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Numero do processo: 11080.905142/2009-85
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO.
Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indefere-se o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL
SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITOS. DÉBITOS
CONFESSADOS. ERRO. COMPROVAÇÃO.
O deferimento de pedido de restituição de pagamento indevido de débito declarado em DCTF depende da prova do erro na confissão, passível de ser produzida, mesmo no curso do contencioso administrativo fiscal, até o momento processual da reclamação.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 3803-001.149
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indefere-se o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITOS. DÉBITOS CONFESSADOS. ERRO. COMPROVAÇÃO. O deferimento de pedido de restituição de pagamento indevido de débito declarado em DCTF depende da prova do erro na confissão, passível de ser produzida, mesmo no curso do contencioso administrativo fiscal, até o momento processual da reclamação. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITOS. DÉBITOS CONFESSADOS. ERRO. COMPROVAÇÃO. O deferimento de pedido de restituição de pagamento indevido de débito declarado em DCTF depende da prova do erro na confissão, passível de ser produzida, mesmo no curso do contencioso administrativo fiscal, até o momento processual da reclamação. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado Fl. 88DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN 2 Alexandre Kern – Presidente e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Rangel Perrucci Fiorin, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Daniel Maurício Fedato. O Dr. Camilo de Oliveira Leipnitz – OAB/RS no 58.392 – fez sustentação oral. Relatório Centro Clínico Canoas Ltda. transmitiu, em 17/06/2005, o Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação PER/DCOMP no 05926.16262.170605.1.3.049132, visando a restituirse de indébito ocasionado pelo pagamento de no 1622517361 e a declarar a compensação do direito creditório daí emergente com débitos de PISdo período de apuração de mai/2004. O Despacho Decisório no 825065485, fl. 1, não homologou a compensação porque o referido pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não resultando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/Dcomp para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Sobreveio Manifestação de Inconformidade, fls. 2 a 6, por meio da qual o requerente alega que: a) o direito creditório está relacionado com o efetivo pagamento do tributo. Pagamento este comprovado a partir da guia DARF devidamente autenticada pela instituição que recebeu o pagamento; b) o documento legitimador do crédito é a respectiva DARF e não a DCTF e/ou DIPJ; c) o pagamento indevido decorreu de equívoco constatado na apuração do valor devido a título de PIS, período de apuração: mai/2004, que não corresponde ao valor constante da DARF de pagamento. Logo, apenas a instituição fazendária é capaz de autorizar o contribuinte a retificar a DCTF, com isso, restará explícito o direito creditório que a empresa possui. A DRJ/POA2ª Turma julgou a reclamação improcedente e não reconheceu o direito creditório pleiteado. O Acórdão no 1024.065, de 19 de fevereiro de 2010, fls. 31 e 32, teve emente vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial à comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, sendo obrigação do contribuinte comprovar suas alegações, nos termos do art.333, inciso II do Código de Processo Civil. Fl. 89DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11080.905142/200985 Acórdão n.º 380301.149 S3TE03 Fl. 66 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da DRJ/POA2a Turma. O arrazoado de fls. 37 a 48, em sede de preliminar, argui a nulidade da decisão recorrida, que teria alterado a fundamentação do indeferimento de seu pleito, em violação aos arts. 2° e 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999. No mérito, sinteticamente, pede reforma, alegando que: a) a instituição fazendária tem o dever de intimar a recorrente para apresentar os documentos contábeis e fiscais para comprovar o erro ocasionado no preenchimento da DCTF, sob pena de incorrer em manifesta ilegalidade; b) conforme entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, a cópia autenticada do DARF é suficiente para comprovação do recolhimento indevido de tributo; c) o pagamento indevido decorreu do equívoco decorrente da apuração do valor devido a título de PIS, na competência de mai/2004; d) apenas a fiscalização tem o poder de autorizar que a empresa retifique a DCTF, motivo pelo qual a recorrente reitera seus argumentos para que seja possível sanar o erro cometido. Conclui, pedindo anulação do acórdão ora recorrido e, alternativa e sucessivamente, sua reforma para homologar o pedido de compensação formulado, haja vista a existência do DARF legitimador do direito creditório. Requer, por derradeiro, sejam, todas as intimações e comunicações do presente procedimento administrativo, inclusive para fins de sustentação oral, realizadas sempre em nome dos procuradores signatários. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 31 e 32 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJPOA2ª Turma nº 1024.065, de 19 de fevereiro de 2010. Pedido de direcionamento das intimações para o endereço dos procuradores Com relação ao requerimento para que as notificações e intimações relativas ao presente processo sejam enviadas ao endereço do patrono da causa, indefirase. Na atual fase do procedimento, todos os atos administrativos são, via de regra, feitos por meio postal e o Fl. 90DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN 4 Decreto nº 70.235, de 6 de março 1972 PAF, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, determina que, nesta modalidade, sejam endereçados ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Não há portanto como deferir a solicitação para que as intimações sejam encaminhadas ao domicílio dos procuradores da sociedade. Preliminar de nulidade da decisão recorrida O recorrente infirma a decisão de piso sob o argumento de que apresentou novo fundamento para o indeferimento do pleito, em infração ao art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999. O argumento recursal é o de que, enquanto o Despacho Decisório no 825065485 considerou que não haveria direito creditório para realizar a compensação, porque o valor do DARF teria sido utilizado para quitar débito do contribuinte, a decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que a ora recorrente deveria comprovar, por meio de documentos contábeis e fiscais que houve erro no preenchimento da DCTF. A argüição de nulidade não prosperará simplesmente porque inexistiu a alegada inovação. Com efeito, o fundamento fático para o indeferimento do pleito de restituição e para a nãohomologação da compensação declarada foi a integral utilização do pagamento no 1622517361 na extinção de débitos do próprio contribuinte. Tratandose de julgamento de reclamação formulada pelo requerente, fundada na alegação de erro no preenchimento da Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF, instituída pela Instrução Normativa SRF nº 129, de 19 de novembro de 1986, a decisão recorrida julgoua improcedente porquanto inexistia, nos autos, qualquer prova do erro alegado. Não se trata pois de novo fundamento para o indeferimento do pleito, visàvis o motivo original, mas, tãosomente, de refutação expressa de argumento brandido na reclamação. Rejeito a preliminar. Mérito – A comprovação do indébito O recorrente está prenhe de razão: constatando que houve equívoco na apuração da base de cálculo de um tributo ou contribuição, o sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo no caso de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. É o que assegura o inc. I do art. 165 do CTN, transcrito em rodapé pelo recorrente, mas merecedor de maior destaque por caudalosa jurisprudência judicial, e.g.: “Ementa: .... I. Demonstrado o pagamento indevido de tributo, em razão de erro– depósito judicial feito por equívoco, mas convertido em renda da União – impõese a restituição (art. 165, II, do CTN). ....” (TRF1ª Região. AC 2000.01.00.0958800/MA. Rel.: Des. Federal Olindo Menezes. 3ª Turma. Decisão: 29/10/02. DJ de 13/12/02, p. 47.) “Ementa: .... É clara a autorização normativa à restituição de tributo recolhido indevidamente (art. 165, I, CTN). ....” (TRF2ª Região. AC 1999.02.01.0351647/RJ. Rel.: Des. Federal Ricardo Regueira. 1ª Turma. Decisão: 06/11/00. DJ de 07/12/00.) Fl. 91DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11080.905142/200985 Acórdão n.º 380301.149 S3TE03 Fl. 67 5 “Ementa: .... III. A restituição do tributo recolhido indevidamente encontra arrimo no art. 165, I, do CTN. ....” (TRF5ª Região. AC 2002.05.00.0177105/PE. Rel.: Des. Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria. Decisão: 17/12/02. DJ de 16/04/03, p. 407.) Tenho certeza, o relator da decisão recorrida jamais pretendeu oporse a esse direito. O recorrente, no entanto, articula argumento falacioso, ao pugnar por seu direito à restituição, bradando que o mesmo “.., consoante dispõe o art. 165, inc. I do CTN decorre da ‘cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ...", e não dos valores declarados pelo contribuinte em DIPJ, DCTF...”. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp nº 05926.16262.170605.1.3.049132 comprova um recolhimento, de outro, como bem destacou a decisão recorrida, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento nº 1622517361 seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 1999, que o recorrente demonstrou bem conhecer. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC), já referido pela decisão recorrida. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e Fl. 92DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN 6 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) Ao contrário, em face da legislação tributária aplicável, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento nº 1622517361 não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. O recorrente poderia objetar que, dada sistemática declaratória atual do procedimento de compensação, não lhe foi oportunizada a comprovação do crédito, originado do pagamento indevido. Objeção improcedente. Bastaria que o contribuinte, espontaneamente, retificasse a DCTF respectiva, conforme lhe autorizava o art. 10 da Instrução Normativa SRF no 482, de 21 de dezembro de 2004, então vigente, e o próprio processamento eletrônico do PER/Dcomp nº 05926.16262.170605.1.3.049132 lhe deferiria o crédito pleiteado, transferindo para o Fisco o ônus da posterior verificação do seu procedimento. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, quando já não mais teria Fl. 93DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11080.905142/200985 Acórdão n.º 380301.149 S3TE03 Fl. 68 7 espontaneidade para retificar a DCTF1,o requerente, enquanto manifestante, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do PAF, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008. O recorrente, contudo, não se dignou a fazêlo, talvez esperando que a autoridade fiscal suplementasse a sua vontade e o intimasse a tanto. Ou, quem sabe, contasse o requerente justamente com a usual dilação temporal do processo administrativo com o propósito de fazer adiar ao máximo o cumprimento da obrigação tributária confessada, como permite supor a sua insistência nos requerimentos de suspensão da exigibilidade do débito oposto na compensação do hipotético direito creditório, aventura jurídica corriqueira depois da edição da Medida Provisória no 66, de 2002. Seja como for, tranqüilizese o contribuinte. Caso realmente disponha do direito creditório alegado, nos termos do art. 1º do Decreto nº 20.910, de 6 de janeiro de 1932, tem cinco anos, contados da data do pagamento indevido – desde que devidamente comprovada essa circunstância – para buscar seu direito. Nada a reparar na decisão recorrida, cujos fundamentos, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passam a fazer parte integrante desse voto. Conclusão Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 2 de fevereiro de 2011 Alexandre Kern 1 Súmula CARF No. 33 A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Fl. 94DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN 8 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 11080905142200985 Interessada: CENTRO CLÍNICO GAÚCHO LTDA. Encaminhemse, de ordem, os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380301.149, de 2 de fevereiro de 2011, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 2 de fevereiro de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 95DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10980.007571/2003-93
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Data do fato gerador: 31/03/1998, 30/04/1999, 31/05/1998, 30/06/1998
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Nos lançamentos por homologação, sem que a Fazenda Pública tenha se pronunciado quanto ao pagamento antecipado efetuado pelo contribuinte, ainda que via compensação, extingue-se o crédito tributário após cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, desde que não haja outro prazo fixado em lei, nos termos do art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional (CTN).
Numero da decisão: 3803-001.204
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. Ausência momentânea do Presidente. Sessão conduzida pelo substituto eventual, Conselheiro
Belchior Melo de Sousa.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/1998, 30/04/1999, 31/05/1998, 30/06/1998 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Nos lançamentos por homologação, sem que a Fazenda Pública tenha se pronunciado quanto ao pagamento antecipado efetuado pelo contribuinte, ainda que via compensação, extinguese o crédito tributário após cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, desde que não haja outro prazo fixado em lei, nos termos do art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional (CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. Ausência momentânea do Presidente. Sessão conduzida pelo substituto eventual, Conselheiro Belchior Melo de Sousa. Assinado digitalmente BELCHIOR MELO DE SOUSA – Presidente Substituto. Assinado digitalmente HÉLCIO LAFETÁ REIS Relator. EDITADO EM: 28/02/2011 Fl. 109DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 13/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, 28/02/2011 por HELCIO LAFETA REIS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente Substituto), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Carlos Henrique Martins de Lima, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 80 a 97) contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR (fls. 60 a 64) que julgou procedente o lançamento de ofício relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), referente a fatos geradores ocorridos em 01/03/1998, 01/04/1998, 01/05/1998 e 01/06/1998 (fls. 2 a 11). O auto de infração fora lavrado em decorrência da apuração de insuficiência nos recolhimentos da contribuição, tendo sido constatado, após cruzamento de dados internos dos sistemas da Receita Federal, ausência de comprovação do processo judicial informado em DCTF que ampararia a compensação do débito declarado. Em sua impugnação, o contribuinte alegou que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região teria confirmado a sentença de primeiro grau que lhe assegurara o direito à compensação declarada em DCTF. Na análise da impugnação, a DRF Curitiba/PR constatou que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região reconhecera como inconstitucionais as aliquotassuperiores a 0,5% em relação apenas às empresas vendedoras de mercadorias, não se aplicando, portanto, às prestadoras de serviços (fls 51 a 52). Submetidos os autos à DRJ Curitiba/PR (fls. 60 a 64), decidiuse pela procedência do lançamento, cujo acórdão foi ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/1998 a 30/06/1998 COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. GLOSA. CABIMENTO. Inexistindo autorização para a compensação declarada, posto que a decisão judicial foi no sentido de que as alíquotas do Finsocial acima de 0,5% foram declaradas inconstitucionais pelo STF somente para as empresas vendedoras de mercadorias, excluindose, portanto, as empresas exclusivamente prestadoras de serviços, cabível a glosa efetuada e o lançamento de oficio. Lançamento Procedente Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho (fls. 80 a 97) e requer a declaração de nulidade do auto de infração, alegando, em síntese, o seguinte: a) cerceamento do direito de defesa por imprecisão na capitulação legal; Fl. 110DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 13/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, 28/02/2011 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.007571/200393 Acórdão n.º 380301.204 S3TE03 Fl. 104 3 b) existência de decisão judicial transitada em julgado a ele favorável; c) ocorrência de prescrição (sic) quinquenal para cobrança do tributo, tendo em vista que o auto se refere a fatos geradores ocorridos nos meses de março, abril, maio e junho de 1998, sendo que a ciência do lançamento somente veio a ocorrer em 23 de julho de 2003; d) efeito confiscatório da multa de ofício; e) inaplicabilidade da taxa Selic como índice de juros sobre débitos de tributos federais. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissbilidade e dele tomo conhecimento. De início, constatase que o lançamento de ofício operouse num momento em que já não mais se assegurava à Fazenda Pública o direito em questão, em face da ocorrência da homologação tácita dos pagamento antecipados, via compensação, efetuados pelo contribuinte. Conforme consta do auto de infração (fls. 4 a 6), os débitos declarados referentes aos fatos geradores ocorridos em março, abril, maio e junho de 1998 haviam sido extindos por compensação sob condição resolutória de sua ulterior homologação pelo Fisco. Tendo o auto de infração sido emitido em 18/06/2003 (fl. 4), com o contribuinte tendo ciência do lançamento em 23 de julho de 2003, conforme AR à fl. 22, e os fatos geradores objeto do lançamento se referirem ao período de 01/03/1998 a 30/06/1998, na data da ciência, já havia transcorrido o prazo de cinco anos contados das datas dos fatos geradores, nos termos previstos no art. 150, caput, e § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), tendose em conta que o contribuinte havia antecipado o procedimento de compensação tendente à extinção do respectivo crédito tributário. Ressaltese que o Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante n° 8, a seguir transcrita, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/1991, que previa o prazo decadencial de dez anos para a constituição de créditos tributários relativos a contribuições sociais. São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. (Súmula vinculante n° 8 de 12/06/2008). A Constituição Federal, por sua vez, em seu art. 103A e §§, determina que o conteúdo de súmula vinculante deve ser observado pelo Poder Judiciário e pela Administração Pública, in verbis: Fl. 111DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 13/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, 28/02/2011 por HELCIO LAFETA REIS 4 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (Vide Lei nº 11.417, de 2006). Grifei § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso." Consoante tais dispositivos, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – , como faz o Processo Administrativo Fiscal (PAF) disciplinado pelo Decreto nº 70.235/1972, prevê dispensa, por parte dos julgadores, de observância de lei já declarada inconstitucional pelo Pleno do STF, a saber: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (grifei) No mesmo sentido, a Lei Complementar n ° 118/2008 revogou o referido art. 45, conforme demonstrado a seguir: Art. 13. Ficam revogados: I – a partir da data de publicação desta Lei Complementar: a) os arts. 45 e 46 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991; Fl. 112DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 13/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, 28/02/2011 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.007571/200393 Acórdão n.º 380301.204 S3TE03 Fl. 105 5 Dessa forma, diante do fato de se tratar a Cofins de tributo sujeito ao lançamento por homologação previsto no art. 150 do CTN, para fins de apuração do prazo decadencial, devese aplicar a regra prevista no § 4° do mesmo artigo, in verbis: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Considerando que no presente caso houve compensação relativa aos fatos geradores ocorridos no período de 31/03/1998 a 30/06/1998, extinção essa sujeita à homologação por parte da Fazenda Pública, temse por configurada a homologação tácita dos pagamentos, via compensação, por ter havido atuação prévia do contribuinte voltada ao cumprimento da obrigação tributária. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, no sentido de cancelar o lançamento de ofício em face da ocorrência de homologação tácita da quitação antecipada realizada pelo contribuinte. É como voto. Assinado digitalmente Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 113DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 13/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, 28/02/2011 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 11080.908537/2009-30
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003
DECISÃO NÃO CONTESTADA.
Considerar-se-á não recorrida a matéria que não for expressamente
contestada pelo interessado.
Numero da decisão: 3803-001.360
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUZA
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Considerarseá não recorrida a matéria que não for expressamente contestada pelo interessado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 1024.209, de 4 de março de 2010, da DRJPorto Alegre/RS, fls. 22 a 23, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Fl. 144DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 08/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 07/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 A nãohomologação da compensação declarada fundamentase na falta de comprovação do pagamento indicado na declaração de compensação. Na manifestação de inconformidade apresentada a interessada “contesta o Despacho alegando que, ao fazer levantamento de importâncias pagas a título de Pis e Cofins, constatou a existência de valores pagos a maior a título das contribuições. Afirma que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável da contribuição com base no disposto no art. 3º, §2º, inciso III, da Lei n° 9.718/1998, o que teria gerado indébitos compensáveis. Transcreve decisões judiciais favoráveis ao seu pleito. Não traz ao processo qualquer comprovação da existência do DARF indicado na DCOMP.”, nos termos do relatório do acórdão recorrido. Em seu julgamento, a DRJ/Porto Alegre, considerou inexistente o direito creditório, seja pela falta de comprovação do recolhimento indicado, seja pela impossibilidade de conferir eficácia ao dispositivo legal que, não tendo o atributo da autoexecutoriedade, foi revogado pela Medida Provisória n° 1.99118, de 2000. Cientificada da decisão em 05 de maio de 2010, irresignada, a interessada apresentou o recurso voluntário de fls. 34 a 43, em 21 de maio de 2010, em que não se contrapõe à decisão recorrida, mas busca alcançar por meio do recurso outro fim, nos termos como registra a seguir o seu pedido: “antes de adentrar (mos) aos fatos do presente recurso fazse necessário deixar claro que a empresa não busca a reforma da decisão que manteve a decisão de não homologação dos créditos tributários, exarada pela Delegacia da Receita.”. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa O recurso é tempestivo, porém não atende a todas as condições de admissibilidade. No requerimento de fl. 24, dirigido ao Delegado da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre, a empresa informa que aderiu ao parcelamento instituído pela Lei n.°11.941/2009, que se deu em 21 de setembro de 2009. A Agência da Receita Federal em Guaíba, órgão jurisdicionante da contribuinte, atendendo o recomendado pelo SEORT/DRF/Porto Alegre intimou a requerente do resultado do seu pleito de desistência de interpor recurso voluntário, para confirmar a adesão no dito parcelamento, nos termos abaixo: Informar, que referente a Desistência do direito a interpor Recurso Voluntário, protocolada em 19/03/2010, não há de se considerar, tendo como base a Portaria Conjunta PGFN/RFB n o 13, de 19 de novembro de 2009, Art. 29 que determina: "Os prazos para desistência de impugnação ou recurso administrativos ou de ação judicial de que batam o caput do art 13e o § 40 do art. 32 da Portaria Conjunta PGFN/RFI3 No 6, de 2009, ficam prorrogados para 28 de fevereiro de 2010." Fl. 145DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 08/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 07/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 11080.908537/200930 Acórdão n.º 3803001.360 S3TE03 Fl. 139 3 Informar, ainda, que é facultado à interessada, no mesmo prazo de 30 dias da intimação, o direito de recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. [grifos do original] A recorrente expressamente declara que não contesta a decisão de primeira instância, que não homologou as compensações, e o que almeja – completa: e sim pretende ver CONSOLIDADA SUA ADESÃO AO PARCELAMENTO INSTITUÍDO PELA LEI 11.941/09, inobstante não ter havido protocolo de petição de desistência dos recursos administrativos dentro do prazo estipulado pela Portaria Conjunta n°. 13/2009, pelas razões de fato e de direito que passa a expor. Na linha do que enuncia o art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972, “A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento.”, o recurso voluntário permite a continuidade do litígio na esfera de julgamento de segundo grau, vale dizer, no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Assim deixa claro o art. 56 da Lei nº 9.784, de 1999, litteris: Art. 56. Das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito. No mesmo diapasão do art. 17, que estabelece: que “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997), matéria que não houver sido expressamente contestada na decisão de piso, será considerada não recorrida. Não é escopo deste processo decidir acerca da inclusão ou não de débitos em programa de parcelamento. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 02 de março de 2.011 Belchior Melo de Sousa Fl. 146DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 08/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 07/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 4 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 11080.908537/200930 Interessada: SINALIZADORA RODOVIÁRIA LTDA Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803001.360, de 02 de março de 2011, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 02 de março de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 147DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 08/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 07/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Numero do processo: 13839.001002/2007-90
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 31/12/2002
INSTRUÇÃO DO PROCESSO. JUNTADA DE PROVAS.
O poder instrutório da defesa em processos administrativos tributários compete, em princípio, ao sujeito passivo no sentido de carrear aos autos provas capazes de amparar convincentemente seu direito.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 31/12/2002
FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRRF. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO.
Na situação em que as infrações tenham sido praticadas durante a gestão de sócio anterior, o lançamento deve ser efetuado em nome da pessoa jurídica, pois, as infrações praticadas a beneficiaram. O art. 135 do CTN não exclui a empresa do pólo passivo da obrigação tributária e apenas se refere à responsabilidade pessoal pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração
de lei, contrato social ou estatutos. Esta responsabilidade é atribuída às pessoas indicadas no artigo de modo supletivo. O artigo mencionado não tem a força de alterar a definição de sujeito passivo de que trata o art. 121 do CTN.
O simples inadimplemento do débito não configurada a prática de atos com infração à lei ou ao estatuto social, que enseje a responsabilização pessoal de sócio anterior da empresa, tanto mais se este sequer foi cientificado de tal fato.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2802-000.641
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR
PROVIMENTO PARCIAL ao recurso nos termos do voto da relatora para excluir a responsabilidade pessoal do sócio. Vencido o Conselheiro Sidney Ferro Barros que dava provimento ao recurso por erro na identificação do sujeito passivo. O Conselheiro Jorge Cláudio Duarte Cardoso, quanto a exclusão da responsabilidade pessoal, votou pela sua exclusão por falta de notificação ao responsável pessoal, acompanhando a relatora, nesse ponto, pelas conclusões.
Matéria: IRF- ação fiscal- ñ retenção/recolhim. (rend.trib.exclusiva)
Nome do relator: VALERIA PESTANA MARQUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 31/12/2002 INSTRUÇÃO DO PROCESSO. JUNTADA DE PROVAS. O poder instrutório da defesa em processos administrativos tributários compete, em princípio, ao sujeito passivo no sentido de carrear aos autos provas capazes de amparar convincentemente seu direito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 31/12/2002 FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRRF. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. Na situação em que as infrações tenham sido praticadas durante a gestão de sócio anterior, o lançamento deve ser efetuado em nome da pessoa jurídica, pois, as infrações praticadas a beneficiaram. O art. 135 do CTN não exclui a empresa do pólo passivo da obrigação tributária e apenas se refere à responsabilidade pessoal pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Esta responsabilidade é atribuída às pessoas indicadas no artigo de modo supletivo. O artigo mencionado não tem a força de alterar a definição de sujeito passivo de que trata o art. 121 do CTN. O simples inadimplemento do débito não configurada a prática de atos com infração à lei ou ao estatuto social, que enseje a responsabilização pessoal de sócio anterior da empresa, tanto mais se este sequer foi cientificado de tal fato. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES Assinado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso nos termos do voto da relatora para excluir a responsabilidade pessoal do sócio. Vencido o Conselheiro Sidney Ferro Barros que dava provimento ao recurso por erro na identificação do sujeito passivo. O Conselheiro Jorge Cláudio Duarte Cardoso, quanto a exclusão da responsabilidade pessoal, votou pela sua exclusão por falta de notificação ao responsável pessoal, acompanhando a relatora, nesse ponto, pelas conclusões (assinado digitalmente) Valéria Pestana Marques – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ana Paula Locoselli Erichsen, Carlos Nogueira Nicácio, Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros e Valéria Pestana Marques (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração, fls. 182/187, atinente aos fatos geradores em epígrafe, lavrado em virtude da falta de recolhimento pela interessada do imposto de renda retido da fonte sobre o trabalho com e sem vínculo empregatício levantada como decorrência do cruzamento procedido pela Fiscalização entre a DIRF – Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – apresentada pela contribuinte à Receita Federal e os DARFs – Documentos de Arrecadação Federal – relativos aos respectivos recolhimentos. Salientese que na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” da peça fiscal questionada consta à fl. 183: “Cabe aqui também frisar que, segundo os artigos 135, III e 136 do Código Tributário Nacional, o Sr. Pedro Nuno da Fonseca Pinto Souza – CPF 071.485.13880 – responde pessoalmente pelos créditos tributários aqui apurados uma vez que agiu infringindo o art. 168 do DecretoLei n.º 2.848/40 (Código Penal). Contra a interessada foi lavrada também “Representação Fiscal para Fins Penais, protocolizada nos autos de n.º 13839.001007/200712, apensos ao presente processo. Insurgida contra o lançamento, a peticionária apresentou a impugnação de fls. 199/214, na qual alega, dentre outras razões, a extinção de parte do crédito lançado pelo pagamento e a inclusão de outra parcela deste no PAES, assim como questiona a presumível responsabilização pessoal de seu sócio, o caráter exorbitante da multa aplicada e a utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora. A autoridade recorrida ao examinar o pleito decidiu, por unanimidade de votos, mediante o acórdão de fls. 339/348 pela procedência parcial do lançamento, conforme as ementas a seguir transcritas: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ......................................................................................................... CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA. ORDEM DE INTIMAÇÃO. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES Assinado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES Processo nº 13839.001002/200790 Acórdão n.º 280200.641 S2TE02 Fl. 369 3 A decisão emanada pelos órgãos julgadores de 1ª instância já contém, em sua essência, ordem de intimação em atendimento ao disposto no art. 31 do Decreto n.º 70.235, de 1972, e alterações posteriores, sendo dever de ofício do órgão preparador cientificar a contribuinte, a fim de impulsionar o Processo Administrativo Fiscal. ENDEREÇAMENTO DAS INTIMAÇÕES. É prevista a intimação do sujeito passivo apenas no domicílio tributário, assim considerado o do endereço postal, eletrônico ou de fax, pelo contribuinte fornecido, para fins cadastrais, à Secretária da Receita Federal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Inexiste ofensa ao princípio da ampla defesa quando o contribuinte demonstra ter pleno conhecimento dos fatos imputados pela fiscalização, bem como da legislação tributária aplicável, exercendo seu direito de defesa de forma ampla na impugnação. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra, nos autos, qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF ......................................................................................................... IRRF. CONFRONTO DIRF X DARF. É devido pela fonte pagadora o imposto de renda informado em DIRF que não tenha sido recolhido, parcelado e nem declarado em DCTF. Retificase a exigência na proporção dos valores comprovados. MULTA DE OFÍCIO E JUROS À TAXA SELIC, INCONSTITUCIONALIDADE, INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas a observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRRF. RESPONSABILIDADE. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES Assinado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES 4 créditos decorrentes do não recolhimento do imposto sobre a renda descontado na fonte. A responsabilidade das pessoas referidas restringese ao período da respectiva administração, gestão ou representação. (Negritos do original) Considero, ainda, relevante reproduzir, para melhor compreensão dos presentes autos, o demonstrativo do débito remanescente consolidado confeccionado no voto condutor da decisão de 1º grau, o qual consta à fl. 348: DEMONSTRATIVO DE DÉBITO (Valores em Reais) tributo PA exigido cancelado mantido IRRF 28/2/02 673,46 673,46 0,00 IRRF 31/3/02 409,25 0,00 409,25 IRRF 30/4/02 1.586,59 0,00 1.586,59 IRRF 31/5/02 409,25 0,00 409,25 IRRF 30/6/02 1.381,78 1.381,78 0,00 IRRF 31/7/02 4.364,70 4.364,70 0,00 IRRF 30/9/02 4.731,65 4.731,65 0,00 IRRF 31/10/02 4.717,83 0,00 4.717,83 IRRF 31/12/02 4.486,64 0,00 4.486,64 total 22.761,15 11.151,59 11.609,56 Devidamente cientificado desse julgado em 13/11/2007, fl. 351, ingressa a contribuinte com recurso voluntário dirigido ao então Primeiro Conselho de Contribuintes, fls. 352/364. Em sede de recurso, a litigante, por meio de seus bastantes procuradores, consoante instrumento de mandato de fl. 215, alega que: • a DRJ recorrida, no acórdão vergastado, mantém a parcela da exação no montante de R$ 4.717,83 – código 0561 – relativa ao mês de outubro de 2002, sob o argumento de que tal pagamento não teria sido localizado, ao mesmo tempo em que afirma que o valor de R$ 5.326,88, incluído no PAES, reportarseia a débito informado na DCTF no mês de novembro do referido ano; • pela análise do demonstrativo de apuração do imposto lançado, anexo à peça fiscal contestada, podese extrair que o valor declarado em DCTF para o aludido mês novembro de 2002 é completamente diverso do acima elencado, ou seja, corresponderia a R$ 9.867,59; • não obstante tais fatos, considera já comprovado, desde sua peça impugnatória, que o débito relativo a outubro de 2002 foi incluído no PAES pelo seu valor atualizado, qual seja R$ 5.326,88; • no mês de dezembro de 2002 teria sido mantido em 1ª instância sob o código acima referido – 0561 o débito de R$ 4.486,64. Todavia, afirma, o exame do quadro demonstrativo do auto de infração sob lide permite verificar que fora declarado em tal período na DIRF R$ 5.340,62 e na DCTF apenas R$ 853,98, estando também, segundo suas alegações, a Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES Assinado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES Processo nº 13839.001002/200790 Acórdão n.º 280200.641 S2TE02 Fl. 370 5 parcela remanescente de tal débito, devidamente atualizada para a quantia de R$ 5.804,71, incluída no PAES; • os valores retidos ainda em dezembro de 2002 sobre o 13º salário (R$ 4.950,73) foram não só objeto da DIRF retificadora constante do presente processo, mas também foram devidamente recolhidos, não tendo, pois, sido abrangidos pela autuação questionada; • por outro lado, as quantias exigidaslhe em 1ª instância sob o código 0588 nos meses de março e maio de 2002, cada uma no importe de R$ 409,25, também não se fazem cabíveis, uma vez também estariam dentro do PAES. Informa, no entanto que, por seu equívoco, estas foram ali incluídas dentre os valores consignados sob o código 0561, algo tomado como de impossível comprovação pela autoridade de 1º grau, com o que discorda, requerendo o cotejo com sua escrituração contábil; • ratifica, por fim, suas teses de defesa relativas à presumível responsabilização pessoal de seu sócio Pedro Nuno da Fonseca Pinto Souza ao caráter exorbitante da multa aplicada e à utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora. É o relatório do essencial. Voto Conselheira Valéria Pestana Marques Relatora O recurso de fls. 352/364 é tempestivo, consoante o cotejo do AR – Aviso de Recebimento de fl. 351 e o carimbo de recepção aposto à fl. 352. Estando dotado, ainda, dos demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. De plano, considero mister transcrever excerto do voto condutor proferido na 1ª instância administrativa de julgamento: ......................................................................................................... No mérito, conforme relatado, a interessada foi autuada para exigência do IRRF declarado em DIRF que deixou de ser informado em DCTF. ......................................................................................................... Evidentemente, as informações prestadas em DIRF pelas fontes pagadoras podem ser utilizadas para confronto com os pagamentos efetuados e/ou com os dados consignados em outras declarações da própria fonte pagadora e/ou de terceiros. ......................................................................................................... Acaso verificada inconsistência entre as declarações existentes, cumpre ao Fisco, por dever de ofício, a constituição do crédito Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES Assinado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES 6 tributário que deixou de constar de instrumento de confissão de dívida, a fim de prevenir a decadência. E é cediço no âmbito da Administração Tributária que a DCTF e o pedido de parcelamento, ao contrário da DIRF, possuem o caráter de confissão de dívida, constituindo instrumentos hábeis e suficientes à exigência do crédito tributário ali informado. Desta feita, justificase a formalização da exigência que, estando presente na DIRF, deixou de constar da DCTF e/ou de eventual pedido de parcelamento regularmente processado. Ressaltese que o trabalho fiscal focalizou apenas o confronto dos dados presentes nas declarações, sem verificação da regular apuração do imposto na escrita da contribuinte, sendo que os débitos (...) (grifei) ........................................................................................................ De outra banda, a contribuinte desde a fase impugnatória vem falando em extinção de parte dos valores lançados pelo pagamento ou de sua inclusão em programa especial de parcelamento – o PAES. Tanto assim, que alguns de seus argumentos foram acatados em 1º grau, tendo inclusive a exigência inicial sido eximida em parte por aquela autoridade julgadora. Antes da apreciação das alegações contidas na peça recursal propriamente dita, é de se reproduzir ainda outro fragmento do voto condutor proferido em 1º grau: ..................................................................................................... Com efeito, em sendo declarante pelo lucro real, no período fiscalizado, a autuada deveria dispor da escrituração contábil/fiscal completa, que poderia ser exibida no momento da impugnação. Assim, a simples apresentação dos Livros Diário e Razão, contendo os lançamentos do período autuado, seria suficiente para afastar a exigência fiscal, acaso confirmado o equívoco alegado. .............................................................................................. Todavia, não obstante o contido no voto condutor de 1ª instância, como acima transcrito, cumpre esclarecer que o pólo passivo em sede de recurso traz tãosomente alegações relativas a possíveis equívocos cometidos pela autoridade a quo no atinente à manutenção da tributação de pagamentos que, segundo informa, teriam sido, ou alocados de forma atualizada quando de sua adesão ao PAES, ou ali equivocadamente elencados, aduzindo ainda que tudo poderia ser facilmente comprovado pelo cotejo com sua escrituração contábil. É cediço que os valores informados pelos contribuintes à Receita Federal devem retratar fielmente os dados de sua escrituração contábil/fiscal, esperandose, por conseguinte, coerência entre os montantes dos tributos e contribuições consignados em quaisquer das declarações apresentadas pela pessoa jurídica em cumprimento de dever instrumental. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES Assinado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES Processo nº 13839.001002/200790 Acórdão n.º 280200.641 S2TE02 Fl. 371 7 Se inconsistências ocorreram e houve autuação, mantida em parte em 1ª instância, caberia ao interessado elidir documentalmente a tributação da parcela remanescente da exigência que pretende combater em 2º grau. Entretanto, nada de concreto foi trazido aos autos pela litigante no sentido de alterar o entendimento dessa relatora acerca das alegações passivas de mérito, todas elas relativas a presumíveis equívocos cometidos pela autoridade julgadora de 1º grau quando da verificação dos valores lançados. A contribuinte poderia ter acostado ao processo cópias dos livros contábeis dos períodos em debate, acompanhadas da competente documentação de suporte de sua escrituração, com o fito de documentalmente demonstrar a veracidade de suas afirmações. E isso se aplica sobremaneira ao caso concreto, tendo em vista que a autuada, repisese, é declarante pelo lucro real. Ressaltese por fim, quanto ao item sob análise, que o poder instrutório do processo é de interesse exclusivo da parte, não cabendo a autoridade julgadora suprir eventuais deficiências na juntada de provas que eram de responsabilidade do contribuinte carrear com o fito de elidir o feito fiscal. Dando seguimento à elaboração de meu voto, passo a analisar a questão da responsabilização pessoal, no auto de infração combatido, do sócio gerente da empresa na época em que ocorrido os fatos geradores litigados: o Sr. Pedro Nuno da Fonseca Pinto Souza. O autuante no corpo da peça fiscal vergastada assim se manifestou: “Cabe aqui também frisar que, segundo os artigos 135, III e 136 do Código Tributário Nacional, o Sr. Pedro Nuno da Fonseca Pinto Souza – CPF 071.485.13880 – responde pessoalmente pelos créditos tributários aqui apurados uma vez que agiu infringindo o art. 168 do DecretoLei n.º 2.848/40 (Código Penal).” Foi lavrado então o competente Auto de Infração contra a empresa STUP PREMOLDADOS LTDA., cuja ciência à pessoa física acima mencionado não consigo vislumbrar no presente processo. De plano, tomo como imprescindível me manifestar no sentido de que, segundo entendo, o supracitado art. 135 do CTN não exclui a empresa do pólo passivo da obrigação tributária referindose apenas à responsabilidade pessoal pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos porventura praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. Por sua vez, o art. 136 do mesmo Diploma Legal, também invocado pelo autuante, trata da responsabilidade por infrações da legislação tributária independente da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão de seus efeitos. Sobre tal trilha de raciocínio tomo como razões de decidir fragmento do bem estruturado voto condutor de primeira instância, in verbis: ....................................................................................................... No mais, tendo sido a impugnação apresentada pela pessoa jurídica STUP – Premoldados Ltda, CNPJ 58.844.390/000166, Fl. 7DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES Assinado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES 8 contra quem foi lavrado o Auto de Infração questionado, impõe se reconhecer a falta de legitimidade processual da referida pessoa jurídica para apresentação de defesa em favor do sócio gerente, Sr. Pedro Nuno da Fonseca Pinto de Souza, ante a ausência de instrumento específico de representação. (sublinhado por esta relatora) Não obstante, sendo dever do julgador a verificação do fiel cumprimento da legislação nos atos praticados pela Administração Tributária, impõese trazer aos autos o que estabeleceu o DecretoLei n.º 1.736, de 20 de dezembro de 1979, quanto à responsabilização pela falta do recolhimento do imposto retido: “Art. 8º São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto sobre produtos industrializados e do imposto sobre a renda descontado na fonte. Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas referidas neste artigo restringese ao período da respectiva administração, gestão ou representação.”(negrejouse) Como visto, os administradores da pessoa jurídica respondem pelo crédito tributário devido pela administrada, decorrente da falta do recolhimento do imposto de renda retido, porém, de forma solidária, estando referida responsabilidade restrita ao período da respectiva administração. O Ministro da Fazenda editou a Portaria MF n.º 99, de 5 de fevereiro de 1980 (DOU de 05/12/1980), fundamentandose no dispositivo supra, com o seguinte teor: “são solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos débitos decorrentes do nãorecolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do Imposto sobre a Renda (IR) descontado na fonte (DecretoLei nº 1.736, de 20 de dezembro de 1979, art. 8º)”. A jurisprudência abaixo firma o mesmo entendimento: “SÓCIO ADMINISTRADOR – O sócio responsável pela administração e gerência de sociedade limitada, por substituição, é objetivamente responsável pela dívida fiscal, contemporânea ao seu gerenciamento ou administração, constituindo violação à lei o não recolhimento de dívida fiscal regularmente constituída e inscrita. Não exclui a sua responsabilidade o fato do seu nome não constar na certidão de dívida ativa. Multiplicidade de precedentes jurisprudenciais (STFSTJ). [Ac. un. Da 1º T. do STJ – Resp. 33.7311/MG, em 06/02/95 – DJU 06/03/95, pág. 4318] In casu, a falta de recolhimento do imposto retido foi verificada para os períodos de apuração de 28/02/2002, 30/04/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 30/09/2002, 31/10/2002 e 31/12/2002 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES Assinado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES Processo nº 13839.001002/200790 Acórdão n.º 280200.641 S2TE02 Fl. 372 9 (IRF sobre rendimentos do trabalho assalariado) e de 31/03/2002 a 31/05/2002 (IRF sobre rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício). Por seu turno, vêse da DIPJ apresentada para o respectivo ano calendário (fls. 17/75) e da consulta ao cadastro CNPJ (fls. 02/05), que o Sr. Pedro Nuno da Fonseca Pinto de Souza representou a empresa na gestão do ano de 2002. Nestes termos, impõese reconhecer a responsabilidade solidária da pessoa física acima identificada para a exigência aqui formalizada. De qualquer forma, correto se mostra o procedimento fiscal, já que o lançamento questionado foi regularmente constituído tendo como sujeito passivo da obrigação tributária a pessoa jurídica STUP – Premoldados Ltda, CNPJ 58.844.390/000166. ............................................................................................... Ou seja, a responsabilidade em foco haveria em tese de ser atribuída, por força de lei, de modo supletivo ao aludido sóciogerente e os artigos do CTN mencionados pelo autuante na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” relativos à sua responsabilização pela exação constituída não são detentores de força suficiente no sentido de alterar a definição de sujeito passivo de que trata o art. 121 do mesmo diploma legal, o qual na espécie é a empresa autuada. Ainda em consonância com o acórdão de 1º grau, assevero, ad argumentandum, que o arrolamento do sócio como responsável solidário nos autos do processo administrativo fiscal é fato relevante sim, mas, sobretudo para fins de eventual futura inscrição e cobrança de débito por meio da dívida ativa da União. Mas o que se tem no caso concreto no que tange ao assunto em análise? Temse, de plano, o autuante atribuindo a responsabilidade pelo crédito tributário lançado de forma pessoal ao Sr. Pedro Nuno da Fonseca Pinto Souza – CPF 071.485.13880 – por infração ao art. 168 do Código Penal, que trata do crime de apropriação indébita. E o faz invocando os arts. 135 III e 136 do CTN. Num primeiro momento é de se considerar excerto das mais recentes manifestações do Supremo Tribunal de Justiça – STJ – acerca da responsabilização do sócio no caso de inadimplemento de obrigação tributária (REsp 1.204.449 SP, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, 2ª Turma, DJe de 02/12/2010). (...) A jurisprudência desta Corte assentou sua jurisprudência no sentido de que o art. 13 da Lei n. 8.620/93 não enseja a responsabilidade solidária do sócio automaticamente, devendo ser interpretado em conjunto com o art. 135 do CTN, não sendo suficiente para o redirecionamento o simples inadimplemento do débito.(grifei) Fl. 9DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES Assinado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES 10 Cito precedentes: (....) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. REDIRECIONAMENTO. SOLIDARIEDADE. ART. 13 DA LEI 8.620/1993. APLICAÇÃO CONJUNTA COM O ART. 135 DO CTN. SIMPLES INADIMPLEMENTO DE DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE INFRAÇÃO À LEI. 1. O redirecionamento com base no art. 13 da Lei 8.620/1993 exige a presença das hipóteses listadas no art. 135 do CTN. Precedentes do STJ. 2. In casu, o Tribunal de origem consignou que a Execução Fiscal originouse de descumprimento de obrigação acessória, culminando no simples inadimplemento do débito. Desse modo, não está configurada a prática de atos com infração à lei ou ao estatuto social. (grifei) 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no REsp 1082881/PB, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 27.8.2009) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. REDIRECIONAMENTO CONTRA O SÓCIOGERENTE. SÚMULA Nº 07/STJ. TRIBUTO DEVIDO À SEGURIDADE SOCIAL. SOLIDARIEDADE. ARTIGO 13 DA LEI Nº 8.620/1993. APLICAÇÃO CONJUNTA COM O ARTIGO 135 DO CTN. OBRIGATORIEDADE. I O artigo 13 da Lei n° 8.620/93, que impõe ao sócio a solidariedade pelas dívidas da empresa junto à Seguridade Social, não deve ser aplicado isoladamente, nem mesmo com a simples conjugação ao artigo 124, II, do CTN. II Para a aplicação do referido dispositivo é indispensável que estejam presentes as situações previstas no artigo 135 do CTN, ou seja, que o sócio responsabilizado tenha praticado atos com excesso de poderes; com infração à lei ou ao contrato social. Precedentes: AgRg no REsp nº 990.615/BA, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, DJ de 23.04.2008, AgRg no Ag nº 921.362/BA, Rel. Min. DENISE ARRUDA, DJ de 31.03.2008 e REsp nº 698.960/RS, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 18.05.2006. (grifei) III – (...) IV Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1052246/SP, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 27.8.2008) (...) Ou seja, o simples inadimplemento de débitos tributários, por si só, não configura a prática de atos com infração à lei ou ao estatuto social, que enseje a aplicação do art. 135 do CTN. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES Assinado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES Processo nº 13839.001002/200790 Acórdão n.º 280200.641 S2TE02 Fl. 373 11 Mais ainda, nos presentes autos, não foi o Sr. Pedro Nuno da Fonseca Pinto Souza – CPF 071.485.13880 – sequer cientificado de que a autoridade fiscal lhe estaria atribuindo responsabilidade – e de forma pessoal – pelo crédito tributário lançado, o que justifica, sob meu ponto de vista, o afastamento de tal instituto no caso concreto. Finalizando meu voto é de se enfrentar as demais matérias trazidas à discussão pela recorrente, quais sejam: o caráter confiscatório do apenamento aplicado e o cálculo dos juros de mora com base na taxa SELIC. Tais assertivas não hão de ser objeto de manifestação por parte desta relatora, haja vista ter restado entendimento pacificado e até mesmo sumulado por este Colegiado sobre tais temas, in verbis: Súmula CARF n.º 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Acresçase ainda, no que tange ao caráter confiscatório do apenamento utilizado pelo autuante, que o princípio da proibição do confisco não é dirigido à Administração, mas ao legislador e, ainda assim, no que se refere aos tributos, não às multas. Assim, por via de conseqüência e em obediência ao § 4º, do art. 72 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que determina a adoção obrigatória de tais súmulas pelos membros do CARF, falece a esta autoridade julgadora competência para administrativamente enfrentar tais assuntos. Em face de todo o exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso interposto, para afastar a responsabilidade pessoal atribuída ao sócio Sr. Pedro Nuno da Fonseca Pinto Souza – CPF 071.485.13880. Brasília/DF, Sala das Sessões, em 9 de fevereiro de 2010. (assinado digitalmente) Valéria Pestana Marques Relatora Fl. 11DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES Assinado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES
score : 1.0
Numero do processo: 10508.001123/2008-76
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2005
ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO.
INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL.
INAPLICABILIDADE DE LEI.
A Contribuição para o PIS instituída pela Lei nº 9.718/1998 incide sobre o faturamento da pessoa jurídica, não alcançando as demais receitas auferidas. O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição instituído anteriormente à Emenda Constitucional nº 20/1998. O CARF encontra-se autorizado a afastar a aplicação de lei julgada inconstitucional pelo Pleno do STF. Trata-se de matéria objeto de repercussão geral já admitida pelo STF.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Ano-calendário: 2005
ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO.
INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL.
INAPLICABILIDADE DE LEI.
A Cofins instituída pela Lei nº 9.718/1998 incide sobre o faturamento da pessoa jurídica, não alcançando as demais receitas auferidas. O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição instituído anteriormente à Emenda Constitucional nº 20/1998. O CARF encontra-se autorizado a afastar a aplicação de lei julgada inconstitucional pelo Pleno do STF. Trata-se de
matéria objeto de repercussão geral já admitida pelo STF.
Numero da decisão: 3803-001.291
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2005 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. INAPLICABILIDADE DE LEI. A Contribuição para o PIS instituída pela Lei nº 9.718/1998 incide sobre o faturamento da pessoa jurídica, não alcançando as demais receitas auferidas. O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição instituído anteriormente à Emenda Constitucional nº 20/1998. O CARF encontra-se autorizado a afastar a aplicação de lei julgada inconstitucional pelo Pleno do STF. Trata-se de matéria objeto de repercussão geral já admitida pelo STF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2005 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. INAPLICABILIDADE DE LEI. A Cofins instituída pela Lei nº 9.718/1998 incide sobre o faturamento da pessoa jurídica, não alcançando as demais receitas auferidas. O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição instituído anteriormente à Emenda Constitucional nº 20/1998. O CARF encontra-se autorizado a afastar a aplicação de lei julgada inconstitucional pelo Pleno do STF. Trata-se de matéria objeto de repercussão geral já admitida pelo STF.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. INAPLICABILIDADE DE LEI. A Contribuição para o PIS instituída pela Lei nº 9.718/1998 incide sobre o faturamento da pessoa jurídica, não alcançando as demais receitas auferidas. O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição instituído anteriormente à Emenda Constitucional nº 20/1998. O CARF encontrase autorizado a afastar a aplicação de lei julgada inconstitucional pelo Pleno do STF. Tratase de matéria objeto de repercussão geral já admitida pelo STF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. INAPLICABILIDADE DE LEI. A Cofins instituída pela Lei nº 9.718/1998 incide sobre o faturamento da pessoa jurídica, não alcançando as demais receitas auferidas. O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição instituído anteriormente à Emenda Constitucional nº 20/1998. O CARF encontrase autorizado a afastar a aplicação de lei julgada inconstitucional pelo Pleno do STF. Tratase de matéria objeto de repercussão geral já admitida pelo STF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 146DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 05/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente ALEXANDRE KERN Presidente. Assinado digitalmente HÉLCIO LAFETÁ REIS Relator. EDITADO EM: 03/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Carlos Henrique Martins de Lima, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ Salvador/BA que julgou procedentes os autos de infração relativos à Contribuição para o PIS e a Cofins, decorrentes de auditoria fiscal na escrituração do contribuinte, tendo sido detectada pela Fiscalização insuficiência de pagamentos e/ou declaração relativos às contribuições (fls. 56 a 66 ; fls. 67 a 77). Contrariado com os lançamentos de ofício, o contribuinte apresentou Impugnações (fls. 79 a 123) e requereu a declaração de improcedência dos autos de infração por terem sido lavrados sobre bases de cálculo não correspondentes à venda e prestação de serviços, contrariando decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). O então Impugnante requereu, também, no caso de não acatamento do pedido de cancelamento dos autos de infração, a redução da multa de ofício para 30%, dado seu caráter exorbitante. A DRJ Salvador/BA decidiu pela procedência dos lançamentos (fls. 125 a 128), afastou as alegações de cerceamento do direito de defesa e de inconstitucionalidade de lei e decidiu pelo escorreito procedimento da Fiscalização, considerando que as contribuições, com fundamento na Lei nº 9.718/1998, incidiriam sobre a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte, independentemente de sua classificação contábil. Decidiu, também, pela correta exigência da multa de ofício, dada a observância da legislação de regência. Não se conformando com os termos da decisão a quo, o contribuinte recorre a este Conselho (fls. 133 a 139) e reitera seu pedido de declaração de improcedência dos autos de infração ou, subsidiariamente, de redução da multa de ofício, repisando os mesmos argumentos apresentados na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 05/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10508.001123/200876 Acórdão n.º 380301.291 S3TE03 Fl. 142 3 Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, o contribuinte se insurgiu contra os lançamentos de ofício relativos à Contribuição para o PIS e à Cofins, controvertendose quanto à inclusão das receitas financeiras que, segundo ele, extrapolariam o conceito de faturamento, ou seja, não seriam decorrentes da venda e prestação de serviços. De início, ressaltese que a Fiscalização, ao elaborar os demonstrativos que serviram de base às autuações com fundamento na Lei nº 9.718/1998 (Decreto nº 4.524/2002, artigos 2º, 3º, 10, 22 e 51), discriminou as receitas decorrentes da venda de mercadorias e serviços das demais receitas, sendo que estas englobariam tão somente as referidas receitas financeiras. Tal procedimento fiscal se pautou pela dicção da redação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 que alargou o conceito do termo “faturamento” no sentido de abranger, além das receitas brutas decorrentes das vendas de mercadorias e serviços, as demais receitas, independentemente de sua classificação contábilfiscal. A Lei n° 9.718/1998, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 1.724, de 29 de outubro de 1998, foi publicada em novembro de 1998 quando vigia a redação original do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, em que se previa apenas o faturamento como hipótese de incidência da contribuição social, não constando a possibilidade de alcançar outras receitas auferidas pela pessoa jurídica, o que veio a ocorrer somente em dezembro do mesmo ano por meio da Emenda Constitucional n° 20. Em razão disso, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu pela inconstitucionalidade da exação, conforme se depreende do excerto a seguir reproduzido: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à Fl. 148DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 05/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS 4 venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF, Plenário, RE 346.084/PR, DJ 02/09/2006) Grifei De acordo com o entendimento do STF, o alargamento posterior da base de cálculo da contribuição de “faturamento” para “receita e faturamento”, operada por meio da Emenda Constitucional n° 20/1998, não teve o condão de convalidar legislação anterior que previa a incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Essa mesma interpretação consta dos Recursos Extraordinários n° 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, o que denota estar aquele tribunal caminhando para a consolidação de tal entendimento. Não se pode olvidar que o termo faturamento referese ao somatório das receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços, conforme se depreende do contido no art. 2° da Lei Complementar n° 70/1970, in verbis: Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. (grifei) Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. O fato de o Supremo Tribunal Federal ter considerado o conceito de faturamento equivalente ao de “receita bruta”1 não pode ser interpretado como dilatação autorizada do alcance de tais institutos, pois o termo “receita bruta” foi considerado como coincidente com o de faturamento, ou seja, a totalidade das receitas provenientes da venda de mercadorias e serviços. A possibilidade de tributar outras receitas somente passou a vigorar após a vigência da Emenda Constitucional n° 20/1998, quando se incluiu, dentre as hipóteses de fatos geradores das contribuições sociais, a “receita” genericamente considerada. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – prevê dispensa, por parte dos julgadores, de observância de lei já declarada inconstitucional pelo Pleno do STF, a saber: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de 1 ADIn n° 11/DF Fl. 149DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 05/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10508.001123/200876 Acórdão n.º 380301.291 S3TE03 Fl. 143 5 observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (grifei) Além disso, devese ressaltar que referida matéria já teve o mérito da Repercussão Geral julgado pelo STF, conforme decisum reproduzido a seguir, tendo como leading case o RE nº 527/602, o que, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF, acarreta o dever de observância do seu teor pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 31. COFINS. MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA. NECESSIDADE DE LEI COMPLEMENTAR. LEI Nº 9.718/98, ARTIGO 8º. O Plenário do Supremo Tribunal Federal confirmou o entendimento da Corte no sentido da inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, que alargou a base de cálculo do PIS e da Cofins, para reconhecer que a receita bruta (faturamento) seria a “totalidade das receitas auferidas” pelas empresas. A decisão, tomada no julgamento do Recurso Extraordinário 527602, seguiu o entendimento do ministro Marco Aurélio, para quem o novo conceito de faturamento criado pelo dispositivo questionado – uma lei ordinária, foi além do que previu a Constituição Federal – que determinava a necessidade de uma lei complementar para tal. Já o artigo 8º da mesma lei, que aumentou a alíquota da contribuição, de 2% para 3%, foi considerado constitucional pela Corte, uma vez que não existe a necessidade de lei complementar para tratar do aumento da alíquota. Os ministros se mantiveram fiéis a uma série de REs julgados recentemente pela Corte que tratavam deste assunto – como os recursos 357950, 390840, 358273, 346084 e 336134. Leading case: RE 527.602, Min. Eros Grau, relator para o acórdão Min. Marco Aurélio Dessa forma, considerando a inconstitucionalidade declarada pelo Pleno do STF do alargamento da base de cálculo das contribuições operado por meio do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, no sentido de cancelar os autos de infração relativos à Contribuição para o PIS e à Cofins. É como voto. Assinado digitalmente Fl. 150DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 05/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS 6 Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 151DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 05/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10508.001123/200876 Acórdão n.º 380301.291 S3TE03 Fl. 144 7 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara Processo nº: 10508.001123/200876 Interessada: M & K INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 4º do art. 63 e no § 3º do art. 81 do Anexo II, c/c inciso VII do art. 11 do Anexo I, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, fica um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão no 380301.291, de 01 de março de 2011, da 3a Turma Especial da 3a Seção. Brasília DF, em 01 de março de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com ciência ( ) Com embargos de declaração ( ) Com recurso especial Em ____/____/______ Fl. 152DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 05/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS 8 Fl. 153DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 05/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 11080.908560/2009-24
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
DECISÃO NÃO CONTESTADA.
Considerar-se-á não recorrida a matéria que não for expressamente
contestada pelo interessado.
Numero da decisão: 3803-001.370
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUZA
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Considerarseá não recorrida a matéria que não for expressamente contestada pelo interessado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 1024.219, de 4 de março de 2010, da DRJPorto Alegre/RS, fls. 22 a 23, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Fl. 147DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 08/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 07/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 A nãohomologação da compensação declarada fundamentase na falta de comprovação do pagamento indicado na declaração de compensação. Na manifestação de inconformidade apresentada a interessada “contesta o Despacho alegando que, ao fazer levantamento de importâncias pagas a título de Pis e Cofins, constatou a existência de valores pagos a maior a título das contribuições. Afirma que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável da contribuição com base no disposto no art. 3º, §2º, inciso III, da Lei n° 9.718/1998, o que teria gerado indébitos compensáveis. Transcreve decisões judiciais favoráveis ao seu pleito. Não traz ao processo qualquer comprovação da existência do DARF indicado na DCOMP.”, nos termos do relatório do acórdão recorrido. Em seu julgamento, a DRJ/Porto Alegre, considerou inexistente o direito creditório, seja pela falta de comprovação do recolhimento indicado, seja pela impossibilidade de conferir eficácia ao dispositivo legal que, não tendo o atributo da autoexecutoriedade, foi revogado pela Medida Provisória n° 1.99118, de 2000. Cientificada da decisão em 05 de maio de 2010, irresignada, a interessada apresentou o recurso voluntário de fls. 34 a 43, em 21 de maio de 2010, em que não se contrapõe à decisão recorrida, mas busca alcançar por meio do recurso outro fim, nos termos como registra a seguir o seu pedido: “antes de adentrar (mos) aos fatos do presente recurso fazse necessário deixar claro que a empresa não busca a reforma da decisão que manteve a decisão de não homologação dos créditos tributários, exarada pela Delegacia da Receita.”. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa O recurso é tempestivo, porém não atende a todas as condições de admissibilidade. No requerimento de fl. 24, dirigido ao Delegado da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre, a empresa informa que aderiu ao parcelamento instituído pela Lei n.°11.941/2009, que se deu em 21 de setembro de 2009. A Agência da Receita Federal em Guaíba, órgão jurisdicionante da contribuinte, atendendo o recomendado pelo SEORT/DRF/Porto Alegre intimou a requerente do resultado do seu pleito de desistência de interpor recurso voluntário, para confirmar a adesão no dito parcelamento, nos termos abaixo: Informar, que referente a Desistência do direito a interpor Recurso Voluntário, protocolada em 19/03/2010, não há de se considerar, tendo como base a Portaria Conjunta PGFN/RFB n o 13, de 19 de novembro de 2009, Art. 29 que determina: "Os prazos para desistência de impugnação ou recurso administrativos ou de ação judicial de que batam o caput do art 13e o § 40 do art. 32 da Portaria Conjunta PGFN/RFI3 No 6, de 2009, ficam prorrogados para 28 de fevereiro de 2010." Fl. 148DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 08/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 07/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 11080.908560/200924 Acórdão n.º 3803001.370 S3TE03 Fl. 139 3 Informar, ainda, que é facultado à interessada, no mesmo prazo de 30 dias da intimação, o direito de recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. [grifos do original] A recorrente expressamente declara que não contesta a decisão de primeira instância, que não homologou as compensações, e o que almeja – completa: e sim pretende ver CONSOLIDADA SUA ADESÃO AO PARCELAMENTO INSTITUÍDO PELA LEI 11.941/09, inobstante não ter havido protocolo de petição de desistência dos recursos administrativos dentro do prazo estipulado pela Portaria Conjunta n°. 13/2009, pelas razões de fato e de direito que passa a expor. Na linha do que enuncia o art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972, “A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento.”, o recurso voluntário permite a continuidade do litígio na esfera de julgamento de segundo grau, vale dizer, no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Assim deixa claro o art. 56 da Lei nº 9.784, de 1999, litteris: Art. 56. Das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito. No mesmo diapasão do art. 17, que estabelece: que “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997), matéria que não houver sido expressamente contestada na decisão de piso, será considerada não recorrida. Não é escopo deste processo decidir acerca da inclusão ou não de débitos em programa de parcelamento. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 02 de março de 2011 Belchior Melo de Sousa Fl. 149DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 08/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 07/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 4 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 11080.908560/200924 Interessada: SINALIZADORA RODOVIARIA LTDA Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803001.370, de 02 de março de 2011, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 02 de março de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 150DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 08/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 07/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Numero do processo: 35554.005633/2006-26
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2002 a 31/12/2004
Ementa: NORMAS PROCEDIMENTAIS. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO ANEXO FLD. VÍCIO INSANÁVEL. NULIDADE. A indicação dos dispositivos legais que amparam a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito-NFLD é requisito essencial à sua validade, e a sua ausência ou fundamentação genérica, especialmente no relatório Fundamentos Legais do Débito-FLD, determina a nulidade do lançamento, por caracterizar-se como vício insanável, nos termos do artigo 37 da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 11, inciso III, do Decreto nº 70.235/72.
RELATÓRIO FISCAL DO NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar de forma clara e precisa todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório.
Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade da notificação.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE SANEAMENTO NOTIFICAÇÃO. É defeso à autoridade julgadora de primeira instância, em sua Decisão, complementar o Relatório Fiscal e/ou FLD, trazendo as normas legais e/ou critérios de apuração utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, que não foram explicitados naqueles anexos, e que deram causa ao cerceamento de defesa do contribuinte.
Processo anulado.
Numero da decisão: 206-00.064
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em anular a NFLD, nos termos do voto divergente. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros. Designado o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2002 a 31/12/2004 Ementa: NORMAS PROCEDIMENTAIS. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO ANEXO FLD. VÍCIO INSANÁVEL. NULIDADE. A indicação dos dispositivos legais que amparam a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito-NFLD é requisito essencial à sua validade, e a sua ausência ou fundamentação genérica, especialmente no relatório Fundamentos Legais do Débito-FLD, determina a nulidade do lançamento, por caracterizar-se como vício insanável, nos termos do artigo 37 da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 11, inciso III, do Decreto nº 70.235/72. RELATÓRIO FISCAL DO NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar de forma clara e precisa todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade da notificação. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE SANEAMENTO NOTIFICAÇÃO. É defeso à autoridade julgadora de primeira instância, em sua Decisão, complementar o Relatório Fiscal e/ou FLD, trazendo as normas legais e/ou critérios de apuração utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, que não foram explicitados naqueles anexos, e que deram causa ao cerceamento de defesa do contribuinte. Processo anulado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-05T21:12:19Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-05T21:12:18Z; Last-Modified: 2009-08-05T21:12:19Z; dcterms:modified: 2009-08-05T21:12:19Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-05T21:12:19Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-05T21:12:19Z; meta:save-date: 2009-08-05T21:12:19Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-05T21:12:19Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-05T21:12:18Z; created: 2009-08-05T21:12:18Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2009-08-05T21:12:18Z; pdf:charsPerPage: 1927; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-05T21:12:18Z | Conteúdo => MF SEGUNDO CE.» ..110 DE CONTRIBUINTES • CONFERE. ccm O OR:GINAL CCO2/C06 Brasília, 2- 07 Fls. 97 Soma s Otivera lf C MINISTÉRIO DA 'stiii-A-ZEND"s2 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA- Processo n° 35554.005633/2006-26 Recurso n° 141.462 Voluntário Matéria SALÁRIO INDIRETO - PRÊMIO óecjer6H3..ft--cfr o, em, Acórdão n° 206-00.064 eascs Sessão de 10 de outubro de 2007 Ao Recorrente BANCO ITAUCARD S/A Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVEDENCIÁRIA Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2002 a 31/12/2004 Ementa: NORMAS PROCEDIMENTAIS. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO ANEXO FLD. VICIO INSANÁVEL. NULIDADE. A indicação dos dispositivos legais que amparam a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito- NFLD é requisito essencial à sua validade, e a sua ausência ou fimdamentação genérica, especialmente no relatório Fundamentos Legais do Débito-FLD, determina a nulidade do lançamento, por caracterizar-se como vício insanável, nos termos do artigo 37 da Lei n° 8.212/91, c/c artigo 11, inciso III, do Decreto n°70.235/72. RELATÓRIO FISCAL DO NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar de forma clara e precisa todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade da notificação. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE SANEAMENTO NOTIFICAÇÃO. É defeso à autoridade julgadora de primeira instância, em sua Decisão, complementar o Relatório Fiscal e/ou FLD, trazendo as normas legais e/ou critérios de apuração utilizados pela fiscalização na constituição do crédito MF - SEGUNDO CONSELHO OE CONTRIBUINTES • • • Processo n.° 35554.00563312006-26 CONFERE COM O ORIR'NAL CO2/C06 Acórdão n.° 206-00.064 Brasília, 2 9 O 5 / O g Is. 98 Sdma ft dr Staaa 877862 previdenciário, que não foram expiicitauos naqueles anexos, e que deram causa ao cerceamento de defesa do contribuinte. Processo anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em anular a NFLD, nos termos do voto divergente. Vencida a Conselheira Bemadete de Oliveira Barros. Designado o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães detliveira para redigir o voto vencedor. ELIAS SAMPAIO FREIRE President- . e-- %-, i__a.. RYCÁRDI NRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA Relltor-De .1,4 ado_ Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Daniel Ayres Kalume Reis, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Cleusa Vieira de Souza. • • • Processo n.° 35554.00563312006-26 CCO2/C06 AcOrato n.° 206-00.064 Fls. 99 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL el O eS O à` Relatório &Ima wes de ~da MaL: S4ap 817862 Trata-se de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos empregados, à da empresa, à destinada ao financiamento dos beneficios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos terceiros. Consta do Relatório da NFLD (fls. 37/38) que o objeto do lançamento são as contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados por meio de um sistema denominado TOP PREMIUM, que consiste no fornecimento de bônus de premiação que poderão ser trocados por produtos ou serviços em rede de fornecedores da empresa administradora do programa, INCENTIVE HOUSE S.A., que emite nota fiscal de prestação de serviço cobrando o valor dos bônus fornecidos mais comissão pelos serviços prestados. O fiscal notificante esclarece que os valores pagos foram lançados na contabilidade do sujeito passivo e que, como a notificada não exibiu à fiscalização, apesar de solicitado por intermédio de TIAD, a relação discriminada dos valores distribuídos por funcionário premiado e por competência, o salário de contribuição correspondeu ao valor do bônus constantes das notas fiscais, não tendo sido incluída na apuração da base de cálculo da contribuição previdenciária a comissão pela prestação dos serviços. Informa, ainda, que a contribuição do segurado foi calculada mediante a aplicação da aliquota mínima de oito por cento sobre o salário de contribuição apurado. A notificada impugnou o débito (fls. 43 a 54), alegando, em apertada síntese, nulidade do lançamento em relação à cobrança de contribuição devida a terceiros; natureza não remuneratória das verbas pagas; não-incidência de contribuição sobre prêmios entregues em forma de bens; incorreção da aliquota mínima aplicada; inconstitucionalidade do adicional de 2,5% imputado às instituições financeiras e inexigibilidade da contribuição ao INCRA. A Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da Decisão-Notificação n° 21.425.4/286/2006 (fls. 64 a 69), julgou a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito-NFLD procedente, defendendo que as verbas pagas a título de prêmio não são ganhos eventuais desvinculados do salário e sim retribuição ao trabalho prestado pelo empregado, devendo, portanto, integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária. Inconformada com a decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 76 a 87), argumentando que a decisão recorrida não merece prevalecer e repetindo as alegações já apresentadas na impugnação. Reitera a preliminar de nulidade do lançamento em relação à cobrança devida a terceiros por falta de esclarecimentos sobre a alíquota aplicada (2,7%), o que configura violação ao contraditório e à ampla defesa. No mérito, insiste no entendimento de que os prêmios pagos pela recorrente não constituem remuneração e cita o art. 457 da CLT para argumentar que, se o pagamento não decorre diretamente do serviço prestado, não se pode falar em natureza remuneratória e, portanto, em incidência de contribuição previdenciária. C ¡MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL • ' • Processo n.° 35554.005633/2006-26 ;Brasília. 2 g 0 OCCO2/C06Acórdão n.° 206-00.064 Fls. 100 Silaba aveia Mal Sapa 877862 Esclarece que a premiação é dada em função de desempenho, como incentivo para as vendas de serviços da notificada e que os valores não são pagos e contablizados em nome dos empregados que fazem jus ao prêmio, mas em nome da empresa que presta o serviço de distribuição, e reafirma o caráter de esporadicidade e eventualidade dos referidos prêmios. Observa que a premiação é concedida em vale bônus, ou seja, não integra o patrimônio do empregado, e traz a doutrina e a jurisprudência para demonstrar que o prêmio representa uma liberalidade patronal e não possui natureza salarial, estando, portanto, enquadrado na hipótese de isenção prevista na Lei n°8.212/91, art. 28, § 9°, alínea "e", item 7. Por fim, impugna a aliquota de 8% (oito por cento) incidente sobre os prêmios por entender que a aliquota pertencente à primeira faixa da tabela de que trata o artigo 20, da Lei 8.212/91, foi reduzida pela Lei 9.311/96, artigo 17, inciso II, para 7,65% (sete virgula sessenta e cinco por cento). Alega, ainda, inconstitucionalidade do adicional de 2,5% (dois virgula cinco por cento) imputado às instituições financeiras e a inexigibilidade da contribuição ao INCRA. Em Contra-Razões às fls 90 a 96, a SRP manteve os termos da Decisão- Notificação. É o Relatório. _ - . Processo n.° 35554.005633/2006-26 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.064 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fls. 101 CONFERE COMO ORIGINAL Brasília, 97 / OS OSP Silma-2:—tsvera Voto Vencido Mat.. Sera 877862 Conselheira BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Relatora O recurso é tempestivo e está acompanhado do depósito recursal (fl.74). Preliminarmente, a recorrente alega que a decisão recorrida esclareceu acerca do FNDE, mas nada disse a respeito da alíquota aplicada de 2,7% (dois vírgula sete por cento), cuja composição, base de cálculo e alíquota, deveria ter sido demonstra pela autoridade lançadora sob pena de violação ao contraditório e à ampla defesa. Contudo, a base de cálculo está clara e bem definida nos relatórios que integram a NFLD em tela (DAD e RL e Relatório Fiscal) e a alíquota aplicada consta discriminada no DAD. Portanto, não há que se falar em nulidade do lançamento. Ademais, a alegação de violação à ampla defesa por desconhecimento da maneira pela qual a fiscalização apurou o percentual de aliquota de 2,7% (dois vírgula sete por cento) não resiste a uma análise crítica, já que a própria recorrente informa, no item 111-3 (fl. 80) de sua peça recursal, que "...a Notificada não deixa de cumprir a sua obrigação legal de recolher sobre os valores pagos, impostos e contribuições sociais...". Ou seja, ela vem recolhendo regularmente "os encargos fiscais e previdenciários exigidos pela lei", portanto, possui pleno conhecimento da alíquota aplicada (2,7%) incidente sobre o salário de contribuição a título de contribuição para terceiros. Portanto, a preliminar suscitada pela recorrente restou prejudicada. No mérito, a recorrente não nega que concedeu a seus empregados a título de prêmio concedido em função do esforço produtivo. Ela apenas entende que tais valores não são se subsumem à definição de remuneração prevista no art. 457 da CLT e, portanto, não integram o salário de contribuição. Contudo, o conceito de salário-de-contribuição não se confimde com o conceito de remuneração retirado do Direito Laboral. Segundo Wladimir Novaes Martinez (Comentários à Lei Básica da Previdência Social), "O conceito previdenciário de salário-de- contribuiçao não tem de coincidir exatamente com a definição trabalhista de remuneração ou, com mais razão, com a descrição de salário. Para isso é necessário o tipo legal circunscrever o fato gerador, impondo suas condições". A própria Constituição Federal, preceitua, no § 4° do art. 201, renumerado para o § 11, com a redação dada pela Emenda Constitucional n° 20/98, o seguinte: "sç 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer titulo, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüentemente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei". (grifei). Restou claro, nos autos, que a concessão de prêmio aos empregados em função de desempenho, como incentivo para as vendas não é eventual e esporádica, e sim habitual. Tais verbas, como a própria recorrente insiste em afirmar em sua defesa, possuem a natureza de prêmio. E, segundo Amauri Mascaro Nascimento: "A natureza jurídica do prêmio não sofre, praticamente, contestações. É uma forma de salário vinculado a um fator de ordem pessoal do empregado ou geral de muitos empregados, via de regra a sua produção. _ _ ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • • Processo n.° 35554.00563312006-26 CONFERE COMO ORIGINAL CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.064 Brasília, 2" / cy5 / O "X Fls. 102 eke Suma Alves de 0Iiveira Mal.: Sapa 877882 Daí falar-se, também, em salário por rendimento ou samilo por produção. Caracteriza-se, também, pelo seu aspecto condicional. Uma vez verificada a condição de que resultam, devem ser pagos". (In "Teoria Jurídica do Salário", Editora LTR, 1994, pg. 256). Assim, prêmio é remuneração. Esse também é o entendimento do TST: "Prêmio é gratificação, e gratificação é salário, se ajustada expressa ou tacitamente, porque a CLT não exige o ajuste expresso. TST pleno E-R1? 1943/82 - DJU 06/12/85 - pág. 22644". Dessa forma, os valores referentes aos prêmios concedidos pela recorrente a seus empregados integram o salário de contribuição, conforme inciso I, art 28, da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória n° 1.596-14/1997, convertida na Lei n° 9.528/97. Ademais, é oportuno lembrar que, conforme art. 176 do CTN, "a isenção, ainda que prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão...". No presente caso, não resta dúvida que os prêmios concedidos por meio do sistema TOP PREMIUM, administrado pela empresa prestadora INCENTIVE HOUSE S.A., não estão incluídos nas hipóteses legais de isenção previdenciária, previstas no § 9°, art. 28, da Lei n°8.212/91. Quanto ao questionamento da alíquota aplicada para apurar a contribuição do segurado empregado, é oportuno esclarecer que, como a empresa deixou de apresentar a relação dos empregados beneficiados com a concessão do prêmio,a autoridade notificante não teve outra alternativa senão aplicar o disposto no art. 599, da IN n° 03/2005. Com relação à inconstitucionalidade da aplicação do adicional de 2,5% (dois vírgula cinco por cento) imputado às instituições financeiras alegada pela recorrente, cumpre salientar que a cobrança do referido adicional encontra respaldo no § I°, do art. 22, da Lei n° 8.212/91 e o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 49. Da mesma forma, a contribuição ao INCRA encontra amparo na legislação assinalada no relatório Fundamento Legal do Débito, não cabendo o argumento de ilegalidade de sua cobrança. E, embora tenha sido suscitado questionamento acerca da constitucionalidade do art. 90, da Lei n° 7.689/1988, o Supremo Tribunal Federal não o inquinou de inconstitucional. É oportuno lembrar que cabe ao Supremo Tribunal Federal, guardião da Constituição Federal, declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Se o destinatário de uma lei sentir que um de seus dispositivos é inconstitucional, o STF é o órgão competente para tal declaração. Portanto, o foro apropriado para questões dessa natureza não é o administrativo. Ademais, o servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei porque o seu destinatário entende ser inconstitucional quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. `` Nesse sentido e, Considerando tudo o mais que dos autos consta, _ UF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL ,1• • • Processo n.° 35554.005633/2006-26 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.064 Braba. 7 ,- I O S oè‘ Fls. 103 • SsmnAdtiveira Mal: Sape 877862 VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO para, no mérito, NEGAR- LHE PROVIMENTO. É COMO voto. Sala das Sessões, em 10 de outubro de 2007. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS cie/ • Processo n.° 35554.005633/2006-26 CCO2/C06 Acórdão n.°206-O0.064 Fls. 104• MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL Brasflia. 5 / O g a' • illi Sdma — Cimeira Ma: Salm mau Voto Vencedor Conselheiro RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Relator Em que pesem as sempre bem fundamentadas razões de decidir da ilustre relatora, peço vênia para manifestar entendimento divergente, por vislumbrar na hipótese dos autos fato determinante ao deslinde da controvérsia, capaz de ensejar a nulidade do feito, como passaremos a demonstrar. Não obstante as razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte durante todo procedimento fiscal, especialmente no seu recurso voluntário e os esclarecimentos da fiscalização em defesa da manutenção do crédito previdenciário, há na hipótese vertente vícios formais, capazes de determinar a nulidade do procedimento, prejudicando, dessa forma, a análise do mérito da questão, senão vejamos. Do exame dos elementos que instruem o processo, conclui-se que o presente lançamento encontra-se eivado de inúmeros vícios formais, a começar pelo impreciso Relatório Fiscal da Notificação, deixando de informar o procedimento (arbitramento) utilizado na constituição do crédito previdenciário, bem como de inscrever no anexo "Fundamentos Legais do Débito- FLD" o dispositivo legal que o contempla. De fato, com a devida vênia ao fiscal notificante, o lançamento levádo a efeito contra a recorrente apresenta-se insustentável, por ser uma absoluta demonstração de como não se deve proceder num procedimento fiscal. Consoante se positiva da análise dos autos, a lavratura da Notificação Fiscal deveu-se a constatação da falta de recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados, assim caracterizadas pela fiscalização as importâncias concedidas a título de prêmios (TOP PREMIUM), com valores impressos e pré- determinados. De conformidade com o Relatório Fiscal, os fatos geradores das contribuições previdenciárias ora exigidas foram extraídos das Notas Fiscais, com base no valor do bônus constantes das NF's, as quais foram lançadas na contabilidade do sujeito passivo nas contas PREMIAÇÂO TOP PREMIUM-AGÊNCIA, SERVIÇOS PRESTADOS DE PJ e COM. PREM/BRINDES S/ COBRANÇA. Muito embora não restarem consignados no Relatório Fiscal, o procedimento (arbitramento), e bem assim os critérios de apuração utilizados pela autoridade lançadora ao promover o lançamento, o que por si só seria capaz de ensejar a nulidade do feito, observe-se que o crédito previdenciário ora constituído fora apurado por aferição indireta, tendo em vista que a contribuinte não apresentou à fiscalização as informações necessárias ao regular desenvolvimento da ação fiscal, mais precisamente relação discriminando os valores distribuídos, o nome do funcionário premiado, o número do PIS e a competência, relativos às notas fiscais/faturas emitidas pela empresa INCENTIVE HOUSE S/A., conforme demonstrado no Relatório Fiscal, às fls. 37/38. Com efeito, constata-se que o fiscal autuante, na apuração do crédito tributário, edificou uma presunção legal, lançando valores que entendeu devidos, considerando, ainda, ki • _ _ " 1W. Ca"» CONSELHO DE CONTRIBUINTES • • Processo n.° 35554.005633/2006-26 CONFERE COM O ORIGINAL CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.064 enias, a 2 o 5 o Fls. 105 Suma Oliveira Mal: Sapo 877082 repasses a empresa "prestadora de serviços" como remuneraçoes aos seguraaos mpregados, invertendo, assim, o ônus da prova ao contribuinte. No entanto, sabemos que a presunção legal, como o próprio nome indica, somente poderá ser levada a efeito quando estiver expressamente inserta na legislação de regência. Na hipótese vertente, o único dispositivo legal que dá amparo ao procedimento adotado pelo fiscal autuante é o art. 33, §§ 3° e 6°, da Lei n° 8.212/91, o qual contempla a possibilidade da apuração das contribuições previdenciárias por arbitramento, nos seguintes termos: "Art. 33. § 3' Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS e o Departamento da Receita Federal - DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 6" Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário." Consoante se infere dos elementos que instruem o processo, verifica-se que o procedimento utilizado pela fiscalização ao lavrar a notificação foi precisamente aquele inscrito na norma legal encimada, qual seja, aferição indireta. Como se observa, o procedimento do arbitramento, uma vez constatados os requisitos exigidos pela legislação de regência, é legal e inverte o ônus da prova ao contribuinte. Porém, tal procedimento deve estar devidamente fundamentado nos autos do processo (Relatório Fiscal e/ou Fundamentos Legais do Débito), sob pena de nulidade da notificação. No presente caso, o ilustre fiscal autuante, além de não demonstrar de forma circunstanciada/pormenorizada os critérios utilizados na apuração do crédito por arbitramento, nos termos da legislação previdenciária, procedeu, igualmente, de forma omissa e/ou genérica, não especificando clara e precisamente no anexo Fundamentos Legais do Débito-FLD, às fls. 24/26, qual o dispositivo legal que dá sustentáculo ao procedimento levado a efeito na constituição do crédito tributário, qual seja, aferição indireta/arbitramento. Dessa forma, não se sabe clara e precisamente em qual fundamento legal a Fiscalização se baseou ao constituir o crédito previdenciário, o que vai de encontro com o artigo 37, do mesmo Diploma Legal, senão vejamos: . • • ME' - SEGUIDONFCEOJSCEOLMHOODOERCIGONINAT. CCO2/C06 CONTRIBUINTES Processo n.° 35554.005633/2006-26 Acórdão n.° 206-00.064 Brasília, az_ os , o g Fls. 106• • Vima de 06veira Mal: 877862 "Au. 37. Constatado o can • .. • • - • - n o • e contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notcação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento." (grifamos). Ao proceder dessa maneira, deixando de elencar no Relatório dos Fundamentos Legais do Débito — FLD e/ou no Relatório Fiscal da Notificação, a legislação específica que dá amparo ao ARBITRAMENTO, in casu, artigo 33, §§ 3° e 6°, da Lei n° 8.212/91, o ilustre fiscal autuante incorreu em vicio insanável, capaz de determinar a nulidade da NFLD, conforme legislação de regência e torrencial jurisprudência deste Conselho. Destarte, os atos administrativos, conforme se depreende do art. 50, da Lei n° 9.784/99, que regulamenta o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, devem ser motivados, sob pena de nulidade, in verbis: "An. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e fundamentos jurídicos [...]. §1°A motivação deve ser explicita, clara e congruente [...] ". Por sua vez, o Decreto n° 70.235/72, que, igualmente, disciplina o processo administrativo fiscal, não discrepa deste entendimento, senão vejamos: "Art 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: m - a disposição legal infringida, se for o caso; ". Na mesma linha de raciocínio, o Código Tributário Nacional, em seus artigos 201 a 204, determina que após o trâmite regular, a notificação será inscrita em dívida ativa que indicará, entre outros elementos essenciais, a "origem e a natureza do crédito tributário, mencionada especificamente a disposição da lei em que seja fundado". A falta desses requisitos ocasiona a nulidade da inscrição e do processo de cobrança dela decorrente, não gozando a CDA da presunção de certeza e liquidez, por não ter sido regularmente inscrita. O art. 145 do Código Tributário Nacional, assim prescreve: "Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: 1— impugnação do sujeito passivo; II — recurso de oficio; III — iniciativa de oficio da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149." (grifamos). Por seu turno, o artigo 149, CTN, estabelece o seguinte: MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES " Processo n.° 35554.005633/2006-26 CONFERE COM O ORIGINAL CCO2/C06 Acórdão n.° 206 -00.064 Brasas. o eg Fls. 107 Silma Oliveira Mat Sapa 877882 "Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autorutaae administrativa nos seguintes casos: 1— quando a lei assim o determine; b-1; IX— quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ouformalidade essenciaL "(grifamos). A corroborar esse entendimento, o art. 53 da Lei n° 9.784/99, assim estabelece: "Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vicio de legalidade, e pode revoga-los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direito adquiridos." Como se observa dos dispositivos legais supracitados, muitas são as hipóteses que geram a nulidade do lançamento, enquadrando-se perfeitamente o presente caso na legislação de regência, seja com fulcro no CTN, nas Leis n°8.212/91 e 9.784 ou no Decreto n° 70.235/72, não deixando margem de dúvida quanto nulidade da presente Notificação Fiscal. Registre-se, que o processo administrativo fiscal tem como um de seus alicerces o Princípio da Legalidade, atribuindo à autoridade administrativa o dever-poder de anular, corrigir ou modificar o lançamento, independentemente de se tratar de erro de fato ou de direito. Na hipótese vertente, a fiscalização lançou mão do instituto da aferição indireta, nos termos do art. 33, §§ 3° e 6°, da Lei n° 8.212/91, apurando a remuneração dos segurados empregados a partir dos valores repassados a empresa prestadora de serviços declarados pela recorrente em sua contabilidade. Verifica-se, portanto, que a fundamentação legal que ampara a constituição do crédito previdenciário, bem como dos procedimentos utilizados pelo fisco nesta empreitada deve constar de forma inequívoca no anexo "Fundamentos Legais do Débito" e/ou no Relatório Fiscal da Notificação, e a sua ausência enseja a nulidade da notificação. A fazer prevalecer a nulidade do lançamento, como já explicitado, o fiscal autuante foi omisso, igualmente, no Relatório Fiscal, deixando de demonstrar de forma clara e precisa os critérios utilizados por ocasião da lavratura da NFLD em relação ao arbitramento promovido. Aliás, sequer fez menção tratar-se de aferição indireta. Corroborando o entendimento acima esposado, frise-se que a própria autoridade recorrida tentou, sem muita especificidade, demonstrar a existência dos requisitos necessários ao arbitramento das contribuições previdenciárias ora exigidas, conforme se depreende da Decisão recorrida, item 5.9, às fls. 68. No entanto, ainda que a autoridade julgadora de primeira instância tivesse obtido êxito em sua empreitada, a Decisão recorrida não teria o condão de sanear o Relatório Fiscal de Infração ou o anexo "FLD". • Processo n.° 35554.005633/2006-26 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CCO2/C06• CONFERE COM O ORIGINALAcerdào n.° 206-00.064 Fls. 108 • &adia. 20- t 02 Stinajraveca ;43pe 877462 Observe-se, por fim, que o Relatório Ftâtal tem por finalidade demonstrar/explicar, resumidamente, como procedeu a Fiscalização na constitu ção do crédito previdenciário, devendo, dessa forma, ser claro e preciso relativamente aos procedimentos adotados pela fisdalização ao promover o lançamento, concedendo ao contribuinte conhecimento pleno dos motivos ensejadores da notificação, possibilitando-lhe o amplo direito de defesa e contraditório, sobretudo tratando-se de lançamento por arbitramento. Nesse contexto, ainda que a notificada não tenha suscitado em seu recurso referidos vícios, deve ser declarada de oficio a nulidade do feito, em observância a legislação de regência, mais precisamente dos artigos do CTN, das Leis n° 8.212/91 e 9.784 encimados, uma vez que essas omissões contaminam a exigência fiscal, tomando-a precária, não lhe oferecendo certeza ou liquidez, principalmente pelo fato de se mostrar insanável e por cercear o direito de defesa da recorrente. • Por todo o exposto, estando a NFLD sub examine em desacordo com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE ANULAR A NOTIFICAÇÃO FISCAL POR ERRO/VÍCIO FORMAL INSANÁVEL, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Sala das essões, em 10 de outubro de 2007. RYCARD et' ENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 1 Page 1 _0041400.PDF Page 1 _0041500.PDF Page 1 _0041600.PDF Page 1 _0041700.PDF Page 1 _0041800.PDF Page 1 _0041900.PDF Page 1 _0042000.PDF Page 1 _0042100.PDF Page 1 _0042200.PDF Page 1 _0042300.PDF Page 1 _0042400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10480.001880/96-28
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2000
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2000
Ementa: PEDIDO DE RELEVAÇÃO DE PENALIDADE. Existência de sonegação. O artigo 6.° do Decreto-lei n° 1.042, de 21/10/69, não foi
recepcionado pela Constituição atual, no que concerne à aplicação
de penalidades de natureza pecuniária.
RECURSO VOLUNTÁRIO DESPROVIDO
Numero da decisão: 303-29.330
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANELISE DAUDT PRIETO
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Existência de sonegação. O artigo 6.° do Decreto-lei n° 1.042, de 21/10/69, não foi recepcionado pela Constituição atual, no que concerne à aplicação de penalidades de natureza pecuniária. RECURSO VOLUNTÁRIO DESPROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasilia-DF, em 19 de junho de 2000 JO : HO 'ACOSTA Pr: idente • tatogiRf,siQ liANEI tlf)AUDT P k O Relatora 29 SEI 200U Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: NILTON LUIZ BARTOLI, ZENALDO LOIBMAN, MANOEL D'ASSUNÇÃO FERREIRA GOMES, JOSÉ FERNANDES DO NASCIMENTO e RINEU BIANCHI. Ausente o Conselheiro SÉRGIO SILVEIRA MELO. .. MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 118.221 ACÓRDÃO N° : 303-29.330 RECORRENTE : FUNDAÇÃO DE AMPARO À CIÊNCIA E TECNOLOGIA - FACEPE RECORRIDA : DRJ/RECIFE/PE RELATOR(A) : ANELISE DAUDT PRIETO RELATÓRIO Retornam os presentes Autos, com o resultado da diligência pela qual decidiu esta Câmara em 30/01/97, por meio da Resolução n° 118.221. • Trata-se da importação de mercadorias, por meio de 28 DI's, com isenção de Imposto de Importação e de Imposto sobre Produtos Industrializados, vinculada à qualidade do importador e à destinação dos bens, nos termos da Lei 8.010/90. Foi imputado à recorrente o pagamento da multa prevista no artigo 521, inciso II, alínea "a", do Regulamento Adtianeiro, tendo em vista que a autuada destinou os produtos para outras entidades, sem a prévia autorização da repartição aduaneira. As empresas para as quais foram cedidas as mercadorias são Instituto Tecnológico do Estado de Pernambuco - ITEP, a Fundação de Hemoterapia de Pernambuco - HEMOPE e a Universidade Federal de Pernambuco - UFPE. Em sua impugnação a entidade reconhece que cometeu a infração e solicita a relevação da penalidade prevista no art. 539 do R.A., alegando a "incolumidade do motivo originador do beneficio fiscal" e que da infração não 41 resultou falta ou insuficiência no pagamento do imposto. Compromete-se com o encaminhamento do pedido de autorização e com o atendimento de outras exigências legais aplicáveis à espécie. No recurso, a contribuinte formula o mesmo pedido de relevação da penalidade, alegando, também, que deve ser considerado fato relevante a natureza pública de todas as entidades cessionárias dos equipamentos importados e ainda a notória escassez de materiais do setor de ciência e tecnologia. Solicita que, se for o caso, o Conselho encaminhe o pedido ao Senhor Ministro da Fazenda ou à autoridade delegada competente. Enfatiza o fato de que não foi verificada reincidência nem sonegação, fraude ou conluio, consoante exigido no art. 40 do Decreto 70.235/72.. Na ocasião foi adotado o voto do eminente conselheiro João r eHolanda Costa, em processo semelhante, com o seguinte teor: 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 118.221 ACÓRDÃO N° : 303-29.330 "O presente processo versa sobre aplicação da multa do art. 521, inciso II, alínea "a", do Regulamento Aduaneiro, em razão da transferência a terceiros de bens importados com isenção outorgada na forma prevista no art. 1. 0 da Lei n.° 8010, de 29 de março de 1.990. Entendeu a fiscalização da Receita Federal que, embora tivesse havido a cessão dos bens a outras entidades, eram essas também beneficiárias do mesmo tratamento tributário e por essa razão deixou de cobrar os impostos. • A entidade autuada vem agora pleitear junto a este Conselho de Contribuintes a relevação da penalidade. Entretanto, para que esta Câmara possa dar seguimento ao pedido, terá que apresentar a fundamentação para o despacho ministerial, como exige o artigo 539 do R. A.. "Art. 539 O Ministro da Fazenda, em despacho fundamentado, poderá relevar penalidades relativas a infrações de que não tenha resultado falta ou insuficiência no pagamento do imposto, atendendo (Decreto-Lei n.° 1.042/69, art. 4.°, I e II): I - a erro ou ignorância escusável do infrator, quanto à matéria de fato; - a equidade, em relação às características pessoais ou materiais • do caso, inclusive ausência de intuito doloso; § 1.° - A relevação da penalidade poderá ser condicionada a correção prévia das irregularidades que tenham dado origem ao processo fiscal (Decreto - Lei n.° 1.042/69, art. 4. 0, § 1°); § 2.° - O Ministro da Fazenda poderá delegar a competência que este artigo lhe atribui (Decreto - Lei n.° 1042/69, art. 4.°, § 2.°)." Ora, um dos fundamentos do despacho ministerial será certamente o de que as entidades cessionárias gozem inequivocamente do mesmo tratamento tributário que a importadora FACEPE, como aliás manifestou entender a digna autoridade julgadora de primeira instância que, porém, deixou de declinar as bases legais que pudessem servir para o convencimento deste Colegiado. /AT 3 e • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 118.221 ACÓRDÃO N° : 303-29.330 Não ficou comprovado o cumprimento dos artigos 2.°, 3.° e seus respectivos parágrafos únicos, nem do artigo 10 da Portaria Interministerial MCT/MF n.° 360, de 17 de outubro do 1.995, cuja leitura é apropriada para a espécie sob exame: "Art. 2.° - O disposto no art. I.° desta Portaria aplica-se exclusivamente às importações realizadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq) e por sem fins lucrativos ativas no fomento, na coordenação ou na execução de programas de pesquisa cientifica e tecnológica ou de ensino, devidamente credenciadas pelo CNPq. • Art. 3.° - A transferência, a qualquer titulo, da propriedade ou do uso dos bens importados com base na Lei 8010/90, obriga a entidade credenciada que os importou ao prévio pagamento dos tributos. Parágrafo Único - O disposto neste artigo não se aplica aos bens transferidos a qualquer titulo: I - a outra entidade credenciada pelo CNPq, mediante prévia autorização da autoridade fiscal; após o decurso do prazo de cinco anos, contado do desembaraço aduaneiro. Art.10 - O CNPq, isoladamente ou em conjunto com a Secretaria da Receita Federal, poderá proceder a diligências junto às entidades credenciadas, com o fim de verificar a adequação dos bens importados às finalidades previstas na Lei n.° 8010/90, bem como • sua correta utilização, devendo estas prestar todas as informações necessárias a realização dos trabalhos. Como esta Terceira Câmara não encontrou nos autos a resposta cabal a essas indagações, requisito para o acolhimento do pedido de relevação da penalidade, VOTO no sentido de, preliminarmente, fazer retornar o processo à repartição de origem para que a autoridade aduaneira se digne tomar estas providências: I - Dar cumprimento ao inteiro teor do art. 10 da Portaria Interministerial MCT/MF n.° 360/95, devendo ouvir o CNPq quanto à adequação dos bens importados às finalidades previstas na Lei n.° 1080/90 (pois nem sempre consta nos despachos de importação a informação sobre o credenciamento do CNPq) e bem assim quanto à correta utilização deles; Ajef, 4 4, MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 118.221 ACÓRDÃO N° : 303-29.330 2 - Na eventualidade de já existir o completo pronunciamento do CNPq, referido no item anterior, que o Parecer/Decisão seja juntado ao processo; 3 - Intimar as entidades cessionárias dos bens importados com isenção a que demonstrem estarem credenciadas pelo CNPq como exigido pelo art. 3.°, parágrafo único, inciso I, da Portaria Interministerial MCT/MF n.° 360/95, para o gozo da isenção prevista na Lei n.° 8010/90; 4 - Na hipótese de não ser atendido o requisito referido no item • anterior, pede-se esclarecer o que se pretendeu dizer quando declarou que as entidades cessionárias gozavam do mesmo tratamento tributário que a FACEPE (indicar a base legal e o modo como foi observada)." Em resposta, foram anexados os documentos de fls. 392 a 543. No oficio de fl. 531, o CNPq informa que não tem considerado irregularidade capaz de levar ao descredenciamento de entidades a transferência de bens a pessoa jurídicas que detenham o mesmo tratamento tributário do importador e que estejam utilizando os bens em atividades relacionadas com a pesquisa científica ou tecnológica. Entretanto, tem orientado as empresas a solicitarem aprovação da autoridade fiscal. As cessões realizadas pela FACEPE à UFPE, ao ITEP e à Universidade Rural de Pernambuco-UFRPE atenderiam à primeira condição, pois todas são entidades credenciadas pelo CNPq. Às fls. 531/532 a HEMOPE informa que está com seu credenciamento desatualizado mas que, à época da cessão, era • credenciada. Tal informação está confirmada no Relatório de Inspeção n.° 01/99 (fls. 420/441). Neste Relatório é informado, também, que teriam sido transferidos equipamentos ao Instituto de Pesquisa Agropecuária-1PA, instituição que não é credenciada pelo CNPq. Das outras peças acostadas aos autos, depreende-se, em suma, o seguinte: a-) a Comissão Especial de Verificação, na Nota Informativa n.° 08/99, recomendou que fosse mantida a suspensão do credenciamento da entidade por um período de 30 (trinta dias), para que ela promovesse junto à Secretaria da Receita Federal o pagamento ou parcelamento da obrigação tributária concernente à Declaração de Importação n° 003178, sob pena de cancelamento do credenciamento. Tal importação refere-se a um microcomputador e acessórios, cedidos ao IPA. Presidente em exercício do CNPq em 17/08/99 manteve a suspensão do credenciamento da FACEPE (fls. 399/406); fre 5 ., MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO 1\1° : 118.221 ACÓRDÃO N" : 303-29.330 b-) os bens importados pelas DIs 0861, 001890, 1063, 2151, 0022669, 01561 e 2274 foram destinados inicialmente a atividades de pesquisa. Os bens de informática ficam obsoletos muito rapidamente, sendo que os modelos 386 ou 486 não mais se prestam para atividades de pesquisa. Desta forma, entende a Comissão que o atendimento à destinação inicial dos bens na forma da lei e o volume de produção científica da entidade parecem indicar que a utilização posterior de bens de informática obsoletos em outras atividades não configuraria irregularidade capaz de implicar o descredenciamento da entidade. Tal entendimento, entretanto, de cunho meramente administrativo e do âmbito de competência do CNPq, não deve prejudicar a ação da SRF na cobrança de obrigação tributária que vir a ser julgada cabível. Importante ressaltar que, daquelas DIs, duas, as de número 0861 e 2274, fazem parte • do presente processo; c-) os equipamentos importados pelas outras DIs estariam sendo utilizados para pesquisa. ilÉ o relatório.f • 6 . ... MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 118.221 ACÓRDÃO N° : 303-29.330 VOTO A competência para decidir sobre proposta de aplicação de eqüidade é, atualmente, do Coordenador-Geral do Sistema de Tributação, tendo em vista as delegações efetivadas, do Ministro da Fazenda para o Secretário da Receita Federal, e deste para o Coordenador-Geral, por meio das Portarias 214/79 e 362/82. A competência para propor a aplicação da eqüidade é, de acordo • com o Mexo II, artigo 11, inciso VI, da Portaria MF n.° 55, de 16/03/98, das Câmaras dos Conselhos de Contribuintes. O inciso tem os seguintes termos: "VI - propor ao Ministro de Estado a aplicação da eqüidade, na forma da legislação vigente, quando não houver reincidência, sonegação fraude, simulação ou conluio." (grifo meu) Entendo que no presente caso esta Câmara não deve propor a relevação da penalidade imposta à Contribuinte. Em primeiro lugar, porque verifica-se que não foi atendido o disposto na referida Portaria. Com efeito, ocorreu sonegação, pois os produtos relativos às Dls 0861, de 23/03/91, e 2274, de 11/10/91, estão sendo utilizados em outras aplicações, sendo que não foi efetuado o recolhimento do imposto previsto no artigo 148 do Regulamento Aduaneiro, que diz: "Art 148-Quando os bens deixarem de ser utilizados nas finalidades que motivaram a concessão, em virtude de obsolescência, • modificação das condições de mercado ou qualquer outro motivo devidamente justificado, a critério da autoridade fiscal, o pagamento do imposto será feito de conformidade com o disposto no artigo 139." Há, ainda, o caso da cessão de uso à entidade não credenciada que, embora não faça parte do presente processo, foi até mesmo motivo para suspensão do credenciamento da empresa pelo CNPq e tal fato não pode ser desconsiderado na presente avaliação, já que os objetos das diversas autuações estão umbilicalmente ligados. Entendo que, para merecer tal relevação, a empresa deveria demonstrar, nos outros aspectos, uma conduta irretocável em relação ao fisco e não é ceisto que os autos estão a demonstrar. 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 118.221 ACÓRDÃO N° : 303-29.330 Em segundo lugar, devo confessar que, com o decorrer do tempo, alterei meu entendimento quanto à possibilidade de aplicação do disposto no artigo 4.° do Decreto-lei n° 1.042, de 21/10/69. Entendo que ele não foi recepcionado pela Constituição de 1988, em seu artigo 150, parágrafo 6°, que foi alterado pela Emenda Constitucional n.° 03/93, no que diz respeito a penalidades pecuniárias. Tal dispositivo, depois da EC 03/93, tem a seguinte redação: "Art. 150-Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos municípios: • 8 6° - Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativas a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, 8 2°, "g".(grifos meus) Depreende-se, daí, que é necessária lei específica, que regule exclusivamente as matérias enumeradas no 8 6.° do artigo 150 para a regulação de anistia ou remissão relativas a impostos, taxas ou contribuições. O Decreto-Lei n.° 1.042, de 21/10/69, "dispõe sobre regularização de situações fiscais e dá outras providências". Não é uma lei específica, não tendo, portanto, sido recepcionado, na Constituição Federal, o seu artigo 4.°. Este é o • entendimento da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, em seu Parecer PGFN/ CAT/N.° 804/93. Importante esclarecer que a douta Procuradoria, posteriormente, no Parecer/PGFN N.° 363/95, entendeu que a norma restritiva do artigo 150, parágrafo 6.°, do texto constitucional, diz respeito à matéria tributária, no que não estaria incluída a pena de perdimento de bens. Neste último Parecer, cita Hugo de Brito Machado, quando diz que: "A anistia é a exclusão do crédito tributário relativo à penalidades pecuniárias. O cometimento da infração à legislação tributária enseja a aplicação de penalidades pecuniárias, multas, e estas ensejam a constituição do crédito tributário correspondente. Pela anistia, o legislador extingue a punibilidade do sujeito passivo, infrator da legislação tributária, impedindo a constituição do /an29 . MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 118.221 ACÓRDÃO N° : 303-29.330 crédito. Se já está o crédito constituído, o legislador poderá dispensá-lo pela remissão, mas não pela anistia. Esta diz respeito exclusivamente à penalidade e há de ser concedida antes da constituição do crédito. A remissão é forma de extinção do crédito tributário, quer decorrente de penalidade, quer decorrente de tributo." (Curso de Direito Tributário, 5. a ed. Rio de Janeiro: Forense, 1982, p. 148). A penalidade de que trata o presente processo é de natureza pecuniária e, portanto, está inserida no contexto do parágrafo 6.° do artigo 150 da Constituição Federal. Então, no que concerne à tal penalidade, pode-se dizer que tal dispositivo é incompatível com a Carta Magna Federal. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 19 de junho de 1999. ANELISEDAUDT PRIET - -Relatora • 9 Page 1 _0005900.PDF Page 1 _0006000.PDF Page 1 _0006100.PDF Page 1 _0006200.PDF Page 1 _0006300.PDF Page 1 _0006400.PDF Page 1 _0006500.PDF Page 1 _0006600.PDF Page 1
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Numero do processo: 10820.000072/2006-51
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO
TRIBUTADOS (NT).
O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias não tributadas (N/T) pelo imposto. Súmula CARF Nº 20.
Numero da decisão: 3803-001.442
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUZA
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ementa_s : Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias não tributadas (N/T) pelo imposto. Súmula CARF Nº 20.
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FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias não tributadas (N/T) pelo imposto. Súmula CARF Nº 20. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alexandre Kern (Presidente), Belchior Melo de Sousa (Relator), Hélcio Lafetá Reis, e a suplente Andréa Medrado Darzé. Relatório Fl. 194DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/04/20 11 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 1428.761, de 5 de maio de 2010, da DRJRibeirão Preto/SP, fls. 163 a 164, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade e decidiu pelo indeferimento da solicitação de ressarcimento do saldo credor de IPI, referente ao quarto trimestre de 2005, e não homologou as compensações. Os produtos que a empresa produz e comercializa, jornais, são classificados como NT (nãotributado) na TIPI, razão que ensejou o indeferimento. Em sua manifestação de inconformidade, alegou que a) tem direito ao ressarcimento por força dos princípios da seletividade e da nãocumulatividade previstos no artigo 153, § 3°, II, da Constituição Federal; b) o direito pleiteado encontra amparo na Lei n° 9.779, de 1999, art. 11, e que a própria IN SRF n° 33/99 corrobora o entendimento de que os produtos imunes possuem direito à utilização e manutenção do crédito do IPI, independentemente de serem classificados na TIPI como NT, conforme consultas, julgados e acórdãos que cita. Na apreciação do pleito, a DRJ/Ribeirão Preto: a) ressaltou, quanto ao direito ao crédito, que tanto a Lei n° 9.779, de 1999, em seu artigo 11, como a IN/SRF n° 33, de 1999, em momento algum autorizaram o crédito em relação às .entradas de insumos aplicados na industrialização de produtos nãotributados pelo IPI. b) assentou que se o produto é nãotributado ele está fora do campo de incidência do imposto, não havendo de se cogitar da atuação do princípio da não cumulatividade e do regulamento do IPI, e, neste caso, o IPI destacado nas notas fiscais de entrada de insumos deve ser contabilizado como custo. c) defendeu a natureza material da norma do art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, para consignar o seu efeito prospectivo; d) referiu que tal norma condicionou a fruição da faculdade nele prevista, de utilização do saldo credor que contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430, de 1996, à observância de normas expedidas pela SRF, cuja disciplina foi fixada pela Instrução Normativa SRF n° 33, de 1999, Permaneceu obrigatório, no entanto, o estorno dos créditos relacionados a insumos empregados na fabricação de produtos não tributados e) considerou explícito os limites do direito posto e não acolheu as posições doutrinárias favoráveis à pretensão da então impugnante, enfatizando estar a ele vinculado, assim como ao entendimento a ele dado pelo Poder Executivo, consoante o disposto no art. 116, III, da Lei n° 8.112, de 1990, e na Portaria MF n° 58/2006, afastandose de emitir juízo acerca da sua inconstitucionalidade e validade. f) pontuou a distinção, feita pela legislação anterior do IPI, entre os créditos básicos mecânica por meio da qual se concretizava o princípio da nãocumulatividade e os incentivados aqueles que garantia o direito à manutenção e utilização, portanto passíveis de ressarcimento do saldo não utilizado na compensação do IPI devido nas saídas tributadas. O benefício deste jamais fora estendido aos casos de imunidade objetiva, classificados na TIPI como não tributados (NT). Fl. 195DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/04/20 11 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10820.000072/200651 Acórdão n.º 3803001.442 S3TE03 Fl. 190 3 g) destacou que a inovação trazida pelo art. 11 da Lei n° 9.779/99 não revogou o direito ao crédito, bem como ao ressarcimento do saldo credor, no caso dos produtos tributados que gozem da imunidade constitucionalmente prevista nas exportações. Aduziu, porém que isto não implica em que a IN SRF n° 33/99, bem como a de n° 21/97, tenham permitido o crédito e o ressarcimento do imposto pago na produção dos casos de imunidade objetiva, tais como: energia elétrica, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País, livros, jornais. h) apontou ainda que o RIPI/2002 e soluções de Consulta da Sexta e Sétima Regiões Fiscais consolidam e ratificam o entendimento constante da IN/SRF n° 33/99, no sentido de que, a partir de 01 de janeiro de 1999, os estabelecimentos industriais passaram a ter direito ao crédito do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem empregados na industrialização de todos os produtos imunes, isentos e tributados à alíquota zero, excetuandose somente os produtos nãotributados. i) reproduziu ementas dos Acórdãos 20218290/2007, 20218291/2007 e 20218399/2007do então Conselho de Contribuintes que sustentam o mesmo entendimento sobre o qual lavrou a decisão. Cientificada da decisão em 23 de junho de 2010, irresignada, a interessada apresentou o recurso voluntário de fls. 171 a 187, em 12 de julho de 2010, em que: a) pede a declaração, por esse E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, da nulidade da decisão pelo fato de o douto Julgador singular, conquanto tenha indeferido os pedidos feitos na impugnação, não fundamentou sua decisão em relação a diversos argumentos nela expostos, não tendo apreciado todas as questões debatidas na impugnação assim como as alegações de estar sob a incidência tributária do IPI e sujeita à alíquota zero, e de mudança de critério jurídico acerca da extensão da expressão “inclusive imune” constante do art. 4º da IN SRF n° 33, de 4 de março de 1999; b) afirma que o nosso ordenamento jurídico permite o crédito do IPI resultante da compra de insumos utilizados em jornal; c) defende que, pelo princípio de hierarquia das normas, não há necessidade de que regra constitucional seja replicada em lei, se é autoaplicável. Exigir isso redunda em destituir de eficácia a Constituição Federal; d) alega que a vedação do direito ao crédito implica contrariedade ao princípio da isonomia, já que o princípio da nãocumulatividade, pela natureza do Imposto sobre Produtos Industrializados, de regra, aplicase às empresas, gerando a possibilidade de crédito. Contudo, pelo entendimento externado no despacho decisório e na decisão de primeira instância, a recorrente, cuja atividade é agraciada pela imunidade, não pode creditarse do imposto que suportou. e) sustenta que a dicção do referido art. 11 da Lei n° 9.779/99, pode ser entendida de forma diferente da interpretação dos servidores fazendários, como seja: se o saldo credor decorrente de aquisição de insumos aplicados na industrialização inclusive de produto isento ou tributado à aliquota zero pode ser utilizado, muito mais o poderá se aplicados em produtos imunes; que o termo “inclusive” é exemplificativo, não excetuando a aplicação em produtos imunes. Fl. 196DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/04/20 11 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 4 f) pronunciamentos da SRF pela INSRF n° 33/99 e consultas respondidas favorecem o entendimento da recorrente. Ao fim, requer que: a) seja declarada a nulidade do acórdão recorrido, pela referida omissão; b) caso não seja declarada tal nulidade, decidase o mérito a favor da recorrente, c) considerem que o jornal se enquadra na hipótese de "aliquota zero" na Tabela T1PI, o que afasta os fundamentos da r. decisão impugnada, segundo o exposto na seção "alíquota zero" da impugnação; d) considerem possível o crédito, porque houve modificação nos critérios jurídicos utilizados pelo Fisco que não alcançam fatos geradores anteriores, consoante razões apresentadas na seção "Artigo 146 do Código Tributário Nacional" da impugnação; e) julguem procedente a compensação, como exposto nas subseções da seção. "Ordenamento Jurídico Permite o Crédito do IPI Resultante da compra de Insumos Utilizados em Jornal", da impugnação e deste recurso administrativo. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Preliminares de Nulidade Não pode prosperar a acusação de que a decisão recorrida deixou de enfrentar alguns pontos da manifestação de inconformidade. Gizese que a inconformada e ora recorrente enceta na maior parte de sua defesa argumento em favor de interpretação diferente do entendimento dado pela Administração Tributária para o art. 11 da Lei n° 9.779/99, inadmitindo que sua norma tenha excluído o direito ao crédito de IPI incidente sobre insumos aplicados em produtos imunes. A defendente visualiza na norma um benefício fiscal todoinclusivo, que não elide os insumos aplicados em produtos imunes, ao atribuir caráter exemplificativo a inclusão de categorias de desoneração de menor grau de importância, os produtos isentos e os de alíquota zero. Reforça o argumento referindo que a regulamentação pela art. 4° da IN SRF n° 33/99, ao incluir o termo “imune” na expressão “inclusive de produto isento ou tributado à aliquota zero”; apenas veio explicitar o que em sua matriz legal, o art. 11 da Lei n° 9.779/99, estava implícito, e que por meio da edição do ADI SRF n° 5/2006 a Administração Tributária introduziu mudança no critério jurídico ao delimitar o alcance do termo “imune” para vinculá la à imunidade incidental, não intrínseca, a decorrente da exportação para o exterior de produtos tributados na TIPI. Fl. 197DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/04/20 11 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10820.000072/200651 Acórdão n.º 3803001.442 S3TE03 Fl. 191 5 Ao aduzir, sem a ênfase do argumento antecedente, que o jornal que edita classificase na TIPI na exceção “Ex 01” do código 49.02.10.00, com alíquota zero, levanta um argumento contraditório ao da militância pelo direito ao crédito, por gozar seu produto de imunidade objetiva. São argumentos mutuamente excludentes. Apenas na manifestação de inconformidade, não mais no presente recurso, fez a inconformada menção a documentos numerados de 6 a 12, com que pretendeu demonstrar estar sujeito à tributação do IPI. Nas folhas seqüenciais destes autos constam anexos à defesa os documentos 1 a 5 e 13, não existindo os documentos indicados como de 6 a 12. Do que, não se eximindo a manifestante de comprovar o que alegara, não vejo instalada a controvérsia neste ponto. Ante essa alegação incomprovada, embora sem explicitála andou corretamente a DRJ/Ribeirão Preto em contrapor apenas os extensos argumentos da defendente atinentes à imunidade que, sobretudo, afirmou gozar seu produto. Sem embargo da imprecisão que, via de regra, caracteriza os textos normativos, a ensejar dubiedade de sentido, aquela instância de julgamento, em seu percuciente acórdão lecionou acerca da legislação do IPI, desde a Lei n° 4.502/1964. Expôs acerca do cumprimento do ditame constitucional quanto à efetivação da técnica da nãocumulatividade, sobre os créditos básicos e os incentivados, o que era mantido e o que era estornado, e ao que era passível de ressarcimento em espécie. Ao fim, concluiu que a linha mestra das disciplinas anteriores à Lei n° 9.779/99, nela mantida, no tocante à necessidade de o produto estar sujeito à incidência do IPI, para que a pessoa jurídica faça jus ao ressarcimento do saldo credor, foi apenas externada pela ADI SRF n° 5/2006, deixando claro que não houve neste Ato mudança de critério jurídico pela Receita Federal em contraposição ao estabelecido no art. 4º da IN SRF nº 33/99. Portanto, ausente nos autos a comprovação que protestou anexar já na impugnação de que o jornal que edita a interessada encontrase sob a incidência do IPI, e pela abordagem extensa sobre as sendas da legislação desse imposto pela decisão recorrida, considero que não houve omissão rejeito as preliminares de nulidade. Mérito Corolário da rejeição da preliminar de nulidade quanto a estar o produto em discussão sujeito à alíquota zero, e aceito como centro da controvérsia o direito ao crédito de IPI incidente sobre insumos destinados à fabricação de produto beneficiado com a imunidade objetiva, e, portanto, constante da tabela TIPI com notação NT, em que pesem bem manejados argumentos da Defesa, deixo de enfrentálos no mesmo campo de argumentação de lógica jurídica, em face da natureza da matéria, reiteradamente decidida neste Conselho de forma desfavorável à recorrente, que reclama a aplicação sumária da Súmula CARF Nº 20, verbis: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 06 de abril de 2011 Fl. 198DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/04/20 11 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 6 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 199DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/04/20 11 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10820.000072/200651 Acórdão n.º 3803001.442 S3TE03 Fl. 192 7 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10820.000072/200651 Interessada: EDITORA FOLHA DA REGIÃO DE ARAÇATUBA LTDA Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803001.442, de 06 de abril de 2011, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 06 de abril de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 200DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/04/20 11 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 13805.004839/94-20
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 1995
Numero da decisão: 303-00.620
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de impossibilidade de revisão de lançamento e por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência ao CNPq, através da repartição de origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: SANDRA MARIA FARONI
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JORGE CABRAL VIE Procurador da Fazend '- :==s ~ ~ -cJC- SANDRA MARIA FARONI Relatora • VISTA EM '()r-S- M,1t tJ tf'\fV\ Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: Romeu Bueno de Camargo, Manoel D' assunção Ferreira- Gomes e Dione Maria Andrade da Fonseca. Ausentes os Conselheiros Sérgio Silveira Melo e Francisco Ritta Bernardino. rnfc .' MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATORA 117.475 303-620 GRUPO - ASSOCIAÇÃO DE ESCOLAS PARTICULARES DRJ - SÃO PAULO - SP SANDRA MARIA FARONI RELATÓRIO • Com fundamento na Lei nO 8.010/90, a entidade GRUPO - Associação de Escolas Particulares - obteve isenção de 1.1. e I.P.I. para a importação de mercadorias estrangeiras, destinadas a pesquisa científica e tecnologia, beneficio outorgado através de projeto aprovado pelo CNPq, por se tratar, a importadora, de entidade sem fins lucrativos ativa no fomento, na coordenação ou na execução de projeto de pesquisa cientifica e tecnologia ou de ensino, devidamente credenciada pelo órgão público de pesquisa . Em auditoria fiscal, foi verificado que as mercadorias não se encontravam em poder da importadora beneficiada - GRUPO - mas haviam sido cedidas a Escolas Particulares sócias constituintes da referida Associação, mediante Instrumento Particular de Assunção de Responsabilidade e Obrigações. Em se tratando de isenção cuja concessão é vinculada à qualidade do importador e ainda restrita ao CNPq e a entidades sem fins lucrativos credenciadas por aquele órgão e estando caracterizada a transferência de bens isentos a terceiros sem o prévio recolhimento dos impostos, entendeu a fiscalização ser exigível o pagamento destes, na conformidade do contido no art. 137 do Regulamento Aduaneiro, quanto ao imposto de importação, e tendo em vista os artigos 40 e 42 do RIPI, aprovado pelo Decreto n° 87.981/82 quanto ao Imposto sobre Produtos Industrializados. Lavrou-se o Auto de Infração para registro das ocorrências e cobrança dos impostos, juros de mora de 1.1. e I.P.I., multa do art. 521, II letra "a " do RA. combinado com o art. 4° da Lei nO 8.218/91, multa do inciso II, do art. 364 do RIPI e multa por infração administrativa ao controle das importações art. 526, IX do RA., esta última em razão de irregularidades apuradas em algumas adições das declarações de importação. Nas autuações aparece ainda como responsável solidário a escola que detinha a posse de parte dos bens isentos. Devidamente intimados da exigência fiscal, contribuinte e responsável solidário apresentaram uma mesma impugnação. De início é levantada preliminar para solicitar a reunião dos processos instaurados (em que aparecem diferentes responsáveis solidários), dado que em se tratando de idêntica matéria, seria garantida uma decisão homogênea para todas. Quanto ao mérito, a autuada alega o seguinte: a) que a Lei 8.O 10/90 previa em seu artigo 1° a concessão de isenção do I.I. e do I.P.I. na importação de bens destinados a programas de pesquisa cientifica e tecnológica ou de enSInO; ~ 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 117.475 303-620 • .' .', b) o referido diploma legal estabelecia como requisitos para a importação que a entidade privada beneficiária fosse ativa nas atividades citadas no item anterior, que não tivesse fins lucrativos e que estivesse devidamente autorizada pelo CNPq, bem como que aos referidos bens fosse garantida a destinação ao suporte das mesmas atividades, configurando-se o beneficio fiscal numa isenção do tipo objetiva-subjetiva; c) que a autuada não tem finalidade lucrativa e possuía o devido credenciamento junto ao CNPq, tendo-lhe submetido Projetos e Relatórios nos quais descrevia-se o deslocamento fisico dos equipamentos para as dependências das escolas beneficiadas, enfatizando que tal providência seria fundamental para consecução dos projetos e para propiciar a destinação dos bens . determinada pela Lei 8.010/90, tendo obtido a anuência por parte do CNPq; d) registra que o fato do CNPq ter se pronunciado favoravelmente ao procedimento adotado pela autuada consubstancia-se num "verdadeiro atestado de cumprimento das condições técnicas do ato final almejado pela Administração", o que impossibilitaria sua penalização; e) acrescenta que, durante todo o processo, a autuada agiu de forma clara e transparente, no sentido de prestar todas as informações concernentes aos projetos em andamento, tendo sido os bens estritamente empregados nas finalidades ditadas pela Lei 8.010/90; f) que, em função dos itens anteriores, entende estar não somente demonstrada a boa fé e transparência dos procedimentos adotados pela impugnante, como também do cumprimento dos requisitos objetivos e subjetivos para a outorga da isenção, o que configuraria o direito adquirido da beneficiária à isenção; g) contesta, ademais, o enquadramento legal adotado na autuação, uma vez que inocorreu a transferência de propriedade dos bens - dadas as cláusulas do Instrumento Particular de Assunção de Responsabilidade e Obrigações; h) ressalta que ainda que se entendesse que houve transferência de posse ou uso, a autuação seria improcedente, uma vez que a Fiscalização utilizou método de interpretação extensivo - vedado pelo artigo 111 da Lei 5.072/66 (CTN) - ao considerar que as importações realizadas pela autuada estariam sujeitas às condições do artigo 137 do Regulamento Aduaneiro, sendo que esta regularia somente a isenção vinculada à qualidade do importador, o que tornaria incompatível sua aplicação a uma isenção do tipo objetiva-sujetiva definida na Lei n° 8.010/90; i) portanto, no seu entender, o autuante, utilizou método analógico ao estender os efeitos do preceito do artigo 137 a situação regida pela Lei 8.010/90 quando, no caso, seria cabível exclusivamente a interpretação literal; j) para suporte de sua argumentação, apresenta a transcrição de ementas de Acórdãos da Justição e do Terceiro Conselho de Contribuintes, favoráveis ao sujeito passivo; '\:Y 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 117.475 303-620 • a.~~ • I) requer seja julgado insubsistente, na sua totalidade, o presente Auto de Infração e, em conseqüência, o Termo de Responsabilidade Solidária, assim como as cominações neles previstas. A autoridade administrativa de primeira instância julgou procedente, em parte, a ação fiscal, pelos seguintes fundamentos: ~~ CONSIDERANDO que, no caso em tela, é fato incontroverso a transferência de bens importados com isenção de I.P.I. e LI. com base na Lei 8.010/90, para terceiros, sem prévio pagamento de impostos ou anuência da Secretaria da Receita Federal; CONSIDERANDO que a outorga da referida isenção tinha como reqUIsItos subjetivos que a beneficiária fosse entidade sem fins lucrativos e credenciada pelo CNPq e que os bens fosse destinados ao uso em projetos científicos e tecnológicos; CONSIDERANDO que a autuada esteve de posse das mercadorias, antes de efetivada a sua transferência, durante menos de 05(cinco) anos, tendo sido os bens transferidos a entidade não sujeita ao mesmo tratamento tributário, sendo tão pequeno o lapso de tempo, que não há que se falar da depreciação prevista no artigo 139 do RA/85; CONSIDERANDO que a transferência dos mencionados bens à sociedade comercial, sem prévio pagamento de impostos ou autorização da Secretaria da Receita Federal importa no descumprimento dos requisitos subjetivos da isenção definidos na Lei 8.010/90, devendo ser revogada a isenção de LI. com fundamento no artigo 137 a 145 do RA/85, operacionalizados na IN SRF 02/79; CONSIDERANDO que o fato da autuada ter obtido credenciamento do CNPq e prestado detalhadamente informações sobre suas operações àquele órgão não ilide a infração, uma vez que a competência daquele órgão restringe-se à verificação de um dos requisitos para concessão da isenção prevista da Lei 8.010/90, o que não afasta Secretaria da Receita Federal, no uso de suas competências exclusivas, da apuração do cumprimento desta e das demais condições, também incidentes na matéria, previstas nos artigos 137, 145, 152 e 175 do RA/85; CONSIDERANDO que as alegações de boa fé ou direito adquirido são ineficazes, em face, respectivamente, do disposto nos artigos 136 e 155 do CTN; CONSIDERANDO que o enquadramento legal adotado, para efeito de exigência do II - art. 137 do RA/85 - é perfeitamente válido para regulação de uma isenção mista, dada uma correta utilização de interpretação literal do seu alcance e sentido; CONSIDERANDO que o impugnante, ao enunciar o entendimento de que o dispositivo mencionado no item anterior não se aplicaria a uma isenção mista que apresentasse requisitos subjetivos, profere, na verdade, uma exegese que restringe o sentido do texto da lei, sendo portanto descabida; ~ 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA • RECURSO N°RESOLUÇÃO N° 117.475303-620 ~ ~" •••••1 • ., CONSIDERANDO que as demais eXlgenCIaS do crédito tributário correspondentes ao lP.I. dispensado, multas exigidas com fundamento no art. 521, lI, "a" do RA/85 c/c art. 4°, I da Lei 3.218/91 e art. 364, II do RIPI/82 bem como juros de mora do I.P.I. e 14, não contestados especificadamente pelo impugnante, foram cobradas da forma procedente, havendo plena adequação entre os tipos infracionais dos dispositivos citados com os fatos apurados; . CONSIDERANDO que, no que tange à multa prevista no art. 526, IX do RA/85, a falta de enunciação da norma complementar referente ao procedimento de controle administrativo das importações infringido implica na inépcia da autuação, por falta do devido enquadramento legal. " Ficou, portanto, a autuada exonerada do recolhimento da multa prevista no inciso IX do art. 526 do RA., no valor de 12.867,14 UFIR e sendo mantido" a exigência do restante do crédito tributário lançado: Imposto de Importação: 21. 101,41 UFIR: Imposto sobre Produtos Industrializados: 11.980,11 UFIRjuros de mora/lI., até 30/06/94: 1.477,10 UFIR; juros de mora/I.P.I., até 30/06/94: 839,17 UFIR; multa do lI.: 21.101,41 UFIR e multa do I.P.I.: 12.988,1 UFIR, no total de 68.495,31 UFIR . Inconformada a entidade autuada apresenta agora recurso dirigido a este Terceiro Conselho de Contribuintes com as razões de defesa, sendo de destacar-se o seguinte: 1. O Programa de Atividades de Pesquisa, apresentada ao CNPq prevê que o exaurimento dos objetivos almejados dar-se-ia somente com o apoio e colaboração da Segunda Recorrente e demais Associadas e de instituições de ensino da rede pública. Além de detalhar cada aspecto do seu programa, cuidou de demonstrar a forma e as condições em que se faria a aludida participação de cada Associada, tendo, inclusive, a pedido do próprio CNPq, complementado e esclarecido o conteúdo do seu programa, em correspondência datada de 13 de janeiro de 1993. Nesta mesma carta, relacionou as suas Associadas, os docentes pós-graduados dessas instituições envolvidos em alguns projetos e as atividades de pesquisa e desenvolvimento realizadas e em realização pelas Associadas. Foi com apoio nessas informações que o CNPq credenciou o programa apresentado, reconhecendo, com este ato, o cumprimento dos requisitos a que se subordina o beneficio sob análise. 2 - O móvel da decisão ora recorrida é entender a D. Autoridades Julgadora que a Lei nO 8.010/90 não apresenta de forma exaustiva todas as condições a que se subordina a concessão da isenção nela prevista, tendo de ser cumpridos ainda os demais pressupostos previstos nos art. 137 a 148 e art. 152 e 175, todos do Regulamento Aduaneiro e só assim ficaria a Recorrente habilitada a postular o beneficio fiscal solicitado. 3 - Entretanto, estas disposições do RA. não alcançam a Recorrente pelos seguintes motivos: 1 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 117.475 303-620 A - A Lei nO8.032 de 28 de dezembro de 1990, em seu ~ único do art. 2° afasta expressamente as regras do Regulamento Aduaneiro na apreciação da isenção que prevê. B - Como corolário, o regime previsto no RA nunca foi aplicado às importações em causa. AI - Com efeito, o art. 149, 111do RA foi tacitamente revogado pelo art. 20 inciso I, alínea "c" da Lei 8.032/92, por irreconciliáveis (art. 2° parágrafo 1° de Lei de Introdução ao Código Civil). A conseqüência é que os beneficios previstos pela nova norma não se subordinam aos requisitos previstos no RA, como esclarece, aliás, o ~ único do art. 23 da Lei 8.032/90. " parágrafo único - As isenções e reduções referidas neste artigo serão concedidas com observância do disposto na legislação específica" . Desta forma, concedido o benefício com apoio da Lei 8.010/90, mediante o credenciamento feito pelo CNPq, a legislação de regência e exclusivamente esta mesma Lei - 8.010/90, razão pela qual não pode agora a autoridade fiscal imputar à recorrente a obrigação de atender às condições do art. 152 do Regulamento Aduaneiro aplicável unicamente ao benefício de que trata o inciso 111, do art. 149 do mesmo R.A. Seja de observar que a recorrente cumpriu plenamente a regra do parágrafo 2° do referido art. 152, não o fazendo com relação aos demais tópicos (alíneas) do artigo por absoluta inaplicabilidade a ela. B.l - As normas do RA, por serem de caráter genérico, formam um sistema aplicável aos casos não sujeitos a determinada regulamentação específica. De seu turno, a Lei 8.010/90 vem a ser diploma especial que se sobrepõe às normas do RA (assentado no Decreto- '.~ lei n° 37/66) e se constitui um excludente da aplicação dele nas hipóteses nela previstas. Tal é o motivo pelo qual a Lei nO8.010/90 exaure por si só todos os requisitos exigíveis para a fruição do beneficio isencional sem outros requisitos mais, mesmo os do RA Ademais, as próprias Autoridades Fazendárias ratificam os termos desta conclusão. Quando fez citação do art. 175 do RA e não cumpriu a totalidade dos requisitos nele previstos (aprovado o projeto pelo CNPq, este órgão encaminharia à SECEX recomendação de que concedesse o beneficio). A não observância desta norma equivale a reconhecer que o CNPq é o único órgão habilitado legalmente a conceder a isenção e não mais a SECEX (que substituiu a extinta CPA). Tal procedimento da Administração Fazendária demonstra que os requisitos do art. 175 do RA são inaplicáveis às importações feitas com isenção amparada pela Lei nO 8.010/90. '\f • 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA • RECURSO N°RESOLUÇÃO N° 117.475303-620 Por outro lado, ao deixar, reiteradamente, de exigir a comprovação (conforme o disposto no art. 134 do RA.) de que a isenção foi concedida pela SECEX, terá certamente a Autoridade Alfandegária incorrido em iterativos erros de direito, na medida em que tem reconhecido a outorga de beneficio a importadores, mesmo à míngua do cumprimento dos requisitos exigidos por lei (art. 175 do RA.) . • 1 4 - Levanta a preliminar de impossibilidade de fazer a revisão de lançamento sob pena de afronta aos princípios da certeza e segurança jurídicas que devem pautar a relação entre sujeitos ativo e passivo da obrigação tributária. A propósito, cita decisões de Tribunais Superiores (Ac. unânime, 58 Turma do Tribunal Federal de Recursos, de 13/04/83 AMS nO97.936/SP e RE nO74.385/MG, 2° Turma do STF-RTJ 56/192). 5. Transferência de propriedade ou de uso não ocorreu. Com efeito, a recorrente principal requereu credenciamento junto ao CNPq mediante a apresentação de determinado programa de pesquisas. Consta do referido programa que as pesquisas seriam desenvolvidas com o apoio e cooperação das Associadas as quais ao promoverem a consecução das pesquisas estavam executando objetivos pertencentes à associação. Ao cumprirem e exaurirem atos privativos da associação, como que assumem a sua personalidade jurídica, conforme a lição de Washington de Barros Monteiro (in curso de Direito Civil, 1° volume, Edit. Saraiva, 28° ed. pág. 113). Transferência teria ocorrido se inocorrida a mencionada incorporação de personalidades juridicas, vale dizer, caso as Associadas tivessem se divorciado dos objetivos da associação. Há de fato situação em que a utilização de um bem por determinada pessoa não configura transferência, podendo citar-se o caso de uma empresa que contrate a prestação de serviço em local distinto entregando a empregado seu as ferramentas necessárias à consecução de tal serviço. É exatamente isto o que se deu no caso dos autos. Prova cabal de que o equipamento não teve a propriedade transferida é que continuou escritu~ado contabilmente no Ativo Imobilizado A recorrente é entidade sem fins lucrativos e não possui outra fonte de recursos que não sejam as contribuições das suas Associadas. Tais contribuições são a única maneira de suprir a associação de recursos necessários à consecução dos seus objetivos. Ademais o Termo de Responsabilidade firmado pelas Associadas assevera que, com relação ao equipamento que nelas se encontre, têm elas preferência na aquisição, após o decurso de seis anos da respectiva importação. '1" , I~. 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA .' RECURSO N°RESOLUÇÃO N° 117.475303-620 Mesmo que se entendesse que o deslocamento engendrou a transferência do bem, ainda assim não se poderia chamar esta transferência de indevida já que reconhecida, admitida e convalidada pelo CNPq. 6 - O credenciamento conferido pelo CNPq - O credenciamento conferido pelo CNPq não pode ser considerado como meramente declaratório, mas é sim condição essencial, _J indispensável para fruição do beneficio isencional. Como ato condição, este credenciamento obriga a União e gera pressuposto de legalidade. É assim ato administrativo constitutivo posto que cria direito àquele a quem for concedido. É chamado ainda de ato administrativo bilateral pois dele decorrem direitos e obrigações para ambas as partes envolvidas, o beneficiário e a Administração Pública. Releva ainda observar que a concessão -isencional da Lei nO8.010/90 compete unicamente ao CNPq, que concede o beneficio através do credenciamento pelo qual fica estabelecida para o beneficiário a obrigação de observar apenas as condições e requisitos nele prescritos. Descabe, portanto, a interpretação dada pela decisão recorrida, neste ponto. Quanto à Receita Federal, sua competência fiscalizatória está limitada à avaliação do estrito cumprimento, por parte do contribuinte, das obrigações contraídas por ocasião da solicitação do credenciamento. Não compete à Receita Federal o poder de alterar, restringir ou ampliar as obrigações assumidas pelo contribuinte impingindo-Ihe o adimplemento de condições não estabelecidas pelo órgão concedente, o CNPq. Não tem a Receita Federal tampouco, o poder de revogar a isenção, ato que só poderia ser pronunciado pelo mesmo órgão que a concedeu. • 7 - O artigo 137 do RA. não tem aplicação à espécie dos autos pois trata apenas de isenções condicionadas à qualidade do importador ao passo que a Lei n° 8.010/90 condiciona a fruição do beneficio à observância de pressupostos subjetivos e objetivos. É sabido que a lei tributária deve atender ao princípio da tipicidade fechada não sendo permitida a interpretação analógica ou extensiva para alargar o alcance da norma. Tal como em matéria penal, em relação à aplicação de sanções tributárias, não há infração sem lei que as defina. A omissão do legislador não autoriza o intérprete a preencher a lacuna da lei. 8 - Por fim, nenhum ponto da autuação ficou sem impugnação. Com efeito, ao se insurgirem contra o antecedente (transferência dos bens e aplicabilidade do art. 137 do R.A.) rejeitarem igualmente o conseqüente (a exigência dosimpostose das penas aplicadas). ~ . 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 117.475 303-620 • 9 - Requer o recebimento do recurso com as razões nele contidas para serem. reconhecidas a improcedência e a insubsistência do Auto de Infração e de Termo de Responsabilidade Solidária dele decorrente. É o relatório.y 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA • RECURSO N°RESOLUÇÃO N° 117.475303-620 VOTO 1. As recorrentes invocaram regras do CPC para pedir a reumao dos 14 processos instaurados contra a GRUPO - Associação de Escolas Particulares e as escolas associadas, em um só. Fundamentaram seu pedido no artigo 108, inciso I, do Código Tributário Nacional, que prevê a utilização da analogia como norma de integração da legislação tributária. Consequentemente, pretenderam, as recorrentes, usar a analogia para fim de' prorrogar •• competência, utilizando-se do instituto da conexão, previsto no Código de Processo Civil. Ocorre que competência é requisito de validade do ato administrativo. Vícios quanto à competência conduzem à nulidade do ato. Por isso, as hipóteses de prorrogação de competência são apenas as expressas na lei, não cabendo usar a analogia para determiná-las. E por não haver previsão na lei processual tributária, não se admite a reunião dos processos por conexão, uma vez que tal reunião teria como conseqüência o deslocamento da competência. 1.1 - Quanto à preliminar de impossibilidade de revisão do lançamento, não a acato. No caso específico, está ela amparada pelo artigo 149, inciso I, do Código Tributário Nacional. O artigo 54 do Decreto-lei nO37/66, com a redação dada pelo Decreto-lei n° 2.472/88, prevê expressamente a revisão do lançamento. Além disso, o artigo 179, S 2° do Código Tributário Nacional (Lei nO 5.172/66), c.c. o art. 155 do mesmo CTN, prevê que a isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada em cada caso por despacho da autoridade administrativa, despacho esse que não gera direito adquirido e será revogado de ofício sempre que se apure que o beneficiário não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumpria ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor. ';, .• : Fundamentou-se, a exigência fiscal, no fato de ter, a beneficiária, transferido a posse dos bens importados com isenção. Nesse caso, tendo descumprido as condições para gozo da isenção; a lei determina que seja a mesma revogada de ofício. Configurada, pois, a hipótese de revisão de lançamento previsto no art. 149, inc. I, do CTN. 2. Sobre a inaplicabilidade das regras do Regulamento Aduaneiro à isenção de que trata, deve ser considerado o que se segue: O Decreto-lei nO 37/66, que "dispõe sobre o Imposto de Importação e reorganiza os serviços aduaneiros", é o diploma legal básico do Imposto de Importação, contendo as normas gerais relativas à aplicação e administração desse tributo. Sua Seção I do Capítulo IH do Título I, trata das Disposições Gerais de Isenção e Redução, sendo que os artigos 11 e 12 estabelecem condições genéricas para qualquer isenção ou redução de caráter subjetivo ( art. 11) ou objetivo (art. 12). Esses dois artigos encontram-se consolidados no Regulamento Aduaneiro, nos seus artigos 137 e 145, respectivamente. Por constituírem disposição de disciplinamento geral das isenções ou reduções, esses dispositivos, bem como o art. 152, aplicam-se a todas as isenções • 10 3 - As recorrentes buscam fazer crer que o CNPq, ao credenciar la GRUPO estava ciente de que os equipamentos importados não ficariam na posse da entidade sem fins lucrativos, mas que seriam instalados nas escolas particulares, pois que o Programa de Atividades de Pesquisa e Desenvolvimento, que encaminhou àquele órgão quando da solicitação de credenciamento, alude a que o exaurimento dos objetivos almejados dar-se-ia com a colaboração das associadas (escolas particulares) e de instituições de ensino da rede pública. Tratando-se, no caso, de isenção ao mesmo tempo subjetiva e objetiva, como, aliás, afirmado no recurso, sujeita-se às regras dos artigos 137 a 148 do Regulamento. 2.2 - No que se refere ao artigo 175, têm razão as recorrentes. A norma legal nele consolidada é do Decreto -lei nO1.160/71, atualmente revogado. E o comando nela contido • (aprovação de projeto pelo CNPq, com recomendação desse órgão à CPA para que conceda o beneficio) não foi reproduzido na Lei nO8.010/90. 2.1 - Também não é correta a afirmativa de que a Lei n° 8.032/90, pelo seu parágrafo único do art. 2°, tenha afastado expressamente as regras do Regulamento Aduaneiro na apreciação das isenções por ela mantidas. Referida lei revogou todas as isenções do imposto de " importação então em vigor, ressalvando expressamente algumas. Quanto a essas, determina o parágrafo único do art. 2° que seriam concedidas com observância da legislação respectiva. E a legislação respectiva constitui-se de cada lei específica concessora do beneficio e das normas genéricas do Regulamento Aduaneiro, aplicáveis a todos os casos (dentre as quais os artigos 137 a 148eI52). 11 117.475 303-620 RECURSO N° RESOLUÇÃO N° MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA ou reduções que neles se enquadrem, independentemente de terem sido concedidas por lei posterior ao Regulamento Aduaneiro. Todavia, a partir apenas daquele Programa de Atividades (não anexado ao presente, mas que instruiu um dos 14 processos instaurados e que se encontram neste Conselho, o de nO13805-004830/94-55), não se pode extrair essa conclusão. O Programa define três linhas de pesquisa. A Primeira linha, dividida em 4 temas, consiste no acompanhamento dos mais recentes desenvolvimentos em Educação com Auxílio de Computadores (E.A.c.) em todo o mundo, via consulta a bibliografia atualizada e participação em Congressos, Seminário e Palestras e posterior realização de Estudos detalhados de aplicabilidade real das novas tecnologias que se mostrarem adequadas à utilização pelas escolas do GRUPO; na elaboração de aplicativos em E.A.C., usando ferramentas adequadas de software, para uso nas disciplinas dos 1° e 2° Graus nas Escolas do Grupo; na implementação e uso de Salas de Aula equipadas para utilização dos Aplicativos Educacionais Desenvolvidos, para avaliação real de sua adequação ao ensino e obtenção de informações de realimentação para aprimoramento dos mesmos; e na elaboração de softwares, guias, manuais e cursos de treinamento formais para preparar e motivar os docentes das escolas do GRUPO para uso destas novas tecnologias e preparação e implementação de esquema de consultoria para apoiá-los no período inicial de uso das mesmas. Nada sugere que as atividades t • Sobre a autorização expressa do CNPq para a instalação dos computadores nas escolas, nada consta dos autos nesse sentido. 4. Dizem ainda as recorrentes que não ocorreu a transferência dos equipamentos e que o CNPq autorizou expressamente a instalação dos computadores nas escolas. Portanto, apenas com o que consta desse Programa de Atividades, não poderia o CNPq concluir que se tratava e importação de equipamentos para serem instalados e usados em escolas particulares, entidades com fins lucrativos. Porque, embora o programa fale no desenvolvimento cooperativo de atividades de pesquisa avançada envolvendo, além das Escolas do GRUPO, escolas da rede pública, não diz que as escolas seriam equipadas com os computadores importados com o beneficio fiscal. 12 117.475 303-620 RECURSO N° RESOLUÇÃO N°, MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA relativas a essa primeira linha de pesquisa não seriam desenvolvidas na própria entidade sem fins lucrativos. As razões alegadas para descaracterizar a transferência (não contabilização no Ativo Imobilizado das Escolas e assinatura de termo de fiel depositário) são irrelevantes. Primeiro, porque para a revogação da isenção não é necessária a transferência de propriedade, bastando a de uso. Depois, porque as "provas" opostas pelas recorrentes constituem apenas aspectos formais,r •• A terceira linha de pesquisa consiste no desenvolvimento cooperativo de atividades de pesquisa avançada no contexto do Projeto Escola do Futuro da USP, envolvendo, além das Escolas do GRUPO, escolas da Rede Pública e na troca de experiência e na adaptação de resultados com a Universidade de Tsukuba e com o Foothill College. Ainda para essa terceira linha de pesquisa o Programa não indica que sua consecução implicaria em que os equipamentos importados com isenção seriam mantidos fora das instalações fisicas da entidade beneficiária da isenção. A segunda linha de pesquisa consiste no desenvolvimento e definição de instalações, equipamentos e instrumentação para Espaços de Uso Múltiplo que possam ser usados indistintamente para experiências e atividades Artísticas, Lingüística, Lúdicas e de Ciências em geral e desenvolvimento equivalente de espaços modernos para prática de educação fisica e de i! esportes; no desenvolvimento, a partir da tecnologia industrial existente, da instrumentação necessária aos Laboratórios Multi-uso, adequada às condições de precisão, confiabilidade e economicidade particulares do ambiente educacional; análise dos inúmeros recursos de "realidade virtual" atualmente disponíveis, para utilização como Experiências Virtuais em substituição ou complementarmente às experiências reais de laboratório; e em, à luz das novas ferramentas disponíveis (laboratórios multi-uso, realidade virtual, etc ...), repensar as experiências apresentadas e/ou executadas pelos alunos para chegar evolutivamente a uma relação mais adequada (inclusão, por exemplo, de experiências virtuais no lugar de experiências interessantes de dificil ou impossível realização por razões de segurança, economicidade, etc ...). Também nesse caso hão há qualquer indicação de que as atividades descritas no Programa como integrantes da segunda linha 4 de pesquisa seriam desenvolvidas nas escolas particulares, e não na entidade de pesquisa. MINISTÉRIODAFAZENDA TERCEIROCONSELHODECONTRIBUINTES TERCEIRACÂMARA • RECURSO N°RESOLUÇÃO N° 117.475303-620 I I", '. • I I - que não traduzem a realidade dos fatos, e o que importa, no caso, é a verdade material e não a formal (considere-se, especialmente, que cada escola pagou pelo equipamento que recebeu, ainda que tal pagamento tenha sido eufesmísticamente chamado de "contribuição"). E se os equipamentos pertencem de fato (não apenas formalmente) à GRUPO, estando instalados nas escolas apenas para o desenvolvimento das pesquisas, por que nada foi instalado nas escolas da rede pública, (que, de acordo com o Projeto, também, estariam envolvidas na pesquisa)? A resposta é simples: Porque apenas as escolas que pagaram pelos equipamentos receberam-nos. Tenho como perfeitamente caracterizado que as escolas particulares, que não preenchem o requisito legal de entidades sem fins lucrativos, utilizaram-se de interposta pessoa, a associação sem fins lucrativos, para importa com isenção. Porque, se à lei fosse indiferente quem se beneficiaria da isenção, bastando que os equipamentos pudessem ser usados em pesquisa científica ou tecnológica, não teria incluído no dispositivo que indica os sujeitos beneficiários, a expressão "sem fins lucrativos". A importação consumou-se regularmente, pois todos os requisitos legais foram atendidos: a importadora não tem fins lucrativos e está credenciada pelo CNPq. Porém, se ficar caracterizado que os bens importados foram transferidos irregularmente para as entidades de fins lucrativos, deixaram de ser atendidas as condições do beneficio, devendo ser exigidos os tributos. Finalmente, ressalte-se que a Receita Federal não revogou (e não tem competência para fazê-lo), o credenciamento concedido pelo CNPq. A GRUPO permanece credenciada a importar com os beneficios da Lei 8.010/90. Apenas se está exigindo o crédito correspondente aos equipamentos importados com isenção e que foram transferidos sem o prévio pagamento dos tributos, conforme determina o art. 11 do Decreto-lei n 37/66. Todavia, tendo em vista a superveniência da Portaria Interministerial MCT/MF nO360, de 17/10/95, publicada no D.a.v. do dia 19 do mês em curso, a qual atribui ao CNPq o poder-dever de verificar qualquer irregularidade na utilização dos bens importados, ou contrariedade à Lei 8.010/90, voto pela conversão do julgamento em diligência ao CNPq para que aquele órgão se pronuncie quanto à regularidade do procedimento das recorrentes. Sala das Sessões, em 25 de outubro de 1995. -=====:s ~ }. ~ SANDRA MARIA FARONI - RELATORA 13 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013
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