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Numero do processo: 10510.003039/2003-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1999
SÚMULA CARF Nº 41
A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo
IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício
relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.158
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1999 SÚMULA CARF Nº 41 A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Recurso Voluntário Provido.
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Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 05/04/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira, Rubens Maurício Carvalho e Acácia Wakasugi. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 06/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 Trata o presente processo de autuação do ITR decorrente de retificações de ofício. Os valores declarados, retificados de ofício e julgados na DRJ seguiram o seguinte histórico: ITR 1999 Declarado, fl. 28 Retificação de ofício Acórdão DRJ, fl. 54 02 Área de Preservação Permanente 1.018,8 ha 0,0 ha 0,0 ha 03 Área de Utilização Limitada 786,0 ha 0,0 ha 0,0 ha Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 54 a 62 da instância a quo, in verbis: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 23/29, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 1999, relativo ao imóvel denominado “Fazenda Itália”, localizado no município de Itaporanga D’Ajuda SE, com área total de 3.905,1ha, cadastrado na SRF sob o nº 1.781.1201, no valor de R$ 22.800,56 (vinte e dois mil, oitocentos reais e cinqüenta e seis centavos), acrescido de multa de lançamento de ofício e de juros de mora, calculados até 28/11/2003, perfazendo um crédito tributário total de R$ 56.793,91 (cinqüenta e seis mil setecentos e noventa e três reais e noventa e um centavos). 2. No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITR/1999 e dos documentos coletados no curso da ação fiscal, conforme Termo de Encerramento fls. 30 e demonstrativo Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls 25/26, a fiscalização apurou as seguintes infrações: a) exclusão, indevida, da tributação de 1.018,8ha de área de preservação permanente; b) exclusão, indevida, da tributação de 786,0ha de área de utilização limitada; 3. As exclusões indevidas, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls 25/26, têm origem na falta de apresentação de documento que comprove ser a área de preservação permanente e a área de utilização limitada dedutíveis da área tributável. 4. O Auto de Infração foi postado nos correios tendo o contribuinte tomado ciência em 19/12/2003, conforme AR de fls. 31. 5. Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou, em 08/01/2004, a impugnação de fls. 32/52, alegando, em síntese: I – “a defendente mantém no referido imóvel 1.018,8 ha destinados a Área de Interesse Ambiental de Preservação Permanente,”; II – anexa Levantamento Planimétrico da propriedade, “onde consta nas Convenções, a Área de Preservação Permanente.”; III – “Anexa, ainda, o Ato Declaratório Ambiental – ADA, protocolado no IBAMA”; IV – “a defendente requer a realização de vistoria no imóvel em questão.”; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 06/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10510.003039/200333 Acórdão n.º 210201.158 S2C1T2 Fl. 88 3 Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, não acatou o pedido de diligência e julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que a apresentação de ADA intempestivo impede o reconhecimento da isenção pleiteada, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa e excertos do voto que transcrevo a seguir livremente: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1999 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. A exclusão de área declarada como de preservação permanente da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao reconhecimento dela pelo Ibama ou por órgão delegado através de convênio, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), ou à comprovação de protocolo de requerimento desse ato àqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A exclusão de área declarada como de reserva legal da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao reconhecimento dela pelo Ibama ou por órgão delegado através de convênio, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), ou à comprovação de protocolo de requerimento desse ato àqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1999 Ementa: PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de realização de diligência. (...) 13 Ainda em consonância com o dispositivo retro transcrito, como condição para exclusão das áreas não tributáveis da incidência do ITR, o sujeito passivo deverá informar, obrigatoriamente, as áreas de preservação permanente e as de utilização limitada em ADA, protocolado no lhama no prazo de seis meses, contado a partir de término do período de entrega da declaração. 13.1. Para o exercício de 1999, o prazo expirou em 30/01/2000, ou seja, seis meses após o prazo final para a entrega da DMV1999, que foi 30/07/1999, conforme Instrução Normativa SRF n° 002, de 12/0111999. 13.2 No presente caso, o contribuinte junta ao processo, fiz 43, ADA protocolado junto ao Ibama em 29/12/2003, portanto intempestivo. (...) Fl. 3DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 06/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 19. Finalmente, por não restar documentalmente comprovada a satisfação da exigência de protocolo de ADA no lbama ou em órgãos ambientais estaduais delegados por, meio de convênio, no prazo de até 6 (seis) meses, contado a partir do término do prazo fixado, para a entrega da declaração, para que as áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal sejam reconhecidas pela SRF para dedução da área tributável entendo 1 deva ser mantida a autuação. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 69 a 72, repisando, os mesmos argumentos trazidos na sua impugnação dirigida à DRJ, alegando em síntese que as áreas isentas são existentes como pode ser comprovado por perícia e que a exigência do ADA extrapola a lei, requerendo ao final, pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). TEMPESTIVIDADE DA ENTREGA. Da análise da descrição dos fatos da autuação, verificamos que as motivações das glosas das áreas isentas que culminaram no lançamento, foi a extemporaneidade na apresentação do ADA para as área de preservação permanente e área de utilização limitada,. Considerando que o exercício objeto do lançamento é o ano 1999, aplicase a Súmula Carf nº 41: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Diante disso, considerando que a razão do lançamento devese exclusivamente a intempestividade de apresentação do ADA, com o afastamento da única motivação do lançamento, a glosa deve ser cancelada e restabelecidas as áreas isentas. Registro que a própria fiscalização na Descrição do Fatos da autuação, fl. 25, considerou que a área de Utilização Limitada, está gravada no Registro de Imóveis. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 06/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10510.003039/200333 Acórdão n.º 210201.158 S2C1T2 Fl. 89 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 05/04/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 06/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 36266.003586/2007-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2006 a 31/12/2006
ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DIREITO
ADQUIRIDO. As entidades que gozavam da isenção da cota patronal
previdenciária na vigência da Lei n. 3.577/1959, estavam desobrigadas de requererem esse benefício ao INSS, nos termos do § 1. do art. 55 da Lei n. 8.212/1991. Nestes casos, o Fisco somente pode exigir as contribuições lançadas após a emissão de Ato Cancelatório de Isenção.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-001.851
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
1.0 = *:*
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2006 a 31/12/2006 ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DIREITO ADQUIRIDO. As entidades que gozavam da isenção da cota patronal previdenciária na vigência da Lei n. 3.577/1959, estavam desobrigadas de requererem esse benefício ao INSS, nos termos do § 1. do art. 55 da Lei n. 8.212/1991. Nestes casos, o Fisco somente pode exigir as contribuições lançadas após a emissão de Ato Cancelatório de Isenção. Recurso Voluntário Provido.
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DIREITO ADQUIRIDO. As entidades que gozavam da isenção da cota patronal previdenciária na vigência da Lei n. 3.577/1959, estavam desobrigadas de requererem esse benefício ao INSS, nos termos do § 1. do art. 55 da Lei n. 8.212/1991. Nestes casos, o Fisco somente pode exigir as contribuições lançadas após a emissão de Ato Cancelatório de Isenção. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 104DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, lavrada contra o contribuinte acima identificado relativo às contribuições destinadas a Seguridade Social e a terceiros incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 16/18, os fatos geradores das contribuições previdenciárias ocorreram com o pagamento das remunerações aos segurados empregados. Ainda segundo o RF, tratase de estabelecimento de ensino superior cujo FPAS é 574. A partir de Agosto/2006 a empresa se auto enquadrou no FPAS 639, como entidade beneficente de assistência social, se isentando das contribuições patronais. Não consta reconhecimento administrativo ou judicial de isenção previdenciária à empresa nos arquivos do SEARP Serviço de Orientação da Arrecadação desta Delegacia da Receita Previdenciária, seção competente para expedir administrativamente tal reconhecimento. Inconformada com a Decisão de fls. 58 a 61, a empresa apresentou recurso reiterando os argumentos da defesa onde alegou em síntese: a) a recorrente é entidade beneficente de assistência social por meio do processo 250.481/76, consoante pesquisa de histórico realizado perante o Conselho Nacional de Assistência Social CNAS. b) Afirma que aderiu ao Programa Universidade para Todos — Prouni, portanto é isenta das contribuições nos termos do § 2°, do artigo 11, da Lei 11.096/2005 e a lei 11.096/95, que trata do Prouni, prescreve que as entidades mantenedoras poderão requerer o restabelecimento do seu certificado "e posteriormente, requerer ao Ministério da Previdência Social as isencões das contribuições ..." ora o pedido de restabelecimento e de renovação foram protocolizados perante o CNAS, o que é correto, e na mencionada lei não exige prazo para que seja requerido ao Ministério da Previdência Social a isenção; c) Salienta que em decisão ao requerimento de adesão ao Prouni, o Conselho Nacional de Assistência Social deferiu a concessão do Certificado de Entidade de Assistência Sócia l; d) no que concerne a aplicação do art. 208 do Decreto 3048/99, o mesmo não pode restringir o direito do recorrente, pois esta, já preenche os requisitos do artigo 55 da Lei 8.212, e, aliás, o próprio §1° da mesma Lei já lhe garante o direito adquirido, direito este decorrente da Lei. 3.577/59 e) Requer seja desconstituída a presente notificação, declarando o instituto isento das contribuições lançadas.; É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36266.003586/200775 Acórdão n.º 240101.851 S2C4T1 Fl. 95 3 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Analisando o recurso apresentado pela recorrente, temos que a questão primordial para ser analisada, consiste em ter ou não a recorrente, direito adquirido à isenção das contribuições lançadas no presente levantamento. Tal benefício encontrase insculpido no art. 195, § 7º da Constituição Federal que assim dispõe: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. No presente caso, a lei a que se refere o dispositivo acima transcrito é a Lei 8212/91, especificamente em seu art. 55 cujo texto transcrevemos: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Fl. 106DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. § 4o O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. §6oA inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição. Temse então que, ressalvados os casos de direito adquirido, as entidades deveriam requerer ao INSS a isenção das contribuições previdenciárias patronais. Desta forma deve ser analisado se a recorrente se enquadra ou não na ressalva acima mencionada. Nos casos em que fique comprovado ser a entidade portadora do Certificado de Entidades de Fins Filantrópicos e havia requerido o título de utilidade pública federal à época da edição do Decreto n. 1.572/1977. Isto porque, referido Decreto, revogou a Lei 3.577 que garantia o direito pátrio a isenção das contribuições previdenciárias para as entidades reconhecidas como de utilidade pública, cujos diretores não recebessem remuneração, trazia em seu art. 1º e §§ 1º e 2º, a seguinte redação: "Art. 1. Fica revogada a Lei n. 3.577, de 4 de julho de 1959, que isenta da contribuição de previdência devida aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões unificados no. Instituto nacional de Previdência Social IAPAS, as entidades de fins filantrópicos reconhecidas de utilidade pública, cujos diretores não percebam remuneração. (grifamos) § 1° A revogação a que se refere este artigo não prejudicará a instituição que tenha sido reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal até a data da publicação deste DecretoLei, seja portadora de certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado e esteja isenta daquela contribuição.(grifamos) § 2. A instituição portadora de certificado provisório de entidade de fins filantrópicos que esteja no gozo de isenção referida no "caput" deste artigo e tenha requerido ou venha a requerer, dentro de 90 (noventa) dias a contar do inicio da vigência deste DecretoLei, o seu reconhecimento como Fl. 107DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36266.003586/200775 Acórdão n.º 240101.851 S2C4T1 Fl. 96 5 de utilidade pública federal continuará gozando de aludida isenção até que o Poder Executivo delibere sobre aquele requerimento. Concluise então que a partir da edição do Decreto Lei n. 1.572/1977 foram vedadas as concessões de novas isenções, ficando, todavia, garantido o direito das entidades ali ressalvados, desde que mantivessem os requisitos legais necessários a fruição do benefício nos termos da legislação revogada. Logo, no presente caso, atendendo a recorrente aos requisitos legais, quais sejam, estar de posse do título de entidade emitido pelo Governo Federal e do certificado de entidade de fins filantrópicos por prazo indeterminado e a constatação de que os diretores da entidade não recebessem remuneração, terá sim em seu favor o direito adquirido. Do que se depreende dos autos, verificase às fls. 35; 41 e 42 a empresa havia requerido o título de Utilidade Pública Federal e registro no Conselho Nacional de Serviço Social em 1976 deferido em 1979, bem como Certificado de Entidade de Assistência Social e Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, o que demonstra ser a recorrente possuidora do direito adquirido a que se refere o § 1. do art. 55 da Lei n. 8.212/1991. Logo, para que a entidade pudesse ser notificada pelo inadimplemento das contribuições de responsabilidade da empresa, obrigatoriamente o Fisco teria que emitir ato cancelatório, do qual a empresa teria direito a se contrapor. Assim, a presente lavratura, por não ter observado o prévio cancelamento da isenção, não deve subsistir. É o que se pode ver do disposto na Instrução Normativa – IN n. 03/2005: Art. 305. A SRP verificará se a entidade beneficente de assistência social continua atendendo aos requisitos necessários à manutenção da isenção, previstos no art. 299. § 1º Constatado o nãocumprimento dos requisitos contidos no art. 299, a fiscalização emitirá Informação Fiscal IF, na qual relatará os fatos, as circunstâncias que os envolveram e os fundamentos legais descumpridos, juntando as provas ou indicando onde essas possam ser obtidas. § 2º A entidade será cientificada do inteiro teor da IF e terá o prazo de quinze dias, a contar da data da ciência, para apresentação de defesa, com a produção de provas ou não, que deverá ser protocolizada em qualquer UARP da DRP circunscricionante do seu estabelecimento centralizador. § 3º Decorrido o prazo previsto no § 2º deste artigo, sem manifestação da parte interessada, caberá à chefia do Serviço/Seção de Arrecadação da DRP decidir acerca da emissão do Ato Cancelatório de Isenção AC. § 4º Caso a defesa seja apresentada, o Serviço/Seção de Análise da DRP decidirá acerca da emissão ou não do Ato Cancelatório de Isenção AC. Fl. 108DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 § 5º Sendo a decisão do Serviço/Seção de Análise da DRP favorável à emissão do Ato Cancelatório de Isenção, a chefia do Serviço/Seção de Arrecadação da DRP emitirá o documento, o qual será remetido, juntamente com a decisão que lhe deu origem, à entidade interessada. § 6º A entidade perderá o direito de gozar da isenção das contribuições sociais a partir da data em que deixar de cumprir os requisitos contidos no art. 299, devendo essa data constar do Ato Cancelatório de Isenção. § 7º Cancelada a isenção, a entidade terá o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão e do Ato Cancelatório da Isenção para interpor recurso com efeito suspensivo ao CRPS. Concluímos então que, a perda do direito de gozar da isenção somente se dá mediante a emissão do Ato Cancelatório, que deverá indicar inclusive em que data a empresa deixou de cumprir os requisitos legais para manutenção da condição de entidade isenta. Ante ao exposto: VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, e DARLHE PROVIMENTO. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 109DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36266.003586/200775 Acórdão n.º 240101.851 S2C4T1 Fl. 97 7 Fl. 110DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10675.000793/2005-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
ANO CALENDÁRIO:2000 e 2001
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EXCLUSÃO DE PESSOAS. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As Delegacias da Receita Federal de Julgamento e o Conselho Administrativo Fiscal tem competência para apreciar alegações contrárias a inclusão de pessoas arroladas como
responsáveis solidárias pelos tributos exigidos do contribuinte.
Decisão de Primeira Instância parcialmente anulada.
Numero da decisão: 1402-000.459
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para anular parcialmente à decisão de primeira instância determinando que outra seja proferida, para fins de apreciação das alegações da pessoa arrolada como responsável solidária pelos tributos exigidos da contribuinte, sendo que antes do novo julgamento, os autos devem retornar à Unidade de origem para localização do Aviso de Recebimento de ciência do auto de infração e do termo de responsabilidade solidária a Sra. Maria Cristina Gontijo Silva, encaminhando-se os autos à DRJ de Juiz de Fora para apreciar o recurso como se impugnação fosse levando-se em conta a data efetiva da ciência. Nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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(contribuinte) MARIA CRISTINA GONTIJO SILVA(única recorrente) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANOCALENDÁRIO: 2000 e 2001 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EXCLUSÃO DE PESSOAS. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As Delegacias da Receita Federal de Julgamento e o Conselho Administrativo Fiscal tem competência para apreciar alegações contrárias a inclusão de pessoas arroladas como responsáveis solidárias pelos tributos exigidos do contribuinte. Decisão de Primeira Instância parcialmente anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para anular parcialmente a decisão de primeira instância determinando que outra seja proferida, para fins de apreciação das alegações da pessoa arrolada como responsável solidária pelos tributos exigidos da contribuinte, sendo que antes do novo julgamento, os autos devem retornar à Unidade de origem para localização do Aviso de Recebimento de ciência do auto de infração e do termo de responsabilidade solidária à Sra. Maria Cristina Gontijo Silva, encaminhandose os autos à DRJ de Juiz de Fora para apreciar o recurso como se impugnação fosse, levandose em conta a data efetiva da ciência., nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10675.000793/200509 Acórdão n.º 140200.459 S1C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Viviani Aparecida Bacchmi, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório MARIA CRISTINA GONTIJO SILVA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência formalizada contra UNIP BRASILEIRA DE PETROLEO LTDA., pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Pelo Auto de Infração (AI) de fls. 3641 e de suas partes integrantes, foi constituído o crédito tributário no valor de R$ 669.659,39, sendo R$ 265.238,71 a título de valor principal de COFINS. Tal lançamento decorreu da FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS, conforme a seguinte “DESCRIÇÃO DOS FATOS ...” de fl. 38: 1 Valor apurado conforme demonstrativo da ‘BASE P/ CÁLCULO DA COFINS / CONTRIBUINTE E SUBSTITUIÇÃO’ (doc. Fls. 42 a 96) relativo à venda de álcool para fins carburantes. Os valores apurados foram consolidados e confrontados com os valores declarados em DCTF, resultando nos seguintes lançamentos (doc. Fls. 109). 2 – Fazem parte desse auto uma via do “Termo de Representação – Arbitramento, doc. fls. 124 a 130 o qual, no seu todo (termo e seus anexos, numerados de 01 a 1165 fls.), é parte integrante do “auto de Infração – IRPJ, MPF [...], Processo nr. 10675.000794/200545. 3 – Fazem parte, também, desse auto os respectivos “TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA” nrs. 1, 2 e 3 juntado às fls. 325 a 330. Impugnação às fls. 336338, enriquecida de cópia dos autos de infração de IRPJ e CSLL (fls. 350354), cujas razões de defesa podem ser assim traduzidas, resumidamente, consoante o seu articulado abaixo: I – DOS FATOS Aos dias 22 de março de 2005, a recorrente foi autuada através do auto de infração aqui acostado e seus reflexos, [...]. Em decorrência desta autuação foi compelida a recolher [...] a importância de R$ 3.823.986,14 [...].de IR [...]. Para a lavratura do citado auto de infração, os ilustres autores do procedimento fiscal estribaramse no levantamento denominado ARBITRAMENTO DO LUCRO [...]. II – NO MÉRITO Ilegítima é a cobrança do valor encontrado [...], vez que a autuada exerce suas atividades como distribuidora de gasolina, óleo diesel e álcool carburante. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10675.000793/200509 Acórdão n.º 140200.459 S1C4T2 Fl. 0 3 [...] os nobres autores do procedimento fiscal usaram a alíquota de 9,6% sobre todos produtos englobadamente para encontrarem a base de cálculo do lucro arbitrado, sem contudo realizar a separação dos produtos, tais como a gasolina e o óleo diesel, que de acordo com o art. 532 do RIR, determina no caso de arbitramento seja aplicada a alíquota de 1,92%, isso de pleno conhecimento dessa Ilustrada Instância de Julgamento Assim, refazendo os cálculos do crédito tributário, tomando por base as próprias planilhas elaboradas dos ilustres autores das peças basilares, termos: QUADRO DEMONSTRATIVO Nº 01 – [...] [...] Considerando o acima exposto e demonstrado com provas cabais do próprio fisco, admitese que sejam determinados novos cálculos no tocante ao IR e à contribuição sobre o lucro, como também a aplicação da multa mais benéfica na forma estabelecida na LC introduzida no CTN e observando o art. 142 do mesmo diploma legal, de 20% [...], conforme art. 61 da Lei nº 9.430/96. III – DO PEDIDO Requer, pelo exposto e provado, seja determinada a revisão do feito em questão, por fiscais estranhos ao fato, onde será confirmado o erro de cálculo como prova da mais lídima Justiça e a improcedência da pela vestibular e seus reflexos. (original negritado e sublinhado). A decisão recorrida está assim ementada: IMPUGNAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS E MATERIAIS. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Impugnação não conhecida. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte não apresentou recurso voluntário. Também cientificada em 30/01/2009, fl. 375, a Sra. Maria Cristina Gontijo Silva, que foi responsabilizada solidariamente pelos tributos devidos pela empresa, apresentou peça recursal de fls. 378 a 385, na qual alega em preliminar prescrição (decadência dos fatos geradores do ano de 2000 e 2001), e a seguir contesta o termo de sujeição passiva solidária contra ela lavrado, afirmando ser parte ilegítima para figurar no pólo passivo da exigencia. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10675.000793/200509 Acórdão n.º 140200.459 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. Conforme relatado tratase de exigência da Cofins, conexa com o processo 10675.005070/200415, relativo ao IRPJ, que foi julgado nesta Turma em 11/11/2010. Compulsando os autos, verificase que a recorrente não havia apresentado peça impugnatória, em que pese ter sido regularmente lavrado o termo de sujeição passiva solidária contra a mesma fl. 325 e seguintes. Também não localizei nos autos a ciência do aludido termo de sujeição passiva. A toda evidência, a contribuinte não foi cientificada. Quanto a sujeição passiva de terceiros ou responsabilização solidária, por um extenso período os Conselhos de Contribuintes adotaram o entendimento de que essa matéria não seria passível de apreciação em sede de processo administrativo fiscal. Todavia, esse entendimento foi superado. Nesse sentido citese o recente Acórdão de No. 120100.267, de 20/05/2010, proferido à unanimidade: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA, COOBRIGAÇÃO. TERCEIRO QUE SE UTILIZA DE 'INTERPOSTA PESSOA' PARA ADMINISTRAR SOCIEDADE. LAVRATURA DE TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA_ DIREITO DE DEFESA, IMPUGNAÇÃO. NULIDADE. ART. 59 DO DECRETO 70.235/72, ART. 9', INC. II C/C ART. 58, DA LEI 9.784/99. Terceiro contra quem a Receita Federal lavra Termo de Sujeição Passiva no curso do processo administrativo fiscal, é chamado a integrar a lide administrativa e, nessa qualidade, tem direito de resistir à pretensão estatal nos próprios autos, por meio de interposição de impugnação, podendo impugnar tanto a imposição de coobrigação quanto a legalidade da imposição fiscal, como qualquer elemento de fato ou de direito constante do auto de infração. Dispõe o inc, II, do art. 9° c/c art 58, da Lei n" 9,784/99, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, serem legitimados para defesa no processo administrativo todos "aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão a ser adotada", sendo facultado o direito de interpor os recursos competentes, "aqueles cujos direitos ou interesses forem indiretamente afetados pela decisão recorrida". Nos termos do art. 59, do Decreto 70.235/72, é nula a decisão proferida com preterição do direito de defesa. Precedentes do Col. Conselho de Contribuintes”. Diante do exposto, visando garantir o amplo direito de defesa à contribuinte, bem com o duplo grau de jurisdição, voto no sentido de anular parcialmente a decisão de primeira instância, determinando que outra seja proferida para apreciar alegações da pessoa arrolada como responsáveis solidárias pelos tributos exigidos da contribuinte. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10675.000793/200509 Acórdão n.º 140200.459 S1C4T2 Fl. 0 5 Todavia, antes do novo julgamento os autos devem retornar à unidade de origem para localização do AR de Ciência da contribuinte e, a seguir, encaminhar os autos à DRJ de Juiz de Fora para apreciar o recurso como se impugnação fosse, levandose em conta a data efetiva da ciência. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000354/2006-91
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário:2002
Ementa: ARBITRAMENTO DE LUCROS. PENALIDADE. O arbitramento
dos lucros da pessoa jurídica com base na receita bruta é medida legal aplicada pela autoridade fiscal para determinação da base de cálculo tributável pelo IRPJ e pela CSLL, não se confundindo com imposição de penalidade.
Numero da decisão: 1103-000.471
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário:2002 Ementa: ARBITRAMENTO DE LUCROS. PENALIDADE. O arbitramento dos lucros da pessoa jurídica com base na receita bruta é medida legal aplicada pela autoridade fiscal para determinação da base de cálculo tributável pelo IRPJ e pela CSLL, não se confundindo com imposição de penalidade.
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PENALIDADE. O arbitramento dos lucros da pessoa jurídica com base na receita bruta é medida legal aplicada pela autoridade fiscal para determinação da base de cálculo tributável pelo IRPJ e pela CSLL, não se confundindo com imposição de penalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero (Vicepresidente) e Aloysio José Percínio da Silva (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso. Relatório Fl. 1373DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15586.000354/200691 Acórdão n.º 110300.471 S1C1T3 Fl. 2 2 Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1222.211/2008 (fls. 1.508), da 1ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro IRJ, relativo a autos de infração de IRPJ e CSLL, com multa de 75% prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96. O contexto do lançamento recebeu a seguinte descrição no relatório da decisão recorrida: “Trata o presente de lançamentos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 1462 a 1470) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 1471 a 1480). A fundamentação legal de cada lançamento pode ser observada no campo próprio dos autos de infração. No Termo de Constatação e Verificação Fiscal de fls. 1450 a 1461 a fiscalização esclarece os procedimentos adotados, em síntese: a interessada tem como objeto social o comércio atacadista e varejista e representação de produtos para agricultura, pecuária e implementos agrícolas; a interessada apresentou Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ com base no Lucro Presumido nos anos calendários de 2002 e 2003; por meio do Termo de Início de Ação Fiscal, datado de 05/04/2006, a interessada foi intimada a apresentar os Livros Contábeis e Fiscais e os extratos bancários relativos aos anos calendários 2002 e 2003, dentre outros documentos; em atendimento, apresentou os Livros de Registro de ICMS, os Livros de Registro de Entradas e os Livros de Saídas da matriz; deixou de apresentar os Livros Caixa, Razão e Diário, assim como os extratos bancários, sob a alegação de que não escriturou os referidos livros e que não mantém arquivos dos extratos bancários solicitados (fl. 8); em 28/04/2006, foi encaminhada a Intimação Fiscal nº 01, por meio do qual a interessada foi intimada a apresentar arquivos digitais com registros de compras e vendas (matriz e filiais) e reintimada a apresentar os Livros Caixa ou Diário e Razão, extratos bancários, e Livros de Registro de ICMS, Livros Registros de Entradas e Livros Registros de Saídas de suas filiais dos anos calendários de 2002 e 2003; no referido termo a interessada foi cientificada de que a falta de apresentação dos livros contábeis e fiscais ensejaria o arbitramento do lucro; em 18/07/2006, foi encaminhado o Termo de Intimação Fiscal nº 02, reiterando as solicitações anteriormente efetuadas; em 01/08/2006 a interessada solicitou prorrogação de prazo de 60 dias para atendimento dos termos de intimação; em 30/08/2006 apresentou os Livros de Registro de ICMS, de Entradas e de Saídas de suas filiais; em 27/09/2006 foi encaminhado o Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 01, no qual foram elencados os documentos não apresentados (Livros Caixa ou Diário e Razão) e a interessada mais uma vez foi cientificada que a falta de apresentação ensejaria o arbitramento do lucro, Fl. 1374DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15586.000354/200691 Acórdão n.º 110300.471 S1C1T3 Fl. 3 3 no mesmo termo foram apresentadas planilhas nas quais foram relacionados os valores das receitas de vendas escrituradas nos Livros de Registro de Saídas e Livros de Registros de Apuração do ICMS, da matriz e das filiais, nos anos calendários de 2002 e 2003, para que a interessada se manifestasse sobre os valores apurados no prazo de 10 dias; até a data de lavratura dos Autos de Infração não houve qualquer pronunciamento por parte da interessada quanto aos valores apurados; tendo em vista que a interessada, regularmente intimada, não apresentou a escrituração contábil solicitada, qual seja, Livros Caixa ou Diário e Razão, a fiscalização procedeu ao arbitramento do lucro conforme disposto no art. 530, III, do RIR/99, no período de 01/2002 a 12/2003; a determinação do lucro arbitrado se deu com base na receita bruta conhecida, conforme dispõem os artigos 16 da Lei nº 9.249/95 e 27 da Lei nº 9.430/96, apurada com base nos lançamentos efetuados nos Livros de Registro de ICMS e Livros de Registro de Saídas, que foram transcritos nas tabelas às fls. 1453 e 1454, já apresentadas à interessada para manifestação com o Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 01; das receitas demonstradas já foram excluídas as devoluções de vendas registradas nos livros fiscais; dos valores apurados foram deduzidos os recolhimentos efetuados pela interessada a título de IRPJ (código 2089), conforme demonstrado às fls. 1467 a 1469; tendo em vista o arbitramento do lucro, foi efetuado ainda lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido; dos valores apurados foram deduzidos os recolhimentos efetuados pela interessada a título de CSLL (código 2372), conforme demonstrado às fls. 1476 a 1479; foi ainda apurada insuficiência de declaração/recolhimento de Cofins e de PIS, conforme Autos de Infração formalizados no processo administrativo nº 15586.000356/200681. Cientificada dos autos de infração de IRPJ e CSLL em 18/12/2006 (fl. 1483), a interessada apresentou, em 16/10/2007, a impugnação de fls. 1484 a 1499, ...” O órgão de primeira instância julgou o lançamento procedente, por unanimidade, assim resumindo a decisão: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS CONTÁBEIS. Cabe o arbitramento do lucro da pessoa jurídica que, intimada pela Fiscalização, deixa de apresentar os livros e documentos de sua escrituração exigidos pela legislação. ARBITRAMENTO. RECEITA CONHECIDA. Fl. 1375DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15586.000354/200691 Acórdão n.º 110300.471 S1C1T3 Fl. 4 4 O lucro arbitrado, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados para o lucro presumido, acrescidos de vinte por cento. CSLL. ARBITRAMENTO. DECORRÊNCIA. O que ficou decidido em relação ao lançamento principal aplicase, no que couber, ao lançamento dele decorrente.” Cientificada da decisão em 06/05/2009 (fls. 1.518), a contribuinte interpôs o recurso no primeiro dia do mês seguinte (fls. 1.519). A recorrente, ao comentar os fatos, afirmou ter agido sempre de boa fé durante a fase investigatória, cumprindo as intimações da autoridade fiscal, “não tendo entregue alguns livros pelo fato de realmente não os obter”. Preliminarmente, alegou violação da “legalidade e da formalidade do procedimento administrativo tributário possível”, por descumprimento do art. 8º do Decreto 70.235/72 e da Portaria SRF nº 6.087/2005, o que resultaria em nulidade do lançamento. Considerou o arbitramento de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins com base na receita bruta apurada nos livros fiscais do ICMS uma “utopia comercial” caracterizada como penalidade. É o relatório. Voto Conselheiro ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA, Relator O recurso foi apresentado por parte legítima, tempestivamente, além de reunir os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Apesar da menção feita pela recorrente a arbitramento de PIS e Cofins, o processo não trata desses tributos, abrangendo apenas autos de infração de IRPJ e CSLL. A preliminar de nulidade diz respeito a supostas violações do art. 8º do Decreto 70.235/72 e a da Portaria SRF nº 6.087/2005. O referido Decreto prescreve: “Art. 8º Os termos decorrentes de atividade fiscalizadora serão lavrados, sempre que possível, em livro fiscal, extraindose cópia para anexação ao processo; quando não lavrados em livro, entregarseá cópia autenticada à pessoa sob fiscalização.” Do exame dos autos, constatei que todos os termos lavrados foram cientificados à fiscalizada e compõem o processo. Não encontrei qualquer descumprimento do comando normativo. Fl. 1376DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15586.000354/200691 Acórdão n.º 110300.471 S1C1T3 Fl. 5 5 Quanto à Portaria SRF nº 6.087/2005, a recorrente não especificou a alegada violação. De qualquer forma, nada identifiquei que pudesse ratificar a sua superficial e genérica afirmação. No mérito, vêse que o arbitramento foi realizado com observância do art. 530, III, do RIR/99, que prevê: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art.1º): (...) III – o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527;” O art. 527 trata da escrituração obrigatória para as pessoas jurídicas que apuram IRPJ e CSLL segundo o regime do lucro presumido, como é o caso da recorrente. A recorrente admitiu não ter os livros de escrituração obrigatória, conforme parágrafo 3 da peça recursal (fls. 1.520). Na apuração do arbitramento foram considerados os valores das devoluções de vendas registradas nos livros fiscais e os pagamentos realizados, tanto de IRPJ quanto de CSLL, conforme relatado. O arbitramento não é penalidade, ao contrário do que sustenta a recorrente. Com efeito, é medida para determinação da base de cálculo tributável, nos termos especificados na lei. Conclusão Pelo exposto, rejeito a preliminar e, no mérito, nego provimento ao recurso. ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Fl. 1377DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10315.001071/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2001
DECADÊNCIA. DECLARAÇÃO RETIFICADORA.
A apresentação de declaração retificadora, que visa a aproveitar deduções e compensações que não fizeram parte da declaração original, desloca o inicio do prazo decadencial para lançamento de eventual saldo de imposto decorrente de vício na retificadora apresentada.
DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
O contribuinte deve comprovar a veracidade dos valores declarados a título de dedução do imposto de renda durante o ano-calendário
em questão.
DEPENDENTES.
Cabe ao contribuinte comprovar que as pessoas indicadas em sua declaração de ajuste são seus dependentes. A apresentação de documentação comprobatória da relação de parentesco com terceiro não indicado como dependente na declaração de ajuste não é suficiente para criar o vínculo de dependência para efeitos fiscais.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
É aplicável multa de ofício no percentual de 150% nos casos em que o contribuinte presta informações inverídicas com o intuito de impedir, retardar ou manipular a ação fiscal.
TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
Para o cálculo dos juros de mora a data de vencimento do imposto é aquela estabelecida para a entrega da declaração de rendimentos
Numero da decisão: 2102-001.136
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2001 DECADÊNCIA. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. A apresentação de declaração retificadora, que visa a aproveitar deduções e compensações que não fizeram parte da declaração original, desloca o inicio do prazo decadencial para lançamento de eventual saldo de imposto decorrente de vício na retificadora apresentada. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. O contribuinte deve comprovar a veracidade dos valores declarados a título de dedução do imposto de renda durante o ano-calendário em questão. DEPENDENTES. Cabe ao contribuinte comprovar que as pessoas indicadas em sua declaração de ajuste são seus dependentes. A apresentação de documentação comprobatória da relação de parentesco com terceiro não indicado como dependente na declaração de ajuste não é suficiente para criar o vínculo de dependência para efeitos fiscais. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É aplicável multa de ofício no percentual de 150% nos casos em que o contribuinte presta informações inverídicas com o intuito de impedir, retardar ou manipular a ação fiscal. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Para o cálculo dos juros de mora a data de vencimento do imposto é aquela estabelecida para a entrega da declaração de rendimentos
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DECLARAÇÃO RETIFICADORA. A apresentação de declaração retificadora, que visa a aproveitar deduções e compensações que não fizeram parte da declaração original, desloca o inicio do prazo decadencial para lançamento de eventual saldo de imposto decorrente de vício na retificadora apresentada. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. O contribuinte deve comprovar a veracidade dos valores declarados a título de dedução do imposto de renda durante o anocalendário em questão. DEPENDENTES. Cabe ao contribuinte comprovar que as pessoas indicadas em sua declaração de ajuste são seus dependentes. A apresentação de documentação comprobatória da relação de parentesco com terceiro não indicado como dependente na declaração de ajuste não é suficiente para criar o vínculo de dependência para efeitos fiscais. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É aplicável multa de ofício no percentual de 150% nos casos em que o contribuinte presta informações inverídicas com o intuito de impedir, retardar ou manipular a ação fiscal. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de Fl. 1DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10315.001071/200714 Acórdão n.º 2102001.136 S2‐C1T2 Fl. 104 2 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Para o cálculo dos juros de mora a data de vencimento do imposto é aquela estabelecida para a entrega da declaração de rendimentos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso ASSINADO DIGITALMENTE GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente. ASSINADO DIGITALMENTE CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Relator. EDITADO EM: 18/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 83 a 90, interposto contra decisão da DRJ em Fortaleza/CE, de fls. 66 a 76, que julgou procedente em parte o lançamento de IRPF de fls. 03 a 09 dos autos, relativo ao anocalendário 2001, lavrado em 26/09/2007, com ciência do RECORRENTE em 17/10/2007, conforme AR de fl. 24. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 12.433,24, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 150%. Conforme demonstrativo das infrações de fls. 04 a 06, o presente lançamento teve origem nas seguintes infrações: “001 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA OFICIAL Fl. 2DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10315.001071/200714 Acórdão n.º 2102001.136 S2‐C1T2 Fl. 105 3 O contribuinte informou, em sua Declaração Anual de Ajuste, dedução da Base de Cálculo do IRPF a titulo de despesas de Previdência Oficial, no valor de R$ 9.072,87 (nove mil e setenta e dois reais, e oitenta e sete centavos). Regularmente intimado, não logrou comprovar, integralmente, a ocorrência desta despesa. Destarte, procedeuse à glosa referente ao montante não comprovado, de R$ 9.072,87 (nove mil e setenta e dois reais, e oitenta e sete centavos). Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2001 R$ 9.072,87 150,00 Enquadramento legal Art. 11, § 3º do DecretoLei nº 5.844/43; Art. 8º, inciso II, alínea ‘d’ da Lei 9.250/95; Arts. 73 e 83, inciso II do RIR/99. 002 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE O contribuinte informou, em sua Declaração Anual de Ajuste, dedução da Base de Cálculo do IRPF a titulo de despesas com dependentes, no valor de R$ 7.560,00 (sete mil, quinhentos e sessenta reais). Regularmente intimado, não logrou comprovar, integralmente, a ocorrência desta despesa. Destarte, procedeuse à glosa referente ao montante não comprovado, de R$ 7.560,00 (sete mil, quinhentos e sessenta reais). Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2001 R$ 7.560,00 150,00 Enquadramento legal: Art. 11, § 3º do DecretoLei nº 5.844/43; Art. 8º, inciso II, alínea ‘c’ da Lei 9.250/95; Arts. 73 e 83, inciso II do RIR/99. 003 DEDUÇÃO DA BASE DE CALCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS O contribuinte informou, em sua Declaração Anual de Ajuste, dedução da Base de Cálculo do IRPF a titulo de despesas Fl. 3DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10315.001071/200714 Acórdão n.º 2102001.136 S2‐C1T2 Fl. 106 4 médicas, no valor de R$ 4.644,16 (quatro mil, seiscentos e quarenta e quatro reais, e dezesseis,centavos). Regularmente intimado, não logrou 'comprovar, integralmente, a ocorrência desta despesa. Destarte, procedeuse, à glosa referente ao montante não comprovado, de R$ 4.644,16 (quatro mil, seiscentos e quarenta e quatro reais, e dezesseis centavos). Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2001 R$ 4.644,16 150,00 Enquadramento legal: Art. 11, § 3º do DecretoLei nº 5.844/43; Arts. 8º, inciso II, alínea ‘a’ e §§ 2º e 3º, 35 da Lei 9.250/95; Arts. 73 e 83, inciso II do RIR/99. 004 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESA COM INSTRUÇÃO O contribuinte informou, em sua Declaração Anual de Ajuste, dedução da Base de Cálculo do IRPF a titulo de despesas com instrução, no valor de R$ 4.060,00 (quatro mil e sessenta reais). Regularmente intimado, não logrou comprovar, integralmente, a ocorrência desta despesa. Destarte, procedeuse à glosa Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2001 R$ 4.060,00 150,00 Enquadramento legal: Art. 11, § 3º do DecretoLei nº 5.844/43; Arts. 8º, inciso II, alínea ‘b’, da Lei 9.250/95; Arts. 73 e 81 do RIR/99. 005 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAP1 O contribuinte informou, em sua Declaração Anual de Ajuste, dedução da Base de Cálculo do IRPF a título de despesas de Previdência Privada e FAPI (Fundo de Aposentadoria Programada Individual), no valor de R$ 4.800,00 (quatro mil e oitocentos reais). Fl. 4DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10315.001071/200714 Acórdão n.º 2102001.136 S2‐C1T2 Fl. 107 5 Regularmente intimado, não logrou comprovar, integralmente, a ocorrência desta despesa. Destarte, procedeuse à glosa referente ao montante não comprovado, de R$ 4.800,00 (quatro mil e oitocentos reais). Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2001 R$ 4.800,00 150,00 Enquadramento legal: Art. 11, § 3º do DecretoLei nº 5.844/43 e art. 4º, inciso V, da Lei nº 9.250/95; Art. 11 da Lei nº 9.532/97; Arts. 73, 82 e § 1º do RIR/99; Art. 61 da Medida Provisória nº 2.15835.” Conforme os demonstrativos de apuração e compensação de valores, às fls. 07 e 08, respectivamente, o valor do imposto devido foi calculado em R$ 3.680,00, sobre o qual incidiram a multa de ofício de 150% e os respectivos juros de mora. (fl. 09). De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 10 a 13 elaborado pela autoridade lançadora, a presente ação fiscal se iniciou pelo fato de que, em meados de 2006, o RECORRENTE apresentou declaração retificadora referente ao anocalendário 2001, resultando no aumento da restituição devida. Contudo, a Secretaria da Receita Federal verificou que mais de 80 contribuintes com o mesmo domicílio fiscal do RECORRENTE procederam da mesma forma, o que levou tais declarações retificadoras a serem colocadas em malha e selecionadas para trabalho manual. Segundo a autoridade fiscal, as declarações retificadoras apresentaram as seguinte coincidências: “i) Os contribuintes são todos servidores públicos federais, em exercício em uma mesma Repartição: a FUNASA – Fundação Nacional de Saúde; ii) Todos eles solicitaram à Receita Federal, aproximadamente à mesma época, cópias de suas Declarações de Ajuste Anual daquele exercício de 2002, anocalendário 2001; iii) As retificações, em sua totalidade, seguiram um padrão semelhante, qual seja, o de alterar apenas os valores informados a título de deduções da base de cálculo do IRPF, como Despesas com a Previdência Oficial e Previdência Privada, Despesas com Dependentes, Despesas de Instrução, e Despesas Médicas. iv) Todas as DIRPF Retificadoras ensejaram um Mesmo resultado: a redução do Imposto de Renda calculado, e conseqüente aumento da restituição devida. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10315.001071/200714 Acórdão n.º 2102001.136 S2‐C1T2 Fl. 108 6 v) O objeto destas retificações foi sempre a DIRPF de um mesmo exercício (2002), anocalendário de 2001.” A autoridade fiscal apresentou, no Relatório Fiscal, as afirmações resumidamente transcritas a seguir: “(...) Em face da simultaneidade de todas estas coincidências, a DRF/JNE abriu fiscalização para vinte e cinco destes contribuintes, cujas DIRPF Retificadoras já haviam sido processadas pelos Sistemas da SRF, e que já haviam recebido o acréscimo da restituição do Imposto de Renda oriundo das alterações nelas informadas. Regularmente intimados, vários deles relataram a ocorrência de uma mesma situação, explanada a seguir, e cujas circunstâncias indiciarias de fraude somente vieram a confirmar a suspeição havida por ocasião da descoberta de todas aquelas aludidas coincidências. Informaram que teriam sido contatados por um colega de Repartição, também em exercício na FUNASA, o qual lhes teria dito acerca da existência de um resíduo de restituição de Imposto de Renda do anocalendário 2001, a que teriam direito, caso apresentassem uma cópia da DIRPF/2002 a um determinado servidor da própria Secretaria da Receita Federal. Este, por sua vez, se encarregaria pessoalmente de fazer a retificação necessária à liberação do prometido resíduo. Asseveraram, por fim, que após liberada a restituição objeto da Declaração Retificadora, cada beneficiado teria que pagar 30% (trinta por cento) do valor restituído àquele servidor da SRF. Além destes contribuintes sujeitos a procedimento de fiscalização, os demais envolvidos na mesma situação, em número aproximado de sessenta, tiveram suas Declarações Retificadoras colocadas em malha DRF, e selecionadas para trabalho manual, sendo ora objeto de revisão. Entre estes últimos está o Sr. José Laerton Patrício Alexandre, ... CPF 222.562.45349. (...) Em 16/10/2006 foi lavrado Pedido de Esclarecimentos, por meio do qual o contribuinte foi intimado a apresentar documentação comprobatória de diversas deduções, como a relação de dependência, comprovantes de despesas com instrução, comprovantes de despesas médicas, etc. (...) CONCLUSÃO. No curso da ação fiscal restou comprovado que o contribuinte utilizou deduções não comprovadas DESPESAS COM Fl. 6DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10315.001071/200714 Acórdão n.º 2102001.136 S2‐C1T2 Fl. 109 7 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA OFICIAL, PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAPI, DESPESAS DE INSTRUÇÃO, DESPESAS MÉDICAS e DESPESAS COM DEPENDENTES na apuração da base de cálculo do imposto de renda. Tais deduções, por serem. indevidas, foram glosadas. (...) No tocante à declaração de todas estas despesas não comprovadas, evidenciouse, em face do conjunto das circunstâncias aqui expostas, a presença de indícios de fraude, no ato de prestar declaração falsa ao Fisco, com o intuito de suprimir ou reduzir tributo devido. (...)” O Pedido de Esclarecimentos expedido pela Receita Federal encontrase à fl. 14 dos autos. Às fls. 16 e 17 foram juntadas as DIRFs da fonte pagadora do RECORRENTE (FUNASA) relativa aos rendimentos pagos no anocalendário 2001. A cópia da declaração de ajuste anual retificadora apresentada pelo RECORRENTE em 21/09/2006 também foi juntada aos autos (fls. 19 a 21). DA IMPUGNAÇÃO Em 19/11/2007, o RECORRENTE apresentou sua impugnação de fls. 28 a 32, por meio de procurador devidamente habilitado à fl. 33. Em suas razões, apresentou os termos a seguir resumidamente transcritos: “(...) O impugnante procurou a Receita Federal em Iguatu, para obter informações sobre possível restituição referente ao exercício de 2002, anocalendário 2001, pois, alguns de seus colegas de trabalho já haviam recebido a citada verba. O servidor da Receita Federal Itaécio Anunciado, informoulhe que realmente a informação era procedente, solicitando do impugnante sua declaração original para análise. O que o impugnante não esperava é que O Sr, Itaécio fosse efetivamente dar início à retificação da declaração, modificando dados sem a devida autorização do impugnante. Em verdade foi vítima do servidor da Receita e ressaltese nada recebeu deste procedimento a não ser o auto de infração ora combatido. Salientese que muitos dos colegas de trabalho do impugnante também buscaram da mesma forma receber a respectiva restituição, com a entrega das declarações ao Sr. Itaécio que cobrou percentual 30% do valor recebido. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10315.001071/200714 Acórdão n.º 2102001.136 S2‐C1T2 Fl. 110 8 Passados alguns dias o impugnante tomou conhecimento através da imprensa escrita, que o servidor Itaécio estava sendo convocado através de edital para defenderser em procedimento administrativo disciplinar. Surpresa maior veio posteriormente com o chamamento do impugnante para comparecer à Receita Federal a fim de prestar esclarecimentos. Neste momento tomou conhecimento de que fora vítima de artifício ardil perpetrado pelo Sr. Itaécio Anunciado, que "retificou", a Declaração de Imposto de Renda, acrescentando informações inverídicas, sem prévia autorização do contribuinte ora impugnante. (...) DA MULTA APLICADA (...) Pela definição literal do que é verdadeiramente fraude para o fisco, vemos que em nenhum momento ficou constatada a ocorrência de fraude por parte do impugnante, tendo em vista que agiu legitimado pela boafé, acreditando que o procedimento adotado pelo Sr. Itaécio era licito, não comportando vício algum que o maculasse, portanto latente a ausência de evidente intuito de fraude e ainda de ação ou omissão dolosa para aplicação da multa impugnada. (...) Nesse sentido, a boafé do impugnante resta comprovada e deve ser levada em consideração, uma vez que em verdade foi vitima de manobra ardilosa por parte do servidor da Receita Federal, que alterou dados da Declaração de Ajuste de Imposto de Renda sem o conhecimento do contribuinte. (...) DOS JUROS APLICADOS (...) Não se afigura como leal cobrar créditos aplicandose juros indevidos, para evitar tanto o enriquecimento sem causa, quanto o locupletamento ilícito. Considerando somente a título hipotético, a subsistência do presente auto de infração, impõese a aplicação de juros de mora tão somente a partir da suposta retificação e não da data da entrega 30.04.2002. DO IMPOSTO DEVIDO Os lançamentos contidos no auto de infração referentes ao imposto tomaram por base a retificação feita de forma Fl. 8DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10315.001071/200714 Acórdão n.º 2102001.136 S2‐C1T2 Fl. 111 9 fraudulenta pelo então servidor da Receita Federal José Itaecio Anunciado, que promoveu alterações na Declaração de Ajuste Anual de Imposto de Renda, sem qualquer conhecimento ou mesmo autorização do impugnante. Ressaltese que quando da primeira Declaração o impugnante conseguiu comprovar todo o alegado, contudo, é evidente que não teria a mesma sorte na Declaração forjada pelo servidor Itaécio, pois, eivada de vícios dos quais sequer tinha conhecimento. Ante o exposto: 1 A IMPROCEDÊNCIA do Auto de Infração ora combatido, com base na boafé e ainda na ausência de dolo por parte do impugnante, determinando o seu arquivamento. 2 Caso assim não entenda Vossa Senhoria, o combatido auto deverá ser julgado procedente apenas em parte com a exclusão da multa contida no art. 44 da Lei 9430/96 pela total ausência do intuito de fraude por parte do impugnante, bem como a redução do valor dos juros de mora desta feita tomandose por base a data do recebimento da retificação da Declaração de Ajuste Anual de Imposto de Renda...” O RECORRENTE juntou aos autos a documentação de fls. 34 a 48. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 66 a 76 dos autos, julgou procedente em parte o lançamento do imposto de renda, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. Somente acatase o valor das deduções comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É devida a multa de ofício qualificada de 150%, quando restar comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme definido na lei. JUROS SELIC. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10315.001071/200714 Acórdão n.º 2102001.136 S2‐C1T2 Fl. 112 10 Para o cálculo dos juros de mora a data de vencimento do imposto é aquela estabelecida para a entrega da declaração de rendimentos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÕES INDEVIDAS DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO E DESPESAS MÉDICAS. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001 SENTENÇAS JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela, objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. Lançamento Procedente em Parte” Nas razões do voto, a autoridade julgadora considerou não impugnadas as infrações de dedução indevida de despesas médicas e de despesas com instrução, e observou o seguinte quanto às demais infrações imputadas ao RECORRENTE: a) Contribuição à previdência oficial: A declaração emitida pelo Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal no Estado do Ceará (fl. 42) atesta que foi descontado do RECORRENTE, no ano calendário 2001, contribuição à previdência oficial no valor de R$ 2.139,83. Observou também que tal informação corresponde ao informado na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – Dirf apresentada pela fonte pagadora Fundação Nacional de Saúde (fl. 17). Portanto, acatou parte da dedução da contribuição à previdência oficial pleiteada na Declaração de Ajuste Anual retificadora referente ao anocalendário 2001, a saber: R$ 2.139,83. b) Contribuição à previdência privada: O documento acostado aos autos pelo RECORRENTE (cópia de “relação de débito” emitida pela Caixa de Pecúlios, Assistência e Previdência dos Servidores da FSESP – fl. 35) não possui qualquer informação a respeito de valores supostamente pagos a título de contribuição à previdência privada. Assim, manteve a autuação. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10315.001071/200714 Acórdão n.º 2102001.136 S2‐C1T2 Fl. 113 11 c) Dependentes: O RECORRENTE juntou aos autos cópia de (i) sua certidão de casamento com Raimunda Liduína Silva Patrício (fl. 37), (ii) certidão de nascimento de seu filho José Lierton Silva Patrício (fl. 38), e (iii) carteira de identidade de sua filha Francisca Lidiane Silva Patrício (fl. 36). Contudo, a autoridade julgadora observou que nenhuma destas pessoas figura como dependente do RECORRENTE na declaração de ajuste retificadora (fl. 20). Portanto, manteve a autuação. d) Multa de ofício: A autoridade julgadora entendeu que a conduta do RECORRENTE de permitir que terceiros tivessem acesso à sua declaração de rendimentos, como foi o caso, é ato de seu livre arbítrio. Assim, a despeito da alegação de que não autorizou qualquer modificação em sua declaração de ajuste, o RECORRENTE permitiu que terceiros tivessem acesso à sua declaração de rendimentos do anocalendário de 2001 e dela fizessem uso, objetivando receber “resíduo de restituição”. As observações feitas pela autoridade julgadora sobre o tema foram as seguintes: “(...) No Relatório Fiscal, já acima mencionado, consta que em meados do anocalendário de 2006, o contribuinte requereu junto à Delegacia da Receita Federal que o jurisdiciona, cópia da Declaração de Ajuste Anual, exercício 2002, anocalendário 2001. Em seguida, verificase a apresentação de Declaração de Ajuste Anual — DAA, retificadora, para o referido período, onde se vê que quase todos os valores das deduções pleiteadas foram modificados para mais, o que acarretou redução da base de cálculo, e, por conseguinte, proporcionou ao interessado, restituição de imposto de renda em valor bem maior do que aquele já recebido, por ocasião da entrega da declaração original. Após ser intimado pela Fiscalização a apresentar documentação comprobatória referente às deduções pleiteadas, o contribuinte apresentou, ainda, declaração junto à Agência da Receita Federal do Brasil em Iguatu (fls. 39), onde fez constar que fora informado pelo Sr. Itaécio que tinha direito a ‘resíduo’ de restituição referente ao anocalendário 2001 e que lhe seria cobrado ‘uma taxa de 30% do montante’ após o seu recebimento. Com o intuito de receber . o citado ‘resíduo’, o autuado afirmou, agora, em seu arrazoado, que entregou ao Sr. Itaécio,.sua declaração original, contudo, não dera autorização para que o mencionado servidor da Secretaria da Receita Federal do Brasil alterasse qualquer informação a seu respeito constante nos registros internos desse órgão, considerandose vítima do citado servidor. De pronto, registrase, que causa bastante estranheza que o impugnante, servidor público, sabedor que tributos/contribuições/tarifas que são cobrados pelo serviço Fl. 11DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10315.001071/200714 Acórdão n.º 2102001.136 S2‐C1T2 Fl. 114 12 público, somente ingressam nos cofres do Tesouro, mediante documento de arrecadação próprio a ser pago na rede bancária por contribuinte ou seu preposto, repentinamente, ache natural, normal e lícito, que um servidor público, no caso, funcionário da Secretaria da Receita Federal do Brasil, lhe exija um percentual sobre restituição que, em princípio, teria direito. (...) Ademais, mesmo que o contribuinte alegue que não autorizou expressamente que terceiros modificassem, perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil, informações constantes nos sistemas internos desse Órgão, resta claro nos autos que o contribuinte, objetivando conseguir receber "resíduo" de restituição, permitiu sim que terceiros tivessem acesso à sua declaração de rendimentos do anocalendário de 2001 e dela fizessem uso, não importando em se cientificar quais os meios que seriam utilizados para conseguir tal intento e se, de fato, teria direito a receber restituição maior que aquela pleiteada em sua declaração de rendimentos originalmente apresentada. (...) relevante salientar que, perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil, o contribuinte é o responsável pelo preenchimento da sua declaração, mesmo que entregue a outrem o encargo de fazêlo. (...)” Deste modo, entendeu como correta a aplicação da multa qualificada pela autoridade lançadora. e) Juros: No que diz respeito aos juros cobrados, a DRJ esclareceu que o art. 61, o § 3º, da Lei nº 9.430/96, estabelece que os juros de mora incidem a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo. Desta forma, conforme prevê o art. 4º, § 1º, da Instrução Normativa nº 579, de 08 de dezembro de 2006, para o cálculo dos juros de mora, a data de vencimento do imposto é aquela estabelecida para a entrega da declaração de rendimentos, que, no caso, foi 30/04/2002. Portanto, entendeu que não merecia ser acolhida a tese do RECORRENTE, de que os juros somente incidiriam a partir da data da entrega da declaração retificadora. Pelos motivos acima exposto, a DRJ recalculou o valor do imposto de renda devido, conforme o seguinte demonstrativo: DIRPF/2002 Valores em Reais Rendimentos Tributáveis 51.475,08 Deduções: Contribuição à Previdência Oficial 2.139,83 Base de Cálculo 49.335,25 Fl. 12DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10315.001071/200714 Acórdão n.º 2102001.136 S2‐C1T2 Fl. 115 13 Imposto Devido 9.247,19 Imposto Pago 1.580,70 Imposto Apurado 7.666,49 Valor Compensado (R$ 5.877,23 – R$ 1.320,29) 4.574,94 Imposto a Pagar 3.091,55 DO RECURSO VOLUNTÁRIO O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 18/04/2008, conforme faz prova o AR de fl. 79, apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 83 a 89, postado nos Correios em 16/05/2008 (fls. 81 e 81v). Em suas razões de recurso, o RECORRENTE reiterou o alegado em sua impugnação, inovando apenas no sentido de alegar a prescrição dos créditos cobrados, oportunidade em que requereu fosse anulado o lançamento. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Preliminar De início, devese analisar a decadência dos créditos tributários lançados, conforme defendeu o RECORRENTE. Apesar do caso em análise referirse ao anocalendário 2001, entendo que os créditos tributários exigidos não foram atingidos pela decadência, mesmo se tratando de lançamento lavrado em 26/09/2007. É que a instauração da ação fiscal que deu origem ao lançamento somente foi possível a partir da data que o RECORRENTE apresentou a declaração retificadora, ou seja, em 21/09/2006 (fl. 19). Assim, em se tratando de lançamento originado a partir da declaração Fl. 13DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10315.001071/200714 Acórdão n.º 2102001.136 S2‐C1T2 Fl. 116 14 retificadora, correto é entender que o início do prazo decadencial para o Fisco revisar o tributo nela apurado surge a partir da apresentação da retificadora. Salientese que, após a declaração retificadora ser processada e aceita, as informações nela constantes passam a ser as únicas válidas para todos os efeitos legais. Sendo assim, é coerente que as informações fornecidas pelo contribuinte através da retificadora sujeitemse ao prazo decadencial pleno (de 5 anos) previsto no art. 150, § 4º, do CTN, considerando a existência de pagamento parcial do imposto devido. Portanto, entendo que a apresentação de declaração retificadora desloca o termo inicial do prazo decadencial para glosa de deduções indevidas, tendo em vista que o lançamento somente pode ser efetuado com o conhecimento das nova informações apresentadas na retificadora. Neste sentido é o entendimento do antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, conforme julgado abaixo transcrito: “DECADÊNCIA DECLARAÇÃO RETIFICADORA A apresentação de declaração retificadora, contendo novos elementos que possam levar à autuação, desloca o inicio do prazo decadencial. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO NÃO OCORRÊNCIA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Em se tratando de imposto em que a incidência na fonte se dá por antecipação daquele a ser apurado na declaração de ajuste anual, não existe responsabilidade tributária concentrada, exclusivamente, na pessoa da fonte pagadora. MULTA DE OFICIO APLICABILIDADE Nos casos de lançamento de ofício cabe a aplicação da multa no percentual de 75% conforme previsto na legislação de regência. MULTA DE OFICIO CONFISCO Em se tratando de lançamento de oficio, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos. SELIC A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributados administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n°. 4). Argüição de decadência rejeitada. Recurso negado. (Processo nº 10120.000380/200592; julgado em 17/10/2007; 4ª Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes)” Fl. 14DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10315.001071/200714 Acórdão n.º 2102001.136 S2‐C1T2 Fl. 117 15 Sendo assim, como o inicio do prazo decadencial foi deslocado pela declaração retificadora apresentada em 21/09/2006, não há que se falar na ocorrência da decadência do presente lançamento, uma vez que o RECORRENTE foi cientificado do mesmo em 17/10/2007 (fl. 24). Portanto, são insubsistentes as alegações do RECORRENTE quanto à extinção dos créditos tributários pela decadência. Ultrapassada a preliminar, passo a analisar o mérito da defesa do RECORRENTE: Mérito Das deduções indevidas O presente lançamento decorreu da glosa de deduções pleiteadas indevidamente ou a maior pelo RECORRENTE, referente ao anocalendário 2001. Após revisão da declaração retificadora apresentada pelo RECORRENTE (fls. 19 a 21), a autoridade fiscal expediu, em 16/10/2006, Pedido de Esclarecimento (fl. 14), por meio do qual intimou o RECORRENTE a apresentar documentação comprobatória das deduções pleiteadas, nos seguintes termos: “DOCUMENTOS A APRESENTAR: Documentação que comprove o pagamento referente às despesas médicas, documentação que comprove o pagamento referente às despesas com instrução, comprovante da relação de dependência, documentação que comprove o pagamento da contribuição á previdência privada e FAPI, e comprovante de rendimentos pagos e imposto de renda retido na fonte informado na sua declaração de ajuste anual de imposto de pessoa física exercício 2002 anocalendário 2001.” Em princípio, importante transcrever os dispositivos legais que tratam da matéria. O art. 8º da Lei nº 9.250/95 (com a redação vigente à época dos fatos geradores) dispõe o seguinte: “Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Fl. 15DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10315.001071/200714 Acórdão n.º 2102001.136 S2‐C1T2 Fl. 118 16 b) a pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual de R$ 1.700,00 (um mil e setecentos reais); c) à quantia de R$ 1.080,00 (um mil e oitenta reais) por dependente; d) às contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; e) às contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social;” Por sua vez, importante ressaltar que, conforme disciplina o art. 73 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), o contribuinte deve comprovar as deduções pleiteadas em declaração de ajuste: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora” Sendo assim, o RECORRENTE teve a oportunidade de comprovar as deduções pleiteadas em sua declaração retificadora quando a autoridade fiscal expediu o Pedido de Esclarecimento de fl. 14, o que não foi atendido. Ademais, o RECORRENTE poderia apresentar documentação comprobatória das deduções pleiteadas quando da apresentação de sua impugnação, bem como do recurso voluntário. Entretanto, entendo que os únicos documentos trazidos aos autos (fls. 34 a 48) não são capazes de atestar as informações prestadas na declaração retificadora (exceto parte do valor da previdência oficial informado), pelos seguintes motivos: a) Despesa com instrução: não foi apresentado nenhum comprovante de despesa com instrução do RECORRENTE ou de seus dependentes (matéria considerada como não impugnada pela DRJ); b) Despesa médica: não foi apresentado nenhum comprovante de despesa médica (matéria considerada como não impugnada pela DRJ); c) Dependentes: a sua certidão de casamento com a Raimunda Liduína Silva Patrício (fl. 37), a certidão de nascimento de seu filho José Lierton Silva Patrício (fl. 38) e a carteira de identidade de sua filha Francisca Lidiane Silva Patrício (fl. 36), apenas servem para atestar a relação de parentesco do RECORRENTE com as citadas pessoas. Contudo, nenhuma delas foi indicada como dependente na declaração do RECORRENTE (fl. 20). Portanto, caberia ao RECORRENTE comprovar a relação de dependência das pessoas que figuram em sua declaração de ajuste, e não de terceiros que não foram relacionados pelo RECORRENTE. d) Previdência privada: o documento expedido pela Caixa de Pecúlios, Assistência e Previdência dos Servidores da FSESP (fl. 35) não comprova qualquer Fl. 16DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10315.001071/200714 Acórdão n.º 2102001.136 S2‐C1T2 Fl. 119 17 recolhimento efetuado a título de previdência privada em nome do RECORRENTE no ano calendário 2001; e) Previdência oficial: conforme já reconhecido pela autoridade julgadora de primeira instância, o RECORRENTE apresentou documento (fl. 42) que comprova parte da dedução pleiteada a título de previdência oficial. Assim, por não haver qualquer outra prova de recolhimento à previdência oficial, somente foi excluído da tributação o valor de R$ 2.139,83. Do acima exposto, concluise que o único documento que comprova parte da dedução pleiteada pelo RECORRENTE é a declaração do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal no Estado do Ceará S1NTSEF/CE (fl. 42), não havendo qualquer outro documento comprobatório de que o RECORRENTE incorreu nas despesas por ele declaradas. O fato de os valores informados na retificadora não terem sido preenchidos pelo RECORRENTE (segundo alega o mesmo) não o isenta de comproválos, tendo em vista que as informações prestadas à Receita Federal são de sua inteira responsabilidade, não importando se a declaração foi preenchida, de fato, por terceiros. Ademais, o RECORRENTE reconhece expressamente que as informações em sua declaração retificadora não são condizentes com a realidade. Ora, se tais informações não são verdadeiras, o RECORRENTE deveria, ao menos, trazer aos autos qualquer prova das deduções pleiteadas em sua declaração original (fls. 64 e 65), as quais presumese que não sejam falsas. No entanto, deixou de apresentar documentação comprobatória de qualquer despesa e em qualquer valor. Portanto, deve ser mantido o julgamento da DRJ no que diz respeito às deduções indevidas, tendo em vista que o RECORRENTE não conseguiu comproválas. Da multa aplicada O RECORRENTE insurgese contra a multa qualificada aplicada, alegando que agiu com boafé, uma vez que “foi vitima de manobra ardilosa por parte do servidor da Receita Federal, que alterou dados da Declaração de Ajuste de Imposto de Renda sem o conhecimento do contribuinte”. Assim, requereu a exclusão da multa aplicada ante a ausência de fraude. Sobre a multa aplicada, devese esclarecer que a mesma decorre de previsão legal, conforme disciplina o art. 44 da Lei nº 9.430/96 que, na época dos fatos, possuía a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 17DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10315.001071/200714 Acórdão n.º 2102001.136 S2‐C1T2 Fl. 120 18 II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” É a Redação dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64: “Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Tanto nas suas razões em recurso voluntário, como também na impugnação apresentada, o RECORRENTE se limita a afirmar que fora vítima de servidor da Receita Federal (Sr. José Itaécio Anunciado), o qual prometeu restituir o “resíduo” que o RECORRENTE tinha direito. Segundo o RECORRENTE, o servidor da Receita Federal solicitou 30% do montante resgatado como forma de pagamento e ele aquiesceu com o pagamento. Ora, a despeito de o RECORRENTE alegar que em nenhum momento autorizou a alteração dos dados de sua declaração por terceiro, compreendese, da leitura de sua defesa, que o mesmo aceitou as exigências feitas pelo Sr. Itaécio com o intuito de receber o “resíduo da restituição”. Se não, por qual outro motivo entregaria cópia de sua declaração de ajuste ao Sr. Itaécio? O documento de fl. 39 atesta que o RECORRENTE aceitou entregar a sua declaração de ajuste ao Sr. Itaécio para que este obtivesse o “resíduo da restituição”, bem como concordou com o pagamento de 30% do valor que lhe seria restituído. Na defesa do RECORRENTE existem diversas narrativas que, se forem verdadeiras, demonstram a ocorrência de crime contra a Administração Pública, principalmente porque o RECORRENTE aceitou as condições impostas pelo Sr. Itaécio sem se importar ou questionar quais os meios que seriam utilizados para apurar “resíduo de restituição”. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10315.001071/200714 Acórdão n.º 2102001.136 S2‐C1T2 Fl. 121 19 A boafé do RECORRENTE não está caracterizada em nenhuma de suas atitudes. Pelo contrário. Em suas próprias alegações, o RECORRENTE reconhece que as informações apresentadas em sua declaração retificadora não são condizentes com a verdade, o que, por si só, atesta a máfé do RECORRENTE, visto que mantevese inerte e não procurou corrigilas. Ademais, ao afirmar expressamente sobre a cobrança, pelo Sr. Itaécio, de 30% do valor que seria restituído, como condição para apurar o “resíduo”, o RECORRENTE aceitou tal exigência, incorrendo no tipo criminal previsto no art. 317 do Código Penal: “Corrupção passiva Art. 317 Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumila, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem: Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.” Sendo assim, por restar confessado pelo RECORRENTE a aceitação de condições ilícitas como forma de obter o denominado vantagem, é evidente que o mesmo agiu com intuito de fraude, uma vez que aceitou o risco de ver incluídos dados falsos em sua declaração de ajuste. Portanto, deve ser mantida a multa qualificada no percentual de 150%. Dos juros de mora O RECORRENTE defende que os juros moratórios somente incidem a partir da apresentação de sua declaração retificadora, e não da data limite para a entrega da declaração de ajuste anual. Contudo, entendo que não merece reparos a decisão da DRJ. Como bem observou a autoridade julgadora de primeira instância, os juros de mora incidem a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento (art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96). No caso do imposto de renda apurado em decorrência de revisão de declaração de ajuste anual, o art. 4º, § 1º, da Instrução Normativa nº 579, de 8 de dezembro de 2006, determina que a data de vencimento é aquela estabelecida para a entrega da DIRPF. Como o lançamento referese ao anocalendário 2001, a data de vencimento do crédito tributário apurado na revisão da declaração de ajuste é o dia 30/04/2002. Portanto, os juros devem incidir a partir de 1º/05/2002. Por fim, quanto à aplicação da taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, entendo que é legal a incidência, nos exatos termos da Súmula nº 04 deste CARF: “SÚMULA CARF Nº 4 Fl. 19DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10315.001071/200714 Acórdão n.º 2102001.136 S2‐C1T2 Fl. 122 20 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Ante o acima exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, no sentido de manter a decisão proferida pela DRJ. ASSINADO DIGITALMENTE Carlos André Rodrigues Pereira Lima Fl. 20DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 15582.000336/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/05/2000 a 30/11/2005
AUTO DE INFRAÇÃO NÃO
ARRECADAÇÃO, MEDIANTE
DESCONTO DAS REMUNERAÇÕES, DAS CONTRIBUIÇÕES
PREVIDENCIÁRIAS DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES
INDIVIDUAIS
Toda empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto das
remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados a seu serviço.
SALÁRIO INDIRETO PRÊMIO
O prêmio fornecido pela empresa a seus empregados a título de incentivo
pelas vendas, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial.
REMUNERAÇÃO CONCEITO
Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo
empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades,
provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de
trabalho.
HABITUALIDADE
O conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando
implementada a condição para seu recebimento retiralhe
o caráter da
eventualidade, tornandoo
habitual.
GRADAÇÃO DA MULTA POR DOLO, FRAUDE OU MÁFÉ
INOCORRÊNCIA.
Não cabe a gradação da multa com fundamento no art. 290, II, do RPS
quando não restar comprovado, nos autos, que o contribuinte tenha agido
com dolo, fraude ou máfé.
O entendimento da empresa de que a verba paga não possui natureza salarial
não configura dolo ou fraude.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-001.942
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para retificar a penalidade aplicada, retirando-se a gradação prevista no inciso II, do art. 292, do Decreto 3.048/1999, nos termos do voto da Relatora; e b) em negar provimento ao recurso, nas demais questões argüidas pela Recorrente, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 30/11/2005 AUTO DE INFRAÇÃO NÃO ARRECADAÇÃO, MEDIANTE DESCONTO DAS REMUNERAÇÕES, DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Toda empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados a seu serviço. SALÁRIO INDIRETO PRÊMIO O prêmio fornecido pela empresa a seus empregados a título de incentivo pelas vendas, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial. REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho. HABITUALIDADE O conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição para seu recebimento retiralhe o caráter da eventualidade, tornandoo habitual. GRADAÇÃO DA MULTA POR DOLO, FRAUDE OU MÁFÉ INOCORRÊNCIA. Não cabe a gradação da multa com fundamento no art. 290, II, do RPS quando não restar comprovado, nos autos, que o contribuinte tenha agido com dolo, fraude ou máfé. O entendimento da empresa de que a verba paga não possui natureza salarial não configura dolo ou fraude. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1934; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 256 1 255 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15582.000336/200721 Recurso nº 254.674 Voluntário Acórdão nº 230101.942 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de março de 2011 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL Recorrente CASA DO ADUBO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 30/11/2005 AUTO DE INFRAÇÃO NÃO ARRECADAÇÃO, MEDIANTE DESCONTO DAS REMUNERAÇÕES, DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Toda empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados a seu serviço. SALÁRIO INDIRETO PRÊMIO O prêmio fornecido pela empresa a seus empregados a título de incentivo pelas vendas, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial. REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho. HABITUALIDADE O conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição para seu recebimento retiralhe o caráter da eventualidade, tornandoo habitual. GRADAÇÃO DA MULTA POR DOLO, FRAUDE OU MÁFÉ INOCORRÊNCIA. Não cabe a gradação da multa com fundamento no art. 290, II, do RPS quando não restar comprovado, nos autos, que o contribuinte tenha agido com dolo, fraude ou máfé. O entendimento da empresa de que a verba paga não possui natureza salarial não configura dolo ou fraude. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A 2 Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para retificar a penalidade aplicada, retirandose a gradação prevista no inciso II, do art. 292, do Decreto 3.048/1999, nos termos do voto da Relatora; e b) em negar provimento ao recurso, nas demais questões argüidas pela Recorrente, nos termos do voto da Relatora MARCELO OLIVEIRA Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15582.000336/200721 Acórdão n.º 230101.942 S2C3T1 Fl. 257 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 25/10/2006, por ter a empresa acima identificada deixado de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço, infringindo, dessa forma, o inciso I, alínea “a”, do art. 30, da Lei 8.212/91, e art. 4, “caput”, da Lei 10.666/03, c/c o art. 216, inciso I, alínea “a” do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls 13), a recorrente deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, conforme previsto na legislação Previdenciária, relativas aos valores pagos aos segurados mediante cartões de premiação, assim como as respectivas contribuições sociais. A autoridade autuante informa que a empresa remunera os segurados a seu serviço por meio da entrega de cartões de premiação, intermediada pela empresa administradora do programa, Incentive House S/A, e não registrou essa remuneração em títulos próprios de sua contabilidade. Conforme Relatório Fiscal da Multa Aplicada (fls. 16/17), foi aplicada a penalidade prevista no art. 283, I, g, agravada na forma do art. 292, II e III, tendo em vista a ocorrência das circunstâncias agravantes previstas no art. 290, II e V, todos do Decreto 3.048/99. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da DN 07.401./ 0541 /2006 (fls. 178 a 186), julgou a autuação procedente. Inconformada com a decisão, a autuada, apresentou recurso tempestivo (fls. 190), repetindo basicamente as alegações já apresentadas na impugnação. Inicialmente, reitera o entendimento de que não incide contribuição social sobre o creditamento de remuneração não habitual aos segurados empregados. Assevera que o quanto creditado a título de incentivo as vendas não compõe a grandeza dimensível da hipótese de incidência da contribuição social, uma vez que tal parcela, muito embora remuneratória, não é creditada habitualmente aos segurados empregados da recorrente. Traz o conceito de habitualidade para concluir que o creditamento de valores por produção em comento não se trata de remuneração habitual, justamente pelo fato de não integrarem as cláusulas do contrato individual de trabalho, já que constituise fruto de situação eventual (campanha de venda), e desde que diante da ocorrência do cumprimento de situação sujeita a evento incerto (alcance de metas). Esclarece que os prêmios por produções somente são instituídos por liberalidade da recorrente e de seus fornecedores, não atendendo qualquer habitualidade anual ou observada qualquer outra periodicidade específica. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A 4 Detalha a regra matriz de incidência tributária das contribuições sobre o creditamento de remuneração aos contribuintes individuais que prestam serviços a empresa, para afirmar que a recorrente não pode figurar como tomadora dos serviços dos contribuintes individuais justamente pelo fato de que a recorrente toma serviços da sociedades empresariais que atuam no ramo de representação comercial. Informa que a sociedade INCENTIVE HOUSE, ao invés de creditar os prêmios às sociedades representantes comerciais, regulamente constituídas, fazia o creditamento dos valores em nome dos gerentes dessas sociedades, em que pese o fato de tal parcela remuneratória ser devida à empresa representante comercial, e não aos seus gerentes, motivo pelo qual, muito embora se afigure contabilmente como creditamento de valores a contribuintes individuais, deveras significa creditamento de valores às sociedades empresariais representantes comerciais da ora recorrente. Afirma que tanto o texto constitucional como a lei são categóricos em afirmar que a empresa, sujeito passivo da contribuição previdenciária, só pode figurar como contribuinte quando toma os serviços de pessoas físicas, o que não ocorreu no presente caso, já que a recorrente não contrata a prestação dos serviços de representação com qualquer gerente de sociedade empresarial, mas, em verdade, tal acordo é celebrado com a própria sociedade de representação comercial. Entende que não é devida qualquer contribuição pela recorrente, seja na qualidade de contribuinte por tomar serviços de contribuinte individual, seja na qualidade de responsável tributário pela retenção da contribuição devida na contratação de serviços com cessão de mão de obra. Alega ilegalidade e inconstitucionalidade da contribuição ao SAT, ao Salário Educação, ao INCRA, e da utilização da taxa SELIC para fins tributários. Insurgese contra a multa aplicada, argumentando que a recorrente não infringiu a legislação previdenciária, ressaltando que não agiu com qual quer dolo ou no intuito de fraudar a arrecadação da. Previdência Social. Requer, por fim, que o recurso seja admitido e que seja declarado, ao final, a improcedência da autuação, cancelandose o AI em debate. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15582.000336/200721 Acórdão n.º 230101.942 S2C3T1 Fl. 258 5 Voto Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora. O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. O auto objeto da discussão administrativa foi lavrado por descumprimento da obrigação acessória de arrecadar as contribuições previdenciárias dos segurados, consoante à determinação contida no art. 30, I, “a”, da Lei 8.212/91. Verificase que a recorrente não nega que tenha deixado de arrecadar, mediante desconto, as contribuições dos segurados a seus serviços, incidentes sobre os pagamentos a eles efetuados por meio de campanhas de incentivo administradas pela empresa Incentive House S/A. Ela apenas tenta demonstrar que os valores relativos à premiação concedida por meio de empresa contratada, administradora do programa, não integram o salário de contribuição. No entanto, o conceito de salário de contribuição expresso no art. 28, incisos I e III da Lei 8.212/91 é “...a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades...” e “a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o” (grifei). A própria Constituição Federal, preceitua, no § 4º do art. 201, renumerado para o § 11, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98, o seguinte: § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüentemente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (grifei) Restou claro, nos autos, que a concessão de prêmio aos empregados em função de desempenho como incentivo para as vendas não é eventual e esporádica, e sim habitual. Tais verbas possuem a natureza de prêmio. E, segundo Amauri Mascaro Nascimento: "A natureza jurídica do prêmio não sofre, praticamente, contestações. É uma forma de salário vinculado a um fator de ordem pessoal do empregado ou geral de muitos empregados, via de regra a sua produção. Daí falarse, também, em salário por rendimento ou salário por produção. Caracterizase, também, pelo seu aspecto condicional. Uma vez verificada a condição de que resultam, devem ser pagos". (In “Teoria Jurídica do Salário”, Editora LTR, 1994, pg. 256). Assim, prêmio é remuneração. Esse também é o entendimento do TST: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A 6 “Prêmio é gratificação, e gratificação é salário, se ajustada expressa ou tacitamente, porque a CLT não exige o ajuste expresso" TST pleno ERR 1943/82 DJU 06/12/85 pág. 22644” . E a CLT discrimina as parcelas que compõem a remuneração do empregado, conforme seu art. 457: Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário, não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagem e abonos pagos pelo empregador. Portanto, as gratificações e comissões, que podem ser eventuais, integram a remuneração do empregado por expressa previsão legal. A fiscalização constatou, o que não foi negado pela recorrente em sua peça recursal, que tais valores são pagos por meio de empresa interposta para premiar alguns de seus empregados. Dessa forma, os valores referentes aos prêmios concedidos pela recorrente aos segurados que lhe prestam serviços integram o salário de contribuição, conforme incisos I e III, art 28, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória nº 1.59614/1997, convertida na Lei 9.528/97. Ademais, é oportuno lembrar que, conforme art. 176 do CTN, “a isenção, ainda que prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão...”. No presente caso, não resta dúvida que os prêmios concedidos por meio da empresa prestadora citada no Relatório Fiscal não estão incluídos nas hipóteses legais de isenção previdenciária, previstas no § 9º, art. 28, da Lei 8.212/91. Resta claro que o pagamento feito pela recorrente a título de programa de incentivo em favor dos segurados que lhe prestam serviços não se trata de fornecimento de meio para que esses trabalhadores possam exercer suas funções, e sim uma vantagem que representa um acréscimo indireto à sua remuneração, devendo, portanto, sofrer incidência de contribuição previdenciária. É inegável, no caso presente, o acréscimo patrimonial do segurado ao receber as quantias correspondentes aos prêmios de incentivo. Em que pese o esforço argumentativo da recorrente, verificase que os pagamentos em tela realmente se a amoldam ao figurino legal que delimita a basedecálculo da contribuição previdenciária, como bem entendeu a fiscalização e o julgador de primeira instância. Cumpre esclarecer que a condição de se tratar ou não de remuneração não está vinculada ao interesse da fonte pagadora ou do empregador em, com aquele pagamento, remunerar ou não o trabalhador. Ou seja, não é o nome do pagamento ou a vontade da empresa em si que vai determinar sua natureza jurídica. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15582.000336/200721 Acórdão n.º 230101.942 S2C3T1 Fl. 259 7 O que irá afastar a verba paga da incidência tributária é a estreita observância à legislação a que trata da matéria. Cumpre observar que tais prêmios, oferecidos por mera liberalidade, ainda que de forma condicionada, pela empresa aos segurados que lhe prestam serviços, não nega sua característica remuneratória, já que é decorrência única e exclusiva do contrato existente entre ambos, e mais, representa ganho obtido da empresa, o que nos mostra uma vinculação entre seu fornecimento e o labor do seu beneficiário, indicadora da sua natureza contraprestativa, numa forma indireta. Da mesma forma, constatase que não estamos diante de um pagamento eventual, como veementemente sustenta a recorrente, já que o ganho habitual passível de exação não é necessariamente aquele valor auferido mês a mês, trimestralmente ou mesmo bimestralmente etc. Há verbas pagas no decorrer do contrato de trabalho, ainda que não sejam auferidas nessas condições, e que não podem ser vistas como meramente eventuais. Ademais, o conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição para seu recebimento retiralhe o caráter da eventualidade, tornando o habitual. Há, portanto, uma expectativa criada que se sobrepõe ao fato de não ser seqüencial a continuidade a liberalidade; a continuidade existe por todo o tempo que perdurar o contrato, o recebimento é que depende acontecer a condição estabelecida pelo empregador, que concede o prêmio. A expectativa criada, o costume e a certeza do benefício em se caracterizando a situação prédefinida pela empresa empregadora gera a habitualidade, afasta por completo a eventualidade que poderia enquadrar o pagamento no item 7 da letra “e” do § 9º da Lei 8.213/91. Dessa forma, tendo a verba paga a título de premiação natureza salarial e integrando, portanto, a base de cálculo da contribuição previdenciária, a empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço, consoante determinação contida no art. 30, I, “a”, da Lei 8.212/91 e art. 4o, caput, da Lei 10.666/03: O referido dispositivo legal estabelece que: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: I a empresa é obrigada a: arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; Lei 10.666/2003: Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A 8 juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência. Ao deixar de proceder dessa forma, a recorrente infringiu a legislação previdenciária. Assim, conforme exposto acima, houve infração à legislação previdenciária, uma vez que a fiscalização constatou que a empresa concedeu prêmios a seus segurados empregados e contribuintes individuais e deixou de arrecadar, mediante desconto, as contribuições por eles devidas. E, como não é facultado ao servidor público eximirse de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, em observância ao art. 33 da Lei 8212/99 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. A autuada afirma que não pode figurar como tomadora dos serviços dos contribuintes individuais justamente pelo fato de que a recorrente toma serviços da sociedades empresariais que atuam no ramo de representação comercial, informando que a empresa administradora do programa, a INCENTIVE HOUSE, ao invés de creditar os prêmios às sociedades representantes comerciais, o fazia em nome dos gerentes dessas sociedades, e que por esse motivo a recorrente registrava em sua contabilidade como sendo pagamento de valores a contribuintes individuais, mas que na verdade tratase de pagamento de valores às sociedades empresariais representantes comerciais da ora recorrente. Porém, a fiscalização deixou claro, no item 07 do Relatório Fiscal (fl. 14), que os representantes comerciais considerados para efeito do AI atuavam como vendedores autônomos, pessoas físicas, recebendo os valores relativos aos cartões de premiação sem a emissão formal de nota fiscal de prestação de serviços. Ademais, reiterase, o auto foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória de arrecadar, mediante desconto de suas remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço e a penalidade aplicada para esse tipo de infração independe do número de segurados ou da quantidade de remuneração que deixou de ser arrecadada. Portanto, basta que a empresa deixe de arrecadar a contribuição de um segurado a seu serviçopara que fique configurada a infração à legislação previdenciária. Cumpre ressaltar que a própria empresa reconhece que a premiação concedida aos segurados empregados é remuneração, pois afirma, no item 21 de sua peça recursal, que “tal parcela, muito embora remuneratória, não é creditada habitualmente aos segurados empregados da defendente” (grifei). Ou seja, ela apenas defende que, por não ser habitual a remuneração, não incide contribuições previdenciárias. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15582.000336/200721 Acórdão n.º 230101.942 S2C3T1 Fl. 260 9 A recorrente alega, ainda, ilegalidade e inconstitucionalidade da contribuição ao SAT, ao Salário Educação, ao INCRA, e da utilização da taxa SELIC para fins tributários. Contudo, não é objeto do presente processo administrativo fiscal lançamento de contribuições ao SAT ou aos Terceiros, e nem foi utilizada, no presente AI, a taxa SELIC. Portanto, tais matérias são estranhas ao processo sob análise e totalmente impertinentes ao objeto do AI em discussão, motivo pelo qual não conheço de tais argumentos. A autuada alega que não infringiu a legislação previdenciária, ressaltando que não agiu com qual quer dolo ou no intuito de fraudar a arrecadação da. Previdência Social. Contudo, a infração foi cometida e o auto não pode ser cancelado, como quer a recorrente, pois conforme estabelecido pelo CTN em seu art. 136, “Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infração da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. Mister lembrar que o descumprimento de obrigações legais, sejam elas acessórias ou principais, sempre prejudica o erário. E é com o objetivo do melhor funcionamento da administração tributária, para que não se faça letra morta à lei e se evite a sonegação fiscal em massa é que o legislador impôs a penalidade pecuniária ao sujeito passivo que vilipendia obrigação legal a todos imposta. E, conforme demonstrado acima, a recorrente infringiu a norma previdenciária ao deixar de registrar, em títulos próprios de sua contabilidade, toda a remuneração paga a todos os segurados a seu serviço. Com relação à multa aplicada, entendo que não restou comprovado, nos autos, a ocorrência da circunstância agravante prevista no inciso II, do art. 290, do RPS. Verificase que a empresa não arrecadou, mediante desconto, as contribuições dos segurados a seu serviço, incidentes sobre os valores relativos à premiação, pois entendeu que o pagamento de tais valores não é fato gerador da contribuição previdenciária, não restando demonstrado que tal conduta configura dolo, fraude ou máfé. Assim, entendo que não cabe o agravamento da penalidade aplicada promovido pela autoridade autuante. A autuada requer, por fim, que seja recolhido o pedido de encaminhamento de representação por inexistência de crime contra a ordem tributária ou que seja sobrestado o encaminhamento da representação ao Ministério Público Federal, por crime fiscal, até o trânsito em julgado administrativo. Entretanto, não cabe manifestação a respeito da oportunidade em que a auditoria fiscal deveria efetuar a citada representação, pois o lançamento não guarda qualquer relação de dependência com o possível ilícito praticado. Ademais, a auditoria fiscal agiu no estrito dever funcional, uma vez que tomou ciência da ocorrência, em tese, de crime de apropriação indébita previdenciária tipificado no art. 168A, § 1º, I do Código Penal. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A 10 Também não cabe, nesta instância administrativa, discutir a ocorrência ou não de crime, devendo a recorrente apresentar suas alegações perante o órgão competente para a apuração do ilícito. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; Voto por CONHECER DO RECURSO para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, no sentido de retificar a penalidade aplicada, retirandose a gradação prevista no inciso II, do art. 292, do Decreto 3.048. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 10DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 10283.002744/2005-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
Ementa: IRPF. DECADÊNCIA.
O imposto sobre a renda de pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação, de modo que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é de cinco anos contado do fato gerador, que, como regra, ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário, nos termos da Súmula n.º 38 deste CARF.
MULTA CONFISCATÓRIA. INEXISTÊNCIA.
O princípio que veda o confisco, a teor do que dispõe o art. 150, IV, da Constituição da República, aplica-se aos tributos e não às penalidades.
Ademais, a aferição do argumento do contribuinte, por implicar na análise da constitucionalidade dos dispositivos infraconstitucionais utilizados, não pode ser acatada, em razão da vedação expressa referida pelo art. 26-A do Decreto 70.235/72.
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
IMPOSSIBILIDADE.
A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2101-001.180
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para excluir a aplicação da multa isolada, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro José Evande Carvalho Araujo.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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DECADÊNCIA. O imposto sobre a renda de pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação, de modo que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é de cinco anos contado do fato gerador, que, como regra, ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário, nos termos da Súmula n.º 38 deste CARF. MULTA CONFISCATÓRIA. INEXISTÊNCIA. O princípio que veda o confisco, a teor do que dispõe o art. 150, IV, da Constituição da República, aplicase aos tributos e não às penalidades. Ademais, a aferição do argumento do contribuinte, por implicar na análise da constitucionalidade dos dispositivos infraconstitucionais utilizados, não pode ser acatada, em razão da vedação expressa referida pelo art. 26A do Decreto 70.235/72. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 94DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10283.002744/200514 Acórdão n.º 2101001.180 S2C1T1 Fl. 88 2 ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para excluir a aplicação da multa isolada, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro José Evande Carvalho Araujo. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Substituto (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, José Evande Carvalho Araujo (convocado), Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 84/85) interposto em 13 de setembro de 2007 contra o acórdão de fls. 76/81, do qual a Recorrente teve ciência em 14 de agosto de 2007 (fl. 82v.), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 60/65, lavrado em 15 de junho de 2005, em decorrência de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas sujeitos a carnêleão, deduções indevidas de dependentes e de despesas com instrução e de multa isolada devido à falta de recolhimento do carnêleão, verificadas no ano calendário de 2000. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 DECADÊNCIA. Para o IRPF, o fato gerador do imposto sobre os rendimentos sujeitos ao ajuste anual aperfeiçoase no momento em que se completa o período de apuração dos rendimentos e deduções: 31 de dezembro de cada anocalendário, quando se constata que o sujeito passivo sofreu retenção do imposto de renda na fonte pagadora ao longo do exercício, ou recolheu o tributo mensalmente, quando sujeitos Fl. 95DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10283.002744/200514 Acórdão n.º 2101001.180 S2C1T1 Fl. 89 3 ao CarneLeão/Recolhimento Complementar, ou efetuou o pagamento das quotas apuradas na Declaração de IRPF, não ocorrendo antecipação de pagamento, utiliza se a regra do art. 173, I do CTN. INCONSTITUCIONALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. Lançamento Procedente” (fl. 76). Não se conformando, a Recorrente interpôs o recurso de fls. 84/85, no qual reiterou os argumentos apresentados na impugnação, relativamente à decadência e às multas. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator. O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A Recorrente aduz, em seu recurso voluntário, preliminarmente, a decadência em relação aos fatos geradores do anocalendário de 2000. No que tange à decadência alegada, sem razão a Recorrente. Como tenho me manifestado, entendo que é aplicável o prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º., do CTN, pois, à regra geral do artigo 173, I, o Código estabeleceu justamente a exceção contida no artigo 149, V. Todavia, o fato gerador do imposto de renda é complexivo e se aperfeiçoa em 31 de dezembro de cada anocalendário, tal como enunciado constante da Súmula 38 deste CARF, in verbis: “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário.” Sendo assim, tratandose de lançamento que abrangeu o fato gerador correspondente ao anocalendário de 2000, que, portanto, se aperfeiçoou em 31/12/2000, poderia a fiscalização efetuar o lançamento até 31/12/2005. Tendo o lançamento sido realizado em 15 de junho de 2005, mediante a lavratura do auto de infração, não há que se falar em decadência. No que se refere à argüição de inconstitucionalidade da multa de ofício por violação ao art. 150, IV, da Lei Maior, temse que igualmente insubsistente. Fl. 96DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10283.002744/200514 Acórdão n.º 2101001.180 S2C1T1 Fl. 90 4 Cabe afirmar, ab initio, que o princípio da vedação ao confisco, tal como explicitado no art. 150, IV, da Constituição Federal, impede a cobrança confiscatória de tributos e não de penalidades. Nessa esteira, é bem de ver que, a teor do que se extrai do art. 3º do Código Tributário Nacional, “tributo é toda prestação pecuniária, em moeda, ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada”. Ora, se o conceito de tributo, como preleciona o CTN, não abrange sanções de atos ilícitos, temse que as normas relativas a tributos não se estendem às penalidades, por tratarem de objetos absolutamente distintos. Confirase, neste ponto, a jurisprudência firmada pela 2ª. Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, da qual este Turma teve origem: “MULTA DE OFÍCIO É correto o lançamento da multa de ofício, como sanção por descumprimento da legislação tributária, o que não se confunde nem resulta do conceito de "caráter confiscatório" que é dirigido a tributos e não a penalidades.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 134.381, Relator Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, sessão de julgamento de 14/04/2004) “MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO É correta a exigência, e de conseqüência, a cobrança da multa de lançamento de ofício, quando o dever legal venha de ser cumprido por iniciativa da autoridade administrativa, fato que não se confunde com o conceito de ‘caráter confiscatório’.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 133.777, Relator Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, sessão de julgamento de 05/11/2003) Não bastasse essa razão, por si só suficiente para rejeitar o pleito da Recorrente, vale ressaltar que o montante da multa no percentual de 75% sobre o principal é oriundo de norma cogente, prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96. Portanto, tratandose de norma vigente, não poderia este órgão administrativo aferir a natureza confiscatória da multa sem, antes, pronunciarse acerca da constitucionalidade da norma, o que, como se viu, é vedado pelo art. 26A do Decreto 70.235/72 e pela Súmula n. 2 do CARF. Por fim, fazse necessário afastar a exigência da multa isolada, porquanto é vedada sua cumulação com a multa de ofício aplicada. Com efeito, diante do princípio da consunção, transposto dos lindes do direito penal, viola a necessária proporcionalidade das penas a interpretação de que seriam cumuláveis referidas multas sobre o mesmo ilícito, qual seja, deixar de recolher o tributo devido. Por esse preciso motivo, sendo certo que o não recolhimento ao final do anocalendário do IRPF devido engloba a ausência do recolhimento antecipado do tributo, é decorrência lógica que se o principal foi impugnado, o “acessório” também o foi. Assim sendo, considerandose que a antecipação do recolhimento é iter procedimental lógico à omissão de rendimentos, não se faz possível cumular as multas de ofício e isolada, sob pena de incorrerse em bis in idem punitivo, consoante já me manifestei em outras oportunidades: Fl. 97DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10283.002744/200514 Acórdão n.º 2101001.180 S2C1T1 Fl. 91 5 “MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA IMPOSSIBILIDADE A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da 2ª Câmara e da Câmara Superior de Recursos Fiscais.” (Primeiro Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário n.º 153.289, Relator Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, sessão de 05/11/2008) Válido conferir, neste esteio, o seguinte julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA –IRPF Exercício: 2002, 2003 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO. A aplicação concomitante da multa isolada (inciso II, a, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação atribuída pela Lei n° 11.488, de 2007) com a multa de oficio (inciso I, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996), não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Precedentes desta Câmara Superior de Recursos Fiscais (acórdão n° 0104.987, julg. em 15/06/2004). Recurso especial negado.” (CSRF, 2ª Turma, Recurso Especial n.º 157.292, Acórdão n.º 920200.746, Relator Conselheiro Moisés Nunes da Silva, sessão de 13/04/2010). Nesse exato sentido decidiram, de forma reiterada, todas as câmaras, sem exceção, do antigo Conselho de Contribuintes, consoante alguns acórdãos selecionados, cujas ementas seguem transcritas: “MULTA ISOLADA A multa de que trata o art. 18 da Lei 10.833, de 2003, é a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96. A expressão "multa isolada" não significa que se trate de multa diversa da multa de ofício, mas sim, que a multa de ofício é aplicada isoladamente, ou seja, desacompanhada do principal sobre o qual incidiu.” (1º Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara, Recurso Voluntário n. 161.660, Relatora Conselheira Sandra Maria Faroni, j. em 06/03/2008.) “MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO Pacífica a jurisprudência deste Primeiro Conselho de Contribuintes de que não cabe a aplicação concomitante da multa de lançamento de ofício com multa isolada, apuradas em face da mesma omissão (Acórdão CSRF nº 0104.987 de 15/06/2004).” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário n. 153.809, Relatora Conselheira Núbia Matos Moura, j. em 07/08/2008 Fl. 98DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10283.002744/200514 Acórdão n.º 2101001.180 S2C1T1 Fl. 92 6 “MULTA ISOLADA – MULTA DE OFÍCIO – CUMULATIVIDADE – Afastase a multa isolada quando a sua aplicação cumulativamente com a multa de ofício implica na dupla penalização do mesmo fato.” (1º Conselho de Contribuintes, 3ª Câmara, Recurso Voluntário n. 161.967, Relator Conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento, j. em 17/04/2008.) Assim sendo, acolho o entendimento segundo o qual é impossível a cumulação das multas de ofício e isolada, excluindose do quantum debeatur o valor referente à multa isolada. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, para excluir a aplicação da multa isolada. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 99DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 16098.000201/2007-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1999
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Demonstrado nos autos que os fatos e alegações fiscais foram perfeitamente
compreendidos pela interessada, que exerceu plenamente o seu direito ao
contraditório, por meio da manifestação de inconformidade e do recurso
interpostos contra o não reconhecimento parcial do seu direito creditório,
restam descaracterizadas as alegações de cerceamento de direito de defesa.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1999
IRPJ. SALDO NEGATIVO.
O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ
reclama efetividade no pagamento das antecipações calculadas por
estimativa, a apresentação do comprovante de retenção do IRRF emitido pela
fonte pagadora, a comprovação da oferta à tributação da receita que ensejou a
retenção e, ainda, a apresentação dos elementos indicadores dos resultados
contábil e fiscal (balanço patrimonial, demonstrativo de resultado do
exercício DRE e o Livro de Apuração do Lucro Real Lalur),
de sorte a aferir a plena identidade entre estes e o teor informado na Declaração de Informações Econômico Fiscais (DIPJ).
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de
repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o
pagamento indevido ou maior que o devido.
IR FONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO.
Na ausência do comprovante de retenção do imposto, faz-lhe as vezes o registro das informações constantes do banco de dados da Receita Federal, extraídos das Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) apresentadas pelas fontes pagadoras. Cabe ao contribuinte apresentar elementos de convicção que possam comprovar o seu direito creditório, invalidando as informações constantes das DIRF utilizadas pela Administração Tributária para seu reconhecimento.
Numero da decisão: 1102-000.443
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1999 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Demonstrado nos autos que os fatos e alegações fiscais foram perfeitamente compreendidos pela interessada, que exerceu plenamente o seu direito ao contraditório, por meio da manifestação de inconformidade e do recurso interpostos contra o não reconhecimento parcial do seu direito creditório, restam descaracterizadas as alegações de cerceamento de direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 1999 IRPJ. SALDO NEGATIVO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ reclama efetividade no pagamento das antecipações calculadas por estimativa, a apresentação do comprovante de retenção do IRRF emitido pela fonte pagadora, a comprovação da oferta à tributação da receita que ensejou a retenção e, ainda, a apresentação dos elementos indicadores dos resultados contábil e fiscal (balanço patrimonial, demonstrativo de resultado do exercício DRE e o Livro de Apuração do Lucro Real Lalur), de sorte a aferir a plena identidade entre estes e o teor informado na Declaração de Informações Econômico Fiscais (DIPJ). PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. IR FONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. Na ausência do comprovante de retenção do imposto, faz-lhe as vezes o registro das informações constantes do banco de dados da Receita Federal, extraídos das Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) apresentadas pelas fontes pagadoras. Cabe ao contribuinte apresentar elementos de convicção que possam comprovar o seu direito creditório, invalidando as informações constantes das DIRF utilizadas pela Administração Tributária para seu reconhecimento.
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Recorrente ACAI ASSESSORIA E CONSULTORIA ADMINISTRATIVA E DE INFORMÁTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Demonstrado nos autos que os fatos e alegações fiscais foram perfeitamente compreendidos pela interessada, que exerceu plenamente o seu direito ao contraditório, por meio da manifestação de inconformidade e do recurso interpostos contra o não reconhecimento parcial do seu direito creditório, restam descaracterizadas as alegações de cerceamento de direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 IRPJ. SALDO NEGATIVO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ reclama efetividade no pagamento das antecipações calculadas por estimativa, a apresentação do comprovante de retenção do IRRF emitido pela fonte pagadora, a comprovação da oferta à tributação da receita que ensejou a retenção e, ainda, a apresentação dos elementos indicadores dos resultados contábil e fiscal (balanço patrimonial, demonstrativo de resultado do exercício DRE e o Livro de Apuração do Lucro Real Lalur), de sorte a aferir a plena identidade entre estes e o teor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ). PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. IR FONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 20/06/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 16098.000201/200790 Acórdão n.º 110200.443 S1C1T2 Fl. 1.106 2 Na ausência do comprovante de retenção do imposto, fazlhe as vezes o registro das informações constantes do banco de dados da Receita Federal, extraídos das Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) apresentadas pelas fontes pagadoras. Cabe ao contribuinte apresentar elementos de convicção que possam comprovar o seu direito creditório, invalidando as informações constantes das DIRF utilizadas pela Administração Tributária para seu reconhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Documento assinado digitalmente. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, Manoel Mota Fonseca, e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição de saldo negativo de IRPJ, do anocalendário 1999, exercício 2000, desmembrado do processo administrativo fiscal de nº 13894.001435/200276, pelo qual a contribuinte pleiteava a repetição dos indébitos relativos aos anoscalendário 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001, a título de IRPJ e de CSLL, esta apenas para os anoscalendário de 1997 e 1998. Os pedidos de restituição foram instruídos com cópias das respectivas DIRPJ / DIPJ, de guias DARF de recolhimento de estimativas, e de notas fiscais de prestação de serviços emitidas, onde consta o IRRF destacado. O motivo do desdobramento, conforme o Despacho Decisório da DRF de origem (fls. 1032 a 1039) foi a impossibilidade operacional de registro no sistema de controle (SIEF) de mais de um exercício por processo de Saldo Negativo, pelo que tornouse necessária a abertura de quatro novos processos a partir do original. No referido despacho, consignou a autoridade fiscal que a interessada apurou, ao final do anocalendário de 1999, saldo negativo de IRPJ de R$ 12.909,60, inteiramente decorrente de retenções de imposto de renda na fonte neste mesmo valor, conforme fez constar em sua DIPJ (fl. 522). Entretanto, aquela autoridade reconheceu somente R$ 4.505,52 como Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 20/06/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 16098.000201/200790 Acórdão n.º 110200.443 S1C1T2 Fl. 1.107 3 saldo negativo, uma vez que somente este montante estava confirmado pelas Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras com relação àquele ano. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 1.062), que, por sucinta, se reproduz na íntegra: “MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE DO INDEFERIMENTO PROC. 16098.000201/200790 pelo seguinte fato: 2. A conclusão do indeferimento por parte do SEORT/DRF/GUARULHOS baseiase na informação obtida através da declaração de imposto retido na fonte de terceiros, ou seja, a DIRF, onde não há por parte das empresas prestadoras de serviços, como a nossa, qualquer tipo interferência ou gerência, não sendo desta forma, correta a punição através do indeferimento do crédito mencionado no processo. O indeferimento foi devido à declaração errada ou a falta dela, por parte dos tomadores dos nossos serviços, não sendo assim de nossa competência e se houver solicitação formal por parte da autoridade competente poderemos apresentar os lançamentos que comprovam as retenções apuradas e lançadas na nossa contabilidade e que deram sustentação aos lançamentos na DIPJ que originou o saldo credor. Pelo exposto, requer: Seja deferido o pedido de compensação.” A 4ª Turma de Julgamenteo da DRJ em Campinas/SP, por meio do Acórdão nº 0528.248, fls. 1069 a 1074, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, ao fundamento de que a apresentação de cópias de notas fiscais não se mostra suficiente para comprovar a efetividade e/ou o valor da retenção do imposto pelas fontes pagadoras, sendo necessária a apresentação dos informes de rendimentos, bem como a confirmação das retenções de imposto nas DIRF. Consignou também a DRJ que, verificando os pedidos de restituição e anexos constantes dos autos, era possível constatar que a contribuinte estava solicitando, como saldo negativo de 1999, valores de IRRF que teriam sido retidos em anos calendários anteriores. Isto porque a soma dos valores que fez constar nos demonstrativos de fls. 18 a 20 totalizava exatamente o valor que havia informado como saldo negativo na DIPJ/2000 (fls. 522). Esclarecendo: IRRF retido no anocalendário de 1997: R$ 3.797,21 IRRF retido no anocalendário de 1998: R$ 4.305,90 IRRF retido no anocalendário de 1999: R$ 4.806,49 Total saldo negativo no anocalendário de 1999: R$12.909,60 Assim, também por este motivo julgou que não cabia a restituição pleiteada, posto que o contribuinte deveria retificar as declarações de IRPJ dos anoscalendário de 1997 e 1998, para incluir as deduções do imposto retido, com a comprovação do oferecimento dos rendimentos correspondentes à tributação, para ter direito a eventual saldo negativo de IRPJ. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 20/06/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 16098.000201/200790 Acórdão n.º 110200.443 S1C1T2 Fl. 1.108 4 A decisão está assim ementada: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. RESTITUIÇÃO. O reconhecimento de direito creditório, relativo a saldo negativo do IRPJ, para posteriores compensações, condicionase à demonstração da existência e da liquidez do direito, o que inclui a comprovação do Imposto de Renda Retido na Fonte levado à dedução, por meio dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, preenchidos nos termos da legislação aplicável. Não é admitida como prova de retenção de imposto de renda na fonte a juntada de faturas e/ou notas fiscais. Para o interessado constituir prova a seu favor, não basta carrear aos autos elementos por ele mesmo elaborados; deverá ratificálos por outros meios probatórios cuja produção não decorra exclusivamente de seu próprio ato de vontade. PROVAS A prova documental deve ser apresentada juntamente com a manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972.” Cientificada desta decisão em 23.03.2010, conforme AR de fls. 1078, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 16.04.2010, fls. 1079 a 1089, argumentando que a decisão recorrida não pode prosperar, em síntese, pelas seguintes razões: Pergunta o que pode o contribuinte fazer quando a fonte pagadora, apesar de obrigada, não fornece como deve o Comprovante de Rendimentos, deixa de entregar a DIRF, ou entrega esta com informações incorretas sobre Imposto de Renda Retido na Fonte; Alega que nesses casos, somente o Fisco pode exigir ou forçar as fontes pagadoras a cumprir sua obrigação; Assim, entende que o Fisco deixou de produzir a prova necessária que lhe incumbia produzir, transferindo à autuada toda a responsabilidade de reunir as provas, o que constitui arbítrio repudiado na lei e na Constituição Federal, além de cerceamento do direito de defesa, por afronta ao artigo 142 do CTN; Sustenta que a retenção na fonte achase comprovada pelos elementos subsidiários, sustentada na contabilidade da Recorrente, e que, na forma do Regulamento do Imposto de Renda, os registros contábeis provam a favor do contribuinte; Contesta também o argumento descabido da decisão de que a prova documental deve ser apresentada juntamente com a manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, isto porque, se o lançamento foi realizado sem base legal, o fato de o contribuinte não haver alegado na primeira instância não impede o exame na segunda instância; Afirma que o caso da autuação identificase à hipótese de presunção "júris et de jure", não agasalhado pelo Direito Tributário, tendo em vista a pura impossibilidade de a Requerente reunir as provas adequadas para infirmar a decisão do julgador; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 20/06/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 16098.000201/200790 Acórdão n.º 110200.443 S1C1T2 Fl. 1.109 5 Requer seja dado provimento ao presente recurso, para a completa reforma da decisão de 1° grau, autorizando a restituição/compensação dos montantes dos créditos do imposto de renda retido na fonte relativos ao processo, ou, se não forem levadas em consideração as razões supra expostas para o acolhimento do recurso, seja baixado o processo à diligência para verificação em concreto dos valores do imposto de renda retido na fonte. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inicialmente, de se rejeitar a alegação de cerceamento do direito de defesa, por afronta ao artigo 142 do CTN. Isto porque os fatos e alegações fiscais foram perfeitamente compreendidos pela recorrente, que exerceu plenamente o seu direito ao contraditório, como bem o comprovam a manifestação de inconformidade e o presente recurso interpostos, ambos processados em conformidade com as normas previstas na legislação que rege o processo administrativo fiscal (Decreto nº 70.235/72), sendo de se observar que as alegações que dizem respeito à prova serão tratadas no mérito. Cediço que, no caso de apuração do lucro real anual, a pessoa jurídica pode deduzir do imposto a pagar, entre outros elementos, as antecipações efetuadas, quais sejam, as estimativas recolhidas e as parcelas do imposto de renda retido pelas fontes pagadoras de rendimentos. Caso a soma dessas deduções ultrapasse o valor do tributo devido, estará exteriorizada a figura do saldo de imposto a ser compensado, também chamado de saldo negativo de IRPJ, passível de restituição ou compensação, sobre o qual incidirão juros à taxa SELIC, acumulada mensalmente, entre o mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração e o mês anterior ao da compensação ou restituição, e de 1% relativamente ao mês em que for restituído ou em que for entregue a declaração de compensação. Caso contrário, ou seja, sendo o valor das antecipações inferior ao do tributo apurado no balanço, afigurase o saldo de imposto a pagar. Isto posto, inapropriado falarse em restituição de imposto de renda retido na fonte e/ou de estimativas. Não obstante, eventuais pleitos desse quilate não podem ser indeferidos, pura e simplesmente, em razão do equívoco na formulação, e sim tratados sob a ótica de saldo negativo de IRPJ, fruto da contraposição das antecipações que se pretendeu repetir com o imposto de renda apurado no final do período de apuração. Analisando os pedidos de restituição anexos às fls. 1 a 3, às fls. 9 a 11, e às fls. 17 a 22, e o conteúdo da petição de fls. 23 a 24, verificase que a recorrente pleiteava a restituição da integralidade das estimativas de IRPJ e CSLL recolhidas, bem como a integralidade do imposto de renda retido na fonte nos aos anoscalendário 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 20/06/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 16098.000201/200790 Acórdão n.º 110200.443 S1C1T2 Fl. 1.110 6 Apesar de desmembrado o processo, por anocalendário, o Despacho Decisório da DRF/Guarulhos contém as informações de tudo o que foi feito pela autoridade fiscal com relação a todos os anoscalendário em questão, de sorte que ali é possível verificar que a referida autoridade procedeu à recomposição dos valores dos saldos negativos, ano a ano, exatamente na linha do que aqui apregoado. De se ressaltar que dita recomposição foi feita a partir dos valores constantes das declarações de rendimentos ou de informações econômicofiscais (DIRPJ / DIPJ) da própria recorrente, não tendo havido qualquer questionamento fiscal quanto aos valores do lucro líquido e do lucro real apurados. Dito de outra forma, foi aceito pela autoridade fiscal que as declarações apresentadas pela recorrente ao fisco espelhavam precisamente o que consta de sua escrituração comercial e fiscal, o que, de resto, é o que se deve esperar de qualquer contribuinte. Esta reconstituição feita pelo fisco inclusive determinou, por exemplo, o reconhecimento, como saldo negativo do ano calendário de 1998, do valor de R$ 8.400,25, fruto das estimativas recolhidas e do imposto de renda retido naquele ano, e confirmado em DIRF, muito embora a DIPJ do contribuinte apresentada apontasse saldo negativo zero, e isto porque o contribuinte, na Ficha 13 Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real (fls. 334) informara todos os valores zerados, ou seja, imposto sobre o lucro real igual a zero, imposto de renda retido na fonte igual a zero, e imposto de renda mensal pago por estimativa igual a zero. Ou seja, o fisco tão somente procedeu, com relação aos saldos negativos anuais, aos necessários ajustes em razão da confirmação ou não das estimativas recolhidas e do imposto de renda na fonte retido em cada ano. No caso da DIPJ/2000, portanto, que ao presente interessa, a recorrente informou que teve lucro real negativo (prejuízo), e que o seu saldo negativo de R$ 12.909,60 seria inteiramente decorrente de retenções de imposto de renda na fonte neste mesmo valor. Ocorre que, conforme já bem apontou a decisão recorrida, a fonte pleiteada na verdade se refere a supostas retenções ocorridas em três anos calendários distintos (1997, 1998, e 1999). A própria recorrente não questiona este fato, pois as notas fiscais que acostou aos autos apontam destaque de imposto de renda na fonte, em 1999, de apenas R$ 4.806,49. Conforme ao norte já exposto, não é possível restituir imposto de renda retido na fonte, mas apenas saldos negativos eventualmente decorrentes da contraposição dessas retenções aos valores declarados como devido nos respectivos anos. Assim, somente as retenções ocorridas em 1999 podem integrar o pleito de restituição de saldo negativo de 1999, neste aspecto estando absolutamente correta a posição do fisco. Já as retenções de imposto ocorridas em 1997 e 1998, por sua vez, se confirmadas, poderiam ser aproveitadas naqueles respectivos anos, e desde que, evidentemente, as receitas que as originaram tenham sido oferecidas à tributação. A propósito, e embora no presente processo não esteja em discussão o saldo negativo destes dois anos anteriores, cumpre observar que tudo indica que a autoridade fiscal tomou as providências no sentido de fazer este aproveitamento, pois, conforme antes relatado, consta no referido Despacho Decisório que, ao menos com relação ao ano de 1998, foram considerados no saldo negativo os valores das retenções de imposto sofridas sobre as notas Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 20/06/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 16098.000201/200790 Acórdão n.º 110200.443 S1C1T2 Fl. 1.111 7 fiscais de prestação de serviços emitidas naquele ano, e confirmadas em DIRF, tanto que a DRF reconheceu valor de saldo negativo naquele ano que sequer constava da DIPJ apresentada pela recorrente. O valor das retenções reconhecidas pelo fisco em 1998 (R$ 4.400,25), aliás, em muito se aproxima do valor de R$ 4.305,90, aqui pleiteado como parte integrante do total de R$ 12.909,60. Já com relação ao ano de 1997, verificase que as retenções pleiteadas pela recorrente não foram consideradas no cálculo da autoridade fiscal, pois não há referência a elas no Despacho Decisório. Contudo, se houve alguma parcela de fonte retida nos anoscalendário de 1997 e 1998 que não tenha sido reconhecida pela autoridade fiscal, repitase, a discussão relativa à apuração de saldos negativos de imposto de renda nesses anos se deu em outros processos administrativos, no caso, os de nº 13894.001435/200276 e 16098.000200/200745, respectivamente, de sorte que qualquer inconformidade da recorrente com relação aos valores apurados naqueles anos deve (ou deveria) ter sido lá apresentada. Resta analisar, então, a divergência entre o valor das retenções alegadamente sofridas pela recorrente em 1999 (R$ 4.806,49) e o valor das retenções confirmadas em DIRF para este mesmo ano calendário (R$ 4.505,52). De se ressaltar que, em sede de processos de restituição e/ou de compensação, não se está a tratar de lançamento de ofício, e tampouco é o crédito tributário o foco. Ao contrário, o foco é o crédito que venha a ser alegado pelo sujeito passivo, sendo certo, portanto, que é a este que cabe fazer a prova do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Sendo o crédito do contribuinte oriundo de retenções de imposto de renda na fonte, de se observar que a Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, no seu artigo 55, especifica qual é o documento que, por excelência, comprova a retenção sofrida, verbis: “Art. 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.” Entretanto, e tendose em mente que é possível que as fontes pagadoras venham a descumprir com esta sua obrigação de fornecer o comprovante de retenção, e que as beneficiárias do rendimento não possuem instrumentos coercitivos para assegurar o seu cumprimento, é certo que a prova da retenção sofrida pode ser feita também por outros meios. Assim é que, na ausência de apresentação pela interessada do comprovante de retenção do imposto, fazlhe as vezes o registro das informações constantes do banco de dados da Receita Federal, extraídos das DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras, e é precisamente isto o que foi feito no presente caso. Por certo que as informações constantes das DIRF, muito embora fornecidas por terceira parte a princípio sem nenhum interesse no litígio em questão, também podem ser contraditadas. Entretanto, tal prova há de ser constituída pela parte interessada, i.e., aquela que alega o crédito, e por qualquer meio que demonstre, de forma inequívoca, que a retenção sofrida se deu em valor distinto daquele que foi informado na DIRF. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 20/06/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 16098.000201/200790 Acórdão n.º 110200.443 S1C1T2 Fl. 1.112 8 Alega a recorrente que os registros contábeis provam a favor do contribuinte, e que a retenção na fonte estaria comprovada na sua contabilidade. Assistelhe razão quanto ao fato de que os registros contábeis provam a seu favor, a menos, é claro, que constitua o fisco prova em contrário. Entretanto, a recorrente, em nenhum momento, anexou aos autos cópia de qualquer lançamento, na sua escrituração contábil, que permitisse evidenciar o correto registro da receita e da respectiva retenção sofrida, limitandose a afirmar que os apresentaria caso fosse demandada a fazêlo. Tampouco apresentou, por exemplo, comprovação de que os pagamentos das notas fiscais em questão teriam sido recebidos pelo valor líquido do imposto retido, ou mesmo os lançamentos contábeis relativos a esses recebimentos, os quais poderiam comprovar que a retenção de fato ocorreu. Portanto, neste aspecto, insuficiente a simples apresentação, pela recorrente, das notas fiscais de prestação de serviços sujeitos ao imposto de renda retido na fonte. Isto porque nestas notas apenas consta em destaque o valor do imposto que deveria ser retido na fonte, mas, por óbvio, tal informação não comprova que a retenção tenha de fato ocorrido. Neste mesmo sentido, cito a seguinte jurisprudência do CARF: “IRRF COMPROVANTE DE RETENÇÃO Não é admitida como prova de retenção de imposto de renda na fonte a juntada de notas fiscais. O reconhecimento de tal retenção se faz através do valor registrado a título de IR FONTE no documento fornecido pela fonte pagadora denominado de "Comprovante de Retenção de Imposto de Renda na Fonte.” (Acórdão nº 10514858, de 01/12/2004, relator Daniel Sahagoff) Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 8DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 20/06/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR
score : 1.0
Numero do processo: 10980.003319/2005-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/11/2004 a 31/12/2004
CRÉDITOS DE IMPORTAÇÃO. COMPENSAÇÃO
A compensação de créditos de CofinsImportação,
apurados no período de
novembro e dezembro de 2004, mediante a entrega de declaração de
compensação (Dcomp), somente passou a ser permitida legalmente a partir de
19 de maio de 2005.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004
CRÉDITOS DE IMPORTAÇÃO. COMPENSAÇÃO
A compensação de créditos de PISImportação,
apurados no período de
outubro de 2004, mediante a entrega de declaração de compensação
(Dcomp), somente passou a ser permitida legalmente a partir de 19 de maio
de 2005.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 08/04/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO
A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio
sujeito passivo, mediante a apresentação de Declaração de Compensação
(Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros
declarados.
CRÉDITOS DE PIS COMPENSADOS. JUROS SELIC
Inexiste amparo legal para o pagamento de juros compensatórios sobre
créditos de Cofins compensados com débitos fiscais próprios.
Numero da decisão: 3301-000.911
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. Fez sustentação pela parte a
advogada Heloísa Guarita Souza OAB/PR nº 16.597.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2004 a 31/12/2004 CRÉDITOS DE IMPORTAÇÃO. COMPENSAÇÃO A compensação de créditos de CofinsImportação, apurados no período de novembro e dezembro de 2004, mediante a entrega de declaração de compensação (Dcomp), somente passou a ser permitida legalmente a partir de 19 de maio de 2005. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 CRÉDITOS DE IMPORTAÇÃO. COMPENSAÇÃO A compensação de créditos de PISImportação, apurados no período de outubro de 2004, mediante a entrega de declaração de compensação (Dcomp), somente passou a ser permitida legalmente a partir de 19 de maio de 2005. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 08/04/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a apresentação de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados. CRÉDITOS DE PIS COMPENSADOS. JUROS SELIC Inexiste amparo legal para o pagamento de juros compensatórios sobre créditos de Cofins compensados com débitos fiscais próprios.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2004 a 31/12/2004 CRÉDITOS DE IMPORTAÇÃO. COMPENSAÇÃO A compensação de créditos de CofinsImportação, apurados no período de novembro e dezembro de 2004, mediante a entrega de declaração de compensação (Dcomp), somente passou a ser permitida legalmente a partir de 19 de maio de 2005. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 CRÉDITOS DE IMPORTAÇÃO. COMPENSAÇÃO A compensação de créditos de PISImportação, apurados no período de outubro de 2004, mediante a entrega de declaração de compensação (Dcomp), somente passou a ser permitida legalmente a partir de 19 de maio de 2005. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 08/04/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a apresentação de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados. CRÉDITOS DE PIS COMPENSADOS. JUROS SELIC Inexiste amparo legal para o pagamento de juros compensatórios sobre créditos de Cofins compensados com débitos fiscais próprios. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. Fez sustentação pela parte a advogada Heloísa Guarita Souza OAB/PR nº 16.597. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Possas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ Curitiba, PR, que julgou improcedente a manifestação inconformidade interposta contra despacho decisório que homologou em parte a compensação dos débitos fiscais vencidos, declarados nas Dcomps em discussão protocoladas em 08/04/2005, com créditos de Cofins, de CofinsImportação, de PIS e de PISImportação referentes ao 4º trimestre de 2004. A DRF reconheceu parcialmente os créditos declarados e homologou a compensação dos débitos fiscais declarados até o total dos créditos reconhecidos. As glosas efetuadas por ela se referem aos créditos da Cofins e do PIS pagos em importações por falta de amparo legal para o seu ressarcimento/compensação. Ainda, segundo o despacho decisório, o crédito da Cofins reconhecido para o mês de novembro de 2004 já havia sido utilizado integralmente pela recorrente para compensar débitos na Dcomp discutida no processo nº 10980.003039/200569. Cientificada do despacho decisório, inconformada, interpôs a manifestação de inconformidade às fls. 276/288, insurgindo contra o nãoreconhecimento do seu direito àqueles créditos, alegando razões assim sintetizadas pela DRJ: “Quanto às glosas de créditos das notas fiscais, reitera os mesmos argumentos apresentados nos processos nºs 10980.003313/200586 e 10980.003318/200522. Em relação a ‘créditos a descontar na importação PIS pago’, ressalta que, embora tenha sido reconhecido que tais créditos estão vinculados às receitas de exportação, houve a glosa sob a premissa de que apenas com a edição da Lei n° 11.116/2005 os mesmos tornaramse passíveis de compensação ou ressarcimento. Alega que o saldo credor do PIS nãocumulativo, decorrente de operações de exportação, tem fundamento no art. 50, 1, e parágrafos, da Lei n" 10.637/2002, que garante a manutenção dos créditos, nos casos de exportação de produtos para o exterior, dentre os quais estaria o P1SImportação, quando integrante do custo de aquisição de bens e serviços utilizados como insumos. Diz que o art. 15 da Lei n° 10.865/2005 (conversão da MP n° 164, de 29/01/2004), que instituiu o PIS/Cofins Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 10980.003319/200577 Acórdão n.º 330100.911 S3C3T1 Fl. 304 3 Importação, permitindo que essas contribuições pagas em importações específicas (incisos I a V) fossem aproveitadas como créditos para compensação. E o art. 17 da Lei nº 11.033/2004, em que se fundamenta a decisão, tratase, sem dúvida, de benefício fiscal, que estendeu às operações com suspensão, isenção, alíquota zero e nãoincidência o mesmo tratamento beneficiado já concedido (desde sempre) às exportações manutenção dos créditos. Ressalta que também não procede o entendimento esboçado no Despacho Decisório de que os créditos apurados em razão do art. 15 da Lei nº 10.865/2004 tornaramse passíveis de compensação segundo as regras do art. 16 da Lei n° 11.116/2005, mas, segundo alega, não trata do crédito objeto do presente processo administrativo, sendo de todo inaplicável ao caso concreto. Entende que esse dispositivo não se aplica aos créditos vinculados à exportação, uma vez que o direito ao ressarcimento e compensação em geral já lhes é garantido desde a edição das Leis nºs 10.637 e 10.833, restando evidente que o art. 16 da Lei nº 11.116 limitase aos créditos referidos no art. 17 da Lei n° 11.033, não trazendo qualquer alteração no tratamento dos créditos vinculados à exportação, nem mesmo a eles se referindo. Para corroborar sua tese, diz que a Secretaria da Receita Federal reconhece, em inúmeras soluções de consultas, anteriores ao advento das Leis n°s 11.033/2004 e 11.116/2005, a legitimidade da compensação de créditos vinculados a operações de exportação. Expõe que o Despacho Decisório também não confere ao crédito a sua devida valoração, por não computar qualquer acréscimo legal de correção monetária, o que deve ser revisto, devendo o saldo remanescente apurado depois de deduzida a compensação ser corrigido monetariamente, até o integral aproveitamento do crédito tributário.” Analisada a manifestação de inconformidade, a DRJ Curitiba julgoua improcedente, conforme acórdão nº 0625.829, datado de 17/03/2010, às fls. 369/374, sob as seguintes ementas: “COFINSIMPORTAÇÃO. CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. Os créditos da Cofins Importação somente serão passíveis de compensação com outros tributos administrados pela SRF, quando as respectivas importações forem vinculadas a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência dessas contribuições, a partir do disposto na Lei nº 11.116, de 2005. PISIMPORTAÇÃO. CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. Os créditos do PIS Importação somente serão passíveis de compensação com outros tributos administrados pela SRF, quando as respectivas importações forem vinculadas a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência dessas contribuições, a partir do disposto na Lei n° 11.116, de 2005. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa Selic sobre valores deferidos a título de compensação/ressarcimento de créditos.” Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 4 Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs o recurso voluntário às fls. 377/391, requerendo a sua reforma a fim de que se reconheça o seu direito à compensação de todos os valores reclamado, acrescidos de juros compensatórios, alegando, em síntese, que tem direito ao ressarcimento/compensação dos créditos decorrentes da Cofins e do PIS pagos nas importações de insumos aplicados na produção de bens para exportação. Ainda, segundo seu entendimento, a Lei n° 10.865/2005 (conversão da MP nº 164, de 29.01.2004), que instituiu o PIS/CofinsImportação, permitiu que essas contribuições pagas em importações específicas fossem aproveitadas como créditos para a compensação do PIS/Cofins nãocumulativos. Também, ao contrário do entendimento da autoridade julgadora de primeira instância, a Lei nº 11.116, de 18/05/2005, art, 16, não se aplica ao presente pedido de ressarcimento, limitando sua aplicação aos créditos referidos no art. 17, da Lei 11.033, que dizem respeito às importações e às vendas realizadas no mercado interno, não trazendo qualquer alteração no tratamento dos créditos vinculados à exportação nem mesmo a eles se referindo. Ao final, requereu a incidência de juros compensatórios sobre os valores deferidos e/ ou a serem deferidos, à taxa Selic, sob argumento de que o nãoreconhecimento de sua incidência implicará flagrante lesão patrimonial à empresa, e, por outro lado, o enriquecimento sem causa da União. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. As questões de mérito opostas nesta fase recursal se resumem ao direito ou não de a recorrente compensar os saldos dos créditos da PIS/CofinsImportação, apurados nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2004, com débitos fiscais de outra natureza, bem como ao pagamento de juros compensatórios sobre tais créditos. A legislação que trata do PIS e da Cofins com incidência nãocumulativa assim dispõe, in verbis: Lei nº 10.637, de 30/12/2002 (PIS) nãocumulativo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (...); § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 10980.003319/200577 Acórdão n.º 330100.911 S3C3T1 Fl. 305 5 I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; (...). “Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...). § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.” Lei nº 10.833, de 29/12/2003 (Cofins nãocumulativa): “Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...); II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (...). Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 6 I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º. (...).” Cabe ressaltar que esses dispositivos, citados e transcritos anteriormente, se aplicam ao PIS e à Cofins com incidência nãocumulativa apurada sobre o faturamento mensal e aquisições no mercado interno. A Lei nº 10.865, de 30/04/2004, com vigência a partir de 1º de maio de 2004, que instituiu o PIS/CofinsImportação incidente sobre as importações de bens adquiridos para revendas e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a vendas, dispõe, in verbis: “Art. 1º Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINS Importação, com base nos arts. 149, § 2º, inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6º. Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) I bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; (...). § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 10980.003319/200577 Acórdão n.º 330100.911 S3C3T1 Fl. 306 7 importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...).” Ora, conforme se verifica dos §§ 1º e 2º transcritos acima, os créditos do PIS/CofinsImportação pagos na importação de bens somente podiam ser deduzidos das contribuições devidas no mês ou aproveitados nos meses subsequentes, inexistindo amparo legal para compensálos com outros débitos fiscais e/ ou para os seus ressarcimentos. Posteriormente, a Lei nº 11.033, de 21/12/2004, convertida da MP nº 206, de 06/08/2004, com vigência a partir de 09/08/2004, assim dispôs quanto aos créditos de PIS/Cofins decorrentes de custos de produtos vendidos sem a incidência dessa contribuição, in verbis: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” Finalmente, a Lei nº 11.116, com vigência a partir de 19/05/2005, assim dispôs quanto ao aproveitamento dos créditos de Cofins, in verbis: “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei.” (grifos nãooriginais) Da interpretação dos dispositivos legais transcritos anteriormente, concluise que somente, a partir de 19/05/2005, os saldos credores trimestrais dos créditos de PIS/Cofins Importação passaram a ser passíveis de compensação com débitos próprios e/ ou de pedido de ressarcimento. Na prática os saldos credores apurados para o 2º trimestre de 2005 em diante. Assim, os saldos credores trimestrais apurados para os trimestres anteriores àquele, não são passíveis de compensação/ressarcimento, mas tão somente dedutíveis das Fl. 7DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 8 contribuições devidas, tendo em vista que aqueles dispositivos legais restringiram de forma expressa a compensação e/ ou o pedido de ressarcimento somente a partir de 19/05/2005. No presente caso, os saldos de créditos de PIS/CofinsImportação cuja compensação se pleiteia referemse aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2004. Dessa forma, não há amparo legal para homologar a compensação dos débitos fiscais declarados na Dcomps em discussão. Quanto à aplicação de juros compensatórios, à taxa Selic, sobre créditos de PIS/Cofins nãocumulativas, utilizados em compensação e/ ou passiveis de ressarcimento, inexiste amparo legal para o seu pagamento. Ao contrário, a Lei nº 10.833, de 2003, que instituiu esta modalidade de contribuição, veda expressamente a aplicação de juros compensatórios sobre tais créditos, assim dispondo, in verbis: “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Art; 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...); VI – no art. 13 desta Lei.” Já a homologação da compensação de créditos financeiros contra a Fazenda Nacional, mediante a apresentação de Dcomp, bem como a extinção do débito fiscal declarado, a Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, a condiciona à certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado. No presente caso, conforme demonstrado, o direito de a recorrente compensar os créditos financeiros utilizados nas Dcomps em discussão não foi reconhecido. Assim não há que se falar em homologação da compensação dos débitos fiscais declarados remanescentes. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, nego provimento ao recurso voluntário. José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 8DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 10980.003319/200577 Acórdão n.º 330100.911 S3C3T1 Fl. 307 9 Fl. 9DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 13888.002470/2005-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2000, 2001
DECADÊNCIA. FATOS SUBMETIDOS À TRIBUTAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. HOMOLOGAÇÃO. Para rendimentos tributáveis sujeitos à apuração do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual, o prazo decadencial conta-se a partir do fato gerador
ocorrido em 31 de dezembro do respectivo ano-calendário.
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade
lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos.
DEDUÇÃO COM DEPENDENTES. SOGRA. POSSIBILIDADE. A sogra
pode constar como dependente do genro, desde que não aufira rendimento superior ao limite de isenção e sua filha não declare em separado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2101-001.093
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento PARCIAL ao recurso, para restabelecer a dedução com a dependente Therezinha Neyde de Almeida Leme, no ano-calendário
de 2000.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001 DECADÊNCIA. FATOS SUBMETIDOS À TRIBUTAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. HOMOLOGAÇÃO. Para rendimentos tributáveis sujeitos à apuração do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual, o prazo decadencial conta-se a partir do fato gerador ocorrido em 31 de dezembro do respectivo ano-calendário. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. DEDUÇÃO COM DEPENDENTES. SOGRA. POSSIBILIDADE. A sogra pode constar como dependente do genro, desde que não aufira rendimento superior ao limite de isenção e sua filha não declare em separado. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1763; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 132 1 131 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.002470/200534 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 210101.093 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de maio de 2011 Matéria IRPF Recorrente JOÃO AUGUSTO SACRAZATTI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001 DECADÊNCIA. FATOS SUBMETIDOS À TRIBUTAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. HOMOLOGAÇÃO. Para rendimentos tributáveis sujeitos à apuração do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual, o prazo decadencial contase a partir do fato gerador ocorrido em 31 de dezembro do respectivo anocalendário. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. DEDUÇÃO COM DEPENDENTES. SOGRA. POSSIBILIDADE. A sogra pode constar como dependente do genro, desde que não aufira rendimento superior ao limite de isenção e sua filha não declare em separado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para restabelecer a dedução com a dependente Therezinha Neyde de Almeida Leme, no anocalendário de 2000. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos – Presidente substituto e relator. EDITADO EM: 20/05/2011 Fl. 135DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Goncalo Bonet Allage, José Evande Carvalho Araujo, Maria Paula Farina Weidlich, Celia Maria De Souza Murphy, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0112.024, proferido pela 3ª Turma da DRJ Belém (fl. 99), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, para acolher a decadência em relação ao exercício de 2000. O lançamento glosou a dedução com a dependente Therezinha Neyde de Almeida Leme (sogra), informada na DIPF dos exercícios de 2000 e 2001, e despesas médicas, no mesmo período, especificadas no Termo de Constatação Fiscal às fls. 46/47, para as quais o contribuinte não comprovou a prestação dos serviços, nem o efetivo pagamento: cópia de cheque, extrato bancário, ordem de pagamento, transferência bancária, depósito etc. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau consubstanciou o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 1999, 2000 DECADÊNCIA. Para o IRPF, o fato gerador do imposto sobre dos rendimentos sujeitos ao ajuste anual aperfeiçoase no momento em que se completa o período de apuração dos rendimentos e deduções: 31 de dezembro de cada anocalendário, quando se constata que o sujeito passivo sofreu retenção do imposto de renda na fonte pagadora ao longo do exercício, à medida que recebe rendimentos tributáveis, ou recolheu o tributo mensalmente, quando sujeitos ao CarnêLeão. DEDUÇÃO COM DEPENDENTES. SOGRA. O sogro ou a sogra podem ser considerados dependentes na declaração do genro ou da nora, se o seu filho ou filha possuir rendimentos tributáveis e fizer declaração em conjunto com o cônjuge. DESPESA MÉDICA. COMPROVAÇÃO. Devem ser acolhidas, a título de dedução do IRPF, aquelas despesas que, previstas na legislação que rege a matéria, encontramse comprovadas de forma hábil e idônea. Lançamento Procedente em Parte Em seu apelo ao CARF, às fls. 117/128, o recorrente reitera as mesmas questões suscitadas perante o juízo a quo, na parte que lhe foi desfavorável: i) a decadência do anocalendário de 2000, considerando o imposto sujeito ao lançamento por homologação, nos termos do artigo 150 do CTN; ii) foi provado através dos recibos, que houve o pagamento dos honorários médicos, não havendo exigência legal vedando o pagamento em espécie, nem se pode ignorar validade aos recibos apresentados, sem ferir indiscutivelmente o princípio do contraditório e da ampla defesa; iii) a Sra. Therezinha Neyde de Almeida Leme, é sua sogra e Fl. 136DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13888.002470/200534 Acórdão n.º 210101.093 S2C1T1 Fl. 133 3 vive sob sua dependência financeira, sendo comprovado pela certidão de casamento já acostada aos autos. É o Relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Remanesce o litígio das glosas efetuadas pela fiscalização relacionadas ao anocalendário de 2000, exercício financeiro de 2001. Em relação à decadência, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem reiteradamente decidido que as alterações legislativas do imposto de renda ao atribuir à pessoa física a incumbência de apurar e pagar o imposto, sem prévio exame da autoridade administrativa, classificase na modalidade de lançamento por homologação, na forma do artigo 150 do CTN, pois a entrega da declaração de rendimentos converteuse em mero cumprimento de obrigação acessória (repasse ao órgão administrativo de informações para fins de controle do adequado cumprimento da legislação tributária, com ou sem obrigação principal a ser adimplida – Acórdão CSRF/0104.493 de 14/04/2003 – DOU de 12/08/2003). A natureza do lançamento é determinada pela legislação do tributo, que impõe ao sujeito passivo a obrigação de ocorrido o fato gerador, identificar a matéria tributável, apurar o imposto devido e efetuar o pagamento sem prévio exame da autoridade. No caso em tela, houve pagamento antecipado do imposto, conforme indicam as Declarações de Ajuste Anual e os Demonstrativos de Apuração do Imposto do lançamento em exame. No decorrer do anocalendário o contribuinte antecipa, mediante a retenção na fonte, carnêleão ou por meio do pagamento espontâneo, o imposto que será apurado em definitivo após o encerramento do anocalendário. É nessa oportunidade que o fato gerador do imposto de renda resta concluído. Por ser do tipo complexo (complexivo, complessivo), segundo a classificação doutrinária, o fato gerador do imposto de renda surge completo no último dia do ano. Os fatos levados à apuração do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual (deduções), bem assim as omissões ocorridas durante os meses do ano comportamse, no presente caso, no fato gerador concluído no final do anocalendário. É que as antecipações mensais, previstas na Lei nº 7.713, de 1988, não suprimiram o fato gerador anual do tributo (artigos 2º e 9º da Lei nº 8.134, de 1990), que abarca todos os rendimentos auferidos no ano, as deduções, sendo esta base de cálculo que irá prevalecer para a apuração do quantum debeatur, com a conseqüente restituição do imposto retido durante o ano base ou o pagamento suplementar do tributo. As exceções à regra são os casos de tributação definitiva (renda variável e ganho de capital) e os rendimentos tributados exclusivamente na fonte (prêmios, 13ª salário etc), que não se submetem ao ajuste anual. Leandro Paulsen, ministra que “o imposto de renda da pessoa física tem periodicidade anual, com antecipações de pagamento mensais. O imposto de renda da pessoa jurídica pode ser anual ou trimestral, dependendo de opção da empresa, nos termos do que dispõe o art. 1º da Lei nº 9.430/1996”, in Direito tributário. Constituição e Código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre, 2001. Livraria do Advogado, p. 522. Fl. 137DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 O Ministro Franciulli Netto, do Superior Tribunal de Justiça, no RESP 584.195 / PE, julgado em 19.02.2004, deixa assente que “o conceito de renda envolve necessariamente um período, que, conforme determinado na Constituição Federal, é anual. Mais a mais, é complexa a hipótese de incidência do aludido imposto, cuja ocorrência dáse apenas ao final do anobase, quando poderá se verificar os últimos dos fatos requeridos pela hipótese de incidência do tributo”. O Auto de Infração foi cientificado ao sujeito passivo em 28/09/2005 (AR à fl. 59) e, para omissões sem qualificação por dolo, fraude ou simulação, apurados durante o anocalendário de 2000 (com fato gerador em 31/12/2000), a contagem do prazo decadencial tem início em 01/01/2001, com termo final em 31/12/2005. A exigência fiscal referente ao ano calendário de 2000, DIPF do exercício de 2001, encontrase, portanto, plenamente válida. Ressaltese, por oportuno, ainda que se considere o fato gerador mensal, a decadência não atingiria todo o anocalendário de 2000. No que tange à glosa das despesas médicas indicadas no Termo de Constatação à fl. 46/47, firmo convencimento de que o lançamento e a decisão de primeiro grau não merecem qualquer reparo. Com efeito, vejamos o que dispõe a legislação que rege a matéria, e como os Órgãos administrativos de julgamento a têm interpretado. Confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito de dedução de despesas médicas: “Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;” Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Fl. 138DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13888.002470/200534 Acórdão n.º 210101.093 S2C1T1 Fl. 134 5 Art.73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º).” §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Grifos Acrescidos. Por certo, a legislação, em regra, estabelece a apresentação de recibos/nota fiscal, como forma de comprovação das despesas médicas, a teor do que dispõe o art. 80, § 1º, III, do RIR/1999, mas não restringe a ação fiscal apenas a esse exame, numa visão sistêmica da legislação tributária. Verificase, inclusive, que a indicação do cheque nominativo, apesar de conter muito menos informação que o recibo, é também eleito como meio de prova, evidenciando a força probante da efetiva comprovação do pagamento. Em outros recursos que passaram por este Colegiado, com despesas médicas elevadas, a parte interessada apresentou elementos de prova abundantes da necessidade da realização das despesas (os serviços demandados, exames, relatórios dos profissionais envolvidos no tratamento etc), quando não o faziam em relação ao efetivo pagamento. O Autuado recebe a integralidade dos rendimentos declarados através de conta bancária, mas não consegue comprovar os pagamentos questionados pela fiscalização, nem a efetividade da prestação dos serviços. O ordenamento legal permite que o contribuinte realize pagamentos em moeda corrente e, por seu turno, os beneficiários desses são orientados a aceitálos. Só que, mesmo esse modal de cumprimento de obrigações permite comprovação, uma vez que, em razão dos valores envolvidos, não há como compreender que não ocorreriam saques coincidentes, ou aproximados, em datas e valores aos indicados nos recibos de despesas médicas. Nos anoscalendários de 1999 e 2000, por exemplo, os dispêndios com despesas médicas glosadas alcançaram os montantes de R$24.003,77 e R$14.161,00, respectivamente. De fato, no caso em exame, apesar dos valores despendidos, nenhuma transferência de recursos do autuado para os prestadores dos serviços médicos foi comprovada. O interessado não logrou trazer aos autos elementos hábeis de prova para corroborar sua assertiva de que efetivamente houve o atendimento profissional alegado, bem como efetuado os pagamentos decorrentes. Restringese a repisar argumentos que já haviam sido analisados com muita propriedade no acórdão recorrido. Estas considerações objetivam analisar a matéria de forma ponderada, de acordo com a especificidade de cada caso. A glosa efetuada pela fiscalização, por seus fundamentos permanece incólume. Não se trata de exigências descabidas ou ilegais, ou ônus indevido para o contribuinte, já que a legislação que rege a matéria dispõe que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, devendo o contribuinte apresentar elementos de prova do efetivo desembolso dos valores e efetiva prestação dos serviços. Tal solicitação compôs, inclusive, o Termo de Intimação Fiscal às fl. 03/04. Para a situação revelada no caso em exame há que se comungar com o posicionamento expresso nas ementas dos Acórdãos da CSRF e do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, abaixo colacionadas, dentre muitas outras na mesma linha de entendimento: Fl. 139DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 IRPF DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do pagamento ou a efetiva prestação de serviços. Essas condições devem ser comprovadas quando restar dúvida quanto à idoneidade do documento. (Ac. 1º CC 10243935/1999 e Ac. CSRF 011.458) IRPF DESPESAS MÉDICAS DEDUÇÃO Inadmissível a dedução de despesas médicas, na declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovado os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legítima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe. (Ac. 1º CC 10416647/1998)” A decisão recorrida merece reparo, tãosomente, quanto à glosa da dependente Therezinha Neyde de Almeida Leme, sogra do autuado. Nos termos do inciso VI do artigo 35 da Lei nº 9.250, de 1995, a sogra pode constar como dependente do genro, desde que não aufira rendimentos acima da tabela de isenção e a filha (esposa do autuado) declare em conjunto. Na declaração em conjunto, se a cônjuge auferiu rendimentos, estes devem ser somados aos rendimentos do declarante, sendo a esposa incluída como dependente do marido. No caso em exame, como a esposa do autuado não apresentou declaração em separado, e foi relacionada como dependente do marido nas declarações do período fiscalizado, entendo que a sogra pode figurar como dependente do genro. Em face ao exposto, dou parcial provimento ao recurso, para restabelecer a dedução com a dependente Therezinha Neyde de Almeida Leme, no anocalendário de 2000. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 140DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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