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Numero do processo: 35665.000779/2006-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2000 a 31/07/2000, 01/11/2003 a 31/12/2005
PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. EXPLORAÇÃO DE OUTRA ATIVIDADE ECONÔMICA AUTÔNOMA. SUBSTITUIÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PATRONAL INCIDENTE SOBRE A FOLHA DE PAGAMENTO. TERCEIROS.
A substituição das contribuições previstas na Lei n° 8.212/91, art. 22, I e II, pela contribuição sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural prevista na Lei n° 8.870/94, art. 25, não pode ser aplicada ao produtor rural pessoa jurídica que, além da atividade rural, explore atividade
econômica autônoma.
MULTA MORATÓRIA
Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
Numero da decisão: 2302-001.827
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2000 a 31/07/2000, 01/11/2003 a 31/12/2005 PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. EXPLORAÇÃO DE OUTRA ATIVIDADE ECONÔMICA AUTÔNOMA. SUBSTITUIÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PATRONAL INCIDENTE SOBRE A FOLHA DE PAGAMENTO. TERCEIROS. A substituição das contribuições previstas na Lei n° 8.212/91, art. 22, I e II, pela contribuição sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural prevista na Lei n° 8.870/94, art. 25, não pode ser aplicada ao produtor rural pessoa jurídica que, além da atividade rural, explore atividade econômica autônoma. MULTA MORATÓRIA Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1792DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 21/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA (Presidente), ARLINDO DA COSTA E SILVA, LIEGE LACROIX THOMASI, ADRIANA SATO, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR. Relatório Peço licença para transcrever o relatório do Acórdão n. 0816.800 – 6ª Turma da DRJ/FOR [fls. 1650/1652]: Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD lavrada no nome da empresa em epígrafe, doravante mencionada simplesmente como empresa ou notificada, abrangendo o período 04/2000 a 07/2000 e 11/2003 a 13/2005, inclusive 13/2003 e 13/2004 e referente As seguintes contribuições, incidentes sobre as remunerações de segurados empregados: a) contribuição patronal prevista na Lei n° 8.212/91, art. 22, I; b) contribuição patronal destinada ao financiamento do beneficio previsto nos arts. 57 e 58 da Lei n° 8.213/91 e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (Lei n° 8.212/91, art. 22, II), sendo aplicada a aliquota de 3% (três por cento), com base no CNAEFISCAL 01.457; c) contribuições destinadas a terceiros (SalárioEducação, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE). A empresa foi enquadrada no código FPAS 5150. Foi também cobrada diferença de multa recolhida a menor pela empresa em 11/2006. Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 35665.000779/200628 Acórdão n.º 2302001.827 S2C3T2 Fl. 2 3 Os valores foram apurados em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações A Previdência Social —GFIPs constantes nos Sistemas de Informática da então Secretaria da Receita Previdenciária e nos resumos de folhas de pagamento do décimoterceiro. Consta no Relatório Fiscal que a empresa não apresentou A fiscalização as GFIPs solicitadas através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD de 18/09/2006, razão pela qual o débito foi levantado com base nos relatórios dos Sistemas Informatizados. Foram deduzidas as Guias da Previdência Social — GPSs confirmadas em consulta aos sistemas de informática do Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, bem como as importâncias pagas a titulo de saláriofamília informadas em GFIP. Os documentos examinados foram: GFIPs constantes nos Sistemas de Informática da Secretaria da Receita Previdencidria, GPSs, resumos das folhas de pagamento das competências 13/2000, 13/2003, 13/2004 e 13/2005 e o contrato social. 0 crédito tributário alcançou o montante de R$ 714.357,84 (setecentos e quatorze mil, trezentos e cinqüenta e sete reais e oitenta e quatro centavos), consolidado em 16/11/2006 em R$ 1.066.698,39 (um milhão, sessenta e seis mil, seiscentos e noventa e oito reais e trinta e nove centavos). A notificação da empresa se deu em 1°/12/2006, por meio dos correios, com Aviso de Recebimento —Aviso de Recebimento AR (fls. 70). Em 18/12/2006 foi apresentada defesa (fls. 72/94), na qual a notificada argumenta, em síntese, que: 1) A empresa opera no ramo especifico da atividade de produção rural. 2) Nos termos da Instrução Normativa SRP 3/2005, anexo V, o código FPAS para contribuinte produtor rural pessoa jurídica é 604, sendo devida sobre a folha de pagamento a contribuição do segurado empregado e as contribuições destinadas a terceiros: SalárioEducação (2,5%) e INCRA (0,2%). Assim, deve ser acolhida a preliminar e anuladostodos os lançamentos efetuados por meio da NFLD. 3)Ao contrariar o disposto no anexo V da IN SRP 3/2005, a Auditora Fiscal deixou de cumprir as disposições legais que dariam amparo ao seu procedimento fiscal, ferindo o principio da legalidade, que rege toda a atividade administrativa e em especial a atividade fiscal, que é plenamente vinculada. Dessa forma, requer a nulidade da NFLD. 4)Diante dos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, que regem a atividade tributária, é impossível a confissão nessa Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 4 matéria, eis que não se pode confessar a ocorrência de um fato gerador quando a própria lei afirma que ele não ocorreu. 5)Em face dos citados princípios, o lançamento não pode ser efetuado com base em indícios e presunções. A NFLD padece de vicio de nulidade, já que foram utilizados somente indícios para embasála. 6)Foram prestadas todas as informações solicitadas pela Auditora Fiscal, tendo a mesma desconsiderado pedido de prorrogação pelo prazo de 48 horas para exibição das GFIPs, com as devidas retificações, "fato ocorrido e dentro do prazo regulamentar concedido para apresentação de defesa do NFLD em questão, estando os mesmos anexados a presente impugnação, e como parte integrante planilha de (nossa emissão), com base de calculo adequado...". Ademais, consta no Relatório Fiscal do Auto de Infração n° 35.420.7180 que não houve circunstâncias agravantes e não foram encontrados autos de infração anteriores registrados no SICOB. 7)A multa cobrada é abusiva e compromete o patrimônio do contribuinte, deixando de ter natureza indenizatória para constituirse em verdadeiro confisco. 8)A espoliação é mais evidente ainda na utilização da taxa SELIC para atualização dos tributos cobrados. Tratase de um índice onde se somam duas parcelas, uma de atualização monetária e outra que incorpora a taxa média de juros de mercado (acréscimo de capital). "Essa sistemática, por si só não é ilícita ou ilegal, mas assim se torna quando aliado a essa cobrança, são acrescidas outras parcelas ao mesmo titulo como costuma ocorrer... a Taxa SELIC ... não pode ser acumulada com novas parcelas da mesma espécie — juros e correção monetária. Nesse sentido, deve ser expurgada a TAXA SELIC do valor do débito executado ou simplesmente expurgada a taxa de juros e correção monetária apontada". 9)0 julgador administrativo tem o poderdever de deixar de aplicar uma lei em face de sua inconstitucionalidade, em decorrência da sua função judicante e já que tal decisão não produzirá efeito erga omnes, não sendo definitiva. 10) Pede que a NFLD seja declarada nula e "as autuações procedidas, bem como, por via de conseqüência, ser declarado improcedente NFLD e os valores constante da presente impugnação". Requer seja julgada improcedente a NFLD e procedente a defesa, em todos os seus termos. Por meio do Despacho n° 1.198, de 16/01/08, o julgamento foi convertido em diligência para que fossem apuradas quais eram as atividades realmente desenvolvidas pela empresa no período objeto da NFLD (atividade rural, agroindústria, etc.). Caso a empresa fosse pedido que fossem separadas as remunerações dos setores rural e industrial e, a partir de 01/08/2005, do setor de abate. Em 26/06/2009, como resultado da diligência realizada, foi emitido o Relatório Fiscal — Diligência de fls. 1.520/1.524, no qual consta que: Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 35665.000779/200628 Acórdão n.º 2302001.827 S2C3T2 Fl. 3 5 1) Antes do inicio da ação fiscal, a empresa transmitiu GFIPs enquadrandose no FPAS 515 (Empresas em Geral, inclusive comércio). 0 lançamento da NFLD baseouse nas informações contidas nessas GFIPs. 2) Após a data da lavratura da NFLD (16/11/2006), a empresa transmitiu novamente as GFIPs das competências 04/2000 a 13/2005, agora utilizando o FPAS 604, declarandose empresa do ramo da ATIVIDADE RURAL. Essa transmissão ocorreu no período 28/11/2006 a 11/01/2007. Essas novas GFIPs apresentam o campo "Comercialização da Produção — PJ" com valor ZERO, ou seja, foi declarado que não ocorreu o fato gerador descrito no art. 250,1, da IN SRP n° 03/05. 3) A empresa não é uma agroindústria, pois, além de não industrializar sua produção, não comercializa a ração produzida em sua fábrica, que é destinada a uso próprio, conforme notas fiscais relativas A destinação da ração produzida. 4) A empresa não é exclusivamente rural (FPAS 604), pois adquire produtos industrializados da empresa Santa Izabel Alimentos Ltda. (CNPJ 03.779.994/0001 84), localizada no Estado do Pará e os comercializa, principalmente para empresas situadas em Sao Luis/MA, o que caracteriza atividade mercantil atacadista (FPAS 515), tudo conforme notas fiscais de compra e venda anexas ao relatório (anos de 2000 e 2003 a 2005). 5) Há também atividade rural de criação de frangos, que são comercializados como "frangos vivos", conforme notas fiscais de vendas anexas. 6) Portanto, a empresa não pode ser enquadrada com o código FPAS 604, pois é uma produtora rural pessoa jurídica que explora outra atividade econômica autônoma comercial (IN SRP n° 3/05, art. 241, II, art. 250, I e §4°). 7) 0 enquadramento correto da empresa é no código FPAS 787 para os segurados envolvidos com a atividade rural e no FPAS 515 para os demais empregados envolvidos na atividade comercial atacadista (IN SRP n° 3/05, anexos III e IV). 0 contribuinte teve ciência em 27/07/2009 do despacho, do relatório fiscal e anexos, bem como de que tinha 30 (trinta) dias para apresentar aditamento à defesa. Em 21/08/2009, a empresa apresentou petição na qual apenas ratifica os argumentos já expostos na sua defesa original. É o relatório. Em 10 de dezembro de 2009, foi prolatado Acórdão n. 0816.800 – 6ª Turma da DRJ/FOR [fls. 1650/1655] que julgar procedente em parte a impugnação e manter em parte o crédito tributário (notificação fiscal de lançamento de débito — NFLD n° 35.420.7148), para: Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 6 I) CONSIDERAR DEVIDO o valor consolidado em 16/11/2006 de R$ 838.032,32 (oitocentos e trinta e oito mil, trinta e dois reais e trinta e dois centavos), conforme Discriminativo Analítico de Débito Retificado — DADR em anexo; II) EXONERAR o crédito tributário no valor consolidado em 16/11/2006 de R$ 228.666,07 (duzentos e vinte e oito mil, seiscentos e sessenta e seis reais e sete centavos), sendo: a. R$ 102.514,40 (cento e dois mil, quinhentos e quatorze reais e quarenta centavos) por motivo de decadência; b. R$ 126.151,64 (cento e vinte e seis mil, cento e cinqüenta e um reais e sessenta e quatro centavos), por motivo de nulidade decorrente de vicio de natureza material (contribuições destinadas ao SESC, SENAC e SEBRAE). O Sujeito Passivo foi cientificado do decisum, em 10/02/2010 [fl. 1676], tendo, em 10/03/2010, interposto recurso voluntário, que, em síntese, alega [fls. 1683/1718]: (i) não incidência dos valores, pois foi autuado com base em omissão de pagamento sobre o valor decorrido de sua folha de pagamento; (ii) violação ao princípio da legalidade, pela não observância do anexo V da IN SRP n. 3/2005; (iii) violação ao princípio da legalidade pela não caracterização do fato gerador; (iv) confisco, infração ao art. 150, IV, da CF/88; (v) impossibilidade de aplicação de SELIC; (vi) requer, ao final, a improcedência do lançamento realizado. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior Cumprido o requisito de admissibilidade frente à tempestividade conheço do recurso e passo ao seu exame. 1 PRELIMINAR DE NULIDADE – NÃO ACOLHIMENTO Não vislumbro a tese de nulidade da notificação, argüida pela recorrente, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do Fl. 1797DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 35665.000779/200628 Acórdão n.º 2302001.827 S2C3T2 Fl. 4 7 lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A recorrente foi devidamente intimada de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) Fl. 1798DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 8 A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. 2 MÉRITO 2.1 CARACTERIZAÇÃO DO FATO GERADOR Quanto ao argumento recorrente que teria existido violação ao princípio da legalidade pela não caracterização do fato gerador, entendo que tal irresignação não merece acolhida. Consta do Relatório Fiscal que o objeto do lançamento foi [fls. 40/41]: Fl. 1799DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 35665.000779/200628 Acórdão n.º 2302001.827 S2C3T2 Fl. 5 9 [...] tem por objeto a narrativa de fato ocorrido e verificado durante a ação fiscal MPF no 09336958F00 e 09336958C01, cuja finalidade foi analisar e regularizar as divergências apontadas no batimento GFIP x GPS e que ensejou o lançamento em referência no montante de R$ 1.066.698,39(HUM MILHÃO E SESSENTA E SEIS MIL E SEISCENTOS E NOVENTA E OITO REAIS E TRINTA E NOVE CENTAVOS), consolidado em 16/11/2006, em nome do contribuinte acima identificado. Constituem Fatos Geradores das Contribuições lançadas e apuradas pela fiscalização: 2.1 0 total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, destinadas a retribuir o trabalho, verificadas nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP, no período de 042000 a 072000, 112003 a 132005, constantes dos SISTEMAS INFORMATIZADOS DA SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCARIA, e resumo das folhas de pagamento do 13 ° , cujos valores encontramse discriminados no "Relatório de Lançamentos", em anexo; Os créditos apurados encontramse discriminados no relatório "Discriminativo Analítico do Débito", em anexo, e foram calculados da seguinte forma: a) 20% (vinte por cento) sobre o total das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados; b) 3% (dois por cento) sobre o total das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa. Nas GFIPs apresentadas antes da ação fiscal, a própria empresa declarou que o código de FPAS no qual se enquadrava era o 515, o qual se aplica quando uma empresa deve as contribuições patronais previstas na Lei n° 8.212/91, art. 22, I e II, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados que lhe prestam serviços (folha de pagamento). Somente depois de iniciada a ação fiscal, a notificada apresentou retificação para o código FPAS 604, o qual deve ser utilizado quando a empresa é produtora rural pessoa jurídica e se aplica a substituição das contribuições mencionadas por outra incidente sobre a comercialização da produção rural, conforme Lei n° 8.870/94, art. 25, I e II. Dessa forma, quando a Auditora Fiscal considerou as informações declaradas pela empresa, não se deteve em mera presunção, já que essa autoridade se baseou em documento emitido pelo próprio contribuinte e que foi criado pela lei justamente com a finalidade de informar os fatos geradores das contribuições previdenciárias. Na verdade, pois, o lançamento teve lastro em uma prova idônea, conforme se observa do excerto do decisum recorrido [fls. 1.652/1.653]: Fl. 1800DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 10 [...] A ação fiscal iniciouse em 18/09/2006 e encerrouse em 16/11/2006, tendo sido lavrada a NFLD nesta última data. Em 1°/12/2006 a empresa foi intimada, por via postal, do término da ação fiscal e da NFLD. Somente a partir de 28/11/2006, quando já encerrados os trabalhos da autoridade fiscal, entregou retificação da GFIP com a troca do código FPAS. Mesmo diante da confissão da empresa, em face da sua defesa e do seu contrato social, com base no principio da verdade material e com lastro no Decreto n° 70.235/72, art. 18, foi decidido de oficio pela realização de diligência. Na diligência, o Auditor Fiscal designado constatou que: 1) a empresa não é agroindústria, pois, além de não industrializar sua produção, não comercializa a ração produzida em sua fábrica, que é destinada a uso próprio; 2) a empresa adquire produtos industrializados da empresa Santa Izabel Ltda., localizada no Estado do Pará e os comercializa; 3) a empresa também desenvolve atividade rural, criando frangos que são comercializados como "frangos vivos". Vale salientar que, conforme documentos anexados pelo Auditor Fiscal que procedeu a diligência, o resultado das vendas de produtos comprados da empresa Santa Isabel Ltda. é significativo. Como exemplo, temse as Listas de Vendas dos dias 15/11/2005 e 16/11/2005, na qual são listadas notas fiscais cujos montantes totalizaram R$ 20.117,01 (vinte mil, cento e dezessete reais e um centavo) e R$ 26.517,91 (vinte e seis mil, quinhentos e dezessete reais e noventa e um centavos), respectivamente. Dessa forma, diante das provas trazidas aos autos, resta evidente que a empresa não tem atividade exclusivamente rural, mas também pratica o comércio, comprando produtos de uma empresa do Para e revendendoos a outras empresas, situadas principalmente em São Luis/MA. Diante dos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada aventados pela própria impugnante, o que importa é se o fato realmente ocorrido se subsume à hipótese de incidência descrita na lei. Assim, o objeto social da empresa constante no seu contrato social constitui um indicio a ser avaliado em conjunto com as demais provas, tendo sido comprovado pela autoridade fiscal que realizou a diligência que a atividade de comércio verificada existiu, embora não compusesse o objeto da empresa no seu contrato social. [Grifo nosso] Fl. 1801DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 35665.000779/200628 Acórdão n.º 2302001.827 S2C3T2 Fl. 6 11 Dito isso, não se aplica a essa empresa a substituição instituída pela Lei n. 8.870/941, sendo legítima e legal a exigência das contribuições previstas no art. 22, I e II, da Lei n. 8.212/91, incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados empregados. Além disso, importa registrar que mesmo que fosse considerada agroindústria, não seria possível a adoção da pretensão da Recorrente, haja vista vedação disposta no §4º, do art. 22A, da Lei n. 8.212/91: Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). I dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). II zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). [...] § 4o O disposto neste artigo não se aplica às sociedades cooperativas e às agroindústrias de piscicultura, carcinicultura, suinocultura e avicultura. (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). 2.2 MULTA DE MORA Quanto à multa, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme previa o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, vigente à época do lançamento. Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: 1 Art. 25. A contribuição devida à seguridade social pelo empregador, pessoa jurídica, que se dedique à produção rural, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, passa a ser a seguinte: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) I dois e meio por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho. Fl. 1802DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 12 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 35665.000779/200628 Acórdão n.º 2302001.827 S2C3T2 Fl. 7 13 § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99). 2.3 SELIC No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 14 administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. CONCLUSÃO: Portanto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, NEGAR PROVIMENTO. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA
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Numero do processo: 11516.008130/2008-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2402-000.219
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.008130/200862 Resolução n.º 2402000.219 S2C4T2 Fl. 259 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal lavrada em 12/12/2008 para constituição de crédito por arbitramento de mão de obra empregada em obra de construção civil, contribuição a “terceiros”. Entendeu a fiscalização que a escrituração contábil deveria ser desconsiderada em razão de que: 5 — Verificando a contabilidade da empresa, constatamos que a mesma deixou de lançar no custo da Obra do Edifício Comercial Daros.Com as notas fiscais abaixo discriminadas, emitidas pela DL Empreiteira de Mão de Obra Ltda. As notas fiscais deveriam ter sido lançadas na conta 1.1.04.09.001 — Obras em Andamento, ferindo assim a empresa o Princípio de Competência e por conseqüência os Princípios da Continuidade, pois ambos estão atrelados entre si. Por tratarse de contrato de mão de obra na construção civil, as faturas emitidas pela empreiteira estão sujeitas a retenção dos 11% para a Seguridade Social conforme previsto em Lei e devem ser registradas na contabilidade da empresa em conta específica. Conforme Plano de Contas apresentado as retenções deveriam ter sido contabilizadas na conta 2.1.03.01.001 INSS S/SERVIÇO DE TERCEIROS — Conta de Passivo, por tratarse de uma obrigação tributária da empresa. Emitimos Auto de Infração 37.172.8371, pois a empresa deixou de lançar em títulos próprios de sua contabilidade as notas fiscais abaixo relacionadas bem como as retenções efetuadas sobre a mão de obra contida nas mesmas. ... 6 — Ainda analisando a conta de Obras em Andamento, v' erificamos que na contabilidade apresentada, além da falta de lançamento das notas fiscais acima identificadas, foram lançadas 02 notas fiscais duplicadas. ... 7 — Ainda no ano de 2007, a empresa Daros Edificações Ltda, feriu o Princípio da Entidade quando contabilizou na conta 4.3.01.07.002 Honorários, despesas efetuadas com a Procecon Assessoria Empresarial Ltda, referente Declaração Anual de Imposto de Renda das Pessoas Físicas, Micheline Feltrin Daros, Olímpio Daros e Caroline Feltrin Daros. O Princípio da Entidade estabelece que o patrimônio de uma entidade não se confunde com o patrimônio de outras entidades, nem mesmo com o de seus sócios ou proprietários, portanto não podem ser lançadas despesas de seus sócios, enquanto pessoas físicas, na contabilidade da empresa pessoa jurídica. Verificamos que foram lançadas várias outras despesas de com pagamentos de celular, despesas com pagamento de condomínio, despesas com Plano de saúde, despesas com supermercado e outras, anexamos cópias dos comprovantes de pagamentos. ... 10 — Conforme termos contratuais o valor mensal do aluguel será creditado para a empresa Daros Edificações Ltda através de depósito Fl. 259DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.008130/200862 Resolução n.º 2402000.219 S2C4T2 Fl. 260 3 bancário, portanto na contabilidade da empresa, especificamente na conta Banco, os valores devem estar registrados, bem como deve estar registrada a Receita mensal correspondente. Analisando a conta Bancos verificamos que não houve o registro dos valores correspondentes em vários meses, e em muitos outros houve o registro em valores inferiores ao valor do aluguel mensal. Após impugnação, a decisão de primeira instância foi no sentido de julgar a autuação procedente. Segue transcrição da ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2006 a 28/02/2008 AIOP DEBCAD n.° 37.194.0559 OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. CONTRIBUIÇÃO APURADA POR AFERIÇÃO INDIRETA, COM BASE NO CUB CUSTO UNITÁRIO BÁSICO. O salário de contribuição decorrente de obra de construção civil de responsabilidade de pessoa jurídica será apurado com base na área construída constante no projeto, e no padrão da obra, quando a empresa não apresentar a contabilidade ou a apresentar de forma deficiente. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. A apresentação de contabilidade irregular autoriza a apuração das contribuições por aferição indireta. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... Entretanto, conforme se pode observar do Relatório Fiscal, itens 4 a 17, a contabilidade da empresa não está tão regular quando pretende fazer entender, nem está de acordo com os princípios e convenções contábeis. Como exemplificação relaciona alguns exemplos: irregularidades quanto à escrituração da conta Bancos; confusão quanto à despesa efetuada em suas obras, ferindo o Princípio da Entidade; utilização de históricos que não fornecem informações claras e precisas dos lançamentos; divergências entre os valores das notas fiscais e a contabilização efetuada. etc... Dessa forma, os procedimentos adotados para o levantamento estão de acordo com a legislação em vigor na data do lançamento. Contra a decisão, o recorrente reiterou suas alegações na impugnação; assim sintetizadas pela decisão recorrida: I — Da ilegalidade do arbitramento Fl. 260DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.008130/200862 Resolução n.º 2402000.219 S2C4T2 Fl. 261 4 Alega a Impugnante que o arbitramento das contribuições para a seguridade social pressupõe a ausência de registro ou a existência de vícios substanciais na contabilidade, que inviabilizem a identificação do movimento real de remuneração dos segurados a serviço do contribuinte. Assim, tratase de medida excepcional, que só deve ser utilizada em hipótese de erro substancial na contabilidade. Que no presente caso, os supostos vícios contábeis apontados, além de não afetarem ou prejudicarem a aferição do movimento real de remuneração dos segurados a serviço da Impugnante, estão longe de serem considerados substanciais. São irregularidades sanáveis e sem nenhuma relação com o fato gerador ou com a base de cálculo das contribuições sociais incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, trabalhadores autônomos ou trabalhadores avulsos; Que no que tange ao item 5 do relatório, no qual a Autoridade Fiscal questiona as notas fiscais emitidas pela IDL, na construção do Edifício Daros cujos pagamentos não se encontram registrados na conta "1.1.04.09.001 Obras em andamento"; apesar de a empresa ter efetuado a retenção dos 11% para a Seguridade Social sobre a mão de obra tal recolhimento não foi lançado na conta "2.1.03.01.001 — INSS s/ serviços de terceiros", não pode ser considerada como erro substancial. porque pode ser corrigido através de lançamento de Ajuste de Exercícios Anteriores. No item 6, a fiscalização aponta a contabilização em duplicidade das notas fiscais n. 1047 e 1268, no valor de R$ 18.015,68 e R$ 20.916,99, respectivamente utilizadas no pagamento da empreiteira de mão de obra do Edifício Comercial Daros.Com. Tal fato resulta de erro operacional, que também pode ser corrigido através de Retificação de Lançamentos Contábeis. com adoção do procedimento de estorno: Frisa que. conforme entendimento jurisprudencial, se os vícios são passíveis de correção, não há que se falar em documentação imprestável ou arbitramento: Ainda no item 6, a Autoridade Fiscal faz referência a lançamentos indevidos na conta "1.1.04.09.001 — Obras em andamento", por se tratarem de despesas com obras que já se encontravam finalizadas desde 2006, relacionadas aos Edifícios Residenciais Mirante do Cais e Fiori de Graziela. Estes valores referemse ao pagamento da taxa de condomínio de algumas unidades que a Impugnante tem em estoque nesses edifícios. O erro quanto à troca de contas pode ser facilmente corrigido; Ressalta que tais alterações não acarretariam em qualquer prejuízo ao fisco, na medida em que a Impugnante é tributada com base no lucro presumido. Que a fiscalização, na tentativa de depreciar a escrita contábil da Impugnante menciona que os lançamentos das despesas relacionadas aos Edifícios Residenciais Mirante do Cais e Fiori de Graziela alteraram significativamente o custo da obra Comercial Daros. Tal alegação, entretanto é totalmente improcedente, uma vez que os lançamentos incorretos totalizam R$ 11.155.68, o que representa menos de 0,70% do custo da obra. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.008130/200862 Resolução n.º 2402000.219 S2C4T2 Fl. 262 5 No item 7 menciona a contabilização na conta 4.3.01.07.002 — Honorários, despesas efetuadas com a Procecon Assessoria Empresarial Ltda.. referente à Declaração Anual de Imposto de Renda dos sócios. O pagamento em comento totaliza RS 420,00, valor este que não pode ser considerado suficientemente relevante para tornar imprestável a escrita contábil da empresa, que efetuou entre os anos de 2003 e 2007, mais de vinte mil lançamentos contábeis e cujo faturamento ultrapassou RS 1.200.000.00; Quanto ao contido no item 9 a ausência de registros dos valores do aluguel em alguns meses, bem como os registros de valores inferiores ao devido mensalmente a Impugnante explica que o Edificio Alameda Center não é de propriedade exclusiva da Daros Edificações e Obras; dessa forma, os valores provenientes da locação são divididos entre os proprietários (quadro, item 26), motivo pelo qual o registro na contabilidade é de valor inferior ao aluguel previsto no contrato; Quanto à ausência de lançamento, dispõe que como é tributada com base no lucro presumido e segue o regime de caixa, a receita proveniente d vendas de bens/direitos ou de prestação de serviços, cujo preço é recebido a prazo ou em parcelas, somente é lançado no mês do efetivo recebimento, não existindo qualquer irregularidade quanto à escrituração dos valores decorrentes do contrato de aluguel firmado com a Secretaria Municipal de Saúde. Que a fiscalização presumiu a ocorrência de irregularidades em sua contabilidade, em relação à folha de paramento ou à utilização de mão de obra própria na construção do Comercial Kosmos: entretanto não logrou demonstrálas. II — Da Obrigatoriedade de adotar o CUB vigente ao tempo do Fato Gerador Dispõe que, embora a obra tenha sido executada quase que integralmente nos anos de 2006 e 2007, quando o CUB variou de R$ 627,08 a RS 980,00, o arbitramento foi realizado com base no CUB vigente em outubro de 2008, no valor de RS1.156,36, implicando no aumento indevido do montante do crédito tributário; Que o cálculo do tributo deve refletir essa variação, devendo ser revisto, porque o fato gerador da contribuição, como se sabe, é o pagamento ou creditamento do salário ou da remuneração, que ocorreu quando da prestação dos serviços e não no momento do lançamento do tributo. III — Da base de Cálculo Efetiva do Tributo Ressalta que possui apenas dois sócios, remunerados por meio de prólabore, e duas empregadas, que exercem funções administrativas dentro da empresa, ou seja, nenhuma delas teve mão de obra utilizada na construção da obra fiscalizada; Que as obras de construção civil foram executadas por meio de terceirização de mão de obra, mediante assinatura de contratos de empreitadas, com a utilização de material próprio; Em tais casos, a empresa. como contratante, tem apenas a obrigação de promover a retenção de 11% do valor bruto da nota fiscal ou da fatura da prestação de serviços, recolhendo a importância retida, em Fl. 262DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.008130/200862 Resolução n.º 2402000.219 S2C4T2 Fl. 263 6 nome da empresa cedente da mão de obra, o que vem sendo rigorosamente cumprido, nos moldes do art. 31. da Lei Federal n. 8.212/91. Informa que todos estes fatos foram esclarecidos e comprovados durante a fiscalização, mediante apresentação dos documentos solicitados, impondose, assim, o cancelamento do presente auto de infração. IV Do não cabimento da Multa Isolada Alega não ser cabível, no presente caso, a cominação da multa prevista no art. 92 da Lei n." 8.212/91, uma vez que tal multa pressupõe a inexistência de outra penalidade expressamente cominada ao contribuinte, E, no caso, o contribuinte já foi submetido à cominação da multa de oficio prevista no art. 35 da referida Lei. É o Relatório. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.008130/200862 Resolução n.º 2402000.219 S2C4T2 Fl. 264 7 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Tratase de arbitramento com base no custo da mão de obra divulgado pelo SINDUSCON/SC através da tabela CUB vigente em 10/2008. Antes, verifico a existência de correlação com outros processos, assim entendo que seria prudente a juntada deste processo ao processo nº 11516.008127/200849. Há algumas dúvidas que necessitam serem sanadas antes da apreciação de mérito: a) Se a recorrente é tributada com base no lucro presumido, como alega? Caso a resposta seja afirmativa, se as receitas de aluguel foram escrituradas no regime de caixa, nos livros Razão e/ou Caixa? b) Se as incorreções na escrituração dos livros contábeis também implicaram omissões de remunerações de segurados ou teriam sido em razão de registros em contas contábeis impróprias? Caso tenham sido escrituradas, em quais contas contábeis? c) Com relação as notas fiscais por cessão de mão de obra/empreitada sujeitas às retenções, se os valores foram declarados em GFIP e devidamente recolhidos? Caso tenham sido escriturados, em quais contas contábeis? Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que sejam esclarecidas as dúvidas acima e, após, seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação no prazo de 30 dias. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 264DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10730.004842/2005-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário: 2012
EMBARGOS. OBSCURIDADES E OMISSÕES NO VOTO CONDUTOR DO ACÓRDÃO. SANEAMENTO. Constada a existência de obscuridades e omissões no voto condutor do acórdão recorrido quanto a fundamentação de
matérias apreciadas e decidas pelo colegiado, cumpre saneálo.
RECURSO DE OFICIO. OMISSÃO DE RECEITA. AUDITORIA DE PRODUÇÃO. Constatado, mediante diligência fiscal, o equívoco do Fisco na
determinação das receitas omitidas apurada em auditoria de produção, correto o ajuste na base de calculo e conseqüente cancelamento parcial da exigência.
GLOSA DE DESPESAS INIDÔNEAS. AMORTIZAÇÕES DE ÁGIO SUPOSTAMENTE PAGO NA AQUISIÇÃO DE DEBÊNTURES. Correta a glosa de despesas contabilizadas a titulo de pagamento de prêmio na aquisição de debêntures entre pessoas ligadas, amparados em contratos
eivados de fraude, cujo objetivo, a toda evidência, foi reduzir o IRPJ e CSLL pelo contribuinte, devendo ser restabelecida a multa qualificada, no percentual de 150%.
LUCROS NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO. EMPREGO DO VALOR. A finalidade da norma contida no item 4 da alínea "b" do § 2° da
Lei n° 9.532/1997 foi de caracterizar como disponibilização qualquer forma de realização dos lucros que não estivesse compreendida nas demais situações previstas no parágrafo, entre elas a alienação do investimento.
Tendo o contribuinte adquirido, em 12/01/2001, participação em empresa no exterior, os lucros da mesma, relativo dos anos de 1996 a 2000, apurados e ainda não disponibilizados, devem ser oferecidos à tributação pela empresa brasileira alienante e não pela contribuinte.
LUCROS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO. RECONSTITUIÇÃO DO LUCRO LÍQUIDO E LUCRO REAL. EXCLUSÃO DE PARCELA INDEVIDAMENTE INCLUÍDA NA BASE DE CÁLCULO. Nos termos do art. 142 do CTN, no lançamento de oficio do IRPJ e CSLL, a autoridade tributária deve reconstituir a apuração do lucro líquido bem como o lucro real, efetuando os ajustes devidos em face das infrações porventura apuradas.
Deparando se com erros ou equívocos do contribuinte, que implicaram na elevação indevida da base de cálculo nesses mesmos períodos de apuração, cumpre à Fiscalização escoimálos, pois, a Fazenda Pública deve constituir e cobrar o tributo devido, nem mais, nem menos, na forma da Lei. Nesse diapasão, nos termos do art. 145, inciso I, do CTN, o lançamento também pode ser alterado pela autoridade julgadora para excluir valores indevidamente incluídos na base de calculo pelo contribuinte, nos períodos de
apuração tributados, procedimento igualmente respaldado no princípio da verdade Material.
RECURSOS DE OFÍCIO E VOLUNTÁRIO PROVIDOS EM PARTE.
EMBARGOS CONHECIDOS. ACÓRDÃO RATIFICADO.
Numero da decisão: 1402-001.299
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos conhecer dos embargos de declaração e, no mérito, acolhê-los parcialmente para sanar as obscuridades e omissões na fundamentação do voto condutor do acórdão 1402-00.494 de 31/03/2011, confirmando integralmente a decisão embargada, nos termos do relatório e voto do Relator .
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2012 EMBARGOS. OBSCURIDADES E OMISSÕES NO VOTO CONDUTOR DO ACÓRDÃO. SANEAMENTO. Constada a existência de obscuridades e omissões no voto condutor do acórdão recorrido quanto a fundamentação de matérias apreciadas e decidas pelo colegiado, cumpre saneálo. RECURSO DE OFICIO. OMISSÃO DE RECEITA. AUDITORIA DE PRODUÇÃO. Constatado, mediante diligência fiscal, o equívoco do Fisco na determinação das receitas omitidas apurada em auditoria de produção, correto o ajuste na base de calculo e conseqüente cancelamento parcial da exigência. GLOSA DE DESPESAS INIDÔNEAS. AMORTIZAÇÕES DE ÁGIO SUPOSTAMENTE PAGO NA AQUISIÇÃO DE DEBÊNTURES. Correta a glosa de despesas contabilizadas a titulo de pagamento de prêmio na aquisição de debêntures entre pessoas ligadas, amparados em contratos eivados de fraude, cujo objetivo, a toda evidência, foi reduzir o IRPJ e CSLL pelo contribuinte, devendo ser restabelecida a multa qualificada, no percentual de 150%. LUCROS NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO. EMPREGO DO VALOR. A finalidade da norma contida no item 4 da alínea "b" do § 2° da Lei n° 9.532/1997 foi de caracterizar como disponibilização qualquer forma de realização dos lucros que não estivesse compreendida nas demais situações previstas no parágrafo, entre elas a alienação do investimento. Tendo o contribuinte adquirido, em 12/01/2001, participação em empresa no exterior, os lucros da mesma, relativo dos anos de 1996 a 2000, apurados e ainda não disponibilizados, devem ser oferecidos à tributação pela empresa brasileira alienante e não pela contribuinte. LUCROS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO. RECONSTITUIÇÃO DO LUCRO LÍQUIDO E LUCRO REAL. EXCLUSÃO DE PARCELA INDEVIDAMENTE INCLUÍDA NA BASE DE CÁLCULO. Nos termos do art. 142 do CTN, no lançamento de oficio do IRPJ e CSLL, a autoridade tributária deve reconstituir a apuração do lucro líquido bem como o lucro real, efetuando os ajustes devidos em face das infrações porventura apuradas. Deparando se com erros ou equívocos do contribuinte, que implicaram na elevação indevida da base de cálculo nesses mesmos períodos de apuração, cumpre à Fiscalização escoimálos, pois, a Fazenda Pública deve constituir e cobrar o tributo devido, nem mais, nem menos, na forma da Lei. Nesse diapasão, nos termos do art. 145, inciso I, do CTN, o lançamento também pode ser alterado pela autoridade julgadora para excluir valores indevidamente incluídos na base de calculo pelo contribuinte, nos períodos de apuração tributados, procedimento igualmente respaldado no princípio da verdade Material. RECURSOS DE OFÍCIO E VOLUNTÁRIO PROVIDOS EM PARTE. EMBARGOS CONHECIDOS. ACÓRDÃO RATIFICADO.
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OBSCURIDADES E OMISSÕES NO VOTO CONDUTOR DO ACÓRDÃO. SANEAMENTO. Constada a existência de obscuridades e omissões no voto condutor do acórdão recorrido quanto a fundamentação de matérias apreciadas e decidas pelo colegiado, cumpre saneálo. RECURSO DE OFICIO. OMISSÃO DE RECEITA. AUDITORIA DE PRODUÇÃO. Constatado, mediante diligência fiscal, o equívoco do Fisco na determinação das receitas omitidas apurada em auditoria de produção, correto o ajuste na base de calculo e conseqüente cancelamento parcial da exigência. GLOSA DE DESPESAS INIDÔNEAS. AMORTIZAÇÕES DE ÁGIO SUPOSTAMENTE PAGO NA AQUISIÇÃO DE DEBÊNTURES. Correta a glosa de despesas contabilizadas a titulo de pagamento de prêmio na aquisição de debêntures entre pessoas ligadas, amparados em contratos eivados de fraude, cujo objetivo, a toda evidência, foi reduzir o IRPJ e CSLL pelo contribuinte, devendo ser restabelecida a multa qualificada, no percentual de 150%. LUCROS NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO. EMPREGO DO VALOR. A finalidade da norma contida no item 4 da alínea "b" do § 2° da Lei n° 9.532/1997 foi de caracterizar como disponibilização qualquer forma de realização dos lucros que não estivesse compreendida nas demais situações previstas no parágrafo, entre elas a alienação do investimento. Tendo o contribuinte adquirido, em 12/01/2001, participação em empresa no exterior, os lucros da mesma, relativo dos anos de 1996 a 2000, apurados e ainda não disponibilizados, devem ser oferecidos à tributação pela empresa brasileira alienante e não pela contribuinte. LUCROS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO. RECONSTITUIÇÃO DO LUCRO LÍQUIDO E LUCRO REAL. EXCLUSÃO DE PARCELA INDEVIDAMENTE INCLUÍDA NA BASE DE CÁLCULO. Nos termos do Fl. 2430DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 1402001.299 S1C4T2 Fl. 0 2 art. 142 do CTN, no lançamento de oficio do IRPJ e CSLL, a autoridade tributária deve reconstituir a apuração do lucro líquido bem como o lucro real, efetuando os ajustes devidos em face das infrações porventura apuradas. Deparandose com erros ou equívocos do contribuinte, que implicaram na elevação indevida da base de cálculo nesses mesmos períodos de apuração, cumpre à Fiscalização escoimálos, pois, a Fazenda Pública deve constituir e cobrar o tributo devido, nem mais, nem menos, na forma da Lei. Nesse diapasão, nos termos do art. 145, inciso I, do CTN, o lançamento também pode ser alterado pela autoridade julgadora para excluir valores indevidamente incluídos na base de calculo pelo contribuinte, nos períodos de apuração tributados, procedimento igualmente respaldado no princípio da verdade Material. RECURSOS DE OFÍCIO E VOLUNTÁRIO PROVIDOS EM PARTE. EMBARGOS CONHECIDOS. ACÓRDÃO RATIFICADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos conhecer dos embargos de declaração e, no mérito, acolhêlos parcialmente para sanar as obscuridades e omissões na fundamentação do voto condutor do acórdão 140200.494 de 31/03/2011, confirmando integralmente a decisão embargada, nos termos do relatório e voto do Relator . (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 2431DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 1402001.299 S1C4T2 Fl. 0 3 Relatório COMPANHIA DE BEBIDAS PRIMO SCHINCARIOL recorreu a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, proferia na DRJ Juiz de Fora (MG), que julgou procedente em parte a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por sua vez, a SEGUNDA TURMA DA DRJ JUIZ DE FORA (MG) recorreu de ofício em face da exoneração de valor superior ao limite de alçada. O litígio trata de autos de infração, lavrados pela Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Niteroi/RJ, em 23/09/2005, relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$ 21.448.261,08 (fls. 06/11), da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS no valor de R$ 63.693,43 (fls. 69/75), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido no valor de R$ 7.727.505,23 (fls.80/92) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, no valor de R$293.969,67 (fls. 76/79), que acrescidos de multa e juros de mora com base na SELIC, totalizou crédito tributário no montante de R$77.248.673,11. Apurouse as seguintes infrações à legislação do imposto sobre a renda das pessoas jurídicas: a) Omissão de receita em decorrência da manutenção no Passivo de obrigações incomprovadas; b) Omissão de receita caracterizada pela venda de produtos de fabricação própria sem emissão de nota fiscal, apurada através de procedimentos de auditoria de produção; c) Custos, Despesas Operacionais e encargos não necessários, em razão das amortizações do ágio sobre aquisições de Debêntures , e d) Adições não computadas na apuração do Lucro Real dos rendimentos e/ou ganhos de capital auferidos no exterior disponibilizados pela empresa controlada – Andree Overseas Ltd. Na reunião de 31/03/2011, esta Turma apreciou os recursos e proferiu o Acórdão 140200.494, assim ementado: RECURSO DE OFICIO. OMISSÃO DE RECEITA. AUDITORIA DE PRODUÇÃO. Constatado, mediante diligência fiscal, o equívoco do Fisco na determinação das receitas omitidas apurada em auditoria de produção, correto o ajuste na base de calculo e conseqüente cancelamento parcial da exigência. Fl. 2432DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 1402001.299 S1C4T2 Fl. 0 4 GLOSA DE DESPESAS INIDÔNEAS. AMORTIZAÇÕES DE ÁGIO SUPOSTAMENTE PAGO NA AQUISIÇÃO DE DEBÊNTURES. Correta a glosa de despesas contabilizadas a titulo de pagamento de prêmio na aquisição de debêntures entre pessoas ligadas, amparados em contratos eivados de fraude, cujo objetivo, a toda evidência, foi reduzir o IRPJ e CSLL pelo contribuinte, devendo ser restabelecida a multa qualificada, no percentual de 150%. LUCROS NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO. EMPREGO DO VALOR. A finalidade da norma contida no item 4 da alínea "b" do § 2° da Lei n° 9.532/1997 foi de caracterizar como disponibilização qualquer forma de realização dos lucros que não estivesse compreendida nas demais situações previstas no parágrafo, entre elas a alienação do investimento. Tendo o contribuinte adquirido, em 12/01/2001, participação em empresa no exterior, os lucros da mesma, relativo dos anos de 1996 a 2000, apurados e ainda não disponibilizados, devem ser oferecidos à tributação pela empresa brasileira alienante e não pela contribuinte. LUCROS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO. RECONSTITUIÇÃO DO LUCRO LÍQUIDO E LUCRO REAL. EXCLUSÃO DE PARCELA INDEVIDAMENTE INCLUÍDA NA BASE DE CÁLCULO. Nos termos do art. 142 do CTN, no lançamento de oficio do IRPJ e CSLL, a autoridade tributária deve reconstituir a apuração do lucro líquido bem como o lucro real, efetuando os ajustes devidos em face das infrações porventura apuradas. Deparandose com erros ou equívocos do contribuinte, que implicaram na elevação indevida da base de cálculo nesses mesmos períodos de apuração, cumpre à Fiscalização escoimálos, pois, a Fazenda Pública deve constituir e cobrar o tributo devido, nem mais, nem menos, na forma da Lei. Nesse diapasão, nos termos do art. 145, inciso I, do CTN, o lançamento também pode ser alterado pela autoridade julgadora para excluir valores indevidamente incluídos na base de calculo pelo contribuinte, nos períodos de apuração tributados, procedimento igualmente respaldado no princípio da verdade Material. Recursos de ofício e voluntário providos em parte. Na parte dispositiva do acórdão consta a seguinte decisão: “Acordam os membros do colegiado: 1) Pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso de ofício, para restabelecer a qualificação da multa de ofício, vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator), Carlos Pelá e Moises Giacomelli Nunes da Silva, que negavam provimento em sua totalidade. 2) Em relação ao recurso voluntário: a) Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, em face de passivo fictício e auditoria de produção, por adesão a parcelamento especial; b) Por maioria de votos, excluir do lançamento o valor dos lucros gerados no exterior de R$ 24.539.865,72, por se tratar de resultado até 12.01.2001, vencidos os Conselheiros Carlos Pelá, que negava provimento ao recurso, e Eduardo Martins Neiva Monteiro que dava provimento parcial para manter apenas o lucro do ano de 2001, por entender estar incluído nesse valor; c) Por maioria de votos, manter a glosa de despesas de amortização de ágio na aquisição de debêntures somente do valor efetivamente apurado no Livro Razão, vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator) e Moisés Giacomelli Nunes da Silva, que davam provimento integral ao recurso; d) Pelo voto de qualidade, acolher a proposta do Conselheiro Antônio José Praga de Souza, para que na reconstituição da apuração do lucro real do anocalendário Fl. 2433DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 1402001.299 S1C4T2 Fl. 0 5 de 2001, seja excluída da tributação, de ofício, o valor de R$ 36.166.313,61, por se tratar de lucros distribuídos pela empresa Andree Overseas que foi objeto de lançamento de ofício no processo nº 16327.001077/200658, conforme acórdão 140200.493, de 30 de março de 2011, vencidos os Conselheiros Carlos Pelá, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator). Tudo na forma do relatório e dos votos, vencido e vencedor, que passam a integrar o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Antônio José Praga de Souza. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro. A ciência do acordão á contribuinte se deu 18/04/2012, quartafeira (fl. 1999), ao Sr. Felipe da Silva Rodrigues, cuja procuração e documento pessoal encontrase às fls. 2000 a 2002. Ato continuo, a contribuinte apresentou embargos de declaração. Aludidos embargos, acostados às fls. 2.003 e seguintes dos autos, foram considerados tempestivo, isso porque a ciência do Acórdão ocorreu em 18/4/2012 (quarta feira), fl. 1999, sendo que a contagem do prazo Regimental para interposição de 5 (cinco) dias, art. 65 do RICARF, iniciou na quintafeira (19/4) dia normal de expediente na Unidade de Preparo/Origem. Tal prazo se encerrou na segundafeira dia 23/4/2012, também dia normal de expediente, sendo que os embargos, embora protocolados em 25/4/2012 (quartafeira) fl. 2003, foram postados “Via Sedex” em 23/4/2012 (fl. 2019). A seguir, o processo foi encaminhado a este Conselho para apreciação dos embargos, sendo distribuído a este Conselheiro Redator do Voto Vencedor para pronunciamento, haja vista que o Relator, Conselheiro Leonardo Oliveira, restou vencido em todas as matérias em litígio. Mediante despacho de 8/12/2012, aprovado pelo Sr. Presidente da Turma, este relator propugnou pela acolhimento dos embargos, para que sejam apreciados pelo colegiado, tendo em vista que: “(...) em princípio, algumas matérias secundárias deixaram mesma de ser apreciadas diretamente, a exemplo das seguintes: Despesa Necessária (item 23 RV), Aplicação do art. 56 da Lei 6.404176 (item 27 RV), Sobre a Consulta n.a 266/2001 (item 30 RV)”. É o que importa relatar. Fl. 2434DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 1402001.299 S1C4T2 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. Tratamse de embargos da contribuinte que foram admitidos/acolhidos para apreciação do colegiado de “erro, contradição, omissão e obscuridade” alegados pelo recorrente. Passo a apreciar as alegações da embargante: De início vejamos o disposto nos artigo 65 e 66 do Anexo II do Regimento interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/2009, que tratam dos embargos: “Seção I Dos Embargos de Declaração Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos por conselheiro da turma, pelo Procurador da Fazenda Nacional, pelos Delegados de Julgamento, pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou pelo recorrente, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Câmara, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão. § 2° O presidente da Câmara poderá designar conselheiro para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração opostos. § 3° O despacho do presidente será definitivo se declarar improcedentes as alegações suscitadas, sendo submetido à deliberação da turma em caso contrário. § 4° Do despacho que rejeitar os embargos de declaração será dada ciência ao embargante. § 5° Os embargos de declaração opostos tempestivamente interrompem o prazo para a interposição de recurso especial. § 6° As disposições deste artigo aplicamse, no que couber, às decisões em forma de resolução. Art. 66. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão serão retificados pelo presidente de turma, mediante requerimento de conselheiro da turma, do Procurador da Fazenda Nacional, do titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou do recorrente. § 1° Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar com precisão a inxatidão ou o erro. § 2° Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele, que poderá propor que a matéria seja submetida à deliberação da turma. § 3° Do despacho que indeferir requerimento previsto no caput, darseá ciência ao requerente.” (Grifei) Fl. 2435DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 1402001.299 S1C4T2 Fl. 0 7 Extraise dos dispositivos acima disposto que os embargos não se prestam para corrigir ou apreciar alegações de “erros de direito” nos acórdãos, muito menos reapreciar matérias decidas com perfeita lucidez pelo Colegiado à luz da legislação e diante das provas dos autos, pois, desde a Lei 8.541/1992 foi revogado o artigo 50 do Decreto 70.235/1972 (PAF) que estabelecia a possibilidade de “pedido de reconsideração”. Portanto, o Recorrente, que não se conforma com a decisão e entende que há nulidades em face de exonerações ou determinações que não teriam base legal, ou que extrapolariam o litígio, não pode esperar que suas pretensões de reconsideração das decisões em matérias de direito sejam atendidas por meio de embargos de declaração. No julgamento do presente processo, realizado em 3 sessões, sendo a última em 31/03/2011, que resultou no Acórdão 140200.494, ora embargado, foram intensos os debates do Colegiado, cada matéria foi exaustiva e minuciosamente apreciada, fato que pode ser constatado pelo extensão e profundidade do dispositivo da decisão. É certo que o provimento parcial dos recursos de oficio e recurso voluntário surpreendeu os patronos da recorrente, sendo compreensível o descontentamento dos embargantes, mas reitero: no tocante ao cerne do litígio inexistem vícios ou falhas processuais, consoante a seguir fundamentado. Ocorre, porém, que o Relator restou vencido em quase todas as matérias, sendo que este Conselheiro foi designado para redigir o voto vencedor, daí a possibilidade de pequenas omissões ou obscuridade quanto a argumentos secundários, a serem sanados neste julgamento. Passo a apreciar as alegações, transcrevendo trecho a trecho do embargos, utilizando os mesmos títulos da aludida peça: 1) DO “ALERTA INICIAL” (pag. 1 dos Embargos). “(...) ALERTA INICIAL Os presentes Embargos, que dizem respeito ao Acórdão de n 0 14020494, devem, necessariamente e sob pena de nulidade, ser apreciados conjuntamente com os Embargos que serão oportunamente postos contra o Acórdão n.° 140200.493, dada a indissolúvel conexão e vínculo estabelecidos pelo próprio voto condutor quando diz (fls. 1974): " Para a melhor compreensão da Matéria, transcrevo parte dos fundamentos do voto vencedor que está sendo proferido no aludido Processo 16327.0010722/200658 concomitante a este (Acórdão 140200.493): (...)" Descabe razão ao embargante neste ponto, pois, a conexão com o processo 16327.0010722/200658 relacionase apenas com uma matéria, qual seja, a tributação dos lucros auferidos por controlado no exterior, cuja a proposta é de rejeitar os embargos nesta parte, conforme adiante fundamentado. Caso sejam acolhidos os embargos pelo colegiado quanto a esse pleito, o próprio Colegiado deve deliberar sobre os efeitos dessa decisão. Rejeito pois esse pleito. Fl. 2436DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 1402001.299 S1C4T2 Fl. 0 8 2) DO ESCLARECIMENTO (pag 3) “(...) ESCLARECIMENTO Cumpre esclarecer que no tópico "Lucros Disponibilizados no Exterior", embora provido o Recurso Voluntário, é indiscutível o interesse da Embargante, isto pelos seguintes motivos: A Decisão julgou matéria não objeto do lançamento. A Decisão extrapolou o pedido "ultra petita". / A Decisão praticou ato privativo do Delegado da Receita Federal. A Decisão revisou, como se autoridade lançadora fosse, "Auto Lançamento Declaração IRPJ", já homologada (decurso de 10 anos), e mais, sem autorização, avançou sobre exercício também já fiscalizado. e, principalmente, porque: A Decisão, embora reconhecendo que o valor foi oferecido à tributação na DIPJ da Embargante, caminhou por uma espúria construção (Deferimento de Crédito Prescrito Não Requerido), única e exclusivamente para manter a mesma exigência, lançada posteriormente em duplicidade, contida no processo n.° 16327.0010722/200658, que deu origem Acórdão n.° 140200.493.” A despeito dos termos utilizados pelos doutos patronos da recorrente, que meu ver são desrespeitosos para com a Decisão e o Colegiado, é patente que as questões destacadas neste ponto não se amoldam à hipótese de embargos, sendo que todos os procedimentos atacados foram objeto de deliberação do colegiado. Não discuto a possibilidade de erro de direito, mas a matéria já foi submetida a decisão no acórdão pelo que não deve ser reapreciada em sede de embargos. Rejeito, de plano, os embargos quanto a esses pleitos. 3) DA MULTA DE OFICIO (pag. 5) “ (...) Multa de Ofício (Qualificação) / Hipótese (Erro Contradição) Temos que às fls. 1989/1890 do Acórdão embargado ficou consignado no voto condutor do julgado que: “ Não resta dúvida de que a falsidade material deixa exposto o evidente intuído de fraude, porém, o dolo elemento subjetivo do tipo qualificado tributário ou do tipo penal também está presente quando a consciência e a vontade do agente para a prática da conduta (positiva ou omissiva) exsurgem Fl. 2437DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 1402001.299 S1C4T2 Fl. 0 9 de atos que tenham por finalidade impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais, necessárias a sua mensuração.” (grifos nossos) Pois bem, considerando que o relator afasta claramente a existência de "falsidade material" e trilha o caminho do "dolo" como elemento subjetivo (presunção) suficiente para concluir que a finalidade era impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador, surgem, concomitantemente, as hipóteses de "erro" e "contradição". Vejamos: Ora, como o tema em debate diz respeito a "dedutibilidade" de despesas com amortização de ágio (arts. 324 e 325 do RIR/99), todas devidamente contabilizadas, sem falsidade material e jamais questionadas pelo fisco, é impossível o pretendido "impedimento" ou "retardamento" da ocorrência do fato gerador, resultando flagrantes o erro e a conseqüente contradição entre os fundamentos e a conclusão do julgado. Da mesma forma, tendo o relator afirmado que não marca presença a necessária "falsidade material" que conduz ao conceito de "evidente intuito de fraude" tal como condição prevista no art. 44, inciso II, da Lei 9.430/96, não há dúvida nenhuma de que, ao trazer a novidade "elemento subjetivo" para sustentar a exasperação da penalidade, surgem flagrantes o erro e a conseqüente contradição entre os fundamentos e a conclusão do julgado. Mas não é só, partindo da premissa juridicamente inquestionável de que "Fraude Não se Presume", temos novamente a presença do erro, pelo menos conceitual. mormente no caso dos autos onde os componentes da DRJ, que atuam em atividade vinculada à Lei, desqualificaram a penalidade com clareza meridiana ao asseverar (fls. 1799): "Entretanto afastase a aplicação de multa qualificada por não ter sido suficientemente comprovado, nos autos, o dolo nesta operação. Houve a tentativa de planejamento tributário com utilização de conceitos existentes na legislação, porem aplicados de forma incorreta pela contribuinte." (..)” Não vejo a contradição apontada, muito menos erro na apreciação dos pressupostos que levaram a qualificação da multa de oficio. Pelo contrário, a questão é de clareza solar: enquanto a maioria dos julgadores da Turma da DRJ entendeu que o contribuinte realizou uma “tentativa de planejamento tributário com utilização de conceitos existentes”, ou seja, não incorreu em qualquer procedimento doloso, a composição deste Colegiado, à época formou convencimento de que o contribuinte agiu sim com dolo, pois, premeditou a operação com as debêntures, que apesar de observar os aspectos formais e legais, na essência não passava de uma “fabrica de despesas” para reduzir artificialmente os tributos devidos pelas empresas do grupo, nos exatos termos da acusação fiscal.. A ementa do acórdão embargado que foi aprovada nos termos do RICARF, reflete bem o entendimento que prevaleceu na Turma: “GLOSA DE DESPESAS INIDÔNEAS. AMORTIZAÇÕES DE ÁGIO SUPOSTAMENTE PAGO NA AQUISIÇÃO DE DEBÊNTURES. Correta a glosa de Fl. 2438DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 1402001.299 S1C4T2 Fl. 0 10 despesas contabilizadas a titulo de pagamento de prêmio na aquisição de debêntures entre pessoas ligadas, amparados em contratos eivados de fraude, cujo objetivo, a toda evidência, foi reduzir o IRPJ e CSLL pelo contribuinte, devendo ser restabelecida a multa qualificada, no percentual de 150%.” Rejeito também embargos nessa parte. 4) DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO (fl. 6) “(...) Amortização de Ágio (Glosa) Hipótese (Obscuridade) Examinando o voto condutor do Acórdão na parte relativa à glosa de despesas com amortização de ágio (item III fls. 1982/1988), pode ser facilmente verificado que ilustre relator se limita a transcrever os fundamentos do voto da decisão recorrida sem qualquer conclusão, e mais, sem sequer dizer que os adota. Logo a seguir faz comentários fora do contexto e passa a transcrever termos da Representação Fiscal e mais alguns comentários longe de conclusivos. Na seqüência, assevera que cabe razão à recorrente em relação a erros fato, passando a discorrer sobre eles "em tese", sem qualquer especificação, terminando o voto com os seguintes termos (fls. 1988): "Nos períodos de apuração em que os valores reconstituídos superarem os tributados não poderá haver agravamento da exigência." Como pode ser constatado, não se sabe quais os fundamentos do colegiado para manter a exação ou parte dela e, muito menos, quantificar o que "em tese" teria sobejado da acusação fiscal, revelando clara e inaceitável a "obscuridade" no julgado. (..) Ao transcrever no voto condutor os fundamentos do acórdão recorrido quanto as razões de decidir para manter a glosa da amortização do ágio, o objetivo do voto condutor foi também adotálos. Realmente faltou a expressão “adoto os fundamentos transcritos como razões de decidir”. É de se registrar que tais fundamentos não foram infirmados diretamente na peça recursal, pelo que as razões de decidir da decisão recorrida podem ser perfeitamente adotados neste voto, conforme disposto no art. 50 Lei 9.784 de 1999, que se aplica subsidiariamente ao PAF(verbis): Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) Fl. 2439DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 1402001.299 S1C4T2 Fl. 0 11 § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...) § 3o A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de termo escrito. (Grifei) Outrossim, vejamos o restante da fundamentação do voto condutor nesta parte (verbis): “Em seu recurso voluntário endereçado a este Conselho, a pessoa jurídica interessada sustenta que a Turma Julgadora de primeiro grau não teria enfrentado seus argumentos expendidos na fase impugnativa, relativamente ao “erro de fato” cometido pela autoridade lançadora, reiterando tudo quanto sustentado. Na apreciação desse matéria é imperioso destacar o disposto na primeira parte do art. 29 do Decreto 70.235/192: “Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Pois bem, ao contrário dos ilustres julgadores de primeira instância, que demonstraram uma pequena incerteza, a partir da análise dos mesmo fatos e provas acima transcritos, formei pleno convencimento do artificialismo dessa operação, tal qual descrito no auto de infração, sendo os autos foram instruídos com um robusto conjunto probatório da acusação fiscal. Em verdade, o objetivo da autuada com essa operação foi reduzir as bases de cálculo do IRPJ e CSLL. (...) Foi juntado também nos autos, às fls. 1896 e seguintes, a manifestação da empresa Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes MS S/A (antiga Forcit), e o Despacho Decisório da DRF Campo Grande e, por fim, o ato declatório que declarou a empresa Inapta. Ainda que a Forcit tenha obtido êxito no restabelecimento de seu CNPJ o que importa aqui são os fatos e as provas dos mesmos. A Forcit teve apenas existência formal, e dentre outros fins, prestouse à emissão das debêntures cujo o “ágio” foi utilizado pela autuada para reduzir os tributos devidos. (...)” Importante frisar que a autoridade julgadora não fica obrigada a manifestarse sobre todas as alegações da defesa, nem a todos os fundamentos nela indicados, ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. Sobre esse tema faço referência a recentes decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, STJ, nos REsp 874793/CE, julgado em 28/11/2006; e REsp 876271/SP, julgado em 13/02/2007, cujas ementas são enfáticas: Fl. 2440DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 1402001.299 S1C4T2 Fl. 0 12 “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ARTIGO 535 DO CPC. (...). 1. Não há violação do artigo 535 do CPC quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados.”(REsp 874793/CE, relator Ministro Castro Meira). “TRIBUTÁRIO PROCESSUAL CIVIL VIOLAÇÃO DO ART. 535, II, DO CPC NÃOOCORRÊNCIA (...) 1. A questão não foi decidida conforme objetivava a embargante, uma vez que foi aplicado entendimento diverso. É cediço, no STJ, que o juiz não fica obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu.” (REsp 876271/SP, relator Ministro Humberto Martins). (Grifei). No voto condutor de outro julgado, “AgRg no Ag 353263/MG agravo Regimental no Agravo de Instrumento 2000/01348655”, de 21/02/2006, asseverou o insigne Ministro Peçanha Martins: “A jurisprudência dominante neste Tribunal Superior proclama a não ocorrência de violação ao art. 535, incisos I e II, do Código de Processo Civil, se o acórdão recorrido, ainda que sucinto, tiver bem delineado as questões a ele submetidas, não se encontrando o magistrado obrigado a responder a todas as alegações das partes, quando já tiver encontrado motivos suficientes para fundar a decisão, nem se ater aos fundamentos indicados por elas ou a responder um a um todos os seus argumentos. Não há que se falar em ofensa ao dispositivo legal se a questão controvertida foi resolvida pelo acórdão de forma fundamentada. (RESP 174.390/SP e EDCL no RESP 202.056/SP).” A recorrente não pode esperar, tampouco exigir, que sejam abordados nos votos condutores dos acórdãos, cada uma das alegações articuladas nas defesas, e sim que as questões e matérias em litígio sejam devidamente apreciadas, cumprindose a determinação do art. 31 do Decreto 70.235 de 1972, com redação dada pela Lei 8.748 de 1993. Concluo que cabe aqui acolher os embargos nesta parte apenas para sanar a obscuridade quanto a falta da expressão “adoto os fundamentos transcritos da decisão de primeira instância como razões de decidir”. 5) DAS OMISSÕES (pag 7) “(..) Hipótese (Omissão) O Acórdão é completamente omisso sobre as inúmeras e relevantes questões postas no Recurso Voluntário (vide itens 23 a 41 do RV), a ponto de sugerir que o Apelo sequer foi lido. A omissão do julgado sobre temas importantes colocados no Recurso Voluntário é tão evidente que basta uma breve leitura do voto condutor do Acórdão para verificar que não foi dedicada uma palavra sequer sobre as seguintes questões: Fl. 2441DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 1402001.299 S1C4T2 Fl. 0 13 Erro! Nenhuma entrada de índice analítico foi encontrada.Sobre restrições: debêntures/coligadas (item 32). Sobre amortização/pagamento, (item 35 RV). Sobre indevido enquadramento legal (item 36 RV). Sobre erros de fato de forma conclusiva (item 38 RV). a Sobre o desprezo a dados Contábeis (item 41 RV). Concluindo, as obscuridades e omissões neste tópico são tão graves que chegam a caracterizar cerceamento ao direito de defesa, não só porque o Acórdão não é compreensível, como também e mais grave ainda, certamente, em que pese farta jurisprudência em sentido contrário, vai inviabilizar eventual Recurso Especial.” De fato, essas alegações, deixaram de ser fundamentadas especificamente no voto condutor por mim elaborado. Todavia, são todos alegações adicionais quanto a matéria constantes do tópico IV.3 do Recurso Voluntário, vide fls. 1820 e seguintes dos autos. Ora, conforme já asseverado neste voto “a autoridade julgadora não fica obrigada a manifestarse sobre todas as alegações da defesa, nem a todos os fundamentos nela indicados, ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão”. Logo, ao fundamentar e concluir que a glosa fiscal foi correta, considero que os itens 23, 28, 30, 32, 35 e 41 perdem o objeto. No que tange ao indevido enquadramento legal, item 36, há que ser sanada essa omissão pelos fundamentos levado ao plenário, qual seja: diante da perfeita descrição dos fatos, devem ser superadas eventuais falhas dessa natureza, conforme entendimento reiterado no CARF. Quanto ao alegado erro de fato na base de cálculo, item 38 do Recurso Voluntário, vejamos as alegações da recorrente: “38. Finalizando, é de ser assinalado que a decisão, no último parágrafo de sua página 18 (fls. 1.798), não enfrentou argumento trazido na impugnação quantoa erro de fato nos valores considerados pelo Fisco nos anos de 2001 a 2004, conforme dados extraídos do Razão Analítico apresentado como documento n° 5 da impugnação (fls. 1.470/1.475), que aqui se repetem e que mostram ter sido glosado valor a maior (R$ 1.008.590,13) do que aqueles amortizados efetivamente: ” A matéria foi apreciada e provida pelo Colegiado, tendo decidido: “(...) Por maioria de votos, manter a glosa de despesas de amortização de ágio na aquisição de Fl. 2442DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 1402001.299 S1C4T2 Fl. 0 14 debêntures somente do valor efetivamente apurado no Livro Razão”. Por sua vez, a apreciação deste item no voto condutor encontra na pagina 39 do acórdão, abaixo transcrita: (...) Outrossim, cabe razão à recorrente no que tange ao erro de fato na determinação dos valores glosados, conforme asseverado no trecho do voto vencido: De fato, estabelecido o confronto entre os lançamentos contábeis sintetizados nas páginas do “Razão Analítico” (fls. 1470/1475), com aqueles declarados nos formulários da DIPJ, pode ser constatado que a Fiscalização, tendo presente os cálculos elaborados, não promoveu a glosa do valor efetivamente apropriado, ora glosando em excesso, ora glosando com deficiência. O quadro abaixo espelha essa realidade: Ano ! Razão Analítico ! DIPJ ! Glosado ! 2000...14.950.000,00..... ..15.275.495,43...........14.950.000,02 2001...28.899.999,98.. ... 30.949.242,32.... . 28.384.037,83 2002....29.900.000,00........30.849.846,46..... ....30.405.320,72 2003....29.900.000,00........32.201.165,33.........28.637.082,72 2004....29.900.000,00........33.182.148,84.........33.182.148,84 Todavia, ao invés de simplesmente excluir da tributação os valores que em principio foram glosados em excesso, o correto é a Fiscalização reconstituir as bases de cálculo tributadas a partir dos valores apurados/registrados no Livro Razão da contribuinte. Nos períodos de apuração em que os valores reconstituídos superarem os tributados não poderá haver agravamento da exigência. (...) Realmente, podese acrescentar uma frase na fundamentação desse item, no “sentido de que não é cabível excluir diretamente da base de cálculo o valor de R$ 1.008.590,13, conforme pleiteado no item 38 da peça recursal, pois a exclusão deve ser feita período a período.” Propugno, pois, acolher os embargos para sanar a omissão quanto aos fundamentos complementares da matéria “Glosa de Amortização de Ágio”, asseverando que tais omissão não prejudicaram o contribuinte muito menos a execução do acórdão. 7) DOS LUCROS NO EXTERIOR – Exclusão Extra Petita (pag 8). “(...) Hipótese (Contradição) Vejamos o que afirma o Acórdão objeto dos presentes Embargos às fls. 1975 (1o 2o e 5o parágrafos), nos dizeres do ilustre condutor do voto: "Este Colegiado concluiu que a PSICR/RJ realmente incluiu os lucros auferidos com a Andree Overseas na apuração de seus resultados do ano calendário de 2001. Todavia, não se trata de lançamento em duplicidade, pois Fl. 2443DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 1402001.299 S1C4T2 Fl. 0 15 são duas pessoas jurídicas e sujeitos passivos distintos. Duplicidade ocorreria se a própria Geoglen (SAP) tivesse oferecido esses resultados à tributação, ou sofresse lavratura de auto de infração, seja em período anterior ou posterior à ocorrência do fato gerador. Outrossim, não é dado ao Fisco cobrar tributos em duplicidade, ainda que de contribuintes distintos. A toda evidência, os AuditoresFiscais responsáveis pela auditoria na PSICR/RJ, processo 10730.004842/200562, não atentaram a esta duplicidade, tampouco foram alertados sobre isso durante a fiscalização." (Grifos nossos) Desde logo, não há dúvidas que a PSICR/RJ, ora Embargante, ofereceu à tributação os lucros auferidos no exterior e nem que, posteriormente, a GEOGLEN sofreu autuação sobre os mesmos lucros. Pois bem, em franca "Contradição", assevera o Conselheiro responsável pelo voto condutor do Acórdão no 2o parágrafo que "não se trata de lançamento em duplicidade" para, logo em seguida no 5o parágrafo, consignar que "não é dado ao fisco cobrar tributos em & duplicidade". Portanto, tal é a gravidade da contradição apontada 'no' desfecho dos processos envolvidos (Acórdãos n.° 140200494 e n.° 140200.493), que o julgado está a exigir pronta e incontinenti correção. Hipótese (Erro) Vejamos agora o que restou literalmente grafado no voto condutor do Acórdão (fls. 1975 segunda frase do 5o parágrafo) quando da seguinte afirmativa: A toda evidência, os AuditoresFiscais responsáveis pela auditoria na PSICR/RJ, processo 10730.004842/200562, não atentaram a esta duplicidade, tampouco foram alertados sobre isso durante a fiscalização." Ora, como poderiam os AuditoresFiscais da PSICR/RJ, ora embargante, "atentar" em 2005 (Proc. 10730.004842/200562) para a duplicidade que somente aconteceu em 2006 (Proc. 16327.001077/200668) quando do lançamento contra a GEOGLEN, feito por outra Delegacia (vide grifos). Mais ainda, como poderiam os Auditores ser "alertados" durante a fiscalização que ocorreu em 2005 sobre eventos futuros ocorridos em 2006. Portanto, imperativa a correção do julgado, mesmo porque np\ conceito de "Erro" estão compreendidos fundamentos de decidir com base no "impossível" e até mesmo teratológicos, como é caso presente. Hipótese (Todas) Na parte conclusiva do julgado acontecem, em conjunto, todas as hipoteses ensejadoras dos Embargos de Declaração, além de ilegalidade, afronta ao Regimento, excesso de competência etc.., senão vejamos o que assevera o ilustre condutor do voto: "Tendo em vista que este Colegiado confirmou que a tributação dos lucros apurados pela Andree Overseas até 12/01/2001 devem ser tributados pela empresa Geoglen SPA, cumpre aqui os seguintes ajustes nas bases de cálculo (lucro líquido ajustado e lucro real) da autuada no anocalendárío de 2001. Fl. 2444DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 1402001.299 S1C4T2 Fl. 0 16 i) Excluir, de ofício, a parcela dos lucros da Andree Overseas indevidamente tributado pelo contribuinte no valor de R$.36.166.313,61. por se tratar de lucros auferidos pela empresa no exterior, antes de 12/01/2001, que foi objeto de lançamento de ofício no processo n°. 16.327.001077/200658, conforme acórdão 140200.493, de 30 de março de 2011. No que tange ao item "i", reitero que, nos termos do art. 142 do CTN. no lançamento de ofício do IRPJ e CSLL, a autoridade tributária deve reconstituir a apuração do lucro líquido bem como o lucro real, efetuando os ajustes devidos em face das infrações porventura apuradas. Deparandose com erros ou equívocos do contribuinte, que implicaram na elevação indevida da base de cálculo nesses mesmos períodos de apuração, cumpre à Fiscalização escoimalos, pois, a Fazenda Pública deve constituir e cobrar o tributo devido, nem mais, nem menos, na forma da lei. Nesse diapasão, nos termos do art. 145, inciso I, do CTN. o lançamento também pode ser alterado pela autoridade julgadora para excluir valores indevidamente incluídos na base de cálculo pelo contribuinte, nos períodos de apuração tributados, procedimento igualmente respaldado no princípio da verdade material." Pois bem, ao caminhar o julgado por "Excluir", de ofício, a parcela de R$.36.166.313,61 que teria sido indevidamente tributada pela Embargante em sua DIRPJ do exercício de 2002/2001, tomando como comandos legais autorizativos o art. 142 e o art. 145, inciso I, ambos do CTN, incorreu em erro, contradição, obscuridade, omissão, ilegalidade, excesso de competência etc..., isto porque: Em primeiro lugar, porque simplesmente não pode ser "excluído" o que jamais foi incluído, porquanto é certo que o lançamento que exigiu apenas a tributação da diferença entre o saldo da conta de lucros constante do balanço no importe de R$.60.706.179,33 e os R$.36.166.313,61 oferecidos à tributação na DIRPJ, sem atentar que a referida diferença era constituída por lucros anteriores a 1996 e, portanto, fora do alcance da norma impositiva. Em segundo lugar, porque o comando do art. 142 do CTN é dirigido única e exclusivamente para a Autoridade Administrativa Lançadora e que atua em atividade vinculada, jamais ao julgador de 2a instância. Em terceiro lugar, porque o comando do art. 145, I do CTN, autoriza a alteração do lançamento quando impugnado, nada mais. No caso dos autos a parcela "excluída" de R$.36.166.313,61 não consta do lançamento e não poderia ter sido impugnada pela Embargante. Em quarto lugar, porque a parcela de R$.36.166.313,61 foi oferecida à tributação pela Embargante quando da apresentação de sua DIRPJ em 2002, de modo que jamais poderia ela mesma impugnar seu próprio lançamento. Em quinto lugar, porque chega a ser um "escárnio" o CARF deferir "de ofício" em 2011, um crédito tributário tido como indevido em 2001, já passados 10 anos e, portanto, atingido pela prescrição. Em sexto lugar, porque ao deferir crédito tributário o CARFv está usurpando competência exclusiva do Delegado da Receita Federal. / Em sétimo lugar, porque em 2005 a DIRPJ já fora revisada pela fiscalização, na qual a Embargante foi considerada a contribuinte dos lucros no exterior, tanto que o fisco no presente lançamento exigiu diferenças, o que constitui mais um atropelo à competência da autoridade lançadora. Fl. 2445DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 1402001.299 S1C4T2 Fl. 0 17 Em oitavo lugar, porque é imoral reconhecer que o tributo já foi pago e mesmo assim exigir novamente, ainda que de outra empresa. Mais lamentável ainda é ver dentro de um Órgão como o Conselho de Contribuintes a construção fantasiosa, ilegal e consciente de um julgado "juridicamente impossível" onde, via deferimento de direito inexistente sobre tributo já alcançado pela prescrição, revela espúrio propósito de manter a mesma exação sobre lucros de R$.36.166.313,61 (duplicidade) constante do processo n.° 16327.0010722/200658, decidido através do Acórdão n.° 140200.493. Por fim, Caso se mantenha o Acórdão nos termos em que está, a PSICR/RJ, ora embargada, pagou o tributo, vai ficar com um crédito antijurídico, inócuo e prescrito, a GEOGLEN vai pagar o mesmo tributo, ou seja a UNIÃO vai receber duas vezes, uma delas juros e multa de ofício indevidos. Além de inaceitável atenta contra a moralidade pública ! (...)” As alegações dos patronos da embargante acima transcritas, que alias já haviam sido por eles desferidas da tribuna no dia do julgamento, alem de impertinentes, tendenciosas e equivocadas, não podem ser acatadas em sede de embargos, pois, se trata de matéria especificamente enfrentada no julgamento do acórdão embargado. Vejamos novamente a ementa e decisão do acórdão nesta parte: Ementa: LUCROS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO. RECONSTITUIÇÃO DO LUCRO LÍQUIDO E LUCRO REAL. EXCLUSÃO DE PARCELA INDEVIDAMENTE INCLUÍDA NA BASE DE CÁLCULO. Nos termos do art. 142 do CTN, no lançamento de oficio do IRPJ e CSLL, a autoridade tributária deve reconstituir a apuração do lucro líquido bem como o lucro real, efetuando os ajustes devidos em face das infrações porventura apuradas. Deparandose com erros ou equívocos do contribuinte, que implicaram na elevação indevida da base de cálculo nesses mesmos períodos de apuração, cumpre à Fiscalização escoimá los, pois, a Fazenda Pública deve constituir e cobrar o tributo devido, nem mais, nem menos, na forma da Lei. Nesse diapasão, nos termos do art. 145, inciso I, do CTN, o lançamento também pode ser alterado pela autoridade julgadora para excluir valores indevidamente incluídos na base de calculo pelo contribuinte, nos períodos de apuração tributados, procedimento igualmente respaldado no princípio da verdade Material. Decisão; “(...(d) Pelo voto de qualidade, acolher a proposta do Conselheiro Antônio José Praga de Souza, para que na reconstituição da apuração do lucro real do ano calendário de 2001, seja excluída da tributação, de ofício, o valor de R$ 36.166.313,61, por se tratar de lucros distribuídos pela empresa Andree Overseas que foi objeto de lançamento de ofício no processo nº 16327.001077/200658, conforme acórdão 140200.493, de 30 de março de 2011, vencidos os Conselheiros Carlos Pelá, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator). Tudo na forma do relatório e dos votos, vencido e vencedor, que passam a integrar o presente julgado.Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Antônio José Praga de Souza. Fl. 2446DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 1402001.299 S1C4T2 Fl. 0 18 Vejamos agora a transcrição completa do voto condutor do acórdão embargado quanto a essa matéria: “(...) II. TRIBUTAÇÃO DOS LUCROS AUFERIDOS JUNTO À CONTROLADA NO EXTERIOR A Fiscalização exigiu da autuada o valor de R$ 24.539.865,72 referente aos dividendos disponibilizados no Balanço Patrimonial da empresa ANDREE OVERSEAS LTD. que possui sede nas Ilhas Virgens. Este valor foi apurado pela diferença entre o valor disponível no balanço da empresa estrangeira, para o contribuinte R$60.706.179,33 (doc fl. 29/31 e /38/36 do Anexo II) e o valor efetivamente adicionado ao Lucro Líquido – R$36.166.313,61 (fls. 34 do mesmo anexo). O ilustre conselheiro Relator, Leonardo Oliveira, orientou seu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário nessa parte, por entender que o contribuinte ofereceu os valores corretos à tributação, levandose em conta os fundamentos de seu voto, também vencido, prolatado no Acórdão 140200.493 (Processo 16327.0010722/200658). Para a melhor compreensão da Matéria, transcrevo parte dos fundamentos do voto vencedor que está sendo proferido no aludido Processo 16327.0010722/200658, concomitante a este (Acórdão 140200.493): I. PRELIMINAR NULIDADE DO LANÇAMENTO EM FACE DE DUPLICIDADE DA EXIGÊNCIA. Consoante relatado, a Fiscalização apurou que a autuada, Geoglen (cuja denominação anterior era Schincariol Administração Patrimonial), deixou de adicionar na apuração do lucro real os lucros auferidos no exterior por controlada ou coligada (Termo de Verificação Fiscal às fls. 227/232). Dentre as provas relacionadas no aludido Termo de Verificação Fiscal, a Auditoria destaca o instrumento de compra e venda, datado de 12/01/2001 (fls. 119 e 120), entre a Schincariol Administração Patrimonial (SAP) vendedora e Companhia de Bebibas Primo Schincariol (PSICR/RJ) compradora, relacionado à empresa Andree Overseas Ltda. pelo valor de R$ 63.294.163,07, pago no dia 31/01/2001, aliado às cópias dos lançamentos efetuados no Diário da Geoglen (SAP), que registra a baixa do investimento. Concluiu o fisco que naquele momento, janeiro/2001, houve a disponibilização dos lucros auferidos até o dezembro/2000, motivado pela transferência de quotas da controlada direta no exterior ao próprio controlador da Geoglen(SAP), pois configura emprego do valor em favor da beneficiária, caracterizando, por conseguinte, pagamento de lucro disponibilizado nos termos do art. 25 parágrafos 2º e 3º, da Lei nº 9.249/95, art. 16 da Lei 9.430/96, art. 20, parágrafo 9º, da IN SRF nº 38/96; art. 1º, item 2, alínea b, item 4, da Lei nº 9.532/97; art. 207, inciso III e inciso I do parágrafo único, art. 249, inciso II, e art. 394, do RIR/99. Ocorre que a empresa compradora, PSICR/RJ também foi sofreu ação fiscal relativa anocalendário de 2001, tendo sido lavrado auto de infração de que trata o processo 10730.004842/200562, cujo julgamento neste Colegiado foi realizado concomitantemente a este. Conforme abordado no Voto Vencido, em Dez/2001 a PSICR/RJ ofereceu a tributação os lucros auferidos com a Andree Overseas Ltda., sendo que naquele processo exigese diferenças que segundo o Fisco não teriam sido tributadas. Fl. 2447DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 1402001.299 S1C4T2 Fl. 0 19 Este Colegiado concluiu que a PSICR/RJ realmente incluiu os lucros auferidos com a Andree Overseas na apuração de seus resultados do anocalendário de 2001. Todavia, não se trata de lançamento em duplicidade, pois são duas pessoas jurídicas e sujeitos passivos distintos. Duplicidade ocorreria se a própria Geoglen(SAP) tivesse oferecido esses resultados à tributação, ou sofresse lavratura de auto de infração, seja em período anterior ou posterior à ocorrência do fato gerador. O Código Tributário Nacional – CTN, Lei 5.172 de 1966, estabelece: “Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. (Grifei) Portanto, ainda que o contrato entre a Geoglen/SAP e a PSICR/RJ inclua a transferência dos lucros da Andree Overseas, uma vez que a legislação estabelece que tais lucros devam ser tributados pela Geoglen/SAP, no momento do emprego do valor (adiante fundamentado), correto a lavratura do auto de infração contra a Geoglen/SAP, se considerado apenas esse aspecto. Outrossim, não é dado ao Fisco cobrar tributos em duplicidade, ainda que de contribuintes distintos. A toda evidência, os AuditoresFiscais responsáveis pela auditoria na PSICR/RJ, processo 10730.004842/200562, não atentaram a esta duplicidade, tampouco foram alertados sobre isso durante a fiscalização. É dado a perceber naquele processo que o Fisco concluiu que a tributação seria referente apenas aos resultados do ano de 2001, tanto assim que nas diferenças lá tributadas foram incluídos resultados anteriores a 1995, fatos esclarecidos no acórdão deste Conselho. É certo que, se tais fatos aflorassem no transcurso da auditoria do processo 10730.004842/200562, o Fisco não só teria deixado de lançar diferenças anteriores a 1995, como também teria excluído da base de cálculo o valor indevidamente tributado pela PSICR. Uma vez que, nos termos do art. 145 do CTN, o crédito tributário de que trata o auto de infração lavrado contra a PSICR no processo 10730.004842/200562 poderia ser alterado, haja vista que não estava definitivamente constituído, considerando também que se trata de ajuste na base de cálculo, não implicando em alteração dos fundamentos jurídicos daquele lançamento, bem como amparado no principio da verdade material, que deve nortear o processo administrativo, o colegiado escoimou a duplicidade, excluindo da base de cálculo do lançamento de oficio daquele processo todo o resultado auferido pela Andree Overseas até o encerramento do ano de 2000. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento por duplicidade da exigência, reiterando que tal duplicidade está sendo corrigida no processo 10730.004842/200562, mediante acórdão 1402 00494 deste colegiado. (...) V TRIBUTAÇÃO DOS LUCROS AUFERIDOS JUNTO À CONTROLADA NO EXTERIOR, HAJA VISTA A OCORRÊNCIA DE “EMPREGO DO VALOR” OCORRIDO EM 12/01/2001, EM FACE DA ALIENAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO NA ALUDIDA CONTROLADA Fl. 2448DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 1402001.299 S1C4T2 Fl. 0 20 O tema em questão é recorrente neste Conselho, tendo sido objeto de dezenas de julgados tanto nos colegiados ordinários quanto na Primeira Turma da Câmara Superior. (...) Portanto, em 12/01/2001, data em que a GeoglenSAP transferiu sua participação na Andree Overseas à PSCIR/RJ, configurouse a hipótese de incidência do IRPJ e CSLL sobre sua parcela dos lucros auferidos pela aludida controlado no exterior nos anos de 1996 a 2000, que corretamente foi objeto do auto de infração. Logo, a exigência fiscal deve mesmo ser mantida nessa parte. Tendo em vista que este Colegiado confirmou que a tributação dos lucros apurados pela Andree Overseas até 12/01/2001 devem ser tributados pela empresa Geoglen SPA, cumpre aqui os seguintes ajustes nas bases de cálculo (lucro liquido ajustado e lucro real) da autuada no anocalendário de 2001. i) Excluir, de oficio, a parcela dos lucros da Andree Overseas indevidamente tributado pelo contribuinte no valor de R$ 36.166.313,61, por se tratar de lucros auferidos pela empresa no exterior, antes de 12/01/2001, que foi objeto de lançamento de ofício no processo nº 16327.001077/200658, conforme acórdão 140200.493, de 30 de março de 2011. ii) Excluir da tributação a parcela de R$ 24.539.865,72, por também se tratar de resultado até 12/01/2001, haja vista que consoante documentos de fls. 1846 a 1875, especialmente o demonstrativo de fl. 1873, a empresa Andree Overseas possuía em 31/12/2000 lucros acumulados superiores a .90milhoes de Dólares Americanos. No que tange ao item “I”, reitero que, Nos termos do art. 142 do CTN, no lançamento de oficio do IRPJ e CSLL, a autoridade tributária deve reconstituir a apuração do lucro líquido bem como o lucro real, efetuando os ajustes devidos em face das infrações porventura apuradas. Deparandose com erros ou equívocos do contribuinte, que implicaram na elevação indevida da base de cálculo nesses mesmos períodos de apuração, cumpre à Fiscalização escoimálos, pois, a Fazenda Pública deve constituir e cobrar o tributo devido, nem mais, nem menos, na forma da Lei. Nesse diapasão, nos termos do art. 145, inciso I, do CTN, o lançamento também pode ser alterado pela autoridade julgadora para excluir valores indevidamente incluídos na base de calculo pelo contribuinte, nos períodos de apuração tributados, procedimento igualmente respaldado no princípio da verdade Material. Quanto ao item “ii” cabe ainda acrescentar: consta nos autos que a Andree Overseas apurou lucros no ano de 2001 (vide docs de fls. 1871), porém, o doc. de fl. 1873 registra que a empresa distribuiu em 2001 a totalidade de seus resultados até 31/12/2000, repito. Ora, se os lucros acumulados até 31/12/2000 comporta a totalidade das distribuições efetuados em 2001, não é lógico inferir que parte dos R$ 24.539.865,72 seja lucro do ano de 2001, conforme votou o ilustre conselheiro Eduardo Neiva. Pelos fundamentos acima, não resta qualquer valor a ser tributado no ano de 2001 a título de lucros auferidos no exterior com a empresa Andree Overseas, seja de oficio, seja espontaneamente pelo contribuinte. (...)” Ora, resta patente pela transcrição acima que a matéria “tributação de resultados com coligadas no exterior” estava em litígio neste processo, sendo que o Fl. 2449DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 1402001.299 S1C4T2 Fl. 0 21 contribuinte contestava todo o montante tributado de oficio. Logo, o colegiado deveria mesmo apreciála, pelo que não há que se falar em excesso de competência ou ilegalidade. No que tange ao registro de que durante a auditoria relativa a este processo, no ano de 2005, os Auditores Fiscais não atentaram, tampouco foram alertados quanto aos eventos que envolveram a Geoglen (Schincariol Administração Patrimonial SAP), estou me referindo à própria contribuinte que silenciouse quanto a informação da data da compra da Andree Overseas, junto aquela coligada, que ocorreu em 12/01/2001. É óbvio que não poderia ser pela equipe que Fiscalizou a Geoglen em 2006. Evidenciase aqui uma obvia tentativa de desacreditar e aviltar este conselheiro Relator. Frustrada, digase de passagem. A Contribuinte (Embargante) tinha sim pleno conhecimento disso e, diante das intimações no transcurso da auditoria poderia sim ter alertado a Fiscalização. Isso não foi feito exatamente por não ser do interesse da contribuinte. A Embargante também distorce os fatos quando afirma que pagou o tributo sobre os lucros reconhecidos da Andree Overseas em Dez/2001. Em verdade, reconheceu o ganho para fins de tributação, mas na DIPJ apurou foi prejuízo fiscal de 11.053.191,67 (fl. 94). Ou seja, o reconhecimento desse lucro não redundou em tributo a pagar pela autuada. Daí seu grande interesse em tributar os resultados que em verdade eram da Geoglen. E mais, tecnicamente o acórdão embargado até poderia ter deixado essa exclusão a cargo da DRF, mas o entendimento que prevaleceu no colegiado foi de que o correto, ético, moral, seria já excluir da base de cálculo tributada no auto de infração deste processo, para que a cobrança final, se houver, possa recair sobre o valor efetivamente devido. Notória a intenção do contribuinte de buscar a nulidade integral do acórdão em face dessa parte da decisão. Isso sim um absurdo. Frisese que o questionamento é quanto a uma parcela que foi excluída/exonerada do auto de infração, e não sobre parcela mantida. Se esta decisão extrapolou a competência do órgão nessa parte, o que entendo não ter ocorrido, a recorrente pode arguila mediante recurso especial, caso encontre divergência, ou até mesmo no judiciário. Porém, assevero que isso em nada muda o acórdão 140200.493 que manteve a tributação na Geoglen, alias uma decisão anterior a esta. Por outro lado, se o Colegiado por sua maioria entender que pode reformar o acórdão ora embargado nessa parte, a conseqüência será aumentar o tributo exigido no presente auto de infração. Daí pergunto: a quem a Contribuinte irá recorrer para excluir a cobrança indevida? Esta é apenas mais uma razão para reconhecer que o acórdão embargado está absolutamente correto nesta parte. Por fim, registro que cumpre a unidade de origem da Receita Federal reconstituir as bases de cálculo tributadas antes de cientificar o Contribuinte deste novo acórdão, especialmente quanto a reconstituição, período a período, do valor tributado a titulo Fl. 2450DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10730.004842/200562 Acórdão n.º 1402001.299 S1C4T2 Fl. 0 22 glosa de despesas com amortização de ágio sobre debêntures, levandose em conta o valor contabilizado no Livro Razão, conforme quadro abaixo, novamente reproduzido: Ano ! Razão Analítico ! DIPJ ! Glosado ! 2000...14.950.000,00..... ..15.275.495,43...........14.950.000,02 2001...28.899.999,98.. ... 30.949.242,32.... . 28.384.037,83 2002....29.900.000,00........30.849.846,46..... ....30.405.320,72 2003....29.900.000,00........32.201.165,33.........28.637.082,72 2004....29.900.000,00........33.182.148,84.........33.182.148,84 CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de conhecer dos embargos para sanar as obscuridades e omissões na fundamentação do voto condutor do acórdão 140200.494 de 31/03/2011, e confirmar integralmente a decisão do colegiado. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 2451DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 23034.014507/2000-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração:01/01/1997 a 31/08/1999
FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA. A lavratura do lançamento deve ser feita de modo a fornecer claramente, e com base em provas, a fundamentação fática. Na ausência desta, deve o lançamento ser anulado por vício material.
Lançamento anulado.
Numero da decisão: 2301-002.449
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em anular o lançamento, pela existência de vício, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que davam provimento ao recurso; b) em conceituar o vício existente como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que conceituou o vício como formal.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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TERCEIROS FNDE Recorrente EISA ESTALEIRO ILHA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração:01/01/1997 a 31/08/1999 FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA. A lavratura do lançamento deve ser feita de modo a fornecer claramente, e com base em provas, a fundamentação fática. Na ausência desta, deve o lançamento ser anulado por vício material. Lançamento anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em anular o lançamento, pela existência de vício, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que davam provimento ao recurso; b) em conceituar o vício existente como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que conceituou o vício como formal. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 23034.014507/200067 Acórdão n.º 230102.449 S2C3T1 Fl. 366 3 Relatório Tratase de lançamento constituído por meio de Notificação realizada pelo FNDE em 26/01/2000, relativamente a fatos geradores de 01/1997 a 08/1999, cujo valor do crédito tributário é de R$ 584.140,59. O FNDE recebeu representação da autoridade fiscal previdenciária, fls. 04/05 informando que em procedimento fiscal havia sido constatado que a recorrente teria recolhido a menor contribuições previdenciárias no período em questão. Em vista do convênio da recorrente com o FNDE, a autoridade fiscal alegou estar impedida de incluir o salárioeducação na NFLD então lavrada, o que resultou na necessidade de enviar informação fiscal. Em vista da informação fiscal, o FNDE procedeu a Notificação da recorrente conforme fls. 16, sendo que esta apresentou defesa que resumimos a seguir. Alegou que o lançamento não especificou as verbas consideradas na base de cálculo. Entende que verbas indenizatórias foram consideradas n base de cálculo tais como: férias indenizadas, avisoprévio, cotas de FGTS etc. Argumenta que houve descaracterização de serviços de autônomos enquadrandoos como empregados. Aponta os erros da fiscalização em várias competências. A autoridade responsável no FNDE alegou que “ não dispomos de detalhes a respeito dos fatos observados durante a fiscalização” e “ estamos impossibilitados de analisar as alegações da empresa”. Em vista disso, solicitou que a fiscalização previdenciária informasse quais seriam as verbas que compuseram a base de cálculo da NFLD mencionada, fls. 33. A fiscalização informou que as bases de cálculo eram idênticas àquelas que constavam da NFLD 35.014.5830, cujos valores foram reconhecidos pela empresa e incluídos no REFIS. Tendo recebido a resposta da fiscalização, a autoridade do FNDE indeferiu a defesa da recorrente tendo como fundamento o fato desta ter aceitado o débito da NFLD citada pela fiscalização, fls. 42/43. A interessada foi cientificada do decisum em 08/04/2004, fls. 58. A interessada apresentou seu recurso ao FNDE, fls. 62/66, com os argumentos que resumimos a seguir. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 Informa que ao ingressar no REFIS foi obrigada por lei a confessar os débitos, porém não concorda que os processos parcelados possam servir de base para arbitrar a base de cálculo do salárioeducação. A NFLD citada pela fiscalização inclui na base de cálculo do tributo valores não previstos na legislação. É o relatório. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 23034.014507/200067 Acórdão n.º 230102.449 S2C3T1 Fl. 367 5 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Podemos observar que o cerceamento de defesa da recorrente é facilmente constatado no caso, posto que salta aos olhos a falta de motivação fática adequada do lançamento. A autoridade administrativa do FNDE, após receber a impugnação da interessada, reconheceu que não “não dispomos de detalhes a respeito dos fatos observados durante a fiscalização” e “estamos impossibilitados de analisar as alegações da empresa”. Diante disso, foi solicitada informação à autoridade fiscal. Esta nada acrescentou, tendo apenas informado que se referia a uma determinada NFLD que tinha sido objeto de inclusão no REFIS. Entendeu a fiscalização que a inclusão no REFIS da NFLD referida equivalia a uma confissão dos fatos conforme lá constavam. Após essa resposta, a recorrente não foi intimada a manifestarse, tendo sua defesa sido indeferida apenas com base na informação fiscal. Se o lançamento baseouse em base de cálculo apurada em outro procedimento fiscal, todos os documentos que serviram de provas no referido lançamento deveriam constar nos autos para que a recorrente pudesse exercer adequadamente sua defesa e para que a motivação fática do ato administrativo ficasse adequadamente conformada. Se a própria autoridade do FNDE não teve condições de entender a base de cálculo do lançamento, o que dizer da defendente? A autoridade fiscal nada acrescentou, uma vez que somente citou o número da NFLD sem enviar as provas da ocorrência dos fatos geradores. Não tinha a recorrente, e não temos nós, como apurar quais valores foram incluídos na base de cálculo do tributo de modo a permitir a análise da legalidade. Teriam verbas indenizatórias sido incluídas no lançamento? Não há como apurar. A ausência de fundamentação fática para o lançamento, portanto, é evidente e está a exigir sua nulidade de modo a impedir que prevaleça um ato administrativo que, à toda vista, viola o direito da recorrente à ampla defesa. A nulidade apontada não se limita às formalidades essenciais do ato, o que impede sua consideração como vício formal. A falta de fundamentação fática configura um vício material. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e ANULAR O LANÇAMENTO devido a existência de vício material. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 545DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004992/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NULIDADE. LOCAL DA VERIFICAÇÃO DA FALTA E LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO FORA DO ESTABELECIMENTO DA PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE
O exame de livros e documentos efetuado fora do estabelecimento do contribuinte têm previsão legal, bem como, é legítima a lavratura do auto de infração fora do estabelecimento do contribuinte. (Súmula CARF n° 6)
EXTRATOS BANCÁRIOS
Não há que se falar em ilicitude de prova no caso em que os extratos bancários, não obstante tenha sido feito requisição aos estabelecimentos bancários, foram disponibilizados pelo próprio contribuinte, em atendimento à intimação regular.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA.
Os valores creditados em conta corrente, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, evidenciam omissão de receita.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.
A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode refutá-la
mediante oferta de provas hábeis e idôneas.
LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. PIS. COFINS.
O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual quando não há razão de ordem jurídica para lhe conferir julgamento diverso.
Numero da decisão: 1301-001.004
Decisão: Os membros da Turma acordam, por unanimidade, negar provimento ao
recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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LOCAL DA VERIFICAÇÃO DA FALTA E LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO FORA DO ESTABELECIMENTO DA PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE O exame de livros e documentos efetuado fora do estabelecimento do contribuinte têm previsão legal, bem como, é legítima a lavratura do auto de infração fora do estabelecimento do contribuinte. (Súmula CARF n° 6) EXTRATOS BANCÁRIOS Não há que se falar em ilicitude de prova no caso em que os extratos bancários, não obstante tenha sido feito requisição aos estabelecimentos bancários, foram disponibilizados pelo próprio contribuinte, em atendimento à intimação regular. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. Os valores creditados em contacorrente, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, evidenciam omissão de receita. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. PIS. COFINS. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual quando não há razão de ordem jurídica para lhe conferir julgamento diverso. Fl. 2542DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 2543DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.004992/200919 Acórdão n.º 1301001.004 S1C3T1 Fl. 2 3 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da decisão recorrida: A empresa em epígrafe, optante pelo Lucro Presumido, submetida à fiscalização direta, foi autuada em razão de ter cometido, de acordo com a Fiscalização, as seguintes irregularidades: a) depósitos bancários de origem não comprovada; e b) receita da atividade, escriturada e não declarada. Assim, foram lavrados os autos de infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$1.147.637,77 e reflexos de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), no valor de R$ 393.078,76, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) no valor de R$1.814.210,59 e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$ 649.038,00, (docs. de fls. 1.487 a 1.521), calculados até 30/11/2009. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.467/1.486, além de não ter oferecido à tributação as receitas de atividade escrituradas no livro de Registro de Saídas, a empresa não logrou comprovar, após efetuadas as devidas conciliações, a origem dos depósitos/créditos efetuados em suas contas correntes no anocalendário de 2005, conforme demonstrativos de fls. 1.469/1.470. Regularmente cientificada, apresentou a impugnação de fls. 1.527/1.551, firmada por sua Procuradora, onde em síntese, alinha as seguintes razões de fato e de direito: Preliminarmente, clama pela anulação do Auto de Infração, em razão de a fiscalização terse desenvolvida fora do seu estabelecimento, sem nenhum motivo relevante que justificasse tal procedimento. Alega que tal fato dificulta o direito dela se fazer representar por seu contabilista e, se necessário pelo seu advogado, o que incide na quebra do contraditório, bem como dificulta a remessa de documentos, que via de fato sempre são em grande volume, e que poderá ocorrer extravios, como ocorreu no presente caso concreto. Aduz, ainda em sede preliminar, que o ato administrativo consubstanciado no procedimento de fiscalização não atendeu ao Princípio da Razoabilidade, pois as infringências apontadas no Auto de Infração devem ser classificadas como abusivas, pois, o agente fiscal, sem qualquer motivação, lavrou o referido auto, justificando que não foi apresentado(sic) as comprovações de origem, fato que não é verdade, conforme cópias dos protocolos de entrega dos documentos, e como corroboram os próprios documentos anexados à presente impugnação. Alega que deveria o Agente Fiscal proceder diligências junto às empresas emissoras do documento fiscal, já que as mesmas constam dos livros fiscais examinados, infringindo o Princípio da Eficiência, pela falta de diligenciamento. No mérito, alega que o agente fiscal desconsiderou por completo informações e documentos apresentados, que demonstram cabalmente que a movimentação de tais contas correntes tratase de créditos estornados, cheques devolvidos, Fl. 2544DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 transferências entre contas, bem como, de operações que possuem as devidas notas fiscais, cujos números são apontados nos anexos dos documentos ora juntados à presente. Diz que, se não bastassem todas as justificativas e demonstrações já efetuadas, houve valores que foram lançados em duplicidade no auto de infração como demonstram as planilhas em anexo. Cita alguns exemplos, que entende, demonstrariam as irregularidades do auto de infração. Argumenta que mero depósitos não são documentos suficientes para comprovar e fundamentar omissão de receita, sendo apenas indícios que necessitam obrigatoriamente de uma prova que o consubstancie, o que no caso em pauta não aconteceu. Reproduz ementas do Conselho de Contribuintes e excertos de obras de renomados juristas em reforço às sua argumentações. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/SPI), decidiu a matéria por meio do Acórdão 1624.963, de 15/04/2010 (fls. 1971), julgando procedente em parte a impugnação, tendo sido lavrada a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 NULIDADE. LOCAL DA VERIFICAÇÃO DA FALTA. É válida a lavratura do auto de infração fora do estabelecimento do contribuinte. NULIDADE. FISCALIZAÇÃO. LOCAL DA REALIZAÇÃO. O exame de livros e documentos efetuado fora do estabelecimento do contribuinte têm previsão legal. PEDIDOS DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de questão controversa, não se justificando a sua realização quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. MATÉRIA DE FATO. FALTA DE IMPUGNAÇÃO. Ausente impugnação específica, consolidase a exigência pertinente à omissão de receita, relativa a receitas da atividade escrituradas no Livro de Registro de Saídas, que não tenham sido oferecidas, espontaneamente, à tributação por meio das declarações obrigatórias instituídas pela RFB. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. Os valores creditados em contacorrente, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, evidenciam omissão de receita. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. EXTRATOS BANCÁRIOS Em conformidade com o artigo 332 do CPC, todos os meios legais bem como os moralmente legítimos, são hábeis para provar a verdade dos fatos. Fl. 2545DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.004992/200919 Acórdão n.º 1301001.004 S1C3T1 Fl. 3 5 Nesse sentido, nada obsta a que extratos bancários sejam utilizados como um meio de provar o cometimento de qualquer infração fiscal. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. PIS. COFINS. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual quando não há razão de ordem jurídica para lhe conferir julgamento diverso. Ë o relatório. Passo ao voto. Fl. 2546DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso é tempestivo e assente lei. Dele conheço. Trata a lide de auto de infração derivado de ação fiscal na qual constatouse omissão de receita (escriturada e não declarada) e depósitos bancários de origem não comprovada, ano calendário de 2005 (Lucro Presumido). No recurso apresentado a interessada repete as argumentações iniciais e, igualmente, não se insurge com relação a omissão de receitas escrituradas e não declaradas. Em preliminar, sustenta a recorrente que o auto de infração é nulo em razão de ter sido lavrado fora do estabelecimento, alegando evidente ofensa ao direito constitucional de ampla defesa e do contraditório. No que diz respeito a tal questionamento, cabe, tão somente, esclarecer que a matéria já foi objeto de súmula e que, em razão do disposto no parágrafo 4o. do art. 72 da Portaria MF n° 256, de 2009, referida súmula é de adoção obrigatória por parte dos membros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Súmula CARF n° 6: É legitima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. A ampla defesa não se mostra agredida no caso destes autos, na medida em que o procedimento fiscal traz em seu bojo todos os elementos necessários para a perfeita compreensão do débito, sua origem, e seus fundamentos legais, dele constando uma exposição adequada e suficiente para não advir dúvida alguma. Com efeito, em regra, ao lançamento precede uma conjunção de atos que visam subsidiar a autoridade fiscal com os elementos necessários para a constituição do crédito tributário. Esse procedimento anterior, realizado por Agente do Fisco legalmente autorizado, transcorrese independente da vontade do contribuinte, e tem natureza estritamente inquisitiva, cabendo a esse agente, nos limites da lei, a busca da verdade material quanto aos fatos investigados. Em verdade, o direito de contraporse aos fatos elencados pela autoridade fiscal nasce apenas no momento que o ato do lançamento é consumado, sendo a partir de então, irrevogavelmente concedido ao contribuinte o direito de demonstrar eventual irregularidade no ato produzido. Antes do lançamento, porém, o direito à defesa não se opera em sua plenitude, porque é mera atuação investigativa dos entes do Estado, visando seu próprio entendimento. Portanto, então, rejeito as preliminares suscitadas na defesa. Quanto ao mérito e com relação ao lançamento derivado de omissão de receitas (depósitos bancários não comprovados), a autoridade julgadora de primeira instância nos termos da decisão recorrida, analisando documentos apresentados após o exame da Fl. 2547DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.004992/200919 Acórdão n.º 1301001.004 S1C3T1 Fl. 4 7 fiscalização, deu provimento parcial ao recurso, exonerando, em conseqüência, os valores considerados provados conforme planilha constante do voto condutor. Neste ponto, em primeiro plano, verificase no item 2.2 do Termo de Verificação Fiscal (fls.1467), que os extratos bancários foram fornecidos a autoridade fiscal pela própria empresa fiscalizada, não se valendo, portanto, a fiscalização da Requisição de Movimentação Financeira para o fim de apuração das exações em debate. Segundo, vêse, claramente, que a autoridade fiscal procedeu durante a auditoria aos expurgos dos valores determinados pelo § 3o. do art. 42 da Lei 9.430, de 1996, transcrevese: "do exame das movimentações constante dos extratos bancários dos Bancos acima citado, selecionei os créditos efetuados nestas contascorrente, excluindo os créditos cuja origem são as transferências de recursos da mesma titularidade, resgates de aplicações, liberação empréstimos, estornos, transferências sem CPMF e devolução de cheques por insuficiência de pelo termo de intimação de 02/06/2009 o contribuinte foi intimado a comprovar a origem desses valores creditados/depositados'''. Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem recursos utilizados nessas operações. (...) §3" Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados; (...). Enfim, a fiscalização examinou todas as provas e alegações apresentadas eliminando todos os depósitos/créditos que entendeu comprovados, mantendo os que entendeu não comprovado. No mais, ainda, quanto à omissão de receita decorrente de depósitos bancários, entendeu a autoridade que o sujeito passivo não trouxe prova apta a comprovar a totalidade de sua origem, em que pese ter apresentado planilha na tentativa de justificar os valores que a fiscalização não conseguiu determinar a correspondência entre os valores de depósitos/créditos e as notas fiscais de vendas, liberação de conta garantida, depósito de devoluções de cheques de clientes ou empréstimos obtidos, conforme demonstrativo de fls. 1.473/1.486, onde se especifica, por mês, os depósitos/créditos não devidamente comprovados, totalizandoos por mês. E como visto a comprovação da origem dos valores depositados em conta corrente bancária deve ser detalhada, coincidente em data e valores. Em relação às presunções de omissão de receita, a despeito da opinião contrária da recorrente, tratase de uma presunção legal de que os valores creditados em conta Fl. 2548DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, não comprovados com documentação hábil e idônea, constituem receita omitida. As presunções legais relativas provocam a chamada "inversão do ônus da prova", cabendo ao contribuinte provar que o Fisco está equivocado A falta de adequada comprovação impede o acolhimento do pleito. A alegação da recorrente, de que apresentou todas as provas documentais que tudo comprovam, daí ser o auto de infração sem motivação, não encontra respaldo nos autos. Da apreciação dos autos, percebese que os requisitos ou pressupostos para a aplicação da hipótese legal presuntiva se encontram preenchidos, sem vícios. Com a constatação do expurgo de crédito relativos a transferências de recursos da mesma titularidade, resgates de aplicações, liberação empréstimos, estornos, transferências sem CPMF e devolução de cheques por insuficiência, não vislumbrei insuficiência ou deficiência do suporte fático da presunção legal de omissão de receitas. Portanto, não se vislumbra, no caso, o alegado "abuso da autoridade fiscalizadora, ao extrapolar os critérios previstos na legislação para proceder ao lançamento", como afirma a recorrente. Por todo o exposto, voto por afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos da decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 2549DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 11060.002530/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES. EXIGÊNCIAS DECORRENTES. A lavratura dos Autos de Infração, para a exigência dos tributos devidos com base nas normas gerais de tributação, a partir da data em que surtem os efeitos da exclusão da pessoa jurídica do Simples, não está condicionada à decisão administrativa final do litígio relativo à mencionada exclusão. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O fato de a pessoa jurídica excluída do Simples e obrigada à tributação com base no lucro real trimestral deixar de apresentar à autoridade fiscal as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal autoriza o arbitramento do lucro, obedecendo aos critérios estabelecidos na lei. LANÇAMENTOS DECORRENTES.Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O julgador administrativo não pode afastar a aplicação da multa prevista em lei e carece de competência para apreciar questões suscitadas quanto à validade da legislação tributária. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas cumprir a determinação legal. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.999
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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EXIGÊNCIAS DECORRENTES. A lavratura dos Autos de Infração, para a exigência dos tributos devidos com base nas normas gerais de tributação, a partir da data em que surtem os efeitos da exclusão da pessoa jurídica do Simples, não está condicionada à decisão administrativa final do litígio relativo à mencionada exclusão. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O fato de a pessoa jurídica excluída do Simples e obrigada à tributação com base no lucro real trimestral deixar de apresentar à autoridade fiscal as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal autoriza o arbitramento do lucro, obedecendo aos critérios estabelecidos na lei. LANÇAMENTOS DECORRENTES.Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O julgador administrativo não pode afastar a aplicação da multa prevista em lei e carece de competência para apreciar questões suscitadas quanto à validade da legislação tributária. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas cumprir a determinação legal. Recurso Voluntário Negado. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11060.002530/200941 Acórdão n.º 140200.999 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório EZEQUIEL CARDOSO DOS SANTOS recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de Autos de Infração relativos ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no período de setembro de 2004 a junho de 2007. De acordo com a descrição dos fatos constante do Auto de Infração Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), à fl. 111, foi efetuado o arbitramento do lucro referente aos períodos de apuração trimestrais ocorridos de setembro de 2004 até junho de 2007, com base no art. 530, inciso III, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termos de intimação em anexo, teria deixado de apresentálos. Em decorrência foram lavrados os Autos de Infração relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins). No relatório de Fiscalização, às fls. 151 a 157, foi informado, basicamente, o seguinte: CONSIDERAÇÕES INICIAIS – em 23/01/2007, foi iniciada ação fiscal na firma individual EZEQUIEL SANTOS, quando foi solicitada, por meio do Termo de Intimação para Apresentação de Fl. 363DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11060.002530/200941 Acórdão n.º 140200.999 S1C4T2 Fl. 0 3 Documentos – TIAD e nos termos do art. 32, inciso III, e artigo 33, §§ 1º e 2º da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a apresentação de livros contábeis e diversos documentos e arquivos digitais relativamente ao período de 05/1998 a 12/2006; – o contribuinte apresentou os livros Razão nº 02 a 06, relativamente ao período de 01/2004 a 12/2007, bem como os livros Diário nº 01 e 06, dos anoscalendário de 2003 e 2007; – em face de a firma individual Ezequiel Santos ter realizado operações relativas à prestação de serviços de vigilância, cuja atividade é incompatível com a opção pelo Simples, de acordo com o art. 9º, inciso XII, alínea “f”, da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e o art. 20, inciso XI, alínea “e”, da Instrução Normativa SRF nº 608, de 9 de janeiro de 2006, o Delegado da Receita Previdenciária em Santa Maria – RS encaminhou o Ofício nº 48/MPS/SRP/DRP ao Delegado da Receita Federal em Santa Maria – RS, solicitando a exclusão do SIMPLES da referida firma individual; – em 13/04/2007, o Delegado Substituto da Receita Federal em Santa Maria – RS emitiu o Ato Declaratório Sivex nº 010/2007, que declarou a firma individual Ezequiel Santos excluída do SIMPLES a partir de 01/03/2001, de acordo com os artigos 9º, inciso XII, alínea “f”, 12, 14, inciso I e 15, inciso II, da Lei nº 9.317, de 1996, bem como o art. 20, inciso XI, alínea “e” e 24, inciso II, da IN SRF nº 608/06, de cuja decisão coube impugnação dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria – RS, no prazo de 30 dias contados de sua ciência pessoal, nos termos do Decreto nº 70.235, 6 de março de 1972; – a ação fiscal foi encerrada em 30/12/2008, tendo a referida firma individual sido fiscalizada apenas no anocalendário de 2003; – em 30/04/2009, o contribuinte foi cientificado do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, no sentido de dar prosseguimento à ação fiscal relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 01/2004 a 12/2007; – considerando as disposições dos art 2º, caput e art. 3º, parágrafo único, e 26, caput e § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, neste caso, não caberia mais à firma individual Ezequiel Santos fazer a opção pelo regime de tributação do IRPJ com base no lucro real anual ou com base no lucro presumido, ficando a apuração do IRPJ condicionada ao regime de tributação do IRPJ com base no lucro real trimestral; – diante do acima exposto, o contribuinte foi intimado a apresentar: os livros e as Demonstrações de Resultado do Exercício – DRE, em períodos de apuração trimestrais; o Balanço Patrimonial e a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados relativamente ao período de 01/2004 a 06/2007, de acordo com o disposto nos artigos 260, inciso III e 274 do RIR/1999; os Demonstrativos Trimestrais de Apuração da CSLL relativamente ao período de 01/2004 a 06/2007, de acordo com o disposto nos art. 2º a 6º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, e no art. 28 da Lei nº 9.430, de 1996; – foi esclarecido que o lucro da pessoa jurídica deverá ser arbitrado, nos termos do art. 47, inciso I, inciso II, alínea “b”, e inciso III, da Lei nº 8.981, de 1995, quando, dentre outras situações: a) a pessoa jurídica obrigada à tributação com base no lucro real não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; b) a escrituração a que estiver obrigada a pessoa jurídica revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para a determinação do lucro real; c) a pessoa jurídica deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal; Fl. 364DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11060.002530/200941 Acórdão n.º 140200.999 S1C4T2 Fl. 0 4 – o contribuinte sequer atendeu o Termo de Início de Procedimento Fiscal de 03/04/2009, tendo sido cientificada em 28/07/2009 de Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal, lavrado em 24/07/2009, em que se reiterou que fossem apresentados os documentos solicitados no referido TIPF, os quais deixaram de ser entregues; DIVERGÊNCIAS ENCONTRADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL SOBRE O LUCRO ARBITRADO – a necessidade de verificação do lucro real trimestral, impossibilitada pela falta de apresentação do Lalur trimestral, do Balanço Patrimonial, da Demonstração do Resultado dos períodos de apuração trimestrais e da Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados, tornou obrigatório o arbitramento do lucro obtido pela firma individual Ezequiel Santos durante o período de 01/2004 a 06/2007, nos termos do artigo 47, inciso I, inciso II, alínea “b” e inciso III, da Lei nº 8.981, de 1995; – sendo assim, o contribuinte ficou sujeito às diferenças tributáveis decorrentes da apuração do IRPJ e CSLL com base no lucro arbitrado após a dedução dos valores dos referidos tributos apurados com base nos percentuais estabelecidos pelo SIMPLES; – o arbitramento do lucro foi efetuado com base na receita bruta conhecida, de acordo com os lançamentos contábeis efetuados nos livros Razão nº 02 a 06 entregues em atendimento ao TIAF datado de 23/01/2007, em contas de resultado representativas de receitas com a revenda de mercadorias e receitas com prestação de serviços, em contas de resultado representativas de outras receitas operacionais (Juros e Descontos Obtidos e Outras Receitas), bem como em contas de resultado de deduções da receita bruta (Devoluções de Vendas), cujos valores são relacionados no Anexo 1; – o Anexo 2 apresenta a decomposição do SIMPLES recolhido com código de receita 6106, com a apuração do IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e INSS de acordo com os percentuais estabelecidos no art. 23, inciso II, alíneas “a” e “t” da Lei nº 9.317, de 1996, com as alterações promovidas pelo art. 1º da Lei nº 11.307, de 19 de maio de 2006; – os valores de receitas com a revenda de mercadorias e prestação de serviços apresentados no Anexo I foram reproduzidos nos Anexos 3 e 4, ficando sujeitos à aplicação dos coeficientes de arbitramento de 9,6% e 38%, nos termos do art. 16 da Lei nº 9.249, de 1995, e aos coeficientes de 12% e 32%, nos termos do art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995, os quais, adicionados às outras receitas, resultaram nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL sobre o lucro arbitrado, respectivamente, tendo sido consideradas como deduções dos valores devidos de IRPJ e da CSLL os pagamentos dos referidos tributos obtidos a partir da decomposição do SIMPLES apresentada no Anexo 2; FALTA DE RECOLHIMENTO DA COFINS E DA PIS CUMULATIVAS – em virtude do arbitramento do lucro, a empresa sujeitouse à tributação do PIS e Cofins com base no regime cumulativo (alíquotas de 0,65% e 3%, respectivamente) e dos valores obtidos deduziuse os montantes destas contribuições apurados com base nos percentuais estabelecidos pelo SIMPLES. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11060.002530/200941 Acórdão n.º 140200.999 S1C4T2 Fl. 0 5 A Contribuinte apresentou, em 28 de outubro de 2009, quatro peças distintas de impugnação, uma para cada tributo lançado, mas todas de igual teor (fls. 162 a 186; 198 a 216; 22 a 244 e 250 a 272), sob os argumentos sintetizados a seguir: A) DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL QUE NORTEIA O PROCESSO ADMINISTRATIVO – não procedem as argumentações do Fisco ao qualificar a Impugnante como praticante de delito fiscal por realizar recolhimento a menor ou de forma irregular; – afirmam os Agentes Fiscais que os documentos apresentados inicialmente pela empresa, ou seja, os livros Razão nº 02 a 06, o livro Diário 06 e folhas de pagamento não se prestam para verificação da regularidade dos recolhimentos fiscais. Mas, no caso, não há comprovação alguma de que a empresa realizou de forma irregular seus recolhimentos; – a Impugnante está sofrendo penalização sem que lhe seja oportunizado ao menos periciar os documentos em questão e assim comprovar a sua não responsabilização; – a situação em tela demonstra a boafé da Demandante, pois se acaso houvesse irregularidades nas notas fiscais lançadas em sua escrituração fiscal, estas com toda certeza, em caso de dúvidas, não teriam sido escrituradas e oferecidas ao fisco; – o processo administrativo prima pela verdade material dos fatos, ou seja, deveria ser objetivada a busca do que realmente ocorreu, independente da forma como é obtida ou do tempo; – o procedimento extremo adotado é completamente abusivo e ilegal, pois o Fisco não observou a realidade da Impugnante e a totalidade dos labores por ela prestados, fixando em algumas atividades esparsas; – sequer houve conhecimento da forma de trabalho da empresa e o que representou em seu faturamento a atividade dita irregular, denunciando mais uma vez o descaso com o princípio da verdade material (transcreve trechos doutrinários sobre o referido princípio); B) DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE – o Agente Fiscal aduz que a Impugnante cometeu infrações em seus recolhimentos, mas esquece de considerar os registros da empresa; – a Impugnante realizou seus atos, declarações e recolhimentos em observância às práticas legais e formas usuais da prestação de serviços, do que diverge o Fisco, que requer documentação diversa, não obrigatória à empresa Impugnante enquanto optante pelo sistema de recolhimentos de tributos estabelecido no SIMPLES; – sequer foi aguardada decisão final quanto ao procedimento administrativo que tramita na Receita Federal do Brasil (RFB) contra o Ato Declaratório de Exclusão da empresa do SIMPLES, lembrandose que a impugnação, à luz do Decreto nº 70.235, de 1972, possui o seu recebimento no efeito suspensivo, até as instâncias administrativas superiores; – o comportamento exigível da Impugnante seria a apresentação das declarações e os recolhimentos, em conformidade com o programa governamental em que estava inscrita, Fl. 366DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11060.002530/200941 Acórdão n.º 140200.999 S1C4T2 Fl. 0 6 – assim, no contexto em que foi confeccionado, o Auto de Infração fere frontalmente o princípio constitucional da legalidade, contido no art. 5º, II, da Constituição Federal (transcrito). Cita também doutrina sobre o assunto; C) DOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA, DO CONTRADITÓRIO E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL – o Agente Fiscal ao confeccionar o Auto de Infração e compor novos lançamentos a serem efetivados na contabilidade, o faz de forma completamente unilateral, antes de oportunizar qualquer forma de consulta ou defesa ao contribuinte, sem a mínima atenção aos princípios constitucionais tributários, aplicáveis tanto aos processos judiciais, como aos processos administrativos (transcreve doutrina); – não se pode olvidar que os ensinamentos doutrinários trazidos a conhecimento na presente impugnação, visando ànulidade dos lançamentos indevidos, irregulares e ilegais, são claros e representam o entendimento dominante sobre tais princípios constitucionais e que não foram respeitados pelo Agente Fiscal; D) A FLAGRANTE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DAS MULTAS APLICADAS EM FACE DO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DO NÃOCONFISCO E DOS PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE – a multa aplicada, no patamar de 75%, é flagrantemente ilegal e inconstitucional, manifestamente excessiva, ferindo o princípio constitucional do nãoconfisco e os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade (cita doutrina); E) NÃO ESGOTAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO – IMPUGNAÇÃO EFEITO SUSPENSIVO – a Impugnação Administrativa apresentada ao processo nº 11060.000756/200745, que trata do Ato Declaratório de Exclusão da empresa do Simples, encontrase em trâmite, sem decisão final; – o entendimento de nossos tribunais, formando a jurisprudência pátria, é uníssono no sentido de que para ser efetuada a exclusão de uma empresa do programa do Simples, deve haver previamente assegurado o contraditório e ampla defesa, observadas as normas do processo administrativo, o que não foi observado (transcreve jurisprudência do Tribunal Regional da 4ª Região); F) IRRETROATIVIDADE DOS EFEITOS DA DECISÃO ADMINISTRATIVA DA EXCLUSÃO DO SIMPLES – não obstante o Fisco Federal tenha base legal para determinar, de ofício, a exclusão do Simples, tal exclusão deverá produzir seus efeitos a partir do momento subseqüente e não alcançar indiscriminadamente todos e quaisquer fatos, sob pena de ofensa às garantias constitucionais e legais dos contribuintes; – os efeitos da exclusão, se é que legalmente amparada, só poderão alcançar os fatos supervenientes ao entendimento manifestado pela Secretaria da Receita Federal, isto por força do princípio constitucional da segurança jurídica, consubstanciado na garantia individual da irretroatividade das normas e das disposições expressas no Código Tributário Nacional (CTN) em seus art. 103, I, e 146; – a empresa Impugnante pode vir a sofrer imensos prejuízos indevidamente, pois, lidimamente, optou pelo Simples em função de exercer atividades não vedadas, tendo sido aceita sua opção pelo Fisco; Fl. 367DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11060.002530/200941 Acórdão n.º 140200.999 S1C4T2 Fl. 0 7 – parece evidente que a conduta adotada pelo Fisco Federal, demarcando data para a efetividade da medida em atos pretéritos, não pode prevalecer, eis que marcada por ato arbitrário, incompatível com o nosso ordenamento jurídico, devendo ser desconstituídos os créditos descritos, constituídos de forma a atingir situações pretéritas até a data da opção da empresa pelo enquadramento no Simples; DO REQUERIMENTO – diante do exposto, requer a revogação ou anulação dos Autos de Infração, que pretendem a constituição definitiva de créditos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, apurados por arbitramento, por serem totalmente irregulares, em vista das ilegalidades apontadas no discorrer da presente Impugnação. A decisão recorrida está assim ementada: NULIDADE. Afastase a tese de nulidade do lançamento, quando lavrado por servidor competente e em obediência aos princípios legais que o regem. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo é prerrogativa reservada ao Poder Judiciário, sendo vedada sua apreciação pela autoridade administrativa em respeito aos princípios da legalidade e da independência dos Poderes. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EXIGÊNCIAS DECORRENTES. A lavratura dos Autos de Infração, para a exigência dos tributos devidos com base nas normas gerais de tributação, a partir da data em que surtem os efeitos da exclusão da pessoa jurídica do Simples, não está condicionada à decisão administrativa final do litígio relativo à mencionada exclusão. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O fato de a pessoa jurídica excluída do Simples e obrigada à tributação com base no lucro real trimestral deixar de apresentar à autoridade fiscal as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal autoriza o arbitramento do lucro, obedecendo aos critérios estabelecidos na lei. LANÇAMENTOS DECORRENTES.Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O julgador administrativo não pode afastar a aplicação da multa prevista em lei e carece de competência para apreciar questões suscitadas quanto à validade da legislação tributária. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas cumprir a determinação legal. Impugnação Improcedente. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11060.002530/200941 Acórdão n.º 140200.999 S1C4T2 Fl. 0 8 Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento nos seguintes termos (fl. 340): Fl. 369DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11060.002530/200941 Acórdão n.º 140200.999 S1C4T2 Fl. 0 9 É o relatório. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11060.002530/200941 Acórdão n.º 140200.999 S1C4T2 Fl. 0 10 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Uma vez que a contribuinte não trouxe no recurso voluntário novas provas e considerando que os fundamentos da decisão recorrida não merecem reparos, peço vênia para tanscrevelos e adotálos com razões de decidir. Conforme relatado, em litigio os lançamentos do IRPJ e contribuições sociais decorrentes (CSLL, PIS e Cofins), correspondentes às diferenças de tributos existentes, em cada períodobase de apuração, entre os valores obtidos mediante o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, com base na receita bruta conhecida – tendo em vista que a Contribuinte, excluída do Simples, com efeitos retroativos a 1º de março de 2001, intimada, não apresentou a escrituração contábil e fiscal a que estava obrigada, sendo que, mesmo excluída de oficio do Simples em auditoria anterior, não regularizou seus recolhimentos. A Contribuinte aponta ofensa aos princípios: a) da verdade material, pois não haveria comprovação alguma de que realizou de forma irregular seus recolhimentos; b) da legalidade, porque o Fisco estaria exigindo documentação diversa, não obrigatória à empresa enquanto optante pelo Simples e por não ter o Autuante aguardado decisão final quanto ao processo administrativo que trata da impugnação ao Ato Declaratório de Exclusão da empresa do Simples; c) da ampla defesa, do contraditório e devido processo legal, porque ao desconstituir os lançamentos realizados pela empresa, determinando novos valores a serem lançados, com multa de 75%, o agente fiscal o faz de forma unilateral, antes de ser oportunizada qualquer forma de consulta ou defesa ao contribuinte; d) do nãoconfisco, da razoabilidade e da proporcionalidade, em face da aplicação da multa no patamar de 75%. Reitera o efeito suspensivo da impugnação referente à sua exclusão do simples e reclama da retroatividade dos efeitos da exclusão do Simples. A Contribuinte suscita a nulidade dos lançamentos por desrespeito aos princípios constitucionais da ampla defesa do contraditório e do devido processo legal cerceamento do direito de defesa, sob a alegação de que ao desconstituir os lançamentos realizados pela empresa, determinando novos valores a serem lançados, com multa de 75%, o agente fiscal o fez de forma unilateral, antes de ser oportunizada qualquer forma de consulta ou defesa ao contribuinte. Cabe inicialmente aduzir que a única hipótese prevista de nulidade dos atos processuais, entre os quais se incluem os autos de infração, está perfeitamente definida no inciso I do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e referese ao caso em que a lavratura tenha sido feita por pessoa incompetente, o que não veio a ocorrer na situação presente. As demais irregularidades, incorreções ou omissões porventura verificadas, e que não é o caso dos lançamentos em exame, são passíveis de saneamento, conforme prevê o artigo 60 do mencionado Decreto. Observase, ainda, que a hipótese do inciso II do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, relativa ao cerceamento do direito de defesa, não se aplicaria ao auto de Fl. 371DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11060.002530/200941 Acórdão n.º 140200.999 S1C4T2 Fl. 0 11 infração. É que a ampla defesa e o contraditório somente têm lugar com a apresentação da impugnação. Isso porque o procedimento de fiscalização tem natureza inquisitiva. A contribuinte teve acesso a todos os elementos constantes da peça de autuação, os quais permitiram identificar o fundamento da exigência fiscal de forma que a autuada apresentou sua impugnação no prazo de 30 (trinta) dias da data da ciência da exigência tributária, conforme preceitua o artigo 15 do mencionado Decreto, demonstrando amplo conhecimento da matéria tratada e exercendo plenamente o seu direito de defesa. Desta forma, não há que se aventar a nulidade do auto de infração, uma vez ausente qualquer indício que denote vício irremediável quer do lançamento quer do procedimento fiscal que lhe deu origem, visto que nos autos não restou provada qualquer violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos arts. 10 e 59 do PAF. A Impugnante também aponta ofensa ao princípio da legalidade pelo fato de os Agentes Fiscais não terem aguardado a decisão final quanto ao processo administrativo que trata da Manifestação de Inconformidade contra o Ato Declaratório de Exclusão da empresa do Simples. Não há previsão legal no sentido de que a apresentação de Manifestação de Inconformidade contra Ato Declaratório de Exclusão da pessoa jurídica do Simples possa obstar, até decisão final na esfera administrativa, a lavratura de Auto de Infração para a exigência dos tributos devidos, com base nas normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, a partir do período em que se processaram os efeitos da exclusão. E não poderia ser diferente, até porque, caso prosperasse a pretensão da Impugnante, os interesses da Fazenda Nacional estariam sendo prejudicados em face do curso dos prazos decadenciais. Portanto, a Autoridade Fiscal, ao lavrar os Autos de Infração decorrentes da exclusão da pessoa jurídica do Simples, para a exigência dos tributos que deixaram de ser recolhidos, em virtude de a Contribuinte têlos apurado indevidamente, pela referida sistemática de recolhimento, o fez no estrito cumprimento ao disposto no art. 142 do CTN. Todavia, dispõe o § 3º do art. 15 da Lei nº 9.317, de 1996, que: A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. No caso concreto, a Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Ato Declaratório de Exclusão, no processo nº 11060.000756/200745, já foi julgada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria (RS), que proferiu o acórdão nº 1811.600, em 20 de novembro de 2009, mantendo o despacho do Delegado da Receita Federal em Santa Maria que excluiu a Impugnante do Simples, porém, surgindo os efeitos da exclusão apenas a partir de 1º de janeiro de 2002. Observese que das decisões administrativas de primeira instância relativas a processos de exigências fiscais cabe recurso à instância superior, conforme dispõe o art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Da mesma forma, então, deve ser entendido para as decisões proferidas em apreciação de manifestações de inconformidade às exclusões de ofício da sistemática Simples. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11060.002530/200941 Acórdão n.º 140200.999 S1C4T2 Fl. 0 12 Assim, a execução do presente Acórdão fica condicionada à ocorrência, no processo nº 11060.000756/200745, de uma das situações dispostas no art. 42 do Decreto nº 70.235, de 1972, o qual dispõe: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância, esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância, de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem a sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Quanto à inconformidade da Contribuinte contra os efeitos retroativos do Ato Declaratório de Exclusão do Simples, cumpre esclarecer que não cabe tal discussão no presente processo, mas sim, no processo nº 11060.000756/200745, no qual a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria (RS) proferiu o acórdão nº 1811.600, em 20 de novembro de 2009, julgando procedente em parte a Manifestação de Inconformidade, mantendo o despacho do Delegado da Receita Federal em Santa Maria, que excluiu a Impugnante do Simples, porém, retificando a data partir da qual surtem os efeitos os efeitos da exclusão para “a partir de 1º de janeiro de 2002”, ao invés de 1º de março de 2001, como constava do citado Ato Declaratório. Por sua vez, o art. 16 da Lei nº 9.317 de 2006, assim dispõe: Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Dessa forma, a partir de 1º de janeiro de 2002, a Contribuinte estava obrigada às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, ou seja: lucro real, presumido ou arbitrado. Por conseguinte, ao contrário do alegado pela Impugnante, está comprovada a irregularidade dos seus recolhimentos, relativos ao período autuado, feitos indevidamente pela sistemática do Simples. Observase que a apuração com base no lucro presumido não seria possível, em virtude de a empresa, em cada anocalendário, não haver feito a opção por essa forma de tributação, mediante o recolhimento a esse título, conforme o disposto no art. 26, § 1º da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 26. A opção pela tributação com base no lucro presumido será aplicada em relação a todo o período de atividade da empresa em cada anocalendário. § 1º A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11060.002530/200941 Acórdão n.º 140200.999 S1C4T2 Fl. 0 13 Da mesma forma, a apuração pelo lucro real anual ficou inviabilizada em decorrência da inexistência da opção, pela interessada, prevista nos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. Art. 3º A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 1º, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime do lucro real, ou a opção pela forma do art. 2º será irretratável para todo o anocalendário. Parágrafo único. A opção pela forma estabelecida no art. 2º será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade. A Autoridade Fiscal buscou a possibilidade de apuração pelo lucro real trimestral. Para tanto, intimou a empresa a apresentar os Livros de Apuração do Lucro Real – Lalur, as Demonstrações de Resultado do Exercício – DRE em períodos de apuração trimestrais, bem como a apresentar o Balanço Patrimonial e a Demonstração de Lucros e Prejuízos Acumulados, relativamente ao período de 01/2004 a 06/2007, de acordo com o disposto nos art. 260, inciso III, e 274, do RIR/1999. Também intimou a pessoa jurídica a apresentar Demonstrativos Trimestrais de Apuração da CSLL relativamente ao citado período, de acordo com o disposto nos art. 2º a 6º da Lei nº 7.689, de 1988, e no art. 28 da Lei nº 9.430, de 1996. Todavia, a Contribuinte não apresentou os documentos solicitados, o que inviabilizou a apuração do lucro real trimestral. Assim, considerando que a empresa autuada não preenchia os requisitos para as demais formas de tributação supracitadas, tornouse obrigatório o lançamento do IRPJ com base no lucro arbitrado por determinação expressa contida no art. 530 do RIR/1999, que em seus incisos I, II e III, assim dispõem: Art.530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; Fl. 374DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11060.002530/200941 Acórdão n.º 140200.999 S1C4T2 Fl. 0 14 II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a)identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b)determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Desse modo, há de se reconhecer o acerto da autoridade fiscal ao adotar como forma de apuração da base de cálculo do IRPJ o Lucro Arbitrado, pois assim está expressamente determinado no artigo 530, incisos I, II e III do RIR/1999, para a situação fática em exame, não se constituindo, portanto, em um procedimento ilegal, mas, sim, no cumprimento de disposições legais a que a autoridade fiscal está obrigada, por força do disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional. Por sua vez, o critério para a determinação do lucro arbitrado tem como fundamento legal o art. 532 do RIR/1999, segundo o qual o lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, em função de cada atividade que deu origem à receita, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). Portanto, o lançamento referente ao Imposto de Renda foi efetuado em estrita observância da legislação tributária de regência. A respeito das arguições de ofensa aos princípios constitucionais mencionados pela Impugnante, cabe esclarecer que a atividade administrativa é plenamente vinculada, devendo o julgador administrativo limitar seu pronunciamento à legalidade dos atos administrativos trazidos à sua apreciação, esgotando a sua competência em declarar se o ato administrativo questionado encontra, ou não, fundamento de validade na legislação de regência. Estando o ato administrativo em análise em conformidade com a legislação de regência, como já demonstrado neste voto, estaria a Impugnante a insurgirse contra normas legais plenamente em vigor e, portanto, carecem as Delegacias de Julgamento da Receita Federal, no desempenho de suas funções, de competência para se pronunciar a respeito de conformidade de lei ou ato normativo com preceitos emanados da Constituição Federal, por ser matéria reservada exclusivamente ao Poder Judiciário. Por oportuno, convém também registrar que a doutrina e a jurisprudência citada ou transcrita pela Impugnante em sua defesa servem apenas como forma de ilustrar e reforçar sua argumentação, não vinculando a administração àquela interpretação, isto porque não têm eficácia normativa. Portanto, não cabe ao agente do Fisco deixar de aplicar a legislação tributária com base em entendimentos doutrinários contrários à legislação tributária ou com fulcro em decisões judiciais sem efeito erga omnes, em que o sujeito passivo não for parte do processo, uma vez que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11060.002530/200941 Acórdão n.º 140200.999 S1C4T2 Fl. 0 15 Ademais, a simples leitura de ementas de acórdãos não permite uma vinculação imediata à situação em que se enquadra a Contribuinte, dada as peculiaridades de cada caso, nem sempre evidenciadas pelas ementas transcritas. Dessa forma, mantémse, na íntegra, a tributação referente ao IRPJ. Quanto aos demais Autos de Infração (Contribuição para o PIS, COFINS e CSLL), em se tratando de tributação decorrente, deve ser observado o que for decidido para o Auto de Infração principal, uma vez que todas as exigências tiveram o mesmo suporte fático. Sustenta a Contribuinte que a multa aplicada é flagrantemente ilegal e inconstitucional em face do princípio constitucional e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% está prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, e, uma vez caracterizada a falta de pagamento do tributo devido, a sua aplicação é obrigatório em lançamento de ofício. No tocante aos aspectos de inconstitucionalidade levantados pela impugnante — a utilização da multa e do tributo com o efeito de confisco e a violação aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade —, tratamse de garantias constitucionais dirigidos ao legislador infraconstitucional e não ao executivo, mero aplicador da lei. Convém reiterar que, por força dos princípios da legalidade e da independência e harmonia dos poderes da República, foge à competência da autoridade administrativa apreciar a argüição e declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento pátrio, por se tratar de prerrogativa reservada ao Poder Judiciário (artigos 97 e 102 da Constituição Federal). Dessa forma, demonstrada a existência dos ilícitos apontados nos autos de infração e estando a situação fática apresentada perfeitamente tipificada e enquadrada no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, que a insere no campo das infrações tributárias, mantenho a aplicação da multa de ofício, no valor de 75%, não se podendo acolher as alegações inconstitucionalidade, tampouco reduzila a percentual distinto daquele fixado na lei de regência. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 376DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 10880.017470/99-48
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 31/10/1989 a 30/11/1991
FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL.
Para os pedidos administrativos protocolizados antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5).
Numero da decisão: 9900-000.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator.
EDITADO EM: 26/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator. EDITADO EM: 26/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 31/10/1989 a 30/11/1991 FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL. Para os pedidos administrativos protocolizados antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. EDITADO EM: 26/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 01 74 70 /9 9- 48 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 2 de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional (doc. a fls. 137 e segs.), com fundamento no arts. 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 2007, em face do Acórdão n° 03 05.865, que negou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o fundamento de que o prazo prescricional da pretensão à restituição de valores pagos a título de Finsocial começou a correr com a edição da MP n˚ 1.110/95, por meio da qual a Fazenda Nacional teria reconhecida a inconstitucionalidade da exação. Em breve síntese, a recorrente sustenta que: “pelo exame dos artigos 165, inciso I e 168, inciso I, ambos do CTN, constatase que o direito de o sujeito passivo pleitear a restituição total ou parcial de tributo pago indevidamente ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido, EXTINGUESE COM O DECURSO DO PRAZO DE CINCO ANOS, CONTADOS DA DATA DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO”. Em apoio ao seu argumento, sustenta que: “Esse entendimento, conforme ensina Leandro Paulsen, já se firmou na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: ‘A Primeira Seção do STJ, quando do julgamento dos Embargos de Divergência no REsp 435.835SC, em março de 2004, reconsiderou entendimento anterior para firmar posição, agora, no sentido de que a declaração de inconstitucionalidade não influi na contagem do prazo para repetição ou compensação. Entendemos que prevaleceu a melhor orientação. Isso porque o prazo não se altera em função do fundamento do pedido de repetição, de modo que a declaração de inconstitucionalidade, pelo Supremo, não tem implicação na sua contagem. Efetivamente, o direito à repetição não se origina da decisão do STF. Cada contribuinte, antes mesmo de qualquer decisão do STF, tem a possibilidade de buscar no Judiciário, o reconhecimento do direito à repetição ou à compensação com fundamento em inconstitucionalidade forte no controle difuso’(Grifou se). O posicionamento adotado no EREsp acima mencionado já se encontra pacificado naquela Corte. Foi inclusive reiterado, recentemente, pelo voto condutor do eminente Ministro Teori Albino Zavascki, no REsp 747.091/SC. Vejase: ‘Considerouse ser irrelevante, para efeito da contagem do prazo prescricional, a causa do recolhimento indevido (v.g., pagamento a maior ou declaração de inconstitucionalidade do tributo pelo Supremo), eliminandose a anterior distinção Fl. 171DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10880.017470/9948 Acórdão n.º 9900000.486 CSRFPL Fl. 166 3 entre repetição de tributos cuja cobrança foi declarada em controle concentrado e em controle difuso, com ou sem edição de resolução pelo Senado Federal (...)’ (Grifouse).” Em despacho a fls. 158, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais admitiu o Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional, por entender que atendia aos pressupostos de recorribilidade. Cientificada do recurso extraordinário da Fazenda Nacional, o contribuinte não apresentou contrarrazões.(vide doc.a fls. 164). Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior Ao analisar mais detidamente o acórdão paradigma (Acórdão n˚ 0202.088) aduzido pela recorrente, verifico que, embora o Relator tenha feito menção a posição predominante à época neste Colegiado, qual seja, a de que o dies a quo do prazo prescricional se desloca para a data da publicação da Resolução Senatorial, essa não foi a ratio decidendi do julgado, mas sim, mero obiter dictum. Tanto é assim que na ementa do acórdão sequer qualquer menção foi feita acerca desse entendimento. Aliás, o Relator não poderia sustentar as duas posições ao mesmo tempo, ainda que, naquele caso, elas levassem ao mesmo resultado, pois elas são excludentes, razão que demonstra ainda mais o caráter acessório do comentário feito sobre a posição majoritária então vigente. Assim, a verificação da divergência deve ser feita à luz do posicionamento que efetivamente foi adotado no acórdão paradigma, qual seja, que o dies a quo do prazo prescricional é aquele indicado no art. 168, I, do CTN. Por essa razão conheço do recurso extraordinário da Fazenda Nacional, pois resta presente o dissídio jurisprudencial. Por força do disposto no art. 62A do RICARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo art. 543C do CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, reproduzo o que fora decidido no REsp nº 1.110.578/SP, representativo de controvérsia julgado pela sistemática do art. 543 do CPC, cuja ementa a seguir transcrevo: REsp 1110578 /SP RECURSO ESPECIAL 2009/00083134 Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador S1 PRIMEIRA SEÇÃO Data do Julgamento 12/05/2010 Data da Publicação/Fonte DJe 21/05/2010RT vol. 900 p. 204 Ementa TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART.543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA.TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 4 PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em23/06/2009, DJe 10/08/2009; AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI,PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp.732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO,julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel.Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008."[grifo nosso] Do julgado acima transcrito, de plano já se conclui que o acórdão recorrido merece reforma, pois, como ali decidido, "declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício". Resta, então saber qual o prazo prescricional, quando se tratar de tributo sujeito ao lançamento por homologação, pois a posição adotada no item 1 do acórdão acima transcrito referese unicamente aos lançamentos de ofício. Sobre tal questão, já decidiu o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o recurso representativo da controvérsia RE n. 566.621/RS; como também o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o recurso representativo de controvérsia REsp n. 1.269.570MG. Tal posição jurisprudencial foi muito bem sintetizada na ementa do REsp 1089356/PR, a qual assim dispõe: Fl. 173DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10880.017470/9948 Acórdão n.º 9900000.486 CSRFPL Fl. 167 5 REsp 1089356 / PR RECURSO ESPECIAL 2008/02103521 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 02/08/2012 Data da Publicação/Fonte DJe 09/08/2012 Ementa TRIBUTÁRIO. RECURSOS ESPECIAIS. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 543B, § 3º, DO CPC. MANDADO DE SEGURANÇA QUE ATACA INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS DA CSLL REFERENTES AO EXERCÍCIO DE 1996. PEDIDO ADMINISTRATIVO PROTOCOLADO ANTES DE 09.06.2005. INAPLICABILIDADE DA LEI COMPLEMENTAR N. 118/2005 E DO ART. 16 DA LEI N. 9.065/95. 1. Tanto o STF quanto o STJ entendem que, para as ações de repetição de indébito relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação ajuizadas de 09.06.2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento. Já para as ações ajuizadas antes de 09.06.2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, §4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). Precedente do STJ: recurso representativo da controvérsia REsp n. 1.269.570MG, 1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 23.05.2012. Precedente do STF (repercussão geral): recurso representativo da controvérsia RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011. 2. No caso, embora se trate de mandado de segurança ajuizado no ano de 2007, houve observância do prazo do art. 18 da Lei n. 1.533/51 e a impetrante impugna o ato administrativo que decretou a prescrição do seu direito de pleitear a restituição dos saldos negativos da CSLL referentes ao anocalendário de 1995, exercício de 1996, cujo pedido de restituição foi protocolado administrativamente em 05.07.2002, antes, portanto, da Lei Complementar n. 118/2005. Diante das peculiaridades dos autos, o Tribunal de origem decidiu que o prazo prescricional deve ser contado da data de protocolo do pedido administrativo de restituição. Em assim decidindo, a Turma Regional não negou vigência ao art. 168, I, do CTN; muito pelo contrário, observou entendimento já endossado pela Primeira Turma do STJ (REsp 963.352/PR, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 13.11.2008). 3. No tocante ao recurso da impetrante, deve ser mantido o acórdão do Tribunal de origem, embora por outro fundamento, pois, ainda que o art. 16 da Lei n. 9.065/95 não se aplique nas hipóteses de restituição, via compensação, de saldos negativos da CSLL, no caso a impetrante formulou administrativamente simples pedido de restituição. Na Fl. 174DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 6 espécie, ao adotar a data de homologação do lançamento como termo inicial do prazo prescricional quinquenal para se pleitear a restituição do tributo supostamente pago a maior, o Tribunal de origem considerou tempestivo o pedido de restituição, o qual, por conseguinte, deverá ter curso regular na instância administrativa. Mesmo que a decisão emanada do Poder Judiciário não contemple a possibilidade de compensação dos saldos negativos da CSLL com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, nada obsta que a impetrante efetue a compensação sob a regência da legislação tributária posteriormente concebida. 4. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido, e recurso especial da impetrante não provido, em juízo de retratação. Em suma, temos que: a) para as ações de repetição de indébito relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação ajuizadas de 09/06/2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento; e b) para as ações ajuizadas antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). Todavia, o julgado acima transcrito foi além do decidido nos recursos representativos de controvérsia retro citados, pois sustentou que tais conclusões se aplicariam também em caso de pedido administrativo, ou seja, as mesmas considerações acerca da data do ajuizamento da ação de repetição de indébito, para fins de determinação do dies a quo do prazo prescricional, seriam também aplicáveis em caso de restituição pedida diretamente à Administração Tributária. Sobre tal ponto, embora não seja caso de aplicação do art. 62A, já que o referido recurso especial não foi julgado pela sistemática do art. 543C do CPC, adoto tal entendimento para então concluir que: a) para os pedidos administrativos de restituição relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação protocolizados de 09/06/2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento; e b) para os pedidos administrativos protocolizados antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). In casu, como o pedido foi protocolizado em 11/06/1999, aplicase a cumulação dos prazos do art. 150, § 4˚, com o do art. 168, I, do CTN, ou seja, dez anos contados do fato gerador, razão pela qual concluo ser tempestivo o pedido de restituição dos pagamentos a título de Finsocial relativos aos fatos geradores de 10/1989 a 11/1991. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, para enfrentamento do mérito do pedido de restituição/compensação em tela. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 175DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10880.017470/9948 Acórdão n.º 9900000.486 CSRFPL Fl. 168 7 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000671/2011-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008
Ementa:
ARBITRAMENTO DO LUCRO. COEFICIENTE.
Como regra, o lucro arbitrado das pessoa jurídicas será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, do percentual de 8%, acrescido de vinte por cento (Lei nº 9.249/95, art. 16 c/c art. 15, caput). Inexistindo, pois, evidência de que o contribuinte auferiu receita proveniente de atividade sujeita a percentual mais elevado, restam inaplicáveis as disposições do art. 24 do diploma legal acima referenciado.
PEREMPÇÃO.
O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância, ex vi do disposto no art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972. Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que, nos termos do art. 42 do mesmo diploma, a decisão de primeira instância já se tornou definitiva.
Numero da decisão: 1301-001.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e não conhecer o recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
documento assinado digitalmente
Plínio Rodrigues Lima
Presidente.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2008 Ementa: ARBITRAMENTO DO LUCRO. COEFICIENTE. Como regra, o lucro arbitrado das pessoa jurídicas será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, do percentual de 8%, acrescido de vinte por cento (Lei nº 9.249/95, art. 16 c/c art. 15, caput). Inexistindo, pois, evidência de que o contribuinte auferiu receita proveniente de atividade sujeita a percentual mais elevado, restam inaplicáveis as disposições do art. 24 do diploma legal acima referenciado. PEREMPÇÃO. O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância, ex vi do disposto no art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972. Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que, nos termos do art. 42 do mesmo diploma, a decisão de primeira instância já se tornou definitiva.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008 Ementa: ARBITRAMENTO DO LUCRO. COEFICIENTE. Como regra, o lucro arbitrado das pessoa jurídicas será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, do percentual de 8%, acrescido de vinte por cento (Lei nº 9.249/95, art. 16 c/c art. 15, caput). Inexistindo, pois, evidência de que o contribuinte auferiu receita proveniente de atividade sujeita a percentual mais elevado, restam inaplicáveis as disposições do art. 24 do diploma legal acima referenciado. PEREMPÇÃO. O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância, ex vi do disposto no art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972. Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que, nos termos do art. 42 do mesmo diploma, a decisão de primeira instância já se tornou definitiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e não conhecer o recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Plínio Rodrigues Lima Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 06 71 /2 01 1- 60 Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 4/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000671/201160 Acórdão n.º 1301001.189 S1C3T1 Fl. 1.288 2 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 4/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000671/201160 Acórdão n.º 1301001.189 S1C3T1 Fl. 1.289 3 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas ao anocalendário de 2007, formalizadas a partir da imputação de omissão de receitas, apurada a partir do confronto dos valores declarados ao Fisco estadual e os informados na DIPJ e nas DCTFs. Em virtude de a contribuinte, apesar de intimada, não ter apresentado os livros e documentos relativos à sua escrituração, os lançamentos tributários relativos ao IRPJ e à CSLL dos quatros trimestres do anocalendário de 2007 foram efetuados com base no arbitramento do lucro. Inconformada, a autuada interpôs impugnação (fls. 197/236), momento em que trouxe os seguintes argumentos: que, em razão da quantidade de deveres instrumentais que lhe são impostos, premida pelos prazos, transmitiu a DIPJ/2008, referente ao anocalendário 2007, com a opção de tributação pelo lucro presumido, pretendendo em momento posterior retificar a informação, já que ela sequer poderia optar por tal regime, por ultrapassar o limite da legislação federal; que, no entanto, em 25/11/2009, antes mesmo que pudesse providenciar a retificação, recebeu o Termo de Início de Ação Fiscal, o que na prática a impediu regularizar a sua situação; que nunca teve a intenção de sonegar exações ou omitir informações, tendo declarado suas obrigações sempre de forma adequada e consentânea, como comprova os registros da Receita Federal (DCTF, DIRF, etc.); que, mesmo em face de todas essas condições e justificativas, foi agravada com exigência tributária próxima de R$ 30 milhões, valor capaz de encerrar as suas atividades e causar a extinção de inúmeros empregos; que os lançamentos devem ser declarados nulos por: a) ofensa a princípios constitucionais (da legalidade, igualdade, capacidade contributiva, ); e b) na lavratura dos autos de infração não foram observados os requisitos mínimos, essenciais à constituição do crédito tributário, principalmente quanto à adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza e segurança; que, apesar de legalmente permitido, o arbitramento deve obedecer aos critérios previstos em lei, por se tratar de procedimento administrativo que importa na privação do direito constitucional de propriedade do contribuinte; que a Fiscalização não poderia descartar inteiramente a sua contabilidade fiscal, pois entregou parte dos documentos solicitados e, além disso, não há indícios de que Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 4/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000671/201160 Acórdão n.º 1301001.189 S1C3T1 Fl. 1.290 4 foram respeitadas as regras contidas no art. 51 da Lei nº 8.981/95, que tratam especificamente da eleição da base de cálculo tributável; que a autuação fiscal, por ter partido precocemente para o arbitramento, cometeu ofensas a diversos preceitos constitucionais e legais, a saber: a) legalidade – está sendo instada a pagar tributos não previstos em lei mas sim em suposições do fiscal; b) tipicidade cerrada – desdobramento do princípio da legalidade, a autuação fiscal exige valores que não estão previstos no tipo tributário; c) repartição das competências tributárias – ao se basear em meros relatórios não oficiais, a autuação fiscal está exigindo tributos não calcado nas corretas bases de cálculo (lucro líquido e receita bruta); e d) verdade material – a autoridade fiscal deve tentar reconstruir os eventos o mais próximo possível da realidade, baseandose em provas diretas, evitando descartar quaisquer documentos comprobatórios da empresa; que o auto de infração se baseia apenas nas GIAS fornecidas pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, mas os resultados financeiros revelados por tais documentos, além de influenciar tão somente a apuração do PIS (e, portanto, não guardar relação com a formação da base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins), não estão listados nas alíneas do art. 51 da Lei nº 8.981/95, os quais determinam os critérios a serem adotados pela autoridade lançadora quando a receita bruta não é conhecida; que, se os seus documentos contábeis e fiscais não mereciam fé (tanto que a RFB recusou a GIA e os Livros de Registro de Saída e Apuração), por maior razão documentos apócrifos (relatório de metas) também não poderiam servir de base para a lavratura dos mencionados autos de infração; que não poderia optar pelo lucro presumido em relação ao IRPJ e à CSLL e, por conseguinte, não poderia também optar pela tributação no regime de cumulatividade para fins de apuração do PIS e da Cofins, até porque neste caso a movimentação de resíduos de metais (sucatas) está abrangida pelo regime de suspensão dessas exações, cujo ciclo só se encerra quando da venda tributada de produtos acabados produzidos com tais resíduos; que as exigências de IRPJ e CSLL com base no lucro arbitrado é ilegal; que, partindose da premissa da obrigatoriedade pela apuração pelo Lucro Real, ela poderia ainda optar pela forma trimestral ou anual com estimativas mensais; que conforme determina o § único do art. 222 do RIR/99, a opção será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro para quem deseja optar pelo pagamento por estimativa, mas, como previa a apuração de prejuízos, optou concomitantemente pela suspensão, redução e dispensa do imposto mensal (art. 230 do RIR/99), opção registrada através da transmissão das DCTF mensalmente; que ainda que se considere que a manifestação de opção pelo pagamento por estimativa não possa ser suprida pela transmissão das DCTF, a apuração passaria automaticamente a ser regida pelo critério trimestral; que conforme demonstra com planilhas em anexo (Base de dados, Apurações e Lalur), em qualquer das opções os débitos apurados são infinitamente inferiores à exigência fiscal; Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 4/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000671/201160 Acórdão n.º 1301001.189 S1C3T1 Fl. 1.291 5 que, relativamente ao PIS e à COFINS, as exigências pelo regime da cumulatividade é ilegal, pois em decorrência de sua condição de sujeita ao Lucro Real, tem a obrigação de optar pelo regime nãocumulativo, e, além disso, em razão do disposto no art. 48 da Lei nº 11.196/2005; que demonstrase com planilha em anexo (Base de dados, Dacon PIS e Dacon Cofins), que os débitos apurados são infinitamente inferiores à exigência fiscal; que a multa aplicada de 225% é inconstitucional, por ofensa ao art. 150, inciso IV, da Constituição Federal, que veda a utilização do tributo com efeito confiscatório; que, ademais, em nenhum momento ficou comprovada a existência de fraude; que haverá flagrante desrespeito ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, caso seja negado o direito de produção de prova fundamental ou imprescindível para o correto deslinde da questão; que o crédito exigido decorre do arbitramento, assim fazse necessário a realização de perícia para comprovar se o arbitramento realizado pelo Fisco atende à legislação vigente à época e para determinar se o valor do faturamento arbitrado era técnica e comercialmente possível de ser alcançado, diante da sua real capacidade produtiva instalada; que requeria, assim, a realização de diligência com a finalidade de: a) apurar a existência de balanços/balancetes de redução/suspensão, levantados para todos os meses do anocalendário 2007; b) apurar a existência da transcrição deles no respectivo Livro Diário; c) apurar a existência de Livro Diário referente ao ano 2007; d) apurar a existência dos livros Lalur, partes A e B, também de 2007; e) apurar a existência de memórias de cálculo e rascunhos preparatórios da DIPJ pelo lucro real com estimativas; e f) apurar a existência de memórias de cálculo e rascunhos preparatórios das Dacon, pelo regime da nãocumulatividade, para apuração do PIS e da Cofins de 2007. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, apreciando as razões trazidas pela defesa inaugural, decidiu, por meio do acórdão nº 0427.229, de 30 de janeiro de 2012, pela procedência parcial dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente e quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. ARBITRAMENTO DOS LUCROS. CABIMENTO. Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 4/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000671/201160 Acórdão n.º 1301001.189 S1C3T1 Fl. 1.292 6 O contribuinte que deixar de apresentar, regularmente intimado, à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal fica sujeito ao arbitramento de seu lucro, conforme prescrito na legislação. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. OPÇÃO. Atendidos os pressupostos objetivos e subjetivos na prática do ato administrativo de lançamento, sua modificação ou extinção somente se dará nos casos previstos em lei (CTN, art. 141). Como inexiste arbitramento condicional, o ato administrativo de lançamento não é modificável pelo posterior oferecimento da escrituração contábil, cuja falta de apresentação foi a causa do arbitramento. OMISSÃO DE RECEITAS. DIVERGÊNCIAS ENTRE A RECEITA DECLARADA PELO CONTRIBUINTE EM DIPJ E AS RECEITAS DE VENDA DE MERCADORIAS APURADAS PELO FISCO EM AUDITORIA FISCAL. Caracterizase como omissão de receitas a divergência apurada pelo Fisco na comparação entre a receita declarada pelo sujeito passivo na DIPJ e o valor efetivo de suas receitas de vendas de mercadorias, obtido tal valor com o cruzamento da informação prestada pelo sujeito passivo ao Fisco Estadual, mediante preenchimento da GIAICMS. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. Não está compreendida no espectro de competência das Autoridades Administrativas de Julgamento a apreciação de alegação de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal. PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIAS E PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Indeferese a produção de prova pericial, por se tratar de matéria de prova a ser feita mediante a mera juntada de documentação, cuja guarda e conservação compete ao próprio interessado; e por não estar configurada situação a exigir conhecimentos técnicos ou científicos especializados para o deslinde da questão. AUTUAÇÃO REFLEXA: PIS, COFINS, CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. Ao se definir a matéria tributável na autuação principal, o mesmo resultado é estendido à autuação reflexa, face à relação de causa e efeito existente. Por relevante, reproduzo fragmentos do voto condutor da decisão exarada em primeira instância. [...] Observese, ainda, que ao utilizar a fiscalização a sistemática de apuração pelo lucro arbitrado, a qual prevê a aplicação de percentuais sobre a receita bruta para a determinação da base de cálculo, evitase que a tributação incida sobre a totalidade das receitas auferidas no período. De fato, como se vê nos demonstrativos constantes do Termo de Verificação, os valores tributáveis do IRPJ e CSLL foram obtidos mediante aplicação dos coeficientes respectivamente de 19,2% e 12% sobre as receitas, como previsto nos art. 27, I, e 29 da Lei nº 9.430/96. Dessa forma, distintamente do que alegado, das receitas apuradas foram deduzidos 80,80% (IRPJ) e 88% (CSLL), percentuais que representariam os custos e despesas do período, o que permite concluir que, ao se tributar 19,20% das receitas Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 4/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000671/201160 Acórdão n.º 1301001.189 S1C3T1 Fl. 1.293 7 omitidas, os 80,80% restantes foram considerados como custos ou despesas da contribuinte, no caso do IRPJ. E, para a CSLL, 88% das receitas também foram consideradas como custos ou despesas incorridos. No entanto, deste ponto, devese observar que houve um equívoco do agente fiscal. Como se pode ver às fls. 19, o objeto social da empresa é a “exploração industrial e comercial do ramo de negócios de ferro e aço em geral, inclusive importação e exportação, bem como a prestação de serviços de mão de obra relacionados à atividade”. Como ela afirmou em sua impugnação, ela se dedica ao ramo de recuperação de materiais metálicos, exceto alumínio (CNAE 38.31999), o que é confirmado em consulta ao sistema CNPJ. Sua atividade é o comércio e indústria de materiais metálicos, sendo seus insumos as sucatas de ferro e aço. Desta forma, no meu entender, o coeficiente aplicável para a apuração do valor tributável do IRPJ deve ser de 9,6%, e não de 19,2%. Em consequência, a parcela considerada como custos ou despesas da contribuinte, no caso de IRPJ, seria de 90,4%. Utilizandose esse coeficiente (9,6%), o IRPJ devido fica reduzido para os valores abaixo demonstrados: [...] Diante da exoneração de parte do crédito tributário constituído, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 1.229/1.272, por meio do qual renova a argumentação expendida na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 4/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000671/201160 Acórdão n.º 1301001.189 S1C3T1 Fl. 1.294 8 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Conheço do RECURSO DE OFÍCIO impetrado, eis que presentes os pressupostos de admissibilidade. Como visto, a Turma Julgadora de primeira instância reduziu a exigência relativa a Imposto de Renda Pessoa Jurídica por entender que, tratandose de arbitramento do lucro, o coeficiente a ser aplicado no presente caso seria 9,6%, e não 19,2%, como fez a Fiscalização. A autoridade julgadora de primeira instância fundamentou seu entendimento na cópia do Contrato Social da fiscalizada juntada ao processo (fls. 15/21), que, ao descrever o objeto social da sociedade, assinala: Cláusula 3ª O objeto da sociedade é a exploração industrial e comercial do ramo de negócio de ferro e aço em geral, inclusive importação e exportação, bem como a prestação de serviços de mão de obra relacionadas à atividade. Esclareceu, ainda, a Turma Julgadora, que o Código Nacional de Atividade Econômica (CNAE) da contribuinte, devidamente confirmado no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, indica que ela se dedica à atividade de comércio e indústria de materiais metálicos. Perscrutando os autos, não identifico elementos justificadores da aplicação do coeficiente de 19,2%, próprio para o arbitramento do lucro de pessoas jurídicas que exploram o serviço de transporte de passageiros ou das prestadoras de serviços em geral cuja receita bruta anual não ultrapassa o limite de R$ 120.000,00. Por outro lado, cabe destacar que os lançamentos tributários efetivados tomaram por base as Guias de Informação e Apuração do ICMS apresentadas pela autuada à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, e, nas cópias juntadas às fls. 89/144, resta evidenciada a predominância de saídas de mercadorias derivadas de vendas de produção própria ou de terceiro, não existindo elementos indicativos de que houve exploração de atividade sujeita a percentual mais elevado do que o de 9,6%. Observo, ainda, que a autoridade fiscal descreve a infração na peça acusatória como “omissão de receitas da venda de produtos de fabricação própria sem informação da respectiva DIPJ/DCTF.”, reafirmando, assim, a conclusão esposada na decisão de primeiro grau. Tendo, pois, por procedente a redução empreendida em primeira instância, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. No que diz respeito ao RECURSO VOLUNTÁRIO impetrado, todavia, observo que não foi respeitado o prazo para a sua interposição. Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 4/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000671/201160 Acórdão n.º 1301001.189 S1C3T1 Fl. 1.295 9 Com efeito, a contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância no dia 26 de julho de 2012, quintafeira, conforme documento de fls. 1.228, iniciandose a contagem do prazo para ingresso do recurso voluntário no dia 27 de julho, sextafeira. A contribuinte ingressou com o referido recurso voluntário, fls. 1.229, no dia 06 de setembro de 2012. Consoante as disposições constantes do Decreto nº. 70.235/72, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal, temos que: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão ... Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; ... No caso sob exame, o prazo para interposição do recurso venceu no dia 27 de agosto de 2012, uma segundafeira, sendo, portanto, o recurso apresentado em 06 de setembro do mesmo ano, intempestivo, e, nos termos do artigo 42 acima transcrito, a decisão prolatada em primeira instância, definitiva. Assim, considerando que a Recorrente não cumpriu o prazo previsto no art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972, para interposição do recurso voluntário contra a decisão exarada em primeira instância, conduzo meu voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso voluntário, por perempto. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 4/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 12898.000557/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2006 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO. ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. Os prejuízos fiscais apurados em períodos anteriores poderão ser compensados com o lucro real do período, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa, por incorporação ou por outro motivo. A compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores é expressiva de benefício fiscal, a ser interpretado restritivamente, e não constitui direito adquirido do contribuinte, conforme jurisprudência do STF.
Numero da decisão: 1301-000.822
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Valmir Sandri, Carlos Jenier e o Relator, Edwal Casoni. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2038; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 293 1 292 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12898.000557/200919 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 130100.822 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de março de 2012 Matéria IRPJ. Recorrente GLOBO COMUNICAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO. ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. Os prejuízos fiscais apurados em períodos anteriores poderão ser compensados com o lucro real do período, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa, por incorporação ou por outro motivo. A compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores é expressiva de benefício fiscal, a ser interpretado restritivamente, e não constitui direito adquirido do contribuinte, conforme jurisprudência do STF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Valmir Sandri, Carlos Jenier e o Relator, Edwal Casoni. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior – Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. – Relator (assinado digitalmente) Fl. 293DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Ass inado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12898.000557/200919 Acórdão n.º 130100.822 S1C3T1 Fl. 294 2 Waldir Veiga Rocha – Redator Designado Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ. Observase pela análise do presente processo que em desfavor da recorrente acima identificada foi lavrado auto de infração (fls. 20 – 24) para formalização e exigência de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas atinente ao ano calendário 2005. Depreendese ainda, que o aludido lançamento se baseou na constatação de compensação indevida de prejuízo fiscal, tendo em vista a inobservância do limite de 30% do lucro líquido ajustado, sendo certo que como fundamentação, de acordo com o que disposto no Termo de Constatação Fiscal (fls. 18 – 19), consignouse que em 31/08/2005, a TV Globo Ltda., CNPJ 33.252.156/000119, foi incorporada pela ora recorrente e que em sua DIPJ 2005, relativa ao período de 01/01/2005 a 31/08/2005, a TV Globo compensou integralmente o lucro real apurado em 31/08/2005 com prejuízos fiscais de períodos anteriores, ultrapassando em R$ 56.866.966,51 o limite de 30% do lucro liquido ajustado. Destacou a autoridade lançadora, que intimada a justificar o excesso a recorrente argumentou que: "havendo o encerramento das atividades da pessoa jurídica em razão da incorporação, não haverá meios dos prejuízos fiscais serem utilizados em anos subsequentes de acordo com as regras da Lei n° 9.065/95, sendo desrespeitados os princípios constitucionais da vedação do confisco, da livre iniciativa e da proporcionalidade". Considerando que inexiste na lei exceção à regra que limita a compensação a 30% do lucro liquido ajustado, a Fiscalização constituiu o correspondente crédito tributário. A recorrente tomou ciência do auto de infração em 05 de maio de 2009 (fl. 19), e inconformada apresentou Impugnação (fls. 32 44) acompanhada dos documentos de folhas 45 a 191, sede na qual alegou que a limitação de 30% para a compensação de prejuízos fiscais estabelecida no artigo 15 da Lei no 9.065/95 constitui uma derrogação ao princípio segundo o qual só é legitima a tributação de acréscimos patrimoniais reais e efetivos, consagrada no artigo 43 do CTN, eis que a desconsideração de uma parcela dos prejuízos fiscais efetivamente incorridos leva a tributar um valor superior aquele que constitui a verdadeira renda, representando assim taxação de patrimônio ou capital. Mencionou que única razão que poderia tolerar a limitação quantitativa estaria em que, em contrapartida, se reconheceu que o direito à compensação desses prejuízos pode ser exercido sem qualquer limitação temporal, o que decorre precisamente do fato de a Lei n° 9.065/95 ter, simultaneamente, estabelecido a restrição quantitativa de 30%, mas em contrapartida suprimido os prazos de “prescrição” anteriormente vigentes. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Ass inado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12898.000557/200919 Acórdão n.º 130100.822 S1C3T1 Fl. 295 3 Salientou que tais fundamentos, contudo, não se aplicariam aos casos em que há extinção da pessoa jurídica, tendo em vista incidir nesta hipótese a limitação especial prevista no artigo 33 do DecretoLei n° 2.341/87, segundo o qual: "A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida", de sorte que não se poderia admitir validamente a coexistência de duas limitações concomitantes, a limitação de 30% e a impossibilidade de a incorporadora utilizar os prejuízos fiscais da incorporada que conduzem ao mesmo tempo a uma limitação quantitativa e temporal dos prejuízos fiscais, ao arrepio do artigo 43 do CTN. Sustentou a recorrente, portanto, que a única interpretação que permite validamente harmonizar tais limites com o sistema tributário é a de que a limitação quantitativa de 30% fica afastada naqueles casos em que seja aplicável a limitação contida no artigo 33 do DecretoLei n° 2.341/87, porquanto a regra especial derrogaria a limitação geral estabelecida pela Lei nº 9.065/95, nos casos de fusão, cisão ou incorporação. Citou precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) segundo os quais "a norma [de limitação] é compatível com o sistema jurídico tributário, única e exclusivamente, em razão de o contribuinte poder efetuar a compensação dos saldos dos prejuízos acumulados nos exercícios subsequentes" (fl. 39), e argumentou que a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) teria pacificado e entendimento no sentido “de se admitir a compensação integral do prejuízo fiscal, independentemente do limite quantitativo de 30%, no caso de incorporação de sociedade" (fl. 42) e ao fim requereu fosse integralmente anulado o auto de infração e reconhecido o direito à compensação integral dos prejuízos fiscais no exercício em e foi extinta a TV Globo Ltda., por incorporação. A 2ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ, nos termos do acórdão e voto de folhas 194 a 199, julgou procedente o auto de infração fundamentando para tanto, em síntese, que muito embora a questão levantada já tenha sido apreciada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) em sede de recurso de divergência, merece ser revista em função do entendimento fixado pelo Supremo Tribunal Federal em julgado recente. Destacouse nessa toada, que o acréscimo patrimonial previsto no art. 43 do CTN está associado a um período de apuração, ou seja, se houver acréscimo patrimonial no período, incidirá o Imposto de Renda e a hipótese nada mencionaria sobre as variações patrimoniais de períodos anteriores, portanto, haveria a incidência, mesmo que o contribuinte tenha experimentado decréscimos patrimoniais antes de iniciado o período. Firmouse na decisão recorrida, diante disso, o entendimento de que os prejuízos fiscais de períodos anteriores não representam crédito algum para a pessoa jurídica, embora haja, em outra norma, a previsão de um beneficio fiscal, que autoriza o contribuinte a compensálos até determinado limite. Em sendo assim, aduziu a decisão recorrida que equivocouse a recorrente quando afirma que "a única razão que torna tolerável a limitação quantitativa em causa vis a vis o art. 43 do CTN está em que, em contrapartida, se reconheceu que o direito à compensação desses prejuízos pode ser exercido sem qualquer limitação temporal". Na verdade, segundo fundamentação da decisão recorrida, uma norma que eventualmente vedasse a compensação de prejuízos, ao invés de afrontar o art. 43 do CTN, estaria em total harmonia com este dispositivo, que prevê a incidência do imposto em caso de acréscimo patrimonial no período e que este seria o entendimento do Supremo Tribunal Fl. 295DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Ass inado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12898.000557/200919 Acórdão n.º 130100.822 S1C3T1 Fl. 296 4 Federal sobre a natureza da norma que autoriza o contribuinte a compensar prejuízos fiscais de períodos anteriores, manifestado no julgamento do Recurso Extraordinário n° 344.994 e, portanto, como depende de previsão legal a compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores, e não há norma especial que afaste das pessoas jurídicas incorporadas a limitação a 30% do lucro líquido ajustado, devese negar provimento a impugnação. Devidamente cientificada da decisão desfavorável (fl. 205), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 206 – 228), sustentando em resumo, que o direito à compensação dos prejuízos apurados em exercícios anteriores com o lucro do exercício está na base da própria sistemática da legislação do imposto de renda que incide sobre o somatório dos ganhos e perdas auferidos pela pessoa jurídica e que a atividade econômica é exercida de forma dinâmica e em caráter continuo, sendo que o imposto de renda incide sobre os acréscimos patrimoniais resultantes desta atividade e os tais acréscimos, em termos conceituais, correspondem às riquezas novas que se adicionam ao patrimônio da sociedade, ou seja, que acrescem e se somam ao capital investido pelos sócios. Diante disso, sustentou a recorrente, é que o acréscimo patrimonial real de uma pessoa jurídica corresponde à diferença positiva entre o capital investido pelos sócios e o valor do patrimônio ao final de sua existência jurídica. Porém, como as pessoas jurídicas têm, via de regra, existência indeterminada, a legislação tributária fixou o período anual como lapso temporal para a aferição da sua evolução do patrimônio da pessoa jurídica. Seguiu arrazoando que sobre cada novo acréscimo experimentado no período anual, incide a tributação e que ao adotar a periodicidade anual, a lei estabeleceu fictamente um corte nos resultados da atividade econômica empresarial, que por natureza é de caráter contínuo e se desenvolve ao longo de toda a existência da pessoa jurídica, criando desta forma o que a doutrina definiu como um "conceito estático de renda" sendo certo que esse caráter contínuo da atividade empresarial, no entanto, faz com que seja necessário o estabelecimento de algum tipo de comunicação entre os períodos de apuração, a fim de que se possa promover ajustes capazes de aproximar a renda tributada em cada período ao verdadeiro acréscimo patrimonial experimentado pela pessoa jurídica, mensurado em face do capital investido pelos sócios e das perdas experimentadas na atividade empresarial. Afirmouse ainda, que em razão de os prejuízos decorrem do exercício da atividade da sociedade, teriam o condão de reduzir o patrimônio da pessoa jurídica. Assim é que do ponto de vista econômico quando há prejuízo em certo período os lucros apurados em exercício subsequente apenas corresponderão a um acréscimo real se excederem o valor dos prejuízos absorvidos. Segundo sustenta, este seria o fundamento que estaria na base do direito à compensação de prejuízos fiscais e foi com base neste mesmo racional que a legislação tributária brasileira também reconheceu pela Lei n° 154/47, posteriormente modificada pelo DecretoLei n° 1.493/76 e pelo DecretoLei n° 1.598/77, o direito à compensação dos prejuízos fiscais apurados em exercícios anteriores, sem o qual o imposto de renda acabaria por incidir sobre o que não é verdadeiramente renda, mas sim o patrimônio ou capital da companhia. Prosseguiu a contribuinte, dando conta de que a sistemática de compensação de prejuízos fiscais então vigente estabelecia o direito da pessoa jurídica à sua compensação integral, sem limites quantitativos, sujeito, contudo, ao prazo prescricional de 4 anos e que somente com a edição da Lei n° 8.981/95 e do art. 15 da Lei nº 9.065/95 que foi introduzida em nosso direito a limitação de 30% compensação de prejuízos fiscais, a qual teria constituído Fl. 296DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Ass inado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12898.000557/200919 Acórdão n.º 130100.822 S1C3T1 Fl. 297 5 violação ao princípio segundo o qual só é legitima a tributação de acréscimos patrimoniais reais e efetivos, consagrado no art. 43 do CTN, não fosse a lei ter concomitantemente à sua introdução abolido o prazo prescricional de 4 anos. Afirmou, destarte, que foi o próprio legislador que quis assegurar o direito do contribuinte compensação integral dos prejuízos, direito este que a lei reconhece ao abolir o seu prazo prescricional, evidenciando que o limite quantitativo introduzido pelas Leis n°s 8.981/95 e 9.065/95 não afasta nem impede o exercício deste direito, mas apenas o posterga no tempo. Seguiu arrazoando no mesmo sentido e destacouse que no caso dos autos, por versarse hipótese de extinção da pessoa jurídica, faltaria o pressuposto lógico e intrínseco do art. 15 da Lei n° 9.065/95, consistente na garantia de compensação futura dos prejuízos, por prazo indeterminado, pressuposto este que torna incompatível a aplicação de tal limite com o preceito do art. 33 do DecretoLei n° 2.341/87 que impede a sua transmissão para a sucessora, de sorte que admitirse a hipótese de que ambas limitações pudessem conviver, se estaria permitindo a tributação do patrimônio do contribuinte em violação ao art. 43 do CTN e em contrariedade com o espirito da Lei n° 9.065/95. No mais, apontou o que considerar como equívocos da decisão recorrida, citou precedentes administrativos sobre a matéria e pugnou por provimento do seu recurso e a consequente reforma da decisão recorrida. A zelosa Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas Contrarrazões (fls. 233 – 247), aduzindo a impossibilidade compensação integral dos prejuízos fiscais pela incorporada reafirmando todo o quadro legal que estabelece a referida limitação percentual, sustentando que sua constitucionalidade, falo da limitação, já fora assentada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 344.994/PR, salientando o posicionamento segundo o qual a compensação de prejuízos fiscais de exercícios anteriores constitui autêntico benefício fiscal, que pode ser revisto a qualquer tempo pelo ente público competente para a instituição do tributo, portanto, vinculado ao princípio da legalidade. Destacouse ainda, que na hipótese dos autos, a TV Globo Ltda. foi incorporada pela Globo Comunicações e Participações S.A em 31/08/2005 e na declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, anocalendário de 2005, período de apuração de 01/01/2005 a 31/08/2005, a incorporada compensou todo o lucro real apurado com prejuízos fiscais de anos anteriores, sem observar a trava de 30% prevista na legislação tributária. Para refutar os argumentos da recorrente, aduziu a Procuradoria da Fazenda Nacional que sendo a compensação dos prejuízos fiscais de anos anteriores autêntico instrumento de política fiscal, ou seja, beneficio fiscal, como fixado pelo STF, por óbvio, submetese ao princípio da legalidade estrita, não comportando interpretação extensiva ou por analogia, devendo, então, ser interpretado literalmente, nos moldes do art. 111, do CTN. Citou precedentes de julgamentos na esfera administrativa e afirmou que o acolhimento da pretensão da contribuinte demandaria a este Conselho Administrativo agir como legislador positivo, o que colide não somente com os propósitos deste Órgão Julgador Administrativo, cuja competência está atrelada ao controle da legalidade, mas, sobretudo com o disposto no art. 2° da Constituição Federal de sorte que se mostraria incontestável a necessidade de observância do limite legal de 30% para a compensação de prejuízos fiscais, Fl. 297DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Ass inado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12898.000557/200919 Acórdão n.º 130100.822 S1C3T1 Fl. 298 6 mesmo diante de casos de extinção da empresa por incorporação, tal como na hipótese dos autos. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Conforme se lê do relatório acima elaborado a ora recorrente foi autuada por desrespeitar o limite de compensação, eis que utilizou a totalidade dos prejuízos fiscais apurados por empresa incorporada, situação que segundo afirma, autorizaria o aproveitamento integral dos aventados prejuízos apurados, mas que o Fisco reputa ofensiva à legislação de regência. O deslinde da questão proposta se dá, portanto, pela análise e enfrentamento de uma questão de há muito ventilada na esfera administrativa e judicial, mas cujas decisões, nesse colegiado, inclusive, oscilaram e ainda oscilam ao longo do tempo. Marcados os limites objetivos do caso concreto, o que se tem para espécie é saber se na extinção de uma empresa – e para os casos de incorporação assim determina a lei comercial no artigo 227, § 3º da Lei das S/A –, caso subsista lucro, pode ela compensar a totalidade de seus prejuízos e não apenas os 30% determinados pela Lei nº 9.065/95, no artigo 15 para empresas em funcionamento. Em outras palavras, o que se busca saber é se no momento da extinção da empresa incorporada (que uma vez extinta, por óbvio não terá resultados futuros), é lícito utilizarse de todo o prejuízo fiscal acumulado em anos anteriores. Se a proposta se dá por investigar nessa esfera administrativa a subsistência de um auto de infração lavrado contra empresa incorporadora, cuja materialidade tributável seria o desrespeito à trava de compensação, de bom alvitre assentarse, na linha das considerações de Edmar Oliveira Andrade Filho em artigo intitulado “Compensação de prejuízos fiscais em casos de incorporação, fusão e cisão” que o fundamento para que se permita a compensação de prejuízos entre períodos, numa perquirição mínima da realidade social, decorre da necessidade de se considerar a realidade das empresas, que se organizam para funcionar continuamente e permitir que a tributação se faça a partir de um nivelamento dos resultados. Não é por outro motivo, aliás, que se pode afirmar que a compensação, ainda que a tratemos como sustenta a Procuradoria em suas Contrarrazões, como sendo um benefício, prestase a consolidação da empresa contribuinte e a estabelecer entre os sujeitos ativo e passivo, um encontro de contas capaz de estabilizar as relações de pagamento, prejuízo e crédito. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Ass inado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12898.000557/200919 Acórdão n.º 130100.822 S1C3T1 Fl. 299 7 Como bem assinalou a recorrente em sua peça recursal, a legislação brasileira sempre adotou o sistema de transporte de prejuízos para exercícios seguintes e, após o advento da Lei nº 8.383/91, abandonouse o aspecto temporal para a compensação e se instituiu uma limitação percentual. Temse vigente, portanto, desde a Lei nº 8.383/91, situação em que o prejuízo apurado em um mês poderá ser compensado com o lucro real dos meses subsequentes eliminandose o prazo máximo para compensação dos prejuízos fiscais. Por certo sobrevieram as modificações pelas Leis nº 8.981/95 e 9.065/95, que inovaram para determinar a limitação da compensação do valor dos prejuízos a 30% do valor do lucro real apurado antes dessa compensação. Na hipótese ventilada nos autos, é preciso destacar que não se está a sustentar que tal limitação da compensação dos prejuízos ofenda a Constituição Federal, mesmo porque como bem destacou a Procuradoria da Fazenda Nacional, o Supremo Tribunal Federal já assentou sua constitucionalidade, o que se tem presente antes de tudo é a hipótese de incorporação, situação que de acordo com as regras próprias, redunda na circunstância de que a pessoa jurídica que se tornar sucessora de outra em virtude de incorporação, fusão ou cisão, não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida, confirase, in verbis: Art. 514 do RIR/99. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida (DecretoLei nº 2.341, de 1987, art. 33). Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido (DecretoLei nº 2.341, de 1987, art. 33, parágrafo único). Ou seja, podese afirmar sem desassombro que o questionamento da recorrente não se dá em relação à trava, mas em razão da sua utilização para o caso de incorporação da empresa detentora do prejuízo, cumprindonos observar, portanto, na mesma esteira do que argumentou a recorrente, presente a regra contida no artigo 33 do D.L. nº 2341/87, que proíbe o aproveitamento do prejuízo da incorporada na incorporadora, pois como já vimos esta foi extinta e, se extinta, quando da incorporação, não pode seu prejuízo ser transladado para a incorporadora, que se deve concluir que a lei que limitou a 30% se estende às empresas em funcionamento, porquanto seu objetivo foi difundir no tempo o aproveitamento de prejuízo, não se concebendo que a limitação possa resultar no desaparecimento do crédito apurado pela empresa incorporada, ainda que se reconheça que a compensação seja benefício fiscal como decidido pelo egrégio Supremo Tribunal Federal. Considero, destarte, que a decisão recorrida está a merecer reforma, pois ao contrário do que afirmouse, a interpretação sistemática do artigo 15 da Lei nº 9.065/95, à luz do princípio da legalidade, traz a conclusão de que a trava percentual não se aplica ao caso proposto. Afirmase isso, porquanto a possibilidade de postergação no tempo do aproveitamento do prejuízo, situação que reveste a regra de legitimidade, não implica na sua eliminação, falo do crédito, eis que mantido o direito de aproveitamento para os anos que se seguem, fato que não ocorrerá caso se dê prevalência à autuação em questão. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Ass inado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12898.000557/200919 Acórdão n.º 130100.822 S1C3T1 Fl. 300 8 Ou seja, vale dizer que a regra de limitação percentual para aproveitamento do prejuízo não pode, sob qualquer circunstância, eliminar o direito de aproveitálo caso haja lucro, situação que não pode ser levada a efeito se a empresa não estiver mais em funcionamento, a exemplo das incorporadas, sendo certo que nessas hipóteses não há possibilidade de postergação no tempo para seu aproveitamento, mas também não há regra que expressamente vede sua utilização integral. Relembrase, por oportuno, aquilo que decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais por ocasião do julgamento do julgamento do Recurso nº 18126597, consubstanciado no Acórdão 0104.258, litteris: (...) Assim sendo, revendo posição anterior, entendo que tem fundamento jurídico as ponderações do relator do acórdão atacado quando afirma: {A limitação de 30% garante uma parcela expressiva da arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo} para depois continuar: {A expressão "sem retirar do contribuinte o direito e compensar" reforça o meu entendimento de que, em casos de descontinuidade da empresa, na declaração de encerramento cabe integral compensação das bases negativas acumuladas, sendo inaplicável a trava} (...) Se como visto acima os prejuízos das pessoas jurídicas sucedidas não se transferem às sucessoras, por força do disposto no artigo 509 do RIR/94 e art. 514 do RIR/99 e sendo o caso concreto de extinção da empresa detentora do prejuízo fiscal apurado, conheço do presente Recurso Voluntário e voto por DARLHE provimento. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Voto Vencedor Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Redator Designado Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência que levou a conclusão diversa. Passo expor os fundamentos da divergência e as conclusões às quais chegou o Colegiado. A lide consiste em decidir sobre a possibilidade, ou não, de utilização de prejuízos fiscais acumulados em períodos anteriores, sem a limitação de que tratam o art. 42 da Lei nº 8.981/1995 e o art. 15 da Lei nº 9.065/1995 (“trava” de 30%), no momento em que a empresa se extingue, incorporada por outra sociedade. Eis os dispositivos em comento: Fl. 300DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Ass inado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12898.000557/200919 Acórdão n.º 130100.822 S1C3T1 Fl. 301 9 Lei nº 8.981/1995: Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. Parágrafo único. A parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, não compensada em razão do disposto no caput deste artigo poderá ser utilizada nos anoscalendário subseqüentes. Lei nº 9.065/1995: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Os argumentos da interessada, já elencados anteriormente, centramse em que o pressuposto lógico para a limitação na compensação de prejuízos fiscais anteriores seria a continuidade das atividades da empresa. Dada sua extinção por incorporação, a incorporadora não pode se aproveitar dos prejuízos fiscais acumulados pela incorporada e, desta forma, não se aplicaria a limitação no momento da extinção da incorporada. A matéria tem sido objeto de acirrados debates neste CARF, abrangendo, com pequenas variações, tanto as bases de cálculo negativas de CSLL quanto os prejuízos fiscais de IRPJ. Peço vênia para destacar excerto do voto condutor do acórdão nº 10515.9081, da lavra do ilustre Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, que bem espelha meu pensamento sobre a matéria: Portanto, como se vê, o que importa analisar no presente processo é se, na situação específica de apuração do imposto em virtude de incorporação, é admissível a compensação dos prejuízos fiscais acumulados sem observância do limite de 30% previsto na legislação. Em apertada síntese, alega a recorrente que, em decorrência do evento de incorporação, a empresa incorporada encerra suas atividades, caracterizando a descontinuidade da pessoa jurídica. Nessa linha, afirma que, se a incorporadora não pode compensar os prejuízos fiscais da incorporada, e esta, por sua vez, não pode compensar integralmente seus prejuízos por ocasião do seu encerramento, estarse ia, simplesmente, fulminando o direito à compensação. Concluiu argumentando que há de se fazer uma interpretação sistemática da legislação visando assegurar ao contribuinte o direito à compensação integral dos seus prejuízos fiscais, sem 1 Acórdão nº 10515.908, de 16/08/2006, processo nº 13807.003133/200436, Rel. Cons. Wilson Fernandes Guimarães. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Ass inado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12898.000557/200919 Acórdão n.º 130100.822 S1C3T1 Fl. 302 10 qualquer limitação, quando de se tratar de declaração final por ocorrência de incorporação, fusão, cisão ou extinção da pessoa jurídica. Em primeiro plano se deve esclarecer que o entendimento esposado pela recorrente não encontra amparo na legislação que rege matéria. Com efeito, como bem afirmou a decisão recorrida, tratandose de declaração final decorrente de incorporação, em virtude da absoluta ausência de previsão legal, não é permitida a compensação de prejuízos fiscais acima do limite de 30% estabelecido pelo art. 15 da Lei nº 9.065, de 1995, verbis: [...] No contexto do ordenamento jurídicotributário, em homenagem ao princípio da legalidade, o silêncio da lei não pode ser preenchido pelo seu intérprete, mormente na situação em que tal interpretação objetiva assegurar direito não contemplado, nem mesmo pela via de exceção, nos diplomas legais que regem a matéria. [...] Não se identifica, portanto, disposição de lei capaz de recepcionar a pretensão da recorrente. O mesmo processo supramencionado foi levado à apreciação da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A eminente Relatora, Cons. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, proferiu voto2 que põe por terra os argumentos dos que pretendem possível a não aplicação da trava na compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas, na situação de extinção por incorporação. Mais uma vez, peço vênia para transcrever: [...] Daí resulta que o foco da presente lide consiste em analisar se há amparo legal que permita a compensação integral dos prejuízos fiscais, sem observância do limite de 30% a que se refere o artigo 15 da Lei n° 9.065, de 1995, quando do desaparecimento da empresa, por incorporação, em decorrência de reorganização societária ou por qualquer outro motivo. Este o cerne da questão a ser enfrentada neste processo. [...] Os Tribunais Superiores já definiram que na compensação de prejuízos não se trata de direito adquirido, mas sim de uma expectativa de direito, como demonstram decisões do Superior Tribunal de Justiça, como exemplo o Recurso Especial nº 307389 RS, que ao enfrentar semelhante questão pronunciase da forma seguinte: O princípio da legalidade, do mesmo modo que impõe a exigência de cobrança a tributo só por lei expressa, também, exige que a compensação de prejuízos com lucros para fins tributários somente ocorra com autorização legislativa. Insubsistente a tese da recorrente de que não há proibição da compensação pretendida. No regime de direito público, especialmente no campo do direito tributário, a relação jurídica 2 Acórdão nº 910100.401, de 02/10/2009, processo nº 13807.003133/200436, Rel. Cons. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Ass inado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12898.000557/200919 Acórdão n.º 130100.822 S1C3T1 Fl. 303 11 decorre de norma positiva, O silêncio da lei não cria direitos para nenhuma das partes: sujeito ativo e sujeito passivo. Outrossim, no trato de qualquer beneficio fiscal, mesmo concedido por lei, a interpretação é restritiva Também o STF se pronunciou acerca do tema, em 25/03/2009, no RE 344.9940 do Paraná, cujo Relator inicial, o Ministro Marco Aurélio restou vencido. Redige o voto vencedor o Ministro Eros Grau, acórdão assim ementado: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÕES ARTIGOS 42 E 58 DA LEI N8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE, AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E "B", E 50, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de beneficio fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do inicio de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Neste recurso pretendia o autor que a trava não incidisse sobre os saldos de prejuízos ocorridos até dezembro de 1994, sob argumento de que se estava diante de um direito adquirido à compensação de todo prejuízo e a nova lei não poderia restringir tal direito. Aliás, quanto a interpretação teleológica pretendida no paradigma trazido à colação, no que toca aos prejuízos fiscais, o Supremo Tribunal Federal decidiu, em sua composição Plenária, que a compensação de prejuízos fiscais tem natureza de beneficio fiscal e pode, como instrumento de política tributária, ser revisto pelo legislador sem implicar, sequer, no direito adquirido. Destaque é de ser dado ao voto da Ministra Ellen Gracie, que bem traduz a lógica do que aqui defendemos e neutraliza os argumentos da Recorrente nos seguintes termos: (...) 4. Já quanto à limitação da compensação das prejuízos fiscais apurados até 31.12.1994, destaco, por oportuno, as palavras sucintas e rigorosamente claras com que rejeitou o pedido de liminar, ocasião em que o eminente Juiz Federal Antônio Albino Ramos de Oliveira assentou quanto importa para o deslinde da questão. "A lei questionada limitou as deduções de prejuízos da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social referentes a exercício futuro. Vedado estaria fazêlo em relação a fatos geradores já ocorridos quando de sua publicação, ou para exigência no mesmo exercício. " (fl. 44) 5. (...) Fl. 303DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Ass inado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12898.000557/200919 Acórdão n.º 130100.822 S1C3T1 Fl. 304 12 Entendo, com vênia ao eminente Relatar, que os impetrantes tiveram modificada pela Lei 8.981/95 mera expectativa de direito donde o nãocabimento da impetração. 6. Isto porque, o conceito de lucro é aquele que a lei define, não necessariamente, o que corresponde às perspectivas societárias ou econômicas. Ora, o Regulamento do Imposto de Renda RIR, que antes autorizava o desconto de 100% dos prejuízos fiscais, para efeito de apuração do lucro real, foi alterado pela Lei 8.981/95, que limitou tais compensações a 30% do lucro real apurado no exercício correspondente. 7. A rigor, as empresas deficitárias não têm “crédito” oponível à Fazenda Pública. Lucro e prejuízo são contingências do mundo dos negócios. Inexiste direito liquido e certo à "socialização” dos prejuízos, como a garantir a sobrevivência de empresas ineficientes. É apenas por benesse da política fiscal atenta a valores mais amplos como o da estimulação da economia e o da necessidade da criação e manutenção de empregos que se estabelecem mecanismos como o que ora examinamos, mediante o qual é autorizado o abatimento dos prejuízos verificados, mais além do exercício social em que constatados. Como todo .favor fiscal, ele se restringe às condições fixadas em lei. E a lei vigorante para o exercício .fiscal que definirá se o beneficio será calculado sobre 10, 20 ou 30%, ou mesmo sobre a totalidade do lucro líquido. Mas, até que encenado o exercício fiscal, ao longo do qual se forma e se conforma o fato gerador do Imposto de Renda, o contribuinte tem mera expectativa de direito quanto à manutenção dos patamares fixados pela legislação que regia os exercícios anteriores. Não se cuida, como parece claro, de qualquer alteração de base de cálculo do tributo, para que se invoque a exigibilidade de lei complementar. Menos ainda, de empréstimo compulsório. Não há, por isso, quebra dos princípios da irretroatividade (CF, art. 150, III, a e b) ou do direito adquirido (CF, art 5°, XXXVI) (...) 8. Por tais razões, peço licença para seguir a linha da divergência inaugurada pelo Ministro Eros Grau Em sendo a compensação de prejuízos fiscais espécie incentivo fiscal outorgado por lei e não um patrimônio do contribuinte a ser socializado, não se pode ampliar o sentido da lei nem ampliar o seu significado eis que a norma que cuida de benefícios fiscais devem ser interpretadas de forma restritiva nos termos do artigo 111 do Código Tributário Nacional. Neste sentido é a jurisprudência consoante arestos a seguir elencados: [...] De fato, quando a lei quis que fosse liberado o limite a compensação de 30% dos prejuízos fiscais, o fez de forma expressa, como foi o caso dos lucros auferidos Fl. 304DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Ass inado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12898.000557/200919 Acórdão n.º 130100.822 S1C3T1 Fl. 305 13 pelas empresas inseridas no regime Befiex, como se vê no artigo 95 da Lei 8981/1995, com a redação inserida através do artigo 1°. da Lei 9065/1995, a saber: [...] Nesta esteira a Instrução Normativa SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, vem determinando, quanto a Compensação de Prejuízos Fiscais, o seguinte: [...] Nesta normativa, também, a confirmação do que dispunha o artigo 14 da Lei 8023/1990, no que tange ao tratamento diferenciado concedido às empresas que exercem atividades rurais que podiam compensar todos os prejuízos incorridos, sem limites. Lei 8023/1990: Art. 14. O prejuízo apurado pela pessoa física e pela pessoa jurídica poderá ser compensado com o resultado positivo obtido nas anosbase posteriores. O permissivo é posteriormente ampliado para a CSLL através do art. 41 da MP 2.11332 de 21/06/2001, como segue: MP 2.11332 de 21/06/2001 Art.41. 0 limite máximo de redução do lucro líquido ajustado, previsto no art. 16 da Lei nº 9065, de 20 de junho de 1995, não se aplica ao resultado decorrente da exploração de atividade rural, relativamente à compensação de base de cálculo negativa da CSLL. A interpretação fundada em argumentos finalísticos serve de auxílio à interpretação, mas não pode ser fundamento para negar validade à interpretação jurídica consagrada aos conceitos tributários. Dessa forma, em homenagem ao comando legal do art. 111 do CTN, que impõe restrição de interpretação das normas que concedem benefícios fiscais, como é o caso, descabe o elastério interpretativo pretendido pela Recorrente. [...] Não bastasse a obrigatoriedade da interpretação literal da norma que cuida de incentivo fiscal; dos argumentos expendidos pela Ministra Ellen Gracie; do tratamento interpretativo das normas exceptivas, por si, suficiente para ilidir os respeitáveis argumentos expendidos pela Recorrente que clama, em seu favor, por interpretação histórica e finalística, lembro, ainda, mais alguns pontos da evolução legislativa tratando de compensação em incorporações, cujas conclusões apontam para a total preocupação do legislador em não permitir, direta ou indiretamente, que esses eventos se transformem unicamente em instrumentos de aproveitamento disfarçados de prejuízos fiscais entre empresas: a) no ano de 1976 foi elaborada a Lei n° 6.404/76, das Sociedades por Ações, que trazia no artigo 227 previsão de incorporação de uma sociedade por outra, sucedendo a incorporadora nos direitos e obrigações da incorporada; b) na esteira, o Decretolei n° 1.598/77, editado com finalidade de adaptar a legislação do imposto sobre a renda às inovações Fl. 305DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Ass inado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12898.000557/200919 Acórdão n.º 130100.822 S1C3T1 Fl. 306 14 da Lei de Sociedade por Ações (Lei 6.404 de 15/12/76), instituiu a permissão, no § 5º do artigo 64, de compensação dos prejuízos da sociedade extinta pela incorporadora; c) momento no qual obedeciase então ao princípio da legalidade estrita e era certo o direito à compensação d) O Decretolei nº 1.730, de 17 de dezembro de 1979, deu nova redação a este dispositivo (parágrafo 5° do artigo 64), retirando a antiga redação do mundo jurídico. A redação do Decretolei 1.730 de 17 de dezembro de 1979 é a seguinte: Art. 1 São procedidas as seguintes alterações no Decretolei nº 1.598 de 26 de dezembro de 1977: (omissis) § 3° (omissis) IV São revogados os parágrafos 6° e 8º do artigo 64, remunerado como parágrafo 6° o atual parágrafo 7°, e, passando o parágrafo 5° a vigorar com a seguinte redação: "§ 5° O Conselho Monetário Nacional pode autorizar a compensação do prejuízo de uma pessoa jurídica com o lucro real de outra, do mesmo grupo ou sob controle comum, quando a medida atender a interesses de segurança e fortalecimento da empresa nacional”. Com a edição do Decretolei n° 2.341, de 29 de junho de 1987, enterrase a possibilidade de realizar esta compensação, ao dispor o artigo 33: Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos da sucedida Deste modo, antes, em 1977 era possível compensar todo prejuízo. Em 1979, só com autorização do Conselho Monetário Nacional e, finalmente a partir de 1987, definitivamente, passou a ser proibido o aproveitamento em caso de incorporação. A mesma conclusão nos traz Hiromi Higushi in "Imposto de Renda Interpretação e Prática" 2002: "O art. 22 da MP n° 2.15835/01 dispõe que aplicase à base de cálculo negativa da CSLL o disposto nos arts. 32 e 33 do Decretolei n° 2.341/87. Estes dois arts. estão assim redigidos: [...] Diferentemente da pretensão exarada na tese vigente neste Conselho há vedação legal ao aproveitamento dos prejuízos nos casos de incorporação, como se vê na leitura do Decretolei 2.341/1987: Art. 32. A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios prejuízos fiscais, se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido, cumulativamente, modificação de seu controle societário e do ramo de atividade. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Ass inado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12898.000557/200919 Acórdão n.º 130100.822 S1C3T1 Fl. 307 15 Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. O artigo 32 explicita que a pessoa jurídica não pode compensar seus próprios prejuízos, quando "entre a data da apuração e da compensação ocorra modificação de seu controle societário ou ramo de atividade". Para não deixar dúvidas quanto a impossibilidade de aproveitamento, no caso de extinção, o parágrafo único textifica que, nos casos de cisão parcial só é possível compensar a parcela que remanesce na cindida, na proporção dos próprios prejuízos. Exsurge do referido dispositivo que a lei determina, nos casos de extinção da empresa, que os prejuízos perecem junto com a incorporada em seu último ano de vida, que é a exata situação dos autos. Independentemente da proibição do artigo 15 da Lei 8.981/1995, o Decretolei já proibia qualquer aproveitamento de prejuízos nos casos de encerramento de atividades, o que prova que o suposto direito adquirido pretendido, já não existia desde então. Permanecer aceitando a tese implicaria negar vigência ao dispositivo de lei validamente editado Ao final, o aresto restou assim ementado: COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. IRPJ. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. (Ac. 910100.401, de 02/10/2009, Rel. Cons. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro) As conclusões acima são, a meu ver, irretocáveis, cabendo destacar os seguintes pontos, em síntese: • Há norma cogente que determina a limitação à compensação de prejuízos fiscais acumulados em períodos anteriores a trinta por cento do lucro real do período. • Quando desejou estabelecer exceções a essa limitação, o legislador o fez expressamente, com as empresas inseridas no Befiex e com a exploração de atividades rurais. Em sentido contrário, não há qualquer exceção expressa quanto á extinção da empresa que apurou os prejuízos fiscais por incorporação ou outro motivo. • A compensação de prejuízos fiscais (e de bases de cálculo negativas da CSLL) é expressiva de benefício fiscal em favor do contribuinte, a ser interpretado Fl. 307DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Ass inado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12898.000557/200919 Acórdão n.º 130100.822 S1C3T1 Fl. 308 16 restritivamente, é instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado, e não constitui direito adquirido3. • O aspecto temporal do conceito de renda traz consigo que o fato gerador tributário deve ser apurado em um dado período de tempo, também chamado período de apuração. Qualquer interferência de fatos anteriores somente pode ser tratada como exceção, a ser expressamente prevista em lei. Nessa linha, o STF já decidiu que prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam o fato gerador tributário4. • Entendimento diferente implicaria burla, ainda que indireta, à vedação do art. 33 do DecretoLei nº 2.341/1987. Em conclusão, a decisão do Colegiado foi por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha 3 Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário nº 344.9440. 4 Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário nº 344.9440. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Ass inado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10930.900883/2008-78
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ERRO DE FATO. REVISÃO MANUAL. Se o motivo do indeferimento eletrônico do PER/DCOMP está adstrito exclusivamente a erro de fato no preenchimento da DIPJ ou outra declaração utilizada para aferição do direito creditório, deve o pleito ser apreciado integralmente de forma manual em homenagem ao princípio da verdade material.
Numero da decisão: 1803-001.326
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1727; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 127 1 126 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.900883/200878 Recurso nº 911.235 Voluntário Acórdão nº 180301.326 – 3ª Turma Especial Sessão de 10 de maio de 2012 Matéria PER/DCOMP Recorrente HUSSMANN SERVICE DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ERRO DE FATO. REVISÃO MANUAL. Se o motivo do indeferimento eletrônico do PER/DCOMP está adstrito exclusivamente a erro de fato no preenchimento da DIPJ ou outra declaração utilizada para aferição do direito creditório, deve o pleito ser apreciado integralmente de forma manual em homenagem ao princípio da verdade material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10930.900883/200878 Acórdão n.º 180301.326 S1TE03 Fl. 128 2 Relatório HUSSMANN SERVICE DO BRASIL LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ CURITIBA (PR), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. A DRJ CURITIBA (PR), através do acórdão nº 0628.829, de 15 de outubro de 2010 (fls. 76/79), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a decisão: Fl. 128DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10930.900883/200878 Acórdão n.º 180301.326 S1TE03 Fl. 129 3 Ciente da decisão em 27/04/2011, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 90), apresentou o recurso voluntário em 26/05/2011 fls. 91/96, onde pugna pela reforma da decisão de primeira instância considerando a existência de mero erro de fato na DIPJ e inaplicabilidade da Norma de Execução Conjunta nº 06/2007, que fundamentou a decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de Pedido de Restituição cumulado com Declaração de Compensação – PER/DCOMP cujo direito creditório referese a saldo negativo de CSLL do ano calendário 2004, indeferidos por não constar da DIPJ. Alega a recorrente em síntese: a) Que o fato de não constar o saldo negativo em sua DIPJ é mero erro material que não constitui óbice para apreciação do direito creditório; Fl. 129DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10930.900883/200878 Acórdão n.º 180301.326 S1TE03 Fl. 130 4 b) Que deve ser afastada a aplicação da Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec nº 06/2007, considerando sua ilegalidade frente ao art. 9º do Código Tributário Nacional; c) Que considerando o exposto, deve ser anulada a decisão de primeira instância e analisado o direito creditório pela unidade de origem. Efetivamente a decisão de primeira instância merece reforma. Com efeito, se sob a ótica da Administração Tributária considerando a racionalidade dos trabalhos de análise e verificação eletrônica dos PER/DCOMP é aceitável o indeferimento de pedido de restituição e não homologação de compensação, tão somente com base nas inconsistências entre as diversas declarações apresentadas, tal constatação não pode ser erigida como fato consumado e impeditivo da análise manual do direito creditório. Assim, apresentando o sujeito passivo elementos que indicam mero erro de fato na DIPJ como é o caso, imperioso se faça a análise manual do direito creditório com base no art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, solicitando os elementos que entender cabíveis. Destarte, em homenagem ao princípio da verdade material que deve nortear o processo administrativo fiscal, não pode a Administração Tributária declinar de efetuar a análise manual do direito creditório quando o indeferimento decorreu única e exclusivamente com base em divergências e inconsistências das declarações utilizadas para validação eletrônica do pedido. Deixo de analisar a alegação de ilegalidade frente ao art. 9º do Código Tributário Nacional da Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec nº 06/2007, por ser inócua ante a solução adotada para o litígio. Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário tão somente no sentido de que seja o pleito analisado integralmente pela unidade de origem e homologadas as compensações até o limite do direito creditório efetivamente apurado. (assinatura digital) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10930.900883/200878 Acórdão n.º 180301.326 S1TE03 Fl. 131 5 Declaração de Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes Divirjo do ilustre Conselheiro Relator apenas na parte em que ele, em seu Voto, apesar de expressamente reconhecer o erro de fato no preenchimento da Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) da Recorrente (“apresentando o sujeito passivo elementos que indicam mero erro de fato na DIPJ como é o caso”) e, pois, a insubsistência do correspondente despacho decisório eletrônico , determina que a unidade de origem analise o pleito integralmente, “solicitando os elementos que entender cabíveis”. A meu ver, o despacho decisório eletrônico emitido é improcedente e, dessa forma, não comporta qualquer tipo de revisão, ainda que determinada por este Colegiado. Acatarse tal procedimento significaria, em última análise, admitirse que, inobstante a incorreção da motivação da não homologação da compensação pleiteada, possa o Fisco atirar no que vê e, então, a autoridade julgadora, já no âmbito do processo contencioso, fazêlo acertar no que não viu. Dou provimento integral ao Recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 131DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES
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