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Numero do processo: 10167.001446/2007-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. CONTRATO DE CREDENCIAMENTO PROFISSIONAL FIRMADO ENTRE MUNICÍPIO E PESSOA FÍSICA. PRESENÇA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA RELAÇÃO DE EMPREGO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
A legislação autoriza a desconsideração de negócios jurídicos com a caracterização de relações empregatícias para fins de incidência da obrigação tributária previdenciária principal e acessória. Para tanto, necessário se faz a comprovação da condição de empregados dos contratados pelo Município.
O lançamento fiscal decorrente de caracterização de trabalhador como empregado é viável, desde que presentes os elementos fático jurídicos caracterizadores da relação de emprego.
Ante a existência de provas e a demonstração pormenorizada do vínculo empregatício por parte do auditor fiscal, tem-se por válida a desconstituição da relação jurídica existente entre o Município recorrente e os prestadores de serviços, formalizada por “Termo de Credenciamento Profissional”, para caracterizá-los
com empregados para fins de incidência previdenciária.
Numero da decisão: 2301-002.260
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em
negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do (a) Relator (a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
1.0 = *:*
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. CONTRATO DE CREDENCIAMENTO PROFISSIONAL FIRMADO ENTRE MUNICÍPIO E PESSOA FÍSICA. PRESENÇA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA RELAÇÃO DE EMPREGO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A legislação autoriza a desconsideração de negócios jurídicos com a caracterização de relações empregatícias para fins de incidência da obrigação tributária previdenciária principal e acessória. Para tanto, necessário se faz a comprovação da condição de empregados dos contratados pelo Município. O lançamento fiscal decorrente de caracterização de trabalhador como empregado é viável, desde que presentes os elementos fático jurídicos caracterizadores da relação de emprego. Ante a existência de provas e a demonstração pormenorizada do vínculo empregatício por parte do auditor fiscal, tem-se por válida a desconstituição da relação jurídica existente entre o Município recorrente e os prestadores de serviços, formalizada por “Termo de Credenciamento Profissional”, para caracterizá-los com empregados para fins de incidência previdenciária.
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CONTRATO DE CREDENCIAMENTO PROFISSIONAL FIRMADO ENTRE MUNICÍPIO E PESSOA FÍSICA. PRESENÇA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA RELAÇÃO DE EMPREGO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A legislação autoriza a desconsideração de negócios jurídicos com a caracterização de relações empregatícias para fins de incidência da obrigação tributária previdenciária principal e acessória. Para tanto, necessário se faz a comprovação da condição de empregados dos contratados pelo Município. O lançamento fiscal decorrente de caracterização de trabalhador como empregado é viável, desde que presentes os elementos fáticojurídicos caracterizadores da relação de emprego. Ante a existência de provas e a demonstração pormenorizada do vínculo empregatício por parte do auditorfiscal, temse por válida a desconstituição da relação jurídica existente entre o Município recorrente e os prestadores de serviços, formalizada por “Termo de Credenciamento Profissional”, para caracterizálos com empregados para fins de incidência previdenciária. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do (a) Relator (a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10167.001446/200797 Acórdão n.º 2301002.260 S2C3T1 Fl. 2 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte MUNICÍPIO DE RIO QUENTE, contra decisão de primeira instância, que julgou procedente o lançamento referente às contribuições devidas à Seguridade Social, em decorrência da não comprovação do recolhimento no período de 1/2004 a 12/2005. 2. De acordo com o Relatório Fiscal da Notificação de Lançamento de Débito Fiscal (NFLD), o contribuinte não recolheu as contribuições devidas à Seguridade Social. A exação teve como fato gerador as remunerações pagas pela recorrente a segurados empregados da área de saúde, no caso agentes comunitários de saúde, auxiliares, enfermeiros, médicos e odontólogos admitidos mediante contratos de credenciamento (ff. 32 a 87). 3. A ementa do julgamento de origem, que apreciou a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, foi assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. Comprovada a ocorrência dos requisitos do art. 12, I, “a”, da Lei 8.212/91, resta caracterizada a condição de segurado empregado e obrigatório o lançamento das contribuições incidentes sobre sua remuneração. ÓRGÃO PÚBLICO. EMPREGADOS NÃO SUJEITOS AO REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. Após a alteração da Constituição Federal pela Emenda Constitucional nº 20/1998, somente os servidores titulares de cargo público estão sujeitos ao Regime Próprio de Previdência Social – RPPS. Os demais empregados contratados, qualquer que seja a forma de contratação, sujeitamse ao Regime Geral da Previdência Social – PGPS. Lançamento Procedente” 4. O Município, então, em suas razões recursais, se insurgiu contra a decisão recorrida, apontando os seguintes argumentos: a) sustenta a incompetência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para declarar a existência ou não de vínculo empregatício; e b) argui que não restou comprovado o vínculo empregatício dos segurados empregados nos autos da presente NFLD, em desrespeito ao Decreto 70.235/1972, devendo ser declarada a sua nulidade. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 5. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados a esta Câmara para apreciação do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10167.001446/200797 Acórdão n.º 2301002.260 S2C3T1 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DO MÉRITO RECURSAL DA COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAR E LANÇAR DÉBITOS 2. O Município recorrente alega irregularidade em razão da caracterização de vínculo empregatício pela fiscalização, em detrimento da competência constitucional da Justiça do Trabalho para reconhecimento do vínculo laboral. 3. O CARF, em sentido oposto, entende que, uma vez constatada alguma irregularidade na contratação de trabalhadores pela fiscalização, é plenamente cabível a exigência da contribuição social previdenciária do contribuinte, tomador da força de trabalho. 4. O art. 37 da Lei n° 8.212/91 (alterado pela Lei n. 11.941/2009) expressamente autorizou a lavratura do auto de infração ou notificação de lançamento de débito, quando constatado o descumprimento de obrigação principal ou acessória das contribuições previdenciárias, não declaradas na forma do art. 32 da Lei. Da mesma forma, o parágrafo único do art. 116 do CTN, acrescido pela Lei Complementar nº 104/2001, também autoriza a autoridade administrativa a desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. 5. Assim, não há que se falar em violação da legislação tributária como quer o recorrente. DO LANÇAMENTO 6. E seguindo a legislação posta, após a análise dos autos, vêse que o Fisco estabeleceu a condição de empregado dos profissionais municipais da saúde, verbis: “Com relação à caracterização dos Profissionais da Saúde, constantes no levantamento desta NFLD, na qualidade de segurados empregados, servimonos do artigo 6º, incisos XXVI e XXIX, da Instrução Normativa SRP nº 03 de 14 de julho de 2005...” (g.n., f. 33). 7. A desconstituição dos atos praticados pela administração municipal (ff. 47 87) para se configurar a relação de emprego – pressuposto de incidência da contribuição – depende da verificação dos elementos ensejadores da relação de emprego. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 8. Pela legislação previdenciária, empregado é aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração (art. 12, I, ‘a’ da Lei 8.212/91). A Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, que também se aplica ao caso, por ser tratar de norma de regência das relações trabalhistas, assevera em seu art. 3º que “considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário”. 9. Assim, verificase que a fiscalização formalizou devidamente a descrição individual de cada “empregado”, com o detalhamento da caracterização empregatícia, ou seja, a demonstração da existência dos elementos básicos da relação de emprego: alteridade, não eventualidade, pessoalidade, subordinação e onerosidade (ff. 3239). 10. O lançamento fiscal decorrente de caracterização de trabalhador como empregado é viável, desde que presentes os elementos fáticojurídicos ensejadores da relação de emprego. O CARF tem entendimento sedimentado neste sentido: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2003 a 30/06/2004 CUSTEIO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SEGURADO EMPREGADO CARACTERIZAÇÃO. É atribuída à fiscalização da SRP a prerrogativa de, seja qual for a forma de contratação, desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurados empregados da empresa contratante, desde que presentes os requisitos do art. 12, I, "a", da Lei n. 8.212/91. Os elementos caracterizadores do vínculo empregatício estão devidamente demonstrados no relatório fiscal da NFLD. Recurso Voluntário Negado” (Segundo Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 20600979 do Processo 37299000092200552 Data05/06/2008) 11. A Relatora do aresto supracitado, Conselheira BERNADE'TE DE OLIVEIRA BARROS, no bojo do voto condutor, foi categórica: “A fiscalização constatou e provou, por meio da documentação anexada aos autos, que os segurados relacionados no Anexo I (fl. 35) prestaram serviços à empresa notificada na condição de empregados. Restou comprovada, nos autos, a ocorrência de todos os requisitos necessários para a caracterização da relação de emprego, exigidos pelo art. 12, I, "a" da Lei n° 8.212/91 c/c art. 9. °, I, "a", do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, quais sejam, a não eventualidade (habitualidade), a remuneração e a subordinação. [...] Portanto, como já exposto acima, a autoridade fiscal agiu em conformidade com os dispositivos legais que disciplinam o lançamento, discriminando clara e precisamente os dispositivos legais aplicáveis ao caso, já que o relatório FLD Fundamentos Legais do Débito, relaciona a legislação que fundamenta cada urna das contribuições que constituem o presente lançamento, além do dispositivo legal que confere ao INSS a competência para fiscalizar e atuar.”. 12. Da análise do relatório fiscal fica claro que, de fato, a autoridade que lavrou o lançamento caracterizou comprovadamente a condição de segurados empregados da recorrente. (ff. 32 a 39) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10167.001446/200797 Acórdão n.º 2301002.260 S2C3T1 Fl. 4 7 13. Ante a existência de provas e a demonstração pormenorizada do vínculo empregatício por parte do auditorfiscal, temse por válida a desconstituição da relação jurídica existente entre o Município recorrente e os prestadores de serviços, formalizada por “Termo de Credenciamento Profissional”, para caracterizálos com empregados para fins de incidência previdenciária. CONCLUSÃO 48. Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos alinhavados acima. Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 7DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/09 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10675.005335/2007-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
Eventuais irregularidades na emissão do mandado de procedimento fiscal não induzem a nulidade do auto de infração, pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituíla.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.435
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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materia_s : IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Eventuais irregularidades na emissão do mandado de procedimento fiscal não induzem a nulidade do auto de infração, pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituíla. Recurso negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1664; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 471 1 470 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.005335/200710 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 210101.435 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de janeiro de 2012 Matéria IRPF Depósitos bancários Recorrente CLÁUDIO RODRIGUES ALVES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Eventuais irregularidades na emissão do mandado de procedimento fiscal não induzem a nulidade do auto de infração, pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituíla. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente Fl. 488DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10675.005335/200710 Acórdão n.º 210101.435 S2C1T1 Fl. 472 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Evande Carvalho Araujo, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 459/469) interposto em 22 de setembro de 2008 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG (fls. 441/455), do qual o Recorrente teve ciência em 22 de agosto de 2008, sextafeira (fl. 458), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 04/10, lavrado em 27 de dezembro de 2007, em decorrência de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, verificada no anocalendário de 2003. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2004 INCONSTITUCIONALIDADE DE ATOS LEGAIS. INCOMPETÊNCIA DOS ORGÃOS ADMINISTRATIVOS. Os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de apreciar matéria de ordem constitucional, por extrapolar os limites de sua competência. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando nos autos as causas apontadas rio artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, é mero instrumento de controle administrativo. DILIGÊNCIAS OU PERÍCIAS. A autoridade julgadora de primeira instância somente determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10675.005335/200710 Acórdão n.º 210101.435 S2C1T1 Fl. 473 3 Com a edição da Lei n.° 9.430/96 a partir de 01/011997 passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física o jurídica, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito do impugnante fazêlo em outro momento processual. MULTA MAJORADA. Aplicase a multa majorada de 112,5% nos casos em que o contribuinte não atenda, no prazo legal estipulado, a intimação fiscal que lhe foi encaminhada. Lançamento procedente” (fls. 441/442). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 459/469, por meio do qual basicamente repisa os argumentos trazidos em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Inicialmente, cumpre analisar a primeira preliminar de nulidade da autuação suscitada pelo Recorrente, por suposta ofensa ao art. 7º, § 2º, do Decreto n.º 70.235/72, uma vez que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) teria perdurado por 120 dias, o dobro do permitido pelo ato normativo. No que atine a supostos vícios relacionados ao MPF, cumpre esclarecer que este é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e, ainda que houvesse qualquer irregularidade, não ensejaria a nulidade do lançamento tributário. Nesse sentido, cumpre referir que no processo administrativo fiscal vige o princípio da instrumentalidade das formas e da verdade material, de tal sorte que meras irregularidades não acometem o auto de infração de qualquer nulidade, a menos que possam gerar prejuízo para a defesa do contribuinte. Além disso, os casos de nulidade vêm dispostos no art. 59 do próprio Decreto n.º 70.235/72, que fala em atos e termos lavrados por pessoa incompetente e decisões proferidas por pessoa incompetente e com preterição do direito de defesa, o que não é o caso. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10675.005335/200710 Acórdão n.º 210101.435 S2C1T1 Fl. 474 4 A meu ver, pois, não restou comprovado qualquer prejuízo para a defesa do Recorrente, até porque eventual inexistência de prorrogação do MPF não teria o condão de eivar de nulidade o lançamento, posto que este constitui atividade plenamente vinculada, a teor do art. 142 do CTN. Nesse sentido é o entendimento do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, consoante se extrai do acórdão a seguir colacionado, seguido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: “MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NULIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Constituindose o MPF em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração, nem de quaisquer Termos Fiscais lavrados por agente fiscal competente para proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória nos termos da lei.” (Recurso 145.566, Acórdão n. 10615259, Relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula, j. 25/01/2006) “MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. INEXISTÊNCIA QUE NÃO CAUSA NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fiscocontribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimento fiscal. A inexistência de MPF para fiscalizar determinado tributo ou a não prorrogação deste não invalida o lançamento que se constitui em ato obrigatório e vinculado. Recurso do Contribuinte negado, com retomo dos autos à DRJ para exame das demais questões. Tendo os autos retomado à origem para exame das demais questões, neste momento, resta prejudicada a análise do recurso da Fazenda Nacional.” (CSRF, 2ª Turma, Recurso Especial do Procurador n.º 147.655, Acórdão n.º 920200.637, j. em 12/04/2010) Por outro lado, como bem consignado na decisão recorrida, este Conselho não é competente para se pronunciar acerca de matéria de índole constitucional, caso das alegadas violações aos princípios da motivação, segurança jurídica, contraditório e legalidade, tanto é que foi editada a Súmula CARF n.º 02, que tem a seguinte redação: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Não obstante, ainda que ultrapassado o lapso temporal de 60 dias entre o recebimento, pelo contribuinte, do Termo de Início e de Intimação Fiscal de fls. 44/45, em 11/04/2007, e a prorrogação deste, datada de 20/07/2007, o contribuinte, a partir desta data, readquiriu a espontaneidade, como frisado na fl. 447, podendo recolher o imposto devido sem o acréscimo da multa de ofício. Entretanto, o Recorrente não se utilizou desse direito legalmente assegurado, estando ele precluso a partir do momento em que a fiscalização emitiu outro ato oficial de impulso ao procedimento administrativo; portanto, descabe agora, em sede de recurso voluntário, pleitearse o recolhimento do tributo sem a multa (fl. 461). Fl. 491DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10675.005335/200710 Acórdão n.º 210101.435 S2C1T1 Fl. 475 5 Superadas e afastadas as preliminares de nulidade do lançamento, passase agora ao exame do mérito propriamente dito que, como frisado alhures, concerne à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada, com espeque no art. 42 da Lei n.º 9.430/96, sobre o qual cumpre tecer breves esclarecimentos. Assim preceitua o referido artigo, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º. O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Na realidade, instituiu o referido dispositivo autêntica presunção legal relativa, cujo condão é justamente o de inverter o ônus da prova, atribuindoo ao contribuinte, que passa a ter o dever de refutála. Como é cediço, a presunção, seja ela hominis ou legal, é meio de prova que prescreve o reconhecimento jurídico de um fato provado de forma indireta. Ou seja, provando se diretamente o fato indiciário, temse, por conseguinte, a formação de um juízo de probabilidade com relação ao fato presumido que, a partir de então, necessita ser afastado pelo contribuinte. Nesse sentido, a presunção relativa referida pelo artigo 42 da Lei n. 9.430/96 é legítima, não ferindo, em nenhum ponto, a legislação tributária em vigor. Notese, ainda, que a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR), segundo a qual seria insuficiente para comprovação da omissão de rendimentos a simples verificação de movimentação bancária, consubstancia jurisprudência firmada anteriormente à edição da Lei n. 9.430/96, motivo pelo qual não deve ser aplicada. Consoante a teoria estática da distribuição do ônus da prova, consubstanciada no art. 333 do CPC pátrio, ao autor incumbe o ônus de provar o fato constitutivo do seu direito, ao passo que ao réu cumpre trazer provas de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito daquele. Nesse contexto, considerandose que o motivo da presente autuação foi a constatação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, incide in casu a inteligência do art. 42 da Lei n.º 9.430/96, o qual estabelece uma verdadeira presunção relativa, invertendo, destarte, o onus probandi, cabendo ao contribuinte desconstituíla. A 2ª. Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por sua vez, já consolidou entendimento de acordo com o qual, a partir da edição da Lei n. 9.430/96, é válida a presunção em referência, sendo ônus do Recorrente desconstituíla com a apresentação de provas suficientes para tanto, não havendo que se falar em arbitramento. É o que se depreende das seguintes ementas, destacadas dentre as inúmeras existentes sobre o tema: Fl. 492DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10675.005335/200710 Acórdão n.º 210101.435 S2C1T1 Fl. 476 6 “OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 158.817, relatora Conselheira Núbia Matos Moura, sessão de 24/04/2008) “LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. TRIBUTAÇÃO PRESUMIDA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA O procedimento da autoridade fiscal encontrase em conformidade com o que preceitua o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em que se presume como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, em relação aos quais o titular pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 141.207, relator Conselheiro Romeu Bueno de Camargo, sessão de 22/02/2006) A comprovação da origem, pois, deve ser interpretada como a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor e a data e, principalmente, que demonstre de forma inequívoca a que título os créditos foram efetuados na conta corrente. Há necessidade de se estabelecer uma relação biunívoca entre cada crédito em conta e a origem que se deseja comprovar, com coincidências de data e valor, não cabendo a "comprovação" feita de forma genérica com indicação de uma receita ou rendimento em um determinado documento a comprovar vários créditos em conta. Necessário se faz portanto analisar as provas constantes dos autos para verificar se o Recorrente, efetivamente, comprovou a origem dos recursos, bem como o trânsito deles pelas contas correntes invocadas. Consoante se depreende dos autos, o contribuinte acosta à sua impugnação cópia da relação de bens de sua propriedade (fls. 316/320) e “livroscaixa comprobatórios de toda a movimentação financeira do peticionário junto a agências bancárias” (fls. 321/430). Ocorre, entretanto, que o motivo da autuação foi a constatação de depósitos bancários com origem não comprovada, devendo o contribuinte, uma vez intimado, comprová los, sendo despicienda qualquer documentação que busque comprovar os dispêndios realizados Fl. 493DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10675.005335/200710 Acórdão n.º 210101.435 S2C1T1 Fl. 477 7 por ele durante o período fiscalizado ou aponte sinais exteriores de riqueza, muito menos que justifique a ocorrência de aumento patrimonial (“APD”), motivo pelo qual não são considerados como “documentação hábil e idônea” a afastar a presunção iuris tantum que milita em face do Fisco as despesas registradas em livrocaixa. O Recorrente, pois, deveria trazer aos autos contraprovas dos depósitos tidos por injustificados, de tal modo a permitir à autoridade fiscal a identificação da fonte do crédito, do valor, da data e, principalmente, que demonstre de forma inequívoca a que título os créditos foram efetuados na conta corrente. A despeito de pretender “provar o alegado pelos documentos anexos”, não foi acostado ao presente recurso voluntário qualquer documento que permita referida identificação. Aliás, em nome do princípio da verdade material e da instrumentalidade que norteiam o processo administrativo, não haveria que se cogitar de preclusão para a produção de prova, mas o contribuinte não logrou exercêla. Por fim, tampouco merece ser reparada a decisão recorrida no tocante à aplicação da multa de ofício agravada. Isso porque, efetivamente, o Termo de Intimação Fiscal de fls. 60/61 e de Reintimação Fiscal de fl. 89 não foram atendidos pelo contribuinte, muito embora devidamente cientificado, conforme ARs juntados às fls. 87 e 88 dos presentes autos. Isto posto, considerandose que não houve a produção de qualquer prova ou juntada de documento novo apto a comprovar a efetiva origem dos recursos das contas do Recorrente, não merecem prosperar as razões para reforma da decisão a quo. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de REJEITAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 494DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11610.010462/2001-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Exercício: 1998
DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. SEMANA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
Para o preenchimento da DCTF, nos casos do IRRF, com período de
apuração semanal, a semana começa no domingo e termina no sábado e o mês terá tantas semanas quanto o número de sábados dentro do mês.
Incabível o lançamento motivado por erro no preenchimento da DCTF.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2102-001.744
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso de ofício.
Matéria: DCTF_IRF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRF)
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ERRO DE PREENCHIMENTO. SEMANA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Para o preenchimento da DCTF, nos casos do IRRF, com período de apuração semanal, a semana começa no domingo e termina no sábado e o mês terá tantas semanas quanto o número de sábados dentro do mês. Incabível o lançamento motivado por erro no preenchimento da DCTF. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 02/02/2012 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11610.010462/200162 Acórdão n.º 210201.744 S2C1T2 Fl. 215 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra COMPANHIA DO METROPOLITANO DE SÃO PAULO METRÔ foi lavrado Auto de Infração, fls. 18/21, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), relativa ao primeiro e ao segundo trimestre de 1997, no valor total de R$ 1.335.165,26, incluindo multa de ofício, juros de mora e multa e juros isolados. As infrações apuradas pela autoridade fiscal foram falta de recolhimento (anexo III do Auto de Infração) e recolhimentos efetuados fora do prazo legal (anexo IV do Auto de Infração). Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 01/05, esclarecendo que não houve falta de pagamento ou pagamento em atraso e que o lançamento resultou de erro no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). A autoridade fiscal, revisando o lançamento, despacho, fls. 87, cancelou os créditos tributários, relativos à infração de falta de recolhimento (anexo III do Auto de Infração). Ato contínuo, a autoridade julgadora de primeira instância, apreciando a impugnação, julgou, por unanimidade de votos, improcedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/SPOI nº 1618.677, de 25/09/2008, fls. 187/195, e recorreu de ofício de sua decisão a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em razão do limite de alçada estabelecido na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 31/10/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls. 206. É o Relatório. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11610.010462/200162 Acórdão n.º 210201.744 S2C1T2 Fl. 216 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele conheço. Do relatório acima verificase, em resumo, que a autuação se deu em razão de auditoria interna na DCTF, apurandose (i) falta/insuficiência de recolhimento de IRRF e (ii) recolhimento de IRRF com atraso, desacompanhado da multa e dos juros de mora. Revisando o lançamento, a autoridade fiscal cancelou o crédito tributário relativo à falta/insuficiência de recolhimento de IRRF e a decisão recorrida cancelou o crédito remanescente, decorrente de recolhimento de IRRF com atraso, desacompanhado da multa e dos juros de mora. Na impugnação, a contribuinte esclareceu que o lançamento decorreu de erro de preenchimento da DCTF e que todos os pagamentos foram efetivados dentro do prazo legal. Informou, ainda, que considerou a semana de 26/01/1997 (domingo) a 01/02/1997 (sábado) como sendo a quinta semana de janeiro, quando o correto seria a primeira semana de fevereiro de 1997. Assim, todas as semanas de fevereiro foram informadas na DCTF com antecipação de uma semana e equívoco semelhante ocorreu no mês de março de 1997. Para análise da questão importa observar que conforme disposto no art. 83, inciso I, “d”, da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, o pagamento do IRRF deverá ser efetuado até o terceiro dia útil da semana subseqüente à de ocorrência dos fatos geradores. Importa, ainda, saber que para o preenchimento da DCTF, nos casos do IRRF, com período de apuração semanal, a semana começa no domingo e termina no sábado e o mês terá tantas semanas quanto o número de sábados dentro do mês. Nessa conformidade, e considerando os documentos acostados aos autos, observase que assiste razão à contribuinte. De fato, temse que o lançamento decorreu da erro de preenchimento da DCTF no que diz respeito à informação equivocada da semana do mês em que ocorreu o fato gerador, sendo certo que todos os recolhimentos foram efetivados dentro do prazo legal. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso de ofício. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 223DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11610.010462/200162 Acórdão n.º 210201.744 S2C1T2 Fl. 217 4 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 13558.001078/2003-48
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Anocalendário:2000
FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA.
A multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de oficio prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/1996.
Numero da decisão: 9101-000.888
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner e Leonardo de Andrade Couto.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. A multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de oficio prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner e Leonardo de Andrade Couto. (documento assinado digitalmente) Caio Marcos Cândido Presidente. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido (Presidente), Leonardo de Andrade Couto, Claudemir Rodrigues Malaquias, Viviane Vidal Wagner, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Susy Gomes Hoffman (VicePresidente), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Antonio Carlos Guidoni Filho, Karen Jureidini Dias e Valmir Sandri. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 13558.001078/200348 Acórdão n.º 910100.888 CSRFT1 Fl. 349 2 Com fundamento no art. 7º, inciso I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais – RICSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, a Fazenda Nacional interpõe recurso em face do acórdão nº 10516.819 (fls. 318/328), de 06/12/2007, proferido pela Quinta Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, assim ementado, na parte que interessa a esta instância recursal: “(...) MULTA ISOLADA Incidindo sobre o valor da insuficiência de recolhimento no ano calendário já exigido no mesmo auto de infração representa dupla penalização e deve ser afastada.” Em sede de recurso especial, a Fazenda Nacional insurgese contra o afastamento da multa isolada lançada pela falta de recolhimento da estimativa mensal, ao argumento de que as infrações sancionadas pela “multa de ofício” e pela “multa isolada” são diferentes. A primeira decorre do não pagamento do tributo pelo contribuinte e a segunda do descumprimento do regime de estimativa. Por meio do despacho PRESI nº 133/2008, o Presidente da Quinta Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes deu seguimento ao recurso. Regularmente intimada em 05/05/2008 (fls. 345/346), a contribuinte não ofereceu contrarrazões, sendo os autos distribuídos para este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias, Relator O recurso da Fazenda é tempestivo e demonstra a suposta contrariedade do acórdão recorrido à lei ou à prova dos autos. Dele, portanto, tomo conhecimento. O cerne da questão submetida a este Colegiado consiste em perquirir se é legítima, ou não a aplicação concomitante da multa de ofício prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996, atual art. 44, § 1º, da mesma Lei, com a multa isolada de que trata o art. 44, § 1º, inciso IV, atual art. 44, inciso II, alínea “b”, ambos da mesma Lei. A decisão recorrida afastou a incidência da multa aplicada isoladamente sobre a falta de recolhimento por estimativa do IRPJ relativo ao anocalendário de 2000. O voto condutor menciona que está “consolidado no âmbito do Conselho de Contribuinte e desta Câmara Superior de Recursos Fiscais “o entendimento acerca da impossibilidade de aplicação conjunta, sobre mesma base de cálculo, das multas previstas nos incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430/96, com aquela relativa à ausência de recolhimento mensal por estimativa (art. 44, §1º, IV), prevista para aplicação isoladamente do tributo” (fls. 2.945). Em suas razões, a Fazenda Nacional argumenta, em síntese, que as infrações apenadas pela chamada ‘multa de ofício’ e pela ‘multa isolada’ são diferentes. A multa de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 13558.001078/200348 Acórdão n.º 910100.888 CSRFT1 Fl. 350 3 ofício decorre do não pagamento de tributo pelo contribuinte. Já a multa isolada decorre do descumprimento do regime de estimativa.” Aduz que a Lei nº 9.430/96 prevê claramente que a multa decorrente do descumprimento do regime de estimativa não possui nenhuma relação com o pagamento ou não de imposto pelo contribuinte. Não obstante a argumentação trazida pela Fazenda Nacional, entendo que não assiste razão à recorrente pelas razões que seguem. O disposto no inciso IV, § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/961, na redação vigente à época dos fatos, estabelecia sanção a ser aplicada na hipótese do sujeito passivo não promover o recolhimento mensal das antecipações de um provável imposto de renda e contribuição social. Para que incida, a sanção é condição que ocorram dois pressupostos: (a) falta de pagamento ou pagamento a menor do valor do imposto apurado sobre uma base estimada em função da receita bruta; e (b) o sujeito passivo não comprove, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Em torno desse dispositivo legal, inúmeros debates instalaramse no âmbito desse Conselho, sobretudo acerca da aplicação cumulativa das sanções nele prevista. Em alguns julgados, tem sido sustentada a aplicação da multa isolada em todos os casos em que não houver recolhimento da estimativa. Tais decisões se fundamentam no fato de que a sanção foi estabelecida para assegurar efetividade do regime da estimativa e preservar o interesse público. Como bem destacou o i. Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima2, cuja argumentação acerca do assunto, adoto como razão deste voto, “a divergência não se situa na necessidade de dar efetividade ao regime de estimativa, porquanto o intérprete deve atribuir a lei o sentido que lhe permita a realização de suas finalidades. Mas, a pretexto de concretizálo, não se pode menosprezar o sentido mínimo do texto legal. Por força da segurança jurídica, a interpretação de normas que imponham penalidades deve ser 1 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; (...)” 2 Acórdão n° CSRF 0105.838, de 15 de abril de 2.008. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 13558.001078/200348 Acórdão n.º 910100.888 CSRFT1 Fl. 351 4 atenta ao que dispõe os textos normativos e esses oferecem limites à construção de sentidos." Pois bem, a partir da literalidade dos textos legais acima transcritos, resta evidente que o caput do art. 44 da Lei nº 9.430/96 determina que a multa seja calculada "sobre a totalidade ou diferença de tributo". Ou seja, as penalidades previstas nos incisos I e II, e no § 1º, IV, referemse todas à falta de pagamento de tributo. Assim, ambas as penalidades discutidas nesse processo, por força da previsão legal, incidem sobre a mesma base de cálculo. Com efeito, em que pesem as argumentações da recorrente, no âmbito do nosso ordenamento jurídico, não há como sustentar a incidência concomitante das duas penalidades, aplicadas sobre a mesma base de incidência, quando os fatos que ensejam a penalidade estão relacionados. Seguindo o mesmo entendimento do voto condutor do Acórdão CSRF nº 0105.838, relativo ao processo nº 13629.000292/200304, da lavra do i. conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, peço licença para transcrição dos fundamentos daquela decisão: “Importante firmar que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, eis que, juridicamente, o fato gerador do tributo só será tido por ocorrido ao final do período anual (31/12). O valor do lucro – base de cálculo do tributo – só será apurado por ocasião do balanço no encerramento do exercício, momento em que são compensados os valores pagos antecipadamente em cada mês sob bases estimadas e realizadas outras deduções desautorizadas no cálculo estimado. O aplicador, diante dessas proposições extraídas do texto legal, deve buscar a interpretação que alcance a coerência interna do conjunto, por isso a construção lógica da regra jurídica não pode levar ao cumprimento de um enunciado prescritivo e ao necessário descumprimento de outro do mesmo dispositivo legal. O intérprete deve buscar o sentido do conjunto que afaste contradições, afinal, dentre a moldura de significações possíveis de um texto de direito positivo a escolha do intérprete de ser feita em consonância com todo ordenamento jurídico. Nesse sentido, vale lembrar que o rigor é maior em se tratando de normas sancionatórias, não se devendo estender a punição além das hipóteses figuradas no texto. Além da obediência genérica ao princípio da legalidade, devem também atender a exigência de objetividade, identificando com clareza e precisão, os elementos definidores da conduta delituosa. Para que seja tida como infração, a ocorrência da vida real, descrita no suposto da norma individual e concreta expedida pelo órgão competente, tem de satisfazer a todos os critérios identificadores tipificados na hipótese da norma geral e abstrata. A insegurança, sobretudo no campo de aplicação de penalidades, é absolutamente incompatível com a essência dos princípios que estruturam os sistemas jurídicos no contexto dos regimes democráticos. Reportandome a doutrina de Paulo de Barros Carvalho, a base de cálculo da regra sancionatória, a semelhança da regra de incidência tributária, apresenta três funções: (i) compor a específica determinação da multa; (ii) medir a dimensão econômica do ato delituoso, e (iii) confirmar, infirmar ou afirmar o critério material da infração. A primeira função permite apurar o montante da sanção. Na segunda, o valor adotado como base de cálculo busca aferir o quanto o sujeito ativo foi prejudicado (função reparadora) e para garantir eficácia a norma (função desestimuladora da conduta ilícita). Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 13558.001078/200348 Acórdão n.º 910100.888 CSRFT1 Fl. 352 5 Por fim, a última função da base de cálculo atende a exigência de proporcionalidade entre o delito e a sanção. Se a conduta visa coibir falta de pagamento de tributo, a base de cálculo apropriada é o montante não pago. Se, por outro lado, a conduta ilícita referese ao descumprimento de um dever instrumental não relacionado à falta de recolhimento de tributo, não seria razoável adotar essa grandeza como base de cálculo. Nessa mesma linha, a adoção de bases de cálculo e percentuais idênticos em duas regras sancionadoras faz pressupor a identidade ou, pelo menos, a proximidade da materialidade dessas condutas ilícitas. Ou seja, sanções que têm a mesma base de cálculo devem, em princípio, corresponder a idêntica conduta ilícita. Essas conclusões aplicadas à legislação tributária evidenciam o desarranjo na adequação das regras sancionadoras atualmente vigentes no imposto sobre a renda, em que ofensas a bens jurídicos de distintos graus de importância para o Direito são atribuídas penas equivalentes, sem que se atente ao princípio da proporcionalidade punitiva. A punição prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96 pelo nãorecolhimento do tributo (75% do imposto devido) é equivalente a punição prevista no mesmo artigo pelo descumprimento do dever de antecipar o mesmo tributo (75% do valor da estimativa). Em certos casos, a penalidade isolada chega a ser superior a multa de oficio aplicada pelo não recolhimento do tributo no fim do ano. Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, devese investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão, menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. No caso sob exame, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Assim, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa que o ilícito principal. É o que os penalistas denominam "princípio da consunção". Segundo as lições de Miguel Reale Junior3: "pelo critério da consunção, se ao desenrolar da ação se vem a violar uma pluralidade de normas passandose de uma violação menos grave para outra mais grave, que é o que sucede no crime progressivo, prevalece a norma relativa ao crime em estágio mais grave..." E prossegue "no crime progressivo, portanto, o crime mais grave engloba o menos grave, que não é senão um momento a ser ultrapassado, uma passagem obrigatória para se alcançar uma realização mais grave". (grifouse) Deste modo, a multa isolada e a multa de oficio não podem ser exigidas concomitantemente na hipótese de falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também pela falta de antecipação sob a forma estimada, porquanto estarseía aplicando duas penalidades distintas para ilícitos materialmente ligados, de forma de que um 3 Instituições de Direito Penal, Parte Geral. Rio de Janeiro: Forense, 2002, págs. 276 e 277. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 13558.001078/200348 Acórdão n.º 910100.888 CSRFT1 Fl. 353 6 (falta de recolhimento do imposto anual devido no ajuste) é consequência do outro (falta de recolhimento dos valores estimados devidos mensalmente). É cabível, portanto, apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo. Além destes argumentos, é necessário destacar que a Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, veio a disciplinar posteriormente a aplicação de multas nos casos de lançamento de oficio pela Administração Pública Federal. A partir de janeiro de 2007, o mencionado art. 44 passou a apresentar a seguinte redação, verbis: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 13558.001078/200348 Acórdão n.º 910100.888 CSRFT1 Fl. 354 7 III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal.” (destacouse) Da comparação entre a redação vigente e a anterior do mesmo dispositivo, constatase que com as alterações introduzidas recentemente a penalidade isolada não deve mais incidir "sobre a totalidade ou diferença de tributo", mas apenas sobre "valor do pagamento mensal" a título de recolhimento de estimativa. Além disso, para compatibilizar as penalidades ao efetivo dano que a conduta ilícita proporciona, ajustouse o percentual da multa pela falta de recolhimento de estimativas para 50%, passível de redução a 25% no caso de o contribuinte, notificado, efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação. Desta forma, a penalidade isolada aplicada em procedimento de oficio em função da não antecipação no curso do exercício se aproxima da multa de mora cobrada nos casos de atraso de pagamento de tributo (20%). Providência que se fazia necessária para tomar a punição proporcional ao dano causado pelo descumprimento do dever de antecipar o tributo. Porém, este novo disciplinamento das sanções administrativas aplicadas no procedimento de ofício passaram a viger somente a partir de janeiro de 2007, portanto, após os fatos de que tratam os autos. No caso presente, em relação ao anocalendário 2000, a contribuinte foi autuada para exigir principal e multa de oficio em relação IRPJ não recolhido ao final do exercício e, concomitantemente, foi aplicada multa isolada sobre a mesma base estimada não recolhida. Como exposto, essa dupla penalização sobre ilícitos materialmente relacionados e por força do princípio da consunção, não pode subsistir. Por todo exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional, mantendo afastada a aplicação da multa isolada. É como voto. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Relator Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 13558.001078/200348 Acórdão n.º 910100.888 CSRFT1 Fl. 355 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS
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Numero do processo: 14485.001909/2007-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1996
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO FOLHA DE PAGAMENTO SEGURADOS EMPREGADOS DIRETORES EMPREGADOS SALÁRIO INDIRETO PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA
QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE STF.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a “Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””.
O lançamento foi efetuado em 27/11/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 05/12/2007. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/1995 a 12/1996, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de ofício.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2401-002.123
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a “Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. O lançamento foi efetuado em 27/11/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 05/12/2007. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/1995 a 12/1996, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de ofício. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 136DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 137DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14485.001909/200779 Acórdão n.º 240102.123 S2C4T1 Fl. 2 3 Relatório O presente NFLD, lavrada sob o n. 35.808.7384, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados não descontada em época própria, parcela da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os valores pagos à título de alimentação paga aos segurados empregados no período de 01/1995 a 12/1996. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 14/12/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 20/12/2005. Não conformada com a NFLD a recorrente apresentou impugnação, fls. 75 a 89. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que determinou a improcedência da notificação, conforme fls.117 a 124, tendo em vista o alcance da decadência quinquenal. A DRFB encaminhou o processo a este Conselho, sem o oferecimento de contrarazões. É o Relatório. Fl. 138DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: Tratase de recurso de ofício, com base no art. 34, I do Decreto 70235/72, c/c art. 366, I do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3048/99, e c/c art. 1º da portaria nº 3 de 3/1/2008 do Ministro da Fazenda. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Com fundamento na Súmula nº 08 do STF, prolatou a autoridade julgadora decisão, no sentido de determinar a improcedência do lançamento, tendo em vista que a totalidade do mesmo encontrase alcançado pela decadência qüinqüenal. Neste sentido, entendo que razão assiste ao julgador nos termos abaixo propostos. Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido, à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, razão assiste ao contribuinte nos termos abaixo expostos. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Fl. 139DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14485.001909/200779 Acórdão n.º 240102.123 S2C4T1 Fl. 3 5 Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser Fl. 140DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido Fl. 141DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14485.001909/200779 Acórdão n.º 240102.123 S2C4T1 Fl. 4 7 efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial Fl. 142DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 143DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14485.001909/200779 Acórdão n.º 240102.123 S2C4T1 Fl. 5 9 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. Ocorre que no caso em questão, o lançamento foi efetuado em 27/11/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 05/12/2007. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/1995 a 12/1996, sendo assim, irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, haja vista que a decadência há de ser declarada por qualquer das teorias existentes. CONCLUSÃO: Fl. 144DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Voto pelo CONHECIMENTO do RECURSO DE OFÍCIO para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 145DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13819.003512/2003-14
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES – A atividade de podologia não pode ser
caracterizada como atividade regulamentada, e não se equipara à atividade de médico ou enfermeiro. Uma atividade não pode ser livremente equiparada, devendo ser comprovado que o contribuinte exerce atividade regulamentada ou assemelhada.
Numero da decisão: 9101-001.004
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
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Uma atividade não pode ser livremente equiparada, devendo ser comprovado que o contribuinte exerce atividade regulamentada ou assemelhada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 11ªª TTUURRMMAA DDAA CCÂÂMMAARRAA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Alberto Pinto Souza Júnior, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Júnior, Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Fl. 363DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13819.003512/200314 Acórdão n.º 910101.004 CSRF‐T1 Fl. 2 2 Tratase de Recurso Especial interposto pela União Federal (fls. 62/76), contra o Acórdão nº. 30335.091 (fls. 50/57), proferido pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. O processo se refere ao Ato Declaratório Executivo nº. 474.905, de 07 de agosto de 2003 (fls. 07 do Processo Administrativo apensado de nº. 13819.002998/200365), por meio do qual o contribuinte ALEGRIA DOS PÉS PODOLOGIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS PREVENTIVOS LTDA., ora Recorrido, foi excluído do programa SIMPLES de recolhimento de tributos federais, nos termos do artigo 9º,inciso XIII; artigo 12; artigo 14, inciso I e artigo15, inciso II, todos da Lei nº. 9.317/96, bem como da Instrução Normativa SRF nº. 250, de 26/11/2002, artigo 20, inciso XII; artigo21; artigo 23, inciso I; artigo 24, inciso II, e parágrafo único. Em síntese, o contribuinte foi excluído do SIMPLES, por meio do referido Ato Declaratório, sob o argumento de exercer a atividade econômica vedada, qual seja, “Outras Atividades relacionadas com a atenção à saúde” – Código CNAE 85162/99. Cientificado da sua exclusão do SIMPLES, o contribuinte apresentou Impugnação em 10.11.2003 (fls. 01), argumentando, em suma que (i) a empresa, sob própria orientação da Receita Federal, sempre esteve enquadrada no SIMPLES; (ii) a empresa não pode ser excluída do Simples, pois sua atividade não depende de registro em qualquer órgão regulamentador, bastando ter curso profissionalizante para estar apto a exercêlo; (iii) por dois anos consecutivos, após a entrega da Declaração Simplificada, em consulta com fiscal da Receita para verificar se não havia impedimento, foram orientados que não havia nenhuma restrição e o sistema não deixava de recepcionar a Declaração, apesar de acusar que o CNAE não pode ser optante; (iv) solicitando, por fim, seu enquadramento no SIMPLES. Na sequência, às fls. 32/35, foi proferido despacho decisório nº. 175/2004, no qual foi proposta a manutenção da exclusão do contribuinte do SIMPLES, bem como encaminhou a análise da Impugnação a Delegacia de Julgamento da Receita Federal. Notificado do despacho decisório nº. 175/2004, o contribuinte apresentou nova Impugnação que em síntese solicitou a alteração do seu CNAEfiscal de 85162/99 para 93055/02 para que possa continuar exercendo suas atividades até o julgamento final do presente processo. Foi proferido acórdão pela 1ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Campinas (fls. 44/47) sob o nº. 0515.051, no dia 01.11.2006, com a seguinte ementa, in verbis: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 PODOLOGIA. VEDAÇÃO. Fl. 364DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13819.003512/200314 Acórdão n.º 910101.004 CSRF‐T1 Fl. 3 3 Pessoa jurídica que presta serviços profissionais de podologia não pode optar pelo Simples. Solicitação Indeferida A ciência do Acórdão nº. 0515.051 se deu em 30.01.2007 (fls. 49). O contribuinte apresentou Recurso Voluntário, em 23.02.2007 (fls. 50/61), ao Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Em síntese, o contribuinte alegou que: (i) Em matéria tributária prevalece o principio da legalidade estrita, art. 150, 1 da Constituição Federal, sendo vedada a analogia ou qualquer interpretação, sobretudo quando o contribuinte poderá ser prejudicado, desta forma, não pode a Administração Pública determinar de oficio a exclusão do contribuinte, visto que a atividade exercida por este não consta no rol das atividades vedadas. (ii) A leitura do inciso XIII do artigo 9° da Lei n° 9.317/96, indica, por si só, que a atividade de podologia não se encontra nas vedações contidas na norma e o termo 'ou assemelhados', contido no inciso em questão seja suficiente para vedar a opção pelo Simples para a ora Recorrente; (iii) Não pode a autoridade fazendária utilizarse da interpretação analógica para impedir que a Recorrente se utilize de tratamento especial que lhe faculta a Constituição Federal, uma vez que não bastam as atividades serem assemelhadas, devendo, ao mesmo tempo, a profissão depender de habilitação legalmente exigida. (iv) A profissão de podólogo não depende de habilitação legalmente exigida de tal modo que a contribuinte não estaria impedida de realizar a opção pelo Simples. (v) A jurisprudência já pacifica de nossos tribunais perfilha o entendimento que mesmo os hospitais podem fazer a opção pelo Simples, não havendo que se falar em "semelhança" entre a atividade do hospital e aquela exercida por médicos e enfermeiros. Sobreveio o Acórdão nº. 30335.095 da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, com a seguinte ementa, in verbis: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Anocalendário: 2002 SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA. "PODOLOGIA". LC 123, de 14/12/06. Nos termos da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, artigo 17, §2°, "poderão optar pelo Simples Nacional sociedades que se dediquem exclusivamente à prestação de outros serviços que não tenham sido objeto de vedação expressa no caput deste artigo". RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Fl. 365DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13819.003512/200314 Acórdão n.º 910101.004 CSRF‐T1 Fl. 4 4 O Recurso Especial da União Federal alega, primeiramente, que o Acórdão recorrido contraria o artigo 9º, inciso XIII, da Lei n°. 9.317/96; os artigos 88 e 89, da Lei Complementar nº. 123/2006; o artigo 106 do CTN e o art. 94 do ADCT. Em síntese, afirma que o Acórdão ora recorrido se valeu da Lei Complementar nº. 123/06, ainda não existente à época da exclusão do contribuinte do SIMPLES, aplicandoa retroativamente e, por conseqüência, afastando a Lei n°. 9.317/96, então em vigor. Neste sentido alegou ainda que haja jurisprudência pacificada do STJ no sentido de que as regras introduzidas no sistema jurídico nacional, no que tangem a opção pelo SIMPLES, só poderiam ser utilizadas a partir da vigência da norma e não de forma retroativa. Alega, por fim, que a qualificação da atividade de podologia já foi objeto de consulta no âmbito da Receita Federal, e naquele momento houve o entendimento de que essa atividade se assemelha à de médico, enfermeiro, fisicultor etc, de modo que o contribuinte não poderia ser optante do SIMPLES. O Despacho de admissibilidade de fls. 78/79 deu seguimento ao Recurso Especial e o contribuinte apresentou suas contrarrazões às fls. 82/91. É relatório. Voto Fl. 366DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13819.003512/200314 Acórdão n.º 910101.004 CSRF‐T1 Fl. 5 5 Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O Recurso Especial reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação de regência e lhe foi dado seguimento em despacho de admissibilidade, pelo que dele conheço. No tocante ao mérito, a questão cingese em saber se a atividade do contribuinte é considerada atividade vedada para a opção do SIMPLES. Nesse sentido, de um lado, o contribuinte reitera que não há similaridade entre os serviços de podologia com o de médico e enfermeiros. Desse modo, entende o contribuinte que sua atividade não se enquadra nas atividades descritas no artigo 9º, inciso XIII, da Lei nº. 9.317/96, o qual determina que qualquer profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida, a pessoa jurídica não poderia optar pelo SIMPLES. Nesse sentido, reproduzo a norma acima citada: Artigo 9°. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; Por outro lado, a Fazenda Nacional argumenta que a atividade do contribuinte é atividade que é vedada para adesão ao SIMPLES. Além disso, aduz que o Acórdão ora recorrido se valeu da Lei Complementar nº. 123/06, ainda não existente à época da exclusão do contribuinte do SIMPLES, aplicandoa retroativamente e, por consequência, afastando a Lei n°. 9.317/96, então em vigor. Neste sentido alegou ainda que haja jurisprudência pacificada do STJ no sentido de que as regras introduzidas no sistema jurídico nacional, no que tangem a opção pelo SIMPLES, só poderiam ser utilizadas a partir da vigência da norma e não de forma retroativa. Primeiramente, no que tange a alegação da Fazenda Nacional acerca da aplicação da Lei Complementar nº. 123/2006, entendo que a discussão acerca da retroatividade dessa norma não vem ao caso, uma vez que o objeto da Lei Complementar nº. 123/2006 é diverso da discussão objeto do presente Processo Administrativo, sendo que a menção efetuada equivocadamente pelo acórdão recorrido é insuficiente a determinar o cancelamento do Fl. 367DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13819.003512/200314 Acórdão n.º 910101.004 CSRF‐T1 Fl. 6 6 decisum, já que mesmo sob a égide da Lei nº 9.317/96, não há semelhança entre serviço de médico e enfermeiro e a atividade exercida pela Recorrente. Passado este ponto, cumpre averiguar a natureza da atividade desenvolvida pelo contribuinte. A atividade de podologia não se assemelha a de médico ou de enfermeiro, bem como não prescinde de habilitação para seu exercício, tendo em vista não existir legislação regulamentandoa. Neste sentido, não há que se falar que o contribuinte estaria enquadrado no artigo 9º, inciso XII, da Lei nº. 9.317/96. A par da argumentação da d. Procuradoria da Fazenda Nacional, a citação de página da internet do SENAC, para o curso de podologia, demonstra que este é profissionalizante e que em nada envolve profissão regulamentada. E muito menos se poderia comparar a uma atividade de médico ou de enfermeiro, estas últimas sim prescindem de habilitação para regular exercício. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Relatora.24 de maio de 2011 Fl. 368DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS
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Numero do processo: 17883.000300/2005-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001
LANÇAMENTO. ERROS.
O lançamento inquinado de vários erros que o tornem imprestável à cobrança e prejudicial à defesa deve ser cancelado.
Numero da decisão: 1302-000.784
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício, e dar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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ERROS. O lançamento inquinado de vários erros que o tornem imprestável à cobrança e prejudicial à defesa deve ser cancelado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 17883.000300/200516 Acórdão n.º 130200.784 S1C3T2 Fl. 303 2 Tratase de apreciar Recurso de Ofício e Recurso Voluntário interpostos em face de acórdão proferido nestes autos pela 1ª Turma da DRJ/RPO, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, julgar procedente em parte o lançamento, para considerar devidas as exigências abaixo, que deverão ser acrescidas de multa de ofício de 75% e de juros de mora: IRPJ: R$ 70.316,39 PIS: R$ 19.968,11 CSLL: R$ 35.010,65 COFINS: R$ 92.160,58. O acórdão seguiu assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2000, 2001 NULIDADE. ERROS DE CÁLCULO. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente em consonância com a legislação de regência. Eventuais erros de cálculo não tornam o lançamento tributário nulo, ensejando, tãosomente, a retificação do montante apurado. JUNTADA DE PROVAS. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. PEDIDO DE PERÍCIA. Rejeitase o pedido de perícia, se prescindível a solução do litígio. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000, 2001 DECADÊNCIA. IRPJ. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 10 (dez) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 17883.000300/200516 Acórdão n.º 130200.784 S1C3T2 Fl. 304 3 JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgão colegiado, sem lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 OMISSÃO DE RECEITA. PAGAMENTOS EFETUADOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Mantémse o lançamento, quando não comprovada a origem dos recursos financeiros utilizados nos pagamentos efetuados em nome do Interessado. OMISSÃO DE RECEITA. REAJUSTE DO LUCRO REAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. A omissão de receita enseja o reajuste do lucro real. O reajuste deve ser considerado no cálculo da compensação do prejuízo fiscal. OMISSÃO DE RECEITA. REAJUSTE DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. A omissão de receita enseja o reajuste da base de cálculo da CSLL. O reajuste deve ser considerado no cálculo da compensação da base de cálculo negativa da CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz em razão da relação de causa e efeito que os vincula. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Tratase de auto de infração lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Volta Redonda/RJ (fls. 01/192), o qual foi cientificado ao interessado em 19/12/2005, para exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ de R$ 750.004,93, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS de R$ 19.968,11, Contribuição Social de R$ 276.481,75, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS de R$ 92.160,58 e acréscimos legais, totalizando o crédito tributário de R$ 3.010.126,24 (fls. 05). 2. No curso do procedimento fiscal, a autoridade administrativa lançadora, conforme relatado no Termo de Constatação Fiscal nº 002 (fls. 160/162) e na descrição dos fatos do auto de infração, constatou a seguinte irregularidade: 3. – Omissão de Receita: configurada por pagamentos efetuados com recursos de origem não comprovada, no montante de R$ 2.512.365,10 (ano calendário 2000) e R$ 559.654,67 (anocalendário 2001), conforme demonstrativos às fls. 162/163. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 17883.000300/200516 Acórdão n.º 130200.784 S1C3T2 Fl. 305 4 4. Em decorrência da infração acima foram lavrados autos de infração de CSLL, PIS, COFINS. 5. O enquadramento legal da autuação encontrase descrito às fls. 166, 171, 174, 177, 180, 184, 187, 190. 6. O interessado, cientificado em 22/12/2005 (fl. 193), apresentou, em 17/01/2006, impugnação (fls. 197/211), na qual alega, em síntese, que: 7. – a autuação é nula em razão de erro no cálculo do IRPJ e da CSLL, visto que os resultados informados nas DIPJs, assim como os prejuízos acumulados foram ignorados; 8. – parte dos créditos lançados se encontram atingidos pela decadência, visto que o fato gerador é trimestral, sendo o prazo decadencial contado a partir de cada trimestre, na forma do art. 150, § 4o. do CTN; 9. – em relação às contribuições (CSLL, PIS e COFINS) não se aplica o art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, conforme jurisprudência administrativa; 10. – “a Fiscalização confundiu o procedimento do lançamento do IRRF nos casos de pagamento sem causa ou a beneficiário indeterminado (art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995) com o caso do IRPJ em casos de omissão de receita (caso dos autos)”; 11. – mantém com a empresa TIC Administração e Participações Ltda contrato de contacorrente, conforme cópia em anexo; 12. – após formalização do contrato, fez o primeiro lançamento na conta corrente que mantém com a empresa TIC LTDA, por meio de nota de débito emitida em 06/11/1998 e aceita pela contratante na mesma data; 13. – deste primeiro lançamento, originouse saldo credor em seu favor, que a empresa TIC LTDA vem amortizando ao longo dos anos, conforme extrato em anexo; 14. – sempre que necessita de recursos para realizar seus pagamentos, o Interessado requer que a empresa TIC amortize parte de seu saldo devedor, registrados no contacorrente através de “notas de débito” emitidas pela empresa TIC LTDA; 15. – tais valores não transitaram no caixa ou em conta bancária do Interessado, uma vez que foram imediatamente utilizados nos pagamentos realizados pela empresa; 16. – todos os movimentos foram formalmente registrados na escrita contábil tanto da Impugnante quanto da empresa TIC Ltda; 17. – a fiscalização não pode desconsiderar e taxar como imprestável a documentação apresentada de acordo com sua vontade, é preciso que se prove sua inidoneidade; 18. – os documentos apresentados são válidos e atestam uma realidade fática; 19. – a situação pessoal e a contabilização do resultado da TIC LTDA é matéria estranha ao feito e não diz respeito ao Interessado; 20. Cita jurisprudência administrativa e judicial. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 17883.000300/200516 Acórdão n.º 130200.784 S1C3T2 Fl. 306 5 21. Solicita a realização de perícia, informa assistente técnico e apresenta quesitos (fls. 210/211). 22. Encerra requerendo a procedência da impugnação, para extinguir o crédito tributário, informando que provará o alegado por todos os meios em direito admitidos, em especial pelos documentos anexados, pela perícia e pela juntada posterior de documentos, face ao exíguo prazo concedido para impugnação. 23. Acosta ao processo documentos às fls. 212/318. 24. O Interessado apura a base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social pelo lucro real anual, conforme cópias das declarações de rendimentos dos anoscalendário 2000 e 2001, acostadas às fls. 10/79. A parcela exonerada não mereceu remanescer porque, no entender do colegiado, a autoridade fiscal não efetuou a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL acumuladas, nem considerou o resultado negativo apurado pelo contribuinte no período. Neste sentido, foram refeitos os cálculos, considerandose o resultado negativo apurado pelo autuado e foram também procedidas as compensações de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL até o percentual de 30% das novas bases de cálculo obtidas, computadas as omissões de receita apuradas. O demonstrativo III, descrito no votocondutor do acórdão sintetizou os valores mantidos, na forma abaixo: TRIBUTO / CONTRIBUIÇÃO VALOR LANÇADO VALOR EXONERADO VALOR MANTIDO IRPJ (R$) 750.004,93 679.688,54 70.316,39 CSLL (R$) 276.481,75 241.471,10 35.010,65 PIS (R$) 19.968,11 0,00 19.968,11 COFINS (R$) 92.160,58 0,00 92.160,58 TOTAL (R$) 1.138.615,37 921.159,64 217.455,73 A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, alegou, em síntese, que: Preliminarmente, houve cerceamento do direito de defesa pelo indeferimento da prova pericial; verificouse decurso do prazo decadencial do direito de constituição do crédito tributário; No mérito, o procedimento por amostragem viola o princípio da tipicidade cerrada; os documentos utilizados na autuação são provenientes de contabilidades alheias. Ao usálos, a fiscalização transferiu indevidamente ao sujeito passivo o ônus da prova; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 17883.000300/200516 Acórdão n.º 130200.784 S1C3T2 Fl. 307 6 o lançamento é baseado em operações bancárias, sendo ilegítimo, conforme a jurisprudência do antigo 1º Conselho de Contribuintes. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 17883.000300/200516 Acórdão n.º 130200.784 S1C3T2 Fl. 308 7 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso de ofício satisfaz os requisitos de admissibilidade, por ser o montante do crédito exonerado superior a R$ 1.000.000,00, nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997, e do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, e portanto, dele conheço. Desconsideração do resultado do exercício na apuração do lucro real O acórdão recorrido reformou o auto de infração lavrado, por ter a autoridade fiscal feito os levantamentos em desconformidade com o lucro real apurado pelo contribuinte, calculando os tributos com base na base de cálculo apurada exclusivamente com base nas receitas omitidas. Tal decisão está corretamente lastreada no art. 247 do RIR/99, verbis: Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º). Desta forma, andou mal a fiscalização ao desconsiderar o lucro líquido do período de apuração, ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pelo RIR/99, ao calcular a base de cálculo do lançamento efetuado, pois caso tivesse dúvidas acerca da legitimidade dos fatos contábeis declarados deveria ter aprofundado as investigações para esclarecêlos. É correta, portanto, a retificação procedida pela DRJ. Desconsideração dos prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL A turma julgadora houve por bem considerar os prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL obtidos pela recorrente em anoscalendário anteriores, para considerálos na apuração do lucro real e valores de IRPJ e CSLL devidos, limitados ao percentual de trinta por cento, partindo do entendimento que a dedução constitui faculdade do contribuinte. Tal procedimento está em consonância com o que prescrevem os art. 15 e 16 da Lei nº 9.065/95, in verbis: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 17883.000300/200516 Acórdão n.º 130200.784 S1C3T2 Fl. 309 8 cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Não vislumbro reparos ao decisum, neste tópico. O recurso voluntário é tempestivo, e portanto, dele também conheço. O lançamento é baseado em operações bancárias, sendo ilegítimo, conforme a jurisprudência do 1º Conselho de Contribuintes. Os dispositivos argüidos não dão amparo ao lançamento feito (art.249, II, 278, 279,280 3 288). A situação coligida pela fiscalização foi a existência de pagamentos, efetuados em nome da empresa Santa Lúcia, cuja origem dos recursos não foi devidamente comprovada, uma vez que ficou demonstrado que a possível detentora do numerário utilizado, a “TIC”, não possuía lastro para suportar os respectivos desembolsos (fl.162). Assim, vêse que a situação é de presunção de omissão de receitas. No caso, a conhecida presunção hominis, pois a hipótese não é amparada por nenhum dispositivo legal. Nem mesmo a hipótese do art. 281, II, do RIR/99 foi utilizada pela fiscalização em sua fundamentação, verbis: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): ... II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; Fl. 8DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 17883.000300/200516 Acórdão n.º 130200.784 S1C3T2 Fl. 310 9 O lançamento ainda contou com o erro na identificação do tempo da ocorrência do fato gerador, pois a autoridade fiscal consignou como data de ocorrência dos fatos geradores os encerramentos de períodos trimestrais, fato que levou à requerente a postular a sua decadência de acordo com os fatos lançados, ou seja, no encerramento dos trimestres. Além disso, conforme supracitado, houve ainda a desconsideração da apuração do lucro real procedida pelo contribuinte e de seus prejuízos acumulados e bases de cálculos negativas de CSLL acumuladas. Por se tratar de presunção hominis, acredito que além do fato indiciário dever estar solidamente estabelecido, bem como a situação de causalidade entre este e o fato gerador consignado na lei, a peça acusatória também deve delimitar com precisão as circunstâncias temporais e materiais do fato gerador, situação que não se vê. Desta forma, ainda antes de adentrar ao mérito da defesa, entendo que a peça acusatória é vulnerada por tantos erros que a tornam imprestável para consubstanciar um lançamento, com a certeza que lhe impõe o art. 142 do CTN, bem como, ela chega até mesmo a prejudicar a ampla defesa do contribuinte por dificultála, devido aos erros contidos. Assim, voto para negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar os autos de infração lavrados. Sala das Sessões, 23 de novembro de 2011. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 9DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10675.905360/2009-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 15/04/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO.
MANIFESTAÇÃO SOBRE OS VALORES DECLARADOS EM DCTF
RETIFICADORA. OBRIGATORIEDADE.
O direito de pleitear a repetição de indébito não está condicionado à
retificação, antes da transmissão do Pedido de Restituição, de DCTF que
contenha erro material. Ao apurar a liquidez e certeza do crédito pleiteado,
deve a autoridade competente manifestarse
sobre a legitimidade dos valores
declarados em DCTF retificadora apresentada antes da emissão do Despacho
Decisório.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.297
Decisão: Acordam os membros do colegiado, [Tabela de Resultados]
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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DESPACHO DECISÓRIO. MANIFESTAÇÃO SOBRE OS VALORES DECLARADOS EM DCTF RETIFICADORA. OBRIGATORIEDADE. O direito de pleitear a repetição de indébito não está condicionado à retificação, antes da transmissão do Pedido de Restituição, de DCTF que contenha erro material. Ao apurar a liquidez e certeza do crédito pleiteado, deve a autoridade competente manifestarse sobre a legitimidade dos valores declarados em DCTF retificadora apresentada antes da emissão do Despacho Decisório. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, [Tabela de Resultados] (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 14/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 125DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório No dia 14/12/2004 a empresa PONTO FORD COMÉRCIO LTDA. apresentou PER/DCOMP pleiteando a restituição de PIS pago a maior no dia 15/04/2004 (PA 03/2004) por erro de apuração. A RFB indeferiu o pleito da recorrente, e não homologou a compensação declarada, sob a alegação de que o pagamento indicado no PER/DCOMP fora integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo credor disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP, conforme Despacho Decisório emitido no dia 09/06/2009 (fl. 04). Na DCTF original, apresentada no dia 14/05/2004, foi declarado débito do PIS do PA 03/2004 no valor de R$ 1.191,33 e vinculado pagamento no mesmo valor de R$ 1.191,33. A DCTF retificadora foi apresentada no dia 30/06/2008 e nela a recorrente declarou débito do PIS do PA 03/2004, no valor de R$ 364,49, e vinculou a este débito o pagamento no valor de R$ 1.191,33. Ciente, a empresa interessada apresenta manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que errou no cálculo do PIS e que o crédito é legítimo e passível de compensação e que efetuou a retificação da DCTF para sanar a inconsistência que teria provocado a rejeição da compensação. A DRJ em Juiz de Fora MG indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 0930832, de 11/08/2010 fls. 53/55. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 16/09/2010 e, não se conformando, apresentou recurso voluntário no dia 14/10/2010 (fls. 58/67), no qual alega que: 1) incluiu na base de cálculo do PIS a receita de venda de peças para veículos, produtos com tributação monofásica (demonstra a base de cálculo que considera correta) e informou tal valor na DCTF. 2) em 30/06/2008 apresentou DCTF retificadora, após ter identificado um erro na apresentação da DCTF original enviada no dia 14/05/2004. 3) em 09/06/2009 a RFB emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando a compensação pleiteada. 4) os erros de natureza meramente formal cometidos pelo contribuinte não devem ensejar imposição fiscal, conforme jurisprudência administrativa que cita. É o relatório do essencial. Voto Fl. 126DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.905360/200967 Acórdão n.º 330201.297 S3C3T2 Fl. 122 3 Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente apurou a existência de pagamento indevido de PIS e o utilizou para compensação de débitos seus, apresentando a competente PER/DCOMP sem, contudo, efetuar previamente a retificação da DCTF, vindo a fazêlo em momento posterior, mas antes do exame do seu pedido e da emissão do competente despacho decisório. Ao apreciar o pedido da recorrente a autoridade da RFB não levou em consideração a DCTF retificadora e comparou o pagamento tido como a maior com o débito declarado na DCTF original. Com este procedimento a RFB constatou que o valor do pagamento (Darf) informado pela recorrente fora integralmente aproveitado no débito de mesmo valor informado na DCTF original e, por esta razão, não reconheceu a existência de crédito e não homologou a compensação declarada. Por seu turno, a decisão recorrida sustenta a improcedência do pedido da recorrente pelas seguintes razões: A manifestação de inconformidade não traz elementos que comprovem que esse novo valor fora apurado e declarado à RFB em data anterior à transmissão da DCOMP n° 40910.79733.141204.1.3.044484, ou que houve erro de fato na informação prestada na DCTF original, contrariando assim, o inciso III do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 8.748/93, que estabelece que "a impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Considerando que a DCTF constituise em confissão de divida, os débitos nela declarados e não pagos são exigíveis, sendo passíveis de inscrição em Divida Ativa da Unido para futura execução fiscal. Assim o pagamento efetuado foi corretamente alocado ao débito declarado pela empresa, não existindo de fato saldo disponível a ser usado em compensação, na data da transmissão da DCOMP em análise. [...] A legislação vigente a época da transmissão da DCOMP trazia que: 1) Com fulcro no parágrafo 14°, do artigo 74 da Lei 9.430/1996, que prevê que "a Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação", foi emitida a Instrução Normativa SRF n° 210/2002, cujo artigo 28 estabelece que "na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da Fl. 127DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação" (grifei). Tal Instrução Normativa foi revogada pela de n° 460/2004, que por sua vez foi revogada pela de n° 600/2005, que mantêm a mesma determinação também no artigo 28. [...] Assim não resta dúvidas de que a compensação se dá na data da transmissão da DCOMP, sendo que nessa data não existia o crédito ali informado, ou seja: na data da transmissão da DCOMP não havia crédito liquido `e certo para proporcionar a extinção do débito nela declarado. A empresa recorrente sustenta que o crédito efetivamente existe, a retificação da DCTF ocorreu antes da emissão do despacho decisório e, por fim, que erro de natureza meramente formal cometidos pelo contribuinte não deve ensejar lançamento de ofício. Junta demonstrativo de apuração da base de cálculo, com a exclusão da receita com a venda de autopeças, que tem tributação monofásica. Com razão a recorrente. Tenho reiteradamente defendido neste Colegiado que, em matéria tributária, a verdade material deve ser sempre perseguida, isto sem afastar as normas procedimentais da RFB. No caso em tela, não existe norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. O comando contido no art. 28 da IN SRF nº 210/2002 diz respeito à valoração do crédito e não tem relação com as condições para o reconhecimento do crédito pleiteado em Pedido de Restituição, como sugere a decisão recorrida. Portanto, não há impedimento legal algum para a retificação da DCTF antes da manifestação da Autoridade Administrativa sobre a existência ou não do direito creditório pleiteado, ou seja, antes da emissão do competente Despacho Decisório. Além disto, a retificação de DCTF tem efeitos desconsiderados pelo acórdão de primeira instância. Pelas disposições contidas no art. 18 da Medida Provisória no 2.18949/2001, a DCTF retificadora, quando admitida, tem os mesmos efeitos da original. De acordo com o art. 9º, I, da IN RFB no 1.110/2010, somente não seriam admitidas para reduzir o tributo declarado as DCTF retificadoras relativas a tributos cuja cobrança tenha sido enviada à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ou que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, o que não é o caso dos autos, uma vez que o procedimento eletrônico referiuse à declaração de compensação e não à DCTF. Portanto, o despacho que não homologou a compensação não impedia a retificação da DCTF que, por sua vez, substituiu completamente a original. Para que não houvesse tal situação, a Receita Federal teria que prever que o despacho de não homologação da declaração de compensação, baseado na inexistência de saldo de crédito pela sua alocação à débito declarado em DCTF, fosse causa de não admissão da DCTF retificadora. Fl. 128DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.905360/200967 Acórdão n.º 330201.297 S3C3T2 Fl. 123 5 Desta forma, a DCTF retificadora apresentada alterou a situação jurídica outrora constatada pelo despacho decisório, de que inexistiria indébito pela ausência de saldo de crédito e, portanto deveria ter sido considerado pelo despacho decisório e não o foi. Particularmente, frente a inexistência de normativo ou lei condicionando o reconhecimento do indébito à retificação de DCTF antes da apresentação do pedido de restituição e os efeitos da DCTF retificadora admitida, tenho manifestado o entendo de que o fato de a RFB vir a conhecer do erro material em fase posterior à apresentação regular da PER/DCOMP, especialmente por meio de DCTF retificadora, não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Ao decidir, a autoridade fazendária deve levar em consideração todos os fatos que sejam do seu conhecimento, relacionados ao pedido do contribuinte, a exemplo de DCTF retificadora apresentada antes da emissão do competente Despacho Decisório. No caso em tela, o indébito pode existir e, existindo, tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN e na forma prescrita na IN RFB nº 600/2005. Portanto, deve a autoridade da RFB competente para reconhecer o direito creditório pleiteado manifestarse sobre a legitimidade dos débitos declarados na DCTF retificadora apresentada antes da emissão do Despacho Decisório e, se for o caso, apurar o crédito a restituir e homologar as compensações realizadas e declaradas pela recorrente. Caso contrário, ou seja, não apurando crédito a restituir ou apurando em valor inferior ao pleiteado, dar ciência de sua decisão à recorrente, abrindolhe prazo para apresentação de manifestação de inconformidade. Concluindo: à mingua de previsão legal, a falta de apresentação de DCTF retificadora, ou a sua apresentação antes ou após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não se constitui em motivo para o indeferimento do pedido de restituição e, consequentemente, para a não homologação das compensações declaradas. Deve, portanto, a autoridade administrativa da RFB apurar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado considerando todas as provas trazidas aos autos e outras que julgar imprescindível para apurar a verdade material e formar sua convicção. Reconhecido a liquidez e certeza do crédito pleiteado, deve a autoridade da RFB homologar as compensações declaradas até o limite do crédito apurado. Caso contrário, ou seja, não apurando crédito líquido e certo a favor da recorrente, ou apurando em valor inferior ao pleiteado, deve a autoridade da RFB dar ciência de sua decisão à recorrente, abrindolhe prazo para apresentação de manifestação de inconformidade. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar que a autoridade da RFB apure a liquidez e a certeza do crédito pleiteado pela recorrente, considerando as provas trazidas aos autos e outras que julgar conveniente, e, se for o caso, homologue as compensações declaradas pela recorrente. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 129DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Fl. 130DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13888.001658/2003-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/09/1997 a 30/11/1997
LANÇAMENTO. COMPENSAÇÃO. CANCELAMENTO.
Cancela-se o lançamento quando o contribuinte comprova que apresentou, anteriormente ao lançamento, pedido de compensação dos débitos lançados, deferida pela autoridade fiscal.
DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se a ato pretérito a legislação que comine penalidade menos severa que a vigente à época do lançamento.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3302-001.196
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Jose Antonio Francisco
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1997 a 30/11/1997 LANÇAMENTO. COMPENSAÇÃO. CANCELAMENTO. Cancela-se o lançamento quando o contribuinte comprova que apresentou, anteriormente ao lançamento, pedido de compensação dos débitos lançados, deferida pela autoridade fiscal. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplica-se a ato pretérito a legislação que comine penalidade menos severa que a vigente à época do lançamento. Recurso de Ofício Negado
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1997 a 30/11/1997 LANÇAMENTO. COMPENSAÇÃO. CANCELAMENTO. Cancelase o lançamento quando o contribuinte comprova que apresentou, anteriormente ao lançamento, pedido de compensação dos débitos lançados, deferida pela autoridade fiscal. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase a ato pretérito a legislação que comine penalidade menos severa que a vigente à época do lançamento. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Fl. 125DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 16/09/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13888.001658/200301 Acórdão n.º 330201.196 S3C3T2 Fl. 114 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso de ofício contra o Acórdão no 1419.985, de 08 de agosto de 2008, da 4ª Turma da DRJ/RPO (fls. 79 a 83), que, relativamente a auto de infração de Cofins dos períodos de setembro a novembro de 1997, considerou procedente em parte o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/09/1997 a 30/11/1997 LANÇAMENTO. COMPENSAÇÃO. CANCELAMENTO. Cancelase o lançamento quando o contribuinte comprova que efetuou a compensação dos débitos lançados. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase a ato pretérito a legislação que comine penalidade menos severa que a vigente à época do lançamento. Lançamento Procedente em Parte O auto de infração foi lavrado em 18 de julho de 2003, de acordo com o termo de fls. 7 a 9. Cientificada do teor do acórdão em 18 de outubro de 2008, a Interessada, em 19 de novembro, comunicou o recolhimento da diferença mantida pela DRJ (fl. 88), restando em julgamento o recurso de ofício em relação à compensação e à multa cancelada. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: A empresa qualificada em epígrafe foi autuada em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), referente ao período entre setembro de novembro de 1997, exigindoselhe contribuição de R$ 848.442,83, multa de ofício de R$ 636.332,12 e juros de mora de R$ 942.837,76, perfazendo o total de R$ 2.427.612,71. O enquadramento legal encontrase à fl. 6. O lançamento devese à nãocomprovação de compensação sem Darf informada em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), no período acima. Inconformada, a autuada impugnou o lançamento alegando que os débitos relativos aos meses de outubro e novembro de 1997, foram objeto de parcelamento, conforme pedidos de Fl. 126DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 16/09/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13888.001658/200301 Acórdão n.º 330201.196 S3C3T2 Fl. 115 3 compensação e documentos comprobatórios de compensação, que anexa a fls. 13 a 43. Com relação ao valor de R$ 2.008,81, referente a de setembro de 1997, alega que o valor originalmente declarado nesse mês de R$ 278.331,90 foi alterado, conforme DCTF retificadora, para R$ 276.323,09, e a diferença, R$ 2.008,81, foi objeto de pedido de compensação com parte do débito de novembro. Sendo assim, o presente foi baixado em diligência que a fiscalização se manifestasse quanto aos documentos comprobatórios de compensação de fls. 25, 34, 38 e 43, bem assim se a alegada diferença de setembro estaria compensada em novembro. Após a diligência, foram anexados os documentos de fls. 62 a 76. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso satisfaz os requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. A DRJ, recebendo os autos, determinou a realização de diligência, conforme esclarecido na fl. 61, para verificar a autenticidade do documento comprobatório de compensação DCC apresentado pela Interessada na impugnação. A diligência confirmou a compensação alegada (fl. 77), realizada anteriormente ao lançamento, conforme documentos de fls. 62, 65, 67, 69 e 72. Em relação à multa, já é pacífico o entendimento no Carf de que o art. 90 da MP no 2.15835, de 2001, tendo sido alterado pelo art. 18 da Lei no 10.833, de 2003, com a redação dada pela Lei no 11.488, de 2007, apenas se refere ao lançamento da multa isolada nos casos de falsidade de declaração de compensação. Dessa forma, aplicase retroativamente tal disposição, com base no art. 106 do CTN. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 127DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 16/09/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13888.001658/200301 Acórdão n.º 330201.196 S3C3T2 Fl. 116 4 Fl. 128DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 16/09/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 13727.000149/2004-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2000
AUTUAÇÃO ENCAMINHADA POR VIA POSTAL AO DOMICÍLIO DO ANTIGO SÓCIO ADMINISTRADOR. ALTERAÇÃO CONTRATUAL EIVADA DE VÍCIO. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTA PESSOA. INVALIDADE.
A intimação para ciência da autuação lavrada contra empresa que
comprovadamente informou ao fisco domicílio tributário inexistente, é válida quando realizada no domicílio fiscal do responsável, sócio administrador.
A alteração do contrato social, em que o sócio administrador
foi substituído por outro sócio, caracterizado este como interposta pessoa, encontra-se eivada de vício e, portanto, carece de validade quanto aos seus efeitos.
Numero da decisão: 1202-000.577
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e Gilberto Baptista, que davam provimento ao recurso para reconhecer a tempestividade da impugnação.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2000 AUTUAÇÃO ENCAMINHADA POR VIA POSTAL AO DOMICÍLIO DO ANTIGO SÓCIO ADMINISTRADOR. ALTERAÇÃO CONTRATUAL EIVADA DE VÍCIO. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTA PESSOA. INVALIDADE. A intimação para ciência da autuação lavrada contra empresa que comprovadamente informou ao fisco domicílio tributário inexistente, é válida quando realizada no domicílio fiscal do responsável, sócio administrador. A alteração do contrato social, em que o sócio administrador foi substituído por outro sócio, caracterizado este como interposta pessoa, encontra-se eivada de vício e, portanto, carece de validade quanto aos seus efeitos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2000 AUTUAÇÃO ENCAMINHADA POR VIA POSTAL AO DOMICÍLIO DO ANTIGO SÓCIOADMINISTRADOR. ALTERAÇÃO CONTRATUAL EIVADA DE VÍCIO. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTA PESSOA. INVALIDADE. A intimação para ciência da autuação lavrada contra empresa que comprovadamente informou ao fisco domicílio tributário inexistente, é válida quando realizada no domicílio fiscal do responsável, sócioadministrador. A alteração do contrato social, em que o sócioadministrador foi substituído por outro sócio, caracterizado este como interposta pessoa, encontrase eivada de vício e, portanto, carece de validade quanto aos seus efeitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e Gilberto Baptista, que davam provimento ao recurso para reconhecer a tempestividade da impugnação. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Relator. Fl. 1036DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13727.000149/200487 Acórdão n.º 120200.577 S1C2T2 Fl. 1.037 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Geraldo Valentim Neto, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Gilberto Baptista. Relatório Trata o processo da lavratura de Autos de InfraçãoSimples, IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e INSS, relativo ao anocalendário de 2000, de fls. 480 a 511, pela constatação de omissão de receita evidenciada por depósitos bancários não escriturados, conforme descrito no Termo de Constatação FiscalTCF, de fls. 468 a 472. Ao crédito tributário lançado foi acrescida a multa de ofício qualificada agravada, no percentual de 225%, pela ocorrência, em tese, de crime contra a ordem tributária e pela falta de atendimento das intimações efetuadas pela fiscalização, além dos juros de mora, pela taxa Selic. No TCF, a autoridade fiscal autuante relatou que foi constatado que a interessada não exercia suas funções no endereço do cadastro junto à Receita Federal, bem como não atendeu à intimação efetuada por Edital. Por esse motivo, a fiscalização intimou o sócio Alexandre Lopes dos Santos a apresentar a documentação contábil/fiscal. Diante do silêncio, foram lavrados os presentes autos de infração. Passo a transcrever parte do relatório constante do Acórdão nº 1217.445 da DRJ/Rio de Janeiro I, de fls. 911 a 917, o qual adoto: “Em razão da falta de impugnação tempestiva, foi declarada a revelia e os débitos inscritos em divida ativa (fls. 515/599). Em 25/08/2006, foi apresentada impugnação de fls. 661/675, em que a interessada suscita a tempestividade, uma vez que só teria tomado ciência do lançamento em 26/07/2006. Alega, em preliminar, cerceamento do direito de defesa, uma vez que Alexandre Lopes dos Santos não seria mais sócio por ocasião da ciência dada em 05/08/2004, conforme a 9ª alteração contratual (fls. 677/678); que a intimação deveria ter sido feita por edital. No mérito, diz que a fiscalização não considerou que os cheques poderiam ter sido utilizados para pagamento de fornecedores; no que se refere à multa de oficio, diz que o autuante não teria comprovado o evidente intuito de fraude exigido. Pede a nulidade ou o cancelamento do auto de infração e que as intimações devem ser mandadas para o novo sócio, Isaías Marques, na Rua José Kalil, 560, Boa UniãoTrês Rios. Em razão da tempestividade suscitada na impugnação, a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Petrópolis cancelou as inscrições do débito do presente processo na Dívida Ativa (fls. 788). Em razão de pesquisas aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil feitas já no âmbito deste julgamento, foi apurado que o novo sócio Isaías Marques não informou em sua declaração de pessoa fisica do anocalendário de 2003 a aquisição das cotas da sua nova empresa. Por esse motivo, foi solicitado da DRF Volta Redonda, via canal de comunicação Fl. 1037DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13727.000149/200487 Acórdão n.º 120200.577 S1C2T2 Fl. 1.038 3 interna, que procedesse a diligência a fim de verificar a consistência da 9ª alteração contratual apresentada pela interessada na impugnação. Às fls. 846/909 foi juntada documentação relativa à diligência efetuada pela DRF Volta Redonda. No termo de constatação de fls. 900/901, o auditor fiscal diligenciante, informa, em síntese, que: o novo sócio Isaías Marques não é proprietário das firmas Esteves Três Rios Materiais de Construção Ltda e Nova Mundial Materiais de Construção Lida; presta serviços como caseiro a Fernando Assad Esteves, na residência desse último, na Rua dos Ipês, 435, bairro Nova União, Três Rios, RJ (fotografias às fls. 904/905), há aproximadamente 16 anos; que assinou diversos documentos sem saber do que se tratava; na Rua das Amendoeiras nunca funcionou empresa de material de construção, além de não existir, nessa rua, os números 110 nem 111; na Rua das Amendoeiras, s/n existe uma casa (fotografia de fls. 903) que serve de moradia para caseiros, e que está sendo ocupada por Aline Moraes dos Santos, que não se encontrava no momento da diligência; O auditor fiscal diligenciante tirou fotografias em que constam a casa em que reside Isaías Marques (fls. 907/909), na Rua José Kalil, 500, Três Rios, RJ. Em seu relatório de fls. 851, a autoridade fiscal observou que a 9ª alteração contratual carece de veracidade quanto aos endereços informados da matriz e da filial e dos sócios retirante e ingressante.” Na sequência, a DRJ/Rio de Janeiro I proferiu o Acórdão nº 1217.445, de fls. 911 a 917, cuja ementa abaixo se reproduz: TEMPESTIVIDADE SUSCITADA. NOTIFICAÇÃO ENVIADA PARA SÓCIO. ALTERAÇÃO CONTRATUAL NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. DESCONSIDERAÇÃO. Desconsiderase a alteração contratual feita no curso da ação fiscal, na qual consta exclusão do sócio de empresa não localizada, para o qual se mandavam as intimações e notificação, tendo em vista ficar constatado que foram usados sócios "laranja" para confundir o fisco. Em conseqüência, a ciência dada ao sócio constante da alteração contratual anterior é válida, e a impugnação apresentada dois anos depois é intempestiva, pelo que se desconhece do mérito da impugnação. Impugnação não Conhecida Os principais fundamentos utilizados no voto condutor do acórdão recorrido, são transcritos a seguir: “Alega a interessada que não teria sido regularmente intimada do auto de infração, tendo em vista que a notificação foi endereçada para a residência de Alexandre Lopes dos Santos (AR de fls. 514, de 04/08/2004), que havia se retirado da Fl. 1038DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13727.000149/200487 Acórdão n.º 120200.577 S1C2T2 Fl. 1.039 4 sociedade desde 1° de abril de 2003, conforme nona alteração contratual (fls. 677/678). Acrescenta ainda que estava dispensada de prestar tal informação à Secretaria da Receita Federal em face do disposto no art. 61 da Lei n° 8.934/1994 e que, na impossibilidade de intimação pessoal, postal ou eletrônica, deveria a autoridade fiscal têlo feito por edital, de acordo com o art. 23, § 1°, do Decreto no 70.235/1972. De fato, a nona alteração contratual (fls. 677/678), levada a registro em 07/08/2003, atesta a retirada do então sócio Alexandre Lopes dos Santos e o ingresso do sócioadministrador Isaías Marques, CPF 081.730.74780, residente na Rua José Kalil, 560, Boa União, na cidade de Três RiosRJ. Entretanto, o resultado da diligência efetuada pela DRF Volta Redonda, em atendimento à solicitação desta DRJ/RJ1, é abundante em fatos que contrariam a veracidade do conteúdo da 9a alteração contratual. Tal documento pode estar perfeito em sua forma, tanto assim que foi devidamente registrado. Mas é nulo em sua essência, tendo em vista que os elementos de prova arrecadados pelo diligenciante demonstram às escâncaras a situação engendrada para manter as receitas auferidas à margem do fisco. O novo sócio Isaías Marques é pessoa evidentemente humilde, sem recursos e que desconhece os documentos que assinou. Está claro que foi usado para promover a alteração contratual, na clássica condição de "laranja". Além disso, quem elaborou a 9ª alteração contratual se "descuidou" quanto aos endereços da interessada e do próprio sócio ingressante: o endereço da Rua das Amendoeiras, 110, informado da 9ª alteração contratual e — pasme — da impugnação, não existe. Como constatado pelo diligenciante, o que existe nessa rua é uma casa sem número, em que reside outra caseira do sr. Fernando Assad Esteves, e também "sócia" da interessada, Aline Moraes dos Santos. No que se refere ao endereço do "sócio" Isaías Marques, a 9ª alteração também aponta imprecisão quanto ao número da residência, indicando "Rua José Kalil, 560", enquanto o número correto é 500. (...) Portanto, desconsidero a 9ª alteração contratual, por ser falsa em sua substância, para considerar válida a ciência dada ao sócio Alexandre Lopes dos Santos, mediante notificação recebida em 04/08/2004 (fls. 479). (...) No que se refere ao art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, a intimação consubstanciada no AR de fls. 514 é perfeitamente válida, uma vez que foi feita ao sujeito passivo, a saber, a interessada, na pessoa de seu sócio, atendendo, assim, ao disposto no inciso II do citado artigo. Desta feita, uma vez aperfeiçoado o lançamento pela ciência à interessada, na pessoa de seu sócio constante da 8ª alteração contratual, em 04/08/2004 (fls. 514), uma quartafeira, o prazo para apresentação da defesa administrativa se expirou em Fl. 1039DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13727.000149/200487 Acórdão n.º 120200.577 S1C2T2 Fl. 1.040 5 03/09/2004, sextafeira. Tendo em vista que a impugnação só foi protocolada em 25/08/2006, verificase assim a intempestividade da defesa apresentada. Uma vez intempestiva a impugnação, de seu mérito não se toma conhecimento, por não instaurar a lide, como previsto nos arts. 14 c/c 15 c/c 17 do Decreto n°70.235/1973.” A ciência do referido Acórdão ocorreu em 24/03/2008, declaração de fls. 923. Irresignada, a contribuinte apresentou seu recurso voluntário a este colegiado, por meio de seu procurador, instrumento de fls. 948, mediante arrazoado, de fls. 932 a 947, repisando praticamente as mesmas alegações da peça impugnatória, assim sintetizadas: i) requer a nulidade da intimação para ciência das autuações enviadas a sócio que já não mais pertencia à sociedade; ii) nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa, face à intimação errônea de exsócio, e nulidade do acórdão recorrido por considerar válida a ciência dos autos de infração; iii) pugna pela validade da 9ª alteração contratual registrada e deferida pela JUCERJA, não podendo prevalecer o entendimento firmado na decisão de 1ª instância no sentido de que o art. 61 da Lei n° 8.934/94 não pode ser usado em favor da recorrente; iv) a fiscalização também não procedeu de acordo com a norma prevista no § 1°, art. 23, do Decreto n°70.235/1972, qual seja, na impossibilidade da intimação pessoal, por via postal ou por meio eletrônico, deveria têlo feito por edital; v) suscita a ocorrência do transcurso do prazo decadencial, posto que a impugnante só teve ciência do Auto de Infração na data de 26 de julho de 2006, para exigir créditos tributários com fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2000, ou seja, após transcorridos mais de 5 (cinco) anos dos respectivos fatos geradores; vi) no mérito, contesta o lançamento com base na omissão de receitas por depósitos bancários não contabilizados, face a violação do princípio da verdade material, uma vez que muitos dos depósitos bancários eram créditos de desconto de títulos que, posteriormente, não foram honrados pelos sacados e acabaram gerando uma dívida perante a instituição bancária em nome da empresa; vii) a aplicação do agravamento de multa de oficio ocorrida no presente lançamento é flagrantemente incabível, tendo em vista que a empresa não se negou a apresentar os documentos solicitados pela fiscalização, eis que desconhecia por completo a intimação para fazêlo; e viii) inaplicável a qualificação da multa prevista no inciso II, art. 44, da Lei 9.430/96, mencionando que em nenhum momento a fiscalização comprovou nos autos o evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71,72 e 73 da Lei n. 4.502/64. Requer, ao final, seja acolhido como tempestivo seu Recurso Voluntário, frente as patentes nulidades das intimações supostamente efetuadas, bem como, acolhida a preliminar de decadência suscitada, e se ultrapassada esta, o cancelamento integral dos Autos de Infração frente às razões de mérito. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. Conheço do recurso voluntário, por tempestivo e nos termos da lei. A controvérsia do presente processo trata de se afastar, ou não, a preliminar exposta pelo representante legal da empresa, em fase recursal, referente à possibilidade de invalidar a intimação para ciência dos Autos de infração da empresa autuada, porque as Fl. 1040DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13727.000149/200487 Acórdão n.º 120200.577 S1C2T2 Fl. 1.041 6 autuações foram encaminhadas para o domicílio do sócioadministrador da interessada, e não ao domicílio da empresa. Conforme relatado, os Autos de Infração da empresa autuada foram encaminhados para a residência do sócio, Sr. Alexandre Lopes dos Santos, e recebidos por Angélica Sobreira dos Santos, conforme AR datado de 05/08/2004, fls. 514. Os motivos que levaram a fiscalização a assim proceder se devem a três motivos principais que, em síntese, se encontram descritos nos "Termos de Constatação Fiscal", lavrados em 26/03/2003, e assinados pelo AuditorFiscal da Receita Federal Edmilson Gonçalves de Gondra, fls. 89 e 92. i) a empresa não foi localizada no endereço indicado nos registros da Receita Federal, Rua das Amendoeiras nº 110, Bairro Monte Castelo, Três Rios/Rio de Janeiro; ii) segundo apurado junto aos moradores locais, no bairro Monte Castelo nunca funcionou a empresa Esteves Três Rios Materiais de Construção Ltda; iii) de acordo com o declarado pelo Sr. Mário Jorge Soares de Azevedo, no endereço indicado como Av. Condessa do Rio Novo, nº 1773, Três Rios/Rio de Janeiro, encontravase funcionando, em 26/03/2003, a empresa GMF Azevedo Tintas Ltda. onde, em data anterior, teria funcionado a empresa autuada, Esteves Três Rios Materiais de Construção Ltda., sem que a primeira tivesse assumido os ativos e passivos da autuada, fls. 92; Dessa forma, diligenciado e não localizado o endereço da autuada, a fim de dar andamento ao procedimento fiscal, entendeu a fiscalização por encaminhar as intimações fiscais, solicitando esclarecimentos/documentos da fiscalizada, via correspondência ao endereço do sócio, Sr. Alexandre Lopes dos Santos, que foram regularmente recebidas, mediante AR. Como se mostraram improfícuos os meios de localização da empresa, e do sócio Alexandre Lopes dos Santos, e considerando que nenhuma das intimações enviadas à residência do sócio teria sido atendida, a empresa foi então intimada a apresentar documentos/esclarecimentos por meio do edital no. 09/2003, datado de 31 de março de 2003, com data de afixação de 01/04/2003, conforme descrito no item 9 do TCF, fls. 469. Já a defesa alega que o sócio, Sr. Alexandre Lopes dos Santos, havia se retirado da sociedade, desde 01/04/ 2003, conforme 9ª alteração contratual (fls. 677/678), não podendo mais se responsabilizar pela ciência porque não mais representava a empresa quando das autuações, o que configuraria a invalidade/nulidade da ciência das autuações. A empresa autuada alega também, que só obteve conhecimento do lançamento do crédito tributário em 26/07/2006 (fls. 632/634), mediante vista dos autos por meio do seu procurador, tendo apresentado sua impugnação, tempestivamente, em 25/08/2006. Para melhor análise da questão, convém transcrever o art. 23 do Decreto nº 70235, de 1972, que disciplina a forma como deve se proceder na intimação do sujeito passivo dos atos emanados pela administração tributária, com a redação que se encontrava vigente na data da ciência das autuações, AR de 04/08/2004: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 1041DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13727.000149/200487 Acórdão n.º 120200.577 S1C2T2 Fl. 1.042 7 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. § 1° O edital será publicado, uma única vez, em órgão de imprensa oficial local, ou afixado em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação. § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos I e II deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 4º Considerase domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo o do endereço postal, eletrônico ou de fax, por ele fornecido, para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifei) Como já mencionado, o endereço do domicílio tributário da empresa autuada foi informado à Receita Federal como sendo a Rua das Amendoeiras nº 110, Bairro Monte Castelo, Três Rios/Rio de Janeiro, consoante Mandado de Procedimento Fiscal, emitido em 03/12/2002, fl. 01. Com efeito, constatado pela fiscalização que o domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo (§ 4º , art. 23 do Decreto 70235/72) não existia (fls. 89) ou foi informado erroneamente à Receita Federal, fls. 89 e 92 e item 6 do TCF, fls. 468, a intimação, com a ciência das autuações, foi feita no endereço da pessoa do Sr. Alexandre Lopes dos Santos, sócio administrador da empresa, cujo AR foi assinado e o conteúdo recebido regularmente por Angélica Sobreira dos Santos, fls. 514. Sobre essa matéria, cumpre esclarecer ao recorrente, que ao contrário do que alega, a intimação por Edital somente deve ser realizada quando resultarem improfícuos os meios utilizados para intimação pessoal ou postal, consoante inciso III, art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972 acima transcrito. No presente caso, a ciência por via postal das intimações fiscais e das autuações, mediante AR, obtiveram sucesso junto ao sócioadministrador Sr. Alexandre Lopes dos Santos, tendo sido recebidas na residência desse sócio, presumindose a aceitação tácita na condição de sócioresponsável pela empresa. Dessa forma, a fiscalização ficou desobrigada de se utilizar da publicação de Edital previsto no inciso III, art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, porque o meio utilizado para a intimação, por via postal, não restaram improfícuas, mas ao contrário, obtiveram sucesso, o que faz cair por terra a alegação da recorrente de que a intimação por Edital deveria ser obrigatoriamente atendida. Fl. 1042DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13727.000149/200487 Acórdão n.º 120200.577 S1C2T2 Fl. 1.043 8 Por fim, quanto a este ponto, segundo pacífica interpretação dada ao artigo 23 acima transcrito, registrese que o porteiro de prédio ou de estabelecimento comercial, qualquer preposto da empresa ou mandatário, estão habilitados, por força da norma processual, a tomar ciência, em lugar da contribuinte, do Auto de Infração contra aquela lavrado. Quanto mais será cabível enviar intimações para o endereço do sócioadministrador da empresa, que regularmente recebeu as intimações fiscais anteriores à autuação. Afinal, a empresa é uma ficção jurídica representada por pessoas naturais que agirão em seu nome, como no caso, na pessoa do seu sócioadministrador. Inconteste nos autos que a administração da empresa autuada era exercida, isoladamente, pelo sócio Alexandre Lopes dos Santos, consoante cláusula sexta da 8ª alteração do Contrato Social, datada de 30/11/2002, fls. 122. A defesa alega que de acordo com a 9ª alteração do Contrato Social, datada de 01/04/2003, a administração da sociedade passou a ser exercida pelo Sr. Isaias Marques, consoante cláusula sexta da referida alteração contratual, fls. 949, cujo registro ocorreu em 07/08/2003, fls. 950. Portanto, a ciência das autuações teria sido encaminhada a exsócio, que não mais representava a empresa na data da ciência das autuações. Creio não assistir razão à recorrente. Conforme relatado na Diligência levada a efeito pela fiscalização, ficou perfeitamente evidenciado que o Sr. Isaías Marques, que pretensamente consta como administrador da empresa autuada, consoante 9ª alteração contratual, foi utilizado como interposta pessoa (laranja) na empresa autuada. É o que se depreende do seu próprio esclarecimento prestado à fiscalização, fls. 903, assim resumido: o sócio Isaías Marques não é proprietário das firmas Esteves Três Rios Materiais de Construção Ltda e nem da empresa Nova Mundial Materiais de Construção Ltda; Isaias Marques presta serviços como caseiro a Fernando Assad Esteves, na residência desse último, na Rua dos Ipês, 435, bairro Nova União, Três Rios, RJ (fotografias às fls. 904/905), a aproximadamente 16 anos; que assinou diversos documentos sem saber do que se tratava; na Rua das Amendoeiras nunca funcionou empresa de material de construção, além de não existir, nessa rua, os números 110 nem 111; na Rua das Amendoeiras, existe uma casa (fotografia de fls. 903) que serve de moradia para caseiros, e que está sendo ocupada por Aline Moraes dos Santos, que não se encontrava no momento da diligência; Registrese, por oportuno, que a 9ª alteração contratual (fls. 677/678), informando a retirada do então sócio Alexandre Lopes dos Santos e o ingresso do sócio administrador Isaías Marques (laranja) foi levada a registro em 07/08/2003, tem como data o mesmo dia em que foi afixado Edital para solicitação de documentos, em 01/04/2003, ou seja, no decorrer da fase procedimental de fiscalização, evidenciando a intenção do pretenso ex sócio de se eximir das suas obrigações fiscais. Assim, uma vez que ficou identificada/confirmada a utilização de interposta pessoa (laranja), na condição de administrador da empresa autuada, não pode esse órgão julgador compactuar com as informações constantes da 9ª alteração contratual, reconhecendo a pessoa do Sr. Isaías Marques como sócio administrador da autuada. Tratase de vício que não era possível ser aferido pelo órgão que efetuou o registro da 9ª alteração contratual (JUCERJ), Fl. 1043DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13727.000149/200487 Acórdão n.º 120200.577 S1C2T2 Fl. 1.044 9 mas que foi provado pela fiscalização ter sido utilizada interposta pessoa (laranja) como sócio, mecanismo veementemente repudiado pelo direito. Aliás, como sabido, existe um princípio geral de direito o qual reza que ninguém pode se beneficiar da própria torpeza, muito menos para se eximir da exigência tributária. Assim, não pode o antigo sócioadministrador, Sr. Alexandre Lopes dos Santos, se beneficiar de uma alteração contratual eivada de vício para fugir da obrigação tributária devidamente imposta, devendo assumir todas as conseqüências dos seus atos. Ao meu ver, agiu acertadamente a autoridade fiscal ao enviar os Autos de Infração ao endereço do sócioadministrador da empresa, não correndo riscos de enviar as autuações para um endereço (da empresa) que inexistia de fato e que inevitavelmente seriam devolvidas pelos Correios sem sucesso de entrega, fato não ocorrido com a entrega de intimações fiscais, regularmente recebidas pelo sócioadministrador Sr. Alexandre Lopes dos Santos. Da mesma maneira entendeu o acórdão recorrido, nos termos do que se transcreve do voto condutor: “Entretanto, o resultado da diligência efetuada pela DRF Volta Redonda, em atendimento a solicitação desta DRJ/RJ1, é abundante em fatos que contrariam a veracidade do conteúdo da 9a alteração contratual. Tal documento pode estar perfeito em sua forma, tanto assim que foi devidamente registrado. Mas é nulo em sua essência, tendo em vista que os elementos de prova arrecadados pelo diligenciante demonstram às escâncaras a situação engendrada para manter as receitas auferidas à margem do fisco.O novo sócio Isaías Marques é pessoa evidentemente humilde, sem recursos e que desconhece os documentos que assinou. Está claro que foi usado para promover a alteração contratual, na clássica condição de "laranja”. Jurisprudência do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, também decidiram no mesmo sentido, conforme ementa do Acórdão nº 19100049, sessão de 11/12/2008, abaixo transcrita, na parte que interessa: AUTUAÇÃO ENCAMINHADA VIA POSTAL AO DOMICÍLIO DO SÓCIOADMINISTRADOR. PESSOA JURÍDICA EXISTENTE DE FATO, EM SITUAÇÃO IRREGULAR. VALIDADE. A intimação para ciência da autuação lavrada contra empresa que solicitou e teve deferida a baixa na inscrição estadual, mas que continua a operar irregularmente, na qualidade de empresa de fato, é válida quando realizada no domicílio fiscal do responsável, sócioadministrador, informado à Secretaria da Receita Federal. Por último, quanto à aplicabilidade ao caso, do art. 61 da Lei nº 8.934, de 1994, que prevê que o fornecimento de informações cadastrais aos órgãos executores do Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins desobriga as firmas individuais e sociedades de prestarem idênticas informações a outros órgãos ou entidades das Administrações Federal, Estadual ou Municipal, alega a recorrente que não poderia a fiscalização desconhecer a mudança de sócio levada a efeito pelo 9ª alteração contratual (em 1°/04/2003), e intimar pessoa que não mais pertencia ao quadro societário da empresa. Fl. 1044DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13727.000149/200487 Acórdão n.º 120200.577 S1C2T2 Fl. 1.045 10 A esse respeito, cumpre dizer que a matéria já foi devidamente abordada nos itens anteriores deste voto, ao reconhecer a impossibilidade do antigo sócioadministrador, Sr. Alexandre Lopes dos Santos, se beneficiar de uma alteração contratual eivada de vício para fugir da obrigação tributária devidamente imposta. Em assim sendo, perde totalmente sentido a recorrente invocar a aplicação dos preceitos do referido dispositivo legal pertinentes aos pretensos sócios (laranja) da empresa autuada. Pelas razões apresentadas, entendo que não merece reparos o acórdão recorrido, que entendeu esgotado o prazo da impugnação, uma vez que o lançamento foi cientificada à interessada, na pessoa de seu sócioadministrador constante da 8ª alteração contratual, em 05/08/2004 (fls. 514), e o prazo para apresentação da defesa administrativa se expirou em 06/09/2004, uma segundafeira. Uma vez que a impugnação só foi protocolada em 25/08/2006, verificase assim a intempestividade da defesa apresentada. As garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa são asseguradas a todos aqueles que exercem o seu direito no prazo fixado nas normas legais. Assim, considero válidos os atos praticados no procedimento fiscal pela autoridade competente, na forma em que foram realizados, e reputo perfeita a forma de ciência da autuação objeto deste litígio, afastando totalmente as preliminares de nulidade suscitadas. Face ao acima exposto, fica prejudicado o exame das demais matérias levantadas no recurso (preliminar de decadência e o mérito da autuação). Dessa forma, constatado que a impugnação foi apresentada intempestivamente, voto no sentido de manter a decisão proferida no Acórdão nº 1217.445 da DRJ/RJ1, que não tomou conhecimento da impugnação, para que seja negado provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 1045DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO
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