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Numero do processo: 00935.050997/81-19
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
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Recorrido - DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM CASCAVEL - (PR) IRPJ - PEREMPÇÃO - Das decisões de pri- meira instância cabe recurso aos Conse lhos de Contribuintes dentro do prazo de 30 dias seguintes ã ciência da deci- são. Não se toma conhecimento de recur- so protocolizado após esse prazo, por ter ocorrido a perempção do direito de sua interposição. (Art. 33, do Decreto 70.235/72). Vistos, relatadoS e discutidos os presentes autos de recurso interposto por BANDEIRA SOCIEDADE AGRO PASTORIL LTDA.: ACORDAM os Membros da Pr . meira Câmara do Primeiro Con- selho de Contribuintes, por unanimidad : ,e votos, não conhecer do re- curso, em face de sua intempestividad-4, d( ç Sala das y e eS/(iDF) em 09 de Março de 1983. Ahlr AMADOR OU b'' ' ''" a' 'ERNANDEZ - PRESIDENTE C-9 - Affir - RELATOR f VISTO EM AGí= I IO FLO" - PROCURADOR DA SESSÃO DE:DE: n. F r3 ZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente jUlgamento,os seguintes Conselhei- ros: SYLVIO RODRIGUES, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, CARLOS ALBERTO GON- ÇALVES NUNES, AGOSTINHO SERRANO FILRO, MANOEL ALVES ARRUDA FILHO (Su plente), OLAVO JOÃO GALVÃO (Suplente Convocado). Ausente o Conselhei ro FERNANDO CICERO VELLOSO. 4sc?<- >4_ SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO Nig 0935/050.997/81-19 RECURSOW 85.462 AWRDÃOW 101-74.176 RECORRENTEW BANDEIRA SOCIEDADE AGRO PASTORIL LTDA. RELATÓRIO BANDEIRA - SOCIEDADE AGRO PASTORIL LTDA., com sede em Guaraiçu-PR, vem a este Conselho recorrer da decisão do Sr. De- legado da Receita Federal em Cascavel-PR, através da qual foi .con- firmado o lançamento ex officio do Imposto de Renda do exercício de 1981, acrescido de encargos legais. 2. A empresa supracitada, ao solicitar a retifica- ção desuas declaraçOes de rendimentos dos anos-base de 1979 e 1980, para nelas incluir receitas não contabilizadas (fls. 01/02), foi posteriormente notificada (âs fls. 58) que deveria recolher a di- ferença de imposto no valor de Cr$ 284.460,00 e Cr$ 14.972,00 re- ferente ao PIS, tendo em vista que, embora se tratasse de empre- sa agrícola e pastoril na diligência então determinada pela autori- dade lançadora (fls. 55), ficou constatado que a empresa contabili- zou no ano-base de 1980 RECEITA NÃO OPERACIONAL no montante de Cr$ 2.564.671,00, importância essa não abrangida pelo favor fiscal da allquota reduzida de 6%, prevista no art. 406 do Dec. ,85.450/80, consoante estabelece o art. 278, § 29, do citado diploma legal. 3. A impugnar o lançamento, a interessada alega, resu midamente,"às fls. 60/61, que na alteração da 1-ase de calculo, na qual utilizou-se simultaneamente as alíquotas de 6% e 35%, a auto- ridade lançadora deixou de compensar o imposto de renda jã pago sob a alíquota menor, como não efetuou tambgm a dedução cano DESPE- SA OPERACIONAL o saldo devedor da correção monetãria, deixou proced ,7S) DMF - DF/19 C-C - Secaraf - 1600/75 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0935/050.997/81-19 3. ACÔRDÃO N9 101-74.176 der a dedução da correção proporcional às aliquotas utilizadas, fa- zendo a demonstração, a seguir, do imposto a recolher, que seria de Cr$ 171.004,00. 4. Ao tomar conhecimento da reclamação do contribuin- te, assim se manifesta a autoridade julgadora singular em sua deci- são de fls. 65/66: "O Parecer Normativo CST n9 07, de 17 de mar ço de 1982 nos esclarece que: - 7.2 - as re. ceitas decorrentes do giro normal da empre- sa rural, nas condiçOes acima, quando ultra-- passarem o limite de 5% das receitas geradas pelas atividades próprias terão seus resulta- dos liquidos tributados integralmente, com a- Plicaça6 da aliquota geral de 35%.- A analogia invocada pela requerente respalda- da no Parecer Normativo CST n9 33/80 não pro- cede, uma vez que aquele texto normativo se refere a parcela diferivel do lucro inflacio- nário das sociedades cooperativas, quando es- tas mantem atividades mista, o principio da analogia alegado, quando muito poderia se es- tender as demais eMpresas que determinam seu lucro real mediante o lucro da exploração,que não g o caso das empresas que exploram a ati- vidade rural, pois estas só podem auferir re- ceitas não operacionais em caráter eventual, desde quando se verificar a habitualidade des sas operaç8es, a empresa perderá a condição]ã sica necessária para usufruir a aliquota favo7— recida. Estando devidamente comprovado que a impor- tãncia ora alcançada pela tributação já tinha recolhido o tributo correspondente à aliquo ta de 6% g de se excluir a parcela referente a este recolhimento e que está sendo exigida novamente. Face ao exposto, e considerando o mais que do processo consta, resolvo tomar conhecimento da impugnação, por interposta no prazo e na for- ma da lei, Para, no mgrito, deferi-1a parcial mente e determinar a exclusão da importância, de Cr$ 51.331,00 do crgdito tributário consti tudo." 5. Segue às fls. 69/72 o recurso pa este Conselho, cujas raz8es são lidas integralmente em Plenario 7/2'2 É o relat5rio. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0935/050.997/81-19 4. ACORDÃO N9 101-74,176 VOTO_ Conselheiro RAUL PIMENTEL, Relator: Na forma prevista no artigo 33 do Processo Adminis- trativo Tributário, baixado com o Decreto 70.235/72, o prazo para interposição de recurso voluntário contra decisão de primeira instãn cia de trinta dias seguintes à ciênciadadecisão. Determina ainda o citado diploma legal, em seu arti go 59, § nico, que esse prazo de trinta dias continuo, excluin-- do-se na sua contagem o dia do inicio e incluindo-se o do vencimento, iniciando-se ou vencendo-se em dia de expediente normal no 6rgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. No presente caso, a interessada foi cientificada da deciago da autoridade julgadora de primeira instância através da In- ti-mação de fls, 67, remetida por via postal juntamente com a cOpia do julgado, e recebida pelo contribuinte em 26 de maio de 1982 (quar— ta-feira), conforme A.R. de fls, 68, manifestando recurso para este Colegiado somente em 28 de junho do mesmo ano (Isegunda-feiral, quan- do o prazo Fatal vencera-se no dia 25 de junho Csexta feira) dia de expediente normal nas repartiçaes, Es Jndo perempto o recurso, portanto, dele deixo de tomar conhecimento./ //)‹ u _ Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10845.005480/89-77
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Negado provimento ao recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re - curso interposto por NOVA MORADIA S/A - IMÓVEIS E EMPREENDIMENTOS. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conse lho de Contribuintes, por unanimidade de vitos, negar provimento ao recurso nos termos do relat6rio e voto que passam a integrar o pre- sente julgado. Sala das Ses Oes(DF), em 25 de outubro de 1990 / URGEa RE " Á LO'ES/ - PRESIDENTE CRISTÔV A O ANCH'ETA DE PAIVA - RELATOR OP VISTO EM AFONSO C4110,FERREI' á DE CAMPOS - PROCURADOR DA FAZEN-- SESSÃO DE: ^ DA NACIONAL 2 E ni 90Ir 10J u u 1 1,-, Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA,CEL- SO ALVES FEITOSA, RAUL PTMENTEL, CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER E JOSÉ I - EDUARDO RANGEL, DE ALCKMIN. ,.;,. ..:,..• ....„,....„, SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N19 10845/005.480/89-77 RECURSO N9: 58.742 ACÓRDÃO N9:101-80.740 RECORRENTE :NOVA MORADIA S/A. - IMÓVEIS E EMPREENDIMENTOS RELATÓRIO Pelo processo n9 10845/005.479/89-98, que transitoupor este Conselho e Câmara sob o recurso n9 96.743, a Administração' Tributária promoveu contra Nova, Moradia S.A. - Imóveis e Empreen dimentos cobrança de ofício do imposto de renda do exercício de 1985, base 1984. Como decorrência daquele procedimento, lavrou- , se o au to de fls. 01, pelo qual se exige a contribuição para o Fundo de Participação do Programa de Integração Social (PIS-dedução) no valor de Ncz$ 1,88 e mais os acréscimos de correção monetária,ju . ros de mora e multa de ofício, calculada esta sobre o valor ori- ginário da contribuição. O auto reflexo foi cientificado ã parte em 14.9.89 1 (fls. 13) e impugnado em 26.10.89 ,(fls. 15), pela peça de fls.15, depois de o prazo haver sido prorrogado (f is. 13). A defesa salienta o caráter decorrencial deste feito fls. (15). iT) eb' ,---- _. ,, ;, DMF DF/19 C-C - Secgraf 1600175 SEVIÇOMMWORMUL Processo n9 10845/005.480/89-77 02 Acórdão n9 101-80.740 O autor do feito pronuncia-se às fls. 18, opinando pela manutenção da ação. A autoridade singular julga procedente em parte o feito reflexo (fls. 20), em sintonia com o decidido no matriz. Cientificada da decisão em 10.2.90 (fls. 22), a interes sada recorre em 7,3.90 (fls. 24), pedindo a improcedência deste reflexo em face do recurso interposto no processo principal (fls. 25). É o relatório. VOTO_ Conselheiro CRISTÓVÃO ANCHIETA DE PAIVA - Relator O recurso é tempestivo. ConheçO dele. Cobra-se aqui, com relação aos exercícios de 1985, a contribuição devida ao Fundo de Participação do Programa de In- tegração Social pela empresa recorrente (Pis-Dedução) em conse- qüência do imposto de renda dela cobrado de ofício através do - processo n9 10845/005.479/89-98, cujo recurso neste Çonselho to-- mou o n9 96.743 e foi julgado ,pelo acórdão n9J,01,80.-7.66Tdesta Câmara. O presente apelo nada apõe de específico contra a exigência da contribuição e acréscimos mantidos pela decisão re-- • corrida. Com slia apresentação, a recorrente deixa que pretende unicamente o ajustamento da cobrança reflexa ao imposto que vies-' • se a ser mantida por esta instância no processo principal. Como este Conselho negou provimento ao recurso n9.- 96.743, nada justifica a revisão pleiteada, em face da torrencial jurisprudência administrativa, segundo a qual a sorte do processo v.v 4'1'7\ e/11,,„-if Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1
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ACORDAON.1P1.75-.7.5 Recurso n° 88.430 - IRPJ - EX: DE 1982 Recorrente PANIFICADORA MAMATA LTDA. , Recorrido DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM DIVINÕPOLIS (MG) LUCRO INFLACIONARIO NÃO REALIZADO - Sua ^ formação tem como suporte a ocorrên!ci,a de saldo credor da conta de correçãomo- netrla de que trata o item III do art. 347 do RIR/80, e sua exclusão pressupOe a prévia inclusão daquele saldo no lu- cro real do exercicio para efeito de tri butação. A ocorrência de saldo devedor de correção monetária inviabiliza a de- dução realizada pelo contribuinte,no lu cro real do periodo, a titulo de lucro inflacionário não realizado do exercicio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por PANIFICADORA MAMATA LTDA.: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Con- selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos t6r'mos do relatório e voto que passam a integrar o : ,pre-, sente julgado /// , ala das Síds,;p eidiDF, em 23 de agosto de 1984_. AMADOR OU :A " íir - RNÂNDEZ - PRESIDENTE_ CA' OS ALBERTO GONÇALVES NUNES - RELATOR‘ ._. VISTOS EM A OSTINHO FLORES - PROCURADOR DA FAZENDA' NACIONAL - ,' 'dpSESSÃO DE: L -7 / 1 ,u ij Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: SYLVIO RODRIGUES, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, AGOSTINHO SERRANO FILHO, JOSÉ FRANCISCO PAES LANDIM (Suplente Convocado), ALCEU DE AZEVEDO FON . - . SECA PINTO e RAUL PIMENTEL. 2. ,-Tiliv, ----- rc SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13678/000. 001/84-15 RECURSO NO: 88.430 ACWIDÃOW 101-75.375 RECORRENTEW PANIFICADORA MAMATA LTDA. : RELATÓRIO PANIFICADORA MAMATA LTDA., qualificada nos autos, ma nifesta recurso a este Colegiado contra a decisão do Sr. D~loda Receita Federal em DivinOpolis (MG) que manteve o lançamento suple mentar de fls. 7 contra ela realizado. Em síntese objetiva, a lide pode ser assim exposta: A empresa sofrera anteriormente lançamento suplemen- tar, obtendo retificação do valor dele para o indicado às fls. 7. Contra a nova exigência interpôs a interessada a im- pugnação de fls. 1/2 em que procura demonstrar equivoco da revisão, pois seria indiferente o contribuinte lançar o valor da correção monetária das contas do ativo permanente,da ordem de Cr$ 1.357.072,00 , no item 13/12 e o do patrimônio líquido, no valor de Cr$ 3.732.426,00, no item 13/28, como fizera em sua declaração, ou o saldo devedor de correção monetária existente, no valor de Cr$.... 2.375.354,00, no item 13/46, como fizera o revisor. O julgador ordinário, com base no art. 362 do RIR/80, ¡ sustenta que o lucro inflacionário do exercício e o saldo credor do exercício, ajustado pela diminuição das variaçOes monetárias e das correçOes monetárias prefixadas computadas no lucro líquido do exer- cício e, como a empresa obtivera saldo devedor de correção mone- O DMF - DF/19 C-C - Secgraf - 16 /75 3. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13678/000.001/84-15 AcOrdão n9 101-75.375 tária, inexiste, na espécie, lucro inflacionário a diferir, como Li zera a notificada. Irresignada, a sucumbente bate às portas deste Cole- giado, perseverando nas razões já apresentadas em primeira instãn- cia. É o relatOrio. VOTO_ Conselheiro CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, Relator: Recurso tempestivo e assente em lei, dele tomo conhe cimento. A decisão de primeira instância é escorreita, não merecendo reparos. Com efeito, diz o art. 361 do RIR/80 que "o saldo= dor da conta de correção monetária de que trata o inciso II do art. 347 será computado na determinação do lucro real, mas o contribuinte terá a opção de diferir, com observância do disposto nesta Seção a tributação do lucro inflacionário não realizado (Decreto-lei n9 1598/77, art. 51)". O lucro inflacionário, por sua vez, como já esclare- cera o julgador á "o saldo credor de correção monetária ajustado pe la diminuição das variaçOes monetárias e das correçOes monetárias prefixadas computadas no lucro liquido do exercício (RIR cit.art.362 Do exposto, conclui-se que o saldo credor de corre,, ção monetária comp .-6e o lucro real, mas a lei permite que o contribu inte opte por não ser tributado no exercício em que ele for apura- do em relação à parcela do lucro inflacionário que não for realiza- da no exercício. Esse lucro inflacionário não realizado tem como 4. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13678/000.001/84-15 AcOrdão n9 101-75.375 ponto de partida o saldo credor de correção monetária; em outras pa lavras, a sua existência pressupõe o saldo credor de correção mone- tária que tem lugar quando a soma dos valores de correção monetária das contas do ativo permanente excederem as do patrimônio liquido (RIR/80, art. 347, item IV), e a adição dele ao lucro real. Se ocorre saldo devedor de correção monetária, não há acréscimo ao lucro real; pelo contrário, da-se a dedução do seu valor como encargo do exercício, (RIR cit. art.347, item III),como em última análise fizeram o contribuinte, ao preencher o quadro 13 de sua declaração de rendimentos (fls. 25), e o revisor de sua de- claração, ao consignar, no item 13/46 dela, a importância de Cr$.. 2.375.354,00. E tanto assim é que um e outro apuraram o mesmo lu- cro liquido (Cr$ 3.691.565,00). Ora se assim e, como pretender ainda o contribuinte excluir do lucro real um lucro inflacionário não realizado, se se- quer houve ocorrência de lucro inflacionário, pela inexistência de saldo credor de correção monetária que lhe daria origem? Seria usu_ fruir, no mínimo, duplamente o beneficio fiscal de que trata o men- cionado inciso III do art. 347 do RIR/80, o que não é possível. E foi exatamente o que o contribuinte fez ao inserir no item 14/22 de sua declaração de rendimentos do exercício de 1981 a importância de Cr$ 3.732.426,00 (fls. 26), valor correspondente à correção monetária das contas de seu ativo permanente. De lembrar ao contribuinte que não se deve confundir os saldos credores das contas do patrimônio liquido conseqüentes da correção realizada, com saldo credor de correção monetária, como parece ter ocorrido ao se transferir, para o item 14/22 da declaração, a importância de Cr$.. 3.732.426,27, constante do demonstrativo: de fls. 28. Assim, nesta ordem de considerações, nego provimento ao recurso( - - CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, RELATOR.
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Numero do processo: 10530.000678/87-55
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 101-78069
Nome do relator: Não Informado
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Recorrid a DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM FEIRA DE SANTANA (BA). ISEN ÃO -SP E- CORREÇÃO MONETARIA -Acons tituição da reserva de capital com o valor do imposto excluído pela isenção sem redução do PIS pago com recursos próprios não afeta o re- sultado do exercício por apropriação de desPe- sas de correção monetária, poraue a reserva pa ra aumento de capital à conta de recursos es- tranhos à isenção também está sujeita 5. corre- ção, como parcela integrante do patrimônio li- quido. ---- (ISENÇÃO - SUDENE)- A atividade editorial e jor nalistica não se inclui na atividade industrial: incentivada de impressão de livros e revistas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por BAHIA ARTES GRAFICAS LTDA.: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conse lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento,em par te, ao recurso, para excluir da tributação as importâncias de Cz$ 146,58, Cz$ 441,38, Cz$ 5.919,22 e Cz$ 5.311,97, nos exercícios de 1984, 1985, 1986 e 1987, respectivamente, nos termos do relatório e vo • to que passam a integrar o presente julgado. Sala das SessOes (DF), em 25 de outubro de 1988. 40, URGEL LOrES - PRESIDENTE - CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES - RELATOR v.v. • VISTO EM CESA PALMIERE MARTINS BARBOSA - PROCURADOR DA SESSÃO DE: FAZENDA NACIONAL 27 CUT 1988 Participaram ainda do presente julgamento os seguintes Conselheiros: FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, CRISTÓVÃO ANCHIETA DE PAIVA, CELSO ALVES FEITOSA, RAUL PIMENTEL, ARY TORIBIO e JOSÉ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN. 2. . gi• - SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10530-000.678/87-55 RECURSON9: 92.789 ACÓRDÃO N9: 101-78.069 RECORRENTE : . BAHIA ARTES GRÃFICAS LTDA. RELATÓRIO BAHIA ARTES GRÃFICAS LTDA., qualificada nos autos, manifesta recurso a este ^^ 1 °g44^ (-^intv- n parte (R (1‘2'("1 An Delegado da Receita Federal em Feira de Santana t(BA), que manteve parcialmente o auto de infração contra ela lavrado. A autuação compreendeu as seguintes irregularida- des:1) constituição a maior de reserva de capital oriunda de isen ção concedida pela SUDENE, nos exercícios de 1984 a 1987, 2) cálcu lo da isenção/redução-SUDENE, efetuado a maior ao incluir den- tre: as receitas isentas as obtidas com a revista "Panorama" não incluída mo ato isentivo, nos exercícios de 1985 a 1987; e, 3) pas siVófictício, nos exercícios de 1985 e de 1986. A impugnação apresentada às fls. 85/91 foi deferi da parcialmente para excluir parcela do passivo exigível, com o - que se COnformou a contribuinte. Alegou a impugnante que cumpre rigorosamente as normas legais contabilizando como reserva de capital o valor do im posto de renda abrangido pela rsenção e contribui para o PIS com O percentual fixado no art. 480, § 39 do RIR/80 e com base no tribu- to que seria devido não fora a dedução. Diz efetuar O recolhimento dessa contribuição,relativamente aos resultados operacionais :_:não alcançados pelo benefício fiscal i: contabilizando-as na conta 350- Despesas Tributárias, subconta 350.9 - PIS-Recursos Próprios-IRPJ (A) D63F /19 C-C - Secgraf - 1600/75 PROCESSO N9 10530-000.678/87-55 3. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL ACÓRDÃO N9 101-78.069 1 Afirma não ter havido excesso no cálculo do valor' da isençãoiredução-Sudene porque ao pleitear junto à SUDENE o bene fício em questão forneceu dados nos quais, sob a rubrica de impres sos, inseria a revista "Panorama". Informação fiscal às fls. 107/110, sustentando, em relação às matérias ainda objeto de litígio, a exigência fiscal. A decisão recorrida sustenta que a parcela do iPIS e uma Parte do imposto devido que deve ser paga e como o art. 413 do RIR/&0, diz que o valor do imposto que deixar de ser pago em virtude da isenção deverá constituir reserva de capital a forma ção da reserva com todo o imposto devido é defesa. Por outro lado,, a contribuinte hão comprovou a alegação de que efetua pagamen- to do PIS com recursos próprios, reduzindo o seu património líqui- do, a despeito de diligência realizada para esse fim. A -Pórtaria DIN n9 06/81 (fls. 104) não deixa a menor dúvida de que o ato isencional limitou-se à impressão de livros didáticos. O art. 19, III, "d", da Constituição Federal então vigente não milita em fa- vor da empresa porque não se estende a comercialização de livros jornais e períodicos e a ,contribuinte não distingue em sua contabi lidade as etapas de impressão e de comercialização;utta:Vez- in timado a tanto;_ não o fez (fls. 3). Na fase recursal (fls. 122), a empresa perseveram tese já apresentada em sua impugnação, acostando à sua petição có pias do Razão, do Diário, do recolhimento das contribuições para o PIS e da Portaria DRI/PTE 316/88, de 08.06.88, do Diretór de Ad ministração de Incentivos da SUDENE. Sustenta que ao constituir-se'- não pretendia explorar apenas serviços gráficos mas também a ativi dade editorial com produção de livros didáticos e exploração de um períodico, cujo primeiro número foi editado em 1983 (f is. 188). A SUDENE tem cçmpetência para conceder isenção à Indústria Editorial e Gráfica (Dec. 64214, de 18.03.69, art. 59 item 8, inciso IV) . e indubitavelmente a reVista_"Panorma" se insere nesse dispositivo . Diz não se confundir comercialização de um produto de indústria pró „ 1 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10530-000.678/87-55 4. ACÓRDÃO N9 101-78.069 1 pria com venda de produtos de terceiros. Cita em seu favor o Acór- dão 105-014, de 4.09.84. É o relatório. Ckl P# ‘ , ,,,,,,,,:,,,,, 1 , ,, , ,,,, ,,, , ,, , , , , , , , , - ., SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10530-000.678/87-55 5 Acórdão n9 101-78.069 VOTO Conselheiro CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, Relator: Recurso tempestivo e assente em lei, dele tomo co nhecimento. A constituição de reserva de capital por quantia' superior à correspondente ao imposto que deixou de ser pago, em vir tude de isenção ou redução, não enseja diminuição do imposto de ren- da em decorrência de maior saldo devedor de correção moentária por- que a parcela capitalizada a maior com recursos prOprios seria de qualquer modo corrigida como parte do património líquido da empresa. Por outro lado, as empresas que desfrutam de isen ção ou redução devem recolher o PIS com recursos 1,.1. ‘"JIJI.los em rela- ção à parcela excluída do crivo do imposto, tomando-a como base de , cálculo da contribuição. Nesse sentido, orientam o § 39 do art. 480, do RIR/80, a Resolução BCB 409/76 e o ADN n9 46/87. Os documentos acostados pela contribuinte ao seu recurso reforçam a convicção da improcedência do lançamento (fls. 125/185). Quanto à receita da publicação da revista Panora- ma incluída na atividade impressão de livros didáticos, objeto Hda isenção concedida pela Port. DIN n9 06/81 REF. SOP - IC (fls. 103/ I 104), por mais que se pretenda ampliar a interpretação do texto isentivo não se pode conceber como abrangida a publicação de re- vssta quinzenal, com exploração de assinatura e publicidade. A atividade de impressão gráfica seja de livros, revistas ou impressos é de natureza industrial e não se confundecdm CO a atividade editorial de livros e revistas. ( /17 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10530-000.678/87-55 6 Acórdão n9 101-78.069 A interpretação de legislação que outorgue isen- ção deve ser feita literalmente, como determina o art. 111, inciso II, do Código Tributário Nacional. Nem a Portaria DIN 06/81 - REF.SOP. IC, nem a De claração SUDENE DIN 174/78, invocadas nas Declarações do Imposto de Renda da recorrente dos exercícios de 1984 a 1987 (f is. 54-v, 63-v, 68 7v,e 75-v), nem a Port. 316/88 (f is. 186) dão respaldo ã atividade editora e jornalística. Nesta ordem de juízos, dou provimento parcial ao recurso para excluir das base de cálculo dos exercícios de 1984, 1985, 1986 e j.987 as quantias de Cr$ 146.582, Cr$ 441.380 1 Cr$ 5.919,225Jede Cr$ , 5.311,97,.. (7.7 ~//401,ÁW CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES - RELATOR Áfir;11 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10530.000121/89-77
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PROCESSO N9 10530/000.121/89-77 :&N --,J • .0*• .. MINISTÉRIO DA FAZENDA 15.E.C.A.. 21 de 5 j-111111.0 - de 19 90 Sessão de ACÓRDÃO N.9..121g....ãP Recumon2 57.754 — IRF — ANOS: 1983 e 1985 Recorrente POSTO EXTRA LTDA. Recorrida: DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM FEIRA DE SANTANA (BA) . IRF - TRIBUTA ÃO DECORRENTE - ART. 89 DO DECRETO-LEI N9 é. : - Em virtu de da estreita rel*Ern—causa -e~ efeito existente entre o lanamento principal e o decorrente, nao apre sentando o contribuinte questão nova quanto a este último, adota-se a mes- ma solução do processo matriz. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por POSTO EXTRA LTDA.: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Con_ selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relat6rio e voto que passam a integrar o / presente julgado. , Sala das Sessões (DF), 21 de junhb-- de 1990. UR LL-PE • E RA LoPES - PRESIDENTE 01 i * ---zy ED tv. • ,cKmiN,, ,-, 4 .--.0•01 Air I. _e - RELATOR VISTO EM AFONSO SO FERRE -#, DE CAMPOS - PROCURADOR DA SESSÃO DE: 2 2 N O V 19b0 FAZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei ros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, CÂNDIDO ' RODRIGUES NEUBER-i,CRI-S TCVÃO ANCHIETA DE PAIVA, CELSO ALVES FEITOSAe RAUL PIMENTEL. Ausente por motvoHustificada o conselheiro FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA. ' 2 • '', :e .. .. tf • ,:.,4t/. ,,.. - .. . SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10530-000.121/89-77 RECURSO N9: 57.754 , 1 AcORDAoNP: 101-80.256 RECORRENTE: POSTO EXTRA LTDA. R E L A-T el R I O • Cuida-te de lançamento de imposto de renda na fonte, com base no art. 89 do Decreto-lei n9 2.065/83, decorren- te de ação fiscal em que se apurou diminuição dos resultados de pessoa jurídica, por omissão de receita, concernente aos anos de 1983 e 1985. Ciente da exigência, a contribuinte formulou im_ npugnação ao Auto de Infração, sustentando a improcedência do la. _ çamento principal. Instada a se manifestar, a Fiscalização apenas se reportou aos argumentos expendidos na defesa da manutenção da ação fiscal do processo matriz. A decisão monocrãtica guarda a seguinte ementa: "RENDIMENTOS DIVERSOS A omissão de receita apurada em procedimento fiscalna pessoa juridicayenseja tributação' exclusiva de fonte, nos termos do Art. 89 do Decreto-lei n9 2.065/83. AÇÃO FISCAL PROCEDENTE." Nas razões de decidir, o Julgador sustentou seu ponto de vista asseverando que tendo sido rejeitada a impugnação contra a autuação principal, igual medida se-imporia quanto reflexa. // ntuF DF /In r r Soem nt 1 nonriç '2' _ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10530-000.121/89-77 3 Acórdão n9 101-80.256 Da decisão a empresa teve ciência, interpondo' - - apelo a este Conselho, aduzindo ser improcedente o lançamento principal e, conseqüentemente, o tratado nestes autos. Informo, outrossim, que esta Câmara, aprecian- do o Recurso n9 96.244, negou provimento ao apelo, consoante o Acórdão n9 101-80.194 , assim ementado: "IRPJ - VERIFICAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS' ATRAVÉS DE LEVANTAMENTO FEITO JUNTO AO FOR- NECEDOR DO CONTRIBUINTE AUTUADO - POSSIBILI DADE DE AUTUAÇÃO - PROGRAMA FISGAS - VerifT cando-se que o contribuinte adquiriu junto ao fornecedor uma quantidade maior de merca donas do que a informada na declaração de rendimentos, cabível é o lançamento por omis são de receita, incumbido o autuado da prol- va em sentido contrário. Recurso a que se nega provimento." É o relatório. • /d4) • • • • SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10530-000.121/89-77 4 Acórdão n9 101-80.256 VOTO Conselheiro JOSÉ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN, Relatar: O recurso foi interposto com guarda do prazo de trinta dias estabelecido no art. 33 do Decreto n9 70.235/72, motivo pelo qual é de ser conhecido. No mérito, trata-se de processo decorrente, ten do este Colegiado, apreciando o processo principal, resolvido manter-:a exigência tributária, entendendo improceder a irresig- nação da contribuinte. Como- 6 cediço, há estreita relação de causa e efeito entre o lançamento principal e o decorrente. De fato, há uma única base fática a amparar ambas exigências. Assim, exami- nados os contornos fáticos em um dos processos, as conclusões ali extraídas devem prevalecer, salvo se no processo decorrente o contribuinte apresenta elemento novo. No caso, observa-se que a recorrente limitou— se a se reportar ã improcedência da autuação principal que te- ria sido demonstrada no processo matriz. A conclusão deste Con- selho, contudo, não lhe foi favorável. Dessa forma, voto pela negativa de provimento' /// ' do apelo s• JOE EDUARDO R á L DE ALCKMIN - RELATORr Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 13971.906314/2009-29
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001
PER/DCOMP. PIS/PASEP. PAGAMENTO EM VALOR SUPERIOR AO DEVIDO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL.
Comprovada documentalmente a ocorrência de pagamento em valor superior ao devido, cabível o reconhecimento do direito creditório decorrente e a homologação da compensação, até o limite do valor a restituir.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-001.476
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
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PIS/PASEP. PAGAMENTO EM VALOR SUPERIOR AO DEVIDO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. Comprovada documentalmente a ocorrência de pagamento em valor superior ao devido, cabível o reconhecimento do direito creditório decorrente e a homologação da compensação, até o limite do valor a restituir. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. EDITADO EM: 24/10/2012 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Fábio Miranda Coradini, Raquel Motta Brandão Minatel, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Ausente justificadamente o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.906314/200929 Acórdão n.º 3801001.476 S3TE01 Fl. 91 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação — PER/DCOMP, por meio da qual a contribuinte solicita compensação de valores que teriam sido indevidamente recolhidos a título de Contribuição ao Programa de Integração Social PIS, no período de apuração de outubro de 2001, no valor de R$ 81,13 (v. folha 07). Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC pela não homologação da compensação declarada, (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, pois o valor do "DARF discriminado no PER/DCOMP" havia sido "integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Inconformada com a nãohomologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, às folhas 9 a 17, na qual alega a inconstitucionalidade do artigo 3°, §1° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998. Defende a contribuinte que o Supremo Tribunal Federal, em sessão realizada em 9 de novembro de 2005, declarou a inconstitucionalidade do citado dispositivo, bem como a Lei n° 11.941/09 expurgou do ordenamento jurídico o referido dispositivo legal, confirmando seu pleito. A contribuinte argumenta, ainda, a nulidade do Despacho Decisório por ausência de diligência sobre o crédito informado, nos termos do artigo 65 da Instrução Normativa n° 900/08”. Delegacia de Julgamento em Florianópolis proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 PRELIMINAR. NULIDADE. AUSÊNCIA DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A autoridade competente para decidir sobre restituição/compensação poderá, ou seja, tem a faculdade de condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos, bem como tem a faculdade de Fl. 100DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 determinar a realização de diligência. Se pela DCOMP apresentada já é possível concluir que o crédito pleiteado carece de liquidez e certeza, desnecessária a realização de diligência. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme petição de fls. 49 a 59, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade. Assim, levandose em conta que a presente lide tem como objeto principal a restituição parcial de contribuição paga a maior com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, pelo Supremo Tribunal Federal (alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins), e que os documentos apresentados pela recorrente eram insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e eventuais pagamentos a maior, em 8 de abril de 2011, através da Resolução nº 3801000.144 – 1ª Turma Especial, o julgamento foi convertido em diligência à DRF de origem, a fim de: 1. informe se a interessada propôs ação judicial com o mesmo objeto deste processo administrativo fiscal. Em caso positivo, fazer uma síntese do andamento processual; 2. apure o valor devido a título de contribuição para o PIS com base na escrituração fiscal e contábil, período de apuração de outubro/2001, segundo o conceito de faturamento adotado na Lei Complementar nº 70, de 1991, qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. 3. Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; 4. Retornar o processo a este CARF para julgamento. Em atendimento ao solicitado, a Unidade de Origem elaborou o documento intitulado “INFORMAÇÃO FISCAL DRF/BLU/EAC1 n°. 276/2011”, fls. 84/86, onde consta, em síntese: Fl. 101DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.906314/200929 Acórdão n.º 3801001.476 S3TE01 Fl. 92 5 1 – A interessada não propôs ação judicial com o mesmo objeto deste processo administrativo fiscal. 2 – O valor devido a título de Pis, referente ao período de apuração outubro/2001, é R$ 1.414,91. 3 A interessada foi regularmente notificada e não manifestouse no prazo concedido. É o relatório. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Conforme relatório acima, a interessada apresentou o PER/DCOMP de fls. 01/06, informando a compensação de um débito de Pis, período de apuração 11/2005, no valor R$ 133,37 com um crédito da mesma contribuição, referente ao fato gerador de outubro/2001, oriundo de recolhimento a maior efetuado em 14/11/2001, no valor de R$ 81,13 (folha 03). Convém ressaltar que o direito à repetição de indébito está previsto no artigo 165 do Código Tributário Nacional – CTN, verbis Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; (...) A recorrente explica que o valor do pagamento indevido referese ao recolhimento de PIS sobre as receitas não operacionais obtidas. Assim, do valor total de R$ 1.496,04, declarado na DCTF do 4º trimestre de 2001, referente a outubro/2001 — recolhido mediante DARF pelo código 8109, em 14/11/2001 — o equivalente a R$ 81,13 foi recolhido indevidamente, posto que calculado sobre a receita não operacional da empresa. Por seu turno, a autoridade preparadora informa, fls. 86, que o Pis/Pasep devido referente a outubro/2001 é de R$ 1.414,91, sendo recolhido o valor de R$ 1.496,04, resultando um pagamento a maior de R$ 81,13. Assim, compulsandose as peças que compõem o presente processo e de acordo com o PER/DCOMP n° 38810.73674.141205.1.3.045402, transmitido em 14/12/2005, fls. 01/06, temse: • Valor devido de Pis referente a 10/2001: R$ 1.414,91. • Valor recolhido de Pis, em 14/11/2001, referente a 10/2001: R$ 1.496,04. • Valor recolhido a maior que o devido: R$ 81,13. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.906314/200929 Acórdão n.º 3801001.476 S3TE01 Fl. 93 7 • Débito de Pis a ser compensado, período de apuração 11/2005, R$ 133,37. • Valor Original do Crédito Inicial: R$ 81,13. • Crédito Original na Data da Transmissão: R$ 81,13. • Selic Acumulada: 72,44% • Crédito Atualizado: R$ 139,90. • Total dos débitos desta DCOMP: R$ 133,37. • Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 77,34. • Saldo do Crédito Original: R$ 3,79. Por conseguinte, pelos documentos comprobatórios colacionados aos autos, em especial a diligência fiscal realizada pela Delegacia de origem, entendo que efetivamente restou comprovada nos autos a ocorrência de pagamento de Pis em valor superior ao devido, relativamente ao PA 10/2001, sendo devido o valor de R$ 1.414,91, e recolhido o valor de R$ 1.496,04, caracterizandose como indevido o valor original de R$ 81,13. Desse modo, diante do acima exposto, encaminho meu voto no sentido de julgar procedente o recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no valor original de R$ 81,13, na data de 14/11/2001, homologando a compensação requerida até o limite do crédito a restituir. É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 104DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10315.001058/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009
CERCEAMENTO DE DEFESA – NULIDADE – INOCORRÊNCIA
Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara
OFENSA AO CONTRADITÓRIO – ANTES DO LANÇAMENTO – INOCORRÊNCIA
Não se vislumbra cerceamento de defesa ou afronta ao contraditório pelo fato de não ter sido dada oportunidade ao contribuinte de manifestar-se durante a fase oficiosa do levantamento. Somente após a notificação do sujeito passivo
e conseqüente início da fase contenciosa é que são cabíveis alegações da espécie
PARCELAMENTO ESPECIAL – INCLUSÃO DE CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS NO PRESENTE LANÇAMENTO – ARGÜIÇÃO – IMPOSSIBILIDADE – AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA
Não é competência deste colegiado a argüição a respeito da possibilidade ou não da inclusão dos créditos objeto do presente lançamento em parcelamento
especial instituído pela Lei nº 11.196/2005
DILIGÊNCIAS – PERÍCIA NECESSIDADE – COMPROVAÇÃO
Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de diligências ou perícias para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência que determina que cabe à autoridade julgadora decidir a respeito..
Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia ou não solicitação de diligência que não se mostram necessárias.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.874
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 CERCEAMENTO DE DEFESA – NULIDADE – INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara OFENSA AO CONTRADITÓRIO – ANTES DO LANÇAMENTO – INOCORRÊNCIA Não se vislumbra cerceamento de defesa ou afronta ao contraditório pelo fato de não ter sido dada oportunidade ao contribuinte de manifestar-se durante a fase oficiosa do levantamento. Somente após a notificação do sujeito passivo e conseqüente início da fase contenciosa é que são cabíveis alegações da espécie PARCELAMENTO ESPECIAL – INCLUSÃO DE CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS NO PRESENTE LANÇAMENTO – ARGÜIÇÃO – IMPOSSIBILIDADE – AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA Não é competência deste colegiado a argüição a respeito da possibilidade ou não da inclusão dos créditos objeto do presente lançamento em parcelamento especial instituído pela Lei nº 11.196/2005 DILIGÊNCIAS – PERÍCIA NECESSIDADE – COMPROVAÇÃO Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de diligências ou perícias para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência que determina que cabe à autoridade julgadora decidir a respeito.. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia ou não solicitação de diligência que não se mostram necessárias. Recurso Voluntário Negado.
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Somente após a notificação do sujeito passivo e conseqüente início da fase contenciosa é que são cabíveis alegações da espécie PARCELAMENTO ESPECIAL – INCLUSÃO DE CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS NO PRESENTE LANÇAMENTO – ARGÜIÇÃO – IMPOSSIBILIDADE – AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA Não é competência deste colegiado a argüição a respeito da possibilidade ou não da inclusão dos créditos objeto do presente lançamento em parcelamento especial instituído pela Lei nº 11.196/2005 DILIGÊNCIAS – PERÍCIA NECESSIDADE – COMPROVAÇÃO Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de diligências ou perícias para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência que determina que cabe à autoridade julgadora decidir a respeito.. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia ou não solicitação de diligência que não se mostram necessárias. Recurso Voluntário Negado Fl. 302DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 303DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10315.001058/201061 Acórdão n.º 2402002.874 S2C4T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de lançamento de contribuições devidas às entidades SEST/SENAC, incidentes sobre os valores das remunerações pagas a contribuintes individuais, fretistas. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 45/48), os fatos geradores não foram declarados em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. É esclarecido que o contribuinte declarou em GFIP bases incorretas (a maior) de contribuintes individuais fretistas, como também, não declarou todos os segurados contribuintes individuais e fretistas. Intimado a retificar as GFIP, o Município não o fez até a lavratura da autuação. Relativamente à aplicação de multas e juros, a auditoria fiscal informa o seguinte: • No período de 01/2006 a 01/2007 sobre os valores das contribuições incidiram juros SELIC sem multa de mora. • No período de 02/2007 a 11/2008, sobre os valores das contribuições lançadas, incidiram juros SELIC e multa de mora de 24% prevista no art. 35, II, "b" da lei 8_212/91 com redação dada pela Lei nº 9.076/99. • c) No período de 12/2008 a 13/2009, sobre os valores das contribuições lançadas incidiram juros SELIC e multa de oficio de 75% por já está em vigor, em tal período, a MP 449/2008. A autuada teve ciência do lançamento em 23/12/2010 e apresentou defesa alegando, em síntese, que o lançamento seria nulo, por cerceamento de defesa, em razão de não terem sido informados os segurados contribuintes individuais fora da GFIP. Segundo a autuada, o agente fiscalizador deixou de identificar nominalmente os supostos contribuintes individuais fora das GFIP 's e agrupamento nos empenhos de pagamento de folha de empregados. Também não teria feito referencia aos demonstrativos detalhados dos e aonde identificou tais contribuintes fora da GFIP. Argumenta que não foi esclarecida a forma de fiscalização realizada pela auditoria fiscal. Além disso, a autuada reclama de não ter sido intimada para esclarecimentos durante a ação fiscal o que afrontaria o princípio do contraditório e da audiência do interessado. Aduz que seria devida a redução da multa em face da consolidação dos débitos compreendidos dentro do prazo previsto no art. 96 da Lei nº 11.196/2005 que trata de parcelamento especial. Para a autuada, é possível a inclusão no parcelamento especial previsto na citada lei de débitos cujo vencimento ocorreu até 31/01/2009. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Solicita que sejam determinadas diligencias para averiguação das incongruências indicadas, como também, a possibilidade da juntada de documentos, exclusivamente após o término do prazo de impugnação, caso haja diligencias. Pelo Acórdão nº 0822.050 (fls. 274/278), a 5ª Turma da DRJ/Fortaleza julgou o lançamento procedente. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo onde efetua a repetição da argumentação de defesa. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso interposto. É o relatório. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10315.001058/201061 Acórdão n.º 2402002.874 S2C4T2 Fl. 3 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente apresenta preliminar de cerceamento de defesa sob o argumento de que não terem sido informados os segurados contribuintes individuais fora da GFIP, como também não teria sido feita referencia aos demonstrativos detalhados destes e aonde foram identificados tais contribuintes fora da GFIP. Não há razão no argumento. A auditoria fiscal elaborou planilhas contendo cada segurado nominalmente, por competência, tanto os incluídos em GFIP como os não incluídos. Tais planilhas estão juntadas aos autos (fls. 41/226). Quanto à alegação de que não haveria referência sobre onde os contribuintes fora da GFIP teriam sido identificados, vale esclarecer que a auditoria fiscal, além de informar o nº do empenho correspondente ao pagamento efetuado a tais segurados, informa no Relatório Fiscal quais os documentos analisados, quais sejam, GFIPs, guias de recolhimento, arquivos digitais da contabilidade anos 2008 a 2009, arquivos do SIM dos anos de 2006 e 2007. A recorrente ainda apresente como causa de cerceamento de defesa, a alegação de que não teria sido esclarecida a forma de fiscalização realizada pela auditoria fiscal e também entende que o fato de não ter sido intimada para esclarecimentos durante a ação fiscal afrontaria o princípio do contraditório e da audiência do interessado. De igual forma não se vislumbra qualquer cerceamento de defesa. A auditoria fiscal efetuou a apuração dos valores devidos por meio da análise da documentação apresentada pela recorrente, sendo impertinente a alegação de que a auditoria fiscal não teria esclarecido à recorrente a forma de fiscalização efetuada. A recorrente também alega que teria havido cerceamento de defesa em razão da auditoria fiscal ter efetuado o lançamento sem concederlhe qualquer oportunidade de apresentar esclarecimentos. O procedimento da auditoria fiscal não se consubstancia em cerceamento de defesa ou ofensa ao princípio da audiência do interessado. O trabalho da auditoria fiscal junto ao contribuinte para apurar eventuais contribuições não recolhidas ou descumprimento de obrigações acessórias se dá na chamada fase oficiosa do lançamento. A fase oficiosa se encerra com o efetivo lançamento e, a partir de então, iniciase a fase contenciosa, onde o contribuinte tem a oportunidade de contestação. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 O cerceamento de defesa só é passível de ocorrer na fase contenciosa, quando já existe o lançamento. Não há que se conceder oportunidade para manifestação ao contribuinte durante a fase oficiosa, porque nesse momento, não há do que se defender. No que tange a esclarecimentos, cabe à autoridade lançadora solicitálos se entender necessários. A recorrente alega que os valores ora lançados poderiam ser incluídos no parcelamento especial instituído pela Lei nº 11.196/2005. Entendo que não é de competência desse colegiado decidir sobre a possibilidade ou não de inclusão das contribuições objeto da presente autuação do referido parcelamento especial, razão pela qual tal questão não será enfrentada. A recorrente solicita a realização de diligências. No que tange à realização de diligências e perícias, o Decreto nº 70.235/1972 estabelece o seguinte: Art.16 A impugnação mencionará: .................................. IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (...) Art.18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Da leitura do dispositivo, verificase que além de ser obrigada a cumprir requisitos para ter o pedido de perícia ou diligência deferido, tal deferimento só ocorrerá diante do entendimento da autoridade administrativa no que concerne à necessidade da mesma. Nesse sentido, não basta que o sujeito passivo deseje a realização da perícia ou diligência, esta tem que se considerada essencial para o deslinde da questão pela autoridade administrativa, nos termos da legislação aplicável. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recuso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 307DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10315.001058/201061 Acórdão n.º 2402002.874 S2C4T2 Fl. 4 7 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 14485.003271/2007-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2006
REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA
DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES.
Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos
a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do
trabalhador, o prêmio tem caráter de retribuição pelo serviço, ou seja,
contraprestação de serviço prestado.
CORRESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS.
Com a revogação do artigo 13 da Lei 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da
Lei 11.941/09, o “Relatório de Representantes Legais REPLEG” tem a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuir-lhes responsabilidade
solidária ou subsidiária pelo crédito constituído.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara
e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta
de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a
remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes
individuais.
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. ARTS. 45 E 46 LEI 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE 08.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei
8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à
decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos
do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado
antecipação de pagamento ou não, respectivamente.
No caso de lançamento das contribuições sociais, cujos fatos geradores não
são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação aos
mesmos, a Recorrente não efetuou qualquer antecipação de pagamento, deixa
de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no
art. 173, inciso I, ambos do CTN.
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos
Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos
termos do art. 62 do seu Regimento Interno.
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da
constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso
administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no
ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais.
SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO (SAT/GILRAT).
INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVISTAS EM LEI.
O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e
legítimas as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT.
O grau de risco da empresa é estabelecido de acordo com o enquadramento
da sua atividade econômica preponderante por estabelecimento. Ocorrência
de auto enquadramento realizado pelo sujeito passivo.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AO INCRA. PREVISTA EM LEI.
O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e
legítimas as contribuições destinadas a outras Entidades ou Fundos: INCRA.
JUROS/TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE.
O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou
seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de
Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na
taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados
pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador,
cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos
moldes da legislação em vigor.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. RETROATIVIDADE BENÉFICA. ART. 106 DO CTN.
O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os
fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a
multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35 da Lei
8.212/1991), limitando-se ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44
da Lei 9.430/1996.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.953
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar
provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período pelo artigo 173, I do CTN, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que aplicavam o artigo 150, §4° do CTN e, por maioria de votos, em rejeitar as demais preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares e Thiago
Taborda Simões que limitavam a multa ao percentual de 20%.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2006 REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter de retribuição pelo serviço, ou seja, contraprestação de serviço prestado. CORRESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS. Com a revogação do artigo 13 da Lei 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei 11.941/09, o “Relatório de Representantes Legais REPLEG” tem a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuir-lhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. ARTS. 45 E 46 LEI 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE 08. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento das contribuições sociais, cujos fatos geradores não são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação aos mesmos, a Recorrente não efetuou qualquer antecipação de pagamento, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I, ambos do CTN. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO (SAT/GILRAT). INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVISTAS EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT. O grau de risco da empresa é estabelecido de acordo com o enquadramento da sua atividade econômica preponderante por estabelecimento. Ocorrência de auto enquadramento realizado pelo sujeito passivo. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AO INCRA. PREVISTA EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas a outras Entidades ou Fundos: INCRA. JUROS/TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. RETROATIVIDADE BENÉFICA. ART. 106 DO CTN. O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991), limitando-se ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter de retribuição pelo serviço, ou seja, contraprestação de serviço prestado. CORRESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS. Com a revogação do artigo 13 da Lei 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei 11.941/09, o “Relatório de Representantes Legais REPLEG” tem a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. ARTS. 45 E 46 LEI 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE 08. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 No caso de lançamento das contribuições sociais, cujos fatos geradores não são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação aos mesmos, a Recorrente não efetuou qualquer antecipação de pagamento, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I, ambos do CTN. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO (SAT/GILRAT). INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVISTAS EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT. O grau de risco da empresa é estabelecido de acordo com o enquadramento da sua atividade econômica preponderante por estabelecimento. Ocorrência de autoenquadramento realizado pelo sujeito passivo. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AO INCRA. PREVISTA EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas a outras Entidades ou Fundos: INCRA. JUROS/TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. RETROATIVIDADE BENÉFICA. ART. 106 DO CTN. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.003271/200719 Acórdão n.º 2402002.953 S2C4T2 Fl. 2 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período pelo artigo 173, I do CTN, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que aplicavam o artigo 150, §4° do CTN e, por maioria de votos, em rejeitar as demais preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares e Thiago Taborda Simões que limitavam a multa ao percentual de 20%. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais (sócios e autônomos), relativas à parcela desses segurados não descontada e não recolhida em época própria e à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros (FNDE/SalárioEducação, SESC, SENAC, INCRA e SEBRAE), para as competências 04/2000 a 12/2006. O Relatório Fiscal (fls. 72/76) informa que os fatos geradores das contribuições lançadas decorrem das remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais (sócios e autônomos), provenientes dos valores de prêmios concedidos a esses segurados por meio de cartões de incentivos, emitidos pelas empresas Mark Up Incentive Marketing Promoções e Participações Ltda (CNPJ: 00.003.373/000116), T&L Marketing S/C Ltda (CNPJ: 04.288.475/000186), SWM2 Marketing Integrado S/C Ltda (CNPJ: 01.239.512/000178) e Salles, Adan & Associados e Marketing de Incentivos S/C Ltda (CNPJ: 66.844.754/000136). Os valores constantes das Notas Fiscais foram confrontados com os lançamentos contábeis feitos na conta 6.1.2.1.01.11 – Despesas de MarketingGeração Demanda Brasil. O desconto dos segurados foi calculado com base no salário de contribuição constante da folha de pagamento e do prêmio pago e nas faixas salariais, sendo considerados os valores já retidos e recolhidos anteriormente, bem como, observado o limite máximo. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 28/12/2007 (fl.01). A Notificada apresentou impugnação tempestiva (fls. 138/216) – acompanhada de anexos de fls. 217/351 –, alegando, em síntese, que: 1. Da Relação de Corresponsáveis. Entende que as pessoas físicas elencadas na Relação de Vínculos não possuem legitimidade para figurar no polo passivo do presente procedimento fiscal, devendo ser excluídas da relação de corresponsáveis, pois, não há provas de que tenham praticado atos com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos, pressupostos exigidos pelo art. 135, III do Código Tributário Nacional (CTN); 2. Do Relatório Fiscal (REFISC), de Forma Incompleta – Cerceamento de Defesa. Reitera, de acordo com o exposto às fls. 144/156, que o Relatório Fiscal é resumido, incompleto e não goza de clareza e precisão, pois, não apresenta os seguintes dados: a) Motivação e motivos do débito; b) Enquadramento dos fatos geradores de contribuição dos referidos valores pagos a titulo de prêmio de incentivo à performance e produtividade dos segurados; c) Os critérios internos estabelecidos de forma condizente com a Fl. 572DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.003271/200719 Acórdão n.º 2402002.953 S2C4T2 Fl. 3 5 campanha de incentivos levada sob a coordenação das empresas de Marketing e Incentivos, como por exemplo, se os referidos prêmios se tratam de uma gratificação eventual, se o contribuinte pode concorrer toda vez que há um novo concurso, entre outros; d) O enquadramento dos valores a título de prêmio na definição de salário de contribuição nos termos do art. 28, I da Lei 8.212/91 e art. 214, I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99; e) Os motivos para uma aferição indireta nos termos dos parágrafos terceiro e sexto, do artigo 33 da Lei 8.212/91; f) Notas Fiscais e/ou Faturas e nem os contratos pactuados entre a empresa Requerente e as empresas de Marketing; g) Demonstração dos juros e multa, ou seja, se foram aplicadas reduções e majorações constantes na Lei 8.212/91, bem como, a forma de cálculo. Alega que tais omissões configuram cerceamento de defesa impondo a nulidade da NFLD nos termos da legislação e da jurisprudência apresentadas às fls. 146/151. Entende que os documentos DAD e RL não demonstram a remuneração utilizada como base de cálculo, apenas informam o montante da contribuição considerada pela Fiscalização como devido à Seguridade Social e a Outras Entidades e fundos; 3. Da Assinatura do Sujeito Ativo no Documento de Lançamento de Débito – NFLD. Entende que, pelo disposto nos arts. 2°, 9° e 25 da Lei n° 11.457/2007, arts. 9°, 10 e 11 do Decreto n° 70.235/1972, transcritos às fls. 157/161, a NLFD será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente a assinatura do Chefe do Órgão. Porém, o servidor ocupante do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil não tem competência legal para emitir e assinar a NFLD. Portanto, a mesma é nula de pleno direito; 4. Da Decadência. Defende a ocorrência da decadência para o período de 04/2000 a 12/2002 pelas razões aduzidas às fls. 161/178. Portanto, entende que o respectivo crédito tributário encontrase extinto por força do disposto no art. 156, V do Código Tributário Nacional (CTN); 5. DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE PRÊMIOS PAGOS AOS SEGURADOS. Da não Incidência da Contribuição Previdenciária sobre Notas Fiscais da Empresa Requerente. Alega que não existe determinação legal que autorize a incidência de contribuição previdenciária sobre valores pagos referentes a notas fiscais, razão pela qual a NFLD é ilegal e nula de pleno direito. Ressalta que as empresas de Marketing e Incentivos não são segurados empregados, nem trabalhadores avulsos, nem contribuintes individuais e, muito menos, cooperativas de trabalho. Portanto, sendo a lei taxativa e não exemplificativa, exclui a hipótese de considerar notas fiscais como fatos geradores de obrigações tributárias. Discorre às fls. 180/181 sobre a vontade da lei e o princípio da legalidade. E, portanto, a NFLD por não estar adstrita à legalidade tributária é nula de pleno direito; Fl. 573DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 6. Da Desvinculação dos Contratos Civis Firmados pela Empresa Requerente. Afirma que: "A empresa Requerente firmou contrato civil com as empresas Salles, Adan & Marketing de Incentivos S/C Ltda. e Mark Up Incentive Marketing Promoções e Participações Ltda. Estes contratos regulam direitos e obrigações que não podem ser desvirtuados pela Fiscalização Previdenciária ao seu livre arbítrio. O vínculo de emprego deve ser declarado pela Justiça do Trabalho. Após a declaração pela Justiça competente, subsistiriam as conseqüências, tais como pagamento de remuneração e destarte, esta incidir contribuição previdenciária". Entende que a Fiscalização exorbitou seus poderes, pois, declarou vínculo empregatício entre a pessoa jurídica que pagou nota fiscal à outra pessoa jurídica, e que, a segunda pessoa jurídica transferiu os recursos pagos pela primeira à pessoa física em decorrência de vínculo de emprego. Entende que a Fiscalização da Previdência Social é incompetente para caracterizar ou descaracterizar vínculo de emprego; 7. Da Desvinculação do Salário. Argumenta que os valores das notas fiscais, ainda que fossem remuneração (o que não se admite), estariam desvinculados do salário por força do disposto no art. 28, § 9°, item 7, alínea "e" da Lei 8.212/91, ou seja, não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. Declara que foi estabelecido contratualmente e expressamente que os referidos valores não correspondiam a salários, mas sim ganhos eventuais. Portanto, a Fiscalização não aplicou corretamente a lei. Entende que por ser liberalidade o pagamento do prêmio pode ser suprimido a qualquer tempo de acordo com os interesses da empresa. Ressalta que os prêmios não se confundem com gratificações, gorjetas e ganhos habituais em forma de utilidade que dependem de fatores alheios à vontade do empregado. Já o prêmio está ligado ao seu desempenho e esforço. Conclui que os prêmios não fazem parte do salário de contribuição; 8. Do Caráter Indenizatório e Da Habitualidade. Esclarece que em nenhum momento o Relatório Fiscal identifica o requisito da habitualidade no repasse das premiações. Entende que o prêmio não é destinado à remuneração do trabalho e, portanto, não tem natureza salarial visa a premiar aqueles empregados que se empenham durante todo o ano, de modo a não integrar o salário. Afirma que o prêmio tem natureza indenizatória. Portanto, o requisito da habitualidade no repasse dos prêmios é de extrema importância para o deslinde do feito, não havendo sua caracterização não há como prosperar o pretenso débito previdenciário, impondose a nulidade da NFLD; 9. DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO (RAT), ANTIGO SEGURO ACIDENTE DO TRABALHO (SAT). Alega que a Fiscalização enquadrou erroneamente a empresa no grau de risco médio (2%), pois, sua atividade preponderante é estritamente administrativa. Conforme se atesta do seu Estatuto Social, seu ramo de atividade preponderante se destina à informática e processamento de dados, sendo por conseguinte enquadrada no grau de riso leve (1%). Entende que não foram observados os regulamentos que norteiam à Previdência Social, mormente, o art. 26 do Regulamento Fl. 574DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.003271/200719 Acórdão n.º 2402002.953 S2C4T2 Fl. 4 7 da Organização e do Custeio da Seguridade Social, Decreto n° 2.173/97, transcrito as fls. 192/193 e que pela análise dos documentos apresentados, principalmente, seus contratos sociais, constatase que a empresa mantém seus segurados em grau de risco leve, ou seja, com incidência da alíquota em 1%; 10. DAS CONTRIBUIÇÕES INDEVIDAS. Contribuição para o INCRA. Cita às fls. 194/195 alguns dispositivos legais relativos ao INCRA contidos no anexo "FLD Fundamentos Legais do Débito" (fls. 57/58). Apresenta às fls. 195/208 uma incursão ao longo da seqüência legislativa relativa ao INCRA desde 1955 com a Lei 2.613/55, ou seja, antes da Constituição Federal de 1988 até os dias atuais, e conclui que é indevido o lançamento no tocante às contribuições destinadas ao INCRA. Requer, ainda, que seja reconhecida esta ilegalidade; 11. DA ILIQUIDEZ, INCERTEZA E INEXIGIBILIDADE DA NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO (NFLD). Diante do exposto, entende que a NFLD tornase ilíquida e inexigível, portanto, nula de pleno direito. Esclarece que o processo executório só tem ensejo quando presentes seus pressupostos. Contudo, a NFLD não se reveste de certeza, liquidez e exigibilidade. Apresenta às fls. 210/212 doutrina e jurisprudências a respeito do tema. Discorre ainda às fls. 212/213 sobre títulos executivos e os elementos da certeza e liquidez; 12. DA MULTA. Afirma que indevido o principal os acessórios (juros, multa e atualização monetária) deixam de ser exigíveis. Por outro lado, entende que a cobrança de juros, multa e atualização monetária é abusiva e acima dos limites legais constitucionais. Apresenta às fls. 214 jurisprudência relativa à multa. Declara que a aplicação de multas excessivas resulta em tributação com efeito de confisco, com violação do art. 150, IV, da Constituição Federal, transcrito as fls. 215. Neste sentido, apresenta as fls. 215 doutrina; 13. DO PEDIDO. Ante o exposto requer a nulidade da NFLD. Na eventualidade de não ser extinta e baixada, requer diligência para a discriminação de forma clara e precisa de todos os dados para constituição do pretenso débito previdenciário com a conseqüente abertura de prazo para manifestação complementar. Requer, finalmente, que sejam enviadas todas as intimações e notificações aos procuradores da empresa, com escritório na Rua Saldanha da Gama, n° 204, Centro, em Curitiba, Paraná, CEP: 80.060170. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo/SP – por meio do Acórdão 1616.979 da 13a Turma da DRJ/SPOI (fls. 398/435) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que não havia justificativa nem amparo legal para prosperar a pretensão da Impugnante no sentido de considerar o procedimento fiscal passível de nulidade. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 A Notificada apresentou recurso (fls. 441/536), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (DERAT) em São Paulo/SP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fl. 554). É o relatório. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.003271/200719 Acórdão n.º 2402002.953 S2C4T2 Fl. 5 9 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo (fls. 439/441) e não há óbice ao seu conhecimento. DAS PRELIMINARES: A Recorrente manifesta inconformismo a respeito do relatório dos corresponsáveis, pois entende que estaria sendo imputada responsabilidade aos sócios da empresa. Quanto à essa alegação da indevida responsabilização dos sócios (diretores), cabe esclarecer que os corresponsáveis mencionados pela fiscalização não figuram no polo passivo do presente lançamento fiscal. A relação de corresponsáveis anexada pela fiscalização tem como finalidades identificar as pessoas que poderiam ser responsabilizadas na esfera judicial, caso fosse constatada a prática de atos com infração de leis ou estatuto, conforme determina o Código Tributário Nacional e permitir que se cumpra o estabelecido no art. 2º, inciso I, § 5º, da Lei 6.830/1980, que dispõe: Art. 2º. Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou nãotributária na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, com as alterações posteriores, que estatui normas gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. (...) § 5º O Termo de Inscrição de Dívida Ativa deverá conter: I o nome do devedor, dos coresponsáveis e sempre que conhecido, o domicílio ou residência de um e de outros (g.n.); Além disso, verificase que o artigo 79, inciso VII, da Lei 11.941/2009 revogou o artigo 13 da Lei 8.620/1993. Com isso, após essa revogação do artigo 13, o denominado “Relatório de Representantes Legais REPLEG” (fls. 60/63), acompanhado do Relatório de Vínculos, não pode mais ostentar em seu título qualquer expressão que venha mesma a apenas insinuar uma corresponsabilidade das pessoas nela relacionadas. Segue transcrição: Lei 8.620/1993: Art. 13. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à seguridade social. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Parágrafo único. Os acionistas controladores, os administradores, os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente, com seus bens pessoais, quanto ao inadimplemento das obrigações para com a seguridade social, por dolo ou culpa. A relação de “Representantes Legais REPLEG” apenas identifica os sócios e diretores da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. Não é conseqüência do aludido documento que os referidos representantes legais passem a constar no polo passivo da obrigação tributária. O Relatório “REPLEG” serve apenas como subsídio à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), caso haja necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, e sendo verificada a ocorrência das hipóteses legais para a responsabilização tributária prevista no Código Tributário Nacional (CTN). Assim, temse que a indicação dos representantes legais é mero subsídio para, se necessário e cabível, o crédito previdenciário ser exigido dos administradores exclusiva, solidária ou subsidiariamente com o contribuinte. No entanto, nem por isso os representantes legais não devam constar em relação preparada pelo Fisco. É da analise dos contratos sociais e estatuto que são identificados os sócios e diretores da empresa, dessa relação a PFN poderá indicar eventuais corresponsáveis pelo crédito, conforme dispõe em especial o artigo 135 da Lei 5.172/1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Portanto, não acato essa preliminar, eis que a finalidade do “Relatório de Representantes Legais REPLEG” é apenas identificar os sócios e diretores da empresa, com seu respectivo período de gestão. A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas quanto ao lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador das contribuições sociais lançadas, que foram as relativas à contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais não descontada, à contribuição patronal e às contribuições destinadas ao financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), assim como as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros, para as competências 12/2001 a 12/2006 (competências remanescentes após aplicação do instituto da decadência). Fl. 578DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.003271/200719 Acórdão n.º 2402002.953 S2C4T2 Fl. 6 11 Os valores das contribuições sociais previdenciárias decorrem das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais (sócios e autônomos), provenientes dos valores de prêmios concedidos a esses segurados por meio de cartões de incentivos, emitidos pelas “empresas Marketing” (Mark Up Incentive Marketing Promoções e Participações Ltda, T&L Marketing S/C Ltda, SWM2 Marketing Integrado S/C Ltda e Salles, Adan & Associados e Marketing de Incentivos S/C Ltda). Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/122) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN, o art. 37 da Lei 8.212/1991 e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumpri la ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Lei 8.212/1991: Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; Fl. 579DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal (fls. 72/76) e seus anexos (fls. 01/71 e 77/122) são suficientemente claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da contribuição devida. A fundamentação legal aplicada encontrase no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD (fls. 56/59), que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Há o Discriminativo Analítico de Débito (DAD), que contém todas as contribuições sociais devidas, de forma clara e precisa (fls. 04/29). Ademais, constam outros relatórios que complementam essas informações, tais como: Relatório de Lançamentos (RL), fls. 39/55; Discriminativo Sindético de Debito (DSD), fls. 30/38; planilhas contendo a relação nominal dos segurados beneficiários dos cartões de incentivos (fls. 98/122); Notas Fiscais emitidas pelas empresas fornecedoras dos benefícios (fls. 77/97); dentre outros. Esses documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito tributário. Além disso – nos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD (fls. 64/70) e no Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal TEAF (fls. 71) –, todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador das contribuições lançadas e a informação de que o sujeito passivo recebeu toda a documentação utilizada para caracterizar os valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal de fls. 72/76. Dentro do contexto fático, cumpre esclarecer que os cartões de premiação eram fornecidos aos segurados empregados de forma nominal e a base de cálculo foi apurada a partir das Notas Fiscais emitidas pelas empresas fornecedoras dos cartões de incentivos à Recorrente. Isso está consubstanciado no Relatório Fiscal (fls. 72/76) com os seguintes termos: “[...] 3 Constituem fatos geradores das contribuições previdenciárias ora lançadas: O valor tributável foi apurado com base nos valores discriminados nas Notas Fiscais de Serviços e ou Faturas de Serviços, emitidas pelas empresas Mark Up Incentive Marketing Promoções e Participações Ltda. CNPJ 00.003.373/000116, T&L Marketing S/C Ltda. CNPJ 04.288.475/000186, SWM2 Marketing Integrado S/C Ltda. CNPJ 01.239.512/000178 e Salles, Adan & Associados Marketing de Incentivos S/C Ltda. – CNPJ 66.844.754/000136, apresentadas pela empresa ora fiscalizada e cujos valores foram confrontadas com os lançamentos contábeis. A empresa contabiliza esses pagamentos na conta de despesa 6.1.2.1.01.11DESPESAS MARKETING Geração Demanda Brasil, sendo beneficiários dessa premiação, tanto segurados empregados como segurados contribuintes individuais(sócios e autônomos). Assim, os valores ora lançados a esse título, constituem base do Salário de Contribuição/Remuneração desses segurados. A empresa identificou todos os segurados, conforme consta na Relação dos Beneficiários fornecido a esta fiscalização, cuja cópia consta anexa a esta. A empresa não procedeu a retenção de contribuição de segurados, não consignando, portanto, apropriação indébita, sendo calculado pela alíquota de 11% até limite máximo, a partir de 04/2003 para os segurados contribuintes individuais. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.003271/200719 Acórdão n.º 2402002.953 S2C4T2 Fl. 7 13 ......................................................................................................... 10 Desconto dos Segurados: a). Ao valor do Salário de Contribuição constante na Folha de Pagamento, foi acrescido o valor pago a título de Prêmio, e sobre este novo valor foi calculado o valor correto do desconto de segurados por faixas salariais, sendo descontado o valor já retido e recolhido anteriormente. Portanto, só foram cobradas as diferenças até o Limite Máximo. b). Onde a empresa já havia efetuado o desconto pelo Limite Máximo, não houve apuração de contribuição de segurados. [...]”. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/122) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. Com relação às alegações de inconstitucionalidade constantes na peça recursal, cumpre esclarecer que a administração pública deve observar o princípio da estrita legalidade, sendo que as leis e atos normativos nascem com a presunção de constitucionalidade, que só pode ser elidida pelo Poder Judiciário, conforme a competência determinada pela Carta Magna. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, ou seja, declarada suspensa pelo Senado Federal nos termos art. 52, X, da Constituição Federal, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, o Regimento Interno (RI) do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) veda aos membros de Turmas de julgamento afastar a aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, e o próprio Conselho uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 2 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), transcrito a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante disso, não examinarei as questões referente à inconstitucionalidade de leis e atos normativos, especificamente as seguintes alegações: (i) inconstitucionalidade do art. 15 da Lei Complementar no 11/1971, que disciplina a contribuição destinada ao INCRA; (ii) caráter desproporcional, não razoável, da multa aplicada no presente lançamento, afrontando o artigo 150, V, da Constituição Federal; dentre outras expostas na peça recursal da Recorrente. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 A Recorrente alega que seja declarada a extinção do crédito tributário, pois os valores apurados estariam fulminados pelo instituto jurídico da decadência até a competência 12/2002, nos termos do art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional (CTN). Tal alegação, pelos motivos fáticos e jurídicos a seguir delineados, será acatada em parte. Esclarecemos que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei 8.212/91. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante no 08 STF: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional 45/2004, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.003271/200719 Acórdão n.º 2402002.953 S2C4T2 Fl. 8 15 Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º, o seguinte: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação – que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' –,há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de Fl. 583DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento. (AgRg nos EREsp 216.758/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) ......................................................................................................... TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Omissis. 4. Embargos de divergência providos. (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) Verificase que o lançamento fiscal em tela referese às competências 04/2000 a 12/2006 e foi efetuado em 28/12/2007, data da intimação e ciência do sujeito passivo (fl. 01). No caso em tela, tratase do lançamento de contribuições, cujos fatos geradores não são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação aos mesmos, a Recorrente não efetuou qualquer antecipação de pagamento, conforme Relatório Fiscal (fls. 72/76) e Discriminativo Analítico de Débito DAD (fls. 04/29). Nesse sentido, aplicase o art. 173, inciso I, do CTN no presente lançamento fiscal, para considerar que estão abrangidos pela decadência os créditos correspondentes aos fatos geradores ocorridos até 11/2001, inclusive. Logo, a recorrente não poderia ter sido autuada pelas competências anteriores a 12/2001, pois o direito potestativo do Fisco – nas competências até 11/2001, inclusive, e competência 13/2001 – já estava extinto pelo instituto da decadência tributária. Esclarecemos que a competência 12/2001 não deve ser excluída do cálculo do lançamento fiscal ora analisado, porquanto a sua exigibilidade e a sua hipótese imponível (situação fática da hipótese de incidência da contribuição) somente ocorrerão a partir de 01/2002, com a remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, durante o mês, aos segurados obrigatórios do RGPS, quando poderia ter sido efetuado o lançamento fiscal. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.003271/200719 Acórdão n.º 2402002.953 S2C4T2 Fl. 9 17 Dessa forma, acato parcialmente a preliminar de decadência tributária ora examinada, excluindo os valores apurados até a competência 11/2001, inclusive, e passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: A Recorrente argumenta que os valores decorrentes das parcelas pagas a título de programa de incentivo, por meio de cartão de premiação, não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária por não possuírem natureza remuneratória. Tal alegação não deve prosperar pelos fatos, pela legislação de regência e pela jurisprudência judicial e deste Conselho, todos a seguir delineados neste voto. Considerando o Relatório Fiscal (fls. 72/76) e Contrato firmado entre as “empresas de Marketing” (Mark Up Incentive Marketing Promoções e Participações Ltda, T&L Marketing S/C Ltda, SWM2 Marketing Integrado S/C Ltda e Salles, Adan & Associados e Marketing de Incentivos S/C Ltda) e a Recorrente, constatase que era fornecido cartão de premiação aos segurados empregados e contribuintes individuais, destinado a programa de estímulo ao aumento de produtividade e, portanto, relacionado ao alcance de metas de desempenho, conforme relatado pela própria Recorrente (fls. 155): “[...] Conforme já demonstrado, o impulso para a lavratura da presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD foi o contrato de premiação e incentivos pactuado com as empresas enumeradas pelo Sr. Auditor Fiscal, que tem por objeto premiar, a título de incentivo performance, pessoas do relacionamento da empresa ora Requerente, que venham a ser por ela indicados e contemplados. (g.n.) [...]” Assim, os referidos “colaboradores” são escolhidos e indicados pela própria empresa contratante como beneficiários dos prêmios, pela razão mais óbvia possível, são subordinados à Recorrente. É importante esclarecer que os contratos firmados entre a Recorrente e as referidas empresas de Marketing não tem o condão de afastar a incidência da lei, pois, pouco importa que nestes contratos esteja previsto expressamente que os prêmios não configuram salários, se o contrário resulta da legislação previdenciária (Lei 8.212/1991). Isso está em consonância com o art. 126 do Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966 –, in verbis: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas a responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Os valores pagos por meio de cartão de incentivo são considerados prêmios e prêmio é um salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como a produção, a eficiência, dentre outros fatores de produção. Caracterizase pelo seu aspecto condicional; uma vez atingida a condição prevista por parte do trabalhador, este faz jus ao mesmo. Portanto, por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação do serviço prestado e, por conseqüência, possui natureza jurídica salarial. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 A Recorrente tenta descaracterizar a natureza salarial dos prêmios alegando que são pagos por mera liberalidade da empresa e sem habitualidade (ganhos eventuais), uma vez que o pagamento é vinculado exclusivamente à eventual superação das metas ou expectativas de desempenho prédeterminadas pela mesma. Ocorre que tal entendimento não pode prevalecer. A meu ver, a habitualidade não fica caracterizada apenas pelo pagamento em tempo certo, de forma mensal, bimestral, semestral, ou anual, mas pela garantia do recebimento a cada implemento de condição por parte do trabalhador. Tanto ficou configurada a habitualidade que a Recorrente disponibilizou os cartões, no período de 04/2000 a 12/2006, aos segurados empregados e contribuintes individuais. Portanto, a habitualidade, no presente caso, resta caracterizada em decorrência da própria política de premiação realizada pela Recorrente. O pagamento de prêmios por cumprimento de condição leva tais valores a aderirem ao contrato de trabalho, cuja eventual supressão pode caracterizar alteração prejudicial do contrato de trabalho, o que é vedado pelo art. 468 da Consolidação das Leis do Trabalho, que dispõe neste sentido: Art. 468. Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento, ainda assim, desde que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia. O entendimento acima encontra respaldo na jurisprudência trabalhista, conforme se verifica nos seguintes julgados: Prêmios. Saláriocondição. Os prêmios constituem modalidade de saláriocondição, sujeitos a fatores determinados. E, como tal, integram a remuneração do autor estritamente nos meses em que verificada a condição”.(RO23976/97 – TRT 3ª Reg. – 1ª T – relator juiz Ricardo Antônio Mohallem – DJMG 220199). Comissões e prêmios. Distinção. Comissão é um porcentual calculado sobre as vendas ou cobranças feitas pelo empregado em favor do empregador. O prêmio depende do atingimento de metas estabelecidas pelo empregador. É saláriocondição. Uma vez atingida a condição, a empresa paga o valor combinado. Não se pode querer que o preposto saiba a natureza jurídica entre uma verba e outra”. (Proc. nº 00693200390202007 – Ac. 20030282661 – TRT 2ª Reg. 3ª Turma – relator juiz Sérgio Pinto Martins – DOESP 24.0603). Com isso, entendo que há incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos segurados empregados por meio de cartão de premiação. Nesse sentido, registramos que há vários precedentes desta natureza prolatados por esta Corte Administrativa, então denominada 6ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes: Ac. 20600236, Ac. 20600286, Ac. 20600333, Ac. 20600949. Ainda registro o teor das ementas nos julgados abaixo: ACÓRDÃO 20600949 – Recurso 147059 Ementa: PREVIDENCIÁRIO – REMUNERAÇÃO INDIRETA – UTILIDADES – PAGAMENTO DE PRÊMIO – Fl. 586DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.003271/200719 Acórdão n.º 2402002.953 S2C4T2 Fl. 10 19 PRODUTIVIDADE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO – DECADÊNCIA Incide contribuição previdenciária sobre o prêmio fornecido pela empresa aos contribuintes individuais que lhe prestam serviços, a título de incentivo pelas vendas. (...) ......................................................................................................... ACÓRDÃO 20600286 – Recurso 141822 Ementa: NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO REMUNERAÇÃO. INCENTIVE HOUSE. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA MORATÓRIA E OS JUROS SELIC SÃO DEVIDOS NO CASO DE INADIMPLÊNCIA DO CONTRIBUINTE. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela Incentive House S.A. é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Dentro desse contexto, peço vênia à ilustre Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira para transcrever trecho de seu voto, condutor do Ac. 20601657, que enfrenta a questão ora posta em julgamento: [...] Conforme discutido nos autos o ponto chave é a identificação do campo de incidência das contribuições previdenciárias. Para isso façamos uso da legislação previdenciária, atrelada a conceitos trazidos da legislação trabalhista. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo Fl. 587DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)” O conceito de remuneração, descrito no art. 457 da CLT, deve ser analisado em sua acepção mais ampla, ou seja, correspondendo ao gênero, do qual são espécies principais os termos salários, ordenados, vencimentos etc. “Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Súmulas nos 84, 101 e 226 do TST.) § 2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de cinqüenta por cento do salário percebido pelo empregado. § 3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas.” Não procede o argumento do recorrente, uma vez que já está pacificado na doutrina e jurisprudência que os prêmios pagos possuem natureza salarial. A definição de “prêmios” dada pela recorrente não se coaduna com a de verba indenizatória, mas, com a de parcelas suplementares pagas em razão do exercício de atividades, tendo o empregado alcançado resultados no exercício da atividade laboral. (...) Claro é o posicionamento do STF, acerca da natureza salarial dos prêmios, posto o descrito na súmula n° 209, nestes termos: “Súmula 209 – SalárioPrêmio, salário –produção. O salário produção, como outras modalidades de salário prêmio, é devido, desde que verificada a condição a que estiver subordinado, e não pode ser suprimido, unilateralmente, pelo empregador, quando pago com habitualidade.” Os prêmios são considerados parcelas salariais suplementares, pagas em função do exercício de atividades atingindo determinadas condições. Neste sentido, adquirem caráter Fl. 588DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.003271/200719 Acórdão n.º 2402002.953 S2C4T2 Fl. 11 21 estritamente contraprestativo, ou seja, de um valor pago a mais, um “plus” em função do alcance de metas e resultados Não tem por escopo indenizar despesas, ressarcir danos, mas, atribuir um incentivo ao empregado. (...) Vale destacar ainda, que por se caracterizarem como remuneração, os prêmios devem, em regra, refletir no pagamento de todas as demais verbas trabalhistas, sejam elas: férias, 13º salário, repouso semanal remunerado, devendose observar a habitualidade dependendo da verba que se faça incidir. Pelo exposto o campo de incidência é delimitado pelo conceito remuneração. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado ou de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. Cabe destacar nesse ponto, que os conceitos de salário e de remuneração não se confundem. Enquanto o primeiro é restrito à contraprestação do serviço devida e paga diretamente pelo empregador ao empregado, em virtude da relação de emprego; a remuneração é mais ampla, abrangendo o salário, com todos os componentes, e as gorjetas, pagas por terceiros. Nesse sentido é a lição de Alice Monteiro de Barros, na obra Curso de Direito do Trabalho, Editora LTR, 3ª edição, página 730. A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, nestas palavras: (...) Pela análise do dispositivo legal, podemos observar que não existe nenhuma exclusão quanto aos prêmios concedidos seja aos segurados empregados ou contribuintes individuais. Além disso, o texto legal não cria distinção entre as exclusões aplicáveis aos empregados e aos contribuintes individuais. [...]” Dessa forma, não acato as alegações da Recorrente, eis que valores pagos por meio de cartão de incentivo possuem natureza remuneratória e devem integrar o salário de contribuição. Quanto à argumentação da ilegalidade da cobrança da contribuição para o Seguro de Acidente de Trabalho (SAT/GILRAT), tal tese não será acatada, pois o Supremo Tribunal Federal (STF) já pacificou a matéria no julgamento do RE 343.446SC, Relator Ministro Carlos Velloso. Assim, entendeu o STF que a exigência da contribuição para o custeio do SAT, por meio das Leis nos 7.787/1989 e 8.212/1991, é constitucional e também declarou que a delegação ao Poder Executivo – para regulamentação dos conceitos de “atividades Fl. 589DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 22 preponderante” e “grau de risco leve, médio e grave” – tem amparo constitucional. Transcrevemos a ementa do RE 343.446SC: EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º; art. 154, II; art. 5º, II; art. 150, I. I Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. (g.n.) IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido. (RE 343446, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ de 04/04/2004) Ainda o Relator desse RE 343.446SC registrou que: “(...) o regulamento não pode inovar na ordem jurídica, pelo que não tem legitimidade constitucional o regulamento “praeter legem”. Todavia, o regulamento delegado ou autorizado ou “intra legem” é condizente com a ordem jurídicoconstitucional brasileira”. Esse entendimento de que a cobrança da contribuição destinada ao SAT/GILRAT é legítima vem sendo mantido pelo STF, senão vejamos: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. SAT. TRABALHADORES AVULSOS. CONSTITUCIONALIDADE. 1. Contribuição social. Seguro de Acidente do Trabalho SAT. Lei n. 7.787/89, artigo 3o, II. Lei n. 8.212/91, artigo 22, II. Constitucionalidade. Precedente. 2. A cobrança da contribuição ao SAT incidente sobre o total das remunerações pagas tanto aos empregados quanto aos trabalhadores avulsos é legítima. Precedente. (g.n.) Agravo regimental a que se nega provimento. [...] Voto [...] Fl. 590DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.003271/200719 Acórdão n.º 2402002.953 S2C4T2 Fl. 12 23 4. O Supremo afastou a argumentação de contrariedade do princípio da legalidade tributária [CB, artigo 150, I], uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para os decretos regulamentares ns. 612/92, 2.173/97 e 3.048/99 a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio ou grave". (g.n.) (AIAgR 742458/DF,Rel. Min. Eros Grau, Dje 14/05/2009) Depreendese dessas decisões do STF que a complementação dos conceitos de atividade preponderante e do grau de risco para aplicação das alíquotas do SAT/GILRAT pode ser estabelecida por meio de Decreto (regulamento do Poder Executivo), desde que a lei assim o discipline. Nesse sentido, há precedentes judiciais no Tribunal Regional Federal da 4a Região (TRF4), a saber: TRIBUTÁRIO. SEGURO ACIDENTE DO TRABALHO SAT. CONSTITUCIONALIDADE. GRAU DE RISCO. REGULAMENTO. 1. Não há qualquer vício no se atribuir ao Executivo, ou a um órgão do Executivo, a determinação dos graus de risco das empresas, para o enquadramento destas nos correspondentes graus de risco. 2. Em muitas situações o legislador é obrigado a editar normas "em branco", cujo conteúdo final é deixado a outro foco de poder, sem que nisso se entreveja a vedada delegação legislativa. As circunstâncias dirão a quem deferir a competência. 3. Não se confunde a delegação legislativa com a suplementação técnica da norma por autoridade administrativa. O que se tem, no caso dos autos, é típica suplementação técnica da lei, atribuída à autoridade administrativa, que não estará exercendo qualquer função normativa e nem mesmo regulamentar. Via de conseqüência, não há qualquer vício de inconstitucionalidade na fixação, pelo Ministério da Previdência Social, dos critérios de enquadramento das empresas nos diversos graus de risco de acidentes do trabalho. 4. Recurso de apelação improvido.(TRF 4a Região, Recurso de Apelação nº 1999.72.01.0062983/SC, Relator Antonio Albino Ramos de Oliveira). (g.n.) Por sua vez, cumpre esclarecer que, nas competências objeto do presente lançamento fiscal (04/2000 a 12/2006), houve um autoenquadramento na alíquota SAT/GILRAT de 2% pela Recorrente na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), conforme documentos juntados aos autos de fls. 354/394. Ou seja, o próprio sujeito passivo enquadrouse no grau de risco médio (2%). Além disso, os documentos juntados aos autos operaramse em desfavor da Recorrente, eis que se tratam de documentos declaratórios ao Fisco preenchidos pela empresa e não há documentos que demonstrem o contrário do que foi registrado na GFIP. Logo, em consonância com a legislação previdenciária de regência ao lançamento fiscal, entendo que é devida à contribuição destinada ao Seguro de Acidente de Trabalho (SAT/GILRAT), e afasto a alegação da Recorrente de ilegalidade dessa exação previdenciária. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 24 Quanto à alegação de inconstitucionalidade/ilegalidade das contribuições destinadas ao INCRA, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os preceitos regulados na Lei 8.212/1991 e demais disposições das legislações vigentes que embasaram o lançamento fiscal ora analisado. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidade na cobrança das contribuições destinadas ao INCRA, não há razão para a Recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis as contribuições incidentes sobre a remuneração paga, creditada ou debitada aos segurados empregados. Isso está em consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF, mencionado na análise da preliminar das alegações de inconstitucionalidade expostas na peça recursal. Por outro lado, esclarecemos que a matéria já se encontra pacificada no âmbito do poder Judiciário, firmando entendimento de que é devida a contribuição social destinada ao INCRA, conforme se percebe do precedente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), analisado sob a égide de Recursos Repetitivos, confirase: “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA.CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. EXTINÇÃO PELAS LEIS 7.787/89 OU 8.212/91. NÃO OCORRÊNCIA. EXAÇÃO EXIGÍVEL DAS EMPRESAS URBANAS. ACÓRDÃO EMBARGADO EM SINTONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO. SÚMULA 168/STJ. 1. Agravo regimental contra decisão que indeferiu liminarmente os embargos de divergência (art. 266, § 3º, do RISTJ). 2. A jurisprudência da Primeira Seção, consolidada inclusive em sede de recurso especial repetitivo (REsp 977.058/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 10/11/2008), firmou o entendimento de que a contribuição para o Incra (0,2%) não foi revogada pelas Leis 7.787/89 e 8.213/91, sendo exigível, também, das empresas urbanas. (g.n.) 3. Incidência da Súmula 168/STJ: "Não cabem embargos de divergência, quando a jurisprudência do Tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado". 4. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EREsp 803.780/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 30/11/2009)”. Logo, são devidas as contribuições destinadas ao INCRA, afastando assim as alegações de ilegalidade dessa contribuição. No que tange à arguição de inconstitucionalidade, ou ilegalidade, de legislação previdenciária que dispõe sobre a utilização taxa de juros (taxa SELIC), frise se que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei 8.212/1991. Isso está em consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.003271/200719 Acórdão n.º 2402002.953 S2C4T2 Fl. 13 25 Esclarecemos que foi correta a aplicação do índice pelo Fisco, pois o art. 144 do CTN dispõe que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e regese pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada, e a cobrança de juros (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC) estava prevista em lei específica da previdência social, art. 341 da Lei 8.212/1991. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996 (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. A propósito, convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança de juros, estando os valores descritos no lançamento fiscal, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária, eis que o art. 34 da Lei 8.212/1991 dispunha que as contribuições sociais não 1 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 26 recolhidas à época própria ficavam sujeitas aos juros SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Isso está em consonância com o próprio art. 161, § 1°, do CTN2, pois havendo legislação especifica dispondo de modo diverso, abrese a possibilidade de que seja aplicada outra taxa e, no caso das contribuições previdenciárias pagas com atraso, a taxa utilizada é a SELIC. O disposto no art. 161 do CTN não estabelece norma geral em matéria de legislação tributária. Portanto, sendo materialmente lei ordinária pode ser alterado por outra lei de igual status, não havendo necessidade de lei complementar. Quanto ao argumento de que a multa aplicada tem caráter confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal, já que ela seria abusiva e desproporcional, e deveria ser relevada, razão não confiro ao Recorrente, já que a multa foi aplicada em conformidade à legislação previdenciária descrita acima. Ademais, conforme registramos anteriormente, a verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. Logo, essa verificação de que a multa aplicada vai de encontro ao princípio constitucional da isonomia e teria caráter confiscatório, ora pretendida pela Recorrente, exacerba a competência originária dessa Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Registramos que a vedação constitucional quanto ao caráter confiscatório se dá em relação ao tributo e não à multa pecuniária ora discutida pela recorrente, sendo esta última a apreciada no caso concreto. Nesse sentido preceitua o art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988: Art. 150 Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV utilizar tributo com efeito de confisco; Portanto, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei 8.212/1991, já que se trata de uma multa pecuniária. Não recolhendo na época própria o sujeito passivo tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Em decorrência dos princípios da autotutela e da legalidade objetiva, no que tange à aplicação da multa de mora sobre as contribuições devidas, entendo que deverá ser aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas através de lançamentos fiscais de contribuições previdenciárias na vigência da Medida Provisória (MP) 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes de sua edição. É que a 2 Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.003271/200719 Acórdão n.º 2402002.953 S2C4T2 Fl. 14 27 medida provisória revogou o art. 35 da Lei 8.212/1991 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores. Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a Fl. 595DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 28 constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia, desde 27/12/1996, o art. 44 da Lei 9.430/1996, aplicável a todos os demais tributos federais: Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Multas de Lançamento de Ofício Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral, sendo isso um dos critérios para a solução dessa controvérsia. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP no 449 aplicavase exclusivamente o art. 35 da Lei 8.212/1991. Portanto, a sistemática dos artigos 44 e 61 da Lei 9.430/1996, para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si, não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. Portanto, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar, sem observância da regra especial que era prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória (MP) 449. Embora os fatos geradores tenham ocorridos antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. Por sua vez, o Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.003271/200719 Acórdão n.º 2402002.953 S2C4T2 Fl. 15 29 É a afirmação legislativa da natureza declaratória do lançamento, já predominante na doutrina desde a edição das obras de Direito Tributário do saudoso mestre Amílcar de Araújo Falcão (FALCÃO, Amilcar de Araújo. Fato Gerador da Obrigação Tributária. 4. ed. Anotada e atualizada por Geraldo Ataliba. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1977): “[...] De logo convém recordar que não é manso e tranqüilo o entendimento que exprimimos quanto à função do fato gerador como pressuposto e ponto de partida da obrigação tributária. Alguns autores dissentem dessa conclusão, afirmando que tal função criadora deve ser atribuída ao lançamento. Contestam estes que o lançamento tenha, como à maioria da doutrina e a nós parece ter, natureza declaratória [...]”. Ainda dentro desse contexto, pela legislação da época da ocorrência do fato gerador, seriam duas multas distintas a serem aplicadas pela AuditoriaFiscal: 1. uma relativa ao descumprimento da obrigação acessória – capitulada no Código de Fundamento Legal (CFL) 68 –, com base o art. 32, IV e § 5o, da Lei 8.212/1991, no total de 100% do valor devido, relativo às contribuições não declaradas, limitada em função do número de segurados; 2. outra pelo descumprimento da obrigação principal, correspondente, inicialmente, à multa de mora de 24% prevista no art. 35, II, alínea “a”, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.876/1999. Tal artigo traz expresso os percentuais da multa moratória a serem aplicados aos débitos previdenciários. Essa sistemática de aplicação da multa decorrente de obrigação principal sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 35 e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g,n,) ......................................................................................................... Lei 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 30 Em decorrência da disposição acima, percebese que a multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/96, se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Esta multa, portanto, se aplica aos casos de recolhimento em atraso, que não é o caso do presente processo. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso do presente processo, em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e consequentemente de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996. Lei 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. (g.n.) Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido, como segue: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Entretanto, não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991 em sua integralidade, eis que o critério jurídico a ser adotado é do art. 144 do CTN (tempus regit actum: o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada). Dessa forma, entendo que, para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II, da Lei 8.212/1991), limitando a multa ao patamar de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Embora a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Neste caso, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei 9.430/1996 limitase ao percentual de 75% do valor principal e adotando a regra interpretativa constante do art. 106 do CTN, deve ser aplicado o percentual de 75% caso a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) supere o seu patamar. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.003271/200719 Acórdão n.º 2402002.953 S2C4T2 Fl. 16 31 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para reconhecer que: (i) sejam excluídos, em decorrência da decadência tributária quinquenal, os valores apurados até a competência 11/2001, inclusive; e (ii) com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/08/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10925.905488/2013-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 23 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012
AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE PROVAS. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTOS. VÍCIO DE NULIDADE.
Apresenta vício de nulidade o julgado proferido com preterição ao direito de defesa, caracterizado pela ausência de apreciação de argumento ainda que apresentado de forma genérica. Da mesma forma, a ausência de apreciação, pela autoridade julgadora de primeira instância, dos documentos comprobatórios apresentados pela contribuinte na Manifestação de Inconformidade configura cerceamento do direito de defesa, também a atrair vício de nulidade.
Numero da decisão: 3401-009.951
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade da decisão recorrida, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-009.947, de 23 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10925.905486/2013-29, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco e Ronaldo Souza Dias (Presidente).
Nome do relator: Carolina Machado Freire Martins
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade da decisão recorrida, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-009.947, de 23 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10925.905486/2013-29, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco e Ronaldo Souza Dias (Presidente).
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AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTOS. VÍCIO DE NULIDADE. Apresenta vício de nulidade o julgado proferido com preterição ao direito de defesa, caracterizado pela ausência de apreciação de argumento ainda que apresentado de forma genérica. Da mesma forma, a ausência de apreciação, pela autoridade julgadora de primeira instância, dos documentos comprobatórios apresentados pela contribuinte na Manifestação de Inconformidade configura cerceamento do direito de defesa, também a atrair vício de nulidade. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade da decisão recorrida, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-009.947, de 23 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10925.905486/2013-29, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco e Ronaldo Souza Dias (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 54 88 /2 01 3- 18 Fl. 418DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-009.951 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.905488/2013-18 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou procedente em parte Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que acolhera em parte o Pedido de Ressarcimento/Compensação apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente a crédito de COFINS, referente ao 1º trimestre de 2012. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: (1) considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela defendente; (2) Não se conhece dos argumentos expendidos pela defesa quando não guardarem qualquer conexão com a matéria tratada nos autos, uma vez que inexiste litígio instaurado nessa parte; (3) Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. (4) o conceito de insumo para fins de apuração de créditos de PIS/Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica; o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço: a) constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço; ou b) quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; o critério da relevância, por seu turno, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja a) pelas singularidades de cada cadeia produtiva; ou b) por imposição legal; (5) as embalagens de transporte, entendidas como aquelas que não integram o produto, não seguem com ele quando de sua comercialização e não conferem características, forma ou identificação aos produtos, não ensejam direito a crédito no regime de apuração não-cumulativo, uma vez que referem-se a gastos posteriores à finalização do processo produtivo; (6) os combustíveis e lubrificantes utilizados em qualquer etapa da produção ou fabricação de bens destinados à venda são considerados insumos por disposição expressa de lei. Intimado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário repisando os principais argumentos no tocante às glosas que foram mantidas, e inovando no tocante à glosa dos produtos com alíquota zero e glosas sobre bens do imobilizado. Aduz ainda que nada obstante o entendimento da DRJ de que não havia impugnação específica da glosa dos produtos e serviços de reparo e manutenção, mesmo que de forma genérica, teria havido a devida impugnação em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 419DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-009.951 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.905488/2013-18 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, sendo definido como paradigma. 1. Matérias não impugnadas Afirma a DRJ (e-fl. 385): A recorrente em nada se insurge sobre vários pontos do despacho decisório, limitando-se a alegar que todos os gastos são necessários ao seu processo produtivo, sem defender especificamente diversas glosas. Assim, o contribuinte não cumpriu com o ônus da impugnação específica em vários pontos. Elabora, inclusive, uma tabela que sintetiza os itens glosados pela fiscalização e aqueles que poderiam ser considerados impugnados pelo contribuinte: Parcialmente com razão a instância de julgamento de piso, em relação aos argumentos efetivamente novos, trazidos pela primeira vez a debate no Recurso Voluntário, que não podem ser analisadas por este colegiado, tendo em vista que a não apresentação no momento processual próprio caracteriza matéria preclusa, na forma do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Conforme explana o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho relator do Acórdão nº 3302-011,638, “a legislação processual determina que a impugnação/manifestação de inconformidade instaura a fase litigiosa do procedimento devendo ser formalizada por escrito e com o detalhamento dos motivos de fato e de direito em que se basear, devendo os pontos de discordância e as razões estarem expostas de forma minuciosa, sob pena de serem considerados não refutados.” Fl. 420DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-009.951 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.905488/2013-18 Assim, em não se tratando de matéria de ordem pública, não se toma conhecimento da inovação no tocante a despesas com depreciação da totalidade dos bens do ativo imobilizado, sob pena de supressão de instância e de ferir o devido processo legal. 1.1. Serviços e Despesas de Manutenção No entanto, em relação às despesas constantes do Anexo II – Itens glosados Linha 03, entendo que, na verdade, não se verifica a apreciação dos argumentos apresentados pelo contribuinte na manifestação de inconformidade relativamente a essas glosas. Sendo assim, a matéria merece ser conhecida. Veja-se o que afirmou o contribuinte naquela oportunidade (e-fl. 08): O Fisco entende que os gastos com manutenção, peças, equipamentos, veículos, ferramentas, serviços utilizados nas máquinas e equipamentos utilizados na produção, não geram o direito ao crédito. Não restou reconhecido os créditos de PIS/COFINS nas aquisições de manutenção de máquinas, equipamentos, materiais de limpeza e higienização, entre outros. As glosas dos créditos advindos das aquisições utilizadas e não reconhecidas pelo auditor, não se aplica a empresa requerente, considerando a suas atividades. Todos os gastos são necessários a produção do produto, eis que a empresa produz e vende maçãs. Desta forma, as glosas não fazem sentido, pela atividade atípica da empresa, onde em um primeiro momento parecem desnecessárias, mas na realidade fazem parte do processo produtivo. As despesas com empilhadeiras e tratores não foram reconhecidas pelo Fisco para gerar direito ao crédito, contudo, entende a Requerente que tem direito ao crédito nos custos utilizados nas empilhadeiras, considerando que as mesmas trabalham diretamente e com aplicação no produto, ou seja, na movimentação das maçãs, desde que chegam à produção até o destino final que é a expedição. Considerando-se que conforme circunstâncias relacionadas ao processo produtivo próprio do contribuinte, gastos com serviços de manutenção, reparos e substituição de peças poderão ser tratados como insumos e, consequentemente, passíveis de apuração de crédito, tal argumento entabulado pelo contribuinte deve ser analisado. Para evitar a supressão de instância, cabe o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a fim de que seja prolatada decisão complementar com a apreciação dessa matéria. 2. Processo produtivo da Recorrente e glosas mantidas De acordo com o estatuto social da Recorrente, a empresa tem por objeto social a exploração vegetal, agricultura, fruticultura, apicultura, produção de mudas, reflorestamento e pecuária, bem como a comercialização de seus produtos e a prestação de serviços de classificação de produtos de origem vegetal ou animal, podendo, ainda, exportar e importar, e participar de outras empresas. Considerando não constar dos autos que o contribuinte execute qualquer tipo de processamento da fruta visando a fabricação de doces, geleias, compotas, sucos, bebidas, vinagre etc, entendeu-se haver a dedicação exclusiva à produção e comercialização da maçã para consumo in natura. Fl. 421DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-009.951 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.905488/2013-18 Importante ressaltar, ainda, que a empresa vende seus produtos para supermercados e varejistas em geral em embalagens de diversas formas e tamanhos. A venda a granel para o consumidor final, por sua vez, é realizada nos varejistas, momento em que ocorrerá a inutilização das embalagens. Nesse contexto, a análise de que determinado bem ou serviço seja considerado essencial e relevante ao processo produtivo, depende exatamente dessa análise específica do processo de produção do contribuinte, que possibilitará o correto enquadramento de determinado bem ou serviço ao conceito de insumo. No caso em tela, após o reconhecimento parcial do direito creditório pela autoridade de origem, parcialmente reformado pela DRJ, verifica-se terem sido mantidas as seguintes glosas em relação ao Anexo I: (e-fls. 246; 257/289): Foram relacionados no Anexo I todos os itens glosados em virtude do não enquadramento como “insumos” como prediz a legislação. Abaixo, seguem somente os principais itens glosados, agrupados de forma a facilitar a análise: (...) b) Produtos para movimentação de cargas: pallet mercado interno 0,99x1,16, caixa de madeira 18kg; (...) d) Outros itens: pneu, filtro, retentor, buzina; rolamento, parafuso, anel, bomba, bucha, jogo de cabo de velas, eixo, disco, entre outros. 2.1.. Outros itens Como dito, foram mantidas as glosas de itens diversos, tais como pneus, filtro, retentor, buzina; rolamento, parafuso, anel, bomba, bucha, jogo de cabo de velas, eixo, disco, entre outros. A justificativa para manutenção não decorre de eventual essencialidade ou relevância para o processo produtivo da empresa, mas à ausência de provas: Ocorre que o contribuinte limitou-se a afirmar genericamente que tais gastos são “necessários” à produção da empresa, sem fundamentar a essencialidade ou relevância de forma individualizada para cada item glosado e sem demonstrar a relação dos dispêndios com o processo produtivo da empresa. Também não juntou qualquer documentação comprobatória para fundamentar o direito alegado. Depreende-se, portanto, que a DRJ fundamenta a improcedência parcial da manifestação de inconformidade, nesse ponto, pela ausência de elementos comprobatórios no tocante aos critérios da essencialidade ou da relevância da aquisição dos bens para a produção dos produtos destinados à venda pela Recorrente. Nesse sentido a conceituação constante da ementa do acórdão recorrido: O critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço: a) constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço; ou b) quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. O critério da relevância, por seu turno, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja a) pelas singularidades de cada cadeia produtiva; ou b) por imposição legal. Sobre o assunto, a Recorrente limitou-se a alegar no Recurso Voluntário: Fl. 422DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-009.951 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.905488/2013-18 Da mesma forma, são as despesas com a aquisição de peças e manutenção para máquinas e veículos, pois a produção de maçãs começa desde o plantio das mudas, a manutenção da plantação até gerarem os frutos, ou seja, as maçãs, que após colhidas, são transportadas para o packing, e sujeitadas ao processo industrial, são vendidas. A empresa entende ter direito a todos os gastos necessários a produção dos bens, ou seja, na produção das maçãs, independente de estarem em início de plantação ou já em fase de colheita, formação de mudas, e nas manutenções necessárias aos pomares. Para além da arguição, deveria o contribuinte interessado esclarecer os fatos considerados insuficientemente conclusivos, como também trazer elementos mínimos de comprovação. O Recurso Voluntário, contudo, não trouxe novos elementos que demonstrassem a relação com o processo produtivo ao da empresa. Ao mesmo tempo, compulsando os autos, observa-se que durante a fiscalização foram juntados dois laudos que descrevem o processo produtivo implantado pela Recorrente, bem como os insumos associados a cada etapa – Laudo Técnico do Processo Produtivo de Maçãs - Pomares e Laudo Técnico do Processo Produtivo de Maçãs – Packing House. Desse modo, é certo que no presente caso, o inconformismo com a decisão da DRJ foi combatido por meio de um Recurso Voluntário não instruído com outras provas que poderiam contrapor o assentado no acórdão recorrido. Também é certo que existem elementos já juntados aos autos que não foram totalmente analisados pela DRJ, uma vez que, exemplificadamente, houve contextualização do item pneu no processo produtivo da Recorrente, sendo citado na etapa de Movimentação de frutas realizada na Packing House, instalação em que são recebidos produtos agrícolas para serem processados antes de irem ao mercado: Desse modo, existem elementos de prova que não foram objeto de análise pela DRJ quando da prolação do acórdão. Ante o exposto, voto por declarar a nulidade da decisão recorrida para que a turma julgadora analise os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, bem como os elementos constantes dos autos, que não foram objeto de apreciação e manifestação, quais sejam: - alegação no tocante a glosa de serviços e despesas de manutenção constantes do Anexo II do Despacho Decisório; - análise dos itens glosados elencados no Anexo I em comparação aos bens citados no Laudo Técnico do Processo Produtivo de Maçãs - Pomares e Laudo Técnico do Processo Produtivo de Maçãs – Packing House, com exceção do item “Smart fresh Application For Aplles B3”, NCM 38089359, por tratar de insumo com alíquota reduzida a zero. Fl. 423DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-009.951 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.905488/2013-18 Após ciência do novo acórdão, transcorrido o prazo para a apresentação do recurso voluntário sobre a matéria e demais providências cabíveis pela unidade de origem, retornem-se os autos a este colegiado para inclusão em nova pauta de julgamentos. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de declarar a nulidade da decisão recorrida. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Fl. 424DF CARF MF Documento nato-digital
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