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Numero do processo: 13808.001572/98-11
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Exercício: 1994
CSLL. COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS. ARGUIÇÃO DE PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Não se aplica a prescrição intercorrente ao processo administrativo fiscal.
Aplicação do Enunciado nº, li da Súmula do CARF. COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS. APURAÇÃO EM PERÍODOS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI N". 8..383/91, IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO NORMATIVO.
A possibilidade de compensar as bases negativas apuradas em exercícios anteriores com as bases positivas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido somente quedou instituída com o advento da promulgação da Lei Federal nÕ. 8.383, de 30 de dezembro de 1991, cuja vigência, por força do princípio da anterioridade, somente se iniciou em 1" de janeiro de 1992,
Antes da vigência do aludido diploma normativo não existia espeque legal para a compensação de bases negativas, razão pela qual não há que se falar em direito subjetivo a tal compensação .
Numero da decisão: 1103-000.348
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos ten is do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: CSL- auto eletrônico (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: HUGO CORREIA SOTERO
1.0 = *:*
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COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS. ARGUIÇÃO DE. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE, Não se aplica a prescrição intercorrente ao processo administrativo fiscal. Aplicação do Enunciado n", li da Súmula do CARF. COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS. APURAÇÃO EM PERÍODOS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI N". 8..383/91, IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO NORMATIVO, A possibilidade de compensar as bases negativas apuradas em exercícios anteriores com as bases positivas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido somente quedou instituída com o advento da promulgação da Lei Federal nÕ. 8.383, de 30 de dezembro de 1991, cuja vigência, por força do princípio da anterioridade, somente se iniciou em 1" de janeiro de 1992, Antes da vigência do aludido diploma normativo não existia espeque legal para a compensação de bases negativas, razão pela qual não há que se falar em direito subjetivo a tal compensação . Vistas, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos ten is do relatório e voto que integram o presente julgado. f0 DA SILVA - Presidente HUGO CQ -17REIA ÓTERO - Relator EDITADO EM: 2 8 JAN 2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Aloysio Jose Percinio da Silva (Presidente da turma), Mario Sergio Fernandes Barroso, Getyásio Nicolau Recketenvald, Marcos Shigueo Takata, Erci Moraes de Castro e Silva e Hugo Correia Sotero (Vice Presidente). 2k? 2 Processo n" 13808.001572/98-11 S1-C 113 Accirdao n." H03-00348 Fl. Relatório Trata-se de lançamento de oficio ancorado em revisão sumária da declaração de rendimentos da Recorrente pertinente ao ano-calendário de 1993 (DIRPJ/94), tendo a autoridade lançadora detectado erro no cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL) devida e correção incorreta em UFIR. Notificada, apresentou a Recorrente impugnação (fls. 1-11), na qual consignou que as diferenças apuradas pela fiscalização decorreram de equívocos cometidos na confecção da declaração de ajuste, equívocos estes consistentes na falta de indicação, nos campos apropriados, do prejuízo fiscal e da base de calculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido„ Em acréscimo, defendeu a possibilidade de dedução das bases negativas apuradas em períodos anteriores ao ano de 1992, assim como a natureza confiscatória da multa de oficio aplicada (75%). A impugnação foi parcialmente acatada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo (SP), nestes termas: "A Lei n". 8 383/91 passou a permitir a partir do ano- calendário de 199.2, a dedução da base negativa da CSLL Somente a base negativa do ano-calendário de 1992 poderia ser compensada com base positiva, que em março de 1993 absorveria a totalidade do :said° Lançamento Procedente em Parte." Assim, a Delegacia de Julgamento de São Paulo reconheceu o direito de se apropriar a Recorrente das bases negativas da Contribuição Social sobre o Lucro apuradas no ano-calendário de 1992 para reduzir a exigência. No entanto, rechaçou a pretensão da Recorrente de proceder à compensação das bases negativas alusivas aos anos-calendário de 1988, 1990 e 1991, dada a inexistência de fundamento legal. Contra a decisão interpôs a contribuinte o recurso de oficio de fls. 111-124, reproduzindo as razões de impugnação, acrescentando pleito de decretação da prescrição intercorrente do crédito tributário, face o largo período de tempo entre a apresentação da impugnação e o julgamento do lançamento. o relatório. 3 Voto Conselheiro HUGO CORREIA SOTERO, Recurso tempestivo, Preenchidos os requisitos de admissibilidade. Cuido, inicialmente, da argüição de prescrição intercorrente do crédito tributário . Como 6 cediço, a prescrição em matéria tributária 6 regida, por força da disposição encartada no art, 146, III, da Constituição Federal, exclusivamente por disposições que ostentem a categoria de lei complementar, corno recentemente assentado pelo Supremo Tribunal Federal quando da edição da Sumula Vinculante n°. 08, Nesse sentido, a prescrição de tributos e contribuições deve ser analisada corn esteio nas regras insertas no Código Tributário Nacional e nas leis complementares que vieram a alter-lo. Nos termos do que dispõe o art. 174 do Código Tributário Nacional, o prazo prescricional qüinqüenal somente começa a fluir quando se verifica a constituição definitiva do crédito tributário, ou seja, quando se finda, em definitivo, o procedimento de apuração do débito do contribuinte. Pendente de apreciação impugnação oferecida pelo contribuinte ao lançamento de oficio, instaurado o contencioso administrativo, não há que se falar em constituição definitiva do crédito (cujo conteúdo está a ser discutido no processo administrativo) e, consequentemente, em inicio do prazo prescricional. Nessa linha, na pendência do processo administrativo de verificação da regularidade do lançamento de oficio, quando não está definitivamente constituído o crédito, não se cogita de prescrição, direta ou intercorrente. É neste sentido o entendimento deste Primeiro Conselho, consubstanciado na Sumula if, 11, assim: "Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo Fiscal." Quanto ao mérito, consiste a impugnação expendida pelo contribuinte no recurso voluntário sob análise na afirmação de que possui direito subjetivo à apropriação das bases negativas da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido nos exercícios anteriores a 1992, antes, portanto, da vigência da Lei if. 8.383/1991. Como 6 cediço, a possibilidade de compensar as bases negativas apuradas em exercícios anteriores corn as bases positivas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido somente quedou instituída com o advento da promulgação do parágrafo único do art 44 da Lei Federal n'. 8,383, de 30 de dezembro de 1991, cuja vigência, por força do princípio da anterioridade, somente se iniciou em I' de janeiro de 1992. Antes da vigência do aludido diploma normativo não existia espeque legal para a compensação de bases negativas, razão pela qual não há que se falar em direito subjetivo a tal compensação. Este 6 o entendimento que se colhe da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: 4 Processo n" 13808.001572/98-11 S1-C1T3 Ae6rdilo n " 1103-00.348 Fl 3 "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREJUÍZOS APURADOS EM EXERCÍCIOS ANTERIORES COMPENSAÇÃO COM ABASEDE CÁLCULO POSITIVA DOS EXERCÍCIOS FUTUROS IMPOSSIBILIDADE, AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL 1 É pacifica a jurisprudência do STJ no sentido de que as pessoas jurídicas so podem deduzir dabasede cálculo dacontribuição socialsobre o lucro os prejuízos contábeis apurados em determinado mês, no mês subseqüente, epos a vigência da Lei 8.383/1991. 2, 0 art 58 da Lei 8.981/1995 apenas limitou em 30% a redução do lucro liquido por compensação dabasede calculonegativa,apurada em periodos-baseanteriores, 3. Sem expressa previsão legal, não há como pretender a compensação dos prejuízos fiscais apurados nos exercícios de 1989, 1990 el991com asbasesde calculo positives dos períodos correspondentes ao segundo semestre de 1992, e a março e abril de 1993. 4. Recurso Especial provido." (RESP n°. 93E587, 2 8, Turma, rei. Hermann Benjamim, We de 29/10/2009) Corn estas consideragbes, conheço do recurso voluntário para negar-lhe provimento. HUGO C SOTL&O 5
score : 1.0
Numero do processo: 13839.001803/2006-74
Data da sessão: Fri Apr 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica -
Exercício: 200.3
Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI, RECUPERAÇÃO DE CUSTOS.
O registro na escrituração mercantil do crédito presumido do IPI tem como fundamento a desoneração do custo dos produtos vendidos, classificando-se como recuperação de custos ou receita operacional, sendo inadmissível a sua exclusão da base de cálculo do IRPJ e da CSLL.
Numero da decisão: 1803-000.395
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - Exercício: 200.3 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI, RECUPERAÇÃO DE CUSTOS. O registro na escrituração mercantil do crédito presumido do IPI tem como fundamento a desoneração do custo dos produtos vendidos, classificando-se como recuperação de custos ou receita operacional, sendo inadmissível a sua exclusão da base de cálculo do IRPJ e da CSLL.
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Recorrida 4 TURMA/DRJ-CAMPINAS/SP Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - Exercício: 200.3 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI, RECUPERAÇÃO DE CUSTOS. O registro na escrituração mercantil do crédito presumido do IPI tem como fundamento a desoneração do custo dos produtos vendidos, classificando-se como recuperação de custos ou receita operacional, sendo inadmissível a sua exclusão da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior. NE FERREIRA DE MORAES — Presidente e Relatora EDITADO EM: (1/4) g j i 201 Participaram, da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Walter Adolfo Maresch, Luciano Inocência dos Santos e Sergio Rodrigues Mendes, Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: "Trata o presente processo de Pedido de Restituição de fl 01, protocolado em 19 de junho de 2006, por meio cio qual a interessada solicita a restituição de valores recolhidos como Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurldica-IRRI, no montantes de RS 244,999,99, relativo ao ano-calendário de 2002. 2. A autoridade fiscal indeferiu o pedido, nos termos do Despacho Decisório de fls. 18/20, que se transcreve, parcialmente. ( • .) FUNDAMENTA çÃo LEGAL A Lei n° 9,363, de 1996, ou alternativamente a Lei 17° 10 276, de 2001, trata do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados a-P1.) como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas- de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS): Art. 1° A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais . fará .jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágralb Único O disposto neste artigo aplica-se, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação para o exterior... Art. 2° A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador, É necessário, neste ponto, determinar a natureza . jurídica do crédito presumido do IPI As operações de exportação são comumente protegidas de incidência tributária, em especial, das contribuições sobre o faturamento. Entretanto, o valor do produto a ser exportado encontra-se, em geral, afetado pela 2 Processo n° 13839.001803/2006-74 S1-TE03 Acórdão n." 1803-00,395 Fl. 2 tributação incidente nas etapas anteriores de sua produção e circulação. Sendo impraticável a desoneração da produção desde suas etapas iniciais, a legislação outorga formas de o exportador obter um crédito como ressarcimento dos valores relativos às contribuições PIS e COFINS que se encontram embutidas no custo do produto, como é o caso do crédito presumido do IP11. O crédito presumido do IPI não .significa devolução de pagamento indevido, já que nada . foi recolhido pelo exportador, e nem mesmo pelos seus antecessores, de forma indevida. Na realidade, trata-se de um estimulo ,financeiro.. Esta forma de renúncia fiscal caracteriza uma subvenção para custeio. Quanto à apuração do IRP1, as subvenções para custeio são classificadas pela legislação do imposto de renda como "outros resultados operacionais 'Ç estando, portanto, sujeitas à tributação do IRRI, O tratamento dispensado às subvenções para custeio encontra-se disciplinado pelo art. 392, I do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/99 (Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999), na Subseção V Seção IV (Outros Resultados Operacionais), Parte 2 de seu Livro 2: Art. 392, Serão computadas na determinação do lucro operacional: I- as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei n° 4.506, de 1964, art 44, inciso IV); Tendo o crédito presumido do IPI sido corretamente oferecido tributação, conclui-se que não há nenhum valor a ser restituído ao interessado. Isso posto, proponho o indeferimento dos pedidos formalizados. 3. Cientificada do Despacho Decisório por meio do AR defi. 23, em 31 de julho de 2007, a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade em 29 de agosto de 2007, J/S, 24/31, com as alegações que se seguem. 3.1. Afirma que, ao contabilizar os valores relativos ao crédito presumido do 1Ff, acrescentou tais montantes à base de cálculo do IRP,I e da CSLL. 3.2. No entanto, tais importâncias não podem ser incluídas na base de cálculo, sob pena de afronta aos artigos 277, 279 e 280 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). 3.3. Continua, afirmando que com a edição da Lei n,° 9.363, de 1996, com o intuito de incentivar as exportações, foi instituído um beneficio tributário as empresas exportadoras, traduzindo-se no aproveitamento de créditos apurados sobre o montante das vendas externas, como forma de ressarcimento dos tributos pagos internamente. 3 3.4. Tal beneficio tem a natureza jurídica de crédito concedido pelo governo, de recursos públicos transferidos aos contribuintes, não se sujeitando à incidência de tributos, em especial do IRPJ e CSLL. Tal natureza teria sido reconhecida pelas autoridades .fiscais, conforme jurisprudência que elenco, fis. 28/29 3.5. Argumenta que o crédito presumido do IPI tem natureza idêntica ao do crédito-prêmio, qual seja: a de crédito concedido pelo governo, de recursos públicos transferidos ao contribuinte. 3.6 Menciona jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça- STJ, fls. 29/30, que confirmaria a impossibilidade de inclusão dos valores relativos ao crédito presumido do IPI na composição do lucro, em vista de sua natureza de subsídio governamental, 3.7 Conclui, pleiteando que seja atendido o Pedido de Restituição formalizado, A Delegacia de Julgamento indeferiu o pedido de restituição, em decisão assim ementada: "RESTITUIÇÃO. APURAÇÃO DO LUCRO REAL EXCLUSÕES CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. Na apuração do lucro real somente são permitidas as exchisães expressamente previstas em legislação própria. O registro na escrituração contábil do crédito presumido do tem como fundamento a desoneração do custo dos produtos vendidos, classificando-se como recuperação de custos ou ainda em receita operacional, porém, inadmissível a sua exclusão na apuração do lucro real, ou do lucro liquido ajustado, no caso da CSLL Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que reitera as alegações contidas na impugnação. É o relatório, Voto Conselheira SELENE FERREIRA DE MORAES, Relatara A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 27/06/2008 (AR de fis. 54). O recurso foi protocolado em 27/07/2008, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. A questão central a ser dirimida FIO presente recurso gira em torno da natureza jurídica do crédito presumido de IPI, previsto na Lei n° 9,363/1996. Extrai-se do próprio texto legal que o objetivo do crédito de IPI é ressarcir os valores gastos com a contribuição ao PIS e à COFINS, incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo de mercadorias exportadas. 4 Processo n" 13839.001803/2006-74 81-TE03 Acórdrlo n." 1803-00,395 Fl. 3 Os valores de PIS e COFINS, no sistema cumulativo, integram o custo de aquisição das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem empregados nas mercadorias exportadas. Por disposição expressa de lei o crédito presumido de IPI corresponde ao ressarcimento do PIS e da COHNS, ou seja, à recuperação de custos com tributos embutidos no custo de aquisição dos insumos utilizados na fabricação das mercadorias exportadas. O fato do valor do crédito ser presumido, e recuperado na forma de IPI não descaracteriza o beneficio como recuperação de custos. Nesse sentido é oportuno transcrevermos trecho do voto do Conselheiro Paulo Roberto Cortez, exarado no julgamento do recurso n° 132.046: "0 crédito presumido do IPI definitivo é uma recuperação de custos. Portanto, contabilmente, o valor apurado deve ser registrado a crédito de conta retificadora do custo das produtos vendidos, tendo como contrapartida a conta de IPI a Recolher (Passivo Circulante) ou a Recuperar (Ativo Circulante) ou, ainda, Contas a Receber (Ativo Circulante), no caso de ressarcimento em dinheiro, ou conta representativa da obrigação de pagar outro tributo com o qual for compensado, se for o caso. A classificação contábil como recuperação de custos, em conta retificadora de custo dos produtos vendidos, justifica-se em razão de que o crédito presumido do IPI trata-se de ressarcimento das contribuições para a COFINS e para o PIS as quais oneraram o custo de aquisição dos inSUITIOS utilizados na fabricação dos produtos exportados, cujo valor está embutido no custo das vendas desses produtos.. Para melhor entendimento segue abaixo uni exemplo do crédito presumido do a) valor total dos insinuas utilizados na produção em um determinado período: R$ 1.000. 000,00; b) receita operacional bruta auferida no mesmo período:' R$ I 600.000,00; c) receita de exportação dos produtos no mesmo período. R$ 600.000,00. Assim, temos: Relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do período em questão.- R$ 600 000,00 x 100 = 37,5% R$1. 600..000,00 O percentual acima apurado é aplicado sobre o valor total dos insumos utilizados na produção do mesmo período, para a apuração da parcela relativa à fabricação dos produtos exportados: 5 . .37,5%x R$ 1.000.000,00 = R$ 375 000,00 Valor do crédito .presumido do IPI acumulado no período. 5,37% (*).x R$ 375..000,00 = R$ 20 137,50 (*) Percentual fixado pelo art. 2°, § 1°, da Lei n°9363/96. AS.014 tendo a empresa apurado crédito definitivo do IPI no valor de R$ 20.137,.50, o procedimento recomendado pela boa técnica contábil é registrar esse valor a débito da conta de IPI a Recolhei .. ou mesmo na conta IP1 a Recuperar, em contrapartida a crédito da conta de "Crédito Presumido do IPI" em conta de resultado, qual seja, conta retificadora de custo dos produtos vendidos. Como visto acima, referidos valores constituem indubitavelmente, recuperação de custos, pois os mesmos oneravam o custo das mercadorias exportadas, Assim, toda a recuperação de custos relativa a valores que majoravam o custo dos produtos vendidos, corresponde a um aumento do lucro do período, pois eliminam os efeitos anteriormente produzidos, independentemente do registro contábil ser procedido como redução de custos ou niesmo como receita operacional. 'Acórdão n° 101-94,343, em sessão de 9 de setembro de 2003)." Aduz a recorrente que o crédito presumido de IPI tem a natureza de subsídio governamental, e corno tal não deve compor o lucro, sendo indevida sua inclusão na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Tal interpretação ignora o disposto no art. 392 do RIR/99, segundo o qual as recuperações de custos e as subvenções devem compor o lucro operacional: "Art. 392, Serão computadas na determinação do lucro operacional: I - as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei n°4.506, de 1964, an, 44, inciso IP); II - as recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões, quando dedutiveis (Lei n" 4..506, de 1964, art . . 44, inciso III); " É irrelevante se a recuperação de custos foi obtida por meio de descontos obtidos nas compras de matérias primas obtidas dos fornecedores OU por meio de incentivos do governo federal. O crédito presumido do IPI é urna daquelas receitas cuja melhor classificação é corno redução das despesas ou custos a que correspondem, em vez de serem registradas como outras receitas, apesar destes último procedimento não ser totalmente incorreto. O fato é que o valor do crédito presumido deve necessariamente transitar por conta de resultado Assim, não merece acolhida a tese da recorrente de que o crédito presumido de IPI deve ser excluído do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Processo n° 13839.001803/2006-74 81-TE03 Acórdão ii° 1803-00.395 Fl. 4 O Poder Juciário também já se manifestou no sentido de que o crédito presumido de 'PI deve compor a base de cálculo do IRP3 e da CSLL, conforme ementa a seguir parcialmente reproduzida: "TRIBUTÁRIO. NÃO TRIBUTAÇÃO POR PIS E COFINS, EM FACE DA NÃO INCLUSÃO DOS VALORES DE "CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI" NA TOTALIDADE DE SUAS RECEITAS. EXCLUSÃO DO PIS E DA COFINS DA BASE DE CÁLCULO DE IRPJ E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. I- A apelante é exportadora de mercadoria e, nessa condição, goza de crédito presumido de IPI, nos termos da Lei n° 9.363, de 1996, arts.. I" e 2", que lhe concede o direito de, à aliquota de .5,37%, ser ressarcida do PIS e da COFINS pagos em razão de matérias-primas, produtos intermediários e de material de embalagem, todos utilizados no processo de industrialização dos produtos destinados ao exterior, 2- O legislador buscou dar incentivo às exportações, ressarcindo as contribuições de PIS e COEINS, embutidas no preço das matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos pelo fabricante para a industrialização de produtos exportados, concebendo um beneficio .fiscal consubstanciado no crédito presumido de IPI, para ser lançado na escrita fiscal contra o próprio IPI, ou seja, o produtor- exportador se apropria de créditos do IPI que serão descontados, na conta gráfica da empresa, dos valores devidos a título de IPI 3- Apesar da aliquota de 5,37%, aplicada sobre a base de cálculo definida no art. 2" da Lei 9363/96, para obtenção do quantum a ser aproveitado pela empresa beneficiária do incentivo fiscal em comento, tenha tomado por base a soma das aliquotas do PIS e da COFINS correspondentes às duas etapas de incidência dessas contribuições, à época de 2% e 0,65%, respectivamente, não há qualquer disposição expressa no texto legal que vincule o percentual do crédito presumido à eventual alteração das aliquotas do PIS e da COFINS. Desse modo, conclui-se que o aumento da aliquota da COFINS, de 2% para 3%, trazida pela Lei n°9.718/98, não implica na modificação da fórmula adotada para se chegar ao resultado do crédito presumido de IPI, previsto na Lei n°9.363/96, 4- Na hipótese, o crédito presumido passa a ser registrado na escrita fiscal do beneficiário, devendo, portanto, ser considerado como receita, para o efeito da apuração do lucro real, do lucro líquido e do total de receitas auferidas, para caracterizar a base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas, da contribuição social sobre o lucro, do PIS e da COFINS(Acórdão da 4" Turma Especializada do TRF da 2" Região, apelação em mandado de segurança n° 2003,51. 01.021429-9)"(nosso grifo) Corno o crédito presumido de IPI deve ser incluído na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior. Ante todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso. 44." .42.0e.o. RA DE MORAES 8
score : 1.0
Numero do processo: 13706.002870/2001-15
Data da sessão: Thu Apr 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SIMPLES. DÍVIDAS PERANTE A PGFN E AO INSS. FALTA DE INDICAÇÃO ESPECÍFICA DOS DÉBITOS EXISTENTES NO ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. NULIDADE INSANÁVEL. É nulo o processo de exclusão do Simples quando o Ato Declaratório de Exclusão não indica os débitos perante a PGFN e/ou o INSS inscritos em Dívida Ativa, limitando-se a consignar, de forma genérica, a existência de pendências da empresa e/ou sócios junto a PGFN.
Processo Anulado ab initio.
Numero da decisão: 1103-000.184
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos da relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Gervasio Nicolau Recktenvald
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ementa_s : SIMPLES. DÍVIDAS PERANTE A PGFN E AO INSS. FALTA DE INDICAÇÃO ESPECÍFICA DOS DÉBITOS EXISTENTES NO ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. NULIDADE INSANÁVEL. É nulo o processo de exclusão do Simples quando o Ato Declaratório de Exclusão não indica os débitos perante a PGFN e/ou o INSS inscritos em Dívida Ativa, limitando-se a consignar, de forma genérica, a existência de pendências da empresa e/ou sócios junto a PGFN. Processo Anulado ab initio.
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Numero do processo: 13971.000398/00-95
Data da sessão: Wed Aug 04 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995
Ementa: ERRO — RETIFICAÇÃO — Se foi indicado, erroneamente, como
fundamento da decisão embargada, o art. 9º da Lei nº 9.532/97, quando deveria ter sido indicado o artigo 31 da Lei nº 8.541/92, deve ser retificada a decisão e sanado o erro, e, se ambos os dispositivos determinam que a opção pela realização incentivada será realizada mediante o pagamento, e não mediante extinção, deve ser ratificada a decisão embargada em relação a suas demais disposições.
Numero da decisão: 1101-000.336
Decisão: Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, para sanar o erro apontado, mas ratificar a decisão recorrida, para negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o
presente julgado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro José Ricardo da Silva.
Matéria: IRPJ - tributação de lucro inflacionário diferido(LI)
Nome do relator: ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1995 Ementa: ERRO — RETIFICAÇÃO — Se foi indicado, erroneamente, como fundamento da decisão embargada, o art. 9º da Lei nº 9.532/97, quando deveria ter sido indicado o artigo 31 da Lei nº 8.541/92, deve ser retificada a decisão e sanado o erro, e, se ambos os dispositivos determinam que a opção pela realização incentivada será realizada mediante o pagamento, e não mediante extinção, deve ser ratificada a decisão embargada em relação a suas demais disposições.
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Interessado FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1995 Ementa: ERRO — RETIFICAÇÃO — Se foi indicado, erroneamente, como fundamento da decisão embargada, o art. 9 0 da Lei n" 9.532/97, quando deveria ter sido indicado o artigo 31 da Lei n" 8.541/92, deve ser retificada a decisão e sanado o eito, e, se ambos os dispositivos determinam que a opção pela realização incentivada será realizada mediante o pagamento, e não mediante extinção, deve ser ratificada a decisão embargada em relação a suas demais disposições. Vistos, relatados e discutidos as presentes autos. Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, para sanar o erro apontado, mas ratificar a decisão recorrida, para negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro José Ricardo da Silva., ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO - Relatar EDITADO EM: Z 4 NOV 2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (presidente da turma), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (vice- presidente), Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa e Shelley Henrique Dalcamim. Ausente o conselheiro José Ricardo da Silva. Processo n" 13971 000398/00-95 si-C11.1 Acórdão n 1101-00336 F I 2 Relatório Em 26.06.2003, a contribuinte foi cientificada do auto de infração de -fls. 40/45, para a cobrança de crédito tributário de IRPI apurado no ano-calendário 1995, no valor de R$ 138,622,52, já inclusos juros e multa de oficio de 75%, com origem na ausência de adição do lucro inflacionário ao lucro líquido do período, sem a observância do percentual de realização mínima de 10% previsto na legislação. No julgamento do Recurso Voluntário em referência, conforme Voto manifestado em sessão de julgamento, a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes decidiu, por unanimidade de votos, por negar provimento ao recurso, conforme ementário a seguir: EMENTA — LUCRO INFLACIONÁRIO — REALIZAÇÃO INCENTIVADA — PAGAMENTO — INTERPRETAÇÃO LITERAL - O artigo 111, 1 do CTN estabelece que se deve interpretar literalmente a legislação tributária que disponha sobre exclusão de crédito tributário. O artigo 9" da Lei n" 9.532/1997 permitiu a quitação do total do saldo existente do lucro inflacionário com o pagamento de parcela correspondente a 10% do seu valor, não permitindo a extensão de tal beneficio a outras formas de extinção do crédito tributário. Em suas razões, restou consignado que o artigo 9' da Lei 9.532/97 permitiu à pessoa jurídica optar pela realização integral do lucro inflacionário acumulado, tributando-o à alíquota incentivada de 10%, caso em que a opção seria manifestada mediante pagamento integral do imposto, na data da opção, em quota única. Tal modalidade não se aplica, contudo, aos casos de compensação. A contribuinte interpôs embargos de declaração, às fls.. 169/174. Em suas razões, afirmou que a decisão recorrida indicou como fundamento legal de suas razões a Lei if 9..532/97. No entanto, o presente lançamento tem por base a compensação de saldo de lucro inflacionário acumulado até 3112.1992, no mês de maio de 1993, com créditos de ILL, conforme permitido por decisão judicial transitada em julgado, ocasião em que não vigia a Lei 110 9.532/97. No presente caso, alega, a realização incentivada do saldo do lucro inflacionário foi feita em maio de 1993, não havendo qualquer razão para a aplicação da lei posterior, sob pena de contrariar os arts. 105 e 106 do CTN. Requereu, ainda, a observância da coisa julgada (art. 5', XXXVI, da CF), em face do trânsito em julgado da Ação Ordinária n" 93..2001390-0. Afirmou que o acórdão recorrido contrariou o art. 173 do CTN, sob o firndamento de que não descontou os saldos mínimos de realização obrigatória já alcançados pela decadência. Houve, ainda, afronta aos arts. 150, 156 e 170 do CTN e art. 66 da Lei n° 8.383/91, ao vedar a compensação do crédito de ILL com o IRPJ a pagar, aumentado pelo É o relatório. Processo e 13971 000398/00-95 51-CITI Acórdzio n " 1101-00336 F1 3 percentual mínimo de realização do Lucro Inflacionário Realizado em 31.12.1995, objeto do presente lançamento.. Houve, também, afronta ao art. 4" do Decreto n" 2346/97, que determina o cancelamento das inscrições/lançamentos procedidos com base em decisão do STF, que declara inconstitucionalidade de tributo, já que, no caso, o crédito exigido foi compensado com tributo declarado inconstitucional pelo STF„ Por fim, afirmou que o art. 44 da Lei n° 9430/96, com redação dada pela Medida Provisória n" 351/2007, determina a redução do percentual da multa de oficio aplicada a 50%, devendo ser aplicada ao presente caso, em consonância com o art, 106 do CTN. 3 Processo n" 13971.000398/00-95 Acórdão n."1101-00336 SI-C1T1 Fl 4 Voto Conselheiro ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO, Relator Os embargos de declaração atendem aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual tomo conhecimento. O lançamento sob exame refere-se à exigência da realização mínima do lucro inflacionário, nos anos-calendário de 1995. O crédito tributário tem origem na ausência de adição do lucro inflacionário ao lucro líquido do período sem a observância do percentual de realização mínima de 10% previsto na legislação, no ano-calendário 1995, Conforme Relatório de Verificação Fiscal de fls., 33/34, a contribuinte informou a realização incentivada do saldo do lucro inflacionário acumulado até 31,12.1992, no mês de maio de 1993, com a finalidade de liquidar o saldo de lucro inflacionário acumulado, sob a forma incentivada.. A contribuinte, intimada a comprovar o pagamento do tributo, informou que realizou a compensação do referido débito com os valores apurados na ação ordinária, com pedido compensação, de n" 93,2001390-0, que move contra a União. Diante da inexistência de decisão definitiva nos autos da ação judicial em referência, a Fiscalização procedeu ao lançamento de oficio. Desse modo, ao analisar a matéria, a decisão recorrida afirmou o seguinte: No que tange à tributação do lucro inflacionário, esta, à opção do contribuinte, poderá ser realizada imediatamente ou ser diferida ao momento da realização do ganho inflacionário, sendo a opção da firma de quitação irretratável Sobre o tema, observe-se o teor do art, .31 da Lei n'8.541/92 "Art. 31. À opção da pessoa Jurídica, o lucro inflacionário acumulado e o saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/B.TNF (Lei n° 8 200, de 28 de junho de 1991, ali 3°) existente em 31 de dezembro de 1992, corrigidos monetariamente, poderão ser considerados realizados mensalmente e tributados da seguinte forma. 1- 1/120 à ai/quota de vinte por cento, ou II - 1/60 à aliquota de dezoito por cento, ou III - 1/36 à aliquota de quinze por cento; ou IV 1/12 à ai/quota de dez por cento, ou - em cota (mica à ai/quota de cinco por cento." conforme cópia da DIPJ/94 às fls 09, no mês de maio de 1993, a contribuinte efetuou a opção pela realização incentivada do saldo do lucro inflacionário acumulado até 31.12. 1992 O artigo Processo tf 13971 000398/00-95 Si-CM Acena° n " 1 I01-00„336 Fl 5 9" da Lei 9.532/97 permitiu à pessoa jurídica optar pela realização integral do lucro inflacionário acumulado, tributando-o à ai/quota incentivada de 10% O § .2" do artigo estabeleceu que a opção seria manifestada mediante pagamento integral do imposto, na data da opção, em quota única De fato, foi indicado erroneamente, como fundamento, o art. 9 0 da Lei a' 9,5.32/97, quando deveria ter sido indicado o artigo 31 da Lei n" 8,541/92. Não obstante, ambos os dispositivos determinam que a opção pela realização incentivada será realizada mediante o pagamento, e não mediante extinção (o que compreenderia a compensação) do crédito, Vejamos: Art. 31. À opção da pessoa jurídica, o lucro inflacionário acumulado e o saldo credor da diferença de correção monetária complementar 1PC/BTNF (Lei n° 8.200, de 28 de junho de 1991, art. 3 0) existente em 31 de dezembro de 199.2, corrigidos monetariamente, poderão .ser considerados realizados mensalmente e tributados da seguinte lbrata. 1 - 1/1.20 à alíquota de vinte por cento; ou II - 1/60 à alíquota de dezoito por cento; ou III- 1/36 à alíquota de quinze por cento; ou IV - 1/1.2 à ai/quota de dez por cento, ou - em cota única à ai/quota de cinco por cento. ( § A opção de que trata o capta deste artigo, que deverá ser feita até o dia 31 de dezembro de 1994, será irretratável e manifestada através do pacamento do imposto sobre o lucro inflacionário acumulado, cumpridas ar instruções baixadas pela Secretaria da Receita Federal. Desse modo, e com fundamento nas demais razões indicadas na decisão recorrida, deve ser mantido o lançamento, haja vista que a contribuinte não cumpriu o requisito para se beneficiar da realização incentivada do lucro inflacionário, qual seja, o pagamento do imposto no prazo previsto na legislação. Com relação às demais matérias suscitadas nos embargos, destaco que, conforme indicado no Relatório da decisão recorrida, o recurso voluntário apresentado pela contribuinte tinha por fundamento (i) a possibilidade de a contribuinte compensar o valor do tributo pago indevidamente, sob sua responsabilidade, independentemente de autorização decisão judicial; (ii) a existência de decisão judicial em seu favor; e (iii) o trânsito em julgado, em 14.11.2000, da sentença que reconheceu o direito da contribuinte à compensação do HM objeto da presente autuação, não havendo que se falar em imposto devido.. A análise da decadência e a redução do percentual da multa de oficio aplicada não foram objeto do recurso voluntário, não sendo tais matérias passíveis de exame através da interposição de embargos de declaração, Do mesmo modo, resta prejudicado o exame das supostas ilegalidades e inconstitucionalidades das normas aplicadas ao presente caso. Processo n" 13971 000398/00-95 Si-CIT1 Acórao n ." 1101-00,336 F 1 6 Especificamente em relação à compensação de crédito do ILL com o imposto apurado no presente lançamento, tal matéria não é objeto do presente processo administrativo, que restringe-se ao exame da legalidade do lançamento de IRRI, em face da ausência de realização mínima do lucro inflacionário no ano 1995. Ademais, a compensação em tela foi objeto de ação judicial, conforme indicado pela própria contribuinte, o que importa a renúncia à esfera administrativa, nos termos da Súmula n 1 do Primeiro Conselho de Contribuintes., Isto posto, voto no sentido de acolher os embargos interpostos, para sanar o erro apontado, e ratificar a decisão recorrida, para negar, assim, provimento ao recurso voluntário, ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO tk6
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Numero do processo: 10860.000300/2004-54
Data da sessão: Thu Apr 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
SERVIÇOS PROFISSIONAIS DE ENGENHEIRO OU ASSEMELHADOS,
OPÇÃO PELO SIMPLES, VEDAÇÃO.
Não podem optar pelo Simples as pessoas jurídicas que prestem serviços profissionais de engenheiro ou assemelhados. Compete ao contribuinte comprovar a não prestação de serviços desta natureza, nos casos em que tal atividade consta expressamente no seu contrato social e na sua FCPJ — Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica.
Numero da decisão: 1401-000.213
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Fernando Luiz Gomes de Mattos
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'\,' -.'% ,4‘,4 • ' . ,i‘. MINISTÉRIO DA FAZENDA --0 ''''- 4141:' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS o PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 1 in / , Processo n° 10860.000300/2004-54 . \ '( , 2 Recurso n" 138.605 Voluntário Acórdão n° 1401-00.213 — 4' Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 08 de abril de 2010 Matéria SIMPLES/EXCLUSÃO - ANO-CALENDÁRIO: 2002 Recorrente LUIZ ANTONIO DOS SANTOS TAUBATÉ - ME Recorrida DRJ-CAMPINAS/SP Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 SERVIÇOS PROFISSIONAIS DE ENGENHEIRO OU ASSEMELHADOS, OPÇÃO PELO SIMPLES, VEDAÇÃO. Não podem optar pelo Simples as pessoas jurídicas que prestem serviços profissionais de engenheiro ou assemelhados. Compete ao contribuinte comprovar a não prestação de serviços desta natureza, nos casos em que tal atividade consta expressamente no seu contrato social e na sua FCPJ — Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, _ ."71.-----» VIVIANE VIDAL, WAGNER - Presidente L) ir' .1 --)(7)4-1)H -:1 dAilt-MigiÁ_:-.) /1/49 . I r. FERNANDO LUIZ G MES DE MATTOS - Relator EDITADO EM: o g j s.)1 2010 Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Alexandre Antonio Alkmin Teixeira, Alexei Macorin Vivan e Maurício Pereira Faro, 1 Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário interposto em face do Acórdão DR3/CPS n° 05-16,919, de 28/03/2007, profèrido pela 1" Turma da DRJ Campinas - SP. Por bem descrever os fatos relevantes, adoto parcialmente o relatório que integra a decisão recorrida, fis, 13, verbis: 1. Cuida-se de manifestação de inconformidade dirigida contra decisão da DRE de origem que negou provimento à SRS antes .formalizada. Desta última decisão teve dela ("sic) ciência o Contribuinte em 06/01/2004 (fl: 08), 2. Seguiu-se a apresentação da competente manifestação de inconfOrmidade, esta protocolada em 04/02/2004 (fls. 1/4), na qual articula o Contribuinte que prescindiria, para o exercício de sua atividade, do domínio de conhecimento técnico-científico próprio de profissional da engenharia e/ou assemelhado. Na SRSantes referida, ainda argumentava que: a) a SRF já teria aquiescido com o seu ingresso no Simples, isso desde o pleito de adesão original,. b) a exclusão nãopoderia operar efeitos retroativos. 3 Em tempo, o Ato Declaratório Executivo (ADE) que excluíra o Contribuinte do Simples foi sumariamente motivado nos termos seguintes: "atividade vedada; 4541-1/00 Instalação e manutenção elétrica em edificações, inclusive elevadores, escadas, esteiras rolantes e antenas dl 09). A MU Campinas — SP não acolheu as alegações da autuada e indeferiu sua solicitação, por meio do Acórdão assim ementado: ASSUNTO.. SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Ano-calendário„ 2002 CIRCUNSTÂNCIAS IMPEDITIVAS DE INGRESSO EYOU PERMANÊNCIA NO SIMPLES O exercício de atividade que pressupõe o domínio de conhecimento técnico-científico próprio de profissional da engenharia é circunstância que impede o ingresso ou a permanência no Simples. EXCLUSÃO RETROATIVIDADE A exchtsao do Simples pode operar efeitos retroativos à data da situação impeditiva. 2J Processo o' 10860.000300/2004-54 S1-C4T1 Acárdào ft° 1401-00.213 FL. 2 INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES. DIREITO ADQUIRIDO. O ingresso ou a permanência no Simples é situação precária, diga-se, sempre sujeita à reapreciação da satisfação dos requisitos exigidos em Lei, seja pelo próprio contribuinte, seja pela SRF Solicitação Indeferida. A interessada foi cientificada desse Acórdão em 17/04/2007 (fls. 21). Irresignada, interpôs Recurso Voluntário em 07/05/2007 (fls. 22-24), argumentando que: - foi enquadrada em um CNAE errado, pois sua atividade sempre foi a de manutenção e reparo de motores elétricos, com a devida comercialização dos componentes usados nessa manutenção; - para melhor esclarecer a atividade desempenhada pela empresa, anexa documento que comprova que os serviços executados não envolvem serviços de engenharia ou assemelhados. O recurso voluntário foi distribuído para a Terceira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes. Por unanimidade de votos, o julgamento foi convertido em diligência, conforme Resolução n° .303-01,504 (fls. 35-39), A parte final da referida Resolução, fls. 39, teve a seguinte redação: Entendo ser essencial para a solução do presente litígio saber se o recorrente exercia efetivamente a atividade descrita em seu objeto social, inclusive com a participação de profissional habilitado, o que vedaria a sua opção pelo Simples, nas termos da Lei n ü 9.317/96. Conforme ressaltado, a simples previsão da atividade no contrato social não é suficiente para caracterizar a vedação. Portanto, voto pela conversão do julgamento em diligência para que o recorrente seja intimado a apresentar todas as Notas Fiscais referentes aos serviços prestados, desde a data da sua opção pelo Simples, e que a Unidade de Origem anexe cópias daquelas notas que, no seu entendimento, comprovem o exercício de atividade vedada. Atendida a providência relacionada anteriormente, deverão as partes ser intimadas para apresentar manifestações em 15 (quinze) dias. Após, devolvam os autos para julgamento. Não obstante os esforços da unidad de origem, a referida diligência resultou inftutzfera, conforme relato de . fls. .55: Fazendo-se cumprir a diligência de fls, 38/39, ao contribuinte .foi solicitado atender à intimação de .fis. 45, sendo que, após o prazo determinado, nenhom documento fora apresentado para embasar seu pleito. _,V1111 3 Novamente intimado (fls. 46), o aviso de recebimento — AR retornou com a informação de que o destinatário é . falecido (fls. 49). Foi então intimado o contador da pessoa . jurídica, o Sr Mário Celso Brasil Pires (fls. 50), respondendo que os documentos foram retirados pela viúva (lis. 51), Em 25)08)2009, foi expedido o Edital Gabinete DRF Taubaté n" 87/2009 (fls. 54). Assim, tendo em vista que todas as providências foram tomadas para cumprimento do solicitado às fls. 38/39, sem nenhuma manifestação por parte da pessoa jurídica, proponho o retorno do todo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CART, É o sucinto relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Relator O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento.. A recorrente foi excluída do Simples em razão de exercer atividade vedada para este regime simplificado. A referida atividade — comércio e representações de componentes elétricos e eletrônicos e serviços de instalações elétricas — está atrelada ao seu CNAE Fiscal.. O colegiado julgador a quo esclareceu com muita propriedade que as atividades descritas no CNAE Fiscal configuram simples "indício da real atividade por ela desempenhada". O referido colegiado, contudo, encontrou nos autos outros elementos que permitiam concluir que a pessoa jurídica efetivamente exercia atividades vedadas para o Simples. Sobre o tema, assim se pronunciou o Acórdão recorrido (grifado): 10. Ao mérito, vê-se que o Contribuinte foi excluído do Simples à conta da atividade atrelada ao CNAE-fiscal. Neste passo, convém deixar claro, desde logo, que dito CNAE-fiscal, justamente porque se apresenta como um rol de códigos/atividades imune a qualquer influência volitiva do Contribuinte, não passa de um indício da real atividade por ele desempenhada. 11. O que se precisa saber é se, nos autos, seja por instrução da D.RF de origem, seja do próprio Contribuinte, há elementos que confirmam ou infirmam o especifico CNAETfiscal ora impugnada. 12. Consta à fi. 07 cópia de declaração de firma individual levada a arquivamento junta à Jucesp. Aí, sim, particularmente no que tange ao objeto de atividade econômica, domina a 4 Processo n° 10860.000300/2004-54 S1-C411-1 Acórdão n,° 1401-00,213 F1. vontade do Contribunte, chancelada, a propósito, por ato de terceiro desinteressado, isto é, pelas repartições públicas do Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins ou do Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Significa isso que o contrato social (ou declaração de firma individual, como no caso) é meio de prova mais vigoroso que o CNAE-fiscal para efeito de se permitir melhor e precisa aproximação sobre a real atividade desempenhada pelo Contribuinte. 13, No caso presente, consta como objeto de atividade econômica o "comércio e representações de componentes elétricos e eletrônicos e serviços de instalações elétricas". Conforme bem apontado pela decisão recorrida, as atividades relativas a "execução de serviços técnicos", "execução de instalação, montagem e reparo" e "operação e manutenção de equipamento e instalação" estão abrangidas no rol de competências dos Engenheiros Eletricistas ou Engenheiros Eletricistas, Modalidade Eletrotécnica (conforme Resolução CREA n° 218/73, arts, 1° e 8°). Não obstante este fato, o colegiado julgador recorrido ainda considerou que o Contribuinte não fica eternamente atrelado à declaração de vontade lançada nos seus atos constitutivos, podendo produir prova em contrário. Sobre o tema, assim se manifestou, com grande brilhantismo, o Acórdão recorrido: 17. Adiante-se, outrossim, que não é o caso de o Contribuinte restar indefinidamente atrelado à declaração de vontade lançada nos seus atos constitutivos (contrato social, declaração de firma individual). Não. Como todo fato jurídico, tal declaração de vontade pode muito bem ser desconstituída por outra de igual ou superior força, Exemplo: declaração de vontade que altera o objeto da exploração econômica; declaração de vontade veiculada em notas .fiscais (sequenciais e que acobertem largo intervalo de tempo). Veja-se que tais declarações são tão ou mais robustas quea primeira (que fala do objeto social de exploração econômica original), certo que, em todas elas, concorre a manifestação de vontade de terceiro desinteressado (do órgão competente do Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins ou do Registro Civil de Pessoas Jurídicas, no caso de ato constitutivo; ou do adquirente do produto/serviço vendido pelo Contribuinte, na hipótese de notas fiscais, conforme estampado nos canhotos de ditas notas fiscais). Partilhando desse entendimento, a Terceira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes decidiu converter o julgamento em diligência, dando nova oportunidade para que o recorrente apresentasse todas as Notas Fiscais referentes aos serviços prestados, desde a data da sua opção pelo Simples. Caso o recorrente tivesse atendido a esta intimação, e caso nenhuma Nota Fiscal indicasse o exercício de atividade vedada para o Simples, o presente recurso certamente seria provido, tornando-se sem efeito o Ato Declaratório de Exclusão do Simples. Não foi isso, contudo, o que ocorreu, 5 Não obstante as inúmeras intimações/ reintimações para que as Notas Fiscais fossem apresentadas, o contribuinte se manteve absolutamente inerte. Não se alegue que o falecimento do titular da pessoa jurídica seja fator impeditivo para o atendimento das aludidas intimações. Afinal, a existência das pessoas jurídicas é totalmente independente da existência dos seus titulares,. O direito civil e comercial regulam, com perfeição, a transmissão da propriedade das cotas da pessoa jurídica, em caso de falecimento de seus sócios ou titulares. Diante da total ausência de novos elementos de prova, é forçoso reconhecer a plena validade da declaração de vontade do titular da pessoa jurídica, no momento de elaboração dos seus atos constitutivos. Consequentemente, é forçoso admitir que a pessoa jurídica exercia, sim, atividade vedada para o Simples Sobre o tema, é conveniente transcrever mais um primoroso trecho do Acordão recorrido: 20. Presentemente, sem que o Contribuinte faça a juntada de outros instrumentos probatórios (tais os já citados alterações de contrato social — declaração de firma inidividual no caso -, notas fiscais de venda de produtos, mercadorias dou semviços), não se pode, pura e simplesmente, à . força de simples alegação, ter por desconstituida (ou até restringida) a declamação de vontade impressa na atual redação da declaração de .firma individual No presente caso, competia ao contribuinte comprovar o não exercício de atividades vedadas ao Simples, na medida em que tais atividades constavam — como ainda constam- expressamente no seu contrato social e na sua FCRJ — Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica. Diante da inércia do contribuinte em produzir quaisquer provas, meu voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso, indeferindo a solicitação da interessada. É como voto. "-)1) LCAUJJáo — FERNANDO LUIZ G„ MES DE MATTOS 6
score : 1.0
Numero do processo: 11060.001107/2009-23
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
Ementa: REVOGAÇÃO DE ISENÇÕES. CONDIÇÕES E VIGÊNCIA. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ART. 4° do DECRETO-LEI N° 1.510, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1976, REVOGADO PELA LEI Nº 7.713, DE 1988. Salvos nos casos de isenções concedidas por período certo de tempo e sujeita a determinadas condições, o benefício pode ser revogado a qualquer tempo. No caso da isenção do ganho de capital na alienação de participação societária, instituída pelo art. 4º do Decreto-Lei nº 1.510, de 1976, que não fixava período certo de tempo para a vigência do benefício fiscal, a isenção foi revogada pela Lei nº 7.713, de 1988. Assim, alienações ocorridas a partir de 1989 estão sujeitas à incidência do imposto.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-001.203
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe (relator), Rayana Alves de Oliveira França, Guilherme Barranco de Souza. Designado para elaborar o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 Ementa: REVOGAÇÃO DE ISENÇÕES. CONDIÇÕES E VIGÊNCIA. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ART. 4° do DECRETO-LEI N° 1.510, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1976, REVOGADO PELA LEI Nº 7.713, DE 1988. Salvos nos casos de isenções concedidas por período certo de tempo e sujeita a determinadas condições, o benefício pode ser revogado a qualquer tempo. No caso da isenção do ganho de capital na alienação de participação societária, instituída pelo art. 4º do Decreto-Lei nº 1.510, de 1976, que não fixava período certo de tempo para a vigência do benefício fiscal, a isenção foi revogada pela Lei nº 7.713, de 1988. Assim, alienações ocorridas a partir de 1989 estão sujeitas à incidência do imposto. Recurso negado.
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CONDIÇÕES E VIGÊNCIA. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ART. 4° do DECRETOLEI N° 1.510, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1976, REVOGADO PELA LEI Nº 7.713, DE 1988. Salvos nos casos de isenções concedidas por período certo de tempo e sujeita a determinadas condições, o benefício pode ser revogado a qualquer tempo. No caso da isenção do ganho de capital na alienação de participação societária, instituída pelo art. 4º do DecretoLei nº 1.510, de 1976, que não fixava período certo de tempo para a vigência do benefício fiscal, a isenção foi revogada pela Lei nº 7.713, de 1988. Assim, alienações ocorridas a partir de 1989 estão sujeitas à incidência do imposto. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe (relator), Rayana Alves de Oliveira França, Guilherme Barranco de Souza. Designado para elaborar o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (Assinado Digitalmente) FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JÚNIOR Presidente. (Assinado Digitalmente) RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Relator. (Assinado Digitalmente) PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Redator designado. Fl. 227DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0919.13442.IZI9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 EDITADO EM: 01/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face do acórdão 1811.494 proferido pela 2ª Turma da DRJ/STM (fls.151/159) que deu parcial provimento à impugnação ao Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física (fls. 70/77), referente ao exercício de 2007/2008, no qual foi apurado crédito tributário no valor de R$ 638.090,41, nele compreendido imposto, multa de oficio de 150% e juros de mora, em decorrência de ganho de capital em alienação de participação societária na sociedade Expresso São Pedro Ltda. Por ter sido caracterizado, em tese, crime contra a ordem tributária foi efetuada a representação fiscal para fins penais. Tempestivamente, o interessado apresenta a impugnação da exigência às fls. 83 a 91. Suas alegações estão, em síntese, a seguir descritas. A fiscalização realizou o Arrolamento de bens e direitos nos termos dos artigos 64 e 64A da Lei 9.532/97. Em sua Impugnação o contribuinte sustentou que ao caso é aplicável as disposições do artigo 4º do DecretoLei nº 1.510/76, que estabelecia isenção do imposto de Renda sobre o ganho de capital quando a alienação ocorriam após cinco anos da data da subscrição ou aquisição da respectiva participação societária. Sustenta ainda que muito embora a Lei nº 7.713/88 tenha expressamente revogado a isenção suscitada há o direito adquirido, cita súmula nº 544 do A. Supremo Tribunal Federal, jurisprudência judicial e dos extintos Conselhos de Contribuintes. A DRJ/BSB manteve o crédito tributário sob o argumento de inexistência de direito adquirido à isenção, contudo deu parcial provimento à impugnação para afastar a aplicação da multa de 150% por não restar comprovada a ocorrência de circunstância qualificadora, reduzindo a multa a 75%. Em recurso voluntário o contribuinte reitera os argumentos apresentados na impugnação, sem trazer qualquer novo elemento. É o relatório do necessário. Voto Vencido Fl. 228DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0919.13442.IZI9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11060.001107/200923 Acórdão n.º 220101.204 S2C2T1 Fl. 2 3 Conselheiro Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe A DRJ/STM, assim fundamentou a sua decisão: O dispositivo legal transcrito excluía o crédito tributário decorrente do imposto de renda incidente sobre ganho de capital nas alienações de participações societárias quando estas alienações fossem efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou da aquisição dessas participações, pelo alienante. Entretanto, a Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988 (vigente a partir de 1° de janeiro de 1989), em seu art. 58 revogou expressamente o art. 4° do DecretoLei n° 1.510, de 27 de dezembro de 1976: (omissis) No caso, na época da ocorrência do fato gerador do imposto, o art. 40, alínea "d" do Decretolei n° 1.510, já havia sido expressamente revogado pelo art. 58 da Lei n° 7.713, cuja vigência ocorreu a partir de 01/01/1989. Assim, não há o direito adquirido à isenção nos termos da alínea "d", do art. 4°, do DecretoLei n° 1510, pois a alienação, requisito essencial para a isenção, ocorreu já sob a vigência da Lei n°7.713. Somente a partir da efetiva alienação dessa participação societária poderseia falar em exclusão do crédito tributário decorrente do ganho de capital, que seria apurado dessa operação. Ou seja, antes da efetiva alienação da participação societária, não é possível se falar em direito à isenção a ser exercido e muito menos em direito adquirido à isenção. Em outras palavras, mesmo na vigência do DecretoLei n° 1.510, antes de efetivada a venda da participação societária, o que existe é uma expectativa de direito. Se a alienação tivesse ocorrido na vigência do citado DecretoLei, estaria resguardado o direito do contribuinte à isenção. Mesmo que o contribuinte possuísse as ações por mais de 5 anos no início da vigência da Lei n.° 7.713, se ele não efetuou a alienação até esse momento, não ocorreu o fato gerador do IRPF sobre o ganho de capital, por lhe faltar um requisito essencial previsto pela Lei: a própria alienação. No caso dos autos, a alienação da participação societária ocorreu em maio de 2007, sob a égide da Lei n° 7.713. Desse modo, a alienação realizada após a alteração normativa, enseja a tributação do correspondente ganho de capital de acordo com as novas determinações normativas. O direito adquirido somente surge quando já ocorreram, no mundo dos fatos, todos os requisitos previstos em lei para determinada conseqüência jurídica. No caso de ainda não ter Fl. 229DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0919.13442.IZI9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 ocorrido algum fato previsto em lei para a esperada conseqüência jurídica, há apenas uma expectativa de direito, que pode ser alterada a qualquer tempo por legislação superveniente. A isenção prevalece se prevista na lei vigente na época do acontecimento do fato tido como isento. Revogado a lei que concedeu a isenção, o tributo volta a ser exigível em relação aos fatos ocorridos posteriormente à revogação. Portanto, não há como se cogitar de isenção na referida operação de venda, cabendo aplicarse a lei vigente à época da alienação, ou seja, a Lei n° 7.713, de 1988. Está correta a apuração do imposto sobre os ganhos de capital referente à alienação da participação societária do contribuinte na empresa Expresso São Pedro Ltda. (omissis) Depreendese do texto transcrito que, no que tange à omissão de rendimentos, o inciso I, do art. 44, da Lei n° 9.430/1996, estabelece que nos casos de omissão total de rendimentos, falta de apresentação de declaração, bem assim nos casos de omissão parcial, resultante de declaração inexata, a multa aplicável é a normal de 75%, exceto nos casos previstos nos artigos 71. 72 e 73 da Lei n°4.502/1964. A autoridade lançadora motivou a aplicação da multa de 150% em virtude do contribuinte ter omitido os rendimentos na declaração de rendimentos, com intenção de fraudar o fisco, conforme definido no artigo 71 da Lei n°4.502/64. A sonegação se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação e pressupõe sempre a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se subtrair no todo ou em parte uma obrigação tributária. Nesses casos, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional de causar dano à fazenda pública, em que, utilizando subterfúgios, se escamoteia a ocorrência do fato gerador ou retarda o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. Ressaltase que a simples omissão de rendimentos não dá causa à qualificação da multa de ofício. A infração a dispositivo de lei, mesmo que resulte diminuição de pagamento de tributo, não autoriza presumir a ocorrência de sonegação. A inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova que o sujeito passivo empenhouse em induzir a autoridade administrativa em erro para que fique caracterizada a conduta dolosa. Direito adquirido é todo direito subjetivo definitivamente incorporado (pois, adquirido) ao patrimônio jurídico do seu titular mediante a verificação da realização de todas as condições necessárias ao seu exercício (sujeito de direito), mas que por liberalidade do seu titular não foi exercido. Tal direito também precisa ser exigível na via jurisdicional, se não cumprido voluntariamente pelo obrigado (sujeito de dever). Nesse sentido é a lição de JOSÉ Fl. 230DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0919.13442.IZI9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11060.001107/200923 Acórdão n.º 220101.204 S2C2T1 Fl. 3 5 AFONSO DA SILVA (SILVA, José Afonso. Comentário contextual à constituição. 2.ed. São Paulo: Malheiros, 2006. pp.133/4): Para compreendermos um pouco melhor o que seja o direito adquirido, cumpre relembrar o que se disse acima sobre o direito subjetivo: é um direito exercitável segundo a vontade do titular e exigível na via jurisdicional quando seu exercício é obstado pelo sujeito obrigado à prestação correspondente. Se tal direito é exercido, foi devidamente prestado, tornouse situação jurídica consumada (direito consumado, direito satisfeito, extinguiuse a relação jurídica que o fundamentava). Por exemplo, quem tinha o direito de se casar de acordo com as regras de uma lei, e casouse, seu direito foi exercido, consumouse. A lei nova não tem o poder de desfazer a situação jurídica consumada. A lei nova não pode descasar o casado porque tenha estabelecido regras diferentes para o casamento. Se o direito subjetivo não foi exercido, vindo a lei nova, transformase em direito adquirido, porque era direito exercitável e exigível à vontade de seu titular. Incorporouse ao seu patrimônio, para ser exercido quando lhe convier.[...] Vale dizer – repetindo: o direito subjetivo vira direito adquirido quando lei nova vem alterar as bases normativas sob as quais foi constituído. Diferente é o conceito de ato jurídico perfeito, uma vez que este é o título ou fundamento que faz surgir o direito subjetivo, é todo ato lícito que tenha por fim imediato adquirir, resguardar, transferir, modificar ou extinguir direitos (art. 81 do CC). Tratase de ato consumado. Válida é a lição de Limongi França, de que o ato jurídico perfeito é aquele que sob o regime de determinada lei tornouse apto para produzir os seus efeitos pela verificação de todos os requisitos a isso indispensável. Assim, o ato jurídico perfeito deve ser analisado sob a ótica de forma. No caso em tela, o r. acórdão de primeira instância administrativa fundamenta a sua decisão na necessidade da ocorrência do ato jurídico perfeito para o gozo da isenção, sendo que o contribuinte já havia realizado todas as condições exigidas para o uso da isenção ora questionada, apenas não havia exercido tal direito. No mesmo sentido é a jurisprudência do A. Supremo Tribunal Federal, in verbis: RE 228547 AgR / PE PERNAMBUCO AG.REG.NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. CARLOS VELLOSO Julgamento: 26/04/2005 Órgão Julgador: Segunda Turma Publicação DJ 20052005 PP00026 EMENT VOL 0219203 PP00542 LEXSTF v. 27, n. 319, 2005, p. 246 250Parte(s) EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA: ISENÇÃO: SUDENE: Lei 4.239/63, art. 13, com a redação do D.L. 1.564/77. Lei 7.450/85. I. Direito adquirido à isenção reconhecido pelo acórdão recorrido com base na legislação infraconstitucional aplicável. Questão que refoge do Fl. 231DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0919.13442.IZI9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 contencioso constitucional. II. Negativa de trânsito ao RE. Agravo não provido. Decisão A Turma, por votação unânime, negou provimento ao recurso de agravo, nos termos do voto do Relator. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Gilmar Mendes. 2ª Turma, 26.04.2005. Também é esse o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, como se vê nos arrestos abaixo transcritos: AgRg no REsp 1164768 / RS AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2009/02122116 Relator(a) Ministro BENEDITO GONÇALVES (1142) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 24/05/2011 Data da Publicação/Fonte DJe 01/06/2011 Ementa TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DECRETOLEI 1.510/76. ISENÇÃO CONCEDIDA SOB DETERMINADAS CONDIÇÕES. REVOGAÇÃO. ART. 58 DA LEI N. 7.713/88. SÚMULA N. 544/STF. DIREITO ADQUIRIDO À ISENÇÃO. 1. A controvérsia da presente demanda está alicerçada na eventual lesão ao direito do contribuinte em face da isenção do imposto de renda de pessoa física, veiculada nos arts. 1º e 4º, "d", do DecretoLei n. 1.510, de 27 de dezembro de 1976, e revogada pela Lei n. 7.713/88. 2. Da leitura do art. 4º, alínea "d", do DecretoLei n. 1.510/76, constatase que o referido dispositivo legal estabelecia isenção do imposto de renda sobre o lucro auferido por pessoa física pela venda de cotas de participação societária se a alienação ocorresse após cinco anos da sua subscrição ou aquisição. Essa foi a condição onerosa imposta pela lei ao contribuinte para a fruição da isenção tributária. 3. Implementada a condição onerosa exigida para a concessão da isenção antes da vigência da norma revogadora, ou seja, feita a alienação após transcorridos cinco anos da subscrição ou da aquisição da participação societária, não há falar em incidência do imposto de renda. Inteligência da Súmula 544/STF: "Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas". Dentre os precedentes mais recentes: Resp 1.136.122RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 10.5.2011, Dje 12.5.2011). 4. Agravo regimental não provido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar Fl. 232DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0919.13442.IZI9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11060.001107/200923 Acórdão n.º 220101.204 S2C2T1 Fl. 4 7 provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Teori Albino Zavascki e Arnaldo Esteves Lima votaram com o Sr. Ministro Relator. AgRg no REsp 1231645 / RS AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2011/00136573 Relator(a) Ministro HAMILTON CARVALHIDO (1112) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 12/04/2011 Data da Publicação/Fonte DJe 26/04/2011 Ementa AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ALIENAÇÃO DE AÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO CONDICIONADA OU ONEROSA. DECRETOLEI Nº 1.510/76. REVOGAÇÃO PELA LEI Nº 7.713/88. DIREITO ADQUIRIDO AO BENEFÍCIO FISCAL. 1. "É isento do imposto de renda o ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas sob a égide do DL 1.510/76 e negociadas após cinco anos da data da aquisição, ainda que a transação tenha ocorrido já na vigência da Lei 7.713/88. Precedentes de ambas as Turmas de Direito Público desta Corte e do Conselho de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda." (REsp nº 1.148.820/RS, Relator Ministro Castro Meira, Segunda Turma, in Dje 26/8/2010). Precedente da Primeira Seção desta Corte (REsp nº 1.133.032/PR, julgado em 14/3/2011). 2. Agravo regimental improvido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Teori Albino Zavascki, Arnaldo Esteves Lima e Benedito Gonçalves (Presidente) votaram com o Sr. Ministro Relator. O extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, incorporado por esta Conselho de Recursos Fiscais, também já se manifestou sobre o tema nos seguintes termos: Primeiro Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária Título Acórdão nº 10419341 do Processo 163270028559927 Data 13/05/2003 Ementa IRPF GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA ISENÇÃO DECRETOLEI Nº. 1.510, DE 1976, ART. 4º., D Não incide o imposto de renda sobre eventual ganho de capital obtido na alienação de Fl. 233DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0919.13442.IZI9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 participações societárias adquiridas até 31.12.83. Recurso provido Primeiro Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária Título Acórdão nº 10249345 do Processo 10920003237200456 Data 09/10/2008 Ementa IMPOSTO SOBRE GANHO DE CAPITAL PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS ISENÇÃO Participações societárias com mais de cinco anos sob a titularidade de uma mesma pessoa, completados até 31.12.88, trazem a marca de bens exonerados do pagamento do imposto sobre ganho de capital, na forma do art. 4º letra d, do DL 1.510/76, sendo irrelevante que a alienação tenha ocorrido já na vigência da Lei nº. 7.713/88. IRPF PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS DIREITO ADQUIRIDO DECRETOLEI 1.510/76 Não incide imposto de renda na alienação de participações societárias integrantes do patrimônio do contribuinte há mais de cinco anos, nos termos do art. 4º, alínea d, do Decretolei 1.510/76 a época da publicação da Lei de nº. 7.713, em decorrência do direito adquirido. Recurso provido. Ante o exposto, entendo que razão assiste ao contribuinte motivo pelo qual dou provimento ao recurso voluntário para exonerar o crédito tributário. É como voto. Assinado digitalmente Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe Relator Voto Vencedor Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório a matéria em litígio cingese à verificação do direito à isenção sobre o ganho de capital na alienação de participação societária, nas circunstâncias do caso concreto. Mais especificamente sobre o direito adquirido à isenção, mesmo após a revogação da lei que a instituiu. Divergi do bem articulado voto do conselheiro relator que entendeu pelo direito adquirido. Para o deslinde da questão é imprescindível analisar o que dispõe o Código Tributário Nacional a respeito dessa questão. Pois bem, reza o art. 178 do CTN: Art. 178. A isenção, salvo quando concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou Fl. 234DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0919.13442.IZI9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11060.001107/200923 Acórdão n.º 220101.204 S2C2T1 Fl. 5 9 modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. Já o art. 104 dispõe o seguinte: Art. 104. Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação os dispositivos de lei, referentes a impostos sobre o patrimônio e a renda. Ora, neste caso, como bem demonstrou o nobre Relator, a alínea "d", do art. 4°, do DecretoLei n° 1.510, concedia isenção sobre o ganho de capital na alienação de participações societárias realizada após cinco anos da aquisição. Ocorre que este dispositivo e, portanto, a própria isenção, foi revogado pela Lei n°7.713, de 1988, com vigência a partir de 1989. E, no caso concreto, a alienação ocorreu em maio de 2007, muitos anos depois de revogada a norma que concedia a isenção. Confrontando a situação fática com o que dispõe o art. 178 do CTN fica evidente que o Contribuinte não mais fazia jus à isenção. É que, como de vê do texto do art. 178, o CTN referese expressamente a duas condições cumulativas para que a isenção não possa ser revogada: ser concedida por período certo de tempo e ser concedida em função de determinadas condições. No caso sob exame, a isenção estava condicionada à observância de um prazo mínimo entre a aquisição e a alienação da participação societária, mas não foi concedida por período certo de tempo. Não atendidas as duas condições, a isenção poderia, como foi, ser revogada. E nem se diga que o art. 178 do CTN não trata das duas condições cumulativamente, pois, como se sabe, o referido dispositivo foi alterado em sua redação original pela Lei Complementar nº 24, de 7 de janeiro de 1975, precisamente para modificar a redação anterior deixando claro que as condições são cumulativas, substituindo o “ou” pelo “e”. Assim, em conclusão, penso que a isenção foi revogada pela Lei nº 7.713, de 1988, passando a incidir o imposto quanto às alienação ocorridas após 1989, ainda que a alienação tenha ocorrido após cinco anos da aquisição da participação societária; que, portanto, não se cogita de direito adquirido neste caso; que, enfim, o Contribuinte não mais fazia jus à isenção quando da alienação da participação societária. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Assinatura digital PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Fl. 235DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0919.13442.IZI9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 Fl. 236DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0919.13442.IZI9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA em 01/09/2011 15:34:47. Documento autenticado digitalmente por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA em 01/09/2011. Documento assinado digitalmente por: FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR em 05/09/2011, RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE em 02/09/2011 e PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA em 01/09/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 04/09/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP04.0919.13442.IZI9 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 3491D0260501C051E52AFB2896E2613D8819B4F4 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 11060.001107/2009-23. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 15540.000056/2010-12
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO NULIDADE
DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA
Inexistência de omissão, com enfrentamento expresso da questão, vertido na
distinção entre mero erro de capitulação legal e ausência, erro ou equívoco do
motivo do lançamento.
OBSCURIDADE, OMISSÃO NULIDADE DO LANÇAMENTO
A comparação feita pelo autuante, com base na retificadora, não se prestou a
dar base nem motivo ao lançamento. Isso não é aproveitar a retificadora para,
ao mesmo tempo, desconsiderá-la quanto aos efeitos do regime de tributação
aplicável (lucro real). E, a partir do momento em que não se consideraram os
valores declarados na DIPJ/06 retificadora, por se tê-la desconsiderado,
utilizando-se as receitas escrituradas contabilmente, não figurantes na
DIPJ/06 original, por óbvio que o lançamento se deu com base em receitas
escrituradas e não declaradas. Inexistência de obscuridade e de omissão sobre
nulidade do lançamento.
OMISSÃO CONSIDERAÇÃO
DOS REDARFS
No acórdão em causa não se enfrentou essa quaestio. O vazio se enche agora
com o seguinte. Na peça recursiva, a recorrente invocara os Redarfs. Nos
autos não há documentos de Redarf, mas foi localizada cópia de telas do
Sinal07. Nenhum dos códigos aos quais foram alterados é de IRPJ sob o
regime de lucro real. Omissão suprida sem efeito infringente.
OMISSÃO CONSIDERAÇÃO DE PER E DE DCOMP
Inexistência de omissão no acórdão embargado, com expresso enfrentamento
da questão, que diz respeito à sustentação do entendimento de que o IRPJ se
sujeitara ao regime de lucro real. Ademais, em nenhum momento a recorrente
alegara, muito menos comprovara, que os débitos sejam de IRPJ de lucro real
os créditos são de IPI.
Numero da decisão: 1103-000.867
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER parcialmente os embargos para suprir a omissão no Acórdão 1103-000.702/2012, relativa aos “Redarf”, e ratificar o seu dispositivo, no sentido de “negar provimento ao recurso voluntário”, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Marcos Takata
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2005 OMISSÃO NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Inexistência de omissão, com enfrentamento expresso da questão, vertido na distinção entre mero erro de capitulação legal e ausência, erro ou equívoco do motivo do lançamento. OBSCURIDADE, OMISSÃO NULIDADE DO LANÇAMENTO A comparação feita pelo autuante, com base na retificadora, não se prestou a dar base nem motivo ao lançamento. Isso não é aproveitar a retificadora para, ao mesmo tempo, desconsiderá-la quanto aos efeitos do regime de tributação aplicável (lucro real). E, a partir do momento em que não se consideraram os valores declarados na DIPJ/06 retificadora, por se tê-la desconsiderado, utilizando-se as receitas escrituradas contabilmente, não figurantes na DIPJ/06 original, por óbvio que o lançamento se deu com base em receitas escrituradas e não declaradas. Inexistência de obscuridade e de omissão sobre nulidade do lançamento. OMISSÃO CONSIDERAÇÃO DOS REDARFS No acórdão em causa não se enfrentou essa quaestio. O vazio se enche agora com o seguinte. Na peça recursiva, a recorrente invocara os Redarfs. Nos autos não há documentos de Redarf, mas foi localizada cópia de telas do Sinal07. Nenhum dos códigos aos quais foram alterados é de IRPJ sob o regime de lucro real. Omissão suprida sem efeito infringente. OMISSÃO CONSIDERAÇÃO DE PER E DE DCOMP Inexistência de omissão no acórdão embargado, com expresso enfrentamento da questão, que diz respeito à sustentação do entendimento de que o IRPJ se sujeitara ao regime de lucro real. Ademais, em nenhum momento a recorrente alegara, muito menos comprovara, que os débitos sejam de IRPJ de lucro real os créditos são de IPI.
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Interessado 6ª TURMA DA DRJ/RIO DE JANEIRO I ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Inexistência de omissão, com enfrentamento expresso da questão, vertido na distinção entre mero erro de capitulação legal e ausência, erro ou equívoco do motivo do lançamento. OBSCURIDADE, OMISSÃO NULIDADE DO LANÇAMENTO A comparação feita pelo autuante, com base na retificadora, não se prestou a dar base nem motivo ao lançamento. Isso não é aproveitar a retificadora para, ao mesmo tempo, desconsiderála quanto aos efeitos do regime de tributação aplicável (lucro real). E, a partir do momento em que não se consideraram os valores declarados na DIPJ/06 retificadora, por se têla desconsiderado, utilizandose as receitas escrituradas contabilmente, não figurantes na DIPJ/06 original, por óbvio que o lançamento se deu com base em receitas escrituradas e não declaradas. Inexistência de obscuridade e de omissão sobre nulidade do lançamento. OMISSÃO CONSIDERAÇÃO DOS REDARFS No acórdão em causa não se enfrentou essa quaestio. O vazio se enche agora com o seguinte. Na peça recursiva, a recorrente invocara os Redarfs. Nos autos não há documentos de Redarf, mas foi localizada cópia de telas do Sinal07. Nenhum dos códigos aos quais foram alterados é de IRPJ sob o regime de lucro real. Omissão suprida sem efeito infringente. OMISSÃO CONSIDERAÇÃO DE PER E DE DCOMP Inexistência de omissão no acórdão embargado, com expresso enfrentamento da questão, que diz respeito à sustentação do entendimento de que o IRPJ se sujeitara ao regime de lucro real. Ademais, em nenhum momento a recorrente alegara, muito menos comprovara, que os débitos sejam de IRPJ de lucro real os créditos são de IPI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 00 56 /2 01 0- 12 Fl. 568DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15540.000056/201012 Acórdão n.º 1103000.867 S1C1T3 Fl. 568 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER parcialmente os embargos para suprir a omissão no Acórdão 1103000.702/2012, relativa aos “Redarf”, e ratificar o seu dispositivo, no sentido de “negar provimento ao recurso voluntário”, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15540.000056/201012 Acórdão n.º 1103000.867 S1C1T3 Fl. 569 3 Relatório DO LANÇAMENTO Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 3 a 39, 41 a 48, 49 a 56 e 57 a 63, referentes a IRPJ, PIS, COFINS e CSL, por meio dos quais foram consubstanciadas as exigências de R$ 1.535.435,12, R$ 506.816,38, R$ 842.094,98 e R$ 2.339.152,17, respectivamente, além de multa de 75% sobre elas incidente e demais acréscimos moratórios. Da exigência relativa ao IRPJ, dita principal, decorreram as demais. Conforme descrição de fls. 8 a 32, a tributação relativa ao IRPJ teve como base os fatos, fundamentos e conclusões assim relatados: 1. No anocalendário de 2005 a interessada realizou pagamentos diversos referentes a IRPJ, CSL, PIS e COFINS (fls. 15 a 18), todos do código de arrecadação que, nos termos do art. 26, parágrafo único, da Lei 9.430/96, formalizava a opção pelo lucro presumido; 2. Relativamente ao mesmo ano de 2005, apresentou a interessada três DIPJs. Na declaração original e na primeira retificadora, confirmou a opção já feita pelo lucro presumido, enquanto na segunda retificadora optou pela tributação com base no lucro real. As declarações referidas e as respectivas receitas brutas informadas foram as seguintes: · Primeira declaração: DIPJ nº 0458490, data de protocolo 20/06/2006, lucro presumido. Receita bruta 1º trimestre: R$ 1.448.086,73; Receita bruta 2º trimestre: R$ 1.588.227,02; Receita bruta 3º trimestre: R$ 3.031.055,15; Receita bruta 4º trimestre: R$ 2.838.798,87: Total anual: R$ 8.906.167,77. · Segunda declaração, primeira retificadora: DIPJ nº 1416458, data de protocolo 19/10/2007, lucro presumido Receita bruta 1º trimestre: R$ 1.448.088,76; Receita bruta 2º trimestre: R$ 1.588.227,02; Receita bruta 3º trimestre: R$ 3.031.055,15; Receita bruta 4º trimestre: R$ 2.838.798,87: Total anual: R$ 8.906.169,80. · Terceira declaração, segunda retificadora: DIPJ 14165001, data de protocolo 19/10/2007, lucro real anual Receita bruta anual: R$ 88.003,616,45. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15540.000056/201012 Acórdão n.º 1103000.867 S1C1T3 Fl. 570 4 3. A receita bruta anual informada na declaração que formalizou a opção pelo lucro real (R$ 88.003.616,45) foi semelhante àquela que consta dos Livros Diário (R$ 86.210.306,96) e muito superior ao valor aproximado de R$ 8.000.000,00, consignado nas duas declarações retificadas; 4. Com base nos fatos acima, foi lançada, sob o fundamento de omissão de receitas, segundo a sistemática do lucro presumido, a diferença entre a receita apurada a partir do Livro Diário e a receita informada na DACON. Os valores tributados foram discriminados na tabela de fl. 30; 5. A formalização da exigência mediante a sistemática de apuração do lucro presumido foi fundamentada no art. 26 da Lei 9.430/96 e no art. 13 da Lei 9.718/98, alterado pela Lei 10.637/02, dispositivos estes segundo os quais a opção pelo lucro presumido se dá com o pagamento do IRPJ sob tal modalidade, e ela é definitiva relativa a todo o ano calendário; 6. Justifica a autoridade autuante que utilizou a DACON para fins de cálculo da base tributável, e não a DIPJ retificadora ainda com opção indicada de lucro presumido, tendo em vista que nesta última declaração não havia a discriminação dos valores mensais da receita bruta, consignadas tão somente pelos totais trimestrais; 7. Conforme a representação que resultou no processo administrativo 15540.000452/200906 (cópias às fls. 33 a 37), a RFB cancelou as declarações retificadoras entregues para o ano de 2005. Permanecem ativas, nos arquivos eletrônicos da RFB as seguintes declarações: · As DCTFs entregues em 7/10/2005 (1º semestre – 2005) e 25/05/2007 (2º semestre – 2005); · A DIPJ nº 1416458, entregue em 7/10/2007, lucro presumido. DA IMPUGNAÇÃO Em 26/02/2010, a interessada apresentou a impugnação de fls. 119 a 133 na qual, preliminarmente, argui a nulidade do procedimento, assim fundamentada; · O enquadramento legal que consta do auto de infração (arts. 224 e 518, do RIR/99) não se coaduna com a infração relatada; · Ainda que equivocada a opção pelo lucro real, formalizada na última retificadora entregue, não há como imputar às diferenças apuradas a condição de não declaradas; Quanto ao mérito, argui a interessada que: · O lançamento fundamentouse na premissa de que, em 2005, a interessada só poderia alterar seu regime de tributação do lucro presumido para o lucro real caso no ano anterior tivesse Fl. 571DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15540.000056/201012 Acórdão n.º 1103000.867 S1C1T3 Fl. 571 5 ultrapassado o limite de receita bruta estabelecido pelo art. 13 da Lei 9.718/98; · Não atentou a autoridade autuante, porém, para o fato de que em 2004 a interessada foi objeto de lançamento de ofício, formalizado no processo administrativo 18471.001833/200619. O referido procedimento, iniciado em 2006, apurou omissão de receitas no montante de R$ 29.871.288,81, fato este que obrigou a interessada a adotar o lucro real para o ano de 2005; · O CARF reconhece a possibilidade de alteração do regime de tributação quando verificadas irregularidades que fragilizem a opção anterior; · Incorreto o lançamento já que foi formulado com base em matéria tributável não prevista em lei; · Os valores informados pela interessada na sua DIPJ retificadora foram devidamente escriturados, conforme informado pela autoridade autuante; · Ao mesmo tempo em que a autoridade autuante desconsiderou a última retificadora entregue pela interessada, acatou as receitas nela informadas; · Ilegal a incidência da Selic para indexar débitos fiscais. Enviados, os autos, para julgamento administrativo, juntouse às fls. 239 a 243, cópias extraídas do processo administrativo 18.471.001833/200619, de titularidade da mesma interessada. DA DECISÃO DA DRJ Em 8/07/2010, acordaram os julgadores da 6ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro I, por unanimidade de votos, negar provimento à impugnação apresentada e declarar devidos os valores apontados na fl. 248, acrescidos de multa de 75% e juros de mora, pelos motivos abaixo sintetizados. A formalização da exigência em análise com base no lucro presumido foi motivada pelo fato de a recorrente ter realizado, relativamente a 2005, pagamentos que revelavam a opção pelo lucro presumido. Opção que foi confirmada pela declaração original entregue para o ano em questão e tida como definitiva. Não tendo sido contestados os montantes das receitas tidas como omitidas, nem a racionalidade que fundamentou seus cálculos, entendemse incontroversos os referidos aspectos, consolidandose administrativamente. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15540.000056/201012 Acórdão n.º 1103000.867 S1C1T3 Fl. 572 6 Nos termos do disposto no art. 26, §§ 1º, 3º e 4º, da Lei 9.430/96, a opção pelo regime de tributação é manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido, não mais sendo possível alterar a opção após a entrega da DIPJ. Ainda que fosse considerada a autuação referente ao anocalendário de 2004, não assistiria razão à recorrente ao utilizar o argumento de que o excesso de receita bruta no ano de 2004 legitimaria sua opção, tardia, pelo lucro real no ano de 2005. Em cópias acostadas às fls. 239 a 243 verificase que sua receita bruta total, considerando o valor da autuação, é de R$ 29.871.288,81, valor inferior ao limite de R$ 48.000.000,00, estipulado como máximo para permanência no lucro presumido, conforme art. 13, § 1º, da Lei 9.718/98, alterado pela Lei 10.637/02. A recorrente alega que quase toda a receita bruta anual informada na declaração de rendimentos retificadora desconsiderada no procedimento de ofício (R$ 88.003.616,45) foi escriturada no Livro Diário e que neste se contabilizou o montante de receita bruta anual de R$ 86.210.306,96, fato que confere com a realidade. Contudo, acrescentase que destes valores foi utilizado o menor para fins de cálculo da base tributável. E, ainda, que não merece prosperar a alegação de que a autoridade fiscalizadora se utilizou de receitas informadas na DIPJ desconsiderada, tendo em vista que correspondem, na verdade, ao escriturado no Livro Diário após dedução das receitas informadas na DACON. Registrese ainda que é descabida a alegação de falta de previsão legal para a cobrança de juros calculados com base na taxa Selic. A matéria, além de regulada pelo Código Civil, também está definida no art. 161 do CTN, no art. 13 da Lei 9.065/95 e no art. 61, § 3º, da Lei 9.430/96, escapando da esfera do julgamento administrativo qualquer apreciação acerca da legalidade ou inconstitucionalidade dos referidos dispositivos. O que decidido quanto ao IRPJ se estende, no que cabível, à autuação reflexa de CSL, PIS e COFINS. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Intimada e inconformada com a decisão retro, a recorrente apresentou, em 27/08/2010, recurso voluntário de fls. 263 a 278, reiterando basicamente os argumentos deduzidos na peça inaugural e acrescentando o que segue: Pugna pelo reconhecimento por parte da administração tributária dos recolhimentos efetuados pela recorrente, após a alteração da apuração dos tributos pelo regime do lucro real. Para comprovação de suas alegações, aponta REDARFs (doc. 1) e despachos decisórios das PER e das DCOMP (doc. 2), que homologaram total ou parcialmente os créditos ali informados e apurados pelo lucro real, restando ainda mais evidente a legitimidade da alteração do regime de apuração. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15540.000056/201012 Acórdão n.º 1103000.867 S1C1T3 Fl. 573 7 DO ACÓRDÃO DO CARF Em sessão do dia 12/6/2012, a 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, mediante o Acórdão nº 110300.702, de minha relatoria, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso, conforme entendimento que segue. Inicialmente foram retiradas dos limites objetivos da lide as receitas tributadas mediante os lançamentos em dissídio, tendo em vista que não foram controvertidas pela recorrente. Rejeitouse a preliminar de nulidade dos lançamentos sob a argumentação de que o mero erro na capitulação legal não é causa de nulidade, dado que fundamental é o motivo do lançamento. Acerca da contradição no motivo do lançamento afirmouse que: Com efeito, resultaria fulminado o motivo do lançamento se houvesse a contradição acusada pela recorrente. O autuante não disse “ser” e “não ser” sobre o mesmo objeto. Ele, efetivamente, desconsiderou a declaração retificadora (DIPJ/06) entregue no dia 19/10/07, às 15:06 (ND 1416501), na qual se alterou a opção do regime de tributação de lucro presumido para lucro real, e se informou a receita anual de R$ 88.003.616,45. Receita anual essa que contrasta com a informada na DIPJ/06 retificadora anterior, entregue no mesmo dia, às 9:41, em que figura a receita total no ano de R$ 8.906.167,77, e na qual ainda consta a opção para regime de tributação de lucro presumido (embora isto não faça diferença, em face do art. 26, § 1º c/c os arts. 1º a 3º, da Lei 9.430/96). Justamente por ter desconsiderado a DIPJ/06 retificadora (NID 1416501) na qual figura receita anual de R$ 88.003.616,45, o autuante não utilizou esse dado para aperfeiçoar os lançamentos. Se o tivesse feito, incidiria na referida contradição. O que fez o autuante foi coletar a receita total anual da escrituração contábil da recorrente (Diário e Razão) – receitas operacionais totais e receitas não operacionais – e, com base nela, lavrar os autos de infração, subtraindo daquele valor os informados nas DACON. Isso soa claro das fls. 11, 13, 14, 19, 29 a 31, 38, 39, 43, 44, 51, 52, 59 e 60. (...) Evidente, pois, a inexistência de contradição no motivo dos autos de infração. No mérito, o voto embargado: Discordo do entendimento deduzido pelo órgão julgador a quo de que, independentemente da existência dos autos de infração Fl. 574DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15540.000056/201012 Acórdão n.º 1103000.867 S1C1T3 Fl. 574 8 referentes ao anocalendário de 2004, feita a opção pelo regime do lucro presumido, é defesa sua alteração, de modo que a exigência devese dar pelo mesmo regime, como foi levado a efeito. Nesse passo, entendo que assiste razão à recorrente quanto à possibilidade de mudança do regime para o lucro real, ainda que já feita a opção pelo lucro presumido, vez que comunicaria erro, ainda que de direito, por vedação legal à opção pelo último regime, diante dos referidos autos de infração. Isso, desde que os valores apurados nos autos do processo administrativo nº 18471.001833/200619 levem à extravasão do limite legal já referenciado. A seguir teceramse as seguintes considerações acerca da apuração anual da recorrente em 2004: Compulsando os autos, noto que a autuação incorporada no processo administrativo nº 18471.001833/200619 se deu sob o regime do lucro presumido para o anocalendário de 2004, por não ter sido ultrapassado nesse ano o limite de R$ 48.000.000,00, conforme o próprio Termo de Constatação Fiscal que integra aqueles autos de infração a exigência se dera sob o regime do lucro real somente em 2002 (fl. 239). Como se vê do demonstrativo anexo ao Termo de Constatação Fiscal, o total de receitas de 2004, antes de se descontarem os valores declarados, é de R$ 29.871.288,81 (fl. 241). E constato que os valores efetivamente lançados se deram sobre receita anual de 2004 de R$ 26.312.111,87, o que se verifica ao se somarem os valores de base mensais (fls. 242 e 243). Mesmo se somando tal receita anual (R$ 26.312.111,87) à declarada pela recorrente, não se chega a R$ 48.000.000,000 – aliás, não se chega nem a R$ 29.871.288,81, diversamente do total (receitas declaradas mais omitidas) que consta no demonstrativo anexo ao Termo de Constatação Fiscal em questão. Como disse acima, assiste razão à recorrente, desde que os valores apurados no autos de infração que integram o processo administrativo nº 18471.001833/200619 ultrapassem R$ 48.000.000,00. Entretanto, vê que a receita total anual de 2004 não atinge esse limite, considerandose os lançamentos incorporados no referido processo administrativo. Reitero. O autuante louvouse nos valores de receitas escriturados contabilmente pela recorrente, para lavrar os autos de infração em dissídio, e não nos de receitas declaradas na DIPJ/06 retificadora, desconsiderada por ele e cancelada. Não há a contradição invocada pela recorrente. No caso, o fato de o autuante não se ter “lembrado” da existência do referido processo administrativo vez que no seu Fl. 575DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15540.000056/201012 Acórdão n.º 1103000.867 S1C1T3 Fl. 575 9 extenso arrazoado não há sinal quanto a alguma autuação – não é causa de nulidade dos lançamentos, a meu ver. Noutro giro, a manutenção dos lançamentos, diante do que deduzi acima, não constitui inovação do motivo do lançamento. É como concluo, numa análise criteriosa, em que pese tal questão sequer ter sido articulada pela recorrente. Esclareço. Meu entendimento é de que se cuida de matéria reconhecível de ofício, razão pela qual deduzo essas considerações. Em remate a essa questão, em memoriais apresentados durante este julgamento, a recorrente argui que, conforme fl. 15 do processo, o pagamento relativo ao 1º trimestre do ano calendário de 2005 já se dera com base no regime do lucro real, em 31/10/05. Improcede essa afirmação da recorrente. Essa decisão se estendeu às exigências de PIS e COFINS, visto que consectárias às de IRPJ, ainda que não tenham sido objeto de irresignação específica da recorrente. A recorrente arguiu, ainda, ter apresentado diversos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação. Contudo, se verificou que as referidas PER e Dcomp juntadas aos autos se referem a ressarcimento de IPI, e não a saldo negativo de IRPJ e CSL. E, ainda que os débitos declarados e objetivados à compensação fizessem referência a IRPJ sob o regime do lucro real, conforme se vê do acórdão embargado, “isso não teria o condão de alterar o regime tributário de lucro presumido para o anocalendário de 2005”. E acrescentouse: Anoto, porém, que os documentos acostados aos autos pela recorrente não identificam os débitos objeto de compensação. Não há nos autos cópias de DCOMP, mas dos despachos decisórios eletrônicos, que não indicam o débito. À vista de tais considerações, nego provimento ao recurso quanto essa questão. Sobre a alegada ilegalidade da Taxa Selic, colacionouse, à fl. 525, a Súmula CARF nº 4, a fim de negar provimento também quanto a essa questão. DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Intimada a recorrente, esta apresentou embargos de declaração de fls. 531 a 538, arguindo, em síntese, o que segue. Apontou obscuridade quanto ao exame da preliminar de nulidade do lançamento fiscal em decorrência do incorreto enquadramento legal indicado pela autoridade autuante. Afirmou que a decisão de primeira instância reconheceu a fragilidade do enquadramento legal ao indicar a correta fundamentação para o lançamento fiscal, que não constava dos autos de infração, mas sim do termo elaborado pela fiscalização. O referido termo citou como corretos o art. 13 da Lei nº 9.178/98 e o art. 26 da Lei nº 9.430/96. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15540.000056/201012 Acórdão n.º 1103000.867 S1C1T3 Fl. 576 10 Entendeu que o acórdão embargado foi omisso quanto ao fato de a DRJ do Rio de Janeiro I “ter reconhecido que a capitulação legal constante do auto de infração não condizia com o motivo do lançamento fiscal”. Asseverou que essa questão deve ser abordada, tendo em vista que a falha na capitulação legal do auto de infração evidencia que a autuação foi realizada em desconformidade com as previsões dos arts. 10, IV, e 59, II, do Decreto nº 70.235/72, tornando nulo o lançamento. Conforme o acórdão embargado, o lançamento não seria nulo por não ter ocorrido a contradição apontada pela embargante. Por outro lado a embargante arguiu que a análise a sua escrituração fiscal somente foi realizada após a autoridade autuante ter verificado diferença entre os valores indicados na DIPJ retificadora pelo lucro real e nas DIPJs apresentadas anteriormente pelo regime do lucro presumido. Em outras palavras, se a fiscalização utilizou uma informação da recorrente para realizar comparação, não haveria como afirmar que o referido dado não foi considerado. Tendo sido analisada a informação, admitese que esta foi declarada pela embargante, não podendo ser denominada como “receita escriturada e não declarada”, ainda mais se o suposto ilícito cometido não se coaduna com os dispositivos indicados no enquadramento legal. Nesse sentido, não restariam dúvidas de que a fiscalização utilizou como base a DIPJ retificadora na análise que resultou em exigência de receitas consideradas omitidas. Devendo, assim, ser retificado o acórdão embargado para reconhecer a contradição ocorrida no lançamento fiscal, cancelandoo. A embargante afirmou, também, que o acórdão embargado se afastou da busca pela verdade material ao deixar de considerar os elementos por ela apresentados para fins de “abatimento do lançamento de ofício do valor já deferido ou homologado” somente por não terem sido apresentadas cópias das Dcomps. Isso porque o direito creditório somente lhe foi conferido após homologação, realizada através dos despachos decisórios juntados aos autos, não com a mera transmissão das Dcomps. Sendo assim, asseverou serem suficientes os documentos anteriormente anexados para a concessão do abatimento do lançamento de ofício dos valores já deferidos ou homologados. E, ainda, que quaisquer dúvidas quanto aos valores a serem considerados para abatimento do lançamento de ofício podem ser sanadas por meio de diligência, de modo que se torne possível a imputação do montante para redução do crédito tributário exigido. Por fim, requereu sejam considerados os Redarfs acostados aos autos, “para fins de exclusão do computo do crédito tributário”, uma vez que o acórdão embargado teria sido omisso com relação ao exame dos referidos documentos. É o relatório. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15540.000056/201012 Acórdão n.º 1103000.867 S1C1T3 Fl. 577 11 Voto Conselheiro Marcos Takata O recurso de embargos é tempestivo (fls. 543 e 546). A embargante argui obscuridade e omissão no acórdão embargado no exame da preliminar de nulidade. Ainda, omissão no mérito quanto aos Redarfs acostados aos autos sobre os quais não houve enfrentamento. Também articula que caberia ter sido levado a cabo o abatimento dos valores compensados no lançamento, como teria sido deduzido pelo acórdão embargado (acórdão nº 1103000.702). Quanto ao juízo de admissibilidade, reconheço a potencialidade da omissão no acórdão embargado, em face do que conheço dos embargos. Acentua a embargante que o acórdão embargado se omitiu quanto ao fato de a Turma da DRJ ter reconhecido que a capitulação legal não condiz com o motivo do lançamento. De plano, rejeito a omissão alegada. Primeiro, porque não houve no recurso voluntário contradita ao deduzido pela 6ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, e sim ao lançamento (fls. 263 a 278). Segundo, porque tal questão não foi omitida no acórdão embargado. É óbvio que se recorre é do acórdão a quo. Mas a objurgação se deu especificamente quanto ao lançamento. Do contrário, fácil seria igualmente este órgão julgador afirmar que, então, tudo que foi enfrentado foram questões levantadas em face do acórdão a quo. Transcrevo excertos do acórdão sobre a questão: Por diversas vezes já me manifestei que o mero erro na capitulação legal não é causa de nulidade. Fundamental é o motivo do lançamento. A ausência desse ou o erro ou equívoco do motivo fulmina o lançamento por vício substancial, ainda que a capitulação legal se encontre correta. A inovação do lançamento, que sabidamente é vedada ao órgão julgador, se dá quando ele modifica ou inclui motivo do lançamento. Daí também não existir, a meu ver, inovação “negativa” do órgão julgador, quando este derrui o lançamento por fundamento jurídico diverso ao articulado pelo contribuinte. Motivo do lançamento é equivalente à causa petendi da ação judicial, e não se confunde com fundamentação jurídica, tampouco com capitulação legal. O cerne é o motivo do lançamento. Nesse ponto, já enlaço a questão com a suposta obscuridade do acórdão objeto dos embargos, ainda sobre nulidade do lançamento. Para tanto, transcrevo o que deduzi no acórdão em causa: Fl. 578DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15540.000056/201012 Acórdão n.º 1103000.867 S1C1T3 Fl. 578 12 A recorrente articula para tanto erro nos enquadramentos legais. Também que o Termo Complementar, na descrição fática e jurídica, conter referência às receitas escrituradas e não declaradas, como base para o lançamento, ao mesmo tempo em que é afirmado que as receitas foram declaradas. Por diversas vezes já me manifestei que o mero erro na capitulação legal não é causa de nulidade. Fundamental é o motivo do lançamento. A ausência desse ou o erro ou equívoco do motivo fulmina o lançamento por vício substancial, ainda que a capitulação legal se encontre correta. A inovação do lançamento, que sabidamente é vedada ao órgão julgador, se dá quando ele modifica ou inclui motivo do lançamento. Daí também não existir, a meu ver, inovação “negativa” do órgão julgador, quando este derrui o lançamento por fundamento jurídico diverso ao articulado pelo contribuinte. Motivo do lançamento é equivalente à causa petendi da ação judicial, e não se confunde com fundamentação jurídica, tampouco com capitulação legal. O cerne é o motivo do lançamento. (grifamos) No que pertine à suposta contradição no motivo do lançamento, observo o seguinte. Com efeito, resultaria fulminado o motivo do lançamento se houvesse a contradição acusada pela recorrente. O autuante não disse “ser” e “não ser” sobre o mesmo objeto. Ele, efetivamente, desconsiderou a declaração retificadora (DIPJ/06) entregue no dia 19/10/07, às 15:06 (ND 1416501), na qual se alterou a opção do regime de tributação de lucro presumido para lucro real, e se informou a receita anual de R$ 88.003.616,45. Receita anual essa que contrasta com a informada na DIPJ/06 retificadora anterior, entregue no mesmo dia, às 9:41, em que figura a receita total no ano de R$ 8.906.167,77, e na qual ainda consta a opção para regime de tributação de lucro presumido (embora isto não faça diferença, em face do art. 26, § 1º c/c os arts. 1º a 3º, da Lei 9.430/96). Justamente por ter desconsiderado a DIPJ/06 retificadora (NID 1416501) na qual figura receita anual de R$ 88.003.616,45, o autuante não utilizou esse dado para aperfeiçoar os lançamentos. Se o tivesse feito, incidiria na referida contradição. O que fez o autuante foi coletar a receita total anual da escrituração contábil da recorrente (Diário e Razão) – receitas operacionais totais e receitas não operacionais – e, com base nela, lavrar os autos de infração, subtraindo daquele valor os informados nas DACON. Isso soa claro das fls. 11, 13, 14, 19, 29 a 31, 38, 39, 43, 44, 51, 52, 59 e 60. Apenas obter dictum, observo que a DACON não representa confissão de dívida, tal como não a representa a DIPJ. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15540.000056/201012 Acórdão n.º 1103000.867 S1C1T3 Fl. 579 13 Evidente, pois, a inexistência de contradição no motivo dos autos de infração. Em tais termos, rejeito a preliminar de nulidade dos lançamentos. (grifamos) Como se vê, nenhuma obscuridade soa do enfrentamento da nulidade do lançamento. Louvouse o autuante para lançar com base na escrituração contábil da recorrente, nomeadamente no Razão, em que o valor das receitas escrituradas se aproxima, mas não coincide com o informado na DIPJ/06 retificadora. E se o valor das receitas escrituradas fosse bem diverso ao do informado na DIPJ/06 retificadora, ainda assim a embargante diria que foi usada a DIPJ/06 retificadora? A comparação feita pelo autuante, com base na retificadora, não se prestou a dar base nem motivo ao lançamento. Isso não é aproveitar a retificadora para, ao mesmo tempo, desconsiderála quanto aos efeitos do regime de tributação aplicável (lucro real). E, a partir do momento em que não se consideraram os valores declarados na DIPJ/06 retificadora, por se têla desconsiderado, utilizandose as receitas escrituradas contabilmente, não figurantes na DIPJ/06 original, por óbvio que o lançamento se deu com base em receitas escrituradas e não declaradas. Mais. Embora a embargante sequer tenha articulado a questão, enfrentei outra possível nulidade do lançamento, conforme se vê do acórdão embargado: Como disse acima, assiste razão à recorrente, desde que os valores apurados nos autos de infração que integram o processo administrativo nº 18471.001833/200619 ultrapassem R$ 48.000.000,00. Entretanto, vêse que a receita total anual de 2004 não atinge esse limite, considerandose os lançamentos incorporados no referido processo administrativo. Reitero. O autuante louvouse nos valores de receitas escriturados contabilmente pela recorrente, para lavrar os autos de infração em dissídio, e não nos de receitas declaradas na DIPJ/06 retificadora, desconsiderada por ele e cancelada. Não há a contradição invocada pela recorrente. No caso, o fato de o autuante não se ter “lembrado” da existência do referido processo administrativo vez que no seu extenso arrazoado não há sinal quanto a alguma autuação – não é causa de nulidade dos lançamentos, a meu ver. Noutro giro, a manutenção dos lançamentos, diante do que deduzi acima, não constitui inovação do motivo do lançamento. É como concluo, numa análise criteriosa, em que pese tal questão sequer ter sido articulada pela recorrente. Esclareço. Meu entendimento é de que se cuida de matéria reconhecível de ofício, razão pela qual deduzo essas considerações.(grifamos) Em tais termos, nego provimento aos embargos na questão de obscuridade e de omissão sobre a preliminar de nulidade. Requer a embargante que sejam considerados os Redarfs juntados aos autos, com a consequente redução do lançamento, porquanto o acórdão embargado fora omisso no exame a esse respeito. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15540.000056/201012 Acórdão n.º 1103000.867 S1C1T3 Fl. 580 14 Sobre a questão, razão assiste à embargante. No acórdão em causa não se enfrentou essa quaestio. O vazio se enche agora com o seguinte. Na peça recursiva, a recorrente invocara os Redarfs como doc. 1 do recurso. Nos autos não consta nenhuma indicação nem identificação de doc. 1, tampouco documentos de Redarf. Localizei as telas do Sinal07, em que há indicação de original, para alterado; aí constam mudanças de códigos de arrecadação. São as fls. 304 a 392. Cuidase dos códigos de arrecadação 6912, 7667, 6912, 8408, 5856, 4466, 1409, 2372, 9443, Nenhum dos códigos aos quais foram alterados é de IRPJ sob o regime de lucro real. De tal feito, sobre a questão dos Redarfs reconheço a omissão, e dou provimento ao recurso, sem efeito infringente. Por fim, alega a recorrente que deve ser determinado o abatimento do lançamento de ofício do valor já deferido ou homologado dos PER e das Dcomps referenciadas no recurso voluntário. A questão do abatimento, a bem ver, foi levantada por este relator, seguintes termos: Noto que as PER e DCOMP juntadas aos autos não se referem a saldo negativo de IRPJ, nem de CSL, decorrentes da apuração de lucro real. Referemse todas elas a créditos de IPI (ressarcimento de IPI). Mas, e se os débitos declarados, objetivados à compensação, fossem de IRPJ sob o regime de lucro real (sob código de arrecadação de IRPJ para lucro real)? Isso não teria o condão de alterar o regime tributário de lucro presumido para o anocalendário de 2005. Caberia, a meu ver, abatimento do lançamento de ofício do valor já deferido ou homologado, e, por consequência, o “realocamento” do crédito para débito sob o regime exigido (código de lucro presumido). Isso, desde que apresentadas as DCOMP antes do lançamento de ofício. Anoto, porém, que os documentos acostados aos autos pela recorrente não identificam os débitos objeto de compensação. Não há nos autos cópias de DCOMP, mas dos despachos decisórios eletrônicos, que não indicam o débito. À vista de tais considerações, nego provimento ao recurso quanto essa questão. (grifamos) Como se vê, não houve o abatimento quanto às Dcomps, porquanto sequer os débitos objetivados à compensação foram identificados pela embargante. Importa registrar que a questão dos PER e das Dcomps foi levantada pela recorrente, para fins de sustentar seu entendimento de que o IRPJ se deu sob o regime de lucro Fl. 581DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15540.000056/201012 Acórdão n.º 1103000.867 S1C1T3 Fl. 581 15 real. E, como disse, em nenhum momento a recorrente, em sua peça recursiva, alegara que os débitos sejam de IRPJ sob o regime de lucro real, para, com isso, pretender o abatimento. Nesse contexto, caberia à recorrente ter carreado aos autos a comprovação de que os débitos compensados são de IRPJ sob o regime de lucro real, considerandose ainda que a questão só foi suscitada na fase recursiva do feito. O limite é tênue, mas não chego a dizer que a questão informa reexame da matéria, para o que sabidamente a via estreita da presente espécie recursiva não se presta – tanto que o acórdão dos embargos integra o acórdão embargado. Podese dizer que se trata de uma suposta omissão, no limite. De todo modo, pelas razões acima colocadas, nego provimento a essa questão. Nessa ordem de considerações e juízo, conheço dos embargos e lhes dou provimento parcial para suprir, em relação à questão dos Redarfs, a omissão, cujo enchimento não altera o decisório do acórdão embargado, sem se gerar, portanto, efeito infringente. É o meu voto. Sala das Sessões, em 11 de junho de 2013 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 582DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13657.000323/2007-13
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2001, 2002 RESTITUIÇÃO. PRAZO.
O direito de pleitear a restituição de imposto de renda, que é tributo cujo lançamento se sujeita à homologação, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data do pagamento ou recolhimento indevido.
Numero da decisão: 2102-000.485
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: GIOVANNI CHISTIAN NUNES CAMPOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001, 2002 RESTITUIÇÃO. PRAZO. O direito de pleitear a restituição de imposto de renda, que é tributo cujo lançamento se sujeita à homologação, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data do pagamento ou recolhimento indevido.
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Numero do processo: 10865.001374/2007-19
Data da sessão: Thu Sep 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2003, 2004
Ementa:
INCONSTITUCIONALIDADES.
À autoridade administrativa cumpre, no exercício da atividade de
lançamento, o fiel cumprimento da lei. Exorbita à competência das
autoridades julgadoras administrativas a apreciação acerca de suposta inconstitucionalidade ou ilegalidade de ato integrante do ordenamento jurídico vigente à época da ocorrência dos fatos.
MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. ACESSO.
O ordenamento jurídico vigente autoriza a Administração Tributária, observados os requisitos legais que disciplinam a matéria (Lei Complementar nº. 105, de 2001, e Decreto nº. 3.724, também de 2001), acessar e usar as informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras.
DECADÊNCIA.
Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a teor do parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, a regra de decadência ali prevista não opera.
Nesses casos, a melhor exegese é aquela que direciona para aplicação da regra geral estampada no art. 173, I, do mesmo diploma legal (Código Tributário Nacional).
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
A ausência de manutenção, em ordem e boa guarda, dos documentos de suporte da escrituração contábil, bem como a não apresentação dos Livros de escrituração obrigatória, autorizam o arbitramento do lucro.
MULTA QUALIFICADA.
Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996.
PENALIDADE. AGRAVAMENTO.
Nos termos da alínea “a” do parágrafo 2º do art. 441 da Lei nº. 9.430, de 1996, o não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimento, autoriza o agravamento da penalidade.
Numero da decisão: 1302-000.366
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2003, 2004 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADES. À autoridade administrativa cumpre, no exercício da atividade de lançamento, o fiel cumprimento da lei. Exorbita à competência das autoridades julgadoras administrativas a apreciação acerca de suposta inconstitucionalidade ou ilegalidade de ato integrante do ordenamento jurídico vigente à época da ocorrência dos fatos. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. ACESSO. O ordenamento jurídico vigente autoriza a Administração Tributária, observados os requisitos legais que disciplinam a matéria (Lei Complementar nº. 105, de 2001, e Decreto nº. 3.724, também de 2001), acessar e usar as informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras. DECADÊNCIA. Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a teor do parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, a regra de decadência ali prevista não opera. Nesses casos, a melhor exegese é aquela que direciona para aplicação da regra geral estampada no art. 173, I, do mesmo diploma legal (Código Tributário Nacional). ARBITRAMENTO DO LUCRO. A ausência de manutenção, em ordem e boa guarda, dos documentos de suporte da escrituração contábil, bem como a não apresentação dos Livros de escrituração obrigatória, autorizam o arbitramento do lucro. MULTA QUALIFICADA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. PENALIDADE. AGRAVAMENTO. Nos termos da alínea “a” do parágrafo 2º do art. 441 da Lei nº. 9.430, de 1996, o não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimento, autoriza o agravamento da penalidade.
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À autoridade administrativa cumpre, no exercício da atividade de lançamento, o fiel cumprimento da lei. Exorbita à competência das autoridades julgadoras administrativas a apreciação acerca de suposta inconstitucionalidade ou ilegalidade de ato integrante do ordenamento jurídico vigente à época da ocorrência dos fatos. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. ACESSO. O ordenamento jurídico vigente autoriza a Administração Tributária, observados os requisitos legais que disciplinam a matéria (Lei Complementar nº. 105, de 2001, e Decreto nº. 3.724, também de 2001), acessar e usar as informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras. DECADÊNCIA. Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a teor do parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, a regra de decadência ali prevista não opera. Nesses casos, a melhor exegese é aquela que direciona para aplicação da regra geral estampada no art. 173, I, do mesmo diploma legal (Código Tributário Nacional). ARBITRAMENTO DO LUCRO. A ausência de manutenção, em ordem e boa guarda, dos documentos de suporte da escrituração contábil, bem como a não apresentação dos Livros de escrituração obrigatória, autorizam o arbitramento do lucro. MULTA QUALIFICADA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 27/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10865.001374/2007-19 Acórdão n.º 1302-00.366 S1-C3T2 Fl. 2 2 aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. PENALIDADE. AGRAVAMENTO. Nos termos da alínea “a” do parágrafo 2º do art. 44 1 da Lei nº. 9.430, de 1996, o não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimento, autoriza o agravamento da penalidade. 1 Em razão das disposições da Lei nº. 11.488, de 2007, a disposição foi renumerada para o inciso I do mesmo parágrafo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Marcos Rodrigues de Mello Presidente Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Irineu Bianchi, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 27/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10865.001374/2007-19 Acórdão n.º 1302-00.366 S1-C3T2 Fl. 3 3 Relatório EXTAMPAX TINTURARIA LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, São Paulo, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas aos anos-calendário de 2002 e 2003, formalizadas a partir da imputação de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Relativamente ao ano-calendário de 2002, a contribuinte apresentou declaração simplificada (SIMPLES) e, em razão do procedimento fiscalizatório, foi excluída da sistemática simplificada de recolhimento de tributos e contribuições com efeitos a partir de 1º de novembro de 2000. No que tange ao ano-calendário de 2003, a fiscalizada apresentou declaração de INATIVIDADE. Não atendidas as intimações para que fossem apresentados os documentos contábeis pertinentes, a autoridade fiscal apurou o IRPJ (e a CSLL) com base no lucro arbitrado. Fundamentada na conduta reiterada da contribuinte de declaração valores significativamente inferiores aos efetivamente auferidos e de até mesmo indicar ausência de auferimento de receitas à Receita Federal, a autoridade fiscal aplicou multa qualificada, agravando-a em razão da suposta ausência de atendimento às intimações formalizadas no curso da ação fiscal. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal (fls. 250/303), por meio da qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: - que os lançamentos seriam nulos em virtude da violação dos princípios da estrita legalidade tributária e da segurança jurídica; - que teria havido violação do principio da legalidade em razão da indicação do local da lavratura do auto de infração, pois este deveria ser lavrado no "local da verificação da falta", conforme art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, e não teria havido nenhuma diligência à sua sede; - que também teria havido violação ao principio da legalidade em face da utilização de documentos obtidos de forma ilícita (violação do sigilo bancário); Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 27/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10865.001374/2007-19 Acórdão n.º 1302-00.366 S1-C3T2 Fl. 4 4 - que teria havido decadência do direito de lançar relativamente ao período de janeiro a maio de 2002; - que o arbitramento do lucro violaria as disposições do art. 148 do CTN, significando aplicação de dupla penalidade ao contribuinte; - que o percentual da multa punitiva de 225% seria desmedido e abusivo, com nítida conotação confiscatória, violando o art. 150, IV da CF; - que a Lei n° 10.426/2002 imporia penalidade mais branda que deveria ser aplicada retroativamente nos termos do art. 106 do CTN; - que o agravamento da multa pelo não atendimento de intimação não poderia subsistir, vez que ela não estaria obrigada a apresentar arquivos ou sistemas eletrônicos; - que a apresentação desses documentos nem mesmo se inseriria no âmbito da abrangência da expressão "prestar esclarecimentos", motivo pelo qual requeria o afastamento da multa de oficio agravada e a descaracterização do dolo ou fraude nos atos praticados. A 1 a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 14- 16.969, de 17 de setembro de 2007, pela procedência dos lançamentos, conforme ementa que ora transcrevemos. OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A movimentação de conta bancária sem a prova da origem dos valores utilizados, valida a presunção legal de receita omitida apurada com base nos créditos efetuados. LUCRO ARBITRADO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. A ausência de apresentação de escrituração regular dos livros comerciais e fiscais durante a ação fiscal autoriza o arbitramento do lucro. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSL, PIS, COFINS. Aplica-se aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento do IRPJ pela intima relação de causa e efeito existente. SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. INCONSTIIUCIONALIDADE. Falece competência à autoridade julgadora administrativa, em qualquer instância, para apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade de lei tributária regularmente inserida no ordenamento jurídico, tarefa privativa do Poder Judiciário, cabendo-lhe apenas a possibilidade de tecer considerações acerca do assunto. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 27/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10865.001374/2007-19 Acórdão n.º 1302-00.366 S1-C3T2 Fl. 5 5 O princípio do não-confisco Tributário, nos termos do art. 150, IV da CF, não se aplica às penalidades, sendo incabível o reexame, pelo julgador administrativo, do juízo de valor adotado pelo legislador para fixar o percentual que cumpra a finalidade de punir o infrator. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Aplica-se a multa de ofício qualificada quando fica evidenciada a conduta dolosa do sujeito passivo com a prática reiterada de ocultar receita para impedir a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. AGRAVAMENTO DA MULTA PELO NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. Aplica-se o agravamento da multa de oficio quando resta comprovada a ocorrência de recusa e/ou resistência por parte do contribuinte em atender às intimações. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 330/352, por meio do qual renova a argumentação expendida na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 27/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10865.001374/2007-19 Acórdão n.º 1302-00.366 S1-C3T2 Fl. 6 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos, relativas aos anos-calendário de 2002 e 2003, formalizadas a partir da imputação de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Adotando a mesma linha de argumentação utilizada na peça impugnatória, a contribuinte traz razões, em sede de recurso voluntário, as quais passo a apreciar: NULIDADE DOS LANÇAMENTOS Sustenta a Recorrente que os lançamentos são nulos em virtude da violação dos princípios da estrita legalidade tributária e da segurança jurídica. Alega que houve violação do principio da legalidade em razão da indicação do local da lavratura do auto de infração, pois este deveria ser lavrado no "local da verificação da falta", conforme art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, e não teria havido nenhuma diligência à sua sede. Aduz que também houve violação ao principio da legalidade em face da utilização de documentos obtidos de forma ilícita (violação do sigilo bancário). Em convergência com o decidido em primeira instância, esclareço, mais uma vez, que a autoridade julgadora administrativa não detém competência para apreciar supostas inconstitucionalidades das normas tributárias. Nesse particular, diante de reiteradas decisões no mesmo sentido, este Colegiado editou a súmula nº. 2, que estabelece que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que tange à lavratura do auto de infração, foi editada a súmula nº. 6, abaixo transcrita, que dispõe que esta é legítima ainda que efetivada fora do estabelecimento do contribuinte. Súmula CARF Nº 6 É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Entende a Recorrente que os documentos bancários que serviram de suporte para os lançamentos tributários foram obtidos de forma ilícita.. Não lhe assiste razão. Com efeito, não há que se falar em ilicitude na apuração do tributo com base em extratos bancários fornecidos por instituição financeira em atendimento à requisição específica, que atendeu aos mandamentos legais pertinentes. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 27/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10865.001374/2007-19 Acórdão n.º 1302-00.366 S1-C3T2 Fl. 7 7 Note-se que os atos praticados pela Fiscalização no sentido de acessar à movimentação bancária da Recorrente, encontram-se expressamente autorizados pelo artigo 6º da Lei Complementar nº. 105, de 2001. Esclareça-se, por relevante, que o citado art. 6º da Lei Complementar nº. 105, de 2001, foi regulamentado pelo Decreto nº. 3.724, de 10 de janeiro de 2001, que, estabelecendo requisitos a serem observados pela autoridade fiscal, resguarda o sigilo das informações recepcionadas. DECADÊNCIA Argumenta a Recorrente ter ocorrido decadência do direito de lançar relativamente ao período de janeiro a maio de 2002. Para que se possa analisar a questão da caducidade do direito é necessário, antes, apreciar a procedência da multa qualificada aplicada, eis que, se mantida, o prazo que tinha a autoridade fiscal para efetuar o lançamento deve ser o previsto no inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, pois, como é cediço, na existência de dolo, a regra estampada no parágrafo 4º do art. 150 do mesmo diploma legal não opera. Em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 33/43, a qualificação da multa pela autoridade autuante se deu em virtude dos seguintes fatos: 1. mesmo tendo sido excluída do SIMPLES desde 03 de junho de 2001, a contribuinte apresentou, para o ano-calendário de 2002, declaração pela sistemática simplificada de recolhimento, assinalando receita anual no montante de R$ 164.553,19, enquanto manteve depósitos de origem não comprovada de R$ 3.038.037,59; 2. no ano-calendário de 2003, em que os depósitos alcançaram o montante de R$ 1.135.092,60, a contribuinte se declarou INATIVA; 3. apesar de reiteradamente intimada, a contribuinte não apresentou nem os livros de escrituração obrigatória nem os documentos correspondentes às suas operações. Me parece fora de dúvida que o contribuinte que apresenta declarações cujos conteúdos não guardam qualquer relação com a realidade de suas operações, não pode se submeter à mesma penalidade a que estão sujeitos os que, por mera inexatidão na determinação dos valores oferecidos à tributação, deixam de recolher parcela dos tributos devidos. No caso vertente, o dolo, a meu ver, resta evidente, eis que não se pode admitir como mera declaração inexata aquela que indica ausência de qualquer atividade operacional, não operacional, patrimonial ou financeira (inclusive aplicação no mercado financeiro ou de capitais), durante todo o ano-calendário, enquanto que os extratos bancários revelam significativa movimentação financeira nesse mesmo período. Trata-se, indubitavelmente, de declaração de conteúdo falso, revelador da intenção de quem a produziu de indicar situação econômica e financeira absolutamente distinta da espelhada pelos movimentos bancários. Sou, nessas circunstâncias, pela manutenção da multa qualificada. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 27/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10865.001374/2007-19 Acórdão n.º 1302-00.366 S1-C3T2 Fl. 8 8 Mantida a qualificação da multa, o prazo decadencial a ser observado, como já foi dito, é o preconizado pelo inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, cinco anos, contados do primeiro dia do exercício àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Em conformidade com o documento de fls. 249/verso, a Recorrente foi cientificada dos lançamentos em 19 de junho de 2007, sendo que os fatos geradores mais antigos ocorreram em 31 de janeiro de 2002, que, considerada a regra de contagem acima esposada, tinham como data fatal para constituição dos créditos tributários correspondentes 31 de dezembro de 2007. Inexistente, pois, a caducidade alegada. ARBITRAMENTO DO LUCRO Diz a Recorrente que o arbitramento do lucro violou as disposições do art. 148 do Código Tributário Nacional, significando aplicação de dupla penalidade ao contribuinte. Equivoca-se a Recorrente, eis que não estamos diante de tributos que tenha por base de cálculo o valor ou o preço de bens, direitos e serviços ou atos jurídicos, mas, sim, de imposto e contribuição cujo suporte de incidência é o lucro. O arbitramento, portanto, nos exatos termos do art. 47 da Lei nº. 8.981, de 1995, se dá sobre o lucro, nas hipóteses legalmente estabelecidas. Como é cediço, o arbitramento do lucro é uma medida extrema e somente deve ser utilizada na impossibilidade de apuração da base tributável. No caso vertente, a medida extrema teve de ser adotada exatamente em virtude da impossibilidade de se aferir o resultado apurado pela empresa, eis que, como já foi noticiado, a contribuinte não apresentou os livros de escrituração obrigatória e a correspondente documentação de suporte. MULTA No que diz respeito à multa aplicada, os argumentos da Recorrente são dirigidos no sentido de que o percentual de 225% seria desmedido e abusivo, com nítida conotação confiscatória, violando o art. 150, IV da CF; de que a Lei n° 10.426/2002 imporia penalidade mais branda que deveria ser aplicada retroativamente nos termos do art. 106 do CTN; e de que o seu agravamento pelo não atendimento de intimação não pode subsistir, vez que ela não estaria obrigada a apresentar arquivos ou sistemas eletrônicos (aduz que a apresentação desses documentos nem mesmo se inseriria no âmbito da abrangência da expressão "prestar esclarecimentos"). Requer, com base em tais argumentos, o afastamento da multa de oficio agravada e a descaracterização do dolo ou fraude nos atos praticados. No que tange a esse conjunto de argumentos, cabem as seguintes considerações: 1. como já foi anotado, a autoridade julgadora administrativa não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária; Fl. 8DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 27/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10865.001374/2007-19 Acórdão n.º 1302-00.366 S1-C3T2 Fl. 9 9 2. os tipos penais estampados na Lei nº. 10.426, de 2002, não se amoldam aos tratados no presente processo, descabendo, assim, falar-se em aplicação retroativa com base no art. 106 do Código Tributário Nacional; 3. o agravamento da penalidade encontra respaldo no reiterado não atendimento às intimações formalizadas pela autoridade fiscal para prestar esclarecimentos, inexistindo, pois, qualquer relação com a falta de apresentação de arquivos ou sistemas eletrônicos (conforme assinalado pela autoridade autuante no Termo de Verificação Fiscal, durante todo o curso da ação fiscal, a contribuinte optou por não se manifestar, deixando de atender as intimações para apresentar documentos e/ou prestar esclarecimentos). Assim, considerado todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 02 de setembro de 2010 Wilson Fernandes Guimarães Fl. 9DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 27/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 13807.008010/99-54
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2002
Numero da decisão: 202-00.418
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar competência ao Terceiro Conselho de Contribuintes para o julgamento do recurso, em razão da matéria.
Nome do relator: Gustavo Kelly Alencar
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