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Numero do processo: 13858.000380/2003-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/1998 a 01/06/1998
EMBARGOS. FORMA DE PAGAMENTO. COMPENSAÇÃO. PIS. DECADÊNCIA.
Autorizada a compensação por meio de sentença proferida, equipara-se esta como forma de pagamento para homologação tácita. Havendo a homologação tácita aplica-se o art. 150, § 4º, do CTN, para contagem do tempo decadencial.
Numero da decisão: 3401-001.935
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, os Embargos de Declaração foram admitidos e, por maioria de votos, acolhidos. Vencido o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis quanto à equiparação de compensação a pagamento para fins de homologação tácita.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA- Vice- Presidente
RELATOR FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator.
EDITADO EM: 15/01/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/1998 a 01/06/1998 EMBARGOS. FORMA DE PAGAMENTO. COMPENSAÇÃO. PIS. DECADÊNCIA. Autorizada a compensação por meio de sentença proferida, equipara-se esta como forma de pagamento para homologação tácita. Havendo a homologação tácita aplica-se o art. 150, § 4º, do CTN, para contagem do tempo decadencial.
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FORMA DE PAGAMENTO. COMPENSAÇÃO. PIS. DECADÊNCIA. Autorizada a compensação por meio de sentença proferida, equiparase esta como forma de pagamento para homologação tácita. Havendo a homologação tácita aplicase o art. 150, § 4º, do CTN, para contagem do tempo decadencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, os Embargos de Declaração foram admitidos e, por maioria de votos, acolhidos. Vencido o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis quanto à equiparação de compensação a pagamento para fins de homologação tácita. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Vice Presidente RELATOR FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. EDITADO EM: 15/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Fernando Marques Cleto Duarte. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 8. 00 03 80 /2 00 3- 02 Fl. 354DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE 2 Trata o presente processo de Embargos de Declaração, protocolados pela União (Fazenda Nacional), por intermédio de sua Procuradora da Fazenda Nacional, referentes à decisão de 30.10.2010 proferida por esta câmara. Por bem expor a lide, reproduzo o relatório proferido por esta Câmara, na ocasião do julgamento do Recurso Voluntário: “Em 13.6.03 foi lavrado Auto de Infração contra a contribuinte Maeda S/A Agroindustrial (CNPJ 47.037.353/000129) exigindo o recolhimento de créditos tributários de PIS no montante de R$ 346.386,59 (atualizado até 30.6.03), composto da seguinte forma: Contribuição: 127.085,77 Multa de ofício (passível de redução): R$ 95.314,33 Juros de mora: 123.986,49 O lançamento referese à falta de recolhimento ou pagamento do principal e declaração inexata para os fatos geradores ocorridos em abril, maio e junho de 98. Em 4.8.03, a contribuinte protocolou, tempestivamente, Impugnação ao lançamento, na qual alegou, sinteticamente, que: a) os créditos tributários cobrados no auto de infração já estão extintos, pois no momento de sua lavratura já havia decorrido o prazo de 5 anos da ocorrência do fato jurídico tributário, como estabelecido pelo §4º, art. 150, do CTN, decaindo, portanto, o direito do fisco de constituílos. Transcreve doutrina e jurisprudência relativas ao assunto; b) em sentença do processo nº 98.03006142, proveniente da 4ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Ribeirão Preto, obteve autorização para compensar os valores recolhidos a maior a título de PIS em razão da inconstitucionalidade dos Decretos leis nºs 2.445/88 e 2.449/99; c) a multa se configura como obrigação acessória, que tem como pressuposto básico uma prestação pecuniária compulsória instituída em favor do Estado nos casos de atraso de pagamento ou existência de dolo, o que não ocorreu no presente processo, sendo indevida sua cobrança. Ademais, o percentual de 75% para aplicação da multa é absurdo ante a realidade econômica do país, ferindo o princípio da proporcionalidade. Transcreve doutrina acerca do assunto. Em sessão de 28.3.06, a 5º Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto – SP acordou, por unanimidade de votos, julgar procedente o lançamento. Segundo o voto: a) o § 4º, do art. 150 do CTN estabelece o prazo de 5 anos para homologação do lançamento, exceto no caso de a lei fixar outro prazo. O art. 45 da Lei nº 8.212/91 estabelece: “Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; Fl. 355DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Processo nº 13858.000380/200302 Acórdão n.º 3401001.935 S3C4T1 Fl. 355 3 II – da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. Parágrafo único. A Seguridade Social nunca perde o direito de apurar e constituir créditos proveniente de importâncias descontadas dos segurados ou de terceiro ou decorrente da prática de crimes previstos na alínea j do art. 95 desta lei.” Ademais, para fatos geradores ocorridos em 98, a contagem iniciase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele que seria possível realizar o lançamento, iniciando, portanto, em 1º de janeiro de 99, como estabelecido pelo art.173, inc. do CTN. Assim sendo, o lançamento ocorreu antes de completados os 5 anos da tese da defesa; b) a decisão prolatada pela 4ª Vara Federal em Ribeirão Preto tratase de decisão em ação declaratória e que, somente após solução definitiva, poderia ser pleiteada a execução de seus efeitos; c) por se tratar de procedimento de ofício, a multa decorre de expressa previsão legal, cuja aplicação, inerente ao lançamento, é plenamente vinculada. Os juros de mora, por sua vez, encontramse pautados pelo art. 160 do CTN, devendo ser aplicada a legislação regularmente posta no ordenamento jurídico nacional. A contribuinte protocolou Recurso Voluntário, no qual alegou, sinteticamente, que: a) o art. 45 da Lei nº 8.212/91 dispõe sobre o custeio da Seguridade Social e sobre as contribuições previdenciárias, cuja arrecadação é conferida ao Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS. Ou seja, a mencionada lei é norma reguladora da Previdência Social da alçada do INSS, não podendo ser aplicada ao presente processo, tendo em vista que o PIS e a COFINS são regulamentados por normas de competência da Receita Federal; b) a Taxa SELIC foi criada com o objetivo de remunerar o capital no mercado financeiro, e uma taxa que tem cunho remuneratório de capital não pode ser utilizada como taxa moratório. Ademais, a majoração da contribuição com a aplicação desta Taxa, ultrapassa o 1% estabelecido pelo art. 161, § 1º, do CTN; c) reitera os demais argumentos apresentados na Impugnação. Conclui requerendo que seja dado provimento ao Recurso Voluntário. É o relatório.” Em 28.2.2011, esta câmara decidiu por homologar parcialmente o recurso da contribuinte, não conhecendo a matéria submetida ao Poder Judiciário e declarando a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos períodos de apuração relativos aos períodos de apuração anteriores a junho de 1998, sob os seguintes fundamentos: Fl. 356DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE 4 a) a propositura de ação judicial importa renúncia às instâncias administrativas nos termos da Súmula nº 1 do antigo 2º Conselho de Contribuintes; b) O Fisco tem o prazo de cinco anos para efetuar o lançamento do crédito tributário relativo a PIS, em razão da inconstitucionalidade, reconhecida pela Súmula Vinculante nº. 8 do STF, dos arts. 45 e 46, da Lei nº. 8212/91. Em 5.7.2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional protocolou embargos de declaração, alegando, em síntese, que: a) Houve omissão na decisão proferida, pois o Relator aplicou a regra constante do art. 150, § 4º, do CTN sem esclarecer se houve pagamento parcial das contribuições devidas entre abril e junho de 1998. b) A jurisprudência deste Conselho consolida o entendimento no sentido de que a regra de contagem do prazo decadencial constante do art. 150, § 4º, do CTN é aplicada tão somente diante da existência do pagamento parcial do tributo devido nas correspondentes competências. Entretanto, o voto vencedor não apresenta a forma como chegou a tal conclusão, inexistindo indicação das razões que levara o ilustre colegiado a desconsiderar a aplicação do art. 173, inc. I, do CTN. c) Inexistindo a comprovação e pagamento parcial do tributo devido nas respectivas competências, impõese a aplicação da regra de contagem descrita no art. 173, inc. I, do CTN. Por fim, requer a União que seja sanada a omissão apontada, para que seja verificada a ausência de pagamento parcial do tributo entre abril e junho de 1998 e, conseqüentemente, que seja aplicada a regra de contagem constante no art. 173, inc. I, do CTN. É o Relatório. Voto Conselheiro Relator FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Verificada a tempestividade da interposição destes embargos, passo a apreciálos. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional alega em síntese omissão na aplicação do art. nº. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, sem esclarecer se houve pagamento parcial das contribuições devidas entre abril e junho de 1998. A aplicação deste artigo está vinculada tão somente em caso de haver pagamento, mesmo que parcial. Em caso de não haver pagamento, deveria ser aplicado o art. 173, inc. I, do CTN. Entendo não haver de fato omissão, a ser sanada, na aplicação do art. nº. 150, §4º, do CTN, pois, a compensação é uma das formas existentes para a extinção da obrigação tributária, assim como o pagamento, Entretanto a compensação de créditos tributários não se realiza de pleno direito, mas apenas pela via judicial, ou seja dependente de decisão judicial para produzir efeitos, porém, não podendo ser admitida em caso de ser deferida por meio de medida cautelar liminar, ou antecipatória, ou ação cautelar, conforme dispõe a Súmula 212, do STJ, que abaixo reproduzo: Súmula do STJ no 212: "A compensação de créditos tributários não pode ser deferida em ação cautelar ou por medida liminar cautelar ou antecipatória." Fl. 357DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Processo nº 13858.000380/200302 Acórdão n.º 3401001.935 S3C4T1 Fl. 356 5 No caso em tela a compensação foi autorizada por meio de sentença proferida pela 4ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Ribeirão Preto no processo nº 98.03006142 autorizando a contribuinte a realizar as compensações nos tributos, conforme fl. 138 dos autos. Portanto, verificase aqui que houve a homologação dos créditos tributários aqui discutidos através da compensação, autorizada judicialmente. Em razão de todo o exposto, admito os embargos e reconheço que houve a omissão, por considerar aplicável o art. 150, § 4º, do CTN. É como voto. Sala das Sessões, em Relator FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE – Relator. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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Numero do processo: 10909.002163/2007-31
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3802-000.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Fez sustentação oral o Dr. Cicero Dittrich, OAB/SC no 13.467.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Fez sustentação oral o Dr. Cicero Dittrich, OAB/SC no 13.467.
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Fez sustentação oral o Dr. Cicero Dittrich, OAB/SC no 13.467. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ Ribeirão Preto (fls. 286/292), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada contra o indeferimento de pedido de ressarcimento do IPI, no valor de 97.774,02, correspondente ao segundo trimestre de 2006. O pleito se alicerçou no artigo 11 da Lei n° 9.779/99. Segundo relatório que subsidiou a decisão de primeira instância, a contribuinte, em 14/08/2006, apresentou o pedido de ressarcimento/declaração de compensação RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 09 .0 02 16 3/ 20 07 -3 1 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10909.002163/200731 Resolução nº 3802000.094 S3TE02 Fl. 342 2 PER/DCOMP no 13371.57555.140806.1.3.017014, no valor de R$ 64.166,41, relativo ao mesmo período de apuração. As compensações efetuadas encontramse discriminadas às fls. 204. Em exame do pedido, a DRF Itajaí glosou totalmente o crédito do IPI correspondente às notas fiscais de emissão da empresa Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda., CNPJ 65.727.711/000108, correspondente ao montante de R$ 149.154,86. A glosa foi motivada em decorrência das seguintes constatações relatadas pela autoridade fiscal (ver Parecer SARAC de fls. 184/190): a) a interessada não comprovou os pagamentos em favor da empresa Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda.; b) também não apresentou os conhecimentos de transporte das compras efetuadas à Petropolímeros (apenas informou que o fornecedor seria o responsável pelo transporte); c) nas notas fiscais emitidas pela Petropolímeros não foi identificado o transportador (embora na maioria das notas tenham sido registradas as placas dos veículos, estas, contudo, mediante consulta ao RENAVAM, correspondiam a placas inexistentes ou a veículos que “não poderiam ter transportado as cargas”); e, d) ausência de carimbo da fiscalização estadual na transposição da fronteira. Inconformada com o indeferimento de seu pleito, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alegou o seguinte: a) que a maioria das transações que ocorrem no mercado atual são extintas por meio de pagamento em espécie e que tal constitui uso e costume; b) que a empresa dispunha de caixa excedente e que por muito tempo trabalhou adequando seu capital para que ficasse o mesmo consigo, não inserindo boa parte de seus recursos no sistema bancário objetivando economia com a contribuição provisória sobre movimentações financeiras; c) que em 2006 passou a efetuar seus pagamentos por boletos bancários e/ou TED´s, anexando notas fiscais de 2006; d) que o despacho decisório se assenta em presunção; e) que o transporte das mercadorias e o preenchimento das notas fiscais não são de sua responsabilidade; f) que a movimentação de seu estoque demonstra que adquiriu o produto PET virgem, código 678; e, g) que a legislação lhe dá direito à compensação tributária; Fl. 342DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10909.002163/200731 Resolução nº 3802000.094 S3TE02 Fl. 343 3 A primeira instância, todavia, não acolheu os argumentos aduzidas pela reclamante em vista das “provas indiretas de inexistência das operações da Manifestante com a empresa PETROPOLÍMEROS DISTRIBUIDORA DE PLÁSTICOS LTDA.”. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 04/06/2012 (fls. 296 do processo eletrônico). Inconformada, a mesma apresentou, em 04/07/2012, o recurso voluntário de fls. 297/320, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito com fundamento nos mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, ressaltando ainda: a) que o transporte foi feito mediante modalidade CIF, de forma que ao emitente incorrem as responsabilidade do transporte, bem como inerentes ao preenchimento das notas fiscais, na forma do Regulamento do ICMS; b) que a empresa não tem por hábito a recusa da entrega de mercadorias pela incompatibilidade de placas entre a nota fiscal e o veículo; c) quanto à falta de carimbo da fiscalização estadual ressalta que em nenhuma das notas fiscais emitidas pela Petropolímeros existe identificação do transportador e que o trajeto feito pelo veículo não é de sua responsabilidade; e, d) que, após o início deste processo administrativo, a empresa fora fiscalizada (processo no 10909.004957/200900), não tendo correspondente ação fiscal detectado nenhuma irregularidade nas transações entre a recorrente e a empresa Petropolímeros nos anos de 2004 a 2007; sobre a questão, apresenta documentação que, pede, seja aceita como prova suficiente para desconstituir o lançamento. Diante do exposto, requer seja dado provimento ao seu recurso com a correspondente homologação da compensação pleiteada. Instruem o recurso, além de documentos estatutários da recorrente, cópia de relatório de fiscalização inerente à ação fiscal/MPFF no 0920600/2009/000203 (v. fls. 336/339 do processo eletrônico). É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. O relatório da SARAC da DRF Itajaí, bem como o voto que direcionou a decisão de primeira instância apontam para a inexistência das transações comerciais que a recorrente diz ter celebrado com a empresa Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda. Em contrapartida, a recorrente afirma que, após o início deste processo administrativo, foi fiscalizada pela Receita Federal, ocasião em que não teria sido detectado nenhum problema nas transações realizadas entre a recorrente e a empresa Petropolímeros nos anos de 2004 a 2007. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10909.002163/200731 Resolução nº 3802000.094 S3TE02 Fl. 344 4 A reclamante acosta aos autos cópia do relatório de fiscalização inerente à ação fiscal/MPFF no 0920600/2009/000203 (fls. 336/339 do processo eletrônico), objeto do processo administrativo no 10909.004957/200900. Em pesquisa realizada no eprocesso não localizei o processo indicado pela recorrente. Assim, a análise que segue é baseada unicamente na cópia anexada pela interessada em seu recurso. Segundo cópia do relatório fiscal acostada aos autos, consta que a recorrente, nos anos de 2004 a 2007, efetuou pagamentos através de cheques (sacados/compensados) nas contas de depósito mantidas em seu nome nos bancos do Brasil, Sudameris e Safra. A contabilização de tais pagamentos no livro Razão se deu a débito da conta Caixa e a crédito das respectivas contas bancárias, o que redundou em elevados saldos devedores diários na conta Caixa. Todavia, a inexistência de saídas diárias desses recursos demonstrou que a empresa “não necessitava de suprimentos diários para a realização de pagamentos no dia”. Não obstante, o item 3 do relatório fiscal em comento trata da “APURAÇÃO DA REGULARIDADE DAS OPERAÇÕES REALIZADAS PELA FISCALIZADA NOS ANOS DE 2004, 2005, 2006 E 2007 COM A EMPRESA PETROPOLÍMEROS DISTRIBUIDORA DE PLÁSTICOS LTDA. – CNPJ no 65.727.711/000108”. Consta do relatório fiscal referenciado que a motivação para o exame em questão decorreu dos despachos decisórios proferidos pela SARAC da DRF Itajaí em resposta aos pedidos de ressarcimento do IPI conjugados com pedidos de compensação formalizados pela interessada. Na lista dos processos objeto do exame consta o presente processo. Segundo o relatório fiscal em evidência, Os procedimentos fiscais realizados e a análise fiscal estão descritos detalhadamente no Relatório Interno de Fiscalização e seus Anexos, não tendo sido verificadas irregularidades nas operações comerciais realizadas pela FISCALIZADA com a empresa Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda., CNPJ no 65.727.711/000108, nos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007, salvo os percentuais das alíquotas do IPI, constantes das notas fiscais abaixo relacionadas [...] (grifos do original) [...] Os procedimentos fiscais realizados e análise fiscal dos fatos verificados nos PERDCOMP’s abaixo relacionados, além de estarem descritas detalhadamente no Relatório Interno de Fiscalização, também estão descritos detalhadamente na Informação Fiscal prestada à Seção de Arrecadação e Cobrança da Delegacia da Receita Federal em Itajaí – SARAC, para fins de apoio aos despachos decisórios que posteriormente proferirá e dará a devida ciência à FISCALIZADA. [segue quadro demonstrativo que discrimina quatro PERDCOMP, com os respectivos processos (10909.720235/200998, 10909.720236/2009 32, 10909.720237/200987, 10909.720238/200921), todos, como se vê, formalizados em 2009, e, conforme mesma planilha, correspondentes ao anobase de 2007] Fl. 344DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10909.002163/200731 Resolução nº 3802000.094 S3TE02 Fl. 345 5 Consta do relatório fiscal em tela que a contribuinte foi cientificada do mesmo em 21/12/2009. Por sua vez, o processo que ora se examina foi formalizado em 2007 e corresponde ao período de apuração de 01/04/2006 a 30/06/2006. Portanto, quando do exame do presente processo, a correspondente ação fiscal reportada pela recorrente não tinha como ter sido considerada nos exames feitos pela SARAC da DRF Itajaí. Assim como ocorreu em relação ao processo no 10909.004957/200900 (referenciado no relatório de fiscalização acima citado), também não localizei no eprocesso nenhum dos processos administrativos discriminados no relatório fiscal em evidência (pesquisa realizada em 06/03/2012, às 11:00 hs). Logo, não se conseguiu ter acesso ao “Relatório Interno de Fiscalização”, muito menos à “Informação Fiscal prestada à Seção de Arrecadação e Cobrança da Delegacia da Receita Federal em Itajaí – SARAC”, os quais, conforme trecho acima reproduzido, devem ter instruído os processos de compensação formalizados em 2009. Diante do exposto, e considerando que a cópia do relatório fiscal juntado pela reclamante procura comprovar a regularidade das transações comerciais realizadas entre esta e a empresa Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda., e ainda, diante da indisponibilidade no eprocesso dos processos de compensação referenciados no sobredito relatório fiscal – que, possivelmente, poderiam trazer mais subsídios para o julgamento da presente lide – voto para que o presente julgamento seja convertido em diligência a fim de que sejam juntados aos autos: a) cópia do relatório de fiscalização objeto do processo no 10909.004957/2009 00 e seus correspondentes anexos; b) eventuais pareceres e despachos decisórios proferidos pela SARAC da DRF Itajaí nos autos dos processos nos 10909.720235/200998, 10909.720236/2009 32, 10909.720237/200987, 10909.720238/200921; e, c) demais informações que a unidade preparadora considerar como relevantes para o julgamento do presente feito. Instruído os autos com o resultado da diligência, e dada oportunidade de manifestação da interessada quanto ao seu teor, deverá o processo ser devolvido a esta 2a Turma Especial da 3a Seção do CARF para julgamento. Sala de Sessões, em 19 de março de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 345DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 10855.903447/2008-09
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ERRO DE FATO. REVISÃO MANUAL. Se o motivo do indeferimento eletrônico do PER/DCOMP está adstrito exclusivamente a erro de fato no preenchimento da própria PER/DCOMP ou outra declaração utilizada para aferição do direito creditório, deve o pleito ser apreciado integralmente de forma manual em homenagem ao princípio da verdade material.
Numero da decisão: 1803-001.307
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Sérgio Rodrigues Mendes que provia o recurso de forma integral.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ERRO DE FATO. REVISÃO MANUAL. Se o motivo do indeferimento eletrônico do PER/DCOMP está adstrito exclusivamente a erro de fato no preenchimento da própria PER/DCOMP ou outra declaração utilizada para aferição do direito creditório, deve o pleito ser apreciado integralmente de forma manual em homenagem ao princípio da verdade material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Sérgio Rodrigues Mendes que provia o recurso de forma integral. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10855.903447/200809 Acórdão n.º 180301.307 S1TE03 Fl. 101 2 Relatório METALÚRGICA BARROS MONTEIRO LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER7DCOMP) de fls. 01/02, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ (código de receita: 2362) de sua responsabilidade com crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ. Por intermédio do despacho decisório de fi. 03, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte, ao fundamento de que "Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: RS 146.052,06. Valor do Saldo negativo informado na DIPJ: R$ 137.756,46". Irresignada, em 19/09/2008, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fl. 07, na qual alega, em síntese, que o crédito é procedente, os DARF foram pagos e lançados no livro Razão de 2002, página 16, na conta contábil "I. RENDA P. JURÍDICA/ANTECIPAÇÃO (102080004), APÓS EFETUADA A COMPENSAÇÃO DO SALDO A PAGAR EM 31/12/2002, OS VALORES PAGOS A MAIOR FORAM TRANSFERIDOS CONFORME RAZÃO DE 2003 (EM ANEXO) PAGINA 0001 CONTA CONTÁBIL IRPJ A COMPENSAR (102080008) em 02.01.2003, ONDE HOUVE A CORREÇÃO E AS DEVIDAS COMPENSAÇÕES LANÇADAS NO LIVRO DIÁRIO DE N°s 01/04 (PAGINA 00448) E 02/04 (PAGINA 00580) DE 2004 (EM ANEXO)". Ao final, requer a insubsistência do despacho decisório. A DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), através do acórdão nº 1433.504, de 27 de abril de 2011 (fls. 24/30), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a decisão: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 DIREITO CREDITÓRIO. LITISPENDÊNCIA O direito creditório de que trata o presente pedido já foi pleiteado Fl. 101DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10855.903447/200809 Acórdão n.º 180301.307 S1TE03 Fl. 102 3 originalmente em outro processo, não tendo sido reconhecido. Descabe, portanto, nova apreciação, em razão de litispendência. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Ciente da decisão em 25/05/2011, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 33), apresentou o recurso voluntário em 21/06/2011 fls. 34/45, onde reafirma o seu direito creditório, não fazendo menção alguma à decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de Pedido de Restituição cumulado com Declaração de Compensação, cujo direito creditório tem origem parcialmente utilizando o saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2002, cujo despacho decisório eletrônico não homologou as compensações por divergência de valores com a DIPJ do mencionado ano calendário. Alega a recorrente em síntese: a) Que o direito creditório existe pois houve recolhimentos a maior de IRPJ em relação ao ano calendário 2002; b) Que não seria caso sequer de preenchimento de PER/DCOMP mas de compensação direta por se tratar do mesmo tributo; c) Que o direito creditório foi regularmente escriturado e também os valores devidos constam das respectivas DCTFs; d) Que simples erro de fato no preenchimento da PER/DCOMP não pode redundar em indeferimento do direito creditório e não homologação das compensações realizadas; Não faz a recorrente qualquer menção ao fato de que a decisão de primeira instância negou provimento à manifestação de inconformidade, com fundamento de que o direito creditório já estava sendo discutido no bojo do processo 10855.001672/200396, havendo portanto litispendência no entendimento da turma julgadora “a quo”. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10855.903447/200809 Acórdão n.º 180301.307 S1TE03 Fl. 103 4 O processo supostamente conexo nº 10855.001672/200396 foi apreciado por esta turma de julgamento cujo acórdão 180301.211, de 14/03/2012, tem a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso interposto após o decurso do prazo de 30 (trinta) dias, previsto no artigo 33 do Decreto n° 70.235/72. Em resumo, o despacho decisório eletrônico originário (fl. 03), negou o pedido e a homologação da compensação por divergência entre a PER/DCOMP e a DIPJ do ano calendário 2002. Já a decisão de primeira instância indeferiu a manifestação de inconformidade tão somente com o fundamento de litispendência. O processo com a alegada litispendência (10855.001672/200396), também teve sua manifestação de inconformidade indeferida por questões formais tendo o recurso voluntário não sido conhecido conforme ementa adrede transcrita. Conforme se observa do PER/DCOMP (fl. 01), o direito creditório pleiteado decorre apenas de uma pequena fração (R$ 18.977,73), do direito creditório constante da DIPJ (R$ 137.756,46), sendo que a recorrente demonstra em anexo de sua manifestação de inconformidade (fl. 22), que o presente pedido representa apenas o remanescente do direito creditório pleiteado através do processo 10855.001672/200396. Constatase que o motivo do indeferimento originário decorreu de mero erro de fato no preenchimento da PER/DCOMP, informando valor equivocado do total do direito creditório, não tendo qualquer relação com o processo conexo invocado pela decisão de primeira instância, concluindose que o direito creditório não foi efetivamente apreciado em momento algum. Ante o exposto, em homenagem ao princípio da verdade material voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que o direito creditório seja analisado pela unidade de origem (DRF SOROCABASP), requerendo os documentos e informações que entender pertinentes e homologando a compensação até o limite do crédito apurado. (assinatura digital) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10855.903447/200809 Acórdão n.º 180301.307 S1TE03 Fl. 104 5 Declaração de Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes Divirjo do ilustre Conselheiro Relator apenas na parte em que ele, em seu Voto, apesar de expressamente reconhecer o erro de fato no preenchimento do Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) da Recorrente (“Constatase que o motivo do indeferimento originário decorreu de mero erro de fato no preenchimento da PER/DCOMP”) e, pois, a insubsistência do correspondente despacho decisório eletrônico –, determina que a unidade de origem analise o direito creditório, “requerendo os documentos e informações que entender pertinentes e homologando a compensação até o limite do crédito apurado”. A meu ver, o despacho decisório eletrônico emitido é improcedente e, dessa forma, não comporta qualquer tipo de revisão, ainda que determinada por este Colegiado. Acatarse tal procedimento significaria, em última análise, admitirse que, inobstante a incorreção da motivação da não homologação da compensação pleiteada, possa o Fisco atirar no que vê e, então, a autoridade julgadora, já no âmbito do processo contencioso, fazêlo acertar no que não viu. Dou provimento integral ao Recurso. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 104DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES
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Numero do processo: 10120.006829/2005-26
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1°, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996) não é legítima quando incidem sobre a mesma base de cálculo. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA QUALIFICADA. JUSTIFICATIVA. Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser justificada e comprovada nos autos, não se prestando para tanto a alegação de relevância econômica e reiteração da conduta, desacompanhada da demonstração de outros elementos dolosos na conduta do agente, notadamente quando se trata de exigência alicerçada em presunção legal.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.073
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Matéria: IRPF- ação fiscal (AF) - ganho de capital ou renda variavel
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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CONCOMITÂNCIA. A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1°, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996) não é legítima quando incidem sobre a mesma base de cálculo. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA QUALIFICADA. JUSTIFICATIVA. Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser justificada e comprovada nos autos, não se prestando para tanto a alegação de relevância econômica e reiteração da conduta, desacompanhada da demonstração de outros elementos dolosos na conduta do agente, notadamente quando se trata de exigência alicerçada em presunção legal. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 02/04/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Bassam Tomeh foi lavrado o auto de infração de fls. 547/562, objetivando a exigência do Imposto de Renda de Pessoa Física decorrente da omissão de rendimentos (i) de aluguéis recebidos de pessoas jurídicas, (ii) de aluguéis recebidos de pessoas físicas, (iii) de ganho de capital obtido na alienação de bens e direitos, (iv) caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, bem como pela falta de recolhimento do carnêleão, em relação ao anocalendário de 2002. A Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 10249.477, que se encontra às fls. 649/668 e cuja ementa é a seguinte: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEIS AUFERIDOS JUNTO A PESSOAS FISCAIS E A PESSOAS JURÍDICAS. Os rendimentos de alugueis de imóveis de titularidade de casal, casado sob o regime de comunhão universal de bens, deve ser lançado a razão de.50% para cada cônjuge, em suas respectivas declarações de ajuste anual, no caso de declaração em separado. Pode o casal, entretanto, ainda na hipótese de declaração em separado, optar por lançar a totalidade dos rendimentos de alugueis exclusivamente na declaração de um dos cônjuges. A opção é do contribuinte e deve ser observada pela autoridade fiscal. Afastado o percentual de 50% do lançamento, referente omissão de rendimentos de alugueis relativos ao cônjuge. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. Imóvel de propriedade do interessado e de .seu cônjuge com quem é casado pelo regime de comunhão universal de bens. Nesta hipótese, cabe atribuir 50% do ganho de capital apurado para cada cônjuge, sobretudo se o valor da alienação decorre de identificação de depósito bancário realizado em conta corrente conjunta. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10120.006829/200526 Acórdão n.º 920202.073 CSRFT2 Fl. 2 3 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM DESCONHECIDA.Conta conjunta do marido e esposa. A ausência de intimação da esposa, cotitular da conta corrente fiscalizada, contamina de dúvida a base de cálculo do IR. A atribuição de 50% para cada cônjuge somente pode ser feita, cumulativamente, após a regular intimação do cotitular da conta corrente e na ausência de outros elementos que possam identificar a correta base de cálculo do IR decorrente. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. A aplicação da multa isolada (inciso III, do par. 1º, do art. 44, da Lei 9.430 de 1.996) e da multa de oficio (incisos I e II, do art. 44 da Lei 9.430, 1996) não é legitima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. MULTA QUALIFICADA OMISSÃO DE RECEITA SÚMULA 14. Nos termos da Súmula 14 A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. A circunstância do sujeito passivo, durante o procedimento fiscal, não informar à autoridade fiscal acerca das omissões praticadas, não caracteriza situação que justifique a qualificação da multa, cuja conduta, para qualificação, deve ser contemporânea à ocorrência do fato gerador e não subseqüente. Não está o sujeito passivo obrigado produzir prova contra si próprio. Não se pode qualificar a multa pelo fato do fiscalizado, em procedimento de fiscalização, não ter informado â autoridade fiscal de que efetivamente havia omitido os rendimentos recebidos a titulo de alugueis. Rejeitar a preliminar. Recurso parcialmente provido.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para afastar a tributação sobre 50% dos valores de aluguéis e 50% do ganho de capital, bem como, por maioria de votos, excluiu do lançamento (a) o valor de R$ 134.374,23, referente à conta corrente do Bank Boston, (b) a multa isolada, por aplicação concomitante, com a multa de oficio, e desqualificou a multa de oficio, reduzindoa ao percentual de 75%. Intimada pessoalmente do acórdão em 22/10/2009 (fls. 670vº) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o recurso especial de fls. 671/688, em que pleiteia, em apertada síntese, a reforma do v. acórdão recorrido no tocante (i) à concomitância entre a multa de oficio vinculada e a multa do carnêleão, (ii) a desqualificação da multa de oficio e (iii) por suposta divergência em relação à exclusão da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada proveniente de conta em conjunto, motivada pela ausência de intimação de cotitular. Consoante despacho nº 21020005/2010 (fls. 726/727) o referido Recurso Especial foi admitido parcialmente, no tocante as controvérsias referentes à concomitância entre a multa de oficio vinculada e a multa do carnêleão e a desqualificação da multa de oficio. O referido despacho foi submetido ao Presidente da CSRF, queo confirmou. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarazões (fls. 739/746). Posteriormente, o Contribuinte apresentou o pedido de revisão de débitos (fls. 749/761), recebido pela autoridade preparadora como recurso especial. Dessa forma, foi proferido o despacho 21000394/2010 (fls. 771/772) por meio do qual foi negado seguimento ao suposto recurso especial, tendo em vista ausência dos requisitos básicos de admissibilidade, sendo essa decisão posteriormente confirmada pela Presidência da CSRF (fls. 773). É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso foi manejado tendo em vista possível contrariedade à lei em face de decisão não unânime, devidamente articulada no recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. Dessa forma, impõese o conhecimento do recurso. Assim, a discussão no presente recurso está limitada (i) à concomitância entre a multa de oficio vinculada e a multa pela ausência de recolhimento do carnêleão e (ii) à discussão quanto à qualificação ou não da multa aplicada ao contribuinte. Concomitância de multa A Procuradoria da Fazenda Nacional se insurge contra o cancelamento, pelo v. acórdão, da multa isolada, sustentando contrariedade ao artigo 44, §1º, III da Lei nº 9.430/1996. Como se verifica dos autos o Contribuinte foi autuado por ter deixado de recolher o carnêleão relativamente a rendimentos de aluguel recebidos de pessoas físicas. Em face de tal irregularidade, foram imputados os rendimentos omitidos e apurada a efetiva base de cálculo a ser considerada para fins de apuração do imposto de renda devido nos períodos sob comento. Sobre a diferença de imposto entre os valores declarados e os valores apurados pela fiscalização foram acrescidos multa de ofício (150%) e juros de mora (SELIC). Adicionalmente, pelo não recolhimento do imposto por meio da sistemática do carnêleão foi imputado ao Contribuinte multa isolada de 150%. Para fins de clareza, transcrevo abaixo os dispositivos legais que tratam da aplicação das multas, veiculados pela Lei nº 9.430, de 1996 (conforme redação em vigor à época do lançamento): “Art. 43 – Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente à multa ou juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único – Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do Fl. 4DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10120.006829/200526 Acórdão n.º 920202.073 CSRFT2 Fl. 3 5 art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Artigo 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38.” Com base nos dispositivos legais acima transcritos a fiscalização imputou ao Contribuinte duas multas a punitiva pelo não recolhimento de tributo (multa normal – art. 44, I) e a isolada pelo não recolhimento de imposto na sistemática do carnêleão (multa isolada – art. 44, II, “a”). A legalidade da aplicação concomitante da multa de ofício decorrente da apuração de diferença de imposto e da multa isolada pelo não recolhimento do imposto na sistemática conhecida como carnêleão não é matéria nova nesta Câmara Superior. Reiteradas decisões deste E. Colegiado têm concluído pela impossibilidade de cobrança concomitante da multa normal e da multa isolada. O entendimento que tem prevalecido é o de que havendo lançamento de diferença de imposto deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo que se falar na aplicação de multa isolada. Por outro lado, quando o imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual houver sido pago, mas Fl. 5DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 havendo omissão quanto ao recolhimento do carnêleão, dever ser lançada a multa isolada, e somente ela. Nestes termos, seguindo o entendimento já pacificado transcrito acima entendo que no caso em exame deve ser mantida a decisão recorrida que afastou a aplicação da multa isolada pelo nãorecolhimento do carnêleão sobre os rendimentos recebidos do exterior. Qualificação da multa No presente caso, a autoridade fiscal autuante entendeu estar caracterizado evidente intuito de fraude, tendo aplicado a multa qualificada de 150%. A fundamentação utilizada para justificar o evidente intuito de fraude foi a suposta conduta dolosa do contribuinte em não declarar reiteradamente durante os meses do anocalendário os valores relativos aos rendimentos auferidos, conforme se verifica do seguinte trecho da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração (fls. 549): “Conforme planilha citada acima, os rendimentos omitidos foram auferidos em todos os doze meses do ano, o que levou esta fiscalização a elevar a Multa de Lançamento de Oficio do percentual de 75% (Setenta e Cinco por Cento) para 150% (Cento e Cinquenta por Cento), por entender que houve a intenção de deixar de pagar o Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos. (...) Em cada mês o contribuinte devia ter apurado, sobre esses rendimentos, o Imposto de Renda Devido a titulo de CarnêLeão e recolhido no mês seguinte. Como não houve nenhum recolhimento e também os rendimentos não foram consignados na Declaração de Ajuste Anual, esta fiscalização aplicou a Multa de Lançamento de Oficio no percentual de 150% (Cento e Cinquenta por Cento) por entender cabível em razão da reincidência contumaz.” A penalidade em questão foi aplicada com base no art. 44, inciso II da Lei n. 9.430, de 1996, incorporado ao art. 957, II, do RIR/99, assim redigido (conforme redação em vigor à época dos fatos geradores): “Art. 957 – Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de imposto (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 44) (...) II de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Os dispositivos referidos, vale dizer, os artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502, de 1964, cuidam das figuras do dolo, fraude e sonegação, nos seguintes termos: “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 6DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10120.006829/200526 Acórdão n.º 920202.073 CSRFT2 Fl. 4 7 II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Já me manifestei em outras oportunidades que a teor da previsão legal acima, para que a multa de lançamento de ofício de 75% seja qualificada e elevada para 150% é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude, demonstrado inequivocadamente nos autos a partir de elementos probatórios colacionados pela fiscalização. Essa posição é reconhecida pela jurisprudência deste E. Colegiado, restando incontroverso que a fraude não se presume, sendo necessário que sejam produzidas provas do evidente intuito a que se refere a norma legal, não bastando suspeitas. A experiência indica que o evidente intuito de fraude se configura nas situações em que demonstrado o emprego de meios ardis, como notas fiscais calçadas, recibos falsificados, etc. Ao contrário da responsabilidade pela obrigação tributária principal, que a teor do art. 136 do CTN não requer dolo ou culpa para sua configuração, bastando a prática da infração por qualquer meio, a aplicação da multa dita qualificada pressupõe dolo específico, no sentido de subtrair o imposto que se sabe devido pela utilização de meios fraudulentos. No caso presente, como já antecipado, a qualificação da penalidade decorreu de sua conduta reiterada durante o anocalendário em não efetuar o recolhimento do carnêleão, bem como em não declarar os valores em sua declaração de ajuste anual, relativa a um único anocalendário. Entendo que a simples omissão de rendimentos, ainda que reiterada em vários meses durante determinado exercício, desacompanhada de outros elementos probatórios do evidente intuito de fraude, ou omissão de bens, não dá causa para a qualificação da multa. Dentre outras razões, tal conclusão decorre do fato de que, se assim não fosse, não haveria hipótese para a aplicação da multa de ofício “não qualificada” de 75%. Com efeito, considero que para a correta aplicação da multa qualificada a inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova que o contribuinte, por ação específica e dolosa, levou a autoridade administrativa a erro, por meio por exemplo da utilização de documentos falsos, notas frias, interposição de pessoas, etc. Como bem apontou com o usual brilhantismo o ilustre Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, em acórdão sobre o tema, se o entendimento sumular antes transcrito não permite a qualificação da multa de ofício quando presente uma simples omissão de rendimentos, como justificar a qualificação desse multa em uma presunção de omissão de rendimentos, em que não ficou demonstrada nenhuma fraude, e que a própria omissão de rendimentos é presumida? O evidente intuito de fraude não pode ser presumido, como ocorre com a presunção legal de omissão de rendimentos, mas minudentemente demonstrado. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 Entender diferente seria presumir a fraude em situação em que a própria hipótese de incidência – omissão de rendimentos por depósitos de origem não comprovada é presumida pela lei, situação que merece repúdio. Em resumo, entendo não ter a fiscalização logrado êxito em demonstrar evidente intuito de fraude na conduta do contribuinte a justificar a qualificação da penalidade, razão pela qual voto no sentido de negar provimento ao recurso especial nesse quesito. Destarte, conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 8DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 13771.002950/2008-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
RENDIMENTO REFERENTE AO ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO DE SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL. LEI FEDERAL Nº 8.852/94. RENDIMENTO NÃO ENQUADRADO NO CONCEITO DE REMUNERAÇÃO. A EXCLUSÃO DO CONCEITO DE
REMUNERAÇÃO, POR SI SÓ, NÃO É CONDIÇÃO SUFICIENTE E NECESSÁRIA PARA ISENTAR DETERMINADO RENDIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA. HIGIDEZ DA TRIBUTAÇÃO SOBRE O ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO.
Somente as verbas não enquadradas no conceito de remuneração, com caráter indenizatório, reconhecidas por lei tributária específica, são isentas do imposto de renda da pessoa física. A Lei nº 8.852/94 regula a estrutura remuneratória do Poder Público Federal, definindo as verbas que devem ser consideradas como vencimento, vencimentos e remuneração, excluindo desse último conceito um conjunto de verbas, algumas isentas, pois de caráter
indenizatório, como as diárias ou a ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenização de transporte, e outras tributáveis, como a gratificação natalina, o terço de férias, o pagamento das horas extraordinárias ou o adicional por tempo de serviço. A Lei nº 8.852/94, em si mesma, não outorga
qualquer isenção no âmbito do imposto de renda. Entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 68: A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-002.058
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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LEI FEDERAL Nº 8.852/94. RENDIMENTO NÃO ENQUADRADO NO CONCEITO DE REMUNERAÇÃO. A EXCLUSÃO DO CONCEITO DE REMUNERAÇÃO, POR SI SÓ, NÃO É CONDIÇÃO SUFICIENTE E NECESSÁRIA PARA ISENTAR DETERMINADO RENDIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA. HIGIDEZ DA TRIBUTAÇÃO SOBRE O ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. Somente as verbas não enquadradas no conceito de remuneração, com caráter indenizatório, reconhecidas por lei tributária específica, são isentas do imposto de renda da pessoa física. A Lei nº 8.852/94 regula a estrutura remuneratória do Poder Público Federal, definindo as verbas que devem ser consideradas como vencimento, vencimentos e remuneração, excluindo desse último conceito um conjunto de verbas, algumas isentas, pois de caráter indenizatório, como as diárias ou a ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenização de transporte, e outras tributáveis, como a gratificação natalina, o terço de férias, o pagamento das horas extraordinárias ou o adicional por tempo de serviço. A Lei nº 8.852/94, em si mesma, não outorga qualquer isenção no âmbito do imposto de renda. Entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 68: A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 25/05/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Francisco Marconi de Oliveira. Ausente justificadamente o Conselheiro Atilio Pitarelli. Relatório Em procedimento de revisão da DIRPFexercício 2005, a autoridade fiscal imputou ao contribuinte uma omissão de rendimentos no importe de R$ 16.343,64, oriunda de divergência entre o valor informado na DIRF pelo Comando da Marinha e aquele confessado pelo fiscalizado na declaração já referida, com constituição do lançamento consubstanciado na notificação de lançamento acostada a este caderno processual. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, alegando, em síntese, que a pretensa omissão de rendimentos era não tributável, pois corresponderia ao adicional por tempo de serviço, conforme o art. 1º, III, “n”, da Lei nº 8.852/94. A 1ª Turma de Julgamento da DRJRio de Janeiro II (RJ), por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 13 26.125, de 28 de agosto de 2009 (fls. 27 e seguintes), assim ementado: OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Lançamento Procedente O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 03/11/2009. Irresignado, interpôs recurso voluntário em 09/11/2009. No voluntário, o recorrente repisou as razões da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Fl. 59DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13771.002950/200855 Acórdão n.º 210202.058 S2C1T2 Fl. 2 3 Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 03/11/2009, e interpôs o recurso voluntário em 09/11/2009, dentro do trintídio legal. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. O recorrente defende que o adicional por tempo de serviço não se encontra no âmbito de incidência do imposto de renda da pessoa física, com base no art. 1º, III, “n”, da Lei nº 8.852/94 (que dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal), verbis: Art. 1º Para os efeitos desta Lei, a retribuição pecuniária devida na administração pública direta, indireta e fundacional de qualquer dos Poderes da União compreende: I como vencimento básico: (...) II como vencimentos, a soma do vencimento básico com as vantagens permanentes relativas ao cargo, emprego, posto ou graduação; III como remuneração, a soma dos vencimentos com os adicionais de caráter individual e demais vantagens, nestas compreendidas as relativas à natureza ou ao local de trabalho e a prevista no art. 62 da Lei nº 8.112, de 1990, ou outra paga sob o mesmo fundamento, sendo excluídas: a) diárias; b) ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenização de transporte; c) auxíliofardamento; d) gratificação de compensação orgânica, a que se refere o art. 18 da Lei nº 8.237, de 1991; e) saláriofamília; f) gratificação ou adicional natalino, ou décimoterceiro salário; g) abono pecuniário resultante da conversão de até 1/3 (um terço) das férias; h) adicional ou auxílio natalidade; i) adicional ou auxílio funeral; j) adicional de férias, até o limite de 1/3 (um terço) sobre a retribuição habitual; l) adicional pela prestação de serviço extraordinário, para atender situações excepcionais e temporárias, obedecidos os limites de duração previstos em lei, contratos, regulamentos, convenções, acordos ou dissídios coletivos e desde que o valor Fl. 60DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 pago não exceda em mais de 50% (cinqüenta por cento) o estipulado para a hora de trabalho na jornada normal; m) adicional noturno, enquanto o serviço permanecer sendo prestado em horário que fundamente sua concessão; n) adicional por tempo de serviço; o) conversão de licençaprêmio em pecúnia facultada para os empregados de empresa pública ou sociedade de economia mista por ato normativo, estatutário ou regulamentar anterior a 1º de fevereiro de 1994; p) adicional de insalubridade, de periculosidade ou pelo exercício de atividades penosas percebido durante o período em que o beneficiário estiver sujeito às condições ou aos riscos que deram causa à sua concessão; q) hora repouso e alimentação e adicional de sobreaviso, a que se referem, respectivamente, o inciso II do art. 3º e o inciso II do art. 6º da Lei nº 5.811, de 11 de outubro de 1972; r) outras parcelas cujo caráter indenizatório esteja definido em lei, ou seja reconhecido, no âmbito das empresas públicas e sociedades de economia mista, por ato do Poder Executivo. § 1º O disposto no inciso III abrange adiantamentos desprovidos de natureza indenizatória. (...) A Lei acima regula a estrutura remuneratória do Poder Público Federal, definindo as verbas que devem ser consideradas como vencimento, vencimentos e remuneração, excluindo desse último conceito um conjunto de verbas, algumas isentas, pois de caráter indenizatório, como as diárias ou a ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenização de transporte, e outras tributáveis, como a gratificação natalina, o terço de férias ou o pagamento das horas extraordinárias. Aqui se deve observar que é a lei tributária do imposto de renda da pessoa física que define quais as verbas que transcendem o conceito de remuneração são isentas do IRPF, notadamente constando tais isenções no art. 6º da Lei nº 7.713/88. Assim, por exemplo, no art. 6º, II e XX, da Lei nº 7.713/88 constam as isenções relativas às diárias e à ajuda de custo em decorrência da mudança de sede. As isenções tributárias não são definidas pela Lei nº 8.852/94, como equivocadamente defende o contribuinte. Se assim fosse, por exemplo, o pagamento do décimoterceiro salário seria isento (art. 1º, III, “f”, da Lei nº 8.852/94), o que demonstra o equívoco do raciocínio do recorrente, pois não se conhece quem já tenha defendido a ausência de tributação sobre o décimoterceiro salário (esta verba consta como tributável especificamente no art. 25 da Lei nº 7.713/88). Ainda, o legislador, no art. 1º, § 1º, da Lei nº 8.852/94, tomou o cuidado de alertar que as verbas que transcendem à remuneração, previstas no art. 1º, III, da Lei aqui citada, abrangem adiantamentos desprovidos de natureza indenizatória, ou seja, alertou que há rendimentos em tal inciso que não tem caráter indenizatório, sendo, assim, tributáveis pelo imposto de renda. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13771.002950/200855 Acórdão n.º 210202.058 S2C1T2 Fl. 3 5 Em relação ao adicional por tempo de serviço dos agentes públicos federais não há qualquer legislação que o isente do imposto de renda da pessoa física. É, pois, tributável. Do entendimento acima não discrepa a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como se pode ver no Acórdão nº 10423.174, sessão de 24/04/2008, relatora a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França, unânime, que restou assim ementado, verbis: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS SERVIDORES PÚBLICOS ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. A Lei nº. 8.852, de 1994, não veicula isenção do imposto de renda das pessoas físicas, portanto as verbas recebidas a título de adicional por tempo de serviço constituem renda ou acréscimo patrimonial e devem ser tributadas, à míngua de enunciado isentivo na legislação. Recurso negado. Por último, a comprovar a mansidão da jurisprudência administrativa em desfavor do recorrente, o CARF fez editar a Súmula CARF nº 68 (A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física), na qual se vê que a Lei nº 8.852 não outorga qualquer isenção no âmbito do imposto de renda. Ante o exposto, voto no sentido NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 62DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 19647.000298/2005-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1996,1997,1998 e 1999
Ementa: RESTITUIÇÃO. PRAZO. PRESCRIÇÃO.
O regramento estabelecido pela Lei Complementar 118/2005, de 09/02/2005, é aplicável aos pedidos de restituição formalizados após o decurso do vacatio legis, ou seja, a partir de 09/06/2005. Para solicitações formalizadas em data anterior, a contagem do prazo prescricional segue a regra decenal com termo inicial na data do fato gerador, conforme entendimento consolidado no STJ.
No caso, formalizada a solicitação em 14/01/2005, aplica-se
o prazo de dez anos. (STF/RE 566621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011).
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. STJ SÚMULA nº 360.
O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 1302-000.899
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1996,1997,1998 e 1999 Ementa: RESTITUIÇÃO. PRAZO. PRESCRIÇÃO. O regramento estabelecido pela Lei Complementar 118/2005, de 09/02/2005, é aplicável aos pedidos de restituição formalizados após o decurso do vacatio legis, ou seja, a partir de 09/06/2005. Para solicitações formalizadas em data anterior, a contagem do prazo prescricional segue a regra decenal com termo inicial na data do fato gerador, conforme entendimento consolidado no STJ. No caso, formalizada a solicitação em 14/01/2005, aplica-se o prazo de dez anos. (STF/RE 566621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. STJ SÚMULA nº 360. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1918; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 192 1 191 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.000298/200501 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302000.899 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2012 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente HOTEIS GP S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1996,1997,1998 e 1999 Ementa: RESTITUIÇÃO. PRAZO. PRESCRIÇÃO. O regramento estabelecido pela Lei Complementar 118/2005, de 09/02/2005, é aplicável aos pedidos de restituição formalizados após o decurso do vacatio legis, ou seja, a partir de 09/06/2005. Para solicitações formalizadas em data anterior, a contagem do prazo prescricional segue a regra decenal com termo inicial na data do fato gerador, conforme entendimento consolidado no STJ. No caso, formalizada a solicitação em 14/01/2005, aplicase o prazo de dez anos. (STF/RE 566621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. STJ SÚMULA nº 360. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello Presidente (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.000298/200501 Acórdão n.º 1302000.899 S1C3T2 Fl. 193 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Diniz Raposo e Silva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Marcos Rodrigues Mello. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.000298/200501 Acórdão n.º 1302000.899 S1C3T2 Fl. 194 3 Relatório No presente processo o contribuinte requerru em 14/01/2005, juntamente com petição (fls. 02/14), solicitando restituição da multa de mora incidente sobre pagamentos efetuados a destempo de diversos tributos, conforme DARF´s de fls. 26/73, no montante de R$ 18.395,47. A contribuinte expõe que o art. 138 do CTN excluiu a aplicação da penalidade por infração tributária no caso de denúncia expontânea e, portanto, requer a restituição das multas. Por meio do Despacho Decisório, o Chefe do SEORT da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife, indeferiu o pleito da interessada, alegando basicamente o seguinte: 1. Por ocasião da formalização do pedido, em 14.01.2005, já havia transcorrido o prazo prescricional de 5(cinco) anos, previsto nos arts. 165,I e 168, I do CTN e pelo Ato Declaratório SRF n° 96/99 para que o sujeito passivo pudesse requerer a restituição dos alegados recolhimentos a maior. 2. Não prospera a alegação da requerente de que a multa de mora é indevida , uma vez que a legislação vigente prevê, no caso de recolhimento em atraso de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil a incidência de multa e juros moratórios sobre o valor do tributo ou contribuição, independentemente de qualquer procedimento da Administração tendente à exigência do débito. Tempestivamente, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 81 à 98), insurgindose contra a decisão contida no Despacho Decisório de fl. 78, nos seguintes termos. Estando os tributos e contribuições sujeitos a lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário, no caso de homologação tácita, ocorre cinco anos após a data de ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN. Dessa forma, o prazo para pleitear restituição ocorre cinco anos após a ocorrência da homologação tácita do lançamento, totalizando dez anos a partir da data de ocorrência do fato gerador. Nesse sentido, cita decisões emanadas do Poder Judiciário e dos Conselhos de Contribuintes. No mérito, alega que o ato administrativo mediante o qual foi indeferido o pedido atenta contra o disposto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, segundo o qual o pagamento de tributo feito a destempo antes do inicio de qualquer procedimento fiscalizatório impede a imposição de penalidades. Ressalta ainda que o Código Tributário Nacional foi recepcionado com status de Lei Complementar, nos moldes do art. 146 inciso III da Constituição Federal vigente para reger norma geral em matéria tributária, não podendo sofrer alteração ou revogação por meio de lei ordinária. Transcreve, farta Jurisprudência e requer, ao final seja reformado integralmente o Despacho Decisório, no sentido de que sejam reconhecidos como indevidos os pagamentos a titulo de multa e protesta por todos os meios de prova legalmente admitidos, inclusive a realização de diligência e perícia. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.000298/200501 Acórdão n.º 1302000.899 S1C3T2 Fl. 195 4 A 5ª Turma da DRJ/Recife, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação indeferindo a solicitação, em síntese, pelos seguintes motivos: a contribuinte questiona preliminarmente, o fato de não ter a Autoridade Administrativa, deferido seu pleito relativo à restituição de recolhimentos, tidos por indevidos, efetuados anteriormente à 14.01.2000, com fulcro nos artigos 168, I e 165, I, do CTN. Nesse sentido, a interessada adota o fundamento de que o prazo prescricional aplicável à espécie seria de 10 (dez) anos, baseado em corrente jurisprudencial, que entende que o prazo para pleitear restituição somente se inicia na data da extinção do crédito tributário, a se verificar 5 (cinco) anos após a ocorrência do fato gerador, quando, então, poderia ser considerado homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. E somente a partir deste momento que iniciaria a contagem do prazo prescricional. porém a legislação em vigor, à qual a Administração esta vinculada, o CTN em seu arts. 150, 168, I e a IN SRF n.° 600/2005 em seu §10 do art. 26, e o Ato Declaratório SRF nº 96, contém orientação no sentido contrário. E esta orientação é de observância obrigatória por parte dos julgadores das Delegacias da Receita Federal de Julgamento. relativamente às decisões paradigmas, trazidas aos autos pela empresa interessada, somente fazem coisa julgada entre as partes envolvidas, não produzindo efeitos sobre aqueles que não figuraram no processo em que prolatadas. a prescrição do direito à restituição como acima analisado, constituise por si só, razão para indeferimento do pleito. Entretanto, considerando que a Autoridade Administrativa indeferiu o pedido, não apenas por tal razão, como também pelo fato de que ao contrário do que alega a interessada, a multa de mora é efetivamente devida, em caso de tributo ou contribuição pago em atraso, mesmo que de forma espontânea. a legislação (Lei n° 9.430, de 27/12/1996) vigente a respeito de pagamento de tributo ou contribuição efetuado após transcorrido o prazo legal de vencimento, estabelece a cobrança da multa. cabe à Autoridade Julgadora de primeira instância, aplicar a lei em vigência ao caso concreto, abstendose de apreciar alegados conflitos entre lei ordinária e lei complementar ou entre lei ordinária e a Constituição Federal por ser de competência privativa do Poder Judiciário. como se verifica a pela cópias dos DARF's (fls 26 à 73), a contribuinte efetuou recolhimentos em datas posteriores às de vencimento, fato que justifica a aplicação da multa e que implica na improcedência de seus argumentos. em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte procura se respaldar em decisões do Superior Tribunal de Justiça, do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. a contribuinte protesta por provar o alegado por todos os meios de prova legalmente admitidos, inclusive a realização de diligências e perícias, mas há de se esclarecer, de antemão, que as matérias em discussão são meramente de interpretação da legislação, não tendo havido, de parte da interessada, qualquer contestação especifica, concernente aos elementos constantes dos autos e considerados pela Autoridade Administrativa. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.000298/200501 Acórdão n.º 1302000.899 S1C3T2 Fl. 196 5 outrossim, considerase não formulado o pedido para realização de diligência e perícia, nos termos do artigo 16, § 10 do Decreto n° 70.235/1972 (acrescido pelo artigo 1° da Lei n° 8.748/1993), visto que a contribuinte deixou de atender aos requisitos previstos no inciso IV do mencionado artigo, quais sejam os motivos que as justifiquem, a formulação de quesitos e a identificação de seu perito e qualificação profissional, em caso de perícia. Ademais, os elementos constantes do processo permitiram a formação da convicção deste julgador sem a necessidade de efetivação de exames complementares, como requerido, de forma genérica, pela contribuinte. Cientificado da decisão em 01/06/2009 o contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, em 30/06/2009, reprisando os argumentos apresentados na impugnação, alegando em síntese o seguinte: que o recurso seja recebido sem a exigência do arrolamento de bens correspondente a 30% do valor do auto de infração, sob pena de cerceamento do direito de defesa. que requereu a restituição de valores de créditos passíveis de restituição, decorrentes de pagamentos efetuados a titulo de multa sob o procedimento espontâneo, uma vez que a denúncia espontânea acompanhada do pagamento, exclui a incidência das multas de mora e de oficio sobre os tributos devidos e pagos antes do inicio de qualquer ação fiscal e a jurisprudência é pacífica neste sentido. que o contribuinte que denuncia espontaneamente ao fisco o seu débito fiscal em atraso, recolhendo o montante devido com juros de mora, está exonerado da multa moratória, nos termos do artigo 138, do CTN. O recolhimento de multa de mora em denúncia espontânea caracteriza indébito, devendo, portanto, ser reconhecido o direito à sua restituição. quanto à legitimidade do direito à restituição e a compensação de valores, seu prazo decadencial somente começa a fluir após o decurso de cinco anos após a ocorrência do fato gerador, somados de mais cinco anos, contados estes da homologação tácita do lançamento. o lançamento da exação que aqui se trata dáse mediante a homologação e, somente a partir dai começa a correr o prazo decadencial. Na ausência da homologação expressa, concluise que a decadência do direito ocorre se decorrido o prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais cinco anos, contados do termo final do prazo deferido ao Fisco, para a apuração do tributo devido, e nesse sentido a jurisprudência é pacífica, tanto do STJ quanto do Conselho de Contribuintes. É inegável que o art. 3°, da Lei Complementar n° 118/2005 INOVOU o ordenamento jurídico, não podendo ser considerada lei interpretativa, sendo inadmissível sua retroatividade, nos moldes do art. 106, I, do CTN Desta feita, os efeitos do art. 3°, da Lei Complementar n° 118/2005 devem atingir somente os pagamentos efetuados posteriormente ao dia 09/06/2005 (data de entrada em vigor desta Lei), tendo em vista que somente a partir sdesta data que se poderá considerar o pagamento como a extinção do crédito tributário nos tributos lançados por homologação. É o Relatório. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.000298/200501 Acórdão n.º 1302000.899 S1C3T2 Fl. 197 6 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, razão porque, dele conheço. Como se observa dos autos, as discussões giram em torno de dois pontos, no sentido de que a Administração Tributária, não poderia indeferir o pedido da restituição de multas recolhidas indevidamente a mais de 5 anos, e que as multas não seriam devidas uma vez que houve denúncia espontânea. Alegou a DRJ, que a multa seria devida mesmo se recolhida antes de qualquer iniciativa da fiscalização e que o direito a sua restituição já estaria prescrito pelo decurso de mais de 5 anos de seu recolhimento. Primeiramente em relação a sua prescrição temse que com o advento da Lei Complementar nº 118/2005, a questão teria ficado decidida pelo texto do art. 3º da referida norma ao estabelecer que, para efeito de interpretação do inciso I, do art. 168, do CTN, a extinção do crédito tributário no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação ocorreria no momento do pagamento antecipado. Assim, nos termos dos dispositivos legais mencionados, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo qüinqüenal contado a partir do pagamento indevido. Dirimido o problema quanto à contagem do prazo, restou a discussão quanto à aplicabilidade da Lei Complementar aos fatos ocorridos anteriormente a sua vigência, tendo em vista o caráter interpretativo que lhe foi dado pelo art. 4º, o que implicaria a retroatividade da norma. Essa aplicação da norma a fatos anteriores foi questionada judicialmente e gerou manifestação do STJ no sentido da irretroatividade do dispositivo. Após o STF manifestar entendimento de que a decisão do STJ violaria cláusula de reserva de Plenário, caberia então o aguardo da decisão do Pretório Excelso quanto ao tema, o que ocorreu recentemente (STF/RE 566621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011). (Destaques acrescidos): DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de Fl. 197DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.000298/200501 Acórdão n.º 1302000.899 S1C3T2 Fl. 198 7 violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Considerando que ao Acórdão em comento determina a aplicação do art. 543 B, § 3º, do CPC; o entendimento nele esposado deve ser reproduzido nos julgados deste Colegiado, nos termos do art. 62A do Anexo II, da Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF. Sob esse prisma, a decisão deixa claro que a regra a ser utilizada é determinada pela data em que foi interposta a ação ou, no caso, o pedido administrativo. Se o pleito foi formalizado após 09/06/2005, a LC 118/2005 é aplicável em sua plenitude. Caso contrário, o prazo prescricional deve seguir a regra decenal com termo inicial na data do fato gerador, nos termos definidos pelo STJ. No caso o pedido foi formalizado em 14/01/2005, data anterior a 09/06/2005. Aplicarseá, portanto, o prazo decenal definido pelo STJ. Sob esse prisma, considerando que DARF´s referese aos anos de 1996 à 1999, o termo inicial mais antigo a ser considerado é o DARF recolhido em 10/04/1996, o termo final se daria somente em 10/04/2006. Como o pedido foi formalizado em data anterior, não se caracterizou a prescrição em relação aos DARF´s recolhidos. Porém o mesmo se aplica em relação à denúncia espontânea como veremos a seguir. O Recorrente discorda da aplicação da multa de mora em relação ao tributo pago após o prazo de vencimento e antes do início de qualquer procedimento de ofício ao argumento de que está amparada pelo instituto da denúncia espontânea. Relativamente à multa de mora, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, determina: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de Fl. 198DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.000298/200501 Acórdão n.º 1302000.899 S1C3T2 Fl. 199 8 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. [...] Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. O art. 138 do CTN determina que a penalidade é excluída com a denúncia espontânea da infração acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, enquanto que o art. 161 do mesmo CTN determina que os débitos não pagos no vencimento sejam acrescidos dos juros de mora "sem prejuízo da imposição das penalidades cabiveis.". Ora, utilizando a lógica hermenêutica temos de direcionar a análise dos comandos normativos no sentido de se buscar resguardar a eficácia de ambos, e não priorizar o primeiro, fazendo tabula rasa do segundo. Em síntese: não se pode interpretar a norma do artigo 138 do CTN sendo de forma sistemática, vale dizer, se propugnarmos pelo entendimento de que a dispensa de penalidades inclui a multa moratória, estaremos reconhecendo que não cabe, jamais, a multa moratória, porque sempre que o pagamento ocorrer fora do prazo por iniciativa do contribuinte, ele se beneficiará do instituto da denúncia espontânea. Se, ao contrário, o pagamento fora do prazo ocorrer por força de uma atuação do fisco, a multa não será a moratória, mas a essencialmente punitiva, a chamada multa de oficio. A multa de mora possui caráter eminentemente indenizatório, pois o tributo pago fora do prazo, assim como em qualquer outra obrigação de natureza privada, causa danos ao Erário, danos estes que não ocorrem em relação aos contribuintes pontuais. A multa de mora independe de qualquer procedimento da administração ou medida de fiscalização, não decorrendo de uma infração propriamente dita, como definido Fl. 199DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.000298/200501 Acórdão n.º 1302000.899 S1C3T2 Fl. 200 9 pelos arts. 136 a 138, do CTN. A sua incidência dáse tão somente pelo decurso do tempo, pelo não pagamento do tributo no prazo legal. Para destacar a natureza diversa da multa de mora, é de notarse que quando incide a multa de oficio não pode incidir a multa de mora. Ambas são excludentes. Quem pode apurar infração é a autoridade administrativa encarregada de lançar o tributo, e desta apuração sempre caberá multa de oficio, jamais multa de mora. A denúncia espontânea da infração é uma exteriorização de vontade do sujeito passivo perante a Fazenda Pública, sem qualquer forma prevista em lei, aplicável somente ao cumprimento a destempo da obrigação tributária principal de tributo que não esteja regularmente declarado e antes de qualquer procedimento fiscal. No caso de sua caracterização afasta a aplicação da multa de mora e da multa de ofício. Em relação à esta matéria, o STJ tem jurisprudência pacífica proferida em recurso especial representativo da controvérsia, cujo trânsito em julgado ocorreu em 01/09/2010 e que se transformou inclusive em súmula, “in verbis”: RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009/01341424) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : BANCO PECÚNIA S/A ADVOGADO : SERGIO FARINA FILHO E OUTRO(S) RECORRIDO : UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: Fl. 200DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.000298/200501 Acórdão n.º 1302000.899 S1C3T2 Fl. 201 10 REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Documento: 10649420 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 24/06/2010 Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. SÚMULA Nº 360 DO STJ: O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Inferese, portanto, que a denúncia espontânea só afasta a aplicação da multa de mora quando o imposto recolhido a destempo, corresponde a complementação de imposto recolhido a menor tempestivamente e retificado, o que não é o caso sub censura. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 19647.000298/200501 Acórdão n.º 1302000.899 S1C3T2 Fl. 202 11 Diante do exposto, aceito o pedido de restituição como tempestivo, mas no mérito sendo a multa devida não tem a Recorrente direito à restituição e, portanto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 202DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000902/2010-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2009
RECURSO. NÃO CONHECIMENTO.
É ônus da parte zelar pela escorreita formação do recurso voluntário. Não sendo inteligível e sem demonstrar as razões pelas quais a decisão recorrida merece ser reformada, não pode ser conhecido.
Numero da decisão: 2301-002.569
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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NÃO CONHECIMENTO. É ônus da parte zelar pela escorreita formação do recurso voluntário. Não sendo inteligível e sem demonstrar as razões pelas quais a decisão recorrida merece ser reformada, não pode ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Relatório Fl. 309DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Tratase de Auto de Infração nº 37.251.7510, o qual exige multa pela não entrega de documentos solicitados pela fiscalização, cuja fundamentação em encontrase assim descrita: Através do Termo de Intimação Fiscal n ° 4 TIF , d e 08/12/200 9 (fls . 9 5 a 11 6 d o Anexo I) , além de outros documentos e informações , foi solicitado para que o contribuinte apresentasse as originais dos documentos constantes dos anexos ao Termo, intitulados: Anexo XI Pagamentos a Bolsistas sem a apresentação de Contratos de Bolsas; Anexo XI I Pagamentos a Contribuintes Individuais ; Anexo XII I Direito Autoral Contratos. Através de correspondência de 17/12/200 9 o representante legal do contribuinte informa que á teria sido entregue os documentos dos Anexos XI e XII , informando ainda que caso fosse necessário nova apresentação requereria abertura de novo prazo par a exibição (fls . 11 7 do Anexo I) . O s documento s relativos a estes anexos XI , XI I (que e não o foram entregues na totalidade ) e do anexo o XII I foram reiterados no Termo de Intimação Fisca l n ° 05 , d e 15/01/201 0 (fls . 11 9 e 12 0 d o Anexo I). Quanto a o Anexo X I não fora m apresentados os recibos e contratos constantes do Demonstrativo I anexo; Do anexo XII, o contribuinte apresenta diversos documentos (planilha assinalada pelo mesmo às fl . 123/12 6 do Anexo I ) sendo que os documentos não apresentados consta do Demonstrativo II ; D o XIII , apresenta Termo de Convênio firmado com a CELESC e diversos termos firmados com os professores que lhes prestam serviços (relação às fls . 129/132 do Anexo I) , não apresentando os demais contrato s firmado s com a s empresa s (fls . 10 3 d o Anexo I) . O sujeito passivo apresentou sua impugnação alegando que entregou todos os documentos solicitados e que seria incabível a representação fiscal para fins penais. A DRJ de Florianópolis julgou improcedente a impugnação e manteve o lançamento. Objetivando a reforma da decisão a quo o sujeito passivo interpôs recurso voluntário a esse Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério Fl. 310DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11516.000902/201032 Acórdão n.º 2301002.569 S2C3T1 Fl. 3 3 Não conheço do recurso. Explico. Verificase às fl. 49 e 50 dos autos o recurso do autuado, o qual não traz os elementos necessários à impugnação da decisão recorrida. O recurso, em que pese iniciar com a titulação “I – DOS FATOS” nada descreve a respeito, seguindose diretamente para a conclusão de que o contribuinte teria agido de forma legal, sem sonegar tributos. Em suma o recurso é ininteligível, não demonstrando as razões pelas quais a decisão merece ser reformada. Aplicase, na espécie, por analogia, o artigo 295, inciso I do Código de Processo Civil, cuja redação é a seguinte: Art. 295. A petição inicial será indeferida: (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) I quando for inepta A regular formação do recurso é ônus imputado à parte, como vem reconhecendo a jurisprudência nacional: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. ART.544, § 1º, DO CPC. REDAÇÃO VIGENTE QUANDO DA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO. PETIÇÃO DO RECURSO ESPECIAL APÓCRIFA. VÍCIO INSANÁVEL.PROTOCOLO ILEGÍVEL. PROTOCOLO ILEGÍVEL. IMPOSSIBILIDADE DE SE AFERIR A TEMPESTIVIDADE. DEFICIÊNCIA NA FORMAÇÃO DO INSTRUMENTO. AGRAVO DESPROVIDO. I A regular formação do instrumento é ônus exclusivo da parte agravante, que deve zelar pela fiscalização e pelo correto processamento do agravo, instruindoo com cópias íntegras das peças elencadas no art. 544, § 1º, do CPC. II Recursos apócrifos dirigidos ao Superior Tribunal de Justiça são considerados inexistentes. III A ilegibilidade do protocolo do recurso especial obstaculizado, impossibilita a aferição de sua tempestividade. IV Agravo Regimental desprovido. (AgRg no Ag 1395156/PR, Rel. Ministro GILSON DIPP, QUINTA TURMA, julgado em 13/12/2011, DJe 19/12/2011) Ante o exposto, VOTO no sentido de NÃO CONHECER o recurso voluntário, mantendose a decisão a quo tal como proferida. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 311DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 Fl. 312DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 11444.000886/2007-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 Ementa: INCENTIVO FISCAL. OPÇÃO. INDEFERIMENTO. PERC. O inconformismo contra o indeferimento da opção pela aplicação em incentivos fiscais deve ser manifestado através do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), no prazo estabelecido pela legislação de regência. Não apresentado o PERC em tempo hábil, preclui o direito da interessada de questionar as razões que levaram ao indeferimento da opção. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 Ementa: OPÇÃO PELA APLICAÇÃO EM INCENTIVOS FISCAIS DE PARTE DO IMPOSTO DEVIDO. INDEFERIMENTO. PAGAMENTOS REALIZADOS. RECURSOS PRÓPRIOS. Rejeitada a oção pela aplicação de parcela do imposto devido em incentivos fiscais, os recolhimentos a esse título são considerados investimentos com recursos próprios no projeto, cabendo a exigência do imposto que deixou de ser recolhido.
Numero da decisão: 1402-001.115
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Carlos Pelá, que dava provimento.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 Ementa: INCENTIVO FISCAL. OPÇÃO. INDEFERIMENTO. PERC. O inconformismo contra o indeferimento da opção pela aplicação em incentivos fiscais deve ser manifestado através do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), no prazo estabelecido pela legislação de regência. Não apresentado o PERC em tempo hábil, preclui o direito da interessada de questionar as razões que levaram ao indeferimento da opção. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 Ementa: OPÇÃO PELA APLICAÇÃO EM INCENTIVOS FISCAIS DE PARTE DO IMPOSTO DEVIDO. INDEFERIMENTO. PAGAMENTOS REALIZADOS. RECURSOS PRÓPRIOS. Rejeitada a oção pela aplicação de parcela do imposto devido em incentivos fiscais, os recolhimentos a esse título são considerados investimentos com recursos próprios no projeto, cabendo a exigência do imposto que deixou de ser recolhido.
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OPÇÃO. INDEFERIMENTO. PERC. O inconformismo contra o indeferimento da opção pela aplicação em incentivos fiscais deve ser manifestado através do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), no prazo estabelecido pela legislação de regência. Não apresentado o PERC em tempo hábil, preclui o direito da interessada de questionar as razões que levaram ao indeferimento da opção. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 Ementa: OPÇÃO PELA APLICAÇÃO EM INCENTIVOS FISCAIS DE PARTE DO IMPOSTO DEVIDO. INDEFERIMENTO. PAGAMENTOS REALIZADOS. RECURSOS PRÓPRIOS. Rejeitada a oção pela aplicação de parcela do imposto devido em incentivos fiscais, os recolhimentos a esse título são considerados investimentos com recursos próprios no projeto, cabendo a exigência do imposto que deixou de ser recolhido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Carlos Pelá, que dava provimento. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11444.000886/200773 Acórdão n.º 1402001.115 S1C4T2 Fl. 2 2 LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11444.000886/200773 Acórdão n.º 1402001.115 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o Relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Como resultado de ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado, foi lavrado o auto de infração de fls. 0205, lançando, para o fato gerador ocorrido em 31/12/2002, crédito tributário de IRPJ correspondente a parcelas de aplicações no FINAM classificadas como recursos próprios. Sobre o crédito tributário apurado foi lançada multa de oficio (75%). Conforme descrito no referido auto de infração, apurouse, em procedimento de auditoria de revisão da declaração — imposto de renda pessoa jurídica, ano calendário de 2002, exercício de 2003, que o contribuinte recolheu DARF com código especifico para o FINAM (códigos 9032 e 9360), no montante de R$ 2.193.368,22. No processamento da opção Pelo investimento no FINAM, constatouse que o contribuinte tinha pendência fiscal, de modo que, com base na regra inscrita no art. 60 da Lei n° 9.069/1995, o incentivo pleiteado não foi reconhecido. Em conseqüência, foi emitido extrato, no qual constava a situação do contribuinte e a orientação para que fosse protocolizado Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), a fim de que o valor pleiteado classificado como recurso próprio não fosse exigido como imposto pago a menor. A ciência do referido extrato ocorreu em 14/12/2005, conforme AR de fl. 26. Porém, não houve apresentação de PERC até 30/06/2006, data limite para tanto, conforme previsto no ADE/CORAT n° 67/2005. Diante disso, concluiu a autoridade autuante que o direito ao incentivo fiscal pleiteado não foi reconhecido, razão pela qual os DARFs recolhidos com códigos de receita específicos para o FINAM foram reputados recursos próprios, de modo que foi necessário o lançamento do IRPJ pago a menor, no mesmo valor dos mencionados DARFs. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 104119, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: Argumenta o contribuinte que solicitou, no curso da ação fiscal, a apresentação de segunda via do suposto extrato emitido pela RFB, no qual constariam pendências fiscais que impediram o acolhimento dos incentivos fiscais (FINAM) pleiteados, requerendo, ainda, reabertura de prazo para apresentação de PERC. Afirma que essa solicitação não foi respondida, razão pela qual protocolou nova petição, insistindo nos termos da anterior, petição esta que foi novamente ignorada.. Diante disso, conclui que o auto de infração lavrado é nulo de pleno direito, não podendo irradiar seus regulares efeitos, pois foi desrespeitado o direito de petição, previsto no art. 5 0, XXXIV, "a", da Constituição Federal. Afirma que, após a ciência do auto de infração lavrado, protocolou, em 10/12/2007, novo pedido de esclarecimentos, dirigido ao Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Marilia/SP, alertandoo acerca das omissões ocorridas e insistindo no direito de obter as informações antes requeridas, bem como Fl. 226DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11444.000886/200773 Acórdão n.º 1402001.115 S1C4T2 Fl. 4 4 solicitando a renovação de prazo e a suspensão sine die do prazo para impugnação. Em resposta, a autoridade apenas remeteu ao auto de infração lavrado, revelando ofensa ao direito de defesa, causa de nulidade absoluta do lançamento. No anocalendário de 2002, exercício de 2003, foi destinado ao FINAM o montante de R$ 2.193.368,22, por meio de diversos DARFs. A falta dos Certificados de Investimentos, mesmo após o transcurso do prazo de cinco anos das opções, impediu o exercício dos direitos a eles inerentes. 0 suposto extrato, onde constariam a situação do contribuinte e a orientação para que fosse protocolado PERC, não foi recebido. A época em que teria ocorrido a postagem do extrato (dezembro de 2005) coincidiu com as festividades de final do ano, não sendo desprezada a possibilidade de extravio. Ainda que se suponha o respectivo recebimento, tal documento jamais poderia ser enviado por correio e entregue a pessoa sem poderes para tanto. A prova de recebimento da intimação por via postal, prevista no art. 23, II, do Decreto n° 70.235/1972, corresponde à assinatura do AR por pessoa habilitada a receber intimação, representando a pessoa jurídica no ato. Na situação de que trata o presente processo administrativo, o AR relativo 6. comunicação do suposto extrato não foi Subscrito por pessoa com poderes para tanto, de modo que houve cerceamento ao direito de defesa. Também foi violado o § 30 do art. 26 da Lei n°9.784/1999, pois não foi assegurada a certeza da ciência do interessado. A intimação deve ser declarada ineficaz e, conseqüentemente, devem ser considerados nulos os atos administrativos posteriores, inclusive o auto de infração lavrado. A intimação por via postal sem as cautelas devidas afronta o principio da eficiência administrativa, bem como os princípios do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da publicidade, razão pela qual é nulo o auto de infração lavrado. A própria RFB estabeleceu, no art. 20 da IN RFB n° 568/2005, regras para representação de pessoa jurídica para com ela, não cabendo a qualquer pessoa fisica assumir a condição de responsável pela pessoa jurídica. Observando esta norma, o contribuinte elegeu como responsável perante o CNPJ o Sr. Shiro Nishimura, que exercia a função de DiretorPresidente. Segundo relatado no autor de infração, teriam sido apuradas pendências fiscais que, com base no art. 60 da Lei n° 9.069/1995, levaram ao não reconhecimento do incentivo fiscal pleiteado. No "detalhamento de ocorrências" são identificados como pendências o processo administrativo 13830000255/9928 e a declaração de débito 10000002004170073290. A luz do principio da verdade material, concluise que, independentemente de ter havido resposta ou não à intimação, os débitos mencionados não são impeditivos para o gozo do beneficio fiscal, pois não são exigíveis. 0 processo administrativo controla débito de CSLL discutido no processo n° 92.008400115, distribuído 6. 5' Vara da Justiça Federal em São Paulo, que se encontra aguardando julgamento do STF. Houve depósito judicial do débito nos autos da medida cautelar e 92.00796257, de modo que a respectiva exigibilidade está suspensa, nos termos do art. 151, II, do CTN. A declaração de débito 10000002004170073290 referese a débito do primeiro trimestre de 2004, de modo que não pode servir de motivação para o indeferimento de opção por beneficio fiscal manifestada em 2002, quando o suposto débito sequer existia. Além disso, o débito, que teve origem em DCTF retificadora, apresentada em 14/05/2004, foi recolhido em 16/01/2004. Por fim, pede a anulação do auto de infração lavrado e, caso assim não se entenda, requer o afastamento da multa, por ausência de dolo, fraude ou simulação. Em 20/02/2008, o impugnante protocolizou a petição de fls. 144145, pleiteando a juntada dos documentos de fls. 146148, nos quais consta: 1 extrato de Fl. 227DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11444.000886/200773 Acórdão n.º 1402001.115 S1C4T2 Fl. 5 5 agendamento de pagamento, emitido pelo Banco do Brasil em 16/01/2004, no valor de R$ 495,71; 2 REDARF NET — Pedido de Retificação de Pagamento — DARF, recepcionado em 29/11/2005; 3 confirmação de recepção do "Pedido eletrônico de retificação n° 81f9.a4ed.440f. 8a5d". A Delegacia da Receita Federal de Julgamento prolatou o Acórdão 1435.723 negando provimento à impugnação, em decisão consubstanciada na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2002 AÇÃO FISCAL PROCEDIMENTO INQUISITÓRIO DIREITO DE DEFESA INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL PERC – PRECLUSÃO A ação fiscal 6, até a lavratura do auto de infração, procedimento inquisitório, razão pela qual não há que se falar em cerceamento ao direito de defesa antes da ciência do lançamento. Reputase regular a intimação por via postal entregue comprovadamente (AR) no endereço informado pelo contribuinte à RFB para fins cadastrais. O prazo para apresentação de PERC, relativamente às opções de destinação do IRPJ do anocalendário de 2002 ao FINAM, esgotouse em 30/06/2006, conforme Ato Declaratório Executivo CORAT n° 67/2005. Devidamente cientificado, o sujeito passivo recorre a este Colegiado ratificando em essência as razões expedidas na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11444.000886/200773 Acórdão n.º 1402001.115 S1C4T2 Fl. 6 6 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO O recurso é tempestivo e preenche as condições de admissibilidade, devendo ser conhecido. Na análise da peça recursal, questão preliminar e essencial a ser dirimida é a ocorrência ou não da preclusão em relação à possibilidade de comprovar a inexistência das pendências fiscais que implicaram na desconsideração da opção pela aplicação em incentivos fiscais exercida pela recorrente. Fazendose um histórico dos principais eventos que envolvem a questão tem se, de acordo com as informações constantes dos autos: • 14/12/2005 (AR) – Sujeito Passivo recebe extrato com situação fiscal e orientação para apresentação de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), tendo em vista rejeição da opção. Informouse que, se não apresentado o PERC, os valores destinados ao fundo seriam considerados recursos próprios o que implicaria na cobrança do imposto pago a menor • 30/06/2006 – Data limite para apresentação do PERC, nos termos do ADE/CORAT/67/2005; • 22/11/2007 – Formalização do processo 11442.000057/200719 com síntese do ocorrido, encaminhado ao setor competente para lançamento do crédito tributário, tendo em vista a não apresentação do PERC. • 23/11/2007 (AR) – Termo de Ciência e Solicitação de Documentos, cientificando que o valor pleiteado foi classificado como recursos próprios e seria exigido como imposto pago a menor, sendolhe concedido cinco (5) dias de prazo para manifestação e apresentação de documentos; • 29/11/2007 – Sujeito passivo manifestase no sentido de que não teria recebido o extrato e não teria conhecimento de seu conteúdo; • 30/11/2007 – Sujeito passivo peticiona requerendo emissão de novo extrato e a indicação dos débitos impeditivos do incentivo fiscal, para que pudesse exercer o direito de defesa.; • 07/12/2007 – Auto de Infração. Além da correspondência entregue em 14/12/2005, onde a interessada recebeu o extrato com situação fiscal acompanhado da informação quanto ao indeferimento da opção pelo incentivo, foi emitido termo em 23/11/2007 informandolhe da possibilidade de Fl. 229DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11444.000886/200773 Acórdão n.º 1402001.115 S1C4T2 Fl. 7 7 autuação. Assim, a princípio não vislumbro nenhuma irregularidade formal no procedimento da autoridade administrativa, até a lavratura do auto de infração. Registrese ainda que a argüição da ausência de poderes do signatário do AR para representar a recorrente não se sustenta perante a jurisprudência deste Colegiado, representada pela Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Inexistindo vício formal nos atos administrativos que antecederam o lançamento de ofício, penso que a data de ciência da autuação representou o termo final para que a interessada demonstrasse a inexistência das pendências que motivaram o indeferimento da opção pelo incentivo fiscal. Esse posicionamento não se justifica apenas pela não apresentação do PERC. Com base no princípio do formalismo moderado, qualquer manifestação da interessada voltada à demonstração da inexistência dos débitos apontados deveria ser analisada pela autoridade administrativa. Entretanto, as regras processuais estabelecem prazos a serem cumpridos pelos dois lados da relação jurídicotributária. Sob esse aspecto, apesar de cientificada das irregularidades, e das conseqüências da não regularização, a interessada limitouse a questionar o recebimento da intimação mas quedouse inerte no que se refere aos débitos, até que fosse lavrado o auto de infração. A meu ver, a questão da irregularidade fiscal foi encerrada com a autuação e tronouse preclusa a partir daquele momento. Não há como discutila no bojo destes autos. No que se refere à revogação dos §§ 6° e 7° do art. 4 ° da Lei n° 9.532/97, que não estariam mais em vigor quando da ocorrência do fato gerador, verificase que, na verdade, todo o mencionado art. 4° foi revogado pela MP n° 2.19914, de 24/08/2001. Se fosse aplicado o entendimento do sujeito passivo sequer poderia ser efetuada a opção pelo incentivo. pois o dispositivo em questão regulamentava tal prática. Ocorre que a revogação foi aplicada com ressalva, conforme registrado no texto da MP n° 2.19914/2001 transcrito na peça recursal. Nessa ressalva são mencionados dispositivos que mantém a eficácia do citado art. 4° nos casos de opção já exercida. Dessa forma, nos termos da legislação de regência, indeferida a opção pelo incentivo fiscal os valores recolhidos ao respectivo fundo são considerados como recursos próprios aplicados no projeto e cabe a exigência do imposto que deixou de ser recolhido. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 230DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11444.000886/200773 Acórdão n.º 1402001.115 S1C4T2 Fl. 8 8 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/08 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 35254.002328/2005-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2003 a 30/11/2004 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. CONVÊNIO MÉDICO. HOSPITAL. MERO REPASSADOR DE HONORÁRIOS MÉDICOS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Na hipótese de a entidade hospitalar se revestir da qualidade de mera repassadora dos honorários médicos será a responsável pelo pagamento da contribuição social previdenciária devida e pelo recolhimento da contribuição do segurado contribuinte individual a empresa que atua mediante plano ou seguro de saúde que pagou o segurado. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido Parcialmente
Numero da decisão: 2301-002.430
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas pela rubrica SCI, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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CONVÊNIO MÉDICO. HOSPITAL. MERO REPASSADOR DE HONORÁRIOS MÉDICOS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Na hipótese de a entidade hospitalar se revestir da qualidade de mera repassadora dos honorários médicos será a responsável pelo pagamento da contribuição social previdenciária devida e pelo recolhimento da contribuição do segurado contribuinte individual a empresa que atua mediante plano ou seguro de saúde que pagou o segurado. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido Parcialmente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas pela rubrica SCI, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. EDITADO EM: 11/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 2DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35254002328200586 Acórdão n.º 2301002.430 S2C3T1 Fl. 662 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte, HOSPITAL DE CARIDADE DE ERECHIM, contra decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada, em que se considerou que a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias, relativas aos honorários dos profissionais não credenciados nos planos de saúde, deve ser do hospital e não dos convênios, mantendose o crédito tributário lançado referente às contribuições devidas à Seguridade Social no período de 01/04/2003 a 30/11/2004. 2. Conforme o relatório fiscal, as contribuições têm como base de cálculo os valores pagos aos segurados contribuintes individuais que prestaram serviço ao Hospital de Caridade Erechim. 3. Cumpre transcrever a ementa do julgamento administrativo de origem nos seguintes termos: “CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. TETO CONTRIBUTIVO A base de cálculo do contribuinte individual é a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo. O sujeito passivo na condição de responsável tributário, é a pessoa jurídica, ou a ela equiparada, a quem o segurado presta os serviços, sendo irrelevante para o feito a origem dos recursos e a que título de retribuição é paga. Inadmissibilidade de os médicos prestarem serviços diretamente a empresa de plano ou seguro de saúde quando não credenciados. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” 4. O contribuinte, por sua vez, interpôs recurso voluntário, alegando em suma: a) inviabilidade da alegação da Receita Federal de que, em razão do plano de saúde não possuir o cadastro do médico, atribuise a responsabilidade tributária ao Hospital; b) o Hospital não é fonte pagadora, mas apenas repassador de valores, enquanto não há quitação da fatura pelo convênio, o repasse não ocorre; c) profissional de saúde não credenciado que utiliza as dependências do hospital, na prática, tem o mesmo status de profissional credenciado e se o convênio não realizar os devidos descontos e retenções fiscais quando do Fl. 3DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 repasse dos valores, não deve presumirse como responsável tributário o Hospital. 5. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35254002328200586 Acórdão n.º 2301002.430 S2C3T1 Fl. 663 5 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DO MÉRITO 2. O relatório fiscal deixou expresso que o lançamento se deu em razão de dois levantamentos: “AUT – Valor da contribuição devida pelos contribuintes individuais que prestaram serviço ao Hospital de Caridade Herechim, informado na GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. SCI – Valor da Contribuição devida pelos contribuintes individuais que prestaram serviço ao contribuinte, não informado em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social.” 3. Alega o contribuinte que não há obrigatoriedade de recolhimento previdenciário quando se tratar de repasses de honorários médicos, posto que o Hospital não contrata os profissionais que não são credenciados pelo convênio e, neste caso, o convênio, ao autorizar o atendimento por profissional não credenciado, tem condições de formar um cadastro e efetuar os devidos descontos e retenções. Assim, o profissional de saúde não credenciado que utiliza as dependências do Hospital é contratado e pago pela mesma fonte pagadora, no caso o convênio, não havendo que se falar em presunção de responsabilidade tributária do Hospital. 4. Com efeito, considero válido o lançamento em relação à rubrica “AUT” que levantou valores de contribuintes individuais que prestaram serviço ao Hospital de Caridade Erechim, visto que foram informados pelo próprio contribuinte em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Até porque não há prova em contrário nos autos, que determine a retificação destes valores. 5. Contudo, encontro óbice no que tange aos valores relativos à rubrica “SCI”, que trata do valor da Contribuição devida pelos contribuintes individuais que prestaram serviço ao contribuinte, mas não informado em GFIP. 6. Compulsando a legislação, especificamente o art.286 e 287 da Instrução Normativa n.º 100/2003, vigente à época do lançamento, fica claro que, nos casos em que os valores forem pagos pelo atendimento pelo plano de saúde diretamente ao médico, mediante convênio, a retenção dos valores a título de contribuição previdenciária do profissional é de responsabilidade do plano de saúde. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 7. No entanto, quando não há convênio entre o médico e o plano de saúde, mas existe prestação de atendimento a paciente através de hospital conveniado ao plano de saúde, que efetua o pagamento de honorários médicos ao hospital independentemente do profissional ser conveniado, o hospital é responsável pela retenção e recolhimento dos valores da contribuição previdenciária devidos pelos prestadores dos serviços médicos. 8. Ocorre que no presente caso, a fiscalização não trouxe provas cabais no sentido de que tais valores configuramse remuneração paga aos médicos. Ao contrário, após analisar o caso ainda em primeira instância o julgador teve dúvidas quanto ao lançamento, no que resultou numa diligência para que o fiscal se manifestasse, dentre outras questões, no que diz respeito “à forma de prestação de serviço realizada pelos médicos cuja contribuição encontrase lançada na presente NFLD”. 9. A resposta fiscalista foi no sentido de inverter o ônus da prova ao deixar expresso na sua resposta que o contribuinte é quem teria que comprovar o vínculo do médico com o convênio. Vejamos trecho da resposta do agente autuador: “No presente caso, como o contribuinte não comprovou o vínculo do médico com o convênio e registrou os valores da remuneração na folha de pagamento de contribuinte individuais, entendemos que os valores que o hospital denomina de “repasses” são, na verdade remuneração ao profissional autônomo, mesmo que os recursos para o pagamento sejam provenientes de empresas que atue mediante plano de saúde”. (fl. 463) 10. Não é suficiente para sustentar o débito tal afirmação, ainda mais se considerado que o contribuinte procurou registrar os valores repassados aos médicos em conta contábil própria intitulada “serviços médicos a repassar, dentro do subgrupo de obrigações”. O que leva a crer que efetivamente o hospital simplesmente repassava os valores recebidos, a título de honorários médicos, dos convênios mantidos. 11. A contar com um indício de que o contribuinte estaria equivocado no enquadramento de determinada rubrica, sendo portanto, base para a incidência de contribuição previdenciária, deveria o fisco ao menos carrear aos autos provas no sentido do seu direito, o que não se percebe no presente caso. 12. Sendo assim, dou mais crédito ao afirmado pelo recorrente no sentido de que o hospital na verdade repassava valores relativos a honorários médicos, pagos por convênios médicos, o que não seria base de tributo, na forma determinada pelo fisco. 13. Tal posicionamento está em concordância com o art .286, da Instrução Normativa do INSS n.º 100/2003, verbis: Art. 286. A utilização das dependências ou dos serviços da empresa que atua na área da saúde, pelo médico ou profissional da saúde, para atendimento de seus clientes particulares ou conveniados, percebendo honorários diretamente desses clientes ou de operadora ou seguradora de saúde, inclusive do Sistema Único de Saúde (SUS), com quem mantenha contrato de credenciamento ou convênio, não gera qualquer encargo previdenciário para a empresa locatária ou cedente. . § 1º Na hipótese prevista no caput, a entidade hospitalar ou afim se reveste da qualidade de mera repassadora dos honorários, os quais não Fl. 6DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35254002328200586 Acórdão n.º 2301002.430 S2C3T1 Fl. 664 7 deverão constar em contas de resultado de sua escrituração contábil, sendo que o responsável pelo pagamento da contribuição social previdenciária devida pela empresa e pela arrecadação e recolhimento da contribuição do segurado contribuinte individual será, conforme o caso, o ente público integrante do SUS ou de outro sistema de saúde ou a empresa que atua mediante plano ou seguro de saúde que pagou diretamente o segurado. 14. Vejase que o próprio §2º do art. 286 exige a comprovação, pelo fisco, no sentido de que a entidade hospitalar não se reveste da qualidade de mera repassadora dos honorários, o que não se vê nos presentes autos. Eis o teor d o dispositivo: “§ 2° Se comprovado que a entidade hospitalar ou afim não se reveste da qualidade de mera repassadora, e for constatado que os honorários não constam em contas de receita e de despesa de sua escrituração contábil, promoverseá o arbitramento da base de cálculo das contribuições sociais devidas pela entidade e pelo contribuinte individual”. 15. Resta asseverar que o contribuinte não agiu de má fé, tanto que deixou registrado em sua contabilidade os valores. A fiscalização, ao contrário, não demonstra o seu direito e nem expressa argumentos sólidos para desqualificar o procedimento adotado pelo recorrente. 16. Nunca é demais falar que o art. 142 do CTN, no que diz respeito ao lançamento fiscal, deixa asseverado que “compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável”. 17. Sendo assim, o meu voto é pela procedência parcial do lançamento fiscal plasmado pelo fisco. CONCLUSÃO 18. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER DO RECURSO e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos acima delineados, mantendo o lançamento referente à rubrica AUT e excluindo o referente à rubrica SCI. É como voto. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 7DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/12 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 11080.915896/2008-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3101-000.212
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria, em converter o
julgamento do recurso em diligência à repartição de origem. Vencidos os conselheiros Corintho Oliveira Machado (relator) e Henrique Pinheiro Torres, que rejeitavam a preliminar de diligência. Designado redator para a resolução o conselheiro Tarásio Campelo Borges.
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LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL 920 S3C1T1 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria, em converter o julgamento do recurso em diligência à repartição de origem. Vencidos os conselheiros Corintho Oliveira Machado (relator) e Henrique Pinheiro Torres, que rejeitavam a preliminar de diligência. Designado redator para a resolução o conselheiro Tarásio Campelo Borges. Henrique Pinheiro Torres Presidente Corintho Oliveira Machado Relator Tarásio Campelo Borges Redator Formalizado em: 04/03/2012 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa Albuquerque Valente. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 04/03/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.915896/200862 Resolução nº 310100.212 S3C1T1 73 _________ Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: O contribuinte acima identificado transmitiu, em 15/02/2005, pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI, cumulado com declaração de compensação (PER/DCOMP), no valor de R$ 10.054,27, apurado no 4º trimestre de 2004. Cópia do referido PER/DCOMP, de nº 27962.95407.150205.1.3.018576, foi juntada nas fls. 22/29. 2.A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre, pelo Despacho Decisório Eletrônico da fl. 17, emitido em 24/11/2008, indeferiu parcialmente o pedido de ressarcimento, reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 677,50, e homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido, em razão da glosa de créditos considerados indevidos, e também da constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. 3.Dessa decisão o interessado foi cientificado em 05/12/2008 (cópia do Aviso de Recebimento na fl. 16). Irresignado, apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, fls. 02/04, firmada por procurador (instrumento de procuração na fl. 07), e instruída com os documentos das fls. 05/15, contra a decisão acima referida, alegando, em síntese, que houve erro no registro do CNPJ de fornecedor, constando o nº de inscrição da filial 0002, quando o correto seria informar o nº do CNPJ da matriz, que consta nas notas fiscais relacionadas na fl. 03 e anexadas nas fls. 09/15. Diz, ainda, que o engano formal, antes referido, não é motivo para a glosa dos créditos. Ao final, requer seja desconsiderada a glosa, bem como seja acolhido o pedido de compensação e o cancelamento do aviso de cobrança. 4.Pela Resolução nº 248, desta 3ª Turma de Julgamento, fl. 31/32, o julgamento foi convertido em diligência, solicitandose à DRF/Porto Alegre informações a respeito do ingresso e utilização dos produtos discriminados nas notas fiscais das fls. 09/15, e também de valores informados no PER/DCOMP. 4.1 Em resposta, informou a unidade jurisdicionante, pela Informação Fiscal da fl. 45, que houve ingresso dos produtos discriminados nas notas fiscais das fls. 09/15, que tais produtos foram utilizados no processo produtivo, e que o valor informado no PER/DCOMP como “outros débitos” referese a ressarcimento de créditos. A DRJ em PORTO ALEGRE/RS julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade e reconheceu o direito ao ressarcimento complementar/compensação em parte, ementando assim o acórdão: Fl. 88DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 04/03/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.915896/200862 Resolução nº 310100.212 S3C1T1 74 _________ Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR DO IPI. Mantida a glosa de crédito de IPI decorrente da aquisição de produtos, quando não comprovado seu ingresso no estabelecimento do adquirente. Constatado erro no preenchimento do PER/DCOMP, que resultou no deferimento parcial do crédito pleiteado, cabível o reconhecimento do direito creditório complementar. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 52 e seguintes, onde após breve sumário do contencioso diz que no tocante ao valor de R$ 4.597,00, que restou não comprovado, traz aos autos cópias das notas fiscais, bem como cópia das páginas do livro fiscal onde estão registradas as referidas notas, o que comprova o crédito, logo não cabe a manutenção desta glosa. Ao final pede a procedência do recurso voluntário, para reconhecer o direito aos créditos pleiteados e, via de consequência, a homologação da compensação encetada. Após alguma tramitação, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação deste órgão julgador de segunda instância. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 04/03/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.915896/200862 Resolução nº 310100.212 S3C1T1 75 _________ Voto Vencido Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Após a decisão de primeiro grau, ficou evidenciado que a não comprovação do registro das notas fiscais de fls. 12/15 no Livro Registro de Entradas foi substrato para a manutenção da glosa do crédito de IPI no valor de R$ 5.274,50, consoante tabela da decisão recorrida, fls. 49/50. Agora, em sede de recurso voluntário, a recorrente traz cópias de notas fiscais, bem como cópia das páginas do livro fiscal onde estão registradas as referidas notas, e requer o acatamento do seu crédito e via de consequência a homologação de sua compensação integralmente. Observase que os valores totais das glosas referidos pela decisão de primeira instância (R$ 5.274,50) e pela recorrente (R$ 4.597,00) não são os mesmos. Data venia do entendimento da ilustrada maioria de meus eminentes pares, penso que o expediente contém todos os elementos para o julgamento no estado em que se encontra, justamente por isso fui contrário à conversão do julgamento em diligência. Corintho Oliveira Machado Fl. 90DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 04/03/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.915896/200862 Resolução nº 310100.212 S3C1T1 76 _________ Voto Vencedor Conselheiro Tarásio Campelo Borges, Redator. Tratam os autos deste processo, conforme relatado, de pedido de ressarcimento de imposto sobre produtos industrializados (IPI) apurado no 4º trimestre de 2004, atrelado a declaração de compensação com débitos de natureza tributária administrados pela Receita Federal do Brasil. No julgamento de primeira instância, logo no primeiro parágrafo do voto condutor do acórdão, a falta de comprovação dos créditos relativos às notas fiscais de folhas 12 a 15 é o motivo do julgamento improcedente de parte da manifestação de inconformidade, senão vejamos: 5. Em relação às notas fiscais que tiveram o crédito de IPI glosado pelo motivo 4 (estabelecimento emitente da nota fiscal na situação de cancelado no cadastrado CNPJ), o contribuinte alega erro no registro do CNPJ do fornecedor e junta a 3 a via dessas notas fiscais nas fls. 09/15. Comprova, com a juntada de cópia do Livro Registro de Entradas (fls. 41/43), a escrituração das notas fiscais das fls. 09/11. Não houve comprovação em relação às notas fiscais das fls. 12/15. Todavia, no recurso voluntário, a ora recorrente alega que traz à colação documentos suficientes para a produção da prova então reclamada: fotocópias das folhas do livro registro de entradas nas quais escriturou as notas fiscais de folhas 12 a 15. Por outro lado, a despeito da obrigação da interessada em produzir a prova dos fatos alegados, também é dever da autoridade preparadora zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 29 [1], artigo 36 [2], inteligência do artigo 37 [3], artigo 38 [4] e artigo 39 [5]. 1 Lei 9.784, de 1999, artigo 29: As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. (§ 1o) O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. [...]. 2 Lei 9.784, de 1999, artigo 36: Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 3 Lei 9.784, de 1999, artigo 37: Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. 4 Lei 9.784, de 1999, artigo 38: O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. (§ 1o) Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. (§ 2o) Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. 5 Lei 9.784, de 1999, artigo 39: Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. (Parágrafo único) Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 04/03/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.915896/200862 Resolução nº 310100.212 S3C1T1 77 _________ Assim, com o objetivo de enriquecer a instrução dos autos deste processo, voto pela conversão do julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade competente emita juízo de valor acerca da alegada produção da prova reclamada na parte final do primeiro parágrafo do voto condutor do acórdão recorrido. Posteriormente, após facultar à recorrente oportunidade de manifestação quanto ao resultado da diligência, providenciar o retorno dos autos para este colegiado. Tarásio Campelo Borges Fl. 92DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 04/03/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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