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Numero do processo: 19647.000143/2004-86
Data da sessão: Wed Nov 04 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Nov 04 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1302-000.026
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: IRINEU BIANCHI
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-06-16T11:57:59Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-06-16T11:57:59Z; Last-Modified: 2010-06-16T11:57:59Z; dcterms:modified: 2010-06-16T11:57:59Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-06-16T11:57:59Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-06-16T11:57:59Z; meta:save-date: 2010-06-16T11:57:59Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-06-16T11:57:59Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-06-16T11:57:59Z; created: 2010-06-16T11:57:59Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2010-06-16T11:57:59Z; pdf:charsPerPage: 833; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-06-16T11:57:59Z | Conteúdo => S/-C1T/ El 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA :1NA:145r CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nO 19647.000143/2004-86 Recurso ri° 166.545 Resolução no 1302-00.026 — 3' Câmara / 2' Turma Ordinária Data 04 de novembro de 2009 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente MATA MELO ENGENHARIA LTDA. Recorrida 2' TURMA/DRI-BELO HORIZONTE/MG Vistos, relatados e discutidos os presente autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. MARCOS RODRIGUES DE MELLO — Presidente - IRINEU BIANCHI — Relator EDITADO EM: 2 ts ABR 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jacinto do Nascimento, Albertina Silva Santos de Lima, Natanael Vieira dos Santos, Irineu Bianchi e Marcos Rodrigues de Mello. Processo ri° 19647.000143/2004-86 SI-C/T1 Resolução n.° 1302-00.026 Fl. 2 Relatório MATA MELO ENGENHARIA LTDA., pessoa jurídica devidamente qualificada nos autos, inconformada com a decisão de primeira instância, que lhe foi desfavorável, recorre a este Colegiado visando à reforma da mesma. A ação fiscal diz respeito ao auto de infração de fls. 04/11, para exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, multa de oficio e juros de mora calculados até 28/11/2003, além de multa exigida isoladamente, no valor total de RS 642803,34, abrangendo fatos geradores compreendidos nos exercícios de 2002 e 2003. Da descrição dos fatos consta: "001 — Imposto de Renda Pessoa Jurídica — Diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago (venficaçães obrigatórias): durante o procedimento de verificações obrigatórias, foi constatado o não recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica apurado nas DIPJ correspondentes. 002— Multas isoladas — Diftrença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago — IRPJ estimativa (verificações obrigatórias): falta de recolhimento da estimativa apurada na DIPJ, ano calendário de 2002, nos meses especificados, tendo sido cobrada multa isolada de 75% sobre os valores apurados. Cientificada exigência, a interessada apresentou a impugnação de fls. 286/338, dizendo em síntese, que o lançamento não deve prosperar de vez que, valendo-se das prerrogativas da Lei n° 10.684, de 30 de maio de 2003, requereu o parcelamento de seus débitos. Juntou o Pedido de Parcelamento Especial apresentado em 29/07/2003, confirmado pela indicação da conta Paes n° 380300189075, assim como a Declaração de Parcelamento Especial — Paes, em 24/10/2003, passando a recolher mensalmente os seus tributos em atraso, de forma consolidada, cujos Darf foram acostados aos autos. A ação fiscal foi julgada procedente em parte, nos termos do acórdão número 02-16367 (fls. 341/350), cujos fundamentos acham-se consubstanciados na respectiva ementa, in verbis: IRPJ. PARCELAMEATO ESPECIAL. PAES. A adesão do contribuinte ao Paes produz efeitos legais somente em relação aos débitos efetivamente incluídos no parcelamento especial, observado o cumprimento das formalidades e dos prazos estabelecidos na legislação de regência. PERDA DA ESPONTANEIDADE. MULTA DE OFICIO. Constatado que o pedido de parcelamento do imposto foi formalizado depois de iniciado o procedimento fiscal, o débito correspondente fica sujeito à multa de oficio prevista na legislação de regência:\ 1 I MULTA ISOLADA ESTIMATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em face do princípio da retroatividade benignd, leve ser reduzida a 2 Processo n° 19647.000143/200446 SI-C1T1 Resolução n.° 1302-00.026 EL 3 penalidade que, posterionnente â sua imposição e antes da decisão administrativa, acabou atenuada pela legislação tributária. Cientificada da decisão (fls. 365), a interessada, tempystivamente, interpôs o recurso voluntário de fls. 354/361, reafirmando os termos da impu a ao. 'É o Relatório. 3 Processo n°19647.000143/2004-86 SI-CITI Reso/ução nf 1302-00.026 Fl. 4 VOTO Conselheiro IRINEU BIANCHI O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A decisão recorrida afastou a alegada espontaneidade, uma vez que a confissão ocorreu quando já em curso a ação fiscal, ressalvando que qualquer exigência em duplicidade deveria ser verificada junto à DRF. Todavia, entendo que esta não foi a melhor decisão. Com efeito, a ação fiscal foi deflagrada em 20 de março de 2003 data em que foi emitido o respectivo Mandado de Procedimento Fiscal (fls. 01), não havendo qualquer registro nos autos acerca de eventual prorrogação Apenas em 16 de dezembro de 2003 foi emitido um Mandado de Procedimento Fiscal Complementar. Antes disto, na data de 29 de julho de 2003, foi apresentado o Pedido de Parcelamento (fls. 310 e 312), com Recibo de Entrega da Declaração de Parcelamento (fls. 313), datado de 24 de outubro de 2003. Aparentemente, pois, entre a data do inicio da ação fiscal e a do subseqüente ato fiscalizatório, transcorreu lapso de tempo superior a 60 (sessenta) dias, com o que, a recorrente teria readquirido a espontaneidade. Em seu recurso, a recorrente discorre acerca da inclusão no parcelamento da parcela relativa à multa, caso em que, a exigência de idêntica penalidade via auto de infração, estaria acarretando um verdadeiro bis in idem. Frente a isto e para evitar uma decisão condicional tal como ocorreu na primeira instância, entendo que é imperiosa a conversão do julgamento em diligência para que a repartição de origem elabore demonstrativo cotejando os valores lançados com aqueles que foram objetodepáscelamento, identificando as respectiva rubricas. É cOno voto. IRINEU BIANCHI - Relator 4
score : 1.0
Numero do processo: 13502.900793/2009-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1302-000.067
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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Resolvem os membros do Colegiado converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. “assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Irineu Bianchi, Eduardo de Andrade e André Ricardo Lemes da Silva. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 04/05/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 03/02/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 11/02/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13502.900793/2009-04 Resolução n.º 1302-000.067 S1-C3T2 Fl. 87 2 Relatório PROQUIGEL QUÍMICA S/A, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador, Bahia , consubstanciada no acórdão nº. 15-20.166, de 30 de julho de 2009, que indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Camaçari, Bahia. Trata o processo de pedido de compensação por meio do qual a contribuinte pretendeu extinguir débitos com saldo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido decorrente de pagamento a maior de estimativas mensais. O referido crédito refere-se ao período de dezembro de 2004, cujo recolhimento se deu em 31 de janeiro de 2005. A contribuinte teria recolhido o montante de R$ 676.193,44, enquanto a estimativa devida seria de R$ 115.835,21, resultando disso um montante pago a maior de R$ 560.358,23. Apreciando o pedido formalizado pela empresa, a Delegacia da Receita Federal em Camaçari, indeferiu o pedido (fls.) sob a alegação de que, por se tratar de pagamento a título de estimativa mensal, o recolhimento somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devidos ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo respectivo. Inconformada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: - que o Despacho Decisório deveria ser motivado de modo articulado para que houvesse convencimento em relação aos motivos de fato e de direito que levaram, nesse caso, a não homologação das compensações, sob pena de inviabilizar a ampla defesa do Contribuinte, assegurada constitucionalmente no inciso LV do artigo 5° da Constituição Federal vigente; - que, em conformidade com a Lei nº. 9.784/99, art. 2°, parágrafo único, VII, prevaleceria a exigência de indicação dos pressupostos de fato de direito que determinaram a decisão; - que o art. 50, I, da referida lei estabeleceria obrigatoriedade de motivação, com indicação dos fatos e fundamentos jurídicos, quando neguem, limitem ou afetem interesses, isto é, em que os atos, de alguma forma, afetem interesses individuais; - que, no caso em tela, a descrição dos fatos teria sido genérica e deficiente, não havendo sequer menção ao saldo negativo ou estimativa mensal apurada por ela, ou seja, não houve informação básica em relação ao caso concreto; - que o vício apresentado deveria ensejar o reconhecimento da nulidade do despacho decisório recorrido, determinando-se que a autoridade administrativa procedesse nova análise do PER/DCOMP por ela transmitido; - que, considerando que o indeferimento do pedido teria ocorrido em razão de erro no preenchimento da PER/DCOMP, eventual erro material cometido por ela no Fl. 2DF CARF MF Impresso em 04/05/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 03/02/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 11/02/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13502.900793/2009-04 Resolução n.º 1302-000.067 S1-C3T2 Fl. 88 3 preenchimento do formulário transmitido não teria o condão de anular o seu direito creditório, sob pena de se sobrepor a forma em detrimento do conteúdo; - que, no caso em tela, ainda que tenha havido erro na indicação da origem do crédito, não houve qualquer prejuízo ao erário. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, por meio do acórdão nº. 15-20.166, de 30 de julho de 2009, indeferiu a solicitação, conforme ementa que ora transcrevemos. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Tendo o despacho decisório preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de impugnar a matéria indeferida, descabe a alegação de nulidade. ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. O recolhimento das estimativas não configura pagamento extintivo de crédito tributário, mas mera antecipação do tributo devido a ser apurado definitivamente ao término do período definido na legislação. Em conseqüência, passível de restituição e compensação é o saldo negativo de IRPJ apurado na Declaração de Ajuste Anual. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR.. LIQUIDEZ E CERTEZA. Incabível a restituição de crédito tributário por pagamento a maior se ausentes a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Cientificada da Decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 62/74, por meio do qual renova os argumentos expendidos na peça impugnatória, aditando: - que não foi intimada para retificar o PER/DCOMP, providência que atenderia os princípios da eficiência e da razoabilidade, vez que as declarações de compensação não foram homologadas exclusivamente em razão de um critério formal, relativo à indicação da origem do crédito; - que o procedimento adotado por ela, indicando o crédito como decorrente de pagamento indevido ou maior, está em consonância com o entendimento da própria Administração Pública (transcreve manifestação da Receita Federal em processo de consulta); - que o pagamento a maior, decorrente da diferença entre o valor recolhido o apurado com base em balancetes de suspensão/redução, exatamente como no caso analisado, deve ser restituído como pagamento indevido ou maior; - que não há controvérsia em relação ao direito de crédito, mas apenas quanto à origem indicada no PER/DCOMP transmitido: "Pagamento Indevido ou a Maior" x "Saldo Negativo", conforme se verifica da fundamentação lançada no despacho decisório recorrido. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 04/05/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 03/02/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 11/02/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13502.900793/2009-04 Resolução n.º 1302-000.067 S1-C3T2 Fl. 89 4 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de pedido de compensação por meio do qual a contribuinte pretendeu extinguir débitos com saldo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido decorrente de pagamento a maior de estimativas mensais. Entendendo que o processo não se encontra em condições de ser apreciado, conduzo meu voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a unidade de jurisdição da contribuinte preste as seguintes informações: 1. tomando por base os assentamentos contábeis e fiscais da contribuinte, esclareça se o montante de crédito pleiteado (valor original de R$ 560.358,23) efetivamente decorre de PAGAMENTO A MAIOR da estimativa devida no mês de dezembro de 2004; 2. esclareça, considerando a informação contida no documento de fls. 43, se o valor de estimativa efetivamente recolhido para o mês de dezembro de 2004 (R$ 676.193,44) compôs, por inteiro, o saldo negativo apurado no encerramento do exercício, esclarecendo, em caso positivo, se o referido saldo foi, de alguma forma, utilizado em outras compensações. Sala das Sessões, em 27 de janeiro de 2011 “assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 4DF CARF MF Impresso em 04/05/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 03/02/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 11/02/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 13811.005027/2007-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1302-000.122
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13811.005027/200771 Resolução n.º 1302000.122 S1C3T2 Fl. 451 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 4ª Turma da DRJ/SP1, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 DECADÊNCIA. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. No caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, o direito de o contribuinte pleitear a restituição de valores pagos indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Trata o processo de Declaração de Compensação, de fl. 01, em formulário, protocolada em 28/11/2007. As fls. 02/07, a Interessada, SANOFIAVENTIS FARMACÊUTICA LTDA. atual denominação de AVENTIS PHARMA LTDA., sucessora de RHODIA FARMA LTDA (dos. 01 a 03), explica a natureza da sua solicitação, realizada em nome da: Tratarseia de direito creditório atrelado a desistência de ação judicial (Mandado de Segurança nº 1999.61.0412542 – 23º Vara Federal da Seção Judiciária de São Paulo – SP), promovida em 20/08/1999, pela RHODIA FARMA LTDA., em que se buscava afastar a retenção da fonte do Imposto de Renda sobre o resultado positivo obtido em operações de “hedge” (petição anexa – fls. 95/127). A Interessada obteve liminar sob a condição de que os valores do imposto devido fossem objeto de depósito judicial (decisão as fls. 128/130). Segundo a Contribuinte, o depósito foi realizado, no valor histórico de R$ 4.251.392,18, conforme guia de fl. 131, bem como cópia do Razão Contábil da Conta de Depósitos Judiciais (fl. 132). Ademais, argumentou a empresa que, diante do depósito judicial desse valor e da conseqüente suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não foi reportado o referido crédito tributário na DIPJ entregue a Receita Federal relativamente ao ano calendário de 1999 (Ficha 13 A – Linha 13 – fl. 146). Outrossim, pondera a Interessada que, posteriormente, em 22/02/2001, nos autos da medida judicial, foi proferida sentença, julgando totalmente procedente o pedido formulado (fls. 204/209). Por força do Recurso de Apelação interposto pela Fazenda Nacional, os autos foram remetidos ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Antes do julgamento deste recurso, a Requerente apresentou desistência do mandado de segurança, interposto em 02/12/2002, renunciando expressamente ao direito em que se fundava a ação (fl. 210). Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13811.005027/200771 Resolução n.º 1302000.122 S1C3T2 Fl. 452 3 Narra, ainda, a Contribuinte, que, com a homologação da desistência em 11/12/2002 (fl. 211), os autos foram remetidos a primeira instância, quando, então, foi requerida a conversão em renda da União Federal dos valores depositados judicialmente, o que foi deferido pelo Juiz, consoante, decisão publicada em 16/07/2004 (fl. 212). Conforme Ofício encaminhado pela Caixa Econômica Federal, esta conversão em renda foi efetuada em 06/09/2004 (fl. 213), tendo sido apresentados os respectivos extratos (fls. 214/215). Após estes trâmites, os autos teriam sido encaminhados ao arquivo, conforme Certidão de Objeto e Pé a fl. 216. Ainda, segundo a Interessada, teria apurado saldo negativo de IRPJ relativamente ao anocalendário de 1999, tendo inclusive oferecido a respectiva receita decorrente da operação de “hedge”, conforme comprovariam os documentos anexos (doc. 08 a 37). Assim, o montante correspondente aqueles valores referentes a incidência do IRRF sobre operações de “hedge”, devidos a título de antecipação em 01/09/1999, em razão do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 1999, constituiriam um crédito a favor da Requerente e seria compensável com outros tributos, nos termos da legislação aplicável. Ressaltou, ademais, a Requerente que, embora se tratando de fato gerador ocorrido em 1999, apenas com a conversão dos valores depositados em renda da União Federal no ano de 2004, nos termos do artigo 156, VI, do Código Tributário Federal, houve a extinção do respectivo crédito tributário, surgindo, somente a partir de então, o direito de pleitearse a compensação. Em razão disso, acrescenta, cabe esclarecer a Requerente que, em se tratando de crédito relativo ao anocalendário de 1999, não foi possível a utilização do PER/DCOMP para o envio da presente compensação – o que não significa, em absoluto, ausência de direito creditório, razão pela qual a presente Declaração de Compensação é apresentada mediante formulário impresso, nos termos do § 1º do artigo 26 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, devendo a incidência de juros SELIC reportarse ao momento em que apurado o saldo negativo de IRPJ – 31/12/1999. Em 28/12/2007, consta petição da empresa, de fls. 333/337, requerendo que, em razão da correção de seu procedimento ao formalizar a Declaração de Compensação em formulário impresso, fosse seu “status” mantido até que fosse apreciado o seu mérito, por meio de Despacho Decisório fundamentado, proferido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, oportunidade em que, sendo eventualmente o resultado desfavorável a Requerente, deveria esta ser intimada para efetuar o pagamento ou para apresentar manifestação de inconformidade, nos termos do artigo 74, parágrafos 7º e 9º, da Lei nº 9.430/1996. Foi proferido Despacho Decisório EQPIR/PJ (fls. 340/343), assinado em 16/01/2008, por intermédio do qual a Declaração de Compensação em apreço foi, em síntese, considerada não declarada, por não ter sido utilizado o instrumento legal exigido, o programa PER/DCOMP, em afronta ao art. 26, § 1º, da IN nº 600 de 28/12/2005 e ao art. 1º da IN nº 729, de 20/03/2007. As fls. 345/349, consta anexada Liminar em Mandado de Segurança, determinando ao Delegado da Receita Federal do Brasil em São Paulo o imediato conhecimento e processamento dos pedidos de compensação apresentados pela impetrante em formulário impresso, suspendendo a exigibilidade dos créditos discriminados nos processos administrativos nºs 13811.004382/200722 e 13811.005027/200771 enquanto pendente a prolação das respectivas decisões administrativas. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13811.005027/200771 Resolução n.º 1302000.122 S1C3T2 Fl. 453 4 Houve a prolação do Despacho Decisório de fls. 357/360, que não homologou a compensação declarada na DCOMP de fl. 01, bem como outras compensações porventura vinculadas ao crédito analisada. A ementa é a seguinte: “COMPENSAÇÃO. A lei pode autorizar a compensação de créditos tributários líquidos e certos. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a compensação de indébito tributário extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da extinção do crédito tributário.” O Contribuinte foi intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, sendolhe facultada a apresentação de Declaração de Compensação. A Interessada apresentou manifestação de inconformidade de fls. 363/382, encaminhada pela ECRER/DIORT/DERAT/SP (fl. 386), na qual alega, em síntese, que: DA CORREÇÃO DO PROCEDIMENTO ADOTADO PELA RECORRENTE Consoante foi possível depreender da leitura do referido Despacho Decisório, entendeu a Autoridade Fiscal que, muito embora tenha a extinção do crédito tributário mediante a conversão em renda do depósito judicial tenha ocorrido apenas no ano calendário de 2004, a Requerente já teria conhecimento da desistência do Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0412542 no ano de 2002, ano em que ainda seria possível a retificação da DIPJ de 1999. E, sendo assim, a Requerente, ainda na visão da D. Autoridade Fiscal, deveria ter, antes da conversão em renda do referido depósito judicial, procedido à retificação da mencionada DIPJ, recompondo o resultado do anocalendário de 1999 e gerando o saldo negativo de IRPJ, passível de compensação, a qual deveria ter sido pleiteada dentro do prazo. Seguindo tal raciocínio, afirmou a D. Autoridade Fiscal que, nos termos do art. 168, I, do Código Tributário Nacional – CTN – e do Ato Declaratório SRF nº 3, de 07/01/2000. o prazo para pleitear a restituição de saldo negativo de IRPJ teria início no primeiro dia do anocalendário seguinte ao da sua apuração, sendo que esse prazo deveria ter sido observado pela Requerente. Finalmente, afirmou a D. Autoridade Fiscal que não haveria que se falar em recomposição do saldo negativo do IRPJ relativo ao anocalendário de 1999, pois, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, não haveria mais como se apurar, com liquidez e certeza o crédito detido pela Requerente. A simples leitura das razões expostas pela D. Autoridade Fiscal para a não homologação já é suficiente para demonstrar a sua inconsistência. Entendeu a D. Autoridade Fiscal que não tendo a Requerente retificado sua DIPJ, quando da desistência da ação judicial, e pleiteado a compensação do crédito apurado, não teria a Declaração de Compensação sido formalizada dentro do prazo legal, impossibilitando a verificação da existência do direito creditório. Todavia, ainda que a Requerente tenha desistido do mencionado Mandado de Segurança no anocalendário de 2002, naquele momento ainda não havia ocorrido a extinção indevida do crédito tributário relativo aos valores depositados judicialmente, relativos a antecipações de IRPJ do anocalendário de 1999. A extinção do crédito tributário, conforme reconheceu a própria D. Autoridade Fiscal, somente ocorreu com a conversão do depósito judicial em renda da União no Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13811.005027/200771 Resolução n.º 1302000.122 S1C3T2 Fl. 454 5 anocalendário de 2004, sendo este evento indispensável para que pudesse ser considerado existente o saldo negativo do anocalendário de 1999. Dessa maneira, não era suficiente, ao contrário do que afirmou a D. Autoridade Fiscal, que a Requerente tivesse conhecimento de que apuraria, no futuro, crédito passível de restituição, para que procedesse a retificação de sua DIPJ e pleiteasse a sua compensação. Admitir como possível o procedimento defendido pela D. Autoridade Fiscal é o mesmo que afirmar que a desistência de Mandado de Segurança configuraria hipótese de extinção do crédito tributário, o que, a toda evidência, não pode ser admitido. A leitura do art. 156 do CTN revela que o legislador não inclui a desistência de Mandado de Segurança ou de qualquer medida judicial como hipótese de extinção de crédito tributário e, por conseqüência, como motivo apto a ensejar a formalização de qualquer pleito relativo à restituição ou compensação de crédito tributário indevidamente extinto. Dessa maneira, deve ser rechaçada a tese de incluir a desistência do Mandado de Segurança entre as causas de extinção do crédito tributário previstas pela CTN, para fundamentar a não homologação da compensação declarada pela Requerente. No presente caso, a única causa de extinção de crédito tributário que poderia ser – e foi – considerada para que fosse formalizada Declaração de Compensação foi a conversão em renda em favor da União, ocorrida em 2004. Além disso, também não pode ser admitido o argumento da D. Autoridade Fiscal quanto a suposta possibilidade de retificação da DIPJ e formalização da compensação exclusivamente em razão da desistência do Mandado de Segurança em tela, pois isto significaria afirmar que para o reconhecimento de crédito em favor do contribuinte, bastaria que este proceda a declaração do montante a que entende ter direito, dispensandose, neste caso, a prova do recolhimento que gerou o crédito do imposto. Teria a D. Autoridade Fiscal homologado a compensação quando não existia sequer prova do recolhimento do tributo que originou o crédito? Seria possível admitir a extinção do débito por compensação realizada com crédito que viria – talvez – a existir? É evidente que a resposta a quaisquer destas indagações seria negativa. Assim, no presente caso, não poderia a Requerente ter retificado a sua DIPJ e pleiteado a compensação no anocalendário de 2002, tendo em vista que naquele momento ainda não havia ocorrido a extinção do crédito tributário. Aliás, proceder a retificação de sua DIPJ para informar a extinção de crédito tributário ainda não ocorrida seria o mesmo que prestar declaração falsa a Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. Ademais, a retificação da DIPJ é evento até mesmo de menor relevância para o reconhecimento do direito creditório da Requerente. Em primeiro lugar, pois no presente caso já havia sido apurado prejuízo fiscal no anocalendário de 1999, de modo que qualquer recolhimento a título de IRPJ que fosse realizado pela Requerente relativo a este ano configurarseia indevido. Em segundo lugar, porque é a existência de antecipação de IRPJ a maior (e para isso era necessária a conversão em renda) que dá ensejo ao nascimento do crédito a ser recuperado via restituição/compensação. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13811.005027/200771 Resolução n.º 1302000.122 S1C3T2 Fl. 455 6 Nesse sentido, ainda que a Requerente tivesse procedido à retificação de sua DIPJ (o que, reiterese, não era possível), não seria este procedimento suficiente para que pudesse pleitear a restituição/compensação de seu direito creditório, nem, muito menos, para que este direito creditório fosse reconhecido pela D. Autoridade Fiscal. Portanto, por todas estas razões, já se tem afastado o primeiro motivo indicado pela Autoridade Fiscal para a não homologação da compensação declarada. DA INOCORRÊNCIA DA DECADÊNCIA A insubsistência do argumento da Autoridade Fiscal de que seria necessária a retificação da DIPJ relativa ao anocalendário de 1999 é insubsistente, uma vez que a Declaração de Compensação só poderia ter sido entregue quando surgiu o direito creditório, ou seja, quando da extinção do crédito tributário consubstanciada pela conversão em renda da União do deposito judicial do IRRF em questão (art. 156, VI, e art. 168, I, ambos do CTN). Temse, outrossim, que a ocorrência da decadência para o lançamento das diferenças do tributo devido em 1999 não tem qualquer relação com a possibilidade de verificação da existência do direito creditório, pois a Requerente, quando da formalização da DCOMP, procedeu à juntada de toda a documentação que embasou o seu pleito. DO PEDIDO a) a Requerente estava impossibilitada de retificar sua DIPJ em 2002, pois ainda não havia ocorrido a extinção do crédito tributário pela conversão de depósito em renda, o que só ocorreu em 2004; b) a retificação do anocalendário de 1999 não era sequer necessária, pois a Requerente já havia apurado prejuízos fiscais e qualquer recolhimento a título de IRPJ seria, de qualquer forma indevido; c) além disso, ainda que tivesse procedido a retificação, a compensação apenas poderia ser formalizada quando houvesse a extinção do crédito tributário, nos termos do art. 165, I, do CTN (conversão do depósito em renda); d) o direito de a Requerente pleitear a restituição somente se deu no ano de 2004, com a conversão dos depósitos judiciais em renda da União, momento a partir do qual ocorreu a quitação do IRPJ e surgiu o saldo credor deste tributo, passível de restituição; e e) a Declaração de Compensação foi formalizada pela Requerente dentro do prazo legal estabelecido pelo artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional é a presente para REQUERER seja reformado o Despacho Decisório ora recorrido, homologandose a compensação declarada. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, repisou as alegações expendidas na impugnação. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13811.005027/200771 Resolução n.º 1302000.122 S1C3T2 Fl. 456 7 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Inicialmente, destaco que o prosseguimento deste feito foi amparado em liminar concedida pelo juízo da 23ª Vara Federal Cível de São Paulo nos autos do Mandado de Segurança nº 2008.61.00.0016238, que determinou ao Delegado da Receita Federal em São Paulo o imediato conhecimento e processamento dos pedidos de compensação apresentados pela impetrante em formulário impresso. Os autos supracitados encontramse no TRF da 3ª Região, conclusos ao relator. A decisão vigente neste processo é a sentença de mérito, que após ser modificada em embargos de declaração possui o seguinte teor: Diante do exposto, julgo parcialmente procedente o pedido, com resolução de mérito, nos termos do artigo 269, inciso I, do Código de Processo Civil e concedo, em parte, a segurança.Mantenho parcialmente a liminar concedida.Para tais fins, a declaração não deveria ser considerada não declarada, pois a forma não prejudica o exame do mérito, tanto é que assim fez a autoridade administrativa no mesmo documento.Por isso, a declaração não foi homologada, nos termos do 7º do artigo 74 da Lei nº 9.340/1996, devendo ser julgada a manifestação de inconformidade da impetrante (9º), caso já tenha sido apresentada, ou devendo a impetrante proceder ao pagamento, em 30 (trinta) dias (prazo legal), após a ciência desta decisão.Oficiese à autoridade impetrada.Custas na forma de lei.Os honorários advocatícios não são cabíveis em sede de Mandado de Segurança, consoante Súmulas 105 do STJ e 512 do STF.Oportunamente, subam os autos para reexame necessário." PRI. Disponibilização D.Eletrônico em 07/04/2010 ,pag 240/250 Neste sentido, prossigo na apreciação da matéria. A autoridade impetrada não havia tomado conhecimento da declaração de compensação apresentada em papel, em desconformidade com o programa Per/Dcomp, e considerou não declarada a compensação do débito ali descrito, no Despacho Decisório EQPIR/PJ de 15/01/2007 (fl.343). Naquela oportunidade, então, entendeu a juíza da 23ª Vara Federal Cível que Nesse diapasão, a conduta que melhor se amolda ao fim público não é o rechaço de plano do pedido de compensação formulado ("não declaração"), mas sua apreciação como se eletronicamente houvesse Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13811.005027/200771 Resolução n.º 1302000.122 S1C3T2 Fl. 457 8 sido feito, pois a finalidade não pode renderse à forma quando atingido o objetivo idealizado. Assim, foi proferido novo Despacho Decisório, acatando a declaração formulada. Desta feita, a compensação não foi homologada porque entendeu a autoridade competente terse operado a decadência do direito do contribuinte de repetir o indébito tributário na via administrativa porque em 2002 havia desistido da ação judicial em que questionava a tributação por IRRF de ganhos obtidos em hedge, através de contratos de swap, e, assim, naquele ano poderia ter retificado a DIPJ/2000, recompondo a apuração de 1999, gerando, então, o saldo negativo a ser pleiteado. Todavia, ao tempo da análise, não sendo mais possível à Fazenda rever o lançamento de 1999, retificando os valores que compõem o resultado negativo daquele exercício, entendeu que, por analogia, o mesmo raciocínio devesse ser aplicado para revisão que venha a beneficiar o sujeito passivo. Segundo esta autoridade, ainda, o prazo para postular a compensação teria início em janeiro de 2000, e expiraria em dezembro de 2004 (sustentado no Ato Declaratório SRF nº 03/2000 c/c art. 168, I, CTN). O voto condutor do julgado na DRJ, entretanto, interpreta diferentemente a matéria, minimizando a questão da retificação da DIPJ e afirmando que o ponto central reside na prestação da declaração de compensação somente em 2007, na qual alega crédito novo relativo a 1999. Vejamos a redação do decisum: Todavia, não há que se dar importância central ao fato da Autoridade Administrativa ter trazido a possibilidade da empresa ter retificado a DIPJ já em 2002. O principal motivo de não homologação da DCOMP foi a ocorrência da decadência do direito do contribuinte requerer, em 2007, compensação de débitos com saldo negativo de 1999. Todavia, conclui, afirmando que O IRRF em questão era devido e a sua dedução na demonstração do IRPJ a pagar, para fins de apuração de saldo negativo era impossível, pois o prazo para retificação já havia expirado, e, ademais, a restituição/compensação não poderia ser pleiteada, dada a ocorrência da decadência.(grifos meus) Neste ponto, embora afirme o contrário acima, entendo que é fundamento da decisão para verse operada a decadência a impossibilidade de se retificar a DIPJ, e, conseqüentemente, a impossibilidade de se constituir o saldo negativo de IRPJ. Já a recorrente afirma que a conversão do depósito judicial em renda da União promoveu a extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, I, do CTN. Mas somente em 06/09/2004, data da quitação indevida, foi extinto o crédito relativo ao IR Fonte, e somente a partir desta data surgiu o crédito em favor da recorrente, passível de restituição ou compensação. Como a extinção se deu em 06/09/2004, a apresentação da Declaração de compensação foi realizada em 28/11/2007, por meio da qual utilizou parte do saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 1999 para compensação com débito do próprio IRPJ do período de outubro de 2007, no montante de R$2.943.129,89. Entende, ainda, que como antes mesmo do cômputo de tais valores já havia saldo negativo, nem mesmo seria necessário Fl. 8DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13811.005027/200771 Resolução n.º 1302000.122 S1C3T2 Fl. 458 9 retificar a DIPJ. O Mandado de Segurança não é instrumento hábil para extinguir o crédito tributário. Assim, não poderia o contribuinte ter retificado sua DIPJ em 2002. De se ver, portanto, que a extinção a que alude a recorrente é relativa a débito de IRRF. Contudo, o crédito alegado é de saldo negativo de IRPJ. E embora guardem semelhanças, há de se convir que são coisas distintas. A questão em tese posta, então, é saber: a) se o débito extinto em 2004 é hábil para recompor o saldo negativo de 1999 ao tempo da extinção; b) se a impossibilidade de se retificar a DIPJ/2000 é óbice para possibilitar a reconstituição do saldo negativo de IRPJ de 1999. Por outro lado, deve ser reconhecido que neste ínterim sobreveio a prolação de acórdão no Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, que decidiu pela inaplicabilidade do art. 4º da Lei Complementar nº 118/2005 a casos anteriores a 9 de junho de 2005, ao qual se aplica a repercussão geral, devendo, assim, ser aqui acolhido, nos termos do art. 62A do RICARF. Assim, para tais situações, como a questão presente, deve ser mantida a orientação já pacificada pelo STJ, no sentido de conceder o prazo de dez anos, contados da extinção do débito, para pleitearse a restituição ou a compensação do indébito. Desta feita, perde sentido a discussão relativa a decadência do direito de solicitar a compensação dos valores, posto que mesmo o saldo negativo já demonstrado na declaração poderia ser objeto de pedido de compensação no ano de 2007, uma vez dentro do período de dez anos possível para solicitar a compensação. Relativamente ao direito alegado, verifico que de acordo com o relato da recorrente, a DIPJ/2000 apresentada já ostentava saldo negativo de IRPJ em 1999, no valor de R$ 2.750.730,36 (fl.146). Assim, é verdade que qualquer valor que agregasse a este montante somente aumentaria o saldo negativo já existente. Com efeito, mesma sorte deve ter o acréscimo do valor convertido em renda da União. Todavia, para que sejam cumpridos os demais requisitos legais que regem a assunto, os autos devem ser devolvidos à origem para retomada da análise pelo órgão competente. Assim, voto para converter o julgamento em diligência, para que a unidade local da RFB com jurisdição sobre a recorrente aprecie o direito creditório alegado (valor convertido em renda da União nos autos do processo nº 1999.61.00.0412542, bem como seu acréscimo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999), bem como os pedidos de compensação efetuados, afastada a questão da decadência. Sala das Sessões, 19 de outubro de 2011. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 9DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10882.721132/2011-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 23 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2022
Numero da decisão: 3402-009.630
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidas as conselheiras Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Renata da Silveira Bilhim e Thais de Laurentiis Galkowicz, que davam provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-009.629, de 23 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10882.721130/2011-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Cynthia Elena de Campos, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Jorge Luís Cabral, substituído pelo conselheiro Marcos Antônio Borges.
Nome do relator: Lázaro Antônio Souza Soares
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REVENDA DE MERCADORIAS. MONOFASIA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. No regime monofásico, a carga tributária concentra-se numa única fase, sendo suportada por um único contribuinte, não havendo cumulatividade a se evitar. Na técnica não cumulativa, por sua vez, a carga tributária é diluída em operações sucessivas (plurifasia), sendo suportada por cada elo (contribuinte) da cadeia produtiva, havendo direito a abater o crédito da etapa anterior. Não há que se falar em ofensa ao princípio da não-cumulatividade quando a tributação se dá de forma monofásica, pois a existência do fenômeno cumulativo pressupõe a sobreposição de incidências tributárias. BENEFÍCIO FISCAL. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. O benefício fiscal previsto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, em razão da especialidade, não derrogou as leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como não desnaturou a estrutura do sistema de créditos estabelecida pelo legislador para a materialização do princípio da não cumulatividade, quanto à COFINS e à contribuição ao PIS. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidas as conselheiras Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Renata da Silveira Bilhim e Thais de Laurentiis Galkowicz, que davam provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-009.629, de 23 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10882.721130/2011-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Cynthia Elena de Campos, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Renata da Silveira Bilhim, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 11 32 /2 01 1- 13 Fl. 939DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-009.630 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.721132/2011-13 Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Jorge Luís Cabral, substituído pelo conselheiro Marcos Antônio Borges. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que acolhera em parte o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente a crédito de COFINS. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: (1) Pessoa jurídica que, na espécie, atua no ramo de venda por atacado de produtos farmacêuticos, de perfumaria, higiene pessoal e de toucador, sujeitos ao modelo monofásico de incidência não cumulativa do PIS e da Cofins, não pode, tendo em vista expressa vedação legal, apurar créditos relativos às despesas de frete na venda dos aludidos produtos, ainda que os fretes tenham sido por ela suportados; (2) As referências a entendimentos proferidos em acórdãos de 2ª instância administrativa, em decisões judiciais, ou em manifestações da doutrina especializada não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento; (3) É ônus do contribuinte demonstrar, a partir de documentos hábeis e idôneos, quais os valores de despesa com frete na venda de mercadorias que estariam sujeitos à incidência não cumulativa das contribuições PIS e Cofins, segregados das despesas relacionadas à venda de produtos sujeitos à incidência concentrada/monofásica; Descabida a alegação de erro no rateio adotado pela fiscalização, quando o interessado não aponta os valores corretos que deveriam ser utilizados nesse sentido; (4) O pedido de diligência deve assentar-se em razões convincentes, logrando a impugnante demonstrar os pontos de discordância entre o levantamento fiscal e os fatos registrados em sua contabilidade. Se a empresa não anexa aos autos os elementos de prova que alega dispor, e não justifica o motivo que o impediu de adotar tal procedimento, revela-se protelatório o pedido de diligência. Cientificado do acórdão recorrido, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, pelo qual pediu pela reforma da decisão recorrida, para julgar procedente o Pedido de Ressarcimento formulado, homologando as declarações de compensação vinculadas. É o relatório. Fl. 940DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-009.630 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.721132/2011-13 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: 1 Quanto ao conhecimento do Recurso Voluntário do contribuinte, transcrevo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto do relator do acórdão paradigma: Pressupostos legais de admissibilidade O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Quanto ao mérito, transcrevo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado do acórdão paradigma: Com as vênias de estilo, em que pese o, como de costume, muito bem fundamentado voto da Conselheiro(a) Relator(a), ouso discordar quanto à sua decisão de dar provimento ao Recurso Voluntário. Explico. A lide versa sobre 3 questões: a) a possibilidade de apurar créditos em relação aos dispêndios com fretes na revenda de produtos sujeitos ao regime monofásico; b) a possibilidade de apurar créditos em relação aos dispêndios com a aquisição de produtos sujeitos ao regime monofásico para posterior revenda; c) o uso de aferição indireta para quantificar os fretes que não se relacionam a produtos sujeitos a tributação monofásica. Apesar da irresignação do contribuinte, o fato é que o Supremo Tribunal Federal já se manifestou em sentido diametralmente oposto, conforme Ag. Reg. no Recurso Extraordinário 762.892-PE, Relator Min. LUIZ FUX, publicação em 15/04/2015: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. REVENDA COM ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. A CUMULATIVIDADE PRESSUPÕE A SOBREPOSIÇÃO DE INCIDÊNCIAS TRIBUTÁRIAS. LEIS Nº 10.637/2002, 10.833/2003 E 11.033/2004. INTERPRETAÇÃO DE NORMAS INFRACONSTITUCIONAIS. OFENSA REFLEXA À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. 1. Não há que se falar em ofensa ao princípio da não-cumulatividade quando a tributação se dá de forma monofásica, pois a existência do fenômeno cumulativo pressupõe a sobreposição de incidências tributárias. 1 Deixa-se de transcrever a parte vencida do voto do relator, que pode ser consultado no acórdão paradigma desta decisão, transcrevendo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Fl. 941DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-009.630 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.721132/2011-13 Precedente: RE 258.470, Rel. Min. Moreira Alves, Primeira Turma, DJ de 12/5/2000. 2. O aproveitamento de créditos relativos à revenda de veículos e autopeças adquiridos com a incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS sob o regime monofásico encerra discussão de índole infraconstitucional, de forma que eventual ofensa à Constituição seria meramente reflexa. Precedentes: RE 709.352-AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, DJe de 11/6/2014; e RE 738.521-AgR, Rel. Min. Rosa Weber, Primeira Turma, DJe de 4/12/2013. 3. In casu, o acórdão recorrido extraordinariamente assentou: “TRIBUTÁRIO - PIS E COFINS - NÃO-CUMULATIVIDADE - COMERCIALIZAÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS – SISTEMA MONOFÁSICO - PRINCÍPIO DA LEGALIDADE - LEIS 10.637/02, 10.833/03 E 11.033/04 - APELAÇÃO IMPROVIDA.” 4. Agravo regimental DESPROVIDO. (...) V O T O O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX (RELATOR): A presente irresignação não merece prosperar. Em que pesem os argumentos expendidos no agravo, resta evidenciado das razões recursais que a agravante não trouxe nenhum argumento capaz de infirmar a decisão hostilizada, razão pela qual a mesma deve ser mantida por seus próprios fundamentos. Com efeito, o Tribunal de origem assentou que a recorrente está inserida em cadeia produtiva em que a incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS se dá de forma monofásica, o que inviabiliza a pretensão de aproveitamento de créditos nos moldes do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, por força do disposto nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Entendimento diverso demandaria a interpretação da legislação infraconstitucional supracitada, de forma que eventual ofensa à Constituição Federal seria meramente indireta, o que inviabiliza o apelo extremo. (...) Por outro lado, partindo da premissa de que a tributação se dá de forma monofásica, não há que se falar em ofensa ao princípio da não- cumulatividade, pois a existência do fenômeno cumulativo pressupõe a sobreposição de incidências tributárias dentro de uma mesma cadeia produtiva. Nesse sentido, RE 258.470, Rel. Min. Moreira Alves, Primeira Turma, DJ de 12/5/2000, assim ementado: “Contribuição social. Constitucionalidade do artigo 1º, I, da Lei Complementar nº 84/96. (...) - Nessa decisão está ínsita a inexistência de violação, pela contribuição social em causa, da exigência da não-cumulatividade, porquanto essa exigência - e é este, aliás, o sentido constitucional da cumulatividade tributária - só pode dizer respeito à técnica de tributação que afasta a cumulatividade em impostos como o ICMS e o IPI - e cumulatividade que, evidentemente, não ocorre em contribuição dessa natureza cujo ciclo de incidência é monofásico -, uma vez Fl. 942DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-009.630 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.721132/2011-13 que a não-cumulatividade no sentido de sobreposição de incidências tributárias já está prevista, em caráter exaustivo, na parte final do mesmo dispositivo da Carta Magna, que proíbe nova incidência sobre fato gerador ou base de cálculo próprios dos impostos discriminados nesta Constituição. - Dessa orientação não divergiu o acórdão recorrido. Recurso extraordinário não conhecido.” A respeito da hipótese específica dos autos, confira-se o RE 676.962, Rel. Min. Gilmar Mendes, DJe de 1/7/2014. Ex positis, NEGO PROVIMENTO ao agravo regimental. No mesmo sentido, o Recurso Extraordinário 676.962/RS, Relator Min. GILMAR MENDES, publicação em 01/07/2014: Decisão: Trata-se de recurso extraordinário interposto com fundamento no art. 102, III, a, da Constituição Federal, no qual se alega violação do artigo 195, §12º, da Constituição da República, pelo acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. O acórdão recorrido assim assentou, no que interessa: “TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. DIREITO AO CREDITAMENTO EM REGIME NÃO CUMULATIVO SUJEITO À INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. ALÍQUOTA ZERO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. ALCANCE DO ART. 17 DA LEI Nº 11.033/04. RESTRITO AO REPORTO.” (fl. 736) Nas razões recursais, sustenta-se que a parte recorrente teria direito ao creditamento referente ao PIS e Cofins, uma vez que os produtos estão sujeitos à incidência monofásica e são comercializados com alíquota zero. A Presidência do TRF-4 admitiu o recurso por vislumbrar todos os recursos de admissibilidade. É o relatório. Decido. Inicialmente, em relação à incidência monofásica, o tribunal de origem assim assentou: “3. Cuidando de tributação monofásica, desaparece o pressuposto fático necessário para a adoção da técnica do creditamento, que é a possibilidade de incidências múltiplas ao longo da cadeia econômica, não se podendo falar, portanto, em cumulatividade.” (fl. 736) Nessa linha, o entendimento do acórdão recorrido não destoa da jurisprudência desta Corte, que se firmou no sentido de que a cumulatividade não ocorre nas contribuições apontadas, quando apresentarem ciclo de incidência monofásico. Destaco, a propósito, o seguinte julgamento do Pleno desta Corte: “Contribuição social. Constitucionalidade do artigo 1º, I, da Lei Complementar nº 84/96. [...] e cumulatividade que, evidentemente, não ocorre em contribuição dessa natureza cujo ciclo de incidência é monofásico -, uma vez que a não-cumulatividade no sentido de sobreposição de incidências tributárias já está prevista, em caráter exaustivo, na parte final do mesmo dispositivo da Carta Magna, que proíbe nova incidência sobre fato gerador ou base de cálculo Fl. 943DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-009.630 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.721132/2011-13 próprios dos impostos discriminados nesta Constituição. - Dessa orientação não divergiu o acórdão recorrido. Recurso extraordinário não conhecido.” (RE 258.470, Rel. Min. MOREIRA ALVES, Primeira Turma, DJ 12.5.2000, grifei) Quanto à alíquota zero, o tribunal a quo assim decidiu a questão nos seguintes termos: “Observa-se que antes da edição da Lei nº 10.865/04, o regime monofásico do PIS e a COFINS se dava pelo sistema de incidência única. Após, com a exclusão dos produtos submetidos à incidência monofásica do art. 1º, §3º, inciso IV, das Leis do PIS e da COFINS, instituiu-se a tributação monofásica de alíquota concentrada, pois foi instituída alíquota zero para as demais fases [...] Diante disso, aplico os fundamentos da douta decisão judicial apenas com um acréscimo: mesmo nas situações onde há incidência tributária do PIS e da COFINS com alíquota zero persiste a tributação monofásica pela técnica da ‘alíquota concentrada’, ou seja, vige o regime jurídico não-cumulativo pela adoção da técnica do tributo monofásico. Na hipótese dos autos, incidem alíquotas concentradas diferenciadas sobre produtores e importadores, desonerando-se, através da alíquota zero, os comerciantes atacadistas e varejistas nas fases seguintes, o que não desvirtua o regime monofásico.” (fl. 733) Posta a questão nesses termos, verifica-se que a controvérsia dos autos, nesse ponto, cinge-se ao âmbito infraconstitucional, de sorte que divergir do julgado na origem demandaria reexaminar a legislação infraconstitucional, o que não desafia a abertura do recurso extraordinário. Nessa linha, confiram-se os seguintes precedentes de ambas as Turmas do STF, no que interessa: (...) Por fim, não se verifica, na argumentação da parte recorrente, de que forma o acórdão recorrido teria afrontado o dispositivo apontado, uma vez que se trata de revendedora de máquinas agrícolas, tratores e implementos agrícolas (fl. 726). A ver, o art. 195, §12, dispõe que “A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Já o acórdão recorrido assim assentou: “5 – O âmbito de incidência do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 restringe-se ao ‘Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária – REPORTO’, como decorre do texto do diploma legislativo onde inserido tal artigo. 6 – A extensão da previsão do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 a situações diversas daquela prevista na legislação implicaria privilégio indevido para certas atividades econômicas, em detrimento de todas as outras que sujeitas à tributação polifásica.” (fl. 736). De fato, tal entendimento está conforme a orientação assentada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, no sentido de que, em regra, não cabe ao Judiciário estender a concessão de exoneração tributária, com fundamento no princípio da isonomia, a casos não previstos pelo legislador. A propósito, destaco o seguinte precedente: (...) Fl. 944DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-009.630 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.721132/2011-13 (AI 360461 AgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO, Segunda Turma, DJe 28.3.2008) Ante o exposto, nego seguimento ao recurso (arts. 21, §1º, do RISTF e 557 do CPC). Por fim, trago mais um precedente do STF, no julgamento do Ag. Reg. no Recurso Extraordinário 748.710-RS, Relator Min. DIAS TOFFOLI, publicação em 23/11/2017: EMENTA Agravo regimental no recurso extraordinário. Tributário. IPI. Importação. Contribuinte não habitual. Pessoa natural e jurídica. Operação monofásica. Não cumulatividade. Inaplicabilidade. 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral, decidiu que incide o IPI na importação de bens para uso próprio, sendo neutro o fato de tratar-se de pessoa natural ou jurídica que se encontre na condição de contribuinte não habitual do imposto. 2. A sistemática da não cumulatividade pressupõe a existência de operações sequenciais passíveis de tributação, o que não ocorre na importação de produto industrializado em que a operação é única. 3. Agravo regimental não provido. Não se aplica ao caso dos autos a majoração dos honorários prevista no art. 85, § 11, do novo Código de Processo Civil, uma vez que não houve o arbitramento de honorários sucumbenciais pela Corte de origem. (...) VOTO O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR): O agravante não trouxe qualquer argumento novo capaz de infirmar o que foi decidido. Toda sua argumentação está centrada na técnica da não cumulatividade e na irrelevância da distinção entre pessoa física e pessoa jurídica, para fins de incidência do IPI, na importação feita por contribuinte não habitual do imposto. (...) Em relação à técnica da não cumulatividade, o entendimento da Corte é no sentido de que a sistemática pressupõe a existência de operações sequenciais passíveis de tributação, o que não ocorre na espécie. Destaco trecho do voto vista do Ministro Roberto Barroso: “22. Primeiro, devo afirmar que não me parece correto falar em ‘princípio’ da não-cumulatividade. Até porque não há no art. 153, §3º, II da CF um conteúdo axiológico próprio, uma dimensão de peso ou um estado de coisas a ser promovido. Ao contrário, a não-cumulatividade é uma regra que constitucionaliza uma técnica específica de tributação. Um método aplicável aos impostos sobre o consumo, ditos indiretos, que objetiva expurgar o imposto pago nas operações antecedentes, apresentando inegável estrutura normativa de regra. O contribuinte suporta o valor do tributo no preço, apropria-se daquele montante na sua contabilidade e compensa o crédito apurado com o valor devido na saída. A não-cumulatividade faz parte de uma dinâmica de apuração Fl. 945DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-009.630 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.721132/2011-13 que pretende fazer com que a tributação incida somente sobre o valor agregado em cada operação. 23. Em razão disso, não se trata de norma que tenha o condão de alterar a materialidade constitucional do imposto. Como decorrência da sua estrutura própria de regra, a não-cumulatividade tem a pretensão de definir de forma exclusiva e abarcante apenas a questão tratada, e nada mais. É dizer, para as hipóteses de incidência em cadeia, garantir a compensação do imposto pago nas operações anteriores, somente isso. Portanto, sua aplicação pressupõe a existência de uma incidência plurifásica, sem o que não estará presente o pressuposto material que lhe autoriza a produção de efeitos. Em tais circunstâncias, ausente essa premissa, não considero legítimo limitar o espaço de conformação do legislador infraconstitucional com base na não- cumulatividade, mesmo porque o efeito indesejado que a regra constitucional pretendeu evitar não se apresenta. 24. Por isso, não é sempre que a não-cumulatividade terá aplicação, mesmo nos impostos indiretos por natureza, casos do IPI e do ICMS. Isso porque nem toda cadeia é necessariamente plurifásica. Portanto, se a função é expurgar imposto pago antes, é porque há mais de uma incidência. Por outro lado, se a operação é única, não existe imposto pago antes e tampouco risco de múltipla tributação sobre a mesma base econômica. A primeira incidência será a única. Logo, em operações monofásicas, não há utilidade para a não-cumulatividade porque a situação encontra-se simplesmente fora do campo de aplicação da regra constitucional. O imposto devido não passa por compensação escritural. O tributo será calculado levando-se em consideração tão somente o valor daquela operação. De modo que, com a devida vênia, a tese contrária, que busca interditar a priori a incidência, parece avançar indevidamente num espaço de atuação que cabe apenas ao legislador ordinário, especialmente num campo em que a expertise e a adequação a novos cenários desempenham um papel crucial, como a tributação no mercado internacional.” Sobre o tema, cito, ainda, trecho do voto do Ministro Relator: “O princípio da não cumulatividade não pode ser articulado para lograr-se, de forma indireta, imunidade quanto à incidência tributária. Repito: pressupõe, sempre e sempre, a existência de operações sequenciais passíveis de tributação.” (...) Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. Ressalte-se, por fim, que não se aplica ao caso dos autos a majoração dos honorários prevista no art. 85, § 11, do novo Código de Processo Civil, uma vez que não houve o arbitramento de honorários sucumbenciais pela Corte de origem. Além disso, a jurisprudência atual do Superior Tribunal de Justiça sobre a matéria se consolidou também em sentido contrário ao entendimento do Recorrente, conforme se verifica do julgamento dos Embargos de Divergência em Recurso Especial - EREsp nº 1.768.224/RS, relator Ministro GURGEL DE FARIA, Órgão Julgador: Primeira Seção, julgamento em 14/04/2021: EMENTA TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. REVENDA DE MERCADORIAS. REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 946DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-009.630 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.721132/2011-13 1. Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC (Enunciado n. 3 do Plenário do STJ). 2. No regime monofásico, a carga tributária concentra-se numa única fase, sendo suportada por um único contribuinte, não havendo cumulatividade a se evitar. 3. Na técnica não cumulativa, por sua vez, a carga tributária é diluída em operações sucessivas (plurifasia), sendo suportada por cada elo (contribuinte) da cadeia produtiva, havendo direito a abater o crédito da etapa anterior. 4. "Não há que se falar em ofensa ao princípio da não-cumulatividade quando a tributação se dá de forma monofásica, pois a existência do fenômeno cumulativo pressupõe a sobreposição de incidências tributárias" (STF, RE 762.892 AgR, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 24/03/2015, DJe-070). 5. A regra geral é a de que o abatimento de crédito não se coaduna com o regime monofásico, só sendo excepcionada quando expressamente prevista pelo legislador, não sendo a hipótese dos autos, nos termos do que estabeleceu o item 8 da Exposição de Motivos da MP n. 66/2002, convertida na Lei n. 10.637/2002, que dispôs, de forma clara, que os contribuintes tributados em regime monofásico estariam excluídos da incidência não cumulativa do PIS/PASEP. 6. O benefício fiscal previsto no art. 17 da Lei n. 11.033/2004, em razão da especialidade, não derrogou a Lei n. 10.637/2002 e a Lei n. 10.833/2003, bem como não desnaturou a estrutura do sistema de créditos estabelecida pelo legislador para a materialização do princípio da não cumulatividade, quanto à COFINS e à contribuição ao PIS. 7. A técnica da monofasia é utilizada para setores econômicos geradores de expressiva arrecadação, por imperativo de praticabilidade tributária, e objetiva o combate à evasão fiscal, sendo certo que interpretação contrária, a permitir direito ao creditamento, neutralizaria toda a arrecadação dos setores mais fortes da economia. 8. Embargos de divergência desprovidos. RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO GURGEL DE FARIA (Relator): Trata-se de embargos de divergência opostos pela COOPERATIVA LANGUIRU LTDA. contra acórdão da Segunda Turma assim ementado: (...) A parte embargante entende que o art. 17 da Lei n. 11.033/2004 autorizou a geração de créditos a serem abatidos das bases de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, quando recolhidas pelo regime não cumulativo, pois "não estabeleceu qualquer distinção ou restrição em relação a produtos/mercadorias, apenas resguardou o direito dos contribuintes a manter créditos, em qualquer caso em que tenha havido tributação nas etapas anteriores da cadeia produtiva" (e-STJ fl. 314). Considera que o acórdão embargado diverge da orientação jurisprudencial da Primeira Turma, como comprovariam o REsp 1.051.634/CE e o REsp Fl. 947DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3402-009.630 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.721132/2011-13 1.740.752/BA, nos quais se decidiu que o art. 17 da Lei n. 11.033/2004 não seria restrito ao REPORTO. (...) É o relatório. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO GURGEL DE FARIA (Relator): (...) A embargante aduz que o aresto recorrido divergiu de julgado da Primeira Turma – AgRg no REsp. n. 1.051.634/CE, relatora para acórdão a eminente Ministra Regina Helena Costa. A ementa sintetizou o julgado com o seguinte teor (e-STJ fl. 548): (...) Portanto, a divergência interna entre as Turmas que compõem a Primeira Seção está devidamente caracterizada. Pois bem, passemos à análise da legislação pertinente à matéria. (...) Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66, que foi convertida na Lei n. 10.637/2002, ficou estabelecido: 8. Sem prejuízo de convivência harmoniosa com a incidência não cumulativa do Pis/Pasep, foram excluídos do modelo, em vista de suas especificidades, as cooperativas, as empresas optantes pelo Simples ou pelo regime de tributação do lucro presumido, as instituições financeiras e os contribuintes tributados em regime monofásico ou de substituição tributária. (Grifos acrescidos). Importa mencionar que o regime de arrecadação monofásico (art. 149, § 4°, da CF) caracteriza-se por concentrar a tributação em um único contribuinte (importador/produtor) do ciclo econômico, e as pessoas jurídicas não enquadradas nessa condição submetem-se à alíquota 0 (zero). A majoração da alíquota de incidência una na produção/importação corresponde ao total da carga tributária da cadeia. Consoante lição de Leandro Paulsen: (...) Como é sabido, a não cumulatividade visa impedir o efeito cascata nas hipóteses de tributação plurifásica, evitando-se que a base de cálculo do tributo de cada etapa seja composta pelos tributos pagos nas operações anteriores (“imposto sobre imposto”). Nessa hipótese, a incidência tributária é plúrima e, no caso do PIS e da Cofins, há direito de crédito da exação paga na operação anterior. Ou seja, no tocante à não cumulatividade, é oportuno destacar que o direito ao crédito tem por objetivo evitar a sobreposição das hipóteses de incidência, de modo que, não havendo incidência de tributo na operação anterior, nada há para ser creditado posteriormente. Na obra intitulada “A não-cumulatividade dos tributos”, André Mendes Moreira explica o seguinte: Fl. 948DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3402-009.630 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.721132/2011-13 (...) Portanto, no regime monofásico, a carga tributária concentra-se numa única fase, sendo suportada por um único contribuinte, não havendo cumulatividade a se evitar. Na técnica não cumulativa, por sua vez, a carga tributária é diluída em operações sucessivas (plurifasia), sendo suportada por cada elo (contribuinte) da cadeia produtiva, havendo direito a abater o crédito da etapa anterior. Nesse sentido, a título ilustrativo, julgados do STF: (...) 1. Não há que se falar em ofensa ao princípio da não-cumulatividade quando a tributação se dá de forma monofásica, pois a existência do fenômeno cumulativo pressupõe a sobreposição de incidências tributárias. Precedente: RE 258.470, Rel. Min. Moreira Alves, Primeira Turma, DJ de 12/5/2000. (...) (RE 762.892 AgR, Rel. Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em 24/03/2015, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-070 DIVULG 14-04-2015 PUBLIC 15-04-2015). (...) 2. A sistemática da não cumulatividade pressupõe a existência de operações sequenciais passíveis de tributação, o que não ocorre na importação de produto industrializado em que a operação é única. (...) (RE 748.710 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Segunda Turma, julgado em 07/11/2017, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-265 DIVULG 22-11-2017 PUBLIC 23-11-2017). Por outro lado, algumas vezes, por opção política, o legislador pode optar pela geração ficta de crédito, por exemplo, forma de incentivo a determinados segmentos da economia, como fez o art. 17 da Lei n. 11.033/2004 para os beneficiários do regime tributário especial denominado REPORTO. A respeito dos mais diversos benefícios fiscais, a Constituição Federal, no art. 150, § 6º, estabelece que "qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g". Ante o cenário normativo vigente, percebe-se que um benefício fiscal estruturado e instituído para um determinado fim ou destinado a contemplar uma parcela específica de contribuintes não pode ser estendido a hipótese diversa daquela estabelecida pelo Poder Legislativo, ressalvada a posterior opção legislativa pela ampliação do seu alcance. De fato, "o Poder Judiciário não pode atuar na condição de legislador positivo, para, com base no princípio da isonomia, desconsiderar os limites objetivos e subjetivos estabelecidos na concessão de benefício fiscal, de sorte a alcançar contribuinte não contemplado na legislação aplicável, ou criar situação mais favorável ao contribuinte, a partir da combinação – legalmente não permitida – Fl. 949DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3402-009.630 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.721132/2011-13 de normas infraconstitucionais" (ARE 710026 ED, Rel. Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em 07/04/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-075 DIVULG 22-04-2015 PUBLIC 23-04-2015). Em meu entender, na hipótese dos autos, em interpretação histórica dos dispositivos que cuidam da matéria em debate, bem como da leitura do item 8 da Exposição de motivos da MP n. 66/2002, convertida na Lei n. 10.637/2002, ficou estabelecido que os contribuintes tributados em regime monofásico estavam excluídos da incidência não cumulativa, conforme já dito alhures. (...) Portanto, a meu juízo, a regra geral é a de que o abatimento de crédito não se coaduna com o regime monofásico. Quando a quis excepcionar, o legislador ordinário o fez expressamente. Atento ao que determinam o art. 150, § 6º, da CF/88 e o art. 2º do Decreto-Lei n. 4.657/1942, comungo do entendimento da Segunda Turma desta Corte Superior, segundo o qual o benefício fiscal do art. 17 da Lei n. 11.033/2004, em razão da especialidade, não derrogou a Lei n. 10.637/2002 e a Lei n. 10.833/2003, bem como não desnaturou a estrutura do sistema de créditos estabelecida pelo legislador para a observância do princípio da não cumulatividade. Ao concluir as minhas considerações, pondero que, se tal técnica é utilizada para setores econômicos geradores de expressiva arrecadação, por imperativo de praticabilidade tributária, objetivando o combate à evasão fiscal, foge, com todo o respeito, da razoabilidade uma interpretação que venha a admitir a possibilidade de creditamento do tributo que termine por neutralizar toda a arrecadação exatamente dos setores mais fortes da economia. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO aos embargos de divergência. No mesmo sentido, os Embargos de Divergência nos Embargos de Divergência em Agravo em Recurso Especial - EDv nos EAREsp nº 1.109.354/SP, relator Ministro GURGEL DE FARIA, Órgão Julgador: Primeira Seção, julgamento em 14/04/2021. Devo ressaltar que a matéria encontra-se novamente em julgamento pelo STJ, agora sob o rito previsto para os Recursos Repetitivos, tendo sido afetados os REsp nº 1.894.741/RS e 1.895.255/RS, de relatoria do Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (Tema 1.093/STJ). A Ementa da Proposta de Afetação no Recurso Especial - ProAfR no REsp nº 1.894.741/RS foi redigida nos seguintes termos, com publicação em 24/05/2021: RECURSO INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DO CPC/2015. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3. PROPOSTA DE AFETAÇÃO COMO REPETITIVO. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. PIS/PASEP E COFINS. SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. DISCUSSÃO SOBRE A POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO COM BASE NO ART. 17 DA LEI 11.033/2004. 1. Delimitação das questões de direito controvertidas como sendo: "a) se o benefício instituído no art. 17, da Lei 11.033/2004, somente se aplica às empresas que se encontram inseridas no regime específico de tributação denominado REPORTO; b) se o art. 17, da Lei 11.033/2004, permite o cálculo de créditos dentro da sistemática da incidência monofásica do PIS e da COFINS; e c) se a incidência monofásica do PIS e da COFINS se compatibiliza com a técnica do creditamento". Fl. 950DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3402-009.630 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.721132/2011-13 2. Multiplicidade efetiva ou potencial de processos com idêntica questão de direito demonstrada pelo despacho do Ministro Presidente da Comissão Gestora de Precedentes e demais informações constantes dos autos dos processos repetitivos. 3. Determinação ad cautelam para a suspensão do julgamento de todos os processos em primeira e segunda instâncias envolvendo a matéria, inclusive no Superior Tribunal de Justiça (art. 1.037, II, do CPC/2015). 4. Recurso especial submetido à sistemática dos recursos repetitivos, estando em afetação conjunta os REsp's. nn. 1.894.741 - RS e 1.895.255 - RS. Trata-se de recurso apresentado pelo contribuinte, atualmente com pedido de vista do Ministro Benedito Gonçalves. Em 24/02/2022 houve a proclamação parcial do julgamento, nos seguintes termos: Proclamação Parcial de Julgamento: Após o voto do Sr. Ministro Relator negando provimento ao recurso especial, no que foi acompanhado pelo Sr. Ministro Gurgel de Faria, e o voto divergente da Sra. Ministra Regina Helena dando-lhe provimento, pediu vista o Sr. Ministro Benedito Gonçalves. Nesse contexto, entendo que não há possibilidade de apurar créditos em relação aos dispêndios com a aquisição de produtos sujeitos ao regime monofásico para posterior revenda. Este entendimento deve ser aplicado também em relação ao frete destes mesmos produtos, pois não há sentido em apurar crédito, seja ele qual for, sendo que a operação que se analisa, no caso, a revenda de um produto tributado pelo regime monofásico, não gera créditos. Ora, inúmeras empresas realizam dispêndios com fretes, mas nem por isso têm o direito de se apropriar do PIS e da COFINS incidentes; para tanto, faz-se necessário que a operação principal, a venda ou revenda, esteja sujeita à não- cumulatividade. Foi nesse mesmo sentido a decisão da instância a quo (fl. 896): No caso, os produtos farmacêuticos, de perfumaria, higiene pessoal e de toucador, objeto das vendas da interessada são bens submetidos à alíquota zero, já que toda a tributação da cadeia econômica foi concentrada, pelo desenho legal, na indústria produtora ou nos importadores. Nesse caso, não há sobreposição de tributação sobre o produto – cuja saída já se dá à alíquota zerada - e efetiva-se a filosofia que orienta a sistemática da não cumulatividade. Note-se que o eventual pagamento de Cofins e PIS incluídos no preço dos fretes pagos pela interessada em nada modifica esse cenário já que a venda dos próprios produtos efetivamente não oneram o revendedor. O frete eventualmente pago integra-se à matriz de formação de preço do produto vendido. A receita advinda das vendas dos produtos pelos preços fixados pela interessada, como se viu é tributada à alíquota zero, não havendo a alegada sobreposição de tributação. Nesse sentido, o REsp nº 1.934.299-RN, Relator Ministro FRANCISCO FALCÃO, publicação em 12/05/2021, cujo objeto era o pedido de creditamento sobre despesas com frete e armazenagem: DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por COMERCIAL VENÂNCIO LTDA., com fundamento no art. 105, III, a, da Constituição Federal, visando à reforma Fl. 951DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3402-009.630 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.721132/2011-13 de acórdão proferido pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO, assim ementado: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS E COFINS. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/04. CREDITAMENTO DE VALORES SUJEITOS À NÃO INCIDÊNCIA, SUSPENSÃO, ISENÇÃO OU ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. SISTEMA MONOFÁSICO. DESPESAS COM FRETE E ARMAZENAGEM. DIREITO AO CREDITAMENTO APENAS DO VENDEDOR. APELAÇÃO. DESPROVIMENTO. Em seu recurso especial, o recorrente indicou violação ao art. 17 da Lei n. 11.033/2004, sustentando, em síntese, que o Tribunal de origem deveria ter reconhecido o direito do contribuinte ao creditamento relativo à contribuição ao PIS e à COFINS, em consonância com o princípio da não cumulatividade. Apresentadas contrarrazões pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Decido. O acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça, que assentou que, apesar de a norma contida no art. 17 da Lei n. 11.033/2004 não possuir aplicação restrita ao REPORTO (Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária), as receitas provenientes das atividades de venda e revenda sujeitas à contribuição ao PIS e à COFINS em regime especial de tributação monofásica não permitem o creditamento pelo revendedor das referidas contribuições incidentes sobre as receitas do vendedor por estarem fora do regime de incidência não cumulativo, conforme os arts. 2º e 3º das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003. Diante disso, não se aplica, em razão da incompatibilidade de regimes e da especialidade normativa, o disposto nos arts. 17 da Lei n. 11.033/2004 e 16 da Lei n. 11.116/2005, cujo âmbito de incidência se restringe ao regime não cumulativo, salvo determinação legal expressa. O referido entendimento, acerca da incompatibilidade da técnica do creditamento com a incidência monofásica da contribuição ao PIS e da COFINS, foi recentemente confirmado pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no momento do julgamento do EDv nos EAREsp n. 1.109.354/SP, sob relatoria do Ministro Gurgel de Faria. In verbis: (...) Ante o exposto, com fundamento no art. 255, § 4º, II, do RISTJ, nego provimento ao recurso especial. Por último, em relação ao uso de aferição indireta para quantificar os fretes que não se relacionam a produtos sujeitos a tributação monofásica, verifico que não consta dos autos comprovação realizada pelo Recorrente de quais as despesas de frete que são vinculadas a operação excluídas do regime monofásico. O contribuinte poderia ter apresentado uma planilha indicando a nota fiscal de cada produto sujeito à não- cumulatividade e o correspondente valor do frete, possibilitando a conferência direta destas notas pela Fiscalização, mas não o fez. Assim procedendo, não pode exigir que a Autoridade Fiscal faça o trabalho que lhe cabia pois, em pedidos de ressarcimento ou restituição, em que se alega possuir um direito creditório frente à União, compete ao peticionário/autor o ônus probatório, nos termos do art. 373, inciso I, do CPC: Fl. 952DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3402-009.630 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10882.721132/2011-13 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Fl. 953DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10707.000598/2010-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1302-000.137
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da PRIMEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, converter o julgamento em diligência para que seja juntado ao presente o processo nº. 10707.001069/200901.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, converter o julgamento em diligência para que seja juntado ao presente o processo nº. 10707.001069/200901. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10707.000598/201013 Resolução n.º 1302000.137 S1C3T2 Fl. 245 2 Relatório MOBILITA LICENCIAMENTO DE MARCAS E PATENTES EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, que manteve, na íntegra, o lançamento tributário efetivado, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigência de MULTA REGULAMENTAR, formalizada em virtude da falta e/ou atraso na entrega de arquivos magnéticos. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal (fls. 178/185), por meio da qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: que, apesar de ter prestado os esclarecimentos solicitados e de ter apresentado documentação de suporte, ainda que de forma diversa da exigida, a Fiscalização entendeu por bem promover a autuação; que a Fiscalização, no processo nº 10707.001069/200901, relativo ao ano calendário de 2004, para os mesmos fatos, aplicou penalidade diversa, com capitulação legal menos gravosa , o que ensejaria a nulidade do lançamento; que a simples divergência de layout dos arquivos em relação aos padrões estabelecidos pela legislação vigente não seria razão apta a invocar a aplicação de penalidade por vício de forma, devendo a Fiscalização demonstrar a inconsistência da documentação para justificar a autuação. A já citada 1a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, analisando o feito fiscal e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 12 35.196, de 18 de janeiro de 2011, pela procedência do lançamento. O referido julgado restou assim ementado: MULTA REGULAMENTAR. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ARQUIVO MAGNÉTICO. A falta de apresentação de arquivo magnético enseja a aplicação de multa. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 212/221, por meio do qual, renovando os argumentos expendidos na peça impugnatória, sustenta: que o auto de infração foi lavrado para exigir multa referente a não apresentação de arquivos magnéticos e é oriundo do mesmo Mandado de Procedimento Fiscal ("MPF") que gerou a autuação do Processo Administrativo 10707.001069/200901, relativo especificamente ao anocalendário de 2004; que os casos tiveram rigorosamente a mesma descrição de fatos, conforme se pode depreender dos Termos de Verificação Fiscal anexos a ambas as autuações; que, não obstante os fatos antes elencados, a Fiscalização logrou aplicar penalidades diferentes a fatos idênticos, conforme amplamente debatido na peça impugnatória, Fl. 262DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10707.000598/201013 Resolução n.º 1302000.137 S1C3T2 Fl. 246 3 incorrendo em majoração da penalidade no AUTO que ora se combate, em notório descompasso com o art. 112 do Código Tributário Nacional (CTN); que a decisão recorrida afirma que os fatos do anocalendário 2004 ensejam a aplicação do inciso I do artigo 12 da Lei n° 8.218/1991 (erro na forma de apresentação dos arquivos), enquanto aos colacionados nestes autos atribuíram a disciplina do inciso III (ausência de apresentação), percebendose, assim, que, embora ela tenha anexado o Termo de Verificação Fiscal do processo n° 10707.001069/200901 na sua peça impugnatória, este documento foi ignorado pelo julgador; que a simples leitura permite concluir que as condutas adotadas por ela para o anocalendário de 2004 foram exatamente as mesmas praticadas para os demais anos; que em momento algum pretendeu emprestar efeito vinculante às decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, entretanto, é cediço que a jurisprudência é fonte do direito e serve de elemento norteador dos jurisdicionados, de modo que vários são os instrumentos criados com o fito de uniformizar os julgados dos tribunais jurisdicionais e administrativos; que, tratandose de fato idêntico, não apenas em razão da necessidade de cominação da penalidade menos gravosa ao contribuinte (conforme muito bem descrito pela Fiscalização no Termo de Verificação anexo ao Processo n.° 10707.001069/200901, referente ao anocalendário de 2004), mas também em respeito ao princípio da segurança jurídica, não surpresa e proteção à confiança legítima do contribuinte, é imperativo que se declare a nulidade do auto de infração por violação ao disposto no artigo 112 do CTN; que foi penalizada pela suposta não apresentação dos arquivos magnéticos para, em seguida, no mesmo Termo de Verificação Fiscal, tratarse das inconsistências dos documentos apresentados; que o auto de infração “constitui lançamento arbitrário”, com turva fundamentação legal, contrariando, por óbvio, os princípios da ampla defesa e do contraditório, constitucionalmente garantidos; que, para legitimar a aplicação de penalidade, necessário seria que a Fiscalização apontasse as supostas inconsistências da documentação apresentada. É o Relatório. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10707.000598/201013 Resolução n.º 1302000.137 S1C3T2 Fl. 247 4 VOTO Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Trata o processo de exigência de MULTA REGULAMENTAR, formalizada em virtude da falta e/ou atraso na entrega de arquivos magnéticos. Diante da manutenção do lançamento pela autoridade julgadora de primeira instância, a contribuinte impetrou recurso voluntário. A alegação básica da contribuinte é de que a exigência formalizada neste processo, em que pese a capitulação distinta, decorre dos mesmos fatos apurados no processo nº 10707.001069/200901. Apesar de ser possível verificar os elementos integrantes do referido processo, eis que ele se encontra disponível no sistema de controle (eprocesso), penso que, processualmente, não se pode fazer remissão ao que ali foi detectado sem que o processo esteja distribuído para o responsável pela análise. Ademais, ainda que isso não representasse obstáculo ao julgamento do presente processo, entendo que, ao julgar a capitulação legal aplicada neste processo, necessariamente será julgado, por via oblíqua, a capitulação utilizada no outro. Diante da constatação de que o processo nº. 10707.001069/200901 encontrase na Quarta Câmara desta Primeira Seção e dos fatos antes relatados, sou pela conversão do julgamento em diligência para que o referido processo seja juntado ao presente, para fins de julgamento conjunto. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 264DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
score : 1.0
Numero do processo: 14098.000100/2007-93
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - PERÍODO PARCIALMENTE ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - SÚMULA VINCULANTE STF N° 8.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n 0 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n 0 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5o do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário".
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 14.08.2007, o período objeto do Auto de Infração é de 01/2000 a 12/2006. Dessa forma, constata-se que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 07/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula n° 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - GFIP -APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5º, LEI N° 8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI N° 8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI N° 8.212/91 - PRINCÍPIO DA
RETRO ATIVIDADE BENÉFICA - ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106, II, C, CTN
Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional -CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei n° 8.212/1991 c/c art. 32, § 5º, Lei n° 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei n° 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-000.291
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, nas Preliminares, por unanimidade
de votos em reconhecer a decadência das competências até 07/2002, inclusive, com base no Art. 150, § 4o do CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto. NO MÉRITO, Por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recalculo da multa, se mais benéfico ao contribuinte de acordo com o disciplinado no Art. 32 - A, da Lei 8.212/91, incluído pela Lei 11.941/2009.
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - PERÍODO PARCIALMENTE ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - SÚMULA VINCULANTE STF N° 8. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n 0 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n 0 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5o do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 14.08.2007, o período objeto do Auto de Infração é de 01/2000 a 12/2006. Dessa forma, constata-se que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 07/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula n° 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - GFIP -APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5º, LEI N° 8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI N° 8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI N° 8.212/91 - PRINCÍPIO DA RETRO ATIVIDADE BENÉFICA - ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional -CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei n° 8.212/1991 c/c art. 32, § 5º, Lei n° 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei n° 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Numero do processo: 10880.915011/2008-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1301-000.066
Decisão: Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, para que seja dada ciência e aberto o prazo para que a Procuradoria da Fazenda Nacional, caso entenda necessário, se pronuncie sobre a documentação apresentada pela
contribuinte em sessão.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, para que seja dada ciência e aberto o prazo para que a Procuradoria da Fazenda Nacional, caso entenda necessário, se pronuncie sobre a documentação apresentada pela contribuinte em sessão. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior – Presidente (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 716DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.915011/200847 Resolução n.º 1301.000.066 S1C3T1 Fl. 2 2 Relatório Por bem relatar os fatos adoto o relatório da decisão recorrida: Tratase de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição, Declaração de Compensação) eletrônica de número 38417.40551.140704.1.7.029339, na qual a contribuinte informa crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2002, no valor original de R$ 1.215.415,40, e débito no código 2362 (IRPJ/Estimativa Mensal), referente a outubro/2003, no mesmo valor. A DERAT/SPO não homologou a compensação afirmando não ser possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica/DIPJ (R$ 16.150.498,31) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP (R$ 1.215.415,40). Na Manifestação de Inconformidade a contribuinte alega resumidamente (fls. 09 a 33): Os créditos compensados decorrem de saldo negativo de IRPJ apurados nos exercícios de 2002, anocalendário de 2001, e exercício de 2003, anocalendário de 2002. O saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2001, no valor de R$ 13.848.198,52 (doc. 04) está integralmente comprovado pelos informes de rendimentos de instituições financeiras apresentados, no valor de R$ 9.139.799,47 (doc. 05), e R$ 4.708.399,05 decorrente das antecipações feitas ao longo do anocalendário. 0 SNIRPJ apurado no anocalendário de 2002, no valor histórico de R$ 16.150.498,31 (doc. 06) é composto de antecipações no valor de R$ 16.109.086,67 e valores de retenção na fonte de R$ 41.411,64 (doc. 07). Destaquese que os valores dos SNIRPJ dos AC 2001 e 2002, além de terem sido informados nas DIPJ entregues, estão devidamente suportados por documentos fiscais suficientes para comprovar a integralidade dos créditos declarados e compensados (vide planilha doc. 08). A Requerente acredita que a divergência apontada pela Receita Federal possa ter sido originada pelo fato de no preenchimento da ficha do crédito do PER/DCOMP, ter informado apenas o valor do crédito compensado e não o valor do crédito em sua origem procedimento este que foi adotado pela Requerente em relação a todos os PER/DCOMP enviados, o que só poderia ser entendido como um mero equivoco formal. De maneira a melhor demonstrar o seu direito, a Requerente indica os termos de cada compensação realizada: PER/DCOMP n° 38417.40551.140704.1.7.029339 No caso em comento (Débito: IRPJ out/2003, R$ 1.215.415,40; Crédito: SNIRPJ/AC2002 = R$ 16.150.498,31, somando R$ 19.921.770,23 quando da compensação), e considerando a existência do crédito e a formalização da compensação pelo envio do formulário PER/DCOMP, é certo que a Requerente faz jus à homologação do procedimento, Fl. 717DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.915011/200847 Resolução n.º 1301.000.066 S1C3T1 Fl. 3 3 destacandose que a RFB possui todos os elementos e informações necessários para verificar a legitimidade do crédito. PER/DCOMP n° 38267.37422.140704.1.7.022042 Também neste caso (Débito: IRPJ nov/2003, R$ 1.561.014,55; Crédito: SNIRPJAC2002 = R$ 16.150.498,31, somando R$ 18.279.136,88 quando da compensação, já descontada a compensação referente a out/2003), e considerando a existência do crédito tributário indicado na DIPJ/2003, percebese que a Requerente possui crédito certo e liquido, suficiente para a compensação integral do débito informado. PER/DCOMP n° 30326.81841.140704.1.7.026033 Também neste caso (Débito: IRPJ dez/2003, R$ 2.627.667,07; Crédito: SNIRPJAC2002 = R$ 16.150.498,31, soma R$ 16.907.739,25 quando da compensação, já descontada a compensação referente a out e nov/2003), e considerando a existência do crédito tributário indicado na DIPJ/2003, percebese equivocado o Despacho Decisório proferido que acabou por não homologar a compensação. PER/DCOMP no 25418.36931.140704.1.3.020791 Também neste caso (Débito: IRPJ jun/2003, R$ 8.175.634,52; Crédito: SNIRPJAC2002 = R$ 16.150.498,31, somando R$ 8.175.637,76 quando da compensação, já descontada a compensação referente a out, nov e dez/2003, a jan,mar,abr/2004 e de CSLL de jan,fev,mar/2004, no total de R$ 12.136.119,44), e considerando a existência do crédito tributário indicado na DIPJ/2003, percebese equivocado o Despacho Decisório proferido que acabou por não homologar a compensação. Considerando o crédito de SNIRPJ/AC2002 (R$ 16.150.498,31, a ser atualizado pela Taxa SELIC para fins de compensação até a data do encontro de contas), e após as compensações com o IRPJ devido nos meses de junho, outubro, novembro e dezembro de 2003 no valor total de R$ 13.579.731,50, permaneceu um credito ainda passível de compensação com débitos de outros períodos. PER/DCOMP no 05148.49812.140704.1.3.026094 0 débito é relativo ao IRPJ de mai/2003, no valor de R$ 712.048,88, sendo que o crédito decorre do SNIRPJ/AC2001, no montante de R$ 13.848.198,52 (somando R$ 6.484.576,71 quando da compensação, já descontada a compensação referente a IRPJ de outros períodos, no total de R$ 10.191.481,40). Todos os controles extrafiscais da Requerente demonstram que o crédito compensado é referente ao IRPJ antecipado no AC 2001, tendo como valor original a importância de R$ 13.848.198,52, sendo que à época da compensação considerando que parte deste crédito já havia sido compensada com outro débito (fevereiro, no valor de R$ 824.058,19), o valor do principal era de R$ 4.405.582,38 (vide planilha anexa), mais do que suficiente para fazer frente ao débito compensado. Destaquese que no ato de preenchimento deste PER/DCOMP a Requerente cometeu pequeno equivoco na indicação do AC do saldo negativo: indicou AC/2002, quando o certo seria ter informado AC/2001, conforme planilhas anexas. Contudo, este procedimento Fl. 718DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.915011/200847 Resolução n.º 1301.000.066 S1C3T1 Fl. 4 4 não afeta a verdade material que se depreende dos documentos ora anexados, sendo forçoso reconhecer a ilegitimidade do Despacho Decisório que não homologou esta compensação. PER/DCOMP n° 16226.70401.140704.1.3.024182 0 débito é relativo ao IRPJ de jul/2003, no valor de R$ 2.078.997,28, sendo que o crédito decorre do SNIRPJAC2001, no montante de R$ 13.848.198,52 (somando R$ 5.772.527,83 quando da compensação, já descontada a compensação referente a IRPJ de outros períodos, além do IRPJ de mai/2003). A DIPJ do AC 2001 ora anexada revela a existência de um credito de SNIRPJ de R$ 13.848.198,52, crédito este devidamente suportado pelos informes de rendimentos e compensação em anexo. PER/DCOMP n° 33203.19775.140704.1.3.022388 0 débito é relativo ao IRPJ de ago/2003, no valor de R$ 1.832.847,80 sendo que o crédito decorre do SNIRPJAC2001, no valor de R$ 13.848.198,52 (somando R$ 3.633.530,55 quando da compensação, já descontada a compensação referente a IRPJ de outros períodos, além do IRPJ de mai e jul/2003). A época da compensação, o valor do SNIRPJAC2001 disponível era de R$ 3.696.530,55, suficiente para compensar o valor do débito de ago/2003. Estes valores estão devidamente comprovados pelos documentos juntados, havendo necessidade de reforma do Despacho Decisório que não homologou a compensação. PER/DCOMP n0 26762.19534.140704.1.3.021690 0 débito é relativo ao IRPJ de set/2003, no valor de R$ 1.356.038,45, sendo que o crédito decorre do SNIRPJAC2001, no montante de R$ 13.848.198,52 (somando R$ 1.860.682,75 quando da compensação, já descontada a compensação referente a IRPJ de outros períodos, além do IRPJ de mai, jul e ago/2003). É de se ressaltar que as eventuais divergências apontadas pela RFB quando da informação do crédito em nada afetam a legitimidade da compensação realizada, visto que só poderiam ser imputadas a mero equivoco no preenchimento de obrigação acessória. Portanto, mais uma vez é forçosos reconhecer a ilegitimidade do Despacho Decisório que não homologou esta compensação. Considerando o crédito original de SNIRPJAC2001 (R$ 13.848.198,52), e após as compensações com o IRPJ devido nos meses de maio, julho, agosto e setembro de 2003 no valor total de R$ 5.979.932,41, permaneceu um crédito ainda passível de compensação com débitos de outros períodos. DO DIREITO. DA PREVALÊNCIA DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NO PROCESSO ADMINISTRATIVO A RFB utilizou como único fundamente para a decisão que negou o direito da Requerente a existência de supostas divergências entre as informações do crédito presentes na DIPJ e no PER/DCOMP. Contudo, como já demonstrado, tais divergências não existem. Fl. 719DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.915011/200847 Resolução n.º 1301.000.066 S1C3T1 Fl. 5 5 Traz doutrina e jurisprudência administrativa a embasar seu entendimento de que deve ser buscada a verdade material, no processo administrativo fiscal, e no presente caso, a RFB eximiuse de sua obrigação de investigar o que realmente havia ocorrido. Como demonstrou a Requerente por intermédio de todos os documentos ora juntados, as eventuais divergências apontadas foram de plano afastadas. DO INQUESTIONÁVEL DIREITO AO CRÉDITO DOS VALORES DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ DE 2001 E 2002 Por fim, na hipótese de se considerar que as compensações não podem ser homologadas, em razão dos pequenos erros no preenchimento do formulário eletrônico, a Requerente solicita que se reconheça a não vinculação dos créditos de SNIRPJ de 2002 e 2001 com os débitos de IRPJ de 2003, e a possibilidade, mediante procedimento próprio, de pleitear a restituição dos tributos pagos a maior, com fulcro no art. 165 do CTN, sob pena de confirmar uma situação de enriquecimento sem causa por parte da Unido Federal. A autoridade julgadora de primeira instancia (DRJ/SPO), decidiu a matéria por meio do Acórdão 1621.392, de 14/05/2009 (fls. 357), deferindo parcialmente as compensações, tendo sido prolatada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 IRRF. COMPROVAÇÃO. OFERECIMENTO DA RECEITA. NECESSIDADE. Para que o IRRF possa ser deduzido do valor do Imposto de Renda a ser pago, é necessário que: (i) o contribuinte apresente comprovante de retenção emitido em seu nome, pela fonte pagadora, e (ii) as receitas correspondentes integrem a base de cálculo do imposto devido. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. Não comprovadas compensações que influíram na composição do saldo negativo de IRPJ informado na DIPJ/2003, não há como considerálas. Reconhecese apenas o valor de IRRF efetivamente comprovado, cujas respectivas receitas tenham sido oferecidas à tributação. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.915011/200847 Resolução n.º 1301.000.066 S1C3T1 Fl. 6 6 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas De todo o minucioso relatório, resta evidente que nos autos do presente processo importa verificar se o contribuinte colacionou aos autos documentação hábil e idônea necessária que autoriza concluir a comprovação das origens dos créditos pleiteados nas PER/Dcomps, em especial, os lançamentos contábeis e os informes de rendimentos relativos ao Imposto de Renda Retidos na Fonte de aplicações financeiras, vez que os valores informados em DIPJ são divergentes da DCTFs analisadas. Constatase dos autos que juntamente com a Manifestação de Inconformidade a contribuinte apresenta como forma de comprovar os créditos pleiteados em Dcomps, cópias das DIPJs (ano calendários de 2001 e 2002), informes de rendimentos e planilhas (docs. de fls. 157 a 225). A autoridade julgadora que me precedeu ratificando a decisão da DRF de origem, homologou parcialmente as compensações sob os argumentos de que para que o IRRF possa ser deduzido do valor do Imposto de Renda a ser pago, é necessário que: (i) o contribuinte apresente comprovante de retenção emitido em seu nome, pela fonte pagadora, e (ii) as receitas correspondentes integrem a base de cálculo do imposto devido e, mais, não é possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica/DIPJ não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. E, mais, cabe ao contribuinte apresentar escrita fiscal como supedâneo aos valores confessados em DCTF. Por seu turno, alega o contribuinte que as receitas financeiras que sofreram a retenção objeto da glosa foram oferecidas a tributação e, que a apresentação de cópia dos informes de rendimentos financeiros e as DIPJs são suficientes para comprovar seu direito e o reconhecimento integral do crédito pleiteado. De fato, a jurisprudência desse E. Conselho é remansosa no sentido de que, o comprovante de rendimentos faz prova a favor do contribuinte para comprovar a efetiva retenção do imposto pela fonte pagadora dos rendimentos, desde que os rendimentos que sofreram a retenção, tenham sido oferecidos a tributação. Dessa forma, no intuito de se proceder a justiça fiscal, entendo salutar acolher a documentação suplementar trazidas aos autos nesta fase recursal, a saber: balanço contábil, razão, lalur, parecer de auditores independentes, darfs e planilhas apresentadas em sessão juntamente com o memorial, suplicando seja o julgamento convertido em diligencia, para exame de todos os documentos necessários à comprovação do direito de crédito e, assim, da legitimidade das compensações realizadas. Diante do exposto, em homenagem ao princípio da verdade material, voto por acolher o pedido de juntada dos documentos trazidos juntamente com o memorial apresentado na ultima sessão, com o objetivo de analisálos e, em especial, dar ciência a douta Procuradoria da Fazenda Nacional para conhecimento e pronunciamento, caso entenda necessário e, após retornem os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Fl. 721DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.915011/200847 Resolução n.º 1301.000.066 S1C3T1 Fl. 7 7 Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 722DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11080.016800/2002-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1302-000.091
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da PRIMEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Irineu Bianchi, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 316DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 10/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 11/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.016800/200296 Resolução n.º 1302000.091 S1C3T2 Fl. 302 2 RELATÓRIO ÓLEOS VEGETAIS TAQUARUSSU LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, que manteve, em parte, o lançamento tributário efetivado, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e MULTA ISOLADA, relativas ao anocalendário de 1997, formalizadas a partir da desconsideração de estimativa referente ao mês de junho de 1997, informada em DCTF como tendo sido compensada sem DARF por meio de crédito de terceiro (pedido de ressarcimento de IPI, processo administrativo nº 11080.007922/9791). Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal (fls. 160/175), por meio da qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: que o lançamento seria ilegal e, portanto, nulo, por afrontar os textos das instruções normativas da Secretaria da Receita Federal de n.°s 14 e 15, de 14 de fevereiro de 2000, que determinavam o encaminhamento à Procuradoria da Fazenda Nacional dos débitos decorrentes de compensação indevida em DCTF, para sua inscrição em Dívida, trinta dia após a ciência da decisão administrativa definitiva que manteve o indeferimento; que a glosa procedida no pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI não seria definitiva, já que se encontrava pendente de julgamento de recurso interposto junto ao Conselho de Contribuintes; que a lavratura de auto de infração, nessas condições, violaria o art. 151, III, do CTN, vez que estaria suspensa a exigibilidade do crédito tributário; que os créditos pleiteados e opostos em compensação dos débitos que estavam sendo exigidos seriam legítimos; que, de acordo com o art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996, a multa seria indevida nos lançamentos de créditos tributários lavrados para prevenir a decadência; que o crédito tributário lançado havia sido indevidamente majorado pela aplicação em "bis in idem" das multas isoladas e da multa proporcional; que a exigência da Selic como juros moratórios seria inconstitucional. A 1a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre, analisando o feito fiscal e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 4.175, de 30 de julho de 2004, pela procedência parcial dos lançamentos, conforme ementa que ora transcrevo. NULIDADE. No processo administrativo fiscal somente são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente com preterição do direito de defesa, sendo sanáveis quaisquer outras irregularidades. Fl. 317DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 10/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 11/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.016800/200296 Resolução n.º 1302000.091 S1C3T2 Fl. 303 3 RESSARCIMENTO. RECURSO VOLUNTÁRIO PENDENTE DE JULGAMENTO. O efeito suspensivo decorrente do recurso contra ato que negou o direito creditório não obsta o lançamento de ofício de diferenças emergentes da glosa da compensação indevida. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. Os débitos da CSLL decorrentes de compensações não homologadas de débitos informados em DCTF podem ser exigidos mediante lançamento de ofício, com os encargos legais cabíveis. MULTA APLICÁVEL. A multa de lançamento de ofício exigida juntamente com as diferenças lançadas com base no art. 90 da MP n.° 2.15835, de 2001 deve ser cancelada por aplicação retroativa do art. 18 da Lei n.° 10.833, de 2003. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. PENALIDADE. RECOLHIMENTO. A falta de pagamento do imposto mensal por estimativa, no caso de contribuinte optante por essa sistemática, enseja a aplicação de multa isolada. JUROS DE MORA. SELIC. A cobrança de juros de mora pela taxa Selic, nos pagamentos fora de prazo dos débitos tributários, está prevista em Lei. CONSTITUCIONAL1DADE E LEGALIDADE. Não compete à autoridade administrativa decidir sobre a legalidade ou a constitucionalidade dos atos emanados dos Poderes Legislativo e Executivo. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 233/248, por meio do qual, renovando a argumentação expendida na peça impugnatória, sustentou: que a leitura de normativos da Receita Federal demonstraria que o lançamento seria ilegal, pois deveria a autoridade fiscal aguardar a decisão final do Conselho de Contribuintes sobre a glosa dos créditos e, então, se fosse o caso, encaminhar o débito para a Procuradoria da Fazenda Nacional; que no mesmo vício incorreu a decisão recorrida que manteve o lançamento mesmo após a reforma da decisão que havia glosado parte dos créditos da Recorrente e do advento da lei impedindo a lavratura de auto de lançamento no presente caso; que a inovação legislativa decorrente da Lei 10.833/03 acabou por corroborar outro argumento vertido na impugnação, a flagrante violação aos termos do inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional, pois, estando a glosa pendente de apreciação pelo Conselho de Contribuintes, a exigibilidade do crédito tributário ficaria suspensa com base no inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional, impossibilitando a Administração de tomar qualquer medida para exigir o crédito, enquanto não apreciado o recurso do contribuinte; que diante do acolhimento, ainda que parcial, das razões do contribuinte, seria certo que pelo menos parte do valor exigido no presente lançamento seria indevido, Fl. 318DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 10/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 11/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.016800/200296 Resolução n.º 1302000.091 S1C3T2 Fl. 304 4 circunstância que atrairia a aplicação do § 5º do artigo 21 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, recomendando que o julgamento fosse convertido em diligência a fim de esclarecer a existência do débito ou eventual saldo, visto que foi reconhecida a maior parte da pretensão do contribuinte; que seria indevida a cobrança da multa isolada após o encerramento do período base; que a cobrança da chamada multa isolada somente seria legitima dentro do período de apuração do imposto, pois destinarseia a penalizar eventual retardo no recolhimento das parcelas devidas dentro do próprio exercício; que, uma vez encerrado o anocalendário, não seria possível a exigência desta penalidade, pois se houve o adimplemento da obrigação tributária, como teria ocorrido no caso em tela, restaria inexigível a multa; que, do contrário, deveriam ser aplicadas às penas destinadas ao não recolhimento da exação, que variariam de 20% a 150% do tributo devido; que a exigência de juros de mora equivalente à taxa média ajustada do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre débitos tributários, conforme veiculado pela Lei n° 8.981/95 e artigo 13 da lei n° 9.065/95, seria manifestamente inconstitucional. Por meio de despacho (fls. 255), a Oitava Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes noticiou que o processo foi retirado da pauta de julgamento de 24 de março de 2006, esclarecendo que os autos deveriam permanecer na secretaria aguardando o julgamento final do processo administrativo nº 11080.007922/9791, que tramitava no Segundo Conselho de Contribuintes. A referida Oitava Câmara, em sessão de 22 de setembro de 2006, decidiu por meio da Resolução nº 10800.371 (fls. 257/265) converter o julgamento em diligência para que, ao final do julgamento do processo administrativo nº 11080.007922/9791, fosse juntada ao presente cópia da decisão definitiva ali exarada. Às fls. 269/291, foi juntada cópia da decisão prolatada pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes nos autos do processo nº 11080.007922/9791. Às fls. 292/296, identifico despacho em que a Segunda Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes nega seguimento ao recurso especial interposto por INDUSTRIAL E COMERCIAL BRASILEIRA S/A nos autos do processo nº 11080.007922/9791, tornando, assim, definitiva, em âmbito administrativo, a decisão de fls. 270/292. É o Relatório. Fl. 319DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 10/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 11/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.016800/200296 Resolução n.º 1302000.091 S1C3T2 Fl. 305 5 VOTO Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de exigências de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e MULTA ISOLADA, relativas ao anocalendário de 1997, formalizadas a partir da desconsideração de estimativa referente ao mês de junho de 1997, informada em DCTF como tendo sido compensada sem DARF por meio de crédito de terceiro (pedido de ressarcimento de IPI, processo administrativo nº 11080.007922/9791). Em sede de recurso voluntário, entre outras alegações, a contribuinte sustentou que a autoridade fiscal deveria ter aguardado a decisão final do então Conselho de Contribuintes sobre a glosa dos créditos (processo administrativo nº 11080.007922/9791) e, então, se fosse o caso, encaminhar o débito para a Procuradoria da Fazenda Nacional. Disse que, diante do acolhimento, ainda que parcial, das suas razões, o recomendável seria que o julgamento fosse convertido em diligência a fim de esclarecer a existência do débito ou eventual saldo, visto que foi reconhecida a maior parte da sua pretensão. De acordo com a cópia da Decisão nº 1.323 da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (fls. 60/68), o crédito pleiteado no processo administrativo nº 11080.007922/9791 alcançaria o montante de R$ 12.315.394,52, crédito esse que a contribuinte pretendeu compensar com o débito lançado de ofício no presente processo. Do montante pleiteado, a Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre reconheceu, apenas, R$ 2.469.889,51. Posteriormente, a tal montante foi acrescida a quantia de R$ 115.509,98, em razão de decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (Decisão nº 1.323, de 16 de outubro de 2000). Tal decisão foi reformada pelo acórdão nº 20214.769 da 2ª Câmara do então 2º Conselho de Contribuintes (fls. 269/291), que, diante do despacho de 292/296, tornouse irreformável na esfera administrativa. No resultado do referido acórdão nº 20214.769, restou assinalado: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes: 1) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, quanto aos insumos adquiridos de nãocontribuintes. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Antônio Carlos Bueno Ribeiro e Nayra Bastos Manatta. Designado o Conselheiro Gustavo Kelly Alencar para redigir o acórdão. II) por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, quanto a energia elétrica, os combustíveis e as despesas de frete; e b) em não conhecer do recurso, quanto a matéria preclusa, os juros de mora e a correção monetária. Vêse, pois, que o resultado do julgamento, na mesma linha do seu voto condutor, não explicitou o montante de crédito adicional reconhecido, cabendo destacar que, ainda que tivesse feito, não seria possível concluir se tal montante extinguiu a exigência motivadora do lançamento que ora se aprecia. Nessas circunstâncias, acolhendo o pedido formalizado pela Recorrente, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que unidade administrativa de jurisdição da contribuinte preste esclarecimentos acerca do crédito Fl. 320DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 10/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 11/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.016800/200296 Resolução n.º 1302000.091 S1C3T2 Fl. 306 6 reconhecido no processo administrativo nº 11080.007922/9791, em especial no que diz respeito à compensação da estimativa de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido do mês de junho de 1997, informando, se for o caso, o saldo porventura não compensado. Sala das Sessões, em 03 de agosto de 2011 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 321DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 10/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 11/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10950.722118/2017-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 26 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2013 a 30/06/2013
OPERAÇÕES COM ASSOCIADO. TRIBUTAÇÃO DA RECEITA. PARTICIPAÇÃO NO PERCENTUAL DE RATEIO DE CUSTOS.
As vendas de bens e mercadorias a associados, excluídas da base de cálculo da contribuição pelas sociedades cooperativas, conforme autorização legal, não constituem caso de isenção, não incidência, suspensão ou alíquota zero. Trata-se de receitas normalmente tributadas e que tem a possibilidade de serem excluídas da base de cálculo por força da natureza jurídica da cooperativa quando vende bens e mercadorias ao associado, devendo ser consideradas no cálculo do percentual de rateio do crédito como tributadas.
NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR.
O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade de PIS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, assim são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa.
NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS INACABADOS. POSSIBILIDADE.
Os fretes relacionados ao tratamento das matérias-primas e produtos inacabados são custos de produção (em fases da industrialização) relacionados com a aquisição dos insumos, essenciais e relevantes, com crédito assegurado no art. 3°, II, da Lei 10.833/2003.
Numero da decisão: 3301-011.282
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos fretes de insumos e produtos inacabados e encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.271, de 26 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10950.722132/2017-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Semíramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini, o Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges.
Nome do relator: Semíramis de Oliveira Duro
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2013 a 30/06/2013 OPERAÇÕES COM ASSOCIADO. TRIBUTAÇÃO DA RECEITA. PARTICIPAÇÃO NO PERCENTUAL DE RATEIO DE CUSTOS. As vendas de bens e mercadorias a associados, excluídas da base de cálculo da contribuição pelas sociedades cooperativas, conforme autorização legal, não constituem caso de isenção, não incidência, suspensão ou alíquota zero. Trata-se de receitas normalmente tributadas e que tem a possibilidade de serem excluídas da base de cálculo por força da natureza jurídica da cooperativa quando vende bens e mercadorias ao associado, devendo ser consideradas no cálculo do percentual de rateio do crédito como tributadas. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR. O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade de PIS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, assim são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa. NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS INACABADOS. POSSIBILIDADE. Os fretes relacionados ao tratamento das matérias-primas e produtos inacabados são custos de produção (em fases da industrialização) relacionados com a aquisição dos insumos, essenciais e relevantes, com crédito assegurado no art. 3°, II, da Lei 10.833/2003.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos fretes de insumos e produtos inacabados e encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.271, de 26 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10950.722132/2017-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Semíramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini, o Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges.
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TRIBUTAÇÃO DA RECEITA. PARTICIPAÇÃO NO PERCENTUAL DE RATEIO DE CUSTOS. As vendas de bens e mercadorias a associados, excluídas da base de cálculo da contribuição pelas sociedades cooperativas, conforme autorização legal, não constituem caso de isenção, não incidência, suspensão ou alíquota zero. Trata- se de receitas normalmente tributadas e que tem a possibilidade de serem excluídas da base de cálculo por força da natureza jurídica da cooperativa quando vende bens e mercadorias ao associado, devendo ser consideradas no cálculo do percentual de rateio do crédito como tributadas. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR. O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade de PIS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, assim são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa. NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS INACABADOS. POSSIBILIDADE. Os fretes relacionados ao tratamento das matérias-primas e produtos inacabados são custos de produção (em fases da industrialização) relacionados com a aquisição dos insumos, essenciais e relevantes, com crédito assegurado no art. 3°, II, da Lei 10.833/2003. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos fretes de insumos e produtos inacabados e encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.271, de 26 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10950.722132/2017-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 21 18 /2 01 7- 63 Fl. 804DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.282 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722118/2017-63 (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Semíramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini, o Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que acolhera em parte o Pedido de Ressarcimento/Compensação apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente a crédito de PIS Não-Cumulativo – Mercado Interno do 2º Trimestre de 2013, informando crédito passível de ressarcimento no valor de R$ 582.618,08. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto, em síntese: (1) A prova documental deve ser apresentada junto da peça de contestação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos; (2) Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações e prestar Liquidez e Certeza ao direito alegado; (3) Regra geral, as decisões administrativas e judiciais têm eficácia inter-partes, não sendo lícito estender seus efeitos a outros processos, não só por ausência de permissivo legal para isso, mas também em respeito às particularidades de cada litígio; (4) É vedado o aproveitamento de créditos da não-cumulatividade em relação às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição; (5) Inexiste previsão legal para apuração de crédito a descontar das contribuições não-cumulativas sobre valores relativos a fretes de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. Em recurso voluntário, a empresa reitera os argumentos de sua defesa anterior e defende a aplicação do laudo como prova de seus alegações. É o relatório. Fl. 805DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.282 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722118/2017-63 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme relatado, a análise fiscal efetuada voltou-se à verificação dos créditos de PIS/COFINS informados pelo contribuinte, que foram objeto de pedidos de ressarcimento. Um dos pontos controvertidos nestes autos é o conceito de insumo para fins de creditamento no âmbito do regime de apuração não-cumulativa das contribuições. A Recorrente pleiteia os créditos de gastos que entende como essenciais para sua atividade de cooperativa agroindustrial. Esta 1ª Turma de Julgamento já adotava a posição de que o conceito de insumo para fins de creditamento, no regime da não-cumulatividade, não guarda correspondência com o utilizado pela legislação do IPI, tampouco pela legislação do Imposto sobre a Renda. Dessa forma, o insumo deve ser essencial ao processo produtivo e, por conseguinte, à execução da atividade empresarial desenvolvida pela empresa. Em razão disso, deve haver a análise individual da natureza da atividade da pessoa jurídica que busca o creditamento segundo o regime da não-cumulatividade, para se aferir o que é insumo. Ademais, sobreveio o julgamento do REsp 1.221.170-PR, proferido na sistemática de recursos repetitivos, no qual o STJ fixou as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF n° 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (julg. 22/02/2018, DJ 24/04/2018). Em virtude do julgamento desse recurso especial, a RFB editou o Parecer Normativo n° 5, de 17 de dezembro de 2018 (DOU 18/12/2018), que prescreveu: Apresenta as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR. Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de Fl. 806DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.282 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722118/2017-63 serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. As glosas são analisadas a seguir. Solução de Consulta nº 151 – SRRF09/Disit Alega a Recorrente que “não houve a devida análise da Solução de Consulta nº 151 – SRRF09/Disit em que Manifestante, na ocasião Consulente, logrou êxito na consulta, sendo eficaz (leia-se favorável a Manifestante) exatamente na manutenção dos créditos”. Interessa ao presente litígio, portanto, verificar a conclusão da referida Solução de Consulta, e estabelecer a sua relação e pertinência com o direito ora em discussão: Conclusão 36. À vista do exposto, conclui-se que: 36.1. Entre outras hipóteses e respeitados os requisitos do art. 23 da IN SRF nº 635, de 2006, a cooperativa pode descontar, do valor das contribuições incidentes sobre sua receita bruta, bem como manter, créditos calculados em relação a: a) bens para revenda a associados, adquiridos pela cooperativa e de não associados; b) aquisições efetuadas no mês, de não associados, de bens e serviços especializados utilizados como insumo na prestação de serviços aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas e na industrialização da produção do associado; e c) armazenagem da produção do associado. 36.2. Todavia, a cooperativa não pode descontar, do valor das contribuições incidentes sobre sua receita bruta, tampouco manter, os créditos calculados em relação a: a) repasse de valores aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; e b) receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras. Observe-se, inicialmente, que as conclusões da solução de consulta circunscrevem-se a definir os créditos que a cooperativa pode descontar e manter (item 36.1 da conclusão), diferenciando-os dos créditos que a cooperativa não pode descontar e, tampouco, manter (item 36.2). A Solução de Consulta não é “conclusiva nos exatos termos formulados pela Manifestante, ou seja, que as saídas beneficiadas com a exclusão da base de cálculo das contribuições PIS/Pasep e COFINS merecem o mesmo tratamento das saídas Fl. 807DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-011.282 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722118/2017-63 beneficiadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência (...)”, como pretende concluir a Recorrente, como bem posto na decisão de piso conforme os argumentos abaixo: Observe-se que, além de limitar a possibilidade de desconto/manutenção dos créditos às hipóteses descritas no item 36.1 da Solução de Consulta, a referida conclusão trata apenas dos efeitos concernentes aos próprios créditos das contribuições, não havendo qualquer menção ao tratamento das receitas correspondentes no que se refere ao rateio da receita bruta total entre mercado interno e mercado externo, que foi o objeto da fiscalização ao concluir que “os valores relativos a essas receitas devem compor o somatório da receita bruta total para fins de rateio (...)”. Tal conclusão, contida no Termo de Verificação Fiscal é relevante, visto que o pedido de ressarcimento ora em pauta apresenta como fonte do direito creditório o §1º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, ou seja, os créditos apurados na forma do art. 3º da mesma lei relacionados às receitas de exportação (receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior; prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; e vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação). Caso a autoridade fiscal assim não procedesse, haveria o risco de ressarcir, a título de créditos do mercado externo, eventuais créditos apurados sobre receitas em operações realizadas no mercado interno, como são as operações que foram objeto da indigitada Solução de Consulta, o que aconteceria ao arrepio de todas as autorizações legais e normativas. Por isso, não há no Despacho Decisório e no TVF qualquer desconsideração, contradição ou incompatibilidade com a posição expressa na Solução de Consulta nº 151, da SRRF09/Disit. Do Direito à Manutenção e Ressarcimento do Crédito nas Saídas Beneficiadas com Exclusão da Base de Cálculo por Equiparação à Norma Prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 Trata-se da mesma temática do tópico anterior, a violação da Solução de Consulta nº 151 – SRRF09/Disit, da qual figurava como consulente. Adoto também as razões da decisão de piso, por com elas concordar integralmente: A própria conclusão do tópico, em que afirma que “todo contexto jurídico apresentado de forma escorreita demonstra que a Manifestante, com suas operações cooperativista, a luz do que dispõe o art. 15 da Medida Provisória nº 2.58-35 de 2001, justificou de forma plausível e incontroversa que as saídas beneficiadas com exclusão da base de cálculo devem ter o mesmo tratamento tributário das demais hipótese como "suspensão", "isenção", "alíquota zero" ou "não-incidência”, razão pela qual faz jus ao pedido de ressarcimento nos termos dos arts. 17 da Lei n° 11.033/2004 e 16 da Lei n° 11.116/2005”, demonstra que a alegante mantém-se ao redor da questão da possibilidade de desconto e manutenção de créditos decorrentes das suas operações cooperativistas. Como já clareado anteriormente, a real questão levantada pela fiscalização, considerando que o pedido de ressarcimento apresenta como fonte do direito creditório o §1º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, é estabelecer o quanto de crédito vinculado às receitas de exportação encontra-se disponível para o pretendido ressarcimento. Para tanto, é necessário corrigir o tratamento das Fl. 808DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-011.282 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722118/2017-63 receitas correspondentes às operações com cooperados, computando os seus valores na receita bruta, para fins de estabelecer o correto rateio da receita bruta total entre mercado interno e mercado externo. Considerando que a manifestante sequer tangencia tal questão, e que os eventuais créditos decorrentes de operações no mercado interno, ainda que porventura existentes, não estão contemplados diretamente na fundamentação do pedido de ressarcimento, temos por prejudicadas as alegações manifestas neste tópico, com manutenção das conclusões da autoridade fiscal no Despacho Decisório. Logo, não se acolhe também os argumentos tecidos pela empresa neste tópico. Do Direito ao Créditos nas Aquisições de Bens para Revenda - Aquisição de Cooperados Insurge-se contra o entendimento da Autoridade Fiscal, de que as aquisições realizadas junto a cooperados não poderiam gerar crédito das contribuições para o PIS e a COFINS, tendo em vista que a Instrução Normativa nº 635/2006 restringe o crédito apenas para aquisições de “não associados”. Não há razão no argumento. A decisão de piso foi precisa também neste tópico: A possibilidade de descontar, do valor das contribuições incidentes sobre a receita bruta, o crédito calculado em relação a aquisições de bens para revenda, estava regulamentada, à época dos fatos, pela Instrução Normativa SRF nº 635/2006, que assim dispunha: Dos Créditos a Descontar na Apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins Dos créditos decorrentes de aquisição e pagamentos no mercado interno Art. 23 As sociedades cooperativas de produção agropecuária e de consumo sujeitas à incidência não-cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins podem descontar, do valor das contribuições incidentes sobre sua receita bruta, os créditos calculados em relação a: I -bens para revenda, adquiridos de não associados, exceto os decorrentes de: (...) II - aquisições efetuadas no mês, de não associados, de bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; (...) Tal disciplina mantém-se hígida até os dias atuais, através do art. 298, I, da IN RFB nº 1.911/2019. Assim, existe base legal para o desconto de créditos na aquisição de não associados, mas inexiste base para o creditamento na aquisição de associados. Relevante, ainda, estar-se diante de ato cooperativo, na acepção dada pelo art. 79 da Lei nº 5.764/1971 (que “define a Política Nacional de Cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas”), in verbis: Art. 79. Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Fl. 809DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-011.282 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722118/2017-63 Inexistindo a incidência das contribuições, nas operações em questão, por tratarem-se de atos cooperativos, é natural que inexista, também, o direito ao creditamento, por força do inciso II do §2º do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (...) Observe-se que tais conclusões foram evidenciadas, até mesmo, nos parágrafos 8 a 11 da própria Solução de Consulta nº 151 - SRRF09/Disit, de 27 de junho de 2011, que a empresa utiliza em seu socorro em outros momentos da presente Manifestação de Inconformidade. Mantém-se, portanto, as disposições do Despacho Decisório. Despesas com Frete – Transferência de Produtos entre Estabelecimentos Sustenta a Recorrente que: Outrossim, deve-se entender melhor a atividade agroindustrial da Recorrente para certificar de que as despesas com transporte de carga são todas, sem qualquer exceção, realizadas para a movimentação de matérias-primas entre as unidades industriais e de beneficiamento. Basta analisar o Laudo do Processo Produtivo que facilmente se comprova a necessidade de deslocamento de um insumo/matéria-prima para uma das unidades da Recorrente, tendo em vista a localização geográfica das plantas industriais. Logo, não se tratam de deslocamento de produto final pronto para comercialização, mas sim, insumos que serão utilizados em alguma das unidades de beneficiamento. Há no laudo do processo produtivo, ora anexado, descrição do processo de beneficiamento dos insumos soja em grãos e para refino, café em grãos e para refino, algodão caroço, canola e girassol para refino, trigo para refino e grãos, inclusive seguindo instruções normativas do MAPA (Ministério da Agricultura e Abastecimento). Dessa forma, não se tratariam apenas de produtos acabados, mas insumos que são utilizados no processo produtivo, como café, soja, trigo para refino, algodão caroço, canola e semente de girassol para refino, laranja e néctar etc. Operações de transporte de matéria-prima de um ponto de coleta até as unidades de beneficiamento, e destes a outras unidades da Recorrente conforme a necessidade da produção. Em análise do Laudo, identifica-se que há vários processos produtivos que demandam insumos e fases diferentes. Por essa razão, não há como afastar a essencialidade dos dispêndios com frete. Assim, reverto as glosas referentes a: Fl. 810DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-011.282 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722118/2017-63 (i) Frete na aquisição de insumos, por representar custo de aquisição, com crédito fundamentado no inciso II, do art. 3°. (ii) Frete na transferência de insumos/produtos inacabados entre diferentes estabelecimentos da empresa, por representar também custo de aquisição, com crédito fundamentado também no inciso II. Encargos de Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado O Laudo técnico identifica os principais bens do ativo imobilizado da empresa e suas respectivas utilizações. Da leitura em conjunto com as planilha de glosas dos imobilizados, cabe a reversão das glosas do sistema de aeração do armazém, balança rodoviária, ventilador centrifugo, forno elétrico industrial, conjunto de irrigação, equipamentos de conservação do armazém, trator agrícola, pulverizador hidráulico, cultivador São Francisco, pulverizador atomizado, secador de ar comprimido, sistema de termometria, prensa hidráulica, podador lateral, trilhadeira de parcela, determinador de umidade, dosadores, rack para armazenamento, tanques, balanças, centrifugadoras, filtros, misturador, trocador de calor, reator, medidores de vazão e secador adubadeira, agitador magnético, alicate amperímetro, analisador de rede, alinhador de eixo, aparelho de GPS, aparelho de pressão de pulso digital, aparelho de teste visual, aparelho de secar mãos, balanças, betoneira, bicicleta cargueira, bomba diversas, caixas d’água, calibrador de pressão, carretas diversas, carrinhos diversos, compressores de ar, conjuntos de irrigação, dosimetro de ruído, empilhadeira, enceradeira, endoscópio, escadas, esmerilhadeiras, exaustores eólicos, forno elétrico industrial, furadeiras, lavadoras de alta pressão, máquinas de cortar grama, medidores de distância, de energia, de nível, motobombas diversas, motoserra, parafusadeiras pistolas para pintura e pulverização, politriz, prensas hidráulicas, pulverizadores, roçadeiras, semeadeira, sistema de alarme, soprador, talhas, tanques para diesel, termômetro, testador digital de cabos, transformadores, tratores agrícolas, ventiladores, entre outros, por serem utilizados na produção de bens destinados à venda. A utilização de todo o maquinário está descrita nos laudos de processo produtivo anexados aos autos, logo, em síntese, cabe a reversão das glosas do ANEXO VI – “BENS DO ATIVO IMOBILIZADO – DEPRECIAÇÃO - GLOSAS – GERAL”. No tocante à apropriação de créditos em relação à depreciação de bens adquiridos até 30/04/2004 (art. 31 da Lei nº 10.865/04), a celeuma foi analisada pelo STF, no Recurso Extraordinário 599.316, julgado em repercussão geral, com trânsito em julgado em 20/04/2021. Restou assentado que o art. 31, caput, é inconstitucional: PIS – COFINS – ATIVO IMOBILIZADO – CREDITAMENTO –LIMITAÇÃO – LEI Nº 10.865/2004. Surge inconstitucional, por ofensa aos princípios da não cumulatividade e da isonomia, o artigo 31, cabeça, da Lei nº 10.865/2004, no que vedou o creditamento do PIS e da COFINS, relativamente ao ativo imobilizado adquirido até 30 de abril de 2004. TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. LIMITAÇÃO TEMPORAL. ART. 31 DA LEI Nº 10.865/04. INCONSTITUCIONALIDADE. A limitação temporal do aproveitamento dos créditos decorrentes das aquisições de bens para o ativo imobilizado realizadas até 30 de abril de 2004, no regime não-cumulativo do PIS e COFINS, ofende os princípios constitucionais do direito adquirido, da irretroatividade da lei tributária, da segurança jurídica e da não-surpresa. Fl. 811DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-011.282 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722118/2017-63 Declarada a inconstitucionalidade o art. 31 da Lei nº 10.865/05 pela Corte Especial deste Tribunal. Por conseguinte, deve ser afastada a trava do limite temporal. Do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos fretes de insumos e produtos inacabados e encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos fretes de insumos e produtos inacabados e encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Fl. 812DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10283.900585/2006-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1302-000.129
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do processo até esclarecimento da matéria, tendo em vista o conflito entre as decisões STJ e STF.
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do processo até esclarecimento da matéria, tendo em vista o conflito entre as decisões STJ e STF (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Guilherme Polastri Gomes da Silva e Marcos Rodrigues de Mello. RELATÓRIO Tratam os autos de recurso voluntário em relação ao acórdão DRJ que prescreveu: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998 SALDO NEGATIVO IRPJ. 30 TRIMESTRE/1998. PRESCRIÇÃO. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 30/11 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10283.900585/200698 Resolução n.º 1302000.129 S1C3T2 Fl. 64 2 O prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição de saldo negativo IRPJ, apuração trimestral, é de cinco anos contados a partir do encerramento do período de apuração. Solicitação Indeferida Em seu recurso, entre outras alegações, afirma a recorrente: Por outro lado, em se tratando de débito sujeito a lançamento por declaração, o prazo decadencial terá início cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, considerandose o ano civil. Isto porque, para os tributos sujeitos ao autolançamento, homologação por declaração, o prazo iniciase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. É o relatório. VOTO. O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Entendo que a presente lide não pode ser solucionada por este colegiado. A tese da defesa foi referendada pelo STJ, implicando em um prazo de dez anos para o contribuinte realizar as compensações de tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Esta matéria está sujeita ao regime de recursos repetitivos no STJ e repercussão geral no STF. O STF, no RE 566621, decidiu: Ementa DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. (Negritei e grifei) Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou Fl. 75DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 30/11 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10283.900585/200698 Resolução n.º 1302000.129 S1C3T2 Fl. 65 3 compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Já o STJ, no RESP 1002932, decidiu: EMENTA 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 30/11 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10283.900585/200698 Resolução n.º 1302000.129 S1C3T2 Fl. 66 4 determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I, I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT, para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inseri da no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração. (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System des heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandoselhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteoricopratico di diritto civile francese ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 30/11 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10283.900585/200698 Resolução n.º 1302000.129 S1C3T2 Fl. 67 5 somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada, quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa." Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 30/11 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10283.900585/200698 Resolução n.º 1302000.129 S1C3T2 Fl. 68 6 Como se pode observar nos trechos grifados das ementas, há aparente conflito entre o decidido pelo STJ e pelo STF. O Regimento Interno do CARF prescreve: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. {2} Embora possa parecer, em uma primeira análise, que deve prevalecer o entendimento manifestado pelo STF, competente para manifestação definitiva sobre a interpretação da Constituição Federal, entendo que o próprio Poder Judiciário terá de resolver o aparente conflito entre as decisões, sendo inviável decidir a matéria neste colegiado antes da manifestação definitiva do Poder Judiciário ou por ato vinculante editado pelo próprio CARF. Diante do exposto, voto por sobrestar o presente feito até a manifestação definitiva sobre a matéria. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 30/11 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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