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9258549 #
Numero do processo: 12466.000449/94-15
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 1996
Numero da decisão: 301-01.046
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência ao INT, através da Repartição de Origem na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MOACYR ELOY DE MEDEIROS

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RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência ao INT, através da Repartição de Origem na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 25 de junho de 1996 , . • DE • Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ, ISALBERTO ZAVÃO LIMA, JOÃO BAPTISTA MOREIRA, FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO, LEDA RUIZ DAMASCENO, LUIZ FELIPE GALVÃO CALHEIROS e SÉRGIO DE CASTRO NEVES, WNS 1 l MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CAMARA • RECURSO N°RESOLUÇÃO N° RECORRENTE RECORRIDA INTERESSADA RELATOR(A) 117.890 301-1046 DRF - DE JULGAMENTO DO RIO DE JANEIRO ALF/PORTO DE VITÓRIA/ES CIA IMPORTADORA E EXPORTADORA COIMEX MOACYR ELOY DE MEDEIROS RELATÓRIO E VOTO • •• • Recurso de ofício. A fiscalização autuou a empresa por ter cometido erro de classificação, quando da importação de MITSUBISHI PAJERO, de uso misto, enquadrando-os como jipes. Em apreciação e julgamento a decisão singular julgou improcedente a ação fiscal quanto ao mérito, após rejeitar a preliminar levantada pelo sujeito passivo e negar o seu pedido de perícia sobre os veículos. Declarou o julgador de primeira instância que só teria aplicação o Parecer Normativo nO 02/94 para classificar os veículos que atendam simultaneamente os requisitos de serem "jeep" e "veículos de uso misto" no código 8703 33-0600 se não tivesse sido expedida a decisão contida na Orientação Normativa NBM-DISIT 258 8" RF, de 14 de setembro de 1993, corroborada pelo Despacho Homologatório COSIT/D1NOM nO 245, de 21/12/94, relativos a veículos que atendam às condíções para serem tidos como jipes (conforme o AD(N) 32/93 e não atendam às condições para serem tidos como veículos de uso misto, conforme o referido PN COSIT/D1NOM nO 02/94. Diz ainda que o citado Despacho Homologatório reconheceu que os veículos MITSUBISHI PAJERO não apresentam condições para serem veículos de uso misto, de modo que têm classificação no código 8703.33.0400 da TAB/TIPI. Com este fundamento, concluiu o julgador de primeira instância que a classificação correta dos citados veículos, deve ser no código 8703-33-0400 por não atenderem as condições para serem declarados como sendo de uso misto, havendo sido confirmado pelos Despachos Homologatórios que devem ser tidos por jipes. Verifica-se que as análises das características dos veículos foram feitas exclusivamente com base em documentos e que existe, pelo menos aparentemente contradição nas conclusões dos órgãos encarregados de proferir a classificação tarifária das mercadorias. Assim é que, enquanto o PN nO 02/94 encontra nos veículos simultaneamente as características de jipes e de veículos de uso • 2 MINISTÉRJO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CAMARA ,. RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 117.890 301-1046 • • • • misto, as decisões DINOMIDISIT 8' RF declara que tais veículos por serem jipes como tais devem ser classificados, ficado omitida qualquer menção ao uso misto. A contradição pode levar a concluir que talvez não se trate dos mesmos veículos ou que ocorreu simplificação ao máximo na enumeração das especificações da mercadoria ao ponto de a Orientação Normativa DISIT/DINOM 8' RF deixar de lado por desprezíveis algumas características outras para efeito de enquadramento tarifário. Estas contradições impedem saber o tipo de veículo importado, objeto da ação fiscal, e se tomam um obstáculo ao julgamento do presente recurso de ofício. Por outro lado, tem-se que foi impertinente o pedido da importadora de realização de perícia, havendo formulado quesitos como os que seguem: a) se os veículos tipo "jeep", marca Mitsubishi Pajero, objeto da presente ação fiscal, atendem cumulativamente os requisitos fixados pelo AD(N) 32/93; b) se além dos requisitos enumerados no citado AD(N), os veículos em discussão apresentam outros que lhes conferem a característica essencial e específica de "jeep". Como a resposta apenas a estes quesitos não daria esgotamento às indagações sobre a mercadoria a classificar, voto no sentido de converter o julgamento do recurso de ofício em diligência à Repartição de Origem, no sentido de ser ouvido o INT, para esclarecer se os veículos em questão se enquadram nas especificações previstas no Ato Declaratório COSIT nO 32/93, ou no Parecer Normativo COSIT nO 02/94. Na ocasião deverá ser convidada também a importadora a apresentar os quesitos que julgar convenientes . Sala das Sessões, em 25 junho de 1996 ~ ~ . MOACYR ELOY DE-MED - RELATOR 3 00000001 00000002 00000003

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9258556 #
Numero do processo: 12466.000695/94-21
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 1997
Numero da decisão: 301-01.049
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência ao INT, através da Repartição de Origem na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MOACYR ELOY DE MEDEIROS

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RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência ao INT, através da Repartição de Origem na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 25 de junho de 1996 •!• ELOY EDEIROS PRESIDENTE LAT i.1 7 JUL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ, ISALBERTO ZAVÃO LIMA, JOÃO BAPTISTA MOREIRA, FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO, LEDA RUlZ DAMASCENO, LUIZ FELIPE GALVÃO CALHEIROS e SÉRGIO DE CASTRO NEVES. WNS MJNISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRlMEJRA CAMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° RECORRENTE RECORRIDA INTERESSADA RELATOR(A) 117.894 301-1049 DRF - DE JULGAMENTO DO RIO DE JANEIRO ALF/PORTO DE VITÓRIA/ES CIA IMPORTADORA E EXPORTADORA COIMEX MOACYR ELOY DE MEDEIROS RELATÓRIO E VOTO • •Ili', I I .' Recurso de ofício. A fiscalização autuou a empresa por ter cometido erro de classificação, quando da importação de MITSUBISHI PAJERO, de uso misto, enquadrando-os como jipes. Em apreciação e julgamento a decisão singular julgou improcedente a ação fiscal quanto ao mérito, após rejeitar a preliminar levantada pelo sujeito passivo e negar o seu pedido de perícia sobre os veículos. Declarou o julgador de primeira instância que só teria aplicação o Parecer Normativo nO02/94 para classificar os veículos que atendam simultaneamente os requisitos de serem "jeep" e "veículos de uso misto" no código 8703 33-0600 se não tivesse sido expedida a decisão contida na Orientação Normativa NBM-DISIT 258 8" RF, de 14 de setembro de 1993, corroborada pelo Despacho Homologatório COSIT/DINOM nO245, de 21/12/94, relativos a veículos que atendam às condições para serem tidos como jipes (conforme o AD(N) 32/93 e não atendam às condições para serem tidos como veículos de uso misto, conforme o referido PN COSIT/DINOM nO 02/94. Diz ainda que o citado Despacho Homologatório reconheceu que os veículos MITSUBISHI PAJERO não apresentam condições para serem veículos de uso misto, de modo que têm classificação no código 8703.33.0400 da TAB/TIPI. Com este fundamento, concluiu o julgador de primeira instância que a classificação correta dos citados veículos, deve ser no código 8703-33-0400 por não atenderem as condições para serem declarados como sendo de uso misto, havendo sido confirmado pelos Despachos Homologatórios que devem ser tidos por jipes. Verifica-se que as análises das características dos veículos foram feitas exclusivamente com base em documentos e que existe, pelo menos aparentemente contradição nas conclusões dos órgãos encarregados de proferir a classificação tarifária das mercadorias. Assim é que, enquanto o PN nO 02/94 encontra nos veículos simultaneamente as características de jipes e de veículos de uso 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CAMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 117.894 301-1049 •• misto, as decisões D1NOMIDISIT 83 RF declara que tais veículos por serem jipes como tais devem ser classificados, ficado omitida qualquer menção ao uso misto. A contradição pode levar a concluir que talvez não se trate dos mesmos veículos ou que ocorreu simplificação ao máximo na enumeração das especificações da mercadoria ao ponto de a Orientação Normativa DISIT/DINOM 83 RF deixar de lado por desprezíveis algumas características outras para efeito de enquadramento tarifário. Estas contradições impedem saber o tipo de veículo importado, objeto da ação fiscal, e se tomam um obstáculo ao julgamento do presente recurso de ofício. Por outro lado, tem-se que foi impertinente o pedido da importadora de realização de perícia, havendo formulado quesitos como os que seguem: a) se os veículos tipo "jeep", marca Mitsubishi Pajero, objeto da presente ação fiscal, atendem cumulativamente os requisitos fixados pelo AD(N) 32/93; b) se além dos requisitos enumerados no citado AD(N), os veículos em discussão apresentam outros que lhes conferem a característica essencial e específica de "jeep". Como a resposta apenas a estes quesitos não daria esgotamento às indagações sobre a mercadoria a classificar, voto no sentido de converter o julgamento do recurso de ofício em diligência à Repartição de Origem, no sentido de ser ouvido o INT, para esclarecer se os veículos em questão se enquadram nas especificações previstas no Ato Declaratório COSIT nO32/93, ou no Parecer Normativo COSIT n° 02/94. Na ocasião deverá ser convidada também a importadora a apresentar os quesitos que julgar convenientes. 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4613019 #
Numero do processo: 10675.002786/2003-71
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2003
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 23/06/1999 a 05/04/2000 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A autoridade administrativa não possui competência para apreciar a inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo do poder público, cabendo tal prerrogativa unicamente ao Poder Judiciário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA - CPMF Período de apuração: 23/06/1999 a 05/04/2000 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INFORMAÇÕES FORNECIDAS POR INSTITUIÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA Informada à Administração Tributária a falta de retenção/recolhimento da contribuição, correta a formalização da exigência, com os acréscimos legais, contra o sujeito passivo na sua qualidade de responsável supletivo pela obrigação, LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. MULTA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. Sendo objetiva a responsabilidade por infrações, a falta de recolhimento do tributo sujeita a contribuinte à incidência dos juros decorrentes da mora e à multa de oficio. Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2801-000.046
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA TURMA ESPECIAL da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE MARTINS DE LIMA

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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-30T11:13:58Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-30T11:13:58Z; Last-Modified: 2009-09-30T11:13:58Z; dcterms:modified: 2009-09-30T11:13:58Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-30T11:13:58Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-30T11:13:58Z; meta:save-date: 2009-09-30T11:13:58Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-30T11:13:58Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-30T11:13:58Z; created: 2009-09-30T11:13:58Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2009-09-30T11:13:58Z; pdf:charsPerPage: 1506; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-30T11:13:58Z | Conteúdo => SI-TE01 Fl. 101 # MINISTÉRIO DA FAZENDA • )ti;‘‘" CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO ! Processo n0 10675.002786/2003-71 Recurso n° 140.302 Voluntário Acórdão n° 2801-00.046 — 1" Turma Especial Sessão de 11 de março de 2009 Matéria CPMF Recorrente INDÚSTRIA E COMÉRCIO METALGRAMPO LTDA. Recorrida DRJ-JUIZ DE FORA - MG. ASSUNTO: NORNIAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 23/06/1999 a 05/04/2000 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A autoridade administrativa não possui competência para apreciar a inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo do poder público, cabendo tal prerrogativa unicamente ao Poder Judiciário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA - CPMF Período de apuração: 23/06/1999 a 05/04/2000 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INFORMAÇÕES FORNECIDAS POR INSTITUIÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA. Informada à Administração Tributária a falta de retenção/recolhimento da contribuição, correta a formalização da exigência, com os acréscimos legais, contra o sujeito passivo na sua qualidade de responsável supletivo pela obrigação, LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. MULTA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. Sendo objetiva a responsabilidade por infrações, a falta de recolhimento do tributo sujeita a contribuinte à incidência dos juros decorrentes da mora e à multa de oficio. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. .10\ Processo n° 10675.002786/2003-71 SI-TE01 Acórdão n.° 2801-00.046 Fl. 102 ACORDAM os Membros da PRIMEIRA TURMA ESPECIAL da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. ' OflOAINIÀ/' I d 07141ÁIV : • i•S 1 A MARIA CO : O • ARQUiS Presidente CARLOS HE , ARTINS DE LIMA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Belchior Melo de Sousa e Daniel Mauricio Fedato. Relatório Trata-se de auto de infração da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão Financeira - CPMF, fls. 01/17, constituindo o crédito tributário no valor de R$ 10.120,46. Segundo a descrição dos fatos que integra o auto de infração, em referência ao demonstrativo de fls. 07/08, o Fisco constatou que houve falta de recolhimento da CPMF, sob a alegação de que a essa não foi retida e nem recolhida, por força de medida judicial, sendo posteriormente revogada. Às fls. 20/24 impugnação que pode ser assim traduzida, em síntese: "1) os valores da CPMF do período de junho/1999 a abri1/2000 foram extintos por pagamento, vez que: - em 16/06/1999 impetrou mandado de segurança (processo 1999.38030016988) requerendo que fosse reconhecido o seu direito de não sofrer incidência da CPMF em face de sua inconstitucionaliclade; - em 17/06/1999 foi deferida liminar determinando à autoridade co-atora que se abstivesse de exigi-Ia; - enz 29/01/2000 foi publicada decisão pela qual foi julgado improcedente o pedido, denegando a segurança e cassando a liminar concedida; 4 A 1V 2 Processo n° 10675.002786/2003-71 SI-TE01 Acórdão n.° 2801-00.046 Fl. 103 - em 07/02/2000 foram opostos embargos de declaração, rejeitados em decisão publicada em 03/03/2000, 'momento em que passou a ser exigível o pagamento da CPMF cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar.'; 2) os bancos nos quais a autuada era correntista - BRADESCO e Banco Real - cientificados da decisão, procederam à retenção e ao recolhimento da CPMF devida em 31/03/2000, nos valores de R$2.903,92 e R$1.441,47, respectivamente, portanto em valor superior ao principal de R$4.180,04; 3) a multa de 75% é absolutamente injusta, vez que comprovado o pagamento integral, além do que é extorsiva e atentatória ao princípio do não confisco; 4) não há que se falar em cobrança de juros de mora, pois o suposto crédito tributário foi devidamente pago;" Como prova do alegado, os documentos de fls. 33/50. É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS HENRIQUE MARTINS DE LIMA, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende às demais exigências legais, razão pela qual dele conheço. As informações contidas no demonstrativo de fls. 07/08, prestadas pelas instituições financeiras onde a contribuinte mantinha conta corrente de depósitos à época dos fatos geradores, deram-se em razão do disposto no art. 45 da Medida Provisória n 2 2.113-30, de 2001. O referido comando determina às instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da CPMF a apuração e o registro dos valores devidos a título de CPMF no período de vigência da decisão judicial impeditiva da retenção, posteriormente revogada. O artigo comanda ainda o encaminhamento da CPMF devida relativamente aos contribuintes que se manifestaram em sentido contrário à retenção, bem assim àqueles que, beneficiados por medida judicial revogada, tenham encerrado suas contas. A fim de satisfazer essa prescrição legal, as instituições bancárias mantêm registros cadastrais de seus clientes e identificam a natureza dos lançamentos que efetuam nas correspondentes contas de depósitos. Isso posto, há que dizer o seguinte quanto a extinção do crédito tributário, em face do demonstrativo das instituições financeiras de fls. 07/08 e dos elementos de prova carreados aos autos às fls. 33 a 50: - relativamente ao Banco ABN AMRO Real S.A. (R$ 1.462,5 : ir 3 Processo n° 10675.002786/2003-71 SI-TE01 Acórdão n.° 2801-00.046 Fl. 104 - além de a contribuinte não trazer nenhum comprovante de pagamento dos valores constantes do demonstrativo de fl. 07, as cópias de seu Diário e Razão, por si sós, não têm o condão de dizer da afetação do valor historiado com aqueles valores; - relativamente ao BRADESCO (R$ 2.717,50): - da análise das informações prestadas por aquela instituição financeira com as cópias dos Darfs de fls. 34/35 e com os dados do sistema SINAL-06, constata-se que foram recolhidos valores de CPMF no dia 31/03/2000 que montam aquela importância. Feitas essas considerações, esclareça-se que o art. 5 2 da Lei n2 9.311, de 1996, que trata da responsabilidade quanto ao inadimplemento da obrigação e integra o enquadramento legal, assim dispôs: "Art. 5" É atribuída a responsabilidade pela retenção e recolhimento da contribuição: I - às instituições que efetuarem os lançamentos, as liquidações ou os pagamentos de que tratam os incisos I, II e III do art. 2'; II - às instituições que intermediarem as operações a que se refere o inciso V cio art. 2"; - àqueles que intermediarem operações a que se refere o inciso VI do art. 2". áç I" A instituição financeira reservará, no saldo das contas referidas no inciso Ido art. 2', valor correspondente à aplicação da aliquota de que trata o art. 7" sobre o saldo daquelas contas, exclusivamente para os efeitos de retiradas ou saques, em operações sujeitas à contribuição, durante o período de sua incidência. áç 2" Alternativamente ao disposto no parágrafo anterior, a instituição financeira poderá assumir a responsabilidade pelo pagamento da contribuição na hipótese de eventual insuficiência de recursos nas contas. § 3° Na falta de retenção da contribuição, fica mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento." (destaque acrescido) Decorre da leitura do § 3 2 do art. 52 da Lei n2 9.311, de 1996, que o diploma que instituiu a CPMF cuidou de estabelecer a responsabilidade supletiva do contribuinte pelo recolhimento da CPMF, caso a instituição financeira não procedesse à retenção do tributo. O comando em tela encerra, portanto, a permissão para que o Fisco dirija o lançamento e a cobrança da CPMF no recolhida diretamente ao contribuinte, caso o tributo não tenha sido retido e recolhido pela instituição financeira onde o fato gerador tenha se materializado. Sobressai da leitura do apontado § 3 2, ainda, que é incondicional a atribuição de responsabilidade supletiva ao contribuinte em decorrência dessa compreensão, não cabe ao intérprete cogitar das razões fáticas que concorreram para a falta de retenção da CPMF pela instituição bancária. Esclareça-se que a hipótese em exame não se vincula à i'tuação em que, retida pela instituição financeira, não tenha a CPMF sido recolhida aos cofres cos. 41 Wtk/ sv 4 Processo n° 10675.002786/2003-71 SI-TE01 Acórdão n.° 2801-00.046 Fl. 105 Exigir a CPMF diretamente do contribuinte, nos casos de imobilidade da instituição financeira responsável, corno autorizou a Lei n 2 9.311, de 1996, é determinação que vai ao encontro do instituto da responsabilidade supletiva, introduzida no ordenamento tributário pelo art. 128 do Código Tributário Nacional (CTN). Lei 112 5.172, de 1966 (CTN): "Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação." O nobre jurista Luciano Amaro, ao comentar o conceito, afirma que o contribuinte, quando designado no desenho da espécie tributária como responsável suplente nos termos do art. 128 do CTN, mantém-se na relação tributária para suprir ou complementar o pagamento caso o terceiro responsável não solva o débito tributário ou o faça com insuficiência. Confira-se: "O art. 128 admite que, eleito o terceiro, a lei exclua a responsabilidade do contribuinte ou mantenha este como responsável subsidiário (ao prever que ao contribuinte pode ser atribuída responsabilidade em caráter supletivo caso o responsável nada pague ou pague menos que o devido). Observe-se que, ao falar em 'responsabilidade' do contribuinte, o Código não está usando o vocábulo no sentido correspondente ao art. 121, parágrafo único, II, em que se cuida do responsável como sujeito passivo que não se confunde com o contribuinte (ou que não 'reveste' a condição de contribuinte). Aqui se fala de responsabilidade do contribuinte no sentido de sujeição do contribuinte ao cumprimento da obrigação. Se atribuída a 'responsabilidade' supletiva ao contribuinte, ele se mantém na relação tributária, em posição subsidiária, de modo que, na hipótese de o terceiro responsável não adimplir a obrigação ou fazê-lo com insuficiência, o contribuinte pode ser chamado para suprir ou complementar o pagamento." (Luciano Amaro, Direito Tributário Brasileiro, 6 2 ed., Ed Saraiva, 2001, p. 297) Veja-se que a mencionada responsabilidade supletiva do contribuinte em relação à CPMF não retida e não recolhida pela instituição bancária, instaurada pela Lei n2 9.311, de 1996, veio a ser repisada na edição de atos infralegais. Assim, a IN SRF n2 41/2001, ainda que revogada, mas sem interrupção de sua força normativa, editada com base na Medida Provisória n2 2.113-30, de 26 de abril de 2001, veio dispor sobre a cobrança da CPMF não recolhida por força de decisão judicial posteriormente revogada, como se configura o caso em tela. A citada Instrução, repisando o estabelecido na aludida Medida Provisória, regulou os procedimentos a serem adotados pelas instituições financeiras ri.. cd os em que os contribuintes haviam encerrado suas respectivas contas correntes, ou havi . kif manifestado 5 a pi Processo n° 10675.002786/2003-71 SI-TE01 Acórdão n.° 2801-00.046 Fl. 106 contrariamente à retenção ou, ainda, não apresentavam suficiência de disponibilidade de fundos na data da retenção. A exemplo, segue transcrito o art. 17 da IN SRF n 2 42/2001: IN SRF n2 42/2001: "Art. 17° As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da CPMF deverão: I - apurar e registrar os valores devidos no período de vigência da decisão judicial impeditiva da retenção e do recolhimento da contribuição; II - efetuar o débito em conta de seus clientes, a menos que haja expressa manifestação em contrário: IV - encaminhar à Secretaria da Receita Federal — SRF, relativamente aos contribuintes que se manifestaranz em sentido contrário à retenção, bem assim àqueles que, beneficiados por medida judicial revogada, tenham encerrado suas contas antes das datas referidas nas alíneas do inciso II, conforme o caso, relação contendo as seguintes informações: a) número de inscrição do contribuinte no Cadastro de Pessoas Físicas- CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ; b) valor total das operações que serviram de base de cálculo da contribuição, por período de apuração, e o valor da contribuição devida, por data de vencimento. § 7" As informações de que trata o inciso IV do caput deste artigo deverão: I - abranger, também, os contribuintes que não foram cobrados por apresentem em suas contas insuficiência de disponibilidade de findos na data tia retenção da contribuição; II - ser apresentadas em meio magnético, de acordo com as especificações técnicas definidas pela Coordenação - Geral de Tecnologia e de Sistemas de Informação - COTEC; III - ser encaminhadas à Secretaria da Receita Federal até: a) 30 de novembro de 2000, nos casos de não retenção da contribuição em 27 de outubro de 2000; b) o último dia útil do mês subseqüente ao da não retenção, nos demais casos." Assumindo o instituto da responsabilidade supletiva do contribuinte pela CPMF não retida pela instituição bancária, o disposto no § 3 2 do art. 52 da Lei n2 9.311/1996, que encontra reverberação no art. 18 da IN SRF ri2 42/2001, abaixo transcritos, autorizou o Fisco a lançar a contribuição, acrescida de multa de oficio e juros de mora, contra a própria contribuinte, caso a CPMF não seja retida, mesmo nas situações em qua a falta de retenção tenha se justificado por força de medida judicial posteriormente levantada: 6 r Processo n° 10675.002786/2003-71 SI-TE01 Acórdão n.° 2801-00.046 Fl. 107 Lei n2 9.311/1996: "Art. 5" É atribuída a responsabilidade pela retenção e recolhimento da contribuição: I - as instituições que efetuarem os lançamentos, as liquidações ou os pagamentos de que tratam os incisos I, II e III do art. 2'; § 1" A instituição .financeira reservará, no saldo das contas referidas no inciso I do art. 2o, valor correspondente à aplicação da alíquota de que trata o art. 7' sobre o saldo daquelas contas, exclusivamente para os efeitos de retiradas ou saques, em operações sujeitas à contribuição, durante o período de sua incidência. § 2" Alternativamente ao disposto no parágrafo anterior, a instituição .financeira poderá assumir a responsabilidade pelo pagamento da contribuição na hipótese de eventual insuficiência de recursos nas contas. ,sç 3" Na falta de retenção da contribuição, fica mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento." IN SRF n2 42/2001: "Art. 3" A não retenção da contribuição, nas hipóteses estabelecidas nesta Instrução Normativa sujeita o contribuinte a lançamento de ofício. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, a contribuição será acrescida de: I - juros de mora, determinados de conformidade com o inciso I do § 2" do art. 2"; [juros equivalente à taxa Selic] // - multa de lançamento de oficio, de 75% a 225%, conforme o caso." Assim, não tendo havido retenção da CPMF por parte das instituições financeiras, deve o Fisco exigir do contribuinte, devedor principal e responsável supletivo por divida própria, a satisfação do crédito tributário. Frente à falta de recolhimento da CPMF devida e à ausência de causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, impõe-se o lançamento de oficio com a imposição da multa correspondente, por força do art. 44, I, da Lei n2 9.430, de 1996, como operada. Ainda no que respeita à imposição da multa de oficio, a responsabilidade por infrações da legislação tributária possui caráter objetivo, independendo da intenção do sujeito passivo. Em outras palavras, basta para caracterizá-la a prática do ato q ; infringe a non-na tributária, sendo irrelevantes os motivos que eventualmente possam ter c i! ; itribuido para tal conduta, Trata-se de principio consagrado no próprio CTN, cujo art. 136 di•dt.'K. ), 01/ 7 . . I Processo n° 1 0675.002786/2003-7 1 SI-TE01 ' Acórdão n.° 2801-00.046 Fl. 108 "Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato." No caso em exame, a multa de oficio foi lançada como penalidade porque a contribuinte, na qualidade de responsável suplente pelo adimplemento da CPMF, deixou de efetuar o pagamento da obrigação. A aplicação dos juros de mora fundamenta-se nos arts. 161 do CTN e 63, § 3 2, da Lei n2 9.430, de 1996, regentes da matéria. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL à pretensão deduzida no recurso voluntário para: a) exonerar a contribuinte da exigência do lançamento do valor principal da CPMF de R$ 2.717,50 relativa ao BRADESCO ' aléi dos encargos legais; e / . b) manter o valor princi I ai da • • MF de R$ 1.462,54 relativa ao Banco ABN AMRO REAL S.A., além dos acrésci os e tais I '' Sala das Sessões, - ir, arço de 2009. fp' CARLOS H , li 1; 1,1, MARTINS DE LIMA li fr it \ O 8

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Numero do processo: 10835.001429/2003-14
Data da sessão: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Exercício: 1999 NULIDADE — IMPROCEDÊNCIA — Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos nenhuma das hipóteses previstas o PAF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS — OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Presume-se a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei n°. 9.430, de 1996). MULTA ISOLADA DO CARNÊ—LEÃO E MULTA DE OFICIO — CONCOMITÂNCIA - Incabível a aplicação da multa isolada quando em concomitância com a multa de oficio, ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2801-000.153
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em REJEITAR preliminar de nulidade do lançamento INDEFERIR pedido de realização de perícia e, no mérito, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa isolada, nos termos do voto da Relatora. Vencida a Conselheira Margareth Valentini (suplente convocada), que negava provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: AMARYLLES RELNALDI E HENRIQUES RESENDE

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DEPósrros BANCÁRIOS — OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Presume-se aornissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei n°. 9.430, de 1996). MULTA ISOLADA DO CARNÊ—LEÃO E MULTA DE OFICIO — CONCOMII&NCIA - Incabível a aplicação da multa isolada quando em concomitância com a multa de oficio, ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em REJEITAR preliminar de nulidade do lançamento INDEFERIR pedido de realização de perícia e, no mérito, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa isolada, nos termos do voto da Relatora. Vencida a Conselheira Margareth Valentini (suplente convocada), que negava provimento ao recurso. AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE Presidente e Relatora FORMALIZADO EM: — Processo n° 10835.001429/2003-14 82-TE01 Acórdão n.° 2801-00.153 Fl. 2.728 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (suplente convocado), Marcelo Magalhães Peixoto, Sandro Machado dos Reis e Júlio Cezar da Fonseca Furtado. Relatório AUTUAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 1629 a 1636, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 1999, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$36.601,42, acrescido de multa de oficio e juros de mora. A autuação foi assim resumida no relatório do acórdão de primeira instância (fls. 2671): "a) omissão de rendimentos caracterizados por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação às quais o contribuinte, intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Extrai-se da Descrição de fatos de fls. 1631/1632 e do Termo de fls. 1603/1628 que a contribuinte é advogada e alegou como origem dos depósitos bancários em suas contas correntes pagamentos referentes à sua atividade profissional. Mas, para os valores consolidados no anexo 1 (fl. 1606) não foi apresentada documentação que comprovasse esta origem, tais como comprovantes de depósitos com a mesma data e valor daqueles depósitos retratados nos extratos. Também não foi comprovado a saída da conta corrente (débito — repasse efetuado ao exeqüente) e também os valores dos honorários recebidos, conforme detalhado no "Termo de verificação e Conclusão Fiscal" de fls. 1603/1628. b) omissão de rendimentos recebidos de pessoa fisica, decorrentes de trabalho sem vinculo empregaticio, apurado pela fiscalização na análise de 39 créditos/depósitos em que a fiscalizada forneceu informações das origens das operações destes créditos/depósitos, indicando-os de forma clara e precisa, assim como apresentando comprobatória tanto do ingresso efetuado na conta corrente (crédito/depósito), da saída da conta corrente (débito — repasse efetuado ao exeqüente) e também os valores dos honorários recebidos, conforme detalhado no "Termo de verificação e Conclusão Fiscal" defls. 1603/1628. c) multa isolada por falta de recolhimento do imposto de renda da pessoa física devido a titulo de carné leão, referente à omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício, apurado pela fiscalização na análise de 39 créditos/depósitos em que a fiscalizada forneceu informações das origens das operações destes créditos/depósitos, indicando-os de forma clara e precisa, assim como apresentando compro batória tanto do ingresso efetuado na 2 Processo n° 10835.001429/2003-14 5.-TE01 Acórdão n.° 2801-00.153 E T3. 1.729 conta corrente (crédito/depósito), da saída da conta corrente (débito — repasse efetuado ao exeqüente) e também os valores dos honorários recebidos, conforme detalhado no "Termo de vercação e Conclusão Fiscal" de fls. 1603/1628." IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnara...0 (fis. 1693 a 1691), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de pr---jmejra instância (fls. 2672 e 2673): ''a) A movimentação bancária realizada não deve ser tida como fato gerador do imposto de renda. A hipótese de incidência prevista no CTN (art. 43) para o imposto de renda é a aquisição da disponibilidade económica ou jurídica. Já os depósitos não passam de "signos presuntivos de riqueza", presunção relativa, que podem ou não signcar auferimento de renda Pensamento divergente ofenderia o principio constitucional da legalidade. Não houve acréscimo patrimoniaL b)Sinais exteriores de riqueza (movimentação financeira), em si por si, não se subsumem aos pressupostos de aplicação do imposto de renda, conforme a hipótese prevista na legislação vigente. c) A autuação é nula, quer pela manifesta ilegalidade, quer ainda pela negativa de vigência dos direitos individuais e sociais estabelecidos na Constituição da República, como o principio da igualdade; d)A defendente é advogada militante na área trabalhista e civil Efetua acordos na Justiça do Trabalho onde determina que a empresa fica obrigada a efetuar o pagamento do valor em sua conta corrente. Tal fato seria comprovado pelos documentos constantes no Anexo 1, onde comprovam por intermédio de ata de audiência em que a defendente atua como patrona do reclamante, e lá fica consignado que o valor a ser pago pela reclamada ao reclamante será por intermédio da conta bancária da defendente. e) A titulo de exemplo de que os depósitos efetuados em sua conta bancária não correspondem à sua receita própria cita a reclamação trabalhista proposta por Anderson Floriano Silveira a desfavor de Marc-Fil Engenharia Consultoria Importação e Exportação Ltda. Feito n. 186/98, em trámite pela Junta de Conciliação e Julgamento de Presidente prudente/SP, na qual a defendente foi patrona na ação por parte do reclamante. Verificar-se-ia que ocorreu acordo entre as partes, conforme termo de audiência, tendo sido determinado no mencionado termo que o valor a ser pago ao reclamante deverá ser no escritório da defendente, como teria sido feito. f) Ainda a titulo de exemplo menciona o acordo firmado nos autos do processo n. 716/98, proposta por César Pinha Cara a desfavor de Bela Vista S/A Produtos Alimentícios, em que nos 3 — _ Processo n° 10835.001429/2003-14 2-TE01 Acórdão n.° 2801-00.153 IF1. 2.730 autos do acordo firmado entre as partes, em ata de audiência, ficou consignado que o pagamento do acordo deveria ser efetuado diretamente na conta bancária da patrona do reclamante, qual seja, a Dra Dina Aparecida Serdel, como teria sido feito. g)Em prazo oportuno a defendente fará juntada do documento onde efetivamente comprova que o dinheiro entrado em sua conta bancária foi repassado a quem lhe pertencia, não ficando com ela. Mas, já faz ajuntada de alguns documentos. h)Em alguns casos "a defendente chegou a fazer cheque no valor um tanto, (para pagar alguma conta do reclamante) e pago outro tanto em dinheiro". A defendente retinha dos valores depositados em sua conta corrente o valor concernente a verba honorária pelo trabalho por ela efetuado, em torno de 10 a 20%; i) Os documentos constantes no Anexo II compr,-ovariam as transações ocorridas entre a defenclente e seus clientes, com terceiro. Segundo os documentos do anexo III, a ciefendente receberia dinheiro de terceiros, depositaria em sua conta corrente e repassaria a terceiros, proprietários de imóveis que administra. j) O cheque depositado em junho /98, no valor de R$ 5.000,00, recebido devido a um acordo com uma cliente, teria sido devolvido, não podendo constar como depósito. k)Em alguns casos houve a efetiva retenção do imposto de renda da pessoa física, e estas retenções não foram consideradas pela fiscalização. Por exemplo: no acordo formalizado procedente da reclamação trabalhista proposta por Hamilton Paraíso de Mattos a desfavor de Jábur Pneus S/A, em que a defendente patrocinou a causa do reclamante, foi efetuada a dedução do imposto de renda nos valores de R$ 35,48 e R$ 30,00, quantias não consideradas pela Fiscalização. Há outros casos semelhantes como o de Santa de Lima, Paulo Costa F. Braga. 1) Ocorreram inúmeras transferências bancárias na conta da defendente, sendo certo que o Fisco considerou como cada depósito um novo valor, e urna transferência de unia conta para a outra conta corrente ou poupança. A titulo de exemplo poder- se-ia citar a situação ocorrida em 19/03/1998, onde ocorreu a transferência mediante cheque no valor de R$ 1.000,00 do Banespa, e efetuou o depósito do mesmo valor no Banco do Brasil. O mesmo ocorreu em 05/05/1998, no valor de 1.300,00. Observa-se no Anexo VI os extratos bancários, onde efetivamente se comprovariam as transferências ocorridas de uma conta bancária para outra. m) Cumpre observar que nos processos cíveis, acima mencionados, a clefendente patrocinou as ações em conjunto com outra advogada, qual seja, a Dra Maria Helena Videira Ferreira, inscrita na OAB, secção de são Paulo, sob o n. 118.051, sendo certo que a metade dos valores da verba 4 Processo ri' 10835.001429/2003-14 S2-TE01 Acórdão ri.' 2801-00.153 Fl. 2.731 honorária recebida a favor da defendente foi repassada à Dra Maria Helena Videira Ferreira. n) A multa regulamentar por falta de retenção não deve persistir, pois não houve sequer a omissão de receitas. o) A multa punitiva é desproporcional e confiscatória. p) A utilização da taxa Selic para fins moratórios tributários é ilegal. q) Requer que lhe seja deferido o direito a posterior juntada de provas. r) Requer que seja deferida a produção de prova pericial' ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A r Turma da DRJ-Belém/PA julgou parcialmente procedente o lançamento, eis que exclui da base de cálculo lançada a quantia de R$ 9.300,00, uma vez que (fls. 2676 e 2677): • "20. O cheque depositado em 09 de junho de 1998, no valor de RS 5.000,00, conforme extrato de fi. 2433, foi devolvido, não podendo constar como depósito não justificado. 22 .No que se refere às transferências bancárias não consideradas pelo autuante (somando RS 4.300,00), constata-se, de conta da defendente para conta da defendente mediante: cheque no valor de RS 1.000,00 do Banespa, em 19/03/1998, efetuado depósito do mesmo valor no Banco do Brasil; cheque no valor de RS 1.000,00 do Banespa, em 05/02/1998, efetuado depósito do mesmo valor no Banco do Brasil; cheque no valor de R$ 1.000,00 do Banespa, em 15/04/1998, efetuado depósito do mesmo valor no Banco do Brasil; cheque no valor de R$ 1.300,00 do Banespa, em 05/05/1998, efetuado depósito do mesmo valor no Banco do Brasil, conforme extratos de fis. 16/47. Logo, não cabe autuação destes valores (fls. 1617/1624) tendo-se em vista o disposto no §3", 1, do citado art. 42 (.)" Os fundamentos da decisão de primeira instância estão consubstanciados na seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1999 Omissão. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não 5 Processo n° 10835.001429/2003-14 S..:2-TE01 Acórdão n.° 2801-00.153 1 2.732 comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Lançamento Procedente em Parte" RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECLUSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 21/05/2007 (fls.:682), a contribuinte, por intermédio de representantes (Procuração às fls. 1692), apreserou, em 19/06/2007, o Recurso de fls. 2687 a 2724. Após breve recapitulação dos fatos, argumenta, em síntese, que: • o lançamento foi efetuado de forma precária, sem a efetiva comprovação das suscitações dispostas, ignorando-se princípios que regem a Administração Pública (ampla defesa, contraditório, devido processo legal), calcado em silogismos e premissas falaciosas. Par todo o exposto, não pode prevalecer; devendo ser declarado nulo; • • a simples movimentação bancária não é instrumento hábil à constituição de crédito tributário. No caso, a interessada apresentou os documentos hábeis à comprovação de que os depósitos efetuados em suas contas procediam de créditos de processos trabalhistas e cíveis, que não lhe pertenciam e foram repassados aos verdadeiros beneficiários. Além disso. no ano- calendário 1998, a interessada não adquiriu nenhum imóvel e nem teve aplicação para colocar todo esse dinheiro que passou por suas mãos; • consoante doutrinas, julgados do então Primeiro Conselho de Contribuintes e jurisprudências que invoca, depósitos bancários não podem ser considerados fato gerador do imposto de renda; • a contribuinte é advogada militante na área trabalhista e cível. Nessa condição, representa muitos clientes pobres e simples, na acepção jurídica, e efetua muitos acordos na Justiça do Trabalho, recebendo os valores correspondentes em sua conta corrente, como efetivamente comprovado pelos documentos constantes do anexo I; • a titulo de exemplo que os depósitos efetuados na conta bancária da interessada não são receitas por ela auferidas, veja-se o acordo na ação trabalhista proposta por Anderson Florimo Silveira contra Marc-Fil Engenharia Consultoria Importação e Exportação Ltda.. Em decorrência, o valor devido ao reclamante foi pago no escritório da contribuinte, patrona na ação. Os cheques recebidos foram depositados na conta corrente da interessada e, após sua compensação, descontados os honorários, foi repassado ao cliente o valor de direito; • outro exemplo: ação proposta por César Pinha Cara contra Bela Vista S/A Produtos Alimentícios; tais exemplos são invocados para demonstrar que os valores que comumente entraram na conta bancária da interessada saíram com destino a quem de direito, não tendo ocorrido a receita pretendida pelo Fisco; no ano de 1998, foram ações trabalhistas propostas referiam-se a "bóias-frias", assim, os valores que lhes foram repassados muitas vezes o foram em dinheiro, ou parte em dinheiro e 6 Processo n° 10835.001429/2003-14 2-TE01 Acórdão n.° 2801-00.153 2.733 parte em cheque e até mesmo a diferença (em dinheiro, cheque ou ambos) após o paimento de alguma conta devida pelo reclamante; • portanto, dadas essas peculiaridades de como os pagamentos foram efetuados, anão há como fazer uma relação direta e específica da forma como o Fisco quer que seja considerada, pois o volume é grande, tomando inviável a aposição de fato individualizado um a um; • os honorários cobrados pela interessada dos reclamantes era em tomo de 10% a20% dos valores recebidos, não mais do que isso; • tais receitas foram declaradas; • situação análoga se verifica nas causas cíveis (caso das Imobiliárias); • devem ser considerados os valores do imposto de renda retido na fonte nas ações trabalhistas propostas por Hamilton Paraíso de Mattos, Santa de Lima Justi, Paulo Costa e Augusta F. Braga, por exemplo; • se sobre o valor que entrou na conta corrente da contribuinte houve incidência de imposto de renda retido na fonte, e este é exclusivamente do reclamante, como pode incidir sobre o valor depositado na conta corrente da recorrente todo o valor como sendo sua "receita", indaga; • deve haver uma redução no valor a ser considerado como omissão de receita, em virtude da exclusão das transferências entre contas de titularidade da interessada; • o cheque devolvido em junho de 1998, no valor de R$ 5.000,00, não pode ser considerado como depósito não justificado; • deve ser considerado que somente metade dos honorários recebidos em causas cíveis pertenciam à recorrente, sendo certo que a outra metade foi repassada à advogada Maria Helena Videira Ferreira; • no caso, juntou os documentos que comprovam a entrada de recursos, pertencentes a terceiros, em suas contas, bem como recibos referentes às saídas (pagamentos daqueles terceiros): • incabível a exigência da multa regulamentar por falta de recolhimento de carnê-leão, pois não houve omissão de rendimentos. Ademais, está sendo cobrada concomitantemente com a multa de oficio de 75%; • a multa punitiva de 75% é exorbitante e, conforme jurisprudência que invoca, deve ser reduzida; • a aplicação da taxa Selic como forma de atualização monetária e juros é ilegal; • requer a conversão do julgamento em diligência para a realização de prova pericial. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 2726, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. É o Relatório. 7 Processo n° 10835.001429/2003-14 S42-TE01 Acórdão n.° 2801-00.153 2.734 Voto Conselheira AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissbi lidade, portanto merece ser conhecido. Inicialmente, no tocante à preliminar de nulidade do lançamento, não há como acatá-la, eis que o Auto de Infração foi lavrado com observância de todos os seus requisitos específicos, bem como o servidor competente observou todos os principies que norteiam a atividade administrativa. Não restou, dessa forma, especificada nenhuma hipótese que propicie a nulidade do presente Auto de Infração, quais sejam, os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente, como também os despachos e as decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, e alterações posteriores). Relativamente ao pedido de realização de diligência para a produção de prova pericial, deve-se considerar que cabe ao administrador tributário, por força do art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, e alterações posteriores, determinar a realização de diligências e/ou perícias quando as entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis. No presente caso, não se cogita a realização de perícia, pois o entendimento da fiscalização sobre o assunto questionado foi consubstanciado no próprio Auto de Infração e se houver discordância por parte da contribuinte a esta cabe manifestá-la e não somente sugeri- la, procurando transferir o ônus da produção de provas para a autoridade administrativa. Quanto ao mérito, destaque-se, previamente, que no acórdão recorrido já foram consideradas as transferências entre contas de titularidade da interessada, bem como a devolução de cheque, em junho de 1998, no valor de R$ 5.000,00. Quanto à presunção de que os valores creditados em contas de depósitos sejam considerados de oficio rendimentos omitidos, como bem exposto no acórdão recorrido, esta decorre de expressa previsão legal (art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, e alterações posteriores). A lei 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular de conta bancária, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A presunção em favor do fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Trata-se, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. 8 Processo n0 10835.001429/2003-14 2-TE01 Acórdão n.° 2801-00.153 119. 2.735 Assim sendo, não comprovada a origem dos recursos, tem a autorid3d•ce fiscal o poder/dever de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e orá idos na declaração de ajuste anual efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a administração pública, cabendo ao agente tão-somente a inquestionável observlacia do diploma legal. No caso, não obstante a interessada solicite a reforma do acórdão proferido pela F Turma/DRJ-Belérn/PA, nada de novo foi apresentado a fim de comprovar a origem dos depósitos mantidos após o julgamento de primeira instância. Portanto, no tocante à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada após a intimação, não há reparos a serem feitos no acórdão recorrido. Quanto à omissão de rendimentos recebidos de pessoas fisicas, esclareça-se que para a apuração de honorários omitidos, conforme se vê do anexo 2, fls. 1626 a 1628, constante do Termo de Verificação e Conclusão Fiscal (fls. 1603 a 1628), concorreram todos os depósitos que tiveram sua origem comprovada. A partir da documentação apresentada pela interessada foram identificados os depósitos ocorridos em suas contas bancárias que eram decorrentes de ações judiciais, no caso, processos trabalhistas (documentos de fls. 78 a 312). Excluídos os valores comprovadamente repassados aos beneficiários das ações, apurou-se o montante dos honorários percebidos. Comparou-se com o total declarado (modelo simplificado, fls. 13 a 15) e a diferença foi lançada de oficio. Feitas essas considerações, registre-se que o fato de a advogada Maria Helena Videira Ferreira ter atuado em conjunto com a recorrente em ações cíveis, não permite a revisão do valor lançado, para a exclusão dos pagamentos que teriam sido feitos a Maria Helena Videira Ferreira, uma vez que tais rendimentos não compuseram o montante aqui lançado. Quanto à possibilidade de considerar tais recursos das ações cíveis para fins de justificação de origem de depósitos bancários, como destacado pela autoridade lançadora, não foi possível estabelecer a correlação entre os valores recebidos e os depósitos. Não obstante a interessada tenha sido intimada e reintimada a produzir demonstrativo de tais correlações, não logrou fazê-lo. Portanto, nada há que socorra a contribuinte. A interessada solicita, ainda, a compensação de imposto de renda retido na fonte em ações trabalhistas que patrocinou. Oras, o ônus da retenção não foi da interessada, mas dos proponentes das ações trabalhistas, sendo inaceitável o pedido. Há uma outra questão a ser examinada. A omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas ensejou também a aplicação de multa isolada por falta de recolhimento de camê-leão. A exigência dessa multa isolada, concornitantemente com a multa de oficio, consoante jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, não é devida: "MULTA ISOLADA E MULTA DE OFICIO - CONCOMITÂNCIA - MESMA BASE DE CÁLCULO - A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1°, do art. 44, da Lei e 9.430, de 1996) e da multa de oficio (incisos I 9 Processo n° 10835.001429/2003-14 S2-TE01 Acórdão n.° 2801-00.153 Fl. 2.736 e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso especial negado." (Acórdão CSRF/01-04.987, de 15/06/2004) A contribuinte se insurge também contra a aplicação dos juros Selic, cabendo trazer à colação a Súmula n° 4, deste Primeiro Conselho de Contribuintes: "A partir de I' de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais." Por fim, quanto à aplicação de multa de oficio de 75%, frise-se que esta . decorre da aplicação da legislação de regência, não havendo previsão legal para que a autoridade julgadora a reduza. Diante de todo o exposto, voto por REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento, INDEFERIR o pedido de realização de perícia e, no mérito, por DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa isolada por falta de recolhimento do camê-leão (artigo 44, § P, inciso III, da Lei n° 9.430, de 1996), exigida concomitantemente com a multa de oficio. Sala das Sessões, em 27 de julho de 2009 — AMARYLLES REINALTH E HENRIQUES RESENDE 10

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4633483 #
Numero do processo: 10880.000558/98-21
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1938 a 29/02/1996 OMISSÃO NA DECISÃO PROFERIDA. EMBARGOS. CABIMENTO. Tendo a decisão deixado de apreciar matéria suscitada no recurso sobre a qual se devia manifestar, configura-se a omissão prevista no art..57 do Regimento Interno, pelo que se devem acolher os embargos propostos para sanar a omissão, Mas sem alteração do resultado do julgamento original. À ementa original, deve ser acrescido o tópico: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO HOMOLOGATÓRIO. Não tendo a Lei n° 10.833/2003 determinado a aplicação. retroativa do prazo, nela estabelecido, de homologação das compensações informadas em Dcomp; de modo a alcançar os pedidos entregues anteriormente à entrada em vigor da Lei n° 10.637, a estes tal prazo não se aplica, descabendo falar em homologação tácita das compensações assim comunicadas. Embargos Acolhidos em Parte
Numero da decisão: 204-03.616
Decisão: ACORDAM os Membros da QUARTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher parcialmente os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para reconhecer a omissão pertinente à questão de homologação tácita. Os Conselheiros Leonardo Siade Manzan, Silvia de Brito Oliveira, Nayra Bastos Manatta e Marcos Tranchesi Ortiz votaram pelas conclusões.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS

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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-01-28T15:00:47Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-01-28T15:00:47Z; Last-Modified: 2010-01-28T15:00:47Z; dcterms:modified: 2010-01-28T15:00:47Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-01-28T15:00:47Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-01-28T15:00:47Z; meta:save-date: 2010-01-28T15:00:47Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-01-28T15:00:47Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-01-28T15:00:47Z; created: 2010-01-28T15:00:47Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2010-01-28T15:00:47Z; pdf:charsPerPage: 1742; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-01-28T15:00:47Z | Conteúdo => • - • :44, CCO2/C04 Fls. 1.296 • e - MINISTÉRIO DA FAZENDA • • ; ,voti SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .,czRai,"424 '`•-:;'?".:" QUARTA CÂMARA • Processo n° 10880.000558/98-21 • Recurso n° 1337759 -Embargos • Matéria RESTITUIÇÃO/COMP PIS Acórdão_n__204-03.616 Sessão de 02 de dezembro de 2008 Embargante CIA UNIÃO DOS REFINADORES - AÇÚCAR E CAFÉ LTO-S-REFINADORES - AÇUCAR E tAFÉ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP • Período de apuração: 01/04/1938 a 29/02/1996 OMISSÃO NA DECISÃO PROFERIDA. EMBARGOS. CABIMENTO. Tendo a decisão deixado de apreciar matéria suscitada no recurso _ _ . sobre a qual se devia manifestar, configura-se a omissão prevista no art..57 do Regimento Interno, pelo que se devem acolher os embargos propostos para sanar a omissão, Mas sem alteração do resultado do julgamento original. À ementa original, deve ser acrescido o tópico: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO • HOMOLOGATORIO. Não tendo a Lei n° 10.833/2003 determinado a aplicação . retroativa do prazo, nela estabelecido, de homologação das compensações informadas em Dcomp; de modo a alcanCar • os • pedidos entregues anteriormente à entrada em vigor da Lei n° 10.637, a estes tal prazo não se aplica, descabendo falar em homologação tácita das compensações assim comunicadas. Embargos Acolhidos em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. — – - ACORDAM os Membros da QUARTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher parcialmente os Embargos de Declaração, sem efeitos infi -ingentes, para reconhecer a omissão . pertinente à questão de homologação tácita. Os Conselheiros Leonardo Siade Manzan, Silvia de Brito Oliveira, Nayra Bastos Manatta e Marcos Tranchesi Ortiz votaram pelas conclusões. • 2,/n Processo n° 10880.000558/98-21 CCO2/C04 Acórdão n.° 204-01616 Fls. 1.297 ,/f2—.4-arerv 49EN-121EUE PINHEIRO TORS • Presidente ' J I 10 CÉSAR ALVES 4MOS Re • tor Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Rodrigo Bernardes • • o • • 2 • " • Processo n° 10880.000558198-21 CCO2/C04 Acórdão n.° 204-03.616 Fls. 1.298 •• Relatório Contra decisão proferida pela Câmara em 20 de setembro de 2006, com base no •• voto-do - 11-e1atoT- Df.- F1á-Viô • Sá-MtiiiInfiça-ém-13r-e-s-a- acima qualificada interpôs os presentes embargos de declaração, sob a alegação de terem ocorrido omissões e contradição que precisam ser corrigidas. - As omissões consistiriam na ausência de julgamento da alegação da empresa —.quanto -à. ocorrência-de -hornologação•-tácita-de-seu-pedido-de -compensaçáo;-vista -" • formalizado em 14/01/1998 e ela somente veio a ser . cientificada do despacho decisório .que seria cumulada com contradição, _diz •. _ respeito à não apreiãção da -seniestralidade10-reláfor- indicou que a empresa teve decisão contrária ao afastamento dos Decretos-Leis n's 2.445 e 2.449 e por isso não caberia discutir a aplicação do art. 6° dá Lei Complementar n° 7/70. Mas ele, também reconhece que a matéria semestralidade não fora discutida na ação,- que se restringiu à base de cálculo e à aliquota aplicáveis ao PIS. Defende a embargante, por isso, que, se o fundamento do voto era a coisa julgada não haveria por que não enfrentar a questão da semestralidade. É o Relatório. • Voto• Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS, Relator Conheço parcialmente dos embargos porque tempestivos e por ter havido a primeira das omissões apontadas. Não concordo, porém, quanto à semestralidade. Isso porque o Dr. Flávio disse •- que o não afastamento dos decretos-leis é que impedia a sua apreciação, visto que da somente tem sentido se e quando determinado o seu afastamento, dado que somente prevista na LC. • Quanto à omissão existente, proponho saná-la da seguinte forma. Aos pedidos de compensação entregues ainda na sistemática da Lei n° 9.430 em sua redação original e que vieram a se converter em Declarações de Compensação por força do art. 49 da Lei 10.637 não se aplicam as disposições da Lei n° 10.833. •Confira-se o dispositivo: • Art. 49. O art. 74 da Lei n' 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "A ri. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trcinsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizado na compensação de 13) - 11 rX. ---"-, • • ." • Processo n° 10880.000558/98-21 CCO2/C04 Acórdão n.° 204-03.616 Fls. 1.299• débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § P A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2 A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutó ria de sua ulterior • . . • - homologaçao. _.§ .32 Alé.m.das_hipóteses previstas .nas..leis -específicas • de-caa'a -tribute• - ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: - - - - I--- o saldo:d.:restituir -apurado -na:Declaração de_AjustrAnuardo:- — - Imposto de Renda da Pessoa Física; II - os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro -da Declaração de Importação. . . § 42 Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela • autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. •§ 52 A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo."(NR) Ou seja, os pedidos pendentes se tornam declaração de compensação para os efeitos previstos no próprio artigo. E quais são eles? Ao meu ver, só um: os débitos informados estarão extintos sob condição resolutória de sua posterior homologação. Nada se estabelece prazo à homologação e nem sequer se fala de homologação tácita. Ambos somente surgem, um ano depois, com a edição da Lei n° 10.833. De fato, seu art.17 complementou: Art. 17. O art. 74 da Lei n 2 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pelo art. 49 da Lei n2 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: - "Art. 74. § 32 Além das hipóteses previstas nas leis especificas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 12: III - os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União;• • Processo n° 10880.000558/98-21 CCO2/C04 Acórdão n.° 204-03.616 • • • Fls. 1.300 IV - os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal - Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e • V - os débitos que já tenham sido objeto de compensação não honzologada.pela_Secretaria da-Receita Federal - - - § -52 0-prazo-para-homologação tda-compensação-declarada pelo-- sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da _ _ . .. _declerfição.desompensação.. _LOLA de.claraaa.de_ compensação_ constitui_confissão_de. dívida_ e _ --instrumento -- hábil- - e - -suficiente --para : _exigência-, dos débitos -- • • -_ _ . indevidamente compensados. • § 72 Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de . 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. . . § 8 Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 72, o débito será encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa da União, ressalvado o disposto no § § 0 É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no ,§ apresentar manifestação de inconformidade contra a não-homologação da compensação. • § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 92 e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto n' 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei n 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. § 12. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, podendo, para fins de apreciação das declarações de compensação e dos pedidos de restituição e de ressarcimento, fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser - restituído ou ressarcido e dos prazos de prescrição." Mas se nota que nele não se repetiu a disposição anterior no que tange à retroatividade de efeitos. Isso, em meu entender, impõe a interpretação de que essas disposições somente se aplicam às Dcomp que já sejam apresentadas após a edição desta Lei, pois, como se sabe, a regra é que a lei vige para fatos posteriores, sendo exceção a retroatividade. • g • Processo n° 10880.000558/98-21 CCO2/C04 • Acórdão n.° 204-03.616 • Fls. 1.301 Não houve, por isso, homologação tácita. Voto, pois, por conhecer dos embargos e acolhê-los apenas em relação à omissão relativa à homologação tácita para sanar a omissão sem efeitos infringentes. . Sala das Sessões, em 02 de dezembro de 2008. _ _ . • •

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4673746 #
Numero do processo: 10830.003254/98-48
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2005
Ementa: IPI. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE UM ESTABELECIMENTO PARA OUTRO. IMPOSSIBILIDADE. O art. 146 da Constituição da República remeteu para a lei complementar definir o fato gerador, o contribuinte e a base de cálculo dos impostos que discrimina. O CTN, nos arts. 46 e 51, estabelece que o fato gerador do IPI é a saída do produto industrializado de qualquer estabelecimento de industrial, o qual considera contribuinte autônomo. A legislação de regência não prevê a transferência de saldo credor entre contribuintes do imposto. Recurso negado.
Numero da decisão: 203-10.011
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Francisco Mauricio R. de Albuquerque Silva (Relator), Maria Teresa Martinez López, Cesar Piantavigna e Valdemar Ludvig. Designada a Conselheira Maria Cristina Roza da Costa, para redigir o voto vencedor.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA

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Segundo Conselho de Contribuintes da União De -n__.(2.a_l_a_l Processo n° : 10830.003254/98-48 Recurso n° : 125.586 ‘P----Jrle Acórdão n° : 203-10.011 VISTO Recorrente : ENGEPACK EMBALAGENS SÃO PAULO LTDA. Recorrida : DRJ em Ribeirão Preto - SP IPI. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE UM ESTABELECIMENTO PARA OUTRO. IMPOSSIBILIDADE. O art. 146 da Constituição da República remeteu para a lei complementar definir o fato gerador, o contribuinte e a base de cálculo dos impostos que discrimina. O CTN, nos arts. 46 e 51, estabelece que o fato gerador do IPI é a saída do produto industrializado de qualquer estabelecimento de industrial, o qual considera contribuinte autônomo. A legislação de regência não prevê a transferência de saldo credor entre contribuintes do imposto. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: ENGEPACK EMBALAGENS SÃO PAULO LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Francisco Mauricio R. de Albuquerque Silva (Relator), Maria Teresa Martinez López, Cesar Piantavigna e Valdemar Ludvig. Designada a Conselheira Maria Cristina Roza da Costa, para redigir o voto vencedor. Sala das Sessões, em 23 de fevereiro de 2005 C„...t, L futs c-IN MINISTÉRIO DA F-AZENDA Leonardo de Andrade Couto 2' Cons..:ba de C.:ntribuIntes Presidente CONFERE COM O ORIGINAL ii ata.' acat,„ e-CristinaRoza da oisita4L/Mana . Brasilia„1,), , I 1,2) I Og VISTO " Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis e Ana Maria Barbosa Ribeiro (Suplente). Eaal/mdc 1 .1.41141.STÊnl°a4 FAZENDA2. Cot:se:ha . CONFERE -ontxibufntee r cc-NIF Ministério da Fazenda Bras is; co, 74 ° °MOINAI F. 9..‘..tp.,; Segundo Conselho de Contribuintes • • -..aQS.—/-2°2 Processo n g : 10830.003254/98-48 f Recurso n' : 125.586 Acórdão n° : 203-10.011 Recorrente : ENGEPACK EMBALAGENS SÃO PAULO LTDA. RELATÓRIO Na ti. 50, Acórdão DRJ/POR n° 1.117, espelhando a procedência do lançamento em razão do aproveitamento de créditos do IP1 de outros estabelecimentos da mesma empresa sem a observância da legislação vigente. O Relator de Primeira Instância registra que existem três hipóteses de transferência de créditos entre estabelecimentos da mesma empresa, verbis: "Portaria ME' 134/92, admitindo o aproveitamento dos créditos de illSZÁMOS oriundos de produtos industrializados para exportação, não utilizados no período de apuração em que foram escriturados. Crédito presumido (IIV SRF 23/97), como ressarcimento das contribuições para o PIS/PASEP e da COFIIVS, de que trata a Lei n° 9.363/96, que não tenha sido utilizado para compensação Corre operações do mercado interno. IN SRF 87/89, que faculta a transfèrência do crédito do imposto relativo a insumos aplicados na industrialização de bebidas pelo estabelecimento industrial que der saída a filial atacadista com suspensão do imposto, desde que atendidos os demais requisitos do seu itenz 6." Segundo o seu entendimento, a ora Recorrente não se enquadra em nenhuma dessas situações, mesmo que observado o regime alternativo de cálculo do crédito presumido de IPI de que trata a Lei n° 10.276/01 e IN SRF n° 69/01 que também permite a transferência de créditos desde que observados determinados procedimentos. Rejeita de plano a manifestação sobre inconstitueionalidade de lei. Em 13/05/02, fl. 57, Intimação SACAT 221/2002. Na fl. 59, Memo n° 203/02, encaminhando documentos apresentados pela Recorrente para serem anexados aos autos, todos dizendo respeito a decisões promanadas deste Conselho de Contribuintes. Irresignada, interpõe Recurso Voluntário nas fls. 95/1 11, tempestivamente e sob a garantia do arrolamento previsto pela legislação de regência. Inicia fazendo referência ao principio da não-cumulatividade previsto no art. 153 da CF/88 e no regulamento do IPI, e transcreve (fl. 100) texto do professor Geraldo Ataliba sobre o assunto e do RIPI, para alegar que essa hipótese de creditamento deve também ser entendida como legal porque, se não admitida, caracterizará afronta a preceito constitucional e à legislação reguladora do tributo. Alega que, uma vez constando da legislação infraconstitucional que o aproveitamento de créditos de IPI pudesse se dar através de outras fonnas estabelecidas pelo Ministro da Fazenda, além da simples dedução do imposto devido nas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos, é certo que houve expressa autorização à transferência de outros estabelecimentos da empresa, de saldos credores. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA 22 CC-MF --Cakte • Ministério da Fazenda-,-n-a•fritets 2• Conselho do Contribuinte* Fl. liii740r, Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM O ORIGINAL 3ra.zi.13./4. 1 ir-)s Processo n° : 10830.003254/98-48 Recurso n 125.586 Acórdão n° : 203-10.011 Afirma isso porque o art. 104 do RIPI que vigia à época dos fatos geradores fiscalizados, se refere a essas outras formas (fl. 100). Diz da impropriedade em se alegar que o seu direito estaria mitigado em face do que comandam os Pareceres Normativos CST n's 474/70 e 377/71, determinando a impossibilidade de ressarcimento ou transferência de saldos credores de IPI decorrentes de operações normais, haja vista que, a premissa desses dispositivos é o princípio da autonomia dos estabelecimentos pertencentes a uma mesma pessoa jurídica. Legal e constitucionalmente, argúi, que contribuinte do imposto é a pessoa jurídica e não cada estabelecimento comercial dela integrante, sendo impossível sua partição, até mesmo porque os estabelecimentos da pessoa jurídica servem para concretizar operações e facilitar o controle e administração tributária por parte do Fisco. Defende a impossibilidade do estabelecimento, de forma isolada, de firmar obrigações jurídicas por falta de capacidade legal e, para tanto, transcreve na fl. 104 lição de Paulo de Barros Carvalho in Regra Matriz, onde na página 402, sustenta que: "por defluência do princípio da autonomia do estabelecimento, adquire este, capacidade para realizar o fato imponível, nunca para fazê-lo cumprir a prestação pecuniária em próprio nome, o que seria impossível juridicamente, visto que o estabelecimento filial, por exemplo, não tem, individualmente considerado, personalidade consagrada pelas regras do Direito Privado." Pelo exposto, os Pareceres Normativos supra mencionados não podem ser invocados para combater o direito da Recorrente, até porque garantido, como já mencionado, em nível constitucional. Destaca que a Autoridade Julgadora de Primeira Instância não refinou o fato concreto de que os créditos foram transferidos entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica e sendo eles revestidos de legitimidade. Chama à colação, decisão proferida pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Processo Administrativo n° 13708.001525/96-71, que cuidou de obrigação acessória no ambiente de crédito prêmio advindo de beneficio fiscal à exportação pelo programa BEFIEX. Refere-se também à jurisprudência do STJ no ROMS n° 3870/RN, que decidiu como inconstitucional a limitação de transferência de crédito de ICMS prevista no protocolo ICMS n°43/91. Insurge-se longamente (fls. 107/111) sobre o não enfrentamento, pela Autoridade de Primeira Instância, da inconstitucionalidade argüida na Impugnação. É o relatório. ti (1_ 3 ;,4P;, MINIsTÉRI o A -11:ri Ministério da Fazenda 2. c rm FAzEND r CCMF sroamsrueah,,u.4.7( C t i buintes Fl.• Segundo Conselho de Contribuintes C ‘.. r'rP -ri O ORs GINÁL Processo : 10830.003254/98-48 - CILLL Recurso : 125.586 Acórdão n° : 203-10.011 — VOTO VENCIDO DO CONSELHEIRO-RELATOR FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA O Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Fica claro que a instauração da controvérsia se deve à materialização de transferências de créditos de IP I entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica. Na fi. 51,0 Julgador de Primeira Instância, como já referido no Relatório, registra as únicas hipóteses, segundo seu entendimento, que possibilitam a transferência legal de créditos entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica. A elas acrescento a hipótese do art. 1 1 da Lei n° 9.779/99 na qual se transformou a MP n° 1.788/98, que faculta ao contribuinte a utilização de créditos não absorvidos pelos débitos ocorridos nas operações industriais na fonna especificada pelos arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430/96 Assim, fica claro que a Recorrente não se enquadra em nenhuma dessas hipóteses quer para compensar quer para ser ressarcida, uma vez que os períodos base cuidados pelo lançamento se referem a 1997. Verifico portanto, que os comandos normativos infra constitucionais existentes não amparam a transferência de saldo credor básico de IPI entre estabelecimentos da mesma empresa para fatos geradores objeto do lançamento relativo a este processo. Diante do exposto, o que fazer com o princípio constitucional da não cumulatividade em face da impossibilidade de creditamento pelo estabelecimento gerador do crédito ? Esse princípio insculpido no art. 153 da Carta Magna, sem dúvidas, determina a compensação dos créditos originados nas entradas com os débitos ocorridos nas saídas, sendo auto aplicável por independer de integração legislativa. Quando inclino-me pela auto aplicação do dispositivo constitucional é primeiramente porque nele não se encontra presente indicativo de regulamentação e em segundo lugar porque a própria lei instituidora do tributo igualmente consagradora do princípio da não cumulatividade, em nenhum momento impediu a utilização de créditos básicos de origem licita e formalizados por notas fiscais (fl. 22) emitidas que identificam legalmente os créditos transferidos. No caso presente, a Recorrente foi autuada com base em dispositivos que não capitularam proibição quanto à trans ncia de créditos e, tão-somente teve o lançamento, enquadramento legal equivalente à ins fi iência de recolhimentos de IPI. Diante de todo o exp st e , voto no . entido de dar Vovimento ao Recurso em homenagem ao principio da não cum Ias vidade ex f osto no inciso /, parágrafo primeiro, do art. 153, da CF/88. Sala das Sessões, em 23 di fevereiro e 2005 — FRANCISC9 • • URI • .* : = ODE BUQ 1/4 ERQUE SILVA 4 M2.1NcloSnTÉsef!".00"..:-:: PEu:DAI CFCI • Ministério da Fazenda INIF , • Segundo Conselho de Contribuintes CONFgR o: F c .„ - Jnbuintea Processo n° : 10830.003254/98-48 Recurso n° : 125.586 — Acórdão n° : 203-10.011 VOTO DA CONSELHEIRA MARIA CRISTINA ROZA DA COSTA RELATORA-DESIGNADA Reporto-me ao Relatório e voto de lavra do ilustre Conselheiro Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. O objeto da presente controvérsia é a exigência fiscal do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, relativo à indevida transferência e utilização de créditos oriundos de outros estabelecimentos da mesma empresa. O ilustre relator enfrentando as alegações do recurso houve por bem votar no sentido de provê-lo. Entretanto, em que pese o brilhantismo do voto, esta Câmara ousou discordar do entendimento nele esposado, porquanto inexiste previsão legal para tal procedimento. Vale-se a recorrente de argumentos relativos ao princípio da não-cumulatividade; à permissão contida no artigo 104 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, aprovado pelo Decreto n° 87.981, de 23/12/82 – RIPI/82; à condição de contribuinte da pessoa jurídica e não de cada um de seus estabelecimentos e que a autonomia dos estabelecimentos se presta somente para facilitar o controle e a administração do imposto. Quanto ao principio da não cumulatividade, aproprio-me de parte do dizer do Conselheiro Antonio Carlos Bucno Ribeiro, da 2' Câmara deste Conselho: A não-cumulatividade do IPI nada mais é do que o direito dos contribuintes de abater do imposto devido nas saídas dos produtos do estabelecimento industrial o valor do IPI que incidira na operação anterior, isto é, o direito de compensar o imposto pago na aquisição dos inSUMOS COM o devido em face dos fatos geradores decorrentes das saídas de produtos tributados de seu estabelecimento. A Constituição Federal de 1988, reproduzindo o texto da Carta Magna anterior, assegurou aos contribuintes do IPI o direito ao crédito do imposto cobrado nas operações antecedentes para abater nas seguintes. Tal princípio está insculpido no art. 153, § 3", inciso II, verbis: Art. 153. Compete à União instituir imposto sobre: IV - produtos industrializados; § 3 0 0 imposto previsto no inciso IV: II - será não-cumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores • (grifo não constante do original) Para atender à Constituição Federal, o CTN .fixa no artigo 49, parágrafo único, as diretrizes desse princípio e remete à lei a forma dessa implementação: Art. 49. O imposto é não-cumulatim dispondo a lei de firma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em fiwor do contribuinte, transfere-se para o período ou períodos seguintes. e. 5 MINIS-CÊ-R:0 DA FAZENDA r Cons& N ti j C eidribuintes 29 CC-M F ;C: Ministério da Fazenda C.ONFSIRE /....'1`,5,4 O ORIGINAL Fi. Segundo Conselho de Contribuintes Sfr BrasiIia21 42, CS - Processo ri° : 10830.003254/98-48 vis-ro Recurso n" : 125.586 Acórdão n" : 203-10.011 O legislador ordinário, consoante essas diretrizes, criou o sistema de créditos que, em regra geral, confere ao contribuinte o direito a creditar-se do imposto cobrado nas operações anteriores (o IPI destacado nas Notas Fiscais de aquisição dos produtos entrados em seu estabelecimento) para ser compensado com o que for devido nas operações de saída dos produtos tributados do estabelecimento contribuinte, em um mesmo período de apuração, sendo que, se em determinado período os créditos excederem os débitos, o excesso será transferido para o período seguinte. Completando a legislação supracitada, tem-se que o artigo 146 da Constituição Federal remeteu para a lei complementar, em relação aos impostos nela discriminados, a definição dos respectivos fatos geradores, base de cálculo e contribuintes. Daí tem-se que os artigos 46 e 51 do mesmo Código estabelecem o fato gerador e o contribuinte desse imposto, cumprindo o ditame do artigo 146, inciso III, letra "a" da Constituição Federativa, tal qual o artigo 47, que estabelece a base de cálculo. Assim, o artigo 46 do CTN, inserto no Capítulo IV — Impostos sobre a Produção e a Circulação, Seção I — Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelece: Art. 46. O imposto, de competência da União, sobre produtos industrializados, tem como fato gerador: II — a sua saída dos estabelecimentos a que se refere o paráprafo único do ar. 51: III - E o parágrafo único do artigo 51 do mesmo Código, por sua vez, dispõe: Art. 51.... Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considera-se contribuinte autônomo qualquer estabelecimento de importador, industrial, comerciante ou arrematante. E, na seqüência, tem-se que o artigo 121, parágrafo único, do CTN apresenta a definição de contribuinte: Art. 121. ... Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz-se: I — contribuinte quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador,- Portanto, a pessoa jurídica enquanto unidade empresarial não foi definida como contribuinte do IPI resultante das situações nas quais a relação pessoal e direta com o fato gerador foi de um de seus estabelecimentos. Conquanto argumente a recorrente com o fato de que a autonomia dos estabelecimentos se prestaria ao controle e fiscalização, verifica-se não ser bem esta a opção legislativa em vigor. O legislador não deixou dúvidas quanto ao momento da ocorrência do fato gerador, nem de quem é o contribuinte da obrigação tributária surgida. Constata-se, no § 2° do art. 113 do CTN que o interesse da arrecadação ou da fiscalização é albergado pela obrigação acessória decorrente da legislação tributária, porém não (ely 6 •iCt ri TÉRlo DAvtLA Nlinistério da Fazenda 2° ronsailla de Ceritribuint es r CC-Nl F Fl. - Segundo Conselho de Contribuintes C60:::raFi,I,„.R,E. c2C10:112_0 OnliffirLINAL Processo n° : 10830.003254/98-48 Recurso n° : 125.586 ----VISTO Acórdão re 203-10.011 se confunde com a obrigação principal que é a sujeição passiva em relação ao imposto decorrente do fato gerador Já quanto ao estabelecido no art. 104 do RIPI/82, constata-se não ser aplicável à situação fática em que incorreu a recorrente. O referido artigo tem como suporte legal o artigo 31, inciso II, da Lei n°4.502, de 30/11/1964, que reporta-se ao 1° do artigo 7° da mesma lei, o qual trata das isenções e, especificamente, no inciso I do direito de manutenção e utilização do crédito do 1PI dos insumos relativos aos produtos exportados para o exterior. Para tal circunstância a lei permitiu o ressarcimento ou a compensação do crédito mantido por força normativa na escrita fiscal do IPI. Tal comando normativo não se presta para especar o procedimento da recorrente. E nenhum outro comando normativo, regulador dos créditos do imposto, prevê a possibilidade de transferência de créditos entre estabelecimentos. Em que pese a pessoa jurídica seja a mesma, os contribuintes são distintos, posto que a relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador do imposto é de cada um dos estabelecimentos individualmente considerados e não da pessoa jurídica como unidade empresarial. Esta é uma especificidade exclusiva do IPI, uma vez que praticamente todos os demais tributos ou contribuições administrados pela SRF, contam com a alternativa legal de centralização da obrigação tributária e respectiva responsabilidade, no estabelecimento matriz. Portanto, não se vislumbram malferidos os princípios constitucionais na aplicação das regras postas na Lei que complementa a Constituição. Não há, por conseguinte, inconstitucionalidade das normas aplicadas ao caso concreto a ser apreciadas, quer para retirar ou mitigar a sua eficácia. Pelo exposto, votou esta Câmara no sentido de não acatar os argumentos da defesa e negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 23 de fevereiro de 2005 ARIA CRISTINA RO A DA COSTA 7

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Numero do processo: 10855.902804/2013-71
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Data do fato gerador: 20/01/2010 DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE FATO. PN Nº 2/2015. SÚMULA CARF Nº 164. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO A MAIOR. FORÇA PROBANTE. A retificação da DCTF, depois de prolatado o despacho decisório, não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre o erro, e por conseguinte, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado., por meio de prova idônea (contábil e fiscal), conforme aplicação do Parecer Normativo COSIT nº 2/2015 e da Súmula CARF nº 164. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. ESCRITURAÇÃO. LIVROS. DOCUMENTOS. ELEMENTOS DE PROVA. Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional). A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais.
Numero da decisão: 1003-003.047
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Ribeiro Faria, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça

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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Data do fato gerador: 20/01/2010 DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE FATO. PN Nº 2/2015. SÚMULA CARF Nº 164. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO A MAIOR. FORÇA PROBANTE. A retificação da DCTF, depois de prolatado o despacho decisório, não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre o erro, e por conseguinte, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado., por meio de prova idônea (contábil e fiscal), conforme aplicação do Parecer Normativo COSIT nº 2/2015 e da Súmula CARF nº 164. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. ESCRITURAÇÃO. LIVROS. DOCUMENTOS. ELEMENTOS DE PROVA. Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional). A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Ribeiro Faria, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 28 04 /2 01 3- 71 Fl. 80DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-003.047 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10855.902804/2013-71 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra acórdão de nº 108-002.974, proferido, em 28 de setembro de 2020, pela 1ª Turma da DRJ08, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Por bem resumir os fatos ocorridos até o momento, transcreve-se a seguir o relatório que apoiou o acórdão de piso, complementando-o mais adiante: “Trata-se de PER/DCOMP nº 22108.78529.250612.1.3.04-1111 cuja compensação foi não homologada por despacho decisório de 02/08/2013 proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba. O motivo da não homologação foi a inexistência de crédito, e baseou-se nos seguintes fundamentos: “A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 59.184,33 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” Abaixo as características do DARF: O contribuinte foi cientificado do despacho decisório em 12/08/2013, apresentando manifestação de inconformidade em 11/09/2013. Em sua defesa alega que inicialmente foi apurado débito de IRPJ para o mês de dezembro de 2009 no valor de R$ 540.621,18, tendo sido extinto por meio de compensação e pagamento. Em apresentação da DIPJ, o sujeito passivo apurou IRPJ a pagar no valor de R$ 481.436,85, resultando em pagamento indevido ou a maior no valor de R$ 59.184,33. Esse valor foi objeto do pedido de restituição 14077.28459.100512.1.2.04-7607, posteriormente sendo objeto da presente declaração de compensação. O valor declarado em DCTF no montante de R$ 540.621,18 foi incorreto, sendo correto o valor declarado em DIPJ.” Fl. 81DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-003.047 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10855.902804/2013-71 Por sua vez, a 1ª Turma da DRJ08 manteve a decisão recorrida e julgou a manifestação de inconformidade improcedente sob o argumento de que “na ausência de retificação da DCTF para declarar os valores que o sujeito passivo entende correto, impossível o reconhecimento de direito creditório decorrente de possível pagamento indevido ou a maior”. A Recorrente foi intimada do acórdão da DRJ e, inconformada com a decisão, apresentou recurso voluntário, destacando em síntese: “Conforme explanado na intimação nº 362/2021, apresentamos esse Recurso Voluntario, após aceite do processo de retificação da DCTF nº 10166- 727.014/2021-78 dada pela DRF-Sorocaba. A DCTF supracitada foi a origem da manifestação de inconformidade de improcedência no direito creditório não reconhecido pela 1º Turma da DRJ 08, visto que existiam divergências entre a Pedido de Restituição Per/Dcomp nº 14077.28459.100512.1.2.04-7607 e a respectiva DCTF e, consequentemente as compensações a ela atrelada. Com a regularização da DCTF demonstrando o recolhimento a maior fica explicito o direito ao crédito e suas compensações. Assim, segue a relação dos documentos que comprovam a procedência e eficácia da retificação. É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, inclusive para os fins do inciso III, do art. 151 do Código Tributário Nacional. Assim, dele tomo conhecimento. Conforme já constou no relatório, trata-se de discussão acerca do direito creditório informado em Per/Dcomp (nº 22108.78529.250612.1.3.04-1111) e não reconhecido, com a não homologação da compensação declarada. Fl. 82DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-003.047 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10855.902804/2013-71 Sobre a questão, a 1ª Turma da DRJ08 assim manifestou-se: “Inicialmente, ressaltamos que o regramento previsto no Decreto n.º 70.235/72 é aplicável à manifestação de inconformidade em decorrência da previsão contida no § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, incluída pela Lei nº 10.833/03, in verbis: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9 e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação.” Seguindo tal regramento vigente, a compensação deve ser implementada por iniciativa do sujeito passivo, com a entrega da declaração correspondente (PER/DCOMP), na qual devem constar informações relativas aos pretensos créditos (líquidos e certos) a serem restituídos / ressarcidos ou os correspondentes débitos a serem compensados. O Pedido de Ressarcimento / Restituição e a Declaração de Compensação se prestam a formalizar o encontro de contas entre o Contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe a responsabilidade pelas informações sobre os pretensos créditos, ao passo que à Administração Tributária compete a sua necessária verificação e validação. Confirmada a existência do crédito pleiteado, sobrevém o deferimento do pedido e a restituição / ressarcimento da quantia paga indevidamente ou a maior ou a correspondente compensação dos débitos declarados.. O motivo da não homologação da compensação requerida residiu no fato do direito creditório informado na DCOMP referir-se a pagamento utilizado integralmente na quitação de débito regularmente confessado em DCTF. Uma questão relevante que se coloca neste ponto, antes de se analisar a alegada retificação da DCTF, é saber-se se a mera retificação da DCTF que continha débito confessado fundante do indeferimento da restituição é suficiente para o reconhecimento do direito creditório. A resposta a tal indagação é negativa, na esteira da conclusão do Parecer Normativo COSIT nº. 2, de 28 de agosto de 2015, cujos excertos relevantes se transcreve: 22. Por todo o exposto, conclui-se: a) as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no § 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário;” (g.n.) Fl. 83DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-003.047 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10855.902804/2013-71 Assim, a retificação da DCTF somente pode ser aceita no âmbito do contencioso administrativo fiscal se guardar consonância com o conteúdo das outras declarações prestadas pelo contribuinte à RFB (no caso concreto, a retificação da DCTF somente pode ser aceita caso guarde consonância com as informações prestadas em DIRF). Lembre-se, em adição, que tal retificação ainda deve estar acompanhada de elementos de prova bastantes para confirmar a efetiva ocorrência do equívoco objeto da retificação, na esteira da norma veiculada no art. 147, §1º, do CTN, e item 13.1 do Parecer Normativo COSIT nº. 2/2015, a seguir transcrito: “O sujeito passivo é obrigado a comprovar a veracidade das informações declaradas na DCTF e no PER/DCOMP e a autoridade administrativa tem o poder-dever de confirmá-las. A autoridade administrativa poderá solicitar a comprovação do alegado crédito informado no PER/DCOMP, e se ele, por exemplo, for um pagamento e estiver perfeitamente disponível nos sistemas da RFB, pode ser considerado apto a ser objeto de restituição ou de compensação, sem prejuízo de ser solicitado do declarante comprovação de que se trata de fato de indébito. Vale dizer, a retificação da DCTF é necessária, mas não necessariamente suficiente para deferir o crédito pleiteado, que depende da análise da autoridade fiscal/julgadora do caso concreto. Tanto que tal autoridade poderá discordar das razões apresentadas (a despeito da retificação da DCTF) e, consequentemente, indeferir/não homologar o PER/DCOMP com base em outros elementos de prova de que tal pagamento, ainda que disponível nos sistemas da RFB” (g.n.) Portanto, o reconhecimento do indébito de IRPJ, passível de embasar pedidos de restituição / ressarcimento, somente é possível quando, cumulativamente, cumpridas as seguintes condições: - O alegado indébito não pode se encontrar confessado pela empresa em DCTF; - Havendo retificação de DCTF, deve ser verificado se as informações constantes dos sistemas da RFB e as provas acostadas aos autos são bastantes para se atestar a higidez de tal retificação; Em consulta ao Portal DCTF, verifica-se que o contribuinte apresentou duas declarações para o mês de dezembro de 2009, conforme consulta a seguir colacionada. Nota-se que com a retificação o sujeito passivo declarou débitos de IRPJ código de receita 2362 no valor de R$ 540.621,18: Portanto, nos termos do Parecer Normativo acima transcrito, na ausência de retificação da DCTF para declarar os valores que o sujeito passivo entende correto, impossível o reconhecimento de direito creditório decorrente de possível pagamento indevido ou a maior. Diante todo o exposto, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado.” Fl. 84DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-003.047 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10855.902804/2013-71 Assim, extrai-se do acórdão de piso que, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, para manter na íntegra o despacho decisório que não homologou as compensações pleiteadas, sob o argumento de não teria ocorrido a retificação da DCTF e o crédito pleiteado já se encontrava totalmente alocado a outros débitos. Já a Recorrente, em suas razões recursais, aduziu que apresentou o Recurso Voluntário, ora em apreço, após aceite do processo de retificação da DCTF nº 10166- 727.014/2021-78 dada pela DRF-Sorocaba e que, com a regularização da DCTF demonstrando o recolhimento a maior, ficou explícito o direito ao crédito e suas compensações. Contudo, compulsando os autos, entendo não assistir razão à Recorrente em suas alegações. Explique-se. Inicialmente, destaco que tenho entendimento que, se transmitida a PER/DCOMP independentemente da retificação da DCTF após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito por meio de documentos hábeis e idôneos. Inclusive, há entendimento neste sentido já emanado por este Tribunal: AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. ALOCAÇÃO DE PAGAMENTOS. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE CRÉDITO. INDEFERIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Erro de preenchimento de DCTF não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado ao auferir receita não prevista em lei. SUPERAÇÃO DE ÓBICES QUE LEVARAM AO INDEFERIMENTO DO PLEITO. PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO. REINÍCIO DO PROCESSO. DESPACHO DECISÓRIO COMPLEMENTAR. Superados os óbices de ausência de retificação da DCTF e da alocação dos pagamentos referentes ao indébito pleiteado, o recurso deve ser parcialmente provido para que o exame de mérito do pedido seja reiniciado pela unidade origem mediante prolação de despacho decisório complementar. (Acórdão nº 1301-003.881 , Relator: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Data: 14/05/2019). Assim, a ausência de retificação da DCTF, por si só não pode embasar a negação ao seu direito de crédito pleiteado, podendo levar ao enriquecimento ilícito do Estado. Em relação à possibilidade de comprovação de erro de fato no preenchimento da declaração, o entendimento atual, inclusive da RFB, é de que é possível superar esse equívoco, desde que haja comprovação de tal erro, conforme bem delineado pela RFB no Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. Ademais, restou definido que a retificação da DCTF após o indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, ou mesmo sua não retificação. não impede que o direito creditório no Per/Dcomp seja analisado, desde que, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 02, de 28 de agosto de 2015 1 , o contribuinte logre êxito em comprovar 1 Conclusão 22. Por todo o exposto, conclui-se: a) as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do Fl. 85DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-003.047 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10855.902804/2013-71 documentalmente as alterações promovidas (erro de fato), e, por conseguinte, a liquidez e certeza de seu crédito tal como exige o art. 170 do Código Tributário Nacional. Inclusive, sente sentido é a disposição da Sumula CARF nº 164 que deve ser aplicadas ao caso sob análise e assim dispõe: Súmula 164 A retificação de DCTF após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou que não homologou a declaração de compensação é insuficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se fundamenta a retificação. Ocorre que a Recorrente não carreou aos autos quaisquer documentos comprobatórios de suas alegações. Afinal, é do contribuinte, o ônus da prova de demonstrar explicitamente com os documentos necessários para tanto. A obrigatoriedade de apresentação das provas pela Recorrente está arrimada no Código de Processo Civil, em seu art. 373: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; d) o procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9º-A da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não-homologação do PER/DCOMP; e) a não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazê-la em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios; f) o valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996; e g) Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. (grifos acrescentados) Fl. 86DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-003.047 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10855.902804/2013-71 Caberia, pois, à Recorrente ter produzido o conjunto probatório nos autos de suas alegações no tocante ao erro que motivou a retificação da DCTF e da legitimidade para pleitear a compensação em destaque, já que para o procedimento de apuração do direito creditório é imprescindível a comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor do crédito pleiteado (art. 170 do Código Tributário Nacional). Daí a necessidade de apresentação pela Recorrente de sua escrita contábil/fiscal. Destarte, a retificação das informações declaradas por iniciativa da própria declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde (§ 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional 2 ). Destarte, as alterações promovidas em DCTF para diminuir o valor do tributo devido devem ser comprovadas através de escrita contábil. A comprovação, portanto, é condição para admissão da retificação realizada, quando essa, como no caso dos autos, suprimiu tributo. Ora, o pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. De fato, é necessário é um cuidadoso exame dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal e que não foram apresentados pela Recorrente (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Especificamente, no caso em debate, diferente do entendimento da Recorrente, os supostos fatos indicados na peça recursal não podem ser corroborados, pois, como já deixei consignado, os autos não estão instruídos com outros assentos contábeis obrigatórios acompanhados dos documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal . Vale lembrar, também, que conforme inteligência da Súmula CARF nº 92, a DIPJ - Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica tem caráter meramente informativo e não se presta à comprovação da existência e liquidez de indébito tributário. O reconhecimento de direito crédito creditório dá-se por meio de documentação hábil e idônea, conforme prevê a legislação de regência. 2 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento Fl. 87DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1003-003.047 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10855.902804/2013-71 Ressalta-se que , mesmo em grau de recurso voluntário a jurisprudência do CARF tem aceitado a juntada de documentos posteriormente à manifestação de inconformidade, em homenagem ao princípio da verdade material do formalismo moderado, desde que esclareça pontos fundamentais na ação. Contudo, a Recorrente não juntou documentos em sede recursal e os constantes no processo foram devidamente analisados pela DRJ sem qualquer comprovação do direito creditório em discussão. Em tempo, destaco que todos os documentos constantes nos autos foram analisados em sede de primeira instância de julgamento e regularmente examinados com minudência, conforme a legislação de regência da matéria, e o pleito da Recorrente não pode prosperar, conforme já explicado. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário sob exame. (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 88DF CARF MF Original

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Numero do processo: 10920.001869/2007-28
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2006 REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo da Cofins o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem o ou o serviço desejado. CRÉDITOS. CONTRATAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA TEMPORÁRIA. O crédito em relação ao serviço de colocação de mão-de-obra temporária prestado por pessoa jurídica deve ser calculado em relação ao valor integral da nota fiscal emitida pelo prestador do serviço. CRÉDITOS. ENERGIA ELÉTRICA. COSIP. Tratando-se de tributo não recuperável, a Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública - COSIP, cobrada junto com a fatura de energia elétrica, integra o cálculo do crédito da contribuição. CRÉDITOS NÃO VINCULADOS À RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO. Por expressa disposição legal, é vedado o ressarcimento de créditos calculados em relação a custos, despesas ou encargos que não sejam vinculados à receita de exportação. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-001.358
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de a recorrente calcular o crédito da contribuição em relação aos valores integrais das notas fiscais de prestação de serviço de colocação de mão-de-obra e de energia elétrica.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM

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Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0320.15067.ABRB. Consulte a página de autenticação no final deste documento.     2 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao  recurso para  reconhecer o direito de a  recorrente calcular o crédito da  contribuição  em  relação  aos  valores  integrais  das  notas  fiscais  de  prestação  de  serviço  de  colocação de mão­de­obra e de energia elétrica.  Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator.   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Antonio  Carlos  Atulim, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Domingos de Sá Filho, Mara Cristina Sifuentes,  Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.  Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto em face do acórdão nº 07­23.551, da  4ª Turma da DRJ em Florianópolis, por meio do qual foram mantidas as glosas no cálculo do  crédito da Cofins não cumulativa.  O acórdão a quo considerou não instaurado o litígio em relação à matéria não  impugnada expressamente; entendeu que o conceito de  insumo a  ser aplicado no âmbito das  contribuições não cumulativas  é o mesmo previsto na  legislação do  IPI  e manteve  as  glosas  relativas  aos  seguintes valores:  1) despesas que não correspondem ao pagamento de  salários  incluídas na nota  fiscal emitida pela empresa prestadora de  serviço de colocação de mão­de­ obra temporária; e 2) valor da Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública ­  COSIP,  integrante  das  faturas  de  energia  elétrica.  O  referido  acórdão  manteve  também  o  realocamento de parte do crédito do mercado externo para o mercado interno, sob o argumento  de que somente o crédito gerado por exportações é passível de ressarcimento.  Alegou o contribuinte que o conceito de insumo no âmbito da legislação das  contribuições não cumulativas é mais amplo do que no âmbito do  IPI,  abrangendo os gastos  gerais incorridos para a produção de bens e serviços. Disse ser equivocado o entendimento no  sentido adotar o mesmo conceito de insumo da legislação do IPI, pois a Lei nº 10.833/03 não  impôs  nenhuma  restrição  e  tampouco  determinou  que  fosse  adotado  o  conceito  vigente  na  legislação  do  IPI.  A materialidade  das  contribuições  ao  PIS  e  Cofins  (receita)  é  totalmente  distinta da materialidade do IPI, assemelhando­se mais à materialidade do IRPJ (lucro). Assim,  deve ser aplicado ao conceito de insumo para o PIS e Cofins, o conceito de custos e despesas  operacionais previsto nos arts. 290 e 299 do RIR/99. Nesse passo, acrescentou que o valor da  fatura da contratação de mão­de­obra  temporária  e o valor da COSIP destacada na  fatura de  energia elétrica devem integrar o cálculo do crédito. A uma porque quando da contratação da  mão­de­obra temporária, a tributação é praticada sobre o valor integral da nota fiscal. E a duas,  porque  tal  como ocorre  com os  serviços de mão­de­obra  temporária  a COSIP corresponde  a  uma despesa vinculada ao consumo da energia elétrica, ou seja, diretamente  ligada à energia  elétrica consumida no processo produtivo da recorrente. Relativamente à  realocação de parte  do crédito para o mercado interno, que, segundo a fiscalização, somente poderia ser utilizado  no abatimento da contribuição devida, alegou que a própria Receita Federal tem entendimento  no  sentido  de  que  o  ressarcimento  pode  ser  estendido  os  créditos  consumidos  no  mercado  interno (Solução de Consulta da 6ª Região Fiscal).  É o relatório.  Voto             Fl. 758DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0320.15067.ABRB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.001869/2007­28  Acórdão n.º 3403­01.358  S3­C4T3  Fl. 2          3 Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator.  O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele  tomo conhecimento.  Inicialmente  cabe  delimitar  o  conteúdo  semântico  do  vocábulo  “insumo”  presente na redação do art. 3º, II da Lei nº 10.833/03.  A fiscalização levou em conta o conceito de insumo estabelecido nas normas  complementares  baixadas  pela Receita Federal,  que  adoraram  o mesmo  conceito  de  produto  intermediário vigente para a legislação do IPI.  No  caso  do  IPI  são  considerados  produtos  intermediários  aptos  a  gerarem  créditos do imposto, apenas aqueles produtos que sofram desgaste, sejam consumidos, ou que  sofram perda das propriedades físicas ou químicas por meio de contato direito com o produto  em fabricação (PN CST nº 65/79).  A defesa, por seu  turno, pleiteia que seja adotado um conceito mais amplo,  coincidente com o conceito de custos e despesas adotados pelo imposto de renda, em face da  semelhança existente entre as bases de incidência das contribuições e do imposto de renda.  A  questão  é  polêmica,  mas  uma  análise  mais  detida  da  Lei  nº  10.833/03  revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado  na legislação deste ou daquele tributo.  Se  não  existe  tal  determinação,  o  intérprete  deve  atribuir  ao  vocábulo  “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido o art. 3º , II,  da Lei nº 10.833/03.  Nesse passo, distinguem­se as não cumulatividades do  IPI e do PIS/Cofins.  No  IPI  a  técnica  utilizada  é  imposto  contra  imposto  (art.  153,  §  3º,  II  da  CF/88).  No  PIS/Cofins, a técnica é base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º , § 1º da Lei nº  10.833/03).  Em relação ao IPI, o art. 49 do CTN estabelece que:  “A  não  cumulatividade  é  efetivada  pelo  sistema  de  crédito  do  imposto  relativo a produtos entrados no estabelecimento do contribuinte, para ser abatido do  que  for  devido  pelos  produtos  dele  saídos,  num  mesmo  período,  conforme  estabelecido neste Capítulo (...)”.  E o art. 226 do RIPI/10 estabelece quais eventos dão direito ao crédito:   “Os  estabelecimentos  industriais  e  os  que  lhes  são  equiparados  poderão  creditar­se (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25):  I ­ do imposto relativo a matéria­prima, produto intermediário e material  de  embalagem,  adquiridos  para  emprego  na  industrialização  de  produtos  tributados,  incluindo­se,  entre  as  matérias­primas  e  os  produtos  intermediários,  aqueles  que,  embora  não  se  integrando  ao  novo  produto,  forem  consumidos  no  processo  de  industrialização,  salvo  se  compreendidos  entre  os  bens  do  ativo  permanente; (...)”  Fl. 759DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0320.15067.ABRB. Consulte a página de autenticação no final deste documento.     4 (Grifei)  A fim de delimitar o conceito de produto intermediário no âmbito do IPI, foi  elaborado  o  Parecer Normativo CST  nº  65/79,  por meio  do  qual  fixou­se  a  interpretação  de  que, para o fim de gerar créditos de IPI, o produto intermediário deve se assemelhar à matéria­ prima,  pois  a  base  de  incidência  do  IPI  é  o  produto  industrializado.  Daí  a  necessidade  do  produto  intermediário,  que  não  se  incorpore  ao  produto  final,  ter  que  se  desgastar  ou  sofrer  alteração  em  suas  propriedades  físicas  ou  químicas  em  contato  direto  com  o  produto  em  fabricação.  Já no regime não cumulativo da Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre  os  gastos  e  despesas  incorridos  no  mês,  em  relação  aos  quais  deve  ser  aplicada  a  mesma  alíquota que incidiu sobre o faturamento, que serviu para apurar a contribuição (art. 3º, § 1º da  Lei  nº  10.833/03). E  os  eventos  que  dão  direito  à  apuração  do  crédito  estão  exaustivamente  citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número  de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI.  Essa  ampliação dos  eventos que dão direito  ao  crédito na Lei nº 10.833/03  resulta do  fato de que os  sujeitos passivos da Cofins não se  limitam às empresas  industriais,  mas  abrangem qualquer pessoa  jurídica que  tenha  faturamento,  desde que não  seja  isenta ou  imune à contribuição.  Por tal motivo, foram incluídos no rol de eventos que dão direito ao crédito as  aquisições de serviços, de energia elétrica e de energia térmica, além de benfeitorias realizadas  em imóveis próprios ou de terceiros utilizados nas atividades da empresa, hipóteses que nunca  foram cogitadas pela legislação do IPI.  Esta distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e da Cofins não  cumulativa permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata  e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito da Cofins o crédito se relaciona ao  produto  de  forma mediata,  pois  está vinculado  ao  processo,  ou  seja,  à  fonte  de  produção  da  riqueza.  Pode­se afirmar com segurança que no âmbito do  IPI a não cumulatividade  visa desonerar o produto final, impedindo a incidência em cascata do imposto; enquanto que no  caso da Cofins a não cumulatividade volta­se para a desoneração do processo produtivo em si.  Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação da  Cofins,  aliada  à  ampliação  do  rol  dos  eventos  que  ensejam  o  crédito  pela  Lei  nº  10.833/03,  demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” no art. 3º,  II,  da Lei nº 10.833/03,  o mesmo conceito de  “produto  intermediário” vigente no  âmbito do  IPI.   Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do  art. 3º da Lei nº 10.833/03, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a  que alude a legislação do Imposto de Renda, como deseja a recorrente, pois no rol de despesas  operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da  empresa.  Se  a  intenção  do  legislador  fosse  atribuir  o  direito  de  calcular  o  crédito  das  contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários  os dez incisos do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, onde enumerou­se de forma exaustiva os eventos  que dão direito ao cálculo do crédito.  Portanto,  no  âmbito  do  regime  não  cumulativo  da  Cofins,  o  conteúdo  semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que  Fl. 760DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0320.15067.ABRB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.001869/2007­28  Acórdão n.º 3403­01.358  S3­C4T3  Fl. 3          5 aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo  expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o  bem o ou o serviço desejado.  Mas  dizer  que  um  determinado  bem  ou  serviço  é  essencial  ao  processo  produtivo  também não  resolve o problema, pois  torna­se necessário definir a abrangência do  vocábulo “essencial”.  Afinal, em um determinado processo produtivo, o que é “essencial”?  Em  busca  do  conceito  de  “essencial”,  recorre­se  ao  conceito  de  “essência”  estabelecido na Ética de Baruch de Espinosa: “a essência de algo é aquilo que sendo dado  faz com que a coisa exista, e sendo suprimido faz com que a coisa não exista”.  Nesse passo, para estabelecer se determinado bem ou serviço é essencial ao  processo produtivo, é necessário indagar se a supressão do bem ou do serviço empregado como  insumo tem alguma influência na existência do produto final ou na sua obtenção com o padrão  de qualidade desejado.  No  caso  dos  autos,  o  litígio  versa  sobre  o  expurgo  de  certos  valores  das  faturas  de  contratação  de  mão­de­obra  temporária  e  de  energia  elétrica.  Das  faturas  da  contratação  da  mão­de­obra  temporária,  foram  expurgados  valores  não  relacionados  aos  salários  dos  empregados  (taxa  administrativa  e  despesas  médicas).  Das  faturas  de  energia  elétrica  foi  expurgado  o  valor  da  COSIP  –  Contribuição  para  o  Custeio  dos  Serviços  de  Iluminação Pública.  Ao  contrário  do  que  decidiu  o  acórdão  recorrido,  o  problema  não  está  em  estabelecer  se  as  despesas  embutidas  na  nota  fiscal  emitida  pela  empresa  de  trabalho  temporário ou se o tributo destinado ao custeio do serviço de iluminação pública, incluído na  fatura  de  energia  elétrica,  são  ou  não  insumos.  A  questão  consiste  em  estabelecer  se  esses  valores  são  ou  não  custos  atrelados  ou  embutidos  no  valor  que  o  contribuinte  paga  pela  aquisição  desses  insumos  e  se  a  lei  ampara  ou  não  a  inclusão  de  tais  valores  no  cálculo  do  crédito.  O art. 3º , § 3º da Lei nº 10.833/03 estabelece que:  “Art.  3º.  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2º  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar créditos calculados em relação a:  (...)  II­ bens e serviços, utilizados como  insumos na prestação de serviços e na  produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda (...);  § 3º O direito ao crédito aplica­se, exclusivamente, em relação:  I ­ (...);  II  ­ aos  custos  e despesas  incorridos,  pagos ou  creditados  a pessoa  jurídica  domiciliada no País;  (...)”  (Grifei)  Fl. 761DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0320.15067.ABRB. Consulte a página de autenticação no final deste documento.     6 Quando a empresa de  trabalho  temporário  emite a  fatura,  ela está  cobrando  um  preço  pelo  esforço  de  colocar  à  disposição  da  empresa  tomadora  os  trabalhadores  necessários  para  que  esta  dê  continuidade  ao  seu  processo  produtivo.  Esta  atividade  está  classificada  no  item 17.05  da  lista  anexa  à Lei Complementar nº  116/03,  sendo  considerada  prestação de serviço.  Neste  processo  não  foi  questionado  se  a  mão­de­obra  poderia  ou  não  ser  considerada  insumo. Ela  foi considerada  insumo, pois a decisão de primeira  instância deixou  bem claro que o valor da mão­de­obra não  foi  objeto de glosa. A glosa  recaiu  apenas e  tão­ somente sobre as demais despesas atreladas à mão­de­obra, que foram embutidas no preço do  serviço  prestado.  É  inequívoco  que  tais  despesas  glosadas  integraram  o  custo  do  serviço  de  colocação de mão­de­obra.  Portanto,  à  luz  do  que  dispõe  o  art.  3º,  II,  §  3º,  II  da  Lei  nº  10.833/03,  o  contribuinte tem direito de calcular o crédito pelo valor total do preço do serviço, sem nenhuma  glosa, já que, por óbvio, os valores glosados integraram o custo do serviço prestado.  Relativamente  ao  valor  da  COSIP  cobrado  junto  com  a  fatura  de  energia  elétrica, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, o fato daquele  tributo não sofrer a  incidência do ICMS ou não poder ser considerado insumo, não tem a menor relevância para o  deslinde da questão.  A questão da COSIP é análoga à questão do IPI não recuperável. Se o IPI for  recuperável,  ele  não  poderá  integrar  a  base  de  cálculo  do  crédito  da Cofins  não  cumulativa  porque nesta hipótese ele não faz parte do custo. Ao contrário, se o IPI não for recuperável, ele  integrará o custo e, em conseqüência, integrará a base de cálculo do crédito da contribuição.  A Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública – COSIP, é  um  tributo  criado  pelos Municípios  com  permissivo  no  art.  149­A  da  Constituição.  As  leis  municipais geralmente elegem como contribuinte aquele que possua ligação de energia elétrica  regular ao sistema de fornecimento de energia. O valor da contribuição é incluído no total da  fatura  de  energia  elétrica  e  deve  ser  repassado  pela  concessionária  ao município  nos  prazos  fixados nas respectivas leis municipais. Essas leis elegem a concessionária como responsável  tributária.  Desse  modo,  é  evidente  que  o  contribuinte  da  COSIP  é  o  consumidor  da  energia elétrica, no caso a autuada, e que este tributo não recuperável é um custo atrelado ao  preço  da  energia  elétrica.  E  sendo  custo  vinculado  ao  consumo  de  um  insumo  essencial  ao  processo produtivo, deverá ser incluído no cálculo do crédito da contribuição não cumulativa, a  teor do art. 3º, § 3º, II, da Lei nº 10.833/03.  Relativamente  à  realocação  de  parte  do  crédito  a  ser  ressarcido  para  o  mercado interno, a recorrente mencionou que uma solução de consulta da 6ª Região Fiscal teria  reconhecido  a  possibilidade  de  estender  o  ressarcimento  a  créditos  calculados  sobre  custos,  despesas e encargos vinculados a receitas originadas de vendas no mercado interno. Entretanto,  a defesa não indicou o número dessa decisão e tampouco o veículo em que foi publicada.  Quanto a esta questão, verifica­se que a Lei nº 10.833/03 regula as hipóteses  de utilização do crédito de forma diferente, utilizando como critério a origem da receita.   Se a receita se origina de vendas para o mercado interno, a regra é no sentido  de que o crédito apurado em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a estas receitas  só  pode  ser  usado  no  abatimento  da  contribuição  devida  no  próprio  mês  ou  em  meses  Fl. 762DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0320.15067.ABRB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10920.001869/2007­28  Acórdão n.º 3403­01.358  S3­C4T3  Fl. 4          7 subseqüentes, por força do disposto no art. 3º, §§ 4º e 10 combinado com o art. 6º, § 3º da Lei  nº 10.833/03.  Por  outro  lado,  se  a  receita  for  originada  por  exportações,  existe  regra  específica no art. 6º da Lei nº 10.833/03. Neste caso, o crédito também é apurado na forma do  art.  3º,  mas  apenas  em  relação  aos  custos,  despesas  e  encargos  vinculados  à  receita  de  exportação e o aproveitamento se dá de forma distinta, nos seguintes termos:  “Art. 6º. A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações  de:  I a III – omissis...  § 1º Na  hipótese  deste  artigo,  a  pessoa  jurídica  vendedora  poderá  utilizar  o  crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de:  I  ­  dedução  do  valor  da  contribuição  a  recolher,  decorrente  das  demais  operações no mercado interno;  II  ­  compensação  com  débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada  a legislação específica aplicável à matéria.  § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não  conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá  solicitar  o  seu  ressarcimento  em  dinheiro,  observada  a  legislação  específica  aplicável à matéria.  § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplica­se somente aos créditos apurados em  relação  a  custos,  despesas  e  encargos  vinculados  à  receita  de  exportação,  observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º.  (...)”  (Grifei)  Portanto, a lei só autoriza o ressarcimento em relação a créditos vinculados à  receita de exportação e, mesmo assim, se não for possível esgotar esses créditos no abatimento  da contribuição devida por vendas no mercado interno ou na compensação com outros tributos  ao final de cada trimestre calendário.  À  luz  da  literal  disposição  da  lei,  não  é  possível  estender  o  regime  dos  créditos  apurados  na  exportação  aos  créditos  apurados  em  relação  a  custos,  despesas  ou  encargos vinculados às receitas auferidas no mercado interno, por força da vedação contida no  art. 3º, §§ 4º e 10 combinado com o art. 6º, § 3º da Lei nº 10.833/03.  Em  face  do  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  parcial  ao  recurso  para  reconhecer  o  direito  de  a  recorrente  calcular  o  crédito  da  contribuição  em  relação  aos  valores  integrais das notas  fiscais de prestação de  serviço de colocação de mão­de­obra e de  energia elétrica.  Antonio Carlos Atulim    Fl. 763DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0320.15067.ABRB. Consulte a página de autenticação no final deste documento.     8                               Fl. 764DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0320.15067.ABRB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ANTONIO CARLOS ATULIM em 18/02/2012 11:56:20. Documento autenticado digitalmente por ANTONIO CARLOS ATULIM em 18/02/2012. Documento assinado digitalmente por: ANTONIO CARLOS ATULIM em 18/02/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 09/03/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP09.0320.15067.ABRB Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 9C05E6A5D7A6804A74A82EB1579C8B010593083E Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10920.001869/2007-28. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.

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Numero do processo: 13971.002231/2010-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2005 a 21/12/2008 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. ELEMENTOS PROBANTES. NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL INADEQUADA. MÉRITO. Na forma do art. 9° do Decreto 70.235/72, reiterado no art. 25 do recente Decreto 7.574 de, 29 de setembro de 2011, autos de infração ou notificações de lançamento, serão distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.O lançamento destituído de provas, torna nulo o ato. Também a inadequada fundamentação legal inquina o lançamento de vício que enseja nulidade. Entretanto, o § 3º, inciso II, artigo 59 do Decreto 70.235/72, admitida a nulidade, determina que: “ § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Incluído pela Lei n 8.748, de 1993) Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-001.932
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari declarou-se impedido.
Nome do relator: IVANCIR JÚLIO DE SOUZA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2027; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T3  Fl. 1          1             S2­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13971.002231/2010­01  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2403­001.932  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de março de 2013  Matéria  LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  Recorrente  INDUSTRIA DE RELÓGIOS HERWEG S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL     Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias  Período de apuração: 01/06/2005 a 21/12/2008  Ementa:   PREVIDENCIÁRIO.  ELEMENTOS  PROBANTES.  NULIDADE.  FUNDAMENTAÇÃO LEGAL INADEQUADA.  MÉRITO.  Na  forma  do  art.  9°  do Decreto  70.235/72,  reiterado  no  art.  25  do  recente  Decreto 7.574 de , 29 de setembro de 2011, autos de infração ou notificações  de  lançamento,  serão  distintos  para  cada  tributo  ou  penalidade,  os  quais  deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais  elementos  de  prova  indispensáveis  à  comprovação  do  ilícito.O  lançamento  destituído de provas, torna nulo o ato. Também a inadequada fundamentação  legal  inquina o lançamento de vício que enseja nulidade. Entretanto, o § 3º,  inciso II, artigo 59 do Decreto 70.235/72, admitida a nulidade, determina que:   “  §  3º Quando  puder  decidir  do mérito  a  favor  do  sujeito  passivo  a  quem  aproveitaria  a  declaração  de  nulidade,  a  autoridade  julgadora  não  a  pronunciará  nem mandará  repetir  o  ato  ou  suprir­lhe  a  falta.  (Incluído  pela  Lei n 8.748, de 1993)  Recurso Voluntário Provido.            Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros  da 4ª  câmara  /  3ª  turma  ordinária  do  segunda   SSEEÇÇÃÃOO  DDEE  JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Vencido     Fl. 375DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO     2 o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari  declarou­se impedido.    Marcelo Magalhães Peixoto ­ Presidente    Ivacir Júlio de Souza­Relator    Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício  Pinheiro  Monteiro,  Ivacir  Julio  de  Souza,  Maria  Anselma  Coscrato  dos  Santos,  Marcelo  Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.  Fl. 376DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Processo nº 13971.002231/2010­01  Acórdão n.º 2403­001.932  S2­C4T3  Fl. 2          3 Relatório  A instância ad quod produziu o Relatório abaixo  que li  , compulsei com os  autos  e o transcrevi na íntegra com grifos de minha autoria:  “  O  presente  Auto  de  Infração  foi  consolidado  em  6/5/2010  e  lavrado  em  10/5/2010,  sob  nº  37.280.7461,  constando,  por  motivação do lançamento no Relatório Fiscal de folhas 53 a 57,  o seguinte:  Introdução  1. Este relatório é integrante do Auto de Infração e refere­se ao  lançamento  das  contribuições  devidas  à  Outras  Entidades  conveniadas,  denominadas  de  "Terceiros"  (FNDE,  INCRA,  SENAI, SESI e SEBRAE).  2. Em auditoria realizada na autuada e, concomitantemente, nas  empresas  E.G.M.  Indústria  e  Comércio  Ltda  e  QUARTZ  Indústria  e  Comércio  Ltda  constatou­se  que  estas  não  dispunham de patrimônio e capacidade operacional necessários  a  realização  de  seu  objetivo  social,  e  foram  concebida  com  o  propósito  de  abrigar  mão  de  obra  necessária  ao  desenvolvimento das atividades da autuada, sendo que  todos os  recursos eram provenientes da autuada.  Pretendeu­se desta forma elidir­se da incidência da contribuição  previdenciária patronal que recairia sobre a folha de pagamento  dos  empregados  e  contribuintes  individuais  da  autuada  alocando­os  na  EGM  e  QUARTZ,  empresas  optantes  pelo  SIMPLES.  3.  Tal  fato  foi  objeto  de Representação  Fiscal  para  Baixa  de  Ofício  da  inscrição  no  CNPJ  da  E.G.M.  Industria  e  Comércio  Ltda  e  QUARTZ  Industria  e  Comercio  Ltda,  com  base  no  disposto no artigo 28,  inciso II, alínea "a" da IN RFB n° 1.005  de 8 de fevereiro de 2010.  4.  A  remuneração  dos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais  constante  da  folha  de  pagamento  da  E.G.M.  Industria  e  Comércio  Ltda  e  QUARTZ  Industria  e  Comercio  Ltda,  no  período  abaixo,  é  a  base  de  cálculo  da  contribuição  lançada neste AI, haja vista que a autuada era a beneficiária dos  serviços prestados por estes segurados os quais estavam sob sua  orientação,supervisão e  subordinação,  fato que  foi  amplamente  demonstrado na Representação Fiscal que deu início à baixa de  ofício  da  inscrição  da  E.G.M.  Industria  e  Comércio  Ltda  e  QUARTZ Industria e Comercio Ltda.   5. No período fiscalizado a E.G.M. Indústria e Comércio Ltda e  a QUARTZIndústria e Comércio Ltda eram optantes do Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das  Fl. 377DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO     4 Microempresas  e  das  Empresas  de  Pequeno  Porte  SIMPLES  Federal  (até  06/2007)  e  Regime  Especial  Unificado  de  Arrecadação  de  Tributos  e  Contribuições  devidos  pelas  Microempresas  e  Empresas  de  Pequeno  Porte  SIMPLES  NACIONAL (a partir de 07/2007).  6. A Autuada, no mesmo período, era tributada pelo Lucro Real,  desta  forma,  a  contribuição  para  "Terceiros"  (FNDE,  INCRA,  SENAI,  SESI  e  SEBRAE)  sobre  a  remuneração  dos  segurados  então  registrados  na  E.G.M.  Industria  e  Comércio  Ltda  e  QUARTZ Industria e Comercio Ltda, a qual não era exigível na  tributação  pelo  SIMPLES,  está  sendo  objeto  de  apuração  no  presente AI.  ...  Dos fatos geradores  9. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas:  9.1. Levantamentos E11E12 e Q1Q2:  a remuneração de segurados empregados e dos sócios, constante  de  folha  de  pagamento  da  EGM  Indústria  e  Comércio  Ltda  (levantamentos E l  i e E12) e da QUARTZ Indústia e Comércio  Ltda (levantamentos Q l l e Q12), no período: 06/2005 a 12/2008  e décimos terceiros salários de 2005, 2006, 2007 e 2008,  todos  caracterizados,  por  esta  auditoria,  como  empregados  da  empresa AUTUADA. A  contribuição  incidente  sobre  a  referida  remuneração  não  foi  objeto  de  declaração  em  Guia  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações à Previdência Social GFIP.  Caracterização de Segurados Empregados  10.  A  Indústria  de  Relógios  Herweg  S/A  utiliza­se  de  subterfúgios  ilegais  para  poder  manter  uma  média  de  176  empregados seus alocados em 2 empresas distintas, constituídas  em  separado  para  serem  optantes  pelo  SIMPLES  e  com  isso  afastarem as  contribuições  destinadas à  seguridade  social,  tais  empresas operam no mesmo parque fabril e a sua receita advém  exclusivamente  da  Indústria  de  Relógios  HERWEG  S/A  e  de  empresas  a  ela  ligada,  com  maquinários  por  ela  cedidos,  e  criadas  com  sócios  ("testas  de  ferro")  ligados  a  Ind.  Relógios  HERWEG.  11. Pelas evidências encontradas e relatadas nas Representações  Fiscais para Baixa de Ofício (cópia Anexo 4 do Relatório Fiscal  do  AI  –  Auto  de  Infração  nº  37.280.745­3)  formou­se  a  convicção  desta  fiscalização  de  que  a  Ind.  Relógios HERWEG  administra e gerencia diretamente a  totalidade dos empregados  das empresas Ind. Relógios HERWEG, QUARTZ e EGM.  Pressupostos Necessários à Condição de Empregado   12.  Em  decorrência  dos  fatos  relatados,  foram  realizadas  Representações  Fiscais  para  Baixa  do  CNPJ  da  QUARTZ  INDÚSTRIA  E  COMÉRCIO  LTDA  e  E.G.M.  INDÚSTRIA  E  COMÉRCIO LTDA por inexistência de fato, e seus empregados e  Fl. 378DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Processo nº 13971.002231/2010­01  Acórdão n.º 2403­001.932  S2­C4T3  Fl. 3          5 contribuintes  individuais  caracterizados  como    segurados  da  empresa INDÚSTRIA DE RELÓGIOS HERWEG S/A, consoante  o  disposto  no  art.  3  da  CLT  (DecretoLei  n.°  5.452,  de  01/05/1943) e o art. 12, inciso I, alínea "a", da Lei n."8.212, de  24/07/1991, como segue:  13.  PESSOALIDADE:  Os  empregados  são  admitidos  pessoalmente  por  meio  de  um  contrato  de  trabalho,  ainda  que  formalizados  por  intermédio  de  outras  pessoas  jurídicas.  São  contratos intuito personae, qual seja, os empregados não podem  se fazer substituir nas funções desempenhadas (montador timer,  montador  despertador,  revisor,  operador  de  máquinas,  etc),  tendo de prestá­las pessoalmente.  14. NÃO EVENTUALIDADE:  A jornada de trabalho é diária, definida pelo Contratante, sendo  controlada por meio de controle de ponto eletrônico. O trabalho  é  prestado  na  unidade  fabril  da  Ind.  Relógios  Herweg  na  rua  Uruguai,  240.  É  definido  por  turnos,  com  horários  certos  de  entrada e saída.  15. SUBORDINAÇÃO:   Os relatórios das Representações Fiscais para Baixa de Ofício  (Anexo  4  do  Relatório  Fiscal  do  AI  –  Auto  de  Infração  nº  37.280.745­3)  demonstram  que  as  empresas  QUARTZ  INDÚSTRIA  E  COMÉRCIO  LTDA  e  E.G.M.  INDÚSTRIA  E  COMÉRCIO LTDA,  e conseqüentemente  todos os  seus  sócios e  empregados,  estão  subordinadas  a  INDÚSTRIA  DE  RELÓGIOS  HERWEG  S/A.,  que,  de  fato,  é  o  verdadeiro  empregador.  16.  ONEROSIDADE:  Os  empregados  são  remunerados  mensalmente  e  constam  em  folha  de  pagamento,  ainda  que  a  formalização  dos  vínculos  empregatícios  aconteça  por  intermédio de outras pessoas jurídicas.  Créditos do Contribuinte  17. Foram considerados créditos da autuada apenas os valores  registrados no CNPJ da EGM Indústria e Comércio Ltda (CNPJ  n° 02.363.843/000188) e da QUARTZ Indústia e Comércio Ltda  (CNPJ n° 02.360.696/000192), abaixo  relacionados:  ...  Foi  informado  que  a  multa  mais  benéfica  foi  a  prevista  na  legislação atual. A ciência do lançamento se deu em 12/5/2010.  Em  11/6/2010,  protocolou  impugnação  (folhas  63  e  seguintes)  nos termos seguintes:  Inicia  narrando  que  os  processos  de  exclusão  do  Simples  13971.001447/200311  e  13971.00144/200388,  respectivamente  Fl. 379DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO     6 da  Quartz  Indústria  e  Comércio  Ltda  e  EGM  Indústria  e  Comércio  Ltda,  até  a  presente  data  não  foram  decididos  definitivamente.  Informa  que  as  ditas  empresas  encontram­se  com  situação  cadastral  suspensa,  por  inexistência  de  fato,  sem  que  tenham  tido  direito  à  defesa,  por  conta  de  representação  de  2010,  retroagindo a 6/2005.  Alega  que  o  Fisco  “reconhece  vínculo  empregatício  dos  empregados  das  empresas  QUARTZ  e  EGM  na  Autuada,  no  período  de  05/2006  a  12/2008  e.  requer  a  baixa  de  oficio  de  CNPJ  daquelas,  retroativamente  a  01/06/2005  e.  de  outro,  promove a exclusão do SIMPLES desde 01/02/2000 . tendo como  conseqüência a cobrança da diferença dos tributos”  (folha 71),  informando  que  as  empresas  canceladas  apresentaram  devidas  manifestações  de  inconformidade  e  recursos  voluntários,  pendentes  de  julgamento.  Também  entende  que  irregularidade  em relação às prestadoras de serviços devia resultar apenas em  sua  exclusão  do  Simples,  com os  lançamentos  de  contribuições  respectivos,  restando  a  responsabilização  subsidiária  da  impugnante.  Entende  que  as  pessoas  relacionadas  no Relatório  de Vínculos  não podem ser responsáveis tributárias por não se enquadrarem  nas previsões dos artigos 134 e 135 do CTN.  No  mérito,  após  discorrer  sobre  a  autuada  e  sobre  a  terceirização,  reclama  que  não  foi  demonstrada  qualquer  irregularidade  da  Quartz  ou  EGM,  impedindo  sua  responsabilização subsidiária.  Alega,  sinteticamente,  que  as  prestadoras  de  serviços  são  pessoas  jurídicas  devidamente  constituídas;  inexiste  relação  de  emprego entre a impugnante e os empregados das prestadoras;  inexiste  subordinação  e  pessoalidade  entre  a  impugnante  e  os  empregados  das  contratadas;  caberia  responsabilidade  subsidiária  da  impugnante  diante  do  inadimplemento  do  empregador, nas ações trabalhistas; empresas terceirizadas tem  direito de usufruir de regimes fiscais à elas mais favoráveis.  Indaga  se  a  terceirização  seria  questionada  se  as  prestadoras  não estivessem no regime tributário do Simples.  Alega  que  os  adiantamentos  são  procedimentos  legais  e  que  deduz­se  o  já  pago  do  pagamento  total.  Entende  que  não  há  vedação legal que impeça ex empregados tornarem­se sócios de  prestadoras à serviço de antigos empregadores. Entende também  que  a  terceirização  do  serviço  de  contabilidade  é  usual  no  mercado.  Informa que o capital social das empresas Quartz e EGM não é  irrisório e não há legislação definindo mínimo ou máximo desse  montante.  Alega  também  que  não  há  impossibilidade  legal  de  que  ex­empregados  abram  pessoas  jurídicas  que  prestem  serviços aos ex empregadores.  Também  que  é  possível  a  utilização  do  parque  fabril  da  contratante  mediante  contratos  de  locação.  As  máquinas  e  Fl. 380DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Processo nº 13971.002231/2010­01  Acórdão n.º 2403­001.932  S2­C4T3  Fl. 4          7 equipamentos  foram  cedidas  pela  impugnante  por  contrato  de  comodato,  legítimo  nos  termos  da  lei  civil.  Por  último,  a  exclusividade  de  prestação  de  serviços,  cessada  em  2007,  foi  opção das prestadoras.  Passa,  então,  à  análise  de  cada  empresa  apontada  no  lançamento:  Para  a  Quartz  Ind.  E  Com.  Ltda,  salienta  que  inexiste  valor  mínimo  de  capital  social  determinado  legalmente;  que  a  impugnante  não  exigia  exclusividade  de  sua  parte;    que  não  existe  impedimento  para  que  o  serviço  de  contabilidade  seja  prestada  por  empresa  constituída  de  ex  empregados  da  impugnante e esta não se dava de forma exclusiva para ela; as  máquinas e equipamentos utilizados são fornecidos em comodato  contratualmente  firmado;  e  que  a  constituição  da  empresa  depende exclusivamente dos  requisitos previstos no art. 997 do  Código Civil, não sendo necessário constituição de patrimônio.  Repete o mesmo para a empresa EGM Ind. E Com. Ltda.  Alega  que  não  obstante  a  tramitação  ainda  de  processos  de  exclusão  do  regime  tributário  do  Simples,  a  auditoria  fiscal  optou  por  declarar  a  inexistência  da  relação  laboral  entre  os  empregados da Quartz e EGM e sua existência com a autuada,  arrogando  competência  da  Justiça  do Trabalho,  nos  termos  do  art. 114 da Constituição Federal.  Entende  que  sua  responsabilidade  subsidiária  dependeria  também da  inexistência de pagamentos de  contribuições,  o que  foi comprovado existir no lançamento fiscal. Alega também que  não  houve  comprovação de  que  não  existiam  vínculos  laborais  entre os empregados das contratadas e estas.  Entende também que o argumento de prestação de serviços para  a autuada  ser  irregular por  serem de  ex  funcionários  seus não  encontra  guarida  nas  restrições  dispostas  nas  vedações  do  art.  9º da Lei 9.317/1996.  A  atuação  no  lançamento,  desqualificando  ato  ou  negócio  jurídico apenas por seu conteúdo poder esta contido em situação  mais  onerosa,  encontra­se  em  oposição  ao  determinado  nos  artigos  108,  §1º  e  116,  I  do  CTN.  Não  há  norma  antielisiva  disponível para tanto.  Alega  também  ausência  cumulativa  dos  requisitos  de  configuração  de  vínculo  empregatício.  As  contratadas  eram  pessoas jurídicas e não físicas. E não se exigia exclusividade nos  serviços,  pessoalidade,  nem  subordinação,  conforme  contratos  de  prestação  de  serviços  e  Termos  de  Verificação  Física,  mostrando que as ordens eram recebidas sempre or funcionários  das respectivas empresas.  Insurge­se  também  contra  a  aplicação  da  taxa  Selic  sobre  a  multa de ofício, or ausência de previsão legal.  Pede, ao final, a procedência da impugnação.   Fl. 381DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO     8 Não obstante não haver despacho de encaminhamento para esta  DRJ, o deslocamento da competência para julgamento decorreu  da Portaria RFB/Sutri 2.924/2011.”  Muito  embora  a  Delegacia  de  Santa  Catarina  jurisdicionar  o  sujeito passivo, a  5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do  Brasil de Julgamento­em Juiz de Fora (MG), DRJ/JFA, em  4 de  janeiro  de  2012,  exarou  o  Acórdão    09­38.521      julgando  improcedente a impugnação.  A  instância  “ad quod”  fez registrar que : “ não obstante não  haver  despacho  de  encaminhamento  para  esta  DRJ,  o  deslocamento  da  competência  para  julgamento  decorreu  da  Portaria RFB/Sutri 2.924/2011”.  DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA  Após  analisar  aos  argumentos  da  impugnante,  na  forma  do  registro  de  fls.279, a 5 ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora ­   (MG)  ­  DRJ/JFA,  em,  04  de  janeiro  de  2012,  exarou  o  Acórdão  n°  09­38.522,  mantendo  procedente o lançamento.   DO RECURSO  Irresignada,  a  Recorrente  interpôs  Recurso  Voluntário  de  fls.294  onde  reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ”.  É o Relatório.  Fl. 382DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Processo nº 13971.002231/2010­01  Acórdão n.º 2403­001.932  S2­C4T3  Fl. 5          9 Voto             Conselheiro Ivacir Júlio de Souza  DA TEMPESTIVIDADE  O recurso é  tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade.  Portanto, dele tomo conhecimento.  Na  forma  do Acórdão  2403­001.932,exarado  na  sessão  de  12  de março  de  2013, por maioria de votos, esta Colenda Turma  julgando recurso interposto pela Recorrente  INDÚSTRIA DE RELÓGIOS HEWEG S/A, decidiu DAR­LHE PROVIMENTO PARCIAL.   Aduz que sob o comando do art. 65 do Regimento Interno deste E. Conselho,  cabem  embargos  de  declaração  quando  o  acórdão  contiver  obscuridade,  omissão  ou  contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria  pronunciar­se  a  turma.  Conforme  o  §  1°  do  sobredito  artigo,  os  embargos  de  declaração  poderão ser  interpostos, mediante petição  fundamentada dirigida ao presidente da Turma por  conselheiro do colegiado:  “Art.  65.  Cabem  embargos  de  declaração  quando  o  acórdão  contiver obscuridade, omissão ou  contradição  entre  a  decisão  e  os  seus  fundamentos,  ou  for  omitido ponto sobre o qual devia  pronunciar­se a turma.  §  1°  Os  embargos  de  declaração  poderão  ser  interpostos,  mediante petição fundamentada  dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado  da ciência do acórdão: {1}  I ­ por conselheiro do colegiado”  Como  se  observa,  na  conclusão  do  voto,  decidi  e  submeti  à  apreciação  da  Turma DAR PROVIMENTO ao recurso.  Assim, divergindo do meu entendimento, haveria que ter sido  registrado em  que parte  ou qual/ais  questões teriam motivado o PROVIMENTO PARCIAL.  Da  forma  como  foi  exarado  o  “decisium”,  a  redação  se  observa  obscura  cabendo submeter  aquela decisão à turma para ratificar a conclusão do Relator, se for o caso  ou justificar em qual parte estariam vencida a motivação da  condução do voto.  Pelo exposto, submeto­vos os argumentos de modo integralmente reiterado:   Fl. 383DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO     10 Na  forma  do Acórdão  2403­001.932,exarado  na  sessão  de  12  de março  de  2013, por maioria de votos, esta Colenda Turma  julgando recurso interposto pela Recorrente  INDÚSTRIA DE RELÓGIOS HEWEG S/A, decidiu DAR­LHE PROVIMENTO PARCIAL.   Aduz que sob o comando do art. 65 do Regimento Interno deste E. Conselho,  cabem  embargos  de  declaração  quando  o  acórdão  contiver  obscuridade,  omissão  ou  contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria  pronunciar­se  a  turma.  Conforme  o  §  1°  do  sobredito  artigo,  os  embargos  de  declaração  poderão ser  interpostos, mediante petição  fundamentada dirigida ao presidente da Turma por  conselheiro do colegiado:  “Art.  65.  Cabem  embargos  de  declaração  quando  o  acórdão  contiver obscuridade, omissão ou  contradição  entre  a  decisão  e  os  seus  fundamentos,  ou  for  omitido ponto sobre o qual devia  pronunciar­se a turma.  §  1°  Os  embargos  de  declaração  poderão  ser  interpostos,  mediante petição fundamentada  dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado  da ciência do acórdão: {1}  I ­ por conselheiro do colegiado”  Como  se  observa,  na  conclusão  do  voto,  decidi  e  submeti  à  apreciação  da  Turma DAR PROVIMENTO ao recurso.  Assim, divergindo do meu entendimento, haveria que ter sido  registrado em  que parte  ou qual/ais  questões teriam motivado o PROVIMENTO PARCIAL.  Da forma como foi exarado o “decisium”, a redação se observa obscura cabendo submeter  a  decisão à turma para ratificar a conclusão do Relator, se for o caso.  PRELIMINAR DE NULIDADE  Registrando  no  pólo  passivo  da  autuação  a  empresa    Indústria  de Relógios  HERWEG  S/A,  aduz  que  o  presente  lançamento  deriva  do  principal  referenciado  pelo  n°  13971.002230/2010­58 . Adaptado do relatório fiscal que sutententou aquele Auto de Infração,  às fls. 52 repete a otivação que lhe conduziu a lavratura do presente. a Autoridade autuante  .  Muito embora tenha colacionado diversos documentos  no processo principal, deixou de fazê­ lo no processo em comento. Assim tal epsódio enseja nulidade.  Na  forma  do  art.  9°  do Decreto  70.235/72,  reiterado  no  art.  25  do  recente  Decreto 7.574 de , 29 de setembro de 2011, autos de infração ou notificações de lançamento,  serão distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos  os  termos,  depoimentos,  laudos  e  demais  elementos  de  prova  indispensáveis  à  comprovação do ilícito,  verbis:  Art. 9° do Decreto 70.235/72  “  Art.  9o   A  exigência  do  crédito  tributário  e  a  aplicação  de  penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou  notificações  de  lançamento,  distintos  para  cada  tributo  ou  Fl. 384DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Processo nº 13971.002231/2010­01  Acórdão n.º 2403­001.932  S2­C4T3  Fl. 6          11 penalidade,  os  quais  deverão  estar  instruídos  com  todos  os  termos,  depoimentos,  laudos  e  demais  elementos  de  prova  indispensáveis  à  comprovação  do  ilícito.(  Redação  dada  pela  Lei n 11.941, de 2009) ”  Art. 25 , Decreto 7.574 de , 29 de setembro de 2011  “Art. 25.  Os autos de infração ou as notificações de lançamento  deverão  estar  instruídos  com  todos  os  termos,  depoimentos,  laudos  e  demais  elementos  de  prova  indispensáveis  à  comprovação do ilícito( Decreto n° 70.235, de 1972,  , art. 9° ),  com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). ”  Desse  modo,  no  que  se  refere  às  provas,  as  Autoridades  autuantes  ,  no  Relatório  fiscal  fazem mera  remissão  ao  anexo 4 do Auto de  Infração do processo principal   debcad nº 37.280.745­3 :  “ Os relatórios das Representações Fiscais para Baixa de Ofício  (Anexo  4  do  Relatório  Fiscal  do  AI  –  Auto  de  Infração  nº  37.280.745­3)  demonstram  que  as  empresas  QUARTZ  INDÚSTRIA  E  COMÉRCIO  LTDA  e  E.G.M.  INDÚSTRIA  E  COMÉRCIO LTDA,  e conseqüentemente  todos os  seus  sócios e  empregados,  estão  subordinadas  a  INDÚSTRIA  DE  RELÓGIOS  HERWEG  S/A.,  que,  de  fato,  é  o  verdadeiro  empregador.”  DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL  A motivação e fundamentação ocorreram conforme apontado pelo Auditor na  representação fiscal  e abaixo transcrito :  “ por ter incorrido na hipótese de vedação prevista no art.  9°, inciso XII, alínea "f", da Lei n° 9.317/96.  Art.  2°  ­  A  exclusão  de  que  trata  o  presente  Ato  Declaratório  produz  efeitos  a  partir  de  01/02/2000,  conforme dispõe o art. 15, II, da Lei n° 9.317/96.”  DOS FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO  Às fls.  67, registram­se,  na forma do abaixo transcrito, que  os fundamentos  legais do débito tiveram por base o comando do inciso I do art. 30 da Lei n. 8.212, de  23/07/91  e Decreto n. 3.048, de 06.05.1999, art. 216, I, " b " e parágrafos 1. ao 6:   “ FLD ­ FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO  800.10 ­ Competências : 06/2005 a 09/2008  Lei n.  8.212, de 24.07.91, art.  30,I  (  c om a alteração da  Lei n. 8.620, de 05.01.93, e d a Lei n. 9.876, de 26.11.99);  Lei  n.  8.620,  de  05.01.93,  art.  7.,  parágrafos  1.  e  2.;  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Decreto  n.  3.048,  de  06.05.1999,  art.  216,  I,  "  b  "  e  Fl. 385DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO     12 parágrafos  1.  ao  6.,  c  om  as  alterações  do  Decreto  n.  3.265, de 29.11.99.   PERÍODO:  A  PARTIR  DE  04.2003:  Lei  n.  8.212,  de  24.07.91,  art.30,I  (com  a  alteração  da  Lei  n.  8.620,  de  05.01.93 e da Lei n.  9.876, de 26.11.99); Lei n.  8.620, de  05.01.93,  art.  7.,  parágrafos  1.  e  2  .  ;  Lei  n.  10.666,  de  08.05.03, art. 4 . , paragrafo 1 . , combinado com o art. 15;  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 216, I, "b" e parágrafos  1.  ao  6.,  c  om  as  alterações  do  Decreto  n.  3.265,  de  29.11.99.  800.11 ­ Competências : 10/2008 a 13/2008  Lei n. 8.212, de 2 4 . 0 7 . 9 1 , art. 30 , 1 ( com a alteração  da Lei n. 8.620, d e 05.01.93, d a Lei n. 9.876, de 26.11.99,  da MP n. 3 5 1 , de 22.01.07, convertida na Lei n. 11.488,  de 25.06.07 e da MP n. 447, de 14.11.08, convertida na Lei  n. 11.933, de 28.04.2009); Lei n. 8.620, de 05.01.93, art. 7.,  parágrafos 1.  e 2  .  ; Lei  n.  10.666, de 08.05.03, art.  4  .  ,  paragrafo 1  .  , combinado com o art. 15; Regulamento da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Decreto  n.  3.048,  de  06.05.99, art. 2 1 6 , 1 , "b" e parágrafos 1. ao 6., c om as  alterações do Decreto n. 3.265, de 29.11.99.”  O inciso I do exortado art. 30 da Lei  n° 8.212, de 24.07.91não especifica irregularidades e  sanções  e  diz tão­somente das obrigações da empresa na forma geral, verbis:    “ Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou  de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às  seguintes normas:   I ­ a empresa é obrigada a ( ...)”  Às fls.287, na condução do voto, o i. Relator “ ad quod ” entendeu correto o  procedimento.  Salientando  que  a  Autoridade  autuante  agiu  sob  a  determinação  legal  insculpida no parágrafo 3º do artigo 33 da Lei 8.212/91,  buscou  abrigo no parágrafo único  do art. 116 do Código Tributário Nacional – CTN  e assim se manifestou :  “ A autoridade  fiscal,  assim, ao  verificar que o  sujeito passivo  teria  utilizado  de  artifício  para  se  esquivar  do  pagamento  de  tributo, deveria mesmo aplicar a legislação tributária de acordo  com  os  fatos  por  ela  constatados,  em  detrimento  da  situação  jurídica aparente. De forma mais específica, o Código Tributário  Nacional  –  CTN,  no  parágrafo  único  do  artigo  116  (acrescentado pela LC 104/2001), estabelece que:  “Art. 116. (...)  Parágrafo  único  –  A  autoridade  administrativa  poderá  desconsiderar  atos  ou  negócios  jurídicos  praticados  com  a  finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo  ou  a  natureza  dos  elementos  constitutivos  da  obrigação  tributária,  observado  os  procedimentos  a  serem  estabelecidos  em lei ordinária..”  Fl. 386DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Processo nº 13971.002231/2010­01  Acórdão n.º 2403­001.932  S2­C4T3  Fl. 7          13 (..)  Ao  afastar  os  anteparos  e  os  negócios  jurídicos  artificiais,  a  autoridade  lançadora  constatou  os  fatos  geradores  praticados  por  este  sujeito  passivo  e  efetuou  os  lançamentos  correspondentes.  Agindo  desta  forma,  nada  mais  fez  do  que  cumprir  a  determinação  legal  insculpida  no  parágrafo  3º  do  artigo  33  da  Lei  8.212/91,  que  na  redação  vigente  à  época  rezava:  “Art. 33. (...)  §  3º Ocorrendo  recusa  ou  sonegação  de  qualquer  documento  ou  informação,  ou  sua  apresentação  deficiente,  o  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social  INSS  e  o Departamento  da Receita  Federal  DRF  podem,  sem  prejuízo  da  penalidade  cabível,  inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à  empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.  (...)”  (  grifos de minha autoria)  Como se nota passou desapercebido pelo instância “ ad quod ” a parte final   do  exortado  art.  116  do CTN onde    se  determina  obrigatório  observar  os  procedimentos    a  serem  estabelecidos  em  lei  ordinária. Assim  faz­se  necessário  que  a  desconsideração  de  negócio  jurídico  tenha  suporte  em  lei    ordinária  própria  a  qual  deve  constar  da  fundamentação legal. Neste mesmo diapasão, também se observa  que o referido parágrafo 3º  do artigo 33 da Lei 8.212/91 trazido à colação pelo i. Julgador  não se coaduna  com os fatos   em comento em razão do lançamento  não se tratar  de  sonegação de qualquer documento  ou informação, ou sua apresentação deficiente.  Aduz  que  a  legislação  exortada  não  se  coaduna  com  a  motivação  do  lançamento  que  pautado  na    baixa  de  ofício  das  empresas  fiscalizadas  noutra  ação  fiscal   utilizou como base de cálculo as folhas de pagamento das referidas por entender que os  seus  empregados produziam para a autuada.  Tal fundamentação , maculada de vício, também  enseja NULIDADE.  NO MÉRITO  Na  sua  peça  recursal,  às  fls.  314,  a    Recorrente    alega  que  desde  1999,  o  Auditor Fiscal   está buscando alternativas   de descaracterizar   seu   processo de terceirização.  Que se cercou de  fatos e  fatos  e    chegou a conclusão de que as prestadoras de  serviços   em  discussão    não  deveriam    existir  no mundo  empresarial,  principalmente    pelo  fato  de  serem  adeptas    ao  regime  tributátrio  do  SIMPLES.  Isto  colocado  passou  a  refutar  os  motivos  da  Autoridade autuante com os mesmos argumentos trazidos em sede de impugnação que naquela  instância não lograram prosperar.  DA  AÇÃO FISCAL NA AUTUADA.  O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF não consta colacionado.Consulta  ao  sitio  da  Receita  Federal  revela  que  o  MPF  09.2.04.00­2010­00365­8  para  a  empresa   INDUSTRIA DE RELOGIOS HERWEG S/A,  teve o período fiscalizado de 06/05 a 12/2008  por  uma  junta  Fiscal  composta  por  03  auditores  ,  inclusive  o  autor  das  representações  fiscais.  Fl. 387DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO     14 Ressalte­se que  muito embora dotado de informações prévias desde 1999 a  autoridade  autuante,  Auditor  Fiscal  Everaldo  Back,  membro  da  sobredita  junta  fiscal  não  justifica a forma sumaríssima da ação fiscal. Consolidado em 06/05/2010 o presente  Auto de  Infração,  na  forma  do Termo  de  Início  de  Procedimento  Fiscal  às  fls.  49  revela  que  a  ação  fiscal teve início em 29/04/2010 e o Termo de Encerramento da Ação  Fiscal  ­ TEAF  de fls.  50, registra que em 07/05/2010 encerraram­na. Excluindo­se os 5(cinco) dias para apresentação  dos documentos, apesar de toda a complexidade relatada, concluíram­na em  2 dias.  Relevante destacar que conforme  registro no    sobredito Termo de  Início de  Procedimento Fiscal, o contribuinte fora intimado a apresentar  no prazo de 5( cinco) dias,  no  endereço:  RUA  NAMY  DEEKE,  40  ­  CENTRO  –  BLUMENAU,  tão­somente  os  documentos abaixo transcritos:  “ Prazo: 05 dias úteis Período de apuração: 06/2005 a 12/2008  ­  Atas  de  assembléias  gerais  e  de  reuniões  da  diretoria  ou  conselhos  Prazo: 05 dias úteis  ­ Balanço Patrimonial ­ Ano Calendário 2009  A  documentação  relacionada  deverá  ficar  à  disposição  desta  fiscalização, no endereço: RUA NAMY DEEKE, 40 ­ CENTRO ­  BLUMENAU.” ( grifos de minha autoria)  O  pedido  revela  inconsistência  na  medida  em  que  o  período  de  apuração  refere­se as competências  06/2005 a 12/2008 mas se pede o balanço patrimonial de 2009.   Noutro  giro,  embora  o Termo de Encerramento  de Procedimento    Fiscal  –  TEPF  de fls. 78 registre que foram examinados o Livro de Registro de Empregados, Folhas de  Pagamento, Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações  à  Previdência  Social  –  GFIP,  Comprovantes  de  Recolhimento,  e  outros  elementos,  os  documentos  intimados  para  apresentação  não  confirmam  tê­los  sido  requeridos  e  disponibilizados.  Também o  resultado  da  ação  fiscal  e  os  elementos  probantes  colacionados  bem  como  os  fundamentos  legais  vistos  alhures  não  guardam  vínculo  com  os  documentos  solicitados.  No item 4 do  Relatório Fiscal de fls. 70, as Autoridades autuantes  registram  que o crédito tributário não foi constituído em razão de inadimplências do sujeito passivo do  lançamento  em  comento  mas  sim  sobre  a  remuneração  dos  segurados  empregados  e  contribuintes individuais constante da folha de pagamento da das empresas  E.G.M. Industria  e  Comércio  Ltda  e  QUARTZ  Industria  e  Comercio  Ltda.  Afirma  ainda  que  as  irregularidades  foram  amplamente  demonstradas  na  Representação  Fiscal  que  deu  início  à  baixa  de  ofício  da  inscrição  da  E.G.M.  Industria  e  Comércio  Ltda  e  QUARTZ  Industria  e  Comercio Ltda.  “ 4. A remuneração dos  segurados  empregados e  contribuintes  individuais  constante  da  folha  de  pagamento  da  E.G.M.  Industria  e  Comércio  Ltda  e  QUARTZ  Industria  e  Comercio  Ltda,  no  período  abaixo,  é  a  base  de  cálculo  da  contribuição  lançada neste AI, haja vista que a autuada era a beneficiária dos  serviços prestados por estes segurados os quais estavam sob sua  orientação, supervisão e subordinação, fato que foi amplamente  demonstrado na Representação Fiscal que deu início à baixa de  Fl. 388DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Processo nº 13971.002231/2010­01  Acórdão n.º 2403­001.932  S2­C4T3  Fl. 8          15 ofício  da  inscrição  da  E.G.M.  Industria  e  Comércio  Ltda  e  QUARTZ Industria e Comercio Ltda.”  No    Recurso  Voluntário  de  fls.294,  a  Recorrente  afirma  que  na  forma  do  processo    de  n°  13971.001447/2003­11  a  empresa QUARTZ  Industria  e  Comercio  Ltda,  interpusera Manifestação de  Inconformidade  sobre Ato Declaratório n° 111   de Exclusão do  SIMPLES e que até  11/06/2010 não houvera sido  cientificada de qualquer decisão.  Pesquisa  no  e­processo  realizada  em  01/02/2013,  revela  que  a  empresa  interpôs Recurso Voluntário que ainda não foi sorteado para julgamento.  Na  seqüência,  no  que  se  refere  a  empresa E.G.M.  Industria  e  Comércio  Ltda, recorrendo de Ato Declaratório n° 34 de Exclusão do SIMPLES, na forma do processo  de  n°  13971.001444/2003­88,  em  12/08/2010,  o  Recurso  Voluntário  interposto  junto  a  este  Conselho lhe dera provimento cujo Acórdão afirma ter colacionado em sede de impugnação.  O Ato Declaratório Executivo  DRF/BLU  n°  034, de  10  de  setembro  de  2007  conforme  proposto  pela  Autoridade  autuante    a  empresa  E.G.M.  INDUSTRIA  E  COMÉRCIO LTDA ­ EPP,  fora excluída do Sistema  Integrado de Pagamento de  impostos e  Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples):  “ (..)   Situação excludente (evento 321)  Descrição: realizar operações relativas à prestação de serviços  de locação de mão­de­obra.  Fundamentação Legal: Lei n° 9.317/96: alínea " f do inciso XII  do artigo 9° combinado com o inciso I do artigo 14, o artigo 12,  os  incisos  II, e os parágrafos terceiro e quarto,  todos do artigo  15.”(grifos de minha autoria)  Às fls. 350, colacionaram­se cópia do Acórdão de n° 1801­002237, exarado  pela Primeira Sessão de Julgamento deste Conselho,  que em 19 de maio de 2010, julgando o  processo    de  n°  13971.001444/2003/88,    cuja matéria  fora  EXCLUSÃO DO  SIMPLES    da  empresa EGM IND.  COM. LTDA  deu provimento às alegações do contribuinte.  Na  oportunidade,  por  unanimidade,  fora  concedido  provimento  ao Recurso  Voluntário Interposto que recorrera da decisão da DRJ Florianópolis. A síntese do “decisium”  se expressa na ementa do referido voto:  PROVA. A pessoa  jurídica não pode  ser  excluída do SIMPLES  no  caso  de  não  restar  evidenciada,    de  forma  inequívoca,    a  situação excludente descrita  expressamente no ato declaratório   de  exclusão,  cujos  fundamentos de  fato  e de direito vinculam a  Administração Pública. ” ( grifos de minha autoria)  Consulta ao e­processo revela : processo excluído.  Como  se  observa,  a  motivação  para  se  exarar  o  Ato  Declaratório    fora  o  entendimento das Autoridades autuantes  de que as empresas realizavam operações relativas à  prestação de serviços de locação de mão­de­obra em benefício da autuada.  Fl. 389DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO     16 Desse modo, tendo sido desconsiderado o Ato Declaratório, desconsidera  foi a razão de sua edição ou  seja: não se configurou   que a empresa  realizava operações  relativas à prestação de serviços de locação de mão­de­obra.   Como visto alhures,  o  Auto de Infração em tela foi lavrado pelo fato de as  Autoridades autauntes terem se convencido de que as empresas  empresas  E.G.M. Industria e  Comércio Ltda e     da QUARTZ Industria e Comercio Ltda. realizavam operações relativas à  prestação de serviços de locação de mão­de­obra para a autuada.   Na    forma  do  multicitado  item  4  do    Relatório  Fiscal  de  fls.  70,  as  Autoridades  autuantes    registram  que  o  crédito  tributário  não  foi  constituído  em  razão  de  inadimplências do  sujeito passivo do  lançamento  em comento mas  sim  sobre  a  remuneração  dos segurados empregados e contribuintes individuais constante da folha de pagamento da das  empresas   E.G.M. Industria e Comércio Ltda e   da QUARTZ Industria e Comercio Ltda em  razão de a autuada ser a beneficiária dos serviços prestados por esses segurados:  4. A  remuneração  dos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais  constante  da  folha  de  pagamento  da  E.G.M.  Industria  e  Comércio  Ltda  e  QUARTZ  Industria  e  Comercio  Ltda,  no  período  abaixo,  é  a  base  de  cálculo  da  contribuição  lançada neste AI, haja  vista  que a autuada  era a  beneficiária  dos serviços prestados por estes segurados os quais estavam sob  sua  orientação,  supervisão  e  subordinação,  fato  que  foi  amplamente  demonstrado  na  Representação  Fiscal  que  deu  início  à  baixa  de  ofício  da  inscrição  da  E.G.M.  Industria  e  Comércio Ltda e QUARTZ  Industria  e Comercio Ltda.”  (grifos  de minha autoria)  Assim, desmaterializado o fato gerador da constituição do crédito e uma vez  resgatada  a  condição  de  empresa  ao  SIMPLES,  a  tributação  deve  observar  a  legislação  de  regência. Os créditos constituídos da forma como foram não podem prosperar  tendo em  vista que o fizeram como se a empresa estivesse definitivamente excluída do regime especial.  Não obstante  a decisão  do CARF,  as  empresas    foram baixadas    de  ofício.  Cumpre    destacar  que,  abertas  em    04/02/1998,  conforme  consta  às  fls.  403  nos  cartões  de  CNPJ    das  empresas  QUARTZ    INDÚSTRIA  E  COMERCIO  LTDA.  ­    E  PP,  CNPJ  02.360.696/0001­92    e      E.G.M  INDÚSTRIA    E    COMERCIO    LTDA.  ­    E  PP,  CNPJ  02.363.843/0001­88  ali  se  verifica  situação  cadastral  suspensa,  datada  de    01/06/2005  por   motivo de situação cadastral  inexistente de    fato conclusão esta da autoridade autuante que  em representação fiscal requereu a suspensão das atividades.  Checagem  em    25/02/2013,  para  a  empresa  E.G.M  INDÚSTRIA    E   COMERCIO  LTDA.­ E PP, CNPJ 02.363.843/0001­88 consta datada de 05/08/2010, situação  cadastral baixada , por motivo de inexistência de fato. O mesmo se verificou na pesquisa  para  a  outra  empresa  QUARTZ    INDÚSTRIA  E  COMERCIO  LTDA.  ­    E  PP,  CNPJ  02.360.696/0001­92 .  Alfim,  há  que  se  observar  o  “decisium”  do  processo  principal  de  n°  13971.002230/2010­58 que ,tambem, de minha relatoria fui de conceder provimento.  DA NULIDADE E DO MÉRITO  Embora  maculado  pela  incorreta  fundamentação  legal  e  o  cerceamento  de  defesa  presentes  em  razão  da  não  apresentação  dos  elementos  probantes,  episódios  que  ensejariam a nulidade do lançamento, sob o comando do  § 3º do art. 59 do decreto 70.235/72,  Fl. 390DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Processo nº 13971.002231/2010­01  Acórdão n.º 2403­001.932  S2­C4T3  Fl. 9          17 reiterado no § 3º  do art. 12 do Decreto 7.574, de setembro de 2011 , quando puder decidir do  mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade  julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir­lhe a falta,  verbis:  “ Art. 59. São nulos:           §  3º  Quando  puder  decidir  do  mérito  a  favor  do  sujeito  passivo  a  quem  aproveitaria  a  declaração  de  nulidade,  a  autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o  ato ou suprir­lhe a falta.( Incluído pela Lei n 8.748, de 1993 ) ”  Assim , em face de tudo que foi exposto, cumpre dar provimento às alegações  da recorrente que por economia processual deixo de enfrentá­las pontualmente.  CONCLUSÃO  Conheço do recurso para,  NO MÉRITO, DAR­LHE PROVIMENTO.  É como voto.  Ivacir Júlio de Souza                              Fl. 391DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO

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Numero do processo: 10880.726735/2012-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 06 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Face ao princípio da eventualidade, toda a matéria de defesa, seja de fato, seja de direito, deve ser suscitada na impugnação, sob pena de não poder ser conhecida na fase processual posterior. Não tendo sido impugnada a matéria não há como dela tomar conhecimento em sede recursal, pois esta fase processual visa ao atendimento do duplo grau de cognição, como corolário do princípio da ampla defesa. Preclusão caracterizada. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A realização de diligência ou perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de esclarecimentos considerados obscuros no processo. No caso em análise, indefere-se o pedido de diligência, tendo em vista que somente com o recurso voluntário a contribuinte apresentou documentos no intuito de comprovar a integralidade das retenções na fonte informadas na declaração de compensação, ficando caracterizada a preclusão do direito destas provas serem apreciadas neste momento processual. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1302-006.043
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, e, quanto à parte conhecida, por voto de qualidade, em rejeitar a conversão do julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes e Fabiana Okchstein Kelbert, que votaram pela referida conversão; e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto condutor, vencidos os conselheiros Flávio Machado Vilhena Dias e Fabiana Okchstein Kelbert, que votaram por dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer parcialmente o direito creditório e homologar a compensação declarada até o limite do crédito total reconhecido. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1302-006.040, de 6 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10880.725412/2012-93, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andréia Lúcia Machado Mourão, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório. O Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca não participou do julgamento por haver-se declarado impedido, nos termos do art. 42, inciso II, do RI/CARF.
Nome do relator: Andréia Lúcia Machado Mourão

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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Face ao princípio da eventualidade, toda a matéria de defesa, seja de fato, seja de direito, deve ser suscitada na impugnação, sob pena de não poder ser conhecida na fase processual posterior. Não tendo sido impugnada a matéria não há como dela tomar conhecimento em sede recursal, pois esta fase processual visa ao atendimento do duplo grau de cognição, como corolário do princípio da ampla defesa. Preclusão caracterizada. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A realização de diligência ou perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de esclarecimentos considerados obscuros no processo. No caso em análise, indefere-se o pedido de diligência, tendo em vista que somente com o recurso voluntário a contribuinte apresentou documentos no intuito de comprovar a integralidade das retenções na fonte informadas na declaração de compensação, ficando caracterizada a preclusão do direito destas provas serem apreciadas neste momento processual. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.

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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Face ao princípio da eventualidade, toda a matéria de defesa, seja de fato, seja de direito, deve ser suscitada na impugnação, sob pena de não poder ser conhecida na fase processual posterior. Não tendo sido impugnada a matéria não há como dela tomar conhecimento em sede recursal, pois esta fase processual visa ao atendimento do duplo grau de cognição, como corolário do princípio da ampla defesa. Preclusão caracterizada. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A realização de diligência ou perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de esclarecimentos considerados obscuros no processo. No caso em análise, indefere-se o pedido de diligência, tendo em vista que somente com o recurso voluntário a contribuinte apresentou documentos no intuito de comprovar a integralidade das retenções na fonte informadas na declaração de compensação, ficando caracterizada a preclusão do direito destas provas serem apreciadas neste momento processual. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, e, quanto à parte conhecida, por voto de qualidade, em rejeitar a conversão do julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes e Fabiana Okchstein Kelbert, que votaram pela referida conversão; e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto condutor, vencidos os conselheiros Flávio Machado Vilhena Dias e Fabiana AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 67 35 /2 01 2- 02 Fl. 52108DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-006.043 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.726735/2012-02 Okchstein Kelbert, que votaram por dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer parcialmente o direito creditório e homologar a compensação declarada até o limite do crédito total reconhecido. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1302-006.040, de 6 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10880.725412/2012-93, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andréia Lúcia Machado Mourão, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório. O Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca não participou do julgamento por haver-se declarado impedido, nos termos do art. 42, inciso II, do RI/CARF. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Tratam os autos de PER/DCOMP, transmitido com base em crédito decorrente de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF incidente sobre pagamentos efetuados à cooperativa de trabalho médico, apurado no ano-calendário 2009. O Despacho Decisório homologou parcialmente as compensações declaradas por terem sido confirmadas apenas parte das retenções na fonte relativas ao código de receita 3280 - IRRF - Remuneração Serv Prest Associad Coop Trabalho. O direito creditório reconhecido totalizou R$ 2.150.913,94. Destaca-se que foi feito um batimento entre o IRRF declarado em PER/DCOMP e os constantes em DIRF entregues à RFB e apenas as retenções confirmadas por meio de verificação nos sistemas da RFB foram consideradas. Conforme extraído do relatório da decisão recorrida, na manifestação de inconformidade, a interessada contesta os seguintes pontos, em síntese:  A requerente, ao prestar serviços a diversos clientes, emitiu as respectivas faturas com o destaque do abatimento do IR devido, como determinado pela legislação de regência, não sendo lícito impedi-la de compensar seus créditos decorrentes da retenção comprovadamente sofrida.  Vedar a compensação como se pretende é o mesmo que impedir a compensação administrativa de um tributo recolhido indevidamente a maior, representando manifesto enriquecimento sem causa da Fazenda, o que é vedado pelo ordenamento jurídico Fl. 52109DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-006.043 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.726735/2012-02 vigente, haja vista que contrário a moralidade administrativa (art. 37, da Constituição Federal) e ao principio da legalidade.  Também não se mostra razoável e proporcional a limitação ao direito de compensação por suposta irregularidade na retenção, ainda mais quando não há qualquer prejuízo ao Fisco, pois todos os tributos atinentes a operação foram quitados e as retenções comprovadas. O Acórdão da DRJ não reconheceu direito creditório adicional. Segue ementa da decisão: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2009 Cooperativas de Trabalho. Crédito. IRRF. Prova. O crédito do IRRF incidente sobre pagamento efetuado a cooperativa de trabalho, associação de profissionais ou assemelhada poderá ser por ela utilizado, durante o ano-calendário da retenção, na compensação do IRRF incidente sobre os pagamentos de rendimentos aos cooperados ou associados, mas a simples alegação da existência de crédito, não confirmado em DIRF, desacompanhada de elementos cabais de prova, fiscais e contábeis, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado dessa decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário. As defesas apresentadas contêm praticamente as mesmas razões de direito. Ao final, requer, em síntese: Pelo exposto, requer-se com fulcro nas razões de fato e de direito elencadas, que se julgue procedente o presente Recurso Voluntário, reformando-se o Despacho Decisório, em face: V.1 – da existência e comprovação do direito da Recorrente aos créditos indevidamente glosados, que devem ser reconhecidos levando-se em conta os valores não informados e não corroborados em DIRF pelas fontes pagadoras, pela simples existência de crédito em face da retenção, já que é elemento suficiente para validação da compensação pleiteada, não podendo ser imputado à Recorrente o ônus decorrente de eventual descumprimento de obrigações pela fonte pagadora; V.2 – de mero erro material cometido pelas fontes pagadoras na indicação do código de recolhimento diverso do 3280 (1708, por exemplo), eis que a natureza das retenções somente pode se tratar de retenções aplicáveis a cooperativas com base no artigo 45 da Lei n.º 8.541/92 (652 do RIR/99), inexistindo capitulação legal diversa para tal retenção; Fl. 52110DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-006.043 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.726735/2012-02 V.3 – de parte das glosas dos créditos decorrer de mero descompasso das informações declaradas em DIRF pelas fontes pagadoras quanto à competência das retenções, em contraponto à competência da retenção declarada pela Recorrente em DCOMP; V.4 – da impossibilidade de inovação da fundamentação utilizada pelo Despacho Decisório, que se limitou a glosar parte do crédito por ausência de confirmação pelas fontes pagadoras, sob pena de cerceamento do direito de defesa da Recorrente bem como nulidade do ato administrativo, que não pode ser refeito/corrigido pela autoridade julgadora; V.5 – na eventualidade de, por absurdo se entender de forma diversa do pedido V.4: (i) são créditos passíveis de compensação os valores retidos da Recorrente, pela simples ocorrência de retenção, procedida com base no artigo 45 da Lei n.º 8.541/1992; (ii) a operação de planos de saúde pela Recorrente em pré-pagamento ou qualquer outra modalidade, não desnatura a prestação de serviços pelos cooperados, sendo apenas distinto o momento da sua definição, pelo que se aplica a autorização para a compensação do IRRF retido pelos contratantes nos moldes do artigo 45 da Lei n.º 8.541/1992, ao menos até o recebimento da Solução de Consulta n.º 55, de 06/03/2012; (iii) caso ultrapassado o argumento acima aduzido, ainda assim aplica-se aos pagamentos feitos a preço preestabelecido a autorização para a compensação, diante da possibilidade de configuração da segunda hipótese de retenção do imposto, constante do artigo 45 da Lei n.º 8.541/1992 (“serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição”), sendo a inaplicabilidade da retenção decorrente da dificuldade temporal de se mensurar o valor dos serviços pessoais no momento da emissão da fatura; (iv) a operação de planos de saúde pela Recorrente em pré-pagamento ou qualquer outra modalidade, não desnatura a prática do ato cooperativo, embora isso sequer influencie no reconhecimento do direito à compensação, haja vista a ausência de condicionante nesse sentido no artigo 45 da Lei n.° 8.541/1992; (v) mesmo na hipótese de contratos a preço fixo (pré-pagamento), confirma-se a prática do ato cooperativo quando do repasse de produção aos cooperados, sendo apenas distinto o momento da sua definição, pelo que se aplica a autorização para a compensação do IRRF retido pelos contratantes nos moldes do artigo 45 da Lei n.° 8.541/1992; (vi) ainda que não se admita a compensação nos moldes do artigo 45 da Lei n.° 8.541/1992 com relação aos contratos a preço preestabelecido, tal limitação somente se aplicaria às faturas a preço fixo, destacando-se que a co-participação (fator moderador de custo) têm natureza variável. Fl. 52111DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-006.043 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.726735/2012-02 Pleiteia, ainda, a conversão em diligência para, na busca da verdade material, seja demonstrada a existência do crédito a que tem direito a Recorrente. Requer-se que sejam consideradas as razões do presente Recurso Voluntário, interposto após o recebimento da intimação na Caixa Postal. No entanto, caso se entenda, por absurdo, que o mero acesso ao inteiro teor do processo, antes da intimação oficial, daria inicio ao prazo rccursal, que se considere o Recurso protocolado em 05/02/2020, o qual desde já se reitera. Por fim, a Recorrente reserva-se ao direito de se manifestar acerca de quaisquer elementos adicionais eventualmente suscitados pela fiscalização quanto à certeza do credito, o que deve seguir todo o Irãimte processual desde a primeira instância. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Como Redator ad hoc, sirvo-me da minuta de voto inserida pela relatora original, conselheira Andréia Lúcia Machado Mourão, no diretório oficial do CARF, a seguir reproduzida, cujo posicionamento adotado não necessariamente coincide com o meu. Conhecimento. O sujeito passivo foi cientificado em 03/03/2020 do Acórdão nº 12-111.448 - 2ª Turma da DRJ/RJO, de 25 de outubro de 2019, tendo apresentado recursos voluntários em 04/02/2020 (fls. 328 a 371; 1.358 a 1.401; 2.229 a 2.272; 2.677 a 2.720), antes da intimação do acórdão, e em 01/04/2020 (fls. 8.748 a 8.802). Dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, de modo que os recursos são tempestivos. Os Recursos são assinados por procuradora da pessoa jurídica, devidamente constituída, conforme procuração anexada aos autos. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme art. 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. No entanto, importa destacar que em seu recurso, além de questões inerentes ao reconhecimento do direito creditório, a recorrente inova ao trazer a discussão relativa ao aproveitamento do IRRF relativa aos planos a preço pré-estabelecido. Tal matéria não foi suscitada na manifestação de inconformidade, nem foi utilizada como razão de decidir do Despacho Decisório ou do Acórdão da DRJ, de forma que não será conhecida. Isto posto, conheço parcialmente do Recurso Voluntário por ser tempestivo e por preencher os requisitos de admissibilidade. Preclusão. Conjunto probatório apresentado apenas com o Recurso Voluntário. Fl. 52112DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-006.043 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.726735/2012-02 Conforme relatado, no caso dos autos o Despacho Decisório homologou parcialmente as compensações declaradas por terem sido confirmadas apenas parte das retenções na fonte relativas ao código de receita 3280 - IRRF - Remuneração Serv Prest Associad Coop Trabalho. Destaca-se que foi feito um batimento entre o IRRF declarado em PER/DCOMP e os constantes em DIRF entregues à RFB e apenas as retenções confirmadas por meio de verificação nos sistemas da RFB foram consideradas. O procedimento adotado está de acordo com o § 2º do art. 943 do RIR/1999, vigente à época dos fatos, que dispunha que o Comprovante Anual de Retenção de Imposto de Renda na Fonte fornecido pela fonte pagadora é o documento hábil para comprovar a correta dedução do imposto retido durante o ano-calendário. Não obstante, importa ressaltar que a possibilidade de se demonstrar as retenções de IRRF de forma diversa da apresentação do comprovante de rendimentos emitido pela fonte pagadora foi objeto da Súmula CARF nº 143: Súmula CARF nº 143 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Certo é que a contribuinte não pode ser prejudicada por um eventual descumprimento de obrigação acessória por terceiros – a possível não emissão dos comprovantes de rendimentos pelas fontes pagadoras ou erros nas informações nelas prestadas. Portanto, o beneficiário pode comprovar a retenção na fonte do imposto de renda por intermédio de um conjunto probatório que demonstre a origem e o valor da operação, do imposto retido e do recebimento, pelo prestador do serviço, de montante tal que configure a retenção do imposto por parte da fonte pagadora. Mas, na ausência do comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora, documento definido pela legislação como suficiente para fazer prova em favor do beneficiário, é preciso que aquele que sofre a retenção na fonte comprove esse fato pela apresentação de um conjunto de documentos que demonstrem a prestação do serviço (emissão de nota fiscal / fatura), a escrituração contábil dos fatos (registro da prestação do serviço e do recebimento) e o efetivo valor recebido (recibos ou extratos bancários), demonstrando de forma clara a vinculação entre os documentos apresentados. No presente caso, em substituição ao Comprovante Anual de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, foi apresentado um conjunto probatório no intuito de comprovar a totalidade das retenções declaradas no PER/DCOMP. No entanto, importa destacar que tais provas foram apresentada apenas com o Recurso Voluntário. Diante disso cabe o questionamento: a apresentação do conjunto probatório somente neste momento processual faz parte da “dialética das provas” ou há óbice para apreciação pela autoridade julgadora de segunda instância de provas trazidas apenas em sede de recurso voluntário? A discussão gira em torno do ônus da prova do direito pleiteado, do princípio da verdade material e da preclusão para apresentação de prova. Inicialmente cabe abordar aspectos gerais relacionados ao processo, à contestação e às provas. Segundo Carreira Alvim 1 , as partes são regidas no processo pelos princípios da dualidade das partes: todo processo pressupõe necessariamente duas partes distintas; da igualdade das partes: deve haver igualdade de tratamento no processo; e do contraditório: ninguém pode ser condenado sem ter tido a oportunidade de se defender. A redação do princípio do contraditório dada pela Constituição de 1988, “aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o 1 ALVIM, José Eduardo Carreira. Teoria Geral do Processo. Rio de Janeiro: Forense, 9ª ed., 2004, p. 163. Fl. 52113DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-006.043 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.726735/2012-02 contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes” (art. 5º, LV da CF) fez com que o princípio alcançasse expressamente os processos civil e administrativo. Sobre o princípio do contraditório, Xavier 2 ressalta que o significado imediato deste direito é a exigência de que o exercício do poder jurídico-público se faça nos termos de um procedimento justo. Quanto às implicações deste fato, o autor ressalta: “Tal implica para o particular afetado, em princípio, o direito de conhecer os fatos e o direito invocado pela autoridade, o direito de ser ouvido pessoalmente e de apresentar provas e, ainda, de confrontar as posições dos adversários (...).” No Direito Tributário, a relação processual resulta de um ato impositivo da Administração Tributária. Conforme menciona Cais 3 , Tal ato, normalmente, repercute na esfera jurídica de terceiro, especificamente sobre seu patrimônio, por força de normas constitucionais e legais, podendo motivar o nascimento de um conflito de interesses entre o ente dotado de competência tributária e o particular, qualificado pela pretensão resistida pelo contribuinte, ensejando a lide. Por contraditório, deve se entender, de um lado, a necessidade de dar conhecimento da existência da ação e de todos os atos do processo às partes e, de outro, a possibilidade de as partes reagirem aos atos que lhes sejam desfavoráveis. É por intermédio da contestação que o réu apresenta a sua defesa. O Código de Processo Civil trata da contestação em seu Capítulo VI. Nos termos do art. 336, na contestação dever ser alegada toda a matéria de defesa, incluindo razões de fato e de direito e especificações das provas que pretende produzir. Confira-se: Art. 336. Incumbe ao réu alegar, na contestação, toda a matéria de defesa, expondo as razões de fato e de direito com que impugna o pedido do autor e especificando as provas que pretende produzir. Há, no entanto, três exceções que permitem a apresentação de novas alegações depois da contestação, conforme preceitua o art. 342 do mesmo dispositivo: relativas a direito ou a fato superveniente; a conhecimento de ofício por parte do juiz; ou a expressa autorização legal, in verbis: Art. 342. Depois da contestação, só é lícito ao réu deduzir novas alegações quando: I - relativas a direito ou a fato superveniente; II - competir ao juiz conhecer delas de ofício; III - por expressa autorização legal, puderem ser formuladas em qualquer tempo e grau de jurisdição. O Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF) rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal, conforme disposto em seu art. 1º: Art. 1° Este Decreto rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal. Na instância administrativa o contribuinte discute aspectos inerentes ao lançamento ou à decisão que não homologou a declaração de compensação, questionando a exigência tributária, as suas características ou o seu montante. O procedimento administrativo normalmente tem início com a impugnação apresentada pelo contribuinte contra o auto de infração que constituiu o crédito ou a decisão que não 2 XAVIER, Alberto. Princípios do processo administrativo e judicial brasileiro. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p.6. 3 CAIS, Cleide Previtalli. O processo tributário. 5. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p.154. Fl. 52114DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-006.043 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.726735/2012-02 homologou a declaração de compensação. Se o resultado for favorável ao contribuinte, extingue-se a relação na primeira instância do contencioso administrativo. Caso contrário, é facultado ao contribuinte interpor recurso na segunda instância. A interposição do recurso voluntário demonstra a insatisfação do contribuinte com a decisão de primeiro grau e dá continuidade, mesmo que parcial, ao litígio administrativo instaurado com a impugnação. Sobre seus efeitos, Neder e López 4 destacam que “suspende a exigibilidade do crédito tributário e a fluência do prazo prescricional para a propositura da ação de execução fiscal pela Fazenda Pública”. Sua interposição tempestiva tem, como consequência, o sobrestamento dos efeitos da decisão recorrida até o julgamento pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no âmbito federal. Os aspectos formais da contestação, impugnação administrativa, encontram-se disciplinados nos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF). Destacam-se os seguintes aspectos: deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamenta (caput do art. 15); mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir (inciso III do art. 16); a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; e destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos (§ 4º e alíneas). Segue transcrição dos dispositivos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador.(Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) 4 NEDER, Marcos Vinícius; López, Maria Teresa Martínez. Processo administrativo fiscal comentado. 2. ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 323. Fl. 52115DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1302-006.043 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.726735/2012-02 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) Ainda sobre o tema, o Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015) dispõe em seu art. 373 que o ônus da prova recai sobre a contribuinte, que deve trazer aos autos elementos que não deixem dúvida quanto ao fato questionado: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Com efeito, tanto o código de Processo Civil quanto o PAF adotaram o princípio da eventualidade, segundo o qual toda matéria litigiosa de fato e de direito deve ser arguida na impugnação administrativa. As provas são um fundamento indispensável para solução de litígios, pelo qual se baseia qualquer decisão. No Código Civil, a questão da prova é tratada nos arts. 212 a 232. Neste dispositivos são codificados os meios de prova: confissão, documento, testemunha, presunção e perícia e tratadas de aspectos específicos sobre estes meios, como, natureza, tipos, validade, nulidades, vícios, admissão, restrições, recusa e suprimento de provas. Ferragut 5 discorre sobre a necessidade de se certificar de que a “ocorrência fenomênica dos eventos descritos nos fatos jurídicos”, evitando-se imputar indevidamente consequências legais em flagrante insegurança jurídica. Defende a importância do conhecimento do fato e da imposição de regras que permitam refutar a ocorrência do fato jurídico. Confira-se: Quem aplica o direito precisa conhecer o fato e saber se o evento nele descrito é juridicamente verdadeiro ou falso, para então, poder desenvolver adequadamente o processo de positivação. (...) O direito deve impor regras para a construção de enunciados que permitam conhecer o fato (por exemplo, a emissão de notas fiscais eletrônicas e a escrituração de livros fiscais), enunciados esses cujos conteúdos sejam passíveis de refutação e que, principalmente, resistam a ele. 5 FERRAGUT, Maria R. As Provas e o Direito Tributário – Teoria e Prática como instrumentos para a construção da verdade jurídica. São Paulo: Saraiva, 2016, p. 19 a 22. Fl. 52116DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1302-006.043 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.726735/2012-02 A autora trata, ainda, do momento de produção probatória no processo administrativo fiscal, destacando que na esfera administrativa a prova pode ser produzida tanto na fase procedimental como na litigiosa. Define fase litigiosa como sendo uma “sucessão de atos que se instauram perante a Administração, que reaprecia, provocada por impugnação do contribuinte, um lançamento já praticado”. Quanto aos direitos da Fazenda e do contribuinte, destaca que estes só serão efetivamente assegurados se houver desenvolvimento e conclusão do processo. Para tanto, a prova deve ser apresentada dentro do momento processual adequado, salvo nas situações excepcionadas: preclusão temporal da Administração federal; preclusão temporal do sujeito passivo. Ao analisar a preclusão temporal do sujeito passivo, manifesta-se no sentido de que o limite temporal é inflexível e que, salvo determinadas exceções, as provas devem ser juntadas com a impugnação administrativa. Após este momento, serão extemporâneas e não deverão ser conhecidas. Ainda sob o enfoque da preclusão, Nunes 6 leciona que o sistema da verdade material no processo administrativo tributário não poderá neutralizar a lei quanto às restrições do processo administrativo, cabendo ao julgador a análise de sua necessidade no caso em concreto. Confira-se: Vale salientar que o sistema da verdade material no processo administrativo tributário não poderá neutralizar a lei quanto às restrições procedimentais relativas à preclusão. Não tendo sido requeridas as provas pelo impugnante não poderá ser reaberta essa oportunidade pelo simples interesse do sujeito passivo, mas se a prova for necessária, a análise de sua necessidade ficará a critério do julgador. Há posicionamentos nos dois sentidos no âmbito do CARF. Destaco as seguintes decisões: O ex-Conselheiro Henrique Pinheiro Torres defende no Acórdão nº 9303-002.552 - 3ª Turma, de 9 de outubro de 2013, que a verdade material contrapõe-se ao formalismo exacerbado, presente no Processo Civil, mas, de maneira alguma, priva o procedimento administrativo das necessárias formalidades ou altera o papel a ser desempenhado pelas partes. Ressalta, ainda, que no Processo Administrativo Fiscal convivem harmonicamente os princípios da verdade material e da formalidade moderada, de modo que, ao mesmo tempo em que se busca a verdade real, devem ser preservadas as normas processuais que asseguram a segurança, a celeridade, a eficiência e o bom andamento do processo. Confira-se: A recorrente defende que, em face do princípio da verdade material, a qualquer tempo pode trazer novas provas, e que a Fazenda Nacional não deve ficar adstrita às provas trazidas pelas partes, devendo fazer perícias e realizar diligências para descobrir a verdade dos fatos. Inicialmente, deve-se perquerir a quem incumbe o ônus da prova. A resposta a essa questão encontra-se muito bem definida no Código de Processo Civil, mais precisamente no art. 333 7 , que assevera: Art. 333 - O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Na realidade, esse artigo nada mais representa do que a positivação do princípio geral de direito, segundo o qual, o ônus da prova recai sobre aquele que alega. Desde Roma já se conhecia esse princípio, verbalizado no brocardo, alegar e não provar é o mesmo que não alegar. 6 NUNES, Cleucio S. Curso Completo de Direito Processual Tributário. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2020, p. 350. 7 Atual art. 373 do novo Código Civil. Fl. 52117DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1302-006.043 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.726735/2012-02 A síntese da distribuição do ônus da prova, é muito fácil de compreender: todo aquele que demandar alguém tem o dever de provar o direito objeto de sua demanda. No caso de auto de infração, cabe ao Fisco demonstrar as razões de fato e de direito que embasam a acusação fiscal. De outro lado, nos pedidos de repetição de indébito, incumbe ao sujeito passivo a prova do pagamento indevido ou a maior que o devido. Sobre a necessidade de as partes produzirem as provas necessárias à formação da convicção do julgador, preciosas as palavras do Conselheiro Gilson Rosenburg Filho, em julgamento de caso análogo ao aqui em debate. “Um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. A certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. A verdade encontra- se ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar ideias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificar-se de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebra-cabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar verossimilhança às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador.” Em outro giro, ao contrário do que quer fazer parecer a defesa, o princípio da verdade material não é remédio para todos os males processuais; não serve para inverter o ônus da prova, tampouco dispensa o demandante de provar o direito alegado. Na realidade, a verdade material contrapõe-se ao formalismo exacerbado, presente no Processo Civil, mas, de maneira alguma, priva o procedimento administrativo das necessárias formalidades. Tampouco altera o papel a ser desempenhado pelas partes. Daí se dizer que no Processo Administrativo Fiscal convivem harmonicamente os princípios da verdade material e da formalidade moderada. De sorte que se busque a verdade real, mas preservando as normas processuais que asseguram a segurança, a celeridade, a eficiência e o bom andamento do processo. A Conselheira Adriana Gomes Rêgo faz a seguinte abordagem no voto proferido no Acórdão nº 9101-003.003, de 8 de agosto de 2013: Com a devida vênia àqueles que querem aceitar provas extemporâneas ao fundamento de que os princípios da ampla defesa, da verdade material e do formalismo moderado devem prevalecer, mas o fato é que para o Processo Administrativo Fiscal temos regras claras e expressas, prevendo a concentração dos atos probatórios em momentos pré-estabelecidos, tanto no que diz respeito à instrução probatória por parte da Fazenda, quanto por parte do contribuinte, estabelecendo-se, assim, em caso de inobservância do momento adequado, a necessária preclusão. Fl. 52118DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1302-006.043 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.726735/2012-02 Aliás, a preclusão não é sanção. Não advém de ato ilícito. Mas ela foi definida processualmente para se proteger o Estado da protelação injustificada como também para garantir tratamento isonômico entre os contribuintes. Nesse sentido, Marcela Cheffer Bianchini 1 : Sendo assim, o próprio devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. Como visto, o processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. Vale destacar que, a depender da situação, a norma aceita a apresentação de provas após a impugnação. Contudo, isso é possível desde que dentro das hipóteses previstas na lei. Moacyr Amaral dos Santos ensina2 : [...] o que a lei visa, precipuamente, quando traça normas para apresentação de documentos, é vedar a ocultação deles na fase de integração da lide, quer dizer, na fase da formação da questão sujeita a debate das partes e sobre a qual deverá decidir o órgão judicial. O que a lei visa é afastar ou, ao menos reduzir a possibilidade de ficarem o Juiz e as partes à mercê de surpresas consistentes no aparecimento de documentos de que a parte, premeditadamente, guarde segredo para, ocasião propícia, quando não haja mais oportunidade para discussões e mais provas, oferecê-los em juízo. Além disso, é preciso interpretar a lei conforme a Constituição. Ora, quando a lei excepciona as hipóteses de que trata o §4º do art. 16, do Decreto nº 70.235, de 1972, ela já está contemplando todos os casos em que, por motivos de força maior, a ampla defesa não pode ser exercida anteriormente. Portanto, cumpre- nos verificar se a apresentação dos laudos em memoriais trazidos na sustentação oral portanto, não só após a impugnação, como também após o prazo processual de interposição de recurso voluntário enquadra-se em uma das hipóteses de que trata o §4º do art. 16, do Decreto nº 70.235, de 1972. Por sua vez, a ex-Conselheira Cristiane Silva Costa, no Acórdão nº 9101-004.057 – 1ª Turma, de 12 de março de 2019, destaca que os processos administrativos devem atender à formalidade moderada, com a adequação entre meios e fins, assegurando-se aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardando-se o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. Transcrevo trecho da decisão: A Lei n. 9.430/1996 previu a aplicabilidade do regramento do Decreto nº 70.235 às manifestações de inconformidade e recursos respectivos, conforme § 11 do artigo 74: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235 , de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 52119DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1302-006.043 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.726735/2012-02 A prova no processo originado por compensação, portanto, deve observar os ditames do Decreto nº 70.235/1972, destacando-se o artigo 16: (...) De toda forma, não entendo pela rigorosa interpretação do artigo 16, §4º e alíneas, para impedir o reforço probatório em recurso voluntário. Com efeito, a interpretação isolada do artigo 16 e seu §4º poderia implicar na interpretação bastante rigorosa da impossibilidade de juntada de documentos depois da apresentação de impugnação administrativa (ou manifestação de inconformidade, no caso da compensação), ressalvadas as hipóteses dos incisos do §4º, acima colacionado (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). No entanto, não me parece seja o caso de adotar interpretação tão rigorosa. A Lei nº 9.784/1999 trata dos processos administrativos no âmbito da Administração Pública Federal, explicitando a necessidade de observância aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade proporcionalidade, ampla defesa e contraditório: Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: A mesma Lei acrescenta que os processos administrativos devem atender aos critérios dos quais se destacam: Art. 2º: (...) Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: DF CARF MF Fl. 1021 18 I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio. Os processos administrativos, portanto, devem atender a formalidade moderada, com a adequação entre meios e fins, assegurando-se aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardando-se o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. A matéria também é tratada no Acórdão nº 1302-001.103, de relatoria do Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, cuja ementa transcrevo a seguir: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Fl. 52120DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 1302-006.043 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.726735/2012-02 Face ao princípio da eventualidade, toda a matéria de defesa, seja de fato, seja de direito, deve ser suscitada na impugnação, sob pena de não poder ser conhecida na fase processual posterior. Não tendo sido impugnada a matéria não há como dela tomar conhecimento em sede recursal, pois esta fase processual visa ao atendimento do duplo grau de cognição, como corolário do princípio da ampla defesa. Preclusão caracterizada. Cito, ainda, a análise efetuada por Posner 8 sobre a exclusão de provas pertinentes. O autor considera que há três justificativas distintas para tal exclusão: (a) emocionalidade, (b) sobrecarga cognitiva e (c) perda de tempo. Aponta que as duas primeiras dizem res- peito às limitações cognitivas do julgador do fato e, consequentemente, aos benefícios da prova para a determinação da verdade, enquanto a terceira, remete-se ao custo. (...) Na norma apresentam-se ao todo três justificativas distintas para a exclusão de provas pertinentes: (1) emocionalidade (fonte de "preconceito injusto" e "desvirtuamento do júri"), (2) sobrecarga cognitiva ("confusão", entre outras formas de "desvirtuamento do júri") e (3) "perda de tempo" (que parece ser sinônimo de "atraso indevido" e "apresentação desnecessária de provas cumulativas"). Ao comparar as duas formas cognitivas, “emocionalidade” e “sobrecarga cognitiva”, menciona a conveniência de ocultar provas, com o objetivo de diminuir o tempo do julgamento e o custo envolvido: Ocultar provas do júri pode ser mais fácil e conveniente do que despender esforços para dotá-lo de maior habilidade cognitiva e imparcialidade, desígnio esse que pode ser demorado e ineficaz. (...) Outra maneira de pensar essa função da Norma 403 e das normas probatórias em geral é como um instrumento de correção da falta de incentivo do júri para superar suas limitações cognitivas através de um "aprofundamento" nas questões que é chamado a resolver. Os jurados não têm incentivos pecuniários para fazer um trabalho meticuloso. Ao manter fora do alcance deles determinadas provas que tornariam seu trabalho ainda mais difícil e que, consequentemente, exigiria deles o dispêndio de maiores esforços mentais sem a devida compensação, as normas probatórias reduzem os custos dos jurados e, desse modo, aumentam sua produção. Quanto aborda a “sobrecarga cognitiva” em conjunto com a “perda de tempo”, defende que a repetição e a procrastinação podem diminuir a eficácio do julgamento e aumentar o custo direto desta atividade: A justificativa (2) também interage com a (3) (perda de tempo): a repetição e a procrastinação podem tornar mais difícil para o julgador do fato a realização de um juízo correto, além de elevarem o custo direto do julgamento. A medida que mais e mais provas são introduzidas, as provas adicionais, ainda que pertinen-tes, tendem a significar tanto um desperdício (no sentido de gerarem cada vez menos bene-fícios no que concerne ao aumento da precisão, sem que a isso corresponda uma redução do custo) quanto um fator de confusão (no sentido de que, na verdade, diminuem a precisão). Conclui que os benefícios das provas adicionais tendem a diminuir a um ritmo cada vez mais intenso, enquanto os custos se mantêm constantes, ou até crescem, à medida que os litigantes se lançam procura de mais provas: Essa constatação sugere que, em muitos casos, a duração ideal de um julgamento por júri pode ser bastante curta; os benefícios das provas adicionais tendem a diminuir a um ritmo cada vez mais intenso, enquanto os custos se mantêm constantes, ou até crescem, à medida que os litigantes se lançam mais e mais à procura de provas. 8 POSNER, Richard A. Fronteiras da Teoria do Direito. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2011, p. 514. Fl. 52121DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 1302-006.043 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.726735/2012-02 Voltando ao caso em análise, na tentativa de responder as questões formuladas, cabem as seguintes reflexões:  o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 define um rito próprio para o caso de apresentação de prova extemporânea. É possível negar vigência a uma norma válida?  deve ser aplicado ao caso em concreto o formalismo moderado ou a flexibilização?  se a interessada não apresenta nenhuma prova com sua impugnação (manifestação de inconformidade), é possível falar em supressão de instância ou que precluiu o direito de fazê-lo em outro momento processual? O art. 16 do Decreto 70.235, de 1972, arrola os requisitos da impugnação: indicação da autoridade julgadora; qualificação do contribuinte impugnante; apresentação das razões de fato e de direito que fundamentam a contestação; especificação de sua extensão e indicação das diligências e provas pretendidas, com a devida justificativa. Com base neste dispositivo, não se pode deixar de mencionar que é a contribuinte, por vontade própria, que deve praticar os atos que instauram a fase litigiosa do processo administrativo fiscal. De maneira geral, entendo que não há óbice para que sejam apresentados novos documentos com o recurso voluntário, desde que tenha havido uma tentativa de se apresentar um conjunto probatório com a impugnação administrativa (manifestação de inconformidade) que indique, ainda que minimamente, a existência do direito em discussão. No caso dos autos, o que se verifica é que a interessada não apresentou nenhuma prova com sua manifestação de inconformidade. De fato, limita-se a enfatizar seu direito à compensação integral dos créditos apurados; suscita a nulidade do “lançamento” em função do crédito tributário estar “fulminado pela decadência”; e discorre sobre a responsabilidade dos tomadores de serviço. Transcrevo a síntese das alegações constante do relatório da decisão recorrida: (...) Na seqüência, serão apresentados sinteticamente os principais pontos da contestação da Inconformada. i. Inicialmente, a pretensão fiscal deve ser anulada de plano, na medida em que os supostos créditos tributários referem-se ao ano-calendário de 2004 e somente agora em maio de 2012 a Fazenda manifestou-se acerca da não homologação das compensações realizadas, isto 6, decorridos mais de 5 anos da autolangamento (sic) realizado pelo contribuinte. ii. A requerente, ao prestar serviços a diversos clientes, emitiu as respectivas faturas com o destaque do abatimento do IR devido, como determinado pela legislação de regência, não sendo lícito impedi-la de compensar seus créditos decorrentes da retenção comprovadamente sofrida, pela falta de apresentação da informação pelo agente retentor na DIRF. iii. De fato, a requerente não tem instrumento de coação contra a falta cometida pelos tomadores de seus serviços. Não cabe a ela o ônus de responder pela falta sobre a qual não dispõe da tutela jurídica para exigir o cumprimento da obrigação. iv. Vedar a compensação como se pretende é o mesmo que impedir a compensação administrativa de um tributo recolhido indevidamente a maior, representando manifesto enriquecimento sem causa da Fazenda, o que é vedado pelo ordenamento jurídico vigente, haja vista que contrário a moralidade administrativa (art. 37, da Constituição Federal) e ao principio da legalidade. v. Também não se mostra razoável e proporcional a limitação ao direito de compensação por suposta irregularidade na retenção, ainda mais quando não há Fl. 52122DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 1302-006.043 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.726735/2012-02 qualquer prejuízo ao Fisco, pois todos os tributos atinentes a operação foram quitados e as retenções comprovadas. Na dialética das provas, caberia à recorrente ao menos uma tentativa de comprovar o seu direito, desde a apresentação da manifestação de inconformidade, para que as razões de fato e de direito pudessem ser, num primeiro momento, apreciadas pela DRJ. No caso dos autos, foi a própria recorrente que abriu mão de que suas razões fossem apreciadas pela primeira instância de julgamento, ao não apresentar qualquer prova que demonstrasse seu direito. Aliás, nem sequer tentou provar. Assim, não houve oportunidade, por escolha da própria interessada, de análise em minúcias pela primeira instância, das razões ou de eventual conjunto probatório, de modo que pudesse ser apontada alguma deficiência ou necessidade de esclarecimento adicional, que levasse ao curso “normal’ da dialética das provas. Se tal análise tivesse sido realizada, caso sua pretensão não tivesse sido satisfeita, caberia à recorrente apresentar novas provas ou razões, que seriam apreciadas pelas turmas de julgamento do CARF, garantindo que não haveria supressão de instância quanto aos pontos específicos que ainda restassem dúvidas a serem esclarecidas. Apesar do formalismo moderado que rege o processo administrativo fiscal, foram as ações praticadas pela própria recorrente, ao se manter “inerte”, sem apresentar qualquer prova que indicasse seu direito, que tiveram por consequência a caracterização da preclusão do seu direito de fazê-lo neste momento processual. Isto posto, não tendo sido impugnada a matéria no momento processual adequado, não há como dela tomar conhecimento em sede recursal, pois esta fase processual visa ao atendimento do duplo grau de jurisdição, como corolário do princípio da ampla defesa. Logo, trata-se de ato incompatível com o momento em que o processo se encontra, em função da perda da ocasião oportuna para a contribuinte se manifestar. Assim, tenho convicção de que não se aplica à situação em análise a flexibilização das regras previstas no § 4º do art. 16 do Decreto 70.235, de 1972. De outra forma, estaria sendo negada vigência a uma norma válida. Portanto, não tomo conhecimento do conjunto probatório, que foi apresentado somente com o recurso voluntário. Pedido de Diligência A contribuinte solicita a realização de diligência, para que seja verificado: 1) Os créditos cuja compensação foi pleiteada nas DCOMPs objeto do presente processo decorrem de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre pagamento realizado a cooperativa de trabalho médico por tomadores de serviços? 2) Dentre as DIRFs levantadas pela Receita Federal, detectou-se a declaração do código 1708 ou outro código diverso do 3280? 3) O valor das faturas e demais documentos fiscais emitidos contra os referidos tomadores de serviços referentes àquelas DCOMPs foi recebido integralmente pela Recorrente? Em se confirmando eventuais descontos, quais são os valores em cada competência (mês e ano) individualizados por tomador? 4) Os créditos pleiteados, indicados originalmente como sendo decorrentes de determinadas competências, correspondem às retenções declaradas pelos tomadores ou pela própria cooperativa em competências distintas? 5) Os descontos enumerados acima, saneando-se os equívocos de indicação de competência, devidamente corrigidos à data da transmissão daquelas DCOMPs, são suficientes para extinguir todos os débitos também indicados naquela declaração de compensação? Favor o Sr. Perito recalcular eventual tributo devido considerando a amortização dos débitos questionados pela Receita Federal em face das compensações pleiteadas Fl. 52123DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 1302-006.043 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.726735/2012-02 É regra geral no direito que o ônus da prova cabe a quem alega. Entretanto, a lei também pode determinar a quem caiba a incumbência de provar determinado fato. É o que ocorre no caso de homologação de compensação. O § 1º do art. 150 do Código Tributário Nacional estabelece expressamente que a extinção do crédito tributário (débito da contribuinte) por homologação está sujeita a ulterior homologação, de forma que o contribuinte pode ser instado a comprovar o direito pretendido ou justificá-lo, deslocando para ele o ônus probatório. A inversão legal do ônus da prova, do fisco para o contribuinte, transfere para o sujeito passivo a obrigação de comprovação e justificação do direito pretendido e, não o fazendo, sofre as consequências legais, ou seja, a não homologação dos débitos declarados, por falta de comprovação e justificação. Também importa dizer que o ônus de provar significa trazer elementos que não deixem qualquer dúvida quanto ao fato questionado. No caso em análise, conforme já mencionado, a discussão se limita à comprovação das retenções na fonte relativas ao código de receita 3280 - IRRF - Remuneração Serv Prest Associad Coop Trabalho. O Despacho Decisório reconheceu apenas as retenções confirmadas por meio de verificação nos sistemas da RFB. Destaca-se, ainda, conforme tratado no item anterior deste Acórdão, que, somente com o recurso voluntário a contribuinte apresentou documentos no intuito de comprovar a integralidade das retenções na fonte informadas na declaração de compensação, ficando caracterizada a preclusão do direito destas provas serem apreciadas neste momento processual. Assim, nos termos do art. 18, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972, indefiro o pedido de diligência, por considerá-lo prescindível para o julgamento da lide. Mérito. Tratam os autos de declarações de compensação transmitidas com base em crédito decorrente de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF incidente sobre pagamentos efetuados à cooperativa de trabalho médico (código de receita 3280), apurado no ano-calendário 2007 (01/01/2007 a 31/12/2007). O Despacho Decisório homologou parcialmente as compensações declaradas por terem sido confirmadas parte das retenção na fonte relativas ao código de receita 3280 - IRRF - Remuneração Serv Prest Associad Coop Trabalho. Destaca-se que foi feito um batimento entre o IRRF declarado em PER/DCOMP e os constantes em DIRF entregues à RFB e apenas as retenções confirmadas por meio de verificação nos sistemas da RFB foram consideradas. Não há que se falar em inovação na fundamentação da decisão recorrida, tendo em vista que o Acórdão da DRJ confirmou a decisão do Despacho Decisório com base nos mesmos fundamentos. Confira-se: A Inconformada, por outro lado, não comprova com outros documentos as alegadas retenções. Ressalte-se que uma vez que tais retenções não foram confirmadas no sistema, vale dizer, não constam nas DIRF das pessoas jurídicas obrigadas às retenções, este fato deve prevalecer sobre qualquer tipo de alegação, exceto se com provas robustas o contribuinte pudesse desqualificar as informações constantes das DIRF, e, consequentemente, do sistema. (...) Na extensa planilha de fls. 202 e seguintes, a Fiscalização cuidou de listar todos os valores alegadamente retidos e aqueles que foram confirmados, assim como, aqueles que não foram, mas em sede de impugnação a contribuinte não logrou êxito em comprovar nenhum valor adicional, na verdade nem tentou. Em seu recurso, a recorrente discute questões inerentes ao reconhecimento do direito creditório, sintetizadas a seguir: Fl. 52124DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 1302-006.043 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.726735/2012-02 1. inicialmente, de maneira geral, enfatiza a existência do crédito tributário e aponta que seria irrelevante a confirmação das retenções em DIRF; que a fonte pagadora e a recorrente teriam cometido erros materiais; e defende a prevalência da verdade material; 2. destaca que teriam sido consideradas apenas as retenções na fonte confirmadas nas DIRF dos tomadores de serviço com o código 3280, de modo que foram glosados tanto o IRRF referente aos contratos pré- estabelecidos, o relativo a como parte dos contratos a custo operacional; 3. aponta que as glosas efetuadas decorreram de duas situações: (i) ausência de confirmação (genérica) pela fonte pagadora de parte dos créditos em DIRF e erro na identificação da competência do crédito; (ii) ausência de confirmação da retenção em DIRF com expressa menção ao código 3280, tendo sido declarado pelo tomador o desconto em código diverso por equívoco (exemplo código 1708). Cabe fazer algumas considerações sobre o IRRF relativo aos códigos de receita 3280 – Remuneração de Serviços Pessoais Prestados por Associados de Cooperativas de Trabalho (art. 45 da Lei nº 8.541, de 1992) e 1708 – Remuneração de Serviços Profissionais Prestados por Pessoa Jurídica (art. 52 da Lei nº 7.450, de 1985), com base em informações extraídas do Mafon 2005 9 , atualizado até março de 2005, aplicando-as ao caso em exame. Em relação à retenção na fonte efetuada no código de receita 3280 – Remuneração de Serviços Pessoais Prestados por Associados de Cooperativas de Trabalho (art. 45 da Lei nº 8.541, de 1992), destaca-se: a) compete à fonte pagadora a retenção do IRRF à alíquota de 1,5% sobre importâncias pagas ou creditadas por pessoa jurídica a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição; b) o imposto retido poderá ser objeto de pedido de restituição, desde que a cooperativa, associação ou assemelhada comprove, relativamente a cada ano- calendário, a impossibilidade de sua compensação, na forma e condições definidas em ato normativo do Ministro da Fazenda; c) a época dos fatos, o regime de tributação estava previsto no art. 652 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/1999), transcrito a seguir, que corresponde ao art. 719 do Decreto nº 9.580 (RIR/2018): Art. 652. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte à alíquota de um e meio por cento as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição (Lei nº 8.541, de 1992, art. 45, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 64). §1º O imposto retido será compensado pelas cooperativas de trabalho, associações ou assemelhadas com o imposto retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos associados (Lei nº 8.981, de 1995, art. 64, §1º). §2º O imposto retido na forma deste artigo poderá ser objeto de pedido de restituição, desde que a cooperativa, associação ou assemelhada comprove, relativamente a cada ano-calendário, a impossibilidade de sua compensação, na forma e condições definidas em ato normativo do Ministro de Estado da Fazenda (Lei nº 8.981, de 1995, art. 64, §2º). 9 Mafon 2005 - https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/orientacao-tributaria/declaracoes-e- demonstrativos/dirf/arquivos-mafon/mafon2005.pdf Fl. 52125DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 1302-006.043 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.726735/2012-02 d) no momento da transmissão do PER/DCOMP nº 25246.52596.161009.1.3.05-7040 estava vigente a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que assim dispunha sobre a compressão do crédito de IRRF incidente sobre pagamento efetuado a cooperativa de trabalho, associação de profissionais ou assemelhados: Art. 41. O crédito do IRRF incidente sobre pagamento efetuado a cooperativa de trabalho, associação de profissionais ou assemelhada poderá ser por ela utilizado, durante o ano-calendário da retenção, na compensação do IRRF incidente sobre os pagamentos de rendimentos aos cooperados ou associados. § 1º O crédito mencionado no caput que, ao longo do ano-calendário da retenção, não tiver sido utilizado na compensação do IRRF incidente sobre os pagamentos efetuados aos cooperados ou associados poderá ser objeto de pedido de restituição após o encerramento do referido ano-calendário, bem como ser utilizado na compensação de débitos relativos aos tributos administrados pela RFB. § 2º A compensação de que trata o caput e o § 1º será efetuada pela cooperativa de trabalho, associação de profissionais ou assemelhada na forma prevista no § 1º do art. 34. e) registre-se que a compensação declarada está regulamentada no art. 33 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 17 de outubro de 2004, no art. 33 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, no art. 41 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, no art. 48 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de dezembro de 2012, no art. 82 da Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017 e no § 14 do art. 74 da Lei n º 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Assim, estão sujeitas à incidência do IRRF – código de receita 3280, à alíquota de 1,5%, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativa de trabalho médico relativas a serviços pessoais prestados por seus associados. O crédito da retenção deve ser compensado pela cooperativa de trabalho médico com IRRF incidente sobre os pagamentos de rendimentos aos cooperados ou associados. O crédito de IRRF remanescente pode ser objeto de pedido de restituição, nos moldes formulados pela recorrente nos presentes autos, desde que a cooperativa comprove, relativamente a cada ano-calendário, a impossibilidade de sua compensação, na forma e condições legais. De forma diversa, estão sujeitas ao IRRF referente ao código 1708 – Remuneração de Serviços Profissionais Prestados por Pessoa Jurídica (art. 52 da Lei nº 7.450, de 1985), as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas civis ou mercantis pela prestação de serviços de natureza profissional. Tal situação se aplica às cooperativas de trabalho médico, na condição de operadoras de planos de assistência à saúde, relativas a contratos pactuados na modalidade de “pré-pagamento” que estipulem valores fixos de remuneração, independentemente da utilização dos serviços pelos usuários da contratante. Logo, tais retenções (código de receita 1708) são atinentes a ato não cooperado e estão sujeitas ao regime de tributação de natureza de antecipação, podendo ser deduzidos do devido no encerramento do período de apuração. E, por essa razão, não se incluem nos procedimentos especiais previstos no art. 45 da Lei nº 8.541, de 1992, com a redação dada pelo art. 64 da Lei nº 8.981, de 1995. Dando prosseguimento à análise, conforme relatado, a contribuinte declarou no PER/DCOMP direito creditório no montante de R$ 1.333.760,91. O Despacho Decisório homologou parcialmente as compensações declaradas por ter sido confirmado crédito no valor de R$ 592.597,45, decisão mantida no Acórdão da DRJ. No caso dos autos, a contribuinte apresentou conjunto probatório no intuito de demonstrar seu direito somente em sede de Recurso Voluntário. Fl. 52126DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 1302-006.043 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.726735/2012-02 Conforme já tratado em item próprio deste Acórdão, tais documentos não foram conhecidos, por ter ficado caracterizada a preclusão do direito da contribuinte produzir provas em sede recursal. Dessa forma, não há mais o que ser apreciado por esta instância julgadora. Diante do exposto, VOTO por negar provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer parcialmente do recurso voluntário, e, quanto à parte conhecida, por voto de qualidade, em rejeitar a conversão do julgamento em diligência e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente Redator Fl. 52127DF CARF MF Original

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