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Numero do processo: 10845.001219/2005-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 23 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3302-000.060
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rogério do Amaral S. Miranda de Carvalho, OAB/SP nº 120.627.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Resolvem os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rogério do Amaral S,. Miranda de Carvalho, OAB/SP II 120.627. (Assinado digitalmente.) Walber José da Silva - Presidente (Assinado digitalmente.) José Antonio Francisco - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Andréa Medrado Darze, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Processo n" 10845.001219/2005-61 Resolução n " 3302-00.060 S3-C312 El 406 RELATÓRIO 'Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Acórdão da 9 Turma de Julgamento da DRJ São Paulo 1 / SP, que, relativamente a declaração de compensação apresentada pela Interessada em 25 de abril de 2005 de Cotins não cumulativa do período de novembro de 2004, indeferiu sua solicitação, nos termos da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO . NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício 2004 PETIÇÃO À ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA AÇÃO .JUDICIAL CONCOMITÁNCIA INOCORRÊNCIA Cabe apreciar o pleito do contribuinte no que toca à matéria não submetida à apreciação da Justiça Ocor te que, notando-se de matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, apenas não se conhece da manifestação de incordbrmidade, quanto ao mérito, qucmclo se tenha o mesmo objeto da ação judicial, em respeito ao pi incipio da unicidade de fui isdição contemplado na Constituição Feder al de 1988. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DOS ATOS ADMINISTR411 VOS INORRÊNCIA DE NULIDADE À Administração Pública, para assegurar-lhe a autoridade necessária à consecução de seus .fins, são-lhe outorgados prerrogativas e privilégios que permita assegurar a supremacia do interesse público sobre o particular. Entre estes privilégios tem-se a presunção cia veracidade dos seus atos PROCESSO ADMINISTRA= FISCAL PERICIA CONTÁBIL DILIGÊNCIAS PRESCINDIBILIDADE A diligência ou perícia contábil objetiva subsidiar a convicção do julgador e não inverter o ônus da prova já definido na legislação A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde do litígio, não se justificando, quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos É prescindivel a pericia quando presentes, nos autos, os elementos necessários e suficientes à firmação da convicção cio julgador para proferir sua decisão. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS Cabe ao contribuinte no momento da impugnação trazer ao _julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Solicitação indeferida O pedido foi inicialmente indeferido pelo despacho decisório de Os. 102 a 116 em 17 de março de 2008, com base na informação fiscal de fls. 21 e 22 e 95, que teve o seguinte teor: 2 Processo o" 10845 001219/2005-6 I S3-C312 Resolução o " 3302-00,060 ri 407 No exercício das )(Unções de Auditor Fiscal da Receita Federal, em campalmente ao determinado no MN. .2006/00030-0, cujo objeto é a análise da COFINS, créditos decorrentes da não-cutindatividade, abrangendo o período de 08/2005 a 12/2004 e 02/2005, e originado do despacho contido no processo supracitado, encerramos a referida ação Fiscal no contribuinte acima identificado, cuja conclusão está representada pelo teor da presente, conforme segue.' 1. O presente processo consiste na Declaração (Fls. 1/17 ) em que o contribuinte solicita seja reconhecida e homologada a compensação do total de RS 2 871,601,60, à titulo de crédito da COF1NS não cumulativa, decorrente da soma dos créditos mensais por ele indicados às fls. 2/7, com o valor original de R$ 2.418 682,83, referentes ao imposto de renda e contribuição social sobre o lucro liquido, conforme processo e Fls em anexo. 2. Em cumprimento aos termos cie intimação e posteriore.s reintimações, o contribuinte exibiu os livros comerciais e fiscais, apresentou documentos, demonstrativos de cálculo e esclarecimentos, no sentido de identificar os valores que constituem os créditos aparados c aos quais alega ler direito de compensa-los com os débitos já, também, identificados. Em consequência do exame fiscal realizado, verificamos que: 3. A atividade da empresa,- cuja contabilidade é centralizada em sua sede, na cidade de Santos-SP -, consiste no comércio de compra e venda de mercadoria (café cru em grão) no mercado interne e externo ( exportação), sendo este responsável por mais de 80% do total mensal de sua receita, a qual é adicionada, mensalmente, valores relativos a outras receitas, 4 Os expedientes e a respectiva planilha em anexo (Fls 3/5) identificam e relacionam os totais mensais e acumulados correspondentes a a-) Receita da Atividade e Outras Receitas,. b-) Base de cálculo da Cafins e o seu correspondente valor devido mensalmente, c-) Apuração dos créditos da contribuição, decorrentes das compras e insumos, considera dos proporcionalmente com os totais das vendas no mercado interno e externo (exportação). cl-) Compensação da Cotins devida ( alínea "a") com os créditos apuradas ( alínea "c"). 5) Constam das Dipj, Dacon e Planilha elaborada, os valores mensais da COFINS devida, os respectivos créditos apurados e os saldos decorrentes das compensações. Em anexo (fls. 6/28) cópias da Dacon e Planilha, Dipj (fls. 33/45) Finalizando, após a compensação com o COFINS devida, os remanescentes saldos mensais dos créditos são utilizados para nova compensação, conforme exposto no item supra. No presente processo • tJa2o-io; -• • 3 Processo n'' 101“5.00 1219)2005-6 I S3-C3 1 2 Resolução n ." 3302-00.069 F. I 408 (Fls. 2/7), tais saldos estão indicados mês a mês, de agosto a dezembro de 2004 e fevereiro de 200.5 6 ConfimUados os valores acima (e demais elementos fin necidos pelo Conn ibuinte ) com a sua escrituração, notadamente no livrortrzao, não foi possível concluir pela exata constituição de tais saldos, em vir tilde da sistemática por ele adotada quando efetuados os í espectivos lançamentos contábeis, em que pese a existência de todas as contas referentes à contribuição, desde a sua origem, ate os saldos mensais e acumulados De fato Do crédito acumulado até novembro de 2004 na conta própria da COPINS, o contribuinte utilizou em tal mês, RS 3 518 916 04 para a compensação constante da DACON e em sua escrituração (fls 29 em anexo), não coincidindo, portanto, com 0.5 dados relativos à compensação no processo cujo periodo dever ia ter se limitado no mês de novembro de 2004 7 Em aditamento aos vários esclarecimentos verbais e .formais prestados, o contribuinte são conseguiu demonstrar a sistemática utilizada nos lançamentos e respectivas comas em sua contabilidade, e o consequente lançamento do valor de R$ 3 ,518 916.04. Reconhecida a impossibilidade do prosseguimento do presente processo, sem que se façam as regularizações necessárias o contribuinte pretende saná-las e, ato continuo, ingressar com novo expediente junto ao titular desta DRE para nova apreciação da matéria, no qual requererá, também, a anexação do processo ora analisado, tudo conforme doc /is 30 em anexo 1.1 Encerrada a ação fiscal no contribuinte supracitado e identificado, em cumprimento ao 110E2007-00341-8, lemos a relata, o quanto segue I. O processo em tela refere-se a Declaração de Compensação elaborada pelo contribuinte, que pretende utilizar-se de cr édito no montante de RS 2 871.601,60 para compensação com Os débitos de RS 1 629 425,85, de 2005, e os de R$ .595 723,17 e RS 223 533 81 ambos de 2004. 2. .4 ação fiscal teve inicio em 15/10/2007, cmdbrine termo law ado do qual o contribuinte tornou ciência em 17/10/2008; posteriormente, Mi ele reintimado conforme termo cia 17/12/2007 com ciência na mesma data, finalmente, em 20/12/2007, requereu a prorrogação de prazo para atender plenamente o Fisco, o que não ocorreu (cópias de termos e requerimento em anexo) 3 De Mio Embora o contribuinte enCOnnr-se com os livros comerciais e fiscais escriturados, não identificou (nem o demonstrou) os valoi es componentes do cálculo por ele efetuado e que resultou no crédito pleiteado, bem como não identificou quais os valores cio período mencionado, e os de seus respectivos saldos inicial e final Em síntese, não apresentou demonstrativo analítico dos valores que resultaram no total indicado como crédito,. no mesmo sentido quanto ao débito objeto de compensação 4 Exerce o contribuinte o seu pretenso direito à compensação de seu suposto crédito, mas, "conditio sina qua 11011", não o de/11012st' a, 4 Processo n" 10845.001219/2005-61 S3-C312 Resoluçào n "3302-00.060 ri 409 inviabiliza, assim, qualquer- verificação dos valores componentes de tal crédito com os lançamentos contábeis e respectivos documentos fiscais nos quais se fundamenta Isto posto, não tendo como atestar a liquidez e certeza do valores objeto do presente processo, propomos o seu retomo ao setor de origem para as providências na esfera de sua competência Era o que tínhamos a informar De acordo com o despacho decisório: Os créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, no regime da não cumulatividade, apurados CO??! base em autorização legal, devem ser escriturados e controlados contabihnente, conforme determinam os 8, 9 e 10 do Artigo 30 da Lei IP 10.637/2002. Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se à incidência não-cianulativa do PIS/PASEP, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas Portanto, devem ser comprovados os custos, despesas e encargos que germanz os créditos. A falta de comprovação dos créditos alegados não permite a homologação da compensação. Na manifestação de inconformidade apresentada em 21 de maio de 2008 (fis, 121 e segs.), a Interessada requereu inicialmente a análise conjunta dos processos administrativos n' "10845.. 000186/ 2006- 12, 10845. 000184/ 2006- 23, 10845, 000398/ 2006- 08, 10845. 000399/ 2006- 44, 10845, 000524/2005- 35, 10845. 001219/ 200561, 10845, 001220/ 2005- 95, 10845, 003161/ 2005- 90, 10845. 003162/ 2005- .34, 10845, 00.3414/ 2005- .35, 10845. 00.3415/ 2005- 70, 10845. 003528/ 2004- 94, objetos da mesma diligência fiscal," A seguir, fez um "histórico da lide", mencionando as intimações efetuadas pela Fiscalização e as respostas apresentadas. Afirmou que, "Inexplicavelmente, em 07/02/2008, data próxima à prorrogação acima narrada, a Impugnante recebeu do Sr. Fiscal um 'Termo de Encerramento de Ação Fiscal', tomando por encerrado todos os procedimentos fiscais existentes, tendo em vista que foram encaminhados os documentos solicitados e a planilha com os valores apurados/compensados haviam sido enviadas para o Sr. Fiscal responsável pela auditoria, (Doo. n' 5-B anexo)." Acrescentou que, "Embora a Impugnante já houvesse dado por encerrada a auditor-ia fiscal, uma vez que desde dezembro não ocorrera mais qualquer comunicação ou visita do Sr, Fiscal, para evitar dúvidas, a 1mpugnante apresentou junto à Delegacia da Receita Federal no dia 1.3/03/2008 correspondência informando sobre os fatos ocorridos e sobre a . apresentação dos documentos solicitados, reafirmando que todos os documentos estavam à disposição da fiscalização para análise, nos moldes • do anteriormente pactuado com o Sr. Fiscal (Doc. n' 6-B anexo)." Passou a defender o direito de crédito, com base na legislação vigente. Requereu, também, um pedido de perícia, indicando perito e os seguintes quesitos: 5 Processo n" 10845.0012 19/2005-61 Resolução ri '3302-00,060 83-C31.2 II 410 I Possui a Impugnante seus livros revestidos das fOrmalidades legais e estão eles regularmente escriturados, sem rasuras, emendas ou vícios que os possam invalidar? 2. As compras de cafés para exportação estão escrituradas corretamente ? 3 Não é verdade que as vendas para o exterior são imunes de PIS/CUPINS, gerando crédito tributário ? 4 A legislação Metal autoriza a compensação dos créditos excedentes na quitação dos débitos dos demais tributos con entes da pessoa juridica Isso figi feito pela Impugnante 5 As obrigaçães acessórias do período Paru apresentadas ? 6. Os créditos aproveitados acorrer arn confirme as permissivas legais 7 Preste o Sr Perito as necessárias inibi mações que achar pertinentes, no sentido da possibilidade da apuração do resultado da Impugnante através da documentação cuja apresentação está sendo aqui requerida. Dentre os documentos apresentados pela Interessada, constaram cópias de impugnação apresentada contra um auto de infração (fls. 217 e segs.) lavrado no processo n' 1598100010312005-76 (fls. 181 e segs), de processo judicial relacionado àquele processo (fls. 265 e segs.). Nas fis, 334 a 342, requereu correção do pedido de compensação anteriormente apresentado, relativamente à indicação da origem do crédito.. A DM, no entanto, indeferiu a solicitação, conforme ementa anteriormente reproduzida. No recurso, após fazer novo histórico do processo, a Interessada alegou e requereu o seguinte: 48 Alega a decisão recorrida que não é possivel se atender ao pedido de prova em virtude de negativa geral do contribuinte, além de não haver no procedimento administrativo novas provas relativas ao direito de crédito. 49. Pois bem, a função do procedimento fiscal administrativo é se evitar que se mandem ao judiciário processos que poderiam ter se findado pela análise da administração. 50 Há nos autos vesirgio de prova que não pode ser desprezado, sob pena de tornar a forma superior ao mérito Agora a Recorrida junta nova prova que demonstra a má prática da Fiscalização, que /vali] ma o seu direito de provar que tinha crédito suficiente e apenas o Sr Fiscal não buscou analisar os documentos que lhe foram facultados 51 Da mesma forma, fincada no Ar! 38 da Lei IP 9 784/99, a Recorrente pediu a juntada de novos elementos para a insn tição • processual, que só estão sendo conseguidos agora Verifique-se que o 6 I -1 Processo n" 10845.001219/2005-61 S3-C312 Resolução n." 3302-00.060 P1. 411 Sr. Fiscal esteve por mais de 2 anos em auditoria e não conseguiu efetuar seu trabalho. .52 Ainda, em breve a Recorrente juntará aos autos prova de Auditoria Externa Independente, já elaborada pela KPMG, mas ainda pendente de lavratura do termo ,final, que apurou a existência de crédito suficiente para a quitação dos tributos lançados pela Recorrente nas Per/Deomp 53 Assim, para que não se mantenha lançamento fiscal sem base contábil, reitera o pedido de perícia ou diligência, inicialmente fOrmulado. 54. Em face do exposto, pede e espera a Recorrente seja tola/mente acolhido o presente recurso para o .fim de ser reconhecido o direito total ao crédito tributário constante do processo administrativo. 55. Pede ainda, seja o julgamento convertido em diligência, em face da farta prova que há nos autos, que demonstra o erro na fiscalização, e que demonstrará a existência de créditos [ . ] Apresentou "laudo pericial contábil", relativo a ação judicial canelar apresentada pela Interessada (processo 2008,61.04,007658-D, com o objetivo de verificar o especificado no termo de diligência. Apresentou, também, cópia de proposta de prestação serviços profissionais firmada com empresa de auditoria, "para a revisão dos Pedidos Eletrônicos de Restituição/Compensação - PER/DCOMP apresentados pela Volcafé à Receita Federal do Brasil - RFB, referentes ao período de Dezembro de 2002 a Dezembro de 2007." Ainda a Interessada apresentou requerimento, apresentando o resultado da referida auditoria em dois anexos, relativamente à regulação dos pedidos e aos demonstrativos de cálculos. Quanto à regularização, foram apresentadas considerações sobre a adoção de conta contábil única para registro dos créditos de PIS e Cotins e a consequência de haver ocasionado compensações indevidas de PIS; sobre a compensação de débitos da Cotins utilizando créditos de PIS sem a elaboração de PER/DCOMP; sobre as compensações indevidas de PIS; sobre a falta de acréscimo de juros e multa de mora e a sua regularização; sobre a necessidade de retificação das declarações; sobre a apresentação de PER/DCOMP em formulário papel para os períodos de janeiro e fevereiro de 2006, em desacordo com a IN SRF nQ 598, de 2005; sobre a elaboração de "pedidos de ressarcimento informando os créditos relativos a um único mês e com valor correspondente ao debito compensado"; sobre compensação não identificadas no livre Razão; sobre a apropriação indevida de despesas diversas para os períodos de dezembro de 2002 a janeiro de 2007 (PIS) e fevereiro de 2004 a . janeiro de 2007 (Cofins); sobre a apropriação indevida de despesas de estufagens, transporte nas docas, taxa de entrada e saída com descarga de caminhões, seguros, telefone, taxa de manutenção de PABX. Quanto aos cálculos, a auditoria apresentou demonstrativos resumidos. É o relatório. 7 Processo e 10845.001219/2005-61 S3-(112 Resolução n.' 3302-00.060 1'1 412 VOTO Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendo-se tomar conhecimento. O indeferimento inicial do pedido ocorreu à vista de uma consideração da Fiscalização, resumida na afirmação de que a Interessada não teria demonstrado o direito. 'Tal afirmação não foi acompanhada de instrução de maiores informações ou documentos, ao menos por amostragem, das razões especificas da -falta de prova. Por outro lado, a Interessada esforçou-se ao máximo para demonstrar que, antes da finalização da ação fiscal, teria tentado apresentar a documentação. Para isso, apresentou até ação judicial, no âmbito da qual requereu diligência para provar suas alegações. Além disso, na fase recursal, apresentou nova documentação e parecer de auditoria fiscal, com base no que requereu o provimento do recurso, à vista de haver tido demonstrado ter saldo suficiente para as compensações. A auditoria fiscal, por sua vez, revelou haver problemas formais e materiais com as declarações de compensação e com a apuração dos créditos. Diante desse contexto, é preciso converter o julgamento do recurso em diligência, com a finalidade de esclarecer o seguinte: 1) Especificamente, quais as razões do indeferimento inicial (se falta de apresentação de documentos ou se os livros não permitiam a apuração e, nesse ultimo caso, se há alguma incompatibilidade em relação ao apurado na auditoria apresentada pela interessada). 2) Verificar se os seguintes problemas formais com as declarações cie compensação eram sanáveis e se foram resolvidos: a) a adoção de conta contábil única para registro dos créditos de PIS e Cofins e a consequência de haver ocasionado compensações indevidas de PIS; b) compensação de débitos da Cotins utilizando créditos de PIS sem a elaboração de PER/DCOMP; c) compensações indevidas de PIS; sobre a falta de acréscimo de juros e multa de mora e a sua regularização; d) necessidade de retificação das declarações; sobre a apresentação de PERJDCOMP em formulário papel para os períodos de janeiro e fevereiro de 2006, em desacordo com a IN SM' nQ 598, de 2005; e) elaboração de "pedidos de ressarcimento iPdbmando os créditos relativos a um único mês e com valor correspondente ao debito compensado"; f) compensações não identificadas no livro Razão; g) apropriação indevida de despesas diversas para os períodos de dezembro de 2002 a janeiro de 2007 (PIS) e fevereiro de 2004 a janeiro de 2007 (Cotins); h) apropriação indevida de despesas de estufagens, transporte nas docas, taxa de entrada e saída com descarga de caminhões, seguros, telefone, taxa de manutenção de PABX. 3) Esclarecer se a apuração dos créditos foi, de fato, demonstrada após a auditoria, e se se, por amostragem, a critério da Fiscalização, os cálculos estão corretos e são suficientes para a compensação, abrangendo, eventualmente, juros e multa de mora. 8 9 i Processo n" 10845.001219/2005-61 S3-C3-12 Resolução n ." 3302-00..060 1:1 413 Ademais, a Interessada deverá ser intimada a apresentar- certidão de objeto-e-pé da ação judicial cautelar apresentada e cópias de eventuais nela decisões proferidas. As questões de apresentação de documentação e provas devem ser analisadas e relatadas pela Fiscalização em termo circunstanciado. Posteriormente, os aspectos formais e materiais das declarações de compensação devem ser analisados pela seção competente da Sacat ou seção equivalente, que também deverá lavrar relatório conclusivo, dando ciência de ambos os relatórios à recorrente, que poderá apresentar resposta no prazo de trinta dias. Sala das Sessões, em 23 de agosto de 2010 (Assinado digitalmente.) José Antonio Francisco
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Numero do processo: 10820.002296/2005-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 19 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1202-000.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em determinar o sobrestamento do julgamento do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcus Vinicius Barros Ottoni, Orlando José Gonçalves Bueno e Viviane Vidal Wagner.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em determinar o sobrestamento do julgamento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcus Vinicius Barros Ottoni, Orlando José Gonçalves Bueno e Viviane Vidal Wagner. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 20 .0 02 29 6/ 20 05 -1 6 Fl. 635DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10820.002296/200516 Resolução nº 1202000.131 S1C2T2 Fl. 15 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado pela contribuinte acima identificada em face de decisão que manteve a autuação decorrente de exclusão do Simples, consoante relatório que, com a devida vênia, reproduzo parcialmente abaixo, por bem esclarecer os fatos de interesse para o julgamento: Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado foi apurado que a receita operacional auferida nos anos de 2000, 2001 e 2002 não foi declarada, havendo o contribuinte optado indevidamente pelo Simples. Tendo em vista que a escrituração comercial e fiscal se mostrou imprestável para a apuração dos tributos, o lucro foi arbitrado para os fatos geradores relativos a todos os trimestres dos anos de 2000, 2001 e 2002. Como conseqüência, foi lavrado o auto de infração de fls. 291297, integrado pelos termos, demonstrativos e documentos nele mencionados, para lançar o imposto sobre a renda devido para estes fatos geradores. O crédito tributário de IRPJ lançado perfaz o total de R$ 18.210.909,77, composto pelo imposto, pela multa de 150% e pelos juros moratórios, calculados até 30/11/2005. 2. Como reflexos da ação fiscal, foram lançados também os seguintes créditos tributários: 1 PIS (auto de infração de fls. 306311), perfazendo o total de R$ 5.018.152,32, incluído neste montante o valor da contribuição, da multa de 150% e dos juros de mora, calculados até 30/11/2005; 2 CSLL (auto de infração de fls. 319324), perfazendo o total de R$ 8.330.689,38, incluído neste montante o valor da contribuição, da multa de 150% e dos juros de mora, calculados até 30/11/2005; COFINS (auto de infração de fls. 334339), perfazendo o total de R$ 23.160.706,46, incluído neste montante o valor da contribuição, da multa de 150% e dos juros de mora, calculados até 30/11/2005. 3. As irregularidades apuradas foram descritas no “Termo de Constatação Fiscal” de fls. 178252, discriminandose, a seguir, seus aspectos essenciais: 3.1. Inicialmente, foi detectada que a movimentação financeira do contribuinte FRIGORÍFICO BABY BEEF LTDA. (doravante designado apenas como BABY BEEF), apurada através da CPMF, era incompatível com as receitas declaradas relativas aos anoscalendário 1999 a 2001, ressaltandose que o contribuinte apurou os tributos pelo Simples para todos estes fatos geradores. 3.2. Relativamente ao anocalendário 1999, foi lavrado o auto de infração de que trata o processo administrativo 10820.002512/2004 42. Ademais, por meio do processo administrativo 10820.002515/2004 86 efetuouse representação fiscal para fins de exclusão do BABY BEEF do Simples, tendo resultado na expedição do Ato Declaratório Executivo nº 01, de 13/01/2005, aplicandose os efeitos da exclusão a partir de 01/01/2000. Paralelamente, foi lavrada representação fiscal para fins de declaração de inaptidão do contribuinte DISTRIBUIDORA Fl. 636DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10820.002296/200516 Resolução nº 1202000.131 S1C2T2 Fl. 16 3 DE CARNES E DERIVADOS SÃO PAULO LTDA. (doravante designado apenas como DISTRIBUIDORA), CNPJ 68.207.463/0001 62, processada sob o nº 10820.002518/200410, da qual resultou o Ato Declaratório Executivo nº 44, de 03/11/2005, aplicandose os efeitos da inaptidão a partir de 01/01/1999. Igualmente, foi lavrada representação fiscal para declaração de inaptidão do contribuinte FRIGORÍFICO ABAETÉ LTDA (doravante designado apenas como ABAETÉ), CNPJ 01.180.149/000162, processada sob o nº 10820.002519/200464, da qual resultou a expedição do Ato Declaratório Executivo nº 26, de 05/04/2005, aplicandose os efeitos da inaptidão a partir de 27/02/1999. [...] 3.4. Foi constatado que não há nos Livros Caixa a escrituração da movimentação bancária e tampouco há documentação comprobatória desta movimentação. 3.5. A primeira nota fiscal emitida pelo BABY BEEF data de 02/06/2000. A operação registrada nesta nota fiscal foi indevidamente caracterizada com a natureza de prestação de serviço, ocultando a real atividade do BABY BEEF que é a compra, abate e comercialização de carne e seus subprodutos. Entre 02/99 e 05/2000 a DISTRIBUIDORA se valeu dos dados cadastrais do ABAETÉ, que havia sido arrendado em 12/98 pelo BABY BEEF, para emitir notas fiscais. 3.6. Ao responder intimação, o contribuinte BABY BEEF afirma que a atividade por ele desempenhada foi a de transporte rodoviário de cargas no período de 1999 a 05/2000 e de abate e frigorificação de bovinos para terceiros no período de 06/2000 a 12/2001. Afirma que não efetuou compras de gado para abate por conta própria nos anos de 1999, 2000 e 2001. Assevera que as instalações do ABAETÉ foram arrendadas em janeiro de 1999, mas as atividades tiveram início apenas em junho de 2000, em razão da liberação do posto fiscal de Andradina/SP. Finalmente, sustenta que, a partir de janeiro de 2003, o imóvel foi adquirido por Marcelo Aparecido Pompei, sendo que a escritura definitiva está sendo providenciada, assim como o contrato de aluguel. [...] 3.8. Em 18/07/2003, o BABY BEEF respondeu intimação informando que não apresentaria a documentação relativa a sua movimentação bancária tendo em vista que os recursos movimentados em suas contas seriam de titularidade da DISTRIBUIDORA, de modo que estaria resguardando o sigilo bancário desta. 3.9. Foi apresentado contrato de prestação de serviços, datado de 02/01/99, firmado entre BABY BEEF e DISTRIBUIDORA, mediante o qual o primeiro se compromete a abater gado bovino e suíno por meio de entrega em seu estabelecimento de animais, entregando os produtos que resultarem em caminhões contratados pela DISTRIBUIDORA ou por quem esta indicar. Ademais, estipulase que os pagamentos aos pecuaristas fornecedores de animais serão realizados por meio de repasses de numerários em contacorrente bancária, assim como os Fl. 637DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10820.002296/200516 Resolução nº 1202000.131 S1C2T2 Fl. 17 4 recebimentos dos valores relativos às vendas realizadas pela DISTRIBUIDORA. 3.10. Tendo em vista o contrato de que trata o item anterior, BABY BEEF deveria escriturar toda a movimentação financeira relativa ao repasse de numerários da DISTRIBUIDORA, porém, tais informações não constam de sua contabilidade, que restou incompleta, irregular e imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. 3.11. Em 31/05/2000, a DISTRIBUIDORA alterou seu contrato social para incluir a atividade de abate através de terceiros, em descompasso com a data (02/01/99) do contrato firmado com BABY BEEF. Também o contrato social de BABY BEEF foi alterado em 21/06/99, portanto em data posterior à do arrendamento do ABAETÉ (janeiro de 1999), passando seu objeto social de transporte rodoviário de cargas para abate e frigorificação de bovinos e suínos próprios e para terceiros, industrialização de carnes bovinas, suínas, ovinas, caprinas e seus derivados e subprodutos, ração animal, gordura e óleos animais, embutidos de carne bovina, suína e outras e transporte rodoviário de cargas. 3.12. Constatouse a existência de cheque pago em 1999 ao procurador do ABAETÉ, Sr. Fábio Antônio Óbice, relativo ao pagamento do arrendamento pelo BABY BEEF, revelando que é falsa a alegação de que este só operou a partir de junho de 2000, assim como é falsa a afirmação da DISTRIBUIDORA de que, de fevereiro de 1999 a maio de 2000, quem prestou serviço de abate foi o ABAETÉ. 3.13. Constatouse que o Sr. Marcos Antônio Pompei firmou grande parte dos cheques e autorizações para pagamentos emitidos pelo BABY BEEF, sem que nenhuma assinatura fosse verificada de pessoa da DISTRIBUIDORA, contrariando a informação de que a movimentação financeira era desta. 3.14. Verificouse que havia procurações para empregados e prepostos do BABY BEEF para que estes movimentassem contas bancárias não apenas do BABY BEEF, mas também da DISTRIBUIDORA, demonstrado que, a rigor, as contas desta eram controladas por aquele. [...] 3.18. Os extratos bancários do BABY BEEF foram apresentados pelo Sr. Vanderlei Antunes Rodrigues, contador da DISTRIBUIDORA. 3.19. A Srta. Maria dos Anjos de Medeiros, empregada da DISTRIBUIDORA, declarou que os compradores e vendedores desta atuam nos frigoríficos e são remunerados a título de comissão. Constatouse, porém, que não há registro desses empregados nem escrituração dos pagamentos de salários ou comissões nos livros da DISTRIBUIDORA. 3.20. A Sra Cláudia Regina Barra Moreno (sócia da DISTRIBUIDORA) informa que recebe prólabore, sem que conste qualquer recibo dos respectivos pagamentos, e que seu nome consta no Fl. 638DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10820.002296/200516 Resolução nº 1202000.131 S1C2T2 Fl. 18 5 quadro social da DISTRIBUIDORA a pedido do Sr. Valder Antônio Alves, para que a empresa pudesse ser registrada como sociedade limitada, em troca da remuneração mencionada. 3.21. O Sr. Vanderlei Antunes Rodrigues, a despeito de ser o contador da DISTRIBUIDORA, não esclarece quanto às instituições financeiras com as quais esta opera. 3.22. A DISTRIBUIDORA informa, contradizendo afirmação da Srta. Maria dos Anjos Medeiros, que as dependências térreas de suas instalações, nas quais se localizam as câmaras frias, são utilizadas por ela e não por outra empresa. Informa, ademais, que não tem contratos de prestação de serviços com compradores e vendedores que efetuam operações de compra e venda comissionada, que não faz retenção de IR e que os acertos com estes são realizados mensalmente em dinheiro. 3.23. Constatouse a existência de contrato firmado entre BABY BEEF e ELECTRO ELETRICIDADE S/A, em 13/01/99, bem como pagamentos do consumo ocorrido a partir de março de 1999. Verificouse que foi interrompido o fornecimento de energia entre janeiro de 1998 (último período de funcionamento do ABAETÉ) e janeiro de 1999. 3.24. Constatouse, por circularização, que os pagamentos dos clientes não eram feitos à DISTRIBUIDORA, mas ao BABY BEEF. 3.25. Constatouse que o ABAETÉ não demonstra quaisquer recebimentos que correspondam a prestação de serviço. Não foi localizado no livro Diário da DISTRIBUIDORA quaisquer menções a pagamentos ou históricos de prestação de serviço, tanto do BABY BEEF quanto do ABAETÉ. O Sr. Ricardo Aparecido Quinhones, funcionário do BABY BEEF, consta como responsável pelo preenchimento e entrega das DIRPJ’s do ABAETÉ, declarações estas de valores condizentes apenas com os recebimentos do arrendamento para o anocalendário 1999 e não de atividade de abate. 3.26. Constatouse, por cruzamento de dados entre extratos bancários e recolhimentos do ICMS, que o BABY BEEF pagou até a dívida de ICMS do ABAETÉ. 3.27. Constatouse que o ABAETÉ não efetuou recolhimentos do INSS, de modo que não tinha empregados e, portanto, não poderia operar o frigorífico. 3.28. Constatouse que o ABAETÉ não teve movimentação financeira de 1999 em diante e que sua última movimentação financeira foi em abril de 1998, corroborando a informação da Elektro de que ocorreu um corte no fornecimento de energia de junho de 1998 a janeiro de 1999, período em que o ABAETÉ esteve inativo. 3.29. Constatouse que o Sr. Marcelo Aparecido Pompei e o Sr. Marcos Antônio Pompei praticaram atos de administração no BABY BEEF quando não constavam no quadro social da empresa. 3.30. Constatouse que a movimentação financeira do BABY BEEF foi muito superior à da DISTRIBUIDORA e que a primeira utilizou as Fl. 639DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10820.002296/200516 Resolução nº 1202000.131 S1C2T2 Fl. 19 6 contas bancárias da segunda para transitar seus recursos, inclusive por meio do Sr. Alex Sandro Pereira da Silva que, a despeito de constar como funcionário do BABY BEEF, atuou como procurador deste (a partir de 06/10/1999) e como procurador da DISTRIBUIDORA (a partir de 05/03/2001). 3.31. Constatouse que no anocalendário 1999 não se localizou qualquer repasse de recursos das contascorrentes do BABY BEEF para as contascorrentes da DISTRIBUIDORA. Nos anoscalendário 2000 a 2002 somente se encontraram três cheques nominais à Distribuidora, nos valores de R$ 36.000,00 (29/10/2001), R$ 15.000,00 (20/02/2002) e R$ 141.000,00 (28/03/2002), e foi efetuado um depósito pela DISTRIBUIDORA na contacorrente do BABY BEEF, no valor de R$ 12.496,00 (27/06/2000), que, pela insignificância diante da movimentação financeira verificada, demonstra que não houve os repasses previstos nos itens 2.4 e 6.3 do contrato de prestação de serviços firmado entre ambas. Verificouse, ademais, que não há no referido contrato a indicação do método a ser utilizado para quantificar os valores devidos pela prestação de serviços, além de não constar comprovação desses pagamentos. 3.32. Constatouse que não há registro de veículos da DISTRIBUIDORA no Renavam, que seu prédio é alugado e que os valores declarados na DIRPF pelo Sr. Valder Antônio Alves são incompatíveis com as vendas declaradas pela DISTRIBUIDORA em DIPJ. Verificouse que a movimentação financeira (1999) do Sr. Valder Antônio Alves é irrisória e os bens constantes de sua declaração são de pequena monta. Por outro lado, o Sr. Marcos Antônio Pompei possui movimentação financeira elevadíssima na pessoa física (1998/1999), além de possuir patrimônio de valor altíssimo quando comparado ao do Sr. Valder. 3.33. Em 28/09/2005, foi arquivada na JUCESP alteração contratual do BABY BEEF por meio da qual saíram do quadro social o Sr. Marcos Antônio Pompei e a Sra. Sinézia de Lima e entraram o Sr. Vinicius dos Santos Vulpini (sócio da empresa NORTE RIO PRETENSE) e a DISTRIBUIDORA. Verificouse que o Sr. Valder Antônio Alves, sócio da DISTRIBUIDORA, constou na referida alteração contratual do BABY BEEF como residente à Rua São Paulo, nº 1.439, casa 2, Jardim Paulista, São José do Rio Preto/SP, fato este que não corresponde à verdade, conforme constatado pela Fiscalização. 3.34. O INSS informou que o BABY BEEF realizou recolhimentos de contribuição previdenciária descontada dos empregados a partir de novembro de 1998, sendo que a partir de julho de 1999 os valores pagos triplicaram em relação ao mês de junho de 1999, crescendo nos meses seguintes, informações estas condizentes com o crescimento dos abates informados pelo SIF. 3.35. Constatouse que no dia 30/12/2002 o Sr. Marcos Antônio Pompei sacou mais de R$ 800.000,00 em espécie da conta bancária do Banco Bradesco de titularidade do BABY BEEF. 3.36. Em conclusão, o BABY BEEF exerceu a atividade de compra de bovinos para abate e comercialização (frigorífico) desde fevereiro de Fl. 640DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10820.002296/200516 Resolução nº 1202000.131 S1C2T2 Fl. 20 7 1999 até os dias atuais, vez que ele próprio sempre adquiriu, industrializou e comercializou seus produtos com plena autonomia financeira, utilizandose da DISTRIBUIDORA apenas para acobertar operações comerciais, além do que, no período de fevereiro de 1999 a maio de 2000, também se valeu dos dados do ABAETÉ, acobertando suas operações comerciais. Na impugnação (fls. 371466), o contribuinte aduz, dentre outras, a seguinte alegação: 4.3. Para a constituição dos créditos tributários foram utilizados dados da CPMF, aplicandose de forma retroativa o disposto no art. 3º da Lei 10.174/2001. Esta Lei entrou em vigor na data de sua publicação (10/01/2001), de modo que a autoridade não estava autorizada a requisitar informações bancárias relativas a períodos anteriores, sob pena de violação ao princípio da irretroatividade das leis, ao ato jurídico perfeito e ao direito adquirido. As provas, portanto, foram obtidas por meios ilícitos, em afronta ao princípio da moralidade administrativa, ao art. 5º, LVI, da Constituição Federal, ao art. 30 da Lei 9.784/99 e ao art. 105 do CTN. A jurisprudência do STF adota a teoria constitucional dos “frutos da árvore envenenada”, segundo a qual a prova obtida por meio ilícito contamina de ilicitude todas as demais constantes do processo. Assim, tendo em vista que os dados da CPMF foram utilizados para alcançar fatos geradores ocorridos antes de 2001, concluise que todo o procedimento restou maculado. Este é o entendimento do Conselho de Contribuintes e da doutrina. A DRJ manteve integralmente a autuação, motivando assim a decisão quanto ao tema referido: 8.2. Vejase que o § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311/1996 foi alterado pela Lei nº 10.174/2001, possibilitando ao Fisco a utilização dos dados da CPMF para instauração de procedimento administrativo que indique a exigência de outros tributos. De outro lado, a Lei Complementar nº 105/2001 abriu a possibilidade de o Fisco obter informações diretamente das instituições financeiras. Nos dois casos, em face do § 1º do art. 144 do CTN, a utilização de tais dados pode abranger fatos geradores anteriores à publicação de ambos os diplomas legais. A esse respeito, cabe esclarecer que a questão já se encontra pacificada no STJ, conforme se pode observar do seguinte acórdão ora transcrito [...] Cientificada da decisão em 16/01/2007 (AR à fl.532), a contribuinte, inconformada, apresentou recurso voluntário ao CARF, em 14/02/2007 (fls.533 e seguintes), em que contesta a decisão recorrida, trazendo, especificamente quanto à questão do sigilo bancário, os argumentos abaixo sintetizados. Alega que dois fatos interferem na legalidade da constituição do crédito tributário: a) lapso temporal da efetiva vigência do art.11, § 3° da Lei n° 9.311/96, e b) criação, pela Lei n° 10.174/2001, de uma nova forma de lançamento. Aduz que a utilização da Lei n° 10.174 de 09/01/2001, que entrou em vigor na data da sua publicação em 10 de janeiro de 2001, não autoriza a utilização da CPMF para instaurar procedimento administrativo em data anterior ao seu surgimento no mundo jurídico, Fl. 641DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10820.002296/200516 Resolução nº 1202000.131 S1C2T2 Fl. 21 8 como é o caso da autuação fiscal, que decorre da utilização de dados da CPMF abrangendo os anos de 1999 a 2000, período anterior à vigência da Lei Complementar n° 105/2001 e da Lei n° 10.174/2001. Segundo ela, a permissão desse procedimento constituiria clara afronta a irretroatividade das leis, ao ato jurídico perfeito e ao direito adquirido. Pede a anulação da autuação com base nessa preliminar, antes de prosseguir com as alegações de mérito. É o relatório. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10820.002296/200516 Resolução nº 1202000.131 S1C2T2 Fl. 22 9 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei, devendo ser conhecido. Contudo, do exame dos autos depreendese a impossibilidade de julgamento do recurso neste momento, pois, dentre as matérias afetas ao julgamento está, preliminarmente, a aplicação retroativa da Lei nº 10.174, de 2001. O Termo de Constatação Fiscal de 22/02/2005 (fls.173 e seguintes) esclarece que os valores da movimentação financeira da contribuinte foram obtidos com base nas informações prestadas à Secretaria da Receita Federal, pelas instituições financeiras, de acordo com o art. 11, § 2°, da Lei n°9.311, de 24 de outubro de 1996, que trata de nova instituição da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF), consoante trechos abaixo reproduzidos: 48) Solicitaramse às instituições financeiras os extratos (em papel e em meio magnético — ver itens 108 a 120) dados cadastrais, procurações etc., através de Requisições de Movimentação Financeira — RMFs 48, em 23/07/2003, que foram emitidas em 31/07/2003, para todas as instituições bancárias constantes do Termo de Inicio de Fiscalização, e que as respectivas destinatárias foram cientificadas em 05/08/200347 . [...] 55) Também foi apresentada parte dos documentos solicitados nas RMFs, referentes aos anoscalendário 1999 a 2001 em que se constata na ficha cadastral da Fiscalizada que os dados ali consignados são dela própria52 e não os da Distribuidora, como não poderia deixar de ser; além de haver históricos de transações de créditos com as informações de "carnets e assemelhados" e "liberação de capital de giro" que são pagamentos de despesas mediante débito automático e de empréstimos de capital de giro para a Fiscalizada, respectivamente, que não foram contabilizados em seus livros contábeis e fiscais 53 56) Em 02/09/2003 a Fiscalizada informou que não apresentaria a documentação por motivo de sigilo bancário 54. Assim em 09/10/2003 foram emitidas novas RMFs para o período de 2002, solicitando os extratos e demais documentos cadastrais, cujas ciências ocorreram em 14 e 16/10/200355 . 57) Em 13/10/2003 emitiuse duas RMFs para apresentação de cópia dos documentos relativos a valores creditados ou depositados (cheques, comprovantes de depósitos etc.) dos bancos Itaú e Bradesco, cujas ciências ocorreram em 15/10/2003 56. Antes de se il receber os documentos, verificouse, pelos extratos, que há uma movimentação financeira elevada 57. [...] Fl. 643DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10820.002296/200516 Resolução nº 1202000.131 S1C2T2 Fl. 23 10 77) No final do mesmo dia da realização da diligência, compareceuse ao endereço do escritório contábil do Sr. Vanderlei Antunes Rodrigues, conforme indicado pela Srta. Maria dos Anjos Medeiros, que prestou, pessoalmente, algumas informações, conforme Ref. —Termo de Diligência Fiscal/Intimação n° 106, datado de 30/10/2003. Indagado a respeito da documentação da Fiscalizada, ele apresentou todos os extratos bancários da Fiscalizada do período que se estava fiscalizando (entretanto, a Fiscalizada não os apresentou a esta fiscalização em nenhum momento), informando que tais extratos foram apresentados para que fosse analisada a possibilidade de incluílos na escrituração da Distribuidora. Diante do fato, solicitou selhe que esclarecesse a presença dos extratos em seu escritório. As Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) foram emitidas em consonância com o disposto no art. 4º, §6º, do Decreto nº 3.724, de 10/10/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001. No recurso voluntário, assim como na impugnação, a contribuinte alega a impossibilidade de aplicação retroativa da Lei nº 10.174, de 2001. A discussão sobre a questão do sigilo bancário encontrase em fase de julgamento no Supremo Tribunal Federal, ainda sem decisão definitiva. Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, o Plenário do STF, por maioria, proferiu a decisão abaixo (DJe086 em 10052011): SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi desafiado por embargos de declaração, com pedido de modificação da decisão. Pesquisa realizada no site do STF demonstra que os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 07/10/2011 e ainda se encontram pendentes de julgamento. O sobrestamento dos processos pendentes de julgamento nos tribunais estaduais ou regionais, nos casos de julgamentos no STF, decorre do disposto no art. 543B, do CPC: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (acrescentado pela Lei 11.418, de 2006). Fl. 644DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10820.002296/200516 Resolução nº 1202000.131 S1C2T2 Fl. 24 11 § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (grifei). § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4º Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Cabe, assim, aos tribunais de origem suspender o processamento dos recursos extraordinários quando versarem sobre matéria de múltiplos recursos, com repercussão geral reconhecida. Recentemente, o STF vem utilizando a regra prevista no § 2o do art.543C, que se refere ao STJ, para expedir atos nesse sentido. Vale lembrar que, quando da entrada em vigor dos artigos 543B e 543C, ambos do CPC, existiam processos já admitidos pelos tribunais de origem pendentes de julgamento no STF e no STJ. Em relação a esses processos ou a todos quanto chegarem ao STF tratando de matéria em relação a qual for reconhecida repercussão geral, aplicase o disposto no artigo 328 do Regimento Interno, a seguir transcrito: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (grifei). O dispositivo transcrito acima prevê que nos casos em que se verificar a subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, tanto o relator quanto o Presidente do Tribunal podem determinar a devolução dos demais processos aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10820.002296/200516 Resolução nº 1202000.131 S1C2T2 Fl. 25 12 A questão do sigilo bancário também está sendo tratada no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, no qual a Suprema Corte, em 20/11/2009, reconheceu, quanto à matéria, a existência de repercussão geral, nos seguintes moldes: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. Existência de repercussão geral. Embora naqueles autos inexista pronunciamento específico do relator ou do Presidente da Corte determinando a devolução de processos com a mesma matéria para que aguardassem o desfecho do citado Recurso Extraordinário, sobre o mesmo tema, verificouse que, no exame do Agravo de Instrumento nº 765.714, o mesmo relator do processo acerca do sigilo bancário em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral proferiu, em 19/10/2010, a seguinte decisão: “Tratase de agravo de instrumento contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto de acórdão, cuja ementa segue transcrita: “TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO DA LEI 9.311/96 (ART. 11, § 3º). APROVEITAMENTO DE DADOS PARA CONSTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Lei 4.595/64 permitia o acesso aos agentes fiscais tributários de documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houvesse processo instaurado e quando tais documentos fossem considerados indispensáveis pela autoridade competente. A jurisprudência se manifestou, afirmando que o processo seria o judicial e a autoridade competente seria a judiciária. 2. Em 2001, essa matéria foi alterada, tendo sido editada a Lei Complementar 105. Não há inconstitucionalidade nessa legislação, pois, na coexistência de dois bens ou valores protegidos constitucionalmente, devese sobrepor o que visa atender ao interesse público e não ao interesse privado. Os direitos fundamentais não são absolutos e podem sofrer abalo se colocados em conflito com outro valor que deva ter preferência. 3. A fiscalização pela autoridade administrativa é instrumento de arrecadação tributária pelo Estado, que, por sua vez, visa atender ao princípio da capacidade contributiva (tributando quem capacidade detém) e ao da isonomia (tributando todos aqueles que podem ser tributados), corolários dos objetivos da República de construção de uma sociedade justa e solidária e de redução das desigualdades sociais. 4. Diante do princípio da irretroatividade das leis, a utilização dos dados da CPMF para apuração de eventual crédito tributário relativo a tributos diversos é vedada para anos anteriores ao de 2001. Fatos Fl. 646DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10820.002296/200516 Resolução nº 1202000.131 S1C2T2 Fl. 26 13 ocorridos e já consumados não se regem por lei nova, mas sim pelas leis que vigoravam no seu tempo. Leis novas valem para o futuro. 5. Na redação original do art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96, o legislador impunha à Secretaria da Receita Federal “o sigilo das informações prestadas” e vedava sua utilização para a constituição de crédito relativo a outros tributos. Tratavase de norma que impunha o sigilo e vedava a constituição de outros tributos com a utilização dos dados da CPMF, resguardando um direito do contribuinte, e sendo, portanto, norma material ou substantiva e não processual ou adjetiva sobre a qual se aplicaria o art. 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. 6. Apelação provida em parte” (fls. 4950). No RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegouse ofensa, em suma, ao art. 5º, X e XII, da mesma Carta. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fisco, sem autorização judicial (Lei complementar 105/2001, art. 6º). Aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96 e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314RG/SP, de minha relatoria). Isso posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso extraordinário discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. (grifei). A devolução dos autos ao Tribunal de origem para que se aguarde a decisão do RE 601.314/MG, nos termos do 543B, do CPC, a meu ver, evidencia o sobrestamento, exatamente nos termos do art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, que atribui tal procedimento ao relator ou ao Presidente da Corte. À luz do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do CARF somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... Fl. 647DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10820.002296/200516 Resolução nº 1202000.131 S1C2T2 Fl. 27 14 § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Considerando que a decisão resultante do RE 389.808/PR ainda não transitou em julgado, não é possível, nesta instância administrativa, discutir sobre a constitucionalidade da Lei Complementar nº 105, de 2001 e da Lei nº 10.174, de 2001. Por outro lado, quanto ao processamento e julgamento junto ao CARF, o artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno, assim dispõe: Art. 62 [....] § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B, do CPC. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Assim, a partir da constatação de que, no caso do AI 765714/SP, o relator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, processado pelo regime da repercussão geral, determinou o retorno à origem para que os autos do AI 765714/SP ficassem sobrestados, observandose o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP, concluise pela ocorrência de hipótese de sobrestamento previsto no art. 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF (RICARF). Diante de todo o exposto, voto por sobrestar o julgamento do presente recurso, até que seja proferida decisão definitiva nos autos do Recurso ExtraordinárioRE nº 601.314/MG, em trâmite perante o E. Supremo Tribunal Federal. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 648DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 10880.721418/2010-20
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 07/08/2004, 17/08/2004, 21/08/2004, 26/08/2004, 28/08/2004, 31/08/2004
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
O contribuinte deve protocolar sua defesa no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência do acórdão, consoante o Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3801-005.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face a intempestividade.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Cássio Shappo e Flavio de Castro Pontes
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face a intempestividade. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Cássio Shappo e Flavio de Castro Pontes
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NÃO CONHECIMENTO. O contribuinte deve protocolar sua defesa no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência do acórdão, consoante o Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face a intempestividade. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Cássio Shappo e Flavio de Castro Pontes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 14 18 /2 01 0- 20 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.721418/201020 Acórdão n.º 3801005.271 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10880.721418/201020, contra o acórdão nº 0734.488, julgado pela 1ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), na sessão de julgamento de 26 de março de 2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: A presente autuação referese à exigência da multa capitulada no art. 107, IV, alínea “e”, do Decreto Lei n.º 37/66, com a redação da Lei n.º 10.833/2003, no valor de R$ 5.000,00, aplicada por veículo/viagem, identificado pelo respectivo voo, por não prestar as informações sobre a carga transportada no prazo estabelecido na IN SRF n.º 28/1994, alterada pela IN RFB n.º 510/2005. A fiscalização junta planilha de fls. 10/11 com os dados de embarque e as datas de informação dos dados. Intimada da autuação, a interessada apresentou a impugnação alegando, em síntese, o que segue: 1) Embora a Impugnante tenha realizado todos os registros tempestivamente, a averbação das referidas informações no Sistema foi realizada após o prazo legal de dois dias, tendo em vista a ocorrência de alguns problemas, de cunho eminentemente prático, que o Siscomex vem apresentando e apresentou, no momento da inserção dos dados no Sistema, pela Impugnante. Também as retificações das informações foram processadas como se fosse a primeira informação. 2) Acusa a contagem de prazo feita indevidamente nos fins de semana. 3) O lançamento das multas está em total desconformidade com o nosso ordenamento jurídico, uma vez que ocorre patente violação ao principio da razoabilidade, segundo o qual a atuação da Administração Pública, direta ou indireta, de qualquer dos Poderes, deve se pautar, como condição de legitimidade dos atos administrativos, ao lado de outros princípios, tais como, o da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, isonomia, boafé e o da motivação suficiente, como condição essencial para a validade dos atos administrativos, em geral. 4) Requer, ao final, a insubsistência do auto de infração. A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela parcial procedência da impugnação, mantendo o crédito. Colaciono a ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 Ementa: Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.721418/201020 Acórdão n.º 3801005.271 S3TE01 Fl. 4 3 Acórdão dispensado de ementa, de acordo com a Portaria SRF nº 1.364, de 10/11/2004 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com parcial procedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: 1 Embora tenha realizado todos os registros tempestivamente, a averbação das referidas informações no Sistema foi realizada após o prazo legal de dois dias, de cunho eminentemente prático, que o Siscomex já vinha apresentado, no momento da inserção de dados; 2 Por diversas vezes, precisou ser interrompido a inserção de dados, por falha inerente do funcionamento do Sistema, que estava “fora do ar”, ocasionando esforço redobrado da empresa recorrente; 3 A recorrente procedeu ao registro dos dados de embarque, não o fazendo, em alguns casos, no prazo de dois dias à época previsto, em virtude de problemas técnicos do Siscomex; 4 Todos registros e informações dos embarques foram prestados antes de qualquer medida de fiscalização denunciadora das supostas infrações; 5 A denúncia espontânea regida pelo Decreto 37/66 afasta a aplicação de penalidades, tanto de natureza tributária quanto de natureza administrativa, excepcionandose, apenas, as penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento; 6 Quanto à apresentação da impugnação, é cediço que a razoabilidade integra o ordenamento constitucional brasileiro e que se constitui em princípio inarredável no tocante a elaboração das leis e no que diz respeito à autuação do Poder Executivo; 7 Conforme estabelecido pelo art. 46, caput, § 1º da IN/SRF nº 28/1994, a averbação consiste apenas na confirmação por parte da Autoridade Aduaneira, de que o embarque ou a transposição das mercadorias, de fato ocorreu. É o sucinto relatório. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.721418/201020 Acórdão n.º 3801005.271 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O presente recurso não deve ser conhecido posto que intempestivo. O contribuinte foi cientificado do resultado do acórdão nº 0734.494, em 09/04/2014, conforme comprovante de entrega (fl. 212), sendo protocolado o recuso que nos chega a apreciação em 13/05/2014, ou seja passados amis de 30 dias do da ciência do resultado. Nestes termos de acordo com o Decreto nº 70.235/72, art. 33, contados na forma do art. 5º do mesmo diploma legal, a contagem do prazo se iniciou no dia 10 de abril de 2014, encerrandose em 09/05/2014. “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” “Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” Nestes termos, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10660.003798/2002-00
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 10/03/1993 a 19/06/1997
DRAWBACK. SUSPENSÃO - DECADÊNCIA
Na hipótese, o Contribuinte encontra-se sujeito à regra geral prevista no art. 173, inciso I, do CTN, isto é, o termo inicial para contagem do prazo decadencial corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. Portanto, em face da impossibilidade de ser aferido o adimplemento do compromisso vinculado ao regime aduaneiro especial antes de esgotado o prazo de exportação concedido no ato administrativo de outorga do benefício, o primeiro dia do exercício seguinte ao fim do Ato Concessório do Drawback é o dies a quo para medir o prazo deeadencial do inciso I do art. 173 do CTN.
DRAWBACK FUNGIBILIDADE.
A fungibilidade dos insumos importados, dentro do prazo do ato concessório, permite a sua substituição por idênticos do gênero, quantidade e qualidade, o que não descaracteriza a exportação objeto do compromisso do importador no regime Drawback.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-000.667
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a prejudicial de decadência. Vencidos os Conselheiros Elias Fernandes Eufrásio e Nanci Gama. No mérito, por maioria de votos, em dai provimento parcial ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Regina Godinho e Luis Marcelo Guerra de Castro, que negavam provimento ao recurso. O Conselheiro José Fernandes do Nascimento votou pela conclusão.
Nome do relator: Beatriz Veríssimo de Sena
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/03/1993 a 19/06/1997 DRAWBACK. SUSPENSÃO - DECADÊNCIA Na hipótese, o Contribuinte encontra-se sujeito à regra geral prevista no art. 173, inciso I, do CTN, isto é, o termo inicial para contagem do prazo decadencial corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. Portanto, em face da impossibilidade de ser aferido o adimplemento do compromisso vinculado ao regime aduaneiro especial antes de esgotado o prazo de exportação concedido no ato administrativo de outorga do benefício, o primeiro dia do exercício seguinte ao fim do Ato Concessório do Drawback é o dies a quo para medir o prazo deeadencial do inciso I do art. 173 do CTN. DRAWBACK FUNGIBILIDADE. A fungibilidade dos insumos importados, dentro do prazo do ato concessório, permite a sua substituição por idênticos do gênero, quantidade e qualidade, o que não descaracteriza a exportação objeto do compromisso do importador no regime Drawback. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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IRA SEÇÃO DL JULGAMENTO Processo n" 10660 003798/2002-00 Recurso n" 339.455 Voluntário Acórdão n" 3102-0.667 — 1" Câmara! 2" Turma Ordinária Sessão de 24 de maio de 2010 Matéria II/ Classificação Fiscal Recorrente I ATAS A S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSI IN 10: NORMAS GERAIS DE DIRIMO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/03/1993 a 19/06/1997 DRAWBACK. SIISPFNSÃO - DECADÊNCIA Na hipótese, o Contribuinte encontra-se sujeito à regra geral prevista no art. 173, inciso t, do CIN., isto é, o termo inicial para contagem do prazo decaderreial corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. Portanto, &r.n face da impossibilidade de ser aferido o adimplemento do compiomisso vinculado ao regime aduaneiro especial antes de esgotado o prazo de exportação concedido no ato administrativo de outorga do beneficio, o primeiro dia do exercício seguinte ao fim do Ato Concessório do Drawback é o dies a quo para medir o prazo deeadencial do inciso I do art. 17.3 do CTN. DRAWBACK l'UNGIBILIDADE. A Iiingibilidade dos insumos importados, dentro do prazo do ato concessorio, permite a sua substituição por idênticos do gênero, quantidade e qualidade, o que não descaracteriza a exportação objeto do compromisso do importador no regime Drawback. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a prejudicial de decadência. Vencidos os Conselheiros Elias Fernandes 1-.,ufiásio e Nanci Gama. No mérito, por maioria de votos, em dai provimento parcial ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Regina Godinho e Luis Marcelo Guerra de Castro, que negavam provimento ao recurso, O Conselheiro José Fernandes do Nascimento votou pela conclusão. _ Luis marce o Guerra de Castro - Presidente Processo n' 10G60 00. 798/2002-00 53-C1 2 AcórcEo n " 3102-00,667 1'506 . -- B-Cáriz Veríssimo de Sena - Relatora EDITADO EM: 23/06/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Maria Regina Godinho (Suplente), Narrei Gania, 1-3eatriz Veríssimo de Sena e Elias Fernandes Euliasio (Suplente). Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado para cobrança dc diferenças de Imposto de importação e Imposto sobre Produtos Industrializados (111), decorrentes do descumprimento dos compromissos assumidos pela autuada inerentes ao Regime Aduaneiro Especial de Drawback Suspensão. A Autuada promoveu a importação, sob o regime de drawback, de tampas semi-acabadas para industrialização de latas de alumínio. De acordo com os Atos Concessorios, o Contribuinte deveria beneficiar tais tampas de alumínio, exportando-as "acabadas", prontas. O lançamento originou-se da conclusão da fiscalização de que não teriam sido cumpridos Os respectivos Atos Concessorios de drawbaek. De acordo com a autoridade fiscal, os documentos apresentados pela Autuada não seriam suficientes para demonstrar o consumo de todo o material importado sob o regime especial aduaneiro no processo de produção das latas exportadas. A Autuada apresentou impugnação, na qual argüi, primeiramente, a decadência do direito da Fazenda Pública cobrar os créditos tributários, assim considerando as datas de importação como marcos iniciais do prazo decadencial. No mérito, aduz ser inaplicável o principio da vinculação lisica. A Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza julgou o lançamento integralmente procedente, por meio de acórdão assim ementado (fls. 413-414): ASSUNTO. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 26/04/1995 a 02/02/1996 DRAWBACI< SUSPENSÃO DECADÊNCIA PRAZO DE CONTAGEM ENCTRIMMLNTO DO REGIAM o termo inicial para Iins de contagem do prazo decadencial. Caso do regime Drawback-Suspensão, deverá ser estabelecido acordo com a regra geral prevista no art 173, inciso 1. do CTN, e COMO tal, a contagem inicia a partir do primeiro dia do eYercicio seguinte àquele em que o lançamento poderia ter _2 l'weesso n" 0060 .00379W2002-00 S3-C1 T2 Acórdão n " 3102-00.667 H . 507 efetuado, ouse/a. da do encerramento do regime, e encerra após 5 anos /Vão Ocorreu o de c adâlcia do direito da Fazendo Pública eonstituir o crédito tributário .Ne constatado que o regime Drowback,SUspens-ão encerrou no ano de 2000 e o autuado tomou eiêneto do lançamento em 16 dc agosto de 2002. ..4,SSUNTO. RE'G1MES ADUANEIROS Período de apuração- 26/04/1995 a 02/02/1996 .DRA 'FRAC& ,S:USPP;1115i0. :011PROVAC.i O DA LIT11,1711ÇÃO DOS .INSUAIQS' FALTÁ DE APRE,S'EATI:4(jb DE !IMOS DE CONTROLE ausência de apresentação do Livro de Registro de Controle de Produção e do Estoque, ou de qualquer outro tipo de controle equivalente., de modo a comprovar de que os instemos importados sob a égide do regime Drawbetele-Suspensão foram (fetivame?tue incorporados ao produto objeto de eNportação, deseumprimento do compromisso assumido no respectivo aro coneessório, ensejando a exigência dos tributos .suspensos, acrescidos do..s acréscimos legais- devidos Letnçamento procedente. Irresignado, o Contribuinte interpôs recurso voluntário no qual pede a refigma da decisão regional. Para tanto, repisa os argumentos .já expostos na impugnação. o relatório.. Voto Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena, Relatora O recurso voluntário atende aos requisitos extrínsecos de adnússibilidade, razão pela qual o conheço. - Decadência No caso :, não se aplica a regra geral do art. 150 do (TN para a contagem do prazo decadcncial. lsso porque não havia na importação pagamento imediato dos tributos, haja sl.a o regime aduaneiro especial de drawback suspensão Na verdade, na importação com suspensão do crédito tributário, não há que se falar em pagamento antecipado de tributos nem na aplicação do disposto no citado artigo 150, § 4", pois se aplica a regra do artigo 173, inciso I, de acordo com a qual o prazo decadencial tem inicio no "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter rsido efetuado" Ocorre que o lançamento somente pode ser realizado após o cumprimento do regime especial aduaneiro, quando é possível cotejar os produtos importados e os prOutos Pwcesso 10660 003798/2002-00 ,S3-C.112 Acórdão") " :3102-00,667 11 508 exportados sob o beneficio fiscal, de modo a analisar se houve, ou não, observância dos requisitos necessários ao gozo dos benefícios fiscais.. Assim, dada a impossibilidade de ser aferido o adimplemento do compromisso vinculado ao regime aduaneiro especial antes de esgotado o prazo concedido no ato administrativo de outorga do beneficio, o primeiro dia do exercício seguinte ao funt da validade do ato concessório do drawback é o rijes a quo para medir o prazo decadencial do incisol do artigo 173 do Código Tributário -Nacional I . Contudo, ao contrário do que decidiu a c. 1).R.1, entendo não ser possível - considerar como marco final do período de cumprimento do regime a data de entrega dos relatórios referentes ao Drawback. Não se confunde a obrigação principal (exportar a mercadoria compromissada, nos termos pactuados, fabricada a partir dos produtos importados sob o _regime especial) com a obrigação acessória (prestar contas sobre o cumprimento do regime, por meio de relatório). A decadência diz respeito à obrigação principal, ao pagamento dos tributos atinentes à importação da matéria prima necessária aos produtos que foram importados sob o regime de Drawback Suspensão. Isto posto, verifica-se que os Atos Concessários tiveram estes marcos temporais: Ato Concessório 0 Cumprimento até 0032-95/5-0 .31/03/1996 alterado para 26/04/1997 (11, 62) 0032-95/09-2 06/07/1996, alterado pata 20/08/1997 (11, 101) 0032-95/ -11-4 23/08/1996, alterado para 18/0/997 (11. 182) 0032-95/14-9 03/10/1996 alterado para 20/10/1997 (11, 219) • Apenas no primeiro dia Útil do ano seguinte ao final do regime, tornou-se possível ao Fisco verificar o inadimplemento do compromisso vinculado ao regime aduaneiro especial. Assim, o prazo &cadenciai somente iniciou em 01.01.1998, porquanto nos . quatro atos concessorios em exame o prazo final para cumprimento do regime findava-se em 1997. O prazo final para o lançamento foi, portanto, em 01/01/2003. Considerando que o Contribuinte fbi notificado dos lançamentos em 12/08/2002 (11 :2), tem-se que os lançamentos foram efetivados dentro do prazo decadencial de 5 (cinco) anos, não havendo, portanto, decadência sobre os respectivos créditos tributários. Desse modo, rejeita-se a preliminar de decadência, - Dos relatórios de Comprovação 1 Nesse sentido: Recurso 134816, Processo 10831 012174/2001-85, .lerceira (/amara do Terceiro Conselho de Contribuintes, rel Silvio Marcos Barcelos Fiáza,.julu 25/04/2007. - 4 Processo n" 10660 003798/2002-00 S3-Cri 2 Acórdào r 3102-00.667 11 509 No mei ito, merece reforma a decisão regional. Depreende-se dos documentos pertinentes ao Ato Concessório 0032-95/5-0, que o Contribuinte deveria exportar 658.170,742 kg de "tampas pa.ra. recipientes tubulares para acondicionamento de bebidas com capacidade igual ou superior a 350 rui, não cravadas" (fis. 61-62), no valor de US$ 4,080.658,60 dólares americanos. Nos relatórios de comprovação de drawback às fls. 63-65, corista a exportação de In 4.080.653,60.. A diferença ínfima entre o que foi pactuado e o que foi exportado, de apenas cinco dólares, não é relevante em face do volume total de exportações, data venia. Entendo que este Ato Concessorio n" 0032-95/5-0 deve ser considerado integral mente cumprido. No que se refere ao Ato Concessório n 0 0032-95/11-4, verifico que o mesmo foi, também, integralmente cumprido. Com efeito, à ti, 180, combinada com as fis„ 181-1.82, o Contribuinte comprometeu-se a exportar 181.144,166 kg ou 53,277,696 (milheiro) de "tampas para recipientes tubulares para acondicionamento de bebidas com. capacidade igual ou superior a 350 ml, acabadas" para manter o benefício -fiscal. À fl. 18.3 consta que foram exportados exatamente 181..144,166 kg ou 53.277,696 milheiros de tampas de alumínio, conforme pactuado. As incorreções verificadas nos registros de exportação, às Os. 201 e seguintes, [oram corrigidas a tempo e modo pelo Contribuinte, não prejudicando a produção de prova da efetiva exportação de peças. Quanto ao Ato Concessório 0032-95/09-2, cuja validade 10 prorrogada até 20/08/1997 (tis. 98-101), que o Contribuinte deveria exportar 694,385,968 kg, equivalente a 204,231;168 (Milheiro) de "tampas para recipientes tubulares para acondicionamento de bebidas com capacidade igual ou superior a .350 ml, acabadas" para manter o beneficio fiscal. No Relatório de Comprovação de Drawback às Os, 102 e seguintes, o Contribuinte colacionou comprovantes de exportação de produtos em valores equivalentes io previsto no Ato Coneessório n" 0032-95/09-2 e prorrogação. Com efeito, observa-se à 11.. 151 que foram exportados 693..334 k.g ou 201.828,240 (milheiro) de tampas de alumínio. Do exame dos documentos às fls. 143 e seguintes, conclui-se que cru várias RE o Contribuinte realizou o enquadramento da operação como drawback após a averbação do respectivo R.E. 'No entanto, verifico que o C.."ontribuinte logrou realizar as exportações em volume próximo ao pactuado, apresentando relatório de cumpi imento de Drawback, reparando, ainda, os equívocos atinentes aos registros das RE., Entendo, assim, que o Contribuinte alcançou o objetivo almejado pela Administração 'Pública ao conceder o beneficio do Drawback, assim considerado a comercialização externa, em volume financeiro, de produtos especificados no Compromisso de Exportação.. Ressalte-se, por oportuno, que não é necessária para a comprovação do cumprimento do regime de Drawback. a apresentação de Livro de Registro de Estoque ou de Controle da Produção, em face da natureza das mercadorias objeto dos Atos Concessórios em comento, A demonstração cabal de que foram utilizados, inequivocamente, as mesmas peças físicas importadas a partir da operação de importação prevista no ato concessório de drawbaek, é dispensável se operacionalizada, a tempo e modo, a operação prevista naquele ato concessório, e uma vez importadas peças fungíveis. A Câmara Superior de Recursos Fiscais já proferiu acórdão unânime reconhecendo a fungibilidade dos insumos importados dentro do prazo coneessório no regime de Drawback.. Transcreve-se a ementa abaixo, para melhor ilustrar a questão: Processo ii 10(60.003798/2002-00 .S3-C11.2 Acórdão 3102-00.667 1.1 510 )11411/13A CK. COMPROVAÇÃO DO COMPROMISSO DE EXPORTAR -A essencialidade para 1ruição do Regime Aduaneiro Especial de Drawhack eNhrl HO CiliiipriMellt0 do compromisso de exportação, e, uma vez, cumprido tal compromisso, faz jus O contribuinte ao direito de não pagar Os tributo incidentes na impor/ação dor insurno.s com benefício fiscal .DRAWBACK. HINGIBILIDARE. - A frim ,ibilidade dos insumo.s importados, dentro do prazo do ato concessório, permite a Nua .substinticão por iclêntico.s do gênero, quantidade e qualidade, o que ilãO descaracteriza a exportação objeto do compromisso do importador no regime Drawback, conforme Parecer Normativo CST n" 12/97 e Ato Deelaratório n". 20/96 da Coordenação- Geral do Sistema de Tributação Recurso especial negado. (Processo 11". 11065.001986/95-31, Recurso n." 301-119997, Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Sessão de: .• 21 de agosto de 2006, Acórdão ri ". CSRIV03-04.975, Relatem- ('ons. .1Vilton Luiz, Berrioli) No que se refere ao -último ato concessório, observo que, considerando O principio da fungibilidade, o mesmo foi parciahnente cumprido. Quanto ao Ato Concessório n" 0032-95/14-9, observa-se que foi compromissada a exportação de 287..655.040 kg de tampas de alumínio, equivalente a. US$ 2.453.064,77 (lis. 2:17 e 220). Depreende-se dos documentos às fls. 221-222 que foram exportados 286.811,596 Kg de tampas de alumínio, no valor de US$ .1,804..38236.. Portanto, o Ato (..".oncessório 0032-95/14-9 foi parcialmente cumprido.. - Multa do art. 44, I, da Lei n" 9.430/96 No que se refere à .multa pelo lançamento de oficio/filia de pagamento, a mesma deve .prosperar no tocante ao que não tiver sido cumprido no regime de drawback, Esta é a redação do art.. 44, inciso 1, da Lei n" 9.430/96 vigente a época do lançamento, ia verbis: Art 44. Aro.s casos de lançamento de oficio, . yerão aplicadas as. seguintes multas, calculadas sobre a totalidada ou dif. erença de tributo Ou contribuição .1- de .setenta e cinco /20r cento, nos. CaSOS Mn] de pagamento Ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após O ve.ricintento do prazo, sem o acrésdino de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração me ala, excetuada a hipótese do inciso .seguinte; ) Desse modo, deve ser reduzida a multa de ofício, de -modo que a multa de 75% prevista no art. 44, I, da Lei ri' 9.430/96 incida apenas sobre os produtos não exportados conforme previsto no Ato Concessório n" 0032-95/14-9. Processo n' 10060 003798/2002-00 S3-C112 Acin ffio ii" 3102-00.667 H 5 1 - Da compensação dos créditos de IN Por fim, entendo que não se faz possível apreciar o pedido de compensação de créditos de 1P1 no presente processo administrativo, na medida em que o objeto da lide circunscreve-se ao cumprimento do regime de drawbaek. A compensação deve ser apreciada em pedido devidamente instruído, contõrme a legislação em vigor. - Conclusão Dou provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer como cumprido integralmente o regime aduaneiro especial quanto ao Ato Concessorio 0032-95/5-0, Ato Concessório 0032-95/09-2 e ao Ato Concessorio a' 0032-95/11-4. Dou provimento parcial ao recurso voluntário, também, para que as diferenças de crédito tributário de 11 e 'PI incidam apenas sobre as importações inadimplidas referentes ao Alo Concessório n" 00.32-95/14-9, conforme se depreende dos respectivos relatórios de comprovação às Os. 221-222 dos autos. Deve ser reduzida a multa de ofício, de modo que a multa de 75% (setenta e cinco por cento) prevista no art 44, 1, da 1 Li n° 9 4.30/96, de modo que essa incida apenas sobre o valor correspondente aos produtos não exportados, conforme previsto no Ato Coneessorio n" 0032-95/14-9 • Beatriz Veríssimo de Sena 7
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Numero do processo: 13807.012103/2001-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano calendário: 1997
DUPLICIDADE - Constatado que uma mesma parcela influenciou a apuração de dois itens do auto de infração, é de ser afastada essa dupla consideração.
INCORPORAÇÃO - BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL - Antes da MP 1.858-6, de 1999, não havia impedimento legal para que a sucessora pudesse compensar base de cálculo negativa apurada pela sucedida.
GLOSA DE COMPENSAÇÃO POR INSUFICIÊNCIA DE BASES NEGATIVAS. Se as bases se tomaram insuficientes em razão de lançamento em período anterior, há conexão entre os processos, e o lançamento deve ser ajustado ao decidido quanto ao período anterior.
Numero da decisão: 1102-000.090
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Nome do relator: Sandra Faroni
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SI-C1T2 H. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELII0 ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ''Y 44.,e *tirita*/ PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 1‘.....fiiéctfoi Processo n° 13807.012103/2001-78 Recurso n° 149.515 De Oficio e Voluntário Acórdão n° 1102-00.090 — C Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 05 de novembro de 2009 Matéria CSLL Recorrentes 10' Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo Votorantim Celulose e Papel S.A. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLI, Ano calendário: 1997 DUPLICIDADE - Constatado que uma mesma parcela influenciou a apuração de dois itens do auto de infração, é de ser afastada essa dupla consideração. INCORPORAÇÃO - BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL - Antes da MP 1.858-6, de 1999, não havia impedimento legal para que a sucessora pudesse compensar base de cálculo negativa apurada pela sucedida. GLOSA DE COMPENSAÇÃO POR INSUFICIÊNCIA DE BASES NEGATIVAS. Se as bases se tomaram insuficientes em razão de lançamento em período anterior, há conexão entre os processos, e o lançamento deve ser ajustado ao decidido quanto ao período anterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio e DAR provimento ao recurso voluntário, nos telmos nos termos do relatório e voto que integram o julgado. , __-T---- 2///ZR7q SANDRA FARONI — Presidente e Relatora José Geraldo dos Santos 7/An - 77,/ t /-C, -1. Editado em : th 1 DEZ7 2en3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Sandra Maria Earoni - (Presidente), João Carlos de Lima JUnior (Vice Presidente), Mário Sérgio Eemandes Barroso, Eric Moraes de Castro e Silva , José Sérgio Gomes (suplente convocado) e Natanael Vieira dos Santos (suplente convocado). 1 • Processo n° 13807.01210312001-7 g SI-C iT2 - • Acórdão n.°1102-00.090 Fl. 2. - Relatório Cuida-se de recursos, de oficio e voluntário, interpostos pela 10' Turma de Julgamento da DRS em São Paulo e por Votorantim Celulose e Papel S.A., em face da decisão que julgou procedente em parte o lançamento consubstanciado em auto de infração lavrado para formalizar exigências de CSLL do ano-calendário de 1997, do qual o contribuinte tomou ciência em 25/10/2001. Conforme consta da descrição dos fatos que integra o auto de infração (fls. 302), e que se reporta aos Termos de Constatação n" 07 c 08 (fls. 284 a 288) , os lançamentos correspondem a compensação de bases negativas da incorporada CELPAV. O Termo de Constatação n" 7 se refere à transferência, feita pela CELPAV, de bases negativas da CSLL de sua incorporada KSR, apurada na data da incorporação , ou seja, 01101197. Quanto a esse Termo, a matéria tributável apurada foi de R$ 11.611.903,64. O Termo de Constatação n° 8 se refere a insuficiência de bases negativas apuradas, após ajustes ao saldo acumulado em 31/12/96, em função de matérias fiscais apuradas para esse ano-calendário, no montante de R$ 31.508.098,45. Desse termo resultou a matéria tributável de R$ 24.168.612,07. Nos 'Felinos 7 e 8 a Fiscalização relata que no ano calendário de 1997 (i) houve compensação indevida de base de cálculo negativa de CSSL, transferida da incorporada KSR Indústria e Comércio de Papéis, apurada até a data-base da incorporação, ou seja, em 0110111997, referente à CELULOSE E PAPEL LTDA. (incorporada), no valor de RS11.611.903,64 e, (ii) ajustando os SALDOS DAS BASES NEGATIVAS ACUMULADAS DA CSSL em 01/01/1997, de R$25.201.182,53 (fis.283), considerando as matérias fiscais apuradas até então, relativas ao ano-calendário de 1996 (fis.286), verificou-se que o saldo se tornou insuficiente para absorver, sequer, a totalidade das matérias fiscais apuradas em 1996 — RS31.508.098,45 (fis.286). Portanto, considerando os efeitos dos ajustes decorrentes das matérias fiscais apuradas em 1996 não sobrou saldo suficiente para a compensação do valor de R$24.168.612,07, correspondente ao Lucro Real de 1997, que havia sido objeto de compensação pelo contribuinte (fis.283), dai resultando a matéria tributável no montante de R$35.780.515,71 (fls. 289). Em impugnação tempestiva a empresa requereu, preliminarmente, o julgamento conjunto deste processo com o de n" 13807.006036/2001-52. Afirmou que a decisão que afastar a matéria objeto daquela autuação, seja no todo ou em parte, que absorveram o saldo da base negativa da Impugnante em 31/12/96, restabelecerá o saldo cuja conseqüência é legitimar a compensação realizada em 1997 e esvaziar o fimdarnento da presente autuação. No mérito, disse que o direito à compensação da base negativa da contribuição social sobre o lucro está previsto no art. 44 da Lei n°8383/91. Acrescentou que a empresa incorporadora que absorve o patrimônio da incorporada que detém em sua escrita fiscal base de cálculo negativa de contribuição social sobre o lucro ainda não aproveitada passa a ser titular do direito de compensar este resultado negativo com base de cálculo positiva que vier a ser apurada posteriormente, pelo fenômeno da sucessão universal do art. 227, da Lei n." 6.404/76. Processo n° 13507.012103/2001-78 S1-C1T2 Acórdão n.°11(12-00.090 Fl. 3 Disse que o Decreto-lei ri° 2.341/87, art. 33 no que concerne à apuração da base de cálculo do IRPJ no caso de incorporação, vedou expressamente o direito de o sucessor proceder à compensação de prejuízos fiscais da empresa sucedida, porém, no que tange à base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, somente em 1999, com o advento da MP n° 1858-6, aquela vedação do Decreto-lei 2.341/87 foi estendida à compensação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro pela empresa sucedida. Postulou não haver fundamento para aplicação da regra específica que trata da base de cálculo do imposto de renda, prevista no Decreto-lei 110 2 . 341/87, à base de cálculo da CSLL, antes da MP 1858-6, de 1999, impondo-se seja afastada integralmente a autuação fiscal. Contestou a determinação do valor tributável em face dos ajustes feitos pela fiscalização, na medida em que parcela deste montante tributável já foi objeto do item 1 do presente auto de infração, que também questionou a compensação realizada pela Impugnantc no ano calendário de 1997. Disse que, em relação ao item 2 da autuação, a Fiscalização somente poderia considerar como valor tributável o montante de R$12.556.708,43, correspondente à diferença entre o lucro tributável do ano-calendário de 1997, de R$24.168.612,07, e o valor já tributado no item 1 do auto, de R$11.611.903,64, sob pena de haver dupla tributação sobre o mesmo fato imponivel. Aduziu que a Fiscalização reduziu ilegitimamente o saldo de base negativa acumulada de contribuição social sobre o lucro da cru 31/12/95, c que se reflete no saldo acumulado em 31/12/97 (fis.336), por desconsiderar, no saldo de bases de cálculo negativa da CSLL, às fis. 278 a 281, no valor de Cr$ 318.845.111.211,00 correspondente ao saldo das bases negativas acumuladas da contribuição social sobre o lucro apurado pela em 31/12/92 e devidamente declarado na DIRPJ (doc n°02) entregue à Secretaria da Receita Federal. A Tumia de Julgamento reconheceu que estava havendo duplicidade de tributação sobre a parcela de RS11.611.903,64, e julgou procedente em parte o lançamento, excluindo a referida importância (R$11.611.903,64) do item 02, cujo valor mantido passou a ser de RS 12,556.708,43. Foi interposto recurso de oficio. Por sua vez, a empresa apresentou recurso voluntário, instruindo-o com arrolamento de bens. Na petição reeursal a empresa reedita as razões declinadas na impugnação quanto ao direito à compensação integral da base de cálculo negativa da incorporada (item 1) e quanto ao ajuste na base de cálculo da CSLL realizada pelo Fisco, no valor de R$ 2.354.882,53, e reafirma que em relação ao item 2 o julgamento deste processo está vinculado ao julgamento do processo 13807.006036/2001-52. Sobre o ajuste na base de cálculo da CSLL realizado pelo Fisco, no valor de R$ 2.354.882,53, diz que demonstrou na impugnação o erro cometido pelo Fisco, juntando planilhas (fis.362/365) e que essas planilhas sequer foram analisadas pela decisão recorrida.. É o relatório. 3 Processo n" 13807.012103/2001-78 Si-C1T2 Acórdão a.° 1102-00.090 Fl. 4 Voto Conselheira Sandra Faroni, Relatora Ambos os recursos atendem os requisitos legais. Deles conheço. Inicialmente, registro que as exigências se referem a bases de cálculo da CSLL da incorporada CELPAV. A matéria tributável que é objeto deste auto de infração compreende duas parcelas., o item 1, no valor de R$ 11.611.903,64e o item 2,110 valor de R$ 24.168.612,07. Essas matérias foram levantadas pela fiscalização da seguinte forma: Segundo a fiscalização, em 31/12/96 a empresa CELPAV (incorporada pela Votorantim) possuía saldo de bases de cálculo negativas de anos anteriores no montante de R$ 43.084.095,65. Para esse ano-calendário, a empresa apurou base positiva no montante de RS 29.504.816,95. Com tinha autorização judicial, a empresa compensou inteiramente as base positiva com as bases negativas de anos anteriores, ficando com um saldo a compensar de R$ 25.201.182, 33 Em 01/01/97 esse saldo foi acrescido de R$ 11.611.903,64, que era o saldo negativo da incorporada KSR, passando a R$25.201.182,33. Em 31/12/97 a empresa apurou base positiva no valor e R$ 24.168.612,07, que foi inteiramente compensado com base na autorização judicial, restando um saldo a compensar de R$ 1.032.570,26 Ocorre que, para o ano calendário de 1996, a fiscalização apurou infrações no montante de R$31.508.098,45, cujo lançamento é objeto do processo 13807.006036/2001-52. Com as infrações apuradas, a base de cálculo apurada para o ano, antes das compensações, passa a ser RS 61.012.915,40, e as bases negativas acumuladas em 31/12/96 foram insuficientes, segundo a fiscalização, para absorver a base positiva daquele ano, nada restando para 1997. Além disso, para o ano-calendário de 1997, a fiscalização apurou infrações no montante de R$29.905.777,16, cujo lançamento é objeto do processo 13807.006036/2001- 52. A fiscalização entendeu, também, ser vedada a transferência das bases negativas da incorporada (KSR). Assim, lançou como matéria tributável em 1997: (a) R$ 11.611.903,64, valor das bases negativas transferidas da KSR; (b) R824.168.612,07, correspondente à base positiva • Processo n°13807.012103/2001-78 SI-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.090 Fl. 5 apurada pela CELPAV e compensada com bases acumuladas, que a fiscalização considerou inexistentes. A matéria tributável reduzida pela decisão recorrida corresponde a valor que estava sendo objeto de tributação em duplicidade, devendo a decisão, nesse aspecto, ser confirmada. De fato, a parcela de R$ 11.611.903,64 compôs a base tributável como glosa de transferência de bases negativas da KSR e como glosa de compensação por insuficiência de saldo. Quanto ao recurso voluntário, a Recorrente suscita três temas: (a) a inexistência, -antes da MP 1.858-6, de 1999, de impedimento legal para que a sucessora pudesse compensar base de cálculo negativa apurada pela sucedida; (b) a dependência, deste processo, ao que for decidido no processo n° 13807.006036/2001-52 e (c) equívocos cometidos pela fiscalização no ajuste da base de cálculo. A compensação da base de cálculo negativa da Contribuição Social Sobre o Lucro passou a ser permitida a partir de 01/01/92, com a Lei n° 8.383/91. A Lei 8.981/95 limitou a redução por compensação da base de cálculo negativa de períodos-base anteriores em, no máximo, 30%. O impedimento para o aproveitamento, pela sucessora, das bases de cálculo negativas da CSL1, da sucedida só surgiu com a Medida Provisória 1.858-6, cujo art. 20 estendeu à base de cálculo negativa da CSLL as disposições do Decreto-lei 2.341/87, relativas à compensação de prejuízo fiscal. O artigo 33 do mencionado decreto-lei vedava a compensação, por pessoa jurídica sucessora, de prejuízos da sucedida. Assim, em face da inexistência- de base legal em contrário, até a edição da Medida Provisória 1.858-6, de 29/06/1999, a transferência do saldo das bases negativas da CSLL da empresa incorporada para a empresa incorporadora era possível: A decisão recorrida manifesta entendimento em contrário, Ilmdamentando-se no art. 57 da Lei 110 8 . 981/95 , que dispõe: "Art. 57. Aplicam-se à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n° 7.639, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidos a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação cru vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei." Equivocada, todavia, a interpretação dada pela decisão a quo. As nor tuas de apuração estabelecidas para o imposto de renda referem-se a lucro real, presumido ou arbitrado, e normas de pagamento dizem respeito à faculdade, quando a apuração é pelo lucro real, de optar pelo pagamento mensal com base em estimativas ou com base no lucro real efetivamente apurado para o período (mensal, antes da Lei 9.430;96, ou trimestral, a partir do ano-calendário de 1997). O próprio artigo 57 destaca que ficam "mantidos a base de cálculo e as a/ignotas previstas na legislação em vigor". Ora, a base de cálculo da contribuição social, a partir da Lei 8.383/91, era obtida após a compensação das bases negativas Por outro lado, nos termos do princípio da sucessão universal previsto no artigo 227 da Lei n° 6.404/76, a sociedade incorporadora sucede a incorporada em todos seus direitos e obrigações. Se não ç1562 5 Processo n°13807.012/03/2001-78 Sl-C112 - Acórdão n. © 1[02-00.090 Fl. 6 havia impedimento legal para a compensação de bases de cálculo negativas da sociedade sucedida, não há como impedi-la com base no art. 57 da Lei 8.981195, que expressamente mantém as normas então em vigor para fins de apuração da base de cálculo. Quanto à dependência, deste processo, ao que for decidido no processo n° 13807.006036/2001-52, tem razão a Recorrente. Como nesta mesma reunião este Colegiado reduziu a matéria tributável lançada naquele processo, a exigência sob litígio deverá ser adequada ao decidido no Acórdão n° .1102-00.0082.. Sobre os equívocos cometidos pela fiscalização no ajuste da base de cálculo, alega o contribuinte que a fiscalização não considerou o montante de Cr$ 318.845.111.211,00, correspondente ao saldo das bases negativas acumuladas da contribuição social sobre o lucro apurado pela em 31/12/92 e devidamente declarado na DIRPJ (doe n°02) entregue à Secretaria da Receita Federal. Esse fato também e objeto do processo n° ]3807.006036/2001-52, e confoutie Termo cuja cópia se encontra às fls. 368, a empresa foi cientificada da divergência entre os saldos em 31/12/95, das bases de cálculo negativas da CSLL da CELPAV apuradas pelo contribuinte e os apresentados nos controles da Secretaria da Receita, e intimada a proceder à regularização. Ocorre que, confonne Acórdão n°.1102-00.082, o ajuste determinado pela fiscalização foi julgado improcedente. Tendo em vista o exposto, nego provimento ao recurso de ofício e dou provimento ao recurso voluntário. ) , Sandra Maria Faroni
score : 1.0
Numero do processo: 11080.005273/2003-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples
Ano-calendário: 1998, 2000, 2001, 2002
Ementa:
SIMPLES. PEDIDO DE INCLUSÃO RETROATIVA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Deve ser indeferido pedido de adesão retroativa no SIMPLES, em situações não contempladas pelo art. 15, da Lei n.° 11.051/04.
Numero da decisão: 1102-000.381
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Silvana Rescigno Guerra Barreto
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Ano-calendário: 1998, 2000, 2001, 2002 Ementa: SIMPLES. PEDIDO DE INCLUSÃO RETROATIVA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Deve ser indeferido pedido de adesão retroativa no SIMPLES, em situações não contempladas pelo art. 15, da Lei n.° 11.051/04.
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Recorrida 4ª TURMA DRJ/POA Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 1998, 2000, 2001, 2002 Ementa: SIMPLES. PEDIDO DE INCLUSÃO RETROATIVA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Deve ser indeferido pedido de adesão retroativa no SIMPLES, em situações não contempladas pelo art. 15, da Lei n.° 11.051/04. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Assinado Digitalmente ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Presidente. Assinado Digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (presidente da turma à época), João Carlos de Lima Júnior (vicepresidente), João Otávio Oppermann Thomé, José Sérgio Gomes e Frederico de Moura Theophilo. Relatório Fl. 1DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/10/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.005273/200375 Acórdão n.º 110200.381 S1C1T2 Fl. 2 2 Tratase de pedido de inclusão retroativa no SIMPLES formalizado em 2003, em relação ao período de 1998 a 2002 indeferido (fls. 46/48), com base no art. 9°, XIII, da Lei n.° 9.317/96, em razão da prestação de serviços de assessoria em informática, conforme Ofício do Instituto Nacional do Seguro Social (fl. 03) e contrato de constituição de sociedade acostado nas fls. 12/16. Cientificado do indeferimento, o Recorrente apresentou Impugnação (fl. 51), colacionando aos autos cópia de alteração contratual, sob o entendimento de que a atividade exercida autorizaria sua inclusão no SIMPLES. Em atendimento à intimação para apresentar Livro Caixa e Talonários completos de compras, vendas e prestação de serviços, dos anos de 1999 a 2003 (fl. 56), a Recorrente apresentou documentos nas fls. 58/118. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre RS indeferiu a solicitação de inclusão retroativa no SIMPLES, por entender que a documentação acostada aos autos comprovaria o desenvolvimento de atividades vedadas e que não seria possível a inclusão por período restrito. Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário informando que, em 26 de janeiro de 2008, procedeu a alteração contratual alterando o objeto da sociedade para “serviços de assessoria, consultoria e administração empresarial, com prestação exclusiva a um único cliente, para comércio de equipamentos de informática, serviços de manutenção e reparação em equipamento de informática, estendendo a partir daí serviços a clientes inclusive o antigo e exclusivo supra citado, embora não mais como assessoria.” É o relatório. Voto Conselheiro Relator Tratase de pedido de inclusão retroativa do SIMPLES, formalizado em 2003, para o período de 1998 a 2002 indeferido, sob o entendimento de que descabido o pleito retroativo, além de vedada a opção para a atividade desempenhada por força da natureza dos serviços prestados, com base no art. 9°, XIII, verbis: “Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida;” Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/10/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.005273/200375 Acórdão n.º 110200.381 S1C1T2 Fl. 3 3 De acordo com as notas fiscais trazidas aos autos, relativas ao período de 1998 a 2002 (fls. 71/102), os serviços prestados pela Recorrente no período caracterizamse como de manutenção, reparação e instalação de equipamentos de informática. Referidos serviços não estão elencados no rol do inciso XIII, do art. 9°, da Lei n.° 9.317/96, porquanto não se exige a qualificação de engenheiro e também não há exigência para inscrição em Conselho profissional. Contudo, a Recorrente apenas em 2003 requer sua inclusão retroativa para o período determinado de 1998 a 2002, sem qualquer respaldo legal. Sobre o tema, julgo necessária a transcrição do art. 15, da Lei n.° 11.051/04 que, em seu art. 15, permitiu expressamente a adesão ao SIMPLES para a atividade desempenhada pela Recorrente e, ainda, autorizou a inclusão retroativa à data da opção da empresa, verbis: “Art. 15. O art. 4o da Lei no 10.964, de 28 de outubro de 2004, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 4o Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades:(...) IV – serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática;(...) § 1o Fica assegurada a permanência no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, com efeitos retroativos à data de opção da empresa, das pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham feito a opção pelo sistema em data anterior à publicação desta Lei, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação. § 2o As pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham sido excluídas do SIMPLES exclusivamente em decorrência do disposto no inciso XIII do art. 9o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, poderão solicitar o retorno ao sistema, com efeitos retroativos à data de opção desta, nos termos, prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal – SRF, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação. § 3o Na hipótese de a exclusão de que trata o § 2o deste artigo ter ocorrido durante o anocalendário de 2004 e antes da publicação desta Lei, a Secretaria da Receita Federal – SRF promoverá a reinclusão de ofício dessas pessoas jurídicas retroativamente à data de opção da empresa. § 4o Aplicase o disposto no art. 2o da Lei no 10.034, de 24 de outubro de 2000, a partir de 1o de janeiro de 2004." Defluise do texto do art. 15, da Lei n.° 11.051/04 que a Recorrente não se amolda aos requisitos postos em lei necessários à inclusão retroativa no SIMPLES. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/10/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.005273/200375 Acórdão n.º 110200.381 S1C1T2 Fl. 4 4 Em face do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Assinado digiltamente Silvana Rescigno Guerra Barretto Relator Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 02/10/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720071/2013-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
Consolidada em 18/01/2013
CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE SIMULTANEIDADE.
Não há de se falar em concomitância com ação judicial, quando naquela se discute determinada exação com base numa legislação diferenciada do que trata no processo administrativo.
No caso em tela há de considerar o fato gerador como embasador do lançamento com fulcro na legislação que trata a Lei 10.256/2001.
Não há de considerar se trata de aquisição de produto de segurado especial ou não, pois o que importa é o fato gerador em si, suficiente para determinar a não concomitância.
NULIDADE - NECESSIDADE DE LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA - VALIDADE DA DECISÃO QUE DESOBRIGOU A RECORRENTE DO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES EXIGIDAS. INEXISTÊNCIA.
Mandado de Segurança que tem como objeto desobrigar a Recorrente da retenção e do recolhimento da contribuição sobre a produção rural prevista na Lei nº 8.540/92, que alterou a redação do artigo 25 da Lei nº 8.212/91, em relação às suas aquisições de bovinos junto a produtores rurais pessoas físicas que sejam empregadores, de que trata a alínea a do inciso V da Lei nº 8212/91, não corresponde ao lançamento da autuação do presente processo administrativo, eis que não há concomitância do presente PA com o MS interposto pela Recorrente, já que, naquele mandamus judicial tenta a Recorrente afastar recolhimento do adquirente de produtor rural de produtor rural pessoa física fulcrado em legislação anterior à Lei 10.256/2001.
Não há diferença se se trata de segurado especial ou pessoa física, pois o que determina o recolhimento ou não do adquirente de produto rural de produtor rural pessoa física ou segurado especial, por sub-rogação, é a Lei 10.256/2001 que nem foi aventada naquele writ, sendo objeto dele a Lei nº 8.540/92, que alterou a redação do artigo 25 da Lei nº 8.212/91.
NULIDADE - INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO PARA O ARBITRAMENTO
Não há nulidade do lançamento por ausência de fundamentação para o arbitramento, quando os atos administrativos nas autuações possuem motivo legal, tendo sido praticados em conformidade com os rigores da lei, fundamentados e discriminados no Relatório Fiscal e nos anexos FLD - Fundamentos Legais do Débito, onde consta toda a legislação que embasa os lançamentos, por rubrica e por competência.
Havendo nos autos a comprovação de aquisição de produto rural de produtor rural, demonstrado motivos assaz para justificar os lançamentos.
Quanto a um possível arbitramento, não houve tal comportamento, eis que a Fiscalização, para o lançamento, valeu-se dos documentos contábeis e fiscais da Recorrente, próprios à verificação da base de cálculo que estavam disponíveis nos arquivos informatizados da RFB (GFIP, DIPJ), no Sistema Público de Escrituração Digital - SPED (arquivos contábeis), ou foram fornecidos pela própria empresa (Livros de Registro de Entrada e de Saída).
NULIDADE - DO DESCUMPRIMENTO DO MÚNUS ATRIBUÍDO A AUTORIDADE FISCAL; iv) NULIDADE - INSEGURANÇA NA DETERMINAÇÃO DA INFRAÇÃO - INEXISTÊNCIA DE PROVAS DE QUE OS PRODUTORES NÃO SÃO EMPREGADORES; v) DA ILIQUIDEZ DA AUTUAÇÃO
A Fiscalização não tem obrigação de investigar a real condição de empregadores dos fornecedores pessoas físicas da Autuada, eis que estando configurada a condição de aquisição de produto rural de produtor rural pessoa física.
Quem patrocina prova ao contrário do lançamento é o contribuinte e não a fiscalização que fará tal mister.
A legislação de regência determina ao adquirente de produto rural de produtor rural pessoa física o dever da contribuição devida à Seguridade Social, incidente sobre a receita bruta da comercialização da sua produção rural, onde está estabelecida no art. 25 da Lei n.º 8.212/91, esta obrigação. E, sobre a arrecadação e recolhimento das contribuições, determinou, à empresa adquirente, a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições, por meio da sub-rogação (art. 30, III e IV Lei 8.212/91).
Referente à contribuição devida para o SENAR, pelo produtor rural pessoa física, incidente sobre a receita bruta da comercialização da sua produção rural, está estabelecida no art. 6º da Lei n.º 9.528/97, na redação da Lei nº 10.256/2001, e o mesmo artigo 30, inciso IV da Lei nº 8212/91 estabeleceu, à empresa adquirente, a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições, por meio da sub-rogação.
DA ILEGITIMIDADE DA RECORRENTE COM RELAÇÃO AO FUNRURAL - OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STF
Não importa se são segurados especiais ou não as pessoas físicas que a Recorrente adquiriu os produtos, pois de qualquer sorte há incidência de contribuição social, eis que a legislação determina a retenção por sub-rogação.
Quanto a observância ao decisório do STF, ao apreciar o Recurso Extraordinário n° 363.852 (Caso Mataboi - como ficou conhecido), o voto condutor do Ministro Relator Marco Aurélio foi seguido por unanimidade pelo Pretório Excelsior, declarando a inconstitucionalidade da contribuição do produtor rural pessoa física, prevista no artigo 25, I e II da Lei n° 8.212/91, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de produção rural, em razão da violação das normas constitucionais contidas nos artigos 150, II, e 195, I e §§ 4° e 8°, do Texto Maior.
Foi declarada a inconstitucionalidade do artigo 30, IV da Lei n° 8.212/91, com redação dada pela Lei n° 9.258/97, afastando a obrigação de o adquirente recolher, por sub-rogação, a contribuição da produção rural adquirida de pessoas físicas.
No caso em tela o lançamento foi feito com base na Lei nº 10.256/2001, promulgada já sob o pálio da Emenda Constitucional nº 20/1998, que passou a prever a tributação sobre a receita. Isto porque, a legislação de 2001 utilizou o texto referente à contribuição do segurado especial, não julgada inconstitucional, acrescentando-lhe carga normativa nova. Ou seja, o legislador fez uso da técnica da inserção normativa sem acréscimo de texto. Portanto, a partir da edição da Lei nº 10.256/2001, a contribuição incidente sobre o empregador rural pessoa física é constitucional, inconstitucionalidade declarada pelo Pretório Excelsior foi das contribuições incidentes sobre o resultado da comercialização da produção rural e não sobre a receita, como determina a lei.
DA ILEGITIMIDADE DA RECORRENTE COM RELAÇÃO AO SENAR
Trata-se de obrigação por sub-rogação expressa na lei, ou seja, contribuição devida a outras entidades e fundos, destinadas ao SENAR (0,2%), devidas pelos adquirentes de produto rural de produtor rural pessoa física, conforme determina o artigo 6º, da Lei 9.528/97, com redação data pela Lei 10.256/2001.
NULIDADE - LAVRATURA DOS AIS COM RELAÇÃO À MATRIZ - DEVERIA SER LANÇADO CONTRA CADA CNPJ/MF ESPECIFICO
Ao definir a empresa, enquanto contribuinte das contribuições previdenciárias, resta claro que o artigo cuidou de definir, em verdade, não a atividade abstrata de organização dos fatores da produção com vistas ao lucro, que é a empresa, mas o empresário, seja ele pessoa física - firma individual - ou pessoa jurídica, enquanto aquele que exerce tal atividade, fazendo-o por intermédio do conjunto de elementos corpóreos e incorpóreos definidos em lei como estabelecimento.
No presente caso, pelas Planilhas de Aquisição de Produto Rural e de Valores a Lançar juntadas às fls. 837/1.854, em cotejo com os DD - Discriminativos do Débito (fls. 669/711; 716/756), e RL - Relatórios de Lançamentos (fls. 762/815), integrantes dos Autos de Infração, verifica-se que a Fiscalização apurou os fatos geradores ocorridos nos estabelecimentos e procedeu ao lançamento das bases de cálculo de forma separada para cada uma das filiais. Cada estabelecimento foi tratado de forma independente em relação aos fatos geradores das contribuições previdenciárias e ao SENAR, objeto das autuações em epígrafe.
DILIGÊNCIA
Diligência dispensável para o julgamento pode ser dispensada pela autoridade julgadora, como ocorreu no caso, até porque as provas pretendidas pela Recorrente é de sua responsabilidade e não podem trazer um ônus para o FISCO.
DECADÊNCIA PARCIAL
Súmula Vinculante nº 8 do STF, publicada em 20/06/2008, foi declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, que previa o prazo decadencial de dez anos para a constituição do crédito relativo às contribuições previdenciárias, devendo ser seguido pela Administração Pública, o prazo qüinqüenal previsto no Código Tributário Nacional (CTN) - Lei n.º 5.172, de 25/10/1966, para as contribuições previdenciárias, e as devidas a Terceiros ou equiparadas, consideradas tributos.
Há de ser aplicado o artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, se houver antecipação ou ao menos parte dele, e o 173, I do mesmo Caderno se não houver recolhimento e ou antecipação alguma, como é o caso em tela.
No caso em tela os valores devidos não foram antecipados e não integraram a base de cálculo dos recolhimentos efetuados pela empresa, nem foram declarados em GFIP.
Nessas condições, não há que se falar nem em apuração da contribuição devida, nem em recolhimento antecipado, no tocante aos fatos geradores objeto desta autuação.
Portanto, no presente caso, verificando ausência de apuração, ausência de declaração e ausência de recolhimento das contribuições devidas, a Fiscalização promoveu o lançamento de ofício, nos termos dos artigos 142 e 173 do CTN, e do artigo 37 da Lei nº 8212/91.
Há de observar que o lançamento de ofício formalizado em 31/01/2013, as competências de 01/2008 a 12/2008 nele foram incluídas legitimamente, não tendo sido nenhuma delas atingida pela decadência, porque ainda dentro do prazo estipulado no artigo173, inciso I, do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em não converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em converter o julgamento em diligência para verificação de suposta concomitância; b) em negar provimento ao recuso, nos termos de mérito, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento ao recurso. Declaração: Manoel Coelho Arruda Júnior.
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wilson Antonio de Souza Corrêa - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Adriano Gonzáles Silvério, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Manoel Arruda Coelho Júnior.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 Consolidada em 18/01/2013 CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE SIMULTANEIDADE. Não há de se falar em concomitância com ação judicial, quando naquela se discute determinada exação com base numa legislação diferenciada do que trata no processo administrativo. No caso em tela há de considerar o fato gerador como embasador do lançamento com fulcro na legislação que trata a Lei 10.256/2001. Não há de considerar se trata de aquisição de produto de segurado especial ou não, pois o que importa é o fato gerador em si, suficiente para determinar a não concomitância. NULIDADE - NECESSIDADE DE LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA - VALIDADE DA DECISÃO QUE DESOBRIGOU A RECORRENTE DO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES EXIGIDAS. INEXISTÊNCIA. Mandado de Segurança que tem como objeto desobrigar a Recorrente da retenção e do recolhimento da contribuição sobre a produção rural prevista na Lei nº 8.540/92, que alterou a redação do artigo 25 da Lei nº 8.212/91, em relação às suas aquisições de bovinos junto a produtores rurais pessoas físicas que sejam empregadores, de que trata a alínea a do inciso V da Lei nº 8212/91, não corresponde ao lançamento da autuação do presente processo administrativo, eis que não há concomitância do presente PA com o MS interposto pela Recorrente, já que, naquele mandamus judicial tenta a Recorrente afastar recolhimento do adquirente de produtor rural de produtor rural pessoa física fulcrado em legislação anterior à Lei 10.256/2001. Não há diferença se se trata de segurado especial ou pessoa física, pois o que determina o recolhimento ou não do adquirente de produto rural de produtor rural pessoa física ou segurado especial, por sub-rogação, é a Lei 10.256/2001 que nem foi aventada naquele writ, sendo objeto dele a Lei nº 8.540/92, que alterou a redação do artigo 25 da Lei nº 8.212/91. NULIDADE - INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO PARA O ARBITRAMENTO Não há nulidade do lançamento por ausência de fundamentação para o arbitramento, quando os atos administrativos nas autuações possuem motivo legal, tendo sido praticados em conformidade com os rigores da lei, fundamentados e discriminados no Relatório Fiscal e nos anexos FLD - Fundamentos Legais do Débito, onde consta toda a legislação que embasa os lançamentos, por rubrica e por competência. Havendo nos autos a comprovação de aquisição de produto rural de produtor rural, demonstrado motivos assaz para justificar os lançamentos. Quanto a um possível arbitramento, não houve tal comportamento, eis que a Fiscalização, para o lançamento, valeu-se dos documentos contábeis e fiscais da Recorrente, próprios à verificação da base de cálculo que estavam disponíveis nos arquivos informatizados da RFB (GFIP, DIPJ), no Sistema Público de Escrituração Digital - SPED (arquivos contábeis), ou foram fornecidos pela própria empresa (Livros de Registro de Entrada e de Saída). NULIDADE - DO DESCUMPRIMENTO DO MÚNUS ATRIBUÍDO A AUTORIDADE FISCAL; iv) NULIDADE - INSEGURANÇA NA DETERMINAÇÃO DA INFRAÇÃO - INEXISTÊNCIA DE PROVAS DE QUE OS PRODUTORES NÃO SÃO EMPREGADORES; v) DA ILIQUIDEZ DA AUTUAÇÃO A Fiscalização não tem obrigação de investigar a real condição de empregadores dos fornecedores pessoas físicas da Autuada, eis que estando configurada a condição de aquisição de produto rural de produtor rural pessoa física. Quem patrocina prova ao contrário do lançamento é o contribuinte e não a fiscalização que fará tal mister. A legislação de regência determina ao adquirente de produto rural de produtor rural pessoa física o dever da contribuição devida à Seguridade Social, incidente sobre a receita bruta da comercialização da sua produção rural, onde está estabelecida no art. 25 da Lei n.º 8.212/91, esta obrigação. E, sobre a arrecadação e recolhimento das contribuições, determinou, à empresa adquirente, a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições, por meio da sub-rogação (art. 30, III e IV Lei 8.212/91). Referente à contribuição devida para o SENAR, pelo produtor rural pessoa física, incidente sobre a receita bruta da comercialização da sua produção rural, está estabelecida no art. 6º da Lei n.º 9.528/97, na redação da Lei nº 10.256/2001, e o mesmo artigo 30, inciso IV da Lei nº 8212/91 estabeleceu, à empresa adquirente, a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições, por meio da sub-rogação. DA ILEGITIMIDADE DA RECORRENTE COM RELAÇÃO AO FUNRURAL - OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STF Não importa se são segurados especiais ou não as pessoas físicas que a Recorrente adquiriu os produtos, pois de qualquer sorte há incidência de contribuição social, eis que a legislação determina a retenção por sub-rogação. Quanto a observância ao decisório do STF, ao apreciar o Recurso Extraordinário n° 363.852 (Caso Mataboi - como ficou conhecido), o voto condutor do Ministro Relator Marco Aurélio foi seguido por unanimidade pelo Pretório Excelsior, declarando a inconstitucionalidade da contribuição do produtor rural pessoa física, prevista no artigo 25, I e II da Lei n° 8.212/91, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de produção rural, em razão da violação das normas constitucionais contidas nos artigos 150, II, e 195, I e §§ 4° e 8°, do Texto Maior. Foi declarada a inconstitucionalidade do artigo 30, IV da Lei n° 8.212/91, com redação dada pela Lei n° 9.258/97, afastando a obrigação de o adquirente recolher, por sub-rogação, a contribuição da produção rural adquirida de pessoas físicas. No caso em tela o lançamento foi feito com base na Lei nº 10.256/2001, promulgada já sob o pálio da Emenda Constitucional nº 20/1998, que passou a prever a tributação sobre a receita. Isto porque, a legislação de 2001 utilizou o texto referente à contribuição do segurado especial, não julgada inconstitucional, acrescentando-lhe carga normativa nova. Ou seja, o legislador fez uso da técnica da inserção normativa sem acréscimo de texto. Portanto, a partir da edição da Lei nº 10.256/2001, a contribuição incidente sobre o empregador rural pessoa física é constitucional, inconstitucionalidade declarada pelo Pretório Excelsior foi das contribuições incidentes sobre o resultado da comercialização da produção rural e não sobre a receita, como determina a lei. DA ILEGITIMIDADE DA RECORRENTE COM RELAÇÃO AO SENAR Trata-se de obrigação por sub-rogação expressa na lei, ou seja, contribuição devida a outras entidades e fundos, destinadas ao SENAR (0,2%), devidas pelos adquirentes de produto rural de produtor rural pessoa física, conforme determina o artigo 6º, da Lei 9.528/97, com redação data pela Lei 10.256/2001. NULIDADE - LAVRATURA DOS AIS COM RELAÇÃO À MATRIZ - DEVERIA SER LANÇADO CONTRA CADA CNPJ/MF ESPECIFICO Ao definir a empresa, enquanto contribuinte das contribuições previdenciárias, resta claro que o artigo cuidou de definir, em verdade, não a atividade abstrata de organização dos fatores da produção com vistas ao lucro, que é a empresa, mas o empresário, seja ele pessoa física - firma individual - ou pessoa jurídica, enquanto aquele que exerce tal atividade, fazendo-o por intermédio do conjunto de elementos corpóreos e incorpóreos definidos em lei como estabelecimento. No presente caso, pelas Planilhas de Aquisição de Produto Rural e de Valores a Lançar juntadas às fls. 837/1.854, em cotejo com os DD - Discriminativos do Débito (fls. 669/711; 716/756), e RL - Relatórios de Lançamentos (fls. 762/815), integrantes dos Autos de Infração, verifica-se que a Fiscalização apurou os fatos geradores ocorridos nos estabelecimentos e procedeu ao lançamento das bases de cálculo de forma separada para cada uma das filiais. Cada estabelecimento foi tratado de forma independente em relação aos fatos geradores das contribuições previdenciárias e ao SENAR, objeto das autuações em epígrafe. DILIGÊNCIA Diligência dispensável para o julgamento pode ser dispensada pela autoridade julgadora, como ocorreu no caso, até porque as provas pretendidas pela Recorrente é de sua responsabilidade e não podem trazer um ônus para o FISCO. DECADÊNCIA PARCIAL Súmula Vinculante nº 8 do STF, publicada em 20/06/2008, foi declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, que previa o prazo decadencial de dez anos para a constituição do crédito relativo às contribuições previdenciárias, devendo ser seguido pela Administração Pública, o prazo qüinqüenal previsto no Código Tributário Nacional (CTN) - Lei n.º 5.172, de 25/10/1966, para as contribuições previdenciárias, e as devidas a Terceiros ou equiparadas, consideradas tributos. Há de ser aplicado o artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, se houver antecipação ou ao menos parte dele, e o 173, I do mesmo Caderno se não houver recolhimento e ou antecipação alguma, como é o caso em tela. No caso em tela os valores devidos não foram antecipados e não integraram a base de cálculo dos recolhimentos efetuados pela empresa, nem foram declarados em GFIP. Nessas condições, não há que se falar nem em apuração da contribuição devida, nem em recolhimento antecipado, no tocante aos fatos geradores objeto desta autuação. Portanto, no presente caso, verificando ausência de apuração, ausência de declaração e ausência de recolhimento das contribuições devidas, a Fiscalização promoveu o lançamento de ofício, nos termos dos artigos 142 e 173 do CTN, e do artigo 37 da Lei nº 8212/91. Há de observar que o lançamento de ofício formalizado em 31/01/2013, as competências de 01/2008 a 12/2008 nele foram incluídas legitimamente, não tendo sido nenhuma delas atingida pela decadência, porque ainda dentro do prazo estipulado no artigo173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 Consolidada em 18/01/2013 CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE SIMULTANEIDADE. Não há de se falar em concomitância com ação judicial, quando naquela se discute determinada exação com base numa legislação diferenciada do que trata no processo administrativo. No caso em tela há de considerar o fato gerador como embasador do lançamento com fulcro na legislação que trata a Lei 10.256/2001. Não há de considerar se trata de aquisição de produto de segurado especial ou não, pois o que importa é o fato gerador em si, suficiente para determinar a não concomitância. NULIDADE NECESSIDADE DE LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA VALIDADE DA DECISÃO QUE DESOBRIGOU A RECORRENTE DO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES EXIGIDAS. INEXISTÊNCIA. Mandado de Segurança que tem como objeto desobrigar a Recorrente da retenção e do recolhimento da contribuição sobre a produção rural prevista na Lei nº 8.540/92, que alterou a redação do artigo 25 da Lei nº 8.212/91, em relação às suas aquisições de bovinos junto a produtores rurais pessoas físicas que sejam empregadores, de que trata a alínea “a” do inciso V da Lei nº 8212/91, não corresponde ao lançamento da autuação do presente processo administrativo, eis que não há concomitância do presente PA com o MS interposto pela Recorrente, já que, naquele ‘mandamus’ judicial tenta a Recorrente afastar recolhimento do adquirente de produtor rural de produtor rural pessoa física fulcrado em legislação anterior à Lei 10.256/2001. Não há diferença se se trata de segurado especial ou pessoa física, pois o que determina o recolhimento ou não do adquirente de produto rural de produtor AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 00 71 /2 01 3- 83 Fl. 2585DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 2 rural pessoa física ou segurado especial, por subrogação, é a Lei 10.256/2001 que nem foi aventada naquele ‘writ’, sendo objeto dele a Lei nº 8.540/92, que alterou a redação do artigo 25 da Lei nº 8.212/91. NULIDADE INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO PARA O ARBITRAMENTO Não há nulidade do lançamento por ausência de fundamentação para o arbitramento, quando os atos administrativos nas autuações possuem motivo legal, tendo sido praticados em conformidade com os rigores da lei, fundamentados e discriminados no Relatório Fiscal e nos anexos “FLD Fundamentos Legais do Débito”, onde consta toda a legislação que embasa os lançamentos, por rubrica e por competência. Havendo nos autos a comprovação de aquisição de produto rural de produtor rural, demonstrado motivos assaz para justificar os lançamentos. Quanto a um possível arbitramento, não houve tal comportamento, eis que a Fiscalização, para o lançamento, valeuse dos documentos contábeis e fiscais da Recorrente, próprios à verificação da base de cálculo que estavam disponíveis nos arquivos informatizados da RFB (GFIP, DIPJ), no Sistema Público de Escrituração Digital SPED (arquivos contábeis), ou foram fornecidos pela própria empresa (Livros de Registro de Entrada e de Saída). NULIDADE DO DESCUMPRIMENTO DO “MÚNUS” ATRIBUÍDO A AUTORIDADE FISCAL; iv) NULIDADE INSEGURANÇA NA DETERMINAÇÃO DA INFRAÇÃO INEXISTÊNCIA DE PROVAS DE QUE OS PRODUTORES NÃO SÃO EMPREGADORES; v) DA ILIQUIDEZ DA AUTUAÇÃO A Fiscalização não tem obrigação de investigar a real condição de empregadores dos fornecedores pessoas físicas da Autuada, eis que estando configurada a condição de aquisição de produto rural de produtor rural pessoa física. Quem patrocina prova ao contrário do lançamento é o contribuinte e não a fiscalização que fará tal mister. A legislação de regência determina ao adquirente de produto rural de produtor rural pessoa física o dever da contribuição devida à Seguridade Social, incidente sobre a receita bruta da comercialização da sua produção rural, onde está estabelecida no art. 25 da Lei n.º 8.212/91, esta obrigação. E, sobre a arrecadação e recolhimento das contribuições, determinou, à empresa adquirente, a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições, por meio da subrogação (art. 30, III e IV Lei 8.212/91). Referente à contribuição devida para o SENAR, pelo produtor rural pessoa física, incidente sobre a receita bruta da comercialização da sua produção rural, está estabelecida no art. 6º da Lei n.º 9.528/97, na redação da Lei nº 10.256/2001, e o mesmo artigo 30, inciso IV da Lei nº 8212/91 estabeleceu, à empresa adquirente, a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições, por meio da subrogação. DA ILEGITIMIDADE DA RECORRENTE COM RELAÇÃO AO FUNRURAL OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STF Não importa se são segurados especiais ou não as pessoas físicas que a Recorrente adquiriu os produtos, pois de qualquer sorte há incidência de Fl. 2586DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 19515.720071/201383 Acórdão n.º 2301004.040 S2C3T1 Fl. 7 3 contribuição social, eis que a legislação determina a retenção por sub rogação. Quanto a observância ao decisório do STF, ao apreciar o Recurso Extraordinário n° 363.852 (Caso Mataboi como ficou conhecido), o voto condutor do Ministro Relator Marco Aurélio foi seguido por unanimidade pelo Pretório Excelsior, declarando a inconstitucionalidade da contribuição do produtor rural pessoa física, prevista no artigo 25, I e II da Lei n° 8.212/91, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de produção rural, em razão da violação das normas constitucionais contidas nos artigos 150, II, e 195, I e §§ 4° e 8°, do Texto Maior. Foi declarada a inconstitucionalidade do artigo 30, IV da Lei n° 8.212/91, com redação dada pela Lei n° 9.258/97, afastando a obrigação de o adquirente recolher, por subrogação, a contribuição da produção rural adquirida de pessoas físicas. No caso em tela o lançamento foi feito com base na Lei nº 10.256/2001, promulgada já sob o pálio da Emenda Constitucional nº 20/1998, que passou a prever a tributação sobre a receita. Isto porque, a legislação de 2001 utilizou o texto referente à contribuição do segurado especial, não julgada inconstitucional, acrescentandolhe carga normativa nova. Ou seja, o legislador fez uso da técnica da inserção normativa sem acréscimo de texto. Portanto, a partir da edição da Lei nº 10.256/2001, a contribuição incidente sobre o empregador rural pessoa física é constitucional, inconstitucionalidade declarada pelo Pretório Excelsior foi das contribuições incidentes sobre o resultado da comercialização da produção rural e não sobre a receita, como determina a lei. DA ILEGITIMIDADE DA RECORRENTE COM RELAÇÃO AO SENAR Tratase de obrigação por subrogação expressa na lei, ou seja, contribuição devida a outras entidades e fundos, destinadas ao SENAR (0,2%), devidas pelos adquirentes de produto rural de produtor rural pessoa física, conforme determina o artigo 6º, da Lei 9.528/97, com redação data pela Lei 10.256/2001. NULIDADE LAVRATURA DO’S AI’S COM RELAÇÃO À MATRIZ DEVERIA SER LANÇADO CONTRA CADA CNPJ/MF ESPECIFICO Ao definir a empresa, enquanto contribuinte das contribuições previdenciárias, resta claro que o artigo cuidou de definir, em verdade, não a atividade abstrata de organização dos fatores da produção com vistas ao lucro, que é a empresa, mas o empresário, seja ele pessoa física firma individual ou pessoa jurídica, enquanto aquele que exerce tal atividade, fazendoo por intermédio do conjunto de elementos corpóreos e incorpóreos definidos em lei como estabelecimento. No presente caso, pelas Planilhas de Aquisição de Produto Rural e de Valores a Lançar juntadas às fls. 837/1.854, em cotejo com os DD Discriminativos do Débito (fls. 669/711; 716/756), e RL Relatórios de Lançamentos (fls. 762/815), integrantes dos Autos de Infração, verificase que a Fiscalização apurou os fatos geradores ocorridos nos estabelecimentos e procedeu ao Fl. 2587DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 4 lançamento das bases de cálculo de forma separada para cada uma das filiais. Cada estabelecimento foi tratado de forma independente em relação aos fatos geradores das contribuições previdenciárias e ao SENAR, objeto das autuações em epígrafe. DILIGÊNCIA Diligência dispensável para o julgamento pode ser dispensada pela autoridade julgadora, como ocorreu no caso, até porque as provas pretendidas pela Recorrente é de sua responsabilidade e não podem trazer um ônus para o FISCO. DECADÊNCIA PARCIAL Súmula Vinculante nº 8 do STF, publicada em 20/06/2008, foi declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, que previa o prazo decadencial de dez anos para a constituição do crédito relativo às contribuições previdenciárias, devendo ser seguido pela Administração Pública, o prazo qüinqüenal previsto no Código Tributário Nacional (CTN) Lei n.º 5.172, de 25/10/1966, para as contribuições previdenciárias, e as devidas a Terceiros ou equiparadas, consideradas tributos. Há de ser aplicado o artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, se houver antecipação ou ao menos parte dele, e o 173, I do mesmo Caderno se não houver recolhimento e ou antecipação alguma, como é o caso em tela. No caso em tela os valores devidos não foram antecipados e não integraram a base de cálculo dos recolhimentos efetuados pela empresa, nem foram declarados em GFIP. Nessas condições, não há que se falar nem em apuração da contribuição devida, nem em recolhimento antecipado, no tocante aos fatos geradores objeto desta autuação. Portanto, no presente caso, verificando ausência de apuração, ausência de declaração e ausência de recolhimento das contribuições devidas, a Fiscalização promoveu o lançamento de ofício, nos termos dos artigos 142 e 173 do CTN, e do artigo 37 da Lei nº 8212/91. Há de observar que o lançamento de ofício formalizado em 31/01/2013, as competências de 01/2008 a 12/2008 nele foram incluídas legitimamente, não tendo sido nenhuma delas atingida pela decadência, porque ainda dentro do prazo estipulado no artigo173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em não converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em converter o julgamento em diligência para verificação de suposta concomitância; b) em negar provimento ao recuso, nos termos de mérito, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento ao recurso. Declaração: Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 2588DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 19515.720071/201383 Acórdão n.º 2301004.040 S2C3T1 Fl. 8 5 Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Adriano Gonzáles Silvério, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Manoel Arruda Coelho Júnior. Fl. 2589DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 6 Relatório Tratase de crédito previdenciário constituído através de dois lançamentos, formalizados com base nos mesmos elementos de prova: · AIOP DEBCAD nº 51.011.0010: Auto de Infração de Obrigação Principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, da parte da empresa (2%), e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT (0,1%), devidas, por subrogação, pelos adquirentes de produto rural de produtor rural pessoa física, previstas no artigo 25, incisos I e II e §§ 3º e 4º, e artigo 30, incisos III e IV, todos da Lei nº 8212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores. Houve a propositura de uma ação judicial por parte da Recorrente, MS nº 2001.61.00.0000509, onde a sentença outrora em vigor, que somente abarcava as contribuições relativas à aquisição de produto rural de produtor rural pessoa física que utiliza empregados (contribuintes individuais), não está mais vigente. Os produtores rurais que possuem CNPJ perante os cadastros da RFB, na categoria de Contribuinte Individual, foram considerados como tal, e foram objeto do Levantamento “PJ2”. Em relação aos demais produtores, para os quais não houve comprovação de que são produtores rurais empregadores, foram objeto do Levantamento “PR2”, como segurado especial; · AIOP DEBCAD nº 51.011.0029: Auto de Infração de Obrigação Principal, relativo às contribuições destinadas ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR (0,2%), devidas, por subrogação, pelos adquirentes de produto rural de produtor rural pessoa física, prevista no artigo 6º da Lei nº 9528/97, com a redação dada pela Lei nº 10256/2001. Os códigos dos Levantamentos também são: “PR2 – Produção Rural”, e “PJ2 – Produção Rural com CNPJ” Foi aplicada a multa de ofício de 75%, nos moldes do artigo 35A, da Lei nº 8212/91, acrescentado pela Lei nº 11941/2009, c/c artigo 44 da Lei nº 9430/96; Tomou ciência do lançamento e apressouse em impugnálo, com suas razões, cujas quais não foram suficientes para alterar a decisão de piso, onde deve ciência no dia 29/05/2013. Inconformada, em 27/06/2013 aviou o presente Recurso Voluntário com as seguintes alegações: i) nulidade – necessidade de lançamento para prevenir decadência – validade da decisão que desobrigou a recorrente do recolhimento das contribuições exigidas; ii) nulidade – inexistência de fundamentação para o arbitramento; iii) nulidade – do descumprimento do “múnus” atribuído a autoridade fiscal; iv) nulidade – insegurança na determinação da infração – inexistência de provas de que os produtores não são empregadores; v) da iliquidez da autuação vi) da ilegitimidade da recorrente com relação ao FUNRURAL; vii) da ilegitimidade da recorrente com relação ao SENAR; viii) nulidade – lavratura do’s AI’s com Fl. 2590DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 19515.720071/201383 Acórdão n.º 2301004.040 S2C3T1 Fl. 9 7 relação à matriz – deveria ser lançado contra cada CNPJ/MF especifico; ix)do mérito e da observância das decisões do STF; x) diligência; xi) decadência parcial; Eis em síntese apertada o relado do necessário para o julgamento. Fl. 2591DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 8 Voto Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa – Relator O presente remédio processual recursivo acode as exigências processuais, razão pela qual dele conheço e passo analisar as suas razões de defesa. Mas, antes porém, mister trazer à baila que para a Fiscalização, conforme Relatório Fiscal que instruiu a presente autuação, o fato gerador da obrigação principal é a AQUISIÇÃO DE PRODUTO RURAL DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA – SEGURADO ESPECIAL. Para este Julgador não tenho esta distinção, eis que confirmada a obrigação principal não importa se tratar ou não de segurado especial. Então, desde já há de esclarecer que não haverá pronuncia se se trata de segurado especial ou não, pois o que vislumbro importante é que se houve fato gerador capaz de incidir contribuição previdenciária, independente de ser segurado especial ou não. i) NULIDADE – NECESSIDADE DE LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA – VALIDADE DA DECISÃO QUE DESOBRIGOU A RECORRENTE DO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES EXIGIDAS Noticia a Recorrente que havia decisão que a desobrigava recolher as contribuições exigidas no presente lançamento e foi reformada em sede de apelação. Mas que a mesma foi reformada, e anatematizada com embargos de declaração, sem julgamento definitivo. Diz que os ED’s por ausência de dispositivo legal dizendo se possui efeito suspensivo e devolutivo, deverá ser recepcionado em ambos efeitos, por ser a regra geral. E, por isto mesmo a autuação carece de requisitos que justifiquem o lançamento para prevenção de decadência e com a exigência de multa e juros, significa imediata execução da decisão que foi objeto de embargos de declaração. Então, conclui, não havendo justificativa para o lançamento, o mesmo deve ser anulado. Dos documentos dos autos vêse que o Mandado de Segurança impetrado tem como objeto desobrigar a Recorrente da retenção e do recolhimento da contribuição sobre a produção rural prevista na Lei nº 8540/92, que alterou a redação do artigo 25 da Lei nº 8.212/91, em relação às suas aquisições de bovinos junto a produtores rurais pessoas físicas que sejam empregadores, de que trata a alínea “a” do inciso V da Lei nº 8212/91. Desta forma, está tratando naquele ‘writ’ a subrogação da Recorrente ao recolhimento pelo produtor rural pessoa física, conforme nos informa a Fiscalização em seu Relatório Fiscal às fls. 824, onde assentado está parte dele, cuja notícia é: ‘..... 2.15 – A solicitação de informações acerca dos fornecedores, pessoas físicas, de produtor rural, conforme item “2” do Termo de Intimação Fiscal de 18/10/2012, foi necessária devido ao Fl. 2592DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 19515.720071/201383 Acórdão n.º 2301004.040 S2C3T1 Fl. 10 9 processo judicial nº 2001.60.00.0000509, referente ao Mandado de Segurança impetrado pela empresa em epígrafe perante a 22ª Vara Federal da Capital – SP, com fulcro na inconstitucionalidade da contribuição rural de produtor rural pessoa física, assim como de sua subrogação na pessoa do adquirente de produto rural de produtor rural pessoa física.GN). Então, destas premissas abstraíse que não há concomitância do presente PA com o MS interposto pela Recorrente, já que, naquele ‘mandamus’ judicial tenta a Impetrante/Recorrente afastar recolhimento do adquirente de produtor rural de produtor rural pessoa física fulcrado em legislação anterior à Lei 10.256/2001. E, como dito alhures, não faz diferença para este Julgador se se trata de segurado especial ou pessoa física, pois o que determina o recolhimento ou não do adquirente de produto rural de produtor rural pessoa física ou segurado especial, por subrogação, é a Lei 10.256/2001 que nem foi aventada naquele ‘writ’, sendo objeto dele a Lei nº 8.540/92, que alterou a redação do artigo 25 da Lei nº 8.212/91. Portanto, não vislumbro concomitância com aquele ‘writ’, e por isto não há aplicação da Súmula CARF nº 01, e tão pouco há a desejada nulidade no lançamento como quer a Recorrente. ii) NULIDADE – INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO PARA O ARBITRAMENTO Insubstanciosa é a alegação da Recorrente que diz haver a nulidade do lançamento por ausência de fundamentação para o arbitramento. Isto porque os atos administrativos nas autuações possuem motivo legal, tendo sido praticados em conformidade com os rigores da lei, fundamentados e discriminados no Relatório Fiscal e nos anexos “FLD – Fundamentos Legais do Débito”, onde consta toda a legislação que embasa os lançamentos, por rubrica e por competência. De mais a mais os fatos narrados no Relatório Fiscal, quanto a aquisição de produto rural de produtor rural não foi negado pela Recorrente, demonstrando assim que há motivos assaz para justificar os lançamentos objurgados. E, quanto a um possível arbitramento, vêse que a Fiscalização até poderia seguir esta seara se acudisse às hipóteses do artigo 33 da Lei nº 8.212/91, e artigo 447 da IN RFB nº 971/2009. Mas o fato é que não houve tal comportamento, eis que a Fiscalização, para o lançamento, valeuse dos documentos contábeis e fiscais da Recorrente, próprios à verificação da base de cálculo que estavam disponíveis nos arquivos informatizados da RFB (GFIP, DIPJ), no Sistema Público de Escrituração Digital – SPED (arquivos contábeis), ou foram fornecidos pela própria empresa (Livros de Registro de Entrada e de Saída). Desta feita, a apuração do crédito tributário por meio destes documentos não constitui arbitramento ou aferição indireta, uma vez que eles registram exatamente a base de cálculo prevista na legislação previdenciária – sendo apuração direta. Sem razão. Fl. 2593DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 10 iii) NULIDADE – DO DESCUMPRIMENTO DO “MÚNUS” ATRIBUÍDO A AUTORIDADE FISCAL; iv) NULIDADE – INSEGURANÇA NA DETERMINAÇÃO DA INFRAÇÃO – INEXISTÊNCIA DE PROVAS DE QUE OS PRODUTORES NÃO SÃO EMPREGADORES; v) DA ILIQUIDEZ DA AUTUAÇÃO A Recorrente alega que exigiu da Fiscalização que esta promovesse uma investigação para saber a real condição de empregadores de seus fornecedores pessoas físicas, mas que não houve tal comportamento. Ora, acertada a decisão da Fiscalização, pois estava configurada para ela a condição de aquisição de produto rural de produtor rural pessoa física, sem que nada mais deveria produzir, sendo certo que a Recorrente é que deveria produzir as suas peças defensivas, se era este o objetivo. E, mesmo não sendo constatado que os produtores rurais eram pessoas físicas não empregadores, alega que a autuação é ilíquida e incerta. Mas tudo sem razão, já que a legislação especifica determina ao adquirente de produto rural de produtor rural pessoa física o dever da contribuição devida à Seguridade Social, incidente sobre a receita bruta da comercialização da sua produção rural, onde está estabelecida no art. 25 da Lei n.º 8.212/91, esta obrigação. E, sobre a arrecadação e recolhimento das contribuições, determinou, à empresa adquirente, a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições, por meio da subrogação (art. 30, III e IV Lei 8.212/91). Referente à contribuição devida para o SENAR, pelo produtor rural pessoa física, incidente sobre a receita bruta da comercialização da sua produção rural, está estabelecida no art. 6º da Lei n.º 9.528/97, na redação da Lei nº 10.256/2001, e o mesmo artigo 30, inciso IV da Lei nº 8212/91 estabeleceu, à empresa adquirente, a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições, por meio da subrogação. Assim, não há de considerar a proclamada nulidade trazida no Recurso Voluntário. vi) DA ILEGITIMIDADE DA RECORRENTE COM RELAÇÃO AO FUNRURAL – ix) MÉRITO – OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STF Diz que não responde pelo crédito previdenciário autuado porque não é contribuinte da exação, eis que os produtos adquiridos por ela não foram adquiridos de segurados especiais, e que não reteve as contribuições. Em primeiro lugar, tenho que não importa se são segurados especiais ou não as pessoas físicas que a Recorrente adquiriu os produtos, pois de qualquer sorte há incidência de contribuição social, e, de mais a mais, não reteve por incúria sua, eis que a legislação determina a retenção por subrogação. Quanto a observância ao decisório do STF, ao apreciar o Recurso Extraordinário n° 363.852 (Caso Mataboi – como ficou conhecido), o voto condutor do Ministro Relator Marco Aurélio foi seguido por unanimidade pelo Pretório Excelsior, declarando a inconstitucionalidade da contribuição do produtor rural pessoa física, prevista no artigo 25, I e II da Lei n° 8.212/91, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de produção rural, em razão da violação das normas constitucionais contidas nos artigos 150, II, e 195, I e §§ 4° e 8°, do Texto Maior. Fl. 2594DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 19515.720071/201383 Acórdão n.º 2301004.040 S2C3T1 Fl. 11 11 Foi declarada a inconstitucionalidade do artigo 30, IV da Lei n° 8.212/91, com redação dada pela Lei n° 9.258/97, afastando a obrigação de o adquirente recolher, por subrogação, a contribuição da produção rural adquirida de pessoas físicas. De fato, o Recurso Extraordinário nº 363.852/MG, interposto por Frigorífico Mataboi S/A, o Pretório Excelsior declarou a inconstitucionalidade da obrigação tributária incidente sobre a comercialização da produção rural (Novo FUNRURAL), a que estava obrigada a recolher na condição de substituta tributária, no Acórdão transcrito abaixo: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. (RE 363852, Relator Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071 de 23042010) Reza o artigo 545B do CPC que: “Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. Por esta razão o supramencionado Acórdão foi utilizado em regime de repercussão geral, o que se deu através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 596.177/RS, cuja ementa tem o seguinte escólio: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I – Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II – Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III – RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. (RE 596177, Relator Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 01/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO, DJe165 de 29082011) Fl. 2595DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 12 Numa análise percuciente vêse dos julgados acima que a inconstitucionalidade declarada foi ‘a supressão no texto do caput do art. 25 da expressão “[...] do empregador rural pessoa física e [...] referidos, respectivamente, na alínea “a” do inciso V [...]”. Sendo certo que preservou no dispositivo, texto e norma suficiente para não ferir a contribuição social do segurado especial, arrimada no art. 195, § 8º, da Lei Maior. Por outro lado, embora tenha havido a redução parcial do texto da cabeça do dispositivo inquinado, a declaração de inconstitucionalidade relativamente aos incisos I e II, entretanto, ocorreu sem redução de texto alguma. Isso para que o texto legislativo permanecesse íntegro para com relação à norma exacional incidente sobre o segurado especial. Em verdade, penso que a celeuma toda foi criada porque a Carta Maior de 1988 igualou os trabalhadores urbanos e rurais em direitos sociais, inclusive com relação aos benefícios previdenciários, o que de fato plagiou o princípio da equidade. Todavia, o custo disto é que não foi bem preparado pelo legislador, eis que a legislação de custeio da Previdência Social, que da mesma forma tinha que equiparar empregadores rurais aos urbanos, passou obrigar do segundo a incidência da mesma alíquota, ou seja, de 20% (vinte por cento) sobre a folha de pagamentos. Entretanto, o legislador originário não contou com duas questões desfavoráveis a tal equiparação, sendo a primeira referente a questão logística, eis que para realizar a fiscalização no campo seria uma tarefa quase impossível, além de um custo muito elevado, e que a tal incidência de 20% oneraria muito o empregador rural, dado a diversos fatores. Assim, veio o novo FUNRURAL, tentando equilibrar as coisas e continuar a assistir o empregado do campo, e alterou a forma de tributação deste para onerar, em substituição à folha de pagamentos, o resultado da comercialização da produção rural (art. 25 da Lei nº 8.212/1991, alterado pelas Leis nºs 8.540/1992 e 9.528/1997). Este novo FUNRURAL, como visto acima não foi chancelado pelo Judiciário, eis que o julgou inconstitucional por entender que há criação de nova fonte de custeio da Previdência Social sem o manejo de lei complementar (Recursos Extraordinários nºs 363.852/MG e 596.177/RS), no meu modesto entender ocorrendo um vício formal. Desta forma, havia no novo Funrural, segundo os mencionados Acórdãos, um vício formal, cujo qual, penso, já tinha sido sanado pela Lei nº 10.256/2001, promulgada já sob o pálio da Emenda Constitucional nº 20/1998, que passou a prever a tributação sobre a receita. Isto porque, a legislação de 2001 utilizou o texto referente à contribuição do segurado especial, não julgada inconstitucional, acrescentandolhe carga normativa nova. Ou seja, o legislador fez uso da técnica da inserção normativa sem acréscimo de texto. Portanto, a partir da edição da Lei nº 10.256/2001, a contribuição incidente sobre o empregador rural pessoa física é constitucional, inconstitucionalidade declarada pelo Pretório Excelsior foi das contribuições incidentes sobre o resultado da comercialização da produção rural e não sobre a receita, como determina a lei. Sem Razão a Recorrente. vii) DA ILEGITIMIDADE DA RECORRENTE COM RELAÇÃO AO SENAR Tratase de obrigação por subrogação expressa na lei, ou seja, contribuição devida a outras entidades e fundos, destinadas ao SENAR (0,2%), devidas pelos adquirentes de Fl. 2596DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 19515.720071/201383 Acórdão n.º 2301004.040 S2C3T1 Fl. 12 13 produto rural de produtor rural pessoa física, conforme determina o artigo 6º, da Lei 9.528/97, com redação data pela Lei 10.256/2001. Na clareza da lei cessa sua interpretação. A legislação está em pleno vigor, não havendo nada no mundo jurídico que afasta a sua aplicação, devendo ser mantido a exação. Sem razão a Recorrente. viii) NULIDADE – LAVRATURA DO’S AI’S COM RELAÇÃO À MATRIZ – DEVERIA SER LANÇADO CONTRA CADA CNPJ/MF ESPECIFICO Alega que há nulidade dos Autos de Infração porque não foram lavrados contra cada CNPJ específico, mas apenas contra a matriz. O que não prospera, eis que a Lei 8.212/91 determina que é considerada empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional. A decisão de piso foi muito feliz em verberar sobre o tema, razão pela qual, faço dela minhas palavras e peço vênia para transcrevêla: .... 25.3 Ao definir a empresa, enquanto contribuinte das contribuições previdenciárias, resta claro que o artigo cuidou de definir, em verdade, não a atividade abstrata de organização dos fatores da produção com vistas ao lucro, que é a empresa, mas o empresário, seja ele pessoa física – firma individual – ou pessoa jurídica, enquanto aquele que exerce tal atividade, fazendoo por intermédio do conjunto de elementos corpóreos e incorpóreos definidos em lei como estabelecimento. 25.4 No entanto, cumpre distinguir entre a obrigação em si e a responsabilidade. À primeira vista, podem significar sinônimos da mesma realidade fenomênica. Contudo, tal não se mostra efetivo. Em verdade, a teoria das obrigações, enquanto relação jurídica, e assim também o é a relação de sujeição tributária, assume uma particularidade dúplice, qual seja, a distinção entre a obrigação e a responsabilidade. 25.5 A obrigação se constitui no vínculo jurídico pelo qual um dos sujeitos deve a outro uma prestação, e ao segundo corresponde o direito de exigir seu adimplemento: é uma relação de puro débito. Já a responsabilidade se constitui em corolário do inadimplemento da prestação obrigacional, ou seja, exsurge secundária e condicionalmente, a partir do momento em que o devedor, obrigado à prestação, não a desempenha. 25.6 Assim, embora pareçam institutos semelhantes, se diferem. Por óbvio, o inadimplemento da obrigação gera a responsabilidade que recai sobre o elemento patrimônio, pertencente ou não ao devedor originário. Dessa forma, tanto a legislação civil como a tributária definem os devedores, isto é, os sujeitos obrigados à prestação que se constitui o objeto da Fl. 2597DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 14 relação jurídica, e, após isto, definem os responsáveis, isto é, pessoas que podem ou não coincidir com a pessoa do devedor originário, daí advindo que a definição de sujeito devedor pode conduzir à definição do responsável, mas não o contrário. 25.7 Muito embora o lançamento seja, ao final, consolidado no estabelecimento matriz, enquanto titular organizacional da empresa, de rigor reconhecer que cada conjunto de informações relativo ao lançamento, como a identificação da base de cálculo, o enquadramento em alíquotas, devem ser devidamente demonstrados de forma segregada, devendo haver a consideração de crédito/débito em relação a cada estabelecimento. 25.8 No presente caso, pelas Planilhas de Aquisição de Produto Rural e de Valores a Lançar juntadas às fls. 837/1.854, em cotejo com os DD – Discriminativos do Débito (fls. 669/711; 716/756), e RL – Relatórios de Lançamentos (fls. 762/815), integrantes dos Autos de Infração, verificase que a Fiscalização apurou os fatos geradores ocorridos nos estabelecimentos e procedeu ao lançamento das bases de cálculo de forma separada para cada uma das filiais. Cada estabelecimento foi tratado de forma independente em relação aos fatos geradores das contribuições previdenciárias e ao SENAR, objeto das autuações em epígrafe. 25.9 Assim, ao contrário do que afirma a Impugnante, foi plenamente respeitada a regra de que cada estabelecimento da empresa, embora não provido de personalidade jurídica distinta, é devedor das contribuições previdenciárias e de Terceiros cujos fatos geradores tenha praticado, ainda que o lançamento se consolide na responsabilidade do estabelecimento matriz. Sem razão a Recorrente. x) DILIGÊNCIA A diligência requerida pela Recorrente é dispensável para o julgamento e pode ser dispensada pela autoridade julgadora, como ocorreu no caso, até porque as provas pretendidas pela Recorrente é de sua responsabilidade e não podem trazer um ônus para o FISCO. De mais a mais, como alhures já pronunciado por diversas vezes, não importa se tratar de segurado especial ou não para incidência da contribuição previdenciária autuada nos presentes autos. Desta forma, dispensável a diligência, há de ser indeferida. xi) DECADÊNCIA PARCIAL Diz a Recorrente que a competência de janeiro de 2008 está fulminada pela decadência, mas não prospera. Conforme a Súmula Vinculante nº 8 do STF, publicada em 20/06/2008, foi declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, que previa o prazo decadencial de dez anos para a constituição do crédito relativo às contribuições previdenciárias, devendo ser seguido pela Administração Pública, o prazo qüinqüenal previsto Fl. 2598DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 19515.720071/201383 Acórdão n.º 2301004.040 S2C3T1 Fl. 13 15 no Código Tributário Nacional (CTN) – Lei n.º 5.172, de 25/10/1966, para as contribuições previdenciárias, e as devidas a Terceiros ou equiparadas, consideradas tributos. Assim, há de ser aplicado o artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, se houver antecipação ou ao menos parte dele, e o 173, I do mesmo Caderno se não houver recolhimento e ou antecipação alguma, como é o caso em tela. Código Tributário Nacional Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; ... De acordo com o Relatório Fiscal, foram lançadas as contribuições devidas à Seguridade Social, da parte da empresa (2%), e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT – 0,1%), e as contribuições devidas ao SENAR – 0,2%, devidas, por subrogação, pelos adquirentes de produto rural de produtor rural pessoa física. Tais valores não integraram a base de cálculo dos recolhimentos efetuados pela empresa, nem foram declarados em GFIP. Nessas condições, não há que se falar nem em apuração da contribuição devida, nem em recolhimento antecipado, no tocante aos fatos geradores objeto desta autuação. A apuração do valor devido e o recolhimento, pelo Contribuinte, não foram promovidos de acordo com a determinação legal, nem foram completos. E conforme determina o CTN: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; (...) No presente caso, verificando ausência de apuração, ausência de declaração e ausência de recolhimento das contribuições devidas, a Fiscalização promoveu o lançamento de ofício, nos termos dos artigos 142 e 173 do CTN, e do artigo 37 da Lei nº 8212/91. Dessa forma, tendo sido o lançamento de ofício formalizado em 31/01/2013, as competências de 01/2008 a 12/2008 nele foram incluídas legitimamente, não tendo sido nenhuma delas atingida pela decadência, porque ainda dentro do prazo estipulado no artigo173, inciso I, do Código Tributário Nacional. CONCLUSÃO Fl. 2599DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 16 Diante do exposto tenho que o Recurso aviado encontrase em consonância com a legislação processual, razão pela qual dele conheço, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator (assinado digitalmente) Declaração de Voto Apresento na oportunidade declaração de voto em face do meu entendimento quanto à impossibilidade de exigência da retenção da contribuição para o produtor rural, pessoa física empregador, haja vista a declaração de inconstitucionalidade do inciso IV, do art. 30, da Lei n. 8.212/91, quando do julgamento pelo STF do RE 363852. Importa dizer que em 03/02/2010, o Plenário do STF , por unanimidade e nos termos do voto do Ministro Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário acima numerado para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Ministro Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitada por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie, conforme se verifica da ementa abaixo: RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária Fl. 2600DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 19515.720071/201383 Acórdão n.º 2301004.040 S2C3T1 Fl. 14 17 subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações.(RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071 DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010 EMENT VOL0239804 PP00701 RTJ VOL00217 PP00524 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 4169) Registrese que o referido Acórdão transitou em julgado em 08/06/20111. É cediço por aqueles que militam nesta seara do Direito que o Decreto n. 70.275/72 [PAF] prevê que, no âmbito administrativo fiscal fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo quando já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) [Grifo nosso] Mesmo sendo desnecessária a repetição, o Regimento do Interno do CARF aprovado pela Portaria MF n. 256/2009 resolveu reiterar o comando normativo: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou [Grifouse] 1 Informação obtida no sítio do STF, em 02/09/2014: http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?numero=363852&classe=RE&codigoClasse=0 &origem=JUR&recurso=0&tipoJulgamento=M Fl. 2601DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 18 Ora, ilustres Pares, a preocupação é tanta da Administração Tributária pela não constituição e manutenção de créditos que tratam de matérias já amplamente discutidas em sede dos Tribunais Superiores e que possuem jurisprudência consolidada, que a Lei n. 12.844/2013 alterou o art. 19, da Lei n. 10.522/2002 para autorizar a PGFN a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: Art. 21. O art. 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 19. ........................................................................ .............................................................................................. II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal Superior Eleitoral, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda; .............................................................................................. IV matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. § 1º Nas matérias de que trata este artigo, o Procurador da Fazenda Nacional que atuar no feito deverá, expressamente: I reconhecer a procedência do pedido, quando citado para apresentar resposta, inclusive em embargos à execução fiscal e exceções de préexecutividade, hipóteses em que não haverá condenação em honorários; ou II manifestar o seu desinteresse em recorrer, quando intimado da decisão judicial. .............................................................................................. § 4º A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que tratam os incisos II, IV e V do caput, após manifestação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. § 5º As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas Fl. 2602DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 19515.720071/201383 Acórdão n.º 2301004.040 S2C3T1 Fl. 15 19 de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. .............................................................................................. § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput.” (NR) Nesse sentido, com espeque nos argumentos acima, manterse lançamento fundado em obrigação declarada inconstitucional pelo STF repercute, ao meu sentir, erronia grave e que deve ser de pronto expurgada por esse Órgão Julgador. Persistir nesse equívoco, ao meu sentir, apenas procrastina litígio que há muito já foi encerrado pelo excelso STF. Nesse sentido, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO quanto impossibilidade do lançamento do FUNRURAL, com espeque no inciso IV, do art. 30, da Lei n. 8.212/91. É como voto. Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 2603DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 12/05/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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Numero do processo: 11080.916559/2009-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
Pedido de Compensação. Ônus da Prova.
O pressuposto básico para a formulação de pedido de compensação é a demonstração da liquidez e certeza dos créditos pleiteados. Assim sendo, não há como homologar declaração de compensação fundada exclusivamente na alegação de equívoco quando do cálculo dos encargos legais pelo recolhimento em atraso, sem que seja apresentado sequer os cálculos empregados para apurar o suposto indébito.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-01.192
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 Pedido de Compensação. Ônus da Prova. O pressuposto básico para a formulação de pedido de compensação é a demonstração da liquidez e certeza dos créditos pleiteados. Assim sendo, não há como homologar declaração de compensação fundada exclusivamente na alegação de equívoco quando do cálculo dos encargos legais pelo recolhimento em atraso, sem que seja apresentado sequer os cálculos empregados para apurar o suposto indébito. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Mara Cristina Sifuentes, Álvaro Almeida Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Fl. 42DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: A empresa citada identificada por IFORTIX INSTALAÇÕES E CONSTRUÇÕES LTDA transmitiu declaração de compensação (Dcomp) em 20/01/2005, informando como crédito valor de pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o PIS/Pasep, sendo que o valor total do pagamento é R$ 1.244,20.. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre pelo Despacho Decisório não reconheceu o direito pleiteado e não homologou a compensação declarada, afirmando que o DARF foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados em dcomp. Tempestivamente, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que em algumas oportunidades teve dificuldades em recolher pontualmente os tributos. Sempre que ocorreram tais fatos, o contribuinte acabou efetuando o pagamento do débito, acrescido de multa e juros, antes mesmo da apresentação da DCTF. Conforme art. 138 CTN, as multas recolhidas nas situações acima são indevidas, e, ao tomar conhecimento de tal fato. o contribuinte alegou que mensurou o crédito e procedeu a compensação na forma da legislação em vigor. Alega que se a autoridade fiscal tivesse cumprido com seu dever de solicitar a prova dos créditos, teria acesso às planilhas de apuração e verificaria a regularidade do encontro de contas efetuado, além de constatar o pagamento dos tributos espontaneamente, portanto, inexigível sendo a multa. Requer que se anule o despacho decisório em questão, apurando a existência do crédito utilizado pelo contribuinte nas compensações glosadas. Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de primeira instância pelo indeferimento do pedido de compensação, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF PAGAMENTO A DESTEMPO IMPROCEDÊNCIA Pacífico o entendimento tanto no âmbito do Poder Judiciário como na esfera administrativa de que não constitui denúncia espontânea o pagamento de valores declarados cm DCTF, sendo devida multa de mora pelo pagamento em atraso. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Impugnação Improcedente Fl. 43DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11080.916559/200973 Acórdão n.º 310201.192 S3C1T2 Fl. 41 3 Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção. Aduz a recorrente, que tanto o órgão de jurisdição quanto o julgador de primeira instância não cumpriam o dever de investigar a liquidez e certeza dos créditos em que se fundaria o pedido de compensação litigioso. Quanto à alegação, é preciso recordar o que dizia o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, (original não destacado): Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Como é possível perceber, a apuração do crédito, tarefa a ser empreendida pelo sujeito passivo nos termos do dispositivo transcrito, é o ponto de partida para formulação de declaração de compensação. Ora, compulsando os autos, o que se verifica é que não foi colacionado qualquer elemento que demonstre o indébito. Aliás, não foi trazido sequer um demonstrativo que discrimine quais foram os parâmetros utilizados para sua apuração. Com efeito, o sujeito passivo aduz que os pagamentos eram indevidos, de acordo com determinado norte jurisprudencial, mas não traz ao processo sequer elementos que permitam aferir se os fundamentos invocados seriam os mesmos que foram considerados para o afastamento da multa em outros processos. Noutro giro, levando a discussão para o plano processual, de acordo com o art. 16, III do Decreto nº 70.2351, de 1972, caberia ao sujeito passivo carrear ao processo os elementos respaldassem suas alegações. 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 44DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 Assim, considero prejudicada a discussão acerca do higidez da incidência de multa moratória sobre tributos recolhidos espontaneamente em atraso. Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 1 de setembro de 2011 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Fl. 45DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10283.901763/2009-41
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório.
Recurso provido em parte
Numero da decisão: 1803-002.056
Decisão: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(Assinado Digitalmente)
Sérgio Luiz Bezerra Presta - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, que presidiu a Turma, Meigan Sack Rodrigues,Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sergio Rodrigues Mendes, Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. Recurso provido em parte
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COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. Recurso provido em parte Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, que presidiu a Turma, Meigan Sack Rodrigues,Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sergio Rodrigues Mendes, Neudson Cavalcante Albuquerque. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 17 63 /2 00 9- 41 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 22/0 5/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.901763/200941 Acórdão n.º 1803002.056 S1TE03 Fl. 125 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 0122.007 proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA, constante das fls. 47 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Tratase de declaração de compensação transmitida em 31/08/2005 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de R$ 16.695,85 resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2362, do período de apuração de 09/2004, no valor originário de R$ 112.806,02. A Delegacia de origem, em análise datada de 25.03.2009 (fl. 06), registra que “analisadas as informações prestadas no documento (...), foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período”. Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 03/04/2009, a interessada apresentou, em 05.05.2009, manifestação de inconformidade na qual alega (fls. 10/25): a) A impugnante é optante pelo regime de pagamento de IRPJ pelo lucro real e, há época recolhia mensalmente o imposto pela sistemática de estimativa e no período de setembro de 2004 realizou o pagamento de CSLL, Cod. 2362, no valor de R$ 112.806,02, todavia o valor correto apurado foi de R$ 96.110,17, configurando então um recolhimento a maior que o calculado e declarado na DCTF, no valor de R$ 16.695.85. Sendo mais claro, recolheu a maior que o montante resultante do cálculo da estimativa. Utilizavase regularmente dos balancetes para a suspensão, redução e dispensa do imposto mensal prescritos na legislação. Entendia, todavia, que neste particular caso não se tratava de imposto estimado, pois a quantia paga excedia ao cálculo previsto em lei. Assim, como em qualquer outro tributo, deveria ser considerado como pagamento indevido ou a maior. b) O que se defende aqui é o uso permitido do procedimento administrativo pela autoridade para resolver, pelo seu livre convencimento, as questões de direito, dentro de um mínimo de flexibilidade, permitido e fortemente estimulado pela norma administrativa regimental. Não por outra razão, em face do saneamento das questões discutidas, cumpriria seu objetivo de evitar a ida de toda sorte de litígios ao judiciário. É apenas isto que se pede aqui. Pedese simplesmente que seja verificada a inaplicabilidade ao presente caso do paradigma escolhido pela autoridade. O pagamento de IRPJ estimativa é antecipação do IR anual, calculada conforme a legislação. Por outro lado, o caso em tela é um pagamento em excesso ao cálculo da estimativa e que não havia sido declarado. c) Definindo a fonte de crédito de um jeito ou de outro, de "pagamento a maior" ou "saldo negativo", os seus valores não são alterados. Ou melhor, se esse valor for acumulado aos demais pagamentos de IR estimativa, se obtém como resultado um novo saldo negativo maior que o anterior exatamente no montante que aqui se defende como direito creditório. Portanto, o fato de se ter denominado como fonte do crédito o pagamento indevido ou a Fl. 125DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 22/0 5/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.901763/200941 Acórdão n.º 1803002.056 S1TE03 Fl. 126 3 maior não provocou qualquer dano ao erário, na medida em que a contribuinte foi cauteloso em apurar primeiro o IR anual, para constatar o valor da parcela do seu crédito que denominou de pagamento a maior, separadamente da parcela que denominou ‘saldo negativo’. O procedimento tomado pela Fazenda nacional, com a devida venia, contrasta com o principio basilar do processo administrativo da busca da verdade material, pelo qual a administração deve se utilizar de todos os meios para estabelecer o que é público e o que é do particular por direito, não permitindo que um se aproprie ilegalmente do que é do outro, protegendo assim o bem público. Refere julgados administrativos e conclui que a simples solicitação para que a Requerente retificasse os pedidos possibilitaria a denúncia e retificação do erro de preenchimento que prejudicou a percepção da exatidão e liquidez do direito à restituição e, por conseqüência da compensação dos valores retificados. Por tal razão, desde já, rogase a esta D. Autoridade, que RECONSIDERE a referida decisão proferida e que proceda a verificação do direito à compensação da Requerente em sua totalidade. d) O Código Tributário Nacional preconiza a possibilidade da revisão de oficio da autoridade pública, em razão de erro, omissão ou intempestividade por parte do sujeito passivo da obrigação tributária. Cita julgados judicial e administrativos, sustentando que não pode ser rechaçada a compensação apenas em razão de diferença de entendimento quanto à denominação do ‘tipo de crédito’ e, em razão de, no entendimento da autoridade, a denominação do crédito estar errada, deixando de examinar que o montante apurado de saldo negativo não continha tal valor, deixado em separado para servir de fonte de crédito para a compensação aqui em questão. Se tivesse aprofundado sua análise teria chegado a conclusão inafastável que, independente da denominação dada pela contribuinte, o crédito existia e então, poderia ser objeto de compensação. e) Independentemente do equívoco que fora perpetrado pela Requerente, ainda assim, não se pode olvidar a subsistência da obrigação da Fazenda Pública em restituir ou compensar pagamentos indevidos feitos a título de tributo, pois esta obrigação decorre do fato de haver recebido valor sem fundamento na lei, ou seja, fora dos estritos termos dos seus comandos. Outro fato que deve ser relevado ao analisar a situação aqui em foco é que o ERRO DE FATO não configura fato gerador de tributo, deixando o valor recebido sem base legal em forma de indébito que, de igual maneira também é consagrado na Jurisprudência dominante, dá direito à repetição. Refere decisões judicial e administrativa”. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA, na sessão de 13/06/2011, ao analisar a manifestação de inconformidade apresentada, proferiu o Acórdão nº 0122.007 entendendo por unanimidade de votos, “julgar improcedente a manifestação de inconformidade”, em decisão assim ementada: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência e oponibilidade à Receita Federal do Brasil do crédito apontado como compensável. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 22/0 5/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.901763/200941 Acórdão n.º 1803002.056 S1TE03 Fl. 127 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificado da decisão de primeira instância em 25/07/2011 (segundafeira) (AR constante das fls. 56), a BRAGA VEÍCULOS LTDA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0122.007, recorre em 24/08/2011 (fls. 58 e segs dos autos) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado, atacando os argumentos do acórdão recorrido, com os seguintes pedidos: “1. Seja acolhida a preliminar de nulidade para anular o Acórdão 01 22.007; ou, 2. Se pelas razões e provas for possível julgar o pleito favoravelmente ao sujeito passivo, seja declarado improcedente o Acórdão objurgado; 3. Seja homologada a compensação declarada por meio do PER/DCOMP n.° 02454.44183.310805.1.3.041429; 4. Seja determinada a baixa do débito em nome da interessada referente ao tributo compensado na forma do item anterior; e, por fim, 5. Após todas as providências de praxe, seja arquivado o processo à epígrafe”. Na referência às folhas dos autos considerei a numeração do processo eletrônico (eprocesso). É o relatório do essencial. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 22/0 5/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.901763/200941 Acórdão n.º 1803002.056 S1TE03 Fl. 128 5 Voto Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Relator Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Antes de adentra ao mérito da questão, passo a analisar a preliminar de nulidade levantada pela Recorrente no pedido do recurso voluntário, fls. e segs dos autos. Procurei as razões que embasariam a suposta nulidade do Acórdão nº 01 22.007 proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – PA e simplesmente não encontrei. Na verdade o recurso voluntário trata: a) da tempestividade (fls.); b) dos fatos (fls.); c) da existência e suficiência do direito creditório (fls.); c) da possibilidade do oferecimento de provas (fls.); d) da incompetência da delegacia de julgamento para alterar o fundamento do lançamento (fls.); e) do mérito (fls.); e f) dos pedidos (fls.). Ou seja, nas paginas do recurso voluntário, a Recorrente não apresenta nenhuma razão, fato ou indicio que fundamente a suposta nulidade do Acórdão nº 0122.007 proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – PA. Assim, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade. Ultrapassado esse ponto, passo agora à questão de mérito, que foi bem sintetizada pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – PA, quando afirmou às fls. dos autos: “Ressaltese que em se tratando de pedido de restituição/compensação o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando, notadamente por intermédio de sua escrita contábil e fiscal e respectiva documentação de suporte, que o pagamento foi realmente indevido. Assim, em tais hipóteses fazse indispensável a exibição dos registros contábeis da conta de ativo do tributo a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, regularmente transcritos no livro ‘Diário’, a demonstração do resultado do exercício, a devida contabilização das receitas auferidas pela pessoa jurídica, os lançamentos de eventuais compensações, os registros pertinentes do livro “LALUR” etc, haja vista que a Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ, por si só, não exprime nem materializa o indébito fiscal.” Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 22/0 5/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.901763/200941 Acórdão n.º 1803002.056 S1TE03 Fl. 129 6 Diante do que consta dos autos, vejo que a 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – PA não aceitou, como componentes do saldo negativo, os valores de estimativa pagos a maior, o que é, incontestavelmente, um equívoco, tendo em vista que a Recorrente apresentou as DCTF’s que suportam o crédito utilizado (fls. 27). Além do mais, quando o pagamento efetuado é superior ao débito IRPJ declarado, o valor considerado como estimativa IRPJ efetivamente paga é o pagamento limitado ao montante declarado. Isto porque os sistemas da Receita Federal do Brasil – RFB são alimentados pelos débitos declarados em DCTF, bem como pelo fato do próprio contribuinte ter feito expressamente distinção entre o pagamento e o valor pago do débito. Diante do exposto, voto para rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente, reformando, desta feita, parte da decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – PA. (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 22/0 5/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA
score : 1.0
Numero do processo: 11128.006110/2006-69
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 21/09/2001
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ACORDO ALADI. REDUÇÃO TARIFÁRIA. EXPEDIÇÃO DIRETA.
Não constitui descumprimento dos requisitos para a concessão do benefício de redução do imposto de importação o fato de quando do transporte de mercadoria originária de país participante, transitar justificadamente por país não participante e, quando demonstrada a operação como expedição direta e cumpridos os demais requisitos de origem, há que se reconhecer o cabimento do benefício do direito creditório proveniente do imposto recolhido a maior. Precedentes.
Numero da decisão: 3803-005.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. O conselheiro Corintho Oliveira Machado votou pelas conclusões. Vencidos os conselheiros Hélcio Lafetá Reis e Demes Brito, que negavam provimento. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Ana Paula Mendes Gesing, OAB-DF 39387.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 21/09/2001 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ACORDO ALADI. REDUÇÃO TARIFÁRIA. EXPEDIÇÃO DIRETA. Não constitui descumprimento dos requisitos para a concessão do benefício de redução do imposto de importação o fato de quando do transporte de mercadoria originária de país participante, transitar justificadamente por país não participante e, quando demonstrada a operação como expedição direta e cumpridos os demais requisitos de origem, há que se reconhecer o cabimento do benefício do direito creditório proveniente do imposto recolhido a maior. Precedentes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. O conselheiro Corintho Oliveira Machado votou pelas conclusões. Vencidos os conselheiros Hélcio Lafetá Reis e Demes Brito, que negavam provimento. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Ana Paula Mendes Gesing, OAB-DF 39387. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ACORDO ALADI. REDUÇÃO TARIFÁRIA. EXPEDIÇÃO DIRETA. Não constitui descumprimento dos requisitos para a concessão do benefício de redução do imposto de importação o fato de quando do transporte de mercadoria originária de país participante, transitar justificadamente por país não participante e, quando demonstrada a operação como expedição direta e cumpridos os demais requisitos de origem, há que se reconhecer o cabimento do benefício do direito creditório proveniente do imposto recolhido a maior. Precedentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. O conselheiro Corintho Oliveira Machado votou pelas conclusões. Vencidos os conselheiros Hélcio Lafetá Reis e Demes Brito, que negavam provimento. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Ana Paula Mendes Gesing, OAB DF 39387. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 61 10 /2 00 6- 69 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. Relatório A contribuinte protocolou junto à Inspetoria da Alfândega de Santos Pedido de Reconhecimento de Crédito Tributário e Restituição, com fulcro no art. 2º e seguintes da IN SRF nº 600/05. Desse pedido consta: Informações acerca da incorporação da PANASONIC DO BRASIL LTDA pela sucessora PANASONIC DO BRASIL LIMITADA (atual denominação de PANASONIC DA AMAZÔNIA S.A.); Que importou mercadorias produzidas no México, que posteriormente foram enviadas para os EUA, onde embarcaram para o Brasil ao amparo da DI nº 01/09360847, em operação de comercialização internacional, havendo as mesmas sido desembaraçadas na Alfândega de Santos em 21/09/2001. Que o México é país signatário da ALADI e, por tal razão, faz jus à redução de 20% sobre a alíquota normal do imposto de importação, independentemente da localização geográfica do exportador, no caso os EUA. Que no ato de registro da DI no SISCOMEX o reconhecimento da redução da alíquota de imposto de importação não foi possível, pois esse sistema de processamento de dados administrado pela SRF e SECEX, somente admite a aplicação de redução tarifária da ALADI nos casos em que o exportador esteja localizado em país membro da referida Associação, contrariando, assim, o sistema jurídico vigente, que permite a realização da operação praticada. Que o preenchimento dos campos da referida DI no SISCOMEX foi realizado nos termos seguintes: “Exportador Nome: AMAC CORPORATION País: ESTADOS UNIDOS. E Fabricante/Produtor Nome: KYUSHU MATSUSHITA DE BAJA CALIFÓRNIA País: MÉXICO. Que em razão do exposto foi compelida ao recolhimento integral do imposto de importação (débito automático em conta corrente), eis que o SISCOMEX não reconhece o seu direito, que pode ser devidamente comprovado mediante a apresentação do certificado de origem. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11128.006110/200669 Acórdão n.º 3803005.998 S3TE03 Fl. 9 3 Nas razões de direito aduziu pela expressa previsão para a realização da operação de importação e da redução tarifária nos moldes referenciados (Decretos nºs 90782/85 e 98.874/90 – redução de 20% por parte do país exportador), ex vi da Resolução nº 252 do Comitê de Representantes da ALADI, cuja regulamentação no Brasil deuse com a edição do Decreto nº 3.325/99, DOU de 31/12/1999. A contribuinte também formulou consulta à COANA acerca do preenchimento da DI para fruição de benefício de preferência tarifária, obtendo a orientação adequada nesse sentido, por meio do Ofício nº 2006/00263 – COANA, CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira, bem assim o reconhecimento, em tese, de que houve o cumprimento da expedição direta, em realização de operação de importação de mercadorias já descrita (fls. 75/78). A contribuinte formalizou o Pedido de Retificação de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito de R$ 30.397,08 (fls.), havendo o pedido sido indeferido através de Despacho Decisório nº 140/2011, da lavra do Grupo de Restituição e Parcelamento – GRESP (fls.), sob a alegação de que as mercadorias produzidas no México foram transacionadas com empresa sediada nos EUA, conforme fatura comercial TO027, doc de fl., foram descarregadas em solo americano e em 22/08/2001foi emitida a fatura comercial PC 05225 (fls.49/51) pela AMAC CORPORATION, empresa sediada nos EUA, em favor da interessada, PANACONIC DO BRASIL LTDA, sendo as mercadorias embarcadas para o Brasil em 28/08/2001, procedentes de Houston (EUA), conforme conhecimento de Embarque (BL) de fls., portanto a mercadoria foi, no seu entender, faturada por operador de terceiro país, não integrante da ALADI (EUA), conforme atesta o Certificado de Origem em questão. Em face do pedido de restituição de Imposto de Importação formalizado pela contribuinte foi exarado o Despacho Decisório de nº 161/20111 pelo Servido de Orientação e Análise Tributária da Alfândega no Porto de Santos (fls. 135/137), que indeferiu o pleito, eis que a interessada não logrou atender as condições elencadas na alínea ‘b’ do item quatro do art. 1º, da Resolução ALADI nº 252, em especial as constantes nos incisos ‘i’ e ‘ii’, já que as mercadorias não transitaram pelo território dos EUA por motivos geográficos ou por requerimentos de transporte e estavam destinadas a comércio por empresa sediada naquele país. Inconformado o sujeito passivo interpôs a sua manifestação de inconformidade, protestando que o único fundamento para o indeferimento da restituição é o fato das mercadorias originárias do México terem transitado pelos Estados Unidos antes de serem remetidas ao Brasil; bem assim que o procedimento adotado pela Impugnante não feriu nenhuma disposição do acordo firmado no âmbito da ALADI, devendo tal despacho ser reformado, reiterando, ademais, as razões de fato e de direito aduzidas no pedido de reconhecimento de crédito (fls. 01/ ), para requer a declaração de ineficácia do referido despacho, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e a restituição do indébito. Há o reconhecimento do direito creditório, por meio do contido no Despacho Decisório DRF/SOROCABA/SEORT nº 538, de 19/08/2010, que deferiu o pedido anteriormente formulado pela contribuinte nos autos do processo administrativo nº 10855.003858/200894 (fls. 174/175), a título de precedente. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Conclusos foram os autos submetidos ao pronunciamento da 1ª Turma da DRJ/SP2, que por através do Acórdão nº 1757.679, de 16/02/2012 proferiu decisão, cuja ementa transcrevese adiante. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 21/09/2001 Solicitação de RECONHECIMENTO DO CREDITO TRIBUTÁRIO, em virtude de mercadoria produzida no México, país integrante da ALADI, pleiteando o direito à redução do Imposto de Importação de 20% sobre a alíquota normal. A alínea b), do item quatro, do artigo 19, do DECRETO n° 3.325 de 31/12/199 DOU 31/12/1999, impõe três condições simultâneas para que se contemplem a redução do Imposto. A interessada não logrou êxito em justificar que a mercadoria transitou pelos Estados Unidos da América do Norte por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos do transporte. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. O entendimento vazado na decisão em comento segue a mesma linha daquele profligado no Despacho Decisório nº 140/2011, da lavra do Grupo de Restituição e Parcelamento – GRESP de que a mercadoria em questão foi faturada por operador de terceiro país, não integrante da ALADI (EUA), e que não foram atendidas as condições elencadas na alínea ‘b’ do item quatro do artigo 1º da Resolução ALADI nº 252, em especial as constantes nos incisos “I” e “II”, já que as mercadorias não transitaram pelo território dos EUA por motivos geográficos ou por requerimento de transporte e estavam destinadas a comércio por empresa sediada naquele país. Acerca da Decisão nº 203, proferida pela Divisão de Tributação da 8ª RF, pautouse o entendimento exarado no acórdão suso mencionado, que a mesma se refere a INTERMEDIAÇÃO DE EMPRESA DE TERCEIRO PAÍS NÃO MEMBRO DA ASSOCIAÇÃO, não refletindo a situação em comento, ou seja, mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes. Além disso, não faz qualquer concessão quanto às exigências solicitadas pelo artigo 19, do DECRETO n° 3.325 de 31/12/199 DOU 31/12/1999. No que atine às duas decisões proferidas na instância superior administrativa e colacionadas aos autos pela interessada, o voto condutor assinalou que ambas possuem o mesmo teor e, em que pese o respeito ao entendimento esposado e suas razões, não é essa a conclusão que se depreende das exigências da alínea b), do item quatro, do artigo 19, do DECRETO n° 3.325 de 31/12/199 DOU 31/12/1999. É explicita a exigência de que as únicas justificativas para trânsito por um ou mais países não participantes são por motivos geográficos ou por requerimentos de transporte e estavam destinadas a comércio por empresa sediada naquele país, o que a interessada não comprovou. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 15/03/2012 e protocolou o seu recurso voluntário na DRF em Campinas/SP, em 12/04/2012, reiterando as mesmas razões de fato e de direito expendidas na exordial, entretanto de maneira pormenorizada, haja vista que a operação de importação foi realizada nos moldes da Resolução Fl. 228DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11128.006110/200669 Acórdão n.º 3803005.998 S3TE03 Fl. 10 5 nº 252, art. 1º, item quatro, alínea ‘b’, “I” e “II” e item nono, do Comitê de Representantes da ALADI, ex vi do Decreto nº 3.325/99, DOU de 31/12/99. Aduziu, inclusive, que no âmbito da ALADI admitese que a mercadoria produzida em um determinado País (ex: México) seja embarcada para o Brasil com trânsito em terceiro País que não seja membro da referida associação (ex: Estados Unidos), devendo, nesta situação, indicar no campo “observações” do Certificado de Origem que a mercadoria será faturada por terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do exportador (“que em definitivo será o que fature a operação a destino”). Persiste na defesa de que o trânsito das mercadorias por território de país não membro da ALADI se deu por conveniência geográfica, implicando inclusive em redução de custos operacionais; que apesar de o México ter acesso ao Oceano Atlântico, como consignado na decisão recorrida, o Porto de Houston oferece condições infinitamente melhores que os portos mexicanos com saída para esse oceano. Ressalta que se trata de uma questão de logística, em razão de maior facilidade e conveniência, motivos o bastante para todas as empresas do mesmo grupo adotar esse caminho para o transporte das mercadorias: México – EUA – Brasil, sem que haja qualquer benefício outro para a Recorrente. Tanto é assim que a própria documentação já indicava o destinatário final. Enfatizou a Recorrente que a eventual falta de justificativa para a operação ter como etapa os EUA antes do destino final (Brasil), alegada no acórdão combatido, não serve como referência para a mitigação do direito creditório, ora pleiteado, pois toda a documentação que acompanhava a DI, já anexada ao pedido de restituição, faz prova do direito a redução tarifária que, não foi concedida no desembaraço por exclusiva impossibilidade técnica do próprio SISCOMEX, inclusive o doc. 10 anexo ao pedido de restituição que menciona como destino final das mercadorias a PANASONIC DO BRAZIL LTDA, restando demonstrado portanto, que desde a entrada das mercadorias nos EUA já havia a consignação de que seu destino final seria o Brasil. Consubstanciou o alegado mencionando a Decisão nº 203, DOU de 15/09/1999, proferida pela Divisão de Tributação da 8ª Região Fiscal, que foi ratificada pelo Ofício nº 2006/00263 da COANA, além de jurisprudência administrativa na qual é parte interessada, por meio dos Acórdãos nº CSRF/0304.584 (11128.000691/0050) e CSRF/03 04.585 (11128.000687/0082), cuja ementa se reproduz: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO – PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – ACORDO ALADI – REDUÇÃO TARIFÁRIA – TRIANGULAÇÃO – não constitui descumprimento dos requisitos para a concessão do benefício de redução do imposto de importação o fato de quando do transporte de mercadoria originária de país participante, transitar justificadamente por país não participante, por inteligência do art. 4º, alínea ‘b’, e seus itens, do Regime Geral de Origem, da Resolução 78, firmado entre o Brasil e a Associação Latino americana de Integração – ALADI, aprovado pelo Decreto nº 98.874/90. Recurso especial provido. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Cumpridas as exigências requer o provimento do recurso e a declaração de nulidade do acórdão recorrido pelo cerceamento do direito de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Relator O recurso interposto preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. A querela devolvida a este Colegiado resumese ao atendimento ou não das condições elencadas na Resolução ALADI nº 252, para fazer jus ao beneplácito da redução em 20% da tarifação do imposto de importação, na operação realizada. A questão inaugural pelo ponto de vista de elemento material de prova restringese à verificação da origem da mercadoria, do local de embarque e do seu destino final. O Certificado de Origem informa como: PAIS EXPORTADOR ESTADOS UNIDOS MEXICANOS PAIS IMPORTADOR BRASIL, além da norma que dá amparo à operação de importação com direito a fruição de redução da alíquota (fl.). No mesmo sentido o documento, denominado: “TRANSPORTATION ENTRY AND MANIFESTO OF GOODS SUBJECT TO CUSTOMS INSPECTION AND PERMIT UNITED STATES CUSTOMS SERVICE”, informa que a mercadoria ali registrada foi importada do México, em, por meio de caminhão, via direta, tendo por porto estrangeiro de embarque BAJA CALIFORNIA e como destino final SÃO SEBASTIÃO, PANASONIC DO BRASIL LTDA, Rodovia Presidente Dutra, KM 155, Brasil. Igualmente a fatura, o BILL OF LADIN, informa que o local de recebimento da mercadoria como sendo TIJUANA, México, o porto de embarque como sendo HOUSTON e de desembarque como sendo o Porto de Santos. Do ponto de vista da legislação temse que o Decreto nº 3.325/99, DOU de 31/12/99, dispõe sobre a execução da Resolução nº 252, do Comitê de Representantes da ALADI. Assim dispõe o art. 1º dessa Resolução: Art. 1º. A Resolução nº 252, que aprova o texto consolidado e ordenado da Resolução nº 78, do Comitê de Representantes da Associação Latinoamericana de Integração, apensa por cópia a este Decreto, deverá ser executada e cumprida tão inteiramente como nela se contem. Por sua vez o item quarto dessa Resolução estabelece: Quarto – Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas Fl. 230DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11128.006110/200669 Acórdão n.º 3803005.998 S3TE03 Fl. 11 7 diretamente do país exportador para o país importador. Para tais efeitos, considerase com expedição direta: (...); As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: o trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos do transporte; não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; não sofram, durante seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação. Finalmente, o item nono do mesmo normativo assim registra: Nono. Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a “observações”, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. Do exposto é possível se fazer as seguintes inferências: (i) As mercadorias importadas sob o amparo da DI nº 01/09360847, de 21/09/2001, efetivamente tiveram como origem o País do México, transitaram pelos EUA, e tiveram como destino final o Brasil; (ii) A operação de importação em comento seguiu de acordo com as orientações contidas no item ‘b’ e alíneas ‘i’ e ‘ii’ do artigo 1º da Resolução nº 252; Em razão do tipo de operação de importação por ela realizada, a Recorrente alegou que teria direito à redução do imposto de importação de 20% sobre a alíquota normal, bem assim que por ocasião do registro da DI no SISCOMEX, o referido sistema não reconheceu esse direito. O imbróglio ensejou a realização de consulta pela ora Recorrente formulada à SRF sob o protocolo nº 3633/2006, em 27/07/06, sobre o preenchimento de declaração de importação para fruição de benefício de preferência tarifária. Tais assertivas constam do Of. nº 2006/00263, de 06/10/06, expedido pela Coordenação Geral de Administração Aduaneira, cujos itens 5 a 12 explicitam que houve o cumprimento da expedição direta para as mercadorias em comento, como também o contido no item 13 esclarece sobre o preenchimento da DI para fim de fruição do benefício de preferência tarifária, ex vi do Anexo I da IN SRF nº 206/02, art. 10. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Seguindo a orientação contida no ofício suso mencionado a Recorrente protocolou na unidade preparadora o Pedido de Cancelamento ou de Retificação de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito no valor de R$ 30.397,08 (fls.). A título de precedente há o pedido de reconhecimento de direito creditório formulado pela Recorrente nos autos do processo nº 10855.003858/200894, o qual foi deferido por meio do Despacho Decisório DRF/SOR/SEORT nº 538, de 19/08/10 (fls. 174/175), que reconheceu o direito creditório no valor de R$ 23.622,41, relativo ao imposto de importação. Ainda em Relação ao tema a Recorrente trouxe à baila a Decisão nº 203, DOU de 15/09/99, proferida pela Divisão de Tributação da 8ª Região Fiscal, como também jurisprudência administrativa, na qual é parte interessada, com vistas à consubstanciar os seus argumentos. Ora, há o reconhecimento expresso pelos órgãos oficiais, seja no âmbito regional ou nacional, de que na importação de mercadorias, nas condições supramencionadas, devem as mesmas se beneficiar de alíquotas preferenciais por atender os requisitos previstos na Resolução 252 do Comitê de Representantes da ALADI. Ressaltese que o Despacho Decisório nº 140/2011, apenas analisou os mesmos documentos colacionados aos autos e concluiu que as mercadorias não podem ser beneficiadas com a redução pretendida, pois supostamente foram transacionadas com uma empresa sediada nos EUA, mediante fatura comercial T0027, foram descarregadas em solo americano em 22/08/2001 e depois foi emitida fatura comercial PC06049 (fls. 15/17), ou seja, em razão da mercadoria haver sido faturada por operador em terceiro país, não integrante da ALADI. Data vênia, consoante o disposto na legislação pertinente já mencionada, não constitui descumprimento dos requisitos para a concessão do benefício de redução do imposto de importação o fato de quando do transporte de mercadoria originária de país participante, transitar justificadamente por país não participante e, quando demonstrada a operação como expedição direta e cumpridos os demais requisitos de origem, há que se reconhecer o cabimento do benefício d o direito creditório proveniente do imposto recolhido a maior. São precedentes o Acórdão CSRF/0304.584 e CSRF/0304.585, mencionados pela Recorrente. Ante todo o exposto oriento meu voto para dar provimento ao recurso interposto, para reconhecer o direito creditório. É assim que voto. Sala de Sessões, em 23 de janeiro de 2014. Jorge Victor Rodrigues – Relator Fl. 232DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11128.006110/200669 Acórdão n.º 3803005.998 S3TE03 Fl. 12 9 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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