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Numero do processo: 16327.904109/2013-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1401-000.349
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, suspender o
julgamento até o trânsito em julgado do processo judicial da execução fiscal, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes e Antonio Bezerra Neto que negavam provimento ao recurso,
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, suspender o julgamento até o trânsito em julgado do processo judicial da execução fiscal, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes e Antonio Bezerra Neto que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Aurora Tomazini de Carvalho. 1 Fl. 442DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 3 0/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que consta da decisão de piso, fls. 277-278: O presente processo trata dos PER/DCOMP relacionados abaixo, nos quais foram declaradas compensações de diversos débitos com crédito relativo a saldo negativo de CSLL do ano- calendário de 2011, sendo de R$885.735.372,27 o valor original do crédito declarado no PER/DCOMP nº 22508.05370.240413.1.6.03-0805, que contém o demonstrativo do crédito. […] As compensações foram apreciados no despacho decisório eletrônico de nº de rastreamento 065801907 (fls. 38), no qual foi reconhecido crédito no montante de R$228.775.704,11 e homologadas as compensações até esse limite. Nas informações complementares da análise do crédito (fls. 39 a 42), verifica-se que a parcela não reconhecida se refere a estimativas de CSLL dos meses de julho, agosto e outubro de 2011, nos valores de R$49.417.560,81, R$32.420.768,06 e R$575.121.339,29 respectivamente, cujas compensações não foram homologadas. Cientificada da decisão por via postal em 10/10/2013 (fls. 157), a interessada apresentou, em 08/11/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 2 a 16, acompanhada dos documentos de fls. 17 a 156. Preliminarmente, alega tempestividade da manifestação de inconformidade, em razão de ter sido a mesma apresentada dentro do prazo de 30 dias previsto no art. 5º do Decreto nº 70.235/72. Quanto ao mérito, alega que as compensações das estimativas de CSLL dos meses de julho, agosto e outubro de 2011 são objeto do processo administrativo nº 16327.000190/2011-83, que aguarda julgamento de recurso voluntário. Sustenta que, se forem mantidas as decisões que não homologaram as compensações, os débitos relativos a essas estimativas serão cobrados naquele processo, acrescidos de multa e juros moratórios. Por outro lado, se forem homologadas as compensações, restará integralmente convalidado o saldo negativo ora pleiteado. Assim, conclui a requerente que, qualquer que seja a decisão final naquele processo, as estimativas compensadas podem compor o saldo negativo de CSLL do ano-calendário de 2011. Argumenta que a Administração Tributária não pode, simultaneamente, exigir o pagamento das estimativas cujas 2 Fl. 443DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 3 0/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 compensações não foram homologadas no processo nº 16327.000190/2011-83 e negar, no presente processo, o direito à compensação do saldo negativo que resulta justamente daquelas antecipações, sob pena de exigência de tributo em duplicidade. Mesmo que sejam afastados os argumentos acima expostos, o que admite apenas para argumentar, alega a requerente que, ao menos, deve ser sobrestado o presente feito, nos termos do art. 265, IV, “a”, do Código de Processo Civil, até que seja proferida decisão administrativa definitiva no processo nº 16327.000190/2011-83, face à manifesta relação de prejudicialidade entre os mesmos. Por todo o exposto, requer seja julgada procedente a manifestação de inconformidade, homologando-se integralmente as compensações declaradas. [...] A 1ª Turma da DRJ SPO, por unanimidade, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por meio do Acórdão 16-58.949 - 10ª Turma da DRJ/SPO, que recebeu a seguinte ementa, fls. 276: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo entre as normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. Pelo princípio da oficialidade, a administração pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS MENSAIS. COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS. Não se reconhece o direito creditório relativo a saldo negativo de CSLL na parcela correspondente às estimativas mensais cujas compensações não foram homologadas, ainda que a matéria seja objeto de discussão administrativa, pois as antecipações mensais, ainda que obrigatórias, não são dotadas de liquidez e certeza, atributos necessários ao crédito passível de compensação. Cientificada do Acórdão em 16/07/2014 (fls. 339), a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 341-358 em 29/07/2014, basicamente reiterando os argumentos apresentados na fase de manifestação de inconformidade. 3 Fl. 444DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 3 0/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Voltou a pleitear o sobrestamento do julgamento do presente feito até decisão final no processo administrativo nº 16327.000190/2011-83, como meio de evitar decisões conflitantes e promover economina processual, tendo em vista a relação de prejudicialidade e dependência entre os dois processos. Em sede de sustentação oral, o ilustre patrono da recorrente informou que o aludido processo nº 16327.000190/2011-83 transitou em julgado na esfera admnistrativa, já estando em fase de execução judicial. Tal informação pode ser confirmada por meio de acesso ao citado processo no sistema e-processo, realizado nesta data: É o relatório. 4 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 3 0/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual merece ser conhecido. Afirmou a recorrente que não pode a autoridade administrativa simultaneamente: a) exigir no processo administrativo nº 16327.000190/2011-83 o pagamento das estimativas cujas compensações não foram homologadas, acrescidas de multa e juros de mora; b) negar nos presentes autos a compensação pleiteada com o saldo negativo que resulta justamente do pagamento daquelas estimativas, sob pena de exigência de tributo em duplicidade. Conforme relatado, a cobrança dos valores das estimativas cujas compensações não foram homologadas, objeto do processo administrativo nº 16327.000190/2011-83, efetivamente já se encontra em fase de execução judicial, garantida por carta fiança, conforme tela do sistema de consulta de dívida ativa, anexada ao relatório que integra o presente Acórdão. Diante do exposto, entendo que assiste razão à recorrente. Afinal, comprovadamente já se encontra em fase de execução judicial a cobrança dos valores das estimativas que compõe o saldo negativo pleiteado no presente priocesso. A efetiva arrecadação dos valores das estimativas, objeto do processo nº 16327.000190/2011-83, revela-se totalmente incompatível com a negativa da compensação pleiteada nos presente autos. Assim sendo, considero que merece ser atendido o pleito da recorrente, apresentado em sede de sustentação oral, para que seja suspenso o julgamento do presente processo, até o trânsito em julgado do processo judicial de execução fiscal referente ao processo nº 16327.000190/2011-83. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de suspender o julgamento do presente processo, até o trânsito em julgado do processo judicial da execução fiscal. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator Fl. 446DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 3 0/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Fl. 447DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 3 0/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000914/2009-78
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
ISENÇÃO PATRONAL PREVIDENCIÁRIA
A isenção, conforme atesta o texto constitucional, só pode ser concedida mediante lei específica, no caso a vigente Lei n.º 8.212/91 e deveria ser requerida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-000.414
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, Por unanimidade de votos em negar
provimento ao recurso. O conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro votou pelas conclusões.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 ISENÇÃO PATRONAL PREVIDENCIÁRIA A isenção, conforme atesta o texto constitucional, só pode ser concedida mediante lei específica, no caso a vigente Lei n.º 8.212/91 e deveria ser requerida. Recurso Voluntário Negado.
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VICENTE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 ISENÇÃO PATRONAL PREVIDENCIÁRIA A isenção, conforme atesta o texto constitucional, só pode ser concedida mediante lei específica, no caso a vigente Lei n.º 8.212/91 e deveria ser requerida. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, Por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso. O conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro votou pelas conclusões. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente/Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza e Eivanice Canário da Silva (suplente). Ausentes os conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Marcelo Magalhães Peixoto. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas, Acórdão 05 – 28.626 8ª Turma , folhas 269 a 279, que julgou improcedente a impugnação ao lançamento do crédito tributário oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal da Infração, o lançamento referese às contribuições destinadas Terceiros (Salário Educação, INCRA, SEBRAE e SESCOOP). Consta do Relatório Fiscal que a recorrente informava a GFIP com código FPAS 639, como se fosse entidade beneficente com isenção e que não consta nenhum requerimento de isenção formulado pela entidade. 6. A origem das contribuições devidas é proveniente de importâncias constantes de Folhas de Pagamento declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência (GFIP) com FPAS 639 indevido, ou seja, o contribuinte informou como se fosse Entidade Beneficente de Assistência Social com isenção requerida e concedida pela Receita Federal do Brasil. Saliente se que não consta qualquer pedido nesse sentido junto a este Órgão Federal . Ao utilizar esse código na GFIP, o contribuinte teve a intenção de iludir a autoridade fazendária com conduta sistemática durante o período fiscalizado, uma vez que o sistema deixa de calcular referida cota patronal de contribuição previdenciária constante nos incisos I, II e III do art. 22 da Lei 8.212/91. Além dessas, existem as contribuições oriundas da escrituração contábil da empresa período de 01/2005 a 12/2006 e na DIRF Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte do ano de 2006. Analisando as informações constantes dos sistemas informatizados institucionais, a documentação apresentada à fiscalização e a legislação aplicada, foram apurados os fatos geradores de contribuição previdenciária abaixo discriminados: • Prestação de Serviços Remunerados por segurados empregados; • Remunerações sem discriminação dos nomes dos segurados empregados pagas a título de ajuda de custo; Entendeu a fiscalização que, em tese, o procedimento adotado pela recorrente constitui ilícito de sonegação fiscal, e informou que será objeto de Representação Fiscal para Fins Penais. Para a multa de mora, em razão da MP 449/2008, existe citação específica no Relatório Fiscal acerca do princípio da retroatividade benigna. 8. As contribuições referentes aos levantamentos acima citados deixaram de ser declaradas em GFIP, razão pela qual a multa de mora deve ser aplicada integralmente, sem redução. Tal fato caracteriza, ainda, infração à Lei 8.212, de 24/07/91, art. 32, Inc. IV, parágrafos 3o. e 5o , acrescentado pela Lei 9.528, de 10/12/97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4o do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048 de 06/05/99, art. 284, inc. II, e art. 373. No Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15983.000914/200978 Acórdão n.º 240300.414 S2C4T3 Fl. 208 3 entanto, as alterações introduzidas na Lei 8.212/91 pela Medida Provisória n° 449, de 03/12/08, convertida na Lei 11.941, de 27/05/09, trouxeram mudanças na lavratura de autos de infração por descumprimento de obrigações previdenciárias, sendo que, para infrações com fato gerador anterior a 04/12/08, data da entrada em vigor da MP 449/2008, a multa aplicada deve obedecer o princípio da retroatividade mais benigna (Código Tributário Nacional — CTN — art. 106, inc. II, c), comparando se a multa imposta pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador e a imposta pela legislação superveniente. O período do lançamento do débito: 01/2005 a 13/2006 e a ciência do lançamento ocorreu em 03/11/2009. Inconformada com a decisão da DRJ, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: • A recorrente é entidade beneficente de assistência social, como tal reconhecida oficialmente, e que desde 1969 presta relevantes serviços à sociedade vicentina, e em especial aos adolescentes da região que são os beneficiários diretos das suas ações assistenciais. • também tem caráter filantrópico eis que possui toda a documentação necessária para tal reconhecimento. • seu estatuto social evidencia que se trata de pessoa jurídica sem fins lucrativos (art. 1°), que não distribuirá parcela ou excedente de receita a nenhum título a seus integrantes (art. 43), aplicando inteiramente nos fins estatutários suas receitas (art. 43, § 3°), sendo vedada a remuneração de seus sócios, diretores ou associados (art. 43, § 1°). • O instituto da imunidade não permite que se avance além dos requisitos exigidos pela Constituição Federal, de modo que a dicção da Carta Magna impõe apenas o respeito aos critérios legais previstos no artigo 14 do CTN, não sendo possível que lei ordinária restrinja o alcance da norma fundamental. • recorrente também preenche os requisitos legais, de modo que também por este prisma deve lhe ser garantida a imunidade. • não teve oportunidade de comprovar que estavam presentes os requisitos legais para a manutenção da imunidade ou isenção no procedimento que seria o adequado, e isto por inércia da própria autoridade e agora se vê impedido de fazêlo ou de ter suas alegações ao menos aceitas justamente sob o argumento de que aquele preliminar procedimento não ocorreu. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões levantadas pela recorrente. Inicialmente cabe registrar que a recorrente não discute a ocorrência dos pagamentos de remunerações noticiados nos autos, ou que tais pagamentos constituem fatos geradores e bases de cálculo das contribuições lançadas, limitase a discutir o direito à isenção/imunidade. Do benefício da isenção/imunidade Quanto às alegações acerca de seu direito à imunidade entendo que não assiste razão à recorrente. A Constituição Federal de 1988, estabeleceu no seu art. 195, § 7º, imunidade, embora o texto constitucional faça referência a isenção, quanto a contribuições previdenciárias apenas e tão somente para entidades beneficentes de assistência social que atendam as exigências estabelecidas em lei isto é, é uma imunidade condicionada a certos requisitos estabelecidos na lei. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.(grifei) Antes da promulgação da Lei n.º 8212/91 foi ajuizado o Mandado de Injunção nº 2321 – RJ (Rel. o Min. Moreira Alves), pois desde a promulgação da Constituição, o dispositivo constitucional imunizante, reconhecido como de eficácia limitada, carecia de regulamentação. Apreciando especificamente a imunidade de contribuições previdenciárias aqui tratada no referido Mandado de Injunção, decidiu o Supremo Tribunal Federal que: a) a norma constitucional carecia de regulamentação para permitir o gozo da imunidade; b) que os arts. 9º e 14 do CTN não serviam para a regulamentação exigida; e Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15983.000914/200978 Acórdão n.º 240300.414 S2C4T3 Fl. 209 5 c) que a regulamentação podia ser feita por meio de lei ordinária. A regulamentação da imunidade veio através da Lei n.º 8.212/91. A Lei 8.212/91, na redação da época dos fatos geradores, no parágrafo 1° do artigo 55 estabeleceu que a isenção deveria ser requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; IIseja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 2.0285) IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. (grifei) Consta expressamente no Relatório Fiscal que não existe registro desse requerimento por parte da recorrente. 6. A origem das contribuições devidas é proveniente de importâncias constantes de Folhas de Pagamento declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência (GFIP) com FPAS 639 indevido, ou seja, o contribuinte informou como se fosse Entidade Beneficente de Assistência Social com isenção requerida e concedida pela Receita Federal do Brasil. Saliente se que não consta qualquer pedido nesse sentido junto a este Órgão Federal . (grifei) Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 As conclusões são que a requerente não goza da isenção e que o lançamento é procedente. Conclusão À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 6DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 11962.000421/2002-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1401-000.060
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Viviane Vidal Wagner. Fl. 635DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 08/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER 2 Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1222.289, da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro IRJ. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante na decisão de primeira instância: Em 12/09/2002, a interessada apresentou Pedido de Restituição cumulado com Pedido de Compensação, fls. 01/02, pretendendo compensar os débitos mediante aproveitamento de crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ dos anoscalendário de 1998, 1999, 2000, no valor original de R$ 1.250.177,25, conforme esclarecimentos prestados às fls. 62: Ano Saldo Negativo R$ 1998 233.179,30 1999 770.283,99 2000 246.713,96 Total 1.250.177,25 Posteriormente, também foram apresentados outros Pedidos de Compensação e Declaração de Compensação, fls. 40/56, aproveitando o mesmo crédito. Após análise, foi emitido Despacho Decisório pela DRF/Vitória/ES, fls. 229, com base no Parecer Seort nº 230/2006, fls. 225/229, não reconhecendo o direito creditório e não homologando as DCOMP. O indeferimento teve como fundamento as seguintes constatações: 1) O imposto de renda retido na fonte é considerado antecipação do tributo devido, cabendo a sua restituição no final do período, sob forma de saldo negativo de IRPJ, para aqueles que optam a apuração pelo lucro real. 2) Para o anocalendário de 1998, não há restituição, pois foi apresentada Declaração do Imposto de Renda pelo Lucro Presumido. 3) Para o anocalendário de 1999, foi apurado um saldo negativo no valor de R$ 653.890,53, mas parcialmente utilizado para compensação das estimativas devidas dos meses de abril e julho, e do imposto devido no final do ano, todos do ano calendário de 2000, conforme cálculos acostados às fls. 201/203. 4) Da compensação, restou um crédito de R$ 86.722,22, mas que foi totalmente utilizado para compensação da estimativa devida do mês de janeiro de 2001, conforme cálculos acostados às fls. 204/206, não restando, portanto, qualquer crédito a ser restituído. Cientificada da decisão em 21/09/2006, fls. 234, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade em 20/10/2006, fl. 306/315, alegando: 1) Da existência de Créditos a serem Compensados. Fl. 636DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 08/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 11962.000421/200259 Resolução n.º 140100.060 S1C4T1 Fl. 495 3 a. O parecer técnico apontou crédito de saldo negativo do anocalendário de 1996, que somado ao crédito apurado no anocalendário de 1999, totalizam o montante de R$ 1.315.377,79. b. No anocalendário de 2000, foi comprovada a existência de créditos, mas que não foram declarados em DCTF, sendo apenas uma obrigação acessória. c. Afirma que devem ser reconhecidos os créditos, no montante de R$ 116.393,46 relativo ao anocalendário de 1999, de fls. 23 e 24. 2) Dos Rendimentos Financeiros – Formalidade do Documento. a. Apresentou os documentos que dispunha para configuração dos créditos, ressaltando que a obrigação seria das instituições financeiras, não podendo ser penalizada por obrigação descumprida por terceiros. b. A Receita Federal possui em seus sistemas a informação correta (DIRF), não gerando ao contribuinte qualquer condição de apenamento por incorreção no documento. c. A interessada está sendo penalizada em uma relação de obrigações que envolvem a Receita Federal e a instituição financeira. d. Não cabe a rejeição dos documentos se os corretos constam na base de informações da Receita Federal, devendo ser aplicado o princípio da instrumentalidade da forma, e, no caso de dúvida, o princípio que determina a decisão em favor do contribuinte. e. Os valores foram efetivamente recebidos pela Receita Federal, pretendendo a revisão da decisão, considerando os valores apontados, independente da forma utilizada para tanto. 3) Do erro material – Lucro Presumido – Enquadramento Equivocado. a. A Receita Federal deveria retificar, de ofício, a DIPJ/99, anocalendário de 1998, pois não poderia ter optado pelo Lucro Presumido. b. A interessada encontrase vedada de promover a retificação da declaração para sanar o equívoco, enquanto que a autoridade administrativa possui o dever de ofício, não causando qualquer prejuízo ao erário, uma vez que os valores devidos foram recolhidos aos cofres públicos. 4) Dos Princípios da Razoabilidade e Motivação. a. Não foram observados os Princípios da Razoabilidade e da Motivação. b. Houve indeferimento sumário quanto ao anocalendário de 1998, sem determinar a sua retificação, e a não aceitação de documento emitido pela instituição financeira, ferindo o Princípio da Razoabilidade. c. A simples negativa sem uma fundamentação lógica e racional fere o Princípio da Motivação. d. Se tais documentos são de extrema relevância, deveria ser determinado ao contribuinte sua retificação, pois a simples negativa comprova que a Receita Federal estaria compactuando com o erro. 5) Da vantagem ilícita Fl. 637DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 08/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER 4 a. Destaca que a apropriação de valores indevidos, que deveriam ser compensados, assemelhase à locupletação. b. Mesmo que existam erros de formalidade e informações equivocadas, não pode a Administração Pública pretender uma vantagem, sendo esta baseada no erro e na ilegalidade. c. Os interesses da interessada não são contrários ao ordenamento jurídico, não são ilegais ou imorais, sendo pautados nos princípios do direito, na legislação e nos entendimentos jurisprudenciais e doutrinários. d. Não pretende ter vantagem ilícita, mas tão somente ver o seu direito à compensação de tributos pagos a maior, cabendo uma avaliação mais precisa daquilo que era devido e daquilo que foi efetivamente pago. 6) Requer que seja revista a decisão. É o relatório. A DRJ, por unanimidade de votos, INDEFERIU a solicitação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 Ementa. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVAÇÃO. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para seja aferida sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa (artigo 170 do CTN). RETENÇÃO NA FONTE COMPROVAÇÃO O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado, na declaração de ajuste do período, pela pessoa física ou jurídica, se a interessada possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. RETENÇÃO NA FONTE A pessoa jurídica tributada com base no lucro real somente poderá compensar o imposto/contribuição devido, na apuração do período, com os valores retidos na fonte, se as receitas, sobre as quais incidiriam as retenções, forem computadas na determinação do lucro real. SALDO NEGATIVO DE IRPJ Somente será reconhecido o direito creditório se a interessada comprovar que o crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ não foi utilizado para compensar o imposto devido nos períodos posteriores. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório. Fl. 638DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 08/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 11962.000421/200259 Resolução n.º 140100.060 S1C4T1 Fl. 496 5 VOTO Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A interessada apresentou Pedido de Restituição cumulado com Pedido de Compensação pretendendo compensar os débitos mediante aproveitamento de crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ dos anoscalendário de 1998, 1999, 2000. Essa diligência se restringe ao anocalendário de 1999. Em apertada síntese, no ponto específico a que pertine esta diligência, assim se pronunciou a DRJ para negar a solicitação da Recorrente: (...) O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa jurídica, se a interessada possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, nos termos do art. 55 da Lei nº 7.450/85, e do § 2º do art. 943 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n.º 3.000, de 26/03/1999. Logo, caberia, sim, à interessada a apresentação dos documentos e dentro das formalidades legais exigidas. Deveria a interessada ter cobrado da fonte pagadora os comprovantes de rendimentos conforme determina a IN SRF nº 138/99. No entanto, tem razão a interessada quando alega que a Administração, já que possui em seus sistemas as DIRF apresentadas, deve considerar os valores retidos. No caso, os documentos de folhas 23 e 24 se referem à retenção do imposto de renda na fonte relativo ao anocalendário de 1999, pela instituição financeira HSBC Bank Brasil S.A., que totalizam R$ 116.393,46. Esta retenção está comprovada pela DIRF apresentada, acostada aos autos às fls. 113 – verso. No entanto, para que o imposto de renda fonte seja utilizado para compensação do imposto de renda a pagar no final do período, compondo o saldo negativo do IRPJ, os rendimentos financeiros devem ser oferecidos à tributação. Entretanto, comparando se os valores declarados na DIPJ/2000, anocalendário de 1999, fls. 103/108, com os valores consolidados das DIRF apresentadas, conforme tabela abaixo, verificase que a interessada não preencheu esta condição. Dirf fls. Rendimentos IRRF 109 verso 628.219,45 124.609,57 110 916.156,79 181.262,94 112 33.001,51 6.600,28 113 149.826,81 29.965,23 113 175.058,66 35.011,70 Fl. 639DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 08/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER 6 113 verso 581.968,04 116.393,46 115 88.963,67 17.792,73 115 verso 168.844,27 33.768,82 117 verso 592.221,26 118.444,20 118 verso 300.107,28 60.021,44 119 232.066,64 46.413,29 Total 3.866.434,38 770.283,66 Com base nos valores consolidados, para ao aproveitamento do IRRF no montante de R$ 770.283,66, conforme informado na DIPJ/2000, Ficha 13 A – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real – Linha 13 – Imposto de Renda Retido na Fonte, fls. 108, a interessada deveria ter oferecido à tributação, a título de rendimentos financeiros, o montante de R$ 3.866.434,38. No entanto, ofereceu valor menor, de R$ 2.358.610,75, como se constata na DIPJ/2000 – Ficha 07 A – Demonstração do Resultado – Linha 24 – Outros Rendimentos Financeiros, fls. 103. Portanto, como não preencheu as condições previstas em lei para o aproveitamento do IRRF, o suposto direito creditório que pleiteia não está comprovado. Se por um lado a DRJ admite que a DRF exagerou no formalismo ao não considerar a possibilidade de aproveitamento do IRF declarado na DIRF, por outro lado rejeita tais informações com base em inconsistências geradas a partir de uma análise comparativa de proporcionalidade entre a base de cálculo que teria gerado o fonte e as receitas declaradas em determinado período. Neste ponto divirjo da DRJ. Cabe salientar que a adoção do regime de competência na contabilização de receitas e despesas está prevista na legislação tributária. Assim, nas aplicações financeiras as receitas são apropriadas ao resultado em observância do regime de competência dos períodosbase, sendo reconhecidas à medida que os rendimentos são atribuídos, independentemente de seu pagamento ou resgate, ou seja, “proratatempore”. Por outro lado, constatase que as Instituições Financeiras informam os valores em DIRFs considerando os rendimentos no momento em que ocorre a incidência do IRRF, que em caso de aplicações de prazo fixo, por exemplo, é no resgate. Sendo assim, é aceitável que ocorra divergência entre os montantes de rendimentos informados nas DIRFs e os valores contabilizados e declarados pelas empresas, dado o reconhecimento das receitas pelo contribuinte de acordo com o regime de competência. Posto isso e em nome do princípio da verdade material, para não pairar dúvidas quanto à validez e certeza do despacho decisório da DRF, inclinome pela realização de uma diligência específica para que seja adotada as seguintes providências pela Fiscalização: Apenas para o anocalendário de 1999, de posse da escrituração e dos respectivos documentos comprobatórios disponibilizados no curso do procedimento fiscal (documento de fls. 23/24, Dirfs fls. 109/119 etc) e outros que se façam necessários, verificar o montante de IRF declarado que foi efetivamente oferecido a tributação e que será utilizado para compor o saldo negativo do referido periodo; Fl. 640DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 08/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 11962.000421/200259 Resolução n.º 140100.060 S1C4T1 Fl. 497 7 Apresentar outras informações ou mesmo intimar o contribuinte a apresentar novas informações e esclarecimentos que entender pertinentes à solução da lide; Se for o caso, refazer os cálculos e após as imputações e atualizações pertinentes, apontar montante de débitos a serem homologados; A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas nos itens anteriores. Ao final entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 641DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 08/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER
score : 1.0
Numero do processo: 12963.000134/2007-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2006 a 01/04/2007
ARGÜIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE.
A defesa apresentada fora do prazo legal, se suscitada a preliminar de tempestividade, esta será observada. Não sendo acolhida a preliminar, não se conhecerá das demais questões argüidas.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2403-000.439
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em não
conhecer do recurso por intempestividade .
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 01/04/2007 ARGÜIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE. A defesa apresentada fora do prazo legal, se suscitada a preliminar de tempestividade, esta será observada. Não sendo acolhida a preliminar, não se conhecerá das demais questões argüidas. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso por intempestividade . Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Cid Marconi Gurgel de Souza e Eivanice Canário da Silva (suplente). Ausentes, os Conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 291DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 03/04/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 05/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 2 Relatório Tratase de processo de Notificação Fiscal de Lançamento de DébitoNFLD DEBCAD n° 37.081.6293, regularmente lavrada em 17/07/2007, tendo a interessada tomado conhecimento da autuação em 19/07/2007, na pessoa de seu sócio gerente, conforme fls. 01 dos autos. Referese o débito a contribuições devidas à Seguridade Social, parte dos segurados empregados e contribuintes individuais e as contribuições a cargo da empresa incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a estes segurados, as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) e as relativas a Terceiros (SalárioEducação, INCRA, SENAC, SESC E SEBRAE), no período de 02/2006 a 04/2007, inclusive décimo terceiro salário de 2006. De acordo com o Relatório Fiscal às fls. 38/42, os fatos geradores das contribuições apuradas foram obtidos a partir do exame das informações constantes nas folhas de pagamento, documentos de caixa (rescisões de contrato de trabalho, recibos de férias, de prólabore, de honorários, de prestação de serviços) e por aferição indireta de bases de cálculo e salários de contribuição (Livro de Registro de Empregados e demonstrativo apresentado pela empresa). O crédito lançado corresponde ao valor total de R$ 38.148,92 (trinta e oito mil, cento e quarenta e oito reais, noventa e noventa e dois centavos), consolidado em 17/07/2007. A autuada apresentou em 03/09/2007 a impugnação de fls. 117/123, acompanhada de cópias de documentos, alegando, em síntese o que se relata a seguir. Em preliminar, argüiu a tempestividade da impugnação assegurando que a notificação foi recebida em 02/08/2007 juntamente com o Termo de Encerramento da Ação FiscalTEAF emitido em 30/07/2007 e entregue a empresa em 02/08/2007. No mérito contesta os levantamentos HPG e SGA. Em relação ao levantamento HPG: Afirmou que embora tenha havido a prestação de serviços do contador no período 02/2006 a 12/2006, os pagamentos só foram concretizados em 09/04/2007, razão pela qual não foram apresentados os respectivos recibos e não houve a inclusão destes valores em folhas de pagamento e GFIP. Asseverou que na ausência dos recibos mensais o auditorfiscal agiu com èdesso ao apurar a contribuição devida sobre honorários do contador. Fl. 292DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 03/04/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 05/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 12963.000134/200714 Acórdão n.º 240300.439 S2C4T3 Fl. 291 3 Argumentou que o valor dos honorários foi apurado pela média dos valores acumulados do mês e em atraso, o que resultou num valor absurdo que não condiz com a realidade dos valores cobrados na região, ainda mais se tratando de microempresa. Sustenta que o valor apurado deve ser revisto, corrigindose as distorções ocorridas, considerandose como base de cálculo mensal no período 02/2006 a 12/2006, o valor de R$ 175,00 que corresponde ao valor real pago ao contador. Em relação ao levantamento SGA: Aduziu que valor lançado referente a contribuição do contribuinte individual (contador) que a empresa deixou de arrecadar mediante a retenção prevista no art. 4° da Lei n° 10.666/03 é excessivo pelas razões apresentadas anteriormente. Disse ainda que o contador presta serviços a diversas empresas da região recebendo remuneração acima do limite máximo do salário de contribuição e portanto sofrendo a retenção devida nas demais empresas, e que assim não cabe a empresa notificada efetuar qualquer retenção. Alegou também que na competência 13/2006 foi lançado o valor correspondente ao salário integral quando se trata de 13° proporcional, correspondente a 3/12 (três doze avos) do salário percebido em dezembro pelos empregados Waldimir Altino da Silva e Amanda Suelen Gonzaga. Requereu seja admitida a preliminar argüida e em conseqüência recebida a impugnação apresentada, visto que tempestiva, a realização de diligências fiscais para verificação dos documentos apresentados garantindolhe o direito a ampla defesa sob pena de violação dos princípios e garantias Constitucionais. Pediu a revisão do lançamento fiscal relativamente aos levantamentos HPG e SGA pelos motivos acima expostos. Por fim, visando comprovação de suas alegações o impugnante juntou aos autos cópias dos seguintes documentos: Procuração "Ad Judicia" (fls. 125); Documentos dos procuradores (fls. 126/127); TEAF (ciência em 02/08/2007, às fls. 128); Folha de rosto da NFLD n° 37.081.6358 (ciência em 02/08/2007, às fls. 129); Contrato Social (fls. 130/132); Declarações do contador_dos anos de 2006 e 2007; relação de honorários do contador do ano de 2006; recibos de honorários do contador de 01/2007 a 05/200, folha pagamento da segunda parcela do décimoterceiro salário de 2006 emitida em 03/09/2007; Fl. 293DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 03/04/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 05/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 4 folha de autônomos das competências 02/2006 a 12/2006; protocolos de envio de arquivos Conectividade Social e relatórios referentes as GFIP do período de 02/2006 a 09/2006 enviadas no dia 31/08/2007, período de 10/2006 e 02/2007 a 04/2007 enviadas em 30/08/2007 e período de 11/2006 a 01/2007, inclusive 13/2006, enviadas em 03/09/2007 (fls. 133/246). Tendo em vista o vencimento do prazo para impugnação em 20/08/2007 sem que houvesse manifestação do contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Poços de Caldas declarou a revelia do autuado e lavrou o respectivo "Termo de Revelia" em 03/09/2007 (fls. 114). Através do Oficio n° 125/2007/SARAC/EAC/2, de 03/09/2007, foi encaminhado ao interessado uma via do Termo de Revelia (fls. 115/116). Em 13/09/2007, após a apresentação da defesa intempestiva com argüição de tempestividade, e, em razão de tal argüição, foi enviado o Ofício n° 165/2007/SARAC/EAC/2 solicitando a desconsideração do referido Termo de Revelia (fls. 248). Através da Manifestação relativa ao Oficio n° 125/2007/SARAC/EAC/2, apresentada em 17/09/2007 (fls. 249/253), o autuado tornou a afirmar o direito ao contraditório e a ampla defesa, assegura a tempestividade da defesa e requer a ineficácia do Termo de Revelia. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, a 6ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Juiz De Fora (MG ) DRJ/JFA emitiu Acórdão n° 0917.698 6, mantendo procedente o lançamento sob os argumentos de que examinara a procedência da preliminar de tempestividade, observando que esta não sofreu acolhimento razão pela qual não se deixarseá de examinara as demais questões argüidas. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ” e requer sejam conhecidas suas alegações. Afirma ser incontestável que a contagem do prazo previsto no relatório Instrução para o contribuinte IPC começa após o recebimento do último documento que complete a Notificação, qual seja, o Termo de Encerramento da Ação Fiscal. E que nessa linha de raciocínio a defesa administrativa feita pela recorrente foi tempestiva, tendo em vista que o Termo de Encerramento da Ação Fiscal TEAF (documento integrante da notificação fiscal) foi emitido em 30/07/2007 e recebido pela empresarecorrente em 02/08/2007. Relembra que na folha de rosto da NFLD constam os anexos integrantes da notificação, dentre eles, o Termo de Encerramento da Ação Fiscal TEAF. É o Relatório. Fl. 294DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 03/04/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 05/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 12963.000134/200714 Acórdão n.º 240300.439 S2C4T3 Fl. 292 5 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE Em preliminar, a recorrente suscitou em primeira instância, e reiterou em sede de recurso, a tempestividade da impugnação aduzindo que procedeu a entrega dentro do prazo legal. Sempre que o recurso apresentar um prazo maior do que o legalmente previsto, a jurisprudência entende que não se deve recebêlo, tendo em vista o fenômeno da preclusão. Tendo sido suscitada preliminar de tempestividade é cabível tal verificação.Entretanto, restando intempestiva a impugnação, não se instaura a fase litigiosa do procedimento e não se examina as demais questões argüidas. O contribuinte afirmou, em sua defesa, e reiterou em sede de recurso, que foi intimado em 02/08/2007 do lançamento objeto desta NFLD e alegou que o prazo para a devida contestação expirou em 03/09/2007, data do protocolo de sua impugnação: “ Assim, a defesa administrativa feita pela recorrente foi tempestiva, tendo em vista que o Termo de Encerramento da Ação Fiscal TEAF (documento integrante da notificação fiscal) foi emitido em 30/07/2007 e recebido pela empresarecorrente em 02/08/2007.” Relevante notar que a recorrente desconsiderou a data da notificação assinada por sua sócia gerente em 19/07/2007 e se apoiou no erro formal sanável, que não implicou em prejuízo para o contribuinte, dos equivocados registros de um dos anexos daquela ou seja no TEAF. Desse modo, sem êxito, em primeira instância, se conheceu da impugnação no que se referiu à preliminar suscitada, instaurandose o litígio somente em relação à argüição de tempestividade. Cumpre destacar que diferente do que alega, de acordo com o registro de fl. 01, a recorrente foi notificada em 19/07/2007 conforme abaixo : “ Nos termos dos arts. 2° e 30 da Lei 11.457 de 16/03/2007, fica o contribuinte notificado do levantamento objeto da presente NFLD.” A discriminação dos fatos geradores, das contribuições devidas, dos períodos a que se referem e a fundamentação legal consta expressamente dos seguintes anexos, os quais fazem parte integrante desta notificação: ( grifei) Fl. 295DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 03/04/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 05/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 6 IPC Instruções para o Contribuinte DAD Discriminativo Analítico do Débito DSD Discriminativo Sintético do Débito RL Relatório de Lançamentos FLD Fundamentos Legais do Débito REPLEG Relatório de Representantes Legais VINCULOS Relatório de Vínculos MPF Mandado de Procedimento Fiscal TIAF Termo de Início da Ação Fiscal TIAD Termo de Intimação para Apresentação de Documentos AGD Auto de Apreensão, Guarda e Devolução de Documentos TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal REFISC Relatório Fiscal (grifei) Para pagamento, parcelamento ou impugnação deverão ser observadas as instruções constantes do relatório IPC Instruções para o Contribuinte, que segue anexo, devendo o contribuinte dirigirse à unidade de atendimento da Receita Federal do Brasil. ” Às fls. 02 a 03, contêm nos itens 2 a 2.6 instruções específicas à respeito de IMPUGNAÇÃO orientando , inclusive, sobre os prazos. Às fls. 37, caracterizando simples erro formal escusável, posto que sanável, consta o confuso anexo Termo de Encerramento da Ação fiscal, registrando ter sido emitido com data de 30/07/2007, assinado pelo Auditor Fiscal com data anterior, de 17/07/2007 e recebido pela Sócia Gerente com data de 02/08/2007. Entretanto, a CIÊNCIA DA AUTUAÇÃO ocorreu de fato e de direito em 19/07/2007 quando a notificada assinou que recebera na oportunidade inclusive o TEAF – Termo de Encerramento da Ação Fiscal como anexo parte integrante da notificação em comento conforme fl. 01. Aduz que na forma do preceituado no artigo 293, § 1o do Decreto 3.048/99, o autuado terá prazo de trinta dias, a contar da ciência para impugnar a autuação: "Art. 293. Fl. 296DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 03/04/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 05/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 12963.000134/200714 Acórdão n.º 240300.439 S2C4T3 Fl. 293 7 (...) Art. 293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) § 1o Recebido o autodeinfração, o autuado terá o prazo de trinta dias, a contar da ciência, para efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de cinqüenta por cento ou impugnar a autuação. ( Redação dada pelo Decreto n° 6.103, de 2007). ” ( grifei) A empresa exorta às fls 251 o conteúdo do anexo IPC, subitem 2.3 da instrução para o contribuinte: “ Dessa forma, a autuada teve o prazo de 30 (trinta) dias para apresentação de sua defesa administrativa (impugnação ao Auto de Infração), conforme subitem 2.3 da Instrução para o Contribuinte IPC e, ainda, que para a contagem do prazo será excluído o dia da ciência efetiva e incluindo o dia do vencimento, conforme subitem 2.3, letra "a", verificase que o prazo inicial é 03/08/07 e o prazo final para apresentação da impugnação é dia 01/09/07” Referindose justo ao primeiro anexo parte integrante da notificação assinada por sua sócia gerente em 19/07/2007 que vem a ser o IPC – Instruções para o contribuinte a empresa, contradizendose, afirma que só tomou ciência da autuação em 02/08/2007. Sua evidente contradição encerra a conclusão. Por tudo que foi exposto, o prazo de 30 (trinta) dias para apresentação de impugnação terminou em 20/08/2007. Tendo o contribuinte protocolado sua defesa apenas em 03/09/2007, configurouse, portanto, a intempestividade. Afastada a hipótese de tempestividade em sede impugnação, restou impedida a apreciação das demais matérias tratadas. Isto posto, tendo sido intempestiva a impugnação em primeira instância não se instaurou a fase litigiosa do procedimento, status este que deve ser mantido em instância “ad quem”. Se o indivíduo não exercita seu direito no prazo ou termo legal, perde a faculdade processual de ação, ocorre então o que se denomina preclusão temporal. Segundo Maria Helena Diniz ( Dicionário Jurídico. São Paulo: Saraiva, 1998, p. 678.) , genericamente, podese definir a preclusão como a "perda de um direito subjetivo processual pelo seu nãouso no tempo e no prazo devidos" Um dos princípios jurídicos mais conhecidos de todos os tempos encontrase no brocardo latino: "dormientibus non sucurrit jus". De fato, o direito não socorre aos que dormem no processo. Fl. 297DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 03/04/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 05/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 8 E é nesse sentido também que disciplina a Lei n° 9.784/99 na dicção do artigo 63, I: “ Artigo 63. O recurso não será conhecido quando interposto: I fora do prazo; ” Desse modo, por intempestiva a impugnação e não tendo por isso se instaurado a fase litigiosa do procedimento, NÃO CONHEÇO DO RECURSO. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Fl. 298DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 03/04/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 05/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000461/2007-41
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS.DIREITO À APURAÇÃO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.TRIBUTÁRIO. JUROS MORATÓRIOS. SELIC
O não recolhimento, nas épocas próprias, das contribuições sociais a cargo da empresa, constantes das folhas de pagamento, assim como as declaradas em GFIP, enseja lançamento, por meio de notificação de débito, nos termos do art. 37 da Lei n° 8.212/91.
Na forma da Súmula n°4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.501
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso determinando o recalculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão
da multa de mora.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS.DIREITO À APURAÇÃO.CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.TRIBUTÁRIO. JUROS MORATÓRIOS. SELIC O não recolhimento, nas épocas próprias, das contribuições sociais a cargo da empresa, constantes das folhas de pagamento, assim como as declaradas em GFIP, enseja lançamento, por meio de notificação de débito, nos termos do art. 37 da Lei n° 8.212/91. Na forma da Súmula n°4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recalculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringri Presidente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 2 Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Renato Coelho Borelli (suplente). Ausentes os conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 11330.000461/200741 Acórdão n.º 240300.501 S2C4T3 Fl. 182 3 Relatório Trata de crédito tributário de contribuições previdenciárias, no valor de R$ 203.992,23 acrescidos de juros e multa, relativo aos segurados empregados arrecadadas pela empresa, mediante desconto incidente sobre a respectiva remuneração e não repassadas integralmente na época própria à Seguridade Social. A ação fiscal foi realizada de acordo com as divergências apontadas no batimento GFIP X GPS e as contribuições lançadas incidiram sobre os valores encontrados nas GFIP's correspondentes ao período fiscalizado e nos resumos de folha de pagamento, tratando se de uma fiscalização por fato gerador específico. Conforme descrito no Relatório Fiscal foi constatado que, durante o período fiscalizado, a contribuição descontada do segurado empregado e contribuinte individual, declarado pela mesma em suas GFIP's, não foi recolhida totalmente. O valor originário do débito apurado correspondeu, em cada competência, ao montante das contribuições sociais descontada pelo empregador dos segurados e não repassadas aos cofres públicos. A presente NFLD gerou uma Representação Fiscal para Fins Penais. DA IMPUGNAÇÃO DA TAXA SELIC E DO CÁLCULO DA MULTA Inconformada com a autuação sofrida, a impugnante apresentou defesa de fls. 72 a 93 contestando, em síntese, somente a constitucionalidade da aplicação da taxa selic bem como a legalidade no cálculo da multa, deixando de impugnar o mérito da autuação bem como as bases dos valores lançados. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, a 14ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I – RJ DRJ/RJOI, em 31 de agosto de 2007, emitiu o Acórdão n ° 1215850 mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ”. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 4 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls.180, o recurso é tempestivo e reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DOS JUROS E DA TAXA SELIC A questão encontrase pacificada com a edição da súmula n° 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF : “Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Portanto, implica improcedente a alegação da Recorrente. DOS FUNDAMENTOS LEGAIS DO CÁLCULO DA MULTA É relevante observar que às fls 47, no Relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito, não consta a informação sobre a legislação de suporte para o cálculo da multa. Aduz que tal registro deveria constar inserido no Relatório consignando que o cálculo fora procedido na forma do artigo 35 da Lei 8.212/91 , in verbis: “ Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) ” DO DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO Muito relevante, também, notar que tendo ocorrido as prorrogações dos Mandados de Procedimento Fiscal de fls. 52 a 54 não se verificou emitido o “Demonstrativo de Emissão e Prorrogação ” na forma do exigido no art. 13, § 2° da PORTARIA MPS/SRP N° 3.031, DE 16 DE DEZEMBRO DE 2005 : “ PORTARIA MPS/SRP N° 3.031, DE 16 DE DEZEMBRO DE 2005 DOU DE 22/12/2005 Retificada no DOU DE 09/06/2006 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 11330.000461/200741 Acórdão n.º 240300.501 S2C4T3 Fl. 183 5 ( ... ) Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o art. 12 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observados, a cada ato o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. § 1º A prorrogação de que trata o caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos doart. 7°, inciso VIII § 2º Na hipótese do § 1º deste artigo, o servidor responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo após cada prorrogação, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo IX . ( ... ) Art. 19. Os MPF emitidos e o demonstrativo de que trata o § 2º do art. 13, incluindo as modificações efetuadas no curso do procedimento fiscal, constarão no processo administrativo fiscal que venha a ser formalizado e convalidarão o procedimento fiscal em si., ( grifei) ,Art. 20. Os MPF de que trata esta Portaria serão emitidos em três vias, que terão as seguintes destinações: I sujeito passivo; II processo administrativo fiscal, quando instaurado; Muito embora os vícios acima, cabe salientar que tais irregularidades não se converteram em prejuízo para a Recorrente na medida em que esta, ao não contestar as bases lançadas, assumiu que praticara a infração. A ausência da fundamentação legal referese ao cálculo da multa e não do fato gerador de fato ocorreu e foi corretamente descrito pela autoridade fiscal, não sendo caso, portanto, de nulidade quer por vício formal, quer por vício material. DA MULTA Face ao supracitado restou pacífico que o valor da multa moratória teve por base os parâmetros estabelecidos pelo art. 35, da Lei 8.212/91. Entretanto o citado artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, estabelecendo que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 6 único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (Redação dada pela Lei 11.491, 2009)”(grifos do relator) Lei 9.430/96: “ Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” MULTA MAIS BENÉFICA Tendo presente que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese, portanto, o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 para determinação e prevalência da multa mais benéfica: “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 11330.000461/200741 Acórdão n.º 240300.501 S2C4T3 Fl. 184 7 Assim, considerando que a Recorrente nada mais alegou e , ainda, em razão da inexistência de provas de que as contribuições ora discutidas foram recolhidas, o presente lançamento é Procedente. CONCLUSÃO Desse modo, por tudo que foi exposto, voto por conhecer do recurso e no, MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL determinando o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a multa mais benéfica para o contribuinte Ivacir Júlio de Souza Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI
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Numero do processo: 17883.000381/2007-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1401-000.118
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, João Carlos Figueredo Neto.e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 17883.000381/200716 Resolução n.º 1401000.118 S1C4T1 Fl. 753 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1219.747, da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Rio de Janeiro RJ. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Tratase do auto de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 448/447) no valor principal de R$ 2.932.862,62 e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 448/453) no valor principal de R$ 1.055.830,54, acrescidos da multa de 75 % e juros moratórios até 30/11/2007. Relativamente ao auto de infração do IRPJ a Descrição dos Fatos indica as seguintes infrações e capitulação legal: Exclusões/compensações não autorizadas na apuração do Lucro Real, "Redução indevida do Lucro Real em virtude da exclusão de reversões de provisões para a perda de estoque ao valor de mercado sem que houvesse a apresentação das comprovações contábeis por parte do contribuinte, conforme discriminado no Termo de Verificação de Infração Fiscal em anexo." O Termo de verificação de infração fiscal acostado às fls. 442 menciona, em síntese, que: Segundo o Acórdão DRJ/RJOI n° 1212.796, de 15 de dezembro de 2006, pertencente ao processo n° 18471.001676/200552, cujas cópias das principais peças foram extraídas e fazem parte do presente processo/dossiê e o Acórdão DRJ/RJl n° 9.956, de 23 de março de 2006 (Processo. n° 18471.001675/200516) foi determinado que houvesse apuração de matéria tributável concernente ao adicional de CSLL, que deixou de ser cobrado quando da lavratura do auto de infração relativo à exclusão indevida do Lucro Líquido de Provisão para Perda de Estoque no valor de R$ 46.874.759,83, bem como do IRPJ e CSLL sobre as reversões de provisão para perdas de estoque ao valor de mercado nas importâncias de R$ 9.998.416,84; R$ 5.718.000,00; R$ 610.980,77 e R$ 431.817,42. Assim sendo, foi dado o início da fiscalização em 20/06/2007, conforme Termo de início de Fiscalização, com a intimação para que o contribuinte comprovasse as reversões contábeis das provisões acima mencionadas e informando que seria apurada matéria tributável referente ao adicional de CSLL que deixara de ser cobrado (fls. 005). Em 26/09/2007 foi lavrado um Termo de Constatação Fiscal, cuja ciência ao contribuinte se deu em 01/10/2007, comunicandoo que, até aquela data, nenhuma comprovação das reversões contábeis havia sido apresentada.(fls 007) O Enquadramento Legal foi o Art. 250, inciso I, do RIR/99. Relativamente ao Auto de Infração da CSLL a Descrição dos fatos é idêntica à do IRPJ (fls. 450) e a capitulação legal foi a seguinte: Arts. 2º e §§ da Lei n° 7.689/88; 19 da Lei n° 9.249/95; 1º da Lei n° 9.316/96; 28 da Lei n° 9.430/96 e 6o da Medida provisória n° 1.858/99 e reedições. A Contribuinte foi cientificada pessoalmente em 05/12/2007 apresentando suas impugnações em 04/01/2008 (fls. 457/468, acompanhada dos documentos de fls. 469/575 para o auto de infração do IRPJ) e (fls.576/587 acompanhada dos documentos Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 17883.000381/200716 Resolução n.º 1401000.118 S1C4T1 Fl. 754 3 de fls.588/696 para o auto de infração da CSLL) as quais, em resumo, contêm as seguintes argumentações/requisições: Relativamente ao Auto de Infração de IRPJ : a) o auto de infração merece ser prontamente anulado diante de sua manifesta ilegalidade porque a fiscalização partiu de equivocadas premissas, mormente no que tange às bases de cálculo utilizadas; b) os valores considerados pela fiscalização como exclusões indevidas referemse às Reversões de Provisão para Ajuste de Peças ao Valor de Mercado, a qual havia sido, contábil e fiscalmente, realizada no anocalendário anterior na empresa incorporada pela ora impugnante e, por esta levado a tributação (pela Peugeot Citroen do Brasil S.A); c) a empresa acima citada foi incorporada pela PeugeotCitroên do Brasil Automóveis Ltda, ora impugnante, em 31/10/2002, sucedendo a incorporada em seus direitos e obrigações conforme artigo 1.116 do CC combinado com o artigo 110 do CTN; d) embora o artigo 13 da Lei n° 9.249/96 (inciso I) tenha tornado indedutível qualquer provisão, salvo as expressamente ressalvadas, dentre as quais não se encontra a provisão em tela, não se pode esquecer que, por estar relacionada a estoque pode, a qualquer momento, ser revertida, sendo esta lídima (transcreve ensinamento de Paulo Henrique Pegas asseverando que os ativos, principalmente estoques, títulos e aplicações em ações, devem ser registrados pelo custo, sendo reconhecidos pelo valor de mercado quando este for menor, devendose, neste caso, proceder a provisão para perdas, registrando uma despesa que deverá ser adicionada ao lucro líquido para fins fiscais e que esta adição, dada sua característica, é considerada temporária); e) os valores R$ 431.817,42; R$ 610.980,77; R$ 5.178.000,00 e R$ 9.998.416,84 foram adicionados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ2002 anocalendário 2001) , na ficha 9, linha 22, (valor de R$ 77.224.335,42); f) deste modo, a reversão da provisão realizada no ano calendário seguinte, procedida pela exclusão de uma provisão não dedutível(DIPJ 2003ano calendário 2002) na Ficha 09A , linha 25 nada tem de ilícito [às fls. 463/464 há um demonstrativo totalizando o valor de R$ 109.593.659,81, constante da linha 25 da Ficha 9A da DIPJ (fls. 558). Neste demonstrativo os valores indicados na letra "e" estão presentes] g) além disto, se o IRPJ incide sobre a aquisição de renda e proventos, cujo significado é o acréscimo patrimonial; e, sendo a provisão em comento relacionada ao estoque da Empresa, realizada em consonância com a prática contábil, integrando o seu ativo; temse que, a reversão da provisão em comento em nada afeta a tributação pelo imposto, vez que o mesmo apenas pode incidir sobre o acréscimo patrimonial, o que não ocorre na hipótese (transcreve o artigo 43 do CTN e ensinamentos de Leandro Paulsen e Marçal Justen Filho referentes aos conceitos de renda, proventos e acréscimo patrimonial); h) com a reversão da provisão realizada o ativo recupera seu valor, originalmente reduzido para fins de provisionamento, não acarretando, portanto, qualquer alteração de valores para fins de incidência fiscal já que o valor revertido é posto à crédito do ativo; Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 17883.000381/200716 Resolução n.º 1401000.118 S1C4T1 Fl. 755 4 i) o procedimento de exclusão do lucro líquido da provisão encontra respaldo nas perguntas e respostas relacionadas à DIPJ do ano de 2003 encontrada na página da Secretaria da Receita Federal na internet, consoante resposta à pergunta n° 517 bem como pela jurisprudência do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (transcreve a pergunta n° 517 e traz à colação duas ementas do CC); j) admitir o contrário, ou seja, a impossibilidade de exclusão do lucro líquido do valor da provisão revertida é determinar a dupla incidência do mesmo tributo sobre um mesmo valor, a saber: o valor da provisão realizada, fato este expressamente vedado pelo ordenamento jurídico pátrio e, principalmente, pela CF; A impugnante requer seja anulado integralmente o auto de infração ora hostilizado e, caso esta Delegacia não entenda pela anulação integral em razão da ausência de documentos suficientes à comprovação do exposto, requer a impugnante, desde já, na forma do artigo 29 do Decreto 70.235/72, seja o presente julgamento convertido em diligência, de forma a instruir, de forma completa, a presente defesa, propiciando o posterior acolhimento in totum da mesma. Relativamente ao Auto de Infração da CSLL: A impugnação de folhas 576 a 587 apresenta idêntica argumentação quanto à do Auto de Infração relativo ao IRPJ. Da resposta à intimação do Fisco para que fossem indicados os valores das contas que compuseram a linha 29 da ficha 6 A (Reversão dos Saldos das Provisões Operacionais na Demonstração de Resultado ) e da linha 25 da Ficha 9 A (Reversão dos Saldos das Provisões não Dedutíveis na Demonstração de Apuração do Lucro Real), declarados na DIPJ 2003 anocalendário de 2002, constante das fls 195 e 196 do processo n° 18471.001675/200516, foram extraídas fotocópias juntadas ao presente processo às fls. 700/701. A DRJ, manteve integralmente o lançamento, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 NULIDADE. Inexistindo vícios formais e tendo sido o Auto de Infração lavrado por pessoa competente não há que se cogitar de sua nulidade. DILIGÊNCIA. A solicitação por parte da Impugnante de eventual diligência para instrução probatória documental é incabível, pois o momento de sua apresentação é na entrega da impugnação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 EXCLUSÕES INDEVIDAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 17883.000381/200716 Resolução n.º 1401000.118 S1C4T1 Fl. 756 5 A provisão indedutível para efeito de apuração do Lucro Real adicionada em determinado período ao lucro líquido só pode ser excluída deste se houver reversão contábil. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE. Quando mantida a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação do IRPJ inexistem reparos a fazer na conseqüente tributação da CSLL, uma vez que em consonância ao disposto na legislação tributária aplicamse a ela as mesmas normas de apuração estabelecidas para o IRPJ. Irresignada com a decisão de primeira instância a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. A Recorrente antes do julgamento, apresentou petição solicitando que o Julgador tomasse ciência de documentos importantes que demonstrariam a efetiva reversão contábil. O Presidente da turma deferiu a anexação dos documentos e imediatamente abriu vistas desses documentos para que a Procuradoria da Fazenda Nacional também pudesse se manifestar a respeito. Na petição, a Recorrente requereu a juntada e a apreciação dos documentos em nome do princípio da verdade material, nos seguintes termos: Assim, mostramse essenciais para o devido exame da presente controvérsia os documentos oferecidos cm anexo, os quais demonstram detalhadamente a composição de cada valor declarado, restando, deste modo, plenamente comprovada a efetiva reversão contábil das provisões mencionadas, anteriormente constituídas, para perdas de estoque. Estes documentos (todos interrelacionados e compostos por partes do Lalur, telas do SAP demonstrando os estornos procedidos e partes da DIPJ, dentre outros) mostramse plenamente hábeis para comprovar, de modo completo e definitivo, a efetiva constituição da provisão e. especialmente, sua reversão contábil. Desta forma, uma vez comprovada a legalidade do procedimento contábil adotado, a glosa da exclusão importaria tributar duplamente a mesma receita (já oferecida à tributação no ano anterior).' Deve ser reconhecido como válido, portanto, o procedimento adotado pela Recorrente, o qual encontra respaldo nas orientações da própria Receita Federal do Brasil , bem como na jurisprudência desse Egrégio Conselho (...) A PFN, por sua vez, tomou vista das provas trazida aos autos e pronunciouse no sentido de baixar o feito em diligência para análise das mesmas. É o relatório. Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 17883.000381/200716 Resolução n.º 1401000.118 S1C4T1 Fl. 757 6 VOTO Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator A empresa foi autuada em face de diminuição indevida da base tributável do IRPJ e da CSLL relativa ao ano calendário de 2002. No caso, segundo a fiscalização, procedeu a exclusão não autorizada pela legislação nos seguintes valores: (a) R$ 431.817,42 (quatrocentos e trinta e um mil oitocentos e dezessete reais e quarenta e dois centavos): (b) R$ 610.980,77 (seiscentos e dez mil novecentos e oitenta reais e setenta e sete centavos); (c) R$ 5.178.000,00 (cinco milhões, cento e setenta e oito mil reais); (d) R$ 9.998.416,84 (nove milhões novecentos e noventa e oito mil quatrocentos e dezesseis reais e oitenta e quatro centavos) Segundo a Recorrente, tais valores foram excluídos da base de cálculo das referidas exações corretamente, posto que relativos à reversão de provisões para perda de estoque ao valor de mercado, nos seguintes termos: Assim, temos que os valores acima listados, considerados pela fiscalização como exclusões indevidas, pois entendidos como receitas pela mesma referemse à reversão de Provisão para Ajuste de Peças ao Valor de Mercado, a qual havia sido, contábil e fiscalmente, realizada no anocalendário anterior na empresa incorporada pela ora Recorrente e, por esta (Peugeot Citroen do Brasil S. A), levado a tributação. (g.n) O que está em questão aqui não é a possibilidade da pessoa jurídica poder constituir contabilmente as provisões que não se encontrem expressamente previstas como dedutíveis para fins da legislação do imposto de renda, bem assim ter o direito à exclusão do lucro real quando de sua reversão, caso isso aconteça. Esta questão de cunho meramente teórico está definitivamente fora de questão. A pessoa jurídica pode continuar constituindo contabilmente as provisões que entenda serem necessárias à sua atividade por meio de previsão de possível perda que o princípio da prudência impõe de forma a espelhar com fidedignidade a situação patrimonial da pessoa jurídica naquele momento. Entretanto, conforme ficou assentado na decisão de piso, na hipótese de a provisão constituída na contabilidade ser considerada indedutível para fins da legislação do imposto de renda, a pessoa jurídica deverá realizar a adição do respectivo valor ao lucro líquido do período, para a apuração do lucro real (Lalur). Apenas no período em que a provisão for revertida contabilmente, ela poderá ser excluída do lucro líquido para fins de determinação do lucro real. Pelo que consta dos autos, a lide é composta de aspecto meramente probatório. Então o ponto é este: saber se a provisão foi efetivamente revertida contabilmente, aumentando o lucro líquido contábil para daí poder ter o direito de anular seus efeitos extracontabilmente. Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 17883.000381/200716 Resolução n.º 1401000.118 S1C4T1 Fl. 758 7 Eis os exatos termos da decisão de piso: Na resposta dada à intimação do Fisco, que se encontra às fls. 700/701, para que fosse detalhada a composição do valor declarado como reversão dos saldos das provisões operacionais na Demonstração do Resultado (ficha 06/a. linha 29 da DIPJ 2003/2002), no valor de R$ 31.253.170,65 e da reversão do saldo das provisões não dedutíveis na apuração do lucro real (ficha 09/a linha 25 da DIPJ 2003/2002), no valor de R$ 109.593.659,81, observouse que foram excluídos do lucro líquido os valores de R$ 431.817,42; R$ 610.980,77 R$ 5.178.000,00 e R$ 9.998.416,84, todos concernentes a reversões de provisão para perda de estoque.(grifei) Tais valores foram anteriormente adicionados na Apuração do Lucro Real Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica da incorporada PEUGEOT CITROEN DO BRASIL S.A (DIPJ2002 anocalendário 2001) , na ficha 9, linha 22, [(compondo o valor de R$ 77.224.335,42 (fls. 561)]; (...) Na composição da linha 29 da ficha 6A da DIPJ 2003, destinada a registrar os saldos das Provisões Operacionais não utilizadas, constituídas no período imediatamente anterior, totalizando R$ 31.253.170,65. (fls. 700), não se encontram os valores R$ 431.817,42; R$ 610.980,77 R$ 5.178.000,00 e R$ 9.998.416,84, todos concernentes a reversões de provisão para perda de estoque, excluídos para efeito de apuração do Lucro Real [(linha 25 da ficha 09A da DIPJ 2003, que totalizou R$ 109.593.659,81 (fls 701)]. Segundo entendimento da DRJ, foram excluídas do lucro líquido reversões de provisão para perda de estoque que contabilmente não foram demonstradas terem sido reconhecidas como receita. . O Interessado, apesar de alertado precisamente pela decisão de piso a respeito do ponto relevante da questão conforme acima referido, não trouxe em sede recursal prova que tivesse o condão de contrariar a infração fiscal a ela imputada ou que justificasse o afastamento da exigência, se preocupando apenas em enfatizar que as adições no período anterior ocorreram. Porém, conforme relatado, foram juntados aos autos uma série de novos documentos: partes do Lalur, telas do sistema de informática da empresa, SAP e Diário, que demonstrariam os estornos contábeis e o reconhecimento das receitas. Porém, os dados estão um tanto quanto dispersos e não conclusivos, bem assim não se pode asseverar a autenticidade do livro diário, necessitando assim de uma melhor investigação, pois se vislumbra a possibilidade de a Recorrente possuir razão em suas alegações. Diante desse contexto, em respeito ao princípio da verdade material orientador do Processo Administrativo Fiscal, tornase indispensável a conversão do julgamento em diligência, para que seja adotada as seguintes providências pela Fiscalização: Verificar na contabilidade da Recorrente se os documentos trazidos são autênticos e espelhariam a reversão contábil das provisões à conta do resultado ou lucro líquido da empresa, de forma a garantir o direito da anulação extracontábil daquelas provisões feitas pela Recorrente e alvo do presente lançamento de ofício. Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 17883.000381/200716 Resolução n.º 1401000.118 S1C4T1 Fl. 759 8 Elaborar relatório conclusivo das verificações, ressalvado o fornecimento de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários, entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10950.006256/2007-20
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2006 a 31/08/2006
PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO CONTRA DIRIGENTES DE
ÓRGÃOS PÚBLICOS. ART. 41 DA LEI N.º 8.212/1991. REVOGAÇÃO.
CANCELAMENTO DAS PENALIDADES APLICADAS.
Com a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991 pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, as multas, em processos pendentes de julgamento, aplicadas com fulcro no dispositivo revogado devem ser canceladas, posto que a lei nova excluiu os dirigentes de órgãos públicos da responsabilidade pessoal por infrações à legislação previdenciária.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-000.479
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por Unanimidade de votos em dar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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AUTO DE INFRAÇÃO CONTRA DIRIGENTES DE ÓRGÃOS PÚBLICOS. ART. 41 DA LEI N.º 8.212/1991. REVOGAÇÃO. CANCELAMENTO DAS PENALIDADES APLICADAS. Com a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991 pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, as multas, em processos pendentes de julgamento, aplicadas com fulcro no dispositivo revogado devem ser canceladas, posto que a lei nova excluiu os dirigentes de órgãos públicos da responsabilidade pessoal por infrações à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por Unanimidade de votos em dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente/Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto E Renato Coelho Borelli (suplente). Ausentes os conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 385DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba, Acórdão 0617.112 5ª Turma, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal acessória. O lançamento totaliza R$ 23.902,42, consolidado em 22/11/2007 e decorreu do fato de a Câmara Municipal do Município de Campo Mourão, ter constatou deixado de exigir a apresentação da Certidão Negativa de Débito — CND e ou verificar se os documentos (CND) estavam dentro do prazo de validade, em processos de licitação. Abaixo são apresentados descrição sumária da infração e dispositivo legal infringido, dispositivo legal da multa aplicada e dispositivos legais da gradação da multa aplicada: DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO Deixar o servidor, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial de exigir Certidão Negativa de Debito CND, da empresa, quando da licitação, da contratação com o poder publico, ou no recebimento de benefícios ou de incentivo fiscal ou creditício concedidos por ele, conforme previsto na Lei 8.666, de 21.06.93, art. 29, IV, na redação dada pela Lei 8.883, de 08.06.94 e na Lei 8.212, de 24.07.91, art. 47, I, "a" e alterações posteriores, combinado com o art. 257, I,"a", e parágrafo 7. e art. 263, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. DISPOSITIVO LEGAL DA MULTA APLICADA Lei 8.212, de 24.07.91, art. 92 e art. 102 e Regulamento da Previdencia Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 283, II, "c" e art. 373. DISPOSITIVOS LEGAIS DA GRADAÇÃO DA MULTA APLICADA Art. 292, inciso I, do RPS. Inconformada com a decisão, o recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: • Os dois contratos que firmou em 2006, foram feitos cumprindo a Lei n° 8.666/93, ou seja, houve licitações. • quando presidia a Câmara Municipal de Campo Mourão, em 2006, exigiu as Certidões Negativas de Débitos, da empresa quando das contratações. • Não ocorreu nenhuma infração nas competências 04/2006 e 08/2006, pois nos referidos processos licitatórios, exigimos e tínhamos em Fl. 386DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10950.006256/200720 Acórdão n.º 240300.479 S2C4T3 Fl. 381 3 mãos CNDs válidas tanto na data de assinatura do contrato n° 31/2006, quanto na data de assinatura do contrato n° 44/2006. É o Relatório. Fl. 387DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões levantadas pela recorrente. PRELIMINAR O lançamento foi efetuado contra o Presidente da Câmara Municipal de Campo Mourão/PR, que administrou a referida Casa Legislativa no ano de 2006, procedendo, de acordo, com os ditames do artigo 41 da Lei n°8.212, de julho de 1991. Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Para análise das autuações pessoais dos gestores de órgãos públicos devese hodiernamente considerar a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991 pela MP n.º 449/20080, convertida na Lei 11.941/2009. Era exatamente o dispositivo retirado do ordenamento que permitia ao fisco alcançar pessoalmente os dirigentes de órgãos públicos pelas infrações à legislação previdenciária. Assim, ao tratar da aplicação da lei tributária no tempo, o CTN dispõe: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: quando deixe de definilo como infração; Vêse que, para esses dirigentes, a lei deixou de definir as faltas relativas ao cumprimento das obrigações acessórias previdenciárias como ilícitos administrativos. Por conseguinte, devese aplicar a lei nova aos processos ainda não definitivamente julgados, que se refiram às autuações lavradas com fulcro no art. 41 da Lei n.º 8.212/1991, cancelandose, assim, as penalidades decorrentes. Sobre essa questão não posso deixar de transcrever excerto do Parecer PGFN/CDA/CAT n.º 190/2009, de 02/02/2009, que dá o tom de qual entendimento é adotado pela Administração Tributária: 22. Inicialmente, entendemos que nesse caso aplicase a regra do art. 106 do CTN, uma vez que com a revogação do dispositivo Fl. 388DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10950.006256/200720 Acórdão n.º 240300.479 S2C4T3 Fl. 382 5 legal que dava fundamento ao lançamento contra a pessoa do dirigente, a lei deixou de definir tal conduta como infração. Em conseqüência, a aplicação da penalidade deverá ser em face da pessoa jurídica de Direito Público dotada de personalidade jurídica. 23. Em conseqüência, para os atos não definitivamente julgados administrativamente, deve a lei retroagir, implicando no cancelamento de todas as penalidades aplicadas com base no art. 41 da Lei n.º 8.212/1991 Por todo o exposto nesta preliminar, deve ser cancelado o lançamento, restando prejudicado o exame de mérito. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto por dar provimento do recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 389DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 12897.000045/2010-04
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1302-000.309
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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(sucessora por incorporação de FICAP S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Gilberto Baptista, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório NEXANS BRASIL S.A. (sucessora por incorporação de FICAP S.A.), já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1231.318, de 16/06/2010, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Rio de Janeiro I / RJ, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 28 97 .0 00 04 5/ 20 10 -0 4 Fl. 669DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0221.14063.PFQN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12897.000045/201004 Resolução nº 1302000.309 S1C3T2 Fl. 670 2 Versa o presente processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo Fisco dos autos de infração de IRPJ (fls. 27/33), no valor de R$ 2.992.387,83 e de CSLL (fls. 34/40), no valor de R$ 1.085.899,62, acrescidos da multa de oficio de 75% e dos juros de mora. 0 entendimento do Fisco encontrase pautado nas seguintes afirmativas (fls. 29 e 36): a) Foram constatados valores excedentes de compensações de prejuízos fiscais de apurações anteriores e da base de cálculo da CSLL (conforme extratos do sistema SAPLI/RFB — fls. 41/56), nos valores, respectivamente, de R$ 700.519,00 para o ano de 2005; de R$ 11.365.032,39 para o ano de 2006; b) O interessado, em resposta à intimação efetuada, apresentou uma planilha contendo os saldos de Prejuízos Fiscais e de Base Negativa de Contribuição que, segundo ele, estariam vigentes no período de 31/12/1998 a 31/03/2009; c) Da análise dos valores presentes na planilha, foi verificado que não foram considerados os valores de redução do prejuízo fiscal e da base negativa decorrentes de auto de infração. Devidamente cientificada (fls. 28 e 35) em 10/02/2010, a interessada, em 12/03/2010 (fls. 61/94), apresentou impugnação, instruída com a documentação de fls. 95/412, cujo teor, em síntese, a seguir se reproduz: I Das Preliminares · A suposta conduta da impugnante foi descrita de forma vaga e imprecisa, não sendo obrigada a "advinhar" se essa ou aquela "infringência" consta ou não do auto de infração ora impugnado, o que enseja a nulidade do presente auto de infração; · O contribuinte tem o direito de saber qual a infração que lhe está sendo imputada, bem como as razões que levaram os agentes fiscais a exigirem o tributo; · Adicionase a isso o fato de o Fisco ter lavrado o auto de infração contra a FICAP S/A, empresa essa que foi totalmente extinta ao ser incorporada pela NEXANS BRASIL S/A em 01/08/2009 (documentação anexa); · Também ressaltou que ocorrera a decadência do direito de exigir o tributo, já que se passaram mais de cinco anos para o lançamento se constituir tanto para 2005 quanto para 2006; II Do Direito · Os saldos dos prejuízos fiscais e das bases negativas encontramse em perfeita consonância com as normas previstas na legislação tributária; · Entretanto, a diferença encontrada pelo Fisco se explica em função do reconhecimento das parcelas referentes à amortização do ágio contabilizado pela FICAP S/A na apuração da base de calculo do IRPJ e da CSLL entre os anos de 2001 a 2005; Fl. 670DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0221.14063.PFQN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12897.000045/201004 Resolução nº 1302000.309 S1C3T2 Fl. 671 3 · Ocorre que os resultados da FICAP S/A, fundamento econômico do ágio, não foram suficientes para absorver a amortização mensal, o que acarretou o aumento dos saldos dos prejuízos fiscais e das bases negativas da CSLL; · A comprovação da existência do ágio registrado pela FICAP S/A provocará o cancelamento do Auto de Infração ora contestado, uma vez que restará demonstrado que a presente exigência carece de embasamento fático e jurídico; · O registro do ágio na FICAP S/A teve origem em operação de reorganização societária realizada no anocalendário de 2001, a qual tão somente possibilitou a internalização no Brasil do ágio já pago e registrado no exterior. Portanto, não há que se discutir acerca da existência ou não do ágio contabilizado pela FICAP S/A; · Cumpre observar, também, que o Fisco relata na peça fiscal que os saldos dos prejuízos fiscais e das bases negativas de CSLL estariam indevidamente majorados, em função de a impugnante não ter efetuados as "reduções" necessárias "decorrentes dos processos de autos de infração"; · Ocorre que o Fisco olvidou que o crédito tributário constituído pelo presente auto de infração já se encontra com a exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, III, do CTN, em razão da discussão travada nos autos dos citados processos administrativos em que a apelante se defende contra as exigências da RFB; · Diante do exposto, resta claro que a exigibilidade do crédito tributário relativo ao IRPJ e à CSLL, nos anos de 2005 e 2006, encontrase suspensa, razão pela qual o auto de infração merece ser integralmente cancelado; · No caso em questão, não há que se falar em infração, pois existe discussão administrativa pendente de julgamento relacionada à composição dos Prejuízos Fiscais e das Bases Negativas de CSLL que foram aqui invalidados. Ocorre que com a suspensão da exigibilidade do crédito pela apresentação de defesa administrativa, é defeso, nessas condições, ao Fisco a lavratura do auto de infração; · Os argumentos aplicáveis ao IRPJ também deverão ser ampliados para a CSLL; III Da Aplicação de Multa e Juros de Mora · A impugnante considera descabida a exigência de uma multa de oficio de 75%, já que a sociedade autuada, FICAP S/A foi incorporada pela NEXANS BRASIL S/A, o que ensejou a extinção daquela outra sociedade; · As sociedades incorporadoras não respondem pelas multas que decorram de conduta praticadas pelas sociedades incorporadas; · Além disso, mesmo que não seja acolhida a tese da incorporação, cumpre ressaltar que não se pode aplicar ao caso multa de oficio de 75%, já que por mais grave que seja o ilícito não se justifica a fixação de uma Fl. 671DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0221.14063.PFQN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12897.000045/201004 Resolução nº 1302000.309 S1C3T2 Fl. 672 4 penalidade que exproprie o sujeito passivo de parcela de seu patrimônio de forma desproporcional a infração; · Questiona ainda indexação dos juros de mora a taxa SELIC; · E, finalmente, protesta pela juntada posterior de documentos e, na hipótese de discussão do valor dos saldos dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo da CSLL, pela realização de perícia contábil. A 4ª Turma da DRJ em Rio de Janeiro I / RJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1231.318, de 16/06/2010 (fls. 571/585), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Quando o instrumento de lançamento encontrase com todas as formalidades preenchidas, cai por terra a argumentação genérica de nulidade do feito. ILEGITIMIDADE PASSIVA. A indicação no polo passivo da obrigação tributária de pessoa jurídica constituída à época dos fatos, após a data da incorporação, é procedimento regular, que não pode provocar a nulidade do lançamento, pois ausente qualquer prejuízo para o contribuinte, haja vista inexistir cerceamento ao direito de defesa, mesmo diante de uma suposta incorporação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. 0 processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração impulsionar o processo até sua decisão final. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005, 2006 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. O controle de constitucionalidade dos atos legais é matéria afeta ao Poder Judiciário. Descabe as autoridades administrativas de qualquer instância examinar a constitucionalidade das normas inseridas no ordenamento jurídico nacional. DECADÊNCIA. Cabível o auto de infração fundamentado em períodos atingidos pela decadência, mas que influenciaram a apuração do lucro real de exercícios seguintes, tais como lucro inflacionário e prejuízo fiscal, desde que estes elementos não resultem da revisão do resultado contábil daquele período. MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES. Fl. 672DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0221.14063.PFQN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12897.000045/201004 Resolução nº 1302000.309 S1C3T2 Fl. 673 5 A incorporadora responde pelo pagamento da multa de oficio decorrente de operações da sucedida, principalmente, quando a sucessora é sócia controladora da incorporada. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. E legitima a cobrança de juros de mora calculados com base na Taxa SELIC, pois tal cobrança não representa ofensa As disposições do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. Quando a origem da autuação já foi apreciada tanto no âmbito das DRJ quanto na sede do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os autos de infração que dela dependam deverão colher a mesma sorte. Ciente da decisão de primeira instância em 30/08/2010, conforme Aviso de Recebimento à fl. 600, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 29/09/2010 conforme carimbo de recepção à folha 603. No recurso interposto (fls. 605/639), após historiar o ocorrido, sob sua ótica, a interessada repisa, com as mesmas palavras, os argumentos trazidos em sede de impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Do exame dos autos, constato que o processo não se encontra em condições de julgamento. É que a principal discussão de mérito, neste processo, diz respeito à autuação por glosa de prejuízos fiscais insuficientes, compensados indevidamente, nos anoscalendário 2005 e 2006 (fls. 32/33). O mesmo sucedeu com as base de cálculo negativas da CSLL (fls. 39/40). A origem das diferenças apuradas pelo Fisco se encontra no processo administrativo fiscal nº 18471.000656/200645, no qual a FICAP S.A. foi autuada e, em consequência, foram revistos os prejuízos fiscais e saldos negativos de CSLL por ela apurados nos anoscalendário 2001, 2002, 2003 e 2004. Diante do exposto, tenho por certo que a matéria discutida naquele processo (nº 18471.000656/200645) constitui prejudicial à decisão que se há de proferir neste (nº 12897.000045/201004), pelo que voto por converter o julgamento em diligência, para que: Fl. 673DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0221.14063.PFQN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12897.000045/201004 Resolução nº 1302000.309 S1C3T2 Fl. 674 6 a) Os autos sejam encaminhados à Unidade Preparadora, para que lá aguardem a decisão definitiva na instância administrativa do processo nº 18471.000656/200645; b) A Unidade Preparadora faça acostar aos presentes autos cópia da decisão definitiva na instância administrativa do processo nº 18471.000656/200645; Concluída a diligência, deve ser dada ciência à recorrente do relatório, concedendolhe prazo para se manifestar nos autos, caso o deseje. A seguir, o processo deve retornar ao CARF para prosseguimento do feito. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 674DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0221.14063.PFQN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por WALDIR VEIGA ROCHA em 09/05/2014 14:33:00. Documento autenticado digitalmente por WALDIR VEIGA ROCHA em 09/05/2014. Documento assinado digitalmente por: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR em 16/05/2014 e WALDIR VEIGA ROCHA em 09/05/2014. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 10/02/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP10.0221.14063.PFQN Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 4C40A38D8899EBB33F614894E7B1C6246EC37D50 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 12897.000045/2010-04. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10768.008260/2002-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1402-000.044
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Viviani Aparecida Bacchmi, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Resolução n.º 140200.044 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório A 6a. TURMA DRJ NO RIO DE JANEIRO I RJ, com fulcro no artigo 34 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorreu a este Conselho em face da decisão de primeira instância, que julgou improcedente a exigência constituída contra a empresa ANGRA PARTICIPACOES LTDA, no valor total de R$ 2.866.609,83 (consectarios legais até maio de 2002, incluso a multa de oficio qualificada de 150%). O recurso foi apreciado pela 5a. Câmara do 1o. Conselho de Contribuintes que na assentada de 8/11/2006 proferiu o acórdão 10516.118, anulou a decisão recorrida, determinando que nova fosse proferida. Aludido acórdão traz a seguinte ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO DE OFÍCIO SUPRIMENTO DE OMISSÃO NA APRECIAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE LANÇAR PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO Tendo a decisão recorrida se omitido na apresentação do exame das razões de mérito 'relativamente a períodos não alcançados pela decadência ou qualquer outra preliminar, é de se repetir o julgamento para sanar a omissão por outro julgamento limitado à omissão, tornando assim possível a apreciação do recurso necessário. A DRJ proferiu então nova decisão, mantendo a exoneração integral do credito tributário, fls. 894 e seguintes, sendo que, em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: 1. Em decorrência da ação fiscal determinada pela DEINF/RJ, foram lavrados dois autos de infração para exigir da interessada: 1.1. no primeiro (fls. 564/568), imposto sobre a renda de R$ 420.905,09 (IRPJ), juros de mora e multa agravada; e 1.2. no segundo (fls. 569/573), contribuição social sobre o lucro líquido de R$ 393.438,46 (CSLL), juros de mora e multa agravada. 2. O auto de infração que exige IRPJ decorreu da glosa de perdas ocorridas nos anos calendário de 1996 e 1997, em função de serem, segundo o autuante, oriundas de operações simuladas com opções flexíveis de dólar. 3. Alicerçouse a glosa das perdas nos artigos 195, 197, 242 e 243 do Regulamento do Imposto sobre a Renda aprovado pelo Decreto nº 1.041, de 11.01.1994 (RIR/1994). 4. A exigência da CSLL, fundada também na falta de comprovação das mesmas perdas, decorreu meramente do auto de infração que exige IRPJ, e se embasou no art. 2º da Lei nº 7.689, de 1988, no art. 19 da Lei nº 9.249, de 1995, alterado pelo art. 2º da Emenda Constitucional nº 10, de 1996, nos artigos 1º e 2º da Lei nº 9.316, de 1996, e no art. 28 da Lei nº 9.430, de 1996. 5. No termo de verificação fiscal de fls. 518/563 (TVF), o autuante: 5.1. inicialmente, presta informações sobre a forma de constituição da interessada e os seus objetivos; 5.2. registra o seu entendimento acerca do mercado de opções, de derivativos e de opções flexíveis de dólar; 5.3. conceitua “hedge”; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Resolução n.º 140200.044 S1C4T2 Fl. 3 3 5.4. diz que, após analisar o patrimônio da interessada, não verificou a existência de riscos que justificassem a contratação de operações de opções flexíveis a título de “hedge” no volume em que foi contratado; e 5.5. depois, relata, em síntese: 5.5.1. que, com base no Razão e nas notas de negociação e no relatório de movimentação, ambos emitidos pela Bolsa de Mercadorias & Futuros – BM&F (fls. 148/166), verificou a ocorrência de nove operações realizadas entre 29.01.1996 e 23.01.1997; 5.5.2. que o ativo objeto de oito dessas operações, segundo um demonstrativo apresentado no próprio termo de verificação fiscal (fls. 532), era o dólar americano, e o da operação restante era o IBV; 5.5.3. que, exceto a última, realizada em janeiro de 1997 e cuja contraparte foi uma empresa denominada Vic Ltda., as demais foram intermediadas pelas corretoras Quality e Somartec, e tiveram como contraparte essas mesmas corretoras; 5.5.4. que a terceira e a oitava operações apresentadas no referido demonstrativo foram realizadas em mercado de balcão e contabilizadas com base nas notas de negociação emitidas pela corretoras que as intermediaram; as demais foram registradas na BM&F, conforme comprova o relatório de fls. 130/133; 5.5.5. que, pelo fato de a interessada ter computado, como despesas dedutíveis, as perdas apuradas nas operações, decidiu verificar se os ganhos auferidos pelas contrapartes foram oferecidos à tributação; 5.5.6. que diligências realizadas na Quality e Somartec revelaram que elas intermediaram tais operações por conta de Swap Com. Imp. Exp., Maranduba Comercial, Construdino Eng. e Construções, Montreal Assessoria, Multipar Empreendimentos, Santa Juliana Construções e Empril Assessoria; 5.5.7. que os sistemas informatizados da então Secretaria da Receita Federal revelaram: a) que essas empresas se encontravam em situação não regular (por jamais ter apresentado declaração de rendimentos ou feito qualquer tipo de recolhimento) ou inapta (ausência de declarações desde o exercício de 1997); b) que não se localizavam e talvez jamais tenham se localizado nos endereços fornecidos à Secretaria da Receita Federal; e c) que não foram encontrados nem os seus proprietários nem as pessoas que constavam nos cadastros da SRF como seus representantes legais; 5.5.8. que, desse modo, tornouse impossível comprovar o registro e a tributação dos ganhos obtidos pelas contrapartes nos negócios que, em contrapartida, resultaram em perdas para a interessada; 5.5.9. que a ação fiscal foi deflagrada por uma representação da Delegacia de Instituições Financeiras em São Paulo, para investigar os envolvidos na CPI dos Títulos Públicos; 5.5.10. que, de acordo com as investigações procedidas pela Polícia Federal, várias empresas foram constituídas de forma fictícia, com o intuito de desviar recursos públicos; 5.5.11. que o resultado de tais investigações é mais uma prova de que a interessada, em 1996 e 1997, tinha pleno conhecimento de que as contrapartes das operações em questão eram inidôneas; 5.5.12. que essas operações, embora revestidas de uma série de formalidades, tais como boletos de operação, registros nos arquivos da BM&F e intermediação de corretoras de Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Resolução n.º 140200.044 S1C4T2 Fl. 4 4 valores, nunca ocorreram de fato e tiveram como exclusivo objetivo apenas forjar prejuízos dedutíveis na apuração do imposto de renda e transferir recursos para terceiros; 5.5.13. que é bastante ilustrativo da premeditação do prejuízo, o fato de uma experiente instituição financeira, como era a interessada, perder R$ 448.000,00 que, à época, representavam em torno de US$ 448.000,00 em negócios financeiros realizados com empresas comerciais, de participação, de assessoria e até mesmo de construção, quando o corriqueiro é ocorrer exatamente o contrário; ou seja, nas vezes em que empresas não financeiras se aventuram nos mercados de risco, elas, em geral, acabam amargando prejuízos; e 5.5.14. que o dolo está caracterizado, ao menos em tese, pelo fato de a interessada, apesar de conhecer detalhadamente os procedimentos de registro e as características das operações de opções flexíveis, contratar operações desse tipo com pessoas inidôneas, para simultaneamente estabelecer um fluxo de pagamentos a terceiros não identificados e registrar uma despesa cuja conseqüência é a redução do recolhimento de impostos e contribuições. 6. Cientificada das exigências em 21.05.2002, a interessada as impugnou no dia vinte do mês seguinte (fls. 595/661). Alegou, em síntese: 6.1. que, por serem o IRPJ e a CSLL tributos submetidos a lançamento por homologação e terem os seus fatos geradores ocorrido nos meses de dezembro de 1996 e de 1997, já havia se expirado, à época da lavratura e ciência dos autos de infração maio de 2002, o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN, pelo menos quanto aos fatos geradores ocorridos em 1996; 6.2. que ainda que se entenda que a suposta infração que lhe foi imputada estivesse eivada de dolo, fraude ou simulação, também já teria se consumado a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo a 1996; 6.3. que, verificado o dolo, a fraude ou a simulação em relação a tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a jurisprudência administrativa entende que a regra de decadência se desloca do § 4º do art. 150 do CTN para uma das hipóteses do art. 173 do mesmo código, como demonstram as ementas que transcreveu; 6.4. que, de acordo com o referido art. 173, operase a decadência, como regra geral, no prazo de cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, e que, caso já tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento, o prazo de decadência se inicia na data dessa notificação; 6.5. que a jurisprudência administrativa se consolidou no sentido de que a entrega da declaração de rendimentos é medida indispensável à constituição do lançamento e, por conseguinte, que o prazo decadencial do IRPJ e da CSLL se inicia na data da sua entrega e não no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 6.6. que, no presente caso, como a sua declaração de rendimentos relativa ao período base de 1996 foi apresentada em 28.04.1997 (fls. 733), o direito à constituição do crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos naquele período decaiu em 28.04.2002; e 6.7. que, assim, o lançamento lavrado em 16.05.2002, do qual ela tomou ciência no dia vinte e um seguinte, foi fulminado pela decadência. 7. No que tange ao mérito, argumentou basicamente: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Resolução n.º 140200.044 S1C4T2 Fl. 5 5 7.1. que, do início de 1996 a janeiro de 1997, acreditava na desvalorização do real frente ao dólar; 7.2. que, por isso, adquiriu, por meio de operações com opções flexíveis de câmbio, o direito de comprar dólares por valores previamente ajustados; 7.3. que, frustrandose a sua expectativa, deixou de exercer o direito de comprar a moeda norteamericana e, assim, sofreu perdas correspondentes aos prêmios pagos; 7.4. que tais perdas foram glosadas sob o argumento de que elas não eram necessárias e que decorreram de operações simuladas com opções flexíveis registradas na Bolsa de Mercadorias e de Futuros (BM&F); 7.5. que eram desnecessárias para suas atividades, segundo o autuante, porque: a) as opções tinham natureza de cobertura de riscos (hedge) e ela não corria riscos que justificassem a proteção; e b) que as perdas com opções não guardaram qualquer correlação lógica com os resultados positivos da sua atividade principal, a de intermediação financeira de títulos e valores mobiliários; 7.6. que foram simuladas as operações porque ela conhecia as contrapartes das operações e porque havia indícios de que as operações foram realizadas com fins outros que não os normais; 7.7. que o conhecimento das contrapartes por ela foi inferido a partir de declaração de representante da BM&F de que, nas operações com opções flexíveis sem garantia, os contratantes se conhecem; 7.8. que a presunção de que as operações não foram realizadas para seus fins normais partiu: a) da improbabilidade das perdas sofridas, uma vez que a sua experiência no mercado financeiro seria muito maior que a das contrapartes, empresas comerciais; b) do fato de não ter exigido qualquer tipo de garantia das contrapartes para efeito de recebimento de eventual ganho auferido nas operações; e c) da convicção de que elas, empresas inidôneas e inativas, não ofereceram à tributação os ganhos auferidos nas operações; 7.9. que, nesse particular, o auto é também improcedente, pois: 7.9.1. as operações com opções flexíveis não se prestam apenas a “hedge”; podem ser também especulativas; 7.9.2. as operações em questão tiveram finalidade especulativa, e essa é uma atividade típica das instituições de mercado, como é o seu caso, razão pela qual as respectivas perdas são inerentes ao seu negócio, conforme reconhecido em lei; 7.9.3. em decorrência do princípio da legalidade, a ocorrência do fato gerador do tributo deve ser provada, e não apenas presumida pela autoridade administrativa, como o foi; e 7.9.4. além de não ter havido a prova, as suposições do autuante foram extraídas de premissas equivocadas, haja vista: a) que ela não conhecia as contrapartes das operações, as quais foram liquidadas por intermédio de corretoras; b) que não auferiu nenhum benefício com as operações, uma vez que os prêmios pagos não lhe foram restituídos nem mesmo indiretamente; c) que as operações foram efetuadas com o propósito normal de lucro, e o prejuízo sofrido decorreu do risco inerente à natureza especulativa do negócio; d) que as opções adquiridas foram regulares, tanto que foram objeto de registro na BM&F, e não apresentaram parâmetros artificiais nem nenhuma outra característica encontrada em operações fraudulentas; e e) que a dedutibilidade das perdas não está nem poderia estar condicionada à tributação dos ganhos auferidos pelas contrapartes nas operações. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Resolução n.º 140200.044 S1C4T2 Fl. 6 6 8. Depois de dizer que o autuante argüiu que as operações contratadas não eram necessárias às suas atividades porque as opções flexíveis têm natureza de cobertura de riscos (“hedge”) e ela não corria riscos que justificassem essa cobertura, houve por bem a interessada explicar: 8.1. que as operações com opção flexível podem ser praticadas não só com finalidade de proteção, mas também com fins especulativos; 8.2. que “hedge” e especulação são propósitos antagônicos, mas podem legitimamente justificar a celebração de contratos de opção; 8.3. que foi exatamente o que ela fez sem qualquer simulação; 8.4. que a perda sofrida com a negociação de uma opção com fins de “hedge” é tão dedutível quanto uma com fins especulativos, não havendo lei que faça tal distinção; 8.5. que, muito pelo contrário, no caso de instituições de mercado, como ela era, há lei que permite deduzir as perdas sofridas nas operações de renda variável realizadas em bolsa ou no mercado de balcão, independentemente de terem fins de “hedge” ou de especulação; 8.6. que, com efeito, assim dispõem os artigos 76 e 77 da Lei nº 8.981, de 1995, com as alterações introduzidas pelas Leis nº 9.065 e nº 9.249, ambas de 1995: "Art. 76. O Imposto sobre a Renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, ou pago sobre os ganhos líquidos mensais, será: § 4° Ressalvado o disposto no parágrafo anterior, as perdas apuradas nas operações de que tratam os arts. 72 a 74 somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o limite dos ganhos auferidos em operações previstas naqueles artigos. Art. 77. O regime de tributação previsto neste Capítulo não se aplica aos rendimentos e ganhos líquidos: I em aplicações financeiras de renda fixa de titularidade de instituição financeira, inclusive sociedade de seguro, previdência e capitalização, sociedade corretora de títulos, valores mobiliários e câmbio, sociedade distribuidora de títulos e valores mobiliários ou sociedade de arrendamento mercantil. III nas operações de renda variável realizadas em bolsa, no mercado de balcão organizado, autorizado pelo órgão competente, ou através de fundos de investimento, para a carteira própria das entidades citadas no inciso I; V em operações de cobertura (hedge) realizadas em bolsa de valores, de mercadoria e de futuros ou no mercado de balcão"; 8.7. que, no caso de “hedge”, as perdas sofridas em operações de bolsa ou de balcão são dedutíveis sem qualquer restrição tanto para as pessoas jurídicas nãofinanceiras quanto para as instituições de mercado (art. 77, V). Todavia, em relação às perdas sofridas em operações especulativas realizadas em bolsa ou no mercado de balcão, a lei dispensou tratamento tributário diferenciado às instituições de mercado, até mesmo às distribuidoras de títulos e valores mobiliários, como era o seu caso; enquanto para as empresas nãofinanceiras tais perdas somente são dedutíveis até o limite dos ganhos auferidos em operações realizadas nos mesmos mercados (art. 76, § 4º), para as instituições de mercado tais perdas são dedutíveis na determinação do lucro real sem qualquer restrição (art. 77, III); e Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Resolução n.º 140200.044 S1C4T2 Fl. 7 7 8.8. que o autuante reconheceu o caráter especulativo das suas operações, na medida em que não identificou, nos seus saldos patrimoniais, riscos a serem cobertos por operações de “hedge”, mas equivocouse ao imaginar que a finalidade das operações com opções flexíveis seria, pelo fato de ela não possuir riscos, a de simular perdas. 9. Em seguida, a interessada passou a atacar a acusação de que teria havido simulação nas operações por ela realizadas. Assim, alegou, em resumo: 9.1. que, segundo o autuante, tais operações foram simuladas, uma vez que o seu real objetivo foi transferir recursos a terceiros e simultaneamente aumentar suas perdas dedutíveis na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL; 9.2. que, considerando que ninguém desembolsaria cem por cento (correspondentes às perdas) para auferir benefício tributário de apenas quarenta e oito por cento (correspondentes à aplicação das alíquotas do IRPJ e da CSLL, vigentes à época, sobre as perdas incorridas), cabia ao autuante provar que os respectivos prêmios não foram pagos ou que lhe foram de alguma forma, direta ou indiretamente, restituídos, para demonstrar a simulação existente nas operações realizadas com opções flexíveis; não há, porém, uma única prova nesse sentido nas quarenta e seis páginas do TVF; 9.3. que, ao contrário, constatase que as operações realizadas estão amparadas por documentação que comprova a sua efetividade e regularidade bem como a efetividade da respectiva liquidação financeira, a qual é sempre feita por intermédio das corretoras que representam os investidores; 9.4. que as operações foram intermediadas pelas corretoras Quality, Somartec e Liquidez, com a devida obediência às regras e aos parâmetros expedidos pela BM&F; 9.5. que todas elas estão suportadas por notas de negociação (fls. 738/747); 9.6. que, exceto a realizada em 29.05.1996, as demais constam do relatório emitido pela BM&F (fls. 749/752), que comprova o registro das operações naquela entidade; 9.7. que, nesse particular, cumpre ressaltar que o registro das operações na BM&F é de responsabilidade exclusiva das corretoras que as intermedeiam, e que a eventual falta de registro de uma operação não pode justificar a glosa da respectiva perda, considerando se que o prêmio referente à compra da opção foi pago por meio da corretora interveniente; 9.8. que a operação realizada em 29.01.1996 foi liquidada por meio de cheque em favor da Quality (fls. 754) e sacado por ela, conforme comprova o extrato bancário de fls. 756; 9.9. que as demais operações, até mesmo a não registrada na BM&F por omissão da corretora, foram liquidadas por intermédio da Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos (CETIP), conforme os documentos de fls. 758/766; 9.10. que, dos documentos acostados à impugnação, inferese que apenas as corretoras tinham relação direta com os investidores ditos inidôneos; 9.11. que o autuante afirmou que ela conhecia as contrapartes das operações com base na carta de fls. 469, na qual a BM&F declara que, nas operações com opções flexíveis sem garantia, as partes se conhecem; 9.12. que, no entanto, em uma outra carta (fls. 769 e 770), a BM&F, ao ser indagada se podem as corretoras intermediar, registrar e levar a termo as operações com opções flexíveis sem garantia e efetuar a liquidação sem que seus respectivos clientes se Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Resolução n.º 140200.044 S1C4T2 Fl. 8 8 conheçam, respondeu que “tratandose de operações sem garantia que, portanto, oferecem risco de crédito para os contratantes, as partes devem se conhecer. Todavia, podem ocorrer situações em que as partes não se conhecem. Essas situações ocorrem quando uma corretora, em face do mandato que lhe é outorgado no contrato de intermediação corretora/cliente (administração da corretora), age por conta e ordem do cliente”; 9.13. que um ponto crucial da nova carta da BM&F, o qual não constava da carta anterior, a de fls. 469, é o de que o conhecimento recíproco entre os contratantes não pode ser atestado quando há corretora atuando por conta e ordem de cliente; e 9.14. que, assim, resta demonstrado que, em operações realizadas por corretoras por conta e ordem de seus clientes, não é obrigatório nem indispensável que as partes se conheçam, e que, de resto, a simples possibilidade de os contratantes não se conhecerem já é suficiente para impedir que se repute provada uma das premissas em que se baseou o autuante para presumir simuladas as operações. 10. No que tange à regularidade das operações em questão, ponderou a interessada, em suma: 10.1. que as perdas decorreram de uma estratégia especulativa centrada na expectativa de que o dólar iria se valorizar acima dos parâmetros da política cambial vigente à época; 10.2. que tal expectativa decorria, por sua vez, de diversos fatores macroeconômicos e até mesmo: a) da crise do México ocorrida em 1995, em razão da qual o Brasil alterou sua política monetária, aumentando a taxa de juros; e b) da introdução do sistema de bandas cambiais, sem um compromisso firme do Governo Federal em sustentar tal política cambial; 10.3. que, no entanto, a esperada desvalorização só veio a ocorrer tempos depois; 10.4. que, como argumento adicional para demonstrar a ausência de artificialismos nas operações realizadas, deve ser registrado que as perdas sofridas derivaram de pequena variação do dólar, pois, caso o real tivesse se desvalorizado acima dos percentuais de 1,73%, 0,63%, 0,41%, 0,74%, 1,10%, 0,43% e 2,81% quando da liquidação das operações cujos vencimentos ocorreram em março, junho, julho, agosto, outubro, novembro e dezembro de 1996, respectivamente, ela teria auferido lucros, por ter adquirido as opções; 10.5. que o fato de ela não exigir garantia quando da contratação das opções não serve como prova de simulação porque a exigência ou não de garantias depende exclusivamente da política de risco de cada investidor; 10.6. que, a propósito, ela não recebia nem oferecia garantias em suas operações de intermediação financeira; 10.7. que a sua garantia residia, em última análise, nas corretoras que atuavam por conta e ordem das contrapartes e não nestas últimas, que ela sequer conhecia; 10.8. que também obteve ganhos em operações com opções flexíveis (fls. 749/752), os quais lhe foram creditados pelas corretoras intervenientes; 10.9. que o fato de as contrapartes estarem em situação irregular perante a Receita Federal e não terem oferecido à tributação os ganhos obtidos não serve para demonstrar o intuito de fraude que, segundo o autuante, motivou as operações com opções flexíveis; Fl. 8DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Resolução n.º 140200.044 S1C4T2 Fl. 9 9 10.10. que é absurda a glosa das perdas sofridas, sob o fundamento de que os ganhos auferidos pelas contrapartes não foram oferecidos à tributação, porque, nos termos da legislação tributária, a eliminação de determinada despesa somente é justificada pela falta de comprovação ou pela desnecessidade dela; e 10.11. que, assim, restou demonstrado que os indícios levantados pelo autuante não são fatos comprovados e, portanto, não revelam irregularidade alguma nas operações discutidas nem caracterizam a alegada simulação das perdas. 11. A interessada reclamou também do procedimento fiscal, por ele ter desrespeitado, segundo ela, o princípio da legalidade e da tipicidade. Alegou, em síntese: 11.1. que o lançamento tributário só é válido se demonstrada a ocorrência do fato gerador do imposto, pois a exação baseada em mera possibilidade dessa ocorrência ofende os princípios da legalidade e da tipicidade; 11.2. que, no entanto, a autuação decorreu de presunção simples, que é aquela que parte de um fato conhecido (indício) e, depois de estabelecer uma relação de causalidade, chega a um fato desconhecido que é o resultado lógico de um encadeamento de fatos; 11.3. que, quando essa relação de causalidade é prevista em lei, a presunção é classificada como legal; 11.4. que, nestes autos, o autuante presumiu simuladas as operações realizadas a partir das premissas de que ela conhecia as contrapartes e de que tais operações foram praticadas com fins outros que não os normais; e 11.5. que, como essa presunção não está prevista em lei e não foi comprovada a relação de causalidade exclusiva entre as premissas e a simulação da perda, o procedimento fiscal não pode prevalecer. 12. Também reclamou a interessada: 12.1 que não foi considerada, na determinação da matéria tributável do IRPJ do anocalendário de 1996, a CSLL apurada de ofício; e 12.2. que a jurisprudência administrativa é no sentido de que tal contribuição era, até o anobase de 1996, dedutível na apuração do IRPJ, conforme comprovam as ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes transcritas na impugnação. 13. Por fim, a interessada investiu contra o auto de infração que lhe exige CSLL. Disse: 13.1. que, em razão da decorrência do de IRPJ, ele é improcedente pelas mesmas razões expostas contra aquele outro; 13.2. que, todavia, mesmo no caso de o auto de infração principal ser declarado procedente, a exigência da CSLL reflexa deve ser modificada, de forma que a alíquota empregada no seu cálculo seja igual à aplicável às pessoas jurídicas não financeiras e, assim, seja respeitado o princípio da isonomia; e 13.3. que o aumento da CSLL pela Emenda Constitucional nº 10, de 04.03.1996, ofendeu: a) a forma federativa de estado e o princípio da legalidade, uma vez que emenda constitucional não é lei da União Federal nem instrumento legislativo idôneo para aumento de tributos federais; e b) os princípios da anterioridade e da irretroatividade da lei, pois foi cobrado sobre fatos geradores iniciados em 01.01.1996. 14. Ao julgar os autos de infração, esta Turma de Julgamento, que, à época, tinha outra composição, proferiu o acórdão nº 8.893, de 17.11.2005 (fls. 815/817), assim ementado: Fl. 9DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Resolução n.º 140200.044 S1C4T2 Fl. 10 10 “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário relativo ao imposto de renda decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, salvo ocorrência comprovada de dolo, fraude ou simulação, em virtude de, desde o advento da Lei nº 8.383, de 1991, ser por homologação o lançamento do referido tributo”. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. DESPESAS OPERACIONAIS. NEGÓCIOS COM OPÇÃO FLEXÍVEL DE DÓLAR. PERDAS. COMPROVAÇÃO. Descabe a glosa das perdas verificadas em negócios com opção flexível de dólar, se a fiscalização não logra comprovar que tais perdas foram forjadas para reduzir a base de cálculo do tributo. Lançamentos Improcedentes” 15. Ao apreciar o recurso de ofício interposto pelo presidente da Turma de Julgamento, a Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes houve por bem: a) anular o referido acórdão, sob o argumento de que a decisão recorrida se omitiu “na apresentação do exame das razões de mérito relativamente a períodos não alcançados pela decadência ou qualquer outra preliminar”; e b) determinar a repetição do julgamento, com a recomendação de que ele deve se limitar à omissão. 16. Cientificada do acórdão em 15.03.2007, a interessada apresentou, na mesma data, a petição de fls. 870 e 871, na qual informou que não apresentará recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais por confiar que a total improcedência do lançamento será confirmada pela nova decisão de 1ª instância a ser proferida. 17. À petição ela anexou memorial dirigido aos conselheiros da câmara que julgou o recurso de ofício (fls. 872/875) e um parecer econômico de autoria da Tendências Consultoria Integrada sobre as suas operações com opções flexíveis realizadas em 1996 e 1997. A nova decisão recorrida. está assim ementada: LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário relativo ao imposto de renda decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, salvo ocorrência comprovada de dolo, fraude ou simulação, em virtude de, desde o advento da Lei nº 8.383, de 1991, ser por homologação o lançamento do referido tributo. CUSTOS OPERACIONAIS. NEGÓCIOS COM OPÇÃO FLEXÍVEL DE TAXA DE CÂMBIO. PERDAS. COMPROVAÇÃO. As efetivas perdas em negócios com opção flexível de taxa de câmbio são admissíveis como operacionais, por serem inerentes e normais ou usuais nas atividades das instituições financeiras, e reduzem regularmente, portanto, o seu lucro real, de acordo com o art. 242 do RIR/1994. DESPESAS OPERACIONAIS. NEGÓCIOS COM OPÇÃO FLEXÍVEL DE TAXA DE CÂMBIO. PERDAS. COMPROVAÇÃO. Descabe a glosa das perdas verificadas em negócios com opção flexível de taxa de câmbio quando não há Fl. 10DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Resolução n.º 140200.044 S1C4T2 Fl. 11 11 comprovação de que tais perdas foram forjadas para reduzir a base de cálculo do tributo. Transcrevese os fundamentos do voto condutor do acórdão em tela: Mesmo suspeitando que o emprego da expressão “em tese” decorreu da orientação do referido manual, não deixa de ser sintomática a insistência do autuante em mencionála nos três primeiros parágrafos do tópico 2.11.3 do termo de verificação fiscal, dedicado ao assunto dolo. Ela é o primeiro sinal da desconcertante escassez de provas e da imensa fragilidade dos indícios de simulação reunidos durante a auditoria que ele tenta suprir com abundantes considerações e suposições. Nem mesmo a constatação de que a Swap Com. Imp. Exportação, a Maranduba Comercial, a Construdino Engenharia e as demais pessoas jurídicas indicadas no quadro de fls. 534 não passam de empresas de fachada, por assim dizer, constitui vestígio de que houve simulação nas operações examinadas, porque o autuante, afinal, nem conseguiu reunir dados que estabelecessem qualquer liame entre elas e a interessada. Provas há, no entanto, de que tais empresas eram clientes das corretoras Quality, Somartec e Liquidez e que as negociações foram realizadas entre a interessada e aquelas corretoras (fls. 738/747). Observo ainda que o autuante nem conseguiu apurar quem foi a verdadeira beneficiária dos lucros derivados das operações suspeitas, a qual, por sinal, teria que ser direta ou indiretamente a interessada, para se justificar a autuação. Afinal, não é admissível supor que alguém suporte despesa apenas com o fito de aproveitar a redução do ônus tributário que a sua escrituração implica, haja vista que este é significativamente menor que a própria despesa. Abro parêntesis aqui para registrar que estes autos são bastante semelhantes, quase idênticos, aos do processo nº 10768.011073/200289 cujo objeto é um auto de infração lavrado pela mesma Delegacia Especial de Instituições Financeiras no Rio de Janeiro (DEINF/RJ), acompanhado também de um termo de verificação fiscal. Naqueles autos, assim como nestes, a interessada especulou com opções flexíveis de taxa de câmbio em 1996, amargou perdas com tais operações e os ganhos produzidos em contrapartida foram colhidos por empresas de fachada, já que elas não foram encontradas nos endereços fornecidos à Receita Federal, ninguém as conhecia, não apresentavam declarações de rendimentos, etc. Coubeme relatar aquele processo quando ainda integrava a 9ª Turma desta Delegacia de Julgamento. No voto condutor ao acórdão nº 2.614, de 20 de dezembro de 2002, no qual aquela Turma acordou unanimemente julgar improcedente o lançamento, deixei claro que não ficou comprovado, nos autos, que foram forjadas as perdas amargadas pela instituição financeira. O ponto central da acusação de que teria havido simulação nas operações que implicaram as perdas era a certeza do autuante de que a interessada naquele processo conhecia as clientes da corretora Quality, a qual figurava como contraparte naquelas operações. Tal certeza provinha de uma informação contida na carta enviada pela BM&F à DEINF/RJ da qual uma cópia se encontra às fls. 469 deste processo. Essa informação era a de que, na modalidade sem garantia como se operaram as opções flexíveis negociadas parte e contraparte se conhecem. Talvez pelo fato de eu nutrir um certo interesse pelo mercado financeiro, de me sentir atraído pela Bolsa de Mercadorias e Futuros e pela Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA) a ponto de me aventurar em operações nesta última, por não ser, enfim, totalmente leigo nesse assunto, não reputei convincente a informação prestada pela BM&F. Ela não era peremptória e não me pareceu muito segura nem sei bem por quê. Não posso negar que me chamou a atenção o fato de ela ter sido assinada por um advogado, profissional que, em geral e sem nenhum preconceito, não morre de amores Fl. 11DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Resolução n.º 140200.044 S1C4T2 Fl. 12 12 pelo mercado financeiro e tampouco pelas vísceras das Bolsas de Valores e de Mercadorias. Estou certo, porém, que não foi essa a razão da minha suspeição. Como, nas minhas incursões pelo mercado de capitais, seja no pregão, seja no mercado de balcão, eu não sei quem me vende ações e opções nem quem compra as minhas posso saber apenas quais são as corretoras envolvidas nas negociações resisti a confiar nessa informação, a qual, para mim, longe de ser uma prova cabal, era apenas um indício, não mais que um simples indício de que nas operações flexíveis sem garantia parte e contraparte se conheciam. Assim, ela não foi suficiente para me convencer da simulação das operações, até porque não havia nada mais nos autos que sugerisse que a interessada e as empresas de fachada se conheciam. (...) à vista das informações contidas na nova carta da BM&F esta firmada pelo seu diretor geral (fls. 769/770) e autenticada, conforme documento de fls. 814 ratificariam aquela decisão. Merece memorização o seguinte trecho daquela carta: “Tratandose de operações sem garantia que, portanto, oferecem risco de crédito para os contratantes, as partes devem se conhecer. Todavia, podem ocorrer situações em que as partes não se conhecem. Essas situações ocorrem quando uma corretora, em face do mandato que lhe é outorgado no contrato de intermediação corretora/cliente (administração da corretora), age por conta e ordem do cliente (o negrito não é do original). Como bem acentuou a interessada na impugnação, um ponto crucial da nova carta da BM&F é o de que o conhecimento recíproco entre os contratantes não pode ser atestado quando há corretora atuando por conta e ordem de cliente. E provas há, nos autos, de que corretoras intermediaram as operações (fls. 738/766). Diante do exposto, querme parecer que ruiu o alicerce do acórdão proferido pela 5ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes e que a resposta à indagação formulada no início deste voto deve ser “Não. Não há prova nos autos de que houve dolo, fraude ou simulação”. Desse modo, insisto que a norma a ser aplicada aqui é sem dúvida a do art. 150, § 4º, do CTN, o que conduz à conclusão segura de que, à época do lançamento do imposto de renda, já havia decaído o direito de a Fazenda Pública lançálo relativamente aos fatos geradores ocorridos até 31.12.1996. (...) “No que tange à operação realizada em 23.01.1997, é certo que o lançamento efetuado não é extemporâneo. Contudo, não tendo sido comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação na sua realização, consoante o que se viu acima, reputoo também improcedente, porque as despesas computadas no resultado do exercício correspondem a efetivas perdas inerentes às atividades da interessada à época do fato gerador e, dessa forma, reduziram regularmente o seu lucro real, de acordo com o art. 242 do RIR/1994. Observei que essa operação foi a única cuja nota de negociação (fls. 747) aponta, como contraparte, a Vic Indústria e Comércio, uma das empresas de fachada. Esse fato, porém, não é suficiente para comprovar que ela e a interessada se conheciam, porque a operação foi intermediada pela corretora Liquidez e, como disse a BM&F, as partes, nesses casos, podem não se conhecer. Quanto à CSLL, não se trata de decadência do direito de constituir crédito tributário, pois, no seu caso, esse direito decai somente com o decurso do prazo de dez anos, conforme estabelece o art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991. Todavia, por não ter sido comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação nas operações examinadas, consoante o que se viu acima, o lançamento é também improcedente”. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Resolução n.º 140200.044 S1C4T2 Fl. 13 13 Admito que, na apreciação do mérito, fui bem simples, bem rápido e bem objetivo. Aliás, no meu modesto entendimento, assim deveriam ser todas as apreciações. Todavia, observo que tive até mesmo o cuidado de iniciar o antepenúltimo parágrafo advertindo que, no que tange à operação realizada em 23.01.1997, é certo que o lançamento efetuado não é extemporâneo. Em outras palavras, quis dizer que o fato gerador deflagrado pela operação realizada em 23.01.1997 não foi alcançado pelo instituto da decadência; ou seja, que não era a decadência que determinava a rejeição do lançamento, mas, sim, o fato de as despesas corresponderem a efetivas perdas inerentes às atividades da interessada à época do fato gerador, uma vez que não houve a comprovação da simulação apontada. Assim, o custo dos ativos adquiridos (as opções de compra de taxa de câmbio) não poderia ser desprezado, uma vez que reduziu regularmente o seu lucro real, de acordo com o art. 242 do RIR/1994, por ter se convertido em perda. É bom lembrar, por oportuno, que se não for atacada a documentação comprobatória da compra ou da venda de um ativo, só mesmo a comprovação de ter havido simulação no negócio autoriza a rejeição dos respectivos valores, para efeitos tributários. No tocante à CSLL, aí mesmo é que não tem cabimento a afirmação de que não apreciei o mérito da autuação. Afinal, ao iniciar o parágrafo que trata dessa matéria, afastei, de plano, a hipótese de decadência, e no mínimo deixei implícito que a falta de comprovação da simulação me obrigava a reputar regular a perda computada no resultado do exercício, uma vez que ela decorria dos negócios aos quais a interessada se dedicava à época do fato gerador. Exatamente por isso julguei o lançamento da CSLL também improcedente. O processo retornou a 5a. Câmara do 1CC e na sessão de 16/04/2008 foi convertido em diligencia, consoante Resolução 10501.382, cujo relatório e voto abaixo transcrevo parcialmente: Relatório (...) A ciência da decisão acima se deu por Edital (fls. 852) publicado no DOU em 26.01.2006 (fls. 853, retificado o Edital em 30.01.2006 (fls. 854). Em 15.03.2006 a empresa protocolou petição sob a forma de Memorial reiterando suas razões impugnatórias, reafirmando a preliminar de decadência e juntando Parecer Econômico da Tendência Consultoria Integrada. A decisão Relativa à nova apreciação dos fatos prolatada pela 6a Turma da DRJ (I) do Rio de Janeiro, RJ, cancelou a exigência sob ementa (fls. 894): (...) Considerando alterações na composição desta 5a Câmara, procedo à leitura em plenário do relatório e voto correspondentes à decisão contida no Acórdão n° 10516.118, para conhecimento de todos acerca dos antecedentes do processo. A nova decisão ensejadora do presente recurso de ofício confirmou a decisão anterior, tendo apreciado inicialmente a preliminar de decadência, necessitou examinar a situação caracterizada pela aplicação da multa qualificada de 150%, que corresponderia à excludente de aplicação do § 4o, do artigo 150 do CTN. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Resolução n.º 140200.044 S1C4T2 Fl. 14 14 São datas que interessam: • Ciência dos autos de infração em 21.05.2002; fls. 564 IRPJ e 569 CSLL; • Fatos Geradores: 31.12.96 e 31.12.97; O voto esclarece que após a Lei n° 8.383/91, tanto o IRPJ quanto a CSLL estão regidas pelas disposições do artigo 150 do CTN, submetidas à homologação e, portanto se aplica o prazo estabelecido no seu parágrafo 4o. Esclarece ainda que oito das nove operações que deram causa às glosas de despesas foram realizadas no anocalendário de 1996 e apenas uma no anocalendário de 1997. O relator repete em sua grande maioria o voto da decisão anteriormente formalizada, apenas inovando nos parágrafos derradeiros (fls. 924 em diante). O voto reitera as queixas contra a decisão prolatada por esta 5a Câmara no processo n° 10768.011073/200289, que deixo de apreciar por se referir a outro processo, inclusive de outro contribuinte, admitindo apenas ser possível existir a analogia informada pelo Sr. Relator. Reitera também as afirmativas de ser o relator um conhecedor de operações de mercado e nelas embasa sua decisão. Informa o relator (fls. 926), que: "No tocante à CSLL, aí mesmo é que não tem cabimento a afirmação de que não apreciei o mérito da autuação. Afinal, ao iniciar o parágrafo que trata dessa matéria, afastei, de plano, a hipótese de decadência, e no mínimo deixei explicito que a falta de comprovação da simulação me obrigava a refutar regular a perda computada no resultado do exercício, uma vez que ela decorria dos negócios aos quais a interessada se dedicava à época do fato gerador". Isso demonstra que o questionamento alinhavado acerca da expressão "... em tese ficou demonstrada a prática de ilícito que justifica a formalização da Representação", conduziu o relator a entender que, em não havendo fraude ou dolo, as operações inquinadas eram legítimas e portanto, plenamente dedutíveis. O relator entendeu que a correspondência da BM&F endereçada à DEINF/RJ (fls. 469) não era peremptória e não lhe pareceu muito segura, e que poderia servir apenas como um indício, longe de ser uma prova cabal de que nas operações flexíveis sem garantia parte e contraparte se conheciam, e por isso não se convencia da simulação das operações, até porque não havia nada mais nos autos que sugerisse que a autuada e as empresas de fachada se conheciam. Foi formalizada declaração de voto vencido (fls. 928 e 929), com base no entendimento de discordância quanto à empresa, que não saberia quem estava na outra ponta das operações. No caso, intermediadas pelas corretoras Quality e Somartec.. Não fica a argumentação do voto vencido nisso, como se expõe (fls. 928 e 929): "Entretanto, devo discordar de tal entendimento. Se a análise do dolo dependesse apenas do conhecimento recíproco das partes, com efeito tal situação não ficou comprovada nos autos e não se poderia cogitat da ocorrência de dolo. Porém, o conjunto probatório aponta para o fato de que a interessada apresentou prejuízos consideráveis exatamente em favor de nove empresas inidôneas, cujos endereços e responsáveis não foram localizados, apesar das diligências, digase de passagem, insistentes, do autuante, como descrito no TVF. A interessada alega ainda que o autuante se baseou em presunção não autorizada por lei, uma vez que não apresentou provas da irregularidade que a ela atribui. Entretanto, Fl. 14DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Resolução n.º 140200.044 S1C4T2 Fl. 15 15 no presente caso o autuante se amparou em um conjunto probatório formado pela reincidência das operações com nove empresas fictícias ou inidôneas. Ou seja, não se amparou ou autuante em apenas uma operação com uma empresa inidônea, mas em nove situações semelhantes. O fato de a interessada contar com a intermediação de corretoras em nada releva o conteúdo doloso das operações, caracterizado pela contratação de contrapartes fictícias. Tanto é assim que a interessada, em sua extensa impugnação, não produziu nenhum argumento que contrariasse o fato de que negociou com empresas que ela própria não encontraria para cobrar caso fosse ganhadora, visto que as operações não eram garantidas pelas corretoras intermediadoras das operações. Os alegados pagamentos à corretora nada atestam a licitude das operações questionadas ou que a estas se destinavam, uma vez que não ficou comprovada a destinação do desembolso, além de não haver coincidência de datas e valores. Desse modo, entendo ser procedente a glosa levada a efeito, tendo em vista a ocorrência de dolo nas operações contratadas pela interessada nos anos de 1996 e 1997. Nessa linha, não teria se operado a decadência quanto aos fatos geradores ocorridos em 1996, uma vez que a contagem do prazo decadencial se daria na forma do art. 173,1, do CTN." Tudo isso posto, diante da modificação da composição desta 5a Câmara, leio em plenário o relatório e voto por mim elaborado quando do julgamento anterior, na sessão de 08 de novembro de 2006. Assim se apresenta o processo para julgamento. Voto (...) Com relação à observação contida no início do voto condutor da decisão recorrida, de que, apesar da determinação desta Câmara para que fosse apreciado o mérito questão, e que iria ampliar o exame a todas as É de se adotar a mesma seqüência de análise adotada pela autoridade recorrida, qual seja antecipar a preliminar pela apreciação da qualificação da multa para se concluir sobre a excludente contida no § 4o, do Artigo 150 do CTN. A repetição da decisão de Io grau não produziu os efeitos esperados, mas entendo que o prolator do voto condutor da decisão recorrida pretendeu apenas reafirmar seus argumentos genéricos acerca da exigência, não sem indicar suas razões de decidir, contrapostas por outras razões trazidas na declaração de voto. Parece que importante prova a ser apreciada é a correspondência de fls. 469. Tratase de correspondência expedida pela BM&F, em 17.07.2000, ao Sr. Leonardo de Andrade Couto em atendimento a termo de diligência MPF 2000 00082 4, de 13 de julho de 2000. Trago a exame o teor da correspondência (fls. 469 e 470): "Ref: Termo de Diligência MPF 2000 00082 4, de 13 de julho de 2000. Prezados Senhores: Em atendimento ao Termo de Diligência em epígrafe, seguem, abaixo, os esclarecimentos solicitados por V.Sas.: Fl. 15DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Resolução n.º 140200.044 S1C4T2 Fl. 16 16 As operações de Opções Flexíveis ocorrem no mercado de balcão, nas modalidades com e sem garantia. Na modalidade "com garantia”, as partes não se conhecem e a Corretora intermédia a operação, registrandoa com outra Corretora ou com ela mesma. Na modalidade "sem garantia", onde parte e contraparte se conhecem, após o acordo quanto às características da operação, tais como o preço de exercício, prazo, data de pagamento do prêmio, etc., ambas as partes escolhem uma ou duas Corretoras para registrarem o negócio no Sistema Eletrônico da BM&F. Nessa modalidade, a(s) Corretora(s) somente presta(m) o serviço de registro, estando eximida(s) de quaisquer responsabilidades financeiras, bem como o(s) respectivo(s) Membro(s) de Compensação e a própria Bolsa. Em qualquer circunstância a corretora estará, sempre, agindo por conta e ordem do cliente. Para complementar os esclarecimentos, encaminhamos, em anexo, cópias das Especificações do Contrato de Opções de Compra e de Venda Flexíveis de Taxa de Câmbio de Reais por Dólar dos Estados Unidos e cópia do Contrato de Intermediação Corretora/Cliente. 5. Com relação às operações relacionadas em seu Termo de Diligência de 04/07/1996, referido em epígrafe, temos a esclarecer que a sua formalização foi realizada diretamente entre as partes, que informaram os dados às corretoras para registro. No período de janeiro a março de 1996, a BM&F permitia que as Corretoras cadastrassem clientes por conta, ou seja, se, identificação do nome perante a BM&F, com a obrigação de, "quando solicitadas, identificarem os clientes para a Bolsa. A partir de dezembro de 1996, a BM&F reestruturou seu Sistema de Cadastro, tornando obrigatória a identificação dos clientes. 5. Anexamos, ainda, cópia da regulamentação para cadastro de clientes das corretoras associadas à BM&F. Sendo o que se apresentava para o momento, e permanecendo à disposição dessa Delegacia para quaisquer esclarecimentos que se fizerem necessários, subscrevemonos," O item 3., contém a afirmativa de que as operações relacionadas no termo de diligência de 04.07.96 foram realizadas diretamente entre as partes, que informaram os dados às corretoras para registro (destaquei). Observei que na correspondência de fls. 469 e 470 não consta o elenco de operações mencionadas no item 3., da correspondência e que o termo de intimação respondido é datado de 13.07.2000. Portanto, a correspondência deve se referir a outro termo de intimação. Na montagem do processo estão alocados a fls. 466 a 475 documentos relativos à diligência junto à BM&F, sendo o MPF de n° 2000 00082 4. Entre eles não encontrei qualquer termo de diligência com a data de 04.07.1996 mencionada na correspondência da BM&F, o que dificulta a correlação documental. Com relação a essa prova, que entendo ser fundamental ao deslinde da questão, é visível que dentro da sistemática descrita na correspondência, as partes podem se conhecer, porém a afirmativa explícita acerca de uma relação de operações elencada em um termo de diligência identificado como sendo datado de 04.07.1996, faz com que a concretização da afirmativa seja identificada com as operações ali elencadas. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Resolução n.º 140200.044 S1C4T2 Fl. 17 17 E, não consegui localizar no processo o termo de diligência nem outro documento oferecido formalmente à BM&F que contivesse a relação de operações que possam fazer conexão entre o termo de diligência de 04.07.1996 e o rol de operações sob questionamento. Entre as hipóteses a avaliar ocorreme ser possível que eu não tenha encontrado, entre as 563 primeiras páginas do processo, que antecedem os autos de infração o referido termo de diligência; ter constado na correspondência da BM&F a data equivocada; não ter o referido termo de diligência sido inserido no processo; A importância da correspondência de fls. 469 fica patente no relatório da fiscalização que, a fls. 557: "o que está descrito no parágrafo anterior é tão notório, que além de declarar textualmente o que aqui relatamos, a BM&F não exigia para a operação nenhum tipo de garantia, servindo como mero agente de registro da operação. Conforme a Bolsa de Mercadorias e Futuros mesmo declarou em atendimento a um de nossos Termos de Diligência "na modalidade sem garantia, onde parte e contraparte se conhecem, quanto às características da operação, tais como preço de exercício, prazo, data de pagamento do prêmio, etc., ambas as partes escolhem uma ou duas corretoras para registrarem o negocio no sistema eletrônico da BM&F. (grifas nossos)" (fls. 469). Não estamos tratando de uma interpretação do contrato de opções flexíveis, e sim de uma declaração expressa do agente responsável pelo registro da operação aqui em questão." Assume, portanto, capital importância a confirmação de que as operações questionadas são aquelas a que se refere a correspondência da BM&F (fls. 469), mas a declaração nela contida carece de adequação, quanto aos detalhes nela contidos. Enquanto a descrição genérica das operações instala razoável possibilidade de as partes se conhecerem, a afirmativa contida na correspondência pode traduzir certeza acerca disso, eliminando tergiversações e conflito de entendimentos, como aquele verificado no julgamento de primeiro grau. Conflito esse que só ocorreu por não ter a decisão recorrida atacado objetivamente as provas trazidas pela fiscalização e as alegações expressas da impugnante. Assim, entendo que o deslinde da questão será revestido de maior segurança e baseado em prova concreta se o julgamento for convertido em diligência para que o processo retorne á repartição de origem e a autoridade administrativa indique objetivamente se o termo de diligência mencionado na correspondência da BM&F se encontra no processo (não o encontrei) e, seja solicitado explicitamente à BM&F para que relacione objetivamente quais as operações a que se refere em sua correspondência de fls. 469 e 470 do processo. Caso tenha ocorrido equívoco de data, que seja restabelecida a correlação mediante consideração comprovada da data correta. Tudo isso visando o esclarecimento das questões levantadas acima, elaborandose relatório circunstanciado a ser levado à ciência da recorrente, para, querendo, manifestese no prazo de 30 dias, para após retornar o processo a este colegiado para prosseguir o julgamento. Assim, diante do que consta do processo, voto por conhecer do recurso de oficio e converter o julgamento em diligencia. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Resolução n.º 140200.044 S1C4T2 Fl. 18 18 Os novos trabalhos de diligência resultaram no relatório de fls. 965 e seguintes, abaixo reproduzido: Atendendo à solicitação do Primeiro Conselho de Contribuintes da Quinta Câmara do Ministério da Fazenda, constante às fls 940 a 946, que converteram o julgamento do processo acima mencionado em diligência, objetivando esclarecer as informações da BM&F prestadas através da correspondência 177/00 JUR de 17/07/2000. Cabe esclarecer que em julho de 2000 INTIMAMOS a BM&F para esclarecer como ocorriam as Operações no Mercado de Opções Flexíveis. Em sua resposta a BM&F informa que estas operações ocorriam no mercado de balcão, nas modalidades COM E SEM GARANTIAS. Sendo que na modalidade "Com Garantia", as partes não se conhecem e a Corretora intermedia a operação, registrandoa com outra Corretora ou com ela mesma. Enquanto, na modalidade "SEM GARANTIAS" a BM&F de uma forma bem clara afirma que a parte e contraparte se conhecem, e após o acordo quanto às características da operação, tais como o preço de exercício, prazo, data de pagamento do prêmio, etc., ambas as partes escolhem uma ou duas Corretoras para registrarem o negócio no Sistema Eletrônico da BM&F. Acrescentando ainda, que nesta modalidade "SEM GARANTIAS" a Corretora(s) somente presta(m) o serviço de registro, estando eximida(s) de quaisquer responsabilidades financeiras, bem como o(s) respectivo(s) Membro(s) de Compensação e a própria Bolsa. Portanto, de uma forma bem clara a BM&F afirmou em sua correspondência (fls. 469), que as operações no Mercado de Opções Flexíveis, ocorridas no Mercado de Balcão, na modalidade Sem Garantia, a parte e a contraparte se conhecem e procuram uma ou duas Corretoras só para registrarem o negócio previamente acertado pelos comitentes. Cabe esclarecer aos ilustres conselheiros que tanto a nossa pergunta através de termo de intimação, assim como, a resposta da Bolsa se referem as operações realizadas de um modo geral nas modalidades Com e Sem Garantia. E como regra geral, qualquer operação no mercado de renda variável, onde não existe Garantia jamais uma Corretora de Mercadorias ou a própria BM&F iriam se responsabilizar pela sua liquidação, o que faz todo sentido a explicação desta Bolsa, que afirma que ambas as instituições financeiras estão eximidas de quaisquer responsabilidade financeira na sua liquidação, e que as partes se conhecem. Em outras palavras nenhum cliente estaria disposto a efetuar negócios futuros (Opções Flexíveis) com elevado nível de risco, sem nenhuma garantia se não conhecesse o cliente contraparte na operação, visto que, a Corretora interveniente e a BM&F se eximem de quaisquer responsabilidade pela liquidação financeira do negócio. Visando atender solicitação dos ilustres conselheiros intimamos a para que com base na correspondência entregue a fiscalização em 17/07/2000 177/00JUR, informasse se as operações listadas a seguir foram realizadas no mercado de Opções Flexíveis na modalidade COM ou SEM GARANTIA. Operações de Opções Flexível da Angra Participação no Mercado de Balcão Número do Contrato de Opção Data Ativo Corretora Interveniente Valor da Operação 601023781 29.01.1996 Dólar Qualiy 61.600,00 605129504 28.05.1996 Dólar Qualiy 164.500,00 605031649 29.05.1996 Dólar Qualiy 66.300,00 607010754 11.07.1996 IBV Qualiy 399.900,00 607020504 25.07.1996 Dólar Qualiy 448.000,00 Fl. 18DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Resolução n.º 140200.044 S1C4T2 Fl. 19 19 610015435 16.10.1996 Dólar Qualiy 220.000,00 610020137 18.10.1996 Dólar Qualiy 92.500,00 610019295 18.10.1996 Dólar Qualiy 100.000,00 701029935 23.01.1997 Dólar Qualiy 195.000,00 TOTAL 1.747.800,00 Em sua resposta em 19/08/2008 a BM&F (fls ), através da correspondência 269/2008 DIDJU afirma que as operações anteriormente listadas foram registradas no mercado de balcão, na modalidade "SEM GARANTIA". Adicionalmente mais uma vez como já havia feito através da correspondência 177/00 de 17/07/00 a Bolsa esclarece que não dispõe de dados sobre a sua liquidação, confirmando que não teve nenhuma participação na sua liquidação financeira, por se tratar de operação na modalidade sem garantia, portanto, fica claro que a Bolsa somente registrou a operação que previamente teria sido montada entre as partes. Adicionalmente, cabe esclarecer que a BM&F não estabelece um tipo de contrato para cada operação, com características inerentes às operações que são realizadas. Assim, na modalidade de Opções Flexíveis há duas possibilidades: a) Com Garantias e b) Sem Garantias. Dadas as características só há uma conclusão possível e imaginável o contrato celebrado entre as partes tem como pressuposto o conhecimento prévio e o acordo prévio entre as partes. Ademais, os procedimentos de auditoria realizados nas empresas contrapartes, em relação a todos os contratos celebrados indicaram sempre as mesmas conclusões: a) por uma enorme coincidência os contribuintes que teoricamente auferiram os ganhos, em contraponto com as perdas registradas e deduzidas pela Angra, não puderam ser localizados através das diligências realizadas pela Receita Federal e pela Polícia Federal; b) em todos os casos das perdas relatadas, uma experiente instituição financeira como a Angra DTVM chega em alguns casos a perder em uma única operação o valor de R$ 448.000,00 (lembrando que naquela época vivíamos na política da âncora cambial, quando a cotação do Real em relação ao Dólar era de aproximadamente 1 para 1) para empresas comerciais, de participação, de assessoria e até mesmo de construção; c) vastos eram os contratos existentes no mercado financeiro que proporcionariam o mesmo tipo de perspectiva de rentabilidade procurado pela Angra, porém ela só direciona seus recursos para contratos Sem Garantias e com empresas inidôneas, que provavelmente nunca negociariam na modalidade Com Garantias, pois teriam que efetuar depósitos na BM&F e não teriam Capital de Giro para efetuálos; d) a Angra DTVM andando na contramão das demais Instituições Financeiras procura especificamente realizar operações sem liquidez e de altíssimo risco no mercado de balcão, em que a contraparte não proporciona nenhum tipo de garantia. Em função do exposto sugerimos o envio do presente processo aos ilustres Conselheiros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, e permanecendo à disposição para quaisquer outros esclarecimentos que se mostrarem necessários. Cientificada da diligência, a contribuinte apresentou manifestação de fls. 972 a 979, aduzindo que: Fl. 19DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Resolução n.º 140200.044 S1C4T2 Fl. 20 20 1. Desrespeito. É o mínimo que se pode dizer da diligência fiscal que culminou no referido Termo de fls. 964 a 967 (doravante "Termo de Conclusão da Diligência"). 2. Desrespeito às determinações da Resolução n° 1051.382 desta E. 5a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Desrespeito ao direito de defesa da RECORRIDA. Desrespeito aos mais elementares princípios, inclusive os de ordem lógica, que visam a busca da verdade e a promoção da Justiça. 3. Com efeito, a Resolução n° 1051.382, de 16.04.2008, desta E. 5 Câmara determinou a realização de diligência para: (...) 4. Vejase o propósito da diligência fiscal nas exatas palavras do Conselheiro Relator JOSÉ CARLOS PASSUELLO: (...) 5. Portanto, era de se esperar que a fiscalização diligenciasse no sentido de cumprir essas duas determinações da 5a.Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. 6. Contudo, não foi o que ocorreu. 7. Quanto à primeira determinação, o fiscal não informou se consta dos autos deste processo o termo de diligência de 04.07.1996 referido no item 3. da carta da BM&F 177/00JUR, de 17.07.2000, que não foi encontrado pelo Conselheiro Relator. Ficou a dúvida quanto à própria existência de tal termo. 8. Pior, o fiscal não intimou a BM&F a esclarecer se as operações objeto da carta BM&F 177/00JUR, de 17.07.2 000 são especificamente as operações realizadas pela RECORRIDA e objeto da autuação de que trata este processo. 9. Em vez de cumprir a Resolução n° 1051.382, o fiscal simplesmente perguntou à BM&F o que é fato incontroverso e totalmente irrelevante ao deslinde do caso: se as operações realizadas pela RECORRIDA eram da modalidade "sem garantia" (vide fls. 951 a 953 dos autos). As operações serem "com garantia" ou "sem garantia" nada provam quanto ao conhecimento prévio das partes contratantes nem, muito menos, se as mesmas teriam, de forma espúria, prédeterminado perdas para a RECORRIDA. Como não poderia deixar de ser, a BM&F confirmou que as operações eram "sem garantia", o que, repitase, não se discute, e o fiscal, então, aproveitou o Termo de Conclusão da Diligência para reiterar suas convicções pessoais totalmente equivocadas de que nas operações "sem garantia" as partes necessariamente se conhecem e que, no caso, a RECORRIDA teria prédeterminado, fabricado, as suas perdas com as contrapartes das operações. 0 fiscal que realizou a diligência foi o próprio fiscal que lançou o auto de infração contra a RECORRIDA, e o Termo de Conclusão da Diligência nada mais é do que uma repetição de argumentos que já foram rejeitados pela Decisão de Ia Instância, que, com todo o acerto, cancelou o auto. Os equívocos do fiscal são evidentes. Vejase, em primeiro lugar, o seguinte trecho do Termo de Conclusão da Diligência: (...) 14. O fiscal concluiu que havia um prévio acordo espúrio entre as partes porque as operações eram da modalidade "sem garantia" e a BM&F não participou da liquidação financeira das operações. 15. Como já visto, o fato de as operações serem "sem garantia" nada prova quanto ao conhecimento entre as partes. 0 fator relevante é, sim, terem as partes contratado Fl. 20DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Resolução n.º 140200.044 S1C4T2 Fl. 21 21 diretamente ou por intermédio de sociedades corretores, agindo por conta e ordem de clientes cuja identidade não é revelada à contraparte da operação. 16. No caso, as operações realizadas pela RECORRIDA foram intermediadas por uma sociedade corretora (Quality, Liquidez ou Somartec, conforme o caso) agindo por conta e ordem do seu cliente. E, mais, todas as operações foram liquidadas financeiramente através do CETIP. Isso também é fato incontroverso, provado documentalmente nos autos. Ou seja, não houve contratação direta nem sequer contato entre as partes nem mesmo na liquidação financeira das operações. 17. A propósito, também nas operações “com garantia" a BM&F não participa da liquidação financeira das operações, que igualmente ocorre através das corretoras que intermediaram o negócio. Ademais, a RECORRIDA realizou um enorme número de operações “sem garantia", que era a modalidade da maioria das suas operações (e não apenas das operações objeto da autuação), sem que isso jamais tivesse sido aventado contra si como indício de qualquer irregularidade. 18. E, mais ainda, nas operações "sem garantia" intermediadas por corretora, esta passa a ser o risco de crédito da contraparte da operação, e não o cliente por conta e ordem de quem a referida corretora está agindo. Esse ponto foi destacado em parecer do Sr. Gustavo Loyola, exPresidente do Banco Central do Brasil (DOC. 01), nos seguintes termos: “Na Seção 4, concluise que, em operações com opções flexíveis, em que não são exigidas garantias, mas que a corretora atua "por conta e ordem" do comitente vendedor, o lançador não pode ser identificado pela parte detentora da opção de compra. Ademais, a liquidação das transações se dá entre as corretoras, seja diretamente, seja por meio de entidades como a CETIP. Quando estas condições se verificam, as corretoras que atuaram "por conta e ordem" do lançador tornamse responsáveis pela liquidação dos montantes apurados pela compensação da BM&F. Como conseqüência, o risco de crédito incorrido pelo comprador da opção é transferido, do cliente final para a corretora que atuou "por sua conta e ordem".(páginas 15 e 16 do parecer.) 19. Basta a leitura desinteressada da carta 269/2008DIDJU, de 19.08.2008, para ver que a BM&F não disse que, no caso, a liquidação financeira teria ocorrido diretamente entre as partes porque as mesmas se conheciam. Disse a BM&F: “esta Bolsa não dispõe de dados sobre a sua liquidação, que pode ter sido efetuada, conforme o caso, diretamente entre as partes ou entre cada uma das contrapartes e o intermediário envolvido (a sociedade corretora)" (fl. 965 dos autos.) 20. A BM&F pode mencionar, em tese, uma e outra forma de liquidação. Mas o fiscal não poderia ter deixado de considerar que, no caso concreto, as operações da RECORRIDA foram liquidadas por intermédio das corretoras, através do CETIP, conforme prova constante dos autos. 21. Depois de apresentar a sua equivocada conclusão, o fiscal aduz argumentos já rechaçados pela Decisão de Ia Instância. A rigor, ilações e suposições, nem sempre jurídicas, tais como a de que uma experiente instituição financeira como a RECORRIDA não poderia perder dinheiro para empresas comerciais. Ilações e Fl. 21DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Resolução n.º 140200.044 S1C4T2 Fl. 22 22 suposições nada condizentes com o que se esperava da diligência requerida pela E. 5a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Tais ilações e suposições sequer merecem novos comentários por parte da RECORRIDA, que simplesmente reitera, aqui, todos os argumentos desenvolvidos em sua impugnação e memoriais constantes dos autos deste processo. Em suma, a diligência realizada nada esclareceu, nada provou, nada contribuiu para o julgamento do caso. 24. Mas o retrato da diligência é ainda pior. 25. Em 18.07.2008, a RECORRIDA peticionou para requerer que o fiscal, aproveitando a intimação que fazerseia da BM&F, incluísse dois quesitos que pudessem colaborar com o julgamento do caso. A RECORRIDA junta cópia da referida petição protocolada na Receita Federal (DOC. 02). Pois bem, o fiscal intimou a BM&F em 14.08.2008 (portanto, quase um mês após o protocolo da referida petição) e não incluiu os quesitos solicitados pela RECORRIDA. Nenhuma surpresa, pois, afinal, o fiscal não atendeu a Resolução da própria 5a Câmara, como visto acima. E nem se diga que o fiscal não atendeu a RECORRIDA porque considerou os seus quesitos inapropriados. Fosse essa a razão, mesmo que o fiscal não tivesse a delicadeza de comunicar o indeferimento à RECORRIDA, ele deveria, no mínimo, ter mencionado no Termo de Conclusão da Diligência a existência da petição e a sua motivação para desprezála. Antevendo a resistência do fiscal em verdadeiramente diligenciar atrás de esclarecimentos para o julgamento do caso, a RECORRIDA enviou carta diretamente à BM&F (DOC. 03). 29. Em resposta, a RECORRIDA recebeu da BM&F a carta 318/2008DIDJU, de 16.09.2008 (DOC. 04), na qual é esclarecido que as operações referidas na carta BM&F 177/00 JUR, de 17.07.2000, são os contratos de opção de n2s. 601.014936, de 17.01.1996, e 603.009867, de 11.03.1996. 30. Tais contratos nada têm a ver com a RECORRIDA ou este processo. Os números e as datas dos contratos mostram que não são operações envolvendo a RECORRIDA. Só para facilitar a comparação das datas e números, segue abaixo a relação das operações realizadas pela RECORRIDA e objeto da autuação: Opção N° do Contrato Data Ativo Corretora Perda em RS 1 601.023781 29.01.96 Dólar Quality 61.600,00 2 605.129504 28.05.96 Dólar Quality 164.500,00 3 605.031649 29.05.96 Dólar Quality 66.300,00 4 607.010754 11.07.96 IBV Quality 399.900,00 5 607.020504 25.07.96 Dólar Quality 448.000,00 6 610.015435 16.10.96 Dólar Quality 220.000,00 7 610.020137 18.10.96 Dólar Quality 92.500,00 8 610.019295 18.10.96 Dólar Somartec 100.000,00 9 701.029935 23.01.97 Dólar Liquidez 195.000,00 TOTAL 1.747.800,00 31. Portanto, mesmo diante da falha da diligência fiscal, a RECORRIDA traz aos autos a resposta da BM&F aguardada pelo Conselheiro Relator JOSÉ CARLOS PASSUELLO: as operações referidas na carta BM&F 177/00JUR, de 17.07.2000 não Fl. 22DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Resolução n.º 140200.044 S1C4T2 Fl. 23 23 são as realizadas pela RECORRIDA, objeto deste processo, mas sim outras operações completamente estranhas ao caso sob análise. Mas não é só. A nova carta da BM&F serve para reiterar o que já constava de outra carta constante dos autos deste processo: a carta BM&F 194/2002DG, de 12.06.2002, anexada como DOC. 11 da impugnação apresentada pela RECORRIDA, justamente para eliminar as dúvidas que haviam sido suscitadas pela carta BM&F 177/00JUR, de 17.07.2000. Tanto a carta BM&F 194/2002DG, de 12.06.2002, quanto a nova carta da BM&F (318/2008DIDJU, de 16.09.2008), ressaltam que nas operações "sem garantia" as partes contratantes podem não se conhecer quando existe a intermediação de uma corretora, agindo por conta e ordem de cliente. Transcrevase:"tratandose de operações sem garantia que, portanto, oferecem risco de crédito para os contratantes, as partes devem se conhecer. Todavia, podem ocorrer situações em que as partes não se conhecem. Essas situações ocorrem quando uma corretora, em face do mandato que lhe é outorgado no contrato de intermediação corretora/cliente (administração da corretora), age por conta e ordem do cliente." {negrito da RECORRIDA.) 34. Em operações realizadas com o intermédio de corretoras agindo por conta e ordem de seus clientes (como é o caso das operações celebradas pela RECORRIDA) não é obrigatório nem indispensável que as partes conheçam uma a outra. Tal fato foi reconhecido expressamente pela BM&F e, ainda, pelo Sr. FRANCISCO DA COSTA E SILVA, exPresidente da Comissão de Valores Mobiliários CVM, e pelo Sr. GUSTAVO LOYOLA, ex Presidente do Banco Central do Brasil, em pareceres elaborados a pedido da RECORRIDA e juntados aos autos deste processo. 35. Portanto, a conclusão baseada nos esclarecimentos prestados pela BM&F é oposta a que chegou o fiscal no seu Termo de Conclusão da Diligência. A conclusão é que sequer podese afirmar que, nas operações realizadas pela RECORRIDA, que contaram com a intermediação de corretora (Quality, Liquidez ou Somartec) agindo por conta e ordem do cliente, as partes se conheciam. Muito menos que as partes teriam artificialmente engendrado perdas para beneficiar fiscalmente a RECORRIDA. Enfim, as provas são contrárias às suposições e ilações feitas pelo fiscal quando da autuação e, agora, repetidas vaziamente por ocasião da diligência. Não há qualquer prova de que as partes se conheciam nem, muito menos, de que fabricaram perdas para favorecer fiscalmente a RECORRIDA. Ao contrário, há provas de que as operações foram regularmente registradas na BM&F e liquidadas financeiramente via CETIP, através de contas das corretoras, demonstrando que, de fato e de direito, a RECORRIDA incorreu nas perdas que deduziu para fins de apuração do seu lucro real. 38. E nunca é demais lembrar: considerando que ninguém desembolsaria 100%, correspondente às perdas, para auferir benefício tributário de apenas 48% (correspondente à aplicação das alíquotas do IRPJ e da CSL, vigentes à época, sobre as perdas incorridas), caberia à fiscalização, a fim de pela RECORRIDA, provar que os respectivos prêmios não foram efetivamente pagos pela RECORRIDA ou que os mesmos lhe foram de alguma forma, direta ou indiretamente, restituídos. No entanto, nas quase 1.000 páginas deste processo, não há e nem poderia haver uma única prova nesse sentido. 39. Por essas razões, a RECORRIDA confia na imediata subida dos autos à 5a. Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que, no julgamento, negará provimento ao recurso de ofício. É o relatório do processo até aqui. Fl. 23DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Resolução n.º 140200.044 S1C4T2 Fl. 24 24 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. Consoante extenso relato, em litígio a veracidade de operações, com opções flexíveis de dólar, que a contribuinte teria realizado nos anos de 1996 e 1997, com expressivas perdas, que segundo a fiscalização seriam simuladas, tendo aplicado a multa qualificada de 150%. O processo retornou de diligência, foi a mim sorteado, em face de o Relator anterior ter deixado o CARF. Na reunião de janeiro/2011 coloquei o processo em pauta, reiniciamos o julgamento, mas foi objeto de pedido de vista do ilustre conselheiro Frederico Alencar. Nesta reunião, o processo foi pautado para o dia 23/02, mas solicitei que ficasse com vistas até dia 25/02 para que o representante do contribuinte apresentasse o inteiro teor do processo judicial de que trata o documento abaixo reproduzo parcialmente: Fl. 24DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Resolução n.º 140200.044 S1C4T2 Fl. 25 25 Segundo informou o representante da contribuinte, tratarseia do arquivamento da investigação criminal contra a empresa, Inquérito Policial Federal No. 2003.51.01.501315 6, cuja origem seria a representação fiscal para fins penais de que trata o presente processo. Aliás, no Relatório Fiscal e nos autos são citados outros Inquérito Policial Federal, este de São Paulo, de No. 97.01050207 (fl.453) e 120082/97 (fl. 460), ambos relativo a chamada “operação Monte Cristo” da Policia Federal. Este processo está em curso há quase 9 anos e foi objeto de uma diligência fiscal determinada por este Conselho, cujos objetivos a meu ver foram incipientes e os resultados não forma e dificilmente seriam conclusivos. Isso porque penso que não teria tanta relevância saber se a contribuinte e as demais empresas parte nas operações se conheciam. Ora, ainda que ficasse comprovado esse conhecimento dificilmente seria em uma profundidade que indicasse relações estreitas das partes. Todas as empresas existiam formalmente, tanto que foram cadastradas pela Corretora. Logo, os dirigentes da contribuinte até poderia conhecelas, mas daí a saber que eram apenas empresas de fachada... Afinal quantas pessoas e empresas realizam operações com pessoas jurídicas dessa natureza, tentam se cercar de cuidados mínimos, e acabam nem sabendo dessa condição. Ora, um ponto incontroverso nos autos é que os pagamentos foram mesmo realizados, logo, há que ser possível determinar o destino de ao menos parte desses 1,7 milhões de reais. No meu entendimento, além das peças dos 3 inquéritos acima citados, o que poderá também elucidar a questão é o rastreamento dos valores pagos pela contribuinte nessas operações. Consta às fls. 33 e 34 da peça impugnatória, fls. 628629 dos autos, que : 8.23. A operação de n° 1 foi liquidada através de cheque n° 001155 do Banco Dimensão S.A., de 29.01.1996, cruzado em preto em favor da QUALITY (DOC. 08) . Tal valor foi devidamente sacado pela QUALITY, conforme atestam os anexos extratos bancários (DOC. 09). As demais operações foram liquidadas através da Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos (CETIP), inclusive a operação n° 3 eventualmente não registrada na BM&F por omissão da corretora, conforme comprovam os relatórios emitidos pela própria CETIP, que indicam os saldos liquidados pela IMPUGNANTE em cada data de pagamento dos prêmios das opções flexíveis (DOC. 10). Diante do exposto, voto no sentido de converter novamente o julgamento em diligência para que a fiscalização: 1) Oficie às autoridades pertinentes para obter e juntar aos autos cópias dos citados inquéritos policiais que possam elucidar a questão, se possível o inteiro teor; 2) Solicite autorização judicial e/ou colaboração policial para rastrear os pagamentos feitos pela empresa. Ao menos 3, o primeiro feito em cheque e outros 2 via CETIP. Tal rastreamento deve ter como objetivo verificar se há prova se os recursos voltaram à empresa, ainda que parcialmente. Sei da dificuldade do procedimento, ainda mais 15 anos depois, por outro lado os Bancos guardam microfilmes dos cheques e transferências e uma vez identificadas as contas dos envolvidos, a exemplo da conta que a Quality depositou o cheque emitido pela contribuinte, há possibilidade de verificar o destino dos recurso. Aliás, há Fl. 25DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Resolução n.º 140200.044 S1C4T2 Fl. 26 26 possibilidade de os próprios inquéritos policiais da operação “Monte Cristo” conterem alguma informação quanto a isso. 3) A Fiscalização pode fazer outras verificações e procedimentos, em estrita consonância com o escopo da diligencia visando seu êxito, qual seja, elucidar nos autos o destino mediato dos pagamentos efetuados pela autuada. Ao final, deverá lavrar termo consubstanciado e cientificar a contribuinte para, caso deseje, manifestarse no prazo de 30 dias. É como voto. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 26DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 13855.001706/2004-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 1402-000.029
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em resolução, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, que foi substituído por Marcelo de Assis Guerra.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em resolução, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, que foi substituído por Marcelo de Assis Guerra. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima - Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório. WELLINGTON ALMEIDA DE SOUZA LEMOS recorre a este Conselho contra a nova decisão proferida pela DRJ em primeira instância, fls. 896-911, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). De acordo com o “Relatório da Fiscalização”, fls 31 a 33, a empresa foi excluída, à revelia, de ofício do Simples pelo Ato Declaratório Executivo nº 13, publicado no Diário Oficial da União no dia 10/09/2004, com retificação publicada no dia 14/09/2004, com efeitos a partir do dia 1º de janeiro de 1997, em razão de sua atividade econômica (Comércio Varejista de Máquinas e Equipamentos Industriais e Prestação de Serviços e Manutenção em Fl. 1DF CARF MF Impresso em 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 2 Máquinas e Equipamentos Industriais), conforme Processo Administrativo nº 13855.0001341/2004-25. O contribuinte foi intimado a manifestar-se sobre a forma de apuração dos tributos, tendo em resposta à intimação optado pela tributação pelo lucro presumido. Diante disso, a fiscalização elaborou as planilhas de fls.45 a 51, com base nos livros fiscais e livro Caixa, em que apurou-se diferenças entre os valores escriturados e os declarados pagos. A seguir lavrou-se os pertinentes autos de infração. O contribuinte apresentou impugnação, fls. 294 a 307, que foi julgada pela 1 a . Turma da DRJ Ribeirão Preto em 18/04/2005, mantendo-se integralmente os lançamentos. O contribuinte apresentou então recurso ao Conselho de Contribuintes, que foi apreciado pela 5 a . Camara em 21/05/2006, tendo sido proferido o acórdão 105-15.785, cujo relatório ora adoto e faço leitura me plenário, na qual foi anulada a decisão de 1 a . instância para que outra seja proferida com o julgamento simultâneo das questões relacionadas à exclusão da empresa do Simples. O autos retornaram a DRJ Ribeirão Preto, com a anexação do processo relativo a exclusão do Simples, sendo que a DRJ, mediante Resolução 802 de 12/03/2007, fls. 786-788, determinou realização de diligência fiscal para verificações quanto a exclusão da empresa do Simples. A diligência fiscal resultou na juntada dos documentos de fls. 789 a 884, tendo sido lavrado o relatório de fls. 885-887, no qual é confirmado o exercício de atividades vedadas ao Simples, e manifestação do contribuinte às fls. 890 e 891, em sentido contrário. A nova decisão de 1 a . instância, proferida em 7/12/2007, encontra-se às fls. 896 e seguintes. Em síntese, restou confirmada a exclusão do contribuinte do Simples, no ano de 2000 e as exigências tributárias de 2000 a 2001 na sistemática do lucro presumido. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 30/04/2008, no qual repisa suas alegações anteriores, especialmente quanto ao não exercício de atividades vedadas ao simples e de erros na base de cálculo tributada. Ao final, requer o provimento. O recurso foi apreciado na Sessão de 18/12/2008 da Quinta Camara do 1CC que decidiu por nova conversão em diligência, consoante Resolução º 105-01.444, fls. 972 a 976, para que a unidade de origem verifique os erros apontados pelo contribuinte na base de calculo e os corrija, se for o caso. O resultado dessa nova diligência encontra-se às fls. 1112 a 1114, sendo que a fiscalização concluiu por erro apenas na base de cálculo do ano de 2003, cuja receita total correta seria de 995.842,34. O contribuinte apresentou manifestação frente a diligência em 11/01/2010, fls. 1017 a 1025, afirmando que permanecem erros. A seguir o processo foi reencaminhado à 1 a . Seção do CARF que procedeu novo sorteio, tendo em vista que o Conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento não mais compõe o CARF. É o sucinto relatório. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13855.001706/2004-11 Resolução n.º 1402-00.029 S1-C4T2 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Conforme relatado, o litígio remonta ao ano de 2004 quando a empresa foi excluída do Simples com efeitos retroativos a 1997. A 1 a . decisão da DRJ foi cancelada pela antiga 5 a . Camara do 1CC em vista de cerceamento do direito de defesa quanto a exclusão do contribuinte do Simples, que foi objeto de apreciação na 2 a . decisão da DRJ. Ao Retornar a este Conselho o julgamento foi convertido em diligência para verificações acerca da base de cálculo (Resolução 105-01.444 de 18/12/2008). Todavia, em sua manifestação, fls. 1017/1025, o contribuinte aponta divergências no relatório de diligência de fls. 1112 a 1114. O Principal deles, a meu ver é quanto a nota fiscal nº 13 no valor de 960.000,00 (emitida em 09/05/2002), copia à fl. 1139, que segundo o documento da empresa Bunge (contratante)., à fl. 1077, teria sido paga em 08/08/2002, mas de acordo com o documento de fl. 937, apresentado pelo contribuinte, teria sido cancelada em 18/05/2002. Trata-se de um valor relevante, que necessita ser esclarecido, devendo o contribuinte ser intimado a esclarecer quem teria assinado o documento de fl. 937 pela Bunge, haja vista que se trata de uma rubrica, e a seguir solicitar esclarecimentos à própria Bunge sobre o aludido documento, bem com esclarecimentos sobre o financiamento junto ao BNDES, apresentar o recibo do pagamento e, se possível, que apresente cópia dos meios bancários do pagamento realizado. Além disso, é de bom alvitre que a fiscalização se manifeste sobre os demais equívocos apontados pelo contribuinte. Faz-se necessário ainda, a juntada das Declarações do Simples apresentadas pelo contribuinte relativas aos anos de 1999 a 2003, sendo que 1999 é para fins de checagem por este julgado. Ao final a fiscalização deverá lavrar novo relatório consubstanciado, o qual deve conter planilha discriminando mês a mês o valor da base do faturamento do contribuinte, para fins de tributação, nos anos de 2000 a 2003. Diante do exposto, propugno a conversão do julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 3DF CARF MF Impresso em 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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