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Numero do processo: 10166.003431/2008-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
DEDUÇÃO COM DEPENDENTES. SOGRA. POSSIBILIDADE. A sogra pode constar como dependente do genro, desde que não aufira rendimento
superior ao limite de isenção nem esteja declarando em separado, e sua filha declare em conjunto com o marido.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-001.257
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, para restabelecer a dedução com a dependente Kazuka Dogakiuchi, no valor de R$ 1.272,00.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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SOGRA. POSSIBILIDADE. A sogra pode constar como dependente do genro, desde que não aufira rendimento superior ao limite de isenção nem esteja declarando em separado, e sua filha declare em conjunto com o marido. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para restabelecer a dedução com a dependente Kazuka Dogakiuchi, no valor de R$ 1.272,00. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Fl. 132DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 9/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0338.446, proferido pela 6ª Turma da DRJ Brasília (fl. 103), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, para restabelecer a dedução de dependente no valor de R$ 5.088,00; a dedução de despesas de instrução no valor de R$ 1.231,20 e a dedução de despesas médicas no valor de R$ 3.314,15, e, por conseguinte, apurar imposto de renda suplementar no valor R$ 5.337,53. A descrição dos fatos da Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física — IRPF (fls. 69 a 74), referente ao exercício 2004, indica as seguintes infrações: Dedução Indevida com Dependente(s) — glosa de dedução com dependente(s), pleiteada indevidamente pelo contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2004, anocalendário 2003. Valor: R$ 6.360,00. Motivo da glosa: Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu A intimação. Dedução Indevida a Titulo de Despesas com Instrução — glosa de dedução de despesas com instrução, pleiteada indevidamente pelo contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2004, anocalendário 2003. Valor: R$ 6.644,00. Motivo da glosa: Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu A intimação. Dedução Indevida a Titulo de Despesas Médicas — glosa de dedução de despesas médicas, pleiteadas indevidamente pelo contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2004, anocalendário 2003. Valor: R$ 24.603,15. Motivo da glosa: Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu A intimação. Ao apreciar o litígio instaurado com a impugnação de fls. 01/02, o Órgão julgador de primeiro grau consubstanciou o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2004 DEDUÇÃO DE DEPENDENTES. FILHOS. REQUISITOS LEGAIS. São considerados dependentes, para fins de dedução na Declaração do Imposto de Renda, os filhos e enteados até vinte e um anos, maiores até vinte e quatro anos cursando universidade ou escola técnica de 2° grau ou, em qualquer idade, quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho. DEDUÇÃO. DEPENDENTES. CÔNJUGE. A legislação vigente permite que seja incluído como dependente na declaração do contribuinte o seu cônjuge, quando este não apresentou declaração de ajuste anual em separado. DEDUÇÃO. DEPENDENTE. SOGROS. REQUISITOS LEGAIS. São considerados dependentes, para fins de dedução na Declaração do Imposto de Renda do genro ou nora, os sogros desde que a filha ou filho tenha auferido rendimentos tributáveis e declarado em conjunto com o cônjuge. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. Fl. 133DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 9/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS Processo nº 10166.003431/200854 Acórdão n.º 21011.257 S2C1T1 Fl. 122 3 Só são dedutíveis na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos efetuados a estabelecimentos de educação pré escolar, incluindo creches, de 1°, 2° e 3° graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, observado o limite permitido para o respectivo exercício. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. A comprovação por documentação hábil e idônea de parte dos valores informados a titulo de dedução de despesas médicas na Declaração do Imposto de Renda importa no restabelecimento das despesas até o valor comprovado. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Lançamento Procedente em Parte Em seu apelo ao CARF, à fl. 118, o recorrente requer o restabelecimento da dedução com a dependente Kazuka Dogakiuchi, mãe da sua esposa. Junta cópia autenticada da folha número 079 dos assentamentos profissionais, onde consta que em 27/04/93 o interessado registrou na Marinha do Brasil esta dependente, seguindo os preceitos legais vigentes. É o Relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Remanesce em litígio a glosa da dedução da despesa com a dependente Kazuka Dogakiuchi, sogra do contribuinte, única questão discutida no recurso. Nos termos do inciso VI do artigo 35 da Lei nº 9.250, de 1995, os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal, poderão ser considerados dependentes dos filhos. A Receita Federal do Brasil esclarece, em seu manual de perguntas e respostas, que o sogro ou a sogra podem ser declarados dependentes desde que o seu filho ou filha esteja declarando em conjunto com o genro ou a nora, e desde que o sogro ou a sogra não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção anual, nem estejam declarando em separado. No caso em exame, como a esposa do autuado não apresentou declaração em separado, e foi relacionada como dependente do marido na Declaração de Rendimentos do período fiscalizado, entendo que a sogra pode figurar como dependente do genro. Fl. 134DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 9/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS 4 A decisão recorrida manteve a glosa em relação à sogra por entender que somente há declaração em conjunto quando ambos os cônjuges auferem qualquer tipo de rendimento. Não vejo sentido nesta distinção, até por que algum rendimento do dependente pode ser detectado pela Fiscalização até o decurso do prazo decadencial. A meu ver, todas as pessoas relacionadas como dependentes na Declaração de Ajuste Anual é um declarante em conjunto, pois a capacidade tributária independe da capacidade civil ou de qualquer outra circunstância pessoal do beneficiário do rendimento, e a inclusão do dependente na declaração implica em incluir os rendimentos por eles auferidos. Não é incomum transitar recursos por este Colegiado em que o dependente auferiu rendimentos que não foram incluídos na base de cálculo do tributo informada pelo declarante. Muitos pedem que se retire o dependente da declaração, pois o ingresso do rendimento para tributação não compensa a dedução do dependente, e que se este apresentar declaração em separado ficará abaixo do limite de isenção – solicitação que não é atendida, pois a opção da declaração em conjunto foi exercida. No presente caso, o cônjuge do contribuinte, Sueli Mieko Dogakiuchi Silva, teve o nome informado na declaração do contribuinte, no campo próprio para dependentes e foi assinalado que a Declaração de Ajuste Anual era em conjunto. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso, para restabelecer a dedução com a dependente Kazuka Dogakiuchi, no valor de R$ 1.272,00. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 135DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 9/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13896.004446/2008-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Deve-se reconhecer as deduções de despesas médicas, quando comprovadas mediante a apresentação de recibos firmados por profissionais competentes e legalmente habilitados, mormente, quando não existem nos autos indícios de que tais recibos sejam inidôneos.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são
devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4 Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010)
JUROS DE MORA. APLICAÇÃO.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula CARF nº 5 Portaria CARF nº 52, de
21 de dezembro de 2010)
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2102-001.539
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PARCIAL provimento ao recurso, para restabelecer a dedução de despesa médica, no valor de R$ 13.200,00. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Amaury Maciel, OAB-SP N°
212.481.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Deve-se reconhecer as deduções de despesas médicas, quando comprovadas mediante a apresentação de recibos firmados por profissionais competentes e legalmente habilitados, mormente, quando não existem nos autos indícios de que tais recibos sejam inidôneos. JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4 Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) JUROS DE MORA. APLICAÇÃO. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula CARF nº 5 Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) Recurso Voluntário Provido em Parte.
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COMPROVAÇÃO. Devese reconhecer as deduções de despesas médicas, quando comprovadas mediante a apresentação de recibos firmados por profissionais competentes e legalmente habilitados, mormente, quando não existem nos autos indícios de que tais recibos sejam inidôneos. JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4 Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) JUROS DE MORA. APLICAÇÃO. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula CARF nº 5 Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, para restabelecer a dedução de despesa médica, no valor de R$ 13.200,00. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Amaury Maciel, OABSP N° 212.481. Fl. 212DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13896.004446/200883 Acórdão n.º 210201.539 S2C1T2 Fl. 104 2 Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 07/10/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra MOREVI ARAUJO REGO foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 21/26, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2005, exercício 2006, no valor total de R$ 29.706,74, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 31/10/2008. As infrações apuradas pela autoridade fiscal foram: dedução indevida de previdência privada e dedução indevida de despesas médicas, nos valores de R$ 14.129,17 e R$ 38.617,19, respectivamente. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 01/20, onde contesta apenas as deduções de despesas médicas, relativas aos odontólogos Paulo Antonio Dal Médico e Paulo Estevão Sandoval Abrahão, ambas no valor de R$ 6.600,00 e a cobrança dos juros de mora. A autoridade julgadora de primeira instância julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/SPOII nº 1745.810, de 04/11/2010, fls. 48/52. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 30/12/2010, Aviso de Recebimento (AR), fls. 57, o contribuinte apresentou, em 26/01/2011, recurso voluntário, fls. 59/72, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Os serviços odontológicos prestados pelos dentistas Paulo Antonio Dal Médico e Paulo Estevão Sandoval Abrahão estão devidamente atestados e comprovados nos autos. Fl. 213DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13896.004446/200883 Acórdão n.º 210201.539 S2C1T2 Fl. 105 3 A prova do pagamento somente é exigida na falta dos recibos ou quando estes não cumprem as exigências prescritas na lei, o que não é o caso. A Declaração de Ajuste Anual demonstra que o contribuinte teve a sua disposição recursos financeiros no montante total de R$ 354.782,61, ou seja, teve disponibilidade financeira suficiente para dar cobertura a todas as despesas efetuadas. Os juros de mora calculados com base na taxa Selic são inconstitucionais. Enquanto não for regulamentado o parágrafo único do art. 27 do Decreto nº 70.235, de 1972, incluído por força do disposto na Lei nº 9.532, de 1997, não há que se falar em imputar os juros moratórios no período compreendido entre a data da interposição da impugnação até a decisão final da lide instalada. É o Relatório. Fl. 214DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13896.004446/200883 Acórdão n.º 210201.539 S2C1T2 Fl. 106 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De pronto, devese observar que na impugnação, assim como no recurso, o contribuinte reconhece a infração de dedução indevida de previdência privada, assim como parte da infração de dedução indevida de despesas médicas, sendo certo que sua contestação se restringe tãosomente no que se refere às despesas médicas relativas aos odontólogos Paulo Antonio Dal Médico e Paulo Estevão Sandoval Abrahão, ambas no valor de R$ 6.600,00 e à cobrança dos juros de mora. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que consta da Notificação de Lançamento, fls. 23, a glosa das despesas médicas relativas aos dentistas acima referidos se deu em razão de o contribuinte ter deixado de apresentar os respectivos comprovantes. Ocorre que, quando da apresentação da impugnação o contribuinte juntou aos autos documentos, fls. 27/28, firmados pelos profissionais, que atestam ter prestado serviços odontológicos ao contribuinte e ter recebido as importâncias de R$ 6.600,00. Por seu turno, a decisão recorrida não reconheceu as referidas despesas médicas, sob a seguinte fundamentação: De se observar que, embora o contribuinte tenha declarado ter pago ao Sr. Paulo Antonio Dal Médico a quantia de R$ 7.500,00, apresentou agora um recibo no valor de R$ 6.600,00, exatamente a mesma quantia declarada como tendo sido paga a outro cirurgiãodentista, Dr. Paulo Estevão Sandoval Abrahão. Não tendo sido carreado aos autos nenhuma prova dos efetivos pagamentos ou mesmo da prestação dos serviços odontológicos com os dois profissionais listados, entendo não estar devidamente comprovada a ocorrência das despesas odontológicas, devendo ser mantida a glosa integral efetuada pela fiscalização. Ora, o fato de o recibo apresentado possuir valor menor do que aquele pleiteado pelo contribuinte justifica plenamente a manutenção da diferença verificada, entretanto, não pode ser utilizado como motivação para a manutenção da glosa total. Em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente e legalmente habilitado. Somente quando existe dúvida quanto à idoneidade do documento, a autoridade fiscal solicita provas da efetividade do pagamento e também da efetividade dos serviços prestados pelos profissionais. Fl. 215DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13896.004446/200883 Acórdão n.º 210201.539 S2C1T2 Fl. 107 5 Entretanto, no presente caso não existem nos autos indícios de inidoneidade dos documentos apresentados pelo contribuinte. E mais, a autoridade fiscal procedeu a glosa por falta de apresentação dos recibos, sendo certo que não consta dos autos que o contribuinte tenha sido, durante o procedimento fiscal, intimado a fazer a comprovação do efetivo pagamento e da efetiva prestação dos serviços. Destacase, ainda, que as demais glosas de despesas médicas efetivadas pela autoridade fiscal, contra as quais o contribuinte não se insurgiu, se deram em razão de dedução de despesas médicas realizadas com o cônjuge do contribuinte, que apresentou Declaração de Ajuste Simplificada e com pessoa nãodependente. Vêse, portanto, que tais motivações não colocam em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pelo contribuinte. Nessa conformidade, devese restabelecer a dedução de despesas médicas, no valor de R$ 13.200,00, correspondente ao somatório das despesas incorridas com os profissionais Paulo Antonio Dal Médico e Paulo Estevão Sandoval Abrahão. Quanto aos juros Selic, a matéria já foi pacificada neste colegiado, conforme Súmulas nºs 4 e 5, que cristaliza o entendimento de que é legítima a sua aplicação, ainda que o crédito tributário esteja com sua exigibilidade suspensa: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso, para restabelecer a dedução de despesa médica, no valor de R$ 13.200,00. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 216DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 10665.002035/2008-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/12/2005
REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. INAPLICABILIDADE PARA O ESCREVENTE E AUXILIAR DE CARTÓRIOS CONTRATADOS ANTES DE 21 DE NOVEMBRO DE 1994 QUE NÃO FIZERAM A OPÇÃO PREVISTA EM LEI.
Somente devem contribuir para o Regime Geral de Previdência Social RGPS o escrevente e o auxiliar contratados por titular de serviços notariais e de registro a partir de 21 de novembro de 1994, bem como aquele que optou pelo referido regime, em conformidade com a Lei nº 8.935, de 18 de novembro de 1994. Na presença de provas de que o escrevente foi contratado antes da data acima referida e que não optou pela mudança de regime, deve o lançamento ser afastado.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-002.382
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em negar provimento ao recurso. Redator designado: Mauro José Silva.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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INAPLICABILIDADE PARA O ESCREVENTE E AUXILIAR DE CARTÓRIOS CONTRATADOS ANTES DE 21 DE NOVEMBRO DE 1994 QUE NÃO FIZERAM A OPÇÃO PREVISTA EM LEI. Somente devem contribuir para o Regime Geral de Previdência SocialRGPS o escrevente e o auxiliar contratados por titular de serviços notariais e de registro a partir de 21 de novembro de 1994, bem como aquele que optou pelo referido regime, em conformidade com a Lei nº 8.935, de 18 de novembro de 1994. Na presença de provas de que o escrevente foi contratado antes da data acima referida e que não optou pela mudança de regime, deve o lançamento ser afastado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em negar provimento ao recurso. Redator designado: Mauro José Silva. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 01/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 Mauro José Silva Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 01/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10665.002035/200889 Acórdão n.º 230102.382 S2C3T1 Fl. 153 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra o contribuinte acima identificado, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa e à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Conforme Relatório Fiscal (fls. 27), o autuado, Oficial Titular do Cartório de Registro de Imóveis de Divinópolis, nomeou a Sra Nercy Maria dos Santos para o cargo de escrevente substituta do Cartório e deixou de inscrevêla no RGPS, por considerála como segurada filiada ao Regime Próprio de Previdência do Estado de Minas Gerais, gerido pelo Estado e IPSEMG. A autoridade autuante esclarece que, tendo em vista a ausência de personalidade jurídica do Cartório, o Auto foi lavrado em nome de seu titular, após ter sido efetuada a matricula CEI 33.620.01853/06, de oficio. O agente lançador entendeu que, não sendo a Sra. Nercy Maria dos Santos servidora titular de cargo efetivo, está excluída do Regime Próprio de Previdência Social e, pelo exercício de atividade remunerada, está obrigatoriamente vinculada ao RGPS como segurada empregada, conforme previsto no art. 70, X da IN 65/02, art 9°, XIX da IN 100/03, e art 6°, XXI, da IN 03/05. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0221.416, da 8a Turma da DRJ/BHE, (fls. 121), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 132 ), alegando, em síntese, o que se segue. Inicialmente, reitera que nenhuma outra irregularidade ou ausência de cumprimento de obrigações tributárias foram apontadas na conclusão da ação fiscal, salvo, unicamente, aquelas consignadas pelo Sr. AFRFB em razão do entendimento acerca do regime previdenciário ao qual encontrase subordinada a Escrevente Substituta do Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de Divinópolis, Sra Nercy Maria dos Santos. Entende que é notório o conflito e contradições entre as IN's invocadas no Relatório Fiscal, editadas nos anos de 2002, 2003 e 2005, em face da vigente, mais abrangente e mais recente Instrução Normativa editada pelo próprio INSS, in casu, a IN 20/2007, que somente alinha entre os segurados obrigatórios da Previdência Social/INSS, consoante inciso XII do seu art. 30, o escrevente contratado por titular de serviços notariais e de registro a partir de 21/11/1994 e, ainda, aquele que tenha exercido opção pelo RGPS/INSS em conformidade com a Lei 8.935/94. Ressaltase que a Lei n° 8.935/94, é a lei especial que regulamenta o art. 236 da Magna Carta de 1988, dispondo sobre os serviços notariais e de registro e, ainda, quanto ao Fl. 157DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 01/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 pessoal daqueles cartórios, contratados anteriormente àquela lei (e aqueles a serem futuramente contratados) e seu regime previdenciário Assevera que a Sra. Nercy Maria dos Santos foi nomeada e tomou posse em junho de 1985, como Escrevente Substituta, função que desde então vem sendo por ela exercida sem que tenha havido descontinuidade, sendo que jamais exerceu ela a opção da transformação do seu regime jurídico de contratação, que lhe era resguardada consoante permissivo daquela especial Lei n° 8.935/94 (Lei dos Cartórios), permanecendo, assim, na mesma situação de contratação e regime previdenciário em que se encontrava, havia mais de 09 anos, quando da superveniência daquele diploma especial. Sustenta que o art. 40 da EC n° 20/98 não revogou tacitamente, como entendido pelo Sr. AFRFB, as disposições da Lei n° 8.935/94, diploma especifico que permanece inalterado no arcabouço jurídico pátrio, sendo que as disposições do citado art. 40, ao assegurar aos servidores titulares de cargos efetivos da União, Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, regime previdenciário de caráter contributivo, de sorte a ensejar ampla reforma previdenciária, em nada modificou o então vigente regime jurídico de contratação e previdenciário da Escrevente Substituta. Transcreve dispositivos das Leis Complementares do Estado de Minas Gerais n° 64/2002, 70/2003 e 79/2004 que, segundo entende, demonstram que a referida Escrevente Substituta Nercy Maria dos Santos está obrigada ao custeio e ônus, face a sua condição de segurada da perante o RPPS do Estado de Minas Gerais, gerido pelo IPSEMG, a titulo de cota de suas contribuições e, por seu titular, o cartório Recorrente, a titulo de contribuições patronais. Transcreve manifestação do STF para demonstrar que os notários, registradores e escreventes, embora exerçam atividade estatal, não são titulares de cargo público efetivo e tampouco ocupam cargo público. Conclui que a referida Escrevente Substituta é vinculada ao RPPS do Estado de Minas Gerais, gerido pelo IPSEMG, visto que, nomeada e empossada aos 28/06/1985 e, consoante já comprovado pela apensa declaração pessoal daquela servidora, desde então permanece ela no exercício do cargo, não tendo jamais exercido a opção que lhe fora assegurada pela referida Lei n° 8.935/94 de modificação de seu regime jurídico e previdenciário. É o relatório. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 01/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10665.002035/200889 Acórdão n.º 230102.382 S2C3T1 Fl. 154 5 Voto Vencido Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora O recurso é tempestivo e todos os requisitos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. Verificase, da análise do recurso apresentado, que o recorrente tenta demonstrar que a Escrevente Substituta Sra. Nercy Maria dos Santos é vinculada ao RPPS do Estado de Minas Gerais, gerido pelo IPSEMG, por força das Leis Complementares do Estado de Minas Gerais n° 64/2002, 70/2003 e 79/2004. Contudo, a Emenda Constitucional n° 20/98, ao alterar o art. 40 da Constituição Federal, restringiu o Regime Próprio de Previdência aos servidores públicos efetivos, sendo que os demais funcionários passaram a se vincular obrigatoriamente ao Regime Geral da Previdência Social: Art.40 Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo Portanto, a Escrevente Nercy Maria dos Santos só poderia permanecer vinculada ao Regime Próprio de Previdência Social caso fosse, à época de publicação da EC n° 20/1998, titular de cargo público efetivo. Porém, conforme tão bem ressaltou o recorrente em seu recurso, a referida segurada não era, em 1998, detentora de cargo público efetivo, e tampouco ocupava cargo público, mas sim cargo de direito privado. Nesse sentido, a Sra Nercy não poderia, após o advento da EC 20/98, permanecer vinculada ao Regime Próprio. Verificase, dos documentos juntados aos autos, que a Sra Nercy Maria era remunerada, à época da ocorrência dos fatos geradores, pelo titular do Cartório de Registro de Imóveis, e não pelo Estado de Minas Gerais. O recorrente alega que a referida segurada estava obrigada ao custeio do Regime Próprio, com o pagamento, ao IPSEMG, de valores a título de sua cota de contribuições, sendo que o Cartório arcava com o pagamento da cota patronal. Todavia, não consta, dos autos, provas de que houve pagamento, pela Sra Nercy ou pelo Cartório, de contribuições ao referido Regime Próprio, gerido pelo IPSEMG. Constam, sim, recibos de pagamentos realizados pelo titular do cartório à Escrevente Substituta nos quais estão registrados apenas a dedução de valores ao Imposto de Renda. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 01/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 Da análise das cópias dos Livros Caixa juntadas ao processo, observase que não há desconto ou registro de pagamento de contribuições ao IPSEMG. As guias anexadas ao AI pela fiscalização demonstram apenas o pagamento de contribuição do empregado e do empregador relativo ao custeio de saúde, nos termos do art. 85, da LC 64/02. A autoridade fiscal juntou, ainda, às fls. 33, um comunicado do Superintendente de Finanças do IPSEMG, Sr. Walter Juiz Santos Correa, informando o cancelamento da inscrição como segurados dos servidores dos Cartórios, uma vez que tais servidores não eram vinculados ao serviço público do Estado, estando, portanto, impedidos de serem contribuintes do IPSEMG. O recorrente alega que é equivocado o entendimento contido na referida circular. Porém, o recorrente não comprova que a Sra Nercy Maria dos Santos está vinculada ao Regime Próprio de Previdência do Estado de Minas Gerais. E, tendo sido constato a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária com o pagamento de remuneração, pelo autuado, à Sra Nercy, que, conforme demonstram os documentos acostados aos autos, não está vinculada ao Regime Próprio de Previdência, a autoridade fiscal, a quem compete o lançamento, lavrou corretamente o AI em discussão, em observância aos normativos legais que regem a matéria e ao disposto no art. 37 da Lei 8212/91: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Observase que o AI foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem o AI, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura do Auto e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Nesse sentido e CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta; VOTO por CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 160DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 01/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10665.002035/200889 Acórdão n.º 230102.382 S2C3T1 Fl. 155 7 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 01/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 8 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva: A despeito das bem fundamentadas considerações da Relatora, apresentamos nossa posição divergente. O caso em análise diz respeito ao lançamento de contribuição previdenciária na parte da empresa, bem como contribuição para o SAT/RAT incidente sobre a remuneração da escrevente substituta do Cartório de Registro de Imóveis de Divinópolis admitida em 28 de junho de 1985. Toda a controvérsia surge com a edição da EC 20/1998 que teria afastado o conteúdo da Lei 8.935/94. Para a fiscalização, os notários ou tabeliães, oficiais de registro ou registradores, escreventes ou auxiliares admitidos antes do advento da Lei 8.935/94 deveriam continuar vinculados ao Regime Próprio de Previdência (RPPS) do Estado de Minas Gerais, gerido pelo Estado e pelo IPSEMG até a edição da EC 20/1998. Após a alteração constitucional, somente os titulares de cargo efetivo poderiam continuar regidos pelo RPPS. Para fundamentar tal conclusão, a autoridade fiscal citou o art. 7º, inciso X da IN ISS 65/2002, o art. 9º, inciso XIX da IN ISS 100/2003 e o art. 6º, inciso XXI da IN SRP 03/2005, o qual reproduzimos a seguir: Art. 6° Deve contribuir obrigatoriamente na qualidade de segurado empregado: (...) XXI o escrevente e o auxiliar contratados até 20 de novembro de 1994 por titular de serviços notariais e de registro, sem relação de emprego com o Estado; Ressalta que a partir da LC 64/2002 do Estado de Minas, o IPSEMG presta somente assistência médica, hospitalar e odontológica aos servidores não titulares de cargo efetivo. A DRJ/Belo Horizonte acatou os argumentos da autoridade fiscal e acrescentou que a Escrevente Nercy não era titular de cargo efetivo, pois na data de publicação da Constituição de 1988 não havia completado os cinco anos na função exigidos pelo art. 19 do ADCT, bem como não era remunerada pelo Estado. A recorrente suscitou a contradição entre os diplomas infralegais apontados pela fiscalização com o art. 9º, inciso I, alínea “o” do RPS e com a IN INSS/PRES 20/2007, a seguir transcritas: RPS Fl. 162DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 01/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10665.002035/200889 Acórdão n.º 230102.382 S2C3T1 Fl. 156 9 Art. 9° São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: (...) o) o escrevente e o auxiliar contratados por titular de serviços notariais e de registro a partir de 21 de novembro de 1994, bem como aquele que optou pelo Regime Geral de Previdência Social, em conformidade com a Lei n.8.935, de 18 de novembro de 1994; e (...)" IN INSS/PRES 20/2007 Art. 3º São segurados na categoria de empregado, conforme o inciso I do art. 9º do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999 (...) XII o escrevente e o auxiliar contratados por titular de serviços notariais e de registro a partir de 21 de novembro de 1994, bem como aquele que optou pelo Regime Geral de Previdência SocialRGPS, em conformidade com a Lei nº 8.935, de 18 de novembro de 1994; (...) XVI o servidor Estadual, do Distrito Federal ou Municipal, incluídas suas autarquias e fundações públicas, ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, o contratado por tempo determinado para atender à necessidade temporária de excepcional interesse público, bem como de outro cargo temporário ou emprego público (Consolidação das Leis do TrabalhoCLT), observado que: a) até 15 de dezembro de 1998, desde que não amparado por RPPS, nessa condição; b) a partir de 16 de dezembro de 1998, por força da Emenda Constitucional nº 20, de 1998; Além disso, informou que os escreventes admitidos antes de 18 de novembro de 1994 estão incluídos em no RPPS do Esatdo de Minas por força do inciso V do art. 3º da Lei Complementar MG 64/2002, alterada pela Lei Complementar MG 70/2003, in verbis: Fl. 163DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 01/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 10 Art. 3° São vinculados compulsoriamente ao Regime Próprio de Previdência Social, na qualidade de segurados, sujeitos as disposições desta lei complementar. (...) V o notário, o registrador, o escrevente e o auxiliar admitido até 18 de novembro de 1994 e não optante pela contratação segundo a legislação trabalhista, nos termos do art. 48 da Lei Federal n° 8.935, de 18 de novembro de 1994; Acrescentou que a LC 64/2002 prevê alíquota de 22% de contribuição patronal para o caso do inciso V do art. 3º, o que reforçaria a inclusão dos escreventes admitidos antes de 18/11/1994 no RPPS do Estado de Minas. A análise da ilustre Relatora teve como ponto central a necessidade de, após a EC 20/98, o servidor do cartório ser titular de cargo efetivo para manterse regido pelo RPPS. Acrescentou, outrossim, que não foram encontrados registros de descontos ao IPSEMG e que tal instituto teria informado que os servidores de cartórios tiveram suas inscrições canceladas em virtude de não serem vinculados ao serviço público do Estado. Concluiu a relatora que a recorrente não demonstrou que a Sra. Nercy estava vinculada ao RPPS do Estado de Minas. Feita a síntese do caso, passamos às nossas considerações. Sem dúvida, a recorrente conseguiu demonstrar que as instruções normativas que tratam do assunto são contraditórias. O conteúdo do inciso XXI do art. 6º da IN 3/2005 conflita explicitamente com o inciso XII da IN INSS/PRES 20/2007. Este último dispositivo infralegal expressa entendimento claro de que o conteúdo da EC 20/1998 não se aplica aos servidores de cartório, uma vez que prescreve normas para estes no inciso XII e para os servidores atingidos pela EC 20/1998 no inciso XVI. Tal confusão normativa, por si só já nos obrigaria a afastar as multa e os juros do lançamento, em atendimento ao parágrafo único do art. 100 do CTN. No entanto, não podemos ignorar o conteúdo da alinea “o” do inciso I do art. 9º do RPS, inverbis: Art. 9° São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: (...) o) o escrevente e o auxiliar contratados por titular de serviços notariais e de registro a partir de 21 de novembro de 1994, bem como aquele que optou pelo Regime Geral de Previdência Social, em conformidade com a Lei n.8.935, de 18 de novembro de 1994; e Fl. 164DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 01/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10665.002035/200889 Acórdão n.º 230102.382 S2C3T1 Fl. 157 11 A norma transcrita determina que somente são considerados empregados os servidores de cartório admitidos a partir de 21 de novembro de 1994 ou aqueles que fizeram a opção prevista na Lei 8.935/1994. Como é cediço, não podemos argumentos baseados em inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas. A competência para decidir sobre a constitucionalidade de normas foi atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. Em tais dispositivos, o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Por seu turno, a Lei 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Acatando tais imposições constitucionais e legais, o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais insiste na referida vedação, bem como já foi editada Súmula do Colegiado sobre o assunto, conforme podemos conferir a seguir: “Portaria MF nº 256, de 23 de junho de 2009 (que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Portanto, o conteúdo da alínea “o” do inciso I do art. 9º do RPS não pode ser afastado, ainda que consideremos que conflita com a norma constitucional trazida pela EC 20/1998. O fisco federal, se tivesse observado o conflito da norma regulamentar com a Constituição, deveria ter promovido alteração do Decreto 3.048/99, o que não fez. O referido dispositivo, ao contrário, remanesce no ordenamento jurídico produzindo efeitos. Por oportuno, deve ser destacado que as autoridades do poder público já manifestaram recente entendimento, por meio de IN INSS/PRES 20/2007, no sentido de separar a situação dos servidores do cartório da situação dos servidores ocupantes de cargo efetivo, o que reforça nossa conclusão de que a alínea “o” do inciso I do art. 9º do RPS segue produzindo efeitos jurídicos. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 01/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 12 Acrescentamos que o inciso V do art. 3º da LC MG 64/2002 prevê, explicitamente, a inclusão dos servidores de cartório admitidos até 18/11/1994 no RPPS do Estado de Minas. Se, por alguma razão, a contribuição prevista naquele regime não está sendo cobrada é questão que não altera a situação legal de tais servidores que terão seus benefícios previdenciários suportados pelo Estado de Minas. Cabe ao poder público estadual a fiscalização e a cobrança daquela contribuição. Assim, sendo fato incontroverso que a Sra. Nercy era servidora do cartório desde 1985 e havendo declaração desta afirmando não ter feito a opção prevista na Lei 8.935/1994, concluímos que tal servidora está vinculada ao RPPS do Estado de Minas, o que torna ilegal o presente lançamento e levanos a votar pelo provimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 166DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 01/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
score : 1.0
Numero do processo: 10680.014569/2007-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2002
Ementa: Lucro Presumido. Diferenças de Receita bruta.
É cabível o lançamento do imposto e da contribuição social, com base nos percentuais legais do lucro presumido, sendo essa a opção manifestada pelo sujeito passivo na DIPJ entregue à Receita Federal, em função das diferenças de receita bruta levantadas pela Fiscalização.
A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia.
Tributação Reflexa.
Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estende-se aos reflexos.
Numero da decisão: 1202-000.603
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 Ementa: Lucro Presumido. Diferenças de Receita bruta. É cabível o lançamento do imposto e da contribuição social, com base nos percentuais legais do lucro presumido, sendo essa a opção manifestada pelo sujeito passivo na DIPJ entregue à Receita Federal, em função das diferenças de receita bruta levantadas pela Fiscalização. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Tributação Reflexa. Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estendese aos reflexos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10680.014569/200789 Acórdão n.º 120200.603 S1C2T2 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Viviane Vidal Wagner e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Trata o presente de Auto de Infração lavrado as fls. 04/06, exigindo o IRPJ, multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora. Foram também formalizados, em decorrência do IRPJ, lançamentos de PIS, COFINS e CSLL, todos com multa de ofício de 75% e juros de mora. O lançamento do IRPJ e reflexos se deu em razão de omissão de receitas da atividade, sem emissão de notas fiscais, apurados pela fiscalização. As empresas Liderança Capitalização Sociedade Anônima e BF Utilidades Domésticas LTDA, foram intimadas a comprovar os valores relativos ao faturamento da Recorrente, tendo devidamente encaminhado resposta. Ato contínuo, a Recorrente foi intimada a justificar a diferença entre os valores declarados em DIPJ anocalendário 2002 e os informados na DIRF pelas empresas acima mencionadas. Em resposta informou que registrou como receita bruta, apenas a comissão líquida a receber, deduzindo dos valores repassados pela empresa Liderança, os valores devidos aos revendedores dos títulos distribuídos (Telesena). Os livros contábeis e demais documentos apresentados (Anexo 1) apontam a receita bruta partindo desta premissa (dedução das comissões repassadas a terceiros), o que caracteriza uma receita reduzida em relação ao conceito de receita bruta. A Liderança em sua DIRF, e em resposta à fiscalização, informou que os pagamentos efetuados à Recorrente referemse ao valor total das comissões pagas, não deduzindo repasses feitos aos revendedores, consoante documentos do Anexo 2, apresentando recibos de pagamentos efetuados à Horizonte, nos quais verificase a dedução exclusivamente do IRRF. A empresa BF Utilidades Domésticas, em resposta à fiscalização apresentou documentação parcial em relação aos serviços prestados pela Fiscalizada. Em sua DIRF apresenta os valores idênticos aos relacionados no Termo de Intimação nº 01, deduzindo que estão corretos. A Recorrente, no anocalendário de 2002, optou pela determinação do lucro presumido, assim, não poderia deduzir custos ou despesas da atividade, devendo reconhecer a receita bruta e aplicar o coeficiente de presunção, consoante a atividade exercida, para determinação da base de cálculo. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10680.014569/200789 Acórdão n.º 120200.603 S1C2T2 Fl. 3 3 Assim, constituiuse o crédito tributário referente ao IRPJ e reflexos. Não se conformando com o lançamento, apresentou a Recorrente impugnação, alegando que as divergências se devem à imprecisa informação prestada pela empresa Liderança em sua DIPJ do anocalendário de 2002. Aponta que esta empresa é que promove o título de capitalização Telesena, por ela emitido e comercializado em todo o país. Afirma ser empresa contratada em 2002 para realizar a distribuição dos títulos em Minas Gerais, assim, a Recorrente recebia os títulos em consignação, e os repassada à rede lotérica da CEF. Desta feita, a Recorrente contava com uma rede de “subdistribuidores”, que se encarregava de alocar os títulos nos pontos de venda. Uma vez efetuada a venda, estes pontos retinham sua comissão e repassavam o produto da venda aos “subdistribuidores”. De seu turno, estes “subdistribuidores” também retinham sua comissão, repassando o restante à Recorrente. Por fim, esta retinha a sua comissão (efetiva remuneração pelo serviço prestado) e depositava o saldo para a empresa Liderança. Desta sorte, a remuneração da Recorrente, pelo serviço prestado (sua renda), seria apenas o valor da comissão retirada por ela, nos termos do art. 43, I, do CTN. Tal remuneração estaria prevista nos itens 4.1 e 4.3.1 do “Primeiro Aditivo ao Instrumento Particular para Distribuição de Capitalização Telesena”. Aduz que a Fiscalização se afastou sem motivo do que fora contratado entre as partes (Liderança e Horizonte), ou seja, que a remuneração da Horizonte seria de 3% do valor do título, e de R$ 5,80 por lote de títulos, no resgate. Neste sentido, os valores indevidamente informados pela Liderança não poderiam ter sido considerados pela Fiscalização como receita, porquanto não se tratavam de remunerar os serviços prestados e, portanto, não exprimem qualquer parcela de capacidade contributiva, não compondo receita ou “preço do serviço”, na acepção jurídica da expressão. Aponta em planilha que considerou a remuneração pelo resgate de títulos a razão de R$ 0,05 (cinco centavos) por título, quando a remuneração pactuada era de R$ 0,058, o que gerou uma diferença de R$ 19.752,91 no exercício de 2002, valor que reconhece como devido; constatou ainda uma diferença de R$ 48.137,16 no valor das comissões pela venda de produtos, em 2002, também reconhecendo este valor como devido. Assim, reconhece como devido o valor de R$ 67.890,07. Alega também que a Fiscalização se equivocou ao considerar a receita informada na DIPJ em relação ao mês de outubro de 2002, no valor de R$ 36.538,14, quando o correto foi de R$ 38.538,14. Combate ainda a multa aplicada em 75%, invocando os princípios do não confisco e da capacidade contributiva, bem como agressão ao direito de propriedade e ao princípio da proporcionalidade entre o ilícito e sua punição, requerendo a exclusão da pena ou sua redução ao percentual de 2% ou outro mais equânime. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10680.014569/200789 Acórdão n.º 120200.603 S1C2T2 Fl. 4 4 Por fim, requer o cancelamento do Auto de Infração ou sua revisão. Diante das razões apresentadas a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, proferiu a seguinte decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 Lucro Presumido. Diferenças de Receita bruta. É cabível o lançamento do imposto e da contribuição social, com base nos percentuais legais do lucro presumido, sendo essa a opção manifestada pelo sujeito passivo na DIPJ entregue à Receita Federal, em função das diferenças de receita bruta levantadas pela Fiscalização. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Erro material. Constatado o erro material cometido pela Fiscalização na apuração da diferença de base de cálculo tributada no lançamento, o valor da exigência deve ser refeito. Tributação Reflexa. Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estendese aos reflexos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 Multa de Oficio. Em procedimento de oficio, a multa será exigida, no percentual legal de 75%, quando se apurar diferenças de imposto e contribuições, a favor da Fazenda Nacional. Lançamento Procedente em Parte Inicialmente, a autoridade julgadora separou a parte litigiosa da não litigiosa da demanda, tendose em vista o reconhecimento expresso do valor de R$ 67.890,07 como devido. Aponta que o lançamento corresponde às diferenças de imposto e contribuições para os períodos do ano de 2002: para o IRPJ e a CSLL, temse períodos trimestrais, cuja apuração foi feita pela determinação do lucro presumido (opção do contribuinte); e, para o PIS e a COFINS, temse períodos mensais, cuja apuração recaiu sobre o faturamento. Contudo, a Recorrente apenas indicou o valor total, não especificando qual seria a parte correspondente a cada mês ou trimestre do ano de 2002. Sendo assim, a DRF de origem deve adotar as providências cabíveis, à luz do art. 21, § 1 0, do Decreto n° 70.235, de 1972, inclusive, no sentido de segregar dos valores lançados, sejam nos períodos trimestrais Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10680.014569/200789 Acórdão n.º 120200.603 S1C2T2 Fl. 5 5 (IRPJ e CSLL), sejam nos períodos mensais (PIS e COFINS), os respectivos valores não litigiosos. Elaborou planilha com o objetivo de segregar os valores em litígio daqueles assumidos pela Recorrente. No mérito, a autoridade julgadora aponta a legislação fiscal pertinente, indicando que a determinação da base de cálculo do lucro presumido está regulada pela Lei n° 9.249, de 1995, art. 15, que é a matriz legal dos arts. 518 e 519, do RIR11999. De outro lado, sustenta que a Instrução Normativa n° 93, de 24 de dezembro de 1997, também esclarece acerca da determinação do lucro presumido, seguindo as determinações legais acima transcritas. Diante dessa legislação, em suma, no que interessa aos autos, na prestação de serviços em geral será utilizado o percentual de 32%. Como se vê da DIPJ/2003 entregue pelo Contribuinte, no anocalendário de 2002 (período lançado), houve opção pela apuração do imposto e da contribuição social com base nos percentuais legais do lucro presumido. Em relação à tributação por essa forma de apuração do imposto e da contribuição social, vale destacar que a base de cálculo será determinada, dentre outros itens, pela receita bruta auferida, decotados os valores das vendas canceladas, dos descontos incondicionais concedidos e dos impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador. Nesse sentido o artigo 224 do RIR/1999. Assim, consoante evidenciado no TVF e nas respostas dadas pelos clientes da Recorrente, ela era encarregada de distribuir um título lotérico, portanto, sua receita decorria desta atividade. De tal sorte, distribuição da TELESENA, no Estado de Minas Gerais, era de responsabilidade da Recorrente, muito embora essa tarefa exigisse outros parceiros, "sub distribuidores" e "pontos de venda". Na verdade, do ponto de vista jurídico desse negócio, a receita total das vendas era da Recorrente, que, por sua vez, assumia custos ou despesas com os referidos parceiros, para consecução do seu objetivo social. Sustenta que o raciocínio a ser empregado é simples: se a empresa vendeu um título lotérico, essa receita compõe seu faturamento, ainda que estejam envolvidos custos ou despesas para a sua obtenção. Assim, a receita auferida pela recorrente decorre do total obtido com as vendas da TELESENA, estando correta a apuração das diferenças levada a cabo pela Fiscalização (conforme demonstrativo de fls. 64), salvo quanto ao terceiro trimestre de 2002, notadamente, no mês de outubro, em razão do erro apontado pela defesa. Ressalta que o lucro presumido é estabelecido por um percentual legal incidente sobre a receita bruta auferida pela pessoa jurídica, fazendo com que já sejam aí considerados todos os custos ou despesas envolvidos na atividade por ela exercida. Assim, ficou adstrita a opção feita pelo lucro presumido. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10680.014569/200789 Acórdão n.º 120200.603 S1C2T2 Fl. 6 6 Quanto ao erro apontado pela defesa, verificou que, conforme consta da DIPJ apresentada pela Recorrente(documento de fls. 95), foi informada uma receita de prestação de serviços, para o quatro trimestre de 2002, no valor de R$ 104.342,80, o qual está segregando no demonstrativo fiscal, para os meses de outubro a dezembro, respectivamente, nos valores R$ 36.538,14, R$ 14.140,15 e R$ 51.664,51, o que dá o total de R$ 102.342,80. Portanto, a menor em R$ 2.000,00, conforme ressaltou a defesa. Verificase assim que a Fiscalização tomou os valores declarados em DIPJ pelo contribuinte, no mês de outubro de 2002, ou do quarto trimestre desse mesmo ano, a menor em R$ 2.000,00, o que faz com que haja excesso de exigência nessa mesma medida, tendo em vista que o lançamento decorre de diferenças de receita bruta, apuradas entre o levantamento fiscal e o que foi declarado em DIPJ. Realizou, assim, ajuste no lançamento, mantendo parcialmente as exigências. No tocante aos lançamentos reflexos, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estendese a estes, a título de CSLL, COFINS e PIS. Quanto a aplicação da multa a autoridade julgadora entendeu que a aplicação da porcentagem de 75% seguiu estritamente a legislação, nos termos do artigo 44 da Le 11.488/07. Afasta as alegações quanto aos princípios violados, apontando que o contencioso administrativo não é o foro competente para examinar questões de tal natureza, tendo a Administração apenas exercido seu poder/dever de tributar, constitucionalmente previsto. Assim, conclui por considerar, quanto a parte litigiosa, manter parcialmente o lançamento efetuado. A Recorrente fora intimada da decisão em 15 de junho de 2009, e com ela não se conformando, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário a este Conselho, sustentando em síntese que: O valor exigido decorre de diferenças encontradas na DIPJ do ano calendário de 2002, relativas às receitas auferidas na prestação de serviços realizadas pela ora recorrente às empresas LIDERANÇA CAPITALIZAÇÃO S/A e BF UTILIDADES DOMÉSTICAS LTDA. Aponta que tais divergências devemse à imprecisa informação prestada pela LIDERANÇA CAPITALIZAÇÃO S/A, em sua DIPJ do ano calendário de 2002, sendo que essas diferenças, segundo se constata do relatório da fiscalização, decorreram do fato de que a Recorrente “... no ano calendário de 2002, optou pela apuração do IRPF utilizandose da modalidade do Lucro Presumido, não podendo portanto, deduzir custos e/ou despesas da atividade, devendo reconhecer a receita bruta e aplicar o coeficiente de presunção, conforme a atividade exercida, a fim de determinar a base de cálculo do IRPJ". Entende que houve equivoco pela Fiscalização bem como pela autoridade julgadora, posto que considerouse que a Recorrente calculo o tributo apenas sobre a comissão Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10680.014569/200789 Acórdão n.º 120200.603 S1C2T2 Fl. 7 7 líquida, deduzindo os valores devidos aos revendedores dos títulos distribuídos (devidos pela LIDERANÇA). Alega que em momento algum deduziu da sua comissão os valores pela LIDERANCA aos revendedores, ou considerou apenas a "comissão líquida", tendo considerado como sua receita (receita bruta) apenas aquilo que efetivamente lhe foi pago pela LIDERANCA pelos serviços de administração da distribuição de títulos em Minas Gerais. Ressalta em momento algum “deduziu” qualquer valor da sua receita, o que se tivesse ocorrido, realmente seria incompatível com o sistema de apuração pelo lucro presumido. Expõe que o que fez foi não considerar como receita aqueles valores que apenas transitaram em razão do contrato (e que nem transitaram em sua conta), e que em momento algum constituíram sua receita pelo serviço prestado. Ressalta novamente a operação, nos seguintes termos: “...a LIDERANÇA CAPITALIZAÇÃO S/A é a empresa que promove o título de capitalização TELESENA, por ela emitido e comercializado em todo o território nacional. No Estado de Minas Gerais, a HORIZONTE DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS LOTÉRICOS LTDA (ora recorrente) era a empresa contratada para administrar a distribuição dos referidos títulos, no ano de 2002. Essa distribuição ocorria da seguinte forma: a HORIZONTE recebia os títulos e os entregava à rede lotérica da CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, bancas de jornal, drogarias, supermercados, dentre outros estabelecimentos. Feita a venda, aqueles pontos de venda retinham sua comissão e repassavam o produto da venda à HORIZONTE. Esta então retinha a sua comissão (que era sua efetiva remuneração pelo serviço prestado) e depositava o saldo líquido à LIDERANÇA. Enfim: a remuneração da HORIZONTE (ora recorrente) pelo serviço prestado à LIDERANÇA, ou seja, a sua renda, na acepção do art 43, inciso I, do CTN, "assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos", é tão somente o valor da comissão que foi retida pela HORIZONTE. E a remuneração/comissão da recorrente, no exercício de 2002, era aquela prevista nos itens 4.1 e 4.3.1, do "Primeiro Aditivo ao Instrumento Particular para Distribuição de Títulos de Capitalização Telesena". Elucida a operação, contratualmente prevista nos seguintes termos: “...cada título TELESENA era comercializado, na época, por R$ 5,00 (cinco reais). O lote de 100 (cem) títulos, então, tinha o valor de R$ 500,00 (quinhentos reais). Fl. 7DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10680.014569/200789 Acórdão n.º 120200.603 S1C2T2 Fl. 8 8 Desses R$ 500,00, R$ 45,68 (correspondente a 9% (nove por cento) daqueles R$ 500,00) eram retidos pelos pontos de venda. Ao Contratado (HORIZONTE) restava uma margem líquida de R$ 15,22, correspondente a 3% (três por cento) do valor do lote de títulos. Apenas esses R$ 15,22, Por lote de 100 títulos, é que correspondiam à remuneração da HORIZONTE, e apenas esses é que foram informados na DIPJ) da empresa, no exercício de 2002. O mesmo ocorria quando do resgate dos títulos: conforme previsto no contrato, a LIDERANÇA pagaria R$ 8,12 (oito reais e doze centavos) que é o resultado de R$ 2,32 mais R$ 5,80 por cada lote de 100 títulos. Destes, R$ 5,80 caberiam à HORIZONTE e R$ 2,32 caberiam aos pontos de venda. A HORIZONTE, então, retinha o valor de R$ 0,05 (cinco centavos) por título, e o ponto de venda retinha os R$ 0,03 (três centavos) restantes”. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno O recurso preenche todos os requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No tocante a base de cálculo do tributo, cumpre esclarecer que de acordo com a legislação de regência, relativamente as pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido como regime de tributação, temse que a mesma será aferida pela aplicação do percentual, no caso 32%, sobre a receita bruta da empresa. O conceito de receita bruta é matéria bastante discutida e controvertida tanto pela doutrina quanto pela jurisprudência. No caso em tela, para se decidir a questão imposta, é necessário esclarecer alguns pontos. A Recorrente é pessoa jurídica encarregada de distribuir títulos de capitalização, e a receita bruta aqui discutida foi adquirida em razão do instrumento particular celebrado com a empresa que emite os referidos títulos. Assim, sua receita é composta por valores oriundos das vendas destes títulos. Evidentemente, a referida operação contempla valores que não pertencem a Recorrente, visto Fl. 8DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10680.014569/200789 Acórdão n.º 120200.603 S1C2T2 Fl. 9 9 que ela distribui títulos de terceiros sendo devidamente remunerada para tanto, repassando os valores aventados no referido contrato para a empresa contratante. No caso em tela, a Recorrente deduziu estes valores que efetivamente não lhe pertencem de sua receita bruta, aplicando o percentual previsto sobre o valor resultante deste cálculo. Todavia, ao optar pelo regime de tributação denominado lucro presumido, pelo qual é aplicado um percentual sobre a receita bruta da pessoa jurídica utilizandose o resultado deste cálculo como base de cálculo para a incidência do IRPJ e de seus reflexos, a Recorrente abdicou do direito de realizar deduções em sua receita. Portanto, considerase receita bruta das empresas optantes pelo regime de tributação tudo o que for arrecadado à título de vendas de bens e prestação de serviços, remunerados em operações de conta própria, e os resultados auferidos nas operações de conta alheia, nos termos do disposto no artigo 224 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999. Destarte, verificase que não há permissivo legal para que a Recorrente deduza valores de sua receita para fins de determinação da base de cálculo, uma vez que optou pelo regime de tributação do lucro presumido, como bem asseverado pela decisão de primeira instância. Neste sentido, descabida as alegações relativas a formação da base de cálculo porquanto a Recorrente fez opção pelo lucro presumido como regime de tributação. Se quisesse realizar deduções em sua base de cálculo deveria optar pela tributação pelo regime do lucro real. Como este órgão julgador administrativo de segunda instância está vinculado ao exame da legalidade do procedimento fiscal e do lançamento de ofício, nesse mérito não há como anular o mesmo, nem reformar a decisão “a quo”, considerando a livre opção legalmente exercida pelo tributação sob o regime de lucro presumido, como reiteradamente evidenciado nestes autos. Caso pretenda discutir tal inconstitucionalidade ante o conceito de receita tributável e lucro, perante a regra matriz de incidência do IR, resta a via judicial para tal intento, eis que os seus argumentos, neste processo, contradizem a própria opção pelo lucro presumido, que traz ínsito, no seu cálculo, a consideração de custos e despesas, não cabendo o contribuinte, nesse regime, aplicar conceito próprio de receita bruta sem violar o preceito estabelecido no art. 31 Lei nº 8.981/95 (matriz legal do art. 224 do RIR/99), que foi bem adotado pela autoridade fiscalizadora em seu trabalho de confrontação entre o apurado e o declarado, para exigir a diferença lançada nos autos. Relativamente a suposta abusividade da multa de ofício aplicada, ante configurar suposta situação abusiva, extorsiva, expropriatória, e de caráter confiscatório em confronto com o artigo 150, IV da Constituição Federal, não há que se falar em reforma ante sua expressa previsão legal, qual seja o artigo 44 da Lei 9.430/96, não cabendo a este Conselho manifestarse sobre sua constitucionalidade, ainda que negando sua aplicação, nos termos da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10680.014569/200789 Acórdão n.º 120200.603 S1C2T2 Fl. 10 10 No tocante a aplicação da taxa SELIC sobre o crédito tributário principal, de igual sorte a matéria encontrase sumulada por este Conselho: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Razão pela qual não cabe seu afastamento. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 10DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O
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Numero do processo: 10380.006101/2007-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1996 a 31/01/1999
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN.
Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-001.323
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,
por unanimidade de votos, em conceder provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Foi reconhecida a fluência do prazo decadencial.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Foi reconhecida a fluência do prazo decadencial. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório Período de apuração: 01/02/1996 a 31/01/1999. Data da lavratura da NFLD: 22/11/2006. Data da Ciência do NFLD : 24/11/2006. Tratase de crédito previdenciário lançado contra o sujeito passivo acima identificado, referente a contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados empregados, da empresa, e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, decorrente da solidariedade da empresa contratante com a prestadora de serviços executados mediante cessão de mão de obra, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 102/105. Relata a Autoridade Lançadora que a empresa tomadora não apresentou à fiscalização as cópias das Guias de Recolhimento da Previdência Social quitadas e das respectivas folhas de pagamento correspondentes aos segurados incluídos em notas fiscais/fatura de prestação de serviços executados pela empresa Top Services Serviços Temporários Ltda, CNPJ: 68.455.682/000160, relacionadas no Relatório de Lançamentos. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 160/180. A empresa prestadora, por seu turno, ofereceu impugnação a fls. 254/280. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE lavrou Decisão Administrativa consubstanciada no Acórdão a fls. 404/414, julgando procedente em parte o lançamento tributário, e retificando o crédito tributário na forma postada no Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 417/422. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 09/04/2009, conforme Aviso de Recebimento a fl.425. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 428/446, concentrando seu inconformismo, dentre outros argumentos, na alegação de decadência quinquenal do direito do Fisco de constituir o crédito tributário em julgo. Ao fim, requer a extinção do crédito tributário. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10380.006101/200703 Acórdão n.º 230201.323 S2C3T2 Fl. 454 3 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 09/04/2009. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 11/05/2009, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO. 2.1. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência revela que, ao caso sub examine, operase a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. Nessa condição, tendo sido o lançamento realizado em 22 de novembro de 2006, este apenas alcançaria os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2000, inclusive, excluído os fatos geradores relativos ao 13º salário desse mesmo ano. Pelo exposto, considerando que a vertente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD promoveu o lançamento tributário relativo a fatos geradores ocorridos nas competências de fevereiro de 1996 a janeiro de 1999, fácil é concluir que se encontram atingidas pela fluência do prazo decadencial todas as obrigações tributárias objeto do presente lançamento, caducando, por conseguinte, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário a elas correspondente. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10380.006101/200703 Acórdão n.º 230201.323 S2C3T2 Fl. 455 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10410.005137/2008-48
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2002, 2003, 2005, 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO JUDICIAL COM OBJETO IDÊNTICO À EXIGÊNCIA FISCAL. CONCOMITÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ADMINISTRATIVO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta daquela constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
Numero da decisão: 1802-000.992
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO
CONHECER do recurso, nos termos do voto do Relator
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2002, 2003, 2005, 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO JUDICIAL COM OBJETO IDÊNTICO À EXIGÊNCIA FISCAL. CONCOMITÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ADMINISTRATIVO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta daquela constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
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AÇÃO JUDICIAL COM OBJETO IDÊNTICO À EXIGÊNCIA FISCAL. CONCOMITÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ADMINISTRATIVO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta daquela constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, nos termos do voto do Relator (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 17 /01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10410.005137/200848 Acórdão n.º 180200.992 S1TE02 Fl. 627 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, (Presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Jose de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 17 /01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10410.005137/200848 Acórdão n.º 180200.992 S1TE02 Fl. 628 3 Relatório Tratase de Autos de Infração lavrados em face de START SISTEMA E TECNOLOGIA EM RECURSOS TERCEIRIZÁVEIS LTDA., ora Recorrente, relativos ao Imposto sobre Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, fundamentados na presunção de omissão de receitas. A Recorrente apresentou a Impugnação de fls. 540/560 alegando, em síntese, que se dedica ao agenciamento, capacitação, seleção e recrutamento de mão de obra temporária, e que as receitas tidas pela Fiscalização como omitidas seriam, em verdade, valores referentes a salários e encargos sociais e trabalhistas que, recebidos por ela das empresas tomadoras de serviços, seriam imediatamente repassados, apenas transitando em sua contabilidade, sem a efetiva aquisição da disponibilidade sobre tais receitas. Nesse sentido, esclarece a Recorrente que sua única fonte de renda adviria da taxa de agenciamento cobrada pela prestação de seus serviços, e que, portanto, somente a tributação correspondente a esses valores deveria ser por ela recolhida. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife DRJ/REC decidiu, às fls. 606/609, não conhecer da Impugnação, tendo em vista que a Recorrente ajuizou ação judicial concomitante, já tendo inclusive sido deferida a antecipação de tutela para autorizar o não recolhimento dos valores de IRPJ e CSLL incidentes sobre reembolsos, salários e contribuições sociais que lhe são repassados pelas sociedades tomadoras de seus serviços. Vejase abaixo a ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2005, 2006 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. A propositura de ação judicial, antes ou após o procedimento fiscal do lançamento, com o mesmo objeto, implica a renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento. Inconformada com a decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 614/623, trazendo, no mérito, os mesmos argumentos da Impugnação e, no que tange à suposta concomitância, alega haver distinção entre os fundamentos e objetos da Impugnação e da Ação Declaratória. Também não foi requerida a juntada de quaisquer elementos probatórios além daqueles já presentes nos autos. É o relatório, passo a decidir Fl. 644DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 17 /01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10410.005137/200848 Acórdão n.º 180200.992 S1TE02 Fl. 629 4 Voto Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho, Relator. Não tomo conhecimento do Recurso em vista da concomitância entre o presente processo administrativo e a Ação Ordinária nº 2006.80.00.0006447. Apesar das alegações da Recorrente no sentido de que os fundamentos utilizados para basear a Impugnação seriam diversos daqueles expostos na Ação Ordinária, é inegável que ambos os feitos possuem a mesma causa de pedir, qual seja, o afastamento da cobrança de IRPJ e CSLL referente às receitas decorrentes de reembolsos, salários e contribuições sociais que lhe são repassados pelas sociedades tomadoras de seus serviços. Nesse sentido, vejase abaixo excerto da decisão judicial acostada às fls. 398/403, que conferiu a tutela antecipada à Recorrente: Consoante relatado, observase dizer que a demanda girar (sic) em torno das bases de cálculo destes dois tributos: o imposto de renda das pessoas jurídicas e a contribuição social sobre o lucro liquido. A sociedade autora discorda da base de cálculo utilizada pela Fazenda Pública na quantificação dos referidos tributos, visto que o Fisco inclui não só a taxa de agenciamento percebida pela autora, mas também os demais valores que são repassados aos trabalhadores (salários), à União (tributos federais) e ao INSS (encargos sociais). Segundo a autora, tais receitas não constituem renda, tampouco lucro e, por isso, não devem sofrer a incidência do IRPJ nem da CSLL. Em seguida, vejase o pedido feito nos autos da Impugnação: 15. Posto isto, diagnosticada à evidência a fragilidade do lançamento de ofício ora hostilizado, depreca para que seja conhecida e provida a presente Impugnação, para julgar improcedente a imposição fiscal sobre a parcela auferida pela lmpugnante a titulo de repasse de salários e verbas sociais ou previdenciárias dos trabalhadores locados, pois se trata de receita que somente transita na conta caixa da empresa e que, por não a pertencer e não constituir signo de riqueza, não constitui em hipótese alguma agregação patrimonial, sendo desinfluente na contabilização da conta ativo no balanço patrimonial da empresa. Como se vê, a Recorrente busca à obtenção da mesma tutela por meio de dois canais paralelos, quais sejam, a via Administrativa e a via Judicial, o que não é admitido. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 17 /01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10410.005137/200848 Acórdão n.º 180200.992 S1TE02 Fl. 630 5 Nesse sentido, não há qualquer reparo a decisão recorrida que bem reconheceu o impedimento da autoridade administrativa julgadora de apreciar as argüições de mérito aduzidas no presente processo, uma vez a matéria está sendo discutida no âmbito do Poder Judiciário, a quem caberá dizer em caráter definitivo o direito aplicável. A matéria está pacificada no âmbito administrativo através da Súmula CARF nº 1, divulgada pela Portaria CARF nº 106, de 21/12/2009 (DOU de 22/12/2009), que dispõe, in verbis: “Súmula CARF no 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Por fim, entendo que não descaracteriza a concomitância a alegação da Recorrente de que buscava com a Ação Ordinária a declaração de inconstitucionalidade do parágrafo único do art. 43 do Código Tributário Nacional, pois, suposta inconstitucionalidade do referido parágrafo é utilizada pela Recorrente como argumento para a consecução do objetivo principal, qual seja, o afastamento da cobrança dos tributos mencionados. Diante de todo o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Fl. 646DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 17 /01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720944/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006
RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO STF. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MEMBROS DO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA.
A Lei Complementar baiana 20/2003 determinou o pagamento das diferenças de URV aos membros do Ministério Público local, dando a elas a natureza de indenização, excluindo assim, da base de cálculo do imposto de renda. O STF interpretou através da Resolução 245/2002, que estes pagamentos quando efetuados pela União aos membros da magistratura de do Ministério Público
federal, não se sujeitavam à tributação, o que foi objeto também do Parecer PGFN 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda, interpretação esta que por isonomia deve ser aplicada aos valores percebidos pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia.
Numero da decisão: 2102-001.686
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO STF. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MEMBROS DO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Complementar baiana 20/2003 determinou o pagamento das diferenças de URV aos membros do Ministério Público local, dando a elas a natureza de indenização, excluindo assim, da base de cálculo do imposto de renda. O STF interpretou através da Resolução 245/2002, que estes pagamentos quando efetuados pela União aos membros da magistratura de do Ministério Público federal, não se sujeitavam à tributação, o que foi objeto também do Parecer PGFN 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda, interpretação esta que por isonomia deve ser aplicada aos valores percebidos pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia.
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DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO STF. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MEMBROS DO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Complementar baiana 20/2003 determinou o pagamento das diferenças de URV aos membros do Ministério Público local, dando a elas a natureza de indenização, excluindo assim, da base de cálculo do imposto de renda. O STF interpretou através da Resolução 245/2002, que estes pagamentos quando efetuados pela União aos membros da magistratura de do Ministério Público federal, não se sujeitavam à tributação, o que foi objeto também do Parecer PGFN 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda, interpretação esta que por isonomia deve ser aplicada aos valores percebidos pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Outros eventos ocorridos: Esteve presente o Advogado Marcio Pinho, patrono do recorrente, OABBA n.o 23.911. Assinado digitalmente Fl. 236DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 26/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, Francisco Marconi de Oliveira, Giovanni Christian Nunes Campos e Núbia Matos Moura. Relatório O presente Recurso Voluntário é decorrente de decisão proferida em 25 de maio de 2.011, pela 3a Turma da DRJ/SDR (fls. 128/134), que por unanimidade de votos manteve parcialmente a exigência objeto do Auto de Infração lavrado em 08/04/2009, onde constam como infrações à legislação fiscal os fatos que originaram o lançamento, assim descritos: “001 CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS NA DIRPF RENDIMENTOS CLASSIFICADOS INDEVIDAMENTE NA DIRPF O Sujeito passivo classificou indevidamente como Isentos e Não Tributáveis na Declaração de Ajuste os rendimentos auferidos do Ministério Público do Estado da Bahia, CNPJ 04.142.491/000166, a título de “Valores Indenizatórios”, a partir de informações a ele fornecidas pela fonte pagadora. Tais rendimentos decorrem de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor – URV em 1.994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2.004 a dezembro de 2.006, com base na Lei Complementar n 20, de 08 de setembro de 2.003, do Estado da Bahia. Estas diferenças recebidas têm natureza eminentemente salarial, e consequentemente, são tributadas pelo imposto de renda, conforme disposto nos arts. 43 e 114 da Lei n 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento para sujeitálo ou não à incidência do imposto. O valor total do crédito originariamente é de R$ 145.738,22 (cento e quarenta e cinco mil, setecentos e trinta e oito reais e vinte e dois centavos), sendo R$ 68.949,35 a título de imposto, R$ 25.076,86 de juros de mora e R$ 51.712,01 de multa, sendo afastado pela Fl. 237DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 26/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10580.720944/200913 Acórdão n.º 2102001.686 S2C1T2 Fl. 237 3 decisão recorrida, do imposto, o valor de R$ 2.793,27, com os acréscimos correspondentes a ele, em função da indevida tributação sobre os valores correspondentes a férias indenizadas e 13o salário. Em grau de recurso a este colegiado, após um breve relato dos fatos, em síntese, aduz o Recorrente que: I. Preliminarmente, que a decisão recorrida não enfrentou a questão da alegada falta de legitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado, limitando se apenas a citar a competência exclusiva da União, por tratarse de IRPF e não de IRRF, que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia, e tão pouco, apreciou a capacidade contributiva do Recorrente, o que caracteriza supressão de instância administrativa, devendo outra decisão ser proferida, com o enfrentamento destas questões; II. No mérito, que agiu de total boa fé, apresentando o valor tributado tal como foi apresentado pela fonte pagadora, ou seja, como verba indenizatória, logo, livre da incidência do imposto, lembrando as súmulas 125 e 136 do STJ, que respectivamente, afastaram da incidência do imposto os valores recebidos a título de férias e licença premio não gozadas, e a URV nasceu da MP 434/94 como medida necessária ao controle inflacionário à época e substituta do padrão monetário, objetivando assim, conter a perda e não acrescer o patrimônio, evidenciando assim, o caráter indenizatório dos valores recebidos, e como tais, não sujeitos à incidência do imposto; III. O STF editou a Resolução 245/2002 para dirimir a questão no tocante aos magistrados federais, que também se aplicou aos membros do Ministério Público Federal, por força da simetria da aplicação da lei n.o 10.477/2002, o que inclusive foi objeto do Parecer 529/2003 do Ministro da Fazenda, citando ainda precedentes jurisprudenciais do STF, Tribunal Estadual e de conselhos administrativos que apreciaram a aplicação da URV e reconheceram nela caráter indenizatório; IV. No Estado da Bahia, onde o Recorrente integra o Ministério Público, houve a edição da Lei Complementar 20/2003 reconhecendo a natureza indenizatória das parcelas referentes às diferenças da conversão de Cruzeiro Real para URV, razão pela qual, houve por parte da autoridade fiscal inobservância ao princípio da isonomia de tratamento com os membros da magistratura e Ministério Público federais, confrontando os diplomas legais editados a respeito; V. As alíquotas foram aplicadas incorretamente pela autoridade fiscal autuante, confrontada com a tabela disponibilizada pela Receita Federal, que era de 25% e não 26,6% para o ano de 1.994; em 1.998, se utilizou de 27,5 ao invés de 25%, conforme determinava a tabela; Fl. 238DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 26/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 VI. Não foi observado o art. 837 do RIR, que determina o abatimento do valor retido na fonte, a título de antecipação do valor devido; VII. O valor afastado pela decisão recorrida concernente às férias e 13o salário não está correto, sendo este de R$ 3.254,72 para cada ano atingido pela autuação a título de 13o e 4.907,30 de férias; VIII. Ressalta a responsabilidade do Estado pela prestação da informação e a boa fé na prestação das informações junto à Receita Federal, o que justificariam a exclusão da multa de ofício e dos juros de mora constantes do auto de infração, citando precedentes deste colegiado neste sentido, e IX. Ao final, protesta pela exclusão da aplicação da multa e da correção monetária no calculo da diferença da URV, com fundamento no art. 100, I c/c par. Único do CTN, uma vez que a lei estadual da Bahia n 20/2003 não foi declarada inconstitucional. É o relatório. Voto Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso é tempestivo, em conformidade com o prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto 70.235/72, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado, dele conhecendo. Inicialmente cabe destacar que tratase de matéria já conhecida deste colegiado, que em processos similares, reiteradamente, tem afastado a pretensão fiscal, quando aprecia o mérito do lançamento. Por esta razão, não serão apreciadas as preliminares arquidas pelo Recorrente de ilegitimidade ativa da União para constituir o crédito tributário e tão pouco da capacidade contributiva do autuado. Na sessão de 08 de junho de 2011, esta Turma de julgamento prolatou o Acórdão nº 2102001.337, unânime, na relatoria do Dr. Giovanni Chistian Nunes Campos, quando se apreciou a tributação da diferença de URV paga a um membro do Ministério Público da Bahia, tal como a que se discute neste processo, com fundamento na Lei Complementar 20/83, que ora se toma como razão de decidir e abaixo se colacionam as razões lá deduzidas (em itálico): Para o deslinde da controvérsia, trazse a Resolução STF nº 245/2002: RESOLUÇÃO Nº 245, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2002 Dispõe sobre a forma de cálculo do abono de que trata o artigo 2º e §§ da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002. O PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 13, XVII, combinado com o artigo 363, I, do Regimento Interno, Fl. 239DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 26/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10580.720944/200913 Acórdão n.º 2102001.686 S2C1T2 Fl. 238 5 Considerando o decidido pelo Tribunal, na sessão administrativa de 11 de dezembro de 2002, presentes os ministros Moreira Alves, Sydney Sanches, Sepúlveda Pertence, Celso de Mello, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Maurício Corrêa, Nelson Jobim, Ellen Gracie e Gilmar Mendes; Considerando a vigência do texto primitivo – anterior à Emenda nº 19/98 – da Constituição de 1988, relativo à remuneração da magistratura da União; Considerando a vigência da Lei Complementar nº 35, de 14 de março de 1979; Considerando o direito à gratificação de representação – artigo 65, inciso V, da Lei Complementar nº 35, de 1979, e Decretolei nº 2.371, de 18 de novembro de 1987, nos percentuais fixados; Considerando o direito à gratificação adicional de cinco por cento por qüinqüênio de serviço, até o máximo de sete qüinqüênios – artigo 65, inciso VIII, da Lei Complementar nº 35, de 1979; Considerando a absorção de todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos magistrados da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial pelos valores decorrentes da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002 – artigos 1º, § 3º, e 2º, §§ 1º, 2º e 3º; Considerando o disposto na Resolução STF nº 235, de 10 de julho de 2002, que publicou a tabela da remuneração da Magistratura da União, decorrente da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando o escalonamento de cinco por cento entre os diversos níveis da remuneração da magistratura da União – artigo 1º, § 2º, da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando a necessidade de, no cumprimento da Lei Complementar nº 35, de 1979, e da Lei nº 10.474, de 2002, adotarse critério uniforme, a ser observado pelos órgãos do Poder Judiciário da União, para cálculo e pagamento do abono; Considerando a publicidade dos atos da Administração Pública, RESOLVE: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Art. 2º Para os efeitos do artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, e para que se assegure isonomia de tratamento entre os beneficiários, o abono será calculado, individualmente, observandose, conjugadamente, os seguintes critérios: I – apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens Fl. 240DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 26/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 6 pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%); II – o montante das diferenças mensais apuradas na forma do inciso I será dividido em vinte e quatro parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2003 a dezembro de 2004. Art. 3º Serão recalculados, mês a mês, no mesmo período definido no inciso I do artigo 2º, o valor da contribuição previdenciária e o do imposto de renda retido na fonte, expurgandose da base de cálculo todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período, a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais, por terem essas parcelas a mesma natureza conferida ao abono, nos termos do artigo 1º, observados os seguintes critérios: I – o montante das diferenças mensais resultantes dos recálculos relativos à contribuição previdenciária será restituído aos magistrados na forma disciplinada no Manual SIAFI pela Secretaria do Tesouro Nacional; II – o montante das diferenças mensais decorrentes dos recálculos relativos ao imposto de renda retido na fonte será demonstrado em documento formal fornecido pela unidade pagadora, para fins de restituição ou compensação tributária a ser obtida diretamente pelo magistrado junto à Receita Federal. Art. 4º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Ministro MARCO AURÉLIO Pela Resolução STF nº 245/2002, especificamente em seu art. 3º, ficou determinado que “todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período [1998 a 2002], a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais”, percebidos pela Magistratura da União, com base no art. 6º da Lei nº 9.655/98 c/c o art. 2º da Lei nº 10.474/2002, inclusive as verbas referentes a diferenças de URV, ficaram excluídos da base de cálculo do imposto de renda, por terem a mesma natureza indenizatória do abono variável. O Sr. Ministro da Fazenda, com base no Parecer PGFN nº 529/2003, reconheceu o caráter indenizatório das verbas percebidas com base na legislação citada. Ocorre que foi publicada a Lei nº 10.477/2002, que, em seu art. 2º, estendeu aos Membros do Ministério Público Federal MPF as mesmas vantagens do art. 6º da Lei nº 9.655/98 dadas à Magistratura da União, e, instado o Sr. Ministro da Fazenda sobre o caráter dos valores percebidos no período 19982002 pelos Membros do MPF, aplicou a mesma interpretação do parágrafo precedente, em linha com o entendimento do Supremo Tribunal Federal para a Magistratura da União (Resolução STF nº 245/2002), apoiado no Parecer PGFN nº 923/2003. Interessante ressaltar que a Lei nº 9.655/98 estava voltada unicamente à Magistratura da União, com deferimento de abono variável a partir de janeiro de 1998, de forma a atingir o subsídio que se esperava vir a lume com publicação da Emenda Constitucional nº 19/1998, situação que não se concretizou, levando, posteriormente à publicação da Lei nº 10.474/2002, que majorou os estipêndios da Magistratura da União e Fl. 241DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 26/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10580.720944/200913 Acórdão n.º 2102001.686 S2C1T2 Fl. 239 7 determinou o pagamento das diferenças do período 19982002 em 24 parcelas a partir de janeiro de 2003. Os Membros do Ministério Público não tinham quaisquer expectativas de aumento de remuneração com base na Lei nº 9.655/98, pois lá não tinham sido contemplados. A despeito disso, quando o art. 2º da Lei nº 10.477/2002 fez remissão ao abono variável do art. 6º da Lei nº 9.655/1998, pugnaram a exclusão da base de cálculo do imposto de renda dos valores citados no art. 3º da Resolução STF nº 245/2002, obtendo, como se viu, o beneplácito do Ministro da Fazenda. Em minha leitura, o pagamento da diferença da URV previsto no art. 2º da Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/20031 tem a mesma natureza daqueles pagos ao Ministério Público Federal, pois o Ministério Público do Estado da Bahia também não tinha qualquer expectativa de aumento salarial com a Lei nº 9.655/98, que era voltada apenas à Magistratura mantida pela União (por óbvio, somente a lei estadual poderia versar sobre estipêndios dos Membros do MP local). Veio a Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 e pagou as diferenças de URV, as quais, no caso dos membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda, pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas aos Membros do 1 LEI COMPLEMENTAR Nº 20, DE 08 DE SETEMBRO DE 2003. Dispõe sobre os vencimentos dos Membros do Ministério Público do Estado da Bahia e dá outras providências. O GOVERNADOR DO ESTADO DA BAHIA, faço saber que a Assembléia Legislativa decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1º Fica fixado como vencimento básico do Procurador de Justiça do Ministério Público do Estado da Bahia, a partir de 31 de julho de 2003 e até que seja editada a Lei prevista no art. 48, inciso XV, da Constituição Federal, o valor de R$ 6.943,86 (seis mil, novecentos e quarenta e três reais e oitenta e seis centavos). § 1º A remuneração decorrente desta Lei inclui e absorve a Gratificação de Nível Universitário e a Parcela Autônoma de Equivalência, previstas na Lei Complementar nº 16, de 12 de setembro de 2001. § 2º Fica criada a vantagem de representação correspondente a 60% (sessenta por cento) do vencimento básico de cada nível. § 3º O escalonamento entre os diversos níveis da remuneração dos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, hoje fixado em 10% (dez por cento), será reduzido, gradativamente, no percentual de 1% (um por cento) ao ano, até alcançar, em janeiro de 2008, o percentual de 5% (cinco por cento), tendo como referência a remuneração, de caráter permanente, percebida por Procurador de Justiça da Bahia. Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei. Art. 4º As despesas decorrentes da aplicação desta Lei correrão à conta dos recursos orçamentários próprios, ficando o Poder Executivo autorizado a promover as alterações que se fizerem necessárias. Art. 5º Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação. Art. 6º Revogamse as disposições em contrário. PALÁCIO DO GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA, em 08 de setembro de 2003. PAULO SOUTO Governador Fl. 242DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 26/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 8 Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar baiana nº 20/2003, referentes às mesmas diferenças de URV. Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, até porque nenhuma das leis citadas, federais ou estadual, trata de incidência do imposto de renda, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas – União e Estado da Bahia – e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei complementar estadual nº 20/2003 são idênticos, no caso das diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Assim, se o Sr. Ministro da Fazenda, com esteio no Parecer PGFN nº 923/2003, com supedâneo último na Resolução STF nº 245/2002, entendeu que as diferenças auferidas pelos Membros do MPF com base no art. 2º da Lei nº 10.477/2002 tem caráter indenizatório, igual raciocínio deve ser aplicado às diferenças auferidas pelos Membros do Ministério Público da Bahia com base na Lei complementar nº 20/2003, pois onde há a mesma razão, deve haver o mesmo direito (ubi eadem ratio ibi idem ius). Com as razões acima, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Ainda, pela não tributação das diferenças de URV percebidas por magistrados estaduais, temse precedente do Superior Tribunal de Justiça, especificamente o REsp nº 1.187.109, relatora Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, sessão de 17/08/2010, que restou assim ementado: TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL INCOMPETÊNCIA DO STJ IMPOSTO SOBRE A RENDA URV DIFERENÇAS RESOLUÇÃO N. 245/STF APLICAÇÃO. 1. Falece competência ao Superior Tribunal de Justiça para conhecer de alegações de ofensa à Constituição Federal. 2. A utilização de fundamento constitucional pelo tribunal local impede a admissão do recurso especial quanto à questão controvertida. 3. Cuidandose de remuneração percebida por magistrado estadual, aplicase na resolução da controvérsia a Resolução n. 245/STF, que considerou de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. Oportuno ainda ressaltar, que esta Turma de Julgamento apreciou a mesma matéria em debate nestes autos, referente às diferenças de URV percebidas por magistrado do Estado da Bahia, quando prolatou o Acórdão nº 210201.565, sessão de 28/09/2011, unânime, na relatoria da Conselheira Núbia Matos Moura, assim ementado: RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO Fl. 243DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 26/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10580.720944/200913 Acórdão n.º 2102001.686 S2C1T2 Fl. 240 9 EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos Membros da Magistratura local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros da Magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003. Recurso Voluntário Provido Dos precedentes pertinentes aos valores pagos aos membros da Magistratura para os membros do Ministério Público diferem apenas o diploma legal, uma vez que para os membros do Ministério Público as diferenças foram determinadas pela Lei Complementar 20/2003, enquanto que para os magistrados, a mesma decorreu da lei ordinária n.o 8.730/2003, ambas do Estado da Bahia Por todo o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Fl. 244DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 26/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10166.015480/2008-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
IRPF. ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA PERCEBIDOS POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE.
“Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda.” (Súmula CARF n. 43).
Hipótese em que a Recorrente comprovou ter moléstia grave, nos termos do inciso XIV do art. 6º da Lei n.º 7.713/88.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-001.421
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração, especificamente no que se refere à "omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício", nos termos
do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA PERCEBIDOS POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. “Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda.” (Súmula CARF n. 43). Hipótese em que a Recorrente comprovou ter moléstia grave, nos termos do inciso XIV do art. 6º da Lei n.º 7.713/88. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração, especificamente no que se refere à "omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício", nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente Fl. 46DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.015480/200830 Acórdão n.º 210101.421 S2C1T1 Fl. 43 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Evande Carvalho Araujo, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fl. 37) interposto em 10 de janeiro de 2011 contra o acórdão de fls. 26/30, do qual o Recorrente, na qualidade de responsável, teve ciência em 28 de dezembro de 2010 (fl. 31), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), que, por unanimidade de votos, julgou procedente a notificação de lançamento de fls. 09/13, lavrada em 05 de agosto de 2008, em decorrência de omissão de rendimentos do trabalho com/sem vínculo empregatício e de omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à previdência privada, PGBL e FAPI, verificadas no ano calendário de 2003. O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. NÃO RECONHECIMENTO. Somente é reconhecida a isenção do imposto de renda aos contribuintes, quando preenchidos todos os requisitos exigidos na legislação tributária. Impugnação Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido” (fl. 26). Não se conformando, o espólio da contribuinte interpôs recurso voluntário (fl. 37), basicamente repisando os argumentos ventilados em sua impugnação, quanto à moléstia grave. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.015480/200830 Acórdão n.º 210101.421 S2C1T1 Fl. 44 3 A controvérsia cingese à glosa do valor que foi indevidamente qualificado, na declaração de ajuste anual da contribuinte, como rendimento isento e não tributável. O Recorrente afirma que a contribuinte era beneficiária de norma de isenção (inciso XIV do art. 6º da Lei n.º 7.713/88) que ampara sua moléstia grave (neoplasia maligna do colon). De acordo com o dispositivo supra, ficam isentos do imposto de renda: “XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma”. Dispondo sobre essa isenção, a Lei n.º 9.250/95, em seu art. 30, veio a exigir, a partir de 1º de janeiro de 1996, para reconhecimento de novas isenções, que a doença fosse comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: “Art. 30. A partir de 1° de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º. O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2°. Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6° da Lei n° 1713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrosecística (mucoviscidose).” Da simples leitura dos dispositivos supracitados concluise que o contribuinte para gozar da isenção ora em discussão deve cumprir três requisitos, cumulativamente, quais sejam: i) os rendimentos percebidos pelo interessado devem ser rendimentos de aposentadoria; ii) o interessado deve estar acometido de moléstia grave prevista no rol do art. 6º, XIV, da Lei n.º 7.713/88; iii) a moléstia deve ser comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, Estado, Distrito Federal ou Município. No caso dos autos, a decisão recorrida entendeu que a moléstia grave foi devidamente comprovada. Não obstante, não teria sido provado que os rendimentos recebidos seriam de aposentadoria ou pensão. Em seu recurso, o Recorrente apresentou declaração da Secretaria de Estado de Planejamento e Orçamento do Governo do Distrito Federal (fl. 38), informando que a contribuinte recebia pensão vitalícia dessa instituição e cópia do ato do Coordenador Normativo do Sistemas de Apoio da Secretaria de Administração do Distrito Federal que Fl. 48DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.015480/200830 Acórdão n.º 210101.421 S2C1T1 Fl. 45 4 concede aposentadoria à contribuinte, que exercia o cargo de Professora de Ensino de 1º. e 2º. graus (fl. 39). Aplicável, portanto, ao presente caso, a Súmula CARF n. 43, que tem a seguinte redação: “Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda.” Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração, especificamente no que se refere à “omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício”. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 49DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10840.002294/2002-46
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI
Período de apuração: 01/03/2001 a 31/05/2001
PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE IPI.
A concessão de qualquer ressarcimento ou compensação está subordinada ao
preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação
tributária de regência.
IPI. RESSARCIMENTO. APURAÇÃO TRIMESTRAL.
A partir de 01/01/1999, somente ao final de cada trimestrecalendário,
permanecendo saldo credor de IPI, esse poderá se utilizado para
ressarcimento ou compensação.
Numero da decisão: 3403-001.241
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/03/2001 a 31/05/2001 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE IPI. A concessão de qualquer ressarcimento ou compensação está subordinada ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação tributária de regência. IPI. RESSARCIMENTO. APURAÇÃO TRIMESTRAL. A partir de 01/01/1999, somente ao final de cada trimestrecalendário, permanecendo saldo credor de IPI, esse poderá se utilizado para ressarcimento ou compensação.
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A concessão de qualquer ressarcimento ou compensação está subordinada ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação tributária de regência. IPI. RESSARCIMENTO. APURAÇÃO TRIMESTRAL. A partir de 01/01/1999, somente ao final de cada trimestrecalendário, permanecendo saldo credor de IPI, esse poderá se utilizado para ressarcimento ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente Liduína Maria Alves Macambira Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Winderley Morais Pereira, Domingos de Sá Filho, Liduína Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 2 Relatório Por bem descrever os fatos que versa o presente processo, adoto e transcrevo o relatório da decisão da autoridade de primeira instância, fls. 209/211: Tratase de Manifestação de Inconformidade, apresentada pela requerente, ante decisão de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto (fl. 162), que indeferiu o pedido de ressarcimento de crédito do IPI, e não homologou as compensações requeridas no processo. A referida decisão administrativa lastreouse em informação fiscal, às fls. 155/161, que constatou duplicidade de créditos de IPI incidentes sobre o mesmo insumo (embalagens na aquisição e retorno de industrialização por encomenda). Inconformada com a decisão administrativa, a requerente apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 176/196, instruída com os documentos de fls. 197/203, alegando, em síntese, que o procedimento da manifestante é correto, na medida em que ocorreram duas operações distintas, com dois valores de IPI efetivamente pagos, que deviam ser aproveitados como créditos pela legislação e a posterior saída dos produtos da manifestante com débito do imposto, na forma do art. 126 do RIPI/98, restando claro que não há que se falar em duplicidade de créditos. Por fim, requer reforma da decisão proferida, deferindose os pedidos de ressarcimento e compensação efetuados. A 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, mediante Acórdão nº 1427.576, de 10 de fevereiro de 2010, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob os fundamentos conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2001 a 31/05/2001 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE IPI. A concessão de qualquer ressarcimento ou compensação está subordinada ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação tributária de regência. IPI. RESSARCIMENTO. APURAÇÃO TRIMESTRAL. A partir de 01/01/1999, somente ao final de cada trimestre calendário, permanecendo saldo credor de IPI, esse poderá se utilizado para ressarcimento ou compensação. Cientificada da decisão da DRJ/RBO em 08/03/2010, fls. 214, a Recorrente, interpôs Recurso Voluntário em 07/04/2010, fls. 215/224, alegando em síntese que: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10840.002294/200246 Acórdão n.º 3403001.241 S3C4T3 Fl. 281 3 que pretende o ressarcimento e, posterior validação das compensações com PIS e COFINS de crédito de IPI decorrente de aquisição de material de embalagem, nos termos do art. 147 do RIPI/98; estando enquadrada como contribuinte na condição de equiparada a industrial, adquirindo de fornecedor idôneo material de embalagem a ser aplicado em produto industrializado, que gera saída tributada pelo IPI, atende as condições de aproveitamento do crédito conforme art. 147 do RIPI/98; assim apurou o crédito acumulado remanescente do IPI relativo ao período entre o primeiro decêndio de março de 2001 e o 3º decêndio de maio de 2001; discorda da decisão recorrida que entende que somente o saldo do trimestre é possível de ressarcimento nos termos da legislação de regência; não admite que o direito da recorrente seja preterido por uma mera formalidade, que não afeta a substância do direito material; não obstante tenha indicado como apuração do saldo remanescente do IPI o período entre o primeiro decêndio de março de 2001 e o terceiro decêndio de maio de 2001, os valores apurados não foram alterados; alega que documentos trazidos à colação demonstram que a apuração do IPI, efetivamente, foi realizada dentro dos trimestres de 2001; a irregularidade formal cometida referese ao período indicados no pedido de restituição,ou seja, o primeiro decêndio de março de 2001 e o terceiro decêndio de maio de 2001; caso superadas as assertivas acima, e entendam ser o caso de glosar as compensações, traz razões que comprovam que os créditos devem ser analisados por sua legitimidade; ainda que o procedimento do pedido de ressarcimento da recorrente esteja em desacordo com a legislação de regência, verificase, pelos documentos carreados aos autos, existir crédito remanescente de IPI; uma planilha apresenta um resumo demonstrando que o total de saldo credor de cada trimestre é maior do que os créditos objetos de ressarcimento; em face do princípio da verdade material, onde no processo administrativo o julgador deve sempre buscar a verdade ainda que, para isso, tenha de valer de outros elementos além daqueles trazidos aos autos pelos interessados; imperiosa a necessidade de análise da legitimidade os créditos, ainda que isoladamente considerados, vez que as compensações foram glosadas pela irregularidade formal; diferentemente do processo judicial, no processo administrativo, autoridade competente não fica obrigada a restringir seu exame aos autos “formais”, podendo de devendo buscar todos os elementos “materiais” que possam influir no seu convencimento; pede a conversão do julgamento em diligência para esclarecer aspectos de verdade material, sob pena de cerceamento de defesa; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 4 caso não considerada a realização de diligência, requer o acolhimento das razões trazidas à colação, julgandoas totalmente procedentes, reformandose a decisão de 1ª instância, para que seja validade o pedido de ressarcimento e compensação formulado pela Recorrente. É o relatório. Voto Conselheira Liduína Maria Alves Macambira, Relatora O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminarmente, cabe esclarecer que a realização de diligência não tem por objetivo suprir procedimentos que deveriam ser realizados pelas partes, mas elucidar fatos que venham corroborar para convicção dos julgadores encarregados de dar solução ao litígio,. Entendo que não cabe diligência e ao negar não vejo que isso caracterize cerceamento do direito de defesa, porque a prerrogativa de conceder ou não a diligência cabe ao julgador. De acordo com o previsto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.(Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993) Ademais, o procedimento administrativo fiscal tem rito próprio que deve ser observado por ambos sujeitos da relação tributária. Ao apresentar a Manifestação de Inconformidade deveria o contribuinte cumprir o que diz o art. 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. A fase recursal não deve ser usada para apresentar fatos e documentos que já deveriam sido apresentados e analisados pela autoridade a quo, salvo as situações previstas em lei, sob pena de caracterizarse supressão de instância. Quanto ao princípio da verdade material, sem dúvida, é de grande relevância no Processo Administrativo Fiscal. Entrementes outros princípios também norteiam e obrigam a sua observância no processo administrativo fiscal. Temos também sempre que observar o princípio da legalidade. É preciso observância à norma de regência sobre a matéria que se discute. Veja, não é uma questão de dar preferência a forma em vez da matéria. É uma questão de cumprir o que está posto no ordenamento jurídico para ao final encontrar a verdade que se busca e essa verdade que se busca, muitas vezes, é uma verdade que está submetida ao cumprimento de requisitos e condições, ou seja, tem ritos para ser observado, tem sim os elementos formais a serem examinados, para só ao cabo dizer do direito material, enfim dizer da verdade. E essa verdade, aqui tratada é uma questão de direito material.Tem a recorrente direito aos créditos do IPI? É isso que precisa ser examinado. Vencida essa etapa.Vamos ao tema central da lide que é a análise da existência de direito aos créditos do IPI por parte da recorrente, correspondente ao saldo Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10840.002294/200246 Acórdão n.º 3403001.241 S3C4T3 Fl. 282 5 remanescente do primeiro decêndio de março de 2001 e o terceiro decêndio de maio de 2001; acompanhado de pedido de compensação. A autoridade julgadora de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob os fundamentos: a concessão de qualquer ressarcimento ou compensação está subordinada ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação tributária de regência; A partir de 01/01/1999, somente ao final de cada trimestre calendário, permanecendo saldo credor de IPI, esse poderá se utilizado para ressarcimento ou compensação. Por seu turno, a recorrente não admite que o direito seja preterido por uma mera formalidade, que não afeta a substância do direito material. A partir da publicação da Lei nº 9.779, de 20 de janeiro de 1999, a apuração do saldo credor do IPI passou a ser trimestral. É o saldo acumulado em cada trimestre calendário que pode ser ressarcido e compensado, assim ficou estabelecido no art. 11. Não se trata de uma mera formalidade, mas sim de uma exigência legal. Assim, não pode prosperar a pretensão da recorrente. Lei nº 9.779, de 1999 Art.11 O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. (grifei) Ao formalizar o pedido de ressarcimento do saldo de crédito tendo por início o mês de março de 2001 e final o mês de maio de 2001, a recorrente deixou de cumprir a determinação legal, porquanto o saldo credor do IPI passível de ressarcimento e compensação é o acumulado ao final de cada trimestrecalendário. No caso em exame, o saldo credor solicitado não corresponde a um trimestrecalendário. Por trimestrecalendário temse: primeirotrimestre (janeiro, fevereiro, março); segundotrimestre (abril, maio, junho); terceiro trimestre (julho, agosto, setembro); quartotrimestre (outubro, novembro, dezembro). O art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999 autoriza que ao final do trimestre calendário, não tendo o contribuinte débitos de IPI para compensar, o saldo credor de IPI poderá ser utilizado para compensar em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 19961. Portanto, o direito à compensação dos créditos de IPI com outros tributos federais é o saldo credor do IPI acumulado em cada trimestrecalendário. 1 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Federal Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utiilizar na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 6 Para ter direito ao benefício criado pelo art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, deve o contribuinte submetese ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação tributária de regência. Não tendo o contribuinte observado as exigências legais o seu pedido não pode ser atendido. Nesse sentido, não merece reforma a decisão recorrida. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Liduína Maria Alves Macambira Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA
score : 1.0
Numero do processo: 14033.000989/2007-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Quando a Fiscalização demonstra claramente os motivos que a levaram a
concluir pela improcedência de valores objeto de pedido de ressarcimento,
cuja documentação que embasou a conclusão (notas fiscais e livros fiscais)
está em poder do contribuinte, não há que se falar em cerceamento do direito
de defesa ou nulidade do ato administrativo.
JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ARGÜIÇÃO DE
INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
A autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a
constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes
Legislativo e Executivo e, conseqüentemente, afastar a sua aplicação.
GLOSA DE CRÉDITOS. PERIFÉRICOS DE COMPUTADORES.
Não gera direito a crédito a aquisição de bens e equipamentos periféricos de
computadores, pois a este não se integram no processo de industrialização,
não sendo, portanto, matérias primas, produtos intermediários ou materiais de
embalagem.
RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE OPTANTES PELO SIMPLES.
Por expressa determinação legal, as aquisições de produtos de empresas
optantes pelo Simples não ensejarão, aos adquirentes, direito a escrituração
ou a fruição de créditos do IPI.
AQUISIÇÃO DE COMERCIAL VAREJISTA. CRÉDITOS.
Inexiste previsão legal para fruição de créditos de IPI nas aquisições de
produtos de estabelecimento comercial varejista.
PRODUTO NÃO INCLUÍDO EM PORTARIA CONCESSIVA DE
BENEFÍCIO FISCAL. Restando provado que não há portaria concessiva da isenção do IPI para os
produtos saídos sem o lançamento do imposto, é procedente a glosa no
crédito pleiteado.
IMPORTAÇÃO. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. SAÍDA DOS
PRODUTOS. INCIDÊNCIA DO IPI.
A empresa que importar produtos tributados é equiparada a industrial e é
contribuinte do IPI, devendo destacar o imposto na saída dos produtos do
estabelecimento, independente de haver ou não qualquer processo de
industrialização.
LOCAÇÃO. FATO GERADOR DO IPI.
A primeira saída do produto. do estabelecimento equiparado a industrial a
título de locação caracteriza a ocorrência do fato gerador do IPI, nos termos
dos artigos 34, inciso II, e 37, inciso II, letra "a", do RIPI/2002, aprovado
pelo Decreto n° 4.544, de 2002.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.275
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Quando a Fiscalização demonstra claramente os motivos que a levaram a concluir pela improcedência de valores objeto de pedido de ressarcimento, cuja documentação que embasou a conclusão (notas fiscais e livros fiscais) está em poder do contribuinte, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa ou nulidade do ato administrativo. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo e, conseqüentemente, afastar a sua aplicação. GLOSA DE CRÉDITOS. PERIFÉRICOS DE COMPUTADORES. Não gera direito a crédito a aquisição de bens e equipamentos periféricos de computadores, pois a este não se integram no processo de industrialização, não sendo, portanto, matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE OPTANTES PELO SIMPLES. Por expressa determinação legal, as aquisições de produtos de empresas optantes pelo Simples não ensejarão, aos adquirentes, direito a escrituração ou a fruição de créditos do IPI. AQUISIÇÃO DE COMERCIAL VAREJISTA. CRÉDITOS. Inexiste previsão legal para fruição de créditos de IPI nas aquisições de produtos de estabelecimento comercial varejista. PRODUTO NÃO INCLUÍDO EM PORTARIA CONCESSIVA DE BENEFÍCIO FISCAL. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Restando provado que não há portaria concessiva da isenção do IPI para os produtos saídos sem o lançamento do imposto, é procedente a glosa no crédito pleiteado. IMPORTAÇÃO. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. SAÍDA DOS PRODUTOS. INCIDÊNCIA DO IPI. A empresa que importar produtos tributados é equiparada a industrial e é contribuinte do IPI, devendo destacar o imposto na saída dos produtos do estabelecimento, independente de haver ou não qualquer processo de industrialização. LOCAÇÃO. FATO GERADOR DO IPI. A primeira saída do produto. do estabelecimento equiparado a industrial a título de locação caracteriza a ocorrência do fato gerador do IPI, nos termos dos artigos 34, inciso II, e 37, inciso II, letra "a", do RIPI/2002, aprovado pelo Decreto n° 4.544, de 2002. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 14/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Alexandre Gomes. Ausente, justificadamente, o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) transmitido pela NOVADATA SISTEMAS E COMPUTADORES LTDA., para aproveitamento de créditos do IPI, oriundos de aquisição de insumos utilizados na fabricação de bens de informática, relativo ao 3° trimestre de 2004. Nos termos do Despacho Decisório de fls. 313/315, a DRF em Ilhéus BA deferiu parcialmente o pedido da recorrente em face da constatação das seguintes irregularidades: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14033.000989/200763 Acórdão n.º 330201.275 S3C3T2 Fl. 431 3 (i) aproveitamento indevido de créditos referentes a bens que não se enquadram no conceito de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem (teclados, mouse, monitores, microfones com pedestal, mouse pad, CDR, caixas acústicas, transformadores, cadeados, estabilizadores de tensão, suporte de fixação vertical, etc.); (ii) aproveitamento indevido de créditos de compras oriundas de optantes pelo SIMPLES; (iii) aproveitamento indevido de créditos de compras oriundas de comércio varejista nãocontribuinte do IPI; (iv) notas fiscais de saída escrituradas com IPI nulo Isenção; (v) notas: fiscais de saída escrituradas com IPI nulo revenda de mercadorias importadas; (vi) notas fiscais de saída escrituradas com IPI nulo remessa para demonstração de produto importado, que não teve o retorno comprovado; e (vii) Notas fiscais de saída escrituradas no livro registro de saída com IPI nulo remessa para locação. Ciente da decisão acima, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade, cujos argumentos estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. A 4a Turma de Julgamento da DRJ em Salvador BA indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1521.701, de 19/11/2009, cuja ementa abaixo transcrevo: NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A autoridade administrativa não possui competência para apreciar as argüições de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de normas regularmente editadas. GLOSA DE CRÉDITOS. Correta a glosa de créditos de produtos que, embora necessários ao pleno funcionamento do equipamento, a ele não se integram, não se constituindo em matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE OPTANTES PELO SIMPLES. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 As aquisições de produtos de empresas optantes pelo Simples não ensejarão, aos adquirentes, direito a escrituração ou a fruição de créditos do imposto. AQUISIÇÃO DE COMERCIAL VAREJISTA. CRÉDITOS. Inexiste previsão legal para fruição de créditos de IPI nas aquisições de produtos de estabelecimento comercial varejista. PRODUTO NÃO INCLUÍDO EM PORTARIA CONCESSIVA DE BENEFÍCIO FISCAL. Restando provado que não há, no período autuado, portaria concessiva da isenção do IPI para os produtos objeto da autuação, é procedente o lançamento do crédito tributário decorrente da indevida utilização do benefício. IMPORTAÇÃO. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. SAÍDA DOS PRODUTOS. INCIDÊNCIA DO IPI. A empresa que importar produtos tributados é equiparada a industrial e é contribuinte do IPI, tanto no desembaraço aduaneiro como na saída destes do estabelecimento, ainda que tais produtos não sejam submetidos a qualquer processo de industrialização. LOCAÇÃO. FATO GERADOR DO IPI. A primeira saída do produto. do estabelecimento equiparado a industrial a título de locação caracteriza a ocorrência do fato gerador do IPI, nos termos dos artigos 34, inciso II, e 37, inciso II, letra "a", do RIPI/2002, aprovado pelo Decreto n° 4.544, de 2002. PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. As provas devem ser produzidas juntamente com a impugnação, exceto nos casos previstos no inciso III, do art. 16, do Decreto n° 70.235, de 1972, situação não demonstrada pela contribuinte. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 03/12/2009, conforme AR de fl. 387v, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 29/12/2009, com o recurso voluntário de fls. 388/426, no qual alega, em apertada síntese, que: 1) preliminarmente, o relatório de diligência fiscal que baseou a decisão ora contestado é nulo de pleno direito, uma vez que não foi acompanhado de nenhum documento probatório das alegações do fisco que comprovassem a glosa de créditos efetuada e a suposta falta de recolhimento do IPI nas saídas destacadas. Deve o CARF reconhecer a nulidade do relatório do despacho decisório e da decisão recorrida; 2) ainda preliminarmente, a administração deve apreciar os argumentos de inconstitucionalidade posto que suscitados para contestar o relatório fiscal; 3) a incorporação de novos componentes ao produto final da impugnante é considerada como industrialização pelo conceito legalmente definido. Para comprovar sua tese cita o § único do art. 46 do CTN e o art. 4° do Decreto n° 4.544/02; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14033.000989/200763 Acórdão n.º 330201.275 S3C3T2 Fl. 432 5 4) a agregação de componentes eletrônicos é forma de industrialização, pois gera um novo produto. Tratase de espécie de montagem, já reconhecida pela jurisprudência administrativa como forma de industrialização; 5) não resta dúvida de que os teclados, mouse, caixas acústicas, transformadores, monitores, microfones com pedestal, cadeados, etc. são, na verdade, insumos adquiridos pela Novadata para a industrialização, na modalidade montagem, dos equipamentos fabricados, que compõem o produto final "computador"; 6) tem direito ao crédito na aquisição de produtos de empresas optantes pelo SIMPLES que, apesar de escrituração diferenciada e unificada de seus impostos, não são desonerados do IPI, o que leva ao fato de que os preços dos produtos adquiridos destas empresas estão com os valores dos tributos neles inseridos. Também nesse aspecto se revela improsperável a pretensão da fiscalização de glosa dos créditos relativos aos insumos adquiridos de comerciantes supostamente varejistas. 7) o auditor deixou de observar a distinção entre modelo e configuração, na verdade os produtos comercializados pela impugnante são os mesmos que constam na relação emitida pelo MCT, divergindo apenas quanto à descrição, sendo que as Portarias descrevem o modelo, mais amplo e genérico, e as notas fiscais descrevem a configuração específica dos aparelhos industrializados; 8) os créditos decorrentes da suposta falta de recolhimento do IPI nas revendas de mercadorias importadas foram estornados pois não se tratavam de matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem. Assim, pela não apropriação dos créditos nestas operações, não houve destaque do imposto nas conseqüentes saídas, não havendo o que se falar em falta de recolhimento do IPI; 9) em relação às mercadorias que saíram do estabelecimento da impugnante para demonstração e locação, também não procedem as alegações fiscais, posto que configuram operações que não estão abrangidas pela hipótese de incidência do IPI. Para configurar incidência do IPI, deve estar atrelada a um negócio jurídico que acarrete em transferência de titularidade, ou seja, uma operação mercantil; 10) a remessa de produtos para demonstração e exposição jamais poderia configurar hipótese de incidência do tributo como fez crer a fiscalização, pois este produto industrializado que saiu do estabelecimento produtor para exposição poderá ser futuramente objeto de operação de venda, momento em que incidirá o tributo; 11) as mercadorias importadas incorporaram o ativo permanente da impugnante e sofreram incidência do IPI no desembaraço aduaneiro. Logo, as saídas subseqüentes à primeira, assim considerada a importação, pela equiparação à estabelecimento industrial, fogem do campo de incidência do tributo, pela própria definição do artigo citado; É o relatório do essencial. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais e, portanto, dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente está postulando o ressarcimento de crédito básico de IPI na aquisição de insumos empregados na fabricação de bens de informática, basicamente computadores. A RFB reconheceu a legitimidade de parte do crédito pleiteado em face das seguintes irregularidades na apropriação de créditos e na saída dos produtos importados ou industrializados: (i) aproveitamento indevido de créditos referentes a bens que não se enquadram no conceito de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem (teclados, mouse, monitores, microfones com pedestal, mouse pad, CDR, caixas acústicas, transformadores, cadeados, estabilizadores de tensão, suporte de fixação vertical, etc.); (ii) aproveitamento indevido de créditos de compras oriundas de optantes pelo SIMPLES; (iii) aproveitamento indevido de créditos de compras oriundas de comércio varejista nãocontribuinte do IPI; (iv) notas fiscais de saída escrituradas com IPI nulo Isenção; (v) notas: fiscais de saída escrituradas com IPI nulo revenda de mercadorias importadas; (vi) notas fiscais de saída escrituradas com IPI nulo remessa para demonstração de produto importado, que não teve o retorno comprovado; e (vii) Notas fiscais de saída escrituradas no livro registro de saída com IPI nulo remessa para locação. Em sua defesa a recorrente alega, preliminarmente, a nulidade do relatório fiscal que embasou a decisão da autoridade da RFB. Entende a recorrente que o referido relatório não estava acompanhado de documentação comprobatório. Também em sede de preliminar entende que deve ser apreciado suas alegações de inconstitucionalidade para anular o referido relatório fiscal. No mérito, defende a regularidade de suas operações pelas razões que anotaremos na apreciação de cada infração. Quanto à preliminar de nulidade do relatório fiscal não assiste razão à recorrente pelas razões constante do acórdão recorrido, ou seja, no referido relatório fiscal está descrito, em pormenores, as infrações apuradas e toda a documentação (livros fiscais e notas Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14033.000989/200763 Acórdão n.º 330201.275 S3C3T2 Fl. 433 7 fiscais de compra e de venda e as declarações de importação) que amparou o mesmo está em poder a recorrente. Não há que se falar, portanto, em falta de documentação. Relativamente aos argumentos de inconstitucionalidade da legislação tributária, com qualquer finalidade, este Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF), em sessão realizada no dia 08/12/2009, decidiu que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2o; Emenda Constitucional no 3/1993). Tal decisão resultou na edição da Súmula no 2, abaixo reproduzida, cuja adoção é obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do § 4º do art. 72 do Regimento Interno do CARF1: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ultrapassado as preliminares, passemos ao mérito. Quanto ao mérito, melhor sorte não tem a recorrente. Sobre a impossibilidade do aproveitamento de créditos referentes a bens que não se enquadram no conceito de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, este Colegiado já se manifestou em outro processo da recorrente (Processo nº 10508.000182/200584 Acórdão nº 330201.117). No processo acima referido, este Conselheiro Relator adotou as razões de decidir do voto do Acórdão nº 380301.473, proferido pela 3ª Turma Especial da 3ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento deste CARF, ao julgar o recurso voluntário constante do Processo nº 10508.001046/200773, também de interesse da Recorrente, cujos fundamentos estão abaixo reproduzidos: Argumenta o Recorrente que os produtos por ele adquiridos, cujos créditos do IPI foram glosados pela Fiscalização, seriam partes integrantes dos equipamentos fabricados pela empresa, que se constituiriam de microcomputadores acompanhados de periféricos, resultantes da industrialização na modalidade montagem. Das cópias de notas fiscais emitidas pelo Recorrente (fls. 216 a 256), é possível constatar que os computadores são vendidos juntamente com outros equipamentos (estabilizadores, impressoras, etc.), algumas vezes discriminados de forma individualizada, demonstrando tratarse de diferentes equipamentos de informática comercializados em conjunto. Durante os procedimentos de fiscalização, a autoridade fiscal detectara que os créditos de IPI escriturados pelo contribuinte se referiam à aquisição de teclados, caixas acústicas, 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. [...] § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 8 transformadores, impressoras, cartuchos de tinta (toners), estabilizadores de tensão, conversores e balanças eletrônicas. Tais produtos, como é do conhecimento geral, são comercializados, ainda que conjuntamente, enquanto unidades autônomas, não se configurando montagem nos termos previstos na legislação do IPI, pois no Regulamento do Imposto (atual Decreto nº 7.212/2010) prevêse que tal modalidade de industrialização requer que o produto final decorra da reunião de produtos, peças ou partes e que resulte em um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal. É importante anotar que o entendimento acima coadunase com a Nota 5.D) do Capitulo 84 da Tabela de Incidência do IPI TIPI, aprovada pelo Decreto n° 3.777, de 23 de março de 2001. Portanto, sem reparos a fazer na decisão recorrida, neste particular. Quanto ao aproveitamento de créditos de IPI de compras feitas junto a empresas optantes pelo SIMPLES não tem a administração tributária competência para afastar a vedação contida no art. 5º, §5º, da Lei nº 9.317/96, como bem disse a decisão recorrida. Portanto, à mingua de amparo legal, não prospera o entendimento da recorrente sobre a existência de crédito básico de IPI nas aquisições feita junto a pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES. Também por absoluta falta de amparo legal, como bem disse a decisão recorrida, não merece prosperar os argumentos da recorrente sobre o suposto direito de aproveitar créditos de compras feitas no comércio varejista, estabelecimentos nãocontribuintes do IPI; Com relação a saída, com isenção de IPI, de produtos não habilitados pelo MCT, ficou provado nos autos que os produtos objeto da glosa não constavam nas Portarias MCT/MDIC/MF nºs. 06/2002, 519/2002 e 895/2003. A alegação de erro no preenchimento das notas fiscais não procede porque, além do que disse a decisão recorrida sobre a sua retificação, não há prova indiciária de que os produtos saídos, objeto da glosa, constavam nas referidas portarias. Portanto, correto o procedimento fiscal de não reconhecer a isenção dos referidos produtos. Quanto à tributação dos produtos importados e revendidos pela recorrente não há qualquer sombra de procedência dos argumentos da recorrente. Como bem disse a decisão recorrida, o importador que revende mercadorias importadas é contribuinte do IPI (art. 51, inciso I, do CTN, c/c art. 9º, inciso I, art. 24, incisos I e III, art. 34 e art. 38, todos do RIPI/2002). Portanto, nas saídas de produtos importados deve ser destacado o valor do IPI, o que não fez a recorrente. Quando o contribuinte do IPI dá saída de produtos (importado ou por ele industrializado) para demonstração deve destacar o valor do imposto (art. 309 do RIPI/2002), fato que não aconteceu no presente caso. Não há, portanto, reparos a fazer no procedimento fiscal. A primeira saída de produtos (importados ou de fabricação própria, integrante ou não do ativo imobilizado) para locação enseja a ocorrência do fato gerador do IPI e, Fl. 9DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14033.000989/200763 Acórdão n.º 330201.275 S3C3T2 Fl. 434 9 consequentemente, nasce a obrigação do contribuinte pagar a exação, conforme já disse a decisão recorrida (art. 34, inciso II, e art. 37, inciso II, alínea “a”, ambos do RIPI/2002). Sem razão, portanto, a recorrente quando alega que somente nas saídas a título de venda de produtos de fabricação própria é que ocorre o fato gerador do IPI. Como acima se disse, o fato gerador do IPI é a “saída de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial” e não a venda, ou a saída a título de venda, de produtos (importados ou de fabricação própria). Não é preciso haver a transferência de propriedade do bem para ocorrer o fato gerador do IPI. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19992, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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