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4767965 #
Numero do processo: 00007.350023/71-80
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 101-72297
Nome do relator: Não Informado

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4770077 #
Numero do processo: 00935.050997/81-19
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 101-74176
Nome do relator: Não Informado

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Recorrido - DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM CASCAVEL - (PR) IRPJ - PEREMPÇÃO - Das decisões de pri- meira instância cabe recurso aos Conse lhos de Contribuintes dentro do prazo de 30 dias seguintes ã ciência da deci- são. Não se toma conhecimento de recur- so protocolizado após esse prazo, por ter ocorrido a perempção do direito de sua interposição. (Art. 33, do Decreto 70.235/72). Vistos, relatadoS e discutidos os presentes autos de recurso interposto por BANDEIRA SOCIEDADE AGRO PASTORIL LTDA.: ACORDAM os Membros da Pr . meira Câmara do Primeiro Con- selho de Contribuintes, por unanimidad : ,e votos, não conhecer do re- curso, em face de sua intempestividad-4, d( ç Sala das y e eS/(iDF) em 09 de Março de 1983. Ahlr AMADOR OU b'' ' ''" a' 'ERNANDEZ - PRESIDENTE C-9 - Affir - RELATOR f VISTO EM AGí= I IO FLO" - PROCURADOR DA SESSÃO DE:DE: n. F r3 ZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente jUlgamento,os seguintes Conselhei- ros: SYLVIO RODRIGUES, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, CARLOS ALBERTO GON- ÇALVES NUNES, AGOSTINHO SERRANO FILRO, MANOEL ALVES ARRUDA FILHO (Su plente), OLAVO JOÃO GALVÃO (Suplente Convocado). Ausente o Conselhei ro FERNANDO CICERO VELLOSO. 4sc?<- >4_ SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO Nig 0935/050.997/81-19 RECURSOW 85.462 AWRDÃOW 101-74.176 RECORRENTEW BANDEIRA SOCIEDADE AGRO PASTORIL LTDA. RELATÓRIO BANDEIRA - SOCIEDADE AGRO PASTORIL LTDA., com sede em Guaraiçu-PR, vem a este Conselho recorrer da decisão do Sr. De- legado da Receita Federal em Cascavel-PR, através da qual foi .con- firmado o lançamento ex officio do Imposto de Renda do exercício de 1981, acrescido de encargos legais. 2. A empresa supracitada, ao solicitar a retifica- ção desuas declaraçOes de rendimentos dos anos-base de 1979 e 1980, para nelas incluir receitas não contabilizadas (fls. 01/02), foi posteriormente notificada (âs fls. 58) que deveria recolher a di- ferença de imposto no valor de Cr$ 284.460,00 e Cr$ 14.972,00 re- ferente ao PIS, tendo em vista que, embora se tratasse de empre- sa agrícola e pastoril na diligência então determinada pela autori- dade lançadora (fls. 55), ficou constatado que a empresa contabili- zou no ano-base de 1980 RECEITA NÃO OPERACIONAL no montante de Cr$ 2.564.671,00, importância essa não abrangida pelo favor fiscal da allquota reduzida de 6%, prevista no art. 406 do Dec. ,85.450/80, consoante estabelece o art. 278, § 29, do citado diploma legal. 3. A impugnar o lançamento, a interessada alega, resu midamente,"às fls. 60/61, que na alteração da 1-ase de calculo, na qual utilizou-se simultaneamente as alíquotas de 6% e 35%, a auto- ridade lançadora deixou de compensar o imposto de renda jã pago sob a alíquota menor, como não efetuou tambgm a dedução cano DESPE- SA OPERACIONAL o saldo devedor da correção monetãria, deixou proced ,7S) DMF - DF/19 C-C - Secaraf - 1600/75 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0935/050.997/81-19 3. ACÔRDÃO N9 101-74.176 der a dedução da correção proporcional às aliquotas utilizadas, fa- zendo a demonstração, a seguir, do imposto a recolher, que seria de Cr$ 171.004,00. 4. Ao tomar conhecimento da reclamação do contribuin- te, assim se manifesta a autoridade julgadora singular em sua deci- são de fls. 65/66: "O Parecer Normativo CST n9 07, de 17 de mar ço de 1982 nos esclarece que: - 7.2 - as re. ceitas decorrentes do giro normal da empre- sa rural, nas condiçOes acima, quando ultra-- passarem o limite de 5% das receitas geradas pelas atividades próprias terão seus resulta- dos liquidos tributados integralmente, com a- Plicaça6 da aliquota geral de 35%.- A analogia invocada pela requerente respalda- da no Parecer Normativo CST n9 33/80 não pro- cede, uma vez que aquele texto normativo se refere a parcela diferivel do lucro inflacio- nário das sociedades cooperativas, quando es- tas mantem atividades mista, o principio da analogia alegado, quando muito poderia se es- tender as demais eMpresas que determinam seu lucro real mediante o lucro da exploração,que não g o caso das empresas que exploram a ati- vidade rural, pois estas só podem auferir re- ceitas não operacionais em caráter eventual, desde quando se verificar a habitualidade des sas operaç8es, a empresa perderá a condição]ã sica necessária para usufruir a aliquota favo7— recida. Estando devidamente comprovado que a impor- tãncia ora alcançada pela tributação já tinha recolhido o tributo correspondente à aliquo ta de 6% g de se excluir a parcela referente a este recolhimento e que está sendo exigida novamente. Face ao exposto, e considerando o mais que do processo consta, resolvo tomar conhecimento da impugnação, por interposta no prazo e na for- ma da lei, Para, no mgrito, deferi-1a parcial mente e determinar a exclusão da importância, de Cr$ 51.331,00 do crgdito tributário consti tudo." 5. Segue às fls. 69/72 o recurso pa este Conselho, cujas raz8es são lidas integralmente em Plenario 7/2'2 É o relat5rio. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0935/050.997/81-19 4. ACORDÃO N9 101-74,176 VOTO_ Conselheiro RAUL PIMENTEL, Relator: Na forma prevista no artigo 33 do Processo Adminis- trativo Tributário, baixado com o Decreto 70.235/72, o prazo para interposição de recurso voluntário contra decisão de primeira instãn cia de trinta dias seguintes à ciênciadadecisão. Determina ainda o citado diploma legal, em seu arti go 59, § nico, que esse prazo de trinta dias continuo, excluin-- do-se na sua contagem o dia do inicio e incluindo-se o do vencimento, iniciando-se ou vencendo-se em dia de expediente normal no 6rgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. No presente caso, a interessada foi cientificada da deciago da autoridade julgadora de primeira instância através da In- ti-mação de fls, 67, remetida por via postal juntamente com a cOpia do julgado, e recebida pelo contribuinte em 26 de maio de 1982 (quar— ta-feira), conforme A.R. de fls, 68, manifestando recurso para este Colegiado somente em 28 de junho do mesmo ano (Isegunda-feiral, quan- do o prazo Fatal vencera-se no dia 25 de junho Csexta feira) dia de expediente normal nas repartiçaes, Es Jndo perempto o recurso, portanto, dele deixo de tomar conhecimento./ //)‹ u _ Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1

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4770368 #
Numero do processo: 10845.005480/89-77
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
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Nome do relator: Não Informado

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Negado provimento ao recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re - curso interposto por NOVA MORADIA S/A - IMÓVEIS E EMPREENDIMENTOS. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conse lho de Contribuintes, por unanimidade de vitos, negar provimento ao recurso nos termos do relat6rio e voto que passam a integrar o pre- sente julgado. Sala das Ses Oes(DF), em 25 de outubro de 1990 / URGEa RE " Á LO'ES/ - PRESIDENTE CRISTÔV A O ANCH'ETA DE PAIVA - RELATOR OP VISTO EM AFONSO C4110,FERREI' á DE CAMPOS - PROCURADOR DA FAZEN-- SESSÃO DE: ^ DA NACIONAL 2 E ni 90Ir 10J u u 1 1,-, Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA,CEL- SO ALVES FEITOSA, RAUL PTMENTEL, CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER E JOSÉ I - EDUARDO RANGEL, DE ALCKMIN. ,.;,. ..:,..• ....„,....„, SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N19 10845/005.480/89-77 RECURSO N9: 58.742 ACÓRDÃO N9:101-80.740 RECORRENTE :NOVA MORADIA S/A. - IMÓVEIS E EMPREENDIMENTOS RELATÓRIO Pelo processo n9 10845/005.479/89-98, que transitoupor este Conselho e Câmara sob o recurso n9 96.743, a Administração' Tributária promoveu contra Nova, Moradia S.A. - Imóveis e Empreen dimentos cobrança de ofício do imposto de renda do exercício de 1985, base 1984. Como decorrência daquele procedimento, lavrou- , se o au to de fls. 01, pelo qual se exige a contribuição para o Fundo de Participação do Programa de Integração Social (PIS-dedução) no valor de Ncz$ 1,88 e mais os acréscimos de correção monetária,ju . ros de mora e multa de ofício, calculada esta sobre o valor ori- ginário da contribuição. O auto reflexo foi cientificado ã parte em 14.9.89 1 (fls. 13) e impugnado em 26.10.89 ,(fls. 15), pela peça de fls.15, depois de o prazo haver sido prorrogado (f is. 13). A defesa salienta o caráter decorrencial deste feito fls. (15). iT) eb' ,---- _. ,, ;, DMF DF/19 C-C - Secgraf 1600175 SEVIÇOMMWORMUL Processo n9 10845/005.480/89-77 02 Acórdão n9 101-80.740 O autor do feito pronuncia-se às fls. 18, opinando pela manutenção da ação. A autoridade singular julga procedente em parte o feito reflexo (fls. 20), em sintonia com o decidido no matriz. Cientificada da decisão em 10.2.90 (fls. 22), a interes sada recorre em 7,3.90 (fls. 24), pedindo a improcedência deste reflexo em face do recurso interposto no processo principal (fls. 25). É o relatório. VOTO_ Conselheiro CRISTÓVÃO ANCHIETA DE PAIVA - Relator O recurso é tempestivo. ConheçO dele. Cobra-se aqui, com relação aos exercícios de 1985, a contribuição devida ao Fundo de Participação do Programa de In- tegração Social pela empresa recorrente (Pis-Dedução) em conse- qüência do imposto de renda dela cobrado de ofício através do - processo n9 10845/005.479/89-98, cujo recurso neste Çonselho to-- mou o n9 96.743 e foi julgado ,pelo acórdão n9J,01,80.-7.66Tdesta Câmara. O presente apelo nada apõe de específico contra a exigência da contribuição e acréscimos mantidos pela decisão re-- • corrida. Com slia apresentação, a recorrente deixa que pretende unicamente o ajustamento da cobrança reflexa ao imposto que vies-' • se a ser mantida por esta instância no processo principal. Como este Conselho negou provimento ao recurso n9.- 96.743, nada justifica a revisão pleiteada, em face da torrencial jurisprudência administrativa, segundo a qual a sorte do processo v.v 4'1'7\ e/11,,„-if Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1

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Numero do processo: 13678.000001/84-15
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 101-75375
Nome do relator: Não Informado

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ACORDAON.1P1.75-.7.5 Recurso n° 88.430 - IRPJ - EX: DE 1982 Recorrente PANIFICADORA MAMATA LTDA. , Recorrido DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM DIVINÕPOLIS (MG) LUCRO INFLACIONARIO NÃO REALIZADO - Sua ^ formação tem como suporte a ocorrên!ci,a de saldo credor da conta de correçãomo- netrla de que trata o item III do art. 347 do RIR/80, e sua exclusão pressupOe a prévia inclusão daquele saldo no lu- cro real do exercicio para efeito de tri butação. A ocorrência de saldo devedor de correção monetária inviabiliza a de- dução realizada pelo contribuinte,no lu cro real do periodo, a titulo de lucro inflacionário não realizado do exercicio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por PANIFICADORA MAMATA LTDA.: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Con- selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos t6r'mos do relatório e voto que passam a integrar o : ,pre-, sente julgado /// , ala das Síds,;p eidiDF, em 23 de agosto de 1984_. AMADOR OU :A " íir - RNÂNDEZ - PRESIDENTE_ CA' OS ALBERTO GONÇALVES NUNES - RELATOR‘ ._. VISTOS EM A OSTINHO FLORES - PROCURADOR DA FAZENDA' NACIONAL - ,' 'dpSESSÃO DE: L -7 / 1 ,u ij Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: SYLVIO RODRIGUES, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, AGOSTINHO SERRANO FILHO, JOSÉ FRANCISCO PAES LANDIM (Suplente Convocado), ALCEU DE AZEVEDO FON . - . SECA PINTO e RAUL PIMENTEL. 2. ,-Tiliv, ----- rc SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13678/000. 001/84-15 RECURSO NO: 88.430 ACWIDÃOW 101-75.375 RECORRENTEW PANIFICADORA MAMATA LTDA. : RELATÓRIO PANIFICADORA MAMATA LTDA., qualificada nos autos, ma nifesta recurso a este Colegiado contra a decisão do Sr. D~loda Receita Federal em DivinOpolis (MG) que manteve o lançamento suple mentar de fls. 7 contra ela realizado. Em síntese objetiva, a lide pode ser assim exposta: A empresa sofrera anteriormente lançamento suplemen- tar, obtendo retificação do valor dele para o indicado às fls. 7. Contra a nova exigência interpôs a interessada a im- pugnação de fls. 1/2 em que procura demonstrar equivoco da revisão, pois seria indiferente o contribuinte lançar o valor da correção monetária das contas do ativo permanente,da ordem de Cr$ 1.357.072,00 , no item 13/12 e o do patrimônio líquido, no valor de Cr$ 3.732.426,00, no item 13/28, como fizera em sua declaração, ou o saldo devedor de correção monetária existente, no valor de Cr$.... 2.375.354,00, no item 13/46, como fizera o revisor. O julgador ordinário, com base no art. 362 do RIR/80, ¡ sustenta que o lucro inflacionário do exercício e o saldo credor do exercício, ajustado pela diminuição das variaçOes monetárias e das correçOes monetárias prefixadas computadas no lucro líquido do exer- cício e, como a empresa obtivera saldo devedor de correção mone- O DMF - DF/19 C-C - Secgraf - 16 /75 3. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13678/000.001/84-15 AcOrdão n9 101-75.375 tária, inexiste, na espécie, lucro inflacionário a diferir, como Li zera a notificada. Irresignada, a sucumbente bate às portas deste Cole- giado, perseverando nas razões já apresentadas em primeira instãn- cia. É o relatOrio. VOTO_ Conselheiro CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, Relator: Recurso tempestivo e assente em lei, dele tomo conhe cimento. A decisão de primeira instância é escorreita, não merecendo reparos. Com efeito, diz o art. 361 do RIR/80 que "o saldo= dor da conta de correção monetária de que trata o inciso II do art. 347 será computado na determinação do lucro real, mas o contribuinte terá a opção de diferir, com observância do disposto nesta Seção a tributação do lucro inflacionário não realizado (Decreto-lei n9 1598/77, art. 51)". O lucro inflacionário, por sua vez, como já esclare- cera o julgador á "o saldo credor de correção monetária ajustado pe la diminuição das variaçOes monetárias e das correçOes monetárias prefixadas computadas no lucro liquido do exercício (RIR cit.art.362 Do exposto, conclui-se que o saldo credor de corre,, ção monetária comp .-6e o lucro real, mas a lei permite que o contribu inte opte por não ser tributado no exercício em que ele for apura- do em relação à parcela do lucro inflacionário que não for realiza- da no exercício. Esse lucro inflacionário não realizado tem como 4. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13678/000.001/84-15 AcOrdão n9 101-75.375 ponto de partida o saldo credor de correção monetária; em outras pa lavras, a sua existência pressupõe o saldo credor de correção mone- tária que tem lugar quando a soma dos valores de correção monetária das contas do ativo permanente excederem as do patrimônio liquido (RIR/80, art. 347, item IV), e a adição dele ao lucro real. Se ocorre saldo devedor de correção monetária, não há acréscimo ao lucro real; pelo contrário, da-se a dedução do seu valor como encargo do exercício, (RIR cit. art.347, item III),como em última análise fizeram o contribuinte, ao preencher o quadro 13 de sua declaração de rendimentos (fls. 25), e o revisor de sua de- claração, ao consignar, no item 13/46 dela, a importância de Cr$.. 2.375.354,00. E tanto assim é que um e outro apuraram o mesmo lu- cro liquido (Cr$ 3.691.565,00). Ora se assim e, como pretender ainda o contribuinte excluir do lucro real um lucro inflacionário não realizado, se se- quer houve ocorrência de lucro inflacionário, pela inexistência de saldo credor de correção monetária que lhe daria origem? Seria usu_ fruir, no mínimo, duplamente o beneficio fiscal de que trata o men- cionado inciso III do art. 347 do RIR/80, o que não é possível. E foi exatamente o que o contribuinte fez ao inserir no item 14/22 de sua declaração de rendimentos do exercício de 1981 a importância de Cr$ 3.732.426,00 (fls. 26), valor correspondente à correção monetária das contas de seu ativo permanente. De lembrar ao contribuinte que não se deve confundir os saldos credores das contas do patrimônio liquido conseqüentes da correção realizada, com saldo credor de correção monetária, como parece ter ocorrido ao se transferir, para o item 14/22 da declaração, a importância de Cr$.. 3.732.426,27, constante do demonstrativo: de fls. 28. Assim, nesta ordem de considerações, nego provimento ao recurso( - - CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, RELATOR.

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Numero do processo: 10530.000678/87-55
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 101-78069
Nome do relator: Não Informado

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Recorrid a DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM FEIRA DE SANTANA (BA). ISEN ÃO -SP E- CORREÇÃO MONETARIA -Acons tituição da reserva de capital com o valor do imposto excluído pela isenção sem redução do PIS pago com recursos próprios não afeta o re- sultado do exercício por apropriação de desPe- sas de correção monetária, poraue a reserva pa ra aumento de capital à conta de recursos es- tranhos à isenção também está sujeita 5. corre- ção, como parcela integrante do patrimônio li- quido. ---- (ISENÇÃO - SUDENE)- A atividade editorial e jor nalistica não se inclui na atividade industrial: incentivada de impressão de livros e revistas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por BAHIA ARTES GRAFICAS LTDA.: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conse lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento,em par te, ao recurso, para excluir da tributação as importâncias de Cz$ 146,58, Cz$ 441,38, Cz$ 5.919,22 e Cz$ 5.311,97, nos exercícios de 1984, 1985, 1986 e 1987, respectivamente, nos termos do relatório e vo • to que passam a integrar o presente julgado. Sala das SessOes (DF), em 25 de outubro de 1988. 40, URGEL LOrES - PRESIDENTE - CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES - RELATOR v.v. • VISTO EM CESA PALMIERE MARTINS BARBOSA - PROCURADOR DA SESSÃO DE: FAZENDA NACIONAL 27 CUT 1988 Participaram ainda do presente julgamento os seguintes Conselheiros: FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, CRISTÓVÃO ANCHIETA DE PAIVA, CELSO ALVES FEITOSA, RAUL PIMENTEL, ARY TORIBIO e JOSÉ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN. 2. . gi• - SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10530-000.678/87-55 RECURSON9: 92.789 ACÓRDÃO N9: 101-78.069 RECORRENTE : . BAHIA ARTES GRÃFICAS LTDA. RELATÓRIO BAHIA ARTES GRÃFICAS LTDA., qualificada nos autos, manifesta recurso a este ^^ 1 °g44^ (-^intv- n parte (R (1‘2'("1 An Delegado da Receita Federal em Feira de Santana t(BA), que manteve parcialmente o auto de infração contra ela lavrado. A autuação compreendeu as seguintes irregularida- des:1) constituição a maior de reserva de capital oriunda de isen ção concedida pela SUDENE, nos exercícios de 1984 a 1987, 2) cálcu lo da isenção/redução-SUDENE, efetuado a maior ao incluir den- tre: as receitas isentas as obtidas com a revista "Panorama" não incluída mo ato isentivo, nos exercícios de 1985 a 1987; e, 3) pas siVófictício, nos exercícios de 1985 e de 1986. A impugnação apresentada às fls. 85/91 foi deferi da parcialmente para excluir parcela do passivo exigível, com o - que se COnformou a contribuinte. Alegou a impugnante que cumpre rigorosamente as normas legais contabilizando como reserva de capital o valor do im posto de renda abrangido pela rsenção e contribui para o PIS com O percentual fixado no art. 480, § 39 do RIR/80 e com base no tribu- to que seria devido não fora a dedução. Diz efetuar O recolhimento dessa contribuição,relativamente aos resultados operacionais :_:não alcançados pelo benefício fiscal i: contabilizando-as na conta 350- Despesas Tributárias, subconta 350.9 - PIS-Recursos Próprios-IRPJ (A) D63F /19 C-C - Secgraf - 1600/75 PROCESSO N9 10530-000.678/87-55 3. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL ACÓRDÃO N9 101-78.069 1 Afirma não ter havido excesso no cálculo do valor' da isençãoiredução-Sudene porque ao pleitear junto à SUDENE o bene fício em questão forneceu dados nos quais, sob a rubrica de impres sos, inseria a revista "Panorama". Informação fiscal às fls. 107/110, sustentando, em relação às matérias ainda objeto de litígio, a exigência fiscal. A decisão recorrida sustenta que a parcela do iPIS e uma Parte do imposto devido que deve ser paga e como o art. 413 do RIR/&0, diz que o valor do imposto que deixar de ser pago em virtude da isenção deverá constituir reserva de capital a forma ção da reserva com todo o imposto devido é defesa. Por outro lado,, a contribuinte hão comprovou a alegação de que efetua pagamen- to do PIS com recursos próprios, reduzindo o seu património líqui- do, a despeito de diligência realizada para esse fim. A -Pórtaria DIN n9 06/81 (fls. 104) não deixa a menor dúvida de que o ato isencional limitou-se à impressão de livros didáticos. O art. 19, III, "d", da Constituição Federal então vigente não milita em fa- vor da empresa porque não se estende a comercialização de livros jornais e períodicos e a ,contribuinte não distingue em sua contabi lidade as etapas de impressão e de comercialização;utta:Vez- in timado a tanto;_ não o fez (fls. 3). Na fase recursal (fls. 122), a empresa perseveram tese já apresentada em sua impugnação, acostando à sua petição có pias do Razão, do Diário, do recolhimento das contribuições para o PIS e da Portaria DRI/PTE 316/88, de 08.06.88, do Diretór de Ad ministração de Incentivos da SUDENE. Sustenta que ao constituir-se'- não pretendia explorar apenas serviços gráficos mas também a ativi dade editorial com produção de livros didáticos e exploração de um períodico, cujo primeiro número foi editado em 1983 (f is. 188). A SUDENE tem cçmpetência para conceder isenção à Indústria Editorial e Gráfica (Dec. 64214, de 18.03.69, art. 59 item 8, inciso IV) . e indubitavelmente a reVista_"Panorma" se insere nesse dispositivo . Diz não se confundir comercialização de um produto de indústria pró „ 1 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10530-000.678/87-55 4. ACÓRDÃO N9 101-78.069 1 pria com venda de produtos de terceiros. Cita em seu favor o Acór- dão 105-014, de 4.09.84. É o relatório. Ckl P# ‘ , ,,,,,,,,:,,,,, 1 , ,, , ,,,, ,,, , ,, , , , , , , , , - ., SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10530-000.678/87-55 5 Acórdão n9 101-78.069 VOTO Conselheiro CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, Relator: Recurso tempestivo e assente em lei, dele tomo co nhecimento. A constituição de reserva de capital por quantia' superior à correspondente ao imposto que deixou de ser pago, em vir tude de isenção ou redução, não enseja diminuição do imposto de ren- da em decorrência de maior saldo devedor de correção moentária por- que a parcela capitalizada a maior com recursos prOprios seria de qualquer modo corrigida como parte do património líquido da empresa. Por outro lado, as empresas que desfrutam de isen ção ou redução devem recolher o PIS com recursos 1,.1. ‘"JIJI.los em rela- ção à parcela excluída do crivo do imposto, tomando-a como base de , cálculo da contribuição. Nesse sentido, orientam o § 39 do art. 480, do RIR/80, a Resolução BCB 409/76 e o ADN n9 46/87. Os documentos acostados pela contribuinte ao seu recurso reforçam a convicção da improcedência do lançamento (fls. 125/185). Quanto à receita da publicação da revista Panora- ma incluída na atividade impressão de livros didáticos, objeto Hda isenção concedida pela Port. DIN n9 06/81 REF. SOP - IC (fls. 103/ I 104), por mais que se pretenda ampliar a interpretação do texto isentivo não se pode conceber como abrangida a publicação de re- vssta quinzenal, com exploração de assinatura e publicidade. A atividade de impressão gráfica seja de livros, revistas ou impressos é de natureza industrial e não se confundecdm CO a atividade editorial de livros e revistas. ( /17 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10530-000.678/87-55 6 Acórdão n9 101-78.069 A interpretação de legislação que outorgue isen- ção deve ser feita literalmente, como determina o art. 111, inciso II, do Código Tributário Nacional. Nem a Portaria DIN 06/81 - REF.SOP. IC, nem a De claração SUDENE DIN 174/78, invocadas nas Declarações do Imposto de Renda da recorrente dos exercícios de 1984 a 1987 (f is. 54-v, 63-v, 68 7v,e 75-v), nem a Port. 316/88 (f is. 186) dão respaldo ã atividade editora e jornalística. Nesta ordem de juízos, dou provimento parcial ao recurso para excluir das base de cálculo dos exercícios de 1984, 1985, 1986 e j.987 as quantias de Cr$ 146.582, Cr$ 441.380 1 Cr$ 5.919,225Jede Cr$ , 5.311,97,.. (7.7 ~//401,ÁW CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES - RELATOR Áfir;11 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1

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Numero do processo: 10530.000121/89-77
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 101-80256
Nome do relator: Não Informado

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PROCESSO N9 10530/000.121/89-77 :&N --,J • .0*• .. MINISTÉRIO DA FAZENDA 15.E.C.A.. 21 de 5 j-111111.0 - de 19 90 Sessão de ACÓRDÃO N.9..121g....ãP Recumon2 57.754 — IRF — ANOS: 1983 e 1985 Recorrente POSTO EXTRA LTDA. Recorrida: DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM FEIRA DE SANTANA (BA) . IRF - TRIBUTA ÃO DECORRENTE - ART. 89 DO DECRETO-LEI N9 é. : - Em virtu de da estreita rel*Ern—causa -e~ efeito existente entre o lanamento principal e o decorrente, nao apre sentando o contribuinte questão nova quanto a este último, adota-se a mes- ma solução do processo matriz. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por POSTO EXTRA LTDA.: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Con_ selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relat6rio e voto que passam a integrar o / presente julgado. , Sala das Sessões (DF), 21 de junhb-- de 1990. UR LL-PE • E RA LoPES - PRESIDENTE 01 i * ---zy ED tv. • ,cKmiN,, ,-, 4 .--.0•01 Air I. _e - RELATOR VISTO EM AFONSO SO FERRE -#, DE CAMPOS - PROCURADOR DA SESSÃO DE: 2 2 N O V 19b0 FAZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei ros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, CÂNDIDO ' RODRIGUES NEUBER-i,CRI-S TCVÃO ANCHIETA DE PAIVA, CELSO ALVES FEITOSAe RAUL PIMENTEL. Ausente por motvoHustificada o conselheiro FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA. ' 2 • '', :e .. .. tf • ,:.,4t/. ,,.. - .. . SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10530-000.121/89-77 RECURSO N9: 57.754 , 1 AcORDAoNP: 101-80.256 RECORRENTE: POSTO EXTRA LTDA. R E L A-T el R I O • Cuida-te de lançamento de imposto de renda na fonte, com base no art. 89 do Decreto-lei n9 2.065/83, decorren- te de ação fiscal em que se apurou diminuição dos resultados de pessoa jurídica, por omissão de receita, concernente aos anos de 1983 e 1985. Ciente da exigência, a contribuinte formulou im_ npugnação ao Auto de Infração, sustentando a improcedência do la. _ çamento principal. Instada a se manifestar, a Fiscalização apenas se reportou aos argumentos expendidos na defesa da manutenção da ação fiscal do processo matriz. A decisão monocrãtica guarda a seguinte ementa: "RENDIMENTOS DIVERSOS A omissão de receita apurada em procedimento fiscalna pessoa juridicayenseja tributação' exclusiva de fonte, nos termos do Art. 89 do Decreto-lei n9 2.065/83. AÇÃO FISCAL PROCEDENTE." Nas razões de decidir, o Julgador sustentou seu ponto de vista asseverando que tendo sido rejeitada a impugnação contra a autuação principal, igual medida se-imporia quanto reflexa. // ntuF DF /In r r Soem nt 1 nonriç '2' _ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10530-000.121/89-77 3 Acórdão n9 101-80.256 Da decisão a empresa teve ciência, interpondo' - - apelo a este Conselho, aduzindo ser improcedente o lançamento principal e, conseqüentemente, o tratado nestes autos. Informo, outrossim, que esta Câmara, aprecian- do o Recurso n9 96.244, negou provimento ao apelo, consoante o Acórdão n9 101-80.194 , assim ementado: "IRPJ - VERIFICAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS' ATRAVÉS DE LEVANTAMENTO FEITO JUNTO AO FOR- NECEDOR DO CONTRIBUINTE AUTUADO - POSSIBILI DADE DE AUTUAÇÃO - PROGRAMA FISGAS - VerifT cando-se que o contribuinte adquiriu junto ao fornecedor uma quantidade maior de merca donas do que a informada na declaração de rendimentos, cabível é o lançamento por omis são de receita, incumbido o autuado da prol- va em sentido contrário. Recurso a que se nega provimento." É o relatório. • /d4) • • • • SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10530-000.121/89-77 4 Acórdão n9 101-80.256 VOTO Conselheiro JOSÉ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN, Relatar: O recurso foi interposto com guarda do prazo de trinta dias estabelecido no art. 33 do Decreto n9 70.235/72, motivo pelo qual é de ser conhecido. No mérito, trata-se de processo decorrente, ten do este Colegiado, apreciando o processo principal, resolvido manter-:a exigência tributária, entendendo improceder a irresig- nação da contribuinte. Como- 6 cediço, há estreita relação de causa e efeito entre o lançamento principal e o decorrente. De fato, há uma única base fática a amparar ambas exigências. Assim, exami- nados os contornos fáticos em um dos processos, as conclusões ali extraídas devem prevalecer, salvo se no processo decorrente o contribuinte apresenta elemento novo. No caso, observa-se que a recorrente limitou— se a se reportar ã improcedência da autuação principal que te- ria sido demonstrada no processo matriz. A conclusão deste Con- selho, contudo, não lhe foi favorável. Dessa forma, voto pela negativa de provimento' /// ' do apelo s• JOE EDUARDO R á L DE ALCKMIN - RELATORr Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1

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Numero do processo: 13971.906314/2009-29
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001 PER/DCOMP. PIS/PASEP. PAGAMENTO EM VALOR SUPERIOR AO DEVIDO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. Comprovada documentalmente a ocorrência de pagamento em valor superior ao devido, cabível o reconhecimento do direito creditório decorrente e a homologação da compensação, até o limite do valor a restituir. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-001.476
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Flávio  de  Castro  Pontes  (Presidente),  José  Luiz  Bordignon,  Fábio  Miranda  Coradini,  Raquel  Motta  Brandão  Minatel, Maria  Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de  Melo. Ausente justificadamente o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl.     Fl. 99DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.906314/2009­29  Acórdão n.º 3801­001.476  S3­TE01  Fl. 91          3 Relatório  Por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  o  relatório  da  decisão  recorrida,  que  transcrevo a seguir:  “Trata o presente processo de Declaração de Compensação —  PER/DCOMP,  por  meio  da  qual  a  contribuinte  solicita  compensação  de  valores  que  teriam  sido  indevidamente  recolhidos a título de Contribuição ao Programa de Integração  Social  ­  PIS,  no  período  de  apuração  de  outubro  de  2001,  no  valor de R$ 81,13 (v. folha 07).  Na apreciação do pleito, manifestou­se a Delegacia da Receita  Federal  do  Brasil  em  Blumenau/SC  pela  não  homologação  da  compensação  declarada,  (Despacho  Decisório  juntado  aos  autos),  fazendo­o  com  base  na  constatação  da  inexistência  do  crédito  informado,  pois  o  valor  do  "DARF  discriminado  no  PER/DCOMP"  havia  sido  "integralmente  utilizado  para  quitação  de  débitos  da  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DCOMP".  Inconformada  com  a  não­homologação  da  compensação,  a  contribuinte  apresenta  manifestação  de  inconformidade,  às  folhas 9 a 17, na qual alega a inconstitucionalidade do artigo 3°,  §1°  da  Lei  n°  9.718,  de  27  de  novembro  de  1998.  Defende  a  contribuinte  que  o  Supremo  Tribunal  Federal,  em  sessão  realizada  em  9  de  novembro  de  2005,  declarou  a  inconstitucionalidade  do  citado  dispositivo,  bem  como a Lei  n°  11.941/09  expurgou  do  ordenamento  jurídico  o  referido  dispositivo legal, confirmando seu pleito.   A  contribuinte  argumenta,  ainda,  a  nulidade  do  Despacho  Decisório por ausência de diligência sobre o crédito informado,  nos termos do artigo 65 da Instrução Normativa n° 900/08”.    Delegacia  de  Julgamento  em Florianópolis  proferiu  a  seguinte decisão,  nos  termos da ementa abaixo transcrita:  “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2001  PRELIMINAR. NULIDADE. AUSÊNCIA DE REALIZAÇÃO DE  DILIGÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA.  A  autoridade  competente  para  decidir  sobre  restituição/compensação  poderá,  ou  seja,  tem  a  faculdade  de  condicionar  o  reconhecimento  do  direito  creditório  à  apresentação  de  documentos,  bem  como  tem  a  faculdade  de  Fl. 100DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES     4 determinar  a  realização  de  diligência.  Se  pela  DCOMP  apresentada já é possível concluir que o crédito pleiteado carece  de liquidez e certeza, desnecessária a realização de diligência.  ARGÜIÇÃO  DE  ILEGALIDADE  E  INCONSTITUCIONALIDADE.  INCOMPETÊNCIA  DAS  INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO.  As  autoridades  administrativas  estão  obrigadas  à  observância  da  legislação  tributária  vigente  no  País,  sendo  incompetentes  para  a  apreciação  de  argüições  de  inconstitucionalidade  e  ilegalidade de atos legais regularmente editados.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido”.    Inconformada,  a  contribuinte  recorre  a  este Conselho,  conforme  petição  de  fls. 49 a 59, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de  inconformidade.     Assim, levando­se em conta que a presente lide tem como objeto principal a  restituição  parcial  de  contribuição  paga  a  maior  com  fundamento  na  declaração  de  inconstitucionalidade  do  §1º,  do  art.  3º,  da  Lei  nº  9.718/98,  pelo  Supremo Tribunal  Federal  (alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins), e que os documentos apresentados pela  recorrente  eram  insuficientes  para  se  apurar  a  correta  composição  da  base  de  cálculo  da  contribuição para o PIS/Pasep e eventuais pagamentos a maior, em 8 de abril de 2011, através  da Resolução nº 3801­000.144 – 1ª Turma Especial, o julgamento foi convertido em diligência  à DRF de origem, a fim de:  1.  informe  se  a  interessada  propôs  ação  judicial  com  o mesmo  objeto  deste  processo  administrativo  fiscal.  Em  caso  positivo,  fazer  uma  síntese do andamento processual;  2.  apure o valor devido a título de contribuição para o PIS com base na  escrituração  fiscal  e  contábil,  período  de  apuração  de  outubro/2001,  segundo o conceito de faturamento adotado na Lei Complementar nº  70, de 1991, qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de  mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza.   3.  Cientificar  a  interessada  do  resultado  da  diligência,  abrindo  prazo  para manifestação, se assim desejar;  4.  Retornar o processo a este CARF para julgamento.    Em atendimento ao solicitado, a Unidade de Origem elaborou o documento  intitulado  “INFORMAÇÃO  FISCAL  DRF/BLU/EAC­1  n°.  276/2011”,  fls.  84/86,  onde  consta, em síntese:  Fl. 101DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.906314/2009­29  Acórdão n.º 3801­001.476  S3­TE01  Fl. 92          5 1  –  A  interessada  não  propôs  ação  judicial  com  o  mesmo  objeto  deste  processo administrativo fiscal.  2  –  O  valor  devido  a  título  de  Pis,  referente  ao  período  de  apuração  outubro/2001, é R$ 1.414,91.  3  ­ A  interessada  foi  regularmente notificada e  não manifestou­se no prazo  concedido.  É o relatório.      Fl. 102DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES     6 Voto             Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator  O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto  dele tomo conhecimento.  Conforme  relatório  acima,  a  interessada  apresentou  o  PER/DCOMP  de  fls.  01/06, informando a compensação de um débito de Pis, período de apuração 11/2005, no valor  R$ 133,37 com um crédito da mesma contribuição, referente ao fato gerador de outubro/2001,  oriundo de recolhimento a maior efetuado em 14/11/2001, no valor de R$ 81,13 (folha 03).  Convém ressaltar que o direito à repetição de indébito está previsto no artigo  165 do Código Tributário Nacional – CTN, verbis  Art.  165.  O  sujeito  passivo  tem  direito,  independentemente  de  prévio  protesto,  à  restituição  total  ou  parcial  do  tributo,  seja  qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto  no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos:   I ­ cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou  maior que o devido em face da  legislação  tributária aplicável,  ou  da  natureza  ou  circunstâncias  materiais  do  fato  gerador  efetivamente ocorrido;   II  ­  erro na  edificação do  sujeito passivo,  na determinação da  alíquota  aplicável,  no  cálculo  do  montante  do  débito  ou  na  elaboração  ou  conferência  de  qualquer  documento  relativo  ao  pagamento;  (...)  A  recorrente  explica  que  o  valor  do  pagamento  indevido  refere­se  ao  recolhimento de PIS  sobre as  receitas não operacionais obtidas. Assim, do valor  total  de R$  1.496,04, declarado na DCTF do 4º  trimestre de 2001, referente a outubro/2001 — recolhido  mediante DARF pelo código 8109, em 14/11/2001 — o equivalente a R$ 81,13 foi recolhido  indevidamente, posto que calculado sobre a receita não operacional da empresa.  Por  seu  turno,  a  autoridade  preparadora  informa,  fls.  86,  que  o  Pis/Pasep  devido  referente  a outubro/2001  é  de R$ 1.414,91,  sendo  recolhido  o  valor de R$ 1.496,04,  resultando um pagamento a maior de R$ 81,13.  Assim,  compulsando­se  as  peças  que  compõem  o  presente  processo  e  de  acordo com o PER/DCOMP n° 38810.73674.141205.1.3.04­5402, transmitido em 14/12/2005,  fls. 01/06, tem­se:  •  Valor devido de Pis referente a 10/2001: R$ 1.414,91.  •  Valor  recolhido  de  Pis,  em  14/11/2001,  referente  a  10/2001:  R$  1.496,04.  •  Valor recolhido a maior que o devido: R$ 81,13.  Fl. 103DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.906314/2009­29  Acórdão n.º 3801­001.476  S3­TE01  Fl. 93          7 •  Débito  de  Pis  a  ser  compensado,  período  de  apuração  11/2005,  R$  133,37.  •  Valor Original do Crédito Inicial: R$ 81,13.  •  Crédito Original na Data da Transmissão: R$ 81,13.  •  Selic Acumulada: 72,44%  •  Crédito Atualizado: R$ 139,90.  •  Total dos débitos desta DCOMP: R$ 133,37.  •  Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 77,34.  •  Saldo do Crédito Original: R$ 3,79.  Por  conseguinte,  pelos  documentos  comprobatórios  colacionados  aos  autos,  em especial a diligência  fiscal  realizada pela Delegacia de origem, entendo que efetivamente  restou comprovada nos autos a ocorrência de pagamento de Pis em valor superior ao devido,  relativamente ao PA 10/2001, sendo devido o valor de R$ 1.414,91, e recolhido o valor de R$  1.496,04, caracterizando­se como indevido o valor original de R$ 81,13.  Desse modo,  diante  do  acima  exposto,  encaminho meu  voto  no  sentido  de  julgar procedente o recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no valor original de  R$  81,13,  na  data  de  14/11/2001,  homologando  a  compensação  requerida  até  o  limite  do  crédito a restituir.     É assim que voto.    (assinado digitalmente)  José Luiz Bordignon                                  Fl. 104DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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Numero do processo: 10315.001058/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 CERCEAMENTO DE DEFESA – NULIDADE – INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara OFENSA AO CONTRADITÓRIO – ANTES DO LANÇAMENTO – INOCORRÊNCIA Não se vislumbra cerceamento de defesa ou afronta ao contraditório pelo fato de não ter sido dada oportunidade ao contribuinte de manifestar-se durante a fase oficiosa do levantamento. Somente após a notificação do sujeito passivo e conseqüente início da fase contenciosa é que são cabíveis alegações da espécie PARCELAMENTO ESPECIAL – INCLUSÃO DE CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS NO PRESENTE LANÇAMENTO – ARGÜIÇÃO – IMPOSSIBILIDADE – AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA Não é competência deste colegiado a argüição a respeito da possibilidade ou não da inclusão dos créditos objeto do presente lançamento em parcelamento especial instituído pela Lei nº 11.196/2005 DILIGÊNCIAS – PERÍCIA NECESSIDADE – COMPROVAÇÃO Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de diligências ou perícias para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência que determina que cabe à autoridade julgadora decidir a respeito.. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia ou não solicitação de diligência que não se mostram necessárias. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.874
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA

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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 CERCEAMENTO DE DEFESA – NULIDADE – INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara OFENSA AO CONTRADITÓRIO – ANTES DO LANÇAMENTO – INOCORRÊNCIA Não se vislumbra cerceamento de defesa ou afronta ao contraditório pelo fato de não ter sido dada oportunidade ao contribuinte de manifestar-se durante a fase oficiosa do levantamento. Somente após a notificação do sujeito passivo e conseqüente início da fase contenciosa é que são cabíveis alegações da espécie PARCELAMENTO ESPECIAL – INCLUSÃO DE CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS NO PRESENTE LANÇAMENTO – ARGÜIÇÃO – IMPOSSIBILIDADE – AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA Não é competência deste colegiado a argüição a respeito da possibilidade ou não da inclusão dos créditos objeto do presente lançamento em parcelamento especial instituído pela Lei nº 11.196/2005 DILIGÊNCIAS – PERÍCIA NECESSIDADE – COMPROVAÇÃO Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de diligências ou perícias para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência que determina que cabe à autoridade julgadora decidir a respeito.. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia ou não solicitação de diligência que não se mostram necessárias. Recurso Voluntário Negado.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2229; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 1          1             S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10315.001058/2010­61  Recurso nº  000000   Voluntário  Acórdão nº  2402­002.874  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  10 de julho de 2012  Matéria  CONTRIBUINTE INDIVIDUAL  Recorrente  MUNICÍPIO DE CARIRIAÇU PREFEITURA MUNICIPAL  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009  CERCEAMENTO DE DEFESA – NULIDADE – INOCORRÊNCIA  Não há que  se  falar  em nulidade por  cerceamento de defesa  se o Relatório  Fiscal  e  as  demais  peças  dos  autos  demonstram  de  forma  clara  e  precisa  a  origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara  OFENSA  AO  CONTRADITÓRIO  –  ANTES  DO  LANÇAMENTO  –  INOCORRÊNCIA  Não se vislumbra cerceamento de defesa ou afronta ao contraditório pelo fato  de não ter sido dada oportunidade ao contribuinte de manifestar­se durante a  fase oficiosa do levantamento. Somente após a notificação do sujeito passivo  e  conseqüente  início  da  fase  contenciosa  é  que  são  cabíveis  alegações  da  espécie   PARCELAMENTO  ESPECIAL  –  INCLUSÃO  DE  CONTRIBUIÇÕES  LANÇADAS  NO  PRESENTE  LANÇAMENTO  –  ARGÜIÇÃO  –  IMPOSSIBILIDADE – AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA  Não é competência deste colegiado a argüição a respeito da possibilidade ou  não da inclusão dos créditos objeto do presente lançamento em parcelamento  especial instituído pela Lei nº 11.196/2005  DILIGÊNCIAS – PERÍCIA ­ NECESSIDADE – COMPROVAÇÃO   Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de diligências ou perícias  para  o  deslinde  da  questão,  nos  moldes  estabelecidos  pela  legislação  de  regência  que determina  que  cabe  à  autoridade  julgadora decidir  a  respeito..  Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia ou não  solicitação de diligência que não se mostram necessárias.  Recurso Voluntário Negado         Fl. 302DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES   2   Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso     Júlio César Vieira Gomes – Presidente     Ana Maria Bandeira­ Relatora.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Júlio  César  Vieira  Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago  Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues  Fl. 303DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10315.001058/2010­61  Acórdão n.º 2402­002.874  S2­C4T2  Fl. 2          3   Relatório  Trata­se de lançamento de contribuições devidas às entidades SEST/SENAC,  incidentes sobre os valores das remunerações pagas a contribuintes individuais, fretistas.  Segundo  o  Relatório  Fiscal  (fls.  45/48),  os  fatos  geradores  não  foram  declarados em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social.  É esclarecido que o contribuinte declarou em GFIP bases incorretas (a maior)  de  contribuintes  individuais  fretistas,  como  também,  não  declarou  todos  os  segurados  contribuintes individuais e fretistas.   Intimado  a  retificar  as  GFIP,  o  Município  não  o  fez  até  a  lavratura  da  autuação.  Relativamente  à  aplicação  de  multas  e  juros,  a  auditoria  fiscal  informa  o  seguinte:  •  No período de 01/2006 a 01/2007 sobre os valores das contribuições  incidiram juros SELIC sem multa de mora.  •  No período de 02/2007 a 11/2008, sobre os valores das contribuições  lançadas, incidiram juros SELIC e multa de mora de 24% prevista no  art. 35, II, "b" da lei 8_212/91 com redação dada pela Lei nº 9.076/99.  •  c)  No  período  de  12/2008  a  13/2009,  sobre  os  valores  das  contribuições  lançadas  incidiram  juros  SELIC  e  multa  de  oficio  de  75% por já está em vigor, em tal período, a MP 449/2008.  A  autuada  teve  ciência  do  lançamento  em  23/12/2010  e  apresentou  defesa  alegando, em síntese, que o lançamento seria nulo, por cerceamento de defesa, em razão de não  terem sido informados os segurados contribuintes individuais fora da GFIP.  Segundo a autuada, o agente fiscalizador deixou de identificar nominalmente  os  supostos  contribuintes  individuais  fora  das  GFIP  's  e  agrupamento  nos  empenhos  de  pagamento  de  folha  de  empregados.  Também  não  teria  feito  referencia  aos  demonstrativos  detalhados dos e aonde identificou tais contribuintes fora da GFIP.  Argumenta  que  não  foi  esclarecida  a  forma  de  fiscalização  realizada  pela  auditoria fiscal. Além disso, a autuada reclama de não ter sido intimada para esclarecimentos  durante a ação fiscal o que afrontaria o princípio do contraditório e da audiência do interessado.  Aduz  que  seria  devida  a  redução  da  multa  em  face  da  consolidação  dos  débitos compreendidos dentro do prazo previsto no art. 96 da Lei nº 11.196/2005 que trata de  parcelamento especial.  Para  a  autuada,  é  possível  a  inclusão  no  parcelamento  especial  previsto  na  citada lei de débitos cujo vencimento ocorreu até 31/01/2009.  Fl. 304DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES   4 Solicita  que  sejam  determinadas  diligencias  para  averiguação  das  incongruências  indicadas,  como  também,  a  possibilidade  da  juntada  de  documentos,  exclusivamente após o término do prazo de impugnação, caso haja diligencias.  Pelo Acórdão nº 0822.050 (fls. 274/278), a 5ª Turma da DRJ/Fortaleza julgou  o lançamento procedente.  Contra  tal  decisão,  a  autuada  apresentou  recurso  tempestivo  onde  efetua  a  repetição da argumentação de defesa.  Os  autos  foram  encaminhados  a  este  Conselho  para  apreciação  do  recurso  interposto.  É o relatório.  Fl. 305DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10315.001058/2010­61  Acórdão n.º 2402­002.874  S2­C4T2  Fl. 3          5   Voto             Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora  O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento.  A recorrente apresenta preliminar de cerceamento de defesa sob o argumento  de que não terem sido informados os segurados contribuintes individuais fora da GFIP, como  também  não  teria  sido  feita  referencia  aos  demonstrativos  detalhados  destes  e  aonde  foram  identificados tais contribuintes fora da GFIP.  Não há razão no argumento.  A auditoria fiscal elaborou planilhas contendo cada segurado nominalmente,  por  competência,  tanto  os  incluídos  em  GFIP  como  os  não  incluídos.  Tais  planilhas  estão  juntadas aos autos (fls. 41/226).  Quanto à alegação de que não haveria referência sobre onde os contribuintes  fora da GFIP teriam sido identificados, vale esclarecer que a auditoria fiscal, além de informar  o nº do empenho correspondente ao pagamento efetuado a tais segurados, informa no Relatório  Fiscal quais os  documentos  analisados,  quais  sejam, GFIPs,  guias de  recolhimento,  arquivos  digitais da contabilidade anos 2008 a 2009, arquivos do SIM dos anos de 2006 e 2007.  A  recorrente  ainda  apresente  como  causa  de  cerceamento  de  defesa,  a  alegação de que não teria sido esclarecida a forma de fiscalização realizada pela auditoria fiscal  e  também  entende  que  o  fato  de  não  ter  sido  intimada  para  esclarecimentos  durante  a  ação  fiscal afrontaria o princípio do contraditório e da audiência do interessado.  De igual forma não se vislumbra qualquer cerceamento de defesa.  A auditoria fiscal efetuou a apuração dos valores devidos por meio da análise  da documentação apresentada pela recorrente, sendo impertinente a alegação de que a auditoria  fiscal não teria esclarecido à recorrente a forma de fiscalização efetuada.  A recorrente também alega que teria havido cerceamento de defesa em razão  da  auditoria  fiscal  ter  efetuado  o  lançamento  sem  conceder­lhe  qualquer  oportunidade  de  apresentar esclarecimentos.  O procedimento da auditoria fiscal não se consubstancia em cerceamento de  defesa ou ofensa ao princípio da audiência do interessado.  O  trabalho  da  auditoria  fiscal  junto  ao  contribuinte  para  apurar  eventuais  contribuições não  recolhidas ou descumprimento de obrigações  acessórias  se dá na chamada  fase oficiosa do lançamento.   A  fase  oficiosa  se  encerra  com  o  efetivo  lançamento  e,  a  partir  de  então,  inicia­se a fase contenciosa, onde o contribuinte tem a oportunidade de contestação.  Fl. 306DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES   6 O cerceamento de defesa só é passível de ocorrer na fase contenciosa, quando  já existe o lançamento. Não há que se conceder oportunidade para manifestação ao contribuinte  durante a fase oficiosa, porque nesse momento, não há do que se defender.  No que  tange a  esclarecimentos,  cabe  à autoridade  lançadora  solicitá­los  se  entender necessários.  A  recorrente  alega  que  os  valores  ora  lançados  poderiam  ser  incluídos  no  parcelamento especial instituído pela Lei nº 11.196/2005.  Entendo  que  não  é  de  competência  desse  colegiado  decidir  sobre  a  possibilidade  ou  não  de  inclusão  das  contribuições  objeto  da  presente  autuação  do  referido  parcelamento especial, razão pela qual tal questão não será enfrentada.  A recorrente solicita a realização de diligências.  No que tange à realização de diligências e perícias, o Decreto nº 70.235/1972  estabelece o seguinte:  Art.16 ­ A impugnação mencionará:  ..................................  IV ­ as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam  efetuadas,  expostos  os  motivos  que  as  justifiquem,  com  a  formulação de  quesitos  referentes aos  exames  desejados,  assim  como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação  profissional de seu perito;   § 1º ­ Considerar­se­á não formulado o pedido de diligência ou  perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no  inciso  IV do art. 16.  (...)  Art.18  ­  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine.  Da  leitura  do  dispositivo,  verifica­se  que  além  de  ser  obrigada  a  cumprir  requisitos para ter o pedido de perícia ou diligência deferido, tal deferimento só ocorrerá diante  do entendimento da autoridade administrativa no que concerne à necessidade da mesma.  Nesse sentido, não basta que o sujeito passivo deseje a realização da perícia  ou diligência, esta tem que se considerada essencial para o deslinde da questão pela autoridade  administrativa, nos termos da legislação aplicável.  Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta.  Voto no sentido de CONHECER do recuso e NEGAR­LHE PROVIMENTO.  É como voto.  Ana Maria Bandeira              Fl. 307DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10315.001058/2010­61  Acórdão n.º 2402­002.874  S2­C4T2  Fl. 4          7                 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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Numero do processo: 14485.003271/2007-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2006 REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter de retribuição pelo serviço, ou seja, contraprestação de serviço prestado. CORRESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS. Com a revogação do artigo 13 da Lei 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei 11.941/09, o “Relatório de Representantes Legais REPLEG” tem a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuir-lhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. ARTS. 45 E 46 LEI 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE 08. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento das contribuições sociais, cujos fatos geradores não são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação aos mesmos, a Recorrente não efetuou qualquer antecipação de pagamento, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I, ambos do CTN. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO (SAT/GILRAT). INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVISTAS EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT. O grau de risco da empresa é estabelecido de acordo com o enquadramento da sua atividade econômica preponderante por estabelecimento. Ocorrência de auto enquadramento realizado pelo sujeito passivo. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AO INCRA. PREVISTA EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas a outras Entidades ou Fundos: INCRA. JUROS/TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. RETROATIVIDADE BENÉFICA. ART. 106 DO CTN. O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991), limitando-se ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.953
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período pelo artigo 173, I do CTN, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que aplicavam o artigo 150, §4° do CTN e, por maioria de votos, em rejeitar as demais preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares e Thiago Taborda Simões que limitavam a multa ao percentual de 20%.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO

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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2006 REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter de retribuição pelo serviço, ou seja, contraprestação de serviço prestado. CORRESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS. Com a revogação do artigo 13 da Lei 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei 11.941/09, o “Relatório de Representantes Legais REPLEG” tem a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuir-lhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. ARTS. 45 E 46 LEI 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE 08. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento das contribuições sociais, cujos fatos geradores não são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação aos mesmos, a Recorrente não efetuou qualquer antecipação de pagamento, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I, ambos do CTN. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO (SAT/GILRAT). INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVISTAS EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT. O grau de risco da empresa é estabelecido de acordo com o enquadramento da sua atividade econômica preponderante por estabelecimento. Ocorrência de auto enquadramento realizado pelo sujeito passivo. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AO INCRA. PREVISTA EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas a outras Entidades ou Fundos: INCRA. JUROS/TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. RETROATIVIDADE BENÉFICA. ART. 106 DO CTN. O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991), limitando-se ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte.

atualizado_anexos_dt : Sat Jan 29 09:56:11 UTC 2022

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     2 No caso de  lançamento das contribuições  sociais,  cujos  fatos geradores não  são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação aos  mesmos, a Recorrente não efetuou qualquer antecipação de pagamento, deixa  de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no  art. 173, inciso I, ambos do CTN.  INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.  Não  cabe  aos  Órgãos  Julgadores  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF)  afastar  a  aplicação  da  legislação  tributária  em  vigor,  nos  termos do art. 62 do seu Regimento Interno.  É  prerrogativa  do  Poder  Judiciário,  em  regra,  a  argüição  a  respeito  da  constitucionalidade  e  não  cabe  ao  julgador,  no  âmbito  do  contencioso  administrativo,  afastar  aplicação  de  dispositivos  legais  vigentes  no  ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais.  SEGURO  DE  ACIDENTE  DE  TRABALHO  (SAT/GILRAT).  INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVISTAS EM LEI.  O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e  legítimas as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT.  O grau de risco da empresa é estabelecido de acordo com o enquadramento  da  sua  atividade  econômica  preponderante  por  estabelecimento. Ocorrência  de auto­enquadramento realizado pelo sujeito passivo.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  DESTINADA  AO  INCRA.  PREVISTA  EM  LEI.  O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e  legítimas as contribuições destinadas a outras Entidades ou Fundos: INCRA.  JUROS/TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE.  O  sujeito  passivo  inadimplente  tem que  arcar  com  o  ônus  de  sua mora,  ou  seja, os juros e a multa legalmente previstos.  Nos  termos  do  enunciado  no  4  de  Súmula  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na  taxa  SELIC  para  débitos  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados  pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.  CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA.  A  vedação  ao  confisco  pela  Constituição  Federal  é  dirigida  ao  legislador,  cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos  moldes da legislação em vigor.  MULTA  DE  MORA.  APLICAÇÃO  DA  LEGISLAÇÃO  VIGENTE  À  ÉPOCA  DO  FATO  GERADOR.  RETROATIVIDADE  BENÉFICA.  ART.  106 DO CTN.  O lançamento reporta­se à data de ocorrência do fato gerador e rege­se pela  lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os  fatos  geradores  ocorridos  antes  da  vigência  da  MP  449/2008,  aplica­se  a  multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35 da Lei  8.212/1991),  limitando­se ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44  da Lei 9.430/1996.  Recurso Voluntário Provido em Parte.  Fl. 570DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.003271/2007­19  Acórdão n.º 2402­002.953  S2­C4T2  Fl. 2          3     Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  voto  de  qualidade,  em  dar  provimento  parcial  para  reconhecer  a  decadência  de  parte  do  período  pelo  artigo  173,  I  do  CTN, vencidos os conselheiros  Igor Araújo Soares, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel  Ribeiro  Domingues  que  aplicavam  o  artigo  150,  §4°  do  CTN  e,  por  maioria  de  votos,  em  rejeitar  as  demais  preliminares  suscitadas  e,  no  mérito,  em  dar  provimento  parcial  para  recálculo  da  multa  nos  termos  do  artigo  35  da  Lei  n°  8.212/91  vigente  à  época  dos  fatos  geradores, observado o limite de 75%, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares e Thiago  Taborda Simões que limitavam a multa ao percentual de 20%.    Julio Cesar Vieira Gomes ­ Presidente.     Ronaldo de Lima Macedo ­ Relator.    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Julio  Cesar  Vieira  Gomes, Ana Maria Bandeira,  Igor Araújo  Soares, Ronaldo  de Lima Macedo, Nereu Miguel  Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.  Fl. 571DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     4   Relatório  Trata­se  de  lançamento  fiscal  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a  remuneração  dos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais  (sócios  e  autônomos),  relativas  à  parcela  desses  segurados  não  descontada  e  não  recolhida  em  época  própria  e  à  parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  (SAT/GILRAT)  e  as  contribuições  destinadas  a  outras  Entidades/Terceiros  (FNDE/Salário­Educação, SESC, SENAC, INCRA e SEBRAE), para as competências 04/2000  a 12/2006.  O  Relatório  Fiscal  (fls.  72/76)  informa  que  os  fatos  geradores  das  contribuições  lançadas  decorrem  das  remunerações  pagas  e/ou  creditadas  aos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais  (sócios  e  autônomos),  provenientes  dos  valores  de  prêmios  concedidos  a  esses  segurados  por  meio  de  cartões  de  incentivos,  emitidos  pelas  empresas  Mark  Up  Incentive  Marketing  Promoções  e  Participações  Ltda  (CNPJ:  00.003.373/0001­16),  T&L  Marketing  S/C  Ltda  (CNPJ:  04.288.475/0001­86),  SWM2  Marketing  Integrado  S/C  Ltda  (CNPJ:  01.239.512/0001­78)  e  Salles,  Adan & Associados  e  Marketing  de  Incentivos  S/C  Ltda  (CNPJ:  66.844.754/0001­36).  Os  valores  constantes  das  Notas Fiscais foram confrontados com os lançamentos contábeis feitos na conta 6.1.2.1.01.11 –  Despesas de Marketing­Geração Demanda Brasil.  O desconto dos segurados foi calculado com base no salário de contribuição  constante da folha de pagamento e do prêmio pago e nas faixas salariais, sendo considerados os  valores já retidos e recolhidos anteriormente, bem como, observado o limite máximo.  A  ciência  do  lançamento  fiscal  ao  sujeito  passivo  deu­se  em  28/12/2007  (fl.01).   A  Notificada  apresentou  impugnação  tempestiva  (fls.  138/216)  –  acompanhada de anexos de fls. 217/351 –, alegando, em síntese, que:  1.  Da  Relação  de  Corresponsáveis.  Entende  que  as  pessoas  físicas  elencadas  na  Relação  de  Vínculos  não  possuem  legitimidade  para  figurar no polo passivo do presente procedimento fiscal, devendo ser  excluídas da  relação de  corresponsáveis, pois, não há provas de que  tenham  praticado  atos  com  excesso  de  poderes  ou  infração  à  lei,  contrato social ou estatutos, pressupostos exigidos pelo art. 135, III do  Código Tributário Nacional (CTN);  2.  Do  Relatório  Fiscal  (REFISC),  de  Forma  Incompleta  –  Cerceamento  de  Defesa.  Reitera,  de  acordo  com  o  exposto  às  fls.  144/156, que o Relatório Fiscal é resumido, incompleto e não goza de  clareza  e  precisão,  pois,  não  apresenta  os  seguintes  dados:  a)  Motivação  e  motivos  do  débito;  b)  Enquadramento  dos  fatos  geradores  de  contribuição  dos  referidos  valores  pagos  a  titulo  de  prêmio de incentivo à performance e produtividade dos segurados; c)  Os  critérios  internos  estabelecidos  de  forma  condizente  com  a  Fl. 572DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.003271/2007­19  Acórdão n.º 2402­002.953  S2­C4T2  Fl. 3          5 campanha  de  incentivos  levada  sob  a  coordenação  das  empresas  de  Marketing e Incentivos, como por exemplo, se os referidos prêmios se  tratam de uma gratificação eventual, se o contribuinte pode concorrer  toda vez que há um novo concurso, entre outros; d) O enquadramento  dos valores a título de prêmio na definição de salário de contribuição  nos termos do art. 28, I da Lei 8.212/91 e art. 214, I do Regulamento  da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99; e) Os motivos  para uma aferição indireta nos termos dos parágrafos terceiro e sexto,  do artigo 33 da Lei 8.212/91; f) Notas Fiscais e/ou Faturas e nem os  contratos  pactuados  entre  a  empresa  Requerente  e  as  empresas  de  Marketing;  g)  Demonstração  dos  juros  e  multa,  ou  seja,  se  foram  aplicadas  reduções  e  majorações  constantes  na  Lei  8.212/91,  bem  como,  a  forma  de  cálculo.  Alega  que  tais  omissões  configuram  cerceamento de defesa  impondo a nulidade da NFLD nos  termos da  legislação  e  da  jurisprudência  apresentadas  às  fls.  146/151.  Entende  que  os  documentos  DAD  e  RL  não  demonstram  a  remuneração  utilizada  como  base  de  cálculo,  apenas  informam  o  montante  da  contribuição considerada pela Fiscalização como devido à Seguridade  Social e a Outras Entidades e fundos;  3.  Da Assinatura do Sujeito Ativo no Documento de Lançamento de  Débito – NFLD. Entende que, pelo disposto nos arts. 2°, 9° e 25 da  Lei  n°  11.457/2007,  arts.  9°,  10  e  11  do  Decreto  n°  70.235/1972,  transcritos  às  fls.  157/161,  a  NLFD  será  expedida  pelo  órgão  que  administra o tributo e conterá obrigatoriamente a assinatura do Chefe  do Órgão. Porém, o servidor ocupante do cargo de Auditor Fiscal da  Receita  Federal  do  Brasil  não  tem  competência  legal  para  emitir  e  assinar a NFLD. Portanto, a mesma é nula de pleno direito;  4.  Da Decadência. Defende a ocorrência da decadência para o período  de 04/2000 a 12/2002 pelas razões aduzidas às fls. 161/178. Portanto,  entende  que  o  respectivo  crédito  tributário  encontra­se  extinto  por  força  do  disposto  no  art.  156,  V  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN);  5.  DA  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  SOBRE  PRÊMIOS  PAGOS  AOS  SEGURADOS.  Da  não  Incidência  da  Contribuição  Previdenciária sobre Notas Fiscais da Empresa Requerente. Alega que  não  existe  determinação  legal  que  autorize  a  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre  valores  pagos  referentes  a  notas  fiscais,  razão  pela  qual  a  NFLD  é  ilegal  e  nula  de  pleno  direito.  Ressalta  que  as  empresas  de  Marketing  e  Incentivos  não  são  segurados empregados, nem trabalhadores avulsos, nem contribuintes  individuais e, muito menos, cooperativas de trabalho. Portanto, sendo  a  lei  taxativa  e  não  exemplificativa,  exclui  a  hipótese  de  considerar  notas fiscais como fatos geradores de obrigações tributárias. Discorre  às fls. 180/181 sobre a vontade da lei e o princípio da legalidade. E,  portanto, a NFLD por não estar adstrita à legalidade tributária é nula  de pleno direito;  Fl. 573DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     6 6.  Da  Desvinculação  dos  Contratos  Civis  Firmados  pela  Empresa  Requerente.  Afirma  que:  "A  empresa  Requerente  firmou  contrato  civil  com as  empresas Salles, Adan & Marketing  de  Incentivos S/C  Ltda.  e  Mark  Up  Incentive  Marketing  Promoções  e  Participações  Ltda. Estes contratos regulam direitos e obrigações que não podem ser  desvirtuados pela Fiscalização Previdenciária ao seu livre arbítrio. O  vínculo  de  emprego  deve  ser  declarado  pela  Justiça  do  Trabalho.  Após  a  declaração  pela  Justiça  competente,  subsistiriam  as  conseqüências,  tais como pagamento de remuneração e destarte, esta  incidir  contribuição  previdenciária".  Entende  que  a  Fiscalização  exorbitou  seus  poderes,  pois,  declarou  vínculo  empregatício  entre  a  pessoa jurídica que pagou nota fiscal à outra pessoa jurídica, e que, a  segunda pessoa  jurídica  transferiu os  recursos pagos pela primeira  à  pessoa  física em decorrência de vínculo de emprego. Entende que  a  Fiscalização  da  Previdência  Social  é  incompetente  para  caracterizar  ou descaracterizar vínculo de emprego;  7.  Da Desvinculação do Salário. Argumenta que  os valores das notas  fiscais, ainda que fossem remuneração (o que não se admite), estariam  desvinculados do salário por força do disposto no art. 28, § 9°, item 7,  alínea "e" da Lei 8.212/91, ou seja, não integram a base de cálculo da  contribuição  previdenciária.  Declara  que  foi  estabelecido  contratualmente  e  expressamente  que  os  referidos  valores  não  correspondiam  a  salários,  mas  sim  ganhos  eventuais.  Portanto,  a  Fiscalização  não  aplicou  corretamente  a  lei.  Entende  que  por  ser  liberalidade  o  pagamento  do  prêmio  pode  ser  suprimido  a  qualquer  tempo  de  acordo  com  os  interesses  da  empresa.  Ressalta  que  os  prêmios  não  se  confundem  com  gratificações,  gorjetas  e  ganhos  habituais  em  forma  de  utilidade  que  dependem  de  fatores  alheios  à  vontade do empregado. Já o prêmio está ligado ao seu desempenho e  esforço.  Conclui  que  os  prêmios  não  fazem  parte  do  salário  de  contribuição;  8.  Do Caráter  Indenizatório  e  Da Habitualidade.  Esclarece  que  em  nenhum  momento  o  Relatório  Fiscal  identifica  o  requisito  da  habitualidade no repasse das premiações. Entende que o prêmio não é  destinado  à  remuneração  do  trabalho  e,  portanto,  não  tem  natureza  salarial visa a premiar aqueles empregados que se empenham durante  todo  o  ano,  de modo  a não  integrar o  salário. Afirma que  o  prêmio  tem natureza  indenizatória. Portanto, o  requisito da habitualidade no  repasse  dos  prêmios  é  de  extrema  importância  para  o  deslinde  do  feito,  não  havendo  sua  caracterização  não  há  como  prosperar  o  pretenso débito previdenciário, impondo­se a nulidade da NFLD;  9.  DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO (RAT), ANTIGO  SEGURO  ACIDENTE  DO  TRABALHO  (SAT).  Alega  que  a  Fiscalização  enquadrou  erroneamente  a  empresa  no  grau  de  risco  médio  (2%),  pois,  sua  atividade  preponderante  é  estritamente  administrativa. Conforme  se atesta do  seu Estatuto Social,  seu  ramo  de atividade preponderante se destina à  informática e processamento  de  dados,  sendo  por  conseguinte  enquadrada  no  grau  de  riso  leve  (1%).  Entende  que  não  foram  observados  os  regulamentos  que  norteiam à Previdência Social, mormente, o art. 26 do Regulamento  Fl. 574DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.003271/2007­19  Acórdão n.º 2402­002.953  S2­C4T2  Fl. 4          7 da  Organização  e  do  Custeio  da  Seguridade  Social,  Decreto  n°  2.173/97, transcrito as fls. 192/193 e que pela análise dos documentos  apresentados, principalmente, seus contratos sociais, constata­se que a  empresa mantém seus segurados em grau de risco leve, ou seja, com  incidência da alíquota em 1%;  10. DAS  CONTRIBUIÇÕES  INDEVIDAS.  Contribuição  para  o  INCRA.  Cita  às  fls.  194/195  alguns  dispositivos  legais  relativos  ao  INCRA  contidos  no  anexo  "FLD  ­  Fundamentos  Legais  do Débito"  (fls.  57/58).  Apresenta  às  fls.  195/208  uma  incursão  ao  longo  da  seqüência  legislativa  relativa  ao  INCRA  desde  1955  com  a  Lei  2.613/55, ou seja,  antes da Constituição Federal de 1988 até os dias  atuais,  e  conclui  que  é  indevido  o  lançamento  no  tocante  às  contribuições  destinadas  ao  INCRA.  Requer,  ainda,  que  seja  reconhecida esta ilegalidade;  11. DA  ILIQUIDEZ,  INCERTEZA  E  INEXIGIBILIDADE  DA  NOTIFICAÇÃO  FISCAL  DE  LANÇAMENTO  DE  DÉBITO  (NFLD). Diante do exposto, entende que a NFLD torna­se ilíquida e  inexigível,  portanto,  nula de pleno direito. Esclarece que o processo  executório  só  tem  ensejo  quando  presentes  seus  pressupostos.  Contudo, a NFLD não se reveste de certeza, liquidez e exigibilidade.  Apresenta  às  fls.  210/212  doutrina  e  jurisprudências  a  respeito  do  tema.  Discorre  ainda  às  fls.  212/213  sobre  títulos  executivos  e  os  elementos da certeza e liquidez;  12. DA MULTA. Afirma que  indevido o principal os  acessórios  (juros,  multa  e  atualização  monetária)  deixam  de  ser  exigíveis.  Por  outro  lado, entende que a cobrança de juros, multa e atualização monetária é  abusiva  e  acima  dos  limites  legais  constitucionais. Apresenta  às  fls.  214 jurisprudência relativa à multa. Declara que a aplicação de multas  excessivas resulta em tributação com efeito de confisco, com violação  do art. 150,  IV, da Constituição Federal,  transcrito as fls. 215. Neste  sentido, apresenta as fls. 215 doutrina;  13. DO  PEDIDO.  Ante  o  exposto  requer  a  nulidade  da  NFLD.  Na  eventualidade  de  não  ser  extinta  e  baixada,  requer  diligência  para  a  discriminação  de  forma  clara  e  precisa  de  todos  os  dados  para  constituição  do  pretenso  débito  previdenciário  com  a  conseqüente  abertura  de  prazo  para  manifestação  complementar.  Requer,  finalmente, que sejam enviadas todas as intimações e notificações aos  procuradores da empresa, com escritório na Rua Saldanha da Gama,  n° 204, Centro, em Curitiba, Paraná, CEP: 80.060­170.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  em  São  Paulo/SP  –  por  meio  do  Acórdão  16­16.979  da  13a  Turma  da  DRJ/SPOI  (fls.  398/435)  –  considerou  o  lançamento  fiscal  procedente  em  sua  totalidade,  eis  que não  havia  justificativa  nem  amparo  legal  para  prosperar  a  pretensão  da  Impugnante  no  sentido  de  considerar  o  procedimento fiscal passível de nulidade.  Fl. 575DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     8 A  Notificada  apresentou  recurso  (fls.  441/536),  manifestando  seu  inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração  e no mais efetua as alegações da peça de impugnação.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Administração  Tributária  (DERAT)  em  São  Paulo/SP  informa  que  o  recurso  interposto  é  tempestivo  e  encaminha  os  autos  ao  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF)  para  processamento  e  julgamento (fl. 554).  É o relatório.  Fl. 576DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.003271/2007­19  Acórdão n.º 2402­002.953  S2­C4T2  Fl. 5          9   Voto             Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator  O recurso é tempestivo (fls. 439/441) e não há óbice ao seu conhecimento.  DAS PRELIMINARES:  A  Recorrente  manifesta  inconformismo  a  respeito  do  relatório  dos  corresponsáveis, pois entende que estaria sendo imputada responsabilidade aos sócios da  empresa.  Quanto à essa alegação da indevida responsabilização dos sócios (diretores),  cabe  esclarecer  que  os  corresponsáveis  mencionados  pela  fiscalização  não  figuram  no  polo  passivo do presente lançamento fiscal.  A relação de corresponsáveis anexada pela fiscalização tem como finalidades  identificar  as  pessoas  que  poderiam  ser  responsabilizadas  na  esfera  judicial,  caso  fosse  constatada  a  prática  de  atos  com  infração  de  leis  ou  estatuto,  conforme  determina  o Código  Tributário Nacional e permitir que se cumpra o estabelecido no art. 2º,  inciso  I, § 5º, da Lei  6.830/1980, que dispõe:  Art.  2º.  Constitui  Dívida  Ativa  da  Fazenda  Pública  aquela  definida como tributária ou não­tributária na Lei nº 4.320, de 17  de  março  de  1964,  com  as  alterações  posteriores,  que  estatui  normas gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle  dos  orçamentos  e  balanços  da  União,  dos  Estados,  dos  Municípios e do Distrito Federal.  (...)  § 5º O Termo de Inscrição de Dívida Ativa deverá conter:  I  ­  o  nome  do  devedor,  dos  co­responsáveis  e  sempre  que  conhecido, o domicílio ou residência de um e de outros (g.n.);  Além  disso,  verifica­se  que  o  artigo  79,  inciso  VII,  da  Lei  11.941/2009  revogou  o  artigo  13  da  Lei  8.620/1993.  Com  isso,  após  essa  revogação  do  artigo  13,  o  denominado  “Relatório  de Representantes  Legais  ­  REPLEG”  (fls.  60/63),  acompanhado  do  Relatório  de Vínculos,  não  pode mais  ostentar  em  seu  título  qualquer  expressão  que  venha  mesma  a  apenas  insinuar  uma  corresponsabilidade  das  pessoas  nela  relacionadas.  Segue  transcrição:  Lei 8.620/1993:  Art.  13. O  titular da  firma  individual e os  sócios das  empresas  por  cotas  de  responsabilidade  limitada  respondem  solidariamente,  com  seus  bens  pessoais,  pelos  débitos  junto  à  seguridade social.  Fl. 577DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     10 Parágrafo  único.  Os  acionistas  controladores,  os  administradores,  os  gerentes  e  os  diretores  respondem  solidariamente  e  subsidiariamente,  com  seus  bens  pessoais,  quanto  ao  inadimplemento  das  obrigações  para  com  a  seguridade social, por dolo ou culpa.  A relação de “Representantes Legais ­ REPLEG” apenas identifica os sócios  e  diretores  da  empresa  e  respectivo  período  de  gestão  sem,  por  si  só,  atribuir­lhes  responsabilidade  solidária  ou  subsidiária  pelo  crédito  constituído.  Não  é  conseqüência  do  aludido documento que os referidos representantes legais passem a constar no polo passivo da  obrigação tributária.  O  Relatório  “REPLEG”  serve  apenas  como  subsídio  à  Procuradoria  da  Fazenda Nacional (PFN), caso haja necessidade de execução judicial do crédito previdenciário,  e sendo verificada a ocorrência das hipóteses legais para a responsabilização tributária prevista  no Código Tributário Nacional (CTN). Assim, tem­se que a indicação dos representantes legais  é  mero  subsídio  para,  se  necessário  e  cabível,  o  crédito  previdenciário  ser  exigido  dos  administradores exclusiva, solidária ou subsidiariamente com o contribuinte.  No  entanto,  nem  por  isso  os  representantes  legais  não  devam  constar  em  relação preparada pelo Fisco. É da analise dos contratos sociais e estatuto que são identificados  os sócios e diretores da empresa, dessa relação a PFN poderá indicar eventuais corresponsáveis  pelo crédito, conforme dispõe em especial o artigo 135 da Lei 5.172/1966 (Código Tributário  Nacional ­ CTN):  Art.  135.  São  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos  praticados com excesso de poderes ou  infração de  lei,  contrato  social ou estatutos:  I ­ as pessoas referidas no artigo anterior;  II ­ os mandatários, prepostos e empregados;  III ­ os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas  de direito privado.  Portanto,  não  acato  essa  preliminar,  eis  que  a  finalidade  do  “Relatório  de  Representantes Legais ­ REPLEG” é apenas identificar os sócios e diretores da empresa, com  seu respectivo período de gestão.  A Recorrente alega que não consta no  lançamento  fiscal a necessária  e  adequada  descrição  dos  fatos  e  motivação  da  autuação,  existindo  dúvidas  quanto  ao  lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo.  Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem  os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador das contribuições sociais  lançadas,  que  foram  as  relativas  à  contribuição  dos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais  não  descontada,  à  contribuição  patronal  e  às  contribuições  destinadas  ao  financiamento  das  prestações  concedidas  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  (SAT/GILRAT),  assim  como  as  contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros, para as competências 12/2001 a 12/2006  (competências remanescentes após aplicação do instituto da decadência).  Fl. 578DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.003271/2007­19  Acórdão n.º 2402­002.953  S2­C4T2  Fl. 6          11 Os  valores  das  contribuições  sociais  previdenciárias  decorrem  das  remunerações  pagas  ou  creditadas  aos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais  (sócios e autônomos), provenientes dos valores de prêmios concedidos a esses segurados por  meio  de  cartões  de  incentivos,  emitidos  pelas  “empresas  Marketing”  (Mark  Up  Incentive  Marketing  Promoções  e  Participações  Ltda,  T&L  Marketing  S/C  Ltda,  SWM2  Marketing  Integrado S/C Ltda e Salles, Adan & Associados e Marketing de Incentivos S/C Ltda).  Verifica­se  ainda  que  o  lançamento  fiscal  ora  analisado  atende  aos  pressupostos essenciais para sua  lavratura,  contendo de forma clara os elementos necessários  para  a  sua  configuração  e  caracterização.  Com  isso,  não  há  que  se  falar  em  vícios  no  lançamento  fiscal,  eis  que  estão  estabelecidos  de  forma  transparente  nos  autos  (fls.  01/122)  todos  os  seus  requisitos  legais,  conforme  preconizam  o  art.  142  do  CTN,  o  art.  37  da  Lei  8.212/1991  e  o  art.  10  do  Decreto  70.235/1972,  tais  como:  local  e  data  da  lavratura;  caracterização  da  ocorrência  da  situação  fática  da  obrigação  tributária  (fato  gerador);  determinação  da  matéria  tributável;  montante  da  contribuição  previdenciária  devida;  identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumpri­ la ou impugná­la no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades  cabíveis; dentre outros.  Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN):  Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.  Lei 8.212/1991:  Art.  37.  Constatado  o  não­recolhimento  total  ou  parcial  das  contribuições  tratadas  nesta  Lei,  não  declaradas  na  forma  do  art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado  ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto  de infração ou notificação de lançamento.  Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto 70.235/1972:  Art.  10.  O  auto  de  infração  será  lavrado  por  servidor  competente,  no  local  da  verificação  da  falta,  e  conterá  obrigatoriamente:  I ­ a qualificação do autuado;  II ­ o local, a data e a hora da lavratura;  III ­ a descrição do fato;  IV ­ a disposição legal infringida e a penalidade aplicável;  V  ­  a determinação da exigência  e a  intimação para cumpri­la  ou impugná­la no prazo de trinta dias;  Fl. 579DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     12 VI  ­  a  assinatura  do  autuante  e  a  indicação  de  seu  cargo  ou  função e o número de matrícula.  O  Relatório  Fiscal  (fls.  72/76)  e  seus  anexos  (fls.  01/71  e  77/122)  são  suficientemente claros e  relacionam os dispositivos  legais aplicados ao  lançamento  fiscal ora  analisado,  bem  como  descriminam  o  fato  gerador  da  contribuição  devida. A  fundamentação  legal aplicada encontra­se no Relatório de Fundamentos Legais do Débito ­ FLD (fls. 56/59),  que  contém  todos  os  dispositivos  legais  por  assunto  e  competência.  Há  o  Discriminativo  Analítico de Débito (DAD), que contém todas as contribuições sociais devidas, de forma clara  e  precisa  (fls.  04/29).  Ademais,  constam  outros  relatórios  que  complementam  essas  informações,  tais como: Relatório de Lançamentos (RL), fls. 39/55; Discriminativo Sindético  de Debito (DSD), fls. 30/38; planilhas contendo a relação nominal dos segurados beneficiários  dos cartões de incentivos (fls. 98/122); Notas Fiscais emitidas pelas empresas fornecedoras dos  benefícios  (fls.  77/97);  dentre  outros.  Esses  documentos,  somados  entre  si,  permitem  a  completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito tributário.  Além disso – nos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos ­  TIAD (fls. 64/70) e no Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal ­ TEAF (fls. 71) –, todos  assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e  concretizar a hipótese fática do fato gerador das contribuições lançadas e a informação de que  o sujeito passivo recebeu toda a documentação utilizada para caracterizar os valores lançados  no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal de fls.  72/76.  Dentro do contexto  fático,  cumpre esclarecer que os cartões de premiação  eram fornecidos aos segurados empregados de forma nominal e a base de cálculo foi apurada a  partir  das  Notas  Fiscais  emitidas  pelas  empresas  fornecedoras  dos  cartões  de  incentivos  à  Recorrente. Isso está consubstanciado no Relatório Fiscal (fls. 72/76) com os seguintes termos:  “[...]  3  ­  Constituem  fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias ora lançadas:  O  valor  tributável  foi  apurado  com  base  nos  valores  discriminados  nas  Notas  Fiscais  de  Serviços  e  ou  Faturas  de  Serviços, emitidas pelas empresas Mark Up Incentive Marketing  Promoções  e  Participações  Ltda.  ­  CNPJ  00.003.373/0001­16,  T&L Marketing  S/C  Ltda.  ­  CNPJ  04.288.475/0001­86,  SWM2  Marketing  Integrado  S/C  Ltda.  ­  CNPJ  01.239.512/0001­78  e  Salles, Adan & Associados Marketing de Incentivos S/C Ltda. –  CNPJ  66.844.754/0001­36,  apresentadas  pela  empresa  ora  fiscalizada  e  cujos  valores  foram  confrontadas  com  os  lançamentos contábeis.  A  empresa  contabiliza  esses  pagamentos  na  conta  de  despesa  6.1.2.1.01.11­DESPESAS  MARKETING  ­  Geração  Demanda  Brasil,  sendo  beneficiários  dessa  premiação,  tanto  segurados  empregados  como  segurados  contribuintes  individuais(sócios  e  autônomos).  Assim,  os  valores  ora  lançados  a  esse  título,  constituem base do Salário de Contribuição/Remuneração desses  segurados. A empresa  identificou  todos os segurados, conforme  consta  na  Relação  dos  Beneficiários  fornecido  a  esta  fiscalização,  cuja  cópia  consta  anexa  a  esta.  A  empresa  não  procedeu  a  retenção  de  contribuição  de  segurados,  não  consignando,  portanto,  apropriação  indébita,  sendo  calculado  pela  alíquota  de  11%  até  limite  máximo,  a  partir  de  04/2003  para os segurados contribuintes individuais.  Fl. 580DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.003271/2007­19  Acórdão n.º 2402­002.953  S2­C4T2  Fl. 7          13 .........................................................................................................  10 ­ Desconto dos Segurados:  a). Ao valor do Salário de Contribuição constante na Folha de  Pagamento,  foi  acrescido  o  valor  pago  a  título  de  Prêmio,  e  sobre este novo valor foi calculado o valor correto do desconto  de  segurados  por  faixas  salariais,  sendo descontado o  valor  já  retido e recolhido anteriormente. Portanto, só foram cobradas as  diferenças até o Limite Máximo.  b).  Onde  a  empresa  já  havia  efetuado  o  desconto  pelo  Limite  Máximo,  não  houve  apuração  de  contribuição  de  segurados.  [...]”.  Com  isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o  lançamento  fiscal  foi  lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o  agente  fiscal  demonstrado,  de  forma  clara  e  precisa,  a  ocorrência  do  fato  gerador  das  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais,  fazendo  constar  nos  relatórios  que  o  compõem  (fls.  01/122)  os  fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas.  Logo,  essas  alegações  da  Recorrente  de  nulidade  do  lançamento  fiscal  são  genéricas,  ineficientes e  inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão  acatadas.  Com  relação  às  alegações  de  inconstitucionalidade  constantes  na  peça  recursal,  cumpre esclarecer que a administração pública deve observar o princípio da estrita  legalidade,  sendo  que  as  leis  e  atos  normativos  nascem  com  a  presunção  de  constitucionalidade,  que  só  pode  ser  elidida  pelo  Poder  Judiciário,  conforme  a  competência  determinada pela Carta Magna.  Toda  lei  presume­se  constitucional  e,  até  que  seja  declarada  sua  inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame  da  matéria,  ou  seja,  declarada  suspensa  pelo  Senado  Federal  nos  termos  art.  52,  X,  da  Constituição Federal, deve o agente público, como executor da lei, respeitá­la.  Nesse  sentido,  o  Regimento  Interno  (RI)  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais (CARF) veda aos membros de Turmas de julgamento afastar a aplicação de  lei ou decreto  sob  fundamento de  inconstitucionalidade,  e o próprio Conselho uniformizou a  jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 2 (Portaria  MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), transcrito a seguir:  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Diante disso, não examinarei as questões referente à inconstitucionalidade de  leis e atos normativos, especificamente as seguintes alegações: (i) inconstitucionalidade do art.  15 da Lei Complementar no 11/1971, que disciplina a contribuição destinada ao  INCRA; (ii)  caráter desproporcional, não razoável, da multa aplicada no presente lançamento, afrontando o  artigo 150, V, da Constituição Federal; dentre outras expostas na peça recursal da Recorrente.  Fl. 581DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     14 A Recorrente alega que seja declarada a extinção do crédito tributário,  pois os valores apurados estariam fulminados pelo instituto jurídico da decadência até a  competência 12/2002, nos termos do art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional (CTN).  Tal  alegação,  pelos  motivos  fáticos  e  jurídicos  a  seguir  delineados,  será  acatada em parte.  Esclarecemos  que  o  Supremo  Tribunal  Federal,  ao  julgar  os  Recursos  Extraordinários  nº  556664,  559882,  559943  e  560626,  negou  provimento  aos  mesmos  por  unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da  Lei 8.212/91.  Na  oportunidade,  os  ministros  ainda  editaram  a  Súmula  Vinculante  08  a  respeito do tema, a qual transcrevo abaixo:  Súmula  Vinculante  no  08  ­  STF:  “São  inconstitucionais  o  parágrafo único do artigo 5º do Decreto­lei 1.569/77 e os artigos  45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência  de crédito tributário”.  É  necessário  observar  os  efeitos  da  súmula  vinculante,  conforme  se  depreende  do  art.  103­A,  caput,  da  Constituição  Federal  que  foi  inserido  pela  Emenda  Constitucional 45/2004, in verbis:  Art.  103­A.  O  Supremo  Tribunal  Federal  poderá,  de  ofício  ou  por  provocação,  mediante  decisão  de  dois  terços  dos  seus  membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional,  aprovar  súmula  que,  a  partir  de  sua  publicação  na  imprensa  oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do  Poder  Judiciário  e  à  administração  pública  direta  e  indireta,  nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à  sua  revisão  ou  cancelamento,  na  forma  estabelecida  em  lei.  (g.n.)  Da leitura do dispositivo constitucional, pode­se concluir que, a vinculação à  súmula  alcança  a  administração  pública  e,  por  conseqüência,  os  julgadores  no  âmbito  do  contencioso administrativo fiscal.  O  Código  Tributário  Nacional  trata  da  decadência  no  artigo  173,  abaixo  transcrito:  Art.  173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;  II  ­  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  à  decisão  que  houver  anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.  Parágrafo Único ­ O direito a que se refere este artigo extingue­ se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado  da  data  em  que  tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito  tributário  pela  notificação,  ao  sujeito  passivo,  de  qualquer  medida preparatória indispensável ao lançamento.  Fl. 582DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.003271/2007­19  Acórdão n.º 2402­002.953  S2­C4T2  Fl. 8          15 Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário  definiu no art. 150, § 4º, o seguinte:  Art.  150.  O  lançamento  por  homologação,  que  ocorre  quanto  aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  (...)  § 4º ­ Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco  anos  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.  Entretanto,  tem  sido  entendimento  constante  em  julgados  do  Superior  Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do  pagamento da contribuição, aplica­se o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o  prazo  de  cinco  anos  passa  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador,  uma  vez  que  resta  caracterizado o lançamento por homologação.  Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser  homologado e, por conseqüência, aplica­se o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de  cinco  anos  passa  a  ser  contado  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado.  Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo  sentido:  TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  PRAZO  DECADENCIAL  DE  CONSTITUIÇÃO  DO  CRÉDITO.  TERMO  INICIAL.  INTELIGÊNCIA  DOS  ARTS.  173,  I,  E  150, § 4º, DO CTN.  1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é,  em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a  Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue­se após  5  (cinco)  anos,  contados:  I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'.  2.  Todavia,  para  os  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação – que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto  aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa'  e  'opera­se  pelo  ato  em  que  a  referida  autoridade,  tomando conhecimento da atividade assim exercida  pelo obrigado, expressamente a homologa' –,há regra específica.  Relativamente  a  eles,  ocorrendo  o  pagamento  antecipado  por  parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de  Fl. 583DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     16 eventuais  diferenças  é de cinco  anos  a  contar  do  fato  gerador,  conforme  estabelece  o  §  4º  do  art.  150  do  CTN.  Precedentes  jurisprudenciais.  3.  No  caso  concreto,  o  débito  é  referente  à  contribuição  previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e  não  houve  qualquer  antecipação  de  pagamento.  É  aplicável,  portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art.  173, I, do CTN.  4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento. (AgRg nos  EREsp  216.758/SP,  1ª  Seção,  Rel. Min.  Teori  Albino  Zavascki,  DJ de 10.4.2006)  .........................................................................................................  TRIBUTÁRIO.  EMBARGOS  DE  DIVERGÊNCIA.  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  DECADÊNCIA.  PRAZO  QÜINQÜENAL.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  MEDIDA  LIMINAR.  SUSPENSÃO  DO  PRAZO.  IMPOSSIBILIDADE.  1.  Nas  exações  cujo  lançamento  se  faz  por  homologação,  havendo pagamento antecipado, conta­se o prazo decadencial a  partir  da  ocorrência  do  fato  gerador  (art.  150,  §  4º,  do CTN),  que é de cinco anos.  2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova  de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art.  173, I, do CTN.  Omissis.  4.  Embargos  de  divergência  providos.  (EREsp  572.603/PR,  1ª  Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005)  Verifica­se  que  o  lançamento  fiscal  em  tela  refere­se  às  competências  04/2000 a 12/2006 e foi efetuado em 28/12/2007, data da intimação e ciência do sujeito passivo  (fl. 01).  No  caso  em  tela,  trata­se  do  lançamento  de  contribuições,  cujos  fatos  geradores não  são  reconhecidos  como  tal  pela  empresa,  restando  claro que,  com  relação aos  mesmos,  a  Recorrente  não  efetuou  qualquer  antecipação  de  pagamento,  conforme  Relatório  Fiscal  (fls.  72/76)  e  Discriminativo Analítico  de  Débito  ­  DAD  (fls.  04/29).  Nesse  sentido,  aplica­se o art. 173, inciso I, do CTN no presente lançamento fiscal, para considerar que estão  abrangidos  pela  decadência  os  créditos  correspondentes  aos  fatos  geradores  ocorridos  até  11/2001, inclusive.  Logo, a recorrente não poderia ter sido autuada pelas competências anteriores  a  12/2001,  pois  o  direito  potestativo  do  Fisco  –  nas  competências  até  11/2001,  inclusive,  e  competência 13/2001 – já estava extinto pelo instituto da decadência tributária.  Esclarecemos que  a competência 12/2001 não deve  ser excluída do  cálculo  do  lançamento fiscal ora analisado, porquanto a sua exigibilidade e a sua hipótese imponível  (situação  fática  da  hipótese  de  incidência  da  contribuição)  somente  ocorrerão  a  partir  de  01/2002, com a remuneração paga, devida ou creditada a qualquer  título, durante o mês, aos  segurados obrigatórios do RGPS, quando poderia ter sido efetuado o lançamento fiscal.  Fl. 584DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.003271/2007­19  Acórdão n.º 2402­002.953  S2­C4T2  Fl. 9          17 Dessa  forma,  acato  parcialmente  a  preliminar  de  decadência  tributária  ora  examinada,  excluindo  os  valores  apurados  até  a  competência  11/2001,  inclusive,  e  passo  ao  exame de mérito.  DO MÉRITO:  A Recorrente argumenta que os valores decorrentes das parcelas pagas a  título de programa de incentivo, por meio de cartão de premiação, não integram a base  de cálculo da contribuição previdenciária por não possuírem natureza remuneratória.  Tal  alegação  não  deve  prosperar  pelos  fatos,  pela  legislação  de  regência  e  pela jurisprudência judicial e deste Conselho, todos a seguir delineados neste voto.  Considerando  o  Relatório  Fiscal  (fls.  72/76)  e  Contrato  firmado  entre  as  “empresas  de  Marketing”  (Mark  Up  Incentive  Marketing  Promoções  e  Participações  Ltda,  T&L Marketing S/C Ltda, SWM2 Marketing Integrado S/C Ltda e Salles, Adan & Associados  e Marketing de  Incentivos S/C Ltda) e a Recorrente,  constata­se que  era  fornecido cartão de  premiação  aos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais,  destinado  a  programa  de  estímulo  ao  aumento  de  produtividade  e,  portanto,  relacionado  ao  alcance  de  metas  de  desempenho, conforme relatado pela própria Recorrente (fls. 155):  “[...] Conforme já demonstrado, o impulso para a lavratura da  presente  Notificação  Fiscal  de  Lançamento  de  Débito  ­  NFLD  foi  o  contrato  de  premiação  e  incentivos  pactuado  com  as  empresas  enumeradas  pelo  Sr.  Auditor  Fiscal,  que  tem  por  objeto  premiar,  a  título  de  incentivo  performance,  pessoas  do  relacionamento da empresa ora Requerente, que venham a ser  por ela indicados e contemplados. (g.n.) [...]”  Assim, os referidos “colaboradores” são escolhidos e  indicados pela própria  empresa  contratante  como  beneficiários  dos  prêmios,  pela  razão  mais  óbvia  possível,  são  subordinados à Recorrente.  É  importante  esclarecer  que  os  contratos  firmados  entre  a  Recorrente  e  as  referidas empresas de Marketing não tem o condão de afastar a incidência da lei, pois, pouco  importa  que  nestes  contratos  esteja  previsto  expressamente  que  os  prêmios  não  configuram  salários,  se  o  contrário  resulta  da  legislação  previdenciária  (Lei  8.212/1991).  Isso  está  em  consonância  com  o  art.  126  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN)  –  Lei  5.172/1966  –,  in  verbis:  Art.  123.  Salvo  disposições  de  lei  em  contrário,  as  convenções  particulares,  relativas  a  responsabilidade  pelo  pagamento  de  tributos,  não  podem  ser  opostas  à  Fazenda  Pública,  para  modificar  a  definição  legal  do  sujeito  passivo  das  obrigações  tributárias correspondentes.  Os valores pagos por meio de cartão de incentivo são considerados prêmios e  prêmio é um salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como a produção, a  eficiência, dentre outros fatores de produção. Caracteriza­se pelo seu aspecto condicional; uma  vez atingida a condição prevista por parte do trabalhador, este faz jus ao mesmo. Portanto, por  depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja,  contraprestação do serviço prestado e, por conseqüência, possui natureza jurídica salarial.  Fl. 585DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     18 A Recorrente  tenta descaracterizar a natureza  salarial dos prêmios  alegando  que são pagos por mera liberalidade da empresa e sem habitualidade (ganhos eventuais), uma  vez  que  o  pagamento  é  vinculado  exclusivamente  à  eventual  superação  das  metas  ou  expectativas de desempenho pré­determinadas pela mesma.  Ocorre que tal entendimento não pode prevalecer.  A meu ver, a habitualidade não fica caracterizada apenas pelo pagamento em  tempo certo, de forma mensal, bimestral, semestral, ou anual, mas pela garantia do recebimento  a  cada  implemento  de  condição  por  parte  do  trabalhador.  Tanto  ficou  configurada  a  habitualidade que a Recorrente disponibilizou os cartões, no período de 04/2000 a 12/2006, aos  segurados empregados e contribuintes individuais. Portanto, a habitualidade, no presente caso,  resta caracterizada em decorrência da própria política de premiação realizada pela Recorrente.  O  pagamento  de  prêmios  por  cumprimento  de  condição  leva  tais  valores  a  aderirem  ao  contrato  de  trabalho,  cuja  eventual  supressão  pode  caracterizar  alteração  prejudicial do contrato de trabalho, o que é vedado pelo art. 468 da Consolidação das Leis do  Trabalho, que dispõe neste sentido:  Art.  468.  Nos  contratos  individuais  de  trabalho  só  é  lícita  a  alteração  das  respectivas  condições  por  mútuo  consentimento,  ainda  assim,  desde  que  não  resultem,  direta  ou  indiretamente,  prejuízos  ao  empregado,  sob  pena  de  nulidade  da  cláusula  infringente desta garantia.  O  entendimento  acima  encontra  respaldo  na  jurisprudência  trabalhista,  conforme se verifica nos seguintes julgados:  Prêmios.  Salário­condição.  Os  prêmios  constituem  modalidade  de  salário­condição,  sujeitos  a  fatores  determinados.  E,  como  tal, integram a remuneração do autor estritamente nos meses em  que verificada a condição”.(RO­23976/97 – TRT 3ª Reg. – 1ª T –  relator juiz Ricardo Antônio Mohallem – DJMG 22­01­99).  Comissões  e  prêmios.  Distinção.  Comissão  é  um  porcentual  calculado sobre as vendas ou cobranças  feitas pelo empregado  em  favor do empregador. O prêmio depende do atingimento de  metas estabelecidas pelo empregador. É salário­condição. Uma  vez  atingida  a  condição,  a  empresa  paga  o  valor  combinado.  Não  se  pode  querer  que  o  preposto  saiba  a  natureza  jurídica  entre uma verba e outra”.  (Proc. nº 00693­2003­902­02­00­7 –  Ac. 20030282661 – TRT 2ª Reg. ­ 3ª Turma – relator juiz Sérgio  Pinto Martins – DOESP 24­.06­03).  Com isso, entendo que há  incidência de contribuições previdenciárias sobre  os valores pagos aos segurados empregados por meio de cartão de premiação.  Nesse  sentido,  registramos  que  há  vários  precedentes  desta  natureza  prolatados  por  esta  Corte  Administrativa,  então  denominada  6ª  Câmara  do  2º  Conselho  de  Contribuintes: Ac. 206­00236, Ac. 206­00286, Ac. 206­00333, Ac. 206­00949. Ainda registro  o teor das ementas nos julgados abaixo:  ACÓRDÃO 206­00949 – Recurso 147059  Ementa:  PREVIDENCIÁRIO  –  REMUNERAÇÃO  INDIRETA  –  UTILIDADES  –  PAGAMENTO  DE  PRÊMIO  –  Fl. 586DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.003271/2007­19  Acórdão n.º 2402­002.953  S2­C4T2  Fl. 10          19 PRODUTIVIDADE  ­  INCIDÊNCIA  DE  CONTRIBUIÇÃO  –  DECADÊNCIA  Incide  contribuição  previdenciária  sobre  o  prêmio  fornecido  pela  empresa  aos  contribuintes  individuais  que  lhe  prestam  serviços, a título de incentivo pelas vendas. (...)  .........................................................................................................  ACÓRDÃO 206­00286 – Recurso 141822  Ementa:  NOTIFICAÇÃO  FISCAL  DE  LANÇAMENTO  ­  REMUNERAÇÃO.  INCENTIVE  HOUSE.  PARCELA  DE  INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  MULTA MORATÓRIA E OS JUROS SELIC SÃO DEVIDOS NO  CASO DE INADIMPLÊNCIA DO CONTRIBUINTE.  A  verba  paga  pela  empresa  aos  segurados  por  intermédio  de  programa de incentivo, administrativo pela Incentive House S.A.  é fato gerador de contribuição previdenciária.  Uma  vez  estando  no  campo  de  incidência  das  contribuições  previdenciárias,  para  não  haver  incidência  é  mister  previsão  legal  nesse  sentido,  sob  pena  de  afronta  aos  princípios  da  legalidade e da isonomia.  O  contribuinte  inadimplente  tem  que  arcar  com  o  ônus  de  sua  mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.  Dentro  desse  contexto,  peço  vênia  à  ilustre  Conselheira  Elaine  Cristina  Monteiro e Silva Vieira para transcrever trecho de seu voto, condutor do Ac. 206­01657, que  enfrenta a questão ora posta em julgamento:  [...]  Conforme  discutido  nos  autos  o  ponto  chave  é  a  identificação  do  campo  de  incidência  das  contribuições  previdenciárias.  Para  isso  façamos  uso  da  legislação  previdenciária,  atrelada  a  conceitos  trazidos  da  legislação  trabalhista.  De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n° 8.212/1991, para  o segurado empregado entende­se por salário­de­contribuição a  totalidade  dos  rendimentos  destinados  a  retribuir  o  trabalho,  incluindo  nesse  conceito  os  ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades, nestas palavras:  “Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:  I  ­  para  o  empregado  e  trabalhador  avulso:  a  remuneração  auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade  dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título,  durante  o mês,  destinados  a  retribuir o  trabalho,  qualquer  que  seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a  forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo à disposição do empregador ou  tomador de serviços nos  termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo  Fl. 587DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     20 coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela  Lei nº 9.528, de 10/12/97)”  O conceito de  remuneração, descrito no art.  457 da CLT, deve  ser  analisado  em  sua  acepção  mais  ampla,  ou  seja,  correspondendo  ao  gênero,  do  qual  são  espécies  principais  os  termos salários, ordenados, vencimentos etc.  “Art.  457.  Compreendem­se  na  remuneração  do  empregado,  para  todos  os  efeitos  legais,  além  do  salário  devido  e  pago  diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço,  as gorjetas que receber.  §  1º  Integram  o  salário  não  só  a  importância  fixa  estipulada,  como  também  as  comissões,  percentagens,  gratificações  ajustadas,  diárias  para  viagens  e  abonos  pagos  pelo  empregador.  (Súmulas nos 84, 101 e 226 do TST.)  § 2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como  as diárias para viagem que não excedam de cinqüenta por cento  do salário percebido pelo empregado.  § 3º Considera­se gorjeta não só a importância espontaneamente  dada  pelo  cliente  ao  empregado,  como  também  aquela  que  for  cobrada pela empresa ao cliente,  como adicional nas contas, a  qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados.  Art.  458.  Além  do  pagamento  em  dinheiro,  compreende­se  no  salário,  para  todos  os  efeitos  legais,  a  alimentação,  habitação,  vestuário  ou  outras  prestações  in  natura  que  a  empresa,  por  força  do  contrato  ou  do  costume,  fornecer  habitualmente  ao  empregado.  Em  caso  algum  será  permitido  o  pagamento  com  bebidas alcoólicas ou drogas nocivas.”  Não  procede  o  argumento  do  recorrente,  uma  vez  que  já  está  pacificado  na  doutrina  e  jurisprudência  que  os  prêmios  pagos  possuem natureza salarial.  A definição de “prêmios” dada pela recorrente não se coaduna  com  a  de  verba  indenizatória,  mas,  com  a  de  parcelas  suplementares pagas em razão do exercício de atividades, tendo  o  empregado  alcançado  resultados  no  exercício  da  atividade  laboral.  (...)  Claro  é o  posicionamento do  STF,  acerca  da  natureza  salarial  dos prêmios, posto o descrito na súmula n° 209, nestes termos:  “Súmula  209  –  Salário­Prêmio,  salário  –produção.  O  salário­ produção, como outras modalidades de salário prêmio, é devido,  desde  que  verificada  a  condição  a  que  estiver  subordinado,  e  não  pode  ser  suprimido,  unilateralmente,  pelo  empregador,  quando pago com habitualidade.”  Os  prêmios  são  considerados  parcelas  salariais  suplementares,  pagas  em  função  do  exercício  de  atividades  atingindo  determinadas  condições.  Neste  sentido,  adquirem  caráter  Fl. 588DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.003271/2007­19  Acórdão n.º 2402­002.953  S2­C4T2  Fl. 11          21 estritamente contraprestativo, ou seja, de um valor pago a mais,  um “plus” em função do alcance de metas e resultados Não tem  por escopo indenizar despesas, ressarcir danos, mas, atribuir um  incentivo ao empregado.  (...)  Vale  destacar  ainda,  que  por  se  caracterizarem  como  remuneração,  os  prêmios  devem,  em  regra,  refletir  no  pagamento  de  todas  as demais  verbas  trabalhistas,  sejam  elas:  férias,  13º  salário,  repouso  semanal  remunerado,  devendo­se  observar  a  habitualidade  dependendo  da  verba  que  se  faça  incidir.  Pelo exposto o campo de  incidência  é delimitado pelo  conceito  remuneração.  Remunerar  significa  retribuir  o  trabalho  realizado.  Desse  modo,  qualquer  valor  em  pecúnia  ou  em  utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de  um trabalho executado ou de um serviço prestado, ou até mesmo  por  ter  ficado  à  disposição  do  empregador,  está  sujeito  à  incidência de contribuição previdenciária.  Cabe  destacar  nesse  ponto,  que  os  conceitos  de  salário  e  de  remuneração não se confundem. Enquanto o primeiro é restrito  à  contraprestação  do  serviço  devida  e  paga  diretamente  pelo  empregador ao empregado, em virtude da relação de emprego; a  remuneração é mais ampla, abrangendo o salário, com todos os  componentes, e as gorjetas, pagas por terceiros. Nesse sentido é  a  lição de Alice Monteiro de Barros, na obra Curso de Direito  do Trabalho, Editora LTR, 3ª edição, página 730.   A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art.  28,  §9º,  quais  as  verbas  que  não  integram  o  salário  de  contribuição.  Tais  parcelas  não  sofrem  incidência  de  contribuições  previdenciárias,  seja  por  sua  natureza  indenizatória ou assistencial, nestas palavras: (...)  Pela  análise  do  dispositivo  legal,  podemos  observar  que  não  existe  nenhuma  exclusão  quanto  aos  prêmios  concedidos  seja  aos  segurados  empregados  ou  contribuintes  individuais.  Além  disso,  o  texto  legal  não  cria  distinção  entre  as  exclusões  aplicáveis aos empregados e aos contribuintes individuais. [...]”  Dessa forma, não acato as alegações da Recorrente, eis que valores pagos por  meio  de  cartão  de  incentivo  possuem  natureza  remuneratória  e  devem  integrar  o  salário  de  contribuição.  Quanto  à  argumentação  da  ilegalidade  da  cobrança  da  contribuição  para o Seguro de Acidente de Trabalho (SAT/GILRAT), tal tese não será acatada, pois o  Supremo  Tribunal  Federal  (STF)  já  pacificou  a  matéria  no  julgamento  do  RE  343.446­SC,  Relator Ministro Carlos Velloso.  Assim,  entendeu  o  STF  que  a  exigência  da  contribuição  para  o  custeio  do  SAT, por meio das Leis nos 7.787/1989 e 8.212/1991, é constitucional e também declarou que a  delegação  ao  Poder  Executivo  –  para  regulamentação  dos  conceitos  de  “atividades  Fl. 589DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     22 preponderante”  e  “grau  de  risco  leve,  médio  e  grave”  –  tem  amparo  constitucional.  Transcrevemos a ementa do RE 343.446­SC:  EMENTA:  CONSTITUCIONAL.  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO ­  SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação  da  Lei  9.732/98.  Decretos  612/92,  2.173/97  e  3.048/99.  C.F.,  artigo 195, § 4º; art. 154, II; art. 5º, II; art. 150, I.  I  ­  Contribuição  para  o  custeio  do  Seguro  de  Acidente  do  Trabalho  ­ SAT: Lei 7.787/89, art. 3º,  II; Lei 8.212/91, art. 22,  II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c  art.  154,  I,  da  Constituição  Federal:  improcedência.  Desnecessidade  de  observância  da  técnica  da  competência  residual  da  União,  C.F.,  art.  154,  I.  Desnecessidade  de  lei  complementar para a instituição da contribuição para o SAT.  II ­ O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da  igualdade,  por  isso  que  o  art.  4º  da  mencionada  Lei  7.787/89  cuidou de tratar desigualmente aos desiguais.  III ­ As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem,  satisfatoriamente,  todos os elementos capazes de  fazer nascer a  obrigação  tributária  válida.  O  fato  de  a  lei  deixar  para  o  regulamento  a  complementação  dos  conceitos  de  "atividade  preponderante"  e  "grau  de  risco  leve,  médio  e  grave",  não  implica  ofensa  ao  princípio  da  legalidade  genérica,  C.F.,  art.  5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. (g.n.)  IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não  é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não  integra o contencioso constitucional.  V. Recurso extraordinário não conhecido. (RE 343446, Rel. Min.  Carlos Velloso, DJ de 04/04/2004)  Ainda o Relator desse RE 343.446­SC registrou que: “(...) o regulamento não  pode  inovar  na ordem  jurídica,  pelo que não  tem  legitimidade constitucional o  regulamento  “praeter  legem”.  Todavia,  o  regulamento  delegado  ou  autorizado  ou  “intra  legem”  é  condizente com a ordem jurídico­constitucional brasileira”.  Esse  entendimento  de  que  a  cobrança  da  contribuição  destinada  ao  SAT/GILRAT é legítima vem sendo mantido pelo STF, senão vejamos:  EMENTA:  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  AGRAVO  DE  INSTRUMENTO.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL.  SAT.  TRABALHADORES AVULSOS. CONSTITUCIONALIDADE.  1. Contribuição  social.  Seguro de Acidente do Trabalho ­  SAT.  Lei  n.  7.787/89,  artigo  3o,  II.  Lei  n.  8.212/91,  artigo  22,  II.  Constitucionalidade. Precedente.  2. A cobrança da contribuição ao SAT  incidente  sobre o  total  das  remunerações  pagas  tanto  aos  empregados  quanto  aos  trabalhadores avulsos é legítima. Precedente. (g.n.)   Agravo regimental a que se nega provimento. [...]  Voto [...]  Fl. 590DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.003271/2007­19  Acórdão n.º 2402­002.953  S2­C4T2  Fl. 12          23 4.  O  Supremo  afastou  a  argumentação  de  contrariedade  do  princípio da  legalidade  tributária  [CB, artigo 150,  I], uma vez  que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para os decretos  regulamentares  ns.  612/92,  2.173/97  e  3.048/99  a  delimitação  dos  conceitos  necessários  à  aplicação  concreta  da  norma  "atividade  preponderante"  e  "grau  de  risco  leve,  médio  ou  grave".  (g.n.)  (AIAgR  742458/DF,Rel.  Min.  Eros  Grau,  Dje  14/05/2009)  Depreende­se dessas decisões do STF que a complementação dos conceitos  de atividade preponderante e do grau de  risco para aplicação das alíquotas do SAT/GILRAT  pode ser estabelecida por meio de Decreto (regulamento do Poder Executivo), desde que a lei  assim o discipline.  Nesse  sentido,  há  precedentes  judiciais  no Tribunal Regional  Federal  da  4a  Região (TRF4), a saber:  TRIBUTÁRIO.  SEGURO  ACIDENTE  DO  TRABALHO  ­  SAT.  CONSTITUCIONALIDADE.  GRAU  DE  RISCO.  REGULAMENTO.  1. Não  há  qualquer  vício  no  se  atribuir  ao  Executivo,  ou  a  um  órgão  do  Executivo,  a  determinação  dos  graus de risco das empresas, para o enquadramento destas nos  correspondentes  graus  de  risco.  2.  Em  muitas  situações  o  legislador  é  obrigado  a  editar  normas  "em  branco",  cujo  conteúdo final é deixado a outro foco de poder, sem que nisso se  entreveja  a  vedada  delegação  legislativa.  As  circunstâncias  dirão  a  quem  deferir  a  competência.  3.  Não  se  confunde  a  delegação  legislativa  com  a  suplementação  técnica  da  norma  por autoridade administrativa. O que se tem, no caso dos autos,  é  típica  suplementação  técnica  da  lei,  atribuída  à  autoridade  administrativa,  que  não  estará  exercendo  qualquer  função  normativa  e  nem mesmo  regulamentar.  Via  de  conseqüência,  não há qualquer vício de inconstitucionalidade na fixação, pelo  Ministério  da  Previdência  Social,  dos  critérios  de  enquadramento  das  empresas  nos  diversos  graus  de  risco  de  acidentes  do  trabalho.  4. Recurso  de  apelação  improvido.(TRF  4a  Região,  Recurso  de  Apelação  nº  1999.72.01.006298­3/SC,  Relator Antonio Albino Ramos de Oliveira). (g.n.)  Por  sua  vez,  cumpre  esclarecer  que,  nas  competências  objeto  do  presente  lançamento  fiscal  (04/2000  a  12/2006),  houve  um  auto­enquadramento  na  alíquota  SAT/GILRAT  de  2%  pela  Recorrente  na  Guia  de Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  à  Previdência Social (GFIP), conforme documentos juntados aos autos de fls. 354/394. Ou seja,  o  próprio  sujeito  passivo  enquadrou­se  no  grau  de  risco  médio  (2%).  Além  disso,  os  documentos  juntados aos autos operaram­se em desfavor da Recorrente,  eis que se  tratam de  documentos  declaratórios  ao  Fisco  preenchidos  pela  empresa  e  não  há  documentos  que  demonstrem o contrário do que foi registrado na GFIP.  Logo,  em  consonância  com  a  legislação  previdenciária  de  regência  ao  lançamento  fiscal,  entendo  que  é  devida  à  contribuição  destinada  ao  Seguro  de Acidente  de  Trabalho  (SAT/GILRAT),  e  afasto  a  alegação  da  Recorrente  de  ilegalidade  dessa  exação  previdenciária.  Fl. 591DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     24 Quanto à alegação de inconstitucionalidade/ilegalidade das contribuições  destinadas ao INCRA,  frise­se que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não  pode  a  autoridade  administrativa  recusar­se  a  cumprir  norma  cuja  constitucionalidade  vem  sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os preceitos regulados na Lei 8.212/1991 e  demais disposições das legislações vigentes que embasaram o lançamento fiscal ora analisado.  Dessa  forma,  quanto  à  inconstitucionalidade/ilegalidade  na  cobrança  das  contribuições  destinadas  ao  INCRA,  não  há  razão  para  a  Recorrente.  Como  dito,  não  é  de  competência  da  autoridade  administrativa  a  recusa  ao  cumprimento  de  norma  supostamente  inconstitucional, razão pela qual são exigíveis as contribuições incidentes sobre a remuneração  paga, creditada ou debitada aos segurados empregados.  Isso  está  em  consonância  com  o  Enunciado  nº  2  de  Súmula  do  CARF,  mencionado na análise da preliminar das alegações de inconstitucionalidade expostas na peça  recursal.  Por  outro  lado,  esclarecemos  que  a  matéria  já  se  encontra  pacificada  no  âmbito  do  poder  Judiciário,  firmando  entendimento  de  que  é  devida  a  contribuição  social  destinada  ao  INCRA,  conforme  se  percebe  do  precedente  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ), analisado sob a égide de Recursos Repetitivos, confira­se:  “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE  DIVERGÊNCIA.CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. EXTINÇÃO  PELAS  LEIS  7.787/89  OU  8.212/91.  NÃO  OCORRÊNCIA.  EXAÇÃO  EXIGÍVEL  DAS  EMPRESAS  URBANAS.  ACÓRDÃO  EMBARGADO EM SINTONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DA  PRIMEIRA SEÇÃO. SÚMULA 168/STJ.  1. Agravo regimental contra decisão que indeferiu liminarmente  os embargos de divergência (art. 266, § 3º, do RISTJ).  2.  A  jurisprudência  da  Primeira  Seção,  consolidada  inclusive  em  sede  de  recurso  especial  repetitivo  (REsp  977.058/RS,  Rel.  Min. Luiz Fux, DJe 10/11/2008), firmou o entendimento de que  a contribuição para o Incra (0,2%) não foi revogada pelas Leis  7.787/89  e  8.213/91,  sendo  exigível,  também,  das  empresas  urbanas. (g.n.)  3.  Incidência  da  Súmula  168/STJ:  "Não  cabem  embargos  de  divergência,  quando a  jurisprudência do Tribunal  se  firmou no  mesmo sentido do acórdão embargado".  4.  Agravo  regimental  não  provido.  (AgRg  nos  EREsp  803.780/SC,  Rel.  Ministro  BENEDITO  GONÇALVES,  PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 30/11/2009)”.  Logo, são devidas as contribuições destinadas ao INCRA, afastando assim as  alegações de ilegalidade dessa contribuição.  No  que  tange  à  arguição  de  inconstitucionalidade,  ou  ilegalidade,  de  legislação previdenciária que dispõe sobre a utilização taxa de juros (taxa SELIC), frise­ se  que  incabível  seria  sua  análise  na  esfera  administrativa.  Não  pode  a  autoridade  administrativa  recusar­se  a  cumprir  norma  cuja  constitucionalidade  vem  sendo  questionada,  razão  pela  qual  são  aplicáveis  as  normas  reguladas  na  Lei  8.212/1991.  Isso  está  em  consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF: “O CARF não é competente para se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”.  Fl. 592DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.003271/2007­19  Acórdão n.º 2402­002.953  S2­C4T2  Fl. 13          25 Esclarecemos que foi correta a aplicação do índice pelo Fisco, pois o art. 144  do CTN dispõe que o lançamento reporta­se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação  tributária e rege­se pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada, e a cobrança de  juros (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­ SELIC) estava prevista em  lei específica da previdência social, art. 341 da Lei 8.212/1991.  Nesse  sentido  já  se  posicionou  o  STJ  no  Recurso  Especial  n°  475904,  publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  EXECUÇÃO  FISCAL.  CDA.  VALIDADE.  MATÉRIA  FÁTICA.  SÚMULA  07/STJ.  COBRANÇA  DE  JUROS.  TAXA  SELIC.  INCIDÊNCIA.  A  averiguação  do  cumprimento  dos  requisitos  essenciais  de  validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória,  situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da  Súmula  07/STJ. No  caso  de  execução de dívida  fiscal,  os  juros  possuem  a  função  de  compensar  o  Estado  pelo  tributo  não  recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC  estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não  há confronto  com o art.  161, § 1º,  do CTN. A aplicação de  tal  Taxa  já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da  sua  instituição,  isto  é,  1º/01/1996  (REsp  439256/MG).  Recurso  especial  parcialmente  conhecido,  e  na  parte  conhecida,  desprovido.  A propósito, convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais  (CARF)  uniformizou  a  jurisprudência  administrativa  sobre  a  matéria  por  meio  do  enunciado  da  Súmula  nº  4  (Portaria  MF  no  383,  publicada  no  DOU  de  14/07/2010),  nos  seguintes termos:  Súmula CARF nº  4: A  partir  de  1o  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ Selic para títulos federais.  Não  tendo  o  contribuinte  recolhido  à  contribuição  previdenciária  em  época  própria,  tem por obrigação arcar com o ônus de  seu  inadimplemento. Caso não se  fizesse  tal  exigência,  poder­se­ia  questionar  a  violação  ao  principio  da  isonomia,  por  haver  tratamento  similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que  não recolheram no prazo fixado pela legislação.  Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança de juros, estando  os  valores  descritos  no  lançamento  fiscal,  em  consonância  com  o  prescrito  pela  legislação  previdenciária, eis que o art. 34 da Lei 8.212/1991 dispunha que as contribuições sociais não                                                              1 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação  fiscal de  lançamento, pagas  com atraso, objeto ou não de parcelamento,  ficam sujeitas  aos  juros equivalentes à  taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia­SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065,  de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo  restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  Parágrafo  único.  O  percentual  dos  juros  moratórios  relativos  aos  meses  de  vencimentos  ou  pagamentos  das  contribuições corresponderá a um por cento.    Fl. 593DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     26 recolhidas à época própria ficavam sujeitas aos juros SELIC e multa de mora, todos de caráter  irrelevável.  Isso  está  em  consonância  com  o  próprio  art.  161,  §  1°,  do CTN2,  pois  havendo  legislação especifica dispondo de modo diverso, abre­se a possibilidade de que seja  aplicada  outra  taxa e, no caso das contribuições previdenciárias pagas com atraso, a  taxa utilizada é a  SELIC.  O  disposto  no  art.  161  do CTN não  estabelece  norma  geral  em matéria  de  legislação tributária. Portanto, sendo materialmente lei ordinária pode ser alterado por outra lei  de igual status, não havendo necessidade de lei complementar.  Quanto ao argumento de que a multa aplicada tem caráter confiscatório,  o que é vedado pela Constituição Federal,  já que ela  seria abusiva e desproporcional,  e  deveria  ser  relevada,  razão  não  confiro  ao  Recorrente,  já  que  a  multa  foi  aplicada  em  conformidade  à  legislação  previdenciária  descrita  acima.  Ademais,  conforme  registramos  anteriormente,  a  verificação  de  inconstitucionalidade  de  ato  normativo  é  inerente  ao  Poder  Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.  Logo, essa verificação de que a multa aplicada vai de encontro ao princípio  constitucional  da  isonomia  e  teria  caráter  confiscatório,  ora  pretendida  pela  Recorrente,  exacerba a competência originária dessa Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos  praticados  pela  Administração,  bem  como  invade  competência  atribuída  especificamente  ao  Judiciário pela Constituição Federal.  Registramos que a vedação constitucional quanto ao caráter confiscatório se  dá  em  relação  ao  tributo  e  não  à multa  pecuniária  ora  discutida  pela  recorrente,  sendo  esta  última a  apreciada no  caso  concreto. Nesse  sentido preceitua o  art.  150,  IV, da Constituição  Federal de 1988:  Art.  150  Sem  prejuízo  de  outras  garantias  asseguradas  ao  contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal  e aos Municípios:  (...)  IV ­ utilizar tributo com efeito de confisco;  Portanto,  não  possui  natureza  de  confisco  a  exigência  da multa  moratória,  conforme  prevê  o  art.  35  da  Lei  8.212/1991,  já  que  se  trata  de  uma multa  pecuniária.  Não  recolhendo  na  época  própria  o  sujeito  passivo  tem  que  arcar  com  o  ônus  de  seu  inadimplemento.  Em decorrência dos princípios da autotutela e da legalidade objetiva, no  que  tange  à  aplicação  da  multa  de  mora  sobre  as  contribuições  devidas,  entendo  que  deverá ser aplicada a legislação vigente à época do fato gerador.  A  questão  a  ser  enfrentada  é  a  retroatividade  benéfica  para  redução  ou  mesmo  exclusão  das  multas  aplicadas  através  de  lançamentos  fiscais  de  contribuições  previdenciárias na vigência da Medida Provisória (MP) 449, de 03/12/2008, convertida na Lei  11.941/2009, mas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes de sua edição. É que a                                                              2 Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN):  Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo  determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de  garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.  § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.    Fl. 594DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.003271/2007­19  Acórdão n.º 2402­002.953  S2­C4T2  Fl. 14          27 medida provisória  revogou o art. 35 da Lei 8.212/1991 que  trazia as  regras de aplicação das  multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já  existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor  devido.  Para  tanto,  deve­se  examinar  cada  um  dos  dispositivos  legais  que  tenham  relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores.  Lei 8.212/1991:  Art. 35. Sobre as contribuições  sociais em atraso, arrecadadas  pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada,  nos seguintes termos:  (...)  II ­ para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal  de lançamento:  a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento  da notificação;  b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da  notificação;  c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que  antecedido de defesa, sendo ambos  tempestivos, até quinze dias  da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência  Social ­ CRPS;   d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da  decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social ­ CRPS,  enquanto não inscrito em Dívida Ativa;  III ­ para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa:   a)  sessenta  por  cento,  quando  não  tenha  sido  objeto  de  parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  b)  setenta  por  cento,  se  houve  parcelamento;  (Redação  dada  pela Lei nº 9.876, de 1999).  c)  oitenta  por  cento,  após  o  ajuizamento  da  execução  fiscal,  mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito  não  foi  objeto  de  parcelamento;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876, de 1999).  d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo  que  o  devedor  ainda  não  tenha  sido  citado,  se  o  crédito  foi  objeto  de  parcelamento.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876,  de  1999).  De  fato,  a  multa  inserida  como  acréscimo  legal  nos  lançamentos  tinha  natureza  moratória  –  era  punido  o  atraso  no  pagamento  das  contribuições  previdenciárias,  independentemente  de  a  cobrança  ser  decorrente  do  procedimento  de  ofício.  Mesmo  que  o  contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a  Fl. 595DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     28 constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A  redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse  sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento –  a mora.  Contemporâneo  à  essa  regra  especial  aplicável  apenas  às  contribuições  previdenciárias  já vigia,  desde 27/12/1996, o  art.  44 da Lei 9.430/1996,  aplicável  a  todos os  demais tributos federais:  Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições  Multas de Lançamento de Ofício  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas, calculadas sobre a  totalidade ou diferença de  tributo ou contribuição:  I ­ de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento  ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento  do  prazo,  sem  o  acréscimo  de  multa  moratória,  de  falta  de  declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do  inciso seguinte;  II ­ cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de  fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas ou criminais cabíveis.  É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se  sabe a norma especial prevalece sobre a geral, sendo isso um dos critérios para a solução dessa  controvérsia. Para os  fatos  geradores  de contribuições previdenciárias ocorridos  até  a MP no  449 aplicava­se exclusivamente o art. 35 da Lei 8.212/1991.  Portanto,  a  sistemática  dos  artigos  44  e  61  da  Lei  9.430/1996,  para  a  qual  multas  de  ofício  e  de  mora  são  excludentes  entre  si,  não  se  aplica  às  contribuições  previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplica­se a multa de mora e,  caso  contrário,  seja  necessário  um  procedimento  de  ofício  para  apuração  do  valor  devido  e  cobrança  através  de  lançamento  então  a multa  é  de  ofício.  Enquanto  na  primeira  se  pune  o  atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade.  Portanto,  repete­se: no caso das  contribuições previdenciárias  somente o  atraso  era  punido  e  nenhuma  dessas  regras  se  aplicava;  portanto,  não  vejo  como  se  aplicar, sem observância da regra especial que era prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, a  multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida  Provisória (MP) 449.  Embora  os  fatos  geradores  tenham  ocorridos  antes,  o  lançamento  foi  realizado na vigência da MP 449. Por sua vez, o Código Tributário Nacional (CTN) estabelece  que  o  lançamento  reporta­se  à  data  de  ocorrência  do  fato  gerador  e  rege­se  pela  lei  então  vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada:  Art. 144. O lançamento reporta­se à data da ocorrência do fato  gerador da obrigação e rege­se pela lei então vigente, ainda que  posteriormente modificada ou revogada.  Fl. 596DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.003271/2007­19  Acórdão n.º 2402­002.953  S2­C4T2  Fl. 15          29 É  a  afirmação  legislativa  da  natureza  declaratória  do  lançamento,  já  predominante  na  doutrina  desde  a  edição  das  obras  de Direito Tributário  do  saudoso mestre  Amílcar  de  Araújo  Falcão  (FALCÃO,  Amilcar  de  Araújo.  Fato  Gerador  da  Obrigação  Tributária. 4. ed. Anotada e atualizada por Geraldo Ataliba. São Paulo: Revista dos Tribunais,  1977):  “[...]  De  logo  convém  recordar  que  não  é  manso  e  tranqüilo  o  entendimento  que  exprimimos  quanto  à  função  do  fato  gerador  como  pressuposto  e  ponto  de  partida  da  obrigação  tributária.  Alguns  autores  dissentem  dessa  conclusão,  afirmando  que  tal  função  criadora deve ser atribuída ao lançamento. Contestam estes que o lançamento tenha, como à  maioria da doutrina e a nós parece ter, natureza declaratória [...]”.  Ainda dentro desse contexto, pela legislação da época da ocorrência do fato  gerador, seriam duas multas distintas a serem aplicadas pela Auditoria­Fiscal:  1.  uma relativa ao descumprimento da obrigação acessória – capitulada  no Código de Fundamento Legal (CFL) 68 –, com base o art. 32, IV e  § 5o, da Lei 8.212/1991, no total de 100% do valor devido, relativo às  contribuições  não  declaradas,  limitada  em  função  do  número  de  segurados;  2.  outra  pelo  descumprimento  da  obrigação  principal,  correspondente,  inicialmente,  à multa de mora de 24% prevista  no  art.  35,  II,  alínea  “a”, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.876/1999. Tal  artigo  traz  expresso  os  percentuais  da  multa  moratória  a  serem  aplicados aos débitos previdenciários.  Essa  sistemática  de  aplicação  da  multa  decorrente  de  obrigação  principal  sofreu  alteração  por  meio  do  disposto  nos  arts.  35  e  35­A,  ambos  da  Lei  8.212/1991,  acrescentados pela Lei 11.941/2009.  Lei 8.212/1991:  Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das  contribuições  sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art.  11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição  e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras  entidades  e  fundos,  não  pagos  nos  prazos  previstos  em  legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora,  nos  termos  do  art.  61  da Lei  no  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g,n,)  .........................................................................................................  Lei 9.430/1996:  Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três centésimos por cento, por dia de atraso. (...)  § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte  por cento.  Fl. 597DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     30   Em decorrência da disposição acima, percebe­se que a multa prevista no art.  61  da  Lei  9.430/96,  se  aplica  aos  casos  de  contribuições  que,  embora  tenham  sido  espontaneamente  declaradas  pelo  sujeito  passivo,  deixaram  de  ser  recolhidas  no  prazo  previsto na legislação. Esta multa, portanto, se aplica aos casos de recolhimento em atraso, que  não é o caso do presente processo.    Por outro lado, a regra do art. 35­A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei  11.941/2009) aplica­se aos lançamentos de ofício, que é o caso do presente processo, em que  o  sujeito  passivo  deixou  de  declarar  fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias  e  consequentemente  de  recolhê­los,  com  o  percentual  75%,  nos  termos  do  art.  44  da  Lei  9.430/1996.  Lei 8.212/1991:  Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35, aplica­se o disposto no art. 44  da Lei no 9.430, de 1996. (g.n.)  Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em  GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido,  como segue:  Lei 9.430/1996:  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;  Entretanto,  não  há  espaço  jurídico  para  aplicação  do  art.  35­A  da  Lei  8.212/1991 em sua integralidade, eis que o critério jurídico a ser adotado é do art. 144 do CTN  (tempus regit actum: o lançamento reporta­se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação  e rege­se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada).  Dessa  forma,  entendo  que,  para  os  fatos  geradores  ocorridos  antes  da  vigência  da  MP  449/2008,  aplica­se  a  multa  de  mora  nos  percentuais  da  época  (redação  anterior  do  artigo  35,  inciso  II,  da  Lei  8.212/1991),  limitando  a  multa  ao  patamar  de  75%  previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996.  Embora  a  multa  prevista  no  art.  35  da  Lei  8.212/1991  (antes  da  alteração  promovida pela Lei 11.941/2009)  seja mais benéfica na  atual  situação em que se  encontra  a  presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o  patamar de até 100% do valor principal. Neste caso, considerando que a multa prevista pelo art.  44  da  Lei  9.430/1996  limita­se  ao  percentual  de  75% do  valor  principal  e  adotando  a  regra  interpretativa  constante  do  art.  106  do CTN,  deve  ser  aplicado  o  percentual  de  75%  caso  a  multa  prevista  no  art.  35  da  Lei  8.212/1991  (antes  da  alteração  promovida  pela  Lei  11.941/2009) supere o seu patamar.    Fl. 598DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.003271/2007­19  Acórdão n.º 2402­002.953  S2­C4T2  Fl. 16          31 CONCLUSÃO:  Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR­LHE PROVIMENTO  PARCIAL, para reconhecer que: (i) sejam excluídos, em decorrência da decadência tributária  quinquenal, os valores apurados até a competência 11/2001,  inclusive; e (ii) com relação aos  fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos  termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitando­se ao percentual máximo  de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996, nos termos do voto.    Ronaldo de Lima Macedo.                              Fl. 599DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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Numero do processo: 10925.905488/2013-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 23 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE PROVAS. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTOS. VÍCIO DE NULIDADE. Apresenta vício de nulidade o julgado proferido com preterição ao direito de defesa, caracterizado pela ausência de apreciação de argumento ainda que apresentado de forma genérica. Da mesma forma, a ausência de apreciação, pela autoridade julgadora de primeira instância, dos documentos comprobatórios apresentados pela contribuinte na Manifestação de Inconformidade configura cerceamento do direito de defesa, também a atrair vício de nulidade.
Numero da decisão: 3401-009.951
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade da decisão recorrida, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-009.947, de 23 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10925.905486/2013-29, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco e Ronaldo Souza Dias (Presidente).
Nome do relator: Carolina Machado Freire Martins

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AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTOS. VÍCIO DE NULIDADE. Apresenta vício de nulidade o julgado proferido com preterição ao direito de defesa, caracterizado pela ausência de apreciação de argumento ainda que apresentado de forma genérica. Da mesma forma, a ausência de apreciação, pela autoridade julgadora de primeira instância, dos documentos comprobatórios apresentados pela contribuinte na Manifestação de Inconformidade configura cerceamento do direito de defesa, também a atrair vício de nulidade. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade da decisão recorrida, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-009.947, de 23 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10925.905486/2013-29, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco e Ronaldo Souza Dias (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 54 88 /2 01 3- 18 Fl. 418DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-009.951 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.905488/2013-18 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou procedente em parte Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que acolhera em parte o Pedido de Ressarcimento/Compensação apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente a crédito de COFINS, referente ao 1º trimestre de 2012. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: (1) considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela defendente; (2) Não se conhece dos argumentos expendidos pela defesa quando não guardarem qualquer conexão com a matéria tratada nos autos, uma vez que inexiste litígio instaurado nessa parte; (3) Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. (4) o conceito de insumo para fins de apuração de créditos de PIS/Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica; o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço: a) constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço; ou b) quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; o critério da relevância, por seu turno, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja a) pelas singularidades de cada cadeia produtiva; ou b) por imposição legal; (5) as embalagens de transporte, entendidas como aquelas que não integram o produto, não seguem com ele quando de sua comercialização e não conferem características, forma ou identificação aos produtos, não ensejam direito a crédito no regime de apuração não-cumulativo, uma vez que referem-se a gastos posteriores à finalização do processo produtivo; (6) os combustíveis e lubrificantes utilizados em qualquer etapa da produção ou fabricação de bens destinados à venda são considerados insumos por disposição expressa de lei. Intimado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário repisando os principais argumentos no tocante às glosas que foram mantidas, e inovando no tocante à glosa dos produtos com alíquota zero e glosas sobre bens do imobilizado. Aduz ainda que nada obstante o entendimento da DRJ de que não havia impugnação específica da glosa dos produtos e serviços de reparo e manutenção, mesmo que de forma genérica, teria havido a devida impugnação em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 419DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-009.951 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.905488/2013-18 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, sendo definido como paradigma. 1. Matérias não impugnadas Afirma a DRJ (e-fl. 385): A recorrente em nada se insurge sobre vários pontos do despacho decisório, limitando-se a alegar que todos os gastos são necessários ao seu processo produtivo, sem defender especificamente diversas glosas. Assim, o contribuinte não cumpriu com o ônus da impugnação específica em vários pontos. Elabora, inclusive, uma tabela que sintetiza os itens glosados pela fiscalização e aqueles que poderiam ser considerados impugnados pelo contribuinte: Parcialmente com razão a instância de julgamento de piso, em relação aos argumentos efetivamente novos, trazidos pela primeira vez a debate no Recurso Voluntário, que não podem ser analisadas por este colegiado, tendo em vista que a não apresentação no momento processual próprio caracteriza matéria preclusa, na forma do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Conforme explana o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho relator do Acórdão nº 3302-011,638, “a legislação processual determina que a impugnação/manifestação de inconformidade instaura a fase litigiosa do procedimento devendo ser formalizada por escrito e com o detalhamento dos motivos de fato e de direito em que se basear, devendo os pontos de discordância e as razões estarem expostas de forma minuciosa, sob pena de serem considerados não refutados.” Fl. 420DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-009.951 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.905488/2013-18 Assim, em não se tratando de matéria de ordem pública, não se toma conhecimento da inovação no tocante a despesas com depreciação da totalidade dos bens do ativo imobilizado, sob pena de supressão de instância e de ferir o devido processo legal. 1.1. Serviços e Despesas de Manutenção No entanto, em relação às despesas constantes do Anexo II – Itens glosados Linha 03, entendo que, na verdade, não se verifica a apreciação dos argumentos apresentados pelo contribuinte na manifestação de inconformidade relativamente a essas glosas. Sendo assim, a matéria merece ser conhecida. Veja-se o que afirmou o contribuinte naquela oportunidade (e-fl. 08): O Fisco entende que os gastos com manutenção, peças, equipamentos, veículos, ferramentas, serviços utilizados nas máquinas e equipamentos utilizados na produção, não geram o direito ao crédito. Não restou reconhecido os créditos de PIS/COFINS nas aquisições de manutenção de máquinas, equipamentos, materiais de limpeza e higienização, entre outros. As glosas dos créditos advindos das aquisições utilizadas e não reconhecidas pelo auditor, não se aplica a empresa requerente, considerando a suas atividades. Todos os gastos são necessários a produção do produto, eis que a empresa produz e vende maçãs. Desta forma, as glosas não fazem sentido, pela atividade atípica da empresa, onde em um primeiro momento parecem desnecessárias, mas na realidade fazem parte do processo produtivo. As despesas com empilhadeiras e tratores não foram reconhecidas pelo Fisco para gerar direito ao crédito, contudo, entende a Requerente que tem direito ao crédito nos custos utilizados nas empilhadeiras, considerando que as mesmas trabalham diretamente e com aplicação no produto, ou seja, na movimentação das maçãs, desde que chegam à produção até o destino final que é a expedição. Considerando-se que conforme circunstâncias relacionadas ao processo produtivo próprio do contribuinte, gastos com serviços de manutenção, reparos e substituição de peças poderão ser tratados como insumos e, consequentemente, passíveis de apuração de crédito, tal argumento entabulado pelo contribuinte deve ser analisado. Para evitar a supressão de instância, cabe o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a fim de que seja prolatada decisão complementar com a apreciação dessa matéria. 2. Processo produtivo da Recorrente e glosas mantidas De acordo com o estatuto social da Recorrente, a empresa tem por objeto social a exploração vegetal, agricultura, fruticultura, apicultura, produção de mudas, reflorestamento e pecuária, bem como a comercialização de seus produtos e a prestação de serviços de classificação de produtos de origem vegetal ou animal, podendo, ainda, exportar e importar, e participar de outras empresas. Considerando não constar dos autos que o contribuinte execute qualquer tipo de processamento da fruta visando a fabricação de doces, geleias, compotas, sucos, bebidas, vinagre etc, entendeu-se haver a dedicação exclusiva à produção e comercialização da maçã para consumo in natura. Fl. 421DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-009.951 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.905488/2013-18 Importante ressaltar, ainda, que a empresa vende seus produtos para supermercados e varejistas em geral em embalagens de diversas formas e tamanhos. A venda a granel para o consumidor final, por sua vez, é realizada nos varejistas, momento em que ocorrerá a inutilização das embalagens. Nesse contexto, a análise de que determinado bem ou serviço seja considerado essencial e relevante ao processo produtivo, depende exatamente dessa análise específica do processo de produção do contribuinte, que possibilitará o correto enquadramento de determinado bem ou serviço ao conceito de insumo. No caso em tela, após o reconhecimento parcial do direito creditório pela autoridade de origem, parcialmente reformado pela DRJ, verifica-se terem sido mantidas as seguintes glosas em relação ao Anexo I: (e-fls. 246; 257/289): Foram relacionados no Anexo I todos os itens glosados em virtude do não enquadramento como “insumos” como prediz a legislação. Abaixo, seguem somente os principais itens glosados, agrupados de forma a facilitar a análise: (...) b) Produtos para movimentação de cargas: pallet mercado interno 0,99x1,16, caixa de madeira 18kg; (...) d) Outros itens: pneu, filtro, retentor, buzina; rolamento, parafuso, anel, bomba, bucha, jogo de cabo de velas, eixo, disco, entre outros. 2.1.. Outros itens Como dito, foram mantidas as glosas de itens diversos, tais como pneus, filtro, retentor, buzina; rolamento, parafuso, anel, bomba, bucha, jogo de cabo de velas, eixo, disco, entre outros. A justificativa para manutenção não decorre de eventual essencialidade ou relevância para o processo produtivo da empresa, mas à ausência de provas: Ocorre que o contribuinte limitou-se a afirmar genericamente que tais gastos são “necessários” à produção da empresa, sem fundamentar a essencialidade ou relevância de forma individualizada para cada item glosado e sem demonstrar a relação dos dispêndios com o processo produtivo da empresa. Também não juntou qualquer documentação comprobatória para fundamentar o direito alegado. Depreende-se, portanto, que a DRJ fundamenta a improcedência parcial da manifestação de inconformidade, nesse ponto, pela ausência de elementos comprobatórios no tocante aos critérios da essencialidade ou da relevância da aquisição dos bens para a produção dos produtos destinados à venda pela Recorrente. Nesse sentido a conceituação constante da ementa do acórdão recorrido: O critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço: a) constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço; ou b) quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. O critério da relevância, por seu turno, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja a) pelas singularidades de cada cadeia produtiva; ou b) por imposição legal. Sobre o assunto, a Recorrente limitou-se a alegar no Recurso Voluntário: Fl. 422DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-009.951 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.905488/2013-18 Da mesma forma, são as despesas com a aquisição de peças e manutenção para máquinas e veículos, pois a produção de maçãs começa desde o plantio das mudas, a manutenção da plantação até gerarem os frutos, ou seja, as maçãs, que após colhidas, são transportadas para o packing, e sujeitadas ao processo industrial, são vendidas. A empresa entende ter direito a todos os gastos necessários a produção dos bens, ou seja, na produção das maçãs, independente de estarem em início de plantação ou já em fase de colheita, formação de mudas, e nas manutenções necessárias aos pomares. Para além da arguição, deveria o contribuinte interessado esclarecer os fatos considerados insuficientemente conclusivos, como também trazer elementos mínimos de comprovação. O Recurso Voluntário, contudo, não trouxe novos elementos que demonstrassem a relação com o processo produtivo ao da empresa. Ao mesmo tempo, compulsando os autos, observa-se que durante a fiscalização foram juntados dois laudos que descrevem o processo produtivo implantado pela Recorrente, bem como os insumos associados a cada etapa – Laudo Técnico do Processo Produtivo de Maçãs - Pomares e Laudo Técnico do Processo Produtivo de Maçãs – Packing House. Desse modo, é certo que no presente caso, o inconformismo com a decisão da DRJ foi combatido por meio de um Recurso Voluntário não instruído com outras provas que poderiam contrapor o assentado no acórdão recorrido. Também é certo que existem elementos já juntados aos autos que não foram totalmente analisados pela DRJ, uma vez que, exemplificadamente, houve contextualização do item pneu no processo produtivo da Recorrente, sendo citado na etapa de Movimentação de frutas realizada na Packing House, instalação em que são recebidos produtos agrícolas para serem processados antes de irem ao mercado: Desse modo, existem elementos de prova que não foram objeto de análise pela DRJ quando da prolação do acórdão. Ante o exposto, voto por declarar a nulidade da decisão recorrida para que a turma julgadora analise os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, bem como os elementos constantes dos autos, que não foram objeto de apreciação e manifestação, quais sejam: - alegação no tocante a glosa de serviços e despesas de manutenção constantes do Anexo II do Despacho Decisório; - análise dos itens glosados elencados no Anexo I em comparação aos bens citados no Laudo Técnico do Processo Produtivo de Maçãs - Pomares e Laudo Técnico do Processo Produtivo de Maçãs – Packing House, com exceção do item “Smart fresh Application For Aplles B3”, NCM 38089359, por tratar de insumo com alíquota reduzida a zero. Fl. 423DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-009.951 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.905488/2013-18 Após ciência do novo acórdão, transcorrido o prazo para a apresentação do recurso voluntário sobre a matéria e demais providências cabíveis pela unidade de origem, retornem-se os autos a este colegiado para inclusão em nova pauta de julgamentos. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de declarar a nulidade da decisão recorrida. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Fl. 424DF CARF MF Documento nato-digital

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