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Numero do processo: 15983.000337/2007-52
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: obrigação acessória
Período do fato gerador: 01/01/1999 a 31/08/2005
DECADÊNCIA. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS. LEI 8.212/91 GFIP. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENOS COM DADOS INCORRETOS. MULTA. ART 32A DA LEI N.º 8.212/91.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Em relação a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32A,
da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2301-001.965
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir, devido a regra decadencial expressa no Inciso I, Art. 173 do CTN as contribuições apuradas até 12/1999, anteriores a
01/2000, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: Damião Cordeiro de Moraes
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ementa_s : obrigação acessória Período do fato gerador: 01/01/1999 a 31/08/2005 DECADÊNCIA. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS. LEI 8.212/91 GFIP. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENOS COM DADOS INCORRETOS. MULTA. ART 32A DA LEI N.º 8.212/91. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Em relação a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32A, da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.
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Matéria Auto de Infração: Obrigações Acessórias em Geral Recorrente FUNDAÇÕES PENNA RAFAEL LTDA Recorrida DRP EM SÃO PAULO II SP Assunto: obrigação acessória Período do fato gerador: 01/01/1999 a 31/08/2005 DECADÊNCIA. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS. LEI 8.212/91 GFIP. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENOS COM DADOS INCORRETOS. MULTA. ART 32A DA LEI N.º 8.212/91. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Em relação a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32A, da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Fl. 1DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0919.09332.JNMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir, devido a regra decadencial expressa no Inciso I, Art. 173 do CTN as contribuições apuradas até 12/1999, anteriores a 01/2000, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva. Fl. 2DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0919.09332.JNMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000337/200752 Acórdão n.º 2301001.965 S2C3T1 Fl. 172 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa FUNDAÇÕES PENNA RAFAL LTDA em face da decisão da 9ª Turma da DRJ/SPOII que julgou parcialmente procedente lançamento de débito contra o contribuinte em decorrência de descumprimento de obrigação acessória. 2. Narra o relatório fiscal que a empresa foi multada por ter incorrido nas seguintes irregularidades: “a) Não informou nas devidas competências, conforme citado a seguir, as retiradas efetuadas pelos sócios a título de Pro Labore, que foram apuradas nas folhas de pagamentos da empresa, de levantamento F1; b) Informou incorretamente a sua massa salarial de segurados empregados, já que as folhas de pagamentos apresentadas por ela possuem valores maior que os declarados nas GFIPs; cabe observar que essas diferenças estão identificadas no relatório de Fatos Geradores também pelo levantamento F1.” (fl. 04) 3. O acórdão, ora recorrido, restou ementado nos seguintes termos: “INFRAÇÃO GFIP. Constitui infração omitir, a empresa, fatos geradores na GFIP. ELEMENTO DE PROVA Ao contestar o lançamento referente a fatos geradores apurados em folhas de pagamento, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações. EXCESSO DE EXAÇÃO. Não há excesso de exação quando o fato gerador está registrado em documento formalmente constituído e apresentado pela própria empresa à fiscalização. PEDIDO DE PERÍCIA A solicitação de perícia na impugnação deve ser instruída com motivos de justificativa, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, além do nome, endereço e qualificação profissional do perito da escolha do contribuinte. DECADÊNCIA. Fl. 3DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0919.09332.JNMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 O prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Lançamento Procedente em Parte.” (fl. 150) 4. Em sede recursal o contribuinte aduziu, basicamente, os mesmos argumentos utilizados em sua impugnação, os quais transcrevo da decisão de primeira instância: “1) O número de segurados que o fiscal consignou no cálculo do valor da multa é superior ao real, o que onerou indevidamente o valor da multa. Houve excesso de exação na punição imposta à empresa; 2) diferentemente do que se alega, o valor das contribuições podem ser apurados na análise dos documentos contábeis da defendente, o que reduzirá o valor das contribuições devidas e consequentemente o valor da multa contida neste auto de infração; 3) solicita perícia para a apuração das reais bases de cálculo, comprovadas na contabilidade da defendente e ignoradas pela fiscalização; 4) solicita a declaração de improcedência da multa aplicada.” (fl. 152) 5. Não houve apresentação de contrarrazões, sendo que os autos foram encaminhados para a análise e julgamento deste Conselho. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0919.09332.JNMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000337/200752 Acórdão n.º 2301001.965 S2C3T1 Fl. 173 5 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Presentes os pressupostos legais de admissibilidade, conheço do recurso voluntário. DO PEDIDO DE PERÍCIA 2. Preliminarmente, batalha a empresa em demonstrar a necessidade de produção de prova pericial, para que se apurasse “os valores que são as reais bases de cálculo ignoradas pela fiscalização, comprovam a da contabilidade da Recorrente”. (fl. 166) 3. Conforme narrado no relatório fiscal, o valor da multa foi dado em função do número de segurados (fl. 07), em consonância como que dispunha o artigo 32, inciso IV, parágrafo 5º, da Lei 8.212/91, vigente à época dos fatos; não restando dúvida de que a base de cálculo utilizada para a apuração da quantificação do débito foi a mesma da contribuição que deveria ter sido paga pela empresa, corresponde aos valores devidos e não declarados pelo contribuinte, levando em conta o número de seus empregados, 4. E nesse ponto entendo que a razão está com o fisco, haja vista que a perícia no âmbito administrativo é reservada àqueles casos em que pontos duvidosos são lançados nos autos de forma que somente o conhecimento especializado pode demonstrar a ocorrência ou não de determinados fatos. 5. O que, no meu ponto de vista, não é o caso ora analisado, pois a narrativa trazida pelo auditor em sua peça informativa é suficiente para o conhecimento da conduta adotada pelo contribuinte, que resultou no cometimento da infração. DA DECADÊNCIA 6. Ainda em sede de preliminar, é importante que seja feita a análise, de ofício, da decadência, pois muito embora o acórdão de primeira instância tenha adentrado no tema, ainda resta uma competência abrangida pelo prazo quinquenal previsto nos termos do Código Tributário Nacional, conforme decidido recente, em julgamento considerado como recurso repetitivo, no Superior Tribunal de Justiça – STJ. 7. Sobre essa questão, cumpre dizer que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: “Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Fl. 5DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0919.09332.JNMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 8. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 9. Ainda sobre o assunto, Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. Fl. 6DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0919.09332.JNMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000337/200752 Acórdão n.º 2301001.965 S2C3T1 Fl. 174 7 § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. (...)” 10. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. 11. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. 12. Compulsando os autos, depreendese do Relatório Fiscal que o auto de infração lavrado contra o contribuinte foi recebido em 15/12/2005, referente às contribuições do período de 01/01/1999 a 31/08/2005, e ficam alcançados pela decadência quinquenal os valores relativos às competências 01/1999 a 12/1999, inclusive décimo terceiro, nos termos do art. 173, I, do CTN. Restando, entretanto, mantidas as competências 01/2000 a 08/2005. 13. Assim, como ainda há débito remanescente, passo a examinar as demais questões recursais. DO VALOR DA MULTA APLICADA 14. No que tange ao valor da multa aplicada, essa matéria deve ser revista de ofício tendo em vista a superveniência de legislação mais benéfica no que se refere à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. 15. Segundo o relatório fiscal, o quantum correspondeu a 100% do valor devido relativo às contribuições devidas e não declaradas, com base no número de segurados. (fl. 07) 16. Ocorre que a Lei n.º 11.941, de 2009, alterou a Lei n.º 8.212/91 para abrandar os valores da multa aplicada: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e. II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da Fl. 7DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0919.09332.JNMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou . II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e. II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” 17. Diante da regulamentação acima exposta, é possível identificar as regras do artigo 32A: a) é regra aplicável a uma única espécie, dentre tantas outras existentes, de declaração: a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. 18. Nesse momento, passo a examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. 19. O inciso II do artigo 32A manteve a desvinculação entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 8DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0919.09332.JNMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000337/200752 Acórdão n.º 2301001.965 S2C3T1 Fl. 175 9 20. Dessa forma, depreendese da leitura do inciso que o sujeito passivo estará sujeito à multa prevista no artigo, mesmo nos casos em que efetuar o pagamento em sua integralidade, ou seja, cem por cento das contribuições previdenciárias. 21. E fazendo uma comparação do referido dispositivo com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 (que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais) percebese que as regras diferem entre si, pois as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 22. Outra diferença é que as multas elencadas no artigo 44 justificamse pela necessidade de realização de lançamento pelo fisco, já que o sujeito passivo não efetuou o pagamento, sendo calculadas independentemente do decurso do tempo, eis que a multa de ofício não se cumula com a multa de mora. A finalidade é exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, dados esses que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. 23. Feitas essas considerações, tenho por certo que as regras postas no artigo 44 aplicamse aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. No que se refere à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, devese observar o preceito por meio do qual a norma especial prevalece sobre a geral, uma vez que o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente a uma espécie de declaração que é a GFIP, Fl. 9DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0919.09332.JNMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 devendo assim prevalecer sobre as regras do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 o qual se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não pode ser aplicado o artigo 43 da mesma lei: “Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” 24. Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria, sendo irrelevante a existência ou não pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido. 25. Quanto à cobrança de multa nesses lançamentos, realizados no período anterior à MP n° 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. 26. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP n° 449/1996 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: “Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Fl. 10DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0919.09332.JNMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000337/200752 Acórdão n.º 2301001.965 S2C3T1 Fl. 176 11 Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;” 27. No que tange aos autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da MP n° 449/1996, importa que seja feita a análise quanto à aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 11DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0919.09332.JNMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 12 ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” 28. E como pode ser notado, as novas regras trazidas pelo artigo 32A são, a priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas há limites inferiores, senão vejamos: no caso da falta de entrega da GFIP e omissão de fatos geradores, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária, no primeiro caso; e será de R$ 20,00 por grupo de 10 informações omitidas ou incorretas, no segundo caso. 29. Portanto, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A. Porém, nos casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há como se falar em retroatividade. 30. Razão pela qual entendo que os valores impostos pelo fisco devem ser retificados, conforme o novo regramento do citado artigo 32A, eis que mais benéfico para o contribuinte. DO AUTO DE INFRAÇÃO 31. Quanto ao procedimento do lançamento realizado pela autoridade administrativa, não observo qualquer vício que venha causar lesão ao contribuinte, uma vez que foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 11 e 31 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72. 32. Além do mais, como pode ser verificado, a peça inicial encontrase fundamentada com a devida motivação requerida pela legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99, conforme se depreende da leitura das fls. 04/14. CONCLUSÃO 33. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos acima, acolhendo a preliminar de decadência, excluindose do lançamento o período de 01/1999 a 12/1999 e aplicandose o novo regramento do artigo 32A, da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 12DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0919.09332.JNMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000337/200752 Acórdão n.º 2301001.965 S2C3T1 Fl. 177 13 Fl. 13DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0919.09332.JNMT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES em 03/05/2011 14:02:16. Documento autenticado digitalmente por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES em 03/05/2011. Documento assinado digitalmente por: MARCELO OLIVEIRA em 16/06/2011 e DAMIAO CORDEIRO DE MORAES em 08/06/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 20/09/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP20.0919.09332.JNMT Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: F2B6B52B2BE94F7587A4F886281C06E5F90500DA Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 15983.000337/2007-52. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 18471.000915/2003-95
Data da sessão: Wed Mar 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1999
RECURSO DE OFICIO - LIMITE MÍNIMO DE ALÇADA - NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de apelo de oficio quando, em face de determinação
superveniente à formalização do recurso, o limite mínimo de alçada não é alcançado.
Recurso de Oficio não conhecido.
Numero da decisão: 2202-000.465
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de Oficio, por perda do objeto, nos termos do voto do Relator
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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S2-C2T2 El 1 »...,,tgt-fut&-44 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS xj‘ét:Alf::_t,:: SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 18471.000915/2003-95 Recurso n° 165.448 De Oficio Acórdão n° 2202-00.465 — 2' Câmara / r Turma Ordinária Sessão de 10 de março de 2010 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MARIA ALICE RIBEIRO PASSEAI ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1999 RECURSO DE OFICIO - LIMITE MÍNIMO DE ALÇADA - NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de apelo de oficio quando, em face de determinação superveniente à formalização do recurso, o limite mínimo de alçada não é alcançado. Recurso de Oficio não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de Oficio, por perda do objeto, nos termos do voto do Relator. r \ , _.". W Ar , . ,,,erf Ne .6'n 0 . rd - resi e esi Pedro Anan nnior - Relator ' 21'0EDITADO EM: I E "; ',. 1 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Júnior, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Helenilson Cunha Pontes, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente). • 2 Processo n0 18471.000915/2003-95 52-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.465 Ft 2 - Relatório Contra a contribuinte MARIA ALICE RIBEIRO PASSEAI, inscrita no CPF 383.395.287-34, foi lavrado Auto de Infração de fls. 61/65, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 1999, ano-calendário 1998, no valor total de R$ 731.314,41 (setecentos e trinta e um mil, trezentos e quatorze reais e quarenta e um centavos). Segundo Descrição dos Fatos às fls. 62/63, o lançamento decorreu da apuração de omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Em 21/03/2002 foi expedido o Mandado de Procedimento Fiscal à fl. 01, por inteunédio do qual determinava-se a execução de procedimento fiscal em face da interessada, relativo ao imposto de renda pessoa física do exercício 1999, ano-calendário 1998. Na seqüência foram encaminhadas ao endereço constante no cadastro CPF da interessada, duas intimações (ff 06/07), em que se solicitavam informações acompanhadas de documentação comprobatória a respeito dos-rendimentos recebidos, das deduções pleiteadas na declaração de ajuste anual, dos pagamentos efetuados a qualquer titulo, das aquisições e alienações de bens móveis e imóveis, bem como apresentação dos comprovantes de instituições bancárias que mostrassem os saldos no inicio e final do período sob exame das contas correntes e contas de investimentos. Do exame do envelope anexado à E. 08 e Aviso de Recebimento à fl. 09, verifica-se que a Intimação postada em 11/07/2002 dão foi entregue ao destinatário tendo sido devolvida à SRF com a informação de que este havia se mudado. Não obtendo êxito em intimar a contribuinte pela via postal, a fiscalização o fez por edital, cuja publicação se deu em 14/10/2002, no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro (fl. 10). Em 14/03/2003 a Fiscalização requisitou ao Banco Bradesco S/A informações bancárias da interessada (Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira à fl. 16/17), nos termos do que dispõe a Lei Complementar ir 105/2001, resultando na anexação dos extratos da movimentação financeira às fis. 18/55. Conforme relatado no Termo de Verificação e Constatação à fl. 57, a autoridade autuante, diante dos extratos bancários, elaborou as planilhas de Ils. 58/60 na qual relacionou os valores creditados no ano-calendário 1998 nas contas-correntes mantidas pela interessada no Banco Bradesco, excetuando-se aqueles relativos a transferência de numerário entre contas. Em 09/05/2003 foi lavrado Auto de Infração, tributando-se como rendimentos omitidos, com base no art. 42 da Lei n g- 9.430/96, o montante dos créditos identificados nas contas correntes da interessada. Sobre o imposto apurado, foi aplicada multa de oficio no percentu de 75%. I 3, Em 16/0512003 foi publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro edital visando dar ciência à interessada da lavratura do Auto de Infração em foco. Em 08/04/2005 o processo foi encaminhado à Dicat/Derat/R,J0 para providências de sua alçada com a informação de que até aquele momento não havia sido recepcionada impugnação. Expedido o Termo de Revelia de E. 69, encaminhou-se Carta Cobrança de E. 73 ao domicilio tributário da contribuinte, a essa altura já alterado no cadastro CPF, a qual foi recebida em 18/04/2005, conforme AR à E. 74. À fl. 75, consta Termo de Ciência Pessoal no qual a interessada declara ter tomado ciência do auto de infração e recebido cópia deste em 27/04/2005. Em 18/0512005 a interessada apresentou impugnação de Es. 79/99 acompanhada dos documentos às fls. 100R38, bem como dos Anexos 01 a 12, apresentando as razões de defesa que passo a expor. Diz que ao receber a Carta Cobrança dirigiu-se imediatamente ao CAC/Ipanema, onde foi informada da existência de um auto de infração, obtendo cópia completa do respectivo processo. Alega que há anos mudou-se do endereço constante do Mandado de Procedimento Fiscal e para onde foram encaminhadas as intimações lavradas durante o procedimento de fiscalização. Diz que o novo endereço, Rua José Linhares 215/404, Leblon, foi informado à Receita Federal na Declaração de Ajuste Anual do exercício 1998, constando também das declarações seguintes até o exercício 2003. Entende que o fato da administração tributária não ter encaminhado as intimações para o endereço correto, optando pela intimação via edital, inquina de nulidade todos os atos administrativos praticados em decorrência do Mandado de Procedimento Fiscal à E. 01, nos quais se inclui o Auto de Infração em foco. Assevera que, por não ter recebido o Auto de Infração, teve tolhido o seu direito de defesa, pois lhe restaram poucos dias Para colher os elementos sobre os depósitos bancários, cuja origem deveria provar. Afirma que o lançamento desconsiderou o fato de não ser a única titular das contas bancárias rr2a 8.299-6 e 8.567-7 da Agência n2 1057-0 (Armação de Búzios), vício que também ensejaria nulidade da autuação, eis que indevidamente lhe atribuíram a totalidade dos valores depositados, restando configurado, portanto, erro de sujeito passivo. Na seqüência, passa a justificar os valores depositados nas contas correntes objeto do lançamento. Assume a exclusiva titularidade das contas correntes n3.066.396-9 e 29.855-7, as quais seriam movimentadas com recursos próprios. Já quanto à conta corrente 8.567-7, alega que, além de ser conjunta, tem a sua movimentação justificada pela atividade desenvolvida no ano de 1998. Diz que é arquiteta e atuou, juntamente com as co-titulares, gerenciando os pagamentos relacionados a materiais e serviços empregados em obras civis. Nessa condição, teria recebido dos clientes, proprietários dos imóveis, recursos para atender as despesas das suas obras bem como para remunerar a administração e responsabilidade técnica. K.\ 4 Processo n°18471.000915/2003-95 S2-C2T2 Acórdão n.°2202-00.465 Fl. 3 Apresenta relação dos proprietários das obras, demonstrativo dos recursos recebidos e pagamentos efetuados, bem como documentos comprobatórios de despesas (Anexos 1 a 12). A autoridade recorrida, ao, examinar o pleito, decidiu, por unanimidade pela improcedência do lançamento através do acórdão da i' Turma da DRJ/RSOI1 n° 17.627, de 19/10/2007, às fls. 146/154 , cuja síntese da decisão segue abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 INTIMAÇÃO POR EDITAL. No âmbito do processo administrativo fiscal, para cada ato ou termo processual de que deva ser intimado o sujeito passivo deve-se proceder à intimação pessoal ou por via postal e, somente depois, não logrando êxito essa intimação, será efetuada a intimação por eclitaL INTIMAÇÃO VIA POSTAL. MUDANÇA DE ENDEREÇO. Considera-se inválida a intimação, enviada a endereço constante do cadastro CPE, quando restar comprovado nos autos que o contribuinte já havia informado na Declaração de Ajuste Anual a mudança de domicilio, PRELIMINAR DE NULIDADE. Quando se puder decidir do mérito a favor do sujeito- passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (inciso ( art. 173 do CTN). Houve recurso de oficio por parte da DIU/SP011. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Anan Junior, Relator Trata-se de recurso de oficio interposto pelo Presidente da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro. Como se verifica dos autos, a autoridade recorrida, ao examinar o pleito, decidiu, por unanimidade pela improcedência do lançamento através do acórdão da ia Turma da DRI,RJOII n° 17.627, de 19/10/2007, às fls. 147/154 , ensejando recurso de oficio nos termos do art. 34 do Decreto 70.235/1972 combinado com a Portaria MF n° 375/ 2001. Não obstante, há fato superveniente que impede o conhecimento do presente recurso de oficio. Isto porque com a edição da Portaria MF n° 3, de 2008, que elevou de R$500.000,00 para R$1.000.000,00 o limite de alçada, aplicando-o ainda apenas à soma de principal e encargos de multa, o valor exonerado pela decisão de primeira instância não ensejaria a revisão de oficio dar, decisão. Com efeito, nos termos da decisão de primeira instância o montante exonerado pela decisão da DRJ é de valor inferior ao novo limite estabelecido, igual a R$ 1.000.000,00, para imposto e encargos de multa somados. Resta clarOportanto, que o presente recurso de oficio perdeu seu objeto em decorrência de 1 ação u\perveniente. Ante o exposto, voto no sentido de dele NAO CONHECER. liÇIIk Peno Anan ' nior CÁ.» MINISTÉRIO DA FAZENDA ltP;a-S CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAISr CAMARA72 a SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo il.': 18471.00091572003-95 Recurso n°: 165.448 - TERNIO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2202-00.465 Brasília/DF, 1E • 210 p- EVELINE COELHO DE MELO HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo. ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 17546.000663/2007-44
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 01/12/1996
Ementa: DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-001.231
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Ressalta-se que no campo "Data do fato gerador:" foi apresentada a competência de ocorrência do fato gerador mais recente do lançamento. A data de 20/12 correspondente ao décimo terceiro salário.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
1.0 = *:*
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score : 1.0
Numero do processo: 13312.900189/2006-64
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3202-000.043
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência.
Nome do relator: JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência. José Luiz Novo Rossari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Rodrigo Cardozo Miranda, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luis Eduardo Garossino Barbieri e Octávio Carneiro Silva Correa, ausente momentaneamente. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA, que deferiu em parte a manifestação de inconformidade do contribuinte, de forma a reconhecer em parte o crédito presumido do IPI solicitado e homologar a compensação de débitos até o limite do crédito reconhecido. O pedido diz respeito a ressarcimento de crédito presumido de IPI no valor de R$ 466.407,07, referente ao 2o trimestre de 2003, com fundamento na Lei no 10.276/2001, constando dos autos a PER/DCOMP no 24267.85722.150803.1.3.015075 no mesmo valor (fls. 1/468). O processo foi apreciado pela DRF em Sobral/CE, que, diante das conclusões obtidas a partir de exame da fiscalização (fls. 543/546), concluiu pelo deferimento parcial do pleito, resultando na aceitação do valor de R$ 421.248,89 a título de ressarcimento, e pela Fl. 1305DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13312.900189/200664 Resolução n.º 320200.043 S3C2T2 Fl. 832 2 homologação da compensação declarada até o limite do direito creditório reconhecido (fls. 602/609). O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 621/631), em que demonstra sua discordância com o despacho decisório da DRF e alega, essencialmente, que: a) a fiscalização, equivocadamente, em seu recálculo, acrescentou à Receita Operacional Bruta as receitas de revenda, sendo que a partir de 26/3/2003 essas receitas não devem ser incluídas; esse fato gerou prejuízo à manifestante, reduzindo seu direito creditório relativo ao crédito presumido de IPI indevidamente. A partir da entrada em vigor da Portaria MF no 64/2003, devem integrar a receita operacional bruta somente as receitas decorrentes das vendas, originárias de produtos produzidos pela manifestante, diferentemente do conceito de receita operacional bruta adotado anteriormente, que era extraído da legislação do Imposto de Renda (art. 31 da Lei no 8.892/95), tal como determinado nas anteriores Instruções Normativas; b) a fiscalização glosou a parcela de compras no montante de R$ 1.883.780,16, registradas sob o CFOP 2922 (lançamento efetuado a título de simples faturamento decorrente de compra para recebimento futuro) por considerar que tais operações não representam ingressos efetivos de insumos no processo produtivo da empresa e serão inseridas no processo industrial somente em momento posterior. Ocorre que a conclusão sobre o mérito desta questão não pode ser efetuada simplesmente através de uma análise superficial, pois, além do código de CFOP, neste caso, em particular, fazse mister analisar a data efetiva do ingresso dos insumos no processo produtivo da empresa, os quais tiveram origem na compra para entrega futura (CFOP 2922) e foram registrados através do CFOP 2116 (compra para industrialização originada de encomenda para recebimento futuro). De acordo com demonstrativos dos registros fiscais, os quais foram apresentados à fiscalização do presente processo, é possível constatar que tanto as operações de CFOP 2922 como a efetiva entrada em seu estabelecimento das operações de CFOP 2116 ocorreram no mesmo mês de maio de 2003. Portanto, a totalidade das operações de CFOP 2116 registradas nos livros fiscais no mês de maio de 2003 monta em R$ 1.883.780,16, sendo este o mesmo valor da totalidade das operações de CFOP 2922, também registradas no mês de maio de 2003, estabelecendo que todas as operações de compras para entregas futuras tiveram seus correspondentes ingressos no mês de maio de 2003, conforme demonstrativo dos registros efetuados no Livro Registro de IPI no quadro que discrimina. Portanto, apesar de ter sido considerado equivocadamente o CFOP 2922 contido em planilhas auxiliares de suporte à elaboração do DCP (Demonstrativo de Apuração do Crédito Presumido de IPI), sendo correto o CFOP 2116, não ocorreu prejuízo ao Erário, pois os valores totais das operações relativas aos mencionados CFOPs, no mês de maio de 2003, são exatamente os mesmos. Com base no princípio da verdade material e nos fatos ora apresentados, não concorda com a glosa efetuada pela fiscalização, requerendo que seja reconsiderada pela autoridade julgadora. c) no entendimento da fiscalização o aspecto formal está sobreposto ao aspecto material, fazendo uso do fundamento normativo previsto na IN SRF no 315/2003, com o que não concorda; d) devem ser observados os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, visto que estes se constituem para limitar o poder discricionário da administração pública; cita acórdãos de decisões de DRJs e dos Conselhos de Contribuintes em relação ao alegado. Fl. 1306DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13312.900189/200664 Resolução n.º 320200.043 S3C2T2 Fl. 833 3 Diante de todo o exposto, requer seja homologada a totalidade da compensação efetuada, solicitando, ainda, seja realizada perícia para verificação das razões de fato e de direito trazidas em sua manifestação, nos termos dos quesitos que formula, de forma a provar que a compensação não gerou qualquer prejuízo ao erário. O julgamento de primeira instância foi realizado pela 3ª Turma da DRJ em Belém/PA, nos termos do Acórdão no 0114.259, de 9/6/2009 (fls. 663/669), que, por unanimidade, deferiu em parte a manifestação de inconformidade para reconhecer o direito ao crédito presumido do IPI no valor de R$ 3.200,49 e homologar a compensação de débitos até esse limite, e cuja ementa dispôs, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, como é exemplo a edição de súmula administrativa, na forma do artigo 26A do Decreto 70.235/1972 (incluído pela Lei no 11.196/2005). INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. A realização de perícia não se presta para produção de provas que o sujeito passivo possuía o encargo probatório de trazer ao processo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. LIQUIDEZ E CERTEZA. O ressarcimento autorizado pela Lei no 10.276/2001 vinculase ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária de regência. Na ausência de provas nos autos que indiquem a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, impõese o seu indeferimento. CREDITO PRESUMIDO DE IPI. A PARTIR DO 2o TRIMESTRE DE 2003. CONCEITO DE "RECEITA OPERACIONAL BRUTA". Para fins de crédito presumido de IPI, a partir do 2o trimestre de 2003, considerase "receita operacional bruta" o produto da venda de produtos industrializados de produção da pessoa jurídica, nos mercados interno e externo. VERDADE MATERIAL. VERDADE FORMAL. IRRELEVÂNCIA DA DISTINÇÃO. A verdade apresentase como elemento a priori da argumentação, pressuposto lógico do discurso comunicativo: ao realizar afirmações, o sujeito o faz com o objetivo de que o fato seja reconhecido como verdadeiro. Por isso, diante dos diversos argumentos (diversas verdades) trazidos aos autos, o sistema normativo prescreve formas que permitem chegar a um final, mediante decisões que estabelecem qual a verdade prevalecente. Nessa linha de raciocínio, alguns doutrinadores vêm criticando a dicotomia clássica entre verdade formal e verdade real. Procede tal tese, pois tanto o processo administrativo como o judicial deve buscar a verdade lógica por meio do esquadrinhamento dos fatos jurídicos, na forma Fl. 1307DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13312.900189/200664 Resolução n.º 320200.043 S3C2T2 Fl. 834 4 como o direito foi positivado para aquela matéria. Logo o que se convencionou chamar de "verdade real" não é senão a submissão do processo administrativo aos princípios da legalidade e da oficialidade. COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. DEPENDÊNCIA. A declaração de compensação só pode ser homologada em razão do deferimento de crédito pleiteado mediante pedido de ressarcimento. Solicitação Deferida em Parte” No que respeita aos custos relativos aos insumos glosados sob o CFOP 2922, a decisão do órgão julgador de primeira instância foi no sentido de que o contribuinte simplesmente alegou que os insumos ali codificados deveriam, na verdade, ter sido escriturados sob o CFOP 2116, mas para provar tal fato, trouxe mera planilha com supostas notas fiscais de entrada que perfazeriam o resultado desejado, não aduzindo nenhuma cópia das mencionadas notas fiscais de entrada, nem trazendo o livro de Registro de Entradas, tampouco o livro de Apuração do IPI. Demais disso, se o sujeito passivo confessa ter havido erro de seu departamento contábil, deveria ter trazido os referidos livros fiscais já com as devidas retificações. Assim, não logrou êxito em comprovar o efetivo ingresso, no 2o trimestre de 2003, das mercadorias constantes da notas fiscais citadas no demonstrativo apresentado, que perfazem o valor total de R$1.883.780,16. Quanto à Receita Operacional Bruta, o órgão julgador entendeu procedente a alegação da contribuinte quanto ao conceito dessa receita a partir de 26/3/2003, nos termos do que dispõem os arts. 21, I e 47, III, da IN SRF no 315/2003, tendo, por isso, excluído as mercadorias objeto de revenda que não tenham sido objeto de qualquer processo industrial no estabelecimento, conforme planilha constante do voto (fl. 668). Já o pedido de perícia foi negado, no entender do órgão julgador, por não se prestar a substituir o ônus probatório que cabe à pleiteante, que não trouxe provas que demonstrassem a sua pretensão, e os documentos existentes nos autos serem suficientes para firmar a convicção do julgador. A interessada apresenta recurso às fls. 672/687 e anexos, em que: ● ratifica as suas alegações pertinentes às compras sob o código CFOP 2922, juntando em seu Anexo IX as Notas Fiscais de Saída emitidas pelo fornecedor (fls. 795/829) e relacionadas no quadro resumo, com a chancela de entrada no estabelecimento para que se evidencie, ainda mais, que os produtos cuja contabilização na forma de venda a ordem (CFOP 2922) foram efetivamente classificados como "compra para industrialização originada de encomenda para recebimento futuro" (CFOP 2116) e este dito futuro ocorreu no mês de maio de 2003, restando, portanto, sem qualquer mácula a inclusão do valor de R$ 1.883.780,16 no cômputo do custo de produção para fins de apuração de crédito presumido de IPI do mês de maio de 2003. Aduz que trouxe provas aos autos desde o primeiro momento em que foi realizada a auditoria junto ao seu estabelecimento industrial e que o pedido de produção de prova pericial em sua manifestação de inconformidade visava justamente demonstrar que houve, em maio de 2003, a efetiva entrada no estabelecimento do contribuinte das mercadorias utilizadas como insumos para a industrialização, no entanto foi negada essa perícia pelo órgão julgador; ● alega que após a correção feita pela DRJ em Belém/PA quanto à Receita Operacional Bruta, o cálculo obtido ainda apresenta erros, perfazendo uma diferença a maior na Receita Operacional Bruta Acumulada de R$ 208.873,69 (R$ 433.054.381,19 – R$ 432.845.507,50), conforme quadro que apresenta, e que essa diferença resulta em um direito creditório de R$ 1.055,96, pelo que requer seja determinada a retificação dos cálculos para que não lhe seja tolhido o direito a esse crédito; ● discorda de eventual exigência de multa e juros, na remota hipótese de indeferimento, por não haver que se falar em atraso no pagamento, já que quitou o seu débito tempestivamente por meio da DComp parcialmente homologada; ● ao final, pede que, no caso Fl. 1308DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13312.900189/200664 Resolução n.º 320200.043 S3C2T2 Fl. 835 5 de haver dúvidas a respeito dos fatos, o julgamento seja convertido em diligência para comprovar os fatos descritos ou para contraditar as alegações que sejam feitas. Em vista do exposto, requer o provimento do recurso, para reconhecimento da parcela remanescente do direito creditório e a homologação integral da compensação declarada. É o relatório. Voto José Luiz Novo Rossari, Relator Tratase de recurso voluntário interposto tempestivamente, no qual o recorrente apresenta, em síntese, alegações sobre: a) a glosa das parcelas de compras no valor de R$ 1.883.780,16 sob o código CFOP 2922, por não terem sido aceitas as suas justificativas pelo órgão julgador de primeira instância; e b) diferença de direito creditório à quantia de R$ 1.055,96, em razão de que ainda haveria erros na correção feita pelo órgão julgador nos cálculos da fiscalização. A questão “a” respeita à lide já alegada na manifestação de inconformidade da contribuinte (fls. 624/625), onde relacionou as Notas Fiscais das mercadorias sob CFOP 2916, que foram desconsideradas pelo órgão julgador, principalmente em razão de não terem sido trazidas aos autos, tampouco o livro Registro de Entradas ou o de Apuração do IPI. Por ocasião de recurso a recorrente apresenta no seu Anexo IX as Notas Fiscais retrocitadas (fls. 795/829), solicitando sua aceitação em razão de as mercadorias terem entrado em seu estabelecimento durante o mês de maio de 2003, aduzindo que as escriturações forem feitas no Livro de Registro de Entradas (Anexo VII) e reportandose ao art. 17 da IN SRF no 315/2003. Acrescenta que tais entradas também foram escrituradas no Livro de Apuração de IPI (Anexo VIII) no mês de maio de 2003, sob o código CFOP 2116. Já a questão “b” está relacionada com o novo cálculo feito pelo órgão julgador, que, ao dar razão aos argumentos da contribuinte quanto ao conceito de Receita Operacional Bruta, admitiu o recálculo para que fossem excluídas dessa receita as vendas correspondentes aos CFOP 5102 e 6102, tendo em vista que tais receitas referiamse a mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros para industrialização ou comercialização, sem que tenham sido objeto de qualquer processo industrial no estabelecimento. A decisão da DRJ em Belém/PA é clara em seus itens 21/23 ao explicitar que o recálculo foi por ela efetuado com base nos demonstrativos de fls. 572 e 579/584 elaborados pela DRF. Conforme se observa no quadro abaixo, referente aos demonstrativos da SRF e da recorrente constantes dos autos, a Receita Bruta Operacional referente ao 2o trimestre de 2003 montou os seguintes valores: Fiscalização (fls. 572, 579, 581 e 583) DRJ Belém (fl. 668) Recorrente (fl.685) Abril 75.428.012,65 75.217.315,35 75.215.046,94 Fl. 1309DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13312.900189/200664 Resolução n.º 320200.043 S3C2T2 Fl. 836 6 Maio 78.418.201,25 78.252.936,25 78.301.794,99 Junho 60.606.006,43 60.606.006,46 60.350.542,41 O quadro demonstra que nos meses de abril e maio o órgão julgador efetivamente fez as exclusões correspondentes. No entanto, não está demonstrado tal procedimento em relação ao mês de junho/2003, visto que os valores apurados pela fiscalização a título desses CFOP (fl. 572) não foram excluídos da Receita Bruta Operacional, o que, em princípio, pode sugerir o erro alegado pela recorrente. Tendo em vista que os valores referentes ao mês de junho/2003 digitalizados à fl. 572 não se mostram suficientemente legíveis, mister se faz que essa informação seja trazida aos autos, para efeitos de apreciação por este Colegiado. Diante do exposto, considerando as alegações e a documentação acostada aos autos pela recorrente e tendo em vista que os elementos processuais não se mostram suficientes para a convicção final do julgador quanto ao litígio administrativo fiscal, voto pela conversão do julgamento em diligência junto à unidade da RFB de origem, para que informe conclusivamente quanto: a) à veracidade das Notas Fiscais apresentadas pela recorrente, no que respeita ao efetivo ingresso em seu estabelecimento das mercadorias correspondentes, no mês de maio/2003, no valor de R$ 1.883.780,16, objeto de glosa; e b) ao valor das compras efetuadas pela recorrente no mês de junho/2003 sob os códigos CFOP 5102 e 6102 (fl. 572), em vista de que os valores ali digitalizados não se encontram todos legíveis. Antes do retorno do processo a este Conselho, deverá a recorrente ter ciência das informações prestadas e lhe ser concedido o prazo de 30 dias para manifestação, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto no 7.574, de 2011. José Luiz Novo Rossari Fl. 1310DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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Numero do processo: 17883.000320/2010-54
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2006, 2007
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - APP
As áreas de preservação permanente assim o são por simples disposição legal, independente de qualquer providência, como apresentação do ADA ao IBAMA, averbação da área no registro do imóvel ou outra providência do gênero. Restando comprovada por documentação hábil a sua efetiva existência, essa área deve ser reconhecida e excluída da incidência do ITR.
Numero da decisão: 2402-009.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, por determinação do art. 19-E da Lei nº 10.522/2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988/2020, em face do empate no julgamento, dar-lhe provimento parcial para restabelecer a dedução da Área de Preservação Permanente (APP) de 1.877,9 hectares. Vencidos os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, Francisco Ibiapino Luz, Márcio Augusto Sekeff Sallem e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Cláudia Borges de Oliveira, Denny Medeiros da Silveira, Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Luís Henrique Dias Lima, Marcio Augusto Sekeff Sallem, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: Renata Toratti Cassini
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2006, 2007 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - APP As áreas de preservação permanente assim o são por simples disposição legal, independente de qualquer providência, como apresentação do ADA ao IBAMA, averbação da área no registro do imóvel ou outra providência do gênero. Restando comprovada por documentação hábil a sua efetiva existência, essa área deve ser reconhecida e excluída da incidência do ITR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, por determinação do art. 19-E da Lei nº 10.522/2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988/2020, em face do empate no julgamento, dar-lhe provimento parcial para restabelecer a dedução da Área de Preservação Permanente (APP) de 1.877,9 hectares. Vencidos os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, Francisco Ibiapino Luz, Márcio Augusto Sekeff Sallem e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Cláudia Borges de Oliveira, Denny Medeiros da Silveira, Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Luís Henrique Dias Lima, Marcio Augusto Sekeff Sallem, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Renata Toratti Cassini. Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado em relação ao recorrente para fins de exigência do Imposto Territorial Rural (ITR) relativo aos exercícios de 2006 e 2007 incidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 03 20 /2 01 0- 54 Fl. 447DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-009.588 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17883.000320/2010-54 sobre imóvel rural denominado Fazenda Humaitá, com área total de 2.194,4 ha., Número de Inscrição – NIRF 4.345.713-4, localizado no município de Parati-RJ, no valor total de R$ 773.379,45, assim discriminado: No "Complemento da Descrição dos Fatos" constante da Notificação Fiscal de Lançamento (fls. 05), relata a autoridade fiscal que: Em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuamos o presente Lançamento de Oficio, nos termos do art. 15 da Lei n° 9.393/96, em que foi(ram) apurada(s) a(s) infração(ões) abaixo descrita(s), aos dispositivos legais mencionados. 001 - IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL Falta de recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, apurada em trabalhos de revisão de declarações, referentes aos exercícios 2006 e 2007. O contribuinte, tendo sido regularmente intimado, apresentou laudos técnico e de avaliação do imóvel, sendo que neste foi apurado o Valor da Terra Nua de R$ 967,00/ha para os dois exercícios citados, valor este acatado por esta Fiscalização no cálculo do Valor da Terra Nua. Não foi apresentado o Ato Declaratório Ambiental referente aos exercícios referidos, protocolados junto ao IBAMA em tempo hábil, ou certidão do IBAMA ou órgão público, reconhecendo a existência de Áreas de preservação permanente, condições necessárias para a exclusão da incidência do ITR sobre aquelas áreas, conforme legislação vigente. (Destacamos) Notificada do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação tempestivamente, que foi julgada procedente em parte pela DRJ/CGE em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2006, 2007 NIRF: 4.345.713-4 - Fazenda Humaitá VALIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade do lançamento quando não se configura óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público. DILAÇÃO PROBATÓRIA. Em regra, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão, com exceção das hipóteses do § 4º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/1972. ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. As certidões das matrículas do imóvel fazem prova da área total do imóvel. IMÓVEL LOCALIZADO EM PARQUE NACIONAL. TRIBUTAÇÃO. Fl. 448DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-009.588 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17883.000320/2010-54 O Parque Nacional integra o Sistema Nacional de Unidade de Conservação da Natureza - SNUC e é de domínio público, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas, de acordo com o que dispõe a lei. O proprietário de área particular localizada em Parque Nacional é contribuinte do ITR até a data da perda da posse pela imissão prévia ou provisória do Poder Público na posse ou até a data da perda do direito de propriedade pela transferência ou pela incorporação do imóvel ao patrimônio do Poder Público. ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL. INCIDÊNCIA. O fato, por si só, de o imóvel estar localizado em Área de Proteção Ambiental - APA, não o exclui da incidência do ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL TEMPESTIVO. AUSÊNCIA. NÃO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO. A não incidência de ITR sobre área de preservação permanente depende da prova da existência dessas áreas, nos termos da legislação ambiental, e da prova da entrega tempestiva do Ato Declaratório Ambiental – ADA perante o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA. ÁREA DE FLORESTA NATIVA. PERÍODO DE ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL TEMPESTIVO. AUSÊNCIA. NÃO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO. A isenção do ITR sobre as áreas de florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração passou a vigorar somente a partir do exercício 2007, com o advento da Lei 11.428 de 22/12/2006. A isenção da área de floresta nativa a partir do Exercício 2007 depende da prova da sua existência por meio de laudo técnico elaborado por profissional habilitado e, também, da prova da declaração dessa área em Ato Declaratório Ambiental - ADA protocolizado tempestivamente perante o IBAMA ou órgão conveniado. VALOR DA TERRA NUA. FALTA DE PROVA. O valor da terra nua apurado com base em laudo técnico do interessado não é passível de alteração quando o contribuinte não demonstra os vícios do laudo técnico combatido. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Notificado do acórdão em questão a 11/07/14 (fls. 401), o contribuinte apresentou recurso voluntário aos 04/08/14 (fls. 409 ss.), alegando, em síntese: - que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, órgão ao qual é atribuída a competência constitucional para conhecer e interpretar as leis federais, firmou-se no sentido de Fl. 449DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-009.588 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17883.000320/2010-54 que é desnecessário apresentar o Ato Declaratório Ambiental para que se reconheça o direito à isenção do ITR quanto às áreas de preservação permanente. Cita julgados nesse sentido; - que não se nega que o proprietário do imóvel seja contribuinte do ITR até que a área seja desapropriada e o Poder Público imitido na posse, tanto é que a recorrente juntou aos autos as Guias de ITR pagas. Afirma que “o que não se admite é que não haja a isenção na parcela da propriedade que está incluída na reserva permanente”; - que o lançamento contém vícios que o tornam nulo, seja por deixar de considerar a área de preservação ambiental, por estar incluída no Parque Nacional da Serra da Bocaina (85,50% da propriedade), seja pelo irreal valor atribuído ao imóvel sobre o qual incide o imposto; e - que o valor atribuído ao imóvel é irreal e o valor do tributo é igualmente irreal e configura a prática de confisco, vedada pelo art. 150, inciso IV, da CF. Por fim, requer que seu recurso seja acolhido para cancelar o auto de infração. Não houve contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Renata Toratti Cassini, Relatora. O recurso é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele conheço. O presente recurso voluntário foi interposto de decisão que julgou procedente em parte impugnação apresentada contra lançamento de ITR dos exercícios de 2006 e 2007, alterando a área total do imóvel, o valor da terra nua e, em consequência, o valor do ITR suplementar lançado nos Exercícios 2006 e 2007 para R$ 331.089,46 (Exercício 2006: R$ 165.544,73 + Exercício 2007: R$ 165.544,73). Em seu recurso voluntário, o recorrente contesta, em síntese, a glosa da área de preservação permanente declarada em suas DITR’s do período com fundamento na não apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental – ADA ao IBAMA, bem como o fundamento da decisão recorrida para manter o lançamento, no sentido de que o ITR incide sobre o imóvel rural declarado de utilidade pública, ou de interesse social, até a data da perda da posse pela imissão prévia ou provisória do Poder Público na posse ou até a data da perda do direito de propriedade pela transferência ou pela incorporação do imóvel ao patrimônio do Poder Público, o que não é o caso do imóvel em questão. Argumenta que a jurisprudência do STJ se firmou no sentido de que é desnecessário apresentar o Ato Declaratório Ambiental para que se reconheça o direito à isenção do ITR quanto às áreas de preservação permanente e que não nega que o proprietário do imóvel seja contribuinte do ITR até que a área seja desapropriada e o Poder Público imitido na posse, mas que o que não se admite é que “não haja a isenção na parcela da propriedade que está incluída na reserva permanente”. Assim, alega que o lançamento é nulo, seja por deixar de considerar a área de preservação ambiental, seja pelo irreal valor atribuído ao imóvel sobre o qual incide o imposto, que configura confisco, vedado pelo art. 150, IV da CF. Fl. 450DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-009.588 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17883.000320/2010-54 Pois bem. O recorrente apresentou as DITR de 2006 e 2007 relativas ao imóvel em questão nas quais declarou área total de 2194,4 hectares e área de Preservação Permanente de 1877,9 (fls. 107 ss. e 130 ss.). Conforme consta do AI (fls. 05), a área de preservação permanente foi integralmente glosada pela autoridade lançadora sob o fundamento de que não houve a protocolização da Ato Declaratório Ambiental – ADA tempestivamente junto ao IBAMA comprovando essa informação, nos seguintes termos: O contribuinte, tendo sido regularmente intimado, apresentou laudos técnico e de avaliação do imóvel, sendo que neste foi apurado o Valor da Terra Nua de R$ 967,00/ha para os dois exercícios citados, valor este acatado por esta Fiscalização no cálculo do Valor da Terra Nua. Não foi apresentado o Ato Declaratório Ambiental referente aos exercícios referidos, protocolados junto ao IBAMA em tempo hábil, ou certidão do IBAMA ou órgão público, reconhecendo a existência de Áreas de preservação permanente, condições necessárias para a exclusão da incidência do ITR sobre aquelas áreas, conforme legislação vigente. A decisão recorrida, por sua vez, acatou o entendimento da autoridade fiscal neste ponto sob o argumento de que A isenção do ITR sobre as referidas áreas de interesse ambiental depende do atendimento de dois requisitos: a) a comprovação, pelo sujeito passivo, da existência dessas áreas, segundo a legislação ambiental, e b) a comprovação da entrega tempestiva do Ato Declaratório Ambiental - ADA perante o Ibama, segundo a legislação tributária. (...) Os documentos apresentados não são eficazes para se reconhecer a isenção da área de preservação permanente e da área coberta por floresta nativa. Para fins de exclusão do ITR, a Área de Preservação Permanente – APP deveria ter sido informada em Ato Declaratório Ambiental – ADA do Exercício 2006 ou período anterior e do Exercício 2007 e a Área coberta por floresta nativa em ADA do Exercício 2007. que as áreas de florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, incluindo o Bioma Mata Atlântica, passaram a ser isentas do ITR somente a partir do Exercício 2007 pela Lei 11.428, de 22/12/2006, que incluiu a alínea “e” do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393/96. A exigência de apresentação do ADA, para fins de exclusão do ITR do exercício em questão, está prevista expressamente na Lei 6.938/81, art. 17-O, § 1 º, com a redação dada pela Lei 10.165, de 27/12/2000. (...). (Destacamos) Entendo, com todo o respeito, que neste ponto não têm razão o julgador de primeira instância nem a autoridade lançadora. Das áreas de preservação permanente Com relação à área de preservação permanente, cujo reconhecimento foi condicionado à apresentação de ADA, entendo que nos termos da lei, mais precisamente, do mesmo art. 17-O, "caput" e § 1º, da Lei nº 6.938/81, citado pelo julgador de primeira instância, o ADA não é único documento hábil a amparar o direito à exclusão de determinadas áreas do âmbito de tributação pelo ITR. Com efeito, conforme se depreende da análise do art. 17-O, "caput" e § 1º da Lei nº 6.938/81, com a redação que lhes foi atribuída pelo artigo 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, Fl. 451DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-009.588 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17883.000320/2010-54 o ADA é meio de prova do direito à isenção do ITR relativamente a determinadas áreas, mas não exclusivo. Vejamos: “Art. 17-O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (...) § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.” (destacamos) Sabendo-se que não apenas por regras de hermenêutica e interpretação das normas jurídicas, mas por imperativo legal 1 , o sentido de um parágrafo deve ser buscado à luz do que está disposto no "caput" do artigo, pois ou por meio do parágrafo se expressam os aspectos complementares à norma enunciada no "caput" ou as exceções à regra por este estabelecida, a leitura do § 1º, acima transcrito, evidentemente, não pode ser feita de forma isolada. Desse modo, da leitura em conjunto do "caput" e do §1º do art. 17-O da Lei nº Lei nº 6.938/81, alterada pela Lei nº 10.165/00, verifica-se que o dispositivo prevê a obrigatoriedade da utilização do ADA para fins de redução do valor do ITR a pagar apenas nas hipóteses em que esse benefício ocorra com base no ADA. Por outro lado, a exclusão de áreas ambientais da base de incidência do ITR cuja existência decorra de outras hipóteses, como diretamente da lei, por exemplo, não pode ser entendida como uma redução “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”, nem pode ser condicionada à apresentação desse documento. A finalidade precípua do ADA foi a instituição de Taxa de Vistoria que deve ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar da redução do ITR com base nesse documento, mas não tem o condão de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento dessas áreas, nem de criar obrigações tributárias acessórias ou regular procedimentos de apuração do tributo. Assim, a apresentação do ADA não pode ser condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente de que trata o art. 2º da Lei nº 4.771/65 da base de cálculo do ITR se sua existência está demonstrada por outros elementos, como a própria decisão recorrida reconhece ocorrer no presente caso concreto. Portanto, tendo em vista que há nos autos laudo técnico quantitativo de área de preservação permanente, acompanhado da correlata ART (fls. 154-164, repetido a fls. 343/348), que dá conta de que há no imóvel 1877,9 hectares de área de preservação permanente, fato reconhecido pelo próprio julgador de primeira instância (fls. 391), essa área deve ser assim reconhecida e excluída de tributação pelo ITR. Com relação às demais alegações tecidas pelo recorrente, entendo que não têm razão. Com relação ao valor do imóvel, anote-se que o valor da terra nua do imóvel foi aferido com base em laudo técnico apresentado pelo própria recorrente e acatado pela autoridade lançadora. É dizer, o recorrente está impugnando o valor apurado no laudo técnico que ele mesmo apresentou, sem apontar eventuais vícios ou incorreções e sem trazer aos autos outro laudo técnico suprindo as possíveis deficiências daquele primeiro. Assim, não há como acatar a sua irresignação neste ponto. 1 Art. 11, III, "c", da LC 95/98. Fl. 452DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-009.588 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17883.000320/2010-54 Por fim, sobre a alegação de que o valor do tributo é irreal e configura a prática de confisco, vedada pelo art. 150, inciso IV, da CF, trata-se de argumento de índole tipicamente constitucional, cuja análise não compete a este tribunal, conforme expresso no enunciado de nº 2 da súmula de sua jurisprudência, nos seguintes termos: Enunciado CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que seja reconhecida e excluída da tributação a área de preservação permanente de 1877,9 hectares. (documento assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Fl. 453DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13819.000810/2004-25
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3201-000.177
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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CAS-K_OLY Participaram do presente julgamento os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D'Arnorim Marcelo Ribeiro Nogueira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Daniel Matiz Gudino Processo n" 13819 000810/2004-25 S3•C2T1 Resoluçao o '32O100477 1.1 958 Relatório A empresa acima identificada recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP.. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integralmente da decisão recorrida, as fis. 769/771, que transcrevo, a seguir "Troia o presente processo de Auto de Infração de fis. 65/67, lavrado em decorrência de . falia dc recolhimento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico Remessas para o Exterior CIDE, nos períodos de apuração de janeiro de 2002 o abril de 2003, corn Crédito Tributário no montante de R$ 29. 515..475,65. 2.No Termo de Verificação Fiscal (fls. 50/59) o auditor fiscal infbrma . 0 contribuinte deixou de recolher a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico referente aos pagamentos de contratos que tiveram por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes prestados por residentes ou domiciliados no exterior on pagamento de royalties a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, instituldo pela Lei n" 10168, de 29/12/2000, com redação da Lei n° 10332. de _19/12/2001, conforme relação dos 'Valores Remetidos a Residentes ou Domielliado.s. no Exterior no penado de Janeiro de 2002 a Aril de 2003, (folhas 08 a 12 e 35 a 39), cujos valores originais demonstramos a seguir. ) 0 Contribuinte teve indeferido o pedido de liminar impetrado contra a BUN) através do processo 2003.61,14 000390-5-SP, que objetivava suspender a exigibilidade da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico ODE, instintida pela Lei 10168/00, regulamentada pekt Lei .10332/01, assim como, teve negado o eft:go suspensivo do Agravo de Instrumento, impetrado CliraVé.8 do processo 2003.03 00.004345-9 (copias aslls 30 a 32). 0 contribuinte recolheu aos cofres da União o valor de R$ 2 290.587,87, referente aos fatos geradores ocorridos no mês de Alarco/2003 (conforme copia do DAR1;' anexo a 48), e efttuou deposito judicial na Caixa Econômica Federal no valor de R$ 2.126.388,61, referente ao processo 2003.61.14.000390-5, para os fatos geradores ocorridos no mês de Abril/2003 (conforme copia do Documento p/Depositos Judiciais e Extrajudiciais a Disposição da Autoridade Judicial ou Autoridade Competente anexo a /1 47), entretanto, este deposito não foi considerado na apuração do Auto de infração tendo em vista que não existe qualquer Sentença Judicial que permite ao mesmo efetuar referido depósito, ou impeça a Autoridade Tributária de fazer o lançamento de oficio 2 Processo n" I 3819. 000g10/2094-25 S3-C2T1 Resolu0o n 3201..00477 Fl 959 3 No Termo de Constatação (/1 60), o auditor fiscal informo ainda: ) 0 contribuinte não recolheu a Fazenda Nacional o Contribuição de Intervenção do Dom into 1,:contimico sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados on remetidos a cada mês a residentes ou domiciliados no exterior, a titulo de remuneração decorrente de contratos que tiveram por objeto, serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes, hem assim, royalties, a qualquer titulo, instituído pela Lei n" 10168, de 29 de dezembro de 2000, alterado pela Lei n°10332, de 19 de dezembro de 2001. 0 Contribuinte impetrou Mandado de Segurança através do processo 2003 03..00 004345-9, objetivando suspender a exigibilidade da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE, que foi indeferido, posteriormente, interpOs agravo de instrumento contra a decisão do Juízo Federal da 2' Vara de São Bernardo do Campo • •-• SP, o gnat fbi negado. Os valores que compõe a base de cálculo da contribuição foram infOrmados pelo Contribuinte através da Relação dos Valores Remetidos a Residentes ou Domiciliados no Exterior - • ano 2002 e 2003, conferi por amostragem a contabilização dos valores remetidos ao exterior, assim como, a efetiva prestação de serviços, contratos de . fechamento de cambio e respectivas autorizações do Banco Central paro remessas ao exterior. ) Regularmente cientificada em 6 de maio de 2004, a contribuinte apresentou, em 4 de junho de 2004, a Impugnação de fis 79/105, na qual requer o cancelamento do auto de infração e alega, em siniese e jUndamentalmente, que: preliminarmente, o Auto de infração seria nulo, pois o auditor . fiscal teria deixado dc verificar adequadamente a ocorrência da hipótese de incidência da CIDE, uma vez que "o que fez a Fiscalização foi exigir CIDE da Lei re 10_168/00 sobre as mais variadas remessas de recursos ao exterior sem comprovar e mais' que isso, .sem sequer verificar --- se elas seriam efetivamente a realização da hipótese de incidência do tributo"; a C1DE em questão somente :sera devida pela pessoa jurídica que deliver licença de uso, adquirir conhecimento tecnológico e ser signatária de contrato que implique transferência de tecnologia; as remessas ao exterior que deverão ser tomadas como base de cálculo da CIDE são somente aquelas relativas as previsões legais de sua incidência, quais se/am 01 deter licença de uso; (ii) adquirir conhecimentos tecnológicos; e, por fim, (iii) ser signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia; a Fiscalização computou todos os valores remetidos ao exterior durante o period° de janeiro de 2002 a abril de 2003 para o cálculo do CIDE supostamente devida, sem levar em consideração a natureza 3 Processo ti 3819 000g10/20021-25 S3-C211 Resolu0o o " 3201.00477 960 da remessa; procedimenfi.) este que estaria incorreto, uma vez que a hipótese incidência da C1DE da ei n" .10 168 requer, em qualquer caso, a realização de uma transferência de tecnologia; não pode ser exigida a (.11)1,..- relativamente as remessos internacionais divisas para pagamentos de direitos autorais sobre software diretamente ao.s autores, pois estes não podem ser conlitodidos com o pagamento de ri...Tilties; a CII)F tem como hipotese de incidência negóciosjuridicos e apenas incide sobre aqueles realizados após o inicio de vigência da lei n" 10 168/00, e portanto seria ilegal a incidência da CID// sobre as remessas internacionais realizadas para pagamentos relativity a contratos celebrados antes da vigência da Lei a" 10.168, de 29 de dezembro de 2000, relativamente ds hipóteses de incidência previstas no caput de seu artigo 2", bem corno antes do vigência da Lei n" 10 332, de 19 de dezembro de 2001, relativamente as hipóteses de incidência previstas no 2' do mesmo artigo, teria ocorrido erro na determinação da base de cálculo da contribuição, que teria sido adotada como sendo a mesma do Imposto de Renda na Fonte inclusive nos casos em que a contribuinte, entendendo não serem. .fatos geradores da (IDE, infOrmou como base de cálculo do ME valores considerando tal imposto com a ai/quota de 25%, e não de 15%, aliquota que incide nas remessas que configuram lato gerador da C1DE; seria indevida a aplicação dc multa de 75% em relação ao período de apuração abri//2003, pots o tributo estaria com a exigibilidade suspensa, devido a existência dc deposito veria ilegal e inconstitucional a exigência de . ptro.c calculados com base na taxo Selic A. contribuinte requereu a realização de diligência para que se vertique quais das remessas veriam realmente fatos geradores da CHM'. O pleito foi indeferido, por unanimidade de votos, no julgamento de primeira instancia, nos termos do acórdão -D -RJ/CPS 1) (1 7.604, de 29/09/2004 (fis. 767/778), proferida pelos membros da 5" Turma da .I)eiegacia da Receita Federal de julgamento em Campinas/SP, cuja ementa dispõe, verb/s. -Assunto Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração.. 01/0112002 a 30/04/2003 Ementa. Contribuição de intervenção no Domínio Econômico Licença de Uso de Software Serviços '1'éCniCOS e de Assistência Administrativa e Semelhantes São tributadas como royalties as importáncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior corn vista a aquisição de programas de computador (software), para distribuição e comercialização no Brasil ou para uso própria. A partir de .1" de janeiro c/c 2002, os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos por pessoa jurídica .sediada no Pais a residentes ou domiciliados no exterior a titulo de remuneração de Proceso ii BSI 9_000810/2001-25 S3-C21- 1 Resoluçao ' 3201..09-177 11 961 _serviços rir assistência atIministrativa e semelhantes estilo sujeitos incidência do Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, al/quota de .109,r6(dez pot cent()) Ode. kato Gerador. Remessa de Divisas 0 ft.tio gerador da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (WE, é iTilleS.SW de divisas para o exterior para pagamentos relativos aos COrlirat08' ague se refere a Lei n' 10 186, de 2000, e não a celebração de tais contratos, sendo irrelevantes, para sua ocorrência, as datas em que 08 contratos tenham sido formalizados AlitIto dc Olicio DepOsito Insuficiência Depósito de valor inferior ao MOiliallie integral do crédito tributário não suspende .suo A. multa de oficio é devido se o crédito tributário não esta corn a .suspensa na forma do art .151 do CTN. Juros de Mora. Tam O eredito não integralmente pago no venciniento é acrescido de juros de mora, ealculado...s por meio da taxa Selic, conforme expresso previsão legal Controle de constinicionalidade 0 controle de constitueionalidade da legislação que fundamenta o lançamento e de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisioncil no STE Lançamento Procedente" A interessada apresenta., tempestivamente, recurso voluntario,ds fls 796/854 e documentos its fis 855/871, repisando praticamente os mesmos argumentos anteriores Ressaltando o pedido de realização de di liOncia formulado convertido o JULGAMENTO EM. DILIGÊNCIA A FIM DE QUE A FISCALIZAÇA0 esclarecesse, conforme Resoluçao n° 302-1A00, as fls. 884/890; nos termos abaixo:: Analise parcela por parcela, dos valores remetidos CIO exterior, no período de . janeiro de 2002 a abril de .2003; tendo em vista argument° da empresa que constam todo.s os valores' do remetidos ao exterior, como remessa referente c't aquisição de pews aplicadas em veículos exportados, de material promocional, pagamento de cursos e congressos a limcionários, midtas de trânsito, despesas com telefonia, aluguel de carros, pagamento efituaclos a título de aquisição e manutenção de ..softwares e outros; se seriam eletivamente hipótese de incidência do tributo, conforme pleito da recorrente; Averigúe se essas remessas, objeto deste litígio são classificadas na abrangência do art 2') do Lei nü 10 .168/00; Se a (Vignola aplieado do imposto de renda na Ibrite-IRE joi de 25% ou 15% , tendo ern vista argumento tic.7 empresa de que não há previsão de incidência da CIDE concomiidmnie com MHO al/quo/ri de 25 1 0 de M]7, 011 seja, ern caso de incidência da C11)E, exigi-la, mas sobre uma have de calculo que adotasse a alíquota de 15% de 11/1, A empresa exemplifica, inclusive, as fls.. 816 e 817 aikidos que a mesma entende serem equivocados; 5 Processo n" 13819 0681012004-25 S3-C2T1 Res() loOo o " 3201110-1.77 11.. 962 Ver/ ficai se a hose de calculo da CIDE fbi climinuida do IRF„- Observar o mês dc competência de abril/2003, pois, alega a recorrente que foi indevida a aplicação da mu/la em relação à parcela dos débitos, que 80 encontra com a exigibilidade su„spensa; e Por final, se leve crédito do (.]IDE sobre parcelas desta contribuição pagas no mercado inferno? Ern resposta, conforme 'Fenno de Constataçalo e Esclareeimento, As lis. 929 a 934, dos quesitos formulados, "a) Analisei .juntamente com o representante legal da . fiscalizada as parcelas que compõe o Auto de Infração, em conjunto com a Relação dos Valores Remetidas Residentes ou T.)omiciliados no Exterior, conforme infbrinado anteriormente, sendo que ocorreu um consenso entre as parles, de que todas as parcelas incluidas no Auto de infração estão abrangidas pela hipolese de incidência do tributo, alem do que, guard° da constiluição do crédito tributário os valores haviam .sido depurados pelo Eisco, de tal farina que, as parcelas que não incidem a (..1DE já haviam sido excluídas do cálculo do tributo; h) Conlbrme consenso entre Else() e o Representante Legal da recorrente, as remessas que comp-4e o Auto de infração jazem parte da Relação dos Valores Remetidos a Residentes ou Domiciliados no Exterior, isto é, todas são class//leads' na abrangência do art. 2 0 da Lei n" 10..168/00; c) A aliquoo aplicada no imposto de renda na .fOnte-ME .fi)i de 15% e 25%, entre/em/o, não existe equivoco por parte do Fisco, pois cabe a recorrente utilizar a (Vignola correta do ME que é de 15%, se a mesma utilizou a aliquot(' a maior que o previsto na legislação, não cabe ao Fisco efetuar a compensação de (?ficio, MIS sim a recorrente, através do pedido de restituição/C Ompensação de acordo com a legislação vigente; d) A base de cálculo da CIDV não foi diminuída do IRF, porém, não existe previsão legast para ta/frito, pois a base de calculo da ME é mesma do 1RF; e) Quando da lavratura do :lino de „Infiação não apresentado el fiscalização o requerimento parei realização do deposit() judicial e conseqüente deferimento do pedido de ,suspen—são da exigibilidade do crédito que consta a ti.. 279 do processo n° 2003.61.14,000390-5, em virtude desse . fato conhecido durante a execução da ação constatamos que durante o período de compeiência abri1/2003,1bi efetuado o deposito judicial no valor de R$ 2.126.388,61 (dois milhões, cento e vinte e seis mil, trezentos e oitenta e oito reais e sessenta e um centavos) e que tal valor goza eia exigibilidade suspensa j) Quando da lavratura. do Auto de Infração foi considerado o crédito no valor de R$ 2.290_587,87 (dos milhões, duzentos e noventa mil reais, quinhentos e oitenta e sete reais e oitenta e sete centavos ) correspondente a contribuição da ODE relerente aos latos geradores ocorridos no mês de marco/03, conforme DARE anexo aft 48), sendo que tal valor foi diminuído do total levantado, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal a 57, Face ao exposto, concluímos que o valor originário do crédito tributário constituído através. do Auto de Infração lavrado em 06/05/2004, que importa ein .R$ 14,556.092,4.2 (quatorze milhões, quinhentos e cinqüenta e seis mil, noventa e dois ma's e 6 Process() ii 13819 000810/200z1-25 S3-C2'í1 Resolwrio n.." 3201.01- 177 111 963 quarenta e dois centavos) está correto, entreumio a park cone,spondente a multa de oficio calculada sobre o valor depositado judicialmente no mês de abril/03, que imporla em RS' 2.126,388,61 (dois milhões, cento e vinte e seis mii , trezentos e oitenta e oito reais e sessenta e um centavos) deverá ser expurgacki do crédito tributário consumido, em virtude de via exigibilidade suspensa, conforme sentença prolcuada no processo MS 2003.61..14.000390-.5, as Its.. 279. " Devidamente intimada, a recorrente rebate as lis 935 a 938, dentre outros argumentos que. -a) o valor de R$ 52,594,34 decorrente de uma diftrença adicional apurada pela diligência não poderá set exigida, face ao transcurso do prazo decadencial; 1)) a retenção do IRE (se 15% ou 24%), tendo em vista que não há previsão de incidência da ODE concomitante com uma al/quota de 25% do IR», o fiscal responsável pela diligência limitou-se a afirmar que efetivamente houve retenção de fRi de 15% e de 25%; c) a base de cálculo é o valor efetivamente remetido: . d) a fiscalização incidiu em equivoco na apuração da CID11,.. Nos termos da legislação, nas situa çães em que ha a incidência da conlribukao, o ..11?.» tern a aliquota de 15% e não de 25% (MP 2 159-70/0.1 e Lei 10 168/00, na redação dada pela Lei la 332/01). Não há possibilidade legal de aplicação conjunta da CIDE e do IRE coin aliquola de 25% O processo retornou a esta Conselheira pata dar continuidade no julgamento. É o relatório 7 Process() n" 13819 000810/2004-25 Rcsoln0o n.' 3291.06-177 S3-C211 11. 964 Voto Conselheiro Mércia Helena Trajano D' Amorim Relator 0 processo retorna de diligência para julgamento. Entretanto, da análise do Termo de Constatação e Esclarecimento; verifico que não foi respondida integralmente a diligência, já que não foi explicitada a competência, valor e alíquota do impost() de Renda retido na fonte incidente sobre período objeto da lide Assim, entendo deva ser novamente baixado, para fins de compiementação da diligência inicialmente requerida, para fins de aclarar a situação supra Assim sendo, voto por converter de novo o julgamento em diligência a fim de que a fiscalização elabore planilha detalhando, para o período em questão, quais as competências, valores e alíquotas utilizadas na retenção do imposto de renda nos pagamentos, conforme demandado na a,linea c) da resolução Realizada a diligência, intime-se a. recorrida para manifestar-se, se assim o desejar Retornem os autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, devendo a secretaria providenciar a intimação da Procuradoria da Fazenda Nacional para se manifestai .. sobre o resulta da nova diligência realizada e a manifestação do contribuinte I6.ereia Helena raj ano D Amorim
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Numero do processo: 35582.000517/2007-64
Data da sessão: Tue Apr 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVI DENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2005
NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO - REMUNERAÇÃO.
INCENTIVE. HOUSE, PARCELA DE. INCIDÊNCIA DE. CONTRIBUIÇÃO
PREVIDENCIÁRIA,
A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela Incentive House S.A, é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2302-000.480
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por maioria de votos conceder provimento parcial quanto à preliminar de decadência, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda ,Junior e Fábio Soares de Melo que entenderam que se aplicava o artigo 150, § 4° do CTN. Quanto ao período não decadente, foi negado provimento ao recurso por unanimidade.
Nome do relator: MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA
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INCENTIVE. HOUSE, PARCELA DE. INCIDÊNCIA DE. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA, A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela Incentive House S.A, é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da .3" Câmara / 2" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos conceder provimento parcial quanto à preliminar de decadência, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda ,Junior e Fábio Soares de Melo que entenderam que se aplicava o artigo 150, § 4° do CTN. Quanto ao período não decadente, foi negado provimento ao recurso por . unanimidade. (a/W A-fflANA JSATO Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Eduardo de Oliveira (Suplente), Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva, Fábio Soares de Melo, Manoel Coelho Arruda Junior e Marco André Ramos Vieira (Presidente). Relatório Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em 09/10/2006, cuja ciência do Recorrente ocorreu em 10/10/2006. De acordo com o Relatório Fiscal de fls.53/59, a presente NFLD refere-se a recolhimentos não comprovados pela empresa (mesmo porque ela não considera os pagamentos que são objetos da presente como fato gerador de contribuição previdenciária), bem como não constam do banco de dados do Sistema de Informação de Arrecadação e Débito do INSS — DATAPREV, O valor tributável foi apurado com base nos valores nominais das notas fi scais de serviços ou faturas de serviços emitidas pela empresa Incentive House SP Constituem como fatos geradores dos tributos lançados os valores pagos aos contribuintes individuais por- meio de cartões de premiação, denominados Flexcard e Top premium. O Recorrente apresentou impugnação, a DN julgou o lançamento procedente, e, inconformado, o Recorrente interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: o - decadência dos fatos geradores ocorridos até 10/10/2000; e - nulidade do lançamento em decorrência da contradição na descrição do fato gerador com o histórico do lançamento e da ausência de indicação dos segurados envolvidos; * - violação a legislação previdenciária; - ausência de prestação de serviços por parte dos segurados corretores; o - não integração do prêmio ao salário de contribuição; • - excesso de fiscalização, A DRP apresentou contra-razões reiterando os termos da DN. É o Relatório, Voto Conselheira ADRIANA SATO, Relatora Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame da questão preliminar suscitada pelo recorrente Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei ri' 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante 08. Seguem transcrições: Processo n" 35582 000517/2007-64 S2-C312 Acórdão n " 2302-00.480 ri 2 Parte final do voto proferido pelo Evino Senhor . Ministro Gilinai Mendes, Relator, Resultam inconstitucionais, pai tanto, os artigos 45 e 46 da Lei n'' 8212/91 e o parágralit único do ar t.5" do Deciew-lei 1.569/77, que veisando .sobre no; mas gerais de Direito Tributário, invadiram contendo material sob a te erva constitucional de lei complementar Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém-se tugido a legislação anterior, com seus prozos qüinqüenais de prescJição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o ai quivamento achniniskativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 1.50„,5' 4", 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, paia confirmar a moí:lamuria inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, 111, b, da Constituição, e do parágrafo 'MICO do art. 5" do Decreto-lei 1 569/77, frente I" do ar! 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69 É COMO voto Súnuila Vinca/ante n° 08 "São inconstitucionais o parágiafi) único do artigo .5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 4.5 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário'' Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. I03-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de Ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos .serts membros, depois de reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de .sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas .federal, estadual e muniCipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na fbrina estabelecido em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n" 4.5, de 2004) Lei 110 I I 417, de 19/12/2006. Regulamenta o art 103-A da Constituição Federal e altera a Lei 11' 9 784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências ) 3 Ari 2' O Supremo 'Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, depois de reiteradas decisc3es sobre matéria con.sliturional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, teiú efeito vinca/ante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciai ia e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem corno proceder à sua ieviscio ou cancelamento, na li» .ma prevista nesta Lei I O enunciado da .sninula ieró por objeto a validade, a inierm . etação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou enfie esses e a adniinistraçiia púbbea, contiovérsia atual que acarrete grave in.segurança juticlica e relevante multiplicação de proces.sos sobre idéntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclino-me à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08_ Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91 resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional - CTN se aplicar ao caso concreto. Compulsando os autos, constata-se através do Discriminativo Analítico do Débito que o Recorrente não efetuou pagamento parcial de suas obrigações as quais se refere o lançamento. Daí deve prevalecer à regra trazida pelo artigo 173, I do CTN. Assim sendo, tendo sido cientificado o Recorrente do lançamento em 10/10/2006, .ficam alcançadas pela decadência as contribuições até a competência 11/2000, inclusive. No que diz respeito à parcela 12/2000 temos que a obrigação tem prazo legal para pagamento no segundo dia útil de 01/2001, o que faz transferir para 01/01/2001 o termo inicial de contagem do prazo decadencial. Em razão do exposto, acato a preliminar de decadência para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso interposto para excluir da presente NFLD contribuições até a competência 11/2000, restando corno devidas às contribuições de competência de 12/2000 a 12/2005. Não merece prosperar a alegação do recorrente de nulidade do lançamento em decorrência cia contradição na descrição do fato gerador com o histórico do lançamento e da ausência de indicação dos segurados envolvidos, urna vez que, o ponto controverso da presente NFLD reside na incidência ou não de contribuições sobre os valores pagos aos segurados, por meio da utilização da sociedade empresária Incentive House S.A. Para o deslinde da questão é imprescindível a análise do campo de incidência das contribuições previdenciárias.. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei o ° 8,212/1991, para o segurado empregado entende-se pot salário-de-contribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: 4 Processo n" 35582.000517/2007-64 S2-C312 Acóriffio n " 2302-00.480 H .3 Ari 28 Entende-se por salário-de-conn ibuição 1 - para o empregado e trabalhador avulso a remuneração auferida em unia ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título. durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorTentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou /ornador de, serviços nos termas da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou .sentença normativa, (Redação dada pela Lei n" 9..528, de 10/12/97) Para o período posterior à competência março de 2000, inclusive, as contribuições da empresa sobre a remuneração dos contribuintes individuais são reguladas pelo art. 22, 1II da Lei n ° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n 0 9,876/1999, nestas palavras: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinwhi à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é ele ) 111 - vinte por cento .sobre o total das retintnetaçães pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos .segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços, (Inciso acrescentado pelo art. I", da Lei n" 9 876/99 - vigência a partir de 02/03/2000 confirme arr. 8"da Lei 11" 9.876/99) Pelo exposto o campo de incidência é delimitado pelo conceito remuneração. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado ou de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. Cabe destacar nesse ponto, que os conceitos de salário e de remuneração não se confundem. Enquanto o primeiro é restrito à contraprestação do serviço devida e paga diretamente pelo empregador ao empregado, em virtude da relação de emprego; a remuneração é mais ampla, abrangendo o salário, com todos os componentes, e as gorjetas, pagas por terceiros.. Nesse sentido é a lição de Alice Monteiro de Barros, na obra Curso de Direito cio Trabalho, Editora LTR, 3" edição, página 7.30. O salário pode ser pago em dinheiro, bem como em utilidades, como alimentação, vestuário, habitação, ou outras prestações in natura. Logo, a verba paga no presente caso não se enquadra no conceito utilidade, como alega a recorrente, pois dinheiro não se subsume ao conceito de utilidade para fins do conceito salarial. Desse modo, a questão da habitualidade para fins de incidência de contribuições previdenciárias somente é relevante quando a parcela paga não tiver sido efetuada em dinheiro.. No presente caso, mesmo que se considerasse um ganho em utilidade, o que se fiz somente a titulo de argumentação, não foi pago de maneira eventual vez que as verbas as verbas foram repetidas para os mesmos segurados ao longo de meses, inclusive aos corretores. Quanto à argumentação de que o pagamento é desatrelado ao cumprimento de qualquer condição imposta pelo recorrente; o que afastaria a natureza salarial do prêmio; não confiro razão à recorrente. O critério que a sociedade empresária utilizou para pagar a verba a seus segurados é irrelevante para o deslinde da questão. Os prêmios se caracterizam por atendimento a determinadas condições impostas pelo empregador, possuindo natureza remuneratória, integrando o salário-de-contribuição. Agora, caso a empresa tenha pagado os valores sem observar as condições, tais verbas não deixam de ter natureza remuneratória, passando a ser . indenizatória. Como já analisado a empresa não demonstrou que as verbas foram pagas para o trabalho e não pelo trabalho.. Além do mais, o nome dado à verba é irrelevante, o que interessa é saber se a mesma remunerou ou não o trabalho realizado. No presente caso, estou convencido, a partir das provas colacionadas, de que a verba foi paga pelo trabalho No presente caso, não resta dúvida que houve prestação de serviços à sociedade empresária pelos segurados e os valores pagos pela prestação de serviços estão no campo de incidência tributária, por remunerarem tal serviço. Uma vez que o Recorrente remunerou os segurados, deveria efetuar o recolhimento à Previdência Social. Não efetuando o recolhimento, o recorrente passa a ter a responsabilidade sobre o mesmo. O fato de os valores serem repassados a uma interposta empresa, no caso a Incentive House S.A.., não desnatura o fato gerador de contribuições previdenciárias em relação à recorrente. O encargo financeiro foi suportado pela recorrente, conforme demonstram as notas fiscais juntadas pela fiscalização; a Incentive House simplesmente cumpria as determinações da tecorrente, que informava os valores que deveriam ser disponibilizados aos segurados, bem como a relação nominal dos mesmos. Os valores percebidos pelos segurados surgiram era função do vinculo com a recorrente e não de vinculação com a incentive House. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido cru sua integralidade haja vista os argumentos apontados pelo recorrente serem incapazes de refutar . a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO, julgando procedente o lançamento efetuado, Sala das Sessões, em 27 de abril de 2010 6
score : 1.0
Numero do processo: 13819.002353/2010-51
Data da sessão: Thu Mar 11 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Jun 01 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2007
DESAPROPRIAÇÃO.
Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação, devendo ser comprovado o pagamento no ano-calendário correspondente ao lançamento.
Numero da decisão: 2201-008.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Wilderson Botto (Suplente convocado), Debora Fofano dos Santos, Savio Salomao de Almeida Nobrega, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: Daniel Melo Mendes Bezerra
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Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação, devendo ser comprovado o pagamento no ano-calendário correspondente ao lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Wilderson Botto (Suplente convocado), Debora Fofano dos Santos, Savio Salomao de Almeida Nobrega, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra acórdão da DRJ, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por sua completude e proximidade dos fatos, adoto o relatório da decisão de piso quanto aos motivos que levaram ao lançamento, ora em análise: Contra o sujeito passivo acima identificado foi constituída Notificação de Lançamento, fls. 04 a 08, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2008, formalizando AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 23 53 /2 01 0- 51 Fl. 77DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-008.610 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13819.002353/2010-51 a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 37.945,37, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O lançamento reporta-se aos dados informados na Declaração de Ajuste Anual apresentada de fls. 55 e 56, sendo decorrente de ter sido verificado omissão de rendimentos recebidos da Prefeitura do Município de São Bernardo do Campo no valor de R$ 137.983,72. Na mencionada declaração, foi apurado imposto a pagar no valor de R$ 24.328,54. Cientificado do lançamento em 21/09/2010, fl. 27, a inventariante do sujeito passivo apresenta impugnação em 06/10/2010 (fls. 02 a 03), alegando, em síntese, que: o valor não informado na Declaração de Ajuste Anual refere-se à desapropriação movida no processo n° 1.670/94, cujo feito tramita na 6° Vara Cível da Comarca de São Bernardo do Campo; os pagamentos foram divididos em 10 parcelas, sendo cada uma anual; as indenizações por desapropriação não são rendimentos, já que elas apenas recompõem o patrimônio das pessoas, não havendo geração de rendas ou acréscimo patrimonial de qualquer espécie. conforme dispõe a jurisprudência pacífica do STJ, não incide imposto de renda sobre indenização decorrente de desapropriação, uma vez que não apresenta ganho ou acréscimo patrimonial; A vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelando-se o débito fiscal. Em razão da impugnação apresentada, o processo foi baixado em diligência, para que fosse intimada à inventariante a comprovar sua alegação de que o valor de rendimentos tributáveis considerado omitido refere-se à desapropriação movida no processo n° 1670/94, mediante apresentação de documentação probatória. Em resposta, a inventariante apresentou os documentos de fls. 36 a 52. A decisão de primeira instância (fls.60/63), julgou a impugnação improcedente, nos termos da seguinte ementa. DESAPROPRIAÇÃO. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao julgar o Recurso Especial n° 1.116.460/SP, no âmbito da sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil (CPC), entendeu que a indenização decorrente de desapropriação não encerra ganho de capital, tendo-se em vista que a propriedade é transferida ao Poder Público por valor justo e determinado pela Justiça a título de indenização, não ensejando lucro, mas mera reposição do valor do bem expropriado. Afastou-se, portanto, a incidência do imposto sobre a renda sobre as verbas auferidas a título de indenização advinda de desapropriação, seja por utilidade pública ou por interesse social. PROVAS. Cabe ao contribuinte comprovar suas alegações de que preencheu corretamente a Declaração de Ajuste Anual, com base em documentação. O contribuinte foi cientificada da decisão em 15/01/2015 (fl.66) e apresentou Recurso Voluntário no dia 11/21/2015 (fls. 68/70), alegando, em síntese, que: Fl. 78DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-008.610 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13819.002353/2010-51 A requerente solicitou junto à Prefeitura Municipal de São Bernardo do Campo, documentos que comprovasse o deposito efetuado em 2008, em nome do "de cujus" Nelson Corazza. A municipalidade forneceu uma cópia do Relatório de Precatórios Analítico do Tribunal de Justiça onde declina a importância depositada em nome do "de cujus" que é de R$ 174.122,50- (doc. 01). Diante aos fatos expostos, provado está que o "de cujus" recebeu a importância de R$ 174.122,50, referente ao processo de desapropriação nº 1670/1994 - 6ª Vara Cível da Comarca de São Bernardo do Campo, s.m.j. requer que seja oficiada a municipalidade de São Bernardo do Campo para esclarecer a diferença apontada de R$ 137.983,72, para o recebimento de R$ 174.122,50 conforme comprovado no referido auto de desapropriação e documento oferecido pela Municipalidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Omissão de Rendimentos - Desapropriação A Guia de Depósito Judicial anexa às fl.73 comprova o pagamento de indenização por desapropriação no valor de R$ 174.122,50, realizado no dia 26/11/2008. Todavia, a omissão de rendimentos apurada pela Fiscalização, no valor de R$ 137.983,72, tendo como fonte pagadora o município de São Bernardo do Campo/SP, corresponde ao ano-calendário 2007. Inexistindo prova de eventual erro no envio da DIRF pelo município de São Bernardo do Campo/SP, bem como ausente a prova de recebimento de indenização por desapropriação dentro do ano-calendário correspondente ao lançamento, deve ser mantida a decisão recorrida. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 79DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-008.610 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13819.002353/2010-51 Fl. 80DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 35011.000204/2007-81
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2002 a 31/12/2002
DECISÃO EM DESCOMPASSO COM A FUNDAMENTAÇÃO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA.
Revela-se o direito processual administrativo fiscal refratário ao procedimento que exclua do sujeito passivo o direito ao contraditório e à ampla defesa. É nula a Decisão de 1ª Instância cuja fundamentação adotada pelo Órgão Julgador não encontra amparo na legislação vigente e eficaz à data dos fatos geradores.
Recurso de Ofício Provido.
Numero da decisão: 2302-002.828
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2002 a 31/12/2002 DECISÃO EM DESCOMPASSO COM A FUNDAMENTAÇÃO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. Revela-se o direito processual administrativo fiscal refratário ao procedimento que exclua do sujeito passivo o direito ao contraditório e à ampla defesa. É nula a Decisão de 1ª Instância cuja fundamentação adotada pelo Órgão Julgador não encontra amparo na legislação vigente e eficaz à data dos fatos geradores. Recurso de Ofício Provido.
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PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. Revelase o direito processual administrativo fiscal refratário ao procedimento que exclua do sujeito passivo o direito ao contraditório e à ampla defesa. É nula a Decisão de 1ª Instância cuja fundamentação adotada pelo Órgão Julgador não encontra amparo na legislação vigente e eficaz à data dos fatos geradores. Recurso de Ofício Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 01 1. 00 02 04 /2 00 7- 81 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35011.000204/200781 Acórdão n.º 2302002.828 S2C3T2 Fl. 91 3 Relatório Período de apuração: 01/08/2002 a 31/12/2002 Data da lavratura da NFLD: 20/10/2006. Data da Ciência da NFLD: 23/12/2006. Tratase de Recurso de Ofício interposto pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA, em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância por esta proferida que declarou nulo o lançamento tributário aviado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.928.7190, de 20 de outubro de 2006. A DRJ em Belém/PA constatou que os Mandados de Procedimento Fiscal Complementares a fls. 29 a 31 não continham a assinatura de representante/preposto do Sujeito Passivo, circunstância que desaguou na conclusão de que a empresa fiscalizada não houvera sido cientificada da prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal. Por considerar que o Mandado de Procedimento Fiscal Complementar MPFC só se torna válido com a ciência do sujeito passivo, inferiu a DRJ em Belém/PA que o MPFC n° 09303362CO2 era inválido, não estando apto a produzir qualquer efeito. Por tal razão, considerando que a carência de assinatura de recebimento no Mandado de Procedimento Fiscal Complementar a fls. 29/31 configuravase vício insanável, a DRJ em Belém/PA declarou nulo o lançamento tributário em debate, recorrendo de ofício de sua decisão. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DO RECURSO DE OFÍCIO 1.1. DA NULIDADE Publicado com o escopo de estabelecer normas gerais sobre o planejamento das atividades da administração previdenciária em matéria fiscal, o Decreto n° 3.969, de 15 de outubro de 2001, determinou que os procedimentos fiscais relativos aos tributos federais previdenciários devem ser instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), do qual deve ser dada ciência ao sujeito passivo, por ocasião do início do procedimento fiscal. Nessa perspectiva, a ação fiscal, para ser qualificada como regular, necessita ser conduzida sob a cobertura de MPF válido, aqui incluídas suas prorrogações, desde a sua deflagração até o seu encerramento, devendo o auditor fiscal, nesse interregno, emitir todos os documentos fiscais atávicos ao seu ofício que importem numa conduta a ser praticada pelo Fiscalizado, tais como Notificações Fiscais e autos de infração. DECRETO Nº 3.969, de 15 de outubro de 2001. Art. 4º O MPF será emitido na forma de modelos adotados e divulgados pela Diretoria de Arrecadação do Instituto Nacional do Seguro Social, do qual será dada ciência ao sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, por ocasião do início do procedimento fiscal. (Redação dada pelo Decreto nº 4.058, de 18.12.2001). (grifos nossos) Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 93DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35011.000204/200781 Acórdão n.º 2302002.828 S2C3T2 Fl. 92 5 §1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; (grifos nossos) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (grifos nossos) §4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §6º As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 94DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 §7º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda na sessão das respectivas câmaras subsequente à formalização do acórdão.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) §8º Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) §9º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do § 8o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) O exame da legislação que instituiu o mandado de procedimento fiscal revela que a sua finalidade essencial focase na segurança do contribuinte quanto à regularidade e oficialidade do procedimento de fiscalização, afastando pseudo ações fiscais. Salientese que a ordem contida no MPF é direcionada ao agente fiscal, não ao contribuinte, ao qual deve ser dada a ciência de que a Administração Fazendária incumbiu o auditor ali consignado a comparecer ao seu estabelecimento para a verificação do cumprimento das obrigações relativas às Contribuições Sociais administradas pela administração tributária emissora do documento em realce. Dessarte, a ciência do sujeito passivo representa um feed back ao Órgão Fazendário de que o Contribuinte encontrase conhecedor da oficialidade, do escopo e do alcance da ação fiscalizatória a ser desenvolvida na sua empresa. Em reforço a tal assertiva, notese que o art. 4º do mencionado Dec. 3.969/2001 apenas prevê a ciência do MPF pelo sujeito passivo “por ocasião do inicio do procedimento fiscal”. Corroborando o entendimento de que a finalidade do MPF circunscrevese a informar o Sujeito Passivo a respeito das condições de contorno dos procedimentos de Fiscalização a serem desenvolvidos nos estabelecimentos da empresa, o art. 10 do Dec. nº 3.969/2001 estatuiu que deverá ser dada ciência ao sujeito passivo das alterações no MPF, decorrentes de substituição, inclusão ou exclusão de servidor responsável pela sua execução, bem assim as relativas a tributos a serem examinados e período de apuração do debito, alterações essas que deverão ser procedidas mediante emissão de Mandado de Procedimento Fiscal Complementar (MPFC), pela autoridade outorgante do MPF originário. DECRETO Nº 3.969, de 15 de outubro de 2001 Art. 10. As alterações no MPF, decorrentes de substituição, inclusão ou exclusão de servidor responsável pela sua execução, bem assim as relativas a tributos a serem examinados e período de apuração, serão procedidas mediante emissão de Mandado de Procedimento Fiscal Complementar (MPFC), pela autoridade outorgante do MPF originário, do qual será dada ciência ao sujeito passivo. (grifos nossos) Fl. 95DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35011.000204/200781 Acórdão n.º 2302002.828 S2C3T2 Fl. 93 7 §1º O MPFC será identificado pelo número do MPF originário, na forma do inciso I do art. 7º, acrescido de número sequencial correspondente a sua emissão, separado por hífen. §2º Na hipótese do § 2º do art. 7º, a constituição do crédito tributário, relativamente a período diverso do fixado, dependerá de emissão de MPFC. Notese que dentre as atividades merecedoras de ciência do Sujeito Passivo arroladas no mencionado art. 10 não se encontra contida a prorrogação do prazo de validade do MPF, circunstância que de per se já seria suficiente para se deduzir que o MPF complementar de mera prorrogação de prazo de validade não depende de ciência do Sujeito Passivo para se tornar válido. Robustece tal entendimento o fato de o dispositivo encartado no art. 13 do Dec. 3.969/2001, que trata especificamente da prorrogação do prazo de validade do MPF, não conter a determinação de ciência do Contribuinte para a sua validade, ao contrário do que se estatuiu no já mencionado art. 10 do mesmo Diploma Normativo em realce. DECRETO Nº 3.969, de 15 de outubro de 2001 Art. 12. Os MPFs terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o art. 12 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observados, a cada ato, os limites estabelecidos naquele artigo. Parágrafo único. A prorrogação do prazo de validade do MPF será formalizada mediante a emissão do MPFC. Art. 14. Os prazos a que se referem os arts. 12 e 13 serão contínuos, excluindose da sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, nos termos do art. 5º do Decreto nº 70.235, de 1972. Parágrafo único. A contagem do prazo do MPFE farseá a partir da data do início do procedimento fiscal. Nesse mesmo sentido, há que se considerar que o §1º do art. 13 da Portaria MPS/SRP nº 3.031/2005, vigente à data dos fatos, aboliu definitivamente a necessidade de emissão de Mandado de Procedimento Fiscal Complementar para fins exclusivos de prorrogação de prazo de validade de MPF, a qual poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, acessível pelo código de acesso fornecido no início da ação fiscal. Consolidando tal entendimento, em 22 de dezembro de 2005 foi publicada a Portaria MPS/SRP nº 3.031/2005 dispondo sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelecendo normas para a execução de procedimentos fiscais relativos a contribuições Fl. 96DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 administradas pela Secretaria da Receita Previdenciária, e, nessa linhada, instituiu normatização específica relacionada ao mecanismo de prorrogação e de ciência desta ao Fiscalizado, estatuindo que tal procedimento passaria a ser realizado por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estaria disponível na Internet, acessível pelo código de acesso fornecido no início da ação fiscal. Portaria MPS/SRP n° 3.031, de 16 de dezembro de 2005 Art. 12. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o art. 12 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observados, a cada ato o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. §1º A prorrogação de que trata o caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 7º, inciso VIII. (grifos nossos) §2º Na hipótese do §1º deste artigo, o servidor responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo após cada prorrogação, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo IX. Da prova dos autos avulta que o primeiro ato de ofício praticado pela Fiscalização perante o Notificado após as prorrogações do MPF em tela (28/08/2006, 27/09/2006 e 20/10/2006) foi, exatamente, a lavratura/notificação do lançamento (20/10/2006) em questão, quando, então, os demonstrativos de prorrogação do MPF foram fornecidos ao Sujeito Passivo, cumprindo a determinação fixada no §2º do art. 13 da Portaria MPS/SRP nº 3.031/2005. Nesse contexto, considerando que o art. 4º do Decreto nº 3.969/2001 prevê a ciência do MPF ao sujeito passivo apenas por ocasião do início do procedimento fiscal; Considerando que o art. 10º do Decreto nº 3.969/2001 prevê a ciência do Mandado de Procedimento Fiscal Complementar ao sujeito passivo apenas nas situações em que o Mandado de Procedimento Fiscal Complementar promover alterações decorrentes de substituição, inclusão ou exclusão de servidor responsável pela sua execução, bem assim as relativas a tributos a serem examinados e período de apuração; Considerando que o art. 13 do Decreto nº 3.969/2001 não prevê a ciência do Sujeito Passivo quando o Mandado de Procedimento Fiscal Complementar se referir a prorrogação do prazo de validade; Considerando que legislação vigente à data dos fatos mencionados previa expressamente a prorrogação do prazo de validade do MPF mediante registro eletrônico, cujo teor se encontrava disponível na Internet; Considerando que o MPF originário continha expressamente consignado o site da internet e o código de acesso ao Mandado de Procedimento Fiscal, mediante o qual o Sujeito Passivo podia verificar, a qualquer tempo, a autenticidade do Mandado de Procedimento Fiscal e as suas demais condições de operacionalidade; Considerando que os demonstrativos de prorrogação do MPF foram fornecidos ao Sujeito Passivo quando do 1º ato de ofício da Fiscalização perante o Contribuinte após as prorrogações, entendo que o Mandado de Procedimento Fiscal e suas prorrogações não se encontram eivados de qualquer vício de validade a justificar a declaração Fl. 97DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35011.000204/200781 Acórdão n.º 2302002.828 S2C3T2 Fl. 94 9 de nulidade praticada pelo Órgão Julgador de 1ª Instância, motivo pelo qual demanda reforma a decisão recorrida ex officio. Registrese que onde a Legislação Tributária não prevê direitos e obrigações, tanto para a administração tributária quanto para o Contribuinte, não pode o operador do Direito crialas ao seu exclusivo talante. Como se não bastasse, anotese que, mesmo que o prazo do MPF originário já estivesse vencido, o quê, conforme demonstrado, não é o caso dos autos, mesmo assim tal circunstância não ensejaria nulidade do procedimento, conforme expressamente consignado no art. 16 do Decreto nº 3.969/2001, que prevê a competência da autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto para determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Decreto nº 3.969, de 15 de outubro de 2001 Art.15. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13. Art.16. A hipótese de que trata o inciso II do art. 15 não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. No caso em debate, em 20 de outubro de 2006, ainda na validade da prorrogação anterior, houvese por determinada nova prorrogação do MPF em foco, até a data de 31 de outubro do mesmo ano. Dessarte, havendo sido a NFLD em debate lavrada aos 20 dias do mês de outubro de 2006, não demanda áurea mestria perceber que o procedimentos fiscal houvese por concluído dentro do prazo de validade do MPF. Merece ser destacado que a ciência do Contribuinte não se configura como ato constitutivo do lançamento, mas, tão somente, condição de eficácia deste perante o Notificado. Nessa perspectiva, a ação fiscal, para ser qualificada como regular, necessita ser conduzida sob a cobertura de MPF válido, aqui incluídas suas prorrogações, desde a sua deflagração até o seu encerramento, devendo o auditor fiscal, nesse interregno, emitir todos os documentos fiscais atávicos ao seu ofício que importem numa conduta a ser praticada pelo Fiscalizado, tais como Notificações Fiscais e autos de infração. O texto do art. 142 do CTN informa que o Lançamento Tributário constitui se atividade privativa da autoridade administrativa fiscal, e circunscrevese à verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, à identificação do sujeito passivo e, sendo caso, à propositura de aplicação da penalidade cabível. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Código Tributário Nacional CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Deflui das tintas do citado art. 142 que o ato jurídico consubstanciado na ciência do contribuinte encontrase fora da atividade do lançamento, deste não fazendo parte constitutiva. Configurase tal ato de ciência, todavia, requisito de eficácia do lançamento, para que este possa produzir todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos, máxime em relação ao notificado, de molde a se lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa. A data de constituição do crédito tributário, seja por NFLD, seja mediante Auto de Infração, não pode ser interpretada, portanto, como o dia de ciência ao contribuinte, mas, sim, o da lavratura do lançamento estampado ostensivamente na folha de rosto do documento respectivo. Nesse quadro, a lavratura formal da Notificação Fiscal ou do Auto de Infração executada pela autoridade administrativa competente constituise o verdadeiro requisito de existência do ato jurídico em realce, figurando a ciência do contribuinte mero requisito de eficácia, não podendo esta ser interpretada como ato integrante do procedimento administrativo do lançamento. Assim, não estando inserida no iter procedimental do lançamento, a ciência da Notificação Fiscal pelo sujeito passivo ocorrida após a expiração do prazo constante do Mandado de Procedimento Fiscal não figura, de modo algum, como causa de nulidade do lançamento tributário em questão, eis que este houve por formalizado, e assim constituído o crédito tributário, sob o manto de cobertura do MPF. De molde a espancar qualquer dúvida, a Câmara Superior do Conselho de Recursos da Previdência Social publicou a Resolução MPS/CRPS nº 1/2006, a qual fez editar o Enunciado nº 25 dispondo que a notificação do sujeito passivo após o prazo de validade do MPF não implica nulidade do lançamento. RESOLUÇÃO MPS/CRPS N. 1, de 23 de fevereiro de 2006. Edita o enunciado nº 25 do Conselho de Recursos da Previdência Social. A CÂMARA SUPERIOR do Conselho de Recursos da Previdência Social especializada em matéria de custeio, no uso da competência que lhe é atribuída pelo artigo 303, parágrafo 1 , inciso IV, do Decreto n. 3048/99, na redação do Decreto n. 4.729, de 09 de junho de 2003, publicado no Diário Oficial da União de 10 de junho de 2003, tendo em vista o disposto no artigo 61, Parágrafos 1 e 2 e artigo 63, Parágrafo 5 , Inciso I da Portaria MPS n. 88/2004 Regimento Interno do CRPS – e cumprindo deliberação do Conselho Pleno em reunião realizada no dia 23 de Fevereiro de 2006, resolve: Fl. 99DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35011.000204/200781 Acórdão n.º 2302002.828 S2C3T2 Fl. 95 11 Editar o seguinte enunciado: Enunciado nº 25 A notificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF – não acarreta nulidade do lançamento. De outro viés, mas vinho de outra pipa, o rito processual que disciplinava o Processo Administrativo Fiscal à data da prolação da decisão de nulidade ora em debate previa taxativamente como eivados de vício de nulidade, apenas, os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa ou o lançamento não precedido do Mandado de Procedimento Fiscal. Portaria MPS nº 520, de 19 de maio de 2004 Art. 32. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; III o lançamento não precedido do Mandado de Procedimento Fiscal. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3º Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo, a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. A competência da Autoridade Lançadora é incontestável. O Lançamento houvese por precedido por Mandado de Procedimento Fiscal válido, a fl. 28, do qual foi o Sujeito Passivo devidamente cientificado, e cujo prazo de validade houvese por prorrogado, sucessivamente, mediante os Mandados de Procedimento Fiscal Complementares a fls. 29/31, os quais foram fornecidos ao Contribuinte na ocasião do 1º ato de ofício da Fiscalização perante o Sujeito Passivo após as prorrogações, tudo na forma prescrita pelo art. 13 da Portaria MPS/SRP nº 3.031/2005. Nessa perspectiva, sendo válidas as prorrogações do prazo de validade levadas a efeito pelos Mandados de Procedimento Fiscal Complementares a fls. 29/31, não há que se falar, igualmente, em preterição do direito de defesa do Contribuinte, sendo certo que o Sujeito Passivo sequer fez menção ao Mandado de Procedimento Fiscal e aos Mandados de Procedimento Fiscal Complementares em sua impugnação, circunstância que implica a não contestação do conteúdo e finalidade dos aludidos Mandados. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Não encontra fundamento jurídico na lei que disciplina o Processo Administrativo Fiscal, portanto, a declaração de nulidade do lançamento levada a cabo pela DRJ em Belém/PA. No caso ora em debate, compulsando os autos verificamos que o Mandado de Procedimento Fiscal nº 09303362F00, a fl. 28, foi emitido em 02/05/2006, dele tomando ciência o procurador da empresa em 05/05/2006, cumprindo os requisitos de validade previstos no art. 4º do Decreto nº 3.969/2001. Na sequência, cumprindo com exímio rigor os mandamentos da legislação tributária então vigente, o prazo de validade do MPF originário houvese por prorrogado, sucessivamente até 31 de outubro de 2006, mediante os Mandados de Procedimento Fiscal Complementares nº 09303362C01, a fl. 29, 09303362C02, a fl. 30, e 09303362C03, a fl. 31. Nessa prumada, havendo sido a NFLD em litígio lavrada aos 20 dias do mês de outubro de 2006, não há como prevalecer a fundamentação do Acórdão Vergastado que o lançamento em referência não se encontrava precedido de MPF válido. Avulta, portanto, que o Acórdão nº 018.532 – 4ª Turma da DRJ/BEL adotou como fundamentação de sua decisão elementos de convicção em flagrante descompasso com a legislação vigente e eficaz à data dos fatos impugnados, contingência que reclama por sua reforma integral. Ocorre, todavia, que a reforma pura e simples do Acórdão guerreado desaguaria, inexoravelmente, em cerceamento de defesa do Notificado, uma vez que, por ser favorável ao Contribuinte, este dela não se houve por devidamente intimado, e mesmo se o fosse, provavelmente não contestaria decisão que lhe fora integralmente favorável. Com efeito, incorre em preterição do direito de defesa do Contribuinte a decisão de 1ª Instância Administrativa proferida à calva de fundamentação de fato e /ou de Direito que lhe dê amparo, haja vista que a reforma diametral do decisum em sede de Recurso de Ofício irá excluir do Sujeito Passivo o direito de refutar, em grau de Recurso, as razões do órgão julgador. O Processo Administrativo Fiscal é refratário a decisões das quais resultem qualquer espécie de preterição ao direito de defesa do Contribuinte, as quais já nascem sob o estigma da nulidade, a teor do Inciso II, in fine, do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) Fl. 101DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35011.000204/200781 Acórdão n.º 2302002.828 S2C3T2 Fl. 96 13 Por tais razões, pugnamos pela declaração de nulidade do Acórdão nº 01 8.532 – 4ª Turma da DRJ/BEL, com fulcro no art. 59, II, in fine do Decreto nº 70.235/72, para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA profira nova Decisão Administrativa, levando em consideração a validade do MPF e dos Mandados de Procedimento Fiscal Complementares a fls. 28/31, e as alegações suscitadas na impugnação a fls. 62/64. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso de Ofício, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para declarar a nulidade da decisão de 1ª Instância, determinando que os autos retornem à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA, de maneira que esta, levando em consideração a validade do MPF e dos Mandados de Procedimento Fiscal Complementares a fls. 28/31, aprecie as alegações suscitadas na impugnação a fls. 62/64 e profira o Julgamento de sua competência. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 102DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 13971.720026/2008-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. OBRIGATORIEDADE.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. NÃO COMPRAVA A EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal sobre pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito pleiteado recai sobre o contribuinte autor pedido. Se este não comprova a certeza e liquidez do crédito pleiteado, resta impossibilitada o reconhecimento do direito creditório.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.372
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. OBRIGATORIEDADE. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. NÃO COMPRAVA A EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal sobre pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito pleiteado recai sobre o contribuinte autor pedido. Se este não comprova a certeza e liquidez do crédito pleiteado, resta impossibilitada o reconhecimento do direito creditório. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 00 25 /2 00 8- 53 Fl. 704DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1021.09229.6506. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório encartado na Resolução nº 3401000.539, de 17 de junho de 2012 (fls. 650/656), que segue transcrito: Em 18.10.2007, a contribuinte Rohden Portas e Painéis Ltda. protocolou Pedido de Ressarcimento no valor de R$ 51.004,40, referente a PIS nãocumulativa, decorrentes de operações no mercado externo, relativo ao final do terceiro trimestre de 2007. Em 17.10.2008, a Delegacia da Receita Federal em Blumenau/SC emitiu Despacho Decisório deferindo parcialmente o pleito, não acatando a apuração dos créditos relacionados às seguintes operações: a) Aquisição no mercado interno de bens utilizados como insumos sem emissão de nota fiscal: a autoridade fiscal glosou o valor de R$ 318.272,12 referente à despesa ocorrida no trimestre, que a contribuinte, em resposta a intimação fiscal (fl.70), justificou como sendo decorrente de “exaustão de reflorestamento de Pinus, conforme contratados com a L. Schmaedecke Com. E Ind. Ltda. e com a Serraria São Pasquel Ltda.”, tendo em vista que a aquisição de insumo não encontrar respaldo na escritura fiscal da requerente, dado que ocorreu sem a emissão de nota fiscal pelo fornecedor e, por conseguinte, sem a incidência de tributação. b) Aquisição de serviços utilizados como insumos: b.1) quantia informada a maior: foram excluídos da base de cálculo dos créditos apurados no DACON, os valores referentes às despesas e taxas de importação de vidro, conforme esclarecimento prestado pela contribuinte em resposta à intimação fiscal; b.2) aquisição de serviços não especificados: foram glosados os serviços em relação aos quais a interessada, intimada a apresentar a memória do cálculo para os créditos referentes à linha três (Serviço Utilizado com Insumo), informou o CFOP 1.949 (Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada). Informa a autoridade fiscal que glosou todos os valores referentes às notas com esse CFOP, “considerando que a requerente não especificou – entre as notas fiscais com CFOP 1.949 que estão no LRE – quais estariam compondo os valores solicitados, já que todos os registros estão com campo de créditos de PIS/Pasep e Cofins zerados; considerando que esse CFOP, por referirse a “outras entradas não previstas” nos Fl. 705DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1021.09229.6506. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13971.720025/200853 Acórdão n.º 3302004.372 S3C3T2 Fl. 705 3 demais CFOP, a princípio, não corresponde a serviço utilizado como insumo”. c) locação de máquinas e equipamentos: a autoridade fiscal glosou os valores relativos à despesa com locação de caminhões e carrocerias reboque, de propriedade da empresa controladora, Rohden Artefatos de Madeira Ltda., em razão de caminhão ser “espécie do gênero veículos e não do gênero máquina”, a teor da NCM – Nomenclatura Comum do Mercosul. Cientificada do Despacho Decisório, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, em 25.11.2008, alegando, em síntese, que: a) Quanto à glosa de R$ 313.540,39 referentes à aquisição no mercado interno de bens utilizados como insumos, realizada sem emissão de nota fiscal, alegando que tal valor tratase de “amortização, eis que a aquisição da floresta se deu por contratos com prazo indeterminado, restando evidente o direito ao crédito à recorrente, nos termos do art. 3º, §1º, III da Lei 10.637/2002”. O valor referente à floresta adquirida gera direito de crédito, pois “foi utilizada como insumo no processo produtivo”, e ainda, mesmo que se trate de exaustão, a Solução de Consulta nº 254 de 19.7.2007, da SRF, prevê a possibilidade de crédito de formação de floresta. Conclui que a glosa não é consistente “eis que comprou o insumo, conforme faz prova os contratos e notas fiscais em anexo”. b) Quanto às aquisições de serviços não especificados, argumenta que os valores de entrada com CFOP 1.949 foram incluídos corretamente na apuração do crédito, já que se tratam de importâncias relativas a serviço de pessoa jurídica utilizados na extração de madeira e manutenção de máquinas, cujo direito ao crédito está previsto no art. 3º, II, da Lei nº 10.833/03. Quanto à ausência de escrituração fiscal, esclarece que os prestadores de serviço não possuem inscrição estadual, mas somente municipal, motivo pelo qual “tais notas não podem ser lançadas nos livros fiscais, sendo lançadas apenas nos livros contábeis. Assim, por mais que não estejam lançadas no Livro de Registro de Entrada, tais notas foram devidamente contabilizadas”. Reclama que a autoridade fiscal, antes de glosar todos os valores pleiteados, deveria ter intimado a recorrente para prestar as informações necessárias; desta feita, anexa aos autos as notas fiscais que diz comprovarem o direito pleiteado. Ao final, requer que “caso este órgão julgador entenda que não tem como auferir os valores a serem ressarcidos” que seja determinado o retorno dos autos à DRF em Blumenau para análise do crédito. Em 2.7.2010 a 2ª Turma da DRJ/FNS julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, sob os seguintes fundamentos: a) A interessada acatou as glosas dos valores referentes: às devoluções de compra para industrialização, à quantia informada a maior no DACON, referente aos valores de despesas e taxas de importação de vidro, e à locação de maquinas e equipamentos. Fl. 706DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1021.09229.6506. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 b) Quanto à aquisição de serviços não especificados, a contribuinte anexou aos autos as notas fiscais que diz comprovar direito ao crédito pleiteado, entretanto não há como identificar se estas se referem de fato a serviços aplicados no processo produtivo da empresa, ou mesmo se consiste de serviço aplicado na aquisição de insumos da empresa; c) Mesmo que não houvesse tal falha de comprovação, o serviço de extração de madeira não geraria crédito por não constituir um serviço utilizado como um insumo, por ter sido aplicado em uma fase anterior ao início do processo produtivo da empresa; d) Quanto aos serviços de manutenção, nenhuma das notas fiscais apresentadas, a julgar pelas descrições dos serviços nelas contidas, referese a serviços de manutenção de máquinas; e) O pedido de retorno dos autos à DRF em Blumenau para análise do crédito não pode ser deferido, dado que o ônus de comprovar a natureza dos créditos é da contribuinte. Assim, não é lícito ao julgador, propiciar ao pleiteante a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista legal, já deve compor o seu pleito desde a sua formalização inicial. Em 18.8.2010 a contribuinte foi cientificada da decisão, e em 17.9.2010, apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário, no qual alega, em síntese, que: a) O ônus da prova na comprovação da existência do direito creditório não é absoluto da contribuinte, uma vez que esta situação deve ser interpretada sistematicamente como o principio do contraditório e da ampla defesa. Se a contribuinte falhou na comprovação dos fatos que a autoridade julga pertinentes, deverá remeter os autos a quem tem competência para novamente instruíla, elencando objetivamente o que precisa ser demonstrado; b) Quanto aos “serviços não especificados”, não há como repudiar a ideia de que tais valores contribuem para um resultado ou obtenção de uma mercadoria ou produto até o consumo final. c) No que tange ao serviço de extração de madeira, tal procedimento não se constitui em etapa anterior ao processo produtivo da empresa, uma vez que o corte da madeira é efetuado com base nas exigências feitas pela recorrente. Nesse sentido, a partir do momento em que a árvore está sendo cortada já se iniciou o processo produtivo da empresa; d) Considerandose que as máquinas são empregadas na produção de bens da recorrente e indispensáveis à obtenção do resultado final, a medida que se impõe é o deferimento do ressarcimento do crédito em relação às aquisições de peças e serviços empregados na manutenção de máquinas e veículos; e) Quanto á glosa referente a aquisição de florestas por meio de contrato de compra e venda de árvores de pinus em pé, deve ser esclarecido que os créditos referemse a bens do ativo Fl. 707DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1021.09229.6506. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13971.720025/200853 Acórdão n.º 3302004.372 S3C3T2 Fl. 706 5 imobilizado, na medida que os contratos dão direito à exploração da floresta, configurando uma espécie de arrendamento da área, onde a recorrente obrigouse a abater as árvores compradas no prazo de 24 meses. Seguindo a instrução dada Decreto 3000/99, que regulamenta o Imposto de Renda e Proventos de Qualquer Natureza, a recorrente vem fazendo a amortização mensal do montante referente ao valor dos contratos, sendo assim, a quota que gera o crédito é mensal e tem como base de cálculo a proporção do valor do contrato, conforme prevê o Decreto supracitado. Por fim, a contribuinte requer o direito de ressarcirse dos créditos da contribuição para o PIS/Pasep, relativos ao 3º trimestre do ano de 2007, no tocante as despesas realizadas com a aquisição de floresta com contrato e exploração de floresta e manutenção de máquinas. Na Sessão de 17 de julho de 2012, os membros da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 3ª Seção, por meio da referida Resolução, converteram o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB de origem averiguasse o montante referente à madeira proveniente da floresta adquirida que foi utilizada no processo produtivo, durante o período de vigência do contrato, bem como os valores gastos na manutenção do maquinário e na extração da madeira. Por meio dos despachos de fls. 659/660, os autos foram devolvidos a este Conselho, sem cumprimento da diligência, sob o argumento de que a recorrente havia ajuizado ação ordinária, em trâmite no Juízo Federal da 1ª VF do Rio do Sul, processo nº 5003581 24.2013.404.7213, autuado em 30/9/2013, que tratava da matéria objeto do presente recurso voluntário. Em 11/11/2013, foi colacionado aos autos (fls. 664/669), a petição inicial que deu origem a ação ordinária de que trata o citado processo judicial. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser parcialmente conhecido, pelas razões a seguir aduzidas. De acordo com o recurso voluntário (fls. 636/647), o litígio remanescente cingese aos seguintes pontos: a) ônus da prova nos processos de iniciativa do contribuinte, que tratam do ressarcimento de direito creditório; e b) direito à tomada de créditos calculados sobre (i) os custos com os serviços de extração de madeira, (ii) os custos com aquisição de peças e serviços de manutenção de máquinas e veículos e (iii) os encargos de amortização do valor dos contratos de aquisição de florestas. Fl. 708DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1021.09229.6506. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Por meio do processo judicial nº 500358124.2013.404.7213, em tramitação perante a 1ª Vara Federal do Rio do Sul, em 30/9/2013, a recorrente deu início a ação ordinária, em que pleiteou provimento judicial, que lhe assegurasse o direito aos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre: a) aquisição de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumos; b) serviços de extração de madeira, baldeamento e manutenção de máquinas; c) serviços de armazenagem de mercadorias; d) depreciação de bens do ativo imobilizado –aquisição de florestas por meio de contrato de compra e venda; e) fretes utilizados para o transporte de mercadorias adquiridas de pessoas físicas, transporte de insumos utilizados na industrialização e transporte rodoviário de cargas. Em caráter especial, a autora da ação requereu que lhe fosse reconhecido o direito aos créditos discutidos na peça exordial de fls. 664/669, os quais foram glosados pela autoridade fiscal, dentre outro, no presente processo administrativo, corrigidos monetariamente pela taxa referencial Selic, deste a data do protocolo dos correspondentes pedidos administrativos. Do simples cotejo entre o teor do recurso voluntário em apreço e dos pedidos consignados na citada petição inicial, resta cabalmente demonstrado que a recorrente levou ao crivo do Poder Judiciário os pontos controvertidos remanescentes objeto do recurso em apreço. Essa circunstância implica renúncia tácita à instância administrativa, dada a identidade entre a matéria litigiosa submetida à apreciação deste Colegiado e a que foi submetida ao crivo do Poder Judiciário. E tal efeito decorre a incidência direta e imediata do princípio da unicidade ou inafastabilidade de jurisdição, insculpido no inciso XXXV do art. 5º da Constituição Federal de 1988 (CF/88), que veicula a seguinte mensagem normativa: “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”. Por força desse princípio, sabidamente, o monopólio do exercício da jurisdição cabe ao Poder Judiciário, a quem incumbe o pronunciamento definitivo sobre os conflitos originários da aplicação da legislação tributária. No caso presente, como as matérias litigiosas objeto do recurso em apreço foi submetida à análise do Poder Judiciário, obviamente, carece de sentido e efeito jurídico concreto e efetivo a manifestação deste Colegiado acerca das correspondentes questões, haja vista se corroborasse ou dissentisse da decisão judicial seria inócua, porque sempre há prevalecer o que for decidido em caráter definitiva na esfera do Poder Judiciário. Além disso, em consonância com o referido princípio, há na legislação infraconstitucional preceito legal determinando, expressamente, a proeminência do resultado do julgamento proferido no âmbito do Poder Judiciário em relação ao que decidido na esfera administrativa, a exemplo do artigo 1º, § 2º, do Decretolei 1.737/79, e do art. 38, parágrafo único, da Lei 6.830/1980. Com efeito, segundo os referidos comandos legais, a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou após à autuação, com o mesmo objeto, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. No mesmo sentido, consolidouse a jurisprudência deste Conselho, com a edição da Súmula CARF nº 1, de adoção obrigatória por todos os Conselheiros deste Órgão de julgamento, cujo enunciado segue transcrito: SÚMULA Nº 1 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação Fl. 709DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1021.09229.6506. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13971.720025/200853 Acórdão n.º 3302004.372 S3C3T2 Fl. 707 7 judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Por todas essas razões, não se toma conhecimento da matéria controvertida que trata do direito de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, suscitada no recurso em apreço, por ser idêntica a que foi submetida à apreciação do Poder Judiciário, no âmbito da referida ação judicial. Assim, remanesce passível de conhecimento apenas à questão referente ao ônus da prova no âmbito dos processos administrativos de iniciativa do contribuinte, especialmente, os processos administrativos que tratam de pedido de ressarcimento de direito creditório. Em relação a esse ponto a recorrente alegou que o ônus da prova na comprovação da existência do direito creditório não era absoluto do contribuinte, pois, essa situação devia ser interpretada sistematicamente com o principio do contraditório e da ampla defesa. E complementou a sua alegação, com a apresentação dos seguintes argumentos, in verbis: Se a contribuinte falhou na comprovação dos fatos que a autoridade reputa pertinente, deverá remeter os autos a quem tem competência para novamente instruílo, elencando objetivamente o que precisa ser demonstrado. Ademais, a Administração Pública não possui a faculdade de instruir o feito. No estrito cumprimento do principio da eficiência deve abrir ao contribuinte a possibilidade de produzir provas que auxiliem em seu convencimento. Como não há regramento específico sobre o ônus da prova no Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, a este aplicase, subsidiariamente, as disposições sobre a matéria estabelecidas na Lei 9.784/1999, que regula o processo administrativo federal, e no Código do Processo Civil (CPC), instituído pela Lei 13.105/2015. Na Lei 9.784/1999, o assunto encontrase disciplinado nos arts. 36 e 37, que tem o seguinte teor, in verbis: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. (grifos não originais) Da leitura dos referidos preceitos legais, extraise que, no âmbito do processo administrativo fiscal, o ônus da prova cabe a parte que alega os fatos constitutivos do seu Fl. 710DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1021.09229.6506. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 direito. No âmbito do processo administrativo fiscal, que trata de pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus de provar a certeza e liquidez do crédito pleiteado, inequivocamente, recai sobre o contribuinte formulador do pedido de ressarcimento. Nessa modalidade processual, o ônus probatório só será assumido pelo órgão da Administração tributária, na hipótese excepcional, de o postulante declarar e demonstrar que os fatos e dados estão em documentos existentes no órgão da própria Administração, situação que, obviamente, não se vislumbra no caso em tela. No mesmo sentido, dispõe o art. 373 do CPC (Lei 13.105/2015), a seguir transcrito: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou, à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no § 1º deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. [...] (grifos não originais) Verificase que o citado preceito legal também atribui ao autor do feito ou pedido o ônus da prova constitutiva do seu direito. E assim como o preceito legal que rege o processo administrativo federal, a atribuição do ônus probatório de modo diverso somente ocorrerá nas hipóteses excepcionais (i) previstas em lei ou (ii) diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade da parte de desincumbirse do encargo probatório ou (iii) se houver maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, todas situações, que, induvidosamente, não se vislumbra no caso em tela. Da interpretação sistemática dos referidos preceitos legais que, por força do disposto no art. 15 do CPC, regem subsidiariamente o ônus da prova no processo administrativo fiscal, embora não admitida como regra geral absoluta, verificase que os casos excepcionais restringemse às situações estabelecidas nos citados preceitos legais, o que, inexoravelmente, conduz a conclusão de que, em regra, o ônus probatório cabe ao interessado na “prova dos fatos que tenha alegado”, ou ao autor, quanto “ao fato constitutivo de seu direito”. Em suma, é prevalência no esfera do processo administrativo fiscal da regra geral, segundo a qual o ônus da prova cabe a quem alega. Com base nessas considerações, fica demonstrado que o entendimento esposado pela recorrente, de que se o “contribuinte falhou na comprovação dos fatos” caberia a autoridade julgadora baixar os autos perante a unidade da RFB de origem, para que esta comprovasse os fatos controversos, além de conflitar com os referidos preceitos legais, implicaria clara inversão do ônus da prova sem respaldo legal. Ademais, a obrigatória conversão dos autos em diligência, nos casos em que o contribuinte, não comprovasse os fatos alegados, deixaria de ser uma prerrogativa da autoridade julgadora, expressamente consagrada Fl. 711DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1021.09229.6506. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13971.720025/200853 Acórdão n.º 3302004.372 S3C3T2 Fl. 708 9 no art. 29 do Decreto 70.235/1972, para se converter num direito absoluto do contribuinte. E, pragmaticamente, implicaria na inversão do significado dos comandos legais que dispõe sobre o ônus da prova no processo administrativo fiscal, de sorte que, a regra geral viraria a exceção e exceção vira a regra geral. Um completo nonsense! Saindo do plano abstrato e aplicando o regramento sobre o ônus da prova em comento aos processos que tratam da restituição, do ressarcimento ou da compensação, em que o contribuinte informa a existência de direito creditório a ser restituído, ressarcido ou compensado, chegase a conclusão que, fora os casos excepcionais estabelecidos na legislação, o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito pleiteado ou compensado, inequivocamente, recai sobre o contribuinte postulante. Dessa forma, nos presentes autos, era da recorrente o ônus de provar o direito creditório pleiteado, com os meios de provas adequados, estabelecidos na legislação, especialmente, no art. 76 da Instrução Normativa RFB 1.300/2012 (e nos correspondentes preceitos normativos das IN anteriores), bem como no momento oportuno, ou seja, até a fase de manifestação de inconformidade, conforme exige o art. 16, § 4º, do Decreto 70.235/1972, sob pena da concretização da preclusão consumativa. Alem disso, essa disposição contraria o argumento da recorrente de que no “estrito cumprimento do principio da eficiência deve abrir ao contribuinte a possibilidade de produzir provas que auxiliem em seu convencimento” a qualquer momento. Enfim, também não encontra respaldo jurídico, alegação da recorrente de que “a Administração Pública não possui a faculdade de instruir o feito”, pois, ao contrário do alegado, expressamente, o art. 36 da Lei 9.784/1999, atribui ao órgão público competente o dever instrução do processo administrativo. Com base nessas considerações, ficam demonstradas a improcedência das alegações apresentadas pela recorrente. Por todo exposto, votase pelo não conhecimento dos pontos controversos atinentes ao restabelecimento dos crédito da Contribuição para o PIS/Pasep glosados, por concomitância com à matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário, e, na parte conhecida, referente ao ônus probatório, negase provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 712DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1021.09229.6506. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO em 07/07/2017 15:02:00. Documento autenticado digitalmente por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO em 07/07/2017. Documento assinado digitalmente por: PAULO GUILHERME DEROULEDE em 07/07/2017 e JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO em 07/07/2017. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 15/10/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP15.1021.09229.6506 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: 79BD03A338EEBDC228616957A5B79CD8BC4020B441B3738F3D0721A2B5C2E06E Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13971.720026/2008-06. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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