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Numero do processo: 11075.001562/00-23
Data da sessão: Mon Aug 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1998
RECURSO ESPECIAL. PIS. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 8.
Questão referente ao prazo decadencial ser de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos para a Fazenda Nacional apurar e constituir o crédito tributário de PIS, notadamente em face do disposto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91.
Aplicação do disposto na Súmula Vinculante nº 08: são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-001.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1998 RECURSO ESPECIAL. PIS. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. Questão referente ao prazo decadencial ser de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos para a Fazenda Nacional apurar e constituir o crédito tributário de PIS, notadamente em face do disposto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91. Aplicação do disposto na Súmula Vinculante nº 08: são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Recurso Especial do Procurador Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Rodrigo Cardozo Miranda - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1998 RECURSO ESPECIAL. PIS. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. Questão referente ao prazo decadencial ser de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos para a Fazenda Nacional apurar e constituir o crédito tributário de PIS, notadamente em face do disposto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91. Aplicação do disposto na Súmula Vinculante nº 08: “são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 00 15 62 /0 0- 23 Fl. 413DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 2 Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Cuidase de recurso especial por divergência interposto pela Fazenda Nacional (fls. 371 a 382) contra o v. acórdão proferido pela colenda Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 329 a 353), em que se deu provimento parcial ao recurso voluntário. A ementa do v. acórdão recorrido, que bem resume os seus fundamentos, é a seguinte: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1998 Ementa: NULIDADE. INEXISTÊNCIA DE MPF. INOCORRÊNCIA. Comprovada a expedição de MPF para a fiscalização de Cofins e de MPFC para extensão da autorização inicial ao PIS e sendo o MPF um mero instrumento de controle administrativo, é improcedente a alegação de nulidade do auto de infração fundada na inexistência desta ordem. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE PERÍCIA. Não é nula a decisão que obedeceu rigorosamente ao rito do Decreto n2 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal. PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL PARA JUNTADA AOS AUTOS. PRECLUSÃO. Com a apresentação da impugnação instaurase a fase litigiosa do processo administrativo, precluindo o direito de o autuado provar as suas alegações em momento posterior, a não ser nos casos previstos no § 42 do art. 16 do Decreto n2 70.235/72. PIS. LANÇAMENTO FISCAL. DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao PIS extinguese em cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 42, do CTN. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. FRETES INTERNACIONAIS. ART. 42, III, DA LEI Nº 9.715/98. As receitas oriundas da prestação de serviço de transporte internacional de carga, assim considerados os que ligam pontos geográficos situados no interior do País e fora deste, não podem ser incluídas na base de cálculo do PIS. O transporte internacional alcança todo o trecho contratado, ou seja, vai da Fl. 414DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 11075.001562/0023 Acórdão n.º 9303001.587 CSRFT3 Fl. 406 3 origem das mercadorias ao destino, não se podendo separar o trecho interno do pertencente ao exterior. COFINS. LANÇAMENTO FISCAL. DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente à Cofins extinguese em cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 42, do CTN. BASE DE CÁLCULO. ISENÇÃO. FRETES INTERNACIONAIS. PERÍODO ANTERIOR A 1º/02/1999. LC Nº 70/91, ART. 72 e LC Nº 85/96. Para fazer jus à isenção da Cofins, o transporte, além de ser internacional, deve ser contratado diretamente com o exportador do serviço e representar receita de origem estrangeira. Recurso provido em parte. A Fazenda Nacional alegou em seu recurso, em síntese, que o prazo decadencial para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, inclusive o PIS, é o previsto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91. O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 396 a 400. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o presente recurso especial da Fazenda Nacional não merece ser conhecido. Com efeito, segundo já apontado no relatório, a matéria ora controvertida diz respeito, apenas, ao prazo decadencial ser de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos para a Fazenda Nacional apurar e constituir o crédito tributário de PIS, notadamente em face do disposto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91. Ocorre que o Egrégio Supremo Tribunal Federal já dirimiu definitivamente a controvérsia, inclusive através da edição da Súmula Vinculante nº 8, cujo teor é o seguinte: SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5º DO DECRETOLEI Nº 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI Nº 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 4 Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 416DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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Numero do processo: 19515.001627/2002-86
Data da sessão: Tue Sep 29 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Sep 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - DECADÊNCIA- Por se tratar de tributo cuja modalidade de lançamento é por
homologação, expirado cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador sem que a Fazenda Pública tenha se pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito.
Numero da decisão: 1101-000.203
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do
PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso e cancelar a exigência Fez sustentação oral o advogado da recorrente, Dr. Daniel Lacasa Maya — OAB/SP sob o nr. 163223
Nome do relator: José Ricardo da Silva
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da V Câmara / 1' Turma Ordinária do PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso e cancelar a exigência Fez sustentação oral o advogado da recorrente, Dr. Daniel Lacasa Maya — OAB/SP sob o nr. 163223 ANQVI P GA Presidente 4,11 da • .a "1"..rr M. 9 A8 R 2010 • Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Praga (Presidente da Turma), Alexandre da Fonte Filho (Vice-Presidente), Aloysio Jose Perdnio da Silva, Jose Ricardo da Silva, Joáo Bellini Junior (suplente convocado), Edwal Casoni de Paula Femandes Júnior (suplente Convocado). Processo n°19515.001627/2002-86 S1-C1T1 Acórdão a° 1101-00.203 Fl. 2 Relatório COINVEST COMPANHIA DE INVESTIMENTOS INTERLAGOS (SUCESSORA DE VELARES MECÂNICA S/A), já rpmlificada nos presentes autos, interpõe recurso voluntário a este Colegiado (fls. 2921314), contra o Acórdão n° 9.281, de 05/04/2006 (fls. 279/285), proferido pela colenda 3a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo — SP I, que julgou procedente o lançamento consubstanciado no auto de infração de CSLL, fls. 60. Consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 57), em síntese, a seguinte irregularidade: COMPENSAÇÃO INDEVIDA DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS-BASE ANTERIORES NA APURAÇÃO DÁ CSLL No mês de março/97, o contribuinte apitou base de cálculo da CSLL de R$ 7.918.287,51 e efetuou compensação no valor de .R$ 8.299.394,43, excedendo o limite de 30%. No entanto, o contribuinte obteve liminar em 25/09/1996, rel processo 96.0028905-0, na P Vara Federal de SPaulo, resguardando-lhe o direito de compensação sem o limite de 30%, os prejuízos fiscais e a base de cálculo negativa da CSLL, acumulados até 31/12/1994, por ocasião da apuração dos resultados referentes aos períodos-base encenados a partir de agosto de 1996. Desta forma, somente com o intuito de preservar a obrigação tributária do efeito decadencial, será constituído o crédito tributário sem aplicação de qualquer sanção, ficando sua exigibilidade suspensa até decisão judicial finaL Tempestivamente, a contribuinte apresentou peça impugnatória de fls. 66/89. A Colenda Turma de Julgamento de primeira instância decidiu pela manutenção da exigência tributária, conforme acórdão citado, cuja ementa tem a seguinte redação: CSLL Ano-calendário: 1997 DECADÊNCIA. O prazo decadencial para o Fisco lançar a CSLL é de dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito tributário poderia ter sido constituída COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. LIMITE LEGAL. BALANÇO DE INCORPORAÇÃO. A rr !\ A 2 Processo n°19515.001627/2002-86 SI-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.203 Fl. 3 compensação da base de cálculo negativa no balanço de incorporação de empresa é limitada a 30% do resultado do período de afim-ação gastado pelas adições e exclusões previstas na legislação; inexiste norma que permita, excepcionalmente, a compensação integral, acima do limite legaL - BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%. PROGRAMA BEFIEX Descabe a compensação de base de cálculo negativa acumulada em montante superior a 30% do lucro liquido ajustado, por empresa titular de programa Beflex por falta de expressa previsão legal. Lançamento Procedente Ciente da decisão de primeira instância em 18/06/2006 (fls. 288-v), e com ela não se conformando, a contribuinte recorre a este Colegiado por meio do recurso voluntário apresentado em 17/07/2006 (fls. 292), onde apresenta, em síntese, os seguintes argumentos: a) que é nula a decisão recorrida por não ter apreciado a preliminar de decadência; b)que, efetivamente se operou a decadência, pois o fisco lavrou o auto de infração após transcorridos 5 anos da data da ocorrência do fato gerador; c) que, não fosse a ocorrência da decadência, ainda assim não se sustentaria a decisão recorrida, eis que a empresa Villares Mecânica S/A foi incorporada pela empresa Coinvest Cia de Investimentos Interlagos e, considerando que nesta operação, a empresa incorporadora, por expressa disposição legal, está impossibilitada de utilizar-se do prejuízo fiscal da empresa incorporada. A empresa incorporada deverá ter assegurado o direito à compensáção de seus próprios prejuízos, bem como da base negativa de CSLL, pois trata-se de declaração final de empresa extinta; d)que, além disso, também não é cabível a exigência fiscal, pois a empresa incorporada é titular de programa especial de exportação BEFIEX. É o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo da Silva, Relator O recürSo é tempestivo. Dele tomo conhecimento. t, 3 Processe n° 19515.001627/2002-86 SI-C1T1 Acórdão a° 1101-00.203 E. 4 A recorrente suscita preliminar de decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário, tendo em vista que a lavratura do auto de infração deu- se em 26/11/2002, e o fato gerador da obrigação tributar' ia ocorreu em 31/03/1997. Nesse sentido, o Pleno do Supremo Tribunal Federal, em sessão de 01/07/92, ao apreciar o Recurso Extraordinário no 138.284- CE, por unanimidade, declarou inconstitucional o art. 8°, e constitucionais os artigos 1°, 2° e 3° da Lei n° 7.689/88, um dos argumentos levantados para argüir a inconstitucionalidade foi a necessidade de a contribuição ser veiculada por lei complementar. Rejeitando o argumento, assim se manifestou o Relator, Ministro Carlos Velloso: "Todas as contribuições, sem exceção, sujeitam-se à lei complementar de normas gerais, assim ao C.T.N. (art. 146, IN ex vi do disposto no art. 149). Isto não quer dizer que a instituição dessas contribuições exige lei complementar: porque não são impostos, não há exigência no sentido de que seus fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes estejam definidos em lei complementar (art. 146, IN a), A questão da prescrição e da decadência, entretanto, parece-me pacificada É que tais institutos são próprias de lei complementar de normas gerais (art. 146, Hl, "b"). Quer dizer, os prazos de decadência e de prescrição inscritos na lei complementar de normas gerais (CTN) são aplicáveis, agora por expressa previsão constitucional, às contribuições parafiscais (C.F., art 144 NI b; art. 149)." Esta Câmara já firmou jurisprudência no sentido de que nos casos de lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é o primeiro dia após a ocorrência do fato gerador. Entre outros julgados, transcrevo a ementa do Acórdão n°101-93.783, de 21 de março de 2002, com a seguinte redação: "PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. A Câmara Superior de Recursos Fiscais uniformizou jurisprudência no sentido de que, a partir da Lei n°8.383/91, o IRPJ sujeita-se a lançamento por homologação. Assim, sendo, o prazo para efeito da decadência é de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Recurso provido." No voto condutor do referido acórdão a Conselheira Sandra Maria Faroni tece seguintes considerações sobre o tema: - \(1/I 4. Processo o° 19515.0016272002-86 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00203 R.5 "Assim, excetuada a hipótese de tributo cido lançamento seja, por natureza, de oficio, e sem considerar os casos de dolo, fraude ou simulação, uma análise sistemática do CIN nos mostra que a legislação de cada tributo determina que, ocorrido o fato gerador, o sujeito passivo: a) preste à autoridade administrativa informações sobre a matéria de fato, aguardando que aquela autoridade ciente o lançamento para, então, pagar o crédito tributário (art. 147); ou b) apure por si mesmo o tributo e faça o respectivo pagamento, independentemente de prévio exame da autoridade administrativa (art. 150). No caso da letra 'a' (lançamento por declaração), a ocorrência de omissão ou inexatidão na declaração ou nos esclarecimentos solicitados (art. 149, II, 111 e IV)- dá ensejo ao lançamento de oficio, desde que não extinto o direito da Fazenda Nacional (art. 149, § único), o que só pode ser feito no prazo de cinco anos contados: (I) do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado, nos casos de falta de declaração ou de entrega da declaração após esse tenro; (2) da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado por vicio formal o lançamento anterior, se for esse o caso • ou (3) da data da entrega da declaração, se essa foi entregue antes do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. No caso da letra 'b' (lançamento por homologação), ocorrido o fato gerador a autoridade administrativa tem o prazo de cinco anos para verificar a exatidão da atividade exercida pelo contribuinte (apuração do imposto e respectivo pagamento, se for o caso) e homologá-la Dentro desse prazo, apurando omissão ou inexatidão do sujeito passivo no exercício dessa atividade, a autoridade efetua o lançamento de oficio (art. 149, V). Decorrido o prazo de cinco anos sem que a autoridade tenha homologado expressamente a atividade do contribuinte ou tenha efetuado o lançamento de oficio, considera-se definitivamente homologado o lançamento e extinto o crédito (art. 150, § 4°), não mais se abrindo a possibilidade de rever o lançamento." No mesmo sentido, a Egrégia Sétima Câmara deste Primeiro Conselho de Contribuintes firmou jurisprudência sobre a matéria, cabendo citar o Acórdão tf 107-06.842, de 17/10/2002, Relator o Conselheiro NatansP1 Marfins, cuja ementa tem a seguinte redação: 'PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - DECADÊNCIA - CSLL — CIN., ART. 150, PAR 4°. — APLICAÇÃO — Tendo a Suprema Corte, de forma reiterada, proclamado a natureza tributária das contribuições de seguridade social, determinando, pois, em matéria de decadência a lei e o direito aplicável, por força do que dispõe o art. 146, III, b da Constituição Federal, 5 Processo n° 19315.001627/2002-86 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00103 Pl. 6 aplicam-se as regras do CTN em detrimento das dispostas na Lei Ordinária 8.212/91. Interpretação mitigada do disposto na Panaria MF 103/02, isto em face do disposto na Lei 9.784/99 que manda o julgador, na solução da lide, atuar conforme a lei e o Direito. Portanto, deve-se reconhecer, a favor da recorrente, a decadência do direito da Fazenda Publicu relativamente aos anos-calendário de 1992 e 1993, efetuar o lançamento." A CSLL lançada tem natureza tributária e seu prazo decadencial também se rege pelo CTN, sendo igualmente de cinco anos. Nesse sentido, vale transcrever trecho do voto do eminente Ministro Carlos Venoso, proferido no julgamento do RE 138.284-8/CE pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal em sessão de 10 de julho de W92: 'Ws contribuições sociais, falamos, desdobram-se em a.l. contribuições de seguridade social: estão disciplinadas no art. 195, I, ff e Ia da Constituição. São as contribuições previdenciárias, as contribuições do FINSOCL4L, as da Lei 7.689, o PI,S e o PASEP (C F art. 239) [.4 ( Todas as contribuições, sem erre*, sujeitam-se à lei complementar de normas gerais, assim ao C.T.N. (art. 146, III, ex vi do disposto no art. 149). [..] A questão da prescrição e da decadência, entretanto, parece-me pacificada. É que tais institutos são próprios da lei complementar de normais gerais (art. 146, Hl, "b). Quer dizer, os prazos de decadência e de prescrição inscritos na lei complementar de normais gerais (Cl?!) são aplicáveis, agora, por expressa previsão constitucional, às contribuições parafiscais (CF., art. 146, an 149)". O voto acima citado evidencia que o art. 146, III, "b", da Constituição Federal incumbe à lei complementar estabelecer normais gerais sobre decadência em matéria tributaria A Lei n° 8.212191, cujo art. 45, I, fixa em dez anos o prazo decadencial para a Seguridade Social constituir o crédito tributário, é lei ordinária No caso em exame, o lançamento tributário refere-se ao ano-calendário de 1995, e a lavratura do auto de infração deu-se em 01/06/2001. Deve-se ressaltar que a jurisprudência deste Coleffiado é pacifica no sentido de que a aplicação do § 4° do art. 150 do CTN pressupõe o lançamento por homologação. Portanto, não resta dúvida de que, sob a égide da Lei n° 8.541/92, a instituição financeira que optou desde o inicio pelo lucro real mensal prestou informações prévias sujeitas à homologação pelo fisco. Como já anotado, o prazo decadencial é de cinco anos contados da data do fato gerador. 6 Processo n° 19513.001627/200246 SI-CIT1 Acórdão C1101-00.203 Fl. 7 Tomando por dias a quo a data do fato gerador mais tardio, 31 de dezembro de 1995, o termo final do prazo decadencial será 31 de dezembro de 2000. Tendo em vista que a contribuinte foi cientificada do lançamento em 01/06/2001 — em data posterior, portanto, ao termo final do prazo decadencial — conclui-se que já extinguira o prazo para a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo a CSLL. O art. 38 da Lei it 8.541/92 diz aplicarem-se à CSLL as mesmas normas de pagamento estabelecidas para o TRPJ. Logo, se a atividade do contribuinte consistente em apurar o lucro real mensal sujeita-se à homologação pelo fisco, também a CSLL apurada pela mesma sistemática amolda-se ao lançamento por homologação. Assim, tal qual o IRPJ, o lançamento da CSLL é por homologação e tem prazo decadencial de cinco anos. Logo, aplica-se-lhe a conclusão já deduzida no IRPJ, no sentido de que decaiu o direito da Fazenda Nacional de constituir o credito tributário. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de decadência. Sala das Sessões, em 29 de setembro de 2009 2 José • 7
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Numero do processo: 10280.012327/99-47
Data da sessão: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/1995, 30/06/1995, 30/09/1995, 31/12/1995
RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO ERRO.
COMPROVAÇÃO DOS VALORES ACRESCENTADOS NA
RETIFICADORA.
Não subsiste a alegação de que houve erro no preenchimento da declaração de rendimentos sem o contribuinte apresentar a documentação que comprove o erro alegado e, no caso dos valores informados em retificadora se referirem a lucro de exploração, sem que haja mantido os documentos contábeis e fiscais e apresentado a contabilidade para demonstrar os cálculos pertinentes pleiteada redução do imposto de renda.
Numero da decisão: 1801-000.040
Decisão: ACORDAM os membros da Primeira Turma Especial da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10280.012327/99-47 Recurso n° 144.344 Voluntário Acórdão n° 1801 -00.040 — la Turma Especial Sessão de 27 de julho de 2009 Matéria IRPJ - Lucro da Exploração Recorrente SEMASA SERVIÇOS MOTOMECANIZADOS DA AMAZÔNIA S/A Recorrida PRIMEIRA TURMA DE JULGAMENTO DA DRJ DE BELÉM/PA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 31/03/1995, 30/06/1995, 30/09/1995, 31/12/1995 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO ERRO. COMPROVAÇÃO DOS VALORES ACRESCENTADOS NA RETIFICADORA. Não subsiste a alegação de que houve erro no preenchimento da declaração de rendimentos sem o contribuinte apresentar a documentação que comprove o erro alegado e, no caso dos valores informados em retificadora se referirem a lucro de exploração, sem que haja mantido os documentos contábeis e fiscais e apresentado a contabilidade para demonstrar os cálculos pertinentes pleiteada redução do imposto de renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Primeira Turma Especial da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. .}E ANA DE BARROS FERNANDES - Presidente e Relatora -7 2011 Participaram da presente sessão, os Conselheiros: Ana de Barros Fernandes (relatora), Marcos Vinícius Barros Ottoni, Marcelo Cuba Netto, Marcos Antonio Pires, Cheryl Berno, Rogério Garcia Peres. Processo ri° 10280.012327/99-47 SI -TE01 Acórd5o ti.° 1801-00.040 Fl. 2 Relatório A empresa em epígrafe foi autuada a pagar IRPJ, relativo ao ano-calendário de 1995, conforme Auto de Infração de fls. 05 a 10, por ter a malha fazenda constatado que compensara saldo de prejuízo fiscal acumulado em porcentagem superior ao limite estipulado em lei (30% do Lucro Real). Embora a empresa haja concordado com a infração detectada, as fls. 25, argumentou que preencheu a devida DIRPJ/96 corn erro ao deixar de aplicar a redução de 1RPJ a que tem direito por ser beneficiada pelos incentivos da SUDAM, nos termos do artigo 22 do Decreto-lei n° 756/69 e Decreto n° 94.075/87, vigente até a data que interpôs a impugnação. Para comprovar o que alega, junta ao presente copia da Resolução SUDAM n" 7299/91, seguida pelo Parecer DAP/DAI n" 154/91, de fls. 26 a 38, e propugna pela retificação da declaração de rendimentos em comento, apresentando nova versão dessa, retificadora. Apreciando o litígio que se instaurou, a Primeira Turma de Julgamento da DRJ em Belém/PA, exarou o Acórdão n° 1.813/03, pelo qual manteve o lançamento procedente, extraindo-se da decisão o seguinte excerto: 16 Para que o contribuinte pudesse faz jus ao referido incentivo seria necessário a expedição pela SUDAM de laudo constitutivo, formalmente representado pelo Ato Declaratório DCl/DAI, documento que não foi juntado aos autos pelo contribuinte. Ademais, a Resolução SUDAM n." 7299 (77 26), que promulga o Parecer DAP/DAI IC 154/91 (fls 27/38), faz referência apenas à aprovação do pedido de colaboração financeira com base nos reeltrSOS do Fundo de Investimentos da Ainazánia (FINAM), nada mencionando sobre o pedido c/c redução do imposto de renda e adicionais não restituiveis. Donde asseverar que, segundo os elementos de prova juntados pelo Impugnante, o contribuinte não é beneficiário do incentivo ,fiscal de redução do IRPJ a alude em sua defesa, para o fin7 pleitear a retificação de sua declaração. As fls. 42 a 47 a empresa impetrou o Recurso Voluntário contra o Acórdão mencionado, argumentando que é isenta do pagamento do Imposto de Renda, conforme Oficio DAP/DAI n°351/92 que junta as fls. 48, seguido do Parecer já acima referido (n° 154/91). Afirma que os referidos atos administrativos lhe concedem isenção do IRPJ, corn fulcro no artigo 23 do Decreto-lei n° 756/69, e não mera redução, indevidamente invocada no oferecimento da impugnação, e que os erros cometidos não possuem o condão de lhe extrair o beneficio a que tem direito, devendo ser cancelada a autuação imposta. Cita dois acórdãos administrativos para corroborar o seu entendimento. Em análise prévia realizada pela Primeira Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, mui apropriadamente, converteu-se o julgamento em diligência para que a fiscalização se manifestasse sobre os documentos juntados pela recorrente as fls. 118 a 129, emitindo, se necessário, parecer conclusivo, com atestado de autenticidade e conformidade Processo IV 10280.012327/99-47 Si -TEU 1 Acórao n.° 1801-00.040 Fl. 3 com os registros contábeis efetuados pela empresa no que concerne à matéria discutida (Resolução n° 101-02.519/06). Em diligência, a fiscalização intimou a contribuinte a apresentar os registros contábeis que fundamentaram a retificação dos valores originais informados na DIRPJ/96, os quais constaram da retificadora de fls. 40 a 90, entregue conjuntamente com a impugnação do Auto de Infração, destacando que os valores informados nas fichas 29 e 31 da referida DIRPJ/96 não foram informados corretamente, fazendo-se necessária a apresentação da contabilidade da empresa — fis. 185. A empresa respondeu à intimação fiscal da seguinte forma, às fls. 188: "...tendo em vista o TERMO DE INICIO DE DILIGÊNCIA que nos foi remetido (cópia anexa), pede vénia para dizer da impossibilidade de preenchimento das fichas F-3I e F-29, tal C01710 determinado, C111 razão de não mais dispor de documentos oriundos de fatos geradores do Ano-Calendario de 1995." Em Termo de Esclarecimentos a auditora — fiscal designada transcreveu a legislação pertinente à obrigação dos contribuintes em manter em ordem os documentos contábeis e fiscais enquanto não prescreverem eventuais ações pertinentes e os créditos tributários, a saber, artigos 264, 901 e seu § 1', do Regulamento do Imposto de Renda vigente e artigo 195 e § único, do Código Tributário Nacional, reintimando a contribuinte a compor os valores que informou nas fichas 29 e 31. As fls. 193, a empresa apresentou exatamente a mesma resposta anterior, esclarecendo não dispor dos documentos concernentes aos fatos geradores ocorridos em 1995. Em resposta à Oficio encaminhado ao Departamento de Gestão dos Fundos de Investimentos, foi juntado a esse processo o dossiê da empresa no que concerne aos beneficios obtidos,•denominado acervo/FINAM, pela gerente regional de Belém — fis. 220 a 241, autenticados por servidor. As fls. 241 a 243 foi emitido um relato das diligências efetuadas. É o relatório. Voto Conselheira ANA DE BARROS FERNANDES, Relatora. Consoante relatado, trata-se de litígio que versa sobre a existência ou não de erro de preenchimento da DIRPJ/96, na qual a contribuinte esqueceu-se de informar pretensa isenção/redução de IRPJ a que faz jus por ser empresa beneficiária dos incentivos financeiros da extinta SUDAM e foi autuada porque compensou indevidamente saldo de prejuízo fiscal acumulado em valor a maior do que aquele permitido em lei, fato confesso e incontroverso. Descarto, de plano, a discussão sobre o objeto do pedido feito pela recorrente, ora tratando de redução, ora afirmando ter direito à isenção total de 1RPJ, embora, corno se verá adiante, esse não seja o ponto nevrálgico da questão ora tratada. 3 Processo ri° 10280.012327/99-47 SI-TE01 Accird5o n.° 1801-00.040 Fl. 4 A empresa requer, na verdade, é redução de IRPJ, conforme preencheu algumas fichas da DIRPJ/06, retificadora, e conforme dispôs o Parecer DAP/DAI n° 154/91 exarado pela Secretaria Executiva apresentado pela contribuinte As fls. 37 e 38. 0 pedido feito pela contribuinte ao Conselho Deliberativo da SUDAM fundamentou-se, inclusive, no artigo 22 do Decreto-lei n° 756/91, requerendo a redução de imposto de renda e adicionais não restituiveis conforme também se verifica As fls. 27. Ao recorrer do acórdão proferido em primeira instância, a empresa apresentou outro Oficio DAP/DAI, de n° 351/92 (fls. 118), no qual, por equivoco, constou o artigo 23 do Decreto-lei n° 756/79. E seguramente trata-se de equivoco pois o referido oficio se dirige expressamente ao mesmo Parecer DAP/DAI n° 154/91, acima referido (fls. 120 a 129), e à mesma Resolução CONDE/SUDAM n" 7.299/91 (fls. 119), no qual estabelece-se o direito redução do IRPJ e adicionais não restituiveis. Em outras palavras, esse segundo oficio simplesmente estendeu para o ano seguinte as mesmas condições e exigências já deferidas em 1991. Todavia, note-se, o Parecer trazido pela contribuinte que fundamenta os dois Oficios apresentados pela contribuinte, seja em esfera de impugnação ou recurso A. segunda instancia administrativa, é o mesmo, embora no Recurso não tenha a contribuinte apresentado- o de forma integral, subtraindo justamente o documento intitulado "Parecer da Secretaria Executiva", onde se resumem as conclusões e exigências feitas à empresa (fls. 37 e 38), após as considerações do Departamento da Administração de Incentivos (fls. 27 a 36, repetidas no Recurso). E, deve ser destacado, tal Parecer data de 11/12/1991, e fundamentou a Resolução CONDE/SUDAM n° 7.299/91. Mas, há outra Resolução vigente para a época da ocorrência dos fatos geradores ora tratados. E a Resolução n" 8.279/95, fundamentada no Parecer DAC/DAi 087/95, da Secretaria Executiva. Esse Ultimo Parecer emitido pelo órgão competente consta do dossiê da empresa mantido junto A. Gerência Regional de Belém, Departamento de Gestão dos Fundos de Investimentos, parte da Secretaria Executiva o Ministério de Integração Nacional e foi exarado justamente em resposta a pedido efetuado pela empresa para alongar o cronograma que previa a conclusão de obras para execução de 1992 a 1994, para os anos de 1994 a 1996, portanto, aplicável à época do fato gerador concernente à autuação — ano de 1995. Esse Parecer e Resolução pertinente foram obtidos por diligência da fiscalização e não apresentados pela contribuinte quando impugnou lançamento tributário, optando a apresentar o Parecer e Resolução anteriores que contemplavam a redução de IRPJ e dos adicionais não restituiveis, todavia, já sem eficácia neste concernente para o ano de 1995. Desnecessária a ciência da contribuinte desse Parecer, no curso desse processo fiscal, haja vista ser documento exarado por ato provocado por si própria do qual inequivocamente tem ciência, mas optou por não exibir às autoridades julgadoras. Conforme se verifica dos referidos documentos (Parecer da Secretaria Executiva n° 087/95 e Resolução IV 8279/95) juntados às fls. 234 a 240, o objeto do pedido da empresa resume-se a prorrogar o prazo para conclusão do primeiro cronograma, em vista de 4 Processo n° 10280.012327/99-47 SI-TE01 Acórdão n.° 1801-00.040 Fl. 5 não haver conseguido cumprir as exigências feitas quando da obtenção dos recursos incentivados, dentro do prazo estipulado. Em momento algum se menciona, no segundo Parecer, redução de pagamento de Imposto de Renda ou prorrogação automática desse beneficio fiscal, ou ainda isenção de IRPJ, ainda que implicitamente. Trata o mesmo, meramente, de autorização na prorrogação do prazo para serem cumpridas as metas e exigências do plano inicial, minuciosamente estabelecido no primeiro Parecer, que a empresa não logrou cumprir nos anos de 1992 a 1994, denominado Tronograma Físico-financeiro" e a constatação de que a empresa era credora de urn saldo do valor financiado (20% do total, aproximadamente), não liberado oportunamente por escassez de recursos. Por oportuno, transcrevo trechos relevantes do indigitado Parecer: PROCESSO SUDAM N" 003079/95 PARECER DAC/DAI N" 087/95 ASSUNTO ALONGAMENTO DE CRONOGRAMA ANTER101?MENTE APROVADO I— 0 PEDIDO: SEMASA — SERVIÇOS MOTOMECANIZADOS DA AMAZÔNIA S/A, neste Parecer também chamado Empresa ou Sociedade, com base na Resolução n" 7983, de 18.08.94 do CONDEL/SUDAM, solicita o alongamento de seu cronograma que previa a execução para 1992/1994, a ser alongado por mais 02 (dois) anos ate 1996. a presente pleito não altera as quantidades fisicas e metas do cronograina originalmente aprovado, mas tão somente prorroga o prazo de implantação do projeto de 1994 para 1996. Desta maneira concluímos pela viabilidade do presente estudo de alongamento do Cronograma Físico-financeiro da Empresa "SEMASA — SERVIÇOS MOTOM ECANIZADOS DA AMAZÔNIA S/A" por mais 02 (dois) anos até 1996, com o objetivo de viabilizar sua execução, com base na Resolução n" 7983, de 18.08.94, sugerindo sua aprovação, obedecidos os critérios estabelecidos na citada Resolução e que disciplinarão a revisão dos crollogralnaS fisico7financeiros de projetos aprovados. PARECER DA SECRETARIA EXECUTIVA ...o presente Parecer, que recomenda: 5 Processo n° 10280.012327/99-47 SI-TE01 Acórdão n.° 1801-00.040 Fl. 6 Aprovar o alongamento por mais 2 (dois) anos do Cronogranza Físico-financeiro anteriormente aprovado do projeto de interesse da SEMASA — SERVIÇOS MOTOMECANIZADOS DA AMAZÔNIA S/A, que passard a ser constituido pelo período de 1992 a 1996; Ratificar as exigências constantes do Parecer DAP/DA! n" 154/91, aprovado pela Resolução CONDEL/SUDAM n" 7299/91. (grifos não pertencem ao original) A empresa reiteradamente somente invoca o Parecer anterior e observa-se que nesse último, foi-lhe concedido somente ampliar o prazo por não haver cumprido as metas de execução do projeto favorecido com os recursos incentivados, como já abordado. No que tange às reduções de IRPJ, nada foi mencionado e em se tratando de isenção, não há corno presumir-se a sua continuidade, se não expressamente declarada. Alem do mais, o primeiro Parecer, de IV 154/91 (DAP/DAI) aprovado pela Resolução n° 7299/91 (CONDEL/SUDAM) é exaustivo ao tecer considerações sobre o tratamento da empresa a ser dispensado em relação aos valores reduzidos de IRPJ em razão do beneficio concedido, mormente no que se refere aos registros contábeis. Veja-se os itens 2.12, 2.13, 2.14, 2.15 e 2.16 — fls. 38. Ora, se a empresa não manteve os documentos contábeis e extra-contábeis, sequer os registros contábeis, duas vezes intimada a demonstrar o preenchimentos da Fichas 29 e 31 da DIRPJ que tratam dos cálculos das reduções de IRPJ incentivadas, não pode agora pleiteá-las como sendo de direito seu, liquido e certo. A mera informação de valores em declaração entregue ao fisco sem a exibição dos registros contábeis conelatos e documentos em que se baseiam esses inviabilizam, por absoluta falta de comprovação, a retificação de valores originalmente informados na DIRPJ entregue originalmente. Aliás, presume-se, a contrario senso do argumentado, que a contabilidade da época sequer registrou qualquer direito à. redução de IRPJ, ou melhor, não cuidou de efetuar os cálculos devidos a titulo de lucro de exploração, pois se assim houvesse sido feito seria impossível nada constar a esse titulo na DIRPJ original. Simplesmente porque os valores registrados na contabilidade não corresponderiam aos resultados apontados na DIRPJ, não sendo em nada convincente a alegação de que como haviam prejuízos acumulados o beneficio fiscal fora 'esquecido'. Para a utilização do referido beneficio fiscal — redução do IRPJ - mister era, pelo primeiro Parecer, que a empresa demonstrasse, cabalmente, que esse valor reduzido não fora distribuído, que fora devidamente registrado corno reserva de capital e após capitalizado, que foi aplicado exclusivamente em atividade diretamente ligada à. produção da empresa, na area da SUDAM, enfim, uma série de exigências todas conectadas à contabilidade da empresa. Sem haver guardado e mantido em boa ordem os documentos que comprovam tais valores, além da ausência dos registros contábeis, não há como dar guarida A. Processo n° 10280.012327/99-47 SI-TE01 Acórdao n.° 1801-00.040 Fl. 7 pretensão da contribuinte em, após autuada, retificar a DIRPJ, por alegar erro, todavia não comprová-lo, documentalmente. Esse, ao meu ver, é o cerne da questão, ainda que o Parecer da Secretaria Executiva DAC/DAI n" 087/95 implicitamente houvesse prorrogado o beneficio da redução do IRPJ e adicionais não restituiveis, a contribuinte não poderia ver os valores da DIRPJ/96 retificados por absoluta ausência de comprovação dos valores ali informados e cálculos realizados. 0 ponto crucial desse litígio, ao meu ver, é exatamente esse: a incapacidade da empresa em demonstrar a veracidade dos valores informados na DIRPJ/96, apresentada após notificada pelo fisco, ou corno a eles chegou, tendo se desfeito dos documentos e livros contábeis pertinentes à matéria objeto de lide processual administrativa, não havendo instruido o processo sequer corn as cópias destes, documentos necessários para comprovar o erro praticado que alega. Em assim sendo, dois tópicos norteiam essa decisão: 1) não havendo como se verificar a exatidão dos valores informados a titulo de redução de imposto e lucro de exploração nas fichas 29 e 31, mensais (setembro e dezembro/95), da DIRPJ/96, retificadora, não há como aceitar-se a retificação da DIRPJ originalmente entregue na qual nenhum valor foi informado a esses títulos; 2) o Parecer da Secretaria Executiva DAC/DAI vigente para os período da ocorrência dos fatos geradores não menciona expressamente o direito da empresa a redução ou isenção de IRPJ. Assim dispõe o artigo 147, §§ 1' e 2°, do Código Tributário Nacional, Lei n" 5.172/66 — CTN: Art. 147. 0 lançamento (.;. efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na *forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informagões sobre mat&ia de *fato, indispensáveis ã sua efetivação. ,sç 1" A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissivel mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 2" Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retifi cados de oficio pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. (grifos não pertencem ao original) Mantenho, portanto, o lançamento tributário de forma integral, sendo incontroverso o fato de que a empresa ultrapassou os limites legais mensais para compensação Processo n° 10280.012327/99-47 SI-TE01 Acórdao n.° 1801-00.040 Fl. 8 de prejuízos fiscais acumulados em períodos anteriores. Ressalto que no acórdão vergastado urna parte do crédito tributário já foi determinado o apartamento, por não ter sido impugnado. CONCLUSÃO Voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 27 de julho de 2009 ANA DE BARROS FERNANDES 8
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Numero do processo: 10670.001191/2001-87
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2008
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997
ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. -
A teor do artigo 10 § 7º da Lei n° 9.393/96, modificada pela Medida Provisória 2.166-67/2001, basta a simples declaração do contribuinte, para fim de isenção do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade. Nos termos da Lei 9.393/96, não são tributáveis as áreas de preservação permanente e de reserva legal.
Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado
Numero da decisão: CSRF/03-05.650
Decisão: Acordam os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de inadmissibilidade do recurso, vencido o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo (Relator) e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso especial, vencido o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo (Relator). Ausente momentaneamente a Conselheira Judith do Amaral Marcondes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Antonio Praga.
Nome do relator: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA TURMA Processo n° Recurso le Matéria Acórdão n° Sessão de Recorrente Interessado 10670.001191/2001-87 303-128.968 Especial do Procurador ITR — IMPOSTO TERRITORIAL RURAL 03-05.650 26 de fevereiro de 2008 PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL AMERICO ALVES FRANCISCO ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 ITR. AREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. - A teor do artigo 10 § 7 0 da Lei n° 9.393/96, modificada pela Medida Provisória 2.166-67/2001, basta a simples declaração do contribuinte, para fim de isenção do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectdrios legais em caso de falsidade. Nos termos da Lei 9.393/96, não são tributáveis as areas de preservação permanente e de reserva legal. Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de inadmissibilidade do recurso, vencido o Conselheiro Otacilio Dantas Cartaxo (Relator) e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso especial, vencido o Conselheiro Otacilio Dantas Cartaxo (Relator). Ausente momentaneamente a Conselheira Judith do Amaral Marcondes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Antonio Praga. FORMALIZADO EM: 25/02/2009 Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Praga, Otacilio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Anelise Daudt Prieto, Judith do Amaral Marcondes, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Nanci Gama e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Processo IV 10670.001191/2001-87 Acórdão n.° 03-05.650 1.1s. 2 Relatório Trata-se de recurso(s) especial(ais), interposto(s) pela(s) PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL , corn fulcro no art. 7, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 47 de 2008, que foi admitido em relação A(s) seguinte(s) matéria(s):ITR - Area de preservação permantente - exigência de ADA 0 pleito foi apresentado em e refere-se aos períodos de apuração de 01/01/1997 a 31/12/1997. Na sessão plenária de 25/01/2001, a TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES julgou o Recurso Voluntário n° 303-128166, interposto por JOÃO FRANCISCO AGUIAR RIBEIRO DO VALE e decidiu: "Por maioria de votos, den- se provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Tarásio Compel° Borges.... A decisão foi formalizada no Acórdão n° 303-128968, da relatoria do Conselheiro ANELISE DAUDT PRIETO, cuja ementa abaixo se transcreve: "ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. A comprovação da existência de areas de preservação permanente e area de reserva legal, comprovada mediante Ato Decluratório Ambiental (ADA), ainda que protocolado fira de prazo, confirma a não incidência do ITR. RECURSO PROVIDO.. Cientificada do recurso especial, a parte contrária apresentou contra-razões. É sucinto relatório. 2 Processo u" 10670.001191/2001-87 Acórdão n." 03-05.650 CSR17103 Hs. 3 Voto Conselheiro Antonio Praga. Tendo em vista que a conselheira Anelise Daudt Prieto — originalmente designada para redigir esse voto — não mais compõe o colegiado, incumbi-me de fazê- lo. De inicio rejeito a preliminar de inadmissibilidade do recurso manejada pelo ilustre conselheiro Otacilio Dantas Cartaxo. É certo que o a douta Procuradoria apresentou urn recurso especial de divergencia, fls. 80 e seguintes, pelo que deveria comprovar o dissídio jurisprudencial. Todavia, essa questão é inoqua haja vista que a decisão recorrida se deu por maioria de votos e a Fazenda Nacional poderia ter apresentado recurso especial corn fulcro no inciso I, do art. 5. do Regimento Interno da CSRF vigente à época. 0 Recurso do inciso I não precisa divergência, basta haver voto vencido, tal qual no presente caso. No merito, porém a argumentação expendida no Especial é improcedente. Adoto, como razões de decidir os bem colocados fundamentos da Conselheira Suzi Gomes Hoffman no Acórdão CSRF/03-05.655, de 26/02/2008, processo 13362.000579/2003-02, nos termos a seguir transcritos: "A discussão gird em torno da necessidade de averbação tempestiva para a area de reserva legal, bem como a apresentação de ADA tempestivo para a área de preservação permanente, para que o contribuinte usufruct cia isenção prevista na Lei n". 9.393/96. Com efeito, C01110 consta dos autos, o contribuinte efetuou o pagamento do imposto, valendo-se da exclusão das áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal. Impõe-se anotar que a Lei n°. 10.165, de 27 de dezembro (le 2000, dispõe serem excluídas da área tributável pelo ITR as áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal. Trata-se, portanto, de Imposição legal. Por sua ye:, a Lei n". 4.771, cle 15 cie setembro de 1965 (Código Florestal), dispunha em seu artigo 44 (com reciação dada pela Lei le. 7.803, de 18 de julho de 1989), que a Reserva Legal deveria ser "averbada a margem da inscrição da matricula do imóvel no registro de imóveis competente". Nota-se, portanto, que o registro da área a ser reservada legalmente era ulna determinação legal para que pudesse haver controle sobre a mesma. Entretanto, 100 vejo que esta imposição legal possa ser considerada como necessária para que se reconheça a existência da área de reserva 3 Processo n" 10670.001191/2001-87 Acórao n." 03 -05.650 CS12171•03 l'Is. 4 Ora, a area de reserva legal é aquela indicada na lei. A averbação da existência de.sta area junto a matricula do imóvel éforinalidade que faz Coln que fique de conhecimento geral a existência de tal area. Mas a area de reserva legal existe — ou deve existir, nos casos previstos cio lei, tanto que, indepencientemente do seu registro, se o proprietário Miliza 1(11 area sera punido por isso. Ocorre que, ainda que se entendesse necessário pura o reconhecimento de tal area como sendo de reserva legal pura fins de exclusão da area tributável de ITR a averbação de tal area junto a matrícula cio imóvel, coin o que, mais unia vez registro que não concordo, há de ser observado que &ante da modificação ocorrida coin cl inserção cio §7", no artigo 10°, da Lei n°. 9.393, de 19 de dezembro cie 1.996, por meio da Medida Provisória n°. 2.166-67, cie 24 de agosto 2001, hasta ci simples declaração do interessado para gozar da isenção cio ITR relativa as areas cie que trata a olinea "a" e "d" do inciso II, § 1° do mesmo artigo, entre day, as area de Preservação Permanente, e c/c Reserva Legal , insertas na alínea "a". Até porque, no próprio §7°, encontra-se a previscio legal c/c que comprovada ci . falsidade da declaração, o contribuinte sera responsável pelo pagcmiento do imposto correspondente, acrescido de juros e multa previstos ein lei, seio prejuízo cie outras Sallções aplicáveis. Por oportuno, cabe mencionar recente decisão proferida pelo E. Superior Tribunal de Justiça sobre a questão aqui tratada: 'PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ITR. ÁREA DE PRESERVAC40 PERMANENTE. EXCLUS:4'0. DESNECESSIDADE DE AT() DECLARATORIO DO IBAMA. MP . 2166-67/2001. APLICAÇÃO DO ART 106, DO CTN. RETROOPERÁNCIA DA LEX MITIOR.. I. Recorrente autuada pelo fato objetivo (le ter excluído da base de cálculo do 1TR area cie preservação permanente, sem prévio ato declaratório do 1BAMA, consoante autorização do norma intopretativa de eficácia ex tune consistente na Lei 9.393/96. 2. A MP 2.166-67, de 24 de agosto de 2001, ao inserir §7" ao art. 10, da lei 9.393/96, dispensando a apresentação, pelo contribuinte, de ato declaratorio do IBAMA, COM a finalidade dc excluir da base c/c cálculo do ITR as areas de preservação permanente e cie reserva legcul. é de cunho interpretativo, pociencio, de acordo coin o permissivo do art. 106, I, cio CTN, aplicar-se a falos pretéritos, pelo que indevido o lançamento complemental., ressalvada a possibilidade da Administração demonstrar a filth' de veracidacie do declaração do contribuinte. 3. Conseciariamente, forçoso concluir que a MP 2.166-67, de 24 de agosto c/c 2001, que &spiv sobre ci exclusão cio ITR incidente sobre as areas de preservação permcmente e de reserva legal, consoante §7°, cio art. 10, da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art. 106, cio CTN, porquanto referido diploma autoriza a retroopercincia chi lex mi/br. 4. Recurso especial improvido.' (Recurso Especial n". 587.429 — AL (2003/0157080-9),j. cm 01 de junho (le 2004, Rel. Min. Luiz Fux). Infere-se pela 'Muni cio julgado (Winki transcrito que não se . fuz: necessária ct apresentação do ADA paru comprovar a existência cie area de reserva legal e cie preservação permanente. Assim, verifica-se que a autuação não trouxe qualquer elemento que pudesse implicar na constatação de falsidade da declaração do contribuinte, elemento que poderia ensejar 17a cobrança do tributo, nos termos do já mencionado §7". 4 Processo n" 10670.001191/2001-87 Acórao n." 03 -05.650 C8121-1103 Fls. 5 Realmente, e sem maiores delongas jurídicos, pode-se considerar de plano, que a legislação concedeu isenção para áreas localizadas en, Reserva Legal e Preservação Permanente, não podendo recair tributação de ITR. E não poderia ser outro o entendimento, visto que o interesse defendido é o ecológico, pertinente a loda coletividade, que impede a incidência tributária sobre patrimônio de utilidade pública, cujo destino é dado no interesse exclusivo da Administração Pública, não mais do particular. Desta ftita, da questão supracitada para o caso em apreço, tent-se que as áreas de Reserva Legal e Preservação Permanente limitam em Inuit° o direito de propriedade do contribuinte, vez que fora destinado para finalidade especifica de proteção integral do Meio Ambiente ecologicamente equilibrado, como coisa fora do comércio, em beneficio da coletividade. Ademais, deixar de considerar a existência de tais áreas por falia de apresenlação do Ato Declaratório Ambiental é um contra-senso, post() que seria privilegiar a formalidade em detrimento da realidade. E, ainda, a atual legislação que rege a matéria não traz a exigência de tal formalidade. Pelas razões expostas, entendo que não existe fundamento legal para que sejam glosctdas as áreas declaradas pelo contribuinte como de Preset-v(10o Permanente e de Reserva Legal." Aos fimdamemos acima, nada niais a acrescentar. É assim como voto e também a maioria deste Colegiado. Diante do exposto, rejeito a preliminar de inadmissibilidade do recurso da Fazenda Nacional e, no mérito, nego provimento ao recurso especial. Antonio Praga í Redator Designado. 5
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Numero do processo: 18471.002187/2007-80
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCESSUAIS - MPF - Pode a autoridade fiscal estender a fiscalização para outros tributos, além daquele estipulado no MPF-F, quando munido de MPF- C (complementar) que descreva o tributo a ser fiscalizado.
IRPJ - FALTA DE MOTIVAÇÃO VÁLIDA PARA ARBITRAMENTO DO LUCRO - NULIDADE - A técnica do arbitramento da base tributável é medida extrema e a sua adoção requer motivação válida e bem fundamentada na impossibilidade de se aferir a verdadeira base de cálculo dos tributos por outros meios. Quando o contribuinte dispõe de escrita contábil e fiscal aptas, o arbitramento não pode ser aplicado, senão o regime pelo qual a empresa optou.
Numero da decisão: 1803-001.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Selene Ferreira de Moraes - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Ausente a Conselheira Viviani Aparecida Bacchmi
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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NORMAS PROCESSUAIS MPF Pode a autoridade fiscal estender a fiscalização para outros tributos, além daquele estipulado no MPFF, quando munido de MPF C (complementar) que descreva o tributo a ser fiscalizado. IRPJ FALTA DE MOTIVAÇÃO VÁLIDA PARA ARBITRAMENTO DO LUCRO NULIDADE A técnica do arbitramento da base tributável é medida extrema e a sua adoção requer motivação válida e bem fundamentada na impossibilidade de se aferir a verdadeira base de cálculo dos tributos por outros meios. Quando o contribuinte dispõe de escrita contábil e fiscal aptas, o arbitramento não pode ser aplicado, senão o regime pelo qual a empresa optou. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (Assinado Digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 21 87 /2 00 7- 80 Fl. 576DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/02/201 3 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/12/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.002187/200780 Acórdão n.º 1803001.572 S1TE03 Fl. 112 2 Meigan Sack Rodrigues Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Ausente a Conselheira Viviani Aparecida Bacchmi Relatório Tratase, o presente feito, de auto de infração referente ao ano calendário de 2003, através do qual é exigido da empresa recorrente IRPJ, acrescido da multa de 75% e encargos moratórios. A exação de IRPJ foi com base no arbitramento do lucro, tendo como faturamento a receita declarada na DIPJ/2004. O arbitramento se deu em função de grande parte das cópias das Notas Fiscais emitidas no ano de 2003 não se encontrarem legíveis, de faltarem diversas cópias de Notas Fiscais, de no Livro de Inventário não constar a existência de qualquer produto em estoque inicial ou final, de que os Livros Diário e Razão estavam escriturados por lançamentos mensais, sem apoio em Livros Auxiliares, de que a empresa não reencaminhou os Livros Diários, Razão e Inventário entregues a ela para regularização, sendo que a ausência dos Livros acima referidos impede a verificação e efetividade da entrada e saída dos produtos ditos como adquiridos e vendidos. Assim, em constatação de que a empresa por atos próprios omissivos impediu o desenvolvimento regular da fiscalização, o arbitramento foi realizado. Devidamente cientificada a empresa recorrente apresentou suas razões em seara de Impugnação alegando, em apertada síntese, que sua escrituração não é imprestável e tão pouco realizada em partidas mensais. Afirma que atendendo à intimação realizada através do Termos de Início da Ação Fiscal, a empresa apresentou os seguintes livros fiscais originais: Livro Registro de Entradas n° 02; Livro Registro de Saídas n° 02 e 03; Livro Registro de Inventário n° 01; Livro de Ocorrências n° 01; Notas Fiscais de Entradas 2003; Notas Fiscais de Saídas 2003; Livro Diário e Razão n° 06; Livro Registro de Apuração IPI n° 02 e 03. Aduz que toda a documentação entregue consta do protocolo em anexo. Afirma que entregou também toda a documentação referente às importações feitas no ano de 2003. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/02/201 3 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/12/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.002187/200780 Acórdão n.º 1803001.572 S1TE03 Fl. 113 3 A empresa afirma que lavrou todas as notas fiscais, tanto de entrada como na saída, das mercadorias e destacou o valor do IPI respectivo. Atenta para o fato de que não há uma só nota fiscal ilegível, nem de entrada, nem de saída; sendo que todas se encontram em perfeito estado e são absolutamente legíveis, conforme comprovam as amostragens de notas de saída e notas de entrada que acostou com a peça impugnatória. A empresa recorrente descreve o procedimento fiscal, atentando para o fato de que a AFRFB intimou inicialmente a empresa, em março de 2007, tendo sido atendida, prontamente, com a entrega dos documentos por ela solicitados. Porém, refere que a autoridade se manteve inerte durante todo o ano, solicitando novamente todos os documentos que já estavam em seu poder. Aduz a recorrente que foi intimada novamente, no dia 05 do mês de outubro, sob a falsa afirmação de que a escrituração da empresa era imprestável e de que não poderia fazer o real levantamento dos fatos geradores, pois "as notasfiscais se encontravam ilegíveis". E nesse caminho, a recorrente se contrapõe, afirmando que não há uma só nota ilegível, e traz comprovação. Atenta para as datas salientando que passouse meses sem que a autoridade fiscalizadora lavrasse um termo de intimação, violando o cumprimento do prazo para o MPF, bem como reabrindo o prazo da espontaneidade. E ressalta que a autoridade não entregou à empresa qualquer cópia de Mandado de Procedimento Fiscal referente ao IRPJ, sendo o único MPF cientificado relativo ao IPI de 2003. Nesse sentido, afirma não ser cabível a intimação da recorrente para reescriturar seus livros, eis que os mesmos não apresentam qualquer inidoneidade, estando escriturados em partidas individuais e diárias. Prossegue aduzindo que a autoridade não satisfeita em produzir um auto de infração de IPI completamente improcedente, efetuou o presente lançamento de IRPJ totalmente desgarrado da verdade material, sem ao menos apresentar ao contribuinte uma intimação sobre referido imposto e, menos ainda, apresentandolhe uma cópia de um MPF complementar. A recorrente apresenta um quadro resumido de todo o histórico do procedimento fiscal. No mérito, insurgese contra o arbitramento referindo que a tributação com base no lucro arbitrado segue o rígido regramento do artigo 530 do RIR/99, não se admitindo essa forma extrema de tributação, por mero arbítrio da autoridade lançadora, sendo que no presente caso, não verificouse nenhuma das seis hipóteses previstas no citado artigo. A autoridade fiscal construiu uma base de cálculo irreal e efetuado um lançamento nulo e inaproveitável. Afere que o arbitramento de lucros, com a desclassificação da escrita do Contribuinte, é um procedimento que requer máxima cautela por parte da Fl. 578DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/02/201 3 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/12/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.002187/200780 Acórdão n.º 1803001.572 S1TE03 Fl. 114 4 Autoridade Lançadora, sendo, pois, um "último recurso de que se serve, após esgotadas todas as possibilidades de apuração do lucro real. Jamais pode ser utilizado pelo Fisco como forma de simplificar seu trabalho". Assim, tem a Administração a faculdade de arbitrar o lucro do sujeito passivo, quando a escrita se mostra imprestável, mas sempre tendo em conta os critérios da Razoabilidade e da Proporcionalidade, pois este meio extremo apenas se justifica em hipóteses de evidente excepcionalidade, o que não é o caso da fiscalização em apreço. Isso, porque entende a recorrente que sua escrituração não apresenta vícios ou é imprestável, sendo certo que a Autoridade teve à sua disposição, durante meses, não apenas o Livro Diário, como o Razão, todas as notas fiscais (que são perfeitamente legíveis registrese), além do RAIPI, Livro de Entradas e Livros de Saída. Desse modo, não há como compreender o motivo para a Autoridade afastar as bases de cálculo do Lucro Presumido, declaradas pelo Contribuinte, com lastro em toda a sua documentação fiscal e contábil, sendo manifestamente incabível o arbitramento feito pela Autoridade. Repisa o fato de que toda a documentação da empresa confirma a receita declarada, sendo que não foi demonstrado pela Fiscalização qualquer inconsistência que pudesse afastar a tributação com base no Lucro Presumido. Em suma, os fatos geradores e as bases de cálculo do imposto estão perfeitamente identificáveis. Pede a empresa que seja intimada do dia do julgamento. A autoridade de primeira instância entendeu por bem manter a autuação em sua integralidade. Refere que não há como conceder o pedido de comparecimento da empresa no dia da sessão de julgamento, frente ao fato de não haver disposição legal que obrigue a administração a tanto. Já quanto ao fato de ter recebido MPF apenas para fiscalização do IPI, a autoridade julgador de primeira instância aduz que o MPF — Mandado de Procedimento Fiscal, constitui mero instrumento de controle da administração tributária, criado por portaria do Secretário da Receita Federal, com a finalidade de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais, dotando de maior transparência e segurança a relação Fiscocontribuinte. Atenta que eventuais inobservâncias das normas que regem a emissão e prorrogação de tais mandados, ainda que possam configurar infrações disciplinares, não geram nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal, nem restringem a competência funcional do AuditorFiscal da Receita Federal, prevista em lei, para a realização do lançamento. Prossegue referindo que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do § único do artigo 142 do CTN. Cita jurisprudência deste Egrégio Conselho de Contribuintes. Assim, o julgador a quo refere que a inobservância às normas que regulamentam o Mandado de Procedimento Fiscal, por ser mero instrumento de Fl. 579DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/02/201 3 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/12/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.002187/200780 Acórdão n.º 1803001.572 S1TE03 Fl. 115 5 controle e planejamento interno, jamais pode invalidar o lançamento fiscal constituído nos moldes do art. 142 do CTN e demais regas relativas ao Processo Administrativo Fiscal. Já no que concerne ao fato de que teria readquirido a espontaneidade, cita o que disciplina os parágrafos 1° e 2° do art. 70 do Decreto n° 70.235/72. Refere que o prazo de 60 dias previsto na legislação citada diz respeito tão somente ao efeito da exclusão da espontaneidade, ou seja, passado os sessenta dias sem qualquer pronunciamento da fiscalização acerca da continuidade da ação fiscal o contribuinte adquire a espontaneidade. Ocorre que no presente caso, mesmo que tenha adquirido a espontaneidade, a recorrente não demonstrou que teria efetuado qualquer pagamento ou até mesmo retificado alguma declaração, a ponto de invalidar o lançamento. Esclarece que, na hipótese de ter decorrido mais de 60 dias sem qualquer manifestação da autoridade fiscal, tal evento não invalida o auto de infração. No que tange ao mérito da demanda, o julgador de primeira instância entende que o lucro da recorrente foi arbitrado tendo como receita a declarada na DIPJ/2004, haja vista que durante a fiscalização a autoridade concluiu pela imprestabilidade da escrituração contábil, posto que constatou que : 1) Grande parte das Notas Fiscais emitidas no ano de 2003 encontramse ilegíveis. 2) Nem todas as Notas Fiscais foram entregues. 3) O Livro Inventário não constava a existência de estoque inicial ou final. 4) Os Livros Diário e Razão entregues pela contribuinte estavam escriturados com partidas mensais, sem apoio de livros auxiliares. Salienta, com relação às Notas Fiscais, que a recorrente trouxe alguns documentos em sua defesa, mas que isso não afasta a constatação de sua irregularidade. Atenta para o fato de que a autoridade fiscalizadora não afirmou que todas as Notas Fiscais eram ilegítimas, mas grande parte delas. Nesse caminho, entende que a recorrente poderia ter escolhido aquelas que entendeu estarem em melhor condição. Também constatou que nem todas as Notas Fiscais trazidas são de perfeito entendimento, posto que as cópias tornaram os documentos ilegíveis, conforme se verifica às fls. 488, 498, 490, 491, 492. Quanto aos livros, para comprovação de que não teriam sido escriturados com partidas mensais, a autoridade refere que a recorrente traz em sua defesa a cópia dos Livros Diário, fls. 240/313 e Razão, fls. 314/427. Ocorre que a empresa trouxe a cópia da primeira folha do Livro Diário devidamente registrada na Junta Comercial do Rio de Janeiro, informando que contém 73 folhas. As folhas 02 a 67 seguintes são documentos impressos pelo sistema informatizado da empresa. Já as folhas finais, de 68 a 73 são novamente cópias do Livro Diário. Nesse contexto, ressalta a autoridade julgadora que as referidas folhas reproduzidas (fls.68 a 73), contêm o Fl. 580DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/02/201 3 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/12/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.002187/200780 Acórdão n.º 1803001.572 S1TE03 Fl. 116 6 mesmo conteúdo das folhas impressas de n° 63 a 67. E conclui que esta irregularidade atesta que o Livro Diário apresentado na defesa não é o mesmo apresentado e registrado na Junta Comercial e nem o apresentado na ação fiscal. No que diz respeito ao Livro Razão, afirma a autoridade que ocorreu o mesmo procedimento, posto que foi apresentado a cópia da primeira e última folha (fls. 314 e 427 do processo, respectivamente), sendo que as demais folhas de n° 2 a 110 (fls. 315 a 426 do processo) são impressas. Da análise dos registros, verificase que os lançamentos são diários. Atenta o julgador a quo que inexiste o arbitramento condicional, posto que se à época em que concluído o ato administrativo do lançamento configuravase quaisquer das hipóteses que determinavam o arbitramento, tal situação não se altera pela posterior apresentação dos elementos cuja ausência ensejou o procedimento de oficio. Cita jurisprudência deste Egrégio Conselho de Contribuintes. Quanto ao Livro Inventário, aduz o julgador que a recorrente não traz qualquer comprovação de que a irregularidade constatada não teria ocorrido, ou seja, que não constava o estoque inicial e nem o final, afrontando o previsto no artigo 527 do RIR/99. Assim, frente aos fatos narrados, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu que o arbitramento estava correto, frente à impossibilidade de uma correta apuração do imposto devido com base no Lucro Presumido. Isso porque, além de faltar a apresentação de Notas Fiscais, grande parte delas eram ilegíveis, tornando impossível a correta verificação da receita apurada com as vendas. A escrituração do Livro Diário e Razão com partidas mensais vai de encontro aos ditames da legislação comercial, e violando os artigos 258 e 259 do RIR/99. Ressalto, ainda, que durante a ação fiscal a recorrente foi várias vezes intimada a corrigir o erro, tendo oportunidade de regularizar os livros. No entanto, se manteve omissa. Por fim, observa o julgador que foi informado no auto de infração que o enquadramento legal seria o inciso I do artigo 530 do RIR/99, que é somente aplicável para aqueles que optaram pela tributação pelo lucro real. Porém, a descrição dos fatos, tanto no Termo de Constatação Fiscal, quanto no auto de infração permitiu o perfeito entendimento e tipificação dos fatos constatados, tanto que não houve prejuízo para defesa da recorrente que demonstrou perfeita compreensão da infração, contestando todos os pontos que entendeu necessário. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância, a recorrente apresenta suas razões de inconformidade em seara de recurso voluntário de forma tempestiva. Em sua defesa a empresa repisa o já disposto em sua impugnação e completa afirmando que não se insurgiu contra a espontaneidade, apenas tentava constar a inércia no trabalho do auditor fiscal a forma como encontrou de simplificar o seu trabalho. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/02/201 3 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/12/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.002187/200780 Acórdão n.º 1803001.572 S1TE03 Fl. 117 7 Sobre os documentos juntados, a recorrente atenta para o fato de que apesar da presunção de legitimidade dos atos administrativos, também tem de instruir o processo com provas ou, ao menos, indícios fortes, dando suporte a seu lançamento. Segundo o seu entendimento essa motivação não existiu neste caso. Isso porque a autoridade fiscal apenas afirma que a escrituração da empresa é feita em partidas mensais, sem juntar aos autos, ao menos, uma cópia dessa alegada irregularidade e não apresenta qualquer cópia da escrituração supostamente imprestável, ou uma só amostra de escrituração por partidas mensais que justificasse o arbitramento do lucro. Já quanto à desqualificação das provas carreadas aos autos pela recorrente, esta refere que a autoridade julgadora de primeira instância limitouse a concluir que tanto o Diário quanto o Razão apresentados na defesa não são os mesmos apresentados e registrados na Junta Comercial, e nem os apresentados na ação fiscal. Entende a empresa que esta afirmação é de todo despropositada, refletindo, apenas, a distorcida inclinação em desqualificar a mesma e presumirlhe fraude, ao mesmo tempo em que se atribui status de dogma a meras afirmações da Autoridade Fiscal. Afirma que a reimpressão do interior dos livros foi efetuada por motivo de praticidade, não se esperando que fosse dar ensejo a um tal nível de desqualificação da presunção de idoneidade que também se aplica à recorrente. Ressalta que cópias diretas dos livros ou a juntada do original, inexoravelmente, prejudica a leitura da margem esquerda dos documentos, sendo, porém, esta a única alternativa, a empresa acosta a este Recurso os livros originais. Cita artigos de lei para justificar o seu entendimento de que o lançamento deveria conter provas que o sustentasse, o que não ocorreu no presente feito, segundo o entendimento da recorrente. Salienta serem pertinentes as mesmas considerações elaboradas na peça recursal também para as notasfiscais apresentadas. Isso porque a DRJ novamente manifestou sua presunção de ilegitimidade da empresa, afirmando que "a interessada poderia ter escolhido aquelas que entendeu estarem em melhor condição". Atenta para o fato de que a própria recorrente evidencia ter juntado as nota por amostragem, através da nota de rodapé n° 02 da sua Impugnação. Cita jurisprudência nesse sentido. Já quanto à total ausência de MPF, a recorrente entende que o auto encontrase nulo, posto que não se está diante de mera irregularidade, sanável, irrelevante em comparação com o dever de ofício da Fiscal, pelo Contrário, o que se percebe é uma irregularidade absoluta, eis que a empresa sequer foi cientificada da circunstância de estar sendo objeto de fiscalização do IRPJ, havendo sido surpreendido, ao final, com o auto ora contestado. É o relatório. Voto Fl. 582DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/02/201 3 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/12/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.002187/200780 Acórdão n.º 1803001.572 S1TE03 Fl. 118 8 Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase, o presente feito, de auto de infração, referente ao anocalendário de 2003, através do qual é exigido da empresa recorrente IRPJ, acrescido da multa de 75% e encargos moratórios. A exação de IRPJ foi com base no arbitramento do lucro, tendo como faturamento a receita declarada na DIPJ/2004. A empresa recorrente insurgese alegando nulidade do auto de infração em face de não constar no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) a indicação de que a fiscalização atingiria também o IRPJ. Isso porque o MPF foi destinado para a fiscalização de créditos de IPI tão somente. Ainda, a empresa insurgese referindo que sua escrita contábil e fiscal encontravase em pleno acordo com as normas legais, razão pela qual não vislumbra a legitimidade do arbitramento. Diante dos fatos exposto, passo a decidir abordando preliminarmente as argumentações da recorrente referente ao Mandado de Procedimento Fiscal. Alega a empresa que o MPF foi elaborado e dado ciência à empresa recorrente tão somente quanto à fiscalização do IPI, não havendo qualquer outro que indique a fiscalização do IRPJ. Contudo, observase da fls. 03, destes autos, que a autoridade fiscalizadora emitiu um Mandado de Procedimento Fiscal Complementar, estendendo a fiscalização para o IRPJ também. Desse modo, ao contrário do que argumenta a empresa recorrente, a autoridade fiscalizadora encontravase amparada de um documento que lhe garantia a competência para também fiscalizar o tributo IRPJ. Embora o MPF seja um documento interno que guarda uma obrigatoriedade de organização de cunho da Secretaria da Receita Federal, serve também para estipular uma verdadeira regra de atribuição de competência aos Auditores Fiscais da Receita Federal. Temse que por meio do MPF se integraliza a competência do Auditor para a execução de uma ação fiscal concreta, isso tudo aliado à atribuição determinada no artigo 142 do CTN. Assim, evidente está que essa competência determinada desqualifica a ideia de que o MPF seria um mero instrumento de controle interno ou que sua emissão irregular não causaria qualquer repercussão concreta sobre o lançamento que pretensamente instrumentaliza. Ao contrário, o MPF é sim um instrumento de legitimação da autuação do Auditor que sem ele fica impossibilitado de agir. Temse que a Portaria SRF n° 1.265/99, em seu artigo 2°, dispõe: Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal – AFRF e instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/02/201 3 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/12/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.002187/200780 Acórdão n.º 1803001.572 S1TE03 Fl. 119 9 Referido dispositivo é claro ao determina que o procedimento é executado em nome da SRF e instaurado mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Ademais, temse que a imprescindibilidade do MPF encontra guarida na Portatira COFIS n°28/2002 tal como se observa: Art. 23. Os procedimentos de fiscalização e de diligência serão realizados a partir de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), nos termos da Portaria SRF nº 3.007, de 2001. Art. 6º Na execução do procedimento de fiscalização, o AFRF deverá restringirse ao proposto na operação fiscal, evitando a extensão a outros exames que não guardem relação com os objetivos nela previstos. Art. 7º Caso o AFRF, no decorrer do procedimento de fiscalização ou de diligência, constate indícios de ilícitos tributários que extrapolem o objetivo original do procedimento fiscal, imputáveis ao mesmo ou a outro sujeito passivo, deve representar ao seu chefe imediato para avaliação quanto à inclusão em programação. Parágrafo único. Na hipótese em que o ilícito tributário de que trata o caput, detectado no decorrer de procedimento de fiscalização, seja de constatação imediata e imputável ao mesmo sujeito passivo, o AFRF responsável pela sua execução deverá solicitar a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal Complementar, nos termos da Portaria SRF nº 3.007, de 26 de novembro de 2001, para ampliação de tributo ou período objeto de lançamento de ofício. Art. 25. A lavratura de Auto de Infração deverá ser efetuada de acordo com o contido no MPFFiscalização e seus complementares. Desse modo, podese aferir dos artigos acima transcritos, que os procedimentos de fiscalização devem ser instaurados por via de MPF, que a fiscalização deverá limitarse ao proposto na ação fiscal, que havendo indícios de ilícitos que extrapolem os limites iniciais da ação fiscal, deve o AFRF representar ao seu chefe imediato, com o fim de que seja emitido MPFC que amplie o procedimento em relação ao fiscalizado ou de que seja emitido novo MPFF para o início de ação fiscal em relação a terceiros, e que o auto de infração deve se restringir aos limites do MPFF e seus eventuais complementares. Frente aos artigos citados, o que se pode aferir do caso em apreço é que o MPF, juntado às fls. 01, confere autorização ao autuante para abertura de procedimento fiscal vinculado ao IPI, e que o MPFC (complementar), confere autorização para abertura de procedimento fiscal referente ao IRPJ. Como no presente feito o tributo em discussão referese ao IRPJ, a conclusão é de que não prospera a argumentação da empresa recorrente de que a fiscalização não possuía competência para fiscalizar e autuar o tributo IRPJ. Quanto ao mérito da demanda, creio que assiste razão à recorrente. Isso porque a empresa optou pelo regime de tributação do Lucro Presumido, que tratase de uma modalidade de apurar o lucro e consequentemente o IRPJ, obsevando determinados limites e Fl. 584DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/02/201 3 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/12/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.002187/200780 Acórdão n.º 1803001.572 S1TE03 Fl. 120 10 condições. No entanto, a pessoa jurídica tributada com base no Lucro Presumido deverá manter escrituração contábil nos termos da legislação comercial e, para efeitos fiscais, é dispensável a escrituração quando a pessoa jurídica mantiver Livro Caixa, devidamente escriturado contendo toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Ainda, deverá, a pessoa jurídica optante por esse regime de tributação, manter o Livro Registro de Inventário em que registrará os estoques existentes no término do ano e o Lalur, quando tiver lucros diferidos de períodos de apuração anteriores (saldo de lucro inflacionário a tributar na situação específica de ser optante pelo lucro presumido no ano calendário 1996, conforme IN SRF nº 93/97) e/ou prejuízos a compensar. No caso em tela, tenho que o argumento da fiscalização para aplicar o arbitramento referese à imprestabilidade da documentação contábil e fiscal da recorrente, especificamente problemas com os Livro Diário, Razão e Registro de Inventário, bem como por existirem algumas Notas Fiscais ilegíveis. Afirma a autoridade julgadora de primeira instância que os Livros apresentados pela empresa demonstravam uma burla, já que por conter partes informatizada pela recorrente, não coadunavam com a verdade expostas nos Livros registrados no órgão competente. Frente aos argumentos do julgamento de primeira instância, a empresa recorrente que, desde a impugnação argumenta que a fiscalização não efetuou a apreciação da documentação da recorrente como deveria, junta, em seu recurso voluntário, todas as Notas Fiscais, os Livros no original, como forma de demonstrar que as Notas estavam todas legíveis, que os Livros não foram burlados e que se encontram condizentes com o que está registrado na Junta Comercial, como determina a lei. Desse modo e diante dos documentos juntados que demonstram que a escrituração contábil e fiscal da empresa encontravamse aptas a realizar a apuração pelo regime pelo qual a recorrente optou, ou seja, pelo Lucro Presumido, entendo diferentemente do que expôs a autoridade julgadora que me precedeu de que a apuração deveria ser feita através do arbitramento. Tenho que o arbitramento é uma modalidade de apuração somente concebida em ocasiões excepcionais, quando haja evidente impossibilidade de aferir a verdadeira base de cálculo dos tributos por outros meios. Mas, no caso presente, a empresa empenhouse em demonstrar a sua contabilidade, referindo que estaria à disposição a documentação para aferição pela autoridade fiscalizadora. Ainda, entendo que mesmo tendo a recorrente deixado de apresentar os Livros Auxiliares, tal como requisitou a fiscalização, não há como admitir que a empresa deixou de apresentar seus livros e sua escrituração. Certo é que frente à documentação apresentada pela empresa havia a possibilidade da fiscalização apurar os valores em questionamento, sem optar pelo arbitramento. E assim respeitando a opção feita pelo contribuinte de tributar pelo Lucro Presumido. Ademais, se correta fosse a assertiva do fiscal de que os Livros apresentados pela empresa recorrente evidenciassem uma burla da mesma, deveria a autoridade ter tomado as providências legais cabíveis, tal como aplicar a multa qualificada em face da simulação, do dolo ou da fraude. Fato esse que não ocorreu. Desse modo, como o arbitramento é uma modalidade de apuração usada em casos excepcionais, somente quando muito bem justificada a imprestabilidade da contabilidade Fl. 585DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/02/201 3 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/12/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.002187/200780 Acórdão n.º 1803001.572 S1TE03 Fl. 121 11 da empresa, o que não aconteceu no caso em tela, verifico um descompasso com as normas que o disciplinam. Ainda, do que se pode observar do trabalho elaborado pela fiscalização, a apuração foi realizada tomando o regime do Lucro Real, fato constatado na tipificação dada, qual seja 530, I do RIR/99, quando na realidade a tipificação correta deveria ter sido a do artigo 530, II, “a”. Temse que a tipificação equivocada, seguida da análise sob apuração de regime divergente do que o correto, ocasionam cerceamento do direito de defesa ao contribuinte. Frente a essas alegações, entendo que deveria ter sido apurada qualquer omissão no IRPJ da empresa recorrente através do Lucro Presumido e não por arbitramento. Diante do exposto, voto em DAR provimento ao recuso. É o voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira Fl. 586DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/02/201 3 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/12/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES
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Numero do processo: 10183.004983/2004-48
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2008
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2003
DCTF.DENÚNCIA ESPONTÂNEA.PENALIDADE.
O instituto da denúncia espontânea não se aplica à infração pelo descumprimento de obrigação acessória, tipificada como entrega da declaração fora do prazo estipulado na legislação tributária.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. CAPACIDADE CONTRIBUTIVA.
No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 302-39.886
Decisão: ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de
contribuintes, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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MULTA. CARÁTER CONFISCAT6R10. CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. No julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. RI 0 ROSA - Relator • Processo n° 10183.004983/2004-48 Acórdão n.° 302 -39.886 CC03/CO2 Fls. 1 1 0 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Beatriz Veríssimo de Sena, Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado (Suplente), Davi Machado Evangelista (Suplente) e Maria Regina Godinho de Carvalho (Suplente). Ausentes os Conselheiros Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e a Procuradora da Fazenda Nacional Maria Cecilia Barbosa. • 2 Processo n° 10183.004983/2004-48 Accirdilo n.° 302-39.886 CC03/CO2 FIs. Ill Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância que passo a transcrever. Trata-se de Auto de Infração eletrônico decorrente do processamento das DCTF ano calendário 2003, exigindo crédito tributário de R$ 69.2143,25, correspondente a multa por atraso na entrega das DCTF do I', 2", 3°e 4" trimestre(s). Impugnando tempestivamente a exigência, a contribuinte aduz, em síntese, a espontaneidade na entrega, o que daria ensejo, com fundamento no art. 138 do CTN, a exclusão da penalidade. Alegou ainda a inconstitucionalidade da multa, por ofensa aos princípios constitucionais do não-confisco, da capacidade contributiva e da igualdade. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetiza sua decisão na ementa correspondente. Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2003 DCTF. Multa por Atraso na Entrega. Espontaneidade. Infração de Natureza Formal. O principio da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal, não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional. • Multa. Caráter Confiscatório. 0 principio do não-confisco tributário, nos termos do art. 150, IV da CF, não se aplica cis penalidades, sendo incabível o reexame, pelo julgador administrativo, do juizo de valor adotado pelo legislador para fixar o percentual que cumpra afina/idade de punir o infrator. Argfiições de Ilegalidade e Inconstitucionalidade. Não compete à autoridade administrativa a apreciação das questões de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor o relatório. 3 Processo n° 10183.004983/2004-48 Acórdão n.° 302-39.886 CC03/CO2 Fls. 112 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator 0 recurso é tempestivo. Trata-se de matéria de competência deste Terceiro Conselho. Dele tomo conhecimento. Mediante recurso voluntário, o contribuinte renova os mesmos protestos apresentados em fase de impugnação do lançamento, com base nos mesmos argumentos. No que diz respeito à alegação de espontaneidade, independentemente das questões de cunho jurídico das quais costumeiramente lançam-se mão quando o assunto é o instituto da espontaneidade nas infrações por descumprimento de obrigação acessória, não vejo como a ação do contribuinte antes de qualquer procedimento fiscal possa corrigir urna ocorrência infracional tipificada corno atraso. Uma vez ocorrido o atraso, não há que se falar em espontaneidade corn vistas à exclusão da multa, já que a ação do contribuinte não modifica a ocorrência. Entregar documento en-i atraso é exatamente fazê-lo a destempo, como fez o contribuinte. Se há atraso, como pode a ação do contribuinte resolver o problema? Parece-me incontroverso que o instituto da espontaneidade não aproveita aos casos de infrações tipificadas como atraso na entrega de declarações, quaisquer que sejam. Não é demais, contudo, examinar a questão a partir de uma visão sistêmica do todo. Assim manifestou-se o STJ a respeito do assunto. "TRIBUTA10. IMPOSTO DE RENDA. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DA DECLARAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO INFRAÇÃO FORMAL. NÃO CONFIGURAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. I. A entrega da declaração do Imposto de Renda fora do prazo previsto na lei constitui infração formal, não podendo ser tida como pura infração de natureza tributária, apta a atrair o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional. Ademais, "a par de existir expresso previsão legal para punir o contribuinte desidioso (art. 88 da Lei n° 8.981/95), é defácil inferência que a Fazenda não pode ficar (.1 disposição do contribuinte, não fazendo sentido que a declaração possa ser entregue a qualquer tempo, segundo o arbítrio de cada 11711". (REsp n° 243.241-RS, Rel. Min, Franciulli Netto, DJ de 21.08.2000). 111. Embargos de divergência rejeitados. (EREsp 208097/PR; órgão Julgador PRIMEIRA SEÇÃO; Data da Publicação/DJ 15.10.2001). 4 Processo n° 10183.004983/2004-48 Acórdão n.° 302-39.886 CCOICO2 Fls. 113 No que diz respeito às alegações de que a multa aplicada tem caráter cofiscatório e de que o principio da capacidade contributiva "deve ser visto como um fator limitante para estabelecer certas distinções na forma de tributação e quando não respeitado esse principio, deve ser declarada a inconstitucionalidade da lei que o violou", é de se destacar que os tribunais administrativos não detem competência para proceder ao exame da constitucionalidade das leis, prerrogativa adstrita ao Poder Judiciário. No âmbito deste Conselho de Contribuintes, tal limitação está expressamente consignada no Regimento Interno. Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob Andamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. 0 disposto no cap at não se aplica aos casos de • tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; II- que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declarató rio do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei 17. 0 10.522, de 19 de junho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n" 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do Advogado-Geral da Unido aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n" 73, de 10 de fevereiro de 1993. e Também não merecem acolhida as alegações de que as multas moratórias decorrentes de inadimplemento de obrigações estejam limitadas a dois por cento e de que a "recorrente será devedora de ducts multas idênticas. A primeira agora pela entrega em atraso da DCTF e a outra, futura, pelo não pagamento da quantia declarada e não paga". Em relação 6. primeira delas, porque a multa em questão tem previsão legal especifica, conforme fundamentação legal do auto de infração lavrado. Em relação A segunda, é de ser observar que não se tratam de duas multas idênticas. Uma é pelo atraso na apresentação da DCTF a outra é pela falta de pagamento do imposto. Houvesse o contribuinte pago o imposto no prazo legal, e não haveria razão para cobrar-lhe nenhuma multa além da que aqui se trata. Ante osto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Sala ., S-s.ões, em 16 de outubro de 2008 I ROSA - Relator 5
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Numero do processo: 10240.720013/2004-61
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003
PIS. APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO MENSAL. ESTORNO DE RECEITA POR ERRO DE LANÇAMENTO.
O estorno de receita pode acontecer (a) ou em virtude de erro de apuração, para corrigir o cômputo indevido de uma receita que não existiu, (b) ou em virtude de cancelamento ou desfazimento do negócio que havia dado causa à receita, gerando sua devolução, o que é tipicamente tratado pela figura da venda cancelada.
Apenas existe regulamentação estabelecendo o procedimento a se tomar no caso da venda cancelada, previsto na IN SRF nº 247/2002.
Em relação ao estorno por erro, o mais adequado é que fosse promovido em relação ao período de apuração no qual fora indevidamente computado. Mas não existe regulamentação tributária exigindo tal procedimento.
No entanto, nem a normatização o exige, nem implica em qualquer violação aos instrumentos de controle, nem prejuízo aos cofres públicos, o procedimento adotado pelo contribuinte, ao fazer o ajuste por meio de um único estorno em novembro de 2003, promovendo a dedução, em relação ao faturamento de novembro de 2003, do valor do somatório da receita de juros computados em valor maior que o devido no período de março a outubro de 2003.
Na medida em que a declaração tributária foi fiel aos fatos registrados na contabilidade, não há obstáculo legal ou prejuízo aos cofres públicos em razão do procedimento adotado pelo contribuinte que, ao invés de fazer o estorno mês-a-mês, de março a novembro de 2003, registrou o estorno do total na sua contabilidade no mês de novembro/2003.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3403-001.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Ivan Allegretti - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 PIS. APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO MENSAL. ESTORNO DE RECEITA POR ERRO DE LANÇAMENTO. O estorno de receita pode acontecer (a) ou em virtude de erro de apuração, para corrigir o cômputo indevido de uma receita que não existiu, (b) ou em virtude de cancelamento ou desfazimento do negócio que havia dado causa à receita, gerando sua devolução, o que é tipicamente tratado pela figura da venda cancelada. Apenas existe regulamentação estabelecendo o procedimento a se tomar no caso da venda cancelada, previsto na IN SRF nº 247/2002. Em relação ao estorno por erro, o mais adequado é que fosse promovido em relação ao período de apuração no qual fora indevidamente computado. Mas não existe regulamentação tributária exigindo tal procedimento. No entanto, nem a normatização o exige, nem implica em qualquer violação aos instrumentos de controle, nem prejuízo aos cofres públicos, o procedimento adotado pelo contribuinte, ao fazer o ajuste por meio de um único estorno em novembro de 2003, promovendo a dedução, em relação ao faturamento de novembro de 2003, do valor do somatório da receita de juros computados em valor maior que o devido no período de março a outubro de 2003. Na medida em que a declaração tributária foi fiel aos fatos registrados na contabilidade, não há obstáculo legal ou prejuízo aos cofres públicos em razão do procedimento adotado pelo contribuinte que, ao invés de fazer o estorno mês-a-mês, de março a novembro de 2003, registrou o estorno do total na sua contabilidade no mês de novembro/2003. Recurso provido.
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APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO MENSAL. ESTORNO DE RECEITA POR ERRO DE LANÇAMENTO. O estorno de receita pode acontecer (a) ou em virtude de erro de apuração, para corrigir o cômputo indevido de uma receita que não existiu, (b) ou em virtude de cancelamento ou desfazimento do negócio que havia dado causa à receita, gerando sua devolução, o que é tipicamente tratado pela figura da venda cancelada. Apenas existe regulamentação estabelecendo o procedimento a se tomar no caso da venda cancelada, previsto na IN SRF nº 247/2002. Em relação ao estorno por erro, o mais adequado é que fosse promovido em relação ao período de apuração no qual fora indevidamente computado. Mas não existe regulamentação tributária exigindo tal procedimento. No entanto, nem a normatização o exige, nem implica em qualquer violação aos instrumentos de controle, nem prejuízo aos cofres públicos, o procedimento adotado pelo contribuinte, ao fazer o ajuste por meio de um único estorno em novembro de 2003, promovendo a dedução, em relação ao faturamento de novembro de 2003, do valor do somatório da receita de juros computados em valor maior que o devido no período de março a outubro de 2003. Na medida em que a declaração tributária foi fiel aos fatos registrados na contabilidade, não há obstáculo legal ou prejuízo aos cofres públicos em razão do procedimento adotado pelo contribuinte que, ao invés de fazer o estorno mêsamês, de março a novembro de 2003, registrou o estorno do total na sua contabilidade no mês de novembro/2003. Recurso provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 00 13 /2 00 4- 61 Fl. 2028DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Ivan Allegretti Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) transmitida em 09.02.2004 (fls. 01/05), por meio da qual se utiliza créditos de pagamento a maior de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) relativo ao período de apuração de novembro de 2003, recolhido em 15.12.2003 (fl. 02), para o pagamento de débitos de tributo da mesma espécie. A Delegacia da Receita Federal de Porto Velho – RO (DRF) negou homologação ao pedido com base no Parecer DRF/PVO/SAORT nº 205/2005 (fls. 119/124). Dentre outros fatos, o Parecer descreveu o seguinte (fl. 120): Os anexos I e II contém os documentos solicitados através da Comunicação Saort nº 169/2005 (fl. 113), quais sejam: Cópias das páginas do Livro Razão de maio/2003 a outubro/2003 que contiveram os lançamentos dos juros apropriados no período e que foram estornados em novembro /2003, no valor total de (...), conforme lançamento de estorno na conta nº 631.05.1.3, sub conta 0015, do Livro Razão de novembro/2003, página 850; Demonstrativo de que os valores constantes acima compuseram as Bases de Cálculo do tributo Pis/Pasep no período de maio/2003 a outubro/2003; Planilha e cópias do Livro de Apuração do ICMS demonstrando o valor de (...), lançado em novembro/2003 como crédito da conta 112.41.2, subconta 0007, do Livro Razão de novembro/2003, página 165; e Cópias das Notas Fiscais de compra correspondentes aos valores dos lançamentos no Livro Razão de novembro/2003, conforme tabela específica. (grifos editados) Em seguida, em sua fundamentação, o Parecer conclui em síntese o seguinte (fl. 121): Nesse sentido, constam às folhas 110/112, esclarecimentos do interessado informando que os valores negativos da conta 611.05.1.1.0.1 referemse ao conceito de Renda Não Faturada, cuja demonstração de seu funcionamento encontrase à folha 111. Com relação às contas 631.05.1.3 e 6331.05.1.9, consta à folha 112, informação do interessado esclarecendo que se trata Fl. 2029DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10240.720013/200461 Acórdão n.º 3403001.759 S3C4T3 Fl. 169 3 de estorno de juros/valores apropriados indevidamente no período de maio/2003 a outubro/2003, sendo então estornados no mês de novembro. Registrese que o valor dos estornos das referidas contas 631.05.1.3 e 6331.05.1.9 é de R$ (...). (...) Dessa forma, evidencia que independente da existência do direito creditório decorrente de juros, apropriados indevidamente, a redução da base de cálculo referente a novembro de 2003, no montante dos juros estornados, não se constitui na forma correta do contribuinte reaver os valores pagos a maior da contribuição, mesmo porque, não há dispositivo legal que autorize tal redução. Anexa a este Parecer, consta a Tabela Pis NãoCumulativo – Novembro/2003 – DIPJ/2004, demonstrando, s.m.j., a inexistência do pagamento indevido ou a maior pleiteado pelo interessado à folha 2. Tal Tabela reflete também os valores das planilhas apresentadas pelo interessado às folhas 29 e 80. Conforme se pode observar, com as glosas das reduções na Base de Cálculo das Receitas das contas 631.05.1.3 e 631.05.1.9 do Livro Razão (fl. 90), o valor do Pagamento Indevido ou a Maior passa de R$ 20.277,83 para R$ 11.353,19 negativos, ou seja, os pagamentos efetuados em 15/12/03 e 31/03/04 (fl. 21) não são suficientes para cobrir o total do Pis/Pasep devido no mês de novembro de 2003. (grifos editados) O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 130/132), alegando em síntese o seguinte: Como o próprio Auditor menciona sobre a legislação, sendo ela taxativa e exaustiva, não deixando margem para a devida exclusão, da mesma forma fica evidente que só podemos tributar as receitas auferidas, e no caso em tela não houve receita auferida. O estorno dos juros decorreu de um contrato de parcelamento do débito TERMO/CERON/UNN/001/2003, assinado em 31 de março de 2003, com pagamento da 1ª parcela a partir de 1º de agosto de 2004. Os procedimentos contábeis aplicados estão de acordo com o disposto no art. 187 § 1º da Lei nº 6.404/76, in verbis: § 1º Na determinação do resultado de exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essa receitas e rendimentos. Desta forma estamos atendendo ao regime de competência no referido contrato, porém no mês de novembro/2003, data de apuração o qual gerou o Per/Dcomp, detectamos erros nos Fl. 2030DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 cálculos de juros apurados a maior nos meses de maio/2003 a outubro/2003, e procedemos os lançamentos contábeis de correção estornando os juros lançados a maior no mês de novembro /2003. A perda financeira ocorrida foi do contribuinte, uma vez que se tivesse incluído os estornos de juros nos meses de competência, teria crédito nos meses de maio a outubro/2003 no valor de R$ 33.519,41, vejamos o seguinte demonstrativo: (...). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de BelémPA (DRJ), por meio do Acórdão nº 016.662, de 11 de setembro de 2006 (fls. 172/174), negou provimento à manifestação de inconformidade, mantendo a decisão que negou homologação à compensação, pelas seguintes razões resumidas em sua ementa: Assunto: Contribuição para o Programa de Integração Social PIS Anocalendário: 2002 Ementa: VALORES INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. A redução da base de cálculo referente a novembro de 2003, no montante de juros estornados, não se constitui na forma correta do contribuinte reaver os valores que julga ter pago a maior da contribuição. Solicitação Indeferida. O contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 177/180) reiterando os mesmos fundamento de defesa apresentados em sua manifestação de inconformidade. Por meio da Resolução nº 340300.068, de 25 de agosto de 2010, o julgamento foi convertido em diligência, requisitandose à Delegacia de origem que “intime o contribuinte a apresentar os documentos e prestar as informações necessárias para demonstrar o teor e os efeitos do referido contrato, detalhando o procedimento utilizado e demonstrando em que medida afetam os valores exigidos no lançamento em discussão”, ao final lavrandose um relatório conclusivo. Na Delegacia de origem, depois de apresentados documentos pelo contribuinte, foi lavrado Relatório (fls. 205/206) constatando, em síntese, o seguinte: O interessado apresentou os documentos solicitados (fls. 191/204), em especial: "Nota Explicativa" (fls. 196/197) e "Termo de Consolidação, Confissão e Parcelamento de Dívida" (fls. 198/200). O Termo de Consolidação, Confissão e Parcelamento de Dívida (fls. 198/200) prevê na cláusula terceira que, durante o período de carência (sobre o qual versa o presente processo) a dívida consolidada seria corrigida mensalmente pela variação da TJLP (taxa de juros de longo prazo) e acrescida de juros nominal de 6% ao ano. Conforme explicações do contribuinte (fls. 196/197) os juros foram estornados em novembro de 2003 por haver sido contabilizados equivocadamente no período de maio a outubro. O estorno dos juros, em novembro de 2003, foi o resultado do Fl. 2031DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10240.720013/200461 Acórdão n.º 3403001.759 S3C4T3 Fl. 170 5 recálculo feito com base no dispositivo correto (caput da cláusula terceira do Termo de Consolidação, Confissão e Parcelamento de Dívida), que diz (fls. 198/200): "A dívida consolidada e confessada pelo DEVEDOR, especificada na cláusula segunda, será quitada no prazo de 20 anos, com 15 meses de carência, em 225 parcelas da seguinte forma: Os pagamentos serão mensais, sendo que a primeira parcela vencerá em 1º de agosto de 2004 e a última em 1º de março de 2023. Durante o período de carência, a dívida consolidada e confessada pelo DEVEDOR descrita na Cláusula Segunda, será corrigida mensalmente pela variação da TJLP (taxa de juros de longo prazo) fixada pelo Banco Central do Brasil ou outra que venha a substituíla calculado sobre o saldo devedor atualizado, acrescido de juros nominal (sic) de 6% a.a." O lançamento dos juros na contabilidade no período de maio a outubro de 2003 foi o seguinte: Assim o valor total dos juros lançados na contabilidade foi R$ 3.115.846,69. Destaquese que, a despeito da explicação do contribuinte, esses juros (mais correção monetária) foram lançados em um índice muito superior ao previsto em qualquer cláusula do contrato, que previa juros de 6% ao ano, mais a correção monetária. Conforme a planilha de fl. 201, o valor acumulado dos juros recalculados dos meses de maio a outubro de 2003 seria de R$ 357.047,60. A diferença, portanto, entre o valor lançado e o recalculado seria de R$ 2.758.799,09. Em novembro de 2003 o contribuinte promoveu o estorno de juros no valor de R$ 2.028.695,89 (valor menor que o recalculado) fl. 90. CONCLUSÃO Com base nos dados e documentos apresentados pelo contribuinte concluise: Fl. 2032DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 a) O contrato prevê a fluência de juros durante o período de carência, porém com um índice bem menor do que o utilizado pelo contribuinte ao fazer os registros contábeis; b) O recalculo apresentado pelo contribuinte à fl. 201 está próximo o previsto em contrato. c) O erro no lançamento inicial dos juros nos meses de maio a outubro de 2003 foi significativo. O estorno desse valor no mês de novembro produziu demonstrações contábeis que não refletiram os fatos corretamente para cada mês, gerando uma distorção temporal na apuração dos valores. d) Compete ao CARF decidir sobre a correção do método utilizado pelo contribuinte a homologação da compensação em pauta. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti O recurso é tempestivo (intimação em 06.11.2006 e protocolo em 05.12.2006; fls. 176 e 177), motivo pelo qual dele conheço. A apuração realizada pela Autoridade Fiscal, em atendimento à solicitação de diligência deste Conselho, confirmou o suporte documental da situação narrada pelo contribuinte e também pela DRF e pela DRJ. Tratase de pedido de compensação em que o contribuinte alega a existência de recolhimento a maior de Cofins em novembro de 2003, sendo que tal indébito decorreu do estorno parcial, pelo contribuinte em sua contabilidade, de valor correspondente a juros que havia acumulado entre maio e outubro de 2003. Conforme contrato firmado em março de 2003, estes juros deveriam ser de em 6% ao ano mas foram contabilizados em patamar muito superior. Por isso o contribuinte entendeu por bem promover o estorno do que havia computado a maior no período de março a outubro, fazendoo por meio de um único estorno em novembro de 2003. Concordo com a DRF e a DRJ quando dizem que não foi adotado o procedimento mais adequado. O estorno de uma receita pode ser motivado ou por um erro ou por cancelamento (ou desfazimento) do negócio, sendo que para este último caso a legislação tributária contempla um tratamento específico, denominado de “venda cancelada”. Com efeito, a legislação regulamenta apenas a hipótese da venda cancelada, dispondo que o registro contábil do estorno seja feito apenas na ocasião da devolução ou cancelamento no negócio, e que o valor da receita estornada seja utilizada como dedução na base de cálculo – tudo isto, repisese, em relação ao momento em que ocorre o cancelamento. Fl. 2033DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10240.720013/200461 Acórdão n.º 3403001.759 S3C4T3 Fl. 171 7 Na hipótese de estorno por erro da contabilidade, parece mesmo que o mais adequado seja realizálo por meio da retificação da contabilidade em relação ao período de apuração no qual fora indevidamente computada a receita, com a conseqüente revisão e retificação das declarações fiscais. Neste caso concreto, portanto, se o contrato de parcelamento apenas permitia o cômputo de juros de 6% ao ano, do que resulta equivocada a apropriação de juros em patamar maior, o mais adequado é que tal erro fosse corrigido pela retificação dos lançamentos realizados no passado, fazendose o ajuste em relação aos tributos apurado naquelas competências. O contribuinte, no entanto, preferiu fazer o ajuste por meio de um único estorno em novembro de 2003, promovendo a dedução, em relação ao faturamento de novembro de 2003, do valor do somatório dos juros estornados, que foram acumulados ao longo dos meses anteriores, dentro do mesmo exercício. Na medida em que a declaração tributária, e os efeitos tributários permaneceram fiéis aos fatos registrados na contabilidade, não vejo qualquer obstáculo legal ou prejuízo aos cofres públicos em razão do procedimento adotado pelo contribuinte. Como visto, ao invés de fazer o estorno mêsamês, o contribuinte registrou o estorno na sua contabilidade no mês de novembro. Conforme reconhece o contribuinte em seu recurso voluntário “a perda financeira foi do contribuinte uma vez que se tivesse incluído os estornos de juros nos meses de competência teria crédito nos meses de maio a outubro/2003” (fl. 180). De fato, se tivesse promovido o estorno nos respectivos meses dos lançamento indevidos, teria se beneficiado da atualização do indébito, aplicável desde o momento do recolhimento a maior. Mas o procedimento utilizado contribuinte implicou em ceifarlhe tal possibilidade, eis que o fato constitutivo do seu direito apenas foi concretizado na contabilidade por meio do estorno promovido em novembro de 2003. Enfim: tendo sido demonstrado que o valor de receita estornado em novembro de 2003 corresponde efetivamente a valores de juros computados de maneira incorreta, ou seja, por erro de lançamento, entendo que não deve ser submetido à incidência da Contribuição para o PIS. E embora o mais apropriado fosse a retificação dos períodos de competência em que houve o lançamento dos juros em valor maior que o correto, devese reconhecer que a legislação não exigem um procedimento específico para a hipótese de erro, e que o procedimento adotado pelo contribuinte está devidamente registrado em sua contabilidade, além de não acarretar nenhum prejuízo aos cofres públicos. Voto pelo provimento do recurso. Ivan Allegretti Relator Fl. 2034DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Fl. 2035DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10950.006796/2007-11
Data da sessão: Thu Sep 24 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Sep 24 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - A presunção legal de omissão de rendimento, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA - Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. As afirmações apresentadas pelo sujeito passivo para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostram-se como meras alegações, processualmente inacatáveis.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA - Não é nulo o lançamento que inverte o ônus da prova.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - A apreciação de ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário.
DECISÕES JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS - As decisões judiciais invocadas, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Assim, seus efeitos não podem ser estendidos genericamente a outros casos, somente se aplicam à questão em análise e vinculam as partes envolvidas naqueles litígios, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade de lei, que não é o caso dos julgados transcritos. A doutrina reproduzida não pode ser oposta ao texto explicito do direito positivo, sobretudo em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade.
Numero da decisão: 2201-000.433
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e no mérito julgar PARCIALMENTE procedente o recurso para excluir da base de cálculo o valor de RS 1.570,35, relativo ao ano-calendário 2002.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003, 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - A presunção legal de omissão de rendimento, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA - Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. As afirmações apresentadas pelo sujeito passivo para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostram-se como meras alegações, processualmente inacatáveis. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA - Não é nulo o lançamento que inverte o ônus da prova. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - A apreciação de ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. DECISÕES JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS - As decisões judiciais invocadas, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Assim, seus efeitos não podem ser estendidos genericamente a outros casos, somente se aplicam à questão em análise e vinculam as partes envolvidas naqueles litígios, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade de lei, que não é o caso dos julgados transcritos. A doutrina reproduzida não pode ser oposta ao texto explicito do direito positivo, sobretudo em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-04-05T15:43:31Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-04-05T15:43:30Z; Last-Modified: 2010-04-05T15:43:31Z; dcterms:modified: 2010-04-05T15:43:31Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-04-05T15:43:31Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-04-05T15:43:31Z; meta:save-date: 2010-04-05T15:43:31Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-04-05T15:43:31Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-04-05T15:43:30Z; created: 2010-04-05T15:43:30Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2010-04-05T15:43:30Z; pdf:charsPerPage: 2017; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-04-05T15:43:30Z | Conteúdo => S2-C2T1 H. 1 á': • .. MINISTÉRIO DA FAZENDA t ;,,t;itêyin? CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS .1417, .5'1 • SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTOxót—tx,". Processo n° 10950.006796/2007-11 Recurso n° 167.547 Voluntário Acórdão n° 2201-00.433 — r Câmara / r Turma Ordinária Sessão de 24 de setembro de 2009 Matéria IRPF - Ex(s).: 2003, 2004 e 2006 Recorrente CLODONALDO SÉRGIO FAVARO Recorrida T TURMA/DRJ-CURITIBA/PR ASSUNTO: INIPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA- 1RPF Ano-calendário: 2002, 2003, 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - A presunção legal de omissão de rendimento, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÓNUS DA PROVA - Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. As afirmações apresentadas pelo sujeito passivo para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostram-se como meras alegações, processualmente inacatáveis. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA - Não é nulo o lançamento que inverte o ônus da prova. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - A apreciação de ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. DECISÕES JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS - As decisões judiciais invocadas, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Assim, seus efeitos não podem ser estendidos genericamente a outros casos, somente se aplicam à questão em análise e vinculam as partes envolvidas naqueles litígios, à exceção das decisões do STF sobre inconstilucionalidade de lei, que não é o caso dos julgados transcritos. A doutrina reproduzida não pode ser oposta ao texto explicito do direito ç I positivo, sobretudo em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Recurso provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiada por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e no mérito julgar PARCIALMENTE procedente o recurso para excluir da base de cálculo o valor de RS 1.570,35, relativo ao ano-calendário 2002. 1,(Lolf \JQ0 A/iL) ? CIAA PEDRO PAULO PEREI t I BARB SA — Presidente em exercício MV' • EDUARD ADEU FARAH - lator EDITADO EM: 12 MAR 2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), Janaina Mesquita Lourenço de Souza e Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente em exercício). Relatório Clodonaldo Sérgio Favaro recorre a este conselho contra a decisão de primeira instância proferida pela 2'. Turma da DRJ de Curitiba/PR, pleiteando sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário de fls. 227 a 250. Trata-se de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física - IRPF (fls. 148- 156), que exige R$ 230.127,44 a título de imposto e R$ 172.595,57 a título de multa de oficio de 75%, além dos acréscimos legais. O lançamento decorreu da omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas na Caixa Econômica Federal S/A, Cooperativa de Crédito de Livre Admissão Maringá-Sicredi Maringá, Unibanco - União de Bancos Brasileiros S/A, Banco Bradesco S/A e Banco do Brasil S/A, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrito no Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 140 a 147) e discriminado nas planilhas de fls. 119 a 139. Cientificado, em 22/12/2007 (fl. 161), o recorrente interpôs, em 22/01/2008, Impugnação (fls. 162 a 176), instruída com os documentos de fls. 178 a 204, sustentando, em síntese: a) o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do direito é de quem alega. No presente caso tem-se a impossibilidade de demonstrar todas as notas fiscais relativas aos fretes 2 • Processo n° 10950.006796/2007-11 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.433 FL2 que realizou em face de tratar-se de documentos antigos, muitos dos quais já destruídos. Além do que os documentos apreendidos pela Polícia Federal se repassados à Receita Federal, poderia demonstrar a sua atividade, bem como a movimentação financeira e tributação da parcela de 40% dos fretes realizados. Assim, o auto de infração deve ser considerado nulo de pleno direito, porquanto ausentes as provas que deveriam ser produzidas pela autoridade fiscal; b) alega que o valor da exigência ê totalmente indevido em face de serem devidamente justificados, seja pela comprovação da situação de redução da base de cálculo para 40% do valor da receita, seja pela demonstração da inexistência de auferimento de renda, posto que a movimentação financeira considerada como renda, era de responsabilidade de Clodovaldo Carlos Favaro, conforme declaração prestada à fl. 182; c) aduz que a movimentação bancária na conta n° 11545-2, agência n° 0718, da Cooperativa de Crédito de Livre Admissão Maringá era realizada exclusivamente por Clodovaldo Carlos Favaro (fl. 182) e que a disponibilidade do numerário era exclusiva da empresa Transbalan; e) assegura que movimentação financeira realizada na conta corrente n°40982-8, agência n° 0395, da Caixa Econômica Federal foi totalmente justificada nas suas declarações de IRPF dos anos-calendário de 2002, 2003 e 2005, nas quais o valor dos fretes e carretos declarados ultrapassa o montante dessa movimentação. Que responde tão somente pela movimentação financeira desta conta e salienta que no ano-calendário de 2003 constou um crédito de R$ 110.787,55, referente à indenização de sinistro paga pela Liberty Paulista S/A; O afirma que no ano-calendário de 2005 possuía outras três contas bancárias — C/C n° 17449-1, agência n° 3512-2, do Banco do Brasil S/A, C/C n° 13.715-4, agência n°1303-O, do Banco Bradesco S/A e C/C n°730.948-4, agência n° 1379, do Unibanco União de Bancos Brasileiros S/A, as quais passaram a serem movimentadas pela empresa Transbalan após esta ter ficado com suas contas bancárias indisponíveis, em meados de abril e maio, em decorrência da operação Hidra da Polícia Federal; g) da impossibilidade de cobrança de multa em face da inexistência de irregularidade tributária; h) a multa de 75% é inexigível em face de o numerário movimentado em sua conta bancária jamais ter sido renda auferida; i) improcede a autuação levada a efeito, mas, não obstante tal fato é certo que a origem dos recursos, seja considerados omitidos ou não é relativa a fretes recebidos por transporte de cargas, de forma que, alternativamente, deverá ser dado procedência a presente impugnação, determinando-se a desconsideração de 60% dos recursos para tributar tão- somente da parcela correspondente a 40%. Ressalta, ainda, que é necessária compensação do montante já declarado, bem como do valor de R$ 110.787,55 recebidos em indenização por sinistro de um de seus caminhões no ano-calendário de 2003. A 2°. Turma da DRJ de Curitiba/PR julgou integralmente procedente o - lançamento, consubstanciado nas ementas transcritas: , ^ z' --- / 2_ 3 PRELIMINAR DE NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, é incabível falar em nulidade de lançamento fundamentado em presunção legal relativa cuja materialização se encontra perfeitamente comprovada nos autos. PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO. A apresentação de prova documental deve ser feita durante a fase de impugnação, precluindo o direito de o interessado fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. PEDIDO DE PERÍCIA. Considera-se não formulado o pedido de perícia quando o interessado protesta por ela, mas deixa de formular os quesitos referentes aos exames desejados, assim como o nome, endereço e a qualificação profissional do seu perito. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEMNÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, o interessado, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idónea, coincidente em data e valor, a origem dos recursos utilizados. MULTA DE OFICIO DE 75%. Legítima a aplicação da multa de oficio de 75% sobre a diferença de imposto apurada em procedimento de oficio, porquanto em conformidade com a legislação de regência. Regularmente intimado da decisão de primeira instância, Clodonaldo Sérgio Favaro interpôs Recurso Voluntário argumentando, em síntese: a) nulidade do lançamento, pois ao imputar ônus de prova superior ao que se possa alcançar, gera, via de conseqüência, afronta a ampla defesa e o contraditório. Neste caso o ônus probandi cabe ao Fisco; b) inexiste omissão de receita, conforme planilha contábil colacionada. Alem do que a declaração do Sr. Clodovaldo Carlos Favaro exonera a responsabilidade do recorrente, na movimentação do Banco SISCREDI, agência n°0718, C/C n° 11.545-2; c) a fiscalização equivocou-se em relação ao rendimento do ano calendário de 2002. A renda declarada foi de R$ 31.407,00, deferindo um crédito de RS 10.667,33 e não, R$ 9.096,98; 4 Processo c 10950.006796/2007-11 S2-C2T1 Acórdão ri.0 2201-00433 d) Em relação ao ano-calendário de 2003, se excluísse o valor relativo à conta SISCREDI e considerar a venda do veiculo Santana 1987, no valor de R$ 6.244,00, o montante omitido alcançaria R$ 7.999,38, e, após o cálculo do imposto, o crédito tributário seria de R$ 921,51, ou seja, não incidiria imposto de renda. E, caso não seja esse o entendimento, a base de cálculo do tributo é de 40%, correspondente a R$ 1.627,39 de imposto a ser exigido; e) no ano-calendário de 2005 o numerário movimentado, a partir do mês de abril, era única e exclusivamente da empresa Tranbalan Transporte Rodoviário Ltda, visto que após a operação da Polícia Federal e Ministério Público Federal, a movimentação financeira das contas bancária da empresa ficou indisponível, motivo pelo qual foi utilizada a c/c do recorrente junto ao Unihanco para honrar os débitos da empresa, conforme faz prova a declaração do Sr. Clodovaldo Carlos Favaro, sócio administrador da empresa (fi.251). Assim, em relação as omissões do ano-calendário de 2005, se desconsiderar a C/C da SISCREDI, no valor de R$ 127.639,03, o salário de R$ 7.728,43, e o valor de R$ 13400,00, relativo a devolução de um cheque, o numerário movimentado pelo recorrente não ultrapassou R$ 214.955,75, com uma tributação de R$ 33.713,03; f) quanto à base de cálculo a ser utilizada nos anos-calendário de 2002 e 2005 deve ser de 40% da renda do contribuinte, haja vista sua função laborativa. Entretanto, no ano- calendário de 2003, o contribuinte também prestou serviço de transporte, mas não em veículo próprio, assim, a omissão relativa ao ano em referência, deverá também ser considerada como prestação de serviço de transporte e tributada a 40%; g) cobrança de tributo sobre o mesmo fato gerador. Bis in idem em relação às ações fiscais contra a empresa Tranbalan nos processos 10950.00632512007-03 e 10950.001759/2008-90; h) a multa de 75% ofende aos princípios constitucionais do não-confisco e da proporcionalidade, gerando enriquecimento ilícito do fisco em detrimento dos bens do contribuinte. Colaciona jurisprudências administrativas e judiciais. É o relatório. , 03/44i 5 t. ¡- Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Preliminar Preliminarmente, alega o recorrente que o lançamento deve ser considerado nulo de pleno direito, porquanto ausentes de provas (ânus probandi) que deveriam ser produzidas pelo Fisco. Relativamente a esse ponto, impende registrar que os depósitos bancários de origem não comprovada gozam de presunção de certeza que somente pode ser ilidida por prova inequívoca em sentido contrário, cujo ônus incumbe ao recorrente, a teor do disposto no art. 42 da Lei n° 9430/1996, demonstrado materialmente que não há omissão, afastando, portanto, a presunção legal que embasou o presente auto de infração. Apego-me essencialmente ao fato de que, a inversão do ônus da prova, característica principal da presunção legal relativa, constitui um instrumento direcionado à facilitação do trabalho de investigação fiscal, justamente em razão das dificuldades impostas à identificação dos fatos econômicos dos quais participou o recorrente. Existe normalmente uma grande quantidade de ações e negócios não formais efetuados pelo contribuinte, na maioria das vezes mareada pela inexistência de prova documental, razão pela qual a lei desincumbiu a autoridade fiscal de provar sua ocorrência. Não tem sentido a autoridade fiscal constituir prova de um fato presumido. Destarte, o ônus incumbe ao contribuinte. Na seqüência, afirma o recorrente que houve cerceamento de seu direito de defesa, pois não lhe foi deferido o acesso aos documentos da empresa Transbalan apreendidos na operação Hidra, realizada pela Polícia Federal. No que tange a supracitada preliminar, entendo, pois que não há como acata- la, já que a busca de prova é obrigação do recorrente. Nessa senda, deveria o interessado diligenciar junto aos órgãos públicos no sentido de reaver, ainda que cópia, a documentação apreendida. Não se pode perder de vista que a operação Hidra ocorreu em 2005 e, passados cerca de 4 anos, não foram carreadas aos autos qualquer documento que corroborasse com a defesa do recorrente. Portanto, não vislumbro o vício apontado pelo recorrente. Mérito 4 Ano-calendário 2002 Processo n° 10950.006796/2007-11 52-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.433 Em relação ao mérito, alega o recorrente que inexiste omissão de receita no ano-calendário de 2002, pois a declaração prestada pelo Sr. Clodonaldo Sérgio Favaro (fl. 182), roborada pela declaração de Clodovaldo Carlos Favaro (fl. 251) exonerou de sua responsabilidade a movimentação na conta n° 11.545-2, agência n°0718 da Cooperativa de Crédito de Livre Admissão — SISCREDI. De pronto, deve ser esclarecido que a simples declaração de que a movimentação bancária pertence à empresa Transbalan Transporte Rodoviário Ltda, de propriedade do Sr. Clodovaldo Carlos Favaro, sem uma prova inequívoca de sua materialidade, não pode ser considerada. Deveria, pois o recorrente ter carreado aos autos outros documentos, como, por exemplo, os cheques emitidos, para que este julgador pudesse firmar sua convicção. Ademais, pelo que se verifica da análise da Declaração de Ajuste dos anos-calendário 2002 e 2003, o recorrente efetivamente declarou a titularidade da referida conta na Declaração de Bens e Direitos. Destarte, pela completa ausência de prova em contrário, entendo que os numerários que ingressaram na referida conta pertence ao recorrente. Prosseguindo, insurge o suplicante contra um equivoco cometido pela autoridade fiscal, quando do preenchimento do demonstrativo constante a fl. 135. Compulsando-se o "Demonstrativo de Apuração dos Valores Depositados e Creditados em Conta Corrente e de Poupança" verifico, pois que o mesmo apresenta um erro em seu somatório, ou seja, o "Total dos Créditos Comprovados" apontado pela fiscalização foi de R$ 29.836,65, quando, na verdade, deveria ser de R$ 31.407,00. Desta feita, face ao erro cometido, deverá ser deduzido da base de cálculo do imposto, relativa ao ano-calendário 2002, o valor de R$ 1.570,35. Ano-calendário 2003 No que diz respeito ao ano-calendário de 2003, alega o recorrente que se houvesse a exclusão da conta n° 11.545-2, agência n° 0718 da Cooperativa de Crédito de Livre Admissão — SISCREDI pertencente à Transbalan Transporte Rodoviário Ltda, bem como a quantia de R$ 6.244,00, relativo à venda de um veiculo Volkswagen Santana — ano 1987 — placa CAC 1023, o valor considerado como omissão de receita seria de R$ 7.999,38 e não o montante apurado pela fiscalização. Relativamente a titularidade da conta n° 11.545-2, agência n° 0718 da Cooperativa de Crédito de Livre Admissão — SISCREDI, a questão já foi objeto de análise por este julgador. No que se refere à venda do um veículo Volkswagen Santana — ano 1987— placa CAC 1023, verifico que em sua Impugnação, o recorrente não faz qualquer menção ao referido fato, implicando, com isto, na não apreciação da matéria. Assim, não se pode conhecer do recurso quando este pretende inovar os limites do litígio já consolidado, sendo, portanto, defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na Impugnação. Ressalte-se, ainda, que não foi apresentada uma única prova da entrada do referido recurso na conta corrente do recorrente, razão pela qual não há como considerá-la. Assim, não há qualquer reparo a ser feito ao lançamento relativamente ao/ ano-calendário de 2003. /111 7 Ano-calendário 2005 Prossegue o recorrente com seu inconfomúsmo, alegando que não só a conta n° 11.545-2, agência n° 0718 da Cooperativa de Crédito de Livre Admissão — SISCREDI pertence à Transbalan, mas também a conta n° 730948-4, agência n° 1379, do Unibanco, conforme declaração firmada as f1.252, por Clodovaldo Carlos Favaro, razão pela qual o montante de R$ 127.639,03 deve ser excluído do lançamento. Novamente, entendo que ao recorrente não lhe assiste razão. Conforme anteriormente abordado, não há como deslocar a responsabilidade pela movimentação bancária da conta n° 730948-4, agência n° 1379, do Unibanco, para a pessoa jurídica, Transbalan Transporte Rodoviário Ltda , quando se tem como prova uma simples declaração do sócio da empresa, o Sr. Clodovaldo Carlos Favaro. Para que houvesse a supressão da referida conta, deveria o suplicante ter carreado aos autos outros documentos de prova, para que este julgador pudesse firmar sua convicção. Saliente-se, ainda, que o próprio recorrente firmou declaração (fl. 107), em 05/11/2007, que os recursos provenientes da referida conta era de sua inteira responsabilidade. Destarte, não há como afastar a responsabilidade do recorrente pelos recursos ingressados na referida conta. Em outra passagem alega o insurgente que os fiscais consideraram o valor de R$ 13.400,00, depositado em setembro de 2005, como receita, contudo, o referido valor refere- se a uma devolução de cheque destituído de fundos. De inicio, cumpre ressaltar que em sua Impugnação o recorrente não faz qualquer menção ao referido fato, implicando, com isto, na não apreciação da matéria. Assim, não se pode conhecer do recurso quando este pretende inovar os limites do litígio já consolidado, sendo, portanto, defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. Acresça-se, ainda, que não foi carreado aos autos qualquer prova relativa h referida alegação. Ainda, em relação ao mérito, solicita supletivamente o recorrente que, caso se entenda pela tributação a base de cálculo, esta deverá ser reduzida a 40%, pois o contribuinte efetivamente prestou serviço de transporte de carga. Compulsando-se os autos verifico, pois que não foram carreadas aos autos prova de que os recursos que ingressaram em suas contas advém do transporte de carga. Pelo que se vê, em verdade é que a ausência de provas encaminha para o entendimento de que os depósitos tiveram outra origem, que não o transporte rodoviário de carga, portanto, sem qualquer redução de base de cálculo. Ressalte-se, por oportuno, que não basta simplesmente alegar determinada circunstância, mas deve o contribuinte provar a natureza da operação efetuada. Individualmente, pode haver dificuldade na obtenção da prova, todavia, através de um conjunto probatório mais amplo é possível demonstrar a procedência de seu pedido. Destarte, o Ônus da prova recai sobre aquele cujo beneficio se aproveita. Prossegue o recorrente afirmando que a multa imposta de 75% possui caráter confiscatório, pois estaria gerando enriquecimento ilícito do Fisco em detrimento dos bens do contribuinte. \ e ,17 Processo tf 10950.006796/2007-11 S2-C211 Acirra n.° 2201-00.433 EL 5 Não obstante o pensamento do recorrente, a penalidade imposta pela autoridade fiscal encontra-se amparada pelo art. 44, § P, I da Lei n° 9430 de 1996. Ademais, em relação à argüição de inconstitucionalidade, relativamente ao confisco e a proporcionalidade que a multa aplicada representa, a autoridade administrativa não dispõe de competência legal para examinar a constitucionalidade/legalidade de Leis inseridas no ordenamento jurídico nacional (competência privativa do Poder Judiciário — artigo 102, da Constituição Federal). Frise-se, também, que as jurisprudências trazidas à colação não se constituem em normas gerais de direito, razão pela quais seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Por fim, a doutrina reproduzida não pode ser oposta ao texto explicito do direito positivo, sobretudo em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Ante o exposto voto no sentido de REJEITAR as preliminares e no mérito julgar PARCIALMENTE procedente o lançamento para excluir da base de cálculo o valor de R$ 1.570,35, relativo ao ano-calendário 2002. _f- ED ," DO TADEU FA„ 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS:;41isEts,p Processo n°: 10950.006796/2007-11 Recurso n°: 167.547 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 30 do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n°256, de 22 de junho de 2009, intime.se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n°2201-00.433. Brasília/ 0F, 11)41. Mil F • CISC ASSIS DE OLIVEIRA JÚNIOR esidente d egunda Câmara da Segunda Seção ,/ Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência • ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10865.000469/00-32
Data da sessão: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1996,1997,1998
LANÇAMENTO - AUTO DE INFRAÇÃO - REQUISITOS
A simples menção a uma determinada infração no Termo de Constatação Fiscal que acompanha o Auto de Infração não pode ser considerada como lançamento, por violação ao disposto no art. 142 do CTN.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA OFICIAL - GLOSA
Deve prevalecer a glosa do valor declarado pelo contribuinte como pago a título de contribuição previdenciária oficial quando este não faz a prova de que o montante declarado está correto, mormente se este é discrepante daquele informado pela fonte pagadora.
IRPF - DEDUÇÃO - DESPESAS MÉDICAS
Nos termos do art. 8o, § 2o, inc. III da Lei n° 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei. Quando o documento apresentado pelo contribuinte não preenche tais requisitos e também não é feita a comprovação do pagamento por qualquer outro meio de prova, deve prevalecer a glosa da referida despesa.
IRPF - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO -LEVANTAMENTO EM BASES ANUAIS - NULIDADE
A apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, para fins de exigência de imposto de renda da pessoa física, deve ser feita a partir do fluxo mensal das receitas e despesas. É nulo o lançamento que considera - para fins de apurar a variação patrimonial, as receitas e despesas do contribuinte de forma anual. Tal procedimento impede a verificação dos meses em que o acréscimo a descoberto tenha ocorrido.
Preliminar acatada.
Numero da decisão: 2102-000.251
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em ACATAR a preliminar de nulidade suscitada de ofício pela Conselheira Relatora, para que seja desconsiderada a glosa do IRRF, vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. No mérito, ptor maioria de votos, em DAR provimento parcial ao recurso, para cancelar o acréscimo patrimonial a descoberto, vencido o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos.
Nome do relator: Roberta de Azeredo F. Pagetti
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1996,1997,1998 LANÇAMENTO - AUTO DE INFRAÇÃO - REQUISITOS A simples menção a uma determinada infração no Termo de Constatação Fiscal que acompanha o Auto de Infração não pode ser considerada como lançamento, por violação ao disposto no art. 142 do CTN. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA OFICIAL - GLOSA Deve prevalecer a glosa do valor declarado pelo contribuinte como pago a título de contribuição previdenciária oficial quando este não faz a prova de que o montante declarado está correto, mormente se este é discrepante daquele informado pela fonte pagadora. IRPF - DEDUÇÃO - DESPESAS MÉDICAS Nos termos do art. 8o, § 2o, inc. III da Lei n° 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei. Quando o documento apresentado pelo contribuinte não preenche tais requisitos e também não é feita a comprovação do pagamento por qualquer outro meio de prova, deve prevalecer a glosa da referida despesa. IRPF - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO -LEVANTAMENTO EM BASES ANUAIS - NULIDADE A apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, para fins de exigência de imposto de renda da pessoa física, deve ser feita a partir do fluxo mensal das receitas e despesas. É nulo o lançamento que considera - para fins de apurar a variação patrimonial, as receitas e despesas do contribuinte de forma anual. Tal procedimento impede a verificação dos meses em que o acréscimo a descoberto tenha ocorrido. Preliminar acatada.
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decisao_txt : ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em ACATAR a preliminar de nulidade suscitada de ofício pela Conselheira Relatora, para que seja desconsiderada a glosa do IRRF, vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. No mérito, ptor maioria de votos, em DAR provimento parcial ao recurso, para cancelar o acréscimo patrimonial a descoberto, vencido o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos.
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Data da sessão: Sat Dec 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA
PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DA VERDADE MATERIAL. PRECLUSÃO
PROVA MATERIAL DE JULGAMENTO -PROCESSUAL E A BUSCA
No processo administrativo predomina o princípio da verdade material. Entretanto, se a contribuinte foi intimada e reintimada à apresentação dos documentos necessários à comprovação do suposto crédito pleiteado, só vindo a apresentá-los por ocasião do recurso, sem as justificavas devidas, não há como afastar a preclusão do direito da recorrente, nos termos do art. 16, § 4o do Decreto n° 70.235, de 1972 (Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-000.327
Decisão: ACORDAM os membros da 3° Câmara / 1° Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Antônio Lisboa Cardoso
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ementa_s : Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DA VERDADE MATERIAL. PRECLUSÃO PROVA MATERIAL DE JULGAMENTO -PROCESSUAL E A BUSCA No processo administrativo predomina o princípio da verdade material. Entretanto, se a contribuinte foi intimada e reintimada à apresentação dos documentos necessários à comprovação do suposto crédito pleiteado, só vindo a apresentá-los por ocasião do recurso, sem as justificavas devidas, não há como afastar a preclusão do direito da recorrente, nos termos do art. 16, § 4o do Decreto n° 70.235, de 1972 (Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997). Recurso Voluntário Negado.
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PRECLUSÃO. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maurício Taveira e Silva, Gustavo Kelly Alencar, Carlos Alberto Donassolo (Suplente) e Maria Teresa Martinez López. \ Oocumcnlo do 439 pág,lna(s) confirmado diglt"tmente Pode ser consullado ttO ender~ço https.i/ca\f.receltaAar:enüa.gov,br/eCACipublico!Jogii1.aspx I,elo c.ódlgo de localização EPOB.0817 17[)54 VEKD Consulte a pagina (je A.ulentlcaçao no final deste documento. . • DF CM{l: :V1F Relatório Trata-se de recurso em face do acórdão nO14-16.481, da 2" Turma da DRJ- RIBEIRÃO PRETO/SP, sintetizado através da ementa de fl. 1.326, nos seguintes termos: "AsSunto: Imposto sobre Produtos Industrializados -IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO BisICO DE IPI. RESSARCIMENTO. o direito 110 ressarcime~to de crédito básico de IPI decorre da apuração de saldo credor do imposto, por trimestre-calendário, devidamente comprovado por meio de documentação e escrituração hábeis. A aquisição 'de insumos pelo encomendante para remessa ao exterior da encomenda. ainda que não transite pelo estabelecimento encomedante, dá direito ao crédito do imposto. Solicitação Deferida em Parte.•• A solicitação da recorrente foi atendida, em quase sua totalidade, com exceção das aquisições não comprovadas' através de notas fiscais, vez que somente foram' comprovadas, através de notas fiscais, as aquisições' de matéria-prima, de produtos intermediários e de material de embalagem, provenientes da Companhia Siderúrgica Nacional - CSN, omitindo-se quanto as notas fiscais dos demais insumos. Cientificada em 24/0112008 (AR - fl. 1337), foi intelJJOsto o recurso voluntário de fls. 1340/1345, e do'cumentos de fls. 1346/1456, sendo alegado, em síntese, que a falta de atendimento à Intimação n° 15/2004-SAORTIDRF/ITJ (fls. 79/81) decorreu de dificuldades enfrentadas pela recorrente na transição do controle do Departamento de sua Contabilidade. r---. Alega, no entanto, que a planilhã anexada ao recurso, com a indicação do número do documento de entrada, a data da emissão, a descrição do insumo glosado e seu respectivo valor (no total de R$26.995,15), instruída com os respectivos documentos fiscais, autenticados pelo Órgão da Receita Federal em Itajaí/SC, mediante apresentação dos originais, e, apresenta ainda, documento com a estrutura de composição do produto, acompanhado da respectiva ficha técnica do Ministério da Agricultura, pelo que reafirma a existência nos autos que demonstram a liquidez e certeza dos créditos de IPI indevidamente glosados. É o telatÓrio/ DOCllnlenfo d!: 439 pâgma(si confirmado d:gltal!nçPle. pade ~E:rconsult3r.io no e~der~ço htlús /ícav.recelt,';l.f3Zen(ia,gov.brh::~CACiJ.liJr;,lt::.1flogin.aspx peto código de !ocellzaçáo EP08.0817.17054 VEKD Consulte a p8gir~a de autentiC'.,3çf'iO no final desre documenlO ,.' DF.Ci\RF ivlF .' Processo n' 10909,00083212002-26Acórdão n,' 3301-00.327 Voto Conselheiro ANTÔNIO LISBOA CARDOSO, Relator FI. 2929 S3-C3T1 FI. 1.461 J O Recurso Voluntário da recorrente atende aos pressupostos para a sua admissibilidade, razão pela qual dele conheço. ,A decisão recorrida pautou-se nos termos da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, que assim dispõe sobre as conseqüências da não apresentação 'de documentos solicitados: Art, 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações pora essejim, mencionando-se data, prazo, forma e condições de atendimento, Parágrafo ünico. Não sendo atendida a intimação, poderá o , órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ojicio a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Art. 40. Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fIXado pela Administração pora a respectiva' apresentação implicará arquivamento do processo, , Em relação à preclusão, assim dispõe o parágrafo 4° do art. 16, do Decreto n° 70.235, de 1972, quanto à apresentação de documentos depois de expirado o prazo assinalado: Art. 16.A impugnação mencionará: 1-a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e ,de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam ifetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação projissional do seu perito, (Redação dada pela Lei nO8. 748, de , 1993) , V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (lnc!úído pela Lei nO 11.196, de 2005) , .••.~. fIO Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos pre~'sto no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei n° 8,748, de 1993) . , , / ,.'~D?,:urnen.to de 439 pagina(s) COnfji~ado di9ltaln1cnte. Pode ser cOi~sultadDilOel}dereco ht1ps:!Jcav,recclta,fazol')oa.gov.br/c 'i\f:/f)\JbllOOIi, codlgc ele locaTi23ç~o EP080B 17.1 (05.1VEKD. ConSlilte" éJ pagHl<1oc 3ulenticaçao 110final destE: documento. DF CARF 1\11' 9 20 É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal. empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo. cabendo ao julgador. de oficio ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-Ias. (Incluído pela Lei na8.748, de 1993), 9 30Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro. provar-Ihe-á o teor e a vigência, se assim o determinar ojulgador. (Incluidopela Lei na8.748. de 1993) ti 40A prova documental será apresentada na imPugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em- outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei na 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a ímpossíbilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maíor;(1ncluído pela Lei na 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei na9.532, del997) - c) destine-se a contrapor latos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluido pela Leí na 9.532, de 1997) 9 50A juntada de documentos após a impugnação deverá ser -requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre. com fundamentos. a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei na9.532. de 1997) 9 60 Caso já, tenha sido -proferida a decisão. os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso. serem apreciadospela autoridadejulgadora de segunda instância. (Incluídopela Lei na9.532. de 1997) (grifas acrescidos). FI. 2930 - .. A decisão recorrida é fundamenlada, ainda, pelo art. 443, ~ 3° do RIP1/2002, que trata especificamente do eiame e exibição de Livros Fiscais, a seguir transcrito: CAPÍTULO11 DO EXAME DE ESCRITA Exame e Exibição dos Livros Art. 443. No interesse da Fazenda. Nacional. os AFRF procederão ao exame das escritas fiscal e geral das pessoas sujeitas àfiscalízação (Lei na4.502, de 1964. art. 107). 91" São também passíveis de exame os documentos. os arquivos e os dados do sujeito passivo. mantidos em arquivos magnéticos ou assemelhados. encontrados no local da verificação. que tenham relação direta ou indireta com a atividade por ele exercida (Lei na9.430, de 1996, art. 34). 9 2°_No caso de recusa de apresentação dos lívros. dos documentos. dos arquivos e dos "dados,inclusive os mantidos em arquivos magnéticos ou assemelhados. o AFRF, diretamente ou por intermédio da repartição competente. promoverá junto ao D'OCLJrnentode 439paqllwis) confirmado dlglHllmente, Pode ser consultado no erdelF::-ç,O httjJslicav,:!7CeitJ.b C()(JlgoGe locélhzaçêio EPOB,0317 17054 VEKD CünslJlte;) pâgma de 8lJtellllcaç.ào no tlll81 deste ,j(jCUll1ento .,. '. DF. ('AR!' i\IF Processo nO 10909.00083212002-26 Acórdão n.o 3301-00.327 representante do Ministério Público a sua exibição judicial, sem prejuízo da lavratura do auto de embaraço àfiscalização (Lei n° 4.502. de 1964. art. 107. SI"). ~ 3° Tratando-se de recusa à exibição de livros comerCIaIS registrados, as providências previstas no g 2° serão precedidas de intimação, com prazo não inferior a setenta e duas horas, para a sua apresentação, salvo se, estando os livros no . estabelecimento fiscalizado, não alegar o responsável motivo que'justifique o seu procedimento (Leí n° 4.502. de 1964. art. 107. S 2"). (grifas acrescidos). 1"1. 2'J.j I S3-C3T1F\I)/ Desta forma, tendo a recorrido sido devidamente intimada e reintimada a apresentar a documentação necessária à comprovação do crédito do imposto sobre produtos industrializados, precluiu-se o direito da impugnante para a apresentação da documentação solicitada, sobretudo porque no recurso não ficou demonstradas os motivos excludentes previstos no art. 16,94°, do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997. Documento de 439 paginais) confirmado dIClitallT1~nte. Podeser_CQl'rsultauo no 2ndl;;;few https 11ç.;:HI,recelta.fttZend-a.gov.br:feCAC!publ;co/1ogln:aspx PSlo .córiigo çte localizac;:ão EPOS.OB17 17054 vE"ko, COI1Sliltt! a pagina rle autenticação no fmill dest8 docwn~nt(). 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
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