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Numero do processo: 13924.000252/2008-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2007
ISENÇÃO. CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE.
Fazem jus à isenção do imposto os proventos de aposentadoria, pensão ou reforma recebidos por contribuinte portador de doença especificada em lei, comprovada por meio de laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados e dos Municípios.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.695
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Fazem jus à isenção do imposto os proventos de aposentadoria, pensão ou reforma recebidos por contribuinte portador de doença especificada em lei, comprovada por meio de laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados e dos Municípios. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 04/01/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Acácia Sayuri Wakasugi, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Eivanice Canário da Silva e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferrreira Pagetti. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 04/01/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13924.000252/200824 Acórdão n.º 210201.695 S2C1T2 Fl. 74 2 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 59/60 da instância a quo, in verbis: Trata o presente processo de Notificação de Lançamento lavrada para apuração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física – IRPF, relativo ao exercício de 2007, anocalendário 2006, no valor original de: Demonstrativo Valor Imposto Suplementar (sujeito à multa de ofício) R$ 1.515,86 Multa de Ofício R$ 1.136,89 Juros de Mora (até 31/03/2008) R$ 152,19 Imposto Sujeito à Multa de Mora R$ 410,08 Multa de Mora R$ 82,01 Juros de Mora (até 31/03/2008) R$ 41,17 Total R$ 3.338,20 Conforme a Descrição dos Fatos de fls. 46 e verso, o lançamento é resultado da glosa de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF compensado indevidamente, no valor de R$ 521,01, e da apuração de omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora Paranaprevidência no valor de R$ 12.583,20. Intimada, a contribuinte apresentou impugnação alegando em apertada síntese que: Preliminarmente informa que a autuação esta eivada de vícios e irregularidades que demonstrará na impugnação. Afirma que a impugnante é pessoa idônea, honesta e fiel cumpridora de suas obrigações. Alega que, quando intimada, apresentou todos os seus documentos ao auditor. Conforme cópias das despesas médicas e do processo judicial para fornecimento da medicação já apresentadas, a impugnante atesta que é portadora de uma doença conhecida como Linfoma nãoHodgkin, uma forma de câncer nos linfonodos. Argumenta que a autoridade fiscal deve provar a infração que atribui à contribuinte. No caso, resta comprovado que a impugnante vem sofrendo de moléstia grave reconhecida pela Secretaria da Saúde do Estado do Paraná no mandado de segurança nº 3195144. Após doutrina de Antônio da Silva Cabral, conclui que o lançamento sem a prova da infração fere o art.333 do Código de Processo Civil. Afirma que não houve qualquer omissão porque o rendimento em tela, nos termos do inciso XIV do art.6º da Lei7.713/88, está isento da incidência de imposto de renda por tratarse de “pensão, proventos de aposentadoria ou reforma por moléstia grave ...” Fl. 81DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 04/01/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13924.000252/200824 Acórdão n.º 210201.695 S2C1T2 Fl. 75 3 Alega ainda que sofreu incidência de imposto retido na fonte no ano calendário 2006 e afirma que tal valor é passível de restituição nos termos da IN 25 de 29/04/1996, art.5º, inciso XII. Por fim, pede o acolhimento de suas razões e a declaração de insubsistência do lançamento de omissão de rendimentos, bem como a restituição do valor de R$521,01 de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF. É o relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, afastou a preliminar argüida e no mérito julgou procedente em parte o lançamento, concedendo a compensação de IRRF de R$ 521,01, mantendo parcialmente o crédito consignado no auto de infração, considerando que o valor recebido da Paranaprevidência é rendimento do trabalho assalariado , portanto, não passível de isenção por moléstia grave. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. APOSENTADORIA OU REFORMA. Os rendimentos percebidos por portadores de moléstias graves previstas na Lei isentiva serão isentos apenas se forem decorrentes de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviços, nos termos do inciso XIV do art.6º da Lei 7.713/88. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 65 a 69, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, uma vez que, a contribuinte é pensionista nos rendimentos percebidos da Fonte Paranaprevidência e sendo a interessada portadora de moléstia grave, tem direito à isenção do IRPF referente a omissão de rendimentos lançada. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. OBJETO DO RECURSO. A lide nesse recurso é restrita a questão da natureza dos rendimentos percebidos da Fonte Paranaprevidência, para se concluir se é ou não isenta de IR por ser a interessada portadora de moléstia grave. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 04/01/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13924.000252/200824 Acórdão n.º 210201.695 S2C1T2 Fl. 76 4 ISENÇÃO DO IRPF. MOLÉSTIA GRAVE Pleiteia o reconhecimento de isenção do IRPF sobre seus rendimentos tributáveis por ser pensionista e portadora de moléstia grave. De acordo com o RIR/99, a isenção relativa aos rendimentos percebidos a título de aposentadoria ou pensão por contribuintes portadores de doença grave somente se inicia na data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial (art. 39, §5o do Decreto n. 3.000/99). No mesmo sentido, a Instrução Normativa/SRF/nº 25, de 29/04/1996, que já dispunha sobre a matéria anteriormente ao Decreto n. 3.000/99, determina, em seu art. 5º, parágrafos 1º e 2º, o seguinte: Art. 5º (...) § 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só poderá ser deferida quando a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. § 2º A isenção a que se refere o inciso XII se aplica aos rendimentos recebidos a partir: ... b) do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria ou reforma.” Ao cuidar deste tema, o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10, de 16/05/96, fixou as seguintes regras: I a isenção a que se referem os incisos XII e XXXV do art. 5º IN SRF nº 025/96 se aplica aos rendimentos recebidos a partir da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial; Como se vê, a solução da lide cingese à comprovação da moléstia e se os rendimentos são provenientes de aposentadoria e o cerne da questão a ser aqui examinada, portanto, é se os documentos apresentado se prestam como documento hábeis e idôneos a comprovar a moléstia. À fl. 60 do autos, o Acórdão recorrido reconhece a moléstia grave ao assentar: Assim, em que pese a comprovação da doença da contribuinte, a omissão apurada Fl. 83DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 04/01/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13924.000252/200824 Acórdão n.º 210201.695 S2C1T2 Fl. 77 5 merece ser mantida porque a natureza dos rendimentos não se encontra acolhida na referida norma isentiva. Na mesma folha acima do trecho transcrito, consta que o indeferimento do pedido ocorreu pois, os rendimentos considerados omitidos, R$ 12.583,20 recebidos da Fonte Pagadora Paranaprevidência, não estão abarcados no supracitado inciso XIV. Isso porque, conforme Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e comprovante de fl.53, tratamse de rendimentos do trabalho assalariado. Dessa forma, remanesce na lide a questão da natureza dos rendimentos percebidos da Fonte Pagadora Paranaprevidência. Bem, com o recurso a contribuinte juntou o documento de fl. 70 comprovando que recebe rendimentos da Paranaprevidência como pensionista do cônjuge. Do exposto, estou convencido que os rendimento da Fonte Pagadora Paranaprevidência tratase de uma pensão e, assim, a contribuinte faz jus ao benefício da isenção pleiteada. Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO, Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 04/01/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 11831.000623/99-66
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Ano-calendário: 1997
IPICRÉDITO PRESUMIDO DE IPI ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA.
POSSIBILIDADE.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
É devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos).
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-001.473
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso especial do sujeito passivo.
Nome do relator: Rodrigo da Costa Possas
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano-calendário: 1997 IPICRÉDITO PRESUMIDO DE IPI ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. É devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. É devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Recurso Especial do Contribuinte Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator. EDITADO EM: 20/06/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz , Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Adotaremos o relatório do AFRFB relator na DRJ, com as alterações necessárias. Tratase de Recurso Especial Interposto tempestivamente pelo sujeito passivo e pela Fazenda Nacional contra Acórdão proferido pelo Segundo Conselho de Contribuintes, que negou provimento ao recurso Voluntário. Acórdão do Segundo Conselho de Contribuintes às fls. 660 a 667 Recurso Especial do sujeito passivo às fls. 673 a 686. Despacho de admissibilidade às fls. 693 a 695. Contrarazões da Fazenda Nacional às fls. 316 a 322. Tratase de pedido de atualização, pela UFIR e pela taxa Selic, do ressarcimento de crédito presumido de IPI . A DRJ em Ribeirão Preto SP considerou improcedente o pleito da contribuinte, sob os argumentos de inexistência de previsão legal para atualização do ressarcimento e de inaplicabilidade do art. 39, § 4 2, da Lei n" 9.250/95; da Norma de Execução Cosit/Cosar n 8/97 e do Parecer AGU n' 1/96, em razão de o ressarcimento não se confundir com repetição do indébito (fls. 635/638). Regularmente notificada do Acórdão de primeira instância em 17/09/2003, a empresa interpôs recurso voluntário em 08/10/2003, alegando, em síntese, que seu direito à indexação pela Ufir e aos juros de mora pela taxa Selic emanam das normas jurídicas que regem a compensação tributária, tanto em nível legal como infralegal, e que o Acórdão recorrido, ao negar este direito, diminuiu o crédito presumido sem autorização legal. Especificamente quanto à indexação pela Ufir, alegou ser , desnecessária previsão legal para a correção monetária do ressarcimento, pois ela não significa acréscimo do valor ressarcido, mas apenas a recomposição do valor de compra da moeda. Quanto à aplicação da taxa Seio na forma de juros ou como substitutiva da Ufir, disse que seu direito exsurge da própria Lei nº 9.363/96, que determina primordialmente que se faça a compensação do crédito presumido com o IPI devido pelas saídas no mercado interno. O ressarcimento só ocorrerá na eventualidade de ainda sobrar crédito a favor do contribuinte após a compensação. Como a Lei d 9.363/96 referese expressamente a compensação, deve incidir sobre o crédito presumido de IPI o art. 39, § 4 2, da Lei nº 9.250/95, que determina a aplicação da taxa Selic sobre os valores a serem restituídos ou compensados. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11831.000623/9966 Acórdão n.º 930301.473 CSRFT3 Fl. 702 3 Acrescentou que se o art. 2, § 79, da Lei nº 9.363/96, exige o pagamento do crédito presumido, na hipótese que menciona, com o acréscimo da taxa Selic, o mesmo direito deve ser garantido ao beneficiário na hora do ressarcimento. Independentemente de se tratar de compensação ou ressarcimento, o direito à taxa Selic existe porque a legislação garante sua utilização nas hipóteses de compensação, restituição ou ressarcimento, sem nenhuma distinção. Invocou jurisprudência administrativa para corroborar suas alegações e requereu a reforma do acórdão recorrido para que lhe sejam concedidos os acréscimos pleiteados, desde a data da geração do crédito presumido, ou, sucessivamente, desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento. É o relatório. Voto Conselheiro Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. Atualização do ressarcimento pela selic. A única matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão da aplicação da Selic sobre os créditos presumidos de IPI a ressarcir. Esse tema tem sido objeto de acirrados debates no CARF, ora prevalecendo a posição contrária da Fazenda Nacional ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Turmas de Julgamento. Todavia, com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A ao Regimento Interno do Carf, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, se a matéria foi julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão de lá deve ser adotada aqui, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Essa é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu1 que, 1 AgRg no AgRg no REsp 1088292 / RS Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Com essas considerações, em que pese a minha discordância quanto ao tratamento da matéria pelo STJ, por força regimental, curvome a decisão do STJ, e passo a admitir a incidência da Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Em face do exposto, voto pelo provimento do recurso especial interposto pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Relator Relator AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2008/02047717 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/08/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10580.722175/2008-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA.
A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de URV aos Membros do Ministério Público local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma
da Lei complementar estadual nº 20/2003.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.498
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de URV aos Membros do Ministério Público local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Fl. 248DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10580.722175/200815 Acórdão n.º 210201.498 S2C1T2 Fl. 249 2 Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 06/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra NAGILA MARIA SALES BRITO foi lavrado Auto de Infração, fls. 03/12, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2004 a 2006, exercícios 2005 a 2007, no valor total de R$ 201.094,06, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 28/11/2008. A infração apurada pela autoridade fiscal encontrase assim descrita no Auto de Infração: O sujeito passivo classificou indevidamente como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis na Declaração de Ajuste os rendimentos auferidos do Ministério Público do Estado da Bahia, CNPJ 04.142.491/200166, a título de “Valores Indenizatórios de URV”, a partir de informações a ele fornecidas pela fonte pagadora. Tais rendimentos decorrem de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor – URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Estas diferenças recebidas têm natureza eminentemente salarial, e conseqüentemente, são tributadas pelo imposto de renda, conforme disposto nos arts. 43 e 114 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento para sujeitálo ou não à incidência do imposto. Fl. 249DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10580.722175/200815 Acórdão n.º 210201.498 S2C1T2 Fl. 250 3 Preceitua a Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, dentre outras coisas, que a verba em questão é de natureza indenizatória. A única interpretação possível em harmonia com o ordenamento jurídico nacional e em especial com sistema tributário, é a de que esta Lei disciplina aquilo que é pertinente à competência do Estado, ou seja, seus efeitos não se estendem ao imposto de renda. Principalmente porque não se fez, e nem se poderia, estender seus efeitos tributários ao âmbito federal. (...) Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 35/100, que se encontra assim resumida no Acórdão DRJ/SDR nº 1524.397, de 28/07/2010, fls. 150/157: a) o lançamento fiscal teve como objeto verbas recebidas pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não representaram qualquer acréscimo patrimonial, mas sim o ressarcimento por erro cometido pela fonte pagadora no cálculo da remuneração paga no período de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001; b) o referido erro ocorreu no procedimento de conversão de cruzeiro real para URV a que eram submetidos os salários pagos aos membros do Ministério Público Estadual. Tal procedimento tinha o intuito de preservar o ganho mensal, compensando as perdas em face dos altos índices de inflação, o que evidencia a feição indenizatória da URV; c) o acordo para o pagamento das diferenças de URV se deu através da Lei Estadual Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, tendo o impugnante recebido tais valores ao longo dos anos de 2004, 2005 e 2006; d) a referida diferença consistiu apenas em correção do capital, ou seja, recomposição de quantias que deveriam integrar a remuneração ao longo do tempo passado. Não correspondeu a qualquer permuta do trabalho/serviço por moeda que configurasse a natureza salarial. Assim, por ser mera atualização do principal, e por não ter sido implementada em tempo certo, não deveria ser levada à tributação, haja vista o entendimento doutrinário e jurisprudencial, que veda a tributação da correção monetária; e) a mera correção monetária não aumenta ou acresce patrimônio do contribuinte, apenas lhe torna indene das perdas inflacionárias, portanto, não integra a base de cálculo do imposto de renda; f) havia um evidente caráter compensatório da URV desde sua gênese, e as diferenças recebidas representaram uma reparação por danos, tendo clara natureza de indenização, e não de salário. Dessa maneira, por não caracterizar aumento patrimonial, a verba recebida não subsume nos conceitos de Fl. 250DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10580.722175/200815 Acórdão n.º 210201.498 S2C1T2 Fl. 251 4 renda e proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; g) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda; h) apesar da citada resolução ter sido dirigida à magistratura federal, é impositiva e legítima a equiparação do tema por analogia às verbas recebidas pelos magistrados estaduais, conforme preceitua o art. 108 do CTN. Negar o caráter indenizatório destas verbas é afrontar o princípio constitucional da isonomia, não só na sua concepção geral, mas, também, no que tange a tratamento diferenciado entre membros do Ministério Público Federal da União e Estadual. Viola, também, o disposto no inciso II do art. 150 da Constituição Federal que proíbe o tratamento desigual entre os contribuintes que se encontrem em situação equivalente; i) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do imposto ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga. Implementou todos os pagamentos sem qualquer retenção de IR e informou aos beneficiários dos rendimentos a natureza desta parcela como indenizatória; j) o sujeito passivo da obrigação de tributária, na condição de responsável, era a fonte pagadora, que estava obrigada a reter o imposto. Desta forma, a discussão acerca da classificação dos rendimentos pagos deveria ser travada entre o fisco federal e a fonte pagadora. Entretanto, não se instaurou qualquer procedimento fiscal contra a fonte pagadora, mas sim contra o impugnante, que sofreu os dissabores e ônus da ação fiscal, inclusive com a imposição de multa de ofício e juros moratórios; l) de forma transversa o Estado Membro devedor da obrigação mensal de retenção não exauriu sua obrigação e gerou para o contribuinte o dever de pagar mais imposto; conseqüentemente o Estado se beneficia com os acréscimos que sua inação causou. Assim, ao lançar o tributo nos termos da autuação gera quebra da capacidade contributiva do signatário; m) o impugnante não agiu com intuito de fraude, simulação ou conluio, simplesmente seguiu a informação prestada pela fonte pagadora, e fez constar em suas declarações de rendimentos relativas aos períodos bases de 2004 a 2006 as parcelas recebidas como isentas de tributação. Isto posto, mantida a exigência fiscal, devese observar o princípio da boafé, da qual estava imbuído o impugnante, e afastar a exigência da multa de ofício e juros de mora; n) a informação prestada pela fonte pagadora estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de Fl. 251DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10580.722175/200815 Acórdão n.º 210201.498 S2C1T2 Fl. 252 5 URV. Portanto, os valores declarados pelo impugnante tratase de informação lastreada em ato normativo expedido por autoridade administrativa, que se enquadra na hipótese do inciso I do art. 100 do CTN. Assim, de acordo com o parágrafo único do mesmo artigo, devem ser afastados a multa de ofício e os juros de mora; o) o lançamento fiscal tributou isoladamente os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar os rendimentos e deduções já declarados. Caso fosse mantida a tributação das verbas recebidas, caberia sujeitálas ao ajuste anual, o que resultaria em um imposto devido menor; p) parte dos valores recebidos a título de URV se referia à correção incidente sobre 13º salários e férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isentas, conseqüentemente, mesmo que prevalecesse o entendimento do órgão fiscalizador, caberia a exclusão de tais parcelas na apuração da base de cálculo sujeita ao lançamento fiscal; q) os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam um indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. Assim, os juros de mora têm natureza distinta da originária do principal ao qual incidiu acessoriamente, porque não se constituíram em aquisição de disponibilidade de renda, produto do trabalho remunerado pelo Estado da Bahia. A DRJ Salvador julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte o lançamento, reduzindo o imposto devido, para R$ 86.641,95, nos termos do disposto no Parecer PGFN/CRJ/nº 287/2009. Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 16/11/2010, Aviso de Recebimento (AR), fls. 160, a contribuinte apresentou, em 25/11/2010, recurso voluntário, fls. 161/244, onde repisa os mesmos argumentos trazidos na impugnação, acrescentando que a decisão recorrida é nula, pois deixou de enfrentar a argüição de ilegitimidade ativa da União para cobrar o valor do Imposto de Renda incidente na fonte que não foi objeto de retenção pelo Estado Membro. É o Relatório. Fl. 252DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10580.722175/200815 Acórdão n.º 210201.498 S2C1T2 Fl. 253 6 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de processo idêntico a outro já apreciado nesta Turma, em sessão realizada em 08/06/2011, razão porque peço vênia para transcrever o voto proferido pelo Conselheiro Presidente Giovanni Christian Nunes Campos, no Acórdão nº 2102001.337, de 08/06/2011, que em tudo se aplica ao presente caso: Para o deslinde da controvérsia, trazse a Resolução STF nº 245/2002: RESOLUÇÃO Nº 245, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2002 Dispõe sobre a forma de cálculo do abono de que trata o artigo 2º e §§ da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002. O PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 13, XVII, combinado com o artigo 363, I, do Regimento Interno, Considerando o decidido pelo Tribunal, na sessão administrativa de 11 de dezembro de 2002, presentes os ministros Moreira Alves, Sydney Sanches, Sepúlveda Pertence, Celso de Mello, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Maurício Corrêa, Nelson Jobim, Ellen Gracie e Gilmar Mendes; Considerando a vigência do texto primitivo – anterior à Emenda nº 19/98 – da Constituição de 1988, relativo à remuneração da magistratura da União; Considerando a vigência da Lei Complementar nº 35, de 14 de março de 1979; Considerando o direito à gratificação de representação artigo 65, inciso V, da Lei Complementar nº 35, de 1979, e Decretolei nº 2.371, de 18 de novembro de 1987, nos percentuais fixados; Considerando o direito à gratificação adicional de cinco por cento por qüinqüênio de serviço, até o máximo de sete qüinqüênios artigo 65, inciso VIII, da Lei Complementar nº 35, de 1979; Considerando a absorção de todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos magistrados da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial pelos valores decorrentes da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002 artigos 1º, § 3º, e 2º, §§ 1º, 2º e 3º; Fl. 253DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10580.722175/200815 Acórdão n.º 210201.498 S2C1T2 Fl. 254 7 Considerando o disposto na Resolução STF nº 235, de 10 de julho de 2002, que publicou a tabela da remuneração da Magistratura da União, decorrente da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando o escalonamento de cinco por cento entre os diversos níveis da remuneração da magistratura da União artigo 1º, § 2º, da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando a necessidade de, no cumprimento da Lei Complementar nº 35, de 1979, e da Lei nº 10.474, de 2002, adotarse critério uniforme, a ser observado pelos órgãos do Poder Judiciário da União, para cálculo e pagamento do abono; Considerando a publicidade dos atos da Administração Pública, RESOLVE: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Art. 2º Para os efeitos do artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, e para que se assegure isonomia de tratamento entre os beneficiários, o abono será calculado, individualmente, observandose, conjugadamente, os seguintes critérios: I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%); II o montante das diferenças mensais apuradas na forma do inciso I será dividido em vinte e quatro parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2003 a dezembro de 2004. Art. 3º Serão recalculados, mês a mês, no mesmo período definido no inciso I do artigo 2º, o valor da contribuição previdenciária e o do imposto de renda retido na fonte, expurgandose da base de cálculo todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período, a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais, por terem essas parcelas a mesma natureza conferida ao abono, nos termos do artigo 1º, observados os seguintes critérios: I o montante das diferenças mensais resultantes dos recálculos relativos à contribuição previdenciária será restituído aos magistrados na forma disciplinada no Manual SIAFI pela Secretaria do Tesouro Nacional; II o montante das diferenças mensais decorrentes dos recálculos relativos ao imposto de renda retido na fonte será demonstrado em documento formal fornecido pela unidade Fl. 254DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10580.722175/200815 Acórdão n.º 210201.498 S2C1T2 Fl. 255 8 pagadora, para fins de restituição ou compensação tributária a ser obtida diretamente pelo magistrado junto à Receita Federal. Art. 4º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Ministro MARCO AURÉLIO Pela Resolução STF nº 245/2002, especificamente em seu art. 3º, ficou determinado que “todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período [1998 a 2002], a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais”, percebidos pela Magistratura da União, com base no art. 6º da Lei nº 9.655/98 c/c o art. 2º da Lei nº 10.474/2002, inclusive as verbas referentes a diferenças de URV, ficaram excluídos da base de cálculo do imposto de renda, por terem a mesma natureza indenizatória do abono variável. O Sr. Ministro da Fazenda, com base no Parecer PGFN nº 529/2003, reconheceu o caráter indenizatório das verbas percebidas com base na legislação citada. Ocorre que foi publicada a Lei nº 10.477/2002, que, em seu art. 2º, estendeu aos Membros do Ministério Público Federal MPF as mesmas vantagens do art. 6º da Lei nº 9.655/98 dadas à Magistratura da União, e, instado o Sr. Ministro da Fazenda sobre o caráter dos valores percebidos no período 19982002 pelos Membros do MPF, aplicou a mesma interpretação do parágrafo precedente, em linha com o entendimento do Supremo Tribunal Federal para a Magistratura da União (Resolução STF nº 245/2002), apoiado no Parecer PGFN nº 923/2003. Interessante ressaltar que a Lei nº 9.655/98 estava voltada unicamente à Magistratura da União, com deferimento de abono variável a partir de janeiro de 1998, de forma a atingir o subsídio que se esperava vir a lume com publicação da Emenda Constitucional nº 19/1998, situação que não se concretizou, levando, posteriormente à publicação da Lei nº 10.474/2002, que majorou os estipêndios da Magistratura da União e determinou o pagamento das diferenças do período 19982002 em 24 parcelas a partir de janeiro de 2003. Os Membros do Ministério Público não tinham quaisquer expectativas de aumento de remuneração com base na Lei nº 9.655/98, pois lá não tinham sido contemplados. A despeito disso, quando o art. 2º da Lei nº 10.477/2002 fez remissão ao abono variável do art. 6º da Lei nº 9.655/1998, pugnaram a exclusão da base de cálculo do imposto de renda dos valores citados no art. 3º da Resolução STF nº 245/2002, obtendo, como se viu, o beneplácito do Ministro da Fazenda. Em minha leitura, o pagamento da diferença da URV previsto no art. 2º da Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 tem a mesma natureza daqueles pagos ao Ministério Público Federal, pois o Ministério Público do Estado da Bahia também não tinha qualquer expectativa de aumento salarial com a Lei nº 9.655/98, que era voltada apenas à Magistratura mantida pela Fl. 255DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10580.722175/200815 Acórdão n.º 210201.498 S2C1T2 Fl. 256 9 União (por óbvio, somente a lei estadual poderia versar sobre estipêndios dos Membros do MP local). Veio a Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 e pagou as diferenças de URV, as quais, no caso dos membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda, pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar baiana nº 20/2003, referentes às mesmas diferenças de URV. Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, até porque nenhuma das leis citadas, federais ou estadual, trata de incidência do imposto de renda, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas União e Estado da Bahia e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei complementar estadual nº 20/2003 são idênticos, no caso das diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Assim, se o Sr. Ministro da Fazenda, com esteio no Parecer PGFN nº 923/2003, com supedâneo último na Resolução STF nº 245/2002, entendeu que as diferenças auferidas pelos Membros do MPF com base no art. 2º da Lei nº 10.477/2002 tem caráter indenizatório, igual raciocínio deve ser aplicado às diferenças auferidas pelos Membros do Ministério Público da Bahia com base na Lei complementar nº 20/2003, pois onde há a mesma razão, deve haver o mesmo direito (ubi eadem ratio ibi idem ius). Com as razões acima, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Considerando as razões exaradas no voto acima transcrito, devese cancelar o crédito tributário exigido no Auto de Infração, de modo que tornase desnecessária a análise das demais argumentações apresentadas pela contribuinte no recurso. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 256DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10580.722175/200815 Acórdão n.º 210201.498 S2C1T2 Fl. 257 10 Fl. 257DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10640.002410/2010-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2008
Ementa:
IRPF. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO.
O imposto retido na fonte deve ser compensado com o valor do imposto de renda apurado na declaração de ajuste anual, desde que comprovada a retenção.
Hipótese em que o Recorrente provou a retenção.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-001.255
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. O imposto retido na fonte deve ser compensado com o valor do imposto de renda apurado na declaração de ajuste anual, desde que comprovada a retenção. Hipótese em que o Recorrente provou a retenção. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 64DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/09/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 10640.002410/201093 Acórdão n.º 2101001.255 S2C1T1 Fl. 65 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 55/56) interposto em 03 de março de 2011 contra o acórdão de fls. 49/51, do qual o Recorrente teve ciência em 17 de fevereiro de 2011 (fl. 54), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente o lançamento de fls. 07/10, lavrado em 19 de julho de 2010, em decorrência de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, verificada no anocalendário de 2007. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 Ementa: COMPENSAÇÃO. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. Mantémse o valor do imposto de renda retido na fonte conforme apurado pelo Fisco quando o contribuinte não apresentar, na fase impugnatória, provas incontestes que invalidem o feito fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fl. 49). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário, pedindo a reforma do acórdão recorrido para exonerar o crédito tributário, apresentando os documentos de fls. 58/59, consistentes nas cópias autenticadas dos DARFs recolhidos no anocalendário de 2007. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Fl. 65DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/09/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 10640.002410/201093 Acórdão n.º 2101001.255 S2C1T1 Fl. 66 3 Discutese, no presente caso, apenas e tãosomente glosa relativa à compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 805,02. Isto porque o contribuinte indicou, a tal título, em sua declaração de ajuste anual, o valor de R$ 10.173,43, enquanto que o Banco do Brasil informou ter retido o valor de R$ 9.368,41, decorrendo daí a diferença apontada pela fiscalização. Ocorre, todavia, que o Banco do Brasil reteve na fonte duas parcelas, uma no valor de R$ 822,53 e, outra, no montante de R$ 9.368,41, conforme demonstram os Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) juntados ao recurso (fls. 58 e 59). Tais documentos comprovam a pretensão do Recorrente, bastando, para tanto, verificar a autenticação bancária eletrônica dos aludidos documentos, o número da reclamação trabalhista em referência (n.º 19890000000000947) e o código da receita (5936 – IRRF – Rendimentos decorrentes de decisão da Justiça do Trabalho). Frisese que o fato de a informação prestada pelo Banco do Brasil S.A. à Receita Federal por meio da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) de fl. 60 não corresponder à soma dos valores efetivamente retidos não afasta o direito do Recorrente de realizar a compensação. Tendo em vista o cumprimento do único requisito questionado pela Recorrida, a documentação colacionada deve ser aceita, cancelandose a glosa no valor de R$ 805,02, relativa à compensação do imposto de renda retido na fonte. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 66DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/09/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.003968/2004-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/08/1997 a 31/01/1999
LANÇAMENTO. APARTAÇÃO. ACÓRDÃO QUE ANALISA TODA A
MATÉRIA. APLICAÇÃO AO PROCESSO APARTADO.
Aplicase
ao crédito tributário constante de processo apartado o acórdão que,
regularmente, analisa toda a matéria objeto do lançamento.
Recurso Voluntário Não conhecido
Numero da decisão: 3302-001.185
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/1997 a 31/01/1999 LANÇAMENTO. APARTAÇÃO. ACÓRDÃO QUE ANALISA TODA A MATÉRIA. APLICAÇÃO AO PROCESSO APARTADO. Aplicase ao crédito tributário constante de processo apartado o acórdão que, regularmente, analisa toda a matéria objeto do lançamento. Recurso Voluntário Não conhecido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1506; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.003968/200401 Recurso nº 882.902 Voluntário Acórdão nº 330201.185 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 31 de agosto de 2011 Matéria Cofins Auto de Infração Recorrente OPEN OBRAS PROJETOS E ENGENHARIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/1997 a 31/01/1999 LANÇAMENTO. APARTAÇÃO. ACÓRDÃO QUE ANALISA TODA A MATÉRIA. APLICAÇÃO AO PROCESSO APARTADO. Aplicase ao crédito tributário constante de processo apartado o acórdão que, regularmente, analisa toda a matéria objeto do lançamento. Recurso Voluntário Não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 298DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 16/09/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11080.003968/200401 Acórdão n.º 330201.185 S3C3T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (217 a 226) apresentado em 11 de fevereiro de 2004 contra o Acórdão no 3.056, de 7 de novembro de 2003, da DRJ Porto Alegre (cópia de fls. 109 a 116), cientificado em 15 de dezembro de 2003, que, relativamente a auto de infração da Cofins dos períodos de agosto de 1997 a janeiro de 1991, não conheceu da impugnação da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofms Período de apuração: 01/08/1997 a 31/08/2002 Ementa: CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL — A existência de Mandado de Segurança coletivo impetrado pelo Sindicato a que pertence a autuada, importa em renúncia à esfera administrativa nos aspectos coincidentes entre o pedido judicial e a peça impugnatória. DECADÊNCIA A Cotins é contribuição destinada à Seguridade Social e, como tal, tem o prazo decadencial de dez anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte em que o crédito poderia ter sido constituído, entendimento esse consolidado no art. 95 do Regulamento do PIS/Pasep e da Cofins, Decreto n° 4.524, de 2002. JUROS DE MORA — As normas reguladoras dos juros de mora que determinam a aplicação do percentual equivalente à taxa Selic encontramse disciplinadas em lei, emanada do Poder competente gozando de presunção natural de constitucionalidade e de legalidade. MULTA DE OFÍCIO CONSTITUCIONALID4DE — Não cabe a apreciação por órgão administrativo da constitucionalidade ou legalidade de legislação. EXCLUSÕES — Não cabe excluir do valor da base de cálculo o valor repassado aos subcontratados. VIGÊNCIA — Conforme determinado na própria Lei n° 9.718, de 1998, no lançamento foi aplicada a alíquota de 3% para os fatos geradores a partir de 1° de fevereiro de 1999. Lançamento Procedente A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Contra a interessada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 251/256, relativo à Cofins dos períodos de apuração de agosto de 1997 a agosto de 2002, totalizando R$ 518.765,03 (quinhentos e dezoito mil, setecentos e sessenta e cinco reais e três centavos), com juros de mora calculados até 31.10.2002, por ter a interessada incluído na base de cálculo da contribuição Fl. 299DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 16/09/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11080.003968/200401 Acórdão n.º 330201.185 S3C3T2 Fl. 3 3 apenas os valores recebidos pela execução de obras públicas, deixando de incluir os demais valores recebidos pelas suas atividades. Após a juntada dos elementos contábeis da contribuinte (fls. 37/224 e 228/237) os fiscais autuantes elaboraram as planilhas de fls. 238/239 nas quais explicitaram a cada mês os valores que não haviam sido incluídos nos cálculos originais da interessada e o resultado da aplicação da aliquota, conforme consta do Relatório de Fiscalização de fls. 225/227, parte integrante do Auto de Infração. 2. Consta também daquele Relatório ter a interessada ingressado com Mandado de Segurança Coletivo (17 de dezembro de 1996), impetrado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio Grande do Sul (fls. 19/36), sendo objeto do pedido a não incidência da Lei Complementar n.° 70, de 1991, sobre as receitas decorrentes da venda de bens imóveis, não havendo depósito judicial ou decisão judicial que amparasse a pretensão da interessada em não incidir a Cofins sobre os valores excedentes aos tributados por ela. 3. A interessada impugna tempestivamente o lançamento (fls. 286/330), insurgindose contra a incidência de Cotins sobre a venda de imóveis, transcrevendo relato do Ministro José Delgado acerca da incidência de Cofins sobre os valores da venda de imóveis. Alega que, se vencida neste questionamento, os valores a tributar deveriam ser excluídos dos valores repassados a subempreiteiras. 4. Também defende que a aliquota de 3% determinada pela Lei n° 9.718, de 1998, somente pode ser utilizada a partir de fevereiro de 1999. 5. Considera ser inconstitucional que a taxa Selic seja aplicada para cálculo dos juros de mora, pela impropriedade que a mesma representa para servir de alicerce na cobrança de créditos tributários da União. Embora prevista no artigo 13 da lei n° 9.065, de 1995, não existe diploma legal que consolide a forma de sua apuração. Assim, deveria ser aplicado o disposto no artigo 161, parágrafo 1°, do Código Tributário Nacional que estipularia a aplicação dos juros de mora ao patamar de 1% ao mês. 6. Quanto à multa de ofício, considera ilegal sua aplicação nos moldes do Auto de Infração, alegando ter sido utilizada a multa isolada. O percentual aplicado constituise em confisco, e, embora prevista em lei (artigos 43 e 44 da Lei n° 9.430, de 1996), violaria o preâmbulo da Constituição Federal vigente, bem como o determinado no artigo 150 da Carta Magna, o qual abrange também a multa a ser aplicada, conforme jurisprudência que cita e copia. Em relação ao período em questão, no entanto, além de concluir pela não ocorrência de decadência, decidiu o seguinte a DRJ: Fl. 300DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 16/09/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11080.003968/200401 Acórdão n.º 330201.185 S3C3T2 Fl. 4 4 10. Verificase a existência de Mandado de Segurança Coletivo impetrado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio Grande do Sul, do qual a interessada faz parte, conforme informação da fiscalização e da própria interessada, no qual está sendo questionada a incidência da Lei Complementar n° 70, de 1991, sobre o faturamento pela venda de bens imóveis. 11. Assim, relativamente aos períodos de agosto de 1997 a janeiro de 1999, a argumentação da interessada tem o mesmo objeto da ação judicial impetrada (não incidência de Cotins prevista na Lei Complementar n° 70, de 1991), devendo ser obedecidas as disposições do parágrafo 2° do artigo 1 0 do DecretoLei n° 1.737, de 20 de dezembro de 1.979 e do art. 38, § único da Lei n° 6.830/80, ou seja, a propositura de ação judicial importa em desistência da esfera administrativa, razão pela qual não é mais possível o julgamento de questões abordadas pela interessada na sua impugnação se já as estiver questionando judicialmente. Tal conclusão resultou na apartação dos autos originais, conforme despacho de fl. 1. Com isso, os débitos foram inscritos em dívida ativa. Entretanto, segundo o despacho de fls. 178 e 179, a inscrição foi cancelada, à vista a Interessada ter apresentado exceção de preexecutividade (fl. 212) e o processo ter sido arquivado por falta de exigibilidade da dívida. Juntouse aos autos cópia de acórdão do 2o Conselho de Contribuintes, relativamente ao processo 11080.015849/200221 e determinouse o cancelamento da inscrição (fls. 197 e 207). Na fl. 210, a DRF Porto Alegre exarou o seguinte entendimento: Pudemos verificar que a decisão judicial juntada aos autos 11080.015848/200287 e 11080.015849/200221 não repercute nos débitos cobrados neste processo, porquanto tratam de COFINS referentes aos PA's de 08/1997 a 01/1999, portanto anteriores aos efeitos da Lei n° 9.718/98. Entretanto, parece haver decisão proferida pelo Conselho de Contribuintes, fls. 181/191, negando os termos do despacho de fls. 194/196, desta PFN, o que possibilitaria dar seguimento aos procedimentos de cobrança dos débitos aqui discutidos. Por fim, cabe ressaltar que o débito referente a maio de 1998 foi apurado sobre a base de cálculo efetivamente ocorrida naquele mês, como também sobre R$ 157.000,00, ocorridos em maio de 2001 (fls. 05/15), porquanto encaminhamos demonstrativo de débitos para eventual alteração do tributo neste período, depois de resolvida a pendência citada no parágrafo acima. Fl. 301DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 16/09/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11080.003968/200401 Acórdão n.º 330201.185 S3C3T2 Fl. 5 5 Os autos foram encaminhados para análise da repercussão do despacho de fl. 210, acima citado, em relação aos débitos do presente processo, com remessa para cobrança amigável (fl. 214). Na fl. 247, requereremse providências para acerto dos débitos e cobrança. A Interessada foi intimada em 30 de março de 2010, tendo apresentado a “impugnação” de fls. 259 a 277. Da fl. 281, constou despacho com a seguinte conclusão: Tendo havido a extinção da IDAU e em atenção ao despacho de fls. 214 da PFN/RS foi efetuado: 1. Alteração do débito do PA 05/1998, conforme despacho de fls. 209/210; 2. Acerto no sistema Sincor/Profisc; 3. Encaminhamento de cópia das fls. 227/237 (Acórdão 204 01.039 do Segundo Conselho de Contribuintes) ao interessado; 4. Carta Cobrança, conforme determinado pela PFN às fls. 214 (vide fls. 252/255). O interessado apresentou manifestação de fls. 259/277. Tratando o presente processo de débitos apartados do processo 11080.015849/200221, e tendo o Acórdão n°20401.039 do Segundo Conselho de Contribuintes tratado da integralidade da matéria contestada (o que incluía, s.m.j., os débitos apartados para o presente processo) remanesceria pendente tão somente a providência solicitada pela PFN ("cobrança amigável" — fls. 214) e posterior retorno à Dívida Ativa da União para nova inscrição. Contudo, em face da nova manifestação do interessado e visando evitar nova e eventual demanda judicial. questionando cerceamento de direito de defesa, entendo que caiba o encaminhamento ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais consideração e eventuais providenciais de sua alçada. Alertese, ainda, a urgência, do caso em questão. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator Preliminarmente, examinase a questão de se o Acórdão no 20401.039 abrangeu os débitos de que tratam os presentes autos, haja vista haverem sido apartados do processo originário depois da decisão da DRJ. O relatório do acórdão cita o período total da autuação (fl. 229) e a concomitância de processos judicial e administrativo (fl. 230). Fl. 302DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 16/09/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11080.003968/200401 Acórdão n.º 330201.185 S3C3T2 Fl. 6 6 No voto, a Conselheira relatora referese a todo o período da autuação e seu voto mantém, integralmente, a decisão da DRJ (fl. 237). Dessa forma, ainda que se tenha considerado a apartação dos débitos, tal providência restou inócua, tanto em relação à ação de execução, quanto em relação ao julgamento da matéria pelo 2o Conselho de Contribuintes. Vale dizer, o referido acórdão apreciou a totalidade da matéria do recurso, que abrangia os débitos em questão nos presentes autos, e, portanto, aplicase a eles. Tendo assim já ocorrido o julgamento da matéria, descabe nova apreciação, razão pela qual, concluise que não há novo recurso nos presentes autos. Dessa forma, deixando de tomar conhecimento de recurso, voto por ratificar a aplicação do Acórdão no 20401.039 aos débitos dos presentes autos. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 303DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 16/09/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
score : 1.0
Numero do processo: 35301.002733/2007-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/1997 a 30/06/1997, 01/10/1997 a 31/12/1997, 01/02/1998 a 30/06/1998, 01/08/1998 a 30/11/1998
FALTA DE CIÊNCIA DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DE DIREITO
DE DEFESA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
É motivo de cerceamento de direito de defesa o desconhecimento de fase processual relevante de interesse do sujeito passivo.
Anulada a Decisão de 1ª Instância
Numero da decisão: 2302-001.443
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da segunda
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, em anular a decisão de primeira instância. Vencidos os Conselheiros Marco André Ramos Vieira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: Adriana Sato
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Empresas em Geral Recorrente CBTU COMPANHIA BRASILEIRA DE TRENS URBANOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1997 a 30/06/1997, 01/10/1997 a 31/12/1997, 01/02/1998 a 30/06/1998, 01/08/1998 a 30/11/1998 FALTA DE CIÊNCIA DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. É motivo de cerceamento de direito de defesa o desconhecimento de fase processual relevante de interesse do sujeito passivo. Anulada a Decisão de 1ª Instância Fl. 1DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos, em anular a decisão de primeira instância. Vencidos os Conselheiros Marco André Ramos Vieira e Arlindo da Costa e Silva. Marco André Ramos Vieira Presidente Adriana Sato Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Marco André Ramos Viera (Presidente), Arlindo Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriana Sato. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35301.002733/200753 Acórdão n.º 230201.443 S2C3T2 Fl. 682 3 Relatório De acordo com o Relatório Fiscal As competências inseridas no crédito são: 06/97, 10/97 a 12/97, 02/98 a 06/98, 08/98 a 11/98, referentes à Administração Central, CNPJ 42.357.4831000126. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas os serviços prestados de construção civil nas obras para o trecho ferroviário São GabrielVia Norte. Tais serviços foram prestados pelo CONSÓRCIO CNO/EMSA, CNPJ 01.992.7431000158, formado pelas empresas: Construtora Norberto Odebrecht SIA, CNPJ 15.102.2881000697, e EMSA Empresa Sul Americana de Montagens S. A, CNPJ 17.393.5471000105, no cumprimento do contrato firmado com a CBTU: 022971DT. Os salários de contribuição foram aferidos através da aplicação do percentual de 20% (vinte por cento) previsto nos art. 75 e 76, da Instrução Normativa (IN) 6912002, , incidente sobre o valor das notas fiscais de serviços. Os valores das notas fiscais, o percentual aplicado e valores originais das contribuições devidas constam no anexo "Relatório de Fatos Geradores". A apuração do presente crédito é consoante com o estabelecido na Lei 8212191 de 24/07/1991 , art. 33, parágrafo 3°. Ainda de acordo com o relatório fiscal, a Recorrente apresentou, em algumas competências, guias de recolhimento com valores de salário de contribuição aquém do percentual de 20% (vinte por cento) previsto no item 20.2 da Ordem de Serviço (OS) 51/92, de 06/10/92; e no item 31.1.1 da Ordem de Serviço (OS) 165/97, de 11/07/97, alterada pela OS 185/98, de 31/03/98. Essas guias foram consideradas na apuração do crédito, permanecendo o saldo entre o valor calculado com o percentual de 20% sobre as respectivas notas fiscais e as guias recolhidas, com base no item 18.1.5 da OS 51/92, e no item 27 da Ordem de Serviço (OS) 165/97. A responsabilidade solidária nas obras de construção civil está prevista no art. 30, inciso VI, da lei 8.212191, de 25107191, alterada pela MP (Medida Provisória) 1.523 9/97, reeditada até a conversão na lei 9528197; no art. 57, do Rein (regulamento do custeio da previdência social), com as alterações do decreto 90.817, de 17101185; no art. 42 e parágrafos do decreto 612192, de 21107192, que dá nova redação ao regulamento ' aprovado pelo decreto 356, de 07/12/91; e no art. 43 e parágrafos do decreto 2173/97, de 05/03/97. A prestadora de serviços Norberto Odebrecht apresentou impugnação (fls.53) alegando em síntese que a fiscalização que antecedeu a lavratura da presente NFLD ocorreu exclusivamente na sede CBTU, razão pela qual não lhe foi dada a oportunidade de apresentar a sua escrituração contábil no intuito de comprovar o recolhimento integral das contribuições previdenciárias cobradas neste processo. No mais, a base de cálculo constitucionalmente prevista para essas contribuições é a falha de salários, o que deve ser observado com base nos elementos contábeis e na documentação relativa às obras de sua responsabilidade. E mesmo que não possuísse contabilidade regular, o que não é o caso, a NFLD não poderia ter aplicado indiscriminadamente o percentual de 20% sobre o valor de cada fatura para o cálculo do salário Fl. 3DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 de contribuição, visto que, em virtude da natureza dos serviços executados (serviços de terraplanagem, pavimentação, obras de arte etc. com utilização de equipamentos mecânicos), os percentuais a serem aplicados sobre a fatura seriam outros. A Recorrente principal apresentou impugnação (fls. 108 e seguintes), alegando em síntese: chamamento ao processo; prescrição; Ás fls. 138 consta um requerimento de diligência fiscal para análise dos documentos juntados pela Recorrente e pela prestadora de serviços. Após a juntada de documentos pela prestadora de serviços, foi emitido um parecer conclusivo às fls. 223/236, mantendose a competência 06/97 e retificando o valor das demais competências de acordo com o FORCED. A DN julgou o lançamento procedente em parte, a Recorrente e a prestadora de serviços apresentaram recurso voluntário alegando em síntese: possui liminar no Mandado de Segurança para conhecimento do recurso sem o depósito recursal; decadência; a base de apuração de 20% não possui qualquer embasamento legal; os recolhimentos foram efetivados; nulidade por cerceamento ao direito de defesa; necessidade da prova pericial. Nas fls.447 e seguintes há uma DN que reformou a DN 17.401.4/0810/2004 e julgou o lançamento procedente por ter sido juntado no lapso temporal para apresentação do recurso uma defesa apresentada pela prestadora de serviços EMSA, e, diante desse fato (defesa tempestiva juntada posteriormente) os autos foram novamente submetidos a análise para evitar o cerceamento ao direito de defesa da empresa prestadora de serviços. Tendo em vista a apreciação da documentação apresentada, fls. 233/236, as fiscais notificantes emitiram parecer conclusivo no sentido de rever o lançamento. Dessa forma procedeuse às retificações das competências discriminadas pela auditoria fiscal conforme planilha integrante da informação fiscal, fl. 234/235, conforme Discriminativo Analítico do Débito Retificado (DADR), fls. 241/244. Cabe ressaltar que o referido DADR, bem como o parecer sobre a documentação acostada aos autos já foram objeto de ciência por parte das notificadas, de acordo com as fls. 251, 252 e 254, sendo desnecessária nova remessa dos mencionados documentos, uma vez que não sofreram qualquer alteração. A Recorrente e as prestadoras foram cientificadas da DN e apresentaram recurso voluntário. A 4ª CaJ anulou o lançamento por falta de fundamentação Legal e a DRP interpôs pedido de revisão. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35301.002733/200753 Acórdão n.º 230201.443 S2C3T2 Fl. 683 5 A Recorrente e as prestadoras apresentaram contra razões ao pedido de revisão, requerendo a nulidade do lançamento por vício formal. O pedido de revisão foi indeferido pela 4ª CaJ e a DRP interpôs novo pedido de revisão. A Recorrente e as prestadoras apresentaram suas contra razões e o Presidente da 5ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes conheceu do pedido de revisão. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Voto Conselheira Adriana Sato, Relatora De acordo com o previsto no art. 60 da Portaria MPS n ° 88/2004, que aprovou o Regimento Interno do CRPS, a admissibilidade de revisão é medida extraordinária. A revisão é admitida nos casos de os Acórdãos do CRPS divergirem de pareceres da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, aprovados pelo Ministro da pasta, bem como do AdvogadoGeral da União, ou quando violarem literal disposição de lei ou decreto, ou após a decisão houver a obtenção de documento novo de existência ignorada, ou for constatado vício insanável, nestas palavras: Art. 60. As Câmaras de Julgamento e Juntas de Recursos do CRPS poderão rever, enquanto não ocorrida a prescrição administrativa, de ofício ou a pedido, suas decisões quando: I – violarem literal disposição de lei ou decreto; II – divergirem de pareceres da Consultoria Jurídica do MPS aprovados pelo Ministro, bem como do AdvogadoGeral da União, na forma da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; III depois da decisão, a parte obtiver documento novo, cuja existência ignorava, ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de assegurar pronunciamento favorável; IV – for constatado vício insanável. § 1º Considerase vício insanável, entre outros: I – o voto de conselheiro impedido ou incompetente, bem como condenado, por sentença judicial transitada em julgado, por crime de prevaricação, concussão ou corrupção passiva, diretamente relacionado à matéria submetida ao julgamento do colegiado; II – a fundamentação baseada em prova obtida por meios ilícitos ou cuja falsidade tenha sido apurada em processo judicial; III – o julgamento de matéria diversa da contida nos autos; IV – a fundamentação de voto decisivo ou de acórdão incompatível com sua conclusão. § 2º Na hipótese de revisão de ofício, o conselheiro deverá reduzir a termo as razões de seu convencimento e determinar a notificação das partes do processo, com cópia do termo lavrado, para que se manifestem no prazo comum de 30 (trinta) dias, antes de submeter o seu entendimento à apreciação da instância julgadora. § 3º O pedido de revisão de acórdão será apresentado pelo interessado no INSS, que, após proceder sua regular instrução, Fl. 6DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35301.002733/200753 Acórdão n.º 230201.443 S2C3T2 Fl. 684 7 no prazo de trinta dias, fará a remessa à Câmara ou Junta, conforme o caso. § 4º Apresentado o pedido de revisão pelo próprio INSS, a parte contrária será notificada pelo Instituto para, no prazo de 30 (trinta) dias, oferecer contrarazões § 5º A revisão terá andamento prioritário nos órgãos do CRPS. § 6º Ao pedido de revisão aplicase o disposto nos arts. 27, § 4º, e 28 deste Regimento Interno. § 7º Não será processado o pedido de revisão de decisão do CRPS, proferida em única ou última instância, visando à recuperação de prazo recursal ou à mera rediscussão de matéria já apreciada pelo órgão julgador. § 8º Caberá pedido de revisão apenas quando a matéria não comportar recurso à instância superior. § 9º O não conhecimento do pedido de revisão de acórdão não impede os órgãos julgadores do CRPS de rever de ofício o ato ilegal, desde que não decorrido o prazo prescricional. § 10 É defeso às partes renovar pedido de revisão de acórdão com base nos mesmos fundamentos de pedido anteriormente formulado. § 11 Nos processos de benefício, o pedido de revisão feito pelo INSS só poderá ser encaminhado após o cumprimento da decisão de alçada ou de última instância, ressalvado o disposto no art. 57, § 2º, deste Regimento. O acórdão sob revisão fundamentouse no fato de que não consta dos Fundamentos Legais do Débito a fundamentação legal que autorizaria o arbitramento por aferição indireta, para anular a NFLD. Contudo, o relatório fiscal cita expressamente que foi utilizada a aferição indireta e cita sua fundamentação legal, artigo 33§ 3º da Lei n.º 8.212/91. A notificação fiscal de lançamento não é composta apenas pela capa, ou folha de rosto, mas possui anexos, entre os quais, a peça mais relevante que é o relatório fiscal. Desse modo, o documento de constituição do crédito deve ser compreendido como a NFLD em sua integralidade, compreendendo capa, discriminativos e relatório fiscal. E, no caso presente o relatório fiscal supre a falta da fundamentação legal no documento Fundamentos Legais do Débito, já que descreve a utilização da aferição indireta como forma de apuração do crédito lançado, dizendo porque foi usada,nos elementos em que se baseou e traz a fundamentação legal.. Ademais, a Câmara Superior do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, especializada em matéria de custeio, decidiu no dia 13 de dezembro de 2006, em julgamento de pedido de uniformização de jurisprudência, por maioria absoluta, que o fundamento legal que ampara os levantamentos por arbitramento, pode constar do relatório Fundamentos Legais do Débito FLD, ou do Relatório Fiscal. O Enunciado do Conselho Pleno n.º 29, editado pela Resolução n.º 06, foi publicado no Diário Oficial da União de 21/12/2006, seção 01, pág.76, nos seguintes termos: Fl. 7DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 “Nos casos de levantamento por arbitramento, a existência do fundamento legal que ampara tal procedimento, seja no relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD ou no Relatório Fiscal – REFISC garante o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, não gerando a nulidade do lançamento.” Portanto, constando a fundamentação legal que ampara o arbitramento no Relatório Fiscal, não se vislumbra o cerceamento de defesa, pois o contribuinte foi devidamente informado do procedimento utilizado pela fiscalização e pode se manifestar a respeito, como no caso presente. Desta forma, é procedente o pedido de revisão e uma vez reconhecendo o vício do acórdão anterior (juízo rescindente), deve ser apreciada toda a questão devolvida a este Colegiado por meio do recurso interposto pelo notificado (juízo rescisório), incluindo as matérias cujo conhecimento deva ser realizado de ofício. Analisando o mérito do lançamento fiscal verificase que foi lançado com base na responsabilidade solidária descrita no artigo 30, inciso VI da Lei n.º 8.212/91, para o período de 06/97, 10/97 a 12/97, 02/98 a 06/98, 08/98 a 11/98. Os salários de contribuição foram aferidos com base nas notas fiscais de prestação de serviços emitidas para a empresa tomadora, no percentual de 20%. Ocorre que após a apresentação das defesas por parte das devedoras solidárias, o processo foi baixado em diligência, o que resultou na retificação do crédito lançado e emissão da DecisãoNotificação de Lançamento Procedente em Parte. Cientificadas da Decisão, as devedoras apresentaram recurso, anexando documentos para comprovar recolhimentos havidos. Pelo exposto, verifico que antes de proferida a decisão recorrida, foi determinada a realização de diligência o que foi cumprido, resultando relatório conclusivo sobre a matéria e o crédito retificado. Entretanto, às recorrentes não foi oferecida oportunidade de resposta sobre o resultado da diligência que rebateu as suas alegações com argumentos que lhe eram desconhecidos. Irregularidade esta que considero insanável, uma vez que somente no prazo para interposição do recurso voluntário conheceram dos fatos e esclarecimentos apresentados no relatório de diligência. Há vários precedentes deste órgão colegiado neste sentido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 10515982 (relator Conselheiro Daniel Sahagoff; data da sessão 20/09/2006), verbis: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CONTRIBUINTE NÃO TOMOU CIÊNCIA DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídicoprocedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação do processo, por cerceamento ao seu direito de defesa. Necessidade de retorno dos autos à instância originária para que se dê ciência ao contribuinte do resultado da diligência, concedendolhe o prazo regulamentar para, se assim o desejar, apresentar manifestação. Recurso provido. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35301.002733/200753 Acórdão n.º 230201.443 S2C3T2 Fl. 685 9 E a ampla defesa, assegurada constitucionalmente aos contribuintes, deve ser observada no processo administrativo fiscal. A propósito do tema, é salutar a adoção dos ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, esclarece de forma precisa e cristalina: A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifestase mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa oporse a pretensão do fisco, fazendose serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações. De fato, este entendimento também foi plasmado no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Pelo princípio constitucional do contraditório, é facultado à parte manifestar sua posição sobre fatos trazidos ao processo pela outra parte vez que tomando conhecimento dos atos processuais, pode, se desejar, reagir contra os mesmos. Inseremse no princípio do contraditório a chamada regra da informação geral e também a regra da ouvida dos sujeitos ou audiência das partes. O princípio do contraditório é de índole constitucional, devendo ser observado inclusive em processos administrativos, consoante art. 5°, LV, da Constituição Federal vigente. Art. 5°, LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Foi contemplado também no art. 2º, caput e parágrafo único, inciso X, da Lei nº 9.784/99, abaixo transcrito: Lei n° 9.784/99, art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (grifo nosso) Fl. 9DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Feitas estas considerações, entendo que a decisão recorrida deve ser anulada, uma vez que prolatada sem que os contribuintes tivessem a oportunidade de se manifestar, regularmente, em relação à informação fiscal carreada aos autos pelo fisco. Saliento, também, como já disse, que ocorreu uma segunda retificação do crédito em sede recursal, que da mesma forma, não foi comunicada aos devedores solidários, antes da remessa à segunda instância administrativa. Nesse sentido, entendo que a decisão proferida (DecisãoNotificação n° 17.401.4/0810/2004 é nula, por cerceamento ao direito de defesa, com fulcro no art. 59, do Decreto n.º 70.235/72, abaixo transcrito. Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Pelo exposto, vVoto por CONHECER do PEDIDO DE REVISÃO da Receita Previdenciária e resolvo RESCINDIR o Acórdão anterior e ANULAR a Decisão Notificação devendo ser conferida ciência aos recorrentes do resultado das diligências fiscais de fls. 234/235; DADR, fls. 241/244, abrindolhes prazo de quinze dias para manifestação e posterior emissão de nova Decisão. Adriana Sato Fl. 10DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35301.002733/200753 Acórdão n.º 230201.443 S2C3T2 Fl. 686 11 Declaração de Voto VOTO DIVERGENTE Peço vênia para discordar do entendimento proferido pelo Conselheiro Relator. Na questão preliminar entendo que não há vício na falta de intimação das informações juntadas, pois no presente caso não foram juntados documentos novos pela fiscalização. As informações tiveram natureza de simples réplica na forma prevista nos artigos 326 e 327 do CPC. De acordo com o CPC, haverá réplica quando na impugnação o autuado tiver alegado alguma questão preliminar, ou tiver aduzido fato constitutivo, impeditivo ou extintivo do direito do Fisco. No caso, a fiscalização apenas foi instada a se manifestar acerca das argumentações apresentadas em fase de impugnação pela notificada. Marco André Ramos Vieira Fl. 11DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 35415.001100/2006-60
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
A multa pelo descumprimento de obrigação acessória sujeitase
ao prazo decadencial de cinco anos, nos ternos do art. 173, I, do CTN.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.303
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A multa pelo descumprimento de obrigação acessória sujeitase ao prazo decadencial de cinco anos, nos ternos do art. 173, I, do CTN. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Caio Marcos Candido – PresidenteSubstituto Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Caio Marcos Candido (PresidenteSubstituto), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Giovanni Christian Nunes Campos (suplente convocado), Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Assinado digitalmente em 22/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 23/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO 2 Relatório O contribuinte, inconformado com o decidido no Acórdão nº 240100.295, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção em 03/06/2009 (fls. 480/484verso), interpôs recurso especial de divergência tempestivo à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 500/528), nos termos do art. 67 do RICARF. Em seu recurso, a recorrente apresenta paradigmas nos quais, em situação semelhante à dos presentes autos, o cálculo do prazo decadencial aplicável às contribuições sociais foi realizado com base no art. 150, §4º do CTN. Desse modo, divergem do acórdão recorrido, que aplicou ao caso o art. 173 do mesmo diploma legal. Nos termos do Despacho nº 2400305/2010 (fls. 565/566), foi dado seguimento ao recurso especial de contrariedade interposto pelo contribuinte. A Fazenda Nacional ofereceu contrarazões às fls. 569/579. Inicialmente, entende que não foi demonstrada a divergência jurisprudencial suscitada, uma vez que não houve o indispensável cotejo das teses divergentes e faltou similitude fática a caracterizar o alegado dissenso. Ademais, afirma que o caso em análise trata de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, não havendo que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo. Desse modo, conclui que para a apuração da decadência aplicase a regra geral contida no art. 173, I do CTN. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do recurso e passo ao exame do mérito. Na hipótese dos autos, segundo se depreende do relatório , o contribuinte foi autuado pela entrega da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, com previsão legal no art. 32, IV e § 5º da Lei nº 8.212, de 1991. A obrigação principal tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente, nos temos do art. 113, § 1°, do CTN, tendo por fato gerador, de acordo com o art. 114 do mesmo diploma legal, a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Já o fato gerador da obrigação tributária acessória, diz o art. 115 do CTN, é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Isto porque em se tratando de obrigação acessória, clara é a disposição do § 3° do art. 113 do CTN, de que a sua inobservância convertea em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária, como no dizer de Luiz A. Gurgel de Faria, in. Código Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Assinado digitalmente em 22/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 23/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 35415.001100/200660 Acórdão n.º 920201.303 CSRFT2 Fl. 2 3 Tributário Nacional Comentado, que havendo descumprimento da obrigação acessória, ela se converte em principal relativamente à penalidade pecuniária (§3º), o que significa dizer que a sanção imposta ao inadimplente é uma multa que, como tal, constitui uma obrigação principal, sendo exigida e cobrada através dos mesmos mecanismos aplicados ao tributo. Assim sendo, já que pelo simples fato da sua inobservância, a obrigação acessória é convertida em principal (CTN, art. 113, § 3°), sujeitandose, portanto, ao lançamento de oficio, na forma do art. 149 do CTN. Tratandose de lançamento de oficio, a regra a ser observada é a do art. 173, I, do CTN. Confirase, a propósito, os seguintes precedentes dos Tribunais e deste Conselho: "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁ RIAS. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 45 DA LEI 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE. I A multa pelo descumprimento de obrigaçã o acessória sujeitase ao prazo decadencial de cinco anos, nos termos do art. 173, I, do CTN. 2. A inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91 foi reconhecida pela Corte Especial deste Tribunal na Argüição de Inconstitucionalidade n°2000.04.01.0922283. 3. Apelação a que se nega provimento." (TRF 4' Região APELAÇÃO CÍVEL N° 2006.72.10.001962 3/SC, Relator: Juiz Federal ALEXANDRE ROSSATO DA SILVA ÁVILA) "TRIBUTÁRIO EXECUÇÃO FISCAL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁ RIA APRESENTAÇÃO DA GFIP OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO DECADÊNCIA REGRA APLICÁVEL: ART. 173, I, DO CTN. I. A falta de apresentação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), assim como o fornecimento de dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias devidas configura descumprimento de obrigação tributária acessória, passível de sanção pecuniária, na forma da legislação de regência. 2. Na hipótese, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é regido pelo art. 173, I, do CIN, tendo em vista tratarse de lançamento de oficio, consoante a previsão do art. 149, incisos II, IV e VI. 3. Ausente afigura do lançamento por homologação, não há que se falar em incidência da regra do art. 150, § 4°, do CTN. 4. Recurso especial não provido." (STJ RECURSO ESPECIAL N° 1.055.540 — SC — Relator: MINISTRA ELLANA CALMON) Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Assinado digitalmente em 22/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 23/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO 4 "MULTA — ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO — DECADÊNCIA — 1NOCORRÊNCIA. A jurisprudência desse e. Conselho de Contribuintes acolhe a tese de que o Lançamento de Multa por atraso na entrega da Declaração tem seu prazo decadencial regido pelo art. 173, Ido CTN e não pelo art. 150, §4° do CTN MASSA FALIDA MULTA — ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO — CABIMENTO. É cabível a multa pela não entrega da Declaração de Imposto de Renda referente à Massa Falida." (Acórdão n° 1070836) "MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para realização de lançamento com vistas à cobrança de multa regulamentar somente tem início no primeiro dia do ano seguinte ao da ocorrência da infração. LEGALIDADE. É cabível a aplicação da multa pelo atraso na entrega da DCTF à vista do disposto na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A entrega de declaração fora do prazo não exclui a responsabilidade pelo descumprimento de obrigação acessória e, portanto, não lhe é aplicável o instituto da denúncia espontânea." (Acórdão n° 30334722) Deste modo, correta a aplicação da regra pertinente a declaração da decadência no acórdão recorrido. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte Elias Sampaio Freire Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Assinado digitalmente em 22/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 23/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO
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Numero do processo: 10283.005816/2007-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2003 a 31/03/2005
PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA
ADMINISTRATIVA. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA.
Revela-se o direito processual administrativo fiscal refratário ao procedimento que exclua do sujeito passivo o direito ao contraditório e à ampla defesa.
É nula a Decisão de 1ª Instância lavrada sem que tenha sido concedido ao sujeito passivo o direito de se manifestar a respeito do resultado de Diligência utilizada na sua fundamentação.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-001.492
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,
por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. Revelase o direito processual administrativo fiscal refratário ao procedimento que exclua do sujeito passivo o direito ao contraditório e à ampla defesa. É nula a Decisão de 1ª Instância lavrada sem que tenha sido concedido ao sujeito passivo o direito de se manifestar a respeito do resultado de Diligência utilizada na sua fundamentação. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório Período de apuração: 09/2003 a 03/2005. Data de lavratura da NFLD: 30/06/2005. Data da Ciência da NFLD: 19/07/2005. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a outras entidades e fundos, incidentes sobre as remunerações pagas creditadas ou devidas a segurados empregados e a segurados contribuintes individuais, e a cargo destes incidentes sobre suas respectivas remunerações, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 40/42 e anexos. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 62/67. A Delegacia da Receita Previdenciária no Amazonas baixou o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse acerca da documentação exibida pelo impugnante em sede de defesa, conforme despacho a fl. 206. Informação fiscal a fls. 211/213, pugnando pela manutenção integral do débito. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão a fls. 231/235, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 20/02/2008, conforme Aviso de Recebimento a fl. 237. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 240/242, requerendo, ao fim, a declaração de insubsistência do lançamento. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.005816/200739 Acórdão n.º 230201.492 S2C3T2 Fl. 247 3 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 20/02/2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 24 de março do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Antes de adentrarmos a cognição meritória urge ser sanada uma irregularidade de cunho eminentemente processual. No curso da instrução do processo, após o oferecimento da impugnação, o feito foi baixado em diligência para que para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse acerca da documentação exibida pelo impugnante em sede de defesa. Fruto de tal incidente processual, foi emitida Informação Fiscal, a qual veiculou parecer conclusivo acerca do objeto da diligência em apreço, moldados nos seguintes termos: 2. Tendo sido submetidos a exame a defesa e seus anexos (fls. 62 a 201), verificouse que a notificada discorda da parte do lançamento que se refere às contribuições incidentes sobre as remunerações de segurados empregados apuradas na contabilidade, cujos valores constam no quadro I do Demonstrativo de Remuneração Apurada na Contabilidade (fls. 45) e no Demonstrativo de Diferenças de Remuneração entre Contabilidade x Folha de Pagamento (fls. 46). Tais contribuições integram na notificação em tela os levantamentos DCT e ECT. 3. Cabe reprisar, conforme evidenciado no Relatório Fiscal e nos demonstrativos citados no item 2 desta Informação Fiscal (IF), que as remunerações consideradas no lançamento foram apuradas na escrituração contábil, mediante exame do Livro Diário n° 5 e do respectivo Razão analítico, dos quais foram extraídos os valores lançados nas contas 112.03.00018 — Adiantamento a funcionários e 324.01.00012 — Ordenados e Salários. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 4. Vale também registrar que, ainda que já conste no processo, como anexo da NFLD, folhas do Razão analítico (fls. 53 a 54) nas quais se visualizam os lançamentos contábeis relativos As contas mencionadas acima , a presente Informação Fiscal (IF) traz entre seus anexos as cópias dos Termos de Abertura e de Encerramento e das folhas n° 07, 53, 55, 57, 60, 63, 68 e 70 do Livro Diário n° 05, registrado na JUCEA conforme Termo de Autenticação n° 05/0011464. E importante observar que, além de citado no item 10 do Relatório Fiscal (fls. 41) e nos demonstrativos a que se reporta o item 2 desta IF, o referido Livro Diário foi também mencionado no quadro Informações Complementares do Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal (TEAF) (fls. 38). 5. Na sua defesa, a notificada alega, em síntese, que os valores levantados pela fiscalização referemse a outros pagamentos como adiantamento a fornecedores, aluguel de equipamentos e materiais para manutenção, e que foram escriturados indevidamente nas contas 112.03.00018 — Adiantamento a funcionários e 324.01.00012 — Ordenados e Salários. Acrescenta, ainda, repetidas vezes, que "as correções foram efetuadas por lançamentos constantes do livro diário n° 6, registrado na JUCEA, conforme comprovação anexa". (grifo nosso) 6. Diante das alegações da notificada e considerando que a mesma, embora tenha afirmado, não apresentou na defesa a comprovação das supostas retificações, foi efetuada diligência a empresa, conforme MPF n° 09384234, tendo sido entregue Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD), em 17/04/2007, solicitando, entre outros elementos, os livros Diário referentes aos períodos de 2004 e 2005. Como não foi apresentado o livro Diário verificado na fiscalização (v. itens 3 e 4), foi emitido TIAD especifico, entregue em 09/05/2007, solicitando o citado livro. 7. Isto posto, cabe relatar que a empresa não apresentou o Livro Diário n° 06 com as supostas retificações, limitandose a exibir outro Livro Diário, registrado na JUCEA conforme Termo de Autenticação n° 05/0038885 (data de registro: 22/09/2005) contido na folha do Termo de Abertura. Este termo, por sua vez, o identifica como Livro Diário n° 02, indicando que o mesmo corresponde ao período de 01/01/2004 a 31/12/2004 e que substituiu o Livro Diário n° 01 (do mesmo período). 8. Ao examinarse o livro supostamente substituído, apresentado na diligência como sendo o Diário n° 01, verificouse que se tratava, na verdade, do Livro Diário n° 05, o mesmo examinado na fiscalização, conforme relatado nos itens 3 e 4 da presente Informação Fiscal. Tal fato foi constatado na própria folha do Termo de Abertura, onde consta o Termo de Autenticação n° 05/0011464 (v. item 4 desta IF), havendo ainda sinais evidentes de adulteração no número do livro, haja vista que o número 01 foi anotado sobre marcas grosseiras de apagamento no espaço do numero anterior. 9. Considerando que os fatos relatados acima representam indícios da prática de ilícitos contra a previdência social, foi Fl. 258DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.005816/200739 Acórdão n.º 230201.492 S2C3T2 Fl. 248 5 lavrado o competente Auto de Apreensão, Guarda e Devolução de Documentos (AGD), mediante o qual foram apreendidos os Livros Diário mencionados anteriormente, juntamente com dois Livros Razão a eles correspondentes, para fins de verificação da regularidade da autenticação na Junta Comercial do Estado do Amazonas (JUCEA) e dos lançamentos neles escriturados e, se for o caso, a apuração dos demais desdobramentos. 10. É oportuno ainda destacar que a retificação de lançamentos incorretos, constantes em livro já autenticado pela Junta Comercial, deve ser efetuada nos livros de escrituração do exercício em que foi constatada a sua ocorrência, observadas as Normas Brasileiras de Contabilidade, não podendo o livro já autenticado ser substituído por outro, de mesmo número ou não, contendo a escrituração retificada. (...) 12. Considerando o exposto e tendo sido demonstrada a insubsistência da defesa apresentada, sugiro a manutenção integral do lançamento objeto da NFLD em tela. Com efeito, prestouse tal parecer de alicerce para o livre convencimento da autoridade judicante administrativa a quo e como fundamento da decisão de 1ª Instância lavrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém/PA, a fls. 231/235, que culminou no indeferimento do pleito pretendido pelo Impugnante e na manutenção integral do crédito tributário. Compulsando os autos, todavia, não logramos nos deparar com qualquer indício de prova material que demonstrasse ter sido o sujeito passivo em tela devidamente cientificado da juntada da Informação Fiscal referida nos parágrafos precedentes. Nesse panorama, se nos antolha ter sido lavrada a Decisão Administrativa ora guerreada sem que tenha sido oportunizado ao sujeito passivo a faculdade de se manifestar a respeito do resultado da diligência fiscal em questão. A privação do conhecimento das razões aduzidas pela Fiscalização, as quais se prestaram na fundamentação da Decisão discutida, configurou, ao nosso sentir, hipótese de cerceamento de defesa, pelo efetivo esvaziamento do direito ao contraditório e à ampla defesa, além de supressão de instância eis que a contradita do sujeito passivo ficou reservada, tão somente, à instância recursal. Revelase o Direito Processual Administrativo refratário ao proferimento de Decisões em que reste configurada qualquer modalidade de preterição ao direito de defesa, as quais já nascem sob o estigma da nulidade. Dessarte, se nos afigura ter sido espezinhado o Devido Processo Legal, eis que a Decisão de 1ª Instância foi emitida sem a oportunização de contradita ao Notificado, aos argumentos expendidos na Informação Fiscal acostada pela fiscalização, em sede de diligência, a fls. 211/213. A situação fática retratada no presente caso, consistente na usurpação do direito ao contraditório, atrai ao feito a incidência do preceito inscrito no inciso II, in fine, do Fl. 259DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 art. 31 da Portaria MPS n° 520/2004, sob cuja égide se desenvolveram os fatos processuais aqui narrados e houve por lavrada a decisão vergastada. PORTARIA MPS Nº 520, de 19 de maio de 2004 Art. 31. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; III – o lançamento não precedido do Mandado de Procedimento Fiscal. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3º Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo, a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 32. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo quando o sujeito passivo houver dado causa ou quando não influírem na solução do litígio. Parágrafo único. A nulidade somente deve ser decretada quando o saneamento do vício for inviável. Salientese que as diretivas ora anunciadas não se atritam com as disposições encartadas no Decreto nº 70.235/72 que regem os Processos Administrativos Fiscais nas ordens do Ministério da Fazenda, ao qual, hodiernamente, também se submetem os procedimentos fiscais e os processos administrativos fiscais de determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições previdenciárias, sendo aquelas, destas, espelho. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito Fl. 260DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.005816/200739 Acórdão n.º 230201.492 S2C3T2 Fl. 249 7 passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Nesse contexto, pautamos pela declaração de nulidade do Acórdão combatido, com fulcro no art. 31, II da Portaria MPS nº 520/2004 c.c. art. 59, II do Decreto nº 70.235/72, devendo ser dada ciência ao Recorrente do teor da Informação Fiscal a fls. 211/213, reabrindoselhe o prazo normativo para se manifestar nos autos. 3. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, voto por ANULAR a DECISÃO de primeira instância, devendo ser conferido ao Recorrente o direito de se manifestar acerca do resultado da diligência em realce. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 261DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 11080.007335/2007-15
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 18/06/2007
AUTO DE INFRAÇÃO AUSÊNCIA
DE DECLARAÇÃO DE TODOS OS
FATOS GERADORES.
DECADÊNCIA PARCIAL. DAS FALTAS JUSTIFICADORAS DA
MULTA. RECONHECIDA .VÍCIO NO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA.
FATOS ALEGADOS CARENTES DE LASTRO PROBATÓRIO. MULTA
CONFISCATÓRIA INEXISTÊNCIA. REDUÇÃO DA MULTA.
IMPOSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-001.124
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento
parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), acatando a preliminar de decadência,
em relação as faltas justificadoras da infração e da aplicação da multa até a competência
03/2002, inclusive, devendo os valores relativos a estas competências serem excluídos do
presente crédito, bem como determinar a aplicação da multa do artigo 32A,
I da Lei 8.212/91
na redação dada pela Lei 11.941/2009, caso mais benéfico ao contribuinte situação a ser
averiguada quando da quitação do crédito por qualquer forma, não acatando todas as demais
teses da recorrente e não conhecendo do pedido de suspensão da exigibilidade. Vencido(a) o(a)
Conselheiro(a) Helton Carlos Praia de Lima e Oséas Coimbra Junior.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), acatando a preliminar de decadência, em relação as faltas justificadoras da infração e da aplicação da multa até a competência 03/2002, inclusive, devendo os valores relativos a estas competências serem excluídos do presente crédito, bem como determinar a aplicação da multa do artigo 32A, I da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009, caso mais benéfico ao contribuinte situação a ser averiguada quando da quitação do crédito por qualquer forma, não acatando todas as demais teses da recorrente e não conhecendo do pedido de suspensão da exigibilidade. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Helton Carlos Praia de Lima e Oséas Coimbra Junior.
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/06/2007 AUTO DE INFRAÇÃO AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE TODOS OS FATOS GERADORES. DECADÊNCIA PARCIAL. DAS FALTAS JUSTIFICADORAS DA MULTA. RECONHECIDA .VÍCIO NO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. FATOS ALEGADOS CARENTES DE LASTRO PROBATÓRIO. MULTA CONFISCATÓRIA INEXISTÊNCIA. REDUÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), acatando a preliminar de decadência, em relação as faltas justificadoras da infração e da aplicação da multa até a competência 03/2002, inclusive, devendo os valores relativos a estas competências serem excluídos do presente crédito, bem como determinar a aplicação da multa do artigo 32A, I da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009, caso mais benéfico ao contribuinte situação a ser averiguada quando da quitação do crédito por qualquer forma, não acatando todas as demais teses da recorrente e não conhecendo do pedido de suspensão da exigibilidade. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Helton Carlos Praia de Lima e Oséas Coimbra Junior. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira – Relator. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11080.007335/200715 Acórdão n.º 2803001.124 S2TE03 Fl. 95 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11080.007335/200715 Acórdão n.º 2803001.124 S2TE03 Fl. 96 3 Relatório O presente Auto de Infração – AI DEBCAD 37.074.0394, CFL.68, apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e parágrafo 3º, acrescentados pela Lei 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e parágrafo 5º, também, acrescentados pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, objetivando a aplicação de multa punitiva em razão do descumprimento do dever instrumental, referente ao período de apuração 04/1997 a 01/2007, conforme Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, de fls. 06. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal, em 19/06/2007, conforme, Folha de Rosto do Auto de Infração – FR, de fls. 01. As faltas justificadoras da autuação estão descritas, no Relatório Fiscal da Infração – REFISC, de fls. 14, as quais estão assim discriminadas, conforme abaixo transcrito. Desta forma, o contribuinte apresentou as GFIP's, relativas às competências de 01/99 a 05/99, 07/99, 10/99 a 09/00, 08/01 a 10/01, 12/02, 02/03 a 04/03, 06/03, 12/03, 04/04 a 06/04, 12/04 e 12/05 com dados não correspondentes aos fatos geradores das contribuições previdenciárias. (grifo meu). A empresa apresentou impugnação, em 19/07/2007, conforme espelho de protocolo do SIPPS, fls. 26, a impugnação foi acostada os autos, as fls. 27 a 38 tal impugnação não foi acompanhada de documentos. A impugnação fora considerada tempestiva, fls.37; 38 e 46. Posteriormente, a impugnante apresentou a petição, de fls. 40, acompanhada dos documentos, de fls. 41 a 45. O órgão julgador de primeiro grau prolatou o Acórdão Nº 13.651 7ª Turma DRJ/POA, em 30/11/2007, conforme fls. 48 a 52, no qual o lançamento foi considerado procedente. O sujeito passivo foi cientificado desta decisão, em 16/04/2009, AR, de fls. 65. O contribuinte interpôs recurso voluntário, petição de interposição recebida em 18/05/2009, fls. 67, com razões recursais, as fls. 68 a 82, desacompanhada de documentos. Posteriormente, a impugnante apresentou a petição, de fls. 87, acompanhada dos documentos, de fls. 88 a 89. As razões recursais em resumidíssima síntese são as seguintes. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11080.007335/200715 Acórdão n.º 2803001.124 S2TE03 Fl. 97 4 Preliminarmente. • Que a interposição da impugnação e do presente recurso suspendem a exigibilidade do crédito por força de lei, o que deve ser aplicado pela autoridade administrativa; • Que no processo administrativo fiscal vige o princípio da verdade material e que pelas cópias de GFIP’s acostadas aos autos fica provado que o contribuinte declarou as contribuições, cita doutrina; • Que cabe a administração apurar e lançar com base na verdade material, sendo que o fisco e os contribuintes têm deveres próprios, tudo em busca da verdade sem prejudicar o contraditório e ampla defesa, transcreve decisões administrativas; • Que ocorreu decadência para as competências anteriores a 07/2002; Mérito. • Que não ficou claramente demonstrado como se apurou o valor da multa, pois esta deve considerar o número de funcionários, nos termos do artigo 32, §4º da Lei 8.212/91, a qual reajustada pelo artigo 373 do regulamento chegou ao elevado valor de R$ 6.010,71; • Que há multa é excessiva, violando a razoabilidade e proporcionalidade, predatória e verdadeira voracidade fiscal, transcreve doutrina; • Que a legislação não distingue entre pagamento de tributo, de multa e de penalidade pecuniária, cita artigo 113 do CTN, aplicandose a multa todos os princípios da tributação, inclusive o artigo 150, V da CF/88; • Que no presente caso a multa aplicada de 120% da exação caracteriza confisco, cita jurisprudência, sendo que nos termos da Lei 8.383/91 a multa não é exigível nos patamares aplicados, não tendo sido a legislação interpretada nos termos do artigo 112 do CTN; • Que a fixação de multa se deu fora dos contornos legais é por procedimento discricionário da autoridade, que ofende a legalidade, razão pela qual se pede a desconsideração da multa ou sua redução para um único empregado e não para o total destes; • Requer ao final: a) reforma da decisão a quo; b) manutenção da suspensão da exigibilidade do crédito até a decisão final. O recurso foi considerado tempestivo, fls. 92. Os autos subiram ao CARF, fls. 93. É o Relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11080.007335/200715 Acórdão n.º 2803001.124 S2TE03 Fl. 98 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso foi interposto tempestivamente, conforme consta, as fls. 92, e comprovam o, AR, de fls. 65, e a Petição Recursal, com carimbo de recepção do recurso, em 18/05/2009, fls. 67. A autoridade preparadora, também, reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 92. Presente o pressuposto de admissibilidade passo ao recurso. Inicialmente, cabe registra que a recorrente admite a falta, mas diz ser esta escusável devida a alteração no sistema da GFIP. A alteração no sistema SEFIP/GFIP para a versão 8.0 só se deu em 01/2006 e todas as competências onde GFIP’s foram declaradas com ausência de todos os fatos geradores são anteriores a este data, o que afasta a alegação. Preliminares. A suspensão da exigibilidade do crédito está definida no artigo 151, III da Lei 5.172/66 e sua ocorrência nos lançamentos fiscais em matéria previdenciária se dá pelo simples registro da apresentação da impugnação tempestiva e recurso tempestivo no Sistema SICOB, aliás, como consta nestes autos, as fls. 37 e 38, em relação a impugnação e, as fls. 92, em relação ao recurso. Não cabendo a este Colegiado se pronunciar sobre questão superada, bem como por faltar interesse de agir por parte do contribuinte. Como ficou consignado, acima, quando da impetração da impugnação o contribuinte não apresentou documento algum para acompanhar esta. Apresentado dias após, nova petição, as fls. 40, mas apenas para corrigir a representação processual, com a apresentação de Contrato Social, Procuração e nada mais. Quando da apresentação do presente recurso o mesmo se deu, ou seja, nada apresentou na interposição e dias após atravessou nova petição, fls. 87, onde apenas traz o documento de identificação do procurador e novo mandato procuratório e mais nada. Embora o contribuinte alegue ter apresentado as GFIP’s e que estas provam que as contribuições foram declaradas isto não é verdade, pois não há tais documentos juntos a estes autos. O agente lançador deixou claro no Relatório Fiscal da Infração – REFISC, de fls. 14, complementados pelas planilhas, de fls. 16 a 20, que as infrações ocorreram, uma vez que a recorrente não declarou todos os fatos geradores em GFIP. Na realidade quem não fez provas de sua verdade material foi a empresa e a prova do fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do fisco, compete ao contribuinte nos termos do artigo 333, II da Lei 5.869/73. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11080.007335/200715 Acórdão n.º 2803001.124 S2TE03 Fl. 99 6 A decadência, embora, leve a julgamento de mérito deve ser apreciada antes das demais matérias por ser antecedente lógico, pois caso reconhecida de maneira parcial ou total pode inviabilizar o conhecimento das questões suscitadas, também, de forma parcial ou total. A alegação de decadência encontra eco na legislação, uma vez que depois de proferida a decisão pela autoridade julgadora a quo o Supremo Tribunal Federal entendeu por editar a Súmula Vinculante N° 08/2008, abaixo transcrita: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. E conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 tal norma vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. No caso em estudo a questão é saber qual deve ser o marco inicial da decadência, ou seja, a contagem darseia pelo artigo 150, 4° ou 173, I, ambos do CTN. Aplicase o primeiro no caso de antecipação de pagamento e o segundo em não havendo tal antecipação, conforme já definido pelo STJ, sendo a teoria mais aceita e que, também, adoto, como a seguir explicitada: RECURSO ESPECIAL Nº 970.947 SC (2007/01732916) Esta Corte tem firmado o entendimento de que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira: a) em regra, seguese o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos, contado "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos, contado do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. No presente caso a meu ver a regra a ser aplicada é a do artigo 173, I, da Lei 5.172/66, pois estamos no campo do auto de infração por descumprimento de dever instrumental e neste caso não há antecipação de pagamento, pois se tivesse havido pagamento o crédito estaria extinto e não haveria o presente julgamento. No presente caso aplicouse o Precedente da Primeira Seção do STJ submetido ao rito do artigo 543C, do CPC RESP 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 12.08.2009, DJe 18.09.2009), nos termos do artigo 62A da Portaria MF/GM 256/2009 – Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11080.007335/200715 Acórdão n.º 2803001.124 S2TE03 Fl. 100 7 No entanto, é necessário compatibilizar este norma com o período de fiscalização possível de ser autorizado pelo MPF, de fls. 06, tendo sido tal autorização entregue ao contribuinte em 18/04/2007 a autorização de fiscalização só vai até 19/04/2002, ou seja, desta data para traz não há autorização para a realização do procedimento fiscalizatório e se não foi fiscalizado, não pode haver configuração de infração para competência não auditadas. Desta forma, segundo explicitado pela agente fiscal autuante, no REFISC, de fls. 14, conforme supramencionado, as faltas justificadoras da infração que estão nestes autos consignadas, referemse ao período de 01/99 a 05/99, 07/99, 10/99 a 09/00,08/01 a 10/01, 12/02, 02/03 a 04/03, 06/03, 12/03, 04/04 a 06/04, 12/04 e 12/05. Contandose a decadência pela regra do primeiro dia do exercício seguinte em que o crédito poderia ter sido lançado e compatibilizando esta com o prazo retroativo de cinco anos do MPF, que foi recebido, em 18/04/2007, para o período que foi fiscalizado, terseia como marco inicial da decadência como sendo 19/04/2002, assim, as faltas ocorridas entre 01/1999 a 03/2002, inclusive, estão decadentes e não justificam a infração, devendo ser excluídas deste crédito, conforme planilha, de fls. 22. A multa dos autos em análise é idêntica ao valor não declarado em GFIP. Nas planilhas, de fls. 16 a 18, ficou demonstrado como se obteve o valor da contribuição social previdenciária não declarada em razão dos contribuintes individuais. Nas planilhas, de fls. 19 a 21, ficou demonstrado como se obteve o valor da contribuição social previdenciária não declarada em razão dos segurados empregados. Por fim, a planilha, de fls. 22, mostra a totalização da multa e a comparação desta com o limite legal da multa estabelecido pelo artigo 32, §4º da Lei 8.212/91. Tal esclarecimento se mostra apenas em operação aritmética básica de fácil compreensão. O valor da multa nada tem de excessiva, elevada, predatória ou confiscatória, pois a multa final aplicada com as limitações legais foi de R$ 6.010,71, algo em torno de 15,8 salários mínimo, sendo exatamente o valor que o contribuinte deixou de declarar em sua GFIP, estando nos termos do artigo 32, § 5º da Lei 8.212/91, isto é, 100% do valor omitido e não 120% como alega a recorrente. O patamar aplicado é o normalmente admitido pelas leis em caso de sanção, v.g., artigo 412 da Lei 10.406/2002. Aliás, nossa jurisprudência tem como possível tal percentual. EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. AGRAVO RETIDO. DECADÊNCIA. READEQUAÇÃO DO LAUDO PERICIAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. AFERIÇÃO INDIRETA. EXCESSO DE EXECUÇÃO. TAXA SELIC. MULTA. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA. CONFISCO NÃO CARACTERIZADO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS E PERICIAIS. 7. Não se realiza a hipótese de confisco quando aplicado o índice de 75%. Precedente do STF no sentido de que multas aplicadas até o limite de 100% não configuram confisco (ADI nº 551 voto do Ministro Marco Aurélio). 10. Honorários advocatícios a carga da União arbitrados em 1% sobre o valor correspondente à parcela da dívida declarada inexigível, em consonância com o artigo 20, § 4º, do CPC. 11. Mantida a condenação da parte embargante ao pagamento dos honorários periciais, à luz do Fl. 109DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11080.007335/200715 Acórdão n.º 2803001.124 S2TE03 Fl. 101 8 princípio da causalidade.(AC 00039920320044047009, LUCIANE AMARAL CORRÊA MÜNCH, TRF4 SEGUNDA TURMA, 12/05/2010) PROCESSO CIVIL, CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. PRETENSÃO INICIAL. LIMITES. FALÊNCIA. SÓCIO. EXCLUSÃO DA MULTA E DE JUROS DE MORA. NÃO APROVEITAMENTO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. CAPITALIZAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. DUPLA INCIDÊNCIA DE CORREÇÃO MONETÁRIA. INEXISTÊNCIA. MULTA. PERCENTUAL DE 30%. CONSTITUCIONALIDADE. 7. Quanto à multa de 30% incidente sobre o débito tributário do Apelante, o próprio STF (STF, 1.ª Turma, RE n.º 241.074/RS, Relator Ministro Ilmar Galvão, DJ 19.12.2002) já entendeu constitucional multa no percentual de 80%, sendo o percentual da multa ora examinado justificado pela necessidade de esta servir tanto de punição como de fator de dissuasão em relação à prática dos atos caracterizados como infração para fins de sua incidência. 8. Não provimento da apelação.(AC 200182000032880, Desembargador Federal Emiliano Zapata Leitão, TRF5 Primeira Turma, 24/09/2009) (grifos meus). Não houve reajustamento do valor da multa apenas o artigo 373 do RPS faz regular o que dizem o artigo 92 e 102 da Lei 8.212/91 atualizam o valor da moeda e nada mais. Embora, a legislação depois do descumprimento da obrigação acessória e de sua conversão em pecúnia, que a torna obrigação principal não faça distinção entre estas e aquela. O fato é que as duas coisas são bem distintas. O tributo é a obrigação principal em si mesma estipulada na lei e com seus contornos definidos a multa punitiva por infração a lei não é tributo e o artigo 3º da Lei 5.172/66 e cristalino quanto a isso. Entretanto, isto em nada afeta a pena aqui aplicada, pois como já se asseverou esta foi aplicada dentro das determinações legais. Como dito alhures não há multa de 120% e o texto da lei prova isto basta lêlo. De mais a mais a Lei 8.383/91 não se aplica ao caso, pois à época da infração e do lançamento esta exação era administrada pelo INSS e depois pela SRP e não pela SRF, sendo que para o débitos previdenciários vigia o contido no artigo 35 da Lei 8.212/91, no que tange a multa moratória não há aplicada desta neste auto. Porém para a multa punitiva sanção por descumprimento de obrigação acessória, aqui aplicada, vigia o artigo 32, §5º, sendo este a base legal do lançamento da multa. A autoridade lançadora não usou de discricionariedade, muito pelo contrário apenas cuidou de aplicar o artigo 37, caput da CRFB/88 c/c o artigo 142 e parágrafo único da Lei 5.172/66, conforme dito anteriormente a multa esta estipulada no artigo 32, §5º com o limitador do §4º que usa o número de segurados. No entanto, no que se refere a multa punitiva, a MP 449/2008 convertida na Lei 11.941/2009 determinou uma nova sistemática de cálculo da multa, ou seja, o novel instrumento jurídico, além de aglutinar as infrações mudou substancialmente a penalidade imposta. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11080.007335/200715 Acórdão n.º 2803001.124 S2TE03 Fl. 102 9 Assim, não se há que falar, mutatis mutandis em abolitio criminis. Mas sim em criação de novo preceito secundário da norma, isto é, criação de nova pena. O artigo 106, II, “c”, do CTN determina a aplicação retroativa de lei que comine penalidade menos severa, o sendo este o caso, pois na redação anterior do artigo 32, parágrafos 4°, 5° , e 6°, da Lei 8.212/91 tínhamos as seguintes situações/autuações e as multa/penas. parágrafo 4° NÃO APRESENTAÇÃO DE GFIP Multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283 do RPS, em função do número de segurados da empresa, acrescido de 5% por mês calendário ou fração de atraso, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ser entregue. parágrafo 5° APRESENTAÇÃO COM OMISSÃO EM FATOS GERADORES 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada, respeitado o limite, do parágrafo 4°. parágrafo 6° ERRO DE PREENCHIMENTO – INEXATAS – OMISSAS – INCOMPLETAS 5% do valor mínimo previsto no caput do art. 283 do RPS por campo omisso, incompleto ou incorreto, respeitado o limite máximo por competência. O novo texto legal, artigo 32A, da Lei 8.212/91, introduzido pela Lei 11.941/2009 trouxe novas multas que aparentam ser bem mais brandas, embora estabeleça valores mínimos para estas novas multas. NÃO APRESENTAÇÃO OU APRESENTAÇÃO FORA DE PRAZO – 2% ao mês ou fração do montante das contribuições informadas até 20%. APRESENTAÇÃO COM INCORREÇÕES OU OMISSÕES – R$ 20,00 por cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas No presente auto temos que comparar a situação dois, o artigo 32, § 5°, da Lei 8.212/91 com a situação dois do novo artigo 32 A, acrescentando pela Lei 11.941/2009, a fim de estabelecermos a correspondência entre a infração antiga e a infração nova. Após apurada tal correspondência e que podemos e devemos verificar o patamar das multas a serem consideradas, apurandose, assim, a mais benéfica entre a velha e a nova multa. A metodologia estabelecida pelo artigo 3°, da Portaria Conjunta PGFN/RFB Nº 14/2009, não é consentânea com o que determina a lei em sua nova redação, pois determina para a apuração da multa benéfica a soma da multa moratória do antigo artigo 35, da Lei 8.212/91 aplicado na notificação fiscal (obrigação principal) a multa punitiva do antigo artigo 32 parágrafos 4°e 5°, da Lei 8.212/91 para após comparálos com o novo artigo 35A, da Lei 8.212/91, ou seja, multa de ofício. Assim esta sistemática manda juntar multas distintas e comparar com multa que não existia na época da lavratura deste auto de infração, o que não pode ser aceito, devendo ser afastada a aplicação da citada PT 14/2009, pois compara multas distintas e aplica retroativamente multa nova, o que não se coaduna com nosso ordenamento jurídico. Desta forma, determino a aplicação da nova multa prevista no artigo 32A, inciso I, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 11.941/2009, caso mais benéfica ao contribuinte. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11080.007335/200715 Acórdão n.º 2803001.124 S2TE03 Fl. 103 10 CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso, acatando a preliminar de decadência, que resulta em resolução do mérito para DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, em relação as faltas justificadoras da infração e da aplicação da multa até a competência 03/2002, inclusive, devendo os valores relativos a estas competências serem excluídos do presente crédito, bem como determino a aplicação da multa do artigo 32A, I da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009, caso mais benéfico ao contribuinte situação a ser averiguada quando da quitação do crédito por qualquer forma, não acatando todas as demais teses da recorrente e Não Conhecendo do pedido de suspensão da exigibilidade, como exposto. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. . Declaração de Voto Declaração de Voto Conselheiro Oséas Coimbra Assentado entendimento desta Turma informa que, nos lançamentos referentes à descumprimento de obrigação acessória caso dos autos, CFL 68 aplicase a regra decadencial prevista no art. 173 do CTN. Como o auto foi lavrado em 18/06/2007, aplicando o prefalado artigo, temos que as competências 12/2001 e seguintes, não estariam decadentes. Alterando agora esse entendimento, temos no voto vencedor novo documento a ser observado quando da definição do prazo decadencial, o MPF – Mandado de Procedimento Fiscal. Não compartilho da tese vencedora, de que o MPF abarcou período decadente, pelas razões a seguir delineadas. Excerto do voto vencedor informa: “... é necessário compatibilizar este norma [decadência] com o período de fiscalização possível de ser autorizado pelo MPF, de fls. 06, tendo sido tal autorização entregue ao contribuinte em 18/04/2007 a autorização de fiscalização só vai até 19/04/2002, ou seja, desta data para traz não há autorização para a realização do procedimento fiscalizatório e se não foi fiscalizado, não pode haver configuração de infração.” Fl. 112DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11080.007335/200715 Acórdão n.º 2803001.124 S2TE03 Fl. 104 11 O CTN, em seu art. 173, elenca dois marcos temporais para que a decadência seja definida. A data que representa a competência que o lançamento poderia ter sido efetuado e a data efetiva de sua lavratura. A desdúvida que Mandado de Procedimento Fiscal não se configura como fato gerador de obrigação alguma e muito menos em lançamento, sendo então imprestável para servir de marco temporal para delimitação do período decadencial. Como se isto não bastasse, temos ainda que, em tese, a obrigação acessória sob exame estaria decadente somente a partir de 11/2001 para trás, o que significa que todos os procedimentos adotados para se levantar o débito de período não decadente, 12/2001 e seguintes, são válidos, pois não pode a Administração tributária se furtar de proceder a cobrança de tributo não decaído. Entendimento diverso levaria a absurda conclusão de que a Fazenda não pode emitir MPF para apurar período não decadente, que ultrapasse os cinco anos, negando aplicabilidade aos arts. 150, § 4º e 173, caput, I,II do CTN. O mandado de procedimento fiscal é disciplinado pelo decreto 3.724/01 e este mesmo instrumento normativo traz em seu art. 2º, §3º, várias situações de lançamento sem a expedição de MPF, a demonstrar sua prescindibilidade ao lançamento. O referido decreto também não determina prazo de abrangência do MPF. Nessa linha, confirmando a desnecessidade de MPF para o lançamento, temos também a súmula 46 do CARF – O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Ressaltese que, no caso concreto, houve regular emissão de MPF, todos os atos foram executados sob a égide dos mandados expedidos. Temos ainda que, nos casos de dolo, fraude ou simulação, o período decadencial também ultrapassa os cinco anos, consoante art. 150, § 4º do CTN, novamente a demonstrar que o período constante no MPF, pode e deve, extrapolar o qüinqüênio legal no sentido de possibilitar a Fazenda de apurar o que devido, o mesmo acontece quando do relançamento, em razão de nulidade formal. Finalmente, se remansoso entendimento jurisprudencial e administrativo aponta que uma falta cometida, por ex em 01 de janeiro de 2000, pode originar um auto a ser lançado até 31 de dezembro de 2005, como negar a administração de expedir MPF abarcando esse período, de 05 anos, 11 meses e 30 dias? Apenas a título de reforço argumentativo, este Conselho já firmou jurisprudência no sentido de que o MPF se traduz em instrumento de controle administrativo, não sendo elemento essencial à lavratura do crédito tributário, cuja constituição é privativa do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, nos termos da lei 10.593/02, art. 6º. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 2ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 2ª Turma Ordinária Fl. 113DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11080.007335/200715 Acórdão n.º 2803001.124 S2TE03 Fl. 105 12 Título Acórdão nº 240200895 do Processo 10830007503200771 Data 09/06/2010 Ementa ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS.PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/02/2000 A 30/09/2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). INSTRUMENTO DE CONTROLE INTERNO DO FISCO. NÃO ENSEJA NULIDADE DE LANÇAMENTO FISCAL. O MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF) É MERO INSTRUMENTO INTERNO DE PLANEJAMENTO E CONTROLE DAS ATIVIDADES E PROCEDIMENTOS FISCAIS, NÃO IMPLICANDO NULIDADE DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS AS EVENTUAIS FALHAS NA EMISSÃO E TRÂMITE DESSE INSTRUMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA NÃO HÁ QUE SE FALAR EM NULIDADE POR CERCEAMENTO DE DEFESA SE O RELATÓRIO FISCAL E AS DEMAIS PEÇAS DOS AUTOS DEMONSTRAM DE FORMA CLARA E PRECISA A ORIGEM DO LANÇAMENTO E A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL QUE O AMPARA. BASE DE CÁLCULO. grifamos (...) Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção de Julgamento. 1ª Câmara. 2ª Turma Ordinária Título Acórdão nº 110200334 do Processo 10240002355200749 Data 11/11/2010 Ementa ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCALANOCALENDÁRIO: 2002NULIDADE, INOCORRÊNCIA. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. SOMENTE ENSEJAM A NULIDADE OS ATOS E TERMOS LAVRADOS POR PESSOA INCOMPETENTE E OS DESPACHOS E DECISÕES PROFERIDOS POR AUTORIDADE INCOMPETENTE OU COM PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA.OS PRECEITOS ESTABELECIDOS NO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (LEI N° 5.172, DE 1966) E NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (DECRETO N° 70.235, DE 1972) SOBREPÕEMSE ÀS RECOMENDAÇÕES INSERTAS NA PORTARIA QUE CRIOU O MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF), QUE SE CONSUBSTANCIA MERO INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO, DE SORTE QUE EVENTUAIS ALTERAÇÕES NELE INSERIDAS, OU ATÉ MESMO A INEXISTÊNCIA DESTE INSTRUMENTO, NÃO CARACTERIZAM VÍCIOS INSANÁVEIS.ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIOANO CALENDÁRIO: 2002OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO Fl. 114DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11080.007335/200715 Acórdão n.º 2803001.124 S2TE03 Fl. 106 13 BANCÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA.POR PRESUNÇÃO LEGAL CONTIDA NO ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430, DE 27/12/1996, OS DEPÓSITOS EFETUADOS EM CONTA BANCÁRIA CUJA ORIGEM DOS RECURSOS DEPOSITADOS NÃO TENHA SIDO COMPROVADA PELA CONTRIBUINTE MEDIANTE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA, CARACTERIZAM OMISSÃO DE RECEITA. SUBSISTINDO O LANÇAMENTO PRINCIPAL, NA SEARA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA, IGUAL SORTE COLHE OS LANÇAMENTOS QUE TENHAM SIDO FORMALIZADOS EM LEGISLAÇÃO QUE TOMA POR EMPRÉSTIMO A SISTEMÁTICA DE APURAÇÃO DAQUELE (CSLL) OU QUE DEFINE O EVENTO COMUM, NO CASO A APURAÇÃO DE RECEITA AUFERIDA PELA PESSOA JURÍDICA, COMO FATO GERADOR DAS CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE O FATURAMENTO (COFINS E PIS).VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, EM AFASTAR AS PRELIMINARES E, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. grifamos Ante o exposto, fica demonstrado que: 1. Como o CTN permite que eventual fato gerador pode, em tese, gerar efeitos em período superior a 05 anos – arts. 150, § 4º e 173 do CTN, tal situação confere a Administração a autoridade de se utilizar todos os meios para devida a cobrança da exação. 2. Mandado de Procedimento Fiscal não se configura como fato gerador de obrigação alguma e muito menos em lançamento, a demonstrar sua inaplicabilidade quando da contagem de prazo decadencial prevista no CTN. 3. MPF é instrumento de controle administrativo, não alcançado pelo conteúdo da súmula 08, bem como não se trata de peça essencial ao lançamento fiscal, inexistindo qualquer impedimento para que seja expedido com prazo de ação fiscal superior a 05 anos. 4. A competência para o lançamento decorre de lei. Lavrado o auto de infração com obediência aos requisitos legais, está demonstrada sua higidez. 5. O decreto 3.724/01 não elenca prazo para o MPF. Assim sendo, entendo como inaplicável a tese de decadência tendo como marco temporal a data de emissão do Mandado de Procedimento Fiscal e o prazo de sua abrangência, por absoluta falta de previsão legal e por inviabilizar a devida cobrança de períodos não decadentes. (Assinado digitalmente). Conselheiro Oséas Coimbra. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11080.007335/200715 Acórdão n.º 2803001.124 S2TE03 Fl. 107 14 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726256/2009-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA.
A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos membros da magistratura local, as quais, no caso dos membros do ministério público federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº
10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da
incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos membros da magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.738
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos membros da magistratura local, as quais, no caso dos membros do ministério público federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos membros da magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 06/02/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte EDUARDO CARLOS DE CARVALHO, CPF/MF nº 280.911.40568, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 19/10/2009, auto de infração, referente aos anoscalendário 2004 a 2006. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 59.907,93 MULTA DE OFÍCIO R$ 44.930,94 Ao contribuinte foi imputada uma reclassificação de rendimentos confessados em suas DIRPFs, nos anoscalendário 2004 a 2006, referentes às diferenças percebidas quando da conversão da URV, em 1994, pagas em 36 parcelas mensais a partir de janeiro de 2004, para as quais a Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003 havia asseverado que se tratava de verbas de natureza indenizatória. No entendimento da autoridade autuante, como a legislação estadual não poderia disciplinar as hipóteses de isenção do imposto de renda, e sendo tais diferenças verbas com caráter de acréscimo patrimonial, necessário reclassificar os rendimentos confessados pelo contribuinte como isentos, passandoos para rendimentos tributáveis, com incidência do imposto de renda. Por se tratar de rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do Despacho do Ministro da Fazenda de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, a autoridade fiscal considerou as tabelas do IRPF vigente no período em que os valores deveriam ter sido recebidos, distribuindo o imposto apurado em 03 parcelas anuais, pois a contribuinte recebeu os valores nos anos de 2004 a 2006 (fl. 10). Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 3ª Turma da DRJ/SDR, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1527.490, de 15 de junho de 2011 (fls. 73 e seguintes), que restou assim ementado: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.726256/200967 Acórdão n.º 210201.738 S2C1T2 Fl. 2 3 MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 26/07/2011. Irresignado, interpôs recurso voluntário em 09/08/2011 (fl. 87). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. a União não detém legitimidade para cobrar imposto de renda incidente sobre valores pagos por ente público estadual, o qual deve ser recolhido aos cofres dos Estados, na forma do art. 157, I, da Constituição da República; II. a natureza jurídica das verbas pagas pelo estado da Bahia a título de diferença de conversão de URV é indenizatória, não sujeitas à incidência do imposto de renda, como se vê pela Resolução STF nº 245/2002; III. a fiscalização utilizou como base de cálculo todo o valor percebido a título de diferença de URV (principal, correção monetária e juros de mora), quando é cediço na jurisprudência pátria que a correção monetária e os juros de mora não estão submetidos ao campo de incidência do imposto de renda, por terem caráter indenizatório; IV. é incabível a aplicação da multa de ofício sobre o imposto lançado, pois o contribuinte agiu de boafé, de acordo com a Lei do Estado da Bahia nº 8.730/2003, que asseverou que os rendimentos controvertidos eram isentos do imposto de renda; V. “Na remota eventualidade de prevalecer a autuação fiscal, roga a este col. CARF que determine a retificação do lançamento a fim excluir da base de cálculo os valores pagos pelo Contribuinte, sob o título honorários advocatícios e despesas processuais decorrentes da atuação profissional exitosa nas AO nº 613 e 614, no STF. É relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 26/07/2011, terçafeira, e interpôs o recurso voluntário em 09/08/2011 (fl. 87), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 25/08/2011, quintafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Antes de tudo, tratase de matéria já debatida por este colegiado, em processos similares, assistindo razão ao recorrente. Assim, aqui não se apreciará a preliminar Fl. 116DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 de ilegitimidade ativa da União para constituir o crédito tributário discutido nestes autos, já que assiste, no mérito, razão ao recorrente. Na sessão de 08 de junho de 2011, esta Turma de julgamento prolatou o Acórdão nº 2102001.337, unânime, na relatoria deste Conselheiro, quando se apreciou a tributação da diferença de URV paga a um membro do ministério público da Bahia, em caso juridicamente similar ao aqui em discussão (somente se deve alterar a Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 pela Lei do Estado da Bahia nº 8.670/2003), que ora se toma como razão de decidir e abaixo se colacionam as razões lá deduzidas (em itálico): Para o deslinde da controvérsia, trazse a Resolução STF nº 245/2002: RESOLUÇÃO Nº 245, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2002 Dispõe sobre a forma de cálculo do abono de que trata o artigo 2º e §§ da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002. O PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 13, XVII, combinado com o artigo 363, I, do Regimento Interno, Considerando o decidido pelo Tribunal, na sessão administrativa de 11 de dezembro de 2002, presentes os ministros Moreira Alves, Sydney Sanches, Sepúlveda Pertence, Celso de Mello, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Maurício Corrêa, Nelson Jobim, Ellen Gracie e Gilmar Mendes; Considerando a vigência do texto primitivo – anterior à Emenda nº 19/98 – da Constituição de 1988, relativo à remuneração da magistratura da União; Considerando a vigência da Lei Complementar nº 35, de 14 de março de 1979; Considerando o direito à gratificação de representação – artigo 65, inciso V, da Lei Complementar nº 35, de 1979, e Decretolei nº 2.371, de 18 de novembro de 1987, nos percentuais fixados; Considerando o direito à gratificação adicional de cinco por cento por qüinqüênio de serviço, até o máximo de sete qüinqüênios – artigo 65, inciso VIII, da Lei Complementar nº 35, de 1979; Considerando a absorção de todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos magistrados da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial pelos valores decorrentes da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002 – artigos 1º, § 3º, e 2º, §§ 1º, 2º e 3º; Considerando o disposto na Resolução STF nº 235, de 10 de julho de 2002, que publicou a tabela da remuneração da Magistratura da União, decorrente da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando o escalonamento de cinco por cento entre os diversos níveis da remuneração da magistratura da União – artigo 1º, § 2º, da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando a necessidade de, no cumprimento da Lei Complementar nº 35, de 1979, e da Lei nº 10.474, de 2002, Fl. 117DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.726256/200967 Acórdão n.º 210201.738 S2C1T2 Fl. 3 5 adotarse critério uniforme, a ser observado pelos órgãos do Poder Judiciário da União, para cálculo e pagamento do abono; Considerando a publicidade dos atos da Administração Pública, RESOLVE: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Art. 2º Para os efeitos do artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, e para que se assegure isonomia de tratamento entre os beneficiários, o abono será calculado, individualmente, observandose, conjugadamente, os seguintes critérios: I – apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%); II – o montante das diferenças mensais apuradas na forma do inciso I será dividido em vinte e quatro parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2003 a dezembro de 2004. Art. 3º Serão recalculados, mês a mês, no mesmo período definido no inciso I do artigo 2º, o valor da contribuição previdenciária e o do imposto de renda retido na fonte, expurgandose da base de cálculo todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período, a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais, por terem essas parcelas a mesma natureza conferida ao abono, nos termos do artigo 1º, observados os seguintes critérios: I – o montante das diferenças mensais resultantes dos recálculos relativos à contribuição previdenciária será restituído aos magistrados na forma disciplinada no Manual SIAFI pela Secretaria do Tesouro Nacional; II – o montante das diferenças mensais decorrentes dos recálculos relativos ao imposto de renda retido na fonte será demonstrado em documento formal fornecido pela unidade pagadora, para fins de restituição ou compensação tributária a ser obtida diretamente pelo magistrado junto à Receita Federal. Art. 4º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Ministro MARCO AURÉLIO Pela Resolução STF nº 245/2002, especificamente em seu art. 3º, ficou determinado que “todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período [1998 a 2002], a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões Fl. 118DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 desses reajustes nas vantagens pessoais”, percebidos pela Magistratura da União, com base no art. 6º da Lei nº 9.655/98 c/c o art. 2º da Lei nº 10.474/2002, inclusive as verbas referentes a diferenças de URV, ficaram excluídos da base de cálculo do imposto de renda, por terem a mesma natureza indenizatória do abono variável. O Sr. Ministro da Fazenda, com base no Parecer PGFN nº 529/2003, reconheceu o caráter indenizatório das verbas percebidas com base na legislação citada. Ocorre que foi publicada a Lei nº 10.477/2002, que, em seu art. 2º, estendeu aos Membros do Ministério Público Federal MPF as mesmas vantagens do art. 6º da Lei nº 9.655/98 dadas à Magistratura da União, e, instado o Sr. Ministro da Fazenda sobre o caráter dos valores percebidos no período 19982002 pelos Membros do MPF, aplicou a mesma interpretação do parágrafo precedente, em linha com o entendimento do Supremo Tribunal Federal para a Magistratura da União (Resolução STF nº 245/2002), apoiado no Parecer PGFN nº 923/2003. Interessante ressaltar que a Lei nº 9.655/98 estava voltada unicamente à Magistratura da União, com deferimento de abono variável a partir de janeiro de 1998, de forma a atingir o subsídio que se esperava vir a lume com publicação da Emenda Constitucional nº 19/1998, situação que não se concretizou, levando, posteriormente à publicação da Lei nº 10.474/2002, que majorou os estipêndios da Magistratura da União e determinou o pagamento das diferenças do período 19982002 em 24 parcelas a partir de janeiro de 2003. Os Membros do Ministério Público não tinham quaisquer expectativas de aumento de remuneração com base na Lei nº 9.655/98, pois lá não tinham sido contemplados. A despeito disso, quando o art. 2º da Lei nº 10.477/2002 fez remissão ao abono variável do art. 6º da Lei nº 9.655/1998, pugnaram a exclusão da base de cálculo do imposto de renda dos valores citados no art. 3º da Resolução STF nº 245/2002, obtendo, como se viu, o beneplácito do Ministro da Fazenda. Em minha leitura, o pagamento da diferença da URV previsto no art. 2º da Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/20031 tem a mesma natureza daqueles pagos ao 1 LEI COMPLEMENTAR Nº 20, DE 08 DE SETEMBRO DE 2003. Dispõe sobre os vencimentos dos Membros do Ministério Público do Estado da Bahia e dá outras providências. O GOVERNADOR DO ESTADO DA BAHIA, faço saber que a Assembléia Legislativa decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1º Fica fixado como vencimento básico do Procurador de Justiça do Ministério Público do Estado da Bahia, a partir de 31 de julho de 2003 e até que seja editada a Lei prevista no art. 48, inciso XV, da Constituição Federal, o valor de R$ 6.943,86 (seis mil, novecentos e quarenta e três reais e oitenta e seis centavos). § 1º A remuneração decorrente desta Lei inclui e absorve a Gratificação de Nível Universitário e a Parcela Autônoma de Equivalência, previstas na Lei Complementar nº 16, de 12 de setembro de 2001. § 2º Fica criada a vantagem de representação correspondente a 60% (sessenta por cento) do vencimento básico de cada nível. § 3º O escalonamento entre os diversos níveis da remuneração dos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, hoje fixado em 10% (dez por cento), será reduzido, gradativamente, no percentual de 1% (um por cento) ao ano, até alcançar, em janeiro de 2008, o percentual de 5% (cinco por cento), tendo como referência a remuneração, de caráter permanente, percebida por Procurador de Justiça da Bahia. Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei. Art. 4º As despesas decorrentes da aplicação desta Lei correrão à conta dos recursos orçamentários próprios, ficando o Poder Executivo autorizado a promover as alterações que se fizerem necessárias. Art. 5º Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação. Art. 6º Revogamse as disposições em contrário. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.726256/200967 Acórdão n.º 210201.738 S2C1T2 Fl. 4 7 Ministério Público Federal, pois o Ministério Público do Estado da Bahia também não tinha qualquer expectativa de aumento salarial com a Lei nº 9.655/98, que era voltada apenas à Magistratura mantida pela União (por óbvio, somente a lei estadual poderia versar sobre estipêndios dos Membros do MP local). Veio a Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 e pagou as diferenças de URV, as quais, no caso dos membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda, pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar baiana nº 20/2003, referentes às mesmas diferenças de URV. Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, até porque nenhuma das leis citadas, federais ou estadual, trata de incidência do imposto de renda, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas – União e Estado da Bahia – e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei complementar estadual nº 20/2003 são idênticos, no caso das diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Assim, se o Sr. Ministro da Fazenda, com esteio no Parecer PGFN nº 923/2003, com supedâneo último na Resolução STF nº 245/2002, entendeu que as diferenças auferidas pelos Membros do MPF com base no art. 2º da Lei nº 10.477/2002 tem caráter indenizatório, igual raciocínio deve ser aplicado às diferenças auferidas pelos Membros do Ministério Público da Bahia com base na Lei complementar nº 20/2003, pois onde há a mesma razão, deve haver o mesmo direito (ubi eadem ratio ibi idem ius). Com as razões acima, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Ainda, pela não tributação das diferenças de URV percebidas por magistrados estaduais, temse precedente do Superior Tribunal de Justiça, especificamente o REsp nº 1.187.109 MA, relatora Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, sessão de 17/08/2010, que restou assim ementado: TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL INCOMPETÊNCIA DO STJ IMPOSTO SOBRE A RENDA URV DIFERENÇAS RESOLUÇÃO N. 245/STF APLICAÇÃO. PALÁCIO DO GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA, em 08 de setembro de 2003. PAULO SOUTO Governador Fl. 120DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 8 1. Falece competência ao Superior Tribunal de Justiça para conhecer de alegações de ofensa à Constituição Federal. 2. A utilização de fundamento constitucional pelo tribunal local impede a admissão do recurso especial quanto à questão controvertida. 3. Cuidandose de remuneração percebida por magistrado estadual, aplicase na resolução da controvérsia a Resolução n. 245/STF, que considerou de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. E para concluir, esta Turma de Julgamento apreciou a mesma matéria em debate nestes autos, referente aos valores das diferenças de URV percebidos por magistrado do Estado da Bahia, quando prolatou o Acórdão nº 210201.565, sessão de 28/09/2011, unânime, na relatoria da Conselheira Núbia Matos Moura, assim ementado: RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos Membros da Magistratura local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros da Magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003. Recurso Voluntário Provido Ante tudo o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 121DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.726256/200967 Acórdão n.º 210201.738 S2C1T2 Fl. 5 9 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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