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Numero do processo: 10805.902251/2014-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) para participar de julgamento na 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento.
Relatório
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) para participar de julgamento na 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento. Relatório Trata o presente processo do PER/DCOMP transmitido pelo contribuinte acima identificado por meio do qual solicita o reconhecimento de um direito creditório, referente à COFINS, para fins de sua compensação com débitos próprios. O Despacho Decisório constante dos autos, emitido de forma eletrônica, não homologou a compensação pleiteada, sob o fundamento de não haver crédito disponível para tanto, pelo fato de o pagamento informado no DARF correspondente haver sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .9 02 25 1/ 20 14 -2 2 Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10805.902251/201422 Resolução nº 3302001.025 S3C3T2 Fl. 3 2 Anteriormente à emissão do referido Despacho Decisório, foi disponibilizada ao contribuinte a Análise Preliminar do Direito Creditório, no sítio da RFB, com a informação de que, no caso de inconsistências constatadas na referida Análise, ser a ele concedido o prazo de 45 dias a contar dessa disponibilização, para o seu saneamento, através da transmissão de PERDCOMP retificador, ou ainda de outras declarações retificadoras, como DCTF, DIPJ, Dacon, Redarf, DIRF, etc. Contra a referida decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, em que alegou basicamente o seguinte: Através de auditoria em seus controles internos, constatou a ocorrência de pagamento a maior da COFINS do período de apuração em questão, tendo apresentado pedido de compensação do referido crédito, através de PERDCOMP retificador, desacompanhado, porém, da retificação das demais Declarações que compõem sua obrigação acessória – como DACON e DCTF, nas quais o débito devido da referida contribuição social foi declarado com erro. Somente após o recebimento do Despacho Decisório em comento, procedeu à retificação das declarações DACON e DCTF, conforme anexadas aos autos, e nas quais fez refletir o valor a menor devido a título de COFINS, como origem de seu direito creditório, cuja liquidez e certeza restaria então comprovada. Assim, a Defendente requer que seja julgada procedente a presente Manifestação de Inconformidade, com a consequente homologação da compensação pleiteada. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, entendendo não restar comprovada a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Assentou ainda, o colegiado a quo, ser ônus do contribuinte a comprovação documental do direito creditório informado em declaração de compensação. Intimado da decisão a Recorrente interpôs recurso voluntário, no qual reproduz as alegações oferecidas na impugnação e aduz que a decisão de primeira instância trouxe os fatos e razões novas que merecem ser contrapostos, tais como a insuficiência da apresentação da DCTF e da DACON retificadoras para provar o direito da recorrente, daí porque no recurso voluntário traz balancete de verificação que discrimina as contas tributadas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302001.015, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10805.902245/201475, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10805.902251/201422 Resolução nº 3302001.025 S3C3T2 Fl. 4 3 Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302001.015):. "O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Sem embargo de a recorrente não ter trazido todas as provas necessárias à comprovação do seu direito na manifestação de inconformidade, houve um esforço nesse sentido, com a apresentação da DCTF e da DACON retificadoras. Agora em recurso voluntário, o balancete de verificação e as explicações produzidas demonstram continuação do esforço de comprovar seu direito, todavia surgiu apenas verossimilhança do direito da recorrente, notase que as provas trazidas aos autos são documentos produzidos unilateralmente pela contribuinte, e não foram alvo de inspeção pela auditoriafiscal. Nesse diapasão, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem do lançamento proceda a análise detalhada dos lançamentos contábeis das contas da escrituração da contribuinte em que ocorreram o pagamento a maior (receitas financeiras oriundas de juros, descontos, rendimentos de aplicação financeira, bem como o não aproveitamento de crédito sobre a depreciação de prédio em que está instalada a empresa) e pronuncie se, de forma fundamentada, em relatório fiscal conclusivo se, de fato, a contribuinte tem direito ao crédito pleiteado. Após, dar ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência, com reabertura do prazo de 30 (trinta dias) para apresentação de manifestação da recorrente, no tocante às conclusões da diligência proposta. Ao fim do prazo, com ou sem manifestação, devolvase o processo a este Conselho para a conclusão do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem do lançamento proceda a análise detalhada dos lançamentos contábeis das contas da escrituração da contribuinte em que ocorreram o pagamento a maior (receitas financeiras oriundas de juros, descontos, rendimentos de aplicação financeira, bem como o não aproveitamento de crédito sobre a depreciação de prédio em que está instalada a empresa) e pronunciese, de forma fundamentada, em relatório fiscal conclusivo se, de fato, a contribuinte tem direito ao crédito pleiteado. Após, dar ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência, com reabertura do prazo de 30 (trinta dias) para apresentação de manifestação da recorrente, no tocante às conclusões da diligência proposta. Ao fim do prazo, com ou sem manifestação, devolvase o processo a este Conselho para a conclusão do julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 275DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.723368/2014-34
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA SUMULADA. NÃO CONHECIMENTO. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N. 108.
A Súmula CARF nº 108 determina que incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. AGIO INTERNO. MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS.
Não deve ser conhecido o Recurso Especial fundamentado em paradigmas que tratam de matéria fática e jurídica que são estranhas aos acórdão recorrido.
DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. REPERCUSSÃO DOS AJUSTES NO LUCRO REAL PARA A BASE DE CÁLCULO DA CSLL. MOMENTOS DA EXISTÊNCIA DO INVESTIMENTO. AQUISIÇÃO. DESENVOLVIMENTO. DESFAZIMENTO.
I - Construção empreendida pelo Decreto-lei nº 1.598, de 1977, encontra-se em consonância com a edição no ano anterior (1976) da Lei nº 6.404 ("lei das S/A"), no qual se buscou modernizar os conceitos de contabilização de investimentos decorrentes de participações societárias, inclusive com a adoção do método de equivalência patrimonial (MEP). Foram delineados três momentos cruciais para o investidor: nascimento, desenvolvimento e fim do investimento, assim tratados: (1º) o da aquisição do investimento, normatizando-se a figura do "ágio", que consiste no sobrepreço pago na aquisição, (2º) o momento em que o investimento gera frutos para o investidor, ou seja, a empresa adquirida gera lucros; e (3º) e desfazimento do investimento.
II - O segundo momento operacionalizou sistema no qual os resultados de investimentos em participações societárias pudessem ser devidamente refletidos no investidor, por meio do MEP, e ao mesmo tempo, não fossem objeto de bitributação. De um lado, os resultados da investida seriam refletidos no investidor, fazendo com que tanto na investida quando no investidor fossem apuradas receitas operacionais que, em tese, integrariam o lucro líquido e a base de cálculo tributável. De outro, determinou-se que o investidor poderia efetuar ajuste, no sentido de excluir da base de cálculo tributável os resultados positivos auferidos pela investida, viabilizando-se a neutralidade do sistema e a convergência para fins fiscais das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.
III - A mesma premissa deve ser considerada para o primeiro (aquisição) e terceiro (desfazimento) momentos. No desfazimento, o ágio deve ser considerado na apuração da base de cálculo do ganho de capital. Na aquisição, o sobrepreço contabilizado só poderá ser objeto da amortização se ocorridas as hipóteses de aproveitamento previstas expressamente na legislação.
IV - Nítida e transparente a convergência entre as bases de cálculo do IRPJ e CSLL, no que concerne às operações decorrentes de participações societárias e os correspondentes resultados auferidos, em seus diferentes momentos: aquisição, desenvolvimento e desfazimento.
REGRAS GERAIS DE DEDUTIBILIDADE. ÁGIO. DESPESA.
Ágio é despesa, submetida a amortização, submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 47, da Lei nº 4.506, de 1964, e com repercussão tanto na apuração do IRPJ quando da CSLL, conforme art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995 e art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995.
MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007.
Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplica-se sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoa-se ao final do ano-calendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplica-se aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007.
Numero da decisão: 9101-004.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, não conhecendo apenas em relação à matéria "Impossibilidade de cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício" e, no mérito, na parte conhecida, quanto à matéria (i) Dedutibilidade do ágio para fins de CSLL, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado (relator), Cristiane Silva Costa e Lívia De Carli Germano, que lhe deram provimento; quanto à matéria (ii) Impossibilidade de cobrança simultânea de multa de ofício e multa isolada, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado (relator), Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei e Lívia De Carli Germano, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Demetrius Nichele Macei, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício)
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA SUMULADA. NÃO CONHECIMENTO. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N. 108. A Súmula CARF nº 108 determina que incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. AGIO INTERNO. MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS. Não deve ser conhecido o Recurso Especial fundamentado em paradigmas que tratam de matéria fática e jurídica que são estranhas aos acórdão recorrido. DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. REPERCUSSÃO DOS AJUSTES NO LUCRO REAL PARA A BASE DE CÁLCULO DA CSLL. MOMENTOS DA EXISTÊNCIA DO INVESTIMENTO. AQUISIÇÃO. DESENVOLVIMENTO. DESFAZIMENTO. I - Construção empreendida pelo Decreto-lei nº 1.598, de 1977, encontra-se em consonância com a edição no ano anterior (1976) da Lei nº 6.404 ("lei das S/A"), no qual se buscou modernizar os conceitos de contabilização de investimentos decorrentes de participações societárias, inclusive com a adoção do método de equivalência patrimonial (MEP). Foram delineados três momentos cruciais para o investidor: nascimento, desenvolvimento e fim do investimento, assim tratados: (1º) o da aquisição do investimento, normatizando-se a figura do "ágio", que consiste no sobrepreço pago na aquisição, (2º) o momento em que o investimento gera frutos para o investidor, ou seja, a empresa adquirida gera lucros; e (3º) e desfazimento do investimento. II - O segundo momento operacionalizou sistema no qual os resultados de investimentos em participações societárias pudessem ser devidamente refletidos no investidor, por meio do MEP, e ao mesmo tempo, não fossem objeto de bitributação. De um lado, os resultados da investida seriam refletidos no investidor, fazendo com que tanto na investida quando no investidor fossem apuradas receitas operacionais que, em tese, integrariam o lucro líquido e a base de cálculo tributável. De outro, determinou-se que o investidor poderia efetuar ajuste, no sentido de excluir da base de cálculo tributável os resultados positivos auferidos pela investida, viabilizando-se a neutralidade do sistema e a convergência para fins fiscais das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. III - A mesma premissa deve ser considerada para o primeiro (aquisição) e terceiro (desfazimento) momentos. No desfazimento, o ágio deve ser considerado na apuração da base de cálculo do ganho de capital. Na aquisição, o sobrepreço contabilizado só poderá ser objeto da amortização se ocorridas as hipóteses de aproveitamento previstas expressamente na legislação. IV - Nítida e transparente a convergência entre as bases de cálculo do IRPJ e CSLL, no que concerne às operações decorrentes de participações societárias e os correspondentes resultados auferidos, em seus diferentes momentos: aquisição, desenvolvimento e desfazimento. REGRAS GERAIS DE DEDUTIBILIDADE. ÁGIO. DESPESA. Ágio é despesa, submetida a amortização, submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 47, da Lei nº 4.506, de 1964, e com repercussão tanto na apuração do IRPJ quando da CSLL, conforme art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995 e art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007. Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplica-se sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoa-se ao final do ano-calendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplica-se aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007.
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MATÉRIA SUMULADA. NÃO CONHECIMENTO. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N. 108. A Súmula CARF nº 108 determina que incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. AGIO INTERNO. MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS. Não deve ser conhecido o Recurso Especial fundamentado em paradigmas que tratam de matéria fática e jurídica que são estranhas aos acórdão recorrido. DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. REPERCUSSÃO DOS AJUSTES NO LUCRO REAL PARA A BASE DE CÁLCULO DA CSLL. MOMENTOS DA EXISTÊNCIA DO INVESTIMENTO. AQUISIÇÃO. DESENVOLVIMENTO. DESFAZIMENTO. I Construção empreendida pelo Decretolei nº 1.598, de 1977, encontrase em consonância com a edição no ano anterior (1976) da Lei nº 6.404 ("lei das S/A"), no qual se buscou modernizar os conceitos de contabilização de investimentos decorrentes de participações societárias, inclusive com a adoção do método de equivalência patrimonial (MEP). Foram delineados três momentos cruciais para o investidor: nascimento, desenvolvimento e fim do investimento, assim tratados: (1º) o da aquisição do investimento, normatizandose a figura do "ágio", que consiste no sobrepreço pago na aquisição, (2º) o momento em que o investimento gera frutos para o investidor, ou seja, a empresa adquirida gera lucros; e (3º) e desfazimento do investimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 33 68 /2 01 4- 34 Fl. 6841DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.842 2 II O segundo momento operacionalizou sistema no qual os resultados de investimentos em participações societárias pudessem ser devidamente refletidos no investidor, por meio do MEP, e ao mesmo tempo, não fossem objeto de bitributação. De um lado, os resultados da investida seriam refletidos no investidor, fazendo com que tanto na investida quando no investidor fossem apuradas receitas operacionais que, em tese, integrariam o lucro líquido e a base de cálculo tributável. De outro, determinouse que o investidor poderia efetuar ajuste, no sentido de excluir da base de cálculo tributável os resultados positivos auferidos pela investida, viabilizandose a neutralidade do sistema e a convergência para fins fiscais das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. III A mesma premissa deve ser considerada para o primeiro (aquisição) e terceiro (desfazimento) momentos. No desfazimento, o ágio deve ser considerado na apuração da base de cálculo do ganho de capital. Na aquisição, o sobrepreço contabilizado só poderá ser objeto da amortização se ocorridas as hipóteses de aproveitamento previstas expressamente na legislação. IV Nítida e transparente a convergência entre as bases de cálculo do IRPJ e CSLL, no que concerne às operações decorrentes de participações societárias e os correspondentes resultados auferidos, em seus diferentes momentos: aquisição, desenvolvimento e desfazimento. REGRAS GERAIS DE DEDUTIBILIDADE. ÁGIO. DESPESA. Ágio é despesa, submetida a amortização, submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 47, da Lei nº 4.506, de 1964, e com repercussão tanto na apuração do IRPJ quando da CSLL, conforme art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995 e art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007. Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplicase sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoase ao final do anocalendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplicase aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, não conhecendo apenas em relação à matéria "Impossibilidade de cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício" e, Fl. 6842DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.843 3 no mérito, na parte conhecida, quanto à matéria (i) Dedutibilidade do ágio para fins de CSLL, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado (relator), Cristiane Silva Costa e Lívia De Carli Germano, que lhe deram provimento; quanto à matéria (ii) Impossibilidade de cobrança simultânea de multa de ofício e multa isolada, por voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado (relator), Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei e Lívia De Carli Germano, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Demetrius Nichele Macei, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício) Relatório Contra o acórdão n. 1201001.505 da 1° Turma da 2°Câmara, apresentaram Recurso Especial, a PGFN (fls. 6.222/6.238) e também a contribuinte (fls.6.256/6.285). O acórdão recorrido restou assim ementado e decidido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 ÁGIO. GLOSA DE AMORTIZAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO QUE JUSTIFIQUE A AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA PARA FUNDAMENTAR O ÁGIO COM BASE NA RENTABILIDADE FUTURA. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. LAUDO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 6843DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.844 4 A demonstração do fundamento econômico da mais valia paga deve ser contemporânea ao reconhecimento do ágio na escrita contábil do contribuinte. Embora a legislação não estabeleça a forma dessa demonstração, o corolário é que esta deva existir ao menos na data do registro da aquisição da participação societária, com vistas ao seu desdobramento contábil. Tratase de requisito legal indispensável, à cargo do sujeito passivo para fruição do benefício fiscal estabelecido. NEGÓCIO JURÍDICO. ABUSO DE DIREITO. INOPONIBILIDADE. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE POR NÃO CARACTERIZAÇÃO DE FRAUDE. Negócio jurídico realizado mediante interpretação literal, sem a observância das regras tributárias é abusivo e não pode ser oponível ao Fisco, sujeitando ao infrator à multa de ofício de 75%. Descabe a qualificação da multa quando não caracterizado dolo específico ou fraude nos procedimentos. FALTA DE PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA.CABIMENTO. Com o advento da Medida Provisória n. 351/2007, convertida na Lei n. 11.488/2007, tornouse juridicamente indiscutível o cabimento da incidência da multa isolada pela falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, ainda que cumulativamente haja imposição da multa de ofício proporcional o imposto e à contribuição devidos ao final do respectivo anocalendário. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011, 2012 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA. Tratandose de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicase à CSLL, por relação de causa e efeito, o mesmo fundamento do lançamento primário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir a multa de 150% para 75%. Vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e Ronaldo Apelbaum. Designado pra Fl. 6844DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.845 5 redigir o voto vencedor o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. Em seu Recurso Especial, a PGFN defende a manutenção da multa qualificada e traz os acórdãos paradigmas nºs 1301001.220 e 1103000.857 assim ementadas: MULTA. QUALIFICAÇÃO. PROCEDÊNCIA. Se os fatos retratados nos autos deixam foram de dúvida a intenção do contribuinte de, por meio de atos societários diversos, desprovidos de substância econômica e propósito negocial, reduzir a base de incidência de tributos, descabe afastar a qualificação da penalidade promovida pela autoridade autuante.. [...]. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. DOLO. FRAUDE. Não obstante uma série de atos empreendidos aparentemente no sentido de promover reorganização societária, restou evidente que tiveram a intenção deliberada de moldar o suporte fático previsto na norma tributária que autoriza a amortização do ágio. Foi demonstrado que as declarações de vontade formalizadas nas atas elaboradas, nas alterações estatutárias, na constituição ou no aproveitamento das pessoas jurídicas do grupo, nos laudos elaborados, dentre outros, tiveram por objetivo enganar o Fisco. Os negócios jurídicos mostraramse desprovidos de causa quando os fatos foram apreciados como um todo, tornandose inevitável concluir que foi criada “sociedade” vazia, sem substância, sem finalidade. Mostrouse plenamente caracterizada a simulação, no sentido de criar condições artificiais para o aproveitamento do ágio, em conduta dolosa, deliberada e consciente, caracterizandose ocorrência da fraude prevista no art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964, e a qualificação da multa de ofício prevista no inciso II, Art. 44, da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007.. A PGFN destaca os seguintes trechos dos acórdãos paradigmas, respectivamente: "No caso vertente, a meu ver, a qualificação é ínsita à própria infração imputada, isto é, se existente essa, não há como deixar de admitir a exasperação da penalidade, vez que a irregularidade apontada encontra seu maior suporte no artificialismo da reorganização societária empreendida.. [...]." Fl. 6845DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.846 6 "Na autuação, restou demonstrada uma série de operações que culminaram na geração de um ágio que passou a ser amortizado pela recorrente em sua contabilidade. Contudo, ao se apreciar as circunstâncias em que ocorreu a reorganização societária empreendida pela recorrente, tornase inevitável constatar que as operações tiveram, como único objetivo, a fabricação de um “ágio consigo mesmo”, em ações no qual não há como se dissociar a presença do elemento doloso." Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial da PFGN Em despacho de admissibilidade (fls. 6.241/6.244), o Recurso fora integralmente admitido. Contrarrazões ao Recurso Especial da PGFN A contribuinte apresentou contrarrazões ao Recurso Especial da PGFN (fls. 6.533/6.550), onde alega em síntese: i) o Recurso Especial da PGFN não merece sequer ser admitido, pois, os acórdãos paradigmas apresentados tratam de casos de ágio interno, que não é a hipótese discutida nos autos, assim, resta não demonstrada a divergência requerida pelo § 8°do art. 67 do RICARF; ii) é improcedente a alegação da PGFN no sentido de existência de intuito doloso da contribuinte no sentido de que a aquisição da TISA nunca ocorreu, tendo em vista que a aquisição da TISA é fato incontroverso que ocorreu mediante negociações com partes não relacionadas e posterior pagamento efetivo do custo de aquisição. iii) quanto à alegação de que o laudo elaborado pela PwC seria uma declaração falsa, destaca a contribuinte que sequer havia previsão legal exigindo a apresentação de laudo de avaliação à época dos fatos. iv) a ocorrência de simulação foi afastada completamente pela contribuinte vez que não houve criação artificial de ágio, a operação ocorreu entre partes não relacionadas, a compra e venda e pagamento ocorreu efetivamente em janeiro de 2007 e o laudo de avaliação demonstrou a expectativa de rentabilidade futura que fundamentou o ágio. v) não há subsunção dos fatos ocorridos com a norma punitiva. Recurso Especial da Contribuinte A contribuinte apresentou Recurso Especial (fls. 6.256/6.285) no qual alega: Fl. 6846DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.847 7 i) nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento de defesa da recorrente e falta de motivação do acórdão recorrido, trazendo como paradigma o acórdão n. 2401004.389; ii) inexistência de previsão legal determinando que o laudo de avaliação deve ser contemporâneo ao pagamento do ágio, ponto em que traz como paradigma o acórdão n. 1102001.018 que de forma oposta ao acórdão recorrido que havia entendido que a elaboração de Laudo de Avaliação após seis meses do efetivo pagamento pela aquisição da TISA seria fato impeditivo de que este documento fosse reconhecido como documento hábil para informar o fundamento econômico do ágio; iii) possibilidade de dedução do ágio para fins de CSLL, vez que o acórdão recorrido entendeu que as regras de apuração do IRPJ são aplicáveis à CSLL, ao mesmo tempo em que o acórdão paradigma n. 9101.002.310 da CSRF concluiu de forma diversa, no sentido de que as normas de apuração e pagamento do IRPJ não alcançam a CSLL. iv) impossibilidade de aplicação concomitante de multa isolada e multa de ofício sobre a mesma base de cálculo, conforme entendimento do acórdão paradigma n. 1402 002.146 que, diametralmente contrário ao acórdão recorrido. v) inaplicabilidade de juros sobre multa, conforme entendimento do acórdão paradigma n. 910100.722 que entendeu que os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, contrariamente ao que foi decidido no acórdão recorrido. Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial da Contribuinte Em despacho de fls. 6.564/6.579, foi dado parcial seguimento ao Recurso Especial da contribuinte apenas em relação às matérias: i) dedutibilidade do ágio para fins de CSLL; ii) concomitância de multa isolada com multa de ofício e iii) juros de mora sobre multa de ofício. Inconformada com o não seguimento das matérias relacionadas à nulidade da decisão de primeira instância e falta de obrigatoriedade legal de apresentação do laudo, a Contribuinte apresentou Agravo. Em despacho de fls 6.669/6.680, o Agravo foi rejeitado, prevalecendo o despacho anterior que havia dado seguimento parcial do Recurso Especial da Contribuinte. Contrarrazões da PGFN A PGFN apresentou contrarrazões ao Recurso Especial da Contribuinte, alegando em síntese: i) é indedutível, para fins de CSLL, a amortização do ágio decorrente de aquisições de participações societárias avaliadas pelo método da equivalência patrimonial. Nem toda a norma aplicável ao IRPJ também tem efeitos para a CSLL, contudo no presente processo não se está diante de um caso de falta de previsão legal para a adição da despesa da Fl. 6847DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.848 8 amortização do ágio na apuração da base de cálculo da CSLL, mas sim de ausência de norma específica que autorize a dedução dessa despesa no cálculo dessa contribuição. ii) é válida a aplicação concomitante das multas isolada e de ofício, vez que não se aplica ao caso em tela a Súmula CARF nº 105, segundo a qual “a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício”. Isso porque a cumulação entre as multas só é vedada pela referida súmula em relação às autuações relativas a períodos anteriores a 22 de janeiro de 2007, data da entrada em vigor da MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou significativamente o art. 44 da Lei nº 9.430/96. iii) ao contrário do que sustenta a recorrente, é plenamente válida a incidência de juros de mora sobre os valores relativos à multa de ofício. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Recurso Especial da PGFN Conhecimento Para melhor análise de Conhecimento do Recurso Especial da PGFN, destaco aqui trecho final do respectivo Despacho de Admissibilidade: Enquanto a decisão recorrida entendeu que “descabe a qualificação da multa quando não caracterizado dolo específico ou fraude nos procedimentos”, os acórdãos paradigmas apontados decidiram, de modo diametralmente oposto, respectivamente, que “a qualificação é ínsita à própria infração imputada, isto é, se existente essa, não há como deixar de admitir a exasperação da penalidade, vez que a irregularidade apontada encontra seu maior suporte no artificialismo da reorganização societária empreendida” e que “as operações tiveram, como único objetivo, a fabricação de um ‘ágio consigo mesmo’, em ações no qual não há como se dissociar a presença do elemento doloso". Fl. 6848DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.849 9 A experiência do presente relator nos anos de atuação neste Conselho mostra que o julgamento dos casos que envolvem ágio, especialmente no tangente à decisão de aplicação de multa qualificada ou não, parte de uma análise fática de cada caso. Isso porque, a legislação tributária traz possibilidades e requisitos para dedução do ágio que devem ser cumpridas pelo contribuintes. Se o contribuinte não cumpre tais requisitos, fica sujeita a autuação do fisco em decorrência de glosa da dedução do ágio. Se o contribuinte utiliza de artificialismo, fraude ou simulação para tentar transparecer que cumpriu os requisitos legais de dedução, será penalizado com multa qualificada. Entendeu a turma no acórdão recorrido que restou não comprovada a conduta ou ação fraudulenta, artificial ou simulada do contribuinte que pudesse levar à aplicação da multa qualificada. Nos casos dos autos discutese ausência de propósito negocial, utilização de empresa veículo ou mesmo a função do laudo de avaliação, para ao final concluirse pela inexistência de conduta fraudulenta do contribuinte. Contudo, não fez parte dos presentes autos a discussão sobre ágio interno, que muitos conselheiros entendem que por si só implicam na indedutibilidade do ágio ou mesmo na necessária aplicação de multa qualificada. Pois bem, se o chamado ágio interno não fez parte das discussões nos presentes autos não há dúvida nos autos que a transação de que resultou o ágio aconteceu entre partes não relacionadas, entendo não ser possível conhecer Recurso Especial que traga como paradigmas acórdãos que analisaram operações de ágio interno e em conseqüência disso concluíram pela aplicação da multa qualificada. O acórdão paradigma n. 1301001.220 demonstra como razões de decidir, diversos aspectos relacionados ao ágio internos, tais como: i) ágio amortizado gerado internamente, não havendo qualquer tipo de desembolso; ii) sócio majoritários em comum entre comprador e vendedor; iii) ausência de compra, venda, mercado livre e aberto. Tais situações não se aplicam ao caso em tela. E o mesmo se aplica ao acórdão 1103000.857 também trazido como paradigma e igualmente referente ao ágio interno. Neste acórdão, a multa qualificada foi mantida em razão da fabricação de ágio "consigo mesmo". Verificase claramente nos acórdãos paradigmáticos que toda a razão de decidir baseouse em artificialidade flagrante na operação de ágio interno que teria sido fabricada dolosamente entre partes relacionadas em operação desprovida não somente de propósito negocial mas também de essência, o que resultou na conclusão de que o contribuinte incorreu em atos simulados e fraudulentos. O acórdão recorrido, como já anotado acima, não trata de tal hipótese. Não concordo com a Recorrente quando alega que a similitude fática encontrase no fato de que o acórdão recorrido e os paradigmáticos tratam de criação artificial de ágio. Entendo que o conceito de similitude fática adotada pela PGFN neste caso é elástica demais. Fl. 6849DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.850 10 Assim, entendo não ter sido demonstrada a necessária similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmáticos. Portanto, o Recurso Especial não deve ser conhecido. Recurso Especial da Contribuinte Conhecimento Adoto as razões do Presidente da Câmara para conhecimento do Recurso Especial da contribuinte em relação aos temas suscitados com exceção à discussão acerca da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício em razão da aplicação da Súmula CARF n. 108 que assim dispõe: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Isso porque, adoto aqui o disposto no art. 67, § 3º do Regimento deste Conselho que assim dispõe: § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Portanto, o Recurso Especial merece ser conhecido parcialmente e apenas em relação aos temas: i) dedutibilidade do ágio para fins de CSLL e ii) impossibilidade de cobrança simultânea de multa de ofício e multa isolada. Mérito Dedutibilidade do ágio para fins de CSLL O acórdão recorrido alega que as regras de dedução aplicáveis ao IRPJ devem ser aplicados à CSLL. Contudo, a Recorrente traz acórdão paradigmático desta 1° Turma da CSRF que entendeu que a aplicação das mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas à Contribuição Social sobre o Lucro, por expressa disposição legal, não alcança a base de cálculo da contribuição. Assim, para análise de mérito ora posta, imprescindível trazer as definições legais referente à base de cálculo da CSLL. Neste sentido, inicio destacando o art. 2º da Lei 7.689/88, que assim dispõe: Fl. 6850DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.851 11 Art. 2° A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1 Para efeito do disposto neste artigo: (...) c) O resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixada durante o períodobase, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase; (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Incluído pela Lei n 8.034, de 1990) 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase. (Incluído pela Lei n 8.034, de 1990) Cabem também destacar o quanto contido no caput do Art. 57 da Lei 8.981/95: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei n 9.065, de 1995) Veja que o dispositivo legal acima traz previsão limitada e fechada quanto à aplicação das normas do IRPJ para a CSLL, inclusive, há expressa menção quanto à manutenção da base de cálculo da CSLL conforme definida em legislação própria. Fl. 6851DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.852 12 Ora, a discussão sobre dedutibilidade do ágio abrange, sem sombra de dúvidas, a base de cálculo dos tributos IRPJ e CSLL, assim, a adoção automática ou ampliada daquilo que fora decidido para IRPJ também para a CSLL sem maior ou mais profunda análise da legislação própria da CSLL me parece equivocada. A base de cálculo da CSLL está definida na Lei n. 7.689/88 e lá não é possível identificar qualquer regra expressa no sentido de obrigatoriedade de adição do ágio pago ou requisitos especiais para sua dedução. No caso em tela, o ágio foi efetivamente pago e o correspondente valor corretamente contabilizado. A aquisição que gerou o ágio está claramente relacionada ao negócios da Recorrente, ou seja, à geração de receita e lucro da Recorrente, sendo, portanto, necessária. Desta forma, por absoluta falta de previsão legal, improcedente a glosa da dedução do agio para fins de CSLL por mera consequência do que foram decidido para o IRPJ em decisão que levou em consideração tão somente as previsões contidas na legislação do IRPJ. Assim, procedentes as argumentações da Recorrente neste tópico. Impossibilidade de cobrança simultânea de multa de ofício e multa isolada Inicio a análise deste tema destacando que, se por um lado, o texto da Súmula CARF nº 105 deixa claro que tratase apenas da cobrança concomitante de multa isolada e multa de ofício lançada na vigência do artigo 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96 antes das alterações trazidas pela MP nº 351/07, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/07, por outro lado enxergo que ser possível e correta a aplicação do mesmo racional para lançamentos posteriores à alteração legal acima mencionada. Isso porque, ao entender do presente Conselheiro, as alterações trazidas pela MP n. 351/07 não alteraram o vício antes existente relacionado ao Princípio da Consunção que veda a cumulação de penalidade sobre um mesmo ato ou fato. O suposto divisor de águas considerado pela Súmula CARF n. 105 que é a edição da MP n. 351/07 não trouxe qualquer alteração que pudesse sanar o vício antes existente, limitandose à simples alteração de alíquota da multa, conforme se percebe da leitura da Exposição de Motivos da MP n. 351/07, in verbis: A alteração do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, efetuada pelo art. 14 do Projeto tem o objetivo de reduzir o percentual da multa de ofício, lançada isoladamente, nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa física ou pela pessoa jurídica a título de estimativa, bem como retira a hipótese de incidência da multa de ofício no caso de pagamento do tributo após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa de mora. Fl. 6852DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.853 13 Não houve alteração do racional para aplicação da multa isolada, tão somente do percentual aplicado que passou a ser 50%, assim, o racional que conduziu os julgados que culminaram na edição da Súmula CARF n. 105 pode ser aplicado aos lançamento efetuados já sob a vigência da MP n. 351/07. Ora, o recolhimento de estimativas mensais do IRPJ/CSLL configura verdadeira obrigação tributária de antecipação do imposto. Por óbvio, se tal obrigação (de antecipar) não for cumprida, a penalidade deve ser aplicada, sem dúvida. Contudo, quando o contribuinte não recolhe o tributo, antecipadamente ou não, e sofre uma autuação com aplicação da multa de ofício, perde razão a aplicação da multa isolada, vez que a multa de ofício já penaliza o contribuinte pela falta de pagamento. Vejam, é indubitável que estamos falando dos mesmo recursos , do mesmo dinheiro, do mesmo caixa que não entrou nos cofres públicos no prazo adequado (legal) e por isso sofreu penalização. Tanto isso é verdade que para regulação da situação, o contribuinte paga somente uma vez o tributo e não duas vezes. Portanto, se a obrigação é uma só, impossível a aplicação de duas penalidades. Não há espaço para dúvidas quanto ao fato que o recolhimento das estimativas é parte integrante da obrigação de recolher o IRPJ/CSLL devido ao final do período de apuração. Não se trata aqui de obrigação acessória ou autônoma que pudesse merecer penalização própria. Encontro aqui apoio nas lições do Prof. Marco Aurélio Greco (Revista Dialética de Direito Tributário n. 76, 2002, p. 148) a este respeito: "Mensalmente, o que se dá é apenas o pagamento por imposto determinado sobre base de cálculo estimada (ar. 2°, caput), mas a materialidade tributada é o luco real apurado em 31 de dezembro de cada ano (§ 3°, do art. 2°). Portanto, imposto e contribuição verdadeiramente devidos, são apenas aqueles apurados ao final do ano. O recolhimento mensal não resulta de outro fato gerador distinto do relativo ao período de apuração anual; ao contrário, corresponde a mera antecipação provisória de um recolhimento, em contemplação de um fato gerador e uma base de cálculo positiva que se estima venha ou possa vir a ocorrer no final do período. Tanto é provisória e em contemplação de vento futuroque se reputa em formação e que dele não pode se distanciar que, mesmo durante o período de apuração, o contribuinte pode suspender o recolhimento se o valor acumulado pago exceder o valor calculado com base no lucro real do período em curso (art. 35 da Lei n. 8.981/95)" Uma vez entendido que as antecipações e o pagamento do tributo devido apurado ao final do período são obrigações tributárias que claramente incidem sobre a mesma base, inafastável a aplicação do Princípio da Consunção. Fl. 6853DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.854 14 Como bem destacou a Conselheira Cristiane Silva Costa em seu recentíssimo voto no acórdão n. 9101004.010, STJ já se posicionou no sentido de entender indevida a aplicação da multa isolada quando já imposta multa de ofício (RESP 1.496.354): PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. 1. Recurso especial em que se discute a possibilidade de cumulação das multas dos incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/96 no caso de ausência do recolhimento do tributo. 2. Alegação genérica de violação do art. 535 do CPC. Incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 3. A multa de ofício do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430/96 aplicase aos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". 4. A multa na forma do inciso II é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n. 11.488, de 2007)". 5. As multas isoladas limitamse aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido. 6. No caso, a exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Princípio da consunção. Recurso especial improvido. Desta sorte, entendo como procedentes os argumentos da Contribuinte no sentido de ser vedada a cobrança concomitante da multa isolada e multa de ofício Impossibilidade de cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício Fl. 6854DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.855 15 Quanto ao tema da impossibilidade de incidência de juros sobre a multa de ofício, temos o que o assunto já encontrase devidamente sumulado neste Conselho: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Assim, não merecem guarida as alegações da Recorrente em relação a este tópico. Conclusão Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do RECURSO ESPECIAL da PGFN e restando vencido nesta parte no MÉRITO voto por NEGARLHE PROVIMENTO e CONHEÇO PARCIALMENTE do RECURSO ESPECIAL da CONTRIBUINTE para no MÉRITO DARLHE PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de dedução do ágio para fins de CSLL e afastar a cobrança concomitante da multa isolada sobre estimativas com a multa de ofício. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 6855DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.856 16 Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado. Não obstante o substancioso voto do I. conselheiro, peço vênia para discorrer sobre as matérias: repercussão da glosa de despesa de amortização do ágio na base de cálculo da CSLL; incidência da multa de ofício e da multa isolada sobre insuficiência/falta de recolhimento de estimativas mensais. Passo ao exame. I. Repercussão da Glosa de Despesa de Amortização de Ágio na Base de Cálculo da CSLL. RE da Contribuinte. Protesta a Contribuinte sobre a repercussão de glosa de despesa de amortização de ágio na Base de Cálculo da CSLL. Há que se buscar a interpretação sistêmica da legislação tributária, sob pena de incorrer em contradições. Toda a construção empreendida pelo Decretolei nº 1.598, de 1977, encontra se em consonância com a edição no ano anterior (1976) da Lei nº 6.404 ("lei das S/A"), no qual se buscou modernizar os conceitos de contabilização de investimentos decorrentes de participações societárias, inclusive com a adoção do método de equivalência patrimonial (MEP). Foram tratados três momentos cruciais para o investidor, nascimento, desenvolvimento e fim do investimento, respectivamente delineados: (1) o da aquisição do investimento, normatizandose a figura do "ágio", que consiste no sobrepreço pago na aquisição, e (2) o momento em que o investimento gera frutos para o investidor, ou seja, a empresa adquirida gera lucros; e (3) e desfazimento do investimento. Em relação ao segundo momento (desenvolvimento do investimento), a interpretação integrada dos dois diplomas normativos consolidou a construção de sistema no qual os resultados de investimentos em participações societárias pudessem ser devidamente refletidos no investidor, por meio do MEP, e ao mesmo tempo, não fossem objeto de bitributação. Isso porque, em se considerando estritamente os lançamentos contábeis, os resultados da investida seriam refletidos no investidor, fazendo com que tanto na investida quando no investidor fossem apuradas receitas operacionais que, em tese, integrariam o lucro líquido e a base de cálculo tributável. Por isso, determinouse que o investidor poderia efetuar ajuste, no sentido de excluir da base de cálculo tributável os resultados positivos auferidos pela investida. É o que prescreve o art. 22 do Decretolei nº 1.598, de 1977, quando determina o procedimento a ser adotado pelo investidor ao final de cada exercício: o valor do Fl. 6856DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.857 17 investimento na data do balanço (...), deverá ser ajustado ao valor de patrimônio líquido, mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento. Caso tenha apurado resultado positivo, lançamento a débito na conta de investimento e a crédito em conta de resultado (receitas de equivalência patrimonial), com repercussão na base tributável. Tal repercussão é neutralizada logo no artigo seguinte (art. 23), ao predicar que a contrapartida do ajuste por aumento do valor de patrimônio líquido do investimento não será computada no lucro real (...). Assim, o crédito em conta de resultado seria excluído na apuração do lucro real. Com a criação da CSLL, a Lei nº 7.689, de 1988, discorreu sobre ajuste na base de cálculo para fins fiscais, e determinou pela exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido (art. 2º, § 1º, alínea "c", item 1). Restou, nesse momento, nítida, clara e transparente, a convergência entre as bases de cálculo do IRPJ e CSLL, no que concerne às operações decorrentes de participações societárias e os correspondentes resultados auferidos. A preocupação do legislador em compatibilizar a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, mediante a operacionalização de ajustes no lucro líquido, é evidente. Portanto, não há nenhum sentido entender que, para as operações societárias relativas ao primeiro momento (aquisição do investimento) e o terceiro momento (desfazimento do investimento), poderseia aplicar um entendimento diferente daquele relativo ao segundo momento (desenvolvimento do investimento). Em relação ao terceiro momento (desfazimento do investimento), predica a norma que na alienação do investimento, o valor do ágio deverá ser considerado, na apuração da base de cálculo tributável (art. 25 e 33 do Decretolei nº 1.598, de 1977). E, em conexão indissociável com o segundo momento (desenvolvimento do investimento) e o terceiro momento (desfazimento do investimento), o primeiro momento (nascimento do investimento) trata da aquisição do investimento que, se for realizada com sobrepreço, implica na contabilização desse valor a maior em conta específica. É o que diz o art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977, ao determinar nos incisos I e II que o custo de aquisição deveria ser desdobrado em (I) valor do patrimônio líquido na época da aquisição e (II) ágio ou deságio na aquisição. Por isso que, apesar da disposição no art. 25 do Decretolei nº 1.598, de 1977, ser no sentido de que as contrapartidas da amortização do ágio não seriam computadas na determinação do lucro real, não há nenhum sentido em se considerar que tal ajuste não se aplica para fins de apuração da Base de Cálculo da CSLL. Repito: o que se tutela é a convergência entre as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Os motivos apresentados até o momento são suficientes para demonstrar que a glosa de despesa de amortização do ágio tem repercussão tanto para a apuração da base de cálculo do IRPJ quanto da CSLL. Contudo, caso ainda haja alguma contestação sobre tal entendimento, cabem considerações complementares. Não se pode esquecer que o ágio é despesa, submetida a amortização. Fl. 6857DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.858 18 Logo, encontrase a despesa do ágio submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 47, da Lei nº 4.506, de 1964, base legal para o art. 299 do RIR/99: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Por sua vez, o art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995, dispõe: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (Grifei) A interpretação dada ao dispositivo pelo Conselheiro Marcos Pereira Valadão, no Acórdão nº 9101002.396, é didática e esclarecedora: Assim, o texto legal acima transcrito evidencia claramente o vínculo entre a apuração da base cálculo da CSLL e os referidos requisitos para a dedutibilidade de despesas, do contrário não faria nenhum sentido a ressalva contida no texto. Com efeito, se o texto diz que para uma determinada situação deve se aplicar "A" independentemente de "B", é porque "B" também é aplicável àquela mesma situação. Nessa perspectiva, as regras de dedutibilidade de despesas previstas no art. 47 da Lei nº 4.506, de 1964, aplicamse tanto ao IRPJ quanto à CSLL. A redação do art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995, dispõe claramente sobre hipóteses de despesas indedutíveis tanto para o IRPJ quanto para a CSLL, incluindo expressamente as situações previstas no art. 47 da Lei nº 4.506, de 1964. Sendo a despesa de amortização de ágio submetida ao regramento geral das despesas operacionais, não há que se falar em ausência de previsão normativa para a sua adição à Base de Cálculo da CSLL. No mesmo contexto, encontrase a redação do art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995, mencionada pela autoridade fiscal: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base Fl. 6858DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.859 19 de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. Pela expressão normas de apuração entendese o cômputo do quantum tributável, o procedimento consistente em determinar a base de cálculo do tributo, mediante operações de soma e diminuição de valores. Ou seja, precisamente a discussão dos presentes autos. Pelo dispositivo, resta mais evidente que repercussão dos ajustes efetuados para apuração da base de cálculo do IRPJ para a CSLL. Nesse contexto, entendo não haver reparos ao procedimento adotado pela autoridade fiscal ao promover a glosa de despesa de amortização de ágio tanto para o IRPJ quanto para a CSLL. Portanto, deve ser negado provimento ao recurso especial da Contribuinte em relação à matéria. II. Incidência da Multa de Ofício e da Multa Isolada por Insuficiência/Falta de Recolhimento de Estimativa Mensal. A matéria devolvida consiste em apreciar a suposta concomitância entre multa de ofício e multa isolada de estimativas mensais, para os anoscalendário 2008 e 2009. Cabe discorrer, a princípio, sobre o lucro real, que é um dos regimes de tributação existentes no sistema tributário, atualmente regido pela Lei nº 9.430, de 1996, aplicado a partir do anocalendário de 1997: Capítulo I IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Seção I Apuração da Base de Cálculo Período de Apuração Trimestral Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. (grifei) No lucro real, podese optar pelo regime de apuração trimestral ou anual. Vale reforçar que é uma opção do contribuinte aderir ao regime anual ou trimestral. E, no caso do regime anual, a lei é expressa ao dispor sobre a apuração de estimativas mensais. Transcrevo redação vigente à época dos fatos geradores objeto da autuação: Lei nº 9.430, de 1996 Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, Fl. 6859DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.860 20 determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. ................................................................................ Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. (grifei) Observase, portanto, com base em lei, a obrigatoriedade de a contribuinte optante pelo regime de lucro real anual, apurar, mensalmente, imposto devido, a partir de base de cálculo estimada com base na receita bruta, ou por balanço ou balancete mensal, esta que, inclusive, prevê a suspensão ou redução do pagamento do imposto na hipótese em que o valor acumulado já pago excede o valor de imposto apurado ao final do mês. Contudo, a hipótese de não pagamento de estimativa deve atender aos comandos legais, no sentido de que os balanços ou balancetes deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário. Tratase de obrigação imposta ao contribuinte que optar pelo regime do lucro real anual. E o legislador, com o objetivo de tutelar a conduta legal, dispôs penalidade para o seu descumprimento. No caso, a prevista no art. 44 da mesma Lei nº 9.430, de 1996 (redação dada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 6860DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.861 21 II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (grifei) A sanção imposta pelo sistema é claríssima: caso descumprido o pagamento da estimativa mensal, cabe imputação de multa isolada, sobre a totalidade (caso em que não se pagou nada a título de estimativa mensal) ou diferença entre o valor que deveria ter sido pago e o efetivamente pago, apurado a cada mês do anocalendário. Penalizase a conduta de descumprimento de obrigação tributária, de pagamento de tributo de maneira antecipada conforme determinação expressa da legislação. A sanção tem base legal. E mais: expressamente dispõe que é cabível ainda que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL. E se trata de multa, gênero, isolada, espécie, a ser lançada de ofício e cujo prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I do CTN. Portanto, não há óbice para que possa ser efetuado lançamento após o ano calendário, naturalmente dentro do período não atingido pela decadência. Fato é que o descumprimento de norma que determina o pagamento do tributo em regime de antecipação proporciona substancial prejuízo, por permitir uma liberalidade no ordenamento jurídico sem base legal, por fomentar um tratamento desigual entre os contribuintes, e por implicar em não ingresso de recursos aos cofres do Estado. Consumarseia situação de exceção, e um prêmio para as pessoas jurídicas que descumprissem deliberadamente a lei tributária. Por qual razão a pessoa jurídica que descumpre conduta prevista em lei deve receber tratamento diferente (e vantajoso) daquela que cumpriu com suas obrigações, apurou mensalmente a estimativa mensal a pagar e efetuou os recolhimentos? Como acolher conduta de contribuinte que ignorou a legislação tributária vigente, e se considerou apto a receber um tratamento especial, diferente das demais pessoas jurídicas que cumpriram com suas obrigações? Não se trata de legalidade por legalidade. O sistema jurídicotributário deve ser respeitado, assim como os contribuintes que seguem suas determinações. Não se deve fomentar lacunas para se ignorar a lógica do sistema, para conceder tratamentos vantajosos para condutas lesivas, em afronta à proporcionalidade e razoabilidade. Fl. 6861DF CARF MF Processo nº 10830.723368/201434 Acórdão n.º 9101004.053 CSRFT1 Fl. 6.862 22 Vale dizer que o caso concreto trata de fatos geradores posteriores a 2006, ou seja, sob a égide da nova redação dada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007, que afastou qualquer dúvida sobre a possibilidade de aplicação concomitante das multas de ofício e das multas isoladas por insuficiência de estimativa mensal. As hipóteses de incidência que ensejam a imposição das penalidades da multa de ofício e da multa isolada em razão da falta de pagamento da estimativa são distintas, cada qual tratada em inciso próprio no art. 44 da Lei nº. 9.430, de 1996. Por isso, não há se falar na incidência da Súmula nº 105 do CARF, que se aplica aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 (que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007). Observase que os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, tratam de suportes fáticos distintos e autônomos, com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplicase sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoa se ao final do anocalendário. Por sua vez, a multa isolada é apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou, ainda, mediante receita bruta acumulada mensalmente. Ou seja, são materialidades independentes, não havendo que se falar em concomitância. Assim sendo, deve ser negado provimento ao recurso especial da Contribuinte em relação à matéria. III. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Contribuinte, em relação à parte conhecida. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 6862DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.903240/2008-81
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1003-000.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que os autos retornem à DRF e essa se manifeste a respeito das informações e provas colacionadas pela contribuinte no recurso voluntário, a fim de verificar se o crédito é líquido e certo.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que os autos retornem à DRF e essa se manifeste a respeito das informações e provas colacionadas pela contribuinte no recurso voluntário, a fim de verificar se o crédito é líquido e certo. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que os autos retornem à DRF e essa se manifeste a respeito das informações e provas colacionadas pela contribuinte no recurso voluntário, a fim de verificar se o crédito é líquido e certo. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1640.509, de 26 de julho de 2012, da 10ª Turma da DRJ/SP1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 03 24 0/ 20 08 -8 1 Fl. 300DF CARF MF Processo nº 16327.903240/200881 Resolução nº 1003000.043 S1C0T3 Fl. 3 2 Por economia processual e por entender suficientes as informações constantes no Relatório do r. acórdão, passo a transcrevêlo abaixo: O presente processo trata dos Pedidos de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação – PER/DCOMP discriminados abaixo, relativos à compensação de diversos débitos com crédito relativo a saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001: 42626.61405.130206.1.7.039728 (fls. 60 a 69), 15096.04716.150206.1.3.033625 (fls. 56 a 59), 16680.66485.140806.1.3.030150 (fls. 52 a 55) e 19955.31276.120906.1.3.037023 (fls. 48 a 51). No despacho decisório de fls. 5, a Delegacia Especial de Instituições Financeiras na 8ª Região Fiscal – Deinf/SPO verificou que, do crédito de R$28.252,15 pleiteado pela requerente, o montante de R$20.956,11 já havia sido utilizado em compensações anteriores à transmissão do PER/DCOMP de final 9728, restando disponível o crédito de R$7.296,04. Assim, foram homologadas parcialmente as compensações declaradas no PER/DCOMP de final 9728 e não homologadas as compensações declaradas nos demais PER/DCOMP acima relacionados. Cientificada da decisão em 21/08/2008 (fls. 71), a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 2 a 4, acompanhada dos documentos de fls. 5 a 70. Alega que o saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 2001 foi de R$55.541,11 e não de R$28.252,15, como declarado no PER/DCOMP e na DIPJ. Sustenta que houve um erro de fato no preenchimento da linha 38 da ficha 17 (CSLL mensal paga por estimativa) da DIPJ 2002, não tendo sido somados os valores de estimativas dos meses de janeiro a abril de 2001, no total de R$27.198,96, que foram quitados por compensação com saldo negativo de CSLL de período anterior. Ante o exposto, requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário até que seja proferida a decisão final no presente processo. Requer também o acolhimento de sua manifestação de inconformidade, para que: a) seja retificada de ofício a DIPJ 2002, passando a constar o valor de R$55.541,11 na linha 38 da ficha 17; b) sejam homologadas as compensações, extinguindose os créditos tributários ora impugnados. É o relatório. A DRJ/SP1 julgou a manifestação de inconformidade improcedente, e não reconheceu o crédito informado pela contribuinte, conforme ementa abaixo: Fl. 301DF CARF MF Processo nº 16327.903240/200881 Resolução nº 1003000.043 S1C0T3 Fl. 4 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 REGIME DE APURAÇÃO ANUAL. ESTIMATIVAS MENSAIS. SALDO NEGATIVO. Na composição do saldo negativo da CSLL apurado no final do ano calendário, somente podem ser considerados os valores de estimativas mensais efetivamente pagos, assim considerados os créditos extintos por meio de dedução da CSLL retida por órgão público, compensação de pagamento a maior ou indevido, compensação de saldo negativo de CSLL de períodos anteriores, compensação solicitada por meio de processo administrativo, compensação autorizada por medida judicial e valores pagos por meio de Darf. COMPENSAÇÃO ENTRE TRIBUTOS DE MESMA ESPÉCIE. COMPROVAÇÃO. Sob a égide do art. 66 da Lei nº 8.383/91, a compensação entre tributos de mesma espécie prescindia de autorização administrativa. Tal fato, no entanto, não implica reconhecer a regularidade das compensações informadas em DCTF, mormente quando a interessada não apresenta documentação contábil e fiscal que as comprove. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão da DRJ, a contribuinte apresentou recurso voluntário que, em síntese, destacou: (i) Que o Despacho Decisório nº 781219835 verificou que, do crédito de R$ 28.252,15 apresentado no PER/DCOMP, o montante de R$ 20.956,11 havia sido utilizado em compensações anteriores, restando disponível o valor de R$ 7.296,04; (ii) Na manifestação de inconformidade, a ora Recorrente esclareceu que houve erro de fato no preenchimento da linha 38 da ficha 17 (CSLL mensal paga por estimativa) na DIPJ 2002, pois não foram somados os valores de estimativas dos meses de janeiro a abril de 2002, no total de R$ 27.198,96, os quais foram quitados com saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário de 1999, concluindo que o saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário de 2001 de R$ 55.541,11 e não de R$ 28.252,15; (iii) A DRJ, quando da análise da impugnação; confirmou que os valores IPJ 2002 e na DCTF, bem como consta no sistema os pagamentos realizados e as compensações foram declaradas em DCTF, contudo fundamentou sua decisão na ausência de comprovação quanto à existência de saldo negativo de CSLL no ano calendário de 1999, suficiente pata quitar as estimativas dos meses de janeiro a abril de 2001 através de compensação; (iv) Que é facultado à contribuinte a juntada de novos documentos antes da decisão final do processo administrativo, nos moldes do art. 38 da Lei 9.784/99, em razão do necessidade do exercício da ampla defesa e colaciona decisões do CARF nesse sentido. Em razão do exposto, a Recorrente colaciona, junto ao recurso voluntário, documentos que Fl. 302DF CARF MF Processo nº 16327.903240/200881 Resolução nº 1003000.043 S1C0T3 Fl. 5 4 comprovariam a existência de saldo negativo de CSLL no ano calendário de 1999 suficiente para quitar as estimativas dos meses de janeiro a abril de 2001, através das seguintes documentações: cópia do Livro Razão e cópia dos balancetes analíticos de dezembro/1999, dezembro/2000 e dezembro/2001; cópia do Livro Diário, cópia dos DARF de pagamento de estimativas de CSLL durante o ano calendário de 2001 e cópia das DIPJ de 2000,2001 e 2002; Ao final, requereu que os documentos juntados no recurso voluntário sejam apreciados e, ao final, sejam homologadas as compensações apresentadas. É o Relatório. VOTO Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A Recorrente declarou ter apurado saldo negativo de CSLL na DIPJ de 2002 no valor de R$ 55.541,11, contudo em razão de erro de fato no preenchimento da DIPJ pois não foram somados os valores de estimativas dos meses de janeiro a abril de 2002, no total de R$ 27.198,96, os quais foram quitados com saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário de 1999, teria informando apenas o valor de R$ 28.252,15 A DRJ, ao analisar a defesa da Recorrente, fundamentou que as estimativas dos meses de janeiro a abril de 2001 foram declarados na DCTF como compensadas com crédito relativo ao saldo negativo de CSLL do ano calendário 1999, entretanto não juntou documentos contábeis suficientes para comprovar a informação prestada na DCTF, bem como para provar para demonstrar a existência de saldo negativo de CSLL a pagar ao invés de saldo negativo. Diante de tais razões, a DRJ, acertadamente, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A Recorrente, em grau de recurso voluntário, acostou novos documentos ao processo, os quais, segundo defende, são suficientes para comprovar a existência de saldo negativo de CSLL no ano calendário de 1999, suficiente para quitar as estimativas dos meses de janeiro a abril de 2001, o que embasaria a prova de ter havido erro de fato no preenchimento da DIPJ 2002. A Declaração de Compensação é um processo que visa restituir quantias pagas a título de tributos ou contribuições que são administrados pela Receita Federal do Brasil, que foram recolhidos indevidamente ou ainda, quando o valor pago é maior do que aquele realmente devido. Ela é uma das formas de extinção do crédito tributário, previsto na legislação fiscal federal. A DCOMP, portanto, não é comprovante de crédito. Cabe à Receita Federal, munida de outras informações prestadas pelo contribuinte (IRPJ, DCTF, DIRF, etc), verificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado para homologar a compensação. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 16327.903240/200881 Resolução nº 1003000.043 S1C0T3 Fl. 6 5 Logo, havendo qualquer discrepância nas informações cantantes na PER/DCOMP com as demais declarações fornecidas pelo contribuinte, é acertado o Despacho Decisório e demais decisões que não reconhecem o crédito. Contudo, a decisão da DRJ baseouse primordialmente na ausência de comprovação do erro cometido por parte do contribuinte e, em razão desse posicionamento, a Recorrente acostou novos documentos contábeis e fiscais da empresa para comprovar suas alegações. A autoridade julgadora deve se orientar pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. A Recorrente acostou no Recurso voluntário cópias do Livro Razão e do Livro Diário, cópia dos balancetes analíticos de dezembro/1999, dezembro/2000 e dezembro/2001, cópia dos DARF de pagamento de estimativas de CSLL durante o ano calendário de 2001 e cópia das DIPJ de 2000,2001 e 2002, tudo para complementar as demais provas já acostadas na manifestação de inconformidade. Tais informações e provas fornecidas pela Recorrente nesta oportunidade são novos no processo e não foram analisados e discutidos pela DRF e pela DRJ. Em que pese ter a Recorrente juntado os documentos apenas em grau de recurso, verificase que a não comprovação do erro de fato foi ventilada apenas no acórdão recorrido, tendo aquela, desde o primeiro momento nos autos, apresentando defesas e documentos para buscar comprovar o que alega em suas peças. Por essa razão, entendo não ter havido a preclusão para a juntada de provas nesse caso específico e, para evitar prejuízo à defesa ou evitar supressão de instância de julgamento, haja vista que as questões trazidas no recurso voluntário não foram enfrentadas nas instâncias anteriores, deve o processo retornar à DRF para que seja possível analisar as declarações da Recorrente quanto à demonstração do erro de fato apontado, através da análise dos documentos juntados nesta oportunidade. Por todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que os autos retornem à DRF e essa se manifeste a respeito das informações e provas colacionadas pela contribuinte no recurso voluntário, a fim de verificar se o crédito é líquido e certo. Havendo a constatação de liquidez e certeza do crédito, a título de saldo negativo de CSLL ano calendário 2001, que seja realizada as compensações possíveis em relação às DCOMP nºs 42626.61405.130206.1.7.039728, 15096.04716.150206.1.3.033625, 16680.66485.140806.1.3.030150 e 19955.31276.120906.1.3.037023. Por fim, destaco que, em razão do princípio da ampla defesa, que seja o contribuinte intimado do resultado da diligência para, querendo, manifestarse sobre os resultados alcançados. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 304DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14055.720841/2012-58
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
Numero da decisão: 2001-001.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Honório Albuquerque de Brito, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1524; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 101 1 100 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14055.720841/201258 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001001.268 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 25 de abril de 2019 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente ARTHUR MARIO DA SILVA GAYOSO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Honório Albuquerque de Brito, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 05 5. 72 08 41 /2 01 2- 58 Fl. 101DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas informadas na Declaração de Ajuste Anual DAA. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 5.577,52, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2010. A fundamentação do Lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento definidor da lavratura o fato de não ter sido apresentado comprovação suplementar aos recibos de prestação de serviços profissionais de despesas médicas. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na falta de comprovação outra e além dos recibos apresentados no momento da verificação fiscal e juntados aos autos, como segue: Contra o Contribuinte acima identificado foi emitida, em 07/05/2012, a Notificação de Lançamento de fls. 07 a 11, relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF do exercício 2011, anocalendário 2010, tendo sido apurado o crédito tributário assim constituído (em Reais): (...) O lançamento teve origem na constatação de dedução indevida de despesas médicas, no montante de R$ 20.500,00, relativas ao profissional Peterson de Souza, por falta de comprovação do efetivo pagamento. Conforme despacho de fls. 82, como o Aviso de Recebimento referente à ciência do lançamento foi extraviado, considerouse que a referida ciência ocorreu com a data de formalização deste processo, razão pela qual a impugnação é tempestiva, devendo ser conhecida, haja vista que atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Convém ressaltar que, em princípio, admitese como prova idônea da dedução a título de despesas médicas os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado, que contenham todas as indicações indispensáveis à identificação de quem efetuou o pagamento, em que data, referente ao tratamento de qual paciente, bem como a indicação do nome, endereço, CPF ou CNPJ do emitente. Todavia, a apresentação dos recibos não impede o direito de o Fisco solicitar que o contribuinte comprove ou justifique a dedução declarada. Foi a lei, mais precisamente o DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º, que expressamente determinou que o contribuinte pode ser instado a comprovar ou justificar as deduções, deslocando para ele o ônus probatório, sendo que o § 4º daquele mesmo artigo previu a glosa das deduções, sem a audiência do contribuinte, quando forem Fl. 102DF CARF MF Processo nº 14055.720841/201258 Acórdão n.º 2001001.268 S2C0T1 Fl. 102 3 exageradas ou não forem cabíveis. O referido dispositivo constitui a matriz legal do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: “Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º).” § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).” Esclareçase que para se fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, se torna indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas médicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. A propósito de dedução de despesas médicas, confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: (...) Verificase, portanto, que a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais, entre eles a comprovação do efetivo pagamento, se assim for exigido pela autoridade lançadora, como neste caso. Vale dizer que o pagamento das despesas médicas em espécie não é proibido pela legislação, todavia o interessado deve possuir meios de comprovar tal operação, tais como extrato bancário em que haja correspondência entre os valores sacados em conta corrente e as quantias pagas como despesas médicas, assim como a correspondência entre as datas contidas nos recibos e as datas das retiradas bancárias. Nesse sentido, não basta somente que o Contribuinte demonstre que o total de saques efetuados é superior ao montante das despesas glosadas, mas que realize a correlação entre tais saques e os respectivos recibos, como esclarecido. Como não foram apresentados recibos relativos a cada sessão ou consulta, mas somente três recibos (fls. 22 a 24), não há como correlacionar os valores pagos para cada um dos atendimentos com saques nos extratos bancários apresentados (fls. 29 a 47), de forma que reste comprovado que estes foram utilizados para o pagamento em espécie das despesas médicas. Mesmo que se admita que os pagamentos foram efetuados na data da emissão de cada recibo, não há saques bancários em valores iguais ou superiores aqueles descritos nos recibos naquelas datas. Por conseguinte, não restou comprovado o efetivo pagamento, devendo ser mantida a glosa efetuada. Fl. 103DF CARF MF 4 Diante do exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação, o que resulta na manutenção do crédito tributário lançado. Assim, conclui o Acórdão da DRJ pela improcedência da impugnação para manter a exigência do Lançamento no valor de R$ 5.577,52, como imposto suplementar, mais acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Em sua declaração de IRPF 2011, anocalendário 2010, o contribuinte lançou alguns valores dedutíveis, conforme prevê a legislação pertinente. Ocorre que o Senhor Auditor Anísio Carrasco solicitou ao contribuinte a documentação comprobatória da dedução no valor de R$ 20.500,00 que correspondia a despesas odontológicas justificadas por Recibos do Profissional Peterson de Souza CRODF 6867. Tal solicitação foi atendida com a entrega dos recibos de pagamentos, emitidos pelo profissional, ao auditor citado. Não obstante, o contribuinte foi autuado pela Secretaria da Receita Federal – SRF, conforme Notificação 2011/451952527443812. Destarte o Contribuinte propôs impugnação do ato, em documento esclarecendo todas as circunstâncias que justificam e deram origem ao lançamento da dedução da Declaração de IRPF. Sintetizando os fatos: em 2009, o contribuinte foi vítima de restrição cadastral indevida, junto aos sistemas de proteção ao crédito, e a partir daí ficou impedido de utilizar cartões de crédito ou cheques como meios de pagamento, entre outras restrições. Em 2010 o contribuinte iniciou um tratamento odontológico complexo, que resultou num gasto de 20.500,00 (vinte mil e quinhentos reais) justificados por 3 (três) recibos de pagamentos emitidos pelo profissional citado, conforme as exigências legais à época do ocorrido. Ocorre que, devido à restrição cadastral, o contribuinte efetuou o pagamento ao Dentista em espécie e, em primeira análise, a comprovação legal do pagamento é o próprio recibo de pagamento emitido pelo profissional. Todavia, após questionamento confirmado pela Notificação supracitada, este contribuinte, através do documento de impugnação, adicionou documentação comprobatória da origem dos recursos utilizados para o pagamento do Dentista. Ora, sabendo da necessidade de tal procedimento médico, o contribuinte que já estava com restrição cadastral, liquidou um dos seus bens, um veículo, no valor de R$ 11.000,00 para pagar parte do tratamento. É fato que não há um saque de igual valor aos recibos emitidos pois não era preciso efetuar estes saques nas datas correlatas pois o contribuinte dispunha de reservas financeiras que não estavam alocadas em sua conta corrente. Mas os extratos anexados à solicitação de Impugnação são suficientes para demonstrar a capacidade financeira deste contribuinte de liquidar com a referida despesa médica. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 14055.720841/201258 Acórdão n.º 2001001.268 S2C0T1 Fl. 103 5 Os documentos comprobatórios e suficientes citados neste recurso estão disponíveis no pedido de Impugnação acompanhados ainda de uma declaração de recebimento dos valores emitidas pelo profissional Peterson de Souza CRODF 6867 com os dados do paciente / contribuinte, valores, datas e local dos procedimentos médicos. Ante o exposto, o contribuinte requer seja o presente Recurso Voluntário conhecido e provido, sendo revista assim a decisão anterior. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. DESPESAS MÉDICAS A divergência no que ser refere à despesa médica é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia na contenda é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pelo contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames Fl. 105DF CARF MF 6 laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Decreto nº 3.000/99 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) A exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência Fl. 106DF CARF MF Processo nº 14055.720841/201258 Acórdão n.º 2001001.268 S2C0T1 Fl. 104 7 coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, assim, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada na lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que a seguir se descreve: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifei) § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. A origem do conteúdo do texto vem do período do DecretoLei acima, mais precisamente do ano de 1943, anterior, portanto, às quatro últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Fl. 107DF CARF MF 8 Longe de se contestar legalidade ou constitucionalidade, o que não cabe na competência desta instância administrativa, até mesmo por orientação sumulada do CARF, o que aqui se faz na verdade é a divergência da larga literalidade na interpretação e aplicação do art. 73, pelo ente tributante. O Novo Código de Processo Civil pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. Neste sentido, deve ser acolhido todo o elemento de prova durante o processo administrativo fiscal visando o aclaramento da verdade material, o direito do contraditório e da ampla defesa para o atingimento de justa decisão da causa. Assim, considerando que o Contribuinte apresentou os recibos de prestação de serviços do profissional habilitado por ocasião da verificação fiscal e juntou aos autos conforme fls. 22/24, bem como juntou extratos bancários requeridos pela fiscalização, conforme fls. 29 a 47, em valores compatíveis com os desembolsos para cobrir despesas médicas, além da informação da venda de um veículo, fica provada a sua capacidade financeira de pagamento, podendo fazêlo em espécie. Neste sentido, ficou constatada a providência de atendimento da exigência legal da validade dos comprovantes apresentados e legitimada a dedução do imposto efetuada na DAA no valor total de R$ 20.500,00, conforme comprovantes fornecidos pelo profissional Peterson de Souza CRODF 6867. O referido profissional formalizou declaração, fls. 49 a 51, com informações técnicas sobre o tratamento dentário realizado no Paciente/Contribuinte, e juntou radiografias dentárias que identificam o procedimento odontológico realizado. Declara ainda o profissional ter recebido o valor de R$ 20.500,00, parceladamente, nos períodos de atendimento, em espécie, conforme informado pelo Recorrente. Ressaltese que não há obrigatoriedade legal de Fl. 108DF CARF MF Processo nº 14055.720841/201258 Acórdão n.º 2001001.268 S2C0T1 Fl. 105 9 que a cada atendimento/pagamento deva haver emissão de recibo correspondente, podendo ser convencionado entre as partes a forma que melhor se adequar a ambos, bastando para efeito de comprovação a emissão de recibos parciais que comporão o total declarado. Do processo, constatase que os serviços prestados correspondem à especialidade técnica de profissional habilitado na área e de acordo com as necessidades especificas do beneficiário, com o fornecimento de comprovantes de pagamento dos serviços prestados, mediante comprovantes assinados. Portanto, legítima a dedução a título de despesas pela apresentação de recibos e declaração, assinados por profissional habilitado, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirmam o seu pagamento. Verificase, neste caso, que o Recorrente apresentou a documentação comprobatória da despesa realizada, correspondendo à comprovação do pagamento do profissional habilitado e por isso a utilizou como dedutível na declaração de ajuste do imposto, razão porque se faz necessária a providência da exclusão da glosa das despesas médicas objeto do crédito tributário lançado. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO, restabelecendose a dedução das despesas médicas glosadas, excluindo se, por consequência, o crédito tributário na sua integralidade. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.722327/2010-79
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. DESATENDIMENTO DE PRESSUPOSTO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
Numero da decisão: 9202-007.669
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1485; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13603.722327/201079 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.669 – 2ª Turma Sessão de 26 de março de 2019 Matéria GRUPO ECONÔMICO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida MINAS LOGÍSTICA OURO FINO LTDA E OUTROS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. DESATENDIMENTO DE PRESSUPOSTO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 23 27 /2 01 0- 79 Fl. 1204DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração em razão de empresa ter deixado de apresentar contratos e notas fiscais de prestação de serviços de segurança/vigilância e limpeza, conforme discriminado em sua escrituração fiscal. Nos termos do Relatório Fiscal (fls. 48/49), por deixar de exibir documentação regularmente requerida por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 2 (fls. 42/44), a empresa infringiu os §§ 2º e 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei º 11.941/2009, c/c o art. 233 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999. Em sessão plenária de 15/03/2017, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2401004.671 (fls. 1092/111), assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PRELIMINAR DE NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA O indeferimento do pleito quanto a juntada de documentos não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância, em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO. FATOS GERADORES. NÃO OCORRÊNCIA Não há que se falar em infração quando os valores apurados pela fiscalização não se coadunam com a base de incidência tributária. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. RATEIO DE DESPESAS COMUNS. BASE DE INCIDÊNCIA. INOCORRÊNCIA. COMPROVAÇÃO DOS RESSARCIMENTOS RELATIVOS AO RATEIO PACTUADO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO O contrato de rateio e pagamentos efetuados servem para comprovar a materialidade dos fatos ocorridos relacionados aos valores registrados na contabilidade. O registro contábil não se coaduna com o conceito de remuneração para fins de caracterização do fato gerador das contribuições sociais previdenciárias. Os valores apurados pela fiscalização não são base de incidência da contribuição previdenciária pois não correspondem a salário de contribuição. A PGFN foi cientificada da decisão em 5/04/2017 (fl. 1598 do Processo nº 13603.722323/201091, ao qual os presentes autos estavam apensados) e, em 04/05/2017, foi interposto o Recurso Especial de fls. 1113/1125 (fls. 1607 do processo 13603.722323/2010 91), com fundamento no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Fl. 1205DF CARF MF Processo nº 13603.722327/201079 Acórdão n.º 9202007.669 CSRFT2 Fl. 3 3 Portaria MF nº 343/2015, visando rediscutir as seguintes matéria “Grupo econômico contrato de rateio de despesas com contribuições previdenciárias”. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho datado de 31/07/2018 (fls. 1126/1130). A Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos: a contribuição devida à Seguridade Social, correspondente à parte dos segurados empregados, consoante o disposto no art. 20 da Lei nº 8.212/1991, incide sobre o seu salário de contribuição mensal, definido no art. 28 da mesma Lei; a fiscalização ao examinar a contabilidade do contribuinte constatou registro de verbas pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados que, de acordo com a legislação previdenciária constitui base de incidência de contribuições previdenciárias, tais como salários/ordenados, horas extras, adicional noturno, férias e décimo terceiro salário, assim como registro de serviços contratados mediante cessão de mãodeobra, como de segurança, vigilância e limpeza, sem a comprovação da retenção e do recolhimento da contribuição de 11% prevista no art. 31, da Lei nº 8.212/1991; em resposta aos termos de intimação fiscal expedidos pela Autoridade Autuante em relação a valores pagos aos segurados beneficiários de tais pagamentos, assim como àqueles decorrentes de cessão de mãodeobra, a contribuinte informou que não realizou os pagamentos, justificou os lançamentos como sendo de rateio de despesas com a empresa Logística Ouro Fino LTDA, apresentando Contrato de Rateio de Despesas; quanto ao Contrato de Rateio de Despesas, celebrado entre as empresas Minas Logística Ouro Fino Ltda e Logística Ouro Fino Ltda, registrese que o assunto não está respaldo na legislação previdenciária, porém, na legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, encontrase fundamento no art. 299, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000 de 2009 e Parecer Normativo CST nº 32, de 1991; no âmbito da legislação previdenciária, o art. 32, inciso II, da Lei nº 8.212/1991 e art. 225, inciso II, §§ 13 ao 15, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, determinam que a empresa é obrigada a lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; a escrituração contábil, portanto, deve ser efetuada de forma a possibilitar à fiscalização a identificação dos fatos geradores de contribuições previdenciárias por intermédio dos títulos das contas, sem que haja a necessidade de pesquisa em históricos contábeis ou em outras contas ou grupos de contas, cujos títulos, sejam diversos daqueles usualmente utilizados para lançamento dos referidos fatos geradores; a fiscalização apurou na contabilidade do contribuinte autuado, verbas contabilizadas que de acordo com a legislação constituem base de cálculo de incidência de contribuições previdenciárias e das destinadas a outras entidades e fundos, denominados terceiros, tais como, salários/ordenados, Fl. 1206DF CARF MF 4 horas extras, adicional noturno, férias e décimo terceiro salário e serviços contratados com cessão de mãodeobra, não resta dúvida de que a empresa autuada é responsável pelo encargo previdenciário decorrente de tais hipóteses de incidência; é irrelevante a forma como a empresa autuada pagou as verbas registradas em sua contabilidade, pois, de acordo com a legislação previdenciária as contribuições incidem sobre os valores pagos, devidos ou creditados; o fato do registro contábil das verbas salariais decorrer de rateio entre empresas do grupo econômico, não retira a responsabilidade do contribuinte autuado pelo recolhimento das contribuições incidentes sobre referidas verbas, assim como a obrigação da retenção e recolhimento da contribuição de 11% incidente sobre as notas fiscais/faturas de serviços contratados com cessão de mãodeobra; dispõe o art. 123 do Código Tributário Nacional – CTN que, “Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes”; mesmo que o referido Contrato de Rateio de Despesas tenha estabelecido a quem compete a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias, o mesmo não pode ser oposto à Fazenda Pública, conforme determinação contida no art. 123 do CTN; DRJ de origem concluiu que os documentos juntados ao feito pelo autuado que segundo ele, comprovam que os recolhimentos de todos os encargos e contribuições decorrentes da relação de emprego entre a autuada e seus empregados foram recolhidos regularmente, não devem ser acolhidos, pois, não há como saber se os recolhimentos referemse de fato aos valores correspondentes àqueles apurados pela fiscalização, já que foram efetuados de forma global pela Logística Ouro Fino Ltda; não constam folhas de pagamento/discriminativos com os valores do rateio e Guia da Previdência Social – GPS, que correspondem aos valores registrados na contabilidade e os apurados pela fiscalização; em nenhum momento o contribuinte demonstrou quais são os trabalhadores e as atividades que exerceram e que deram origem à escrituração contábil; diante da constatação nos registros contábeis do autuado de fatos geradores de contribuições previdenciárias e a não apresentação de documentos que demonstrem os respectivos recolhimentos, agiu corretamente a fiscalização ao lavrar o Auto de Infração contra o contribuinte e demais empresas integrantes do grupo econômico; também com espeque nesses fundamentos, o Auto de infração lavrado por infringência ao disposto no art. 33, §§ 2º e 3º da Lei nº 8.212/1991 e alterações posteriores, combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único, do RPS, por ter o contribuinte autuado deixado de apresentar à fiscalização os contratos e as notas fiscais/faturas de prestação de serviços de segurança, vigilância e limpeza, registrados na sua escrituração contábil e no Relatório Fiscal do Auto de Infração nº 37.261.6550; é incontroverso que o contribuinte, de fato, não apresentou os documentos solicitados. Requer a Fazenda Nacional seja admitido e provido o Recurso Especial. Fl. 1207DF CARF MF Processo nº 13603.722327/201079 Acórdão n.º 9202007.669 CSRFT2 Fl. 4 5 Cientificadas do acórdão de Recurso Voluntário, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento entre 29/08/2018 (fl. 1151/1152), a Contribuinte, conjuntamente com as demais empresas do grupo econômico, em 12/09/2018 (fl. 1158), ofereceram conjuntamente as Contrarrazões de fls. 1160/1182, alegando, em resumo o que segue: Conhecimento é franca a necessidade da admissibilidade do recurso contrarrazoado ser reformada; sustentamse as razões recursais unicamente na parcial transcrição dos apontamentos das decisões recorridas e dos supostos julgados paradigmáticos, dos quais foram suprimidos trechos que lhes alteram a interpretação; o Recurso Especial interposto pela União viola caput e os §§ 1º, 8º e 11 do art. 67 do Regimento Interno do CARF e não preenche os requisitos de admissibilidade, quer seja porque omite a juntada do inteiro teor do paradigma e o replica no corpo recurso com a supressão de trechos que lhe altera a interpretação, quer seja porque, quando inteiramente cotejadas a decisão recorrida e o paradigma, salta aos olhos que não guardam qualquer similitude fática ou jurídica entre si; de acordo com a decisão recorrida, o ressarcimento da parte devida em rateio formal e previamente contratado de despesas de serviços administrativos comuns a grupo econômico não se amoldam ao conceito de remuneração e, portanto, não configuram fato gerador de Contribuição Previdenciária porque têm natureza indenizatória (reembolso) à empresa que suporta integralmente os ônus do recolhimento; em razão disso, afirmouse que a classificação contábil de uma determinada rubrica não é suficiente para configuração de um fato gerador, tampouco o Contrato Rateio objetiva dissimular sua ocorrência ou natureza; a incidência tributária, como obrigação ex lege que é, prescinde apenas da verificação dos elementos da realidade que se amolde à hipótese de incidência; o Recurso Especial, contudo, desobedece claramente à ordem do §8º c.c. §11º, do art. 67, da Lei nº 8.212/91 pois não colaciona o inteiro teor da outra decisão e, ao transcrevêla no corpo da petição, suprime relevantíssimo conteúdo que desmente a existência de similitude fática e jurídica entre os casos; o faz, afinal, para dificultar a constatação de inexistência de divergência jurisprudencial apta a sustentar o seu recurso de exceção; a integral leitura do paradigma (possível apenas com a juntada aos autos como anexo a estas contrarrazões) faz saltar aos olhos que o que efetivamente lá se discutiu foi a solidariedade passiva entre empresas de um mesmo grupo econômico pelo inadimplemento por uma delas; naquele processo, como se nota, a questão da existência ou não de grupo econômico só foi tornada controvertida porque as empresas não se reconheciam como tal; Fl. 1208DF CARF MF 6 o Fisco constatou que operavam com nítida confusão patrimonial, inclusive com o pagamento direto de despesas de uma empresa por outra, além de associação informal, objetivando omitir sucessão negocial e a identidade operacional; objetivase, com isso, apenas justificar o cerne daquela controvérsia: a responsabilização solidária prevista no inciso IX, do art. 30, da Lei nº 8.212/1991; a situação fática e a controvérsia jurídica analisadas no presente feito são completamente distintas; enquanto a decisão recorrida tratou da inexistência de feição remuneratória de despesa de reembolso advindo de rateio de despesas de empresas de um mesmo grupo (que se reconhece como tal), o paradigma tratou da validade da solidariedade passiva entre empresas de um mesmo grupo econômico (que não se reconhecia como tal) pelo inadimplemento parcial por uma delas; isso se evidencia ainda mais quando se constata que o ponto central do recurso paradigmático é o inciso IX, do art. 30, da Lei nº 8.212/91 e a solidariedade passiva frente às contribuições previdenciárias não foi nem mesmo abordado en passant na decisão recorrida, tampouco apontado expressamente como controvérsia nas razões do Recurso Especial manejado pela União; não há incompatibilidade entre a decisão recorrida e a Legislação; não há colisão, atrito ou mesmo divergência de interpretação a reclamar a admissibilidade do Recurso Especial combatido; à toda evidência, inadmissível não só porque amparado em violações ao § 8º c.c. §11º, do art. 67, da Lei nº 8.212/91 mas porque as omissões que o permeiam, contanto aclaradas, demonstram cabalmente a inexistência de divergência jurisprudencial entre os acórdãos recorridos e o Acórdão paradigma; Mérito despesas incorridas por quaisquer contribuintes para adimplemento de contrato de rateio de despesas de serviços administrativos que compartilha com outras empresas quem compõe seu grupo econômico tem natureza indenizatória; a decisão recorrida é irretocável porque reconhece que o ressarcimento da parte devida em rateio formal e previamente contratado de despesas de serviços administrativos comuns a grupo econômico não se amoldam ao conceito de remuneração e, portanto, não configuram fato gerador de Contribuição Previdenciária porque tem natureza de reembolso (portanto indenizatória) à empresa que suporta integralmente os ônus do recolhimento; a Constituição Federal outorga a competência legislativa para instituição de tributos, traçando ainda limites ao exercício desse poder. Reproduz art. 195 da CF/1988; esses dispositivos não conceituam, entretanto, essas expressões, relegando a definição dos fatos jurídicos tributários ao Código Tributário Nacional, recepcionado com status de lei complementar pela nova ordem jurídica, nos termos do art. 146, III, da CF; o CTN por sua vez traduz de forma genérica preceito constitucional implícito, a tolher na prática e explicitamente os desmandos legislativos dos Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 13603.722327/201079 Acórdão n.º 9202007.669 CSRFT2 Fl. 5 7 entes tributantes, prevendo, em seu art. 110, que a lei instituidora do tributo não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado – muito menos pode, nessa ordem de ideias, a opinião fiscal; em suma, revela a existência de uma regramatriz fundamental dos tributos, que não pode ser ignorada ou ampliada pelo legislador ordinário ou pelo sujeito ativo tributário num rompante arrecadatório, em especial no tocante aos fatos agravados pelo Direito Tributário. Cita doutrina; não se pode, por outro ângulo, olvidar o caráter de direito de sobreposição do direito tributário, também nominado pela doutrina como direito de superposição; essa característica apresentase visível, face à captação e assimilação de institutos fornecidos por outros segmentos do mundo jurídico. O direito tributário, quando da caracterização dos critérios da regramatriz de incidência, utilizase de institutos advindos de outros subramos da ciência jurídica; por esses motivos é que a compreensão da base de cálculo das contribuições previdenciárias deve advir primitivamente de outros diplomas normativos (p.ex. Consolidação das Leis do Trabalho – CLT), donde se há de extrair que as verbas que interessam à tributação são as de natureza remuneratória; as indenizações, sejam de natureza material ou moral, não se incluem nesse conjunto, porquanto não advêm do capital ou do trabalho e não representam acréscimo, apenas recomposição patrimonial; a decisão recorrida tratou de perquirir e deparouse com inexistência de feição remuneratória nas despesas de reembolso advindo de rateio de serviços administrativos entre as empresas de um mesmo grupo econômico, que, alheias ao campo de incidência das contribuições previdenciárias, não poderiam ser forçadamente exigidas pela autoridade lançadora; a operação é também regular sob a perspectiva jurídicotributária formal, já que todas as despesas rateadas eram e são indispensáveis a realização das atividades da empresa autuada, sem as quais sequer poderia funcionar, e quiçá gerar a riqueza passível de ser tributada; a conformidade com a legislação e a jurisprudência administrativa evidenciase ao constatar que se tratam de despesas indispensáveis a consecução de seu objeto social e que são despesas usuais e normais nas operações, transações e atividades da empresa; o contrato de rateio de despesas de serviços administrativos, ainda que contrato não expressamente previsto e regulamentado no ordenamento jurídico civil, é perfeitamente aceitável conquanto entabulado com respeito à lei, aos bons costumes e os princípios gerais de direito, na forma do art. 425, do Código Civil; tal como reconheceu a decisão recorrida, referido contrato não se presta a alterar a responsabilidade pelo pagamento de tributos, muito menos para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes, como afirmou originalmente a fiscalização; todos os encargos e contribuições decorrentes da relação de emprego entre a autuada e seus empregados sempre foram recolhidos regularmente, assim Fl. 1210DF CARF MF 8 como também eram os decorrentes das relações entre a Logística Ouro Fino Ltda e os colaboradores que prestaram os serviços administrativos comuns ao Grupo; a vontade real das partes não esteve, em nenhum momento, oculta ou dissimulada. Ao contrário, sempre esteve clara e expressa em todas as cláusulas do instrumento e durante toda a execução de seus termos, de sorte que não se sustenta a pretensão fiscal de se aplicar ao caso o comando contido no parágrafo único art. 116, do CTN com o intuito de desconstruir os negócios jurídicos praticados pelas partes envolvidas na celeuma. Requer, por fim, que se reconheça a inadmissibilidade do Recurso Especial ou, subsidiariamente, que lhe seja negado provimento. Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Conhecimento O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. De início, convém ponderar que a presente autuação foi motivada pela recusa do contribuinte em exibir documentos solicitados no curso do procedimento fiscal. Contudo, muito embora a conduta que deu ensejo ao lançamento não tenha nenhuma relação com as obrigações tributárias principais, a decisão recorrida entendeu que “Não há que se falar em infração quando os valores apurados pela fiscalização não se coadunam com a base de incidência tributária”. Talvez por essa razão o Recurso Especial tenha se pautado no mesmo paradigma apresentado nos apelos relacionados aos autos de infração decorrentes do falta de recolhimento das contribuições (Acórdão nº 2803002.475). Ocorre que essa decisão aborda aspectos vinculados exclusivamente ao não pagamento de tributos, ou seja, não faz qualquer referência ao inadimplemento de obrigação acessória. É o que se constata do primeiro parágrafo de seu relatório: A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD – DEBCAD 37.142.7560, objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias não adimplidas pelo empregador contribuinte – parte patronal, SAT, parte descontada dos segurados e glosa de deduções com salário família, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores empregados, conforme Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, de fls. 111 a 136, com período de apuração de 01/1999 a 02/2007, conforme Mandado de Procedimento Fiscal MPF, de fls. 137. (Grifouse) Observese que, inexistindo relação direta entre os autos de infração pelo não pagamento de tributos (obrigação de dar) e o relacionado à recusa de exibição de documentos solicitados no curso do procedimento fiscal (obrigação de fazer), a premissa trazida no apelo Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 13603.722327/201079 Acórdão n.º 9202007.669 CSRFT2 Fl. 6 9 recursal, de que, mantido o lançamento das obrigações principais, “por via de consequência, segundo a ótica do paradigma, também deveria ser mantido o Auto de Infração lavrado por descumprimento da obrigação acessória correlata”, não se confirma. Desse modo, não há como afirmar que, por ter ser posicionado pela manutenção do lançamento relacionado à exigência do tributo, o Colegiado paradigmático adotaria a mesma conclusão no tocante a eventual autuação por não apresentação de documentos. Tratamse de lançamentos diversos, com finalidades próprias, conjuntos probatórios específicos e fundamentos absolutamente distintos. Com efeito, o exame dos excertos colacionados, permite concluir pela inexistência de dissídio interpretativo, uma vez que as diferentes soluções a que chegaram os acórdãos recorrido e paradigmas não decorreram de divergência jurisprudencial, mas sim do conjunto fático peculiar de cada processo. Nestas circunstâncias, em virtude da ausência de similitude fática, não se verificou caracterizada a divergência jurisprudencial. Conclusão Ante o exposto voto por não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 1212DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.689095/2009-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
Ementa:
INDÉBITO. CARACTERIZAÇÃO. DIREITO À RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84
É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018).
Numero da decisão: 1302-003.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº10880.935088/2009-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 Ementa: INDÉBITO. CARACTERIZAÇÃO. DIREITO À RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018).
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ESTIMATIVA. PARADIGMA Recorrente NOVELIS DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 Ementa: INDÉBITO. CARACTERIZAÇÃO. DIREITO À RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº10880.935088/200914, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 90 95 /2 00 9- 39 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10880.689095/200939 Acórdão n.º 1302003.322 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face a acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, registrandose a seguinte ementa: PAGAMENTOS INDEVIDOS OU A MAIOR DE ESTIMATIVAS A edição da IN SRE n° 460/2004, publicada em 29/10/2004, determinou em seu art. 10 que os recolhimentos a maior ou indevidos de estimativas de IRPJ e CSLL deveriam ser utilizados na apuração anual dos tributos e apuração do saldo negativo correspondente, sendo vedada sua utilização em compensações como pagamentos a maior ou indevidos. A IN SRF n° 600/2005, publicada em 30/12/2005, reproduziu essa proibição no seu exato teor e no mesmo artigo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente apresentou Declaração de Compensação, indicando como crédito pagamento indevido ou a maior. A fiscalização concluiu pela improcedência do crédito, por tratarse de pagamento de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devidos, ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. As decisões foram fundamentadas nas disposições das IN SRF nº 460, de 18/10/2004 e IN SRF nº 600, de 28/12/2005. Apresentouse DARF para demonstrar a origem do crédito. A DCOMP não foi homologada e resultou em lançamento. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário, tempestivamente. Defende que, a fiscalização e a DRJ se equivocaram. Pois, o valor compensado no mês subsequente ao do recolhimento, referese a valor que pagou além do valor apurado como sendo o valor devido de estimativa. Alega, assim, que "as antecipações devidas pelo contribuinte e posteriormente transformadas em crédito, por conta do IRPJ e/ou da CSLL apurados a menor, por ocasião do ajuste, somente podem ser compensadas a partir do mês de abril do ano subsequente, ao passo que as antecipações recolhidas indevidamente ou a maior pelo contribuinte, ou seja, aquelas recolhidas em valor maior que o apurado com base na estimativa, como ocorre no presente caso, configurariam créditos que poderiam ser compensados já no mês subsequente ao do recolhimento indevido." Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10880.689095/200939 Acórdão n.º 1302003.322 S1C3T2 Fl. 4 3 Fundamentou seu entendimento nas disposições dos arts. 2º e 6º, da Lei nº 9.430/96; art. 74 da Lei nº 9.430/96. Também colacionou ementas de julgados do CARF. Sustentou que o regramento contido no artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 460/2004, replicado na Instrução Normativa n° 600/2005, tratava apenas do recolhimento do que efetivamente devido a título de antecipação de IRPJ e CSLL, não abrangendo recolhimentos a maior ou indevidos. Do contrário, contrariaria o citado art. 74 da Lei n° 9.430/96. No intuito de demonstrar o valor devido estimado para recolhimento antecipado de IRPJ, a Recorrente apresentou a DCOMP, Darfs, DCTFs retificadoras. Não há informação sobre o motivo pelo qual a Recorrente teria apurado, no primeiro momento, o referido valor devido de IRPJ por estimativa e no momento seguinte retificou DCTF e DIPJ para indicar outro valor como sendo correto. A Recorrente não informou o erro ou o equívoco cometido. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.319, de 22/01/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.935088/2009 14, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.319): Conheço do Recurso Voluntário à vista de sua interposição tempestiva e do atendimento ao demais pressupostos de admissibilidade previstos no Dec. nº 70.235/72. A questão, portanto, reside em verificar se a Recorrente teria crédito de IRPJ e CSLL, relativo a pagamento, indevido ou a maior, além da estimativa, e se estaria autorizada a utilizar o suposto crédito, já no mês subsequente. Como visto, o acórdão recorrido ratificou o entendimento da fiscalização, no sentido de que, no caso (empresa optante pelo lucro real e estimativas mensais, com base em balancete de suspensão ou redução) somente no ajuste anual seria possível apurar pagamento de valor indevido ou a maior de estimativa mensal. Antes do ajuste anual, não haveria pagamento indevido ou a maior, nem mesmo a possibilidade de compensação no mês subsequente. Esse foi o entendimento que a fiscalização e a DRJ extraíram da IN SRF nº 460, de 18/10/2004 e IN SRF nº 600, de 28/12/2005. De outro modo, a Recorrente refuta tal entendimento, colacionando acórdãos do CARF, que concluíram pela possibilidade de se utilizar, para fins de Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.689095/200939 Acórdão n.º 1302003.322 S1C3T2 Fl. 5 4 compensação, já no mês subsequente, os recolhimentos realizados em valor superior à quantia regularmente apurada, como sendo a estimativa mensal devida. A controvérsia quanto à possibilidade de compensação de pagamentos indevidos ou a maior de estimativas foi solucionada pela Solução de Consulta Interna da Cosit SCI n° 19, de 05/12/2011, de cuja ementa se extrai: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja ela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF n° 460, de 2004, e IN SRF n° 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB n° 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1° de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF n° 460, de 2004, e IN SRF n° 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2° e 74; IN SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008. Este entendimento também foi consolidado na jurisprudência deste conselho por meio da Súmula CARF n° 84, verbis: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Nesse ponto específico, portanto, assiste razão à recorrente. Não obstante, quanto ao mérito do reconhecimento do direito creditório pleiteado e da respectiva compensação, não é possível a este colegiado adentrar no seu exame, posto que a autoridade administrativa competente ainda não se pronunciou sobre tal matéria. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10880.689095/200939 Acórdão n.º 1302003.322 S1C3T2 Fl. 6 5 Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15463.720938/2015-64
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL.
Ocorrência de inexatidão material nos termos da decisão prolatada no Acórdão embargado, conforme alegado pela Unidade Executora da DRF. Correção saneadora da interpretação da decisão colegiada.
Numero da decisão: 2001-001.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados para, ratificando o Acórdão nº 2001.000.431, de 23 de maio de 2018, aclarar a abrangência da decisão que deu provimento integral ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Honório Albuquerque de Brito, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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INEXATIDÃO MATERIAL. Ocorrência de inexatidão material nos termos da decisão prolatada no Acórdão embargado, conforme alegado pela Unidade Executora da DRF. Correção saneadora da interpretação da decisão colegiada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados para, ratificando o Acórdão nº 2001.000.431, de 23 de maio de 2018, aclarar a abrangência da decisão que deu provimento integral ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Honório Albuquerque de Brito, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 3. 72 09 38 /2 01 5- 64 Fl. 182DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos Inominados apresentados pela Unidade Executora da Delegacia da Receita Federal, em face do Acórdão nº 2001000.431, exarado em 23 de maio de 2018, pela 1ª Turma Extraordinária da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cuja ementa expressou o seguinte enunciado: DEDUÇÃO POR DEPENDENTE. COMPROVAÇÃO. Reconhecido o direito à dedução do imposto quando efetivamente comprovada a dependência para efeitos tributários. DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para justificar a dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa de despesas não se justifica quando resgatada a comprovação de dependência. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos documentos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas, quando comprovada a dependência de filhos. A Unidade Executora da DRF de origem do processo apontou inexatidão, que teve o recurso reconhecido pelo exame de admissibilidade exarado em 16 de outubro de 2018, cujo teor da decisão reflete a demanda do órgão executor da entidade tributante, com as seguintes principais expressões: Da Legitimidade Os embargos não foram assinados por servidor da unidade executora, tendo sido informada a existência de delegação de competência. Da alegada inexatidão material Foi apontada inexatidão material, conforme abaixo: Em seu acórdão, o CARF dá provimento ao recurso, exonerando totalmente o crédito tributário, fls. 159/165. Ocorre que, da leitura deste acórdão, se depreende que foram apreciadas a Dedução Indevida com Dependentes e a Dedução Indevida de Despesas Médicas. Não se pronunciou o CARF, porém, sobre a Dedução Indevida de Previdência Privada e Fapi. Compulsandose os argumentos apresentados no recurso voluntário, observase que, s.m.j., o contribuinte não se pronunciou acerca da dedução indevida de previdência. Esta matéria não recorrida gera redução da restituição declarada, conforme se vê à fl. 176. Diante do exposto, restituo o p.p. ao CARF para que o mesmo avalie a necessidade de se pronunciar, no acórdão, sobre a dedução de previdência privada, para que se possa apurar com exatidão a restituição a que faz jus o contribuinte. No SIEF, o processo se encontra em situação encerrada. A contrário do manifestado nos embargos acima, o recurso voluntário abarcou também as despesas com previdência privada e FAPI. Às e fls. 104 do recurso, o recorrente insurgiuse contra todas as deduções Fl. 183DF CARF MF Processo nº 15463.720938/201564 Acórdão n.º 2001001.274 S2C0T1 Fl. 183 3 consideradas indevidas pela falta de comprovação da dependência. Em seguida, às efls. 105, o recorrente novamente pleiteou o reconhecimento do direito de colocar o filho, portador de necessidades especiais, como dependente. Finalmente, na conclusão, o pedido foi pelo cancelamento de todo o débito lançado, débito esse que se baseou, em sua integralidade, na falta de comprovação da dependência, que depois foi reconhecida pelo acórdão ora embargado. Assiste razão à Unidade Executora quanto à necessidade de esclarecimento do alcance do julgado, uma vez que o acórdão circunscreveu o restabelecimento das deduções apenas em relação à dedução por dependência e à glosa de despesas médicas. No entanto, numa análise perfunctória, entendese que o reconhecimento da dependência implica também na aceitação da despesa com previdência privada e FAPI do mesmo dependente (o comprovante da despesa no valor de R$ 3.155,10 encontrase às efls. 58). Assim, é necessário que a 1ª Turma Extraordinária da 2ª Seção se manifeste acerca da inexatidão constatada. Diante do exposto, admitemse os embargos para que sejam distribuídos ao relator originário e incluídos em pauta de julgamento 1ª Turma Extraordinária da 2ª Seção para apreciação e saneamento da inexatidão apontada. Ressaltese, todavia, que a presente análise se restringe à admissibilidade dos embargos, sem uma apreciação exauriente das questões apresentadas, a qual será procedida quando do julgamento pelo colegiado. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator A alegada inexatidão tem origem na afirmação de que Acórdão não teria abrangido a questão da dedução de previdência privada, dificultando, na execução, a apurar com exatidão da restituição a que faz jus o contribuinte. Admitese a falta pormenorizada da decisão a certa deste quesito, contudo, esclareçase que a demanda do Recorrente se relaciona no todo com o filho que na decisão teve o reconhecimento da dependência em vista da comprovação juntada aos autos. Toda a demanda prendese ao fato da dependência para efeitos tributários e a previdência privada está em nome do filho Felipe Rebello Ottati, comprovadamente curatelado por decisão judicial, fls. 157/158 do processo. De vez que, reconhecida a dependência legal do filho curatelado, aceita também a dedução de previdência privada cujo comprovante encontra se na fl. 58 dos autos. Fl. 184DF CARF MF 4 Neste sentido, considerouse incluída na decisão do Acórdão nº 2001.000.431 o item que trata da previdência complementar, considerandose válida a dedução, inclusive porque faz parte do requerido pelo Recorrente no seu recurso voluntário que pede para ser contemplado com o cancelamento crédito tributário lançado e solicita a restituição do imposto de renda constante de sua Declaração de Ajuste Anual. Assim que, esclarecida a abrangência da decisão do Colegiado quanto à inexatidão material apontada nos Embargos, ratificase a decisão do Acórdão nº 2001000.431, fl. 165, cujo texto tem os seguintes termos agora confirmados e aclarados: “Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PROVIMENTO, restabelecendose a dedução por dependência e a exclusão da glosa das despesas médicas, em sua integralidade.” Observese que é dado provimento ao Recurso Voluntário na sua integralidade, isto porque a dedução da previdência privada/Fapi é aceita em razão do reconhecimento da dependência do filho, porque a ela vinculada, mediante provas acostadas aos autos. Por todo o exposto, voto por conhecer e ACOLHER os Embargos Inominados apresentados pela Unidade Executora da DRF, promovendose o aclaramento da decisão do Acórdão nº 2001.000.431, que restabelece a dedução por dependência, restabelece a dedução de previdência privada/Fapi, e exclui a glosa das despesas médicas em sua integralidade, dando provimento integral ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 185DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.902309/2013-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
Compensação. Transformação do Pleito Original Baseado em Pagamento Indevido ou a Maior em Outro, com Fundamento no Saldo Negativo do Período. Possibilidade.
Reconhece-se a possibilidade de transformar o pleito do contribuinte, baseado em pagamento indevido ou a maior de estimativa, em outro, com fundamento no saldo negativo do período, mas sem homologar a compensação por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o consequente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para que, mediante despacho complementar, analise a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, retomando-se o rito processual, a partir daí.
Numero da decisão: 1301-003.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar o crédito pleiteado em saldo negativo, determinando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que lá seja analisada a liquidez do crédito referente ao saldo negativo, assegurando ao contribuinte o direito de apresentação de documentos, esclarecimentos e demais provas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior (Relator) e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram por negar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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TRANSFORMAÇÃO DO PLEITO ORIGINAL BASEADO EM PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR EM OUTRO, COM FUNDAMENTO NO SALDO NEGATIVO DO PERÍODO. POSSIBILIDADE. Reconhecese a possibilidade de transformar o pleito do contribuinte, baseado em pagamento indevido ou a maior de estimativa, em outro, com fundamento no saldo negativo do período, mas sem homologar a compensação por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o consequente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para que, mediante despacho complementar, analise a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, retomandose o rito processual, a partir daí. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar o crédito pleiteado em saldo negativo, determinando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que lá seja analisada a liquidez do crédito referente ao saldo negativo, assegurando ao contribuinte o direito de apresentação de documentos, esclarecimentos e demais provas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior (Relator) e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram por negar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 23 09 /2 01 3- 07 Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10665.902309/201307 Acórdão n.º 1301003.847 S1C3T1 Fl. 187 2 (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Tratase de recurso interposto por SIDERÚRGICA ALTEROSA S/A, pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 1458.540, da 15ª Turma da DRJ Ribeirão Preto, que, negando provimento à manifestação de inconformidade da recorrente, não homologou a compensação formalizada através da declaração nº 37350.18416.180310.1.7.04 5654. A recorrente indicara, na declaração de compensação (dcomp), como crédito em seu favor uma quantia recolhida a título de estimativa de CSLL. A DRF Divinópolis, entretanto, não reconheceu o direito creditório, alegando que, embora encontrado o pagamento, o valor estava totalmente utilizado para quitação de outro débito da própria recorrente, não remanescendo crédito a ser compensado. Não resignada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, à qual a DRJ RPO negou provimento em decisão resumida na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE PEDIR. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INOVAÇÃO. A alteração da origem do direto creditório, de Pagamento Indevido ou a Maior que o Devido para Saldo Negativo de CSLL, apresentada na fase litigiosa, encerra verdadeira inovação, configurandose em nova solicitação da contribuinte, não passível de apreciação originária pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. Não se reconhece o direito creditório pleiteado, nem se homologam as compensações declaradas. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10665.902309/201307 Acórdão n.º 1301003.847 S1C3T1 Fl. 188 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra o acórdão da DRJ foi interposto recurso, no qual a recorrente alegou que a decisão recorrida havia se apegado a detalhes de forma; especificamente, o equívoco de indicar como crédito o pagamento indevido de estimativa, ao invés de indicar o saldo negativo. Aduziu ter direito de retificar o pedido de compensação, alterando o crédito para saldo negativo. Com isso, o processo retornaria à unidade de origem para prosseguimento da análise. A retificação pretendida encontraria óbice no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, que não impede a alegação de qualquer matéria, inclusive a inovação de fatos e argumentos. A recorrente reiterou ter direito de retificar erros formais cometidos na declaração de compensação. Nesse sentido, invocou o Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, que determina a revisão do despacho decisório na hipótese de "erro de fato" quando do preenchimento da DCTF ou da DIPJ. Ademais, conforme o ADE Corec nº 4/2013 e a Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec nº 6/2007, o contribuinte pode unilateralmente corrigir irregularidades. Alegou, por fim, que teria havido descumprimento da referida norma de execução e dos princípios da proporcionalidade, informalidade e verdade material. Com esses fundamentos, pugnou pela homologação da compensação ou pela conversão do julgamento em diligência para que a autoridade administrativa revise a dcomp, considerando o crédito nela declarado como saldo negativo ou permita à recorrente retificar a declaração. É o relatório. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10665.902309/201307 Acórdão n.º 1301003.847 S1C3T1 Fl. 189 4 Voto Vencido Conselheiro Roberto Silva Junior Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. O problema pode ser resumido em poucas palavras. A recorrente apresentou uma declaração de compensação, na qual informara como crédito o valor recolhido a título de estimativa de CSLL, referente a um mês de 2008. A DRF, porém, decidiu não homologar a compensação, fundada no fato de que o pagamento já estava integralmente alocado a outro débito da própria recorrente. Esta se opôs à decisão, alegando ter cometido um mero erro de preenchimento da dcomp. Sua intenção era, desde o início, compensar o saldo negativo de CSLL, porém, por "erro de fato", informou o valor da estimativa mensal. Pretende, portanto, que o erro seja corrigido de ofício pela Receita Federal. A recorrente sustenta que sua pretensão encontra amparo na legislação em vigor, em especial no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, no Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, no ADE Corec nº 4/2013 e na Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec nº 6/2007. A legislação citada prevê a possibilidade de retificação de "inexatidões materiais". Isso, entretanto, não pode ser interpretado como autorização para modificar aspectos essenciais da declaração, e tampouco para refazer por completo a dcomp. Nesse sentido, era cristalina a Instrução Normativa RFB nº 900/2008, vigente ao tempo da transmissão da dcomp: Art. 78. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário em meio papel somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 79. Disposições idênticas foram reproduzidas nas Instruções Normativas RFB 1.300/2012 e 1.717/2017, esta atualmente em vigor. As normas que disciplinam a compensação no âmbito da Receita Federal são bastante restritivas no que tange à possibilidade de retificação de dcomp, só o permitindo na hipótese de inexatidão material. Por inexatidão material se deve entender tãosomente o erro de escrita ou de cálculo, caracterizado por uma clara desconformidade entre o dado inserido no documento e a vontade manifestada pelo contribuinte. Nessa linha de entendimento, inexatidão material seria, por exemplo, o erro quanto ao código de arrecadação do tributo, ou quanto ao período de apuração ou a data de vencimento. Enfim, são inconsistências passíveis de ser percebidas a olho nu, pelo simples confronto com os demais dados constantes da mesma dcomp. Só esses erros dão ensejo à retificação da dcomp. Não se pode refazer por completo a declaração, a pretexto de corrigir "erro de fato", sob pena de subverter a lógica da compensação prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10665.902309/201307 Acórdão n.º 1301003.847 S1C3T1 Fl. 190 5 Não discrepam dessa ótica o Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, o ADE Corec nº 4/2013, nem a Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec nº 6/2007. É importante que se diga que a eventual correção da DIPJ ou da DCTF, a que se referem o parecer e a norma de execução, recai apenas sobre inexatidões materiais que tenham gerado desconformidade com a dcomp examinada. A toda evidência, a retificação da DIPJ não pode ser feita para modificar a forma de apuração do lucro, de presumido para real, a fim de "gerar" saldo negativo de IRPJ ou de CSLL e, dessa forma, tornar compatíveis as informações da dcomp com a DIPJ, viabilizando a compensação. Cabe ainda esclarecer que as chamadas normas de execução são editadas pela Receita Federal com o propósito de orientar seus servidores quanto a determinados procedimentos, funcionando assim como uma espécie de manual, sem criar direito subjetivo para o contribuinte. Quando a orientação precisa vir revestida de caráter normativo, ela é veiculada sob a forma de instrução normativa ou outro ato de mesma natureza. Portanto, ainda que ocorra um eventual descumprimento de norma de execução, isso não gera, por si só, nulidade do ato administrativo. Em síntese, a legislação que disciplina a compensação no âmbito administrativo só admite que se retifiquem as dcomps na hipótese de inexatidão material. No caso em tela, todavia, o erro cometido pela recorrente não consistiu em mera inexatidão material ou em simples erro de preenchimento. A recorrente alegou que pretendia compensar crédito materializado na forma de saldo negativo. Mas a dcomp não corrobora tal informação. O código da receita, o período de apuração, o vencimento e o valor correspondem aos da estimativa mensal. Enfim, todas as informações apontam no mesmo sentido. Nada indica que a vontade da recorrente fosse compensar saldo negativo. Como se vê, a recorrente busca modificar a dcomp, alterando o crédito informado. O erro alegado é insuscetível de correção, seja pelo próprio contribuinte ou pela Administração Tributária. Para sanar o problema é necessário refazer integralmente a declaração, o que já não se admite nesta fase. A recorrente pede a conversão do julgamento em diligência. Porém, seria cabível a diligência apenas se houvesse alguma questão de fato a ser esclarecida. Os fatos, porém, são incontroversos. A contribuinte indicou como crédito o valor recolhido como estimativa, afirmando tratarse de pagamento indevido. O direito creditório, todavia, tinha origem em suposto saldo credor, apurado no final do período base. A inserção, no campo destinado ao crédito, de valor inexistente inviabiliza a própria dcomp, sobretudo quando a essa incorreção se somam erros quanto à natureza do crédito, à data do pagamento, ao período de apuração, e ao código da receita. A correção de todos esses dados, como quer a recorrente, implicaria elaborar nova dcomp, procedimento que não se permite a este órgão julgador, nem à Delegacia da Receita Federal. O erro, frisese, é admitido pela própria recorrente. É fato incontroverso. Porém, não se trata de mero erro formal. É erro de conteúdo ou substancial. Quando se examinam os dados informados na dcomp, percebese claramente que a manifestação de vontade não tinha por objeto o saldo negativo. Portanto, não socorre a recorrente, no caso em exame, o princípio da verdade material. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10665.902309/201307 Acórdão n.º 1301003.847 S1C3T1 Fl. 191 6 Cabe ressaltar que o indeferimento do direito creditório relativamente ao pagamento por estimativa não impedia que a recorrente, mediante apresentação de outra declaração de compensação, utilizasse o saldo negativo para compensar outros débitos, sem qualquer prejuízo a seu eventual direito creditório. Todavia, admitir que, no caso concreto, houve mero erro formal, reconhecendo direito creditório implicará prejuízo aos controles da Administração relativamente a tais valores, pois abre espaço para que sejam compensados, concomitantemente, tanto o saldo negativo, quanto os pagamentos por estimativa que o compõem, cada qual em dcomps diferentes. Notese que as dcomps que envolvem saldo negativo têm ficha própria para que sejam discriminados os valores que compõem aquele saldo, sendo tal informação necessária para a correta verificação da existência do pretenso direito de crédito. Importa ressaltar ainda que a Lei nº 9.430/1996, ao disciplinar a compensação, conferiu ao contribuinte verdadeiro direito potestativo, já que o exercício do direito, mesmo interferindo na esfera jurídica de outrem (no caso, o Fisco), depende apenas da vontade e da decisão do contribuinte. Nos termos da legislação em vigor, havendo pagamento indevido a título de tributo, pertence ao contribuinte decidir se vai fazer a compensação, definir em que momento ela será feita, e finalmente escolher quais os débitos serão compensados. A matéria está na esfera de discricionariedade do contribuinte, não cabendo ao Fisco interferir. Por outro lado, a compensação, que é formalizada unilateralmente mediante a mera entrega de uma declaração (dcomp), produz imediato efeito extintivo do crédito tributário compensado, restando, nessa hipótese, ao Fisco verificar, no prazo de cinco anos, a regularidade da compensação, sob pena de homologação tácita, com o que a extinção do crédito tributário se torna definitiva. A amplitude desse poder, entretanto, cobra responsabilidades do contribuinte, que tem de suportar as consequências da demora em formalizar a compensação e as consequências de realizála de forma incorreta. No caso em exame, a contribuinte formalizou a compensação, indicando como crédito um valor que não revestia essa condição. Poderia ter apresentado nova declaração, mas não o fez. Em síntese: não se homologa compensação que utiliza como crédito valor pago a título de estimativa mensal, quando o pagamento se encontra inteiramente utilizado para quitar outro débito do próprio contribuinte, não se admitindo, em nenhuma hipótese, que no curso do processo administrativo seja indicado outro crédito, a fim de viabilizar a compensação. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10665.902309/201307 Acórdão n.º 1301003.847 S1C3T1 Fl. 192 7 Voto Vencedor Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Redator Designado. Em que pese o entendimento do ilustre Relator quanto à impossibilidade de transformar o pleito original baseado em pagamento indevido ou a maior em outro, com fundamento em saldo negativo do período, durante as discussões em sessão surgiu divergência que levou a conclusão diversa. Assim, passo a expor os fundamentos da divergência e as conclusões do Colegiado acerca dessa matéria. Como relatado, tratase de pleito compensatório de direito creditório proveniente de suposto recolhimento indevido ou a maior, no período de apuração especificado, relativo à estimativa de CSLL, apresentado via Dcomp. Tenho adotado o entendimento de que no caso de divergência entre a DIPJ e DCOMP ou outra declaração da mesma espécie, deve a autoridade prolatora do despacho decisório, anteriormente a esta decisão, proceder a intimação do contribuinte para retificar uma das declarações, de modo que a exigência prevista no artigo 170 do CTN, no que se refere à exigência de certeza e liquidez do direito creditório apresentado, não seja desnaturado para impedir a apreciação material do pleito formulado pelo contribuinte. Entendo não ser legítimo afastarse uma declaração de compensação ao fundamento puramente formal, cabendo à Fiscalização, na hipótese de divergência de informações provenientes de outras declarações, ao menos, questionar a divergência existente, e proceder a intimação do contribuinte para retificar uma ou mais das declarações apresentadas. Compulsando os autos, não encontro comprovação de que o contribuinte fora intimado para proceder a retificação de quaisquer das declarações, antes do despacho decisório. Ora, se de um lado, indeferese o pedido de restituição/compensação porque foram alocadas automaticamente a débitos que constaram da DCTF, sem facultar ao contribuinte oportunidade para esclarecer a sua conduta, por outro lado, impedese que o contribuinte possa cancelar a Perdcomp, ou mesmo adequála de forma devida, de forma fosse comprovado o efetivo crédito. Consciente desse problema, a Administração Tributária modificou os Despachos Decisórios emitidos eletronicamente e o seu procedimento, pois atualmente, ao verificar a inconsistência das Per/Dcomp com as informações registradas nos sistemas do fisco, antes de emitir o despacho denegatório, intima o contribuinte para esclarecimentos. Se o contribuinte não responder à intimação fiscal, o Despacho é emitido, porém faculta ao contribuinte, no prazo regulamentar, retificar as declarações entregues ao fisco para a compatibilização dos dados – DIPJ, DCTF e a própria Per/Dcomp. Por outro lado, de fato, ao analisar conjuntamente as provas produzidas, não tenho dúvida de que não ocorreu pagamento a maior das estimativas de CSLL, ocorrendo, em tese, saldo negativo de CSLL no período. Se por um lado, a recorrente confundiu esses conceitos quando da apresentação da declaração, por outro, deixou inequívoco em suas razões de defesa de que sua intenção era mesma aproveitar crédito decorrente do referido saldo negativo formado pelo conjunto das estimativas. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10665.902309/201307 Acórdão n.º 1301003.847 S1C3T1 Fl. 193 8 Embora em situações anteriores, apreciando fatos semelhantes, tenha adotado o entendimento de converter o julgamento em diligência, para oportunizar ao contribuinte retificar as declarações apresentadas e apresentar provas da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, alterei meu entendimento para reconhecer parte do pedido, evitandose, com isso, eventuais alegações de supressão de instâncias. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 193DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.009825/2006-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2007
PER/DCOMP. CRÉDITOS DE OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 24 DO CARF.
Créditos baseados em obrigações da eletrobrás não podem ser utilizados em pedidos de restituição ou compensação junto à Receita Federal do Brasil por falecer competência ao órgão quanto à restituição ou compensação destes valores. Súmula nº 24 do CARF.
Numero da decisão: 1401-003.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto- Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2007 PER/DCOMP. CRÉDITOS DE OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 24 DO CARF. Créditos baseados em obrigações da eletrobrás não podem ser utilizados em pedidos de restituição ou compensação junto à Receita Federal do Brasil por falecer competência ao órgão quanto à restituição ou compensação destes valores. Súmula nº 24 do CARF.
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CRÉDITOS DE OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 24 DO CARF. Créditos baseados em obrigações da eletrobrás não podem ser utilizados em pedidos de restituição ou compensação junto à Receita Federal do Brasil por falecer competência ao órgão quanto à restituição ou compensação destes valores. Súmula nº 24 do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 98 25 /2 00 6- 67 Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11080.009825/200667 Acórdão n.º 1401003.431 S1C4T1 Fl. 137 2 Relatório Inicio com a transcrição do relatório da Decisão de Piso. Tratase da manifestação de inconformidade (fls. 99/121) contra o Despacho Decisório DRF/POA n° 1154/2007 (fls. 86/88), cientificado à contribuinte em 14/08/2007 (ver Termo à fl. 94), que indeferiu o pedido de restituição de crédito no valor de R$3.487.029,39, relativo a obrigações da eletrobrás (fl. 01) A autoridade fazendária decidiu no seguinte sentido, conforme item 10 do Despacho Decisório, à fl. 94: "Concluise que não há previsão legal para a restituição de títulos da divida pública, pois estes não tem natureza tributária e não são, portanto, espécie de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal". A manifestação de inconformidade foi apresentada tempestivamente em 10/09/2007. A interessada destacou o processo legislativo que regeu o empréstimo compulsório da Eletrobrás desde sua instituição, com a Lei n° 4.156/62, transcrevendo os principais textos normativos. No seguimento, reclama do indeferimento de seu pedido pela Delegacia de origem, com suporte na seguinte linha de argumentação: as cártulas da Eletrobrás não podem ser consideradas títulos da divida pública, títulos públicos ou divida pública; a União é responsável pela devolução do valor integral dos títulos representativos do empréstimo compulsório em favor da Eletrobrás, a responsabilidade do Estado não pode ser afastada por Instrução Normativa da Receita Federal; não houve decadência do direito e nem prescrição do direito do possuidor das cártulas. Transcreve jurisprudência que entende ratificar a sua tese. Requer, pois, o deferimento do pedido de restituição. É o relatório do essencial. Analisando o pedido do contribuinte a Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade mantendo o indeferimento do pedido. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual repisou os argumentos apresentados no pedido original e na impugnação e solicitou o reconhecimento de seu crédito. É o relatório. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11080.009825/200667 Acórdão n.º 1401003.431 S1C4T1 Fl. 138 3 Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. O pedido de restituição objeto do presente processo referese ao recebimento de obrigações da Eletrobrás especificadas da seguinte maneira conforme seu pedido. ......Constituise de titulo da Eletrobrás — Centrais Elétricas Brasileiras S/A, subscrito compulsoriamente, emitido mediante contribuições pagas pelos consumidores de energia elétrica conjuntamente com as suas contas de fornecimento do exercício de 1973, instituído pela União Federal, e que por força deste pedido será objeto de compensação tributária. O Contribuinte acima Identificado é portador e titular de Obrigações ao Portador n°s. 1437861, 1437852 e 1437853 — Série HH, emitidas pela Eletrobrás — Centrais Elétricas Brasileiras S/A, cópia(s) anexa(s), cártula(s) representativa(s) da obrigação assumida pela União de restituir o titulo da Eletrobrás, espécie tributaria, não alcançada pelo prazo decadencial previsto no art. 168 do Código Tributário Nacional, vez que este comando normativo disciplina apenas as hipóteses de restituição decorrentes de recolhimento indevido, previstas no seu art. 165. Ocorre que em relação a este tipo de pedido, já restou formado o entendimento de que a Receita Federal não é o órgão competente para a análise e deferimento do crédito. Neste sentido foi editada a Súmula CARF nº 24, com efeitos vinculantes, no qual restou estabelecido o entendimento pela impossibilidade da análise pela Receita Federal. Vejamos o teor da Súmula. Súmula CARF nº 24 Acórdãos Precedentes: Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11080.009825/200667 Acórdão n.º 1401003.431 S1C4T1 Fl. 139 4 Não compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Acórdão nº 30332277, de 10/08/2005 Acórdão nº 30132112, de 13/09/2005 Acórdão nº 30132156, de 19/10/2005 Acórdão nº 30237140, de 10/11/2005 Acórdão nº 30332636, de 10/12/2005 Neste sentido, sendo as súmulas vinculantes editadas pelo CARF de obediência obrigatória por todos os membros deste Conselho não resta, em verdade, objeto a ser analisado no presente recurso, haja vista que a Receita Federal não é o órgão competente para promover a restituição destas obrigações. À vista do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso em atendimento à Súmula CARF nº 24. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 139DF CARF MF
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Numero do processo: 10510.724763/2011-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010
ÁGIO. EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. LEILÃO DE PRIVATIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE EMPRESA VEÍCULO. PROPÓSITO NEGOCIAL EXISTENTE. SIMULAÇÃO INEXISTENTE. POSSIBILIDADE.
Ágio formado pelo pagamento em leilão de privatização realizado por empresa criada para participação no leilão, com a subsequente incorporação reversa pela empresa privatizada. Operação possível.
A formação do ágio poderia se constituir da mesma forma caso a operação de aquisição tivesse ocorrido pela empresa controladora do grupo que viabilizou a compra.
Descabem as alegações de utilização de empresa veículo e de ausência de propósito negocial em face de não haver, na prática, necessidade de utilização de operações simuladas para viabilizar a formação do ágio.
Inexistência de simulação nas operações visto que não visavam burlar normas impeditivas.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO.
Constatado saldo insuficiente para a compensação de prejuízo fiscal, deve ser efetuada a autuação.
ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MENOR. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO. MESMA MATERIALIDADE. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. POSSIBILIDADE.
Nos casos de lançamento com aplicação de multa de ofício, cumulado com lançamento de multa isolada por não recolhimento das estimativas, cabível a aplicação do princípio da consunção em razão de, decorrendo da aplicação do princípio, a multa aplicada em razão da infração maior (de ofício) absorver a multa relativa à menor infração (isolada) até o limite do valor da multa de ofício lançada. No caso concreto não se aplica o princípio em razão do cancelamento integral da multa de ofício lançada no mesmo exercício.
Numero da decisão: 1401-003.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: (i) glosa de despesas com ágio - por maioria de votos, dar provimento ao recurso para afastar a glosa da dedução com as despesas decorrentes do ágio. Vencido o Conselheiro Carlos André Soares Nogueira; (ii) compensação indevida de prejuízos fiscais - por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso; (iii) multa isolada sobre estimativas - por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso em relação à imposição da multa isolada, determinando a exoneração dos valores que não excederem a multa de ofício exigida (aplicação do princípio da consunção). Em primeira rodada, contra a tese que mantinha integralmente as multas isoladas, foram vencidos os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Eduardo Morgado Rodrigues, que votaram por cancelar integralmente. Em segunda rodada, onde todos participaram, a tese ganhadora na primeira rodada foi superada pela tese de que as multas isoladas deveriam ser absorvidas apenas na exata medida dos valores de multas de ofício lançadas, ficando vencidos os Conselheiros Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira e Luiz Augusto de Souza Gonçalves, que votaram pela tese de negar provimento para manter a multa isolada; (iv) Juros sobre multa de ofício - por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso; (v) aplicação do art. 112 do CTN - por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso; (vi) Recurso de ofício - por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 ÁGIO. EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. LEILÃO DE PRIVATIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE EMPRESA VEÍCULO. PROPÓSITO NEGOCIAL EXISTENTE. SIMULAÇÃO INEXISTENTE. POSSIBILIDADE. Ágio formado pelo pagamento em leilão de privatização realizado por empresa criada para participação no leilão, com a subsequente incorporação reversa pela empresa privatizada. Operação possível. A formação do ágio poderia se constituir da mesma forma caso a operação de aquisição tivesse ocorrido pela empresa controladora do grupo que viabilizou a compra. Descabem as alegações de utilização de empresa veículo e de ausência de propósito negocial em face de não haver, na prática, necessidade de utilização de operações simuladas para viabilizar a formação do ágio. Inexistência de simulação nas operações visto que não visavam burlar normas impeditivas. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Constatado saldo insuficiente para a compensação de prejuízo fiscal, deve ser efetuada a autuação. ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MENOR. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO. MESMA MATERIALIDADE. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. POSSIBILIDADE. Nos casos de lançamento com aplicação de multa de ofício, cumulado com lançamento de multa isolada por não recolhimento das estimativas, cabível a aplicação do princípio da consunção em razão de, decorrendo da aplicação do princípio, a multa aplicada em razão da infração maior (de ofício) absorver a multa relativa à menor infração (isolada) até o limite do valor da multa de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 47 63 /2 01 1- 12 Fl. 6291DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.292 2 ofício lançada. No caso concreto não se aplica o princípio em razão do cancelamento integral da multa de ofício lançada no mesmo exercício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: (i) glosa de despesas com ágio por maioria de votos, dar provimento ao recurso para afastar a glosa da dedução com as despesas decorrentes do ágio. Vencido o Conselheiro Carlos André Soares Nogueira; (ii) compensação indevida de prejuízos fiscais por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso; (iii) multa isolada sobre estimativas por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso em relação à imposição da multa isolada, determinando a exoneração dos valores que não excederem a multa de ofício exigida (aplicação do princípio da consunção). Em primeira rodada, contra a tese que mantinha integralmente as multas isoladas, foram vencidos os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Eduardo Morgado Rodrigues, que votaram por cancelar integralmente. Em segunda rodada, onde todos participaram, a tese ganhadora na primeira rodada foi superada pela tese de que as multas isoladas deveriam ser absorvidas apenas na exata medida dos valores de multas de ofício lançadas, ficando vencidos os Conselheiros Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira e Luiz Augusto de Souza Gonçalves, que votaram pela tese de negar provimento para manter a multa isolada; (iv) Juros sobre multa de ofício por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso; (v) aplicação do art. 112 do CTN por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso; (vi) Recurso de ofício por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) Relatório Iniciemos com a transcrição do relatório da Decisão de Piso. Fl. 6292DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.293 3 DO LANÇAMENTO 1 Trata o presente processo dos Autos de Infração, às fls. 02 a 101, lavrados contra a ENERGISA SERGIPE DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A. (doravante denominada ENERGISA SERGIPE), para a exigência de crédito tributário no montante de 105.482.324,08 (cento e cinco milhões, quatrocentos e oitenta e dois mil, trezentos e vinte e quatro reais e oito centavos), estando assim distribuído: 2 De acordo com o Auto de Infração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e Termo de Verificação Fiscal TVF, às fls. 02 a 31 e 60 a 101, respectivamente, o crédito tributário ali lançado foi constituído em razão da Fiscalização verificar que a Contribuinte, no decorrer dos anoscalendário de 2006, 2007, 2008, 2009 e de 2010, teria cometido diversas infrações, as quais, juntamente com seus fundamentos e consequências, podem ser assim resumidas: 2.1 0001 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS, DESPESAS NÃO COMPROVADAS (AMORTIZAÇÃO INDEVIDA DE ÁGIO), nos valores de R$ 15.289.500,00 (quinze milhões, duzentos e oitenta e nove mil e quinhentos reais), R$ 15.827.628,00 (quinze milhões, oitocentos e vinte e sete mil e seiscentos e vinte e oito reais), R$ 17.315.424,00 (dezessete milhões, trezentos e quinze mil e quatrocentos e vinte e quatro reais), R$ 15.627.000,00 (quinze milhões, seiscentos e vinte e sete mil) e R$ 16.476.996,00 (dezesseis milhões, quatrocentos e setenta e seis mil e novecentos e noventa e seis reais), correspondentes aos anoscalendário de 2006 a 2010, respectivamente, fatos geradores anuais, às fls. 05, conforme discriminado no TVF, às fls. 60 a 82, tendo como enquadramento legal o artigo 3°, da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e os artigos 247, 248, 249, inciso I, 251, 277, 278, 299 e 300, do Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/1999), observandose que, no referido Termo, a Fiscalização aponta as razões que levaram à tributação da amortização indevida de despesas com ágio, principalmente: Fl. 6293DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.294 4 DO HISTÓRICO 2.1.1 Que o procedimento de fiscalização iniciouse com a intimação do Fiscalizado, via postal, do Termo de Início de Fiscalização – TIF, em 14/04/2011, no qual foram requeridos livros e documentos próprios e da incorporada CATLEO DISTRIBUIDORA LTDA, CNPJ nº 02.150.608/000128 (doravante denominada CATLEO). 2.1.2 Ao longo do procedimento fiscalizatório, vários termos foram expedidos pelas Autoridades Tributárias em desfavor dos sobreditos contribuintes, tais como de Intimação Fiscal – TI, Reintimação Fiscal – TRF, bem como foi realizada reunião com os prepostos da pessoa jurídica, contudo as sobreditas demandas foram atendidas parcialmente ou não foram atendidas, o quê, inclusive, justificou a expedição de Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira –RMF relativa a empresa incorporada para instituições financeiras e perante o Banco Central do Brasil. DO DESENVOLVIMENTO DA AÇÃO FISCAL Do Leilão de Privatização da ENERGISA SERGIPE – DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S/A e a demonstração da geração do ágio 2.1.3 A empresa Energisa Sergipe Distribuidora de Energia S/A, ou simplesmente Energisa Sergipe, foi desestatizada em 03 de dezembro de 1997, através de leilão de privatização cujo vencedor formal e adquirente das ações foi à empresa veículo Catleo Distribuidora LTDA, CNPJ: 02.150 608/000128. 2.1.4 Constatou que a Companhia Força e Luz Cataguazes – Leopoldina (doravante denominada CATAGUAZES), CNPJ: 19.527.639/000158, através de sua empresa de propósito específico, Catleo Distribuidora LTDA, adquiriu do governo do Estado de Sergipe 86,4% do Capital total da primeira.(g.n) 2.1.5 Compulsando livros e planilhas apresentados pelo contribuinte, apurou que a sobredita aquisição se efetivou com expressivo ágio no valor de RS 504.460.578,75 {quinhentos e quatro milhões, quatrocentos e sessenta mil quinhentos e setenta e oito reais e setenta e cinco centavos) contabilizados na rubrica contábil “Ágio Ações Energipe”, código 1.3.1.1 00026. Ressalte se que o valor patrimonial do investimento contabilizado, no dia 03 de dezembro de 1997, na rubrica contábil "Ações Energipe", código 1.3.1.1 00018, do referido livro foi de R$ 75.553.777,00 (setenta e cinco milhões quinhentos e cinquenta e três mil setecentos e setenta e sete reais). 2.1.6 Extraiu dos documentos apresentados pelo Fiscalizado, que houve, na CATLEO, aumento do Capital Social no valor de R$ 49,133.664,00 (quarenta e nove milhões cento e trinta e três mil e seiscentos e sessenta e quatro reais), subscrito pela então sócia Energisa S/A, mediante a Fl. 6294DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.295 5 conferência de 4.094.472 (quatro milhões e noventa e quatro mil quatrocentas e setenta e duas) ações ordinárias do capital da Energipe Sergipe Distribuidora de Energia S/A, atualmente denominada Energisa Sergipe Distribuidora de Energia S/A. Acrescentou que a mencionada subscrição foi contabilizada com ágio de R$ 38.829.843,00 (trinta e oito milhões oitocentos e vinte e nove mil oitocentos e quarenta e três reais). 2.1.7 Em decorrência da natureza das citadas operações, ambos os ágios não eram dedutíveis para fins fiscais, à vista disso cabia à CATLEO adicionálos ao lucro tributável, procedimento este certificado ao examinar o Livro de Apuração do Lucro Real LALUR 1997 e 1998. 2.1.8 Abaixo apresentou diagrama das operações supra: 2.1.9 Após esta sequência de operações que ensejaram a origem do citado ágio é possível demonstrar a trajetória desta dedução como se segue. Fl. 6295DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.296 6 Do fundamento econômico para o ágio acima descrito e o tratamento fiscal a ser dispensado. 2.1.10 Que até a publicação da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, consoante o disposto nos arts. 20, 25 e 33, do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, com nova redação dada pelo Decreto Lei rt° 1.730/79, as contrapartidas da amortização do ágio ou deságio não eram computadas na determinação do lucro real, salvo quando compunha a base de cálculo, à título de custo, para fins de apuração do ganho de capital, quando da alienação ou liquidação do investimento, em coligada ou controlada, avaliado pelo valor de patrimônio líquido. 2.1.11 Nesta seara, em respeito ao disposto na alínea b, do § 2º, art. 20, do sobredito diploma legal, o Auditado apresentou estudo, datado de 28 de novembro de 1997, realizado pelo Conselho de Administração da CATAGUAZES, no qual se observou que o fundamento econômico do ágio sob julgamento (leilão de privatização), correspondeu ao valor de rentabilidade, da controlada ou coligada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros. 2.1.12 Que a referida lei, especialmente em seus arts. 7º e 8º, textualmente transcrito abaixo, juntamente com a Instrução Normativa SRF nº 11, de 10 de fevereiro de 1999, provocaram significativas alterações legislativas, nascendo no mundo tributário à possibilidade de amortizar o ágio surgido na aquisição de participação societária, cujo fundamento econômico tenha sido a expectativa de resultados futuros, da coligada ou controlada, desde que o patrimônio seja absorvido por outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão. 2.1.13 Em face do exposto, inferiu que para o Grupo Energisa se aproveitar do benefício fiscal do ágio incorrido e contabilizado, deveria, necessariamente adquirir participação com ágio, e, posteriormente concretizar a absorção do patrimônio mediante reorganização societária. Fl. 6296DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.297 7 Da constituição e desenvolvimento da Catleo Distribuidora LTDA, CNPJ: 02.150.608/0001 28 Empresa veículo 2.1.14 Que em 06 de outubro de 1997, foi constituída a empresa CMS Distribuidora Dois LTDA, CNPJ: 02.150.608/000128, com capital social de 10.000 (dez mil) quotas a integralizar, cujo objeto principal era a construção e exploração de sistemas de produção, transmissão. transformação, distribuição e comercialização de energia elétrica. Em 24 de novembro de 1997, o sócio majoritário da empresa CMS Distribuidora Dois LTDA, cedeu suas 9.999 (nove mil novecentos e noventa e nove) quotas, ainda não integralizadas, para a empresa CATAGUAZES concomitantemente a razão social foi alterada para Catleo Distribuidora LTDA e a administração da sociedade delegada a Maurício Perez Botelho, CPF: 738,738.10700. 2.1.15 Destacou que desde a sua constituição até final do mês de novembro de 1997, a CATLEO continuava com Capital Social a Integralizar e não apresentava nenhuma atividade operacional, bem como, consoante informações coletadas nos diversos sistemas de cadastro da Previdência Social, sequer tinha quadro de funcionários. Contudo, mesmo sem qualquer estrutura econômica, arrematou no leilão de privatização, realizado em 03 de dezembro de 1997, o equivalente a 86,42% das ações da Energisa Sergipe Distribuidora de Energia S/A, com expressivo ágio. 2.1.16 A engenharia financeira para tornar possível a aquisição ora suscitada se deu da seguinte forma, segundo o contribuinte: 2.1.17 Converteu em diagramas alterações contratuais da CATLEO, desde da constituição até a aquisição das ações da ENERGISA SERGIPE no Leilão de Privatização, demonstrando a apresentação do grupo econômico. Fl. 6297DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.298 8 Fl. 6298DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.299 9 2.1.18 Inferiu que os recursos aplicados na CATLEO originaramse especificamente da CATAGUAZES. Nessa senda, intimou a ENERGISA SERGIPE para apresentar os contratos de mútuos, em prol de averiguar a origem e o destino dos recursos aplicados no leilão de privatização. 2.1.19 No que tange ao contrato de mútuo de R$ 121.565.266,00 (cento e vinte um milhões quinhentos e sessenta e cinco mil e duzentos c sessenta e seis reais) firmado entre CATAGUAZES (controladora), antiga denominação da Energisa Minas Gerais Distribuidora de Energia S/A (doravante denominada ENERGISA MINAS GERAIS) e a CATLEO, percebeu que: 2.1.19.1 Serviu para compor o montante a ser liquidado em face da aquisição de ações da Energisa Sergipe; Fl. 6299DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.300 10 2.1.19.2 Na busca da verdade material, foi o contribuinte regularmente intimado a apresentar documentos comprobatórios da transferência dos recursos, tais como, extratos bancários, TEDs, DOC s, entre outros. Em resposta a intimação a Energisa Minas Gerais Distribuidora de Energia S.A, alega que devido ao lapso temporal não dispõe dos documentos ora solicitados; 2.1.19.3 Ao analisar o Livro Diário da CATLEO, constatou que o lançamento relativo ao recebimento, em tese, deste mútuo, transitou, estranhamente, pela conta caixa;(g.n.); 2.1.19.4 Ao requerer de todos os intervenientes da operação os extratos bancários referentes aos anos calendário 1997 e 1998, inicialmente alegaram que, em função do lapso temporal, não detinham as informações. Posteriormente, foi apresentado um espelho do extrato bancário da ENERGISA MINAS GERAIS, referente ao banco BNDES, conta 130717, contendo saída de R$ 337.319.775,00 (trezentos e trinta e sete milhões, trezentos e dezenove mil e setecentos e setenta e cinco reais), que comprovaria o pagamento de parte das ações adquiridas no leilão de privatização; 2.1.19.5 Considerando que a supradita posição não esclareceu a origem e a destinação dos recursos aplicados na aquisição sob apreciação, intimou a ENERGISA SERGIPE para apresentar seus extratos bancários e na condição de incorporadora os da CATLEO, todavia a empresa não se manifestou; 2.1.19.6 Que o Banco Central do Brasil, mediante ofício n° 89/2011 BCB/Decic/Gabin, asseverou que a CATLEO, não mantinha conta em nenhuma instituição financeira; 2.1.19.7 Não há registro contábil na CATLEO do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros – IOF, referente ao mútuo à epígrafe; e 2.1.19.8 Pelo exposto, os recursos supracitados foram transferidos diretamente da ENERGISA MINAS GERAIS para o Governo de Sergipe e demais acionistas, não transitando pela CATLEO, fortalecendo o indício que aquela realizou a aquisição das ações da ENERGISA SERGIPE, utilizando se da empresa veículo CATLEO, apenas com propósito de tornar o ágio remanescente amortizável, conforme novação legal da lei 9.532 de 10 de dezembro de 1997. 2.1.20 Quanto ao Mútuo, envolvendo o montante de R$ 146.149.840,00 (cento e quarenta e seis milhões cento e quarenta e nove mil e oitocentos e quarenta reais), realizado entre CATLEO e Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES, apurou que: 2.1.20.1 A CATLEO, conforme disposto na cláusula 17ª, do contrato de financiamento nº 97.2.515.3.1, autorizou o BNDES a disponibilizar o total do crédito concedido na conta corrente da CATAGUAZES, sua controladora a época; Fl. 6300DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.301 11 2.1.20.2 A CATAGUAZES afirmou que transferiu imediatamente para CATLEO; 2.1.20.3 Ao analisar o Livro Diário da CATLEO, atentou que o sobredito valor transitou pela conta caixa; 2.1.20.4 A inexistência de conta bancária, conforme já afirmado, aliada as constatações retro, robusteceu a percepção que os recursos supracitados foram transferidos do BNDES para empresa ENERGISA MINAS GERAIS, que por sua vez repassou diretamente para os antigos acionistas da ENERGISA SERGIPE, portanto, não transitando pela empresa CATLEO; 2.1.20.5 Quanto aos lançamentos contábeis a débito da conta caixa na CATLEO, estes visaram cumprir formalidades legais de uma operação que só aconteceu no papel, não se coadunando essência e forma; 2.1.20.6 Tais evidências tonificaram o indício de que toda operação comentada teve o único propósito de tornar o ágio remanescente amortizável, utilizando a CATLEO de empresa veículo. 2.1.21 No que concerne o Adiantamento para Futuro Aumento de Capital realizado pela ENERGISA S/A para a CATLEO, no valor de R$ 309.386.669,00 (trezentos e nove milhões, trezentos e oitenta e seis mil e seiscentos e sessenta e nove reais), descobriu que: 2.1.21.1 Da análise do Livro Diário da CATLEO, observou, mais uma vez, que os recursos, apesar de envolver cifras milionárias, transitaram pela conta caixa. Ademais, repisando a informação do BACEN, a citada empresa não detém contas bancárias; 2.1.21.2 Que estes lançamentos contábeis trazem sérios indícios de que a operação de liquidação fora realizada diretamente da Energisa S/A para os antigos acionistas da Energisa Sergipe, sem, portanto, transitar pela empresa Catleo Distribuidora LTDA;(g.n.) 2.1.21.3 Que há elementos suficientes para demonstrar que os recursos aportados, em tese, na Energisa S/A, originaramse na ENERGISA MINAS GERAIS, não transitaram pela CATLEO e foram transferidos para os antigos acionistas da empresa ENERGISA SERGIPE. Nesta perspectiva, repisou as deduções anteriores no que esta relacionado a utilização pela ENERGISA MINAS GERAIS da empresa veículo CATLEO, apenas com propósito de tornar o ágio remanescente amortizável, sob a égide da lei nº 9.532/97. Da consolidação das citadas operações de mútuo. 2.1.22 À vista do acima exposto constatase que a Energisa Minas Gerais Distribuidora de Energia S/A, controla diretamente a Energisa S/A, e, indiretamente a Catleo Distribuidora LTDA, através do controle direto que exerce da segunda, formando assim um grupo econômico.(g.n) Fl. 6301DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.302 12 2.1.23 É possível observar que a empresa Catleo Distribuidora LTDA não tem atividade operacional, quadro de funcionários, ou aufere qualquer receita, todavia, ainda assim, adquiriu ações da Energisa Sergipe em leilão de privatização com expressivo ágio. Da análise das operações intragrupo de mútuo realizadas ficou comprovado que a Energisa Minas Gerais Distribuidora de Energia S/A, obteve recursos junto às instituições financeiras e sócios e repassou diretamente aos antigos acionistas da segunda.(g.n) 2.1.24 A empresa Energisa Minas Gerais, já devedora das instituições/empresas acima citadas, faz transparecer que estes montantes foram transferidos via empréstimo a empresa Catleo Distribuidora LTDA, sua controlada indireta através do controle direto mantido na Energisa S/A, e, Adiantamento para Futuro Aumento de Capital a esta, sua controlada direta (99,99%). 2.1.25 Resta claro que a Catleo Distribuidora LTDA, não mantinha sequer conta em Instituição financeira e que a Energisa S/A (holding) é mera repassadora de recursos oriundos da própria Energisa Minas Gerais.(g.n) 2.1.26 Assim, concluise que a Energisa Minas Gerais Distribuidora de Energia S/A, captou recursos no mercado, transferiu de fato a empresa desestatizada, Energisa Sergipe (grupo vendedor), porém, com objetivo outro, formalizou empréstimos que de fato não ocorreram, pois não houve vontade, tampouco a efetiva transferência de recursos entre os partícipes.(g.n) 2.1.27 Observa se que a Energisa Minas Gerais Distribuidora de Energia S/A, criou artificialmente um negócio jurídico, sem substância econômica, qual seja, capitalização de empresa veículo com propósito específico de incorporação, que evidencia divergência entre a forma apresentada e a vontade fática demonstrada consoante conjunto probatório trazido aos autos, com o fito exclusivo de redução da carga tributária.(g.n) Da amortização (indevida) do ágio, gerado em si mesma, pela Energisa Sergipe: 2.1.28 Em 08 de abril de 1998, de acordo com Ata de Assembléia Geral extraordinária AGE, foi aprovada incorporação da empresa Catleo Distribuidora LTDA, pela Energisa Sergipe então controlada direta daquela.(g.n) 2.1.29 … o ágio remanescente no valor de R$ 538.012.270,00 (quinhentos e trinta e oito milhões, doze mil e duzentos e setenta reais) será mantido na incorporadora, Energisa Sergipe, conforme permissão do artigo 8o da lei 9.532/97.(g.n) Fl. 6302DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.303 13 2.1.30 Observase que a partir de abril de 1998, a Energisa Sergipe contabilizou a amortização do ágio oriundo do leilão de privatização e outras aquisições, de suas próprias ações da seguinte forma: 2.1.30.1 Débito de "Amortização Intangíveis" conta de resultado (despesa), código 6150311555501; 2.1.30.2 A crédito de Ágio Ações Incorporação Catleo" ativo diferido, código 1330315090001; 2.1.31 Da análise contábil realizada, entre os anos de 1998 a 2010, conclui se, que de fato, o ágio amortizado (despesa) integra o resultado contábil da Energisa Sergipe, e, não é adicionado ao LALUR, além do que a amortização do saldo remanescente é realizada conforme curva autorizada por resolução ANEEL. Abaixo destaco planilha que consolida este entendimento. Da Simulação e consequente Glosa do Ágio na Energisa Sergipe 2.1.32 Após todos os relatos, depreendeu que a essência do negócio jurídico ocorrido de fato foi a aquisição das ações da ENERGISA SERGIPE, no leilão de privatização e compra isolada, pela empresa ENERGISA MINAS GERAIS. 2.1.33 Corroboram com tal ilação, o fato do grupo econômico liderado pela empresa ENERGISA MINAS GERAIS ter operado em prol de capitalizar a CATLEO, empresa veículo controlada que sequer detinha conta em instituição financeira, e em seguida adquirir ações da ENERGISA SERGIPE no leilão de privatização e outros, de acordo com diagrama abaixo. Fl. 6303DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.304 14 2.1.34 O cenário societário anterior a incorporação reversa da Catleo Distribuidora LTDA (empresa veículo) pela Energisa Sergipe, em abril de 1998, era o controle indireto daquela pela Energisa Minas Gerais, através do controle direto que detinha da Energisa S/A. O Diagrama abaixo racionaliza a questão. 2.1.35 Após a incorporação reversa, e, em função de aumento de capital Social da Energisa S/A, cuja subscrição se deu por terceiros, conforme Ata de Assembléia Geral Extraordinária AGE realizada em 27 de março de 1998, a Energisa Minas Gerais passa a deter 86,5% da desta, que por sua vez detém 84% de participação na Energisa Sergipe. O Diagrama abaixo racionaliza a questão: 2.1.36 Afirmou que a CATLEO, empresa veículo, participou da operação com propósito específico de transferir o ágio oriundo do leilão de privatização e outros, para Energisa Sergipe, em face, do possível Fl. 6304DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.305 15 aproveitamento fiscal do ágio, mormente, haver previsão legal, para amortização em certos casos. 2.1.37 Encerra inferindo que o negócio realizado aparentemente, ou, simulado, não subsistirá, ou seja, a aquisição de ações realizadas pela CATLEO, de fato não ocorreu, e fundamentado no preceituado nos arts. 109,116, 118 e 149 do Código Tributário NacionalCTN, combinados com os arts. 247, 248, 240, inciso I, 251, 277, 278, 299 e 300 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 – RIR/99, impôs a glosa das despesas com ágio, uma vez que inexistem tais deduções na ENERGISA SERGIPE. 2.2 0002 SALDO INSUFICIENTE COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO OPERACIONAL COM RESULTADO DA ATIVIDADE GERAL, nos valores de R$ 3.764.003,78 (três milhões, setecentos e sessenta e quatro mil, três reais e setenta e oito centavos) e R$ 1.849.368,82 (um milhão, oitocentos e quarenta e nove mil, trezentos e sessenta e oito reais e oitenta e dois centavos), correspondentes aos fatos geradores de 31/12/2006 e 31/12/2008, respectivamente, às fls. 05, conforme discriminado no TVF, às fls. 87 a 91, tendo como enquadramento legal os artigos 247, 250, inciso III, 251, 509 e 510, do RIR/1999, observandose que, no referido Termo, a Fiscalização aponta que a Contribuinte teria compensado prejuízos operacionais em montante superior ao saldo desse prejuízo, conforme detalhamento nos demonstrativos de apuração e no Termo de Verificação Fiscal n° 0001 anexo, parte integrante deste Auto de Infração, visto que o referido saldo fora reduzido em virtude das seguintes alterações: 2.2.1 Cancelamento da DIPJ retificadora nº 9411678, relativa ao exercício de 1996, anocalendário de 1995, apresentada em 2000, na qual teria sido registrado um prejuízo fiscal de R$ 25.051.637,76 (vinte cinco milhões, cinquenta e um mil, seiscentos e trinta e sete reais e setenta e seis centavos), entretanto, devido ao cancelamento, tornouse sem efeito, por isso a Autoridade Fiscal considerou como correto o prejuízo fiscal a compensar informado na DIPJ original, no valor de R$ 2.856.442,60 (dois milhões, oitocentos e cinquenta e seis mil, quatrocentos e quarenta e dois reais e sessenta centavos); 2.2.2 Recomposição do saldo de prejuízo fiscal declarado nos anos calendário de 2000 a 2003, em razão do lançamento de ofício realizado em 26/12/2005, tratado no PAF n° 10510.003122/200574, visto que, nos anoscalendário de 2000, 2001 e 2003, as infrações apuradas aumentaram a base de cálculo do lucro real e, consequentemente, ampliaram o montante de prejuízo compensado, reduzindo o saldo declarado. No tocante ao ano calendário de 2002, em decorrência da infração apurada, o prejuízo apurado no exercício foi reduzido. É importante salientar que os valores contemplam o julgamento realizado na 1a instância administrativa, estando o processo, na data da ciência dos Autos de Infração ora em lide (27/10/2011), ainda pendente de apreciação na esfera administrativa; 2.2.3 Alterações dos lucros reais declarados nas DIPJs dos anos calendário de 2005 a 2007, em decorrência de lançamento de ofício Fl. 6305DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.306 16 realizado em 21/05/2010, tratado no PAF n° 10510.001892/201040, que, na data da ciência dos Autos de Infração ora em lide (27/10/2011), ainda estava pendente de apreciação na esfera administrativa; 2.2.4 Glosas de amortização de ágio relacionadas aos anoscalendário de 1999 e de 2002, que reduziram os saldos de prejuízos fiscais de R$ 23.893.478,72 (vinte três milhões, oitocentos e noventa e três mil, quatrocentos e setenta e oito reais e setenta e dois centavos) para R$ 16.466.090,72 (dezesseis milhões, quatrocentos e sessenta e seis mil, noventa reais e setenta e dois centavos) e de R$ 19.406.347,46 (dezenove milhões, quatrocentos e seis mil, trezentos quarenta e sete reais e quarenta e seis centavos) para R$ 4.734.127,46 (quatro milhões, setecentos e trinta e quatro mil, cento e vinte e sete reais e quarenta e seis centavos), respectivamente; 2.2.5 Glosas de amortizações de ágio relativamente aos anoscalendário de 2006 a 2010, nos valores de R$ 15.289.500,00 (quinze milhões, duzentos e oitenta e nove mil e quinhentos reais), R$ 15.827.628,00 (quinze milhões, oitocentos e vinte e sete mil e seiscentos e vinte e oito reais), R$ 17.315.424,00 (dezessete milhões, trezentos e quinze mil e quatrocentos e vinte e quatro reais), R$ 15.627.000,00 (quinze milhões, seiscentos e vinte e sete mil) e R$ 16.476.996,00 (dezesseis milhões, quatrocentos e setenta e seis mil e novecentos e noventa e seis reais), respectivamente, que também reduziram os saldos de prejuízo fiscal a compensar daqueles períodos. 2.3 0003 MULTAS OU JUROS ISOLADOS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA, calculado com base em balanço/balancete de suspensão, compreendendo quase a totalidade dos meses dos anoscalendário de 2006 a 2009, às fls. de n°s. 6 e 7, em razão de recomposição das bases tributáveis advindas das infrações apuradas pela fiscalização sob julgamento e anteriores, conforme discriminado no TVF, às fls. 98 a 100, tendo como enquadramento legal o artigo 44, inciso II, alínea"b", da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo artigo 14, da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, c/c os artigos 222 e 843, do RIR/1999. Da Qualificação e do Agravamento da Multa de Ofício 3 Da Qualificação da Multa de Ofício devido a prática de Sonegação, Fraude e Concluio. 3.1 A Autoridade Autuante, por todo trabalho realizado, consoante demonstrado no TVF, às fls. 83 a 86, entendeu que ficou caracterizada a prática de sonegação, fraude e conluio por parte das empresas ENERGISA SERGIPE, ENERGISA MINAS GERAIS, ENERGISA S/A e CATLEO, passível de aplicação da multa de ofício qualificada em 150 % (cento e cinquenta por cento), tendo em vista que a incorporação às avessas de sua controladora, CATLEO, empresa veículo, realizada pela Autuada, juntamente com a contabilização do ágio pela aquisição de suas próprias ações, configurouse em conduta intencional de criar operações sem qualquer substância econômica ou propósito negocial, a não ser o de elidir Fl. 6306DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.307 17 tributos, aumentou as despesas operacionais da Energisa Sergipe, reduzindo sensivelmente o valor tributo a recolher, mediante comportamento doloso, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, bem como alteração das características fundamentais do fato gerador, qual seja, o lucro tributável. 3.2 Tal conduta se enquadraria nos conceitos de sonegação, fraude e conluio, previstos nos artigos 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, tendo por consequência a multa de 150% (cento e cinquenta por cento) prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação da Lei n° 11.488, de 2007. 4 Do Agravamento da Multa de Ofício, visto que a ENERGISA SERGIPE, segundo entendimento da Autoridade Fiscal, asseverado no TVF, às fls. 85 a 86, ainda que reiteradamente intimada, de forma deliberada não prestou esclarecimentos cruciais ao bom andamento da Auditoria, ficando, portanto, passível de agravamento da multa de ofício, a qual, com o agravamento realizado passou de 150% para 225% (duzentos e vinte e cinco por cento), tendo como enquadramento legal o § 2°, inciso I, do artigo 44, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação da Lei n° 11.488, de 2007. Dos Lançamentos De Ofício Relacionados a CSLL 5 Em decorrência dos mesmos fatos foi apontada a falta de recolhimento da CSLL e das Estimativas, compreendendo os mesmos períodos de apuração, sendo lavrado o correspondente Auto de Infração, onde, também, foram apontadas diversas infrações, as quais, juntamente com seus fundamentos e consequências, podem ser assim resumidas: 5.1 0001 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS, DESPESAS NÃO COMPROVADAS (AMORTIZAÇÃO INDEVIDA DE ÁGIO), nos valores de R$ 15.289.500,00 (quinze milhões, duzentos e oitenta e nove mil e quinhentos reais), R$ 15.827.628,00 (quinze milhões, oitocentos e vinte e sete mil e seiscentos e vinte e oito reais), R$ 17.315.424,00 (dezessete milhões, trezentos e quinze mil e quatrocentos e vinte e quatro reais), R$ 15.627.000,00 (quinze milhões, seiscentos e vinte e sete mil) e R$ 16.476.996,00 (dezesseis milhões, quatrocentos e setenta e seis mil e novecentos e noventa e seis reais), correspondentes aos anoscalendário de 2006 a 2010, respectivamente, fatos geradores anuais, às fls n° 34, tendo como enquadramento legal os artigos 2°, §§ e o 3°, da Lei n° 7.689, de 1988, com a redação dada pelo artigo 17, da Lei n° 11.727, de 23 de junho 2008; artigo 1°, da Lei n° 9.316, de 1996, artigo 28, da Lei n° 9.430, de 1996 e o art. 37, da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro 2002. 5.2 0002 SALDO INSUFICIENTE COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA ATIVIDADE GERAL COM RESULTADO DA ATIVIDADE GERAL: nos valores de R$ 12.821.491,22 (doze milhões, oitocentos e vinte e um mil, quatrocentos e noventa e um reais Fl. 6307DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.308 18 e vinte e dois centavos); R$ 6.617.206,35 (seis milhões, seiscentos e dezessete mil, duzentos e seis reais e trinta e cinco centavos) e de R$ 1.440.702,43 (um milhão, quatrocentos e quarenta mil, setecentos e dois reais e quarenta e três centavos) correspondentes aos fatos geradores de 31/12/2006, 31/12/2007 e 31/12/2008, respectivamente, às fls. 35, conforme discriminado no TVF, às fls. 91 a 98, tendo como enquadramento legal os artigos 2° e 3°, da Lei n° 7.689, de 1988 com as alterações do artigo 2° da Lei n° 8.034, de 12 de abril 1990 e do artigo 17, da Lei n° 11.727, de 23 de junho 2008, respectivamente, e o artigo 37, da Lei n° 10.637, de 2002, observandose que, no referido Termo, a Fiscalização aponta que a Contribuinte teria compensado base de cálculo negativa de períodos anteriores em montante superior ao saldo existente, conforme detalhamento nos demonstrativos de apuração e no Termo de Verificação Fiscal n° 0001 anexo, parte integrante deste Auto de Infração, visto que o referido saldo fora reduzido em virtude das seguintes alterações: 5.2.1 Recomposição do "SAPLI", no anocalendário de 1993, quando a Impugnante na DIPJ daquele anocalendário compensou o valor de CR$ 4.908.196,00 (quatro milhões novecentos e oito mil e cento e noventa e seis cruzeiros reais), enquanto no "SAPLI" foi registrado, equivocadamente, o valor de CR$ 893.860,00 (oitocentos e noventa e três mil oitocentos e sessenta cruzeiros reais); 5.2.2 Utilização, no mês de agosto de 1993, pela Impugnante, do percentual 30,22% (trinta inteiros e vinte e dois décimos por cento) para a correção monetária do saldo negativo da CSLL, quando o correto deveria ser 30,12% (trinta inteiros e doze décimos por cento); 5.2.3 Cancelamento da DIPJ retificadora do exercício de 1996, ano calendário de 1995, de n° 9411678, apresentada em 23/12/2000, onde a Contribuinte teria transcrito no LALUR o saldo anual de base de cálculo negativa, enquanto a Fiscalização considerou os valores apurados e controlados no "SAPLI" com base na apuração mensal, que estaria em conformidade com a DIPJ do período de n° 8626414, originalmente apresentada; 5.2.4 Recomposição da base de cálculo negativa da CSLL declarada nos anoscalendário de 2000 a 2003, em razão do lançamento de ofício realizado em 26/12/2005, tratado no PAF n° 10510.003122/200574, observandose que os valores contemplam o julgamento realizado na 1a instância administrativa, estando o processo pendente de julgamento no CARF, na data da ciência dos Autos de Infração ora em lide (27/10/2011); 5.2.5 Lançamento de ofício, realizado em 21/05/2010, tratado no PAF n° 10510.001892/201040, relativos aos anoscalendário de 2005, de 2006 e de 2007, que, na data da ciência dos Autos de Infração ora em lide (27/10/2011), ainda estava pendente de apreciação na esfera administrativa, o qual alterou os saldos das bases de cálculos da CSLL antes da compensação declarados nas respectivas DIPJ, observandose, ainda, que em razão dos ajustes realizados no referido processo e no de n° 10510.003122/200574, Fl. 6308DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.309 19 foi constatado, no anocalendário de 2007, o lançamento de compensação indevida de CSLL no valor de R$ 25.342.514,22 (vinte e cinco milhões, trezentos e quarenta e dois mil, quinhentos e quatorze reais e vinte dois centavos), que reduzindose do valor compensado originalmente pela Contribuinte no valor de R$ 31.959.720,57 (trinta e um milhões, novecentos e cinquenta e nove mil, setecentos e vinte reais e cinquenta e sete centavos), restaria, ainda, uma compensação indevida de R$ 6.617.207,35 (seis milhões, seiscentos e dezessete mil, duzentos e sete reais e trinta e cinco centavos), naquele anocalendário; 5.2.6 Glosas de amortização de ágio, no anocalendário de 1999, no valor de R$ 7.427.388,00 (sete milhões, quatrocentos e vinte sete mil, trezentos e oitenta e oito reais), que reduziu o saldo da base de cálculo negativa da CSLL de R$ 8.442.850,01 (oito milhões, quatrocentos e quarenta e dois mil, oitocentos e cinquenta reais e um centavo) para R$ 1.015.462,01 (um milhão, quinze mil, quatrocentos e sessenta e dois reais e um centavo), bem como no anocalendário de 2002, no valor de R$ 14.672.220,00 (quatorze milhões, seiscentos e setenta e dois mil e duzentos e vinte reais), que reduziu o saldo da base de cálculo negativa da CSLL de R$ 17.925.520,33 (dezessete milhões, novecentos e vinte e cinco mil, quinhentos e vinte reais e trinta e três centavos) para R$ 3.253.300,33 (três milhões, duzentos e cinquenta e três mil, trezentos reais e trinta e três centavos); 5.2.7 Glosa das amortizações de ágio relativamente aos anoscalendário de 2006 a 2010, acima explicitado, nos valores de R$ 15.289.500,00 (quinze milhões, duzentos e oitenta e nove mil e quinhentos reais), R$ 15.827.628,00 (quinze milhões, oitocentos e vinte e sete mil e seiscentos e vinte e oito reais), R$ 17.315.424,00 (dezessete milhões, trezentos e quinze mil e quatrocentos e vinte e quatro reais), R$ 15.627.000,00 (quinze milhões, seiscentos e vinte e sete mil) e R$ 16.476.996,00 (dezesseis milhões, quatrocentos e setenta e seis mil e novecentos e noventa e seis reais), respectivamente, que também reduziriam os saldos de base de cálculo negativa da CSLL daqueles períodos. 5.3 MULTAS OU JUROS ISOLADOS FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE A BASE ESTIMADA, calculado com base em balanço/balancete de suspensão, às fls. 35 a 36, compreendendo quase a totalidade dos meses dos anoscalendário de 2006 a 2009, em razão de recomposição das bases tributáveis advindas das infrações acima apontadas, conforme discriminado no TVF n° 0001, às fls. 98 a 100, tendo como enquadramento legal o artigo 44, inciso II, alínea "b", da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo artigo 14, da MP n° 341, de 2007 e pelo artigo 14, da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007; 5.4 Houve, em decorrência das mesmas razões, apontadas no Auto de Infração do IRPJ, a aplicação da qualificação e do agravamento da Multa de Ofício. DA IMPUGNAÇÃO Fl. 6309DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.310 20 6 Ciente da autuação em 21/12/2011, no dia 20/01/2012, a ENERGISA SERGIPE, impugnou os lançamentos, às fls. 5.401 a 5.662, na qual sustentou que o Auto de Infração sob julgamento não merecia prosperar, devendo ser julgado improcedente, em suma, pelas seguintes considerações de direito: 6.1 No que está relacionado a infração que classificou como 1 (um), referente a falta de adição, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, de despesas consideradas indedutíveis relativas à amortização de ágio, nos anos calendario de 2006 a 2010, insurgiuse alegando: 6.1.1 Preliminarmente, a ocorrência da questão prejudicial da decadência do direito da Fazenda Nacional para desconsiderar os atos que deram origem à formação do ágio decorrente do investimento na ENERGIPE e à possibilidade de sua amortização, ocorridos nos anoscalendário de 1997 e 1998. Em favor dessa refutação, argumentou que: (g.n) 6.1.1.1 O ágio apurado pela CATLEO, quando da aquisição do investimento em questão, nos anoscalendário de 1997 e 1998, foi por ela devidamente registrado nos balanços contábeis e fiscais, nos termos do artigo 20, do DecretoLei n° 1.598/77; 6.1.1.2 A sobredita operação foi informada nas correspondentes Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica ("DIPJs") da referida empresa, tendo as Autoridades Fiscais pleno acesso as mencionadas informações e, desde aquele momento, poderia ter se insurgido contra a formação do ágio; 6.1.1.3 Apurado e registrado corretamente o ágio, é este o momento que se inicia o prazo decadencial da Fazenda Pública Nacional para questionar a operação que deu origem à constituição de tal ágio; 6.1.1.4 Considerando que o IRPJ e a CSLL são tributos sujeitos ao lançamento por homologação, aplicase a regra decadencial presente no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional – CTN, portanto, o multireferido ágio só poderia ter sido objeto de lançamento de ofício até os anos de 2002 ou 2003, respectivamente, o que não ocorreu. Ademais, mesmo que as Autoridades Fiscais entendessem que se aplica a regra decadencial esculpida no art. 173, inciso I, do CTN, de igual forma o direito da Fazenda Nacional já se encontra decaído; 6.1.1.5 Em prol de subsidiar a sua alegação, citou jurisprudência administrativa do CARF, que abordaram questões relativas ao prejuízo fiscal e à base de cálculo negativa da CSLL, mas que, no seu entender, de idêntico raciocínio, dado que a questão central versa sobre a possibilidade de o Fisco questionar registros contábeis de períodos já atingidos pela decadência para efetuar ajustes com repercussão futura. 6.1.2 No mérito, a inexistência de "criação" de um benefício fiscal, cuja ocorrência o legislador previu, como forma de incentivar o processo de Fl. 6310DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.311 21 desestatização, nos arts. 385 e 386, do RIR/99, os quais permitiram a dedutibilidade do ágio pago com fundamento econômico da expectativa de rentabilidade futura após a incorporação da Investidora (CATLEO) pela Investida (Impugnante). Nesse seguimento, assegurou, inclusive citando diversas jurisprudências administrativas oriundas do CARF, que: (g.n) 6.1.2.1 No presente caso, todos os requisitos para aplicação dos artigos 385 e 386, ambos do RIR/99, foram observados, senão vejamos: (i) Ocorrência da aquisição de investimento A CATLEO, após sair vitoriosa no leilão especial para aquisição de ações da Impugnante, firmou com o Estado de Sergipe e com a Eletrobrás contratos de compra e venda das ações da Impugnante, bem como houve a aquisição de outras ações da ENERGIPE pela Energisa alienadas por empregados e terceiros, as quais foram posteriormente conferidas ao capital social da CATLEO, por aumento de capital dessa sociedade realizado pela Energisa; (ii) Existência de ágio pago (custo de aquisição superior ao valor apurado de acordo com o método de equivalência patrimonial) fundamentado economicamente na expectativa de rentabilidade futura da investida Conforme demonstrado durante o procedimento fiscal e reconhecido pela fiscalização, sem qualquer questionamento, houve o pagamento de ágio na aquisição pela CATLEO das ações da Impugnante no montante de R$ 504.460.578,75, bem como na aquisição de ações da Impugnante pela Energisa, no montante de R$ 38.829.843,00, sendo certo que ambos estavam fundamentados na perspectiva de rentabilidade futura da investida. Vale observar que no lançamento não há qualquer questionamento sobre esses fatos; e (iii) Ocorrência de incorporação, fusão ou cisão envolvendo a sociedade investida e a investidora A Ata da Assembleia Geral Extraordinária realizada pela Impugnante em 08 de abril de 1998 (doe. 08), bem como Protocolo e Justificação da Operação de Incorporação, confirmam que a CATLEO, investidora, foi incorporada pela Impugnante, investida. 6.1.2.2 São absolutamente equivocados os argumentos da Autoridade Fiscal que a ENERGISA MINAS GERAIS criou artificialmente um negócio jurídico sem substância econômica, ao capitalizar uma empresa veículo (CATLEO) com o propósito específico de incorporação, bem como que inexistiria o benefício fiscal em comento caso não tivesse se utilizado da mencionada empresa veículo, pois caso a operação tivesse sido realizada conforme pretendido pela fiscalização, haveria o mesmo efeito fiscal, quer dizer: 6.1.2.2.1 Se a ENERGISA MINAS GERAIS tivesse adquirido as ações diretamente, não há dúvidas que haveria o surgimento do ágio, com o mesmo fundamento econômico; e Fl. 6311DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.312 22 6.1.2.2.2 Posteriormente, poderia haver a incorporação da ENERGISA MINAS GERAIS pela ENERGISA SERGIPE, garantindo assim a dedutibilidade questionada. 6.1.2.3 (…) O benefício da dedutibilidade do ágio pago na aquisição de ações em leilão de privatização esteve relacionado diretamente à definição dos preços ofertados nos referidos leilões e das reorganizações societárias envolvendo as empresas privatizadas, contribuindo para aumentar consideravelmente os valores auferidos pelo Governo com o processo de desestatização. (g.n) 6.1.2.4 Portanto, não resta dúvida de que se o próprio Governo, a fim de incentivar o processo de desestatização, previa a possibilidade de realização de operações com a utilização de empresas veículo, assim como incentivou reestruturações societárias com o objetivo de garantir o aproveitamento do ágio pago na aquisição de ações das empresas privatizadas, os planejamentos tributários realizados nesse contexto devem ser considerados plenamente válidos e admissíveis. (g.n) 6.1.2.5 Em casos como o ora analisado não há qualquer abusividade ou ilicitude, na medida em que a conduta das partes envolvidas foi induzida pela própria lei fiscal. (g.n) 6.1.3 Que não encontra amparo a alegação feita pela Fiscalização de que a CATLEO não possuía propósito negocial ou substância econômica, visto que a forma como a ENERGISA MINAS GERAIS efetivou o investimento na Impugnante, por meio da utilização da empresa de propósito específico, acima apontada, era praxe no mercado, e se deveu a diversas razões, principalmente: 6.1.3.1 Econômica – em favor de segregar os riscos da sua atividade operacional com os da ENERGISA SERGIPE, caso se saísse vitoriosa no leilão, uma vez a utilização de sociedade com propósito específico se configurava em uma técnica societária de limitação de responsabilidades amplamente utilizada no mercado; 6.1.3.2 Econômica evitar o aumento do seu índice de endividamento, livrandose da obtenção direta de todos os financiamentos, os quais evidenciaria seu patrimônio ao risco do endividamento, repercutindo no valor de mercado da companhia e, consequentemente, prejudicando negociações que estavam em andamento, à época dos fatos; 6.1.3.3 Societária considerando que se trata de uma sociedade anônima de capital aberto, visou evitar que a transação da compra da ENERGIPE tivesse que ser previamente submetida à aprovação da Assembléia Geral, consoante preconiza o art. 256, da Lei nº 6.404/76 (Lei das S/A), porquanto o interesse da companhia no leilão seria revelado, como também o próprio valor do lance se tornaria público, prejudicando toda a estratégia de precificação elaborada para participar do leilão. Fl. 6312DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.313 23 6.1.3.4 Societária – reduzir eventuais custos associados ao direito de retirada dos acionistas minoritários dissidentes da deliberação da assembléia que aprovasse a aquisição, em respeito ao disposto no § 2º, do art. 256, da Lei nº 6.404/76, assim como preservarse do potencial custo adicional decorrente do exercício do direito de retirada pelos acionistas minoritários da sociedade incorporada, conforme dispõem os arts. 224 e 264, do sobredito diploma legal. 6.1.3.5 Fiscal Prova da Regularidade Fiscal – Considerando que a Energisa Minas Gerais era, e ainda é, uma sociedade operacional com diversos empregados, existia o risco potencial de que não fosse possível obter certidões negativas de tributos, em especial do INSS, em tempo hábil para a habilitação no leilão.(...) Desta forma, a utilização de uma sociedade nova, sem vícios nem empregados, facilitava a obtenção da prova de sua regularidade fiscal e afastava definitivamente o fantasma da inabilitação ao processo de privatização. 6.1.4 Inexistência de simulação nas operações realizadas, na medida em que todas essas operações eram aquelas efetivamente queridas pelas partes, não havendo a intenção de encobrir qualquer operação ilícita. Em favor deste tópico, sustentou que: 6.1.4.1 Consoante doutrina e jurisprudência administrativa do CARF, trazida aos autos, prevalece o posicionamento no sentido de que, se o contribuinte efetivamente realizou operação lícita, a qual não tinha por objetivo ocultar negócio jurídico vedado por lei ou contrato, o simples fato dessa operação resultar em tributação inferior à outra operação que poderia ser realizada com os mesmos efeitos e, até ter por objetivo o aproveitamento de um benefício fiscal, isso não configura simulação; 6.1.4.2 No caso em espécie, não houve a prática de um ato para ocultar outro, nem a prática de um ato para a criação de um benefício, que poderia ser usufruído independentemente de quem adquirisse as referidas ações.(...) Portanto, não há que se falar em qualquer declaração enganosa de vontade, pelo contrário, foram praticados os atos que efetivamente refletiram a vontade querida pelas partes. Ademais, já foi demonstrado que existiram razões societárias e econômicas que justificaram a utilização da empresa com propósito específico, sendo certo que não há qualquer impedimento legal para este tipo de operação.(g.n) 6.1.4.3 As operações realizadas foram submetidas ao órgão regulador,no caso a Agência Nacional de Energia Elétrica ("ANEEL"), a qual reconheceu a validade dos atos praticados por meio da Resolução nº 284/2000;(g.n) 6.4.1.4 Os atos relacionados às operações analisadas no presente processo foram devidamente registrados e muitos deles contaram com a participação dos órgãos competentes, sendo devidamente registrados na Junta Comercial, e respeitaram os termos do Edital de Privatização da ENERGIPE, bem como os Contratos de Compra e Venda de Ações Fl. 6313DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.314 24 celebrados com o Governo de Sergipe e com a Eletrobrás.(...) Admitir que tivesse havido uma simulação seria o mesmo que dizer que diversos órgãos competentes estariam envolvidos nesse ato simulado, inclusive, o Governo de Sergipe, a Eletrobrás, e o próprio BNDES;(g.n) 6.4.1.5 Tendo as operações em questão ocorrido de forma lícita, não resta caracterizada qualquer declaração enganosa de vontade, mas tão somente uma estruturação de operações regulares que, dentre outros objetivos buscava o aproveitamento de um benefício fiscal, de modo que não há como se pretender caracterizar a situação ora analisada como simulação. (...)É evidente, assim, que deve ser julgado improcedente o lançamento que assim não considerou.(g.n) 6.1.5 Impossibilidade de desconsideração de negócios jurídicos lícitos e regularmente realizados, em razão da inaplicabilidade do parágrafo único, do artigo 116, do Código Tributário Nacional. No que está relacionado a este tema, a Defesa arrazoou que: 6.1.5.1 Considerando que não há nenhuma vedação para dedutibilidade, pela empresa Incorporadora, de despesas de amortização de ágio referente à aquisição de investimento, em favor de sustentar a autuação, a Fiscalização buscou fundamentação legal na desconsideração dos efeitos fiscais da amortização do ágio em razão da incorporação da CATLEO (investidora) pela ENERGIPE (investida). Tal pretensão deveria ter sido embasada no § único, do art. 116, do CTN, não obstante, a Autoridade Administrativa não apresentou este dispositivo como enquadramento legal da autuação por duas razões: 6.1.5.1.1 Impossibilidade de desconsideração de negócios jurídicos praticados antes da entrada em vigor da Lei Complementar nº 104/2001, que incluiu o § único do art. 116, do CTN, visto que a operação de incorporação ocorreu no anocalendário de 1998 e por força do art. 106, do CTN, o sobredito dispositivo não se aplica a fatos pretéritos, acepção ratificada por decisões administrativas do CARF trazidas aos autos;(g.n.) 6.1.5.1.2 Segundo, porque, ainda que se considerasse que o parágrafo único do artigo 116, do Código Tributário Nacional, pudesse fundamentar o lançamento, não pode o mesmo ser aplicado, pois ainda depende de regulamentação, (...) Nesse sentido, inclusive, é a posição do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.(g.n. ) 6.1.6 Inaplicabilidade da multa qualificada prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei n° 9.430/96, em razão da inocorrência, no presente caso, de fraude contra a Lei. No que esta relacionado a este item, inclusive recorrendo doutrina e a jurisprudência administrativa do CARF, o Impugnante contraditou que: 6.1.6.1 A Fiscalização qualificou a multa de ofício, embasando no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96, devido de ter constatado a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Ao justificar a sobredita aplicação limitouse a reproduzir Fl. 6314DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.315 25 quase que integralmente os conceitos dos mencionados crimes dispostos nos arts. 71,72 e 73, da Lei nº 4.502/64. No entanto, ao relatar os fatos ocorridos no presente caso, não reuniu elementos necessários para comprovar a suposta fraude que teria sido cometida. 6.1.6.2 (...)para que se caracterizem as hipóteses que suportam a imposição de multa qualificada, é necessária a concreta demonstração, por parte da fiscalização, do intuito da Impugnante de ludibriar o Fisco sobre a realidade dos fatos, não bastando a alegação de que o contribuinte teria a intenção de obter uma economia fiscal. (g.n.) 6.1.6.3 (…) esse é o posicionamento pacífico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais sobre a matéria, que vem decidindo pelo afastamento da multa qualificada nas situações em que não há a comprovação flagrante e incontestável das hipóteses previstas em lei para a qualificação da penalidade em questão 6.1.6.4 (…) para que ocorra a fraude definida pelo artigo 72 da Lei n° 4.502/64, (...) é necessário demonstrar não que o contribuinte teve a intenção de pagar menos imposto, mas que ele teve a intenção de empregar meios ilícitos, "fraudulentos", para obter a economia fiscal desejada. Todavia, (…) no caso em questão, os supostos indícios que, no entendimento da autoridade, demonstrariam a fraude, não o fazem em absoluto, já que, conforme amplamente demonstrado nos itens anteriores da presente defesa, não foram praticados quaisquer atos ilícitos por parte da Impugnante. (g.n.) 6.1.6.5 No presente caso, a ausência de comprovação da fraude alegada decorre de sua simples impossibilidade. (…) Conforme demonstrado nos itens anteriores dessa defesa, a utilização da empresa CATLEO, de forma alguma representou a criação de um benefício fiscal, sendo certo que o ágio em questão efetivamente existiu e tinha como fundamento econômico a perspectiva de rentabilidade futura. Além disso, as despesas decorrentes de sua amortização poderiam ser futuramente deduzidas, em razão das posteriores operações societárias ocorridas, independente da empresa que adquirisse as ações da ENERGIPE com ágio. (g.n.) 6.1.6.6 A utilização da CATLEO na operação deuse em razão de outros propósitos negociais, bem como, todos os atos e operações realizadas foram devidamente registrados e publicados em atendimento à legislação societária, não havendo qualquer intenção da Impugnante de ocultálas do Fisco, nem a utilização de instrumentos de falsidade para fugir à tributação do IRPJ e da CSLL. 6.1.6.7 Em situações similares de planejamentos tributários o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem se manifestado pelo não cabimento da multa qualificada. 6.1.6.8 No caso em tela, restou demonstrado que a Impugnante (i) não pretendeu a criação de qualquer benefício fiscal, (ii) registrou corretamente, de forma pública, todos os atos referentes às operações realizadas, não Fl. 6315DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.316 26 havendo qualquer intenção de ocultálos ao Fisco, (iii) e não praticou qualquer ato ilícito. 6.1.7 Inaplicabilidade da multa agravada prevista no artigo 44, parágrafo 2º, inciso I, da Lei n° 9.430/96, em razão da inocorrência de não atendimento à fiscalização, sendo certo que eventual atendimento insatisfatório não é suficiente para aplicação de tal multa. Em prol deste tema, a ENERGISA SERGIPE protestou, lastreada em jurisprudência administrativa do CARF, que: 6.1.7.1 consoante o disposto no sobredito dispositivo legal, o agravamento da multa de ofício só é cabível na hipótese em que o contribuinte não atende a intimação da fiscalização para prestar esclarecimentos.(...) Isto porque, o agravamento da penalidade em questão tem por objetivo penalizar apenas o contribuinte que ignora por completo a fiscalização;(g.n.) 6.1.7.2 (...) no presente caso, a simples leitura do Termo de Verificação Fiscal demonstra que, no decorrer de todo o procedimento fiscal, a Impugnante sempre se colocou à disposição da fiscalização, apresentando diversas respostas com documentos e informações solicitadas. (...) Como se vê, nesse caso, não há que se falar em não atendimento à fiscalização e sim, no máximo, em um atendimento que, de acordo com um critério subjetivo da fiscalização, não teria sido satisfatório;(g.n.) 6.1.7.3 (...) o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais também já se manifestou no sentido de que o atendimento às intimações fiscais, ainda que considerado insatisfatório, não tem o condão de ensejar a aplicação da multa agravada, (...)a Câmara Superior de Recursos Fiscais já pacificou o entendimento de que tendo o contribuinte se esforçado para apresentar, ainda que fora do prazo, uma parcela dos documentos solicitados, não seria aplicável o agravamento da multa de ofício; (g.n.) 6.2 No que diz respeito a infração que classificou como 2 (dois), relativa a inexistência de compensação indevida, nos anoscalendário de 2006 a 2008, de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa de CSLL de períodos anteriores, reagiu argumentando que não merecem progredir, dado que a insuficiência dos referidos saldos está fundamentada nas alterações do lucro real e da base de cálculo da CSLL decorrentes: 6.2.1 Da desconsideração, por parte da Autoridade Fiscal, das informações prestadas na DIPJ/96 retificadora do Sujeito Passivo, apresentada no ano calendário de 2000, em consequência desta ter sido cancelada de ofício, embora nunca tenha sido intimada do sobredito cancelamento, em observância ao preceituado no art. 28, da Lei nº 9.784/99, não devendo o suposto ato administrativo praticado produzir qualquer efeito no mundo jurídico contra a Impugnante;(g.n.) 6.2.2 Da infração 1 do presente auto de infração; e Fl. 6316DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.317 27 6.2.3 Das infrações apuradas nos autos dos processos administrativos n°10510.003122/200574 e 10510.001892/201040, neste caso ponderou que os créditos tributários decorrentes dessas infrações não estavam, à época da apresentação da Defesa, definitivamente constituídos, não havendo, sequer, decisão definitiva na esfera administrativa que lhes confira liquidez e certeza. Complementou que: 6.2.3.1 Por estarem pendentes de julgamento no CARF, as reduções dos saldos dos prejuízos fiscais e das base de cálculo negativa da CSLL objeto dos autos de infrações ali tratados, não seriam definitivas, e, portanto, não poderia se sustentar a alegação de compensação indevida, conforme pretendido pela fiscalização, uma vez que o correspondente crédito tributário estaria suspenso nos termos do art. 151, inciso III, do CTN, não sendo tal redução líquida e certa; e 6.2.3.2 Diante dessas pendências, restou comprovada a conexão da infração 2 do auto de infração em questão com a infração 1 do referido lançamento e com as infrações apuradas nos autos dos processos administrativos nos 10510.003122/200574 e 10510.001892/201040, deve ser, ao menos, sobrestado o julgamento desse item da autuação fiscal até que seja proferida decisão definitiva sobre as infrações que o fundamentaram. (g.n.) 6.3 Quanto a infração que classificou como 3 (três), relacionada a exigência de multa isolada de 50% (cinquenta por cento), de acordo com o estatuído no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, pelo suposto não recolhimento de estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, nos anoscalendário de 2006 a 2009, apurado em decorrência exclusivamente das infrações 1 e 2 verificadas no auto de infração ora impugnado, as quais já geraram a exigência de IRPJ e de CSLL, acrescido de multa de ofício, contestou sobre a impossibilidade dos lançamentos, visto que representam uma duplicidade de penalidades sobre uma mesma infração, configurando, sob seu ponto de vista, bis in idem. Em proveito desta acepção, ponderou que:(g.n.) 6.3.1 Tal multa deve, assim, ser aplicada apenas nas hipóteses em que do lançamento não decorre exigência de tributo, de modo que a multa se faz necessária para apenar o contribuinte sem exigência de qualquer tributo. Justamente por ser exigida isoladamente é que recebe a denominação de multa isolada; 6.3.2 A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais manifestouse de forma pacífica pela impossibilidade da imposição de multa isolada concomitantemente com a multa de ofício;e 6.3.3 O sobredito entendimento encontrase pacificado também na Câmara Superior de Recursos Fiscais; 7 Por fim, além dos requerimentos retro, o Impugnador complementou no seu pedido que: Fl. 6317DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.318 28 7.1 Em relação a infração intitulada 3, ainda que mantida essa multa isolada, a infração 3 é decorrente da reapuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL em razão das infrações 1 e 2 da autuação fiscal, de modo que sendo essas afastadas importam na improcedência concomitante da infração 3 ; 7.2 Caso venha a ser mantido o lançamento, a Impugnante requer que seja reconhecida a impossibilidade de exigência de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, em razão do disposto no artigo 161, do Código Tributário Nacional, conforme já decidido pela Ia Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no julgamento do recurso especial interposto nos autos do processo administrativo n° 10680.002472/200723, realizado na sessão do dia 09.11.2010. (g.n.) DESPACHO DE DILIGÊNCIA DRJ/SDR Nº 45, DE 12/06/2013 8 Em 12/06/2013, diante da prejudicialidade apontada pela Defesa, concernente a compensação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL realizadas nos processos nsº 10510.003122/200574 e 10510.001892/201040, que impediam a apreciação da totalidade da matéria sob julgo antes do pronunciamento definitivo do CARF, se fez necessário o retorno dos presentes autos à DRF/ARACAJU, por meio do Despacho nº 45 – 1ª Turma da DRJ/SDR, às fls. 5737 a 5747, para o seu saneamento com a adoção das seguintes providências: 8.1 Sobrestar o andamento deste processo aos resultados dos julgamentos (definitivos) na esfera administrativa dos processos de n°s. 10510.003122/200574 e 10510.001892/201040, até que as autoridades competentes se manifestem, de forma definitiva, sobre as matérias ali tratadas; 8.2 Após o trânsito em julgado na esfera administrativa das matérias em lide nos referidos processos, anexar à este processo as cópias das correspondentes decisões; 8.3 Adequar o Sistema de Acompanhamento de Prejuízo Fiscal, de Base de Cálculo Negativa da CSLL e do Lucro Inflacionário (SAPLI ) aos resultados das decisões administrativas transitadas em julgado dos referidos processos ora em trâmite no CARF, anexando a este processo os correspondente extratos; e 8.4 Após o saneamento, intimar a Contribuinte, para que esta se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias após sua ciência, e, após este prazo, providenciar o retorno do presente processo à essa DRJ/SDR para que seja dado prosseguimento à apreciação da presente lide. 9 Após a realização da referida diligência, a Autoridade Preparadora por meio da INTIMAÇÃO DRF/AJU – Sacat nº 54, de 11 de maio de 2017, às fls 5867, deu ciência do Despacho DRJ/SDR nº 045/2013 e intimou o Auditado para apresentar manifestação. Fl. 6318DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.319 29 10 Regularmente cientificado a Impugnante peticionou, às fls. 5873 a 5875, requerendo a juntada aos autos do extratos do SAPLI atualizados, em razão do trânsito em julgado das decisões proferidas nos processos administrativos de n°s. 10510.003122/200574 e 10510.001892/201040, consoante determinado no Despacho DRJ/SDR nº 045/2013. 11 A DRF/AJU através do Despacho Sacat nº 170/2017, às 5903 a 5905, efetivou todas as providências demandadas no Despacho DRJ/SDR nº 045/2013 e deu ciência à ENERGISA SERGIPE, por intermédio da INTIMAÇÃO DRF/AJU – Sacat nº 109, de 25 de agosto de 2017, às fls 5927 a 5928. 12 Em 27 de outubro de 2017, a Impugnante manifestouse apontando divergências entre suas apurações e os saldos de Prejuízo Acumulado e da Base Negativa da CSLL constantes dos extratos do SAPLI, às fls. 5915 a 5926, especialmente relativo aos anoscalendário de 2000, 2002, 2005 e 2006. Considerando que as alterações promovidas no presente processo influenciam nos saldos sob comento dos anoscalendário questionados, a apreciação da sobredita manifestação será realizada quando do julgamento das infrações: SALDO INSUFICIENTE COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO OPERACIONAL COM RESULTADO DA ATIVIDADE GERAL e SALDO INSUFICIENTE COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA ATIVIDADE GERAL COM RESULTADO DA ATIVIDADE GERAL. É como relato. Fim da transcrição do relatório da DRJ. Analisando a impugnação a Delegacia e Julgamento considerou procedente em parte apenas para excluir o agravamento da multa de ofício, reduzindoa para 150%; e rever os valores da utilização indevida de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL em razão da modificação dos saldos de prejuízos existentes, assim como, proporcionalmente o valor da multa isolada lançada. Desta decisão a própria Delegacia recorreu de ofício ao CARF em razão do valor exonerado superar o valor mínimo para interposição do recurso necessário. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso de ofício no qual apresentou as seguintes razões: Da Infração I Glosa das dedução das despesas de Ágio. Da Operação de Aquisição e Formação do Ágio. Discorre sobre a necessidade da existência da empresa CATLEO para viabilizar a participação do leilão de privatização. Que nessa qualidade adquiriu a participação com ágio e que este ágio está fundamentado em laudo de rentabilidade futura do investimento adquirido, atendendo aos requisitos da lei para sua dedutibilidade que só passou a ocorrer após a incorporação da CATLEO pela ENERGISA SERGIPE. Fl. 6319DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.320 30 Da Possibilidade de Utilização da Empresa CATLEO. Contesta a decisão de Piso por entender que a dedução do ágio poderia se dar mesmo se a ENERGIA MINAS GERAIS adquirisse diretamente a ENERGISA SERGIPE. QuE a utilização da CATLEO deveuse a motivos societários. Que o benefício foi criado pelo Governo Federal de modo a aumentar os lances nos processos de privatização. Justifica assim, a possibilidade de utilização da CATLEO. Do Propósito Negocial para utilização da CATLEO. Alega que a controladora da ENERGISA MINAS só possuía 26% das ações e, por outro lado, a parte do controle da ENERGISA SERGIPE também era pulverizado e restaria um percentual das ações que ficaria em mãos de terceiros. Alega que a CATLEO serviu tanto para segregar os riscos da operação, quanto para viabilizar a captação direta de financiamentos para o investimento. Que não poderia submeter a proposta de aquisição em assembleia sob pena de divulgar aos concorrentes o lance a ser ofertado em leilão. Além disso haveria de apresentar certidões negativas para viabilizar a participação o que seria mais fácil em uma empresa nova. Não existindo a CATLEO haveriam problemas de direito de retirada dos acionistas minoritários que não concordassem com a incorporação. Da Inexistência de Simulação. Alega que ao contrário do que analisou a Decisão de Piso não houve simulação no caso. Entende que para que se caracterizasse a simulação seria necessário que a operação que se desejava encobrir possuísse alguma vedação legal. Que a adoção de um caminho de negócios menos oneroso não deve ser considerado como simulação. Que as razões para justificar o propósito negocial se refletem na impossibilidade de se considerálo simulado. Da Impossibilidade de Desconsideração de Negócios Lícitos. Alega que não existe base legal na decisão para a desconsideração do negócio jurídico e nem previsão legal para isso. Argumenta contestando os pontos apresentados pela decisão de Piso. Da Necessidade de Afastamento da Multa Qualificada. Alega que não restou caracterizada a simulação e, assim, descabe a aplicação da qualificação. Da Inaplicabilidade da Multa Isolada. Alega que não seria possível a aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício. Da Ilegal Incidência de Juros sobre a Multa de Ofício. Da Infração II Inexistência de Compensação Indevida de Prejuízos Fiscais Alega neste ponto que tanto a fiscalização quanto a DRJ não consideraram na apuração dos prejuízos fiscais o que foi apresentado pelo contribuinte por meio da DIPJ/96 retificadora. Assim entende que devem ser revistos os cálculos da autuação em razão dessa DIPJ/96 retificadora e que não pode admitir a redução dos prejuízos de 1999 a 2002 sem que tenha havido fiscalização quanto a esses exercícios. Da Aplicação do art. 112 do CTN. Que em caso de julgamento do recurso por voto de qualidade, em face da norma do art. 112, que seja a multa reduzida para 75%. Fl. 6320DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.321 31 Não houve contrarrazões da procuradoria da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Antes de iniciar a análise do recurso do contribuinte mister destacar o esmero com que foram elaborados o auto de infração, a decisão da DRJ e o recurso voluntário do contribuinte. Apesar de extensos textos, foram peça produzidas com bastante acuidade, que demonstraram de forma clara os motivos e fundamentos que estavam sendo utilizados o que facilitou, sem dúvida alguma a análise do recurso. Passemos, então, à análise dos pontos de discordância apontados pelo contribuinte em seu recurso contra a decisão da Delegacia de Julgamento. Da Infração I Glosa das dedução das despesas de Ágio. Nos casos de processos que envolvem a utilização indevida de ágio em operações de aquisição na qual são criadas empresas como intermediárias do negócio jurídico principal procuro entender os motivos, quando é possível, que determinaram a realização do negócio com a utilização de uma novel empresa para a aquisição da participação ao tempo em que esta aquisição poderia ocorrer de forma direta. No presente caso a operação de aquisição foi feita por meio da empresa CATLEO. A respeito da interveniência desta empresa assim se posicionou a fiscalização: 2.1.3 A empresa Energisa Sergipe Distribuidora de Energia S/A, ou simplesmente Energisa Sergipe, foi desestatizada em 03 de dezembro de 1997, através de leilão de privatização cujo vencedor formal e adquirente das ações foi à empresa veículo Catleo Distribuidora LTDA, CNPJ: 02.150 608/000128. 2.1.4 Constatou que a Companhia Força e Luz Cataguazes – Leopoldina (doravante denominada CATAGUAZES), CNPJ: 19.527.639/000158, através de sua empresa de propósito específico, Catleo Distribuidora LTDA, adquiriu do governo do Estado de Sergipe 86,4% do Capital total da primeira.(g.n) Fl. 6321DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.322 32 ........ 2.1.6 Extraiu dos documentos apresentados pelo Fiscalizado, que houve, na CATLEO, aumento do Capital Social no valor de R$ 49,133.664,00 (quarenta e nove milhões cento e trinta e três mil e seiscentos e sessenta e quatro reais), subscrito pela então sócia Energisa S/A, mediante a conferência de 4.094.472 (quatro milhões e noventa e quatro mil quatrocentas e setenta e duas) ações ordinárias do capital da Energipe Sergipe Distribuidora de Energia S/A, atualmente denominada Energisa Sergipe Distribuidora de Energia S/A. Acrescentou que a mencionada subscrição foi contabilizada com ágio de R$ 38.829.843,00 (trinta e oito milhões oitocentos e vinte e nove mil oitocentos e quarenta e três reais). 2.1.7 Em decorrência da natureza das citadas operações, ambos os ágios não eram dedutíveis para fins fiscais, à vista disso cabia à CATLEO adicionálos ao lucro tributável, procedimento este certificado ao examinar o Livro de Apuração do Lucro Real LALUR 1997 e 1998. ....... 2.1.11 Nesta seara, em respeito ao disposto na alínea b, do § 2º, art. 20, do sobredito diploma legal, o Auditado apresentou estudo, datado de 28 de novembro de 1997, realizado pelo Conselho de Administração da CATAGUAZES, no qual se observou que o fundamento econômico do ágio sob julgamento (leilão de privatização), correspondeu ao valor de rentabilidade, da controlada ou coligada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros. 2.1.12 Que a referida lei, especialmente em seus arts. 7º e 8º, textualmente transcrito abaixo, juntamente com a Instrução Normativa SRF nº 11, de 10 de fevereiro de 1999, provocaram significativas alterações legislativas, nascendo no mundo tributário à possibilidade de amortizar o ágio surgido na aquisição de participação societária, cujo fundamento econômico tenha sido a expectativa de resultados futuros, da coligada ou controlada, desde que o patrimônio seja absorvido por outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão. 2.1.13 Em face do exposto, inferiu que para o Grupo Energisa se aproveitar do benefício fiscal do ágio incorrido e contabilizado, deveria, necessariamente adquirir participação com ágio, e, posteriormente concretizar a absorção do patrimônio mediante reorganização societária. ............. 2.1.15 Destacou que desde a sua constituição até final do mês de novembro de 1997, a CATLEO continuava com Capital Social a Integralizar e não apresentava nenhuma atividade operacional, bem como, consoante informações coletadas nos diversos sistemas de cadastro da Previdência Social, sequer tinha quadro de funcionários. Contudo, mesmo sem qualquer estrutura econômica, arrematou no leilão de privatização, Fl. 6322DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.323 33 realizado em 03 de dezembro de 1997, o equivalente a 86,42% das ações da Energisa Sergipe Distribuidora de Energia S/A, com expressivo ágio. 2.1.16 A engenharia financeira para tornar possível a aquisição ora suscitada se deu da seguinte forma, segundo o contribuinte: Após obter informações bancárias dos envolvidos e verificar que não existiam movimentações financeiras da empresa CATLEO, asseverou que: 2.1.19.8 Pelo exposto, os recursos supracitados foram transferidos diretamente da ENERGISA MINAS GERAIS para o Governo de Sergipe e demais acionistas, não transitando pela CATLEO, fortalecendo o indício que aquela realizou a aquisição das ações da ENERGISA SERGIPE, utilizando se da empresa veículo CATLEO, apenas com propósito de tornar o ágio remanescente amortizável, conforme novação legal da lei 9.532 de 10 de dezembro de 1997. Continua suas verificações e descobriu que os recursos eferentes ao mútuo firmado com o BNDES e o adiantamento para futuro aumento de capital não transitaram em contas da CATLEO, tendo sido repassados diretamente aos acionistas da ENERGISA SERGIPE, o que entende firmar a posição de que se tratava a CATLEO de empresa veículo destinada a viabilizar a formação de ágio amortizável. Conclui a respeito da operação: 2.1.25 Resta claro que a Catleo Distribuidora LTDA, não mantinha sequer conta em Instituição financeira e que a Energisa S/A (holding) é mera repassadora de recursos oriundos da própria Energisa Minas Gerais.(g.n) 2.1.26 Assim, concluise que a Energisa Minas Gerais Distribuidora de Energia S/A, captou recursos no mercado, transferiu de fato a empresa desestatizada, Energisa Sergipe (grupo vendedor), porém, com objetivo outro, formalizou empréstimos que de fato não ocorreram, pois não houve vontade, tampouco a efetiva transferência de recursos entre os partícipes.(g.n) 2.1.27 Observa se que a Energisa Minas Gerais Distribuidora de Energia S/A, criou artificialmente um negócio jurídico, sem substância econômica, Fl. 6323DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.324 34 qual seja, capitalização de empresa veículo com propósito específico de incorporação, que evidencia divergência entre a forma apresentada e a vontade fática demonstrada consoante conjunto probatório trazido aos autos, com o fito exclusivo de redução da carga tributária.(g.n) Conclui informando que se trataria de simulação o negócio realizado pelas empresas da seguintes forma: Da Simulação e consequente Glosa do Ágio na Energisa Sergipe 2.1.32 Após todos os relatos, depreendeu que a essência do negócio jurídico ocorrido de fato foi a aquisição das ações da ENERGISA SERGIPE, no leilão de privatização e compra isolada, pela empresa ENERGISA MINAS GERAIS. 2.1.33 Corroboram com tal ilação, o fato do grupo econômico liderado pela empresa ENERGISA MINAS GERAIS ter operado em prol de capitalizar a CATLEO, empresa veículo controlada que sequer detinha conta em instituição financeira, e em seguida adquirir ações da ENERGISA SERGIPE no leilão de privatização e outros, de acordo com diagrama abaixo. 2.1.34 O cenário societário anterior a incorporação reversa da Catleo Distribuidora LTDA (empresa veículo) pela Energisa Sergipe, em abril de 1998, era o controle indireto daquela pela Energisa Minas Gerais, através do controle direto que detinha da Energisa S/A. O Diagrama abaixo racionaliza a questão. 2.1.35 Após a incorporação reversa, e, em função de aumento de capital Social da Energisa S/A, cuja subscrição se deu por terceiros, conforme Ata de Assembléia Geral Extraordinária AGE realizada em 27 de março de 1998, a Energisa Minas Gerais passa a deter 86,5% da desta, que por sua vez detém 84% de participação na Energisa Sergipe. O Diagrama abaixo racionaliza a questão: 2.1.36 Afirmou que a CATLEO, empresa veículo, participou da operação com propósito específico de transferir o ágio oriundo do leilão de privatização e outros, para Energisa Sergipe, em face, do possível aproveitamento fiscal do ágio, mormente, haver previsão legal, para amortização em certos casos. Em sua defesa a recorrente apresenta as seguintes alegações: Da Operação de Aquisição e Formação do Ágio. Discorre sobre a necessidade da existência da empresa CATLEO para viabilizar a participação do leilão de privatização. Que nessa qualidade adquiriu a participação com ágio e que este ágio está fundamentado em laudo de rentabilidade futura do investimento adquirido, atendendo aos Fl. 6324DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.325 35 requisitos da lei para sua dedutibilidade que só passou a ocorrer após a incorporação da CATLEO pela ENERGISA SERGIPE. Da Possibilidade de Utilização da Empresa CATLEO. Contesta a decisão de Piso por entender que a dedução do ágio poderia se dar mesmo se a ENERGIA MINAS GERAIS adquirisse diretamente a ENERGISA SERGIPE. Que a utilização da CATLEO deveuse a motivos societários. Que o benefício foi criado pelo Governo Federal de modo a aumentar os lances nos processos de privatização. Justifica assim, a possibilidade de utilização da CATLEO. Do Propósito Negocial para utilização da CATLEO. Alega que a controladora da ENERGISA MINAS só possuía 26% das ações e, por outro lado, a parte do controle da ENERGISA SERGIPE também era pulverizado e restaria um percentual das ações que ficaria em mãos de terceiros. Alega que a CATLEO serviu tanto para segregar os riscos da operação, quanto para viabilizar a captação direta de financiamentos para o investimento. Que não poderia submeter a proposta de aquisição em assembleia sob pena de divulgar aos concorrentes o lance a ser ofertado em leilão. Além disso haveria de apresentar certidões negativas para viabilizar a participação o que seria mais fácil em uma empresa nova. Não existindo a CATLEO haveriam problemas de direito de retirada dos acionistas minoritários que não concordassem com a incorporação. Da Inexistência de Simulação. Alega que ao contrário do que analisou a Decisão de Piso não houve simulação no caso. Entende que para que se caracterizasse a simulação seria necessário que a operação que se desejava encobrir possuísse alguma vedação legal. Que a adoção de um caminho de negócios menos oneroso não deve ser considerado como simulação. Que as razões para justificar o propósito negocial se refletem na impossibilidade de se considerálo simulado. Da Impossibilidade de Desconsideração de Negócios Lícitos. Alega que não existe base legal na decisão para a desconsideração do negócio jurídico e nem previsão legal para isso. Argumenta contestando os pontos apresentados pela decisão de Piso. Da Nossa Análise do Caso Verificamos, dadas as informações apresentadas pela fiscalização e pelo recorrente que o fato de ter sido utilizada a empresa recémcriada CATLEO para fins de viabilização é inconteste. Tanto a fiscalização afirma, quanto o recorrente anui, que a CATLEO foi realmente utilizada como forma de viabilizar a aquisição da ENERGISA SERGIPE em leilão de privatização. Assim, em aparência, a empresa CATLEO é, efetivamente, uma empresa denominada veículo, que foi utilizada para a participação no leilão de privatização. Nesse ponto é que surgem as fundadas dúvidas acerca de um ponto essencial. A utilização da CATLEO como participante do processo de aquisição da ENERGISA SERGIPE em leilão de privatização deveuse por motivos exclusivos de economia tributária ou se existiam motivos outros que demandavam a participação da empresa CATLEO no processo de aquisição. Fl. 6325DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.326 36 Em seu benefício a recorrente apresenta três alegações principais que entendo serem relevantes e que devem ser melhor aprofundadas, quais sejam: 1) Que o grupo controlador da ENERGISA MINAS GERAIS detinha apenas pouco mais de 26% do controle da empresa, e estava em negociação com a CMS para aportes de capital, assim, não poderia aumentar seu grau de endividamento; Que como a aquisição da ENERGISA SERGIPE ocorreria por meio de leilão público, não poderia levar a decisão de ofertar lance em assembleia de acionistas sob pena de publicizar seu lance e prejudicar a participação no leilão; Por fim apresenta o fato de que havendo uma grande quantidade de acionistas minoritários tanto na ENERGISA MINAS GERAIS, quanto na ENERGISA SERGIPE haveria dificuldades em tratar com essas partes que detinham direito a voto em assembleia e, ainda, podia gerar um direito de retirada de muitos dos acionistas minoritários. 2) Alega, por outro lado, que a participação do leilão por meio de uma sociedade de propósito específico facilitaria o processo pois, sendo uma empresa nova, seria mais fácil a obtenção de todas as certidões necessárias à habilitação da empresa no processo de privatização; 3) Por fim, traz também a alegação de que, a formação do ágio ocorreria de qualquer maneira, mesmo que a aquisição fosse realizada diretamente pela ENERGISA MINAS GERAIS, haja vista que o preço seria pago a partes independentes e com base em laudo de rentabilidade futura que habilitariam a formação do ágio. Além disso, mesmo adquirindo de forma direta, após realizada a incorporação, haveria a confusão patrimonial que habilitaria a dedução das despesas de ágio pagas. Necessidade de Assembleia Demonstrase, assim, que tão relevantes quanto os questionamentos apresentados pela fiscalização, são os motivos apresentados pela recorrente para justificar a realização do negócio da forma adotada. Por isso, passamos a analisar melhor essas justificativas diante das normas legais. Vejamos as normas da Lei nº 6.404/64 a respeito. CAPÍTULO XI AssembléiaGeral SEÇÃO I Disposições Gerais Art. 121. A assembléiageral, convocada e instalada de acordo com a lei e o estatuto, tem poderes para decidir todos os negócios relativos ao objeto da companhia e tomar as resoluções que julgar convenientes à sua defesa e desenvolvimento. Parágrafo único. Nas companhias abertas, o acionista poderá participar e votar a distância em assembleia geral, nos termos da regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Competência Privativa Art. 122. Compete privativamente à assembléiageral: I reformar o estatuto social; Fl. 6326DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.327 37 II eleger ou destituir, a qualquer tempo, os administradores e fiscais da companhia, ressalvado o disposto no número II do artigo 142; III tomar, anualmente, as contas dos administradores, e deliberar sobre as demonstrações financeiras por eles apresentadas; IV autorizar a emissão de debêntures; V suspender o exercício dos direitos do acionista (artigo 120); VI deliberar sobre a avaliação de bens com que o acionista concorrer para a formação do capital social; VII autorizar a emissão de partes beneficiárias; VIII deliberar sobre transformação, fusão, incorporação e cisão da companhia, sua dissolução e liquidação, eleger e destituir liquidantes e julgarlhes as contas; IX autorizar os administradores a confessar falência e pedir concordata. Parágrafo único. Em caso de urgência, a confissão de falência ou o pedido de concordata poderá ser formulado pelos administradores, com a concordância do acionista controlador, se houver, convocandose imediatamente a assembléiageral, para manifestarse sobre a matéria. Direito de Retirada Art. 137. A aprovação das matérias previstas nos incisos I a VI do art. 136 dá ao acionista dissidente direito de retirarse da companhia, mediante reembolso do valor das suas ações (art. 45), observadas as seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) I nos casos dos incisos I e II do art. 136, somente terá direito de retirada o titular de ações de espécie ou classe prejudicadas; (Incluído pela Lei nº 9.457, de 1997) II nos casos dos incisos IV e V, somente terá direito de retirada o titular de ações: (Incluído pela Lei nº 9.457, de 1997) a) que não integrem índices gerais representativos de carteira de ações admitidos à negociação em bolsas de futuros; e (Incluída pela Lei nº 9.457, de 1997) b) de companhias abertas das quais se encontram em circulação no mercado menos da metade do total das ações por ela emitidas, entendendose por ações em circulação no mercado todas as ações da companhia menos as de propriedade do acionista controlador; (Incluída pela Lei nº 9.457, de 1997) III o reembolso da ação deve ser reclamado à companhia no prazo de trinta dias contados da publicação da ata da assembléiageral; (Incluído pela Lei nº 9.457, de 1997) IV o prazo para o dissidente de deliberação de assembléia especial (art. 136, § 1º) será contado da publicação da respectiva ata; (Incluído pela Lei nº 9.457, de 1997) V o pagamento do reembolso somente poderá ser exigido após a observância do disposto no § 3º e, se for o caso, da ratificação da deliberação pela assembléiageral. (Incluído pela Lei nº 9.457, de 1997) Com relação à justificativas, de que deveria haver autorização da assembleia geral da companhia para a participação no leilão e as consequencias danosas desse ato, Fl. 6327DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.328 38 vislumbramos que na verdade não existia, juridicamente, a necessidade de anuência da assembleiageral para a participação no leilão de privatização. A análise da assembleia somente seria necessária em momento posterior, quando da necessidade de incorporação das empresas. Assim, também não haveria problemas com o direito de retirada de acionistas minoritários em razão de não ser necessária a anuência da assembleia para a participação no leilão, nem haveria o problema de publicizar o valor do lance que se pretendia ofertar pela desnecessidade de assembleia para tanto. Vêse, das normas da lei das S/A, conforme acima demonstrado, que não haveriam os empecilhos legais apontados pela empresa como determinantes para a participação no leilão de privatização por meio de empresa subsidiária, em vez da própria ENERGISA MINAS GERAIS. Assim, em relação às primeiras alegações apresentadas pelo recorrente, entendo que não subsistia a justificativa de interposição da empresa CATLEO no processo de aquisição da participação da ENERGISA SERGIPE. Necessidade da Empresa Veículo CATLEO O segundo ponto das alegações recursais, no que toca à necessidade de interposição da empresa CATLEO em função de, sendo uma empresa nova, ser mais fácil a obtenção de todas as certidões para habilitação desta no leilão parece ter maior lógica jurídica. No entanto, enquanto a participação por meio de uma empresa nova traria facilidades no processo de habilitação jurídica no leilão, o fato de a empresa ser nova também dificultaria a obtenção de linhas de financiamento para o pagamento do preço do leilão. Tanto é assim que, como a CATLEO sequer possuía contascorrente bancárias, todos o valores dos adiantamentos e mútuos obtidos foram contabilizados por trânsito pelo caixa da CATLEO, haja vista que sequer havia conta para ingresso dos recursos. Assim, nestas operações apenas contabilmente os recursos circularam pela CATLEO, visto que deveriam ser registradas as operações. Na prática os recursos obtidos pela ENERGISA MINAS GERAIS em nome da CATLEO foram direcionados diretamente aos detentores da participação da ENERGISA SERGIPE, quais sejam o Governo do Estado de Sergipe e os acionistas minoritários. Assim, se por um lado a participação de uma empresa nova facilitou a habilitação jurídica no leilão, por outro lado provocou a realização de uma verdadeira engenharia financeira para viabilizar a habilitação econômica da mesma empresa no leilão, trazendo consequências no mínimo estranhas nas operações de financiamento, quando os recursos migravam diretamente dos ofertantes dos mesmos para os alienantes da participação sem transitar pelas contas da CATLEO. Essas operações que, repito, são bastante estranhas, justificaram a alegação da fiscalização de que houve simulação na operação por dar a impressão de que a aquisição teria sido realizada pela CATLEO quando, em verdade, demonstrase que essa não possuía recursos financeiros e que estes, assim como a efetiva intenção de compra seria da ENERGISA MINAS GERAIS. Por isso, em meu entender a justificativa de que a interposição da CATLEO para a aquisição da participação da ENERGISA SERGIPE era necessária para facilitar e viabilizar a participação no leilão não pode, por si só ser aceita em razão de restar demonstrado Fl. 6328DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.329 39 que ao mesmo tempo em que essa interposição facilitou a habilitação jurídica no leilão, provocou, sem sombra de dúvidas, as alegações de negócio simulado que visava a modificar o real adquirente da participação. Da Possível Utilização do ágio mesmo havendo aquisição direta Chegamos , então, à terceira justificativa apresentada pelo recorrente para justificar a operação e a utilização da CATLEO como interveniente para aquisição em leilão da ENERGISA SERGIPE. Fundamenta seu entendimento no fato de que o ágio na operação seria gerado de qualquer maneira mesmo que a aquisição tivesse ocorrido diretamente pela ENERGIPE MINAS GERAIS. E que, formado regularmente o ágio, ocorrendo a incorporação da empresa adquirida, haveria a confusão patrimonial e, assim, surgiria o direito à utilização do ágio como dedução do lucro real. Requisitos para a Formação e Utilização do Ágio Vejamos as normas que regulam a escrituração e utilização do ágio. Lei nº 9.532/97 Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea “b ” do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados em até dez anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. Vejamos o conteúdo do DecretoLei nº 1.598/77 Fl. 6329DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.330 40 SUBSEÇÃO II Investimento em Sociedades Coligadas ou Controladas Avaliado pelo Valor de Patrimônio Líquido Desdobramento do Custo de Aquisição Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. Com base nestas normas várias decisões foram emitidas não só por este CARF, como pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF estabelecendo, com base nas normas acima os requisitos essenciais que autorizam o reconhecimento do ágio e a possibilidade de utilização deste como dedução do lucro real. Neste sentido transcrevo a ementa do acórdão nº 9101003.733, datado de 11/09/2018, onde se verificam didaticamente os requisitos para a aceitação das despesas com ágio. Vejamos o texto da ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 PREMISSA. INSTITUTO JURÍDICOTRIBUTÁRIO. O conceito do ágio é disciplinado pelo art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, e tratase de instituto jurídicotributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica. APROVEITAMENTO DO ÁGIO. INVESTIDORA E INVESTIDA. EVENTOS. SEPARAÇÃO. UNIÃO. São dois os eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformamse em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). DESPESAS. AMORTIZAÇÃO. ÁGIO. Fl. 6330DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.331 41 A amortização, a qual se submete o ágio para o seu aproveitamento, constituise em espécie do gênero despesa, e, naturalmente, encontrase submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99, submetendose aos testes de necessidade, usualidade e normalidade. DESPESAS. FATOS ESPONTÂNEOS. Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Não há como estender os atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. CONDIÇÕES PARA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TESTES DE VERIFICAÇÃO. A cognição para verificar se a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência dos arts. 385 e 386 do RIR/99, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos encontram se atendidos, como arquivamento da demonstração de rentabilidade futura do investimento e efetivo pagamento na aquisição, e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes e reorganizações societárias com substância econômica. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE. Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997 se dirigem às pessoas jurídicas (1) real sociedade investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura, decidiu pela aquisição e desembolsou originariamente os recursos, e (2) pessoa jurídica investida. Devese consumar a confusão de patrimônio entre essas duas pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando do mesmo patrimônio a investidora e a investida, consolidase cenário no qual os lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio). Enfim, tomase o momento em que o contribuinte aproveitase da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, para se aperfeiçoar o lançamento fiscal com base no regime de tributação aplicável ao caso e estabelecer o termo inicial para contagem do prazo decadencial. CSLL. DECORRÊNCIA. Aplicase à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável. Fl. 6331DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.332 42 Dos textos normativos que regulam a escrituração do ágio e a sua possibilidade de uso como dedução do lucro, e tomando as lições do referido acórdão no que pertinem à análise deste processo, além da vasta jurisprudência a respeito do ágio, temos que seriam os seguintes os requisitos para a análise das operações societárias que geram a existência de ágio e que autorizam a sua dedutibilidade. 1 Operações realizadas com partes independentes. Apesar de não constar no texto normativo é usual na análise dos processos relativos a ágio que a legitimidade da formação do ágio se destaca quando realizado em operações com partes independentes. Ora, no presente caso não há dúvidas quanto a este fato. A operação de aquisição da participação da ENERGISA SERGIPE em leilão de privatização não só demonstra que as partes eram independentes, posto que a referida empresa era controlada pelo Governo do Estado de Sergipe, como foi realizada em procedimento público com a maior concorrência possível. 2 Existência de Laudo de Rentabilidade Futura. Demandase, para corretamente configurar o valor do ágio que pode ser escriturado que exista um laudo emitido por empresa detentora de conhecimentos a tal titulo no qual se demonstre o valor da rentabilidade futura do investimento para fins de formação de ágio na forma do art. 20, II, do DecretoLei nº 1.598/77. Neste caso foi apresentado pelo recorrente o laudo de avaliação utilizado pela empresa para fixar o preço de participação no leilão da privatização. Além disso, resta claro o fato de que sequer seria neste caso necessária a existência do referido laudo. Isso porque a aquisição foi realizada em leilão público de privatização, assim, o preço foi fixado livremente pelos concorrentes em processo licitatório de ampla concorrência. Desta forma, não há como se questionar o preço praticado na operação e, em consequência, o valor do ágio que foi escriturado em razão da aquisição da participação. 3 Operações com Propósito Negocial. Quanto a este requisito, por óbvio que sua análise é muito dissonante neste CARF principalmente à luz do entendimento dos Conselheiros representantes da Fazenda comparado aos Conselheiros representantes dos contribuintes. Isto porque, enquanto os contribuintes representantes da Fazenda buscam a existência, nos negócios realizados, de outros motivos que não a simples economia tributária, os representantes dos contribuintes entendem que a busca da economia tributária, por si só já seria um motivo mais do que suficiente para a realização de negócios. Felizmente no presente caso não há maiores dúvidas acerca do propósito negocial. A aquisição da participação societária relativa à ENERGISA SERGIPE foi, desde sempre, o objetivo final do negócio intentado pela ENERGISA MINAS GERAIS, assim, não há como se falar em ausência de propósito negocial no presente processo, razão pela qual, em relação a este requisito. 4 Confusão Patrimonial entre investidora e investida. Em relação a este requisito, e com vistas a cumprir o art. 7º, III, da lei nº 9.532/97, fazse necessário que ocorra a confusão patrimonial entre investidora e investida a fim de que o ágio possa passar a ser utilizado como dedução na apuração do lucro real da investidora. Ou seja, deve ocorrer uma operação societária de incorporação, fusão ou cisão para viabilizar a utilização do ágio como dedução. Fl. 6332DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.333 43 Novamente neste processo não há dúvidas quanto à ocorrência de confusão patrimonial. A aquisição da participação por parte da CATLEO e, posteriormente com a incorporação desta pela ENERGISA SERGIPE demonstram a ocorrência da confusão patrimonial no caso que deu azo à utilização do ágio como dedução na apuração do lucro real, Conforme se depreende da análise acima, em tese os requisitos necessários à escrituração do ágio e a sua dedutibilidade parecem ter sido cumpridos. No entanto, à luz da interpretação da fiscalização, apenas estes requisitos não seriam suficientes à conformação do ágio e de sua regularidade na espécie. Da Simulação e Da Empresa Veículo Segundo o entendimento da fiscalização, conforme apresentado mais acima, a existência destes requisitos não seria suficiente. Pelo entendimento fiscal a empresa CATLEO teria funcionado como uma empresa veículo para possibilitar a formação do ágio e, posteriormente a sua dedução. Depois, como empecilho, alega que a aquisição do controle da ENERGISA SERGIPE pela CATLEO com recursos advindos de operações direta ou indiretamente bancadas em razão da ENERGISA MINAS GERAIS representa uma simulação para encobrir o real interesse das partes no negócio. Assim, vamos aqui analisar estas duas afirmações da fiscalização que, em verdade, consistem em apenas uma. Se a utilização da empresa CATLEO na operação ocorreu de forma a simular uma operação que, de forma diversa não poderia ser realizada ou não viabilizaria a formação, escrituração e dedutibilidade do ágio na operação. A demonstração da fiscalização acerca das operações demonstram que efetivamente não havia necessidade aparente da utilização da CATLEO em relação à aquisição da participação pela ENERGISA MINAS GERAIS, no entanto, alguns argumentos utilizados pelo recorrente me pareceram muito contundentes. Primeiro: Em primeiro lugar a recorrente coloca o fato de que o grupo controlador da ENERGISA MINAS GERAIS deter apenas pouco mais de 26% do controle acionário da empresa. Assim, ao utilizar a CATLEO como forma de adquirir a participação no leilão para reduzir os problemas na tramitação e aceitação do negócio na ENERGISA MINAS GERAIS. Neste ponto, conforme já afirmamos anteriormente, apesar de ser uma justificativa plausível, a não utilização da CATLEO, apesar de dificultar a realização da operação, não a impediria, até mesmo porque demonstrase que a ENERGISA MINAS GERIAS conseguiu empréstimos e verteu um grande montante de capital na operação, fatos estes que também demandaram negociações internas e que, ainda assim, se realizaram. Segundo: Um segundo bom argumento apresentado pela empresa acerca da utilização da CATLEO no processo de aquisição é o fato de que, sendo uma empresa nova, seria mais fácil a obtenção de certidões pela mesma de modo a viabilizar a participação no leilão de privatização. Este argumento é bastante conveniente.É público e notório que no dia a dia das empresas que contratam com o serviço público, faz necessário a emissão e manutenção da regularidade fiscal e cadastral diante dos mais diversos entes públicos. Fl. 6333DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.334 44 Por óbvio uma empresa recém constituída teria muito mais facilidade de obter toda a sorte de certidões que seriam necessárias para a participação no leilão. Entretanto tal justificativa, por si só, me parece muito singela a viabilizar a anuência da regularidade de toda a operação e a possibilidade de dedução do ágio. Até porque existem empresas de grande porte que, apesar da estrutura grande, mantém sua regularidade fiscal como, por exemplo, as grandes empreiteiras que participam rotineiramente de licitações públicas. Por isso, com relação a este argumento não entendo estar convencido de que seria suficiente para infirmar toda a extensa apresentação da fiscalização. Terceiro: Por fim, temos de analisar a argumentação sobre o fato de que a operação em análise, mesmo que fosse realizada diretamente pela ENERGISA MINAS GERAIS possibilitaria a formação e utilização do ágio da mesma forma. Com relação a este argumento entendo que assiste razão ao recorrente. Acaso a ENERGISA MINAS GERAIS participasse diretamente do leilão e adquirisse o controle da ENERGISA SERGIPE o ágio se formaria normalmente a partir do confronto entre o valor pago na aquisição e o valor do patrimônio adquirido, tendo em vista que todo o valor pago a mais na operação é, em processos de privatização como o do presente caso, sem sombra de dúvidas baseado na rentabilidade futura do investimento. Por isso este ágio, assim formado se enquadraria na hipótese do art. 20, II, do DecretoLei nº 1.598/77. Posteriormente, a ENERGISA MINAS GERAIS poderia normalmente realizar a incorporação da ENERGISA SERGIPE e, assim, acontecendo a confusão patrimonial entre investidora e investida, passar a deduzir o ágio escriturado. Temos assim, que, acaso fosse realizado o negócio de forma direta restaria claro o direito de escrituração do ágio e sua posterior dedução após a incorporação. Assim sendo, não há como se considerar que a CATLEO foi utilizada como empresa veículo para viabilizar a formação do ágio. Este seria gerado de uma forma ou de outra. Por isso, entendo que descabe a alegação da fiscalização de que a CATLEO foi utilizada como empresa veículo. Apesar de a CATLEO não possuir estrutura operacional e ter sido utilizada apenas para realizar a aquisição da ENERGISA SERGIPE no leilão, não entendo ser razoável afirmar que sua utilização ocorreu apenas para viabilizar a formação e utilização do ágio. Ora, se a adquirente final poderia obter este benefício realizando a operação de forma direta não é possível entenderse que foi utilizada como empresa veículo, vez que essa denominação é utilizada nos casos em que não há possibilidade de formação ou dedução do ágio se a operação fosse realizada de forma direta. Desta forma, não existindo empecilho legal, nem financeiro, nem de outra monta que inviabilizasse a formação do ágio no caso de a operação ter sido realizada de forma direta e obtendo os mesmos benefícios fiscais, temse que a utilização da empresa CATLEO decorreu de motivos não tributários o que inviabiliza a alegação fiscal de que se tratava de empresa veículo. Fl. 6334DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.335 45 Poderia o leitor, neste ponto. questionar quais seriam os motivos não tributários que levaram a ENERGISA MINAS GERAIS a utilizar a CATLEO no processo de aquisição. Entretanto não é necessário adentrar em descobrir quais seriam os motivos. Se por questões societárias, práticas, etc. O que interessa neste ponto é avaliar se a utilização de terceira empresa no processo de aquisição visou a driblar impedimentos legais à utilização do ágio, realizando negócios sem conteúdo econômico apenas para burlar as normas e obter o benefício de dedução do ágio. Demonstrase ao final, que o benefício fiscal não foi o único a ser visado pela empresa ao utilizar a CATLEO no processo de aquisição da participação. Não havendo impedimentos a justificar a utilização da CATLEO como forma de viabilizar a dedutibilidade do ágio, não há como se caracterizar a mesma como simples empresa veículo para a formação do ágio e, assim, desconfigurase a análise da fiscalização no que tange a considerar a CATLEO como tal, impedindo, como consequência, a escrituração e dedutibilidade do ágio no negócio realizado. Como consequência das conclusões acima, acerca do entendimento pela regularidade na utilização da CATLEO como empresa interveniente de modo a facilitar apenas a realização do negócio, participação em leilão e aquisição da ENERGISA SERGIPE, entendo que não ocorreu simulação na espécie, haja vista que, desde sempre ficou demonstrado que o intuito final era o da aquisição da ENERGISA SERGIPE pela ENERGISA MINAS GERAIS. A simulação apontada pela fiscalização deixa de se caracterizar em função de não existir o fato impeditivo que possibilitasse a realização do negócio de forma direta pela ENERGISA MINAS GERAIS e a fruição do benefício fiscal que demandasse a realização de negócio jurídico diverso que visasse a burlar estes impedimentos o que, de fato, não ocorreu no caso. Por todo o exposto, com relação à formação e utilização do ágio na aquisição da participação da ENERGISA SERGIPE em leilão de privatização, entendo que o negócio jurídico realizado, apesar de não ter sido realizado de forma direta, não se valeu da utilização da CATLEO como empresa veículo de modo a obter os benefícios fiscais de dedutibilidade do ágio e, assim, autoriza a hipótese de apuração, escrituração e dedução do ágio como realizado pela empresa após a incorporação da CATLEO pela ENERGISA SERGIPE. Assim, voto por dar provimento ao recurso voluntário de modo a exonerar a glosa de dedução indevida de ágio. Da Necessidade de Afastamento da Multa Qualificada. Alega que não restou caracterizada a simulação e, assim, descabe a aplicação da qualificação. Com relação a este item e verificandose que a multa qualificada apenas foi aplicada em relação à infração relativa à glosa das despesas com ágio, tendo em vista que neste voto meu entendimento foi no sentido de exonerar esta infração, por via de consequência foi também exonerada a multa qualificada relativa à referida infração. Fl. 6335DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.336 46 Da Infração II Inexistência de Compensação Indevida de Prejuízos Fiscais Alega neste ponto que tanto a fiscalização quanto a DRJ não consideraram na apuração dos prejuízos fiscais o que foi apresentado pelo contribuinte por meio da DIPJ/96 retificadora. Assim entende que devem ser revistos os cálculos da autuação em razão dessa DIPJ/96 retificadora e que não pode admitir a redução dos prejuízos de 1999 a 2002 sem que tenha havido fiscalização quanto a esses exercícios. Os argumentos apresentados pela recorrente em sede de recurso voluntário diferem dos argumentos utilizados em sede de impugnação. Quando da impugnação a recorrente apenas se manifestou quando à glosa de prejuízos fiscais em razão de autos de infração lavrados anteriormente e já transitados em julgado e, ainda, quanto ao fato de a DIPJ/96 retificadora que aumentava o saldo de prejuízos em favor da mesma ter sido cancelada. O argumento, agora trazido na impugnação relativo à impossibilidade de revisão de prejuízos fiscais de 1999 a 2002 em razão da autuação e, em consequência a geração da infração de utilização a maior de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL não foi apresentado em sede de impugnação e, assim, este argumento não foi apreciado pela Delegacia de Origem. Não pode esta Turma Julgadora, em sede de análise de recurso voluntário analisar novo argumento não antes apresentado pela defesa, tendo em vista a preclusão do direito do recorrente em inovar em sua argumentação. Assim, não sendo matéria de conhecimento obrigatório, deixo de analisar o argumento relativo à pretensa impossibilidade de revisão dos saldos de prejuízos de 1999 a 2002 veiculados pelo recorrente. Quanto aos demais argumentos, estes já apresentados em sede de impugnação, verifico que foram fundamentadamente analisados pela Delegacia de Julgamento quando da análise da impugnação. Tanto que àquela Delegacia determinou a realização de diligência de modo a adequar os saldos de prejuízos fiscais aos valores das infrações que por acaso houvessem sido reduzidas em julgamento administrativo. Com base nas novas informações apontadas pela diligência foram refeitos os cálculos e, em conclusão, foram mantidos os lançamentos relativos à utilização a maior de prejuízo fiscal e exonerado parcialmente o lançamento de utilização a maior de bases negativas de CSLL do ano de 2006, mantendose os demais lançamentos. Assim, neste ponto, não havendo elementos novos a serem analisados em sede recursal, entendo por bastante suficiente os fundamentos utilizados pela Decisão de Piso na análise da infração II, razão pela qual passo a adotálos como fundamentos para decidir este ponto. Início da transcrição do voto da Delegacia de Julgamento em face da Infração II. II Da Compensação Indevida de Prejuízo Operacional com Resultado da Atividade Geral Fl. 6336DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.337 47 113. Compulsando os autos no que está relacionado a infração sob julgo, observase que em proveito de apurar a precisão dos saldos de prejuízos acumulados constantes do sistema SAPLI da RFB e aferir a suficiência destes para suportar os lançamentos advindos das glosas das amortizações indevidas de ágio, as Autoridades Fiscais promoveram o cotejamento entre os saldos do LALUR e os controlados no sistema SAPLI. Encontradas divergências, buscaram dirimilas. 114. Prosseguindo, relativamente ao anocalendário de 1995, do qual o saldo a Defesa refutou, constataram o cancelamento da DIPJ retificadora do exercício de 1996, n° 94116 78, apresentada em 23/12/2000, que afetou significativamente o saldo controlado no sistema SAPLI, fruto da DIPJ 1996 original, n° 8626414, uma vez que existia relevante diferença entre eles. Vê se então que a atuação da Fiscalização, neste tópico, reservouse apenas a uma averiguação em favor de atestar a diferença encontrada entre os saldos controlados pelo Contribuinte e pelo Fisco, quer dizer sem promover qualquer alteração, até porque o evento de incorporação, do qual culminou com a principal autuação, ocorreu em 1997 e 1998. 115 Ademais, conforme analisaremos a seguir, em sua petição, às fls. 5938 a 5946, onde apresentou contestações a respeito do saneamento do sistema SAPLI, pela DRF/AracajuSE, após o trânsito em julgado na esfera administrativa dos processos 10510.003122/200574 e 10510.001892/2010 40, a Impugnante, ao propor os saldos de prejuízo acumulado, considerou o declarado na DIPJ 1996 original. 116. Além do sobredito, mas não menos importante, não podemos olvidar que apesar do questionado saldo, a partir do anocalendário de 2000 até 2007, salvo anocalendário de 2004, ter sido necessariamente objeto de apreciação nos processos 10510.003122/200574 e 10510.001892/201040, visto que houve lançamentos de ofício da infração relacionada à compensação indevida de prejuízo fiscal, nos anoscalendário de 2006 e 2007, e de base de cálculo negativa da CSLL em 2007, a matéria já foi passível de discussão, inclusive estando exaurida na esfera administrativa. À vista disso, sem embargo de, por uma questão lógica, influenciar nos saldos sob julgamento, por se tratar de um evento ocorrido no anocalendário de 2000, do qual, pelas razões supraditas, a Contribuinte já devia ter conhecimento e se insurgido, operou se a preclusão temporal quanto ao ponto guerreado, o que impede este julgador de conhecer as razões da defesa. 117. No que se refere ao saneamento no SAPLI determinado pela citada diligência, isto é, adequálo as decisões transitadas em julgado na esfera administrativa relativas aos processos 10510.003122/200574 e 10510.001892/201040, em prol da melhor didática, elaboramos a planilha SALDO DO PREJUÍZO ACUMULADO ANTES DA GLOSA DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO, na qual foram procedidas as retificações dos saldos conforme orientado, inclusive levando em consideração as manifestações do contribuinte, contudo excluindo as glosas de amortização do ágio, relacionadas aos anoscalendário de 1999, 2002 e de 2006 a 2010, lançadas no presente processo. Fl. 6337DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.338 48 118 Confrontando os saldos de prejuízos acumulados apurados por este julgador, entretanto, repiso, sem considerar as alterações promovidas nestes autos, e os apontados pela Defesa, às fls. 5938 a 5946, no que se refere aos anoscalendário de 2000, 2002 e 2006, ambos coincidem. 119. Adentrando no ponto crucial deste tema, qual seja o lançamento de ofício das compensações indevidas de prejuízo fiscal, relativos aos fatos geradores de 31/12/2006 e 31/12/2008, percebemos que estão suportadas principalmente pelas glosas de amortização indevida de ágio, nos anos calendário de 1999 e 2002. Nossa conclusão sobre a procedência advém ao acrescentarmos estes lançamentos aos saldos obtidos na planilha SALDO DO PREJUÍZO ACUMULADO ANTES DA GLOSA DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO supra. Desta elaboramos a planilha SALDO DO PREJUÍZO ACUMULADO APÓS A GLOSA DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO abaixo, acrescentado as colunas SAPLI TRANSIÇÃO, GLOSA DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO e SAPLI PÓS A GLOSA DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO, esta representativa do sistema SAPLI consolidado fruto da congregação de todas as modificações comentadas. Fl. 6338DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.339 49 120 Observase que ao refazermos a composição dos saldos, considerando as multicitadas glosas de amortização indevida de ágio, percebemos que não há mais saldo ao final do anocalendário de 2005, só voltando a ser registrado em 2010. As justificativas para as diferenças combatidas pelo Impugnante na peça impugnatória, às fls. 5.401 a 5.662, e em sua petição, às fls. 5938 a 5946, são: 120.1 AC 1999 Infração de glosa de amortização indevida de ágio no montante de R$ 7.427.388,00. Disto decorreu redução do prejuízo controlado no SAPLI que passou de R$ 23.579.882,61, antes da infração, para R$ 16.152.494,61, pós infração; 120.2 AC 2002 – Infração de glosa de amortização indevida de ágio no montante de R$ 14.672.220,00. Disto decorreu redução do saldo de prejuízo a compensar antes da infração de R$ 36.524.940,84, para R$ 14.425.332,84 (36.524.940,84 14.672.220,00 7.427.388,00) pós infrações; 120.3 AC 2005 – Considerando as glosas supra e as reduções após AC 2002 constantes na planilha SALDO DO PREJUÍZO ACUMULADO ANTES DA GLOSA DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO, já no AC 2005 verificase saldo insuficiente, por conseguinte, uma compensação indevida da monta de R$ 6.844.576,96, todavia não objeto de lançamento de ofício por ter sido alcançada pela decadência; 120.4 AC 2006 O Sujeito Passivo, em sua DIPJ 2007, havia registrado a compensação de R$ 14.682.269,04. Posteriormente, houve lançamento de compensação indevida de prejuízo, apurada no processo nº 10510.001892/201040, no montante de R$ 10.918.265,26, já transitado em julgado na esfera administrativa. Assim, considerando que os saldos, após as apurações retro, zeraram a partir do anocalendário de 2005, verificouse um saldo de compensação indevida de R$ 3.764.003,78 (R$ 14.682.269,04 10.918.265,26), a ser lançada de ofício como compensação indevida neste processo; 120.5 AC 2008 – O Sujeito Passivo, em sua DIPJ 2009, havia registrado a compensação de R$ 1.849.368,81, a qual, pelas razões sobreditas, foi lançada de ofício como compensação indevida neste processo; e 120.6 AC 2010 – Infração de glosa de amortização indevida de ágio no montante de R$ 16.476.996,00, lançado neste processo, que reduziu o prejuízo apurado no período de R$ 23.102.955,52 para R$ 6.625.959,52 (23.102.955,52 16.476.996,00). 121. Pelo exposto, procedem os lançamentos de compensação indevida de prejuízo fiscal nos anoscalendário de 2006 e 2008, como também a redução do prejuízo fiscal apurado no AC 2010 efetivadas pela Autoridade Fiscal, não prosperando as refutações do Sujeito Passivo presentes seja na Impugnação, às fls. 5.401 a 5.662, seja em sua petição, às fls. 5938 a 5946. Fl. 6339DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.340 50 III Da Compensação Indevida de Base de Cálculo Negativa da Atividade Geral com Resultado da Atividade Geral 122. Para apuração do saldo da base cálculo negativa da CSLL os Auditores Fiscais adotaram estratégia similar a aplicada para averiguação do saldo de prejuízo acumulado. 123. A princípio é salutar registrar que a Defesa não combateu as constatações das Autoridades Fiscais que culminaram em redução do saldo da base de cálculo negativa da CSLL no SAPLI, no anocalendário de 1993, no montante atualizado de R$ 273.541,45 (duzentos e setenta e três mil, quinhentos e quarenta e um reais e quarenta e cinco centavos), portanto, quanto a estas modificações a matéria encontrase não impugnada. Aplicase também a este tópico as justificativas que nos levaram à conclusão da preclusão da contestação relativa ao cancelamento da DIPJ retificadora do exercício de 1996, n° 9411678. 124. No que tange à adequação do SAPLI as decisões transitadas em julgado na esfera administrativa relacionadas aos processos 10510.003122/200574 e 10510.001892/201040, para melhor entendimento, também elaboramos a Planilha: SALDO DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL ANTES DA GLOSA DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO, na qual foram procedidas as retificações dos saldos conforme orientado, inclusive levando em consideração as manifestações do contribuinte, contudo excluindo as glosas de amortização de ágio, relacionadas aos anoscalendário de 1999, 2002 e de 2006 a 2010, lançadas no presente processo. 125 Confrontando os saldos de base de cálculo negativa da CSLL apurados por este julgador, registrese sem considerar os lançamentos de ofício relacionado as glosas de dedução indevida do ágio, com os indicados pela ENERGISA SERGIPE, às fls. 5938 a 5946, no que se refere aos anos calendário de 2000, 2002 e 2006, eles não coincidem pelos seguintes motivos: 125.1 O saldo da base de cálculo negativa antes da compensação no ano calendário de 2000 era de R$ 38.241.075,05 (trinta e oito milhões, duzentos e quarenta e um mil, setenta e cinco reais e cinco centavos), e não de 36.514.616,50 (trinta e seis milhões, quinhentos e quatorze mil, seiscentos e dezesseis reais e cinquenta centavos) conforme afirmado pela Contribuinte. A provável razão da diferença decorre do equívoco do Impugnante em Fl. 6340DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.341 51 transcrevêlo, reduzindoo em R$ 2.000.000,00 (dois milhões), aliado a não consideração da redução verificada em 1993 já comentada, no valor de R$ 273.541,45 (duzentos e setenta e três mil, quinhentos e quarenta e um reais e quarenta e cinco centavos). Visto que o 38.241.075,05 é o resultado de (36.514.616,50 + 2.000.000,00 273.541,45); 125.2 O saldo da base de cálculo negativa após a compensação no ano calendário de 2002 era de R$ 60.510.311,35 (sessenta milhões, quinhentos e dez mil, trezentos e onze reais e trinta e cinco centavos) e não de 58.783.852,62 (cinquenta e oito milhões, setecentos e oitenta e três mil, oitocentos e cinquenta e dois reais e sessenta e dois centavos) conforme afirmado pela Contribuinte, fruto da repercussão da diferença apontada no parágrafo anterior; e 125.3 O saldo da base de cálculo negativa após a compensação no ano calendário de 2006 era de R$ 17.903.179,37 (dezoito milhões, cento e setenta e seis mil, setecentos e vinte reais e sessenta e oitenta e dois centavos), e não R$ 14.145.731,81 (quatorze milhões, cento e quarenta e cinco mil, setecentos e trinta e um reais e oitenta e um centavos), ou seja, diferença decorrente do apurado nos parágrafos anteriores, acrescida da levantada no quadro abaixo, advinda do trânsito em julgado administrativo do processo nº 10510.001892/201040, cuja consolidação foi juntada aos autos pela Defesa às fls. 5.999: 126. No tocante ao lançamento objeto do tema à epígrafe, envolvendo os fatos geradores de 31/12/2006, 31/12/2007 e 31/12/2008, as principais causas foram as glosas de amortização indevida de ágio, nos anoscalendário de 1999 e 2002, culminando na extinção do saldo no anocalendário de 2006. Esta percepção clarificase ao acrescentarmos estes lançamentos aos saldos obtidos na planilha SALDO DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL ANTES DA GLOSA DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO supra. Desta elaboramos a planilha SALDO DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL APÓS A GLOSA DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO abaixo, acrescentado as colunas: SAPLI TRANSIÇÃO, GLOSA DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO e SAPLI PÓS GLOSA DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO, esta refletindo o sistema SAPLI consolidado fruto da conglobação de todas as alterações elucidadas. Fl. 6341DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.342 52 127. Semelhante ao ocorrido com o saldo de prejuízo acumulado, ao retificarmos a constituição dos saldos de base de cálculo negativa, considerando as sobreditas glosas de amortização indevida de ágio, constatamos que inexiste saldo ao final do anocalendário de 2006, só voltando a ser verificado em 2010. As justificativas para as discrepâncias atacadas pela Impugnante na peça impugnatória, às fls. 5.401 a 5.662, e em sua petição, às fls. 5938 a 5946, são: 127.1 AC 1999 Infração de glosa de amortização indevida de ágio no montante de R$ 7.427.388,00. Disto sobreveio a redução do saldo da base de cálculo negativa controlado no SAPLI que passou de R$ 38.241.075,05, antes da infração, para R$ 30.813.687,05, pós infração; 127.2 AC 2002 – Infração de glosa de amortização indevida de ágio no montante de R$ 14.672.220,00. Disto adveio a redução do saldo da base de cálculo negativa controlado no SAPLI antes da infração de R$ 60.510.311,35, para R$ 38.410.703,35 (60.510.311,35 14.672.220,00 7.427.388,00) pós infrações; 127.3 AC 2006 127.3.1 Neste anocalendário as Autoridades Fiscais lançaram neste processo como compensação indevida da base de cálculo negativa da CSLL o montante de R$ R$ 12.821.491,22, pois consideraram a compensação efetivada pela ENERGISA SERGIPE na DIPJ 2007, no valor de R$ 13.723.952,61, perante um saldo retificado insuficiente de R$ 902.461,39; 127.3.2 Conforme já exaurido neste voto, o sobredito fato gerador, à época da autuação, encontravase sob julgamento no processo 10510.001892/201040, cuja decisão definitiva considerou a compensação de R$ 16.660.262,63 (vide quadro do item 95.3); 127.3.3 Considerando o saneamento do SAPLI, após o trânsito em julgado na esfera administrativa dos processos: 10510.003122/200574 e 10510.001892/201040, e as glosas de amortização indevida de ágio nos anoscalendário de 1999 e 2002, restou um saldo inicial em 2006 de R$ 12.463.834,01; 127.3.4 Confrontando o saldo inicial supra com a compensação realizada em 2006 apontada no processo 10510.001892/201040, no valor de R$ 16.660.262,63, constatouse um saldo insuficiente de base de cálculo Fl. 6342DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.343 53 negativa de R$ 4.196.428,63, passível de lançamento de ofício neste processo, devendo ser exonerado o valor de R$ 8.625.062,59, derivado da diferença em relação ao originariamente lançado. 127.4 AC 2007 O Sujeito Passivo, em sua DIPJ 2008, havia registrado a compensação de R$ 31.959.720,57. Posteriormente, houve lançamento de compensação indevida de base de cálculo negativa, apurada no processo nº 10510.001892/201040, no montante de R$ 25.342.514,22, já transitado em julgado na esfera administrativa. Assim, considerando que os saldos, após as apurações retro, zeraram a partir do anocalendário anterior, restou um saldo de compensação indevida de R$ 6.617.206,35 (R$ 31.959.720,57 25.342.514,22), a ser lançada de ofício como compensação indevida neste processo; 127.5 AC 2008 – O Sujeito Passivo, em sua DIPJ 2009, havia registrado a compensação de R$ 1.440.702,43, a qual, pelas razões sobreditas, foi lançada de ofício como compensação indevida neste processo; e 127.6 AC 2010 – Infração de glosa de amortização indevida de ágio no montante de R$ 16.476.996,00, lançado neste processo, que reduziu a base de cálculo negativa apurada no período de R$ 24.078.736,64 para R$ 7.601.740,64 (24.078.736,64 16.476.996,00). 128. Por tudo exposto, procede em parte a impugnação do contribuinte quanto a este tema, visto que deve ser mantido o lançamento, relativo ao fato gerador de 31/12/2006, até o montante de R$ 4.196.428,63, exonerandose a diferença R$ 8.625.062,59. No mais, são integralmente cabíveis os lançamentos de idêntica espécie relacionados aos fatos geradores de 31/12/2007 e 31/12/2008, bem como a redução do saldo acumulado da base de cálculo negativa, cujo fato gerador ocorreu em 31/12/2010, efetivada pela Autoridade Fiscal. Dessa forma, acato parcialmente as alegações da Impugnante relativas a INFRAÇÃO 2. Fim da transcrição do trecho da decisão de Piso com a análise da impugnação relativa à infração I. Como se pode acima observar os argumentos apresentados pela recorrente e já analisados pela Decisão de Piso foram completamente analisados e refeitos os cálculos de apuração da infração nº 02. Não verifiquei nenhum reparo a ser realizado na análise acima. Por estas razões, utilizando os fundamentos apontados pela decisão de Piso com os quais concordo integralmente, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o que foi decidido pela Decisão recorrida. Da Inaplicabilidade da Multa Isolada. Alega que não seria possível a aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício. Fl. 6343DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.344 54 Com relação à aplicação da multa isolada a Delegacia de Julgamento decidiu pela exoneração das multas isoladas anteriores a 2007 em face de a Lei nº 11.488/2007 somente produzir efeitos a partir de janeiro de 2007. Tal entendimento encontra respaldo na Súmula CARF nº 105 que é aplicável até 2007. Assim correto o entendimento da Delegacia de Julgamento em exonerar as multas isoladas relativas ao ano de 2006. No que tange às multas dos anos de 2007 e 2008, o recorrente alega que não poderiam ser as duas multas aplicadas concomitantemente e assim, entende que devem ser canceladas as multas isoladas lançadas. Após a análise das infrações I e II, verificamos que a infração I foi integralmente exonerada e a Infração II foi parcialmente exonerada pela Delegacia de Julgamento. Entretanto, mesmo após essas exonerações, constatamos que as multas isoladas que foram mantidas decorrem das infrações de utilização a maior de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL que também serviram de base para os lançamentos das multas de ofício. Constatase, assim, que sobre as mesmas infrações foram lançadas duas multas, a de ofício e a isolada. Assim com relação à infração relativa a aplicação de multa isolada pela falta de recolhimento por estimativa, por diversas vezes este tema foi objeto de discussão nesta Câmara, existindo três diferentes vertentes de opinião: 1) A primeira segue no sentido de que a aplicação de multa de ofício relativo ao período de apuração anual do imposto impede a aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento por estimativa em função de tratarse, em essência do mesmo tributo exigido no exercício e, assim, o contribuinte estaria sendo penalizado em duplicidade. 2) A segunda corrente advoga no sentido de que as multas de ofício e isolada punem condutas distintas e assim, podem subsistir concomitantemente sem qualquer empecilho, visto que os fatos geradores são distintos e também distintas as bases de cálculo. 3) A terceira posição interpretativa segue no sentido de que os fatos geradores sendo complementares as sanções, visto que uma pune a falta de antecipação durante o exercício e a outra pune a falta do pagamento no ajuste anual, a maior penalidade deve prevalecer até o montante em que consuma integralmente a punição pela falta de antecipação, somente subsistindo esta se comportar montante maior do que a multa de ofício. Pessoalmente sou adepto da terceira corrente e da adoção do princípio da consunção, conforme abaixo demonstrado e extraído do acórdão deste mesmo relator de nº 1401003.058, de 13 de dezembro de 2018. Por isso, transcrevo os valiosos fundamentos do Conselheiro Guilherme Adolfo Mendes no Acórdão 1201000.235: "As regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Fl. 6344DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.345 55 Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3°: Art. 3" A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível a cessação da vigência de leis extraordinárias e certo, em relação às temporárias, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Fl. 6345DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.346 56 Nada obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal. Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplicase o Princípio da Consunção. Na lição de Oscar Stevenson, "pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras que incriminem fatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo fim prático". Para Delmanto, "a norma incriminadora de fato que é meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída pela norma deste". Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso. Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, punese o falso. É o que ocorre em relação às sanções decorrentes do descumprimento de antecipação e de pagamento definitivo. Uma omissão de receita, que enseja o descumprimento de pagar definitivamente, também acarreta a violação do dever de antecipar. Assim, punese com multa proporcional. Todavia, se há uma mera omissão do dever de antecipar, mas não do de pagar, punese a não antecipação com multa isolada." No presente caso, em razão do elevado valor da autuação levada à efeito contra o contribuinte entendo que devo tecer outras considerações a respeito, até mesmo porque tenho conhecimento de que a Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu julgamento em sentido contrário ao deste entendimento. No julgamento que tomei conhecimento a aplicação do Princípio da Consunção foi negada na seara do direito tributário em razão do entendimento de que os princípios de direito penal não poderiam ser utilizados na seara do direito tributário. Data venia o devido respeito e consideração que tenho com as decisões proferidas pela Câmara Superior deste CARF, até mesmo porque sigo alguns de seus ensinamentos em diversos pontos, não concordo com esse posicionamento. Desde os tempos dos bancos escolares na Faculdade de Direito sempre recebi e acolhi o ensinamento de que é menos grave infringir uma norma do que um princípio. Este ensinamento decorre do fato de que os princípios do direito são normas não escritas que vigoram acima das normas positivadas e servem de guia para a sua produção e de guia para os intérpretes. Por isso os princípios são tão importantes na vida dos operadores do direito. Apresentamos a lição de renomados juristas acerca dos princípios no direito. Fl. 6346DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.347 57 Conforme Celso Antônio Bandeira de Mello: Princípio é, pois, por definição, mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas, compondolhes o espírito e servindo de critério para exata compreensão e inteligência delas, exatamente porque define a lógica e a racionalidade do sistema normativo, conferindolhe a tônica que lhe dá sentido harmônico. É o conhecimento dos princípios que preside a intelecção das diferentes partes componentes do todo unitário que há por nome sistema jurídico. (MELLO, 2009, p. 53) Segundo Miguel Reale Júnior: Princípios são, pois, verdades ou juízos fundamentais, que servem de alicerce ou de garantia de certeza a um conjunto de juízos ordenados em um sistema de conceitos relativos a dada porção da realidade. Às vezes, também se denominam princípios certas proposições que, apesar de não serem evidentes ou resultantes de evidências, são assumidas como fundamentos da validez de um sistema particular de conhecimento com seus pressupostos necessários. (REALE, 1991, p. 59) Vejase que o nosso código tributário adota, ele próprio, diversos princípios do direito penal, como se pode observar pela leitura dos seguintes dispositivos. Princípio da Legalidade no direito penal: nullum crimen, nulla poena sine lege Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. ...... Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I instituir ou majorar tributos sem que a lei o estabeleça, ressalvado, quanto à majoração, o disposto nos artigos 21, 26 e 65; ........... Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: .......... V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; Fl. 6347DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.348 58 Princípio da Anterioridade: Nullum crimen, nulla poena sine lege praevia; Art. 104. Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação os dispositivos de lei, referentes a impostos sobre o patrimônio ou a renda: I que instituem ou majoram tais impostos; II que definem novas hipóteses de incidência; III que extinguem ou reduzem isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte, e observado o disposto no artigo 178. Princípio da Retroatividade Benigna Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Princípio da Intervenção Mínima e da Gradação da Pena Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; Fl. 6348DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.349 59 IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Especificamente, em relação ao Princípio de Intervenção Mínima apresentamos a lição de César Roberto Bittencourt. O princípio da intervenção mínima, também conhecido como ultima ratio, orienta e limita o poder incriminador do Estado, preconizando que a criminalização de uma conduta só se legitima se constituir meio necessário para a proteção de determinado bem jurídico. Se outras formas de sanção ou outros meios de controle social revelaremse suficientes para a tutela desse bem, a sua criminalização é inadequada e não recomendável. Se para o restabelecimento da ordem jurídica violada forem suficientes medidas civis ou administrativas, são estas que devem ser empregadas e não as penais. Por isso, o Direito Penal deve ser a ultima ratio, isto é, deve atuar somente quando os demais ramos do Direito revelaremse incapazes de dar a tutela devida a bens relevantes na vida do indivíduo e da própria sociedade. (BITENCOURT, 2009, p. 13, grifo no original) O Princípio da Consunção, nasce então da necessidade de aplicação da gradação das penas e de intervenção mínima. Por isso, novamente nos utilizamos na lição de César Roberto Bittencourt para demonstrar a construção jurídica do Princípio da Consunção. Pelo princípio da consunção, ou absorção, a norma definidora de um crime constitui meio necessário ou fase normal de preparação ou execução de outro crime. Em termos bem esquemáticos, há consunção quando o fato previsto em determinada norma é compreendido em outra, mais abrangente, aplicandose somente esta. Na relação consuntiva, os fatos não se apresentam em relação de gênero e espécie, mas de minus e plus, de continente e conteúdo, de todo e parte, de inteiro e fração. Por isso, o crime consumado absorve o crime tentado, o crime de perigo é absorvido pelo crime de dano. A norma consuntiva constitui fase mais avançada na realização da ofensa a um bem jurídico, aplicandose o princípio major absorbet minorem. Assim, as lesões corporais que determinam a morte são absorvidas pela tipificação do homicídio, ou o furto com arrombamento em casa habitada absorve os crimes de dano e de violação de domicílio etc. A norma consuntiva exclui a aplicação da norma consunta, por abranger o delito definido por esta. Há consunção quando o crimemeio é realizado como uma fase ou etapa do crimefim, onde vai esgotar seu potencial ofensivo, sendo, por isso, a punição somente da conduta criminosa final do agente. Não convence o argumento de que é impossível a absorção quando se tratar de bens jurídicos distintos. A prosperar tal argumento, jamais se poderia, por exemplo, falar em absorção nos crimes contra o sistema financeiro (Lei Fl. 6349DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.350 60 n. 7.492/86), na medida em que todos eles possuem uma objetividade jurídica específica. É conhecido, entretanto, o entendimento do TRF da 4ª Região, no sentido de que o art. 22 absorve o art. 6º da Lei n. 7.492/86. Na verdade, a diversidade de bens jurídicos tutelados não é obstáculo para a configuração da consunção. Inegavelmente – exemplificando – são diferentes os bens jurídicos tutelados na invasão de domicílio para a prática de furto, e, no entanto, somente o crimefim (furto) é punido, como ocorre também na falsificação de documento para a prática de estelionato, não se punindo aquele, mas somente este (Súmula 17 do STJ). No conhecido enunciado da Súmula 17 do STJ, convém que se destaque, reconheceuse que o estelionato pode absorver a falsificação de documento. Registrese, por sua pertinência, que a pena do art.297é de dois a seis anos de reclusão, ao passo que a pena do art. 171 é de um a cinco anos. Não se questionou, contudo, que tal circunstância impediria a absorção, mantendose em plena vigência a referida súmula. Não é, por conseguinte, a diferença dos bens jurídicos tutelados, e tampouco a disparidade de sanções cominadas, mas a razoável inserção na linha causal do crime final, com o esgotamento do dano social no último e desejado crime, que faz as condutas serem tidas como únicas (consunção) e punindose somente o crime último da cadeia causal, que efetivamente orientou a conduta do agente.(BITTENCOURT, in http://www.cezarbitencourt.adv.br/index.php/artigos/36conflitoaparente entrealein866693eodecretolein20167) Além dessa positivação de alguns princípios existem outros, como o da presunção de inocência que são utilizados pela administração tributária e pela fiscalização sem que ao menos se perceba. Vejase, ao iniciar a fiscalização o agente, mesmo que plenamente convicto da existência de irregularidades cometidas pelo contribuinte não pode, simplesmente, lavrar uma autuação sem qualquer prova material. Justamente pela aplicação do princípio da presunção da inocência é que se exige e, neste ponto, este CARF é sempre rigoroso, a demonstração da infração cometida, do seu enquadramento legal e a juntada de provas de todo o alegado. Mesmo assim, ainda que muito bem constituída a autuação, o processo administrativo de constituição do crédito tributário apenas se inicia com a ciência do lançamento. O contribuinte não é nem pode ser cobrado neste momento pois, em atenção ao princípio da presunção de inocência ele só poderá ser cobrado após o esgotamento de todas as instâncias de julgamento administrativo. Demonstrase, neste caso, que em nenhum lugar está escrito que o contribuinte não é cobrado em face da presunção de inocência, no entanto a norma que determina a suspensão da exigibilidade do crédito tributário baseouse neste princípio para sua formação. Por isso talvez, não sendo norma escrita em nenhum lugar, às vezes princípios jurídicos que não são tão comuns, podem causar estranheza e a refração de alguns intérpretes. Fl. 6350DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.351 61 Com relação ao princípio da Consunção que, reconheço, não é se sabença geral em sua completude, a estranheza decorre do fato de se afastar a aplicação de uma norma legal (a de aplicação de multa isolada por falta de recolhimento por estimativa) em razão de um princípio não escrito. Mas o princípio da Consunção funciona exatamente desta forma. Quando existem condutas praticadas pelos particulares que se amoldem a mais de uma infração, há de se aplicar a pena relativa à maior infração capitulada e deixar de aplicar a pena da menor infração até o limite daquela. Vejamos um exemplo prático do direito penal. O sujeito que pratica lesões corporais graves em outrem que é levado para o hospital e depois vem a óbito. Neste agir o sujeito está agindo da forma capitulada em dois tipos penais: o de lesão corporal grave e o de homicídio. O de lesão tem uma pena menor e o de homicídio tem uma penar maior, mas veja que a mesma ação deu azo à tipificação de dois crimes. Pela aplicação do princípio da Consunção o sujeito, sendo provada sua culpa, cumprirá a pena exclusivamente pelo crime de homicídio (que é o mais amplo e absorve o menos amplo) e não receberá a pena cumulada de lesão corporal e homicídio. É aplicação direta do princípio. No direito tributário, havendo a mesma ratio, há de haver a mesma conclusão. Não é o fato de o princípio ser afeito ao direito penal que o torna inaplicável ao direito tributário. Vejase que o próprio Superior Tribunal de Justiça, em sede de análise de Recurso Especial já se manifestou pela possibilidade de aplicação do princípio ao direito tributário em relação ao mesmo problema. 1.1.1.1 Processo AgRg no REsp 1576289 / RS AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2015/03259378 1.1.1.2 Relator(a) Ministro HERMAN BENJAMIN (1132) 1.1.1.3 Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA 1.1.1.4 Data do Julgamento 19/04/2016 1.1.1.5 Data da Publicação/Fonte DJe 27/05/2016 Fl. 6351DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.352 62 1.1.1.6 Ementa TRIBUTÁRIO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ART. 44, I E II, DA LEI 9.430/1996 (REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.488/2007). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. PRECEDENTES. 1. A Segunda Turma do STJ tem posição firmada pela impossibilidade de aplicação concomitante das multas isolada e de ofício previstas nos incisos I e II do art. 44 da Lei 9.430/1996 (AgRg no REsp 1.499.389/PB, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2015; REsp 1.496.354/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 24/3/2015). 2. Agravo Regimental não provido. 1.1.1.7 Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA Turma do Superior Tribunal de Justiça: "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo interno, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)." 1.1.1.8 Processo REsp 1496354 / PR RECURSO ESPECIAL 2014/02967297 1.1.1.9 Relator(a) Ministro HUMBERTO MARTINS (1130) 1.1.1.10 Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA 1.1.1.11 Data do Julgamento 17/03/2015 1.1.1.12 Data da Publicação/Fonte DJe 24/03/2015 1.1.1.13 Ementa PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA Fl. 6352DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.353 63 PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. 1. Recurso especial em que se discute a possibilidade de cumulação das multas dos incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/96 no caso de ausência do recolhimento do tributo. 2. Alegação genérica de violação do art. 535 do CPC. Incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 3. A multa de ofício do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430/96 aplicase aos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". 4. A multa na forma do inciso II é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n. 11.488, de 2007)". 5. As multas isoladas limitamse aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido. 6. No caso, a exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Princípio da consunção. Recurso especial improvido. 1.1.1.14 Acórdão "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)." Os Srs. Ministros Herman Benjamin, Og Fernandes, Mauro Campbell Marques (Presidente) e Assusete Magalhães votaram com o Sr. Ministro Relator. Os princípios não são de um direito ou de outro, são princípios de direito como um todo. Por questões de usualidade estudase mais em um determinado ramo, mas estes não deixam de poder ser aplicados a qualquer ramo do direito, senão, repisemos, cometeríamos a heresia de quebrar um princípio de direito ao negarlhe aplicação. Quanto à isto existe norma posta? Fl. 6353DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.354 64 por óbvio que não, no entanto, é norma implícita que deve ser atendida pelos operadores do direito. Assim, com relação à aplicação do Princípio da Consunção na análise da aplicação cumulativa das multas isolada e de ofício entendo da seguinte forma: 1. O sujeito passivo deixou de cumprir uma norma jurídica que determinava o recolhimento mensal da CSLL devida por estimativa, como forma de antecipação da CSLL devida ao final do anocalendário; 2. Em seguida, encerrado o exercício, o contribuinte não apura nem recolhe a CSLL devida na sistemática adotada de apuração anual da contribuição. 3. Chegada a fiscalização verifica as duas ações diversas que são, em síntese, o não pagamento de tributo. O primeiro de forma antecipada e o segundo de forma integral ao final do exercício. Assim, verificando duas ações, aplica duas sanções, uma de 50% pelo não recolhimento da estimativa e outra de 75% pelo não recolhimento da contribuição anual apurada. Ora a aplicação do Princípio da Consunção decorre do fato de que a primeira conduta é parte integrante da segunda conduta. Não existe um tributo denominado CSLL por estimativa e outro tributo denominado CSLL da apuração anual. O que se recolhe por estimativa são pedaços da CSLL que, por conveniência da administração tributária tem de ser recolhidas de forma antecipada, mesmo sem haver o conhecimento do lucro tributável. Vejase, se a fiscalização chega ao contribuinte durante o exercício e aí aplica a multa isolada pelo não recolhimento da estimativa devida é um fato. Se a fiscalização chega ao contribuinte após o encerramento do exercício não pode nem mesmo lançar a estimativa devida, mas apenas o tributo devido ao final do exercício, como poderia então lançar a multa isolada pelo não recolhimento de partes deste tributo, quando a empresa já está sendo penalizada com a multa de 75% incidente sobre todo o imposto devido. O ato que está sendo punido pela fiscalização é um só. O de não recolher o tributo devido. Por isso, nos casos em que o valor lançado relativamente à multa de ofício excede o valor lançado em relação à multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas a multa mais grave absorve a multa menos grave a, assim, aplicase a consunção. Por isso, na aplicação da consunção não há de se falar simplesmente em exoneração da multa isolada. Em verdade o que se diz e como demonstram os diversos julgados desta mesma turma, a consunção da exclusão da multa isolada só ocorre integralmente nos casos em que a multa de ofício aplicada lhe é superior. Assim, nos casos em que a multa isolada é superior ao valor da multa de ofício, a exoneração é parcial e limitada ao montante da multa de ofício, devendo nestas hipóteses ser mantida a punição isolada em relação ao montante que superou a multa de ofício. Fl. 6354DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.355 65 Parece estranho, mas não é. Como a estimativa é uma antecipação do imposto, ocorrem casos em que, na apuração anual a empresa verifica a existência de exclusões do lucro real que não são utilizadas no cálculo das estimativas e, assim, o tributo apurado ao final do exercício termina por ser inferior à soma dos tributos devidos por estimativas. Nestes casos a consunção se aplica parcialmente e mantémse a parcela da multa de 50% que superou o montante da multa de ofício. Acrescentese a tudo isso que a novel interpretação instituída por meio do Parecer Normativo nº 02, de 03 de dezembro de 2018, analisando o tema relativo às estimativas e o valor do tributo devido, conclui que: Síntese conclusiva 13.De todo o exposto, concluise: a) os valores apurados mensalmente por estimativa podiam ser quitados por Dcomp até 30 de maio de 2018, data que entrou em vigor a Lei nº 13.670, de 2018, que passou a vedar a compensação de débitos tributários concernentes a estimativas; b) os valores apurados por estimativa constituem mera antecipação do IRPJ e da CSLL, cujos fatos jurídicos tributários se efetivam em 31 de dezembro do respectivo anocalendário; não é passível de cobrança a estimativa tampouco sua inscrição em DAU antes desta data; c) no caso de Dcomp não declarada, devese efetuar o lançamento da multa por estimativa não paga; os valores dessas estimativas devem ser glosados; não há como cobrar o valor correspondente a essas estimativas, e este tampouco pode compor o saldo negativo de IRPJ ou a base de cálculo negativa da CSLL. d) no caso de Dcomp não homologada, se o despacho decisório que não homologou a compensação for prolatado antes de 31 de dezembro, e não foi objeto de manifestação de inconformidade, não há formação do crédito tributário nem a sua extinção; não há como cobrar o valor não homologado na Dcomp, e este tampouco pode compor o saldo negativo de IRPJ ou a base de cálculo negativa da CSLL; e) no caso de Dcomp não homologada, se o despacho decisório for prolatado após 31 de dezembro do anocalendário, ou até esta data e for objeto de manifestação de inconformidade pendente de julgamento, então o crédito tributário continua extinto e está com a exigibilidade suspensa (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996), pois ocorrem três situações jurídicas concomitantes quando da ocorrência do fato jurídico tributário: (i) o valor confessado a título de estimativas deixa de ser mera antecipação e passa a ser crédito tributário constituído pela apuração em 31/12; (ii) a confissão em DCTF/Dcomp constitui o crédito tributário; Fl. 6355DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.356 66 (iii) o crédito tributário está extinto via compensação; não é necessário glosar o valor confessado, caso o tributo devido seja maior que os valores das estimativas, devendo ser as então estimativas cobradas como tributo devido; f) se o valor objeto de Dcomp não homologada integrar saldo negativo de IRPJ ou a base negativa da CSLL, o direito creditório destes decorrentes deve ser deferido, pois em 31 de dezembro o débito tributário referente à estimativa restou constituído pela confissão e será objeto de cobrança; g) a SCI Cosit nº 18, de 2006, deve ser lida de acordo com o Parecer PGFN/CAT/Nº 88/2014, motivo pelo qual ratificase o disposto nos seus itens 12, 12.1, 12.1.1, 12.1.3 e 12.1.4 e 13 a 13.3, revogandose o seu item 12.1.2. A interpretação, assim estabelecida, reforça o entendimento deste relator de que o recolhimento por estimativa é parte constante do débito apurado de IRPJ ou CSLL anual, assim o tratamento relativo à falta de pagamento das estimativas e do tributo devido ao final do exercício deve ser analisado em conjunto e não como se tratando de normas independentes e que tem de ter aplicação indistinta sem qualquer moderação. Assim, reforçado com o parecer acima, e com base na utilização dos princípios do direito penal já tratados acima, entendo perfeitamente aplicável o princípio da consunção aos casos de aplicação concomitante de multa isolada com multa de ofício pela falta de recolhimento do tributo. No presente caso, tendo em vista que não é possível no momento calcular os exatos valores das multas isoladas e de ofício que vão remanescer após o recálculo dos tributos devidos em face da exoneração neste voto, entendo que deve ser aplicado o princípio da consunção de modo que somente sejam cobrados do contribuinte os valores relativos às multas isoladas que superaram o montante da multa de ofício remanescente apurados quando da liquidação do julgado, em razão de serem absorvidos, em face deste princípio, os valores das multas isoladas que sejam inferiores ao valor da multa de ofício remanescente. Da Ilegal Incidência de Juros sobre a Multa de Ofício. Com relação a este ponto entende o recorrente que não é cabível a aplicação de juros sobre a multa de ofício lançada. Apresenta diversos argumentos neste sentido. No entanto, em face da edição da Súmula CARF nº 108, não resta mais objeto a ser analisado posto que a referida Súmula é vinculante e de aplicação obrigatória pelos membros deste CARF. Assim, passo a reproduzir o conteúdo da referida Súmula. Fl. 6356DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.357 67 Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Acórdãos Precedentes: CSRF/0400.651, de 18/09/2007; 10322.290, de 23/02/2006; 10323.290, de 05/12/2007; 10515.211, de 07/07/2005; 10616.949, de 25/06/2008; 30335.361, de 21/05/2018; 1401 00.323, de 01/09/2010; 910100.539, de 11/03/2010; 910101.191, de 17/10/2011; 920201.806, de 24/10/2011; 920201.991, de 16/02/2012; 1402002.816, de 24/01/2018; 2202003.644, de 09/02/2017; 2301005.109, de 09/08/2017; 3302001.840, de 23/08/2012; 3401004.403, de 28/02/2018; 3402004.899, de 01/02/2018; 9101001.350, de 15/05/2012; 9101001.474, de 14/08/2012; 9101001.863, de 30/01/2014; 9101002.209, de 03/02/2016; 9101003.009, de 08/08/2017; 9101003.053, de 10/08/2017; 9101003.137 de 04/10/2017; 9101003.199 de 07/11/2017; 9101003.371, de 19/01/2018; 9101003.374, de 19/01/2018; 9101003.376, de 05/02/2018; 9202003.150, de 27/03/2014; 9202004.250, de 23/06/2016; 9202004.345, de 24/08/2016; 9202005.470, de 24/05/2017; 9202005.577, de 28/06/2017; 9202006.473, de 30/01/2018; 9303002.400, de 15/08/2013; 9303003.385, de 25/01/2016; 9303005.293, de 22/06/2017; 9303005.435, de 25/07/2017; 9303005.436, de 25/07/2017; 9303005.843, de 17/10/2017. Fl. 6357DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.358 68 Assim, em razão da obediência ao entendimento sumulado por este CARF, nego provimento ao recurso. Da Aplicação do art. 112 do CTN. Que em caso de julgamento do recurso por voto de qualidade, em face da norma do art. 112, que seja a multa reduzida para 75%. Requer ao final, em seu recurso, que em caso de julgamento por voto de qualidade que a multa seja reduzida para o percentual de 75%. Ora, conforme acima apresentado, o valor da multa de ofício lançada relativo às infrações que ainda foram mantidas restringiuse ao percentual de 75% tendo em vista que as multas qualificadas e agravadas foram exoneradas integralmente. Assim, com relação a este ponto não há objeto a ser analisado, mantendose as multas de ofício lançadas no patamar de 75%. RECURSO DE OFÍCIO Em relação ao recurso de ofício manejado pela decisão de Piso, as exonerações realizadas pela decisão decorreram dos seguintes pontos: 1 Exclusão do agravamento da multa de ofício 2 Exclusão de parte do lançamento relativo à utilização a maior de bases de cálculo negativas de CSLL no ano de 2006 3 Exoneração das multas isoladas por falta de pagamento por estimativa do ano de 2006. Vejamos os itens e os motivos apresentados pela decisão de Piso no que toca a estas exonerações: 1 1 Exclusão do agravamento da multa de ofício Passo a transcrever o trecho da decisão de Piso a respeito desta exoneração. 97 As Autoridades Fiscais entenderam que, consoante se extrai do TVF, às fls. 85 a 86, a ENERGISA SERGIPE, embora reiteradamente intimada, de forma deliberada não prestou esclarecimentos cruciais ao bom andamento da Auditoria, caracterizandose uma situação passível de agravamento da Fl. 6358DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.359 69 multa de ofício, em consonância com o § 2°, inciso I, do artigo 44, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação da Lei n° 11.488, de 2007. 98 A Impugnante, por seu turno, protestou garantindo a inocorrência de não atendimento à fiscalização, sendo certo que eventual atendimento insatisfatório não é suficiente para aplicação de tal multa. A seu favor sustentou que: 98.1 O agravamento da multa de ofício só é cabível na hipótese em que o contribuinte não atende a intimação da fiscalização para prestar esclarecimentos.(...) Isto porque, o agravamento da penalidade em questão tem por objetivo penalizar apenas o contribuinte que ignora por completo a fiscalização;(g.n.) 98.2 (...) no presente caso, a simples leitura do Termo de Verificação Fiscal demonstra que, no decorrer de todo o procedimento fiscal, a Impugnante sempre se colocou à disposição da fiscalização, apresentando diversas respostas com documentos e informações solicitadas. (...) Como se vê, nesse caso, não há que se falar em não atendimento à fiscalização e sim, no máximo, em um atendimento que, de acordo com um critério subjetivo da fiscalização, não teria sido satisfatório;e (g.n.) 98.3 (...) o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais também já se manifestou no sentido de que o atendimento às intimações fiscais, ainda que considerado insatisfatório, não tem o condão de ensejar a aplicação da multa agravada, (...)a Câmara Superior de Recursos Fiscais já pacificou o entendimento de que tendo o contribuinte se esforçado para apresentar, ainda que fora do prazo, uma parcela dos documentos solicitados, não seria aplicável o agravamento da multa de ofício. (g.n.) 99 Previamente ao nosso posicionamento quanto ao tema, é de relevo, ad argumentandum, consignar o que pretendeu o legislador ao prever o aumento da multa de ofício preceituado no art. 44, §2° inciso I da Lei 9.430/96, autorizado pelo §5° do art. 18 da Lei n° da Lei n° 10.833/200, conforme segue: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 6359DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.360 70 I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)(g.n.) 100 Observase que a oneração em questão visou penalizar o Sujeito Passivo que NÃO ATENDE a intimação, quer dizer, deve haver manifesta demonstração, seja pela expressa negativa ou inércia, que o Intimado objetivou em NADA concorrer para satisfazer o pleito da Fiscalização. 101 Neste caso concreto, embora tenham sucedido muitos percalços tais como reiteradas intimações e reintimações, atendimentos parciais das demandas ou não atendimento de determinados requerimentos, segundo registrado no item 2.1.2 do relatório, não podemos assegurar que a Contribuinte não atendeu as reivindicações do Fisco plenamente. Percebese, percorrendo o TVF, às fls. 60 a 63, que livros e documentos forem entregues e intimações foram respondidas, todavia não a contento, entretanto, considerando todo o procedimento fiscalizatório em questão, longe de caracterizar uma circunstância impeditiva ou prejudicante, de forma incisiva, da definição da base de cálculo dos tributos lançados. 102 Em benefício do entendimento expressado, segue jurisprudência administrativa nesse sentido: MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA PARA 112,5%. APRESENTAÇÃO DE EXTRATOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS DEPOSITADOS EM CONTA BANCÁRIA. NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO DE FORMA SATISFATÓRIA. HIPÓTESE DE INAPLICABILIDADE. Inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do atendimento parcial das intimações. (Data da Sessão 12/06/2013. Acórdão nº 1302001.121) ______________________________________________________________ MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. APRESENTAÇÃO DE EXTRATOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS DEPOSITADOS EM CONTA BANCÁRIA. NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO DE FORMA SATISFATÓRIA. HIPÓTESE DE INAPLICABILIDADE. Inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do não atendimento ou atendimento de forma parcial à intimação para apresentação de extratos bancários e comprovação da origem dos recursos depositados em contas bancária, já que estas omissões têm conseqüências específicas previstas na legislação de regência. (Data da Sessão 11/09/2012. Acórdão nº 1302 000.970) ______________________________________________________________ MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. O agravamento da penalidade em 50%, previsto no inciso I do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser aplicado apenas nos casos em que o contribuinte deixa de atender à intimação do Fisco para prestar esclarecimentos, mas não quando o sujeito passivo tão somente apresenta resposta incompleta ou diferente daquela desejada pela autoridade fiscal. (Data da Sessão 21/01/2016. Acórdão nº 1201001.291) Fl. 6360DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.361 71 103 Por consequência, prosperam as argumentações da Defesa não restando caracterizada o agravamento da multa isolada aplicada, por conseguinte o percentual deve ser reduzido de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento) para 150% (cento e cinquenta por cento). Dessa forma, acato em parte as alegações da Impugnante alusivas a INFRAÇÃO 1. Em relação a este tópico não há reparos a fazer na Decisão da Delegacia de Julgamento. Acertadamente entendeu que o atendimento às intimações foi realizado de forma adequada, embora não tenha atendido da forma como desejava a fiscalização. Descabe, desta maneira, a aplicação do agravamento da multa em razão de não ter se caracterizado o descumprimento às intimações da fiscalização. Mais ainda quando, neste voto, entendo por legítima a operação realizada que deu caso à dedução glosada pela fiscalização. Em assim, voto por negar provimento ao recurso de ofício neste ponto. 2 Exclusão de parte do lançamento relativo à utilização a maior de bases de cálculo negativas de CSLL no ano de 2006 Em relação a este item, já foi acolhido por este relator o entendimento oferecido pela Delegacia de Julgamento quanto à análise da infração 11, tendo este relator acolhido na íntegra aquele entendimento, também com relação à exoneração parcial da infração II com relação à utilização a maior de bases de cálculo negativas de CSLL no ano de 2006. Assim, por já ter concordado na íntegra com o entendimento da Decisão de Piso, desnecessário maiores considerações, razão pela qual voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício também neste ponto. 3 Exoneração das multas isoladas por falta de pagamento por estimativa do ano de 2006. Em relação a esta exoneração também já concordamos com ela quando da análise do ponto específico. Em verdade a exoneração das multas isoladas pela falta de recolhimento por estimativa até 2006 decorre, além de tudo, da existência da Súmula CARF nº 105, conforme abaixo, com validade até dezembro de 2006. Súmula CARF nº 105 A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. Acórdãos Precedentes: 9101001.261, de 22/11/2011; 9101001.203, de 17/10/2011; 9101001.238, de 21/11/2011; Fl. 6361DF CARF MF Processo nº 10510.724763/201112 Acórdão n.º 1401003.308 S1C4T1 Fl. 6.362 72 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. 9101001.307, de 24/04/2012; 1402001.217, de 04/10/2012; 110200.748, de 09/05/2012; 1803001.263, de 10/04/2012 Assim, tendo em vista que a exoneração das multas isoladas do ano de 2006 encontrase em consonância com a Súmula CARF nº 105, voto por negar provimento ao recurso de ofício também neste ponto. CONCLUSÃO À vista de todo o exposto no presente, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e de dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir a glosa relativa à indedutibilidade das despesas de ágio (infração 01) e excluir, em atenção ao princípio da Consunção, os valores das multas isoladas que não excederem o montante das multas de ofício lançadas nos mesmos períodos (infração 03). (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 6362DF CARF MF
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