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Numero do processo: 13657.000789/2005-49
Data da sessão: Mon Jul 06 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1990 a 31/03/1996
PASEP. PRAZO PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO.
Prescreve em cinco anos, a contar da data da publicação da Resolução do Senado Federal n2 49/95, o prazo para pleitear a restituição de valores pagos a maior em razão da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis n2s 2.445 e 2.449, ambos de 1988.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-00.027
Decisão: ACORDAM os Membros da 3° CÂMARA / 2° TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Alexandre Gomes que dava provimento parcial adotando a tese dos 5 mais 5
Matéria: Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Josefa Maria Coelha Marques
1.0 = *:*
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ementa_s : Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1990 a 31/03/1996 PASEP. PRAZO PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO. Prescreve em cinco anos, a contar da data da publicação da Resolução do Senado Federal n2 49/95, o prazo para pleitear a restituição de valores pagos a maior em razão da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis n2s 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Recurso Voluntário Negado.
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Numero do processo: 10730.000285/91-07
Data da sessão: Fri Aug 23 00:00:00 UTC 1996
Ementa: PIS/FATURAMENTO - DECORRÊNCIA - Tratando-se de
lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo matriz se aplica ao julgamento do processo decorrente, dada a íntima relação de causa e efeito que vincula um ao outro.
Numero da decisão: 102-40.599
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Ursula Hansen
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ementa_s : PIS/FATURAMENTO - DECORRÊNCIA - Tratando-se de lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo matriz se aplica ao julgamento do processo decorrente, dada a íntima relação de causa e efeito que vincula um ao outro.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MOREIRA & FREITAS LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ANTONIO DE' FREITAS DUTRA PRESIDENTE / LASSEN — "ri ORA FORMALIZADO EM: 2 O. SET 1996 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, JOSÉ CLÓVIS ALVES, SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO, RAMIRO HEISE, JÚLIO CÉSAR GOMES DA SILVA e FRANCISCO DE PAULA CORRÊA CARNEIRO GIFFONI. i'vUNTS MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10730/000.285/91-07 ACÓRDÃO N°. : 102-40.599 RECURSO N°. : 82.991 RECORRENTE : MOREIRA & FREITAS LTDA RELATÓRIO Versa o presente processo do Auto de Infração de fls. 01 e anexos, lavrado contra MOREIRA & FREITAS LTDA., CGC n°. 29.129.657/0001-35, jurisdicionada à Delegacia da Receita Federal em Niterói, RJ, formalizando a exigência de PIS FATURAMENTO, relativa ao exercício de 1986, no valor equivalente a Cr$ 57.147,57 e correspondentes gravames legais. O lançamento, especificamente com base no artigo 3°, alínea "b" e art. 6° e seu parágrafo único da Lei Complementar n° 7/70, c/c as disposições do Regulamento anexo à Resolução n° 174/71 do BACEN, decorreu de procedimento de fiscalização sendo apuradas irregularidades - omissão de receita operacional, ocasionando insuficiência na determinação da base de cálculo da Contribuição, e lançado Imposto do Renda - Pessoa Jurídica, conforme demonstrado no processo n° 10730/000.285/91-07. Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte apresentou, em 25/03/91, sua impugnação de fls. 05, fundamentando suas alegações nas razões apresentadas no processo matriz. A decisão de primeira instância, de número 29/92, foi proferida às fls. 28, e, em consonância com o decidido no processo matriz, o lançamento foi julgado procedente. Ciente da decisão singular em 20/03/92 (fls. 31), a contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 32, reiterando, na essência, os argumentos anteriormente expendidos. É o relató o. 2 • r' MINISTÉRIO DA FAZENDA n - PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - PROCESSO 1\1°. : 10730/000.285/91-07 ACÓRDÃO N°. : 102-40.599 VOTO CONSELHEIRA UR.SULA HANSEN, RELATORA Estando o recurso revestido de todas as formalidades legais, dele tomo conhecimento. A exigência fiscal constante deste processo é decorrente da que foi apurada no processo matriz de n° 10730/000.283/91-73. Considerando que o recurso referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, ao ser apreciado por esta Câmara em sessão realizada em 11 de dezembro de 1992, foi julgado improcedente, conforme faz certo o Acórdão n° 102-27.685. Considerando que, nas Razões de recurso voluntário acostadas aos presentes autos, a Recorrente revela seu reconhecimento de que a exigência fiscal decorre daquela formalizada no processo principal, não tendo apresentado qualquer nova razão ou prova que infirmasse o acerto da decisão proferida; Considerando o princípio adotado neste Conselho de Contribuintes, de que o decidido no processo matriz constitue relação de causa e efeito que vincula um ao outro; Voto no sentido de negar-se provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 23 de agosto de 1996. URSh ÁNSEN 3 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10855.005948/2002-24
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECURSO ESPECIAL - DIVERGÊNCIA - ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - CONJUNTO PROBATÓRIO - ARTIGO 10, § 7°, DA LEI N° 9.393/96 - EFEITOS - NECESSIDADE DE PREQUESTIONAMENTO DA MATÉRIA - SITUAÇÃO NÃO VERIFICADA NO CASO EM TELA
Não se pode conhecer do recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte quando a pretendida reforma da decisão recorrida depende da análise das provas anexadas aos autos. Ademais, nos termos do artigo 7, § 5º, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado
pela Portaria MF n° 147/2007, vigente ao tempo da interposição do recurso especial em apreço, somente matérias prequestionadas podem ser objeto de apreciação e de seguimento no âmbito da Câmara Superior de Recursos Caso, onde o sujeito passivo defendeu a improcedência do lançamento com fundamento no artigo 10, § 7º, da Lei n°9.393/96, o qual não foi invocado em nenhum momento pelo acórdão recorrido e sequer foram opostos embargos de declaração para tentar sanar eventual omissão.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-000.476
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECURSO ESPECIAL - DIVERGÊNCIA - ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - CONJUNTO PROBATÓRIO - ARTIGO 10, § 7°, DA LEI N° 9.393/96 - EFEITOS - NECESSIDADE DE PREQUESTIONAMENTO DA MATÉRIA - SITUAÇÃO NÃO VERIFICADA NO CASO EM TELA Não se pode conhecer do recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte quando a pretendida reforma da decisão recorrida depende da análise das provas anexadas aos autos. Ademais, nos termos do artigo 7, § 5º, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, vigente ao tempo da interposição do recurso especial em apreço, somente matérias prequestionadas podem ser objeto de apreciação e de seguimento no âmbito da Câmara Superior de Recursos Caso, onde o sujeito passivo defendeu a improcedência do lançamento com fundamento no artigo 10, § 7º, da Lei n°9.393/96, o qual não foi invocado em nenhum momento pelo acórdão recorrido e sequer foram opostos embargos de declaração para tentar sanar eventual omissão. Recurso especial não conhecido.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECURSO ESPECIAL - DIVERGÊNCIA - ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - CONJUNTO PROBATÓRIO - ARTIGO 10, § 7°, DA LEI N° 9.393/96 - EFEITOS - NECESSIDADE DE PREQUESTIONAMENTO DA MATÉRIA - SITUAÇÃO NÃO VERIFICADA NO CASO EM TELA Não se pode conhecer do recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte quando a pretendida reforma da decisão recorrida depende da análise das provas anexadas aos autos. Ademais, nos termos do artigo 7, § 50 , do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, vigente ao tempo da interposição do recurso especial em apreço, somente matérias prequestionadas podem ser objeto de apreciação e de seguimento no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o que não acontece no caso, onde o sujeito passivo defendeu a improcedência do lançamento com fundamento no artigo 10, § 7 0 , da Lei n° 9.393/96, o qual não foi invocado em nenhum momento pelo acórdão recorrido e sequer foram opostos embargos de declaração para tentar sanar eventual omissão. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Processo n° 10855.005948/2002-24 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.476 Fl. 244 CARLOS ALBE • 4 J FREITAS 11.RETO - Presidente '••; GONÇALO : • ' ' ALLAG - Relator EDITADO EM:. 23 ABR 2C10 - Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffinann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Rogério de Lellis Pinto (suplente convocado), Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Filas Sampaio Freire.Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório Em face de Marquesa S.A., CNPJ n° 46.886.040/0001-83, foi lavrado o auto de infração de fls. 21-27, para a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 1998, em razão da-glosa de área declarada como sendo de preservação permanente, por ausência de comprovação, relativamente ao imóvel denominado Fazenda Guapiara, situado no município de Ribeirão Grande (SP). A área de preservação pemianente foi reduzida de 1.620,5 ha para 787,3 ha. A 1 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS) considerou o lançamento procedente (fls. 85-95). Apreciando o recurso voluntário interposto pela contribuinte, a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes proferiu o acórdão n° 301-33.928, que se encontra às fls. 146-152, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1998 Ementa: ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL. Deve ser comprovada através de documentação hábil a área de utilização limitada alegada pelo contribuinte. A ausência de provas leva à presunção de inexistência de referidas áreas. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso. @." 2 Processo n° 10855.005948/2002-24 CSRP-T2 Acórdão n.° 9202-00.476 Fl. 245 Intimada do acórdão em 16/08/2007 (fls. 160), a contribuinte, devidamente representada, interpôs recurso especial de divergência às fls. 162-173, acompanhado dos documentos de fls. 174-206, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) O acórdão recorrido conferiu à lei tributária interpretação divergente daquela dada à matéria pelo acórdão n° 303-33.371; b) Nos termos do § 7°, do artigo 10, da Lei n° 9.393/96, a declaração do contribuinte para o fim de isenção do ITR não se sujeita à prévia comprovação por parte: do declarante, o qual ficará responsável pelo recolhimento do imposto correspondente, com juros e multa, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira; c) Ainda que assim não fosse, durante a ação fiscal comprovou a existência na propriedade rural de área de preservação permanente de 787,33 hectares, existindo ainda área de interesse ambiental de utilização limitada de 833,7 hectares, a qual compõe a reserva legal obrigatória do imóvel; d)Não obstante, a decisão recorrida manteve o lançamento pela ausência de comprovação da existência da área de interesse ambiental de utilização limitada, deixando de observar o teor do § 7°, do artigo 10, da Lei n° 9.393/96; e) Para que se confirmasse a incidência tributária, imprescindível seria a realização de prova material pela qual o Fisco comprovasse a inexistência da área de 883,11 hectares de utilização limitada e, desta forma, a inveracidade das informações apresentadas pela recorrente na DITA. Admitido o recurso por intermédio do Despacho n° 1444.134898 (fls. 209- 210), segundo o qual "Do exame dos julgados confrontados, venfica-se que o acórdão contestado vai de encontro ao acórdão paradigma supracitado, pois, enquanto este afirma que pode acatar área demonstrada através de laudo técnico, aquele não considerou o laudo técnico acostado aos autos ah. 08/12)." (fls. 210), a Fazenda Nacional foi intimada e apresentou contra-razões às fls. 212-235, onde defendeu, preliminarmente, a impossibilidade de conhecimento do recurso em apreço, pela inexistência de divergência jurisprudencial e, quanto ao mérito, a necessidade de manutenção do acórdão recorrido. É o Relatório. ((& 3 Processo n° 10855.005948/2002-24 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00476 Fl. 246 VOTO Conselheiro GONÇALO BONET ALLAGE Relator Sob minha ótica, o Recurso Especial interposto pelo contribuinte não pode ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo, sob o fundamento de que não restou comprovada a área de utilização limitada de 883,17 hectares. Portanto, matéria de prova. Extraio do voto condutor do acórdão recorrido os seguintes excertos (fls. 151-152): O Laudo Técnico trazido aos autos (fls. 08718) demonstra que há 787,33 hectares de Área de Preservação Permanente. Tal constatação é a mesma a que chegou a SRF quando da revisão da DITR/98 declarada pelo contribuinte (ll. 21). Ocorre que quando da apresentação do laudo, o ora recorrente informa que a diferença entre a APP declarada inicialmente na DITR (1.620,50 hectares) e a APP constatada através do Laudo Técnico (787,33 hectares). qual seja, 833,17 hectares, seriam área de interesse ambiental de utilização limitada (fl. 08). O referido Laudo demonstra que existem 787,33 hectares de Área de Preservação Permanente, mas não comprova em nenhum momento que existem 833,17 hectares de área de Utilização Limitada. Em seu recurso especial, a contribuinte, além de insistir na tese de que teria comprovado através de laudo técnico a existência de área de utilização limitada de 833,17 hectares, argumentou que o § 7°, do artigo 10, da Lei n° 9.393/96, dispensa a prévia comprovação das informações prestadas na DITA, de modo que o lançamento seria improcedente. Com o objetivo de comprovar a divergência jurisprudencial que autorizaria a interposição de recurso especial com fundamento no artigo 7°, inciso H, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, então vigente, o sujeito passivo trouxe à colação o acórdão n° 303-33.371, cuja ementa é a seguinte: ÁREA UTILIZADA. PRODUÇÃO VEGETAL. Deve ser comprovada, através de documentação hábil (Laudo e demais documentos, como compra de sementes, notas de g comercialização, etc...), a existência de área declarada de 4 Processo n° 10855.005948/2002-24 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00476 Fl. 247 produção vegetal. A ausência de provas, leva à presunção da inexistência das referidas áreas. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ITR. RESERVA LEGAL. A falta de averbação da área de reserva legal na matricula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, podendo-se acatar área demonstrada através de laudo técnico. RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROnDo. Pode-se perceber que o acórdão apontado como paradigma acatou área de reserva legal informada em laudo técnico, independentemente de averbação à margem da matrícula do imóvel. No caso em apreço, a situação é completamente diversa, pois a não aceitação da área de utilização limitada de 883,17 hectares, segundo o acórdão recorrido, está relacionada à ausência de comprovação, não tendo relação com a averbação ou não desta área à margem da matrícula do imóvel. A absoluta ausência de similitude entre as matérias fáticas analisadas pelo acórdão recorrido e pelo acórdão apontado como paradigma representa, na visão deste julgador, o primeiro empecilho para conhecimento do recurso especial. Além disso, é necessário trazer à colação o artigo 7, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, vigente à época da interposição do recurso em análise, segundo o qual: • Art. 70• Compete à Camara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: II - decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Sob minha ótica, para saber se a decisão recorrida é divergente daquela externada no acórdão n° 303-33.371, seria preciso analisar o conjunto probatório deste feito. No entanto, salvo melhor juízo, isso não é possível em sede de recurso especial de divergência, pois a função da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como instância especial, não é analisar provas, mas sim uniformizar a jurisprudência. Diante de tal situação, penso que, no caso em apreço, não está caracterizada a divergência de interpretação da legislação tributária que possibilita a apreciação do recurso especial em voga. Por fim, a recorrente defendeu a reforma da decisão de segunda instância com fundamento no artigo 10, § 70, da Lei n° 9.393/96. g • Processo n° 10855.00594812002-24 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.476 Fl. 248 Ocorre, que esta tese não foi debatida pelo acórdão recorrido, conforme se constata pelos excertos acima transcritos, sendo que sequer foram opostos embargos de declaração para tentar sanar eventual omissão. Assim, tenho como plenamente aplicável ao caso o artigo 7, § 5°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, vigente ao tempo da interposição do recurso em apreço, segundo o qual: Art. 7°. Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: § 5°. O recurso especial interposto pelo sujeito passivo somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação das peças processuais. De acordo com tal dispositivo, a Câmara Superior de Recursos Fiscais somente poderia apreciar os efeitos do § 7°, do artigo 10, da Lei n° 9.393/96, se o acórdão recorrido tivesse analisado esta matéria, o que não ocorreu no caso em apreço. Segundo penso, o contribuinte deixou de prequestionar esta tese, desatendendo, assim, a regra do artigo 7, § 5°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007. Por todos estes motivos, penso que não se pode conhecer do recurso especial em tela. É como voto. é,0 n;',!r: Gonçalo r; •n- lage -Relator 6
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Numero do processo: 10380.016045/2007-15
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006
COOPERATIVAS DE TRABALHO. RETENÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838. VINCULAÇÃO. RICARF.
O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.828, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2403-002.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração para no mérito declarar a exoneração do crédito tributário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Daniele Souto Rodrigues.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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RETENÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838. VINCULAÇÃO. RICARF. O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.828, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração para no mérito declarar a exoneração do crédito tributário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Daniele Souto Rodrigues. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 60 45 /2 00 7- 15 Fl. 748DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 749DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I Processo nº 10380.016045/200715 Acórdão n.º 2403002.767 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Inicialmente, cuidavase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 0813.929, fls. 617/624, que julgou procedente o lançamento em epígrafe, mantendose incólume o crédito previdenciário, consubstanciado no AI DEBCAD 37.143.513 7, no importe de R$ 1.768.382,40 (um milhão setecentos e sessenta e oito mil trezentos e oitenta e dois reais e quarenta centavos). O Auto de Infração abrange o período de 01/2002 a 12/2006, tendo sido lavrado em razão do descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV e § 5º da Lei nº. 8.212/91, consistente na apresentação, por parte da empresa, de GFIP’S com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme Relatório Fiscal, fls. 09/11, in verbis: A multa a ser aplicada é a prevista no artigo 284, inciso II do Regulamento da Previdência Social – RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99 de 06/05/1999 e artigo 32, inciso IV e parágrafos 5º da Lei 8.212/91. Em decorrência da infração praticada, o valor da multa cabível é de R$ 1.768.382,40 (um milhão, setecentos e sessenta e oito mil, trezentos e oitenta e dois reais e quarenta centavos), atualizado pela Portaria n. 142, de 11/04/2007. Segue em anexo planilha que esclarece o cálculo do valor da multa. Pela análise do histórico de fiscalizações do contribuinte, encontramos os seguintes AutosdeInfração: (...) Assim, o autuado é reincidente em virtude do descumprimento da obrigação acessória descrita no relatório fiscal da infração no prazo de até cinco anos do trânsito em julgado administrativo do AI 35.503.0594, código de fundamentação legal 38, reincidência genérica. A reincidência é circunstância agravante prevista no inciso V, artigo 290 do Decreto 3.048/99 que aprovou o Regulamento da Previdência Social – RPS. Seguem em anexo cópias das telas do sistema informatizado plenius nas quais constam a situação dos AI’s já lavrados na empresa. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação por meio de instrumento de fls. 86/91. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 6ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Fortaleza, DRJ/FOR, prolatou o Acórdão n° 0813.929, fls. 617/624, a qual julgou procedente o lançamento, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 19/12/2007 Fl. 750DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I 4 CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. PENALIDADE POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DECADÊNCIA. Com fulcro no art. 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei nº 11.417/06, o Supremo Tribunal Federal – STF editou e publicou a súmula vinculante nº 8, cujo teor é no sentido de considerar inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91. Assim, no que diz respeito à decadência do direito do Fisco de lançar de ofício a penalidade pecuniária decorrente de descumprimento de obrigação acessória, deve ser aplicado o prazo previsto no art. 173 do Código Tributário Nacional – CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Constitui infração à Lei nº. 8.212/91, art. 32, IV, o preenchimento da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias. Lançamento Procedente DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 635/646, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: Preliminar de decadência parcial do lançamento, com esteio no art. 150, § 4º, do CTN; Cerceamento do direito de defesa em razão da impossibilidade de cumprimentos do prazos determinados pela auditoria fiscal para apresentação de documentos; Descaracterização da Recorrente como devedora, eis que consiste apenas em administradora de planos de saúde, ao passo que a vinculação direta das cooperativas se dá com a Fundação Francisca Feitosa e/ou Fundação Ana Lima. Nesta senda, os termos dos contratos estabelecidos entre as Fundações e a Recorrente, constituem prova irrefutável de que aquelas são as verdadeiras tomadoras dos serviços prestados pelos cooperados; Inconstitucionalidade do art. 22, IV, da Lei nº. 8.212/91, eis que ao criar nova base de cálculo de incidência de contribuição previdenciária por meio de lei ordinária, Lei nº. 9.876/99, estaria sendo violado o princípio da reserva legal; DO ACÓRDÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO E DOS EMBARGOS Analisados os argumentos contidos na peça recursal, foi prolatado o Acórdão nº 2403002.327, fls. 690/700, na qual julgou pelo provimento em parte do recurso voluntário, para reconhecer a decadência parcial referente ao período de 01/2002 a 11/2002, nos moldes do art. 150, §, 4º do CTN. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para o Fl. 751DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I Processo nº 10380.016045/200715 Acórdão n.º 2403002.767 S2C4T3 Fl. 4 5 recálculo da multa de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Interposto Recurso Especial pela Fazenda Nacional, através das fls. 705/714, foi dada a ciência ao contribuinte, que apresentou suas contrarrazões, bem como opôs Embargos de Declaração, fls. 736/743, alegando em suma os seguintes fundamentos fáticos e jurídicos: 2. No julgamento do voluntário, em sessão realizada no dia 19/11/2013, essa colenda Turma proveu em parte o recurso apenas para determinar o recálculo da multa de mora; mantendo, outrossim, o lançamento quanto a obrigação principal prevista no art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/91. Eis o que restou consignado o voto do i. Relator. (...) 3. Contudo, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE de nº 595.838, que ocorreu em 23/04/2014, declarou, na sistemática da repercussão geral, a inconstitucionalidade da contribuição prevista justamente no art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/91. (...) 5. Dessa forma, se a obrigação principal, fundada no IV do art. 22 da Lei 8.212/91, foi declarada inconstitucional pelo STF, a exigência da obrigação acessória, consubstanciada em multa no valor de R$ 1.768.382,40, logo assim, deve ser declarada inexigível na hipótese. Assim, foi prolatado o despacho nº 2403032, fls. 746/747 que propôs o conhecimento da peça embargatória, estando de acordo o presidente desta Turma. É o relatório. Fl. 752DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator COOPERATIVAS DE TRABALHO Conforme se percebe do relatório do presente voto, bem como dos fatos que ensejaram a autuação em epígrafe, temos que a matéria aqui tratada é unicamente o pagamento a cooperativas, nos termos do art. 22, IV da Lei 8.212/91, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Ocorre que o Supremo Tribunal Federal – STF, em sessão plenária realizada em 23/04/2014, em sede de Recurso Extraordinário sob o manto da Repercussão Geral, art. 543B do CPC, ajuizado pela Etel Estudos Técnicos Ltda., em face da União, teve sua inconstitucionalidade declarada pela unanimidade de votos pelos Ministros daquela côrte, conforme se percebe de seu trecho abaixo, verbis: Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, deu provimento ao recurso extraordinário e declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.876/1999. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Ausente, justificadamente, o Ministro Gilmar Mendes. Falaram, pelo amicus curiae, o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, e, pela recorrida, a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Plenário, 23.04.2014. Referida decisão fora publicada na ATA Nº 10, de 23/04/2014. DJE nº 85, divulgado em 06/05/2014. Apenas para aclarar o alcance e motivo da inconstitucionalidade, colaciona se trecho do voto do Ministro Relator, disponibilizado no sítio eletrônico do Supremo Tribunal Federal (http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/RE595838.pdf), cuja redação é a que segue: Diante de tudo quanto exposto, é forçoso reconhecer que, no caso, houve extrapolação da base econômica delineada no art. 195, I, a, da Constituição, ou seja, da norma sobre a competência para se instituir contribuição sobre a folha ou sobre outros rendimentos do trabalho. Houve violação do princípio da capacidade contributiva, estampado no art. 145, § 1º, da Constituição, pois os Fl. 753DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I Processo nº 10380.016045/200715 Acórdão n.º 2403002.767 S2C4T3 Fl. 5 7 pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus associados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. Ademais, o legislador ordinário acabou por descaracterizar a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. A contribuição instituída pela Lei nº 9.876/99 representa nova fonte de custeio, sendo certo que somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. Diante do exposto, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. É como voto. Por tal razão, diante da vinculação deste conselho à decisão supra, conforme arts. 62, I e 62A do RICARF, merece ser exonerado o crédito tributário dos presentes autos em razão da inconstitucionalidade da exação positivada no art. 22, IV da Lei 8.212/91. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço dos embargos de declaração para, no mérito, determinar a exoneração do crédito tributário. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I
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Numero do processo: 10283.003150/2007-84
Data da sessão: Thu Jul 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 03/10/2002, 19/02/2003
NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. PRODUTO DENOMINADO SISTEMA ARTICULADO DE ACOPLAMENTO DE EMPURRADOR E BALSA
O equipamento denominado sistema articulado de acoplamento de empurrador e balsa (Articulated Tag and Barge Coupling System), composto de duas partes: (i) uma a ser montada no Empurrador, identificada como pino empurrador (Pushpin), composta de duas unidades; e (ii) a outra a ser montada na Balsa, denominada de placas soquetes (Socket), também composta de duas unidades, classifica-se no código NCM. 8483,60.90 (Outros dispositivos de acoplamento).
NOMENCLATURA COMERCIAL DO MERCOSUL (NCM), ENQUADRAMENTO INCORRETO. MULTA DE 1% (UM POR CENTO) DO VALOR ADUANEIRO. APLICABILIDADE
A classificação fiscal incorreta do produto na NCM materializa a hipótese da infração caracterizada por classificação fiscal incorreta, sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro, prevista no art 84, I, da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 03/10/2002, 19/02/2003
Ementa:. AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA, VICIO FORMAL, INSANÁVEL NULIDADE PARCIAL DO LANÇAMENTO. APLICABILIDADE.
É nulo a parcela do auto de infração que não atenda aos requisitos essenciais previstos em lei. A falta ou imprecisão na descrição dos fatos motivadores da autuação, configura cerceamento do direito de defesa do autuado, dando ensejo à declaração da nulidade do lançamento tributário por vicio formal insanável. Quando o vicio não alcança toda a matéria objeto da autuação, a declaração de nulidade será parcial, expurgando do mundo jurídico apenas a parcela do lançamento maculada com o vício formal insanável, caracterizado pela ausência de motivação (art. 10 e 59,11, do PAF, c/c o art. art. 248 do CPC)
Recurso de Oficio Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-00.693
Decisão: Acordam os membros do Colegiada por mamona de votos, em dar provimento parcial ao recurso de oficio Vencidas as conselheiras Beatriz Veríssimo de Sena e Nanci Gania, que negaram provimento Mtegralinente O conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pela conclusão.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: José Fernandes do Nascimento
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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 03/10/2002, 19/02/2003 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. PRODUTO DENOMINADO SISTEMA ARTICULADO DE ACOPLAMENTO DE EMPURRADOR E BALSA O equipamento denominado sistema articulado de acoplamento de empurrador e balsa (Articulated Tag and Barge Coupling System), composto de duas partes: (i) uma a ser montada no Empurrador, identificada como pino empurrador (Pushpin), composta de duas unidades; e (ii) a outra a ser montada na Balsa, denominada de placas soquetes (Socket), também composta de duas unidades, classifica-se no código NCM. 8483,60.90 (Outros dispositivos de acoplamento). NOMENCLATURA COMERCIAL DO MERCOSUL (NCM), ENQUADRAMENTO INCORRETO. MULTA DE 1% (UM POR CENTO) DO VALOR ADUANEIRO. APLICABILIDADE A classificação fiscal incorreta do produto na NCM materializa a hipótese da infração caracterizada por classificação fiscal incorreta, sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro, prevista no art 84, I, da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 03/10/2002, 19/02/2003 Ementa:. AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA, VICIO FORMAL, INSANÁVEL NULIDADE PARCIAL DO LANÇAMENTO. APLICABILIDADE. É nulo a parcela do auto de infração que não atenda aos requisitos essenciais previstos em lei. A falta ou imprecisão na descrição dos fatos motivadores da autuação, configura cerceamento do direito de defesa do autuado, dando ensejo à declaração da nulidade do lançamento tributário por vicio formal insanável. Quando o vicio não alcança toda a matéria objeto da autuação, a declaração de nulidade será parcial, expurgando do mundo jurídico apenas a parcela do lançamento maculada com o vício formal insanável, caracterizado pela ausência de motivação (art. 10 e 59,11, do PAF, c/c o art. art. 248 do CPC) Recurso de Oficio Provido em Parte.
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A SSUN 10: Cl ,ASSIFICACÃO DE MERCADORIAS Data do -fato gerado]: 03/10/2002, 19/02/2003 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). ENQI.TADRAMENTO 'FARIFÁRIO. PRODUTO DENOMINADO SISTEMA ARTICULADO DE ACOPLAMENTO DE EMPURRADOR BALSA O equipamento denominado sistema articulado de acoplamento de empurrador e balsa (Articulai& Tug and Barge Coupling S'ystem), composto de duas partes: (i) uma a ser montada no Empurrador, identificada como pino empurrador (Pushpin), composta de duas unidades; e (ii) a outra a ser montada na Balsa, denominada de placas soquetes (Socket), também composta de duas unidades, classifica-se no código NCM. 8483,60.90 (Outros dispositivos de acoplamento), NOMENCLATURA COMERCIAL DO "MERCOSUL (N CM), ENQUADRAMENTO INCORRETO. Ml."1"1";FA DE 1% (UM POR (ENTO) DO VALOR ADUANEIRO. APLICABILIDADE A classificação fiscal incorreta do produto na NCM materializa a hipótese da infração earactei izada por classificação fiscal incorreta, sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro, prevista no art 84, 1, da Medida Provisória n' 2 158-35, de 2001 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 03/10/2002, 19/02/2003 Ementa:. AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMEN'1'0 DE DIREITO DI DEFESA, VICIO FORMAI, INSANÁVEL NULIDADE PARCIAL DO LANÇAMENTO. APLICA BII ,IDADE. É nulo a parcela do auto de infração que não atenda aos requisitos esseRcia:is previstos em lei. A falta ou imprecisão na descrição dos fatos moti'Vadorès da / autuação, configura cerceamento do direito de defesa do autuado, dando ensejo à declaração da nulidade do lançamento tributário por vicio formal insanável, Quando o vicio não alcança toda a matéria objeto da autuação, a declaração de nulidade será parcial, expurgando do mundo jurídico apenas a parcela do lançamento maculada com o vício formal insanável, caracterizado pela ausência de motivação (art. 10 e 59,11, do PAF, c/c o art. art. 248 do CPC) Recurso de Oficio Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiada por mamona de votos, em dar provimento parcial ao recurso de oficio Vencidas as conselheiras Beatriz Veríssimo de Sena e Nanei Gania, que negaram provimento Mtegralinente O conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pela conclusão.. 1 ui MáVe () Guerra de titstr o - Presidente _ Jxisé Fernande do Nascimento - Relator EDITADO EM: 20/06/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Paulo Sérgio Celani (Suplente), Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Flias Fernandes Eurrasio (Suplente), Relatório Trata-se de Recurso de Oficio interposto contra decisão proterida pelos membros da Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE (DR.1— Fortaleza), cuja ementa ficou assim redigida: ,45SUNI 1ROCT,S;S'0 ADMINISIX111V0 »1SU/1E Dato do fino geradot 03/10/2002, 19/02/2003 NULIDADE. DO LANÇAMENTO P nulo o auto de infração que não atenda aos' requisitos essenciais in cvislo fit lei A hum eci 110 descrição do Suporle fálico que configure cerceamento do eito de Mesa. c-Itsejit a declinação da nulidade do lanyunento Iiilnuário pot vicio insanável do ato Inpugnação Proc vdente (.7t édito iiibutário Exonetado 2 Processo o" 10227.003150/2007-81 S3-C1.12 Acórdão o'' 3102-00.693 1-1 617 De acordo com a Descrição dos Fatos que integra os Autos de Infração de fls. 01/23 (II e .W1), os motivos dos presentes lançamentos, em síntese, foram os seguintes: a) em relação ao Auto de Infração do Imposto sobre a Importação (fls. 01/10): irregularidades apuradas em relação às Declarações de Importação (D1) de n"s 02/0883917-2, registrada em 03/10/2002, e 03/0145804-3, registrada em 19/02/2003: a) declaração inexata, por erro no valor declarado e na descrição da. mercadoria (Dl n" 03/0145804-3); b) importação ao desamparada de Guia de Importação (GO ou documento equivalente (D1 n" 03/0145804-3); e) diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado (DI n" 03/0145804-3); e d) mercadoria. classi ficada incorretamente na Nomenclatura Como m. do -Moucos-ri 1 - NCM (D .E n° 02/0883917-2).. b) em relação ao Auto de Infração do Imposto sobre Produtos Industrializados (fls. 16/21): irregularidades apuradas em relação às Declarações de Importação (Dl) de n's 02/0883917-2, registrada em 03/10/2002, e 03/0145804-3, registrada em 19/02/2003: (i) declaração inexata, por classificação fiscal incorreta da mercadoria na MN_ (DI n" 02/0883917-2); e (ii) declaração inexata, por erro no valor declarado e na descrição da mercadoria (Dl n" 03/0145804-3).. Em decorrência das referidas irregularidades, firram lançados os seguintes créditos tributários: a) no Auto de Infração do Imposto sobre a huportação (fls. 01/14): (i) Impostos sobre a Importação (II), acrescidos dos .julos moratórios e da multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento), por declaração inexata; (ii) multa por falta de Licença de Importação (LI); (iii) multa por classificação fiscal incorreta; e (iv) multa de 100% (cem por cento) sobre a diferença apurada entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação; b) no Auto de Infração do Imposto sobre Produtos industrialzados (fls. 15/23): (i) ko.postos sobre Produtos ..Industrialzados (In, acrescidos dos .juros moratórios e da multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento), por declaração inexata. Em 04/06/2007, a autuada foi pessoalmente cientificada (fis. 02 e 15) dos referidos Autos de Infração, Inconformada, em 04/07/2007, apresentou a impugnação d.e fls. 2.23/564, cujas razões de defesa, em síntese, foram as seguintes: a) em preliminar, alegou nulidade dos referidos Autos de Infração, com o argumento de que, na data do lançamento, encontrava-se favorecida com o ins,fituto da deu-Ui:leia espontânea, previsto no art. 138 do CTN; b) no mérito, alegou que: (i) faz jus ao benefício fiscal de isenção do fl e do 1PI, previsto para a Zona Franca de Manaus (Z -FM), pois atendeu todas as condições exigidas para fruição do regime, inclusive Obteve de IA anuída pela SUFRA .MA; (ii) não prestou declaração inexata, haja vista que adotou as alíquotas do II e do IP1 constantes da posição da NCM que julgou correta para a classificação fiscal da mercadoria; (iii) era inaplicável a' -mita • por inexistência de 1.1., .pois esta foi regularmente emitida, logo. Os fatos narrados no auto de infração não se substitue à capitulação le gal indicada; (iv) ela inaplicável a multa por diferença de preço, pois não havia prova da prática de huude, sonegação ou conluio, bem como da impossibilidade de se apurar o preço efetivamente praticado; (v) se erro existiu, teve como origem mero engano, .jamais tendo como motivação o proveito doloso, intencional e danoso ao erário; (vi) a atuação da .Administração Pública deve seguir os parâmetros da razoabilidade, legalidade e da proporcionalidade; e (vil) ausentes o dolo e a má-fé do declarante, não cabe a imposição de multa, segundo dispõe o ADN C.osit n'' 1.0, de 16 janeiro de 1997. No final, em sede preliminar, pediu a nulidade dos presentes Autos de Infração, que resultou em lançamento de oficio no curso da denúncia espontânea. Caso não acatada a preliminar, no mérito, requereu o .julgamento improcedente dos citados Autos de Intiação, a vista de que a capitulação legal nele contida não se conforma ao contexto factual explanado pela própria administração tributária. Após a referida impugnação, sobreveio o mencionado Acórdão, cru que os membros da Turma julgadora o quo, por maioria de votos, declararam nulo o presente lançamento, julgando a impugnação procedente e cancelando o crédito tributário exigido, com base nos fundamentos expostos resumidamente no corpo da ementa anteriormente transcrita. Fm 30/09/2009, a interessada Foi cientificada do Acórdão recorrido, por -via postal (i1 614).. • 1•!.i'n.• cumprimento ao -despacho-de-1F 61-5- (-ultima);--os-presentes- autos foratu enviados a este e. Conselho.. Na Sessão de 04/02/2010, mediante sorteio, foram distribuídos para este Conselheiro. É o Relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento - Relator O presente .R.ecurso de Oficio preenche os requisitos de admissibilidade, pois valor do crédito tributário exonerado pelo Acórdão recorrido excedeu ao limite de alçada do Órgão julgador de primeiro grau (DRI --- l'ortaleza) e a controvérsia nele versada trata de matéria da. competência deste Colegiada -portanto, dele tomo conhecimento. 1- DAS PRELIMINARES Antes de adentrar ao mérito, duas questões preliminares precisam ser dirimidas Ambas dizem respeito à nulidade dos Autos de Infração em testillia. Urna aduzida. pela autuada e a. outra apresentada pela maioria dos membros do colegiado do Órgão .julgador de primeiro grau.. Da alegação da autuada: lançamento de ofício realizado no curso do prazo da denúncia espontãnea. Na peça impugnatoria, alegou a interessada que os presentes Autos de Infração seriam nulos, uma vez que foram lavrados no curso do prazo do beneficio da denúncia espontânea. .. „..... ..„. ,. . 4 7 Proces.,:o n" 10283 003150/2007-84 S3-C.1J2 AcórXio n " 3102-00.693 Fl 618 Não assiste razão a. recorrente. Não há na legislação material ou processual qualquer preceito legal que impeça a autoridade fiscal de proceder a lavratura do auto de infração, principalmente, quanto a denúncia da irregularidade ou da infração não vem acompanhada das providências adequarias para saneá-la.. () mesmo se aplica a hipótese de recuperação da espontaneidade, ocorrida no curso do procedimento fiscal, por ter excedido o prazo de 60 (sessenta) dias, sem a prática de qualquer ato de oficio que denote a continuidade da ação fiscal, conforme estabelecido no § 2" do art. 7" do Decreto 70.235, de 6 de março 1.972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal (PAF) federal. No caso, ao contrário do alegado pela fiscalizada, diante da persistência da. infração, sem que houvesse provid.ência alguma por parte da denunciante, em. cumprimento ao disposto no rui.. 142 do CTN, a autoridade fiscal foi obrigada a proceder ao lançamento do crédito tributário, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o efeito jurídico, decorrente da aplicação do instituto da denúncia espontâneo, previsto no art, 138 do C.7N, alcança apenas a dispensa de penalidades de natureza hibutária, desde que a formalização da denúncia seja acompanhada do recolhimento do tributo devido e dos juros moratórios acaso devidos, o que não Ocorreu no presente caso, embora previamente cientificada da obrigação de recolher os impostos objeto do presente lançamento. 'Não é demais ainda lembrar que, no âmbito direito aduaneiro, o assunto recebeu disciplinamento específico, conanme disposto no art. 102 do Decreto-lei n" 37, de 18 de novembro de 1966, a seguir transcrito: Ari 102 - A denúncia e,sponhinea da infração, acompanhada, se for' o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá Li imposição da correspondente penalidad('. (Redação dada pelo Decreto-Lei n'2,472, de 01/09/1988) § 1" - Arão se considera esponidueo a denúncia apresentada.' (Incluído pelo Decreto-Lei n'2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o dest :.'inharaço da mercadoria. (Incluído pelo Decreto-Lei n°2 472, de 01/09/1980 h) após o inicio de qualquer 011trY) procedimento fiscal, mediante aio de oficio, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurai a inflação, (incluído pelo Decreto-Lei n'2 472, de 01/09/1988) 2" - A denúncia espontânea exclui somente LIN penalidades de natureza tributária. Uncluído pelo Decreto-Lei n°2 472 de 01/09/1.988) (grilos não originais). Analisando o preceito legal transcrito, tendo em conta as peculiafidades do caso em apreço, merece atenção especial o disposto no § 2' que, a contrario senso, exclui expressamente as penalidades de natureza aduaneira dos benefícios da denúncia espontânea. Dessa forma, caso a interessada, no período em que poderia exercer a denúncia espontânea, tivesse providenciado o recolhimento dos impostos devidos, acrescidos dos juros moratórios (o que não aconteceu), tal providência isentar-lhe-ia apenas cFmni...11 de \ 417 oficio de 75% (setenta e cinco por cento), prevista o art. 44 da Lei n" 9.430, de 1996, haja vista que tal instituto ¡lã° SC aplica às infrações de natureza aduaneira.. Com tais considerações, rejeito a presente preliminar. Da ftmdamentação do Acórdão recorrido: cerceamento do direito de defesa por inexatidão da descrição da matéria tática. Compulsando o Voto Vencedor que embasou a decisão anulatoria do presente procedimento fiscal, em sua totalidade, verifica-se que o argumento apresentado foi a existência do cerceamento do direito de defesa da fiscalizada, posto que os Autos de Infração litigados 11 :ãO conteriam a descrição exata da matéria fálica, contrariando ao disposto no inciso 11 do art. 59 do PAP, eom.binado com o art. 5 0 , inciso LV, e art. 37, caput, da (i.onstituiçao Federal, bem como ao principio da estrita legalidade que inibi-ma todo ato administrativo. Discordo, em parte, do entendimento majoritário da Turma julgadora de primeiro grau. Analisando a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que integra os Autos de Inflação em testilha, observo que dela não consta, explicitamente, a motivação da descaracterização do beneficio fiscal da isenção do 11 e do [PI, que fora reconhecido em favor da autuada na fase dos despachos aduaneiros, amparados pelas DI de nus 02/0883917-2, registrada em 03/10/2002, e 03/0145804-3, registrada em 1.9/02/2003, riem tampouco o .enquadramento legal do lato que-embasou-tal procedimento. Cabe consigtun ainda que o referido beneficio fiscal fora concedido a interessada., com base no art 3" do Decreto-lei n" 288, de 2.8 de fevereiro de 1967, que assegura às .mercadorias estrangeiras importadas para a Zona Franca de Manaus (ZFN), desde que destinadas as finalidades nele especificadas, a isenção do II e do Acontece que, por se tratar de 'beneficio fiscal sujeito à determinadas condições, a manutenção da isenção dos rei .Tidos impostos esta condicionada à (i) efetiva comprovação das mercadorias nas finalidades indicadas, e ao (ii) cumprimento das demais condições e requisitos estabelecidos no Decreto-lei. n" 288, de 1967, e pela legislação complementai: (requisitos formais). Neste sentido, o diSeiplinaMent0 contido no § do art.. 453 do Decreto n" 4.543, de 26 de dezembro de 2002, que dispõe sobre o Regulamento Aduaneiro de 2002 (RA/2002), vigente na época dos fatos e inflações narrados nos autos, cujo texto segue transcrito: Art. 453. A entrada de mercadorias estrangeiras na Zona hanca de Manaus, (ictiuia(ia a s eu cons umo interno, industrialização em qualquer ,1 •.;1 .(tu, inclitsive beneficiamento agropecuária, pe.yea, instalação e operação de indústrias e .5€'i 'VIÇOS de qualquer natureza, eXpO kl(ii0, bem ass im a estocagem para reexportação, será isenta dos impostos de importação e sobre produtos industrializados (Decreto-lei 288, de 1967, art 3, e Lei n" 8 032, de 1990, art 4") §' 2 .4 isenção de que trata ege artigo fica condicionada à efetiva aplicação das mercadorias nas . finalidades indicadas, e ao cumprimento das demais condições e requisitos k. estabelecidos pelo Deereto-lei n' 288, de 1967., e pela legislação complementa. Processo n" 10283 003150/2007-84 534:1 T2 Acórdio n " 3102-00.693 Pl. 619 (grilos rào originais). Conforme . já mencionado, na presente autuação, a autoridade fiscal, além de apresentar uma descrição .fatica precária, não mencionou o preceito legal que amparou a sua decisão de desconsiderar a referida isenção e, por conseguinte, proceder à cobrança dos impostos suspensos, em decorrência da aplicação do regime da aduaneiro da ZFM, Com efeito, não há nos referidos Autos de Infração dados ou elementos que indiquem., COm precisão, o que levou a autoridade fiscal a afastar o beneficio fiscal em tela.. Rm outras palavras, quais das condições mencionadas no referido preceito legal fbram descumpridas pela interessada: as mercadorias não foram aplicadas na finalidade indicada? Ou o beneficiário descumpriu alguma condição ou requisito estabelecido pelo Decreto-Lei n" 288, de 1967, e pela legislação complementar? Na descrição dos Patos integrantes dos referidos Autos de Infração, onde se deveria encontrar as respostas para tais indagações, não há qualquer notícia a respeito de tais circunstancias. Cabe ressaltar, ademais, que a simples menção, de forma genérica, a declaração inexata, seja por erro de classificação fiscal (Dl n" 02/0883917-2), ou por erro de descrição ou valor da mercadoria (Dl n() 03/0145804-3), ao meu sentir, não são suficientes para proporcionar o conhecimento do real motivo da exigência dos impostos suspensos, acrescidos de multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) e juros moratórios. Poder-se-ia ainda inferir, a partir da farta, porém prolixa, descrição apresentada que o motivo do cancelamento do beneficio fiscal em questão fora O descumprimento dos requisitos estabelecidos para fins de obtenção do licenciamento dos equipamentos importados, condição necessária para fruição do incentivo fiscal aplicado ao regime da ZFM, conforme disposto no art. 455 do RA/2002, a. seguir reproduzido: Ari.. 455. As importações no regime de que trata este Capitulo estão sujeitas a liCelleiaM01110 não-automático, previamente ao despacho adiumeiro, com a expressa alitiêneia da ,Yuperintendencla da Zona Franca de Manaus. Nada obstante, tal inferência aplicar-se-ia apenas em relação a Dl n" 03/0:145804-3, haja vista que a operação de importação de que trata a D1 if 02/0883917-2, estava amparada pela IA n" 02/1141524-0, deferida pela Suframa. Inclusive, cabe mencionar que essa operação não fbi apeirada com a multa por falta de L1, o que conduz a conclusão de que, se existia licenciamento para esta Ultima operação, dela não seria exigido o valor do IPI suspenso, o que não ocorreu, corri:Orme Auto de Infração do IPI (Os.. 15/23). No mesmo sentido, conclui o Relator do Voto Vencedor que serviu de fundamento para Acórdão recorrido, segundo o excerto a seguir transcrito: Não se pode falar aqui que a simples classificação incorreta na NC1V1 tenha o condão de desconligurar todo o Regime da Zona Pratica de Manaus, quando a descrição da mercadoria, tanto na Dl n° 02/088.3917-2, quanto na li n° 02/1141524-0 foi considerada correta pela Auditoria \7 Ademais, analisando a peça impugnatoria, observo que a interessada não chegou a tal inferência, por conse guinte, não se defendeu explicita e adequadamente dessa parcela da autuação, por uma razão óbvia: a imprecisa ou confusa exposição dos fatos, relativamente aos itens da autuação em destaque, agravada com a ausência do preceito legal infringido e a contradição em relação a exigência dos impostos suspensos.. Nesta direção é ilustrativo o trecho da peça impugnatória a seguir transcrito: Lm todo o teor do auto de infração não se encontra urna única linha dando conta de que as importações presentes nas DIs a' 03/0145804-3 e 02/0145804-3 tenham .sido efetuadas .sem autorização do Órgão anuente, qual _sela, a ,S'uperiniendência Zona P5anca de Manaus - SUPRA1114, fu.stamerne porque a análise fiscal teve como foco, para a primeira D1 de 2003, o valor (solicitado previamente pela IMpetrante) e a deserk..ão mercadoria, e para a D1 de 2002, a redistribuição das iiue Cad.01 jati ?WS adições e modificação da 1\1(..M. Dessa thrina, a imprecisa descrição tatica, aliada a ausência de capitulação do preceito legal que enibasara a descaracterização do regime isentivo em destaque (ausência de enquadramento legal.), ao meu ver, cerceou o direito de defesa da autuada, maculando a parcela do lançamento que trata da exigência dos impostos lançados e respectivos consectarios legais Ouros moratórios e multa de oficio), com o vicio formal insanável da ausência de motivação, cujo remédio é a declaração da nulidade desta parte da autuação. Por derrai.Téiro, é oportuno mencionar que a 'declaração parcial de nulidade do ato de lançamento tributário, formalizado por :areio do auto de infração, tem amparo no art.. 248 1 do Código Civil Brasileiro (CPC), que se aplica subsidiariamente ao PAF. Por outro lado, no que tange as penalidades de natureza aduaneira, com devida vênia, discordo do entendimento majoritário da 'furma julgadora de primeiro grau. Lm relação a este .ponto, no meu entendimento, tanto a motivação quanto o enquadramento legal foram adequadamente apresentados no Auto de Infração de tls, 01/14. No caso, se os fatos descritos não correspondem a hipótese legal infringida, não se trata de vicio formal, por falta de motivação e enquadramento legal, .mas de vicio material, caracterizado pela falta de subsunção do ...incito descrito ao tipo legal infringido. Cabe ressaltar que, no âmbito do processo administrativo fiscal, o ato administrativo de lançamento e de aplicação penalidade, em consonância com o disposto no art. 142 do CIN, tem os seus aspectos formais definidos nos arts. 9°c 10 do PAU. Não se olvide que os requisitos obrigatórios determinados para o auto de infração estão taxativamente estabelecidos no art.. 10 do PAF, a seguir transcrito: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da ver ilicação da falta, e conter obr igatoriamerne.• - qualificw.cão do autuado,- 1!- o local, a data e a hora da lavrattua, lii - a descrição do fido; I "Ate 248 - .Anulado e ato, .1-opinam-se de nenhum efeito todos os subseqüentes, que dele dependam; todavia, a \ nulidade de uma paute do alo lã() prejudicará as outras, que dela sejam independentes" \ //\'' PI ()cesso ne 10283 003150/2007-81 S3-C: ft 2 Acórfflo n " 31.02-00.693 Fl. 620 /V- a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da eviOncia e a intimação Nua cumpri-1a OU impugná-la no prazo de trinta dias,- VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o numero de matrícula. (gr i fos não originais). No que concerne às penalidades de natureza aduaneira, compulsando o Auto de Infração de fi. 01/14, verifico que todos os requisitos fixados no referido dispositivo legal estão nele contemplados, portanto, do ponto vista formal, não há nenhum vício que macule a higidez dos lançamentos em testilha, em relação a esta parcela da presente autuação.. Neste ponto, diversamente do alegado no Voto Vencedor que embasou o Acórdão recorrido, observo que a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, integrante do citado Auto de Infração, contém farta descrição dos fatos ilícitos, acompanhada da disposição legai infringida e a penalidade aplicável (enquadramento legal), que embasaram a aplicação das citadas penalidades, o que proporcionou à autuada pleno conhecimento das infrações que lhe foram imputadas na presente autuação. Uma demonstração do que foi asseverado, está retratada na longa e exaustiva peça impugnatória de fis.. 223/243, em que a interessa contesta, com propriedade e conhecimento, todos às penalidades aduan.eiras aplicadas, inclusive, apontando as inconsistência entre os fatos relatados e as infrações hipotéticas descritas ria lei. Dessa forma, fica evidenciado que, em relação a esta parcela da autuação, não houve o alegado cerceamento do di eito de defesa. da fiscalizada. Corrobora o asseverado, o excedo a seguir transcrito, em que a autuada deixa consignado que, caso superada a questão preliminar suscitada "seja o presente auto de infração julgado improcedente, a vista de que a capitulação legal nele contida não se conformar ao contexto factual explanado pela própria administração tributária (....)" (grifos não originais) Assim, no que toca às infrações em destaque, reafirmo que se vício existiu ele foi de natureza material, por incompatibilidade entre a conduta imputada a autuada e a infração descrita hipoteticamente na lei, questão que envolve o mérito da presente controvérsia, que será analisado em seguida.. Por tais razões, rejeito em parte a presente preliminar, o que implica negar provimento, em parte, ao presente de Recurso de Oficio, para manter (i) a nulidade integral do Auto de Infração do TN 15/23) e (ii) parcial do Auto de infração do II (fls. 01/14), alcançado apenas a parcela do lançamento do II e respectivos acréscimos legais (juros moratórios e multa de oficio). II-"DO MÉRITO Superadas, em parte, as preliminares de nulidade dos referidos Autos de Infração, passo a análise das questões de mérito, com a ressalva de que as questões que aqui serão analisadas limitam-se às penalidades de natureza aduaneira, aplicadas por meio do Auto de Infração do I.1 (fis. 01/14), a saber: (i) a multa por falta de Licença de impodação (14 (ii) a multa por classificação fiscal incorreta; e (iv) a multa de 100% (cem por cento) sobre a diferença apurada entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na.rmportação Entretanto, antes de analisar a procedência ou não da imposição das ditas penalidades, cabe fazer uma rápida exposição sobre as duas operações de impoitação, com destaque para a identificação dos equipamentos importados e o enquadramento tarifirio deles na NCM. Da identificação do equipamento importado. O bem impai tado pela interessada foi IAM tipo de equipamento chamado "SISTEMA ARTICULADO DE ACOPLAMENTO DE EMPURRADOR E BALSA" (Atticulated Trig Barge Compling SvWcm), que o Fornecedor especificou como "Al Coupling System (IAK-400, or equivalent)" Este equipamento é composto basicamente de duas partes: a) uma a ser montada no EMPURRADOR, identificada com o nome de "PUSHP1N" (Pino Empurrador), composta de duas unidades; e b) a outra a ser montada na BALSA, identificada nos documentos com o nome de "SOCKET" (Placas Soqueles), também composta de duas unidades. O funcionamento do referido sistema dar-se da seguinte maneira: os dois pinos fixados no Empurrador se encaixam nas duas placas soquetes da Balsa, proporcionando o engate ou acoplamento do primeiro ao Ultimo, Cabe destacar que, cru relação à. identificação e ao funcionamento do equipamento (ou sistema),-não controversianos autos-. Da classificação fiscal do produto na NCM. A recorrida classificou o equipamento em tela, nos seguintes códigos da NC : a) na DI n" 02/0883917-2 (fls. 124): (i) Adição 001: "8479.89 99 OUTROS MAQS APARS.MICANICOS C/1.11NCAO PROPRIA"; e (ii) Adição 002: "8479.90.90 — OLITS PARTES DE MAQS E APARS.MECAN1COS C/FUNCAO PROPAIA"; E b) na DI n" 03/0145804-3 (ti 35): Adição 001 (Unica): "8483.60.90 DISPOSITIVOS DE ACOPLAMENTO, IN(. L JUN I AS DF ARTICULACAO" De acordo com a autoridade fiscal, o código NCM correto do retendo equipamento é 8483.60.90 (DISPOSITIVOS DE ACOPLAMENTO), que corresponde ao enquadramento tai 'fali° atribuído ao produto na segunda da Dl. Em conclusão, nos presentes autos é incontroverso que o "sistema articulado de acoplamento de empunador e balsa" classitica-se no código NCM 8483:60.90, que a partir da posição 8483 tem a seguinte descrição na NCM: 84.83 ÁRVORES (VEIOS) DE TRAMS'AIISSÀO /INCLUÍDAS AS ÁRJ' ORES DE EXCÊNTRICOS (CAMES) E VIRA BRE01.IINS (CAMBOTAS)/ P, MANIVELAS, MANC,5:118 (CIIUMA(TIRAS) A 'BRONZES', ENGRENAGENS E RODAS DE FRICÇÃO, ELVOS DL ESLERAS OU DE ROLE' 11 REDUTORES; - MULTIPLICADORES, CAIXAS DE 11?ANSAILS'5X0 E 1:7A R1/10 OR ES DL VELOCIDAI)L, [ DOS OS CONVERSORES DE TOI?OliE (BINÁRIOS), VOLANTES E \\NW Processo n" 10283 0031.50/2007-8 .1 S3-(1T2 Acórdão n°3.1.02-00.693 01. 021 INCLUIDAS AS POLIAS PARA CADERNAIS; EMBREAGENS E DLS'POSMVOS DE ACOPLA .MENTO, INCLUÍDAS AS .ILINTAS DE ARTICULAÇÃO (• • ) 8483..60 - Enzbreaf!. ens e dispositivos de acoplamento, incluídas. as juntas de articulação 8483.60 90 • • Outros (griros não originais). De acordo com a Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado ((ROI-S11) n" C, para os efeitos legais, a classificação de um produto na NCM 3 é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capitulo. Analisando os textos da posição 84„83 e da subposição 8483.60, verifica-se que há menção expressa aos dispositivos de acoplamento, descrição em que se enquadra. perfeitamente o equipamento destaque. 'Dessa forma, aplicando ao caso em tela a RGI-SH n" 1 , tem-se que o equipamento importado pela recorrida se enquadra perfeitamente nas referidas posição e subposição. Por fim., por não existir descrição especifica no âmbito da subposiçã.o 8483,60, com base na Regra Geral Complementar (RGC) n" 1, combinado com o disposto na Red-SH n" 3-"c", tem-se que o referido sistema classifica-se no código NC1vi 8483.6090 — Outros, restando assim a seu código tarifário e correspondente descrição na NCM: 8483.60.90 — Outros dispositivos de acoplamento. Da multa por classificação fiscal incorreta. A previsão legal da penalidade em epígrafe está assim descrita no inciso I do art. 84 da Medida Provisória n" 2,158-35, de 24 de agosto de 2001: Ari 84. Aplica-se a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mereadória: I- (las.sificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complemenlaré ou em outros detalhainentos instituídos para a identificação da mercadoria; (grifos não ot igi nal s) Diante das conclusões anteriormente apresentadas, entendo que houve a concretização da referida. infração, haja que os erros de classificação apontados no presente Auto de Infração se subsumem adequadamente a hipótese tática descrita no citado preceito legal. 2 OS títulos das Seções, Capítulos e Subeapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capitulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: 3 Aprovada peia Resolução Camex n" 42, de 26 de dezembro de 2001, de 12 de Novembro de-1-99 .7, com ps (' alterações posleriores Cabe ressaltar ainda que a ausência de culpabilidade, de dolo ou iná-fé, não influi na aplicação da penalidade em apreço, haja vista que a responsabilidade por infração às normas aduaneiras, regra geral, tem natureza objetiva (caso ein apreço), ou seja, independe da. intenção do agente e da efetividade, natureza e extensio dos efeitos do ato, segundo determina o § 2' do art. 94 do Decreto-lei n" 37, de 1966, a seguir reproduzido: Art 94 - Constitui infração Ioda (1Ç.'ã O ou omissão, voluntária Ou involuntário, que importe inobservancia„ por pai te da pessoa natural ou jurídica, dc norma estabelcuida neste Decreto-Lei, no seu regulamento Ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completa-los (. ) 2" - Salvo dispasição evr essa f'..M. Con trário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente on do responsável e da efetividade, natureza e vtensão dos efeitos do ato. (grifos não origniais) Além disso, não se olvide que a presente infração tem natureza formal, o que implica sua materialização com o simples cometimento da conduta tipificado no referido preceito legal, independentemente do resultado natural ístico. Em decorrência, é irrelevante para sua configuração a existência. de prejuízo a Fazenda Nacional. Dessa librma,. uma vez de.monstrada a._ ocorrência do evento -ilícito e -a- sua perfeita subsunção a hipótese típica descrita na lei, aliada a inexistência de qualquer circunstância excludente da penalidade aplicada, o que conduz a inarredável conclusão de que é procedente a exigência da dita penalidade Por tais razões, considero corretamente aplicada a presente penalidade. Da multa por falta de Licença de Importação (LI). Inicialmente, é oportuno esclarecer que a multa aplicada à autuada, por infiação ao controle administrativo das importações, caracterizada pela t'alta de Guia de Importação (GO ou documento equivalente, está prevista, na alínea "h" do inciso 1 do art. 169 do Decreto-lei n" :37, de .1966, com a redação dada pelo art. 2" da. Lei 13.0 6,.562/78, com os seguinte dizeres: „4,1 169 - Constituem infrações administrativas ao c..ontrole das imporiaçõe .1- importar mercadorias do e.vterior: ( ...) b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falia de depó.sito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus . financeiros. ou camblais (Inchada pela Lei n" 6.562, de 1978) Pena multa de 30% (trinta por cento) do valor da tne)uadoi ia. (...) (grifos não originais) No período em que ocorreram os latos descritos no presente /Auto de Infração, já se encontrava em operação o Sistema Integrado do Comércio Exterior (iscomx„ 7.".,.../ . i 12 Processo n" 10253. 003150/2007-84 S3-C1.12 Acórfflo 3102-001.i93 01 022 no ilmbito do qual, nos termos do § 1" do art. 6 0 do Decreto n" 660, de 25 dc setembro de 1992, a I foi substituída pela Licença. de Importação (I 1).. Na nova sistemática, as operações de importação passaram a ser submetidas a. duas modalidades de licenciamento: o automático e o não automático. Na primeira modalidade é dispensável a anuência prévia dos (.)rgão intervenientes no comércio exterior, enquanto que na segunda, a autorização prévia dos referidos Órgão é sempre exigida, sob pena do cometimento de infração administrativa ao controle da.s importações, abstratamente descrita. no art.. 169 do Decreto-lei n" 37, de 1.966. Na data em que das operações de importação objeto da presente autuação, o assunto estava disciplinado no art. 490 do RA/2002. No presente caso, somente o equipamento submetido a despacho aduaneiro por meio da D .1 n'' 03/0145804-3, registrada em 19/02/2003, foi objeto da penalidade em apreço. A referida importação teve o seu licenciamento deferido pela Suframa, fOrmalizado por meio da lA de n" 03/0178800-3, registrada em 17/02/2003 (fls. .149/150), que foi retificada pela LI n' 03/0762465-7, registrada. em 0.3/07/2003 (11s. 190/191), também devidamente anuída pela Sufiama.. Comparando a descrição do equipamento declarado na referida Dl e licenciado na respectiva 1.1, observa-se que elas são coincidentes, o que confirma a regularidade do licenciamento do produto, previamente ao registro da 1)1. Neste ponto, está com a razão à impugnante (11s. 223/243) que se manifestou pela inaplicabilidade da multa. em destaque, porque ali: fora regularmente emitida. Com tais considerações, fica demonstrada a improcedência da aplicação da. presente penalidade, Da multa incidente sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação. A hipótese legal da penalidade em epígrafe está assim descrita no Caput e parágrafo único do art. 88 da Medida Provisória n" 2..158-35, de 24 de, agosto de 2001: ..4u. 88 No caso de fraude, - sonegação Ou conluio, CM (Me não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na iMpOr a base de cálculo dos triburos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos _seguintes critálos, observada a ordem .seqüencial. Parágrafo único. Aplica-se a 1)11.111(1 administrativa de cem por cento sobre a diferença entre O preço declarado e o preço efetiva mente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos. impostos-, da multa de ofício prevista no art 44 da Lei n 0 9.4.30, de 1.996, e dos acréscimos legais cabíveis. Alegou a. recorrida que era inaplicável a presente penalidade, pois não havia prova da. prática de fraude, sonegação ou conluio, bem como da impossibilidade-de se apurar o p1eço efetivamente praticado, Esta com a razão a autuada. A aplicação da presente penalidade exige prova da prática de fraude, sonegação ou conluio, bem como da impossibilidade de se apurar o •preço efetivamente praticado.. Compulsando os presentes autos, verifica-se que a autoridade fiscal não relatou nem comprovou tais condutas. Na verdade, há noticias nos autos de que a diferença de preço decorreu de equivoco cometido pela -fiscalizada, que informara na IN e na Ti origin.al um valor interior para o equipamento importado, que fora espontaneamente comunicado fiscalizada a Unidade da Receita Federal de despacho, que indeferira a alteração pleiteada. Cabe esclarecer, por oportuno, que o mesmo pedido de retificação também foi formulado junto à Saram, que o deferiu, nos termos propostos .pela importadora e conforme consignado na LI retificadora de Os.. 190/191. Além disso, não se pode perder de vista que o escopo da presente multa é diferenciar o importador que agiu com dolo ou Ina-fe, fraudando o preço da mercadoria importada, daquele que cometeu mero equivoco no preenclrimento dos documentos relativos à. operação de importação.. Inclusive, e oportuno destacar, sequer foram aventadas pela autoridade fiscal as condutas ilícitas descritas no preceito legal em apreço.. Além disso, por se tratar de regime aduaneiro couteurplado com a isenção dos tributos incidentes na operação de importação, não vislumbro, no presente caso, qual seria a vantagem tributária obtida ilicitamente pela autuada, com a indicação de preço a menor do produto importado . . • • --.- - - • ..---- ..- - -- • .--- ----- ..... -•--- • - •— Diante tais considerações, tenho como .indevida a aplicação da presente multa. III- DA CONCLUSÃO Ante todo o exposto, voto no sentido de: a) DAR PROVIMENTO PAR.C.I.A.I. ao presente Recurso de Oficio, para manter (i) a nulidade integral do Auto de Infração do IPI (fis. 15/23), por vício formal; e (ii) parcial do Auto de Infração do II (lis 0.1/1.4), por vicio -formal, alcançando apenas a parcela do lançamento do II e respectivos acréscimos legais (juros moratórios e multa de oficio); e b) RE.1E FIAR_ a preliminar de nulidade, por afronta ao instituto da denúncia espontânea, suscitada pela recorrida; c) no mérito, DECLARAR PROCEDENTE EM PARTE o Auto de Infração do 11 (tis. 01/14), para manter integralmente o valor da multa por classilicaição incorreta da mercadoria._. , vw., • .."---. – • \.N as-éimento \ 14
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000505/2005-15
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF)
Exercício: 2003
PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO A UNESCO/ONU - TRIBUTAÇÃO.
São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura - UNESCO/ONU, quando recebidos por nacionais contratados no País, por faltar-lhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária.
(Acórdão CSRF 04-00.024 de 21/04/2005).
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.738
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura - UNESCO/ONU, quando recebidos por nacionais contratados no País, por faltar-lhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária. (Acórdão CSRF 04-00.024 de 21/04/2005). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, eor unanimidade de votos, em negar • provimento ao recurso. CARLOS ALBER 4!) REITAS BA r,r ETO- Presidente MOISES GIACOMEI S DA SILVA - Relator EDITADO EM: 1 11 00 2010 1 • Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente); Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório O contribuinte antes nominado foi autuado em virtude da omissão de rendimentos do trabalho recebidos de organismos internacionais, caracterizada pela constatação de que o contribuinte declarou-os como isentos e não tributáveis em sua Declaração de Ajuste Anual, no ano-calendário de 2002. Por meio do acórdão de folhas 248 e seguintes, a Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, para excluir da exigência a multa isolada aplicada em concomitância com a multa de oficio. O acórdão referido pode ser sintetizado por meio de sua ementa, a seguir transcrita: IRPF - ORGANISMO INTERNACIONAL DA ONU ISENÇÃO - A isenção de imposto sobre rendimentos pagos por Organismo Internacional da ONU é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu Secretário-Geral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo corra vinculo contratual permanente. (Precedente da CSRF/MF) MULTA ISOLADA - MULTA DE OFÍCIO — CONCOMITÂNCIA -É inaplicável a multa isolada concomitantemente com a multa de oficio, tendo ambas a mesma base de cálculo. Recurso parcialmente provido. Intimado, o contribuinte ingressou com recurso especial de fls. 293/308, alegando, em síntese, que os rendimentos recebidos, decorrentes da prestação de serviço junto ao PNUD, gozam de isenção do imposto sobre a renda. Com a finalidade de demonstrar divergência jurisprudencial, o recorrente destaca os acórdãos paradigmas n° 104 — 16.634 e CSRF/01.04.135, de ementas idênticas que, no ponto que interessa ao presente feito, espelham a seguinte decisão: IRPF - REMUNERAÇÃO PAGA PELO PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO NO BRASIL. ISENÇÃO - Por força das disposições contidas na Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, cujos termos foram recepcionados pelo direito pátrio através do Decreto n° 27.784, de 16.02.50, os valores auferidos a título de rendimentos ,\ do trabalho pelo desempenho de funções especificas junto ao 2 Processo n° 14041.000505/2005-15 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.738 Fl. 3 Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento estão isentos do imposto de renda brasileiro. Recurso provido O recurso foi admitido às fls. 341/343 e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 346 e seguintes. É o relatório. Voto Conselheiro MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 15, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147, de 25 de junho de 2007, do Ministro da Fazenda. Foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Quanto à divergência necessária à admissibilidade do recurso, o acórdão atacado pode ser sintetizado por meio de sua ementa, a seguir transcrita: IRPF - ORGANISMO INTERNACIONAL DA ONU — ISENÇÃO - A isenção de imposto sobre rendimentos pagos por Organismo Internacional da ONU é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu Secretário-Geral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo corra vinculo contratual permanente. (Precedente da CSRF/MF) MULTA ISOLADA - MULTA DE OFICIO — CONCOMITÂNCIA -É inaplicável a multa isolada concomitantemente com a multa de oficio, tendo ambas a mesma base de cálculo. Recurso parcialmente provido. Em relação ao acórdão paradigma apontado como caracterizador da divergência, este apreciou a matéria nos seguintes termos: IRPF - REMUNERAÇÃO PAGA PELO PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO NO BRASIL. ISENÇÃO - Por força das disposições contidas na Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, cujos termos foram recepcionados pelo direito pátrio através do Decreto n° 27.784, de 16.02.50, os valores auferidos a título de rendimentos do trabalho pelo desempenho de funções especificas junto ao 3 Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento estão isentos do imposto de renda brasileiro. Recurso provido Do confronto das ementas acima referidas, tem-se que o acórdão recorrido concluiu pela incidência do imposto de renda sobre a remuneração auferida junto a Organismo Internacional relativa à prestação de serviço contratado em território nacional e o acórdão paradigma pela não incidência. Desta forma, fica caracterizada a divergência, razão pela qual admito o Recurso Especial e passo ao exame do mérito. Quanto ao mérito, o litígio versa sobre exigência de IRPF sobre valores recebidos por serviços prestados em território brasileiro a organismo internacional (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura — UNESCO/ONU), declarados como rendimentos isentos, esta Quarta Tullna da Câmara Superior, em decisões anteriores, adotou o entendimento constante do acórdão n° 104-20.451 de 23/02/2005, em que foi relatora a ilustre Conselheira Maria Helena Cota Cardoso, "in verbis": " (.) A solução da lide requer a análise sistemática de toda a legislação que rege a matéria, e não apenas a invocação de alguns dispositivos legais que, citados de forma isolada, podem induzir o Julgador a uma conclusão precipitada, divorciada da 'ultima ratio' que norteia a concessão da isenção em tela. O artigo 5° da Lei n°4.506/64, reproduzido no artigo 23 do RIR/94 e no artigo 22 do RIR/99, assim estabelece: 'Art. 5 0 Estão isentos do imposto os rendimentos do trabalho auferidos por: 1- Servidores diplomáticos de governos estrangeiros; II - Servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte e aos quais se tenha obrigado, por tratado ou convênio, a conceder isenção; III - Servidor não brasileiro de embaixada, consulado e repartições oficiais de outros países no Brasil, desde que no país de sua nacionalidade seja assegurado igual tratamento a brasileiros que ali exerçam idênticas funções. Parágrafo único. As pessoas referidas nos itens II e Ill deste artigo serão contribuintes como residentes no estrangeiro em relação a outros rendimentos produzidos no país.' Quanto aos incisos I e III, não há dúvida de que são dirigidos a estrangeiros, sejam eles servidores diplomáticos, de embaixadas, de consulados ou de repartições de outros países. No que tange ao inciso II, este menciona genericamente os 'servidores de organismos internacionais', nada esclarecendo sobre o seu domicílio, o que conduz a uma conclusão precipitada de que dito dispositivo incluiria os domiciliados no Brasil. Entretanto, o parágrafo único do artigo em tela faz cair por terra tal interpretação, quando determina que, relativamente aos demais 4 Processo n° 14041.000505/2005-15 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.738 Fl. 4 rendimentos produzidos no Brasil, os servidores citados no inciso II são contribuintes como residentes no estrangeiro. Ora, não haveria qualquer sentido em determinar-se que um cidadão brasileiro, domiciliado no País, tributasse rendimentos como sendo residente no exterior, donde se conclui que o inciso II, ao contrário do que à primeira vista pareceria, também não abrange os domiciliados no Brasil. Assim, fica demonstrado que o art. 5° da Lei n°4.506/64, acima transcrito, não contempla a situação do Recorrente — brasileiro residente no Brasil. Ainda que pudesse ser aplicado a um nacional residente no País — o que se admite apenas para argumentar —, o dispositivo legal em foco é claro ao determinar que a isenção concedida aos servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte tem de estar prevista em tratado ou convênio. Nesse passo, tratando-se de rendimentos pagos pelo P1VUD — Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, verifica-se a existência do 'Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica', promulgado pelo Decreto n°59.308, de 23/09/1966, que assim prevê: ARTIGO V Facilidades, Privilégios e Imunidades I. O Governo, caso ainda não esteja obrigado afazê-lo, aplicará aos Organismos, a seus bens, fundo e haveres, bem como a seus funcionários, inclusive peritos de assistência técnica: a) com respeito à Organização das Nações Unidas, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas '; b) com respeito às Agências Especializadas, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas '; c) com respeito à Agência Internacional de Energia Atômica o 'Acordo sobre Privilégios e Imunidades da Agência Internacional de Energia Atômica' ou, enquanto tal Acordo não for aprovado pelo Brasil, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas (grifei) Ressalte-se que o PNUD é um programa das Nações Unidas, e não uma das suas Agências Especializadas que, conforme a própria 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas', são: Organização Internacional do Trabalho, Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, Organização Mundial de Saúde, Associação Internacional de Desenvolvimento, Corporação Financeira Internacional, Fundo Monetário Internacional, Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento, Organização de Aviação Civil Internacional, União Internacional dei c- 5 Telecomunicações, União Postal Universal, Organização Meteorológica Mundial e Organização Marítima Consultiva Intergovernamental. Sendo o PNUD um programa específico da Organização das Nações Unidas, as respectivas facilidades, privilégios e imunidades devem seguir os ditames, conforme comando do artigo Via, acima, da 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas'. Esta, por sua vez, foi firmada em Londres, em 13/02/1946, e promulgada pelo Decreto n° 27.784, de 16/02/1950. Dita Convenção assim prevê: 'ARTIGO V Funcionários Seção 17. O Secretário Geral determinará as categorias dos funcionários aos quais se aplicam as disposições do presente artigo assim como as do artigo VII Submeterá a lista dessas categorias à Assembléia Geral e, em seguida, dará conhecimento aos Governos de todos os Membros. O nome dos funcionários compreendidos nas referidas categorias serão comunicados periodicamente aos Governos dos Membros. Seção 18. Os funcionários da Organização das Nações Unidas: a) gozarão de imunidades de jurisdição para os atos praticados no exercício de suas funções oficiais (inclusive seus pronunciamentos verbais e escritos); b) serão isentos de qualquer imposto sobre os salários e emolumentos recebidos das Nações Unidas; c) serão isentos de todas as obrigações referentes ao sei-viço nacional; d) não serão submetidos, assim como suas esposas e demais pessoas da família que deles dependam, às restrições imigratórias e às formalidades de registro de estrangeiros; e) usufruirão, no que diz respeito à facilidades cambiais, dos • mesmos privilégios que os funcionários, de equivalente categoria, pertencentes às Missões Diplomáticas acreditadas junto ao Governo interessado; fi gozarão, assim como suas esposas e demais pessoas da família que deles dependam, das mesmas facilidades de repatriamento que os funcionários diplomáticos em tempo de crise internacional; g) gozarão do direito de importar, livre de direitos, o mobiliário e seus bens de uso pessoal quando da primeira instalação no país interessado. 6 Processo n° 14041.000505/2005-15 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.738 Fl. 5 Seção 19. Além dos privilégios e imunidades previstos na Seção 13, o Secretário Geral e todos os sub-secretários gerais, tanto no que lhes diz respeito pessoalmente, como no que se refere a seus cônjuges e filhos menores gozarão dos privilégios, imunidades, isenções e facilidades concedidas, de acordo com o direito internacional, aos agentes diplomáticos. '(grifei) De plano, verifica-se que a isenção de impostos sobre salários e emolumentos é dirigida a funcionários da ONU e encontra-se no bojo de diversas outras vantagens, a saber: imunidade de jurisdição; isenção de serviço militar; facilidades imigratórias e de registro de estrangeiros, inclusive para sua família; privilégios cambiais equivalentes aos funcionários de missões diplomáticas; facilidades de repatriamento idênticas às dos funcionários diplomáticos, em tempo de crise internacional; liberdade de importação de mobiliário e bens de uso pessoal, quando da primeira instalação no país interessado. Embora a Convenção ora enfocada utilize a expressão genérica funcionários, a simples leitura do conjunto de privilégios nela elencados permite concluir que o termo não abrange o funcionário brasileiro, residente no Brasil e aqui recrutado. Isso porque não haveria qualquer sentido em conceder-se a um brasileiro residente no País, benefícios tais como facilidades imigratórios e de registro de estrangeiros, privilégios cambiais, facilidades de repatriamento e liberdade de importação de mobiliário e bens de uso pessoal quando da primeira instalação no País. Assim, fica claro que as vantagens e isenções — inclusive do imposto sobre salários e emolumentos — relacionadas no artigo V da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas não são dirigidas aos brasileiros residentes no Brasil, restando perquirir-se sobre que categorias de funcionários seriam beneficiárias de tais facilidades. A resposta se encontra no próprio artigo V da Convenção da ONU, na Seção 17, que a seguir se recorda: 'ARTIGO V Funcionários Seção 17. O Secretário Geral determinará as categorias dos funcionários aos quais se aplicam as disposições do presente artigo assim como as do artigo VII. Submeterá a lista dessas categorias à Assembléia Geral e, em seguida, dará conhecimento aos Governos de todos os Membros. O nome dos funcionários compreendidos nas referidas categorias serão comunicados periodicamente aos Governos dos Membros.' A exigência de tal formalidade, aliada ao conjunto de beneficios de que se cuida, não deixa dúvidas de que o funcionário a que se refere o artigo V da Convenção da ONU — e que no inciso lido art. 5 0 da Lei n° 4.506/64 é chamado de servidor — é o funcionário internacional, integrante dos quadros da ONUÍ / le n.7 com vínculo estatutário, e não apenas contratual. Portanto, não fazem jus às facilidades, privilégios e imunidades relacionados no artigo V da Convenção da ONU os técnicos contratados, seja por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. Destarte, verifica-se que o artigo V da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas harmoniza-se perfeitamente com o Inciso II, do art. 5 0, da Lei n° 4.506/64 (transcrito no início deste voto), já que ambos prevêem isenção do imposto de renda apenas para os não residentes no Brasil. Com efeito, conjugando-se esses dois comandos legais, conclui-se que os servidores/funcionários neles mencionados são aqueles funcionários internacionais, em relação aos quais é perfeitamente cabível a tributação de outros rendimentos produzidos no País como de residentes no estrangeiro, bem como a concessão de facilidades imigratórias, de registro de estrangeiros, cambiais, de repatriamento e de importação de mobiliário/bens de uso pessoal quando da primeira instalação no Brasil. Afinal, esses funcionários não são residentes no País, daí a justificativa para esse tratamento diferenciado. Quanto aos técnicos brasileiros, residentes no Brasil e aqui recrutados, não há qualquer fundamento legal ou mesmo lógico para que usufruam das mesmas vantagens relacionadas no artigo V da Convenção da ONU, muito menos para que seja pinçado, dentre os diversos beneficios, o da isenção de imposto sobre salários e emolumentos, com o escopo de aplicar-se este — e somente este — a ditos técnicos. Tal procedimento estaria referendando a criação — à margem da legislação — de uma categoria de fimcionários da ONU não enquadrável em nenhuma das existentes, a saber os 'técnicos residentes no Brasil isentos de imposto de renda', o que de forma alguma pode ser admitido. Corroborando esse entendimento, o artigo VI da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas assim dispõe: 'ARTIGO VI Técnicos a serviço das Nações Unidas Seção 22. Os técnicos (independentes dos funcionários compreendidos no artigo quando a serviço das Nações Unidas, gozam enquanto em exercício de suas funções, incluindo- se o tempo de viagem, dos privilégios ou imunidades necessárias para o desempenho de suas missões. Gozam, em particular, dos privilégios e imunidades seguintes: a) imunidade de prisão pessoal ou de detenção e apreensão de suas bagagens pessoais; b) imunidade de toda ação legal no que concerne aos atos por eles praticados no desempenho de suas missões (compreendendo- se os pronunciamentos verbais e escritos). Esta imunidade continuará a lhes ser concedida mesmo depois que os indivíduos em questão tenham terminado suas funções junto à Organização das Nações Unidas. c) inviolabilidade de todos os papéis e documentos; 8 Processo n° 14041.000505/2005-15 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.738 Fl. 6 d) direito de usar códigos e de receber documentos e correspondências em malas invioláveis para suas comunicações com a Organização das Nações Unidas; e) as mesmas facilidades, no que toca a regulamentação monetária ou cambial, concedidas aos representantes dos governos estrangeiros em missão oficial temporária. no que diz respeito a suas bagagens pessoais as mesmas imunidades e facilidades concedidas aos agentes diplomáticos. Seção 23. Os privilégios e imunidades são concedidos aos técnicos no interesse da Organização das Nações Unidas e não para que aufiram vantagens pessoais. O Secretário Geral poderá e deverá suspender a imunidade concedida a um técnico sempre que, a seu juízo impeçam a justiça de seguir seus trâmites e quando possa ser suspensa sem trazer prejuízo aos interesses da Organização.' Como se vê, a isenção de impostos sobre salários e emolumentos não consta — e nem poderia constar — da relação de benefícios concedidos aos técnicos a serviço das Nações Unidas. Constata-se, assim, a existência de um quadro de funcionários internacionais estatutários da ONU, que goza de um conjunto de benefícios, dentre os quais o de isenção de imposto sobre salários e emolumentos, em contraposição a uma categoria de técnicos que, ainda que possuindo vínculo contratual permanente, não é albergada por esses benefícios. Tal constatação é corroborada pela melhor doutrina, aqui representada por Celso D. de Albuquerque Mello, no seu 'Curso de Direito Internacional Público' (11a edição, Rio de Janeiro: Renovar, 1997, pp. 723a 729): 'Os funcionários internacionais são um produto da administração internacional, que só se desenvolveu com as organizações internacionais. Estas, como já vimos, possuem um estatuto interno que rege os seus órgãos e as relações entre elas e os seus funcionários. Tal fenômeno fez com que os seus funcionários aparecessem como uma categoria especial, porque eles dependiam da organização internacional, bem como o seu estatuto jurídico era próprio. Surgia assim uma categoria de funcionários que não dependia de qualquer Estado individualmente. Os funcionários internacionais constituem uma categoria dos agentes e são aqueles que se dedicam exclusivamente a uma organização internacional de modo permanente. Podemos defini- los como sendo os indivíduos que exercem funções de interesse internacional, subordinados a um organismo internacional e .7 dotados de um estatuto próprio. 9 • O verdadeiro elemento que caracteriza o funcionário internacional é o aspecto internacional da função que ele . desempenha, isto é, ela visa a atender às necessidades internacionais e foi estabelecida internacionalmente. (.) A admissão dos funcionários internacionais é feita pela própria organização internacional sem interferência dos Estados Membros. (.) O funcionário é admitido na ONU para um estágio probatório de dois anos, prorrogável por mais um ano. Depois disto, há a nomeação a título permanente, que é revista após 5 anos. (.) A situação jurídica dos funcionários internacionais é estatutária e não contratual (..) Já na ONU o estatuto do pessoal (entrou em vigor em 1952) fala em nomeação, reconhecendo, portanto, a situação estatutária dos seus funcionários. Este regime estatutário foi reconhecido pelo Tribunal Administrativo das Nações Unidas, mas que o amenizou, considerando que os funcionários tinham certos direitos adquiridos (ex.: a vencimentos). (..) Os funcionários internacionais, como todo e qualquer funcionário público, possuem direitos e deveres. (..) Os funcionários internacionais, para bem desempenharem as suas funções, com independência, gozam de privilégios e imunidades semelhantes às dos agentes diplomáticos. Todavia, tais imunidades diplomáticas só são concedidas para os mais altos funcionários internacionais (secretário-geral, secretários- adjuntos, diretores-gerais etc.). É o Secretário-Geral da ONU quem declara quais são os funcionários que gozam destes privilégios e imunidades. Cabe ao Secretário-Geral determinar quais as categorias de funcionários da ONU que gozarão de privilégios e imunidades. A lista destas categorias será submetida à Assembléia Geral e 'os nomes dos funcionários compreendidos nas referidas categorias serão comunicados periodicamente aos governos membros'. Os privilégios e imunidades são os seguintes: a) 'imunidade de jurisdição para os atos praticados no exercício de suas funções oficiais ' ; b) isenção de impostos sobre salários; c) a esposa e dependentes não estão sujeitos a restrições imigratórias e registro de estrangeiros; d) isenção de prestação de serviços; e) facilidades de câmbio como as das missões diplomáticas; ,D facilidades de repatriamento, como as missões diplomáticas, em caso de crise internacional, estendidas à esposa e dependentes; g) direito de importar, livre de direitos, 'o mobiliário e seus bens de uso pessoal quando da primeira instalação no país interessado'. io Processo n° 14041.000505/2005-15 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.738 Fl. 7 Além dos privilégios e imunidades acima, o Secretário-geral e os subsecretários-gerais, bem como suas esposas e filhos menores, 'gozarão dos privilégios, imunidades, isenções e facilidades concedidas, de acordo com o direito internacional, aos agentes diplomáticos'. Os técnicos a serviço da ONU, mas que não sejam funcionários internacionais, gozam dos seguintes privilégios e imunidades: a) 'imunidade de prisão pessoal ou de detenção e apreensão de suas bagagens pessoais' ; b) 'imunidade de toda ação legal no que concerne aos atos por eles praticados no desempenho de suas funções' ; c) 'inviolabilidade de todos os papéis e documentos; d) 'direito de usar códigos e de receber documentos e correspondência em malas invioláveis' para se comunicar com a ONU; e) facilidades de câmbio; quanto às 'bagagens pessoais, as mesmas imunidades e facilidades concedidas aos agentes diplomáticos'. (grifei) Como se pode constatar, a doutrina mais abalizada, acima colacionada, não só reconhece a existência, dentro da ONU, de dois grupos distintos —funcionários internacionais e técnicos a serviço do Organismo — como identifica o conjunto de beneficios com que cada um dos grupos é contemplado, deixando patente que a isenção de impostos sobre salários e emolumentos não figura dentre os privilégios e imunidades concedidos aos técnicos a serviço da ONU que não sejam funcionários internacionais. Diante do exposto, constatando-se que o interessado não é funcionário internacional pertencente ao quadro estatutário da ONU, incluído em lista fornecida pelo seu Secretário-Geral, mas sim técnico residente no Brasil, a serviço do PNUD, não há como conceder-lhe a isenção pleiteada (.)." Aos fundamentos acima transcritos, que se aplicam integralmente ao presente litígio, nada merecer ser acrescentado. Com tais considerações, tendo em vista a jurisprudência unifoline da CSRF, compartilho do entendimento de que não há fundamentos legais que justifiquem a não incidência sobre os rendimentos percebidos pelo contribuinte de organismo internacional, em decorrência de prestação de serviço de natureza contratual. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte, para manter a exigência tributária. Moises Giacomell slíva - Relator 11
score : 1.0
Numero do processo: 10314.003911/2006-11
Data da sessão: Fri Apr 30 00:00:00 UTC 2010
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
A constatação da configuração das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais dá-se o provimento dos embargos de declaração.
Numero da decisão: 3201-000.445
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, conhecer e dar provimento nos embargos de declaração, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Mércia Helena Trajano D'amorim
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ;11..,11-,--74: .-,-",),', •-, - TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10314.003911/2006-11 Recurso n° 138.823 Embargos Acórdão n° 3201-00.445 - r Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 30 de abril de 2010 Matéria CONVERSÃO DE MULTA Embargante PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL Interessado LVMH FASHION GROUP BRASIL LTDA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO A constatação da configuração das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais dá-se o provimento dos embargos de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2' Câmara / P Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, conhecer e dar provimento nos embargos de declaração, nos termos do voto da relatora. , e dr C451-....• JUDITH 90 • A , I, MARCONDES A • s 'DO Pr den - () - )1,01iL -. P ' P(2,421.a ' ‘CC) t C IA E-Éj,t)d) ' • • O D'MVIORIM Pr Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, Mércia Helena Trajano D Amorim, Tatiana Midori Migiyama (Suplente) e Marcelo Ribeiro Nogueira. 1,,,777) 1 Processo n° 10314.003911/2006-11 53-C211 Acórdão n.° 3201-00.445 E. 1.222 Relatório A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou às fls. 1217/1218, Embargos de Declaração ao Acórdão ri8 3102-00.202, prolatado na sessão de 20 de maio de 2009, por entender ter ocorrido erro material, tomando contraditória a proclamação do resultado. A ementa do referido acórdão, que transcrevo abaixo, dispõe: ASSUNTO: IMPORTAÇÃO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. FATO GERADOR: 10/04/2006 Incabível a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria pela impossibilidade de sua apreensão, tendo em vista concessão de medida liminar em Mandado de Segurança. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. A oposição dos Embargos baseia-se no entendimento da PFN, que o acórdão ora recorrido padece, de erro material, na proclamação do resultado do julgamento, consubstanciado na expressão "que votaram pela conclusão", à E. 1207, conforme abaixo: "Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Corintho Oliveira Machado e Marcelo RibeiroNogueira que votaram pela conclusão, apresentará declaração de voto no tocante ao mérito a Conselheira Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro." Pelo exposto e por tudo o mais que do processo consta, a PFN entende que o provimento do recurso voluntário do contribuinte se deu por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Codntho Oliveira Machado e Marcelo RibeiroNogueira, não havendo de se cogitar da existência de votação pelas conclusões. Logo, a União requer o esclarecimento da questão ora abordada, pois o referido erro material, conduz à falsa idéia de que o julgamento poderia ter sido proferido por unanimidade de votos, tomando, por sua vez, contraditória a proclamação do resultado, além de comprometer a futura admissibilidade do recurso especial. i O processo foi redistribuído a esta Conselheira para prosseguimento. i É o relatório. 2 Processo n° 10314003911/2006-li S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.445 Fl, 1.223 Voto Conselheira MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM, Relatora Passo ao exame dos embargos, sobre os quais manifesto-me, transcrevendo os arts. 64, inc. I e 65, §1°, do Regimento Interno dos Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria 256/2009, dispõem, verbis: "Art. 64. Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis os seguintes recursos: 1- Embargos de Declaração; e Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. § I° Os embargos de declaração poderão ser intelpostos por conselheiro da turma, pelo Procurador da Fazenda Nacional, pelos Delegados de Julgamento, pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou pelo recorrente, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Câmara, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão." A emhargante entende existir contradição no referido Acórdão, tendo em vista erro material, devido a expressão " que votaram pela conclusão", à fl. 1207, cujo resultado do julgamento, dispõe: "Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Corintho Oliveira Machado e Marcelo RibeiroNogueira que votaram pela conclusão, apresentará declara çâo de voto no tocante ao mérito a Conselheira Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castra" A situação fática é que houve erro na votação, e a consequência traduzido no resultado do julgamento, deve ser: "Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado que i negava. O Conselheiro Marcelo RibeiroNogueira votou pela conclusão, acompanhando a 3 Processo n° 10314.003911/2006-11 S3-C2T1 Acórdão n.°3201-00.445 Fl. 1.224 relatora. Apresentará declaração de voto no tocante ao mérito a Conselheira Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro." Cabe razão a PFN, tendo em vista que o resultado do julgamento não foi dar provimento ao recurso voluntário, proferido por unanimidade de votos, e sim por maioria de votos. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado que negava e pela conclusão, acompanhando a relatora, ai sim, o Conselheiro Marcelo RibeiroNogueira. Logo, a consequência é que o julgamento foi dar provimento ao recurso voluntário, por maioria. Diante do exposto, acolho os embargos, pois se enquadram numa das hipóteses do art. 65: por possuir a característica de contradição; razão pela qual voto por dar provimento aos embargos. Sala das Sessões, em 30 de abril de 2010. , -E1C-Clik' 4° ''. 13/ 'AMOR-à"Pt, 4
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Numero do processo: 10580.004321/2007-38
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1996 a 28/02/2006
DECADÊNCIA. SUMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. PRAZOS DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Tratando-se de cumprimento de obrigação acessória, aplica-se o prazo previsto no artigo 173, inciso I, do CTN.
EMISSÃO DE COMUNICADO DE ACIDENTE DO TRABALHO.
A emissão de CAT não está vinculada apenas quando surgirem ocorrências relacionadas a morte ou a perda ou redução permanente ou temporária da capacidade para o trabalho, mas em qualquer acidente do trabalho, como previa o inciso VII, do artigo 381 da Instrução Normativa MPA/SRP nº 03/2005.
Numero da decisão: 2301-003.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir da autuação, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, os fatos geradores ocorridos até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Daiane Ambrosino OAB: 294.123/SP.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/1996 a 28/02/2006 DECADÊNCIA. SUMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. PRAZOS DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Tratando-se de cumprimento de obrigação acessória, aplica-se o prazo previsto no artigo 173, inciso I, do CTN. EMISSÃO DE COMUNICADO DE ACIDENTE DO TRABALHO. A emissão de CAT não está vinculada apenas quando surgirem ocorrências relacionadas a morte ou a perda ou redução permanente ou temporária da capacidade para o trabalho, mas em qualquer acidente do trabalho, como previa o inciso VII, do artigo 381 da Instrução Normativa MPA/SRP nº 03/2005.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir da autuação, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, os fatos geradores ocorridos até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Daiane Ambrosino OAB: 294.123/SP. Marcelo Oliveira - Presidente. Adriano Gonzales Silvério - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
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SUMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. PRAZOS DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Tratandose de cumprimento de obrigação acessória, aplicase o prazo previsto no artigo 173, inciso I, do CTN. EMISSÃO DE COMUNICADO DE ACIDENTE DO TRABALHO. A emissão de CAT não está vinculada apenas quando surgirem ocorrências relacionadas a morte ou a perda ou redução permanente ou temporária da capacidade para o trabalho, mas em qualquer acidente do trabalho, como previa o inciso VII, do artigo 381 da Instrução Normativa MPA/SRP nº 03/2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir da autuação, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, os fatos geradores ocorridos até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Daiane Ambrosino OAB: 294.123/SP. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 43 21 /2 00 7- 38 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 23/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Relatório Tratase de Auto de Infração nº 37.059.5319, cientificado ao contribuinte em 27/12/2006, o qual exige multa por deixar a empresa de comunicar a Previdência Social, por meio de Comunicação de Acidente do Trabalho (CAT), os acidentes ocorridos com os segurados apontados no relatório fiscal. A ora recorrente, devidamente intimada, apresentou sua impugnação alegando a decadência do direito do Fisco constituir seus créditos tributários, bem como que não há necessidade de emissão de CAT para acidentes que não ocasionem a morte ou a redução da capacidade para o trabalho. A DRJ de Salvador julgou improcedente a impugnação, mantendo, assim, o crédito lançado no auto de infração. A autuada apresentou recurso voluntário renovando os argumentos deduzidos anteriormente. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso reúne as condições de admissibilidade e dele conheço. Decadência Por se tratar a decadência de matéria cujo reconhecimento prejudica o mérito da demanda administrativa, passo apreciar esse tema em sede de preliminar. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 23/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10580.004321/200738 Acórdão n.º 2301003.604 S2C3T1 Fl. 134 3 De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. O Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 5596664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8212/91. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 na respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconst6itucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. Afastado, pois, o prazo previsto originalmente no citado artigo 45, cabe agora verificar o prazo aplicável, se aquele do 150, § 4º ou 173, inciso I, ambos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Temos adotado a posição doutrinária e jurisprudencial no sentido de que havendo pagamento antecipado por parte do contribuinte, em relação ao fato gerador posto em discussão, deve incidir o prazo decadencial qüinqüenal previsto no mencionado artigo 150, § 4º. Nesse sentido a decisão proferida pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, na sistemática Fl. 161DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 23/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 de recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 973.733/SC, a qual deve ser atendida, por força do disposto no artigo 62A Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). Fl. 162DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 23/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10580.004321/200738 Acórdão n.º 2301003.604 S2C3T1 Fl. 135 5 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.” No caso dos autos, não há que se analisar o prazo decadencial previsto no arigo 150, § 4º do CTN, haja vista que os presentes autos versam sobre descumprimento de obrigação acessória e não de pagamento de tributo, sujeito à atividade homologatória por parte do Fisco. Assim, há de se reconhecer a decadência parcial para aplicar ao caso o artigo 173, inciso I, do CTN. Sabendose que a recorrente foi intimada da autuação em 27/12/2006, verificase que está decaído o período até 11/2001. Em relação ao mérito, verificase que os acidentes ocorridos realmente não geraram morte ou a perda ou redução permanente ou temporária da capacidade para o trabalho, nos termos do artigo 19 da Lei nº 8.213/91. Não obstante a emissão da CAT não está vinculada apenas quando surgirem ocorrências dessa natureza, mas em qualquer acidente do trabalho, como previa o inciso VII, do artigo 381 da Instrução Normativa MPA/SRP nº 03/2005, vigente à época dos fatos: “Art. 381. A existência ou não de riscos ambientais em níveis ou concentrações que prejudiquem a saúde ou a integridade fisica do trabalhador será comprovada mediante a apresentação dos seguintes documentos, dentre outros, que deverão respaldar as informações prestadas em GFIP: (...) VII Comunicação de Acidente do Trabalho CAT, que é o documento que registra o acidente do trabalho, a ocorrência ou o agravamento de doença ocupacional, mesmo que não tenha sido determinado o afastamento do trabalho, conforme previsto nos arts. 19 a 23 da Lei n° 8.213, de 1991, e nas NR7 e NR15, ambas do MTE, sendo seu registro fundamental para a geração de análises estatísticas que determinam a morbidade e mortalidade nas empresas e para a adoção das medidas preventivas e repressivas cabíveis.” Ademais, como bem observado pela decisão recorrida, os registros dos acidentes relatados nas Atas da Cipa, estão intimamente ligados ao trabalho realizados pelos segurados, conforme excerto a seguir: Fl. 163DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 23/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 “São os acidentes documentados no Livro de Atas da CIPA: Manoel levou um choque; Severino relata que caiu soda caustica no olho; Jorge Pires queimou as coxas com o maçarico; corte no braço de Manuel Messias; Clebio teve corte no ombro; Paulo foi pegar saco com aproximadamente 5 mil préformas e deu problema na coluna; Jorge Luiz Araújo passou mal com vazamento de amônia; e Jailson da Produção teve acidente grave, estando registrado na ata que foi descrito na reunião o modo como foi feito o socorro, já que a ambulância estava no conserto.” Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para acolher a decadência, nos termos do artigo 173, inciso I, sendo, no mais, mantida a autuação. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 164DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 23/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 10247.000009/2008-47
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
INSUMO. DELIMITAÇÃO DO CONCEITO
Para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o termo "insumo" não abrange qualquer bem ou serviço que onere a atividade econômica da empresa. Nesse contexto, o termo “insumo” alcança exclusivamente o conjunto de bens ou serviços diretamente empregados no processo produtivo. Por outro lado, a destinação da mercadoria, à exportação ou ao mercado interno, não estende o conceito de insumo a bens e serviços diversos dos diretamente empregados no processo produtivo.
FORMAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE FLORESTAS
Gastos inerentes ao plantio e manutenção de florestas devem ser incorporados ao valor desse ativo, descabendo, portanto, computá-los como despesa.
EXTRAÇÃO
Os serviços necessários à extração da matéria-prima empregada no processo produtivo enquadram-se no conceito de insumo, para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social não-cumulativas.
FRETES E COMBUSTÍVEIS
Os fretes comprovadamente atrelados ao transporte dos insumos e dos produtos em industrialização incorporam-se ao seu custo e devem ser considerados para efeito de cálculo. Pelo mesmo raciocínio, os combustíveis comprovadamente empregados em tal finalidade devem receber o mesmo tratamento. Em sentido oposto, se não for trazida ao processo prova de que as despesas guardam relação com o processo produtivo, não há como se reconhecer o direito a crédito.
PARTES DE MÁQUINAS. TEMPO DE VIDA ÚTIL.
O tempo de vida útil de partes e peças de máquinas atreladas ao processo produtivo é essencial para a definição da metodologia de cálculo do crédito: se restar demonstrado que possuem vida útil inferior a um ano, o dispêndio associado à sua aquisição deverá ser considerado como insumo e, consequentemente, gerará direito a crédito. Em sentido oposto, se não for trazida ao processo prova do seu tempo de vida útil, não há como se reconhecer o direito a crédito, independentemente da metodologia empregada para sua contabilização.
SERVIÇOS ATRELADOS À MANUTENÇÃO DO PARQUE FABRIL
Despesas com serviços de manutenção, que só atingem o processo produtivo indiretamente, não se incluem no rol dos dispêndios capazes de gerar crédito, independentemente da possibilidade de serem contabilizadas como custo.
CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO.
Por expressa determinação legal, os créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativas, apurados quando da aquisição de produtos e serviços que serviram de insumo de produto exportado não estão sujeitos à correção pela taxa Selic.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 3102-01.148
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, para acolher os créditos calculados sobre gastos com corte, arraste, baldeio, traçamento e transporte da madeira, incorridos quando da sua extração. Vencida a Conselheira Nanci Gama, que também acolhia os créditos calculados em razão dos gastos na formação e manutenção de florestas, na manutenção das máquinas e do parque fabril e a correção monetária a partir da apresentação da PER/Dcomp, além do Conselheiro Álvaro Almeida Filho, que também acolhia os créditos calculados em razão dos gastos na formação e manutenção de florestas e na manutenção das máquinas e do parque fabril.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 INSUMO. DELIMITAÇÃO DO CONCEITO Para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o termo "insumo" não abrange qualquer bem ou serviço que onere a atividade econômica da empresa. Nesse contexto, o termo “insumo” alcança exclusivamente o conjunto de bens ou serviços diretamente empregados no processo produtivo. Por outro lado, a destinação da mercadoria, à exportação ou ao mercado interno, não estende o conceito de insumo a bens e serviços diversos dos diretamente empregados no processo produtivo. FORMAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE FLORESTAS Gastos inerentes ao plantio e manutenção de florestas devem ser incorporados ao valor desse ativo, descabendo, portanto, computá-los como despesa. EXTRAÇÃO Os serviços necessários à extração da matéria-prima empregada no processo produtivo enquadram-se no conceito de insumo, para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social não-cumulativas. FRETES E COMBUSTÍVEIS Os fretes comprovadamente atrelados ao transporte dos insumos e dos produtos em industrialização incorporam-se ao seu custo e devem ser considerados para efeito de cálculo. Pelo mesmo raciocínio, os combustíveis comprovadamente empregados em tal finalidade devem receber o mesmo tratamento. Em sentido oposto, se não for trazida ao processo prova de que as despesas guardam relação com o processo produtivo, não há como se reconhecer o direito a crédito. PARTES DE MÁQUINAS. TEMPO DE VIDA ÚTIL. O tempo de vida útil de partes e peças de máquinas atreladas ao processo produtivo é essencial para a definição da metodologia de cálculo do crédito: se restar demonstrado que possuem vida útil inferior a um ano, o dispêndio associado à sua aquisição deverá ser considerado como insumo e, consequentemente, gerará direito a crédito. Em sentido oposto, se não for trazida ao processo prova do seu tempo de vida útil, não há como se reconhecer o direito a crédito, independentemente da metodologia empregada para sua contabilização. SERVIÇOS ATRELADOS À MANUTENÇÃO DO PARQUE FABRIL Despesas com serviços de manutenção, que só atingem o processo produtivo indiretamente, não se incluem no rol dos dispêndios capazes de gerar crédito, independentemente da possibilidade de serem contabilizadas como custo. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. Por expressa determinação legal, os créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativas, apurados quando da aquisição de produtos e serviços que serviram de insumo de produto exportado não estão sujeitos à correção pela taxa Selic. Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
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DELIMITAÇÃO DO CONCEITO Para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o termo "insumo" não abrange qualquer bem ou serviço que onere a atividade econômica da empresa. Nesse contexto, o termo “insumo” alcança exclusivamente o conjunto de bens ou serviços diretamente empregados no processo produtivo. Por outro lado, a destinação da mercadoria, à exportação ou ao mercado interno, não estende o conceito de insumo a bens e serviços diversos dos diretamente empregados no processo produtivo. FORMAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE FLORESTAS Gastos inerentes ao plantio e manutenção de florestas devem ser incorporados ao valor desse ativo, descabendo, portanto, computálos como despesa. EXTRAÇÃO Os serviços necessários à extração da matériaprima empregada no processo produtivo enquadramse no conceito de insumo, para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social nãocumulativas. FRETES E COMBUSTÍVEIS Os fretes comprovadamente atrelados ao transporte dos insumos e dos produtos em industrialização incorporamse ao seu custo e devem ser considerados para efeito de cálculo. Pelo mesmo raciocínio, os combustíveis comprovadamente empregados em tal finalidade devem receber o mesmo tratamento. Fl. 367DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Em sentido oposto, se não for trazida ao processo prova de que as despesas guardam relação com o processo produtivo, não há como se reconhecer o direito a crédito. PARTES DE MÁQUINAS. TEMPO DE VIDA ÚTIL. O tempo de vida útil de partes e peças de máquinas atreladas ao processo produtivo é essencial para a definição da metodologia de cálculo do crédito: se restar demonstrado que possuem vida útil inferior a um ano, o dispêndio associado à sua aquisição deverá ser considerado como insumo e, consequentemente, gerará direito a crédito. Em sentido oposto, se não for trazida ao processo prova do seu tempo de vida útil, não há como se reconhecer o direito a crédito, independentemente da metodologia empregada para sua contabilização. SERVIÇOS ATRELADOS À MANUTENÇÃO DO PARQUE FABRIL Despesas com serviços de manutenção, que só atingem o processo produtivo indiretamente, não se incluem no rol dos dispêndios capazes de gerar crédito, independentemente da possibilidade de serem contabilizadas como custo. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. Por expressa determinação legal, os créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativas, apurados quando da aquisição de produtos e serviços que serviram de insumo de produto exportado não estão sujeitos à correção pela taxa Selic. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, para acolher os créditos calculados sobre gastos com corte, arraste, baldeio, traçamento e transporte da madeira, incorridos quando da sua extração. Vencida a Conselheira Nanci Gama, que também acolhia os créditos calculados em razão dos gastos na formação e manutenção de florestas, na manutenção das máquinas e do parque fabril e a correção monetária a partir da apresentação da PER/Dcomp, além do Conselheiro Álvaro Almeida Filho, que também acolhia os créditos calculados em razão dos gastos na formação e manutenção de florestas e na manutenção das máquinas e do parque fabril (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Mara Cristina Sifuentes, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Fl. 368DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000009/200847 Acórdão n.º 310201.148 S3C1T2 Fl. 352 3 Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos de COFINS NãoCumulativa, apurados no primeiro trimestre de 2007, no montante de R$ 3.489.226,69. A Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Monte Dourado, por intermédio do Despacho Decisório de fls. 180/196, deferiu parcialmente o pleito, indicando às fls. 193/195 os bens e serviços que cujo ingresso na base de cálculo dos créditos em questão não foi reconhecido. Irresignada com a decisão, de que tomou ciência em 25.08.2008 (fl. 198), a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade, em 23.09.2008 (fls. 208/221), a qual exibe o conteúdo que segue resumido: a) A glosa parcial dos créditos é absolutamente dessarrazoada, não só em virtude de uma interpretação sistemática da Lei n° 10.833/2003, como também pelo dispositivo contido no artigo 195, § 12, da Constituição Federal, que elimina toda e qualquer dúvida sobre o princípio da não cumulatividade aplicável de forma ampla e irrestrita à contribuição em tela. b) Apresenta síntese do seu processo produtivo e ressalta que, ao contrário de outras empresas do setor de celulose, em virtude de necessidades específicas e de estratégias de mercado, utiliza para sua produção matériasprimas produzidas por ela própria, eliminando assim uma etapa da cadeia básica do seu setor. Deste modo, ao invés de adquirir a madeira de terceiros, investiu e investe muito em sua floresta. Ocorre que, por isso, incorre em despesas de elevada monta para a sua manutenção, que se consubstanciam inegavelmente em insumos imprescindíveis à sua atividade agroindustrial de fabricação de celulose. c) Entende que os custos advindos do emprego de bens e serviços na sua atividade florestal enquadramse claramente no conceito de insumos para a produção da celulose que comercializa, devendo, portanto, ser admitidos como passíveis de creditamento na apuração da contribuição social em comento. A legislação permite que o contribuinte aproveite como créditos os valores de bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes. A celulose é obtida através da decomposição da madeira, por um processo físico químico. A madeira é a própria matériaprima essencial da celulose. A glosa dos produtos e serviços utilizados no plantio da madeira viola claramente o princípio da nãocumulatividade. Questiona se sua opção em produzir a própria matériaprima é fato que autoriza a sua discriminação. Conclui que o fato de ser uma empresa agroindustrial, de ter uma cadeia de produção maior que a maioria das demais empresas do setor, não autoriza a oneração de sua produção, mediante a tributação majorada do seu faturamento. Portanto, geram direito a crédito os custos havidos com os serviços e insumos florestais, sob pena de afronta às disposições contidas na Lei n° 10.833/2003 e violação aos princípios da igualdade e da nãocumulatividade. Refere Fl. 369DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 entendimento recente exarado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. d) A decisão ora impugnada desconsiderou o direito da defendente ao aproveitamento do crédito da contribuição calculado sobre serviços de transporte, na aquisição de combustível utilizado em sua própria frota de veículos, bem como a prestação de serviços contratados para a manutenção de seu parque fabril. e) A contratação de empresa que presta serviços de transporte é essencial às suas atividades, de maneira que podem ser considerados como insumos ensejadores da apuração dos créditos em pauta. Também o combustível utilizado para movimentar sua frota de veículos deve ser considerado na apuração dos créditos. f) Já com relação aos créditos apurados sobre os custos da prestação de serviços da manutenção do parque fabril, resta claro que sem a realização de tal manutenção, as atividades relacionadas à produção de celulose ficam seriamente prejudicadas. À medida que os serviços de manutenção são essenciais à atividade de produção realizada pela defendente, possuindo assim estrita relação com o processo produtivo da pasta de celulose, os créditos apurados da contribuição social sobre os respectivos custos incorridos devem também ser reconhecidos. Refere solução de consulta. g) Também não merece prosperar a glosa de valores relativos à aquisição de base de contrafaca, placas de desgaste, carimbos, lâminas de facas, pente inferior de picador, bigorna para picador, quebrador de cavaco e dos respectivos custos de frete. Tratamse de insumos utilizados diretamente na produção de celulose, que não foram incorporados ao ativo permanente e cuja vida útil não ultrapassa um ano. A recorrente sequer realiza a depreciação dos bens em questão. A IN SRF nº 404/2004 assegura o direito ao crédito sobre o custo de bens que se desgastam durante o processo produtivo. Por sua vez, a glosa dos créditos sobre o custo do frete relacionado a estes bens não se justifica pelas razões já expostas. h) A nãoaplicação da taxa Selic sobre os créditos da defendente anula o princípio da isonomia previsto no caput do artigo 5° da Carta Magna, uma vez que a RFB faz uso de tal taxa para a atualização de seus créditos. Refere julgados administrativos. i) Ratificando todos os argumentos até aqui apresentados, junta parecer jurídico elaborado pelo advogado Marco Aurélio Greco, que corrobora o entendimento da defendente sobre a questão jurídica em exame e encontrase às fls. 223/273. Em complementação ao laudo do processo produtivo florestal apresentado anteriormente, apresenta laudo complementar, no qual é realizada a discriminação detalhada deste processo e a utilização dos denominados insumos silviculturais (fls. 274/304). j) Abre mão do questionamento acerca do indeferimento dos créditos relacionados às operações de venda de água e energia elétrica aos habitantes da Vila de Monte Dourado. Fl. 370DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000009/200847 Acórdão n.º 310201.148 S3C1T2 Fl. 353 5 Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pelo indeferimento da manifestação de inconformidade, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo contribuinte, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do CTN. COFINS NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITO. Somente podem gerar créditos da Cofins as despesas com matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. JUROS COMPENSATÓRIOS. RESSARCIMENTO. Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção 1 Preliminarmente Demarcação do Litígio Antes de passar à análise dos fundamentos do recurso, entendo prudente demarcar a matéria litigiosa. Não há questão preliminar a ser enfrentada. Fl. 371DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 No mérito, a discussão limitase à possibilidade de apuração de créditos quando das seguintes despesas: a) produtos e serviços empregados na pesquisa, plantio, manutenção e extração de florestas; b) fretes e movimentação de insumos; c) combustível empregado na frota; d) aquisições de partes e peças com vida útil inferior a um ano, empregadas em máquinas incorporadas à linha de produção; e) outros produtos e serviços empregados na manutenção do parque fabril. Pleiteiase, ainda a correção dos créditos mediante a aplicação da taxa Selic, a partir da apresentação de Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). 2 Mérito 2.1 Regime Probatório Antes de passar à análise do mérito, entendo que é importante registrar a opinião deste relator no sentido de que a nãocumulatividade, diferentemente do que se tem corriqueiramente alegado, não representa um benefício. Entretanto, independentemente da aplicabilidade dos comandos do CTN afetos à hermenêutica dos dispositivos legais, no caso o art. 1111 ou à repartição do ônus da prova, no caso o art. 1792, não se pode olvidar que a apuração de créditos é um redutor do imposto a pagar e, como tal, uma circunstância impeditiva da formação da obrigação tributária. Consequentemente, nos litígios que envolvem essa matéria não se pode olvidar do comando do art. 333, do Código de Processo Civil3, aplicado subsidiariamente. Analisando tal distribuição, concluiu o professor Hugo de Brito Machado4 No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a 1 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. 2 Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. 3 Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. 4 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. Fl. 372DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000009/200847 Acórdão n.º 310201.148 S3C1T2 Fl. 354 7 exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado) Assim sendo, não vejo como atribuir exclusivamente ao fisco o dever de buscar elementos que infirmem as alegações do sujeito passivo. Cabe a este último, a meu ver, o dever de trazer ao processo os elementos que respaldem seu pleito. 2.2 Conceito de Insumo Outro ponto que merece ser demarcado preambularmente é a opinião deste relator acerca do conceito de insumo, para efeito de apuração de créditos do PIS e da Cofins não cumulativos. Como já tive oportunidade de me manifestar anteriormente, entendo que esse conceito não segue o mesmo viés que norteia a apuração de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados. Neste, privilegiase o critério físico, no caso do PIS e da Cofins, o da pertinência (ou inerência, se tomado o conceito doutrinário fixado no parecer juntado aos autos). Com efeito, a tributação pelo IPI, tem como fato gerador, regra geral, a saída do produto industrializado. Nada mais coerente, portanto, do que avaliar a qualificação do dispêndio (como insumo) em razão da sua relação com aquele produto. Lembrar, nessa senda, o que dizia o art. 164 do Regulamento do IPI vigente à época dos fatos litigiosos5 e que repete a redação de regulamentos anteriores e é repetida pelo que lhe sucedeu: Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; De se destacar, ademais, que a exegese desse dispositivo, tanto no âmbito do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, quanto do atual Conselho Administrativo de 5 Aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26/12/2002 Fl. 373DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 Recursos Fiscais, sempre levou em consideração as orientações do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979 10.1 Como o texto fala em ‘incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários’, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários ‘stricto sensu’, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. Por outro lado, quando se trata das contribuição para o PIS e a Cofins não cumulativas, incidentes sobre o faturamento, coerentemente, a meu ver, o legislador ampliou o universo dos dispêndios classificáveis como insumo, conforme se extrai do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, que repete a redação do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Como é possível perceber, de acordo com a legislação de regência, a relação do bem com o processo produtivo não seria medida exclusivamente em razão do produto, mas daquele processo. Evidentemente, isso não significa equiparar a insumo, para efeito de cálculo dos créditos de PIS e Cofins, toda e qualquer despesa ou custo inerente à atividade econômica, nem muito menos estender, por analogia, os conceitos fixados pela legislação que rege a apuração do Lucro Real, no caso, os artigos 249 e 250 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3000, de 1999. Com efeito, tal e qual se verifica com relação ao Imposto sobre Produtos Industrializados, tratase de fato gerador diverso (auferir lucro) e de base de cálculo formada sob uma sistemática igualmente diversa. Ademais, pedindo vênia ao sujeito passivo, registro minha opinião no sentido de que o texto do já transcrito art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, não dá margem para que se considere a “essencialidade” por si só como critério para a classificação do gasto como insumo. Mais uma vez, reafirmese, o dispositivo legal privilegia a relação de pertinência (ou inerência, segundo o parecer juntado aos autos) com o processo produtivo, não fazendo menção, salvo engano, à essencialidade do gasto. Nessa linha, entendo ser perfeitamente possível que determinado gasto, por alguma circunstância extrínseca ao processo produtivo, seja considerado essencial, mas que por não estar diretamente ligado àquele processo, não possa ser considerado insumo. Outro ponto sobre o qual não posso deixar de me manifestar é a interpretação fixada nos acórdãos trazidos ao processo. Fl. 374DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000009/200847 Acórdão n.º 310201.148 S3C1T2 Fl. 355 9 Mesmo reconhecendo a excelência do colegiado responsável, peço vênia para discordar da exegese assentada em tais acórdãos, pois entendo que o § 3º do art. 5º da Lei nº 10.833, de 20036 não autoriza a apuração de créditos a partir de todo e qualquer dispêndio vinculado à receita de exportação. Confirase, preambularmente, a redação do dispositivo: § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º. Em uma leitura isolada, poderseia concluir que o comando ampliou o rol de despesas passíveis de gerar direito a crédito: ao invés de limitálos aos bens e serviços empregados no processo produtivo, passara a admitir que toda e qualquer despesa vinculada à exportação conferisse tal direito. Ocorre que, a meu ver, esse parágrafo não pode interpretado sem a leitura demais parágrafos do mesmo art. 5º, em especial do 1º e do 2º, assim redigidos (original não destacado): § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Como é possível concluir, a apuração dos créditos aptos a usufruir do tratamento diferenciado conferido a empresas exportadoras, diferentemente do que se cogitou, deve ser realizada segundo os moldes do art. 3º da mesma Lei nº 10.833, de 2003, observando se, consequentemente, o critério fixado no já transcrito inciso II desse mesmo artigo. Finalmente, no que se refere a máquinas e equipamentos incorporados ao ativo permanente, o valor do crédito será apurado mediante aplicação das alíquotas da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os encargos de depreciação e amortização, conforme consignado no §1º, III do mesmo art. 3º: § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no art. 2º sobre o valor: (...) 6 Igualmente aplicável ao cálculo do PIS/Pasep por força do comando inserido no art. 15 da mesma lei. Fl. 375DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 10 III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; Em suma, para efeito da discussão que povoa o presente litígio, somente são passíveis de gerar crédito os bens e serviços utilizados no processo de fabricação e, no caso dos bens do ativo imobilizado, os valores de depreciação e amortização. Feitas tais considerações, passase à análise higidez das glosas. 2.3 Pesquisa, Plantio e Manutenção de Florestas Com a devida licença, penso que não há como reconhecer os gastos em questão como custo ou despesa, para efeito de cálculo do crédito do PIS e da Cofins não cumulativos. De fato, apesar de não concordar com a premissa de que os gastos na formação e manutenção de floresta estejam dissociados ao processo produtivo, não vejo como considerar esses gastos como despesa ou custo, na medida em que os mesmos se incorporam ao valor daquelas florestas, contabilmente classificadas no ativo imobilizado, nos termos do art. 183, V da Lei nº 6.404, de 1976: Art. 183 No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes critérios: (...) V os direitos classificados no imobilizado, pelo custo de aquisição, deduzido do saldo da respectiva conta de depreciação, amortização ou exaustão; Por outro lado, o § 2º, “c”, do mesmo art. 183 deixa claro que os valores investidos em tal ativo devem ser alvo de exaustão, na medida em que o bem seja explorado (original não destacado): § 2º A diminuição de valor dos elementos do ativo imobilizado será registrada periodicamente nas contas de: (...) c) exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua exploração, de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração. Ora, se representam um bem do ativo imobilizado, o valor da sua aquisição ou produção jamais será computado como despesa ou custo. Relembro o comando do no §1º, III do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Ou seja, tratandose de floresta, o custo a ser considerado é o valor da exaustão, calculada sobre o valor contábil do bem. Destaco, ainda, que eventual resistência do Fisco em admitir que se apurem créditos de PIS e Cofins a partir de tais custos, matéria estranha ao presente litígio, esclareça se, a meu ver, não desvirtua a natureza desses gastos. Ou seja, dispêndios que agreguem valor a determinado bem do ativo imobilizado, salvo expressa disposição legal em contrário, não representam um custo, mais um Fl. 376DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000009/200847 Acórdão n.º 310201.148 S3C1T2 Fl. 356 11 investimento, independentemente do tratamento tributário que posteriormente vier a ser conferido ao desgaste do bem. 2.4 Serviços Atrelados à Extração de Florestas Com base no que já foi debatido anteriormente, não vejo como rejeitar os créditos relativos aos serviços de corte, arraste, baldeio, traçamento, transporte e manuseio da madeira. Com efeito, tratandose de serviços atrelados aos produtos que servirão de matériaprima, seu emprego direto no processo produtivo da recorrente é inegável. Satisfeita tal condição, consequentemente, há que se reconhecer o direito ao crédito, nos termos do art. 3º, II, das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Por outro lado, a norma não dá margem para desconsiderar os gastos incorridos em etapa da produção que antecede a industrialização do produto. Basta fazer uma leitura isolada do dispositivo para concluir que se admitem créditos inerentes a insumos utilizados na produção (qualquer que seja o processo) e na industrialização. Ademais, no que se refere aos gastos com o transporte de insumos, a Solução de Consulta nº 210 SRRF/8ª RF, de 25 de junho de 2009 (D.O. U: de 07/07/2009 (original não destacado): Geram direito a créditos da Cofins apurada em regime não cumulativo os dispêndios com combustíveis e lubrificantes utilizados ou consumidos no processo de produção de bens e serviços, os dispêndios com a energia elétrica consumida estabelecimentos da pessoa jurídica, os dispêndios com armazenagem de mercadoria e os dispêndios com o frete pago na aquisição de insumos. O transporte de bens entre os estabelecimentos industriais da pessoa jurídica, desde que estejam estes em fase de industrialização, também enseja apuração de créditos da Cofins. Nessa ordem de consideração, acato os gastos incorridos com corte, arrasto, baldeio, taçamento mecanizado, transporte rodoviário, desdobramento, desgalhamento, manuseio, carga e descarga da madeira. 2.5 Combustível Empregado na Frota Própria. Na esteira do que exposto quando da análise do conceito de insumo, após compulsar os autos, em especial as planilhas onde são descritas as despesas com a aquisição de combustível, vêse que aquelas que se referem ao processo produtivo (óleo tipo BPF e para a Casa de Força), já foram aceitas pela Autoridade de Jurisdição. Restaria enfrentar, assim, a possibilidade de se apurar créditos quando da aquisição de combustíveis para a frota de veículos da recorrente. Como destacado anteriormente, os custos relativos à movimentação dos produtos em elaboração, que englobam, evidentemente, os combustíveis empregados na frota do contribuinte, em princípio, inseremse no rol dos insumos capazes de gerar crédito. Fl. 377DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 12 Em sentido diverso, tal tratamento não se estende aos combustíveis empregados em atividade diversa, como, por exemplo, o transporte de empregados ou de produtos industrializados entre estabelecimentos. Justamente em razão desse tratamento diferenciado em razão do emprego é que a apuração dos créditos não pode prescindir de uma escrituração que permita identificar o uso dado ao combustível. Assim, na medida em que não foi trazido ao processo qualquer elemento que demonstre qual foi o valor incorrido ou o quantitativo empregado como insumo e quais são utilizados em veículos que, se observado o texto da lei, não seriam utilizados em tal finalidade, não vejo como reconhecer os créditos atrelados à aquisição de combustíveis para a frota. 2.6 Partes e Peças Como é possível extrair do despacho decisório, mais especificamente no trecho à fl. 190, a autoridade de jurisdição acatou expressamente os créditos atrelados a bens que considerou possuir vida útil inferior a um ano. Confirase: Porém, foram consideradas, para cálculo de crédito, as partes de equipamento que têm contato direto com o produto, cujo tempo de vida seja inferior a um ano, com base no Parecer Normativo CST n° 02, de 15/02/84, e Art. 301 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 (Decreto n° 3.000/99). Encaixase nesta situação a contra faca, a faca para o picador, feltro úmido agulhado, grampo de fixação da faca, selo mecânico e telas (filtros). Mais adiante, esclarece a autoridade de jurisdição que, em face dos argumentos já expendidos quando da análise dos gastos na manutenção de florestas, foram glosados os créditos decorrentes das aquisições de partes de máquinas que julgou possuir vida útil superior a um ano. Com efeito, conforme já mencionado, penso que, em se tratando de dispêndios classificáveis no ativo permanente, o valor do crédito deverá ser calculado proporcionalmente ao montante depreciado. Até certo ponto corroborando com essa linha de argumentação, postula o sujeito passivo o reconhecimento do direito ao crédito com base na alegação de que, diferentemente do que concluíra o Fisco, os bens alvo de glosa possuiriam vida útil inferior a um ano. No intuito de demonstrar tal fato, aduz que os gastos correspondentes não foram contabilizados no ativo permanente. Ocorre que, diferentemente do que se verificou em outros recursos do mesmo contribuinte, onde foi acostada ao processo declaração do fornecedor, não foi juntado ao presente processo qualquer elemento adicional capaz de demonstrar qual seria a vida útil dos bens. Conforme me manifestei em outras oportunidades, não vejo como considerar que, isoladamente, a classificação contábil dos gastos seja meio de prova das alegações da Recorrente. Para cumprir tal desiderato a contabilização deveria estar amparada em elementos capazes de demonstrar a sua higidez. Fl. 378DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000009/200847 Acórdão n.º 310201.148 S3C1T2 Fl. 357 13 Quanto a esse aspecto, relembrese o que dispõe o art. 264 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3000, de 1999: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). Ante ao exposto, mantenho as glosas. 2.7 Manutenção do Parque Fabril Com a devida vênia, não vejo como considerar que a manutenção do parque fabril, independentemente da sua relevância para o exercício da atividade econômica, possa se inserir no conceito de insumo, para efeito de cálculo da contribuição alvo de discussão. Mais uma vez, há que se relembrar a delimitação imposta pelo inciso II do art. 3º: o crédito se limita aos bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos. Assim, na esteira do que já foi abordado anteriormente, não vejo como considerar as despesas com manutenção, que só atingem o processo produtivo indiretamente, no rol dos dispêndios capazes de gerar crédito, independentemente da possibilidade de serem contabilizadas como custo indireto. 2.8 Taxa Selic. Busca a contribuinte, finalmente, a correção monetária dos créditos a partir da data da formulação do pedido objeto do presente litígio, onde é pleiteado, relembrese, o ressarcimento do saldo credor remanescente àquele utilizado nos termos do § 1º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, onde se lê: Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. Com efeito, o § 2º do mesmo art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, prevê expressamente tal possibilidade: Fl. 379DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 14 § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Ocorre que, em pese a alegada violação aos princípios constitucionais expostos com maestria no parecer acostado ao processo, não vejo como, em nome de tais princípios, reconhecer a correção pleiteada. Para tanto, seria necessário afastar a proibição expressa gizada no art. 13 da mesma Lei nº 10.833, de 2003, onde se lê (original não destacado): Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Não vejo, outrossim, como aplicar no presente julgamento a interpretação assentada no REsp nº 1.035.847 / RS, julgado em sede de “Recurso Repetitivo”, disciplinado pelo art. 543C do Código de Processo Civil. Com efeito, como é cediço, por força no art. 62A do Regimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais7, este Colegiado deve reproduzir as decisões proferidas pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Entretanto, a matéria ali debatida, esclareçase, é a aplicação da correção monetária sobre créditos do IPI, apurados nos termos da Lei nº 9.779, de 1999, diploma que, sabidamente, não previu a incidência da Selic, mas também não proibiu tal incidência. Assim sendo, tratandose de arcabouço jurídico diverso, não vejo como reproduzir as conclusões daquela egrégia corte. 3 Conclusão Com essas considerações, dou parcial provimento ao recurso voluntário para acolher os créditos calculados sobre gastos com corte, arraste, baldeio, traçamento, transporte e manuseio da madeira, incorridos quando da sua extração Sala das Sessões, em 9 de agosto de 2011 Luis Marcelo Guerra de Castro 7 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 380DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000009/200847 Acórdão n.º 310201.148 S3C1T2 Fl. 358 15 Fl. 381DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 16349.000147/2007-83
Data da sessão: Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3302-000.078
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-01-10T09:37:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2483780_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2011-01-10T09:37:23Z; Last-Modified: 2011-01-10T09:37:23Z; dcterms:modified: 2011-01-10T09:37:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2483780_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:4761c61f-198d-465c-a83c-d9b1d1226082; Last-Save-Date: 2011-01-10T09:37:23Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2011-01-10T09:37:23Z; meta:save-date: 2011-01-10T09:37:23Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2483780_0.doc; modified: 2011-01-10T09:37:23Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2011-01-10T09:37:23Z; created: 2011-01-10T09:37:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2011-01-10T09:37:23Z; pdf:charsPerPage: 1515; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2011-01-10T09:37:23Z | Conteúdo => S3-C3T2 Fl. 1 1 S3-C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16349.000147/2007-83 Recurso nº 270.456 Resolução nº 3302-00.078 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 28 de outubro de 2010 Assunto Cofins Não-Cumulativa - PER Recorrente JBS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Walber José da Silva - Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário (fls. 98 a 122) apresentado em 18 de agosto de 2008 contra o Acórdão n o 16-17.706, de 04 de julho de 2008, da 9 a Turma de Julgamento da DRJ São Paulo I / SP (fls. 81 a 90), cientificado em 18 de julho de 2008, que, relativamente a pedido eletrônico de ressarcimento de Cofins não cumulativa do 3 o trimestre de 2006, indeferiu a solicitação da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Fl. 614DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/01/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 10/01/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 10/01/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16349.000147/2007-83 Resolução n.º 3302-00.078 S3-C3T2 Fl. 2 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 NULIDADE. Satisfeitos os requisitos do Decreto no 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo diploma legal, não há que se falar em anulação ou invalidação do Despacho Decisório. DETERMINAÇÃO JUDICIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. A liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança no 2007.61.00.005209-3 determinou que o que o Delegado da DERAT/SPO apreciasse os pedidos de ressarcimento no prazo de 30 dias, conforme requerido pelo impetrante. Autoridade a quo seguiu a determinação judicial, que não comporta interpretação diversa. RESSARCIMENTO. COFINS NÃO-CUMULATIVO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A não comprovação pelo contribuinte do crédito pleiteado enseja o indeferimento do pedido de ressarcimento. Nos termos do art. 36 da lei no 9.784/99, cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Solicitação indeferida O pedido foi apresentado em 28 de novembro de 2006 e, à vista da demora na apreciação do pedido, em 2007, a Interessada apresentou mandado de segurança, com pedido de liminar, “que pleiteia a apreciação e conclusão de pedidos de ressarcimento referentes aos documentos de n os 31387.44992.281106.1.1.08-3132, 15880.03519.281106.1.L09-5510; 21627.12028.160107.1.1.08-1284 e 17255.56497.160107.1.1.09-5136, que estariam indevidamente sem análise pela Administração, até o presente momento”, nos termos da medida liminar concedida, que estabaleceu o prazo de trinta dias para decisão (processo judicial n o 2007.61.00.005209-3), nos processos administrativos n os 16349.000146/2007-39, 16349.000148/2007-28, 16349.000147/2007-83 e 16349.000149/2007-72. A liminar foi posteriormente confirmada por sentença de 14 de maio de 2007. À vista da medida liminar, foi determinada a realização de diligência para apreciação do pedido. Entretanto, para apresentar a documentação solicitada, a Interessada requereu o prazo de sessenta dias. A autoridade fiscal, diante do dilema apresentado, preferiu indeferir o pedido, cumprindo o prazo originalmente estabelecido na sentença, nos termos do despacho decisório de fls. 24 a 29, cuja ementa foi a seguinte: DESPACHO DECISÓRIO COFINS NÃO-CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. IMPEDIMENTO DE EXAME DE LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. DECISÃO JUDICIAL. PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE, DA PROBIDADE E DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA. Cabendo ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, segundo o artigo 36 da Lei no 9.784, de 29 Fl. 615DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/01/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 10/01/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 10/01/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16349.000147/2007-83 Resolução n.º 3302-00.078 S3-C3T2 Fl. 3 3 de janeiro de 1999, e concorrendo o contribuinte para que seus livros contábeis e fiscais não fossem examinados - pois solicitou prorrogação do prazo por mais 60 dias para apresentação da documentação necessária à análise do pleito - e tendo em vista a decisão judicial que determinou a análise do requerimento em 30 dias, deve-se indeferir o pedido de ressarcimento em epígrafe, sob pena de desobediência aos princípios da legalidade, probidade e moralidade administrativa (Constituição da República, artigo 37, caput; Lei no 8.429, de 2 de junho de 1992, artigo 10) e falta de comprovação do direito creditório. PEDIDO DE RESSARCIMENTO INDEFERIDO. A Interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que os dispositivos legais que embasaram a ação judicial (arts. 48 e 49 da Lei n o 9.784, de 1999) estabeleceriam que o prazo de manifestação da autoridade fiscal no processo administrativo seria de trinta dias, mas contados após a instrução do processo. A DRJ, entretanto, conforme ementa anteriormente reproduzida, manteve o indeferimento do pedido. No recurso, a Interessada repetiu as alegações, fazendo histórico do processo e manifestando sua indignação com o procedimento adotado, que, segundo relatou, feriria os princípios da verdade material, da finalidade, da eficiência. Por fim, alegou que juntaria aos autos, no prazo de quinze dias, toda a documentação comprobatória, o que não faria naquele momento à vista “do grande volume de documentos”. Mencionou o acórdão do 2 o Conselho de Contribuintes no RV n o 132.865. Posteriormente, a Interessada apresentou a documentação (fls. 138 a 609). Nas fls. 613 e 614, foi juntado ofício que deu prioridade aos processos administrativos, à vista do mandado de segurança impetrado pela Interessada. É o relatório. VOTO Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendo-se tomar conhecimento. A decisão tomada no âmbito do presente processo pela autoridade de origem não pode ser criticada, uma vez que, conforme ressaltado anteriormente, tratou-se de verdadeiro dilema. A própria Interessada, ao requerer a apreciação do pedido no prazo de trinta dias, certamente poderia prever a necessidade de apresentação e instrução do processo. Entretanto, é relevante a tese de que o prazo somente iniciar-se-ia a partir da instrução processual. Fl. 616DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/01/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 10/01/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 10/01/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16349.000147/2007-83 Resolução n.º 3302-00.078 S3-C3T2 Fl. 4 4 Além disso, como já foram realizadas diligências em outros processos, apurando-se, ao menos em parte, direito de ressarcimento, existe ao menos indícios de que, de fato, a Interessada teria condições de apresentar prova de seu direito. Dessa forma, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, para que, relativamente aos períodos dos processos administrativos n os 16349.000146/2007-39, 16349.000148/2007-28, 16349.000147/2007-83 e 16349.000149/2007-72 seja apurado o valor de ressarcimento a que a Interessada tem direito, da mesma forma que ocorreu os processos 16349.000220/2006-36, 16349.000221/2006-81, 16349.000223/2006-70 e 16349.000228/2006-01. Deverá ser dada prioridade ao processo, à vista da ação judicial apresentada pela Interessada. Sala das Sessões, em 28 de outubro de 2010 José Antonio Francisco Fl. 617DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/01/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 10/01/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 10/01/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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