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Numero do processo: 11065.903008/2011-52
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002
COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INSUBSISTÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO.
Em face da homologação tácita da compensação, reputa-se insubsistente o despacho decisório proferido após o prazo de cinco anos, contado da data da entrega da declaração compensação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3802-001.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INSUBSISTÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. Em face da homologação tácita da compensação, reputa-se insubsistente o despacho decisório proferido após o prazo de cinco anos, contado da data da entrega da declaração compensação. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INSUBSISTÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. Em face da homologação tácita da compensação, reputase insubsistente o despacho decisório proferido após o prazo de cinco anos, contado da data da entrega da declaração compensação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 30 08 /2 01 1- 52 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DComp), em que informada a compensação de crédito proveniente do pagamento indevido da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de junho de 2002, no valor de R$ 1.161,30, com débitos da mesma Contribuição do mês de maio de 2005. Por intermédio do Despacho Decisório (eletrônico) de fls. 02/04, a compensação não foi homologada, em razão da inexistência do crédito informado, sob o fundamento de que o pagamento indevido declarado, embora localizado na base dados, fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte. Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou, em preliminar, a ocorrência homologação tácita da compensação, porém, se superada a preliminar, o que admitia apenas a título de argumentação; no mérito, a legitimidade do crédito compensado, com base nos argumentos de que (i) o valor do débito informado na DCTF estava errado e era indevido; (ii) a comprovação do pagamento indevido era realizado com a simples apresentação do Darf; e (iii) a DCTF e a DIPJ não geravam crédito nem afetavam a compensação. Sobreveio o acórdão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ – Porto Alegre/RS, que, por unanimidade de votos, não reconheceu o direito creditório nem homologou a compensação declada, com base no argumento de que não foram comprovados os requisitos da liquidez e certeza do crédito compensado. Em relação à homologação tácita da compensação, não qualquer manifestação. Em 16/12/2011, a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância. Em 10/1/2012, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 57/67 em que reafirmou os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade. Em aditamento, alegou que a Turma de Julgamento a quo não se pronunciou sobre a homologação tácita da compensação, alegada na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Embora o órgão de julgamento de primeira instância não tenha se manifestado sobre ocorrência da homologação tácita alegada pela recorrente na Manifestação de Inconformidade colacionada aos autos, essa circunstância não impede o seu conhecimento nesta fase processual, pois se trata matéria de ordem pública, portanto, não sujeita ao requisito do préquestionamento. Além disso, na hipótese em que o mérito puder ser decidido em favor do sujeito passivo a quem aproveitaria da declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a Fl. 93DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 11065.903008/201152 Acórdão n.º 3802001.702 S3TE02 Fl. 21 3 pronunciará nem mandará suprirlhe a falta, conforme explicitado no § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF). No presente caso, o questionado Despacho Decisório foi emitido em 1/4/2011, sendo dele cientificado a Recorrente no dia 13/4/2011, conforme documento de fl. 6, enquanto que a respectiva DComp foi transmitida no dia 15/6/2005. Dessa forma, tanto na data da emissão quanto na data da ciência do referido Despacho Decisório, a compensação informada na referida DComp já se encontrava homologada tacitamente, pois, nas referidas datas, já havia transcorrido o prazo de cinco anos, estabelecido no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, para fim de realização da homologação expressa pela a autoridade fiscal competente. Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso, para declarar insubsistente o Despacho Decisório de fls. 02/04 e reconhecer a homologação tácita da compensação declarada na respectiva DComp. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 94DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.012051/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2009 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. SOBRESTAMENTO. Não há como examinar, em sede de recurso voluntário, pedido que envolve sobrestamento de outro processo administrativo. PRECLUSÃO. MULTAS DE VALOR FIXO -FALTA/ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVO MAGNÉTICO. Por não ter sido expressamente contestada quando da apresentação da impugnação, há que se considerar preclusa a objeção apresentada pelo contribuinte em sede de recurso voluntário. PEDIDO DE DILIGÊNCIA NEGADO. VIOLAÇÃO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Evidenciado nos autos o não atendimento às condições estabelecidas nos arts. 14, 15 e 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, correta a decisão de primeira instância em negar pedido de realização de diligência formulado pelo contribuinte, não se caracterizando, destarte, qualquer violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa. ÔNUS DA PROVA. Não há como transferir à autoridade administrativa o ônus da prova de suposta incorreção do custo de mercadorias vendidas - CVM que se encontra registrado na contabilidade do sujeito passivo. CUSTO DAS MERCADORIAS VENDIDAS. VERDADE MATERIAL. Uma vez não revestidos das condições indispensáveis e necessárias à caracterização da pretendida verdade material, estudos e parecer técnicos, desacompanhados da respectiva comprovação documental hábil e idônea, se tornam frágeis diante dos registros contábeis do próprio contribuinte que embasam o lançamento constituído pelos Autos de Infração.
Numero da decisão: 1301-000.924
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2009 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. SOBRESTAMENTO. Não há como examinar, em sede de recurso voluntário, pedido que envolve sobrestamento de outro processo administrativo. PRECLUSÃO. MULTAS DE VALOR FIXO -FALTA/ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVO MAGNÉTICO. Por não ter sido expressamente contestada quando da apresentação da impugnação, há que se considerar preclusa a objeção apresentada pelo contribuinte em sede de recurso voluntário. PEDIDO DE DILIGÊNCIA NEGADO. VIOLAÇÃO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Evidenciado nos autos o não atendimento às condições estabelecidas nos arts. 14, 15 e 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, correta a decisão de primeira instância em negar pedido de realização de diligência formulado pelo contribuinte, não se caracterizando, destarte, qualquer violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa. ÔNUS DA PROVA. Não há como transferir à autoridade administrativa o ônus da prova de suposta incorreção do custo de mercadorias vendidas - CVM que se encontra registrado na contabilidade do sujeito passivo. CUSTO DAS MERCADORIAS VENDIDAS. VERDADE MATERIAL. Uma vez não revestidos das condições indispensáveis e necessárias à caracterização da pretendida verdade material, estudos e parecer técnicos, desacompanhados da respectiva comprovação documental hábil e idônea, se tornam frágeis diante dos registros contábeis do próprio contribuinte que embasam o lançamento constituído pelos Autos de Infração.
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SOBRESTAMENTO. Não há como examinar, em sede de recurso voluntário, pedido que envolve sobrestamento de outro processo administrativo. PRECLUSÃO. MULTAS DE VALOR FIXO FALTA/ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVO MAGNÉTICO. Por não ter sido expressamente contestada quando da apresentação da impugnação, há que se considerar preclusa a objeção apresentada pelo contribuinte em sede de recurso voluntário. PEDIDO DE DILIGÊNCIA NEGADO. VIOLAÇÃO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Evidenciado nos autos o não atendimento às condições estabelecidas nos arts. 14, 15 e 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, correta a decisão de primeira instância em negar pedido de realização de diligência formulado pelo contribuinte, não se caracterizando, destarte, qualquer violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa. ÔNUS DA PROVA. Não há como transferir à autoridade administrativa o ônus da prova de suposta incorreção do custo de mercadorias vendidas CVM que se encontra registrado na contabilidade do sujeito passivo. CUSTO DAS MERCADORIAS VENDIDAS. VERDADE MATERIAL. Uma vez não revestidos das condições indispensáveis e necessárias à caracterização da pretendida verdade material, estudos e parecer técnicos, desacompanhados da respectiva comprovação documental hábil e idônea, se tornam frágeis diante dos registros contábeis do próprio contribuinte que embasam o lançamento constituído pelos Autos de Infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (documento assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. EDITADO EM: 15/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em 19 de abril de 2011, em face da decisão proferida pelo Acórdão nº 0225.152, da 2ª Turma da DRJ em Belo Horizonte – DRJ/BHE, fls. 297 a 305, que, por unanimidade de votos, indeferiu o pedido de diligência e julgou improcedente a impugnação, na parte objeto de litígio, mantendo o correspondente crédito tributário exigido. O acórdão combatido, do qual o Recorrente teve ciência em 23 de março de 2011, minuciosamente relata os procedimentos desenvolvidos nos seguintes termos: “Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o auto de infração de fls. 02/10 para exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), multa proporcional e juros de mora calculados até 29/08/2008, além de multas regulamentares, no montante total de R$2.636.803,85, relativos aos exercícios de 2005, 2006 e 2009. Na descrição dos fatos, em resumo, constam os seguintes registros: 001 — Resultados operacionais não declarados: valor correspondente ao lucro operacional escriturado, mas não declarado, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal em anexo. 002 — Multas de valor fixo: multa regulamentar equivalente a 0,02% calculada sobre a Receita Bruta da Pessoa Jurídica, por dia de atraso, pelo não cumprimento do prazo estabelecido para apresentação dos arquivos magnéticos e sistemas. 003 — Declaração de Rendimentos Pessoa Jurídica — Inexatidão na DIPJ: valor devido pela apresentação das DIPJ dos anoscalendário de 2004 e 2005 em branco, embora a Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.012051/200891 Acórdão n.º 130100.924 S1C3T1 Fl. 436 3 empresa tenha funcionado normalmente e tenha apresentado, em sua contabilidade, Receita Bruta significativa. A multa aplicada é decorrente de informações incorretas ou omitidas, tomando por base as DIPJ retificadoras apresentadas após o início da ação fiscal. Em decorrência da infração capitulada no item 001 do auto de infração do IRPJ, foi lavrado o auto de infração de fls. 15/21 para exigência de Contribuição Social s/ Lucro Liquido (CSLL), multa proporcional e juros de mora calculados até 29/08/2008, no montante de R$916.116,64, relativos ao exercício de 2005. Os demonstrativos de compensação de bases negativas e de prejuízos fiscais foram juntados ás fls. 22/25. Por sua vez, no Termo de Verificação Fiscal (TVF), anexado às fls. 26/29, a autoridade fiscal fez o registro acerca das intimações expedidas, das respostas apresentadas pelo fiscalizado e da análise dos livros contábeis e fiscais do contribuinte, tendo constituído o crédito tributário com base nas receitas não declaradas, considerando os valores declarados em DCTF e as compensações de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL. Foi destacado ainda que não houve lançamento relativamente ao PIS e a Cofins, por ser o contribuinte beneficiário da alíquota zero, por substituição tributária. Os demais documentos que fundamentam a exigência fiscal constam das fls. 30/247, além dos Anexos I e II. Cientificado dos lançamentos em 17/09/2008, conforme consignado nos Autos de Infração, no TVF e no Termo de Encerramento, o contribuinte apresentou, em 17/10/2008, a impugnação de fls. 253/295, cujo conteúdo, em síntese, se passa a explicitar. I — Da tempestividade O impugnante sustentou a tempestividade do contraditório apresentado. II — Dos fatos O defendente fez uma síntese da autuação, tendo salientado que, de inicio, com a opção pelo lucro presumido, foi posteriormente, com referência ao exercício de 2004, retificada para o critério estabelecido no lucro real, havendo, consequentemente, a regularização e substituição das informações. Ressaltou ainda que não procede a afirmação da Fazenda da existência de receitas não declaradas, visto que pelos lançamentos e livros apresentados, na movimentação contábil não se vislumbra a omissão de receitas. III — Da dinâmica mercantil Segundo o impugnante, não há dúvida que a opção do contribuinte para apuração do IRPJ e CSLL tem como critério o Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 lucro real, independentemente de informações quanto a obrigações acessórias prestadas zeradas, uma vez que existe permissivo normativo de promover a substituição das informações, o que não implica descumprimento dessas obrigações, não dando azo para a imposição da penalidade acessória que deve ser afastada do quantum apurado. O autuado discorreu acerca da dinâmica da atividade mercantil, afirmando que, na técnica de obtenção do resultado tributário com suporte no lucro real, mesmo que não escriturado, a própria margem encontrada para tributação tornase utópica, uma vez que foge dos padrões da competitividade do mercado quanto a critério de preços estabelecidos como custo para agregarse o percentual de lucro sobre a operação mercantil, e o número explicitado não corresponde que esteja incluso e deduzido o custo das mercadorias utilizadas (compras não declaradas), que virá interferir no resultado, conforme manifestado em planilha entregue pelo representante legal da empresa, por solicitação dos agentes fiscais, na qual demonstrou que, para aquele giro mercantil, não estava incluso custo médio de mercadorias na ordem estimada de R$3.000.000,00. Prosseguiu o impugnante, ressaltando que tal fato é facilmente `comprovável' por exame direto dos documentos que acobertam a entrada de mercadorias, que foram relevados pela fiscalização sob alegação da inexistência da devida documentação, não se dignando a proceder a diligência ou intimação, entendendo mais cômodo arvorarse na autuação fiscal, com a imposição de crédito tributário incompatível com a movimentação financeira. IV — Do pedido Requereu o impugnante que seja provida a impugnação, para desconstituir em sua totalidade o auto de infração, determinandose que nova diligência elucidativa seja procedida, acompanhada por auditor a ser indicado como assistente do autuado, prestigiando o principio da isonomia, sobrestando o processo administrativo pelo tempo necessário à comprovação perante a Fazenda Federal. Sendo deferida a diligência, constatando a veracidade das ponderações do impugnante, requereu ainda que seja declarada de forma definitiva a improcedência do auto de infração com o consequente arquivamento. Protesta provar por todos os meios em direito admitidos, inclusive pela prova pericial, além da reprodução e juntada de novos documentos no que se refere comprovação do custo médio das mercadorias informado pelo impugnante e rejeitado pela autoridade fiscal. À impugnação foi anexada cópia das principais peças do processo, além de documentação pertinente ao instrumento de procuração (fls. 258/295). O acórdão ora recorrido, com base nas alegações expressamente apresentadas na impugnação, bem como nos elementos de prova juntados aos presentes autos, considerou Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.012051/200891 Acórdão n.º 130100.924 S1C3T1 Fl. 437 5 não contestada a matéria tratada no item 002 do Auto de Infração e, quanto aos demais itens, julgou procedentes os respectivos lançamentos, sob as seguintes ementas: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2009 MATÉRIA NÃO LITIGIOSA MULTA POR FALTA/ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVO MAGNÉTICO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005 DIFERENÇA APURADA ENTRE O ESCRITURADO E DECLARADO Constatada divergência entre os valores escriturados e os declarados, tomando por base as Demonstrações de Resultado apresentadas pelo próprio contribuinte, é licito o lançamento do imposto devido em relação às diferenças apuradas, quando o impugnante no logra êxito em refutar as evidências coletadas no trabalho fiscal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA O lançamento reflexo pertinente à Contribuição Social deve observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2005, 2006 MULTA REGULAMENTAR INEXATIDÃO NA DIPJ O sujeito passivo que apresentar a DIPJ com incorreções ou omissões fica sujeito à multa regulamentar de R$20,00 para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas, observado o valor mínimo a ser aplicado de R$500,00. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantida.” Inconformada, a autuada interpôs recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recurso Fiscais argumentando, em síntese, que: De acordo com o auto de infração, a tributação se deu com base no "Lucro Real apuração trimestral". Levando em conta este regime de tributação, deve ser considerado que "Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária" (art. 6º, da DecretoLei 1.598/77). Como dentre as deduções que a lei autoriza está o custo das mercadorias vendidas – Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 CMV, entende que, para a real aferição do valor a ser tributado, deve ser apurado, dentre outras coisas, o CMV. Nesse sentido, aduz que, no presente caso, a correta apuração do CMV é de suma importância para o deslinde da causa. Segundo a recorrente, de acordo com o Temo de Verificação Fiscal, fls. 278, o valor do CMV apurado pela fiscalização foi impugnado pessoalmente pelo sócio da Recorrente. Apesar dessa impugnação do sócio, diz que a Auditora Fiscal não diligenciou no intuito de averiguar se tais informações estariam corretas ou não. Desta forma, entende que a atitude da fiscalização não se conforma aos preceitos legais, em especial o art. 276, do RIR/99. Recorda que, quando da impugnação administrativa interposta, houve requerimento para realização de prova pericial com o intuito de comprovar que o CMV estaria contabilizado de maneira incorreta. Contudo, como restou prejudicada a ampla defesa e o contraditório da Recorrente (art. 5º, LV, da Constituição Federal), entende caracterizado o cerceamento de defesa já que não pôde demonstrar que a apuração incorreta do CMV e, como conseqüência, a incorreção na apuração do IRPJ Lucro Real. Assevera ser impossível que uma empresa que atue no comércio atacadista e varejista de peças e acessórios novos para veículos automotores com receita bruta de R$ 8.701.124,49, no ano de 2004, possa incorrer em custos de mercadorias vendidas de somente R$ 2.857.341,00 (lucro de mais de 300% no ano de 2004). Informa que juntou um estudo do SEBRAE/ES realizado com a intenção de traçar um perfil do segmento de revenda de autopeças, intitulado "ANÁLISE DE NEGÓCIO COMERCIALIZAÇÃO DE AUTOPEÇAS ", onde se constatou que a margem de lucro das empresas de auto peças gira em torno de 9,94%, valor este que alega ser totalmente incompatível com o apurado para a Empresa Recorrente no ano de 2004. Aduz que, na apuração do imposto devido, o art. 276, do RIR/99, determina que a autoridade tributária, além de exame de livros e documentos de sua escrituração, deve verificar o lucro real com base em informação ou esclarecimentos do contribuinte, ou em qualquer outro elemento de prova. Nesse sentido, alega que foi informado à Auditora Fiscal que havia um equívoco quanto ao lançamento do CMV nos Livros Diários e Razão, bem como na Demonstração do Resultado, todos do ano de 2004. Diante dessa informação, entende que caberia à fiscalização apurar se realmente existia ou não falha de lançamento do CMV na contabilidade da Empresa. Diz que anexa à sua petição trabalho realizado, a seu pedido, por técnico especialista, o qual, após a análise minuciosa dos Livros Diário e Razão, bem como Demonstração do Resultado e Sistema Controle de Estoque Vendas – SCV do período de 01/01/2004 a 31/12/2004, constatou que "o custo, das mercadorias vendidas declarado foi inferior/abaixo da realidade fática, ocasionando de forma equivocada um tributo superior ao realmente devido ao órgão público". Após reproduzir trecho extraído do relatório produzido em razão do mencionado trabalho técnico, entende necessária a recomposição do CMV à tal realidade fática para se apurar, de maneira que alega correta, o lucro auferido pela empresa. Em relação ao lançamento da MULTA DE VALOR FIXO FALTA/ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVO MAGNÉTICO, a Recorrente alega e destaca que“deve ser Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.012051/200891 Acórdão n.º 130100.924 S1C3T1 Fl. 438 7 observado que todos os arquivos solicitados e/ou necessários a instrução da verificação fiscal foram apresentados/disponibilizados à Auditora Fiscal em tempo hábil, o que torna o auto de infração e a multa aplicada insubsistente. A entrega dos documentos solicitados pela Auditora Fiscal restou demonstrado no termo por ela lavrado, nos seguintes termos: ‘A constituição do crédito tributário, que decorreram das receitas não declaradas, foi baseado nos documentos citados’. Portanto, se a Auditora Fiscal se baseou nos documentos apresentados pelo Contribuinte, resta impossível que se aplique uma multa por falta de entrega de documentos”. Diante disso, conclui que “restou demonstrado que a verificação fiscal foi realizada sem a devida diligência pela Auditora Fiscal, o que macula todo o trabalho realizado pela Auditora Fiscal e, por conseqüência, todo o Auto de Infração, que apurou as seguintes infrações: 001 RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS; 002 MULTAS DE VALOR FIXO FALTA/ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVO MAGNÉTICO; 003 DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS PESSOA JURÍDICA INEXATIDÃO NA DIPJ”. Requer, finalmente seja acolhido o presente recurso para o fim desconstituir o Auto de Infração em sua totalidade, determinando que nova diligência seja procedida, acompanhada por auditor a ser indicado, onde buscará a demonstrar a veracidade de suas alegações, cancelandose o débito fiscal reclamado. Para tanto, indica como assistente técnico a perita que realizou o trabalho técnico, juntando, em anexo, os quesitos a serem apurados em eventual perícia. Em petição datada de 21/09/2011, a Recorrente juntou aos presentes autos requerimento expresso, textualmente, nos seguintes termos: BHM DIESEL LTDA, já qualificada nos autos do processo em epígrafe, vem informar a interposição de Ação Declaratória, em curso perante o Tribunal Regional Federal da ia Região — 7ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais (Processo 2082038.2011.4.01.3800), com o objetivo de conferir efeito suspensivo ao processo Administrativo n° 10.680 721.811/2011, até decisão com trânsito em julgado, dos autos n° 10680012.051/200891, conforme cópias e informativos em anexo. Assim, tendo em vista a interposição do recurso administrativo que impugnou a totalidade do auto de infração (MPF n° 0610100/1261/08) e a decisão de primeira instância (Acórdão 0225.152 — 2 Turma da DRJ/BHE), requer seja atribuído efeito suspensivo ao presente recurso com o sobrestamento dos processos Administrativos n° 10.680721.811/201151 e n° 10.680012.051/200891. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 O recurso voluntário interposto em 19/04/2011 preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Inicialmente, convém observar que não há como examinar no presente processo questão que envolve eventual sobrestamento de outro processo administrativo (nº 10.680721.811/201151). Embora originário de determinação estabelecida em face da decisão administrativa proferida em primeira grau nos presentes autos, essa questão se relaciona única e exclusivamente com a tramitação processual daquele processo, razão pela qual somente nele cabe tal discussão. Ademais, conforme cópia da petição que inaugurou a ação declaratória interposta pela Recorrente junto à Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais, juntada às mencionadas petições, pelo fato de tal matéria se encontrar sob a tutela do Poder Judiciário, o seu exame nessa esfera administrativa fica prejudicado, em face de prevalecer a decisão que vier a ser proferida na esfera judicial. A recorrente alega ter sido violado o princípio do contraditório e do direito de defesa, uma vez que a decisão de primeira instância não acatou o pedido de realização de diligência. Fundamentado no art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 1993, determinar a realização de diligências e o relator da decisão recorrida considerou prescindível a adoção desses procedimentos nos seguintes termos: “Esclareçase ainda que a regra do processo administrativo fiscal é de que são conhecidos todos os documentos que instruírem a impugnação formalizada por escrito tempestivamente. Notese também que é da essência da relação processual que as alegações de parte a parte estejam devidamente instruídas com as respectivas provas (arts. 14, 15 e 16, inciso III do Decreto n° 70.235, de 1972, com alterações posteriores). No caso vertente, o entendimento da fiscalização sobre o assunto foi consubstanciado nos autos de infração, no TVF, nos demonstrativos conexos e nas provas documentais juntadas nos autos, em especial as Demonstrações de Resultado apresentadas pelo próprio autuado. Agora na impugnação caberia ao contribuinte apontar objetivamente falhas no lançamento, mediante apresentação da documentação comprobatória pertinente, que pudessem justificar um novo exame por parte da autoridade fiscal. Efetivamente, porém, conforme visto no item 1.3 desse Voto, não ficou demonstrada nenhuma irregularidade no procedimento fiscal que dê causa à realização da diligência pretendida pelo impugnante. Sendo assim, não havendo motivação bastante para a realização de diligencia, o pedido do impugnante deve ser indeferido, na forma das disposições contidas nos arts. 18 e 28 do Decreto n° 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 10 da Lei n° 8.748, de 1993.” Com efeito, examinando os presentes autos, constatase que os elementos que instruíram a impugnação então apresentada se limitaram tão somente à juntada de cópia das principais peças do processo (Autos de Infração e Termo de Verificação Fiscal e Termo de Encerramento), além de documentação pertinente ao instrumento de procuração (fls. 258/295). Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.012051/200891 Acórdão n.º 130100.924 S1C3T1 Fl. 439 9 Portanto, não atendidas as condições estabelecidas no mencionado Decreto nº 70.235, de 1972, em especial os citados arts. 14, 15 e 16, § 4º, correta a decisão de primeira instância em não acatar o pedido de realização de diligência formulado pelo contribuinte e tampouco há que se falar em violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa. Agora na fase recursal, a Recorrente anexa parecer técnico no qual teria sido constatado que "o custo, das mercadorias vendidas declarado foi inferior/abaixo da realidade fática, ocasionando de forma equivocada um tributo superior ao realmente devido". Embora precluso o direito de a impugnante fazer prova nesse momento processual (§ 4º do art. 16 do mencionado Decreto nº 70.235, de 1972), uma vez não demonstrada as condições necessárias para tanto (impossibilidade de apresentação oportuna, refirase a fato ou direito superveniente, ou destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos), em respeito ao princípio da verdade material, convém observar que o exame do referido parecer técnico revela, de plano, que não foi apontada objetivamente nenhuma falha no lançamento fiscal que pudesse justificar um novo exame em diligência e/ou perícia por parte da autoridade fiscal. Tampouco tal parecer consegue refutar os elementos probatórios pelos quais se apurou e se encontra fundamentada a exigência fiscal. Nesse sentido, observese que, extraídos da própria escrituração contábil da Recorrente, estes elementos probatórios foram devidamente juntados aos autos pela fiscalização em seus Anexos I e II. Além do mais, em que pese do trecho do referido parecer técnico, destacado pela Recorrente em sua peça recursal, haver afirmação no sentido de que a análise e a reconstituição das demonstrações trimestrais do anocalendário de 2004, ali empreendidas, foram elaboradas “de posse dos documentos contábeis relativos ao custo de mercadorias vendidas”, estes “documentos contábeis” não foram sequer relacionados naquele parecer técnico e, tampouco, juntados à impugnação e ao recurso voluntário interposto. Vale observar, ainda, que acompanha o parecer técnico em referência cópia das demonstrações contábeis e do resultado do anocalendário de 2004 (Anexo VI ao recurso voluntário), das quais se constata que em todas elas constam devidamente assinados pelo representante legal da pessoa jurídica e pelo seu contador, bem como expressamente firmado o reconhecimento da exatidão das informações registradas nas respectivas demonstrações contábeis. Destarte, destituído da documentação comprobatória pertinente, o parecer técnico apresentado pela Recorrente se torna frágil diante de tais demonstrações contábeis que serviram de prova para o lançamento constituído pelos Autos de Infração, deixandose, pois, de se revestir das condições indispensáveis e necessárias à caracterização da pretendida verdade material. No que diz ao estudo elaborado pelo SEBRAE/ES, também ora juntado aos autos pela Recorrente, cumprese observar que o mesmo não serve para evidenciar suposta realidade fática da empresa, uma vez resultar de pesquisas extraídas a partir de dados globais do setor de autopeças, fato que não representa necessariamente a atividade específica, individual e concreta desenvolvida pelo contribuinte durante o anocalendário de 2004; acompanhadas, evidentemente, dos correspondentes comprovantes documentais do custo das mercadorias vendidas que a Recorrente alega não escriturado. A Recorrente se fundamenta na redação do art. 276 do RIR, de 1999, para alegar que – diante da informação prestada pelo sócio à época dos trabalhos fiscais no sentido Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 de que haveria um equívoco quanto ao registro contábil do CMV no Diário, Razão e na Demonstração do Resultado – caberia à fiscalização apurar se realmente existia ou não falha de lançamento do CMV na contabilidade da Empresa. Referido art. 276 assim dispõe: Art. 276. A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita à verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos de sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova,observado o disposto no art. 922 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º). Ao contrário do que afirma a Recorrente, porém, a simples leitura do comando legal em referência não revela que as informações ou esclarecimentos do contribuinte devam prevalecer, por si sós, desacompanhada da documentação hábil pertinente. Além do mais, contraria a pretensão da Recorrente o fato de que, segundo disposto no art. 923 do mesmo RIR, de 1999, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza. Sendo assim, uma vez não comprovada com documentação hábil a informação prestada pelo sócio da contribuinte no sentido de que “o CVM não foi apurado de maneira correta”, há que se prevalecer a demonstração do resultado registrada no livro Diário da contribuinte, bem como o Lucro Real originalmente escriturado no LALUR, cujos valores serviram de base para as exigências dos tributos lançados no presente processo. Infundada, pois, a pretensão da Recorrente em transferir à autoridade administrativa o ônus da prova de suposta incorreção do CVM por ela contabilizado. Quanto ao lançamento da multa de valor fixo aplicada em virtude da falta/atraso na entrega de arquivo magnético, a Recorrente observa que todos arquivos solicitados foram apresentados/disponibilizados à fiscalização em tempo hábil. Observese que a respeito dessa matéria a decisão recorrida assim se manifestou: “1.2. MATÉRIA NÃO LITIGIOSA — MULTA POR FALTA/ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVO MAGNÉTICO Primeiramente, antes de apreciar as questões de mérito, é preciso delimitar a matéria não litigiosa, uma vez que a impugnação é parcial. Em relação ao assunto em pauta, vale transcrever os seguintes dispositivos do Decreto n° 70.235, de 1972, que trata do Processo Administrativo Fiscal: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em .que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...] Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.012051/200891 Acórdão n.º 130100.924 S1C3T1 Fl. 440 11 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 1997). [...] Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável. (Redação dada pelo art. 1." da Lei n." 8.748, de 1993) §1° No caso de impugnação parcial, não cumprida a exigência relativa à parte não litigiosa do crédito, o órgão preparador, antes da remessa dos autos a julgamento, providenciará a formação de autos apartados para a imediata cobrança da parte não contestada, consignando essa circunstância no processo original. (Redação dada pelo art. l da Lei re 8.748, de 1993) De acordo com as normas transcritas, o contribuinte deve impugnar cada uma das imputações fiscais expressamente, apresentando fundamentos, razões e provas para a sua discordância. O silêncio a respeito de um ou outro item do lançamento será interpretado como concordância tácita e não instaurará o contencioso administrativo em relação às exigências fiscais a que corresponde. O lançamento cuidou da exigência de IRPJ, tendo o impugnante discordado expressamente das infrações capituladas nos itens 001 e 003 do auto de infração de fls. 02/14, pertinentes à apuração de resultados operacionais não declarados e à multa por inexatidão na DIPJ, respectivamente. Em consequência, considerase também impugnado o lançamento da CSLL, que decorreu exclusivamente dos resultados operacionais não declarados. Nesse sentido, o item 002 do auto de infração do IRPJ, correspondente multa por falta/atraso na entrega de arquivo magnético, no valor de R$132.472,75, em relação ao qual o contribuinte não se manifestou expressamente na impugnação apresentada, constitui a matéria não litigiosa do processo, a teor do disposto no art. 17 do Decreto n° 70.235, de 1972.” Tratandose, pois de matéria não litigiosa, por não ter sido expressamente contestada quando da apresentação da impugnação, há que se considerar preclusa a objeção apresenta pelo contribuinte em sede de recurso voluntário. Com efeito, do exame da impugnação apresentada, o único trecho que expressamente versa sobre a exigência de penalidade foi redigido pela impugnante nos seguintes termos: Não há dúvida que a opção da Impugnante/Contribuinte para apuração do imposto de renda pessoa jurídica e contribuição social sobre lucro liquido tem como critério o lucro real, independente de informações quanto a obrigações acessórias Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 prestadas zeradas, uma vez que em favor do Contribuinte tem o permissivo normativo de promover a substituição das informações, fato que por si só não implica em descumprimento da mesma, pois a bem da verdade referidas obrigações foram cumpridas, se adequadas ou não quanto aos valores intrínsecos, não dá azo para a imposição da penalidade acessória que, s.m.j., devem ser afastadas do quantum apurado, supostamente devido. Ou seja, em sua impugnação, o contribuinte apresentou objeção somente com relação à imposição da multa regulamentar, exigida no item 003 do Auto de Infração, relativamente à multa aplicada em virtude da constatação de incorreções ou omissões das informações na DIPJ retificadoras apresentada à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Portanto, uma vez que em relação ao item 002 do auto de infração do IRPJ, correspondente à multa aplicada por falta/atraso na entrega de arquivo magnético, no valor de R$132.472,75, o contribuinte por não se manifestar expressamente na impugnação apresentada, constitui, de fato, matéria não litigiosa do processo, a teor do disposto no art. 17 do Decreto n° 70.235, de 1972. Ressaltese, ainda, pelo fato de no recurso voluntário do contribuinte não haver contestação expressa relativamente à decisão proferida pela DRJ em Belo Horizonte quanto a este item 003 do Auto de Infração (correspondente à multa pela constatação de informações incorretas ou omitidas nas DIPJ retificadoras), também passa a constituir matéria não litigiosa dos presentes autos. Observese, finalmente, que, por força do disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, o pedido formulado no sentido de que seja realizada a desconstituição, em sua totalidade, do lançamento fiscal, por representar expressão que traduz uma negativa geral, não é capaz de servir fundamento de contestação em relação às matérias tributadas nos referidos itens 002 e 003 do Auto de Infração. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, na parte objeto de contestação. Sala das Sessões, em 10 de maio de 2012. (documento assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10675.001387/2004-74
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2003
RECURSO. PEREMPÇÃO. NÃO-CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso perempto, apresentado após o trintídio legal.
Numero da decisão: 1803-001.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Presidente-substituto
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Maria Elisa Bruzzi Boechat.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003 RECURSO. PEREMPÇÃO. NÃOCONHECIMENTO. Não se conhece de recurso perempto, apresentado após o trintídio legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidentesubstituto (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Maria Elisa Bruzzi Boechat. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 13 87 /2 00 4- 74 Fl. 425DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 03/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10675.001387/200474 Acórdão n.º 1803001.659 S1TE03 Fl. 426 2 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 405 e 406): A exclusão da interessada da sistemática de pagamento dos tributos e contribuições de que trata o art. 3º da Lei 9.317/96, denominada Simples, foi efetuada por se enquadrar na condição impeditiva prevista no inciso XIV do art. 9º da referida lei (que participe do capital de outra pessoa jurídica). A manifestante contesta sua exclusão sob os argumentos seguintes: a) a outra empresa de que participa do capital social não existe de fato, pois se manteve inativa desde 1991, tratase de existência meramente formal. Além disso a pessoa jurídica de que era sócia foi devidamente encerrada, dandose baixa junto à Receita Federal, daí que nem mesmo formalmente existe a outra empresa; b) a exclusão poderseia efetivar com base em impedimentos posteriores ao ingresso no Simples, já que os existentes anteriormente foram aceitos ao mesmo tempo em que aceita foi a opção; c) por fim, vale dizer que está prescrito o direito da Fazenda excluir a solicitante em razão do fato narrado no ato declaratório, vez que existe há mais de cinco anos que ocorreu a exclusão (data da ocorrência do fato é desde 1985 e a exclusão foi prolatada em agosto de 2003). Por todo o exposto, requer seja julgada totalmente procedente a impugnação, analisandose todos os argumentos acima esposados, por ser de justiça. Em 24 de abril de 2007, foi proferido o Acórdão nº 0320.662, por esta Turma de Julgamento, julgando improcedente a manifestação de inconformidade, para manter o Ato Declaratório Executivo de exclusão do Simples. Posteriormente, em 19 de maio de 2010, a 3ª Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pelo Acórdão nº 180300.403, anulou aquela decisão de primeira instância, determinando que outra seja proferida na boa e devida forma. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 404 e 405): ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Fl. 426DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 03/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10675.001387/200474 Acórdão n.º 1803001.659 S1TE03 Fl. 427 3 Anocalendário: 2002 Permanência no Simples – Impossibilidade – Condição Vedada. Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que incorre em uma ou mais das vedações à opção estabelecidas em lei. Opção pelo Simples – Faculdade do Contribuinte – Exclusão de Ofício “A Posteriori” A opção pelo Simples é uma faculdade do contribuinte que, uma vez efetuada, sua permanência no sistema fica condicionada à nãoocorrência das vedações previstas em lei, sujeitandose à exclusão “a posteriori”, de ofício, por ato declaratório da autoridade administrativa. Prescrição do Direito de Excluir Inocorrência Não ocorre a prescrição do direito de a Fazenda excluir a empresa do Simples, quando não transcorre mais que cinco anos contados da data de inclusão (01/01/1997) e a data dos efeitos da exclusão (01/01/2002). Exclusão de Ofício – Efeitos da Exclusão A exclusão darseá de ofício, por ato da autoridade administrativa, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica, surtindo efeito, para as pessoas jurídicas que tenham optado pelo Simples até 27 de julho de 2001, a partir de 1º de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. Revisão de Acórdão. Esse acórdão revisa e substitui o de número 0320.662, de 27 de abril de 2007, proferido por esta turma de julgamento, tornado nulo pelo Acórdão nº 180300.403 – 3ª Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio 3. Cientificada da referida decisão em 13/06/2011 (A.R. de fls. 413 – numeração digital ND), em 14/07/2011, apresenta a interessada recurso de fls. 416 a 422 (ND), nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais o seguinte: Fl. 427DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 03/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10675.001387/200474 Acórdão n.º 1803001.659 S1TE03 Fl. 428 4 4. É o que importa relatar. Em mesa para julgamento. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 03/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10675.001387/200474 Acórdão n.º 1803001.659 S1TE03 Fl. 429 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Intempestividade do Recurso 5. Dispõe o art. 33 do Processo Administrativo Fiscal – PAF (Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972), aplicável na forma do § 3º do art. 15 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. 6. Assim, cientificada em 13/06/2011, uma segundafeira (fls. 413 ND), dispunha a Recorrente do prazo de trinta dias para apresentar a sua inconformidade contra a decisão recorrida, prazo esse que se escoou impreterivelmente no dia 13/07/2011, uma quarta feira. 7. Tendo apresentado o seu recurso apenas em 14/07/2011 (fls. 416 ND), está este perempto (art. 35 do PAF). 8. Esse mesmo entendimento consta do próprio recurso apresentado pela Recorrente (fls. 417 ND): 9. Por conseguinte, aplicase ao presente caso o disposto no art. 42, inciso I, do PAF: Fl. 429DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 03/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10675.001387/200474 Acórdão n.º 1803001.659 S1TE03 Fl. 430 6 Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância, esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; 10. Por fim, improcede a alegação de prescrição do direito de a Fazenda excluir a Recorrente do Simples, por se tratar, no caso, de procedimento de caráter meramente declaratório – e não desconstitutivo – conforme entendimento externado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) na Sistemática de Recursos Repetitivos, inexistindo, pois, qualquer prazo a ser considerado para esse efeito: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. LEI 9.317/96. SIMPLES. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. INTELIGÊNCIA DO ART. 15, INCISO II, DA LEI 9.317/96. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado SIMPLES. Discutese se o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagiriam à data da efetiva ocorrência da situação excludente; ou desconstitutivo, com efeitos gerados apenas após a notificação ao contribuinte a respeito da exclusão. [...]. 3. No caso concreto, foi vedada a permanência da recorrida no SIMPLES ao fundamento de que um de seus sócios é titular de outra empresa, com mais de 10 % de participação, cuja receita bruta global ultrapassou o limite legal no anocalendário de 2002 (hipótese prevista no artigo 9º, inciso IX, da Lei 9.317/96), tendo o Ato Declaratório Executivo nº 505.126, de 2/4/2004, da Secretaria da Receita Federal, produzido efeitos a partir de 1º/1/2003. 4. Em se tratando de ato que impede a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES em decorrência da superveniência de situação impeditiva prevista no artigo 9º, incisos III a XIV e XVII a XIX, da Lei 9.317/96, seus efeitos são produzidos a partir do mês subsequente à data da ocorrência da circunstância excludente, nos exatos termos do artigo 15, inciso II, da mesma lei. Precedentes. 5. O ato de exclusão de ofício, nas hipóteses previstas pela lei como impeditivas de ingresso ou permanência no sistema SIMPLES, em verdade, substitui obrigação do próprio contribuinte de comunicar ao fisco a superveniência de uma das situações excludentes. 6. Por se tratar de situação excludente, que já era ou deveria ser de conhecimento do contribuinte, é que a lei tratou o ato de exclusão como meramente declaratório, permitindo a retroação Fl. 430DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 03/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10675.001387/200474 Acórdão n.º 1803001.659 S1TE03 Fl. 431 7 de seus efeitos à data de um mês após a ocorrência da circunstância ensejadora da exclusão. 7. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado, pressupõese que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitirse que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque, em nosso ordenamento jurídico, não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento. 8. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. [...]. (REsp 1.124.507/MG, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/04/2010, DJe 06/05/2010) Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NÃO CONHECER DO RECURSO, por perempto. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 431DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 03/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 10183.720496/2007-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR.
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), fazendo-se, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel até a data do fato gerador do imposto.
ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA
A comprovação do cumprimento do cronograma do plano de manejo constitui requisito legal para a consideração de área com exploração extrativa na apuração da base de cálculo do ITR.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA.
Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2202-002.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (RESERVA LEGAL): Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso nesta parte em razão do laudo apresentado. QUANTO A ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA: Por unanimidade de votos, negar provimento. QUANTO AO VTN: Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua declarado pelo contribuinte.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann.
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Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), fazendo-se, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel até a data do fato gerador do imposto. ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA A comprovação do cumprimento do cronograma do plano de manejo constitui requisito legal para a consideração de área com exploração extrativa na apuração da base de cálculo do ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (RESERVA LEGAL): Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso nesta parte em razão do laudo apresentado. QUANTO A ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA: Por unanimidade de votos, negar provimento. QUANTO AO VTN: Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua declarado pelo contribuinte. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Relator Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. .
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EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), fazendose, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel até a data do fato gerador do imposto. ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA A comprovação do cumprimento do cronograma do plano de manejo constitui requisito legal para a consideração de área com exploração extrativa na apuração da base de cálculo do ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 04 96 /2 00 7- 79 Fl. 279DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (RESERVA LEGAL): Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso nesta parte em razão do laudo apresentado. QUANTO A ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA: Por unanimidade de votos, negar provimento. QUANTO AO VTN: Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua declarado pelo contribuinte. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. . Fl. 280DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720496/200779 Acórdão n.º 2202002.211 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, SÉRGIO CASALI PRANDINI, foi lavrado auto de infração, relativamente ao ITR, aos juros de mora e à multa por informação inexata na Declaração do ITR — DITR/2003, no valor total de R$ 1.206.699,46, referente ao imóvel rural denominado Fazenda Bom Futuro, com área total de 19.813,6 ha, com Número na Receita Federal — NIRF 1.090.5839, localizado no município de Aripuanã — MT, conforme Notificação de Lançamento — NL de fls. 01 a 06, cuja descrição dos fatos e enquadramentos de fls. 02 a 04 e 06. Inicialmente, com a finalidade de viabilizar a análise dos dados declarados nos exercícios 2003, 2004 e 2005, especialmente a Área de Preservação Permanente — APP, 467,Oha; Área de Utilização Limitada — AUL, 15.850,9ha; Área de Exploração Extrativa — AEE, 2.802,6ha (este dado só para 2003 e 2004); bem como o Valor da Terra Nua — VTN, o declarante foi intimado a apresentar diversos documentos comprobatórios, os quais, com base na legislação pertinente, foram listados, detalhadamente, no Termo de Intimação, fl. 07 e 08. Entre os mesmos constam: cópia do Ato Declaratório Ambiental — ADA, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis — IBAMA; Laudo Técnico emitido por profissional habilitado, relativamente à demonstração de existência da APP conforme enquadramento legal (art. 2, da lei no 4.771/1965 — Código Florestal), acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica — ART; Certidão do Órgão Público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de Preservação Permanente nos termos do art. 3 °, do Código Florestal, acompanhado do Ato do Poder Público que assim a declarou; cópia da Matrícula do Imóvel, caso exista averbação de Área de Reserva Legal — ARL, de Reserva Particular do Patrimônio Natural — RPPN, ou outros tipos de Área de Utilização Limitada — AUL; cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da ARL ou Termo de Ajustamento de Conduta; Ato específico do órgão competente federal ou estadual, caso o imóvel ou parte dele tenha sido declarado de interesse ecológico; Plano de Manejo Florestal Sustentado — PMFS, acompanhado do documento de aprovação ou autorização emitido pelo IBAMA, bem como de todas as autorizações para exploração (este dado só para 2003 e 2004) e; Laudo Técnico de Avaliação, elaborado com atendimento aos requisitos das Normas Técnicas — NBR 14.6533, da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica — ART, demonstrando os métodos de avaliação e fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel, com Grau 2 de fundamentação mínima, entre outros. Foi informado, inclusive, que a não apresentação do laudo propiciaria o lançamento de ofício do VTN, conforme a legislação, substituindose o valor informado na DITR pelo VTN constante do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal — SIPT. Após pedir prorrogação de prazo, com a carta de fls. 11 a 17 foi encaminhada a documentação de fls. 18 a 72, composta por: cópia do ADA preenchido em 27/09/2004; da Matrícula do Imóvel; de documentos de identificação do interessado e de seu procurador; da procuração; da Autorização para exploração de PMFS na dimensão de 1.981,21ha; carta imagem de satélite do imóvel e; laudo técnico de distribuição das áreas e de avaliação; entre outros. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Na carta, após listar os documentos encaminhados, o interessado tratou do ADA, para dizer que foi apresentado mesmo sem necessidade legal e que comprova que, logicamente, se existiam APP e ARL em 2004 é porque estavam intactas em 2002 e 2003. Na seqüência, para embasar a alegada desnecessidade do ADA, reproduziu jurisprudência administrativa e judicial que tratam do assunto, relativamente a exercícios nos quais se discutia a base legal para tal exigência (Instrução Normativa — IN). Concluindo disse que, em vista do exposto, restou comprovado que tem direito de apurar o ITR deduzindo as APP e AUL da Area Total do Imóvel — ATI. Da análise da documentação e da carta apresentadas pelo interessado, o fiscal explanou longamente. Dos diversos esclarecimentos os principais são, em resumo, os seguintes: A alegação de que não estaria obrigado a apresentar ADA não possui base legal. Explanou sobre os dispositivos legais que tratam da necessidade desse Ato para obtenção da isenção de ITR das florestas preservadas. O ADA foi apresentado em 27/09/2004, alcançando, somente, os exercícios 2004 e 2005 para a isenção das áreas preservadas APP e AUL, observando que foi averbada na matrícula a dimensão de 15.742,4ha de ARL. ' Relativamente à Área de Exploração Extrativa disse, primeiramente, que não foi comprovada a implantação do PMFS ou o cumprimento do programa físicofinanceiro previsto no mesmo e, na parte final da Descrição dos Fatos, observou que foram apresentadas autorizações de PMFS na área de 2.280,Oha, sendo mantido esse valor. Com relação ao VTN, o laudo não atendeu o grau de fundamentação 2, pois, entre as imperfeições, a amostra de pesquisa está embasada, em sua maioria, em opiniões. Com base nessas constatações, a Autoridade Fiscal glosou as áreas isentas de APP e AUL e, parcialmente, a de Exploração Extrativa, modificou o VTN com base no SIPT, utilizando a média dos valores informados nas DITR do município de localização do imóvel, bem como alterou demais dados conseqüentes. Apurado o crédito tributário foi lavrada a NL, cuja ciência, conforme Aviso de Recebimento — AR de fl. 75, foi dado ao contribuinte em 18/12/2007. Das fls. 77 a 95 foi juntada a impugnação apresentada em 16/01/2008, na qual após tratar I — Dos fatos até aqui conhecidos, 'dede a intimação, encaminhamento de documentos rejeitados pelo Fisco, comentários sobre dispositivo legal relativo à apuração do ITR, entre outros, o interessado apresentou sua discordância argumentando, em resumo, o seguinte: o Das Áreas de Preservação Permanente e Utilização Limitada. Neste item, em suma, discordou da glosa efetuada pelo só fato de que o ADA foi apresentado ao IBAMA fora do prazo. Observou, também, que da matrícula do imóvel consta averbada a Área Total — ATI na dimensão de 19.678,O ha e a correspondente ARL de 15.742,40 ha, fato que foi completamente desconsiderado pela fiscalização, reduzindo a zero as áreas isentas de ITR, somente, pelo fato da apresentação Fl. 282DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720496/200779 Acórdão n.º 2202002.211 S2C2T2 Fl. 4 5 do ADA ao IBAMA fora do prazo fixado pelas normas da Secretaria da Receita Federal, exigência essa que, frisou, não teria supedâneo legal. Disse que o enquadramento legal que fundamenta a autuação não faz qualquer referência quanto ao prazo em que o ADA deva ser apresentado e mencionou o dispositivo legal que, pelo contrário, dispensa a prévia comprovação por parte do declarante com relação às áreas em pauta. A exigência do ADA. está contida em Instrução Normativa, sem fundamento de validade legal algum viola o princípio da reserva legal. Explanando, longamente, sobre a matéria, disse haver sido desrespeitado o princípio da verdade material, afirmando que as áreas existem e estão intocadas conforme mostra o mosaico da Licença Ambiental Única — LAU. Após outros argumentos reproduziu jurisprudência do Conselho de Contribuintes e judicial, segundo as quais a ausência do ADA não seria obstáculo para o reconhecimento da isenção da APP e ARL, tampouco a sua apresentação fora do prazo, determinado exclusivamente por Instrução Normativa. Em resumo, tanto a APP como a AUL foram amplamente comprovadas, independentemente da intempestividade do ADA, exigência que afronta o principio da reserva legal e é rechaçada tanto pelo Conselho de Contribuinte quanto pelo Poder Judiciário. Na sequencia tratou da questão da ATI dizendo que, caso se entenda que deva ser usada a área averbada em cartório (possivelmente referindose à ARL), deveria, também, ser utilizada a área da propriedade averbada, por critério de isonomia. Da Área de Exploração Extrativa. Disse que a consideração parcial desta área, reduzindo o percentual do Grau de Utilização — GU do imóvel, foi feita sem o fiscal justificar o modo como chegou à medida apurada. Afirmou comprovar a utilização da área e listou os documentos oficiais do órgão ambiental, os quais são: Autorização n° 139601/99 do IBAMA com área de 790,41ha (anexo 5). Autorização para utilização de matéria prima florestal n° 038/2001 do IBAMA com área de 995,0204ha, acompanhada da respectiva Autorização para Desmatamento em mosaico de satélite e respectiva taxa de vistoria técnica do desmatamento (anexo 6), Fl. 283DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Autorização para desmatamento em mosaico n° 0679/2003, com área de 903,37ha e respectivo Relatório de Volumetria n° 2.499/CLF/DRF/2003 (anexo 7). Autorização n° 001/2002 e 001/2002 R, fornecendo a área do plano de manejo de 2.280,O ha (anexo 8). Afirmou estar comprovada a área declarada a título de exploração extrativa, devendo, pois, ser mantida, e disse não concordar, de forma alguma, com a área apurada pelo Fisco. Do Valor da Terra Nua tratou do laudo apresentado. Mencionou o dispositivo legal que trata da exigência quanto ao elaborador do laudo e de suas responsabilidades, para dizer não haver exigência quanto ao grau de fundamentação do laudo. Explanou sobre as normas da ABNT e reproduziu item que trata do grau de precisão. Ainda que a Receita Federal tenha exigido grau de fundamentação II, o mesmo não foi possível de ser atingido, em razão das características e localização do imóvel. Aprofundandose na questão tratou da avaliação feita pelo Fisco, de sua discordância por não retratar a realidade, fez quadro demonstrativo para demonstrar disparidade de valores, reproduziu partes de relatos constante do laudo, das características e dificuldade da localidade do imóvel, entre outros. Finalizando o item disse que, desse modo, pela completa ausência de fundamentação e correspondência com a realidade não deve prosperar o VTN atribuído pela fiscalização, devendo ser mantido o valor declarado e recolhido pelo contribuinte, não havendo imposto suplementar a recolher. Após a Conclusão de todo o exposto, finalizou sua impugnação apresentando o seguinte Pedido: Seja acolhida a impugnação pelo reconhecimento da insubsistência da NL, declarandose sua anulação, cancelando se o débito fiscal reclamado, sendo acolhidos os fatos demonstrados, com a conseqüente anulação do crédito tributário reativo ao ITR. Seja recebida a documentação em anexo, comprovadora do aqui alegado, como meio de prova, em total observância ao princípio da verdade material. Seja deferida produção de todos os meios de prova em direito admitidos que se fizerem necessários posteriormente à apresentação da presente defesa, na forma prevista no artigo 16, do Decreto 70.235/1972. Protestou, finalmente, pela realização de diligências e perícias necessárias à comprovação de todo o aqui alegado, nos termos do artigo 16, VI, do referido Decreto. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720496/200779 Acórdão n.º 2202002.211 S2C2T2 Fl. 5 7 Na fl. 96 relacionou os documentos que instruem sua impugnação, juntados das fls. 97 a 163, na sua maioria já apresentados ao Fisco, os quais são: cópia do ADA; do Parecer Técnico, emitido em 20/08/2001, referente ao processo da LAU n° 4542/2000 da Fundação Estadual do Meio Ambiente — FEMA do Governo de Mato Grosso; cópia da matrícula do imóvel; Autorização para desmatamento e mosaico de satélite da propriedade, com destaque da área de exploração, vinculada à LAU; cópia de duas Autorizações para Utilização de Matérias Primas Florestal, em áreas que houve extração florestal, emitidas pelo IBAMA em 25/10/2002, relativamente de 490,41ha e 992,0204ha, com a respectiva Autorização para Desmatamento e Relatório de Volumetria emitidos pela FEMA, vinculadas à LAU com a observação que não se trata de área desmatada, mas, apenas de matéria prima remanescente de extração florestal;cópia de Autorização para Exploração em PMFS na área de 2.280,O ha; cópia do laudo técnico e seus anexos; da NL; entre outros. A DRJCampo Grande após análise dos fatos apontado, julgou a impugnação procedente em parte nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 Área Total do Imóvel Alteração Deve ser alterada a área do imóvel, e demais dados consequentes, se o impugnante apresentar documentação idônea que comprovam a correta dimensão no ano base do lançamento. Preservação Permanente Reserva Legal Requisitos de Isenção A concessão de isenção de ITR para as Arcas de Preservação Permanente APP e Áreas de Utilização Limitada AUL, como Área de Reserva Legal ARL, está vinculada à comprovação de suas existências, como laudo técnico específico para a APP e averbação na matrícula da AUL, e de sua regularização junto aos órgãos ambientais competentes, como o Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR. A prova de uma não exclui a da outra. Isenção Interpretação legal A legislação tributária para concessão de benefício fiscal interpretase literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. Área de Exploração Extrativa Plano de Manejo Florestal Sustentado PMFS Fl. 285DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Para que a área de exploração extrativa com PMFS possa ser considerada como utilizada no ano base do lançamento, deve ser apresentado documento emitido pelo órgão ambiental competente atestando que houve comprovação técnica de remedições periódicas de regeneração natural e/ou recomposição dos estoques iniciais, em volume, das espécies de vegetação nativa, nos prazos e demais condições regulamentares exigidos para possibilidade de autorização de futuras explorações, além do comprovante de reformulação do plano, se for o caso. Glosa mantida por falta de prova Deve ser mantido o lançamento, sem modificação, se o impugnante não comprovar a existência e/ou regularização tempestiva da área glosada pelo Fisco, parcial ou totalmente. Valor da Terra Nua VTN 0 lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação somente se, na contestação, forem oferecidos elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, que apresente valor de mercado diferente relativo ao ano base questionado. A autoridade recorrida entendeu por bem ajustar a área total do imóvel. Da análise dos documentos cartoriais, resolveu reduzir a ATI de 19.813,6 ha para 19.678,0 ha. Insatisfeito o contribuinte, interpõe recurso voluntário reiterando basicamente as mesmas questões da impugnação, que podem assim ser resumidos: Das áreas de preservação permanente e reserva legal, indicando que a apresentação do requerimento de Ato Declaratório Ambiental ("ADA ") ao IBAMA fora do prazo fixado pelas normas da Secretaria da Receita Federal. Exigência de tempestividade essa que não tem supedâneo legal no seu entender. Pleiteia que se aplique o princípio da verdade material; Da área de exploração extrativa de 2.802,6ha. sendo que o contribuinte não concorda com o critério de apuração pelo fisco, devendo ser essa a apurada para fins de cálculo do imposto. Do valor da terra nua, onde indica que o laudo apresentado atendeu todos os requisitos necessários previstos, entendendo que devido as características precárias do local em que o Laudo Técnico foi realizado, o mesmo deve ser considerado para fins de determinação do VTN utilizado pelo contribuinte. Em 15/05/2012, o processo foi convertido em diligência para que fosse anexado os extratos do SIPT. É o relatório. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720496/200779 Acórdão n.º 2202002.211 S2C2T2 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. A discussão principal de mérito diz respeito à área de preservação permanente e área de utilização limitada/reserva legal, e o nó da questão restringese a exigência relativa ao ADA — Ato Declaratório Ambiental, que deve conter as informações de tais áreas e ter sido protocolado tempestivamente junto ao IBAMA/órgão conveniado, para fins de exclusão dessas áreas da tributação. Outro ponto é sobre a suposta nulidade do arbitramento com base no valor da VTN. Como o recorrente questiona primeiramente o critério usado, alegando cerceamento de direito de defesa, analisase primeiro a questão da VTN. Da ADA/Averbação como exigências para Isenção No tocante à apuração do imposto, de acordo com as instruções de preenchimento da DITR, podem ser excluídas, da área total do imóvel, para determinar a área tributável, as áreas de preservação permanente e de utilização limitada, sendo essas últimas compostas pela área de reserva legal, pelas áreas de reserva particular do patrimônio natural, e pelas áreas imprestáveis para a atividade produtiva, se declaradas de interesse ecológico, mediante ato do órgão competente federal ou estadual; Como é de notório conhecimento, o ITR incide sobre: (i) o direito de propriedade do imóvel rural; (ii) o domínio útil; (iii) a posse por usufruto; (iv) a posse a qualquer título, tudo conforme ditado pela Lei nº 9.393, de 1996. Conquanto, este tributo será devido sempre que no plano fático se configurar a hipótese de incidência ditada pela norma (Lei 9393/96): (i) a norma dita que a obrigação tributária nasce sempre em primeiro de janeiro de cada ano uma vez que a periodicidade deste tributo é anual; (ii) o imóvel deve estar localizado em zona rural; (iii) os demais requisitos já constam acima posse, propriedade ou domínio útil. Tenho para mim que para excluir as áreas de Interesse Ambiental de Preservação Permanente e as de Utilização Limitada da base de cálculo do ITR e anular a sua influência na determinação do Grau de Utilização, duas condições têm de ser atendidas. Uma é a sua averbação a margem da escritura no Cartório de Registro de Imóveis outra é a sua informação no Ato Declaratório Ambiental – ADA. Destaquese que ambas devem ser atendidas à época a que se refere a Declaração do ITR. É de se ressaltar, que em nenhum momento estou questionando a existência e o estado das Reservas Preservacionistas, relatórios técnicos que atestam a sua existência não atingem o âmago da questão. Mesmo aquelas possíveis áreas consideradas inaproveitáveis, Fl. 287DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 para integrarem as reservas da propriedade, para fins de cálculo do ITR, devem, no meu ponto de vista, obrigatoriamente, atender as exigências legais. Um dos objetivos precípuos da legislação ambiental e tributária é, indubitavelmente, estimular a preservação do meio ambiente, via beneficio fiscal. No entanto, o beneficio da exclusão do ITR, inclusive em áreas de proteção e/ou interesse ambiental como os Parques Estaduais, não se estende genérica e automaticamente a todas as áreas do imóvel por ele abrangidas. Somente se aplica a áreas especificas da propriedade, vale dizer, somente para as áreas de interesse ambiental situadas no imóvel como: área de preservação permanente, área de reserva legal, área de reserva particular do patrimônio natural e área de proteção de ecossistema bem como área imprestável para a atividade rural, desde que reconhecidas de interesse ambiental e desde que haja o reconhecimento dessas áreas por ato especifico, por imóvel, expedido pelo IBAMA, o Ato Declaratório Ambiental (ADA). Não tenho dúvidas de que a obrigatoriedade da apresentação do ADA para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal) da base de cálculo do ITR, surgiu no ordenamento jurídico pátrio com o art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000 que incluiu o art. 17, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001, verbis: Art. 17 O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria." (NR) (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Tal dispositivo teve vigência a partir do exercício de 2001, anteriormente a este, a imposição da apresentação do ADA para tal fim era definido por ato infralegal, que contrariava o disposto no § 1º do inciso II do art. 97, do Código Tributário Nacional. Os presentes autos tratam do lançamento de ITR do exercício de 2003, portanto, a exigência do ADA para fins de exclusão da base de cálculo daquele tributo encontra respaldo legal, pelo quê, deve ser mantido quanto a este ponto, já o recorrente não comprovou nos autos a protocolização tempestiva do requerimento/ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado. É oportuno salientar, que Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem entendido em suas decisões de que a dispensa de comprovação relativa às áreas de interesse ambiental (preservação permanente/utilização limitada), conforme redação do parágrafo 7°, do art. 10, da Lei n° 9.363, de 1996, introduzido originariamente pelo art. 3º da MP n° 1.95650, de 2000, e mantido na MP n° 2.16667, de 2001, ocorre quando da entrega da declaração do ITR, o que não dispensa o contribuinte de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, comprovar as informações contidas em sua declaração por meio dos documentos hábeis previstos na legislação de regência da matéria. Enfim, a solicitação tempestiva do ADA constituiuse um ônus para o contribuinte. Assim, caso não desejasse a incidência do ITR sobre as áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, o proprietário do imóvel deveria ter providenciado, dentro do prazo legal, o requerimento do ADA. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720496/200779 Acórdão n.º 2202002.211 S2C2T2 Fl. 7 11 Portanto, não há outro tratamento a ser dada às áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal glosadas pela fiscalização, por falta de comprovação da exigência tratada anteriormente, que devem realmente passar a compor as áreas tributável e aproveitável do imóvel, respectivamente, para fins de apuração do VTN tributado e do seu Grau de Utilização (do imóvel). Desta forma, não tendo sido comprovada a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental — ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado, cabe manter as glosas efetuadas pela fiscalização em relação às áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal. Em relação à obrigatoriedade, para fins de não incidência do ITR, da averbação no registro de imóveis competente, de área declarada pelo contribuinte como sendo de reserva legal, realizada previamente à data de ocorrência do fato gerador (condição prevista no Código Florestal Brasileiro (Lei nº 4.771, de 1965), incluída pelo § 2º do art. 16 da lei nº 7.803, de 1989. A legislação aplicável à matéria estabelece que não serão consideradas para a formação da base de cálculo do ITR as áreas de reserva legal, ex vi da alínea “a” do inciso II do § 1º do art. 10 da lei nº 9.393/1996, supra transcrito. Conforme visto, a definição do que seja “área de reserva legal” encontrase estabelecida no § 2º do art. 16 da lei nº 4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1º da lei nº 7.803, de 1989: § 2º A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. A reserva legal é uma restrição ao direito de exploração das áreas de vegetações nativas e sua discutida averbação tem a função de dar publicidade a terceiros daquela restrição. Tal posicionamento é corroborado pelo Supremo Tribunal Federal a partir do julgamento do Mandado de Segurança nº 22.688/PB (Tribunal Pleno, sessão de 28 de abril de 2000) em que se discutia tal tema relativamente à produtividade de imóvel em processo de desapropriação para fins de reforma agrária. Vejase o tratamento dado à matéria em voto vista do Ministro Sepúlveda Pertence: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ser excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade (...) A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja determinada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel o que dos novos proprietários só estaria obrigado a preservar vinte por cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo §2º do art. 16 da lei nº 4.771/1965 não existe reserva legal. Esta posição continua sendo adotado pelo STF, conforme se pode verificar nos autos do MS 28.156/DF, cujo acórdão foi publicado no Diário de Justiça de 02 de março de 2007. Assim sendo, a afirmativa de que a existência da área declarada como de reserva legal ou de que sua comprovação por outros meios, ou ainda de que sua averbação posteriormente à ocorrência do fato gerador, supriria a condição estabelecida na lei não condiz com a norma que emana da análise conjunta da alínea “a” do inciso II do § 1º do art. 10 da lei nº 9.393, de 1996 e do § 2º do art. 16 da lei nº 4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1º da lei nº 7.803, de 1989. Tal norma estabelece a obrigação de dar publicidade a terceiros da criação de área correspondente a, no mínimo, 20% da propriedade rural protegida do uso indiscriminado, impondo ao proprietário um controle social em relação à conservação da cobertura vegetal daquela área. Quando a Lei nº 9.393, de 1996 reproduziu a obrigatoriedade de averbação estabelecida no Código Florestal, não estava criando obrigação acessória, com vista no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, mas, sim, repercutindo condição essencial à instituição de área de reserva legal, que deve ser cumprida pelo interessado para fruição da exclusão de tais áreas da base de cálculo do ITR. O conceito de obrigação acessória, à luz do §2º do artigo 113 do CTN, confirma a conclusão trazida no parágrafo anterior, posto que a obrigatoriedade da averbação não foi criada por legislação tributária, sendo assim não há que se falar em obrigação tributária acessória: 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (…) 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Neste sentido, entendo ser condição essencial para a constituição de reserva legal a averbação de tal área à margem da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente. Apenas cumprida tal condição será possível a exclusão de tal área da base de cálculo do tributo. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720496/200779 Acórdão n.º 2202002.211 S2C2T2 Fl. 8 13 Sendo assim, apenas posteriormente à averbação considerase constituída a área de reserva legal, não produzindo efeitos para períodos de apuração anteriores. Na forma do art. 144 do CTN, o lançamento tributário reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Tendo em vista a inexistência de prova da averbação da área de reserva legal no Registro de Imóveis competente, entendo que está correto o procedimento da autoridade lançadora. Caso se considerasse como área de interesse ecológico, crucial seria a identificação do ato especifico que definiu aquela área como preenchendo aqueles requisitos, não a apresentação de norma geral, tal como o Decreto. 1.356/92. Urge registrar que para a comprovação da área de relevante interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, fazse necessário que ela seja declarada em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular, não podendo ser aceitas como de interesse ecológico as áreas declaradas em caráter geral – exatamente o pleito do contribuinte, ao mencionar as Lei n° 9.985/2060 —:SNUC, conforme art. 10, § 6º, da Instrução Normativa SRF nº 43/1997, com a redação dada pelo art. 1º, II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997: “Art. 10. (...) § 6º Para efeito de exclusão do ITR, não serão aceitas como de interesse ecológico as áreas declaradas,em caráter geral, por região local ou nacional, mas, sim, apenas as declaradas, em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular.”. Da Área de Exploração Extrativa No tocante a este ponto, a questão cingese à comprovação da área declarada como de 'exploração extrativa', glosada pela fiscalização. Importa esclarecer que, in casu, mais do que saber se existe no imóvel uma área destinada a tal fim — o de exploração extrativa — e, se na dimensão informada pelo contribuinte, importa saber se a área, efetivamente, é utilizada com tal finalidade. Com efeito, para fins de apuração do Imposto Territorial Rural — ITR, dispõe o artigo 10, da Lei n° 9.393/96, in verbis: "Art.10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. §1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) V — área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha: Fl. 291DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 (...) c) sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; (...) §5 0 Na hipótese de que trata a alínea "c" do inciso V do §1 0, será considerada a área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte." Vêse, pois, que duas são as exigências para que se considere área efetivamente utilizada aquela objeto de exploração extrativa: 1) que exista um plano de manejo sustentado, aprovado pelo órgão competente; e, 2) que seu cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. Não há dúvida, no caso dos autos, da existência de um plano de manejo, tal como alegado pelo Recorrente. A discussão nos autos, porém, não se limita a existência da área alegado plano, pois a mera aprovação do plano de manejo pelo órgão ambiental competente não é requisito suficiente para a comprovação da exploração extrativa. A comprovação do cumprimento do cronograma do plano de manejo constitui legalmente requisito para a utilização na dita de área com exploração extrativa. As evidências presentes no autos não asseguram a execução do plano. Não há garantias de que a área está sendo efetivamente utilizada, tal como prescreve a norma. Isto posto, não é possível acolher o argumento do recorrente. Nessa matéria assim se pronuncia a autoridade recorrida: Com relação à Área de Exploração Extrativa — AEE, inicialmente, o impugnante questionou a consideração parcial desta área pelo fiscal, sem que houvesse justificado o modo como chegou à medida apurada. 38. Neste item se constata que, embora o fiscal haver dito, primeiramente, que não foi comprovada a implantação do PMFS ou o cumprimento do programa físicofinanceiro previsto no mesmo, o que significaria a glosa total dessa área, e na parte final da Descrição dos Fatos haver observado que foram apresentadas autorizações de PMFS na área de 2.280,Oha, sendo mantido esse valor, no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, por sua vez, a dimensão considerada para a AEE foi de 2.587,6ha e não de 2.280,Oha constante do PMFS. Em suma no caso, o contribuinte não cumpriu a exigência legal de comprovar o cumprimento do cronograma de cumprimento do plano de manejo, dai porque assiste razão à DRJ neste particular. Do VTN Na parte atinente ao cálculo do Valor da Terra Nua VTN, entendeu a autoridade lançadora que houve subavaliação, tendo em vista o valor constante do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela então SRF em consonância ao art. 14, caput, da Lei n° 9.393, de 1996, razão pela qual o VTN declarado para o imóvel. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720496/200779 Acórdão n.º 2202002.211 S2C2T2 Fl. 9 15 Em síntese, podemos dizer que o VTNm/ha representa a média ponderada dos preços mínimos dos diversos tipos de terras de cada microrregião, observandose nessa oportunidade o conceito legal de terra nua previsto na legislação de regência sobre o assunto, utilizandose como data de referência o último dia do ano anterior ao do lançamento. A utilização da tabela SIPT, para verificação do valor de imóveis rurais, a princípio, teria amparo no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Como da mesma forma, o valor do SIPT só é utilizado quando, depois de intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que tal valor fica sujeito à revisão quando o contribuinte comprova que seu imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. Não tenho dúvidas de que as tabelas de valores indicados no SIPT, quando elaboradas de acordo com a legislação de regência, servem como referencial para amparar o trabalho de malha das declarações de ITR e somente deverão ser utilizados pela autoridade fiscal se o contribuinte não lograr comprovar que o valor declarado de seu imóvel corresponde ao valor efetivo na data do fato gerador. Para tanto, a fiscalização deve enviar uma intimação ao contribuinte solicitando a comprovação dos dados declarados antes de proceder à formalização do lançamento. Vivemos em um Estado de Direito, onde deve imperar a lei, de tal sorte que o indivíduo só se sentirá forçado a fazer ou não fazer alguma coisa compelido pela lei. Daí porque o lançamento ser previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional como atividade plenamente vinculada, isto é, sem possibilidade de a cobrança se firmar em ato discricionário, e, por outro lado, obrigatória, isto é o órgão da administração não pode deixar de cobrar o tributo previsto em lei. Assim, sendo se faz necessário uma análise preliminar sobre a possibilidade da utilização dos valores constantes da tabela SIPT, quando elaborada tendo por base as DITR do município onde se localiza o imóvel. Ou seja, se faz necessário enfrentar a questão da legalidade da forma de cálculo que é utilizado, nestes caso, para se encontrar os valores determinados na referida tabela. Razão pela qual, se faz necessário verificar qual foi metodologia utilizada para se chegar aos valores constantes da tabela SIPT, principalmente, nos casos em que restar comprovado, nos autos do processo, que a mesma foi elaborada tendo por base a média dos VTN das DITR entregues no município da localização do imóvel. Esta forma de valoração do VTN atenderia as normas legais para se proceder ao arbitramento do VTN a ser utilizado, pela autoridade fiscal, na revisão da DITR? Sem dúvidas, que tal ponto não deixa de ser importante, posto que, em se entendendo que as normas de cálculo utilizadas para a confecção da Tabela SIPT, tomada como base para o arbitramento do VTN pela autoridade fiscal, não se demonstram adequadas à lei, tal situação faria prevalecer o VTN indicado pelo contribuinte em laudo técnico ou de sua Declaração. Este é o caso questão, onde o VTN extraído do SIPT referese à média dos VTNs das DITRs apresentadas para o mesmo município e não do VTN médio por aptidão agrícola, onde se avalia os preços médios por hectare de terras do município onde esta localizado o imóvel, apurado através da avaliação pela Secretaria Estadual de Agricultura os Fl. 293DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 preços de terras levando em conta de existência de lavouras, campos, pastagens, matas. O VTN, segundo a fls 267, é calculado sem aptidão agrícola. Analisando o conteúdo das normas reguladoras para a fixação dos preços médios de terras por hectare só posso concluir, que o levantamento do VTN, levando conta a média dos VTN constantes da DITRs, não condiz com o proposto pelo art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, verbis: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Assim se manifesta o art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993: Artigo 12 Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado. (o grifo não é do original) Resta claro, que com a publicação da Lei nº 9.393, de 1996, em seu art. 14 dispõe que as informações sobre preços de terras observarão os critérios estabelecidos no artigo 12, § 1°, inciso II, da Lei n 8.629, de 25 de fevereiro de 1.993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos municípios. Ora, se a fixação do VTNm não teve por base esse levantamento (por aptidão agrícola), o que está comprovado nos autos, já que a autoridade fiscal lançadora se utilizou do Fl. 294DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720496/200779 Acórdão n.º 2202002.211 S2C2T2 Fl. 10 17 VTN médio das DITRs entregues no município, então não se cumpriu o comando legal e o VTNm adotado para proceder ao arbitramento pela autoridade lançadora não é legítimo, sendo inservível para o fim da recusa do valor declarado ou pretendido pelo contribuinte. Diante do entendimento que o VTN médio utilizado pela autoridade fiscal lançadora não cumpre as exigências legais determinadas pela legislação de regência, penso ser irrelevante continuar a discussão da questão do Laudo de Avaliação do VTN, já que compartilho com o entendimento, que nesses casos, deve ser restabelecido o VTN declarado pelo recorrente em sua DITR glosado pela autoridade fiscal. Ante ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer o valor da terra nua tal como declarado. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 295DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10680.907502/2008-71
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. O valor indicado na Declaração de Compensação compôs o saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ pela recorrente, não podendo ser caracterizado como pagamento indevido ou a maior, passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1801-000.992
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: EDGAR SILVA VIDAL
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O valor indicado na Declaração de Compensação compôs o saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ pela recorrente, não podendo ser caracterizado como pagamento indevido ou a maior, passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jaci de Assis Junior, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Fl. 52DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.907502/200871 Acórdão n.º 180100.992 S1TE01 Fl. 52 2 A Recorrente transmitiu em 15/12/2004 o PER/DCOMP 11004.17228.151204.1.3.043808, objetivando compensar R$ 8.810,31 de IRPJ oriundo de pagamento Indevido ou a Maior, referente PA03/2001, código 5993, no valor de original de R$ 24.978,63. Com o Despacho Decisório de 18/07/2008 , a DRF em Belo HorizonteMG Não homologou a compensação pretendida sob a alegação de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que na DIPJ do anocalendário 2001 foi gerado IRPJ no valor de R$ 8.810,31, cujo pagamento foi compensado pelos pagamentos efetuados durante o ano em questão, que resultaram em pagamento maior de R$ 36.073,86, utilizado para pagamento de COFINS apurada em fevereiro de 2003. Em sessão de 20 de julho de 2010, com o Acórdão 0227.719, a 2ª Turma da DRJ/BHE julgou a Manifestação Improcedente e o Direito Creditório não Reconhecido declarado em PER/DCOMP, pois tudo indica que é o mesmo valor apurado na própria DIPJ/2001 (fls. 19), depois de deduzidas as estimativas mensais. Intimada do Acórdão em 18 de fevereiro de 2011, interpôs Recurso Voluntário em 22 de março de 2011: alegando: A – apresentou PER/DCOMP para ter reconhecido o direito creditório em razão de pagamento a maior de IRPJ no exercício de 2001; B A apuração do IRPJ do ano calendário de 2001 demonstrou um débito de R$8.810,31, para o qual foram feitos três pagamentos nos valores de R$4.443,99, R$24.978,63 e R$ 15.861,55 (fl. 20 e 21), totalizando o valor pago de R$44.884,17, gerando um crédito de pagamento a maior no importe de R$36.073,86; C Parte do crédito acima, R$ 31.178,30 foi utilizada para compensação de outro débito, conforme se verifica no PER/DCOMP de fls 22/24, o que deixou ainda um saldo remanescente de R$ 4.895,56; D Contudo, a análise da DRF considerou que todo o valor do crédito informado para a compensação no PER/DCOMP 00639.45474.081106.1.7.024633 (fls. 22/24) fora nela utilizado, apesar de o próprio documento informar em sua página 5 (fls. 24) o total do crédito original utilizado na DCOMP de R$ 31.178,30, gerando assim a impossibilidade de compensação do saldo remanescente solicitado no PER/DCOMP 11004.17228.151204.3.04 3804 (f1.04/09); E –que os débitos combatidos encontramse sub judice, conforme se verifica nos documentos de fls. 26 e 27 (R$ 10.366,51 e R$ 3.970,77), processo 2007.38.000086702, 19ª Vara da JF MG, valores suspensos por motivo de Depósito Judicial do Montante Integral; F – o presente Recurso depende desta decisão para constatação da necessidade de seu andamento e julgamento; Fl. 53DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.907502/200871 Acórdão n.º 180100.992 S1TE01 Fl. 53 3 G O IRPJ do período de apuração de março/2001, conforme se desprende do documento de fl. 27, possui um suposto saldo devedor de R$ 3.970,77 (sub judice), o que, por si só, vai de encontro ao valor cobrado de R$.8.810,31; H Não consta dos autos a ocorrência de fato gerador capaz de gerar um débito no importe de R$8.810,31 que já não tenha sido quitado; e o não aceite de um PER/DCOMP não pode gerar, automaticamente, um débito insubsistente sem sua devida apuração;. I O lançamento tributário, devidamente constituído, é dotado de liquidez e certeza, o que não se verifica no presente Despacho Decisório. J O próprio Relatório de fl. 28/30 confirma em seu voto: A DRF de origem deve atentar quanto ao débito declarado no PER/DCOMP, tudo indica que é o mesmo apurado na própria DIPJ/2001 (f1.19), sendo que deduzidas as estimativas mensais pagas apurou se saldo negativo de IRPJ; K Desta sorte, claro é que um pedido indevido de compensação deu ensejo a um rastreamento eletrônico de um débito inexistente; .e pede: I – preliminarmente, a suspensão do feito até o julgamento do processo judicial mencionado; II – transpassada a preliminar, havendo que se adentrar ao mérito, requer revisão do Acórdão que considerou a Manifestação de Inconformidade improcedente, para incluir em sua decisão a inexistência do débito acusado no Rastreamento nº 757486497, de 18/07/2008, pois não se verifica no lançamento efetuado eletronicamente qualquer harmonia com os valores devidos e valores pagos e o débito apurado no Despacho Decisório n° de Rastreamento 757486497 não corresponde a um débito regularmente lançado. Voto Conselheiro Edgar Silva Vidal, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. Os valores em discussão judicial citados no Recurso não fazem parte deste processo. O que se verifica neste processo é que a Recorrente recolheu IRPJ a maior, resultando saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2001 e, . ainda assim, em 2004, utilizando esta base negativa , procedeu à compensação de valor do IRPJ APURADO, durante aquele anocalendário. Considerando que também utilizou parte do saldo para compensar com outros tributos de sua responsabilidade, a compensação não foi homologada por falta de disponibilidade da recorrente e mais ainda, gerou um débito para a contribuinte do valor que buscou compensar, acrescido de multa e de juros. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.907502/200871 Acórdão n.º 180100.992 S1TE01 Fl. 54 4 De acordo com o artigo 74 da Lei 9.430, de dezembro de 1996,o sujeito passivo, que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. As normas para compensação, vigentes à época da transmissão do PER/DCOMP, estavam previstas na Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004. Para retificação ou desistência da declaração de compensação o interessado deveria ter observado os arts. 55 a 58 e 61da IN SRF nº 460, de 18/10/2004, desde que fosse solicitada antes da decisão administrativa, conforme a seguir: Art. 55. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação gerados a partir do Programa PER/DCOMP, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de documento retificador gerado a partir do referido Programa. Parágrafo único. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação apresentados em formulário (papel), nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da SRF. Art. 56. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 57 e 58. Art. 57. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 58. Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. Art. 61. A desistência do Pedido de Restituição ou do Pedido de Ressarcimento poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF do Pedido de Cancelamento gerado a partir do Programa PER/DCOMP ou, na hipótese de Fl. 55DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.907502/200871 Acórdão n.º 180100.992 S1TE01 Fl. 55 5 utilização de formulário (papel), mediante a apresentação de requerimento à SRF, o qual somente será deferido caso o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do Pedido de Cancelamento ou do requerimento. À vista dos dispositivos citados, a Recorrente poderia ter retificado ou desistido do seu pedido de compensação antes de cientificada do Despacho Decisório da DRF, mas não o fez, o que ensejou a não homologação do mesmo. A jurisprudência deste Conselho também não admite a retificação da declaração de compensação após a ciência da decisão administrativa, conforme os seguintes acórdãos: IRPJ COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Incabível a retificação da Declaração de Compensação, PER/DCOMP, quando já existir decisão administrativa que analisou pedido anteriormente formulado (Acórdão 110300.495, de 30/06/2011 – 1ª Câmara – 3ª Turma Ordinária) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.ANOCALENDÁRIO: 2008.CSLL COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS.RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃ0. INCABÍVEL A RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇAÕ, PER/DCOMP, QUANDO JÁ EXISTIR DECISÃO ADMINISTRATIVA QUE ANALISOU PEDIDO ANTERIORMENTE FORMULADO (Acórdão nº 110300.489, de 29/06/2011 1ª Seção de Julgamento. 1ª Câmara. 3ª Turma Ordinária). Diante do exposto voto para negar provimento ao recurso voluntário. Ressaltese que cabe à autoridade preparadora avaliar eventual erro de fato cometido na Per/Dcomp objeto de análise no presente processo, nos termos 149 do Código Tributário Nacional. (documento assinado digitalmente) .Edgar Silva Vidal Relator Fl. 56DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 16643.000114/2010-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3302-000.296
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram da presente resolução os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário (fls. 1323 a 1370) apresentado em 25 de maio de 2011 contra o Acórdão no 1627.477, de 29 de outubro de 2010, da 9ª Turma da DRJ/SP1 (fls. 874 a 893), cientificado em 26 de abril de 2011, que, relativamente a auto de infração de CIDE Remessa ao Exterior dos períodos de janeiro a dezembro de 2006, considerou a impugnação improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 16/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16643.000114/201012 Resolução nº 3302000.296 S3C3T2 Fl. 1.427 2 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Cumpridos os requisitos dispostos no art. 10 do Decreto n.º 70.235/72, ademais, não havendo ocorrência do previsto no art. 59 de mesmo diploma legal, não há que falarse em cancelamento ou anulação de Auto de Infração. FASE LITIGIOSA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE PROVAS Na fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o momento processual para apresentação de provas é o definido pelo disposto no art. 15 do Decreto n.º 70.235/72 e alterações posteriores, observandose, também, o disposto nos parágrafo 4º, 5º e 6º de seu art. 16. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIAS. PRESCINDIBILIDADE A diligência ou perícia contábil objetiva subsidiar a convicção da Autoridade Julgadora e não inverter o ônus da prova já definido na legislação. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde do litígio, não se justificando, quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. É prescindível a perícia quando presentes, nos autos, os elementos necessários e suficientes à formação da convicção da Autoridade Julgadora para proferir sua decisão. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. As matérias já suscitadas perante o Poder Judiciário não podem ser apreciadas na via administrativa. LANÇAMENTO. AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITOS JUDICIAIS. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, fazendose necessária sempre que presentes os pressupostos legais, não lhe obstando a existência de ação judicial ou de depósito judicial, mesmo que integral, cuja consequência é a mera suspensão de exigibilidade de crédito fiscal. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE. Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário por motivo de falta de pagamento e respectivo percentual determinado expressamente em lei. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. LEGALIDADE Nos termos da Lei n.º 9.430/96, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) para títulos federais, acumulada mensalmente. Impugnação Improcecente O auto de infração foi lavrado em 14 de junho de 2010, de acordo com o termo de fls. 234 a 244. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Cuida o presente processo da lavratura – contra o sujeito passivo em epígrafe do Auto de Infração às fls. 245 a 248, cuja ciência ocorreu em Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 16/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16643.000114/201012 Resolução nº 3302000.296 S3C3T2 Fl. 1.428 3 14/6/2010 (fl. 255), sendo constituído o crédito tributário no valor total de R$5.470.397,55, incluindo contribuição, juros de mora (calculados até 31/5/2010) e multa de ofício, relativamente à contribuição de intervenção no domínio econômico – remessas ao exterior (CIDE), código Receita 9303 (CIDE – REMESSA EXTERIOR – LEI 10332/01 – LANÇAMENTO DE OFÍCIO), cujos fatos geradores se referem a 31/1 a 30/6, 31/8 a 31/12/2006; sendo que a descrição dos fatos e enquadramento legal constam às fls. 247, 248, 252, bem como às fls. 234 a 244 que são havidos por documentos anexos (fls. 248, 254 e 255). 2. Consta às fls. 234 a 244 o Termo de Verificação Fiscal – CIDE, lavrado pela Autoridade Autuante, cuja ciência se deu em 14/6/2010 (fls. 254 e 255), em que são aduzidos os procedimentos fiscais adotados. 3. Irresignado com o lançamento, em 13/7/2010 (fl. 258), apresentou peça impugnativa às fls. 258 a 299 o contribuinte (doravante denominado (empresa) impugnante), acompanhada dos documentos às fls. 300 a 820 – consoante o que dispõe à fl. 823 –, juntados aos autos nos termos constantes à fl. 823, por meio da qual, em síntese, assim se manifesta, valendose de jurisprudência e doutrina pátrias, ipsis verbis: a) consiste seu objeto social a prestação de serviços na área de informática, especialmente a distribuição e sublicenciamento de softwares (item 3 de sua impugnação); b) o software licenciado à impugnante é desenvolvido por empresa alemã – SAP AG – que é a única empresa que detém a tecnologia para seu desenvolvimento que não é transferida ao Brasil nem a ente licenciado (itens 4 e 5); c) celebrou a impugnante contratos de prestação de serviços com a empresa SAP AG e suas subsidiárias mundo afora e que a exigibilidade da CIDE que incide sobre os pagamentos deles decorrentes é discutida no mandado de segurança n.º 2004.61.00.0208390 (itens 6, 7 e 8); d) entende a impugnante que não deva ser exigida CIDE sobre os pagamentos realizados por conta do cumprimento dos referidos contratos, motivo pelo qual passou a recolher, relativamente a tais pagamentos, o imposto de renda retido na fonte (IRRF) à alíquota de 25% ex vi alínea “a” do inciso II do art. 685 do Decreto n.º 3.000/99 (item 12); e) após ter sido proferida sentença favorável nos autos do mandado de segurança n.º 002321164.2009.403.6100, foram realizados depósitos judiciais de CIDE à alíquota de 10%, sobre os pagamentos vincendos, com recolhimento de IRRF à alíquota de 15% (item 15); f) impetrou a impugnante ação de mandado de segurança de n.º 000759697.2010.403.6100, para, dentre outros, afastar a aplicação de penalidades relativas à exigência de CIDE incidente sobre pagamentos ao exterior realizados desde 1º/01/2005 até o átimo da realização de depósitos judiciais no mandado de segurança n.º 0023211 64.2009.403.6100 (item 17); Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 16/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16643.000114/201012 Resolução nº 3302000.296 S3C3T2 Fl. 1.429 4 g) afirma que, no presente caso, não ocorreria hipótese de incidência de CIDE relativa a transmissão de conhecimentos tecnológicos; nem que os serviços prestados por conta dos contratos celebrados com a empresa SAP AG e suas subsidiárias mundo afora se confundiriam com serviços técnicos e de assistência técnica, tampouco com serviços de assistência administrativa e semelhantes, previstos no parágrafo 2º do art. 2º da Lei n.º10.168/2000 (itens 21 a 52); h) alega que a exação em tela não poderia ser considerada contribuição de intervenção no domínio econômico, em razão da ausência de benefício específico – a alcançar toda a sociedade – que seria a contraprestação específica aos sujeitos passivos ou à suas respectivas áreas; careceria de benefício específico e de proporcionalidade a exigência da CIDE das empresas signatárias dos referidos contratos; tratarseia, pois, de um possível imposto (itens 53 a 61 e 70); i) afirma que a Lei n.º 10.680/2000 não seria o veículo normativo válido para instituir e regular a exigência da CIDE, pois a Constituição Federal de 1988 (CF/88) exige que as contribuições previstas em seu art. 149 sejam instituídas por meio de lei complementar (itens 62 a 67); j) assevera que a contribuição teria fato gerador e base de cálculo idênticos ao do IRRF, motivo pelo qual feriria a vedação de bis in idem (itens 73 a 76); k) alega que a base de cálculo da CIDE conflita como o disposto no inciso III do parágrafo 2º do art. 149 da CF/88, introduzido pela Emenda Constitucional (EC) n.º 33/2001 (itens 77 a 80); l) acusa que a CIDE, que teria natureza jurídica de imposto, afrontaria o inciso IV do art. 167 da CF/88 que proíbe a vinculação de receita de imposto a fundo, órgão ou despesa (itens 81 a 83); m) alega que a exigência de CIDE violaria o art. XVII do Acordo Geral sobre o Comércio de Serviços do qual o País é signatário (itens 84 a 93); n) afirma que o objeto de autuação do presente processo já se encontraria em discussão perante o Poder Judiciário e que as decisões proferidas nos respectivos autos deveriam ser observadas e prevaleceriam sobre quaisquer decisões que vierem a ser proferidas nas instâncias administrativas, motivo pelo qual pede o cancelamento do Auto de Infração (itens 94 a 111); o) prega que a multa de ofício de 75% seria excessiva, a configurar situação abusiva, extorsiva, expropriatória, confiscatória, de forma que deveria ser reduzida a um percentual razoável (itens 112 a 116); p) pede, no que toca à incidência de juros, que seja afastada a aplicação da taxa referencial SELIC (itens 119 a 124); q) protesta pela produção de todas e quaisquer provas em direito admitidas (item 125); Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 16/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16643.000114/201012 Resolução nº 3302000.296 S3C3T2 Fl. 1.430 5 r) finalmente, pede a impugnante a realização de diligências e perícias necessárias para a comprovação dos fatos e direitos alegados (item 125). 4. O presente processo foi encaminhado a esta Delegacia, nos termos do despacho exarado à fl. 823. No recurso, alegou inicialmente o seguinte: 15. Após o deferimento parcial do pedido liminar, com a autorização para realização de depósitos judiciais e o regular processamento do referido Mandado de Segurança, em 22.3.2010 foi disponibilizada a r. sentença (doc. n° 13 da impugnação) por meio da qual foi denegada a segurança inicialmente pleiteada. Em síntese, o entendimento expresso na r. sentença é no sentido de que apenas uma dentre as hipóteses de incidência da CIDE previstas na Lei n° 10.168/00 apresenta a transferência de tecnologia como aspecto material indispensável à incidência da referida contribuição, e que a hipótese tratada naqueles autos não estaria sujeita a tal tratamento legal. 16. Assim, em face do teor da mencionada sentença, a Recorrente passou a realizar nos autos do Mandado de Segurança n° 0023211 64.2009.403.6100 os depósitos judiciais de CIDE, à alíquota de 10%, sobre os pagamentos vincendos relativos aos contratos em discussão, de modo a suspender a sua exigibilidade e evitar a imposição de penalidades (doe. n° 14 da impugnação). Da mesma poderia implicar risco de a Recorrente vir a ser futuramente autuada e demandada pela autoridades fiscais em razão da consequente redução da alíquota de 25% para 15% na retenção do IRF incidente sobre as mesmas remessas que a Recorrente passou a adotar a partir da realização de referidos depósitos judiciais a título de CIDE. 17. Ademais, a Recorrente também estava diante do iminente risco de ser autuada e demandada pelas autoridades fiscais para realizar o pagamento da CIDE à alíquota de 10% supostamente incidente sobre as remessas efetuadas no passado ao exterior, o que a colocaria diante da excessiva e ilegal carga tributária de 35% sobre a remuneração dos serviços mencionados acima. 18. Dessa forma, para afastar tais riscos, a Recorrente impetrou, em 5.4.2010, o Mandado de Segurança que foi distribuído à 22 a Vara Federal de São Paulo/SP sob o n° 000759697.2010.403.6100 (doc. n° 15 da impugnação), para o fim de que fosse determinado em sede de liminar: (i) que as autoridades fiscais se abstenham de impor à Recorrente quaisquer penalidades relativas à cobrança da CIDE sobre as remessas efetuadas pela Recorrente ao exterior desde 1.1.2005 até o momento em que iniciou a realização de depósitos judiciais no Mandado de Segurança n° 002321164.2009.403.6100, posto que a carga tributária máxima (25%) sobre os pagamentos decorrentes dos contratos foi recolhida à União Federal (IRF à alíquota de 25%) e, por outro lado, caso a Autoridade Administrativa constitua o crédito tributário relativo à CIDE, que o faça sem a imposição de penalidade tendo em vista o recolhimento máximo da carga tributária sobre os Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 16/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16643.000114/201012 Resolução nº 3302000.296 S3C3T2 Fl. 1.431 6 fatos em questão; bem como (ii) a suspensão da exigibilidade da diferença entre as alíquotas de 15% (que então passou a ser aplicada pela Recorrente nas retenções subsequentes de IRF) e 25% de IRF sobre as futuras remessas ao exterior para pagamento dos serviços objeto dos referidos contratos, até a prolação de decisão final a respeito da exigibilidade da CIDE sobre tais serviços nos autos do Mandado de Segurança n° 002321164.2009.403.6100. 19. A Recorrente também requereu em sua inicial que, após a apreciação do pedido liminar relatado acima, (i) seja o Mandado de Segurança n° 00075969, "1010.403.6100 suspenso até o julgamento final do Mandado de Segurança n° 002321164.2009.403.6100, nos termos do artigo 265, IV, "a", do CPC, (ii) bem como a concessão integral da segurança para que, na hipótese de ser reconhecida nos autos do Mandado de Segurança n° 002321164.2009.403.6100 a exigibilidade da CIDE sobre os pagamentos realizados ao exterior relativos aos referidos contratos de prestação de serviços, seja expedida ordem judicial determinandose às autoridades administrativas competentes a retificação dos DARFs relativos aos recolhimentos de IRF à alíquota de 25% — realizados antes da propositura do Mandado de Segurança n° 000759697.2010.403.6100 — para que reste consignado que dos 25% recolhidos sob a rubrica de IRF, 10% sejam reconhecidos como tendo sido recolhidos a título de CIDE e os restantes 15% a título de IRF. 20. Regularmente processado o feito, foi deferida a medida liminar pleiteada pela ora Recorrente (doe. n° 16 da impugnação). Posteriormente foi prolatada sentença (doc. n° 3) que assegurou à Recorrente o direito de recolher o imposto de renda na fonte incidente sobre as remessas ao exterior à alíquota de 15%, enquanto estiver efetuando o depósito judicial da CIDE à alíquota de 10%, nos autos do Mandado de Segurança n° 2009.61.00.0232110 (0023211 64.2009.403.6100) e, enquanto estiver aguardando o que restar decidido nos autos deste último mandado de segurança. Contra referida sentença a União Federal apresentou recurso de apelação, que atualmente aguarda julgamento pelo Tribunal Regional Federal da 3 a Região. 21. Prestados estes esclarecimentos — que ratificam a absoluta improcedência da autuação ora combatida, conforme se verá adiante a Recorrente passa a demonstrar os motivos de fato e de direito que determinam o cancelamento da exigência fiscal ora em questão, com o consequente arquivamento do presente processo administrativo. A seguir, tratou da inaplicabilidade da Cide ao caso concreto, da improcedência da multa e dos juros de mora aplicados. Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 16/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16643.000114/201012 Resolução nº 3302000.296 S3C3T2 Fl. 1.432 7 VOTO Conselheiro José Antonio Francisco, Relator Inicialmente, esclareçase que se aplicariam ao presente caso as seguintes súmulas do Carf (Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009): Súmula CARF no 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF no 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF no 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Súmula CARF no 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Para efeito da aplicação das Súmulas n. 5 e 17, entretanto, é necessário baixar os autos em diligência, a fim de que se verifique a existência de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 63 da Lei n. 9.430, de 1996, e a integralidade dos depósitos efetuados. Esclareçase que a integralidade dos depósitos depende do depósito integral do débito no prazo de vencimento ou, se realizado fora do prazo, com a incidência de multa de mora e juros de mora. Caso as diferenças refiramse apenas à eventual falta da multa de mora, tal situação deverá ser informada. Assim, a Fiscalização deverá lavrar relatório conclusivo sobre as duas matérias acima mencionadas, dando dele ciência à Interessada, para manifestarse no prazo de trinta dias. Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 16/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16643.000114/201012 Resolução nº 3302000.296 S3C3T2 Fl. 1.433 8 Voto, portanto, para converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos acima especificados. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 16/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10980.923857/2009-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001
PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.
O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543-B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS A` DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA.
A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Aguardando Nova Decisão.
Numero da decisão: 3802-001.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso, determinando-se o retorno dos autos à instância julgadora a quo para fins de apreciação do me´rito.
(assinado eletronicamente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado eletronicamente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausência momentânea do Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543-B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS A` DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 38 57 /2 00 9- 11 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso, determinandose o retorno dos autos à instância julgadora a quo para fins de apreciação do mérito. (assinado eletronicamente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado eletronicamente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausência momentânea do Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 27): “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Por bem resumir a controvérsia até a presente fase processual, transcrevese o relatório do acórdão da DRJ (fls. 28): “Trata o processo de manifestação de inconformidade apresentada em 13/07/2009, em face da não homologação da compensação declarada por meio do Per/Dcomp nº 34394.42170.140307.1.7.042907, nos termos do despacho decisório emitido em 22/06/2009 pela DRF em Curitiba/PR (rastreamento nº 842577516). Na aludida Dcomp, transmitida eletronicamente em 14/06/2007 para retificar a Dcomp nº 13715.37431.100806.1.3.040027, de 10/08/2006, a contribuinte indicou um crédito de R$ 1.739,73 (que corresponde a parte de um pagamento efetuado em 15/10/2001, sob o código 8109, o valor de R$ 6.557,55), e um débito de PIS (8109), Fl. 43DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10980.923857/200911 Acórdão n.º 3802001.610 S3TE02 Fl. 43 3 do período de julho de 2006, vencido em 15/08/2006, no valor original de R$ 177,67. Segundo o despacho decisório, cientificado em 29/06/2009, a compensação não foi homologada porque o crédito indicado para a compensação havia sido totalmente utilizado na extinção, por pagamento, do débito de PIS de setembro de 2001, no valor de R$ 6.557,55. Na manifestação apresentada, a interessada diz que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 no RE 357950, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Demonstra numericamente a origem do crédito e diz estar amparada pelo art. 170 do CTN. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no direito à restituição. Ao final, pede a homologação da compensação.” A Recorrente, nas razões de fls. 3539, sustenta que o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 585.235, na sistemática prevista pelo art. 543B do Código de Processo Civil (CPC). Portanto, o entendimento em questão seria obrigatório nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Carf. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 24/05/2012 (fls. 33), interpondo recurso tempestivo em 21/06/2012 (fls. 35). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. O exame dos autos mostra que razão assiste ao Recorrente, porque, até o início da vigência da nãocumulatividade do PIS, a hipótese de incidência da contribuição encontravase disciplinada pela Lei no 9.718/1998 e pela Lei Complementar n.o 70/1991. Estas, por sua vez, definiam o “fato gerador” do tributo nos seguintes termos: Lei Complementar no 70/1991: Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Lei no 9.718/1998: Art.2o As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 44DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Art.3o O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) A Lei Complementar nº 70/1991, como se vê, restringia a materialidade do tributo ao faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias ou da prestação de serviço de qualquer natureza. Não havia previsão para a incidência sobre receitas financeiras, o que somente ocorreu após a Lei nº 9.718/1998, que, através do seu art. 3º, §1º, ampliou o âmbito normativo da contribuição, de modo a compreender a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. O §1º do art. 3o da Lei no 9.718/1998, porém, foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE no 346.084/PR: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF. T. Pleno. RE 346.084/PR. Rel. Min. ILMAR GALVÃO. Rel. p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO. DJ 01/09/2006). Esse entendimento foi reafirmado pela jurisprudência do STF no julgamento de questão de ordem no RE no 585.235/RG, decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B), no qual também foi deliberada a edição de súmula vinculante sobre a matéria: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É Fl. 45DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10980.923857/200911 Acórdão n.º 3802001.610 S3TE02 Fl. 44 5 inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (STF. RE 585235 RGQO. Rel. Min. CEZAR PELUSO. DJ 28/11/2008). Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, reproduzido anteriormente, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998. Não é possível, entretanto, o provimento integral do recurso, porquanto a DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Logo, impõese o afastamento da questão prejudicial acolhida pela DRJ, com o consequente prosseguimento do exame do mérito da compensação realizada pelo Recorrente, o que, por sua vez, deve ser realizado pela instância a quo, sob pena de supressão de instância. Votase, assim, pelo conhecimento e parcial provimento do recurso, determinandose o retorno dos autos à DRJ para fins de apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 46DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 12898.002335/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Ano-calendário: 2006
IRPF. GANHO DE CAPITAL. INEXISTÊNCIA DE SIMULAÇÃO.
Eld um consenso entre a Doutrina e a Jurisprudência quanto ao fato de que são considerados simulados os atos realizados pelas partes quando a intenção delas não corresponde Aquela expressa pelos atos efetivamente realizados (ou exteriorizados). Por outro lado, quando os atos praticados revelam exatamente a intenção das partes, não há que se falar em simulação.
IRPF. GANHO DE CAPITAL NA VENDA DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. APURAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO.
INCORPORAÇÃO REVERSA. CAPITALIZAÇÃO DOS LUCROS.
APLICAÇÃO DO ART. 135 DO RIR/99.
0 art. 135 do RIR/99 prevê expressamente que "no caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual A. parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista". A lei não prevê qualquer exceção à aplicação da norma, de forma que, para afastá-la, deverá ser demonstrada pela fiscalização a sua inaplicabilidade ao caso concreto.
Diante da falta de tal demonstração, não pode prevalecer o lançamento.
Numero da decisão: 2102-001.938
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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GANHO DE CAPITAL. INEXISTÊNCIA DE SIMULAÇÃO. Há um consenso entre a Doutrina e a Jurisprudência quanto ao fato de que são considerados simulados os atos realizados pelas partes quando a intenção delas não corresponde àquela expressa pelos atos efetivamente realizados (ou exteriorizados). Por outro lado, quando os atos praticados revelam exatamente a intenção das partes, não há que se falar em simulação. IRPF. GANHO DE CAPITAL NA VENDA DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. APURAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. INCORPORAÇÃO REVERSA. CAPITALIZAÇÃO DOS LUCROS. APLICAÇÃO DO ART. 135 DO RIR/99. O art. 135 do RIR/99 prevê expressamente que “no caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista”. A lei não prevê qualquer exceção à aplicação da norma, de forma que, para afastála, deverá ser demonstrada pela fiscalização a sua inaplicabilidade ao caso concreto. Diante da falta de tal demonstração, não pode prevalecer o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 17/04/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Nubia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Em face do contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 89/94 para exigência de IRPF sobre ganho de capital auferido por ocasião da venda de participação societária, acrescido de multa de ofício qualificada de 150%. Do longo Termo de Constatação que instrui o lançamento, depreendese que o mesmo decorreu do entendimento de que o contribuinte omitira parte do ganho de capital auferido com a venda de sua participação no BANCO PACTUAL S/A, em razão de planejamento tributário tido pela autoridade fiscal como operação simulada. A fim de ilustrar as operações realizadas pelo contribuinte que deram ensejo ao lançamento, eis o que consta do referido Termo de Constatação, verbis: A operação de alienação do BANCO PACTUAL S/A da forma como foi engendrada deve ser entendida no seu sentido amplo, não se restringindo apenas ao ato de transferência da propriedade das ações da instituição financeira ao adquirente — UBS Brasil Participações Ltda. — CNPJ 08.245.9751000191 — mas contemplandose no escopo do ato negocial todas as operações anteriores de capitalização de lucros e reservas e extinção das holdings integrantes do grupo empresarial. A simulação nos atos praticados fica evidente quando analisamos que se a intenção do acionista pessoa física fosse unicamente a de alienar a sua participação indireta no BANCO PACTUAL S/A, seria transferida ao UBS Brasil Participações Ltda. a propriedade das ações das holdings PACTUAL HOLDINGS S/A e NOVA PACTUAL PARTICIPAÇÕES LTDA. a ele pertencentes. (...) Na aparência, a operação envolveu apenas a aludida transferência de propriedade das ações do BANCO PACTUAL S/A. No entanto, no ato praticado foram conferidos direitos [majoração irregular do CUSTO DE AQUISIÇÃO DAS AÇÕES ALIENADAS DO BANCO PACTUAL S/A] de forma simulada, ao Acionista Pessoa Física, Gilberto Sayão da Silva, conforme preceituado no inciso I do parágrafo 1° do art. 167 do Código Civil, Lei n° 10.406102. Neste contexto, observase a materialização da hipótese prevista no parágrafo 2° do mesmo artigo, considerando que na Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 12898.002335/200931 Acórdão n.º 210201.938 S2C1T2 Fl. 998 3 operação, ao majorar o custo de aquisição das ações alienadas e, conseqüentemente, reduzir o ganho de capital, a Pessoa Física provocou evasão de tributo [imposto de renda sobre o ganho de capital], lesando direito de terceiro, no caso, o Fisco. Cabe consignar que as sociedades investidoras de fato existiam, os atos de reorganização societária ocorreram e os procedimentos contábeis de incorporação de lucros e reservas ao capital social das holdings ocorreram apenas na forma. No entanto, o ato exteriorizado fundamentado no comando contido no artigo 135 do RIW99 — Decreto n° 3.000199 — o qual permite o aumento do custo de aquisição das ações pertencentes à pessoa física com a capitalização de lucros e reservas das pessoa jurídica, contém elementos inequívocos à caracterização de ato simulado, conforme preceituado no artigo 167 do Código Civil — Lei 10.406/02, em razão de ocultar a real intenção do agente que utilizandose de previsão legal tendente a atribuir efeitos econômicos e tributários a atos negociais, pratica operação destituída dos elementos inerentes aos aludidos efeitos. Na apuração do CUSTO DE AQUISIÇÃO DAS AÇÕES ALIENADAS DO BANCO PACTUAL S/A foram imputados valores fictícios que não se revestem de conteúdo econômico e financeiro, que distorcem as características intrínsecas dos elementos que compõem os conceitos de custo de aquisição, como aqueles que traduzem os esforços e sacrifícios da pessoa física ou jurídica na formação e crescimento de seu patrimônio. A multa de ofício foi qualificada em razão da alegada simulação dos atos envolvidos nas sucessivas operações societárias que culminaram com a venda da participação do contribuinte no BANCO PACTUAL S/A. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 803/821, por meio da qual defendeu a legalidade das operações realizadas, refutando a alegação da autoridade lançadora de que teria havido simulação. Alegou que suas operações estariam devidamente respaldadas pelo disposto no art. 135 do RIR/99, e que estaria incorreto o entendimento da fiscalização de que o referido artigo não poderia ser aplicado a operações de reestruturação. Na análise de suas alegações, os membros da DRJ no Rio de Janeiro decidiram pela manutenção integral do lançamento, em acórdão do qual se extrai a seguinte ementa: OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. Sujeitase à incidência do Imposto de Renda o ganho de capital correspondente à diferença entre o valor de alienação das ações pelo acionista pessoa física e o respectivo custo de aquisição, que não pode ser majorado sem o amparo legal. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. VALIDADE. Só é considerado válido o planejamento tributário, conjunto de medidas e atos adotados pelo contribuinte na organização de Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 sua vida econômicofiscal, se este anteceder o fato gerador e pautarse pela legalidade, com o afastamento de qualquer forma de simulação em relação aos atos e negócios praticados. INCORPORAÇÕES INVERSAS. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. A capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos por equivalência patrimonial na sociedade investidora, seguida de incorporação inversa e nova capitalização, com duplicidade no incremento do custo de aquisição das ações a serem alienadas, constitui majoração irregular e infração fiscal. SIMULAÇAO. OPERAÇOES ESTRUTURADAS EM SEQUENCIA. O fato de cada uma das transações dentro do grupo societário, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. Constatada a prática de simulação, perpetrada mediante a articulação de operações com o intuito de evitar a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, é cabível a exigência do tributo, acrescido de multa qualificada (art. 44, inciso 11, da Lei n°. 9.430, de 1996). O contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 841/872, por meio do qual assim resumiu os fatos que motivaram o lançamento: (a) Em 13.10.2006, o capital de NOVA PACTUAL foi aumentado mediante a capitalização de lucros gerados pelo BANCO PACTUAL. Com isso, o custo dos investimentos do RECORRENTE em NOVA PACTUAL passou de R$ 127.944.783,32 para R$ 179.752.497,32 (aumento de R$ 51.807.714,00). (b) Também em 13.10.2006, o capital de PACTUAL HOLDINGS foi aumentado mediante a capitalização de lucros gerados pelo BANCO PACTUAL. Com isso, o custo dos investimentos do RECORRENTE em PACTUAL HOLDINGS passou de R$ 8.281.818,05 para R$ 108.081.818,05 (aumento de R$ 99.800.000,00). (c) Logo a seguir, a NOVA PACTUAL e PACTUAL HOLDINGS foram incorporadas por PACTUAL, sua controlada (incorporação reversa), e o RECORRENTE recebeu, em substituição às suas participações no capital das incorporadas, extintas com a incorporação, investimentos diretos na incorporadora, ou seja, em PACTUAL. (d) Em 03.11.2006, o capital de PACTUAL foi aumentado mediante a capitalização de lucros gerados pelo BANCO PACTUAL. Com isso, o custo dos investimentos do Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 12898.002335/200931 Acórdão n.º 210201.938 S2C1T2 Fl. 999 5 RECORRENTE em PACTUAL passou de R$ 287.834.315,37 (soma do custo de seus investimentos em NOVA PACTUAL e PACTUAL HOLDINGS, que foram incorporadas por PACTUAL) para R$ 499.004.964,37 (aumento de R$ 211.170.649,00). (e) Em 01.12.2006, PACTUAL foi incorporada pelo BANCO PACTUAL (incorporação reversa) e o RECORRENTE recebeu, em substituição à sua participação no capital da incorporada, extinta com a , incorporação, investimentos diretos na incorporadora, ou seja, no. BANCO PACTUAL. 2.7. Em seguida, após a ocorrência do fato mencionado em "e", acima, as ações do BANCO PACTUAL detidas pelo RECORRENTE foram alienadas a UBS BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA. ("UBS BRASIL"), pelo preço de R$ 1. 111.647.540,24, do qual a parcela de R$ 432.043.319,81 foi paga à vista. Quanto ao mérito, suscitou os seguintes motivos que justificariam a reforma da decisão proferida pela DRJ: as holdings que detinham a totalidade das ações do banco foram criadas mais de 10 anos antes dos eventos que ensejaram o lançamento, e tinham o propósito de organizar o controle sobre o banco, bem como a distribuição de seus lucros entre os 69 sócios do mesmo; a reestruturação societária era necessária à efetivação da venda do banco, e poderia ter sido feita de diversas maneiras, tendo os sócios optado pela que lhes parecer mais conveniente; a opção pela extinção das holdings e não do próprio banco se deu também por razões relacionadas à própria atividade exercida, já que os sócios tinham diversas obrigações personalíssimas perante os compradores do referido banco; discorreu sobre todos os inconvenientes que seriam causados caso a incorporação tivesse se dado de forma “tradicional” (as holdings teriam que se tornar instituições financeiras), e também sobre os inconvenientes decorrentes da extinção das holdings para viabilizar a venda do banco ao UBS; e a rapidez com que a reestruturação foi feita é outro fato que demonstra que realmente esta seria a melhor saída (incorporação “reversa”), sendo indevida a conclusão tomada pela autoridade lançadora no sentido de que a rapidez da reestruturação teria sido um forte indício de que o objetivo seria o de escapar à tributação. Em seguida, discorreu sobre um a um dos referidos tópicos suscitados na decisão recorrida: i) rapidez com que foi realizada a reestruturação, ii) utilização de incorporações inversas, e iii) aumento do custo de aquisição dos seus investimentos, item no qual reitera que tal aumento se deu com amparo no disposto no art. 135 do RIR/99, da seguinte forma: 3.55. A legislação em vigor prevê que a capitalização de lucros' gera acréscimo de custo para os acionistas pessoas físicas, sem Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 cogitar da natureza do lucro. O destinatário desse aumento de custo é o acionista pessoa física que, no momento da capitalização do mesmo, for sócio ou acionista da empresa. À época da capitalização dos lucros das holdings, quer a mesma houvesse resultado de deliberação específica, quer houvesse ocorrido no processo de incorporação, seus sócios ou acionistas eram os VENDEDORES e, dentre eles, o RECORRENTE. Assim, o ajuste do custo dos investimentos do RECORRENTE decorre da aplicação da lei e não há como rejeitálo. Concluiu que não constavam, quer do Auto de Infração, quer da decisão recorrida, quaisquer normas legais por ele infringidas, e afirmou que a autuação decorria tão somente do inconformismo da autoridade fiscal quanto aos efeitos gerados pela aplicação da lei (art. 135 do RIR/99) ao caso concreto. Alegou ainda que a capitalização de lucros das holdings, em casos de reestruturação é uma conseqüência necessária das incorporações e independe de ato específico neste sentido, discorrendo sobre o entendimento da CVM e da Receita Federal a este respeito. Defendeu também que as conseqüências da opção pela capitalização de lucros antes das incorporações seria irrelevante em termos fiscais, concluindo também que se fossem desconsiderados os efeitos da capitalização dos lucros na Nova Pactual, deveria igualmente ser alterada a sua participação no Banco Pactual, verbis: 3.76. A distribuição desproporcional de lucros fez cone que a participação do RECORRENTE no capital de NOVA PACTUAL fosse reduzida de 20,37% para apenas 13,16%, conforme demonstra a Cláusula Sexta do Contrato Social de NOVA PACTUAL, após a realização da 4' alteração (DOC. 01). 3.77. Ao questionar a REESTRUTURAÇAO, o AUTO (acolhido pela DECISÃO) desconsidera um dos efeitos do aumento de capital de NOVA PACTUAL (aumento do custo), mas mantém outro (redução da participação do RECORRENTE). 3.78. Se o AUTO fosse julgado procedente, o que o RECORRENTE admite apenas para argumentar, a desconsideração do aumento de capital da NOVA PACTUAL deveria ocorrer por completo, do que resultaria que, à época das incorporações das holdings pelo BANCO PACTUAL, tocasse ao RECORRENTE um maior número de ações do BANCO PACTUAL. 3.79. Ou seja, se os efeitos da capitalização de lucros da NOVA PACTUAL fossem ignorados, o custo dos investimentos do RECORRENTE no BANCO PACTUAL, na época da vendas de suas ações, seria maior, na medida em que: (i) sua redução no capital de NOVA PACTUAL — de 20,37% para 13,16% — seria desconsiderada; e (ii) tocariam ao RECORRENTE ações do BANCO PACTUAL en1 maior número, quando houvesse a incorporação; 3.80. Em vista disto, se, por absurdo, fosse mantido o AUTO, o ganho de capital do RECORRENTE deveria ser recalculado e quantificado con] base na participação que o mesmo teria no BANCO PACTUAL se a capitalização de lucros de NOVA PACTUAL — e conseqüente redução de sua participação — não tivesse ocorrido. Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 12898.002335/200931 Acórdão n.º 210201.938 S2C1T2 Fl. 1000 7 Trouxe diversos exemplos para ilustrar seu raciocínio, bem como jurisprudência em favor de suas alegações. Por fim, discorreu sobre a inexistência de simulação na espécie, defendendo que seria inaplicável ao caso a qualificação da multa de ofício, pugnando pela reforma da decisão recorrida. Quando os autos já haviam sido encaminhados a este Conselho para julgamento, o Recorrente anexou aos autos (fls. 909 e seguintes) parecer exarado por Ricardo Mariz de Oliveira acerca da inocorrência da simulação no caso em que se examina. O parecer tinha como objetivo oferecer resposta à seguinte indagação: "12. Diante do exposto, indaga Gilberto Sayão da Silva se, na reestruturação realizada previamente à alienação do BANCO, para que a mesma fosse realizada por seus controladores finais, houve a prática de algum ato (ou de um conjunto de atos) que possa ser qualificado como simulado, nos termos do art. 167 do Código Civil." A conclusão a que o signatário do mesmo chegou foi a de que: A única razão apresentada pela fiscalização autuante, e confirmada pela decisão da DRJ no respectivo processo administrativo, é a indevida (segundo o entendimento dessas instâncias fiscais) aplicação do art 135 do RIR/99, que teria majorado indevidamente o custo das ações vendidas. Entretanto, as possíveis conseqüências tributárias dos atos não são hábeis para caracterizálos como simulados, isto por um elementar raciocínio lógico: se fosse assim, toda vez que o art. 135 fosse aplicável terseia que admitir ter havido simulação e ele deixaria de poder ser aplicado. (...) Como falei em passagem anterior, parece haver uma inconformidade da fiscalização com a duplicação de efeitos das capitalizações de lucros, em virtude de os lucros que existiam na Nova Pactual e na Pactual Holdings derivavam dos lucros da Pactual S.A. Todavia, isto não é resultado de simulação, mas, quando muito, insuficiência do comando legislativo, envolvendo tanto o art. 135 do RIR/99 quanto todo o método de equivalência patrimonial, não cabendo ao destinatário da norma, nem ao seu intérprete ou aplicador, corrigiIa a pretexto de interpretação, pois a correção necessariamente deve ser objeto de alteração legislativa, assim como não lhes é dado distinguir onde a norma legal não distingue, ou acrescentar a ela requisitos ou condições nela inexistentes. Seja como for, qualquer discussão em torno do art. 135 do RIR não depende necessariamente de ter havido simulação, e nem permite afirmar ter havido simulação. Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 8 Concluo, pois, não ter ocorrido simulação perpetrada pelo Sr. Gilberto Sayão da Silva ou por qualquer das pessoas envolvidas nos atos e negócio jurídicos de que ele participou. É meu parecer. Em seguida (fls. 984 e seguintes), a d. Procuradoria da Fazenda Nacional apresenta suas contrarazões ao Recurso Voluntário, aduzindo, em síntese, e após um breve relato dos fatos, que teria havido o aumento irregular do custo de aquisição das ações do BANCO PACTUAL S.A., tendo em vista que o Banco era a única fonte produtora de riqueza para todo o grupo, e os lucros não distribuídos (e capitalizados) pelas demais empresas foram apurados através do método da equivalência patrimonial. Eis um trecho do entendimento esposado na referida peça: Ora, as operações de capitalização e incorporação inversas não podem ser consideradas isoladamente, como pretende o contribuinte. Com efeito, a opção feita pelo contribuinte , no sentido de aproveitar os lucros e reservas de capital para aumentar o capital social , trará consequências para todas as suas empresas . Dessa forma, os dividendos não distribuídos c que estavam presentes na NOVA PACTUAL PARTICIPAÇÕES LTDA. e na PACTUAL HOLDINGS S.A., por meio do método da equivalência patrimonial, podem ser utilizados para a capitalização dessas empresas. Por sua vez, a incorporação dessas empresas pela PACTUAL S.A. provocará a incidência do art. 135 do RIR/99, com o conseqüente aumento do custo de aquisição das ações. Entretanto, unia vez utilizados os lucros e reservas de capital nessa operação, não é admissivel que eles possam lastrear unta futura capitalização da PACTUAL S.A. e o eventual aumento no custo de aquisição das ações dessa pessoa jurídica na incorporação inversa pelo BANCO PACTUAL S.A. Por fim, a PFN reitera o pedido para que seja mantida a qualificação da multa de ofício. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 10.06.2010, conforme fls. 838. O Recurso Voluntário foi interposto em 08.07.2010 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento para exigência de Imposto de Renda sobre ganho de capital supostamente pago a menor pelo Recorrente em razão da alegada ocorrência de simulação nas operações que antecederam a venda de sua participação societária no Banco Pactual. Antes, porém, de entrar no mérito da discussão travada nestes autos, cumpre fazer um breve resumo dos fatos envolvidos na operação de venda desta participação societária, para que se possa ter uma melhor compreensão da motivação do lançamento. Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 12898.002335/200931 Acórdão n.º 210201.938 S2C1T2 Fl. 1001 9 Da operação que ensejou o lançamento O Recorrente e seus sócios detinham, indiretamente, o controle do Banco Pactual, o que exerciam através de três holdings diversas, conforme demonstrado no seguinte quadro, elaborado pela fiscalização e extraído do TCF: Decidiram então vender suas participações no Banco Pactual para o banco UBS. Na negociação com o comprador (o UBS) restou estabelecido que as pessoas físicas é que venderiam suas participações no banco, e não as holdings (que detinham a participação direta no mesmo). Por isso, foram feitas as seguintes operações para efetivar a venda: a) em 13.10.2006, capitalização dos lucros apurados pela Nova Pactual e pela Pactual Holdings com base no MEP, com a conseqüente majoração do custo de aquisição das participações societárias das pessoas físicas, nos termos do art. 135 do RIR/99; b) incorporação de Nova Pactual e Pactual Holdings pela Pactual S/A (1ª incorporação reversa), com o recebimento, pelas pessoas físicas, de participação na mesma proporção das participações societárias que detinham naquelas duas holdings (extintas com as incorporações); Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 10 c) em 03.11.2006, capitalização dos lucros apurados pela Pactual S/A com base no MEP, com a conseqüente majoração do custo de aquisição das participações societárias das pessoas físicas, nos termos do art. 135 do RIR/99; d) em 01.12.2006, incorporação da Pactual S/A pelo Banco Pactual (2ª incorporação reversa), com o recebimento, pelas pessoas físicas, de investimentos diretos na mesma proporção que detinham da holding (extinta pela incorporação); e e) venda do Pactual ao UBS diretamente pelas pessoas físicas, ocasião em que foi apurado o ganho de capital devido. Concluída a venda, e recebida a primeira parcela acertada entre as partes, o Recorrente apurou o ganho de capital que entendia incidente sobre a operação, tendo então efetuado o recolhimento do valor de R$ 35.345.463,99, baseado no seguinte cálculo: Como demonstrado acima, o custo de aquisição utilizado por ele foi o de R$ 505.291.757,41. A autoridade fiscal entendeu, porém, que o custo de aquisição então apurado não estaria correto. Por isso, refez os cálculos do ganho de capital que entendeu devido, tomando como base os seguintes valores: Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 12898.002335/200931 Acórdão n.º 210201.938 S2C1T2 Fl. 1002 11 Como se vê, neste cálculo o custo de aquisição foi reduzido para R$ 353.684.043,40. Assim, os cálculos efetuados pela autoridade fiscal e aqueles efetuados pelo Recorrente divergem somente no que diz respeito ao custo de aquisição das ações. Esta a origem do lançamento. Feitos estes esclarecimentos preliminares, passase agora a analisar o mérito do Recurso Voluntário. Um dos pontos mais importantes da discussão aqui travada diz respeito à alegação da autoridade autuante de que teria havido simulação, a justificar o próprio lançamento e, conseqüentemente, a multa qualificada aplicada a ele. O trecho a seguir transcrito – extraído do Termo de Constatação Fiscal (TCF), demonstra este entendimento: No caso em tela, revelouse a operação de venda das ações do BANCO PACTUAL S/A destituída do elemento central inerente à caracterização da elisão fiscal, qual seja, a utilização de meios lícitos. Ao inflar artificialmente o CUSTO DE AQUISIÇÃO DAS AÇÕES ALIENADAS DO BANCO PACTUAL S/A, com a capitalização cumulativa de valores derivados dos lucros apurados por equivalência patrimonial, o contribuinte Gilberto Sayão da Silva incorreu na prática de ato simulado — entre o agente pessoa física e as pessoas jurídicas integrantes do Grupo Pactual — com o propósito de lesar terceiros, no caso o FISCO, materializandose a hipótese de incidência prevista no inciso I do parágrafo 1° do art. 167 do Código Civil (CC) — Lei n° 10.406/02, combinado com o parágrafo 2° do mesmo artigo, tendo em vista o ato praticado aparentar conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas às quais realmente se conferem ou transmitem. (...) Cabe consignar que as sociedades investidoras de fato existiam, os atos de reorganização societária ocorreram e os procedimentos contábeis de incorporação de lucros e reservas ao capital social das holdings ocorreram apenas na forma. No entanto, o ato exteriorizado fundamentado no comando contido no artigo 135 do RIR/99 — Decreto n° 3.000199 — o qual permite o aumento do custo de aquisição das ações pertencentes Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 12 à pessoa física com a capitalização de lucros e reservas das pessoa jurídica, contém elementos inequívocos à caracterização de ato simulado, conforme preceituado no artigo 167 do Código Civil — Lei 10.406/02, em razão de ocultar a real intenção do agente que utilizandose de previsão legal tendente a atribuir efeitos econômicos e tributários a atos negociais, pratica operação destituída dos elementos inerentes aos aludidos efeitos. (destacamos) A decisão recorrida, por seu turno, manteve o entendimento de que teria havido verdadeira simulação, como se depreende do seguinte trecho dela extraído: Cabe, também, destacar que a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, ao apreciar, pela primeira vez, um caso de incorporação invertida, em que uma empresa com prejuízo fiscal incorporou uma lucrativa, considerou o procedimento ilegal. Entendeu o STJ que mesmo não havendo impedimento legal, houve simulação com o objetivo de pagar menos tributo, mantendo o julgamento da 2 a. Turma do Tribunal Regional Federal da 4a. Região (Apelação Cível n'2004.71.10.003965 9/RS). Consolidase o entendimento de que as incorporações invertidas devem ser reais, fazendo parte de uma legítima reorganização societária e não servindo de mecanismo para fugir à tributação. No presente Auto de Infração, as apurações feitas pela fiscalização demonstram que todas as etapas do processo que culminaram na venda das ações do Banco Pactuai S/A foram antecipadas e cuidadosamente planejadas. Resta, pois, claro que a intenção era efetivamente reduzir o ganho de capital na venda das ações, como resta igualmente claro que as pessoas envolvidas nas operações, incluindose aí o impugnante, agiram com a intenção livre e consciente de ludibriar a tributação, incorrendo em simulação prescrita também no art. 149, inciso VII, do Código Tributário Nacional — CTN (Lei n 5. 172, de 25 de Outubro de 1966), que determina o lançamento de oficio neste caso. (destacamos) Em resumo, entendeuse que o único propósito das incorporações reversas acima mencionadas teria sido o de reduzir a tributação incidente sobre o ganho de capital devido pelas pessoas físicas. De outra parte, o Recorrente defende que as incorporações reversas estariam plenamente justificadas por outros motivos, que não a economia de tributos. Defendeu que, como a negociação feita com o UBS era de venda do banco pelas pessoas físicas, ele e seus sócios teriam algumas possibilidades de viabilizar tal operação (devolução/redução de capital, incorporação do banco pelas holdings e outras); diante destas opções, decidiram pelas incorporações reversas, porque esta pareceu às partes o “meio mais lógico e conveniente à realização do negócio”, justificandose pelos seguintes motivos: a) os vendedores (sócios das holdings) assumiram obrigações de caráter personalíssimo, como a de não competirem com a sociedade vendida – razão pela qual Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 12898.002335/200931 Acórdão n.º 210201.938 S2C1T2 Fl. 1003 13 seria necessário que as holdings fossem previamente extintas, de forma que a transação de compra e venda se operasse entre as pessoas físicas e o comprador (UBS); b) caso se optasse pela redução do capital das holdings mediante a entrega dos investimentos no Banco Pactual aos vendedores, deveria ser observado o prazo de 60 dias para a manifestação de credores (caso das S/A PACTUAL e da PACTUAL HOLDINGS), e de 90 dias para a NOVA PACTUAL. Além disso, nesse caso, as holdings continuariam a existir, operação que geraria para os vendedores custos desnecessários; c) caso se optasse pela incorporação “tradicional”, esta traria os inconvenientes de alteração do número de CNPJ, vencimento antecipado de obrigações e notificação de credores, entre outros. Além disso, tal operação ensejaria a extinção justamente da atividade bancária, objeto da transação com o UBS, sendo poucos os precedentes de incorporação de um banco por uma sociedade que não seja uma instituição financeira. Neste caso, haveria a necessidade de transformação da holding em uma instituição financeira, processo que demandaria a aprovação do Banco Central do Brasil, razão pela qual foi também descartada a hipótese; e d) a última opção descartada seria a venda das participações que as pessoas físicas detinham nas holdings para o UBS, hipótese de plano descartada em razão da falta de interesse do comprador, já que a configuração societária então utilizada não teria para ele quaisquer benefícios ou vantagens. Ainda de acordo com a defesa, a redução do imposto devido foi mera decorrência da aplicação do art. 135 do RIR/99 ao caso concreto, não tendo sido motivadora do caminho tomado para a efetivação da operação. De fato, ponderando todos estes argumentos, entendo que assiste razão ao Recorrente no que diz respeito à inexistência de simulação. O conceito de simulação está previsto no art. 167, §1º do Código Civil (Lei nº 10.406/02), cuja transcrição se faz importante para a análise do caso em exame, verbis: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 14 II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. A simulação, nos dizeres de Hermes Marcelo Huck, pode ser assim definida: Poderá, então, ser definida a simulação como a declaração de vontade irreal, emitida conscientemente, mediante acordo entre as partes, objetivando a aparência de um negócio jurídico que não existe ou que, se existe, é distinto daquele que efetivamente se realizou, com o fito de iludir terceiros. No ato simulado ocorre uma divergência entre a declaração aparente e externa feito pelo sujeito ou sujeitos, que pretendem as partes seja visível em relação a terceiros (ou ao Fisco), e a vontade ou declaração interna, que pretendem seja a vigente entre elas, declaração essa necessária para que tenha eficácia a real intenção das partes, escondida por trás da declaração aparente. Há um contraste entre a forma extrínseca do ato praticado e a vontade íntima (e real) das partes que o praticam. No processo de simulação há uma deformação da declaração de vontade das partes, conscientemente desejada, com o objetivo de induzir terceiros ao erro ou engano. No caso de planejamentos ou estratagemas fiscais com objetivos evasivos, o processo simulatório visa a enganar e iludir ao Fisco. (In: “Evasão e Elisão – Rotas Nacionais e Internacionais do Planejamento Tributário”, Ed. Saraiva, 1997, pág. 118) Seguindo esta mesma linha de raciocínio, a Jurisprudência deste CARF entende como simulação: (...) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1998, 1999, 2000 Ementa: SIMULAÇÃO SUBSTÂNCIA DOS ATOS INSTRUMENTOS SIMULATÓRIOS DEVEM SER HÁBEIS A SUPRIMIR TRIBUTO ATO SIMULATÓRIO NÃO PODE PERMANECER HÍGIDO APÓS O LEVANTAMENTO DO VÉU DAS OPERAÇÕES OCULTAS Não se verifica a simulação quando os atos praticados são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados, assumindo o contribuinte as conseqüências e ônus das formas jurídicas por ele escolhidas, ainda que motivado pelo objetivo de economia de imposto. A caracterização da simulação demanda demonstração de nexo de causalidade entre o intuito simulatório e a subtração de imposto dele decorrente. Ademais, se após o descobrimento de eventuais operações ocultas permanece íntegro o pretenso ato simulado, devese reconhecer que não ocorreu a simulação. Para haver simulação, o ato simulado não pode permanecer hígido após o descobrimento das operações que objetivou ocultar. IRPF DECADÊNCIA Mantida a qualificação da multa, a contagem do prazo de decadência se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, a teor do art. 173, I do CTN. IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO DOAÇÕES ENTRE Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 12898.002335/200931 Acórdão n.º 210201.938 S2C1T2 Fl. 1004 15 FAMILIARES Quando a fiscalização logra comprovar que a doação entre pai e filho não poderia ter ocorrido, por falta de disponibilidade do doador, cabe ao contribuinte produzir prova suficiente em seu favor, a fim de comprovar a efetividade das doações alegadas. Não o fazendo, não podem ser acolhidas suas alegações. IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Tendo a fiscalização, justificadamente, procedido ao arbitramento do valor dos apartamentos adquiridos pelo contribuinte, caberia ao mesmo elidir as referidas presunções, nos termos do art. 148 do CTN. Não o fazendo, deve ser mantida a tributação em razão da apuração de acréscimo patrimonial a descoberto. TAXA SELIC Em atenção à Súmula nº 04 deste Primeiro Conselho, é aplicável a variação da taxa Selic como juros moratórios incidentes sobre créditos tributários. Recurso voluntário parcialmente provido. (Acórdão n°. 10616.546, 6ª Câmara, Rel Cons. Giovanni Christian Nunes Campos) Como se vê, há um consenso na Doutrina e na Jurisprudência quanto ao fato de que são simulados os atos realizados pelas partes quando a intenção delas não é aquela expressa pelos atos efetivamente realizados (ou exteriorizados). Assim, nos casos em que há simulação, as partes realizam, por exemplo, uma compra e venda (formalmente falando) quando em realidade pretendiam fazer uma doação. Isto, porém, não ocorreu no caso que aqui se examina. Todos os atos realizados entre as partes – pelo menos aqueles que foram objeto de análise para fins deste lançamento – visavam exatamente o objetivo pretendido e exteriorizado, que era o de vender a participação societária que as pessoas físicas detinham (indiretamente) no Banco Pactual para o UBS. Nenhum dos atos praticados pelo Recorrente ou por seus sócios teve a intenção de esconder ou mascarar tal objetivo. Ressaltese, ainda, que as operações foram levadas ao conhecimento de todas as autoridades responsáveis e devidamente aprovadas, sendo certo que acaso tivesse sido apontada qualquer irregularidade em tal operação, teria ela sido recusada pelo Banco Central (que prevê rígido controle sobre a transferência de controle ou reorganização societária de instituições financeiras, conforme a Resolução nº 3.040, de 29.12.2002). Por tudo isso, é de se concluir que o simples fato de as incorporações terem ocorrido de forma reversa não implica em qualquer simulação. Em outras ocasiões, este Conselho já analisou operações desta natureza, tendo decidido que: IRPJ — INCORPORAÇÃO AS AVESSAS — GLOSA DE PREJUÍZOS — IMPROCEDÊNCIA — A denominada "incorporação às avessas", não proibida pelo ordenamento jurídico, realizada entre empresas operativas e que sempre estiveram sob controle comum, não pode ser tipificada como operação simulada ou abusiva, mormente quando, a par da inegável intenção de não perda de prejuízos fiscais acumulados, teve por escopo a busca de melhor eficiência das operações entres ambas praticadas. Recurso especial negado. Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 16 (Ac. CSRF/0105.413, de 30 de março de 2006, Rel. Cons. Dorival Padovan) A incorporação reversa também está devidamente prevista em lei, conforme o art. 8º, ‘b’, da Lei nº 9.532/95, verbis: Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: (...) b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Por tudo isso, não pode prevalecer o entendimento esposado pela autoridade fiscal de que para efetivar a venda do banco, “bastaria” aos sócios terem vendido ao UBS suas participações nas holdings que o controlavam (o banco). Como se viu, a operação aqui analisada, como um todo, foi plenamente justificável por todos os argumentos trazidos pela defesa do Recorrente, os quais já foram anteriormente destacados, e devem ser considerados a fim de espancar qualquer dúvida a respeito da licitude das operações efetuadas. Ademais, as holdings não foram criadas com o objetivo de viabilizar a operação em tela, mas já existiam há muitos anos, por uma organização societária definida em momento bastante anterior ao da ocorrência do fato gerador do IR em questão. Afastada a alegação de ocorrência de simulação, deve ser analisado se está correto o valor tomado pelo Recorrente como custo de aquisição considerado na apuração do ganho de capital incidente sobre a venda da sua participação societária no Banco Pactual S/A. Este custo, segundo a autoridade autuante, teria sido indevidamente majorado em razão das sucessivas operações realizadas, sendo inaplicável o art. 135 do RIR de forma “sucessiva”, como o foi no caso concreto. Antes de mais nada, é preciso entender o que estabelece o referido diploma legal (que espelha do disposto no § único do art. 10 Lei nº 9.249/95), verbis: Art.135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art.10, parágrafo único). Sobre a aplicação desta regra, o ponto nodal da discussão travada nestes autos reside no seguinte trecho, extraído do TCF (fls. 72/73 dos autos): O princípio da competência dos exercícios fundamentase na lógica de que ao despender esforços na exploração de seu objeto social e, conseqüentemente, obter receitas, a sociedade incorre em sacrifícios, os quais são representados pelas despesas. Do confronto realizado entre as receitas e despesas apurase o resultado que, quando positivo, pode ser distribuído aos sócios ou ficar retido na entidade. Quando tais lucros retidos são capitalizados, os acionistas estarão definitivamente renunciando ao recebimento dos lucros como dividendos, aumentandose o custo de aquisição das ações a eles pertencentes. No entanto, o aludido aumento no custo das ações estará limitado à efetiva riqueza gerada e armazenada na sociedade. Não se pode admitir que o custo de aquisição das ações seja majorado em valores Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 12898.002335/200931 Acórdão n.º 210201.938 S2C1T2 Fl. 1005 17 superiores ao que efetivamente foi produzido e retido pela entidade. (...) Em outras palavras, da mesma forma que uma sociedade não pode distribuir lucros em montantes superiores à sua efetiva riqueza própria, não poderá também o sócio ou acionista aumentar o custo de aquisição de suas ações em valores superiores aos relativos ao incremento do patrimônio líquido da sociedade, considerando a inexistência de outros créditos dos acionistas contra as sociedades (dívidas no passivo exigível das sociedades para com os acionistas) que justificassem os referidos aumentos no custo das ações. No caso da operação de alienação do BANCO PACTUAL S/A, todos os atos de capitalização de lucros e extinção das investidoras tiveram a única e exclusiva intenção de majorar o custo de aquisição das ações e, conseqüentemente, reduzir de forma irregular o ganho de capital do Acionista Pessoa Física, evitando, de forma artificial, o pagamento do imposto devido. (destacamos) O Termo de Constatação Fiscal (fls. 54/55 dos autos) esclarece ainda que não seria “razoável” um acréscimo na participação societária detida pelo Recorrente na ordem de 271%, enquanto que o banco teve seu patrimônio líquido aumentado em apenas 89%. Segundo a autoridade autuante, a majoração do custo de aquisição das ações detidas pelo Recorrente deveria guardar “relação direta com o patrimônio líquido do banco”, já que toda a riqueza das holdings “vinha exclusivamente das operações deste banco”. Para compreender melhor a discussão, é preciso entender os valores aqui envolvidos. Ao longo do procedimento fiscal, o Recorrente esclareceu quais os dividendos a que teria direito em cada uma das pessoas jurídicas mencionadas, conforme o seguinte quadro: Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 18 Sob o ponto de vista do Recorrente, aplicandose a regra do art. 135 do RIR/99 teria ele o direito de acrescer ao custo de aquisição de sua participação societária o valor dos dividendos capitalizados por todas as empresas acima mencionadas (onde se lê “créditos capitalizados”, cf. quadro acima), razão pela qual chegou aos R$ 505.291.757,41 (acrescendo ao custo original de aquisição das holdings os créditos de R$ 99.800.000,00 + 51.807.714,00 + 211.170.649,00). Por outro lado, o fiscal autuante considerou somente os créditos capitalizados na Pactual S/A (R$ 211.170.649,00) para encontrar o valor do custo de aquisição para fins de ganho de capital, tendo então glosado os valores dos créditos decorrentes dos efeitos da capitalização nas holdings Pactual Holdings e Nova Pactual. Eis o trecho que esclarece sua motivação para fazêlo: Ora, se o Patrimônio Líquido de PACTUAL S/A era de R$ 1.065.156.818,96 e o valor patrimonial da participação do acionista equivalia a R$ 225.813.245,40 este seria o CUSTO DE AQUISIÇÃO DAS AÇÕES ALINADAS DO BANCO PACTUAL S/A, considerando a já informada participação de 100,00% de PACTUAL,S/A no BANCO PACTUAL S/A. Considerando os dividendos efetivamente distribuídos, o contribuinte apurou dividendos capitalizados no montante R$ 211.170.649,00. Este, e somente este, seria o valor a ser computado como aumento do CUSTO DE AQUISIÇÃO DAS AÇÕES ALIENADAS DO BANCO PACTUAL S/A. (...) Com base no exposto, mostrase indevido o acréscimo no CUSTO DAS AÇÕES DO BANCO PACTUAL ALIENADAS do valor de R$ 151.607.714,00 [soma dos valores de R$ 99.800.000,00 e R$ 51.807.714,00, referentes à capitalização de Dividendos recebidos de PACTUAL HOLDINGS S/A e NOVA PACTUAL PARTICIPAÇÕES LTDA., respectivamente], do acionista GILBERTO SAYÃO DA SILVA, motivo pelo qual tal valor deve ser glosado no cômputo do DEMONTRATIVO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DAS AÇÕES DO BANCO PACTUAL S/A, sendo o valor do CUSTO, DE DAS AÇÕES DO BANCO PACTUAL S/A ALIENADAS reduzido de R$ 505.291.757,41 para R$ 353.684.043,40 [R$ 505.291.757,41 R$ 151.607.714,00, o qual passa ater a seguinte configuração. Este é o único trecho do TCF que demonstra o raciocínio tomado pela autoridade lançadora para encontrar o valor do imposto que entendia devido. Tal entendimento não pode prevalecer. Antes de mais, é de se destacar que o TCF não esclarece exatamente a motivação para que fossem considerados – para os fins do art. 135 do RIR/99 – somente os lucros da holding Pactual S/A, mas não os das duas outras holdings (sobre as quais o Recorrente detinha participação direta). Em nenhum momento foi demonstrado objetivamente de que forma o art. 135 do RIR/99 teria sido violado ou a razão pela qual o mesmo não se aplicaria na hipótese vertente. O que restou demonstrado foi tãosomente que os efeitos da aplicação deste artigo Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 12898.002335/200931 Acórdão n.º 210201.938 S2C1T2 Fl. 1006 19 não foram “favoráveis” ao Fisco (se é que se pode afirmar isso), pois implicaram no pagamento de um valor de imposto menor do que aquele que o Fisco entendeu devido. Não se pode, porém, admitir que este efeito (econômico, financeiro) seja o fundamento para uma autuação, sob pena de violação ao próprio princípio da legalidade, já que admitir tal hipótese seria negar validade ao art. 135 já citado aqui tantas vezes. Os exemplos hipotéticos trazidos no Termo de Constatação não são hábeis a justificar o que motivou o afastamento da aplicação do art. 135 à hipótese vertente. A apuração do custo de aquisição das participações societárias do Recorrente foi feita nos exatos termos do que dispõe a lei, a qual não prevê qualquer exceção à regra. Assiste razão à sua defesa quando afirma que os lucros auferidos por cada uma das holdings é diverso, e não pode ser considerado como um só – como pretendido neste lançamento. Por isso está correta a aplicação do art. 135 do RIR/99 por ocasião da capitalização dos lucros em cada uma das empresas do Recorrente, devendo ser considerado correto o cálculo por ele efetuado a título de ganho de capital pago por ocasião da venda de sua participação societária no Banco Pactual. Diante do exposto, VOTO no sentido de DAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10940.001712/2004-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2003
RECURSO DE OFÍCIO. ADMISSIBILIDADE. DECISÃO QUE APLICA RETROATIVIDADE BENIGNA. DISPENSA LEGAL. NÃO CONHECIMENTO.
Retroatividade benigna reconhecida por decisão de primeira instância representa hipótese legal de dispensa de recurso de ofício, nos termos da Lei nº 12.788, de 2013, impedindo o conhecimento da matéria pelo órgão revisor.
QUESTIONAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. ÓRGÃO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO DO PERCENTUAL.
Ressalvado o caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, aplica-se, retroativamente, a multa de 50% sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, por representar penalidade mais benigna.
Numero da decisão: 1202-000.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir o percentual da multa isolada a 50%.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente substituto
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Andrada Marcio Canuto Natal, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2003 RECURSO DE OFÍCIO. ADMISSIBILIDADE. DECISÃO QUE APLICA RETROATIVIDADE BENIGNA. DISPENSA LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. Retroatividade benigna reconhecida por decisão de primeira instância representa hipótese legal de dispensa de recurso de ofício, nos termos da Lei nº 12.788, de 2013, impedindo o conhecimento da matéria pelo órgão revisor. QUESTIONAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. ÓRGÃO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO DO PERCENTUAL. Ressalvado o caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, aplica-se, retroativamente, a multa de 50% sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, por representar penalidade mais benigna.
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Multa isolada Recorrentes COMPANHIA FORCA E LUZ DO OESTE FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003 RECURSO DE OFÍCIO. ADMISSIBILIDADE. DECISÃO QUE APLICA RETROATIVIDADE BENIGNA. DISPENSA LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. Retroatividade benigna reconhecida por decisão de primeira instância representa hipótese legal de dispensa de recurso de ofício, nos termos da Lei nº 12.788, de 2013, impedindo o conhecimento da matéria pelo órgão revisor. QUESTIONAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. ÓRGÃO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO DO PERCENTUAL. Ressalvado o caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, aplicase, retroativamente, a multa de 50% sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, por representar penalidade mais benigna. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir o percentual da multa isolada a 50%. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 17 12 /2 00 4- 11 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10940.001712/200411 Acórdão n.º 1202000.965 S1C2T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Andrada Marcio Canuto Natal, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10940.001712/200411 Acórdão n.º 1202000.965 S1C2T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 109/118), lavrado para cobrança de multa qualificada no percentual de 150% sobre o valor do crédito tributário de IRPJ compensado, visto que o contribuinte tentou compensar débitos de sua responsabilidade com créditos de natureza não tributária. O contribuinte apresentou impugnação, requerendo o cancelamento do lançamento e alegando, em síntese, que a autoridade fazendária não logrou comprovar o dolo, o qual que ensejaria a configuração do intuito de fraude, para fins de aplicação da multa qualificada. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, em sua decisão nº 0610.707 (fls. 159/198), proferida nos autos do processo n º 13931.000557/200332, ao qual o presente processo fora apensado, deu parcial provimento à impugnação, apenas para reduzir a penalidade de 150% para 75%, sujeitandoa ao recurso de ofício, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2004 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. AÇÃO JUDICIAL DE INDENIZAÇÃO. COMPETÊNCIA. A Secretaria da Receita Federal, por falta de previsão na legislação, não compete restituir valores que tenham sido eventualmente deferidos em ação judicial que discutia indenização, pela União Federal, de eventuais prejuízos na comercialização de açúcar e de álcool. Solicitação Indeferida. AÇÃO JUDICIAL DE INDENIZAÇÃO. COMPENSAÇÃO COM TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não pode ser homologada a compensação de tributo ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal com créditos supostamente deferidos em ação judicial em que, não se referindo à compensação tributária perante a SRF, discutiuse direito indenizatório por eventuais prejuízos na comercialização de açúcar e de álcool. Compensação não Homologada. Período de apuração: 01/02/2003 a 30/11/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE NATUREZA NÃO TRIBUTARIA. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE E PERCENTUAL. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10940.001712/200411 Acórdão n.º 1202000.965 S1C2T2 Fl. 5 4 Constatada, em declaração prestada pelo sujeito passivo, a compensação indevida em face da pretensão de utilização de crédito de natureza não tributária, cabível a aplicação da multa isolada, no percentual de 75%, sendo impingida a multa qualificada de 150% na hipótese de ser caracterizado o "evidente intuito de fraude" referido pela legislação. Lançamento Procedente em Parte.” Cientificado dessa decisão em 24/05/2006 (AR, fl.198), o contribuinte apresentou recurso voluntário, em 22/06/2006 (fls. 199/205), requerendo a reforma da decisão de primeira instância, com o cancelamento integral do Auto de Infração. Aponta, basicamente, a ilegalidade da aplicação multa de ofício, em face da suspensão da exigibilidade do crédito, e a violação do princípio da proporcionalidade com a alíquota de 75%. Intempestivamente, em 11/10/2007, traz à colação julgados precedentes que reconheceram a retroatividade benigna do art. 24 da Lei nº 11.051, de 2004, decidindo restar subsistente a multa isolada apenas em caso de evidente intuito de fraude, o que, segundo ele, não foi o caso. O processo foi encaminhado ao Primeiro Conselho de Contribuintes para apreciação, tendo sido declinada a competência para o Terceiro Conselho de Contribuintes, pelo Acórdão nº 10516.572, de 4/7/2007 (fls. 226/228), à vista do disposto no art. 22, XXI, do Anexo I do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007. Posteriormente, a 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, através do Acórdão nº 320200.199, de 1º/10/2010, declinou a competência para julgamento em favor da lª Seção do CARF, à luz do art. 2º, inciso VII c/c art. 7º, §1º, do Anexo II do novo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 22/06/2009, considerando que “compete à 1ª Seção do CARF julgar os recursos de oficio e voluntários decorrentes de decisão de primeira instância sobre indeferimento de pedidos de restituição e de compensação que tenham como base a aquisição de créditos originários de ação judicial de indenização contra a União (IAA), bem como decidir sobre o cabimento da multa isolada pela compensação indevida, por se tratar matéria residual não incluída na competência das demais Seções.” Distribuído para julgador vinculado a uma turma especial, o processo foi devolvido para novo sorteio entre as turmas ordinárias da 1ª Seção do CARF, por envolver crédito tributário superior a R$ 1.000.000,00, consoante regra de competência definida no art. 2º, § 2º da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009 e na Portaria MF nº 3, de 03/01/2008. Finalmente, redistribuídos os autos, encontrase o processo pronto para julgamento. É o relatório. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10940.001712/200411 Acórdão n.º 1202000.965 S1C2T2 Fl. 6 5 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora RECURSO DE OFÍCIO Após julgar parcialmente procedente a impugnação, a DRJ recorreu de ofício quanto à redução da multa isolada, por se tratar de exoneração superior ao limite de alçada de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), a teor do disposto na Portaria MF nº 3, de 2008. Conforme o relatório fiscal, a multa isolada foi lançada em razão do indeferimento das compensações que utilizavam créditos de natureza não tributária, tendo em vista o disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 17, de 3 de outubro de 2002, que tratava das hipóteses de evidente intuito de fraude praticada em pedidos ou declarações de compensação, nos seguintes termos: Artigo único. Os lançamentos de ofício relativos a pedidos ou declarações de compensação indevidos sujeitarseão à multa de que trata o inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, por caracterizarem evidente intuito de fraude, nas hipóteses em que o crédito oferecido à compensação seja: I de natureza nãotributária; II inexistente de fato; III não passível de compensação por expressa disposição de lei; IV baseado em documentação falsa. Parágrafo único. O disposto nos incisos I a III deste artigo não se aplica às hipóteses em que o pedido ou a declaração tenha sido apresentado com base em decisão judicial. Como fundamento legal da aplicação da multa isolada sobre a estimativa mensal da CSLL, foram citados os arts. 43 e 44, § 1°, inciso II da Lei n° 9.430/96, combinadas com o art. 18 e seus parágrafos da Lei n° 10.833, de 2003. Todavia, com o advento da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, alterouse a disposição do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, para excluir a hipótese de imposição da multa isolada nos casos de compensação indevida com crédito de natureza não tributária. Vejase a redação do referido art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, antes e depois da alteração pela Lei nº 11.051, de 2004, abaixo: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente Fl. 277DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10940.001712/200411 Acórdão n.º 1202000.965 S1C2T2 Fl. 7 6 nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (redação original) .................................... Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (destacouse) Como se vê, a novel legislação restringiu as hipóteses de multa isolada aos casos em que verificado o enquadramento nos arts. 71 e 73 da Lei n° 4.502/64. Ou seja, mantevese somente a multa qualificada para as hipóteses de sonegação, fraude ou conluio, deixandose de definir como infração, punível com multa de 150%, a compensação indevida sem dolo, incluindo a compensação de crédito de natureza não tributária. O art. 106 do CTN, por sua vez, contempla a retroatividade benigna no caso de aplicação pretérita de lei quando o ato, não definitivamente julgado, (a) deixe de definilo como infração, (b) deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo ou (c) lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso concreto, inexistiu acusação de sonegação, fraude ou conluio, como observou a decisão de primeira instância, mas apenas o enquadramento da situação como sujeita à multa qualificada, em razão do teor do ADI SRF nº 17, de 2002. Considerou a DRJ que, como o novo dispositivo legal revogou o fundamento de lei da presente autuação, no que tange à multa isolada por compensação indevida com crédito de natureza não tributária, caberia reconhecer a aplicabilidade retroativa da Lei n° 11.051, de 2004, consoante o disposto no art. 106 do CTN. A DRJ, então, reduziu o percentual da multa isolada para 75%, recorrendo de ofício ao CARF. Todavia, esse recurso de ofício não pode ser conhecido. A Lei nº 12.788, de 14 de janeiro de 2013, resultado da conversão da Medida Provisória nº 578, de 2012, em seu art. 11, alterou o art. 27 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, estabeleceu novas hipóteses de descabimento de recurso de ofício, abaixo: Art. 11. Os arts. 19 e 27 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, passam a vigorar com as seguintes alterações: [...] “Art. 27. Não cabe recurso de ofício das decisões prolatadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, em processos relativos a tributos administrados por esse órgão: Fl. 278DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10940.001712/200411 Acórdão n.º 1202000.965 S1C2T2 Fl. 8 7 I quando se tratar de pedido de restituição de tributos; II quando se tratar de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS; III quando se tratar de reembolso do saláriofamília e do saláriomaternidade; IV quando se tratar de homologação de compensação; V nos casos de redução de penalidade por retroatividade benigna; e VI nas hipóteses em que a decisão estiver fundamentada em decisão proferida em ação direta de inconstitucionalidade, em súmula vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal e no disposto no § 6o do art. 19.” (NR) (destacouse) Tratandose de remessa necessária, e não de recurso propriamente dito, o exame de admissibilidade realizado pelo órgão de destino (ad quem) deve observar a norma vigente na data do julgamento do reexame. Isso porque, se o próprio legislador reconhece que não merece ser revista decisão que aplica retroativamente a legislação que reduz a penalidade, a partir da data da publicação da lei que dispensa o recurso de ofício, tal regra deve valer para as decisões ainda pendentes de revisão. Assim, a aplicação, no caso concreto, da nova redação dada pela Lei nº 12.788, de 2013, é legítima, na medida em que se conforma ao novo ordenamento jurídico e não causa prejuízo às partes, admitindose, nesses casos, uma exceção ao princípio da aplicação imediata aos processos pendentes (tempus regit actum), o qual rege a aplicação da lei processual no tempo, consoante o disposto no art. 1221 do Código de Processo Civil, e determina que a lei vigente à época da prolação da decisão deve orientar o recurso. Por bem esclarecer a questão, adoto como razão complementar de decidir a fundamentação exposta pelo ilustre Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis no Acórdão nº 340101.345, de 08/04/2011, ao analisar embargos de declaração opostos pela PGFN, verbis: É que na remessa de ofício – esta a melhor denominação, porque de recurso propriamente dito não se trata – o colegiado do CARF opera como revisor, cabendolhe conhecer ou não dela independentemente do pronunciamento do órgão a quo. Neste sentido o § 2º do referido art. 34, segundo o qual “Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade.” O instituto tem origem no nosso processo civil, sendo em tudo semelhante ao art. 475 do CPC, que estabelece (negritos acrescentados): Art. 475. Está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito senão depois de confirmada pelo tribunal, a sentença: (...) Fl. 279DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10940.001712/200411 Acórdão n.º 1202000.965 S1C2T2 Fl. 9 8 Parágrafo único. Nos casos previstos neste artigo, o juiz ordenará a remessa dos autos ao tribunal, haja ou não apelação voluntária da parte vencida; não o fazendo, poderá o presidente do tribunal avocálos. § 1º Nos casos previstos neste artigo, o juiz ordenará a remessa dos autos ao tribunal, haja ou não apelação; não o fazendo, deverá o presidente do tribunal avocálos. (Incluído pela Lei nº 10.352, de 26.12.2001). Enquanto na redação original do parágrafo único do art. 475 do CPC constava a expressão “poderá”, no atual § 1º é empregado o termo “deverá”, referindose ao dever do tribunal ad quem analisar a sentença sujeita ao duplo grau de jurisdição ainda que a instância inferior não providencie a remessa de ofício. Embora considere que não houve mudança substancial na norma – mesmo antes, quando o texto legal dizia “poderá”, cabia ler “deverá”, pois já se tratava de remessa necessária, independente da vontade do juízo inferior, a alteração deixa mais nítido que o tribunal reapreciará o feito, haja ou não a remessa, por parte da instância a quo. Assim como no processo civil, também neste processo administrativo o conhecimento da remessa de ofício independe da iniciativa da instância de piso. É que tal remessa, mais do que recurso, é condição de eficácia da decisão da DRJ que exonera crédito tributário acima do limite de alçada. Antes da nova análise em sede de remessa de ofício não tem fim o processo administrativo fiscal (assim como não transita em julgado a sentença submetida ao duplo grau de jurisdição no Judiciário). Na lição de Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery, em Código de Processo Civil Comentado e Legislação Extravagante, São Paulo, Revista dos Tribunais, 7ª edição atualizada até 07/07/2003, nos comentários ao art. 475 do CPC e tratando da natureza jurídica da remessa de ofício, temse o seguinte: Tratase de condição de eficácia da sentença, que, embora existente e válida, somente produzirá efeitos depois de confirmada pelo tribunal. Não é recurso por lhe faltar: tipicidade, voluntariedade, tempestividade, dialeticidade, legitimidade, interesse em recorrer e preparo, características próprias dos recursos. Enquanto não examinada a sentença pelo tribunal, não haverá trânsito em julgado e, consequentemente, será ela ineficaz.” (...) Verificando ser caso de remessa obrigatória, o juiz, na sentença, determinará o envio dos autos ao tribunal ad quem, que procederá ao reexame integral da sentença. Caso a sentença seja omissa, o tribunal deverá, ex officio ou a requerimento do interessado, avocar os autos. Na redação anterior, o revogado par. Único falava que o tribunal ‘poderia’ avocar os autos. Corretamente, o atual § 1º (...) impõe ao tribunal o dever de avocar os autos.” Fl. 280DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10940.001712/200411 Acórdão n.º 1202000.965 S1C2T2 Fl. 10 9 Assim como o conhecimento da remessa de ofício não depende do pronunciamento da DRJ, também independe do limite de alçada em vigor na data do julgamento por aquele instância. A análise de admissibilidade conclusiva fica sempre a cargo do CARF, sem se vincular à da DRJ e ao valor de alçada que vigora por ocasião do julgamento recorrido. O referido acórdão restou assim ementado: RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO NA DATA DO JULGAMENTO RECURSAL. O limite de alçada para conhecimento da remessa de ofício é verificado na data do julgamento pela instância ad quem, e não na do julgamento de primeira instância. Na hipótese de ampliação do limite de alçada, a jurisprudência dos antigos Conselhos de Contribuintes e do CARF, vem se mantendo pacífica pelo não conhecimento do recurso de ofício, como demonstram os julgados abaixo colacionados: LIMITE DE ALÇADA – Fixado novo limite de alçada para o efeito da interposição de recurso de ofício, este se aplica, de imediato, aos processos pendentes de julgamento na instância recursal. (Acórdão nº 10229.668, de 21/02/1995) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — A autoridade de primeira instância recorrerá de oficio sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de crédito tributário de valor total superior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), conforme art. 34, I, do Decreto 70.235/72. Considerando que a admissibilidade recursal deve ser aferida na data do julgamento na instância “ad quem', não é de se conhecer de recurso de oficio cujo valor de alçada não se encontre dentro do limite fixado por ato do Sr. Ministro da Fazenda. Recurso de oficio não conhecido por faltarlhe alçada. (Acórdão nº 20174.152, de 06/12/2000) RECURSO DE OFICIO NÃO CONHECIMENTO Tratandose de Recurso de Oficio em que o crédito tributário exonerado, em razão de legislação superveniente, é inferior ao limite de alçada estabelecido, a decisão de primeira instância afigurase irreformável, não havendo que se conhecer do recurso necessário. (Acórdão nº 140100303, de 05/08/2010) Nesse sentido já decidiu esta turma, por unanimidade de votos, na sessão de 10 de abril de 2012, ao prolatar o Acórdão nº 120200.737, em que, tendo em vista o novo teto, não se conheceu do recurso obrigatório da decisão que exonerava crédito tributário abaixo do limite de alçada. Como a situação verificada nestes autos, de reconhecimento da retroatividade benigna da legislação, é em tudo semelhante àquela de majoração do limite recursal, haja vista a novel legislação, não se conhece do recurso de ofício. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10940.001712/200411 Acórdão n.º 1202000.965 S1C2T2 Fl. 11 10 RECURSO VOLUNTÁRIO Por atender aos pressupostos legais, inclusive o temporal, o recurso voluntário é conhecido. A recorrente aponta, basicamente, a ilegalidade da multa de ofício, em face da suspensão da exigibilidade do crédito e a violação do princípio da proporcionalidade com a alíquota de 75%. Para analisar argumentos sobre a inconstitucionalidade, o julgador deve, necessariamente, averiguar a constitucionalidade ou não da legislação tributária. Ocorre que isso é prerrogativa do Poder Judiciário, visto que questões constitucionais não podem ser apreciadas no âmbito administrativo, salvo raras exceções, nos termos do art. 62 do Anexo II da Portaria MF nº 259, de 22/06/2009 (RICARF), que dispõe: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Justificando a não apreciação da questão, cabe referir, ainda, o teor da súmula CARF nº 2 (“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”), de observância obrigatória pelo colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF). De outro lado, quanto à alegação de ilegalidade da multa de ofício, cabe observar que a decisão da 3ª turma da DRJ de Curitiba, prolatada em 26 de abril de 2006, apenas reconheceu a aplicação retroativa da Lei nº 11.051, de 2004, para reduzir o percentual da multa isolada para 75%. Ocorre que, atualmente, o patamar de imposição de penalidade nessa situação foi reduzido. Vejase o que dispõe o art. 74 da Lei nº 9.430/96, a partir da alteração efetivada pelo art. 62 da Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010, verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na Fl. 282DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10940.001712/200411 Acórdão n.º 1202000.965 S1C2T2 Fl. 12 11 compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física;(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 283DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10940.001712/200411 Acórdão n.º 1202000.965 S1C2T2 Fl. 13 12 § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I previstas no § 3o deste artigo; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1o do DecretoLei no 491, de 5 de março de 1969; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) c) refirase a título público; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 284DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10940.001712/200411 Acórdão n.º 1202000.965 S1C2T2 Fl. 14 13 f) tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei, exceto nos casos em que a lei:(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) 1 – tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 2 – tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 3 – tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; ou(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 4 – seja objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 13. O disposto nos §§ 2o e 5o a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) § 16. O percentual da multa de que trata o § 15 será de 100% (cem por cento) na hipótese de ressarcimento obtido com falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) (destacouse) Vêse que a lei (§§ 15 e 17 do art. 74 da Lei nº 6.430/96) prevê a aplicação de multa isolada de 50% aos casos de não homologação de declaração de compensação, como é o caso dos autos. Resta, nesse caso, atraída a incidência do art. 106 do CTN, que contempla a retroatividade benigna no caso de aplicação pretérita de lei quando o ato, não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática (inciso II, alínea c). Deve, portanto, ser reduzida a penalidade ao patamar de 50%. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10940.001712/200411 Acórdão n.º 1202000.965 S1C2T2 Fl. 15 14 DISPOSITIVO Diante do exposto, não se conhece do recurso de ofício e dáse parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir o percentual da multa isolada para 50%. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 286DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 10530.726055/2010-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado, em razão de carência de requisito essencial de admissibilidade, eis que interposto após exaurimento do prazo normativo.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-001.855
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, pela intempestividade.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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NÃO CONHECIMENTO. O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado, em razão de carência de requisito essencial de admissibilidade, eis que interposto após exaurimento do prazo normativo. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, pela intempestividade. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Jhonatas Ribeiro da Silva e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 Fl. 1802DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Data da lavratura do AIOP: 17/12/2010. Data da Ciência do AIOP: 22/12/2010 Tratase de crédito tributário lançado em desfavor do município em epígrafe, tendo por objeto diferenças de contribuições sociais a cargo do empregador destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas, creditadas ou devidas aos seus segurados empregados, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 63/82, e planilha de cálculo a fl. 83. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 1756/1758. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 1771/1780, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Mediante Intimação nº 88/2011, a fl. 1781, o Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 30 de dezembro de 2011, conforme Aviso de Recebimento a fl. 1782. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 1784/1787, requerendo a anulação do Auto de Infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 30/12/2011, sextafeira, dia útil, conforme Aviso de Recebimento a fl. 1782. Nos Processos Administrativos Fiscais que tratam da constituição de crédito tributário de natureza previdenciária, a matéria pertinente ao oferecimento de recursos administrativos foi confiada à Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, a qual concedeu ao sujeito passivo o prazo de 30 dias para o oferecimento, ao órgão julgador de 2ª instância, de bloqueio em face de decisão de 1º grau que lhe tenha sido desfavorável. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10530.726055/201099 Acórdão n.º 230201.855 S2C3T2 Fl. 1.803 3 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art. 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.03/2007) §1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarrazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Cumpre trazer à baila que os processos administrativos fiscais relativos aos créditos em fase de constituição foram transferidos, por força do art. 4º da Lei nº 11.457/2007, para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cujo iter procedimental passou a ser regido, desde então, pelo rito fixado pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, em atenção às disposições insculpidas no art. 25 daquele Diploma Legal. Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007. Art. 2º Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (...) Art. 3º As atribuições de que trata o art. 2º desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicando se em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. (...) Art. 4º São transferidos para a Secretaria da Receita Federal do Brasil os processos administrativofiscais, inclusive os relativos aos créditos já constituídos ou em fase de constituição, e as guias e declarações apresentadas ao Ministério da Previdência Social ou ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 referentes às contribuições de que tratam os arts. 2o e 3o desta Lei. Art. 25. Passam a ser regidos pelo Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972: I a partir da data fixada no §1º do art. 16 desta Lei, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais de determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º desta Lei; II a partir da data fixada no caput do art. 16 desta Lei, os processos administrativos de consulta relativos às contribuições sociais mencionadas no art. 2º desta Lei. §1º O Poder Executivo poderá antecipar ou postergar a data a que se refere o inciso I do caput deste artigo, relativamente a: I procedimentos fiscais, instrumentos de formalização do crédito tributário e prazos processuais; II competência para julgamento em 1a (primeira) instância pelos órgãos de deliberação interna e natureza colegiada. §2º O disposto no inciso I do caput deste artigo não se aplica aos processos de restituição, compensação, reembolso, imunidade e isenção das contribuições ali referidas. §3º Aplicamse, ainda, aos processos a que se refere o inciso II do caput deste artigo os arts. 48 e 49 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ao dispor sobre prazos, o antecitado Decreto nº 70.235/72 determinou que os prazos recursais devem ser contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Estatuiu, igualmente, que os prazos recursais só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. É mister salientar, por relevante, que o art. 6º do referido Decreto concedia à autoridade preparadora, em circunstâncias especiais, a faculdade de acrescer de metade o prazo para a impugnação da exigência. Tal prerrogativa, contudo, lhe foi excluída pela lei nº 8.748/1993, que expressamente revogou o mencionado art. 6º, em sua integralidade, de molde que, a contar de então, não mais dispõe a referida autoridade de poder discricionário para prorrogar os prazos recursais. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 6º A autoridade preparadora, atendendo a circunstâncias especiais, poderá, em despacho fundamentado: (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) I acrescer de metade o prazo para a impugnação da exigência; (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10530.726055/201099 Acórdão n.º 230201.855 S2C3T2 Fl. 1.804 5 II prorrogar, pelo tempo necessário, o prazo para a realização de diligência. (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) No presente caso, o sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 30/12/2011, sextafeira, dia útil, iniciandose, por conseguinte, a fluência do trintídio recursal na segundafeira imediatamente seguinte, digase, no dia 02/01/2012, dia útil. Sendo de 30 dias contínuos o prazo para o oferecimento de recurso voluntário, este se encerraria aos 31 dias do mês de janeiro do mesmo ano, inclusive, terça feira, dia útil. Salientese, de maneira a nocautear qualquer dúvida, que o prazo recursal é contínuo, não sendo suspenso ou interrompido por fins de semana ou feriados nacional, estadual ou municipal, salvo se estes coincidirem com a data de início ou de término do referido prazo, o que não ocorre no caso em apreço. Nesse contexto, o dies a quo do aludido prazo recursal recaiu, para todos os efeitos jurídicos, exatamente no dia 02 de janeiro de 2012, o que implica na fixação do dia 31 do mesmo mês e ano como o dies ad quem para a protocolização do competente recurso. No caso vertente, havendo sido o recurso voluntário postado no correio no dia 1º de fevereiro de 2012, como assim denuncia o Histórico do Objeto dos Correios a fl. 1801, há que se reconhecer, portanto, a intempestividade do recurso interposto, fato que impede o seu conhecimento por parte deste Colegiado. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no art. 63, I da Lei nº 9.784/99, a qual estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração. Lei nº 9.784 , de 29 de janeiro de 1999. Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: (grifos nossos) I fora do prazo; (grifos nossos) II perante órgão incompetente; III por quem não seja legitimado; IV após exaurida a esfera administrativa. §1º Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendolhe devolvido o prazo para recurso. §2º O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa. Nas circunstâncias do caso em apreciação, o não oferecimento de Recurso no prazo normativo implica o trânsito em julgado da decisão de 1ª instância, tornandoa definitiva no âmbito administrativo, a teor dos artigos 22 e 26, I, ‘a’ da Portaria RFB nº 10.875/2007, sob cuja égide sucederam os fatos jurídicos em realce. Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Portaria RFB nº 10.875, de 16 de agosto de 2007 Art. 22. Decorrido o prazo sem que o recurso tenha sido interposto, será o sujeito passivo cientificado do trânsito em julgado administrativo e intimado a regularizar sua situação no prazo de trinta dias, contados da ciência da intimação. (grifos nossos) Parágrafo único. Esgotados os meios de cobrança amigável, o processo será encaminhado ao órgão competente para inscrição em DAU. Art. 26. São definitivas as decisões: I de primeira instância: a) depois de esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (grifos nossos) b) na parte que não foi objeto de recurso voluntário e não estiver sujeita a recurso de ofício; c) quando não couber mais recurso; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III da Câmara Superior de Recursos Fiscais. §1º Na hipótese da alínea "a" do inciso I do caput, o trânsito em julgado administrativo darseá no primeiro dia útil seguinte ao término do prazo para apresentação de recurso voluntário. (grifos nossos) §2º Na hipótese da alínea "b" do inciso I do caput, o trânsito em julgado administrativo, relativamente à parte não recorrida, darseá no primeiro dia útil seguinte ao término do prazo para apresentação de recurso voluntário. §3º Nos julgamentos em que não couber mais recurso, o trânsito em julgado ocorre com a ciência da decisão ao sujeito passivo. §4º Nos casos de interposição dos recursos previstos no art. 56 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, o trânsito em julgado da decisão somente ocorrerá após a ciência da nova decisão ao sujeito passivo. Óbvio está que os selecionados dispositivos da Portaria MPS em realce não ousaram ultrapassar o âmbito da norma que rege a matéria ora em relevo, sendo, antes, desta, mero reflexo, conforme se vos segue: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (grifos nossos) II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10530.726055/201099 Acórdão n.º 230201.855 S2C3T2 Fl. 1.805 7 Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Por tais razões, pugnamos pelo não conhecimento do presente Recurso, por falta de requisito essencial para a sua admissibilidade. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso, em virtude de sua apresentação intempestiva. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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