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Numero do processo: 10670.002059/2009-40
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1999 a 01/02/2000
DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO ANTERIOR ANULADO POR VÍCIO FORMAL. CRÉDITO SUBSTITUTIVO. POSSIBILIDADE. LEGALIDADE.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vota pelas conclusões o Conselheiro Oséas Coimbra Junior.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1999 a 01/02/2000 DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO ANTERIOR ANULADO POR VÍCIO FORMAL. CRÉDITO SUBSTITUTIVO. POSSIBILIDADE. LEGALIDADE. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vota pelas conclusões o Conselheiro Oséas Coimbra Junior. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 20 59 /2 00 9- 40 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10670.002059/200940 Acórdão n.º 2803002.227 S2TE03 Fl. 253 2 Relatório O presente Auto de Infração, DEBCAD 37.243.9764, objetiva o lançamento da Obrigação Principal, contribuições sociais previdenciárias não adimplidas pelo empregador contribuinte – relativa aos segurados, em razão da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores empregados e não declaradas em GFIP, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – AI, de fls. 91 a 93, com período de lançamento de 03/1999 a 01/2000. Cumpre informar inicialmente que o presente Auto de Infração é substitutivo do Lançamento de Débito Confessado – LDC – DEBCAD 35.068.2216, o qual foi anulado pelo Despacho – Decisório DRF/MCR/SARAC/EAC1 Nº 246/2009, em razão de vício formal, divergências entre os valores lançados e as GFIP’s, dedução incorreta de salário família e saláriomaternidade e apropriação de valor incorreto de GPS. O LDC anulado foi incluído de forma sucessiva em diversos parcelamentos especiais. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 05/11/2009, conforme AR, de fls. 95. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, via postal, envelope, as fls. 96, com postagem, em 02/12/2009, e petição com razões, acostada, as fls. 97 a 105, estando acompanhada dos documentos, de fls. 106 a 140. Não há manifestação quanto à tempestividade da impugnação. Os autos foram baixados em diligência pela DRJ/BHE, fls. 149 a 150. A Seção de Controle e Acompanhamento Tributário – SACAT emitiu o despacho, de fls.172 a 184, em atendimento a diligência, tendo sido o contribuinte notificado deste, pelo AR, de fls. 250. O sujeito passivo não se manifestou sobre a diligência. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0235.788 8ª Turma da DRJ/BHE, em 03/11/2011, fls. 258 a 260, no qual a impugnação foi considerada procedente em parte, haja vista a elaboração do Quadro I onde consta competência lançada com valor superior no AI substitutivo ao que registrado originalmente na LDC substituída. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 04/10/2012, AR, de fls. 283. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição e razões recursais, as fls. 285 a 289, remetida por via postal, em 30/10/2012, envelope, as fls. 290 desacompanhado de qualquer documento, as teses recursais sumariadas estão a seguir expostas. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10670.002059/200940 Acórdão n.º 2803002.227 S2TE03 Fl. 254 3 Preliminarmente. · que em razão da SV STF Nº 08/2008 os artigos 45 e 46 da lei 8.212/91 são inconstitucionais, sendo os prazos prescricionais qüinqüenais, artigos 173 e 174 do CTN; · que o direito adquirido e o ato jurídico perfeito devem ser observados, aplicandose o limite temporal de decadência em 01/01/2004 e prescricional em 03/11/2004, homologação tácita do vencidos e antecedentes em 31/12/2003, com a garantia constitucional à coisa julgada; · que neste lançamento são indicados leis e decretos revogados pela SV Nº 8, sendo ineficaz e nulo; · que o período de 01/01/1998 a 30/04/2000 lançado em 05/11/2009 esta extinto pelo decadência, artigo 173 e 156, V, do CTN, sendo que vícios formais não suspendem a decadência; · A recorrente requer e pede: a) que o crédito residual não provido pela DRJ deve ser cancelado pelo CARF; b) feitas as devidas anotações nos registros eletrônicos da repartição, baixa no CADIN e fornecimento de CPDEM com respectivo arquivamento. A autoridade preparadora não se manifestou quanto à tempestividade do recurso. Os autos foram remetidos ao CARF, fls. 292. Informo que a recorrente por intermédio de representante legal escritório de advocacia Moreth e Graco, usando da prerrogativa do pedido de urgência, pediu a retirada de pauta destes autos, no dia 16/04/2013, às 12h10min, conforme petição recebida, durante esta sessão de julgamento. É o Relatório. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10670.002059/200940 Acórdão n.º 2803002.227 S2TE03 Fl. 255 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado Cumpri registrar, inicialmente, que neguei o pedido de retirada de pauta, pois entendo que da publicação da pauta até a data do julgamento decorreu prazo suficiente para que o novo representante legal tomasse conhecimento da matéria, além do que a empresa não informou em sua petição, quando houve a troca de patrono, o que possibilitaria averiguar com maior precisão a necessidade de adiamento, não havendo, assim justificativa para tal, observe se o excerto do aresto. PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS PREVENTIVO. PEDIDO DE ADIAMENTO DA SESSÃO DE JULGAMENTO INDEFERIDO. CRITÉRIOS PARA O CUMPRIMENTO DA PENA RESTRITIVA DE DIREITO ESTABELECIDOS NO PRIMEIRO GRAU. AUSÊNCIA DE INTERESSE PROCESSUAL SUPERVENIENTE. PERDA DO OBJETO. 1. A jurisprudência do col STJ entende que "o adiamento da sessão de julgamento do recurso de apelação deve ser acompanhado de justificativa plausível, pois a sua realização não pode ficar ao alvedrio das partes". Precedente: (STJ, HC 200800378828, JORGE MUSSI, STJ QUINTA TURMA, DJE: 15/12/2009). No caso, o advogado impetrante, embora tenha requerido o adiamento do julgamento, não trouxe nenhuma justificativa para embasar o seu pleito, limitandose a afirmar que "não há tempo hábil" para comparecer ao julgamento, o que impõe o indeferimento do pedido de adiamento. 2. Resta sem objeto o habeas corpus que visava obstar a prática de qualquer ato que culminasse na substituição das penas restritivas de direitos por pena privativa de liberdade, uma vez que, em momento posterior à impetração, o juiz de primeiro grau proferiu decisão fixando os critérios para cumprimento das penas restritivas de direito impostas ao ora paciente. 3. Perda de interesse processual superveniente. Precedente: (TRF5, HC 00151040720104050000, Desembargador Federal Edílson Nobre, Quarta Turma, DJE: 07/10/2010). 4. Pedido de adiamento indeferido e Habeas corpus denegado. TRF5. Segunda Turma. HC 00041580520124050000 HC Habeas Corpus – 4693. Desembargador Federal Francisco Barros Dias. DJE Data::17/05/2012 Página::260. (grifo meu). Ressalto que como esclarecido anteriormente o presente lançamento é substitutivo do LDC DEBCAD 35.068.2216, fls.185 a 199; 202 a 248, lançado em 30/06/2000, fls. 185, tendo sido fiscalizado o período de 01/1998 a 05/2000, conforme Termo de Encerramento da Ação Fiscal – TEAF, de fls. 247. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10670.002059/200940 Acórdão n.º 2803002.227 S2TE03 Fl. 256 5 Fica evidente, desta forma, que, ainda, que se aplicasse o prazo de decadência de cinco anos artigo 150, § 4º ou 173, I, ambos, do CTN em obediência à Súmula Vinculante Nº 08 do STF, à época do lançamento a decadência não havia se operado, pois entre a primeira contribuição lançada 03/1999 e a data do lançamento 30/06/2000, quando muito passará um ano e três meses. Logo, não há que se falar em decadência. Aliás, o julgador de primeiro grau sobre isso se pronunciou, conforme abaixo transcrito Considerandose que o LDC anulado em razão de vícios formais (DEBCAD nº 35.068.2216) foi lavrado na competência 06/2000 e que a competência mais antiga nele incluída foi 03/1999, constatase que, mesmo considerandose os efeitos da Súmula Vinculante do STF, n° 8, DOU de 20/6/2008, no LDC substituído não foram apuradas contribuições relativas a qualquer competência alcançada pela decadência. A DRF informa que o LDC esteve incluso em vários parcelamentos especiais, conforme descrito a seguir. · REFIS – LEI 9.964/2000 05/04/2000 A 01/05/2003, FLS. 154 E 155; · PAES – LEI 10.684/2003 31/07/2003 A 29/08/2006, FLS. 157 E 158; · PAEX MP 303/2006 15/09/2006 A 25/08/2008, FLS. 161 E 162. É cediço de todos que uma vez efetuado o lançamento o instituto da decadência deixa de operar para dar lugar ao da prescrição e esta, nos termos do artigo 174, caput, da Lei 5.172/66, também, têm prazo de cinco anos. No entanto, o parágrafo único, inciso IV, desta norma diz: “A prescrição se interrompe: por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor.” Foi exatamente o que ocorreu no presente caso a prescrição se interrompeu quando do pedido de cada parcelamento, iniciandose nova contagem de cinco anos a cada interrupção do pagamento e como entre o fim de um e o início do outro, não transcorreu o lustro, a prescrição não se operou. O Auditor Fiscal lançador e o julgador de primeiro grau informam que o LDC foi anulado por haver vício formal em sua constituição, ou seja, ausência de fundamentação legal com a aplicação do artigo 173, I, da Lei 5.172/66, o qual segundo seus termos o crédito pode ser reconstituído. Desta forma, tendo a anulação do LDC ocorrido, em 18/05/2009, e o novo lançamento ocorrido, em 05/11/2009, representando por este Auto de Infração não houve ocorrência de decadência. O instituto da decadência não pode operar no período em que este não existia, ou seja, entre 30/06/2000 e 25/08/2008, data do primeiro lançamento e da interrupção do parcelamento do PAEX, não pode ocorrer decadência simplesmente porque esta não operava estavase sob a égide da prescrição, pois o lançamento existia. O pedido de CPDEN – certidão de regularidade fiscal – está fora da competência deste órgão julgador, sendo atribuição exclusiva dos gestores de DRF; Inspetorias e Agências a quem deve ao contribuinte buscar para operacionalizar o pleito. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10670.002059/200940 Acórdão n.º 2803002.227 S2TE03 Fl. 257 6 Posto isto, afasto as alegações da recorrente seja em preliminar ou em mérito por falta de lastro jurídico. A presente decisão não reconhece direito creditório de nenhuma, espécie, ordem, valor ou origem em razão do contribuinte recorrente. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10325.000948/2008-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004, 31/01/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DE EXAME E LAVRATURA. REPARTIÇÃO FISCAL. NULIDADE. AUSÊNCIA.
Dispondo a Administração Tributária dos elementos necessários e suficientes para a caracterização da infração e formalização do lançamento tributário, inexiste óbice à lavratura do auto de infração na sede da repartição fiscal.
DIF-BEBIDAS. FALTA DE ENTREGA. MULTA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA.
O sujeito passivo que deixar de apresentar, no prazo fixado, declaração fiscal exigida nos termos do artigo 16 da Lei nº 9.779, de 1999, sujeita-se à imposição da multa prevista.
Cominada penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, aplica-se o princípio da retroatividade benigna.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 3802-001.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para fixar a presente multa no valor de R$ 19.000,00 (dezenove mil reais), nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sérgio Celani e Bruno Maurício Macedo Curi. Ausente momentaneamente o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: REGIS XAVIER HOLANDA
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LOCAL DE EXAME E LAVRATURA. REPARTIÇÃO FISCAL. NULIDADE. AUSÊNCIA. Dispondo a Administração Tributária dos elementos necessários e suficientes para a caracterização da infração e formalização do lançamento tributário, inexiste óbice à lavratura do auto de infração na sede da repartição fiscal. DIFBEBIDAS. FALTA DE ENTREGA. MULTA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. O sujeito passivo que deixar de apresentar, no prazo fixado, declaração fiscal exigida nos termos do artigo 16 da Lei nº 9.779, de 1999, sujeitase à imposição da multa prevista. Cominada penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, aplicase o princípio da retroatividade benigna. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para fixar a presente multa no valor de R$ 19.000,00 (dezenove mil reais), nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 00 09 48 /2 00 8- 11 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10325.000948/200811 Acórdão n.º 3802001.761 S3TE02 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sérgio Celani e Bruno Maurício Macedo Curi. Ausente momentaneamente o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por Bernardes e Alves Ltda. contra Acórdão nº 0115.455, de 20 de outubro de 2009 (fls. 171 a 176), proferido pela 3ª Turma da DRJ/BelémPA, que manteve o lançamento relativo à multa por falta de entrega da Declaração Especial de Informações Fiscais relativas à Tributação de Bebidas (DIFBebidas) no valor total de R$ 95.000,00. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida que transcrevo a seguir: Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado o auto de infração de fls. 148/154, através do qual foi constituído o crédito tributário no valor de R$ 95.000,00, por falta de entrega da Declaração Especial de Informações Fiscais relativas à Tributação de Bebidas (DIFBebidas). Consta da descrição dos fatos e enquadramento legal que a fiscalizada foi inicialmente intimada a regularizar sua situação fiscal em relação à entrega da DIPI Bebidas (sic) relativa aos períodos já referidos, e que comunicou que não foi possível transmitilas. Devidamente cientificada, a contribuinte apresentou impugnação, na qual, em resumo, alegou que: Da ação fora do estabelecimento da contribuinte Fazendo tabula rasa do comando contido no art. 904 do RIR/99, os nobres autuantes realizaram o procedimento de fiscalização que deu azo ao presente lançamento fora da sede da Impugnante. No caso vertente, o procedimento colide com fundamento legal da maior importância, aquele que determina ser o domicilio do sujeito passivo o local do exame dos documentos. Assim, pois, o presente Auto de Infração é incontestavelmente nulo, motivo pelo qual o lançamento nele contido não pode prosperar. Da improcedência da multa Fl. 203DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10325.000948/200811 Acórdão n.º 3802001.761 S3TE02 Fl. 4 3 A multa prevista no art. 499, inciso I, do RIPI, possui caráter compensatório, de forma a compensar eventual prejuízo ao erário pelo não pagamento do imposto (IPI) em razão da não utilização dos selos de controle. No caso dos autos, tal multa é incabível, já que, conforme atestaram os próprios fiscais autuantes, a contribuinte recolheu corretamente o IPI devido em razão das vendas dos produtos correspondentes. Além do mais, se não apresentou a Declaração Especial de Informações Fiscais, o fez não por vontade sua, mas como forma de dar continuidade às suas atividades, uma vez que ainda no ano de 2001, requereu junto à Delegacia da Receita Federal em Imperatriz (MA) o Registro Especial de que trata o art. 1º, § 6º, do DecretoLei nº 1.593/77, no que não foi atendida por aquele órgão, que fez exigências que naquela ocasião ela não poderia atender. Uma vez negado o registro especial de selo, fica o sujeito passivo vedado à prática da mercancia dos produtos por ele produzidos, o que importa, na prática, em inviabilizar por completo suas atividades comerciais. Requer, ao final, que seja julgado nulo e/ou improcedente o lançamento. A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e considerou procedente o lançamento em acórdão com a seguinte ementa: NULIDADE. LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. Perfeitamente legal a lavratura do auto de infração na repartição fiscal, vez que a lei prevê seja ele lavrado no local de verificação da falta e não obrigatoriamente no estabelecimento do contribuinte. DIFBEBIDAS. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A nãoapresentação, ou a apresentação da DIPIBEBIDAS (sic) após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. São improfícuos os julgados judiciais e administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. Cientificado do referido acórdão em 09 de dezembro de 2009 (fl. 182), o interessado apresentou recurso voluntário em 05 de janeiro de 2010 (fls. 183 a 191) pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. É o relatório. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10325.000948/200811 Acórdão n.º 3802001.761 S3TE02 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Regis Xavier Holanda, Relator Da admissibilidade Por conter matéria de competência deste Colegiado e estando o crédito tributário lançado dentro do seu limite de alçada, e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Da ausência de nulidade do auto de infração A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que dispõe sobre a legislação tributária federal, trouxe a seguinte disposição de interesse à matéria em exame: Art. 35. Os livros e documentos poderão ser examinados fora do estabelecimento do sujeito passivo, desde que lavrado termo escrito de retenção pela autoridade fiscal, em que se especifiquem a quantidade, espécie, natureza e condições dos livros e documentos retidos. Destaquei. Dessa forma, resta autorizada pela legislação a execução de auditoria fiscal nos livros e documentos fiscais da empresa em local distinto da sede do sujeito passivo, como sói ocorrer normalmente nos trabalhos levados a cabo nas dependências da Receita Federal. Na mesma linha, o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, assim disciplinou: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: ............................................. Destaquei. Assim, também a lavratura do auto de infração poderá ocorrer – como é de costume – na sede da repartição fiscal, local onde normalmente, após exame da documentação fiscal apresentada pelo sujeito passivo, se dá a verificação da falta. Como bem anotado pela decisão recorrida, o local de verificação não é necessariamente o espaço físico da empresa, ou seja, não se trata do local do cometimento da falta. Portanto, dispondo a Administração Tributária dos elementos necessários e suficientes para a caracterização da infração e formalização do lançamento tributário, inexiste óbice à lavratura do auto de infração na sede da repartição fiscal. Pelo exposto, rejeito a presente preliminar de nulidade do auto de infração. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10325.000948/200811 Acórdão n.º 3802001.761 S3TE02 Fl. 6 5 Da multa pela falta de entrega da DIFBebidas A multa em tela tem como supedâneo normativo o seguinte quadro: Lei n° 9.779, de 1999: Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Medida Provisória n° 2.15835, de 2001: Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; ............................................................. Instrução Normativa SRF n° 325, de 2003: Art. 3º A pessoa jurídica que deixar de apresentar a DIF Bebidas no prazo estabelecido no artigo anterior, ou que apresentála com incorreções ou omissões, sujeitarseá às seguintes multas: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, no caso de falta de entrega da declaração ou de entrega após o prazo; ...................................................................... Atualmente, esse quadro normativo apresenta nova configuração. A Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, apresenta agora as seguintes disposições: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) Fl. 206DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10325.000948/200811 Acórdão n.º 3802001.761 S3TE02 Fl. 7 6 I por apresentação extemporânea: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ l.000,00 (mil reais) por mêscalendário; (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) .................................................................... Negritei. Percebese, portanto, com a nova redação do artigo 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, dada pela Lei nº 12.766, de 2012, em especial a do seu inciso II, que a conduta de deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, sujeita o contribuinte, agora, a uma multa de R$ 1.000,00 (mil reais), menos severa portanto que a prevista na sua redação original. Nesse novo panorama normativo, atraise a aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106 da Lei nº 5.172, de 1966 – Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ..................................................... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 207DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10325.000948/200811 Acórdão n.º 3802001.761 S3TE02 Fl. 8 7 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Negritei. Tratase de norma de ordem pública, passível, portanto, de conhecimento de ofício. Da conclusão Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao presente recurso voluntário para fixar a presente multa no valor de R$ 19.000,00 (dezenove mil reais). Sala das Sessões, em 21 de maio de 2013 (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Fl. 208DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10783.900085/2008-87
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 00 08 5/ 20 08 -8 7 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.900085/200887 Resolução nº 1802000.233 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro – DRJ/RJ I, que manteve a negativa de homologação em relação a declarações de compensação apresentadas pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. A Contribuinte apresentou vários PER/DCOMP em que utiliza crédito referente a saldo negativo de IRPJ no 2º trimestre de 2004, no valor original de R$ 1.200,51, para quitar variados débitos. O Despacho Decisório da Delegacia de origem, às fls. 16, foi assim fundamentado: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 1.200,51 Valor do crédito na DIPJ: R$ 0,00 Diante do exposto, NAO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 00203.90978.081105.1.7.024352 25395.24919.081105.1.7.028772 04697.58234.291105.1.3.022525 28372.23579.151205.1.3.029798 22871.10513.130106.1.3.021756 41393.45017.310306.1.7.023226 Com a manifestação de inconformidade de fls. 2 e 3, a Contribuinte inaugurou a fase litigiosa, alegando que existiam mesmo inconsistências na DIPJ; que as fichas que demonstram os saldos negativos de IRPJ e de CSLL não estavam corretas; que havia procedido a retificação das informações, e que agora seria possível identificar os créditos decorrentes de saldo negativo; e que estava anexando DIPJ e DCTF com as informações retificadas. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro – DRJ/RJ I manteve a negativa em relação à declaração de compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DIPJ. A retificação da DIPJ, sem a comprovação do erro, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.900085/200887 Resolução nº 1802000.233 S1TE02 Fl. 4 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 29/11/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 28/12/2011, com os argumentos descritos abaixo: houve a necessidade de retificação da DIPJ em relação ao 2º trimestre de 2004. A ficha 12A da declaração original mencionada acima apresentava informações incorretas em relação ao Saldo Negativo de IRPJ. A retificação das informações tornou possível a visualização do crédito real que a empresa possuía para compensação; no 2º trimestre de 2004 a empresa obteve uma receita de R$ 36.685,42, dos quais R$ 33.170,66 foram de serviços prestados e R$ 3.514,76 de rendimentos de aplicações financeiras. Da receita de serviços prestados foi retido na fonte o valor de R$ 497,56 e dos rendimentos dos resgates feitos das aplicações financeiras foram retidos o valor de R$ 702,95 de imposto de renda, totalizando R$ 1.200,51 de IRRF a recuperar; na condição de Contribuinte com apuração pelo Lucro real, a empresa apurou no 2º trimestre de 2004 um prejuízo R$ 7.071,16. Com base nas informações acima, o valor de R$ 1.200,51 tornouse Saldo Negativo de IRPJ referente ao 2º trimestre de 2004, vez que, com o prejuízo apurado, a retenção não foi utilizada no trimestre; o crédito de R$ 1.200,51 foi demonstrado na PER/DCOMP inicial número 00203.90978.081105.1.7.024352. Ao final do recurso, a Contribuinte informa que está apresentando os seguintes documentos para a comprovação dos fatos mencionados acima: · Relação de notas fiscais de serviços emitidas com suas respectivas retenções; · Cópia do Razão das contas de Serviços Prestados e de IRRF a recuperar; · Cópia das Notas Fiscais emitidas no período; · Cópia da DRE anual constante no Diário; · DRE do 2º trimestre; · Relatório DRE trimestral com totalizador anual; · Cópias dos comprovantes de retenção de Imposto de Renda sobre rendimentos de aplicação; · Recibo da DIPJ 2005 e fichas 09A e 12A; · Cópia dos termos de abertura e encerramento do livro diário e razão do ano de 2004. Este é o Relatório. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.900085/200887 Resolução nº 1802000.233 S1TE02 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona a não homologação de declarações de compensação em que utiliza um alegado crédito referente a saldo negativo de IRPJ do 2º trimestre de 2004, no valor de R$ 1.200,51. A Delegacia de origem não homologou a compensação pelo fato de que a DIPJ não indicava valor de saldo negativo para o período em questão. Na primeira instância administrativa, a Contribuinte informou ter retificado a declaração, para registrar o reivindicado saldo negativo de IRPJ. Contudo, a Delegacia de Julgamento manteve a negativa em relação à compensação, com o fundamento de que a retificação da DIPJ, sem a comprovação do erro, não seria suficiente para demonstrar a existência do direito creditório. O voto que orientou a decisão acima traz as seguintes considerações: Se houve um erro de fato no preenchimento da DIPJ, este deve ser comprovado, para que fique evidente que o interessado teria informado na DIPJ um montante diverso do efetivamente devido. Uma vez que o interessado alega que teria um valor a ser restituído/compensado, cabe unicamente a ele o ônus da comprovação, por meio dos documentos hábeis, como os livros contábeis e fiscais, bem como os demais que demonstrem as informações neles contidas. Os argumentos que a Contribuinte apresenta em seu recurso voluntário indicam que ela apurou prejuízo no período em pauta, e que teria deixado de computar as retenções sofridas. Esta seria a razão pela qual a DIPJ original não indicou valor a título de saldo negativo. Nesta fase recursal, a Contribuinte apresenta documentos no intuito de comprovar a existência de seu crédito. O fato de a DIPJ original não indicar valor a título de saldo negativo não justifica uma negativa em definitivo, eis que o art. 165 do Código Tributário Nacional CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. Não se trata aqui de simplesmente aceitar ou não uma declaração retificadora com a produção de efeitos automáticos, para fins de gerar direito creditório, conforme a regra prevista no art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional – CTN, porque o exame de um PER/DCOMP é sempre realizado de ofício, aproximandose muito mais da regra contida no § 2º deste mesmo dispositivo, segundo o qual “os erros contidos na declaração e apuráveis pelo Fl. 90DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.900085/200887 Resolução nº 1802000.233 S1TE02 Fl. 6 5 seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela”. No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. Além disso, não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento entendeu que a Contribuinte não comprovou a ocorrência de erro na DIPJ original, porque ela não apresentou documentos hábeis, como os livros contábeis e fiscais, bem como os demais que demonstrem as informações neles contidas. Ocorre que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos, ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao seu recurso voluntário cópias de notas fiscais, de livros contábeis/fiscais, de demonstração de resultados – DRE, de comprovante de retenção na fonte, tabela informativa de rendimentos e retenções, etc. Por tudo que foi exposto, a decisão do presente processo demanda uma instrução complementar. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.900085/200887 Resolução nº 1802000.233 S1TE02 Fl. 7 6 É necessário que a Delegacia de origem, analisando a documentação contábil e fiscal da empresa, as informações constantes dos sistemas eletrônicos da própria Receita Federal (DIRF), as DIPJ (original e retificadora), e ainda outros elementos que entender relevantes: 1) verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJ no 2º trimestre de 2004; as retenções sofridas a título deste imposto no mesmo período; as receitas relativas a estas retenções, averiguando se elas foram computadas pela Contribuinte na base de cálculo do imposto; 2) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se há saldo negativo de IRPJ a ser restituído/compensado, e qual o seu valor; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Vitória/ES atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 92DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 11610.003678/2008-48
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDEFERIMENTO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PORTADOR DE DOENÇA ISENTIVA. PEDIDO QUE MERECE DEFERIMENTO.
Em se tratando de proventos de aposentadoria de portador de moléstia isentiva comprovada por laudo médico oficial, é de deferir-se pedido de restituição de IRRF sobre os referidos proventos.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-002.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 11/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas De Mello (Relator), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci De Assis Junior, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDEFERIMENTO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PORTADOR DE DOENÇA ISENTIVA. PEDIDO QUE MERECE DEFERIMENTO. Em se tratando de proventos de aposentadoria de portador de moléstia isentiva comprovada por laudo médico oficial, é de deferirse pedido de restituição de IRRF sobre os referidos proventos. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 11/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas De Mello (Relator), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci De Assis Junior, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 36 78 /2 00 8- 48 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 11/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 Relatório O contribuinte acima identificado apresentou, em 23/10/2008, manifestação de inconformidade de fl. 29, discordando do Despacho Decisório DERAT/SP no 1.447/2008 (M.24 a 27), do qual tomou ciência em 02/10/2008 (fl. 27), que indeferiu o pedido de restituição dos valores relativos aos impostos retidos na fonte sobre o 13° salário referente aos anoscalendário 2004, 2005 e 2006, pedido esse lastreado na alegação de que o interessado era isento do pagamento de imposto de renda por ser portador de MOLÉSTIA GRAVE. A decisão recorrida indeferiu o pleito do contribuinte, sob o argumento de que o documento de fl. 02, apresentado pelo interessado, não atende à exigência legal para reconhecimento da isenção, pois não se trata (m) de laudo (s) emitido (s) por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (art. 30 da Lei 9.250/95). Por intermédio da manifestação de inconformidade, o impugnante argumenta que é portador de moléstia grave — CARDIOPATIA GRAVE (CID 25.5.), em acompanhamento médico, conforme Laudo Médico expedido pela Dra. Maria Cristina R.Castilho, sofrendo também de hipertensão arterial severa e insuficiência coronariana.. Em julgamento, a 7a Turma da DRJ/SPOII, em sessão de 21/05/09, mantiveram o indeferimento da solicitação ao fundamento de que a pretensão foi indeferida por falta de apresentação de laudo médico oficial, que tampouco foi trazido por ocasião da manifestação de inconformidade, sendo de se manter o indeferimento do requerido. Recorre tempestivamente (fls.5888), repisando os argumentos esgrimidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Preliminarmente, o recurso é de ser conhecido no que toca a seu objeto, qual seja o indeferimento de seu pedido de restituição em razão de isenção por moléstia grave. O feito é de simples deslinde. O cerne da questão consiste na suposta falta de laudo emitido por serviço médico oficial. Contudo, verificase que o documento de fl.05 (numeração CARF) consiste em laudo oficial, emitido por médica do Ambulatório de Especialidades Médicas Maurice Patê, o mesmo que consta de fl.06 como integrante da rede oficial do Município de São Paulo, o que também pode se confirmar buscandose o nome do estabelecimento médico na rede mundial de computadores, sendo que do referido laudo, consta expressamente tratarse de doença isentiva (cardiopatia grave), com indicação de CID e data de acometimento (ano de 2004; também o mais remoto ano em relação ao qual o contribuinte requer restituição), sendo portanto de darse provimento ao recurso, para deferir o pedido de restituição formulado pelo requerente em sua totalidade. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 11/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 11610.003678/200848 Acórdão n.º 2802002.295 S2TE02 Fl. 120 3 Neste sentido, em que pese o citado documento (fl. 5) referirse genericamente ao anocalendário de 2004, é de se ver que o laudo médico de fls. 59 informa que a intervenção médica que detectou a moléstia grave do Recorrente ocorreu em 16 de novembro de 2004, anterior à retenção correspondente ao mesmo ano e que se pretende ver restituída através deste processo. Outrossim, deve ser pontuado que a presente decisão parte da premissa utilizada pelo Acórdão recorrido quanto ao acerto da utilização da utilização do pedido de restituição para o fim pretendido, conforme se depreende do excerto do Acórdão proferido pela DRJ, de fls. 54: “Posteriormente, esses pedidos de restituição foram disciplinados pela IN SRF no. 600, de 30/12/2005, que manteve os mesmos procedimentos para formalização do pedido. Dessa forma, perfeito o procedimento do contribuinte quanto ao instrumento utilizado para o pedido de restituição.” Assim, tendo em vista que a DRJ tomou os valores que serviram de base para a retenção como 13º salário, voto no sentido de dar provimento integral ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 11/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 18108.002275/2007-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004
DECADÊNCIA. RETENÇÃO DE 11%. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO.
Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
A empresa contratante não efetuou a regular retenção nas notas fiscais ou faturas da empresa contratada.
O crédito tributário foi lançado na forma preconizada no art. 33, § 5º da Lei n.º 8.212/91.
O sujeito passivo passou a suportar o ônus de não ter realizado a retenção que era obrigada a realizar na condição de substituto tributário, passando a ficar diretamente responsável pela retenção que deixou de realizar e,
consequentemente, pelo recolhimento do tributo devido.
Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições
previdenciárias a cargo da empresa na condição de responsável direto devam
ser apreciadas como um todo. Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa na condição de responsável direto devam ser apreciadas como um todo.
Os documentos constantes nos autos, especificamente no Relatório de
Documentos Apresentados RDA (fls. 40/73), possibilitam concluir que
houve antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte
do sujeito passivo no período em discussão.
Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em
10/12/2007, as contribuições com fatos geradores ocorridos até a
competência 11/2002 encontravam-se fulminados pela decadência.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004
INADIMPLEMENTO DA OBRIGAÇÃO DE EFETUAR A RETENÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE FATURAS DE SERVIÇOS PRESTADOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO DE OBRA. LANÇAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO RETIDAS EM NOME DO TOMADOR DE SERVIÇOS. DESNECESSIDADE DE FISCALIZAÇÃO PRÉVIA NA EMPRESA PRESTADORA.
Ao deixar de reter as contribuições incidentes sobre as faturas de prestação de serviço executados mediante cessão de mão de obra ou empreitada, a
empresa contratante passa a responder pelo tributo não retido, independentemente de fiscalização prévia no prestador.
SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL E SUBEMPREITADA. INCIDÊNCIA DE RETENÇÃO SOBRE AS FATURAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO.
As empresas contratantes de serviços de construção civil ou que submpreitam
parcelas de obra de construção civil devem efetuar a retenção prevista no art. 31 da Lei n.º 8.212/1991, com redação dada pela Lei n.º 9.711/1998.
BASE DE CÁLCULO DA RETENÇÃO. DEDUÇÃO DO VALOR DOS MATERIAIS EMPREGADOS. NECESSIDADE DE PREVISÃO CONTRATUAL E DESTAQUE NA NOTA FISCAL.
Regra geral, somente é admitida a dedução da base de cálculo da retenção
para a:Seguridade Social os valores correspondentes aos materiais
empregados na prestação de serviço, quando a utilização esteja prevista em
contrato e os valores envolvidos sejam discriminados na nota fiscal.
PRIMARIEDADE. POSSIBILIDADE DE REDUÇÃO DA EXIGÊNCIA
FISCAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não há, nem houve, na legislação previdenciária previsão no sentido de
reduzir o valor das imposições para exigência da obrigação principal para os
contribuintes que ostentassem a condição de primariedade no cometimento de
infrações às norma de regência.
CONSTATAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES NÃO RECOLHIDAS. NECESSIDADE DE DUPLA VISITA PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. INEXISTÊNCIA.
Verificada a existência de contribuição não adimplidas, a Auditoria Fiscal
tem o dever de constituir o crédito mediante o lançamento, não exigindo a
legislação que a lavratura seja precedida de visita fiscal.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004
ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. NÃO ACOLHIMENTO.
Quando utilizadas para afastar fatos apresentadas pela autoridade fiscal, as
alegações do sujeito passivo deverão estar lastreadas em elementos
probatórios consistentes.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.231
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, I) por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 11/2002. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator) e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que não acolhiam a decadência. II) Por unanimidade de votos, no mérito, dar provimento parcial para que sejam excluídos do levantamento R40 RETENÇÃO os pagamentos relativos a despesas com corpo de bombeiros e os valores lançados na competência 04/2004 para o levantamentoR42 RETENÇÃO. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Elias Sampaio Freire.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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RETENÇÃO DE 11%. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). A empresa contratante não efetuou a regular retenção nas notas fiscais ou faturas da empresa contratada. O crédito tributário foi lançado na forma preconizada no art. 33, § 5º da Lei n.º 8.212/91. O sujeito passivo passou a suportar o ônus de não ter realizado a retenção que era obrigada a realizar na condição de substituto tributário, passando a ficar diretamente responsável pela retenção que deixou de realizar e, consequentemente, pelo recolhimento do tributo devido. Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa na condição de responsável direto devam ser apreciadas como um todo. Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa na condição de responsável direto devam ser apreciadas como um todo. Os documentos constantes nos autos, especificamente no Relatório de Documentos Apresentados RDA (fls. 40/73), possibilitam concluir que houve antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo no período em discussão. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 10/12/2007, as contribuições com fatos geradores ocorridos até a competência 11/2002 encontravamse fulminados pela decadência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 INADIMPLEMENTO DA OBRIGAÇÃO DE EFETUAR A RETENÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE FATURAS DE SERVIÇOS PRESTADOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA. LANÇAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO RETIDAS EM NOME DO TOMADOR DE SERVIÇOS. DESNECESSIDADE DE FISCALIZAÇÃO PRÉVIA NA EMPRESA PRESTADORA. Ao deixar de reter as contribuições incidentes sobre as faturas de prestação de serviço executados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, a empresa contratante passa a responder pelo tributo não retido, independentemente de fiscalização prévia no prestador. SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL E SUBEMPREITADA. INCIDÊNCIA DE RETENÇÃO SOBRE AS FATURAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. As empresas contratantes de serviços de construção civil ou que submpreitam parcelas de obra de construção civil devem efetuar a retenção prevista no art. 31 da Lei n.º 8.212/1991, com redação dada pela Lei n.º 9.711/1998. BASE DE CÁLCULO DA RETENÇÃO. DEDUÇÃO DO VALOR DOS MATERIAIS EMPREGADOS. NECESSIDADE DE PREVISÃO CONTRATUAL E DESTAQUE NA NOTA FISCAL. Regra geral, somente é admitida a dedução da base de cálculo da retenção para a:Seguridade Social os valores correspondentes aos materiais empregados na prestação de serviço, quando a utilização esteja prevista em contrato e os valores envolvidos sejam discriminados na nota fiscal. PRIMARIEDADE. POSSIBILIDADE DE REDUÇÃO DA EXIGÊNCIA FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. Não há, nem houve, na legislação previdenciária previsão no sentido de reduzir o valor das imposições para exigência da obrigação principal para os contribuintes que ostentassem a condição de primariedade no cometimento de infrações às norma de regência. CONSTATAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES NÃO RECOLHIDAS. NECESSIDADE DE DUPLA VISITA PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Verificada a existência de contribuição não adimplidas, a Auditoria Fiscal tem o dever de constituir o crédito mediante o lançamento, não exigindo a legislação que a lavratura seja precedida de visita fiscal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. NÃO ACOLHIMENTO. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 18108.002275/200720 Acórdão n.º 240102.231 S2C4T1 Fl. 404 3 Quando utilizadas para afastar fatos apresentadas pela autoridade fiscal, as alegações do sujeito passivo deverão estar lastreadas em elementos probatórios consistentes. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 11/2002. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator) e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que não acolhiam a decadência. II) Por unanimidade de votos, no mérito, dar provimento parcial para que sejam excluídos do levantamento R40 RETENÇÃO os pagamentos relativos a despesas com corpo de bombeiros e os valores lançados na competência 04/2004 para o levantamentoR42 RETENÇÃO. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Elias Sampaio Freire. Elias Sampaio Freire – Presidente e redator designado Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n.º 37.014.1342, na qual foram lançadas as contribuições patronais para a Seguridade Social, relativas à retenção para a Seguridade Social que a notificada deixou de efetuar de empresas que lhe prestaram serviço mediante empreitada ou cessão de mãodeobra. O crédito, com data de consolidação em 30/11/2007, assumiu o montante de R$ 175.902,86 (cento e setenta e cinco mil, novecentos e dois reais e trinta e oitenta e seis centavos). De acordo com o Relatório Fiscal, os fatos geradores abarcados na NFLD dizem respeito ao pagamento de faturas de prestação de serviços efetuados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, conforme tabela demonstrativa das notas fiscais emitidas, onde constam o valor, o prestador, a data da emissão, o número da nota fiscal e o serviço executado. Assevera o Fisco que a empresa, embora regularmente intimada, deixou de exibir todos os contratos firmados com as prestadoras de serviço. Afirma ainda que a empresa alegou não ter efetuado a retenção da empresa Exímia Serviços Temporários Ltda em razão dessa possuir liminar que lhe desobrigaria de sofrer a retenção, todavia, tal medida judicial já havia sido revogada quando da emissão das notas arroladas no levantamento. Cientificada do lançamento em 10/12/2007, a empresa apresentou impugnação, cujas razões, em síntese foram: a decadência, a necessidade de visita prévia orientativa antes do Fisco aplicar qualquer penalidade aos contribuintes, necessidade de fiscalização na prestadora, antes de exigir as contribuições da contratante, a falta de dispositivo legal que determinasse a retenção para determinadas atividades e a não incidência da retenção para prestadores de serviço optantes pelo SIMPLES. Requereu ao final, que, caso as suas teses não fossem acatadas, a exigência fosse reduzida à metade em razão da sua condição de primária quanto ao cometimento de infrações à legislação previdenciária. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em São Paulo – II, declarou o lançamento parcialmente procedente, excluindo do lançamento os valores relativos a prestações de serviços efetuadas por empresas optantes pelo SIMPLES no período de 01/01/2000 a 31/08/2002, em razão do art. 142 da Instrução Normativa – IN n.º 03/2005 haver excluído da sistemática de retenção as empresas submetidas ao tratamento tributário simplificado no referido período. Irresignado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, no qual apresentou as mesmas alegações defensórias, cujas particularidades para cada uma das empresas prestadoras mencionadas na peça recursal serão tratadas em pormenores durante o voto. É o relatório. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 18108.002275/200720 Acórdão n.º 240102.231 S2C4T1 Fl. 405 5 Voto Vencido Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência Vamos à decadência do direito de lançar as contribuições em questão. Na data da lavratura, o Fisco Previdenciário aplicava, para fins de aferição da decadência do direito de constituir o crédito, as disposições contidas no art. 45 da Lei n.º 8.212/1991, todavia, tal dispositivo foi declarado inconstitucional com a aprovação da Súmula Vinculante n.º 08, de 12/06/2008 (DJ 20/06/2008), que carrega a seguinte redação: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decreto lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. É cediço que essas súmulas são de observância obrigatória, inclusive para a Administração Pública, conforme se deflui do comando constitucional abaixo: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (...) Então, uma vez afastada pela Corte Maior a aplicação do prazo de dez anos previsto na Lei n.º 8.212/1991, aplicase às contribuições a decadência qüinqüenal do Código Tributário Nacional – CTN. Para a contagem do lapso de tempo, a jurisprudência vem lançando mão do art. 150, § 4.º, para os casos em que há antecipação do pagamento (mesmo que parcial) e do art. 173, I, para as situações em que não ocorreu pagamento antecipado. É o que se observa da ementa abaixo reproduzida (EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL nº 674497/PR, Relator: Ministro Mauro Campbell Marques, julgamento em 05/11/2009, DJ de 13/11/2009): PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA CONSUMADA. MATÉRIA SUBMETIDA AO REGIME DO ART. 543C DO CPC Fl. 410DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 (RECURSOS REPETITIVOS).OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. REDISCUSSÃO DO MÉRITO. CARÁTER PROTELATÓRIO. MULTA. 1. O aresto embargado foi absolutamente claro e inequívoco ao consignar que "em se tratando de constituição do crédito tributário, em que não houve o recolhimento do tributo, como o caso dos autos, o fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Somente nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN)". 2. Devem ser repelidos os embargos declaratórios manejados com o nítido propósito de rediscutir matéria já decidida. 3. Embargos de declaração rejeitados com aplicação de multa de 1% (um por cento) sobre o valor da causa atualizado. No caso vertente, a ciência do lançamento deuse em 10/12/2007 e o período do crédito é de 01/2002 a 12/2004. Verificase no presente caso que inexistiu retenção, assim logicamente, a respectiva antecipação de pagamento não foi efetuada. Devendose aplicar na contagem do prazo o art. 173, I, do CTN. Em sintonia com o entendimento firmado no julgado do Egrégio STJ, o marco inicial para a contagem do prazo decadencial deve ser fixado como sendo o primeiro dia do exercício aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, 01/01/2003 para a primeira competência lançada. Considerandose que a ciência do lançamento deuse em 10/12/2007, concluo que a decadência não deve ser reconhecida no presente caso. Da necessidade de dupla visita Como preliminar de mérito a empresa argüiu a nulidade da lavratura em razão de inobservância do critério legal da dupla visita, segundo o qual o Fisco não lhe poderia penalizar logo em um primeiro momento, devendo inicialmente ter uma atuação educativa e não punitiva. Essa tese recursal encontrase divorciada das normas de regência. Uma vez constatado pelos Agentes Fiscais a falta de recolhimento das contribuições, surge para os mesmos o poderdever de constituir o crédito correspondente, sob pena de responsabilização funcional. Eis disposição da Lei n.º 8.212/1991 sobre a questão: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.(redação original) Fl. 411DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 18108.002275/200720 Acórdão n.º 240102.231 S2C4T1 Fl. 406 7 Vejase que o requisito para a lavratura fiscal é unicamente a constatação da falta de recolhimento, não existindo, como afirma a recorrente, qualquer menção à necessidade de dupla visita para que o Fisco possa constituir o crédito tributário. Da necessidade de fiscalização prévia na empresa prestadora Não posso dar razão à recorrente, posto que, já está pacificado o entendimento nessa corte administrativa de que não é necessário que se faça prévia auditoria ou mesmo que se cientifique a empresa prestadora, acerca de procedimento fiscal para apuração de créditos decorrentes da falta de retenção de contribuições incidentes sobre notas fiscais/faturas de prestação de serviço mediante cessão de mãodeobra. Isso decorre diretamente do que estatui o § 5. do art. 33 da Lei n. 8.212/19911, que traz presunção legal de que, havendo a obrigação de reter a contribuição, a responsabilidade perante à Previdência Social pela quitação do tributo não retido deslocase unicamente para a empresa tomadora dos serviços. Esse entendimento, inclusive, compatibilizase com a recente decisão do Supremo Tribunal Federal no bojo do Recurso Extraordinário RE n.º 603.191, que recebeu o status de Repercussão Geral (art. 543B do Código de Processo Civil), significando que esse posicionamento da Corte Máxima será aplicado a todos os processos com matéria idêntica no país. O Plenário aplicou jurisprudência da Corte que confirma a constitucionalidade do artigo 31 da Lei 8.212/91, alterado pela Lei 9.711/98, que prevê a retenção da contribuição previdenciária e seu posterior recolhimento em nome da empresa cedente de mãodeobra. Foi citada, em especial, decisão de 2004 tomada no RE n.º 393946, quando o Supremo concordou que a retenção representa uma mera técnica de arrecadação das contribuições. Ou seja, não haveria na hipótese da retenção um confisco, mesmo porque a Constituição Federal, no artigo 150, parágrafo 7º, autoriza a substituição tributária para a frente (sobre fato gerador que ocorra posteriormente). Na ocasião, somente o ministro Marco Aurélio ficou vencido, o que ocorreu também no julgamento atual. Caso fosse necessária a fiscalização prévia nas empresas contratadas, a técnica de arrecadação consistente na retenção sobre as faturas de prestação de serviço restaria totalmente desnaturada, posto que esse instituto veio substituir exatamente a responsabilidade solidária para o recolhimento das contribuições sociais entre as empresas tomadora e prestadora. Não há, então, como se acolher a tese de que a empresa contratante somente poderia ser responsabilizada pelos valores não retidos após a verificação fiscal da contratada. Da incidência da retenção sobre os serviços de construção civil e subempreitada No período do lançamento vigeram três normativos tratando do tema retenção na contratação de serviços de construção civil: a Instrução Normativa IN INSS/DC 1 § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 n.º 18, de 11/05/2000; a IN INSS/DC n.º 69, de 10/05/2002 e a IN INSS/DC n.º 100, de 18/12/2003. O art. 32 da IN n.º 18/2000 estabelecia: Art. 32. Na empreitada de obra ou serviços de construção civil, com ou sem fornecimento de material, excluídas as contratações na forma do artigo 20 e 25, deverá a contratante efetuar a retenção de 11% sobre o valor bruto dos serviços contidos na nota fiscal, fatura ou recibo e recolher em nome da contratada, em conformidade com as disposições da OS/INSS/DAF nº 209/99. Havia, portanto, a exigência de retenção nos contratos para execução de obras/serviços de construção civil, a exceção dos ajustes por empreitada total, assim entendido os casos de repasse integral do contrato (art. 20) e regime de empreitada por preço unitário ou por tarefa (art. 25). A IN n.º 69/2002 tratou do tema nos seguintes termos: Art. 37. Na empreitada parcial ou na subempreitada e nos serviços de construção civil, com ou sem fornecimento de material, deverá a contratante efetuar a retenção de 11% (onze por cento) do valor bruto dos serviços contidos na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em documento de arrecadação identificado com a razão social e o CNPJ da contratada. § 1º A nota fiscal, a fatura ou o recibo de prestação de serviços emitidos a título de adiantamento estarão sujeitos à retenção. § 2º Aplicase o disposto neste artigo às entidades beneficentes de assistência social em gozo de isenção. Verificase que a sistemática de retenção para o segmento não se alterou, havendo obrigação de reter para os casos de execução de empreitada parcial e de serviços de construção civil. Da mesma maneira, a IN n.º 100/2003 previa a retenção para os contratos envolvendo empreitada parcial e serviços de construção civil. Eis a redação do seu art. 178: Art. 178. Sujeitase à retenção de que trata o art. 149, a prestação de serviços mediante empreitada parcial ou subempreitada de obra de construção civil e de empreitada, total ou parcial, ou subempreitada de serviços de construção civil, com ou sem fornecimento de material. A redação desse dispositivo trouxe mais clareza a norma em questão ao separar os contratos de obra dos contratos de serviços de construção civil. Para o primeiros a retenção seria cabível apenas nos casos de empreitada parcial ou subempreitada. Para os casos de serviços, fosse com ou sem fornecimento de material, haveria a exigência da retenção da contribuição previdenciária nas faturas emitidas pelos prestadores. A discriminação de obras e serviços estava expressa no Anexo XV da referida IN e era o guia para fins de aplicação da norma relativa à retenção quando surgisse a dúvida se um determinado contrato era de obra ou de serviço de construção civil. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 18108.002275/200720 Acórdão n.º 240102.231 S2C4T1 Fl. 407 9 Das alegações recursais quanto a impossibilidade de retenção A empresa apresenta em seu arrazoado considerações acerca de cada um dos serviços que entende não serem passíveis de retenção ou que o Fisco, no seu entender, utilizou base de cálculo acima do estipulado na legislação. Passemos à análise de cada um desses argumentos. 1) Flontel Telecomunicações e Alarmes: alega a recorrente que se trata de empresa que executa serviços de cabeamento com fornecimento de cabos, não sendo essa atividade sujeita à retenção e, se o fosse, deveria ser abatido da base de cálculo o valor do material fornecido. Por outro lado, essa empresa seria optante pelo SIMPLES, o que afastaria a retenção. A DRJ concluiu que a atividade de cabeamento de lógica e telefonia é enquadrada pela legislação como serviço de construção civil, sendo, por esse motivo, passível de retenção. Quanto à dedução do valor do material fornecido da base de cálculo da retenção, o órgão de primeira instância asseverou que as notas fiscais não indicam sequer a natureza dos serviços executados e, muito menos, o valor do material fornecido. Assim, não haveria autorização legal para abatimento do material utilizado na prestação dos serviços da base da retenção. No que diz respeito à opção pelo SIMPLES o julgamento a quo asseverou que no período da prestação dos serviços não havia a dispensa de retenção para as empresas optantes pelo sistema simplificado. Pois bem, a atividade de colocação de cabos encontrase descrita no item 45411/00 do anexo XV da IN n.º 100/2003, o qual, dentre outras atividades, compreende a “a colocação de cabos para instalações telefônicas, informáticas, comunicações; instalação de equipamentos telefônicos”. Tal execução é enquadrada como serviço de construção civil, que conforme já expusemos alhures é sujeita à retenção. Devo concordar com a DRJ no que diz respeito à falta de discriminação dos materiais nas notas fiscais apresentadas. Verificando os documentos de fls. 147/158, pude constatar que os mesmos não trazem qualquer informação acerca do fornecimento de cabos, sendo, portanto, impossível a redução da base de cálculo, por não haver nos documentos fiscais o discriminativo dos materiais supostamente fornecidos. A alegação de que a empresa prestadora era optante do SIMPLES, quando da emissão das notas fiscais, carece de elementos probatórios, não foi acostado nenhum elemento que pudesse dar guarida a essa tese. 2) Nova Imbrizi Mão de Obra Temporária Ltda: afirma a recorrente que não houve a retenção sobre as faturas emitidas porque a legislação não o exigia e, mesmo que houvesse a obrigação, o valor da retenção deveria ser calculado unicamente sobre a taxa de administração. Uma rápida leitura das normas de regência é suficiente para uma conclusão segura sobre essa caso. O art. 31 da Lei n.º 8.212/1991, com redação dada pela Lei n.º 9.711/1998, indica a tomadora de empresa de trabalho temporário está obrigada a efetuar a retenção, vejamos: Fl. 414DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 Art.31.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Não há dúvida quanto à obrigatoriedade da retenção e no que diz respeito à composição da base de cálculo é suficiente que verifiquemos o que prescrevia a IN n.º 100/2003 sobre a questão: Das Deduções da Base de Cálculo Art. 161. Poderão ser deduzidas da base de cálculo da retenção as parcelas que estiverem discriminadas na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, que correspondam: I ao custo da alimentação in natura fornecida pela contratada, de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), conforme Lei n° 6.321, de 1976; II ao fornecimento de valetransporte de conformidade com a legislação própria. Parágrafo único. A fiscalização do INSS poderá exigir da contratada a comprovação das deduções previstas neste artigo. Art. 162. O valor relativo à taxa de administração ou de agenciamento, ainda que figure discriminado na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, não poderá ser objeto de dedução da base de cálculo da retenção, inclusive no caso de serviços prestados por trabalhadores temporários. Parágrafo único. Na hipótese da empresa contratada emitir duas notas fiscais, faturas ou recibos, relativos ao mesmo serviço, uma contendo o valor correspondente à taxa de administração ou de agenciamento e a outra o valor da remuneração dos trabalhadores utilizados na prestação do serviço, a retenção incidirá sobre o valor de cada uma dessas notas, faturas ou recibos. O que se percebe das normas acima é que, ao contrário do que afirma a recorrente, o valor da taxa de administração não pode ser deduzido da base de cálculo da retenção, sendo possível apenas a exclusão dos valores de alimentação e vale transporte, desde que discriminados na nota fiscal. Considerandose que o documento apresentado, fl. 159, não especifica essas parcelas, incabível a pretendida redução da base de retenção. 3) Simper Reformas e Serviços Ltda. ME: alega a recorrente que a contratada executa serviços de impermeabilização, o qual nunca foi sujeito à retenção. Por outro lado, verificase o fornecimento de material, cujo valor deve ser excluído da base de cálculo. A atividade de impermeabilização encontrase descrita no item 45.527/01 do anexo XV da IN n.º 100/2003, o qual, dentre outras atividades, compreende a Fl. 415DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 18108.002275/200720 Acórdão n.º 240102.231 S2C4T1 Fl. 408 11 “impermeabilização em obras de engenharia civil”. Tal execução é enquadrada como serviço de construção civil, que, conforme já expusemos alhures, é sujeita à retenção. Devo concordar com a DRJ no que diz respeito a falta de discriminação dos materiais nas notas fiscais apresentadas. Verificando os documentos de fls. 160/171, pude constatar que os mesmos não trazem qualquer informação acerca do fornecimento de material, sendo, portanto, impossível a redução da base de cálculo, por não haver nos documentos fiscais o discriminativo dos materiais supostamente fornecidos. Observese ainda que a recorrente não trouxe aos autos os contratos de prestação de serviço, mas apenas a declaração de fl. 172, na qual a contratada afirma que presta há oito anos, à autuada, serviço de impermeabilização com fornecimento de material, nada mais. De acordo com o art. 158 da IN n.º 100/2003, para que fosse possível a dedução dos materiais fornecidos da base da retenção, deveria tais valores estarem previstos em contrato e destacados na nota fiscal. Senão vejamos: Art. 158. Havendo previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, para a execução dos serviços, esses valores serão deduzidos da base de cálculo desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, conforme previsto no § 7°do art. 219 do RPS. Ante a falta de apresentação dos contratos e a ausência de discriminação dos materiais nas notas fiscais, incabível a possibilidade de dedução do valor dos materiais supostamente fornecidos da base de cálculo da retenção. 4) AVG Entregas Rápidas: alega a recorrente que se trata de serviço de motoboys, o qual não é abrangido pela regra da retenção e, mesmo que o fosse, a base de cálculo máxima admitida seria 30% do valor da fatura. Vejo que o serviço em questão amoldase, sem dúvida, à hipótese prevista no inciso XIII do § 2.º do art. 219 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, verbis: Art.219.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. §1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 12 §2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: (...) XIII entrega de contas e documentos; (...) De fato, observase do Relatório Fiscal que a execução em tela diz respeito à disponibilização de mensageiros para execução de serviços do contratante. Dúvida não há que tal serviço é caracterizado como cessão de mãodeobra, uma vez que o prestador colocava trabalhadores para laborarem fora das suas dependências e em locais determinados pela contratante e de forma contínua, ou seja, essa atividade era uma necessidade permanente da empresa tomadora. Sendo, assim, resta claro que a execução desses serviços estaria sujeita à sistemática da retenção. Quanto à suposta redução da base de cálculo a 30% do valor bruto da fatura, entendo que acertou a DRJ, quando afastou essa tese por absoluta falta de previsão legal, uma vez que as notas fiscais colacionadas, fls. 173/196, não indicam qualquer fornecimento de material ou locação de equipamento que pudesse justificar a redução pretendida. 5) Star Center Divisórias Forros e Pisos Ltda: de acordo com a recorrente as faturas em questão dizem respeito a fornecimento de divisórias com instalação, situação não enquadrada pela norma da retenção. Afirma ainda que a empresa prestadora era optante pelo SIMPLES. De acordo com a nota fiscal colacionada, fl. 197, inexistiu fornecimento de material, mas apenas prestação do serviço de forração com gesso. Tal prestação subsumese ao disposto no item 45.519/02 do anexo XV da IN n.º 100/2003, que engloba os “serviços de acabamento em gesso e estuque”, enquadrados como serviços de construção civil, os quais, como já demonstramos, estão sujeitos á retenção. A alegação de que a empresa prestadora era optante do SIMPLES, quando da emissão das notas fiscais, carece de elementos probatórios, não foi acostado nenhum elemento que pudesse dar guarida a essa tese. 6) Hidráulida União ME: a empresa autuada afirma que o serviço prestado não é abrangido pela regra da retenção, além de que o fornecimento de material de hidráulica com instalação, onde prepondera o valor dos materiais, não justifica a retenção. Alega que a prestadora seria optante pelo SIMPLES. De acordo com as notas fiscais colacionadas, fls. 198/200, inexistiu fornecimento de material, mas apenas prestação do serviço de hidráulica. Tal prestação subsumese ao disposto no item 45.438/01 do anexo XV da IN n.º 100/2003, que engloba as atividades de “instalações hidráulicas, sanitárias e de gás”, enquadrados como serviços de construção civil, os quais, como já demonstramos, estão sujeitos á retenção. Não há, portanto, como se acolher a tese da redução da base de cálculo em razão do fornecimento de material, posto que os autos levam a conclusão em sentido oposto. A alegação de que a empresa prestadora era optante do SIMPLES, quando da emissão das notas fiscais, carece de elementos probatórios, não foi acostado nenhum elemento que pudesse dar guarida a essa tese. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 18108.002275/200720 Acórdão n.º 240102.231 S2C4T1 Fl. 409 13 7) KSG INSTALAÇÕES, MANUTENÇÕES E SERVIÇOS GERAIS LTDA: alega a recorrente que não incide retenção sobre serviços de instalação, além de que há preponderância do fornecimento de material sobre a prestação de serviços. Afirma ainda que sua prestadora era optante pelo SIMPLES. As notas fiscais colacionadas, fls. 203/205, são de prestação de serviço de montagem e desmontagem de equipamento, não havendo o que se falar em fornecimento de material. Vejo que o serviço em questão amoldase, sem dúvida, à hipótese prevista no inciso XVI do § 2.º do art. 219 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, verbis: Art.219.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. §1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. §2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: (...) XVI montagem; (...) Nesse sentido, agiu o Fisco em conformidade com a legislação, quando apurou os valores não retidos para as referidas notas fiscais. A alegação de que a empresa prestadora era optante do SIMPLES, quando da emissão das notas fiscais, carece de elementos probatórios, não foi acostado nenhum elemento que pudesse dar guarida a essa tese. 8) FORROS BETIM LTDA: alega que a empresa contratada efetuou o fornecimento e a instalação de forros, além de que a proporção de material é muito elevada em relação ao serviço prestado. Assevera que a empresa era optante pelo SIMPLES. Os valores das notas fiscais de fls. 207/208 foram excluídos de levantamento, tendo em vista que a DRJ reconheceu a opção da prestadora pelo SIMPLES no período da emissão. Assim a pretensão da recorrente já houvera sido acolhida no julgamento atacado. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 14 9) RJM INSTALAÇÕES E COMÉRCIO LTDA ME: segundo a recorrente, tratase de serviço de consultoria prestado pelo sócio da empresa, descabendo a retenção. A empresa acostou três notas fiscais, fls. 209/211, trazem como discriminativo, respectivamente, "Adendo Pab Banespa Bosque Maia Guarulhos", "Mão de obra de rede lógica e rede elétrica na agência Santander/Banespa Hortolândia SP" e "Supervisão Técnica e Projetos padrão Eletropaulo para agência Santander/Banespa, Av. São João Centro SP". De fato, nos termos do art. 179 da IN n.º 100/2003, não haveria retenção para os serviços de supervisão de obras e elaboração de projeto. Vejamos o dispositivo: Art. 179. Não se sujeita à retenção, a prestação de serviços de: I administração, fiscalização, supervisão ou gerenciamento de obras; (...) VII elaboração de projeto da construção civil vinculado a uma Anotação de Responsabilidade Técnica (ART); (...) Todavia, a dispensa estaria condicionada à previsão contratual, conforme preleciona o art. 180 da mesma IN. Assim, tendose em conta que a empresa não apresentou os contratos firmados com suas prestadoras, a retenção é cabível. Eis o artigo mencionado: Art. 180. Havendo, para a mesma obra, contratação de serviço relacionado no art. 179 e, simultaneamente, o fornecimento de mãodeobra para execução de outro serviço sujeito à retenção, aplicarseá a retenção apenas a este serviço, desde que o valor de cada serviço esteja discriminado em contrato. Parágrafo único. Não havendo discriminação no contrato, aplicarseá a retenção a todos os serviços contratados. Quanto à alegação de que o serviço teria sido prestado exclusivamente pelo sócio, o que afastaria a retenção, devo afirmar que o conjunto probatório colacionado não é suficiente. Dizia o art. 157 da IN n.º 100/2003: Art. 157. A contratante fica dispensada de efetuar a retenção, quando: I o valor correspondente a onze por cento dos serviços contidos em cada nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços for inferior ao limite mínimo estabelecido pelo INSS para recolhimento em documento de arrecadação; II a contratada não possuir empregados, o serviço for prestado pessoalmente pelo titular ou sócio e o seu faturamento do mês anterior for igual ou inferior a duas vezes o limite máximo do saláriodecontribuição, cumulativamente; III a contratação envolver somente serviços profissionais relativos ao exercício de profissão regulamentada por legislação federal, ou serviços de treinamento e ensino definidos no inciso Fl. 419DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 18108.002275/200720 Acórdão n.º 240102.231 S2C4T1 Fl. 410 15 X do art. 155, desde que prestados pessoalmente pelos sócios, sem o concurso de empregados ou outros contribuintes individuais. A recorrente tenta afastar a retenção arrimandose no inciso II acima, todavia, o órgão de primeira instância demonstrou nos autos que, no período da prestação de serviços, a contratada possuía empregados, derrubando essa pretensão recursal. 10) Malvezzi e Mendes Ltda. ME: alega a recorrente que o serviço de pintura foi realizado por empresa optante pelo SIMPLES e com fornecimento de material, descabendo a retenção. De acordo com as notas fiscais colacionadas, fls. 212/213, inexistiu fornecimento de material, mas apenas prestação do serviço de pintura. Tal prestação subsume se ao disposto no item 45.527/02 do anexo XV da IN n.º 100/2003, que engloba as atividades de “serviços de pintura em edificações em geral”, enquadrados como serviços de construção civil, os quais, como já demonstramos, estão sujeitos à retenção. Não há, portanto, como se acolher a tese da redução da base de cálculo em razão do fornecimento de material, posto que os autos levam a conclusão em sentido oposto. A alegação de que a empresa prestadora era optante do SIMPLES, quando da emissão das notas fiscais, carece de elementos probatórios, não foi acostado nenhum elemento que pudesse dar guarida a essa tese. 11) JODASAC SERVIÇOS E MANUTENÇÃO SIC LTDA: alega a recorrente que a empresa prestou serviços de instalação de equipamentos com fornecimento de material, portanto descaberia a retenção. Conforme as notas fiscais de prestação de serviço, fls. 214/218, tratase de execução contratual para montagem e desmontagem de equipamento, não havendo qualquer discriminação nos documentos quanto ao fornecimento de materiais ou a locação de equipamentos. Portanto, não há, por falta de provas, de ser acatada a afirmação de que as notas fiscais se referiam a mãodeobra e material. Os serviços de montagem, conforme já nos pronunciamos acima, são sujeitos a retenção previdenciária nos termos do inciso XVI do § 2.º do art. 219 do RPS. 12) MAR MOSAICO REVESTIMENTOS LTDA: segundo a recorrente, tratase de serviço de revestimento, o qual não é abarcado pela retenção. De acordo com a nota fiscal colacionada, fl. 219, inexistiu fornecimento de material, mas apenas prestação do serviço. A aplicação de revestimento subsumese ao disposto no item 45.594/02 do anexo XV da da IN n.º 100/2003, que engloba as atividades de “serviços de revestimento e aplicação de resina em interiores e exteriores”, enquadrados como serviços de construção civil, os quais, como já demonstramos, estão sujeitos à retenção. 13) DPS DEMOLIDORA PORTO SEGURO LTDA: afirma a recorrente tratarse de serviço de demolição com remoção de entulhos, sobre os quais não incide retenção. De acordo com as notas fiscais colacionadas, fl. 220/221, houve apenas o serviço de demolição, nada constando acerca da remoção de entulhos. A demolição subsumese Fl. 420DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 16 ao disposto no item 45.110/01 do anexo XV da IN n.º 100/2003, que engloba as atividades de “demolição de edifícios e outras estruturas”, enquadrados como serviços de construção civil, os quais, como já demonstramos, estão sujeitos à retenção. 14) EPM SERVIÇOS S/C LTDA. ME: pugna a recorrente pela aplicação do art. 148 da IN n.º 100/2003, haja vista tratarse de serviço prestado pelo próprio sócio da contratada. Transcrevamos então o dispositivo invocado: Art. 148. A contratante fica dispensada de efetuar a retenção e a contratada de registrar o destaque da retenção na nota fiscal, na fatura ou no recibo, quando: (...) II a contratada não possuir empregados, o serviço for prestado pessoalmente pelo titular ou sócio e o seu faturamento do mês anterior for igual ou inferior a duas vezes o limite máximo do salário de contribuição, cumulativamente; (...) § 1 Vara comprovação dos requisitos previstos no inciso II do caput, a contratada apresentará à tomadora declaração assinada por seu representante legal sob as penas da lei de que não possui empregados e o seu faturamento no mês anterior foi igual ou inferior a duas vezes o limite máximo do salário de contribuição Verificase dos autos que a recorrente não acostou a declaração mencionada no § 1.º acima, não podendo assim ser beneficiada com a dispensa da retenção, uma vez que não comprovou a realização dos serviços sem o concurso de empregados, nem o faturamento da prestadora, como exigido pela norma. 15) JAFER COMÉRCIO DE FERRAGENS LTDA. ME: a recorrente aduziu que a prestação referese a fornecimento e instalação de estruturas metálicas, descabendo a retenção. Conforme a nota fiscal de prestação de serviço, fls. 227, tratase de execução contratual para instalação de estrutura metálica, não havendo qualquer discriminação nos documentos quanto ao fornecimento de materiais ou a locação de equipamentos. Portanto, não há, por falta de provas, de ser acatada a afirmação de que as notas fiscais se referiam a mãode obra e material. A instalação de estruturas metálicas subsumese ao disposto no item 45.25 0/01 do anexo XV da IN n.º 100/2003, que engloba as atividades de “montagem de estruturas metálicas por conta de terceiros”, enquadrados como serviços de construção civil, os quais, como já demonstramos, estão sujeitos à retenção. 16) TARIN MONTAGENS DE PISOS ELEVADOS S/C LTDA ME: afirma a recorrente que o fornecimento e instalação de pisos elevados não é atividade sujeita à retenção. Também afasta a exigência, sustenta, o fato da prestadora ser optante pelo SIMPLES. Conforme as nota fiscal de prestação de serviço, fl. 228, tratase de execução contratual para montagem de piso, não havendo qualquer discriminação nos documentos Fl. 421DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 18108.002275/200720 Acórdão n.º 240102.231 S2C4T1 Fl. 411 17 quanto ao fornecimento de materiais ou a locação de equipamentos. Portanto, não há, por falta de provas, de ser acatada a afirmação de que as notas fiscais se referiam a mãodeobra e material. A aplicação de piso subsumese ao disposto no item 45.594/02 do anexo XV da IN n.º 100/2003, que engloba as atividades de “colocação de tacos, tábua corrida, carpetes e outros materiais de revestimento de pisos”, enquadrados como serviços de construção civil, os quais, como já demonstramos, estão sujeitos à retenção. A alegação de que a empresa prestadora era optante do SIMPLES, quando da emissão das notas fiscais, carece de elementos probatórios, não foi acostado nenhum elemento que pudesse dar guarida a essa tese. 17) MEGA ARQUITETURA: afirma a recorrente que se trata de serviços de arquitetura, com contrato para fornecimento de material e mãodeobra. Não cabe a retenção na espécie e, ainda que coubesse, haveria de se deduzir os materiais da base de cálculo. A empresa acostou as notas fiscais de fls. 229/230, as quais indicam que houve serviço de construção civil, nos quais a prestadora forneceu material e disponibilizou mãodeobra. Todavia, os documentos não segregam os valores correspondentes. Nos termos do art. 158 da IN n.º 100/2003, exigia, para fins de dedução na base de cálculo, que os valores do material constassem em contrato e na nota fiscal. Vejamos o dispositivo: Art. 158. Havendo previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, para a execução dos serviços, esses valores serão deduzidos da base de cálculo desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, conforme previsto no § 7.º do art. 219 do RPS. Na situação sob enfoque não foram apresentados os contratos de prestação de serviço e as notas fiscais, conforme já frisamos, não apresentam a discriminação dos valores de material e mãodeobra. Nesse sentido, não há como acolher a pretensão de reduzir a base de retenção. Quanto à incidência de retenção, não há dúvida que os serviços de construção civil estão no âmbito da norma que prevê o desconto da contribuição previdenciária sobre as faturas de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada. 18) NKL CONSTRUÇÃO COMÉRCIO DE SERVIÇOS LTDA: alega a recorrente que o serviço não está no campo de incidência da retenção, além de que a base de cálculo foi indevidamente mensura por não considerar o fornecimento de material. A empresa acostou as notas fiscais de fls. 231/232, as quais indicam que houve serviço de pintura, todavia, não qualquer menção a fornecimento de material. Nos termos do art. 158 da IN n.º 100/2003, exigia, para fins de dedução na base de cálculo, que os valores do material constassem em contrato e na nota fiscal. Vejamos o dispositivo: Fl. 422DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 18 Art. 158. Havendo previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, para a execução dos serviços, esses valores serão deduzidos da base de cálculo desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, conforme previsto no § 7.º do art. 219 do RPS. Na situação sob enfoque não foram apresentados os contratos de prestação de serviço e as notas fiscais, conforme já frisamos, não apresentam qualquer menção a fornecimento de material. Quanto à incidência de retenção, a atividade de pintura encontrase descrita no item 45527 do anexo XV da IN n.º 100/2003, o qual, dentre outras atividades, compreende “os serviços de pintura”. Tal execução é enquadrada como serviço de construção civil, que, conforme já expusemos alhures, é sujeita à retenção. 19) ANDALUZ COMERCIAL ENGENHARIA LTDA: afirma a recorrente que se trata de serviço de instalação elétricas com fornecimento de material, o qual não é sujeito à retenção. A empresa acostou as notas fiscais de fls. 233/236, as quais indicam que houve serviço de instalações elétricas, todavia, não qualquer menção a fornecimento de material. Nos termos do art. 158 da IN n.º 100/2003, exigia, para fins de dedução na base de cálculo, que os valores do material constassem em contrato e na nota fiscal. Vejamos o dispositivo: Art. 158. Havendo previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, para a execução dos serviços, esses valores serão deduzidos da base de cálculo desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, conforme previsto no § 7.º do art. 219 do RPS. Na situação sob enfoque não foram apresentados os contratos de prestação de serviço e as notas fiscais, conforme já frisamos, não apresentam qualquer menção a fornecimento de material. Quanto à incidência de retenção, a atividade de colocação de cabos encontra se descrita no item 45411 do anexo XV da IN n.º 100/2003, o qual, dentre outras atividades, compreende “os serviços de eletricidade”. Tal execução é enquadrada como serviço de construção civil, que, conforme já expusemos alhures, é sujeita à retenção. 20) FALCÃO PROJETOS E MATERIAIS CONTRA INCÊNDIO LTDA: alega a recorrente que se trata de instalação de equipamentos antiincêndio com fornecimento de material, o qual não se sujeita à retenção. A empresa acostou as notas fiscais de fls. 237/241, as quais indicam que houve serviço de instalação de equipamentos contra incêndio, não havendo qualquer menção a fornecimento de material. Todavia, verifico que há em algumas das notas há despesas relativas à obtenção de licenciamento no corpo de bombeiros. Tais valores, a meu ver, devem ser excluídos da base de cálculo. Apresento abaixo tabela indicativa desses valores. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 18108.002275/200720 Acórdão n.º 240102.231 S2C4T1 Fl. 412 19 NOTA FISCAL COMPETÊNCIA VALOR A EXCLUIR (R$) 18.980 04/2002 200,00 19.437 09/2002 733,40 19.683 03/2003 3.210,00 O art. 158 da IN n.º 100/2003 exigia, para fins de dedução na base de cálculo, que os valores do material constassem em contrato e na nota fiscal. Vejamos o dispositivo: Art. 158. Havendo previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, para a execução dos serviços, esses valores serão deduzidos da base de cálculo desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, conforme previsto no § 7.º do art. 219 do RPS. Na situação sob enfoque não foram apresentados os contratos de prestação de serviço e as notas fiscais, conforme já frisamos, não apresentam qualquer menção a fornecimento de material. No entanto, defendo que sejam excluídos da base de cálculo os valores indicados na tabela acima, por se tratarem de despesas com o corpo de bombeiros, não relacionadas diretamente com a prestação de serviço. Quanto à incidência de retenção, a atividade realizada encontrase descrita no item 45.438 do anexo XV da IN n.º 100/2003, o qual compreende “serviços de instalação de equipamento contra incêndio”. Tal execução é enquadrada como serviço de construção civil, que, conforme já expusemos alhures, é sujeita à retenção. Concluindo, devem ser excluídos do levantamento R40 – Retenção os valores apontados na tabela acima. 21) EXÍMIA SERVIÇOS TEMPORÁRIOS LTDA: alega a recorrente a existência de medida judicial impedindo a retenção. De fato verificase que a prestadora detinha uma medida liminar concedida no bojo do Mandado de Segurança n.º 2001.61.00.0201394, a qual foi cassada pelo Tribunal Regional Federal da 3.ª Região, cujo acórdão foi publicado em 03/05/2005. Nesse sentido, verificase que as faturas emitidas antes dessa data estavam amparadas por medida judicial que vedava a retenção. Assim deve ser excluído do lançamento o valor relativo à competência 04/2004 para o levantamento R42 RETENÇÃO – Exímia Servo Temp. 22) VRCN ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA: afirma a recorrente que se trata de serviço de construção com fornecimento de material. A empresa acostou as notas fiscais de fls. 262/282, as quais indicam que houve serviço de serviços de aplicação de revestimento para impermeabilização de fachadas internas e externas, todavia, não qualquer menção a fornecimento de material. Nos termos do art. 158 da IN n.º 100/2003, exigia, para fins de dedução na base de cálculo, que os valores do material constassem em contrato e na nota fiscal. Vejamos o dispositivo: Fl. 424DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 20 Art. 158. Havendo previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, para a execução dos serviços, esses valores serão deduzidos da base de cálculo desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, conforme previsto no § 7.º do art. 219 do RPS. Na situação sob enfoque não foram apresentados os contratos de prestação de serviço e as notas fiscais, conforme já frisamos, não apresentam qualquer menção a fornecimento de material. Quanto à incidência de retenção, a atividade de colocação de cabos encontra se descrita no item 45527 do anexo XV da IN n.º 100/2003, o qual, dentre outras atividades, compreende “aplicação de revestimento para impermeabilização”. Tal execução é enquadrada como serviço de construção civil, que, conforme já expusemos alhures, é sujeita à retenção. 23) MAK PAINÉIS ELETRÔNICOS LTDA: alega a recorrente que os serviços de elétrica e eletrônica não estariam sujeitos à retenção, além de que o Fisco não considerou o fornecimento de material. A empresa acostou as notas fiscais de fls. 283/295, as quais indicam que houve serviço de serviços de instalação de quadros elétricos, todavia, não qualquer menção a fornecimento de material. Nos termos do art. 158 da IN n.º 100/2003, exigia, para fins de dedução na base de cálculo, que os valores do material constassem em contrato e na nota fiscal. Vejamos o dispositivo: Art. 158. Havendo previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, para a execução dos serviços, esses valores serão deduzidos da base de cálculo desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, conforme previsto no § 7.º do art. 219 do RPS. Na situação sob enfoque não foram apresentados os contratos de prestação de serviço e as notas fiscais, conforme já frisamos, não apresentam qualquer menção a fornecimento de material. Quanto à incidência de retenção, a atividade de colocação de cabos encontra se descrita no item 45411 do anexo XV da IN n.º 100/2003, o qual, dentre outras atividades, compreende “montagem de quadros elétricos”. Tal execução é enquadrada como serviço de construção civil, que, conforme já expusemos alhures, é sujeita à retenção. A declaração acostada pela prestadora, fl. 295, não altera o meu convencimento, uma vez que a mesma apenas afirma que fornecia os quadros elétricos, porém as notas fiscais acostadas dizem respeito à prestação de serviço e não venda de materiais. 24) CONSTRUTORA MASSUTTI LTDA: a recorrente alega que houve a prestação de serviços de elétrica e eletrônica com fornecimento de material, além de que não houve a dedução dos valores relativos ao material aplicado. A empresa acostou as notas fiscais de fls. 296/298, as quais indicam que houve execução de serviço mediante empreitada global para construção de Agência Bancária em Niterói (RJ). Nos documentos estão discriminados os valores de material e mãodeobra. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 18108.002275/200720 Acórdão n.º 240102.231 S2C4T1 Fl. 413 21 Vejo que, se a empresa houvesse juntado o contrato que comprovasse a contratação por empreitada global, descaberia a retenção, todavia, o instrumento do ajuste para execução da obra não foi apresentado ao Fisco, nem acostado durante o contencioso. Não comprovada a ocorrência de empreitada total, há de se aplicar o instituto da retenção nos termos do art. 178 da IN n.º 100/2003 (ou correspondente das normas precedentes), uma vez que, nesse caso, o contrato é tido com de subempreitada. Vejamos o dispositivo: Art. 178. Sujeitase à retenção de que trata o art. 149 a prestação de serviços mediante empreitada parcial ou subempreitada de obra de construção civil e de empreitada, total ou parcial, ou subempreitada de serviços de construção civil, com ou sem fornecimento de material. Na situação, verifico que a Auditoria, para determinar a base de cálculo, lançou mão do inciso I do art. 159 da IN n.º 100/2003, verbis: Art. 159. Quando o fornecimento de material ou a utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, estiver previsto em contrato, mas sem discriminação dos valores de material ou equipamento, a base de cálculo da retenção corresponderá, no mínimo, a: I cinqüenta por cento do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços; (...) Nesse sentido, acertou o Fisco na determinação da base de cálculo da retenção que correspondeu a cinquenta por cento do valor bruto da nota fiscal, uma vez que, na situação sob análise, era patente a existência de materiais no valor da nota fiscal apresentada. 25) PEDRO ANTONIO SOAVE ME: alega a recorrente que a prestadora era optante pelo SIMPLES, além de que o serviço não era sujeito à retenção, bem como o Fisco não levou em conta o fornecimento de material. O valor lançado para essa prestadora foi excluído da NFLD pelo Fisco, em razão da empresa ser optante pelo SIMPLES no período da emissão da nota fiscal. Portanto, descabido o argumento da recorrente, pois a sua pretensão já havia sido acolhida no julgamento de primeira instância. 26) OBRAC COMERCIAL ENGENHARIA LTDA: a recorrente aduziu que a prestadora era optante pelo SIMPLES, além de que o serviço não era sujeito à retenção, bem como, o Fisco não levou em conta o fornecimento de material. O órgão a quo comprovou nos autos que a empresa contratada não era optante pelo regime simplificado, assim, cai por terra esse argumento. Quanto à incidência de retenção, a prestação de serviços de eletricidade encontrase descrita no item 45411 do anexo XV da IN n.º 100/2003, o qual, dentre outras atividades, compreende “serviços de eletricidade”. Tal execução é enquadrada como serviço de construção civil, que, conforme já expusemos alhures, é sujeita à retenção. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 22 A empresa acostou as notas fiscais de fls. 300/301, as quais indicam que houve a prestação de serviço de eletricidade, todavia, não qualquer menção a fornecimento de material. Nos termos do art. 158 da IN n.º 100/2003, exigia, para fins de dedução na base de cálculo, que os valores do material constassem em contrato e na nota fiscal. Vejamos o dispositivo: Art. 158. Havendo previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, para a execução dos serviços, esses valores serão deduzidos da base de cálculo desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, conforme previsto no § 7.º do art. 219 do RPS. Na situação sob enfoque não foram apresentados os contratos de prestação de serviço e as notas fiscais, conforme já frisamos, não apresentam qualquer menção a fornecimento de material. 27) CONSERT JET COMERCIAL LTDA — ME: a recorrente afirmou que o serviço prestado, impermeabilização de lajes, não se sujeita à retenção, além de que não houve a dedução do material fornecido. Quanto à incidência de retenção, a atividade de impermeabilização encontra se descrita no item 45.527 do anexo XV da IN n.º 100/2003, o qual, dentre outras atividades, compreende “serviços de impermeabilização”. Tal execução é enquadrada como serviço de construção civil, que, conforme já expusemos alhures, é sujeita à retenção. A empresa acostou as notas fiscais de fls. 302/308, as quais indicam que houve a prestação de serviço de impermeabilização, todavia, não qualquer menção a fornecimento de material. Nos termos do art. 158 da IN n.º 100/2003, exigia, para fins de dedução na base de cálculo, que os valores do material constassem em contrato e na nota fiscal. Vejamos o dispositivo: Art. 158. Havendo previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, para a execução dos serviços, esses valores serão deduzidos da base de cálculo desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, conforme previsto no § 7.º do art. 219 do RPS. Na situação sob enfoque não foram apresentados os contratos de prestação de serviço e as notas fiscais, conforme já frisamos, não apresentam qualquer menção a fornecimento de material. 28) MB Perfurações Técnicas Ltda: a recorrente afirmou que o serviço prestado não se sujeita à retenção, além de que não houve a dedução do material fornecido. Quanto à incidência de retenção, a atividade de execução de estacas raiz encontrase descrita no item 45.128 do anexo XV da IN n.º 100/2003, o qual, dentre outras atividades, compreende “serviços de perfuração e execução de fundações destinadas à construção civil”. Tal execução é enquadrada como obra de construção civil, que, conforme já expusemos alhures, é sujeita à retenção, por se tratar de execução por empreitada parcial. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 18108.002275/200720 Acórdão n.º 240102.231 S2C4T1 Fl. 414 23 A empresa acostou as nota fiscal de fl. 309, as quais indicam que houve a prestação de serviço de execução de estacas, todavia, não qualquer menção a fornecimento de material. Nos termos do art. 158 da IN n.º 100/2003, exigia, para fins de dedução na base de cálculo, que os valores do material constassem em contrato e na nota fiscal. Vejamos o dispositivo: Art. 158. Havendo previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, para a execução dos serviços, esses valores serão deduzidos da base de cálculo desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, conforme previsto no § 7.º do art. 219 do RPS. Na situação sob enfoque não foram apresentados os contratos de prestação de serviço e as notas fiscais, conforme já frisamos, não apresentam qualquer menção a fornecimento de material. 29) ROMAR VIDROS: afirmou a recorrente que não houve a prestação de serviços, mas operação mercantil de fornecimento de vidros. A nota fiscal de fls. 310 está a infirmar a argumentação da empresa, uma vez que na descrição da operação consta “mãodeobra para montar vidros temperados com perfil de alumínio”. Não devo, portanto, acolher a tese apresentada. 30) MARISA MARIKO HIRAMOTO FIJIWARA LIMPEZA: afirma a recorrente que serviços de limpeza com fornecimento de material não se sujeitam a retenção, além de que não houve abatimento do valor do material da base da retenção. O serviço de limpeza indiscutivelmente se sujeita a retenção, conforme o inciso I do § 2.º do art. 219 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999. A empresa acostou as notas fiscais de fls. 311/313, as quais indicam que houve a prestação de serviço de limpeza, todavia, não qualquer menção a fornecimento de material. Nos termos do art. 158 da IN n.º 100/2003, exigia, para fins de dedução na base de cálculo, que os valores do material constassem em contrato e na nota fiscal. Vejamos o dispositivo: Art. 158. Havendo previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, para a execução dos serviços, esses valores serão deduzidos da base de cálculo desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, conforme previsto no § 7.º do art. 219 do RPS. Na situação sob enfoque não foram apresentados os contratos de prestação de serviço e as notas fiscais, conforme já frisamos, não apresentam qualquer menção a fornecimento de material. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 24 31) MATZ COMERCIAL ELETROELETRÓNICA LTDA ME: afirmou a recorrente que não houve prestação de serviço, mas operação mercantil, descabendo a retenção. De acordo com o Fisco, a nota fiscal considerada, n.º 34, emitida em 04/03/2002, diz respeito à “segunda medição dos serviços de construção civil por empreitada global”. Nesse sentido, não devo admitir que se tratou de venda de material. Vejo que, se a empresa houvesse juntado o contrato que comprovasse a contratação por empreitada global, descaberia a retenção, todavia, o instrumento do ajuste para execução da obra não foi apresentado ao Fisco, nem acostado durante o contencioso. Não comprovada a ocorrência de empreitada total, há de se aplicar o instituto da retenção nos termos do art. 178 da IN n.º 100/2003 (ou correspondente das normas precedentes), uma vez que, nesse caso, o contrato é tido com de subempreitada. Vejamos o dispositivo: Art. 178. Sujeitase à retenção de que trata o art. 149 a prestação de serviços mediante empreitada parcial ou subempreitada de obra de construção civil e de empreitada, total ou parcial, ou subempreitada de serviços de construção civil, com ou sem fornecimento de material. Da redução da exigência Também não devo acolher a pretensão da empresa para se reduza a exigência, pelo fato da mesma ser primária no cometimento de infrações à legislação previdenciária. Inexiste previsão legal para atendêla. Inexiste previsão legal para redução do valor das contribuições lançadas, nem também dos acréscimos legais. Havia a possibilidade de atenuação ou relevação das multas aplicadas por descumprimento de obrigações acessórias, desde que, dentre outras exigências, o sujeito passivo ostentasse a condição de primariedade e efetuasse a correção da falta, todavia, tal previsão legal não era extensiva aos lançamentos para exigência da obrigação principal. Assim, impossível juridicamente atender a esse pedido. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso, por afastar a decadência e as preliminares suscitas, no mérito, pelo seu provimento parcial para que seja excluídos: do levantamento R40 – RETENÇÃO os pagamentos relativos a despesas com corpo de bombeiros e do levantamentoR42 – RETENÇÃO os valores lançados na competência 04/2004. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 429DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 18108.002275/200720 Acórdão n.º 240102.231 S2C4T1 Fl. 415 25 Voto Vencedor Conselheiro Elias Sampaio Freire – Redator Designado No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “ PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, Fl. 430DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 26 iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). Em suma, inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No presente caso, o contribuinte está sendo tributado em decorrência de não ter efetuado o regular recolhimento das contribuições que deveriam ter sido retidas do contratado, previsto no art. 31 da Lei nº 8212/91, in verbis: “ Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil Fl. 431DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 18108.002275/200720 Acórdão n.º 240102.231 S2C4T1 Fl. 416 27 imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei.” Sobre esta questão há de se fazer distinção entre duas situações. A primeira diz situação diz respeito às hipóteses nas quais a empresa contratante efetua a retenção da empresa contratada e não recolhe estes valores aos cofres públicos. Sobre esta hipótese já se manifestou o STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (REsp 1131047 / MA, sendo relator o ministro Teori Albino Zavascki), no sentido de que a empresa contratante é responsável, com exclusividade, pelo recolhimento da contribuição previdenciária por ela retida do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, afastada, em relação ao montante retido, a responsabilidade supletiva da empresa prestadora, cedente de mãodeobra, assim ementado: “ TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE. RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FORNECEDOR E TOMADOR DE MÃODEOBRA. ART. 31 DA LEI 8.212/91, COM A REDAÇÃO DA LEI 9.711/98. 1. A partir da vigência do art. 31 da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.711/98, a empresa contratante é responsável, com exclusividade, pelo recolhimento da contribuição previdenciária por ela retida do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, afastada, em relação ao montante retido, a responsabilidade supletiva da empresa prestadora, cedente de mãodeobra. 2. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08.” A segunda situação, que é a dos autos, diz respeito à hipótese na qual o fisco tributa a empresa contratante em virtude de esta empresa não ter efetuado a regular retenção nas notas fiscais ou faturas da empresa contratada. Sobre a natureza jurídica da retenção de 11% incidente sobre as notas fiscais ou faturas de prestação de serviços o STJ proferiu o seguinte entendimento em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (REsp 1036375 / SP, sendo relator o ministro Luiz Fux): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO. RETENÇÃO DE 11% SOBRE FATURAS. ART. 31, DA LEI Nº 8.212/91, COM A REDAÇÃO DA LEI Nº 9.711/98. NOVA SISTEMÁTICA DE ARRECADAÇÃO MAIS COMPLEXA, SEM AFETAÇÃO DAS BASES LEGAIS DA ENTIDADE TRIBUTÁRIA MATERIAL DA EXAÇÃO. 1. A retenção de contribuição previdenciária determinada pela Lei 9.711/98 não configura nova exação e sim técnica Fl. 432DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 28 arrecadatória via substituição tributária, sem que, com isso, resulte aumento da carga tributária. 2. A Lei nº 9.711/98, que alterou o artigo 31 da Lei nº 8.212/91, não criou nova contribuição sobre o faturamento, tampouco alterou a alíquota ou a base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento. 3. A determinação do mencionado artigo configura apenas uma nova sistemática de arrecadação da contribuição previdenciária, tornando as empresas tomadoras de serviço como responsáveis tributários pela forma de substituição tributária. Nesse sentido, o procedimento a ser adotado não viola qualquer disposição legal. 4. Precedentes: REsp 884.936/RJ, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/08/2008, DJe 20/08/2008; AgRg no Ag 906.813/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2007, DJe 23/10/2008; AgRg no Ag 965.911/SP, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/04/2008, DJe 21/05/2008; EDcl no REsp 806.226/RJ, Rel. MIN. CARLOS FERNANDO MATHIAS (JUIZ CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO), SEGUNDA TURMA, julgado em 04/03/2008, DJe 26/03/2008; AgRg no Ag 795.758/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/06/2007, DJ 09/08/2007. 5. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Este intróito se fez necessário para demonstrar o que considero como pagamento antecipado ou não para fins de enquadramento na regra prevista no art. 150, § 4º do CTN. No caso de tributo lançado por homologação, quando não há pagamento antecipado, ou há a ocorrência de fraude, dolo ou simulação, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional). Inicialmente ressalto que no presente caso a empresa contratante não efetuou a regular retenção nas notas fiscais ou faturas da empresa contratada. O crédito tributário foi lançado na forma preconizada no art. 33, § 5º da Lei n.º 8.212/91, in verbis: Art. 33................ ........................... § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei” Ou seja, o sujeito passivo passou a suportar o ônus de não ter realizado a retenção que era obrigada a realizar na condição de substituto tributário, passando a ficar Fl. 433DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 18108.002275/200720 Acórdão n.º 240102.231 S2C4T1 Fl. 417 29 diretamente responsável pela retenção que deixou de realizar e, consequentemente, pelo recolhimento do tributo devido. Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa na condição de responsável direto devam ser apreciadas como um todo. Os documentos constantes nos autos, especificamente no Relatório de Documentos Apresentados – RDA (fls. 40/73), possibilitam concluir que houve antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo no período em discussão. Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 10/12/2007, as contribuições com fatos geradores ocorridos até a competência 11/2002 encontravamse fulminados pela decadência. Pelo exposto, voto por declarar a decadência até a competência 11/2002. É como voto. Elias Sampaio Freire Fl. 434DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 10880.990406/2009-18
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/06/2001
COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios Presidente e Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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EPP Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/06/2001 COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Presidente e Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 04 06 /2 00 9- 18 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 13ª Turma da DRJ São Paulo I (fls. 30/35 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra despacho decisório que não homologou compensação onde o crédito apresentado era relativo a suposto pagamento indevido de COFINS realizado em 13/06/2001, no valor de R$ 1.753,11. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde assevera que até 17 de setembro de 2008 vigorava a Súmula no 276 do STJ, a qual isentava as Sociedades Civis da COFINS, e que, muito embora o STF, ao julgar os RE nos 377457 e 381964, tenha reconhecido a constitucionalidade da exigência da COFINS, a ADI no 4071 buscava a modulação dos efeitos da decisão, de forma que a COFINS somente passasse a ser exigível depois de 17 de setembro de 2008. Assim, acaso seja reconhecida a modulação dos efeitos fiscais, o pagamento da COFINS objeto do presente processo deixaria de ser devido, sendo, então, cabível a compensação requerida. Diante do exposto, requereu a interessada fosse suspensa a cobrança até o julgamento da ADI no 4071, “a qual se provida virá alterar profundamente a Decisão ora questionada, tornando efetiva a compensação requerida”. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento, que, como dito, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 13/06/2001 JULGAMENTO VINCULADO À LEI É vedado aos órgãos administrativos de julgamento afastar a aplicação de lei ou decreto que estejam em vigor. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação não homologada a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. DCOMP. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi totalmente utilizado para quitar outro débito do Contribuinte, a compensação não poderá ser homologada. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10880.990406/200918 Acórdão n.º 3802001.863 S3TE02 Fl. 68 3 Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP) Negado o direito creditório a que se refere uma Declaração de compensação, não há como se homologar a compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da referida decisão em 25/07/2011 (conf. AR de fls. 38), a interessada, em 19/08/2011, apresentou o recurso voluntário de fls. 39/42, onde apresenta os mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, requerendo, ao fim, seja cancelada ou, alternativamente, suspensa a cobrança até o julgamento definitivo dos RE nos 377457 e 381964, “[...] os quais conforme o seu julgamento definitivo poderão alterar profundamente a decisão ora questionada, tornando definitiva a compensação requerida”. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso é tempestivo e há que ser conhecido uma vez presentes os demais requisitos de admissibilidade exigidos para sua aceitação. Conforme relatado, vêse que a recorrente não questiona a legitimidade da exigência da COFINS sobre as sociedades civis de prestação de serviços, legitimidade a qual, inclusive, foi reconhecida por força das decisões proferidas pelo STF, referenciadas pelo próprio sujeito passivo. Contudo, diante de demanda judicial que objetivava a modulação dos efeitos da decisão que reconheceu aludida legalidade da contribuição sobre as sociedades civis, requer a recorrente o cancelamento ou, ao menos, a suspensão da cobrança até o julgamento da ADI no 4071, “a qual se provida virá alterar profundamente a Decisão ora questionada, tornando efetiva a compensação requerida”. Contudo, a compensação pleiteada pela interessada não pode ser admitida uma vez ausentes os requisitos legais da liquidez e certeza do crédito, exigidos para a extinção de débitos tributários via compensação. Com efeito, a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. A não comprovação da certeza e da liquidez dos referidos créditos não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 Finalmente, embora irrelevante para o julgamento da presente lide, ressalto que a ADI no 4071 já foi definitivamente julgada pelo plenário do STF em 22 de abril de 2009, ocasião em que a Corte desproveu agravo regimental interposto em face de decisão proferida pelo Ministro Menezes Direito, que indeferiu a inicial. Da conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 26 de junho de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 70DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Numero do processo: 10580.723251/2009-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2006
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. FOLHA PAGAMENTO. DESACORDO LEGISLAÇÃO.
É devida a autuação da empresa que deixar de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Fisco.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização do fato gerador da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Ausente, momentaneamente, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. FOLHA PAGAMENTO. DESACORDO LEGISLAÇÃO. É devida a autuação da empresa que deixar de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Fisco. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização do fato gerador da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 32 51 /2 00 9- 82 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Ausente, momentaneamente, Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723251/200982 Acórdão n.º 2402003.615 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991, combinado com o art. 225, inciso I e parágrafo 9o, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, que consiste em deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária, para as competências 01/2005 a 06/2006. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 01/15), a empresa deixou de incluir em folha de pagamentos remunerações pagas a segurados empregados (estagiários em desacordo com a legislação vigente) e contribuintes individuais que lhe prestaram serviço. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 15) informa que foi aplicada a multa prevista nos arts. 92 e 102, ambos da Lei 8.212/1991, c/c art. 283, inciso I e alínea “a”, e art. 373 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. O valor da multa aplicada foi de R$1.329,18 (um mil e trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos), atualizada por meio da Portaria Interministerial MPS/MF n° 48, de 12/02/2009, publicada no Diário Oficial da União em 13/02/2009. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 30/06/2009 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 91/99) – acompanhados de anexos de fls. 100/118 –, alegando, em síntese, que: 1. o procedimento fiscal compreende o período de 01/05 a 06/06 para fins de verificação do cumprimento das obrigações previdenciárias. Ocorre que, em outro procedimento de fiscalização, n° 09222829, anteriormente realizado junto a FAPES, o mês de janeiro de 2005 já havia sido objeto de auditoria para fins de verificação de cumprimento de obrigações previdenciárias, como faz prova a cópia da NFLD 35.900.2110 em anexo. Diante disso, não caberia uma nova auditoria fiscal referente ao período de janeiro de 2005, sob pena de gerar lançamentos em duplicidade e sobreposição de penalidades; 2. a multa aplicada pressupõe a existência de remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados da FAPES, para qual não foram preparadas folhas de pagamento, ou seja, a ocorrência de fatos geradores não declarados. A acusação de que existiam remunerações que não foram declaradas decorre do fato de que, no AI n° 37.184.4185, a fiscalização considerou salário de contribuição remuneração paga a estagiários porque, supostamente, não foram atendidos requisitos estabelecidos na Lei 6.494, de 1977. Destaca que ele decorre do mesmo Procedimento Fiscal (MPF) n° 05.1.01.00200800974. Portanto, a decisão sobre a procedência ou Fl. 140DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 improcedência do AI em exame depende da decisão sobre os fatos apontados pela fiscalização no AI mencionado. Há uma conexão entre os processos e uma relação de prejudicialidade, de modo que o presente AI não poderá ser julgado sem levar em consideração a decisão proferida no outro. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Salvador/BA – por meio do Acórdão 1527.890 da 6a Turma da DRJ/SDR (fls. 121/125) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Salvador/BA informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723251/200982 Acórdão n.º 2402003.615 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Com relação ao procedimento utilizado pela auditoria fiscal, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que a Recorrente deixou de preparar as folhas de pagamento sem a discriminação individualizada: (i) dos segurados empregados (estagiários em desacordo com a legislação vigente) e contribuintes individuais, seu cargo, função ou serviço prestado; e (ii) as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais. Assim, a Recorrente deixou de incluir em sua folha de pagamento as remunerações dos segurados dos empregados (estagiários em desacordo com a legislação vigente) e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. Nos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos/Termos de Intimação Fiscal (TIAD/TIF), constatase a intimação para a apresentação das folhas e recibos de pagamentos do período de 01/2005 a 06/2006. Posteriormente, houve também a emissão do Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (TEPF), atestando o encerramento do procedimento fiscal. A sua apresentação deficiente motivou a lavratura deste auto de infração. Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; (grifos nossos) Esse art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, como, por exemplo, o destaque, em folha de pagamento, de discriminar o nome dos segurado, de agrupar os segurados por categoria e das parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais, conforme preceitua o seu art. 225, § 9o e incisos I a V, in verbis: Fl. 142DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Art. 225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) § 9o. A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; II agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. (g.n.) Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, constata se, então, que a Recorrente – ao não apresentar ao Fisco as folhas de pagamento contendo as remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço (empregados e contribuintes individuais), de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária, para as competências 01/2005 a 06/2006 – incorreu na infração disposta no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991, c/c o art. 225, § 9o, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Da mesma forma, enganase a Recorrente ao alegar a não observação ao princípio da tipicidade, uma vez que a Lei 8.212/1991 delimita o valor, prevê sua atualização e remete ao regulamento a fixação do mesmo: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de CrS 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a CrS 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (...) Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Nesse sentido, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, determina: Fl. 143DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723251/200982 Acórdão n.º 2402003.615 S2C4T2 Fl. 5 7 Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de RS 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto n° 4.862, de 2003) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: a) deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social; (...) Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente, referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência. Posteriormente – conforme dispôs a Lei 8.212/1991, artigos 92 e 102, e o Regulamento da Previdência Social (RPS), artigos 283 e 373, todos susomencionados –, a Portaria Interministerial MPS/MF n° 48, de 12/02/2009, publicada no Diário Oficial da União em 13/02/2009, reajustou os valores da multa para R$1.329,18 (um mil e trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos). Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Dentro desse contexto fático, depreendese do art. 113 do CTN que a obrigação tributária é principal ou acessória e pela natureza instrumental da obrigação acessória, ela não necessariamente está ligada a uma obrigação principal e decorre de cada circunstância fática praticada pela Recorrente, que será verificada no procedimento de Auditoria Fiscal. Em face de sua inobservância, há a imposição de sanção específica disposta na legislação nos termos do art. 115 também do CTN. Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal.(g.n.) As obrigações acessórias são estabelecidas no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos, de forma que visam facilitar a apuração dos tributos devidos. Elas, independente do prejuízo ou não causado ao erário, devem ser cumpridas no prazo e forma fixados na legislação. Assim, constatase que as demais alegações expostas na peça recursal reproduzem os mesmos fundamentos esposados na defesa relativa ao lançamento da obrigação previdenciária principal, constituída nos Autos dos processos 10580.723245/200925 (AIOP 37.184.4185) e 10580.723247/200914 (AIOP 37.184.4193). Após essas considerações, informo que as conclusões acerca dos argumentos da peça recursal – concernente ao descumprimento da obrigação acessória, no que forem coincidentes, especificamente com relação à verba paga a título de bolsas de estudo –, foram devidamente enfrentadas, quando da análise do processo da obrigação principal. Assim, passarei a utilizar o conteúdo assentado na decisão do processo da obrigação principal para explicitar que os seus elementos fáticos e jurídicos serão parte integrante deste Voto. Isso está em conformidade ao art. 50, § 1o, da Lei 9.784/1999 – diploma que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal –, transcrito abaixo: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1o. A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão integrante do ato. (g.n.) Esses processos assentaram em suas ementas os seguintes termos: “[...] CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723251/200982 Acórdão n.º 2402003.615 S2C4T2 Fl. 6 9 SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. SEM INSCRIÇÃO PAT. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). ESTÁGIO. DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. SEGURADO OBRIGATÓRIO DO RGPS. É segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), na condição de empregado, o estagiário que presta serviços a empresa, em desacordo com a Lei 6.494/1977. BOLSA DE ESTUDO. AUSÊNCIA DE VERBA PAGA POR MEIO DE INSTITUIÇÕES FEDERAIS. CARACTERIZA REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Não integram o salário de contribuição as importâncias referentes à bolsa de ensino, pesquisa e extensão pagas pelas instituições federais de ensino superior (IFES), de pesquisa científica e tecnológica e pelas fundações de apoio, nos termos da Lei 8.958/1994 e do art. 7º do Decreto 5.205/2004. A FAPES não prestou apoio, no período fiscalizado, a Instituições Federais de Ensino (IFES), assim a verba paga a título de bolsa integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. SALÁRIO UTILIDADE. MEMBROS DA DIRETORIA. É devida contribuição previdenciária sobre salário utilidade concedido aos membros da diretoria. SALÁRIOFAMÍLIA. SUJEITO PASSIVO NÃO COMPROVOU OS REQUISITOS. Os requisitos para a concessão do saláriofamília são estabelecidos pela legislação previdenciária, tais como: segurado de baixa renda, cujo salário de contribuição seja igual ou inferior a um determinado valor estabelecido em Portaria vigente à época da ocorrência do fato gerador; devido a partir da data da apresentação da certidão de nascimento do filho ou da documentação relativa ao equiparado; apresentação anual de atestado de vacinação obrigatória, até seis anos de idade da criança; comprovação semestral de freqüência à escola do filho ou equiparado, a partir dos sete anos de idade da criança; e termo de responsabilidade. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação Fl. 146DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. [...]”. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10830.005038/2005-72
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO.
É de 5 (cinco) anos o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, contado da data da entrega da declaração de compensação.
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. MANUTENÇÃO PREDIAL.
Não geram direito a créditos a serem descontados da Cofins os gastos de produção (manutenção predial) que não aplicados ou consumidos diretamente no processo fabril, vez que não se enquadram no conceito de insumos.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. DÉBITOS CONFESSADOS EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). INCIDÊNCIA DA MULTA DE MORA.
Incide a multa de mora sobre valor de tributo confessado pelo contribuinte em Dcomp, pois o crédito foi regularmente constituído pelo próprio sujeito passivo, não se configurando denúncia espontânea (art. 138 do CTN) eventual pagamento a destempo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-001.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam o direito de descontar créditos em relação aos valores decorrentes da manutenção de prédios e instalações fabris. Os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Sidney Eduardo Stahl votaram pelas conclusões nesta matéria
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Guilherme Déroulède, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. É de 5 (cinco) anos o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, contado da data da entrega da declaração de compensação. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. MANUTENÇÃO PREDIAL. Não geram direito a créditos a serem descontados da Cofins os gastos de produção (manutenção predial) que não aplicados ou consumidos diretamente no processo fabril, vez que não se enquadram no conceito de insumos. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. DÉBITOS CONFESSADOS EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). INCIDÊNCIA DA MULTA DE MORA. Incide a multa de mora sobre valor de tributo confessado pelo contribuinte em Dcomp, pois o crédito foi regularmente constituído pelo próprio sujeito passivo, não se configurando denúncia espontânea (art. 138 do CTN) eventual pagamento a destempo. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 50 38 /2 00 5- 72 Fl. 346DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005038/200572 Acórdão n.º 3801001.986 S3TE01 Fl. 11 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam o direito de descontar créditos em relação aos valores decorrentes da manutenção de prédios e instalações fabris. Os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Sidney Eduardo Stahl votaram pelas conclusões nesta matéria (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Guilherme Déroulède, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005038/200572 Acórdão n.º 3801001.986 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Os presentes autos retornam a esta Turma de Julgamento após pronunciamento da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que mediante acórdão nº 38001000.699 (fls. 232/235) anulou a decisão prolatada nesta primeira instância de julgamento. Recuperase, a seguir, o relatório dos fatos como elaborado na decisão cancelada. Em 21/10/2005 a contribuinte protocolou o Pedido de Ressarcimento de Créditos da Cofins Exportação de fl. 01, no montante de R$ 551.268,08, relativo a saldo de créditos da contribuição apurados no regime da não cumulatividade e decorrentes de operações de exportação de mercadorias para o exterior realizadas no ano de 2004. Abriuse procedimento fiscal com o objetivo de averiguar a regularidade do pleito da interessada. Do procedimento, resultou o RELATÓRIO DE INFORMAÇÃO FISCAL que integra os autos, no qual a autoridade responsável pela auditoria, depois de detalhar os documentos verificados, aponta o que constatou do exame da documentação apresentada pela empresa, bem como se posiciona a respeito da existência do crédito solicitado no Pedido de Ressarcimento: [...]No curso das verificações ora citadas, identificouse que o contribuinte inseriu despesas de "manutenção predial corretiva e manutenção predial preventiva" dentre os valores que compõem a base de cálculo dos créditos relativos a "Serviços Utilizados como Insumos". Porém, não há previsão legal para o aproveitamento de créditos decorrentes de despesas dessa natureza. O Relatório Fiscal segue com tabela de recálculo do valor passível de ressarcimento, considerando a glosa efetuada na composição dos créditos. Verificouse ainda que a contribuinte utilizou o valor pleiteado em Declaração de Compensação tratada no processo nº 10830.005056/200554. Encaminhados os autos ao Serviço de Orientação e Análise Tributária Seort da unidade de origem, foi proferido o Despacho Decisório mediante o qual reconheceuse direito creditório na cifra de R$ 551.152,81 e homologaramse as compensações declaradas até esse limite. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005038/200572 Acórdão n.º 3801001.986 S3TE01 Fl. 13 4 Notificada do teor do despacho decisório em 23/12/2009, em 22/01/2010 a contribuinte protocolou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese o que segue. Inicialmente, pleiteia que o presente processo seja analisado conjuntamente com o processo nº 10830.005056/200554, tendo em vista a inequívoca vinculação de ambos. No tocante à glosa de créditos calculados sobre despesas com manutenção predial, alega que os dispêndios correspondem a gastos realizados com a manutenção do prédio em que se localiza sua fábrica e, portanto, enquadramse no conceito de bens e serviços utilizados como insumos na produção, a teor do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. A contribuinte contesta ainda o procedimento da administração tributária, alegando que sobre o valor do débito compensado pela Requerente foi imputada multa pela D. Fiscalização, que equiparou a compensação a um pagamento fora do prazo. A seu ver, o procedimento é equivocado, visto que seria aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea. Isto porque teria agido nos exatos termos do art. 138 do CTN, promovendo o pagamento do débito por compensação antes de qualquer iniciativa por parte da fiscalização. Assim, conclui, o pagamento (compensação) espontâneo do débito em atraso rechaçou a incidência da multa de mora. Ademais, a indenização pelo mero atraso já resta satisfeita com a inclusão dos juros de mora, condição cumprida pela Requerente para a configuração da denúncia espontânea. No despacho de encaminhamento dos autos a julgamento, fls. 182, o Seort da Delegacia de origem assim se posicionou com relação ao prosseguimento do feito: As normas constantes da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 (Art. 36 c/c Arts. 72 e 73), bem como dos diplomas por ela revogados e das instruções constantes do programa PERDCOMP, estabelecem claramente os critérios para a valoração dos créditos e atualização dos débitos para que sejam informados corretamente na declaração de compensação. Portanto: quando o contribuinte, ao elaborar uma declaração de compensação, por motivos diversos, erra em seus cálculos, superestimando o valor do crédito que efetivamente possuiria, parte dos débitos declarados está, desde o início, desprovida de créditos para quitálos. Dessa forma, caracterizase aí excesso de débitos, ao qual não podem ser atribuídos os efeitos da compensação; na hipótese de o sujeito passivo, ao elaborar a declaração de compensação, declarar débitos vencidos em desacordo com a legislação, contrariando o disposto no art. 36 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, não acrescendo ao principal todos os acréscimos legais previstos (multa de mora e juros), o Fl. 349DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005038/200572 Acórdão n.º 3801001.986 S3TE01 Fl. 14 5 montante informado será, de ofício, objeto de imputação proporcional. A diferença encontrada, caso não haja na mesma declaração crédito remanescente em valor suficiente para cobri lo, caracterizarseá como excesso de débitos, ao qual não podem ser atribuídos os efeitos da compensação – porque, na hipótese, compensação, a rigor, não há – e que deve ser objeto de cobrança imediata. Assim sendo, proponho que se considere que o(s) débito(s) remanescente(s) não se encontra(m) com a exigibilidade suspensa, mantida a cobrança no processo nº 10830.005056/200554 a parcela não passível de quitação ainda que o contribuinte tenha decisão favorável quanto ao mérito, bem como encaminhar para julgamento este processo 10830.005038/200572. Em 05/04/2010 a contribuinte protocolou a peça de fls. 186/192 contestando o despacho que determinou o prosseguimento da cobrança dos débitos não cobertos pelo crédito informado nas DCOMPs. Alega que na manifestação de inconformidade teceu argumentação específica, relacionada ao instituto da denúncia espontânea, que interfere na apuração do quantum devido. Solicita, assim, o reconhecimento da suspensão da exigibilidade de todo o débito objeto da Declaração de Compensação e o direito à discussão administrativa. Esta Turma de Julgamento, examinando o processo em sessão realizada em 24/05/2010, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo as glosas dos créditos calculados sobre despesas com manutenção predial. Quanto à alegação dirigida contra o encontro de contas efetuado pela unidade local, a decisão anulada pelo CARF anotou que a matéria era estranha ao objeto dos autos já que o processo, até então, era composto exclusivamente pelo Pedido de Ressarcimento de fl. 1. Apresentando Recurso (fls. 196/199) contra o decidido por esta Delegacia de Julgamento, a contribuinte reforçou, em resumo, as razões expostas na manifestação de inconformidade. Remetidos os autos ao CARF, a Terceira Seção de Julgamento julgou nulo o acórdão em comento, por ofensa ao princípio da ampla defesa e do duplo grau de jurisdição, determinando à instância julgadora de primeira instância que proferisse nova decisão corrigindo os erros materiais apontados. Na decisão prolatada pelo CARF, o Conselheiro relator no voto acatado por unanimidade (fl. 234v) consignou que o Despacho Decisório n° 1244/2009, fls. 88, tratou do pedido de ressarcimento da Cofins NãoCumulativa (processo n° 10830.005038/200572) e da declaração de compensação que fazia parte do processo n° 10830.005056/200554. Afirmou que na manifestação de inconformidade apresentada a contribuinte contestou tanto a glosa de créditos, como a inclusão da multa de mora no cômputo dos débitos compensados, além de haver Fl. 350DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005038/200572 Acórdão n.º 3801001.986 S3TE01 Fl. 15 6 alertado acerca da vinculação dos processos de crédito e de débito que deveriam ser objeto de julgamento conjunto. Continua o texto do Conselheiro Relator: Por seu turno, no Acórdão 0528.931 3a Turma da DRJ/CPS, a autoridade julgadora de primeira instância se restringiu à analise da glosa dos créditos referentes as despesas de "manutenção predial corretiva e manutenção predial preventiva", não se manifestando em relação as demais temas reclamados. [...]No entanto, o Despacho Decisório DRF/CPS n° 1244/2009 tratou tanto do pedido de ressarcimento da Cofins Não Cumalativa (processo n° 10830.005038/200572), quanto da declaração de compensação que fazia parte do processo n° 10830.005056/200554. Também, é impossível não admitir a estreita vinculação entre os referidos processos. Desse modo, uma vez que a decisão abarcou o pedido de ressarcimento e a compensação, não caberia a apresentação de duas manifestações de inconformidade sobre o mesmo despacho, implicando em prazos, decisão e controles diferentes. Na realidade, as duas matérias deveriam constar de um mesmo processo. Observase, também, que a decisão recorrida não enfrentou a questão relacionada com a aplicação do instituto da denúncia espontânea, defendida pela recorrente, quanto a forma de calcular os impostos a serem compensadas, uma vez que a ação (solicitação de compensação) foi realizada antes de qualquer procedimento de ofício. Destarte, verificase que a decisão recorrida contém vícios materiais, os quais não podem ser sanados nos termos do art. 60 do Decreto n° 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal. Além do mais, a decisão violou o disposto no art. 31 do Decreto n° 70.235/72, pois não atendeu os requisitos estabelecidos no mesmo, configurando vício de ilegalidade. Como visto, ficou constatada a existência de erros materiais que trouxeram prejuízos ao direito de ampla defesa da interessada. [...]Desse modo, a autoridade julgadora de primeira instância deverá proferir nova decisão, corrigindo os vícios materiais acima apontados. Diante de todo o exposto, em respeito ao princípio da ampla defesa, do duplo grau de jurisdição e para que não haja supressão de instância, encaminho meu voto no sentido de: 1. Julgar nulo o Acórdão n° Acórdão 0528.931 3a Turma da DRJ/CPS, de 24 de maio de 2010. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005038/200572 Acórdão n.º 3801001.986 S3TE01 Fl. 16 7 2. Anexar o processo n° 10830.005056/200554 ao presente processo, para que as matérias relacionadas ao crédito e ao débito sejam julgadas conjuntamente. Foram aos autos assim, remetidos de volta a esta DRJ para novo julgamento. Termo de fl. 261 comunica a juntada, por apensação ao presente processo, dos autos do processo administrativo nº 10830.005056/200554. A DRJ em Campinas (SP) mais uma vez julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: Decisão Anulada. Cerceamento do Direito de Defesa. Novo Julgamento. Anulada a decisão de primeira instância por cerceamento ao direito de defesa, procedese a novo julgamento com o enfrentamento das questões não apreciadas no acórdão viciado. Regime da Não Cumulatividade. Geração de Créditos. Gastos não caracterizados como Insumos. Impossibilidade. Manutenção Predial. Fretes de Produtos em elaboração. Não geram créditos no regime da não cumulatividade os dispêndios com bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo definido na legislação, como manutenção predial e fretes contratados para transporte de bens em elaboração. Multa de mora. Compensação Extemporânea. Denúncia Espontânea. Não Ocorrência. É devida a multa de mora quando a compensação é declarada após o prazo de vencimento do tributo, sendo inaplicável o instituto da denúncia espontânea. Discordando novamente da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado, inicialmente, descreve os fatos argumentando que a recorrente apurou corretamente o crédito, em montante suficiente para a quitação dos débitos por ela declarados, bem como procedeu corretamente à compensação. Em preliminar sustenta a decadência do direito de o fisco analisar a apuração do saldo credor relativo ao quarto trimestre de 2004. Alega que não cabe à autoridade administrativa a revisão da própria apuração do tributo, o que somente poderia ter sido efetuado dentro do prazo decadencial e por meio de procedimento próprio. Defende a tese de que a autoridade administrativa somente pode questionar a apuração do direito creditório dentro do prazo decadencial do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Argumenta que o prazo tratado pelo art. 74 da Lei n° 9.430/96 serve apenas e tão somente para que a autoridade administrativa homologue ou não compensação declarada pelo sujeito passivo, ou seja, a autoridade administrativa tem a prerrogativa de apenas e tão Fl. 352DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005038/200572 Acórdão n.º 3801001.986 S3TE01 Fl. 17 8 somente de confirmar a correção entre os valores dos créditos apurados e aqueles declarados nas declarações de compensação, confirmar pagamento que tenham fundamento a apuração do direito creditório, além de outras verificações quanto às formalidades legais da compensação. Colaciona doutrina e jurisprudência sobre esta matéria. Destaca que como os valores utilizados como crédito da Cofins para compensação foram apurados no quarto trimestre de 2004, a D. Fiscalização somente poderia ter questionado tal procedimento até o quarto trimestre de 2009, respeitandose o prazo decadencial de cinco anos, em atenção ao disposto no artigo 150, § 4º, do CTN, porém, não foi o que ocorreu, pois a ora recorrente somente foi intimada acerca do Despacho Decisório no dia 23/12/2009, após o decurso do prazo decadencial de cinco anos. No mérito, inicialmente questiona o conceito de insumo adotado pela decisão “a quo”. Em síntese reitera os argumento apresentados na manifestação de inconformidade e conclui que os valores decorrentes da manutenção de prédios e instalações fabris devem servir de base para o cálculo dos créditos da Cofins, vez que tais gastos influenciam diretamente na fabricação dos produtos da Sociedade, porquanto depende das instalações prediais operando com pleno vigor e eficiência para fabricar seus produtos e desempenhar sua atividade, configurandose, portanto, em efetivos insumos. No que se refere à cobrança do débito de IRPJ compensado, sustenta a impossibilidade de exigência de quaisquer valores a título de estimativa de IRPJ, após o encerramento do anocalendário. Alega que as compensações em questão foram declaradas no curso do ano calendário quando, ainda, eram devidas as estimativas. Daí terem sido objeto de declaração e confissão. Esclarece que encerrado o anocalendário, foi apurado prejuízo fiscal, o que significa dizer que os valores das estimativas deixaram de ser devidos, já que não foi apurada base de cálculo passível de incidência do tributo. Insiste que eventual diferença de estimativa recolhida a menor, deveria ser atribuída ao resultado final do anocalendário, com o ajuste da base de cálculo apurada, o que, no presente caso, resultaria em redução do saldo negativo apurado. De outro lado, questiona a imputação de multa de mora sobre o valor do débito compensado. Alega que no caso é aplicável o instituto da denúncia espontânea. Outrossim, reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Por fim, requer que seja dado integral provimento ao seu recurso com o reconhecimento de seu direito creditório. Postula o reconhecimento da denúncia espontânea em relação à cobrança do débito de IRPJ do anocalendário de 2005 e, alternativamente, requer que seja cancelada a exigência de valores a título de estimativas de IRPJ, tendo em vista que indevidas após o encerramento do anocalendário. Protesta pela posterior juntada de documentos e por sustentação oral e requer que as futuras intimações sejam efetuadas no endereço atual da empresa. É o relatório. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005038/200572 Acórdão n.º 3801001.986 S3TE01 Fl. 18 9 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Consignese que esta decisão engloba os fatos deste processo administrativo e do processo específico de compensação º 10830.005056/200554. As matérias em discussão nesse litígio administrativo são objeto de inúmeras controvérsias entre a Fazenda Nacional e os contribuintes. Assim, as teses serão enfrentadas por tópicos específicos, em consonância com as alegações da requerente no recurso voluntário. 1 – Preliminar – Prazo decadencial A recorrente insiste na tese de que ficou configurada a decadência para a análise do saldo credor da Cofins relativo ao quarto trimestre de 2004, nos termos do art. 150, parágrafo 4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Assim, as glosas efetuadas pela fiscalização não podem subsistir. A tese da interessada não pode prosperar. Tenhase presente que este processo administrativo e o respectivo apensado têm por objeto o ressarcimento/compensação de tributo federal. A compensação, que é uma modalidade de extinção do crédito tributário, é prevista no artigo 170 do CTN Código Tributário Nacional, aprovado pela Lei nº 5.172/66, o qual remete à lei ordinária a disciplina da matéria. O CTN assim dispõe sobre a compensação: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” (grifouse). Desta forma, a compensação é um dos meios de extinção do crédito tributário e se concretiza pelo encontro de contas entre a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Deste modo, o art. 74 da Lei nº 9.430/96 (e alterações) disciplina o regime de compensação no âmbito federal. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(grifouse) (...) Fl. 354DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005038/200572 Acórdão n.º 3801001.986 S3TE01 Fl. 19 10 Por seu turno, o § 5º deste dispositivo legal estabelece o prazo para a homologação da compensação: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)(grifouse) Destarte, o prazo de cinco anos contase da data da entrega da declaração de compensação que foi formalizada no processo n° 10830.005056/200554. No caso presente, constatase que a declaração de compensação foi entregue em 21/10/2005, de sorte que as verificações efetuadas em relação aos créditos da Cofins nãocumulativa foram realizadas dentro do prazo legal de 5(cinco) anos, uma vez que o contribuinte foi cientificado do despacho decisório em 23/12/2009. Como visto, na compensação a autoridade tem por obrigação legal, no prazo acima referido, verificar se os créditos são líquidos e certos, ou seja, a exatidão dos créditos da contribuição Cofins apurados e declarados pelo sujeito passivo. Diferentemente do alegado pela recorrente, o art. 150 §4º do CTN trata do prazo que a Fazenda Nacional tem para verificar a exatidão do pagamento efetuado. Esse prazo não se aplica à análise dos créditos que podem ser descontados da Cofins sob o regime da não cumulatividade. A propósito do lançamento por homologação, Luciano Amaro em Direito Tributário Brasileiro, 11ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2005, p. 364 e 365, esclarece: E o lançamento? Este diz o Código Tributário Nacional – operase por meio do ato da autoridade que, tomando conhecimento da atividade exercida pelo devedor, nos termos do dispositivo, homologaa. A atividade aí referida outra não é senão a de pagamento, já que esta é a única providência do sujeito passivo tratada no texto. Melhor seria falar em “homologação do pagamento”, se é isso que o Código parece ter querido dizer. (grifouse) Em suma, não ficou configurada a decadência. 2 Do direito descontar créditos em relação aos valores decorrentes da manutenção de prédios e instalações fabris A recorrente insurgiuse contra a glosa dos créditos relativos as despesas com manutenção predial. Sustenta o direito ao crédito com base no inciso II do artigo 3º da Lei nº da Lei 10.833/03. Após longa exposição sobre o conceito de insumo, argumenta que os referidos gastos configuram insumos. De sorte que a grande controvérsia tem por objeto o conceito de insumo. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005038/200572 Acórdão n.º 3801001.986 S3TE01 Fl. 20 11 A legislação de regência, Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e alterações posteriores, disciplinava: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) (grifouse) Destarte, o ponto central da questão é compreender o conceito de insumo estabelecido nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005038/200572 Acórdão n.º 3801001.986 S3TE01 Fl. 21 12 Há diversas exegeses a respeito desse dispositivo, tais como: definição de insumo segundo a legislação do IPI, aplicação de custos e despesas de acordo com a legislação do IRPJ, custos de produção, etc. Para o deslinde da questão, é despiciendo examinar o método indireto subtrativo que, em regra, foi adotado para o exercício da nãocumulatividade da contribuição em discussão. A respeito da interpretação das leis, Carlos Maximiliano em Hermenêutica e Aplicação do Direito, 19ª ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2010, p. 162, ensina: Por mais opulenta que seja a língua e mais hábil quem a maneja, não é possível cristalizar numa fórmula perfeita tudo o que se deva enquadrar em determinada norma jurídica: ora o verdadeiro significado é mais estrito do que se deveria concluir do exame exclusivo das palavras ou frases interpretáveis; ora sucede o inverso, vai mais longe do que parece indicar o invólucro visível da regra em apreço. A relação lógica entre a expressão e o pensamento faz discernir se a lei contém algo de mais ou de menos do que a letra parece exprimir: as circunstâncias extrínsecas revelam uma idéia fundamental mais ampla ou mais estreita e põem em realce o dever de estender ou restringir o alcance do preceito. Mais do que regras fixas influem no modo de aplicar uma norma, se ampla, se estritamente, o fim colimado, os valores jurídico sociais que lhe presidiram à elaboração e lhe condicionaram a aplicabilidade. (grifouse) A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por meio da Instrução Normativa (IN) nº 404/2004, regulamentou o assunto a partir da concepção tradicional da legislação do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) e adotou uma interpretação restritiva para o conceito de insumo, conforme excerto a seguir transcrito: Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 1º do art. 4º; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (..). § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: Fl. 357DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005038/200572 Acórdão n.º 3801001.986 S3TE01 Fl. 22 13 a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Em que pese não vincular a autoridade julgadora, a interpretação dada pela RFB apresentase compatível e coerente com a legislação da nãocumulatividade da Cofins. Essas normas complementares não atentaram contra a legalidade, além de não terem extrapolados os limites traçados na respectiva lei. Em outras palavras, as normas acima delimitaram o direito de crédito com a especificação dos serviços que geram crédito. Posto isso, ao sujeito passivo somente é permitido descontar unicamente os créditos autorizados e discriminados pela lei. Em suma, não é qualquer serviço, custo de produção ou despesa que confere crédito da contribuição. Caso o legislador tivesse outra intenção, de tal forma que os direitos de descontar os créditos abrangeriam o maior número de gastos possíveis, teria feito constar na lei uma referência explícita ao direito de descontar créditos em conformidade com custos e as despesas necessárias segundo a legislação do IRPJ. Da mesma maneira, caso quisesse adotar o conceito de custos de produção, não teria utilizado a expressão insumos. Além disso, a lei que instituiu a nãocumulatividade da Cofins especificou outros custos de produção e despesas operacionais que geram direito ao crédito, tais como: aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica; máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Com efeito, o conceito de insumo no âmbito do direito tributário foi estabelecido no inciso I, § 1º, do artigo 1º da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, in verbis: Art. 1º (...) §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: Fl. 358DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005038/200572 Acórdão n.º 3801001.986 S3TE01 Fl. 23 14 I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; Destarte, em tributos não cumulativos o conceito de insumo corresponde a matériasprimas, produtos intermediários e a materiais de embalagem. Ampliar este conceito implica em fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo. Nesse sentido, recentemente o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial 1.020.991 RS, assim se pronunciou: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃO CUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior, por se tratar de matéria eminentemente constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 2. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumo previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. 3. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 4. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e Resp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 5. Recurso especial a que se nega provimento. (STJ, 1ª Turma, REsp 1.020.991RS, Dje 14/05/2013, rel. Sérgio Kukina) Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto do voto proferido pelo Ministro Relator no julgamento deste recurso especial: No mais, não houve a alegada restrição do conceito de insumo com a edição das Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04, mas apenas a explicitação da definição deste termo, que já se encontrava previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005038/200572 Acórdão n.º 3801001.986 S3TE01 Fl. 24 15 Nesses instrumentos normativos, o critério para a obtenção do creditamento é que os bens e serviços empregados sejam utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. Logo, não se relacionam a insumo as despesas decorrentes de mera administração interna da empresa. Assim, a parte recorrente não faz jus à obtenção de créditos de PIS e COFINS sobre todos os serviços mencionados como necessários à consecução do objeto da empresa, como pretende relativamente aos valores pagos à empresas pela representação comercial (comissões), pelas despesas de marketing para divulgação do produto, pelos serviços de consultoria prestados por pessoas jurídicas (aqui incluídos assessoria na área industrial, jurídica, contábil, comércio exterior, etc), pelos serviços de limpeza, pelos serviços de vigilância, etc., porque tais serviços não se encontram abarcados pelo conceito de insumo previsto na legislação, visto não incidirem diretamente sobre o produto em fabricação. Quando a lei entendeu pela incidência de crédito nesses serviços secundários, expressamente os mencionou, a exemplo do creditamento de combustíveis e lubrificantes previsto nos dispositivos legais questionados (...) (grifouse) Nessa esteira, se o conceito de insumo estivesse relacionado com os custos de produção, não faria sentido o legislador ordinário enumerar uma série de outros custos passíveis de gerarem créditos. Deste modo, adotase como solução deste litígio o conceito de insumo segundo o disposto na IN 404/2004. Superada essa fase conceitual, passase ao exame deste caso concreto. A autoridade fiscal após exame do processo produtivo relatou: No curso das verificações ora citadas, identificouse que o contribuinte inseriu despesas de "manutenção predial corretiva e manutenção predial preventiva" dentre os valores que compõem a base de cálculo dos créditos relativos a "Serviços Utilizados como Insumos". Porém, não há previsão legal para o aproveitamento de créditos decorrentes de despesas dessa natureza.(grifouse) Deste modo, nos termos da posição adotada anteriormente, para se ter direito ao desconto dos créditos é necessário que os serviços prestados por pessoa jurídica sejam aplicados diretamente na fabricação do produto, o que não ocorreu nas situações descritas. Dos elementos que constam neste processo administrativo fiscal, constatase que os serviços que foram objeto de glosa fiscal (manutenção predial) não podem ser considerados insumos porque não foram aplicados diretamente na atividade fabril. É bem verdade que esses serviços são importantes para o processo produtivo, todavia tais serviços não são empregados diretamente na fabricação do produto destinado à venda. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005038/200572 Acórdão n.º 3801001.986 S3TE01 Fl. 25 16 Do exame dos elementos probatórios, é forçoso concluir que são serviços auxiliares e/ou complementares ao processo produtivo. Como visto, em regra, são gastos gerais ou custos de produção que não se enquadram no conceito de insumos. Em remate, em relação a essa matéria, não merece reparo a decisão recorrida. 3 Da cobrança de débito de estimativa de IRPJ decorrente de nãohomologação de declaração de compensação Tenhase presente que a compensação extingue o crédito tributário, mediante a entrega de declaração de compensação, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, nos termos do § 2ª do art. 74 da Lei 9.430/1996, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(grifouse) Ademais, o §6º deste dispositivo legal dispõe que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Assim, o débito de estimativa IRPJ compensado adquire os efeitos decorrentes da extinção, qual seja, considerase estimativa paga, podendo ser utilizada pelo contribuinte como integrante do saldo negativo e utilizado posteriormente, como aliás confirma a recorrente no item 13 de sua manifestação de inconformidade. Destarte, considerada a declaração não homologada, necessária se torna a cobrança dos valores que já compuseram o saldo negativo do contribuinte ou que foram utilizados na apuração do IRPJ do período a que se refere. Em conclusão, a DCOMP é instrumento de confissão de dívida, portanto não cabe a discussão neste processo de eventual cobrança indevida. 4 Da imputação da multa de mora A requerente postula a não imputação da multa de mora caso sejam exigidos os valores do IRPJ estimativa. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005038/200572 Acórdão n.º 3801001.986 S3TE01 Fl. 26 17 Em suas razões a recorrente sustentou que no caso em comento é aplicável o instituto da denúncia espontânea. A tese da ocorrência do instituto da denúncia espontânea não merece prosperar nos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN), abaixo transcrito: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Em que pese o art. 138 do CTN referir à exclusão da responsabilidade quando da denúncia espontânea, ele deve ser interpretado sistematicamente com outros dispositivos. A propósito, o Código Tributário Nacional (CTN) no art. 161 dispõe: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifouse) Com efeito, na hipótese de atraso no recolhimento de tributos, o CTN prevê, além dos juros de mora, a imposição de penalidades, previstas no próprio código ou em lei tributária. Vale lembrar que a Seção III do CTN, responsabilidade de terceiros, reporta se à multa moratória em seu artigo 134, § único: Art. 134. (...) Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório. (grifouse) Assinalase, ainda, que, na legislação tributária, a multa de mora sempre esteve integrada para inibir o pagamento de tributos com atraso, conforme os seguintes dispositivos: art. 74 da Lei nº 7.799, de 1989; art. 3º da Lei nº 8.218, de 1991; art. 59º da Lei nº 8.383, de 1991; art. 84 da Lei nº 8.981, de 1995 e o vigente art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.” (Grifouse) Como visto, o legislador ordinário estabeleceu como acréscimo legal a multa de mora para o recolhimento espontâneo após o vencimento do prazo legal. Não se tem notícia de que este dispositivo tenha sido declarado inconstitucional, ainda, que de forma parcial, ou mesmo, tenha ocorrido uma declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto. A Fl. 362DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005038/200572 Acórdão n.º 3801001.986 S3TE01 Fl. 27 18 atividade da autoridade administrativa é vinculada, como bem disse a recorrente, não podendo negar vigência a uma lei. Adotar entendimento diverso, é incentivar os pagamentos dos tributos fora do prazo assinalado pela lei, fato que poderia influenciar negativamente na arrecadação federal, que tem como função precípua prover o Estado de recursos. Em casos análogos, a não caracterização da denúncia espontânea também foi acolhida em outros julgados administrativos do antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA O instituto da denúncia espontânea, de que trata o art. 138 do CTN, não alcança o pagamento espontâneo do tributo, após o prazo de vencimento, para fins de exclusão da multa de mora.” (Grifouse) (...) (Acórdão nº 10196.167, de 24/05/2007) (...) “DENÚNCIA ESPONTÂNEA EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA A denúncia espontânea, de que trata o art. 138 do CTN, não exclui a responsabilidade pela multa de mora.” (Grifouse) (Acórdão nº 10196352, de 17/10/2007) A propósito, o Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento em sede de recurso repetitivo de controvérsia de que se o crédito foi previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360∕STJ. 1. Nos termos da Súmula 360∕STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08∕08. (REsp 962379, DJe 28/10/2010) Fl. 363DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005038/200572 Acórdão n.º 3801001.986 S3TE01 Fl. 28 19 Por pertinente, transcrevese o seguinte trecho do voto proferido Min. Teori Albino Zavascki no aludido acórdão do STJ: Bem se vê, portanto, que, com a constituição do crédito tributário, por qualquer das citadas modalidades (entre as quais a da apresentação de DCTF ou GIA pelo contribuinte), o tributo pode ser exigido administrativamente, gerando, por isso mesmo, consequências peculiares em caso de não recolhimento no prazo previsto em lei: (a) fica autorizada a sua inscrição em dívida ativa, fazendo com que o crédito tributário, que já era líquido, certo e exigível, se torne também exequível judicialmente; (b) desencadeiase o início do prazo de prescrição para a sua cobrança pelo Fisco (CTN, art. 174); e (c) inibese a possibilidade de expedição de certidão negativa correspondente ao débito. (...) À luz dessas circunstâncias, fica evidenciada mais uma importante consequência, além das já referidas, decorrentes da constituição o crédito tributário: a de inviabilizar a configuração de denúncia espontânea, tal como prevista no art. 138 do CTN. A essa altura, a iniciativa do contribuinte de promover o recolhimento do tributo declarado nada mais representa que um pagamento em atraso. E não se pode confundir pagamento atrasado com denúncia espontânea. Com base nessa linha de orientação, a 1ª Seção firmou entendimento de que não resta caracterizada a denúncia espontânea, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos declarados, porém pagos a destempo pelo contribuinte, ainda que o pagamento seja integral. (...) (Grifouse) Além do mais, foi editada a Súmula nº 360 do STJ: “O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”. Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões de outras teses sobre a natureza da multa moratória no âmbito deste Conselho. As autoridades julgadoras têm que se submeter ao entendimento do Superior Tribunal de Justiça em sede da sistemática de recurso repetitivo. Tenhase presente que de acordo com o § 6º do art. 74 da Lei nº 9430/1996 a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Assim, é devida a cobrança da multa de mora sobre os débitos compensados indevidamente. Por tais razões, incide a multa de mora sobre os valores do IRPJ compensados indevidamente, uma vez que é incabível o benefício da denúncia espontânea. 5 Conclusão Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 364DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005038/200572 Acórdão n.º 3801001.986 S3TE01 Fl. 29 20 Fl. 365DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10530.724800/2010-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DO SEGURADO. AUSÊNCIA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS SALÁRIOS. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA MÍNIMA DE 8%.
Apesar de não terem sido individualizados os valores exatamente recebidos por cada funcionário, a aplicação da alíquota mínima de 8% sobre a massa salarial não implica em nulidade da autuação, haja vista que é mais benéfica ao contribuinte.
PEDIDOS DE PRODUÇÃO DE PROVAS E PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
As provas devem ser apresentadas no momento da impugnação, sob pena de preclusão, salvo nos casos previstos em lei. É improcedente o pedido de prova pericial realizado sem atender aos requisitos legais.
RECÁLCULO DAS MULTAS. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE.
Tendo-se em conta a alteração da legislação que trata das multas previdenciárias, deve-se analisar a situação específica de cada caso e optar pela penalidade que seja mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em relação às competências até 11/2008, dar provimento parcial para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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AUSÊNCIA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS SALÁRIOS. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA MÍNIMA DE 8%. Apesar de não terem sido individualizados os valores exatamente recebidos por cada funcionário, a aplicação da alíquota mínima de 8% sobre a massa salarial não implica em nulidade da autuação, haja vista que é mais benéfica ao contribuinte. PEDIDOS DE PRODUÇÃO DE PROVAS E PERÍCIA. INDEFERIMENTO. As provas devem ser apresentadas no momento da impugnação, sob pena de preclusão, salvo nos casos previstos em lei. É improcedente o pedido de prova pericial realizado sem atender aos requisitos legais. RECÁLCULO DAS MULTAS. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. Tendose em conta a alteração da legislação que trata das multas previdenciárias, devese analisar a situação específica de cada caso e optar pela penalidade que seja mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 48 00 /2 01 0- 65 Fl. 300DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em relação às competências até 11/2008, dar provimento parcial para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10530.724800/201065 Acórdão n.º 2402003.432 S2C4T2 Fl. 301 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 14/10/2010 (fl. 182), decorrente da ausência de retenção e recolhimento das contribuições sociais incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, no período de 02/2006 a 13/2008. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 186/214) requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador – BA, ao analisar o presente caso (fls. 219/227), julgou o lançamento procedente, entendendo que (i) o Município deixou de arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados; (ii) não há que se falar na cobrança em duplicidade de tributos, uma vez que, analisados os documentos apropriados pelo Município, e o relatório gerado pelo Sistema de Cobrança – SICOB, foram considerados todos os parcelamentos realizados; e (iii) foi aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte no momento da autuação, e que apenas por ocasião do pagamento ou parcelamento poderá ser verificada qual multa de fato é a menos onerosa. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 231/292) argumentando que: (i) não houve a adequada descrição dos fatos que ensejaram a autuação; (ii) a autoridade fiscal lavrou a presente autuação sem uma análise adequada dos documentos apresentados; (iii) a contribuição foi calculada sobre a massa salarial, não havendo a individualização dos segurados; (iv) deve ser realizada uma pericia contábil no lançamento; (v) a multa de 75% foi aplicada incorretamente, pois a autoridade fiscal não individualizou os salários dos segurados; e (vi) foram desconsiderados os parcelamentos realizados pela Recorrente. É o relatório. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente pretende a nulidade da presente autuação, sob o argumento de que não houve a correta descrição dos fatos, eis que a contribuição devida foi calculada sobre a massa salarial, e não foi realizada a individualização de cada segurado com base nos relatórios apresentados. Contudo, como é possível verificar no relatório fiscal (fls. 31/34), ao lavrar a presente autuação, em que pese o cálculo da contribuição devida tenha sido feito sobre a massa salarial de todos os segurados empregados, a autoridade fiscal utilizou a alíquota mínima prevista no art. 20 da Lei nº 8.212/91 (8%), desconsiderando a variação das remunerações possivelmente existente no Município, que certamente resultaria na aplicação de uma alíquota maior em determinadas situações. Ainda, analisando o Relatório Fiscal (fls. 31/34), o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF (fl. 177) e a decisão da DRJ (fls. 220/223), verificase que a autoridade tributária obteve a base de cálculo através dos resumos das folhas de pagamento, os quais foram apresentados de forma deficiente e inconsistentes pela Recorrente, uma vez que apresentavam valores inferiores aos declarados em GFIP. Assim, confrontando os resumos das folhas de pagamento, os valores lançados na contabilidade do Município, e as GFIPs (fls. 104/124), a autoridade tributária obteve a base de cálculos dos tributos devidos e sobre esta incidiu a alíquota de 8%. Diante disso, considerando que houve a adequada demonstração dos fatos que ensejaram a presente autuação, que foi aplicada a alíquota mínima prevista no art. 20 da Lei nº 8.212/91, e que, ademais, a Recorrente não apresenta qualquer elemento fático probatório para demonstrar que ocorreu alguma incorreção no procedimento fiscal, limitando se a arguir de modo genérico a nulidade da autuação, não merece provimento o recurso neste ponto. Na sequência, a Recorrente alega que foram desconsiderados os parcelamentos realizados, motivo pelo qual deveria ser realizada uma perícia contábil. Como é cediço, todas as provas devem ser juntadas no momento da impugnação pelo contribuinte, sob pena de preclusão, salvo nos casos previstos no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972. No caso de perícia, o contribuinte deve evidenciar os motivos pelos quais tal requerimento deveria ser deferido, bem como informar todos os quesitos e dados do profissional qualificado a ser nomeado, nos termos do art. 16, inc. IV, do Decreto nº 70.235/1972. Destarte, como no caso não foram encontrados qualquer desses requisitos acima elencados, indefiro o pedido de perícia. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10530.724800/201065 Acórdão n.º 2402003.432 S2C4T2 Fl. 302 5 A Recorrente alega que os débitos aqui exigidos já teriam sido parcelados, motivo pelo qual deveria ser extinta a presente autuação. Ocorre que, analisando os documentos trazidos em sua defesa, apenas um simples extrato (fls. 252/292), não ficou comprovado que a Recorrente parcelou os valores devidos à Seguridade Social constituídos através da presente autuação. Além disso, não foram juntados quaisquer relatórios de Pedido de Parcelamento do Débito – PEPAR, Discriminação do Débito a Parcelar – DIPAR, ou ainda comprovantes de quitação. É importante mencionar também que a decisão de primeira instância, para afastar esse argumento do contribuinte, afirma que a fiscalização, ao constituir o presente crédito tributário, deduziu os valores de contribuições previdenciárias apuradas por ocasião de outras fiscalizações (fl. 226), não havendo possibilidade, portanto, de cobrança em duplicidade. Em razão disso, não merece provimento a alegação de que os tributos já teriam sido parcelados e que estariam sendo exigidos em duplicidade na presente autuação. Por fim, a Recorrente pleiteia o afastamento da multa de ofício de 75%. Neste contexto, cumpre ressaltar que, analisandose o quadro de comparação das multas (fls. 125/127), este não guarda qualquer correção lógica que demonstre corretamente como a autoridade fiscal chegou ao montante aplicado, pois traz valores decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, as quais não são objeto desta autuação, conforme o Discriminativo do Débito –DD (fls. 8/11). Contudo, verificando apenas o Discriminativo do Débito, cujos valores conferem com os que foram autuados, concluise que a autoridade tributária aplicou a multa de 24% nos períodos compreendidos entre 02/2007 a 05/2008, e de 75% nas competências de 10/2008 e 11/2008. Vale considerar que a multa de 75% foi instituída apenas em 04/12/2008, com o advento da Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Sendo assim, para que seja dado o efetivo cumprimento à retroatividade benigna de que trata o art. 106, inc. II, “c”, do CTN, é mister que as multas aplicadas até a competência 11/2008 sejam recalculadas, a fim de que seja imposta a penalidade mais benéfica ao contribuinte, qual seja, a prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, visto que, até o presente momento, a multa não atingiria o patamar de 75% previsto no art. 44, da Lei nº 9.430/96. Ademais, em que pese a multa prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91 (antes da alteração promovida pela Lei nº 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Neste caso, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei nº 9.430/96 limitase ao percentual de 75% do valor principal, deve esta ser aplicada caso a multa prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91 (antes da alteração promovida pela Lei nº 11.941/2009) supere o seu patamar. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 6 Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, determinando o recálculo da multa imposta em relação às competências até 11/2008, nos termos do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observando o limite de 75%. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 305DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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Numero do processo: 19515.005763/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/11/2007
IPI. APURAÇÃO.
O IPI deve ser apurado por estabelecimento e por período de apuração. O
instrumento hábil para o cálculo do imposto devido é o Livro Registro de
Apuração de IPI, não sendo viável a apuração com base nos valores
escriturados nos livros contábeis (Razão e Diário) ou em dados destes livros
consolidados em meio magnético.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3302-001.630
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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APURAÇÃO. O IPI deve ser apurado por estabelecimento e por período de apuração. O instrumento hábil para o cálculo do imposto devido é o Livro Registro de Apuração de IPI, não sendo viável a apuração com base nos valores escriturados nos livros contábeis (Razão e Diário) ou em dados destes livros consolidados em meio magnético. Recurso de Ofício Negado Período de apuração: 01/04/2005 a 30/11/2007 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 19515.005763/200911 Acórdão n.º 330201.630 S3C3T2 Fl. 180 2 José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Alexandre Gomes. Relatório Tratase de recurso de ofício contra o Acórdão no 1430.326, de 27 de julho de 2010, da 8ª Turma da DRJ/RPO (fls. 165 e 166), cientificado em 04 de outubro de 2010, que, relativamente a auto de infração de IPI de períodos de abril de 2005 a novembro de 2007, julgou a impugnação procedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. É nulo o auto de infração no qual não é possível identificar a origem dos valores lançados. IPI. APURAÇÃO. O IPI deve ser apurado por estabelecimento e por período de apuração. O instrumento hábil para o cálculo do imposto devido é o Livro Registro de Apuração de IPI, não sendo viável a apuração com base nos valores escriturados nos livros contábeis (Razão e Diário) ou em dados destes livros consolidados em meio magnético. Impugnação Procedente O auto de infração foi lavrado em 25 de dezembro de 2009 e, de acordo com o termo de fls. 104 a 106, “[...] foram obtidas receitas advindas de operações nãocooperativas e restaram tributos e contribuições não declarados/recolhidos [...]”. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração de fls. 114/117, cientificado em 29/12/2009, totalizando o crédito tributário de R$ 19.982.871,41, inclusos multa de ofício e juros de mora. Segundo a descrição dos fatos no Termo de Verificação de Infração de PIS, COFINS e IPI (fls. 104/106), na execução das verificações obrigatórias, com o cotejo entre os valores dos tributos escriturados, declarados e recolhidos no período de 04/2005 a 12/2007, foram identificadas as diferenças relativas ao IPI que foram lançadas por meio do auto de infração originário do presente processo. Foram utilizados como fonte de informação os arquivos magnéticos fornecidos pela contribuinte. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 19515.005763/200911 Acórdão n.º 330201.630 S3C3T2 Fl. 181 3 A fundamentação legal para o lançamento consta dos autos às fls. 106, 112/113 e 117. Inconformada com a autuação, a contribuinte, por intermédio de seu representante legal, protocolizou, em 28/01/2010, a tempestiva impugnação de fls. 125/137 aduzindo em sua defesa as razões que se seguem. 1. Alega que as autuações não contemplam motivação e provas da acusação, pressupostos indispensáveis para a realização dos lançamentos de ofício e, portanto, as exigências em exame seriam nulas nos termos do art. 142 do CTN e do art. 10 do Decreto 70.235/72. 2. Afirma que a fiscalização tratou a apuração do IPI dos diversos estabelecimentos da impugnante de maneira conjunta, exigindo o imposto que entendeu devido por todas as unidades a partir da matriz, procedimento que contraria a autonomia de estabelecimentos imposta pela legislação. Se tanto não bastasse, ela sequer tem competência para averiguar o cumprimento das obrigações de IPI atinentes aos estabelecimentos fora de sua jurisdição, no caso, todas as unidades da impugnante, exceção à matriz. 3. Argumenta que os cálculos realizados pela fiscalização para determinar o montante tributável estão em desacordo tanto com a legislação, quanto com o procedimento adotado pelo impugnante. Tal discrepância explica a divergência entre os valores constantes da autuação e os integrantes da declaração apresentada pela impugnante. Encerrou requerendo a procedência da impugnação, com o conseqüente cancelamento do Auto de Infração. Conforme ementa reproduzida anteriormente, a DRJ cancelou o lançamento e os fundamentos foram os seguintes: O autuante baseou toda a apuração do IPI em informações da contribuinte apresentadas em meio magnético. Tais informações provavelmente foram extraídas dos livros Diário e Razão, pois referemse, entre outras, a contas relacionadas a “FORNECEDORES”, “IPI FATURADO”, “IPI – CRÉDITO PRESUMIDO” e “IPI A RECUPERAR”. Nenhum documento de escrituração contábil ou fiscal foi anexado aos autos pelo Fisco, nem mesmo constam as DCTF da empresa, apenas as DIPJ dos anos em referência. Os únicos documentos juntados para embasar a autuação referemse a um “Cotejo” de informações contábilfiscais impresso (fls. 100/102) e a planilhas em meio magnético (CD anexado a fl. 103) com informações dos totais mensais obtidos dos sistemas DCTF e SINAL e dos lançamentos contábeis de um determinado grupo de contas, sem maiores esclarecimentos acerca da utilização dessas informações no lançamento. No caso do IPI, esse procedimento é equivocado. O IPI é um imposto regido pelo princípio da nãocumulatividade e sua Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 19515.005763/200911 Acórdão n.º 330201.630 S3C3T2 Fl. 182 4 apuração é realizada por meio do confronto, por período, dos débitos relativos às saídas de produtos com os créditos originados das aquisições de insumos empregados na industrialização. Somente existe obrigação do sujeito passivo perante a Fazenda Nacional quando o saldo resultante do encontro destas contas for devedor. Além disso, o saldo credor do imposto remanescente em um determinado período de apuração pode ser utilizado para abater débitos no período seguinte, além de existirem outros créditos passíveis de serem usados para abatimento do débito de IPI em conta gráfica, como o crédito presumido e os créditos transferidos de outro estabelecimento. Pelos motivos anteriores, os lançamentos nos livros contábeis (Diário e Razão) não permitem a identificação do valor de IPI devido em um determinado período de apuração. Apenas o Livro Registro de Apuração de IPI traz os subsídios necessários para a definição do IPI devido (saldo credor de períodos anteriores, débitos, créditos, crédito presumido, transferências) e, no entanto, a fiscalização não faz referência a esse livro em sua autuação. Ademais, devese destacar que o cotejo apresentado pelo autuante não identifica a origem dos valores (somas) apresentados nas colunas IPI “Contab.” e “Retif. Contab.” da planilha “Cotejo das Informações ContábilFiscais”. A impugnante alega ter identificado, por esforço próprio de dedução, o procedimento de cálculo realizado para apurar os valores lançados, que, segundo ela, seriam o resultado da diferença entre os totais mensais lançados nas contas “IPI a Recolher” e “IPI a Recuperar”. No entanto, a conta “IPI a Recolher” não aparece nas planilhas apresentadas em meio magnético pelo autuante, portanto, em princípio, elas não teriam sido utilizadas diretamente. Mesmo que correta a dedução da impugnante e como ela mesma argumenta, a mera apuração da diferença entre aquelas contas não representa o valor de IPI devido, pois tal cálculo não segue a sistemática própria de apuração do IPI e engloba simultaneamente os vários estabelecimentos da empresa. Outro ponto a ser considerado, como alegado pela impugnante sob a ótica do cerceamento de defesa, é que não houve intimação a ela direcionada com a finalidade de apresentar os cálculos efetuados e propiciar um primeiro diálogo que permitisse o aprofundamento do levantamento dos valores de IPI. De fato, em que pesem terem sido emitidos ao todo seis termos de intimação ao longo do procedimento fiscal, não houve uma intimação formal para apresentação dos valores apurados previamente à emissão do auto de infração. No entanto, tal intimação prévia não é mandatória e não caracterizaria, por si só, o cerceamento de defesa, estivesse o auto de infração calcado em uma motivação solidamente construída, pois ainda permitiria a defesa por meio da impugnação legalmente prevista. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 19515.005763/200911 Acórdão n.º 330201.630 S3C3T2 Fl. 183 5 Como já mencionado, observase que a discriminação entre os movimentos dos diversos estabelecimentos não foi considerada pelo autuante. Conforme pesquisa nos sistemas da Receita Federal (fls. 165/171), a empresa possuía, durante o período analisado, pelo menos mais 7 (sete) estabelecimentos filiais ativos e cadastrados como unidades produtivas. O IPI é balizado pelo princípio da autonomia dos estabelecimentos. Isso implica que a escrituração, apuração, declaração e recolhimento do IPI devem ser feitos por estabelecimento. Esse é mais um motivo pelo qual os livros contábeis não podem servir de base para a apuração do IPI, pois são centralizados na matriz. Os Livros Registro de Entradas e Saídas e o Livro Registro de Apuração de IPI são escriturados por estabelecimento, de maneira autônoma, sendo inclusive possível a existência de saldo credor de IPI em um estabelecimento e haver imposto a pagar em outro no mesmo período. Ressaltese que o lançamento do IPI no estabelecimento errado, como, por exemplo, lançar o IPI da filial na matriz, é caso de nulidade absoluta, por erro de sujeição passiva. Desta forma, não sendo os registros contábeis hábeis a determinar o imposto devido e pelo fato de o cotejo que embasou a autuação não identificar a origem dos valores considerados como devido, a presente autuação não deve prosperar. Contra o acórdão, foi interposto recurso de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso os requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Resumidamente, a Primeira Instância cancelou o auto de infração pelo fato de se ter baseado em informações que não permitiriam apurar a base de cálculo e o valor devido corretamente. De acordo com o auto de infração, tratouse de diferenças apuradas entre os valores escriturados e declarados, conforme demonstrativo de fls. 100 a 102. A apuração foi mensal e baseada em livros contábeis. A Fiscalização requereu, em meio magnético, a movimentação das contas do Razão relativas ao IPI (fl. 23) e o livro registro de apuração do IPI (fl. 26). Na fl. 29, a Interessada informou fornecer os arquivos requeridos, relativamente ao ano de 2004. Seguiuse intimação para apresentação dos arquivos relativos Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 19515.005763/200911 Acórdão n.º 330201.630 S3C3T2 Fl. 184 6 aos anos de 2005 a 2007 (fl. 30) e a resposta da Interessada não contemplou os livros de apuração do IPI. Posteriormente, a Interessada apresentou detalhamento dos valores informados em DIPJ (fls. 44 a 49). Portanto, a apuração não foi efetuada em relação aos livros registro de apuração, pelo fato de não terem sido apresentados. Os maiores problemas da apuração, de acordo com a Primeira Instância, seriam a impossibilidade de identificar os estabelecimentos que deram saídas aos produtos, uma vez que todos os valores apurados contabilmente foram considerados como se movimentados pela matriz, e a inclusão de valores relativos a operações que não representariam fato gerador do imposto. De fato, do que se constata do item 23 do relatório fiscal (fl. 105), o procedimento foi idêntico para apuração de Cofins, PIS e IPI. Supostamente, deve ter sido aplicada a maior alíquota dentre as dos produtos fabricados pela Interessada, mas tal fato não foi esclarecido no relatório, nem se se trata de uma única alíquota. Seria, portanto, um caso típico de arbitramento previsto no art. 448 do Ripi/2002, que é aplicado no caso de auditoria de produção. No caso de apuração a partir de notas fiscais, os valores de IPI deveriam ser os destacados nas notas ou o apurado pela aplicação da alíquota correta constante da Tipi. Ainda que fossem apresentados os livros de apuração do IPI, de que outra forma a Fiscalização verificaria a correta apuração do imposto, se não pelo confronto com as notas fiscais de entrada e saída? Entretanto, como antes observado, a base de cálculo apurada foi a mesma de PIS e Cofins, não havendo sequer informação de como foi exatamente obtida, o que representou o motivo da declaração de nulidade. Tal conclusão é incontestável e já seria suficiente para manter o acórdão de primeira instância. Cabe, entretanto, também análise da segunda questão. De fato, para apuração do IPI devido por período de apuração, ou se faz a apuração direta a partir das notas fiscais ou do livro de registro de apuração do IPI, ouse faz por outros livros ou se faz por elementos subsidiários, conforme previsto no art. 107, §3º, da Lei n. 4.502, de 1964: § 3º Se pelos livros apresentados não se puder apurar convenientemente o movimento comercial do estabelecimento, colherseão os elementos necessários através de exame de livros ou documentos de outros estabelecimentos que com o fiscalizado transacionem, ou nos despachos, livros e papéis de empresas de transporte, suas estações ou agências, ou noutras fontes subsidiárias. Portanto, caso não seja possível apurar exatamente o valor das operações que representem o fato gerador do IPI, ainda assim o lançamento é possível com base no Fl. 6DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 19515.005763/200911 Acórdão n.º 330201.630 S3C3T2 Fl. 185 7 movimento comercial. Tal situação depende dos documentos apresentados pelo contribuinte, mas, conforme especifica o artigo, a apuração deve específica do estabelecimento. Portanto, quanto à segunda questão, concordase parcialmente com os fundamentos do acórdão de primeira instância, pois, no caso dos autos, não houve, pelo que consta dos demonstrativos de apuração, a discriminação da origem dos valores por estabelecimento, o que comprometeu a liquidez e certeza dos valores apurados. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 7DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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