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Numero do processo: 10935.720214/2011-70
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2007 NULIDADE DO LANÇAMENTO - USO INDEVIDO DE TÉCNICAS PRESUNTIVAS NA TRIBUTAÇÃO - INOCORRÊNCIA A partir da Lei nº 9.430/96, caso o Contribuinte, regularmente intimado para tanto, não comprove com documentação hábil e idônea a origem dos recursos creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, este fato, por si só, já basta para caracterizar omissão de receita, por força da presunção legal. Não restou caracterizado qualquer vício procedimental relativamente à aplicação da norma contida no art. 42 da Lei 9.430/1996. SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Descabe diligência quando se encontram no processo todos os elementos que permitem formar a livre convicção do julgador. Além disso, a realização de diligência não tem por finalidade suprir o ônus probatório que incumbe ao Contribuinte. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO O fato de o Contribuinte reiteradamente, ao longo do período autuado, deixar de apurar e recolher o Simples e, posteriormente, também omitir as receitasdo Fisco, apresentando declaração com valores zerados, caracteriza a sua
intenção de impedir que a Autoridade Fazendária tome conhecimento da
ocorrência do fato gerador, pelo que deve ser mantida a qualificadora.
Afastada a possibilidade de ocorrência de erro não intencional.
MULTA QUE ACOMPANHA O TRIBUTO EFEITO
DE CONFISCO
O acolhimento das alegações sobre o percentual da multa de ofício implicaria
no afastamento de norma legal vigente (artigo 44 da Lei 9.430/96), por
suposto vício de inconstitucionalidade, e falece a esse órgão de julgamento
administrativo competência para provimento dessa natureza, que está a cargo
do Poder Judiciário, exclusivamente.
Numero da decisão: 1802-001.206
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2007 NULIDADE DO LANÇAMENTO - USO INDEVIDO DE TÉCNICAS PRESUNTIVAS NA TRIBUTAÇÃO - INOCORRÊNCIA A partir da Lei nº 9.430/96, caso o Contribuinte, regularmente intimado para tanto, não comprove com documentação hábil e idônea a origem dos recursos creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, este fato, por si só, já basta para caracterizar omissão de receita, por força da presunção legal. Não restou caracterizado qualquer vício procedimental relativamente à aplicação da norma contida no art. 42 da Lei 9.430/1996. SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Descabe diligência quando se encontram no processo todos os elementos que permitem formar a livre convicção do julgador. Além disso, a realização de diligência não tem por finalidade suprir o ônus probatório que incumbe ao Contribuinte. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO O fato de o Contribuinte reiteradamente, ao longo do período autuado, deixar de apurar e recolher o Simples e, posteriormente, também omitir as receitasdo Fisco, apresentando declaração com valores zerados, caracteriza a sua intenção de impedir que a Autoridade Fazendária tome conhecimento da ocorrência do fato gerador, pelo que deve ser mantida a qualificadora. Afastada a possibilidade de ocorrência de erro não intencional. MULTA QUE ACOMPANHA O TRIBUTO EFEITO DE CONFISCO O acolhimento das alegações sobre o percentual da multa de ofício implicaria no afastamento de norma legal vigente (artigo 44 da Lei 9.430/96), por suposto vício de inconstitucionalidade, e falece a esse órgão de julgamento administrativo competência para provimento dessa natureza, que está a cargo do Poder Judiciário, exclusivamente.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 NULIDADE DO LANÇAMENTO USO INDEVIDO DE TÉCNICAS PRESUNTIVAS NA TRIBUTAÇÃO INOCORRÊNCIA A partir da Lei nº 9.430/96, caso o Contribuinte, regularmente intimado para tanto, não comprove com documentação hábil e idônea a origem dos recursos creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, este fato, por si só, já basta para caracterizar omissão de receita, por força da presunção legal. Não restou caracterizado qualquer vício procedimental relativamente à aplicação da norma contida no art. 42 da Lei 9.430/1996. SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Descabe diligência quando se encontram no processo todos os elementos que permitem formar a livre convicção do julgador. Além disso, a realização de diligência não tem por finalidade suprir o ônus probatório que incumbe ao Contribuinte. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO O fato de o Contribuinte reiteradamente, ao longo do período autuado, deixar de apurar e recolher o Simples e, posteriormente, também omitir as receitas Fl. 301DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.720214/201170 Acórdão n.º 180201.206 S1TE02 Fl. 302 2 do Fisco, apresentando declaração com valores zerados, caracteriza a sua intenção de impedir que a Autoridade Fazendária tome conhecimento da ocorrência do fato gerador, pelo que deve ser mantida a qualificadora. Afastada a possibilidade de ocorrência de erro não intencional. MULTA QUE ACOMPANHA O TRIBUTO EFEITO DE CONFISCO O acolhimento das alegações sobre o percentual da multa de ofício implicaria no afastamento de norma legal vigente (artigo 44 da Lei 9.430/96), por suposto vício de inconstitucionalidade, e falece a esse órgão de julgamento administrativo competência para provimento dessa natureza, que está a cargo do Poder Judiciário, exclusivamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.720214/201170 Acórdão n.º 180201.206 S1TE02 Fl. 303 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS e à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, conforme os autos de infração de fls. 189 a 197, lavrados de acordo com o regime de tributação simplificada – SIMPLES NACIONAL, nos valores de R$ 122.989,79, R$ 62.861,21, R$ 73.793,57 e R$ 13.665,46, respectivamente, incluindose nestes montantes a multa qualificada de 150% e os juros moratórios. O lançamento abrangeu os períodos de julho a dezembro de 2007, e decorreu de omissão de receitas apuradas a partir de depósitos bancários com origem não comprovada. Instaurada a fase processual, com a impugnação de fls. 207 a 216, e conforme descrito na decisão de primeira instância, Acórdão nº 0634.332 (fls. 237 a 248), a Contribuinte se insurgiu contra as exigências fiscais por meio dos seguintes argumentos: Exclusão de créditos com a venda de veículos a. Alega que houve a exclusão do auto de infração dos valores recebidos a título de venda de bens, ou seja, de veículos de propriedade da empresa autuada; b. Esclarece que, na oportunidade que apresentou sua resposta ao Termo de Intimação Fiscal, não teve tempo hábil para localizar todos os comprovantes de venda, sendo que agora, requerse a juntada dos mesmos; c. Relaciona as seguintes descrições e valores de venda: Veículo Volvo/FH 12420, a/m 2001 Placa AAW2771 valor de venda: R$ 120.000,00; Veículo Reb/RANDON SRCA, a/m 2005/2006 Placa ANB 5481 valor de venda: R$ 19.540,80; Veículo Reb/RANDON SRCA, a/m 2005/2006 Placa ANB 54 8 0 valor de venda: R$ 22.924,80; Veículo CAR/S.REBOQUE/TANQUE, a/m 2002/2002 Placa AKJ2039 valor de venda: R$ 13.712,00; Veiculo CAR/S.REBOQUE/TANQUE, a/m 2002/2002 Placa AKJ2039 valor de venda: R$ 16.759,00; d. Aduz que, comprovada a origem dos valores sendo que os quais não se configuram como receita bruta, requerse a exclusão da base de cálculo do valor apurado do imposto da importância de R$ 192.936,60 (cento e noventa e dois mil, novecentos e trinta e seis reais e sessenta centavos); Aplicação da multa e. Entende que não existem nos autos elementos para implicar ou justificar a conduta da empresa autuada como sendo dolosa, ou Fl. 303DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.720214/201170 Acórdão n.º 180201.206 S1TE02 Fl. 304 4 seja, não existem provas de que o contribuinte agiu com a intenção de lesar o fisco; f. Aponta que o fato levado em consideração pelo Sr. Fiscal para justificar a máfé da empresa recorrente é em razão de a mesma ter apresentado Declaração do Simples Nacional com valores zerados, mas ressalta que não era a empresa recorrente que prestava estas informações, mas contador contratado para executar estes serviços; g. Assevera que, para se concluir que o agente agiu com dolo, deverseá comprovar que este teve a intenção de lesar onde conhecia das conseqüências de seus atos e dos resultados que poderiam advir; h. Ressalta que, do histórico da empresa, este auto tratase da primeira infração administrativa imposta pela Receita Federal, o que, por si só indica que ela não tinha, como não teve a intenção de lesar o fisco ou omitir receitas para se locupletar de dinheiro público; i. Acrescenta que a empresa também não informou nem se beneficiou da venda dos veículos acima arrolados a fim de justificar receita não tributável; j. Conclui que são elementos suficientes para descartar o dolo da conduta da empresa recorrente e por esta razão, requer a redução da aplicação da multa para parâmetros aceitáveis, e no caso a aplicação do artigo 44, inciso I da Lei 9.430/1996; Do caráter confiscatório da multa exigida k. Argumenta que não poderia prevalecer a exigência de multa em tais proporções, uma vez que a mesma é inconstitucional, por reiteradas decisões do STF, podendo, sim, ser afastada já na fase administrativa, deixando a autoridade de aplicar lei sabidamente inconstitucional, em homenagem à Constituição da República; l. Afirma ser inegável que a penalidade administrativa tem sentido reparador e visa proteger o crédito tributário e com ele mantém liame lógico e inafastável, desestimulando os contribuintes de omitilo ou mesmo sonegálo; m. Com base em doutrina, alega que a multa fiscal tem por objetivo reparar o sujeito ativo da obrigação tributária, pelo atraso ou até mesmo pela sonegação, e não de proteger a sociedade, pois este interesse é tutelado pelo Direito Penal, o que torna injustificável que os erários de todos os níveis possam impor percentuais de multas pecuniárias em patamares tão elevados e destoantes do próprio Texto Constitucional; n. Lembra que o artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal, que trata das limitações do poder de tributar, veda, expressamente, que seja utilizado o tributo com efeito confiscatório; Fl. 304DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.720214/201170 Acórdão n.º 180201.206 S1TE02 Fl. 305 5 o. Cita doutrina e decisões do STF; p. Conclui que, a manterse a imposição de tal penalidade, estará se distanciando quilometricamente o presente feito do caráter reparador e inibidor, para aproximarse por demais do confisco arbitrário e ilegal; Nulidade. Descumprimento ao artigo 37 da Constituição Federal. q. Argumenta que a utilização de técnicas presuntivas depende de publicação prévia, das orientações a serem seguidas e de sua base normativa, para conhecimento do sujeito passivo a fim de que este possa, se for o caso, impugnar sua aplicação; r. Acrescenta que, a adoção de técnicas presuntivas, ou lançamentos baseados em presunções de operações no presente caso, a omissão de receitas deve seguir orientações de sua base normativa, para que o contribuinte, com o devido tempo, delas possa tomar conhecimento, com o objetivo de evitálas ou para que lhe seja dada à oportunidade de exercitar seu direito de ampla defesa; s. Enfatiza que tais atos normativos ainda estão no terreno do abstrato, eis que inexistem, estando, assim, a autoridade administrativa vedada de aplicar tais princípios, pois é sabido que à Administração Pública somente é permitido praticar os atos expressamente previstos em lei; t. Entende ser nulo, pois, de pleno direito o PAF lançado, cuja declaração de nulidade se impõe desde logo, o que ao final se ratificará, como medida de meridiana Justiça; u. Cita o artigo 37, caput, da Constituição Federal, e o artigo 2°, caput, e seu parágrafo único, nos incisos I e VI da Lei n° 9.784/99; v. Conclui que o presente PAF está eivado de nulidade absoluta, já que a sua lavratura e o seu processamento foram feitos em completo desrespeito aos direitos e garantias fundamentais estatuídos na nossa Carta Magna e na legislação federal e estadual aplicável ao caso, sendo imperativo o julgamento pela total improcedência do presente Auto de Infração, em face do mesmo incorrer em nulidade absoluta; Necessidade de conversão do feito em diligência w. Afirma que resta claro a imperiosa necessidade de conversão do feito em diligência, a fim de que fique devidamente comprovado o fato pelo agente fazendário; x. Frisa que somente através deste expediente, é que poderseia cogitar da prática de ilícito tributário de forma dolosa, pois de outra forma, permaneceríamos no campo das presunções e das suposições, sendo sabido que a Contribuinte não pode ser punida por algo com uma infração presumida; Fl. 305DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.720214/201170 Acórdão n.º 180201.206 S1TE02 Fl. 306 6 y. Menciona que a Constituição Federal, o Código Tributário Nacional, e toda a legislação pertinente, são claros ao estabelecer que o contribuinte somente pode ser penalizado por uma conduta que ele efetivamente praticou, e que fique devidamente comprovada pelas provas ou indícios carreados nos autos o seu dolo; z. Requer diligências no sentido de que o fisco comprove sem sobra de dúvidas que a empresa recorrente agiu com dolo a fim de sonegar e fraudar o fisco. Requerimentos finais aa. Requer seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Caso não seja este o entendimento, requer a redução da multa aplicada, para parâmetros aceitáveis, uma vez, que caso ocorra a confirmação nos termos que se apresenta, a Recorrente corre o sério risco de ter de encerrar suas atividades e com isso, implicar na demissão de funcionários e também na interrupção no recolhimento de impostos. Como mencionado, a DRJ Curitiba/PR considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2007 MULTA QUALIFICADA. INTUITO DE FRAUDE. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Correta a aplicação da multa qualificada, quanto aos fatos em que se evidencia o intuito de fraude, cujo percentual é expresso em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007 MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Correto o lançamento fundado na insuficiência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituirse de presunção legal de omissão de receitas, expressamente autorizada pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996, dispositivo este que se aplica inclusive para as microempresas e empresas de pequeno porte. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. PROVA. INSUFICIÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.720214/201170 Acórdão n.º 180201.206 S1TE02 Fl. 307 7 É inviável aceitar, como prova da origem de depósitos bancários, documentos de venda de veículos, sem correspondência, nem em data nem em valor, com os ingressos na conta bancária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. FALTA DE INDICAÇÃO DE QUESITOS E PERITO. PEDIDO NÃO FORMULADO. PRESCINDIBILIDADE. Nos termos da legislação do PAF, os pedidos de diligência ou perícia, sem indicação de perito e quesitos são considerados como não formulados, devendo o pleito ser indeferido, inclusive, por ser desnecessário ao deslinde do litígio. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 24/11/2011 (fls. 253), a Contribuinte apresentou em 22/12/2011 o recurso voluntário de fls. 254 a 298, onde reitera os mesmos argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Este é o Relatório. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.720214/201170 Acórdão n.º 180201.206 S1TE02 Fl. 308 8 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a matéria em litígio diz respeito a lançamento para a exigência de tributos abrangidos pelo regime de tributação simplificada – Simples Nacional, no período de julho a dezembro de 2007. A autuação está baseada em omissão de receitas, as quais foram apuradas a partir de depósitos bancários com origem não comprovada. PRELIMINAR DE NULIDADE Em relação à preliminar de nulidade pelo uso indevido de técnicas presuntivas na tributação, cabe primeiramente registrar que a base legal para o lançamento é o art. 42 da Lei 9.430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Com base nos extratos que apresentou à Fiscalização, a Contribuinte foi intimada a comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, e, não o fazendo, incorreu na presunção legal de omissão de receitas, que ensejou as autuações ora combatidas. Realmente, antes da introdução do dispositivo acima mencionado, era maior o ônus da prova que incumbia à Fiscalização para autuação com base em depósitos bancários. No caso do IRPJ, por exemplo, para que eles configurassem renda tributável, era necessário que fosse comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, por meio de aplicações em imóveis, carros e outros bens próprios, ou em beneficio pessoal do contribuinte. A tributação com fulcro na Lei nº 8.021/1990 exigia necessários esforços por parte da Fiscalização, capazes de transformar uma presunção em definitiva certeza. Isto porque, até então, os depósitos bancários apenas retratavam indício de omissão, não tendo o condão de caracterizar, por si só, a omissão de receitas. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.720214/201170 Acórdão n.º 180201.206 S1TE02 Fl. 309 9 Assim, na ausência de uma hipótese específica de presunção legal, cabia à Fiscalização demonstrar, de forma cabal, que os valores depositados nas contas bancárias da Contribuinte correspondiam efetivamente a rendimentos próprios, não oferecidos à tributação. Todavia, a partir da Lei nº 9.430/96, caso o Contribuinte, regularmente intimado para tanto, não comprove com documentação hábil e idônea a origem dos recursos creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, este fato, por si só, já basta para caracterizar omissão de receita, por força da presunção legal. Deste modo, não há qualquer vício procedimental relativamente à aplicação da presunção legal contida no art. 42 da Lei 9.430/1996, e a preliminar deve ser rejeitada. PEDIDO DE DILIGÊNCIA Na esteira desse raciocínio, também é importante registrar que nos trabalhos de auditoria sobre movimentação financeira, a Fiscalização analisa os extratos bancários apresentados pelos próprios Contribuintes (como ocorreu nesse caso), ou obtidos junto às instituições financeiras, e com base nas informações constantes destes extratos é que intima o Contribuinte a comprovar a origem dos depósitos, após excluídas as transferências entre contas de mesma titularidade, rendimentos de aplicações financeiras, etc. Foi justamente o que aconteceu aqui. A comprovação de origem, por sua vez, já configura um segundo passo durante o procedimento fiscal, a cargo do Contribuinte, comprovação essa que deve ser feita a partir de seus livros e de documentos que justifiquem os registros realizados e indiquem a origem dos valores depositados em suas contas bancárias (notas fiscais de vendas, contratos, recibos, etc.). Nestes termos, o dever de apresentação destes outros documentos, que trazem informações que vão além das contidas nos documentos bancários, incumbe à Contribuinte, e seu descumprimento não pode definitivamente ser imputado à Fiscalização. Com efeito, é a Contribuinte que deve de antemão saber a origem dos valores que transitaram em suas contas bancárias. Nesse contexto, também deve ser indeferida a diligência requerida. Primeiro, porque se encontram no processo todos os elementos que permitem formar a livre convicção do julgador. Além disso, a realização de diligência ou perícia não se destina a suprir o ônus probatório que incumbe à Contribuinte. BASE DE CÁLCULO – VENDA DE VEÍCULOS – COMPROVAÇÃO DE ORIGEM Quanto à composição da base de cálculo, a Contribuinte reivindica que sejam excluídos do auto de infração valores que alega ter recebido a título de venda de cinco veículos que eram de sua propriedade, conforme tabela a seguir: Fl. 309DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.720214/201170 Acórdão n.º 180201.206 S1TE02 Fl. 310 10 VEÍCULO PLACA VALOR DATA Volvo/FH12420 AAW2771 120.000,00 26/1/2007 Reb/RANDON SRCA ANB5481 19.540,80 19/9/2007 Reb/RANDON SRCA ANB5480 22.924,80 19/9/2007 CAR/S.REBOQUE/TANQUE AKJ2039 13.712,00 21/5/2007 CAR/S.REBOQUE/TANQUE AKJ2039 16.759,00 21/5/2007 De acordo com a Recorrente, uma vez comprovada a origem de valores que ingressaram em sua conta, no montante de R$ 192.936,60, estes deveriam ser excluídos da base de cálculo, já que não configuram receita bruta para fins de tributação pelo Simples. Ao examinar esse argumento, o voto que orientou a decisão proferida pela Delegacia de Julgamento fez as seguintes considerações: 25. No entanto, considero inviável aceitar tais documentos como comprovantes de qualquer depósito bancário, uma vez que, analisandose a relação de depósitos considerada pela fiscalização, às fls. 08/20, não há qualquer correlação entre os valores de venda de veículos com os ingressos na conta bancária. Não há coincidência, nem em data, nem em valor, entre os documentos e as entradas na conta corrente do contribuinte. Caberia à impugnante apontar, para cada venda realizada, a quais depósitos corresponderiam àquela operação. Como tal demonstração não foi realizada, não é possível aceitar os documentos anexados como prova de origem de nenhum depósito bancário. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte buscou complementar sua defesa com anotações na planilha dos ingressos bancários, fazendo referência, para uma grande quantidade deles, às placas dos veículos acima mencionados. Confrontando os documentos de transferência dos veículos (apresentados com a impugnação) com a planilha de ingressos na conta bancária, vêse que não há sentido de o pagamento destes veículos ter se dado da forma alegada pela Contribuinte, ou seja, mediante a realização, durante um intervalo de tempo, de inúmeros depósitos e transferências bancárias de pequeno valor, muitos deles feitos num mesmo dia, situação essa que foi se repetindo ao longo do tempo. Além disso, as anotações da Recorrente, em sua grande maioria, abrangem o período de janeiro a junho de 2007 (objeto do processo nº 10935.720205/201189), enquanto que o lançamento examinado neste processo diz respeito a fatos geradores de julho a dezembro de 2007. Deste modo, as referidas anotações em nada auxiliam a Contribuinte neste processo, porque vinculam a venda dos veículos a ingressos bancários ocorridos em períodos distintos dos aqui tratados. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.720214/201170 Acórdão n.º 180201.206 S1TE02 Fl. 311 11 A única exceção é um depósito datado de 17 de julho de 2007, no valor de R$ 43.000,00, para o qual a Recorrente indica as placas dos veículos ANB5480 e ANB5481, cujos documentos de transferência atestam como data de venda o dia 19 de setembro de 2007, ou seja, dois meses após o depósito bancário. Em relação a esse ingresso bancário, a Contribuinte não apresentou qualquer esclarecimento para a divergência entre as datas acima mencionadas, não justificou a razão para o depósito bancário ter ocorrido dois meses antes da transferência do bem, e também não juntou qualquer documento para comprovar que o autor do depósito bancário era o adquirente dos referidos veículos. Não há qualquer elemento, além da alegação da Contribuinte, que vincule o depósito bancário em 17 de julho de 2007 com a venda dos veículos em 19 de setembro de 2007. Nem mesmo há coincidência entre o valor do depósito (R$ 43.000,00) e a soma dos valores constantes dos recibos de transferência (R$ 42.465,60). No intuito de reforçar suas alegações, a Contribuinte fez mera anotação na planilha de ingressos bancários, e os documentos apresentados anteriormente continuam sendo insuficientes para comprovar a origem deste depósito de R$ 43.000,00, pelo que deve ser mantida a decisão de primeira instância. Para todos os demais ingressos ocorridos entre julho e dezembro de 2007, que é o período abrangido neste processo, também não há nenhum novo elemento/informação além daqueles já apresentados na primeira instância administrativa. E a própria Recorrente, nessa fase processual, vincula as alegadas vendas de veículos a ingressos ocorridos em períodos não abrangidos neste processo, pelo que a decisão recorrida, com mais razão agora, deve ser reafirmada. MULTA QUALIFICADA Quanto à multa qualificada de 150%, a decisão recorrida também não merece reparos. São estes os seus fundamentos: 30. Os fatos explanados caracterizam a figura da sonegação. As circunstâncias narradas nos autos evidenciam, de forma inequívoca, o intuito deliberado, por parte do contribuinte, de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores correspondentes a seu faturamento. A circunstância de, durante todo o período compreendido entre julho a dezembro de 2007, o contribuinte não ter declarado nenhuma receita à RFB, obviamente, não pode ser creditada a simples erro contábil, ou esquecimento, o que demonstra o elemento dolo, no sentido de ter a consciência e querer a conduta de sonegação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/64. Quanto à essa matéria, considero importante afirmar que o Dolo, como elemento subjetivo do tipo tributáriopenal qualificado, pode também estar presente nas condutas omissivas, e não apenas naquelas onde se constata uma falsidade materializada documentalmente. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.720214/201170 Acórdão n.º 180201.206 S1TE02 Fl. 312 12 Como elemento subjetivo do tipo, o Dolo é a consciência e a vontade de o agente realizar a conduta que está descrita em cada um dos tipos legais. E como vontade e consciência, jamais estará colado ao próprio fato que está sendo taxado como infração ou delito, ao contrário, o Dolo é sempre revelado no contexto geral dos fatos, ou seja, nos elementos que circundam o ocorrido. Não fosse assim, não haveria a previsão dos crimes omissivos impróprios no Direito Penal, que traz o dolo como regra. Em razão disso, no âmbito das relações jurídicotributárias, resta cada vez mais superado o tabu quanto à possibilidade de visualização do dolo nas condutas omissivas, ou seja, naquelas em que o contribuinte se omite na prática de algum ato, buscando eximirse do recolhimento de tributos, por exemplo, quando, de forma contumaz, deixa de declarar as suas receitas. Realmente, não é correta a idéia de que, para a qualificação da multa, deve haver necessariamente uma prova material do dolo, até porque, dada a sua natureza, como consciência e vontade, isto nem sempre é possível. O que se prova materialmente são fatos, por meio do chamado corpo de delito. E é justamente por isso que o dolo pode estar na omissão, ou seja, em uma não ação. Os próprios tipos legais para a qualificação da multa, nos termos da Lei 4.502/1964, não deixam qualquer dúvida a esse respeito: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. (grifos acrescidos) No caso em questão, observase que a Contribuinte reiteradamente, ao longo do período autuado, simplesmente deixou de apurar e recolher o Simples e, posteriormente, também omitiu as receitas do Fisco, quando apresentou declaração com valores zerados. Tais condutas não podem definitivamente ser imputadas ao contador da empresa, porque cabe aos administradores da pessoa jurídica tomar decisões e supervisionar a execução das atividades técnicas e operacionais, especialmente no que toca ao recolhimento de tributo. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.720214/201170 Acórdão n.º 180201.206 S1TE02 Fl. 313 13 Diante destes fatos, das observações anteriores sobre o mérito da autuação, e considerando ainda os argumentos trazidos pela Recorrente, não vejo nenhuma possibilidade de ocorrência de erro não intencional. Portanto, considero plenamente configurada a hipótese da qualificadora. No que toca à alegação sobre a desproporcionalidade e o efeito de confisco da multa de ofício, cujo acolhimento implicaria no afastamento de norma legal vigente (art. 44 da Lei 9.430/96), por suposta inconstitucionalidade, cabe ressaltar que falece a esse órgão de julgamento administrativo competência para provimento dessa natureza, que está a cargo do Poder Judiciário, exclusivamente. Oportuno lembrar que apenas de modo excepcional, havendo prévia decisão por parte do Supremo Tribunal Federal, e cumpridos os requisitos do Decreto nº 2.346/97 ou do art. 103A da Constituição, o que não ocorre no presente caso, é que a Administração Pública deixaria de aplicar a referida norma legal. Essa matéria, inclusive, já foi sumulada por este Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, rejeito a preliminar de nulidade, e, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 313DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10283.005419/2005-03
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000 CARÊNCIA PROBATÓRIA. INOVAÇÃO DA EXIGÊNCIA NÃO VERIFICADA. Desde o início do procedimento fiscal instaurado, requereu-se a demonstração dos cálculos e das despesas em evolução para determinação das quotas de depreciação. A apresentação documental comprovou somente a aquisição e as despesas com manutenção, não demonstrando, contudo, a evolução das quotas de depreciação em comprovação às utilizadas para composição de saldos informados nas obrigações acessórias. Também, apesar da “vasta” documentação apresentada e narrada de acordo em seu recurso, careceu a comprovação dos lançamentos contábeis nos registros da empresa, de forma que não satisfaz o alegado e demonstrado, frente à exigência, merecendo ser mantida a glosa com relação às quotas de depreciação utilizadas e também considerando indevidas as exclusões do lucro real procedidas.
Numero da decisão: 1802-001.347
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recuso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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INOVAÇÃO DA EXIGÊNCIA NÃO VERIFICADA. Desde o início do procedimento fiscal instaurado, requereuse a demonstração dos cálculos e das despesas em evolução para determinação das quotas de depreciação. A apresentação documental comprovou somente a aquisição e as despesas com manutenção, não demonstrando, contudo, a evolução das quotas de depreciação em comprovação às utilizadas para composição de saldos informados nas obrigações acessórias. Também, apesar da “vasta” documentação apresentada e narrada de acordo em seu recurso, careceu a comprovação dos lançamentos contábeis nos registros da empresa, de forma que não satisfaz o alegado e demonstrado, frente à exigência, merecendo ser mantida a glosa com relação às quotas de depreciação utilizadas e também considerando indevidas as exclusões do lucro real procedidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recuso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Marciel Eder Costa Relator. Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, Jose de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leao. Relatório Tratam os presentes de auto de infração que decorreu da glosa de custos de depreciação não comprovados e de exclusão indevida do lucro real de ativos fiscais diferidos, resultando numa exigência de CSLL no valor consolidado de R$ 154.551,05, aí incluídos a imposição da multa de 75%, conforme extrato de fls. 246 e obrigação de fazer, para reduzir o prejuízo fiscal declarado. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório proferido pela 1a Turma da DRJ/BEL, no Acórdão n° 018.902 constante às fls. 238/239: Tratase de lançamento para redução de prejuízo fiscal e de exigência de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), referente a fatos geradores ocorridos nos anos de 1999 e 2000, no valor consolidado de R$234.500,21, com imposição de multa de oficio de 75%. A autuação decorreu da glosa de custos de depreciação não comprovados e de exclusão indevida do lucro real a título de ativos fiscais diferidos. Em 31.10.2005, o sujeito passivo foi cientificado do lançamento (fl. 8) e, em 30.11.2005, apresentou impugnação de fls. 212 a 229, pela qual aduz, em síntese: a) que o lançamento relativo ao ano de 1999 foi atingido pela decadência, nos termos do §4° do art. 150 da Lei n° 5.172, de 25.10.1966; b) quanto à glosa dos custos de depreciação, que a fiscalização se limitou a fazer afirmação genérica de que a documentação apresentada pela empresa não era hábil e idônea, sem oferecer qualquer elemento que esclarecesse em que não seria hábil e idônea a farta documentação que lhe foi apresentada, e que junta à impugnação as escrituras das embarcações, notas fiscais e contratos que comprovam a improcedência da glosa; c) que a exclusão do lucro real deveuse ao reconhecimento do ativo fiscal diferido proveniente dos prejuízos fiscais incorridos que foram ativados a crédito de receita, mas que esta não é tributável; que o procedimento adotado pela impugnante está em sintonia com os princípios de Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.005419/200503 Acórdão n.º 180201.347 S1TE02 Fl. 291 3 contabilidade geralmente aceitos constantes do pronunciamento do Instituto Brasileiro de Contadores (Ibracon) aprovado pela Deliberação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) n° 273, de 20.8.1998; que esse procedimento está em harmonia com a jurisprudência administrativa; que as operações contábeis não geraram qualquer efeito fiscal pois os valores dos prejuízos fiscais foram oferecidos à tributação como receita e excluídos do lucro real; d) que é inconstitucional e ilegal a cobrança de juros com base na taxa Selic. Naquela oportunidade, entendeu a DRJ ser o lançamento procedente em parte, mantendo somente a exigência do IRPJ quanto à glosa nos custos de depreciação do ano 2000 e desconstituindo todo o demais, conforme Ementa às fls. 236/237: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 1999, 2000 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa amoldamse à sistemática de lançamento por homologação, prevista no art. 150 do CTN, hipótese em que o prazo decadencial tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. A ausência de recolhimento não desnatura o lançamento, pois o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo, da qual pode resultar ou não o recolhimento de tributo. COMPROVAÇÃO DO VALOR DAS QUOTAS DE DEPRECIAÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAR O REGISTRO CONTÁBIL DO BEM PELO SEU VALOR DE AQUISIÇÃO. A simples prova de propriedade do bem do ativo imobilizado não é o suficiente para justificar os custos com depreciação, pois é necessário que se demonstre o registro contábil desse ativo pelo seu valor de aquisição. EXCLUSÃO DO LUCRO LÍQUIDO. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DIPJ. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO TESOURO. IMPROCEDÊNCIA DA GLOSA EFETUADA DE OFICIO. Se da análise da DIPJ inferese que a exclusão tida como indevida deveuse a mero erro de preenchimento da DIPJ, do qual inexistiu prejuízo à Fazenda, impõese o Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 cancelamento do ajuste do lucro real efetuado pela fiscalização. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1999, 2000 DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo decadencial para a constituição do crédito tributário relativo às contribuições é de dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, conforme determina a legislação de regência. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. NULIDADE DA EXIGÊNCIA FISCAL. As glosas de custos efetuadas pela fiscalização devem ser adicionadas à base de cálculo da CSLL para apuração do montante devido. Se ainda assim aquela base for negativa, o lançamento de ofício destinase somente à formalização da redução da base de cálculo negativa e não há que se falar em exigência de CSLL. Anulamse as exigências indevidamente apuradas. Inconformada, a Recorrente reitera seus argumentos de decadência da CSLL com relação ao ano de 1999, requerendo a aplicação do prazo estabelecido pelo Código Tributário Nacional, em seu art. 150 §4°, de cinco anos, e a conseqüente inaplicabilidade da exegese do art. 45 da Lei 8.212/91, citando várias jurisprudências. Seu requerimento ainda é pela improcedência do auto de infração, da nulidade por carência na fundamentação e pelas provas juntadas ao processo, além da inovação probatória após o encerramento da fiscalização e da lavratura do auto de infração. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Marciel Eder Costa Verifico que o recurso apresentado é tempestivo e preenche os requisitos para sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Inicialmente, cumpre destacar que nada persiste em relação à CSLL. Mas apenas por amor à argumentação, caso persistisse, verifico que a glosa da CSLL do ano de 1999, está fulminada pela decadência. Ressaltase que o art. 45 da Lei n° 8.212/91 se encontra revogado, por força da Súmula Vinculante do STF n° 8 e por força do art. 13, I, “a” da Lei Complementar n° 128 de 19 de dezembro de 2008. Portanto, o prazo para a realização do lançamento da CSLL também é de 5 (cinco) anos, a contar do fato gerador. Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.005419/200503 Acórdão n.º 180201.347 S1TE02 Fl. 292 5 In casu, a Recorrente teve o lançamento de CSLL realizado pela autoridade em 31/10/2005, através de auto de infração. Assim sendo, o lançamento efetuado com relação à CSLL apurada no ano de 1999, já se encontra extinto pela decadência, nos termos do art. 156, V do Código Tributário Nacional, não podendo mais a autoridade alterar o feito. De toda sorte, a DRJ através de Acórdão já citado, desconstituiu a exigência com relação à CSLL no todo, senão vejamos (fls. 242): Observo que a fiscalização apurou exigências de CSLL decorrentes das glosas de custos nos anos de 1999 e 2000, nos valores respectivos de R$46.682,10 e de R$41.632,79. Porém, a exemplo do lançamento relativo à redução de prejuízo fiscal, o procedimento da fiscalização deveria ter sido o de redução da base de cálculo negativa apurada pelo sujeito passivo nos referidos exercícios. Consta dos autos os valores de base de cálculo da CSLL apurados pelo sujeito passivo em 1999 e 2000, respectivamente de —R$11.544.160,65 (fl. 185) e de — R$5.045.804,30 (fl. 138). Portanto, o lançamento de CSLL deve ser declarado nulo, pois a implicação das glosas de custos neste caso específico seria unicamente de redução do saldo da base de cálculo negativa. Como se observa, a r. Turma de Julgamento entendeu corretamente no sentido de que o comando do auto de infração seria obrigação de fazer, no sentido de reduzir a base de cálculo negativa nos respectivos exercícios, julgando o lançamento de CSLL nulo no todo. Contudo, remanesce dessa decisão a exigência com relação a obrigação de fazer do IRPJ do ano calendário de 2000, no sentido de reduzir o prejuízo fiscal calculado, pela glosa nos custos de depreciação considerados pelo contribuinte, ante a ausência de documentos que comprovassem a evolução das quotas de depreciação. A Recorrente por sua vez, alega que apresentou farta documentação e que, não houve por parte da autoridade menção de quais documentos ou provas seriam válidas para sustentação da exigência, nem demonstrou indícios suficientes de qual base serviu para os referidos lançamentos de ofício, sendo por isso, presunções não demonstradas, carecendo de fundamentação e contrariando os princípios da ampla defesa e do contraditório. Discorre ainda que após a apresentação da documentação, houve inovação da exigência pela autoridade que alegou não serem hábeis as provas demonstradas, pois a propriedade das embarcações não acompanhou o seu respectivo registro contábil tendente a habilitar as cotas de depreciação demonstradas, dada a carência do valor original (preço de aquisição) do bem. Ora, não entendo que houve inovação da solicitação, nem um suposto aperfeiçoamento do pedido inicial. Vejamos: No termo de início de fiscalização (fls. 3) no item 4 consta: 4 – Documentos de aquisição e de acréscimos (benfeitorias), das embarcações e de todos os bens integrantes do ativo imobilizado, sobre os quais foram calculados as despesas de depreciações normal e incentivada; Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Além do mais, não é possível a autoridade validar as quotas de depreciação sem o preço de aquisição e as benfeitorias dos bens imobilizados. Assim, as provas apresentadas pela Recorrente embora comprovem a propriedade das embarcações e até as benfeitorias realizadas, não são suficientes para demonstrar a evolução de seu valor contábil e ao final, apontar os custos com a depreciação utilizados. Careceu nesta parte, a demonstração dos lançamentos contábeis e relatórios de suporte capazes de demonstrar a evolução das cotas de depreciação normal e incentivada. Portanto, mantenho neste prospecto, a exigência fiscal em relação ao ano 2000 do IRPJ, que permanecia pela decisão da DRJ exigível, no sentido de reduzir o prejuízo fiscal de tal anocalendário. A Recorrente defende também que ofereceu os prejuízos fiscais à tributação como Receita, na alínea de Ativos Fiscais Diferidos e os excluiu do lucro real, resultando os referidos lançamentos no resultado de “zero”. Atesto que a narração dos fatos possui lógica procedimental e em análise dos documentos acostados, verifico possuírem veracidade quanto à matéria. Às fls 278/280 a Recorrente juntou Livro Diário onde demonstra ter realizado lançamento a título de “Prov. Imposto de Renda Diferido Ativo” no montante de R$ 3.574.508,31, onde debita conta do ativo e credita conta de resultado o que, aumenta o lucro operacional e/ou reduz o prejuízo fiscal. Contudo, este valor também não possui sustentação e é diferente do levantado pela fiscalização. Careceu nesta parte a demonstração por parte do Recorrente da composição de valores e explicações da divergência entre o levantado pelo procedimento fiscal e o sustentado em matéria de defesa, de forma a convencer este julgador sobre a correção de seus procedimentos. Neste sentido, dispõe o Código de Processo Civil – Lei n° 5.869/73: Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Portanto, não esclarecido por meio de provas o fato impeditivo, modificativo ou extintivo capaz de comprovar a correção em seu procedimento, merecida é a manutenção da exigência nesta parte. Por todo o exposto voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.005419/200503 Acórdão n.º 180201.347 S1TE02 Fl. 293 7 Marciel Eder Costa Relator Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10675.909053/2009-55
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 30/04/2003
PIS. COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º
da Lei 9.718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição PIS sobre este tipo de receita, pois estas receitas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-001.104
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl (Relator), Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Designado o Conselheiro Flávio de
Castro Pontes para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gustavo Lanna Murici, OAB/MG 87.168.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição PIS sobre este tipo de receita, pois estas receitas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl (Relator), Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Designado o Conselheiro Flávio de Castro Pontes para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gustavo Lanna Murici, OAB/MG 87.168. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) SIDNEY EDUARDO STAHL Relator. EDITADO EM: 07/07/2012 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909053/200955 Acórdão n.º 380101.104 S3TE01 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909053/200955 Acórdão n.º 380101.104 S3TE01 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face da nãohomologação parcial de compensação realizada com créditos de PIS decorrentes da decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.38.03.0007782, de autoria da Recorrente, que objetivou a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 (ampliação da base de cálculo do tributo). O despacho decisório exarado pela Delegacia da Receita Federal em Uberlândia – MG que vedou parcialmente o direito ao crédito de PIS da Recorrente, baseouse em manifestação da Equipe de Ações Judiciais – EQAJ daquela DRF, exarada em processo fiscal de acompanhamento do Mandado de Segurança acima aludido (Informação Fiscal n°. 0098/2010/DRF/UBE/EGAJ PAJ 10675.000306/0097), que ao analisar o alcance da decisão judicial em questão, acabou por entender que o Recorrente se utilizou de base de cálculo menor do que a devida, pois considerou que as receitas que deverão compor a base de cálculo do PIS das instituições financeiras tais como a Recorrente serão todas aquelas relativas às atividades típicas realizadas por este gênero empresarial, quais sejam, as oriundas das “operações bancárias” em geral, o que culminou na apresentação de Manifestação de Inconformidade pelo Contribuinte. A Manifestação de Inconformidade restou indeferida através do Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora MG, que corroborou o entendimento esposado pela DRF de origem, conforme ementa abaixo transcrita, in verbis: “PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A base de cálculo do PIS/Pasep para as instituições financeiras e assemelhadas é o faturamento, entendido como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” A fundamentação apontada pelo acórdão da DRF que sustentou a decisão pode ser extraída dos seguintes trechos: Ao pretender ser tributada apenas em relação aos serviços prestados no seu sentido estrito, intenta a manifestante excluir da incidência da contribuição as receitas provenientes daquelas que constituem justamente as atividades principais do seu objeto, ou seja, as receitas obtidas no exercício das suas atividades empresariais, que são as mais expressivas em termos de riquezas geradas. (…) Ora, as chamadas operações bancárias (“spreads”, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de Fl. 153DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909053/200955 Acórdão n.º 380101.104 S3TE01 Fl. 4 4 recursos financeiros próprios ou de terceiros, empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc.), se constituem na essência do exercício das atividades empresariais das instituições financeiras. Já os chamados serviços bancários (tarifas de manutenção de conta, de abertura de crédito, de custódia, de administração, etc...), são atividades secundárias e acessórias, executadas unicamente para que a instituição possa desempenhar adequadamente a sua atividade principal. Portanto, correta a autoridade administrativa ao incluir no faturamento da manifestante as receitas relativas a empréstimos, financiamentos, etc…, que são oriundas do exercício das atividades empresariais, como definido na decisão exarada no Recurso Extraordinário 401.3487Minas Gerais. Inconformada, a Contribuinte interpõe o presente Recurso Voluntário, através do qual sustenta possuir direito ao crédito de PIS inicialmente indeferido, porquanto está devidamente amparada por decisão transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança n° 2000.38.03.0007782, o qual, por sua vez, está em consonância com a decisão do Órgão Plenário do Supremo Tribunal Federal que extirpou do ordenamento jurídico o artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, ao consignar que a base de cálculo do PIS está atrelada ao conceito estrito de receita bruta de venda de mercadorias e da prestação de serviços. Em suma, alega a Recorrente em suas razões recursais que a receita de prestação de serviços que configura o “faturamento” das instituições financeiras engloba todos os tipos de taxas, tarifas e comissões cobradas pelas instituições para prestar serviços bancários. Por sua vez, a movimentação financeira decorrente de operações bancárias, e não de serviços bancários, está fora do conceito de “faturamento” determinado pelo Supremo Tribunal Federal. À final, requer seja dado provimento ao recurso. É o Relatório. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909053/200955 Acórdão n.º 380101.104 S3TE01 Fl. 5 5 Voto Vencido Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. A lide consiste em se determinar qual a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep, a partir da decisão transitada em julgado no Mandado de Segurança n° 2000.38.03.0007782, da lavra do Ministro Cezar Peluso, no Recurso Extraordinário 401.348 7, de autoria da Recorrente, a seguir transcrita: DECISÃO: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2.Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Minº ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Minº MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3.Diante do exposto, e com fundamento no artigo 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas ex lege. Publiquese. Int.. Brasília, 28 de novembro de 2005. Ministro CEZAR PELUSO Relator O ponto fulcral, do presente processo, portanto, é determinar, conforme apontado no relatório e na decisão supra se, sobre os montantes recebidos pelas instituições financeiras a título de remuneração decorrente do pagamento de operações de empréstimos bancários, “spreads”, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamentos, colocação e negociação de títulos Fl. 155DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909053/200955 Acórdão n.º 380101.104 S3TE01 Fl. 6 6 e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc. – as chamadas intermediações financeiras – incide ou não a contribuição para o PIS/Pasep. Isso decorre do entendimento esposado de que o significado de faturamento ao qual está obrigada a Recorrente é o de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Além desse entendimento, apontou o Ministro Relator, ainda, que seu entendimento se substancia no que foi decidido nos Recursos Extraordinários nº 346.084PR, nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG. Lembremonos que o regime legal aplicável às instituições financeiras com relação ao PIS é o da Lei 9.718/1998 por expressa disposição do inciso I, do artigo 8º da Lei nº 10.637/20021. A norma assim define a base de incidência da contribuição: Artigo 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei.(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Artigo 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) O confronto da norma e da decisão do Min. Cezar Peluso supra citada serviram para a decisão da DRF de Juiz de Fora, ora atacada. Assim expressou a decisão da DRJ: Como se vê na decisão acima, o Ministro Cezar Peluso definiu que a base de cálculo da contribuição é o faturamento, assim entendido como sendo a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação dc serviços de qualquer natureza. Logo à frente, o Exmo. Senhor Ministro esclarece que o faturamento é a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. 1 Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: I – as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 (parágrafos introduzidos pela Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001), e Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983;... Fl. 156DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909053/200955 Acórdão n.º 380101.104 S3TE01 Fl. 7 7 Portanto, é necessário delimitar qual a composição do faturamento das instituições financeiras, ou para melhor se adequar à decisão transitada em julgado, qual é a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais desse tipo de empresa. As instituições financeiras têm tratamento jurídico diferenciado em relação às empresas que exercem outras atividades. Seu objeto social é distinto e, por consequência, o conceito de faturamento em relação a elas deve ser examinado de forma diferenciada. No Recurso Extraordinário n° 346.0846PR, citado na Decisão em questão, o mesmo Ministro Cezar Peluso manifestou, em seu voto que o faturamento deve ser entendido resultado econômico das operações empresariais típicas, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado”. E continuou o julgador “a quo”: Então, quais seriam as receitas operacionais típicas das instituições financeiras e assemelhadas? São elas, evidentemente, as decorrentes da intermediação de operações a da prestação de serviços de natureza financeira: empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc... Configurase, assim, uma situação sui generis devido às especificidades e particularidades desta atividade econômica, totalmente diferente da atuação das pessoas jurídicas eminentemente comerciais ou das demais prestadoras de serviços. (...) Diferentemente do que afirma a manifestante, o faturamento das instituições financeiras vai muito além do que a simples receita proveniente da cobrança de tarifas (de manutenção de conta, de abertura de crédito, de custódia, de administração, etc...), abrangendo um outro universo de receitas típicas e características da atividade financeira. Ao pretender ser tributada apenas em relação aos serviços prestados no seu sentido estrito, intenta a manifestante excluir da incidência da contribuição as receitas provenientes daquelas que constituem justamente as atividades principais do seu objeto, ou seja, as receitas obtidas no exercício das suas atividades empresariais , que são as mais expressivas em termos de riquezas geradas. Apesar do entendimento aparentemente conclusivo apresentado na decisão da DRJ, tenho que o exame da matéria merece maior cuidado especialmente para dar ampla segurança à relação fisco/contribuinte, quanto ao sentido dado pelo Ministro Peluso ao faturamento que abrange “as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909053/200955 Acórdão n.º 380101.104 S3TE01 Fl. 8 8 O PIS (Programa de Integração Social) teve sua concepção na Constituição de 1967, que, em seu artigo 158, V, previa: “Artigo 158. A Constituição assegura aos trabalhadores os seguintes direitos, além de outros que, nos termos da lei, visem à melhoria, de sua condição social: (...) V – integração do trabalhador na vida e no desenvolvimento da empresa, com participação nos lucros e, excepcionalmente, na gestão, nos casos e condições que forem estabelecidos.” A Emenda Constitucional nº 1/69 repetiu a previsão em seu artigo 165, V, com redação quase homônima. Com esse fundamento, foi editada a Lei Complementar nº 7/70, que instituiu o Programa de Integração Social, “destinado a promover a integração do empregado na vida e no desenvolvimento das empresas”. Para alcançar esse objetivo, a Lei Complementar nº 7/70 instituiu um Fundo de Participação, a ser constituído por depósitos efetuados pelas empresas – conceituadas como pessoas jurídicas nos termos da legislação do Imposto de Renda – na Caixa Econômica Federal. Até então, a Constituição Federal não previa uma basedecálculo determinada para o PIS, limitandose a falar de “participação nos lucros” da empresa. A Lei Complementar nº 7/70 determinou que a basedecálculo seria o faturamento, mas não o definiu. Diante disso, o Banco Central editou a Resolução nº 174/71, que considerou faturamento, corretamente e conforme o sentido laico, a receita operacional das empresas. A legislação do PIS sofreu alterações nos anos seguintes, por meio das Leis Complementares nºs 17/73 – que instituiu um adicional de 0,125% à alíquota incidente sobre o faturamento em 1975 e 0,25% para os anos subsequentes – 19/73 – que determinou a aplicação unificada dos recursos do PIS e do Pasep (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público, instituído pela Lei Complementar nº 8/70) – e 26/75 – que criou o Fundo Unificado PIS/Pasep. De acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, o PIS/PASEP tinha, até a edição da Emenda Constitucional nº 8/77, natureza tributária. Com a EC nº 8/77, contudo, perdeu essa natureza, pois a Emenda incluiu um novo inciso no artigo 43 da Carta de 1969 – que tratava das atribuições do Poder Legislativo –, separando a contribuição social ao PIS/PASEP dos tributos. Em 1988, o Decretolei nº 2.445, com algumas mudanças instituídas pelo Decretolei nº 2.449, alterou a alíquota e a base de cálculo do PIS/PASEP, que passaria a ser calculado à base de “sessenta e cinco centésimos por centro da receita operacional bruta”, conceituada, naquele instrumento como “o somatório das receitas que dão origem ao lucro operacional, na forma da legislação do imposto de renda”, admitidas algumas exclusões e deduções estabelecidas no próprio decretolei. Os dois decretoslei geraram grande polêmica e terminaram por ser repelidos pelo Supremo Tribunal Federal, sob o argumento de inconstitucionalidade perante a Carta de 1969, pois, embora esta outorgasse ao Presidente da República competência expressa para Fl. 158DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909053/200955 Acórdão n.º 380101.104 S3TE01 Fl. 9 9 baixar decretoslei referentes às finanças públicas, inclusive matéria tributária, entendiase que o PIS/PASEP não tinha mais natureza tributária, ou mesmo de finanças públicas, não podendo ser objeto de decretolei. A questão da alteração da definição basedecálculo foi meramente tangenciada por alguns ministros, não constituindo a razão da inconstitucionalidade dos dois decretoslei. Analisando essa questão, o MinistroRelator Carlos Velloso apenas lembrou que a Constituição então vigente não havia especificado a basedecálculo do PIS e que, consoante a Resolução Bacen nº 174/71, o “faturamento” da LC 7/70 era, na realidade, a receita operacional, ou seja, quando se usava o termo receita operacional, esse estava sendo usado como sinônimo de faturamento, de modo que “nada teria sido alterado, portanto”. A nova Constituição Federal entrou em vigor logo em seguida, recepcionando o PIS/PASEP expressamente em seu artigo 239. A Constituição de 1988, além disso, arrolou, em seu artigo 195, as bases de cálculo que poderiam ser utilizadas para financiamento da seguridade social, como segue: “Artigo 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; II dos trabalhadores; III sobre a receita de concursos de prognósticos.” Em 30 de outubro de 1998 foi publicada a Medida Provisória nº 1.724, posteriormente convertida na Lei nº 9.718/1998 estando as instituições Financeiras obrigadas a tributar o PIS (e a COFINS) sob a sua égide. A discussão que se travou circundou os conceitos de receita bruta e faturamento. O conceito de faturamento já havia sido examinado pelo Pleno do STF no Recurso Extraordinário nº 150.7551, gerando acirrado debate entre, de um lado, os Ministros Carlos Velloso e Marco Aurélio – que sustentavam a inconstitucionalidade do artigo 28 da Lei 7.738/89, argumentando que “faturamento” e “receita bruta” são termos distintos – e, de outro, o Ministro Sepúlveda Pertence – que alegava que, em uma interpretação conforme a Constituição, os dois termos poderiam ser considerados equivalentes. Segundo o Ministro Sepúlveda Pertence, “a substancial distinção pretendida entre receita bruta e faturamento – cuja procedência teórica não questiono –, não encontra respaldo atual no quadro do direito positivo pertinente à espécie, ao menos, em termos tão inequívocos que induzisse, sem alternativa, à inconstitucionalidade da lei”. Mesmo porque, arguia o Ministro, “antes da Constituição, precisamente para a determinação de base de cálculo do Finsocial, o DecretoLei 2.397, 21.12.87, já restringira, para esse efeito, o conceito de receita bruta a parâmetros mais limitados que o de receita Fl. 159DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909053/200955 Acórdão n.º 380101.104 S3TE01 Fl. 10 10 líquida de vendas e serviços, do Decreto Lei 1.589/77, de modo, na verdade, a fazer artificioso, desde então, distinguilo da noção corrente de faturamento”. Diante disso, o Ministro Carlos Velloso retrucou, afirmando que “a autorização (da CF/88) é para que a incidência seja sobre faturamento e não sobre receita bruta – é o inciso I do artigo 195. Mas S. Exa. Parece que equiparou receita bruta a faturamento, o que também não me parece adequado fazer”. Ao seu auxílio, veio o Ministro Marco Aurélio, afirmando que “não posso atribuir ao legislador a inserção de expressões, a inserção de vocábulos em preceitos de lei sem o sentido vernacular, e, aqui, mais do que o sentido vernacular, temos o sentido técnico. (...) Senhor Presidente, não posso dizer que receita bruta consubstancia sinônimo de faturamento”. O Ministro Sepúlveda Pertence então reconheceu que “há um consenso: faturamento é menos que receita bruta”, mas reiterou que a lei tributária chamou “receita bruta o que é faturamento. E aí, ela se ajusta à Constituição”. Em outras palavras, que faturamento e receita bruta são diferentes, mas a legislação infraconstitucional restringiu tanto o conceito de receita bruta que terminou por equiparálo ao conceito de faturamento, não infringindo, portanto, a Constituição. A divergência persistiu, mas a maioria dos Ministros terminou optando pela posição do Ministro Sepúlveda Pertence. Assim, o acórdão foi tomado por maioria de votos, no sentido de “dar provimento ao recurso para declarar a constitucionalidade do artigo 28 da Lei nº 7.738/89, considerada a expressão “receita bruta” como correspondente a “faturamento”. Mas, o que havia naquele momento era o entendimento que se restringiu de tal forma a receita bruta que, apesar de ser nominada desse modo, tratavase, na verdade, de faturamento. É como se houvesse a determinação de incidir um tributo sobre carros de passeio e se fizesse incidilo sobre automóveis, tendo um, por sinônimo de outro. Assim dispunha o artigo: “Artigo 28. Observado o disposto no artigo 195, § 6º, da Constituição, as empresas públicas ou privadas, que realizam exclusivamente venda de serviços, calcularão a contribuição para o FINSOCIAL à alíquota de meio por cento sobre a receita bruta.” O que entendeu o Supremo é que o termo “receita bruta” constante no artigo significava faturamento, nada mais, nunca disse, portanto, que receita bruta e faturamento são a mesma coisa. Esse é o primeiro cuidado que devemos tomar. Assim, tendo o STF acatado a equiparação entre “faturamento” e “receita bruta” para os fins do artigo 28 da Lei nº 7.738/89, pretendeuse estender esse entendimento errôneo ao PIS/PASEP, por meio da edição da Lei nº 9.718/98, que alterou a base de cálculo do PIS/PASEP no seguinte sentido: “Art 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909053/200955 Acórdão n.º 380101.104 S3TE01 Fl. 11 11 calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Tentando evitar que a polêmica entre os conceitos de “receita bruta” e “faturamento” fosse reavivada – num ato de confissão de incapacidade de planejamento – o Congresso Nacional resolveu dar maior respaldo constitucional à Lei nº 9.718/98 e fêlo por meio da Emenda Constitucional nº 20/98, que alterou o artigo 195 da Carta Maior, incluindo a “receita” expressamente entre as possíveis bases de cálculo para as contribuições sociais, como segue: Artigo 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Assim, a partir da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, a Constituição Federal passou a autorizar a União a tributar a (totalidade da) receita dos contribuintes, ou seja, modificada a Constituição, não mais se discute que, a partir de 16/12/1998, o legislador federal passou a ter competência para editar uma nova lei instituindo contribuições sociais com base de cálculo composta por qualquer receita da pessoa jurídica. Após a EC 20/98, a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS não mais estão limitadas ao faturamento das empresas. Porém, considerando que a Lei nº 9.718/98 foi publicada antes da promulgação da Emenda Constitucional nº 20/98, que modificou a redação do artigo 195 da Constituição Federal para outorgar competência à União Federal para instituição de contribuição social sobre receita, o Plenário do Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional aquele § 1º do artigo 3º da referida Lei nº 9.718/98, valendo transcrever o seguinte excerto da ementa do acórdão proferido no RE nº 390.485: Fl. 161DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909053/200955 Acórdão n.º 380101.104 S3TE01 Fl. 12 12 “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvidas e da classificação contábil adotada.” (grifo nosso). Com base nesta decisão, os diversos processos pendentes de julgamento perante o Supremo Tribunal Federal passaram a ser julgados monocraticamente por seus Ministros, com fundamento no artigo 557, § 1ºA do CPC. Ocorre, porém, que nos processos de sua Relatoria, o ilustre Ministro Cezar Peluso tem proferido decisões do seguinte teor: “2. Consistente, em parte, o recurso. Uma das teses do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Minº ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Minº MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3. Diante do exposto, e com fundamento no artigo 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe parcial provimento, para, concedendo, em parte, a ordem, excluir, da base de incidência do PIS e da COFINS, receita estranha ao faturamento das recorrentes, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas em proporção.” (grifos nossos). Do mesmo modo seguiu a decisão que baliza o presente processo, ante citada. A decisão tomou por referência o julgamento do RE nº 390.840MG com idêntico teor dos demais citados e tem por núcleo a noção de faturamento conforme a redação original do artigo 195, I, b, da Constituição Federal. No acórdão, o Supremo Tribunal Federal concluiu pela declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/1998: “Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade Fl. 162DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909053/200955 Acórdão n.º 380101.104 S3TE01 Fl. 13 13 por ela exercida e a classificação contábil adotada pelas receitas”, cujo caput prescreve: “O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica”. Em questão estava a constitucionalidade da correspondência estabelecida pela Lei entre faturamento e receita bruta, nos termos em que essa fora definida.” A análise daquele RE foi baseada exclusivamente na violação do princípio da supremacia da Constituição, conforme o voto do Ministro Cezar Peluso, as duas razões teriam ocorrido para a inconstitucionalidade. A uma: de ordem material, pelo conteúdo do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/98, que ampliava o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”. O sentido dado ao conceito afrontaria a noção de faturamento pressuposta no artigo 195, I, b da Constituição Federal. A duas: de ordem formal, pois, pelo artigo 195, § 4º, sendo o legislador competente para “criar outras fontes” de custeio da seguridade social, não agiu em conformidade com o artigo 154, I da Constituição Federal2. Quanto à inconstitucionalidade formal, diz o Ministro Peluso, em seu voto vista, que, na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º, não houve usurpação de competência (incompetência orgânica), mas violação do disposto no artigo 154, I, c/c o disposto no artigo 195, § 4o (incompetência procedimental). Afinal, se, de um lado, à época, o artigo 195, I, da CF não previa a receita como fonte, o legislador ordinário, se quisesse prevê la, poderia terse valido do § 4º do artigo 195, mas desde que c/c o artigo 154, I, cujo preceito, porém, descumpriu. Quanto à inconstitucionalidade material, teria havido desconformidade entre a definição adotada na Lei para receita bruta, cujo sentido violava a significação adotada pela jurisprudência do STF como equivalente a de faturamento. Porém, ao final, o voto conferiu, mediante interpretação conforme a Constituição, ao termo receita bruta, (constante do caput do artigo 3º e nele equiparado a faturamento), o sentido de receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviços, de acordo com jurisprudência anterior do STF. A questão nuclear da inconstitucionalidade está, pois, localizada no sentido atribuído pelo legislador ao conceito de receita bruta, ao qual a expressão constitucional faturamento fora equiparada. Em seu voto, o Ministro Cezar Peluso examinou o sentido de receita bruta, primeiro, para distinguilo do de faturamento, e, assim, declarar inconstitucional o referido § 1º do artigo 3º e, ao depois, para equiparar um ao outro conforme o sentido atribuído a faturamento na jurisprudência anterior do STF, a fim de manter o caput do artigo 3º mediante interpretação conforme a Constituição. Ao fazêlo, no entanto, o Ministro Peluso estabeleceu a referida equiparação nos seguintes termos: “Quanto ao caput do artigo 3º, julgoo constitucional para lhe dar interpretação conforme a Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de ‘receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços’, adotado pela legislação anterior, e que, a 2 Art. 154. A União poderá instituir: I mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam nãocumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição; Fl. 163DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909053/200955 Acórdão n.º 380101.104 S3TE01 Fl. 14 14 meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” (grifei). O posicionamento mencionado parece conduzir ao entendimento de que receita bruta e faturamento não se confundem. Nem receita bruta, em termos de faturamento, se reduz a receita, pois nem toda receita é operacional. Mas, se, sob receita operacional, para efeito de significado estrito de receita bruta, entendese receita bruta de vendas e serviços, que significa: ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais típicas. O problema suscita um prévio exame de questões referentes à determinação de um conceito. Primeiro, é preciso entender a congruência entre o sentido de receita bruta e de faturamento em termos de venda de mercadoria e de prestação de serviços, de modo a permitir a equivalência: “ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício de atividades empresariais típicas”. “Mas o acórdão rechaçou também o argumento que aceitava uma espécie de “constitucionalidade superveniente”, por força da EC nº 20/98, que alterara o artigo 195, I da Constituição Federal. Aqui aparece também um problema de determinação do conceito. Afinal, essa nova formulação constitucional (a receita e o faturamento) conduz à necessária distinção que se há de fazer, para o futuro, entre faturamento e receita. Essa atual distinção constitucional há de ser compatível com o sentido que foi atribuído pelo acórdão para conferir, mediante interpretação conforme, constitucionalidade à expressão receita bruta constante do caput do artigo 3º da Lei nº 9.718/98.” Daí a seguinte questão: se, na formulação vigente (pós EC nº 20/98), a Constituição admite duas fontes distintas, a receita ou o faturamento, qual a diferença entre receita bruta, equiparada a faturamento pelo voto do Ministro Peluso, e a receita, conforme a nova expressão constitucional? Becker3 explica que “não existe um legislador tributário distinto e contraponível a um legislador cível ou comercial. Os vários ramos do direito não constituem compartimentos estanques, mas são partes de um único sistema jurídico, de modo que qualquer regra jurídica exprimirá sempre uma única regra (conceito ou categoria ou instituto jurídico) válida para a totalidade daquele único sistema jurídico. Essa interessante fenomenologia jurídica recebeu a denominação de cânone hermenêutico da totalidade do sistema jurídico. Com toda razão, o Professor da Universidade de Roma, Emilio Betti, especialista em hermenêutica, roga atenção para o deplorável fato de grande parte dos juristas ainda não terem demonstrado o mínimo indício de conhecer e compreender esse fundamental cânone hermenêutico da totalidade do sistema jurídico. Da fenomenologia jurídica acima indicada decorre o seguinte: uma definição, qualquer que seja a lei que a tenha enunciado, deve valer para todo o direito; salvo se o legislador expressamente limitou, estendeu ou alterou aquela definição ou excluiu sua aplicação num determinado setor do direito; mas para que tal alteração ou limitação ou exclusão aconteça é indispensável a existência de regra jurídica que tenha disciplinado tal limitação, extensão, alteração ou exclusão. Portanto, quando o legislador tributário fala de 3 Teoria Geral do Direito Tributário, p. 122/123, com itálicos do original. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909053/200955 Acórdão n.º 380101.104 S3TE01 Fl. 15 15 venda, de mútuo, de empreitada, de locação, de sociedade, de comunhão, e incorporação, de comerciante, de empréstimo, etc., devese aceitar que tais expressões têm dentro do direito tributário o mesmo significado que possuem no outro ramo do direito, onde, originariamente, entraram no mundo jurídico. Lá, por ocasião de sua entrada no mundo jurídico, é que houve uma deformação ou transfiguração de uma realidade préjurídica (exemplo: conceito de Economia Política; instituto da Ciência das Finanças públicas). Recomenda Luigi Vittorio Berliri o abandono, de uma vez para sempre, do arbitrário expediente de atribuir ao legislador tributário (como se fosse um outro legislador e, ainda por cúmulo, ignorante de direito) uma linguagem sua própria que atribuiria a palavra ou expressão que tem um bem preciso e conhecido significado jurídico, um esquisito significado novo de Direito Tributário. O “marido” de direito tributário – com razão adverte Luigi Vittorio Berliri – não pode ser outro que o marido do direito civil e canônico, isto é, aquele que é unido à mulher pelo vínculo do matrimônio. O “grau de oficial” ao qual se refere o artigo 7º da lei do imposto de renda, não pode ser outro que aquele decorrente dos regulamentos militares. Exatamente como a “maltose”, o “tártaro” e o “cróton” aos quais as normas tributárias fazem referência (a propósito do imposto de fabricação sobre glicose e sobre os óleos de sementes), não podem ser senão a maltose, o tártaro e o cróton da merceologia. Tanto não é possível pensar em um marido (“de direito tributário”), em uma enfiteuse, em uma servidão, em uma hipoteca (“de direito tributário”), em um oficial, em um domínio útil, em um débito quirografário (“de direito tributário”), quanto impossível seria pensar em uma maltose, um tártaro e um cróton (“de direito tributário”). As definições provocadas por Becker correspondem, conforme exemplifica, às significações diuturnas e técnicas do termo, dentro do sentido que lhe dá a norma. Entretanto, o genial doutrinador peca por entender que o legislador toma as normas realizando uma deformação ou transfiguração de seu sentido. Certamente não. Têm, na norma jurídica formalizada, o mesmo sentido que têm em cada um dos seus usos normais. Se o legislador viesse a criar um imposto incidente sobre o uso de cadeiras, apenas exemplificando para fins didáticos, “cadeira” seria tomada no sentido comum do termo, peça do mobiliário e nenhum outro sentido senão o comum. Quando a lei fala em comprar, vender, emprestar ou alugar não é necessário fazer qualquer outra definição senão a praticada ordinariamente, salvo se o termo por si só seja técnico. Essa prática, de se entender que todos os termos têm um significado jurídico ao serem empregados na norma, é uma prepotência da ciência, clara e compreensível, oriunda mais de uma necessidade de precisão científica do que da realidade, mas não é uma provável verdade da norma. Decerto o legislador oriundo de diversas formações não se preocupa em entender os termos técnicos empregados na norma antes de propôla. Se, por ex., o legislador tivesse que determinar o uso obrigatório de uma calça por uma categoria profissional em épocas diferentes seguramente se referiria ao termo de época, determinaria o uso de calça jeans ou blue jeans em um momento histórico, calça de brim azul em outro ou, como era conhecida antigamente, calça rancheira. Por isso, fizemos o pressuposto ligado à linguagem e ao tempo. Por outro lado, um termo técnico como enfiteuse, elisão ou evicção seria tomado no seu sentido técnico porque nenhum outro sentido poderia ser usado senão esse, mas atentemos que, em caso de existir um termo de significado corrente e um significado técnico, o termo pode ser tomado em qualquer significado – digamos que seja “transfusão”, referindose à Fl. 165DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909053/200955 Acórdão n.º 380101.104 S3TE01 Fl. 16 16 necessidade de que se usem equipamentos descartáveis para a coleta de sangue e transfusão do mesmo, por ex., mas é importante lembrar que ninguém precisa de um conhecimento técnico para saber o que significa “transfusão”. Assim, a linguagem do legislador é meramente comum, não técnica, não havendo, portanto, qualquer necessidade de se definir o termo “tributo” na lei porque o termo já é conhecido pela linguagem comum, ou seja, todos sabemos a que se refere quando a lei fala em tributo ou, em outro giro, qual é a acepção tomada pelo legislador no uso do termo. Entretanto, no caso do conceito dado ao elemento receita para fins de incidência do PIS (e da COFINS) a questão não é tão simples. Receita é um termo plurívoco mesmo na linguagem comum. Tem diversos significados e alcances. Pode referirse à culinária aonde corresponde a indicação minuciosa sobre a quantidade dos ingredientes e a maneira de preparar um prato salgado ou doce; pode se referir à farmácia aonde compreende uma fórmula para preparação de um medicamento; à medicina, que corresponde à própria prescrição; ou, àquilo que nos interessa, ao conceito contábil. A questão da definição de faturamento em termos de receita bruta gira, pois, em torno do sentido conotativo (qualificação do conceito: atributos que lhe são próprios) e do seu sentido denotativo (delimitação do conceito: extensão de objetos abrangidos). Sob esses dois aspectos é que se deve entender o sentido conferido à significação da expressão receita bruta como equivalente a faturamento. Sobre isso, voltarei ao que foi decidido no Recurso Extraordinário nº 150.7551 aonde ficou claro que receita e faturamento são distintos e que faturamento é menos que receita bruta. Portanto, tomoos como distintos. Pela nova dicção do artigo 195, por força da referida Emenda, passou a Constituição Federal a determinar como fonte das contribuições o faturamento ou a receita. A expressão “incidentes sobre a receita ou o faturamento” aponta, agora, para diferentes hipóteses de incidência ou fatos geradores distintos. Assim, ainda que, ad argumentandum, se admitisse que a intenção do constituinte derivado pudesse ter sido “espletiva”, objetivamente, a nova redação constitucional não equiparou os conceitos. Apenas estendeu a possibilidade da base de cálculo, antes restrita ao faturamento, também para a receita. Nesse sentido, observese, inicialmente, que, no caso em tela, pela nova redação, o “ou” tem função disjuntiva e não conjuntiva, como se observa pelo uso dos demonstrativos (“a receita ou o faturamento”). Destarte, o novo dispositivo, trazido pela Emenda Constitucional, ao contrário do que se possa pensar, reforça a tese de que, na Constituição Federal, mormente para efeitos fiscais, faturamento e receita são conceitos distintos, ainda que ou um ou outro possam configurar base de cálculo de contribuição social. Faturar, conforme diapasão do próprio Supremo é a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços de qualquer natureza. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909053/200955 Acórdão n.º 380101.104 S3TE01 Fl. 17 17 O conceito de faturamento advém além do conceito contábil, da Lei nº 5.474/68, segundo a qual a fatura tem a função de documentar a efetivação de vendas mercantis ou de prestações de serviços. Nesse sentido, o termo “faturamento” referese tanto ao ato de expedição do documento que representa a venda da mercadorias ou a prestação de serviços, como à própria receita proveniente dessas operações. Fora dessas duas atividades, não há que se falar em faturamento. Conforme ante examinado, o uso da expressão faturamento, antes da EC nº 20/98, tem seu sentido conotativo determinado por venda: “vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza”. Nesses termos, alcança o sentido estrito de receita bruta. Ou seja, receita bruta, desde que tomada em sentido estrito, pode ser equiparada à expressão constitucional faturamento. Já com a introdução da expressão “receita”, porém, o seu conceito deve ser devidamente separado do de faturamento. A receita há de se entender esta como as quantidades de valor financeiro, originários de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado, conforme o tipo de atividade por ela exercida. Nesse sentido, a receita, constante da nova redação do art. 195, I, à diferença de o faturamento, passa a constituir um conceito “alargado”, qualquer valor auferido, que abrange a classe genérica da receita como base de cálculo. Como classe genérica, receita passa a referirse às atividades da sociedade que constituem as fontes do resultado, conforme o tipo de atividade por ela exercida. Nessa classe genérica está o conceito lato de receita bruta, que, então sim, incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimento de aplicações financeiras, indenizações etc. Mas não as incorpora no conceito estrito de receita bruta. E nisso se distingue de faturamento, enquanto vendas faturadas e não faturadas, isto é, todas as vendas. Pareceme, diante disso, que o entendimento da questão exige uma consideração mais detalhada do termo receita bruta, mormente quando referida a receita operacional, para adequála ao faturamento no sentido constitucional. Com efeito, o tratamento do termo faturamento como “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza” generalizouse com o advento da LC nº 70/91, que assim o definiu em seu artigo 2º. Porém, como disse o Min. Carlos Britto (em seu voto no RE nº 346.084–6 PR): “Tudo estaria pacificado não fosse o advento da Lei Ordinária nº 9.718, de 1998 (...), que equiparou os termos ‘faturamento’ e ‘receita bruta’, não exclusivamente operacional”. Receita operacional, segundo o Ministro Carlos Britto, remete ao mencionado Decretolei nº 2.297/1987, artigo 22, § 1º, alínea “a”: “a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda”. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909053/200955 Acórdão n.º 380101.104 S3TE01 Fl. 18 18 E completa: “receita operacional é a receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimento de aplicações financeiras, indenizações etc.”. Nesse passo, é inevitável o recurso ao sentido técnico dos temos. A expressão receita está diretamente vinculada ao resultado da empresa. A formação do resultado decorre dos processos de mutação patrimonial das diversas categorias que compõem os elementos do custo e da receita4. Receita definese, segundo o autor, como a “quantidade de valor financeiro, originários de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado” 5. Mais especificadamente esclarece Bulhões Pedreira que receita “é o valor financeiro cuja propriedade é adquirida por efeito do funcionamento da sociedade empresária. As quantidades de valor financeiro que entram no patrimônio da sociedade em razão do seu financiamento e capitalização não são receitas; na transferência de capital de terceiros a sociedade adquire apenas o poder de usar o capital; na de capital próprio adquire a propriedade de capital destinado a aumentar seu capital estabelecido” 6. Nesses termos, receita e resultado não se confundem: o segundo é mais extenso (conceito denotativo) que o primeiro. Ou seja, por força dessa distinção será possível dizer que receita tem a ver com valores cuja propriedade, sendo adquirida por força do funcionamento da empresa (atividade típica, receita operacional), excluiria a receita não operacional. Já a receita bruta designa a contraprestação da venda de bens e serviços, enquanto valor financeiro cuja disponibilidade a empresa adquire com a venda de bens ou a prestação de serviços. Nesse sentido, distinguese da receita líquida, que é aquele valor, “diminuído de deduções e abatimentos e dos tributos cujo fato gerador seja a venda dos bens ou o fornecimento dos serviços” 7. Só a receita bruta nesse sentido estrito é que equivale a faturamento. Já o conceito de receita, como a nova fonte instituída pela EC nº 20/98, é que significaria quantidade de valor financeiro, originário de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado: todas as receitas operacionais. Afinal, da receita operacional se excluem os valores que constituem a receita não operacional, os que entram no patrimônio da sociedade por força de financiamento e capitalização, o capital de terceiros do qual a empresa tem apenas o uso. Desse esclarecimento técnico decorre, então, que receita bruta e receita operacional não se identificam inteiramente. 4 cf. Bulhões Pedreira: Finanças e demonstrações financeiras da companhia – conceitos fundamentais, Rio de Janeiro, Forense, 1989, passim. 5 pág. 455, grifei. 6 pág. 456, grifei. 7 Bulhões Pedreira, p. 457. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909053/200955 Acórdão n.º 380101.104 S3TE01 Fl. 19 19 O próprio Ministro Peluso ao se referir às diversas espécies de receita no seu votovista no RE 390.840MG8 apontou que distinguemse, pelo menos, quatro modalidade de receita: i) Receita bruta das vendas e serviços; ii) receita líquida das vendas e serviços; iii) receitas gerais e administrativas (operacionais); iv) receitas não operacionais. A norma do artigo 187 da Lei nº 6.404/76 (referida pelo Ministro Peluso, no RE 390.840MG), ao disciplinar a “Demonstração do Resultado do Exercício” mostra, em sede legal, a diferença. Mais precisamente, no artigo 22, § 1º, do Decretolei nº 2.397/87, determina se a incidência do FINSOCIAL sobre: alínea “a”: “a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;”. Seguese, alínea “b”, “as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas”; alínea “c”, “as receitas operacionais e patrimoniais das sociedades seguradoras e entidades a elas equiparadas”. Assim, se a receita, constante da nova redação do art. 195, I, passa a constituir um conceito “alargado” correspondendo a qualquer valor auferido abrangendo a classe genérica da receita como base de cálculo e referindo às atividades da sociedade que constituem as fontes do resultado que incorporam outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimento de aplicações financeiras, indenizações etc., conforme o tipo de atividade por ela exercida, mas, à diferença de o faturamento, nisso dele se distingue, enquanto vendas faturadas e não faturadas, isto é, todas as vendas, é correta interpretação do Ministro Carlos Britto, quando restringe a expressão receita operacional àquela obtida mediante a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza. Afinal, de outro modo ficaria obscura a distinção entre a receita ou o faturamento conforme a nova dicção constitucional, bem como o reconhecimento de que a nova redação não é expletiva. Como obscuro ficaria também o argumento, segundo o qual a inconstitucionalidade declarada do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/98 também decorreria de uma questão de ordem formal, posto que, pelo artigo 195, § 4º, sendo o legislador competente para “criar outras fontes” de custeio da seguridade social (receita), não teria agido em conformidade com o art. 154, I da Constituição Federal. Por óbvio, não há como se supor que em uma mesma operação a contrapartida do tomador do empréstimo fosse “despesa financeira”, sendo para o concessor “receita operacional” e não “receita financeira”, transmudandose a natureza da relação. Por todo o exposto, há de se concluir, em suma, que receitas oriundas da atividade típica da pessoa jurídica – receitas operacionais – não podem ser consideradas 8 http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=261694 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909053/200955 Acórdão n.º 380101.104 S3TE01 Fl. 20 20 faturamento para efeito de incidência da contribuição para o PIS (e COFINS) sob a égide da Lei nº 9.718/98 (afastado por inconstitucional o § 1º do seu art. 3º). Esta resposta não se altera em função da empresa envolvida ser uma empresa comercial, uma prestadora de serviços, uma “holding” ou uma instituição financeira. Não é o fato de determinada receita resultar da exploração do objeto social da pessoa jurídica que, determina estarmos diante de faturamento. Receita é gênero do qual faturamento é espécie. Restaria examinar em que sentido se toma o conceito de serviço na definição de receita bruta como a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços e serviços de qualquer natureza. Serviço, em sentido vulgar, é qualquer esforço humano que tenha por objetivo propiciar a outrem um proveito, uma utilidade, um benefício, uma vantagem, até um obséquio ou favor. Em termos econômicos, tratase de fornecimento de trabalho, de locação de bens móveis, de cessão de direitos, ou seja, atividades que constituem bens incorpóreos na circulação de mercadorias. Para efeitos constitucionais e tributários (CF, art. 150, I), o termo passa pelo uso jurídico, consistindo em atividade de fazer com vistas a um resultado útil a terceiro9. Não dispensa, assim, a ideia de trabalho e, nesses termos, de um facere destinado a outrem. Por consequência, não há serviço na atividade útil em favor do próprio prestador. Na linguagem jurídica em geral, anota Maria Helena Diniz, serviço quer dizer o “exercício de qualquer atividade intelectual ou material com finalidade lucrativa ou produtiva.” 10 Com sua costumeira precisão, registra De Plácido e Silva11: SERVIÇO. Do latim servitium (condição de escravo), exprime, gramaticalmente, o estado de que é servo, encontrandose no dever de servir; ou de trabalhar para o amo. Extensivamente, porém, e expressão designa hoje o próprio trabalho a ser executado, ou que se executou, definindo a obra, o exercício do ofício, o expediente, o mister, a tarefa, a ocupação ou a função. Por essa forma, constitui serviço não somente o desempenho de atividade ou de trabalho intelectual, como a execução de trabalho ou de obra material. Aires Fernandino Barreto, em excelente monografia sobre o ISS, parte da idéia do trabalho, como um fazer, um conceito mais amplo, e doutrina com inteira propriedade: É lícito afirmar, pois, que serviço é uma espécie de trabalho. É o esforço humano que se volta para outra pessoa; é fazer desenvolvido para outrem. O serviço é, assim, um tipo de trabalho que alguém desempenha para terceiro. Não é esforço desenvolvido em favor do próprio prestador, mas de terceiros. Conceitualmente parece que são rigorosamente procedentes 9 cf. Pontes de Miranda, Tratado de Direito Privado, Rio de Janeiro, 1964, tomo XVIII, p. 9 10 Maria Helena Diniz, Dicionário Jurídico, Saraiva, São Paulo, 1998, pág. 311 11 De Plácido e Silva, Vocabulário Jurídico, Forense, Rio de Janeiro, 1987, vol. IV, pág. 215. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909053/200955 Acórdão n.º 380101.104 S3TE01 Fl. 21 21 essas observações. O conceito de serviço supõem uma relação com outra pessoa, a quem se serve. Efetivamente, se é possível dizerse que se fez um trabalho “para si mesmo”, não o é afirmarse que se prestou serviço “a si próprio”. Em outras palavras, pode haver trabalho, sem que haja relação jurídica, mas só haverá serviço no bojo de uma relação jurídica. (Aires Fernandino Barreto, ISS na Constituição e na Lei, Dialética, São Paulo, 2003, pág. 29) Como se vê, há claramente em todas as definições de serviço a idéia de atividade destinada a atender diretamente necessidades humanas. No serviço há sempre uma atividade que consiste em servir a outrem, em atender necessidades de outrem. É o próprio agir, a própria atividade ou esforço humano, que serve, que atende a necessidade de outrem. É certo que a expressão de qualquer natureza pode ser vista como indicativa de ampliação do alcance da referida norma. Mas é certo também que o ser de qualquer natureza o serviço não nos autoriza a entender como tal uma atividade que serviço não seja. Como se sabe o STF julgou inconstitucional a inclusão de “locação de bens móveis” na lista de serviços anexa ao DL nº 406/68 (RE nº 116.121). A decisão se substanciou na distinção entre præstare ou facere e dare. Nessa mesma linha podese entender que instituições financeiras também prestem serviços, como o serviço de cobrança de duplicatas, o serviço de emissão de talões de cheque e outros do mesmo gênero. Mas isso não faz das atividades financeiras um serviço. Na verdade, independentemente da questão referente à definição constitucional de serviço, o problema relativo às contribuições para o PIS ou para COFINS, seja qual for o sentido atribuído a serviço de qualquer natureza, está antes na definição de faturamento. Ou seja, é o conceito constitucional de faturamento que autoriza a inclusão nele do conceito de receita bruta em sentido estrito, e não o contrário. É no tratamento dado à receita da venda de serviços como receita bruta em sentido estrito e, por força disso, equiparável a faturamento em seu sentido constitucional que está a questão. Ou em outro giro: não se trata de saber se o conceito de serviço financeiro integra a expressão serviços de qualquer natureza, conforme a definição legal de receita bruta, mas se faz parte da definição constitucional de faturamento. Recorro de novo ao Ministro Pertence, ao esclarecer que, quando a lei ordinária chama de receita bruta (em sentido estrito) o que é faturamento, é aí que ela se ajusta à Constituição. Nesses termos, ainda conforme o mesmo Ministro, “a partir da explícita vinculação genética da contribuição social de que cuida o artigo 28 da Lei 7.738/89 ao FINSOCIAL, é na legislação desta, e não alhures, que se há de buscar a definição específica da respectiva base de cálculo, na qual receita bruta e faturamento se identificam”. E nessa legislação (DecretoLei nº 2.397/87, art. 22, § 1º), como já exposto, está disposto que receita bruta é das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços de qualquer natureza (alínea a), dela distinguindose as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas (alínea b), bem como as receitas operacionais e patrimoniais das sociedades seguradoras e entidades a elas equiparadas (alínea c). Fl. 171DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909053/200955 Acórdão n.º 380101.104 S3TE01 Fl. 22 22 Vale dizer, ainda que se entenda que o conceito constitucional de serviço possa admitir como tal os serviços efetivamente prestados pelas instituições financeiras, as demais receitas operacionais das instituições financeiras (receitas financeiras e outras) estão excluídas do conceito de receita bruta em sentido estrito para efeito de sua subsunção ao conceito constitucional de faturamento. Não há, pois, como subsumilas à expressão: serviços de qualquer natureza. Muito bem, além de todo exame supra realizado, é preciso examinar, no contexto a nós apresentado a quê corresponde a expressão receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, usada na decisão do Recurso Extraordinário 401.3487, evitandose a superficialidade com a qual o tema foi abordado no acórdão combatido. Tomo, somente para fins didáticos, a liberdade de repetir a decisão do Ministro Peluso no Recurso Extraordinário em foco, grifando alguns pontos para destacar: DECISÃO: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2.Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Minº ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Minº MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3.Diante do exposto, e com fundamento no artigo 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas ex lege. Publiquese. Int.. Brasília, 28 de novembro de 2005. Ministro CEZAR PELUSO Relator Obviamente, não estamos diante de um voto claro suficiente, mas estamos diante elementos suficientes para que se possa esclarecêlo. No voto do Ministro Peluso, falase, pois, de receita bruta de venda de mercadoria e da prestação de serviço, isto é, do sentido estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza; falase, assim, de soma das Fl. 172DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909053/200955 Acórdão n.º 380101.104 S3TE01 Fl. 23 23 receitas; em alusão ao artigo 187 da Lei nº 6.604/197612, de receita como gênero abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial; por fim, dentro do gênero, das receitas operacionais; donde, receita bruta como produto do exercício de atividades empresariais típicas. Não me parece que o Ministro Peluso quis rever o conceito de faturamento, até então consagrado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal. Nesse sentido, o conceito de “ faturamento” não mais seria a “receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços de qualquer natureza” mas “qualquer outra receita, desde que oriunda das atividades empresariais”. Primeiramente porque não foi objetivo do STF, ao declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, redefinir o conceito constitucional de faturamento, mas sim o de rechaçar a definição legal de receita bruta estabelecida pelo § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, por ser esta inadequada àquela expressão constitucional. Depois porque, a mais simples interpretação sistemática do voto em foco, nos leva a entender que o que se pretende é tributar o faturamento cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza. Veja que o voto em exame utilizase da fórmula sintática “ou seja”, se utiliza de uma paráfrase que faz o desenvolvimento de um texto sem alteração do seu sentido original, nesse rumo, não pode desempenhar outro papel na frase, senão de conector para convencer o interlocutor acerca de sua validade preliminar13 – o faturamento pressuposto na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais – equivalendo (1) faturamento, (2) receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza e (3) receita das atividades empresariais. A decisão faz equiparação do conceito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, através da locução “ou seja” ao termo soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Não substitui um pelo outro, como se fez fazer crer. 12 Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; IV – o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras despesas; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) V o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto; VI – as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se caracterizem como despesa; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) VII o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. § 2º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) (Revogado pela Lei nº 11.638,de 2007) 13 FUCHS, C. La paraphrase. Paris: Presses universitaires de France, 1982, pág. 55. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909053/200955 Acórdão n.º 380101.104 S3TE01 Fl. 24 24 Repete, ainda, o voto a expressão faturamento – excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente – e quando fala em receita estranha ao faturamento não se refere a nenhuma outra, senão a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, reforçando a idéia da definição constitucional de faturamento, senão o voto se limitaria a apontar a receita, mas ao se referirse a faturamento informa que toma a “receita” no sentido de faturamento, conforme até aqui expus. Por último, o voto do Ministro Peluso cita expressamente os Recursos Extraordinários nº 346.084PR, nº 357.950RS, nº 358.273RS e nº 390.840MG, informando que a decisão se deu conforme o seu teor, da maneira que se pode ver por meio da abreviatura “cf”. Conforme já visto anteriormente esses Recursos firmaram o entendimento que era inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvidas e da classificação contábil adotada, devendose tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Assim, referendou o Ministro o entendimento do próprio STF de que o faturamento se cinge à receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, independentemente de sua posição pessoal, mesmo porque, julgando nos termos do artigo 557 do Código de Processo Civil não poderia têlo feito, se em sentido distinto da jurisprudência dominante do STF. Considerando isso, quer pela óptica constitucional, quer pela óptica doutrinária ou ainda, pela interpretação primária do próprio voto, tenho que não há como se tomar as intermediações financeiras sujeitas à incidência da contribuição Desse modo, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl – Relator Fl. 174DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909053/200955 Acórdão n.º 380101.104 S3TE01 Fl. 25 25 Voto Vencedor Conselheiro Flávio de Castro Pontes Redator designado Ainda que respeitáveis as razões do ilustre relator, discordase de seu entendimento. Consignese, de imediato, que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é o fórum adequado para se discutir a violação de coisa julgada. Ora, se a recorrente tivesse absoluta certeza dos efeitos da coisa julgada material, deveria pleitear ao órgão jurisdicional, que possui os meios necessários de tornar eficaz uma decisão judicial, o seu cumprimento. Assim sendo, não há contrariedade à coisa julgada, visto que a decisão transitada em julgado não definiu a composição da base de cálculo da contribuição PIS para as instituições financeiras. Incontestavelmente o cerne do litígio consiste em interpretar a coisa julgada na referida atividade jurisdicional. Pertinente é a colocação de Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart sobre a coisa julgada in Manual do processo de conhecimento. 5 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 630: (...) a coisa julgada material corresponde à imutabilidade da declaração judicial sobre o direito da parte que requer alguma prestação jurisdicional. Portanto, para que possa ocorrer coisa julgada material, é necessário que a sentença seja capaz de declarar a existência ou não de um direito.(grifouse) Como bem relatado, o Excelso Supremo Tribunal Federal (STF) em decisão monocrática do Relator, Ministro Cezar Peluso, recurso extraordinário 401.348, processo originário 2000.38.03.0007782/MG, decidiu não incluir na base de cálculo do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, in verbis: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, Fl. 175DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909053/200955 Acórdão n.º 380101.104 S3TE01 Fl. 26 26 excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados.(grifouse) Outrossim, sabese que o STF no julgamento do recurso extraordinário 346.084PR declarou inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Neste julgamento, o Ministro César Peluso esclareceu o seu ponto de vista a respeito do conceito de faturamento: “Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado a ideia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. A propósito, o art. 2º e o caput do art. 3º da Lei 9.718/98 mantiveramse incólumes pela decisão do STF: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". (grifouse) Necessário é lembrar que a decisão judicial declarou inconstitucional o parágrafo 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, garantindose o direito da recorrente de apurar a contribuição PIS com base no faturamento, assim entendido a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviço de qualquer natureza, isto é, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Destarte, resta definir o que seja a soma das receitas oriundas das atividades empresariais. Tenhase presente que o conflito de interesses referese a um ramo peculiar da atividade econômica, o do sistema financeiro. O conceito de instituição financeira está definido no art. 17 da Lei 4.595/1964: Art. 17. Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros.(grifouse) Fl. 176DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909053/200955 Acórdão n.º 380101.104 S3TE01 Fl. 27 27 Configurase que as atividades de uma instituição financeira estão relacionadas com a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros, a exemplo de operações de créditos e aplicação em títulos e valores mobiliários. Percebese que as instituições financeiras transferem recursos para os diversos agentes econômicos. Como exemplo típico de uma receita de operação financeira, citase o spread, em regra, a diferença que as instituições financeiras pagam na captação de recursos e o que elas cobram dos clientes. É certo que a natureza dessa receita é operacional e está vinculada à atividade econômica da instituição financeira. A partir destes conceitos, podese inferir que as instituições financeiras têm como atividade principal a intermediação de recursos financeiros. Neste contexto, as receitas oriundas das operações bancárias (receitas operacionais) compõem o faturamento porque estão relacionadas ao exercício do objeto social dessas instituições, nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98. Como bem assentado pelo Ministro Cezar Peluso, a inclusão ou não de eventuais receitas financeiras no conceito de receita bruta tem como variável a atividade empresarial. Assim, as receitas operacionais das instituições financeiras amoldamse ao conceito de faturamento estabelecido no art. 2º e no caput do art. 3º da Lei 9.718/98, de sorte que as aludidas operações caracterizam uma peculiar prestação de serviços de qualquer natureza. Nesta esteira, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007, também adotou o entendimento de que as receitas decorrentes das atividades financeiras integram a base de cálculo das contribuições PIS e Cofins como prestação de serviços. Por oportuno, colacionase alguns trechos do citado Parecer, inclusive a conclusão: “(...) 55. Assim, as operações bancárias consistem em prestação de serviços. Efetivamente, é possível considerar o conjunto da atividade exercida por um banco comercial, para fins tributários (definição da base de cálculo da COFINS) como prestação de serviços. (...) 60. (...) O resultado da atividade de intermediação financeira, apesar de não sujeita à ação de faturar, constituindo ato de comércio e decorrendo da própria atividade negocial da empresa, integra o seu faturamento para os efeitos fiscais de concretizar o fato gerador da COFINS/PIS. 61. O relevante para a norma é a identidade entre a receita bruta operacional e a atividade mercantil desenvolvida nos termos do objeto social da pessoa jurídica. A declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do §1º do art. 3º da Lei 9.718, de 1998, não alterou, nesse particular, o critério definidor da base de incidência da COFINS/PIS como o resultado econômico da atividade empresarial vinculada aos seus objetivos sociais. Ao revés, apenas firmou o entendimento de que Fl. 177DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909053/200955 Acórdão n.º 380101.104 S3TE01 Fl. 28 28 não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência da COFINS/PIS (v.g. Receitas de Capital de locadora de veículos), mas apenas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da empresa, como é o caso das operações bancárias das instituições financeiras.(...) 66. Em face dos argumentos acima expendidos, concluise que: (...) d) o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que ampliou o conceito de receita bruta para abarcar as receitas não operacionais foi considerado inconstitucional pelo STF nos RREE n. 346.084, 357.950, 358.273, 390.840;(...) h) serviços para as instituições financeiras abarcam as receitas advindas da cobrança de tarifas (serviços bancários) e das operações bancárias (intermediação financeira); (...) 66. Têmse, então, que a natureza das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros pode ser classificada como serviços para fins tributários, estando sujeita à incidência das contribuições em causa, na forma dos arts. 2º, 3º, caput e nos §§5º e 6º do mesmo artigo, exceto no que diz respeito ao “plus” contido no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, considerado inconstitucional por meio do Recurso Extraordinário 357.9509/RS e dos demais recursos que foram julgados na mesma assentada.” (grifouse) Convém ressaltar que nas demonstrações de resultado dessas instituições, as questionadas receitas são classificadas como receitas operacionais da atividade financeira, por conseguinte de prestação de serviços nos termos da tese acima esposada. E, mais, cabe acrescentar que o Tribunal Regional Federal da 3ª Região também está consolidando esse entendimento, conforme recentes decisões judiciais, a exemplo do acórdão abaixo: MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE FATURAMENTO. LEI N. 9.718/1998, ART. 3º, § 1º. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITA BRUTA DECORRENTE DO EXERCÍCIO DO OBJETO SOCIAL. REFORMATIO IN PEJUS. NÃO OCORRÊNCIA. 1. (...)2. O Plenário do Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998, por ocasião do julgamento dos Recursos Extraordinários n. 357.950/RS, n. 390.840/MG, n. 358.273/RS e n. 346.084/PR. 3. No caso concreto, a questão vai além da simples declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998. Tratase, também, de definir o alcance do termo "faturamento", base sobre a qual incide o tributo. 4. Quando do julgamento dos Recursos Extraordinários mencionados, a Suprema Corte reconheceu a sinonímia existente entre os termos faturamento e receita bruta, para fins de incidência da COFINS . Entretanto, a realidade alcançada pelos termos citados não se limita simplesmente às operações de venda de mercadorias e de Fl. 178DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909053/200955 Acórdão n.º 380101.104 S3TE01 Fl. 29 29 prestação de serviços, notadamente nos dias atuais, em que as atividades empresariais assumem formas as mais diversas, de modo que, mediante uma interpretação teleológica, o termo faturamento, assim como a receita bruta, abrange a totalidade das receitas decorrentes do exercício do objeto social. 5. Os impetrantes são instituições financeiras, que obtém receitas mediante as atividades de "coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros" (art. 17, da Lei n. 4.595/1964). Neste caso, compõem o seu faturamento todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, não se limitando às operações de venda de mercadoria e de prestação de serviços. 6. Deve ser reconhecida a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998, para que a impetrante possa apurar a COFINS tendo por base de cálculo o faturamento, correspondente à receita bruta decorrente do exercício do objeto social ao qual se dedica. (...)(grifouse) (Processo: 001092848.2005.4.03.6100, eDJF3 Judicial 1 DATA:04/05/2012) Com efeito, o voto vencedor do Desembargador Federal Márcio Moraes entendeu de forma explícita que compõe o faturamento das instituições financeiras todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, conforme excerto abaixo: É certo que, quando do julgamento dos Recursos Extraordinários n. 357.950/RS, 390.840/MG, 358.273/RS e 346.084/PR, a Suprema Corte reconheceu a sinonímia existente entre os termos faturamento e receita bruta, para fins de incidência da COFINS. Entretanto, a realidade alcançada pelos termos citados não se limita simplesmente às operações de venda de mercadorias e de prestação de serviços, notadamente nos dias atuais, em que as atividades empresariais assumem formas as mais diversas, de modo que, mediante uma interpretação teleológica, o termo faturamento, assim como a receita bruta, abrange a totalidade das receitas decorrentes do exercício do objeto social. (...) Nesse caso, compõem o seu faturamento todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, não se limitando às operações de venda de mercadoria e de prestação de serviços.(grifouse) Não é outro o entendimento dos Tribunal Regional Federal 2ª Região, segundo se depreende do acórdão assim ementado: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. PIS E COFINS. ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPENSAÇÃO. I O § 1º do art. 3º da lei nº 9718/98, que Fl. 179DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.909053/200955 Acórdão n.º 380101.104 S3TE01 Fl. 30 30 alterou a base de cálculo da COFINS e do PIS, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. II As instituições financeiras devem recolher o PIS e a Cofins incidentes sobre seu faturamento, este entendido como a receita bruta oriunda do desenvolvimento de suas atividades empresariais. Apenas a eventual incidência dessas contribuições sobre receitas nãooperacionais é que será indevida, ensejando a compensação dos valores que eventualmente tenham sido recolhidos a esse título. III – Embargos de declaração parcialmente providos. (Processo: 2005.51.01.0117643 , E DJF2R Data:04/04/2011) (grifouse) Assinalese, também, que este entendimento está em consonância com os princípios constitucionais da capacidade contributiva, que se aplica as diversas espécies tributárias, e universalidade do custeio da seguridade social. É indubitável a capacidade econômica das instituições financeiras, portanto devem suportar a incidência da contribuição PIS sobre suas receitas operacionais. De outro giro, o financiamento da seguridade social por toda a sociedade, esteado no princípio da solidariedade, não autoriza a exclusão das aludidas receitas da tributação em referência. De modo que em face das razões acima, as receitas operacionais de instituições financeiras são para fins tributários consideradas como prestação de serviços e estão sujeitas a incidência da contribuição PIS. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, e, por conseguinte, não homologando a compensação. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Redator designado Fl. 180DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 18050.001998/2008-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/1996 a 31/12/1998
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ELISÃO DA RESPONSABILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. NÃO HAVENDO GUARDA DA DOCUMENTAÇÃO A RESPONSABILIDADE
TRIBUTÁRIA PASSA A NÃO COMPORTAR O BENEFÍCIO DE ORDEM.
A tomadora de serviços é solidária com a prestadora de serviços até a entrada em vigor da Lei n° 9.711/1998. A elisão é possível, mas se não realizada na época oportuna persiste a responsabilidade.
Não há benefício de ordem na aplicação do instituto da responsabilidade solidária na construção civil.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC,
nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91, e à multa moratória, artigo 35 da mesma Lei.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2302-001.655
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o julgado.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: ADRIANA SATO
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Empresas em Geral Recorrente GRIFFIN BRASIL LTDA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1996 a 31/12/1998 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ELISÃO DA RESPONSABILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. NÃO HAVENDO GUARDA DA DOCUMENTAÇÃO A RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PASSA A NÃO COMPORTAR O BENEFÍCIO DE ORDEM. A tomadora de serviços é solidária com a prestadora de serviços até a entrada em vigor da Lei n ° 9.711/1998. A elisão é possível, mas se não realizada na época oportuna persiste a responsabilidade. Não há benefício de ordem na aplicação do instituto da responsabilidade solidária na construção civil. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91, e à multa moratória, artigo 35 da mesma Lei. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Fl. 294DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Adriana Sato Relator. EDITADO EM: 16/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Eduardo Augusto Marcondes De Freitas, Manoel Coelho Arruda Junior e Adriana Sato. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18050.001998/200803 Acórdão n.º 230201.655 S2C3T2 Fl. 250 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em 30/09/2003, cuja ciência do Recorrente ocorreu em 17/10/2003 (fls.01). De acordo com o Relatório Fiscal de fls.25 e seguintes, o recorrente contratou a empresa M & FF Consultoria e Serviços Ltda, mediante cessão de mão de obra de serviços de manutenção. O crédito foi apurado com base no valor das notas fiscais de serviços. O Recorrente apresentou impugnação tempestiva, alegando em síntese: inexistência de cessão de mão de obra; cobrança em duplicidade; caráter subsidiário desta responsabilidade; inexistência de lei complementar definindo o suposto contribuinte; inexistência de prova do não pagamento pelo prestador de serviços; enriquecimento ilícito; inconstitucionalidade do SAT; inaplicabilidade da multa progressiva; inaplicabilidade da taxa selic; necessidade de perícia. O Serviço de Análise de Defesas entendeu que se fazia necessário o saneamento do processo com a intimação da prestadora de serviços, com a juntada do contrato de prestação de serviços, bem como das notas fiscais. Às fls.147/179 foram juntadas Notas Fiscais e às fls.180/182 a carta contrato que descreve as atividades autorizadas pelo contratante (desenvolver algoritmos, configurar algoritmos, gerar base de dados, atualizar backup´s, atualizar discos das IHM´s A e B, acompanhar os testes de aceitação). Às fls.188 e seguintes consta o Relatório Fiscal Complementar com a qualificação do Recorrente e do prestador de serviços, informando que o contrato de prestação de serviços não foi apresentado e que, conforme o histórico das notas fiscais, a empresa prestou serviço de manutenção em SCDC e válvulas de segurança. Em seguida, dispõe sobre os serviços de natureza contínua, apresentam a fundamentação legal para o lançamento e informa como se deu o cálculo da contribuição. que o lançamento foi feito com base nas notas fiscais, e, que os serviços de manutenção podem ser classificados como serviços de natureza contínua. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 De acordo com a informação de fls.201 o Recorrente tomou conhecimento do Relatório Fiscal Complementar por meio postal e a prestadora de serviços por edital, e, ambas não apresentaram defesa. A DN julgou o lançamento procedente em parte para excluir as parcelas abrangidas pela decadência, nos termos do artigo 173, I do CTN. Inconformado com a DN o Recorrente interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: imperfeição do ato administrativo de lançamento até 27/09/2007; decadência do direito até a competência 12/1998; cerceamento de defesa em razão da ausência de certeza de cessão de mão de obra; inexistência de cessão de mão de obra. É o Relatório. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18050.001998/200803 Acórdão n.º 230201.655 S2C3T2 Fl. 251 5 Voto Conselheiro Adriana Sato Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo a análise das questões suscitadas. A 6ª Turma da DRFBJ de Salvador julgou procedente em parte o lançamento, excluindo as competências abrangidas pela decadência. Ao aplicar a decadência, a 6ª Turma da DRFBJ de Salvador corretamente aplicou a regra trazida pelo artigo 150, § 4 do CTN em razão do recolhimento parcial das contribuições por parte da prestadora de serviços, permanecendo como devidas as competências 10, 11 e 12/1998. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização da autuação não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos do artigo 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, portanto não há que se falar em vícios ou imperfeição do ato administrativo. A alegação da recorrente no que tange a falta de caracterização da cessão de mão de obra, a mesma também não merece prosperar, haja vista que, conforme consta do relatório fiscal complementar, a fiscalização solicitou através de TIAD´s os contratos de prestação de serviços firmados entre a Recorrente e a prestadora de serviços, no entanto, os documentos solicitados não foram apresentados a fiscalização. Ao descumprir o seu dever legal de colaboração, a Recorrente deu razão à inversão do ônus da prova da ocorrência efetiva da cessão de mãodeobra, pois de outro modo, ficaria a Fiscalização impedida de constituir o crédito, ferindo o interesse público de que todos os que pratiquem os fatos legalmente descritos como geradores da obrigação tributária suportem o ônus do recolhimento do tributo, pois ninguém pode se beneficiar da própria torpeza. Ademais, tanto em sua impugnação como no recurso voluntário, a Recorrente simplesmente alega a ausência de prova nos autos dos requisitos necessários à ocorrência da cessão de mãodeobra, no entanto, não apresenta os contratos, os quais poderiam embasar o seu argumento. As bases de cálculo que deram origem à contribuição foram obtidas a partir das notas fiscais de prestação de serviço de números 129, 193, 214 e 292, às fls. 166, 168, 169 e 170, respectivamente, que consignam serviço de Manutenção em SDCDparte fixa e a nota fiscal 106, fls. 167, cujo serviço consistiu na manutenção de válvulas. As notas fiscais juntadas aos autos demonstram também que a manutenção desse tipo de serviço é constante. Assim, confirmase a natureza contínua do serviço à qual se refere a lei. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Dessa forma, correto o entendimento da Fiscalização que, na ausência do cumprimento pelo sujeito passivo do seu dever de informar, presumiu a ocorrência dos requisitos da cessão de mãodeobra em serviço de manutenção. A responsabilidade solidária imputada a Recorrente, tomadora dos serviços, referese não ao preenchimento das guias, mas ao cumprimento da obrigação principal. Nesse sentido, ao acrescentar o § 3° ao art. 31 da Lei n° 8.212, de 1991, a Lei n° 9.032, de 1995, disciplinou a possibilidade de elisão desta responsabilidade solidária, mediante o prévio recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída na Nota Fiscal de Prestação de Serviços, quando da quitação da referida nota. Deste modo o § 4° do art. 31 da Lei n° 8.212, de 1991, também acrescentado pela Lei n° 9.032, de 1995, determinou que o tomador de serviços deveria exigir do prestador, quando da quitação da Nota Fiscal, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e da folha de pagamento específica dos trabalhadores envolvidos na prestação dos serviços. Assim, não exigindo os documentos do prestador e, portanto, não comprovando o recolhimento das contribuições, sujeitouse o tomador a responder solidariamente pelo cumprimento da obrigação principal, motivo pelo qual foi notificado pela fiscalização previdenciária. Revelase, assim, descabida a alegação em torno da "subisidiariedade" da responsabilidade solidária. Desta forma, está claro que a constituição do crédito tributário relativamente às obrigações previdenciárias discutidas nos autos pode se dar tanto na tomadora quanto na prestadora de serviços, se não for comprovado seu adimplemento mediante a apresentação das guias de recolhimento e folha de pagamento específica, respondendo ambas solidariamente pelo crédito constituído. Nos termos do art. 161 do CTN, o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei. Os juros e multa de mora exigidos neste processo tiveram como fundamento a redação dos arts. 34 e 35 da Lei n° 8.212, de 1991, vigente no momento do lançamento, os quais têm o caráter irrelevável. Pelo pagamento dos acréscimos moratórios responde o sujeito passivo, seja ele contribuinte ou solidário. Não há nenhum dispositivo na legislação que exclua a obrigação do devedor solidário de recolher os valores devidos a título de multa. Se a regra aplicável à generalidade dos sujeitos passivos é a de que o recolhimento fora do prazo deve ser acompanhado dos juros e da multa, a inexistência de responsabilidade quanto ao recolhimento da multa por parte do devedor solidário constituiria exceção, de modo que, segundo elementar regra de interpretação jurídica, deveria constar na legislação de modo expresso. Os percentuais de multa aplicáveis às contribuições previdenciárias encontravamse expressamente previstos no art. 35 da Lei n° 8.212, de 1991, com a redação vigente à época do lançamento, que, no caso, por se tratar de contribuição incluída em NFLD recebida a mais de 15 dias, o percentual foi de 15%. A discussão acerca da legalidade da forma de cálculo da multa aplicada não cabe à instância administrativa, a qual encontrase obrigada ao cumprimento da lei, sob pena de responsabilidade funcional. No que diz respeito a alegação da Recorrente no que tange a aplicação da Selic, temos que o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n 3, nestas palavras: Súmula N º 3 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18050.001998/200803 Acórdão n.º 230201.655 S2C3T2 Fl. 252 7 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais Por todo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Adriana Sato Relator Fl. 300DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 12963.000389/2007-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2007
CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. NÃO RETENÇÃO. INFRAÇÃO QUE NÃO POSSUI NATUREZA INSTRUMENTAL. MULTA. IMPOSSIBILIDADE.
O contratado para a prestação de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá destacar onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura, e o contratante reter e recolher a importância correspondente. A falta de retenção/recolhimento, independentemente do destaque pela contratada, implica o lançamento desses valores contra a contratante. Pela ausência de natureza instrumental da obrigação, é improcedente a autuação pelo descumprimento de obrigação acessória em razão da falta de retenção/recolhimento.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2402-002.660
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2007 CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. NÃO RETENÇÃO. INFRAÇÃO QUE NÃO POSSUI NATUREZA INSTRUMENTAL. MULTA. IMPOSSIBILIDADE. O contratado para a prestação de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá destacar onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura, e o contratante reter e recolher a importância correspondente. A falta de retenção/recolhimento, independentemente do destaque pela contratada, implica o lançamento desses valores contra a contratante. Pela ausência de natureza instrumental da obrigação, é improcedente a autuação pelo descumprimento de obrigação acessória em razão da falta de retenção/recolhimento. Recurso voluntário provido.
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E CORRETORA DE SEGUROS S/C Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2007 CESSÃO DE MÃODEOBRA. NÃO RETENÇÃO. INFRAÇÃO QUE NÃO POSSUI NATUREZA INSTRUMENTAL. MULTA. IMPOSSIBILIDADE. O contratado para a prestação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá destacar onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura, e o contratante reter e recolher a importância correspondente. A falta de retenção/recolhimento, independentemente do destaque pela contratada, implica o lançamento desses valores contra a contratante. Pela ausência de natureza instrumental da obrigação, é improcedente a autuação pelo descumprimento de obrigação acessória em razão da falta de retenção/recolhimento. Recurso voluntário provido. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva, Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 12963.000389/200779 Acórdão n.º 240202.660 S2C4T2 Fl. 199 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado para exigir multa em razão da Recorrente ter deixado de reter 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços que lhe foram executados mediante cessão de mão de obra, relativamente ao período de 01/1999 a 05/2007. Este Conselho, ao analisar o processo (fls. 179/182), determinou fosse realizada diligência, a fim de verificar o andamento e o desfecho da NFLD nº 37.081.6420, por motivos de conexão entre a matéria veiculada na referida notificação e a presente autuação. A Seção de Controle e Acompanhamento Tributário – SACAT (fls. 191/192), em resposta, informou que a referida NFLD teve seus créditos tributários parcialmente exonerados, em virtude da decadência das competências anteriores a 11/2002, inclusive, conforme prevê a Súmula Vinculante nº 08 do STF, tendo sido tais débitos enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em dívida ativa. A Recorrente foi intimada da diligência realizada (fls. 193/194), porém não apresentou manifestação. É o relatório. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Analisando o despacho de fls. 191/192, verificase que as contribuições previdenciárias cujos fatos geradores culminaram na lavratura da presente NFLD, exigidas por meio da NFLD nº 37.081.6420, foram parcialmente extintas, em vista da aplicação da Súmula Vinculante nº 08 do STF. Assim, poderseia entender que, como a configuração da presente penalidade independe da quantidade de fatos geradores autuados, haja vista que será a mesma se o contribuinte deixar de reter 11% sobre uma ou várias notas fiscais, o presente lançamento deveria ser julgado procedente, mormente quando restaram devidas parte das contribuições previdenciárias exigidas na NFLD nº 37.081.6420. Contudo, analisando as razões da Recorrente, especialmente em relação ao argumento de que o dever de reter revestese numa obrigação principal, entendo que a presente penalidade deve ser exonerada. De acordo com as informações contidas no relatório fiscal (fl. 05), verificase que o objeto dos contratos firmados entre a Recorrente e a Suprema Serviços Ltda. ME são executados mediante cessão de mãodeobra, uma vez que tratam sobre serviços de processamento de dados (digitação) executados tanto na sede da contratante como na sede da contratada. Não há dúvidas, portanto, de que a Recorrente deve recolher a importância de 11% à Seguridade Social, mediante a retenção dos valores pagos à empresa contratada, conforme se verifica no art. 145 da IN SRP nº 03/2005, in verbis: “Art. 145. Estarão sujeitos à retenção, se contratados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, observado o disposto no art. 176, os serviços de: (...) V digitação, que compreendam a inserção de dados em meio informatizado por operação de teclados ou de similares;” Entretanto, analisando a legitimidade do lançamento de multa por descumprimento de suposta obrigação acessória decorrente da falta de retenção/recolhimento de tributos, entendo que a falta desta não implica no descumprimento de obrigação acessória sujeita à aplicação de multa, mas tão somente no descumprimento de obrigação principal. Conforme dispõe o artigo 93 da IN SRP n° 03, de 14/07/2005, se presume feita a retenção na cessão de mão de obra, ficando o contratante responsável pelo recolhimento dos valores, ainda que não destacados nas notas fiscais de serviços pela contratada. Portanto, caso não comprovados os recolhimentos, os valores são cobrados da contratante mediante lançamento tributário: “INSTRUÇÃO NORMATIVA MPS/SRP nº 3, DE 14/07/2005 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 12963.000389/200779 Acórdão n.º 240202.660 S2C4T2 Fl. 200 5 Art. 93. O desconto da contribuição social previdenciária e a retenção prevista nos arts. 140 e 172, por parte do responsável pelo recolhimento, sempre se presumirão feitos, oportuna e regularmente, não lhe sendo lícito alegar qualquer omissão para se eximir da obrigação, permanecendo responsável pelo recolhimento das importâncias que deixar de descontar ou de reter.” Vejase, portanto, que o fato da empresa contratante não reter os valores implica necessariamente no não pagamento do tributo e não no descumprimento de obrigação instrumental, mormente quando, repitase, a retenção sempre presumirseá feita. Outrossim, não há dispositivo legal que considere como infração instrumental a falta de retenção/pagamento dos 11% sobre o valor dos serviços executados mediante cessão de mãodeobra. Quando constatado o descumprimento dessa obrigação, a fiscalização realiza a constituição do crédito contra a empresa contratante dos serviços, como obrigação principal. Desta forma, em que pese a aludida retenção constituir uma obrigação da Recorrente, sua ausência, como ocorreu nesta autuação, resulta na exigência do devido crédito tributário decorrente do descumprimento de obrigação principal. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 202DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10835.903191/2009-41
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Comprovado o saldo negativo pleiteado, o direito creditório deve ser reconhecido.
Numero da decisão: 1801-001.068
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório referente ao saldo negativo de CSLL no valor de R$ R$69.007,45 do ano-calendário de 2004, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Comprovado o saldo negativo pleiteado, o direito creditório deve ser reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório referente ao saldo negativo de CSLL no valor de R$ R$69.007,45 do anocalendário de 2004, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 108DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10835.903191/200941 Acórdão n.º 180101.068 S1TE01 Fl. 106 2 A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 16.03.2007, fls. 0108, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$144.115,25 atinente ao anocalendário de 2004. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fls. 4953, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido, conforme discriminado na Tabela 1. Tabela 1 – Valores informados na Per/DComp e aqueles considerados como corretos no Despacho Decisório a título de saldo negativo de CSLL no anocalendário de 2004 Descriminação (A) Per/DComp – R$ (B) Despacho Decisório – R$ (C) Cálculo da CSLL 2.652.835,93 2.652.835,93 CSLL Fonte 10.894,87 10.894,87 CSLL Mensal Paga por Estimativa 2.337.904,24 2.337.904,24 CSLL Mensal Compensada por Estimativa 448.152,07 254.349,06 CSLL a Pagar (144.115,25) 49.687,76 Cientificada em 17.06.2009, fl. 68, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 17.07.2009, fls. 1218, alegando em síntese que o litígio decorre da equivocada homologação em parte da Per/DComp formalizada no processo nº 10835.902285/200901, contra a qual há manifestação de inconformidade apresentada de forma regular. Conclui Em razão do que foi exposto, fica requerida [...] a reunião deste processo [ao processo nº 10835.902285/200901] [...] para que sejam apreciados conjuntamente, eis que um é prejudicial do outro. Finalmente, ressalta que [...] enquanto pendente de análise do presente procedimento, deve ficar suspensa a exigibilidade [do débito] tributário [...]. Está registrado como resultado do Acórdão da 8ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1237.807, de 10.06.2011, fls. 77:“Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte”, uma vez que foi reconhecido o direito creditório no valor de R$75.107,80, tendo em vista a homologação da compensação da CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada do período de setembro de 2004 no valor de R$379.144,62, formalizada no processo nº 10835.902285/200901, em conformidade com a Tabela 2. Tabela 2 – Valores informados na Per/DComp e aqueles considerados como corretos no Despacho Decisório e na decisão de primeira instância de julgamento a título de saldo negativo de CSLL no anocalendário de 2004 Descriminação (A) Per/DComp – R$ (B) Despacho Decisório R$ Decisão 1ª Instância – R$ Fl. 109DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10835.903191/200941 Acórdão n.º 180101.068 S1TE01 Fl. 107 3 (C) (D) Cálculo da CSLL 2.652.835,93 2.652.835,93 2.652.835,93 CSLL Fonte 10.894,87 10.894,87 10.894,87 CSLL Mensal Paga por Estimativa 2.337.904,24 2.337.904,24 2.337.904,24 CSLL Mensal Compensada por Estimativa 448.152,07 254.349,06 379.144,62 CSLL a Pagar (144.115,25) 49.687,76 (75.107,80) Restou ementado Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL AnoCalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos sofrerão incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. Notificada em 14.07.2011, fl. 94, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 12.08.2011, fls. 95102, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e afirma que procedeu ao pagamento da CSLL remanescente determinada sobre a base de cálculo estimada do período de setembro de 2004 no valor de R$69.007,45 com acréscimos moratórios, formalizada no processo nº 10835.902285/200901. Conclui Ante todo o exposto, requer a reforma do v. acórdão [...] para que, diante da comprovação do recolhimento da parcela que originou o saldo negativo não verificado, seja este reconhecido e a compensação em apreço homologada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente suscita que a Per/DComp deve ser deferida. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos Fl. 110DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10835.903191/200941 Acórdão n.º 180101.068 S1TE01 Fl. 108 4 débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O regime de tributação com base no lucro real, trimestral ou anual, prevê que a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, a CSLL paga ou retida na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente. O pressuposto é de que a escrituração mantida com observância das disposições legais que faz prova em favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados se estes estiverem comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza ou assim definidos em preceitos legais. Tendo em vista o princípio da verdade material que informa o processo administrativo fiscal, há de ser considerada pertinente a apreciação da prova documental trazida aos autos para oferecer a oportunidade de a Recorrente demonstrar sua alegação. Ademais, para que haja direito à homologação da compensação, deve restar comprovada, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição. Por esta razão, para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal1. Restou esclarecido que a Recorrente procedeu ao pagamento da CSLL remanescente determinada sobre a base de cálculo estimada do período de setembro de 2004 no valor de R$69.007,45 com acréscimos moratórios, formalizada no processo nº 10835.902285/200901, fls. 101102. Por esta razão, a contestação proposta pela defendente se confirma. Em vista do DARF de recolhimento juntado às fls. 101102, reconheço direito creditório referente ao saldo negativo de CSLL no valor original de R$R$69.007,45 corrigido monetariamente desde a data do efetivo recolhimento e homologar a compensação pleiteada até o limite do direito creditório reconhecido. Em face do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10835.903191/200941 Acórdão n.º 180101.068 S1TE01 Fl. 109 5 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 18471.001475/2005-55
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Sat Jul 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2000, 2001 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos casos de lançamento por homologação, em que ocorreu o pagamento, o prazo decadencial para o fisco constituir o crédito tributário via lançamento de ofício, começa a fluir a partir da data do fato gerador da obrigação tributária.
Numero da decisão: 1803-001.429
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos casos de lançamento por homologação, em que ocorreu o pagamento, o prazo decadencial para o fisco constituir o crédito tributário via lançamento de ofício, começa a fluir a partir da data do fato gerador da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Tratase de auto de infração lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil do Rio de Janeiro/RJ (fls. 01/130), o qual foi cientificado ao interessado em 29/09/2005, para a exigência de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 30.592,45 e acréscimos legais, totalizando o crédito tributário de R$ 78.768,72 (fl. 2). No curso do procedimento fiscal, a autoridade administrativa lançadora, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 94/99) e na descrição dos fatos do auto de infração, constatou as seguintes irregularidades: I — Compensação indevida de base de cálculo negativa de períodos anteriores: "glosa de valores compensados na DIPJ, a título de base(s) de cálculo negativa(s) de período(s)base anterior(es). Apurado no procedimento fiscal compensação a maior de base de cálculo negativa da CSLL, por insuficiência de saldo de períodos anteriores a compensar." Período de apuração: 12/2000 e 03/2001. II — Falta de recolhimento de adicional da CSLL: "Contribuição social apurada a menor na DIPJ. Verificada, no curso do procedimento fiscal, a apuração e recolhimento a menor da CSLL, devida no período de apuração, pela inobservância da alíquota diferenciada do adicional da CSLL, a que alude o inciso I, do art. 6°. da Medida Provisória n° 1.991/99, convalidada pela Medida Provisória n° 2.15835, vigente até 31/01/2000.". Período de apuração: 03/2000. O enquadramento legal da autuação encontrase descrito às fls. 114, 115, 116 e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 94/99). O interessado, cientificado em 29/09/2005 (fi.120), apresentou impugnação (fls.135/145) , em 26/10/2005, na qual alega, em síntese, que: Decadência o fato gerador da CSLL, no caso sob exame, ocorre ao final de cada trimestre. O prazo decadencial para a homologação da CSLL é de 5 anos. Como o auto de infração foi lavrado em setembro de 2005, as exigências anteriores a setembro de 2000 foram atingidas pela decadência (1°. trimestre de 2000); Fl. 269DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001475/200555 Acórdão n.º 180301.429 S1TE03 Fl. 2 3 o prazo decadencial pode correr antes da entrega da DIPJ, pois no regime trimestral a fiscalização tem como verificar se o contribuinte optou pelo lucro real trimestral ou anual, desde o fato gerador; Base de cálculo negativa existente em 31/12/1998 a fiscalização apurou saldo de base de cálculo negativa de CSLL acumulado até 31/12/1998 de R$ 144.822,19 (sistema SAPLI/SRF), que diverge dos registros do Interessado, onde consta o saldo de R$ 420.008,72 na mesma data; "compulsando os autos, percebese que o SAPLI não é acompanhado das supostas fontes que supostamente o embasam. Como pode o contribuinte contestar algo sem fundamento — sem base documental — lançado a esmo nos controles internos da Receita, provavelmente com erro de digitação ?"; Cita jurisprudência administrativa. Encerra requerendo a improcedência do auto de infração. Junta aos autos documentos às fls. 146/209. O Interessado apura a base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social pelo lucro real trimestral, conforme cópias das declarações de rendimentos dos anoscalendário 2000 e 2001, acostadas às fls. 03/88.” A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, em decisão assim ementada: “JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgão colegiado, sem lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. DECADÊNCIA. CSLL. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. GLOSA. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 4 Mantémse o lançamento referente à glosa da b —e de cálculo negativa da CSLL, se comprovado que o saldo existente é insuficiente para compensação.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que tece as seguintes considerações: a) A recorrente informa que está pleiteando o parcelamento dos débitos mantidos em relação aos 1° e 2° trimestres de 2001, mas entende que a decisão recorrida merece ser reformada, no que toca ao 1° trimestre de 2000, como se demonstrará a seguir. b) O fato gerador da CSLL se dá regra geral e no caso sob exame ao fim de cada trimestre. Como o auto de infração foi lavrado em setembro de 2005, com ciência da ora recorrente em 29.09.2005, todas as exigências relativas aos fatos geradores anteriores a setembro de 2000 já haviam sido atingidos pela decadência. Este é exatamente o caso concreto da exigência referente ao 1° trimestre de 2000, cujo fato gerador ocorreu no último dia de tal período, isto é, em 31.03.2000. c) A recorrente pede que seja reconhecida a decadência tributária do direito de lançar o crédito referente ao 1° trimestre de 2000. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 30/09/2005 (AR de fls. 133). O recurso foi protocolado em 26/10/2005, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. A recorrente parcelou os débitos relativos ao ano calendário de 2001, sendo que a controvérsia apenas persiste em relação à exigência de CSLL, cujo fato gerador ocorreu em 31/03/2000. Alega a recorrente a decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo ao 1° trimestre de 2000. O Superior Tribunal de Justiça proferiu acórdão submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, fixando o seguinte entendimento acerca da decadência: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001475/200555 Acórdão n.º 180301.429 S1TE03 Fl. 3 5 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, “Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, “Direito Tributário Brasileiro”, 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). [...]. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Por sua vez, o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009, assim dispõe: Fl. 272DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 6 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Assim, restanos apurar se, no caso concreto, ficou caracterizada a decadência, de acordo com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça. Na DIPJ/2001, anexada às fls. 3/45, constatase que foi apurada CSLL a pagar, no 1° trimestre de 2000. A fiscalização apurou a diferença entre o valor declarado e o devido, não tendo registrado nenhuma falta de recolhimento. Logo, presumese que foi efetuado o pagamento dos valores informados na DIPJ. Assim, deve ser aplicada a regra do § 4°, do art. 150, do CTN, para contagem do prazo decadencial, in verbis: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressomente a homologa. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Considerando que a ciência do lançamento se deu em 29/08/2005 (fls. 112), devese reconhecer a decadência do direito de constituir o crédito tributário de CSLL, em relação ao fato gerador ocorrido em 31/03/2000. Ante todo o exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 273DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 13609.000951/2007-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/2006
NORMAS PROCEDIMENTAIS. PRINCÍPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E AMPLA DEFESA. AUSÊNCIA INTIMAÇÃO CONTRIBUINTE PARA MANIFESTAÇÃO ACERCA DE ATOS PROCESSUAIS/DILIGÊNCIA REQUERIDA ANTES DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE.
É nula a decisão de primeira instância que, em detrimento aos princípios do devido processo legal e ampla defesa, é proferida sem a devida intimação do contribuinte do resultado de diligência requerida pela autoridade julgadora após interposição de impugnação. Ao contribuinte é assegurado o direito de manifestar-se acerca de todos os atos processuais levados a efeito no decorrer do processo administrativo fiscal, que possam interferir diretamente na apreciação da legalidade/regularidade do lançamento. Decisão de Primeira Instância Anulada.
Numero da decisão: 2401-002.571
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/2006 NORMAS PROCEDIMENTAIS. PRINCÍPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E AMPLA DEFESA. AUSÊNCIA INTIMAÇÃO CONTRIBUINTE PARA MANIFESTAÇÃO ACERCA DE ATOS PROCESSUAIS/DILIGÊNCIA REQUERIDA ANTES DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. É nula a decisão de primeira instância que, em detrimento aos princípios do devido processo legal e ampla defesa, é proferida sem a devida intimação do contribuinte do resultado de diligência requerida pela autoridade julgadora após interposição de impugnação. Ao contribuinte é assegurado o direito de manifestar-se acerca de todos os atos processuais levados a efeito no decorrer do processo administrativo fiscal, que possam interferir diretamente na apreciação da legalidade/regularidade do lançamento. Decisão de Primeira Instância Anulada.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/2006 NORMAS PROCEDIMENTAIS. PRINCÍPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E AMPLA DEFESA. AUSÊNCIA INTIMAÇÃO CONTRIBUINTE PARA MANIFESTAÇÃO ACERCA DE ATOS PROCESSUAIS/DILIGÊNCIA REQUERIDA ANTES DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. É nula a decisão de primeira instância que, em detrimento aos princípios do devido processo legal e ampla defesa, é proferida sem a devida intimação do contribuinte do resultado de diligência requerida pela autoridade julgadora após interposição de impugnação. Ao contribuinte é assegurado o direito de manifestarse acerca de todos os atos processuais levados a efeito no decorrer do processo administrativo fiscal, que possam interferir diretamente na apreciação da legalidade/regularidade do lançamento. Decisão de Primeira Instância Anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 564DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 2 Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 13609.000951/200766 Acórdão n.º 2401002.571 S2C4T1 Fl. 555 3 Relatório RAL ENGENHARIA LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 37.099.7174, referente à diferença de contribuições sociais devidas ao INSS pela notificada, correspondentes à parte destinada a Terceiros (Salário Educação, SENAI, SESI, INCRA e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, apuradas por aferição indireta, em relação ao período de 01/1997 a 11/2006, conforme Relatório Fiscal, às fls. 172/190. De conformidade com o Relatório Fiscal, a base de cálculo das contribuições sociais foi aferida indiretamente, porque houve apresentação deficiente de documentos e, no exame da escrituração contábil e de documentos de caixa, a fiscalização constatou que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita ou do faturamento e do lucro, nos termos do parágrafo 3º e 6º do artigo 33 da Lei 8.212/1991. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, lavrada em 11/09/2007, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito no valor de R$ 805.352,49 (Oitocentos e cinco mil e trezentos e cinqüenta e dois reais e quarenta e nove centavos). Após regular processamento, interposta impugnação contra exigência fiscal consubstanciada na peça vestibular do feito, a 6ª Turma da DRJ de Belo Horizonte/MG, achou por bem julgar procedente em parte o lançamento, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 0220.361/2008, às fls. 429/439, sintetizados na seguinte ementa: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/2006 DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE DO PRAZO PREVISTO NA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. APLICAÇÃO DOS PRAZOS DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. AFERIÇÃO INDIRETA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. DISCUSSÃO RELATIVA A INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEIS. NÃO CABIMENTO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. Após a publicação da Súmula Vinculante n° 8, do Supremo Tribunal Federal STF, o lançamento do crédito previdenciário está sujeito aos prazos previstos no Código Tributário Nacional. O procedimento de aferição indireta deve ser adotado sempre que deixarem de ser exibidos à fiscalização documentos ou informações necessárias a apuração regular das contribuições devidas. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 4 As contribuições previdenciárias e outras importâncias arrecadadas pela Receita Federal do Brasil, pagas com atraso, ficam sujeitas à cobrança de juros e multa de mora de caráter irrelevável. Não cabe discussão no âmbito administrativo, de questionamentos quanto à inconstitucionalidade ou ) ilegalidade de lei, por se tratar de matéria cujo exame é restrito ao Poder Judiciário. Lançamento Procedente em Parte.” Em observância ao disposto nos artigos 25, inciso I, e 29, da Lei nº 11.457/2007, c/c artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício da decisão encimada, que declarou procedente em parte o lançamento fiscal. Incluído na pauta do dia 01/12/2010, a 1a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, entendeu por bem converter o julgamento em diligência para que a autoridade fazendária competente cientificasse a contribuinte da decisão de primeira instância, ora recorrida, reabrindo prazo legal de 30 (trinta) dias para interposição de eventual recurso voluntário, nos termos da legislação de regência, tendo em vista que a empresa não fora intimada do Acórdão da 6a Turma DRJ em Belo Horizonte/MG, acima ementada. Instada a se manifestar a propósito da decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 524/536, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Disserta a respeito da responsabilidade tributária e sujeição passiva, concluindo pela impossibilidade de responsabilização dos sócios em relação ao crédito previdenciário ora lançado, uma vez que não foram atendidos os requisitos necessários para tanto, inscritos nos artigos 134 e 135 do Código Tributário Nacional, entendimento que encontra guarida na doutrina e jurisprudência pátria trazida à colação. Após breve relato das fases e fatos ocorridos no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, notadamente em relação ao arbitramento utilizado na constituição do crédito previdenciário, alegando ser totalmente injustificado e imotivado. Assevera que a contribuinte nunca se recusou a prestar os esclarecimentos e documentos solicitados pela fiscalização no decorrer da ação fiscal, não se justificando a constituição do crédito previdenciário a partir de presunções (arbitramento) em detrimento da documentação ofertada pela notificada, sendo dever do fisco comprovar a efetiva ocorrência do fato gerador do tributo ora lançado. Contrapõese ao lançamento fiscal em comento, especialmente em relação à aferição indireta procedida, argumentando que referido procedimento somente poderá ser utilizado em situações extremas, quando inexistir escrita contábil ou outros casos devidamente dispostos na legislação de regência, o que não se vislumbra na hipótese dos autos. Em defesa de sua pretensão traz à colação doutrina e jurisprudência a propósito da matéria, corroborando seu entendimento. Sustenta que o Livro Razão, em que pese ser imprescindível como instrumento da escrituração contábil, na condição de documento auxiliar, não deve observância Fl. 567DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 13609.000951/200766 Acórdão n.º 2401002.571 S2C4T1 Fl. 556 5 às mesmas formalidades exigidas em relação ao Livro Diário, conforme prescreve o artigo 259, § 30, do RIR/99, o que afasta os argumentos da fiscalização em relação às pretensas deficiências existentes em tal documentação, inexistindo motivo, assim, para a desconsideração da contabilidade da empresa. Defende que mesmo existindo erros na contabilização da contribuinte, o crédito tributário não pode ser mantido, sobretudo por ser excessivo, uma vez que não houve falta intencional por parte da empresa, a qual nunca olvidou a fornecer todas as informações e documentos solicitados pelo fisco. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 6 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário da contribuinte e passo a analisar as alegações recursais. Não obstante o recurso de ofício interposto pela autoridade fazendária, nos termos da legislação de regência, e o recurso voluntário ofertado pela contribuinte após conversão em diligência determinada por esta Egrégia Turma, há nos autos outro vício processual sanável, ocorrido no decorrer do processo administrativo fiscal, o qual precisa ser saneado, antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, como passaremos a demonstrar. A lavratura da Notificação Fiscal deveuse a constatação de contribuições previdenciárias devidas pela notificada ao INSS, concernentes à parte da empresa, dos segurados e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, apuradas por arbitramento, consoante se positiva do Relatório Fiscal. Em sede de impugnação, às fls. 315/371, a contribuinte manifestou seu insurgimento contra o procedimento eleito pela autoridade fiscal ao promover o lançamento, qual seja, arbitramento, trazendo à colação inúmeros argumentos com a finalidade de rechaçar a pretensão do Fisco, especialmente no que tange às supostas incorreções na escrituração contábil apontadas pela fiscalização, de maneira a afastar a possibilidade da utilização da aferição indireta. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, após a apresentação da defesa da contribuinte, o julgador recorrido achou por bem converter o julgamento em diligência para que o fiscal autuante examinasse as razões e documentos colacionados aos autos naquela oportunidade, promovendo a exclusão dos valores que entendesse indevidamente lançados, consequentemente, retificando o crédito previdenciário originalmente constituído, conforme documento Diligência Fiscal de fl. 426. Em atendimento à diligência requerida pela autoridade julgadora, o ilustre AFRFB autuante elaborou Informação Fiscal, às fls. 427/428, acolhendo em parte as alegações da contribuinte, propondo a retificação do crédito tributário, com o devido ajuste dos valores admitidos por ocasião do lançamento, rechaçando, ainda, outa parte das argumentações da então impugnante. Ocorre que, ao arrepio do princípio do devido processo legal, mais precisamente da ampla defesa, a contribuinte não fora intimada para manifestarse a respeito do resultado da diligência, ferindolhe, assim, seu sagrado direito a ampla defesa, inscrito no artigo 5º, inciso LV, da CF, in verbis: “Art. 5º. [...] Fl. 569DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 13609.000951/200766 Acórdão n.º 2401002.571 S2C4T1 Fl. 557 7 LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;” A corroborar este entendimento a Lei nº 9.784/99, que regulamenta o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, em seus artigos 26 e 28, assim preceitua: “Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência da decisão ou a efetivação de diligências. Art. 28. Devem ser objeto de intimações os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrições ao exercício de direito e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse.” Na mesma linha de raciocínio, para não deixar dúvidas quanto à nulidade da decisão de primeira instância, o artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, estabelece o seguinte: Art. 59. São nulos: [...] II – os despachos e decisões proferidos por autoridades incompetentes ou com preterição do direito de defesa;” (grifamos) Por sua vez, a doutrina pátria não discrepa deste entendimento, senão vejamos: “ Especificamente, no processo administrativo fiscal, há previsão para a observância do contraditório e da ampla defesa, já que a Lei nº 9.784/99, e seu artigo 2º, inciso X, prescreve “[...]”. Também o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes determina, em seu artigo 18, § 7º, a abertura de vista à parte contrária no caso de apresentação de esclarecimentos ou documentos pela outra parte. [...] Assim, se, na fase de instrução, são trazidos, aos autos, dados ou documentos colhidos externamente, sem conhecimento do contribuinte, a este deve ser concedido o prazo do citado art. 44 para manifestação. De igual forma, se o julgamento é convertido em diligência ou perícia, seja a requerimento da parte, seja por determinação de ofício da autoridade julgadora, com vistas a contemplar a instrução do processo, é cogente a oitiva das partes (interessado e Procurador da Fazenda Nacional) após encerrada a instrução.” (NEDER, Marcos Vinícius / LÓPEZ, Maria Teresa Martinez – Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado – São Paulo: Dialética, 2002 – pág. 41) Fl. 570DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 8 Igualmente, a jurisprudência administrativa é mansa e pacífica nesse sentido, conforme faz certo o julgado dos Conselhos de Contribuintes, com sua ementa abaixo transcrita: “ CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Para que o sujeito passivo possa exercer amplamente o seu direito de defesa, é imprescindível que tenha ciência de todos os fatos e elementos trazidos ao processo. Documentos juntados pelo Fisco após a impugnação e antes da decisão é hipótese caracterizadora do cerceamento. Nulidade declarada.” (1a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso nº RD/1020.559A – Acórdão nº CSRF/0102.697, Sessão de 11/05/1999) “Normas Processuais – Ofensa aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa – Nulidade. Manifestandose o autuante após a impugnação, deve ser dada ciência dessa manifestação ao contribuinte, com abertura de prazo para sobre ela se manifestar, em atenção aos princípios do contraditório e da ampla defesa. [...] Processo que se anula a partir da manifestação fiscal posterior à impugnação, exclusive.” (1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Acórdão nº 10193.294 – D.O.U. de 12/03/2001) Na hipótese vertente, com mais razão a exigência da intimação da contribuinte para manifestação a propósito do resultado da diligência requerida pela autoridade julgadora se faz presente na medida em que, posteriormente à apresentação da impugnação, submetido o processo ao exame do fiscal autuante, este, admitindo incorreções no lançamento, propôs a retificação do crédito originalmente lançado. Imperioso ressaltar que o lançamento original sofreu modificações em face das razões e documentos ofertados pela contribuinte, impondo a este o conhecimento da parte remanescente do crédito, tendo em vista o sagrado direito a ampla defesa, o qual garante a recorrente manifestarse a respeito de todos os atos processuais levados a efeito no decorrer do processo administrativo que possa atingirlhe em seu patrimônio, ou mesmo interferir na apreciação da regularidade do feito. Observese, que ao negar a contribuinte o direito de se manifestar a respeito do resultado da diligência requerida pela autoridade julgadora recorrida, estaríamos, de certa forma, criando e/ou admitindo as contrarrazões da impugnação, figura processual que só é contemplada pela legislação previdenciária quando da interposição do recurso voluntário. Ou seja, a notificada oferece sua impugnação e o julgador de primeira instância submete ao fiscal autuante as razões ali consignadas para que ele as examine, acolhendoas ou não. Em outras palavras, efetivamente, não deixa de ser contrarrazões de impugnação. Assim, tratandose, como de fato se trata, de diligência, deve a contribuinte tomar conhecimento de seu resultado para se manifestar a respeito, se assim achar por bem, sobretudo quando inexiste na legislação de regência a figura do processual das “contrarrazões de impugnação”, não podendo o julgador inovar o que a legislação não contempla, ou mesmo ampliála de maneira a acobertar novos atos processuais. Mais a mais, o fato de o lançamento escorarse no procedimento do arbitramento, presunção legal que inverte o ônus da prova ao contribuinte, com mais razão este deve ser intimado a se pronunciar a respeito de todos atos processuais levados a efeito no Fl. 571DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 13609.000951/200766 Acórdão n.º 2401002.571 S2C4T1 Fl. 558 9 decorrer do processo administrativo fiscal, sob pena de impossibilitar o direito de se contrapor ao presumido pela fiscalização. Nessa esteira de entendimento, deixando o julgador recorrido de intimar/cientificar a contribuinte do resultado da diligência requerida, para devida manifestação, após a apresentação de sua impugnação e antes de proferida a decisão, incorreu em cerceamento do direito de defesa da notificada, em total afronta ao princípio do devido processo legal, o que enseja a nulidade da decisão recorrida, bem como de todos os atos subsequentes, devendo o presente processo ser remetido à origem para intimar a recorrente das razões da fiscalização consubstanciadas na Informação Fiscal, às fls. 427/428 e eventuais anexos, para que seja proferida nova decisão pela autoridade julgadora de primeira instância na boa e devida forma. Por todo o exposto, estando a Decisão recorrida em dissonância com os dispositivos constitucionais/legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 572DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/08/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000683/2007-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano calendário:2004
NULIDADE. IRREGULARIDADES FORMAIS. As irregularidades,
incorreções ou omissões que não digam respeito à autoridade incompetente ou a despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa não importarão em nulidade e nem serão sanadas quando não resultarem em prejuízo ao sujeito passivo ou quando não influírem na solução do litígio.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2004
ARBITRAMENTO DE RESULTADOS. PESSOA JURÍDICA DEDICADA A OPERAÇÕES DE ALIENAÇÃO IMOBILIÁRIA NA SISTEMÁTICA DO LUCRO REAL. O arbitramento de resultados de pessoa jurídica dedicada a operações imobiliárias será efetuado na forma do artigo 49 da Lei
n° 8.981/95, se comprovado o custo de aquisição do imóvel alienado, ou, com fundamento no artigo 16 da Lei n° 9.249/95, não comprovado aquele.
LUCRO ARBITRADO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS.
O fato de o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos de escrituração comercial e fiscal, apesar de sucessivas e reiteradas intimações, autoriza o arbitramento do lucro. No caso dos autos, mesmo tendo optado pelo regime de tributação com base no lucro presumido, o contribuinte não apresentou os livros Caixa e Registro de Inventário.
MULTA AGRAVADA. ARBITRAMENTO. ATRASO NO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO Não tendo o contribuinte se negado a colaborar com a fiscalização, inclusive respondendo a todas as intimações, conquanto não tenha tido condições de atendê-las plenamente em alguns prazos, descabe o agravamento da multa, mormente quando a fiscalização dispõe dos elementos necessários para apuração da matéria tributável.
Numero da decisão: 1401-000.788
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao RECURSO DE OFÍCIO e quanto ao RECURSO VOLUNTÁRIO, REJEITAR o pedido de perícia, AFASTAR as preliminares de nulidade e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso apenas para desagravar a multa de ofício em 50%.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano calendário:2004 NULIDADE. IRREGULARIDADES FORMAIS. As irregularidades, incorreções ou omissões que não digam respeito à autoridade incompetente ou a despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa não importarão em nulidade e nem serão sanadas quando não resultarem em prejuízo ao sujeito passivo ou quando não influírem na solução do litígio. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2004 ARBITRAMENTO DE RESULTADOS. PESSOA JURÍDICA DEDICADA A OPERAÇÕES DE ALIENAÇÃO IMOBILIÁRIA NA SISTEMÁTICA DO LUCRO REAL. O arbitramento de resultados de pessoa jurídica dedicada a operações imobiliárias será efetuado na forma do artigo 49 da Lei n° 8.981/95, se comprovado o custo de aquisição do imóvel alienado, ou, com fundamento no artigo 16 da Lei n° 9.249/95, não comprovado aquele. LUCRO ARBITRADO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. O fato de o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos de escrituração comercial e fiscal, apesar de sucessivas e reiteradas intimações, autoriza o arbitramento do lucro. No caso dos autos, mesmo tendo optado pelo regime de tributação com base no lucro presumido, o contribuinte não apresentou os livros Caixa e Registro de Inventário. MULTA AGRAVADA. ARBITRAMENTO. ATRASO NO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO Não tendo o contribuinte se negado a colaborar com a fiscalização, inclusive respondendo a todas as intimações, conquanto não tenha tido condições de atendê-las plenamente em alguns prazos, descabe o agravamento da multa, mormente quando a fiscalização dispõe dos elementos necessários para apuração da matéria tributável.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2348; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 347 1 346 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.000683/200707 Recurso nº 999999 De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1401000.788 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de maio de 2012 Matéria IRPJ e CSLL Recorrentes PIGC EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S/A FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2004 NULIDADE. IRREGULARIDADES FORMAIS. As irregularidades, incorreções ou omissões que não digam respeito à autoridade incompetente ou a despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa não importarão em nulidade e nem serão sanadas quando não resultarem em prejuízo ao sujeito passivo ou quando não influírem na solução do litígio. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICAIRPJ Anocalendário: 2004 ARBITRAMENTO DE RESULTADOS. PESSOA JURÍDICA DEDICADA A OPERAÇÕES DE ALIENAÇÃO IMOBILIÁRIA NA SISTEMÁTICA DO LUCRO REAL. O arbitramento de resultados de pessoa jurídica dedicada a operações imobiliárias será efetuado na forma do artigo 49 da Lei n° 8.981/95, se comprovado o custo de aquisição do imóvel alienado, ou, com fundamento no artigo 16 da Lei n° 9.249/95, não comprovado aquele. LUCRO ARBITRADO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. O fato de o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos de escrituração comercial e fiscal, apesar de sucessivas e reiteradas intimações, autoriza o arbitramento do lucro. No caso dos autos, mesmo tendo optado pelo regime de tributação com base no lucro presumido, o contribuinte não apresentou os livros Caixa e Registro de Inventário. MULTA AGRAVADA. ARBITRAMENTO. ATRASO NO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO Não tendo o contribuinte se negado a colaborar com a fiscalização, inclusive respondendo a todas as intimações, conquanto não tenha tido condições de atendêlas plenamente em alguns prazos, descabe o agravamento da multa, Fl. 347DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18471.000683/200707 Acórdão n.º 1401000.788 S1C4T1 Fl. 348 2 mormente quando a fiscalização dispõe dos elementos necessários para apuração da matéria tributável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao RECURSO DE OFÍCIO e quanto ao RECURSO VOLUNTÁRIO, REJEITAR o pedido de perícia, AFASTAR as preliminares de nulidade e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso apenas para desagravar a multa de ofício em 50%. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18471.000683/200707 Acórdão n.º 1401000.788 S1C4T1 Fl. 349 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1223.340, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Questionamse exigências de oficio do imposto de renda de pessoa jurídica, R$ 33.635.260,20, fls. 46, e da CSLL, R$ 1.585.046,34, fls. 53, acrescidos de penalidade de oficio agravada, 112,5%, c juros moratórios SEL1C, atinentes ao ano calendário de 2004. 2. Fundamentaram as exações a não apresentação, pelo sujeito passivo de livros e documentos que lastrearam sua declaração de lucro real do ano calendário retrocitado. Apesar de intimado por três vezes, em 18.04.07, fls. 38, cm 25.05.07, fls. 40 e em 13/06/07, fls.42, o contribuinte quedouse omisso. 2.1. Daí, o arbitramento de resultados, fundado nos artigos 534 e 845, ambos do RIR/99, para a receita de venda de imóveis e art. 532, para as receitas de prestação de serviços, todos do RIR/99, para o IRPJ , para a CSLL art. 37 da Lei n° 10.637/02. 3. Materialmente, as receitas de alienações imobiliárias fundamentaram a própria base de cálculo do tributo e adicional; para as receitas de serviços, 38,40% se agregaram à primeira., fls. 50. Quanto à base de cálculo da CSLL esta foi agregada de 12% da primeira e 32% da receita de prestação de serviços, fls. 57. 4. A penalidade agravada( 112,5%) decorreu de omissão do sujeito passivo quanto às intimações antes reportadas, atinentes aos mesmos fatos, fls .44. 5. Ciente das exigências em 29.06.07, fls. 60, o sujeito o passivo acostou aos autos a impugnação de fls.73/114, protocolada cm 26.07.07, e documentação anexa 184 volumes, através da qual, em síntese, alega: 5.1. a pessoa contra a qual a auditoria fiscal endereçou as intimações não tem poderes para representar a impugnante perante terceiros: por três vezes consecutivas a autoridade fiscal intimou um simples prestador de serviços, que sequer é empregado da impugnante; 5.2. jamais ocorreu recusa na apresentação de livros, documentos ou esclarecimentos: houve apenas uma demora decorrente do inciso anterior: os documentos, em volume expressivo, estavam arquivados em empresa especializada no arquivamento de documentos; 5.3. houve tempestivo recolhimento dos tributos devidos, relacionados ao ano calendário de 2004 e demais exercícios, havendo a impugnante apresentado prejuízo em 2004, não cabendo a questionada exigência tributária; 5.4.mesmo que algum tributo pudesse ser arbitrado, não poderia ser tomada, como base de cálculo, a própria receita bruta informada; sim, aplicado o percentual de que trata o art. 16 da Lei n« 9.249/95, que revogou o art. 49 da Lei n° 8.981/95; Fl. 349DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18471.000683/200707 Acórdão n.º 1401000.788 S1C4T1 Fl. 350 4 5.5.não caberia a aplicação da penalidade de 112,5% , pois, não houve qualquer negativa intencional em fornecer informações. 6. Em comprovação das suas alegações requer perícia ou diligência contábil, em conformidade com o artigo 16, IV do Decreta n° 70.235/72, Para tanto, indica perito e faz juntada de 184 volumes de documentos à impugnação É o relatório. A DRJ, manteve parcialmente o lançamento, nos termos da ementa abaixo, RECORRENDO DE OFÍCIO da parte CANCELADA: Anocalendário: 2004 ARBITRAMENTO DE RESULTADOS. LEI N 8.981/95. ART. 47. Se a pessoa jurídica tributada com base no lucro real opta pelo silêncio ante reiteradas intimações à apresentação de livros/documentos que fundamentem suas apropriações contábeisfiscais, impõese o arbitramento de lucros. ARBITRAMENTO DE RESULTADOS. O arbitramento de resultados da pessoa jurídica, obedecidas as prescrições legais é ato administrativo legal, legítimo e incondicional. ARBITRAMENTO DE RESULTADOS. DILIGÊNCIAS/PERÍCIAS. Incabível diligência ou perícia para aferição de custos/despesas ante o arbitramento de resultados, dada a essência desse regime tributário, de exclusão de custos/despesas na apuração do resultado. ARBITRAMENTO DE RESULTADOS. PESSOA JURÍDICA DEDICADA A OPERAÇÕES DE ALIENAÇÃO IMOBILIÁRIA. O arbitramento de resultados de pessoa jurídica dedicada a operações imobiliárias será efetuado na forma do artigo 49 da Lei n° 8.981/95, se comprovado o custo de aquisição do imóvel alienado, ou, com fundamento no artigo 16 da Lei n° 9.249/95, não comprovado aquele. PENALIDADE. AGRAVAMENTO. Inquestionável o agravamento de penalidade de ofício quando o sujeito passivo quedase omissa antes sucessivas intimações aos mesmos fatos. Irresignada com a decisão de primeira instância a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação e reiterando principalmente: i) as intimações terem sido endereçadas à pessoa errada (não mandatário ou preposto): (ii) do exíguo prazo para o seu cumprimento; (üi) da inexistência da flexibilização do prazo para o seu cumprimento; (iv) de os documentos solicitados, relacionados à toda a contabilidade da Recorrente, representarem um grande volume físico (184 volumes de documentos): (v) de a quase totalidade dos documentos estarem arquivados com empresa especializada na guarda de documentos: e, por fim, (vi) pela ausência de qualquer benefício no não atendimento à D. Fiscalização. É o relatório. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18471.000683/200707 Acórdão n.º 1401000.788 S1C4T1 Fl. 351 5 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade tanto do recurso de ofício quanto do recurso voluntário, deles tomo conhecimento. Recurso de Ofício Tratase de empresa dedicada à venda de imóveis em que ela não apresentou os livros contábeis e fiscais e daí foi arbitrada. A fiscalização tinha apenas as receitas brutas. Como não foi possível ter acesso aos custos em face da negativa de apresentação dos livros, considerouse zerado e aplicouse o disposto no art. 49 da Lei 8.98195: Art. 49. As pessoas jurídicas que se dedicarem à venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, ao loteamento de terrenos e à incorporação de prédios em condomínio terão seus lucros arbitrados deduzindose da receita bruta o custo do imóvel devidamente comprovado. Parágrafo único. O lucro arbitrado será tributado na proporção da receita recebida ou cujo recebimento esteja previsto para o próprio mês. Para fins de arbitramento das empresas que se dedicarem à venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, loteamento ou incorporação à prédios em condomínio, deverão ser deduzidos os custos de aquisição dos imóveis, ainda que não corretamente escriturados na contabilidade da empresa. A DRJ considerou equivocado o procedimento do fiscal, devendo se aplicar os percentuais gerais de arbitramento para as demais empresas. Eis os termos da decisâo: A DRJ cancelou em parte o auto de infração, nos seguintes termos: Finalmente, no que se relaciona à base de cálculo do arbitramento do resultado da pessoa jurídica, se ocorreu lapso por parte da fiscalização, ao tomar como resultado tributável a própria receita bruta conhecida (declarada pelo sujeito passivo), tal lapso foi inteiramente corrigido na proposição impugnatória, ao formalizar que o arbitramento, in casu, deveria ser pautado pelo artigo 16 da Lei n» 9.149/95; não, artigo 49 da Lei n° 8.981/95. 14.1. De fato, ao fisco foi dado o conhecimento apenas da inquestionável receita bruta (visto que declarada pelo próprio contribuinte), sendolhe vedada a auditoria de custos/despesas pelo silêncio da pessoa jurídica. For conseqüência, ante sua explícita opção, a esta impunhase o arbitramento do resultado na forma do artigo 16, antes citado. Não, do artigo 49, visto que não comprovados os custos dos imóveis vendidos (Lei n6 8.981/95, art. 49). 14.2, Suprido, pois, os lapsos, legal e material, pelo próprio impugnante, os pressupostos da legalidade estrita e objetiva e da verdade material, inafastáveis na determinação e exigência de quaisquer créditos tributários em favor da União (CTN, arts. 97 e 142), impõem a adequação da base de cálculo do resultado tributável nas alienações imobiliárias, ao comando do artigo 16 da Lei n° 9.249/95, antes citado. Isto é, 9,6% da receita bruta das alienações imobiliárias. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18471.000683/200707 Acórdão n.º 1401000.788 S1C4T1 Fl. 352 6 14.2.1. Tal providência decorre do próprio fundamento material da autuação fiscal: se, no que respeita às receitas de serviços prestados e à CSLL aquela cumpriu os ditames legais pertinentes à apuração das respectivas bases de cálculo imponíveis, fls. 50 e 57; quanto ao resultado arbitrado nas alienações imobiliárias a fiscalização considerou, como base de cálculo, a própria receita bruta declarada, lis. 50. Apesar de discordar em parte dos fundamentos utilizados pela DRJ, ao fim e ao cabo concordo com o seu resultado final no sentido de que se aplique o percentual de 9,6% sobre a base arbitrável a teor do art. 16 da Lei n. 9.249/95, no caso de haver custos comprovados. Anteriormente ao julgar o processo n. 18088.000225/20074 havia me posicionado diferente e neste voto reformo essa minha posição assumida anteriormente. Minha posição anterior a esse respeito estava espelhada na ementa abaixo: ARBITRAMENTO. OMISSÃO DE RECEITA. ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS. CUSTOS NÃO COMPROVADOS. Apurada omissão de receitas por pessoa jurídica que se dedique à compra e venda de imóveis, e descumpridos os requisitos atinentes à regular escrituração contábil, nos termos da legislação comercial e fiscal, cabe arbitramento do lucro tributável do imposto, com base na receita bruta conhecida deduzido o custo, devidamente comprovado, dos imóveis vendidos, nos termos do art. 534 do RIR/99, sem aplicação de qualquer tipo de percentual de presunção sobre a receita. Caso o contribuinte não comprove seus custos, a regra específica para essas pessoas jurídicas permanece incólume, não havendo deslocamento para as regras de arbitramento utilizadas para as demais empresas em que o percentual de presunção é acionado Naquela ocasião afirmara: Nesse caso a Lei é bem clara a respeito do único método de quantificação existente: “terão seus lucros arbitrados, deduzindose da receita bruta trimestral o custo do imóvel devidamente comprovado”. Por mais estranho que pareça, a lei estipulou essa forma de arbitramento. É uma definição estipulativa abraçada pelo legislador que não cabe ao Julgador administrativo fazer qualquer tipo de juízo de valor. Nesse arbitramento o legislador estipulou o abatimento dos custos a partir da “verdade real”. Dessa forma, essa sistemática é totalmente inconciliável com o pleito da recorrente de presumir os custos a partir de percentuais, conforme se verifica no art. 527. Outrossim, se a recorrente não logrou comprovar os seus custos, apesar das oportunidades que lhe foram ofertadas, isso não passa por uma falha da legislação ou de sua interpretação, mas sim por uma falha da recorrente. O equívoco dessa interpretação é o fato de não estar assentada em uma interpretação sistemática da legislação. É de se ver. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18471.000683/200707 Acórdão n.º 1401000.788 S1C4T1 Fl. 353 7 Em primeiro lugar discordo da tese daqueles que propugnam a revogação tácita do art. 49 da Lei n. 8.981/95, pois isso afrontaria diretamente dispositivo do RIR/99 que indica o contrário. O fato é que o art. 49 da Lei nº 8981/95 bem justificava sua existência quando as construtoras eram obrigadas a apurar seu lucro apenas pela sistemática do lucro real e não pelo lucro presumido. Quando não cumprissem as exigências do lucro real não poderiam ser beneficiadas com a aplicação do coeficiente de 9,6% para arbitramento. Porém com a vigência da Lei nº 9.718/98, não mais existe a vedação à opção pelo lucro real, podendo tais empresas também optarem pelo lucro presumido. Ora, mas se as empresas em geral tem o direito de serem arbitradas a partir de um percentual (geralmente 8% a depender da atividade) sobre suas receitas majoradas em 20%, por que as empresas que se dedicam à venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, loteamento ou incorporação à prédios em condomínio e que passaram a optar pelo lucro presumido não teriam aquele mesmo tratamento tributário, sem ter que continuariam se sujeitando ao arbitramento do art. 49 Lei nº 8981/95? Uma interpretação sistemática se faz mister para responder a todos esses questionamentos e sobretudo preencher o vácuo deixado com a entrada em vigor do art. 16 da Lei n. 9.249/95 e posteriormente da Lei nº 9.718/98, que permitiu àquelas empresas também optarem pelo lucro presumido. Como é sabido, o arbitramento é aplicável quando a empresa não realiza a correta contabilização de seu custo, tornandose impossível ou impraticável a apuração do lucro real. Dentre os custos da empresa daquela natureza, encontramse os de aquisição dos bens imóveis. Porém, como regra geral o arbitramento não contempla a dedução de qualquer custo real uma que a escrituração contábil da empresa é desconsiderada. Entretanto, pela natureza dos custos dessas empresa, fica possível a averiguação nas respectivas matrículas e registros, o custo de aquisição dos imóveis. Assim, ainda que a escrita contábil do contribuinte seja desconsiderada por imprestável, existe a possibilidade de se averiguar o valor de compra dos bens imóveis e assim fazer o ajuste da base arbitrada. Ou seja, se de um lado obriga o contribuinte provar o custo, de outra obriga o Fisco a avaliar esta prova e fazer o confronto com a receita, eventualmente até para apurar um lucro arbitrado menor que aplicação de percentual fixo sobre da receita bruta.Assim, não deixa de ser um benefício a esse tipo de empresas, logo a tese da revogação tácita do art. 49 da Lei nº 8.981/95 para os optantes do lucro real não me parece razoável, mesmo porque, como já se disse alhures, o RIR/99 ainda abarca tal dispositivo. Entretanto, também não se pode fazer uma leitura conjunta do art. 49 da 8.981/95 com o art. 16 da 9249/95 como pretendem alguns, conduzindo, nesse tipo de empresa, a se aplicar o percentual de arbitramento sobre a diferença entre a receita bruta e o custo dos imóveis devidamente comprovado. Isso porque ao se permitir comprovar os custos, então já estamos formando a grandeza "lucro" (real) e como tal seria incompatível aplicarse concomitantemente um percentual de presunção sobre esse lucro formado para achar uma novo lucro. Vejo então que a solução da DRJ é a mais justa e calcada em uma adequada interpretação lógicosistemática. Ou seja, a regra do art. 16 da Lei n. 9.249/95 não deve ser conjugada sempre com a regra do art. 49 da Lei nº 8.981/95, pois a primeira só se aplica no Fl. 353DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18471.000683/200707 Acórdão n.º 1401000.788 S1C4T1 Fl. 354 8 caso onde o contribuinte nâo logrou comprovar os custos, ou seja, onde o lucro real não foi possível se fazer presente. Dessa forma, a regra do art. 49 da Lei 8.98195 não é completamente autônoma nem deve ser conjugada sempre a regra do art. 16 da Lei 9.249, pois esta última é uma exceção à regra geral representada pela primeira no que concerne às empresas daquela natureza e que estejam no lucro real. Com essa interpretação, embora isto não seja objeto do presente voto, fica aberta uma porta para em princípio se resolver também o vácuo criado em relação às empresas daquela natureza que optaram pelo lucro presumido, nesse caso poderseia aplicar apenas a regra do art. 16 da Lei n. 9249/95, uma vez que a referida matéria regulou totalmente a matéria das empresas que optaram pelo lucro presumido e que foram arbitradas. No caso concreto, como não se comprovou os custos, não há dúvida alguma de que a grandeza "lucro" não foi formada e seria não razoável a tributação diretamente da renda, mais sim do lucro para efeito de arbitramento. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso de ofício. Preliminar de Nulidade e Mérito Preliminar se confunde com o mérito. Argúi nulidade do auto de infração pelos seguintes motivos: Que as intimações iniciais são nulas, pois foram feitas a pessoa que não tem poderes para representar o contribuinte perante terceiros: por três vezes consecutivas a autoridade fiscal intimou um simples prestador de serviços. Que houve cerceamento ao direito de defesa quando solicitada a documentação contábil no prazo escasso de 5 (cinco) dias, contrariando mandamento legal. Pleiteia também a nulidade da decisão de piso em razão de não haver motivação para o indeferimento da perícia e diligência requeridas. Apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto 70235/72 com a nova redação dada pela Lei 8748/93: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Por conseguinte, considerase nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal, e levados ao conhecimento, da autuada, levando a mesma a defenderse plenamente através da peça impugnatória acostada aos autos. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18471.000683/200707 Acórdão n.º 1401000.788 S1C4T1 Fl. 355 9 Examinadose o Auto de Infração, não se constata nenhum vício de forma, tendo sido observadas as prescrições contidas no Decreto n° 70.235, de 1972. Verificase que constam adequadamente descritos os fatos apurados pela autoridade, a fundamentação legal, a matéria tributável, os valores apurados e os fatos motivadores da autuação. A autoridade fiscal ainda consubstanciou pormenorizada descrição dos fatos em “Relatório de Fiscalização” às fls. 277/286. O enquadramento legal também está presente: art. 530, 534 do RIR/99 c/c o art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996. Não procede a reivindicação de nulidade em função de a primeira intimação ter sido feita à pessoa que não tem poderes para representar o contribuinte perante terceiros, Sr. Manoel Davi Pinto, mero funcionário de serviços internos. O que depõe contra tal alegação é que as demais intimações foram todas dirigidas à empresa através de ARs, sendo todos eles recebidos em 250507 e 130607, fls.40 e 42. Mesmo alegando que por conta disso houve uma demora na ciência, ela afirma que tomou conhecimento. Como muito bem observado pela decisão de piso: Acresce observar que, se na primeira intimação foram requisitados livros documentos que embasaram as apropriações contábeis/fiscais, nas demais recebidas pela pessoa jurídica, além da reiteração da intimação anterior, explicitouse da alternativa de arbitramento de resultados e que o não atendimento da intimação ensejaria a aplicação do agravamento da penalidade. Termos repetidos em ambas as intimações, fls. 39 e 41. Como se vê, mesmo que houvesse alguma irregularidade na primeira intimação, inclusive quanto à prazo exíguo, ela foi suprida e convalidada com as reintimações posteriores, que reiteraram o pedido inicial explicitando inclusive a possibilidade de arbitramento em função do desatendimento. Eis o Termo de Constatação Fiscal dando conta dessas ocorrências: 1 — O contribuinte, acima identificado, não logrou apresentar QUALQUER RESPOSTA ao Termo de Inicio de Fiscalização lavrado em 17/04/2007, com ciência dada em 18/04/2007 (fls. 38). Como disposto no aludido termo, a fiscalização intimou o fiscalizado para que apresentasse os Livros Diário e Razão entre outros elementos de sua escrita contábil e fiscal e os respectivos comprovantes que lhe deram lastro. 2 — O contribuinte não logrou apresentar QUALQUER RESPOSTA ao Termo de Reintimação Fiscal lavrado em 22105/2007 (fls. 39), com ciência dada em 25/05/2007, conforme Aviso de Recebimento dos Correios de fls. 40. A reinfimação teve por objetivo instar o contribuinte a responder ao Termo de Inicio de Fiscalização. Consta do mesmo que a falta de resposta ensejaria a apuração de créditos tributários pelo método do Lucro Arbitrado. 3 O contribuinte não logrou apresentar QUALQUER RESPOSTA ao Termo de Reintimação Fiscal lavrado em 11/06/2007 (fls. 41), com ciência dada em 13/06/2007, conforme Aviso de Recebimento das Correios de fls. 42. Do termo consta nova exigência de atendimento do Termo de Inicio de Fiscalização e, repita se, novo alerta quanto à possibilidade de arbitramento do lucro por procedimento de ofício. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18471.000683/200707 Acórdão n.º 1401000.788 S1C4T1 Fl. 356 10 4 — Nesta última reintimação, face ao disposto no parágrafo único do artigo 534 do RIR/99, o contribuinte ficou intimado a informar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, receitas recebidas ou cujo recebimento fosse prevista em cada trimestre do anocalendário de 2004. 5 Face à falta de resposta aos termos acima mencionados e à falta de apresentação dos elementos de sua escrituração contábil e fiscal, observado o disposto no inciso III do artigo 530 do RIR/99, a presente fiscalização efetua a apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro • Liquido (CSLL) pelo método do LUCRO ARBITRADO com o conseqüente lançamento de crédito tributário e acréscimos legais em auto de infração. Também não merece prosperar a alegação de que não houve recusa na apresentação da documentação, mas sim impossibilidade prática de apresentála em cinco dias úteis do recebimento da intimação. De fato a primeira intimação prescrevia 05 dias úteis para apresentação do documentário, o que, em princípio, feriria o disposto no artigo 19 da lei n° 3.470/58 (RIR/99, art. 844), pragmaticamente tal situação, como já se disse, foi superada pelas intimações de 25.05.07 e de 13.06.07, ambas reiterando a primeira sem trazer qualquer prejuízo à Recorrente. É que o prazo originalmente fixado, com as reiterações de intimações, na prática foi substancialmente alargado, para 39 dias e 58 dias da intimação inicial, fls. 40 e 42. Isso foi inclusive reconhecido pela Contribuinte, conforme bem apontado pela DRJ, em sua defesa, admitindo que a fiscalização flexibilizou o prazo para apresentação do documentário. Eis os termos de sua defesa (fls. 83, item 39): Vale registrar que o escritório de contabilidade que assessora a Impugnante chegou a entrar em contato com o Fiscal Autuante, e colocouo a par dessas dificuldades práticas. Da conversa com o Fiscal Autuante a Impugnante depreendeu que o mesmo teria, ainda que informalmente, compreendido as dificuldades da Impugnante e flexibilizado o prazo para a apresentação dos documentos (até porque, em qualquer hipótese, seria impossível apresentalos no prazo designado). E se essa flexibilização não foi suficiente, por que a Recorrente não formalizara um pedido de prorrogação justificando suas dificuldades? É de se ressaltar ainda, que mesmo à data da autuação, 20/06/07, a pessoa jurídica ainda não lograra êxito em completar as tarefas de reunir e encaminhar toda a documentação para a fiscalização, arquivada em empresa especializada na guarda de documentos, fls. 83. A preliminar de nulidade da decisão singular por alegação de não se apreciar os argumentos de defesa ligados à reivindicação de perícia/diligência igualmente também não tem procedência. É de se ver. O indeferimento da Perícia/Diligência foi devidamente discutida e fundamentada conforme se verifica às fls.154 (item 11). da decisão de piso e declarada prescindível “dada a essência do regime tributário”. A matéria foi objeto inclusive de Ementa: ARBITRAMENTO DE RESULTADOS. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18471.000683/200707 Acórdão n.º 1401000.788 S1C4T1 Fl. 357 11 DILIGÊNCIAS/PERÍCIAS. Incabível diligência ou perícia para aferição de custos/despesas ante o arbitramento de resultados, dada a essência desse regime tributário, de exclusão de custos/despesas na apuração do resultado. Acrescentese que, quando muito, em se admitindo o fato da autoridade lançadora ter cometido algum engano com relação à matéria de fato, enquadramento legal e a sua subsunção à norma, tratarseia então de questão de mérito e não de preliminar de nulidade. Outrossim, quanto à juntada dos documentos na fase impugnatória, cabe salientar, conforme maciça jurisprudência do CARF que não existe arbitramento condicional, logo a entrega de livros e documentos após o lançamento não podia mesmo ter sido analisado pela DRJ. Entretanto, o agravamento da multa em 50% deve ser reparado uma vez que não consta dos autos motivo suficiente para tal agravamento no presente processo. A autuada também questiona a multa de ofício aplicada em relação ao percentual majorado (112,5%). A multa cabível nos lançamentos de ofício é regulada pelo artigo 44 da Lei 9.430/1996: “Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (...) § 2º As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: a) prestar esclarecimentos; (...)” (negritei) A jurisprudência deste Colegiado vem seguindo na linha de que o agravamento da multa só se justifica quando plenamente caracterizada a recusa no atendimento às solicitações ou ainda quando o atraso ou o não atendimento causa prejuízos à ação fiscal. De fato a intenção do legislador foi mesmo estabelecer um mecanismo de punição nas situações em que o atraso no fornecimento das informações solicitadas possa acarretar prejuízos ao procedimento fiscal. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18471.000683/200707 Acórdão n.º 1401000.788 S1C4T1 Fl. 358 12 Registrese que a norma fala em “prestar esclarecimentos” e não em “apresentar documentos”. Isso porque a não apresentação de documentos implicaria para o sujeito passivo a possibilidade de ter seu resultado apurado por arbitramento, o que lhe imputaria um ônus tributário maior, como de fato aconteceu. Ainda que se pudesse interpretar extensivamente o preceito legal para incluir situações em que o atraso referese a documentos solicitados, como já se colocou retro a jurisprudência deste Colegiado restringe a aplicação da multa às situações nas quais o atraso ou o não atendimento tenha comprovadamente causado prejuízos ao Fisco. Não foi o que aconteceu. Ao contrário, como já se colocou, a consequência do não atendimento das intimações gerou o arbitramento, ou seja, o não atendimento ou o atendimento insuficiente não afetou a apuração da irregularidade. Nesse contexto, não tendo o contribuinte se negado a colaborar com a fiscalização, se visto pelo conjunto, inclusive respondendo as intimações e solicitando prorrogações, conquanto não tenha tido condições de atendêlas plenamente em alguns prazos, descabe o agravamento da multa, mormente quando a fiscalização dispunha dos elementos necessários para apuração da matéria tributável através do arbitramento. Desagravo, portanto, a multa em 50%, remanescendo apenas a multa de 75%. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso de ofício e quanto ao recurso voluntário, rejeito pedido de perícia, afasto as preliminares de nulidade e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso apenas para desagravar a multa de ofício em 50%. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Fl. 358DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 10166.721554/2010-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
PIS E COFINS. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DOS LANÇAMENTOS. OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO.
Nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, caracteriza cerceamento do direito de defesa, a demandar anulação do acórdão recorrido, a falta de decisão sobre a nulidade dos lançamentos, arguida expressamente na impugnação, mas ausente do dispositivo, da ementa e do resultado da decisão da primeira instância.
Numero da decisão: 3401-002.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Odassi Guerzoni Filho e Júlio César Alves Ramos. Sustentou pela Fazenda Nacional a procuradora Bruna Coutinho Barbosa.
JÚLIO CESAR ALVES RAMOS Presidente
EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ângela Sartori.
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Recorrente ASA ALIMENTOS LTDA Recorrida DRJ BRASÍLIADF ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 PIS E COFINS. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DOS LANÇAMENTOS. OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO. Nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, caracteriza cerceamento do direito de defesa, a demandar anulação do acórdão recorrido, a falta de decisão sobre a nulidade dos lançamentos, arguida expressamente na impugnação, mas ausente do dispositivo, da ementa e do resultado da decisão da primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Odassi Guerzoni Filho e Júlio César Alves Ramos. Sustentou pela Fazenda Nacional a procuradora Bruna Coutinho Barbosa. JÚLIO CESAR ALVES RAMOS – Presidente EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ângela Sartori. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 15 54 /2 01 0- 95 Fl. 2725DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 2 O processo trata de dois autos de infração, referentes ao PIS e Cofins não cumulativos, lançados com multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora. A 2ª Tuma da DRJ julgou a Impugnação procedente em parte para afastar as glosas das despesas com energia elétrica, despesas de aluguéis de prédios locados e despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos, referentes ao sistema de integração da autuada (ParceiraProprietária) com os criadores (ParceirosCriadores), reduzindo os dois lançamentos na proporção dos valores revistos. A ementa do acórdão recorrido é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005, 2006, 2007 UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. APROVEITAMENTO NO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. DUPLICIDADE. Os créditos do regime nãocumulativo podem ser aproveitados por meio de lançamentos de débito e crédito escriturados em conta gráfica. Contudo, para determinadas situações, como aqueles créditos vinculados á receita de exportação, podem ser utilizados para fins de compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. Uma vez formalizada a opção pelo contribuinte no sentido de promover a utilização dos créditos nãocumulativos por meio de PER/DCOMP, não há que se falar seu em aproveitamento contábil, ou escritural, no procedimento de lançamento de ofício, sob pena de duplicidade. DESPESAS COM FRETE PRÓPRIO E DE TERCEIROS PARA TRANSPORTE DE PRODUTOS EM ELABORAÇÃO OU ACABADOS. DESPESAS COM MANUTENÇÃO DA FROTA. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NÃO CUMULATIVO. Aquelas despesas com frete, próprio ou contratado de terceiros, inclusive as de manutenção da frota, como troca de bateria, óleo para o motor, combustíveis e correspondentes serviços, como revisão de cabeçote, recapagem de pneus, revisão de rodas e carter, troca de cabo velocímetro, tacógrafo, dentre outros, que não se destinam diretamente à revenda, mas à transferência de produtos entre estabelecimentos da própria empresa, não são consideradas insumos, por ausência de previsão legal, Fl. 2726DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10166.721554/201095 Acórdão n.º 3401002.187 S3C4T1 Fl. 2.726 3 razão pela qual não podem ser incluídas na base de cálculo dos créditos nãocumulativos. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NÃO CUMULATIVO A nãocumulatividade tem como pressupostos basilares a plurifasia, ou seja, ocorrência de pelo menos duas etapas, e o direito de o contribuinte auferir crédito decorrentes de eventos consumados na fase anterior, como, por exemplo, aquisição de bens a serem utilizados na produção ou fabricação de ativo que será destinado à revenda e se converterá em receita para a empresa. Quando se fala em pelo menos duas etapas, não se pode olvidar a necessidade de que ambas sejam regularmente tributadas. Nesse contexto, caso a operação antecedente, de aquisição de bens ou contratação de serviços, não tenha sofrido tributação, não poderá o adquirente creditarse na etapa seguinte. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. INSUMOS SUJEITOS Á ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NÃOCUMULATIVO. Não dará direito a crédito nãocumulativo o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, ou seja, aqueles insumos que quando adquiridos estavam sujeitos á alíquota zero. A única exceção aplicável é no caso de isenção, situação na qual a impossibilidade para o creditamento nãocumulativo ocorre apenas quando os tais insumos foram revendidos ou utilizados para compor produtos ou integrar serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. INSUMOS ADQUIRIDOS JUNTO À SOCIEDADE COOPERATIVA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NÃO CUMULATIVO. Não dará direito a crédito nãocumulativo insumos adquiridos ou serviços contratados junto a sociedades cooperativas cuja operação de aquisição ou contratação não se encontrava sujeita ao pagamento das contribuições sociais. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. COEFICIENTE PARA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO CREDITAMENTO APLICÁVEL. A pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária e que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Fl. 2727DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 4 capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, mediante aplicação de alíquota sobre o valor das aquisições, de 60% daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, de 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI, e de 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos, situação no qual se incluem o frango vivo (NCM 0105.99.00); ovos férteis (NCM 0407.00.11); pintos de 1 dia (NCM 0105.11.90); leitões para recria e suínos vivos para abate (NCM 0103.92.00); milho (NCM 1005.90.10); sorgo (NCM 1007.00.90) e cordeiros para abate (NCM 0104.10.90). BASE DE CÁLCULO. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA SOBRE A RECEITA BRUTA. VENDA PARA PESSOAS JURÍDICAS CEREALISTAS DE DETERMINADOS PRODUTOS. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. AUSÊNCIA DE NORMAS REGULADORAS PELO PODER EXECUTIVO. O disposto no artigo 9º, inciso I, da Lei nº 10.925/2004, consubstanciouse em norma de eficácia limitada, uma vez que a suspensão da incidência das contribuições no caso de vendas de produtos de que tratam o inciso I do § 1o do art. 8o do citado diploma legal dependia da edição de regulamentação por parte do Poder Executivo, que veio a ocorrer com a IN SRF nº 660, de 17 de julho de 2006, estabelecendo que a norma contida no artigo 9º, inciso I, passou a produzir efeitos a partir de 04 de abril de 2006, momento a partir do qual se revestiu de plena eficácia. CONTRATO DE PARCERIA AVÍCOLA. SISTEMA DE INTEGRAÇÃO. PRODUÇÃO DESTINADA AO PARCEIRO CRIADOR A TÍTULO DE REMUNERAÇÃO PELOS SERVIÇOS PRESTADOS. INSUMOS CORRESPONDENTES GLOSADOS. Contrato de parceria avícola celebrado entre parceiro proprietário e parceirocriador, no qual se estabelece sistema de integração em que o parceiroproprietário fornece rações, medicamentos e assistência técnica, e o parceirocriador fica responsável pelas instalações e fornecimento de energia, gera situação na qual as despesas decorrentes do processo de produção do frango para abate devem ser devidamente Fl. 2728DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10166.721554/201095 Acórdão n.º 3401002.187 S3C4T1 Fl. 2.727 5 segregadas para fins de aproveitamento dos créditos não cumulativos, levandose em consideração a parcela de produção a que tem direito o parceirocriador pela remuneração dos serviços prestados. Assim, o parceiroproprietário pode aproveitarse apenas dos créditos nãocumulativos cujos insumos estejam relacionados aos produtos destinados à revenda, ou seja, os insumos correspondentes ao quinhão direcionado ao parceirocriador não podem ser utilizados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Anocalendário: 2005, 2006, 2007 UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. APROVEITAMENTO NO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. DUPLICIDADE. Os créditos do regime nãocumulativo podem ser aproveitados por meio de lançamentos de débito e crédito escriturados em conta gráfica. Contudo, para determinadas situações, como aqueles créditos vinculados á receita de exportação, podem ser utilizados para fins de compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. Uma vez formalizada a opção pelo contribuinte no sentido de promover a utilização dos créditos nãocumulativos por meio de PER/DCOMP, não há que se falar seu em aproveitamento contábil, ou escritural, no procedimento de lançamento de ofício, sob pena de duplicidade. DESPESAS COM FRETE PRÓPRIO E DE TERCEIROS PARA TRANSPORTE DE PRODUTOS EM ELABORAÇÃO OU ACABADOS. DESPESAS COM MANUTENÇÃO DA FROTA. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NÃO CUMULATIVO. Aquelas despesas com frete, próprio ou contratado de terceiros, inclusive as de manutenção da frota, como troca de bateria, óleo para o motor, combustíveis e correspondentes serviços, como revisão de cabeçote, recapagem de pneus, revisão de rodas e carter, troca de cabo velocímetro, tacógrafo, dentre outros, que não se destinam diretamente à revenda, mas à transferência de produtos entre estabelecimentos da própria empresa, não são consideradas insumos, por ausência de previsão legal, razão pela qual não podem ser incluídas na base de cálculo dos créditos nãocumulativos. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NÃO CUMULATIVO. Fl. 2729DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 6 A nãocumulatividade tem como pressupostos balisares a plurifasia, ou seja, ocorrência de pelo menos duas etapas, e o direito de o contribuinte auferir crédito decorrentes de eventos consumados na fase anterior, como, por exemplo, aquisição de bens a serem utilizados na produção ou fabricação de ativo que será destinado à revenda e se converterá em receita para a empresa. Quando se fala em pelo menos duas etapas, não se pode olvidar a necessidade de que ambas sejam regularmente tributadas. Nesse contexto, caso a operação antecedente, de aquisição de bens ou contratação de serviços, não tenha sofrido tributação, não poderá o adquirente creditarse na etapa seguinte. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. INSUMOS SUJEITOS Á ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NÃOCUMULATIVO. Não dará direito a crédito nãocumulativo o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, ou seja, aqueles insumos que quando adquiridos estavam sujeitos á alíquota zero. A única exceção aplicável é no caso de isenção, situação na qual a impossibilidade para o creditamento nãocumulativo ocorre apenas quando os tais insumos foram revendidos ou utilizados para compor produtos ou integrar serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. INSUMOS ADQUIRIDOS JUNTO À SOCIEDADE COOPERATIVA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NÃO CUMULATIVO. Não dará direito a crédito nãocumulativo insumos adquiridos ou serviços contratados junto a sociedades cooperativas cuja operação de aquisição ou contratação não se encontrava sujeita ao pagamento das contribuições sociais. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. COEFICIENTE PARA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO CREDITAMENTO APLICÁVEL. A pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária e que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, mediante aplicação de alíquota sobre o valor das aquisições, de 60% daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de Fl. 2730DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10166.721554/201095 Acórdão n.º 3401002.187 S3C4T1 Fl. 2.728 7 dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos Os créditos do regime nãocumulativo podem ser aproveitados por meio de lançamentos de débito e crédito escriturados em conta gráfica. Contudo, para determinadas situações, como aqueles créditos vinculados á receita de exportação, podem ser utilizados para fins de compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. Uma vez formalizada a opção pelo contribuinte no sentido de promover a utilização dos créditos nãocumulativos por meio de PER/DCOMP, não há que se falar seu em aproveitamento contábil, ou escritural, no procedimento de lançamento de ofício, sob pena de duplicidade. DESPESAS COM FRETE PRÓPRIO E DE TERCEIROS PARA TRANSPORTE DE PRODUTOS EM ELABORAÇÃO OU ACABADOS. DESPESAS COM MANUTENÇÃO DA FROTA. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NÃO CUMULATIVO. Aquelas despesas com frete, próprio ou contratado de terceiros, inclusive as de manutenção da frota, como troca de bateria, óleo para o motor, combustíveis e correspondentes serviços, como revisão de cabeçote, recapagem de pneus, revisão de rodas e carter, troca de cabo velocímetro, tacógrafo, dentre outros, que não se destinam diretamente à revenda, mas à transferência de produtos entre estabelecimentos da própria empresa, não são consideradas insumos, por ausência de previsão legal, razão pela qual não podem ser incluídas na base de cálculo dos créditos nãocumulativos. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NÃO CUMULATIVO. A nãocumulatividade tem como pressupostos balisares a plurifasia, ou seja, ocorrência de pelo menos duas etapas, e o direito de o contribuinte auferir crédito decorrentes de eventos consumados na fase anterior, como, por exemplo, aquisição de bens a serem utilizados na produção ou fabricação de ativo que será destinado à revenda e se converterá em receita para a empresa. Quando se fala em pelo menos duas etapas, não se pode olvidar a necessidade de que ambas sejam regularmente tributadas. Nesse contexto, caso a operação antecedente, de aquisição de bens ou contratação de serviços, não tenha sofrido tributação, não poderá o adquirente creditarse na etapa seguinte. Fl. 2731DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 8 AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. INSUMOS SUJEITOS Á ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NÃOCUMULATIVO. Não dará direito a crédito nãocumulativo o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, ou seja, aqueles insumos que quando adquiridos estavam sujeitos á alíquota zero. A única exceção aplicável é no caso de isenção, situação na qual a impossibilidade para o creditamento nãocumulativo ocorre apenas quando os tais insumos foram revendidos ou utilizados para compor produtos ou integrar serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. INSUMOS ADQUIRIDOS JUNTO À SOCIEDADE COOPERATIVA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NÃO CUMULATIVO. Não dará direito a crédito nãocumulativo insumos adquiridos ou serviços contratados junto a sociedades cooperativas cuja operação de aquisição ou contratação não se encontrava sujeita ao pagamento das contribuições sociais. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. COEFICIENTE PARA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO CREDITAMENTO APLICÁVEL. A pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária e que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, mediante aplicação de alíquota sobre o valor das aquisições, de 60% daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, de 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI, e de 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos, situação no qual se incluem o frango vivo (NCM 0105.99.00); ovos férteis (NCM 0407.00.11); Fl. 2732DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10166.721554/201095 Acórdão n.º 3401002.187 S3C4T1 Fl. 2.729 9 pintos de 1 dia (NCM 0105.11.90); leitões para recria e suínos vivos para abate (NCM 0103.92.00); milho (NCM 1005.90.10); sorgo (NCM 1007.00.90) e cordeiros para abate (NCM 0104.10.90). BASE DE CÁLCULO. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA SOBRE A RECEITA BRUTA. VENDA PARA PESSOAS JURÍDICAS CEREALISTAS DE DETERMINADOS PRODUTOS. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. AUSÊNCIA DE NORMAS REGULADORAS PELO PODER EXECUTIVO. O disposto no artigo 9º, inciso I, da Lei nº 10.925/2004, consubstanciouse em norma de eficácia limitada, uma vez que a suspensão da incidência das contribuições no caso de vendas de produtos de que tratam o inciso I do § 1o do art. 8o do citado diploma legal dependia da edição de regulamentação por parte do Poder Executivo, que veio a ocorrer com a IN SRF nº 660, de 17 de julho de 2006, estabelecendo que a norma contida no artigo 9º, inciso I, passou a produzir efeitos a partir de 04 de abril de 2006, momento a partir do qual se revestiu de plena eficácia. CONTRATO DE PARCERIA AVÍCOLA. SISTEMA DE INTEGRAÇÃO. PRODUÇÃO DESTINADA AO PARCEIRO CRIADOR A TÍTULO DE REMUNERAÇÃO PELOS SERVIÇOS PRESTADOS. INSUMOS CORRESPONDENTES GLOSADOS. Contrato de parceria avícola celebrado entre parceiro proprietário e parceirocriador, no qual se estabelece sistema de integração em que o parceiroproprietário fornece rações, medicamentos e assistência técnica, e o parceirocriador fica responsável pelas instalações e fornecimento de energia, gera situação na qual as despesas decorrentes do processo de produção do frango para abate devem ser devidamente segregadas para fins de aproveitamento dos créditos não cumulativos, levandose em consideração a parcela de produção a que tem direito o parceirocriador pela remuneração dos serviços prestados. Assim, o parceiroproprietário pode aproveitarse apenas dos créditos nãocumulativos cujos insumos estejam relacionados aos produtos destinados à revenda, ou seja, os insumos correspondentes ao quinhão direcionado ao parceirocriador não podem ser utilizados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 GLOSAS DE DESPESAS COM UNIFORMES E EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO A TRABALHADORES E DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. AJUSTES EM RAZÃO DE DIVERGÊNCIAS ENTRE VALORES ESCRITURADOS E DECLARADOS. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Fl. 2733DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 10 Consideramse não impugnadas matérias não expressamente contestadas na peça de defesa, conforme preceitua o art. 17 do PAF, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/1997, quais sejam, despesas referentes a uniformes e equipamentos de proteção a trabalhadores (EPI), depreciação dos bens do ativo imobilizado adquiridos com alíquota zero, além dos ajustes efetuados pela Fiscalização em razão de divergências entre valores escriturados e informados em DACON. Impugnação Procedente em Parte No Recurso Voluntário, tempestivo, a contribuinte insiste na inexigibilidade dos valores lançamentos, repisando as alegações da Impugnação e alegando, preliminarmente, a nulidade do acórdão da DRJ. No item II.1 da peça recursal afirma que, ao apresentar a Impugnação, “alegou a ocorrência de nulidade do auto de infração, pois os valores glosados deixarem de considerar créditos reconhecidos e recolhimentos efetuados.” (fl. 2521). Argúi que os lançamentos não poderiam ignorar a existência dos pedidos de ressarcimento e os valores já recolhidos, menciona recolhimentos relativos ao montante de principal de R$ 5.003.097,04, segundo ela não desconsiderado na glosa, bem como créditos já reconhecidos pela fiscalização, e reputa flagrante a nulidade do Acórdão da DRJ. Requer então, em sede preliminar, seja reconhecida a nulidade do Acórdão recorrido ou, em caso contrário, a nulidade dos autos de infração. A Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) apresentou contrarrazões ao Recurso Voluntário, nos termos da faculdade prevista no art. 48, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Tratando da alegação de nulidade ao Acórdão, a PFN considera o seguinte: A recorrente suscita, ainda, a nulidade da decisão da DRJ, por não ter analisado todos os argumentos da defesa, uma vez que os julgadores não teriam se manifestado acerca da nulidade do auto de infração. Mais uma vez a preliminar deduzida não merece ser acolhida. Com efeito, citase jurisprudência já consagrada no STF, a exemplo do acórdão proferido no RE 463.1393, em que restou decidido que “ao fundamentar sua decisão, não é obrigado, o órgão judicante, a rebater todas as teses apresentadas pela defesa, bastando que apresente razões bastantes de seu convencimento”. Mas ainda que assim não fosse, verificase que a DRJ apreciou, sim, as questões suscitadas, fundamentando o entendimento adotado de forma suficiente a demonstrar os motivos do seu convencimento. Nesse sentido, concluiuse que a partir do momento em que a contribuinte o optou por encaminhar PER/DCOMP, buscando aproveitar créditos que afirma não terem sido considerados pelo Fisco, fez sua opção, de modo que a Fiscalização não poderia mesmo se utilizar de tais montantes novamente, afastandose, assim, qualquer pretensão de reconhecimento de nulidade do auto de infração. Fl. 2734DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10166.721554/201095 Acórdão n.º 3401002.187 S3C4T1 Fl. 2.730 11 Por fim, registrese, ainda, que a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de longa data, firmou orientação no sentido de que “Não há nulidade sem prejuízo” (Acórdão: CSRF/0202.301). Não coube remessa de ofício em relação à parcela provida pela DRJ, por ser o montante exonerado inferior ao limite de alçada. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço. Tratando da alegação de nulidade dos autos de infração, a DRJ relata o seguinte (fls. (fls. 2.406/2.407): Do Auto de Infração. O agente fiscal na lavratura do auto de infração desconsiderou (1) os créditos ordinários e presumidos a que reconhecidamente a impugnante tem direito por força de nãocumulatividade – CF. ABAIXO, TOTALIZAM 3.069.031,51 cf. abai; (2) mais de R$ 5.000.000,00 recolhidos por meio de DARF em pecúnia pela impugnante a título de PIS/COFINS dos anos de 2005, 2006 e 2007, em valores originais; (3) direito creditório reconhecido conforme demonstram os despachos decisórios em anexo datados de 29/04/10 e 03/05/10, no qual a Secretaria da Receita Federal do Brasil em Brasília reconheceu o montante de R$ 951.013,21 (novecentos e cinqüenta e um mil treze reais e vinte e um centavos), de créditos de PIS e COFINS ref 2003 e 2004. Ocorre que, após trabalho de revisão de sua equação contábil fiscal, a impugnante constatou que acumulou, durante os anos de 2005 a 2007, por força da aplicação equivocada da legislação, entre créditos legítimos e não apropriados no período e pagamentos a maior de PIS/COFINS, o montante de R$ 3.069.031,51 (três milhões sessenta e nove mil trinta e um reais e cinqüenta e um centavos) de ressarcimento de créditos e benefícios fiscais (FUNDAMENTAÇÃO DA DRJ DIZ Q FOI OBJETO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO), e restituição por pagamento a maior de R$ 4.244.622,38 (quatro milhões duzentos e quarenta e quatro mil seiscentos e vinte e dois reais e trinta e oito centavos), (FUNDAMENTAÇÃO DA DRJ DIA Q FOI OBJETO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO) totalizando R$ 7.313.653,94 (sete milhões trezentos e treze mil seiscentos e cinqüenta e três reais e noventa e quatro centavos) valores estes que foram objeto de pedidos eletrônicos de ressarcimento encaminhados por meio de várias PER/DCOMP. Por sua vez, tais os pedidos de restituição não foram analisados até o presente momento pela Secretaria da Receita Federal uma Fl. 2735DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 12 vez que a fiscalização que resultou no presente auto foi instaurada exatamente para esse fim. Mostrase arbitrário e ilegal o procedimento do Auditor Fiscal ao desconsiderar todos e quaisquer créditos e exclusões a favor do contribuinte, bem como aqueles pagamentos realizados em pecúnia pelo contribuinte sob os códigos 6912 PIS e 5856 COFINS durante os anos de 2005, 2006 e 2007 (comprovantes de pagamento anexos), decidindo então autuálo, através da utilização de uma técnica peculiar e, digamos bastante pessoal. Mesmo que sejam pertinentes todas as glosas e exclusões constantes da autuação, obviamente que o montante principal do tributo apurado, segundo a torcida lógica definida pelo agente fiscal, será gritantemente superior ao efetivamente devido, tendo em vista que os créditos e valores já pagos pelo contribuinte nos exercícios objeto da fiscalização foram simplesmente esquecidos. Da Nulidade do Auto de Infração. Decorre do art. 142 do CTN que é da essência do lançamento a apuração do quantum debeatur, que somente pode ser encontrado pelo agente administrativo após subsumir o fato ao conceito abstrato e genérico da lei, a fim de encontrar a base de cálculo e alíquotas do tributo devido, no caso contribuições para o PIS e COFINS. Assim, no caso em tela, não poderia o agente público apenas operar glosas e exclusões e desconsiderar créditos e pagamentos, ao argumento de que estes fazem parte de outros processos administrativos, os quais, aliás, são a própria razão de ser da ação fiscalizadora que culminou nos autos sob impugnação. Nesse sentido, deve ser reconhecida a nulidade material do auto de infração, por vício de objeto, qual seja, equivoco na apuração do montante a pagar. Apesar do relato acima, não restou decidida pela DRJ a nulidade levantada. Não há na parte dispositiva do voto, tampouco na ementa e no resultado do acórdão, menção à nulidade. Pela fundamentação até é possível vislumbrar que o Colegiado de piso caminhou no sentido de rejeitar a arguição, sem, no entanto, decidir a questão. Repito os trechos da fundamentação que sinalizam a rejeição da nulidade (fls. 2.418/2.420, com sublinhado acrescentado): Auto de Infração. Lançamentos Fiscais. Aproveitamento de Créditos. (...) A partir do momento em que a contribuinte optou por encaminhar as PER/DCOMP, fez a sua opção. Dessa maneira, não poderia a Fiscalização utilizarse novamente de tais créditos, caso contrário estaria aproveitando o saldo remanescente em duplicidade. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 1972/1998 a autoridade tributária esclarece com clareza a questão, não havendo motivos para a irresignação da impugnante: Fl. 2736DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10166.721554/201095 Acórdão n.º 3401002.187 S3C4T1 Fl. 2.731 13 ‘Os créditos remanescentes (fichas 11B e 14 da Dacon/Pis e fichas 17B e 24 da Dacon/Cofins), referentes aos créditos de aquisição no mercado interno vinculado à receita não tributada no mercado interno e vinculado à receita de exportação não foram compensados. Tais valores são objeto de pedido de ressarcimento feitos através de perdcomps. Igualmente não foram compensados os pagamentos realizados com os códigos 6912 (PIS) e 5856 (COFINS), pois foram objeto de pedido de restituição através de perdcomps.’ (...) Por fim, no que concerne ao direito creditório referente aos anoscalendário de 2003 e 2004, que teria sido reconhecido no valor de R$951.013,21, cabem as seguintes considerações. Primeiro, não há nos autos documentação probatória suficiente que demonstre o reconhecimento de tal montante. Foram acostadas às fls. 2128/2129 planilhas de controle interno, e cópias de correspondências encaminhadas pela Receita Federal à contribuinte comunicando o teor de despachos decisórios, assim como os despachos decisórios na integra, às fls. 2154/2164 e 2165/2270. Segundo, nas tais correspondências, a Receita Federal comunica à impugnante que o pedido de restituição foi deferido, mas que, como foi constatada a existência de débitos administrados pela RFB em abertos e/ou inscritos em Dívida Ativa da União (...) o valor do crédito reconhecido será compensado com os débitos existentes conforme relação em anexo. Ou seja, os aludidos créditos já foram compensados de ofício em razão da existência de outros débitos do sujeito passivo no âmbito da Receita Federal. Mostrase correto, portanto, o procedimento adotado pela autoridade tributária, e não há se falar em nulidade e muito menos em afronta a quaisquer princípios constitucionais, razão pela qual não cabem ser acatadas as alegações da impugnante. Não vejo, na fundamentação acima, dispositivo – parte em que o juiz decide – acerca da nulidade dos autos de infração. Mesmo diante da informalidade moderada que orienta o Processo Administrativo Fiscal, o voto apresentase insuficiente por não ter decidido sobre a preliminar em questão. Tal decisão poderia esta situada no final do tópico acima, e não necessariamente na “Conclusão” do voto, já que a topografia do voto não é relevante. Também poderia estar expressa num dispositivo indireto (com referência ao pedido). Precisaria, de todo modo, não remanescer dúvida sobre a decisão que se impõe: nulidade ou não dos autos de infração. Na linha de que a fundamentação exposta não pode ser tida como decisão, o Código de Processo Civil, no seu art. 469, I, informa que não fazem coisa julgada “os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença”. O art. 458 do mesmo Código, por sua vez, prescreve que são requisitos essenciais da sentença, além do relatório e dos fundamentos, “o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões, que as partes Fl. 2737DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 14 lhe submeterem” (inc. III). Cabe aplicar essas regras do processo civil a este processo administrativo fiscal para concluir, em face da inexistência do dispositivo relativo à nulidade em questão, pela anulação do acórdão da DRJ. Se houvesse na primeira instância previsão de embargos de declaração, estar seia configurada omissão relevante, a ensejálos. Mas, como se sabe, os declaratórios só são admissíveis nesta instância recursal. Daí a necessidade de que outro acórdão seja prolatado e o Colegiado da DRJ, no novo, se pronuncie de modo conclusivo sobre a nulidade (ou não) dos lançamentos. Sem esse pronunciamento restou caracteriza preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, que precisa ser sanada sob pena de supressão de instância. Diante da possibilidade deste Colegiado decidir em desfavor da Recorrente, se rejeitar a nulidade dos lançamentos, apresentase inaplicável o § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/725.1 Pelo exposto, voto por anular o acórdão recorrido para que a primeira instância o complemente, pronunciandose de modo conclusivo sobre a alegação de nulidade dos lançamentos. Prolatado o novo acórdão, deve ser reaberto o prazo para o recurso voluntário, seguindose o rito determinado pelo Decreto nº 70.235/72. Emanuel Carlos Dantas de Assis 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Fl. 2738DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10166.721554/201095 Acórdão n.º 3401002.187 S3C4T1 Fl. 2.732 15 Fl. 2739DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
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