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Numero do processo: 10315.000094/2001-16
Turma: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2003
Ementa: EMENTA VOTO VENCIDO - IRF - ANOS: 1995 a 1999 - PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS - A presença de pagamentos a beneficiários não identificados pela empresa caracteriza a hipótese prevista no artigo 61 da lei n.º 8981/95.
IRF - DECADÊNCIA - Em se tratando de lançamento por homologação a decadência ocorre ao final de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador.
Recurso negado.
Numero da decisão: 102-45931
Decisão: Por maioria de votos, ACATAR a ocorrência da decadência levantada de ofício, para os fatos geradores ocorridos de janeiro de 1995 a janeiro de 1996 inclusive. Vencido o Conselheiro Naury Fragoso Tanaka (Relator), que entendia não decadente, e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso em relação ao período não decaído. Designada a Conselheira Maria Goretti de Bulhões Carvalho para redigir o voto vencedor quanto a preliminar.
Matéria: IRF- ação fiscal - outros
Nome do relator: Naury Fragoso Tanaka
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MINISTÉRIO DA FAZENDA. :5 , -- - . ,,,, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA „,... Processo n°. : 10315.00009412001-16 Recurso n°. :131.678 Matéria : IRF - ANOS: 1995 a1999 Recorrente : MERCADÃO MINI PREÇO LTDA. Recorrida : 4a TURMA - DRJ em FORTALEZA - CE Sessão de : 26 DE FEVEREIRO DE 2003 Acórdão n°. : 102-45.931 EMENTA VOTO VENCIDO - 1RF - ANOS: 1995 a 1999 - PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS - A presença de pagamentos a beneficiários não identificados pela empresa caracteriza a hipótese prevista no artigo 61 da lei n.° 8981/95. IRF - DECADÊNCIA - Em se tratando de lançamento por homologação a decadência ocorre ao final de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MERCADÃO MINI PREÇO LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, ACATAR a ocorrência da decadência levantada de ofício, para os fatos geradores ocorridos de janeiro de 1995 a janeiro de 1996 inclusive. Vencido o Conselheiro Naury Fragoso Tanaka (Relator), que entendia não decadente. Designada a Conselheira Maria Goretti de Bulhões Carvalho para redigir o voto vencedor quanto a preliminar, e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso em relação ao período não decaído, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ANTONIO 1;ídj."--r,...._ FREITAS DUTRA P - - !DENTE / 1 MARIA 0, -ETTI DE BULHÕES CARVALHO RELATO- A DESIGNADA • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10315.00009412001-16 Acórdão n°. :102-45.931 FORMALIZADO EM: 1 6 M1.‘ :)1303 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, MARIA BEATRIZ ANDRADE DE CARVALHO, CÉSAR BENEDITO SANTA RITA PITANGA, JOSÉ OLESKOVICZ e GERALDO MASCARENHAS LOPES CANÇADO DINIZ. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10315.000094/2001-16 Acórdão n°. : 102-45.931 Recurso n°. : 131.678 Recorrente : MERCADÃO MINI PREÇO LTDA. RELATÓRIO O inconformismo do contribuinte com o julgamento de primeira instância no tocante à manutenção da incidência tributária para pagamentos a fornecedores que, em sua ótica, encontram-se identificados, motivou a vinda do processo a este órgão. Como a exigência tributária decorre da existência de pagamentos de origem não identificada, caracterizados pela presença de diversos cheques compensados e escriturados a débito da conta Caixa sem a correspondente contabilização da despesa a crédito da mesma, conforme descrito no Termo de Constatação fl. 4 e 5, entendeu que o referido julgamento assumiu posição incorreta uma vez que a identificação dos custos elimina qualquer hipótese de desconhecimento sobre sua origem. Deve ser esclarecido que o Fisco ao não conseguir localizar na conta Caixa a despesa correspondente ao cheque emitido informou-os ao contribuinte e solicitou esclarecimentos a respeito da Data de emissão do cheque, seu número e valor, bem assim o beneficiário e a data do crédito na referida conta — mediante Termo de Intimação Fiscal, fl. 34. Atendida a solicitação do Fisco, fls. 540 a 651, os pagamentos não devidamente justificados contidos nas relações de fls. 45 a 47, constituíram a base da incidência tributária na forma do artigo 61 da lei n.° 8981/95, mediante reajuste da base de cálculo. O lançamento foi concluído em 1.0 de fevereiro de 2.001, e exige o crédito tributário em montante de R$ 431.914,31, relativo ao tributo e acréscimos pertinentes, sobre os pagamentos de destino ignorado nos anos-calendário de 1995 J\ 3 47' MINISTÉRIO DA FAZENDA '4 • . PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES• SEGUNDA CÂMARA Processo n°. :10315.000094/2001-16 Acórdão n°. :102-45.931 a 1999, com lastro na referida fundamentação legal. A ciência ocorreu no dia 6 do mesmo mês e ano, conforme AR, fl. 654. Em 7 de março de 2.001, o contribuinte ingressou com peça impugnatória na qual pediu a reforma do feito em face da documentação que a ela juntou, fls. 660 a 842. Esclareceu que os cheques emitidos poderiam não coincidir com os valores pagos em face da quitação ter ocorrido juntamente com outros títulos, ou parte dela em moeda, ou ainda, pela obtenção de descontos normais ou por avarias, perdas entre outras hipóteses possíveis. Posteriormente, apresentou documentação complementar, fls. 1017 a 1126. A Delegada de Julgamento em Fortaleza autorizou diligência para que fossem verificadas a autenticidade e idoneidade dos documentos acostados aos autos na fase impugnatória, e caso positivo, analisado a ligação entre eles e os cheques indicados como destinados a pagamentos de origem não identificada, fls. 45 a 47. Complementarmente, sugeriu conferência a respeito dos registros das notas fiscais e duplicatas na contabilidade uma vez que a falta de escrituração poderia indicar a omissão de compras e conseqüentemente a omissão de receita. Conforme constou do Termo de Verificação Fiscal, fl. 1212 a 1218, a diligência permitiu comprovar o destino de alguns cheques, considerados então como improcedentes, enquanto outros permaneceram na situação anterior, procedentes, e outros, ainda, que constituíram lançamentos a débito da conta Caixa, sem qualquer vinculação, foram entendidos como omissão de compras, portanto considerados não sujeitos à incidência na fonte, submetendo-se à nova exigência, agora com lastro em omissão de receitas amparada em omissão de compras, sob a rubrica "improcedentes, lançamento com omissão de compra", fls. 1219 a 1246. O julgamento de primeira instância considerou o lançamento procedente em parte excluindo a incidência tributária de acordo com o resultado da 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10315.00009412001-16 Acórdão n°. :102-45.931 diligência fiscal citada. Acórdão DRJ/FOR n.° 1.408, de 20 de junho de 2.002, fls. 1257 a 1262. Como citado no início, inconformado com o referido julgamento, ingressou com peça recursal, tempestiva, na qual solicita a exclusão dos pagamentos que entende custos da empresa, justificados por conjuntos de notas fiscais e outros documentos. Arrolamento de bens, fls. 1302, 1507 a 1509. É o Relatório. 5 L„ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES •n -.. SEGUNDA CÂMARA - Processo n°. : 10315.000094/2001-16 Acórdão n°. : 102-45.931 VOTO VENCIDO Conselheiro NAURY FRAGOSO TANAKA, Relator O recurso é tempestivo e o processo encontra-se instruído conforme a lei. Não há preliminares. A única argumentação reside no conhecimento e comprovação do destino dado aos cheques aproveitados pelo Fisco. Assim, de acordo com a relação que compõe a peça recursal e os documentos de referência, entende que o feito deve ser considerado improcedente. De início deve ser explicitado que o contribuinte foi intimado a comprovar tais pagamentos e teve prazo de 2 (dois) meses para esse fim, uma vez que intimado em 27 de novembro de 2000 somente foi constituído o crédito tributário em 1.0 de fevereiro de 2001. Levando em consideração a apresentação da peça impugnatória, esse prazo passa a 3 (três) meses, pois esta ingressou em 7 de março de 2001. Apesar de possuir contabilidade optou pela tributação pelo lucro presumido no período. Também deve ser esclarecido que tais cheques não tiveram comprovada a destinação antes de efetuado o lançamento, e, da mesma forma, posteriormente, quando da diligência solicitada pela DRJ/Fortaleza, em razão da nova documentação juntada à peça impugnatória. Coube a este Relator a tarefa de conferir se os referidos documentos apresentados como comprovantes da destinação dos cheques tratam-se de aquisição de mercadorias. Caso positivo, se a data do pagamento e o valor destes confere com os mesmos dados do pagamento em análise, e, ainda, se tai 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA),•- ' r;;; PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10315.000094/2001-16 Acórdão n°. : 102-45.931 documentos foram aproveitados para justificar outros cheques. Outro ponto de análise foi confrontar a justificativa apresentada com o argumento utilizado para tais pagamentos no início da fiscalização e em primeira instância. Do trabalho efetuado, conclui-se que os documentos apresentados para justificar os pagamentos tratam-se de mercadorias adquiridas pela empresa, no entanto, as datas não coincidem, enquanto os valores, salvo algumas exceções, também não coincidem em face de descontos, avarias etc. A respeito da justificativa sobre avarias, quebras, faltas, entre outros motivos para ajustes no pagamento, cabe informar que esses dados serviram, apenas, como um dos subsídios para a decisão ao final explicitada. Não é possível saber se os documentos foram aproveitados para justificar outros pagamentos em face da ausência da escrituração completa no processo. Confrontados com aqueles constantes das relações de pagamentos, não se constatou sobreposição, isto é, o documento ou o pagamento constante da peça recursal não foi utilizado diversas vezes para o mesmo fim. O confronto dos pagamentos e respectivos documentos com aqueles apresentados no início da fiscalização não resultou divergências, porque a maioria deles não constava dos dados do início dos trabalhos. No entanto, em relação àqueles que instruíram a peça impugnatória, conforme consta do quadro 1, várias inconsistências foram constatadas, caracterizadas por documentação e valores diferentes daquela. Assim, por exemplo, o primeiro pagamento constante do quadro 1, efetuado em 7 de fevereiro de 1996 encontrava-se justificado por três documentos na fase impugnatória enquanto na peça recursal apresenta-se como destinado a três fornecedores distintos dos anteriores. E, nesse passo, diversos outros como constantes do referido quadro. 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10315.000094/2001-16 Acórdão n°. : 102-45.931 Quadro 1. IMPUGNAÇÃO RECURSO Data CH N° CH Valor R$ Desc./C Desc./ Doc./Rec. Valor omp. Doc./ Rec. Valor Comp. 07/02/96 206.558 1.050,00 2340 179,14 367788 525,41 2373 325,15 367789 463,56 2375 650,92 105,21 38421 231,04 170,01 28/02/96 871.759 1.050,00 43 1.201,00 151,00 371765 374,52 86782 211,18 371764 284,93 86783 284,70 105,33 08/04/96 644.615 1.505,00 10395 1.692,90 187,90 12693 1.521,60 16,60 29/05/96 71.548 1.135,00 254 1.350,00 215,00 62409 1.141,65 6,65 07/06/96 266.479 1.900,00 23636 474,00 814 390,00 32663 672,54 852 975,00 32661 786,67 33,21 842 585,00 50,00 27/06/96 266.502 3.368,24 10234 813,80 47832 214,14 10233 2.783,32 228,88 47833 848,65 47834 160,31 47835 1.565,85 44735 184,65 44733 234,05 41750 187,29 26,70 CH - Cheque, Doc. - Documento, Rec.-Recibo, Desc.- Desconto, Comp. - Complemento. 8 1//1 . _ MINISTÉRIO DA FAZENDA ‘1,7' Ntf, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10315.000094/2001-16 Acórdão n°. :102-45.931 Quadro 1 - cont. IMPUGNAÇÃO RECURSO Data CH N° CH Valor R$ Desc/ Desc/ Doc./Rec. Valor Comp. Doc. Rec. Valor Comp. 18/10/96 284.997 2.778,56 88661 1.157,15 1408411 908,00 88660 261,41 43752 2.157,67 287,09 62556 267,42 91885 764,76 91884 343,81 15,99 11/11/96 285.035 1.200,00 101565 860,79 83 1.227,00 27,00 101566 633,43 294,12 10/12/96 285.048 1.404,00 226921 1.419,24 15,24 8340 1.404,00 17/12/96 285.072 1.088,75 111018 586,29 39456 1.126,44 37,69 111019 602,96 100,50 01/01/98 285.512 1.042,00 144006 578,04 14195 1.048,80 6,80 117896 91,61 145951 382,14 9,89 16/03/98 14.757 1.087,24 14881 1.224,00 10178 1.080,00 7,24 11121 337,43 474,19 16/03/98 285.403 2.506,00 152372 2.500,00 6,00 10119 353,00 10120 54,00 10015 1.375,00 10731 87,00 10877 637,00 Quadro 1 - cont. IMPUGNAÇÃO RECURSO Data CH N° CH Valor R$ Desc/ Desci Doc./Rec. Valor Comp. Doc. Rec. Valor Comp. 30/03/98 285.406 2.876,00 252 2.180,00 10016 250,00 472 570,00 126,00 10549 150,00 10735 816,00 9 M MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES-, • : SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10315.000094/2001-16 Acórdão n°. :102-45.931 10736 27,00 10825 762,00 11328 294,00 11329 27,00 11337 550,00 5,00 23/07/98 285.576 2.321,00 149028 493,69 13988 138,00 122276 465,40 14351 60,00 122700 86,52 14292 162,00 149611 442,84 15980 50,00 150279 584,84 16121 210,00 123322 260,88 16267 580,00 123323 270,76 16291 200,00 150280 243,60 27,53 16292 50,00 14/08/98 285.623 1.475,00 30621 573,67 4721 1.680,00 205,00 30620 572,53 31348 341,69 12,89 13/10/98 1.691 2.000,00 82061161 2.234,89 234,89 36235 2.023,00 23,00 19/10/98 285.715 1.347,00 138105 320,92 16599 27,00 138103 481,76 17145 450,00 138104 588,83 44,51 17198 200,00 17350 45,00 17970 310,00 18602 315,00 Quadro 1 - cont. IMPUGNAÇÃO RECURSO Data CH N° CH Valor R$ Desc/ Desci Doc./Rec. Valor Comp. Doc. Rec. Valor Comp. 22/10/98 285.710 2.270,00 923 2.275,00 5,00 14196 1.040,00 17138 66,00 17349 115,00 io A MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10315.00009412001-16 Acórdão n°. : 102-45.931 18207 440,00 18209 54,00 18604 115,00 18589 440,00 01/12/98 1.741 3.000,00 98933.000,00 371883.099,50 68181 708,83 610,80 37206 112,00 113,47 19/01/99 1.785 1.806,00 1450411283 986,55 21533 440,00 330,85 21541 138,00 47,11 21228 132,00 452,39 22094 315,00 727,78 738,68 22665 315,00 22669 460,00 22/04/99 983.748 2.480,00 2817 400,00 26970 364,00 405 400,00 26774 105,00 459 400,00 26962 302,00 2843 400,00 27339 105,00 2843 440,00 26484 240,00 2870 440,00 26427 130,00 25216 416,00 25556 506,00 24874 156,00 24767 156,00 Destarte, a alegação contida na peça recursal carece de credibilidade porque em momento anterior tais pagamentos, sob a ótica da empresa, diziam respeito a determinadas aquisições de mercadorias ou pagamentos de dívidas, e, em muitas oportunidades, constituíram parte de pagamento porque complementados por importância em moeda. 11 1/1/ MINISTÉRIO DA FAZENDA • ' • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10315.000094/2001-16 Acórdão n°. : 102-45.931 Até admissivel engano quanto aos documentos atinentes a um determinado pagamento, mas a existência de justificativas incorretas em diversos deles, constitui predicado corrosivo da defesa porque implica em despreparo na formação das provas e sem dúvida alguma, documentos não amparados em escrita fiscal. De outro lado, verifica-se que as notas fiscais e comprovantes vinculados aos pagamentos que compõem a peça recursal não coincidem simultaneamente em data e valor. Assim, a Autoridade Fiscal tem razão em sua afirmativa sobre a obrigação da contabilidade ter os registros vinculados ao tempo em que ocorridos os fatos jurídicos enquanto revestidos da competente documentação. In casu, não parece que esse dever encontra-se atendido pela escrita fiscal e contábil do contribuinte, uma vez que contraditórias as peças impugnatória e recursal e esta última sem lastro em documentação correta. Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessõe - DF, em 26 de fevereiro de 2003. NAURY FRAGOSO TA,ÃKA 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10315.000094/2001-16 Acórdão n°. : 102-45.931 VOTO VENCEDOR Conselheira MARIA GORETTI DE BULHÕES CARVALHO, Relatora Designada O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, merecendo ser conhecido, havendo preliminar de decadência a ser analisada. A meu ver no presente caso operou-se a decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento em questão, eis que o fato autuado correu de janeiro de 1995 a janeiro de 1999, enquanto que o lançamento de oficio só foi formalizado em 1°de fevereiro de 2001 anos após expirado o prazo de 05 anos, que da entrega da declaração de rendimentos, quer da ocorrência do fato gerador. Assim, nos tributos que comportam lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial de 05 anos ocorre a partir do dia seguinte ao da ocorrência do respectivo fato gerador, ainda que não tenha havido homologação expressa O Código Tributário Nacional traz em seu conteúdo três modalidades de lançamentos: lançamento por declaração (art. 147), lançamento direto ou de oficio (art.149) e lançamento por homologação (art. 150). Como já por demais conhecidos por V.sas, no lançamento por declaração vez ocorrido o fato gerador, o sujeito passivo presta todas as informações ou declarações com base nas quais a autoridade administrativa procede a liquidação do crédito e o formaliza; no lançamento de oficio a autoridade administrativa formaliza o crédito sem qualquer participação do sujeito passivo, utilizando apenas dados que possua em seus cadastros ou obtidos pela fiscalização. No lançamento por homologação, a legislação tributária determina ao sujeito passivo o dever de apurar ou calcular o montante do tributo devido sem 13 ftí-, MINISTÉRIO DA FAZENDA Ir, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10315.000094/2001-16 Acórdão n°. :102-45.931 que haja qualquer manifestação por parte da Fazenda Pública interessada. Por mandamento legal o próprio sujeito passivo que já calculou o montante devido à título de tributo, promove seu recolhimento aos cofres públicos, sem qualquer ato prévio de averiguação por parte da autoridade competente. Pode-se dizer, que no caso, existe recolhimento de tributo sem lançamento. Operado o pagamento o lançamento deverá ocorrer no momento em que o fisco, em ato de fiscalização, homologar o valor levado ao conhecimento do Erário Público. O lançamento neste caso, é um ato que referenda a antecipação levado a cabo pelo sujeito passivo. Fica claro que nesta hipótese o lançamento tem clara função declaratória de extinção do crédito tributário; é a forma expressa de aceitação àquilo que o sujeito passivo recolheu. Convém, ainda realçar que o dispositivo em tela afirma TAXATIVAMENTE que o lançamento somente se operará no instante em que a autoridade determinada em lei " expressamente" homologar o valor recolhido. Esta determinação assume grande importância quando comentarmos a homologação TÁCITA, expressa no § 40 deste mesmo artigo. Como bem define a Ilustre Conselheira Sandra Faroni, a que rendo minhas homenagens, "no lançamento por homologação, uma vez ocorrido o fato gerador o sujeito passivo não tem que esperar qualquer atitude da administração pública, devendo ele próprio liquidar o crédito e pagá-lo, e, ao mesmo tempo, informar ao Poder Público da ocorrência do fato gerador e das condições e circunstâncias em que ocorreu. A partir daí a administração verifica se o pagamento está correto e, em caso positivo, o homologa. Destaque-se que embora o CTN não fale expressamente da obrigação acessória do sujeito passivo de informar a ocorrência do fato gerador e das suas circunstâncias (ao mesmo tempo em que efetua o pagamento), tal é uma decorrência lógica do sistema, pois a administração não teria como homologar o pagamento se não conhecesse esses fatos. Assim, ao dispor que a Fazenda Pública tem o prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para homologar o "LANÇAMENTO", deixa o CTN implícito que desde 14 (Y3C/ , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10315.000094/2001-16 Acórdão n°. : 102-45.931 aquela data a autoridade administrativa tem conhecimento das circunstâncias exatas em que ocorreu o fato gerador. Se assim não fosse, isto é, se fosse possível que mediasse intervalo de tempo entre a ocorrência do fato gerador e o pagamento ou entre aquele e a prestação das informações sobre ele à administração, esta não teria o prazo de 05 (cinco) anos para homologá-lo, conforme o previsto no § 4°. do artigo 150 do CTN. Porque, enquanto não efetuado o pagamento, não há o que homologar, e enquanto a administração não tem conhecimento das circunstâncias em que ocorreu o fato gerador, não pode calcular o tributo para efetuar a homologação. Depreende-se que, nos termos do "caput' do artigo 150 do CTN, o lançamento por homologação ocorre quando, por delegação da legislação fiscal, o contribuinte promove aquela atividade da autoridade administrativa de lançamento. E quando o contribuinte não exerce aquela atividade de lançamento (apuração do "quantum") e do pagamento antecipado do tributo apurado? Pode-se dizer que este tributo está sujeito às regras do lançamento por homologação? e vem a resposta óbvia, não. "De qualquer forma, independente de qualquer esforço para identificar o lançamento do IRPJ, o fato é que ao se aperfeiçoar o fato gerador (encerramento do balanço) além de a administração estar impossibilitada de calcular imposto por que não tem as informações imprescindíveis para fazê-lo não pode, também, exigi-lo de imediato, pois a lei assegura ao contribuinte prazo para prestar a declaração e efetuar o pagamento". (Citação do voto da Ilustre Conselheira Sandra Faroni). Neste caso, quando há prévia verificação e pagamento do tributo apurado pelo contribuinte, opera-se o lançamento de ofício que, segundo o inciso I do artigo 149 do CTN ocorre "quando a lei assim o determine". A legislação do Imposto de Renda, quanto ao lançamento de ofício, estabelece, verbis: "Art.889 - O lançamento será efetuado de ofício quando o sujeito passivo (Decretos-lei n°s 5.844/43,art 77, 1967/82, art 16, 15 rf" c, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10315.000094/2001-16 Acórdão n°. :102-45.931 1968/82, art 70 , e 2.065/83, art 70 , § 1 0 , e Leis n°s 2.862/56, art.28, 5.172/66, art,149, e 8.541/92, arts.40 e 43): I — não apresentar declaração de rendimentos; II — deixar de atender ao pedido de esclarecimentos que lhe for dirigido, recusar-se a prestá-los ou não os prestar satisfatoriamente; III — fizer declaração inexata, considerando-se como tal o que contiver ou omitir, inclusive em relação a incentivos fiscais, qualquer elemento que implique redução do imposto a pagar ou restituição indevida; IV — não efetuar ou efetuar com inexatidão o recolhimento do imposto devido inclusive na fonte; V — estiver sujeito, por ação ou omissão a aplicação de penalidade pecuniária; VI — omitir receitas." Assim, não podendo o dies a quo ser a data do encerramento do balanço, pois, como acima dito, não pode a Fazenda desde então efetuar o lançamento conforme o consignado no artigo 149 do CTN, conseqüentemente não teria o prazo de 5 anos para fazê-lo e em sendo assim a regra que comandaria a decadência nesses casos, seria a do artigo 173 e seu parágrafo único do CTN. Considerando o acima exposto e o que mais dos autos consta; Voto no sentido de acatar a decadência do período de janeiro de 1995 até janeiro de 1996, inclusive. Sala das Sessões - DF, em 26 de fevereiro de 2003. r 6-t,ê,/cf MARIA le RETTI DE BULHÕES CARVALHO 16 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10283.006240/2001-31
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Sep 17 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Fri Sep 17 00:00:00 UTC 2004
Ementa: ZONA FRANCA DE MANAUS
Uma vez comprovado que a mercadoria efetivamente importada não corresponde àquela descrita nos documentos de importação, encontrando-se destarte, desamparada de anunência expressa da Suframa, é inaplicável o benefício do Decreto-se nº 288/67, cabendo, ademais, a exigência da multa prevista no art. 526, inciso II, do Regulamemto Aduaneiro.
NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA.
Numero da decisão: 302-36405
Decisão: Por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso, nos termos do voto do Conselheiro relator. Vencidos os Conselheiros Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior e Paulo Roberto Cucco Antunes que davam provimento parcial ao recurso para excluir as penalidades.
Nome do relator: HENRIQUE PRADO MEGDA
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RECORRIDA : DRJ/FORTALEZA/CE ZONA FRANCA DE MANAUS Uma vez comprovado que a mercadoria efetivamente importada não corresponde àquela descrita nos documentos de importação, encontrando-se, destarte, desamparada de anuência expressa da Suframa, é inaplicável o beneficio do Decreto-lei n° 288/67, cabendo, ademais, a exigência da multa prevista no art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro. NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior e Paulo Roberto Cucco Antunes que davam provimento parcial ao recurso para excluir as penalidades. Brasília-DF, em 17 de setembro de 2004 • HENRIQUE " • DO MEGDA Presidente e Relator • 19 ABR 2005 4 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO, MARIA HELENA COTTA CARDOZO e WALBER JOSÉ DA SILVA. Ausentes os Conselheiros LUIS ANTONIO FLORA e SIMONE CRISTINA BISSOTO. une MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 125.148 ACÓRDÃO N° : 302-36.405 RECORRENTE : SEMP TOSHIBA AMAZONAS S.A. RECORRIDA : DRJ/FORTALEZA/CE RELATOR(A) : HENRIQUE PRADO MEGDA RELATÓRIO Os fatos que deram origem ao presente processo encontram-se assim descritos nos autos: Contra o contribuinte acima identificado foram lavrados os autos de infração do Imposto de Importação - II (fls. 01/08) e do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI vinculado (fls. 09/13) para formalização e cobrança do crédito tributário neles estipulado no valor total de R$ 237.768,35, incluindo encargos legais. A infração apurada pela fiscalização, comum aos dois autos de infração, foi a seguinte: 001 - ZONA FRANCA DE MANAUS- MERCADORIA LICENCIADA DIVERSA DA IMPORTADA Falta de recolhimento do II, em decorrência de perda do direito ao beneficio, uma vez que LAUDO TÉCNICO confirmou que a mercadoria importada não corresponde à mercadoria licenciada pela SUFRAMA. O importador submeteu a despacho aduaneiro insumo estrangeiro, para produção de "Rádio Gravador/Reprodutor - de Fitas Cassetes Magnéticas e • Toca-Discos Digital a Laser", com a seguinte descrição nas DI's: "MECANISMO DO TOCA DISCO LASER, MONTADO, COMPOSTO DE: UNIDADE ÓTICA, MOTOR, CHASSI DE AÇO E ENGRENAGENS DE PLÁSTICO.**SUFRAMA" CD C/PCI CONTROLE D40-1701-15 545565" Atualmente, a sistemática de análise dos pedidos de licenciamentos de importação pela SUFRAMA, Setor Indústria, é feita através da LISTAGEM PADRÃO DE INSUMOS, única por produto. O produto "Rádio Gravador/Reprodutor de Fitas Cassetes Magnéticas e Toca Discos Digital a Laser" possui o código 0105 (Cento e cinco), definido pela SUFRAMA para efeito de definição da LISTAGEM PADRÃO DE INSUMOS. O insumo apresentado na DI corresponde ao "DESTAQUE" 063 da LISTAGEM: 2 /i MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 125.148 ACÓRDÃO N° : 302-36.405 NCM Destaque Descrição SUFRAMA 8529.90.20 0063 MECANISMO DO TOCA- DISCO LASER, MONTADO, COMPOSTO DE: UNIDADE ÓTICA, MOTOR, CHASSI DE AÇO E ENGRENAGENS DE PLÁSTICO. A SUFRAMA analisa o pedido de licenciamento, efetivamente, com base na LISTAGEM PADRÃO DE INSUMOS. Quando o PLI é deferido, significa que foi analisado e anuído somente a "Descrição SUFRAMA" do "Destaque" pleiteado pelo importador. Para dirimir dúvidas quanto a correspondência entre a mercadoria licenciada pela SUFRAMA e a mercadoria submetida a despacho aduaneiro foi solicitado Laudo Técnico em 30/06/2001. O perito DUMAS TORRACA SOBRINHO concluiu que a mercadoria declarada não corresponde à mercadoria submetida a despacho aduaneiro e a Laudo Técnico. Na realidade, os quesitos, elaborados pela fiscalização e respondidos pelo perito, visavam a apontar pontos de concordância e pontos de divergência entre a mercadoria declarada e a mercadoria efetivamente importada, e, a partir daí, concluir pela correspondência ou não entre o mecanismo apresentado e o descrito nos documentos instrutivos dos despachos de importação, bem como defmir se existe um "Destaque" apropriado, que corresponda ao insumo em pauta, na LISTAGEM PADRÃO DE INSUMOS. Através do Laudo Técnico constatou-se que a mercadoria importada corresponde com grande precisão ao "Destaque" 0223 da LISTAGEM PADRÃO DE INSUMOS. NCM Destaque Descrição SUFRAMA 8529.90.20 0223 MECANISMO DO TOCA-DISCO LASER, MONTADO, COMPOSTO DE UNIDADE ÓTICA, CHASSI DE PLÁSTICO, MOTORES, ENGRENAGENS, BANDEJA P/DISCOS, CABOS DE INTERLIGAÇÃO E 3 PLACAS DE CIRCUITO IMPRESSO DE SERVOMECANISMO MONTADAS COM COMPONENTES ELETRO- ELETRÔNICOS. Resumidamente, o importador obteve licenciamento junto à SUFRAMA para importar o insumo correspondente ao "DESTAQUE" n° 0063, quando na realidade importou, efetivamente, o insumo condizente com o "DESTAQUE" n° 0223, da LISTAGEM PADRÃO DE INSUMO, do produto "Rádio Gravador/Reprodutor de Fitas Cassetes Magnéticas e Toca Discos Digital a Laser" 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÁMARA RECURSO N° : 125.148 ACÓRDÃO N° : 302-36.405 Em decorrência da situação enfocada acima, a fiscalização entende que a mercadoria licenciada não corresponde à mercadoria efetivamente importada, configurando-se assim importação ao desamparo de Licenciamento de Importação, não cabendo o beneficio da suspensão previsto no Decreto 61.244/67, que regulamentou o Decreto-lei n° 288/67 e criou a SUFRAMA, aplicando-se o tratamento tributário dado a uma importação normal, realizada sem licenciamento, exigindo-se os impostos e multas pertinentes. As declarações de importação (DI's) correspondentes encontram-se interrompidas no SISCOMEX, e a entrega ao importador das mercadorias vinculadas fica pendente, nos termos da legislação aplicável. E 3 002 - IMPORTACÃO DESAMPARADA DE GUIA DE IMPORTACÃO OU DOCUMENTO EQUIVALENTE. Em sua defesa, a Recorrente sustentou a improcedência do lançamento, argüindo, em suma: - Excesso de tecnicismo do laudo que sustenta a exigência do fisco, sendo que a autuada classificou a mercadoria de acordo com a listagem padrão de insumos da SUFRAMA. - Por entender que a mercadoria importada não corresponde à mercadoria licenciada, os Srs. Auditores Fiscais, absurdamente, lavraram autuação por importação ao desamparo de licenciamento de importação, considerar que uma pequena diferença na descrição da mercadoria possa levar à conclusão de que as mercadorias foram importadas osem licenciamento. - A utilização do destaque 0063 pela AUTUADA não implica qualquer prejuízo para a Fazenda, motivo pelo qual não deve ser considerada importação ao desamparo de documentação e muito menos ser aplicada a multa do artigo 526, II do Regulamento Aduaneiro. A autoridade julgadora de primeira instancia administrativa julgou procedente o lançamento em decisao assim ementada: ZONA FRANCA DE MANAUS. DECLARAÇÃO INEXATA DE MERCADORIA. A importação de mercadoria em estado e condições diferentes daqueles descritos na Guia de Importação/Licença de Importação é infração administrativa ao controle das importações. Na Zona Franca de Manaus, a 4 / MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 125.148 ACÓRDÃO N° : 302-36.405 desqualificação da Licença de Importação - LI enseja a cobrança dos impostos (II e IPI) e respectivas multas de oficio, pela fruição indevida de beneficios fiscais, bem como, da multa Administrativa ao Controle das Importações. Após, devidamente cientificado da decisão de primeira instância, com guarda de prazo, o sujeito passivo interpôs recurso ao Conselho de Contribuintes (fls. 101 a 108), que leio em sessão, para melhor informação dos senhores conselheiros, reprisando, com maior ênfase, os argumentos já expendidos na peça impugnatória, escudado na doutrina e na jurisprudência administrativa, valendo destacar: • De acordo com o laudo técnico apresentado pelo Sr. Perito Dumas Torraca Sobrinho, a mercadoria vistoriada não era a mesma da descrição exclusivamente porque o chassi na verdade é de plástico e não de aço, mas não apontou qualquer novo destaque. • Foi em face desta mínima diferença que os Srs. Auditores Fiscais entenderam que as mercadorias foram importadas ao desamparo de licenciamento de importação, aplicando a multa do artigo 526, II do Regulamento Aduaneiro, que estabelece: "Art. 526 — Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas: (...) C II — importar mercadorias do exterior sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: multas de 30% do valor da mercadoria". • É claro que não houve importação de mercadoria sem guia de importação ou documento equivalente. O que ocorreu foi um simples erro, uma pequena inexatidão por parte da RECORRENTE. • Não podem os Srs. Auditores Fiscais e nem mesmo a autoridade julgadora entenderem que mera descrição indevida ou imprecisa da mercadoria, em casos como este em que não há alteração substancial do insumo, deva ser considerada importação ao desamparo de documentação e aplicação a multa do artigo supracitado. MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 125.148 ACÓRDÃO N° : 302-36.405 • Ora, Srs. Conselheiros, a descrição utilizada pela RECORRENTE pode não ser a prefeita, mas possui os elementos indispensáveis para identificação da mercadoria. • É absurdo considerar que uma pequena diferença na descrição da mercadoria possa levar à conclusão de que as mercadorias não são as mesmas e que foram importadas sem licenciamento. (os grifos são do original) É o relatório. • 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 125.148 ACÓRDÃO N° : 302-36.405 VOTO O presente recurso é tempestivo e encontra-se acompanhado de prova do recolhimento do depósito recursal legalmente exigido, atendendo aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido por este Colegiado. Conforme relatado, a exigência fiscal de que se trata prende-se ao fato de a recorrente ter descrito a mercadoria por ela importada como MECANISMO • DO TOCA-DISCO LASER, MONTADO, COMPOSTO DE: UNIDADE ÓTICA, MOTOR, CHASSI DE AÇO E ENGRENAGENS DE PLÁSTICO, cuja descrição foi apontada em laudo técnico como MECANISMO DO TOCA-DISCO LASER, MONTADO, COMPOSTO DE UNIDADE ÓTICA, CHASSI DE PLÁSTICO, MOTORES, ENGRENAGENS, BANDEJA P/ DISCOS, CABOS DE INTERLIGAÇÃO E 3 PLACAS DE CIRCUITO IMPRESSO DE SERVOMECANISMO MONTADAS COM COMPONENTES ELETRO- ELETRÔNICOS. Conforme é amplamente consabido, para efeito de fruição dos beneficios previstos no Decreto-lei n° 288/67, o desembaraço aduaneiro das mercadorias está condicionado à apresentação de guia de importação, ou documento equivalente, com anuência expressa da SUFRAMA, conforme determina o art. 1°, inciso I, e o art. 2°, parágrafo único, do Decreto n° 205/91. Cumpre observar que essa autorização abrange tão-somente as mercadorias discriminadas no referido documento e suas quantidades e valores O correspondentes, ou seja, para a outorga dos beneficios fiscais da Zona Franca de Manaus, deve ser comprovada completa identidade entre os bens efetivamente importados e aqueles licenciados pelo órgão que administra o referido beneficio. Como as respostas aos quesitos formulados pelo autuante, constantes do laudo técnico acostado aos autos, oferecem amplo suporte à descrição das mercadorias que deu origem à exigência do fisco, tendo como corolário o descabimento da isenção correspondente, entendo correta a ação fiscal, bem como para os objetivos de controle administrativo perseguidos pelo legislador, é indispensável que a guia de importação correspondente descreva a mercadoria com todas as características necessárias ao seu pleno conhecimento por parte da Administração sujeitando o importador à penalidade prevista por falta de licenciamento para a mercadoria efetivamente importada. 7 ítj, MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 125.148 ACÓRDÃO N° : 302-36.405 Do exposto e por tudo o mais que dos autos consta, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 17 de setembro de 2004 dor --- HENR PRADO MEGDA - Relator 10
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Numero do processo: 10380.004602/95-61
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jun 08 00:00:00 UTC 1999
Data da publicação: Tue Jun 08 00:00:00 UTC 1999
Ementa: PERÍCIA CONTÁBIL - DILIGÊNCIA FISCAL - A determinação de realização de diligências e/ou perícias compete a autoridade singular, podendo a mesma ser de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a sua falta não acarreta a nulidade do processo administrativo fiscal.
NULIDADE DO LANÇAMENTO - TERMO DE INÍCIO DA AÇÃO FISCAL - FALTA DE INDICAÇÃO DO PRAZO DE DURAÇÃO DA AUDITORIA FISCAL - Não tendo sido praticado qualquer ato com preterição do direito de defesa e estando os elementos de que necessita o contribuinte para elaborar suas contra-razões de mérito juntados aos autos, fica de todo afastada a hipótese de nulidade do procedimento fiscal.
NULIDADE DO PROCESSO FISCAL POR VÍCIO FORMAL - O Auto de Infração e demais termos do processo fiscal só são nulos nos casos previstos no art. 59 do Decreto n.º 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal).
IRRETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA - A lei tributária que torna mais gravosa a tributação somente entra em vigor e tem eficácia, a partir do exercício financeiro seguinte àquele em que for publicada. O parágrafo 5º do artigo 6º da Lei n.º 8.021, de 12/04/90 (D.O.U de 13/04/90), por ensejar aumento de imposto não tem aplicação aos anos-base anteriores a 1991.
IRPF - BASE DE CÁLCULO - PERÍODO-BASE DE INCIDÊNCIA - O Imposto de Renda das pessoas físicas, a partir de 01/01/89, será apurado, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, incluindo-se, quando comprovados pelo Fisco, a omissão de rendimentos apurados através de planilhamento financeiro ("fluxo de caixa"), onde serão considerados todos os ingressos e dispêndios realizados no mês pelo contribuinte. Entretanto, por inexistir a obrigatoriedade de apresentação de declaração mensal de bens, incluindo dívidas e ônus reais, o saldo de disponibilidade pode ser aproveitado no mês subsequente, desde que seja dentro do mesmo ano-base.
IRPF - CANCELAMENTO DE DÉBITOS - VALORES CONSTANTES DE EXTRATOS BANCÁRIOS - Estão cancelados pelo artigo 9º, inciso VII, do Decreto-lei n.º 2.471/88, os débitos de imposto de renda que tenham por base a renda presumida através de arbitramento com base, exclusivamente, sobre valores constantes de extratos ou comprovantes bancários.
IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA - LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITO BANCÁRIO - No arbitramento, em procedimento de ofício, efetuado com base em depósito bancário, nos termos do parágrafo 5º do artigo 6º da Lei n.º 8.021, de 12/04/90, é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. O Lançamento assim constituído só é admissível quando ficar comprovado o nexo causal entre os depósitos e o fato que represente omissão de rendimento. Devendo, ainda, neste caso (comparação entre os depósitos bancários e a renda consumida), ser levada a efeito a modalidade que mais favorecer o contribuinte.
VIGÊNCIA DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA - INCIDÊNCIA DA TRD COMO JUROS DE MORA - Por força do disposto no artigo 101 do CTN e no § 4 do artigo 1 da Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, a Taxa Referencial Diária - TRD só poderá ser cobrada, como juros de mora, a partir do mês de agosto de 1991 quando entrou em vigor a Lei n.º 8.218/91.
Preliminares rejeitadas.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 104-17065
Decisão: Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e, no mérito DAR provimeto PARCIAL ao recurso, para excluir da exigência tributária: I - as importâncias de NCz$ 8.810,00, relativa a jul/89; NCz$ 8.790,85, relativa a set/89; NCz$ 52.380.76, relativo a out/89 e NCz$ 6.177,19 relativa a nov/89; e II - o encargo da TRD anterior ao mês de agosto de 1991.
Nome do relator: Nelson Mallmann
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NULIDADE DO LANÇAMENTO - TERMO DE INICIO DA AÇÃO FISCAL - FALTA DE INDICAÇÃO DO PRAZO DE DURAÇÃO DA AUDITORIA FISCAL - Não tendo sido praticado qualquer ato com preterição do direito de defesa e estando os elementos de que necessita o contribuinte para elaborar suas contra-razões de mérito juntados aos autos, fica de todo afastada a hipótese de nulidade do procedimento fiscal. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL POR VICIO FORMAL - O Auto de Infração e demais termos do processo fiscal só são nulos nos casos previstos no art. 59 do Decreto n.° 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal). IRRETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA - A lei tributária que torna mais gravosa a tributação somente entra em vigor e tem eficácia, a partir do exercício financeiro seguinte àquele em que for publicada. O parágrafo 5° do artigo 60 da Lei n.° 8.021, de 12/04/90 (D.O.0 de 13/04/90), por ensejar aumento de imposto não tem aplicação aos anos-base anteriores a 1991. IRPF - BASE DE CÁLCULO - PERÍODO-BASE DE INCIDÊNCIA - O Imposto de Renda das pessoas físicas, a partir de 01/01/89, será apurado, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, incluindo-se, quando comprovados pelo Fisco, a omissão de rendimentos apurados através de planilhamento financeiro ("fluxo de caixa»), onde serão considerados todos os ingressos e dispêndios realizados no mês pelo contribuinte. Entretanto, por inexistir a obrigatoriedade de apresentação de declaração mensal de bens, incluindo dívidas e ónus reais, o saldo de disponibilidade pode ser aproveitado no mês subsequente, desde que seja dentro do mesmo ano-base. IRPF - CANCELAMENTO DE DÉBITOS - VALORES CONSTANTES DE EXTRATOS BANCÁRIOS - Estão cancelados pelo artigo 9 0, inciso VII, do Decreto-lei n.° 2.471/88, os débitos de imposto de renda que tenham por MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES C4J" QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.004602/95-61 Acórdão n°. : 104-17.065 base a renda presumida através de arbitramento com base, exclusivamente, sobre valores constantes de extratos ou comprovantes bancários. IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA - LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITO BANCÁRIO - No arbitramento, em procedimento de ofício, efetuado com base em depósito bancário, nos termos do parágrafo 5° do artigo 6° da Lei n.° 8.021, de 12/04/90, é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. O Lançamento assim constituído só é admissivel quando ficar comprovado o nexo causal entre os depósitos e o fato que represente omissão de rendimento. Devendo, ainda, neste caso (comparação entre os depósitos bancários e a renda consumida), ser levada a efeito a modalidade que mais favorecer o contribuinte. VIGÊNCIA DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA - INCIDÊNCIA DA TRD COMO JUROS DE MORA - Por força do disposto no artigo 101 do CTN e no § 40 do artigo 1° da Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, a Taxa Referencial Diária - TRD só poderá ser cobrada, como juros de mora, a partir do mês de agosto de 1991 quando entrou em vigor a Lei n.° 8.218/91. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MANOEL MACHADO DE ARAÚJO. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da exigência tributária: I - as importâncias de NCz$ 8.810,00, relativa a jul/89; NCz$ 8.790,85, relativa a set/89; NCz$ 52.380,76, relativa a out/89 e NCz$ 6.177,19, relativa a nov/89; e II - o encargo da TRD anterior ao mês de agosto de 1991, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. 2 1'4 .30 ---, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.004602/95-61 Acórdão n°. : 104-17.065 li 2V'ob f — LEI • MARIA SCHERRER LEITÃO PRESIDENTE Ar NE O - • ANN R TO - FORMALIZADO EM: 16 Jui 1999 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, ROBERTO WILLIAM GONÇALVES, JOSÉ PEREIRA DO NASCIMENTO, ELIZABETO CARREIRO VARÃO, JOÃO LUÍS DE SOUZA PEREIRA e REMIS ALMEIDA ESTOL. 3 e, - . H MINISTÉRIO DA FAZENDA'444 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES >. QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.004602/95-61 Acórdão n°. : 104-17.065 Recurso n°. : 13.484 Recorrente : MANOEL MACHADO DE ARAÚJO RELATÓRIO MANOEL MACHADO DE ARAÚJO, contribuinte inscrito no CPF/MF 000.283.553-34, residente e domiciliado na cidade de Fortaleza, Estado do Ceará, à Avenida Desembargador Moreira, n.° 1.647, Bairro Aldeota, jurisdicionado à DRF em Fortaleza - CE, inconformado com a decisão de primeiro grau de fls. 110/119, prolatada pela DRJ em Fortaleza - CE, recorre a este Conselho pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 126/136. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 12/05/95, o Auto de Infração - Imposto de Renda Pessoa Física de fls. 02/08, com ciência em 12/05/95, exigindo-se o recolhimento do crédito tributário no valor total de 35.182,02 UFIR (referencial de indexação de tributos e contribuições de competência da União - padrão monetário fiscal da época do lançamento do crédito tributário ), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da TRD acumulada como juros de mora no período de 04/02/91 a 02/01/92; da multa de lançamento de oficio de 50% e dos juros de mora de 1% ao mês, excluído o período de incidência da TRD, calculados sobre o valor do imposto, referente ao exercício de 1990, correspondente ao anos-base de 1989. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização, onde constatou-se omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, caracterizando sinais exteriores de riqueza, que evidenciam a renda mensalmente auferida e não declarada. Infração capitulada nos artigos 1° ao 3° e parágrafos e 8° da Lei n.° 7.713/88. 4 , .• :4; MINISTÉRIO DA FAZENDA n•-,eis i PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.004602/95-61 Acórdão n°. : 104-17.065 O autuante esclarece, ainda, através do Termo de Verificação, entre outros, os seguintes aspectos; - que foi levantado mês a mês a origem dos recursos decorrentes de honorários, pro-labores, empréstimos obtidos em instituições financeiras, aluguéis recebidos, gratificações, participações nos lucros, dividendos, rendimentos de aplicações financeiras, empréstimo decorrente de mútuo com empresa ligada através de conta corrente, isto é os saldos que apresentaram devedores no mês, ganhos de capital na alienação de bens, rendimentos do cônjuge, e demais rendimentos apurados ou declarados, a esses, sendo deduzido o imposto de renda retido na fonte, quando for o caso; - que também foi levantado mês a mês as aplicações dos recursos na aquisição de bens, direitos, amortização de dívidas, empréstimos concedidos a terceiros, suprimentos de caixa em empresas ligadas decorrente da manutenção de contas correntes, isto é, os saldos que apresentarem credores no mês, depósitos de créditos em conta corrente bancária, notadamente no Banco Comercial Bancesa S/A das quais nos foi fornecido extratos bancários pelo próprio contribuinte e demais aplicações de recursos apurados ou declarados; - que para o cotejo entre as origens e aplicações de recursos, elaboramos o quadro discriminado mês a mês da 'Apuração da Variação Patrimonial" por ano base, onde o saldo é apurado tomando-se a coluna "a (origens) subtraindo-se a coluna "tf (aplicações) ou (depósitos bancários) entre as duas últimas aquela de maior valor no mês. O saldo apurado, se negativo foi considerado como base de cálculo do imposto de renda pessoa física no presente Auto de Infração. 5 • (4.1,`.41 MINISTÉRIO DA FAZENDA; .jr• wtzti ,-;: vi PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES "titzt-Er4 QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.004602195-61 Acórdão n°. : 104-17.065 Irresignado com o lançamento, o autuado, apresenta, tempestivamente, em 13/06/95, a sua peça impugnatória de fls. 97/105, instruída pelo documento de fls. 106, solicitando que seja acolhida a impugnação, declarando, por via de conseqüência, a insubsistência do Auto de Infração com base, em síntese, nos seguintes argumentos: - que o art. 196 do CTN buscou foi estabelecer uma norma geral, indiscutível, de que, a legislação aplicável não pode fugir ao dito princípio, devendo sempre exigir, que em sua letra, diga no momento do início da fiscalização, qual o prazo máximo para sua conclusão; - que a ausência da declaração no termo inicial da diligência no tocante ao prazo máximo de sua duração, constitui desrespeito a determinação do Código Tributário Nacional, que, no dizer dos juristas é uma Lei sobre as Leis Tributárias; - que prevalecendo dito raciocínio, conclui-se assim que, o Auto de Infração, ora impugnado não merece o acatamento da Administração Tributária, já por se apresentar falho, maculado por insuficiência, que lhe dá o aspecto jurídico nulo; - que o procedimento fiscal se funda, basicamente, em extratos bancários, os quais, diga-se de passagem não geraram acréscimo patrimonial. Os respectivos saldos são irrisórios, e as vezes negativos, face ao cheque especial que foi concedido ao impugnante que lhe permitia sacar a descoberto; - que a tributação pretendida pelo Fisco, com fundamento no enquadramento supra mencionado, é absolutamente igual a outros processos instaurados, visando constituir créditos tributários baseados em movimento bancário dos contribuintes. Tantos foram os casos, que as inúmeras decisões judiciais que forçaram a um 6 4.0 ;34 MINISTÉRIO DA FAZENDA 4 tp.-4.;:tt. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.004602/95-61 Acórdão n°. : 104-17.065 posicionamento por parte da Instância Superior, se convertendo na súmula n.° 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos; - que a correção monetária adotada e aplicada pelo AFTN autuante, no período de 04/02/91 a 02/01/92, seja tendo em vista a utilização da TRD com indexador de juros de mora, seja pela transformação posterior, merece sérios reparos porque, legalmente, e porque não dizê-lo, constitucionalmente, é totalmente indevida. Após resumir os fatos constantes da autuação e as razões apresentadas pelo impugnante, a autoridade singular conclui pela procedência parcial da ação fiscal e pela manutenção em parte do crédito tributário, com base, em síntese, nas seguintes considerações: - que quanto ao pedido de perícia, para que a autoridade julgadora conheça do assunto, é necessário dele constarem os quesitos cujos exames são desejados e a qualificação completa do perito, conforme disposição contida no artigo 16 e § 1° do Decreto n.° 70.235/72; - que conforme se observa da peça impugnatória, o sujeito passivo não atendeu aos requisitos necessários ao conhecimento do pedido, não configurando pedido de perícia a simples referência ao assunto, feita de maneira genérica, sem especificação da matéria do lançamento que se pretende seja examinada, os pontos de discordância existentes, a indicação dos quesitos a serem respondidos e a qualificação do perito do sujeito passivo; - que ademais, esta autoridade julgadora não vislumbra, nos presentes autos, nenhuma motivação que enseje a necessidade de realização de perícia técnica. 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4N4 fri i.e: ?" QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.004602/95-61 Acórdão n°. : 104-17.065 Assim, decido por indeferir o pedido de perícia, considerando-a prescindível, conforme competência traduzida no artigo 18 do Decreto n.° 70.235/72; - que examinando-se as peças dos autos, verifica-se serem improcedentes as argumentações levantadas pelo autuado, no que concerne à nulidade do lançamento por não constar no Termo de Início o prazo do término dos trabalhos de fiscalização; - que disciplinando sobre os prazos em matéria de trabalhos fiscais foi editado o Decreto n.° 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei n.° 8.748/93; - que com efeito, o artigo 7° do Decreto ri.° 70.235/72 fixa em 60 (sessenta) dias o prazo que o sujeito passivo tem sua espontaneidade excluída, em relação aos atos anteriores ao início do procedimento fiscal; - que quando o legislador, no artigo 196 do CTN, referiu-se a prazo para conclusão de "Diligências de Fiscalização" quis, evidentemente, deixar claro ser necessário dotar a ação fiscal de rapidez, sobretudo para garantir a tranqüilidade dos contribuintes, a fim de que estes não fiquem esperando indefinidamente pelo fisco; - que porém, referido mandamento não fixou prazo, nem contém sanção, e, não há outro mandamento legal que fixe prazo para conclusão de ação fiscal ou que autorize sanção pela falta de fixação de referido prazo; - que labora em erro o contribuinte ao afirmar que o lançamento foi feito levando em consideração basicamente extratos bancários. Na realidade o procedimento fiscal decorreu de toda uma análise exaustiva do exercício financeiro de 1990, ano-base de 1989, onde foi levantado mês a mês a origem dos recursos decorrentes de honorários, 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.004602/95-61 Acórdão n°. : 104-17.065 prolabores, empréstimos obtidos, aluguéis recebidos, gratificações, participações nos lucros, dividendos, etc.; - que no presente caso, a análise da movimentação financeira foi realizada de forma individualizada, por operação, permitindo-se ao contribuinte, caso a caso, a oportunidade de identificar a natureza e origem dos respectivos valores. As relações de fls. 20/21, ao detalhar os recursos creditados, mês a mês, com todas as entradas de numerário das contas correntes do contribuinte, constatou que a maioria dos depósitos não provinham dos rendimentos declarados, nem tampouco de transferências entre contas de mesma titularidade, confirmando, desta forma, que houve ingresso de recursos de origem desconhecida; - que assim, com fulcro no artigo 144, parágrafo 1°, da Lei n.° 5.172/66, pode-se afirmar que os meios de investigação mais precisos outorgados ao fisco para realizar o lançamento, são regidos pela legislação vigente posteriormente à ocorrência do fato gerador. Tratam, estes meios, de medidas simplesmente processuais-tributárias, que, como todas as normas processuais, devem ter aplicação imediata; - que em resumo, aplica-se ao lançamento quanto as aspectos formais, vale dizer, quanto à parte simplesmente procedimental, a lei em vigor na data do lançamento. Assim, torna-se aplicável a depósitos bancários efetivados em 1989 as disposições da Lei n.° 8.021/90, subsidiariamente à previsão legal contida no artigo 39, inciso V, do RIR/80, vigente no período; - que a previsão contida no art. 30 da Lei n.° 8.218/91, o qual dava nova redação ao art. 90 da Lei n.° 8.177/91; embora ainda vigente tal dispositivo, foi o mesmo objeto de decisões judiciais concluindo sobre a sua inconstitucionalidade, tendo o Secretário da Receita Federal, com base no Decreto n.° 2.194/97, através da IN 032/97, determinado o 9 4.1 MINISTÉRIO DA FAZENDA ••!,,zzja, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '•/..k!;.r.: 1 QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.004602/95-61 Acórdão n°. : 104-17.065 cancelamento do débito relativo à aplicação da aludida norma no período de 04/02/91 a 29/07/91. A ementa da decisão da autoridade de 1° grau, que consubstancia os fundamentos da ação fiscal é a seguinte: "IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Variação Patrimonial a Descoberto - Não comprovando a origem dos recursos que evidenciam a renda auferida e não declarada, resta caracterizada a variação patrimonial a descoberto e procedente o lançamento decorrente. - A partir de 01/01/89 o imposto de renda das pessoas físicas passou a ser devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital fossem percebidos. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - O saldo da disponibilidade de um mês pode ser aproveitado no mês subsequente, dentro do mesmo ano-base, para fins de apuração de rendimentos omitidos no mês, visto que inexiste base legal para presumir-se o consumo da renda. JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA REFERENCIAL DIÁRIA - TRD Com fundamento na determinação contida no artigo 1° da Instrução Normativa SRF n.° 032/97, é de se cancelar a parcela do crédito tributário correspondente à exigência da Taxa Referencial Diária - TRD, no período de 04/02/91 a 29/07/91. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE" 10 t".r. MINISTÉRIO DA FAZENDA 4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.004602/95-61 Acórdão n°. : 104-17.065 Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 25/06/97, conforme Termo constante às folhas 120/122, e, com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em tempo hábil (16/07/97), o recurso voluntário de fls. 126/136, instruído pelo documento de fls. 137, no qual demonstra total irresignação contra a decisão supra ementada, baseado nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: - que preliminarmente, a autuação e o decisório monocrático que o manteve, são inteiramente nulos de pleno direito, por uma razão muito simples, os pretensos fatos geradores que se diz ocorridos não poderiam nunca serem regidos pela Lei n.° 8.021/90, na verdade uma aberração em termos de aplicação no tempo de norma de natureza penal, ou seja impossível retroagir para prejudicar o recorrente; - que labora ainda, em erro inaceitável a Decisão em comento, quando acrescenta dispositivos legais, não vigentes e não incluídos no enquadramento legal da peça básica de autuação, por indicar esta somente os artigos 1° ao 3° e parágrafos e 80 da Lei n.° 7.713/88, e que, na verdade nada tem a ver com o processo de arbitramento de possível omissão de receita por presunção na pessoa física por falta de amparo legal; - que a autuação ao chamar de "Omissão de Rendimentos tendo em vista variação patrimonial a descoberto, caracterizando sinais exteriores de riqueza", não se referiu em momento algum aos extratos bancários e por que meios de provas foram obtidos, e que estranhamente, omitiu os saldos devedores, decorrentes dos cheques especiais, que o recorrente tinha como presidente do Bancesa, que se pretendia demonstrar através de perícia requerida e não aceita pelo órgão julgador monocrático, evidenciando outra gritante preterição do direito de defesa do suplicante; - que a alegação do não acatamento da perícia por falta de indicação dos quesitos é por demais primária, porque o pleito se referia a nulidade evidente da autuação 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA ". n27;:t PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES "MCS-L:t" QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.004602/95-61 Acórdão n°. : 104-17.065 por contrariar expressamente aos fatos e a Lei vigente no tempo e somente se assim não entendesse o ilustre julgador, cuja vontade exclusiva lhe pertencia, seriam indicados não só os quesitos como também o perito da parte, ora recorrente. É o Relatório. 12 k' MINISTÉRIO DA FAZENDA ‘4'1?» PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.004602/95-61 Acórdão n°. : 104-17.065 VOTO Conselheiro NELSON MALLMANN, Relator O recurso é tempestivo e preenche as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. Estão em julgamento duas questões: as preliminares pela qual a recorrente pretende ver declarada a nulidade do procedimento fiscal e/ou decisão singular, e outra relativa ao mérito da exigência, denominada de omissão de rendimentos apurados através do demonstrativo de origens e aplicações de recursos ("fluxo de caixa'). Não colhe a preliminar de nulidade do lançamento do crédito tributário ou do decisório singular, por cerceamento ao direito de defesa, argüida pelo recorrente, aos argumentos de que " a alegação do não acatamento da perícia por falta de indicação dos quesitos é por demais primária, porque o pleito se referia a nulidade evidente da autuação por contrariar expressamente aos fatos e a Lei vigente no tempo e somente se assim não entendesse o ilustre julgador, cuja vontade exclusiva lhe pertencia, seriam indicados não só os quesitos como também o perito da parte, ora recorrente; que a ausência da declaração no termo inicial da diligência no tocante ao prazo máximo de sua duração, constitui desrespeito a determinação do Código Tributário Nacional, que, no dizer dos juristas é uma Lei sobre as Leis Tributárias'. Senão vejamos: 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.004602/95-61 Acórdão n°. : 104-17.065 Em seu recurso a autuada apresenta, inicialmente, a seu favor a alegação da necessidade de realização de uma perícia por "expert" da impugnante e da Fazenda, para elucidar com proficiência fatos e documentos ainda não esclarecidos. Analisando os documentos acostados nos autos, entendo que são suficientes para o deslinde da questão, não havendo necessidade de realização de perícia contábil, já que a matéria mantida neste voto, como se verá mais adiante, por se tratar de matéria de direito, ou seja, não há discussão em tomo de valores e documentos e sim discussão em tomo do aspecto legal (fato gerador) dos valores mantidos. Ademais, não havia empecilho legal que obstasse a suplicante de apresentar um relatório realizado por um "expert" de sua confiança, dentro do prazo de 30 (trinta) dias concedidos para contestar a matéria lançada. O Estado não possui qualquer interesse subjetivo nas questões, também no processo administrativo fiscal. Daí, os dois pressupostos basilares que o regulam: a legalidade objetiva e a verdade material. Sob a legalidade objetiva, o lançamento do tributo é atividade vinculada, isto é, obedece aos estritos ditames da legislação tributária, para que, assegurada sua adequada aplicação, esta produza os efeitos colimados (artigos 3° e 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional). Nessa linha, compete, inclusive, à autoridade administrativa, zelar pelo cumprimento de formalidade essenciais, inerentes ao processo. Daí, a revisão do lançamento por omissão de ato ou formalidade essencial, conforme preceitua o artigo 149, IX da Lei n.° 5.172/66. Igualmente, o cancelamento de ofício de exigência infundada, contra a qual o sujeito passivo não se opôs (artigo 21, parágrafo 1 0, do Decreto n.° 70.235/72). 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA "`'Ilztb.t." PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1.ktX4i!".f? QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.004602/95-61 Acórdão n°. : 104-17.065 Sob a verdade material, citem-se: a revisão de lançamento quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado (artigo 149, VIII, da Lei n.° 5.172/66); as diligências que a autoridade determinar, quando entendê-las necessárias ao deslinde da questão (artigos 17 e 29 do Decreto n.° 70.235/72); a correção, de ofício, de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto (artigo 32, do Decreto n.° 70.235/72). Como substrato dos pressupostos acima elencados, o amplo direito de defesa é assegurado ao sujeito passivo, matéria, inclusive, incita no artigo 5 0, LV, da Constituição Federal de 1988. Além disso, o Processo Administrativo Fiscal - Decreto n.° 70.235/72 diz o seguinte: "Art. 17 - A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligências, inclusive perícias quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Parágrafo único - O sujeito passivo apresentará os pontos de discordância e as razões e provas que tiver e indicará, no caso de perícia, o nome endereço do seu perito." Como se verifica do dispositivo legal, a autoridade que proferiu a decisão tem a competência para decidir sobre o pedido de perícia contábil, e é a própria lei que atribui à autoridade julgadora de primeira instância o poder discricionário para deferir ou indeferir os pedidos de diligência ou perícia, quando prescindíveis ou impossíveis, devendo o indeferimento constar da própria decisão proferida. Entretanto, o poder discricionário para indeferir pedidos de diligência e perícia não foi concedido ao agente público para que ele disponha segundo sua conveniência pessoal, mas sim para atingir a finalidade traçada pelo 15 n." .n.% MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES gr>S, 11!:: QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.004602/95-61 Acórdão n°. : 104-17.065 ordenamento do sistema, que, em última análise, consiste em fazer aflorar a verdade material com o propósito de certificar a legitimidade do lançamento. Ora, a autoridade singular cumpriu todos preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados extraídos do próprio suplicante, nesse contexto, entendo que a autoridade administrativa agiu corretamente indeferindo o pedido de perícia, pois o recorrente teve a oportunidade de exercer seu amplo direito de defesa, entretanto, não apresentou nenhum argumento convincente que justificasse tal medida. Quanto a nulidade do lançamento pela falta de indicação do prazo de duração da auditoria no Termo de Início de Fiscalização, tem-se que não tendo sido praticado qualquer ato com preterição do direito de defesa e estando os elementos de que necessita o contribuinte para elaborar suas contra-razões de mérito juntados aos autos, fica de todo afastada a hipótese de nulidade do procedimento fiscal. Ademais, quando o legislador, no artigo 196 do CTN, referiu-se a prazo para conclusão de "Diligências de Fiscalização" quis, evidentemente, deixar claro ser necessário dotar a ação fiscal de rapidez, sobretudo para garantir a tranqüilidade dos contribuinte, a fim de que estes não fiquem esperando indefinidamente pelo fisco. Porém, referido mandamento não fixou prazo, nem contém sanção, e, não há outro mandamento legal que fixe prazo para conclusão de ação fiscal ou que autorize sanção pela falta de fixação de referido prazo. O Decreto n.° 70.235/72, em seu artigo 9 0, define o auto de infração e a notificação de lançamento como instrumentos de formalização da exigência do crédito tributário, quando afirma: 16 k jr: 4.rij MINISTÉRIO DA FAZENDA "i"1:-151 n* PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1 .Cz4 QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.004602/95-61 Acórdão n°. : 104-17.065 "A exigência do crédito tributário será formalizado em auto de infração ou notificação de lançamento distinto para cada tributo." Com nova redação dada pelo art. 1° da Lei n.° 8.748/93: "A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito." O auto de infração, bem como a notificação de lançamento por constituírem peças básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal, seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna inexistente o ato, sejam os atos formais ou solenes. Se houver vício na forma, o ato pode invalidar-se. Ademais, diz o Processo Administrativo Fiscal - Decreto n.° 70.235/72: "Art. 59 - São nulos: I - Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." Como se verifica do dispositivo legal, não ocorreu, no caso do presente processo, a nulidade. O auto de infração e a decisão foram lavrado e proferido por 17 ,r-20 MINISTÉRIO DA FAZENDA eg- e• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.004602/95-61 Acórdão n°. : 104-17.065 funcionários ocupantes de cargo no Ministério da Fazenda, que são as pessoas competentes para lavrar e decidir sobre o lançamento. Igualmente, todos os atos e termos foram lavrados por funcionários com competência para tal. Ora, a autoridade singular cumpriu todos preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre a suplicante, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração cometida. Como se vê, não procede a situação conflitante alegada pelo recorrente, ou seja, não se verificam, por isso, os pressupostos exigidos que permitam a declaração de nulidade do Auto de Infração. Haveria possibilidade de se admitir a nulidade por falta de conteúdo ou objeto, quando o lançamento que, embora tenha sido efetuado com atenção aos requisitos de forma e às formalidades requeridas para a sua feitura, ainda assim, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, efetivamente não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, ou seja, não restou provada a materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Entretanto, não é o caso em questão, já que a discussão se prende a interpretação de normas legais para declaração de nulidade do procedimento fiscal. Além disso, o Art. 60 do Decreto n.° 70.235/72, prevê que as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 59 do mesmo Decreto não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Nesse contexto, passo ao exame da questão principal da lide. 18 MINISTÉRIO DA FAZENDA .4i 4 Pk i 0! PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.004602/95-61 Acórdão n°. : 104-17.065 Quanto a discussão em tomo de acréscimo patrimonial a descoberto apurado, mensalmente, através de fluxo de caixa, tem-se que o suplicante foi tributado diante da constatação de omissão de rendimentos, pelo fato do fisco ter verificado, através do levantamento mensal de origens e aplicações de recursos, que o mesmo apresentava "um acréscimo patrimonial a descoberto", "saldo negativo mensal", ou seja, aplicava e/ou consumia mais do que possuía de recursos com origem justificada. Como se vê, o fato que resta a ser julgado é a omissão de rendimentos, apurado através do fluxo financeiro do suplicante. Sobre este "acréscimo patrimonial a descoberto", "saldo negativo mensal" cabe tecer algumas considerações. Sem dúvida, sempre que se apura de forma inequívoca um acréscimo patrimonial a descoberto, na acepção do termo, é lícita a presunção de que tal acréscimo foi construído com recursos não indicados na declaração de rendimentos do contribuinte. A situação patrimonial do contribuinte é medida em dois momentos distintos. No início do período considerado e no seu final, pela apropriação dos valores constantes de sua declaração de bens. O eventual acréscimo na situação patrimonial constatada na posição do final do período em comparação da mesma situação no seu início é considerada como acréscimo patrimonial. Para haver equilíbrio fiscal deve corresponder, tal acréscimo (que leva em consideração os bens, direitos e obrigações do contribuinte) deve estar respaldado em receitas auferidas (tributadas, não tributadas ou tributadas exclusivamente na fonte). No caso em questão, a tributação não decorreu do comparativo entre as situações patrimoniais do contribuinte ao final e início do período. Não pode se tratada, portanto, como acréscimo patrimonial. Assim não há que se falar de acréscimo patrimonial a descoberto. 19 trP MINISTÉRIO DA FAZENDA 4 Sie PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.004602/95-61 Acórdão n°. : 104-17.065 Vistos esses fatos, cabe mencionar a definição do fato gerador da obrigação tributária principal que é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência (art. 114 do CTN). Esta situação é definida no art. 43 do CTN, como sendo a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, que no caso em pauta é a omissão de rendimentos. Ocorrendo o fato gerador, compete à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível (CTN, art. 142). Ainda, segundo o parágrafo único, deste artigo, a atividade administrativa do lançamento é vinculada, ou seja, constitui procedimento vinculado à norma legal. Os princípios da legalidade estrita e da tipicidade são fundamentais para delinear que a exigência tributária se dê exclusivamente de acordo com a lei e os preceitos constitucionais. Assim, o imposto de renda somente pode ser exigido se efetivamente ocorrer o fato gerador, ou, o lançamento será constituído quando se constatar que concretamente houve a disponibilidade económica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza. Desta forma, podemos concluir que o lançamento somente poderá ser constituído a partir de fatos comprovadamente existentes, ou quando os esclarecimentos 20 MINISTÉRIO DA FAZENDA E; ;""tá PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.004602/95-61 Acórdão n°. : 104-17.065 prestados forem impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão. Ora, se o fisco faz prova, através de demonstrativos de origens e aplicações de recursos - fluxo financeiro, que o recorrente efetuou gastos além da disponibilidade de recursos declarados, é evidente que houve omissão de rendimentos e esta omissão deverá ser apurada no mês em que ocorreu o fato. Diz a norma legal que rege o assunto: "Lei n.°7.713188: Artigo 1° - Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1° de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil, serão tributados pelo Imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei Artigo 2° - O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Artigo 3° - O Imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvando o disposto nos artigos 90 a 14 desta Lei. § 1°. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho, ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais correspondentes aos rendimentos declarados. Como se depreende da legislação anteriormente citada o imposto de renda das pessoas físicas será devido mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Assim, entendo que os rendimentos omitidos apurado, mensalmente, pela fiscalização, a partir de 01/01189 até 31/12/89, está sujeita à tabela progressiva mensal. 21 14% MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.004602/95-61 Acórdão n°. : 104-17.065 É evidente que o arbitramento da renda presumida cabe quando existe o sinal exterior de riqueza caracterizado pelos gastos excedentes da renda disponível, e deve ser quantificada em função destes. Não comungo com a corrente de que os saldos positivos (disponibilidades) apurados em um ano possam ser utilizados no ano seguinte, pura e simples, já que entendimento pacífico nesta Câmara que o Imposto de Renda das pessoas físicas, a partir de 01/01/89, será apurado, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, incluindo-se, quando comprovados pelo Fisco, a omissão de rendimentos apurados através de planilhamento financeiro onde são considerados os ingressos e dispêndios realizados pelo contribuinte. Entretanto, por inexistir a obrigatoriedade de apresentação de declaração mensal de bens, incluindo dívidas e ônus reais, o saldo de disponibilidade pode ser aproveitado no mês subsequente, desde que seja dentro do mesmo ano-base. Não concordo com o suplicante quando afirma que o lançamento foi feito levando em consideração basicamente extratos bancários. Na realidade, o procedimento fiscal decorreu de uma análise das origens e aplicações de recursos ("fluxo de caixa"), ou seja, verificou-se todos os ingressos e todas as saídas Assim, onde a fiscalização constatou a existência de saldo "negativo" houve a tributação, que facilmente se justifica: se o suplicante aplicou/gastou mais do que tinha de recursos justificáveis, de algum lugar veio os referidos recursos. Neste caso há a presunção legal de que houve omissão de rendimentos, evidentemente, admitindo-se prova em contrário. Porém, o ônus é do autuado. Por outro lado, analisando os demonstrativos, constata-se às fls. 13 que o autuante fez um comparativo entre os depósitos bancários e o total das aplicações. Sendo 22 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.004602/95-61 Acórdão n°. : 104-17.065 que em alguns meses, quando o valor da soma dos depósitos foi maior que o total das aplicações, fez o diferencial pelos depósitos. Entretanto, neste caso específico, permito-me, com o devido respeito, divergir da autoridade lançadora bem como da autoridade julgadora de 1° grau, diante da razões e evidências a seguir expostas. Quanto aos valores constantes de extratos bancários, têm-se, em princípio, que o lançamento de crédito tributário baseado exclusivamente em depósitos bancários e/ou de extratos bancários, sempre teve sérias restrições, seja na esfera administrativa, seja no judiciário. Diante da extensa jurisprudência do Poder Judiciário e visando desobstruí-lo de ações movidas contra o pagamento de créditos tributários originados de levantamentos de saldos de depósitos bancários, o Poder Executivo tomou como medida de salutar prudência e de economia de custas judiciais, encaminhar ao Congresso Nacional a minuta do inciso VII do artigo 9° do Decreto-lei n.° 2.471/88, pelo qual determinava sumariamente o cancelamento do crédito tributário e o arquivamento dos processos pendentes de cobrança ou de julgamento quando oriundos de imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários. Como se vê, o próprio legislador ordinário, através do inciso VII do artigo 90 do Decreto-lei n.° 2.471/88, determinou o cancelamento de débitos tributários constituídos exclusivamente com base em depósitos bancários não comprovados. O Poder Executivo, na Exposição de Motivos para esse dispositivo assim se manifestou: "A medida preconizada no art. 90 do projeto pretende concretizar o princípio constitucional da colaboração e harmonia dos Poderes, contribuindo, outrossim, para o desafogo do Poder Judiciário, ao determinar o 23 1.'.js. ?"'=•—";; MINISTÉRIO DA FAZENDA i PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.004602/95-61 Acórdão n°. : 104-17.065 cancelamento dos processos administrativos e das correspondentes execuções fiscais em hipótese que, à luz da reiterada Jurisprudência do Colendo Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Federal de Recursos, não são passíveis da menor perspectiva de êxito, o que S.M.J., evita dispêndio de recursos do Tesouro Nacional, à conta de custas processuais e do ônus de sucumbência." A propósito, é de se destacar o voto condutor do Acórdão n.° 101-86.129, de 22/02/94, de lavra da ilustre Conselheira Mariam Seif, merecendo destaque os seguintes excertos: "Como se vê dos autos, dois dos exercícios objeto da autuação (1988 e 1989) estão alcançados pelo cancelamento estabelecido no mencionado dispositivo legal, e o terceiro, isto é, 1990, refere-se a período-base (1989) no qual inexistia autorização legal para arbitrar-se o imposto de renda com base em depósito bancário, uma vez que tal autorização só veio a ser restabelecida em abril de 1990, com o advento da Lei n.° 8.021/90. Nem se argumente que o cancelamento só alcançou os débitos cujos lançamentos tenham ocorrido até setembro de 1988, data da edição do Decreto-lei n.° 2.471/88, pois tanto a doutrina como a jurisprudência são uníssonas no entendimento de que o lançamento tributário é de natureza declaratório: NÃO CRIA DIREITO. Assim seus efeitos retroagem à data do fato gerador." Por sua vez, do Acórdão da CSRF n.° 01-1.898, de 21 de agosto de 1995, que analisa a matéria, tendo por Relator o ilustre Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes, merece destaque o seguinte trecho, a seguir transcrito: "Por todo o exposto, conclui-se que o legislador, apesar da redação dada ao art. 9° e seu inciso VII, que gerou interpretações contraditórias, não deixou de atingir os objetivos a que se propusera. Daí, ter razão o sujeito passivo quando afirmou no final de suas contra- razões que lei ao determinar o arquivamento dos processos administrativos em andamento, contém implícita uma determinação de não abrir novos processos sobre a mesma matéria. 24 ?"• ;?,-"-;:;; MINISTÉRIO DA FAZENDA 4 wri PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.004602/95-61 Acórdão n°. : 104-17.065 Pelo menos, enquanto o legislador não autorizasse o arbitramento de rendimentos com base na renda presumida mediante utilização de depósitos bancários, o que somente veio a acontecer com o advento da Lei n.° 8.021/90, nas condições nela previstas. A edição desta lei veio confirmar o entendimento de que não havia previsão legal que justificasse a incidência do imposto de renda com base em arbitramento de rendimentos sobre os valores de extratos e de comprovantes bancários, exclusivamente. Por isso, mandou cancelar os débitos, lançados ou não. Em síntese: Estão cancelados, pelo artigo 9°, inciso VII, do Decreto-lei n.° 2.471/88, os débitos de imposto de renda que tenham por base a renda presumida através de arbitramento sobre os valores de extratos ou de comprovantes bancários, exclusivamente." Do Acórdão da CSRF n.° 01-1.911, de 06 de novembro de 1995, que analisa a matéria, tendo por Relator o ilustre Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes, merece destaque o seguinte trecho, a seguir transcrito: "Abra-se parêntese para realçar que a vontade do legislador era por cobro a pretensões fiscais que não tinham a menor chance de sucesso, dentre elas as arbitradas com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de débitos bancários; evitar dispêndio de recursos do tesouro Nacional, à conta de custas processuais e do ônus da sucumbência; e colaboração e harmonia dos Poderes, contribuindo, também, para o desafogo do Poder Judiciário. Resta saber, à luz das regras de interpretação da lei, se alcançou o seu objetivo, ou seja, se essa é a vontade da lei. É verdade que a lei tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário deve ser interpretada literalmente (CTN., art. 111, inciso I). Mas é ledo engano supor que, por isso, estejam afastadas as demais regras de hermenêutica e aplicação do direito, dentre as quais a interpretação teleológica. 25 efr b: ;a> MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.004602/95-61 Acórdão n°. : 104-17.065 É preciso ter em vista os fins sociais a que a lei se destina (Lei de Introdução ao Código Civil, art. 5°). E não se esquecer, tampouco, que ela deve ser interpretada dentro da sistemática em que se insere, com destaque para as normas constitucionais. Fechando parêntese, e voltando ao pensamento interrompido, o ilustre Conselheiro KAZUKI SHIOBARA alertou, com muita propriedade, para o fato de que subjacente em todo crédito tributário está a obrigação tributária que lhe dá suporte e razão de existência. O crédito tributário tem lugar com o lançamento, tornando exigível o débito do contribuinte conseqüente da materialização da hipótese em abstrato prevista na lei tributária. De modo que, a prevalecer o entendimento de que apenas os débitos objetos de cobrança e, portanto, de lançamento estariam alcançados pelo cancelamento, a finalidade da lei estaria profundamente comprometida pelos absurdos que geraria, como exemplifica o voto vencedor. E o que é pior, configurando uma interpretação contrária ao princípio da isonomia estabelecido no inciso II do art. 150, da Constituição Federal de 1988, como limitação do poder de tributar, assim expresso: "Art.150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (grifei). I - omissis II - Instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos;" Haveria tratamento desigual entre iguais, na medida em que contribuintes na mesma situação tivessem tratamentos antagônicos em função da época do lançamento. Quem fosse alvo de lançamento anterior ao referido decreto-lei, teria o seu débito cancelado; quem sofresse lançamento após esse mandamento legal, não." De qualquer sorte, afigura-se inegável que o arbitramento do valor total dos depósitos tomou exclusivamente como objeto de apuração os depósitos bancários como renda consumida. Ora, tal procedimento que já não encontrava respaldo na jurisprudência 26 10..tV MINISTÉRIO DA FAZENDA4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES tr.t: '?' QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.004602/95-61 Acórdão n°. : 104-17.065 do Egrégio Tribunal Federal de Recursos, foi definitivamente afastado pelo Decreto-lei n.° 2.471/88. Verifica-se, pois, que depósitos bancários, emissão de cheques, extratos de contas bancárias, podem, eventualmente, estar sugerindo possível existência de sinais de riqueza não coincidente com a renda oferecida à tributação. Isto quer dizer que embora os depósitos bancários possam refletir sinais exteriores de riqueza, não caracterizam, por si só, rendimentos tributáveis. Embora, os elementos colhidos pela fiscalização em confronto com os constantes das declarações respectivas, autorizem a conclusão de que, na espécie, possa ter ocorrido ocultação de rendimentos percebidos pelo autuado. O método de apuração, no entanto, baseado apenas em extratos bancários e no fluxo de depósitos, não oferece adequação técnica e consistência material de ordem a afastar a conjectura de simples presunção, com vista à identificação e quantificação do fato gerador, em particular, embora possam induzir omissão de receitas, aumento patrimonial ou sinal exterior de riqueza, no entanto, não são em si mesmo, exigíveis em hipótese de incidência, para efeito de imposto de renda, particularmente em se tratando de rendimento com vista à "acréscimo patrimonial a descoberto", quando o fato gerador deve oferecer consistência suficiente em ordem à afastar a conjectura ou a simples presunção, para segurança do contribuinte e observância dos princípios de legalidade e da tipicidade. A fiscalização deve, em casos como o presente, aprofundar suas investigações, procurando demonstrar o efetivo aumento de património e/ou consumo do contribuinte, através de outros sinais exteriores de riqueza, a exemplo do levantamento dos gastos efetuados através dos cheques emitidos. Não basta que o contribuinte não esclareça convenientemente a origem dos depósitos ou dos cheques emitidos. Embora tal fato possa 27 „tf k MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 2. QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.004602/95-61 Acórdão n°. : 104-17.065 ser um valioso indício de omissão de receita, não é suficiente por si mesmo para amparar o lançamento, tendo em vista o disposto na lei. Nenhuma outra diligência foi realizada no sentido de corroborar o trabalho fiscal no que tange aos cheques emitidos e/ou depósitos bancários. Mesmo assim o fisco resolveu lavrar o lançamento, tendo como suporte os extratos bancários. Vê-se que realmente parte do lançamento do crédito tributário está lastreado somente em presunção. E ela é inaceitável neste caso. Os depósitos bancários e/ou cheques emitidos, como fato isolado, não autorizam o lançamento do imposto de renda, pois não configura o fato gerador desse imposto. O fato gerador do imposto de renda é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza conforme esta previsto no art. 43 do Código Tributário Nacional. O lançamento do imposto de renda realizado com base em simples extratos bancários, sem a demonstração de que o movimento bancário deu origem a uma disponibilidade econômica, e por conseguinte, a um enriquecimento do contribuinte, o qual deveria ser tributado e não foi, não pode prosperar. Como é cediço, e tal fato já foi exaustivamente demonstrado, os extratos bancários só se prestam a autorizar uma investigação profunda sobre a pessoa física ou jurídica, com o escopo de associar o movimento bancário a um aumento de patrimônio, a um consumo, a uma riqueza nova; enfim à uma disponibilidade financeira tributável. É óbvio que qualquer levantamento fiscal realizado a partir de informações constantes nos extratos bancários, concluirá pela existência de inúmeros depósitos, cujas origens imprescindem de uma averiguação mais minudente por parte da fiscalização, para 28 k ";•: ft. MINISTÉRIO DA FAZENDA "trti PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES tf QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.004602/95-61 Acórdão n°. : 104-17.065 embasarem a instauração do procedimento fiscal e o lançamento do tributo correspondente, o que não ocorreu no caso vertente. Ademais, restaria examinar a licitude da aplicação do artigo 6° da Lei n.° 8.021, de 12/04/90, ao caso sob julgamento. Inicialmente, se faz necessário ressaltar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais já se pronunciou, através do Acórdão n.° CSRF/01-1.911, de 06 de novembro de 1995, que o artigo 6° da Lei n.° 8.021/90, só se aplica a fatos geradores ocorridos a partir do ano-base de 1991, merecendo destaque os seguintes excertos: "Portanto, a referida lei (Lei n.° 8.021/90), que fundamenta o lançamento do imposto exigido e questionado, por força do dispositivo constitucional e da lei complementar, somente passou a ter eficácia, para efeito de majoração do tributo, no exercício financeiro da União iniciado em 1° de janeiro de 1991, alcançando o exercício social das empresas principiado nessa data. Em outras palavras, alcançando os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/91, nos termos do artigo 144 do Código Tributário Nacional. Em resumo: A lei tributária que torna mais gravosa a tributação somente entra em vigor e tem eficácia, a partir do exercício financeiro seguinte àquele em que for publicada. O parágrafo 5° do art. 6° da Lei n.° 8.021, de 12/04/90 (D.O. de 13/04/90), por ensejar aumento de imposto, não tem aplicação ao ano-base de 1990? Diz a Lei n.° 8.021/90: "Art. 6° - O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, far- se-á arbitrando-se os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. Parágrafo 1 0 - Considera-se sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. 29 - '4..:0-1r1". MINISTÉRIO DA FAZENDA44.c** •Ni" PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.004602195-61 Acórdão n°. : 104-17.065 Parágrafo 5° - O arbitramento poderá ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Parágrafo 6° - Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte." Da norma supra, pode-se concluir o seguinte: - que não há qualquer dúvida quanto à possibilidade de arbitrar-se o rendimento em procedimento de ofício, desde que o arbitramento se dê com base na renda presumida, mediante a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. É óbvio, pois, que tal procedimento permite caracterizar a disponibilidade econômica uma vez que, para o contribuinte deixar margem a evidentes sinais exteriores de riqueza é porque houve renda auferida e consumida, passível, portanto, de tributação por constituir fato gerador de imposto de renda nos termos do art. 43 do CTN; - que para o arbitramento levado a efeito com base em depósitos bancários, nos termos do parágrafo 5°, é imprescindível que seja realizado também com base na demonstração de gastos realizados, em relação aos créditos em conta corrente. Pois a essa conclusão se chega visto que o disposto no parágrafo 5° não é um ordenamento jurídico isolado mas parte integrante do artigo 6° e a ele vinculado, o que necessariamente levaria a autoridade fiscal a realizar o rastreamento dos cheques levados a débito para comprovar que os créditos imediatamente anteriores caracterizassem, sem qualquer dúvida, renda consumida e passível de tributação; 30 e, 11 i5t MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.004602/95-61 Acórdão n°. : 104-17.065 - que se o arbitramento levado a efeito fosse apenas com base em valores de depósitos bancários, sem a comprovação efetiva de renda consumida, estar-se-ia voltando à situação anterior, a qual foi amplamente rechaçada pelo Poder Judiciário, levando o legislador ordinário a determinar o cancelamento dos débitos assim constituídos (Decreto- lei n.° 2.471/88); - que entre os depósitos bancários e a renda consumida deverá ser escolhida a modalidade que mais favorecer o contribuinte; - que no caso de aplicações no mercado financeiro deve ficar comprovado a falta de recursos, devidamente legalizados pelo contribuinte perante a tributação, através do fluxo de aplicações e resgates. Enfim, pode-se concluir que depósitos bancários podem se constituir em valiosos indícios mas não prova de omissão de rendimentos e não caracterizam, por si só, disponibilidade econômica de renda e proventos, nem podem ser tomados como valores representativos de acréscimos patrimoniais. Para amparar o lançamento, mister que se estabeleça um nexo causal entre os depósitos e os rendimentos omitidos. Ainda sobre a matéria, há de se destacar a jurisprudência formada na Egrégia Segunda Câmara deste Conselho, conforme Acórdãos 102-29.685 e 102-29.883, dando-se destaque aos Acórdãos 102-28.526 e 102-29.693, dos quais transcrevo as ementas, respectivamente: "IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - O artigo 6° da Lei n.° 8.021/90 autoriza o arbitramento dos rendimentos com base em depósitos bancários ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações, e o Fisco demonstrar indícios de sinais 31 k 4” MINISTÉRIO DA FAZENDA •tr't PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES d' QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.004602/95-61 Acórdão n°. : 104-17.065 exteriores de riqueza, caracterizada pela realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte? No voto condutor do Acórdão n.° 102-28.526, o insigne relator, Conselheiro Kazuki Shiobara, assim concluiu sua argumentação: "Verifica-se, pois, que a própria lei veio definir que o montante dos depósitos bancários ou aplicações junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não consegue provar a origem dos recursos utilizados nessas operações, podem servir como medida ou quantificação para arbitramento da renda presumida e para que haja renda presumida, o Fisco deve mostrar, de forma inequívoca, que o contribuinte revela sinais exteriores de riqueza. No presente processo, não ficou demonstrado qualquer sinal exterior de riqueza do contribuinte, pela autoridade lançadora. Não procede a afirmação contida na decisão recorrida de que o arbitramento foi feito com base na renda presumida mediante a utilização dos sinais exteriores de riqueza, no caso, os excessos de créditos bancários sem a devida cobertura dos recursos declarados visto que o parágrafo 1° do artigo 6° da Lei n.° 8.021/90 define com meridiana clareza que "considera-se sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte". Restando incomprovado indício de sinal exterior de riqueza, caracterizado por realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte, não há como manter o arbitramento com base em depósitos e aplicações financeiras, cuja origem não foi comprovada pelo contribuinte. Assim, de qualquer sorte, afigura-se inegável que o arbitramento do valor total dos depósitos tomou exclusivamente como objeto de apuração os depósitos bancários como renda consumida. Ora, tal procedimento que já não encontrava respaldo na jurisprudência do Egrégio Tribunal Federal de Recursos, foi definitivamente afastado pelo Decreto-lei n.° 2.471/88. 32 ,siztiété .,,,e, MINISTÉRIO DA FAZENDA vEr—alZikt' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.004602/95-61 Acórdão n°. : 104-17.065 Desta forma, deve o lançamento limitar-se na diferença entre o total das origens e o total das aplicações, fazendo-se necessário as seguintes exclusões: jul/89 = 8.810,00; set/89 = 8.790,85; out/89 = 52.380,76 e nov/89 = 6.177,19. Ainda, se faz necessário corrigir a aplicação da TRD acumulada a título de juros de mora no período de 30/07/91 a 31/07/91, pois já é entendimento manso e pacífico da Câmara Superior de Recursos Fiscais que somente cabe a sua exigência a partir do mês de agosto de 1991, conforme o Acórdão n.° CSRF/01.1.773, de 17 de outubro de 1994, adotado por unanimidade nesta Quarta Câmara, cuja ementa é a seguinte: 'VIGÊNCIA DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA - INCIDÊNCIA DA TRD COMO JUROS DE MORA - Por força do disposto no artigo 101 do CTN e no § 40 do artigo 10 da Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, a Taxa Referencial Diária - TRD só poderia ser cobrada, como juros de mora, a partir do mês de agosto de 1991 quando entrou em vigor a Lei n.° 8.218. Recurso Provido.' À vista do exposto e por ser de justiça meu voto é no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência tributária: I) - as importâncias de NCz$ 8.810,00, relativo a jul/89; NCz$ 8.790,85, relativo a set/89; NCz$ 52.380,76, relativo a out/89 e NCz$ 6.177,19, relativo a nov/89; e - II) - encargo da TRD anterior ao mês de agosto de 1991. Sala das Sessões - DF, em 08 de junho de 1999 á N 1•11/' 33 Page 1 _0012000.PDF Page 1 _0012100.PDF Page 1 _0012200.PDF Page 1 _0012300.PDF Page 1 _0012400.PDF Page 1 _0012500.PDF Page 1 _0012600.PDF Page 1 _0012700.PDF Page 1 _0012800.PDF Page 1 _0012900.PDF Page 1 _0013000.PDF Page 1 _0013100.PDF Page 1 _0013200.PDF Page 1 _0013300.PDF Page 1 _0013400.PDF Page 1 _0013500.PDF Page 1 _0013600.PDF Page 1 _0013700.PDF Page 1 _0013800.PDF Page 1 _0013900.PDF Page 1 _0014000.PDF Page 1 _0014100.PDF Page 1 _0014200.PDF Page 1 _0014300.PDF Page 1 _0014400.PDF Page 1 _0014500.PDF Page 1 _0014600.PDF Page 1 _0014700.PDF Page 1 _0014800.PDF Page 1 _0014900.PDF Page 1 _0015000.PDF Page 1 _0015100.PDF Page 1
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Numero do processo: 10384.002103/96-43
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Nov 14 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Fri Nov 14 00:00:00 UTC 1997
Ementa: NORMAS TRIBUTÁRIAS - NOTIFICAÇÃO ELETRÔNICA DE LANÇAMENTO - NULIDADE - Não é cabível a manutenção de lançamento que não preenche os requisitos formais indispensáveis prescritos no artigo 11, I a IV e parágrafo único, do Decreto 70.235/72.
Notificação de Lançamento nula.
Numero da decisão: 107-04591
Decisão: POR UNANIMIDADE DE VOTOS, DECLARAR A NULIDADE DA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO.
Nome do relator: Maurílio Leopoldo Schmitt
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MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA La m-1 Processo n° : 10384.002103/96-43 Recurso n° : 115.458 Matéria : IRPJ - Ex.: 1992 Recorrente : CAIXA FORTE S.A. - CRÉDITO IMOBILIÁRIO Recorrida : DRJ em FORTALEZA-CE Sessão de : 14 de novembro de 1997 Acórdão n° : 107-04.591 NORMAS TRIBUTÁRIAS - NOTIFICAÇÃO ELETRÔNICA DE LANÇAMENTO - NULIDADE - Não é cabível a manutenção de lançamento que não preenche os requisitos formais indispensáveis prescritos no artigo 11, I a IV e parágrafo único, do Decreto 70.235/72. Notificação de Lançamento nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CAIXA FORTE S.A. - CRÉDITO IMOBILIÁRIO. ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DECLARAR a nulidade da Notificação de Lançamento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Qub MARIA ILCA CAST • O LEMOS DINIZ PRESIDENT - / PAUL* • à RT'CfDRTEZ RELATOR 1 ESIG A O AD HOC FORMALIZADO EM: 17 M AR 98 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NATANAEL MARTINS, ANTENOR DE BARROS LEITE FILHO, MAURILIO LEOPOLDO SCHMITT (RELATOR ORIGINÁRIO), FRANCISCO DE ASSIS VAZ GUIMARÃES, MARIA DO CARMO SOARES RODRIGUES DE CARVALHO e CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES. Processo n° : 10384.002103/96-43 Acórdão n° : 107-04.591 Recurso n° : 115.458 Recorrente : CAIXA FORTE S.A. - CRÉDITO IMOBILIÁRIO RELATÓRIO CAIXA FORTE S/A - CRÉDITO IMOBILIÁRIO, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CGC.-MF sob o n° 10.336.733/0001-55, inconformada com a decisão que lhe foi desfavorável, proferida pelo Delegado da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE que, apreciando sua impugnação tempestivamente apresentada, manteve, em parte, a exigência do crédito tributário formalizado através da Notificação de Lançamento Suplementar do Imposto de Renda Pessoa Jurídica-IRPJ, fls. 03, recorre a este Conselho na pretensão de reforma da mencionada decisão da autoridade julgadora singular. A peça básica do litígio, acima mencionada, nos dá conta de que a Fazenda Pública Federal está a exigir o Imposto de Renda Pessoa Jurídica - 1992 que seria devido em virtude da infração descrita no Demonstrativo do Lançamento Suplementar Pessoa Jurídica 1992, de fls. 02. Inaugurada a fase litigiosa do procedimento, o que ocorreu com a protocolização da peça impugnativa de fls. 01, seguiu-se a decisão de fls. 22/25, proferida pela autoridade julgadora monocrática, considerando parcialmente procedente o lançamento em causa. Cientificada dessa decisão em 30 de junho de 1997, a notificada protocolizou seu recurso a este Conselho no dia 29 seguinte, às fls. 27/28. É o Relatório. 2 . Processo n° : 10384.002103/96-43 Acórdão n° : 107-04.591 VOTO Conselheiro PAULO ROBERTO CORTEZ, Relator Designado AD HOC O recurso é tempestivo. Dele, portanto, tomo conhecimento. Todavia, tendo em vista a jurisprudência formada neste Conselho, de ofício, levantarei uma preliminar de nulidade do lançamento que corporificou o crédito tributário controvertido, emitido eletronicamente sem qualquer dado da autoridade lançadora. Com efeito, tal espécie de lançamento, como já reiteradamente decidido nesta Câmara, tendo como "leader case" o Acórdão n° 107-3.122, relator o eminente Conselheiro Francisco de Assis Vaz Guimarães, é nulo porquanto não observa os preceitos do artigo 142 do CTN e o Decreto n° 70.235/72, art. 10. Tanto isso é verdade, que o Secretário da Receita Federal, procurando dar uma adequada estruturação a essa espécie de lançamento, imprescindível nos dias atuais, diga-se, fez baixar a Instrução Normativa n° 54, de 13.06.97. Nessas condições, voto no sentido de declarar a nulidade do lançamento que pretendeu corporificar o crédito tributário controvertido. É como voto. IciSala das Se -e - DF, em 14 de novembro de 1997. n(-- PAUL ERT ORTEZ 3 Page 1 _0051100.PDF Page 1 _0051200.PDF Page 1
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Numero do processo: 10380.009558/2002-57
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2005
Ementa: TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO RECOLHIDO COM ATRASO - DENÚNCIA ESPONTÂNEA - NÃO-CARACTERIZAÇÃO - INCIDÊNCIA DA MULTA MORATÓRIA - Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, declarado pelo contribuinte e recolhido com atraso, descabe o benefício da denúncia espontânea. Desta forma, o contribuinte que liquidar com atraso valores informados em sua Declaração de Contribuições e Tributos Federais - DCTF, recolhendo somente o tributo devido, sem o acréscimo dos juros de mora e a respectiva multa de mora, não encontra amparo no instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional - CTN.
TRIBUTO RECOLHIDO APÓS VENCIMENTO SEM ACRÉSCIMO DE MULTA DE MORA - MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO - MULTA EXIGIDA DE FORMA ISOLADA - É cabível a aplicação da multa de lançamento de ofício exigida de forma isolada, prevista no artigo 44, inciso I, § 1º, item II, da Lei n. º 9.430, de 1996, sob o argumento do não recolhimento da multa moratória de que trata o artigo 61 do mesmo diploma legal, visto que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, declarado pelo contribuinte e recolhido com atraso, descabe o benefício da denúncia espontânea.
Recurso negado.
Numero da decisão: 104-20.903
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Remis Almeida Estol (Relator), que provia o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Nelson Malmann.
Nome do relator: Remis Almeida Estol
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(SUC. DE IMBORÉS INDÚSTRIA DE REFRIGERANTES LTDA.)- Recorrida : 3a TURMA/DRJ-SALVADOR/BA Sessão de : 10 de agosto de 2005 Acórdão n°. : 104-20.903 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO RECOLHIDO COM ATRASO - DENÚNCIA ESPONTÂNEA - NÃO-CARACTERIZAÇÃO - INCIDÊNCIA DA MULTA MORATÓRIA - Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, declarado pelo contribuinte e recolhido com atraso, descabe o benefício da denúncia espontânea. Desta forma, o contribuinte que liquidar com atraso valores informados em sua Declaração de Contribuições e Tributos Federais - DCTF, recolhendo somente o tributo devido, sem o acréscimo dos juros de mora e a respectiva multa de mora, não encontra amparo no instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional - CTN. TRIBUTO RECOLHIDO APÓS VENCIMENTO SEM ACRÉSCIMO DE MULTA DE MORA - MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO - MULTA EXIGIDA DE FORMA ISOLADA - É cabível a aplicação da multa de lançamento de ofício exigida de forma isolada, prevista no artigo 44, inciso I, § 1°, item II, da Lei n. ° 9.430, de 1996, sob o argumento do não recolhimento da multa moratória de que trata o artigo 61 do mesmo diploma legal, visto que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, declarado pelo contribuinte e recolhido com atraso, descabe o benefício da denúncia espontânea. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por NORSA REFRIGERANTES LTDA. (SUC. DE IMBORÉS INDÚSTRIA DE REFRIGERANTES LTDA). ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Remis Almeida MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009558/2002-57 Acórdão n°. : 104-20.903 Estol (Relator), que provia o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Nelson Malmann. átt-cw-,a)Ck-h-,-‘-Q--62kUARIA HELENA corrA PRESIDENTE NEDA°T. ESIGNADO FORMALIZADO EM: 23 JUN 213U6 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSÉ PEREIRA DO NASCIMENTO, PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, MEIGAN SACK RODRIGUES, MARIA BEATRIZ ANDRADE DE CARVALHO e OSCAR LUIZ MENDONÇA DE AGUIAR. • 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009558/2002-57 Acórdão n°. : 104-20.903 Recurso n°. : 140.745 Recorrente : NORSA REFRIGERANTES LTDA. (SUC. DE IMBORÉS INDÚSTRIA DE REFRIGERANTES LTDA.) RELATÓRIO Contra a empresa NORSA REFRIGERANTES LTDA. (SUC. DE IMBORÉS INDÚSTRIA DE REFRIGERANTES LTDA.), inscrita no CNPJ sob n.° 13.320.288/0001-23, foi expedido Auto de Infração de fls. 15/23, decorrente dos procedimentos de auditoria interna dos valores informados na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), através do qual se lançou multa paga a menor, multa e juros isolados sobre o Imposto Renda Retido na Fonte - IRRF, referente ao exercício 1998, ano-calendário 1997, para a exigência do crédito tributário no valor de R$.3.885,34, onde se constatou que houve pagamentos efetuados após o vencimento, gerando, como conseqüência, falta ou insuficiência de pagamento dos acréscimos legais. Insurgindo-se contra a exigência, formula o interessado sua impugnação, cujas razões foram assim resumidas pela autoridade julgadora, in verbis: "A contribuinte teve ciência da autuação em 11 de junho de 2002 (fls. 44). A impugnação contra esta foi apresentada em 11 de julho de 2002 (fls.01/02), alegando, em resumo, que a multa de 75% calculada sobre o valor do tributo só tem cabimento na hipótese de falta de recolhimento do tributo. No caso foi recolhido o tributo, de maneira espontânea, apenas por pequenas diferenças a menor dos valores de multa e juros. Apresenta os Darf de fls.03/04 comprovando pagamento da parte da autuação com a qual concorda." Decisão singular entendendo procedente o lançamento, apresentando as seguintes alegações, in verbis: 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009558/2002-57 Acórdão n°. : 104-20.903 "A contribuinte alega que foi recolhido o tributo, de maneira espontânea, apenas com pequenas diferenças a menor nos valores de multa e juros. Pelo Demonstrativo de Multa e Juros a Pagar - Não Pagos ou Pagos a Menor, fls. 23, fica claro que apenas o pagamento relativo ao período de apuração de 01-07/1997 foi pago com insuficiência de multa, calculado pela fiscalização como quer a interessada, cobrando apenas multa paga a menor. Em relação aos demais períodos, 01-08/1997, 01-09/1997, 01- 10/1997 e 01-11/1997, foram pagos após o prazo de vencimento e sem a respectiva multa de mora. Então, à exigência da multa isolada em relação aos pagamentos efetuados após o prazo sem a respectiva multa de mora, a fiscalização simplesmente cumpriu o que determina a legislação em vigor, a exemplo dos artigos 43, 44 e 61 da Lei n°. 9.430, de 1996." Devidamente cientificado dessa decisão em 18/03/2004, ingressa o contribuinte com tempestivo recurso voluntário em 19/04/2004, onde, argumenta, in verbis: "Do exposto, conclui-se que a sanção deve guardar estrita proporção com a infração praticada. Não se pode admitir a incidência da multa de ofício ora imposta de 75% sobre o valor principal do tributo pago e devidamente comprovado, quando a infração ora praticada é referente a insuficiência de recolhimento de acréscimos legais. Não há qualquer pertinência entre a infração ora cometida e a sanção imposta, contrariando-se pois os princípios constitucionais superiores que norteiam a atividade administrativa. Ademais, ao pretender impor multa de 75% incidente sobre o valor principal do tributo pago espontaneamente face a insuficiência de recolhimento da multa de mora de 20% estar-se-á violando o preceito disposto no art. 138 do CTN. De fato, o art. 138 determina que a responsabilidade é excluída com a denúncia espontânea da infração, acompanhada se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora. O Código garante ao contribuinte o direito de pagar o tributo em atraso, desacompanhado da multa de mora, quando acrescido dos juros e antes de qualquer procedimento administrativo de cobrança. O art. 44, I da Lei n.° 9.430/96, ora imposta a Recorrente, procura converter em infração o mesmo comportamento previsto no CTN como excludente da responsabilidade pela infração. Nota-se claramente a intenção censurável do legislador ordinário de tirar de forma oblíqua a eficácia de um dispositivo de lei complementar, 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009558/2002-57 Acórdão n°. : 104-20.903 precisamente porque sabe que não poderia revogá-lo. Logo, a sanção ora imposta à Recorrente mostra-se inválida. Destarte, resta demonstrado que incabível a sanção ora imposta à Recorrente consistente em lançamento de multa de 75% incidente sobre o valor principal do tributo recolhido espontaneamente, uma vez que clarividente sua violação aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, além contrária à regra insculpida no art. 138 do CTN, conforme posicionamento pacífico deste órgão colegiado superior." Temos, portanto, que o alcance do recurso atinge, apenas, a imposição da multa isolada de 75%, vez que a recorrente manifesta expressamente sua concordância com as demais exigências (fis. 69), inclusive informando que já teria oportunamente pago as diferenças exigidas. É o Relatório. 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009558/2002-57 Acórdão n°. : 104-20.903 VOTO VENCIDO Conselheiro REMIS ALMEIDA ESTOL, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Como se colhe do relatório, a irresignação da recorrente é dirigida, tão somente, à multa isolada exigida com base no inciso I do art. 44 da Lei n°. 9.430/96 que determina a imposição da penalidade de 75% para os casos em que o tributo é recolhido sem a multa moratória de 20%. Sustenta em seu apelo o descabimento da exigência se socorrendo dos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, além do instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138 do CTN. Pois bem, examinando os elementos constantes dos autos, não tenho dúvida alguma que a razão está com o recorrente, isto porque, de fato, os pagamentos dos tributos foram feitos sob o manto da espontaneidade prevista no art. 138 do CTN. Por outro lado, a manutenção da cobrança significaria dizer que, não obstante o contribuinte tenha recolhido o tributo, ou seja, cumprido integralmente e antes do procedimento fiscal a obrigação tributária principal, é penalizado com multa de oficio isolada, que acaba tendo como base de cálculo o valor de um crédito tributário inexistente. Minha discordância em relação a essa penalidade repousa em dois aspectos, um de natureza lógica e outro de cunho legal. 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009558/2002-57 Acórdão n°. : 104-20.903 Pelo lado lógico, porque em situações em que essa multa alcança a hipótese de omissão de rendimentos e, aí sim, há crédito tributário lançado com multa de ofício, esta mesma Câmara, à unanimidade, decide pelo afastamento da penalidade, ao argumento da impossibilidade de coexistirem a referida multa isolada, concomitantemente com a multa de ofício normal, incidente sobre o tributo não pago. Em outras palavras, o contribuinte que omite rendimentos e não recolhe o tributo escapa da multa e, aquele que, espontaneamente, faz o recolhimento fica submetido à penalidade. Também à unanimidade e em relação aos casos em que o tributo é recolhido fora do prazo sem a multa de mora, este Colegiado tem prestigiado a espontaneidade e afastado a imposição da multa isolada. No que tange ao aspecto da legalidade, a aplicação do inciso I, do art. 44 da Lei n°. 9.430/96, apresenta manifesta incompatibilidade com disposições claras do Código Tributário Nacional, notadamente em relação aos artigos 138, 97 e 113. Quanto ao artigo 138, é farta a jurisprudência administrativa e judicial no sentido de afastar qualquer penalidade diante do cumprimento espontâneo da obrigação. No que se refere aos artigos 97 e 113 do Código Tributário Nacional, pedindo vênia ao Dr. Leonardo Mussi da Silva, Conselheiro da Egrégia Segunda Câmara, designado relator no Recurso n° 120.830 - Acórdão n°. 102-44.200, vou adotar suas razões expostas no referido Acórdão, no qual assim se manifesta o ilustrado prolator do julgado a respeito do tema em deslinde: "Entendo, ainda que tal multa de oficio isolada do artigo 44 da Lei n.° 9.430/96 colide frontalmente com a norma geral de tributação insculpida no 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009558/2002-57 Acórdão n°. : 104-20.903 Código Tributário Nacional isto porque, o artigo 97, V, que confere à lei fixar penalidades, deve ser interpretado em consonância com os demais dispositivos do Código, notadamente o artigo 113, que preconiza: Art. 113 - A obrigação tributária é principal ou acessória § 1.0 A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. § 2.° A obrigação acessória decorre de legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3.0 A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária. O parágrafo 1.° da regra supra, estabelece duas obrigações de dar, quais sejam: (i) a de pagar (dar) tributo; e (ii) a de pagar (dar) penalidade pecuniária, esta corolário de transformação da obrigação de fazer acessória em obrigação de dar no que tange à penalidade pecuniária (parágrafo 3.°). Entendo que, diante da regra supra, somente é possível as autoridades administrativas exigirem a obrigação principal de pagar (dar) penalidade pecuniária isolada, a multa isolada, no caso de inadimplência do contribuinte em relação à obrigação (de fazer ou não fazer) acessória. É que a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação acessória é autônoma, não é acessório da obrigação em comento. Explicando melhor, quando alguém descumpre uma obrigação acessória está obrigado a pagar uma penalidade pecuniária prevista em lei, "convertendo-se a obrigação de fazer em obrigação de dar", nas palavras de Maria Helena Diniz (Ob. Cit. p. 89), relativamente àquela penalidade, que neste momento é isolada da própria prestação de fazer, cujo cumprimento pode ser ainda exigido ou não, na forma da lei. Impossível é a cobrança isolada de multa por infração à obrigação (de dar) principal de pagar tributo, na medida em que neste caso a multa é sempre acessória, e pressupõe sempre o não pagamento do tributo. Em suma, no direito tributário, segundo o CTN, somente é possível estabelecer duas hipóteses de obrigação de dar, uma ligada diretamente à 7~fre/ 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009558/2002-57 Acórdão n°. : 104-20.903 prestação de pagar tributo e seus acessórios (juros e a multa) e a outra relativamente à penalidade pecuniária por descumprimento de obrigação acessória. Ora, a multa exigida pelo auto de infração, com fulcro no art. 44 da Lei n.° 9.430/96, não deflui nem da inobservância da obrigação (de dar) principal nem de infração às regras de obrigação (de fazer e não fazer) acessória, colidindo, portanto, com a regra geral do Código Tributário Nacional." Concluindo, compactuar com a penalidade prevista no inciso I, art. 44 da Lei n°. 9.430/96, seria admitir que a Lei Ordinária estaria revogando disposições da Lei n°. 5.172 (Código Tributário Nacional) que tem estatura de Lei Complementar, o que é inaceitável. Não bastasse, não há como aplicar uma penalidade de 75% cujo pressuposto é o descumprimento legal de uma outra penalidade de 20%, ou seja, ainda que se admita que o cumprimento da obrigação principal não esteja abrigado no art. 138 do CTN, o contribuinte ficaria devendo a penalidade correspondente ao ato praticado (falta de recolhimento da multa de mora de 20%), jamais de 75%, sob pena de se estar criando uma outra sanção para um ato que já tem previsão legal apenativa. Assim, com as presentes considerações e diante dos elementos de convicção constantes dos autos, encaminho meu voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário formulado pelo sujeito passivo. Sala das Sessões - DF, em 10 de agosto de 2005 EMIS ALMEIDA ES •L 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009558/2002-57 Acórdão n°. : 104-20.903 VOTO VENCEDOR Conselheiro NELSON MALLMANN, Redator-designado Com a devida vênia do nobre relator da matéria Conselheiro Remis Almeida Estol permito-me divergir de seu voto. Defende o Conselheiro Relator a tese de que não há como aplicar uma penalidade de 75% cujo pressuposto é o descumprimento legal de uma outra penalidade de 20%, ou seja, ainda que se admita que o cumprimento da obrigação principal não esteja abrigado no art. 138 do CTN, o contribuinte ficaria devendo a penalidade correspondente ao ato praticado (falta de recolhimento da multa de mora de 20%), jamais de 75%, sob pena de se estar criando uma outra sanção para um ato que já tem previsão legal apenativa. Da análise da situação posta em discussão não posso compartilhar da posição do nobre relator, já que estou filiado a corrente que entende que se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, declarado pelo contribuinte e recolhido com atraso, descabe o benefício da denúncia espontânea. Como se sabe, a discussão do presente litígio, como se pode verificar no Auto de Infração, se refere à aplicação de multa de lançamento de ofício de 75% exigida de forma isolada e sem tributo, em razão da suplicante ter recolhido com atraso imposto de renda informado em DCTF sem o recolhimento da respectiva multa de mora. Em razão de a recorrente ter efetuado somente o recolhimento do imposto de renda na fonte fora do prazo estipulado pelas . normas legais, a autoridade lançadora efetuou o lançamento cobrando, no seu entender, a penalidade prevista na legislação de 10 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009558/2002-57 Acórdão n°. : 104-20.903 regência, ou seja, lançou a multa !solda prevista no item II do § 1°, inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. No que se refere à multa isolada aplicada nos termos do artigo 44, inciso I, § 1°, item II, da Lei n.° 9.430, de 1996, ou seja, aplicação da multa de lançamento de ofício de 75% exigida de forma isolada, em virtude do recolhimento de imposto de renda na fonte após o vencimento do prazo legal, sem o recolhimento da multa de mora, entendo que a razão está com o fisco. Senão vejamos: A suplicante escuda a sua defesa na tese da corrente que prega que a inaplicabilidade da multa de mora estaria amparada no argumento chave de que a exigência não pode ser mantida porque padece de vício de ilegalidade, uma vez que a denúncia espontânea é um benefício legal outorgado pelo legislador tributário, voltado à exclusão da responsabilidade por infração, e a interpretação do artigo 138 do Código Tributário Nacional é muito clara e dela não podem restar dúvidas, ou seja, que a lei determina a exclusão da responsabilidade com o pagamento do tributo devido e dos juros de mora, não havendo penalidade imputada ao contribuinte, além dos juros de mora, se houver espontaneidade de sua parte ao denunciar a infração cometida. De nossa parte, não duvidando da dificuldade que o assunto oferta, entendemos que seja incontestável que o instituto da denúncia espontânea é uma oportunidade que a lei concede aos devedores de tributos para regularizarem sua situação, facilitando o trabalho da fiscalização. Diz o Código Tributário Nacional, em seu Capítulo de Responsabilidade Tributária: "Art. 138 - A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009558/2002-57 Acórdão n°. : 104-20.903 Parágrafo único - Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." Da exegese do mandamento acima, verifica-se que tal dispositivo pertencente ao Código Tributário Nacional, que traça normas ou diretrizes à lei ordinária, prevê e estimula a denúncia espontânea pelo infrator, dispensando-o da penalidade estabelecida em lei. Entretanto, não é a situação dos autos, já que no caso presente à discussão abrange tributo sujeito a lançamento por homologação, declarado pela contribuinte e recolhido com atraso, ou seja, a suplicante declarou tributo em DCTF e recolheu o mesmo fora do prazo previsto na legislação de regência, deixando de incluir no recolhimento os acréscimos legais, principalmente, a multa de mora pelo atraso do recolhimento do principal. Ora, neste caso não existe denúncia espontânea de infração, ou seja, denunciar uma infração da qual o fisco não tinha conhecimento, no caso em questão o tributo a ser recolhido era de conhecimento da autoridade tributária porque informado em DCTF. Tratando-se de obrigação de fazer, em prazo certo estabelecido pelo ordenamento jurídico tributário vigente à época, seu descumprimento, demonstrado nos autos e admitido explicitamente pela suplicante, resulta em inadimplemento à aludida norma jurídica obrigacional sujeitando o responsável às sanções previstas na legislação tributária, notadamente à multa de mora prevista no art. 61 da Lei n°9.430, de 1996. Ora, a multa de mora não recolhida pela suplicante quando efetuou o recolhimento de tributo declarado em DCTF em atraso, é de natureza moratória, ou seja, é aquela que se funda no interesse público de compensar o fisco pelo atraso no cumprimento 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009558/2002-57 Acórdão n°. : 104-20.903 de uma obrigação tributária, sendo que a denúncia espontânea da infração só tem o condão de afastar a aplicação das multas punitivas, não incidindo nos casos de multa de mora. Fico com os adeptos à corrente que defende a aplicabilidade da multa em ambos os casos, com apoio no fundamento de que a multa em questão é de natureza moratória, ou seja, é aquela que se funda no interesse público de compensar o fisco pelo atraso no cumprimento de uma obrigação tributária. Sendo que a denúncia espontânea da infração só tem condão de afastar a aplicação das multas punitivas, não incidindo nos casos de multa de mora. Tratando-se de obrigação de fazer, em prazo certo estabelecido pelo ordenamento jurídico tributário vigente à época, seu descumprimento resulta em inadimplemento à aludida norma jurídica obrigacional sujeitando o responsável às sanções previstas na legislação tributária, notadamente à multa a multa de mora estabelecida no artigo 61 da Lei n° 9.430, de 1996. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça tem se pacificado nesta linha de pensamento, ou seja, os Ministros desta Corte tem entendido que o atraso no recolhimento de tributo sujeito a lançamento por homologação exclui o benefício da denúncia espontânea e atrai a incidência da multa moratória, conforme é possível se constatar nos julgados abaixo: "TRIBUTÁRIO - ART. 138 DO CTN - TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO RECOLHIDO COM ATRASO - DENÚNCIA ESPONTÂNEA - NÃO-CARACTERIZAÇÃO - INCIDÊNCIA DA MULTA MORATÓRIA. 1. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, declarado pelo contribuinte e recolhido com atraso, descabe o benefício da denúncia espontânea, sendo legítima a cobrança de multa moratória. 2. Precedentes da primeira e Segunda Turmas desta Corte. (Resp 708676/PR - Recurso Especial 2004/0173379-6 - Segunda Turma)" 13 - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009558/2002-57 Acórdão n°. : 104-20.903 "AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ DA FAZENDA NACIONAL. QUESTÃO NOVA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE NESTE MOMENTO PROCESSUAL. DECISÃO AGRAVADA PROFERIDA COM OBSERVÂNCIA AOS LIMITES DO PEDIDO RECURSAL. ARTIGO 138 DO CTN. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, DCECLARADO E RECOLHIDO COM ATRASO PELO CONTRIBUINTWE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO-CARACTERIZAÇÃO. INCIDÊNCIA DE MULTA MORATÓRIA. AGRAVO IMPROVIDO. 1.No tocante à necessidade de se condenar a ora agravada por litigância de má-fé, verifica-se que a argumentação esposada é nova, não tendo sido anteriormente suscitada nas contra-razões de recurso especial, nem debatida na decisão agravada, o que torna inviável a sua análise neste momento processual. 2. O objeto do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional era a declaração de que não se aplica, ao caso dos autos, o benefício da denúncia espontânea, sendo devida a multa moratória, em razão de se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação. E com base nessa reivindicação foi exarada o decisum impugnado, não havendo que se falar em não-observância aos limites do pedido. 3. Não obstante existam decisões que adotam a tese exposta pela recorrente, esta relatora se filia à corrente majoritária deste Tribunal Superior que vem decidindo pela impossibilidade da aplicação dos benefícios da denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, quando se tratar de tributos sujeitos a lançamento por homologação, declarados pelo contribuinte e recolhidos com atraso, sendo devida, nesses casos, a multa moratória. (AgRg no Resp 621186/SC - Agravo Regimental no Recurso Especial 2003/0219433-7 - Primeira Turma)" É conclusivo que a razão está com a autoridade lançadora, já que no nosso sistema tributário tem o princípio da legalidade como elemento fundamental para que flore o fato gerador de uma obrigação tributária, ou seja, ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. E no caso em questão a legislação tributária contempla o infrator pelo recolhimento em atraso com a multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430, de 1996. 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009558/2002-57 Acórdão n°. : 104-20.903 Só posso concordar no sentido que a interpretação do dispositivo em questão é muito clara e dela não podem restar dúvidas. A lei determina nestes casos que o pagamento do tributo deve estar acompanhado dos juros de mora e da respectiva multa de mora, sendo inaplicável o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, já que o atraso no recolhimento de tributo sujeito a lançamento por homologação exclui o benefício da denúncia espontânea e atrai a incidência da multa de mora, caso típico de tributo declarado em DCTF como é o presente caso. Quanto à exigência tributária lançada (multa de lançamento de ofício de 75% lançada de forma isolada - sem tributo) a Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ao tratar do Auto de Infração sem tributo dispôs: "Art. 43 - Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente à multa ou juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único - Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 50, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 44 - Nos casos de lançamento de ofício serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; § 1° - As multas de que trata este artigo serão exigidas: I - juntamente com o tributo ou contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; 15 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009558/2002-57 Acórdão n°. : 104-20.903 II - isoladamente quando o tributo ou contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora;" Mais adiante, na Seção IV ao tratar dos acréscimo moratórios (multas e juros), o referido legal dispôs: "Art. 61 - Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 30 do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." A título de esclarecimento à taxa a que se refere o § 3° do art. 5° da Lei n° 9.430, de 1996 é a Taxa Selic. Ora, a suplicante estava sujeito ao recolhimento da multa de mora e não recolheu razão pela qual foi aplicada de forma correta a multa de lançamento de ofício de forma isolada de 75%, prevista para os casos em que o tributo ou contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora. A título de argumentação, já que houve lançamento de juros de mora, é cabível, a partir de 1° de janeiro de 1997, os juros de mora previsto no artigo 61, § 3°, da Lei n. ° 9.430, de 1996, exigidos isoladamente, sob o argumento do não recolhimento de débitos 16 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.009558/2002-57 Acórdão n°. : 104-20.903 para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal não pagos nos prazos previstos na legislação. Em razão de todo o exposto e por ser de justiça, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões - DF, em 10 de agosto de 2005 NiL/S0 N 17 Page 1 _0025000.PDF Page 1 _0025100.PDF Page 1 _0025200.PDF Page 1 _0025300.PDF Page 1 _0025400.PDF Page 1 _0025500.PDF Page 1 _0025600.PDF Page 1 _0025700.PDF Page 1 _0025800.PDF Page 1 _0025900.PDF Page 1 _0026000.PDF Page 1 _0026100.PDF Page 1 _0026200.PDF Page 1 _0026300.PDF Page 1 _0026400.PDF Page 1 _0026500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10380.000271/93-91
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 1997
Ementa: IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA - EMPRÉSTIMOS ENTRE EMPRESAS COLIGADAS - Os empréstimos a coligada obrigam a mutuante a reconhecer, para efeito de determinar o lucro real, pelo menos o valor correspondente à correção monetária segundo a variação do valor da OTN/BTNF, nos termos do art. 21 do Decreto-lei nº 2.065/83. Entretanto, descabe computar valores que não representam recursos colocados à disposição do mutuário.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO - IMPOSTO DE RENDA NA FONTE - A decisão prolatada no processo matriz estende seus efeitos aos processos decorrentes.
Recurso de ofício negado.
(DOU - 21/08/97)
Numero da decisão: 103-18672
Decisão: Por unanimidade de votos, Negar provimento ao recurso "ex officio".
Nome do relator: Sandra Maria Dias Nunes
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-11T11:17:48Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-11T11:17:48Z; Last-Modified: 2009-08-11T11:17:48Z; dcterms:modified: 2009-08-11T11:17:48Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-11T11:17:48Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-11T11:17:48Z; meta:save-date: 2009-08-11T11:17:48Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-11T11:17:48Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-11T11:17:48Z; created: 2009-08-11T11:17:48Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2009-08-11T11:17:48Z; pdf:charsPerPage: 1451; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-11T11:17:48Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° :10380.000271/93-91 Recurso n° : 112.176 - Ex Officio Matéria : IRPJ e outros - Ex. de 1990 Recorrente : DRJ em FORTALEZA/CE Interessada : CIDÃO S/A (Massa Falida) Sessão de : 11de junho de 1997. , Acórdão n° :103-18.672 IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA EMPRÉSTIMOS ENTRE EMPRESAS COLIGADAS Os empréstimos a coligada obrigam a mutuante a reconhecer, para efeito de determinar o lucro real, pelo menos o valor correspondente à correção monetária segundo a variação do valor da OTN/BTNF, nos termos do art. 21 do Decreto-lei n° 2.065/83. Entretanto, descabe computar valores que não representam recursos colocados à disposição do mutuário. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE A decisão prolatada no processo matriz estende seus efeitos aos processos decorrentes. Recurso de oficio negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso de oficio interposto pelo DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO em FORTALEZ/VCE. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. is RO BER PRESIDENT tiningai~ SANDRA RIA DIAS NUNES RELATORA FORMALIZADO EM: bl 1 JUL 1997 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: V1LSON BIADOLA, MÁRCIO MACHADO CALDEIRA, RUBENS MACHADO DA SILV/1/4 (Suplente convo- g) ' MINISTÉRIO DA FAZENDA 2 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° :10380.000271/93-91 Acórdão n° :103-18.672 cedo), RAQUEL ELITA ALVES PRETO VILLA REAL, MÁRCIA MARIA LóRIA MEIRA e VICTOR LUÍS DE SALLES FREIRE. Ausente o Conselheiro EDSON VIANNA DE BRITO~ MINISTÉRIO DA FAZENDA 3 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10380.000271/93-91 Acórdão n° :103-18.672 Recurso n° :112.176 Recorrente : DRJ em FORTALEZA/CE. RELATÓRIO Recorre a este Conselho de Contribuintes, o DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO em FORTALEZA/CE, nos termos ao art. 34, inciso I, do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 8.748/93, da decisão prolatada às fls. 330 na qual exonerou a empresa CIDÃO S/A (Massa Falida) de parte do lançamento consignado nos Autos de Infração de fls. 02, 204 e 271, relativos ao imposto de renda da pessoa jurídica, à contribuição social sobre o lucro e ao imposto de renda retido na fonte devidos no exercício de 1990. O crédito tributário referente ao IRPJ perfaz 8.098.605,86 UFIR, sendo 1.598.871 1 89 de imposto, 799.435,94 UFIR de multa e 5.700.298,03 UFIR de juros de mora. A exigência fiscal decorre das irregularidades abaixo transcritas e encontra-se fundamentada nos arts. 154, 157, 182, 183, 191, 254, I, 387, I e II do RIR/80 (IRPJ), nos arts. 1° ao 4° da Lei n° 7.689/89 (CSL), no art. 8° do Decreto-lei n° 2.065/83 (IRRF sobre custos e despesas não comprovados) e no art. 35 da Lei n° 7.713/88 (ILL sobre variação monetária passiva, despesas financeiras e omissão de correção monetária): 1.Variação monetária passiva não comprovada NCz$ 250.729.280,00 2.Despesas financeiras não comprovadas NCz$ 5.540.069,00 3.Custos não comprovados NCz$ 163.081,00 4.Despesas não comprovadas NCz$ 271.659,00 5.Omissão de receita de c.monetária/mútuo NCz$ 9.045.484,70 TOTAL NCz$ 265.749.573,70 (-) Compensação de prejuízo NCz$ 59.106.000,00 MATÉRIA TRIBUTÁVEL NCz$ 206.643.573,70 Irresignada com os lançamentos, a autuada apresentou, dentro do prazo regulamentar, as impugnações de fls. 31, 232 e 300, acompanhada dos da cumentos de fls. 38 a 170, alegando, em síntese que: (1) a glosa do item deu-se por falta de documentação hábil, com o que não concorda pois apresentou a autuante, conforme correspondências de 06/10/92 e 26/10/92, os documentos que deram norigem aos lançamentos contábeis referentes a correção mo etária e var2,v, • • MINISTÉRIO DA FAZENDA 4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° :10380.000271/93-91 Acórdão n° :103-18.672 cambial; (2) a glosa das despesas financeiras constantes do item 2 refere-se a juros contratuais e estão de acordo com o art. 254 do RIR/80 e o entendimento do Parecer Normativo n° 86187 e ADN n° 1190; (3) as despesas do item 3 referem-se a pequenas despesas, aquisição de combustíveis e lubrificantes e estão devidamente escrituradas com base em documentos hábeis tais como notas fiscais, requisições etc, e que a depreciação foi efetuada dentro dos percentuais estabelecidos por lei; (4)com referência ao item 4, a glosa foi a mais grosseira possível, pois foram desclassificadas despesas necessárias ao funcionamento de um simples escritório; (5) a autuante aumentou nas contas gráficas das coligadas CONTROLE INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A e de BOSA S/A INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES o correspondente a correção monetária do valor transformado de cruzados para cruzados novos, incluindo indevidamente 408.226,06 BTNF, quantidades provenientes de valores lançados no Razão como correção monetária das contas citadas, ou seja, este acréscimo representou uma suposta omissão de receita no valor de NCz$ 9.045.484,70, e (6) pelos argumentos expostos, a compensação de prejuízos procedida pela autuante fica inconsistente e desprovida de qualquer propósito. Ao final, requer o cancelamento do Auto de Infração e, se de outra forma entender, requer a realização de perícia para confirmar os fatos aqui relatados. Na informação fiscal (fls. 172), a autuante analisa os argumentos, os documentos anexados por ocasião da impugnação e os demonstrativos de fls. 175 a 188, trazidos pela autuada em resposta à intimação visando demonstrar os valores escriturados a título de variação monetária passiva e despesas financeiras. A fis- calização conclui pela manutenção integral do lançamento, sem contudo se pronunciar acerca do pedido de perícia. Subindo os autos a julgamento, o Serviço de Tributação, no Parecer n° 008/94 (fls. 194), considerando que os documentos anexados na inicial, por si só, não são capazes de esclarecer os valores tidos como variação monetária passiva mas que justificavam a realização da perícia solicitada, propõe a remessa dos iiautos ao SEFIS para as providências cabíveis. O pedido de perr'if é deferido ia ri MINISTÉRIO DA FAZENDA 5 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° :10380.000271193-91 Acórdão n° :103-18.672 196. Entretanto, a autuada não apresenta o perito nem os pontos de discordância que baseiam o pedido, silenciando-se. A autoridade de primeira instância, através da decisão de fls. 339, julga a ação fiscal procedente em parte para reduzir a matéria tributável relativa à omissão de correção monetária decorrente de mútuos com coligadas no montante de NCz$ 5.408.822,91, refazendo as planilhas de cada coligada para determinar o valor tributável. Desses cálculos concluiu que a correção monetária não oferecida a tributação perfaz o montante de NCz$ 3.636.661,79 (NCz$ 9.045.484,70 - NCz$ 5.408.822,91). Ajustou, ademais, as matérias reflexas relativas ao ILL e à CSL dada a íntima relação de causa e efeito entre aos procedimentos fiscais principal e decorrentes. Sintetizou suas conclusões na seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Comprovação de Custos e Despesas A escrituração só faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados se comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, não valendo para tal fim a simples apresentação de contratos, que apenas indicam a intenção da realização de negócios. Variação Monetária Ativa A pessoa jurídica mutuante deverá oferecer à tributação pelo menos o valor da correção monetária calculada segundo a variação do BTN Fiscal nos negócios de mútuo contratados com coligadas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplicam-se às exigências ditas decorrentes ou reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF - Lucro Automaticamente Distribuído Os lucros considerados como automaticamente distribuídos aos sócios, em decorrência de omissão de receita ou qualquer procedimento que implique em redução do lucro líquido do exercício, apurado na pessoa jurídica são tributados exclusivamente na fonte a alíquota de 25%. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE O LUCRO LIQUIDO A pessoa jurídica deverá reter, como responsável, o imposto devido aos sócios, calculado sobre o lucro líquido apurado no encerramento do período-base Ira{ " MINISTÉRIO DA FAZENDA 6 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° :10380.000271/93-91 Acórdão n'' :103-18.672 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO A Contribuição Social sobre o Lucro será calculada sobre o valor do resultado do exercício antes da provisão para o imposto de renda É o Relatóri5~,/ MINISTÉRIO DA FAZENDA 7 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° :10380.000271/93-91 Acórdão n° :103-18.672 VOTO Conselheira SANDRA MARIA DIAS NUNES, Relatora De acordo com o art. 21 do Decreto-lei n° 2.065/83, dispositivo que vigorou até 04/11/91 com a edição do Decreto n° 332/91, nos negócios de mútuo contratados entre pessoas jurídicas coligadas, interligadas, controladoras e contro- ladas, a mutuante deve reconhecer, para efeito de determinar o lucro real, pelo menos o valor correspondente à correção monetária calculada segundo a variação do valor da OTN/BTNF. A interessada, ciente do comando legal, procedeu à correção dos conta-corrente mantidos com suas coligadas conforme se depreende das fichas de Razão anexadas às fls. 25 (Bosa S/A), fls. 26 (Olical Industrial S/A) e fls. 27 (Controle Investimentos e Participações). Contudo, os lançamentos efetuados apresentavam-se com insuficiência de correção, fato que motivou o lançamento. Posteriormente, a digna autoridade julgadora, ao analisar os argumentos tecidos na inicial, refaz os cálculos e constata alguns equívocos no demonstrativo elaborado pela fiscalização (fls. 22/24), em especial na conversão de valores de Cz$ para NCz$ e na imputação de valores que, na verdade, não representavam novo ingresso. Com isso, o conta-corrente de cada coligada foi refeito e a matéria tributável corretamente apurada. Isto posto, nego provimento ao recurso de ofício. É como voto. Sala das Sessões (DF), em 11 de junho de 1997. 6.4724,an SANDRA MARIA DIAS NUNES Page 1 _0091200.PDF Page 1 _0091400.PDF Page 1 _0091600.PDF Page 1 _0091800.PDF Page 1 _0092000.PDF Page 1 _0092200.PDF Page 1
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Numero do processo: 10331.000217/2002-00
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2006
Ementa: IRPJ – PRELIMINAR – REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIA – Não se vislumbrando qualquer irregularidade no processo administrativo e tendo sido respeitado o direito à ampla defesa nos autos, não há de se acolher a preliminar suscitada. Com relação à realização de diligência, fica comprovado nos autos que a contribuinte não preencheu os requisitos do art. 16, III, IV e §1º, do Decreto 70.235/1972, que regula o processo administrativo fiscal, logo, não vislumbra tal direito.
IRPJ – OMISSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS –Não logrando o sujeito passivo comprovar a origem dos recursos depositados em contas correntes mantidas à margem da contabilidade, resulta configurada a presunção legal de omissão de receitas.
IRPJ – ARBITRAMENTO DO LUCRO – A desclassificação da escrita e o conseqüente arbitramento de lucros somente se legítima na ausência de elementos concretos que permitam a apuração do lucro real da empresa.
TAXA DE JUROS – SELIC – APLICABILIDADE – É legítima a cobrança de juros calculada com base na SELIC, prescrita em lei e autorizada pelo art. 161, § 1º, do CTN, admitindo a fixação de juros superiores a 1% ao mês, se contida em lei.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA – PIS, COFINS, IRRF e CSLL – A tributação reflexa deve ser mantida, em consonância com o decidido em relação ao IRPJ, dada a íntima relação de causa e efeito entre eles.
Preliminar rejeitada.
Recurso negado.
Numero da decisão: 108-08.766
Decisão: ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada pelo Recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Luiz Alberto Cava Maceira
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LTDA. Recorrida : 4a TURMA/DRJ-FORTALEZPJCE Sessão de : 23 DE MARÇO DE 2006 Acórdão n°. :108-08.766 IRPJ — PRELIMINAR — REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIA — Não se vislumbrando qualquer irregularidade no processo administrativo e tendo sido respeitado o direito à ampla defesa nos autos, não há de se acolher a preliminar suscitada. Com relação à realização de diligência, fica comprovado nos autos que a contribuinte não preencheu os requisitos do art. 16, III, IV e §1°, do Decreto 70.235/1972, que regula o processo administrativo fiscal, logo, não vislumbra tal direito. IRPJ — OMISSÃO DE RECEITAS — DEPÓSITOS BANCÁRIOS — Não logrando o sujeito passivo comprovar a origem dos recursos depositados em contas correntes mantidas à margem da contabilidade, resulta configurada a presunção legal de omissão de receitas. IRPJ — ARBITRAMENTO DO LUCRO — A desclassificação da escrita e o conseqüente arbitramento de lucros somente se legitima na ausência de elementos concretos que permitam a apuração do lucro real da empresa. TAXA DE JUROS — SELIC — APLICABILIDADE — É legitima a cobrança de juros calculada com base na SELIC, prescrita em lei e autorizada pelo art. 161, § 1°, do CTN, admitindo a fixação de juros superiores a 1% ao mês, se contida em lei. TRIBUTAÇÃO REFLEXA — PIS, COFINS, IRRF e CSLL — A tributação reflexa deve ser mantida, em consonância com o decidido em relação ao IRPJ, dada a íntima relação de causa e efeito entre eles. Preliminar rejeitada. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por VIRGÍLIO NERIS MACHADO & CIA. LTDA. t.")k>( )1/ • MINISTÉRIO DA FAZENDA itr PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4:4,..:1,•zei- OITAVA CÂMARA Processo n°. :10331.000217/2002-00 Acórdão n°. : 108-08.766 Recurso n°. :144.090 Recorrente : VIRGILIO NERIS MACHADO & CIA. LTDA. ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada pelo Recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. DORIV L ADOV PRES E TE I L IZ AL : ERTO CAVA 'M A CEIRA RELAT R sr;-. Jinnr FORMALIZADO EM:L bi ALA cimo Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: NELSON LÓSSO FILHO, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARGIL MOURA- 0 GIL NUNES, KAREM JUREIDINI DIAS, MÁRCIA MARIA FONSECA (Suplente Convocada) e JOSÉ HENRIQUE LONGO. Ausente, justificadamente, o Conselheiro JOSÉ CARLOS TEIXEIRA DA FONSECA. 2 e h. ! 44e.' • ' MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES n OITAVA CÂMARA Processo n°. :10331.000217/2002-O0 Acórdão n°. :108-08.766 Recurso n°. :144.090 Recorrente : VIRGÍLIO NERIS MACHADO & CIA. LTDA. RELATÓRIO VIRGÍLIO NERIS MACHADO E CIA. LTDA., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no C.N.P.J. sob o n° 05.590.294/0001-72, estabelecida na Av. das Normalistas, n° 1236, Nova Parnaíba, Parnaíba/PI, inconformada com a decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento objeto do presente feito, relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e outros, anos- calendário 1998/2001, vem recorrer a este Egrégio Colegiado. A matéria remanescente, referente à autuação fiscal, trata-se de Omissão de Receita Operacional, caracterizada pela ocorrência de depósitos em contas-corrente bancárias, cuja origem dos recursos não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, após ter sido regularmente intimado, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, fls. 33/34, com enquadramento legal nos arts. 195, II, 197 e parágrafo único, 225, 226, 227 e 229, todos do RIR/94, art. 24 da Lei n° 9.249/95, art. 42 e 61, §3°, ambos da Lei n° 9.430/96; O lançamento principal deu ensejo a tributação reflexa, abaixo relacionada: a) Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) — arts. 3°, 'b', LC n° 7f70, art. 1°, parágrafo único, da LC/1773, art. 24, §2°, da Lei n° 9.249/95, arts. 2° I, 3°, 8°, I, e 9°, todos da MP n° 1.212/95 e suas reedições convalidadas pela Lei n° 9.715/98, arts. 2° e 3°, ambos da Lei n° 9.715/98, art. 44, II, da Lei n° 9.430/96; 3 41 br4 ' MINISTÉRIO DA FAZENDA S,zt44 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ,44 1iTetz5 OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10331.000217/2002-00 Acórdão n°. : 108-08.766 b) Contribuição Social (CSLL) — arts. 2° e §§, da Lei n° 7.689/88, 19 ' 'e 24, ambos da Lei ri° 9.249/95, 1° da Lei n° 9.316/96, 28 e 44, II, ambos da Lei n° 9.430/96; c) Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) — arts. 1° e 2°, ambos da LC 70/91, 24, §2°, da Lei n° 9.249/95, 44, da Lei n° 9.430/96. Inconformada com o lançamento, a empresa apresentou tempestivamente sua Impugnação (fls. 509/513), argüindo, inicialmente, que a fiscalização apurou receitas emalem^ se!) prccunçâo lega! prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/96, por outro lado, o procedimento fiscal seria irrepreensível não fosse por um relevante aspecto legal, uma vez que se impunha como medida correta o arbitramento dos lucros apurados no ano-calendário de 1998, nos termos do art. 530, I, II, 'a' e III do RIR199. Assim, assevera que na medida em que a empresa quase nada justificou quanto à origem dos depósitos bancários, a Fiscalização deveria ter aprofundado o exame para concluir que a contabilidade de contribuinte era imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira ocorrida no ano- calendário de 1998 Neste prisma, aduz que á luz do lançamento feito no Livro Razão, relativo à conta Caixa no mês de janeiro de 1998 (fls. 257), que registrou a débito da conta corrente da empresa mantida no Bradesco (código 1.1.01.02.0004) o valor de R$ 285.975,39, sob o histórico *PG.DEPOSITOS*, que corresponde ao somatório de 41 depósitos ao longo do referido mês, conforme detalhado na Relação de Depósito de fls. 55. Afora isso, assevera que a não escrituração do Livro Razão de forma analítica ou individualizada, resumindo e totalizando, portanto, os lançamentos efetuados no citado Livro dá ensejo ao aroitramento do lucro da empresa. Reitera que o único caminho a ser seguido pela fiscalização seria desconsiderar a escrituração da autuada e, naturalmente, arbitrar o lucro da tr 4 , MINISTÉRIO DA FAZENDA 0;tc.-;;;tir PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES littn OITAVA CÂMARA Processo n°. :10331.000217/2002-00 Acórdão n°. :108-08.766 empresa, não podendo, assim, prevalecer a autuação com base no Lucro Real, devendo ser promovido novo lançamento. Requer perícia, indicando o Contador José Martônio Alves Coelho, como perito da ora impugnante, bem como formaliza seus quesitos. Pugna pela ilegalidade da Taxa Selic, eis que esta tem caráter remuneratório do custo do dinheiro e não indexatório do nível da inflação, assemelha-se à Taxa Referencial (TR), contraria o art. 161, §1° do Código Tributário Nacional. A ação foi julgada procedente (fls. 532/545) pela autoridade de primeira instância, conforme os termos do ementário a seguir: 'Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: Omissão de Receitas — Depósitos Bancários Caracteriza-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida em nome do contribuinte em instituição financeira, sediada no Brasil, cujo titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados em tais operações bancárias. Lucro Arbitrado É incabível o arbitramento do lucro da pessoa jurídica quando a escrituração (contábil e/ou fiscal) da empresa seja considerada prestável para a apuração do lucro real. A falta de escrituração do livro razão, de forma analítica, não é motivo suficiente para arbitrar o lucro do contribuinte, uma vez que à Fiscalização foi possível, confrontando o citado livro com outros documentos, identificar, individualizar e totalizar a movimentação financeira e bancária do contribuinte no período considerado. Juros de Mora: Taxa Selic Os juros de mora utilizados para atualizar monetariamente os débitos lançados a título de IRPJ, PIS, CSLL e Cofins têm natureza compensatória e não remuneratória. Não se aplica, portanto, na correção de débitos de natureza fiscal, os índices de correção dos títulos privados sujeitos à variação do mercado de capitais. \\-\. k 4% Cr • . e:: MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '•:".fit-L‘'i OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10331.000217/2002-00 Acórdão n°. :108-08.766 Tributação reflexa PIS — Programa de Integração Social; CSLL — Contribuição Social sobre o Lucro líquido; Co fins — Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Aplica-se às exigências reflexas o que foi decidido quanto ao lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, devido à intima relação de causa e efeito entre elas. Assim, mantida integralmente a exigência referente ao IRPJ, o mesmo tratamento deve ser dado relativamente à autuação reflexa. Lançamento Procedente." Irresignada com o decisum a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 565/569), oportunidade em que repisa os argumentos expendidos na peça impugnatória. Tocante ao depósito recursal equivalente a 30% do crédito fiscal, a recorrente apresenta a relação de bens e direitos para arrolamento (fls. 5801582). É o Relatório. 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA **Ár=•"At -‘9, ...a. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10331.000217/2002-00 Acórdão n°. :108-08.766 VOTO Conselheiro LUIZ ALBERTO CAVA MACEIFtA, Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. No tocante ao pedido para realização de diligência, não se vislumbra nenhuma irregularidade no processo administrativo em questão, não merecendo acolhida tal pretensão devido à não observância dos ditames legais (art. 16 III, IV e §1° e art. 17, ambos do Decreto 70.235/1972) na sua formulação e, mesmo porque observado o direito à ampla defesa exercida plenamente pela recorrente. No mérito, tocante à infração oriunda pela omissão de receita decorrente de depósitos bancários não contabilizados, como se pode facilmente constatar essas é uma forma de irregularidade apontada pela fiscalização correspondente à aplicação de presunção que, embora legal, traduz somente a possibilidade de omissão de receita cuja comprovação em contrário a recorrente tentou fazer, mas não obteve receptividade pela autoridade lançadora e pela autoridade de primeira instância. Sobre a matéria referente à presunção legal de omissão de receita, mantenho a decisão de primeira instância, eis que com o advento da Lei n° 9.430/96, foram introduzidas novas presunções legais tributárias, invertendo o ônus da prova para o sujeito passivo da relação jurídica. Ademais a existência dos depósitos bancários (art. 42 da Lei n° 9.430/96), cuja origem não seja comprovada por documentação hábil e idônea, foi elencada como hipótese de presunção legal de omissão d receita, conforme transcrevo o artigo referente à ditas omissão, in verbis: 7 4:tK4t MINISTÉRIO DA FAZENDA ^,sp PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES XP OITAVA CÂMARA Processo n°. :10331.000217/2002-00 Acórdão n°. :108-08.766 "Art. 42 — Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações." Destarte, não há nenhuma ilegalidade nesse lançamento, pois a Lei n° 9.430/96 autoriza, expressamente, esse fato jurídico, motivo pelo qual, mantenho a decisão recorrida. Tocante ao arbitramento do lucro, requerido pela recorrente, novamente, deve ser mantida a decisão a quo, eis que é o mesmo entendimento da jurisprudência reiterada deste Colegiado, in verbis: "Acórdão n° 103-19152, de 08/01/98 IRPJ — Arbitramento do lucro — Incabível a exigência do IRPJ por arbitramento do lucro, quando não comprovada a imprestabilidade da escrita contábil do contribuinte. Arbitramento é medida extrema e só deve ser utilizado como último recurso, por ausência absoluta de outro elemento que tenha mais condições de aproximar-se do lucro real." Diante do exposto, uma vez trazidas aos autos as documentações contábeis da contribuinte, não existem motivos redundantes para o arbitramento do lucro. Com relação ao questionamento da ilicitude da exigência dos juros SELIC, a Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais através do Acórdão CSRF/101-3.877, manifestou resultar legítima sua cobrança, sendo assim, cabíveLa imposição na espécie. Finalmente, a tributação reflexa (PIS, COFINS e CSLL) deve ser mantida, dada a íntima relação de causa e efeito existente com a decisão sobre a exigência principal de IRPJ. Ik\-\ 8 4;f4.:9,--> MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ;41:-.r: ;fr. OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10331.000217/2002-00 Acórdão n°. : 108-08.766 Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e quanto ao mérito, negar provimento ao recurso. Sala da Se ões — DF, em 2 e março de 2006. LUIZ AL RTO CAVA ACEIRA 9 Page 1 _0017100.PDF Page 1 _0017200.PDF Page 1 _0017300.PDF Page 1 _0017400.PDF Page 1 _0017500.PDF Page 1 _0017600.PDF Page 1 _0017700.PDF Page 1 _0017800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10283.003062/2001-97
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2002
Ementa: Decadência – CSLL - A partir da edição da lei 8383/91, pacificou-se o entendimento no sentido de que o IRPJ e seus reflexos passaram a ter a classificação de lançamentos por homologação, decorrendo daí que o - AI – deve ser lavrado dentro do período equivalente a no máximo 5 anos a partir do fato gerador.
Numero da decisão: 101-93.843
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, ACOLHER a decadência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Celso Alves Feitosa
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PROCESSO N.° 10283003062/2001-97 2 ACÓRDÃO N° 101-93,843 Recurso n °. . 128 508 Recorrente CCE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE COMPONENTES ELETRÔNICOS S/A RELATÓRIO Contra a empresa acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 56/63, por meio do qual é exigida a importância de R$ 1.611.610,91, a título de Contribuição Social sobre o Lucro, mais acréscimos legais, totalizando um crédito tributário de R$ 4.847.897,56. A exigência decorreu da constatação de que a contribuinte compensou, na determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro dos meses componentes do ano-calendário de 1995, bases de cálculo negativas anteriores dessa contribuição em montante maior que o legalmente permitido, ou seja, em valor superior a 30% do lucro líquido ajustado, Fundamentam a autuação os arts. 2° da Lei n° 7.689/88; 57 e 58 da Lei n° 8.981/95; 12 da Lei n° 9.065/95; 832 do RIR/99; 18 da Medida Provisória n° 1,990/99, e 1°, § 2°, I, da Instrução Normativa SRF n° 166/99. Conforme esclareceu o Auditor Fiscal autuante à fl. 57, a infração foi apurada em trabalho de revisão interna da declaração de rendimentos do ano-calendário de 1995 — DIRPJ/96 — (MALHA FAZENDA) e não foi possível acatar a declaração retificadora apresentada pela contribuinte após o início da ação fiscal, uma vez que a alteração de apuração mensal do imposto de Renda para anual não caracteriza erro, mas mera mudança de opção, não restando configuradas as situações previstas no art 832 do Decreto n° 3000/99. Foram, então, alterados os valores constantes da declaração mencionada, sobretudo no que respeita à Ficha 30 ("Contribuição Social sobre o Lucro — Apuração Mensal"), dos meses de maio e novembro — demonstrativos de valores apurados de fl . 59 e 61, Impugnando o feito às fls.. 70/104, a interessada alegou preliminar de decadên ia porque, segundo seu entendimento: - como o Auto de Infração se reporta a fatos geradores ocorridos nos meses de fevereiro, março, maio e novembro de 1995, a decadência do último destes materializou-se em dezembro de 2000; PROCESSO N.° 10283003062/2001-97 3 ACÓRDÃO N.° 101-93.843 - ainda que seja revisto o indeferimento da declaração retificadora e então se considere a anualidade como período de apuração dos tributos, a decadência, nesta hipóteses ter-se-ia concretizado em janeiro/2001 Alegou, ainda, nulidade do Auto de Infração por cerceamento de defesa e por vício respeitante ao motivo, considerando que a declaração retificadora foi "estranhamente" recusada pela auditora responsável pelo lançamento Quanto à declaração retificadora, esclareceu a autuada que' - no período-base de 1995, obteve lucro nos meses de fevereiro, março, maio e novembro, mas esses resultados positivos foram totalmente absorvidos pelos prejuízos dos demais meses do ano-calendário — ou seja, tomado em seu conjunto o exercício em epígrafe, verifica-se que o resultado colhido foi negativo, ou seja, não houve lucro; - ocorre que a impugnante, ao apresentar em 30/04/96 sua declaração de IR do ano de 1995, o fez adotando, por manifesto equívoco, o critério de apuração mensal ao invés do anual, que lhe seria mais vantajoso, pois não seriam devidos IR e CSLL, bem como ainda lhe propiciaria restituição de IRRPF, - detectando esse equívoco, apresentou declaração retificadora, em 29/10/99, modificando sua opção quanto à forma de apuração do imposto, de mensal para anual (Processo 10283 011903/99-45); - que, uma vez apresentada a declaração retificadora na forma de direito, aguardava a impugnante a manifestação da Delegacia Julgamento (Portaria SRF n° 4.980, art. 2°), mas a autoridade lavradora do Auto de Infração apreciou a retificadora no próprio corpo do Auto de Infração ora impugnado, praticando ato manifestamente ilegal; - que, com efeito, apresentada a retificadora teve início o processo administrativo fiscal de n° 10283.011903/99-45 e qualquer apreciação a ser feita acerca da mesma o deverá ser naquele processo e por ato do órgão competente, ou seja, a DRJ, - que, ao apreciar a matéria, a autoridade lavradora do Auto de Infração extrapolou os limites de sua competência; - que, até então, o pedido formulado não foi apreciado pela Delegacia d Julgamento e, ainda que o houvesse sido, caberia defesa junto à Delegar de Julgamento; - que da decisão da Autoridade Fazendária sobre o pedido retificador ca e recurso ao Primeiro Conselho de Contribuintes — RIR/94, art 882 Alegou ainda postergação e suas conseqüências fiscais, afirmando que - o IR e a CSL, em razão de sua sistemática de periodização na apuração, podem apresentar incorreções em virtude de equívocos na apropriação de receitas e despesas; por isso, é necessária a criação de alguns mecanismos PROCESSO N.° 10283.003062/2001-97 4 ACÓRDÃO N..° 101-93.843 para que essas distorções possam ser desfeitas, entre as quais a constatação da postergação prevista no Parecer Normativo COSIT n° 02/96, - que, efetuada a compensação do imposto apurado no lançamento com os valores do Imposto de Renda Retido na Fonte durante o ano de 1995, restaria devido um Imposto de Renda no valor R$ 2,686.745,24 (tabela à fl. 100), mas esse valor desaparece quando subtraído do IRRF referente ao ano-calendário de 1999, em razão da existência de saldo de imposto a restituir no valor nominal de R$ 5.416.862,08, uma vez que o IRRF dos anos-base 1996 a 1998 já foram restituídos. Torna a tecer considerações sobre a declaração retificadora, afirmando que,' - está sujeita à tributação com base no lucro real e fez inicialmente, para o período-base de 1995, a opção pela apuração mensal; mas, observando que em 2/3 do período anual houvera experimentado prejuízos significativos, procedeu à elaboração de balancetes mensais, haja visto que a legislação o permitia (Lei n° 8.981/95, art. 35, e Lei n° 9.065/95, art. 2°); - que, a rigor, esses dispositivos legais em momento algum vedavam a mudança de opção, tendo esta sido confirmada expressamente pela SRF por meio da Instrução Normativa n° 51, cujo art. 13 autoriza a utilização de balanços/balancetes de suspensão ou redução do imposto Finaliza registrando que o lançamento não abateu o IR Fonte correspondente aos demais meses do exercício, no valor original de R$ 3.538 816.69 e também não abateu do lucro líquido do período-base o valor da CSLL nos meses de maio e novembro para fins do cálculo do IR. Se o tivesse feito, o IR a pagar desses meses seria de R$ 3.210 845,97 e R$ 2 917 502,24.. Na decisão recorrida (fls. 123/134), o julgador singular declarou o lançamento procedente, assim concluindo "Ementa. Preliminar de Decadência. O direito de proceder ao lançamento relativo à Contribuição social sobre o Lucro Líquido não recolhida extingue-se no prazo de dez anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito respectivo poderia ter sido constituído "Ementa D1RPJ. Declaração Retificadora Rejeitada em Trabalho de Malha. A revisão sistemática das declarações apresentadas pelos contribuintes far-se-á mediante utilização de malha SRF 94/97) A apreciação da plausibilidade de acatamento de declaração retificadora do IRPJ é efetivad em instância única pela Delegacia da Receita Federal do domicílio tributário do contribuinte, inexistin o competência desta Delegacia de Julgamento para revisão do indeferimento questionado" "Ementa Postergação do Imposto. Considera-se postergada a parcela do imposto/contribuição relativo a determinado período-base quando efetiva e espontaneamente paga em período-base posterior "Ementa Compensação de bases negativas. Para determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa apurada em períodos-base anteriores em, no máximo, 30% " PROCESSO N..° 1028300306212001-97 5 ACÓRDÃO N.° 101-93.843 Às fls 138/175 se vê o recurso voluntário (com anexação de docs às fls 139/288), por meio do qual a autuada repete argumentos da impugnação Reafirma a preliminar de decadência, afirmando que, atualmente, é pacífico o entendimento de que a Contribuição Social sobre o Lucro e o Imposto de Renda são tributos sujeitos a lançamento por homologação, sendo a extinção do crédito tributário disciplinada pelo art 150, § 1 0, do código Tributário Nacional, descabendo, portanto, a conclusão do julgador singular de que o prazo seria de dez anos Torna a afirmar que houve cerceamento do direito de defesa com relação ao cancelamento da declaração retificadora. Alega que, com relação à limitação à compensação, é pacífico o entendimento de que o a Lei n° 8.981/95 só produziu efeitos em relação às bases negativas geradas a partir de 1° de janeiro de 1995. E que, no presente caso, as bases negativas utilizadas nas compensações são oriundas de períodos anteriores a janeiro/95. Conclui requerendo que, caso assim não se entenda, seja declarado que ocorreu mera postergação do tributo. Protesta pela produção de todos os meios de prova admitidos, notadamente pela sustentação oral dos argumentos apresentados e pela posterior juntada dos documentos que se fizerem necessários. Às fls 176/179 se vê relação de bens para arrolamento, para efeito de seguimento do recurso voluntário É o relatório. PROCESSO N..° 10283003062/2001-97 6 ACÓRDÃO N..° 101-93,843 VOTO Conselheiro CELSO ALVES FEITOSA, Relator. A questão do prazo decadencial na área específica do imposto sobre a renda e contribuição social sobre o lucro é sem dúvida tormentosa, na exata medida em que os estudos são feitos a partir da classificação das modalidades de lançamentos, estabelecidas segundo os contornos fixados nos artigos 147, 149 e 150 do CTN É de todos sabido que a questão tem haver com do DL. 1967/82, para o IRPJ, porque não mais dependente o pagamento do mesmo de notificação fiscal Acrescente- se ainda a circunstância de que não mais se apresenta na forma pura dos lançamentos por declaração ou homologação, segundo a própria classificação do CTN É que o IR não mais, para o seu pagamento, dependia, a partir daquela data, de notificação, sendo que, para aqueles impostos que eram pagos sem necessidade de prévio informe ao Fisco, tal passou a ser exigido, casos típicos do ICMS e IPI. Estes, declarados e não pagos, sequer dependiam de acertamento pelo Fisco, para serem cobrados. A declaração (guia de informação do icms devido), passou a ser elemento suficiente para justificar a inscrição na dívida ativa do débito, com posterior execução fiscal Estabelece o artigo 150 do CTN que o lançamento por homologação ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa e opera-se pelo ato em que a referida autoridade administrativa, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Tem-se então: I) o dever do sujeito passivo de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, quanto ao quantum, II) opera-se quando a autoridade, tomando conhecimento da atividade exercid expressamente a homologa. Já o § 40 da referida norma estabelece que se não houver homologação expressa no prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, considera-se, por decurso do prazo estabelecido, se outra lei não estabelecer prazo menor (lei ordinária), homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito Do enunciado emerge mais o seguinte,' 1) que o prazo é de 5 (cinco) para a homologação — para o Fisco — a partir da ocorrência do fato gerador, se não houver redução por lei ordinária, no caso federal, PROCESSO N° 10283003062/2001-97 7 ACÓRDÃO N..° 101-93843 II) que em havendo pagamento anterior, após o decurso do prazo, o crédito tributário considera-se definitivamente extinto No capitulo onde se encontram estabelecidos os institutos da decadência e da prescrição como formas extintivas do crédito tributário, Capitulo V, Titulo III, do Livro Segundo, do CTN, no artigo 173, acha-se ainda fixado que o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se (pela inércia) após 5 (cinco) anos contados' - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Até o advento da Lei 8383/91, o imposto sobre a renda tinha como fato gerador um período anual, o que foi mudado a partir de 1992, quando passou ele a ser apurável em períodos diversos semestral, trimestral, mensal, No caso sob exame o lançamento se deu mensalmente, segundo a apuração pelo lucro real (fls.. 03) Parte importante dos doutrinadores concluiu então, que a partir do DL 1967/82, que o IRPJ classifica-se como um tributo cujo lançamento se dá por homologação, por isso sujeito à regra de exceção do artigo 150, § 4°, onde está fixado que o prazo tem inicio com a ocorrência do fato gerador e não com o 1 0 dia seguinte àquele em que poderia ser lançado Pergunta-se estaria então extinto definitivamente, pelo decurso do prazo, no caso em exame, o crédito tributário? O auto de infração lavrado foi recebido em 25/04/01, referindo-se a fatos ocorridos nos meses 05 e 11 de 1995 Portanto, entre estas datas e aquela, mais de 5 (cinco) anos restaram transcorridos Pacificou-se na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF/01-1 036/90) o entendimento de que o lançamento do IRPJ, após o ano de 1992, em razão do disposto na Lei 8383/91, inclusive, passou a ter a natureza jurídica de lançamento por homologação e não mais podendo ser classificado como sendo por declaração Decorre daí que o prazo inicial da decadência, a partir de 1992, tem o marco definido no parágrafo 4 ° do art 150 do CTN. Para as situações acontecidas antes -1992, o lançamento restava classificado como por declaração Contado os 5 (cinco) anos a partir de 25/04/01, retroagindo, resta claro qu1 o lançamento de ofício agora enfrentado deveria ter acontecido até 05/00 e 11/00 Sendo os fatos geradores de 05/95 e 11/95, entendo que efetivamente estava decaído o direito de lançar, segundo jurisprudência já firmada na Câmara PROCESSO N.° 10283.003062/2001-97 8 ACÓRDÃO N.° 101-93.843 Quanto ao fato de se tratar a exação de CSSL e não de IRPJ, resta evidente que a natureza jurídica daquela é tributária, não se aplicando ainda o disposto no artigo 45 da Lei 8.212/91, que é dirigido ao direito envolvido com a Seguridade Social, para autorizar constituição de seus créditos Já o artigo 33 estabelece que os créditos relativos à CSLL são constituídos — lançados — pela Secretaria da Receita Federal, órgão que se encontra fora do Sistema de Seguridade Social, ficando assim afastado o tratado no artigo 45 da mesma lei Sobre o tema, assim tem deixado fixado a Conselheira Sandra Maria Faroni "Por conseguinte, o prazo referido no art 45 (cuja constitucionalidade não cabe aqui discutir) seria aplicável apenas às contribuições previdenciárias, cuja competência para constituição é do Instituto Nacional do Seguro Social- INSS (Note-se todos os parágrafos do artigo 45 da Lei 8.212/91 tratam apenas das contribuições previdenciárias, de competência do INSS) O artigo 45, incluído seus parágrafos, se referem claramente ao seu destinatário, que é a Seguridade Social, e não a Receita Federal. A seguridade Social, de cujo direito cuida o art. 45 da Lei 8212/91, é representada pelos órgãos descentralizados do Ministério da Previdência e Assistência Social (autarquias, que são entidades da administração indireta), ao passo que a Receita Federal é órgão da administração direta da União, conforme Decreto-lei 200/67" (Ac 101-93 460) Voto assim no sentido de declarar a decadência. Sala das Sessões - DF, 'em 22 de maio de 2002 É/ ALVES FEITOSA t Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10380.000834/99-28
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2002
Ementa: PAF – PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO – não se conhece sobre pedido de retificação de declaração, ingressados até 14/12/1999, não apreciados pelas Delegacias e Inspetorias da RECEITA FEDERAL, até aquela data, nos termos do AD/SRF/10 de 23/02/2000.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 108-07.106
Decisão: ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por falta de objeto, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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MACEDO S/A — COMÉRCIO, ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES. Recorrida : DRJ — FORTALEZNCE Sessão de : 17 de setembro de 2002 Acórdão n°. :108-07.106 PAF — PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO — não se conhece sobre pedido de retificação de declaração, ingressados até 14/12/1999, não apreciados pelas Delegacias e Inspetorias da RECEITA FEDERAL, até aquela data, nos termos do AD/SRF/10 de 23/02/2000. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por J. MACEDO S/A COMÉRCIO, ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES. ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por falta de objeto, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. `"C—Se—Ké MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS PRESIDENTE IV TE ALAQUIAS PESSOA MONTEIRO R LATORA FORMALIZADO EM: 23 SEI 2002 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: NELSON LÓSSO FILHO, LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, TÂNIA KOETZ MOREIRA JOSÉ HENRIQUE LONGO e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JUNIOR. Ausente justificadamente a Conselheira MARCIA MARIA LORIA MEIRA. Processo n°. : 10380.000834199-28 Acórdão n°. :108-07.106 Recurso n°. : 130.633 Recorrente : J. MACEDO S/A — COMÉRCIO, ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES. RELATÓRIO J. MACEDO S/A — COMÉRCIO, ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos, recorre voluntariamente a este Colegiado, contra decisão da autoridade singular, que não aceitou a retificação de sua declaração do imposto de renda pessoa jurídica DIRPJ 1993, ano-calendário 1992. Formalizado em 25/01/1999, o pedido se fundamentava na ocorrência de erro de fato no preenchimento dessa declaração. Não fora considerado, valores do imposto de renda retido na fonte -294.476,52 e 332.915,72 UFIR no 1 . e 2. semestre, respectivamente. A declaração retificadora foi protocolada em 31/12/1998, pedindo compensação ou restituição das respectivas retenções. Retificadora - Formulário 1 - é inserida às fls.02/11, original às fls.12/21. Despacho SASIT às fls. 33, indefere o pedido, por entender instalada a decadência do direito de pleitear a restituição do indébito. Manifestação de inconformidade, às fls. 37/39, em breve síntese, diz equivocado o despacho decisório. O pedido seria tempestivo, nos termos do artigo 173, Ido CTN. Transcreve decisões administrativas e judiciais que viriam em socorro a esta tese. Decisão da 3 3 , Turma de Julgamento , às fls.41/46, indefere o pedido, por maioria de votos, invocando a decadência. Os fundamentos do voto vencedor transcreve do CTN: o artigo 165, 1; 168,1; 156, I,V11; parágrafo 1' do artigo 150. 2 Processo n°. :10380.000834/99-28 Acórdão n°. : 108-07.106 Comenta o parágrafo 1 . do artigo 150 1 dizendo que o crédito tributário referente aos tributos lançados por homologação, é extinto pelo pagamento antecipado pelo sujeito passivo. Esclarece frente à doutrina ("De Plácido e Silva e Eurico de Santi, que o direito de pleitear a restituição já se esvaíra quando formalizada"). O voto vencido não conhecia da impugnação, nos termos da IN SRF 166 de 23/12/1999 e ADSRF 10/2000. No recurso interposto às fls.50/54, repete os argumentos expendidos na peça inicial, dizendo equivocadas as conclusões de 1 . grau. Resume o histórico dos fatos, informando que os valores pleiteados na declaração retificadora, já haviam sido utilizados, compensando tributos vencidos e vincendos. A retificação tivera por fim, uniformizar os assentamentos contábeis e fiscais, evitando possíveis problemas com o fisco. Informa, com base no artigo 66 da Lei 8383/1991, que não estaria sujeita a qualquer outro pleito junto à Receita Federal, para utilizar os referidos créditos. O fato de não haver informado oportunamente à administração tributária tal providência, não lhe tira o direito à compensação, mormente quando, tempestivamente, promoveu a retificação. Invoca os fundamentos dos votos vencidos: IN 166/99 e Ato Declaratório n° 010/2000, dispensando a formalização dos seus efeitos protocolares em 25/01/1999. Como argumentação, raciocina quanto ao prazo decadencial, com base no artigo 173, I do CTN, considerando o lançamento do tipo "por declaração". Transcreve várias decisões judiciais, que tratam da matéria - compensação, desnecessidade de comunicação prévia a autoridade fazendária e restituição de empréstimo compulsório. çis‘É o Relatório 3 Lc) Processo n°. : 10380.000834/99-28 Acórdão n°. :108-07.106 VOTO Conselheira IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO - Relatora Em 25/01/1999, o sujeito passivo solicita retificação da DIPJ apresentada em 1993 - ano calendário de 1992, informando não ter alocado na linha 14 do quadro 15, do formulário I, os valores do imposto de renda retido na fonte, correspondente a serviços prestados, nas importâncias de 294.476,52 e 332.915,72 UFIR, nos 1° e 2 . semestres daquele ano calendário. Argüi em seu benefício, que só estaria pleiteando tal providência para adequar sua escrita contábil e fiscal, às declarações prestadas em cumprimento de obrigação acessória, por não estar obrigado, nos termos do artigo 66 da Lei 8383/1992, a requerer qualquer anuência da administração tributária, para proceder esses ajuste. O pedido foi negado pela Delegacia Jurisdicionante e pela Delegacia de Julgamento, por entender que já se instalara a decadência para tal providência. A Decisão da 3. Turma de Julgamento não foi unânime. O Voto Vencido não conhecia da impugnação, em obediência ao AD SRF 10/2000. Peço vênia para discordar da decisão recorrida e me alinhar ao pensamento do voto vencido, por representar a correta compreensão sobre a matéria. Determinou a INSRF 166 de 23/12/1999 que não era mais necessário qualquer anuência da administração tributária quanto a tal procedimento. É a letra da normativa: Artigo 1 . - A retificação de Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica - DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - DITR anteriormente entregue, efetuado por pessoa jurídica, dar-se-á mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa (Destaca-se). 4 g44 Processo n°. : 10380.000834/99-28 Acórdão n°. : 108-07.106 Parágrafo 1 ' - Aplica-se o disposto neste artigo às Declarações do Imposto de Renda Pessoa Jurídica - DIRPJ relativas a anos-calendário anteriores a 1998. (Destaca- se). Parágrafo 2 - A declaração retificadora referida neste artigo: I - terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF n°. 94, de 24 de dezembro de 1997. Este inciso determina que a revisão da declaração retificadora seguirá os tramites normais das demais revisões. Como o pedido se subsume ao comando dessa norma, segundo Ato Declaratório SRF 10/2000 de 23/02/2000, se mostra despiciendo. Por esse motivo não se conhece do recurso, por falta de objeto. Sa a d s Sessões, DF em 17 de setembro de 2002 lv te Malaquias Pessoa Monteiro. g 5 Page 1 _0004100.PDF Page 1 _0004200.PDF Page 1 _0004300.PDF Page 1 _0004400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10410.001879/96-45
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 1998
Ementa: ITR - IN/42/96 - REQUISITOS LEGAIS - Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 203-04864
Decisão: Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
Nome do relator: Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva
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O. U. à51) De •-1 5/ O el / I990 C Drucctvi,ue-- . .......... ........... _- Rubrica MINISTÉRIO DA FAZENDA#.ekt SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES %- Processo : 10410.001879/96-45 Acórdão : 203-04.864 Sessão : 19 de agosto de 1998 Recurso : 103.333 Recorrente : SAPAEL SOCIEDADE DE AGRICULTURA E PECUÁRIA LTDA. Recorrida : DRI em Recife — PE 1TR — IN142196 - REQUISITOS LEGAIS - Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: SAPAEL SOCIEDADE DE AGRICULTURA E PECUÁRIA LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 19 de agosto de 1998 1/4 .‘‘‘ Otacilio'W ias C axo 9 Presidente _ Francisco Maiibelo que Silva Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Francisco Sérgio Nalini, Renato Scalco Isquierdo, Mauro Wasilewski, Daniel Corrêa Homem de Carvalho, Elvira Gomes dos Santos e Sebastião Borges Taquary. Eaal/gb 1 t5.1_ -- , :•:„‘:(... , MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10410.001879/96-45 Acórdão : 203-04.864 Recurso : 103.333 Recorrente : SAPAEL SOCIEDADE DE AGRICULTURA E PECUÁRIA LTDA. RELATÓRIO Às fls. 21 Decisão Singular n° 045/97 julgando a Ação Administrativa procedente e conseqüentemente indeferindo a Impugnação de fls. 01, tudo referente ao ITR/95 cobrado por via de Notificação de Lançamento (fls. 03) sobre a propriedade rural denominada Fazenda Pará, localizada no Município de Coruripe-AL, com área de 1.326,41m, e mantendo o crédito tributário no valor de R$1.431,02 inclusas as Contribuições para a CNA e SENAR. Diz a autoridade de primeira instância ter sido argüido na Impugnação que a IN n° 42/96 majorou o tributo no mesmo exercício financeiro, ferindo os princípios constitucionais da legalidade e da anterioridade, insitos no art. 150, I e III. "b", da CF/88. Rebate, o julgador monocrático, ao argumento de que o tributo por estar sendo exigido com fulcro na Lei n° 8.847/94, improcedente o argumento de que os princípios constitucionais mencionados restariam maculados e, que, ainda, a IN n° 42/96 nada mais fez do que aprovar o VTNm levantado em 31.12.94. Às fls. 26/30, irresignada, oferece Recurso Voluntário ao argumento inicial, onde pede venia, de que o lançamento apresenta-se divorciado do bem direito, porque a IN n° 42/96 alterou o VTNm acima dos índices oficiais de atualização monetária, e apanhou o contribuinte de surpresa e mais, dentro do mesmo exercício financeiro, ferindo portanto, de morte, os princípios da legalidade e anterioridade, como já mencionado na Impugnação. Cita o mestre Hely Lopes Meirelles para definir as Instruções Normativas e diz estar fartamente demonstrada a não serventia desses instrumentos em face do seu mau uso e a má interpretação do texto da Lei n° 8.847/94, que em seu art. 30 reza ser a base de cálculo do imposto o VTN apurado em 31.12. do exercício anterior toma-se infundado que a IN estaria aprovando com base nessa lei, o VNTm. Alega ainda, que a SRF susp deu no início de 1996, mais precisamente em 29.03.96, o lançamento do ITR195, mesmo já te do remetido aos Contribuintes os DARFs para .............;„pagamento, para posteriormente, com base na IN ° 42/96, relançar o tributo com majoração em sua base de cálculo no mesmo exercício financeiro. _--._ .- - - 2 3s. MINISTÉRIO DA FAZENDA • . Ir:Lt ' • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - S. Processo : 10410.001879/96-45 Acórdão : 203-04.864 Oferece Jurisprudência do STJ sobre o IPTU, e diz ainda, que não há o que tergiversar-se, pois o procedimento da SRF afrontou os princípios constitucionais apontados e, finalmente, sob os argumentos de que carece de legalidade a IN guerreada, seja julgado provido o Recurso para anular a Decisão da DRJ em Recife - Pe. Declarando-se Subsistente e nulo o lançamento do ITR/95, sendo autorizado o recolhimento do tributo com base nos critérios constantes da IN SRF n° 16/96. Às fls. 34/38 o Ilustre Procurador da Fazenda Nacional, oferece as Contra- Razões ao Recurso Voluntário onde pugna pela integral manutenção da douta Decisão recorrida, através de texto denso e esclarecedor. Afirma que o legislador federal através da Lei n° 8.847/94 tratou de estabelecer um valor para o VTNin, incumbindo a SRF e vários órgãos envolvidos na problemática da terra, a fim de que o valor fixado refletisse da melhor maneira possível a realidade. Da mesma maneira, nessa mesma norma ficou previsto que o VTNm poderia ser objeto de revisão por parte da Autoridade competente, desde que provocada pelo Contribuinte e (astreada em laudo técnico emitido por entidade acreditada. Discorre fartamente sobre a forma de apuração do ITR, indica que a Recorrente em nenhum momento questionou a legalidade procedimental quanto a cobrança do imposto, apenas se batendo contra o que chamou de afronta ao princípio da legalidade por uma suposta incursão da IN SRF n° 42/96 em área que estaria reservada à lei. Ressalva qq a SRF não edita Leis nem Medidas Provisórias e, assim sendo, não enxerga nenhum maltrato ao p ,incípio da legalidade por parte da IN multicitada, haja vista que, o ITR jamais foi instituído ou Umentado por ela, sendo sua finalidade dar cumprimento ao contido nos limites do § 2° do art. 3° a Lei n° 8.847/94. É o relatóri 3 35-3 • • MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10410.001879/96-45 Acórdão : 203-04.864 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA O Recurso é tempestivo, dele tomo conhecimento. Insurge-se a Recorrente, basicamente, pela majoração por via de instrumento ilegal ao seu entender ocorrida, do ITR/95. Nada consta dos preclaros argumentos da Recorrente, sobre se o valor de VTNm está dentro ou fora dos padrões do Município de localização do imóvel. Apenas enfatiza ter sido o seu valor aumentado acima dos índices oficiais de atualização monetária e afrontando os princípios da anterioridade, da legalidade e da não surpresa. Em casos semelhantes, mesmo com as argüições contidas. este Colegiado posta- se na direção de examinar o conteúdo de Laudo Técnico porventura existente, já que, na conformidade do § 4° do art. 3° da Lei n° 8.847/94, a Autoridade administrativa poderá rever o VTNm que vier a ser questionado pela Contribuinte. In casu, obstinou-se a Recorrente em demonstrar, segundo sua ótica, ilegalidades perpetradas pela administração, sem, pelo menos alternativamente, utilizar-se de dispositivo que lhe Facultaria à revisão do VTNm. A meu ver. inocorreu majoração do ITR/95 por via de IN, que apenas reverberou o comando normativo, assim sendo, nego provimento ao Recurso. Sala das Sessões, em 1' de ago • de 1998 7. FRANCISC 10 RABEL O DE ALBUQUERQUE SILVA 4
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