar o exercício profissional e as atividades de engenheiro, arquiteto e agrônomo, assim dispõe: Art. 1º Para efeito de fiscalização do exercício profissional correspondente às diferentes modalidades da Engenharia, Arquitetura e Agronomia em nível superior e em nível médio, ficam designadas as seguintes atividades: Atividade 01 Supervisão, coordenação e orientação técnica; Atividade 02 Estudo, planejamento, projeto e especificação; Fl. 94DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10380.017769/200859 Acórdão n.º 180201.142 S1TE02 Fl. 95 8 Atividade 03 Estudo de viabilidade técnicoeconômica; Atividade 04 Assistência, assessoria e consultoria; Atividade 05 Direção de obra e serviço técnico; Atividade 06 Vistoria, perícia, avaliação, arbitramento, laudo e parecer técnico; Atividade 07 Desempenho de cargo e função técnica; Atividade 08 Ensino, pesquisa, análise, experimentação, ensaio e divulgação técnica; extensão; Atividade 09 Elaboração de orçamento; Atividade 10 Padronização, mensuração e controle de qualidade; Atividade 11 Execução de obra e serviço técnico; Atividade 12 Fiscalização de obra e serviço técnico; Atividade 13 Produção técnica e especializada; Atividade 14 Condução de trabalho técnico; Atividade 15 Condução de equipe de instalação, montagem, operação, reparo ou manutenção; Atividade 16 Execução de instalação, montagem e reparo; Atividade 17 Operação e manutenção de equipamento e instalação; Atividade 18 Execução de desenho técnico. Art. 9º Compete ao ENGENHEIRO ELETRÔNICO ou ao ENGENHEIRO ELETRICISTA, MODALIDADE ELETRÔNICA ou ao ENGENHEIRO DE COMUNICAÇÃO: I o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 1º desta Resolução, referentes a materiais elétricos e eletrônicos; equipamentos eletrônicos em geral; sistemas de comunicação e telecomunicações; sistemas de medição e controle elétrico e eletrônico; seus serviços afins e correlatos.”(grifouse). No mesmo sentido está a Instrução Normativa SRF nº 608, de 9 de janeiro de 2006, que trata do Simples, a saber: “Art. 20. Não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica: Fl. 95DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10380.017769/200859 Acórdão n.º 180201.142 S1TE02 Fl. 96 9 XII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida;” Nos termos dos dispositivos legais acima transcritos, é vedada a opção pelo Simples no caso de prestação de serviços específicos de engenheiro e os que lhe são assemelhados, bem como na hipótese da prestação de serviços que dependam de habilitação profissional legalmente exigida. Considerando o quanto relatado pelo Recorrente em seu Recurso, bem como pelos contratos de prestação de serviços anteriormente referidos, não restam dúvidas de que a atividade desenvolvida pela ora Recorrente vinculase a profissão cujo exercício depende de habilitação legalmente exigida e, portanto, não pode ser exercida por qualquer tipo de profissional. Diferentemente do quanto faz crer, a atividade da Recorrente não se restringe ao conserto de equipamentos de comunicação, mas é muito mais abrangente como restam demonstrados pelos contratos e as Notas Fiscais de Serviços (fls. 32/50) juntadas ao Recurso, envolvendo vistoria, manutenção e instalação. De mais a mais, considerando que a Recorrente realize trabalhos mais e menos complexos, em geral, mesmo as atividades de baixa complexidade que não precisam da execução estrita de um engenheiro, mas que possam ser realizadas por profissionais técnicos e outros de suporte, estas não excluem a necessidade da vistoria e acompanhamento de um responsável, legalmente habilitado. O envolvimento de um engenheiro/responsável técnico no desenvolvimento dos trabalhos é exigido, conforme se verifica da leitura dos próprios documentos juntados pela Recorrente. Tanto isso é verdade que a parte, como pessoa física (Sr. José Anchieta Magalhães Moreira) é profissionalmente habilitado, de modo que: a) não está comprovado nos autos que a atividade da Recorrente dispensaria a necessidade de habilitação profissional, pois tanto em primeira instância como após a interposição do Recurso Voluntário não foi juntado nenhum documento adicional, além dos contratos de prestação de serviços e notas fiscais de prestação de serviços; b) não está em conformidade com o preceituado pelo Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, órgão responsável pela fiscalização e regulamentação da atividade desenvolvida pela Recorrente, que a sua atividade dispensa a necessidade de engenheiro. Em suma, fica claro que a Recorrente necessita de um responsável técnico para executar suas atividades, devendo este profissional, necessariamente, ser devidamente registrado e habilitado perante o respectivo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia CREA. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10380.017769/200859 Acórdão n.º 180201.142 S1TE02 Fl. 97 10 Sendo assim, a alegação da Recorrente não encontra qualquer embasamento legal, e muito menos junto ao órgão responsável pela regulamentação e fiscalização de suas atividades. Diante de tal contexto, é certo que a Recorrente está enquadrada na vedação preceituada pelo artigo 9°, inciso XIII da Lei n° 9.317/96. Corroborando o posicionamento aqui sustentado, destacase uma decisão em caso similar, no qual o julgador verificou junto ao órgão competente a necessidade de habilitação técnica para o desenvolvimento da atividade, aplicando a mesma hipótese de exclusão do Simples debatida nestes autos, a saber: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES. Ano calendário: 2000 SIMPLES. EXCLUSÃO, ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. SERVIÇOS DE ENGENHARIA. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS DE COMUNICAÇÃO E TELECOMUNICAÇÃO, A vedação imposta pelo inciso XIII do artigo 90 da Lei 9.317, de 1996 se aplica à pessoa jurídica que, comprovadamente, desempenhe atividades que dependam de habilitação profissional legalmente exigida. Comprovado mediante notas fiscais e contratos de prestação de serviços que a pessoa jurídica presta serviços de engenharia ou assemelhados, relativos a instalação e manutenção de equipamentos de comunicação e telecomunicação, deve o sujeito passivo ser excluído do Regime do Simples.” (CARF, 1ª Seção, Acórdão n. 140200.20, Sessão de 06 de julho de 2010). Na mesma direção estão os seguintes julgados: “SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. Está impedida de optar pelo Simples a pessoa jurídica que explora atividades de manutenção e reparos navais, por caracterizar prestação de serviço profissional de engenharia, assemelhados e de outras profissões que dependem de habilitação profissional legalmente exigida.” (CARF 1ª Seção, 1ª Turma, da 4ª Câmara, Acórdão n. 140100.430 em 26/01/2011, Publicado no DOU em: 19.05.2011) Fl. 97DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10380.017769/200859 Acórdão n.º 180201.142 S1TE02 Fl. 98 11 “CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA, INOCORRÊNCIA. Tendo sido, o ato administrativo de indeferimento de pedido de inclusão retroativa na sistemática do Simples, praticado por autoridade competente, devidamente motivado e fundamentado em Lei e atos normativos legalmente inseridos no sistema normativo, possibilitando ao contribuinte ofertar suas razões de defesa, e instaurar o contencioso administrativo, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. INGRESSO E PERMANÊNCIA NO SIMPLES . VEDAÇÃO. SERVIÇOS RELACIONADOS A ATIVIDADES DE PROFISSIONAIS LEGALMENTE HABILITADOS. É vedado o ingresso e a permanência no SIMPLES da pessoa jurídica que exerça atividades, consignadas no objeto social de seus atos constitutivos formalizados em registros públicos, que se relacionam ou se assemelhem às atividades de engenheiro, profissional que depende de habilitação exigida em lei. Recurso Voluntário Negado.” (CARF 1ª Seção, 1ª Turma Especial, Acórdão 180100.214 em 06/04/2010) (Grifouse). "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTARIO AGRAVO INTERNO – DECISÃO APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA INSCRIÇÃO NO SIMPLES – LEI 9.317/96 ART. 9º, XIII EMPRESA PRESTA SERVIÇO ASSEMELHADO AO DE ENGENHEIRO NÃO PODE OPTAR PELO SIMPLES. 1 A Agravante pretende modificar o entendimento firmado na decisão agravada, afirmando o seu direito de optar pelo SIMPLES, tendo em vista que presta serviços de REPARAÇAO, estando qualificada como sociedade diferenciada daquelas prestadoras de serviços profissionais impedidas de optar pelo referido regime, na forma prescrita no art. 9º, XIII, da Lei nº 9.317/96. 2 O Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES foi instituído pela Lei n.º 9.317/1996, com base em disposição contida no artigo 179 da Constituição Federal de 1988, que prevê tratamento diferenciado às microempresas e às empresas de pequeno porte "visando a incentiválas pela simplificação de suas obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícias, ou pela eliminação ou redução destas por meio de lei" 3 Para fazer jus ao sistema diferenciado de pagamento de tributos,deve a empresa ter receita bruta anual que não ultrapasse os limites fixados no art. 2o, incisos I e II, da Lei n.º 9.317 e, ainda, não estar incluída no inciso XIII do artigo 9o, que assim dispõe: "Art. 9o Não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica: (...);XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtos de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, Fl. 98DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10380.017769/200859 Acórdão n.º 180201.142 S1TE02 Fl. 99 12 arquiteto, físico químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistemas, advogado, psicólogo, professor (grifo nosso), jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida". 4 O Supremo Tribunal Federal, inclusive, no julgamento da ADIN n.º 16431, já se manifestou no sentido de que a exclusão do sistema do SIMPLES das sociedades civis de prestação de serviços profissionais não afronta o art. 179 da Constituição Federal de 1988, nem ao princípio constitucional da isonomia. 5 A empresa exerce atividade de reparação de equipamentos eletrônicos em geral, sendo atividade assemelhada à atividade atinente à profissão de engenheiro, sendo motivo de impedimento à sua inclusão no SIMPLES. 6 A recorrente não trouxe argumentos que alterassem o quadro descrito acima.” (TRF 2ª Região AGTAMS AGRAVO INTERNO NA AMS – 200351010294246, 3ª Turma Especializada, Data de decisão: 04/09/2007) Assim, decido pela manutenção da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza – CE por seus próprios termos. Diante de todo o exposto, voto no sentido NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente, mantendose a decisão da DRJ/CE pelos seus próprios termos. Marco Antonio Nunes Castilho (documento assinado digitalmente) Fl. 99DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10380.017769/200859 Acórdão n.º 180201.142 S1TE02 Fl. 100 13 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
score : 1.0
Numero do processo: 11128.001763/2002-28
Data da sessão: Mon Nov 16 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Nov 16 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 21/11/2001
PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
INOCORRÊNCIA. Demonstrada a desnecessidade de realização de nova
prova pericial, uma vez que o julgador está convencido de sua posição diante dos elementos já existente no processo, não há cerceamento de defesa. Ao contribuinte, no entanto, é permitida a produção de prova pericial para subsidiar sua defesa, devendo esta ser apreciada pelo julgador, mesmo que seja para preteri-la em função de outra.
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. LUPRANATE M 20 S. Diante das
informações do laudo do LABANA, da folha de dados de segurança do
material e do boletim técnico, produzido pela exportadora, o produto em tela é uma mistura à base de compostos orgânicos que, não atendendo aos requisitos do Capítulo 29 e não estando nominalmente previsto nem compreendido em posição específica, deve ser classificado na posição 3824.90.89.
MULTA ADMINISTRATIVA. ART. 526, INCISO II, DECRETO Nº 91.030/85. ATIPICIDADE A tipicidade da penalidade por infração
administrativa prevista no art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro é a ausência de Guia de Importação ou documento equivalente e não a ausência de licenciamento, posto que este, na grande maioria dos casos, é automático através do Siscomex. Ademais, no caso, a mercadoria declarada na importação é realmente aquela que foi trazida para o País, de modo que
eventual falha, defeito na descrição ou na classificação, não é motivo suficiente para considerar inválida a declaração ou a guia. Atípico, portanto, o fato que embasa a pretensão fiscal. Ademias, aliada à tipicidade fechada da norma penal, a correta descrição do produto afasta a aplicação da penalidade por falta de guia de importação prevista no art, 526, inciso II, do
Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n°. 91.030/85.
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO E IPI - VINCULADO. MULTAS DE OFÍCIO. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL - A correta descrição do produto por meio do nome comercial que consta em repositórios técnicos afasta a aplicação das penalidades de oficio, por erro de classificação fiscal, em face da aplicação do Ato Declaratório (Normativo) COSIT nº. 12/97 e Ato Declaratório (Normativo) COSIT n°. 10/97.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3101-000.287
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 09 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 200911
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 21/11/2001 PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Demonstrada a desnecessidade de realização de nova prova pericial, uma vez que o julgador está convencido de sua posição diante dos elementos já existente no processo, não há cerceamento de defesa. Ao contribuinte, no entanto, é permitida a produção de prova pericial para subsidiar sua defesa, devendo esta ser apreciada pelo julgador, mesmo que seja para preteri-la em função de outra. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. LUPRANATE M 20 S. Diante das informações do laudo do LABANA, da folha de dados de segurança do material e do boletim técnico, produzido pela exportadora, o produto em tela é uma mistura à base de compostos orgânicos que, não atendendo aos requisitos do Capítulo 29 e não estando nominalmente previsto nem compreendido em posição específica, deve ser classificado na posição 3824.90.89. MULTA ADMINISTRATIVA. ART. 526, INCISO II, DECRETO Nº 91.030/85. ATIPICIDADE A tipicidade da penalidade por infração administrativa prevista no art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro é a ausência de Guia de Importação ou documento equivalente e não a ausência de licenciamento, posto que este, na grande maioria dos casos, é automático através do Siscomex. Ademais, no caso, a mercadoria declarada na importação é realmente aquela que foi trazida para o País, de modo que eventual falha, defeito na descrição ou na classificação, não é motivo suficiente para considerar inválida a declaração ou a guia. Atípico, portanto, o fato que embasa a pretensão fiscal. Ademias, aliada à tipicidade fechada da norma penal, a correta descrição do produto afasta a aplicação da penalidade por falta de guia de importação prevista no art, 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n°. 91.030/85. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO E IPI - VINCULADO. MULTAS DE OFÍCIO. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL - A correta descrição do produto por meio do nome comercial que consta em repositórios técnicos afasta a aplicação das penalidades de oficio, por erro de classificação fiscal, em face da aplicação do Ato Declaratório (Normativo) COSIT nº. 12/97 e Ato Declaratório (Normativo) COSIT n°. 10/97. Recurso Voluntário Negado.
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 16 00:00:00 UTC 2009
numero_processo_s : 11128.001763/2002-28
anomes_publicacao_s : 200911
conteudo_id_s : 6588676
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 3101-000.287
nome_arquivo_s : 310100287_341689_11128001763200228_008.PDF
ano_publicacao_s : 2009
nome_relator_s : LUIZ ROBERTO DOMINGO
nome_arquivo_pdf_s : 11128001763200228_6588676.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Mon Nov 16 00:00:00 UTC 2009
id : 4639474
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 09 09:55:40 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1729624173944242176
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-15T10:30:33Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-15T10:30:33Z; Last-Modified: 2010-12-15T10:30:33Z; dcterms:modified: 2010-12-15T10:30:33Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:9302eb05-27c1-4b57-b7a4-e00071ff3528; Last-Save-Date: 2010-12-15T10:30:33Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-15T10:30:33Z; meta:save-date: 2010-12-15T10:30:33Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-15T10:30:33Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-15T10:30:33Z; created: 2010-12-15T10:30:33Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2010-12-15T10:30:33Z; pdf:charsPerPage: 2232; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-15T10:30:33Z | Conteúdo => 83-CITI. Fl. 186 ,fj,....1'--Á--•:. MINISTÉRIO DA FAZENDA .•:;4`.0E'' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ‘'...;g TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 11128.001763/2002-28 Recurso n" 341.689 Voluntário Acórdão n" 3101-00.287 — 1" Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 16 de novembro de 2009 Matéria II/Classificação Fiscal Recorrente BASF PLIURETANOS LTDA. Recorrida DRJ -SÃO PAULO/SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 21/11/2001 PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Demonstrada a desnecessidade de realização de nova prova pericial, uma vez que o julgador está convencido de sua posição diante dos elementos já existente no processo, não há cerceamento de defesa. Ao contribuinte, no entanto, é permitida a produção de prova pericial para subsidiar sua defesa, devendo esta ser apreciada pelo julgador, mesmo que seja para preteri-la em função de outra. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. LUPRANATE M 20 S. Diante das informações do laudo do LABANA, da folha de dados de segurança do material e do boletim técnico, produzido pela exportadora, o produto em tela é uma mistura à base de compostos orgânicos que, não atendendo aos requisitos do Capítulo 29 e não estando nominalmente previsto nem compreendido em posição específica, deve ser classificado na posição 3824.90.89. MULTA ADMINISTRATIVA. ART. 526, INCISO II, DECRETO 1\1° 91.030/85. ATIPICIDADE A tipicidade da penalidade por infração administrativa prevista no art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro é a ausência de Guia de Importação ou documento equivalente e não a ausência de licenciamento, posto que este, na grande maioria dos casos, é automático através do Siscomex. Ademais, no caso, a mercadoria declarada na importação é realmente aquela que foi trazida para o País, de modo que eventual falha, defeito na descrição ou na classificação, não é motivo suficiente para considerar inválida a declaração ou a guia. Atípico, portanto, o fato que embasa a pretensão fiscal. Ademias, aliada à tipicidade fechada da norma penal, a correta descrição do produto afasta a aplicação da penalidade por falta de guia de importação prevista no art, 526, inciso II, do -Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n°. 91.030/85. —. 7:24/ , . 4( i — IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO E IPI - VINCULADO. MULTAS DE OFÍCIO. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL - A correta descrição do produto por meio do nome comercial que consta em repositórios técnicos afasta a aplicação das penalidades de oficio, por erro de classificação fiscal, em face da aplicação do Ato Declaratório (Normativo) COSIT n". 12/97 e Ato Declaratório (Normativo) COSIT n°. 10/97. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. — Hen_aue Pinheiroforte -" I- - idente / ----.::----)--7&Luiz Roberto Dom 1,0 - Relato' EDITADO EM: 30/03/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tarásio Campeio Borges, Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa Albuquerque Valente. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela URI- São Paulo/SP, que manteve o lançamento do crédito tributário constituído no recolhimento a menor do IPI e do II, decorrente do entendimento da fiscalização de que o produto ELASTOFLEX R 23000 T não se classifica na posição 2929A090 dada pela contribuinte, uma vez que foi identificada como sendo uma mistura de reação à base de isocianatos, conforme laudo do Labana (fls. 29/33) o que tomaria correta a classificação na posição 3824.90.89.. Intimada da autuação em 10/04/02, a contribuinte se insurge oferecendo sua impugnação (fls, 44/59) em 30/04/02, escorando sua fundamentação em interpretação que faz das Regras da 1UPAC para classificação de substâncias, juntada às fls..78/81. E apresenta informações técnicas da substância em documento que fornece a seus clientes (fis.. 75 e 76).. A impugnação teve seu provimento negado, segundo ementado pela URI: ASSUNTO, IMPOSTO SOBRE IMPORTAÇÃO–li Data do fato gerador. 21/11/2001 ELASTOPLEX R23000 T O produto identificado como sendo uma mistura de reação à ---7base de Isocianatos Aromáticos, contendo 4,4 – Drisocianato de -, ....- , Processo o" I 1128.001763/2002-28 S3-C1T1 Acórdiio o.' 3101-00.287 Fl, 187 Difénihnetano, deve ser classificado no código NCM 3824 90,89, conforme elementos de prava constantes dos autos, notadamente em Laudo técnico emitido pelo Labana. Lançamento Procedente Desta decisão, o contribuinte foi intimado em 05/11/2007, oferecendo seu Recurso Voluntário em 29/11/2007, aduzindo: i) Primeiramente a recorrente — BASF POLIURETANOS LTDA., CNPI n° 30.855i91/000134 — informa ter sido incorporada pela empresa BASF SISTEMAS GRÁFICOS, CNPJ n° 29.512,332/0001-37, devendo ser anotado seu novo endereço, conforme declina às fls, 129, ii) preliminarmente, cerceamento de defesa, em razão do indeferimento do pedido de perícia técnica, lançado na impugnação, protestando, ao final, pela anulação da decisão da DRJ, bem como para que os autos sejam baixados em diligência para produção deste meio de prova, iii) no mérito, que o código 3824,90,89 da TEC tem caráter residual e genérico devendo ser aplicado código baseado em critério mais específico, assim como o fez a DI (2929.10,90), por levar em conta fundamentos técnicos mais precisos. Esta reclassificação fiscal teria contrariado o disposto pelo artigo 142 do CTN, pois é ato vinculado da Fiscalização a adoção da codificação mais exata. iv) que a classificação da posição 2929.10,90 prevê a possibilidade de se tratar de mistura de isômeros, não assistindo razão ao Fisco quando determina a alteração do código sob o fundamento de não se tratar substância pura. v) ser inaplicável a multa prevista pelo inciso II do artigo 526, pois não fez entrar no país produto diverso, em essência, do descrito na DL O fato de a DI existir e ter sido registrada, declarando produto de mesma natureza que do descrito no Laudo Oficial, torna impossível a aplicação da pena. Neste momento cita o Ato Declaratório Normativo (Josit n°12 de 21/01/1997 (fis. 142), para fundamentar sua tese; vi) que a multa quanto à classificação fiscal (MP n°2158/01 — artigo 84) é também inaplicável, primeiro porque a classificação adotada no momento do registro da DI estaria tecnicamente amparada e, segundo, porque a Medida Provisória não é veículo introdutor de norma capaz da imposição de penalidades; vii) não serem devidas as multas em razão do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados; primeiramente, quanto ao IA., é inaplicável o artigo 44 , I da Lei IV 9,430/96, pois, segundo a ADN 10/1997, estando o produto corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má-fé, por parte do declarante é inaplicável a penalidade prevista por este dispositivo; quanto ao I.P.I., sustenta a inaplicabilidade do artigo 80 da Lei 4.502/64, pois não ocorreram as hipóteses previstas por este dispositivo, já que o não recolhimento se deu em virtude de divergência quanto à classificação. viii) que são incabíveis os juros de mora, posto que o crédito ainda não se constituiu definitivamente, já que ainda se encontra sob discussão, além do fato de estar suspenso por força do inciso III do artigo 151 do CT"N. Quanto à Taxa Selic, defende acerca de sua inconstitucionalidade. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Vistos, relatados e discutidos os autos, passo a decidir. Conheço do recurso por tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. Preliminarmente, a recorrente aduz haver cerceamento de defesa, em razão do indeferimento de seu pedido de perícia técnica, alegando que este meio de prova é imprescindível para demonstrar que a substância importada está corretamente classificada. Entendo não assistir razão à recorrente, posto que a DRJ fundamentou satisfatoriamente o indeferimento da prova pericial, não sendo o caso de anulação do processo administrativo, Insta salientar, inclusive, que a contribuinte apresentou as provas que entendeu necessárias, o que se deu a partir da juntada das informações técnicas (fls. 75 e 76) e da interpretação quanto às regras definidas pela IUPAC para classificação de mercadorias (fis.78/81), sendo que as mesmas foram apreciadas pela turma julgadora da DRI, não lhe cabendo, portanto, o argumento de que teve cerceado seu direito de defesa. No mérito, a Recorrente impugna a classificação feita pelo Fisco, aduzindo que a posição 3824..90.89 não classifica corretamente a substância química importada, aduzindo ser aplicável ao caso o código 2929A 0,90, A controvérsia reside, como se sabe, na discussão acerca da classificação adotada pelas partes, de modo que, para solucionar este caso, é necessário nos debruçarmos sobre a análise do conjunto probatório carreado aos autos.. A Informação Técnica de fls. 75 e 76 não traz informações suficientes para se determinar a correta classificação da substância importada, pois não toca na discussão se o ELASTOFLEX 23000 '1 é uma substância constituição química definida ou urna mistura de substâncias, de impossível representação por fórmula molecular única; trazendo apenas informações essenciais aos usuários do produto, corno condições de armazenamento, grau de toxidade e dados que não trazem qualquer luz à lide.. Já a interpretação que junta quanto às regras de classificação de substâncias segundo a 1UPAC, apesar de tocar no tema da classificação fiscal, não se trata de laudo técnico capaz de determinar a correta descrição da substância importada, o que lhe retira a possibilidade de aclarar a questão controvertida dos autos. Quanto ao Laudo do Labana, percebe-se que as conclusões a que chega são exatas, não deixando espaço para dúvidas a respeito da natureza da substância analisada, dizendo ser impossível sua representação por fórmula estrutural/molecular única, o ue Processo o' 11128 001763/2002-28 S3-C1T1 Acórdão o " 3101-00287 F1 188 demonstra ser urna mistura de reação e não urna substância de constituição química definida (fls,31): ISOC1ANATOS POLIMÉRICOS OU PIUM são produtos obtidos a partir da reação de condensação 4,4"metilenodianilina de baixa pureza, constituída de isômeros, oligánieros, mistura de reação proveniente da condensação de Anilina com.formaldeído, e o produto resultante da sua reação com o fasfogênio (CCL.20), também é uma mistura de reação constituída de 4,4Wilsocianato de tgenilmetano, seu isônieros, IrílneraS e oligónzeros de alto peso molecular, Ou seja, não apresenta uma relação constante entre seus elementos e não pode ser representado por unia única fórmula molecular e/ou estrutural definida_, como é o caso dos compostos mgâncos de constituição química definida, cujo exemplo é o 4,4 Wiisocianato de difenilmetano puro, de fórmula molecular C15H.10 N202, sólido levemente amarelado [. Egrifamos e destacamos) Com isso, para saber se o ELASTOFLEX R 23000 T é classificável realmente da posição 2929.10.90, devemos comparar as conclusões deste laudo pericial com o que dispõe a TEC: TEC — Capítulo 29 — Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente capítulo apenas compreendem: a) os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; [-.1 Interessante também ressaltar o que determinam as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado: NESH — Capítulo 29 — Compostos de Constituição Química Definida — um composto de constituição química definida apresentado isoladamente é uma substância constituída por uma espécie molecular (covalente ou jônica, por exemplo) cuja composição é definida por unia relação constante entre seus elementos e que pode ser representada por um diaerama estrutural único. [.„] (grifamos e destacamos) Com isso, entendo não ser o caso de classificação da mercadoria na posição 2929.10,90, declarada pela Recorrente quando do registro de sua DI n°01/1133120-4, pois não estamos diante de uma substância de constituição química definida e que sequer pode ser representada por formular molecular/estrutural única. Entendo, portanto, perfeitamente classificável a substância ELASTOFLEX 23000 T na posição 3824.90,89, por ser urna mistura de reação à base de isocianatos, o que a conduz diretamente para o capítulo 38 da TEC: PRODUTOS DIVERSOS DA INDÚSTRIA QUÍMICA, Com a classificação incorreta da substância analisada, deu-se, como conseqüência, o recolhimento a menor do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos (—:1 5 -- ,7. Industrializados, restando, portanto devidos os valores apurados pelo fisco em razão desta diferença. Ademais, diante da ausência de recolhimento dos tributos, a autoridade fiscal aplicou, na forma da lei, as penalidades daí decorrentes, sendo, portanto devidas as multas de oficio lançadas com base na ausência de recolhimento do 1.1. e do UI Entenda perfeitamente cabível também a multa decorrente da classificação incorreta da substância, com base no art. 84 da MP 2.158/01, não havendo, inclusive, espaço para discussão acerca da inconstitucionalidade da aplicação de pena por meio de Medida Provisória, pois trata-se de discussão que foge da alçada de competência da esfera administrativa. Quanto à penalidade prevista pelo inciso II do artigo 526 do Decreto n" 91.030/85, temos que: Art. 526 — Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penalidades: [. — importar mercadoria sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus .financeiros ou cambiais. multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. A divergência entre as classificações adotadas pela Recorrente e pela Fiscalização não gera, automaticamente, a conclusão pela ausência de Licença de Importação para o trigo efetivamente importado, de modo que, estando ou não corretamente classificada, desde que corretamente descrita, a mercadoria obtém a licença para adentrar em território nacional. Desenvolvo meu raciocínio no sentido de identificar qual seria o bem jurídico protegido por esta penalidade. Não podemos pensar que a falta Licença de Importação seja objeto dessa proteção jurídica, pois, no mais das vezes, as importações independem de licença especial — quando o licenciamento é automático não há suporte lógico (modal deôntico) que justifique a aplicação de multa por falta de licença, daí porque uma das razões da alteração da norma para substituir a licença pela (31 ou documento equivalente. A licença de importação está diretamente relacionada a uma época em que o Estado era o guardião do mercado interno, de modo que a concorrência estrangeira era vista como a vilã da harmonia e do equilíbrio da economia interna. Hoje não é mais assim, na verdade, nos dias de hoje a Guia de Importação (GI) e a Declaração de Importação (Dl) praticamente se fundiram no Siscomex. Se a Licença não é mais motivo de tutela jurídica, poderíamos supor que a Guia de Importação ou a correspondente Declaração de Importação seriam objeto da proteção nuclear desta norma penal? -„ 6 Processo n" 11128 001763/2002-28 S3 -C1T1 Acórdão n " 3101-00.287 Fl. 189 Não haverá dúvida se o caso tratar de descaminho ou contrabando. Mas se se tratar de erro de classificação fiscal, cuja desconsideração do documento de importação exsurge dessa incompatibilidade, creio que a penalidade perde o suporte fático de incidêcia Ontologicamente a norma visava coibir a intenção do agente de internar mercadoria de forma clandestina, ou seja, é parte indissociável do tipo a não apresentação da GI, DI ou qualquer outro documento equivalente na internação do bem. Se formos verificar com tal norma penal tem sido aplicada cotidianamente, encontraremos dois tipos de aplicação: (i) típica, na qual é inexiste qualquer documento; e (ii) atípica, apesar de existirem os documentos exigidos na importação, há alguma divergência do objeto declarado com o objeto importado. No segundo caso, inegavelmente há documento de importação, mas essa não contém informações suficientes para amparar aquela importação específica, mas mesmo esse grupo contempla dois subgrupos: (ii,a) aquele em que se verifica uma impropriedade absoluta — é o caso da importação de plásticos que a fiscalização constata um container de lixo; e (ii,b) aquele em que se verifica uma impropriedade relativa — é o caso da importação de produtos do Capítulo 10 que, na verdade se classificam, na posição 11 da NCM, por conta de uma divergência de interpretação da norma tributária de regência ou das normas de outros entes da administração pública. Nos casos em que se verifica a ocorrência do item (ii,a) — impropriedade absoluta, a aplicação da penalidade é cabível, pois o cunho da declaração foi, inclusive, com intuito de evitar a verificação do conteúdo, ou seja, dado o fato de o canal verde ser praticamente uma normalidade para alguns tipos de importações, a declaração que forneça os dados que o sistema está "acostumado" (programado) para liberação, "facilitaria" a passagem ilesa do produto (um modo de efetivar a fraude). Note que a Declaração não continha qualquer relação com o fato. Assim, a desconsideração da Declaração de Importação se dá por sua nulidade absoluta, uma vez que não serve para dar suporte àquele bem importado. Todavia, quando se verifica a ocorrência do item (ii.b) — impropriedade relativa, como é o que se observa no caso em tela, a aplicação da penalidade é duvidosa. Isso porque o objeto pretendido e declarado na importação é realmente aquele que foi trazido para o País, de modo que eventual falha, ou defeito na descrição ou na classificação, não é grave o suficiente para considerar inválida a declaração ou a guia. Notemos que o objeto trazido e sua respectiva descrição não são incompatíveis, mas apenas divergentes; próximos, mas divergentes. Esse defeito bastante e suficiente para alterar o fato gerador de importação da mercadoria classificada na posição do Capítulo 29 para importação da mercadoria classificada na posição do Capítulo 38, não é bastante e suficiente, por outro lado, para desclassificar a declaração, pois o ato é de ajuste não de desconsideração. Nota-se, portanto, que a guia e a DI, ainda que com algum erro, preenchem os elementos de conexão do "fato" que impedem sua declaração de nulidade, não havendo, assim, como fundamentar a tipicidade dos fatos narrados com art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto if 91.030/85. Em razão da ausência de recolhimento dos tributos é devida a incidência dos juros de mora nos exatos termos do artigo 61, §3 0 da Lei if 9,430/96, ou seja, desde o primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento, não sendo motivo relevante para sua inobservância a simples pendência de processo administrativo, 1 - Perfeitamente aplicável a Taxa Selic pata a correção dos débitos, prevista pelo §3° do artigo 50 da Lei n" 9,430/96, c/c o § 3' do artigo 61 desta mesma Lei, não cabendo, inclusive, à esfera administrativa analisar questões envolvendo discussão aceica de sua inconstitucionalidade. Diante do exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário em tela, apenas para exonerar a obrigç.ãp agamento da multa prevista pelo inciso II do artigo 526 do Decreto r}_ 91.030/85, -úantendo § lançamento quanto aos demais termos, 1191! rir Luiz Roberto Domingo 8
score : 1.0
Numero do processo: 10825.901212/2008-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL
Ano calendário: 2003
PERDCOMP. MATÉRIA CONEXA Reconhecido o saldo negativo da
CSLL relativa ao ano calendário de 2003, nos autos dos processos nºs 10825.900263/2008-36, 10825.900710/2008-57 e 10825.900759/2008-18, resta cabível a homologação da compensação vinculada ao mesmo saldo negativo, no limite do crédito reconhecido.
Numero da decisão: 1802-001.190
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 09 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Ano calendário: 2003 PERDCOMP. MATÉRIA CONEXA Reconhecido o saldo negativo da CSLL relativa ao ano calendário de 2003, nos autos dos processos nºs 10825.900263/2008-36, 10825.900710/2008-57 e 10825.900759/2008-18, resta cabível a homologação da compensação vinculada ao mesmo saldo negativo, no limite do crédito reconhecido.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10825.901212/2008-21
conteudo_id_s : 6588060
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1802-001.190
nome_arquivo_s : Decisao_10825901212200821.pdf
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10825901212200821_6588060.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
id : 9270975
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 09 09:55:50 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1729624173952630784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1576; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 94 1 93 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10825.900212/200821 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 180201.190 – 2ª Turma Especial Sessão de 12/04/2012 Matéria PERDCOMP Recorrente SENDI SERVIÇOS, ENGENHARIA E DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Ano calendário: 2003 PERDCOMP. MATÉRIA CONEXA Reconhecido o saldo negativo da CSLL relativa ao ano calendário de 2003, nos autos dos processos nºs 10825.900263/200836, 10825.900710/200857 e 10825.900759/200818, resta cabível a homologação da compensação vinculada ao mesmo saldo negativo, no limite do crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Relatório Por economia processual e por considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida (fls.56/57) que a seguir transcrevo: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/05, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos (CSLL) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL —código de receita: 2484). Por intermédio do despacho decisório de fl. 06, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando • crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, em 21/07/2008, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 11/17, na qual alega, em síntese: a) que compensou CSLL devida por estimativa, do mês de janeiro de 2004, com saldo negativo de CSLL decorrente do ano calendário de 2003; b) juntamente com a PER/Dcomp sob exame apresentou outras PER/Dcomp tendo como origem de crédito saldo negativo de CSLL no anocalendário de 2003; c) que a presente PER/Dcomp não foi homologada sob argumento de inexistência de crédito, vez que o mesmo já se encontrava vinculado à quitação de débito da requerente; d) no ano calendário de 2003, consoante demonstrado em sua DIPJ, foi gerado um saldo negativo de CSLL, no montante de R$ 67.587,56, passível de compensação com tributos federais a partir do anocalendário subseqüente; e) que é legal a atualização do saldo negativo de CSLL pela taxa Selic; f) que ao preencher a PER/Dcomp ocorreu um equívoco, pois informou crédito de pagamento indevido ou a maior de CSLL ao invés de saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2003; g) ressalta que o crédito existe e pode ser identificado na DIPJ/2004, ano base 2003; h) que em decorrência do preenchimento equivocado efetuou compensação a maior no valor de R$ 37.010,19, que será recolhido, acrescido de multa e juros na forma da lei. Ao final, requer que seja concedido total provimento à presente manifestação de inconformidade a fim de se anular o despacho decisório que não homologou a PER/Dcomp de n° 07200.97949.140504.1.3.047148, extinguindose o saldo devedor objeto da compensação. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Ribeirão Preto/SP), mediante decisão proferida no Acórdão nº 1424.205, de 22 de maio de 2009 (fls.55/61), cientificado ao interessado em 06/07/2009 (fl.65). Fl. 95DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10825.900212/200821 Acórdão n.º 180201.190 S1TE02 Fl. 95 3 A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.55): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/06/2003 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo reclama efetividade no pagamento das antecipações calculadas por estimativa, comprovação contábil do valor devido na apuração anual e que referido saldo negativo não tenha sido utilizado para compensar a contribuição social sobre o lucro líquido devida nos períodos posteriores àqueles abrangidos no pedido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. AssUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Solicitação Indeferida 94k A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 05/08/2009, alegando, essencialmente, o seguinte: que, o crédito realmente existe, como pode ser comprovado na DIPJ/2004 e razão da conta da CSLL; que no ano calendário de 2003, consoante demonstrado em sua DIPJ, foi gerado um saldo negativo de CSLL no montante de R$ 67.587,56, passível de compensação com débitos de tributos federais, atualizado pela taxa SELIC, a partir do anocalendário subseqüente ao de que foi apurado; que, ao preencher do Per/Dcomp ocorreu em equívoco, quando ao completar a ficha de origem do crédito, informou crédito de pagamento indevido ou a maior de CSLL, vinculando o Darf recolhido a título de estimativa de CSLL devido em maio de 2003, com .vencimento em 30/06/2003, ao invés de informar saldo negativo total de CSLL do ano calendário de 2003; que o crédito para satisfazer a compensação existe, e pode ser identificado na DIPJ do exercício 2004, anobase 2003, tendo ocorrido, apenas, um mero engano no preenchimento do Per/Dcomp. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Finalmente, requer seja dado provimento ao recurso e desconsiderar a decisão recorrida. É o relatório. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10825.900212/200821 Acórdão n.º 180201.190 S1TE02 Fl. 96 5 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, dele conheço. O presente processo trata do PER/DCOMP nº 07200.97949.140504.1.3.047148 (fls. 01/05), transmitido em 14/05/2004, em que a contribuinte pretende compensar débito de CSLL – estimativa – código 2484 (Período de Apuração: janeiro/ 2004 e Vencimento: 27/02/2004), no valor original de R$ 135,00 com suposto crédito decorrente de pagamento indevido e/ou a maior de CSLL por estimativa (código 2484), de R$ 144,05, correspondente a parte do DARF no total de R$ 11.156,15, relativo a estimativa de IRPJ (código:2484), período de apuração de maio de 2003 (Data de Arrecadação: 30/06/2003). Pelos fundamentos expendidos no Despacho Decisório, eletrônico, de fl. 06, não foi reconhecido qualquer direito creditório em favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação do débito da CSLL– estimativa – código: 2484, relativo ao período de apuração de 31/05/2003, "não restando crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP”. A Recorrente afirma que, o crédito realmente existe, como pode ser comprovado na DIPJ/2004 que demonstra um saldo negativo de CSLL no montante de R$ 67.587,56, no ano calendário de 2003, passível de compensação com débitos de tributos federais, atualizado pela taxa SELIC, a partir do anocalendário subseqüente, no caso, 2004. Aduz que, ao preencher o Per/Dcomp ocorreu em equívoco, quando ao completar a ficha de origem do crédito, informou crédito de pagamento indevido ou a maior de CSLL, vinculando o Darf recolhido a título de estimativa de CSLL devido em maio de 2003, com vencimento em 30/06/2003, ao invés de informar saldo negativo total de CSLL do ano calendário de 2003. É de ver, que o contribuinte vincula seu pleito ao saldo negativo da CSLL em 31/12/2003. Assim, descaracterizado o indébito do pagamento de estimativa, em virtude da afirmação acima e, a não apresentação de Balancete de Suspensão/Redução, o pedido formulado depende da verificação das seguintes condições: (i) se o requerente não utilizou o alegado pagamento indevido de estimativa no ajuste anual do imposto ou contribuição; (ii) se o sujeito passivo declarou saldo negativo e não compensado com outros indébitos. Depreendese da afirmação da interessada que o pagamento efetuado de CSLL à titulo de estimativa mensal, relativo ao período de apuração: 31/05/2003, vencimento: 30/06/2003, Fl. 98DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Data de Arrecadação: 30/06/2003, DARF: R$ 11.156,15, foi utilizado na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração para compor o saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2003 na ordem de R$ 67.587,56. O assunto foi tratado no âmbito desse Conselho Administrativo Fiscal – CARF, mediante os processos nºs 10825.900263/200836, 10825.900710/200857 e 10825.900759/200818, para os quais foram expedidos os Acórdãos nºs 1803000.746, 1803 000.747 e 1803000.750, respectivamente, proferidos na sessão de 16/12/2010, juntados aos presentes autos. A conclusão do voto condutor nos mencionados acórdãos, foi no sentido de reconhecer o saldo negativo da CSLL relativa ao ano calendário de 2003 no valor de no valor original de R$ 67.587,56, e por conseqüência homologar os PERDCOMPs a ele vinculados, no limite do mencionado crédito.Vejamos o teor dos votos: Acórdão nº 1803000.746 : (...) O contribuinte foi cientificado da decisão da DRJ em 06/07/2009, conforme AR constante às fls. 65, e interpôs recurso voluntário em 05/08/2009, desta forma, o recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade. Dele conheço. Conforme descrito no relatório, o contribuinte foi notificado, através de Despacho Decisório, da não homologação de compensação na qual pretendia compensar débito de COFINS, PA 03/2004, R$ 13.358,29, com crédito decorrente de saldo negativo CSLL anocalendário 2003, declarado na DIPJ/2004, sob a alegação de inexistência de crédito. Muito embora o crédito decorrente de saldo negativo CSLL esteja corretamente descrito em DIPJ conforme afirma o contribuinte, e conforme é perfeitamente possível verificar nos documentos trazidos aos autos (fl 48), este foi erroneamente declarado em DCOMP, visto que referido valor foi declarado na DCOMP n° 32993.57382.110504.1.3.041459, como "pagamento indevido ou a maior" relativo a abril/2003, quando o correto seria "saldo negativo de CSLL"; Neste sentido, em que pese haver evidências suficientes no processo para demonstrar a existência de crédito suficiente a compensação pleiteada por meio da DCOMP, bem como todos as explicações do contribuinte, quando da apresentação da impugnação, optou a DRJ por não homologar referida DCOMP quando do julgamento da manifestação de inconformidade apresentada, sob a alegação de que o crédito pleiteado não teve sua liquidez e certeza devidamente comprovada, até mesmo porque deixou de juntar no processo administrativo o Termo de Abertura e o Termo de Encerramento do Razão Analítico em Real e o respectivo LALUR (Livro de Apuração do Lucro Real). Entendo que os documentos apresentados juntamente com a impugnação já eram suficientes para demonstrar a liquidez e certeza do crédito que se pleiteia o reconhecimento (saldo negativo de CSLL no montante de R$ 67.587,56). Em complemento aos documentos apresentados juntamente com a impugnação, o contribuinte apresentou quando da interposição do recurso voluntário sob julgamento, os documentos citados Fl. 99DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10825.900212/200821 Acórdão n.º 180201.190 S1TE02 Fl. 97 7 pela DRJ como necessários a comprovação da certeza e liquidez do crédito, a saber: Termo de Abertura e o Termo de Encerramento do Razão Analítico em Real e o respectivo LALUR (Livro de Apuração do Lucro Real). Neste sentido, a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e da própria Delegacia de Julgamentos da Receita Federal é farta em afirmar que constatado o erro de fato no preenchimento da DCOMP e também a existência de crédito em favor da empresa, a compensação deve ser homologada. A ementa abaixo reproduzida de julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cujo relator foi Afonso Celso Mattos Lourenço, é extremamente didática ao dizer que a verdade material deve prevalecer sobre a formal: “LANÇAMENTO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO Deve a verdade material prevalecer sobre a formal, pelo que se demonstrado que o erro pelo preenchimento da declaração provocou o lançamento, deve ser reconhecida a sua invalidade." (CSRF, rel. Afonso Celso Mattos Lourenço, sessão de 15 de maio de 1995 acórdão n° 011854, processo n° 10920.000.270/9111).” Desta forma, uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração de compensação (DCOMP)e a existência do crédito, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, sendo o crédito reconhecido e a compensação homologada. Com relação ao pedido de apensamento dos processos n° 10825 900.725/200815, 10825 900.759/200818, 10825 900.710/200857, 10825900.705/200844, 10825900/200847, 10825 900.206/200857, 10825900.232/200885, 10825 900.178/200878, 10825900.248/200898, 10825 900.177/200823, 10825900.732/200817 em razão de todos decorrerem do mesmo crédito, ou seja, de compensação utilizando o saldo negativo de CSLL originado no ano calendário 2003, tendo em vista que o não julgamento conjunto dos demais processos não prejudica o julgamento do processo sob análise, o apensamento pedido não é concedido, sendo que os demais processos serão julgados quando indicados para a pauta de julgamento.( GRIFEI) Ante todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso para reconhecer o crédito de R$ 67.587,56 decorrente de saldo negativo de CSLL/2003, homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido. Acórdão nº 1803000.747: O contribuinte foi cientificado da decisão da DRJ em 06/07/2009, conforme AR constante às fls. 64, e interpôs recurso voluntário em 05/08/2009, desta forma, o recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade. Dele conheço. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Conforme descrito no relatório, o contribuinte foi notificado, através de Despacho Decisório, da não homologação de compensação na qual pretendia compensar débito de CSLL, PA 05/2004, R$ 1.621,67, com crédito decorrente de saldo negativo CSLL anocalendário 2003, declarado na DIPJ/2004, sob a alegação de inexistência de crédito. Muito embora o crédito decorrente de saldo negativo CSLL esteja corretamente descrito em DIPJ conforme afirma o contribuinte, e conforme é perfeitamente possível verificar nos documentos trazidos aos autos (fl 47), este foi erroneamente declarado em DCOMP, visto que referido valor foi declarado na DCOMP n° 31032.83818.160604.1.3.049478, como "pagamento indevido ou a maior" relativo a junho/2003, quando o correto seria "saldo negativo de CSLL"; Neste sentido, em que pese haver evidências suficientes no processo para demonstrar a existência de crédito suficiente a compensação pleiteada por meio da DCOMP, bem como todos as explicações do contribuinte, quando da apresentação da impugnação, optou a DRJ por não homologar referida DCOMP quando do julgamento da manifestação de inconformidade apresentada, sob a alegação de que o crédito pleiteado não teve sua liquidez e certeza devidamente comprovada, até mesmo porque deixou de juntar no processo administrativo o Termo de Abertura e o Termo de Encerramento do Razão Analítico em Real e o respectivo LALUR (Livro de Apuração do Lucro Real). Entendo que os documentos apresentados juntamente com a impugnação já eram suficientes para demonstrar a liquidez e certeza do crédito que se pleiteia o reconhecimento (saldo negativo de CSLL no montante de R$ 67.587,56). Em complemento aos documentos apresentados juntamente com a impugnação, o contribuinte apresentou quando da interposição do recurso voluntário sob julgamento, os documentos citados pela DRJ como necessários a comprovação da certeza e liquidez do crédito, a saber: Termo de Abertura e o Termo de Encerramento do Razão Analítico em Real e o respectivo LALUR (Livro de Apuração do Lucro Real). Neste sentido, a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e da própria Delegacia de Julgamentos da Receita Federal é farta em afirmar que constatado o erro de fato no preenchimento da DCOMP e também a existência de crédito em favor da empresa, a compensação deve ser homologada. A ementa abaixo reproduzida de julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cujo relator foi Afonso Celso Mattos Lourenço, é extremamente didática ao dizer que a verdade material deve prevalecer sobre a formal: “LANÇAMENTO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO Deve a verdade material prevalecer sobre a formal, pelo que se demonstrado que o erro pelo preenchimento da declaração provocou o lançamento, deve ser reconhecida a sua invalidade." (CSRF, rel. Afonso Celso Mattos Lourenço, sessão de 15 de maio de 1995 acórdão n° 011854, processo n° 10920.000.270/9111).” Fl. 101DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10825.900212/200821 Acórdão n.º 180201.190 S1TE02 Fl. 98 9 Desta forma, uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração de compensação (DCOMP)e a existência do crédito, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, sendo o crédito reconhecido e a compensação homologada. Com relação ao pedido de apensamento dos processos n° 10825 900.725/200815, 10825 900.759/200818, 10825 900.705/200844, 10825900.695/200847, 10825900.206/2008 57, 10825 900.232/200885, 10825900.178/200878, 10825 900.248/200898, 10825900.177/200823, 10825 900.732/200817, 10825900.732/200817 em razão de todos decorrerem do mesmo crédito, ou seja, de compensação utilizando o saldo negativo de CSLL originado no ano calendário 2003, tendo em vista que o não julgamento conjunto dos demais processos não prejudica o julgamento do processo sob análise, o apensamento pedido não é concedido, sendo que os demais processos serão julgados quando indicados para a pauta de julgamento. Ante todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso para reconhecer o crédito de R$ 67.587,56 decorrente de saldo negativo de CSLL/2003, homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido. Acórdão nº 1803000.750: O contribuinte foi cientificado da decisão da DRJ em 06/07/2009, conforme AR constante às fls. 64, e interpôs recurso voluntário em 05/08/2009, desta forma, o recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade. Dele conheço. Conforme descrito no relatório, o contribuinte foi notificado, através de Despacho Decisório, da não homologação de compensação na qual pretendia compensar débito de CSLL, PA 05/2004, R$ 4.760,14, com crédito decorrente de saldo negativo CSLL anocalendário 2003, declarado na DIPJ/2004, sob a alegação de inexistência de crédito. Muito embora o crédito decorrente de saldo negativo CSLL esteja corretamente descrito em DIPJ conforme afirma o contribuinte, e conforme é perfeitamente possível verificar nos documentos trazidos aos autos (fl 47), este foi erroneamente declarado em DCOMP, visto que referido valor foi declarado na DCOMP n° 30713.34143.160604.1.3.040074, como "pagamento indevido ou a maior" relativo a agosto/2003, quando o correto seria "saldo negativo de CSLL"; Neste sentido, em que pese haver evidências suficientes no processo para demonstrar a existência de crédito suficiente a compensação pleiteada por meio da DCOMP, bem como todos as explicações do contribuinte, quando da apresentação da impugnação, optou a DRJ por não homologar referida DCOMP quando do julgamento da manifestação de inconformidade apresentada, sob a alegação de que o crédito pleiteado não teve sua liquidez e certeza devidamente comprovada, até mesmo Fl. 102DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 porque deixou de juntar no processo administrativo o Termo de Abertura e o Termo de Encerramento do Razão Analítico em Real e o respectivo LALUR (Livro de Apuração do Lucro Real). Entendo que os documentos apresentados juntamente com a impugnação já eram suficientes para demonstrar a liquidez e certeza do crédito que se pleiteia o reconhecimento (saldo negativo de CSLL no montante de R$ 67.587,56). Em complemento aos documentos apresentados juntamente com a impugnação, o contribuinte apresentou quando da interposição do recurso voluntário sob julgamento, os documentos citados pela DRJ como necessários a comprovação da certeza e liquidez do crédito, a saber: Termo de Abertura e o Termo de Encerramento do Razão Analítico em Real e o respectivo LALUR (Livro de Apuração do Lucro Real). Neste sentido, a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e da própria Delegacia de Julgamentos da Receita Federal é farta em afirmar que constatado o erro de fato no preenchimento da DCOMP e também a existência de crédito em favor da empresa, a compensação deve ser homologada. A ementa abaixo reproduzida de julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cujo relator foi Afonso Celso Mattos Lourenço, é extremamente didática ao dizer que a verdade material deve prevalecer sobre a formal: “LANÇAMENTO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO Deve a verdade material prevalecer sobre a formal, pelo que se demonstrado que o erro pelo preenchimento da declaração provocou o lançamento, deve ser reconhecida a sua invalidade." (CSRF, rel. Afonso Celso Mattos Lourenço, sessão de 15 de maio de 1995 acórdão n° 011854, processo n° 10920.000.270/9111).” Desta forma, uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração de compensação (DCOMP)e a existência do crédito, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, sendo o crédito reconhecido e a compensação homologada. Com relação ao pedido de apensamento dos processos n° 10825 900.725/200815, 10825 900.710/200857, 10825 900.705/200844, 10825900.695/200847, 10825900.206/2008 57, 10825 900.232/200885, 10825900.178/200878, 10825 900.248/200898, 10825900.177/200823, 10825 900.732/200817, 10825900.732/200817 em razão de todos decorrerem do mesmo crédito, ou seja, de compensação utilizando o saldo negativo de CSLL originado no ano calendário 2003, tendo em vista que o não julgamento conjunto dos demais processos não prejudica o julgamento do processo sob análise, o apensamento pedido não é concedido, sendo que os demais processos serão julgados quando indicados para a pauta de julgamento. Ante todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso para reconhecer o crédito de R$ 67.587,56 decorrente de saldo negativo de CSLL/2003, homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10825.900212/200821 Acórdão n.º 180201.190 S1TE02 Fl. 99 11 Nesse contexto, reconhecido o saldo negativo da CSLL relativa ao ano calendário de 2003 e, acolhendo como razão de decidir o resultado acima, por se tratar de matéria conexa ao presente processo nº 10825900.232/200885, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário para homologar a compensação pleiteada nos presentes autos, no limite do crédito já reconhecido acima. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10855.004897/2003-02
Data da sessão: Mon Nov 16 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Nov 16 00:00:00 UTC 2009
Ementa: REGIMES ADUANEIROS
Data do fato gerador: 01/01/1999
DRAWBACK SUSPENSÃO. DECADÊNCIA,
Tem sido entendimento neste Conselho, em especial a Câmara Superior de Recursos Fiscais, que o termo "a quo" do prazo decadencial em caso de drawback será contado a partir do primeiro dia útil ao ano seguinte da data do recebimento do relatório de comprovação de drawback, aplicando-se ao caso o artigo 173, inciso I, do CTN,
DRAWBACK SUSPENSÃO. DENUNCIA ESPONTÂNEA.
A legislação tributária não admite a ocorrência da denuncia espontânea no regime especial de Drawback, tendo em vista que o ato concessório assemelha-se a contrato de direito privado que ocorrendo a inadimplência não pode ser obstada pela denúncia do artigo 138 do CTN„ Somente admite a ocorrência da denuncia espontânea se o Contribuinte realizar o recolhimento dos tributos dentro de 30 dias após o vencimento do prazo para exportação
dos produtos.
MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO.
Sucessão por incorporação da controlada pela controladora, importa na inexorável assunção dos direitos e deveres da sucedida pela sucessora, sejam passados, presentes e futuros compromissados, nos termos da lei, não cabendo a exclusão da responsabilidade se os acionistas e administradores se
confundem.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3101-000.288
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 09 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 200911
ementa_s : REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 01/01/1999 DRAWBACK SUSPENSÃO. DECADÊNCIA, Tem sido entendimento neste Conselho, em especial a Câmara Superior de Recursos Fiscais, que o termo "a quo" do prazo decadencial em caso de drawback será contado a partir do primeiro dia útil ao ano seguinte da data do recebimento do relatório de comprovação de drawback, aplicando-se ao caso o artigo 173, inciso I, do CTN, DRAWBACK SUSPENSÃO. DENUNCIA ESPONTÂNEA. A legislação tributária não admite a ocorrência da denuncia espontânea no regime especial de Drawback, tendo em vista que o ato concessório assemelha-se a contrato de direito privado que ocorrendo a inadimplência não pode ser obstada pela denúncia do artigo 138 do CTN„ Somente admite a ocorrência da denuncia espontânea se o Contribuinte realizar o recolhimento dos tributos dentro de 30 dias após o vencimento do prazo para exportação dos produtos. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Sucessão por incorporação da controlada pela controladora, importa na inexorável assunção dos direitos e deveres da sucedida pela sucessora, sejam passados, presentes e futuros compromissados, nos termos da lei, não cabendo a exclusão da responsabilidade se os acionistas e administradores se confundem. Recurso Voluntário Negado.
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 16 00:00:00 UTC 2009
numero_processo_s : 10855.004897/2003-02
anomes_publicacao_s : 200911
conteudo_id_s : 6588704
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 3101-000.288
nome_arquivo_s : 310100288_142095_10855004897200302_009.PDF
ano_publicacao_s : 2009
nome_relator_s : LUIZ ROBERTO DOMINGO
nome_arquivo_pdf_s : 10855004897200302_6588704.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Mon Nov 16 00:00:00 UTC 2009
id : 4733093
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 09 09:55:40 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1729624173955776512
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-21T10:44:22Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-21T10:44:22Z; Last-Modified: 2010-12-21T10:44:22Z; dcterms:modified: 2010-12-21T10:44:22Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:c176872a-75de-44c4-8d94-758bf419fdcc; Last-Save-Date: 2010-12-21T10:44:22Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-21T10:44:22Z; meta:save-date: 2010-12-21T10:44:22Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-21T10:44:22Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-21T10:44:22Z; created: 2010-12-21T10:44:22Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2010-12-21T10:44:22Z; pdf:charsPerPage: 1663; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-21T10:44:22Z | Conteúdo => 83-C1T] El, 390 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10855,004897/200.3-02 Recurso n° 142.095 Voluntário Acórdão n° 3101-00.288 — 1" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 16 de novembro de 2009 Matéria DRAWBACK - SUSPENSÃO Recorrente METSO MINERAL BRASIL LTDA. Recorrida DRJ-SÃO PAULO/SP ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 01/01/1999 DRAWBACK SUSPENSÃO. DECADÊNCIA, Tem sido entendimento neste Conselho, em especial a Câmara Superior de Recursos Fiscais, que o termo "a quo" do prazo decadencial em caso de drawback será contado a partir do primeiro dia útil ao ano seguinte da data do recebimento do relatório de comprovação de drawback, aplicando-se ao caso o artigo 173, inciso I, do CTN, DRAWBACK SUSPENSÃO. DENUNCIA ESPONTÂNEA. A legislação tributária não admite a ocorrência da denuncia espontânea no regime especial de Drawback, tendo em vista que o ato concessorio assemelha-se a contrato de direito privado que ocorrendo a inadimplência não pode ser obstada pela denúncia do artigo 138 do CTN„ Somente admite a ocorrência da denuncia espontânea se o Contribuinte realizar o recolhimento dos tributos dentro de 30 dias após o vencimento do prazo para exportação dos produtos, MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Sucessão por incorporação da controlada pela controladora, importa na inexorável assunção dos direitos e deveres da sucedida pela sucessora, sejam passados, presentes e futuros compromissados, nos termos da lei, não cabendo a exclusão da responsabilidade se os acionistas e administradores se confundem. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Hem:rgie Pinhe4Foiy6s77-gresidente Luiz Roberto Domingo Relator Processo n° 10855.004897/2003-02 53-C111 Acórdão n.° 3101-00.288 Fl. 391 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. EDITADO EM: 22/07/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tarásio Campeio Borges, Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa Albuquerque Valente. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente contra decisão da DRJ — São Paulo/SP que manteve o lançamento do Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, multa de oficio e juros de mora em função de não terem sido comprovadas o adimplemento do Regime Aduaneiro de Drawback, modalidade Suspensão, nos termos do Ato Concessário n° 0191-97/045-6 de 12/06/1997. Para melhor elucidação dos fatos transcreve abaixo o resultado da verificação fiscal apurado pelo Fisco às fls. 111: "Falta de recolhimento do H e IPI vinculado, em decorrência da perda do direito ao incentivo, devido ao descumprimento dos termos e condições relativos às exportações vinculadas ao Ato Concessório de Drawback — Suspensão, conforme abaixo descrito: 1 — O importador, por meio das Dls n° 97/0680617-2, registrada em 04/08/97, n" 97/0908847-5, registrada em 06/10/97, 97/1004223-8, registrada em 06/02/98, 98/0111830-0, registrada em 05/02/98 e, e 98/0117376-9, registrada em 06/02/98, constantes do Relatório Unificado de Drawback (que não foi apresentado ao Decex para comprovação e baixa final do Ato Concessório de Drawback acima mencionado), submeteu ao regime aduaneiro especial de Drawback na modalidade suspensão 60 peças de Motor Hidráulico, Bomba Hidráulica e Rolamento P/N 192382, 192383, 192384 e 192831, para complementação e montagem de 15 Rolos Compressor sobre pneus, auto-propelido, equipado com motor diesel, Modelo CP- 132, classificável na Tarifa Externa Comum — NCM no código 8429„40.00, pelo valor unitário de US$ 39.500,00; 2 Processo n 10855 004897/200.3-02 S3-C1T1 Acórdão o.° 3101-00.288 Fl, 392 2- Foi .fixado pelo Ato Concessório n" 0191-97/045-6 o prazo de validade até 12/06/1998 para a exportação dos produtos onde tais insumo.s seriam aplicados, pelo valor de US$ .592.500,00; 3- Ocorre que, .findo o prazo de exportação, o beneficiário não atingiu as quantidades e valores pactuados no Ato Concessório supramencionado, em virtude da inclusão no Relatório de Comprovação, no anexo referente às exportações, de REs cujo produto diverge do especificado no ato em tela (modelo CP- 132), conforme o relacionado abaixo, restando como cumprido 5 unidades que foram exportadas por US$ 181566,00: Conforme Laudo Técnico apresentado pela empresa para a aprovação do beneficio fiscal verifica-se na tabela abaixo, que para a produção das 5 unidades exportadas, vinculadas ao ato concessó rio, foram consumidas 16 peça das 60 peças que importadas.: Considera-se assim não adimplido compromisso, nos termos do Art. 43, inciso 1, da Portaria SECEX 4/97, in verbis: Art. 43 — O compromisso de exportação vinculado ao Regime de Drawback, modalidade suspensão, será liquidado mediante a comprovação de uma das condições a seguir: 1— exportação efetiva dos produtos previstos no Ato Concessó rio de Drawback, nas quantidades, valores e prazo nele .fixados; (grifamos) Pela transcrição acima, observa-se que, para adinipkmento do contrato assumido (Ato Concessório), é necessária a presença de três condições acima destacadas, sendo que, sem a presença de qualquer uma delas, considera-se não adimplido o compromisso, restando ao beneficiário adotar o outras providências; Dessa forma .foi efetuada a GLOSA TOTAL das importações indevidamente informadas no Relatório de Comprovação, e, conseqüentemente, exigidos os tributos suspensos por ocasião das importações dos inSUMOS para a produção da mercadoria a ser exportada, dado que não foram tomadas pelo beneficiário as providencias elencada.s no Art 319, inciso 1, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 91 030/85, in verbis - Art. 319 As mercadorias admitidas no regime que, em seu todo ou parte, deixem de ser empregados no processo produtivo de bens, conforme estabelecido no ato concessório, ou que sejam empregadas em desacordo com este, .ficam sujeitas ao seguinte procedimento.• 1 — no caso de inadimplemento do compromisso de exportar, no prazo de até trinta dias da expiração do prazo fixado para exportação: 3 Processo n° 10855 004897/2003-02 S3-C111 Acórdào n.' 3101-00.288 Fl 393 a) devolução ao exterior ou reexportação; b) destruição, sob o controle aduaneiro, às expensas do interessado; c) destinaçâo para consumo interno das mercadorias remanescentes,'" Cientificado do lançamento em 19/12/2003, o Contribuinte apresentou impugnação em 20/01/2004 (fis, 134/166), a qual lhe foi negado provimento, conforme a ementa abaixo transcrita; DRA lTBACK SUSPENSÃO Cabível a cobrança de tributos por regime aduaneiro especial quando ocorrer inadimplemento do compromisso de exportação, mesmo parcial, restando incabível apenas a parcela que a interessada já havia recolhido. Lançamento Procedente em parte Inconformado com a decisão do órgão julgador de primeira instância, da qual tornou conhecimento em 06/03/2008, interpôs o Recorrente Recurso Voluntário, em 04/04/2008 (fis. 347/383), alegando em síntese que; a) ao contrário da decisão recorrida ocorreu a decadência do direito do Fisco em lançar os tributos em questão; b) de acordo com o artigo 150, § 4' do CTN, o direito do Fisco de exigir os tributos extingue-se após 5 anos contados do fato gerador, sendo que transcorrido o referido prazo sem manifestação do Fisco acerca do lançamento, o mesmo estará tacitamente homologado; c) "em que pese as divergências doutrinárias e jurisprudenciais quanto ao termo "a quo" para contagem do prazo decadencial do Fisco para a constituição do crédito tributário relativo aos tributos exigidos na importação de mercadorias sob o regime do "Drawback" — Suspensão, por qualquer desses critérios a contribuinte tem a seu favor a impossibilidade de dela se exigir os impostos em face da decadência do direito da Fazenda Nacional de fazê-lo"; d) "o termo "a quo" para a contagem de dito prazo, na pior das hipóteses, é a data em que encerrado o prazo para a Recorrente exportar e, como visto, as operações em questão tiveram a data de 12 de junho de 1998 para exportar, motivo pelo qual o direito do Fisco, considerando-se tal data, decaiu em 13 de junho de 2003 e a lavratura do Auto de Infração em questão se deu em 19 de dezembro de 2003"; e) o Parecer COSIT não pode ser usado para dilatar o prazo decadencial para cobrança de tributos em desfavor do contribuinte, na medida em que não é ato normativo; f) "inconteste a improcedência do Auto de Infração diante do transcurso de mais de 5 (cinco) anos contados, tanto da data de registro das Declarações de Importação, quanto da efetiva exportação e, também, da data de vencimento do prazo para exportar, 4 PI °cesso n°10855 004897/2003-02 Acórdão n " 3101-00,288 S3-C1T 1 F I 394 considerando-se a regra aposta no já transcrito § 4' do artigo 150 do Código Tributário Nacional"; g) a Recorrente através de denuncia espontânea recolheu ao erário os tributos incidentes com os acréscimos de juros de mora da nacionalização das 11 caixas de marca importadas sob o regime de Drawback, antes de qualquer procedimento de fiscalização por parte da Receita Federal; h) por força do artigo 132 do CTN a Recorrente por ser empresa sucessora é responsável somente pelos tributos devidos pela incorporada até a data da operação de incorporação, e não pelas multas por infrações tributárias cometidas pela incorporada; i) cita diversas decisões administrativas e judiciais sobre o tema. É o Relatório. Voto admissibilidade. Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do recurso por ser tempestivo e atender os demais requisitos de Trata-se de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente contra decisão da DR.1 — São Paulo/SP que manteve o lançamento do hnposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, multa de oficio e juros de mora em função de não terem sido comprovadas o adirnplemento do Regime Aduaneiro de Drawback, modalidade Suspensão, nos termos do Ato Concessório n°0191-97/045-6 de 12/06/1997. O que se discute nos autos é a ocorrência da decadência do lançamento, a denúncia espontânea dos recolhimentos realizados referente à matéria prima importada e não utilizada, e a exclusão da multa de oficio por força do artigo 132 do CTI\L Da nào ocorrência da decadência Inicialmente, no que concerne a ocorrência da decadência, sem maiores embargos de argumentação e em que pese meu entendimento contrário da questão, tem sido pacifico neste Conselho, em especial a Câmara Superior de Recursos Fiscais, que o termo "a quo" do prazo deeadencial em caso de drawback deve ser contado a partir do primeiro dia útil ao ano seguinte da data do recebimento do relatório de comprovação de drawback, aplicando- se ao caso o artigo 173, inciso 1, do CTN. Nesse sentido é o entendimento deste Conselho: DRAWBACK. DECADÊNCIA. O prazo de cinco anos para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decorrente da aplicação do Regime Aduaneiro de Drawback é o consagrado no art. 173, inciso I, do CTN, cuja contagem inicia no primeiro dia do ano seguinte ao do término do prazo concedido pela autoridade aduaneira para fruição do regime aduaneiro. Processo n° 10855 004897/2003-02 S3-C1, 11 Acórdão n 3101-00,2138 Fl. 395 Recurso especial provido. (Acórdão ME/03-04978 de 21 08.2006, Rel. Judith do Amaral Marcondes) — gn. DRAWBACK SUSPENSÃO - DECADÊNCIA Na hipótese, o Contribuinte encontra-se sujeito à regra geral prevista no art. 173, inciso I, do CTN, isto é, o termo inicial para contagem do prazo decadencial corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. Portanto, em face da impossibilidade de ser aferido o adimplemento do compromisso vinculado ao regime aduaneiro especial antes de esgotado o prazo concedido no ato administrativo de outorga do beneficio, o primeiro dia do exercício seguinte ao fim da validade do ato concessório do drawback é o dies a quo para Medi r o prazo decadencial do inciso Ido art. 173 do CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. (Acórdão 302-39848 de 14.10.2008, Rel. Beatriz Veríssimo de Sena) — go. DRAWBACK — DECADÊNCIA A contagem do prazo decadencial para o regime aduaneiro especial denominado Drawback - suspensão começa no primeiro dia do ano seguinte ao término do regime. Preliminar acolhida. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO (Acórdão 301-34594, Rei João Luiz Fregon=i, Julgado em 08 07 2008)— g.n. REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE DRAWBACIC- SUSPENSÃO DECADÊNCIA. O termo inicial para contagem do prazo de decadência é o primeiro dia do exercício seguinte ao do recebimento do Relatório de Comprovação de Drawback, emitido pela SECEX e encaminhado à SRF. REJEITADA A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO PARA CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. (Acórdão 302-37892 de 23 08.2006, Rei. Elizabeth Emílio de Moraes Chieregatto) go Assim, no caso dos autos, o prazo para apresentação do relatório de comprovação de drawback encerrou-se em 13 de maio de 1998, logo, aplicando o artigo 173, inciso 1, o prazo decadencial iniciou-se em 10/01/1999, Portanto, não há que se falar na ocorrência da decadência nos autos, haja vista que a Recorrente foi notificada do lançamento em 19/12/2003, ou seja, antes da ocorrência da decadência do direito de lançar da Fazenda. Da denúncia espontânea 1 Processo e 10855 004897/2003-02 S3-C1T1 Acórdão n.' 3101-00.288 Fl. 396 Passemos agora a analisar a ocorrência da denuncia espontânea nos casos de drawback. O beneficio de dra-wback está previsto no art. 78 do Decreto-lei ri 37/1966 e tinha seus termos e condições estabelecidos nos artigos 314 a 334 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n 91.030/1985 (RA185), vigente à época das operações que originaram a exigência fiscal formalizada contra a beneficiária, ora Recorrente, desse regime aduaneiro especial. Para empresa utilizar-se do Regime Drawback, a SECEX deverá conceder Ato Concessório com base no projeto elaborado e informações prestadas pelo próprio beneficiário que definirá os benefícios pleiteados e os compromissos assumidos pela empresa, por exemplo, o prazo para exportação das mercadorias beneficiadas. Além disso, no decorrer da vigência do Ato Concessório a SECEX poderá, a pedido do beneficiário, conceder aditivos para modificar os atos concedidos. Note-se que o Ato Concessório é um contrato de direito público pelo qual o Estado compromete-se a renunciar à Tributação se o contribuinte importador realizar a exportação dos bens compromissados promovendo o ingresso de divisas. Esse contrato faz suspender a relação jurídica tributária que irromperia com a importação dos insumos. No caso do Drawback Suspensão o desencadeamento do processo de concessão e adimplemento de condição é diferente. De início o contribuinte solicita regime especial á SECEX com o fim de proceder à importação de insumos com o beneficio da suspensão do pagamento dos tributos que se converterá em isenção se e quando houver a exportação de produtos industrializados, atendidos os requisitos e prazos constantes no ato concessorio. Pois bem, dá-se o registro da DI normalmente, sendo que o contribuinte fica dispensado do pagamento dos tributos apurados e declarados, na forma do art. 314 do Regulamento Aduaneiro/85: "Art. 314., Poderá ser concedido pela Comissão de Política Aduaneira, nos termos e condições estabelecidos no presente Capítulo, o beneficiado do "drawback" nas seguintes modalidades (Decreto-lei n' 37, de 1966, art.. 78,1 a II1) 1 - suspensão do pagamento dos tributos exigíveis na importação de mercadoria a ser exportada após' beneficiamento ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; " Findo o prazo concedido para que seja promovida a exportação dos produtos compromissados, o contribuinte está obrigado a apresentar o Relatório de Comprovação do Drawback pelo qual o Estado-Concedente passa a ter integral conhecimento do quanto cumprido. A legislação de regência do DRAWBACK atribui ao sujeito passivo (contribuinte beneficiário) a obrigação de, novamente e com base nas exportações realizadas, apurar eventual crédito tributário remanescente e antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, de forma idêntica ao fato gerador do imposto de importação, com o diferencial do momento e da exclusão dos impostos relativos às importações que tiveram a Processo n° 10855 004897/2003-02 S3-C11 I Acórdâo n 3101-00.288 F I 397 contrapartida da exportação (conforme contrato), Para tanto tem trinta dias contados do termo final de exportação para fazê-lo. Pois bem, o que se percebe é que os impostos devidos na importação, já conhecidos e apurados na DI, ficam no aguardo do prazo concedido para cumprimento do compromisso a fim de que seja convertido em isenção, e em caso de ser admitida a hipótese de que as mercadorias ingressadas no território nacional nos regimes serão destinadas ao mercado interno, o contribuinte beneficiário tem 30 dias para proceder ao pagamento dos tributos suspensos e dos acréscimos legais devidos. Assim, conclui-se que de acordo com a legislação tributária somente poderá ser admitida a ocorrência da denuncia espontânea se realizada o recolhimento dos tributos dentro do prazo de 30 dias após o vencimento do prazo para exportação dos produtos, haja vista que no caso dos autos deveria ser recolhida até 13/06/1998 e não em 2002, uma vez que não cabe denúncia espontânea em regime aduaneiro especial por não haver o fato jurídico tributável passível de denúncia. Além disso, como exposto acima o ato concessório de drawback assemelha- se a contrato de direito privado que ocorrendo a inadimplência não pode ser obstada pela denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, Portanto, conclui-se pela não ocorrência da denúncia espontânea no presente feito. Da exclusão da multa em razão da incornoraeão da emnresa No que tange à responsabilidade tributária por sucessão, em especial, à aplicação do art. 132 do Código Tributário Nacional, entendo que a incorporadora sucede à incorporada seja por ter havido a continuidade das locações, seja pelo fato de os sócios e /ou administradores da incorporadora se identificam com os da incorporada. Neste caso, a penalidade não extrapola à pessoa do agente, uma vez que se confundem na pessoa sucedida e na sucessora. Observa-se pelo quadro abaixo confeccionado de acordo com a evolução das alterações contratuais da Recorrente, que a maioria dos sócios se identificam com a empresa incorporada e o controle acionário não se alterou antes do auto de infração, vejamos: ALTERAÇÃO CONTRATUAL NOVA RAZÃO SOCIAL SÓCIOS PARTICIPAÇÃO ACIONÁRIA 24/5/1995 SVEDALA DYNAPAC LTDA SVEDALA INDUSTRI AB 999 999 SVEDALA FAÇO LTDA 1 SVEDALA INDUSTRI AB 40 823.605 30/4/1999 SVEDALA LTDA SVEDALA FAÇO LTDA 1 JOAO NERY PRADO COLAGROSSI FILHO SVEDALA INDUSTRI AB 40.997.235 30111/1999 SVEDALA LTDA SVEDALA FAÇO LTDA 183..209 JOAO NERY PRADO COLAGROSSI FILHO 2 1/1/2002 METSO MINERALS (BRASIL) LTDA NORDBERG GmbH 11.651.465 METSO PAPER BRASIL LTDA 95 SVEDALA INDUSTRI AB 40.997.235 SVEDALA FAÇO LTDA 183.209 Processo np 10855 00489712003-02 Acórdão n ° 3101-00.288 S3-C1T1 Fl. 398 JOAO NERY PRADO COLAGROSSI FILHO 2 30/6/2003 METSO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA METSO MINERALS (DEUTSCHLAND) Gmbh METSO PAPER BRASIL LTDA METS0 MINERALS HOLDING AB SVEDALA FAÇO LTDA JOAO NERY PRADO COLAGROSSI FILHO 11.551.465 13 958.004 40 997.235 183.209 2 26/9/2003 METSO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA METSO MINERALS (DEUTSCHLAND) Gmbh METSO PAPER BRASIL LTDA METSO MINERALS HOLD1NG AB SVEDALA FAÇO LTDA JOAO NERY PRADO COLAGROSSI FILHO 11.551 465 13.958 004 80.997.235 183.209 2 Nesse diapasão, meu entendimento é de que o Código Tributário Nacional não teve intenção de proporcionar a isenção do empresário que, consciente de eventuais pendências tributárias de urna empresa sua, por meio do instituto de exclusão da responsabilidade dos sucessores, vi-se beneficiado por uma incorporação. A interpretação da norma não pode ser feita, tão-somente, pelo critério da literalidade e, nesse sentido, as questões de fato auxiliam a interpretação normativa. Ora, estamos diante de urna norma cuja exclusão da responsabilidade pressupõe um desconhecimento do incorporador dos fatos tributários que ensejam a exigência e a respectiva penalidade, bem como que não haja urna coincidência das pessoas que a controlam. Fatos esses não caracterizados nos autos, / Diante do exposto, G ‘-/ O PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, „-- cY/ % Luiz Roberto D rcdrir _o •9 9
score : 1.0
Numero do processo: 13807.000714/86-19
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 1988
Numero da decisão: 301-00.290
Decisão: RESOLVEM os membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência a Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: JOSE FAÇANHA MAMEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 23 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 198804
turma_s : Primeira Câmara
numero_processo_s : 13807.000714/86-19
conteudo_id_s : 6592484
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 22 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 301-00.290
nome_arquivo_s : Decisao_138070007148619.pdf
nome_relator_s : JOSE FAÇANHA MAMEDE
nome_arquivo_pdf_s : 138070007148619_6592484.pdf
secao_s : Terceiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência a Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 12 00:00:00 UTC 1988
id : 9289774
ano_sessao_s : 1988
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 23 09:37:40 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1730891387531952128
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 301290_138070007148619_198804; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2018-03-06T13:30:58Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 301290_138070007148619_198804; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 301290_138070007148619_198804; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2018-03-06T13:30:58Z; created: 2018-03-06T13:30:58Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2018-03-06T13:30:58Z; pdf:charsPerPage: 836; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2018-03-06T13:30:58Z | Conteúdo => ,"..f:, ' '.' • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA AMT SessãodeJ211eª~rU ,,,,,,,de19"JH~, ACORDÃO N,. 109.515 - Processo n9 13807-000714/86-19. PH1LCO RÁDIO E TELEVISÃO LTDA. DRF - SÃO PAULO - SP. • Recurso n.O Recorrente Recorrid a , R E S !O L U ç Ã O 301-290 • • • Visto, relatado e discutido o presente processo, RESOLVEM os membros da Primeira Câmara do Terceiro Con- selho de Contribuintes, por unanimidade de votos em converter o jul gamento em diligência a Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado . Brasília-DF, 12 de abril de 1988. J~ÇANH' .'.EDE - p-" ,id •• to . ~SA MARTA~LIVEIRA - Relatora . /~~MARIA DE LURDES MARTINS - Proc. da Fazenda Nacional. VISTO EM: SESSÃO DE: 1 O MAl 1988 • pa~ticiparam, ainda, do presente julgamento, os segUIn- tes Conselheiros: JOÃO HOLANDA COSTA, FAUSTO FREITAS DE CASTRO NETO, ABEILARD BARRETO, MARIA LUCIA SILVA CASTELO BRANCO, JOSÉ MARIA D~ MELO E HAMILTON DE SÁ DANTAS. • • •• • • • • -2- SERVICO PÚBLICO FEDERAL MF - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. RECURSO Nº 109.515 RESOLUÇÃO Nº 301-290. RECORRENTE: PHILCO RÁDIO E TELEVISÃO LTDA. RECORRIDA: DRF - SÃO PAULO - SP. RELATORA : ROSA MARTA MAGALHÃES DE OLIVEIRA. R E L A T Ó R I O Contra Philco Rádio e Televisão Ltda. foi lavrado o Au- to de infração de fls. 01 e verso, a saber: "No decorrer da Auditoria Aduaneira efetuada no estabe- lecimento da empresa retro qualificada, averiguamos im portaç6es de "BLOCO DE FOCO" atravis de Declaraç6es de Importação devidamente registradas, beneficiadas .'pelo regime do Despacho Aduaneiro Simplificado (DAS). Entre- tanto~ constatamos que houve classificação indevida na posiçao TAB 85.01.91.99 com alíquota 11=5%, sendo o cOL reto enquadramento tarifário na posição TAB 85.19.07.01 com alíguota 11=70% e IPI=IO% pois o BLOCO DE FOCO é um potenciometro de carvão, verificado na conferência físl ca da mercadoria na zona primária conforme Termo "DAS" lavrado anexos as Dls. nº 500.274 registrada em 15.01. 86, 501.671 de 10.03.86 e 503.107 de 24.04.86; bem como na análise efetuada na verificação física do Bloco de Foco no estabelecimento da empresa, concluimos que tra- ta-se de um potenciômetro de carvão, confirmando-se a classificação na posição 85.19.07.01, conforme amostra juntada. Isto posto, fica a empresa por esta melhor forma obrig£ da ao recolhimento da diferença do Imposto de Importa- ção e Imposto s/ Produtos Industrializados corrigido mQ netariamente e acrescidos do juros moratóri05bem como a multa prevista no art. ~4, inciso II do Dec. 87.981/82, tudo conforme demonstrativos anexos que integra o pre- sente Auto de Infração." Na impugnação a autuada insurge contra a revisão das im portaç6es, discordando da classificação tarifária proposta pelo audl tor fiscal. Apresenta farta doutrina e jurisprudência com o objetivo de discutir a legalidade do lançamento. Solicita perícia técnica por técnico certificante por ela indicado. Considerando tratar-se de uma execução fiscal - Audito- ria Aduaneira - e, não uma revisão de despacho aduaneiro, e que, a autuada, apesar do esforço, nada acrescentou aos autos para justifi- car a classificação adotada, os fiscais autuantes julgam desnecessá- ria a perícia técnica solicitada, deixando a critério da autoridade preparadora o atendimento ~ mesma adotando providências cabíveis.Man têm a exigência fiscal. .' -3- Rec. 109.515 Res. 301-290 e ~ 6º pelo Santos • SERVICO PÚBLICO FEDERAL Baseado no art. 17 do Decreto 70.235/72, "caput" inciso 11, do artigo 56 da Portaria/MF nº 653/77, remunerado artigo Ii da portaria/MF nº 27/85 foi encaminhado ao LABANA - amostra do produto indagando: a) a amostra de fls. 227 é um Bloco de Foco ou um poten ciômetro? b) qual o c6digo TAB para o produto em questio: 85.01. 91.99 ou 85.19.07.01? • • A amostra foi encaminhada ao Técnico certificante Dr. Manoel Hypp61ito Rigo Filho, retornando com a seguinte resposta: - "a mercadoria que é apresentada em amostra ~s. fls. 227 é somente Potenciômetro de carvio. A peça fundamen- tai foi aberta e a característica fundamental do poten- ciômetro de carvio totalmente "a mostra"." A autoridade de primeira instância apreciando a legiti- midade do Auto de Infraçio: - os benefícios do despacho aduaneiro simplificado sujeito ~s disposições da IN/SRF nº 19/78 (item 25); - incabível a alegaçio de imutabilidade do tributário por erro de direito ou alteraçio de critério Fisco; lançamento jurídico do - a mercadoria importada é realmente potenciômetro de 364, Con- lanç.í!. jurídi - é exigível a diferença de tributos e a multa do inc. II do dec. 87981/82, considera procedente a açio fiscal. Irresignada, a recorrente, interpõe recurso a este selho sustentando preliminarmente a tese de imutabilidade do mento tributário por erro de direito ou alteraçio do critério co do Fisco. carvao; • • • Alega o nio atendimento ~ sOlicitaçio de perícia técni- ca, gerando o cerceamento de defesa. No mérito discute a improcedincia do débito fiscal, e que o autuante definiu a mercadoria importada, apenas, em verific.í!. çao física, sem suporte de análise técnica. É O RELATÓRIO . • ) • SERViÇO PÚBLICO FEDERAL v O T O -4- Rec. 109.515 Res. 301-290 • • • • • • Da análise dos autos verificamos que a discussão diz respeito à descrição da mercadoria importada como: partes, peças e componentes para fabricação de transformadores de saída horizon tal "Fly Back" de aparelhos de televisão-Bloco de foco para ajus- tes de imagem de televisão. Assiste razão à recorrente ao alegar, no recurso,que a confirmação do produto foi realizada por técnico certificante, indicado pela IRF, sem ter sido atendida a sua solicitação de apresentar um perito e formular quesitos para a prova pericial do produto. Diante de tais alegações voto no sentido de se con verter o julgamento em diligincia, à Repartição de Origem, para que a mesma providencie a indicação de um técnico certificante e, intime a autuada a nomear perito de sua confiança, para juntos procederem a an,álise da amostra do produto em questão, de acordo com os quesitos a serem, por ela, recorrente, formulados. Sala das Sessões, 12 de abril de 1988. )~ ROSA MARTA MAGALHÃES DE OLIVEIRA - Relatora . 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 18108.002391/2007-49
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA NFLD INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO
NOTIFICAÇÃO
FISCAL DE
LANÇAMENTO DE DÉBITO SÚMULA
VINCULANTE STF Nº. 8 PERÍODO
NÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO
DO ART. 173, I, CTN.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula
Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São
inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei
1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de
crédito tributário”.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 173, I, CTN posto que não houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte.
No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 01/2002 a 12/2003, a ciência da NFLD ocorreu em 03.12.2007, dessa forma, não se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos do art. 173, I, CTN.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PAGAMENTO EM ESPÉCIE ALIMENTAÇÃO
EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
O pagamento, em espécie, de alimentação aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuições sociais previdenciárias.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES
DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART.
106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991
(que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A,
para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito
lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos
legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.070
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela
Lei 11.941/2009. Vencidos os Conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto na questão do PAT e na Preliminar de decadência vencido o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 23 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201202
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 18108.002391/2007-49
anomes_publicacao_s : 201202
conteudo_id_s : 4896945
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 19 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-001.070
nome_arquivo_s : 2403001070_18108002391200749_201202.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 18108002391200749_4896945.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Vencidos os Conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto na questão do PAT e na Preliminar de decadência vencido o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
id : 4749797
ano_sessao_s : 2012
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA NFLD INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 PERÍODO NÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 173, I, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 173, I, CTN posto que não houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 01/2002 a 12/2003, a ciência da NFLD ocorreu em 03.12.2007, dessa forma, não se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos do art. 173, I, CTN. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PAGAMENTO EM ESPÉCIE ALIMENTAÇÃO EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento, em espécie, de alimentação aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuições sociais previdenciárias. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 23 09:37:36 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1730891387552923648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2357; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 135 1 134 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18108.002391/200749 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 240301.070 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 8 de fevereiro de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente LA STUDIUM MOVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA NFLD INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 PERÍODO NÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 173, I, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os Fl. 139DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 173, I, CTN posto que não houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 01/2002 a 12/2003, a ciência da NFLD ocorreu em 03.12.2007, dessa forma, não se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos do art. 173, I, CTN. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PAGAMENTO EM ESPÉCIE ALIMENTAÇÃO EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento, em espécie, de alimentação aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuições sociais previdenciárias. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 140DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18108.002391/200749 Acórdão n.º 240301.070 S2C4T3 Fl. 136 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Vencidos os Conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto na questão do PAT e na Preliminar de decadência vencido o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Ausente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 95 a 110, com Anexo às fls. 111 a 132, interposto pela Recorrente – LA STUDIUM MOVEIS LTDA. contra Acórdão nº 1724.163 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo II SP, fls. 75 a 85, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº. 37.132.8403, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 7.061,95 (sete mil, sessenta e um reais e noventa e cinco centavos). O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social correspondente à Terceiros (SalárioEducação, INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE), no período de 01/2002 a 12/2003. O Relatório Fiscal, às fls. 20 a 22, informa que o crédito previdenciário teve como fato gerador, a concessão de cestas básicas a empregados, sem a inscrição obrigatória da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, nos termos da Lei 6.321 de 14 de abril de 1976, o que acarreta o afastamento da isenção previdenciária prevista no Artigo 28, § 9º, alínea c da Lei 8.212/1991. Ainda, o Relatório Fiscal, às fls. 20 a 22, mostra que o fato foi constatado das contas 729 Programa de Alimentação e 730 Recuperação de Despesas (3ucesp 121032 e 121033 de 29.07.03 e 140.052 de 30.08.04), com a informação de que a recuperação da despesas equivale a 10% do valor da espécie, tendo sido portanto, adotado para apuração indireto do custo, este parâmetro, tendo em vista que a empresa não apresentou regularmente suas folhas de pagamento com as relações de empregados. A Recorrente teve ciência do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09387455F00, bem como dos Demonstrativos de Emissão e Prorrogação de MPF às fls. 24 a 31. O período objeto da NFLD, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 08, é de 01/2002 a 12/2003. A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 03.12.2007, às fls. 01. A Recorrente apresentou Impugnação, às fls. 43 a 61, com Anexos às fls. 62 a 72. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1724.163 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo II SP, fls. 75 a 85, conforme Ementa a seguir: Fl. 142DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18108.002391/200749 Acórdão n.º 240301.070 S2C4T3 Fl. 137 5 Processo n° 18108.002391/200749 Acórdão n° 1724.163 8 Turma da DRJ / SPO II Sessão de 1 de abril de 2008 Interessado LA STUDIUM MÓVEIS LTDA. CNPJ/CPF 03.956.017/000105 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 NFLD DEBCAD N° 37.132.8403, de 29/11/2007 INCONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade de atos normativos é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Art. 97 e 102, I "a", da CF. TERCEIROS. DECADÊNCIA. Para as contribuições devidas a Terceiros, cujos fatos geradores tenham ocorrido depois do RESP n° 58918/RJ, publicado no Diário de Justiça de 19/06/1995, o prazo decadencial é de dez anos, em função da mudança de critério jurídico pelo Superior Tribunal de Justiça (Parecer n° 2521 da Consultoria do Ministério da Previdência Social, de 09/08/2001). O art. 45 da Lei 8.212/91 não foi até hoje declarado inconstitucional, estando em plena vigência, não podendo deixar de ser aplicado pela Administração. As contribuições previdenciárias estão sujeitas ao lançamento por homologação, tendo o ente tributante, no mínimo, dez anos, desde a ocorrência do fato gerador, para constituir o crédito tributário pelo lançamento. CESTA BÁSICA. INSCRIÇÃO. PAT. AUSÊNCIA. Integram o saláriodecontribuição os valores pagos a título de cesta básica (in natura), em desacordo com o PAT Lei 6.321/76. Lançamento Procedente Acordam os membros da 8' Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Encaminhese o presente processo à DICATEQCOB para cientificar o contribuinte do teor do presente Acórdão, intimandoo para pagamento do crédito no prazo de 30 dias da ciência, ressalvandolhe o direito à interposição de recurso voluntário ao 2° Conselho de Contribuintes, nos termos do legislação vigente. Sala de Sessões, em 1° de abril de 2008. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 95 a 110, com Anexo às fls. 111 a 132, onde alega em apertada síntese que: Em sede Preliminar. (i) Alegações de inconstitucionalidade. (ii) Da decadência. E, nesse sentido, tendo em vista que tal decisão vincula não só as esferas judiciais, como também as instâncias administrativas, é a presente para requerer seja aplicado, de imediato, o teor da Súmula n° 08 editada pelo STF ao presente feito, com a conseqüente extinção do crédito tributário exigida pela NFLD 37.132.8411, relativo ao período compreendido entre janeiro a novembro de 2002, em razão da decadência operada, e cujo reconhecimento por este Il. Órgão Julgador é uma imposição na natureza vinculante da Súmula editada. No Mérito. (iii) DO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR Vêse, pois, que a última adesão ao PAT se deu no ano de 1999. Como, então, a Recte. poderia apresentar o recibo de adesão referente aos últimos anos? Tratase de tarefa verdadeiramente impossível! Na mais extrema das suposições, a auditoriafiscal poderia ter solicitado à Recte. o recibo de recadastramento no PAT do ano de 2004, consoante Portaria SIT/DSST n° 66, de 19 de dezembro de 2003 (DOU 22.12.2003), cujo texto dispôs sobre o novo cadastramento das pessoas jurídicas beneficiárias, fornecedoras e prestadoras de serviços de alimentação coletiva. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18108.002391/200749 Acórdão n.º 240301.070 S2C4T3 Fl. 138 7 Nesse contexto, considerando o fornecimento da refeição in natura para o trabalho (elemento imprescindível ao desenvolvimento do contrato laboral), não há que se falar em incidência de contribuições sociais ou previdenciárias sobre os valores custeados pela Impugnante a título de alimentação, mesmo inexistindo eventual inscrição no PAT. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 134. É o Relatório. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 134. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Da regularidade da lavratura da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Foi realizada auditoriafiscal que resultou no lançamento da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, de contribuições destinadas à Seguridade Social correspondente a Terceiros. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado NFLD nº 37.132.8403 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura da NFLD nº 37.178.3798) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de Fl. 146DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18108.002391/200749 Acórdão n.º 240301.070 S2C4T3 Fl. 139 9 pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); Fl. 147DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 e. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. REPLEG Relatório de Representantes Legais (Este relatório lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação.); g. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); h. TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal; i. TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos;. j. TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal;. k. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o NFLD nº 37.132.8403, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação Fl. 148DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18108.002391/200749 Acórdão n.º 240301.070 S2C4T3 Fl. 140 11 fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (i) Alegações de inconstitucionalidade. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 149DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (ii) Da decadência. E, nesse sentido, tendo em vista que tal decisão vincula não só as esferas judiciais, como também as instâncias administrativas, é a presente para requerer seja aplicado, de imediato, o teor da Súmula n° 08 editada pelo STF ao presente feito, com a conseqüente extinção do crédito tributário exigida pela NFLD 37.132.8411, relativo ao período compreendido entre janeiro a novembro de 2002, em razão da decadência operada, e cujo reconhecimento por este Il. Órgão Julgador é uma imposição na natureza vinculante da Súmula editada. Analisemos. Devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18108.002391/200749 Acórdão n.º 240301.070 S2C4T3 Fl. 141 13 É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (g.n.)” Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, Fl. 152DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18108.002391/200749 Acórdão n.º 240301.070 S2C4T3 Fl. 142 15 segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: “Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n.)” Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. “Ementa: ....1. O entendimento jurisprudencial consagrado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir do fato gerador.Todavia, se não houver pagamento antecipado, incide a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.” (STJ.1ª Turma, AgRg no Ag 972.949/RS, Rel.: Min.Denise Arruda.,ago/08.) (g.n.) “Ementa: ....4. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5.Hipótyese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN.” (STJ. 2ª Turma, AgRg no Ag 939.714/RS, Rel.: Min. Eliana Calmon., fev/08.) . (g.n.) Fl. 153DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. (...) Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN..” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) . (g.n.) Uma corrente doutrinária também aponta que no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento, se aplica uma regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN em detrimento da aplicação da regra geral do art. 173, I, CTN. No entanto, nos casos de dolo, fraude ou simulação, de modo a que se configure a comprovada máfé do sujeito passivo, não corre o prazo do art. 150, § 4º, CTN mas sim a decadência tributária se rege pela disposição genérica do art. 173, I, CTN. Nesta corrente doutrinária podese citar, dentre outros, Ricardo Lobo Torres1, Eduardo Sabbag2, Mauro Luís Rocha Lopes3 e Leandro Paulsen4. Há vozes discordantes na doutrina que defendem que a decadência opera com base na regra geral de decadência esposta no art. 173 do CTN, haja ou não pagamento antecipado no caso de lançamento por homologação, de forma a não se aplicar o art. 150, § 4º, CTN. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ e com a primeira corrente doutrinária exposta no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN. Por outro lado, na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 173, I, CTN posto que não houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte, conforme se depreende do Relatório Discriminativo Analítico de Débito – DAD, às fls. 04 a 07. Verificase, da análise dos autos, que: O período objeto da NFLD, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 08, é de 01/2002 a 12/2003. A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 03.12.2007, às fls. 01. 1 TORRES, Ricardo Lobo. Curso de direito financeiro e tributário. 16. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2009. p. 283. 2 SABBAG, Eduardo. Manual de direito tributário. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 723. 3 LOPES, Mauro Luís Rocha. Direito tributário brasileiro. Rio de Janeiro: Impetus, 2009. p. 248. 4 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 11. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. p. 1036. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18108.002391/200749 Acórdão n.º 240301.070 S2C4T3 Fl. 143 17 Dessa forma, constatase que não se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados nos termos do artigo 173, I, CTN. No Mérito. (iii) DO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR Vêse, pois, que a última adesão ao PAT se deu no ano de 1999. Como, então, a Recte. poderia apresentar o recibo de adesão referente aos últimos anos? Tratase de tarefa verdadeiramente impossível! Na mais extrema das suposições, a auditoriafiscal poderia ter solicitado à Recte. o recibo de recadastramento no PAT do ano de 2004, consoante Portaria SIT/DSST n° 66, de 19 de dezembro de 2003 (DOU 22.12.2003), cujo texto dispôs sobre o novo cadastramento das pessoas jurídicas beneficiárias, fornecedoras e prestadoras de serviços de alimentação coletiva. Nesse contexto, considerando o fornecimento da refeição in natura para o trabalho (elemento imprescindível ao desenvolvimento do contrato laboral), não há que se falar em incidência de contribuições sociais ou previdenciárias sobre os valores custeados pela Impugnante a título de alimentação, mesmo inexistindo eventual inscrição no PAT. Analisemos. Conforme o constatado no Relatório Fiscal, às fls. 20 a 22, a Recorrente fornece alimentação aos empregados, por meio de cestas básicas, sem estar inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), requisito este disposto expressamente na legislação. Neste sentido, o Relatório Fiscal às fls. 20: 3. O crédito previdenciário teve como fato gerador, a concessão de cestas básicas a empregados, sem a inscrição obrigatória da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, nos termos da Lei 6.321 de 14 de abril de 1976, o que acarreta o afastamento da isenção previdenciária prevista no Artigo 28, Parágrafo 9º, alínea c da Lei 8.212/91. A Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976, que trata do Programa de Alimentação do Trabalhador: Fl. 155DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 Art.3°. Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga 'in natura' pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. O Decreto n° 5, de 14 de janeiro de 1991, que regulamenta a Lei n°6.321/76: Art. 1°. A pessoa jurídica poderá deduzir, do imposto de renda devido, valor equivalente a aplicação da aliquota cabível do imposto de renda sobre a soma das despesas de custeio realizadas, no períodobase, em Programas de Alimentação do Trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social MTPS nos termos deste regulamento. (...) § 4° para os efeitos deste Decreto, entendese como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a apresentação de documento hábil a ser definido em Portaria dos Ministros do Trabalho e Previdência Social, da Economia, Fazenda e Planejamento e da Saúde. (...) Art. 4°. Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (Redação dada pelo Decreto n. 0 2.101, de 23 de dezembro de 1996). Art. 6°. Nos programas de alimentação do trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência: Social a parcela paga natura' pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador. Desta forma, de acordo com a legislação de regência do PAT, o fornecimento de alimentação não integra o saláriodecontribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias, quando, nos termos da Lei n°6.321, de 1976, atenda os requisitos do programa de alimentação previamente aprovado pelo Ministério do Trabalho. Conforme o disposto na legislação previdenciária, art. 28, § 9º , c, Lei 8.212/1991, o fornecimento de alimentação integra o saláriodecontribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias quando não atenda os requisitos do programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho. (Lei 8.212/1991) Art. 28. Entendese por saláriode contribuição: Fl. 156DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18108.002391/200749 Acórdão n.º 240301.070 S2C4T3 Fl. 144 19 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Ademais, embora existam decisões judiciais em sentido contrário, o Poder Judiciário também apresenta posicionamentos neste sentido da exigibilidade da contribuição previdenciária: TRIBUTÁRIO: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PAGAMENTOS A FUNCIONÁRIOS DO BANCO. ACORDO COLETIVO. HABITUALIDADE E FINALIDADE. NATUREZA JURÍDICA. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA. EXIGIBILIDADE. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA PARCIAL. I Os pagamentos habituais efetuados pelo banco aos seus funcionários empregados, tais como ajuda de custo para supervisor de contas, prêmio produção, salário, licença prêmio, gratificação semestral, auxilio crechebabá e ajuda de custo aluguel/alimentação/transporte compõem a remuneração e integram o salário de contribuição, donde exigível a contribuição previdenciária sobre tais verbas (Lei CF, art. 201 § 11°c Lei 8212/91, art. 28, I). II O acordo coletivo e a convenção coletiva de trabalho não têm o condão de afastar a lei, dispondo sobre a natureza jurídica de verbas percebidas pelo empregado, nem tampouco excluilas da incidência da contribuição previdenciária. (TRF3 — REO — REMESSA EX OFICIO 429742 Processo n° 98030621629 SP. Decisão 28/05/2002. 2° Turma. Relatora Des. Marianina Galante. DJU 28/02/2002). Desta forma, não prospera a argumentação da Recorrente pois a legislação aponta expressamente a incidência de contribuição previdenciária na parcela "in natura" recebida em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social Programa de Alimentação do Trabalhador. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 20 MULTA DE MORA Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18108.002391/200749 Acórdão n.º 240301.070 S2C4T3 Fl. 145 21 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que se recalcule o valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 159DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720443/2011-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Tue Apr 19 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2007
CANCELAMENTO DE ISENÇÃO. INGRESSO NA JUSTIÇA COM O MESMO OBJETO. RENÚNCIA ADMINISTRATIVA.
Nos termos da súmula CARF nº1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
COISA JULGADA EM AÇÃO DECLARATÓRIA PARCIALMENTE FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. FATO SUPERVENIENTE AO ACÓRDÃO IMPUGNADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE POR PARTE DO CARF.
Ante a supremacia da instância judicial, aplicam-se os efeitos da decisão judicial definitiva para a resolução do decorrente processo administrativo na parte que lhe é favorável.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema.
Numero da decisão: 2401-010.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os valores apurados relativos ao estabelecimento matriz.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gustavo Faber de Azevedo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jose Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Gustavo Faber de Azevedo, Rayd Santana Ferreira, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: Gustavo Faber de Azevedo
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 23 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 202204
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2007 CANCELAMENTO DE ISENÇÃO. INGRESSO NA JUSTIÇA COM O MESMO OBJETO. RENÚNCIA ADMINISTRATIVA. Nos termos da súmula CARF nº1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. COISA JULGADA EM AÇÃO DECLARATÓRIA PARCIALMENTE FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. FATO SUPERVENIENTE AO ACÓRDÃO IMPUGNADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE POR PARTE DO CARF. Ante a supremacia da instância judicial, aplicam-se os efeitos da decisão judicial definitiva para a resolução do decorrente processo administrativo na parte que lhe é favorável. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 19 00:00:00 UTC 2022
numero_processo_s : 10830.720443/2011-62
anomes_publicacao_s : 202204
conteudo_id_s : 6591876
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 19 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2401-010.143
nome_arquivo_s : Decisao_10830720443201162.PDF
ano_publicacao_s : 2022
nome_relator_s : Gustavo Faber de Azevedo
nome_arquivo_pdf_s : 10830720443201162_6591876.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os valores apurados relativos ao estabelecimento matriz. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Gustavo Faber de Azevedo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jose Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Gustavo Faber de Azevedo, Rayd Santana Ferreira, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2022
id : 9287898
ano_sessao_s : 2022
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 23 09:37:39 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1730891387636809728
conteudo_txt : Metadados => date: 2022-04-14T14:55:30Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2022-04-14T14:55:30Z; Last-Modified: 2022-04-14T14:55:30Z; dcterms:modified: 2022-04-14T14:55:30Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2022-04-14T14:55:30Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2022-04-14T14:55:30Z; meta:save-date: 2022-04-14T14:55:30Z; pdf:encrypted: true; modified: 2022-04-14T14:55:30Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2022-04-14T14:55:30Z; created: 2022-04-14T14:55:30Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2022-04-14T14:55:30Z; pdf:charsPerPage: 1926; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2022-04-14T14:55:30Z | Conteúdo => S2-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10830.720443/2011-62 Recurso Voluntário Acórdão nº 2401-010.143 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 5 de abril de 2022 Recorrente MATERNIDADE DE CAMPINAS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2007 CANCELAMENTO DE ISENÇÃO. INGRESSO NA JUSTIÇA COM O MESMO OBJETO. RENÚNCIA ADMINISTRATIVA. Nos termos da súmula CARF nº1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. COISA JULGADA EM AÇÃO DECLARATÓRIA PARCIALMENTE FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. FATO SUPERVENIENTE AO ACÓRDÃO IMPUGNADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE POR PARTE DO CARF. Ante a supremacia da instância judicial, aplicam-se os efeitos da decisão judicial definitiva para a resolução do decorrente processo administrativo na parte que lhe é favorável. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os valores apurados relativos ao estabelecimento matriz. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 04 43 /2 01 1- 62 Fl. 1346DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-010.143 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.720443/2011-62 Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Gustavo Faber de Azevedo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jose Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Gustavo Faber de Azevedo, Rayd Santana Ferreira, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo dirigido a este Conselho contra a decisão da 09ª Turma da DRJ em Campinas, acórdão nº 05-34.258, que por unanimidade de votos, julgou improcedentes as impugnações, mantendo os créditos tributários exigidos. AÇÃO FISCAL O processo versa sobre ação fiscal em face do sujeito passivo que resultou em lançamentos de créditos previdenciários, nas competências 02/2007 a 13/2007, decorrentes do Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais nº 21.424.1/001/2004, de 06/10/2004, processo administrativo nº 37324.007954/2004-32, por meio do qual, foi cancelada a isenção das contribuições a cargo da empresa, de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei nº 8.212/1991, por infração do sujeito passivo aos incisos IV e V do artigo 55 da mesma lei. Os autos de infração estão abaixo descritos: - nº 37.329.545-6, AIOP referente às contribuições previdenciárias previstas no art. 22, incisos I (parte patronal) e II (financiamento dos benefícios concedidos em função do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho - RAT), da Lei nº 8.212/1991; - nº 37.329.546-4, AIOP referente às contribuições destinadas a terceiros (FNDE, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE); e. - nº 37.303.126-2, AIOA CFL 68, referente à multa prevista no art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, referentes às competências de 02/2007 a 13/2007. Consignou a autoridade no Relatório Fiscal (e-fls. 26/33) que: - o sujeito passivo informou indevidamente as remunerações dos trabalhadores a seu serviço e demais fatos geradores de contribuição previdenciária em GFIP (Guias de Recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social) com o código do FPAS 639. E ao agir assim, o sistema deixou de calcular a cota patronal de contribuição previdenciária, que lhe era devida em razão do ATO CANCELATÓRIO; - a situação ora descrita, em tese, configura a prática de crime contra a ordem tributária de acordo com o artigo 1º, Inciso I da Lei nº 8137/1990, que dispõe: “constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, Fl. 1347DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-010.143 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.720443/2011-62 mediante as seguintes condutas: I – Omitir informação ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias”, motivo pelo qual será objeto de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, em relatório à parte, com comunicação à autoridade competente para as providências cabíveis; - o lançamento do crédito previdenciário foi efetuado com base nos comprovantes de declaração das contribuições a recolher à previdência social e a outras entidades e fundos, por FPAS (639) e comprovantes de entrega da GFIP (Conectividade Social) apresentados pela empresa, após recebimento do Termo de Inicio do Procedimento Fiscal – TIPF e posteriores Termos de intimação Fiscal – TIF, corroborados com as informações constantes dos nossos sistemas corporativos: GFIP WEB e PLENUS. Os fatos geradores apurados na ação fiscal foram: - as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos trabalhadores empregados, código categoria 01, no período abrangido pelas competências 02/2007 a 13/3007, apuradas com base nos valores informados na GFIPS no código FPAS incorreto, lançadas sob código de levantamento “RE” e discriminadas, por trabalhador, no ANEXO I (Estabelecimento Matriz) e ANEXO II (Filial 0002-91), ambos em mídia digital; - as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos trabalhadores contribuintes individuais, código categoria 13, no período abrangido pelas competências 02/2007 a 12/2007 apuradas com base nos valores informados na GFIP no código FPAS incorreto, lançadas sob código de levantamento “RC” e discriminadas no ANEXO III (em mídia digital); -as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos trabalhadores empregados, código categoria 01, no período abrangido peias competências 02/2007 a 13/2007, apuradas com base nos valores informados na GFIP, no código FPAS incorreto, com indicação no campo de ocorrência 4 ou 8 (exposição a agentes nocivos – aposentadoria especial 25 anos de trabalho), sendo lançada a referida base de cálculo, sob código de levantamento “AR” para apuração do ADICIONAL RAT, as quais se encontram discriminadas no Relatório de Lançamentos – RL; A autoridade consignou ainda, que o sujeito passivo incorreu em infração à legislação previdenciária por descumprimento de obrigação acessória, fundamento legal 68, tendo sido constatado que informou as Guias de Recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e informações à Previdência Social – GFIP com código do FPAS 639. Conforme descrito, o mesmo não faz jus à isenção da parcela patronal da contribuição previdenciária tendo, a utilização do referido código do FPAS, implicado em alteração dos valores das contribuições devidas no período 02/2007 a 13/2007, vez que o sistema deixou de calcular a referida cota patronal de contribuição previdenciária. Desta forma, continuou a autoridade, o sujeito passivo incorreu em infração prevista na Lei 8.212/1991, artigo 32, inciso IV e § 5º, acrescentado pela Lei nº 9.528/1997, combinado com o artigo 225, inciso IV e § 4º do Regulamento da Previdência Social, Decreto 3048/1999. IMPUGNAÇÃO Fl. 1348DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-010.143 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.720443/2011-62 Cientificado regularmente das autuações em 05/04/2011, o sujeito passivo apresentou impugnações em 05/05/2011 (fls. 778/795, 886/903 e 993/1011), tendo alegado que: - as autuações fiscais são inteiramente decorrentes do cancelamento do reconhecimento da isenção das contribuições sociais, processo administrativo fiscal nº 37.324007954/ 2004-32; - houve violação do seu direito com relação ao processo nº 37.324.007954/2004- 32, que julgou procedente em última instância administrativa o ato cancelatório de reconhecimento de isenção de contribuições sociais; - ante a violação de seu direito constitucional, mister seja desconsiderada pela DRJ, a decisão proferida no processo nº 37324.007954/2004-32, por ser de direito, conforme restará demonstrado; - se vê obrigada a recorrer às medidas cabíveis através das vias próprias; - é errôneo o preceito fundado no processo nº 37324.007954/2004-32 de que a remuneração de empresa terceirizada, contratada para administrar e gerir a filial do sujeito passivo teria causado infração aos requisitos para o reconhecimento da “isenção”, ofendendo ao artigo 55, IV da Lei nº 8.212/1991; - seus diretores nunca foram remunerados, nem jamais receberam valores provenientes da operação, cuja concessão lhe foi feita pela Prefeitura Municipal de Campinas; - o terminal rodoviário (filial) foi administrado por terceiro, cujos serviços efetivamente prestados pelos profissionais responsáveis eram remunerados, o que de forma alguma infringiria a legislação referente à imunidade tributária; - não é crível que a concessão municipal, que teve justamente o escopo de ajudar o sujeito passivo financeiramente, seja a causa de sua bancarrota e que em momento algum descumpriu o disposto no art. 55, inciso V, da Lei nº 8.212, de 1991; - destaca que sempre obteve o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS); - é sociedade civil sem fins lucrativos, cujo objetivo principal é a prática permanente da gratuidade e assistência obstetrícia à mulher carente; - é reconhecida como de utilidade pública federal, estadual e municipal, conforme documentos anexados aos autos. Merece destaque o fato de ter sido reconhecida como imune devidamente pela Prefeitura Municipal de Campinas nos termos do Ofício 150/10 – SMF/GS anexado aos autos; - em razão das atividades que realiza, bem como por enquadrar-se nas determinações insertas no art. 195, § 7º, da Constituição Federal, c/c art. 14 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), é sociedade não só isenta, mas também imune ao pagamento de tributos, não sendo devedora das contribuições patronais; Fl. 1349DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-010.143 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.720443/2011-62 - sociedade não só isenta, mas também imune ao pagamento de tributos, não sendo devedora das contribuições patronais; - conforme disposto em seu Estatuto Social, atende plenamente os requisitos estabelecidos em lei, quais sejam, os dispostos no art. 14 do CTN; - em que pese o § 7º do art. 195 da Constituição Federal fazer menção a isenção, tratando-se de desoneração concedida pelo texto constitucional, está configurada verdadeira imunidade que alcança as contribuições sociais, condicionada ao atendimento dos requisitos estabelecidos em lei; - os requisitos para a imunidade prevista no § 7º do art. 195 da Constituição Federal só podem estar definidos em lei complementar, razão pela qual são eles os previstos no art. 14 do CTN, os quais, conforme disposto em seu Estatuto Social, atende plenamente; - é uma instituição beneficente de assistência social que desempenha papel que na verdade é de responsabilidade do Estado, atendendo a mais de sessenta por cento dos seus pacientes por meio do Sistema Único de Saúde, razão pela qual deve ser levado em consideração o disposto no art. 5º da Lei de Introdução ao Código Civil: na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum. Ao final, o sujeito passivo consignou que pretende provar seu direito ao gozo da imunidade por todos os meios de prova admitidos, especialmente por prova pericial, discriminando os quesitos a serem respondidos e indicando sua perita. ACÓRDÃO DRJ Sobreveio, assim, o acórdão da 09ª Turma da DRJ em Campinas, nº 05-34.258, que, conforme relatado, por unanimidade de votos, julgou improcedentes as impugnações, mantendo os créditos tributários exigidos. Segue abaixo a ementa do referido acórdão (e-fls. 1105/1113): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2007 CANCELAMENTO DE ISENÇÃO. REDISCUSSÃO. Em processo referente a auto de infração, não cabe a rediscussão de ato que cancelou a isenção/imunidade objeto de processo específico. LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA E OBRIGATÓRIA. A constituição do crédito tributário pelo lançamento é atividade administrativa vinculada e obrigatória. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário. Fl. 1350DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-010.143 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.720443/2011-62 RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignado com a decisão de piso, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário (e-fls.1122/1145). Compulsando-se os autos do processo, não encontro o Aviso de Recebimento da Intimação Secat/DRF/CPS nº 1.060/2011, documento hábil a comprovar a data da ciência do sujeito passivo da decisão de primeira instância, acórdão DRJ/CPS nº 05-34.258. Na peça recursal, e-fl.1122, constam que o recorrente foi cientificado do acórdão DRJ/CPS nº 05-34.258 em 02/09/2011, sexta-feira, e o protocolo do recurso voluntário foi realizado em 04/10/2011, segunda-feira (e-folha 1122). No recurso, o sujeito passivo repisou as alegações já apresentadas na impugnação, e também: Acórdão Recorrido - os Senhores Julgadores da DRJ em Campinas votaram de forma completamente desconexa e errônea no tocante à questão à imunidade das entidades beneficentes de assistência social, ao afirmar que o sujeito passivo deveria atender aos requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/1991, então vigente, pois, de acordo com o entendimento do STF, a lei ordinária não pode limitar o direito constitucional à imunidade, e o dispositivo legal a ser atendido pelas entidades beneficentes é o artigo 14 do Código Tributário Nacional, conforme ocorre com o recorrente; - requer, assim, que seja adotado o entendimento do Supremo Tribunal Federal e afastadas as limitações infraconstitucionais ao direito da Recorrente à imunidade, uma vez que a mesma preenche todos os requisitos para aproveitar-se dos benefícios da imunidade constitucional tributária; - o presente recurso não pretende afastar a aplicação de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, mas sim requerer que seja aplicado o que dispõe a Constituição Federal, pleiteia exclusivamente o reconhecimento do seu direito constitucional à imunidade. Ato Cancelatório de Isenção não transitou em julgado - não é verdadeira a afirmação contida no Acórdão recorrido que processo n° 37.324.007954/2004-32 foi julgado procedente em última instância administrativa, mantendo o ato cancelatório de reconhecimento de isenção de contribuições sociais, posto que esteja pendente de apreciação perante este Egrégio CARF; - se verifica da anexa cópia do Despacho datado de 30 de julho de 2007 (e-fls. 93 - doc. 03), o CRPS reconheceu ser órgão incompetente para apreciar e julgar a questão e encaminhou o processo para o novel Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, seguindo a determinação legal, onde se encontra pendente de apreciação; - a DRJ de Campinas/SP alegou, em síntese, que o fato do CRPS não ter conhecido dos Embargos de Declaração (ou recurso de revisão conforme entendimento do Fl. 1351DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-010.143 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.720443/2011-62 CRPS) opostos pela Maternidade de Campinas em face do acórdão que ratificou o cancelamento da isenção nos autos do Ato Cancelatório significa que o mesmo transitou em julgado; - requer seja oficiado ao CARF para que informe acerca do andamento referente ao processo administrativo n° 37324.007954/2004-32, por ser questão prejudicial à apreciação e julgamento do presente processo administrativo, e, com a resposta daquele órgão seja proferida nova decisão nestes autos. Incorreção do Ato Cancelatório de Isenção Na sequência, o recorrente passa a argumentar pontos já abordados na impugnação. Segue abaixo trecho do relatório da DRJ, que bem retrata estas alegações: A partir disso, a impugnante tece argumentos contra os fundamentos que ocasionaram o cancelamento de sua isenção, alegando, em síntese, que seus diretores nunca foram remunerados, nem jamais receberam valores provenientes da operação do terminal rodoviário, cuja concessão lhe foi feita pela Prefeitura Municipal de Campinas, sendo que este, sim, foi administrado por terceiro, cujos serviços efetivamente prestados pelos profissionais responsáveis eram remunerados, o que de forma alguma infringiria a legislação referente à imunidade tributária. Afirma, ainda, que não é crível que a concessão municipal, que teve justamente o escopo de ajudar-lhe financeiramente, seja a causa de sua bancarrota e que em momento algum descumpriu o disposto no art. 55, inciso V, da Lei nº 8.212, de 1991, não se sustentando, portanto, os fundamentos do ato cancelatório de reconhecimento de isenção de contribuições sociais. E, como prova de que preenchem os requisitos necessários para ter a isenção, a autuada destaca que sempre obteve o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), conforme documentos juntados aos autos. Da Multa Aplicada por Descumprimento de Obrigação Acessória - a multa no valor de R$ 434.217,45, foi aplicada sob a alegação de que não foram declarados na GFIP os valores pagos a funcionários e autônomos, com fundamento no artigo 32, § 5° da Lei n° 8.212, na redação da Lei n° 9.528/97; - ocorre que o dispositivo legal utilizado para aplicação e graduação da multa está revogado por lei nova mais benéfica ao contribuinte, desde a edição da Lei 11.941/2009, que acrescentou o artigo 32-A, à Lei 8.212/91, revogando expressamente a legislação anterior; - mesmo considerando que a data dos fatos geradores é anterior à edição da Lei n° 11.941/2009, aplica-se o novo dispositivo legal por ser menos gravoso ao contribuinte; - a jurisprudência do CARF é pacífica no sentido de determinar a aplicação da lei nova mais benéfica; - requer seja determinado recalculo da multa aplicada com fundamento no artigo 32-A, da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei n° 11.941/2009; Prova Pericial - a produção de prova foi indeferida ante a alegação de não caberia analisar a questão da imunidade neste processo, o que é falso diante do seu direito constitucional à imunidade; Fl. 1352DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-010.143 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.720443/2011-62 - ao indeferir a produção da prova sob o referido argumento o v. Acórdão está vilipendiando os direitos constitucionais à ampla defesa e ao devido processo legal. Pedido No pedido, requer: 1) preliminarmente, seja desconsiderada a decisão proferida no processo n° 37324.007954/2004-32, que manteve o Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais n.º 21.424.1/001/2004, eis que não transitado em julgado até a presente data; 2) que, quanto ao mérito, seja dado provimento ao presente recurso para desconstituir a totalidade do crédito tributário exigido através dos autos de infração 37.329.545- 6, 37.329.546-4 e 37.303.126-2, uma vez que o recorrente está protegido tanto pela isenção como também pela imunidade tributária, eis que sempre cumpriu todos os requisitos do artigo 14 do CTN, conforme farta documentação apensada nos autos, sendo indiferente para o seu reconhecimento a existência de "ato cancelatório" expedido unilateralmente pelo fisco, em afronta à Constituição Federal; 3) caso seja outro o entendimento e sejam mantidos os autos de infração, requer seja reconhecida a incidência da lei mais benéfica no tocante à aplicação e cálculo da multa referente ao AI/DEBCAD n° 37.303.126-2, nos termos do artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n° 11.941/09, por ser menos gravoso ao contribuinte, conforme determinação do artigo 106, II, c, do CTN, sendo determinado o recalculo da multa de acordo com o novel dispositivo legal; 4) seja reformada a decisão de piso, para ser deferida a prova pericial requerida e os quesitos já formulados, protestando desde já pela formulação de quesitos complementares, sob pena de grave cerceamento ao seu direito de defesa; 5) a fim de evitar julgamentos conflitantes, requer ainda que os processos administrativos relacionados com os Autos de Infração - DEBCADs 37.329.545-6, 37.329.546-4 e 37.303.126-2 continuem apensados para julgamento simultâneo. Em 10/08/2017, o sujeito passivo protocolou petição a este Conselho, expondo (e- fls. 1247/1272) e requerendo (e-fls. 1241/1243) o que se segue: Nas razões do recurso voluntário interposto, a RECORRENTE argumenta ser entidade beneficente de assistência social sem fins lucrativos, de forma que goza de imunidade tributária, razão pela qual deve ser desconstituído o crédito tributário exigido nos autos de infração DEBCADs 37.329.545-6, 37.329.546-4 e 37.303.126-2. Objetivando o reconhecimento judicial da imunidade tributária, a RECORRENTE ajuizou ação declaratória distribuída sob nº 0000017-15.2012.4.03.6105, na qual foi proferida sentença favorável, reconhecendo-se que a matriz da Maternidade de Campinas “demonstrou, por intermédio da documentação coligida aos autos, ostentar a condição de entidade beneficente de assistência social, razão pela qual merece ser mantida no rol dos entes alcançados pela imunidade instituída no § 7º do art. 195 da Constituição Federal”. Fl. 1353DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2401-010.143 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.720443/2011-62 Em face da citada sentença, a União Federal interpôs recurso de apelação, ao qual foi negado provimento. Posteriormente, foram interpostos outros recursos, inclusive, recurso especial, que foi inadmitido, e recurso de agravo contra decisão denegatória de recurso especial, que restou improvido pelo C. Superior Tribunal de Justiça, tendo o acórdão da apelação, que manteve a sentença, transitado em julgado. Assim, considerando que a discussão trazida no recurso voluntário cinge-se à imunidade tributária, bem como que há decisão judicial nesse sentido, a RECORRENTE requer a juntada da sentença e do acórdão proferido na ação declaratória nº 0000017- 15.2012.4.03.6105, a fim de corroborar as suas alegações, de modo que seja, ao final, dado provimento integral ao recurso voluntário interposto. Nesses termos, pede deferimento. Em 08/03/2022, foi anexada aos autos a decisão proferida sentença em Mandado de Segurança nº 5000523-51.2022.4.03.6105 (e-fls.1273/1279), impetrado pelo sujeito passivo em face do Presidente da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, da 2ª Sessão de Julgamento deste Conselho, com o seguinte dispositivo: Ante o exposto, CONCEDO a segurança pleiteada, resolvo o mérito do processo, a teor do art. 487, I do CPC e determino à autoridade impetrada as providências necessárias para que o Processo Administrativo Fiscal nº 10.830.720443/2011-62 seja pautado e julgado em até de 30 (trinta) dias. Na sequência, o processo foi distribuído a este relator, que, em cumprimento à sentença em Mandado de Segurança, pautou o processo para a sessão de julgamento subsequente. Em 01/04/2022, nova petição foi apresentada pelo recorrente para instrução do processo (e-fls. 1283/1345): - manifestação do transito em julgado da ação declaratória; - petição inicial da ação judicial nº 0000017-15.2012.4.03.6105; - decisão do agravo em recurso especial STJ; - certidão de transito em julgado. É o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Faber de Azevedo, Relator. ADMISSIBILIDADE Conforme relatado, não há no processo o Aviso de Recebimento da Intimação Secat/DRF/CPS nº 1.060/2011, documento hábil a comprovar a data da ciência do sujeito passivo da decisão de primeira instância, acórdão DRJ/CPS nº 05-34.258. Fl. 1354DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2401-010.143 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.720443/2011-62 Na sua peça recursal, o sujeito passivo consignou que foi cientificado da referida decisão em 02/09/2011, uma sexta-feira. Tendo-se em conta que a intimação Secat/DRF/CPS nº 1.060/2011 (e-fl.1120) foi lavrada no dia 26/08/2011, uma sexta-feira, e que a ciência informada pelo sujeito passivo ocorreu na sexta-feira seguinte (no dia 02/09), reputo o tempo decorrido entre uma data e outra bastante razoável, considerando-se a lavratura da intimação, postagem e a entrega do documento no domicílio tributário do sujeito passivo (com ocorrência da ciência). Assim, entendo que o recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, uma vez que foi protocolado em 04/10/2011, ou seja, no último dia do prazo disponível de 30 dias para apresentação do recurso, que se iniciara em 05/09/2011, segunda-feira (dia 02/09/2011 tinha sido uma sexta-feira). Portanto, o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, e com isso, deve ser conhecido. DISCUSSÃO ACERCA DO ATO CANCELATÓRIO DA ISENÇÃO/IMUNIDADE – RENÚNCIA ADMINISTRATIVA O sujeito passivo requereu preliminarmente, seja desconsiderada a decisão proferida no processo n° 37324.007954/2004-32, que manteve o Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais nº 21.424.1/001/2004, eis que não transitado em julgado até a presente data. Entretanto não assiste razão o recorrente. Em que pese os argumentos apresentados na preliminar no recurso voluntário, deixo de apreciá-los, pois a situação impõe a renúncia administrativa à presente discussão em relação ao Ato Cancelatório, tendo em vista que o sujeito passivo ingressou na Justiça ajuizando ação declaratória nº 0000017-15.2012.4.03.6105, objetivando a declaração de nulidade do Ato de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais no nº 21.424.1/001/2004. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo importa em renúncia administrativa. Este é o entendimento esposado na súmula CARF nº 1, que assim dispõe: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. REFLEXOS DA AÇÃO JUDICIAL Nº 0000017-15.2012.4.03.6105 Em 10/08/2017, o sujeito passivo peticionou manifestando que ajuizou a ação nº 0000017-15.2012.4.03.6105 com o objetivo de obter o reconhecimento judicial da imunidade Fl. 1355DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2401-010.143 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.720443/2011-62 tributária, tendo obtido sentença favorável, a qual reconheceu que a matriz da Maternidade Campinas faz jus à imunidade. A partir disso, tendo em vista que o recurso voluntário encontra-se pendente de julgamento neste Conselho, que os lançamentos previdenciários aqui analisados são decorrentes do Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais nº 21.424.1/001/2004, e que, a ação judicial declaratória nº 0000017-15.2012.4.03.6105, objetivou a declaração de nulidade do referido Ato Cancelatório, com sentença favorável ao sujeito passivo, faz-se necessário analisar os reflexos da aludida ação judicial na resolução da lide. Na referida ação, o contribuinte formulou o seguinte pedido (e-fls. 1291/1336): DO PEDIDO 1) seja deferida a liminar para suspender todo o crédito tributário relacionado às contribuições previdenciárias, quota patronal, decorrentes do “Ato Cancelatório” até que seja julgada em definitivo a presente ação nos termos do artigo 151, V do CTN. 2) Requer seja a presente ação julgada integralmente procedente para declarar a nulidade do “Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais nº 21.424.1/001/2004”, tendo em vista que nunca houve descumprimento ao disposto no inciso V, do artigo 55, da Lei nº 8.212/1991, uma vez que os valores destinados às empresas terceirizadas de prestação de serviços de administração/gestão do Terminal Rodoviário caracterizam PAGAMENTO PELOS SERVIÇOS EFETIVAMENTE PRESTADOS, dentro da mais estrita legalidade, conforme fundamentação supra, bem como considerando que a Autora também entidade imune. Vislumbra-se também que o artigo 55 da Lei 8212/1991, que fundamentou a expedição do referido ato cancelatório, é inconstitucional uma vez que a matéria é reservada à Lei Complementar (artigo 14 CTN), sendo objeto de Recurso Extraordinário a ser apreciado sob a égide de repercussão geral, e da ação direta de inconstitucionalidade 2028/DF, tendo sido EXPRESSAMENTE REVOGADO PELA LEI Nº12. 101/2009, conforme argumentação supra. 3) Sendo julgado procedente o pedido anterior, requer sejam canceladas todas as exigências fiscais dele decorrentes. (...) Observa-se que a aludida ação judicial foi interposta após a decisão da DRJ que julgou as impugnações improcedentes. Segue abaixo o dispositivo da sentença, às e-fls. 1248/1257: Na espécie, a Maternidade de Campinas demonstrou, por intermédio da documentação coligida aos autos, ostentar a condição de entidade beneficente de assistência social, razão pela qual merece ser mantida no rol dos entes alcançados pela imunidade instituída no §7º do art. 195 da Constituição Federal. Diante de tudo que nos autos consta, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE O PEDIDO, razão pela qual cancelo em parte as exigências fiscais relativas às contribuições previdenciárias, quota patronal, decorrente do Ato Cancelatório nº 21.424.1/001/2004, uma vez que os documentos coligidos aos autos atestam o expresso reconhecimento dos entes federados (União, Estado e Município), quanto à autora, da sua condição de entidade beneficente assistencial. De outro lado, diante da impossibilidade de se estender automaticamente o benefício fiscal constante no art. 195 § 7º, da Constituição Federal, à filial da autora, que, por sua vez, deve abranger Fl. 1356DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 2401-010.143 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.720443/2011-62 unicamente as rendas destinadas à entidade beneficente matriz para o desenvolvimento das suas atividades estatutárias, determino que a parte ré promova a revisão do lançamento, mediante a devida apuração das contribuições previdenciárias e dos benefícios legais gozados indevidamente pela filial, conforme motivação, nos termos da legislação vigente, e que, em sendo o caso, constitua o crédito tributário e adote as medidas administrativas pertinentes em face desta, resolvendo o mérito nos termos do artigo 269, inciso I, do Código de Processo Civil. A União Federal interpôs recurso de apelação, ao qual foi negado provimento. O dispositivo do acórdão do Tribunal assim dispôs: ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Quinta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por maioria, negar provimento à remessa oficial e à apelação da União, julgando prejudicado o agravo regimental de fls. 512/533, nos termos do voto do relator, acompanhado pelo Juiz Fed. Conv. Carlos Francisco, vencido o Des. Fed. André Nekatschalow que dava provimento ao reexame necessário e à apelação para julgar improcedente o pedido, fixados os honorários advocatícios em dois mil reais. São Paulo, 24 de março de 2014. Antonio Cedenho Desembargador Federal Na sequência foram interpostos outros recursos, inclusive, recurso especial, que foi inadmitido, e recurso de agravo contra decisão denegatória de recurso especial, que restou improvido pelo Superior Tribunal de Justiça: Trata-se de agravo manejado pela FAZENDA NACIONAL contra decisão que não admitiu recurso especial, este interposto com fundamento no art. 105, III, a, da CF, desafiando acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, assim ementado (fls. 726-727): PROCESSUAL CIVIL. DIREITO TRIBUTÁRIO E PREVIDENCIÁRIO. IMUNIDADE DE ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ABERTURA DE FILIAL PARA A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PÚBLICOS. DESTINAÇÃO DOS RECURSOS À MATRIZ. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA. REMESSA OFICIAL E APELAÇÃO IMPROVIDAS. I. As entidades beneficentes de assistência social, para enfrentarem a escassez da colaboração dos particulares e a redução das transferências financeiras do Estado, têm o direito de buscar fontes alternativas de receitas. A necessidade de recursos financeiros é potencializada pelo aumento da marginalização social, do número de pessoas carentes de serviços de saúde, educação. II. A Constituição Federal não negligenciou o alcance necessário da imunidade tributária, estabelecendo que não apenas o patrimônio, mas também a renda obtida pelas instituições escapa à incidência dos impostos (artigo 150, VI, c). III. A mesma regulamentação se aplica à isenção das contribuições da Seguridade Social. A renda de ente assistencial, desde que se destine à prestação de serviços benemerentes, não integra a receita e o lucro, nem autoriza a tributação das remunerações de segurados cuja mão de obra influiu na respectiva geração (artigo 55 da Lei n° 8.212/1991 e artigo 29 da Lei n° 12.101/2009). Fl. 1357DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 2401-010.143 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.720443/2011-62 IV. A Maternidade de Campinas abriu uma filial para assumir a execução de serviço público, especificamente a construção e a administração de terminal rodoviário. Como condição ao cumprimento das obrigações, contratou sociedades administradoras, que receberiam uma remuneração de acordo com o ritmo do lucro operacional. Durante o período da fiscalização, a média de pagamento oscilou entre 50% e 60%. V. A busca de fontes alternativas de receitas, além de condicionar a própria sobrevivência da instituição, envolve necessariamente o estabelecimento de relações jurídicas, potencializado pela complexidade e burocracia do contrato de concessão de serviço público. A administração de terminal rodoviário é muito técnica, para que uma entidade beneficente use estrutura própria. VI. Desde que as demais disponibilidades financeiras do empreendimento sejam empregadas nos objetivos da instituição, não existe degeneração do benefício fiscal. VII. A posse do certificado de filantropia (fls. 148/156), dos decretos de utilidade pública federal, estadual e municipal (fls. 108/134) e do registro no CNAS prova que todos os recursos transmitidos à matriz da Maternidade de Campinas tiveram a destinação estatutária. VIII. A isenção, assim, não poderia ter sido revogada sob qualquer aspecto, inclusive em relação às receitas auferidas pela filial na exploração do terminal rodoviário de Campinas. IX. A autora, entretanto, não recorreu da sentença nos capítulos que lhe eram hostis, o que garantiu a eficácia do ato administrativo naquele ponto. X. Sucumbência recíproca mantida. Antecipação de tutela concedida. XI. Remessa oficial e apelação a que se nega provimento. Opostos embargos declaratórios, esses foram rejeitados, nos termos da decisão de fls. 774-780. Nas razões do recurso especial, a parte agravante aponta violação dos artigos 195 da Constituição Federal, 535 do CPC, 55 da Lei nº 8.212/91, 1º do Decreto-Lei nº 1.572/77. Sustenta que: (I) a Corte de origem não teria se pronunciado sobre os artigos 195, caput, e § 7º, e 97 da Constituição Federal, 55, caput, e incisos I a V, da Lei nº 8.212/91; (II) a recorrida não teria direito adquirido à imunidade, devendo renovar o Certificado de Entidades de Fins Filantrópicos na forma da lei, o que não teria sido observado no caso concreto. É o relatório. Verifica-se, inicialmente, não ter ocorrido ofensa ao art. 535 do CPC, na medida em que o Tribunal de origem dirimiu, fundamentadamente, as questões que lhe foram submetidas, apreciando integralmente a controvérsia posta nos presentes autos, não se podendo, ademais, confundir julgamento desfavorável ao interesse da parte com negativa ou ausência de prestação jurisdicional. Ademais, a Corte de origem, ao analisar a questão, registrou, expressamente, que a recorrida preenchia todos os requisitos legais para o reconhecimento da condição de entidade beneficente, fazendo jus à imunidade prevista no artigo 195 da Constituição Federal. É o que se extrai do seguinte trecho da decisão a quo (fl. 704): A posse do certificado de filantropia (fls. 148/156), dos decretos de utilidade pública federal, estadual e municipal (fls. 108/134) e do registro no CNAS prova que todos os recursos transmitidos à matriz da Maternidade de Campinas tiveram a destinação estatutária. Fl. 1358DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 2401-010.143 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.720443/2011-62 Assim, a alteração das conclusões adotadas pela Corte de origem, tal como colocada a questão nas razões recursais, demandaria, necessariamente, novo exame do acervo fático-probatório constante dos autos, providência vedada em recurso especial, conforme o óbice previsto na Súmula 7/STJ. Ante o exposto, nego provimento ao agravo. Publique-se. A decisão acima transitou em julgado em julgado em 23/02/2016. Para além das decisões acima expostas, consulta realizada no site do STF apresentou como resposta “processo não encontrado”, e que, os recursos impetrados pelo contribuinte no STF não se referem à discussão aqui analisada. Por fim, consulta à movimentação do processo judicial nº 0000017- 15.2012.4.03.6105 (Consulta Processual 1º Grau), realizada no site da internet da Justiça Federal de São Paulo, https://www.jfsp.jus.br/, verifica-se que a ação judicial nº 0000017- 15.2012.4.03.6105 encontra-se em BAIXA DEFINITIVA ARQUIVO, em 22/04/2019 (sequência nº 81). A referida BAIXA DEFINITIVA ARQUIVO está plasmada na movimentação processual desde a sequência nº 67, em 20/01/2017. Como visto, após os vários recursos interpostos pela União, o que resultou no trânsito em julgado pelo STJ na data de 23/02/2016, é que foi reconhecido no bojo da ação judicial, em definitivo, o cancelamento do Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais nº 21.424.1/001/2004. Portanto, os reflexos da aludida ação judicial declaratória na resolução da lide é que, o Ato Cancelatório não é válido para a matriz do sujeito passivo (porque cancelado por decisão judicial definitiva), remanescendo válido para a sua filial. MULTA MAIS BENÉFICA Requer o sujeito passivo que seja reconhecida a incidência da lei mais benéfica no tocante à aplicação e cálculo da multa referente ao AI n° 37.303.126-2, nos termos do artigo 32- A da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n° 11.941/09, por ser menos gravoso ao contribuinte, conforme determinação do artigo 106, II, c, do CTN, sendo determinado o recalculo da multa de acordo com o novel dispositivo legal. Entendo que pleito do recorrente está precluso, uma vez que não se insurgiu quanto a este item quando da apresentação da impugnação ao lançamento de obrigação acessória, nos termos do artigo 17 do Decreto 70.235/1072. Como ônus processual, diante da inércia, a parte não mais poderá praticar o ato processual, precluindo a oportunidade de fazê-lo em momento posterior. Decreto 70.235/1972 Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. PERÍCIA Fl. 1359DF CARF MF Documento nato-digital https://www.jfsp.jus.br/ Fl. 15 do Acórdão n.º 2401-010.143 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.720443/2011-62 Com relação à perícia, o sujeito passivo requer a produção de prova foi indeferida ante a alegação de não caberia analisar a questão da imunidade neste processo, o que é falso diante do seu direito constitucional à imunidade; e que ao indeferir a produção da prova sob o referido argumento o acórdão da DRJ, se está vilipendiando os direitos constitucionais à ampla defesa e ao devido processo legal. Entretanto não assiste razão o recorrente. Na mesma toada do indeferimento da preliminar suscitada, em que pese os argumentos apresentados no recurso, deixo de apreciá-los, pois a situação impõe a renúncia administrativa à presente discussão em relação ao Ato Cancelatório, tendo em vista que o sujeito passivo ingressou na Justiça ajuizando ação declaratória nº 0000017-15.2012.4.03.6105, objetivando a declaração de nulidade do Ato de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais no nº 21.424.1/001/2004. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo importa em renuncia administrativa. Este é o entendimento esposado na súmula CARF nº 1, que assim dispõe: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. CONCLUSÃO Por todo exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, REJEITAR a preliminar suscitada, e no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir os valores apurados relativos ao estabelecimento matriz, por força da decisão judicial definitiva que cancelou, para a matriz do sujeito passivo, o Ato de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais no nº 21.424.1/001/2004. (documento assinado digitalmente) Gustavo Faber de Azevedo Fl. 1360DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10283.003283/87-73
Data da sessão: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 1989
Data da publicação: Tue Dec 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: FALTA DE MERCADORIA IMPORTADA, apurada em conferência final de manifesto, quando o transporte se deu sob a cláusula "house to
house" e o "container" descarregou em perfeitas condições, descaracteriza esta a responsabilidade do transportador.
Recurso desprovido.
Numero da decisão: CSRF/03-01.615
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, vencidos os Cons. Itamar Vieira da Costa e Helio Loyolla de Alencastro.
Nome do relator: PAULO CESAR DE AVILA E SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 23 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 198909
ementa_s : FALTA DE MERCADORIA IMPORTADA, apurada em conferência final de manifesto, quando o transporte se deu sob a cláusula "house to house" e o "container" descarregou em perfeitas condições, descaracteriza esta a responsabilidade do transportador. Recurso desprovido.
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 29 00:00:00 UTC 2009
numero_processo_s : 10283.003283/87-73
anomes_publicacao_s : 200912
conteudo_id_s : 4412751
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 22 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : CSRF/03-01.615
nome_arquivo_s : 40301615_000118_102830032838773_005.PDF
ano_publicacao_s : 2009
nome_relator_s : PAULO CESAR DE AVILA E SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 102830032838773_4412751.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, vencidos os Cons. Itamar Vieira da Costa e Helio Loyolla de Alencastro.
dt_sessao_tdt : Fri Sep 29 00:00:00 UTC 1989
id : 4812173
ano_sessao_s : 1989
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 23 09:37:37 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1730891387652538368
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-08T02:06:31Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-08T02:06:29Z; Last-Modified: 2009-07-08T02:06:31Z; dcterms:modified: 2009-07-08T02:06:31Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-08T02:06:31Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-08T02:06:31Z; meta:save-date: 2009-07-08T02:06:31Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-08T02:06:31Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-08T02:06:29Z; created: 2009-07-08T02:06:29Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-07-08T02:06:29Z; pdf:charsPerPage: 1117; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-08T02:06:29Z | Conteúdo => PROCESSO NO 10283/003.283/87-73 -44âow MINISTÉRIO DA FAZENDA CMVG Sessão de 29 de setembro de 19 89 ACORDÃO No —CSRF/03-01. 615 Recurso n.o RP/301-0.118 Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida PRIMEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: AGÊNCIAS MUNDIAIS LTDA. FALTA DE MERCADORIA IMPORTADA, apurada em conferência final de manifesto, quando o transporte se deu sob a clausula "house to house" e o "container" descarregou em per- feitas condições, descaracteriza esta ares ponsabilidade do transportador. Recurso desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Camara Superior de Recursos Fis cais, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatõrio e voto que passam a integrar o presente julgado, venci- dos os Cons. Itamar Vieira da Costa e Helio Loyolla de Alencastro. Sala das Sess8es(DF), em 29 de setembro de 1989. 4v/LrAill./ URGEL( D; : ~ffififflaW - PRESIDENTE -4magaí0111"Wilir PAULO C .SAR DE Inr• l É SILVA - RELATOR GAt Co"xiCc"---o ("Ve JO miN CÉSAR GONÇ -45,,,, S CORREA - PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL v.v Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei- ros: HAMILTON DE SÃ DANTAS, EDWALDO REIS DA SILVA e SEBASTIÃO RODRI GUES CABRAL. Ausente justificadamente o Cons. PAULO AFFONSECADEBA1 ROS FARIA JUNIOR. :f SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10283/003.283/87 -73 RECURSO N9: RP/301-0.118 ACÓRDÃO M9: CSRF/03-01.615 REcoRRENTe FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: PRIMEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: AGÊNCIAS MUNDIAIS LTDA. RELATÓRIO Recorre a Fazenda Nacional, por seu Procurador jun- to á la. Câmara do E. TerCeiro Conselho de Contribuintes, objeti- vando a reforma do Acórdão 301-25.846, da mesma Câmara, prolátado em 21 de outubro de 1988 (fls. 79/81), lido na integra em sessão e assim ementado: "FALTA DE MERCADORIA IMPORTADA. Conferência final de manifesto em container comprovadamente entregue ao transportador, no porto de origem, já lacradope lo expedidor e descarregado em perfeitas condi- ÇOes no porto de destino, sem ter sido arrolado em Termo de Avaria pela depositária. Não há como res- ponsabilizar o transportador por falta de mercado- ria nele contida. Recurso provido." Em seu arrazoado de fls. 82/84, que também leio em sessão, arrima-se a douta recorrente nos argumentos de que não se pode exonerar de reponsabilidade fiscal o transportador, expedi- tor, ou destinatárió, alegando em seu proveito desidia, já que o Decreto n9 80.145/77, em seu artigo 34, Capítulo "Da responsabili- dade Legal", determina claramente que "As normas deste capitulo /47 rmr: nr: r 1P,/,(1,7r, SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10283/003.283/87-73 3. Acórdão n9-CSRF/03-01.615 não se aplicam às determinaçOes de responsabilidade fiscal, que se regem pela legislação tributãria". Estas, por sua vez, estabe lecem que "As convençOes particulares, relativas à responsabili- dade pelo pagamento do imposto, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição de sujeito passivo das obri- gaçOes concorrentes (L. 5.172/66 - art. 123). Conclui, pedindo a reforma do Acórdão recorrido, para que seja restabelecida a decisão de primeira instância. Contra-razões de fls. 89/98 que também leio. É o relatOricnigimu&ror /17 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10283/003.283/87-73 4. Acórdão n9-CSRF/03-01.615 VOTO Conselheiro PAULO CÉSAR DE AVILA E SILVA, Relator Entendo ter laborado bem a decisão consubstancia- da no Acórdão n9 301-25.846/88 pois, como restou provado nos au- tos a mercadoria foi transportada em "container" sob a cláusula "house to house", tendo chegada intacta ao porto de destino, tan to assim que a depositaria não fez qualquer ressalva ou lavrou o competente termo de avaria. A jurisprudência desta CSRF e bastante límpida e cristalina quanto a esta matéria que envolveu transporte efetua- do em condições que o transportador recebeu o cofre de carga a bordo, já estufado e devidamente lacrado pelo embarcador Ctrans- porte feito sob a cláusula "house to house"1 o que descaracteri- za a responsabilidade do transportador. Nestas circunstâncias, não nos resta outra alter- nativa se não a de negarmos provimento ao recurso. Brasília,-DF, em 29 de setembro de 1989. PAULO ''SAR DE Avi w E SILVA - RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
score : 1.0
