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Numero do processo: 10768.002992/2004-23
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2003
LIMITE DE ALÇADA. VALOR ACIMA. COMPETÊNCIA. TURMAS
ORDINÁRIAS.
No julgamento dos recursos no âmbito do CARF deve ser obedecido o limite de alçada estipulado para julgamento dos recursos voluntários, pelas Turmas Especiais, referenciado pelo valor fixado para o recurso de ofício a ser interposto pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento.
Processos com valor fora desse limite devem ser julgados pelas Turmas Ordinárias.
Numero da decisão: 3803-002.317
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2003 LIMITE DE ALÇADA. VALOR ACIMA. COMPETÊNCIA. TURMAS ORDINÁRIAS. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF deve ser obedecido o limite de alçada estipulado para julgamento dos recursos voluntários, pelas Turmas Especiais, referenciado pelo valor fixado para o recurso de ofício a ser interposto pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Processos com valor fora desse limite devem ser julgados pelas Turmas Ordinárias.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1693; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 201 1 200 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.002992/200423 Recurso nº 869.877 Voluntário Acórdão nº 3803002.317 – 3ª Turma Especial Sessão de 25 de janeiro de 2012 Matéria RESSARCIMENTO DE IPI CRÉDITO PRÊMIO Recorrente CSN CIA SIDERÚRGICA NACIONAL Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2003 LIMITE DE ALÇADA. VALOR ACIMA. COMPETÊNCIA. TURMAS ORDINÁRIAS. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF deve ser obedecido o limite de alçada estipulado para julgamento dos recursos voluntários, pelas Turmas Especiais, referenciado pelo valor fixado para o recurso de ofício a ser interposto pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Processos com valor fora desse limite devem ser julgados pelas Turmas Ordinárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e os suplentes Andréa Medrado Darzé e Alan Fialho Gandra. Relatório Fl. 209DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/01/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 10.093, de 12 de maio de 2005, da 6ª Turma da DRJ/Juiz de Fora, fls. 113 a 115, que decidiu por não conhecer do pedido de ressarcimento. O pedido de ressarcimento de créditoprêmio, fl, 01, cujo valor monta a R$ 475.470.796,43, formulado com base no disposto no DecretoLei n° 491/1969, foi indeferido liminarmente pela DIORT da DERAT no Rio de Janeiro/RJ por meio do Despacho Decisório às fls. 60/62, fundada na Instrução Normativa n° 226/2002. Em sua manifestação de inconformidade, fls. 65/81, a contribuinte insurgiu se contra o indeferimento, mencionando a existência de provimento judicial no Mandado de Segurança 2002.51.010208453, em que foi reconhecido o seu direito à fruição do beneficio fiscal previsto no decretolei acima citado e sustentando que o incentivo fiscal pleiteado encontra amparo na legislação. Em julgamento da lide a DRJ/Juiz de Fora não conheceu da impugnação por estar a matéria sob apreciação do Poder Judiciário, e em obediência ao disposto no art. 8°, § 6°, da Instrução Normativa n° 21/19971, e ainda amparada nas disposições do DecretoLei n° 1.737/1979, de 20 de dezembro de 1979, art. 1º, § 2°, na Lei n° 6.830, de 22 de setembro de 1980, art. 38, parágrafo único, e no Ato Declaratório Normativo COSIT n° 03, de 14 de fevereiro de 1996. Cientificada da decisão em 06 de junho de 2005, irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 118 a 143, em que reitera os termos da manifestação de inconformidade, pede pela anulação da decisão de primeira instância e clama para que, no julgamento do presente recurso, adentrese no mérito da causa e autorizese a fruição dos seus créditos. É o relatório. 1 Art. 8° O ressarcimento dos créditos relacionados no art. 3° será efetuado, inicialmente, mediante compensação com débitos do IPI relativos a operações no mercado interno. (...) § 6° Não será admitido pedido de ressarcimento em espécie, de pessoa jurídica com processo judicial ou com procedimento administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito de IPI, em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário ou pelo Segundo Conselho de Contribuintes possa alterar o valor do ressarcimento solicitado. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa O recurso é tempestivo, porém não atende o requisito para sua admissibilidade relativo ao valor de alçada a que se subsume à competência para julgamento desta Turma Especial. A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, nos termos do art. 7º, § 1º, da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, RICARF. O crédito no presente processo é de R$ 475.470.796,43. A competência das Turmas Especiais é restrita ao julgamento de recursos em processos que envolvam valores Fl. 210DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/01/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10768.002992/200423 Acórdão n.º 3803002.317 S3TE03 Fl. 202 3 reduzidos, limite de alçada referenciado pelo valor da exoneração procedida por Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ora fixado nos termos do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Por este fato, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 25 de janeiro de 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 211DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/01/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10768.002992/200423 Interessada: CSN CIA SIDERÚRGICA NACIONAL À 3ª SEJUL, para formação de lote de sorteio para as turmas ordinárias, haja vista que o valor do processo supera a alçada desta TE, estabelecida no § 2º do art. 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF. Brasília DF, em 25 de janeiro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção – Presidente Fl. 212DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/01/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10670.002003/2002-19
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jul 13 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Jul 13 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 303-01.172
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Marciel Eder Costa.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: ZENALDO LOIBMAN
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Numero do processo: 13026.000216/98-15
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2003
Numero da decisão: 303-00.864
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da Notificação de Lançamento por vicio formal, vencidos os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli, relator, Irineu Bianchi e Paulo de Assis e, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Designada para redigir o voto quanto à preliminar a Conselheira Anelise Daudt Prieto.
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI
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RESOLVEM os Membros da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da Notificação de Lançamento por vicio formal, vencidos os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli, relator, Irineu Bianchi e Paulo de Assis e, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Designada para redigir o voto quanto à preliminar a Conselheira Anelise Daudt Prieto. Brasilia-DF, em 26 de fevereiro de 2003 JOÃO HOLANDA COSTA Preside e N01"ON/L Z BART LI I( elator 2 4 JUN ZOC3 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ZENALDO LOIBMAN e CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO BARROS. Ausente o Conselheiro HÉLIO GIL GRACINDO. Mmm/3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) RELATORA DESIG. 123.710 303-00.864 SONEIDE TEREZINHA KRELING UBER DRJ/FORTALEZA/CE MILTON LUIZ BARTOLI ANELISE DAUDT PRIETO RELATÓRIO Trata-se de processo que já foi apreciado por esta Eg. Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, quando por unanimidade de votos, julgou-se pela conversão do julgamento em Diligência. Desta feita, adoto o Relatório e Voto de fls. 128/129, os quais passo a transcrever: "Trata-se de Impugnação a lançamento do Imposto Territorial Rural — ITR, exercício 1.996, na qual o contribuinte alega que o ITR da propriedade em questão, foi lançado em duplicidade, tendo em vista que a mesma foi desmembrada em seis novas Areas, as quais também receberam cada qual, uma Notificação de Lançamento. Fundamenta-se no art. 1° da Lei 8.847/94, que determina que o ITR tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou posse de Imóvel por natureza, em primeiro de Janeiro de cada exercício, sendo que diante da prova efetiva de que o desmembramento da propriedade se deu no final de 1995, não há de restar dúvidas de que o lançamento do ITR sobre a área total, ocorreu indevidamente. Informa ainda, que os lançamentos referentes As Areas desmembradas, já foram devidamente recolhidos. Anexa Memorial Descritivo de Localização de Área, documento de fls. 06/40. As fls. 64/68, encontra-se o Instrumento Particular de Extinção de Condomínio. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, exarou decisão julgando procedente o lançamento, consubstanciada 4 pela ementa: 'Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.710 RESOLUÇÃO N° : 303-00.864 Exercício: 1996 Extinção de Condomínio Não comprovada a extinção do condomínio nem, por conseqüência, a divisão da propriedade entre os consortes, considera-se existente um único imóvel, para efeito do respectivo lançamento. LANÇAMENTO PROCEDENTE.' No entendimento do julgador a quo, na ausência da correspondente Escritura Pública ou Certidão do Registro de Imóveis, não é possível conhecer-se legalmente da dissolução do condomínio. Recorreu o contribuinte, tempestivamente, reiterando todos os fundamentos apresentados em sua Peça Impugnatória, salientando que o desmembramento foi inclusive reconhecido pelo julgador de Primeira Instancia, quando afirma "que é facultado o pedido de restituição dos valores indevidamente pagos, mediante solicitação formulada a Delegacia da Receita Federal em cuja jurisdição se localiza o imóvel.' Requer o cancelamento do lançamento, pelas razões expostas. 0 contribuinte ofereceu garantias, em forma de Arrolamento de Bens, para a apreciação dos autos, conforme documentos de fls. 114/118. 0 que se percebe nos autos é que a contribuinte, apesar de alegar duplicidade de lançamento não trouxe qualquer comprovante de sua afirmação. No entanto, não se pode deixar de considerar que na impugnação ha menção de números de inscrições de imóveis junto a Secretaria da Receita Federal que afirma, seriam, se somados, o mesmo objeto do lançamento impugnado. Assim, no meu entender é de curial importância trazer aos autos a descrição daqueles imóveis cadastrados na Receita Federal sob os números 4571160.7, 4571098.8, 4571309.0, 4571025.2 e 4571115.7, a fim de que se verifique se são realmente partes menores destacadas daquela area maior. Por outro lado, também de grande importância para o deslinde deste Recurso é saber se foram recolhidos os impostos (ITR) relativos as areas, com emissão de notificações de lançamento para os mesmos. 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUTNTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.710 RESOLUÇÃO N° : 303-00.864 E tal me parece, posto que não se pode admitir venha a própria Secretaria da Receita Federal a aceitar a inscrição, emitir notificações de lançamento e o pagamentos respectivos, e, após, querer tributar a área maior, sob o argumento de que não há provas da extinção do condomínio existente. Diante de tais argumentos, entendo ser o caso de converter o julgamento em diligencia junto A. Delegacia da Receita Federal em Imperatriz, MA, a fim de que: 1. forneça as declarações relativas aos imóveis inscritos sob os n.° 4571160.7, 4571098.8, 4571309.0, 4571025.2 e • 4571115.7, a fim de possibilitar sua identificação; 2. informe se foram expedidas notificações de lançamento desses imóveis, para a cobrança do ITR; 3. informe se houve o pagamento respectivo." Assim, tornam os autos a este Eg. Conselho, acompanhado dos documentos de fls. 133/158. E o relatório. • 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.710 RESOLUÇÃO N° : 303-00.864 VOTO A fim de que se possa decidir lucidamente sobre a celeuma instaurada nos presentes autos, entendo imprescindível que a diligência requisitada na Resolução n° 303-0.820, às fls. 127/129, seja efetiva e eficientemente cumprida. • A Delegacia da Receita Federal em Imperatriz/MA, ás fls. 133/158 juntou aos autos "extratos" que, em principio, apontam a situação dos imóveis objeto da lide. Referidos "extratos" contudo não são claros o suficiente para que se repute cumprida a diligência outrora determinada, não servindo para formar a convicção do julgador. Ao converter o julgamento em diligencia da primeira vez este relator teve o cuidado de dizer claramente os esclarecimentos que devem ser trazidos aos autos. Assim sendo, se faz necessário que as respostas nos sejam fornecidas de forma clara, a fim de que se evite um errôneo entendimento e injusto julgamento. Ante o exposto, e o que de mais nos autos consta, voto no sentido de CONVERTER NOVAMENTE 0 PRESENTE JULGAMENTO EM DILIGENCIA, a fim de que a Delegacia da Receita Federal em Imperatriz/MA efetivamente responda ao requisitado na Resolução n° 303-0.820, de fls. 127/129 dos presentes autos. Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2003 0 y'llTO OLI — Relator MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.710 RESOLUÇÃO N° : 303-00.864 VOTO VENCEDOR QUANTO A PRELIMINAR Preliminarmente, devo abordar a questão da nulidade do lançamento em decorrência da falta de identificação do agente fiscal autuante na Notificação de Lançamento emitida por meio eletrônico, levantada por Conselheiros desta Câmara. Importa esclarecer que tal notificação é emitida, em massa, eletronicamente, por ocasião do lançamento do ITR, não se tratando de revisão de lançamento e sim do próprio lançamento que, de acordo com o artigo 6.° da Lei 8.847/94, que vigorou até a edição da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, segue, a principio, a modalidade de oficio. Discordo da declaração, de oficio, da nulidade de tal lançamento. Em primeiro lugar, de acordo com o artigo 59 do Decreto 70.235/72, são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Por outro lado, o artigo 60 do mesmo diploma legal dispõe que outras irregularidades, incorreções, e omissões não importarão nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa ou quando não influirem na solução do litígio. Deduz-se, então, que o artigo 59 é exaustivo quanto aos casos em que a declaração de nulidade deve ser proferida. Conclui-se, portando, que os requisitos constantes do artigo 11 daquele mesmo Decreto, entre os quais a identificação do agente, somente tornam nulo o ato de lançamento se este for proferido por autoridade incompetente ou se houver preterição do direito de defesa. Ora, o presente caso não se consubstancia, de forma nenhuma, em cerceamento do direito de defesa, tanto é que o contribuinte apresentou as peças recursais, sabendo exatamente a quem iria procurar. Ademais, é público e notório qual a autoridade fiscal que chefia a repartição e que tem competência para praticar o ato de lançamento. Em segundo lugar, o contribuinte sequer argüiu tal nulidade, o que corrobora a conclusão de que não se sentiu prejudicado com tal forma de lançamento. Não sendo caso de nulidade absoluta, ou seja, não sendo caso de cerceamento do direito de defesa ou de ato praticado por autoridade incompetente, trata-se de caso quef deveria ser sanado se resultasse em prejuízo ao sujeito passivo, o que não se verificou. 6 1. A falta de indicação, no auto de notificação de lançamento fiscal expedido por meio eletrônico, do nome, cargo e matricula do 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.710 RESOLUÇÃO N° : 303-00.864 Entendo que a anulação de ato proferido com vicio de forma, prevista no artigo 173, inciso II, do Código Tributário Nacional, somente deve ser realizada se demonstrado prejuízo para o sujeito passivo, o que deve por ele ser levantado. Tratar-se-ia, então, na prática, de saneamento do ato previsto no artigo 60 do Decreto 70.235/72. In casu, poder-se-ia afirmar que seria inclusive matéria preclusa, não argiiida por ocasião da impugnação ao lançamento. 0 argumento de que a Instrução Normativa n.° 94, de 24 de dezembro de 1997 deveria ser aqui aplicada também não me convence, haja vista que tal ato normativo é especifico para lançamentos suplementares, decorrentes de revisão, efetuados por meio de autos de infração, o que não se aplica ao presente. Mesmo que assim não fosse, é jurisprudência nesta Casa que tais atos não vinculam as decisões deste Colegiado. Com base neste mesmo argumento, rejeito também as alegações quanto A. possível aplicabilidade do disposto no Ato Declaratório Normativo COSIT n.° 2, de 03/02/99, A presente lide. Um terceiro ponto a ser considerado diz respeito A. economia processual, que ficaria a léguas de distância a partir de uma decisão como a que ora questiono. Basta imaginar-se que a autoridade deveria proceder, dentro de cinco anos, conforme art. 173, inciso II, do CTN, a novo lançamento, ao qual provavelmente se seguiria nova impugnação, outra decisão, e outro recurso voluntário. A ninguém interessa tal acréscimo de custo: nem ao contribuinte e nem ao Estado. 0 principio da proporcionalidade, que no Direito Administrativo emana a idéia de que "as competências administrativas só podem ser validamente exercidas na extensão e intensidade proporcionais ao que seja realmente demandado para cumprimento da finalidade de interesse público a que estão atreladas" (MELLO, Celso Antonio Bandeira. Curso de Direito Administrativo. 9.' ed. revista, atualizada e ampliada. Sao Paulo: Malheiros, 1997. p. 67) estaria sendo seriamente violado. Finalizando, trago a decisão a seguir, que corrobora o exposto: "TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4.' REGIÃO. Primeira Seção. Ementa: Embargos Infringentes. Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. Art. 11 do Decreto 70.235/72. Falta do Nome, Cargo e Matricula do Expeditor. Ausência de Nulidade. MINIS I ERIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 123.710 RESOLUÇÃO N° : 303-00.864 servidor publico que o emitiu, somente acarreta nulidade do documento quando evidente o prejuízo causado ao contribuinte. 2. No caso dos autos, a notificação deve ser tida como válida, uma vez que cumpriu suas finalidades, cientificando o recorrente da existência do lançamento e oportunizando-lhe prazo para defesa. 3. Embargos infringentes improvidos." Embargos Infringentes em AC n.° 2000.04.01.025261-7/SC. Relator Juiz José Luiz B. Germano da Silva. Data da Sessão: 04/10/00. D.J.U. 2-E de 08/11/00, p. 49. Pelo exposto, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento. Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2003 ANELISE DAUDT PRIETO — Relatora Designada 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA 47. TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n°: 13026.000216/98-15 Recurso n.°:.123.710 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador • Representante da Fazenda Nacional junto à Terceira Camara, intimado a tomar ciência da Resolução n° 303.00.864. Brasilia- DF 19 de maio de 2003 Jod osta Preside te da Terceiia. Camara Ciente em: (24 /06 •
score : 1.0
Numero do processo: 10283.003393/2002-16
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Sep 15 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Wed Sep 15 00:00:00 UTC 2004
Ementa: IT12196. VALOR DA TERRA NUA. Laudo não convincente para possibilitar a alteração do VT1sTm adotado no lançamento não
demonstra sequer as fontes de informação dos valores paradigmas
utilizados para o cálculo do valor da terra nua do imóvel em
questão, e se refere a período diverso daquele da ocorrência do fato gerador. Mesmo sendo baixado o processo em diligência para que
apresentasse laudo técnico com informações contemporâneas ao fato
gerador do imposto, o contribuinte, conquanto devidamente intimado, deixou de fazê-lo.
Recurso voluntário improvido.
Numero da decisão: 303-31.599
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: JOÃO HOLANDA COSTA
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VALOR DA TERRA NUA. Laudo não convincente para possibilitar a alteração do VT1sTm adotado no lançamento não demonstra sequer as fontes de informação dos valores paradigmas utilizados para o cálculo do valor da terra nua do imóvel em • questão, e se refere a período diverso daquele da ocorrência do fato gerador. Mesmo sendo baixado o processo em diligência para que apresentasse laudo técnico com informações contemporâneas ao fato gerador do imposto, o contribuinte, conquanto devidamente intimado, deixou de fazê-lo. Recurso voluntário improvido. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 15 de setembro de 2004 • JO OL A COSTA Pr idente e Rola or Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANELISE DAUDT PRIETO, ZENALDO LOIBMAN, SÉRGIO DE CASTRO NEVES, NILTON LUIZ BARTOLI, NANCI GAMA, SILVIO MARCOS BARCELOS FIÚZA e MARCIEL EDER COSTA. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional ANDREA !CARLA FERRAZ. MA/3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.745 ACÓRDÃO : 303-31.599 RECORRENTE : EDOEL JOSÉ FERREIRA ALVES RECORRIDA : DRJ/MANAUS/AM RELATOR(A) : JOÃO HOLANDA COSTA RELATÓRIO E VOTO Em 13/05/2003 esta Câmara decidiu converter o julgamento em diligência conforme relatório e voto de minha autoria que transcrevo a seguir: "Em Notificações de Lançamento individualizadas foi exigido de Edoel José Ferreira Alves o pagamento do Imposto Territorial Rural, exercício de 1.996, incidente sobre 9 (nove) imóveis rurais de sua propriedade, localizados em Municípios do Estado do Amazonas (fls. 12/15). Havendo recurso voluntário interposto contra a decisão de Primeira Instância, houve por bem a douta Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes encaminhar este processo à autoridade preparadora, com a Diligência n° 203-00.833, para o fim de: 1) analisar a possibilidade do desdobramento do processo para cada notificação e respectivos espelhos de declaração, juntando cópia dos demais documentos que se seguem em cada novo processo, respeitando o imóvel a que se refere; 2) intimar o contribuinte a apresentar, caso queira, laudo técnico para cada imóvel dentro da legislação em vigor (Normas da ABNT). Constam da fundamentação da diligência as seguintes observações do relator: a) trata-se de impugnação coletiva sendo diversas as Notificações de Lançamento; b) a base de cálculo do ITR é o VTN fixado para as terras dos ØMunicípios sendo isto no caso um complicador já que os imóveis estão em municípios diferentes; c) o julgador singular entendeu que, apesar de não haver declarado inicialmente (DITR), o contribuinte tem, em algumas notificações, direitos como o de Reserva Legal e de Preservação Permanente. Este processo trata da exigência fiscal relativa ao imóvel Seringal Solidade I e Solidade II, com área de 3.856,4 hectares, situado no Município de Itamarati/AM, localizado à margem direita do rio Juruá, com inscrição na SRF sob o número 3366684.9. VTN declarado: R$ 2.679,31; VTN tributado: 65.867, sendo cobrados ITR e contribuições; exercício 1996. Na conformidade do que lhe foi solicitado, o contribuinte fez juntar aos autos o Laudo Técnico de fls.93/102, acompanhado da ART de fls. 91, relativo ao imóvel rural Solidade I e Solidade II. Com relação à utilização da área, diz o técnico que: 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÃMARA RECURSO N° : 124.745 ACÓRDÃO N° : 303-31.599 "A área total do imóvel é de 3.856,4 ha. Desses 192,0 ha são considerados inaproveitáveis por tratar-se de área de preservação permanente, em margens de rios, lagos e igarapés, conforme prevê o Código florestal Brasileiro, implementado através da Lei 4.771,65; A área destinada à reserva legal, recomendada pelo Código Florestal, foi averbada em 26'02/92 (AV-01 R-954), pelo contrato de Manutenção de floresta, datado de 11.02.92. Tendo em vista o que dispõe a legislação florestal e ambiental vigente, que a floresta em forma de vegetação existente ?ruma área de 3.664,4 ha fica gravada como de utilização limitada, podendo nela ser feita 1111 somente a exploração florestal sob a forma de manejo em regime de rendimento sustentado, desde que autorizado pelo IBAMA". É o relatório. VOTO Em processo fiscal semelhante a este, de interesse do mesmo contribuinte, houve por bem a Câmara determinar diligência como proposto pela ilustra Relatora Dra. Anelise Daudt Prieto cujo voto adoto e transcrevo: "O contribuinte, em sua declaração, apresentou como base de cálculo para o ITR/96 um VTN inferior àquele mínimo estabelecido pela SRF por meio da Instrução Normativa n° 58/96 . Por este motivo, o lançamento foi efetuado com base no VTNm 1110 constante daquela Instrução, editada em consonância com o que dispõe a Lei n° 8.847/94 verbis: "Art. 3° A base de cálculo do imposto é o Valor da Terra Nua (VTN), apurado no dia 31 de dezembro do exercício anterior. § 1° O VTN é o valor do imóvel, excluído o valor dos seguintes bens incorporados ao imóvel: I - Construções, instalações e benfeitorias; II - Culturas permanentes e temporárias; III - Pastagens cultivadas e melhoradas; IV - Florestas plantadas. § 2° O Valor da Terra Nua mínimo (VTNm) por hectare, fixado pela Secretaria da Receita Federal ouvido o Ministério da Agricultura, do 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.745 ACÓRDÃO N° : 303-31.599 Abastecimento e da Reforma Agrária, em conjunto com a Secretaria de Agricultura dos Estados respectivos, terá como base levantamento de preços do hectare da terra nua, para os diversos tipos de terras existentes no Município. (...)" (grifei) Para a atribuição do VTNm são consideradas as características gerais do município onde está localizada o imóvel rural. Sua fixação tem como efeito principal criar uma presunção juris tcuituni em favor da Fazenda Pública, invertendo o ônus da prova caso o contribuinte se insurja contra o valor de pauta estabelecido na • legislação. Nesse sentido, o parágrafo 4.° do artigo 3.° da Lei 8.847/94 estabelece que a autoridade administrativa competente poderá rever, com base em laudo técnico emitido por entidades de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, o VTNm que vier a ser questionado pelo contribuinte. Portanto, cabe ao contribuinte comprovar que o VTN do imóvel objeto do lançamento é inferior àquele estabelecido pela Secretaria da Receita Federal de acordo com o disposto no parágrafo 2.° do art. 3.° da Lei 8.847/94. E isto deve ser feito por meio de laudo que demonstre que o imóvel possui peculiaridades específicas que o distingue dos demais da região. Por outro lado, reza o artigo 29 do Decreto n.° 70.235/72 que "na • apreciação da prova, a autoridade julgadora firmará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Entendo que laudo apto para a comprovação do VTN da propriedade em questão deve ser elaborado por profissional legalmente habilitado pelos Conselhos Regionais e Engenharia, Arquitetura e Agronomia e, de acordo com o disposto no artigo 1.0 da Lei n.° 6.496/77, está sujeito à Anotação de Responsabilidade Técnica — ART. Dele deve constar a metodologia aplicada para a avaliação, bem como os níveis de precisão adotados. O imóvel tem que estar caracterizado e individualizado, inclusive com o estado da propriedade objeto da avaliação. Como decorrência da vistoria, há 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.745 ACÓRDÃO N° : 303-31.599 necessidade de que fique caracterizada, também, a região em que está localizada a propriedade. Quanto à pesquisa de valores, precisam estar identificadas as fontes das informações adotadas. Obviamente, deverá referir-se à data da ocorrência do fato gerador do tributo. casu, o laudo apresentado não me convence quanto ao valor da terra nua, pois não demonstra as fontes de informação dos valores paradigmas utilizados para o seu cálculo e não atende a outros requisitos supra citados, inclusive quanto à data, diversa da de ocorrência do fato gerador, em 01/01/96. 111 Entretanto, quanto a este último requisito, depreende-se da intimação de fl. 89 que o contribuinte foi indevidamente informado de que o laudo deveria reportar-se ao valor do imóvel em 31/12/93. Portanto, por causa deste fator, entendo que deve ser dada oportunidade para que o interessado, querendo, anexe novo laudo ao processo." Meu voto é, igualmente, para converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, para o mesmo propósito. Em resposta, o contribuinte apresentou a petição de fl. 116 na qual solicita a revisão de oficio da declaração, para que possa apresentar declaração retificadora e acostar comprovantes de projetos, aprovados pelo 1BAMA, para exploração extrativista de madeira, que influenciará no tamanho da aliquota de cálculo do imposto. O Em anexo, constam somente cópias da procuração e do RG do procurador. Como se vê, não foram trazidos ao processo elementos informativos que possibilitassem a revisão do valor da terra nua utilizado no lançamento. Nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 15 de setembro de 2004 JOÃO =ANDA COSTA - Relator Page 1 _0020100.PDF Page 1 _0020200.PDF Page 1 _0020300.PDF Page 1 _0020400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10830.005219/2007-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 06 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Sep 02 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL E A TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO.
A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em Lei, as contribuições previdenciárias devidas à seguridade social e aquelas por ela arrecadadas para terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço.
PROCESSUAIS. NULIDADE.
Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo.
PERÍCIA. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. SUBSTITUIR PROVA DOCUMENTAL. PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO.
A perícia, pela sua especificidade, não tem a faculdade de substituir provas que poderiam ser produzidas pela contribuinte com a juntada de documentos aos autos no momento oportuno. Assim, o pedido de perícia será indeferido se o fato a ser provado não necessitar de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador.
FISCALIZAÇÃO ORIENTADORA. DUPLA VISITA. MICROEMPRESAS E EMPRESAS DE PEQUENO PORTE . DESCABIMENTO.
Os benefícios da fiscalização orientadora e o critério da dupla visita previstos no art. 55 da Lei Complementar n.º 123, de 2006, não se aplicam ao processo administrativo fiscal relativo a tributos, conforme preceitua o § 4o do mesmo artigo.
MULTA E JUROS DE MORA. CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. CABIMENTO. SÚMULA CARF nº5
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Súmula CARF nº 5.
Numero da decisão: 2202-007.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mário Hermes Soares Campos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: MARIO HERMES SOARES CAMPOS
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OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em Lei, as contribuições previdenciárias devidas à seguridade social e aquelas por ela arrecadadas para terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. PERÍCIA. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. SUBSTITUIR PROVA DOCUMENTAL. PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. A perícia, pela sua especificidade, não tem a faculdade de substituir provas que poderiam ser produzidas pela contribuinte com a juntada de documentos aos autos no momento oportuno. Assim, o pedido de perícia será indeferido se o fato a ser provado não necessitar de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. FISCALIZAÇÃO ORIENTADORA. DUPLA VISITA. MICROEMPRESAS E EMPRESAS DE PEQUENO PORTE . DESCABIMENTO. Os benefícios da fiscalização orientadora e o critério da dupla visita previstos no art. 55 da Lei Complementar n.º 123, de 2006, não se aplicam ao processo administrativo fiscal relativo a tributos, conforme preceitua o § 4o do mesmo artigo. MULTA E JUROS DE MORA. CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. CABIMENTO. SÚMULA CARF nº5 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 52 19 /2 00 7- 61 Fl. 174DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-007.135 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.005219/2007-61 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Súmula CARF nº 5. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 16-20.777 – 12ª Turma (fls. 148/173), da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SPOI), em sessão de 19 de março de 2009, que julgou procedente em parte a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD 37.075.700-9. Consoante o Relatório Fiscal elaborado pela autoridade fiscal lançadora (fls. 105/108), trata-se de crédito tributário lançado contra a pessoa jurídica acima identificada, em valor original de R$ 487.345,65, relativo às contribuições sociais devidas à Seguridade Social, parte da empresa, financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a contribuições destinadas a outras entidades (FNDE-Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE. O procedimento fiscal refere-se ao período de 12/1998 a 12/2006 e os valores lançados foram extraídos das folhas de pagamentos dos segurados empregados e de pró-labore, assim como, das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP’s) apresentadas pela pessoa jurídica, e referem-se a pagamentos de pró-labore a administradores e pagamentos de segurados empregados a título de salários e ordenados, férias e 13º salário, conforme discriminados no “Relatório de Lançamentos” de fls. 37/54. Inconformada com o lançamento fiscal a autuada apresentou impugnação, documento de fls. 111/116, onde não contesta a irregularidade apontada propriamente dita e se limita a alegar violação ao que qualifica como “princípio da dupla visita”; que os valores lançados seriam presumidos e sem suporte fático nos lançamentos efetuados, não tendo sido acompanhados de cálculos aritméticos e tampouco demonstrados os índices de atualização e taxa de juros. Requer realização de “perícia contábil matemática financeira” e demonstra inconformidade quanto à “cumulação indevida de multas em face das supostas infrações, bem Fl. 175DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-007.135 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.005219/2007-61 como, também de forma indevida, capitalização dos juros de mora, cobrando-os uns sobre os outros, o que entende ser vedado pelo ordenamento jurídico vigente. Posteriormente, foi apresentada petição complementar (fl. 125), onde solicita o reconhecimento e declaração de decadência dos débitos, considerando o prazo decadencial de 5 e não 10 anos, conforme adotado no lançamento. Eis os principais excertos da impugnação, conforme relatório constante do voto elaborado no julgamento de piso: PRELIMINARMENTE DA VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA DUPLA VISITA Ressalta que NFLD não poderá subsistir ante os termos da legislação que concede regência ao tratamento diferenciado e privilegiado aplicado às micro e pequenas empresas. A teor do disposto no artigo 12 da Lei Federal 9.841/99 (Estatuto da Micro e Pequena Empresa) as empresas ali tratadas, por ocasião em que sofram a fiscalização do poder público, deverão ser PRIORITARIAMENTE orientadas acerca da legislação em vigor e as obrigações dela determinadas. (...) Requer nulidade do lançamento. DO MÉRITO A Impugnante não pode responder por presunção do agente fiscalizador fazendário, não tendo o montante apurado fundamento para prevalecer. Os valores trazidos na NFLD são presumidos, não encontrando qualquer suporte fático nos lançamentos efetuados. A autoridade fiscal não pode e não deve presumir fatos e incidências tributárias onde não encontrara evidências. E mais, os valores indicados não foram acompanhados de cálculos aritméticos, nem tampouco demonstrados os índices de atualização e taxa de juros, ficando assim impugnados todos os valores apresentados, seja porque desprovido de embasamento legal, seja por falta de especificação discriminada de seu conteúdo. Deve-se proceder à apuração dos valores cobrados pela autoridade impugnada a título de previdência social, o que somente será possível através de perícia contábil matemática financeira, que desde já se requer. Houve cumulação indevida de multas em face das supostas infrações, bem como, também de forma indevida, capitalização dos juros de mora, cobrando-os uns sobre os outros, o que é vedado pelo ordenamento jurídico vigente. DO PEDIDO Requer seja declarada a nulidade da NFLD. Requer seja deferida prova pericial matemática financeira para apuração dos efetivos valores devidos. Requer ainda produção de prova documental complementar, para eventual elucidação da questão ora tratada, bem como sustentação oral ao julgamento da presente. DO ADENDO À IMPUGNAÇÃO (...) Requer ainda o Contribuinte, nesta Petição, seja declarada a decadência dos tributos previdenciários ora em discussão, prevalecendo na espécie o prazo decadencial de cinco anos, de acordo com o estabelecido no artigo 173 do Código Tributário Nacional - CTN. Fl. 176DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-007.135 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.005219/2007-61 A impugnação foi considerada pela autoridade julgadora de piso tempestiva e de acordo com os demais requisitos de admissibilidade. No julgamento realizado pela autoridade julgadora de 1ª instância, foi reconhecida a decadência, nos termos do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional - CTN (Lei nº 5.172, de 25 de utrubro de 1966), sendo dessa forma considerado procedente em parte o lançamentos. Foi reconhecida a decadência das seguintes competências: 12/1998 e 13/1998 do Levantamento 1 - FOLHA DE PAGAMENTO; 02/1999 a 12/1999, 01/2000 a 03/2000, 05/2000 a 12/2000, 01/2001 a 12/2001 e 01/2002 a 05/2002 do Levantamento 2 - FOLHA DE PAGAMENTO e competências: 11/1999, 01/2000, 08/2000 e 11/2000 do Levantamento DAL:. A decisão exarada apresenta a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS A SEGURIDADE SOCIAL E A TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em Lei, as contribuições previdenciárias devidas a Seguridade Social e aquelas por ela arrecadadas para terceiro, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. FATO GERADOR DECLARADO EM GFIP. OBRIGAÇÃO DE RECOLHER NO PRAZO LEGAL. As informações prestadas pela empresa através da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP possuem caráter eminentemente declaratório sendo hábeis para constituição do crédito previdenciário nos termos da Lei. NFLD. FORMALIDADES LEGAIS. A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) encontra-se revestida das formalidades legais, tendo sido lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam, o assunto. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A apresentação de provas no contencioso administrativo deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. A simples alegação desprovida de elementos convincentes de prova, quanto à alegada ocorrência de tributação indevida, impõe o indeferimento do pleito. MULTA. JUROS. TAXA SELIC. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem, a partir de 01.04.1997, juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC - e multa de mora, todos de caráter irrelevável. MATÉRIA INCONTROVERSA. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Art. 17 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972. CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. Declarada pelo STF, por meio de súmula vinculante, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário. Fl. 177DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-007.135 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.005219/2007-61 Irresignada com a decisão de piso, a contribuinte apresenta pedido de reconsideração, cominado com recurso voluntário (fls. 166/169), onde ratifica todos os argumentos articulados na impugnação, exceto quanto a já reconhecida decadência, e reitera o pedido de realização de perícia, posto que entende prejudicado o julgamento, pelo cerceamento probatório decorrente do indeferimento de produção de prova pericial, conforme os excertos abaixo reproduzidos: I Ao contrário do que fundamentado pela r. decisão administrativa ora recorrida, prevalece na espécie ora sub examinem o critério da dupla visita exigido pela legislação vigente. Assim sendo o lançamento fiscal efetuado em face da recorrente não pode subsistir ante os termos do artigo 12 da Lei Federal 9.841/99, ESTATUTO DA MICRO E PEQUENA EMPRESA, que as empresas ali tratadas, por ocasião em que sofram a fiscalização do poder público, deverão ser PRIORITARIAMENTE orientadas acerca da legislação em vigor e as obrigações dela determinadas. Deveras, na espécie a recorrente sequer fora orientada acerca da legislação vigente sobre o tema, sofrendo abruptamente a imediata e injustificada notificação fiscal de lançamento de débito, o que além de se avultar como ilegal também se apresenta também como indevida e injusta ante a proteção trazida ao porte do exercício empresarial efetuado pela impugnante, ferindo o principio da dupla visita da fiscalização instituída em acorde a guarida constitucional. Merece reforma a r. decisão administrativa para julgar como nulo o lançamento tributário. II Ainda, preliminarmente, denuncia-se que o indeferimento da produção da prova pericial pela origem implicara em odioso cerceamento de defesa que não poder ser mantido. No particular, requer seja o julgamento convertido em diligência a fim de que seja procedida a perícia requerida e indispensável ao escorreito exercício de defesa da recorrente a fim de elidir a nulidade absoluta havida no presente procedimento administrativo. III No mérito, merece reparo o quanto decidido pela r. decisão administrativa. Ora, impende verificar que malgrado as razões de decidir evocadas pela origem, o lançamento fiscal tal como efetuado não há de prevalecer. Malgrado a referenciação indicada pela r. decisão ora combatida, o lançamento fiscal decorrera de absoluta presunção, ficando impugnado as premissas e o montante apurado por distantes dos lançamentos efetuados. Ainda acresça-se que os próprios valores indicados no lançamento não foram acompanhados de cálculos aritméticos, nem tampouco demonstrados os índices de atualização e taxa de juros, ficando assim impugnados todos os valores apresentados por desprovidos de embasamento legal e de especificação discriminada de seu conteúdo. Demais disso, o julgamento proferido resta prejudicado pelo cerceamento probatório decorrente do indeferimento de produção de prova pericial, conforme já denunciado em tópico próprio, o que faz reiterar pela improcedência do lançamento. Ainda que assim não fosse, restara presente no lançamento fiscal efetuado a cumulação indevida de multas em face das supostas infrações e a indevida capitalização dos juros, o que vedado pelo ordenamento jurídico vigente, causando franco efeito de confisco, que demanda reparo. (...) Fl. 178DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-007.135 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.005219/2007-61 Ao final, requer a reforma da decisão recorrida e declaração de nulidade do lançamento fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Mário Hermes Soares Campos, Relator. A recorrente foi intimada da decisão de primeira instância, por via postal, em 16/04/2009, conforme Aviso de Recebimento de fl. 165. Tendo sido o recurso ora objeto de análise protocolizado em 14/05/2009, conforme carimbo aposto na própria peça recursal (fl. 166), considera-se tempestivo, assim como, atende aos demais requisitos de admissibilidade, deve portanto ser conhecido. FISCALIZAÇÃO ORIENTADORA – MICROEMPRESAS E EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – DUPLA VISITA A recorrente sustenta nulidade no lançamento por suposta inobservância ao art. 12 da Lei nº 9.841, de 5 de outubro de 1999. Há que se observar que a referida lei foi revogada pela Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, sendo que o revogado art. 12, foi reproduzido no art. 55 da novel legislação. Ocorre que tal dispositivo trata da fiscalização orientadora para microempresas e empresas de pequeno porte em relação a aspectos trabalhista, metrológico, sanitário, ambiental, de segurança e de uso e ocupação do solo. Confira-se Art. 55. A fiscalização, no que se refere aos aspectos trabalhista, metrológico, sanitário, ambiental, de segurança, de relações de consumo e de uso e ocupação do solo das microempresas e das empresas de pequeno porte, deverá ser prioritariamente orientadora quando a atividade ou situação, por sua natureza, comportar grau de risco compatível com esse procedimento. (Redação dada pela Lei Complementar nº 155, de 2016). § 1o Será observado o critério de dupla visita para lavratura de autos de infração, salvo quando for constatada infração por falta de registro de empregado ou anotação da Carteira de Trabalho e Previdência Social – CTPS, ou, ainda, na ocorrência de reincidência, fraude, resistência ou embaraço à fiscalização. § 2o (VETADO). § 3o Os órgãos e entidades competentes definirão, em 12 (doze) meses, as atividades e situações cujo grau de risco seja considerado alto, as quais não se sujeitarão ao disposto neste artigo. § 4o O disposto neste artigo não se aplica ao processo administrativo fiscal relativo a tributos, que se dará na forma dos arts. 39 e 40 desta Lei Complementar. (...) Observe-se que o § 4º, acima reproduzido, é taxativo ao disciplinar que este dispositivo não se aplica ao processo administrativo de fiscalização de tributos. Sem razão portanto a recorrente quanto a tais alegações, conforme decidido já no julgamento de piso. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA E MÉRITO Alega a autuada que o lançamento fiscal decorreu de absoluta presunção e que os próprios valores indicados no lançamento não foram acompanhados de cálculos aritméticos, nem tampouco demonstrados os índices de atualização e taxa de juros, “ficando assim impugnados todos os valores apresentados por desprovidos de embasamento legal e de especificação discriminada de seu conteúdo.” Fl. 179DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-007.135 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.005219/2007-61 Acrescenta que o julgamento proferido resta prejudicado pelo cerceamento probatório decorrente do indeferimento de produção de prova pericial, pelo que, suscita seja o julgamento convertido em diligência, a fim de que seja procedida à perícia requerida, que entende indispensável ao escorreito exercício de defesa da recorrente. No que tange a alegações de nulidade e cerceamento de defesa, cumpre pontuar que a Notificação se revestiu de todas as formalidades legais previstas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata do processo administrativo tributário. Ademais, saliente-se que o art. 59, do mesmo Decreto, preconiza apenas dois vícios insanáveis: a incompetência do agente do ato, situação esta não configurada, vez que o lançamento foi efetuado por agente competente (Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil), e a preterição do direito de defesa, circunstância também não verificada no presente procedimento. Por outro lado, é fato que todas as fases processuais preconizadas na norma foram observadas, pois antes mesmo da ciência da autuação foi concedido ao contribuinte o direito de contribuir para a fiscalização. Dessa forma, à contribuinte vem sendo garantido o mais amplo direito de defesa, desde a fase de instrução do processo, pela oportunidade de apresentar, em resposta às intimações que recebeu, argumentos, alegações e documentos, passando pela fase de impugnação e o recurso ora objeto de análise, onde ficam evidentes o pleno conhecimento dos fatos e circunstâncias que ensejaram o lançamento. Já na fase impugnatória a autuada requereu a realização de perícia contábil com os mesmos argumentos ora expostos, todavia, quando apreciou a impugnação a autoridade julgadora indeferiu o pedido de realização de perícia, por entender desnecessária ao não vislumbrar nos autos nenhuma razão para atendimento do pedido, Insurge-se a recorrente quanto a tal entendimento e ratifica o pedido de realização de perícia. Determina o art. 16, inc. IV do Decreto nº 70.235, de 1972, que a impugnação deve mencionar as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. Ocorre que a autuada limitou-se a requerer a realização de “perícia contábil matemática financeira”, sob a singela afirmação de que o lançamento decorrera de absoluta presunção. Não há indicação de perito, quesitos e, principalmente, apontamento de reais motivos justificadores da perícia requerida, além da alegada, e não justificada, presunção do lançamento. Tampouco é indicado algum ponto de divergência ou que necessite de parecer técnico especializado, ou qualquer indicação de divergências ou pontos conflitantes a ser esclarecidos pelo perito. Deve-se, de pronto, ser rechaçada. Deveria a contribuinte, ao discordar da autuação, apresentar no momento oportuno, qual seja, o da impugnação, os documentos e fatos que entendesse capazes de alteração dos valores lançados, ou eventuais fatos desconstitutivos. Diferentemente, optou por substituir sua incumbência probatória pela solicitação de providências a cargo da Administração Tributária ou do perito técnico, por meio de realização de perícia. Ocorre que a prova pericial, além do caráter específico, não depende exclusivamente da vontade das partes, mas sim de circunstâncias que justifiquem a necessidade de apreciações técnicas, por especialistas com conhecimento específico em determinadas matérias, com o intuito de esclarecer questões controvertidas, para que o julgador, diante de indícios ou elementos incipientes de prova, possa melhor elucidar os fatos para formar sua convicção. Fl. 180DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-007.135 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.005219/2007-61 Hipótese esta não caracterizada na presente situação, onde a autuada se limita a impugnar os valores, por entender imprescindível a realização da perícia para conferir o trabalho da fiscalização. Ora, se há dúvidas quanto aos valores apurados no Auto de Infração, ou quanto à correção de sua apuração, essas dúvidas deveriam ter sido objetiva e devidamente apontadas e justificadas no momento da impugnação. Registre-se que os valores relativos ao lançamento encontram-se claramente demonstrados nos anexos da Notificação, com destaque para: o “RL- Relatório de Lançamentos” (fls. 37/54), que especifica, por período de apuração, os valores lançados, discriminados por rubrica; e os Discriminativos Analítico (fls.5/27) e Sintético de Débito (fls. 28/36), que informam as bases de cálculo apuradas, discriminadas por tipo de pagamento/lançamento, alíquotas aplicadas, créditos compensados e acréscimos legais. Caberia assim à autuada instruir sua defesa, juntamente com os motivos de fato e de direito, com os documentos que respaldassem suas afirmações, ou entendesse pertinentes a sua comprovação, conforme disciplina o caput e inc. III, do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, bem como o disposto no inciso I, do art. 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015), aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Assim sendo, em consonância com a decisão de piso, indefiro o pedido de perícia reiterado no recurso sob análise, por considerá-lo desnecessário, pelos motivos expostos e nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, que permite à autoridade julgadora, na apreciação das provas, formar livremente sua convicção, podendo indeferir o pedido de perícia/diligência que entender desnecessário. MULTA CUMULADA COM JUROS MORATÓRIOS E APLICAÇÃO DA TAXA SELIC Na parte final do recurso questiona a recorrente o que classifica como cumulação indevida de multa em face das infrações e a indevida capitalização dos juros, por entender ser vedado pelo ordenamento jurídico vigente, causando franco efeito de confisco. A multa aplicada no presente lançamento decorre de expressa previsão legal. Sendo a atividade administrativa do lançamento vinculada e obrigatória, uma vez detectada a ocorrência da situação descrita na lei cabe à autoridade tributária proceder ao lançamento, estando assim correto o procedimento de cobrança da referida multa. Também não devem ser acatadas as alegações de caráter confiscatório, assim como, da impossibilidade de cumulação de multa e juros moratórios. Os procedimentos adotados pela autoridade fiscal lançadora estão definidos em atos normativos de observância obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, segundo prevê o art. 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966. Além do que, nos termos da Súmula CARF nº 2, que é de observância obrigatória pelos Conselheiros, não cabe a este Conselho se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Da mesma forma, quanto à incidência de juros moratórios, temos a Súmula CARF nº 5, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 5 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Devidos, portanto, os juros na exata forma como lançados e mais uma vez improcedente a irresignação. Fl. 181DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-007.135 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.005219/2007-61 Ante todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito para negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos Fl. 182DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 19515.001848/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 06 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Sep 04 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 2402-000.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil preste as informações solicitadas, nos termos do voto que segue na resolução, consolidando o resultado da diligência, de forma conclusiva, em Informação Fiscal que deverá ser cientificada à contribuinte para que, a seu critério, apresente manifestação em 30 (trinta) dias.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Márcio Augusto Sekeff Sallem - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira, Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Marcelo Rocha Paura (suplente convocado), Márcio Augusto Sekeff Sallem, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Renata Toratti Cassini. Ausente o conselheiro Luis Henrique Dias Lima.
Nome do relator: MARCIO AUGUSTO SEKEFF SALLEM
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil preste as informações solicitadas, nos termos do voto que segue na resolução, consolidando o resultado da diligência, de forma conclusiva, em Informação Fiscal que deverá ser cientificada à contribuinte para que, a seu critério, apresente manifestação em 30 (trinta) dias. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Márcio Augusto Sekeff Sallem - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira, Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Marcelo Rocha Paura (suplente convocado), Márcio Augusto Sekeff Sallem, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Renata Toratti Cassini. Ausente o conselheiro Luis Henrique Dias Lima. Relatório Por transcrever a situação fática discutida nos autos, integro ao presente trechos do relatório redigido no Acórdão n. 17-50.570, pela 11ª turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo/SP, às fls. 708/726: Da Autuação Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado, em 28/05/2009, o Auto de Infração às fls. 294 a 344, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, do(s) ano(s)-calendário 2005, por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$ 471.661,64, dos quais R$ 222.548,41 correspondem a imposto; R$ 79.761,35 juros de mora (calculados até 30/04/2009); R$ 166.911,30 a multa proporcional (passível de redução) e mais R$ 2.440,58 de multa isolada. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 01 84 8/ 20 09 -2 1 Fl. 3659DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 2402-000.871 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001848/2009-21 Conforme a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, o procedimento fiscal resultou na apuração das seguintes infrações: Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas sujeitos a Carnê-Leão Omissão de Rendimentos de Trabalho Sem Vinculo Empregatício Recebidos de Pessoas Físicas Omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, decorrentes de trabalho sem vinculo empregatício, conforme Termo de Verificação Fiscal, fls. 277 a 286, que faz parte integrante do auto de infração. O contribuinte deixou de oferecer à tributação a receita de administração de imóveis à alíquota de 6% incidentes sobre os valores dos aluguéis recebidos de pessoas física e creditados em conta corrente. Enquadramento Legal: Arts, 1°, 2° e 3°, e §§, e 80 da Lei n° 7.713/88; Arts. 1° a 4°, da Lei n° 8.134/90; Art. 45, 106, inciso I, 109 e 111 do RIR199; Art. 1° da Lei n° 11.119/05. Depósitos Bancários de Origem não Comprovada Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem não Comprovada Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta (s) de depósito ou de investimento, mantida (s) em instituição (ões) financeira(s), em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme o Termo de Verificação Fiscal, fls. 277 a 286, que faz parte integrante do auto de infração. Enquadramento Legal: Art. 849 do RIR/99; Art. 10 da Medida Provisória n° 22/2002 convertida na Lei n° 10.451/2002. MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO A TÍTULO DE CARA-LEÃO Falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física a titulo de carnê-leão, reflexo das infrações apuradas conforme o Termo de Verificação Fiscal, fls. 277 a 286, que faz parte integrante do auto de infração. Da Impugnação Cientificado do lançamento o contribuinte apresentou, em 29/06/2009, a impugnação de fls. 351 a 364, alegando que: A incompatibilidade do conceito de renda com a tributação efetuada com base, exclusivamente, em extratos bancários. Não se pode fazer parte da base de cálculo do Imposto sobre a Renda valores que não representem renda, lucro ou acréscimo patrimonial. Dilação do Prazo Solicita no mínimo a concessão de prazo suplementar de no mínimo 60 (sessenta) dias para que possa obter e apresentar os documentos hábeis e idôneos aptos comprovação do quanto já informado à Autoridade Fiscal. Do Pedido Fl. 3660DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 2402-000.871 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001848/2009-21 Requer a apreciação da defesa, julgando-a procedente, anulando-se o auto de infração. Caso não entendam assim, requer a concessão de prazo suplementar para obtenção e apresentação das provas documentais aptas à demonstração da inocorrência dos fatos geradores, protestando, ainda, por diligências complementares que se façam necessárias. A autoridade julgadora informou que o contribuinte não impugnou a exigência decorrente dos rendimentos recebidos de pessoas físicas sujeitos ao carnê-leão e das multas isoladas por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão. A respeito da tributação de depósitos bancários de origem não comprovada como fato presumido de omissão de rendimentos, repassou a legislação até a edição da Lei nº 9.430/96, e ratificou o lançamento, negando, ainda, os pedidos de dilação do prazo e diligência fiscal. Ciência realizada em 10/6/2013, conforme AR às fls. 736. Recurso voluntário apresentado em 1/7/2013, às fls. 737/738. O recorrente anexa xerocópias de janeiro a dezembro/2005, demonstrando a entrada e saída dos recursos que não correspondem a ganhos financeiros, mas a pagamento realizados por inquilino e recebido por proprietário. Do montante depositado, havia, ainda, lucro devido à taxa de administração. Documentos às fls. 766/3.655. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Márcio Augusto Sekeff Sallem, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. O argumento apresentado na defesa é de que intermediava a recepção de alugueis dos inquilinos antes de repassá-los aos proprietários dos imóveis e, para tanto comprovar, apresenta aos autos uma extensa documentação que merece análise aprofundada por parte do setor competente na unidade preparadora do domicílio tributário do sujeito passivo. No particular, o contribuinte reúne documentação consistente em: Relatório diário de entrada dos aluguéis pagos por inquilinos; Recibos expedidos pela Imobiliária Carlos de Campos, que comprovam o recebimento dos aluguéis dos inquilinos relacionadas no relatório anterior; Relatório diário de saída dos pagamentos aos proprietários; Fl. 3661DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 2402-000.871 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001848/2009-21 Recibos que atestam o repasse, aos proprietários, dos aluguéis recebidos, já deduzida a taxa de administração. Referida documentação, às fls. 766/3.655, evidencia a percepção, pela Imobiliária Carlos de Campos ou Carlos de Campos Imóveis, de rendimentos de aluguéis de inquilinos e o repasse a seus proprietários, debitada a taxa de administração, valores que podem haver transitado pela conta corrente do interessado e, assim, atrair a aplicação da Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Nestes termos, entendo que o processo ainda não está em condições de ter um julgamento justo, razão por que voto no sentido de tê-lo convertido em diligência, a fim de que o setor competente na unidade preparadora adote as seguintes providências: (i) promova o cotejo entre os dados apresentados na documentação citada e os depósitos bancários de origem não comprovada, a fim de verificar se houve ou não a comprovação inequívoca; (ii) elaborar, se for o caso, novo Demonstrativo Fiscal, detalhando os valores acatados e os valores mantidos em decorrência da realização da presente diligência; (ii) elaborar relatório circunstanciado, dando-se vista ao recorrente para, querendo, pronunciar-se. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a este Colegiado para inclusão em pauta de julgamento. (documento assinado digitalmente) Márcio Augusto Sekeff Sallem Fl. 3662DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10680.723051/2009-00
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01 a 30/06/2006
COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS.
Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01 a 30/06/2006
COMPENSAÇÃO INTEMPESTIVA. ACRÉSCIMOS. INSERÇÃO EM
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DISTINTA. ERRO FORMAL.
APROVEITAMENTO. AJUSTE.
Deve ser relevado o erro formal da falta de inclusão da multa e dos juros de mora em compensação de débito declarada intempestivamente em face do cabal cumprimento da obrigação tributária, mediante a sua inserção conjugada com os acréscimos legais incidentes em parcela do mesmo débito, compensado na mesma data e em outra declaração, cabendo ao órgão de origem proceder à segregação desses acréscimos e aproveitamento do excedente para provimento da adequada alocação ao débito originariamente descoberto, afastando-se a imputação proporcional procedida no ato de que decorreu a sua não homologação.
Numero da decisão: 3803-003.128
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01 a 30/06/2006 COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01 a 30/06/2006 COMPENSAÇÃO INTEMPESTIVA. ACRÉSCIMOS. INSERÇÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DISTINTA. ERRO FORMAL. APROVEITAMENTO. AJUSTE. Deve ser relevado o erro formal da falta de inclusão da multa e dos juros de mora em compensação de débito declarada intempestivamente em face do cabal cumprimento da obrigação tributária, mediante a sua inserção conjugada com os acréscimos legais incidentes em parcela do mesmo débito, compensado na mesma data e em outra declaração, cabendo ao órgão de origem proceder à segregação desses acréscimos e aproveitamento do excedente para provimento da adequada alocação ao débito originariamente descoberto, afastando-se a imputação proporcional procedida no ato de que decorreu a sua não homologação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01 a 30/06/2006 COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01 a 30/06/2006 COMPENSAÇÃO INTEMPESTIVA. ACRÉSCIMOS. INSERÇÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DISTINTA. ERRO FORMAL. APROVEITAMENTO. AJUSTE. Deve ser relevado o erro formal da falta de inclusão da multa e dos juros de mora em compensação de débito declarada intempestivamente em face do cabal cumprimento da obrigação tributária, mediante a sua inserção conjugada com os acréscimos legais incidentes em parcela do mesmo débito, compensado na mesma data e em outra declaração, cabendo ao órgão de origem proceder à segregação desses acréscimos e aproveitamento do excedente para provimento da adequada alocação ao débito originariamente descoberto, afastandose a imputação proporcional procedida no ato de que decorreu a sua não homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente Fl. 40DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN 2 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0236.673, de 12 de dezembro de 2011, da DRJ/Belo Horizonte, fls. 28/30, que considerou a manifestação de inconformidade improcedente. O processo foi constituído a partir da DComp de fls. 03 a 08, 09466.87273.310706.1.3.049021, em que utiliza o crédito de PIS, decorrente de pagamento indevido ou a maior, no valor de R$ 116,35, relativo ao período de apuração junho de 2006, na compensação do débito de IRPJ, relativo ao primeiro trimestre de 2006, de mesmo valor, vencido em 28 de abril de 2006. A compensação foi parcialmente homologada por meio do despacho decisório de fl. 2, por insuficiência do crédito A Interessada apresentou a manifestação de inconformidade, fl. 1, em que alegou apenas que os juros devidos foram compensados por meio do Per/DComp n.º 34916.52730.310706.1.3.042310. Em julgamento da lide a DRJ/Belo Horizonte aduziu que: a) houve reconhecimento integral do crédito utilizado na Dcomp; b) o débito compensado pela Contribuinte deixou de conter a multa de 20% e dos juros de mora, desde a data de vencimento até a data da entrega da Declaração de Compensação, conforme determinava a Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, vigente à época da transmissão, concluindo ser esta a razão da insuficiência do crédito; c) a legislação que transcreveu não autoriza o procedimento adotado pela contribuinte de compensar o valor principal do débito por meio de uma Dcomp e compensar os valores relativos aos acréscimos legais do mesmo débito por meio de outra DComp. Cientificada da decisão em 11 de janeiro de 2012, irresignada, a interessada apresentou o recurso voluntário de fls. s/nº, datado de 20 de janeiro de 2012, com certificação de tempestividade pela DRF/BHE, em que reiterou a alegação de que os juros e multas não foram calculados proporcionalmente ao valor principal do débito em cada declaração de compensação, conforme deveria, mas os mesmos foram corrigidos segundo a legislação, até o momento da compensação, sendo compensados na mesma data, conforme planilha anexa. É o relatório. Voto Fl. 41DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10680.723051/200900 Acórdão n.º 3803003.128 S3TE03 Fl. 2 3 Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo, segundo despacho de preparo da DRF/Belo Horizonte, e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Restou claro que o litígio presente não tem a ver com a falta de reconhecimento do direito creditório no procedimento de operacionalização da compensação, mas, sim, com os acréscimos legais de multa e juros de mora não contidos na DComp sob exame. O colegiado a quo deu solução ao conflito observando apenas o descumprimento do rito de preenchimento, pela Contribuinte, da DComp em foco, e não apreciou o mérito da alegação na manifestação de inconformidade, de que recolhera, no corpo de outra DComp, a multa e os juros devidos sobre o débito, e calculados de acordo com a legislação. Esta DComp em análise compensa parte do débito de IRPJ, no valor de R$ 116,35, do primeiro trimestre de 2006, com vencimento em 28 de abril de 2006, de um total de R$ 10.800,88. Este débito foi quitado fracionadamente e da seguinte forma: Às fls. 09 a 14 encontrase anexada a DComp n.º 34916.52730.310706.1.3.042310, em que se vê o débito no valor de R$ 513,63, com multa de R$ 327,33 e juros de R$ 56,62. Num lace d’olhos percebese nessa DComp (34916.52730.310706.1.3.042310) que a multa de 20% sobre o principal de R$ 513,63 não alcança o valor de R$ 327,33, mas R$ 102,73. Este valor da multa representa, em verdade, a incidência de 20% sobre a importância de R$ 1.636,65, que é o somatório dos valores FORMA DE QUITAÇÃO – PAGTº/DCOMP PARCELA R$ MULTA R$ JUROS R$ DARF pago em 28/04/2006 8.383,75 38779.82054.310706.1.3.045405 121,81 19165.39527.310706.1.3.040082 343,49 09466.82273.310706.1.3.049021 116,35 01442.85605.310706.1.3.043019 537,00 35046.48784.310706.1.3.040066 4,37 34916.52730.310706.1.3.042310 Soma das parcelas do débito de IRPJ ........... 513,63 ................. 1.636,65 327,33 20% 56,62 40655.64720.120506.1.3.047838 518,67 40919.56846.120507.1.3.042203 239,52 24090.19341.120506.1.3.049847 22,29 77,26 7,80 TOTAL DO DÉBITO DE IRPJ 10.800,88 ////////////////// ////////////////////// Fl. 42DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN 4 principais de todas as DComps acima listadas. Os juros, no importe de R$ 56,62, correspondem, exatamente, à SELIC acumulada de maio a julho de 2006, mês da transmissão das DComps. Como visto, razão deve ser dada à Recorrente, quando afirma que a legislação não deixou de ser cumprida em sua exigência de acréscimos legais sobre os débitos compensados fora do prazo de vencimento. Assim, entendo que o erro formal da Declarante em consignar multa e juros numa só DComp, não pode prevalecer ante o cumprimento substancial da obrigação tributária por esta Contribuinte, de sorte a que venha resultar em cobrança de valor que já se encontra quitado. De lembrar que não houve disputa no tocante à higidez do crédito, tendo sido este totalmente reconhecido. Cabe à DRF/Belo Horizonte efetuar o necessário ajuste no sistema de controle de compensações, adequando os valores de multa e juros aos principais de cada DComp e registrar a homologação integral das compensações, afastandose a imputação proporcional de que decorreu a não homologação parcial do débito, em vista de sua integral extinção nas DComps de mesma data. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso. Sala das sessões, 27 de junho de 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 43DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10680.723051/200900 Acórdão n.º 3803003.128 S3TE03 Fl. 3 5 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE INTIMAÇÃO Processo nº: 10680.723051/200900 Interessada: INSTITUTO AXIS SOCIEDADE SIMPLES LTDA. Intimese um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no Acórdão no 3803003.128, de 27 de junho de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009. Brasília DF, em 27 de junho de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Ciência Data: ____/___________/________ _____________________________ Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração. [ ] _________________________ Fl. 44DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Fl. 45DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 13857.000346/2009-25
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
ABONO OU GANHO EVENTUAL. ABRANGÊNCIA DA HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 28, § 9º, “j” DA LEI Nº 8.212/91.
Apenas os abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei e os ganhos eventuais ensejam a aplicação da disposição contida no art. 28, § 9º, “j” da Lei nº 8.212/91, não se tratando de salário indireto.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-000.899
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para determinar a aplicação da penalidade pelo descumprimento da obrigação principal em conformidade com a legislação vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, qual seja, o art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação anterior à Lei nº 11.941/2009.
Nome do relator: CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 ABONO OU GANHO EVENTUAL. ABRANGÊNCIA DA HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 28, § 9º, “j” DA LEI Nº 8.212/91. Apenas os abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei e os ganhos eventuais ensejam a aplicação da disposição contida no art. 28, § 9º, “j” da Lei nº 8.212/91, não se tratando de salário indireto. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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ABRANGÊNCIA DA HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 28, § 9º, “j” DA LEI Nº 8.212/91. Apenas os abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei e os ganhos eventuais ensejam a aplicação da disposição contida no art. 28, § 9º, “j” da Lei nº 8.212/91, não se tratando de salário indireto. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para determinar a aplicação da penalidade pelo descumprimento da obrigação principal em conformidade com a legislação vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, qual seja, o art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação anterior à Lei nº 11.941/2009. (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Carolina Siqueira Monteiro de Andrade Relatora. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13857.000346/200925 Acórdão n.º 280300.899 S2TE03 Fl. 171 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente da turma), Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Oseas Coimbra, Amilcar Barca Teixeira Junior, Eduardo de Oliveira e Carolina Siqueira Monteiro de Andrade. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13857.000346/200925 Acórdão n.º 280300.899 S2TE03 Fl. 172 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em desfavor de SÃO CARLOS S/A – INDÚSTRIA DE PAPEL E EMBALAGENS, em virtude do não recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, apurados nos arquivos digitais no formato do Manual Normativo de Arquivos digitais (MANAD – Portaria MPS/SRP nº 58/2005). De acordo com o relatório fiscal, as contribuições devidas pelos segurados, não retidas e nem recolhidas, foram calculadas mediante aplicação da correspondente alíquota sobre seu salário de contribuição mensal, respeitando o limite máximo, nos termos do art. 20 e 28 da Lei nº. 8.212/91. Além do valor principal, a autoridade fiscal efetuou o lançamento dos acréscimos legais devidos e, no caso da multa, considerou os parâmetros legais determinados pela Lei nº 11.941/2009. O contribuinte foi intimado pessoalmente no dia 29/06/2009, e apresentou defesa tempestiva protocolizada em 28/07/2009, juntada às fls. 113/128. A Delegacia da Receita de Julgamento manteve o lançamento, em acórdão ementado nos seguintes termos (fls. 138/145): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 ABONOS As importâncias recebidas a título de abonos não integram o salário de contribuição somente quando expressamente desvinculados do salário por força de lei. CONVENÇÕES COLETIVAS. EFEITOS As convenções entre particulares, que façam leis entre as partes, não podem se opor à Fazenda Pública. ACRÉSCIMOS LEGAIS. INCIDÊNCIA. Quando as contribuições previdenciárias não são recolhidas em época própria, cabem os acréscimos legais, calculados através do lançamento fiscal, em cumprimento das disposições legais informadas ao contribuinte no próprio Auto de Infração. PENALIDADE. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. Inexiste desobediência ao princípio do não confisco quando a penalidade aplicada tem respaldo em lei. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE Fl. 181DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13857.000346/200925 Acórdão n.º 280300.899 S2TE03 Fl. 173 4 A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis e atos normativos é prerrogativa do Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pela Administração Pública. Impugnação improcedente. Crédito Tributário Mantido.” Contra essa decisão, o contribuinte apresentou recurso tempestivo em 12/11/2009 (fls.150/165), por meio do qual alega, em síntese, que: (a) de acordo com o disposto no art. 7º, inciso XXVI da Constituição Federal e conforme previsto na convenção coletiva de trabalho do ano de 2004/2005, a Recorrente firmou acordo para o parcelamento do abono pecuniário para ajuda de custo com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Artefatos de Papel, Papelão e Cortiça de São Carlos; (b) não pode a Fiscalização querer inovar e determinar de forma contrária ao estipulado livremente em convenção coletiva por violar o disposto no art. 7º, inciso XXVI da Constituição Federal; (c) com relação ao pagamento efetuado, tratase de um direito transitório, não existindo a menor possibilidade de considerar o abono pecuniário para ajuda de custo como incorporação definitiva ao salário, e muito menos, ser classificado pela Fiscalização como saláriocontribuição; (d) a multa arbitrada tem nítido caráter confiscatório, e que na hipótese destes Julgadores considerarem válida, que fique limitada nos termos da Lei nº 9.430/96, art. 61, parágrafo 2º, que conforme previsto no art. 106, inciso II, alínea ‘c’ da Lei nº 5.172/66 deverá ser aplicado neste caso; (e) a taxa Selic é inconstitucional; (f) ao final, requereu efeito suspensivo ao presente recurso, não podendo a Receita Federal do Brasil negar o fornecimento de CND. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13857.000346/200925 Acórdão n.º 280300.899 S2TE03 Fl. 174 5 Voto Conselheira Carolina Siqueira Monteiro de Andrade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual passo a analisálo. O presente auto de infração foi lavrado em razão do não recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a título de abono salarial, no período de 01/01/2005 a 31/12/2005. A discussão trazida pelo contribuinte em seu recurso diz respeito à natureza jurídica da verba paga, que não integraria o salário de contribuição, por força da determinação contida no art. 28, § 9° da Lei nº 8.212/91. Todavia, como se verá adiante, a decisão de primeira instância deve ser mantida em sua integralidade. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n° 8.212/1991, para o segurado empregado, entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nos seguintes termos: “Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)” O mesmo dispositivo legal, em seu § 9º, excetua determinadas parcelas do saláriodecontribuição, em razão de sua natureza indenizatória ou assistencial, como se vê abaixo: “Art. 28. § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 183DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13857.000346/200925 Acórdão n.º 280300.899 S2TE03 Fl. 175 6 a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 184DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13857.000346/200925 Acórdão n.º 280300.899 S2TE03 Fl. 176 7 h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, Fl. 185DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13857.000346/200925 Acórdão n.º 280300.899 S2TE03 Fl. 177 8 quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97).” Já o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, contém previsão semelhante em seu art. 214, § 9º, “j”, que assim estabelece: “Art. 214. (...) § 9° Não integram o saláriodecontribuição: j) ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei;” No caso dos autos, a desvinculação do salário está prevista tão somente por Convenção Coletiva, não havendo, no ordenamento jurídico pátrio, dispositivo legal apto a fundamentar a pretensão contida no recurso. É sabido que a obrigação tributária é prevista por lei e, por essa razão, não pode o contribuinte se furtar do seu cumprimento, ainda mais em razão de convenções particulares. Cabe, ainda, analisar se o valor pago pelo Recorrente à título de abono poderia se isentar das contribuições previdenciárias em razão de se tratar de ganho eventual. Restou demonstrado nos autos, de forma inequívoca, que o pagamento do referido abono se deu ao longo de vários anos, e não apenas no ano de 2005. Para que não haja dúvidas a esse respeito, transcrevo abaixo as informações contidas no relatório fiscal: “3.1.2.5. O pagamento da referida verba consta em todos os Acordos Coletivos Intersindicais de 2004 a 2008, sendo que o Contribuinte firmou termos aditivos para o pagamento parcelado em 10 (dez) vezes por todos os acordos. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13857.000346/200925 Acórdão n.º 280300.899 S2TE03 Fl. 178 9 3.1.3. Ao efetuar o pagamento da referida parcela por anos seguidos, através de 10 (dez) parcelas de R$ 50,00 (cinqüenta reais), configurase a habitualidade na percepção do referido valor, que passa a integrar o saláriodecontribuição com fundamento no artigo 28, I, da Lei nº 8.212/1991.” As referidas afirmações não foram rebatidas pelo contribuinte em nenhum momento, o que permite a conclusão de que realmente esse foi o procedimento adotado pela empresa. Sendo assim, não há dúvida acerca da natureza de ganho habitual do valor pago à título de abono, de recebimento certo pelos segurados empregados. A norma de isenção trazida pela alínea “j” é extreme de dúvidas, quando estabelece, como únicos requisitos para a não inclusão da verba paga ao salário de contribuição, a previsão legal de desvinculação do salário ou a eventualidade dos ganhos. Não havendo comprovação do preenchimento de tais requisitos, resta clara a sua natureza de base tributável. Isso porque a interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo deve ser literal, por se tratar de modalidade de exclusão do crédito tributário, estando sujeita, portanto, à regra contida no art. 111, inciso I, do Código Tributário Nacional: “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário;” Logo, se o legislador não dispôs, de forma expressa, acerca da necessidade de desvinculação do salário por força de lei ou a eventualidade dos ganhos, não pode o contribuinte pretender excluir do salário de contribuição parcelas que não possuam essas características. Por essa razão, deve ser mantido o lançamento fiscal realizado sobre tal parcela. Por fim, no que diz respeito à aplicação dos acréscimos legais, cumpre esclarecer que a atividade da Administração Pública é plenamente vinculada ao que está disposto na lei, por força da previsão contida no art. 37 da Constituição Federal de 1988. Nestes termos, havendo regramento expresso acerca da incidência de multa de mora e dos juros Selic na legislação de regência, é mandatória a sua observância pela autoridade fiscal. Dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 144, que “o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.”. Quando da prática dos fatos geradores, a exigência dos acréscimos legais, nas hipóteses de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias, encontravase prevista nos arts. 34 e 35 da Lei nº 8.212/91, que assim estabeleciam: “Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação Fl. 187DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13857.000346/200925 Acórdão n.º 280300.899 S2TE03 Fl. 179 10 fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;” No mesmo sentido, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, preceitua, em seu art. 239: “Art. 239. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas a: ... II juros de mora, de caráter irrelevável, incidentes sobre o valor atualizado, equivalentes a: a) um por cento no mês de vencimento b) taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia nos meses intermediários e c) um por cento no mês do pagamento; (...) Fl. 188DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13857.000346/200925 Acórdão n.º 280300.899 S2TE03 Fl. 180 11 III multa variável, de caráter irrelevável, nos seguintes percentuais, para fatos geradores ocorridos a partir de 28 de novembro de 1999: (...) b) para pagamento de obrigação incluída em notificação fiscal de lançamento: 1. vinte e quatro por cento, até quinze dias do recebimento da notificação; 2. trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; 3. quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social; ou 4. cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social, enquanto não inscrita em Dívida Ativa;” No caso das multas pelo descumprimento de obrigação principal, a aplicação do novo regramento trazido pela Lei nº 11.941/2009 apenas poderia se dar se a referida legislação tivesse cominado penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos da disposição contida no art. 106, inciso II, do Código Tributário Nacional. Todavia, não é essa a hipótese dos autos. A nova redação do art. 35 A da Lei nº 8.212/91, ao fazer referência ao art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, prevê a aplicação de multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). Nestes termos, não restam dúvidas de que os percentuais previstos pelo art. 35, em sua redação anterior, são mais benéficos ao contribuinte do que aquele estabelecido pela novel legislação. Com efeito, o Código Tributário Nacional, ao tratar da obrigação tributária, faz a diferenciação entre a obrigação principal e a obrigação acessória. Tratamse, portanto, de obrigações autônomas, independentes entre si. É o que se infere da disposição contida no art. 113: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13857.000346/200925 Acórdão n.º 280300.899 S2TE03 Fl. 181 12 § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.” Como se vê, o ordenamento jurídico pátrio permite a aplicação das duas multas, ainda que concomitantemente, desde que se verifique tanto o descumprimento da obrigação principal, quanto o descumprimento da obrigação acessória. Tal situação, contudo, não retira a autonomia de cada uma das infrações praticadas. Sendo assim, para fins de verificação da penalidade mais benéfica para o caso de descumprimento de obrigação principal, a comparação entre a penalidade prevista pela Lei nº 8.212/91, com a redação anterior, e aquela trazida pela Lei nº 11.941/2009 deve ser feita de forma apartada das hipóteses de descumprimento de obrigação acessória. Quanto às alegações de inconstitucionalidade da Taxa Selic, cumpre esclarecer que não se pode admitir a sua argüição no âmbito administrativo, por não ter o CARF a competência para sua análise, estando reservada ao Poder Judiciário. É o que se infere da disposição contida no art. 62 do Regimento Interno: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993.” Nesse sentido, há que se ter em mente que os atos normativos devidamente elaborados e publicados pela autoridade competente gozam de presunção de legalidade e constitucionalidade. Em assim sendo, enquanto não forem declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (com efeitos erga omnes) ou não tiverem a sua aplicação suspensa, permanecem dotados de plena eficácia, devendo ser observados pela Administração Pública. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13857.000346/200925 Acórdão n.º 280300.899 S2TE03 Fl. 182 13 Ademais, especificamente aos juros Selic, há, inclusive, no âmbito do CARF, súmula que trata da matéria: “Súmula n. 3: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Como se depreende do exposto, a exigência de multa de mora e dos juros SELIC sobre as contribuições previdenciárias em atraso é decorrente de lei e não pode o Fisco Previdenciário furtarse de sua obrigação de aplicar a lei, já que o ato administrativo de lançamento é totalmente vinculado à norma. A cobrança dos referidos acréscimos legais, assim, têm previsão legal que ampara sua exigência e, portanto, sua aplicação obedece ao principio da legalidade, essencial ao funcionamento da Administração Pública. CONCLUSÃO: Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado pela empresa, para determinar a aplicação da penalidade pelo descumprimento da obrigação principal em conformidade com a legislação vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, qual seja, o art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação anterior à Lei nº 11.941/2009. Carolina Siqueira Monteiro de Andrade Relatora Fl. 191DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 28/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 11/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 13864.000370/2007-11
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 13/08/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO OBRIGAÇÃO
ACESSÓRIA. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991.
Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN.
Tratando-se de auto de infração, sem pagamentos a homologar, deve ser aplicada, em relação à decadência, a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN.
Fundamentando-se o presente auto exclusivamente em documentos referentes a período decadente, se faz necessário reconhecer a improcedência do mesmo.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-000.944
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: OSÉAS COIMBRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 13/08/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. Tratandose de auto de infração, sem pagamentos a homologar, deve ser aplicada, em relação à decadência, a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN. Fundamentandose o presente auto exclusivamente em documentos referentes a período decadente, se faz necessário reconhecer a improcedência do mesmo. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). assinado digitalmente Fl. 82DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/09/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 13864.000370/200711 Acórdão n.º 280300.944 S2TE03 Fl. 74 2 Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/09/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 13864.000370/200711 Acórdão n.º 280300.944 S2TE03 Fl. 75 3 Relatório A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdenciária, por ter apresentado as GFIP das competências 02/1999 a 09/2001, conforme anexo I de fls 20, com erros de preenchimento em dados não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias – valores retidos em notas fiscais. A DecisãoNotificação – fls 56 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte: • Considerando que a suposta falta foi cometida pela ora Recorrente no período de janeiro/1999 a julho/2000;setembro/2001, e o Auto de Infração foi lavrado em 10 de agosto de 2007, achase totalmente atingido pela decadência • Requer o provimento ao presente recurso para o fim de reformar a r. decisão de Primeira Instância, julgandose totalmente inválido o lançamento pela ocorrência da decadência. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/09/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 13864.000370/200711 Acórdão n.º 280300.944 S2TE03 Fl. 76 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra DA DECADÊNCIA O auto de infração foi entregue ao contribuinte em 13/08/2007 em razão da entrega de GFIP´s com erros, referentes as competências 02/1999 a 09/2001. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há de se observar as regras previstas no CTN. Tratandose de auto de infração, sem pagamentos a homologar, deve ser aplicada, em relação à decadência, a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN, que transcrevemos. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Por fim, tal matéria foi submetida ao crivo da 1ª. Seção do Superior Tribunal de Justiça, através de Recurso Especial representativo de controvérsia – RESP 973.733, conforme art. 543C do normativo processual e, segundo a nova redação do art. 62A do Regimento interno do CARF, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros. Reproduzimos excerto da ementa: 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de. desarrazoado prazo decadencial decenal(...) grifamos Consoante a regra retrocitada, forçoso se faz reconhecer a decadência referente ao período em questão 02/1999 a 09/2001. Uma vez que o Auto se fundamentou exclusivamente em documentos referentes a período decadente, se faz necessário reconhecer a improcedência do mesmo. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/09/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 13864.000370/200711 Acórdão n.º 280300.944 S2TE03 Fl. 77 5 CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do presente recurso e DOULHE PROVIMENTO. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/09/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11924.000002/2001-92
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Dec 23 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR
Exercício: 1997
Ementa: ITR/1997. RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL CRIADA EM 2000. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE RESERVA LEGAL PRÉ-EXISTENTES. ÁREA DE EXTRAÇÃO EXTRATIVA.
Parte da área do imóvel já era de preservação permanente pelo só efeito do art.2° do Código Florestal, conforme atestou o IBAMA/PI em vistoria no imóvel. A lei que rege o ITR não autoriza o lançamento sobre área de reserva legal somente pela ausência de averbação prévia. O projeto de criação da área de RPPN exigiu vistoria do IBAMA no imóvel que aferiu a existência anterior de área de preservação permanente pelo só efeito do art.2° da Lei 4.771/65, correspondente a 530,4 hectares, e de área de reserva legal de 871,20 hectares, correspondente a 20% da área do imóvel. Quanto à extração de carnaúba, é aceitável a indicação do laudo, baseada na vistoria realizada em 2005 e complementada com informações colhidas na região quanto a exploração do camaubal, há muitos anos, em área compatível com a área de exploração extrativa declarada de 820,0 hectares.
NÃO COMPROVADA A ÁREA DE PASTAGEM EFETIVAMENTE UTILIZADA.
Os documentos apresentados não servem como comprovação da média do quantitativo de animais existentes ao longo de 1996, impossibilitando a identificação da área de pastagem efetivamente utilizada no período sob fiscalização. Mantida a glosa apenas da área de pastagem.
Numero da decisão: 303-34.400
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para manter tão somente a exigência relativa à área de pastagem, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Tarásio Campelo Borges e Luis Marcelo Guerra de Castro, que mantinham também a exigência relativa à área de reserva legal.
Matéria: ITR
Nome do relator: ZENALDO LOIBMAN
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR Exercício: 1997 Ementa: ITR/1997. RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL CRIADA EM 2000. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE RESERVA LEGAL PRÉ-EXISTENTES. ÁREA DE EXTRAÇÃO EXTRATIVA. Parte da área do imóvel já era de preservação permanente pelo só efeito do art.2° do Código Florestal, conforme atestou o IBAMA/PI em vistoria no imóvel. A lei que rege o ITR não autoriza o lançamento sobre área de reserva legal somente pela ausência de averbação prévia. O projeto de criação da área de RPPN exigiu vistoria do IBAMA no imóvel que aferiu a existência anterior de área de preservação permanente pelo só efeito do art.2° da Lei 4.771/65, correspondente a 530,4 hectares, e de área de reserva legal de 871,20 hectares, correspondente a 20% da área do imóvel. Quanto à extração de carnaúba, é aceitável a indicação do laudo, baseada na vistoria realizada em 2005 e complementada com informações colhidas na região quanto a exploração do camaubal, há muitos anos, em área compatível com a área de exploração extrativa declarada de 820,0 hectares. NÃO COMPROVADA A ÁREA DE PASTAGEM EFETIVAMENTE UTILIZADA. Os documentos apresentados não servem como comprovação da média do quantitativo de animais existentes ao longo de 1996, impossibilitando a identificação da área de pastagem efetivamente utilizada no período sob fiscalização. Mantida a glosa apenas da área de pastagem.
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TERCEIRA CÂMARA Processo n° 11924.000002/2001-92 Recurso n° 132.551 Voluntário Matéria ITR Acórdão n° 303-34.400 Sessão de 13 de junho de 2007 Recorrente JOSÉ PIRES GAYOSO DE ALMENDRA FREITAS Recorrida DRJ/RECIFERE • Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR Exercício: 1997 Ementa: ITR/1997. RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL CRIADA EM 2000. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE RESERVA LEGAL PRÉ-EXISTENTES. ÁREA DE EXTRAÇÃO EXTRATIVA. Parte da área do imóvel já era de preservação permanente pelo só efeito do art.2° do Código Florestal, conforme atestou o IBAMA/PI em vistoria no imóvel. A lei que rege o ITR não autoriza o lançamento sobre área de reserva legal somente pela • ausência de averbação prévia. O projeto de criação da área de RPPN exigiu vistoria do IBAMA no imóvel que aferiu a existência anterior de área de preservação permanente pelo só efeito do art.2° da Lei 4.771/65, correspondente a 530,4 hectares, e de área de reserva legal de 871,20 hectares, correspondente a 20% da área do imóvel. Quanto à extração de carnaúba, é ‘ aceitável a indicação do laudo, baseada na vistoria " realizada em 2005 e complementada com informações colhidas na região quanto a exploração do camaubal, há muitos anos, em área compatível com a área de exploração extrativa declarada de 820,0 hectares. NÃO COMPROVADA A ÁREA DE PASTAGEM EFETIVAMENTE UTILIZADA. Os documentos apresentados não servem como comprovação da média do quantitativo de animais Processo n.° 11924.000002/2001-92 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-34.400 Fls. 272 existentes ao longo de 1996, impossibilitando a identificação da área de pastagem efetivamente utilizada no período sob fiscalização. Mantida a glosa apenas da área de pastagem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso 4.0 voluntário para manter tão somente a exigência relativa à área de pastagem, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Tarásio Campelo Borges e Luis Marcelo Guerra de Castro, que mantinham também a exigência relativa à área de reserva legal. • LISE DAUDT PRIETO Presidente 400 Z NA I • LOIBMAN • r Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nanci Gama, Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Marciel Eder Costa e Nilton Luiz Bartoli. • Processo n.° 11924.000002/2001-92 CCO3/CO3 Acérdâo n.° 303-34.400 Fls. 273 Relatório Considera-se aqui transcrito o relatório de fls.256/262. Trata-se de retorno de diligência. A mesma servidora, na repartição de origem, que assinou o despacho de fls.253 atestando a tempestividade do recurso, havia anteriormente, em 30.05.2005, às fls.89, lavrado Termo de Perempção. Restou então uma dúvida acerca da tempestividade, posto que os documentos juntados em 10.06.2005, às fls.93, referentes ao recurso e documentos anexos, não apresentavam data de protocolo para ser confrontado com o AR de fls.88. Esta Terceira Câmara, por meio da Resolução n° 303-01.206, de 21.09.2006, determinou a realização de diligência à DRF/Teresina para que se informasse em que data foi • protocolado o recurso voluntário de fls.941108, bem como fosse esclarecida a contradição entre as informações, de fls.89 e 253, prestadas pela mesma funcionária. Foi prestada a informação solicitada por meio do despacho de fls.261/262 explicando o equívoco e atestando a tempestividade do recurso voluntário. É o Relatório. • Processo n.0 11924.000002/2001-92 CCO3/CO3 Acórdão ri.° 303-34.400 Fls. 274 Voto Conselheiro ZENALDO LOIBMAN, Relator A diligência determinada produziu o despacho da repartição de origem constante às fls.269, que atesta a efetiva tempestividade do recurso voluntário apresentado e explica satisfatoriamente porque aconteceram os despachos aparentemente contraditórios acusados na Resolução de fls.256/263. Sendo assim, fica confirmada a admissibilidade do recurso. A autuada foi intimada a apresentar comprovação documental das áreas declaradas na DITR/97 como sendo de preservação permanente, de utilização limitada, de pastagens e de exploração extrativa. A fiscalização mediante análise das informações declaradas glosou as referidas áreas declaradas reduzindo-as a zero. • A motivação para a glosa da área de reserva legal foi não ter sido apresentada comprovação, ou seja, pedido tempestivo de ADA ao IBAMA e não ter sido comprovada sua averbação. A área de preservação permanente foi glosada pela falta de protocolo tempestivo de ADA. As áreas de pastagens e de exploração extrativa porque não foram apresentados documentos com algum cunho oficial tais como notas fiscais de venda do produto (carnaúba) ou Fichas de vacinação do gado controladas por órgão governamental. Por seu turno a recorrente alega que apresentou laudos preparados por técnicos competentes comprovando a existência das áreas isentas, outro laudo de vistoria técnica do IBAMA/PI, Termo de Compromisso firmado com o IBAMA quanto à preservação da RPPN e sua averbação. Aduz que depois de preencher a DITR, tendo em vista o prazo de seis meses para protocolizar junto ao IBAMA o respectivo ADA, o interessado deu início a estudos para identificar as áreas destinadas à reserva legal bem como as de preservação permanente. Que teve, então, conhecimento do Decreto 1.922/96 que trata das áreas denominadas "Reserva Particular do Patrimônio Natural" (RPPN). Então, pelo fato de suas terras estarem em ótimo estado de preservação ambiental e possuírem beleza natural, e dado o espírito conservacionista • do requerente, decidiu criar uma RPPN com área de preservação superior àquela declarada a título de reserva legal. A empresa FLOAGRO — Consultoria e Planejamento Agroflorestal - foi contratada para desenvolver o projeto de criação da RPPN - Marvão e aprová-lo junto ao IBAMA, tendo iniciado os contatos com o órgão ambiental em 1998. Os levantamentos necessários ao projeto da RPPN - Marvão demandaram tempo e retardaram a sua elaboração, tendo sido finalmente aprovado pela Portaria n° 42/2000, de 10.08.2000, do IBAMA (fls.I49), não obstante tal projeto tenha dado entrada no IBAMA em 18.10.1999. O IBAMA aprovou e criou uma RPPN com área de 5.096,82 hectares. A averbação da RPPN ocorreu em 29.11.2000 (fls.242-verso) Ressaltou o recorrente que o Laudo de Vistoria Técnica, realizado pelo IBAMA/PI em 21.01.2000, na fase procedimental para a aprovação da RPPN, reconheceu que a área de reserva legal deveria ser dispensada a partir da FtPPN já que esta corresponde a 50% da área do imóvel e que sua condução já estabelece maior limitação do que a reserva legal (20%) e porque também deve ser averbada à margem da matricula do imóvel (fls.147). Que segundo a jurisprudência do Conselho de Contribuintes tanto a APP quanto a ARL podem ser • Processo n.° 11924.000002/2001-92 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-34.400 Fls. 275 comprovadas por outros meios idôneos que não o protocolo de pedido de ADA ao IBAMA. Não se pode afirmar que a criação da RPPN — Marvão com área correspondente a 58,5% da área do imóvel não seja uma boa comprovação da existência anterior da APP e da ARL, ainda que o ato de aprovação da RPPN tenha sido posterior ao fato gerador do I1R/97. É claro que se na data da vistoria do IBAMA no imóvel, em 06.01.2000, o imóvel estava ambientalmente protegido e bem conservado, conforme atesta o Laudo de Vistoria, é porque sem dúvida esse esforço vinha sendo desenvolvido desde muito antes de 1997. Analisemos em primeiro lugar as glosas das áreas de reserva legal e de preservação permanente, bem como a alegação da recorrente quanto à criação da RPPN. A glosa da área de preservação permanente e da área de reserva legal declarada foi feita apenas porque não foi apresentada a averbação da área de reserva legal, nem tampouco o protocolo de requisição de ADA ao IBAMA com relação a ambas. É conhecida do plenário a minha posição de considerar sem base legal a • exigência de protocolo de ADA ao IBAMA e também de averbação da ARL como pré- requisitos ao gozo da isenção legal sobre tais áreas destinadas à preservação ambiental, definidas no Código Florestal. Além de que, por si só, estas providências nada provam em relação à efetiva existência dessas áreas. É evidente, a meu ver, o equivoco da fiscalização e da decisão recorrida em desconsiderar a materialidade da questão, ou seja, a importância fundamental da efetiva existência dessas áreas conforme definidas na Lei 4.771/65. Havia sido declarada uma área de reserva legal de 871,2 ha, correspondente a 20% do imóvel, que era a área mínima de reserva determinada pelo Código Florestal para a região de localização do imóvel. A área de preservação permanente declarada foi de 217,0 ha, correspondente às terras nas margens de rios, lagoas e nascentes, confirmadas no laudo de vistoria e avaliação realizado por Técnico em Agropecuária Antônio Soares em nome do Instituto de Assistência e Extensão Rural do Estado do Piauí (vinculado à SEAAB) /EMATER (fls.66/68). No laudo de vistoria técnica, cuja vistoria foi em 06.01.2000, conforme citado às fls.145, in line, realizado pelo IBAMA/PI, na propriedade em causa, às fls.144/147, foi atestada pelo Eng. Agr. Almir Bezerra Lima, Matr. 0422663, SUPES/PI, a existência de 530,44 hectares de preservação permanente, registrando que o imóvel é cortado pelos Rios Poti, do Cais, São • Miguel e Capivara, pelos Riachos do São Francisco, Palmeira, da Arraia, do Carneiro Velho e do Cabana, pelas Lagoas das Pedras, do Mansinho e do S. Francisco, pelo Açude do Vasco e, ainda pelos olhos d'água do Ingá, da Fazenda Nova, da Velha e da Arraia. Há, ainda, o laudo preparado pela empresa FLOAGRO encarregada de preparar o projeto da RPPN — Marvão, anexo às fls.205/240, confirmando a APP com 530,4 há, cuja localização é apontada no mapa anexo ao laudo. Além do mais, consta, às fls.201, o pedido de ADA ao IBAMA, em 27.11.2003, que também aponta uma área de 530,4 hectares coincidente com a apontada nos laudos técnicos acima descritos, além da RPPN de 5.096,8 hectares criada pela Portaria IBAMA 42/00. Conforme relatado houve vistoria do IBAMA no imóvel, realizada em janeiro/2000, para aferir a situação da propriedade com vista especialmente à aprovação e criação por parte do IBAMA de área de Reserva Particular do Patrimônio Natural. Nesse documento que é particularmente importante porque decorreu de vistoria in loco pelo IBAMA/PI, o parecer do técnico responsável que serviu de base à aprovação e criação da RPPN no imóvel em 2000, atestou a existência de fauna bastante rica e diversificada, que a área do imóvel destinada à RPPN (mais de 50% do imóvel) vinha sendo mantido com zelo. No .„ Processo o.° 11924.000002/2001-92 CCO3/073 Acórdão n.°303-34.400 Fls. 276 final do laudo o técnico opina que a partir da criação da RPPN deverá ser dispensada a exigência de reserva legal, pois a RPPN abrangerá área correspondente a 50% do imóvel, superior, portanto, à ARL exigida de 20%, e que também deverá ser averbada. Com isto, a meu ver, o IBAMA atestou a existência de ARL no imóvel, no período anterior à RPPN, que esta veio a ser criada e averbada em 2000. A referência do Técnico do IBAMA encarregado da vistoria quanto à ARL e APP pré-existentes representa, s.m.j., uma comprovação das referidas áreas, com força e qualidade superior a um mero protocolo de pedido de ADA, ou mesmo de uma mera averbação anterior da ARL. Aliás, a efetiva criação da RPPN por ato do IBAMA, e a sua correspondente averbação, realizada em 2000, ajudam a confirmar o relato do Técnico do IBAMA de que antes já havia área conservada a título de reserva legal e de preservação permanente nos termos do art.2° do Código Florestal. Entretanto, os fatos descritos e documentos juntados não deixam dúvida de que a RPPN somente se constituiu em 2000, sendo a Portaria do IBAMA n° 42/00, de 10.08.2000, • e a averbação ocorrida em 29.11.2000. (Consultar o meu voto no recurso 134422, nesse sentido). A minha conclusão quanto a essa primeira questão, e com relação ao ITR/97, é de acatamento da existência da ARL declarada, correspondente a 20% da área do imóvel, ou seja, correspondente a 871,20 ha, e de APP correspondente a 530,4 hectares conforme os documentos apresentados atestaram e ficou confirmado na vistoria in loco realizada pelo IBAMA. Quanto à área de pastagem a ser considerada. Foi declarada a área de pastagem de 1.308,0 hectares. O interessado apresentou os documentos de fls.40/43, que são fichas do proprietário para controle do gado existente em 31.12.1996, e fls. 63/68, que é laudo de vistoria realizada pela EMATER no imóvel, em 16.05.2001 (muito posterior a 01.01.1997), no qual se informa a existência de 230 cabeças de gado de grande porte, e 455 cabeças de caprinos/ovinos (médio porte), além de apontar uma área de 1.898 há de pastagem (nativa e cultivada). Há, ainda, juntado aos autos o laudo do Eng. Marlon Oliveira Menezes acompanhado de fotos do • imóvel, datado de 13.05.2005. Informa que vistoriou a propriedade rural, que esta é muito conhecida na região, sendo utilizada principalmente para criação e extração da cera de carnaúba. Porém, resta claro que o plantei informado é do rebanho existente na data da vistoria, e não serve como comprovação de utilização da pastagem no ano de 1996. Neste ponto, penso que deve ser mantida a decisão recorrida, posto que os documentos apresentados não servem como comprovação da média do quantitativo de animais existentes ao longo de 1996, impossibilitando a identificação da área de pastagem efetivamente utilizada no período sob fiscalização. Quanto à extração de carnaúba, o laudo do Eng. Marlon Menezes informa que constatou a retirada de palhas e extração do pó, informa que há indicação de ser o camaubal, estimado em 900,0 hectares, explorado "há vários anos", e anexa foto. Estima que na propriedade considerada, Boqueirão II, há uma produção aproximada de 7,6 toneladas de pó (cera). Que a extração é feita em parceria, cabendo ao proprietário 20% da produção. Neste ponto, creio ser aceitável a indicação do laudo baseada na vistoria realizada em 2005 e complementada com informações colhidas na região, sendo a informação \Vt • Processo n.° 11924.000002/2001-92 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-34.400 Fls. 277 registrada de exploração do carnaubal há muitos anos, de área equivalente a 900,0 hectares, compatível com a informação de área de exploração extrativa declarada de 820,0 hectares, pelo que voto no sentido de ser acatada essa área declarada. Em resumo, diante do acima descrito, entendo que devem ser acatadas e consideradas as seguintes áreas para efeito de cálculo do 1TR197 da Fazenda Boqueirão 11: (1) APP correspondente a 530,4 hectares, (2) ARL correspondente a 871,20 hectares e (3) Área de exploração extrativa de 820,0 hectares. Finalmente, a propósito da imposição de juros moratórios equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais não se vislumbra nenhum conflito entre ela e o disposto no artigo 161, § 1 0, do Código Tributário Nacional, visto que, em conformidade com a própria dicção do § 1°, a taxa de 1% ao mês somente prevalece "se a lei não dispuser de modo diverso". No caso presente tem primazia o artigo 61, § 3°, c/c o §3° do artigo 5 0, ambos da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabeleceu, exceto para o mês do pagamento, a incidência de juros moratórios equivalentes à • taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) para títulos federais. Ademais, não compete à autoridade julgadora administrativa apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei formal vigente, cujo foro apropriado está no âmbito do Poder Judiciário. Pelo exposto voto por dar provimento parcial ao recurso, para manter apenas a glosa da área de pastagem realizada pela fiscalização. Sala das Sessões, em 13 de junho de 2007 ZENALDO LOIBMAN - Relator • Page 1 _0022700.PDF Page 1 _0022800.PDF Page 1 _0022900.PDF Page 1 _0023000.PDF Page 1 _0023100.PDF Page 1 _0023200.PDF Page 1
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