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5776937 #
Numero do processo: 13657.000789/2005-49
Data da sessão: Mon Jul 06 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1990 a 31/03/1996 PASEP. PRAZO PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO. Prescreve em cinco anos, a contar da data da publicação da Resolução do Senado Federal n2 49/95, o prazo para pleitear a restituição de valores pagos a maior em razão da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis n2s 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-00.027
Decisão: ACORDAM os Membros da 3° CÂMARA / 2° TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Alexandre Gomes que dava provimento parcial adotando a tese dos 5 mais 5
Matéria: Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Josefa Maria Coelha Marques

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ementa_s : Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1990 a 31/03/1996 PASEP. PRAZO PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO. Prescreve em cinco anos, a contar da data da publicação da Resolução do Senado Federal n2 49/95, o prazo para pleitear a restituição de valores pagos a maior em razão da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis n2s 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Recurso Voluntário Negado.

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Numero do processo: 10730.000285/91-07
Data da sessão: Fri Aug 23 00:00:00 UTC 1996
Ementa: PIS/FATURAMENTO - DECORRÊNCIA - Tratando-se de lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo matriz se aplica ao julgamento do processo decorrente, dada a íntima relação de causa e efeito que vincula um ao outro.
Numero da decisão: 102-40.599
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Ursula Hansen

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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MOREIRA & FREITAS LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ANTONIO DE' FREITAS DUTRA PRESIDENTE / LASSEN — "ri ORA FORMALIZADO EM: 2 O. SET 1996 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, JOSÉ CLÓVIS ALVES, SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO, RAMIRO HEISE, JÚLIO CÉSAR GOMES DA SILVA e FRANCISCO DE PAULA CORRÊA CARNEIRO GIFFONI. i'vUNTS MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10730/000.285/91-07 ACÓRDÃO N°. : 102-40.599 RECURSO N°. : 82.991 RECORRENTE : MOREIRA & FREITAS LTDA RELATÓRIO Versa o presente processo do Auto de Infração de fls. 01 e anexos, lavrado contra MOREIRA & FREITAS LTDA., CGC n°. 29.129.657/0001-35, jurisdicionada à Delegacia da Receita Federal em Niterói, RJ, formalizando a exigência de PIS FATURAMENTO, relativa ao exercício de 1986, no valor equivalente a Cr$ 57.147,57 e correspondentes gravames legais. O lançamento, especificamente com base no artigo 3°, alínea "b" e art. 6° e seu parágrafo único da Lei Complementar n° 7/70, c/c as disposições do Regulamento anexo à Resolução n° 174/71 do BACEN, decorreu de procedimento de fiscalização sendo apuradas irregularidades - omissão de receita operacional, ocasionando insuficiência na determinação da base de cálculo da Contribuição, e lançado Imposto do Renda - Pessoa Jurídica, conforme demonstrado no processo n° 10730/000.285/91-07. Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte apresentou, em 25/03/91, sua impugnação de fls. 05, fundamentando suas alegações nas razões apresentadas no processo matriz. A decisão de primeira instância, de número 29/92, foi proferida às fls. 28, e, em consonância com o decidido no processo matriz, o lançamento foi julgado procedente. Ciente da decisão singular em 20/03/92 (fls. 31), a contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 32, reiterando, na essência, os argumentos anteriormente expendidos. É o relató o. 2 • r' MINISTÉRIO DA FAZENDA n - PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - PROCESSO 1\1°. : 10730/000.285/91-07 ACÓRDÃO N°. : 102-40.599 VOTO CONSELHEIRA UR.SULA HANSEN, RELATORA Estando o recurso revestido de todas as formalidades legais, dele tomo conhecimento. A exigência fiscal constante deste processo é decorrente da que foi apurada no processo matriz de n° 10730/000.283/91-73. Considerando que o recurso referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, ao ser apreciado por esta Câmara em sessão realizada em 11 de dezembro de 1992, foi julgado improcedente, conforme faz certo o Acórdão n° 102-27.685. Considerando que, nas Razões de recurso voluntário acostadas aos presentes autos, a Recorrente revela seu reconhecimento de que a exigência fiscal decorre daquela formalizada no processo principal, não tendo apresentado qualquer nova razão ou prova que infirmasse o acerto da decisão proferida; Considerando o princípio adotado neste Conselho de Contribuintes, de que o decidido no processo matriz constitue relação de causa e efeito que vincula um ao outro; Voto no sentido de negar-se provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 23 de agosto de 1996. URSh ÁNSEN 3 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1

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5770297 #
Numero do processo: 10855.005948/2002-24
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECURSO ESPECIAL - DIVERGÊNCIA - ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - CONJUNTO PROBATÓRIO - ARTIGO 10, § 7°, DA LEI N° 9.393/96 - EFEITOS - NECESSIDADE DE PREQUESTIONAMENTO DA MATÉRIA - SITUAÇÃO NÃO VERIFICADA NO CASO EM TELA Não se pode conhecer do recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte quando a pretendida reforma da decisão recorrida depende da análise das provas anexadas aos autos. Ademais, nos termos do artigo 7, § 5º, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, vigente ao tempo da interposição do recurso especial em apreço, somente matérias prequestionadas podem ser objeto de apreciação e de seguimento no âmbito da Câmara Superior de Recursos Caso, onde o sujeito passivo defendeu a improcedência do lançamento com fundamento no artigo 10, § 7º, da Lei n°9.393/96, o qual não foi invocado em nenhum momento pelo acórdão recorrido e sequer foram opostos embargos de declaração para tentar sanar eventual omissão. Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-000.476
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage

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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECURSO ESPECIAL - DIVERGÊNCIA - ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - CONJUNTO PROBATÓRIO - ARTIGO 10, § 7°, DA LEI N° 9.393/96 - EFEITOS - NECESSIDADE DE PREQUESTIONAMENTO DA MATÉRIA - SITUAÇÃO NÃO VERIFICADA NO CASO EM TELA Não se pode conhecer do recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte quando a pretendida reforma da decisão recorrida depende da análise das provas anexadas aos autos. Ademais, nos termos do artigo 7, § 50 , do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, vigente ao tempo da interposição do recurso especial em apreço, somente matérias prequestionadas podem ser objeto de apreciação e de seguimento no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o que não acontece no caso, onde o sujeito passivo defendeu a improcedência do lançamento com fundamento no artigo 10, § 7 0 , da Lei n° 9.393/96, o qual não foi invocado em nenhum momento pelo acórdão recorrido e sequer foram opostos embargos de declaração para tentar sanar eventual omissão. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Processo n° 10855.005948/2002-24 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.476 Fl. 244 CARLOS ALBE • 4 J FREITAS 11.RETO - Presidente '••; GONÇALO : • ' ' ALLAG - Relator EDITADO EM:. 23 ABR 2C10 - Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffinann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Rogério de Lellis Pinto (suplente convocado), Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Filas Sampaio Freire.Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório Em face de Marquesa S.A., CNPJ n° 46.886.040/0001-83, foi lavrado o auto de infração de fls. 21-27, para a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 1998, em razão da-glosa de área declarada como sendo de preservação permanente, por ausência de comprovação, relativamente ao imóvel denominado Fazenda Guapiara, situado no município de Ribeirão Grande (SP). A área de preservação pemianente foi reduzida de 1.620,5 ha para 787,3 ha. A 1 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS) considerou o lançamento procedente (fls. 85-95). Apreciando o recurso voluntário interposto pela contribuinte, a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes proferiu o acórdão n° 301-33.928, que se encontra às fls. 146-152, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1998 Ementa: ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL. Deve ser comprovada através de documentação hábil a área de utilização limitada alegada pelo contribuinte. A ausência de provas leva à presunção de inexistência de referidas áreas. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso. @." 2 Processo n° 10855.005948/2002-24 CSRP-T2 Acórdão n.° 9202-00.476 Fl. 245 Intimada do acórdão em 16/08/2007 (fls. 160), a contribuinte, devidamente representada, interpôs recurso especial de divergência às fls. 162-173, acompanhado dos documentos de fls. 174-206, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) O acórdão recorrido conferiu à lei tributária interpretação divergente daquela dada à matéria pelo acórdão n° 303-33.371; b) Nos termos do § 7°, do artigo 10, da Lei n° 9.393/96, a declaração do contribuinte para o fim de isenção do ITR não se sujeita à prévia comprovação por parte: do declarante, o qual ficará responsável pelo recolhimento do imposto correspondente, com juros e multa, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira; c) Ainda que assim não fosse, durante a ação fiscal comprovou a existência na propriedade rural de área de preservação permanente de 787,33 hectares, existindo ainda área de interesse ambiental de utilização limitada de 833,7 hectares, a qual compõe a reserva legal obrigatória do imóvel; d)Não obstante, a decisão recorrida manteve o lançamento pela ausência de comprovação da existência da área de interesse ambiental de utilização limitada, deixando de observar o teor do § 7°, do artigo 10, da Lei n° 9.393/96; e) Para que se confirmasse a incidência tributária, imprescindível seria a realização de prova material pela qual o Fisco comprovasse a inexistência da área de 883,11 hectares de utilização limitada e, desta forma, a inveracidade das informações apresentadas pela recorrente na DITA. Admitido o recurso por intermédio do Despacho n° 1444.134898 (fls. 209- 210), segundo o qual "Do exame dos julgados confrontados, venfica-se que o acórdão contestado vai de encontro ao acórdão paradigma supracitado, pois, enquanto este afirma que pode acatar área demonstrada através de laudo técnico, aquele não considerou o laudo técnico acostado aos autos ah. 08/12)." (fls. 210), a Fazenda Nacional foi intimada e apresentou contra-razões às fls. 212-235, onde defendeu, preliminarmente, a impossibilidade de conhecimento do recurso em apreço, pela inexistência de divergência jurisprudencial e, quanto ao mérito, a necessidade de manutenção do acórdão recorrido. É o Relatório. ((& 3 Processo n° 10855.005948/2002-24 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00476 Fl. 246 VOTO Conselheiro GONÇALO BONET ALLAGE Relator Sob minha ótica, o Recurso Especial interposto pelo contribuinte não pode ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo, sob o fundamento de que não restou comprovada a área de utilização limitada de 883,17 hectares. Portanto, matéria de prova. Extraio do voto condutor do acórdão recorrido os seguintes excertos (fls. 151-152): O Laudo Técnico trazido aos autos (fls. 08718) demonstra que há 787,33 hectares de Área de Preservação Permanente. Tal constatação é a mesma a que chegou a SRF quando da revisão da DITR/98 declarada pelo contribuinte (ll. 21). Ocorre que quando da apresentação do laudo, o ora recorrente informa que a diferença entre a APP declarada inicialmente na DITR (1.620,50 hectares) e a APP constatada através do Laudo Técnico (787,33 hectares). qual seja, 833,17 hectares, seriam área de interesse ambiental de utilização limitada (fl. 08). O referido Laudo demonstra que existem 787,33 hectares de Área de Preservação Permanente, mas não comprova em nenhum momento que existem 833,17 hectares de área de Utilização Limitada. Em seu recurso especial, a contribuinte, além de insistir na tese de que teria comprovado através de laudo técnico a existência de área de utilização limitada de 833,17 hectares, argumentou que o § 7°, do artigo 10, da Lei n° 9.393/96, dispensa a prévia comprovação das informações prestadas na DITA, de modo que o lançamento seria improcedente. Com o objetivo de comprovar a divergência jurisprudencial que autorizaria a interposição de recurso especial com fundamento no artigo 7°, inciso H, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, então vigente, o sujeito passivo trouxe à colação o acórdão n° 303-33.371, cuja ementa é a seguinte: ÁREA UTILIZADA. PRODUÇÃO VEGETAL. Deve ser comprovada, através de documentação hábil (Laudo e demais documentos, como compra de sementes, notas de g comercialização, etc...), a existência de área declarada de 4 Processo n° 10855.005948/2002-24 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00476 Fl. 247 produção vegetal. A ausência de provas, leva à presunção da inexistência das referidas áreas. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ITR. RESERVA LEGAL. A falta de averbação da área de reserva legal na matricula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, podendo-se acatar área demonstrada através de laudo técnico. RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROnDo. Pode-se perceber que o acórdão apontado como paradigma acatou área de reserva legal informada em laudo técnico, independentemente de averbação à margem da matrícula do imóvel. No caso em apreço, a situação é completamente diversa, pois a não aceitação da área de utilização limitada de 883,17 hectares, segundo o acórdão recorrido, está relacionada à ausência de comprovação, não tendo relação com a averbação ou não desta área à margem da matrícula do imóvel. A absoluta ausência de similitude entre as matérias fáticas analisadas pelo acórdão recorrido e pelo acórdão apontado como paradigma representa, na visão deste julgador, o primeiro empecilho para conhecimento do recurso especial. Além disso, é necessário trazer à colação o artigo 7, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, vigente à época da interposição do recurso em análise, segundo o qual: • Art. 70• Compete à Camara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: II - decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Sob minha ótica, para saber se a decisão recorrida é divergente daquela externada no acórdão n° 303-33.371, seria preciso analisar o conjunto probatório deste feito. No entanto, salvo melhor juízo, isso não é possível em sede de recurso especial de divergência, pois a função da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como instância especial, não é analisar provas, mas sim uniformizar a jurisprudência. Diante de tal situação, penso que, no caso em apreço, não está caracterizada a divergência de interpretação da legislação tributária que possibilita a apreciação do recurso especial em voga. Por fim, a recorrente defendeu a reforma da decisão de segunda instância com fundamento no artigo 10, § 70, da Lei n° 9.393/96. g • Processo n° 10855.00594812002-24 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.476 Fl. 248 Ocorre, que esta tese não foi debatida pelo acórdão recorrido, conforme se constata pelos excertos acima transcritos, sendo que sequer foram opostos embargos de declaração para tentar sanar eventual omissão. Assim, tenho como plenamente aplicável ao caso o artigo 7, § 5°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, vigente ao tempo da interposição do recurso em apreço, segundo o qual: Art. 7°. Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: § 5°. O recurso especial interposto pelo sujeito passivo somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação das peças processuais. De acordo com tal dispositivo, a Câmara Superior de Recursos Fiscais somente poderia apreciar os efeitos do § 7°, do artigo 10, da Lei n° 9.393/96, se o acórdão recorrido tivesse analisado esta matéria, o que não ocorreu no caso em apreço. Segundo penso, o contribuinte deixou de prequestionar esta tese, desatendendo, assim, a regra do artigo 7, § 5°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007. Por todos estes motivos, penso que não se pode conhecer do recurso especial em tela. É como voto. é,0 n;',!r: Gonçalo r; •n- lage -Relator 6

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Numero do processo: 10380.016045/2007-15
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 COOPERATIVAS DE TRABALHO. RETENÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838. VINCULAÇÃO. RICARF. O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.828, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral. Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2403-002.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração para no mérito declarar a exoneração do crédito tributário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Daniele Souto Rodrigues. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I     2   Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees  Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de  Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.  Fl. 749DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I Processo nº 10380.016045/2007­15  Acórdão n.º 2403­002.767  S2­C4T3  Fl. 3          3   Relatório  Inicialmente,  cuidava­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  do  Acórdão  nº.  08­13.929,  fls.  617/624,  que  julgou  procedente  o  lançamento  em  epígrafe,  mantendo­se incólume o crédito previdenciário, consubstanciado no AI DEBCAD 37.143.513­ 7,  no  importe  de  R$  1.768.382,40  (um milhão  setecentos  e  sessenta  e  oito  mil  trezentos  e  oitenta e dois reais e quarenta centavos).  O  Auto  de  Infração  abrange  o  período  de  01/2002  a  12/2006,  tendo  sido  lavrado em razão do descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV e § 5º da  Lei nº. 8.212/91, consistente na apresentação, por parte da empresa, de GFIP’S com dados não  correspondentes  aos  fatos  geradores  de  todas  as  contribuições  previdenciárias,  conforme  Relatório Fiscal, fls. 09/11, in verbis:  A multa a  ser aplicada é a prevista no artigo 284,  inciso  II  do  Regulamento  da  Previdência  Social  –  RPS  aprovado  pelo  Decreto  3.048/99  de  06/05/1999  e  artigo  32,  inciso  IV  e  parágrafos 5º da Lei 8.212/91.  Em decorrência da infração praticada, o valor da multa cabível  é  de  R$  1.768.382,40  (um milhão,  setecentos  e  sessenta  e  oito  mil,  trezentos  e  oitenta  e  dois  reais  e  quarenta  centavos),  atualizado pela Portaria n. 142, de 11/04/2007. Segue em anexo  planilha que esclarece o cálculo do valor da multa. Pela análise  do  histórico  de  fiscalizações  do  contribuinte,  encontramos  os  seguintes Autos­de­Infração: (...) Assim, o autuado é reincidente  em virtude do descumprimento da obrigação acessória descrita  no  relatório  fiscal  da  infração  no  prazo  de  até  cinco  anos  do  trânsito  em  julgado  administrativo  do  AI  35.503.059­4,  código  de  fundamentação  legal  38,  reincidência  genérica.  A  reincidência  é  circunstância  agravante  prevista  no  inciso  V,  artigo 290 do Decreto 3.048/99 que aprovou o Regulamento da  Previdência Social – RPS. Seguem em anexo cópias das telas do  sistema informatizado plenius nas quais constam a situação dos  AI’s já lavrados na empresa.  DA IMPUGNAÇÃO  Inconformada com o  lançamento, a empresa contestou a autuação por meio  de instrumento de fls. 86/91.  DA DECISÃO DA DRJ   Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 6ª Turma da Delegacia  da Receita do Brasil de Julgamento em Fortaleza, DRJ/FOR, prolatou o Acórdão n° 08­13.929,  fls. 617/624, a qual julgou procedente o lançamento, conforme ementa a seguir transcrita:  ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias   Data do fato gerador: 19/12/2007  Fl. 750DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I     4 CONTRIBUIÇÕES  PARA  A  SEGURIDADE  SOCIAL.  PENALIDADE  POR  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÕES  ACESSÓRIAS. DECADÊNCIA.  Com  fulcro  no  art.  103­A  da  Constituição  Federal,  regulamentado  pela  Lei  nº  11.417/06,  o  Supremo  Tribunal  Federal – STF editou e publicou a súmula vinculante nº 8, cujo  teor é no sentido de considerar inconstitucionais os artigos 45 e  46 da Lei nº 8.212/91. Assim, no que diz respeito à decadência  do direito do Fisco de lançar de ofício a penalidade pecuniária  decorrente de descumprimento de obrigação acessória, deve ser  aplicado  o  prazo  previsto  no  art.  173  do  Código  Tributário  Nacional – CTN.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  GFIP.  OMISSÃO  DE  FATOS  GERADORES.  Constitui  infração  à  Lei  nº.  8.212/91,  art.  32,  IV,  o  preenchimento da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações  à Previdência Social – GFIP com omissão de fatos geradores de  contribuições previdenciárias.  Lançamento Procedente  DO RECURSO VOLUNTÁRIO  Irresignada,  a  empresa  interpôs,  tempestivamente,  Recurso  Voluntário,  fls.  635/646,  requerendo  a  reforma  do Acórdão  da DRJ,  utilizando­se,  para  tanto,  dos  seguintes  argumentos:  ­ Preliminar de decadência parcial do lançamento, com esteio no art. 150, §  4º, do CTN;  ­  Cerceamento  do  direito  de  defesa  em  razão  da  impossibilidade  de  cumprimentos do prazos determinados pela auditoria fiscal para apresentação  de documentos;  ­ Descaracterização  da Recorrente  como  devedora,  eis  que  consiste  apenas  em administradora de planos de saúde, ao passo que a vinculação direta das  cooperativas  se  dá  com  a  Fundação  Francisca  Feitosa  e/ou  Fundação  Ana  Lima. Nesta senda, os termos dos contratos estabelecidos entre as Fundações  e  a  Recorrente,  constituem  prova  irrefutável  de  que  aquelas  são  as  verdadeiras tomadoras dos serviços prestados pelos cooperados;  ­  Inconstitucionalidade  do  art.  22,  IV,  da Lei  nº.  8.212/91,  eis  que  ao  criar  nova base de cálculo de  incidência de contribuição previdenciária por meio  de lei ordinária, Lei nº. 9.876/99, estaria sendo violado o princípio da reserva  legal;  DO ACÓRDÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO E DOS EMBARGOS  Analisados os argumentos contidos na peça recursal, foi prolatado o Acórdão  nº 2403­002.327, fls. 690/700, na qual julgou pelo provimento em parte do recurso voluntário,  para reconhecer a decadência parcial referente ao período de 01/2002 a 11/2002, nos moldes do  art. 150, §, 4º do CTN. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para o  Fl. 751DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I Processo nº 10380.016045/2007­15  Acórdão n.º 2403­002.767  S2­C4T3  Fl. 4          5 recálculo da multa de acordo com o disciplinado no art. 32­A da Lei nº 8.212/91, na redação  dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.  Interposto Recurso Especial pela Fazenda Nacional, através das fls. 705/714,  foi  dada  a  ciência  ao  contribuinte,  que  apresentou  suas  contrarrazões,  bem  como  opôs  Embargos de Declaração, fls. 736/743, alegando em suma os seguintes fundamentos fáticos e  jurídicos:  2.  No  julgamento  do  voluntário,  em  sessão  realizada  no  dia  19/11/2013,  essa  colenda  Turma  proveu  em  parte  o  recurso  apenas  para  determinar  o  recálculo  da  multa  de  mora;  mantendo,  outrossim,  o  lançamento  quanto  a  obrigação  principal prevista no art. 22,  inciso IV, da Lei 8.212/91. Eis o  que restou consignado o voto do i. Relator. (...)  3.  Contudo,  o  Plenário  do  Supremo  Tribunal  Federal,  no  julgamento  do  RE  de  nº  595.838,  que  ocorreu  em  23/04/2014,  declarou,  na  sistemática  da  repercussão  geral,  a  inconstitucionalidade  da  contribuição  prevista  justamente  no  art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/91. (...)  5. Dessa forma, se a obrigação principal, fundada no IV do art.  22  da  Lei  8.212/91,  foi  declarada  inconstitucional  pelo  STF,  a  exigência da obrigação acessória, consubstanciada em multa no  valor  de  R$  1.768.382,40,  logo  assim,  deve  ser  declarada  inexigível na hipótese.  Assim,  foi  prolatado  o  despacho  nº  2403­032,  fls.  746/747  que  propôs  o  conhecimento da peça embargatória, estando de acordo o presidente desta Turma.  É o relatório.  Fl. 752DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I     6   Voto             Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator  COOPERATIVAS DE TRABALHO  Conforme se percebe do relatório do presente voto, bem como dos fatos que  ensejaram a autuação em epígrafe, temos que a matéria aqui tratada é unicamente o pagamento  a cooperativas, nos termos do art. 22, IV da Lei 8.212/91, in verbis:  Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:  (...)  IV ­ quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura  de  prestação  de  serviços,  relativamente  a  serviços  que  lhe  são  prestados  por  cooperados  por  intermédio  de  cooperativas  de  trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999).  Ocorre que o Supremo Tribunal Federal – STF, em sessão plenária realizada  em  23/04/2014,  em  sede  de Recurso Extraordinário  sob  o manto  da Repercussão Geral,  art.  543­B  do  CPC,  ajuizado  pela  Etel  Estudos  Técnicos  Ltda.,  em  face  da  União,  teve  sua  inconstitucionalidade  declarada  pela  unanimidade  de  votos  pelos  Ministros  daquela  côrte,  conforme se percebe de seu trecho abaixo, verbis:  Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do  Relator, deu provimento ao recurso extraordinário e declarou a  inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991,  com a redação dada pela Lei nº 9.876/1999. Votou o Presidente,  Ministro Joaquim Barbosa. Ausente, justificadamente, o Ministro  Gilmar  Mendes.  Falaram,  pelo  amicus  curiae,  o  Dr.  Roberto  Quiroga Mosquera, e, pela recorrida, a Dra. Cláudia Aparecida  de  Souza  Trindade,  Procuradora  da  Fazenda  Nacional.  Plenário, 23.04.2014.  Referida decisão  fora publicada na ATA Nº 10,  de 23/04/2014. DJE nº 85,  divulgado em 06/05/2014.  Apenas para aclarar o alcance e motivo da inconstitucionalidade, colaciona­ se trecho do voto do Ministro Relator, disponibilizado no sítio eletrônico do Supremo Tribunal  Federal  (http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/RE595838.pdf),  cuja  redação é a que segue:  Diante  de  tudo  quanto  exposto,  é  forçoso  reconhecer  que,  no  caso, houve  extrapolação da  base  econômica delineada no  art.  195,  I,  a,  da  Constituição,  ou  seja,  da  norma  sobre  a  competência  para  se  instituir  contribuição  sobre  a  folha  ou  sobre outros rendimentos do trabalho.   Houve  violação  do  princípio  da  capacidade  contributiva,  estampado  no  art.  145,  §  1º,  da  Constituição,  pois  os  Fl. 753DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I Processo nº 10380.016045/2007­15  Acórdão n.º 2403­002.767  S2­C4T3  Fl. 5          7 pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho,  em  face  de  serviços  prestados  por  seus  associados,  não  se  confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos  cooperados.  Ademais,  o  legislador  ordinário  acabou  por  descaracterizar  a  contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do  trabalho  dos  cooperados,  tributando  o  faturamento  da  cooperativa, com evidente bis in idem. A contribuição instituída  pela  Lei  nº  9.876/99  representa  nova  fonte  de  custeio,  sendo  certo  que  somente  poderia  ser  instituída  por  lei  complementar,  com base no art. 195, § 4º ­ com a remissão feita ao art. 154, I,  da Constituição.  Diante  do  exposto,  dou  provimento  ao  recurso  extraordinário  para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da  Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99.  É como voto.  Por tal razão, diante da vinculação deste conselho à decisão supra, conforme  arts. 62,  I e 62­A do RICARF, merece ser exonerado o crédito  tributário dos presentes autos  em razão da inconstitucionalidade da exação positivada no art. 22, IV da Lei 8.212/91.  CONCLUSÃO  Ante  o  exposto,  conheço  dos  embargos  de  declaração  para,  no  mérito,  determinar a exoneração do crédito tributário.    Marcelo Magalhães Peixoto.                              Fl. 754DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I

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Numero do processo: 10283.003150/2007-84
Data da sessão: Thu Jul 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 03/10/2002, 19/02/2003 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. PRODUTO DENOMINADO SISTEMA ARTICULADO DE ACOPLAMENTO DE EMPURRADOR E BALSA O equipamento denominado sistema articulado de acoplamento de empurrador e balsa (Articulated Tag and Barge Coupling System), composto de duas partes: (i) uma a ser montada no Empurrador, identificada como pino empurrador (Pushpin), composta de duas unidades; e (ii) a outra a ser montada na Balsa, denominada de placas soquetes (Socket), também composta de duas unidades, classifica-se no código NCM. 8483,60.90 (Outros dispositivos de acoplamento). NOMENCLATURA COMERCIAL DO MERCOSUL (NCM), ENQUADRAMENTO INCORRETO. MULTA DE 1% (UM POR CENTO) DO VALOR ADUANEIRO. APLICABILIDADE A classificação fiscal incorreta do produto na NCM materializa a hipótese da infração caracterizada por classificação fiscal incorreta, sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro, prevista no art 84, I, da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 03/10/2002, 19/02/2003 Ementa:. AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA, VICIO FORMAL, INSANÁVEL NULIDADE PARCIAL DO LANÇAMENTO. APLICABILIDADE. É nulo a parcela do auto de infração que não atenda aos requisitos essenciais previstos em lei. A falta ou imprecisão na descrição dos fatos motivadores da autuação, configura cerceamento do direito de defesa do autuado, dando ensejo à declaração da nulidade do lançamento tributário por vicio formal insanável. Quando o vicio não alcança toda a matéria objeto da autuação, a declaração de nulidade será parcial, expurgando do mundo jurídico apenas a parcela do lançamento maculada com o vício formal insanável, caracterizado pela ausência de motivação (art. 10 e 59,11, do PAF, c/c o art. art. 248 do CPC) Recurso de Oficio Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-00.693
Decisão: Acordam os membros do Colegiada por mamona de votos, em dar provimento parcial ao recurso de oficio Vencidas as conselheiras Beatriz Veríssimo de Sena e Nanci Gania, que negaram provimento Mtegralinente O conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pela conclusão.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: José Fernandes do Nascimento

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A SSUN 10: Cl ,ASSIFICACÃO DE MERCADORIAS Data do -fato gerado]: 03/10/2002, 19/02/2003 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). ENQI.TADRAMENTO 'FARIFÁRIO. PRODUTO DENOMINADO SISTEMA ARTICULADO DE ACOPLAMENTO DE EMPURRADOR BALSA O equipamento denominado sistema articulado de acoplamento de empurrador e balsa (Articulai& Tug and Barge Coupling S'ystem), composto de duas partes: (i) uma a ser montada no Empurrador, identificada como pino empurrador (Pushpin), composta de duas unidades; e (ii) a outra a ser montada na Balsa, denominada de placas soquetes (Socket), também composta de duas unidades, classifica-se no código NCM. 8483,60.90 (Outros dispositivos de acoplamento), NOMENCLATURA COMERCIAL DO "MERCOSUL (N CM), ENQUADRAMENTO INCORRETO. Ml."1"1";FA DE 1% (UM POR (ENTO) DO VALOR ADUANEIRO. APLICABILIDADE A classificação fiscal incorreta do produto na NCM materializa a hipótese da infração earactei izada por classificação fiscal incorreta, sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro, prevista no art 84, 1, da Medida Provisória n' 2 158-35, de 2001 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 03/10/2002, 19/02/2003 Ementa:. AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMEN'1'0 DE DIREITO DI DEFESA, VICIO FORMAI, INSANÁVEL NULIDADE PARCIAL DO LANÇAMENTO. APLICA BII ,IDADE. É nulo a parcela do auto de infração que não atenda aos requisitos esseRcia:is previstos em lei. A falta ou imprecisão na descrição dos fatos moti'Vadorès da / autuação, configura cerceamento do direito de defesa do autuado, dando ensejo à declaração da nulidade do lançamento tributário por vicio formal insanável, Quando o vicio não alcança toda a matéria objeto da autuação, a declaração de nulidade será parcial, expurgando do mundo jurídico apenas a parcela do lançamento maculada com o vício formal insanável, caracterizado pela ausência de motivação (art. 10 e 59,11, do PAF, c/c o art. art. 248 do CPC) Recurso de Oficio Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiada por mamona de votos, em dar provimento parcial ao recurso de oficio Vencidas as conselheiras Beatriz Veríssimo de Sena e Nanei Gania, que negaram provimento Mtegralinente O conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pela conclusão.. 1 ui MáVe () Guerra de titstr o - Presidente _ Jxisé Fernande do Nascimento - Relator EDITADO EM: 20/06/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Paulo Sérgio Celani (Suplente), Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Flias Fernandes Eurrasio (Suplente), Relatório Trata-se de Recurso de Oficio interposto contra decisão proterida pelos membros da Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE (DR.1— Fortaleza), cuja ementa ficou assim redigida: ,45SUNI 1ROCT,S;S'0 ADMINISIX111V0 »1SU/1E Dato do fino geradot 03/10/2002, 19/02/2003 NULIDADE. DO LANÇAMENTO P nulo o auto de infração que não atenda aos' requisitos essenciais in cvislo fit lei A hum eci 110 descrição do Suporle fálico que configure cerceamento do eito de Mesa. c-Itsejit a declinação da nulidade do lanyunento Iiilnuário pot vicio insanável do ato Inpugnação Proc vdente (.7t édito iiibutário Exonetado 2 Processo o" 10227.003150/2007-81 S3-C1.12 Acórdão o'' 3102-00.693 1-1 617 De acordo com a Descrição dos Fatos que integra os Autos de Infração de fls. 01/23 (II e .W1), os motivos dos presentes lançamentos, em síntese, foram os seguintes: a) em relação ao Auto de Infração do Imposto sobre a Importação (fls. 01/10): irregularidades apuradas em relação às Declarações de Importação (D1) de n"s 02/0883917-2, registrada em 03/10/2002, e 03/0145804-3, registrada em 19/02/2003: a) declaração inexata, por erro no valor declarado e na descrição da. mercadoria (Dl n" 03/0145804-3); b) importação ao desamparada de Guia de Importação (GO ou documento equivalente (D1 n" 03/0145804-3); e) diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado (DI n" 03/0145804-3); e d) mercadoria. classi ficada incorretamente na Nomenclatura Como m. do -Moucos-ri 1 - NCM (D .E n° 02/0883917-2).. b) em relação ao Auto de Infração do Imposto sobre Produtos Industrializados (fls. 16/21): irregularidades apuradas em relação às Declarações de Importação (Dl) de n's 02/0883917-2, registrada em 03/10/2002, e 03/0145804-3, registrada em 19/02/2003: (i) declaração inexata, por classificação fiscal incorreta da mercadoria na MN_ (DI n" 02/0883917-2); e (ii) declaração inexata, por erro no valor declarado e na descrição da mercadoria (Dl n" 03/0145804-3).. Em decorrência das referidas irregularidades, firram lançados os seguintes créditos tributários: a) no Auto de Infração do Imposto sobre a huportação (fls. 01/14): (i) Impostos sobre a Importação (II), acrescidos dos .julos moratórios e da multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento), por declaração inexata; (ii) multa por falta de Licença de Importação (LI); (iii) multa por classificação fiscal incorreta; e (iv) multa de 100% (cem por cento) sobre a diferença apurada entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação; b) no Auto de Infração do Imposto sobre Produtos industrialzados (fls. 15/23): (i) ko.postos sobre Produtos ..Industrialzados (In, acrescidos dos .juros moratórios e da multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento), por declaração inexata. Em 04/06/2007, a autuada foi pessoalmente cientificada (fis. 02 e 15) dos referidos Autos de Infração, Inconformada, em 04/07/2007, apresentou a impugnação d.e fls. 2.23/564, cujas razões de defesa, em síntese, foram as seguintes: a) em preliminar, alegou nulidade dos referidos Autos de Infração, com o argumento de que, na data do lançamento, encontrava-se favorecida com o ins,fituto da deu-Ui:leia espontânea, previsto no art. 138 do CTN; b) no mérito, alegou que: (i) faz jus ao benefício fiscal de isenção do fl e do 1PI, previsto para a Zona Franca de Manaus (Z -FM), pois atendeu todas as condições exigidas para fruição do regime, inclusive Obteve de IA anuída pela SUFRA .MA; (ii) não prestou declaração inexata, haja vista que adotou as alíquotas do II e do IP1 constantes da posição da NCM que julgou correta para a classificação fiscal da mercadoria; (iii) era inaplicável a' -mita • por inexistência de 1.1., .pois esta foi regularmente emitida, logo. Os fatos narrados no auto de infração não se substitue à capitulação le gal indicada; (iv) ela inaplicável a multa por diferença de preço, pois não havia prova da prática de huude, sonegação ou conluio, bem como da impossibilidade de se apurar o preço efetivamente praticado; (v) se erro existiu, teve como origem mero engano, .jamais tendo como motivação o proveito doloso, intencional e danoso ao erário; (vi) a atuação da .Administração Pública deve seguir os parâmetros da razoabilidade, legalidade e da proporcionalidade; e (vil) ausentes o dolo e a má-fé do declarante, não cabe a imposição de multa, segundo dispõe o ADN C.osit n'' 1.0, de 16 janeiro de 1997. No final, em sede preliminar, pediu a nulidade dos presentes Autos de Infração, que resultou em lançamento de oficio no curso da denúncia espontânea. Caso não acatada a preliminar, no mérito, requereu o .julgamento improcedente dos citados Autos de Intiação, a vista de que a capitulação legal nele contida não se conforma ao contexto factual explanado pela própria administração tributária. Após a referida impugnação, sobreveio o mencionado Acórdão, cru que os membros da Turma julgadora o quo, por maioria de votos, declararam nulo o presente lançamento, julgando a impugnação procedente e cancelando o crédito tributário exigido, com base nos fundamentos expostos resumidamente no corpo da ementa anteriormente transcrita. Fm 30/09/2009, a interessada Foi cientificada do Acórdão recorrido, por -via postal (i1 614).. • 1•!.i'n.• cumprimento ao -despacho-de-1F 61-5- (-ultima);--os-presentes- autos foratu enviados a este e. Conselho.. Na Sessão de 04/02/2010, mediante sorteio, foram distribuídos para este Conselheiro. É o Relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento - Relator O presente .R.ecurso de Oficio preenche os requisitos de admissibilidade, pois valor do crédito tributário exonerado pelo Acórdão recorrido excedeu ao limite de alçada do Órgão julgador de primeiro grau (DRI --- l'ortaleza) e a controvérsia nele versada trata de matéria da. competência deste Colegiada -portanto, dele tomo conhecimento. 1- DAS PRELIMINARES Antes de adentrar ao mérito, duas questões preliminares precisam ser dirimidas Ambas dizem respeito à nulidade dos Autos de Infração em testillia. Urna aduzida. pela autuada e a. outra apresentada pela maioria dos membros do colegiado do Órgão .julgador de primeiro grau.. Da alegação da autuada: lançamento de ofício realizado no curso do prazo da denúncia espontãnea. Na peça impugnatoria, alegou a interessada que os presentes Autos de Infração seriam nulos, uma vez que foram lavrados no curso do prazo do beneficio da denúncia espontânea. .. „..... ..„. ,. . 4 7 Proces.,:o n" 10283 003150/2007-84 S3-C.1J2 AcórXio n " 3102-00.693 Fl 618 Não assiste razão a. recorrente. Não há na legislação material ou processual qualquer preceito legal que impeça a autoridade fiscal de proceder a lavratura do auto de infração, principalmente, quanto a denúncia da irregularidade ou da infração não vem acompanhada das providências adequarias para saneá-la.. () mesmo se aplica a hipótese de recuperação da espontaneidade, ocorrida no curso do procedimento fiscal, por ter excedido o prazo de 60 (sessenta) dias, sem a prática de qualquer ato de oficio que denote a continuidade da ação fiscal, conforme estabelecido no § 2" do art. 7" do Decreto 70.235, de 6 de março 1.972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal (PAF) federal. No caso, ao contrário do alegado pela fiscalizada, diante da persistência da. infração, sem que houvesse provid.ência alguma por parte da denunciante, em. cumprimento ao disposto no rui.. 142 do CTN, a autoridade fiscal foi obrigada a proceder ao lançamento do crédito tributário, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o efeito jurídico, decorrente da aplicação do instituto da denúncia espontâneo, previsto no art, 138 do C.7N, alcança apenas a dispensa de penalidades de natureza hibutária, desde que a formalização da denúncia seja acompanhada do recolhimento do tributo devido e dos juros moratórios acaso devidos, o que não Ocorreu no presente caso, embora previamente cientificada da obrigação de recolher os impostos objeto do presente lançamento. 'Não é demais ainda lembrar que, no âmbito direito aduaneiro, o assunto recebeu disciplinamento específico, conanme disposto no art. 102 do Decreto-lei n" 37, de 18 de novembro de 1966, a seguir transcrito: Ari 102 - A denúncia e,sponhinea da infração, acompanhada, se for' o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá Li imposição da correspondente penalidad('. (Redação dada pelo Decreto-Lei n'2,472, de 01/09/1988) § 1" - Arão se considera esponidueo a denúncia apresentada.' (Incluído pelo Decreto-Lei n'2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o dest :.'inharaço da mercadoria. (Incluído pelo Decreto-Lei n°2 472, de 01/09/1980 h) após o inicio de qualquer 011trY) procedimento fiscal, mediante aio de oficio, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurai a inflação, (incluído pelo Decreto-Lei n'2 472, de 01/09/1988) 2" - A denúncia espontânea exclui somente LIN penalidades de natureza tributária. Uncluído pelo Decreto-Lei n°2 472 de 01/09/1.988) (grilos não originais). Analisando o preceito legal transcrito, tendo em conta as peculiafidades do caso em apreço, merece atenção especial o disposto no § 2' que, a contrario senso, exclui expressamente as penalidades de natureza aduaneira dos benefícios da denúncia espontânea. Dessa forma, caso a interessada, no período em que poderia exercer a denúncia espontânea, tivesse providenciado o recolhimento dos impostos devidos, acrescidos dos juros moratórios (o que não aconteceu), tal providência isentar-lhe-ia apenas cFmni...11 de \ 417 oficio de 75% (setenta e cinco por cento), prevista o art. 44 da Lei n" 9.430, de 1996, haja vista que tal instituto ¡lã° SC aplica às infrações de natureza aduaneira.. Com tais considerações, rejeito a presente preliminar. Da ftmdamentação do Acórdão recorrido: cerceamento do direito de defesa por inexatidão da descrição da matéria tática. Compulsando o Voto Vencedor que embasou a decisão anulatoria do presente procedimento fiscal, em sua totalidade, verifica-se que o argumento apresentado foi a existência do cerceamento do direito de defesa da fiscalizada, posto que os Autos de Infração litigados 11 :ãO conteriam a descrição exata da matéria fálica, contrariando ao disposto no inciso 11 do art. 59 do PAP, eom.binado com o art. 5 0 , inciso LV, e art. 37, caput, da (i.onstituiçao Federal, bem como ao principio da estrita legalidade que inibi-ma todo ato administrativo. Discordo, em parte, do entendimento majoritário da Turma julgadora de primeiro grau. Analisando a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que integra os Autos de Inflação em testilha, observo que dela não consta, explicitamente, a motivação da descaracterização do beneficio fiscal da isenção do 11 e do [PI, que fora reconhecido em favor da autuada na fase dos despachos aduaneiros, amparados pelas DI de nus 02/0883917-2, registrada em 03/10/2002, e 03/0145804-3, registrada em 1.9/02/2003, riem tampouco o .enquadramento legal do lato que-embasou-tal procedimento. Cabe consigtun ainda que o referido beneficio fiscal fora concedido a interessada., com base no art 3" do Decreto-lei n" 288, de 2.8 de fevereiro de 1967, que assegura às .mercadorias estrangeiras importadas para a Zona Franca de Manaus (ZFN), desde que destinadas as finalidades nele especificadas, a isenção do II e do Acontece que, por se tratar de 'beneficio fiscal sujeito à determinadas condições, a manutenção da isenção dos rei .Tidos impostos esta condicionada à (i) efetiva comprovação das mercadorias nas finalidades indicadas, e ao (ii) cumprimento das demais condições e requisitos estabelecidos no Decreto-lei. n" 288, de 1967, e pela legislação complementai: (requisitos formais). Neste sentido, o diSeiplinaMent0 contido no § do art.. 453 do Decreto n" 4.543, de 26 de dezembro de 2002, que dispõe sobre o Regulamento Aduaneiro de 2002 (RA/2002), vigente na época dos fatos e inflações narrados nos autos, cujo texto segue transcrito: Art. 453. A entrada de mercadorias estrangeiras na Zona hanca de Manaus, (ictiuia(ia a s eu cons umo interno, industrialização em qualquer ,1 •.;1 .(tu, inclitsive beneficiamento agropecuária, pe.yea, instalação e operação de indústrias e .5€'i 'VIÇOS de qualquer natureza, eXpO kl(ii0, bem ass im a estocagem para reexportação, será isenta dos impostos de importação e sobre produtos industrializados (Decreto-lei 288, de 1967, art 3, e Lei n" 8 032, de 1990, art 4") §' 2 .4 isenção de que trata ege artigo fica condicionada à efetiva aplicação das mercadorias nas . finalidades indicadas, e ao cumprimento das demais condições e requisitos k. estabelecidos pelo Deereto-lei n' 288, de 1967., e pela legislação complementa. Processo n" 10283 003150/2007-84 534:1 T2 Acórdio n " 3102-00.693 Pl. 619 (grilos rào originais). Conforme . já mencionado, na presente autuação, a autoridade fiscal, além de apresentar uma descrição .fatica precária, não mencionou o preceito legal que amparou a sua decisão de desconsiderar a referida isenção e, por conseguinte, proceder à cobrança dos impostos suspensos, em decorrência da aplicação do regime da aduaneiro da ZFM, Com efeito, não há nos referidos Autos de Infração dados ou elementos que indiquem., COm precisão, o que levou a autoridade fiscal a afastar o beneficio fiscal em tela.. Rm outras palavras, quais das condições mencionadas no referido preceito legal fbram descumpridas pela interessada: as mercadorias não foram aplicadas na finalidade indicada? Ou o beneficiário descumpriu alguma condição ou requisito estabelecido pelo Decreto-Lei n" 288, de 1967, e pela legislação complementar? Na descrição dos Patos integrantes dos referidos Autos de Infração, onde se deveria encontrar as respostas para tais indagações, não há qualquer notícia a respeito de tais circunstancias. Cabe ressaltar, ademais, que a simples menção, de forma genérica, a declaração inexata, seja por erro de classificação fiscal (Dl n" 02/0883917-2), ou por erro de descrição ou valor da mercadoria (Dl n() 03/0145804-3), ao meu sentir, não são suficientes para proporcionar o conhecimento do real motivo da exigência dos impostos suspensos, acrescidos de multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) e juros moratórios. Poder-se-ia ainda inferir, a partir da farta, porém prolixa, descrição apresentada que o motivo do cancelamento do beneficio fiscal em questão fora O descumprimento dos requisitos estabelecidos para fins de obtenção do licenciamento dos equipamentos importados, condição necessária para fruição do incentivo fiscal aplicado ao regime da ZFM, conforme disposto no art. 455 do RA/2002, a. seguir reproduzido: Ari.. 455. As importações no regime de que trata este Capitulo estão sujeitas a liCelleiaM01110 não-automático, previamente ao despacho adiumeiro, com a expressa alitiêneia da ,Yuperintendencla da Zona Franca de Manaus. Nada obstante, tal inferência aplicar-se-ia apenas em relação a Dl n" 03/0:145804-3, haja vista que a operação de importação de que trata a D1 if 02/0883917-2, estava amparada pela IA n" 02/1141524-0, deferida pela Suframa. Inclusive, cabe mencionar que essa operação não fbi apeirada com a multa por falta de L1, o que conduz a conclusão de que, se existia licenciamento para esta Ultima operação, dela não seria exigido o valor do IPI suspenso, o que não ocorreu, corri:Orme Auto de Infração do IPI (Os.. 15/23). No mesmo sentido, conclui o Relator do Voto Vencedor que serviu de fundamento para Acórdão recorrido, segundo o excerto a seguir transcrito: Não se pode falar aqui que a simples classificação incorreta na NC1V1 tenha o condão de desconligurar todo o Regime da Zona Pratica de Manaus, quando a descrição da mercadoria, tanto na Dl n° 02/088.3917-2, quanto na li n° 02/1141524-0 foi considerada correta pela Auditoria \7 Ademais, analisando a peça impugnatoria, observo que a interessada não chegou a tal inferência, por conse guinte, não se defendeu explicita e adequadamente dessa parcela da autuação, por uma razão óbvia: a imprecisa ou confusa exposição dos fatos, relativamente aos itens da autuação em destaque, agravada com a ausência do preceito legal infringido e a contradição em relação a exigência dos impostos suspensos.. Nesta direção é ilustrativo o trecho da peça impugnatória a seguir transcrito: Lm todo o teor do auto de infração não se encontra urna única linha dando conta de que as importações presentes nas DIs a' 03/0145804-3 e 02/0145804-3 tenham .sido efetuadas .sem autorização do Órgão anuente, qual _sela, a ,S'uperiniendência Zona P5anca de Manaus - SUPRA1114, fu.stamerne porque a análise fiscal teve como foco, para a primeira D1 de 2003, o valor (solicitado previamente pela IMpetrante) e a deserk..ão mercadoria, e para a D1 de 2002, a redistribuição das iiue Cad.01 jati ?WS adições e modificação da 1\1(..M. Dessa thrina, a imprecisa descrição tatica, aliada a ausência de capitulação do preceito legal que enibasara a descaracterização do regime isentivo em destaque (ausência de enquadramento legal.), ao meu ver, cerceou o direito de defesa da autuada, maculando a parcela do lançamento que trata da exigência dos impostos lançados e respectivos consectarios legais Ouros moratórios e multa de oficio), com o vicio formal insanável da ausência de motivação, cujo remédio é a declaração da nulidade desta parte da autuação. Por derrai.Téiro, é oportuno mencionar que a 'declaração parcial de nulidade do ato de lançamento tributário, formalizado por :areio do auto de infração, tem amparo no art.. 248 1 do Código Civil Brasileiro (CPC), que se aplica subsidiariamente ao PAF. Por outro lado, no que tange as penalidades de natureza aduaneira, com devida vênia, discordo do entendimento majoritário da 'furma julgadora de primeiro grau. Lm relação a este .ponto, no meu entendimento, tanto a motivação quanto o enquadramento legal foram adequadamente apresentados no Auto de Infração de tls, 01/14. No caso, se os fatos descritos não correspondem a hipótese legal infringida, não se trata de vicio formal, por falta de motivação e enquadramento legal, .mas de vicio material, caracterizado pela falta de subsunção do ...incito descrito ao tipo legal infringido. Cabe ressaltar que, no âmbito do processo administrativo fiscal, o ato administrativo de lançamento e de aplicação penalidade, em consonância com o disposto no art. 142 do CIN, tem os seus aspectos formais definidos nos arts. 9°c 10 do PAU. Não se olvide que os requisitos obrigatórios determinados para o auto de infração estão taxativamente estabelecidos no art.. 10 do PAF, a seguir transcrito: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da ver ilicação da falta, e conter obr igatoriamerne.• - qualificw.cão do autuado,- 1!- o local, a data e a hora da lavrattua, lii - a descrição do fido; I "Ate 248 - .Anulado e ato, .1-opinam-se de nenhum efeito todos os subseqüentes, que dele dependam; todavia, a \ nulidade de uma paute do alo lã() prejudicará as outras, que dela sejam independentes" \ //\'' PI ()cesso ne 10283 003150/2007-81 S3-C: ft 2 Acórfflo n " 31.02-00.693 Fl. 620 /V- a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da eviOncia e a intimação Nua cumpri-1a OU impugná-la no prazo de trinta dias,- VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o numero de matrícula. (gr i fos não originais). No que concerne às penalidades de natureza aduaneira, compulsando o Auto de Infração de fi. 01/14, verifico que todos os requisitos fixados no referido dispositivo legal estão nele contemplados, portanto, do ponto vista formal, não há nenhum vício que macule a higidez dos lançamentos em testilha, em relação a esta parcela da presente autuação.. Neste ponto, diversamente do alegado no Voto Vencedor que embasou o Acórdão recorrido, observo que a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, integrante do citado Auto de Infração, contém farta descrição dos fatos ilícitos, acompanhada da disposição legai infringida e a penalidade aplicável (enquadramento legal), que embasaram a aplicação das citadas penalidades, o que proporcionou à autuada pleno conhecimento das infrações que lhe foram imputadas na presente autuação. Uma demonstração do que foi asseverado, está retratada na longa e exaustiva peça impugnatória de fis.. 223/243, em que a interessa contesta, com propriedade e conhecimento, todos às penalidades aduan.eiras aplicadas, inclusive, apontando as inconsistência entre os fatos relatados e as infrações hipotéticas descritas ria lei. Dessa forma, fica evidenciado que, em relação a esta parcela da autuação, não houve o alegado cerceamento do di eito de defesa. da fiscalizada. Corrobora o asseverado, o excedo a seguir transcrito, em que a autuada deixa consignado que, caso superada a questão preliminar suscitada "seja o presente auto de infração julgado improcedente, a vista de que a capitulação legal nele contida não se conformar ao contexto factual explanado pela própria administração tributária (....)" (grifos não originais) Assim, no que toca às infrações em destaque, reafirmo que se vício existiu ele foi de natureza material, por incompatibilidade entre a conduta imputada a autuada e a infração descrita hipoteticamente na lei, questão que envolve o mérito da presente controvérsia, que será analisado em seguida.. Por tais razões, rejeito em parte a presente preliminar, o que implica negar provimento, em parte, ao presente de Recurso de Oficio, para manter (i) a nulidade integral do Auto de Infração do TN 15/23) e (ii) parcial do Auto de infração do II (fls. 01/14), alcançado apenas a parcela do lançamento do II e respectivos acréscimos legais (juros moratórios e multa de oficio). II-"DO MÉRITO Superadas, em parte, as preliminares de nulidade dos referidos Autos de Infração, passo a análise das questões de mérito, com a ressalva de que as questões que aqui serão analisadas limitam-se às penalidades de natureza aduaneira, aplicadas por meio do Auto de Infração do I.1 (fis. 01/14), a saber: (i) a multa por falta de Licença de impodação (14 (ii) a multa por classificação fiscal incorreta; e (iv) a multa de 100% (cem por cento) sobre a diferença apurada entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na.rmportação Entretanto, antes de analisar a procedência ou não da imposição das ditas penalidades, cabe fazer uma rápida exposição sobre as duas operações de impoitação, com destaque para a identificação dos equipamentos importados e o enquadramento tarifirio deles na NCM. Da identificação do equipamento importado. O bem impai tado pela interessada foi IAM tipo de equipamento chamado "SISTEMA ARTICULADO DE ACOPLAMENTO DE EMPURRADOR E BALSA" (Atticulated Trig Barge Compling SvWcm), que o Fornecedor especificou como "Al Coupling System (IAK-400, or equivalent)" Este equipamento é composto basicamente de duas partes: a) uma a ser montada no EMPURRADOR, identificada com o nome de "PUSHP1N" (Pino Empurrador), composta de duas unidades; e b) a outra a ser montada na BALSA, identificada nos documentos com o nome de "SOCKET" (Placas Soqueles), também composta de duas unidades. O funcionamento do referido sistema dar-se da seguinte maneira: os dois pinos fixados no Empurrador se encaixam nas duas placas soquetes da Balsa, proporcionando o engate ou acoplamento do primeiro ao Ultimo, Cabe destacar que, cru relação à. identificação e ao funcionamento do equipamento (ou sistema),-não controversianos autos-. Da classificação fiscal do produto na NCM. A recorrida classificou o equipamento em tela, nos seguintes códigos da NC : a) na DI n" 02/0883917-2 (fls. 124): (i) Adição 001: "8479.89 99 OUTROS MAQS APARS.MICANICOS C/1.11NCAO PROPRIA"; e (ii) Adição 002: "8479.90.90 — OLITS PARTES DE MAQS E APARS.MECAN1COS C/FUNCAO PROPAIA"; E b) na DI n" 03/0145804-3 (ti 35): Adição 001 (Unica): "8483.60.90 DISPOSITIVOS DE ACOPLAMENTO, IN(. L JUN I AS DF ARTICULACAO" De acordo com a autoridade fiscal, o código NCM correto do retendo equipamento é 8483.60.90 (DISPOSITIVOS DE ACOPLAMENTO), que corresponde ao enquadramento tai 'fali° atribuído ao produto na segunda da Dl. Em conclusão, nos presentes autos é incontroverso que o "sistema articulado de acoplamento de empunador e balsa" classitica-se no código NCM 8483:60.90, que a partir da posição 8483 tem a seguinte descrição na NCM: 84.83 ÁRVORES (VEIOS) DE TRAMS'AIISSÀO /INCLUÍDAS AS ÁRJ' ORES DE EXCÊNTRICOS (CAMES) E VIRA BRE01.IINS (CAMBOTAS)/ P, MANIVELAS, MANC,5:118 (CIIUMA(TIRAS) A 'BRONZES', ENGRENAGENS E RODAS DE FRICÇÃO, ELVOS DL ESLERAS OU DE ROLE' 11 REDUTORES; - MULTIPLICADORES, CAIXAS DE 11?ANSAILS'5X0 E 1:7A R1/10 OR ES DL VELOCIDAI)L, [ DOS OS CONVERSORES DE TOI?OliE (BINÁRIOS), VOLANTES E \\NW Processo n" 10283 0031.50/2007-8 .1 S3-(1T2 Acórdão n°3.1.02-00.693 01. 021 INCLUIDAS AS POLIAS PARA CADERNAIS; EMBREAGENS E DLS'POSMVOS DE ACOPLA .MENTO, INCLUÍDAS AS .ILINTAS DE ARTICULAÇÃO (• • ) 8483..60 - Enzbreaf!. ens e dispositivos de acoplamento, incluídas. as juntas de articulação 8483.60 90 • • Outros (griros não originais). De acordo com a Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado ((ROI-S11) n" C, para os efeitos legais, a classificação de um produto na NCM 3 é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capitulo. Analisando os textos da posição 84„83 e da subposição 8483.60, verifica-se que há menção expressa aos dispositivos de acoplamento, descrição em que se enquadra. perfeitamente o equipamento destaque. 'Dessa forma, aplicando ao caso em tela a RGI-SH n" 1 , tem-se que o equipamento importado pela recorrida se enquadra perfeitamente nas referidas posição e subposição. Por fim., por não existir descrição especifica no âmbito da subposiçã.o 8483,60, com base na Regra Geral Complementar (RGC) n" 1, combinado com o disposto na Red-SH n" 3-"c", tem-se que o referido sistema classifica-se no código NC1vi 8483.6090 — Outros, restando assim a seu código tarifário e correspondente descrição na NCM: 8483.60.90 — Outros dispositivos de acoplamento. Da multa por classificação fiscal incorreta. A previsão legal da penalidade em epígrafe está assim descrita no inciso I do art. 84 da Medida Provisória n" 2,158-35, de 24 de agosto de 2001: Ari 84. Aplica-se a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mereadória: I- (las.sificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complemenlaré ou em outros detalhainentos instituídos para a identificação da mercadoria; (grifos não ot igi nal s) Diante das conclusões anteriormente apresentadas, entendo que houve a concretização da referida. infração, haja que os erros de classificação apontados no presente Auto de Infração se subsumem adequadamente a hipótese tática descrita no citado preceito legal. 2 OS títulos das Seções, Capítulos e Subeapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capitulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: 3 Aprovada peia Resolução Camex n" 42, de 26 de dezembro de 2001, de 12 de Novembro de-1-99 .7, com ps (' alterações posleriores Cabe ressaltar ainda que a ausência de culpabilidade, de dolo ou iná-fé, não influi na aplicação da penalidade em apreço, haja vista que a responsabilidade por infração às normas aduaneiras, regra geral, tem natureza objetiva (caso ein apreço), ou seja, independe da. intenção do agente e da efetividade, natureza e extensio dos efeitos do ato, segundo determina o § 2' do art. 94 do Decreto-lei n" 37, de 1966, a seguir reproduzido: Art 94 - Constitui infração Ioda (1Ç.'ã O ou omissão, voluntária Ou involuntário, que importe inobservancia„ por pai te da pessoa natural ou jurídica, dc norma estabelcuida neste Decreto-Lei, no seu regulamento Ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completa-los (. ) 2" - Salvo dispasição evr essa f'..M. Con trário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente on do responsável e da efetividade, natureza e vtensão dos efeitos do ato. (grifos não origniais) Além disso, não se olvide que a presente infração tem natureza formal, o que implica sua materialização com o simples cometimento da conduta tipificado no referido preceito legal, independentemente do resultado natural ístico. Em decorrência, é irrelevante para sua configuração a existência. de prejuízo a Fazenda Nacional. Dessa librma,. uma vez de.monstrada a._ ocorrência do evento -ilícito e -a- sua perfeita subsunção a hipótese típica descrita na lei, aliada a inexistência de qualquer circunstância excludente da penalidade aplicada, o que conduz a inarredável conclusão de que é procedente a exigência da dita penalidade Por tais razões, considero corretamente aplicada a presente penalidade. Da multa por falta de Licença de Importação (LI). Inicialmente, é oportuno esclarecer que a multa aplicada à autuada, por infiação ao controle administrativo das importações, caracterizada pela t'alta de Guia de Importação (GO ou documento equivalente, está prevista, na alínea "h" do inciso 1 do art. 169 do Decreto-lei n" :37, de .1966, com a redação dada pelo art. 2" da. Lei 13.0 6,.562/78, com os seguinte dizeres: „4,1 169 - Constituem infrações administrativas ao c..ontrole das imporiaçõe .1- importar mercadorias do e.vterior: ( ...) b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falia de depó.sito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus . financeiros. ou camblais (Inchada pela Lei n" 6.562, de 1978) Pena multa de 30% (trinta por cento) do valor da tne)uadoi ia. (...) (grifos não originais) No período em que ocorreram os latos descritos no presente /Auto de Infração, já se encontrava em operação o Sistema Integrado do Comércio Exterior (iscomx„ 7.".,.../ . i 12 Processo n" 10253. 003150/2007-84 S3-C1.12 Acórfflo 3102-001.i93 01 022 no ilmbito do qual, nos termos do § 1" do art. 6 0 do Decreto n" 660, de 25 dc setembro de 1992, a I foi substituída pela Licença. de Importação (I 1).. Na nova sistemática, as operações de importação passaram a ser submetidas a. duas modalidades de licenciamento: o automático e o não automático. Na primeira modalidade é dispensável a anuência prévia dos (.)rgão intervenientes no comércio exterior, enquanto que na segunda, a autorização prévia dos referidos Órgão é sempre exigida, sob pena do cometimento de infração administrativa ao controle da.s importações, abstratamente descrita. no art.. 169 do Decreto-lei n" 37, de 1.966. Na data em que das operações de importação objeto da presente autuação, o assunto estava disciplinado no art. 490 do RA/2002. No presente caso, somente o equipamento submetido a despacho aduaneiro por meio da D .1 n'' 03/0145804-3, registrada em 19/02/2003, foi objeto da penalidade em apreço. A referida importação teve o seu licenciamento deferido pela Suframa, fOrmalizado por meio da lA de n" 03/0178800-3, registrada em 17/02/2003 (fls. .149/150), que foi retificada pela LI n' 03/0762465-7, registrada. em 0.3/07/2003 (11s. 190/191), também devidamente anuída pela Sufiama.. Comparando a descrição do equipamento declarado na referida Dl e licenciado na respectiva 1.1, observa-se que elas são coincidentes, o que confirma a regularidade do licenciamento do produto, previamente ao registro da 1)1. Neste ponto, está com a razão à impugnante (11s. 223/243) que se manifestou pela inaplicabilidade da multa. em destaque, porque ali: fora regularmente emitida. Com tais considerações, fica demonstrada a improcedência da aplicação da. presente penalidade, Da multa incidente sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação. A hipótese legal da penalidade em epígrafe está assim descrita no Caput e parágrafo único do art. 88 da Medida Provisória n" 2..158-35, de 24 de, agosto de 2001: ..4u. 88 No caso de fraude, - sonegação Ou conluio, CM (Me não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na iMpOr a base de cálculo dos triburos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos _seguintes critálos, observada a ordem .seqüencial. Parágrafo único. Aplica-se a 1)11.111(1 administrativa de cem por cento sobre a diferença entre O preço declarado e o preço efetiva mente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos. impostos-, da multa de ofício prevista no art 44 da Lei n 0 9.4.30, de 1.996, e dos acréscimos legais cabíveis. Alegou a. recorrida que era inaplicável a presente penalidade, pois não havia prova da. prática de fraude, sonegação ou conluio, bem como da impossibilidade-de se apurar o p1eço efetivamente praticado, Esta com a razão a autuada. A aplicação da presente penalidade exige prova da prática de fraude, sonegação ou conluio, bem como da impossibilidade de se apurar o •preço efetivamente praticado.. Compulsando os presentes autos, verifica-se que a autoridade fiscal não relatou nem comprovou tais condutas. Na verdade, há noticias nos autos de que a diferença de preço decorreu de equivoco cometido pela -fiscalizada, que informara na IN e na Ti origin.al um valor interior para o equipamento importado, que fora espontaneamente comunicado fiscalizada a Unidade da Receita Federal de despacho, que indeferira a alteração pleiteada. Cabe esclarecer, por oportuno, que o mesmo pedido de retificação também foi formulado junto à Saram, que o deferiu, nos termos propostos .pela importadora e conforme consignado na LI retificadora de Os.. 190/191. Além disso, não se pode perder de vista que o escopo da presente multa é diferenciar o importador que agiu com dolo ou Ina-fe, fraudando o preço da mercadoria importada, daquele que cometeu mero equivoco no preenclrimento dos documentos relativos à. operação de importação.. Inclusive, e oportuno destacar, sequer foram aventadas pela autoridade fiscal as condutas ilícitas descritas no preceito legal em apreço.. Além disso, por se tratar de regime aduaneiro couteurplado com a isenção dos tributos incidentes na operação de importação, não vislumbro, no presente caso, qual seria a vantagem tributária obtida ilicitamente pela autuada, com a indicação de preço a menor do produto importado . . • • --.- - - • ..---- ..- - -- • .--- ----- ..... -•--- • - •— Diante tais considerações, tenho como .indevida a aplicação da presente multa. III- DA CONCLUSÃO Ante todo o exposto, voto no sentido de: a) DAR PROVIMENTO PAR.C.I.A.I. ao presente Recurso de Oficio, para manter (i) a nulidade integral do Auto de Infração do IPI (fis. 15/23), por vício formal; e (ii) parcial do Auto de Infração do II (lis 0.1/1.4), por vicio -formal, alcançando apenas a parcela do lançamento do II e respectivos acréscimos legais (juros moratórios e multa de oficio); e b) RE.1E FIAR_ a preliminar de nulidade, por afronta ao instituto da denúncia espontânea, suscitada pela recorrida; c) no mérito, DECLARAR PROCEDENTE EM PARTE o Auto de Infração do 11 (tis. 01/14), para manter integralmente o valor da multa por classilicaição incorreta da mercadoria._. , vw., • .."---. – • \.N as-éimento \ 14

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5703922 #
Numero do processo: 14041.000505/2005-15
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) Exercício: 2003 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO A UNESCO/ONU - TRIBUTAÇÃO. São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura - UNESCO/ONU, quando recebidos por nacionais contratados no País, por faltar-lhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária. (Acórdão CSRF 04-00.024 de 21/04/2005). Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.738
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva

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São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura - UNESCO/ONU, quando recebidos por nacionais contratados no País, por faltar-lhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária. (Acórdão CSRF 04-00.024 de 21/04/2005). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, eor unanimidade de votos, em negar • provimento ao recurso. CARLOS ALBER 4!) REITAS BA r,r ETO- Presidente MOISES GIACOMEI S DA SILVA - Relator EDITADO EM: 1 11 00 2010 1 • Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente); Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório O contribuinte antes nominado foi autuado em virtude da omissão de rendimentos do trabalho recebidos de organismos internacionais, caracterizada pela constatação de que o contribuinte declarou-os como isentos e não tributáveis em sua Declaração de Ajuste Anual, no ano-calendário de 2002. Por meio do acórdão de folhas 248 e seguintes, a Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, para excluir da exigência a multa isolada aplicada em concomitância com a multa de oficio. O acórdão referido pode ser sintetizado por meio de sua ementa, a seguir transcrita: IRPF - ORGANISMO INTERNACIONAL DA ONU ISENÇÃO - A isenção de imposto sobre rendimentos pagos por Organismo Internacional da ONU é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu Secretário-Geral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo corra vinculo contratual permanente. (Precedente da CSRF/MF) MULTA ISOLADA - MULTA DE OFÍCIO — CONCOMITÂNCIA -É inaplicável a multa isolada concomitantemente com a multa de oficio, tendo ambas a mesma base de cálculo. Recurso parcialmente provido. Intimado, o contribuinte ingressou com recurso especial de fls. 293/308, alegando, em síntese, que os rendimentos recebidos, decorrentes da prestação de serviço junto ao PNUD, gozam de isenção do imposto sobre a renda. Com a finalidade de demonstrar divergência jurisprudencial, o recorrente destaca os acórdãos paradigmas n° 104 — 16.634 e CSRF/01.04.135, de ementas idênticas que, no ponto que interessa ao presente feito, espelham a seguinte decisão: IRPF - REMUNERAÇÃO PAGA PELO PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO NO BRASIL. ISENÇÃO - Por força das disposições contidas na Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, cujos termos foram recepcionados pelo direito pátrio através do Decreto n° 27.784, de 16.02.50, os valores auferidos a título de rendimentos ,\ do trabalho pelo desempenho de funções especificas junto ao 2 Processo n° 14041.000505/2005-15 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.738 Fl. 3 Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento estão isentos do imposto de renda brasileiro. Recurso provido O recurso foi admitido às fls. 341/343 e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 346 e seguintes. É o relatório. Voto Conselheiro MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 15, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147, de 25 de junho de 2007, do Ministro da Fazenda. Foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Quanto à divergência necessária à admissibilidade do recurso, o acórdão atacado pode ser sintetizado por meio de sua ementa, a seguir transcrita: IRPF - ORGANISMO INTERNACIONAL DA ONU — ISENÇÃO - A isenção de imposto sobre rendimentos pagos por Organismo Internacional da ONU é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu Secretário-Geral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo corra vinculo contratual permanente. (Precedente da CSRF/MF) MULTA ISOLADA - MULTA DE OFICIO — CONCOMITÂNCIA -É inaplicável a multa isolada concomitantemente com a multa de oficio, tendo ambas a mesma base de cálculo. Recurso parcialmente provido. Em relação ao acórdão paradigma apontado como caracterizador da divergência, este apreciou a matéria nos seguintes termos: IRPF - REMUNERAÇÃO PAGA PELO PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO NO BRASIL. ISENÇÃO - Por força das disposições contidas na Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, cujos termos foram recepcionados pelo direito pátrio através do Decreto n° 27.784, de 16.02.50, os valores auferidos a título de rendimentos do trabalho pelo desempenho de funções especificas junto ao 3 Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento estão isentos do imposto de renda brasileiro. Recurso provido Do confronto das ementas acima referidas, tem-se que o acórdão recorrido concluiu pela incidência do imposto de renda sobre a remuneração auferida junto a Organismo Internacional relativa à prestação de serviço contratado em território nacional e o acórdão paradigma pela não incidência. Desta forma, fica caracterizada a divergência, razão pela qual admito o Recurso Especial e passo ao exame do mérito. Quanto ao mérito, o litígio versa sobre exigência de IRPF sobre valores recebidos por serviços prestados em território brasileiro a organismo internacional (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura — UNESCO/ONU), declarados como rendimentos isentos, esta Quarta Tullna da Câmara Superior, em decisões anteriores, adotou o entendimento constante do acórdão n° 104-20.451 de 23/02/2005, em que foi relatora a ilustre Conselheira Maria Helena Cota Cardoso, "in verbis": " (.) A solução da lide requer a análise sistemática de toda a legislação que rege a matéria, e não apenas a invocação de alguns dispositivos legais que, citados de forma isolada, podem induzir o Julgador a uma conclusão precipitada, divorciada da 'ultima ratio' que norteia a concessão da isenção em tela. O artigo 5° da Lei n°4.506/64, reproduzido no artigo 23 do RIR/94 e no artigo 22 do RIR/99, assim estabelece: 'Art. 5 0 Estão isentos do imposto os rendimentos do trabalho auferidos por: 1- Servidores diplomáticos de governos estrangeiros; II - Servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte e aos quais se tenha obrigado, por tratado ou convênio, a conceder isenção; III - Servidor não brasileiro de embaixada, consulado e repartições oficiais de outros países no Brasil, desde que no país de sua nacionalidade seja assegurado igual tratamento a brasileiros que ali exerçam idênticas funções. Parágrafo único. As pessoas referidas nos itens II e Ill deste artigo serão contribuintes como residentes no estrangeiro em relação a outros rendimentos produzidos no país.' Quanto aos incisos I e III, não há dúvida de que são dirigidos a estrangeiros, sejam eles servidores diplomáticos, de embaixadas, de consulados ou de repartições de outros países. No que tange ao inciso II, este menciona genericamente os 'servidores de organismos internacionais', nada esclarecendo sobre o seu domicílio, o que conduz a uma conclusão precipitada de que dito dispositivo incluiria os domiciliados no Brasil. Entretanto, o parágrafo único do artigo em tela faz cair por terra tal interpretação, quando determina que, relativamente aos demais 4 Processo n° 14041.000505/2005-15 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.738 Fl. 4 rendimentos produzidos no Brasil, os servidores citados no inciso II são contribuintes como residentes no estrangeiro. Ora, não haveria qualquer sentido em determinar-se que um cidadão brasileiro, domiciliado no País, tributasse rendimentos como sendo residente no exterior, donde se conclui que o inciso II, ao contrário do que à primeira vista pareceria, também não abrange os domiciliados no Brasil. Assim, fica demonstrado que o art. 5° da Lei n°4.506/64, acima transcrito, não contempla a situação do Recorrente — brasileiro residente no Brasil. Ainda que pudesse ser aplicado a um nacional residente no País — o que se admite apenas para argumentar —, o dispositivo legal em foco é claro ao determinar que a isenção concedida aos servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte tem de estar prevista em tratado ou convênio. Nesse passo, tratando-se de rendimentos pagos pelo P1VUD — Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, verifica-se a existência do 'Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica', promulgado pelo Decreto n°59.308, de 23/09/1966, que assim prevê: ARTIGO V Facilidades, Privilégios e Imunidades I. O Governo, caso ainda não esteja obrigado afazê-lo, aplicará aos Organismos, a seus bens, fundo e haveres, bem como a seus funcionários, inclusive peritos de assistência técnica: a) com respeito à Organização das Nações Unidas, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas '; b) com respeito às Agências Especializadas, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas '; c) com respeito à Agência Internacional de Energia Atômica o 'Acordo sobre Privilégios e Imunidades da Agência Internacional de Energia Atômica' ou, enquanto tal Acordo não for aprovado pelo Brasil, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas (grifei) Ressalte-se que o PNUD é um programa das Nações Unidas, e não uma das suas Agências Especializadas que, conforme a própria 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas', são: Organização Internacional do Trabalho, Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, Organização Mundial de Saúde, Associação Internacional de Desenvolvimento, Corporação Financeira Internacional, Fundo Monetário Internacional, Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento, Organização de Aviação Civil Internacional, União Internacional dei c- 5 Telecomunicações, União Postal Universal, Organização Meteorológica Mundial e Organização Marítima Consultiva Intergovernamental. Sendo o PNUD um programa específico da Organização das Nações Unidas, as respectivas facilidades, privilégios e imunidades devem seguir os ditames, conforme comando do artigo Via, acima, da 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas'. Esta, por sua vez, foi firmada em Londres, em 13/02/1946, e promulgada pelo Decreto n° 27.784, de 16/02/1950. Dita Convenção assim prevê: 'ARTIGO V Funcionários Seção 17. O Secretário Geral determinará as categorias dos funcionários aos quais se aplicam as disposições do presente artigo assim como as do artigo VII Submeterá a lista dessas categorias à Assembléia Geral e, em seguida, dará conhecimento aos Governos de todos os Membros. O nome dos funcionários compreendidos nas referidas categorias serão comunicados periodicamente aos Governos dos Membros. Seção 18. Os funcionários da Organização das Nações Unidas: a) gozarão de imunidades de jurisdição para os atos praticados no exercício de suas funções oficiais (inclusive seus pronunciamentos verbais e escritos); b) serão isentos de qualquer imposto sobre os salários e emolumentos recebidos das Nações Unidas; c) serão isentos de todas as obrigações referentes ao sei-viço nacional; d) não serão submetidos, assim como suas esposas e demais pessoas da família que deles dependam, às restrições imigratórias e às formalidades de registro de estrangeiros; e) usufruirão, no que diz respeito à facilidades cambiais, dos • mesmos privilégios que os funcionários, de equivalente categoria, pertencentes às Missões Diplomáticas acreditadas junto ao Governo interessado; fi gozarão, assim como suas esposas e demais pessoas da família que deles dependam, das mesmas facilidades de repatriamento que os funcionários diplomáticos em tempo de crise internacional; g) gozarão do direito de importar, livre de direitos, o mobiliário e seus bens de uso pessoal quando da primeira instalação no país interessado. 6 Processo n° 14041.000505/2005-15 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.738 Fl. 5 Seção 19. Além dos privilégios e imunidades previstos na Seção 13, o Secretário Geral e todos os sub-secretários gerais, tanto no que lhes diz respeito pessoalmente, como no que se refere a seus cônjuges e filhos menores gozarão dos privilégios, imunidades, isenções e facilidades concedidas, de acordo com o direito internacional, aos agentes diplomáticos. '(grifei) De plano, verifica-se que a isenção de impostos sobre salários e emolumentos é dirigida a funcionários da ONU e encontra-se no bojo de diversas outras vantagens, a saber: imunidade de jurisdição; isenção de serviço militar; facilidades imigratórias e de registro de estrangeiros, inclusive para sua família; privilégios cambiais equivalentes aos funcionários de missões diplomáticas; facilidades de repatriamento idênticas às dos funcionários diplomáticos, em tempo de crise internacional; liberdade de importação de mobiliário e bens de uso pessoal, quando da primeira instalação no país interessado. Embora a Convenção ora enfocada utilize a expressão genérica funcionários, a simples leitura do conjunto de privilégios nela elencados permite concluir que o termo não abrange o funcionário brasileiro, residente no Brasil e aqui recrutado. Isso porque não haveria qualquer sentido em conceder-se a um brasileiro residente no País, benefícios tais como facilidades imigratórios e de registro de estrangeiros, privilégios cambiais, facilidades de repatriamento e liberdade de importação de mobiliário e bens de uso pessoal quando da primeira instalação no País. Assim, fica claro que as vantagens e isenções — inclusive do imposto sobre salários e emolumentos — relacionadas no artigo V da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas não são dirigidas aos brasileiros residentes no Brasil, restando perquirir-se sobre que categorias de funcionários seriam beneficiárias de tais facilidades. A resposta se encontra no próprio artigo V da Convenção da ONU, na Seção 17, que a seguir se recorda: 'ARTIGO V Funcionários Seção 17. O Secretário Geral determinará as categorias dos funcionários aos quais se aplicam as disposições do presente artigo assim como as do artigo VII. Submeterá a lista dessas categorias à Assembléia Geral e, em seguida, dará conhecimento aos Governos de todos os Membros. O nome dos funcionários compreendidos nas referidas categorias serão comunicados periodicamente aos Governos dos Membros.' A exigência de tal formalidade, aliada ao conjunto de beneficios de que se cuida, não deixa dúvidas de que o funcionário a que se refere o artigo V da Convenção da ONU — e que no inciso lido art. 5 0 da Lei n° 4.506/64 é chamado de servidor — é o funcionário internacional, integrante dos quadros da ONUÍ / le n.7 com vínculo estatutário, e não apenas contratual. Portanto, não fazem jus às facilidades, privilégios e imunidades relacionados no artigo V da Convenção da ONU os técnicos contratados, seja por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. Destarte, verifica-se que o artigo V da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas harmoniza-se perfeitamente com o Inciso II, do art. 5 0, da Lei n° 4.506/64 (transcrito no início deste voto), já que ambos prevêem isenção do imposto de renda apenas para os não residentes no Brasil. Com efeito, conjugando-se esses dois comandos legais, conclui-se que os servidores/funcionários neles mencionados são aqueles funcionários internacionais, em relação aos quais é perfeitamente cabível a tributação de outros rendimentos produzidos no País como de residentes no estrangeiro, bem como a concessão de facilidades imigratórias, de registro de estrangeiros, cambiais, de repatriamento e de importação de mobiliário/bens de uso pessoal quando da primeira instalação no Brasil. Afinal, esses funcionários não são residentes no País, daí a justificativa para esse tratamento diferenciado. Quanto aos técnicos brasileiros, residentes no Brasil e aqui recrutados, não há qualquer fundamento legal ou mesmo lógico para que usufruam das mesmas vantagens relacionadas no artigo V da Convenção da ONU, muito menos para que seja pinçado, dentre os diversos beneficios, o da isenção de imposto sobre salários e emolumentos, com o escopo de aplicar-se este — e somente este — a ditos técnicos. Tal procedimento estaria referendando a criação — à margem da legislação — de uma categoria de fimcionários da ONU não enquadrável em nenhuma das existentes, a saber os 'técnicos residentes no Brasil isentos de imposto de renda', o que de forma alguma pode ser admitido. Corroborando esse entendimento, o artigo VI da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas assim dispõe: 'ARTIGO VI Técnicos a serviço das Nações Unidas Seção 22. Os técnicos (independentes dos funcionários compreendidos no artigo quando a serviço das Nações Unidas, gozam enquanto em exercício de suas funções, incluindo- se o tempo de viagem, dos privilégios ou imunidades necessárias para o desempenho de suas missões. Gozam, em particular, dos privilégios e imunidades seguintes: a) imunidade de prisão pessoal ou de detenção e apreensão de suas bagagens pessoais; b) imunidade de toda ação legal no que concerne aos atos por eles praticados no desempenho de suas missões (compreendendo- se os pronunciamentos verbais e escritos). Esta imunidade continuará a lhes ser concedida mesmo depois que os indivíduos em questão tenham terminado suas funções junto à Organização das Nações Unidas. c) inviolabilidade de todos os papéis e documentos; 8 Processo n° 14041.000505/2005-15 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.738 Fl. 6 d) direito de usar códigos e de receber documentos e correspondências em malas invioláveis para suas comunicações com a Organização das Nações Unidas; e) as mesmas facilidades, no que toca a regulamentação monetária ou cambial, concedidas aos representantes dos governos estrangeiros em missão oficial temporária. no que diz respeito a suas bagagens pessoais as mesmas imunidades e facilidades concedidas aos agentes diplomáticos. Seção 23. Os privilégios e imunidades são concedidos aos técnicos no interesse da Organização das Nações Unidas e não para que aufiram vantagens pessoais. O Secretário Geral poderá e deverá suspender a imunidade concedida a um técnico sempre que, a seu juízo impeçam a justiça de seguir seus trâmites e quando possa ser suspensa sem trazer prejuízo aos interesses da Organização.' Como se vê, a isenção de impostos sobre salários e emolumentos não consta — e nem poderia constar — da relação de benefícios concedidos aos técnicos a serviço das Nações Unidas. Constata-se, assim, a existência de um quadro de funcionários internacionais estatutários da ONU, que goza de um conjunto de benefícios, dentre os quais o de isenção de imposto sobre salários e emolumentos, em contraposição a uma categoria de técnicos que, ainda que possuindo vínculo contratual permanente, não é albergada por esses benefícios. Tal constatação é corroborada pela melhor doutrina, aqui representada por Celso D. de Albuquerque Mello, no seu 'Curso de Direito Internacional Público' (11a edição, Rio de Janeiro: Renovar, 1997, pp. 723a 729): 'Os funcionários internacionais são um produto da administração internacional, que só se desenvolveu com as organizações internacionais. Estas, como já vimos, possuem um estatuto interno que rege os seus órgãos e as relações entre elas e os seus funcionários. Tal fenômeno fez com que os seus funcionários aparecessem como uma categoria especial, porque eles dependiam da organização internacional, bem como o seu estatuto jurídico era próprio. Surgia assim uma categoria de funcionários que não dependia de qualquer Estado individualmente. Os funcionários internacionais constituem uma categoria dos agentes e são aqueles que se dedicam exclusivamente a uma organização internacional de modo permanente. Podemos defini- los como sendo os indivíduos que exercem funções de interesse internacional, subordinados a um organismo internacional e .7 dotados de um estatuto próprio. 9 • O verdadeiro elemento que caracteriza o funcionário internacional é o aspecto internacional da função que ele . desempenha, isto é, ela visa a atender às necessidades internacionais e foi estabelecida internacionalmente. (.) A admissão dos funcionários internacionais é feita pela própria organização internacional sem interferência dos Estados Membros. (.) O funcionário é admitido na ONU para um estágio probatório de dois anos, prorrogável por mais um ano. Depois disto, há a nomeação a título permanente, que é revista após 5 anos. (.) A situação jurídica dos funcionários internacionais é estatutária e não contratual (..) Já na ONU o estatuto do pessoal (entrou em vigor em 1952) fala em nomeação, reconhecendo, portanto, a situação estatutária dos seus funcionários. Este regime estatutário foi reconhecido pelo Tribunal Administrativo das Nações Unidas, mas que o amenizou, considerando que os funcionários tinham certos direitos adquiridos (ex.: a vencimentos). (..) Os funcionários internacionais, como todo e qualquer funcionário público, possuem direitos e deveres. (..) Os funcionários internacionais, para bem desempenharem as suas funções, com independência, gozam de privilégios e imunidades semelhantes às dos agentes diplomáticos. Todavia, tais imunidades diplomáticas só são concedidas para os mais altos funcionários internacionais (secretário-geral, secretários- adjuntos, diretores-gerais etc.). É o Secretário-Geral da ONU quem declara quais são os funcionários que gozam destes privilégios e imunidades. Cabe ao Secretário-Geral determinar quais as categorias de funcionários da ONU que gozarão de privilégios e imunidades. A lista destas categorias será submetida à Assembléia Geral e 'os nomes dos funcionários compreendidos nas referidas categorias serão comunicados periodicamente aos governos membros'. Os privilégios e imunidades são os seguintes: a) 'imunidade de jurisdição para os atos praticados no exercício de suas funções oficiais ' ; b) isenção de impostos sobre salários; c) a esposa e dependentes não estão sujeitos a restrições imigratórias e registro de estrangeiros; d) isenção de prestação de serviços; e) facilidades de câmbio como as das missões diplomáticas; ,D facilidades de repatriamento, como as missões diplomáticas, em caso de crise internacional, estendidas à esposa e dependentes; g) direito de importar, livre de direitos, 'o mobiliário e seus bens de uso pessoal quando da primeira instalação no país interessado'. io Processo n° 14041.000505/2005-15 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.738 Fl. 7 Além dos privilégios e imunidades acima, o Secretário-geral e os subsecretários-gerais, bem como suas esposas e filhos menores, 'gozarão dos privilégios, imunidades, isenções e facilidades concedidas, de acordo com o direito internacional, aos agentes diplomáticos'. Os técnicos a serviço da ONU, mas que não sejam funcionários internacionais, gozam dos seguintes privilégios e imunidades: a) 'imunidade de prisão pessoal ou de detenção e apreensão de suas bagagens pessoais' ; b) 'imunidade de toda ação legal no que concerne aos atos por eles praticados no desempenho de suas funções' ; c) 'inviolabilidade de todos os papéis e documentos; d) 'direito de usar códigos e de receber documentos e correspondência em malas invioláveis' para se comunicar com a ONU; e) facilidades de câmbio; quanto às 'bagagens pessoais, as mesmas imunidades e facilidades concedidas aos agentes diplomáticos'. (grifei) Como se pode constatar, a doutrina mais abalizada, acima colacionada, não só reconhece a existência, dentro da ONU, de dois grupos distintos —funcionários internacionais e técnicos a serviço do Organismo — como identifica o conjunto de beneficios com que cada um dos grupos é contemplado, deixando patente que a isenção de impostos sobre salários e emolumentos não figura dentre os privilégios e imunidades concedidos aos técnicos a serviço da ONU que não sejam funcionários internacionais. Diante do exposto, constatando-se que o interessado não é funcionário internacional pertencente ao quadro estatutário da ONU, incluído em lista fornecida pelo seu Secretário-Geral, mas sim técnico residente no Brasil, a serviço do PNUD, não há como conceder-lhe a isenção pleiteada (.)." Aos fundamentos acima transcritos, que se aplicam integralmente ao presente litígio, nada merecer ser acrescentado. Com tais considerações, tendo em vista a jurisprudência unifoline da CSRF, compartilho do entendimento de que não há fundamentos legais que justifiquem a não incidência sobre os rendimentos percebidos pelo contribuinte de organismo internacional, em decorrência de prestação de serviço de natureza contratual. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte, para manter a exigência tributária. Moises Giacomell slíva - Relator 11

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Numero do processo: 10314.003911/2006-11
Data da sessão: Fri Apr 30 00:00:00 UTC 2010
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO A constatação da configuração das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais dá-se o provimento dos embargos de declaração.
Numero da decisão: 3201-000.445
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, conhecer e dar provimento nos embargos de declaração, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Mércia Helena Trajano D'amorim

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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ;11..,11-,--74: .-,-",),', •-, - TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10314.003911/2006-11 Recurso n° 138.823 Embargos Acórdão n° 3201-00.445 - r Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 30 de abril de 2010 Matéria CONVERSÃO DE MULTA Embargante PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL Interessado LVMH FASHION GROUP BRASIL LTDA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO A constatação da configuração das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais dá-se o provimento dos embargos de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2' Câmara / P Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, conhecer e dar provimento nos embargos de declaração, nos termos do voto da relatora. , e dr C451-....• JUDITH 90 • A , I, MARCONDES A • s 'DO Pr den - () - )1,01iL -. P ' P(2,421.a ' ‘CC) t C IA E-Éj,t)d) ' • • O D'MVIORIM Pr Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, Mércia Helena Trajano D Amorim, Tatiana Midori Migiyama (Suplente) e Marcelo Ribeiro Nogueira. 1,,,777) 1 Processo n° 10314.003911/2006-11 53-C211 Acórdão n.° 3201-00.445 E. 1.222 Relatório A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou às fls. 1217/1218, Embargos de Declaração ao Acórdão ri8 3102-00.202, prolatado na sessão de 20 de maio de 2009, por entender ter ocorrido erro material, tomando contraditória a proclamação do resultado. A ementa do referido acórdão, que transcrevo abaixo, dispõe: ASSUNTO: IMPORTAÇÃO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. FATO GERADOR: 10/04/2006 Incabível a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria pela impossibilidade de sua apreensão, tendo em vista concessão de medida liminar em Mandado de Segurança. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. A oposição dos Embargos baseia-se no entendimento da PFN, que o acórdão ora recorrido padece, de erro material, na proclamação do resultado do julgamento, consubstanciado na expressão "que votaram pela conclusão", à E. 1207, conforme abaixo: "Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Corintho Oliveira Machado e Marcelo RibeiroNogueira que votaram pela conclusão, apresentará declaração de voto no tocante ao mérito a Conselheira Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro." Pelo exposto e por tudo o mais que do processo consta, a PFN entende que o provimento do recurso voluntário do contribuinte se deu por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Codntho Oliveira Machado e Marcelo RibeiroNogueira, não havendo de se cogitar da existência de votação pelas conclusões. Logo, a União requer o esclarecimento da questão ora abordada, pois o referido erro material, conduz à falsa idéia de que o julgamento poderia ter sido proferido por unanimidade de votos, tomando, por sua vez, contraditória a proclamação do resultado, além de comprometer a futura admissibilidade do recurso especial. i O processo foi redistribuído a esta Conselheira para prosseguimento. i É o relatório. 2 Processo n° 10314003911/2006-li S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.445 Fl, 1.223 Voto Conselheira MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM, Relatora Passo ao exame dos embargos, sobre os quais manifesto-me, transcrevendo os arts. 64, inc. I e 65, §1°, do Regimento Interno dos Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria 256/2009, dispõem, verbis: "Art. 64. Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis os seguintes recursos: 1- Embargos de Declaração; e Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. § I° Os embargos de declaração poderão ser intelpostos por conselheiro da turma, pelo Procurador da Fazenda Nacional, pelos Delegados de Julgamento, pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou pelo recorrente, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Câmara, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão." A emhargante entende existir contradição no referido Acórdão, tendo em vista erro material, devido a expressão " que votaram pela conclusão", à fl. 1207, cujo resultado do julgamento, dispõe: "Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Corintho Oliveira Machado e Marcelo RibeiroNogueira que votaram pela conclusão, apresentará declara çâo de voto no tocante ao mérito a Conselheira Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castra" A situação fática é que houve erro na votação, e a consequência traduzido no resultado do julgamento, deve ser: "Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado que i negava. O Conselheiro Marcelo RibeiroNogueira votou pela conclusão, acompanhando a 3 Processo n° 10314.003911/2006-11 S3-C2T1 Acórdão n.°3201-00.445 Fl. 1.224 relatora. Apresentará declaração de voto no tocante ao mérito a Conselheira Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro." Cabe razão a PFN, tendo em vista que o resultado do julgamento não foi dar provimento ao recurso voluntário, proferido por unanimidade de votos, e sim por maioria de votos. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado que negava e pela conclusão, acompanhando a relatora, ai sim, o Conselheiro Marcelo RibeiroNogueira. Logo, a consequência é que o julgamento foi dar provimento ao recurso voluntário, por maioria. Diante do exposto, acolho os embargos, pois se enquadram numa das hipóteses do art. 65: por possuir a característica de contradição; razão pela qual voto por dar provimento aos embargos. Sala das Sessões, em 30 de abril de 2010. , -E1C-Clik' 4° ''. 13/ 'AMOR-à"Pt, 4

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5097409 #
Numero do processo: 10580.004321/2007-38
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/1996 a 28/02/2006 DECADÊNCIA. SUMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. PRAZOS DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Tratando-se de cumprimento de obrigação acessória, aplica-se o prazo previsto no artigo 173, inciso I, do CTN. EMISSÃO DE COMUNICADO DE ACIDENTE DO TRABALHO. A emissão de CAT não está vinculada apenas quando surgirem ocorrências relacionadas a morte ou a perda ou redução permanente ou temporária da capacidade para o trabalho, mas em qualquer acidente do trabalho, como previa o inciso VII, do artigo 381 da Instrução Normativa MPA/SRP nº 03/2005.
Numero da decisão: 2301-003.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir da autuação, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, os fatos geradores ocorridos até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Daiane Ambrosino OAB: 294.123/SP. Marcelo Oliveira - Presidente. Adriano Gonzales Silvério - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/1996 a 28/02/2006 DECADÊNCIA. SUMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. PRAZOS DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Tratando-se de cumprimento de obrigação acessória, aplica-se o prazo previsto no artigo 173, inciso I, do CTN. EMISSÃO DE COMUNICADO DE ACIDENTE DO TRABALHO. A emissão de CAT não está vinculada apenas quando surgirem ocorrências relacionadas a morte ou a perda ou redução permanente ou temporária da capacidade para o trabalho, mas em qualquer acidente do trabalho, como previa o inciso VII, do artigo 381 da Instrução Normativa MPA/SRP nº 03/2005.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir da autuação, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, os fatos geradores ocorridos até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Daiane Ambrosino OAB: 294.123/SP. Marcelo Oliveira - Presidente. Adriano Gonzales Silvério - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 23/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO   2 Marcelo Oliveira ­ Presidente.     Adriano Gonzales Silvério ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcelo  Oliveira  (presidente  da  turma),  Damião  Cordeiro  de  Moraes,  Bernadete  de  Oliveira  Barros,  Manoel  Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.    Relatório  Trata­se de Auto de Infração nº 37.059.531­9, cientificado ao contribuinte em  27/12/2006, o qual exige multa por deixar a empresa de comunicar a Previdência Social, por  meio  de  Comunicação  de  Acidente  do  Trabalho  (CAT),  os  acidentes  ocorridos  com  os  segurados apontados no relatório fiscal.  A  ora  recorrente,  devidamente  intimada,  apresentou  sua  impugnação  alegando a decadência do direito do Fisco constituir seus créditos  tributários, bem como que  não há necessidade de emissão de CAT para acidentes que não ocasionem a morte ou a redução  da capacidade para o trabalho.  A DRJ de Salvador julgou improcedente a impugnação, mantendo, assim, o  crédito lançado no auto de infração.   A autuada apresentou recurso voluntário renovando os argumentos deduzidos  anteriormente.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Adriano Gonzales Silvério    O recurso reúne as condições de admissibilidade e dele conheço.    Decadência  Por se tratar a decadência de matéria cujo reconhecimento prejudica o mérito  da demanda administrativa, passo apreciar esse tema em sede de preliminar.  Fl. 160DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 23/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10580.004321/2007­38  Acórdão n.º 2301­003.604  S2­C3T1  Fl. 134          3 De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei  nº  8.212/1991  são  inconstitucionais,  devendo  prevalecer,  no  que  tange  à  decadência  e  prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.  Nos  termos do  art.  103­A da Constituição Federal,  as Súmulas Vinculantes  aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão  efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública  direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.  O Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode  dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da  Constituição  Federal,  negou  provimento  por  unanimidade  aos  Recursos  Extraordinários  nº  5596664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade  dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8212/91.  Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 na respeito do tema,  publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo:  Súmula vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único  do artigo 5º do Decreto­lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei  8.212/91,  que  tratam  de  prescrição  e  decadência  de  crédito  tributário”  Cumpre  ressaltar  que  o  art.  62,  da  Portaria  256/2009,  que  aprovou  o  Regimento  Interno  do Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais,  veda  o  afastamento  de  aplicação  ou  inobservância  de  legislação  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.  Porém,  determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha  sido declarado inconst6itucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal:  “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do  CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.  Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de  tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:  I  –  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou”  Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da  Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após  o  prazo  decadencial  e  prescricional  previsto  nos  artigos  173  e  150  do  Código  Tributário  Nacional.  Afastado, pois, o prazo previsto originalmente no citado artigo 45, cabe agora  verificar o prazo aplicável, se aquele do 150, § 4º ou 173, inciso I, ambos da Lei nº 5.172, de  25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional.  Temos  adotado  a  posição  doutrinária  e  jurisprudencial  no  sentido  de  que  havendo pagamento antecipado por parte do contribuinte, em relação ao fato gerador posto em  discussão, deve incidir o prazo decadencial qüinqüenal previsto no mencionado artigo 150, §  4º. Nesse sentido a decisão proferida pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, na sistemática  Fl. 161DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 23/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO   4 de recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 973.733/SC, a qual deve ser atendida, por  força  do  disposto  no  artigo  62­A  Portaria  256/2009,  que  aprovou  o  Regimento  Interno  do  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais:  “PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da Primeira  Seção: REsp  766.050∕PR,  Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758∕SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142∕SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa∕concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396∕400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199).  Fl. 162DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 23/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10580.004321/2007­38  Acórdão n.º 2301­003.604  S2­C3T1  Fl. 135          5 5.  In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege  de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.”  No caso  dos  autos,  não  há  que  se  analisar o  prazo  decadencial  previsto  no  arigo 150, § 4º do CTN, haja vista que os presentes  autos versam sobre descumprimento de  obrigação acessória e não de pagamento de tributo, sujeito à atividade homologatória por parte  do Fisco.   Assim, há de se reconhecer a decadência parcial para aplicar ao caso o artigo  173, inciso I, do CTN. Sabendo­se que a recorrente foi intimada da autuação em 27/12/2006,  verifica­se que está decaído o período até 11/2001.  Em  relação ao mérito,  verifica­se que os  acidentes ocorridos  realmente não  geraram morte ou a perda ou redução permanente ou temporária da capacidade para o trabalho,  nos termos do artigo 19 da Lei nº 8.213/91. Não obstante a emissão da CAT não está vinculada  apenas  quando  surgirem  ocorrências  dessa  natureza, mas  em  qualquer  acidente  do  trabalho,  como previa o inciso VII, do artigo 381 da Instrução Normativa MPA/SRP nº 03/2005, vigente  à época dos fatos:  “Art. 381. A existência ou não de riscos ambientais em níveis ou  concentrações que prejudiquem a saúde ou a  integridade  fisica  do  trabalhador  será  comprovada mediante  a  apresentação  dos  seguintes  documentos,  dentre  outros,  que  deverão  respaldar  as  informações prestadas em GFIP:  (...)  VII  ­  Comunicação  de  Acidente  do  Trabalho  ­  CAT,  que  é  o  documento que registra o acidente do trabalho, a ocorrência ou  o  agravamento  de  doença  ocupacional,  mesmo  que  não  tenha  sido determinado o afastamento do  trabalho, conforme previsto  nos arts. 19 a 23 da Lei n° 8.213, de 1991, e nas NR­7 e NR­15,  ambas do MTE, sendo seu registro fundamental para a geração  de  análises  estatísticas  que  determinam  a  morbidade  e  mortalidade  nas  empresas  e  para  a  adoção  das  medidas  preventivas e repressivas cabíveis.”  Ademais,  como  bem  observado  pela  decisão  recorrida,  os  registros  dos  acidentes  relatados nas Atas da Cipa, estão  intimamente  ligados  ao  trabalho  realizados pelos  segurados, conforme excerto a seguir:  Fl. 163DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 23/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO   6 “São  os  acidentes  documentados  no  Livro  de  Atas  da  CIPA:  Manoel levou um choque; Severino relata que caiu soda caustica  no olho; Jorge Pires queimou as coxas com o maçarico; corte no  braço de Manuel Messias; Clebio teve corte no ombro; Paulo foi  pegar  saco  com  aproximadamente  5  mil  pré­formas  e  deu  problema  na  coluna;  Jorge  Luiz  Araújo  passou  mal  com  vazamento  de  amônia;  e  Jailson  da  Produção  teve  acidente  grave,  estando  registrado  na  ata  que  foi  descrito  na  reunião  o  modo  como  foi  feito  o  socorro,  já  que  a  ambulância  estava  no  conserto.”  Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e, no  mérito,  DAR­LHE  PARCIAL  PROVIMENTO,  para  acolher  a  decadência,  nos  termos  do  artigo 173, inciso I, sendo, no mais, mantida a autuação.    Adriano Gonzales Silvério ­ Relator                           Fl. 164DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 23/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO

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Numero do processo: 10247.000009/2008-47
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 INSUMO. DELIMITAÇÃO DO CONCEITO Para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o termo "insumo" não abrange qualquer bem ou serviço que onere a atividade econômica da empresa. Nesse contexto, o termo “insumo” alcança exclusivamente o conjunto de bens ou serviços diretamente empregados no processo produtivo. Por outro lado, a destinação da mercadoria, à exportação ou ao mercado interno, não estende o conceito de insumo a bens e serviços diversos dos diretamente empregados no processo produtivo. FORMAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE FLORESTAS Gastos inerentes ao plantio e manutenção de florestas devem ser incorporados ao valor desse ativo, descabendo, portanto, computá-los como despesa. EXTRAÇÃO Os serviços necessários à extração da matéria-prima empregada no processo produtivo enquadram-se no conceito de insumo, para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social não-cumulativas. FRETES E COMBUSTÍVEIS Os fretes comprovadamente atrelados ao transporte dos insumos e dos produtos em industrialização incorporam-se ao seu custo e devem ser considerados para efeito de cálculo. Pelo mesmo raciocínio, os combustíveis comprovadamente empregados em tal finalidade devem receber o mesmo tratamento. Em sentido oposto, se não for trazida ao processo prova de que as despesas guardam relação com o processo produtivo, não há como se reconhecer o direito a crédito. PARTES DE MÁQUINAS. TEMPO DE VIDA ÚTIL. O tempo de vida útil de partes e peças de máquinas atreladas ao processo produtivo é essencial para a definição da metodologia de cálculo do crédito: se restar demonstrado que possuem vida útil inferior a um ano, o dispêndio associado à sua aquisição deverá ser considerado como insumo e, consequentemente, gerará direito a crédito. Em sentido oposto, se não for trazida ao processo prova do seu tempo de vida útil, não há como se reconhecer o direito a crédito, independentemente da metodologia empregada para sua contabilização. SERVIÇOS ATRELADOS À MANUTENÇÃO DO PARQUE FABRIL Despesas com serviços de manutenção, que só atingem o processo produtivo indiretamente, não se incluem no rol dos dispêndios capazes de gerar crédito, independentemente da possibilidade de serem contabilizadas como custo. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. Por expressa determinação legal, os créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativas, apurados quando da aquisição de produtos e serviços que serviram de insumo de produto exportado não estão sujeitos à correção pela taxa Selic. Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 3102-01.148
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, para acolher os créditos calculados sobre gastos com corte, arraste, baldeio, traçamento e transporte da madeira, incorridos quando da sua extração. Vencida a Conselheira Nanci Gama, que também acolhia os créditos calculados em razão dos gastos na formação e manutenção de florestas, na manutenção das máquinas e do parque fabril e a correção monetária a partir da apresentação da PER/Dcomp, além do Conselheiro Álvaro Almeida Filho, que também acolhia os créditos calculados em razão dos gastos na formação e manutenção de florestas e na manutenção das máquinas e do parque fabril.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro

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FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007  INSUMO. DELIMITAÇÃO DO CONCEITO  Para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o termo  "insumo"  não  abrange  qualquer  bem  ou  serviço  que  onere  a  atividade  econômica  da  empresa.  Nesse  contexto,  o  termo  “insumo”  alcança  exclusivamente o  conjunto de bens ou  serviços  diretamente  empregados  no  processo produtivo.  Por  outro  lado,  a  destinação  da  mercadoria,  à  exportação  ou  ao  mercado  interno,  não  estende  o  conceito  de  insumo  a  bens  e  serviços  diversos  dos  diretamente empregados no processo produtivo.  FORMAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE FLORESTAS  Gastos  inerentes  ao  plantio  e  manutenção  de  florestas  devem  ser  incorporados  ao valor desse ativo, descabendo, portanto, computá­los como  despesa.  EXTRAÇÃO  Os serviços necessários à extração da matéria­prima empregada no processo  produtivo  enquadram­se  no  conceito  de  insumo,  para  efeito  de  cálculo  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Contribuição  para  Financiamento  da  Seguridade Social não­cumulativas.   FRETES E COMBUSTÍVEIS  Os  fretes  comprovadamente  atrelados  ao  transporte  dos  insumos  e  dos  produtos  em  industrialização  incorporam­se  ao  seu  custo  e  devem  ser  considerados para efeito de cálculo. Pelo mesmo raciocínio, os combustíveis  comprovadamente  empregados  em  tal  finalidade  devem  receber  o  mesmo  tratamento.     Fl. 367DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO     2 Em sentido oposto, se não for trazida ao processo prova de que as despesas  guardam  relação  com  o  processo  produtivo,  não  há  como  se  reconhecer  o  direito a crédito.  PARTES DE MÁQUINAS. TEMPO DE VIDA ÚTIL.  O  tempo  de  vida  útil  de  partes  e  peças  de máquinas  atreladas  ao  processo  produtivo é essencial para a definição da metodologia de cálculo do crédito:  se  restar demonstrado que possuem vida útil  inferior a um ano, o dispêndio  associado  à  sua  aquisição  deverá  ser  considerado  como  insumo  e,  consequentemente, gerará direito a crédito.  Em sentido oposto, se não for trazida ao processo prova do seu tempo de vida  útil,  não  há  como  se  reconhecer  o  direito  a  crédito,  independentemente  da  metodologia empregada para sua contabilização.  SERVIÇOS ATRELADOS À MANUTENÇÃO DO PARQUE FABRIL  Despesas com serviços de manutenção, que só atingem o processo produtivo  indiretamente, não se incluem no rol dos dispêndios capazes de gerar crédito,  independentemente da possibilidade de serem contabilizadas como custo.  CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO.  Por expressa determinação legal, os créditos da Cofins e da contribuição para  o  PIS/Pasep  não­cumulativas,  apurados  quando  da  aquisição  de  produtos  e  serviços que serviram de  insumo de produto  exportado não estão  sujeitos  à  correção pela taxa Selic.  Recurso Voluntário Parcialmente Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  Colegiado,  por maioria  de  votos,  em  dar  parcial  provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, para acolher os créditos calculados sobre  gastos  com corte,  arraste,  baldeio,  traçamento  e  transporte da madeira,  incorridos quando da  sua extração. Vencida a Conselheira Nanci Gama, que também acolhia os créditos calculados  em razão dos gastos na formação e manutenção de florestas, na manutenção das máquinas e do  parque  fabril  e  a  correção  monetária  a  partir  da  apresentação  da  PER/Dcomp,  além  do  Conselheiro Álvaro Almeida Filho, que  também acolhia os créditos calculados em razão dos  gastos  na  formação  e  manutenção  de  florestas  e  na manutenção  das  máquinas  e  do  parque  fabril  (assinado digitalmente)  Luis Marcelo Guerra de Castro ­ Presidente e Relator  Participaram do presente  julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro  Almeida  Filho,  Mara  Cristina  Sifuentes,  Nanci  Gama  e  Luis  Marcelo  Guerra  de  Castro.  Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes.  Relatório  Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão  recorrido, que passo a transcrever:  Fl. 368DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000009/2008­47  Acórdão n.º 3102­01.148  S3­C1T2  Fl. 352          3 Trata  o  presente  processo  de  pedido  de  ressarcimento  de  créditos  de  COFINS  Não­Cumulativa,  apurados  no  primeiro  trimestre de 2007, no montante de R$ 3.489.226,69.  A  Inspetoria da Receita Federal do Brasil  em Monte Dourado,  por  intermédio  do Despacho Decisório  de  fls.  180/196,  deferiu  parcialmente  o  pleito,  indicando  às  fls.  193/195  os  bens  e  serviços  que  cujo  ingresso  na  base  de  cálculo  dos  créditos  em  questão não foi reconhecido.  Irresignada com a decisão, de que tomou ciência em 25.08.2008  (fl.  198),  a  contribuinte  interpôs  manifestação  de  inconformidade,  em  23.09.2008  (fls.  208/221),  a  qual  exibe  o  conteúdo que segue resumido:  a) A glosa parcial dos créditos é absolutamente dessarrazoada,  não  só  em  virtude  de  uma  interpretação  sistemática  da  Lei  n°  10.833/2003,  como  também  pelo  dispositivo  contido  no  artigo  195, § 12, da Constituição Federal, que elimina toda e qualquer  dúvida  sobre  o  princípio  da  não  cumulatividade  aplicável  de  forma ampla e irrestrita à contribuição em tela.  b) Apresenta síntese do seu processo produtivo e ressalta que, ao  contrário de outras empresas do setor de celulose, em virtude de  necessidades  específicas  e  de  estratégias  de  mercado,  utiliza  para sua produção matérias­primas produzidas por ela própria,  eliminando  assim  uma  etapa  da  cadeia  básica  do  seu  setor.  Deste modo, ao invés de adquirir a madeira de terceiros, investiu  e investe muito em sua floresta. Ocorre que, por isso, incorre em  despesas  de  elevada  monta  para  a  sua  manutenção,  que  se  consubstanciam  inegavelmente  em  insumos  imprescindíveis  à  sua atividade agroindustrial de fabricação de celulose.  c) Entende que os custos advindos do emprego de bens e serviços  na sua atividade florestal enquadram­se claramente no conceito  de  insumos  para  a  produção  da  celulose  que  comercializa,  devendo, portanto, ser admitidos como passíveis de creditamento  na  apuração  da  contribuição  social  em  comento.  A  legislação  permite que o contribuinte aproveite como créditos os valores de  bens  e  serviços  utilizados  como  insumo  na  fabricação  de  produtos  destinados  à  venda  ou  à  prestação  de  serviços,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes.  A  celulose  é  obtida  através  da  decomposição  da  madeira,  por  um  processo  físico­ químico.  A  madeira  é  a  própria  matéria­prima  essencial  da  celulose. A glosa dos produtos e serviços utilizados no plantio da  madeira  viola  claramente  o  princípio  da  não­cumulatividade.  Questiona se sua opção em produzir a própria matéria­prima é  fato que autoriza a sua discriminação. Conclui que o fato de ser  uma  empresa  agroindustrial,  de  ter  uma  cadeia  de  produção  maior que a maioria das demais empresas do setor, não autoriza  a oneração de sua produção, mediante a tributação majorada do  seu  faturamento.  Portanto,  geram  direito  a  crédito  os  custos  havidos  com  os  serviços  e  insumos  florestais,  sob  pena  de  afronta às disposições contidas na Lei n° 10.833/2003 e violação  aos  princípios  da  igualdade  e  da  não­cumulatividade.  Refere  Fl. 369DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO     4 entendimento  recente  exarado pelo Conselho Administrativo  de  Recursos Fiscais.  d)  A  decisão  ora  impugnada  desconsiderou  o  direito  da  defendente  ao  aproveitamento  do  crédito  da  contribuição  calculado  sobre  serviços  de  transporte,  na  aquisição  de  combustível  utilizado  em  sua  própria  frota  de  veículos,  bem  como a prestação de serviços contratados para a manutenção de  seu parque fabril.   e) A contratação de empresa que presta serviços de transporte é  essencial  às  suas  atividades,  de  maneira  que  podem  ser  considerados  como  insumos  ensejadores  da  apuração  dos  créditos  em  pauta.  Também  o  combustível  utilizado  para  movimentar  sua  frota  de  veículos  deve  ser  considerado  na  apuração dos créditos.  f)  Já  com  relação  aos  créditos  apurados  sobre  os  custos  da  prestação  de  serviços  da  manutenção  do  parque  fabril,  resta  claro  que  sem  a  realização  de  tal  manutenção,  as  atividades  relacionadas  à  produção  de  celulose  ficam  seriamente  prejudicadas.  À  medida  que  os  serviços  de  manutenção  são  essenciais  à  atividade  de  produção  realizada  pela  defendente,  possuindo  assim  estrita  relação  com  o  processo  produtivo  da  pasta  de  celulose,  os  créditos  apurados  da  contribuição  social  sobre  os  respectivos  custos  incorridos  devem  também  ser  reconhecidos. Refere solução de consulta.  g) Também não merece prosperar a glosa de valores relativos à  aquisição de base de contra­faca, placas de desgaste, carimbos,  lâminas  de  facas,  pente  inferior  de  picador,  bigorna  para  picador, quebrador de cavaco e dos respectivos custos de frete.  Tratam­se  de  insumos  utilizados  diretamente  na  produção  de  celulose,  que  não  foram  incorporados  ao  ativo  permanente  e  cuja vida útil não ultrapassa um ano. A recorrente sequer realiza  a  depreciação  dos  bens  em  questão.  A  IN  SRF  nº  404/2004  assegura  o  direito  ao  crédito  sobre  o  custo  de  bens  que  se  desgastam  durante  o  processo  produtivo.  Por  sua  vez,  a  glosa  dos créditos sobre o custo do frete relacionado a estes bens não  se justifica pelas razões já expostas.  h) A não­aplicação da taxa Selic sobre os créditos da defendente  anula o princípio da isonomia previsto no caput do artigo 5° da  Carta Magna,  uma  vez  que  a  RFB  faz  uso  de  tal  taxa  para  a  atualização de seus créditos. Refere julgados administrativos.  i) Ratificando todos os argumentos até aqui apresentados, junta  parecer jurídico elaborado pelo advogado Marco Aurélio Greco,  que  corrobora  o  entendimento  da  defendente  sobre  a  questão  jurídica  em  exame  e  encontra­se  às  fls.  223/273.  Em  complementação  ao  laudo  do  processo  produtivo  florestal  apresentado  anteriormente,  apresenta  laudo  complementar,  no  qual  é  realizada  a  discriminação  detalhada  deste  processo  e  a  utilização dos denominados insumos silviculturais (fls. 274/304).  j)  Abre  mão  do  questionamento  acerca  do  indeferimento  dos  créditos relacionados às operações de venda de água e energia  elétrica aos habitantes da Vila de Monte Dourado.  Fl. 370DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000009/2008­47  Acórdão n.º 3102­01.148  S3­C1T2  Fl. 353          5 Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado  no  voto  condutor,  decidiu  o  órgão  de  piso  pelo  indeferimento  da  manifestação  de  inconformidade, conforme se observa na ementa abaixo transcrita:  Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social ­ Cofins  Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007  DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.  São  improfícuos  os  julgados  administrativos  trazidos  pelo  contribuinte,  por  lhes  falecer  eficácia  normativa,  na  forma  do  art. 100, II, do CTN.  COFINS NÃO­CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITO.  Somente  podem  gerar  créditos  da  Cofins  as  despesas  com  matéria­prima, produto intermediário, material de embalagem e  quaisquer  outros  bens  que  sofram  alterações,  tais  como  o  desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto  em  fabricação,  desde  que  não  estejam  incluídas  no  ativo  imobilizado.  JUROS COMPENSATÓRIOS. RESSARCIMENTO.  Não  incidirão  juros  compensatórios  no  ressarcimento  de  créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins,  bem como na compensação de referidos créditos.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais  uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações  manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa.  É o Relatório.  Voto             Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator  Tomo  conhecimento  do  presente  recurso,  que  foi  tempestivamente  apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção  1­ Preliminarmente ­ Demarcação do Litígio  Antes  de  passar  à  análise  dos  fundamentos  do  recurso,  entendo  prudente  demarcar a matéria litigiosa.   Não há questão preliminar a ser enfrentada.  Fl. 371DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO     6 No  mérito,  a  discussão  limita­se  à  possibilidade  de  apuração  de  créditos  quando das seguintes despesas:   a)  produtos  e  serviços  empregados  na  pesquisa,  plantio,  manutenção  e  extração de florestas;  b) fretes e movimentação de insumos;  c) combustível empregado na frota;  d) aquisições de partes e peças com vida útil inferior a um ano, empregadas  em máquinas incorporadas à linha de produção;  e) outros produtos e serviços empregados na manutenção do parque fabril.  Pleiteia­se, ainda a correção dos créditos mediante a aplicação da taxa Selic,  a partir da apresentação de Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e  Declaração de Compensação (PER/DCOMP).  2 ­ Mérito  2.1 ­ Regime Probatório  Antes  de  passar  à  análise  do  mérito,  entendo  que  é  importante  registrar  a  opinião  deste  relator  no  sentido  de  que  a  não­cumulatividade,  diferentemente  do  que  se  tem  corriqueiramente alegado, não representa um benefício.  Entretanto,  independentemente  da  aplicabilidade  dos  comandos  do  CTN  afetos à hermenêutica dos dispositivos  legais, no caso o art. 1111 ou à  repartição do ônus da  prova,  no  caso  o  art.  1792,  não  se pode  olvidar  que  a  apuração  de  créditos  é  um  redutor  do  imposto a pagar e, como tal, uma circunstância impeditiva da formação da obrigação tributária.  Consequentemente,  nos  litígios  que  envolvem  essa  matéria  não  se  pode  olvidar do comando do art. 333, do Código de Processo Civil3, aplicado subsidiariamente.  Analisando tal distribuição, concluiu o professor Hugo de Brito Machado4  No  processo  tributário  fiscal  para  apuração  e  exigência  do  crédito  tributário,  ou  procedimento  administrativo  de  lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe  o  ônus  de  provar  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a  constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor  incumbe  o  ônus  do  fato  constitutivo  de  seu  direito  (Código  de  Processo  Civil,  art.333,  I).  Se  o  contribuinte,  ao  impugnar  a                                                              1 Art. 111. Interpreta­se literalmente a legislação tributária que disponha sobre:  I ­ suspensão ou exclusão do crédito tributário;  II ­ outorga de isenção;   III ­ dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias.  2  Art.  179.  A  isenção,  quando  não  concedida  em  caráter  geral,  é  efetivada,  em  cada  caso,  por  despacho  da  autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições  e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão.  3 Art. 333 ­ O ônus da prova incumbe:  I ­ ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;  II ­ ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.  4 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252.  Fl. 372DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000009/2008­47  Acórdão n.º 3102­01.148  S3­C1T2  Fl. 354          7 exigência, em vez de negar o fato gerador do  tributo, alega ser  imune,  ou  isento,  ou  haver  sido,  no  todo  ou  em  parte,  desconstituída  a  situação  de  fato  geradora  da  obrigação  tributária,  ou  ainda,  já  haver  pago  o  tributo,  é  seu  ônus  de  provar  o  que  alegou.  A  imunidade,  como  isenção,  impedem  o  nascimento  da  obrigação  tributária.  São,  na  linguagem  do  Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco.  A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é  fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do  direito  do  Fisco.  Deve  ser  comprovado,  portanto,  pelo  contribuinte,  que  assume  no  processo  administrativo  de  determinação  e  exigência  do  tributo  posição  equivalente  a  do  réu no processo civil”. (original não destacado)  Assim  sendo,  não  vejo  como  atribuir  exclusivamente  ao  fisco  o  dever  de  buscar elementos que infirmem as alegações do sujeito passivo. Cabe a este último, a meu ver,  o dever de trazer ao processo os elementos que respaldem seu pleito.  2.2 ­ Conceito de Insumo  Outro  ponto  que merece  ser  demarcado preambularmente  é  a  opinião  deste  relator acerca do conceito de insumo, para efeito de apuração de créditos do PIS e da Cofins  não cumulativos.  Como já tive oportunidade de me manifestar anteriormente, entendo que esse  conceito não segue o mesmo viés que norteia a apuração de créditos do Imposto sobre Produtos  Industrializados.  Neste,  privilegia­se  o  critério  físico,  no  caso  do  PIS  e  da  Cofins,  o  da  pertinência  (ou  inerência,  se  tomado  o  conceito  doutrinário  fixado  no  parecer  juntado  aos  autos).  Com efeito, a tributação pelo IPI, tem como fato gerador, regra geral, a saída  do  produto  industrializado.  Nada  mais  coerente,  portanto,  do  que  avaliar  a  qualificação  do  dispêndio (como insumo) em razão da sua relação com aquele produto.   Lembrar, nessa senda, o que dizia o art. 164 do Regulamento do IPI vigente à  época dos fatos litigiosos5 e que repete a redação de regulamentos anteriores e é repetida pelo  que lhe sucedeu:  Art.  164.  Os  estabelecimentos  industriais,  e  os  que  lhes  são  equiparados,  poderão  creditar­se  (Lei  nº  4.502,  de  1964,  art.  25):  I ­ do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego  na industrialização de produtos tributados, incluindo­se, entre as  matérias­primas e produtos intermediários, aqueles que, embora  não  se  integrando  ao  novo  produto,  forem  consumidos  no  processo  de  industrialização,  salvo  se  compreendidos  entre  os  bens do ativo permanente;  De se destacar, ademais, que a exegese desse dispositivo, tanto no âmbito do  extinto  Segundo  Conselho  de  Contribuintes,  quanto  do  atual  Conselho  Administrativo  de                                                              5 Aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26/12/2002  Fl. 373DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO     8 Recursos Fiscais, sempre levou em consideração as orientações do Parecer Normativo CST nº  65, de 1979  10.1  ­  Como  o  texto  fala  em  ‘incluindo­se  entre  as  matérias  primas  e  os  produtos  intermediários’,  é  evidente  que  tais  bens  hão  de  guardar  semelhança  com  as  matérias­primas  e  os  produtos  intermediários  ‘stricto  sensu’,  semelhança  esta  que  reside  no  fato  de  exercerem  na  operação  de  industrialização  função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência  de  um  contato  físico,  ou  melhor  dizendo,  de  uma  ação  diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este  diretamente sofrida.   Por outro  lado, quando se  trata das contribuição para o PIS e a Cofins não­ cumulativas, incidentes sobre o faturamento, coerentemente, a meu ver, o legislador ampliou o  universo dos dispêndios classificáveis como insumo, conforme se extrai do art. 3º, II, da Lei nº  10.833, de 2003, que repete a redação do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002:  II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto  em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485,  de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada  pela Lei nº 10.865, de 2004)  Como é possível perceber, de acordo com a legislação de regência, a relação  do bem com o processo produtivo não seria medida exclusivamente em razão do produto, mas  daquele processo.  Evidentemente, isso não significa equiparar a insumo, para efeito de cálculo  dos créditos de PIS e Cofins, toda e qualquer despesa ou custo inerente à atividade econômica,  nem  muito  menos  estender,  por  analogia,  os  conceitos  fixados  pela  legislação  que  rege  a  apuração do Lucro Real, no caso, os artigos 249 e 250 do Regulamento do Imposto de Renda  aprovado pelo Decreto nº 3000, de 1999.  Com  efeito,  tal  e  qual  se  verifica  com  relação  ao  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados,  trata­se de fato gerador diverso (auferir  lucro) e de base de cálculo formada  sob uma sistemática igualmente diversa.   Ademais, pedindo vênia ao sujeito passivo, registro minha opinião no sentido  de que o texto do já transcrito art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, não dá margem para que se  considere a “essencialidade” por si só como critério para a classificação do gasto como insumo.  Mais  uma  vez,  reafirme­se,  o  dispositivo  legal  privilegia  a  relação  de  pertinência (ou inerência, segundo o parecer juntado aos autos) com o processo produtivo, não  fazendo menção, salvo engano, à essencialidade do gasto.  Nessa  linha,  entendo  ser perfeitamente possível  que determinado gasto,  por  alguma circunstância extrínseca ao processo produtivo, seja considerado essencial, mas que por  não estar diretamente ligado àquele processo, não possa ser considerado insumo.   Outro ponto sobre o qual não posso deixar de me manifestar é a interpretação  fixada nos acórdãos trazidos ao processo.  Fl. 374DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000009/2008­47  Acórdão n.º 3102­01.148  S3­C1T2  Fl. 355          9 Mesmo reconhecendo a excelência do colegiado responsável, peço vênia para  discordar da exegese assentada em tais acórdãos, pois entendo que o § 3º do art. 5º da Lei nº  10.833,  de  20036  não  autoriza  a  apuração  de  créditos  a  partir  de  todo  e  qualquer  dispêndio  vinculado à receita de exportação.   Confira­se, preambularmente, a redação do dispositivo:  §  3º  O  disposto  nos  §§  1º  e  2º  aplica­se  somente  aos  créditos  apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à  receita  de  exportação,  observado  o  disposto  nos  §§  8º  e  9º  do  art. 3º.  Em uma leitura isolada, poder­se­ia concluir que o comando ampliou o rol de  despesas  passíveis  de  gerar  direito  a  crédito:  ao  invés  de  limitá­los  aos  bens  e  serviços  empregados no processo produtivo, passara a admitir que toda e qualquer despesa vinculada à  exportação conferisse tal direito.  Ocorre  que,  a meu  ver,  esse  parágrafo  não  pode  interpretado  sem  a  leitura  demais parágrafos do mesmo art. 5º, em especial do 1º e do 2º, assim redigidos (original não  destacado):  §  1º  Na  hipótese  deste  artigo,  a  pessoa  jurídica  vendedora  poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins  de:  I ­ dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das  demais operações no mercado interno;  II  ­ compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica  aplicável à matéria.   § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano  civil,  não  conseguir  utilizar  o  crédito  por  qualquer  das  formas  previstas  no  §  1º  poderá  solicitar  o  seu  ressarcimento  em  dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.  Como  é  possível  concluir,  a  apuração  dos  créditos  aptos  a  usufruir  do  tratamento diferenciado conferido a empresas exportadoras, diferentemente do que se cogitou,  deve ser realizada segundo os moldes do art. 3º da mesma Lei nº 10.833, de 2003, observando­ se, consequentemente, o critério fixado no já transcrito inciso II desse mesmo artigo.   Finalmente,  no  que  se  refere  a  máquinas  e  equipamentos  incorporados  ao  ativo permanente, o valor do crédito será apurado mediante aplicação das alíquotas da Cofins e  da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os encargos de depreciação e amortização, conforme  consignado no §1º, III do mesmo art. 3º:  §  1º  O  crédito  será  determinado  mediante  a  aplicação  da  alíquota prevista no art. 2º sobre o valor:  (...)                                                              6 Igualmente aplicável ao cálculo do  PIS/Pasep por força do comando inserido no art. 15 da mesma lei.  Fl. 375DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO     10 III  ­  dos  encargos  de  depreciação  e  amortização  dos  bens  mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês;  Em suma, para efeito da discussão que povoa o presente litígio, somente são  passíveis de gerar crédito os bens e serviços utilizados no processo de fabricação e, no caso dos  bens do ativo imobilizado, os valores de depreciação e amortização.  Feitas tais considerações, passa­se à análise higidez das glosas.  2.3­ Pesquisa, Plantio e Manutenção de Florestas  Com  a  devida  licença,  penso  que  não  há  como  reconhecer  os  gastos  em  questão  como  custo  ou  despesa,  para  efeito  de  cálculo  do  crédito  do  PIS  e  da  Cofins  não  cumulativos.  De  fato,  apesar  de  não  concordar  com  a  premissa  de  que  os  gastos  na  formação e manutenção de floresta estejam dissociados ao processo produtivo, não vejo como  considerar esses gastos como despesa ou custo, na medida em que os mesmos se incorporam ao  valor daquelas  florestas,  contabilmente classificadas no ativo  imobilizado, nos  termos do art.  183, V da Lei nº 6.404, de 1976:  Art.  183  ­  No  balanço,  os  elementos  do  ativo  serão  avaliados  segundo os seguintes critérios:  (...)  V  ­  os  direitos  classificados  no  imobilizado,  pelo  custo  de  aquisição,  deduzido  do  saldo  da  respectiva  conta  de  depreciação, amortização ou exaustão;  Por  outro  lado,  o  §  2º,  “c”,  do mesmo  art.  183  deixa  claro  que  os  valores  investidos em tal ativo devem ser alvo de exaustão, na medida em que o bem seja explorado  (original não destacado):  § 2º ­ A diminuição de valor dos elementos do ativo imobilizado  será registrada periodicamente nas contas de:  (...)  c) exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente  da  sua  exploração,  de  direitos  cujo  objeto  sejam  recursos  minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração.  Ora, se  representam um bem do ativo imobilizado, o valor da sua aquisição  ou produção jamais será computado como despesa ou custo. Relembro o comando do no §1º,  III do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003.  Ou  seja,  tratando­se  de  floresta,  o  custo  a  ser  considerado  é  o  valor  da  exaustão, calculada sobre o valor contábil do bem.  Destaco, ainda, que eventual resistência do Fisco em admitir que se apurem  créditos de PIS e Cofins a partir de tais custos, matéria estranha ao presente litígio, esclareça­ se, a meu ver, não desvirtua a natureza desses gastos.   Ou  seja,  dispêndios  que  agreguem  valor  a  determinado  bem  do  ativo  imobilizado, salvo expressa disposição legal em contrário, não representam um custo, mais um  Fl. 376DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000009/2008­47  Acórdão n.º 3102­01.148  S3­C1T2  Fl. 356          11 investimento,  independentemente  do  tratamento  tributário  que  posteriormente  vier  a  ser  conferido ao desgaste do bem.  2.4­ Serviços Atrelados à Extração de Florestas  Com  base  no  que  já  foi  debatido  anteriormente,  não  vejo  como  rejeitar  os  créditos relativos aos serviços de corte, arraste, baldeio, traçamento, transporte e manuseio da  madeira.  Com  efeito,  tratando­se  de  serviços  atrelados  aos  produtos  que  servirão  de  matéria­prima, seu emprego direto no processo produtivo da recorrente é inegável. Satisfeita tal  condição, consequentemente, há que se reconhecer o direito ao crédito, nos termos do art. 3º,  II, das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003.  Por  outro  lado,  a  norma  não  dá  margem  para  desconsiderar  os  gastos  incorridos em etapa da produção que antecede a industrialização do produto. Basta fazer uma  leitura  isolada  do  dispositivo  para  concluir  que  se  admitem  créditos  inerentes  a  insumos  utilizados na produção (qualquer que seja o processo) e na industrialização.  Ademais, no que se refere aos gastos com o transporte de insumos, a Solução  de Consulta nº 210 SRRF/8ª RF, de 25 de junho de 2009 (D.O. U: de 07/07/2009 (original não  destacado):  Geram  direito  a  créditos  da  Cofins  apurada  em  regime  não­ cumulativo  os  dispêndios  com  combustíveis  e  lubrificantes  utilizados  ou  consumidos  no  processo  de  produção  de  bens  e  serviços,  os  dispêndios  com  a  energia  elétrica  consumida  estabelecimentos  da  pessoa  jurídica,  os  dispêndios  com  armazenagem de mercadoria e os dispêndios com o frete pago  na  aquisição  de  insumos.  O  transporte  de  bens  entre  os  estabelecimentos  industriais  da  pessoa  jurídica,  desde  que  estejam  estes  em  fase  de  industrialização,  também  enseja  apuração de créditos da Cofins.  Nessa ordem de consideração, acato os gastos incorridos com corte, arrasto,  baldeio,  taçamento  mecanizado,  transporte  rodoviário,  desdobramento,  desgalhamento,  manuseio, carga e descarga da madeira.  2.5 ­ Combustível Empregado na Frota Própria.  Na  esteira  do  que  exposto  quando  da  análise  do  conceito  de  insumo,  após  compulsar os autos, em especial as planilhas onde são descritas as despesas com a aquisição de  combustível, vê­se que aquelas que se referem ao processo produtivo (óleo tipo BPF e para a  Casa de Força), já foram aceitas pela Autoridade de Jurisdição.  Restaria  enfrentar,  assim,  a  possibilidade  de  se  apurar  créditos  quando  da  aquisição de combustíveis para a frota de veículos da recorrente.  Como  destacado  anteriormente,  os  custos  relativos  à  movimentação  dos  produtos em elaboração, que englobam, evidentemente, os combustíveis empregados na frota  do contribuinte, em princípio, inserem­se no rol dos insumos capazes de gerar crédito.  Fl. 377DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO     12 Em  sentido  diverso,  tal  tratamento  não  se  estende  aos  combustíveis  empregados  em  atividade  diversa,  como,  por  exemplo,  o  transporte  de  empregados  ou  de  produtos industrializados entre estabelecimentos.  Justamente em razão desse  tratamento diferenciado em razão do emprego é  que a apuração dos créditos não pode prescindir de uma escrituração que permita identificar o  uso dado ao combustível.  Assim, na medida em que não foi trazido ao processo qualquer elemento que  demonstre qual  foi  o  valor  incorrido  ou  o  quantitativo  empregado  como  insumo  e  quais  são  utilizados em veículos que, se observado o texto da lei, não seriam utilizados em tal finalidade,  não vejo como reconhecer os créditos atrelados à aquisição de combustíveis para a frota.  2.6­ Partes e Peças  Como  é  possível  extrair  do  despacho  decisório,  mais  especificamente  no  trecho à fl. 190, a autoridade de jurisdição acatou expressamente os créditos atrelados a bens  que considerou possuir vida útil inferior a um ano. Confira­se:  Porém,  foram  consideradas,  para  cálculo  de  crédito,  as  partes  de  equipamento  que  têm  contato  direto  com  o  produto,  cujo  tempo  de  vida  seja  inferior  a  um  ano,  com  base  no  Parecer  Normativo CST n° 02, de 15/02/84, e Art. 301 do Regulamento  do Imposto de Renda ­ RIR/99 (Decreto n° 3.000/99). Encaixa­se  nesta situação a contra faca, a faca para o picador, feltro úmido  agulhado,  grampo  de  fixação  da  faca,  selo  mecânico  e  telas  (filtros).  Mais  adiante,  esclarece  a  autoridade  de  jurisdição  que,  em  face  dos  argumentos  já  expendidos  quando  da  análise  dos  gastos  na manutenção  de  florestas,  foram  glosados os créditos decorrentes das aquisições de partes de máquinas que julgou possuir vida  útil superior a um ano.   Com  efeito,  conforme  já  mencionado,  penso  que,  em  se  tratando  de  dispêndios  classificáveis  no  ativo  permanente,  o  valor  do  crédito  deverá  ser  calculado  proporcionalmente ao montante depreciado.  Até  certo  ponto  corroborando  com  essa  linha  de  argumentação,  postula  o  sujeito  passivo  o  reconhecimento  do  direito  ao  crédito  com  base  na  alegação  de  que,  diferentemente do que concluíra o Fisco, os bens alvo de glosa possuiriam vida útil inferior a  um ano.  No  intuito  de  demonstrar  tal  fato,  aduz  que  os  gastos  correspondentes  não  foram contabilizados no ativo permanente.  Ocorre que, diferentemente do que se verificou em outros recursos do mesmo  contribuinte,  onde  foi  acostada  ao  processo  declaração  do  fornecedor,  não  foi  juntado  ao  presente processo qualquer elemento adicional capaz de demonstrar qual seria a vida útil dos  bens.  Conforme me manifestei em outras oportunidades, não vejo como considerar  que,  isoladamente,  a  classificação  contábil  dos  gastos  seja  meio  de  prova  das  alegações  da  Recorrente. Para cumprir tal desiderato a contabilização deveria estar amparada em elementos  capazes de demonstrar a sua higidez.  Fl. 378DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000009/2008­47  Acórdão n.º 3102­01.148  S3­C1T2  Fl. 357          13 Quanto a esse aspecto, relembre­se o que dispõe o art. 264 do Regulamento  do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3000, de 1999:  Art.  264.  A  pessoa  jurídica  é  obrigada  a  conservar  em  ordem,  enquanto  não  prescritas  eventuais  ações  que  lhes  sejam  pertinentes,  os  livros,  documentos  e  papéis  relativos  a  sua  atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem  ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto­Lei  nº 486, de 1969, art. 4º).  Ante ao exposto, mantenho as glosas.  2.7­ Manutenção do Parque Fabril  Com a devida vênia, não vejo como considerar que a manutenção do parque  fabril, independentemente da sua relevância para o exercício da atividade econômica, possa se  inserir no conceito de insumo, para efeito de cálculo da contribuição alvo de discussão.  Mais uma vez, há que se  relembrar a delimitação  imposta pelo  inciso  II do  art.  3º:  o  crédito  se  limita  aos  bens  e  serviços  utilizados  como  insumo  na  fabricação  de  produtos.  Assim,  na  esteira  do  que  já  foi  abordado  anteriormente,  não  vejo  como  considerar as despesas com manutenção, que só atingem o processo produtivo indiretamente,  no rol dos dispêndios capazes de gerar crédito,  independentemente da possibilidade de serem  contabilizadas como custo indireto.  2.8­ Taxa Selic.  Busca a contribuinte,  finalmente, a correção monetária dos créditos a partir  da data da  formulação do pedido objeto do presente  litígio,  onde  é pleiteado,  relembre­se,  o  ressarcimento do saldo credor remanescente àquele utilizado nos termos do § 1º do art. 6º da  Lei nº 10.833, de 2003, onde se lê:  Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das  operações de:  (...)  §  1º  Na  hipótese  deste  artigo,  a  pessoa  jurídica  vendedora  poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins  de:  I ­ dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das  demais operações no mercado interno;  II  ­ compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica  aplicável à matéria.  Com  efeito,  o  §  2º  do  mesmo  art.  6º  da  Lei  nº  10.833,  de  2003,  prevê  expressamente tal possibilidade:  Fl. 379DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO     14 § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano  civil,  não  conseguir  utilizar  o  crédito  por  qualquer  das  formas  previstas  no  §  1º,  poderá  solicitar  o  seu  ressarcimento  em  dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.  Ocorre  que,  em  pese  a  alegada  violação  aos  princípios  constitucionais  expostos  com maestria  no  parecer  acostado  ao  processo,  não  vejo  como,  em  nome  de  tais  princípios,  reconhecer  a  correção  pleiteada.  Para  tanto,  seria  necessário  afastar  a  proibição  expressa  gizada  no  art.  13  da  mesma  Lei  nº  10.833,  de  2003,  onde  se  lê  (original  não  destacado):  Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º,  do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II  do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou  incidência de juros sobre os respectivos valores.  Não  vejo,  outrossim,  como  aplicar  no  presente  julgamento  a  interpretação  assentada no REsp nº 1.035.847 / RS, julgado em sede de “Recurso Repetitivo”, disciplinado  pelo art. 543­C do Código de Processo Civil.  Com efeito, como é cediço, por força no art. 62­A do Regimento do Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais7,  este  Colegiado  deve  reproduzir  as  decisões  proferidas  pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça.  Entretanto,  a  matéria  ali  debatida,  esclareça­se,  é  a  aplicação  da  correção  monetária sobre créditos do IPI, apurados nos termos da Lei nº 9.779, de 1999, diploma que,  sabidamente, não previu a incidência da Selic, mas também não proibiu tal incidência.  Assim  sendo,  tratando­se  de  arcabouço  jurídico  diverso,  não  vejo  como  reproduzir as conclusões daquela egrégia corte.  3­ Conclusão  Com essas considerações, dou parcial provimento ao recurso voluntário para  acolher os créditos calculados sobre gastos com corte, arraste, baldeio, traçamento, transporte e  manuseio da madeira, incorridos quando da sua extração  Sala das Sessões, em 9 de agosto de 2011    Luis Marcelo Guerra de Castro                                                              7 Art. 62­A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal  de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de  11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos  recursos no âmbito do CARF.                            Fl. 380DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000009/2008­47  Acórdão n.º 3102­01.148  S3­C1T2  Fl. 358          15     Fl. 381DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO

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Numero do processo: 16349.000147/2007-83
Data da sessão: Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3302-000.078
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO

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(ASSINADO DIGITALMENTE) Walber José da Silva - Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário (fls. 98 a 122) apresentado em 18 de agosto de 2008 contra o Acórdão n o 16-17.706, de 04 de julho de 2008, da 9 a Turma de Julgamento da DRJ São Paulo I / SP (fls. 81 a 90), cientificado em 18 de julho de 2008, que, relativamente a pedido eletrônico de ressarcimento de Cofins não cumulativa do 3 o trimestre de 2006, indeferiu a solicitação da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Fl. 614DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/01/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 10/01/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 10/01/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16349.000147/2007-83 Resolução n.º 3302-00.078 S3-C3T2 Fl. 2 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 NULIDADE. Satisfeitos os requisitos do Decreto no 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo diploma legal, não há que se falar em anulação ou invalidação do Despacho Decisório. DETERMINAÇÃO JUDICIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. A liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança no 2007.61.00.005209-3 determinou que o que o Delegado da DERAT/SPO apreciasse os pedidos de ressarcimento no prazo de 30 dias, conforme requerido pelo impetrante. Autoridade a quo seguiu a determinação judicial, que não comporta interpretação diversa. RESSARCIMENTO. COFINS NÃO-CUMULATIVO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A não comprovação pelo contribuinte do crédito pleiteado enseja o indeferimento do pedido de ressarcimento. Nos termos do art. 36 da lei no 9.784/99, cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Solicitação indeferida O pedido foi apresentado em 28 de novembro de 2006 e, à vista da demora na apreciação do pedido, em 2007, a Interessada apresentou mandado de segurança, com pedido de liminar, “que pleiteia a apreciação e conclusão de pedidos de ressarcimento referentes aos documentos de n os 31387.44992.281106.1.1.08-3132, 15880.03519.281106.1.L09-5510; 21627.12028.160107.1.1.08-1284 e 17255.56497.160107.1.1.09-5136, que estariam indevidamente sem análise pela Administração, até o presente momento”, nos termos da medida liminar concedida, que estabaleceu o prazo de trinta dias para decisão (processo judicial n o 2007.61.00.005209-3), nos processos administrativos n os 16349.000146/2007-39, 16349.000148/2007-28, 16349.000147/2007-83 e 16349.000149/2007-72. A liminar foi posteriormente confirmada por sentença de 14 de maio de 2007. À vista da medida liminar, foi determinada a realização de diligência para apreciação do pedido. Entretanto, para apresentar a documentação solicitada, a Interessada requereu o prazo de sessenta dias. A autoridade fiscal, diante do dilema apresentado, preferiu indeferir o pedido, cumprindo o prazo originalmente estabelecido na sentença, nos termos do despacho decisório de fls. 24 a 29, cuja ementa foi a seguinte: DESPACHO DECISÓRIO COFINS NÃO-CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. IMPEDIMENTO DE EXAME DE LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. DECISÃO JUDICIAL. PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE, DA PROBIDADE E DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA. Cabendo ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, segundo o artigo 36 da Lei no 9.784, de 29 Fl. 615DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/01/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 10/01/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 10/01/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16349.000147/2007-83 Resolução n.º 3302-00.078 S3-C3T2 Fl. 3 3 de janeiro de 1999, e concorrendo o contribuinte para que seus livros contábeis e fiscais não fossem examinados - pois solicitou prorrogação do prazo por mais 60 dias para apresentação da documentação necessária à análise do pleito - e tendo em vista a decisão judicial que determinou a análise do requerimento em 30 dias, deve-se indeferir o pedido de ressarcimento em epígrafe, sob pena de desobediência aos princípios da legalidade, probidade e moralidade administrativa (Constituição da República, artigo 37, caput; Lei no 8.429, de 2 de junho de 1992, artigo 10) e falta de comprovação do direito creditório. PEDIDO DE RESSARCIMENTO INDEFERIDO. A Interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que os dispositivos legais que embasaram a ação judicial (arts. 48 e 49 da Lei n o 9.784, de 1999) estabeleceriam que o prazo de manifestação da autoridade fiscal no processo administrativo seria de trinta dias, mas contados após a instrução do processo. A DRJ, entretanto, conforme ementa anteriormente reproduzida, manteve o indeferimento do pedido. No recurso, a Interessada repetiu as alegações, fazendo histórico do processo e manifestando sua indignação com o procedimento adotado, que, segundo relatou, feriria os princípios da verdade material, da finalidade, da eficiência. Por fim, alegou que juntaria aos autos, no prazo de quinze dias, toda a documentação comprobatória, o que não faria naquele momento à vista “do grande volume de documentos”. Mencionou o acórdão do 2 o Conselho de Contribuintes no RV n o 132.865. Posteriormente, a Interessada apresentou a documentação (fls. 138 a 609). Nas fls. 613 e 614, foi juntado ofício que deu prioridade aos processos administrativos, à vista do mandado de segurança impetrado pela Interessada. É o relatório. VOTO Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendo-se tomar conhecimento. A decisão tomada no âmbito do presente processo pela autoridade de origem não pode ser criticada, uma vez que, conforme ressaltado anteriormente, tratou-se de verdadeiro dilema. A própria Interessada, ao requerer a apreciação do pedido no prazo de trinta dias, certamente poderia prever a necessidade de apresentação e instrução do processo. Entretanto, é relevante a tese de que o prazo somente iniciar-se-ia a partir da instrução processual. Fl. 616DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/01/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 10/01/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 10/01/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16349.000147/2007-83 Resolução n.º 3302-00.078 S3-C3T2 Fl. 4 4 Além disso, como já foram realizadas diligências em outros processos, apurando-se, ao menos em parte, direito de ressarcimento, existe ao menos indícios de que, de fato, a Interessada teria condições de apresentar prova de seu direito. Dessa forma, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, para que, relativamente aos períodos dos processos administrativos n os 16349.000146/2007-39, 16349.000148/2007-28, 16349.000147/2007-83 e 16349.000149/2007-72 seja apurado o valor de ressarcimento a que a Interessada tem direito, da mesma forma que ocorreu os processos 16349.000220/2006-36, 16349.000221/2006-81, 16349.000223/2006-70 e 16349.000228/2006-01. Deverá ser dada prioridade ao processo, à vista da ação judicial apresentada pela Interessada. Sala das Sessões, em 28 de outubro de 2010 José Antonio Francisco Fl. 617DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/01/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 10/01/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 10/01/2011 por WALBER JOSE DA SILVA

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