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Numero do processo: 10783.904062/2008-41
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Anocalendário:
2002
PER/DCOMP
A homologação por meio de despacho decisório de PER/DCOMP posterior, cujo objeto é o mesmo de PER/DCOMP anterior não cancelada, implica em automático cancelamento da primeira PER/DCOMP entregue.
Numero da decisão: 1803-000.780
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Marcelo Fonseca Vicentini
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Recorrida DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO NO RIO DE JANEIRO (RJ) ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002 PER/DCOMP A homologação por meio de despacho decisório de PER/DCOMP posterior, cujo objeto é o mesmo de PER/DCOMP anterior não cancelada, implica em automático cancelamento da primeira PER/DCOMP entregue. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Fonseca Vicentini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Benedicto Celso Benício Júnior, Marcelo Fonseca Vicentini, Luciano Inocêncio dos Santos Relatório Fl. 105DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por MARCELO FONSECA VICENTINI Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 04/04/2011 por MARCELO FONSECA VI CENTINI Processo nº 10783.904062/200841 Acórdão n.º 180300.780 S1TE03 Fl. 104 2 IMETAME METALMECANICA LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO NO RIO DE JANEIRO – RJ interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Tendo em vista a clareza e correção do Relatório da DRJ, adoto o mesmo: “A interessada transmitiu a DCOMP n° 15726.51260.200906.1.7.028843, para retificar a PER/DCOMP 39118.42017.290104.1.3.028349, que foi objeto de Despacho Decisório da DRFVitóriaES, emitido em 26/08/2008 — N° de rastreamento 783762418, de fl. 26, que não homologou a compensação pleiteada, nos seguintes termos: i) Período de apuração do crédito: Exercício 200301/02/2002 a 31/12/2002 Tipo de crédito: Saldo negativo de IRPJ ii) Valor original do saldo negativo informado na PER/DCOMP com demonstrativo de crédito = R$ 25.474,45. iii) Não foi apurado Saldo Negativo de IRPJ, mas sim Imposto a pagar de R$ 156.229,21. Cientificada em 01/09/2008, fl. 61, a interessada apresenta Manifestação de Inconformidade, fls. 01/03, na qual alega que: i) possuía crédito de IRPJ calculado por estimativa código 2362 1 relativo ao mês de dezembro/2002, cujo recolhimento indevido ou a maior que o devido ocorreu em 30/01/2003, no montante de R$ 25.474,45; ii) em 29/01/2004 apresentou a PER/DCOMP 39118.42017.290104.1.3.028349, onde pretendia compensar o crédito com o débito por estimativa de dezembro/2003, tendo ocorrido dois erros de fato, que o crédito era do anocalendário de 2003 e se tratava de saldo negativo de IRPJ, por isso retificou em 20/09/2006, com a DCOMP n° 15726.51260.200906.1.7.028843, que resultou no Despacho decisório. Corrigiuse o períodobase, porém manteve como Saldo negativo de IRPJ; iii) em 08/10/2007 cancelou a PER/DCOMP original (8349) através da PER/DCOMP n° 00034.76675.081007.1.8.022068, haja vista a informação de que o cancelamento do original tem o condão de cancelar suas retificações posteriores; iv) transmitiu o PER/DCOMP n° 10544.49651.081007.1.3.04.7058 formalizando o crédito de R$ 25.474,45, demonstrando inequivocamente tratarse de Pagamento Indevido ou a maior, e relativo ao período de apuração 31/12/2002, cujo recolhimento ocorreu em 28/02/2003; Fl. 106DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por MARCELO FONSECA VICENTINI Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 04/04/2011 por MARCELO FONSECA VI CENTINI Processo nº 10783.904062/200841 Acórdão n.º 180300.780 S1TE03 Fl. 105 3 v) cabe a anulação do Despacho Decisório por tratar de PER/DCOMP sem validade administrativa, e que seja analisada e acatada a PER/DCOMP n° 10544.49651.081007.1.3.04.7058, de 08/10/2007; vi) juntou aos autos documentos de fls. 28/60. Em resposta a impugnação do contribuinte, a DRJ proferiu decisão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Anocalendário: 2002 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IRPJ. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e devidamente comprovadas, não se aplicando em caso de alteração da natureza do crédito. Indeferido o reconhecimento do direito creditório, cumpre não homologar a compensação em litígio. Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Tendo em vista a sucessão de eventos e por entender relevante para o julgamento do presente processo, reproduzo as partes relevantes do voto do relator da DRJ: “a interessada argumenta que incorreu em erro ao identificar a natureza do crédito e o períodobase de apuração, tendo retificado a informação através de várias tentativas, ao todo, foram 04 (quatro) PER/DCOMP, uma delas objeto do Despacho Decisório que originou o presente processo. Na sua descrição dos eventos, equivocouse ao entender que somente com a PER/DCOMP N° 00034.76675.081007.1.8.02 2068, transmitida em 08/10/2007, é que se cancelou a PER/DCOMP original, quando, na realidade, tal cancelamento da declaração original já havia se dado com a PER/DCOMP n° 15726.51260.200906.1.7.028843, conforme se pode constatar nos Sistemas da RFB, fl. 65:39118.42017.290104.1.3.028349 = " SITUAÇÃO CANCEL/RETIFICADO — RETIFICADORA ADMITIDA = 15726.51260.200906.1.7.028843". Assim, a PER/DCOMP objeto deste processo nº 15726.51260.200906.1.7.028843, cuja análise concluiu pela inexistência do crédito, é que está em discussão administrativa. Conforme fl. 35, na retificação a interessada continuou Fl. 107DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por MARCELO FONSECA VICENTINI Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 04/04/2011 por MARCELO FONSECA VI CENTINI Processo nº 10783.904062/200841 Acórdão n.º 180300.780 S1TE03 Fl. 106 4 apontando como crédito o Saldo Negativo de IRPJ, informando o anocalendário de 2002 como períodobase. Tendo em vista que não foi apurado Saldo Negativo no referido ano calendário, mas Imposto a pagar de R$ 156.229,21, efetivamente inexiste o crédito mencionado, devendo ser indeferida a compensação. Não cabe a anulação desta PER/DCOMP pois não foi objeto de cancelamento, portanto, incabível o pedido de sua anulação e que, por sua vez, a última PER/DCOMP n° 00034.76675.081007.1.8.022068 encaminhada, está suspensa por impossibilidade de aplicação automática, pois solicita o cancelamento da PER/DCOMP original, que já havia sido cancelada, fls. 42/43, assim, não podendo produzir efeitos. Ao transmitir o PER/DCOMP n° 10544.49651.081007.1.3.04.7058 em 08/10/2007, formalizando o crédito de R$ 25.474,45, apontando como crédito: Pagamento Indevido ou a maior, e relativo ao período de apuração 31/12/2002, apresentando DARF cujo recolhimento ocorreu em 28/02/2003, e colocando como Tipo de documento: Original, tal PER/DCOMP está fora da presente lide, pois alterou a Natureza do crédito e, novamente, a database da apuração do crédito, desvinculandose totalmente do crédito originalmente pleiteado de Saldo negativo de IRPJ e retificado conforme verificado anteriormente. Dessa forma, essa PER/DCOMP que pretende seja acatada, não é passível de análise no presente processo, pois a mudança da natureza do crédito e do período base de apuração impossibilita sua vinculação ao crédito ora examinado. Somente a título de esclarecimento, a interessada alega que o crédito enfim decorre de pagamento indevido ou maior que o devido relativo a estimativa — código 23621 relativo ao mês de dezembro/2002. Verificase, conforme consulta à sua DIPJ do ano calendário de 2002, Ficha 11 — cálculo do IR mensal por estimativa de Dezembro/2002, que o valor apurado do débito de IRPJ é de R$ 343.050,23. O DARF cuja cópia está à fl. 60, código 2430, apresenta o pagamento do principal de R$ 158.925,22, mais juros de R$ 1.589,25, totalizando R$ 160.514,47, com a indicação à mão de "Pagamento maior R$ 25.474,45". Logo, nada se pode concluir de que ocorreu pagamento a maior ou indevido. Além disso, cabe destacar a aplicação dos seguintes artigos do Decreto n° 70.235/72 Processo Administrativo Fiscal — PAF, ao presente caso: "Art. 15 ... Art. 16 ... Fl. 108DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por MARCELO FONSECA VICENTINI Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 04/04/2011 por MARCELO FONSECA VI CENTINI Processo nº 10783.904062/200841 Acórdão n.º 180300.780 S1TE03 Fl. 107 5 Tendo em vista que a interessada não só não juntou nenhuma prova ou escrituração contábil que permitisse avaliar os supostos erros alegados, tampouco demonstrou a origem do suposto pagamento indevido ou a maior de estimativa de dezembro/2002, incluído no DARF cuja cópia está à fl. 60, cumpre indeferir o direito creditório invocado, partindose do pressuposto de que o ônus da prova do indébito tributário é do sujeito passivo. Por todo o exposto, VOTO sentido de NÃO RECONHECER o direito creditório em litígio e NÃOHOMOLO AR a compensação pleiteada.” Não se conformando a decisão da DRJ, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário onde esclarece preliminarmente que permaneceu em aberto um débito que fora quitado com posterior homologação de Pedido de Compensação. Desta forma, requer a Recorrente que seja acolhido o recurso voluntário, homologandose o cancelamento do pedido feito que continha erro, bem como sendo extinto o débito em aberto, tendo em vista a homologação do pedido de compensação através do Despacho Decisório de n°.848525790. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Fonseca Vicentini O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade. Dele conheço. De forma resumida, foram transmitidas 4 PER/Dcomps, a saber: 1ª) PER/DCOMP 39118.42017.290104.1.3.028349 – informando saldo negativo de 2002; 2ª) PER/DCOMP n° 15726.51260.200906.1.7.028843 – informando saldo negativo de 2003 (retificadora, buscando correção do período mas permanecendo equivoco quanto a natureza) 3ª) PER/DCOMP N° 00034.76675.081007.1.8.022068, solicitando o cancelamento da PER/DCOMP nº 39118.42017.290104.1.3.028349. 4ª) PER/DCOMP n° 10544.49651.081007.1.3.04.7058 em 08/10/2007, formalizando o crédito de R$ 25.474,45, apontando como crédito: Pagamento Indevido ou a maior, e relativo ao período de apuração 31/12/2002, apresentando DARF cujo recolhimento ocorreu em 28/02/2003, e colocando como Tipo de documento: Original. Fl. 109DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por MARCELO FONSECA VICENTINI Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 04/04/2011 por MARCELO FONSECA VI CENTINI Processo nº 10783.904062/200841 Acórdão n.º 180300.780 S1TE03 Fl. 108 6 Com relação as primeiras 3 PER/DCOMPS, considerando que a 2º PER/DCOMP que visava retificar a 1º ainda continha erros, o contribuinte enviou a 3º cancelando a 1º, conforme orientações do próprio sítio da receita federal, que determinava o cancelamento do documento original, independentemente de retificadora posterior. Neste sentido, após a decisão da DRJ, remanescente não cancelada a 2º PER/DCOMP, bem como o respectivo débito, visto que segundo referida decisão, seria impossível acatar o cancelamento da DCOMP retificadora. Diante da sucessão de PER/DCOMPs, entendeu a DRJ que a 4º declaração enviada está fora da presente lide, pois alterou a natureza do crédito e a database da apuração do crédito, desvinculandose totalmente do crédito originalmente pleiteado de Saldo negativo de IRPJ e retificado conforme verificado anteriormente. Por seu turno, requer a Recorrente que seja acolhido o presente recurso, homologandose o cancelamento do pedido feito que continha erro, bem como sendo extinto o débito em aberto, em outras palavras, requer o cancelamento da 2º PER/DCOMP tendo em vista a homologação do pedido de compensação através do Despacho Decisório de n°. 848525790, ou seja, da homologação da 4ª PER/DCOMP, visto que as duas declarações se referem ao mesmo débito, e a compensação requerida também tem como origem o mesmo crédito. Assiste razão ao contribuinte, conforme documentos anexos ao recurso voluntário (fls 28 a 51), resta claro que todas as PER/DCOMPs se referem ao mesmo crédito e débito, bem como é possível confirmar que a 4º PER/DCOMP foi homologada, não havendo qualquer lide acerca desta declaração (fls 100). Desta forma, tendo em vista a homologação da 4ª PER/DCOMP, o cancelamento da 2ª relativa ao mesmo crédito e a mesmo débito é decorrência lógica. Ante todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Marcelo Fonseca Vicentini Relator Fl. 110DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por MARCELO FONSECA VICENTINI Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 04/04/2011 por MARCELO FONSECA VI CENTINI Processo nº 10783.904062/200841 Acórdão n.º 180300.780 S1TE03 Fl. 109 7 Fl. 111DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por MARCELO FONSECA VICENTINI Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 04/04/2011 por MARCELO FONSECA VI CENTINI
score : 1.0
Numero do processo: 37284.002998/2006-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 27/06/2006
COMPENSAÇÃO- CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA
- TÍTULOS EMITIDOS PELA ELETROBRAS - IMPOSSIBILIDADE
JURÍDICA.
Não há permissivo legal para aceitação de títulos emitidos pela
ELETROBRÁS para quitação de débitos junto à previdência Social.
As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n.º 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringe-se aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos. Não ocorreu recolhimento ou pagamento indevidos de contribuições previdenciárias, no presente caso.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 2401-001.554
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 27/06/2006 COMPENSAÇÃO- CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA - TÍTULOS EMITIDOS PELA ELETROBRAS - IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. Não há permissivo legal para aceitação de títulos emitidos pela ELETROBRÁS para quitação de débitos junto à previdência Social. As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n.º 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringe-se aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos. Não ocorreu recolhimento ou pagamento indevidos de contribuições previdenciárias, no presente caso. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
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NÃO OCORRÊNCIA - TÍTULOS EMITIDOS PELA ELETROBRAS - IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. Não há permissivo legal para aceitação de títulos emitidos pela ELETROBRÁS para quitação de débitos junto à previdência Social. As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n.º 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringe-se aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos. Não ocorreu recolhimento ou pagamento indevidos de contribuições previdenciárias, no presente caso. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira- Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 35DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/12/2010 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 22/12/2010 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/01/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Trata-se de pedido de reconsideração de indeferimento de compensação por parte da empresa Acumuladores Ajax Ltda. Como consta da exordial, os requerentes ingressaram perante a Receita Previdenciária postulando a compensação de seus débitos, mediante conversão e restituição de imposto compulsório decorrente de obrigações da Eletrobrás. Foi emitido parecer da Procuradoria do INSS identificando os motivos para o indeferimento do pedido, fls. 10 a 15. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 17 a 28. Em síntese, o recorrente em seu recurso alega: 1. A recorrente ingressou perante a Receita Previdenciária postulando a compensação de seus débitos, mediante conversão e restituição de imposto compulsório decorrente de obrigações da Eletrobrás, o qual lhe foi negado com fundamento no parecer da Procuradoria Geral Federal - Órgão de Arrecadação em Bauru/SP, que alegou falta de liquidez c certeza dos créditos; falta de reconhecimento de validade por parte do emitente devedor; prescrição dos direitos; e a litigiosidade que recaem sobre referidos direitos. 2. O Código Tributário Nacional que institui normas gerais de direito tributável aplicáveis à União, Estados e Municípios, prevê, em seu artigo 170 a aplicação do instituto da compensação como pagamento dos débitos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. 3. A Lei ri° 8.388 de 30 de setembro de 1991, constata-se cristalinamente o amparo legal da causa de pedir, ou seja, a conversão de parte do Direito Creditório, objeto do presente, em Créditos, utilizáveis na compensação de Contribuição Social Previdenciária. administradas pelo Instituto da Previdência Social. 4. Pela lei n° 4.156/62 a União criou o titulo mobiliário "obrigações ao portador "(debêntures), subordinado ao programa do Fundo Federal de Eletrificação, que garantia as contribuições pagas pelos consumidores a titulo de empréstimo compulsório incidentes sobre as contas de energia elétrica. 5. Com o advento da Lei n° 4.156/62, foi estabelecida a natureza jurídica das debêntures, como títulos que conferem ao portador direitos de crédito, oriundos de empréstimos contraídos a longo prazo. 6. Assim, resulta claro nos termos do voto- do Mim Hélio Mosimann do STJ a prescrição de ações emitidas em 1970, por exemplo, somente terá inicio em 1999, ou seja, 211 anos após a emissão, e que, com o acréscimo de mais 20 anos, o período prescricional se estende até o ano de 2010. 7. Pode-se observar que diversos portadores de debêntures da Eletrobrás tem buscado através do Poder Judiciário a cobrança desses valores, e tem obtido êxito como bem demonstram as decisões que ora transcrevemos. Dessa forma resta demonstrado que as debêntures representam um crédito e ainda estão válidas. Fl. 36DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/12/2010 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 22/12/2010 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/01/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37284.002998/2006-51 Acórdão n.º 2401-01.554 S2-C4T1 Fl. 32 3 8. Quanto ao valor da debêntures em questão, conforme demonstra o laudo contábil, em anexo ao pedido de compensação, está devidamente atualizado utilizando-se juros 6%ao ano, como consta no verso do próprio titulo, bem como índices de correção monetária oficiais, inclusive os expurgos inflacionário de janeiro de 1989, março, abril • e maio de 1990e fevereiro de 1991, como bem decidiu o Egrégio Sn (RESP 1529001RJ, RESP 200786/SC, RESP 20065541SC, RESP194952/SC, RESP 227180/SC). 9. Pelo que foi exposto, requer que seja acolhida a compensação das debêntures da ELETROBRÁS, uma vez que é um titulo representativo de um crédito, é resgatável em 20 (vinte) anos, e sua prescrição dar-se-á somente 20 (vinte)anos após esgotado o prazo de resgate, ou seja no ano de 2010, conforme demonstrado no corpo do presente recurso, e atestado no verso de cada obrigação ao portador, principalmente, porque garantem a integridade do feito. 10. Dessa forma resta demonstrado pelo laudo contábil que as debêntures garantem a divida na integralidade, razão porque deve-se ser reconsiderada a decisão que indeferiu o pedido. O processo foi encaminhado a este Conselho após interposição do recurso, porém sem o oferecimento de contra-razões. É o relatório. Fl. 37DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/12/2010 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 22/12/2010 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/01/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 29. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES A Decisão da unidade descentralizada da SRP analisou todos os argumentos apontados pela recorrente e o motivo do indeferimento baseou-se dentre outros motivos nos aspectos dos permissivos legais autorizarem ou não tal compensação. Embora a decisão que indeferiu o pedido esteja respaldada em parecer da Procuradoria especializada, donde cita: ausência de previsão legal; falta de liquidez e certeza dos créditos; falta de reconhecimento de validade por parte do emitente devedor; prescrição dos direitos; e a litigiosidade que recaem sobre referidos direitos, como argumentos para o indeferimento; entendo desnecessário apreciar cada um dos fatos e argumentos, posto que a falta de previsão legal que autorizasse o procedimento de compensação e elemento mais importante. Quanto ao argumento da recorrente de que lhe assistiria direito de extinguir o crédito previdenciário por meio de utilização de créditos de natureza tributária (empréstimo compulsório) oriundo da União, no caso, Títulos emitidos pela ELETROBRÁS, não lhe confiro razão. As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n.º 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringe-se aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos. Não ocorreu recolhimento ou pagamento indevidos de contribuições previdenciárias, no presente caso. A Lei n ° 8.212/1991 está em perfeita consonância com o ordenamento jurídico, haja vista o próprio CTN dispor em seu artigo 97, VI, que as hipóteses de extinção do crédito tributário, entre essas a compensação e a dação em pagamento, são de estrita reserva legal. Assim, para verificar a possibilidade de compensação e de dação em pagamento há que ser remetido para os permissivos legais próprios da legislação do tributo que se pretende compensar. Havendo disposição específica na legislação previdenciária, não há que ser aplicado o procedimento das Leis n °s 8.383/1991, 9.430/1996 e o Decreto n ° 2.138/1997, 10637/2002, ou da legislação pertinente a empréstimo compulsório incidente sobre o consumo de energia elétrica, instituído pela União Federal em beneficio da ELETROBRAS, através do artigo 4° da Lei 4.156, de 28 de Novembro de 1962, portanto, não prospera o argumento de que tais Leis permitem a compensação a critério do contribuinte. Conforme prevê o art. 89, § 2º da Lei n ° 8.212/1991, somente pode ser compensado nas contribuições arrecadadas pelo INSS os valores cuja competência para arrecadar é da própria autarquia previdenciária. Não há previsão legal para que sejam aceitos Fl. 38DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/12/2010 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 22/12/2010 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/01/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37284.002998/2006-51 Acórdão n.º 2401-01.554 S2-C4T1 Fl. 33 5 créditos de outras pessoas jurídicas, mesmo porque se assim o fosse não seria compensação, mas sim dação em pagamento. Como a obrigação tributária é em pecúnia, o seu objeto necessariamente é moeda corrente, não há como o devedor querer forçar o credor, no caso a Previdência Social, aceitar coisa diversa de dinheiro, sem a devida permissão legal. Não bastasse, o crédito que o contribuinte alega não possui sequer natureza tributária, pois conforme entendimento do STF os empréstimos compulsórios somente atingiram a natureza de tributo com a Constituição Federal de 1988. Os empréstimos compulsórios criados antes da atual Constituição Federal, que é o presente caso, não são enquadrados como tributos. Fora da hipótese da Lei de Custeio da Seguridade Social, a compensação somente pode ser admitida em disposição expressa de lei, conforme previsão no art. 170 do CTN. Nesse sentido, surgiu a Lei n ° 9.711/1998, dispondo em seu art. 3º, nestas palavras: Art. 3º A União poderá promover leilões de certificados da dívida pública mobiliária federal a serem emitidos com a finalidade exclusiva de amortização ou quitação de dívidas previdenciárias, em permuta por títulos de responsabilidade do Tesouro Nacional ou por créditos decorrentes de securitização de obrigações da União. § 1º Fica o INSS autorizado a receber os títulos e créditos aceitos no leilão de certificados da dívida pública mobiliária federal, com base nas percentagens sobre os últimos preços unitários e demais características divulgadas pela portaria referida no § 5º deste artigo com a finalidade exclusiva de amortização ou quitação de dívidas previdenciárias, de empresa cujo débito total não ultrapasse R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). (...) § 5º Portaria conjunta dos Ministros de Estado da Fazenda e da Previdência e Assistência Social estabelecerá as condições para a efetivação de cada leilão previsto no caput, tais como: (...) Pelo exposto a autorização para que o INSS aceite tais títulos, refere-se somente aos títulos relacionados a certificados de dívida pública (CDP) negociados em leilão, o que não restou demonstrado no presente caso. Além do que, os CDP possuem em sua origem uma finalidade específica: amortização ou quitação de dívidas previdenciárias. Conforme explícito nos dispositivos legais, tratando-se de crédito previdenciário, o contribuinte não pode compensar crédito de outra natureza, devendo submetê-lo a leilão. Pelo exposto, não merece acolhida a solicitação da recorrente. A compensação e a dação em pagamento são modalidades de extinção do crédito tributário, e tais modalidades têm que estar previstas em lei, conforme disposto nos arts. 156, inciso XI e 170 do CTN. Desse modo, não pode o aplicador da lei, Poder Executivo, utilizar a analogia para suprir uma competência exclusiva do legislador, Poder Legislativo. Fl. 39DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/12/2010 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 22/12/2010 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/01/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 O fato da empresa ter entrado com pedido de compensação, não possui efeito suspensivo em relação a obrigação de efetivar o recolhimento na época oportuna, tendo em vista a inexistência de dispositivo legal que ampare a compensação no caso em questão, nem tampouco possuir a empresa amparo judicial para realização do procedimento, assim, entendo correto o indeferimento. CONCLUSÃO Face o exposto voto pelo conhecimento do recurso para no mérito NEGAR- LHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 40DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/12/2010 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 22/12/2010 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/01/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11040.000789/2002-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLLAno-
calendário: 1997
ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF.
Cancela-se o lançamento decorrente de revisão de DCTF, tendo em vista que o valor do débito foi declarado a maior.
Numero da decisão: 1202-000.406
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício.
Matéria: DCTF_CSL - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (CSL)
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLLAno- calendário: 1997 ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. Cancela-se o lançamento decorrente de revisão de DCTF, tendo em vista que o valor do débito foi declarado a maior.
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Cancela-se o lançamento decorrente de revisão de DCTF, tendo em vista que o valor do débito foi declarado a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício. Nelson Lósso Filho - Presidente Orlando José Gonçalves Bueno - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Valéria Cabral Géo Verçoza, Flávio Vilela Campos, Nereida de Miranda Finamore Horta. Relatório Trata-se de auto de infração e imposição de multa lavrado em decorrência de revisão realizada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Pelotas, ante a discrepância dos valores declarados relativamente aos valores recolhidos pela contribuinte. Em sede de impugnação, alega a ocorrência do erro de fato quando do preenchimento da DCTF correspondente ao 4º trimestre do exercício de1997. Para comprovar Fl. 1DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 27/12/2010 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, 05/01/2011 por NELSON LOSSO FI LHO 2 o alegado trouxe aos autos as cópias da mencionada declaração juntamente com a DIPJ correspondente, as quais demonstram a efetiva ocorrência do alegado equívoco. O órgão julgador a quo baixou em diligência o processo ao setor de fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre, para se manifestar ante as alegações apresentadas pela autuada, recebendo como resposta que, baseada no exame dos documentos apresentados, o erro de fato realmente ocorreu, declarando equivocados os valores declarados na DCTF devendo se considerar como válidos os dados constantes na DIPJ apresentada. Destarte, a Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre (RS) entendeu indevida a exigência tributária impugnada, julgando improcedente o lançamento efetuado com base no auto de infração e imposição de multa constante no presente processo. Conforme ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1997 ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. Cancela-se o lançamento decorrente de revisão de DCTF, tendo em vista que o valor do débito foi declarado a maior. Lançamento Improcedente” A autoridade de primeira instância recorreu de ofício da decisão que exonerou o contribuinte da prestação tributária em obediência ao artigo 34, I do Decreto Lei 70.235/1972. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, Relator Por presentes os seus requisitos autorizadores, tendo em vista a consonância com o dispositivo legal supramencionado em conjunto com a Portaria do Ministério da Fazenda nº 3/2008, tomo conhecimento do recurso de ofício, uma vez que o valor do crédito tributário exonerado atualmente encontra-se no importe de R$ 1.082.962,44. O lançamento originou-se por revisão interna, a qual constatou a existência de discrepância entre o valor recolhido e o valor declarado em DCTF relativa ao ano- calendário de 1997. Ante a diligência ordenada pela autoridade julgadora a quo restou comprovado o erro de fato praticado pela contribuinte quando do preenchimento da DCTF. Um dos princípios norteadores do processo administrativo fiscal é o princípio da verdade material, por meio do qual a administração, ao invés de prender-se ao demonstrado no procedimento, busca o que é realmente verdadeiro em face do que foi apurado formalmente. Neste sentido, convém relembrarmos os ensinamentos de Hely Lopes Meirelles acerca do aludido princípio: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 27/12/2010 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, 05/01/2011 por NELSON LOSSO FI LHO Processo nº 11040.000789/2002-19 Acórdão n.º 1202.00-406 S1-C2T2 Fl. 2 3 “O princípio da verdade material, também denominado de liberdade na prova, autoriza a Administração a valer-se de qualquer prova que a autoridade processante ou julgadora tenha conhecimento, desde que a faça trasladar para o processo. É a busca da verdade material em contraste com a verdade formal. Enquanto nos processos judiciais o Juiz deve-se cingir ás provas indicadas no devido tempo pelas partes, no processo administrativo a autoridade processante ou julgadora pode, até final julgamento, conhecer de novas provas, ainda que produzidas em outro processo ou decorrentes de fatos supervenientes que comprovem as alegações em tela. Este princípio é que autoriza a reformatio in pejus, ou a nova prova conduz o julgador de segunda instância a uma verdade material desfavorável ao próprio recorrente.” Analisando o caso em tela à luz do princípio invocado, depreende-se que a verdade formal apresentada na DCTF não condiz com a realidade material, vez que a própria Fazenda reconheceu o erro de fato no preenchimento da DCTF, que originou o lançamento tributário objeto deste processo administrativo fiscal. A real incidência da CSLL neste caso deverá ser verificada junto a DIPJ apresentada pela contribuinte, a qual contempla os verdadeiros valores relativos à contribuição social exigida, valores que foram devidamente recolhidos pelo contribuinte, conforme comprovado às fls. 33/35. Ante o exposto, sou por negar provimento do Recurso de Ofício, declarando a improcedência do lançamento efetuado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Pelotas, confirmando a decisão exarada pelo órgão julgador a quo. Sela das sessões, em 09 de Novembro de 2010. Orlando José Gonçalves Bueno. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 27/12/2010 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, 05/01/2011 por NELSON LOSSO FI LHO
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Numero do processo: 18471.001677/2007-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
Ementa: DESPESAS COM VALE TRANSPORTE. DESPESAS COM TRANSPORTE DE EMPREGADOS. CUMULATIVIDADE.
De acordo com a legislação que trata da matéria, podem ser deduzidas como despesa operacional, cumulativamente, as despesas com vale-transporte e com os serviços prestados pelo transporte coletivo dos empregados, desde que relacionados intrinsecamente com a produção e comercialização dos bens e serviços.
LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL
Não subsistindo o lançamento principal, deve ser cancelado o lançamento que lhe seja decorrente, na medida que os fatos que ensejaram o lançamento são os mesmos.
RECURSO EX OFFÍCIO - Nega-se provimento ao recurso interposto pela autoridade julgadora “a quo”, quando a decisão recorrida deu correta interpretação aos fatos e aos dispositivos legais aplicáveis a matéria.
Numero da decisão: 1202-000.427
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
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DESPESAS COM TRANSPORTE DE EMPREGADOS. CUMULATIVIDADE. De acordo com a legislação que trata da matéria, podem ser deduzidas como despesa operacional, cumulativamente, as despesas com vale-transporte e com os serviços prestados pelo transporte coletivo dos empregados, desde que relacionados intrinsecamente com a produção e comercialização dos bens e serviços. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL Não subsistindo o lançamento principal, deve ser cancelado o lançamento que lhe seja decorrente, na medida que os fatos que ensejaram o lançamento são os mesmos. RECURSO EX OFFÍCIO - Nega-se provimento ao recurso interposto pela autoridade julgadora “a quo”, quando a decisão recorrida deu correta interpretação aos fatos e aos dispositivos legais aplicáveis a matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado eletronicamente) Nelson Lósso Filho - Presidente. Fl. 591DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/11/2010 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 22/11/2010 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 17/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO 2 (documento assinado eletronicamente) Carlos Alberto Donassolo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Valéria Cabral Géo Verçoza, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta e Flávio Vilela Campos. Relatório Trata o presente processo da lavratura de Autos de Infração do IRPJ e CSLL dos anos-calendário de 2003 a 2005, no valor de R$ 1.341.501,25 e R$ 540.122,23, respectivamente, já incluídos a multa de ofício, no percentual de 75%, e os juros de mora, conforme demonstrativos, de fls. 459 a 487. Segundo o Termo de Constatação Fiscal, de fls. 224 a 226, a infração apontada refere-se a glosa das “despesas com transporte dos empregados” da autuada, considerada desnecessária à atividade da empresa., uma vez que a mesma já efetua o pagamento do vale-transporte aos mesmos. Por bem retratar os fatos ocorridos, adoto o relatório da DRJ/Rio de Janeiro I, de fls. 564 a 571, reproduzido a seguir (parte): “A fiscalização constatou nos exames da conta de despesas com transportes que o contribuinte registrou na mesma, além das despesas com vale-transporte, outras, relacionadas com aluguel de ônibus, também com a finalidade de atendimento ao transporte de seus funcionários, despesas estas amparadas em notas fiscais e com contratos de prestação de serviços de empresas de transporte, porém com características de pagamentos espontâneos e não necessários. As despesas contabilizadas, para serem dedutíveis, além de estarem respaldadas em documentação hábil e idônea, devem ser necessárias à atividade da pessoa jurídica e à manutenção da fonte produtora, sendo indedutíveis as despesas incorridas por mera liberalidade. A fiscalização, considerando que o contribuinte registra em sua contabilidade os montantes provenientes de despesas com vale- transporte, se beneficiando da dedutibilidade de tais despesas (art. 370 do RIR/1999), concluiu que as despesas com transportes, relacionadas com as empresas de prestação de serviços de transportes (Breda, Tourmania e Tur Cruzeiro) eram desnecessárias e, portanto, indedutíveis, tendo glosado tais despesas e lavrado auto de infração de IRPJ e de CSLL. Inconformado, o interessado apresenta impugnação requerendo a improcedência total da autuação, alegando, em síntese, o seguinte. Fl. 592DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/11/2010 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 22/11/2010 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 17/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 18471.001677/2007-69 Acórdão n.º 1202-00.427 S1-C2T2 Fl. 578 3 - que a unidade fabril e seções administrativas da sociedade têm no seu quadro operacional o registro, em média, de cerca de 950 empregados/ano. - que, independentemente do amparo legal que sustenta a operação de transportes seletivos utilizada por parte dos seus empregados, a grande maioria que se beneficiam deste transporte contratado residem em locais distantes, alguns não alcançados pela rede de circulação de transporte coletivo que satisfaça de maneira condizente e satisfatória a sua utilização, aliada à segurança e ao bem estar que o sistema adotado pela Reclamante oferece. - que, caracterizar os serviços de transporte contratado com empresas especializadas no ramo como não necessários à atividade-fim da sociedade, invalidando o custo benefício que viabiliza a operação, independentemente de seu cunho social é, no mínimo, total desconhecimento das normas de relacionamento empregado/empregador. - cita legislação que regulamenta a concessão de vale-transporte que exclui a caracterização como pagamento espontâneo e não necessário. -. que adota o lucro real anual, mas o lançamento ocorreu pelo lucro real trimestral. - que o lançamento inobservou a ocorrência de prejuízos fiscais em 2 exercícios fiscalizados e prejuízos anteriores.” Na seqüência, foi proferido o Acórdão nº 12-24.325 da DRJ/Juiz de Fora, contendo o seguinte ementário: GLOSAS DE DESPESAS. EMPRESA QUE CONCEDE VALE- TRANSPORTE AOS FUNCIONÁRIOS. DESPESAS COM ALUGUEL DE VEÍCULOS DE TRANSPORTE COLETIVO DE FUNCIONÁRIOS. DESPESAS DESNECESSÁRIAS. NÃO COMPROVADO. Do fato de a empresa conceder vale-transporte aos seus funcionários não cabe, a priori, extrair, por mero raciocínio dedutivo, que as despesas com aluguel de veículos de transporte coletivo de funcionários sejam desnecessárias, mormente porque o parágrafo único do art. 4o do Decreto n° 95.247/1987 permite a coexistência, numa mesma empresa, de ambos os benefícios. Para comprovar a desnecessidade das despesas de aluguel de transporte coletivo, a fiscalização, a quem incumbe o ônus da prova, deveria, cumulativamente, demonstrar: (a) que os mesmos funcionários estão sendo beneficiados com o vale-transporte e com transporte coletivo alugado; (b) que o vale-transporte cobre integralmente o deslocamento do funcionário (casa-trabalho- casa), o que tornaria desnecessária a despesa de aluguel de veículos de transporte coletivo . Uma vez que a fiscalização não logrou efetuar tais demonstrações, descabe concluir que as despesas com aluguel Fl. 593DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/11/2010 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 22/11/2010 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 17/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO 4 de veículos de transporte coletivo para funcionários sejam desnecessárias, e, por conseguinte, indedutíveis, devendo ser cancelada a autuação. APURAÇÃO DO RESULTADO. PERÍODO DE APURAÇÃO. OPÇÃO PELO REGIME ANUAL. INOBSERVÂNCIA PELA FISCALIZAÇÃO. O lançamento de ofício deve obedecer o período e o regime de apuração pelo qual optou o interessado, nos termos do art. 24 da Lei n° 9.249/1995. Demonstrado nos autos que o sujeito passivo optou pelo regime de apuração anual, não pode a fiscalização desconsiderar a opção e apurar o resultado trimestralmente. DECORRÊNCIA. Insubsistindo a matéria fática que ensejou o lançamento matriz (IRPJ), igual sorte colhe o auto de infração lavrado por mera decorrência, tendo em vista o nexo causal existente entre eles. Lançamento Improcedente Os principais fundamentos utilizados pelo acórdão recorrido se resumem nos seguintes pontos transcritos do voto condutor, em parte: “Data venia, a conclusão a que chegou a fiscalização, por mera dedução, sem aprofundamento do procedimento fiscalizatório, não tem base legal. Ao contrário, como será abordado mais adiante, a legislação que regulamenta o vale-transporte não veda a coexistência do referido benefício e do transporte coletivo contratado pela empresa para transportar os seus funcionários. Antes, porém, cabe registrar que a legislação prevê, expressamente, que as despesas com vale-transporte e as despesas com veículos de transporte coletivo de empregados são dedutíveis na apuração do lucro, senão vejamos. Art. 370 do RIR/1999. "Poderão ser deduzidos, como despesa operacional, os gastos comprovadamente realizados, no período de apuração, na concessão do vale-transporte a que se refere a Lei n- 7.418, de 16 de dezembro de 1985 (Lei n- 7.418, de 1985, art. 4-, e Medida Provisória n- 1.753-16, de 1999, art. 10, parágrafo único). Portanto, as despesas com vale-transporte, como bem mencionou a fiscalização no Termo de Constatação Fiscal, podem ser deduzidas como despesa operacional na apuração do lucro. Contudo, cabe ressaltar que as despesas com veículos de transporte coletivo de empregados também são dedutíveis na apuração do lucro, tendo em vista o disposto no art. 13, inciso II, da Lei n° 9.249/1995 c/c art. 25, inciso I, alínea da Instrução Normativa n° 11/1996, e o disposto no Parecer Normativo n° 42/1982. (...) Fl. 594DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/11/2010 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 22/11/2010 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 17/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 18471.001677/2007-69 Acórdão n.º 1202-00.427 S1-C2T2 Fl. 579 5 Portanto, do exposto, conclui-se, com fundamento na legislação aplicável acima mencionada, que, tanto as despesas com vale- transporte, quanto às despesas com aluguel de veículos de transporte coletivo de empregados, em regra, são dedutíveis na apuração do lucro. Impende ressaltar que, se a regra geral é que sejam dedutíveis, a fiscalização não poderia ter considerado, por mero raciocínio dedutivo, as despesas com aluguel de veículos de transporte coletivo de empregados como desnecessárias, e, portanto, como indedutíveis. Com efeito, deveria ter aprofundado o procedimento fiscal para que pudesse chegar a esta conclusão, já que o ônus da prova incumbe-a quem alega (art. 333, inciso I, do CPC), mormente considerando que o próprio Decreto n° 95.247, de 17/11/1987, que regulamenta o vale-transporte, permite, em determinadas situações, a coexistência do vale- transporte e do transporte coletivo contratado pela empresa para transportar os seus funcionários. A seguir, cita-se os artigos pertinentes do referido Decreto. (...) Cabe ressaltar, ainda, que, mesmo um funcionário que se beneficie do transporte coletivo oferecido pela empresa pode receber vale-transporte, caso o transporte coletivo fretado não cubra integralmente o deslocamento do funcionário. É o que está previsto no parágrafo único do art. 4o c/c art. 8o, ambos do Decreto n° 95.247, de 17/11/1987. Ademais, o art. 33 do referido Decreto dispõe expressamente que "ficam assegurados os benefícios de que trata este decreto ao empregador que, por meios próprios ou contratados com terceiros, proporcionar aos seus trabalhadores o deslocamento residência-trabalho e vice- versa, em veículos adequados ao transporte coletivo, inclusive em caso de complementação do Vale-Transporte. Portanto, a legislação é clara ao prever a possibilidade de coexistência de ambos os benefícios (despesas com aluguel de veículos de transporte coletivo para os funcionários e vale-transporte). Assim, para que as despesas de aluguéis de veículos de transporte coletivo pudessem ser consideradas como desnecessárias à manutenção da fonte produtora do interessado, a fiscalização deveria, o que, diga-se, não fez, provar que o vale- transporte fornecido cobriria integralmente o deslocamento (casa-trabalho-casa) dos funcionários do interessado. Portanto, pelo exposto, uma vez que a fiscalização não logrou comprovar, concretamente, a desnecessidade das despesas com aluguel de veículos de transporte coletivo para funcionários, considera-se as mesmas necessárias à atividade da empresa e à manutenção de sua fonte produtora, e, assim, dedutíveis na apuração do lucro. Mas não é só. Ad argumentandum tantum, ainda que a fiscalização tivesse comprovado a desnecessidade de tais despesas, o que, como já Fl. 595DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/11/2010 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 22/11/2010 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 17/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO 6 foi mencionado anteriormente, não o fez, cabe registrar que a fiscalização, ao efetuar o lançamento de ofício, inobservou o regime de apuração escolhido pelo interessado. De acordo com a DIPJ/2004 - ano-calendário de 2003 (fls. 05/70), DIPJ/2005 - ano-calendário de 2004 (fls. 71/164), e a DIPJ/2006 - ano-calendário de 2005 (fls. 165/208), o interessado optou pelo regime de apuração do lucro real anual. Todavia, pelo auto de infração lavrado (fls. 459/476), a fiscalização efetuou os lançamentos de ofício pelo lucro real trimestral, inobservando a forma de tributação pela qual optou o interessado, o que está equivocado, sendo causa suficiente para o cancelamento da exigência tributária, já que o crédito tributário foi apurado incorretamente. Outro equívoco cometido pela fiscalização, foi o fato de, na apuração do crédito tributário, ter desconsiderado os prejuízos fiscais declarados pelo interessado nos anos-calendário de 2003 (DIPJ/2004 - fl. 10) e de 2005 (DIPJ/2006 - fl. 170).” Em razão do valor do crédito tributário cancelado ter sido superior ao valor do limite de alçada, a DRJ/Rio de Janeiro I recorreu de ofício a este CARF, de acordo com o artigo 34, inciso I do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações posteriores. A autuada não apresentou contra-razões ao recurso de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade pois o valor exonerado do pagamento de tributo e encargos de multa, de R$ 1.881.623,48, ultrapassa o limite de alçada (R$ 1.000.000,00) estabelecido pela Portaria MF n o 3, de 3 de janeiro de 2008. Portanto, dele tomo conhecimento. A principal questão a ser examinada diz respeito em saber se as despesas de prestação de serviços de transporte coletivo dos empregados podem ser consideradas como dedutíveis para a apuração do lucro real cumulativamente com as despesas referente ao vale- transporte pago a esses empregados. Secundariamente, entendeu o acórdão recorrido que as autuações também não poderiam prosperar em razão de erro na identificação do fato gerador: de opção anual feita pelo contribuinte em sua declaração DIPJ e de apuração trimestral lançado pela fiscalização. Por fim, resta verificar a não compensação, por parte da fiscalização, de prejuízos fiscais dos anos dos anos de 2003 e 2005 que o contribuinte diz ter. Em relação à primeira matéria, não há dúvidas em relação à dedutibilidade dos gastos com vale-transporte na apuração do lucro real da pessoa jurídica, consoante art. 370 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). A questão que se levanta é com relação à glosa das despesas com o transporte coletivo dos empregados, que entendeu a fiscalização ser cumulativa com o vale-transporte pago a esses empregados. Fl. 596DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/11/2010 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 22/11/2010 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 17/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 18471.001677/2007-69 Acórdão n.º 1202-00.427 S1-C2T2 Fl. 580 7 Para ser considerada uma despesa operacional e admitida como dedutível da base de cálculo do IRPJ a despesa deverá ser usual ou normal para o tipo da atividade desenvolvida pela empresa. O Estatuto Social da empresa, fls. 531/532, estipula as atividades desenvolvidas pela autuada: “ A Companhia tem por objeto a (i) produção, tingimento, estampagem e acabamento de tecidos em geral, de roupas, e acessórios, compreendendo qualquer tipo de vestimentas, quer íntimas ou externas, inclusive para a prática de esportes, uso profissional, correção e proteção ou segurança, mesmo descartáveis, bem como luvas, bolsas, cintos, calçados e chapéus, artigos de malharia; (ii) comercialização dos produtos acima e mais produtos de beleza cosméticos, cama, mesa e banho; (iii) a prestação de serviços administrativos na venda de produtos”. Pela descrição do objeto social, verifica-se tratar-se de empresa de confecção de vestuário, que normalmente utiliza grande contingente de mão de obra adequada a esse tipo de atividade, uma vez que a sua receita com vendas, só no ano de 2003, ultrapassou a casa dos R$ 90 milhões, fls. 09. Ora, oferecer o transporte coletivo aos empregados, residência-trabalho e vice- versa, significa que a empresa quer proporcionar um certo conforto aos seus empregados, evitando o indesejado absenteísmo, tão prejudicial ao regular desempenho das atividades empresariais. Portanto, entendo que tais despesas de serviços de transporte atendem perfeitamente aos critérios de necessidade, usualidade e normalidade ao tipo de atividade da empresa, previstos no art. 299 do RIR/99, podendo ser consideradas como despesas operacionais para a apuração do lucro líquido. Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). (grifei) Ademais, como bem ressaltou o Acórdão recorrido, reforça a idéia de dedução o disposto no art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995 e art. 25 da Instrução Normativa SRF nº 11, de 1996, que prescrevem ser intrinsecamente relacionados com a produção, os veículos de transporte coletivo de empregados, cujas razões de decidir foram assim descritas no voto condutor, as quais também acolho: “Contudo, cabe ressaltar que as despesas com veículos de transporte coletivo de empregados também são dedutíveis na apuração do lucro, tendo em vista o disposto no art. 13, inciso II, da Lei n° 9.249/1995 c/c art. 25, inciso I, alínea 'g', da Instrução Normativa n° 11/1996, e o disposto no Parecer Normativo n° 42/1982. Fl. 597DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/11/2010 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 22/11/2010 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 17/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO 8 Art. 13, inciso II, da Lei n° 9.249/1995: "Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei n° 4.506, de 30 de novembro de 1964: I - das contraprestações de arrendamento mercantil e do aluguel de bens móveis ou imóveis, exceto quando relacionados intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços;" (grifei) Art. 25, inciso I, alínea 'g', da Instrução Normativa n° 11/1996. "Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro é vedada a dedução: I- das contraprestações de arrendamento mercantil e do aluguel de bens móveis ou imóveis, exceto quando relacionados intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços; II- (...) Parágrafo único. Consideram-se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização: g) os veículos de transporte coletivo de empregados." (grifei) Assim, entendo que a DRJ/Rio de Janeiro I interpretou corretamente a legislação tributária que trata da matéria, podendo ser mantidos os valores de despesas com a prestação de serviços de transporte coletivo dos empregados, glosados indevidamente, com o conseqüente cancelamento do crédito tributário exigido. Não bastasse isso, os Autos de infração lavrados consideraram como fatos geradores para o cálculo do IRPJ e da CSLL, a apuração trimestral, enquanto que a autuada fez a opção pela apuração do lucro real anual, conforme DIPJs entregues, de fls. 05 a 208. O artigo 142 do CTN estabelece que, para constituição do crédito tributário, a autoridade fiscal deve, entre outros procedimentos, verificar o momento adequado da ocorrência do fato gerador. O equívoco na identificação do aspecto temporal do fato gerador implica nulidade do lançamento e cancelamento da exigência respectiva, como corretamente entendeu o acórdão recorrido. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (grifei) Por fim, em que pese não alterar a decisão aqui exposta, entendo que a não dedução, pela fiscalização, dos alegados prejuízos fiscais de períodos anteriores ao autuado, fls. 561, não seria motivo suficiente para o cancelamento da exigência, bastando que a autoridade julgadora fizesse, à vista da comprovação dos prejuízos, os ajustes necessários no cálculo do IRPJ e CSLL devidos. Fl. 598DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/11/2010 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 22/11/2010 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 17/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 18471.001677/2007-69 Acórdão n.º 1202-00.427 S1-C2T2 Fl. 581 9 Pelo exposto, voto no sentido de que seja negado provimento ao recurso de ofício. (documento assinado eletronicamente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 599DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/11/2010 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 22/11/2010 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 17/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 10630.001486/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Mar 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/2001 a 31/12/2004
DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO. SEGURADO EMPREGADO.
Quando o Fisco constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as características de segurado empregado, previstas na Legislação, deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar seu correto enquadramento.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2402-000.713
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em/negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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DESCONSIDERAÇÃO DE VINCULO PACTUADO. Recorrente CAIPA COMERCIAL E AGRÍCOLA IPATINGA LTDA Recorrida DRJ-BELHO RORIZONTE/MG ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/05/2001 a 31/12/2004 DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO. SEGURADO EMPREGADO. Quando o Fisco constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as características de segurado empregado, previstas na Legislação, deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar seu correto enquadramento. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membrQ-s-da-4a-CAmara / 2 Tutuia Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unaninat- e de votos, em/negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. RCEt-Cr LIVEIRA Presidente e Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Maria da Glória Faria (Suplente). Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRFBJ), Belo Horizonte/MG, fls. 0354 a 0364, que julgou procedente em parte o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 0167 a 0172, o lançamento refere-se a contribuições destinadas a. Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga a segurados, correspondentes a contribuição dos segurados, da empresa, a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT) e as contribuições devidas aos Terceiros. Ainda segundo o RF, os valores da base de calculo são oriundos de pagamentos feitos a segurados considerados como contribuintes individuais pela recorrente (autônomos) que o Fisco, por verificar os requisitos que definem o segurado empregado, desconsiderou o vinculo pactuado e realizou diversa conceituação. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos que o configuram. Em 21/10/2005 foi dada ciência a. recorrente do lançamento, fls. 0313. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 0315 a 0324, acompanhada de anexos. Diante dos argumentos da defesa, a Delegacia solicitou esclarecimentos a fiscalização, fl. 0342 e 0343. A fiscalização respondeu aos questionamentos, fl. 0344. A Delegacia solicitou novos esclarecimentos a fiscalização, fl. 0345. A fiscalização respondeu aos questionamentos, fl. 0347. A Delegacia — a fim de respeitar os Princípios da Ampla Defesa e do Contraditório - encaminhou os pronunciamentos fiscais a. recorrente e reabriu seu prazo para defesa, fl. 0352. A recorrente não apresentou novas argumentações. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente em parte o lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0384 a 0385, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: Não há fundamento legal para o arbitramento, motivo de nulidade; 2 Processo n° 10630.001486/2007-15 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.713 Fl. 401 0 enquadramento como segurados empregados foi equivocado, pois os segurados são contribuintes individuais; Não ficou configurado no RF a condição de segurados empregados; Reitera os argumentos expostos na defesa; Diante do exposto, solicita o provimento do recurso. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 0400. É o relatório. 3 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR Preliminarmente, a recorrente atiiina que não há fundamento legal para o arbitramento, motivo de nulidade. Esclarecemos a recorrente que não houve, no presente lançamento, aferição alguma. 0 valor utilizado como Salário -de-Contribuição (SC) foi o valor pago aos contribuintes individuais, que foram considerados pelo Fisco como empregados. Aferição é o procedimento — utilizado pelo Fisco devido ao sujeito passivo ter se recusado, sonegado, ou ter apresentado de foinia deficiente qualquer documento ou informação necessários ao trabalho fiscal (§ 3°, Art. 33, Lei 8.212/1991) — pelo qual o Fisco busca, por parâmetros diversos da verdade material, valor extremamente aproximado com o devido, que não foi possível ser encontrado por omissões ou erros do sujeito passivo. No presente caso não houve aferição, pois os valores pagos aos segurados considerados como contribuintes individuais pela recorrente foram conceituados como remuneração a empregados pelo Fisco. Ressalte-se que esses valores não possuem embutidos outros custos, como despesas, tributos, etc. Caso diverso ocorreria se, por exemplo, empresários fossem conceituados como segurados empregados e o valor expresso em notas fiscais fosse utilizado como remuneração, pois nesses valores existiriam, com absoluta certeza, custos embutidos, como, por exemplo, o próprio valor para confecção da nota fiscal. No caso de pagamentos a contribuintes individuais autônomos o valor já expressa na sua integralidade o quantum será recebido pelo segurado. Portanto, como não houve aferição, não há razão no argumento. Pela análise do processo e das alegações da recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade do lançamento ou da decisão. Assim, o lançamento e a decisão encontram-se revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados por autoridade competente, sem preterição ao direito de defesa e de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. Por todo o exposto, rejeito as preliminares e passo ao exame do mérito. 4 Processo n° 10630.001486/2007-15 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.713 Fl. 402 DO MÉRITO Quanto ao mérito, a recorrente afirma que o enquadramento como segurados empregados foi equivocado, pois os segurados são contribuintes individuais e que não ficou configurado no RF a condição de segurados empregados. Para avaliarmos a alegação da recorrente necessitamos proceder a verificação dos motivos expressos no RF. Ressaltamos que o Fisco pode desconsiderar pactos. Decreto 3048/1999: Art.229. 0 Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: §22Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 92, deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. Art. 9° São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas fisicas: I - como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Nota-se, assim - a partir da transcrição do dispositivo legal que autoriza o uso dessa competência (desconsideração do vinculo pactuado e enquadramento como segurado empregado) - que há a necessidade da fiscalização verificar condições para efetuar essa desconsideração. Portanto, a fiscalização deve constatar a ocorrência das seguintes condições: 0 segurado deve ser pessoa fisica; A prestação de serviço deve ser de natureza não eventual; fi 0 segurado deve trabalhar para empregador (empresa urbana ou rural); A 0 segurado deve prestar serviço sob dependência do empregador (subordinação); 0 segurado deve receber salário (remuneração) pelo serviço prestado. 5 Para maior clareza, analisaremos cada pressuposto. a) Pessoa Física: 0 contrato de trabalho 6. "intuitu personae" no que diz respeito ao empregado, isto 6, levando ern consideração a pessoa que é contratada como empregado, a qual não pode fazer-se substituir por outra. A prestação de serviço deve ser cumprida pelo próprio empregado, posto que é indelegivel por tratar-se de obrigação de fazer. Caso o empregado se faça substituir por outra pessoa, inexistirá o elemento pessoalidade. b) Prestação de Serviço de Natureza não eventual: Entende-se por serviço prestado em caráter não eventual aquele relacionado direta ou indiretamente com as atividades normais da empresa. Significa que só se considera empregado quando o serviço por ele prestado for de natureza pernianente. A eventualidade não deve ser confundida com a freqüência, com a jornada ou com o horário de trabalho. Diz respeito tão-somente a natureza do serviço. Por exemplo: um bombeiro hidráulico, contratado para realizar reparos na rede hidráulica de um banco, exerce uma atividade, realiza um serviço de natureza eventual em relação a atividade bancária, mesmo que compareça ao serviço pontualmente, no mesmo horário dos demais empregados, durante qualquer tempo de que necessite para terminar o seu trabalho. Entretanto, um trabalhador daquele banco que exerça o cargo de auditor interno, mesmo que compareça ao serviço em dias alternados e não esteja sujeito ao horário e freqüência dos demais empregados executa serviço de natureza não eventual. Representa uma necessidade ligada a atividade bancária. Ele realiza um trabalho relacionado com a atividade do banco. c) Trabalhar para Empregador (Empresa): Para a CLT, empregador e empresa são usados como sinônimos. A legislação previdencidria utiliza apenas a expressão "...presta serviço de natureza rural ou urbana a empresa...". Portanto, empresa é o empregador, pessoa fisica ou jurídica, que contrata, dirige e remunera o trabalho. Outro ponto importante para a definição de empregador é que este assume o risco da atividade econômica. d) Subordinação (Dependência) a Empregador: A dependência a que a lei se refere não é econômica, embora ela se faça presente e até se presume na maioria dos contratos de trabalho. Mas essa dependência econômica não é pressuposto em todos os contratos. Há pessoas economicamente independentes que são empregadas. Por outro lado, também não é a simples subordinação técnica, em que o tomador do serviço pode e exige que a sua execução obedeça a determinados requisitos de ordem técnica, mesmo porque em muitos casos ela nem poderia ocorrer. Um advogado que fosse empregado de pessoa leiga em direito, certamente não teria subordinação técnica. Da mesma forma, o avicultor, obrigado na criação de aves, em decorrência de contrato de parceria, a cumprir determinadas exigências técnicas do parceiro abatedor, tais como, peso mínimo para abate, rag -do especifica, instalações com características pre- 6 Processo no 10630.001486/200745 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.713 Fl. 403 estabelecidas, exclusividade de fornecimento etc, terá caracterizado a subordinação técnica, mas di() o vinculo empregaticio. A dependência reconhecida pela lei e pela jurisprudência é a jurídica. Por força do contrato firmado com a empresa, o empregado se obriga a cumprir suas determinações, isto e, em função do contrato de trabalho, onde está sujeito a receber ordens, em decorrência do poder de direção do empregador. A subordinação é o estado de sujeição em que se coloca o empregado em relação ao empregador, aguardando ou executando suas ordens. A subordinação estabelecida na lei deve ser entendida como o direito do empregador de dirigir e fiscalizar a prestação do trabalho e dispor dos serviços contratados como melhor lhe aprouver. Com efeito, se o empregador dirige a prestação do trabalho e o empregado está intima e pessoalmente ligado ao trabalho, esse estará sob a dependência daquele, a cujas ordens deve obedecer, como ao seu superior hierárquico. Assim, o direito do empregador de definir, no curso da relação contratual e nos limites do contrato, a modalidade de atuação concreta do trabalho (faça isto, não faça aquilo; suspenda tal serviço, inicie outro). Segundo Délio Maranhao, da subordinação resulta para o empregador o poder de: Dirigir e comandar a execução da obrigação contratual pelo empregado; Controlar o cumprimento dessa obrigação; Aplicar penas disciplinares (advertência, suspensão, dispensa) quando o empregado não satisfaz devidamente, a prestação a que se obriga, ou se comporta de modo incompatível corn a confiança que está na base do contrato. A dependência é pessoal, isto e, não passa da pessoa do empregado; não atinge os seus familiares. 0 poder de mando não vai além do contrato de trabalho; tern limite no que se relaciona a trabalho e no tempo de vigência da relação de emprego. A lei não exige que o trabalho seja executado no estabelecimento do empregador. Pode ser feito na residência do empregado, desde que exista a sujeição pessoal. Se o empregador determina o conteúdo de cada prestação de trabalho, pouco importa o lugar onde ele é realizado. e) Receber Salário (Remuneração) pelo Serviço Prestado: A CLT, em seu art. 3°, ao conceituar empregado, utiliza a expressão mediante salário; a legislação previdencidria utiliza a expressão remuneração. Assim, podemos concluir que a relação de emprego é onerosa, isto e, o ; empregado tem o ônus fisico de prestar serviço ou estar è. disposição do empregador e este tem o ônus de remunerar o empregado, seja em espécie ou em utilidade. Para o empregado que satisfaz o ônus do trabalho não é aceita a alegação do trabalho gratuito. 7 Após esclarecermos as características da relação de emprego, devemos verificar se a fiscalização demonstrou a ocorrência dessas condições, pois só assim existirá o fato gerador do lançamento. Na leitura do RF encontramos análise detalhada do Fisco, em que ficam claras as características da relação empregaticia. E de ressaltar que os segurados enquadrados como empregados realizavam trabalhos reiterados para a recorrente, em funções ligadas à sua atividade e muitos deles ocupavam cargos de chefia (garçons, administradores, coordenadores). 0 Fisco fez exposição minuciosa dos motivos que o levaram a definir esses segurados como empregados, demonstrando todas as características da relação de emprego nas atividades exercidas por esses segurados. Portanto, não há razão no argumento da recorrente. Finalmente, pela análise dos autos, chegamos à conclusão de que o lançamento e a decisão foram lavrados na estrita observância das determinações legais vigentes, sendo que tiveram por base o que determina a Legislação. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto por negar provimento ao recurso, nos termos do voto. Sala das Sess ) rço de 2010 C 0 OLIVEIRA - Relator 8
score : 1.0
Numero do processo: 35204.007311/2006-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2005
MULTA. EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS.
Não prestando o contribuinte as declarações, esclarecimentos ou documentos a que está obrigando, ou sendo esses omissos ou não merecedores de fé, cabe a autoridade fiscal exigir a multa prevista na legislação de regência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-001.661
Decisão: ACORDAM os membros da 3º Câmara / 1º Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: Adriano González Silvério
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2005 MULTA. EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS. Não prestando o contribuinte as declarações, esclarecimentos ou documentos a que está obrigando, ou sendo esses omissos ou não merecedores de fé, cabe a autoridade fiscal exigir a multa prevista na legislação de regência. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-07-21T13:43:05Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-07-21T13:43:05Z; Last-Modified: 2011-07-21T13:43:05Z; dcterms:modified: 2011-07-21T13:43:05Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:8c41e59e-a6c4-4e7c-8621-964dc0cd1bbb; Last-Save-Date: 2011-07-21T13:43:05Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-07-21T13:43:05Z; meta:save-date: 2011-07-21T13:43:05Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-07-21T13:43:05Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-07-21T13:43:05Z; created: 2011-07-21T13:43:05Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2011-07-21T13:43:05Z; pdf:charsPerPage: 1328; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-07-21T13:43:05Z | Conteúdo => VIEIRA GOMES - Presidente. ALEZ SILVÉRIO — Relator ---- AD S2-C3 T 1 Fl. 170 - `•-:-7•! MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 35204.007311/2006-91 Recurso n° 153.121 Voluntário Acórdão n° 2301-01.662 — 3' Camara / la Turma Ordinária Sessão de 23 de setembro de 2010 Matéria Auto de Infração - Ausência de entrega de documentos Recorrente ITAPESSOCA AGRO INDUSTRIAL S/A Recorrida DRJ-RECIFE/PE ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2005 MULTA. EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS. Não prestando o contribuinte as declarações, esclarecimentos ou documentos a que está obrigando, ou sendo esses omissos ou não merecedores de fé, cabe a autoridade fiscal exigir a multa prevista na legislação de regência. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Camara / r Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por imam ade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. JULIO Partic aram do presente julgamento, os conselheiros: Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro Jose Silva, Adriano González Silveri°, Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). Relatório Trata-se de Auto de Infração DEBCAD n° 37.053.466-2, a qual exige multa em razão de a empresa autuada "deixar a empresa de prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social - INSS todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessarios a fiscalização, conforme previsto na Lei ii. 8.212, de 24.07.91, art. 32, III, combinado com o art. 225, III, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99." Assim resumiu o Relatório Fiscal de fl. 7 a 8 acerca da infração autuada: 1. A infragdo, objeto deste Auto, foi verificada em ação .fiscal na ITAPESSOCA AGRO INDUSTRIAL S/A (Ação n° 09334296), iniciada em 06/09/2006, com a expedição de Mandado de Procedimento Fiscal - MPF, sob a fbrma de Auditoria Restrita. Unia via do MPF retrocitado, além do Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal - TEAF, integram este Auto de Infração. 2. A empresa esta sendo autuada porque, apesar de regularmente intimada através do Termo de Intimação para Apresenração de Documentos - TIAD, datado de 06/09/2006 (cópia anexa), deixou de apresentar a Auditoria da Previdência Social as informações de natureza cadastral, financeira, contábil. trabalhista e previdenciária, relativas ao período de 07/2003 a 12/2005, em meio digital,confbrme exigência estabelecida no art. 8° da Lei 10.666/03 e detalhada nos arts. 36 a 38 da Instrução Normativa INSS/DC n° 89, de 11 de junho de 2003, e nos arts. 66 a 68 da Instrução Normativa INS'S/DC n° 100, de 18 de dezembro de 2003. Tais informações deveriam ter sido fOrnecidas de acordo corn o leiaute previsto na Portaria INSS/D1REP 17 0 42, de 24/06/2003, ou, alternativamente, a critério da empresa, de acordo corn o leiaute estipulado no Manual Normativo de Arquivos Digitais da SRP (Portaria MPS/SRP 058, de 28/01/2005). 3. A Autuada, ao proceder conforme o exposto no parágrafo anterior e considerando que se trata de empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados, violou os comandos contidos no art. 32, inciso III, da Lei n° 8.212/91 e no art. 80 da Lei n° 10.666/03, combinados com o art. 225, inciso III e e, 5 22 (acrescentado pelo Decreto n° 4.729, de 09/06/2003), do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. 4, Além disso, a autuada deixou de prestar informações relativas a quantificação e qualificação dos cartões denominados Flexcard, disponibilizados aos seus empregados e/ou dirigentes, bem como, os nomes dos beneficiários desses cartões, conforme TIADs datados, respectivamente, de 14/09/2006, 26/09/2006 e 06/11/2006, infligindo,assim, o disposto no art..32, IJI, da Lei n° 8.212/91." A autuada apresentou sua impugnação afirmando, resumidamente, que o presente processo é conexo com aquele originado pela NFLD n37.053.461-1 o qual exige contribuições devidas à Seguridade Social e a outras entidades conveniadas denominadas de 2 Processo n° 35204.007311/2006-91 S2-C3T I Acórdão n.° 2301-01.662 Fl. 171 "Terceiros", em razão de premiação paga pela via de cartão de incentivo, contratado coin a empresa Incentive House SA. Desse modo, limitou-se a reproduzir na sua peça inicial de defesa a impugnação apresentada em face da NFLD n° 37.053.461-1, a qual originou o processo administrativo fiscal n° 19647.011651/2007-32. Diante disso, a DRJ de Recife/PE, ao prolatar sua decisão, transcreveu o voto vencedor proferido nos autos do processo administrativo fiscal acima citado. A autuada, devidamente intimada da decisão recorrida ern 18/10/2007 interpôs o presente recurso voluntário em 26/10/2007, o qual também ressucitou toda a matéria veiculada naquele processo administrativo. E. o relatório. Voto Conselheiro ADRIANO GONZÁLEZ SILVERIO, Relator 0 recurso 6 tempestivo e não há óbice para seu conhecimento A recorrente sustenta que o presente processo é conexo com aquele originado com a lavratura da NFLD n° 37.053.461-1 e, por isso, a decisão nele proferida, caso seja pelo cancelamento da autuação, consequentemente, levaria também ao cancelamento do Auto de Infração aqui discutido. Foi baseada nessa premissa que a autuada, seja em sua impugnação ou no recurso que ora se analisa, limitou-se a reproduzir os argumentos deduzidos na primeira NFLD aqui citada. Não compartilho desse entendimento. Como já assinalado no presente relatório, a NFLD n° 37.053.461-1 exige da autuada contribuições previdencidrias, inclusive parte de Terceiros, sobre valores pagos a titulo de premiação aos seus trabalhadores, por intermédio de terceira pessoa (Incentive House SA), via cartão de incentivos. Por outro lado, o processo ora em análise exige multa da autuada pela falta de atendimento as TIAD's expedidas pela fiscalização, com vistas a obter documentos contábeis, financeiros, fiscais, etc. 0 item "2" do trecho do Relatório Fiscal aqui destacado deixa claro que a autuada ora entregou documentos em desacordo com a legislação, ora não os apresentou, o que motivou a cobrança da multa. Ressalvo que aqui não se trata de entrega da GFIP em que a autuada não inseriu os valores pagos a titulo de premiação, pois ai sim, poderia se chegar a urna relação de conexão, ou seja, a decisão no processo em que se discute se a natureza do pagamento tem ou não natureza salarial pode refletir no cumprimento daquela obrigação acessória. 3 Dai já se percebe que independentemente do desfecho da NFLD 37.053.461-1, se mantida Ou cancelada por esse órgão julgador, nada irá alterar a conclusão desses autos, haja vista a sua autonomia em relação ao primeiro. Isto 6, refutando as premissas traçadas pela peça recursal, se a NFLD no 37.053.461-1 for cancelada, isso em nada afeta o comportamento que o presente Auto de Infração procura reprimir, qual seja, a não entrega de documentos exigidos pela legislação tributária. Seguindo adiante, tenho para mim que o fato repugnado nessa autuação tornou-se incontroverso, pois em momento algum a autuada fez prova contraria, no sentido de que entregou os documentos solicitados pela fiscalização e quando o fez, tais documentos seguiam o padrão exigido em normas jurídicas. Não obstante, considerando que a decisão recorrida reproduziu aquela proferida nos autos do processo administrativo IV 19647.011651/2007-32, originado da NFLD n" 37.053.461-1 e que a contribuinte devolveu a matéria a essa segunda instância administrativa e, tendo em vista que fui relator do mencionado processo, peg() vênia aos meus pares para reproduzir trecho do voto ern que conclui pela manutenção parcial daquela NFLD, excluindo parte do crédito tributário, apenas em virtude da constatação de decadência: -No mérito, argui a recorrente que os pagamentos não foram efetuados aos seas empregados, mas sim à empresa Incentive House SA, em razão da prestação de serviços, sem que houvesse cessão c/c mão de obra, não atraindo, dessa fOrma, a incidência de contribuição previdenciárict, tampouco a retenção de 11% sobre o valor bruto das notas fiscais. Alegi', ainda, que a prova dos autos, conforme as notas fiscais (117eXUCIUS junto à impugnação, dão conta dessa afirmação e que o Fisco, dentro do dever que lhe compete por força cio artigo 142 da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, deveria ter produzido prova em contrário, isto é, no ,vent/c/a de que esses pagamentos _foram efetuados as pessoas Contudo não é. bem assim o caso dos autos, tal como propalado no recurso voluntário. Durante ci atividade ,fiscalizatória a autuada foi intimada para apresentar ao Fisco diversos documentos contabeis., ,fiscais, financeiros, etc„ conforme T1AD's de fls. 61 a 65, os quais não fin-am apresentados na sua integralidade e, parte deles, quando apresentados não apresentavam nos padrdes requeridos, razão pela qual pram lavrados dois Autos de Infração, quais sejam: AI DEBCAD n° 37053465.4- referente a não contabilização em próprios e Al DEBCAD n° 37053466-6- referente a não- apresentação de arquivos digitais. Como se extrai dcts próprias notas fiscais anexadas a esses autos cl ora recorrente efetuava pagamentos ci empresa Incentive House SA não so a titulo de prestação de serviços, mas em razão de programa de estimulo de produtividade. Ora, programas de estimulo a produtividade está inequivocamente ligado ci produção da empresa contratante, ou melhor, a atuação' dos seus lmbcdhadores. Por cello que, pela sistemática envolvida entre a autuada e a empresa Incentive House SA, cabia a essa Ultima, por meio de 4 Processo n° 35204.007311/2006-91 S2-C3TI Acórdão n.° 2301-01.662 Fl. 172 cartões de incentivo, premiar os trabalhadores da autuada. É nesse sentido que laborou a presente autuação. Verificando a fiscalização tratar-se de remuneração paga, nos termo do artigo 22, inciso I, da Lei n°8.212, de de 24 de julho de 1991, lançou as contribuições previdenciárias devidas, inclusive as devidas aos Terceiros. Agiu, portanto, a fiscalização nos moldes do artigo 33 da Lei n" 8.212, de 24 de julho de 1991, segundo o qual compete á fiscaliza cão solicitar e examinar livros e documentos da empresa a fim de assegurar o correto e eficaz cumprimento das obrigações principais e acessórias, relativamente as contribuições previdencioirias. Na falta de apresenta cão de documentos ou se apresentados de fOrma deficiente, fiscalização é permitido efetuar o lançamento da importância que reputar devida, cabendo à autuada o ônus da prova em contrário. No caso em comento, a falta de apresentação dos documentos solicitados para identificar os beneficiários do prémio pago por meio de cartões de premia cão, levou a fiscalização a proceder ao levantamento por aferição indireta, com base nos dados de que dispunha, quais sejam, as notas fiscais apresentadas, contabilidade da empresa e informações apuradas no Procedimento Criminal Diverso n" PCD no 2004.70.00.040270- 5, conduzido pelo Ministério Público Federal no Estado do Paraná. No caso presente, a contabilidade da empresa foi cotejada coin as notas fiscais emitidas pela Incentive House SA, mas não foram apresentados documentos hábeis a comprovar que os valores pagos a titulo de premia cão fosse efetuados a pessoas jurídicas e não aos trabalhadores da recorrente. Nesse ponto, destaco trecho do acórdão proferido pela DRI de Recife ao analisar, exemplificativamente, uma nota fiscal emitida pela Incentive House SA: "Vale lembrar que nas notas fiscais o 'valor descrito como 'Programa de estimulo' está separado do valor descrito como 'Prestação de serviços': sendo este último o verdadeiro pagamento destinado a Incentive House. Tomemos como exemplo a Nota Fiscal NF 89169, emitida ern 06/07/2004, com cópia juntada à impugnação, fl. 205. Nela consta o valor de R$4.000,00 (quatro mil reais), lançado pela Fiscalização e descrito na nota como 'Programa de estimulo ao aumento de produtividade', e o valor de R$ 175,60 (cento e setenta e cinco reais e sessenta centavos), descrito na nota como 'Prestação de serviços', sendo de R$ 4.175,60 (quatro mil, cento e setenta e cinco reais e sessenta centavos) o valor total da nota. Caso o valor total da nota fosse referente à prestação de serviços pela Incentive House, como quer fazer crer a Notificada, não haveria o menor sentido em fazer a separação desses dois valores: se há um valor descrito como Prestação de serviços' e outro descrito de outra forma claro está que esse 5 outro não se refere a prestação de serviços. Ademais, a própria descrição dos valores das notas quelbram lançados — estimulo ao aumento de produtividade — já leva a crer que tais valores foram repassados aos segurados da Notificada, pois são exammente essas as pessoas cuja produtividade interessa a ela. Outrossim, a aferição indireta dos valores apurados e caracterizados pela liscalização como salário além de encontrar guarida na legislação acima citada, tem base no artigo 148, da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, cuja redação é a seguinte: —Art 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou em consideração, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que assim sejam omissos ou não mereçam ,fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso c/c contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial."' Em suma, apurada, por aferigão indireta, que os valores pagos por meio de cartão de premiação tern natureza jurídica salarial, competia á recorrente, nesse processo administrativo, trazer elementos que modificassem, impedissem ou extinguissem o lançamento fiscal. Em outras palavras, provas de que os valores pagos não se subsumem ao conceito jurídico de "salário", o que de fato não ocorreu. É o que se apura do § 6" do artigo 33, da Lei n" 8.212, de 24 de julho de 1991, in verbis: " 6" Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro document() da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu set-14p, do ,faturamento e do lucro, serão cqntraclas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário."' Nesse diapasão o inciso III, do artigo 16 do Decreto n" 70.235, de 6 de março de 1972, o qual dispõe sobre o processo cidministrativo .fiscal: —Art. 16. A impugnação mencionará: III - os motivos de fato e c/c direito em que se fundamenta, os pontos discordância e as razões e provas que possuir;" Seguindo essa linha, também não procede o argumento da recorrente segundo o qual a . fiscalização deveria apurar se houve ou não a extrapolação do salário de contribuiçâo para coda um dos seus empregados, uma vez que não houve a identificagáo, por parte da recorrente, dos beneficiários da eitcula premiagão. Correta, portanto, a decisão recorrida que asseverou: 6 Processo n° 35204.007311/2006-91 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-01.662 Fl. 173 Notificada recusou-se a identificar os beneficiários dos cartões de premiagdo, como relatado acima. Em conseqüência, não houve meios de a Fiscalização verificar caso a caso se houve ou não extrapolação do salário-de- contribuição no cálculo do desconto dos segurados, sendo obrigatório em tal caso aplicar o disposto no art. 599 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Previdenciciria (SRP) n.° 03, de 14/07/2005 (DOU de 15/07/2005), o que foi efetivamente feito. 'Art. 599. No cálculo da contribuição social previdenciária do segurado empregado incidente sobre a remuneração da mão-de- obra indiretamente aferida, aplica-se a alíquota minima, sem limite e sem compensação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira - CPMF.' De resto, tendo a própria Notificada impedido a Fiscalização de realizar tal verificação, é inadmissível que a mesma alegue agora uma suposta extrapolação dos limites dos salários-de- contribuição (que sequer foi provada, ressalte-se), por conta do principio basilar de que a ninguém é dado beneficiar-se da própria torpeza."' Em relação a multa aplicada, falece a esse órgão administrativo judicante competência para decidir pela violação ou não do artigo 35 da Lei n°8.212, de 24 de julho de 1991 aos princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade ou confisco, como sustentado pelo recorrente, em razão do que dispõe a Súmula CARP n°2, cuja redação é a seguinte: "Surrtula CARP n° 2: 0 CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributciria" certo que o artigo acima citado foi, no curso desse processo, alterado pela Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, cabendo, portanto, analisar a viabilidade ou não da aplicação do que dispõe a alínea "c", do inciso II, do artigo 106, da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Segundo as novas disposições legais, caso a ora recorrente fosse autuada nos dias de hoje, deveriam ser aplicadas a multa prevista no inciso I, do artigo 44, da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme previsão do artigo 35-A da Lei n" 8.212, de 24 de julho de 1991, ou seja, 75% (setenta e cinco por cento) sobre as contribuições que deixaram de ser pagas. A meu ver houve agravamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual não incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea "c", do inciso II, do artigo 106, da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser mantida a multa tal qual lançada na presente NFLD. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER o recurso e DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, apenas para reconhecer 7 a clecadéncia parcial nos termos do ,yS 4" do artigo 150 do Lei n" 5,172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional e excluir do lançamento os valores compreendidos entre o período de 04/1998 a 10/2001, sendo que no mais, fica mantida, na integra, a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n" 37.053.461-1. Assim, voto no sentido de CONHECER o recurso e NEGAR-LHE PROVIMENTO, mantendo-se integro o Auto de Infração DEBCAD n° 37.053.466-2. Sala das Sessões, em 23 de setembro de 2010 - ALEZ SILVERIO - Relator 8
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Numero do processo: 11020.003017/2004-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJExercício: 2004IRPJ. CSLL. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. NATUREZA JURÍDICA. DESPESAS FINANCEIRAS.Os juros sobre o capital próprios pagos ou creditados a titular, sócio ou acionista têm natureza jurídica de despesa financeira, e não de lucros nem de dividendos.IRPJ. CSLL. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. CRÉDITO OUPAGAMENTO EM VALOR NÃO PROPORCIONAL À PARTICIPAÇÃO DO SÓCIO NO CAPITAL SOCIAL. INDEDUTIBILIDADE.Sendo os juros sobre a capital própria remuneração do capital aplicado pelo titular, sócios ou acionistas na pessoa jurídica, o crédito ou pagamento individualizado mente para cada um deve ser proporcional a sua participação no capital social da pessoa jurídica. A parcela excedente não configura remuneração a esse título e, portanto, não pode se beneficiar da dedutibilidade conferida aos juros sobre o capital.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 1301-000.480
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Valmir Sandri.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-01-28T16:52:39Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2684081_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2011-01-28T16:52:39Z; Last-Modified: 2011-01-28T16:52:39Z; dcterms:modified: 2011-01-28T16:52:39Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2684081_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:c330d3ab-1aaf-4db3-919c-9efae5ded33c; Last-Save-Date: 2011-01-28T16:52:39Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2011-01-28T16:52:39Z; meta:save-date: 2011-01-28T16:52:39Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2684081_0.doc; modified: 2011-01-28T16:52:39Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2011-01-28T16:52:39Z; created: 2011-01-28T16:52:39Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2011-01-28T16:52:39Z; pdf:charsPerPage: 1803; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2011-01-28T16:52:39Z | Conteúdo => S1-C3T1 Fl. 173 1 172 S1-C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.003017/2004-39 Recurso nº 507.645 Voluntário Acórdão nº 1301-00.480 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de janeiro de 2011 Matéria IRPJ - GLOSA DE DESPESAS Recorrente HYVA DO BRASIL HIDRÁULICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2004 IRPJ. CSLL. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. NATUREZA JURÍDICA. DESPESAS FINANCEIRAS. Os juros sobre o capital próprio pagos ou creditados a titular, sócio ou acionista têm natureza jurídica de despesa financeira, e não de lucros nem de dividendos. IRPJ. CSLL. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. CRÉDITO OU PAGAMENTO EM VALOR NÃO PROPORCIONAL À PARTICIPAÇÃO DO SÓCIO NO CAPITAL SOCIAL. INDEDUTIBILIDADE. Sendo os juros sobre o capital próprio remuneração do capital aplicado pelo titular, sócios ou acionistas na pessoa jurídica, o crédito ou pagamento individualizadamente para cada um deve ser proporcional a sua participação no capital social da pessoa jurídica. A parcela excedente não configura remuneração a esse título e, portanto, não pode se beneficiar da dedutibilidade conferida aos juros sobre o capital. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Valmir Sandri. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Relator Fl. 199DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA Assinado digitalmente em 28/01/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Guilherme Polastri Gomes da Silva, Valmir Sandri e Leonardo de Andrade Couto. Relatório HYVA DO BRASIL HIDRÁULICA LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 10-19.097, de 16/04/2009, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegra/RS, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Trata o presente processo de autos de infração, lavrados em 23/11/2004 (ciência em 24/11/2004) para constituição de crédito tributário de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fl. 04) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fl. 09), por fatos geradores ocorridos no ano-calendário 2003. O total da exação alcançou R$ 194.013,00, aí incluídos multa de ofício de 75% e juros moratórios, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo à fl. 03. Por bem descrever o ocorrido, valho-me do relatório elaborado pelo ilustre Relator do processo por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito. A autuação decorre da indedutibilidade das despesas escrituradas a título de juros sobre o capital próprio (Fl. 04 a 13). Segundo a autoridade fiscal, embora o sócio Rogério tivesse participação de 1% (um por cento) no capital da empresa, 57,01% dos juros sobre o capital próprio (JCP) apurados pela interessada no ano- calendário foram creditados para ele. Assim, o valor excedente à sua participação societária estaria fora do conceito de juros sobre o capital próprio, caracterizando gratificação a administrador, indedutível na apuração do lucro real por força dos arts. 249, I, 303, 347 e 357 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999. O lançamento foi cientificado ao contribuinte em 24/11/04 e, em 22/12/04, foi apresentada impugnação ao lançamento na qual se alinhava, em síntese, os seguintes argumentos, contrários aos autos de infração (fl. 50 a 73 e 91 a 114): a) que a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio está condicionada a somente três requisitos: ocorrência do efetivo pagamento ou crédito dos juros ao titular, sócio ou acionista; existência de lucros ou lucros acumulados ou reservas de lucros em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros; e, limitação do valor dos juros à variação pro rata dia da Taxa de Juros a Longo Prazo - TJLP; b) que todos os requisitos legais foram observados, de modo que os juros são integralmente dedutíveis; c) que o legislador não falou que os juros teriam como base de cálculo a conta de capital dos sócios, na proporção do capital social de cada um desses, não cabendo ao intérprete alargar as disposições da lei quando a esta não o fez; d) que os juros sobre o capital próprio possuem natureza jurídica de lucros, cuja distribuição pode ser desproporcional à participação do sócio no capital da empresa, conforme art. 1.007 do Código Civil. Em decorrência, os juros foram Fl. 200DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA Assinado digitalmente em 28/01/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.003017/2004-39 Acórdão n.º 1301-00.480 S1-C3T1 Fl. 174 3 tratados na forma prescrita pela legislação, não podendo a desproporção apontada descaracterizar o pagamento tal como efetuado; e) que todo e qualquer rendimento decorrente de investimento de capital em atividade produtiva é lucro, e os juros sobre o capital próprio nada mais seriam do que distribuição de lucros, eis que decorrem do capital investido na sociedade; f) o fato de os juros poderem ser considerados no valor do dividendo mínimo obrigatório confirma tratarem-se aqueles de espécie de lucro, hipótese reforçada pela limitação do pagamento à existência de lucros acumulados ou reservas de lucro; g) que a partir da edição da Instrução Normativa SRF nº 41, de 22/04/98, não mais se pode presumir que a contabilização individualizada dos pagamentos ou créditos aos sócios aponte para que a parcela dos juros de cada sócio somente poderia corresponder a sua parcela do patrimônio líquido; h) trazendo renomada doutrina, defende a impropriedade da expressão “juros sobre capital próprio”, pois os juros corresponderiam apenas às remunerações relacionadas à concessão de crédito. No caso, a remuneração é calculada sobre o patrimônio líquido e não sobre uma conta do exigível, de modo que a fonte para seu pagamento é a mesma da qual derivam os dividendos. Também apontaria para a natureza dos juros como distribuição de lucros a Deliberação CVM nº 207, de 13/12/96, que determinou a sua contabilização à conta de lucros acumulados, no caso de companhias abertas; i) o art. 9º da Lei nº 9.249/95 não criou nova figura de direito privado, mas apenas estabeleceu um regime fiscal (opcional) para os lucros distribuíveis pelas pessoas jurídicas; j) por fim, repisando seus argumentos, reproduz publicação de artigo de Waldir Braga e Guilherme Pereira das Neves, no qual se conclui que os juros sobre o capital próprio nada mais seriam que dividendos. Com estes argumentos, aqui reduzidos ao essencial, propugna o contribuinte ter agido dentro das exigências legais, requerendo o cancelamento dos autos de infração. A 1ª Turma da DRJ em Porto Alegre/RS analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 10-19.097, de 16/04/2009 (fls. 135/137), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano-calendário: 2003 IRPJ. CSLL. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. NATUREZA JURÍDICA. DESPESAS FINANCEIRAS. Os juros sobre o capital próprio pagos ou creditados a titular, sócio ou acionista têm natureza jurídica de despesa financeira. Deste modo, inviável a analogia com a distribuição de dividendos para justificar o seu pagamento em descompasso com a participação dos sócios no capital. IRPJ. CSLL. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. CRÉDITO OU PAGAMENTO EM VALOR QUE EXCEDE A PARTICIPAÇÃO DO SÓCIO NO CAPITAL SOCIAL. Fl. 201DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA Assinado digitalmente em 28/01/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 INDEDUTIBILIDADE. Sendo os juros sobre o capital próprio remuneração do capital aplicado pelo titular, sócios ou acionistas na pessoa jurídica, o crédito ou pagamento individualizadamente para cada um deve ser proporcional a sua participação no capital social da pessoa jurídica. A parcela excedente não configura remuneração a esse título e, portanto, não pode se beneficiar da dedutibilidade conferida aos juros sobre o capital. Ciente da decisão de primeira instância em 13/05/2009, conforme Aviso de Recebimento à fl. 140, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 10/06/2009 conforme carimbo de recepção à folha 141. No recurso interposto (fls. 142/168), a recorrente repete, com as mesmas palavras, os argumentos trazidos em sua peça impugnatória. Ao final, acrescenta recente decisão do Superior Tribunal de Justiça (REsp nº 1.086.752 – PR), que entende tratar de questão similar ao seu caso. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Gira a lide em torno da dedutibilidade, ou não, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, dos valores pagos ao sócio Rogério Luiz de Antoni a título de juros sobre o capital próprio, na situação em que tais valores não guardam proporcionalidade com a participação desse sócio no capital social da pessoa jurídica. No caso vertente, o sócio recebeu 57,01% dos juros sobre o capital próprio pagos, embora detivesse apenas 1% do capital social. Afirma o Fisco que, nessa situação, os valores pagos que excedessem aquela proporcionalidade não estariam alcançados pelo conceito de juros sobre capital próprio, revestindo-se, antes, das características de gratificação a administrador. Em decorrência, perderiam também a possibilidade de serem dedutíveis do resultado, para fins de apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Em sentido inverso, o contribuinte alega, em síntese, que todos os requisitos legais para o pagamento dos juros sobre capital próprio teriam sido cumpridos, e que os juros sobre capital próprio teriam a natureza de lucros ou, ainda, de dividendos, sendo descabida a exigência fiscal. O lançamento foi confirmado em primeira instância, em decisão irretocável. Desde que, em sua peça recursal, a interessada não atacou os fundamentos da decisão recorrida, mas limitou-se a reproduzir com as mesmas palavras os argumentos trazidos na impugnação, peço vênia para transcrever a seguir excertos do acórdão combatido e adotá-los também aqui como razões de decidir. Da natureza dos Juros sobre o Capital Próprio Fl. 202DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA Assinado digitalmente em 28/01/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.003017/2004-39 Acórdão n.º 1301-00.480 S1-C3T1 Fl. 175 5 Em que pese a profundidade com que o tema foi tratado pela impugnante e a respeitabilidade da doutrina trazida em sua defesa, entendo de forma diversa quanto à natureza jurídica dos juros sobre o capital próprio. No dizer de Maria Helena Diniz, natureza jurídica seria a "afinidade que um instituto tem em diversos pontos, com uma grande categoria jurídica, podendo nela ser incluído o título de classificação"1. De outra banda, leciona Marcos Bernardes de Mello2, que uma classificação deve individuar as espécies considerando seus dados essenciais próprios e exclusivos, que as caracterizam e as distingam das demais. Os dividendos encontram previsão legal nos art. 201 a 205 da Lei nº 6.404, de 1976 (Lei das Sociedades Anônimas), e representam uma destinação dos lucros da pessoa jurídica (do exercício, acumulados ou mantidos em reservas). Não influenciam, portanto, a apuração dos resultados da pessoa jurídica, nem são dedutíveis para efeito de apuração da base de cálculo do imposto. Por seu turno, os juros sobre o capital próprio disciplinados no art. 9º da Lei nº 9.249/95 são calculados antes da apuração do resultado do período, o qual reduzem (e, em decorrência, os próprios lucros a serem distribuídos). Além disso, podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto. A redução do resultado do exercício e dedutibilidade para efeito de apuração da base de cálculo do imposto, que me parece ser os elementos essenciais que distinguem um e outro instituto, são características inerentes aos custos e despesas, não da distribuição de lucros. Assim, se os juros sobre o capital próprio são “espécie”, o gênero é “despesa”, e não distribuições de lucros como propõe a impugnante. Aliás, a Instrução Normativa SRF nº 11, de 1996, norma tributária complementar por força do art. 100 do Código Tributário Nacional, trouxe a seguinte determinação em seu artigo 30, parágrafo único (grifei): Parágrafo único. Para efeito de dedutibilidade na determinação do lucro real, os juros pagos ou creditados, ainda que imputados aos dividendos ou quando exercida a opção de que trata o § 1º do artigo anterior, deverão ser registrados em contrapartida de despesas financeiras. O conceito de juros trazido pela impugnante não afasta essa conclusão. O próprio dicionário consultado por ela prevê a utilização do verbete no plural como “rendimento de capital investido”, enquanto que para De Plácido e Silva, os juros são “a justa compensação que se deve tirar dos dinheiros aplicados nos negócios, notadamente de empréstimos” (grifei). Logo, os empréstimos podem ser uma das fontes dos juros, talvez a mais usual, mas, não a única. Tampouco me parece que o art. 192, §3º, da Constituição Federal, hoje já revogado pela Emenda Constitucional nº 40, de 2003, tenha esgotado a definição legal dos juros. Se juros somente pudessem exprimir a remuneração de empréstimos e nada mais, não haveria porque o constituinte ter limitado a remuneração dos juros “à concessão de crédito”. De outra banda, o fato de a dedutibilidade dos juros sobre o capital estar limitada ao montante dos lucros do exercício ou acumulados e o seu cômputo opcional à distribuição obrigatória de dividendos de modo algum desnaturam as suas características fundamentais. Como leciona Marcos Bernardes de Mello, “elementos acidentais ou comuns a mais de uma espécie não podem servir de base a uma taxinomia”. 1 Dicionário Jurídico, Maria Helena Diniz, Saraiva, 1998, vol. 3, p. 337. 2 Teoria do Fato Jurídico Plano da Existência, Editora Saraiva, 15ª Ed., 2008, p. 117 Fl. 203DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA Assinado digitalmente em 28/01/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 Ademais, entendo que o art. 111 do Código Tributário Nacional não permite que se acolha a tese do contribuinte. Se os juros sobre o capital próprio pagos ou creditados são espécie de distribuição de lucros, teríamos que admitir também que a sua percepção pelos titulares, sócios e acionistas não seriam receitas financeiras, mas espécie de lucros. Desta forma, acabaríamos por alcançar-lhes, por interpretação extensiva, a isenção prevista no art. 10 da Lei nº 9.249/95, hipótese vedada por aquele dispositivo do CTN. Anoto, por derradeiro, que a questão da natureza jurídica dos juros sobre o capital próprio já foi enfrentada no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, então sob o prisma das receitas deles decorrentes, tendo se chegado a mesma conclusão aqui declinada. Confira-se (grifos não constam do original): STJ - Acórdão no Resp. 921.269-RS, 1ª Turma, 22/05/07 III – os juros sobre capital próprio não possuem natureza de lucro ou dividendo, mas de receita financeira Primeiro Conselho de Contribuintes - Acórdão 101-96692, de 17/04/08 IRPJ. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. Os juros sobre capital próprio investido pela sociedade em outra empresa não têm natureza de lucro ou dividendo, mas de receita financeira. Regime jurídico tributário diferenciado. Os juros recebidos em decorrência de aplicação capital próprio em outra pessoa jurídica compõem a base de cálculo do IRPJ. Desta forma, não sendo os juros sobre o capital próprio espécie de distribuição dos resultados, incabível a analogia com o art. 1.007 do Código Civil para amparar seu pagamento ou crédito dissociado da participação do sócio Rogério no capital social. Da parcela dedutível dos juros sobre o capital próprio Afastada a identidade entre distribuição de lucros e juros sobre o capital próprio, cabe examinar a questão da dedutibilidade dos juros pagos a sócio em desproporção a sua participação no capital social da empresa. De fato tem razão a impugnante quando assevera que a lei não elencou expressa restrição nesse sentido. E nem seria necessário, porquanto essa limitação é intrínseca à definição do instituto. Se o que se paga aos sócios ou acionistas é a remuneração do capital por eles investido na empresa, é óbvio que a remuneração de cada um, a esse título, deve corresponder apenas à aplicação da taxa sobre a sua respectiva parcela do capital. Do contrário, estariam sendo remunerados também pelo capital aplicado por terceiros. Nada impede que a interessada, por força de convenção particular, lhes credite valor superior àquele que corresponderia à remuneração da sua parcela do capital. Porém, o excedente não pode ser caracterizado como juros sobre o capital próprio, nem aproveitar a dedutibilidade a eles concedida pela lei. Finalmente, a recorrente se reporta a recente decisão do Superior Tribunal de Justiça, a qual entende aplicável por similaridade à situação sob análise. Trata-se do Recurso Especial nº 1.086.752-PR 2 , cuja ementa transcrevo abaixo. 2 Julgamento pela Primeira Turma do STJ em 17/02/2009, publicado no DJe em 11/03/2009. Relator Ministro Francisco Falcão. Fl. 204DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA Assinado digitalmente em 28/01/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.003017/2004-39 Acórdão n.º 1301-00.480 S1-C3T1 Fl. 176 7 MANDADO DE SEGURANÇA. DEDUÇÃO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO DISTRIBUÍDOS AOS SÓCIOS/ACIONISTAS. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. EXERCÍCIOS ANTERIORES. POSSIBILIDADE. I - Discute-se, nos presentes autos, o direito ao reconhecimento da dedução dos juros sobre capital próprio transferidos a seus acionistas, quando da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL no ano-calendário de 2002, relativo aos anos-calendários de 1997 a 2000, sem que seja observado o regime de competência. II - A legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercício-financeiro em que realizado o lucro da empresa. Ao contrário, permite que ela ocorra em ano-calendário futuro, quando efetivamente ocorrer a realização do pagamento. III - Tal conduta se dá em consonância com o regime de caixa, em que haverá permissão da efetivação dos dividendos quando esses foram de fato despendidos, não importando a época em que ocorrer, mesmo que seja em exercício distinto ao da apuração. IV - "O entendimento preconizado pelo Fisco obrigaria as empresas a promover o creditamento dos juros a seus acionistas no mesmo exercício em que apurado o lucro, impondo ao contribuinte, de forma oblíquoa, a época em que se deveria dar o exercício da prerrogativa concedida pela Lei 6.404/1976". V - Recurso especial improvido. De plano, é possível verificar que o julgado do STJ trata de situação distinta daquela aqui discutida, a saber, se os juros sobre o capital próprio preservariam sua dedutibilidade ainda que inobservado o regime de competência. A alegada similaridade residiria, então, na aplicação do princípio da legalidade. Esse princípio, basilar na interpretação e aplicação da legislação tributária, não pode, no entanto, ser invocado como fundamento para a tentativa de descaracterizar o instituto dos juros sobre capital próprio a ponto de transformá-lo, de fato, em “juros sobre capital alheio”, conforme bem demonstrado pelo julgador a quo. Embora, conforme registrado, o aresto do STJ trazido à colação pela recorrente trate de situação distinta, de seu exame destaco pontos que se revelam contrários à pretensão da recorrente de atribuir aos juros sobre capital próprio a natureza de lucros ou dividendos. Os seguintes excertos do voto condutor do acórdão são expressos ao atribuir a essas verbas a natureza de receita financeira, para quem os recebe, e de despesa financeira, para que os paga, exatamente como considerado no presente lançamento (grifos não constam do original): Os juros sobre capital próprio, criado pela Lei nº 4.506/64, vem recebendo a denominação de receita financeira, de acordo com o que prevê a Instrução Normativa nº 11/96, em seu artigo 29: [...] Fl. 205DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA Assinado digitalmente em 28/01/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 Com isso, para fins de apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líqüido (CSLL), se o contribuinte for tributado pelo regime do lucro real, os juros sobre capital próprio devem ser registrados contabilmente como receita financeira, não possuindo natureza de lucro ou de dividendo. [...] Mesmo no caso da imputação dos juros sobre capital próprio aos dividendos obrigatórios, conforme previsão do § 7º, do art. 9º, da Lei nº 9.249/95 e 202 da Lei nº 6.404/76, haverá incidência do imposto de renda na fonte, sendo caracterizados os JCP como despesas financeiras. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 206DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA Assinado digitalmente em 28/01/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 12045.000180/2007-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999
EMENTA PREVIDENCIÁRIO. RESTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES
RETIDAS.
Subsistindo saldo em favor do contribuinte após o recolhimento das
contribuições devidas sobre a folha de pagamento dos segurados utilizados na prestação dos serviços. Será devida a restituição das contribuições retidas.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-001.608
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar
provimento ao recurso.
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999 EMENTA PREVIDENCIÁRIO. RESTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES RETIDAS. Subsistindo saldo em favor do contribuinte após o recolhimento das contribuições devidas sobre a folha de pagamento dos segurados utilizados na prestação dos serviços. Será devida a restituição das contribuições retidas. Recurso Voluntário Provido.
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RESTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES RETIDAS. Subsistindo saldo em favor do contribuinte após o recolhimento das contribuições devidas sobre a folha de pagamento dos segurados utilizados na prestação dos serviços. Será devida a restituição das contribuições retidas. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso Elias Sampaio Freire Presidente. Cleusa Vieira de Souza Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleuza Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 184DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 21/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratam os autos de pedido de restituição, protocolizado em 10/06/1999, do valor excedente das retenções sofridas sobre notas fiscais de prestação de serviços, na competência 02/1999, em relação ao valor devido sobre a folha de pagamento. O processo foi encaminhado à fiscalização para que o AFPS emitisse informação conclusiva quanto à procedência do pedido, em consonância com os procedimentos estabelecidos nas OS 203/99 e 209/99 (fi 45/46). Às fis 85, consta carta s/n em que foi solicitada da empresa requerente a apresentação do Livro Diário. O Auditor Fiscal, conforme pronunciamento de fls. 86/87, informa que foi encaminhado Relatório de Representação à Secretaria da Receita Federal, tendo em vista a constatação de hipótese de vedação/exclusão da recorrente do SIMPLES, e sugeriu o indeferimento do pedido, em face da não apresentação dos documentos solicitados. Intimada, a empresa interpôs recurso ao CRPS, alegando, em síntese, que o instituto da restituição é recepcionada pelo art. 165 do CTN e destacando que, para não se fazer letra morte à Lei, basta a comprovação do recolhimento indevido ou a maior que o devido para que o contribuinte tenha o Direito à restituição. Entende que a vasta documentação utilizada na instrução processual é mais que suficiente à aferição do recolhimento a maior e informando que complementa, na oportunidade, acostando aos autos, entre outros documentos, cópia do Livro Diário relativamente ao mês de competência da restituição pleiteada. O INSS não apresentou contrarazões. Estes autos foram apreciados pela 2ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, que pelo Decisório nº 000311/2006, converteu o Julgamento em Diligência, para que a Secretaria da Receita Previdenciária promovesse a aplicação do art.89 § 8° da Lei n° 8212/91, acrescentado pela Lei n° 11196/2005, c/c a Portaria Interministerial MF/MPS n° 23/2006 e Instrução Normativa, Conjunta SRF/SRP n° 629/2006. Em cumprimento à diligência, a autoridade fiscal se manifestou informando que foi realizada fiscalização seletiva na empresa referente ao período de 02/99 a 07/99 e que houve a exclusão da requerente do SIMPLES a partir de 01/03/2002. Esclarece que a empresa recolheu o valor devido ao INSS referente a folha de pagamento da competência pleiteada e que a restituição devida é a constante no RRCT, sendo que a irregularidade detectada foi a falta de emissão de folhas de pagamento e GFIP distintas por contratante. A empresa requerente não foi cientificada do resultado da diligência: Estes autos foram objeto de análise pela então 6ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes que verificou que na fase recursal, o recorrente apresentou os documentos solicitados pela AFPS e não há nos autos, qualquer indicação de que tais documentos tenham sido analisados pela autoridade fiscal, bem como, não consta dos autos que o INSS tenha apresentado contrarazões ao recurso. Fl. 185DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 21/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12045.000180/200777 Acórdão n.º 240101.608 S2C4T1 Fl. 83 3 Verificouse também em atendimento à diligência determinada pela 2aCaJ/CRPS, há a informação (fis.56) de que foi realizada fiscalização seletiva na empresa junto à requerente. Porém, o parecer fiscal não é conclusivo quanto à procedência ou não da restituição requerida. Por essas razões novamente o julgamento foi convertido em diligência para as seguintes providências: que a autoridade fiscal emitisse parecer conclusivo, se pronunciando quanto aos argumentos expendidos em sede recursal, analisando os documentos juntados pela recorrente e se manifestando quanto ao resultado da ação fiscal realizada. E, caso a conclusão fiscal fosse pela improcedência do pleito, que aponte os normativos legais que amparam o indeferimento, reabrindo prazo para manifestação do contribuinte, em respeito ao contraditório e à ampla defesa. A diligência foi cumprida, conforme documentos de fls. 63/79. É o Relatório. Fl. 186DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 21/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheira Cleusa Vieira de Souza Relatora O recurso é tempestivo não havendo qualquer óbice quanto a sua admissibilidade. Conforme relatado, tratase de pedido de restituição formulado pela empresa de restituição formulado pela empresa PRODUTORA DE CARVÃO TRÊS IRMÃOS LTDA dos valores referentes ao excedente das retenções sofridas sobre notas fiscais de prestação de serviços em relação aos valores devidos sobre as folhas de pagamento, relativa à competência 02/1999. A restituição das contribuições retidas por empresas contratantes de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, é efetuada de acordo com o permissivo constante do § 2º do art. 31 da Lei nº 8212/91, que estabelece:”na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição”. Ao pedido de restituição de que trata esse parágrafo aplicamse as mesmas regras aplicadas ao pedido de restituição de contribuições indevidas, nos termos do art. 89 da Lei nº 8212/91, ou seja, somente poderão ser restituídas as contribuições recolhidas indevidamente. Em se tratando da restituição das contribuições retidas é necessário, antes efetuarse a apropriação desse valor àqueles devidos em decorrência da mãodeobra utilizada na prestação dos serviços. Após diligência requerida por esta Câmara como se observa da informação fiscal de fls. 79, na competência pleiteada, a empresa era optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. Identificada situação de vedação à opção, foi feita representação fiscal à Receita Federal, e a empresa foi excluída do SIMPLES a partir de 01/03/2002, conforme despacho fls. 88 do processo n° 11601.001/006/99, parecer fiscal fls. 56 e relatórios do sistema informatizado da RFB fls. 64 a 66 do recurso n°36904.000028/200093. Outrossim, como resultado da análise fiscal, de fls. 79, concluise que o pedido é integralmente procedente, e a empresa tem direito à restituição pleiteada Pelo exposto; VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, para no mérito DAR LHE PROVIMENTO. Cleusa Vieira de Souza Fl. 187DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 21/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12045.000180/200777 Acórdão n.º 240101.608 S2C4T1 Fl. 84 5 Fl. 188DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 21/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13847.000005/2007-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2005
IRPF. DESPESAS MEDICAS,, GLOSA.
0 contribuinte que apresentou recibos considerados inidôneos deve fazer a contraprova do pagamento e da prestação do serviço.
Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente não é suficiente para confirmar a prestação da totalidade dos serviços e os respectivos pagamentos.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.768
Decisão: ACORDAM os Membros do, Colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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DESPESAS MEDICAS, , GLOSA. 0 contribuinte que apresentou recibos considerados inideineos deve fazer a contraprova do pagamento e da prestação do serviço. Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente não é suficiente para confirmar a prestação da totalidade dos serviços e os respectivos pagamentos. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do,..C-oi-egiAdo, por unanimidade de votos, ern o ao recurso, nos termos do- voto do Relator, / C io Marcos Cfind,ido. - Presidente • Alexandre Naoki Nishioka - Relator EDITADO EM: EGAR provi cesso ri" 13847 000005/200715 S2-C111 córd0o n 0 2101-00368 Fl 39 Participaram do julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, lexandre Naoki Nishioka, Ana Neyle Olímpio Holanda, Jose Raimundo Tosta Santos, Odmir emandes e Gonçalo Bonet Allage. elatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 27/31) interposto em 29 de julho de 2009 ntra o acórdão de fls. 18/22, do qual o Recorrente teve ciência em 30 de junho de 2009 (fl. 6), proferido pela 9 0 Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em são ulo II (SP), que, por unanimidade de votos, julgou procedente a notificação de lançamento e fls. 05/07, emitida em 04 de dezembro de 2006, em decorrência de dedução indevida de espesas médicas, verificada no ano-calendário de 2004. 1 O acórdão teve a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA -17RPF Exercício: 2005 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço Lançamento Procedente" (IL 18). Não se conformando, o Recorrente interp6s o recurso voluntário de fls. 7/31, no qual reiterou os argumentos expostos em sede de impugnação, além de acostar cópias e contrato. o relatório. 0 0 Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele nheço. 0 presente caso diz respeito a glosa de despesas medicas para o ano- alendario de 2004 no valor de R$ 12.596,58. 0 Recorrente anexou aos autos a declaraao nilateral da Cooperativa CACRETUPI afirmando o recebimento dos valores a titulo de espesas medicas, bem como a prova da associação (fl. 32) e, ainda, a cópia do contrato de onvénio médico celebrado entre a CACRETUPI e a empresa S.P.A. Saúde — Sistema de romoção Assistencial. Processo n° 13847 000005/2007 - 15 S2-C1T1 'Acáidao n 2101-00.768 Fl. 40 No que se refere à glosa de despesas medicas, a controvérsia gira em torno da necessidade ou não da comprovação da efetiva prestação de serviços, bem como dos re pectivos pagamentos . Em relação à dedução dessas despesas, a nonna aplicável ao caso (Lei n. 9,250/95) determina o seguinte: "Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I — de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos tributação definitiva; 11 — das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calenddrio, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiologos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; §20. 0 disposto na alínea 'a' do inciso II: I — aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no Pais, destinados a cobertura de despesas corn hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II — restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III — limita-se a pagamentos especificados e comprovados, corn indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas — CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento." Por sua vez, o Decreto n. 3.000/99, ao regulamentar o imposto de renda, reproduz o seguinte comando normativo: "Art. 73, Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juizo da autoridade lançadora (Decreto-Lei IL° 5.844, de 1.943, art. 11, § 3°). § 1°. Se foram pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei n.° 5,844, de 1943, art. 11, § 4°)." Por oportuno, via de regra, o ônus da prova é de quem faz a alegação . Contudo, a legislação pode alterar tal regra, invertendo o ônus da prova, nos casos em que a 'presunção de veracidade da ocorrência de um determinado fato jurigeno é relativa. Esta é a situação do caso em apreço, urna vez que a legislação deslocou para contribuinte o ônus de comprovar os gastos com despesas medicas, para fins de dedução. 3 el- 6 P ocesso n°13847.000005/2007-15 S2-C1T1 córdao ri.° 2101-00.768 F l 41 Em que pese a documentação fbrnecida, entende-se que não ficou vidamente comprovado o efetivo pagamento dos valores a titulo de plano de saúde, uma vez e não é possível, pelo contrato juntado, aferir a conespondência entre os valores postamente pagos pela contribuinte e os valores que seriam devidos a titulo de prêmio, de tal s rte que resta a documentação insuficiente para atestar o efetivo pagamento, o que poderia se ar por meio de extratos, de cheques nominativos, de cartões de crédito, débito automático em c.nta, extratos bancários, dentre outros meios, Ainda, a esse respeito, importante salientar que não logrou o Recorrente em u recurso se desvencilhar do quanto afirmado pela DRJ quando constatou que dwionalmente, ó muito estranho que a contribuinte, embora tenha falecido em 26 de maio e 2004, conforme Certidao de tibito deft, 8, tenha efetuado pagamentos mensais Caneiro a eiembro de 2004), mesmo após o seu ,falecimento, conforme declarou a Cacretupi (fl. 4)". Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao SO. Sala das Sessões-DF, em 23 de setembr de 2010 Alexandre Naoki Nishioka 4
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000304/2007-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Sep 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2003, 2004, 2005
MATÉRIA NÃO CONHECIDA - não deve ser conhecida matéria suscitada
em sede de recurso voluntário, se a decisão de primeiro grau já havia acolhido integralmente as razões da defesa.
SERVIÇOS LABORATORIAIS - LUCRO PRESUMIDO - PERCENTUAL
- a razão teleológica para a diferenciação entre os percentuais de aferição do lucro presumido está na pressuposta diversidade da margem de lucro entre as atividades empresariais. 0 que justifica um percentual significativamente menor e determina os contornos semânticos da própria expressão "serviços hospitalares" são seus elevados custos, cujo principal e mais significativo componente são os valores investidos nos equipamentos hospitalares, dentre
os quais, os laboratoriais. Em razão disso, as atividades de exames laboratoriais devem também ser tributadas pelo percentual mitigado relativo aos serviços hospitalares.
Numero da decisão: 1201-000.321
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso na parte relativa ás razões atinentes ao aproveitamento de retenções e, na parte conhecida, dar provimento ao recurso voluntári ara reduzir o percentual do lucro presumido
de 32% para 8%.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003, 2004, 2005 MATÉRIA NÃO CONHECIDA - não deve ser conhecida matéria suscitada em sede de recurso voluntário, se a decisão de primeiro grau já havia acolhido integralmente as razões da defesa. SERVIÇOS LABORATORIAIS - LUCRO PRESUMIDO - PERCENTUAL - a razão teleológica para a diferenciação entre os percentuais de aferição do lucro presumido está na pressuposta diversidade da margem de lucro entre as atividades empresariais. 0 que justifica um percentual significativamente menor e determina os contornos semânticos da própria expressão "serviços hospitalares" são seus elevados custos, cujo principal e mais significativo componente são os valores investidos nos equipamentos hospitalares, dentre os quais, os laboratoriais. Em razão disso, as atividades de exames laboratoriais devem também ser tributadas pelo percentual mitigado relativo aos serviços hospitalares.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2012-03-22T11:32:03Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 10; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2012-03-22T11:32:03Z; Last-Modified: 2012-03-22T11:32:03Z; dcterms:modified: 2012-03-22T11:32:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:c52cbcb6-d8d9-4bf7-a6fd-97db13db80b9; Last-Save-Date: 2012-03-22T11:32:03Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2012-03-22T11:32:03Z; meta:save-date: 2012-03-22T11:32:03Z; pdf:encrypted: false; modified: 2012-03-22T11:32:03Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2012-03-22T11:32:03Z; created: 2012-03-22T11:32:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2012-03-22T11:32:03Z; pdf:charsPerPage: 1954; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2012-03-22T11:32:03Z | Conteúdo => DF CAM: MI' n/) 1 FisS1-C2T1115,60 1 Fl. 1.0)2 CARP 1L :4 • ). ' MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Claudemi es Malaquias - Presidente. Processo n 11516.000304/2007-68 P.ecvn;o n° 164.802 Voluntário Ac6..dio no 1201-00.321 — 2° Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 01 de setembro de 2010 Matéria IRPJ e outros Recorrente Ademar Antônio Dal Pont Recorrida 6' Turma da DRJ/RJ-I ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003, 2004, 2005 MATÉRIA NÃO CONHECIDA - não deve ser conhecida matéria suscitada em sede de recurso voluntário, se a decisão de primeiro grau já havia acolhido integralmente as razões da defesa. SERVIÇOS LABORATORIAIS - LUCRO PRESUMIDO - PERCENTUAL - a razão teleológica para a diferenciação entre os percentuais de aferição do lucro presumido está na pressuposta diversidade da margem de lucro entre as atividades empresariais. 0 que justifica um percentual significativamente menor e determina os contornos semânticos da própria expressão "serviços hospitalares" são seus elevados custos, cujo principal e mais significativo componente são os valores investidos nos equipamentos hospitalares, dentre os quais, os laboratoriais. Em razão disso, as atividades de exames laboratoriais devem também ser tributadas pelo percentual mitigado relativo aos serviços hospitalares. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso na parte relativa ás razões atinentes ao aproveitamento de retenções e, na parte conhecida, dar provimento ao recurso voluntári ara reduzir o percentual do lucro presumido de 32% para 8%. Guilhe ‘vAdol o dos Santos Mendes - Relator. Decttlyte , Ito Itisidado dtotaircdnte ctur.feeme Mt) n 2.22 de 24103/2007 lo moem ditolinente. em 22/G7/70 .:1 por ANDul:A „3';NANDES (3AROA Impre&so em 21/03:2072 poi ,ANDR E A FERNANDES GARCIA DF . CARF MF H. 1389 EDITADO EM: 21 MAR 2 Ott Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Regis Magalhães Soares Queiroz, Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Antonio Carlos Guidoni Filho. aswarie rilgit4nee contc, rine VPr,' 2:20052 :le 2410J/2001 Aptr».1 . -3do :!'t4rralroe?le eni 22:07/2011 r;KP ANU;RLY, rEF:NAND'ES GARCIA impress° eal 2l(520 12 por ANDREA FFRNANDES RAROSA- VERSO EM BRANCO 2 13 FLS S1-C2T1 DF CARY' 1\412 Processo n° 11516.000304/2007-68 Acórdão n.° 1201-00.321 Relatório DA AUTUAÇÃO E DA IMPUGNAÇÃO Abaixo tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das referidas peças de acusação e defesa inaugural: 1. No dia 25.01.2007, foram lavrados quatro autos de infra cão para exigir da interessada: a) imposto.sobre a renda no valor de R$ 362.738,68 (IRPJ); b) contribuição para o Programa de Integração Social no valor de R$ 35.322,37 (PIS); c) contribuição social sobre o lucro liquido no valor de R$ 58.689,66 (CSLL); d) contribuição para o financiamento da Seguridade Social no valor de R$ 163.026,85 (COFINS); e) multa proporcional de 75% (setenta e cinco por cento); e f)juros de mora. • 2. As exigências são relativas aos anos-calendário de 2002, 2003 e 2004, nos quais ela optou pela tributação com base no lucro presumido. 3. 0 auto de infração que exige IRPJ (fls. 631/643) decorreu da acusação de que receitas da atividade explorada não foram declaradas ao Fisco (enquadramento legal: artigos 224, 518 e 519 do Regulamento do Imposto sobre a Renda aprovado pelo Decreto n°3.000, de 26.03.1999- RIR/1999). 4. Os autos de infração que exigem CSLL (11s. 668/680), COFINS (fls. 656/667) e PIS (fls. 644/655) foram lavrados em decorrência da acusação que deu azo ao lançamento do IRPJ. enquadramento legal das infrações à legislação de cada um desses tributos se encontra no corpo dos respectivos autos de infração. 5. No termo de verificação fiscal e encerramento (fls. 612/618), os autuantes relataram, em resumo: 5.1. que as informações sobre a CPMF fornecidas à Secretaria da Receita Federal pelas instituições financeiras revelaram o movimento de somas significativas nas contas bancárias da interessada, a qual, no entanto, declarou ao órgão, nas suas declarações de informações económico-fiscais (DIPJ), que não auferiu receita bruta alguma nos anos-calendário de 2002, 2003 e 2004; 5.2. que, diante disso, e it vista dos extratos bancários por ela apresentados (fls. 109/325), puderam observar que as suas contas correntes bancárias, mantidas no Banco do Brasil e no UNICRED, não haviam sido escrituradas nos livros Razão que lhes foram exibidos (fls. 372/467); Doc.Inlento a nnado C qd mente coetceme MP rt' T3/2001 EJRAFA,n ty,:•0 en 22!U11201 I no AND'-:<EA FT RNANIV'S GARCIA Iprcccc en ;0,s , 2012 v.)! ANDREA ir.i.:,;NANDES GARCIA - VERSO EM BNANCO 3 DF CARF MF FL 5.3. que, intimada, ela apresentou livros Caixa que continham a movimentação financeira revelada pelos seus extratos bancários (lIs. 472/608) e reconheceu,* pomo receita auferida nos mencionados anos-calendário, bs valores depositados em suas contas correntes; e 5.4. que, então, elaboraram, com base nos livros Caixa, a planilha estampada no próprio termo de venficação (fls. 615) na qual kva;?taram Ines a mês as receitas escrituradas naqueles anos-ca:n%Lrio, mas não declaradas ao Fisco. 6. Cienfificada dos lançamentos em 08.02.2007, a interessada os iinpugnou parcialmente no dia oito seguinte (fls. 684/686). Zlegou, em síntese: 6.1. que a Unicred Crisciiona concede empréstimos a titulo de capital de giro a todas as empresas que lhe prestam serviços regularmente; 6.2. que os autuantes, porém, não subtrairam das bases de cálculo apuradas valores correspondentes a empréstimos, tais como o de R$ 3.500,00 que lhe foi concedido em 24.05.2002, cujo histórico no extrato bancário é o seguinte: "Liberação de credit 02/618-0 Valor de R$ 3.500,00"; 6.3. que, assim, tomaram como receita auferida todos os R$ 17.674,15 que ingressaram em sua conta bancária naquele dia, dos quais R$ 3.500,00 correspondem ao referido empréstimo; 6.4. que também não subtraíram, das bases de cálculo apuradas, B$ 7.000,00 correspondentes a um empréstimo que lhe foi concedido pela Unicred Crischima, como comprova o extrato fornecido por aquela empresa (fls. 810/819); que, assim, dos R$ 7.301,40 creditados no dia 03.01.2002 na sua conta corrente maniida no Banco do Brasil, somente R$ 301,40 constituem, de fato, a receita auferida naquele dia; 6.5. que um outro exemplo de crédito, considerado, no entanto, receita, é o de 21.06.2002 cujo histórico, no extrato da Unicred Criscitima, indica se tratar de "LIBERAÇÃO DE CRE1 02/0730- 0 VALOR R$ 3.000,00". Como os autuantes computaram o valor de R$ 3.600,00 na apuração das receitas não declaradas, é evidente que eles não excluíram desse montante os R$ 3.000,00 referentes ao empréstimo que lhe foi concedido; 6.6. que o cotejo da planilha elaborada por eles com a que juntou a impugnação (lis. 689) revela todos os valores que precisam ser excluídos da base de calculo apurada de oficio e a verdadeira base de cálculo sobre a qual deve incidir o coeficiente de determinação do lucro presumido; •6.7. que, além disso, não foram consideradas, no cálculo do imposto devido, as retenções na fonte à razão de 1,5% (um e meio por cento) do valor dos serviços prestados a outras pessoas jurídicas, das quais um exemplo é a nota fiscal n°2487 emitida ern nome da UN1SANTA, no valor de R$ 6.941,40, que implicou uma retenção de imposto na fonte de R$ 104,12; DoCortHito assinp.do ti;gitaiTeiVe co MP 2.20u-2 d. ::1103/2C01 Aka,micado oiglia!nente r2fl 22g-17/2011 por AN.:, ,,,I - E- RNANDES GAR Cí\ rpsiu erri 21K,212(112 or ANDRFA 1-EPNAN)ES GV1CIP, - VERSO EM BP,A;;;0 • • 4 DF CAR F MF H Processo n° 11516.000304/2007-68 Acórdão n.° 1201-00.321 6.8. que, por outro lado, os autuantes se equivocaram ao empregar o coeficiente de 32% (trinta e dois por cento) para a determinação do lucro presumido de cada um dos anos- calendário fiscalizados, uma vez que este coeficiente se aplica ás receitas oriundas da prestação de serviços em geral, mas não da prestação de serviços hospitalares, cujo coeficiente é de 8% (oito por cento); 6.9. que a "exceção posta no final da letra "a" do item Ill do § 1 0 do art. 15 da Lei no 9.249, de 1995, constitui espécie de gênero prestação de serviços em geral, e a lei não estabeleceu nenhuma condição ou restrição de qualquer natureza ao empregar o termo serviços hospitalares "; 6.10. que, por isso, todas as atividades compreendidas nas atribuições de atendimento a paciente em ações de apoio ao reconhecimento e recuperação do estado de snide, tais como procedimentos médicos e cirúrgicos, serviços de radiologia, terapia, análises clinicas e laboratoriais, atividades farmacêuticas, entre outras, integram o conceito de serviços hospitalares; e 6.11. que, assim, "os efeitos da equiparação poderão retroagir até a data da legislação que atribuiu o direito", e que "AS EMPRESAS PODEM, DESDE JÁ, RECOLHER SEUS IMPOSTOS CALCULANDO-OS SOBRE AS BASES CORRETAS 8% E TERÃO DIREITO DE SE COMPENSAR DE TUDO AQUILO QUE PAGARAM A MAIOR, SOBRE AS BASES MAJORADAS, COM JUROS E CORRECOES MONETARIAS "(sic). DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 875 a 890) deu provimento parcial a defesa, em razão de acatar, parcialmente, a alegação de que parte dos valores qualificados como receita eram decorrentes de empréstimos e, integralmente, o pedido para aproveitamento de retenção na fonte de IRRF. Rejeitou, porém, o argumento de que o percentual do lucro presumido aplicável á. atividade seria de 8% ao revés de 32%. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, as fls. 900 a 903, mediante o qual reiterou os argumentos aduzidos na impugnação relativos ao aproveitamento de retenções de IRRF (em relação a esse ponto pediu diligência para comprovar as retenções) e redução do percentual do lucro presumido. É o relatório do essencial. Documento h"I 0-2 dc 2e!OE'20C Aitteritif..ado dq4itdimente cm 22r0 ?'701 f)er ANORE,4 FETIANCIES GARCIA Imprnsso cm 21r83i2012 por ANPPEA FERNANDrES MARCA - VERSO EM BRANCO DF CAN; MF Fl. 1393 Voto Conselheiro Relator, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Aproveitamento de retenções Em re1a o aproveitamento de retenções, o recorrente formula sua peça de defesa como se a autoridade julgadora de primeiro grau tivesse rejeitado sua razão. Provavelmente, não erk!ex-Ideu a dicção da decisão. No entanto, a DRJ expressamente a acolheu. Abaixo, transcrLvelitos trecho pertinente: A segunda alegação da interessada, no entanto, diferentemente da anterior, que acolhi em parte, é integralmente fundada. Conforme alegou, os autuantes não levaram em conta, no cálculo do imposto devido, as retenções na fonte do imposto de renda sobre o valor dos serviços por ela prestados a outras pessoas jurídicas. As informações extraídas do sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal constantes nos demonstrativos denominados "Resumo do Beneficiário — Detalhamento Mensal" (fls. 840/867), comprovam várias retenções do imposto nas fontes cujas importâncias devem ser deduzidas do tributo lançado. Dessarte, como o pleito já foi deferido pela decisão ad quo, dele deixo de tomar conhecimento. Percentual do intro presumido 0 conceito de serviços hospitalares foi questão já enfrentada pela antiga Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, a qual foi sucedida por esta turma de julgamento. Naquela oportunidade, negamos provimento a defesa por unanimidade, conforme ementa abaixo transcrita da lavra do Ilustre Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho: SERVIÇOS HOSPITALARES. CARACTERIZAÇÃO. A presunção de lucratividade reduzida prevista na Lei n. 9.249/95 esta intimamente ligada a existência de custos relevantes com instalações, equipamentos e mão-de-obra qualificada inerente a um hospital, compreendendo tanto a parte médica especializada quanto os serviços de hotelaria e fornecimento de produtos. A prestação pessoal de serviços médicos, por si só, não corresponde ao conjunto de serviços e custos inerentes a um centro hospitalar, traduzindo-se meramente em um exercício de profissão regulamentada. (Acórdão le 103-23236; de 30/11/2007) Creio, contudo, que a presente situação é distinta daquela. Pela leitura da ementa, sem necessidade de adentramos as minúcias do voto, a razão de decidir busca identificar a teleologia da diferenciação entre os percentuais de Duc,wiwrItc, as:itN:idz; dIgliarnente, con!::;;''rle MP n" 200-2 de 23.'0C/2001 6 d;;hlefite eln 22/07í2D I I po, AN FA FF-RNANDES GARCIA InIrmeso em 2 1 i0"3/20 .12 por ANDRITA FERNANIT-_S C,ARC!A - VERSO EM IA' CAW' Ni F 494 CARF FLS_s_i_cm.13.50 Fl. 1.055 Processo n° 11516.00030412007-68 Acórdão n.' 1201-00.321 aferição do lucro presumido. No caso, entendeu-se que a legislação fixa o percentual em razão da presumível margem de lucro de cada atividade. Nesse caso, a prestação de serviços hospitalares se diferenciaria das demais prestações de serviço em razão dos seus elevados custos, o que justificaria um percentual significativamente menor e determinaria os contornos do próprio conc.:iito de "serviços hospitalares" para fins de incidência tributária. Desse modo, como a prestac'io pessoal de serviços medicos não impõe gastos superiores aos dos serviços em geral, tanibrn não poderia ser enquadrada na denominação legal "serviços hospitalares" para fins tributários. Seguindo linha similar, mas com resultados opostos, desta vez em relação cspecifica à prestação de serviços laboratoriais, a antiga sétima Câmara, também por unanimidade, proferiu a seguinte decisão: SERVIÇOS HOSPITALARES- LUCRO PRESUMIDO Os serviços de exames clínicos de diagnóstico por imagem- Medicina Nuclear se insere no conceito de serviços hospitalares de que trata o art. 15, § 1°, III, "a", da Lei n°9.249/95, sendo a sua base de cálculo do imposto, em cada mês, determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente. (Acórdão n° 107-09476; de 14/08/2008) Vale destacar as razões do voto que conduziu a decisão: A matéria posta ao exame do Colegiado tem sido objeto de diversos pronunciamentos da Administração Fazendciria para estabelecer um conceito do que sejam atividades hospitalares, todas elas identificando a expressão como atividade de hospital, ou, por extensão, atividades que considera pré-hospitalares, na area de urgência, prestadas por unidades movéis de UTL No fundo, "que seja exercida por hospital, onde existem internação em caráter de 24 horas e onde existam serviços de hotelaria, lavanderia, culinária e segurança. Ou seja, restringe o conceito a serviços prestados por hospital. E isto porque a se atender todas as exigências da Administração para a prestação da atividade de exame de diagnóstico uma clinica nele especializada se tomaria um verdadeiro hospital. Não se leva em consideração que esses exames são realizados por aparelhos alguns altamente sofisticados e de elevado custo e cujos resultados são "lidas "por médicos que expedem os necessários laudos. A importância dos equipamentos é de tanta predominância que se o laudo nil() for elaborado na clinica, outro médico, de posse das imagens, poderá fazê-lo. Dal justificar-se o porquê a lei não estabelece as restrições e exigências trazidas pela Administração para limitar o exercício de um direito estabelecido pela lei. DouonenIo as5racio z1qíta:menle t); me; MP 2.200 2 dc: 24!0Si20 Autentido (ligiuWIlente eln '1.2/0712011 por t.D22AI - ER ■ IP,NJES Irrvesso err 21;03/20'12 po: ANDREA ELF:II:ANDES GARCIA - VERSO [-MI.RANCO 7 • DF CAM' NIT I. :395 0 artigo 15, § I O„ HI, "a", da Lei n° 9.249/95, tem a seguinte redação: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mas, sea determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei no 8.981 de 20 de janeiro de 1995. §1' Ns eguintes atividades, o percentual de que trata este aitigo sex* de: • 0M/s57.5 III - trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em géral, exceto a de serviços hospitalares; Como se vê, o texto legal não autoriza as exigências estabelecidas pela Administração do tributo. Deve-se lembrar que se o hospital tem custos com hotelaria, lavanderia, culinária, atividade por 24 horas gerados pelas intemações, cobra o diferencial correspondente a cada atividade. Esses custos nada tern a ver com a realização de exames radiológicos, e, sim com as internações. Quando alguém precisa se submeter a exames radiológicos não vai a procura do médico mas em busca das imagens que precisam ser feitas para levá-las ao seu médico assistente. Se a pessoa está internada ou não o resultado do exame radiológico será o mesmo, de modo que é irrelevante o requisito da internação. Ora, dizer que se • esse exame é feito em hospital o coeficiente será de 8% e se for feito fora dele será de 32%, não tem sentido pois a atividade é a mesma, o trabalho é o mesmo, o custo é o mesmo. Buscar condições ou restrições não constantes da lei para considerar os exames por imagem-Medicina Nuclear como prestação de serviços profissionais não pode prosperar. E também uma redundância porque toda atividade hospitalar está sujeita ao coeficiente de 8%. Comungo desta mesma posição. Não há dúvidas de que os custos de internação compõem um elemento significativo para a aferição do percentual legal, mas creio que não seja o fator diferenciador. Se o legislador os tivesse considerado, seguramente estabeleceria uma aliquota mitigada para os serviços de hotelaria. LLrItas5q, •<filt - tiff)! r" 2.22D-2 de 2 VOU2A I 8 Aulentiario fivIrdtrfeflte sn 220 AI4EREA. FERNJ\NLES GARCIA Irrirn- es:m em 21 4;I',12a -I2 rt ANDR:IiA FERNAINIL"ES GARRA - VERSO FirA BRANCO 9 DF CART IMF Processo n° 11516.000304/2007-68 Acórdão n.° 1201-00.321 Creio que o ceme da questão, o aspecto essencial para a diferenciaçgd percentuais, está nos elevados custos dos equipamentos hospitalares, dentre os quais, os laboratoriais e, por isso, a expressão "serviços hospitalares" deve abarcar também as atividades de exames laboratoriais. E. o atual entendimento do ST.T, conforme recente decisão abaixo transcrita (A. ag nos EREsp 883537 / RS, publicado em 01/07/2010): PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO. ART. 15, § 1°, JJI ALÍNEA "A", DA LEI N. 9.249/95. CONCEITO DE SERVIÇO HOSPITALAR. MATÉRIA DECIDIDA PELA la SEÇÃO, NO RESP 1116399/BA, JULGADO EM 28/10/2009, SOB 0 REGIME DO ART. 543-C DO CPC. 1. A redução das bases de cálculo do IRPJ e da CSSL, nos termos dos arts. 15 e 20 da Lei n° 9.249/95, é beneficio fiscal concedido de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. A Primeira Seção deste Tribunal Superior pacificou o entendimento acerca da matéria, no julgamento do RESP 1116399/BA, sob o regime do art. 543-C, do CPC, em 28/10/2009, que restou assim ementado: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543-C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de aliquota do IRPJ e da CSLL. Discute-se a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poder-se restringir o beneficio fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251-PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 10 Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as aliquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1°, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o beneficio fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência a saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes E)cumen10 d gita file,!110, CO . If0Frile Mr'n 2.200-:., de 21/G6120D'i •ditenw„asio erïl 22/0 .712011 or ANDREA FERNANDES (7»,,,,CIA rn,resç em 21i0:-V2012 por ANDREA FERNANOLS GARCIA - VERSO SO EIRAN„:',0 DE' CARE ME FL 1397 cumprissem requisitos . não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do beneficio. Dai a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249195, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam As atividades desenvolvidas pelos hospitais, vol'a,las diretamente A promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas tact necessariamente, são prestados no interior do estab=lecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas nixlicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 lido se aplicam As demandas decididas anteriormente sua vigência, bem como de que a redução de aliquota prevista na Lei 9.249/95 lido se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim Aquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade especifica sujeita ao beneficio fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2° do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinArio especifico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao beneficio em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade especifica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado A Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543-C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. 3. Destarte, restou assentado, àquela ocasião que: "Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam as atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente it promoção da saúde 'Ç de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. In casu, o Tribunal a quo, com ampla cognição fitico- probatória, assentou que a empresa recorrida presta serviços de diagnóstico por imagem, compreendendo a radiologia em geral, ultra-sonografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética, densitomet ria óssea e mamografia, os quais, consoante fundamentação expendida, enquadram-se no conceito legal de serviços médico-hospitalares, estabelecido pela Lei 9.249/95. 5. Agravo regimental provido para dar parcial provimento ao recurso especial, excluindo-se da base de calculo reduzida as Dock )110 ass:ne,c; MP ti (' o 2r.;3-2 lol 21;C0U2G(31 Ault;n1R:1rf() ckytalineNc; el!) 22/07120;1 por ANDRE- A, FERNANDES GA:- ZCOA esF.,0 ,-,rrt 21103:2012 per ANC,I;;EA FERNANE-ES GAF',C;A VE;ZSO EM ri;- /ING 10 DF CARE' MI' Processo n° 11516.000304/2007-68 Acórdão n.° 1201-00321 S1-C2T1 , FLSILLOS*3 simples consultas médicas, consoante a fundamentação expendida, mantendo-se, no mais, a decisão de fls. 3081323. Desse modo, alinho-me sem ressalvas à jurisprudência firmada em âmbito administrativo e judicial acerca do percentual do lucro presumido para as prestações de serviço laboratorial . DISPOSITIVO Por todo o exposto, voto para não tomar conhecimento das razões atinentes ao aproveitamento de retenções, uma vez já reconhecidas pela decisão recorrida e para dar provimento ao recurso voluntário, na parte conhecida, com o fito de reduzir o percentual para a aferição do lucro presumido de 32% para 8%. Guilh e Adolfo d s Saiitos Mendes diglieklente confo7çr? MP* 9' 2.200 02 2000/2001 cain ,Jvalmente ern 2210:72011 por ANDREA FLRNAN::‘,ES GA";-2CiA Impre:;so r:.r! 2` ,03;2012 prir ANDF2EA FLRNANDLS GAFICi, VEq50 PM 1.3RANCO 11
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