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Numero do processo: 10280.001388/2005-33
Data da sessão: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
CONSTITUCIONALIDADE - PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO
São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decreto-lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
DECADÊNCIA DO TRIBUTO
Matéria de ordem pública deve ser analisada a qualquer tempo do processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-000.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir os períodos anteriores a abril de 2000, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Magda Cotta Cardozo, Flávio de Castro Pontes, Arno Jerke Júnior, Paulo Rogério Celani, Masria Adelaide Carreiro Gonçalves de Aquino. Ausente justificadamente Andréia Dantas Lacerda Moneta.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 CONSTITUCIONALIDADE - PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decreto-lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. DECADÊNCIA DO TRIBUTO Matéria de ordem pública deve ser analisada a qualquer tempo do processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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DECADÊNCIA DO TRIBUTO Matéria de ordem pública deve ser analisada a qualquer tempo do processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir os períodos anteriores a abril de 2000, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Magda Cotta Cardozo, Flávio de Castro Pontes, Arno Jerke Júnior, Paulo Rogério Celani, Masria Adelaide Carreiro Gonçalves de Aquino. Ausente justificadamente Andréia Dantas Lacerda Moneta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 13 88 /2 00 5- 33 Fl. 382DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 11/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10280.001388/200533 Acórdão n.º 3801000.406 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 5.167, de 27 de outubro de 2005, da 1ª. Turma da DRJ/BEL, referente ao processo administrativo n° 10280.001388/200533, em que foi julgada improcedente a impugnação apresentada, sendo considerado procedente o auto de lançamento. Tratase de lançamento de Contribuição para o Programa de Interação Social (PIS), referente aos anos de 1999 a 2003, no valor consolidado de R$7.600,79, com imposição de multa de ofício de 75%. A autuação é decorrente da diferença apurada entre o valor de receita escriturado no livro Registro de Apuração de ICMS e o valor declarado em Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais (DCTF), no curso dos anos de 1999 a 2003. Em 14.04.2005, a empresa foi cientificado do lançamento (fl. 153) e , em 16.05.2005, apresentou impugnação de fls. 154 a 158, pela qual aduz, em síntese: Como preliminar, que o lançamento é nulo em razão do cerceamento de defesa resultada da falta de menção do enquadramento legal sobre a atualização monetária e as penalidades aplicáveis; Quanto ao mérito, que o art. 3°, parágrafo único, da Lei n° 9.715, de 25.11.1998, e os arts. 2° e 3° da Lei n° 9.718, de 27.11.1998, determinam a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS, o que implicou a apuração de diferença a pagar que de fato não existe; Que os fatos geradores ocorridos em 1999 foram atingidos pela decadência. É o relatório. Entendeu a DRJ/BEL por conhecer a impugnação apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 06.03.1972. Quanto a preliminar de nulidade, esta foi rechaçada pela DRJ/BEL, por entender que “pela simples leitura do auto de infração verificase, às fls. 148 e 149, que a fiscalização apontou corretamente enquadramento legal quanto à multa de ofício e os juros de mora.”. Portanto entendeu a DRJ/BEL que “não há, portanto, o que se falar em cerceamento ao direito de defesa da impugnante e, por conseqüência, inexiste nulidade do lançamento”. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 11/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10280.001388/200533 Acórdão n.º 3801000.406 S3TE01 Fl. 12 3 Quanto ao mérito, entendeu a DRJ/BEL em seu julgamento, que deve ser afastada a alegação de decadência, “isso porque, quanto ao PIS, a Lei n° 8.212, de 24.7.1991, estabelece prazo decadencial específico, conforme o disposto em seu art. 45: O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; (...)”. Por esta razão, a DRJ/BEL afastou a decadência por entender que o lançamento de PIS, por se tratar de contribuição regida pela Lei n° 8.212, possui prazo decadencial de 10 anos, o que implicaria a validade da formalização do crédito tributário em questão. Por fim, sobre a alegada dedutibilidade do ICMS da base de cálculo do PIS, entendeu a DRJ/BEL que tal argumento não procede. Para a referida DRJ, “a exclusão prevista pelo parágrafo único do art. 3° da Lei 9.715/98 referese unicamente ao ICMS retido pelo vendedor de bens na condição de substituto tributário”. E prosseguiu seu voto dizendo que “não consta dos autos a notícia de que, dentro da receita bruta de vendas da impugnante registrada no livro de Registro de Apuração de ICMS, esteja incluído o valor de ICMS retido na condição de substituto tributário”. Deste modo, entendeu a DRJ/BEL por considerar procedente o lançamento. A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, a fls. 176179, dizendo primeiramente conformada quanto a preliminar de cerceamento ao direito de defesa, por entender que “o enquadramento de fato está exposto na penúltima página das (17 fls.) que compõe o auto de infração”. Quanto ao mérito, manteve a contribuinte os mesmos argumentos trazidos na impugnação, alegando que deve ocorrer a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS. É o sucinto relatório. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 11/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10280.001388/200533 Acórdão n.º 3801000.406 S3TE01 Fl. 13 4 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na impugnação apresentada, como no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS. “Adotar procedimento contrário, seira (sic) contrariar disposição do Artigo 150, Inciso II da Constituição Federal, a que nos referimos anteriormente, uma atitude ilegal, injusta e discriminatória, pura e simplesmente por que esta empresa adota regras que unilateralmente lhes foi imposta pelo Estado do Pará.” Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso. Por outro lado, apesar de não estar requerido no Recuso Voluntário, e tão somente na impugnação, necessário que seja analisada a decadência do tributo, em razão desta ser matéria de ordem pública. O artigo 45 da Lei 8.212/91 estabelecia o prazo decadencial de 10 (dez) anos para a constituição de créditos destinados a seguridade social, tais como PIS, COFINS, CSLL e contribuição previdenciária. Entretanto foi editada a Súmula Vinculante nº 8 pelo Supremo Tribunal Federal, que declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei 8.212/91. Assim restou o texto da Súmula: STF Súmula Vinculante nº 8 Sessão Plenária de 12/06/2008 DJe nº 112/2008, p. 1, em 20/6/2008 DO de 20/6/2008, p. 1 Constitucionalidade Prescrição e Decadência de Crédito Tributário São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decreto lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 11/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10280.001388/200533 Acórdão n.º 3801000.406 S3TE01 Fl. 14 5 Após, a Lei Complementar 128, publicada em 19/12/2008, revogou expressamente o artigo 45 da Lei 8.212/91, consolidando, assim, o prazo decadencial estabelecido pelo Código Tributário Nacional, que é de 5 (cinco) anos, vejamos: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Portanto, tendo a contribuinte sido cientificada somente em 15.04.2005 e sendo objeto deste lançamento o período de 07/1999 a 12/2003, verificase que está acobertado pelo instituto da decadência o período anterior a abril/2000. Há, portanto, decadência nos seguintes lançamentos: 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999, 31/12/1999, 31/01/2000, 29/02/2000 e 31/03/2000. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para excluir os períodos anteriores a abril de 2000. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Fl. 386DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 11/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 13556.000125/2003-56
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2009
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2001
EXCLUSÃO. PARTICIPAÇÃO DE SÓCIO NO CAPITAL DE OUTRA EMPRESA.
Não pode optar pelo Simples da pessoa jurídica cujo sócio participa com mais de 10% do capital de outra empresa e a receita bruta global supere o limite legal vigente no Ano-calendário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-000.040
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira e Beatriz Veríssimo de Sena.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2001 EXCLUSÃO. PARTICIPAÇÃO DE SÓCIO NO CAPITAL DE OUTRA EMPRESA. Não pode optar pelo Simples da pessoa jurídica cujo sócio participa com mais de 10% do capital de outra empresa e a receita bruta global supere o limite legal vigente no Ano-calendário. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-07-13T13:30:34Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-07-13T13:30:34Z; Last-Modified: 2010-07-13T13:30:34Z; dcterms:modified: 2010-07-13T13:30:34Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:0ede36d4-219c-4941-ad03-2a817cf8f789; Last-Save-Date: 2010-07-13T13:30:34Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-07-13T13:30:34Z; meta:save-date: 2010-07-13T13:30:34Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-07-13T13:30:34Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-07-13T13:30:34Z; created: 2010-07-13T13:30:34Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2010-07-13T13:30:34Z; pdf:charsPerPage: 1081; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-07-13T13:30:34Z | Conteúdo => S3-C1T2 Fl. 46 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13556.000125/2003-56 Recurso n° 138.855 Voluntário Acórdão n° 3102-00.040 — 1" Câmara / 2 a Turma Ordinária Sessão de 25 de março de 2009 Matéria SIMPLES - EXCLUSÃO Recorrente DOURADO & MACHADO LTDA. Recorrida DRJ-SALVADOR/BA ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2001 EXCLUSÃO. PARTICIPAÇÃO DE SÓCIO NO CAPITAL DE OUTRA EMPRESA. Não pode optar pelo Simples da pessoa jurídica cujo sócio participa com mais de 10% do capital de outra empresa e a receita bruta global supere o limite legal vigente no Ano-calendário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira e Beatriz Veríssimo de Sena. M' cia elena Trajano Damorim - Presidente líitst I 6' a Rosa - Relator EDITADO EM: 10/05/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. Ausente justificadamente a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância que passo a transcrever. Trata-se de manifestação de inconformidade da pessoa jurídica (PJ) identificada nos autos, devido a exclusão do SIMPLES, mediante o Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/VCA n° 414.964, de 07/08/2003, a partir de 01/01/2002, pois sócio ou titular participava de outra empresa com mais de 10% do capital social e a receita bruta global no ano-calendário de 2001 ultrapassou o limite legal de R$ 1.200.000,00 (tl. 07). O sócio é o contribuinte Sebastião Moura Machado, CPF n° 125.196.265-34, e as outras empresas de que participava são: Distribuidora Guanambiense de Refrigerantes Ltda, CNPJ n° 14.760.029/0001-86; e SM-Comércio de Bebidas, CNPJ n° 16.495.558/0001-25 (fls. 24/27). Ciente do ADE (fl. 33), a interessada interpôs manifestação de inconformidade (fls. 04/06), alegando, em resumo, que a exclusão de ofício é improcedente, uma vez que o sócio Sebastião Moura Machado possui apenas 10% (dez por cento) do capital subscrito e integralizado da requerente, não infringindo, portanto, o disposto na Lei n° 9.317, de 1996, razão pela qual requer a sua manutenção no Simples. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetiza sua decisão na ementa correspondente. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2001 EXCLUSÃO. PARTICIPAÇÃO DE SÓCIO NO CAPITAL DE OUTRA EMPRESA. Procede a exclusão do Simples da pessoa jurídica que tenha sócio que participe com mais de 10% do capital de outra empresa e a receita bruta global supere o limite legal vigente no Ano-calendário. O conceito de receita global é a soma da receita bruta auferida pelo conjunto de empresas em que o sócio participe do capital social. 2 Processo n° 13556.000125/2003-56 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.040 Fl. 47 É o relatório. _ Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O recurso é tempestivo. Trata-se de matéria de competência deste Terceiro Conselho. Dele tomo conhecimento. O recurso fundamenta-se, em apertada síntese, na alegação de boa-fé e, objetivamente, no fato de que o sócio possuiria 10% do capital de outra pessoa jurídica, ao passo que a vedação refere-se ao sócio que possua mais do que 10%. "A defesa "ab initio" vem esmerando no sentido de dizer ao ínclitos Julgadores que o referido sócio participa do capital de outra pessoa jurídica no percentual de 10% (dez por cento), enquanto que a lei menciona mais de 10% (dez por cento), como condição para a exclusão do Simples, portanto, não é a hipótese aqui discutida". Advoga também: _ "Se a discussão for pela seara das empresas do conjunto, melhor sorte não terá, posto que, as outras empresas não são optantes do Simples, apenas a Recorrente o é, por esse caminho, também, não ocorreu a desobediência ao limite de receita epigrafado". A recorrente não faz prova de nenhuma de suas alegações. Às folhas 24 a 27 do processo encontram-se extratos de consulta aos Sistemas Informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, informando participação societária do Sr. Sebastião Meira Machado no percentual de 50% do capital de duas empresas. Só pude identificar participação de 10% no capital social em relação à própria empresa excluída, conforme contrato social trazido aos autos. Isso, contudo, não tem qualquer efeito no caso presente, em vista do que dispõe a legislação. Art. 90 Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: IX - cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2'; Também não socorre ao contribuinte o fato de as demais empresas de cujo_ capital social participa não serem optantes pelo Sistema. Como visto acima, isso não é circunstância tratada pela nonna legal. it. Diante do exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. I '\ i f , /: it-e ., a lo Rosa k 1I ' \ 3,,,
score : 1.0
Numero do processo: 13227.000504/90-19
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 1995
Ementa: FINSOCIAL - FATURAMENTO - Tratando-se
de lançamento reflexivo, a decisão proferida no
processo matriz se projeta no julgamento do
processo decorrente recomendando o mesmo
tratamento, dada a íntima relação de causa e
efeito.
Numero da decisão: 102-29.905
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro
Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso
Nome do relator: Waldevan Alves de Oliveira
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ALVES & CIA. LTDA RECORRIDA . DRF - PORTO VELHO - RO FINSOCIAL - FATURAMENTO - Tratando-se de lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo matriz se projeta no julgamento do processo decorrente recomendando o mesmo tratamento, dada a íntima relação de causa e efeito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por S. ALVES & CIA. LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso Sala das Sessi-. --- - Mil - n 'o de 1995 _ --,----- ‘'"- - ãl—ct. ---------- C . •41 G v r 1 L1 't.,_00.--;-::,~ TéiS-P:"-- IVA - PRESIDENTE ,, ,iihtd ,,, WALDEVAN mi_,_r Ii OLIVEIRA - RELATOR IMP, • VISTO EM LOUREMBERG RIBEIRO NUNES • OCHA - PROCURADOR DA SESSÃO DE: fl ,,, FAZENDA NACIONAL L u 4 .i" 1 r—v- ,-3 -,1 1,,' '4 ‘i !1:,) Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: José Clóvis Alves, Maria Clélia de Andrade Figueiredo, Ursula Hansen, Júlio César Gomes da Silva e José Carlos Passuello. _ MINSTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 02 PROCESSO N° 13227/000.504/90-19 RECURSO N° . 82 094 ACÓRDÃO N° 102-29.905 RECORRENTE S. ALVES & CIA. LTDA RELATÓRIO S. ALVES & CIA. LTDA., com sede na cidade de Cacoal, Estado de Rondônia, na guarda do prazo legal recorre a este Conselho do ato do titular da DRF em Porto Velho - Ro, que, indeferindo a sua impugnação, manteve lançamento ex- o ffi c i o em sua declaração de rendimentos apresentada para o exercício de 1988, ensejando a cobrança do Finsocial no valor correspondente a 419,23 BTNF, acrescido da multa de 50% e demais encargos legais. Iniciou-se o procedimento em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a pessoa jurídica, processo matriz, culminando com a lavratura do auto de infração de fls. 10 do seguinte teor: "DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL - Contribuição do Fundo de Investimento Social - FINSOCIAL devida sobre a receita bruta, tal como definida no artigo 179 do RIR/80, aprovado pelo Decreto N° 85.450/80, recolhida com insuficiência no período fiscalizado. ANEXOS: Demonstrativos de cálculo do FINSOCIAL e dos acréscimos legais respectivos, que são partes integrantes deste Auto de Infração." Notificada do lançamento, a empresa apresentou impugnação tempestiva às fls. 14/20, representada por cópia da defesa apresentada no processo principal. A decisão da autoridade julgadora de primeira instância foi proferida às fls. 49/50, indeferindo a impugnação apresentada pela contribuinte, cujos fundamentos se acham sintetizados na seguinte ementa: MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 03 PROCESSO N° 13227/000.504/90-19 Acórdão N° 102-29.905 "CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNDO DE INVESTIMENTO SOCIAL - FINSOCIAL FATURAMENTO - LANÇAMENTO DE OFÍCIO - Em se tratando de lançamento decorrencial, aplica-se no julgamento do processo reflexivo a decisão lavrada no processo matriz, em razão da intima relação de causa e efeito entre eles. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - AÇÃO FISCAL PROCEDENTE" Não se conformando com a decisão retro, a contribuinte interpôs recurso a este Conselho às fls. 52/58, cujas razões são lidas na integra em sessão. É o relatório /°1* MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 04 PROCESSO N° 13227/000.504/90-19 Acórdão N° 102-29,90.5 VOTO Conselheiro WALDEVAN ALVES DE OLIVEIRA, Relator: A matéria submetida ao julgamento desta Câmara decorre de lançamento ex-officio levado a efeito contra a pessoa jurídica, processo matriz, relativamente a imposto de renda, resultando daí o lançamento decorrente nos termos do auto de infração de fls. 10. Trata-se, portanto, de lançamento reflexivo, do conhecimento da recorrente, revelado em sua peça impugnatória e bem assim em seu recurso onde insiste na vinculação deste processo ao julgamento do processo principal. Ocorre, todavia, que o recurso interposto pela pessoa jurídica, a propósito do imposto de renda foi objeto de julgamento por esta Câmara, em sessão realizada em 05 de outubro de 1993, que, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade e no mérito, negou- lhe provimento, conforme faz certo o Acórdão N° 102-28.573. Destarte, em se tratando de lançamento decorrente, a decisão proferida nos autos do processo principal se projeta neste processo reflexivo, recomendando o mesmo tratamento, dada a íntima relação de causa e efeito. Pelo exposto, nego provimento ao recurso Brasília - DF., 18,4 nnaio de 1995 WALDEVAN ittlh DE OLIVEIRA Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 11128.002323/2007-01
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/01/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÕES OU CONTRADIÇÕES APONTADAS. DESPROVIMENTO.
Descabem embargos de declaração que, a pretexto de sanar omissões e contradições, destina-se à rediscussão do mérito da causa mediante a reapresentação dos argumentos aduzidos em sede recursal.
Numero da decisão: 3802-003.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e rejeitar os Embargos de Declaração do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano DAmorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/01/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÕES OU CONTRADIÇÕES APONTADAS. DESPROVIMENTO. Descabem embargos de declaração que, a pretexto de sanar omissões e contradições, destina-se à rediscussão do mérito da causa mediante a reapresentação dos argumentos aduzidos em sede recursal.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/01/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÕES OU CONTRADIÇÕES APONTADAS. DESPROVIMENTO. Descabem embargos de declaração que, a pretexto de sanar omissões e contradições, destinase à rediscussão do mérito da causa mediante a reapresentação dos argumentos aduzidos em sede recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e rejeitar os Embargos de Declaração do contribuinte. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D’Amorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra e Claudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório DSM PRODUTOS NUTRICIONAIS DO BRASIL LTDA. opôs os presentes Embargos de Declaração de decisão emanada por essa Turma Especial, em Acórdão ementado nos seguintes termos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 23 23 /2 00 7- 01 Fl. 320DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Assunto: Classificação de mercadorias Data do fato gerador: 15/01/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. VITAMINA C REVESTIDA DE AMIDO E LACTOSE. A vitamina C revestida de amido e lactose classificase na posição NCM 3824.90.19, pois tratase de preparação constituída de Ácido Ascórbico, Amido e Lactose, na forma de grânulos. No caso em tela, foi negado provimento a Recurso Voluntário no qual o contribuinte arguiu que os produtos por ele importados – vitamina C revestida de amido e lactose – seriam classificáveis no NCM 2936.27.10 e não no NCM 3824.90.19 apontado pela fiscalização como o código adequado. Isso porque os excipientes adicionados à vitamina C não a descaracterizam, tendo em vista que são somente proteções, já que essa vitamina é muito oxidável. Percebendo omissões e contradições no julgado, o contribuinte opôs os presentes embargos. Recebidos os autos, incluílos em pauta para apreciação dos aclaratórios. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, passo à análise dos Embargos. Compulsando os autos, verifico que não houve as omissões e contradições apontadas pelo Embargante; e, ainda que houvesse, tais não se mostram relevantes para alterar as conclusões sobre o assunto. O Embargante aponta inicialmente contradição no acórdão, informando que o Relator tratou como questão imprescindível para a suposta classificação fiscal correta da mercadoria o modo da ação dos componentes da vitamina C. Em relação à imposição da multa administrativa, afirma que a questão reside na identificação incorreta dos elementos que compuseram as mercadorias importadas ou então que a matéria trata da função dos componentes, os quais, inobstante identificados pela Embargante em suas declarações de Importação não se fazia possível aferir, uma vez que apenas poderia ser identificada através de laudo específico. Defende que a mera Declaração de Importação tornou evidente todos os componentes, mas suscitou dúvidas com relação à função modificativa que exerciam sobre a correta fiscalização da mercadoria (se permanecia na categoria de vitaminas ou de medicamentos). Aduz que a consideração de que os produtos não foram corretamente identificados é contraditória, pois justamente por estarem devidamente identificados é que Fl. 321DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11128.002323/200701 Acórdão n.º 3802003.895 S3TE02 Fl. 112 3 gerou a dúvida sobre se associados alterariam a sua correta classificação em medicamentos ou vitaminas. Invoca o Ato Declaratório COSIT nº 12 como defesa de que ao estarem corretamente discriminados os elementos com seus respectivos enquadramentos tarifários não se pode constituir infração administrativa quando não se constatar dolo ou máfé por parte do declarante. Informa ainda o Embargante que há contradição no Acórdão ao direcionar a questão para a ação dos componentes Amido e Lactose associados a Vitamina C e não para a classificação fiscal correta da mercadoria. Ocorre que seus argumentos não merecem prosperar, uma vez que a descrição dos elementos ensejou precisamente uma melhor análise da operação, o que possibilitou o entendimento da turma acerca da associação dos produtos. O fato de a conclusão dos julgadores sobre o caso ser diferente do que entende como o mais adequado, não pode ser considerado apto a uma rediscussão baseada na reapresentação dos mesmos argumentos do Recurso Voluntário. Ademais, não é por apenas descrever os elementos químicos que assim deixou de incorrer em infração administrativa. A multa se deu ao fato de que sua DI classifica os itens importados sob o NCM 2936.27.10, com alíquota de 0% para o II, IPI, PIS e COFINS, uma vez que tais elementos associados não preenchem os requisitos para pertencer a classificação desejada. É por isso que se aplica ao caso a penalidade do art. 711, inciso I, do Regulamento Aduaneiro: Art. 711. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 84, caput; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 69, § 1º): I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; Diante disso, entendo não merecerem acolhida os presentes Embargos de Declaração, pois o Embargante pretende em verdade – a pretexto de sanar contradição e omissão – rediscutir o mérito a partir da ênfase de alguns dos argumentos aduzidos nas razões recursais. Conclusão Ante todo o exposto, conheço dos Embargos de Declaração para, não reconhecendo as omissões e contradições apontadas, rejeitarlhes. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 322DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Fl. 323DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10783.003572/88-21
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 1991
Ementa: IRPJ - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
Visando a resguardar a amplitude do direito de defesa, há que ser prolatada nova decisão singular, quando o julgador
de primeira instância deixar de apreciar
pedido de perícia ou diligência, formula_
do na impugnação do lançamento.
Numero da decisão: 103-11.482
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em devolver os autos à repartição de origem a fim de prolatar nova decisão de primeiro grau na boa e devida forma, nos termos do voto do relator
Nome do relator: Maria de Fátima
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POSTO UNIÃO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. Recorrido DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM VITÓRIA - ES IRPJ - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA- Visando a resguardar a amplitude do di - reito de defesa, há que ser prolatada no va decisão singUlar, quando o ;julgador . de primeira instância deixar de apreciar pedido de perícia ou diligência, formula_ do na impugnação do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por POSTO UNIÃO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em devolver os autos à repartição de origem a fim de prolatar nova decisão de primeiro grau na boa e devida forma, nos termos do voto do relator. Sala •-s Sessões-DF., em 20 de agosto de 1991. alle~,-- . firCIO MACHADO CALDEIRA PRESIDENTE e , , ch quidIQ ak I A i-mA DE I,F I 1 DE MELLO CARTAXO RELATORA 4-44 • i t 4 ‘1111k te. ' VISTO EM ZA ITO HIPLAND :RAGA PROCURADOR DA SESSÃO DE: 1 2 SET 1991 FAZENDA NACIO Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes,. Consell ros: LUIZ HENRIQUE BARROS DE ARRUDA, DíCLER DE ASSUNÇÃO, ILCENIL FRANCO, VICTOR LUÍS DE SALLES FREIRE e LUIZ ALBERTO CAVA MACEIR? Ausente por motivo justificado o Conselheiro ANTONIO PASSOS COS' DE OLIVEIRA. SERVIÇOruamoFt" Processo n 2 10783/003.572/88-21 Recurso n2 96.678 Acórdão n2 103-11.482 Recorrente: POSTO UNIÃO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. RELATÓRIO POSTO UNIA° COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA./ C.G.C. n2 27.744.390/0001-60, com sede à BR 101, Km 127, Ioonha (ES), re- corre a este Conselho da decisão de fls. 42 a 44, prolatada pela au toridade monocrática, que julgou parcialmente procedente a exigên - cia, consubstanciada em Auto de Infração de fls. 02 e seus anexos. O litígio supra teve origem em ação direta sobre c contribuinte, atreves da qual foram constatadas as seguintes irre- gularidades: 1) Postergação de imposto por subavaliação de esto- . que, nos exercícios de 1984, 1985 e 1987: 2) Bens imobilizeveis apropriados indevidamente co-4 mo despesas, nos exercícios de 1984 e 1987; 3) Falta de correção monetária dos bens indevidamen te apropriados como despesas, nos exercícios de 1984 e 1987. Inconformada, em parte, com a exigência fiscal, o contribuinte, apresentou, tempestivamente, a impugnação de fls. 333 a 36, onde aceita a autuação relativa A apropriação indevida, com; despesas/ de gastos em bens imobilizáveis do exercício de 1984 e par te do exercício de 1987 . e, quanto aos demais itens, alega em sua de fesa, que: 1 - Quanto à subavaliação de estoque: Qg. a) seu ramo de atividade, o comercio de combustível, sofre constante fiscálização do C.N.P.; tem limitação de capacid e SERVICO POILMO FWMAL Processo n 2 10783/003.572/88-21 2‘ Acórdão n 2 103-11.482 de estocagem e os preços de compra e de venda são, rigorosamente tabelados e obedecidss, tornando impossível a prática de qualquer ato lesivo ao Erário; b) . se diferença houve na apuração do estoque, tal diferença representaria, tão somente, retardamento, ou posterga - \2:), gação do pagamento do imposto -e nãoafalta do pagamento deste; c) a cobrança, como quer o fisco, representaria dupla cobrança do tributo que, por sua particularidade, já : foi tributado quando da venda, como consta dos mapas elaborados pelo C.N.P. - constituindo bitributação, figura repudiada na legisla - ção tributária e constitucional:, d) a comparação entre os valores das compras e os valores das vendas comprovam, de forma indiscutível, que as quan- tidades adquiridas foram vendidas com o lucro pré-estabelecido/já que as mercadorias não permitem outro tipo de procedimetno. 2 - Quanto aos bens imobilizáveis apropriados co- mo despesa: a) Exercício de 1984: Reconhece o equivoco apontado pelo Fisco, po- rém, por tratar-se de lançamento "ex officio", pede a dedução relativa a depreciação corres - pondente aos bens imobilizáveis; Considera caber ao Fisco, 'bambem, retificar lapsos ocorridos contra o contribuinte, como já decidido, pelo T.F.R., em Acórdão de 17/12/ /75, transcrito às fls. 35. b) Exercício de 1987: Na parte relativa às notas de Irmãos Bandeira Ltda. e Irmãos Pianna Ltda., o procedim umnçommuconum& Processo n 2 10783/003.572/88-21 3. Acórdão n 2 103-11.482 fiscal tem inteira pertinência; Contudo, as notas fiscais de Eletromax Ltda. e Dalla Bernardina referem-se a bens que, in- dividualmente, têm valores que permitem seus lançamentos como despesas, na forma do art... 193 do RIR/80, com a atualização contida na Lei 7.450/85 e na IN n 2 136/85. Também neste item houve omissão do cálculo re ferente à depreciação, apurando-se tributo maior que o devido. 3 - Não contesta a correção monetária dos bens i- mobilizáveis, por ser reflexo da tributação a estes relativa. 4 - Por fim, protesta pelos meios de prova admiti dos, em especial por diligência e/ou perícia, com a participação contraditória da impugnante, na forma prevista no art. 17, Uni co do Decreto n e 70.235/72. Às fls. 38 a 40 o autor do feito manifesta-se pe- la manutenção integral da exigência, esclarecendo que: a) o imposto que está sendo exigido é o posterga- do, em virtude da subavaliação de estoque e por sua deterMinação em OTN's; h) quanto à parte dos bens imobilizáveis impugna- dos, esclarece que os bens, embora de pequeno valor, devem ser tomados em conjunto, pois foram empregados na construção de uma rede elétrica; c) quanto à depreciação, esta é uma opção do con- tribuinte, a ser exercida em época própria, inadmitindo-se sua contraposição no procedimento fiscal, para diminuir a exiljéncia tributária. A deciãao de fls. 42 a 44 julgou procedente, SERVIÇO neuco FEDERAL Processo n 2 10783/003.572/88-21 4. Acórdão n2 103-11.482 " parte, o Auto de Infração de fls. 02 a 06, por considerar que: a) a subavaliação de estoque acarreta a posterga- ção do imposto para o exercício seguinte, tendo em vista que a conversão do imposto em OTN e sempre feita por um valor maior, o casionando, assim, um recolhimento de imposto menor que o devido no ano anterior; h) que compete ao fisco exigir a diferença do im- posto que deixou de ser recolhido, em função da sua postergação; c) que a aquisição de materiais que, por sua natu reza e quantidade, afastam a hipótese de conservação ou simples reparos, implica sua imoblização; irrelevante o valor unitário, se o bem adquirido na prestação de sua utilidade, deixar de con- servar sua individualidade, como e o caso em tela; d) que é de se exigir a correção monetária dos bens ativados; e) que o aproveitamento da depreciação, para redu zir a exigência triblitária respectiva, não é cabível no procedi - mento fiscal, por ser procedimento contábil e oportuno, próprio do contribuinte; e f) que não é de se exigir a multa de ofício sobre o imposto postergado e recolhido, por falta de amparo legal. Notificada da decisão de primeira instância em 23/01/90, conforme AR de fls. 45, o contribuinte interpôs contra ela, em 21.02.90, o Recurso de fls. 46 a 48 onde alega, em sínte- se, que: a) preliminarmente, constam da decisão recorrida declarações antagônicas, capazes de invalidá-la juridicamente por falta de clareza; a saber: - O valor do imposto exigido é de 1.257,76 OTN's; 1 - O valor do imposto mantido é de 1.257,16 OTN's. SERVIÇO PCIELICO FEDERAL Processo n 2 10783/003.572/88-21 5. Acórdão n2 103-11.482 - Multa de 50% aplicada em junho de 1988 e, no resumo dos assuntos apreciados, conclui: - Lançamento procedente em parte. h) reitera o pedido de realização de perícia, pa- ra verificação do valor correto da postergação do imposto relati- vo à diferença de estoque; c) ratifica seus termos impugnatórios fquanto à a- propriação como despesa de bens imobilizáveis, onde admite o lap- so em parte .dos lançamentos, mas discorda dos bens cujos válores individuais, como devem ser considerados, estão de acordo com o art. 193, do RIR/80, com as atualizações da Lei n2 7.450/85 e da IN n2'136/85; d) quanto à depreciação dos bens ativados ' l ex of- ficio", entende que, se os bens foram, equivocadamente, lançados como despesas, 6 óbvio que sobre os mesmos não se poderia preten- der taxas de depreciação; o Fisco, entretanto, quando procede às correOes necessárias, deve fazê-lo por inteiro e assim, se ativa bens lançados como despesas, deve sobre os mesmos aplicar a depre ciação de direito correspondente, uma vez que a opção de que fala a decisão recorrida é inteiramente impossível, já que se trata de procedimento "ex officio". É o relatório. .. . ummoNamonma Processo n 2 10783/003.572/88-21 6. Acórdão n2 103-11.482 VOTO Consleheira MARIA DE FÁTIMA PESSOA DE MELLO CARTAXO, Relatora: O recurso é tempestivo, interposto dentro do pra- zo regulamentar. Dele tomo conhecimento. Considerando que a decisão de primeira instância não apreciou o pedido de diligência ou perícia formulado péla recorrente em sua impugnação de fls. 33 a 36; Considerando o princípio da amplitude do direito de defesa e do duplo grau de jurisdição abrigado pelo Decreto n2 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal; Considerando tudo o mais que do processo consta, Conheço do recurso, por tmepestivo e voto no sen tido de ser o presente processo devolvido à repartição de origem, para que nele seja prolatada nova decisão singular, na boa e devi da forma, apreciando o pedido de diligência ou perícia -formulado na impugnação do lançamento. Caberá ao contribuinte o direito a novo recurso que deverá se restringir à matéria objeto da nova decisão. 4CCe-- É o meu voto. rasilia-DF., em 20 de agosto de 1991. ‘c.- JÁ- riNtitte L.014 (1^ÁL (9,Cák101% ARIA DE FÁTIMA PESSOA DE MELLO CARTAXO - RELATORA Page 1 _0120100.PDF Page 1 _0120300.PDF Page 1 _0120500.PDF Page 1 _0120700.PDF Page 1 _0120900.PDF Page 1 _0121100.PDF Page 1
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Numero do processo: 10660.001111/2004-55
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Coniribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/1999 a 31/12/1999, 01/01/2000 a 31/12/2000, 01/01/2001 a 31/12/2001, 01/01/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 31/12/2003
BASE DE CÁLCULO
A base de cálculo da contribuição para o PIS é o faturamento mensal da pessoa jurídica, assim considerado a totalidade das receitas auferidas, deduzido dos valores expressamente previstos na legislação dessa contribuição
FALTA DE RECOLHIMENTO
A falta e/ou insuficiência de recolhimento da contribuição paia o Programa de Integração Social (PIS), apuradas em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais.
NORMAS PROCESSUAIS. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL
SUMUAL 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo,
LANÇAMENTO NULIDADE
E válido o procedimento administrativo desenvolvido em conformidade com os ditames legais.
Recurso provido em parte
Numero da decisão: 203-13.381
Decisão: ACORDAM os membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes: I) poi unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, em relação às matérias opostas ao Poder Judiciário; e, II) na parte conhecida, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso, para que se exclua da parcela da contribuição lançada para o mês de competência de dezembro de 2001, o valor' de R$ 220,56 (duzentos e vinte reais e cinqüenta e seis centavos) e respectivas cominações legais, multa de ofício e juros de mora, mantendo-se os saldos desta parcela e, na íntegra, o crédito tributário correspondente aos demais meses de competência, objeto do lançamento contestado Vencidos os Conselheiros Eric Moraes de Castro e Silva, Fernando Marques Cleto Duarte, Dalton Cesar Cordeiro de Miranda e Jean Cleuter Simões de Mendonça, que davam provimento.
Nome do relator: José Adão Vitorino de Morais
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ementa_s : Coniribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/1999 a 31/12/1999, 01/01/2000 a 31/12/2000, 01/01/2001 a 31/12/2001, 01/01/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 31/12/2003 BASE DE CÁLCULO A base de cálculo da contribuição para o PIS é o faturamento mensal da pessoa jurídica, assim considerado a totalidade das receitas auferidas, deduzido dos valores expressamente previstos na legislação dessa contribuição FALTA DE RECOLHIMENTO A falta e/ou insuficiência de recolhimento da contribuição paia o Programa de Integração Social (PIS), apuradas em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. NORMAS PROCESSUAIS. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL SUMUAL 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, LANÇAMENTO NULIDADE E válido o procedimento administrativo desenvolvido em conformidade com os ditames legais. Recurso provido em parte
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decisao_txt : ACORDAM os membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes: I) poi unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, em relação às matérias opostas ao Poder Judiciário; e, II) na parte conhecida, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso, para que se exclua da parcela da contribuição lançada para o mês de competência de dezembro de 2001, o valor' de R$ 220,56 (duzentos e vinte reais e cinqüenta e seis centavos) e respectivas cominações legais, multa de ofício e juros de mora, mantendo-se os saldos desta parcela e, na íntegra, o crédito tributário correspondente aos demais meses de competência, objeto do lançamento contestado Vencidos os Conselheiros Eric Moraes de Castro e Silva, Fernando Marques Cleto Duarte, Dalton Cesar Cordeiro de Miranda e Jean Cleuter Simões de Mendonça, que davam provimento.
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Numero do processo: 10283.721422/2009-93
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/01/2005 a 30/11/2008
LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE REQUISITOS. IMPOSSIBILIDADE.
O lançamento que deixar de demonstrar com clareza o fato gerador da obrigação, determinação da matéria tributável, fere a norma prevista pelo art. 142 do CTN. No caso concreto, a diligência determinada constatou o erro na apuração, inadvertidamente, fiou nos dados de conta contábil passiva de caráter transitório, abandonando outra essencial a determinação do quanto devido.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3302-003.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício.
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Domingos de Sá Filho, Jose Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/01/2005 a 30/11/2008 LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE REQUISITOS. IMPOSSIBILIDADE. O lançamento que deixar de demonstrar com clareza o fato gerador da obrigação, determinação da matéria tributável, fere a norma prevista pelo art. 142 do CTN. No caso concreto, a diligência determinada constatou o erro na apuração, inadvertidamente, fiou nos dados de conta contábil passiva de caráter transitório, abandonando outra essencial a determinação do quanto devido. Recurso de Ofício Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Ricardo Paulo Rosa - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Domingos de Sá Filho, Jose Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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AUSÊNCIA DE REQUISITOS. IMPOSSIBILIDADE. O lançamento que deixar de demonstrar com clareza o fato gerador da obrigação, determinação da matéria tributável, fere a norma prevista pelo art. 142 do CTN. No caso concreto, a diligência determinada constatou o erro na apuração, inadvertidamente, fiou nos dados de conta contábil passiva de caráter transitório, abandonando outra essencial a determinação do quanto devido. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Domingos de Sá Filho, Jose Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 14 22 /2 00 9- 93 Fl. 26911DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Cuidase de Recurso de Ofício decorrente da decisão que exonerou o crédito tributário, reconhecendo a procedência da impugnação referente ao lançamento de ofício de COFINS apurado no período de 31.01.2005 a 30.11.2008. Do Auto de Infração às fls. Constata o motivo do lançamento. “COFINS INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO Em 28/04/2008, dando inicio à presente ação fiscal, o contribuinte foi regularmente intimado a fim de que apresentasse o livro razão, livro de apuração do ICMS, livro de entrada e saída de mercadorias e serviços, livro diário, notas fiscais, e demais documentos em meio magnéticos em conformidade com a IN SRF N° 8 6/2001, os arquivos digitais de sua contabilidade, devidamente validados pelo sistema SINCO; Em resposta ao termo inicial anterior, o contribuinte apresentou os documentos, inclusive arquivo magnético, solicitado no termo inicial de fiscalização colocando os demais livros e documentos fiscais a disposição da autoridade fiscal no estabelecimento da empresa; Que em procedimento de verificações obrigatórias, no cotejo dos lançamentos realizados na conta de n°29806, COFINS A RECOLHER , do livro razão, foram constatadas divergências entre os valores escriturados (declarados) e não informados nas DCTF's (declarações de tributos e contribuições federais),conforme demonstrativo anexo e parte integrante deste auto, referentes aos anoscalendário 2005, 2006, 2007 e 2005, que resultou na presente autuação.” Ciente do lançamento impugnou sustentando equivoco quanto à capitulação a despeito de o enquadramento legal abranger dispositivos que dispõe sobre incidência, base de cálculo e alíquota da contribuição para a COFINS, alegando a inexistência em toda peça qualquer elemento que demonstrasse o descumprimento das normas legais. Demonstrou o desacerto da fiscalização ao tomar como certo e devido os valores lançados na conta contábil 29806 – COFINS A RECOLHER, e, comparandoos com aqueles declarados em DCTF, concluído por recolhimento inferior ao devido, sem exame acurado dos fatos geradores e demonstração da base de cálculo. Sustentou, também, que agente fiscal deixou de examinar as demais contas contábeis, assim como, o DACON e outras peças a demonstrar que os valores declarados em DCTF estavam corretos. Disse a Impugnante que provou que realizou operações cujas receitas eram sujeitas à alíquota zero da COFINS e que preenchia todas as condições legais para aplicação do dispositivo determinativo do art. 5° A da Lei nº 10.637/2002, sendo assim, agiu de forma irreparável ao apurar e declarar a COFINS da forma constante nas DACON's e DCTF's apresentadas nos períodos correspondentes. Fl. 26912DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10283.721422/200993 Acórdão n.º 3302003.104 S3C3T2 Fl. 6 3 Alegou que desde o início a fiscalização se prendeu ao fato de a conta contábil 29806 conter valores não correspondentes ao declarados nas DCTF's dos períodos correspondentes, independente de advertência de que o plano de contas define as contas contábeis do passivo de nº 29806 e 29811 para apurar a COFINS, portanto, apuração da COFINS sendo correta a junção das duas, ao extrair os dados tãosó de uma delas, o resultado foi diferente daqueles valores indicados no DACON e DCTF. Disse mais, nos termos do art. 5ºA da Lei nº 10.637/2002, com redação dada pela Lei nº 10.865/2004, as alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS são reduzidas a zero nas hipóteses de receitas decorrentes de vendas internas na Zona Franca de Manaus de produtos intermediários para emprego no processo de industrialização contemplando projeto aprovado pelo “cãs” – Suframa. Diante da robusta prova colecionada, entendeu o Julgador de Piso baixar o feito em diligência conforme Despacho de fls. 558/561, determinando: “a) Dar ciência à recorrente do presente Despacho; b) Adotar providências necessárias para que, em sede de Diligência Fiscal, sejam examinados, tomando por base a escrita da contribuinte, os aspectos materiais que cercam o lançamento, aferindose e demonstrandose a existência ou não de ajustes ulteriores à conta do Livro razão de a° 29806, notadamente confirmandose ou não ás informações apresentadas pelo sujeito passivo em Dacon e, em sendo o caso, apurando o quantum dos créditos tributários a serem exigidos em lançamento de ofício, observada a legislação que rege a matéria!” Concluído a diligência, resultado juntado às fls. 26.892/26.893, os autos retornou para o prosseguimento do julgamento. Com arrimo no trabalho da diligência o Julgador de Piso concluiu pela procedência da impugnação, recorreu de ofício em razão do valor da desoneração que importam em R$ 8.724.410,92 (oito milhões, setecentos e vinte e quatro mil, quatrocentos e dez reais e noventa e dois centavos). É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Verificado o preenchimento dos pressupostos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso interposto. A diligência designada constatou tratar de claudicação cometida pela fiscalização ao comparar os valores lançados na conta contábil do Passivo 29806, por se tratar de conta transitória, dando plena razão ao contribuinte. A diligência apontou as fls. 26892/26893: Fl. 26913DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 “Após a análise dos livros e documentos apresentados, e considerando os esclarecimentos prestados pelo contribuinte notadamente quanto aos ajustes realizados ulteriormente na conta do Livro Razão n° 29806, constatou se que a conta 29806 analisada na autuação tinha natureza transitória, cujos saldos não exprimiam a COFINS a recolher e que deveria referir se apenas a COFINS retidas de terceiras pessoas jurídicas, receitas código 5952, porém continha vários lançamentos indevidos, das contas 29811, 18845, 27750 entre outras, sendo os devidos ajustes contábeis realizados bem depois, até meses após, o que ensejou interpretação incorreta da conta, dada a natureza do trabalho realizado pela fiscalização (verificações obrigatórias), conforme se constata nas planilhas apresentadas. Esclareça se que trata se de empresa de produção de componentes estabelecida na Zona Franca de Manaus (ZFM) com projeto aprovado pela SUFRAMA, às receitas dos componentes destinados a outras empresas localizadas na ZFM são tributadas à alíquota zero na COFINS, sendo tributadas apenas as vendas não incentivadas às quais foram devidamente apuradas, não tendo a fiscalização constatado alguma diferença de COFINS a recolher, conta n° 18845COFINS A RECUPERAR .” ““ Na análise atual, realizada na diligência, buscando se apurar a correta apuração da base de cálculo, constatamos que a conta contábil n° 29806 não se refere à apuração da COFINS apurada pelo regime não cumulativo normal a que está sujeito a empresa, essas são apuradas na conta n° 18845. A 29806 é uma conta que deveria conter, para efeitos de controle, os registros das COFINS retidas de terceiros. Assim seus saldos não dizem respeito a COFINS a recolher efetivamente. Aliás, essa conta não deveria nem ter apuração de saldos. Os créditos são os valores recolhidos e informados em DCTF. Isso até 2007, a partir daí houve uma segregação, passando a ser escriturados na conta 29821. Em suma, os débitos seriam as retenções e os créditos os valores recolhidos e informados em DCTF. Assim sendo, juntamos ao presente relatório todas justificativas por lançamento abrangido pelo Auto de Infração, no período de janeiro de 2005 a novembro de 2008, destacando se que o valor correto de agosto de 2005 é 12.183,07 e que os valores de março desse mesmo ano foi lançados em duplicidade. Em todos os casos, individualmente, há planilhas explicativas com folhas do Razão, DCTF, DACON e comprovantes de recolhimentos. Conforme consta do Termo de Encerramento de Diligência não houve crédito tributário a ser exigido em lançamento de ofício.” Sequer houve demonstração da base de cálculo, fiou especificamente na divergência entre os valores contabilizados em conta de passivo de caráter transitório com os dados consignados na DCTF, abandonou exame do DACON, peça de suma importância a Fl. 26914DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10283.721422/200993 Acórdão n.º 3302003.104 S3C3T2 Fl. 7 5 elucidar a dissensão por ele constatada. Também sequer faz comentários quanto aos dados informados no DACON. Concretamente, o lançamento não se aperfeiçoou por inobservância da norma prevista pelo art. 142 do CTN. O lançamento depende de certos requisitos, primeiro deles é verificação do fato gerador da obrigação, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, no caso concreto a fiscalização não obteve êxito em demonstrar. De sorte que não houve concreção da norma tributária ao caso concreto prevista pelo artigo 142 do CTN. Por essa razão se revela acertada a decisão de piso recorrida, que merece prosperar pelos seus próprios contornos jurídicos dispensados ao caso, diante da certeza firmada pela conclusão da diligência. Em sendo assim, nego provimento ao recurso. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 26915DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10314.000446/98-87
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2008
Ementa: REGIMES ADUANEIROS
Data do fato gerador: 05/02/1998
ROUBO DE CARGA. USO DE ARMA. IRRESISTIBILIDADE. CONCEITO DE FORÇA MAIOR.
Inclui-se, no conceito de força maior, o roubo à mão armada, em razão da sua irresistibilidade, mostrando-se irrelevante a previsibilidade ou não do evento.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: CSRF/03-05.678
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro (Relatora) e Antonio Praga que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: Antonio Carlos Atulim - Redator ad hoc
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ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 05/02/1998 ROUBO DE CARGA. USO DE ARMA. IRRESISTIBILIDADE. CONCEITO DE FORÇA MAIOR. Inclui-se, no conceito de força maior, o roubo à mão armada, em razão da sua irresistibilidade, mostrando-se irrelevante a previsibilidade ou não do evento. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro (Relatora) e Antonio Praga que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Antonio Carlos Atulim - Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Anelise Daudt Prieto, Nilton Luiz Bartoli, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho e Antonio Praga (Presidente à época do julgamento). Ausente, momentaneamente, a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.000446/98-87 Acórdão n.º 03-05.678 CSRF/T03 Fls. 251 _________ 2 Relatório Por meio do Acórdão nº 303-32.715 a Terceira Câmara do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso voluntário para cancelar o auto de infração, lavrado por descumprimento do regime de trânsito aduaneiro. O julgado recebeu a seguinte ementa: CASO FORTUITO OU FORÇA MAIOR. Roubo de carga, à mão armada, no transporte em Trânsito Aduaneiro, caracteriza como excludente da responsabilidade do importador/transportador (art. 480 do R.A.) pela falta de mercadoria apurada em vistoria aduaneira. Precedentes. Recurso provido. Regularmente notificada em 13/04/2006, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou recurso especial por contrariedade à lei em 17/04/2006, alegando, em síntese , que para a comprovação da força maior (acontecimento imprevisível) é indispensável comprovar que: (i) o fato ocorreu; e, (ii) o fato era inevitável ou invencível, mais forte que a vontade ou ação do homem. Ocorre que o Boletim de Ocorrência não prova a ocorrência do crime, mas a sua mera comunicação (até porque a autoridade fiscal é obrigada a registrar qualquer comunicação de crime que lhe for feita). Ademais, não está comprovada a ausência de culpa do transportador (não há provas que cuidados elementares de segurança tenham sido adotados). Mediante o Despacho nº 130/2006 (fls. 238/239), a i. Presidente da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes recebeu e deu prosseguimento ao Recurso interposto. Devidamente intimada, a Interessada apresentou contrarrazões ao Recurso Especial (fls. 252/267), pelas quais reitera os fundamentos anteriormente esposados e, ao final, requer seja o Acórdão recorrido mantido em sua integralidade. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator ad hoc Nos termos do disposto no art. 17, III, do RICARF 1 , incumbiu-me o Senhor Presidente do Colegiado de formalizar o acórdão, em virtude da relatora originária e da redatora designada terem deixado o colegiado antes da formalização. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) Fl. 277DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.000446/98-87 Acórdão n.º 03-05.678 CSRF/T03 Fls. 252 _________ 3 Sendo assim, adoto como voto vencido, o voto apresentado pela relatora originária, Conselheira Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, no Acórdão CSRF/03- 05.677, in verbis: "Como visto, trata-se de Recurso Especial, protocolizado pela i. Procuradoria da Fazenda Nacional, pelo qual se requer a reforma do Acórdão nº 303-32.715, pelo qual foi afastada a responsabilidade do transportador pela falta de mercadoria apurada em vistoria aduaneira, em função da juntada aos autos de Boletim de Ocorrência, onde consta que o mesmo teria sido vítima de roubo de carga, à mão armada. A i. Procuradoria, em contrapartida, sustenta que a previsão contida no art. 480 do RA não se aplica ao caso concreto, posto que não existem suficientes evidências no sentido de que o fato tido como de força maior: (i) tenha, efetivamente, ocorrido; ou, (ii) tenha ocorrido apesar de terem sido tomados cuidados especiais para evita-lo. Entendo que cabe razão à i. Procuradoria. Com efeito, há tempos adotei a jurisprudência solidificada pela minha Câmara no sentido de que a simples juntada de Boletim de Ocorrência não exclui a responsabilidade do transportador da carga, nos termos do art. 480 do RA. Nestes termos, faço meus os termos do Acórdão nº 302-35.444, abaixo transcrito: A excludência de responsabilidade por motivo de caso fortuito ou de força maior (onde se insere o roubo), além da legislação de regência, é muito bem explicitada no Parecer Normativo CST 39/78 (DOU de 04/05/1978), dizendo no seu item 4 ‘Por princípio, ninguém responde pelos casos fortuitos ou de força maior, pois que inevitáveis por natureza e essência, aconteceram porque tinham que acontecer, sem que sejam imputáveis a algo ou alguém.’ O RA em seu Art. 480 e parágrafos prevê excludentes de responsabilidade para navios e aeronaves, desde que ratificados pela Justiça. Mesmo o roubo à mão armada poderia ser caracterizado como caso fortuito ou de força maior, mas, para tanto, o acontecimento deveria atender aos requisitos legais aplicáveis. Neste caso, tais requisitos não foram plenamente satisfeitos. (...) Neste feito, à fiscalização incumbe provar que houve responsabilidade do transportador. Isso ocorreu pela não complementação integral do trânsito aduaneiro. Para comprovar a excludente trazida pela Recte., caso fortuito (acontecimento imprevisível) ou força maior (acontecimento previsível), é indispensável comprovar que: - o fato ocorreu; III - designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazê-lo ou não mais componha o colegiado; Fl. 278DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.000446/98-87 Acórdão n.º 03-05.678 CSRF/T03 Fls. 253 _________ 4 - o fato era inevitável, irresistível ou invencível, mais forte que a vontade ou ação do homem; e - a ocorrência do fato não pode ser atribuída à culpa do agente, o transportador da carga, pois caso contrário esse fato não pode ser considerado necessário nem evitável. Há indícios de que o fato ocorreu, mediante o BO apresentado, embora este por si só prova apenas a comunicação de um crime e não a sua ocorrência. (....) Em segundo lugar, mesmo comprovada a ocorrência do fato, a configuração do caso fortuito ou de força maior ainda não estaria completa. Não foi comprovada a ausência de culpa do transportador, por exemplo as culpas in eligendo e in vigilando e nem mostrou empenho, por exemplo em fornecer dados à autoridade policial, no andamento do inquérito policial.” (...)" Com base nos fundamentos acima, com os quais não concordo, mas que adoto exclusivamente para a formalização deste voto vencido, dou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para manter a exigência consubstanciada no Auto de Infração. Antonio Carlos Atulim Voto Vencedor Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator ad hoc Adoto a fundamentação apresentada pela redatora designada, Conselheira Susy Gomes Hoffmann, no Acórdão CSRF/03-05.677, in verbis: " (...) Trata-se de se saber se a transportadora de carga pode ser responsabilizada pela falta de mercadoria apurada em vistoria aduaneira, malgrado a apresentação de Boletim de Ocorrência, lavrado em razão de roubo da referida carga. Entendeu-se, no acórdão recorrido, conforme a sua ementa, que “O transportador deve empregar toda a diligência e meios praticados pelas pessoas exatas no cumprimento dos seus deveres em casos semelhantes para que os gêneros transportados não se extraviem. Incabível alegação de caso fortuito ou de força maior, posto que assalto em rodovia no Brasil passou a ser, nos últimos anos, elemento previsível para a atividade de transporte”. Não procede, contudo, tal fundamento. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.000446/98-87 Acórdão n.º 03-05.678 CSRF/T03 Fls. 254 _________ 5 De fato, considerando-se que o Boletim de Ocorrência revela-se suficiente à comprovação da ocorrência do roubo, este fato, exclui a responsabilidade da transportadora sobre o extravio da carga, pois que se enquadra no conceito força maior. Vejamos. O caso fortuito e a força maior constituem-se em fatores de exclusão de responsabilidade jurídica. No ordenamento jurídico positivo, são recorrentemente mencionados, sem, contudo, se estabelecer um conceito definido de cada uma dessas realidades jurídicas. Assente, entretanto, a igualdade de conseqüência de ambos, que é justamente a exclusão da responsabilidade pelo respectivo evento, no que tange àquele que se encontra na posição de sujeito passivo da relação jurídica, independentemente do ramo do Direito a que se refira. O acórdão recorrido considerou que o roubo, especificamente nas rodovias brasileiras, em razão da sua freqüência, já se qualifica por ser um evento previsível. A sua ocorrência não poderia, destarte, ser argüida como caso fortuito ou força maior. A previsibilidade, contudo, não exclui o respectivo fato do conceito de força maior. Pelo contrário, enquadra-se na sua própria definição doutrinária prevalecente. Realmente, De Plácido e Silva, tratando do caso de força maior, expõe que: “Assim se diz do caso que, mesmo previsto ou previsível, não pode ser evitado pela vontade ou pela ação do homem. Os romanos o definiam como: omnem vim cui resisti non potest, isto é, aquele a que não se pode resistir. Desse modo, a força maior, ou melhor seja o caso de força maior, se caracteriza precipuamente pela irresistibilidade, não se levando em conta, quanto ao acontecimento que se registra, se era previsto ou não. O caso de força maior é previsível. E neste particular se distingue do caso fortuito, sempre imprevisível, embora, como o de força maior, também irresistível. E, aí, a diferenciação entre um a outro. A evidência do caso de força maior, como do caso fortuito, torna-se importante pela situação jurídica que um outro cria: este a irresponsabilidade do dano ou prejuízo que possa causar a outrem em face da impossibilidade do cumprimento ou execução de uma obrigação, por parte do devedor, ou de fato extracontratual que tenha também trazido dano a alguém”. 2 Destarte, ainda que considerado previsível o evento criminoso, isto não lhe retira a qualificação como força maior. O que a marca, na verdade, é a característica da irresistibilidade, a qual, no caso, se revela incontestável, sobretudo por se tratar de roubo qualificado pelo uso de arma de fogo. Com efeito, mesmo que se exija que a transportadora se acautele com todo um suporte de segurança, isto não retira a irresistibilidade do roubo, ante o seu caráter violento. Isto porque, deve-se ter por irresistível aquilo contra o que não se pode resistir, sem risco à 2 SILVA, De Plácido e. Vocabulário Jurídico. Rio de Janeiro: editora Forense. 2004. p. 272. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.000446/98-87 Acórdão n.º 03-05.678 CSRF/T03 Fls. 255 _________ 6 pessoa, à sua integridade, física e patrimonial. Ora, não se pode exigir, obviamente, em qualquer caso, que se afaste o agente do roubo, sem tal risco, ainda que haja aparato de segurança. (...)" Com base nesses fundamentos, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. Antonio Carlos Atulim Fl. 281DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Relatório Voto
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Numero do processo: 14485.001968/2007-47
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2001 a 28/02/2006
LANÇAMENTO INSUBSISTENTE - LAVRATURA DE RELATÓRIO FISCAL SUBSTITUTIVO - PRAZO DECADENCIAL.
Não contendo o lançamento original os requisitos mínimos de validade, por falta de motivação e descrição precisa do fato gerador, sendo elaborado Relatório Fiscal Substitutivo com o objetivo de sanar tais vícios, o prazo decadencial deve ser contado da data da notificação do contribuinte da lavratura do Relatório Fiscal Substitutivo, e não da notificação do lançamento original.
AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO E DESCRIÇÃO PRECISA DOS FATOS GERADORES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL.
A falta de indicação precisa dos fatos que motivaram o lançamento, bem como da origem do crédito tributário lançado, fulminam o lançamento do nulidade, por vício material.
Processo Anulado.
Numero da decisão: 2401-003.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos: I) declarar a decadência até a competência 02/2004; e II) declarar a nulidade do lançamento por vício material. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira m(relatora), que rejeitavam as preliminares de nulidade e decadência. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Carolina Wanderley Landim.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Carolina Wanderley Landim Redatora Designada
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Não contendo o lançamento original os requisitos mínimos de validade, por falta de motivação e descrição precisa do fato gerador, sendo elaborado Relatório Fiscal Substitutivo com o objetivo de sanar tais vícios, o prazo decadencial deve ser contado da data da notificação do contribuinte da lavratura do Relatório Fiscal Substitutivo, e não da notificação do lançamento original. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO E DESCRIÇÃO PRECISA DOS FATOS GERADORES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. A falta de indicação precisa dos fatos que motivaram o lançamento, bem como da origem do crédito tributário lançado, fulminam o lançamento do nulidade, por vício material. Processo Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 19 68 /2 00 7- 47 Fl. 539DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos: I) declarar a decadência até a competência 02/2004; e II) declarar a nulidade do lançamento por vício material. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira m(relatora), que rejeitavam as preliminares de nulidade e decadência. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Carolina Wanderley Landim. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Carolina Wanderley Landim – Redatora Designada Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 14485.001968/200747 Acórdão n.º 2401003.075 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório A presente NFLD, lavrada sob o n. 37.032.1189, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados e contribuintes individuais. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 208, o lançamento compreende a diferença do recolhimento existente nas GFIP's e os recolhimentos devidos conforme confrontação dos valores e abatimento de parcelamento existente no período janeiro de 2001 a agosto de 2001 e outro no periodo de setembro de 2002 a janeiro de 2004. Examinado as guias de recolhimento do período de janeiro de 2001 a fevereiro de 2006. As GFIP do período e folhas de pagamento com os recolhimentos existentes na empresa e confrontado com o conta corrente da DATAPREV diferencial do seguro de acidentes de risco do trabalho insalubre de 15ano s(AS1) e perigoso e humido de25 anos (AS3), lançamento dos autônomos motoristas(frentista), autônomos, quotas de salario família e salario maternidade. que no período de janeiro de 2001 era pago INSS e so incluso para calculo e sem desconto e s6 apos 30 de agosto de 2003 que a empresa pode descontar do INSS. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 22/12/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 229 a 234. Senão vejamos: Não consta da NFLD, de forma expressa e inequívoca, os dispositivos legais em que se baseou a fiscalização para o lançamento dos débitos. O Relatório Fiscal é confuso e nada esclarece sobre as contribuições lançadas. Não consta da NFLD de forma pormenorizada os fatos caracterizadores da infração, as circunstâncias em que foi praticada e a ocorrência ou não de circunstâncias agravantes ou atenuantes. Não consta ainda, o critério de gradação e o valor da penalidade aplicada individualmente. Não há na notificação o nome a função de todos os supostos terceiros. Não está discriminada de forma clara e precisa os fatos geradores das contribuições previdenciárias, havendo omissão em relação As contribuições descontadas dos segurados empregados. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 4 • Resta clara a nulidade da NFLD em vista do cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Informa que a fiscalização cometeu erros no lançamento, dando como exemplo a competência de 10/2001 do estabelecimento 0002. Afirma que a empresa não possui nenhum funcionário exposto a agente nocivo, sendo que foram apresentados A fiscalização os laudos ambientais que comprovam tal afirmação. O processo foi baixado em diligência, considerando os argumentos trazidos pelo impugnante, fls. 354. Foi emitido relatório fiscal complementar, fls. 321 a 326, enfatizando que o lançamento deuse exclusivamente em relação aos valores lançados em GFIP e não recolhidos em sua totalidade pela empresa notificada. Detsacou: “Os valores consolidados nesta Notificação se encontram relacionados no Discriminativo Analítico de Débito — DAD, em anexo, por estabelecimento e por competência e tem como fatos geradores a remuneração paga ou creditada a segurados empregados e contribuintes individuais. O lançamento foi efetuado com base nos valores de folhas de pagamento da empresa, por estabelecimento e por competência, e declarados em GFIP — Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social.” Ainda, inconformado, apresentou o notificado nova defesa, fls. 331 a 335. Assim, argumentou: Em relação a multa aplicada alega que obrigatoriamente deveria ter detalhado o critério de gradação e o valor da penalidade aplicada e cada tipo de infração deveria ser relacionado individualmente e base da incidência das porcentagens da Selic. Como a MP 449/2008 alterou as aliquotas e não foram corrigidas no relatório anexo a NFLD a base de incidência, respeitandose a legislação em vigor, não pode prosperar referido lançamento. Impossível de apresentação de defesa em acusação tão abstrata como a da presente NFLD. Inviável a pretensão do órgão arrecadador em relação ao período do ano a abril de 2004, nos termos da Súmula Vinculante n ° 8, pelo que requer a nulidade parcial d NFLD. Foi exarada a Decisão de Primeira Instância que confirmou a procedência parcial do lançamento, conforme fls. 394 a 406, excluindo as contribuições face a aplicação da decadência qüinqüenal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2001 a 28/02/2006 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIARIA. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer titulo, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço no prazo definido em lei. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 14485.001968/200747 Acórdão n.º 2401003.075 S2C4T1 Fl. 4 5 GFIP As informações constantes da GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições devidas. CERCEAMENTO DE DEFESA.INOCORRÊNCIA. O Relatório Fiscal e os Anexos da NFLD oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento. DECADÊNCIA 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário deve seguir as regras previstas no Código Tributário Nacional, em face da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, declarada pela Súmula Vinculante STF n° 08. PEDIDO DE PERÍCIA. Não se conhece do pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos na legislação. Lançamento Procedente em Parte Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 414 a 417 . Em síntese, a recorrente alega: 1. Ocorre que existem débitos referentes ao período do ano de 2.005 (todo periodo) que constam na aludida NFLD e também aparecem no sistema INSS DATAPREVE (doc. anexo), que por sua vez deveriam estar com a exigibilidade suspensa, o que não é o caso, conforme acusa a própria certidão _positiva emitida por esse órgão. 2. Todavia, de tão confusa que está a NFLD não se permite que se apure com clareza ou se tenha mesmo certeza, inclusive a Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. 3. Para conferência, se houve ou não inclusão dos valores do respectivo período na totalidade apurada e se seu lançamento está correto. 4. Se realmente foi objeto da fiscalização o período de 2.005, não poderia estar aparecendo ou constando no conta corrente da recorrente, valores correspondentes ao ano de 2.005, uma vez que este período FOI ABRANGIDO PELA FISCALIZAÇÃO e em hipótese alguma poderia haver duplicidade da cobrança, como nos parece o caso. 5. Com uma simples e singela análise na NFLD percebese que nem o próprio órgão arrecadador sabe o que está cobrando, como então poderia o contribuinte oferecer defesa e rebater • especificamente o débito, em respeito ao devido processo legal, se o procedimento se mostra totalmente confuso, incorreto e duvidoso? 6. Basta uma simples confrontação da NOTIFICAÇÃO com os próprios controles do INSS para se ter certeza da total irregularidade do procedimento fiscal porque o ano de 2.005 aparece no sistema fora do período fiscalizado. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 6 7. As filiais 58.852.518/000729 e 58.852.518/0008 00 não foram fiscalizadas, muito embora no relatório apresentado pelo Sr. Fiscal apareçam como fiscalizadas, o que se evidencia que a NFLD é totalmente destituída de certeza e liquidez e validade, não podendo servir para consolidar qualquer débito por ventura devido pela requerente. 8. Para poder atender os princípios básicos de direito no que concerne a validade do lançamento e inclusive a determinação contida no julgamento anteriormente proferido, não caberia o agente fiscalizador só substituir o relatório, como fez. 9. Deveria corrigilo e fazêlo de forma clara, precisa e principalmente correta e não é isso que se observa no trabalho apresentado pela fiscalização. 10. Esse Conselho certamente vai identificar a falha na emissão da NFLD conforme ora apontado e perceberá o quanto temerária é a manutenção de um procedimento fiscal totalmente duvidoso, pois dele se consolidará um débito e se extrairá a C.D.A.(CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA) e da forma como se apresentou o relatório que serviu de suporte para a emissão da NFLD, impossível falarse em presunção de certeza e liquidez quanto mais em exigibilidade. 11. O recorrente apresentou termo aditivo ao recurso em que alega: 12. Uma vez que no presente processo se verifica matérias de ordem pública que necessitam de ser analisadas pela Egrégia Turma Julgadora, tais como: inequívoco cerceamento ao direito de defesa e do contraditório, decadência, retroatividade de multa mais branda, entre outros temas. 13. Devem ser reconhecidas as matérias de ordem pública em qualquer momento do processo, havendo a possibilidade do reconhecimento de oficio, em especial, quando o caso analisado foi consubstanciado por erros flagrantes que tornam imprestáveis ou nulos os lançamentos rea lizados de forma desmedida e ilegal. 14. Pois bem. Apesar da elaboração do Relatório Fiscal Substitutivo, sem dúvida que a confusão que dificultava a apresentação de defesa pela Recorrente e a análise do processo persistiram no Relatório Substitutivo. 15. Isto porque, ao se reportar aos fatos geradores da NFLD, o referido Relatório Substitutito não esclareceu e não especificou adequadamente as remunerações utilizadas para o cálculo mensais das contribuições, limitandose apenas a dizer que se tratava de "Remuneração pagas ou creditadas a titulo de salários, gratificações e outros (sic) remunerações pagas e (sic) seus segurados empregados, a segurados contribuintes individuais, prólabore a sócios" (E 322). 16. O relatório fiscal substitutivo imputa acusações de forma vaga e sem especificar referidas imputações, inclusive o suporte legal das supostas infrações às quais se reporta o lançamento. 17. No caso em questão, temse que depois de cienti ficado da NFLD em 22/12/2006 (fl. 13, vol 02), a Recorrente apresentou defesa de fls. 30/35 (vol. 02), demonstrando as razões pelas quais restava impossibilitada c prejudicada sua defesa, uma vez que o lançamento se mostrava confuso e não indicava com clareza e precisão os fatos geradores das contribuições lançadas. 18. Ato continuo, em 30/03/2007, o Serviço do Contencioso Administrativo Previdenciário — SECAP, ao analisar a defesa apresentada pela Recorrente, entendeu por bem Fl. 544DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 14485.001968/200747 Acórdão n.º 2401003.075 S2C4T1 Fl. 5 7 converter o julgamento em diligencia para determinar a Elaboração de Relatório Fiscal Substitutivo (RFS), uma vez que "o relatório fiscal esta confuso, dijicullando a apresenlacdo de defesa pela Implro,nante e a análise do processo" (item 10, fl. 154, vol. 02). 19. Em que pese o reconhecimento da decadência pelo v. Acórdão recorrido, com a devida venia, o termo para contagem do prazo decadcncial não deve ser aquele indicado pelo v. Acórdão, mas, sim, a data da ciência pela Contribuinte do Relatório Fiscal Substitutivo (fls. 159/164, vol. 02), ocorrida em 23/03/2009, uma vez que este importa cm verdade cm um novo lançamento fiscal, posto que aperfeiçoado o procedimento fiscal (lançamento). 20. Com a maxima venha, tal entendimento também não merece prosperar, uma vez que estamos tratando de um lançamento efetuado somente sob o estabelecimento matriz, razão pela qual os pagamentos efetuados pela matriz e demais filiais, devem ser aproveitados dc forma igualitária também para todas as filiais da Recorrente. 21. Como se vê da evolução da legislação acima transcrita, constatase que, para as contribuições previdencidrias, as notificações fiscais cram lavradas com a exigência de multa de mora gradativa, dependendo da época em que fosse pago o tributo. 22. Não havia, porém, a exigência de multa de oficio nos lançamentos efetuados. 23. Em via, os débitos administrados pela Receita Federal do Brasil, anteriormente à unificação com a Previdência, se pagos cm atraso estariam sujeitos ã multa dc mora, limitada a 20%, na forma do artigo 61 da Lei n° 9.430/96. No entanto, na hipótese de lançamento de oficio, aplicase a multa de oficio contemplada no artigo 44 da Lei no 9.430/96, deixando de se exigir a multa dc mora do artigo 61 do mesmo Diploma Legal. 24. Assim, requer: 25. Seja decretada a nulidade da NFLD, face a ausência de definição clara e precisa em ambos os relatórios; 26. Reconhecida a decadência até 03/2004; 27. A exclusão da multa, considerando que encontrase pautada em legislação revogada. O processo foi encaminhado para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 8 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 839. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO DA NULIDADE Alega o recorrente, cerceamento do direito de defesa, uma vez que no relatório fiscal não é possível identificar de maneira clara e precisa os fatos geradores apurados, contudo, não vislumbro tal nulidade. Destacase, que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, tampouco pela falta de fundamentação legal. Destacase que, conforme identificamos no processo, foi cumprido todo o rito necessário a realização do procedimento, com a emissão dos documentos que autorização não apenas o procedimento fiscal, bem como as intimações para apresentação dos documentos. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida fundamentação das contribuições ou dos fatos geradores apurados, não lhe confiro razão. Não só o relatório fiscal se presta a esclarecer as contribuições objeto de lançamento, posto indicar nas duas ocasiões que tratavase de valores lançados com base em GFIP, como também o DAD – Discriminativo analítico de débito, que descreve de forma pormenorizada, mensalmente, a base de cálculo, as contribuições e respectivas alíquotas. Sem contar, ainda, o relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito que traz toda a fundamentação legal que embasou o lançamento. Dessa forma, bastaria uma leitura apurada do próprio recorrente, para que o mesmo identificasse ou mesmo conferisse se os valores lançados na presente NFLD são os mesmos lançados na sua GFIP. Alegar, que não houve tempo suficiente para apresentar sua defesa também não é motivo suficiente para anular o lançamento. Não apenas na fase da impugnação poderia o recorrente manifestarse, bem como na fase recursal é permitido a apresentação de novos elementos probatórios, quando indispensáveis a solução da lide, ou mesmo busca da verdade material. Assim, afasto a nulidade pretendida. DA DECADÊNCIA Com relação a aplicação do prazo decadencial, considerando como dato da cientificação ao recorrente a data da notificação do relatório fiscal substitutivo, entendo que razão não assiste ao recorrente. Observamos que o relatório fiscal complementar não realizou novo lançamento, ou mesmo qualquer alteração quanto aos fatos geradores apurados. A elaboração de relatório fiscal complementar, deuse exclusivamente no intuito de esclarecer ao recorrente os fatos geradores lançados, no intuito de afastar qualquer alegação de cerceamento do direito de defesa, possibilitando sua manifestação para, se Fl. 546DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 14485.001968/200747 Acórdão n.º 2401003.075 S2C4T1 Fl. 6 9 entendesse cabível apresentar outros argumentos além dos já descritos. Assim, encontrase acertada a aplicação do prazo decadencial realizado pelo julgador de primeira instância. Conforme podemos inferir dos dois relatórios, o lançamento deuse exclusivamente sobre os valores declarados em GFIP e não recolhidos em sua totalidade. Assim, podemos definir a aplicação do prazo decadencial: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, como no presente caso, em que houve a efetiva declaração em GFIP, bem como recolhimento parcial, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, Fl. 547DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 10 tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Face o exposto e considerando que no lançamento em questão foi efetuado em 22/12/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia, o fato de ter sido o processo convertido em diligência, de forma alguma nulidificou o procedimento já em curso, razão pela qual deve ser essa data a utilizada para efeitos de aplicação da decadência quinquenal, como bem o fez o órgão julgador. DO MÉRITO No recurso em questão, o contribuinte resumiuse a atacar a validade do procedimento fiscal, considerando a falta de clareza, mesmo depois de emitido relatório fiscal complementar, contudo, sem refutar, qualquer dos fatos geradores apurados . Dessa forma, em relação aos fatos geradores objeto da presente notificação, como não houve recurso expresso aos pontos da Decisão de primeira instância presumese a concordância da recorrente com a Decisão proferida Uma vez que houve concordância, lide não se instaurou e, portanto, deve ser mantida a DecisãoNotificação. Como dito na preliminar de nulidade apreciada, os valores foram lançados com base na GFIP da empresa, sendo que no dado encontrase detalhado os valores apurados. DA MULTA APLICADA No que tange ao cálculo da multa, face à edição da MP 449/08, convertida em lei 11.941, a citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Em relação a multa aplicada entendo que não merece qualquer reparo o lançamento, considerando que a decisão de primeira instância, esclareceu que a multa a ser aplicada no presente caso, é prevista no art. 35 da lei 8212/2001, que na verdade se mostra mais benéfica a introduzida após a vigência da lei 11.941/2009. Se observarmos o DAD, verificase que a multa aplicada foi de 24%, mais favorável ao recorrente do que os 75% introduzidos pela legislação posterior. Não há de se falar em limitação de 20%, posto que em havendo lançamento de ofício, a multa atual, implica muita mais gravosa ao recorrente. Assim, Fl. 548DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 14485.001968/200747 Acórdão n.º 2401003.075 S2C4T1 Fl. 7 11 entendo que o julgador, foi feliz na explicação quanto a aplicação da multa, sendo realmente, inaplicável ao caso em questão, a redução pretendida pelo recorrente. Tornando à questão de fundo, em virtude da superveniência da Lei nº 11.941/09, que modificou substancialmente a Lei nº 8.212/91, especialmente quanto à multa de ofício, com o acréscimo do artigo 35A, fazse mister a análise da possibilidade de retroação benéfica de penalidades conforme previsto no art. 106, II, “c”, do CTN. No intuito de regular a aplicação das inovações trazidas pela citada Lei nº 11.941/09, mormente para fins da mencionada retroação benéfica, foi editada a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/09, que determina, em seu art. 3º: Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. No entanto, relembrandose que no caso em tela estão sob análise as contribuições declaradas em GFIP, não se cogita da possibilidade de descumprimento das obrigações acessórias previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, vez que tais guardam relação estrita e direta, somente, com às contribuições destinadas à Previdência Social, especialmente no tocante à comparação em apreço. A efetiva comparação para o caso vertente deve levar em consideração, tão somente, as multas previstas no art. 35, vigente ao tempo dos fatos geradores, e o art. 35A, introduzido pela Lei nº 11.941/09, ambos da Lei nº 8.212/91. Diante de tal raciocínio, tendo em vista que no momento do lançamento em epígrafe a multa prevista, conforme o art. 35, correspondia a 24% (vinte e quatro por cento), e aquela vaticinada no art. 35A corresponderia a 75% (setenta e cinco por cento), emerge preclaro que, àquele tempo, a multa mais benéfica ao Contribuinte era aquela prevista na legislação vigente quando da ocorrência dos fatos geradores incluídos na Autuação em epígrafe. Em consequência, a analisada Autuação não merece reparo, mormente no atinente à multa aplicada, vez que conforme o ordenamento de regência. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 12 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de nulidade e decadência e no mérito NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 550DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 14485.001968/200747 Acórdão n.º 2401003.075 S2C4T1 Fl. 8 13 Voto Vencedor Conselheira Carolina Wanderley Landim, Redatora designada Da análise dos autos, verificase que o lançamento foi efetuado em 22/12/2006, tendo a cientificação da Contribuinte, ora Recorrente, ocorrido no mesmo dia. Foram lançados os débitos referentes às competências compreendidas no período de 01/09/2001 a 28/02/2006. O relatório fiscal que acompanha a presente NFLD assim explicita o crédito tributário objeto do lançamento: III— FATOS GERADORES DO CRÉDITO A diferença do recolhimento existente nas GFIP's e os recolhimentos devidos conforme confrontação dos valores e abatimento de parcelamento existente no período janeiro de 2001 a agosto de 2001 e outro no periodo de setembro de 2002 a janeiro de 2004. Examinado as guias de recolhimento do período de janeiro de 2001 a fevereiro de 2006. IV DOCUMENTOS APRESENTADOS QUE ORIGINARAM 0 CRÉDITO As GFIP "s do período e folhas de pagamento com os recolhimentos existentes na empresa e confrontado com o conta corrente da DATAPREV diferencial do seguro de acidentes de risco do trabalho insalubre de 15ano s(AS1) e perigoso e humido de25 anos (AS3), lançamento dos autonomos motoristas (fretista), autonomos, quotas de salario familia e salario maternidade. que no periodo de janeiro de 2001 era pago INSS e so incluso para calculo e sem desconto e s6 apos 30 de agosto de 2003 que a empresa pode descontar do INSS. V CRÉDITOS LANÇADOS 0 crédito lançado encontrase fundamentado na legislação constante do anexo de fundamentos legais e na versão anterior a MP n°. 166315/98, convertida na Lei 9711/98 da Lei 8212/91 A Recorrente, inconformada, apresentou defesa (fls. 229234), alegando, em síntese, a ausência da indicação expressa e inequívoca dos dispositivos legais que embasaram o lançamento dos débitos, a impossibilidade de identificação dos fatos geradores objeto de lançamento, além da não indicação do critério de gradação e o valor da penalidade aplicada, concluindo que tais vícios acabaram por comprometer o exercício do seu direito de defesa, requerendo, portanto, fosse decretada a nulidade da NFLD. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 14 No mérito, alega a ausência de presunção de certeza e liquidez do débito, lançamento de valores em inobservância à documentação apresentada no decorrer da fiscalização. Requer, por fim, que seja desconstituído o débito, tornando sem efeito a NFLD. A Secretaria da Receita Previdenciária de São PauloSUL – SRPSul, ao analisar o relatório fiscal e considerando as razões expostas pela ora Recorrente, entendeu por bem devolver os autos ao Fiscal Notificante, para que este elaborasse novo relatório fiscal, vez que a autuação originalmente perpetrada não continha elementos básicos do ato de lançamento, tais como a discriminação dos fatos geradores, a indicação da sua origem, a discriminação das contribuições que foram objeto de lançamento, a indicação do fundamentação legal para a cobrança do SEST SENAT, etc. É o que se verifica dos trechos da decisão da SRPSul, abaixo transcritos (fls. 354356): Sugerimos a devolução dos autos ao Fiscal Notificante para: Elaboração de Relatório Fiscal Substitutivo, no qual conste de forma discriminada os fatos geradores objeto de lançamento, informando inequivocamente se o mesmo decorreu unicamente das informações prestadas em GFIP e se as mesmas foram corroboradas pela análise contábil e pelos documentos ambientais (PCMSO, Laudos etc.); Ressaltese que devem constar do Relatório Fiscal todas as contribuições que foram objeto de lançamento (inclusive as devidas aos terceiros); Ademais, caso tenham sido efetuados lançamentos decorrentes de contratação de transportadores autônomos, seria necessário que os mesmos fossem classificados no FPAS especifico 620, a fim de que fosse gerada a fundamentação legal para a cobrança do SEST e SENAT. Destarte, tornase imprescindível, neste caso, a elaboração de planilha de valores pagos a transportadores autônomos, para que sejam excluídos do presente lançamento e constem em NFLD apartada; Caso se conclua que as informações prestadas em GRP não estão corroboradas pela contabilidade, lavrar as autuações cabíveis;1 Atendendo à determinação da SRPSul, foi emitido “Relatório Substitutivo da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD 37.032.1189” (fls. 361366), cuja ciência pela Recorrente ocorreu no dia 23/03/2009. Diante da imprestabilidade do relatório fiscal original, o qual foi efetivamente substituído por novo relatório fiscal, por expressa determinação do órgão julgador de primeira instância, não se pode admitir que o lançamento original, cuja ciência do contribuinte ocorreu em 22/12/2006, seja instrumento hábil a cessar o transcurso do prazo decadencial. Ora, não pode a Receita Federal valerse de atos de lançamento inválidos, que não contém os mínimos elementos para possibilitar ao contribuinte a exata compreensão da cobrança contra si perpetrada, para fazer cessar contra si o prazo decadencial que fulmina o crédito tributário. 1(fls. 354356). Fl. 552DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 14485.001968/200747 Acórdão n.º 2401003.075 S2C4T1 Fl. 9 15 Se isso fosse possível, as autoridades fiscais estariam autorizadas a lavrar, nas proximidades do prazo decadencial, autos de infração desprovidos de seus fundamentos básicos de validade, apenas para resguardar o seu direito à futura cobrança, confiantes na determinação por parte dos órgãos julgadores da elaboração de relatórios fiscais substitutivos, razões complementares, esclarecimentos adicionais, etc, com vistas a sanar os vícios da autuação original. Em casos como este, o contribuinte ficaria sujeito a ter que se defender de autuações “aperfeiçoadas” mais de cinco anos após o decurso do prazo decadencial, mesmo sendo a autuação original imprestável para a devida e regular constituição do crédito tributário. Embora a decisão de primeira instância, que determinou a conversão do feito em diligência, já deixe clara a nulidade material do lançamento original, não é demais destacar que o relatório fiscal nada diz sobre a origem do crédito lançado – decorre de mero batimento GFIP x GPS? Decorre de batimento folha x GFIP x contabilidade, já que nele consta a informação de que a folha de pagamentos e contabilidade foram analisadas? Quais os contribuintes individuais que foram objeto da autuação? Entendo que em situações como a dos presentes autos, em que o lançamento original é totalmente imprestável e não subsistiria de per si, motivando a determinação por parte do órgão julgador de primeira instância da lavratura de verdadeiro lançamento substitutivo, o prazo decadencial deve ser contado tomando por base a data da notificação do lançamento substitutivo, e não a data da notificação do lançamento original. Situação semelhante já foi analisada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, conforme se verifica do trecho do voto do Ilustre Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, abaixo transcrito: Não se trata, pois, de uma simples diligência para elucidar questões periféricas ou sanar dúvidas do julgador diante das razões e documentos ofertados pelo contribuinte, mas, sim, de verdadeira complementação/aditamento da autuação, com descrição dos fatos, indicação das despesas glosadas, datas, valores e apresentação de documentos que serviram de lastro ao lançamento, pressupostos indispensáveis à validade do Auto de Infração, sem os quais não produz efeitos. CARF, 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Acórdão nº920202.322, Relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, 24/09/2012. A conclusão do voto, referente ao trecho supratranscrito, foi no sentido de considerar como termo final do prazo decadencial a data da ciência do resultado da diligência fiscal. Desse modo, considerando que a ciência do relatório complementar ocorreu no dia 23/03/2009 e que o prazo decadencial é de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, a teor do artigo 150, §4o do CTN, entendo que estão decaídas as competências compreendidas no período de 09/2001 a 02/2004. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 16 Reconhecida a decadência parcial do lançamento, cumpre analisar se persiste a nulidade suscitada pela Recorrente em sua peça recursal. Entendo que o lançamento sob análise não merece prosperar, por sua flagrante nulidade. Conforme já demonstrado acima, o relatório fiscal original não continha os mínimos requisitos de validade, motivo pelo qual foi determinada pela SRPSUL a elaboração de relatório fiscal substitutivo que, na verdade, corresponde à lavratura de um verdadeiro lançamento substitutivo ao original. Contudo, ainda que se pudesse considerar como válida a tentativa da SRPSul de manter o lançamento originalmente efetuado – o que por si só já é questionável – o fato é que o relatório fiscal substitutivo, elaborado com o fim específico de responder ao quanto determinado pelo órgão julgador em sede de diligência fiscal, sequer cumpriu com o seu papel de elucidar as dúvidas existentes quanto ao crédito tributário lançado. Para análise do quanto afirmado, cumpre mais uma vez transcrever o trecho pertinente da decisão que determinou a realização de “diligência” nos autos: Sugerimos a devolução dos autos ao Fiscal Notificante para: Elaboração de Relatório Fiscal Substitutivo, no qual conste de forma discriminada os fatos geradores objeto de lançamento, informando inequivocamente se o mesmo decorreu unicamente das informações prestadas em GFIP e se as mesmas foram corroboradas pela análise contábil e pelos documentos ambientais (PCMSO, Laudos etc.); Ressaltese que devem constar do Relatório Fiscal todas as contribuições que foram objeto de lançamento (inclusive as devidas aos terceiros); Ademais, caso tenham sido efetuados lançamentos decorrentes de contratação de transportadores autônomos, seria necessário que os mesmos fossem classificados no FPAS especifico 620, a fim de que fosse gerada a fundamentação legal para a cobrança do SEST e SENAT. Destarte, tornase imprescindível, neste caso, a elaboração de planilha de valores pagos a transportadores autônomos, para que sejam excluídos do presente lançamento e constem em NFLD apartada; Caso se conclua que as informações prestadas em GRP não estão corroboradas pela contabilidade, lavrar as autuações cabíveis;2 Vejamos, agora, a resposta à diligência fiscal determinada, extraída do Relatório Substitutivo: Este relatório é parte integrante da Notificação Fiscal de Levantamento de Débito NFLD N°. 37.032.1189 de contribuições devidas à SEGURIDADE SOCIAL, cujos recolhimentos não foram comprovados pela empresa bem 2(fls. 354356). Fl. 554DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 14485.001968/200747 Acórdão n.º 2401003.075 S2C4T1 Fl. 10 17 como não constam do banco de dados do Sistema de informação de Arrecadação e Débito do INS SDATAPREV: a) Correspondentes à parte da Empresa e incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e a contribuintes individuais; b) Incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados; b.1) Para o financiamento dos benefícios concedidos em razão de grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho; b.2) A outras entidades Terceiros (Salário educação, INCRA) *** O presente lançamento esta sendo efetuado com base nos valores da folha de Pagamento da empresa por estabelecimento e por competência e declarados em GFIP — Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Declaração à Previdência Social. Da leitura dos trechos acima transcritos, verificase que não há especificação dos fatos geradores ocorridos. Tampouco há como sustentar que o lançamento decorreu apenas das informações prestadas em GFIP, uma vez que os próprios auditores afirmam que o lançamento baseouse nos valores constantes na Folha de Pagamento da empresa e aqueles declarados em GFIP, sem, contudo, apontar as divergências aptas a justificar o lançamento. Persistem, assim, dúvidas quanto à motivação do lançamento, à origem do crédito tributário cobrado, que são essenciais para a sua validade. E a ausência da descrição clara e precisa do fato gerador compromete o exercício do direito de defesa, configurandose a nulidade do lançamento por vício material O vício material resta verificado quando a autoridade lavra a notificação fiscal e/ou auto de infração em inobservância aos pressupostos intrínsecos do lançamento. Como se sabe, o art. 142 do CTN estabelece a competência privativa da autoridade administrativa para elaboração do lançamento tributário e, ao mesmo tempo, define que tal ato administrativo deva conter, dentre outros, a descrição da ocorrência do fato gerador do tributo lançado. Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 18 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Seguindo esta mesma linha, o art. 50 da Lei nº 9.784/99, que rege o Processo Administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, estabelece: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. A ausência de descrição precisa dos fatos que ensejaram o lançamento tributário afeta a sua motivação e acaba por cercear o direito de defesa do contribuinte. Tal vício no lançamento não afeta unicamente a sua forma, mas sim o seu conteúdo, e implica na sua nulidade material. Não é outro o entendimento deste Conselho, senão vejamos: EMENTA: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/2005 LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. FATO GERADOR NÃO CLARAMENTE DEMONSTRADO. IRRELEVÂNCIA DA PREVISÃO DO ARTIGO 59 DO DECRETO N° 70.235/72. Os vícios materiais de que padecem o lançamento, sobretudo quando referente à ausência de demonstração clara dos elementos fáticos caracterizadores do fato gerador do tributo conduzem necessariamente à decretação de sua nulidade, com base no artigo 142 do CTN, independentemente do quanto disposto no artigo 59 do Decreto n° 70235/72. CARF, 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Acórdão nº 9202002.023, Relatora Susy Gomes Hoffmann, 20/03/2012. EMENTA: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2001 [...]. Cabe a autoridade lançadora o ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme descrito no art. 142 do CTN. A declaração de nulidade ante a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, decorre do fato de a autoridade fiscal não ter se desincumbido do ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação, o que faz com que o prejuízo ao contribuinte seja intrínseco à declaração de nulidade por vício material . Embargos acolhidos. CARF, 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Acórdão nº9202002.092, Relator Elias Sampaio Freire, 08/05/2012. Voto, assim, pela nulidade material da NFLD objeto do presente processo. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 14485.001968/200747 Acórdão n.º 2401003.075 S2C4T1 Fl. 11 19 CONCLUSÃO Diante do exposto, voto pela decadência do lançamento, até a competência até 02/2004, bem como pelo reconhecimento da nulidade do lançamento, por vício material. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 26/08 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E S ILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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Numero do processo: 19647.010744/2006-69
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE ESTIMATIVAS DE IRPJ OU CSLL. ADMISSIBILIDADE. EFICÁCIA RETROATIVA DA IN N° 900/2008. SÚMULA 84 DO CARF.
De acordo com a Solução de Consulta Interna COSIT n° 19/2011, o art. 11 da IN RFB nº 900/2008 é preceito de caráter interpretativo, que retroage para alcançar fatos anteriores à data de sua edição, de forma que o pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, corrigido na forma da lei, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP, conforme súmula 84 do CARF.
Numero da decisão: 1801-001.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição para análise do mérito do litígio, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Massao Chinen - Relator
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Maria de Lourdes Ramirez e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ROBERTO MASSAO CHINEN
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COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE ESTIMATIVAS DE IRPJ OU CSLL. ADMISSIBILIDADE. EFICÁCIA RETROATIVA DA IN N° 900/2008. SÚMULA 84 DO CARF. De acordo com a Solução de Consulta Interna COSIT n° 19/2011, o art. 11 da IN RFB nº 900/2008 é preceito de caráter interpretativo, que retroage para alcançar fatos anteriores à data de sua edição, de forma que o pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, corrigido na forma da lei, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP, conforme súmula 84 do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição para análise do mérito do litígio, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Roberto Massao Chinen Relator Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Maria de Lourdes Ramirez e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 07 44 /2 00 6- 69 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório Trata o processo de Declarações de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 03/12, todas com crédito de pagamento indevido de estimativa de IRPJ do período 02/2003, no valor original de R$ 185.744,94, recolhido em 31/03/2003, para compensação de débitos ali declarados. Por meio do despacho decisório de fl. 17, emitido em 15/03/2007, baseado no Relatório de Informação Fiscal de fls. 13/16, a DRF/Recife não homologou as compensações. Foi interposta manifestação de inconformidade, que foi julgada improcedente pela DRJ/Recife, conforme acórdão de fls. 93/99, prolatado em 26/06/2009. Cientificada da decisão em 27/08/2009, conforme AR de fl. 103, tempestivamente, em 21/09/2009, o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário de fls. 104/121, acompanhado dos documentos de fls. 122/140, que se resume a seguir: a. Relata que, em outubro de 2006, recebeu Autos de Infração, de IRPJ e CSLL, envolvendo diversas supostas infrações, que deram origem ao processo administrativo n° 19647.009690/200699, entre as quais constavam os itens (6) deduções indevidas no ajuste anual de antecipações de IRPJ e de CSL não comprovadas e (7) imposição de multa isolada por falta de pagamento de IRPJ e de CSL devidos por estimativa mensal. Tais exigências, porém, não foram devidamente fundamentadas, o que impedia a adequada defesa pela contribuinte; b. Anota que, em março de 2007, a Delegacia da Receita Federal em Recife intimou a contribuinte, apresentando um Relatório de Informação Fiscal, datado de 13.12.2006, em que os fiscais informam que tomaram conhecimento de uma solução de consulta interna da Receita Federal (de n° 18/06), a qual previa metodologia de cálculo diferente da que havia sido adotada por eles quando da fiscalização; c. Cita trecho do termo fiscal; d. Explica que, por tal razão, foram excluídos do processo n° 19647.009690/200699 certos valores que passariam a ser tratados em processos específicos, acrescidos de multa de mora e juros SELIC. Entre esses processos específicos está o presente processo de compensação, que teve por origem o recolhimento de IRPJ a maior em fevereiro de 2003. Por isso, a contribuinte apresentou Declaração de Compensação — DCOMP, compensando esse valor recolhido a maior com débitos de IRPJ de setembro e outubro de 2003; e. Segue narrando que a Delegacia da Receita Federal em Recife não homologou a compensação efetuada, com fundamento em outro Relatório de Informação Fiscal. Nesse breve Relatório, é afirmado que o credito pleiteado para compensação referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ a titulo de estimativa mensal, efetuado por pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual. Entretanto, conforme o artigo 10 da Instrução Normativa n° 600, de 28.12.05, da Secretaria da Receita Federal, a pessoa jurídica somente poderia utilizar o valor pago (indevido ou a maior) de IRPJ, a titulo de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRPJ devido ou para compor o prejuízo fiscal do período. Desse modo, o crédito da contribuinte, referente a pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, não poderia ser utilizado como crédito em DCOMP. Assim, o direito creditório pleiteado foi considerado inexistente e a compensação não foi homologada; Fl. 144DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.010744/200669 Acórdão n.º 1801001.833 S1TE01 Fl. 3 3 f. Reclama que foi apresentada a manifestação de inconformidade, que a DRJ decidiu não homologar a compensação, ratificando a decisão da DSRF/Recife; A premissa adotada pela DRJ implica a apuração de saldo negativo de IRPJ pelo contribuinte em 2003, passível de compensação com os débitos g. Afirma que, preliminarmente, a despeito dos termos do Relatório de Informação Fiscal anteriormente transcrito (datado de 13.12.2006), tornase necessário ressaltar o entendimento adotado pela DRJ, que refuta qualquer influencia do processo administrativo n° 19647.009690/200699 no presente pleito de compensação. Aceitandose essa premissa — ausência de vinculação entre o presente pleito de compensação e o processo administrativo n° 19647.009690/200699 — o julgador administrativo, necessariamente, deverá analisar o presente litígio, aceitando o saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 472.196,95 apurado pela contribuinte no anocalendário de 2003 (conforme a ficha 12A da DIPJ/2004 — doc. j). Isso porque, de acordo com o posicionamento adotado pela DRJ, não existe qualquer influência decorrente do processo administrativo n° 19647.009690/200699 na apuração do IRPJ do anocalendário de 2003 e que, eventualmente, pudesse alterar o saldo negativo apurado; h. Raciocina que, assim, a apuração do saldo negativo de IRPJ, devidamente escriturado na DIPJ do período, é fato que não pode ser contraditado pelo julgador administrativo, cujo montante é passível de compensação com tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430/96. No caso concreto, portanto, percebese a licitude do procedimento efetuado pela contribuinte, que utilizou apenas parte do saldo negativo de IRPJ de 2003 para compensar com os débitos em questão. Por outro lado, no que se refere aos óbices opostos pela Fiscalização para a compensação ora em análise, os mesmos não podem prosperar, sendo fruto de uma interpretação equivocada da legislação; Previsão do artigo 10 da INSRF 600/05 não tem amparo em lei i. XXXXXXXXXXXXXXXXXX j. Cita o artigo 10 da INSRF 600/05 e pondera que, tal regra, segundo a interpretação dada pela DRF/Recife e corroborada pela DRJ, limitaria a possibilidade de compensação de créditos fiscais do contribuinte, ao prever que certos recolhimentos indevidos ou a maior de IRPJ ou de CSLL só poderiam ter uma certa utilização. Com isso, o artigo 10 teria vedado o direito do contribuinte de compensar certos valores de IRPJ e de CSLL recolhidos a maior. Tais valores apenas poderiam ser utilizados para deduzir o IRPJ ou a CSLL devidos ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período desses tributos. Ocorre que a Lei n° 9.430/96, na qual a IN deveria se basear, ao dispor sobre a restituição e compensação de tributos não fez tal restrição. Bem ao inverso, ela prevê de forma genérica o direito de compensação; k. Entende que, se o contribuinte apurou crédito fiscal, o que ocorre quando há o recolhimento indevido ou a maior de tributo, ele pode utilizálo na compensação de débitos fiscais próprios. O mesmo artigo 74 previu os casos em que a compensação não poderia ser realizada. Assim, entre outras hipóteses previstas no §3°, consta que o saldo a restituir apurado na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda de pessoa física não pode ser compensado com outros tributos devidos pelo contribuinte. O §12 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 do artigo 74 também previu as hipóteses em que a compensação seria considerada não declarada, entre as quais estavam aquelas em que o crédito do contribuinte refirase a credito prêmio de IPI ou que seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; l. Alega que o legislador concedeu um direito genérico de compensação de tributos recolhidos a maior ou indevidamente pelo contribuinte e já estabeleceu os casos em que tal direito era vedado. Contudo, não proibiu a compensação do IRPJ e da CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do período de apuração desses tributos. Nesse cenário, a Secretaria da Receita Federal não poderia criar restrições e proibições não previstas na Lei. Ela poderia apenas regulamentar os procedimentos para o exercício dos direitos previstos na Lei. Dai a previsão do § 14 do mesmo artigo 74 da Lei n° 9.430/96. Disciplinar os direitos previstos em lei não leva a permissão para restringilos, vedálos, mas tãosomente estabelecer procedimentos e explicitar o que já consta de norma superior; m. Anota que tais tributos possuem regras para recolhimento ao longo do ano e sempre que for verificado que o montante já recolhido supera o que deveria ter sido recolhido com base em tais regras, estará configurada a situação de recolhimento indevido ou a maior. Isso é uma decorrência do sistema de tributação do IRPJ e da CSLL; n. Aduz que não se deve alegar, como fez o acórdão recorrido, que se trata de arguição de ilegalidade e inconstitucionalidade de normas insertas no ordenamento jurídico, o que impediria a DRJ de apreciar os argumentos apresentados. No caso em tela, impõese a apreciação da questão, pois, diferentemente do entendimento exposto pela DRJ, esta envolve apenas a impossibilidade de mera Instrução Normativa inovar na ordem jurídica, estipulando vedações não previstas em lei; o. Reclama que a DRJ tergiversa sobre o assunto e afirma que o disposto no artigo 10 da IN/SRF n° 600/2005 guarda consonância com o quanto disciplinado por atos infralegais. Equivocase a DRJ. Em primeiro lugar, devese esclarecer que o dispositivo legal que disciplina a compensação de tributos administrados pela atual RFB é o art. 74 da Lei n° 9.430/96 e não os dispositivos citados pela DRJ, que tratam da forma de pagamento e apuração do imposto calculado por estimativa; A Secretaria da Receita Federal aceita a compensação de IRPJ/CSLL recolhido indevidamente ou a maior nos meses posteriores p. Argumenta que, mesmo que se entenda que a Secretaria da Receita Federal poderia estabelecer a restrição contida no artigo 10 da Instrução Normativa n° 600/05, a interpretação adotada pela DRF/Recife a essa regra está equivocada. Com efeito, o Despacho Decisório não guarda consonância com a interpretação da própria Secretaria da Receita; q. Afirma que o artigo 10 da INSRF 600/05, quando muito, impediria (contrariando a Lei n° 9.430/96) a compensação do IRPJ e da CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo dos meses do períodobase anual com outros tributos distintos deles próprios. Assim, não poderia haver compensação com a COFINS, a contribuição para o PIS ou IPI, por exemplo. Todavia, o IRPJ ou a CSLL eventualmente recolhidos indevidamente ou a maior poderiam ser compensados com eles próprios, em outros meses do mesmo períodobase anual; r. Sustenta que entender de modo diverso levaria a uma espécie de empréstimo compulsório disfarçado: teria ocorrido um recolhimento indevido/equivocado, mas o contribuinte nada poderia fazer, se não aguardar o final do ano, para que tal Fl. 146DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.010744/200669 Acórdão n.º 1801001.833 S1TE01 Fl. 4 5 recolhimento compusesse o IRPJ ou a CSLL de todo o ano, gerando um saldo negativo que poderia, então, ser restituído ou compensado. Tal compreensão, por absurda e assistemática, não pode prevalecer. A compensação do recolhimento de IRPJ ou CSLL indevido ou a maior pode ser feito ao menos com os valores desses mesmos tributos devidos nos meses seguintes, o que é vedado pela IN 600/05. Esse, inclusive, é o entendimento adotado pela Secretaria da Receita Federal. É o que se pode verificar da resposta à pergunta n° 606, do "Perguntas & Respostas" relacionado ao contribuinte pessoa jurídica ("DIPJ 2006 — Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica"), constante do "site" desse órgão; Quando das compensações realizadas pela contribuinte a regra do artigo 10 da INSRF 600/05 ainda não existia s. Argumenta que, mesmo que, por absurdo, se entenda legal o artigo 10 da INSRF 600/05, ainda assim o Despacho Decisório deve ser reformado. Assim é porque, quando das compensações realizadas pela contribuinte, ainda não existia, no ordenamento jurídico nacional, a regra estabelecida no referido artigo 10. De fato, a INSRF 600/05 é datada de 28.12.05. Antes dela, a Instrução Normativa anterior sobre o tema de restituição e compensação de tributos — INSRF 460/04 — trazia regra semelhante igualmente no artigo 10. Essa IN é datada de 18.10.04. No entanto, as mais antigas, INSRF 210/02 e IN SRF 21/97, não traziam uma norma nos termos do artigo 10. Ora, a contribuinte realizou as compensações objeto do presente processo em janeiro de 2004, quando vigia a INSRF 210/02 que, como visto, não previa a restrição ao direito de compensação do contribuinte trazida pela INSRF 460 e repetido no artigo 10 da INSRF 600/05; t. Assevera que a DRF/Recife, portanto, ao decidir não homologar a compensação pleiteada pela contribuinte com base em sua interpretação do artigo 10 da INSRF 600/05 efetuou uma aplicação retroativa de dispositivo fiscal restritivo ao direito do contribuinte. Isso não pode ser feito, seja em razão do que prevê a Constituição (art. 5°, XXXVI), seja em razão do CTN (art. 103). O artigo 77 da INSRF 460/04 (a primeira a estabelecer uma regra nos termos do art. 10 da INSRF 600/05) é expresso em prever que ela entraria em vigor na data de sua publicação. Vale dizer, não foi exercida a faculdade de dispor em sentido contrário. Portanto, a restrição ao direito de compensação do contribuinte teria entrado em vigor em 18.10.04, com a INSRF 460/04; u. Acrescenta que o Despacho Decisório da DRF/Recife, ao aplicar retroativamente a INSRF 600/05, também contraria o artigo 146 do CTN. O tratamento dado pelo artigo 10 da INSRF 600/05 (originalmente contido no art. 10 da INSRF 460/04) é uma novidade antes inexistente no ordenamento jurídico, representando, por isso, uma modificação, introduzida de oficio, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa. Logo, só pode ser efetivada para o futuro. A conclusão que se chega é que a manifesta aplicação retroativa do artigo 10 da INSRF 600/05, pelo Despacho Decisório ora recorrido, contraria a legislação tributária, notadamente o CTN, em diversos de seus dispositivos. t mais uma razão, independente das demais, para concluir pela reforma do referido Despacho e a homologação das compensações realizadas; Se não fosse realizada a compensação do IRPJ de janeiro de 2003 recolhido a maior, haveria saldo negativo ao final do ano v. Considera que, mesmo que se houvesse por bem discordar de todas as razões postas até aqui (o que se admite novamente apenas para argumentar), existiria mais um motivo para dar provimento ao pleito da contribuinte, homologando as compensações Fl. 147DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 por ela realizadas. Ora, o IRPJ de janeiro de 2003 recolhido a maior foi utilizado, como já visto, em compensação com débitos de IRPJ. A decisão proferida pela DRF/Recife e arbitrária, pois, a partir dos termos do artigo 10 da INSRF 600/05, o IRPJ e a CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do ano somente podem ser utilizados ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. No máximo, portanto, haveria uma antecipação na utilização de um direito de crédito previsto pelo próprio artigo 10 da IN SRF n° 600/05, pois o IRPJ de fevereiro de 2003 recolhido a maior transformarseia em saldo negativo, passível de compensação com qualquer tributo a partir do final desse ano. w. Entende que o indeferimento procedido pela DRJ não pode prosperar, tendo em vista que não pode ser negado um direito de crédito que se materializou no tempo. Ademais, o que importa é o reconhecimento de que aquela parcela tratada como um recolhimento a maior na escrituração fiscal do contribuinte em determinado período veio a se confirmar como um indébito no futuro (saldo negativo de IRPJ), a materializar um efetivo direito de crédito. Isso leva à conclusão de que é irrelevante o fato do crédito de IRPJ ter sido utilizado antes do encerramento do anocalendário de 2003, se o recolhimento se revelar efetivamente a maior ao final do período de apuração; Vinculação deste processo ao processo n° 19647.009690/200699 x. Contesta a DRJ, que refuta a existência de qualquer vinculação entre o presente pleito de compensação e o processo administrativo n° 19647.009690/200699. Assim, o presente argumento, bem como o seguinte, sustentase apenas na hipótese desse Conselho de Contribuintes entender de forma contrária e confirmar a vinculação entre os processos; y. Explica que a decisão pelo reconhecimento de que ao final do anocalendário de 2003 houve recolhimento a maior de IRPJ, passível de compensação com os débitos em questão, não foi adotada em parte em razão de a DRF/Recife julgar que a contribuinte, ao final do ano, não teria saldo negativo de IRPJ. Assim teria concluído em razão de Auto de Infração lavrado em 2006, que deu origem ao já referido processo administrativo n° 19647.009690/200699, no qual a amortização de ágio realizada pela contribuinte sucedida pela TIM Nordeste S/A foi considerada indedutivel. Isso teria alterado os resultados finais das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL dos anos envolvidos; z. Assevera que, se assim for — e apenas na hipótese de se considerar improcedentes as razões anteriormente apresentadas, suficientes, por si sós, para levar ao provimento do presente recurso —, a decisão final a ser proferida neste processo administrativo de compensação ficará na dependência do destino a ser dado ao referido processo n° 19647.009690/200699, após a defesa administrativa apresentada pela contribuinte (o recurso voluntário já foi apresentado em 20 de novembro p.p. e aguarda julgamento no Conselho de Contribuintes). Se a decisão vier a ser pelo cancelamento do Auto de Infração, o provimento deste recurso voluntário será um imperativo. Desse modo, requerse que seja reformada a decisão recorrida, homologando a compensação realizada, na medida em que seja dado provimento à defesa administrativa apresentada ao Auto de Infração que deu origem ao processo administrativo n° 19647.009690/200699. Quando menos, a cobrança decorrente do presente pleito de compensação deverá ficar sobrestada até a decisão final a ser proferida no processo administrativo n° 19647.009690/200699; Indevida revisão de lançamento Fl. 148DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.010744/200669 Acórdão n.º 1801001.833 S1TE01 Fl. 5 7 aa. Relata que o Despacho Decisório proferido neste processo decorre de uma revisão de lançamento perpetrada pela autoridade fiscal nos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699, lavrado contra a TIM Nordeste S/A (sucessora da Telepisa Celular S/A). A revisão de ofício decorreu da verificação de que a metodologia de cálculo utilizada para realizar as autuações fiscais estaria em desacordo com a interpretação adotada pela solução de consulta interna n° 18, de 13.10.06, que é posterior aos Autos de Infração lavrados, datados de 09.10.06. Por tal razão, segundo o Relatório de Informação Fiscal, a revisão de ofício seria indispensável (item 2). Assim, foi apartado do processo administrativo n° 19647.009690/200699 parte do crédito tributário apurado nos Autos (alguns valores de IRPJ, CSLL e de multa isolada de ambos os tributos, relacionados aos itens 6 e 7 do Termo de Encerramento Fiscal). Essa parte do crédito passaria a ser tratada em processos específicos de cobrança espontânea, acrescidos de multa de mora e juros SELIC. Como decorrência desse desmembramento, a contribuinte foi intimada de vários despachos decisórios, a maioria fruto de supostas compensações indevidas, com a cobrança de valores a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; bb. Aduz que o novo valor total exigido por intermédio de tais despachos decisórios é superior ao valor diminuído pela revisão de ofício havida nos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699. De fato, o valor apartado do processo administrativo n° 19647.009690/200599 é de R$ 5.353.451,22, em relação à Telern, conforme quadro resumo constante do Relatório de Informação Fiscal (item 4 doc. j). Já o valor total exigido pelos despachos decisórios recebidos pela contribuinte é de R$ 6.905,919,90 (conforme planilha preparada pela contribuinte/quadro 11 doc. j). Portanto, concluise que se está diante de uma revisão de ofício que propiciou um aumento do crédito tributário original, sendo irrelevante que a nova exigência esteja dividida em vários processos específicos diferentes. Tratase, portanto, de uma indevida alteração no lançamento regularmente notificado e que não se coaduna com a legislação de regência (artigos 145 a 149 do CTN); cc. Com base no art. 145 do CTN, argumenta que o lançamento é o procedimento que tem por finalidade constituir o crédito tributário e se encerra com a notificação feita ao sujeito passivo. A partir desse momento, o lançamento tornase definitivo e o crédito tributário constituído. A alteração só pode ocorrer em razão dos motivos previstos na lei; dd. Entende que, por esse prisma, é ilegal o procedimento da fiscalização. A alteração não se deu em razão da impugnação do sujeito passivo (que leva à diminuição do valor total da exigência), de recurso de ofício, ou mesmo por uma das hipóteses do artigo 149 do CTN, que justificassem a alteração no lançamento. Como o próprio Relatório deixa claro, a revisão se deu devido a uma alteração de procedimento com base em uma solução de consulta interna. Além da contrariedade aos artigos 145 e 149 do CTN, também restou violado o artigo 146. Com efeito, devido à solução de consulta interna n° 18, de 13.10.06, posterior aos Autos de Infração, de 09.10.06, foi introduzida de ofício uma modificação nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento , Em ta caso, tal modificação somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução; ee. Conclui que resta provado que não houve motivo, dentre aqueles previstos pelo CTN, para uma revisão do lançamento que aumente o valor total dos supostos débitos da contribuinte. Além disso, o artigo 146 não permite a aplicação retroativa de e critérios jurídicos que levem a um aumento de exigência fiscal. Ao assim proceder, a Fl. 149DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 DRF/Recife violou a legislação de regência. Tal situação leva à necessidade da anulação de todos os Despachos Decisórios recebidos pela contribuinte, para que em todos ocorra a homologação das compensações realizadas; Conclusão ff. Conclui que o Despacho Decisório proferido pela DRF/Recife deve ser reformado, homologandose integralmente as compensações realizadas. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Massao Chinen, Relator. O contribuinte enviou as Declarações de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 03/12, todas com crédito de pagamento indevido de estimativa de IRPJ do período 02/2003, no valor original de R$ 185.744,94, recolhido em 31/03/2003, para compensação de débitos ali declarados. Por meio do despacho decisório de fl. 17, emitido em 15/03/2007, baseado no Relatório de Informação Fiscal de fls. 13/16, a DRF/Recife não homologou as compensações. Em sua decisão, a autoridade administrativa entendeu inexistente o direito creditório do contribuinte, com fulcro no artigo 10 IN SRF n° 600 de 28/12/2005, segundo o qual a pessoa jurídica somente poderá utilizar o valor pago (indevido ou a maior) de IRPJ, a titulo de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRPJ devido ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. Inicialmente, cabe esclarecer que a TIM Nordeste S/A sucedeu as empresas Telasa Celular S/A, Teleceará Celular S/A, Telern Celular S/A, Telepisa Celular, Telpa Celular S/A e TIM Nordeste Telecomunicações S/A (antiga Telpe Celular S/A). Essas empresas sucedidas efetuaram uma série de compensações com crédito de saldo negativo de IRPJ e CSLL e de pagamento indevido de estimativa de IRPJ e CSLL. As Per/Dcomps foram analisadas de forma conjunta pela DRF/Recife. Consta que, na data de 07/03/2007, foi dado ciência ao contribuinte da seguinte relação de despachos decisórios, mediante Termo de Ciência: PROCESSO TRIBUTO ORIGEM CRÉDITO PERÍODO VALOR CRÉDITO ORIGINAL 19647.004622/200552 CSLL Pagamento Indevido 28/02/2003 6.892,25 19647.004630/200507 CSLL Pagamento Indevido 30/04/2003 6.892,25 19647.004632/200598 CSLL Pagamento Indevido 31/03/2003 6.892,25 19647.004633/200532 CSLL Pagamento Indevido 31/05/2003 5.839,32 19647.004267/200511 CSLL Pagamento Indevido 31/05/2003 1.052,94 19647.004645/200567 CSLL Saldo Negativo 1999 1.396.029,30 19647.004646/200510 CSLL Saldo Negativo 2000 698.847,46 19647.004647/200556 CSLL Saldo Negativo 2001 183.199,96 19647.004642/200523 CSLL Saldo Negativo 2002 287.993,00 19647.004623/200505 IRPJ Pagamento Indevido 31/10/2002 215.020,48 19647.004266/200577 IRPJ Pagamento Indevido 31/10/2002 841.145,12 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.010744/200669 Acórdão n.º 1801001.833 S1TE01 Fl. 6 9 19647.004624/200541 IRPJ Pagamento Indevido 31/07/2002 648.080,52 19647.004625/200596 IRPJ Pagamento Indevido 30/06/2002 19.029,88 19647.004626/200531 IRPJ Pagamento Indevido 30/09/2002 1.592.733,24 19647.004627/200585 IRPJ Pagamento Indevido 30/04/2003 977.677,85 19647.004631/200543 IRPJ Pagamento Indevido 31/05/2003 893.749,79 19647.004256/200531 IRPJ Pagamento Indevido 31/05/2003 278.383,73 19647.004634/200587 IRPJ Pagamento Indevido 28/02/2002 845.368,90 19647.004635/200521 IRPJ Pagamento Indevido 31/03/2003 1.097.095,99 19647.004636/200576 IRPJ Pagamento Indevido 31/05/2002 1.981.278,34 19647.004637/200511 IRPJ Pagamento Indevido 30/04/2002 607.753,95 19647.004638/200565 IRPJ Pagamento Indevido 31/03/2002 1.246.309,42 19647.004639/200518 IRPJ Pagamento Indevido 28/02/2003 1.076.690,18 19647.004640/200534 IRPJ Pagamento Indevido 05/09/2002 984.866,13 19647.004652/200569 IRPJ Saldo Negativo 1998 1.020.281,41 19647.004651/200514 IRPJ Saldo Negativo 1999 1.492.056,02 19647.004648/200509 IRPJ Saldo Negativo 2000 2.320.730,85 19647.004649/200545 IRPJ Saldo Negativo 2001 781.343,92 19647.004650/200570 IRPJ Saldo Negativo 2002 2.992.684,38 TOTAL 24.505.918,83 Posteriormente, em 02/04/2007, o contribuinte recebeu a seguinte relação de despachos decisórios, mediante Termo de Ciência: PROCESSO TRIBUTO ORIGEM CRÉDITO PERÍODO VALOR CRÉDITO ORIGINAL 19647.004709/200520 IRPJ Saldo Negativo 1998 2.682.451,33 19647.004708/200585 IRPJ Saldo Negativo 1999 70.109,36 19647.004707/200531 IRPJ Saldo Negativo 2000 155.636,23 19647.004706/200596 IRPJ Saldo Negativo 2001 464.344,19 19647.004705/200541 IRPJ Saldo Negativo 2002 3.254.351,98 19647.010742/200670 IRPJ Pagamento Indevido 28/02/2003 370.412,98 19647.010744/200669 IRPJ Pagamento Indevido 31/03/2003 185.744,94 19647.010745/200611 IRPJ Pagamento Indevido 30/04/2003 335.130,66 19647.010746/200658 IRPJ Pagamento Indevido 31/05/2003 334.771,15 19647.004704/200505 CSLL Saldo Negativo 1998 551.418,05 19647.004702/200516 CSLL Saldo Negativo 2000 4.267,08 19647.004701/200563 CSLL Saldo Negativo 2001 49.883,52 19647.004700/200519 CSLL Saldo Negativo 2002 22.823,95 19647.010749/200691 CSLL Pagamento Indevido 30/06/2002 5.000,03 19647.010751/200661 CSLL Pagamento Indevido 28/02/2003 1.990,77 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 19647.010752/200613 CSLL Pagamento Indevido 31/03/2003 1.990,76 19647.010753/200650 CSLL Pagamento Indevido 30/04/2003 14.106,31 19647.010756/200693 CSLL Pagamento Indevido 31/05/2003 2.843,96 TOTAL 8.507.277,25 Posteriormente, em 27/04/2007, o contribuinte recebeu a seguinte relação de despachos decisórios, mediante Termo de Ciência: PROCESSO TRIBUTO ORIGEM CRÉDITO PERÍODO VALOR CRÉDITO ORIGINAL 19647.004738/200591 IRPJ Saldo Negativo 1998 259.739,40 19647.004537/200547 IRPJ Saldo Negativo 1999 145.897,98 19647.004736/200501 IRPJ Saldo Negativo 2000 798.208,07 19647.004735/200558 IRPJ Saldo Negativo 2001 67.375,42 19647. 004734/200511 IRPJ Saldo Negativo 2002 566.669,94 19647.010757/200638 IRPJ Pagamento Indevido 28/02/2002 143.219,01 19647.010760/200651 IRPJ Pagamento Indevido 31/03/2002 133.338,68 19647.010762/200641 IRPJ Pagamento Indevido 30/04/2002 161.913,29 19647.010763/200695 IRPJ Pagamento Indevido 31/05/2002 189.581,53 19647.010764/200630 IRPJ Pagamento Indevido 30/06/2002 184.650,56 19647.010766/200629 IRPJ Pagamento Indevido 31/07/2002 230.808,82 19647.010770/200697 IRPJ Pagamento Indevido 31/08/2002 56.492,06 19647.010771/200631 IRPJ Pagamento Indevido 30/09/2002 313.140,51 19647.004740/200561 IRPJ Pagamento Indevido 31/10/2002 334.157,68 19647.010773/200621 IRPJ Pagamento Indevido 30/11/2002 175.610,21 19647.010775/200610 IRPJ Pagamento Indevido 31/12/2002 139.230,74 19647.010777/200617 IRPJ Pagamento Indevido 28/02/2003 177.282,61 19647.010778/200653 IRPJ Pagamento Indevido 31/03/2003 132.116,42 19647.010779/200606 IRPJ Pagamento Indevido 30/04/2003 231.229,19 19647.010780/200622 IRPJ Pagamento Indevido 31/05/2003 100.364,98 19647.004733/200569 CSLL Saldo Negativo 1998 139.441,22 19647.004732/200514 CSLL Saldo Negativo 1999 621.177,86 19647.004731/200570 CSLL Saldo Negativo 2000 325.776,64 19647.004730/200525 CSLL Saldo Negativo 2001 23.188,08 19647.004729/200509 CSLL Saldo Negativo 2002 124.384,26 19647.010781/200677 CSLL Pagamento Indevido 30/06/2002 12.042,95 19647.010783/200666 CSLL Pagamento Indevido 28/02/2003 1.780,33 19647.010784/200619 CSLL Pagamento Indevido 31/03/2003 1.780,34 19647.010785/200855 CSLL Pagamento Indevido 30/04/2003 1.780,34 19647.010786/200608 CSLL Pagamento Indevido 31/05/2003 1.780,33 TOTAL 5.794.159,47 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.010744/200669 Acórdão n.º 1801001.833 S1TE01 Fl. 7 11 Os processos de números 19647.004734/200511 e 19647.010777/200617 (em nome de Telepisa Celular S/A), 19647.004705/200541, 19647.004706/200596 e 19647.010744/200669 (em nome de Telern Celular S/A), 19647.004645/200567 e 19647.004646/200510 (em nome de Teleceará Celular S/A) foram distribuídos para julgamento nesta Primeira Turma Especial da Terceira Câmara da Primeira Seção do CARF, os quais estão sendo julgados concomitantemente, na mesma sessão de julgamento. Verificase que tanto a DRF quanto a DRJ não homologaram a compensação em virtude do entendimento de que a estimativa mensal somente pode ser utilizada na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Essa vedação era expressamente prevista no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 e da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, abaixo transcrita. Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Posteriormente, sobreveio a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que revogou a IN SRF nº 600/2005, e deixou de contemplar a referida vedação. A questão que se põe é se a proibição ainda vige para as compensações efetuadas entre as datas de publicação das IN SRF nº 460/2004 e IN RFB n° 900/2008, ou se o afastamento da vedação é retroativo. A controvérsia é crucial para o deslinde do presente litígio, tendo em conta que a Per/Dcomp foi transmitida em 14/12/2006. A Administração Tributária pronunciouse sobre essa questão e a orientação dada foi no sentido de que a norma que passou a autorizar a compensação das estimativas é de caráter interpretativo, ou seja, retroage para alcançar fatos anteriores, de forma que a RFB deve reconhecer a utilização, como crédito passível de compensação, pagamentos indevidos de estimativas de IRPJ ou CSLL. Confirase, para tanto, a ementa da Solução de Consulta Interna COSIT n° 19, de 05/12/2011: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Na jurisprudência do CARF, o assunto é matéria sumulada, pelo verbete de número 84, o que impede os Conselheiros de julgar de forma diversa, a teor do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Por conseguinte, o acórdão recorrido deve ser reformado para prevalecer o entendimento no sentido da viabilidade da compensação com crédito de pagamento indevido de estimativas. Superado esse óbice, entretanto, não é possível prosseguir na análise do direito creditório, uma vez que nem a DRF nem a DRJ se pronunciaram a respeito da questão de fundo, ou seja, se o pagamento é ou não indevido. Dessa forma, entendo que os autos devem retornar à DRF de origem para prosseguir na análise da existência e suficiência do direito creditório, procedimento este que não configura novo despacho decisório, com posterior ciência ao contribuinte, sem prejuízo de ulterior manifestação de inconformidade. Deve ser levado em conta a alteração de domicílio da TIM Nordeste S/A, cuja jurisdição passou da DRF/Recife para a DRF/São Paulo. Deixo de apreciar as outras questões levantadas pela defesa, em vista da decisão favorável. CONCLUSÃO. Por todo o exposto, voto em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para determinar o retorno dos autos à DRF de origem para a análise da existência e suficiência de crédito da declaração de compensação e eventual homologação da compensação até o limite do crédito a ser apurado. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.010744/200669 Acórdão n.º 1801001.833 S1TE01 Fl. 8 13 (assinado digitalmente) Roberto Massao Chinen Fl. 155DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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