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Numero do processo: 10872.000537/2010-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES DE SEGURADOS. LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. ART. 33, 3O DA LEI 8.212/91. AUSÊNCIA DE PROVAS DE QUE OS DOCUMENTOS FORAM APRESENTADOS. PROCEDIMENTO DEVIDAMENTE JUSTIFICADO. Tendo em vista que a recorrente deixou de apresentar toda a documentação solicitada durante a ação fiscal por intermédio de TIAD, sem trazer aos autos qualquer justificativa plausível e acompanhada da devida comprovação que a justificasse não atender às solicitações da fiscalização, resta autorizada a adoção do procedimento de aferição indireta para o lançamento de contribuições sócias devidas à Seguridade Social, de acordo com o art. 33, 3o da Lei 8.212/91.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. ART. 17 DO DECRETO 70.235/72. Uma vez que os fundamentos da infração imputada ao contribuinte deixou de ser expressamente combatida quando da apresentação da impugnação e ainda quando da interposição do recurso voluntário, deve ser aplicado o instituto da preclusão.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES DE SEGURADOS. LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. ART. 33, 3O DA LEI 8.212/91. AUSÊNCIA DE PROVAS DE QUE OS DOCUMENTOS FORAM APRESENTADOS. PROCEDIMENTO DEVIDAMENTE JUSTIFICADO. Tendo em vista que a recorrente deixou de apresentar toda a documentação solicitada durante a ação fiscal por intermédio de TIAD, sem trazer aos autos qualquer justificativa plausível e acompanhada da devida comprovação que a justificasse não atender às solicitações da fiscalização, resta autorizada a adoção do procedimento de aferição indireta para o lançamento de contribuições sócias devidas à Seguridade Social, de acordo com o art. 33, 3o da Lei 8.212/91. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. ART. 17 DO DECRETO 70.235/72. Uma vez que os fundamentos da infração imputada ao contribuinte deixou de ser expressamente combatida quando da apresentação da impugnação e ainda quando da interposição do recurso voluntário, deve ser aplicado o instituto da preclusão. Recurso Voluntário Negado.
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LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. ART. 33, 3O DA LEI 8.212/91. AUSÊNCIA DE PROVAS DE QUE OS DOCUMENTOS FORAM APRESENTADOS. PROCEDIMENTO DEVIDAMENTE JUSTIFICADO. Tendo em vista que a recorrente deixou de apresentar toda a documentação solicitada durante a ação fiscal por intermédio de TIAD, sem trazer aos autos qualquer justificativa plausível e acompanhada da devida comprovação que a justificasse não atender às solicitações da fiscalização, resta autorizada a adoção do procedimento de aferição indireta para o lançamento de contribuições sócias devidas à Seguridade Social, de acordo com o art. 33, 3o da Lei 8.212/91. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. ART. 17 DO DECRETO 70.235/72. Uma vez que os fundamentos da infração imputada ao contribuinte deixou de ser expressamente combatida quando da apresentação da impugnação e ainda quando da interposição do recurso voluntário, deve ser aplicado o instituto da preclusão. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 2. 00 05 37 /2 01 0- 44 Fl. 367DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10872.000537/201044 Acórdão n.º 2402003.382 S2C4T2 Fl. 368 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por ESSENCE CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS LTDA, em face do acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.269.2079, lavrado para a cobrança de contribuições sociais previdenciárias destinadas a terceiros, incidentes sobre os valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. Consta do relatório fiscal que a recorrente, apesar de devidamente intimada por meio de TIAF e TIAD, não apresentou qualquer dos documentos solicitados em referidos termos, de modo que o lançamento fora realizado por aferição indireta, com base nas informações da RAIS comparadas com as constantes nas GFIPWEB, todas obtidas dos sistemas informatizados da SRFB. Além disso, esclareceu o fiscal que a remuneração total dos segurados empregados foi aferida, tomandose como base o cotejamento entre a massa salarial contida, no arquivo magnético, da RAIS/Sistema CNISADATAPREV, extraído, em 23/03/2010, e os valores declarados, antes do início da ação fiscal, nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, extraído, em meio magnético, do GFIP WEB, em 15/03/2010, referente ao ano calendário 2006, tomandose como remuneração total dos segurados empregados a maior entre as duas bases. Após a definição da maior base, pelo sistema de auditoria, foram diminuídas as bases de cálculo declaradas em GFIP, antes do início da ação fiscal, demonstrada no ANEXO IV do AI, apurandose a remuneração NÃO DECLARADA EM GFIP. A remuneração considerada para os segurados contribuintes individuais, sócios administradores, Elias Fetue, Edmond Fetue e Clariana Lamha Fetue, foi a maior remuneração, paga à segurada Daniela da Costa Legentil, no valor de R$ 1.862,00, em 11/2006, conforme demonstrado na planilha do Anexo V do AI. Na aplicação da multa, o fiscal considerou as disposições da Lei 11.941/09, fazendo o comparativo entre a multa de 75% e as multas de mora de 24% acrescidas da multa por descumprimento de obrigação acessória (CFL 68). Ao final, concluiu que em todas as competências a multa de 75% era a mais benéfica, aplicandoa ao presente caso. Ademais, tendo em vista que a recorrente deixou de prestar todas as informações e esclarecimentos requeridos pela SRFB, a multa de ofício aplicada foi agravada em 50%, de acordo com o inciso I, do § 2°, do art. 44, da Lei 9.430/96. O lançamento compreende o período de 01/2006 a 13/2006, tendo sido o contribuinte cientificado em 04/11/2010 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls. 317/327), a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: Fl. 369DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 1. que toda a documentação requerida fora devidamente apresentada, tendo sido devolvida pela SRFB no ato da sua entrega, todavia, sem a aposição de recibo, em razão da falta de especo físico na Receita Federal para a guarda de documentos, tendo sido surpreendido com a autuação; 2. que deve ser afastado o entendimento de preclusão administrativa aplicado pelo v. acórdão recorrido, em homenagem ao princípio da busca da verdade material, bem como em respeito aos ditames da Lei 9.784/99; 3. que a Lei 11.457/07, em seu art. 24, dispõe que é obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias, sob pena de serem acatadas como verdadeiras as alegações do contribuinte; 4. que é vedado ao fiscal exigir tributo sem lei prévia que o estabeleça, sob pena de violação do princípio da legalidade; 5. que há de ser privilegiado no presente caso o princípio da busca da verdade material, pois em havendo fatos demonstrados a posteriori, que justifiquem a anulação do lançamento, não há a configuração da coisa julgada administrativa; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10872.000537/201044 Acórdão n.º 2402003.382 S2C4T2 Fl. 369 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARMENTE Sustenta a recorrente, que apresentou toda a documentação pertinente e que afastaria a possibilidade da adoção do procedimento de aferição indireta. Referida alegação também fora aventada quando da interposição da impugnação, todavia, por absoluta falta de provas, tendo em vista que foram desatendidos no presente caso 08 (oito) intimações para apresentação de documentos, tenho por não acatar os argumentos. Em momento algum nos autos o contribuinte demonstrou que de fato atendeu às intimações recebidas para apresentação de documentos, pelo contrário, neste ponto o relatório fiscal é bem claro ao apontar que nenhum documento solicitado fora apresentado, listandoos um a um. Também não juntou em sua impugnação os documentos que poderiam demonstrar a apuração das contribuições previdenciárias a que estava sujeito, não restando outra possibilidade, senão o lançamento pela adoção da aferição indireta, conforme preconizado pelo art. 33 da Lei 8.212/91, a seguir: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (grifos nossos) Assim sendo, ante a não apresentação dos documentos e esclarecimentos solicitados à notificada, reputase válido o parâmetro utilizado, isto é, o confronto entre a GFIP, RAIS e GPS do período, conforme se infere da redação do art. 33, §3o da Lei 8.212/91. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Por fim, ainda sobre o assunto, esclareço que no julgamento dos processos 10872.000536/201008 e 10872.000538/201099, não houve qualquer reconhecimento indireto de que as alegações do contribuinte no que concerne a apresentação de documentos de fato era verdadeira. Naquela oportunidade, entendeuse pela exoneração da multa acessória aplicada pela não apresentação de documentos e esclarecimentos, pelo fato da mesma ter sido consumida pela multa de ofício agravada em 50%, exatamente pela não prestação de esclarecimentos e falta de apresentação de documentos. Logo, foi válida a adoção do procedimento de aferição indireta. Rejeito, pois, a preliminar. MÉRITO O recurso traz longa narrativa acerca da impossibilidade de aplicação do instituto da preclusão conforme determina o art. 17 do Decreto 70.235/72, devendo este Conselho afastar referido entendimento, especialmente, em homenagem ao princípio da busca da verdade material e a possibilidade do conhecimento de alegações e teses de defesa ofertadas, ainda mesmo quando após o prazo de impugnação. Não discordo do recorrente quando sustenta que documentos e provas possam ser juntados aos autos em momento posterior a impugnação, merecendo ser conhecidos a depender se sua natureza, todavia, ao analisar os autos do presente processo, verifico que a preclusão foi aplicada pelo v. acórdão recorrido sob os seguintes aspectos (fls. 322) : Das Matérias não Impugnadas 15. Inicialmente, verificamos de plano que a defesa apresentada cingese apenas à argumentação relativa à nulidade devido à aferição indireta (questão já julgada acima) e à aplicação da taxa SELIC (que será julgada adiante). Assim, constatamos que não foram impugnados, especificamente, os levantamentos elencados no Relatório Fiscal, os fatos geradores, as alíquotas, as bases de cálculo, os valores das contribuições previdenciárias, o período, além do agravamento da multa de ofício. Ou seja, a preclusão aplicada foi exatamente aquela determinada no art. 17 do Decreto 70.235/72, tendo em vista que a recorrente deixou de impugnar expressamente pontos importantes da exigência fiscal que lhe fora imputada. Ressaltese que tais pontos sequer foram combatidos ou veiculados no Recurso Voluntário que ora se aprecia. Ou mesmo sequer foram juntadas quaisquer provas na impugnação, que pudessem, ao menos indicar que naquela oportunidade fora expressamente contestada a exigência e imposição fiscal. Desse modo, entendo por correta a conclusão do v. acórdão recorrido, esclarecendo, ainda, que não há qualquer ofensa a coisa julgada administrativa, tendo em vista que esta ainda não pode ser declarada, em razão de ainda não ter sido proferido julgamento final relativamente ao presente processo. Todas as demais argumentações constantes no recurso, visam fundamentar a impossibilidade de aplicação da preclusão, todavia, em face da clarividente ausência de impugnação específica da autuação aplicada em desfavor do contribuinte, nos pontos acima elencados, sobre os quais também deixou de ser suscitada qualquer ilegalidade em sede de recurso voluntário, as tenho por descabidas. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10872.000537/201044 Acórdão n.º 2402003.382 S2C4T2 Fl. 370 7 Ante todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 26512.400008/88-38
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 1991
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 1991
Ementa: IAA - Contribuição e adicional. A falta de recolhimento da contribuição e do seu adicional implica na exigência dos acréscimos legais, inclusive da multa de 100%. Reincidência caracterizada. Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 202-03948
Nome do relator: Sebastião Borges Taquary
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ementa_s : IAA - Contribuição e adicional. A falta de recolhimento da contribuição e do seu adicional implica na exigência dos acréscimos legais, inclusive da multa de 100%. Reincidência caracterizada. Recurso a que se nega provimento.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-01-30T01:25:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-01-30T01:25:13Z; Last-Modified: 2010-01-30T01:25:13Z; dcterms:modified: 2010-01-30T01:25:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-01-30T01:25:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-01-30T01:25:13Z; meta:save-date: 2010-01-30T01:25:13Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-01-30T01:25:13Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-01-30T01:25:13Z; created: 2010-01-30T01:25:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2010-01-30T01:25:13Z; pdf:charsPerPage: 1268; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-01-30T01:25:13Z | Conteúdo => .... II LIAL.e'.1)1 1 I.rn I) C) ll 2. Dr Q Q(21/ 09 '1992i Ch C a.a C litAll •V°!'"»=A-9 ..491-.N. MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processe N. 26.512-400.008/88-38 mias Sessão de 08 de janeiro do ig 91 ACORDA() N. 202-03.948 'inumo C 83.017 Recorrente USINA COSTA PINTO S/A. AÇÚCAR E ÁLCOOL Reunida DRF EM LIMEIRA - SP. IAA - Contribuição e Adicional. A falta de recolhimen to da contribuição e do seu adicional implica na exi gência dos acréscimos legais, inclusive da multa de 100%. Reincidencia caracterizada. Recurso a que se ne _ ga provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por USINA COSTA PINTO S/A. AÇÚCAR E ÁLCOOL. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conse lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimen to ao recurso. Ausente o Conselheiro AD2RITO GUEDES DA CRUZ (Su- plente). 4PSala das Sessaes, em 9: de janeiro de 1991. it d/5 age i HELVIO ES7J DO B IT EL eS - PRESIDENTE .411P /2EtA‘,...,I,o ' 8fGES,P5o 9ÇJ ATOR ‘... JOS Ifá -L0IS l MEIDprLEMOS - PROCURADOR-REPRESENTAN TE DA FAZENDA NACIONAL VISTA EM SESSÃO DE 2 8 FEV 1992 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ELIO ROTHE, AIDE SANTOS JÚNIOR, ANTONIO CARLOS DE MORAES, OSCAR LUÍS DE MORAIS e JEFERSON RIBEIRO SALAZAR. . -02- ..a.9 , H:w.::... -n- .7%. .._-,.. MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo 212 26.512-400.008/88-38 Recurso N2: 83.017 Acordão N2: 202-03.948 Recorrente: USINA COSTA PINTO S/A. AÇÚCAR E ALCOOL RELATÓRIO Conforme constadas Notificações e do Termo de Verifi- cação de 08.04.88 (fls. 02 e 03), a ora recorrente deixou de reco- lher a contribuição e o adicional incidentes sobre a saída dos seus produtos ali descritos, referentes ã safra de 1987/88, e no período de 1D a 31.01.88. A notificada, defendendo (fls. 10/21), em síntese e substancia alega e requer o que se segue: que não procede a exigên- cia, no seu todo, porque lhe falta amparo legal, a par de ser abuso de autoridade exigir o credito objeto da notificação, considerando as condições de crise que atravessa o Setor. Dito isso, requereu fosse cancelada a notificação de lançamento. Replicando, veio a informação fiscal (fls. 30),P ugman do pela confirmação da exigência e propondo a elevação da multa pa- ra 100%, ao argumento de que a notificada é reincidente. A reincidência da ora recorrente foi confirmada (fls. 30). A decisão singular (fls. 31/33), julgou procedente a ação fiscal e manteve a exigancia, impondo a multa de 100%, conside t\\/ -segue- -03- SERVIDO PUBLICO FEDERAL Processo n4 26.512-400.008/88-38 Acórdão n4 202-03.948 rando a notificada como reincidente, além do principal e os acrésci mos de juros e correção monetária, tudo nos termos do art. 44 e 10 do Decreto n4 62.388, de 12.03.68; art. 11 c/c o art. 12 da Reso lução n4 2.005/68, do Conselho Deliberativo do Instituto do Açúcar e do Álcool, e arts. 44, 64 e 11, do Dec.Lei n4 308/67. Depois de intimada e no prazo legal, a notificada in- terpôs, contra essa decisão de 14 grau, o recurso voluntário, de fls. 34/57, onde reeditou as razões da defesa e enfatizou, em sinte se, que a decisão recorrida viola a Constituição Federal e nega vi- gência à letra da lei federal, a par de ser absurda a exigência das contribuições constantes da peça notifica-te-iria, com os acréscimos ali indicados e confirmados na decisão de 10 grau. É o relatório. -segue- -04- SERVIÇO nsuco rtwERAL Processo nO 26.512-400.008/88-38 Acórdão nO 202-03.948 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR SEBASTIÃO BORGES TAQUARY A hipótese, ora em exame, encontra inúmeros preceden- tes, em ambas as Cãmaras do 2O Conselho de Contribuintes, dos quais são exemplos estes Acórdãos: 202-03.863, de 09.11.90; 202-02.405,de 28.04.89; 202-02.403, de 28.04.89; 201-65.648, de 22.09.89;201-65.804 de 10.11.89, e 201-65.825, de 12.12.89. Trata-se de não recolhimento de contribuição e adicio nal, com seus acréscimos legais, devidos ao IAA. Os fatos ensejado- res do lançamento foram comprovados e a exigência conforma-se com a legislação pertinente. A reincidência resultou confirmada (fls. 30). Isto posto e por tudo mais que dos autos consta, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, para confir- mar a decisão de lo grau, por seus judiciosos fundamentos. Sala das Sessões, em 08 de janeiro de 1991. 5.424.4 g al BASTIAO BtES TA Att,
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Numero do processo: 10880.008746/2002-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997
CONFISSÃO DE DÍVIDA - O pedido de parcelamento constitui confissão, irretratável, de dívida e traduz-se na concordância do sujeito passivo com a exigência fiscal, implicando na extinção do litígio administrativo.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3201-001.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
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Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 87 46 /2 00 2- 27 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Em ação fiscal levada a efeito em face da contribuinte acima identificada foi apurada falta de recolhimento da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS relativa aos fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de julho de 1997 a dezembro de 1997, declarados na DCTF, pois foi constatado “Proc jud não comprovado” e “Pgto não Localizado”, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração de fls. 14 e 15, integrado pelos termos e documentos nele mencionados, apurandose o crédito tributário composto pela contribuição, multa proporcional e juros de mora, calculados até 31/05/2002, perfazendo o total de R$ 404.663,94 (quatrocentos e quatro mil, seiscentos e sessenta e três reais e noventa e quatro centavos), com o seguinte enquadramento legal: Arts 1º a 4º da Lei Complementar nº 70/91; art 1 L 9249/95; art. 57 L 9069/95; arts 56 e par um, 60 e 66, L 9430/96. 2. Inconformada com a autuação, da qual foi devidamente cientificada em 11/06/2002 (AR à fl. 201), a contribuinte protocolizou, em 04.07.2002, a impugnação de fl. 1 e 2, acompanhada dos documentos de fls. 333, na qual alega: 2.1. Os débitos reclamados no auto de infração ora contestado, por força do processo nº 9408031890, da 2ª Vara da Justiça Federal de Araçatuba (SP), foram depositados em conta judicial junto à Caixa Econômica Federal, agência de Araçatuba, conforme guias anexas, nas seguintes datas: R$ 17.121,32 08/08/1997 (fl. 3) R$ 19.627,40 10/09/1997 (fl. 4) R$ 16.056,28 10/10/1997 (fl. 5) R$ 20.770,45 10/11/1997 (fl. 6) R$ 29.928,76 10/12/1997 (fl. 7) R$ 29.383,84 09/01/1998 (fl. 9) R$ 1.823,75 09/01/1998 (fl. 11) DARF. 2.2. Os valores de R$ 6.549,80, 11.549,52, correspondentes aos períodos de 30/11/1997 e 31/12/1997 que deveria ter sido depositados até 12/12/1997 e 09/01/1998 foi objeto de pedido de compensação, conforme guia anexa. 2.3. Por fim, requer a suplicante seja esta impugnação acolhida e no mérito provida. 3. A impugnação foi previamente analisada pela Delegacia da Receita FederalDERAT/EQAMJ em São PauloSP, exarou o Despacho em 29/07/2010 (fl. 167168), onde consta: “Trata o presente processo de créditos tributários de COFINS dos períodos de apuração de 07/1997 a 12/1997 constituídos através de auto de infração nº 0037343, conforme folhas 13 a 22”. “Petição do interessado às folhas 01 e 02 alegando depósito judicial e pedido de compensação”. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.008746/200227 Acórdão n.º 3201001.210 S3C2T1 Fl. 247 3 “O contribuinte em tela ajuizou ação cautelar nº 94.08031903 com o fim de obter liminar que permita efetuar depósitos judiciais para suspender a exigibilidade da COFINS instituída pela LC nº 70/91, enquanto pendente de julgamento a ação principal”. “A ação ordinária nº 94.08031865 (95.03.0619157) foi ajuizada contra a cobrança da COFINS instituída pela LC nº 70/91, requerendo o interessado o reconhecimento de sua imunidade com relação à venda de álcool combustível, nos termos do art. 155, parágrafo 3º da Constituição Federal. (folhas 154 a 165)”. “Sentença improcedente. Negado provimento à apelação do contribuinte. (folhas 154 a 165).” “Acórdão transitado em julgado em 01/10/1997. (folhas 152 e 153).” “Documento da CEF informando que foi efetuada a conversão em renda da União Federal do valor total constante na conta de depósito judicial nº 3971/005/2045 referente ao processo judicial nº 94.08031903 – Destilaria Benalcool S/A x União Federal. Informa ainda que a conversão foi efetuada em cumprimento ao Ofício nº 1165/98 expedido pelo Juízo da 1ª Vara de Araçatuba/SP. (folhas 124 e 125).” 3.1. Assim, a DERAT/EQAAR revisou de ofício o lançamento, na forma do artigo 149 do Código Tributário Nacional (CTN) e cancelou parte dos débitos conforme Extrato do Processo às fls. 174175 conforme relacionados a seguir: 3.2.Restaram em litígio os seguintes débitos: 4. É o relatório.” O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SP1 no 1631.468, de 12/05/2011, proferida pelos membros da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, cuja ementa dispõe, verbis: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins DÉBITOS CANCELADOS PA COFINS MULTA 75% 07/1997 17.121,32 12.840,99 08/1997 19.627,40 14.720,55 09/1997 16.056,28 12.042,21 10/1997 20.770,45 15.577,84 11/1997 0,00 0,00 12/1997 1.823,75 1.367,81 TOTAL 75.399,20 56.549,40 DÉBITOS EM LITÍGIO PA COFINS MULTA 75% 11/1997 36.478,56 27.358,92 12/1997 40.933,36 30.700,02 TOTAL 77.411,92 58.058,94 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 DEPÓSITOS JUDICIAIS CONVERSÃO EM RENDA DA UNIÃO. Os depósitos judiciais com vertidos em Renda da União em 28/09/98 extingue o crédito tributário nos termos do inciso VI, artigo 156 do CTN. COFINS PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DÉBITOS NÃO CONFESSADOS. Os débitos informados no Pedido de Compensação disciplinado no artigo 74 da Lei nº 9.430/96 entregue anteriormente à vigência da MP nº 135/2003 publicada em 31/10/2003, não constitui confissão de dívida, portanto enseja a manutenção do lançamento no Auto de Infração. MULTA DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI Nº 10.833/2003. Com a edição da MP nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, não cabe mais imposição de multa excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP nº 135/2003 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, “c” do CTN), impõese o cancelamento da multa de ofício lançada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” O julgamento foi pela procedência em parte da impugnação e manutenção em parte do crédito tributário. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, argumenta que os débitos mantidos em cobrança, ou seja: PA 11/97 R4 6.549,80 e PA 12/97 R$ 11.549,52, decorrem de não homologação do pedido de compensação administrado pelo processo de n° 10820.002708/9738. Esclarece que esses débitos foram parcelados, nos termos da Lei de n° 11.941/2009 (REFIS) e solicita extinção deste processo, face a duplicidade de cobrança.. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Primeiramente, ressaltase o teor da petição em sede de Recurso Voluntário, pela qual solicita a desistência do respectivo recurso em função de sua adesão ao pagamento/parcelamento previsto na Lei nº 11.941/2009 (REFIS). Como o pedido de parcelamento importa em confissão irretratável e configura confissão extrajudicial, nos termos dos artigos 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil. O Regimento Interno dos Conselhos Administrativo Fiscal (Portaria nº 256/2009), no § 2º, do artigo 78, é claro ao dispor, que o pedido de parcelamento, a confissão irretratável da dívida, importa na desistência do recurso: Fl. 259DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.008746/200227 Acórdão n.º 3201001.210 S3C2T1 Fl. 248 5 “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. (...) § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso.” Ora, considerando que o parcelamento da dívida se traduz na concordância do sujeito passivo com a exigência fiscal, não existe mais litígio administrativo e, por isso, voto por NÃO CONHECER DO RECURSO. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 260DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10803.000133/2008-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2003
AUTO DE INFRAÇÃO. COBRANÇA DE IPI. PRELIMINAR. ANULAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ.
Havendo omissão de julgamento por instância a quo, há que ser anulada a decisão prolatada a fim de que o juízo de Primeira Instância se manifeste a respeito da legitimidade de figurarem no pólo passivo as partes amoldadas como sujeitos passivos solidários.
Numero da decisão: 3401-002.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento aos recursos para reconhecer a nulidade da decisão da DRJ nos termos do voto do relator
JULIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator.
EDITADO EM: 14/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento aos recursos para reconhecer a nulidade da decisão da DRJ nos termos do voto do relator JULIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator. EDITADO EM: 14/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2003 AUTO DE INFRAÇÃO. COBRANÇA DE IPI. PRELIMINAR. ANULAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. Havendo omissão de julgamento por instância “a quo”, há que ser anulada a decisão prolatada a fim de que o juízo de Primeira Instância se manifeste a respeito da legitimidade de figurarem no pólo passivo as partes amoldadas como sujeitos passivos solidários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento aos recursos para reconhecer a nulidade da decisão da DRJ nos termos do voto do relator JULIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. EDITADO EM: 14/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 00 01 33 /2 00 8- 50 Fl. 32969DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado em 28.2.2008 contra a contribuinte Mude Comércio e Serviços LTDA., referente ao lançamento de IPI nas saídas de produtos do estabelecimento equiparado a industrial, no valor de R$ 93.538.297,56 (inclusos multa de ofício e juros de mora), relativo ao anocalendário de 2004. O procedimento fiscal ocorreu através de trabalho desenvolvido pelo Escritório de Pesquisa e Investigação da Receita Federal em conjunto com a Polícia Federal, tendo em vista a instauração do Processo Criminal Diverso nº 2005.61.0092851, em curso na 4ª Vara Federal Criminal da 1ª Subseção Judiciária de São Paulo/SP, que teve como objetivo “a logística de importação e distribuição de produtos eletroeletrônicos e de telecomunicações da empresa norteamericana Cisco SYSTEM INC.” Devido ao procedimento fiscal, o estabelecimento supracitado foi equiparado a industrial, pois seria ele o real importador das mercadorias que revende (art. 79 da MP nº 2158/01), conforme informado no Termo de Verificação Fiscal. A Autuação Fiscal foi fundamentada, em síntese, com base nos seguintes argumentos: a) verificação da ocorrência de simulação de negócio jurídico, por uso de interpostas pessoas em operações de importação, a fim de ocultar o verdadeiro sujeito passivo; b) a equiparação da empresa a estabelecimento industrial, por ser a real importadora de mercadorias e c) constatação de fraude, por ter a empresa, com a simulação de operações, deixado de recolher tributos devidos, motivo pelo qual foi aplicada multa qualificada prevista na Lei nº 9.430/96, art. 44, II. Foi lavrado termo de sujeição passiva solidária para cada elemento do grupo, atribuindose responsabilidade solidária aos sócios, dirigentes e mandatários, nos termos do CTN, arts 124,I, 128 e 135. Foi atribuída responsabilidade solidária às seguintes pessoas físicas: Fernando Machado Grecco, Marcelo Naoki Ikeda, Marcílio Palhares Lemos; Moacyr Álvaro Sampaio, Hélio Benetti Pedreira, Gustavo Henrique Castellari Procópio, José Roberto Pernomian Rodrigues, Luiz Scarpelli Filho, Pedro Luis Alves Costa, Reinaldo de Paiva Grillo, Carlos Roberto Carnevali, Cid Guardia Filho e Ernani Bertino Maciel. Além disso, foi atribuída responsabilidade solidária à Cisco do Brasil Ltda. Além disso, foi atribuída responsabilidade solidária também à empresa Cisco do Brasil (CdB). Cientificada da autuação, a companhia Mude Comércio e Serviços Ltda. Protocolou impugnação alegando que: 1) O fato de a empresa ter sido alvo de operação policial, com interceptação de ligações telefônicas e de mensagens telemáticas, não pode influenciar a análise da impugnação, que deve ser julgada nos moldes da legislação aplicável, o que certamente acarretará a declaração de insubsistência do auto de infração. 2) A ausência dos elementos de impessoalidade e imparcialidade nos atos administrativos (auto de infração e decisão administrativa) acarreta sua nulidade. Fl. 32970DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10803.000133/200850 Acórdão n.º 3401002.220 S3C4T1 Fl. 32.970 3 3) Houve cerceamento do direito de defesa da recorrente, pois foram solicitadas cópias dos autos e elas não foram disponibilizadas até a data de impugnação; 4) A ciência de diversos autos de infração fora recebida simultaneamente nos últimos dias do ano fiscal, com prazos para impugnação praticamente idênticos e esse fato, juntamente com a impossibilidade de obtenção de cópias dos processos, impediu o exercício ao contraditório e à ampla defesa, na medida em que a empresa não pode confrontar as acusações do Termo de Verificação Fiscal com os documentos que compõem o auto. 5) As provas que fundamentaram a autuação foram colhidas nos autos do procedimento criminal no âmbito da operação policial deflagrada em conjunto com a Receita Federal do Brasil e, sendo assim, por terem sido obtidas com o único objetivo de instruir ação criminal, jamais poderiam ser utilizadas no processo administrativo fiscal, violando o art. 5º da Constituição Federal, incisos X, XI e XII, devendo a D. Turma Julgadora determinar a desconstituição do crédito tributário; 6) A quebra do sigilo de informações pessoais somente poderá ser admitida por ordem judicial e para fins de investigação criminal ou instrução processual penal (Lei nº 9296/96). A indevida utilização dessas provas implica considerar também os mecanismos à disposição da defesa no âmbito criminal, transportandose aquele contraditório especialíssimo para o bojo do procedimento fiscal, o que se mostra totalmente inviável. Dessa forma, a D. Turma Julgadora deve deixar de reconhecer a validade das provas colhidas no âmbito criminal no presente processo administrativo, admitindo assim, que o auto de infração carece de “fundamentação fático comprobatória” e determinar seu cancelamento. 7) As provas colecionadas nos autos referemse a períodos diferentes daqueles tratados no auto de infração (ano de 2003), porquanto as ligações e emails coletados para a comprovação do “esquema fraudulento de importações”, ocorreram no ano de 2007, sem qualquer relação com os fatos geradores do presente auto. É principio basilar de direito que as provas devam ter relação direta com os fatos tidos como infracionais, não se admitindo que tais documentos sejam base para a constituição do crédito tributário do ano de 2003, nem para aplicação de multa agravada. 8) De acordo com a doutrina, para que haja lançamento tributário se faz necessário que a descrição do fato contido no auto de infração seja bastante clara e objetiva, não se admitindo presunções, de forma que não pairem dúvidas acerca da ocorrência do fato e que haja completa subsunção desse fato à norma jurídicotributária sob pena de nulidade do lançamento, não se permitindo qualquer tipo de punição com base em presunções. 9) A aplicação de sanções depende de prova que deve ser exaustivamente promovida pelo fisco, de forma a convencer, por meios não indiciários, mas diretos. Tratase de uma proteção estabelecida em favor da liberdade e do patrimônio do contribuinte, que não pode ser punido com base em presunções. Portanto, comete a fiscalização uma ilegalidade ao exigir da impugnante tributos e multas sobre um fato jurídico presumido (supostas irregularidades nos processos de importação do ano base de 2003) e não provado. 10) Para que o Auto de Infração possa existir, é necessário que a fiscalização comprove, documentalmente, por meios diretos e presuntivos a alegada intenção de ocultar o adquirente das mercadorias ante toda a documentação que lhe foi apresentada, ou ainda, que tivesse comprovado a ocorrência da realização de atos simulados, o que também não foi feito, Fl. 32971DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 4 pois, ao contrário, o que se verificou foi que nenhum dos atos praticados poderia ser considerado ilícito ou ilegal. 11) O Auto de Infração foi lavrado com base em prova emprestada, produzida no âmbito criminal, o que não é admitido, já que a fiscalização deve guardar estrita obediência aos princípios que regem a administração pública, dentre os quais destacase o da motivação e o da legalidade. Sendo assim, os agentes fiscais jamais poderiam lavrar os autos sem fazer levantamento e exame completo de toda a documentação contábil das empresas que participaram da fiscalização. O Conselho de Contribuintes tem entendimento de que não se pode utilizar prova emprestada, cancelando o lançamento lavrado nessa situação. 12) A alegação de prática de uma série de operações comerciais simuladas com o objetivo de fraudar o fisco não possui a mínima fundamentação, pois nem a impugnante nem os importadores operavam exclusivamente com produtos da Cisco, de modo que não faz qualquer sentido a acusação de que se tratava de uma organização sob comando único. Além disso, a simulação, além de não existir e, por conseqüência, não ter sido documentalmente comprovada seria relativa a períodos diferentes daqueles que foram autuados. Ademais, não existe qualquer fraude ao Fisco, já que não houve prova de que as operações comerciais realizadas pela impugnante geraram redução de carga tributária (haveria a necessidade de considerar que o importador, na forma como realmente ocorreu a operação, recolheu o PIS e a Cofins sobre o total das vendas realizadas , ao passo que, na hipótese de importação por conta e ordem, a base de cálculo das operações do importador seria simplesmente o preço do serviço). 13) Mais um fator que demonstra a improcedência da autuação referese às acusações de que as importações foram realizadas por empresas offshore ou desprovidas de recursos econômicos, pois cada importação realizada convalida a existência das empresas importadoras, já que a Receita Federal autorizava o desembaraço aduaneiro sem qualquer óbice à operação. Também é de se observar que, utilizando o critério adotado pelo fisco, a maioria das empresas poderia ser caracterizada como interpostas, pois é sabido que uma empresa com grande volume de operação não precisa, necessariamente, ter sócios de grande poder aquisitivo. 14) No Termo de Verificação Fiscal há menção da existência de um intermediário entre o importador e a impugnante que simularia a compra da mercadoria da importadora e, ato contínuo, simularia a venda da mercadoria à impugnante. Todavia, verifica se que a impugnante adquiriu as mercadorias já nacionalizadas diretamente do importador, ou seja, não há intermediário. 15) A expressão “antecipação de pagamentos”, que aos olhos da Fiscalização trata de antecipação de recursos aos importadores, na realidade nada mais é do que o pagamento antecipado de faturas a vencer, mas de mercadorias já entregues, recebidas e com pagamento em aberto. Ressaltese que nunca houve financiamento das importações por parte da impugnante. 16) Mais uma interpretação incorreta diz respeito ao termo “comissão” que não se trata de remuneração paga aos importadores pelos serviços prestados aos reais adquirentes, conforme entendeu a fiscalização, mas ao percentual de adicional de preço praticado por cada fornecedor de mercadorias. 17) Jamais poderia prevalecer a acusação de que houve antecipação de recursos aos Importadores, tendo em vista que não houve, por parte da autoridade fiscal um levantamento individualizado da movimentação de recursos para pagamento da aquisição de mercadorias CISCO. Analisando a planilha elaborada pelo fisco no intuito de demonstrar a Fl. 32972DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10803.000133/200850 Acórdão n.º 3401002.220 S3C4T1 Fl. 32.971 5 antecipação de recursos, não se verifica alguma coluna dedicada à operação de compra e venda de mercadorias, tampouco à sua aquisição e entrada no estabelecimento. Além disso, constata se que não houve qualquer antecipação de recursos, já que a operação se deu num mesmo dia (14.4.2003). Também é fato que o trabalho fiscal não poderia se ater à verificação de uma única operação de aquisição de mercadorias feita pela impugnante, seria necessário produzir prova material individualizada para cada uma das operações de compra praticada pela recorrente, demonstrando a ocorrência das supostas irregularidades. Se fosse válida a planilha em referência, tal documento faria prova em favor da impugnante já que o total das despesas do fornecedor (até 10.9.2003) soma R$ 2.002.193,00, ao passo que, em 25.9.2003, a impugnante teria depositado a quantia de R$ 1.685.255;95, o que demonstraria que não ocorreu qualquer antecipação de recursos e que o fornecedor tinha recursos próprios para arcar com suas operações. 18) Nos termos do artigo 276 do RIR/99, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor da contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis. 19) A principal prova de antecipação de recursos é uma planilha apócrifa e alterada pela fiscalização. Esse documento não é hábil e idôneo para justificar a autuação, uma vez que o direito não pode se pautar em suposições. 20) os importadores figuram como legítimos compradores dos produtos CISCO, pois a operação foi realizada com obediência ao Ato Declaratório Interpretativo nº 7/2 – legitima compra de mercadorias nacionalizadas. Caso não tivessem agido desta forma, estariam sujeitos ao PIS e à Cofins sobre a totalidade das operações com o acréscimo de juros de multa de até 150% do valor do tributo lançado. Não se pode aplicar à impugnante qualquer penalidade, já que ela e os importadores trataram as suas operações em conformidade com o ato administrativo válido. Mudanças de posicionamento do fisco em razão de determinada matéria não pode acarretar a autuação do Contribuinte quando este seguiu à risca as instruções daquele órgão; 21) A impugnante realizou minucioso levantamento em sua contabilidade considerando a data de entrada das mercadorias adquiridas em 2003, o dia em que foi emitida a cobrança e o que em que foi realmente quitada a operação de compra e venda, no qual restou constatado que nunca houve antecipação de recursos por parte da impugnante para financiar o importador, mas tão somente pagamento de faturas antes do vencimento (doc. 8). A requerente solicitou realização de perícia contábil, conforme laudo constante no doc. 9, que afirmou não ter havido antecipação de recursos aos fornecedores. 22) A legislação estabeleceu procedimentos específicos para a verificação da origem dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior. A Portaria MF 350/2002 e IN SRF nº 228/2002, está estabelecendo instauração de procedimento especial de verificação da origem dos recursos sem a qual o auto é nulo. Tal procedimento prévio não foi praticado pelas autoridades fiscais, não podendo subsistir a autuação lavrada. 23) A matriz legal da multa agravada foi revogada pelo art. 40 da Lei nº 11.488/2007, de modo que não poderá prevalecer qualquer cobrança com fundamento legal em dispositivo revogado expressamente. Ainda que houvesse alguma simulação nas operações realizadas pela impugnante, esta não configuraria, por si só, a hipótese de aplicação da multa agravada, pois para que essa multa possa ser exigida é necessário que a fiscalização demonstre que as operações Fl. 32973DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 6 24) Ao exigir da impugnante o pagamento de IPI e das multas, o Fisco identificou incorretamente o sujeito passivo, o que acarreta a nulidade do auto de infração. A situação abordada nos autos é exatamente igual à tratada no caso da empresa TELECON. Entretanto, no presente caso, o Fisco lavrou auto de infração contra a impugnante (equiparandoa a industrial) e, no caso da TELECON, o auto de infração foi lavrado contra o destinatário final das mercadorias. 25) O Fisco equiparou a impugnante a estabelecimento industrial e exigiulhe o IPI sobre o valor total das mercadorias vendidas, considerando como crédito apenas as entradas à título de devolução, não considerando como crédito o montante do IPI pago nas operações anteriores, devidamente lançadas nas notas fiscais de aquisição, em clara ofensa ao princípio constitucional da não –cumulatividade do imposto. Se a fiscalização tivesse utilizado os créditos de IPI na entrada, o valor deste crédito seria de cerca de R$28.053.185,52, o que resultaria um IPI supostamente devido de R$ 216.503,48. Tal ato se deu sob a alegação de que esses créditos foram considerados como custo na apuração do IRPJ e da CSLL, fato sequer provado nos autos. 26) Mesmo que houvesse a comprovação de que os créditos foram considerados como custo na apuração de IRPJ e CSLL, caberia a autoridade fiscal “demonstrar que o reflexo tributário desse procedimento é exatamente o mesmo do que o creditamento do IPI e o lançamento da diferença destes impostos e contribuições e não desconsiderar o crédito do IPI. 27) Além da cobrança de IPI, com multa agravada (150%) e juros de mora, a fiscalização exige, no caso em tela, o pagamento de multa isolada de R$1.180.999,20, relativa ao IPI lançado com cobertura de crédito. No entanto, a cobrança da multa não consta descrita no Termo de Verificação Fiscal, tampouco no Auto de Infração, o que prejudica o exercício do contraditório e da ampla defesa. 28) O fisco fundamentou a cobrança dessa multa no artigo 80 da Lei nº 4.502/64, com as modificações introduzidas pelo art. 45 da Lei nº 9.430/96, revogado. Portanto, devese reconhecer a inexibilidade da exigência punitiva. 29) A recorrente não estava obrigada a emitir os documentos fiscais com destaque de IPI, já que os importadores das mercadorias, de acordo com o ADI nº07/02, caracterizamse como sendo legítimos compradores e vendedores de produtos. 30) Nos termos do art. 483, parágrafo único do RIPI, “as faltas cometidas na emissão de um mesmo documento ou na feitura de um mesmo lançamento serão consideradas uma única infração, sujeita à penalidade mais grave, dentre as previstas para elas”. 31) Ao se realizar a comparação entre a planilha “Relação de produtos saídos do estabelecimento equiparado a industrial com incidência do IPI” utilizada pela fiscalização e a TIPI vigente em 2003, percebese não existe registros de alguns NCM identificados, o que não permite à impugnante a adequada verificação quanto à correção dos cálculos utilizados. 32) Quanto ao NCM 85445100, o fisco utilizou alíquota equivocada de 10%, quando o correto seria 5%. 33) A cobrança dos juros moratórios mediante a utilização da Taxa Selic não pode prosperar, já que sua fixação visa a remuneração do investidor e não para ser aplicada como sanção por atraso no cumprimento de uma obrigação. Ademais, devese ressaltar que a referida taxa não foi criada e definida em lei, mas por Resolução do Banco Central do Brasil, o Fl. 32974DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10803.000133/200850 Acórdão n.º 3401002.220 S3C4T1 Fl. 32.972 7 que ofende o princípio constitucional da legalidade, bem como ao disposto no art. 161, § 1º, do CTN. Tendo em vista a alegação de cerceamento de direito de defesa, por ausência/demora na entrega de cópias das provas constantes do processo, os autos foram devolvidos à delegacia de origem para que a contribuinte obtivesse cópias e vista dos documentos desejados, reabrindolhe o prazo para a impugnação, somente com relação às provas não conhecidas. A contribuinte então apresentou nova impugnação, expondo os seguintes argumentos: 1) O fato de a impugnante não ter sido cientificada dos documentos que fundamentaram o lançamento tributário, no prazo determinado pela legislação, constitui vício insanável, que não pode ser corrigido pela DRJ. 2) O instituto da diligência em limites estritos, sendo sua função auxiliar na formação da convicção do julgador e sanar eventuais dúvidas quanto às provas já registradas nos autos, não se prestam a reabrir a ação fiscal ou aperfeiçoar lançamento já efetuado, não cabendo aos julgadores a tentativa de resgatar do naufrágio certo o lançamento já efetuado à margem da legislação tributária, administrativa e processual. 3) Se considerado válido tal aperfeiçoamento, o auto de infração não poderia prevalecer de qualquer forma, já que o ato administrativo ocorreu após o transcurso do prazo legalmente previsto (5 anos a partir de todos os fatos geradores que constituem o objeto do auto de infração). 4) A acusação sobre o suposto adiantamento de valores, bem como o suposto acompanhamento de cadeia por parte da impugnante com justificativas da interdependência, nada mais são do que frutos de uma visão equivocada do modelo just in time, o qual se baseia na intensa e rápida interação entre os membros da cadeia produtiva e, em última hipótese, se fosse possível dizer que um ou mais agentes controlavam a cadeia de distribuição, sem dúvida tais agentes somente poderiam ser o fabricante ou o usuário final, pois são esses agentes que “empurram e puxam” a cadeia produtiva. 5) Os documentos constantes do Anexo II, além de nada provarem, não têm qualquer relação com o período autuado. Essas supostas provas se referem ao modelo de negócios e outras nem se referem à impugnante. Portanto, devem ser sumariamente desconsideradas. Muitas vezes não foram juntados documentos e escutas telefônicas na íntegra, configurando grave cerceamento do direito de defesa. Além das gravações telefônicas, dos documentos telemáticos e de informática, por diversas vezes, os documentos a que se refere a fiscalização, ainda que supostamente apreendidos em via física, sequer foram juntados, utilizandose a fiscalização, por diversas vezes, de documento em língua estrangeira sem a devida tradução juramentada, incorrendo em evidente vício processual. 6) No Anexo III constam as Declarações de Importação e, documentos das empresas importadoras que não têm qualquer relação de subordinação com a impugnante. 7) O Anexo IV trata das diligências realizadas nas empresas acusadas de fazerem parte do suposto esquema de interposição fraudulenta, não se referindo à impugnante. Quanto aos documentos que dizem respeito à impugnante, sua análise fortalece os argumentos Fl. 32975DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 8 apresentados na impugnação, pois demonstra que todos os pagamentos foram efetuados após a efetiva entrega das mercadorias, não havendo o que se falar em antecipação de recursos ou fraude na importação; 8) O anexo V, composto pelos extratos bancários da empresa, demonstram que não houve qualquer antecipação de recursos ou a suposta fraude na importação. 9) O Anexo VII contém meios de prova sem a devida transcrição integral e não foram anexadas ao CDROM todas as gravações telefônicas e demais documentos que não estão acostados aos autos em via física, configurando gravíssimo e cabal vício de nulidade ao presente lançamento. 10) Destacase a obrigatoriedade de o Fisco arbitrar o valor tributável do IPI e o valor das mercadorias para fins de apuração dos tributos na importação, ao constatar suposta inidoneidade dos documentos fiscais e a interposição fraudulenta nas operações de importação, fato previsto no art. 148 do CTN, aplicável sempre que o valor ou preço dos bens, direitos ou serviços sejam omitidos ou não mereçam fé das declarações ou os esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo, ou os documentos emitidos por este ou por terceiro legalmente obrigado. Por fim, reiterou e ratificou todos os tópicos levantados na impugnação apresentada anteriormente. Em junho de 2010, a empresa apresentou os documentos de fls. 3397 e 3562 que incluem perícia pretendendo demonstrar a inocorrência de antecipação de recursos aos fornecedores e análise do modelo de negócios adotado pela empresa. Em 13.1.2009, a empresa CISCO do Brasil apresentou impugnação ao Termo de Sujeição Passiva Solidária, protestando pela posterior juntada de elementos de prova. Em resumo, fez as seguintes declarações: 1) A CdB é uma subsidiária da Cisco Inc. (CSI) que desenvolve, basicamente, atividades de suporte de prévenda, serviços relativos à geração de demanda e fornecimento de partes para reposição em virtude de garantia. 2) O modelo de negócio padrão do grupo Cisco consiste basicamente em um sistema de vendas indiretas, segundo o qual os produtos de sua fabricação são distribuídos por terceiros não relacionados. 3) As vendas foram realizadas nos EUA de forma transparente e segundo as regras do “Incoterms”. O preço de venda dos produtos Cisco é determinado em total consistência com a política global de descontos do grupo (que geralmente concede abatimentos relevantes em torno de 30% a 60% dependendo dos níveis de certificação) e, em 2003, o nível de descontos praticado para todos os distribuidores na América Latina era da ordem de 40%, podendo ser maior em grandes transações, negócios estratégicos e distribuidores aptos à prestação de serviços de alto nível em seus territórios. 4) Os parceiros citados são empresas multinacionais, as quais ficam responsáveis pelo gerenciamento de estoque, pela logística internacional (inclusive ao que se refere a todos os trâmites aduaneiros) e pela revenda de produtos Cisco, não se tratando de “esquema” para redução da carga tributária, mas sim da prática negocial lícita e usual no setor tecnológico da informação (TI). Fl. 32976DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10803.000133/200850 Acórdão n.º 3401002.220 S3C4T1 Fl. 32.973 9 5) No modelo “onetier” os parceiros adquirem os produtos diretamente da CSI para revenda de seus usuários finais. Referidos integrantes do sistema são, em sua grande maioria, empresas de grande porte, como, por exemplo, IBM e Telefônica. Já o modelo “two tier” o distribuidor não relacionado localizado nos EUA adquire os produtos da CSI e exporta para os parceiros nãorelacionados no Brasil, os quais, por sua vez, revendem o produto localmente. Via de regra, os distribuidores nãorelacionados nos EUA são contratualmente proibidos de vender diretamente aos consumidores finais e normalmente possuem estoques de produtos. Em ambos os modelos, os parceiros efetuam as compras no exterior e são responsáveis pela importação e pelos procedimentos relativos ao desembaraço aduaneiro dos equipamentos no Brasil, bem como pela revenda para os consumidores finais e são os responsáveis por estabelecer os preços aplicáveis na revenda assim como quaisquer outros termos e condições – exceto em condições específicas previstas na política de descontos do grupo Cisco. Sendo assim, a impugnante não importa produtos para revenda, mas apenas para uso próprio (ativo fixo) ou partes e peças de reposição para fornecimento aos adquirentes dos produtos Cisco em virtude de garantia. 6) São atividades de suporte de prévenda: 6.1) Demonstração de produtos. 6.2) A apresentação de seminários técnicos e o treinamento para os engenheiros de seus parceiros. 6.3) A apresentação de seminários de vendas e treinamento para os executivos do departamento de vendas dos parceiros. 6.4) Visitas aos clientes juntamente com os parceiros. 6.5) Revisão de propostas técnicas. 6.6) Solicitação de descontos junto à CSI, dentro dos limites da referida política de descontos estabelecidos pelo grupo. 7) Constitui prática normal a busca de maiores descontos possíveis pelos parceiros da CSI e, de igual sorte, o envolvimento dos funcionários da impugnante nesse processo é igualmente regular e corriqueiro, constituindo, na verdade, uma das atividades previstas contratualmente, pela qual a impugnante é remunerada pela CSI, além dos serviços de suporte de marketing e vendas e assistência técnica e treinamento. 8) Nenhuma das provas colididas pela fiscalização demonstra qualquer fundamento para invocar a sujeição passiva solidária e tampouco qualquer conhecimento por esta quanto aos alegados fatos fraudulentos que teriam sido cometidos pela Mude. A maioria das provas colididas se refere à Mude e a terceiros, não à impugnante e tampouco se refere ao período autuado. 9) O procedimento criminal nº 2005.61.81.0092851 foi instaurado exclusivamente em desfavor das pessoas físicas investigadas, não havendo evidências de contraditório comprometendo as pessoas jurídicas envolvidas. Não foi concedida à impugnante, no processo criminal a oportunidade de examinar formalmente, em juízo, o conteúdo das gravações, alegar incoerências, requerer a verificação de sua autenticidade, entre outros, como ocorreria se parte ela fosse de tal procedimento. Com a transferência irregular das Fl. 32977DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 10 mencionadas “provas emprestadas”, de cuja produção a impugnante jamais tomou parte, restou violado o principio constitucional do processo legal com as suas inerentes e fundamentais garantias, quais sejam: o contraditório e a ampla defesa, o que representa claramente o cerceamento de defesa. As provas, evidências e indícios daí obtidos são necessariamente inválidos e não podem embasar uma medida de sanção contra a empresa. Desta forma, a prova emprestada na presente ação fiscal não pode embasar a solidariedade da impugnante, a quem se quer imputar uma gravíssima sanção sem que tenha contraditado devidamente a principal prova, que contra ela não foi produzida no âmbito criminal. 10) Mesmo que as provas coletadas fossem válidas, não demonstram qualquer responsabilidade da impugnante com relação às alegadas condutas ilícitas. 11) A fiscalização parece não haver atentado para o fato de que nem sempre provas atuais refletem com exatidão situações pretéritas, além de não demonstrarem qualquer conduta ilícita da impugnante ou da CSI. 12) As atividades comerciais realizadas pelo grupo Cisco consistiam na venda formalizada em contratos reais e perfeitamente idôneos e o relacionamento comercial com a Mude não prova que a CdB ou a CSI tenham se beneficiado de qualquer forma pela eventual prática das atividades fraudulentas imputadas a terceiros. 13) Na eventualidade de seu então administrador, Carlos Roberto Carnevali, haver participado, em alguma extensão das fraudes que a Mude e as demais empresas auditadas são acusadas, é importante mencionar que a impugnante nunca permitiu, tomou conhecimento ou chancelou tal prática. 14) Quanto à denuncia anônima, em 2004, a CSI iniciou investigação interna para apurar a veracidade de acusações feitas contra a empresa Mude e Carlos Roberto Carnevali, bem como sobre a alegada vinculação de ambos, razão pela qual formalizou “acordo de não revelação de informações” para que pudesse ter acesso aos atos constitutivos das empresas “offshore” sócias da empresa Mude e ver se a denúncia era procedente, não havendo por parte da CSI intuito de burlar as leis brasileiras, tampouco menosprezo por parte da empresa americana com relação às atividades da Receita Federal do Brasil. O que queria a CSI era detectar a suposta vinculação do então presidente da empresa do grupo do Brasil com o distribuidor da Mude. 15) O Código de Conduta interna da Cisco proíbe de forma expressa que seus funcionários em todos os níveis tenham interesses financeiros ou de qualquer outra ordem com empresas com as quais transaciona – ao qual voluntariamente se submetera o referido dirigente. 16) Nem que se diga que o resultado obtido pela CSI – o de que não existiam provas suficientes para embasar a denúncia anônima efetuada contra a Mude e Roberto Carnevali – autorizaria a fiscalização federal a concluir que a CSI teria conhecimento ou participação no alegado esquema fraudulento apontado na chamada “operação pernsona”, é de se questionar se a CSI teria meios para chegar a um resultado diverso daquele obtido na mencionada investigação. Além disso, o simples acesso a atos constitutivos nas “offshore” não permitiria que a CSI vislumbrasse o alegado esquema de interposição fraudulenta de empresas, a CSI não está sujeita às leis brasileiras e a acusação é carente de provas. 17) O Termo de Sujeição Passiva Solidária (TSPS) traz emails trocados entre funcionários da impugnante e da CSI no que diz respeito a desconto concedido em compras de produtos Cisco efetuada pelas empresas TAM e Telefônica, no qual é fornecido o preço total dos equipamentos que seriam comprados por essa última. Esses dois negócios são Fl. 32978DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10803.000133/200850 Acórdão n.º 3401002.220 S3C4T1 Fl. 32.974 11 anteriores ao período abrangido no TSPS e, portanto, imprestáveis para embasar as conclusões do Fisco. 18) Quanto ao exemplo da TAM, devese ressaltar que a fiscalização aparentemente confundiuse acerca de qual seria o cliente da CSI, o qual, neste caso, era a Fulfill, que solicitara à CSI um desconto maior. E, de acordo com o procedimento de aprovação de desconto então vigente, a concordância prévia da impugnante era necessária antes que a CSI o aceitasse. 19) No que diz respeito à Telefônica, esta., na condição de Provedora de Serviços, poderia comprar diretamente da CSI ou por via de um parceiro selecionado pela própria empresa. Uma das funções da impugnante no Brasil é justamente a revisão de propostas técnicas e a solicitação de descontos junto à CSI, dentro dos limites da referida política de descontos estabelecida pela empresa e, mesmo nessa ocasiões específicas previstas, são os parceiros responsáveis pela importação e pelos procedimentos relativos ao desembaraço aduaneiro dos equipamentos no Brasil, bem como pela revenda para os destinatários. 20) As operações realizadas pela Mude com a CSI efetivamente ocorreram dentro de um dos modelos de distribuição adotados pela Cisco, “twotier”, de acordo com o qual o distribuidor nãorelacionado localizado nos USA adquiriu os produtos CSI e os exportou para o Brasil, sendo então revendido o produto localmente em linha com a política de descontos da Cisco. Não é por outro motivo que, no documento relativo à aquisição de produtos pela empresa TAM, se lê que o autor daquela ordem de compra seria a Fulfill Holding Company, que à época era a empresa que adquiria os produtos Cisco nos USA para posterior exportação para o Brasil, que posteriormente foi substituída pela Mude USA. A Fulfill estava solicitando à CSI um desconto maior do que 62% na compra. 21) O mesmo pode ser encontrado na carta emitida pela impugnante à empresa Telefônica, na qual se lê claramente que “... o valor mencionado acima deverá ser pago pela Telefônica ao parceiro Cisco selecionado. O faturamento poderá ser feito diretamente pelo distribuidor autorizado Cisco para a Telefônica nos termos do contrato a ser celebrado com o parceiro Cisco selecionado”. Nos dois documentos seguintes (Págs. 13 a 16 do TSPS) vêse que os produtos Cisco vendidos seriam faturados contra a Mude USA, enviados pelo agente exportador LOGCIS e entregues diretamente ao seu comprador final, no caso as empresas de telefonia Brasil Telecom e Telefônica. O envolvimento da CSI ocorreria somente na venda para a Mude USA. 22) É inverídica a afirmação de que a participação da impugnante no esquema de importação fraudulenta seria comprovada pelo fato de que o representante da empresa na época, Pedro Ripper, menciona a separação (split) de software e hardware que estaria sendo efetuada pela Mude, já que as importações individualizadas estariam sendo realizadas por interpostas pessoas. A leitura cuidadosa da transcrição da escuta telefônica, contudo, traz que, do início ao fim, seus interlocutores mencionaram que o referido “split” seria efetuado pela Mude e, jamais, por outras empresas interpostas e não autoriza o fisco a concluir que a impugnante teria conhecimento dessas outras empresas. 23) No que tange à alegação específica acerca da separação do valor relativo a software e hardware, a política da Cisco sempre foi a de que o software embutido no hardware deve ser tratado como hardware, de modo que o preço cobrado pela CSI na venda de seus produtos inclui o valor do software. Além disso, considerando que nem a CSI exporta Fl. 32979DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 12 diretamente e nem a impugnante importa produtos para revenda, não lhe cabe decidir acerca do tratamento que será dado aos produtos importados para o Brasil e seus efeitos fiscais. 24) A empresa Mude não é o setor de importação da impugnante no país e todas as provas levantadas pela fiscalização comprovam tal fato, tendo em vista que a Mude não é uma empresa de fachada, bem como a impugnante não importa produtos da Cisco a não ser aqueles destinados a reparos e substituição em garantia. 25) A CSI ou a impugnante não tinha qualquer interesse jurídico ou titularidade econômica ou societária em qualquer das empresas alegadamente interpostas e nas operações de importação e revenda no Brasil. Todas as transações realizadas diretamente pela CSI ou pela impugnante foram e são regularizadas. 26) No período da autuação e enquanto perdurou a relação comercial da empresa Mude com a impugnante e sua controladora no exterior (CSI), a Mude sempre atuou de forma independente e,por sua conta e risco, sendo certo que também comercializava outros produtos fabricados por outras empresas e a CSI também vendia para duas outras empresas estabelecidas no Brasil (Igram Micro e Techdata), as quais seguem atuando nessa condição até hoje. 27) Cabia à Mude no Brasil proceder à importação dos produtos fabricados e vendidos pela CSI nos USA a preços de mercado, tal como o grupo Cisco procede em relação a centenas de outros adquirentes dos seus produtos. Cabia, ainda, à Mude proceder a distribuição desses produtos no Brasil, conforme o já citado modelo do grupo Cisco. 28) A concessão de linhas de crédito para os distribuidores é um dos itens do programa de recompensa criado pelo grupo Cisco para o desenvolvimento de suas vendas por intermédio dos chamados “parceiros”. Além da linha de crédito há, também, o acesso aos melhores produtos e serviços de cada linha, suporte técnico, ferramentas de produtividade, treinamento online, recursos de Marketing e promoções de venda, benefícios esses concedidos de acordo com o nível de certificação de cada parceiro. Portanto, a concessão de linhas de créditos constitui medida comum entre a CSI e seus parceiros, inclusive para determinadas categorias de distribuidores. Representa, de fato, uma vinculação comercial existente entre as empresas, mas jamais, o financiamento de supostas fraudes. 29) O interesse comum, previsto no art. 124 do CTN, pressupõe que duas ou mais partes sejam igualmente obrigadas ao pagamento de um determinado tributo, podendo o erário exigir a satisfação integral de seus créditos contra qualquer uma delas, sem que se obedeça a qualquer benefício de ordem, como se fossem apenas um devedor, tratandose portanto, da transferência da responsabilidade tributária a terceiros e exige que as partes tidas por solidárias estejam igualmente ligadas ao fato de que deu ensejo ao nascimento da relação jurídica, cujo resultado é o pagamento do tributo previsto em lei. Portanto, só há de se falar na solidariedade tributária prevista no dispositivo em questão quando os sujeitos passivos derem causa a uma única obrigação tributária decorrente da efetivação, por todos, de um só fato gerador, o que permite, consequentemente, que o erário os considere como um só devedor. 30) Tais elementos não podem ser encontrados no caso em tela, no qual a autoridade fiscal, calcada em conclusões equivocadas e distorcidas sobre o modelo negocial do grupo Cisco, procura trazer para dentro da relação jurídica tendente ao pagamento do IPI, a impugnante, que tal como expressamente reconhecido pelo próprio fisco, não importou, por Fl. 32980DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10803.000133/200850 Acórdão n.º 3401002.220 S3C4T1 Fl. 32.975 13 sua conta e ordem ou qualquer outro modelo de importação existente e, consequentemente, não deu saída às mercadorias de propriedade da Mude. 31) A base legal suscitada pela fiscalização para justificar a imposição da multa referente ao IPI não lançado em razão da existência de créditos desse tributo encontrase revogada desde 2007 pela Lei nº 11.488/2007 e, em respeito ao art. 106, II, a, do CTN (segundo o qual a lei tributária aplicase a fatos pretéritos quando deixe de definilo como infração) há que ser cancelada a cobrança da multa em questão. Constam no processo impugnações apresentadas pelas seguintes pessoas físicas: Fernando Machado Grecco, Marcelo Naoki Ikeda, Marcílio Palhares Lemos, Moacyr Álvaro de Sampaio, Hélio Benetti Pedreira, Gustavo Henrique Catellari Procópio, José Roberto Pernomian Rodrigues, Luiz Scarpelli Filho, Pedro Luis Alves Costa, Reinaldo de Paiva Grillo, Carlos Roberto Carnevali, Cid Guardia Filho e Ernani Bertino Maciel. Fernando Machado Grecco, Marcelo Naoki Ikeda, Marcílio Palhares Lemos, Moacyr Álvaro Sampaio, Hélio Benetti Pedreira, Gustavo Henrique Castellari Procópio e José Roberto Pernomian Rodrigues, representados pelo escritório Souza Schineider e Pugliese Advogados, apresentaram impugnações semelhantes quanto ao termo de sujeição passiva e à autuação, alegando, em síntese: 1) Cerceamento do Direito de Defesa decorrente da falta de obtenção de cópia dos documentos que instruem o Auto de Infração, o que torna impossível não só rebater as acusações, como também impede a correta contextualização destas acusações; 2) O Termo de Sujeição Passiva foi fundamentado por documentos obtidos para instruir ação criminal e jamais poderiam ter sido utilizados no processo administrativo fiscal, configurando assim, nulidade das provas; 3) As provas colhidas referemse aos anos de 2006 e 2007 e não ao ano de 2003, sendo assim há a ausência de relação entre as provas e os fatos que ensejam a responsabilidade solidária; 4) O Fisco, mesmo sem direcionar qualquer intimação aos impugnantes durante o procedimento fiscal, considerouos sujeitos passivos da obrigação tributária, exigindolhes o crédito constituído contra a MUDE. 5) Na hipótese de os sócios terem agido com infração à lei e ao estatuto, dando causa a situação que tenha gerado atos tributários cujas obrigações fiscais não tenham sido cumpridas, cabe a aplicação da responsabilidade pessoal ( e não solidária) prevista no art. 135 do CTN, o que implica outra forma e fundamento de lançamento. Para figurar como obrigado solidário com base no art 124, Inc. I, a pessoa teria de estar numa posição em que poderia ser considerada contribuinte, ainda que em relação a apenas uma parte da obrigação. A sujeição passiva solidária decorreria da impossibilidade de divisão, dado o interesse comum da parcela da obrigação a ser imputada a cada um ou mesmo da opção do legislador, no caso de interesse comum, de atribuir responsabilidade Fl. 32981DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 14 solidária, sem interferir na divisão entre os coobrigados da parcela de cada um. Não basta para ser apontado como responsável solidário, nos termos do art. 124, Inc. I, do CTN, que a pessoa concorra para a realização do fato gerador, que participe de ações que culminem com a ocorrência do fato gerador. É preciso que, mais do que participar do fato gerador, o realize, ao lado de outras pessoas, que envergue a condição pessoal ou realize as ações definidas como necessárias à ocorrência do fato gerador: obter a disponibilidade de renda, ter o domínio útil do imóvel, obter receita, etc; 6) O primeiro aspecto que macula o Termo de Sujeição Passiva Solidária é a falta de prova que pudesse comprovar a antecipação de recursos por parte das interessadas, já que não participaram da operação de compra e venda de mercadorias CISCO pela MUDE e, por isso, jamais poderiam ser responsabilizadas solidariamente pelo crédito tributário constituído. Também não podem ser equiparados a estabelecimento industrial, por não ser atacadista ou varejista, já que são pessoas físicas e, de forma alguma, poderiam ser contribuintes do IPI; 7) A multa exigida no auto de infração, no montante de 150% do valor do IPI apurado, não poderá ser imputada por solidariedade, pois a multa imputada possui caráter personalíssimo, não podendo ser cobrada dos responsáveis solidários. Neste sentido, somente o agente da infração poderá ser apenado com a cobrança de multa de ofício e o próprio art. 124, I, do CTN prevê que o instituto da solidariedade é restrito à cobrança de obrigação principal; 8) Quanto ao crédito tributário, levantaram os mesmos argumentos desenvolvidos pela empresa Mude em sua peça impugnatória. Por fim, protestaram pela possibilidade de juntar novos documentos e retirada de cópias do processo para que sejam analisadas adequadamente. Luiz Scarpelli Filho, representado pelo escritório Amato Filho Advogados, apresentou sua impugnação, alegando, primeiramente, a decadência preconizada no art. 150, §4º, do CTN para os fatos geradores no período de 10 de janeiro a 30 de novembro de 2003, já que ao impugnante não fora imputada conduta ilícita. No mérito, alegou em suma: 1) A falsa equiparação da MUDE à indústria, reportandose à impugnação da empresa que se encontra munida de documentos a demonstrar que as operações realizadas pela mude eram comerciais e de serviços; 2) Ausência de antecipação de recursos, reportando, também, à impugnação da MUDE; 3) Que não teve participação em qualquer esquema fraudulento, eis que suas atividades limitavamse às empresas a quem prestavam serviços à Mude, onde atuava na análise de procedimentos internos como a capacitação de profissionais para atuar com produtos de informática, automatização de processos, diminuição de custos, aumento da qualidade Fl. 32982DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10803.000133/200850 Acórdão n.º 3401002.220 S3C4T1 Fl. 32.976 15 perante os clientes e remuneração de funcionários e prestadores de serviços. Em 2003, teve pequena participação societária na MUDE, que lhe foi conferida a títulos de bônus a fim de viabilizar sua atuação de maneira mais próxima e implementar plano de crescimento, procedimento transparente e lícito. 4) A existência pura e simples de empresas offshare ou internacionais não pode servir, por si só, como presunção de ilegalidade ou atividade ilícita, como transparece o entendimento da fiscalização. 5) Quanto à sujeição passiva solidária, nem mesmo a ação penal sofrida incluiu o impugnante como parte do esquema fraudulento, deixandoo de fora da denúncia e que a responsabilidade fiscal dos sócios restringese à prática de atos que configurem abuso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatuto da sociedade; 6) Com relação às provas acostadas aos autos, argumentou que, por serem provas emprestadas, não são suficientes para provar o fato jurídico ou o ilícito tributário e que os apontamentos dos autos fazem referências a supostas transações havidas após o ano de 2003 ou desvirtuadas do contexto, além de não conterem datas, fato que as invalidam como prova de suposto excesso de poder; Pedro Luis Alves Costa, representado pelo escritório Camargo & Araújo Advogados Associados, apresentou sua impugnação quanto ao Auto de Infração e a imposição de multa, alegando em preliminar cerceamento de defesa, vez que cabia ao fisco notificar o interessado para que apresentasse esclarecimentos, documentos e demais informações que comprovassem ou, de outra forma, o absolvesse sumariamente da responsabilidade solidária a que está sujeito. No mais, alegou que: 1) As provas carreadas aos autos não fazem menção ao ano de 2003 e sim a 2006 e 2007, não havendo como admitilas sem qualquer vínculo temporal com o suposto ilícito tributário imputado a MUDE. 2) Quanto ao Termo de Sujeição Passiva Solidária, argumentou que o art. 124, Inc. I, do CTN não pode ser interpretado isoladamente, devendo ser analisado juntamente com o art. 135, Inc. III, do mesmo diploma legal e que se faz necessário que a pessoa física responsabilizada solidariamente tenha praticado atos de gerência e administração em relação à empresa fiscalizadora ou, que de qualquer modo, tenha refletido na atividade geradora do fato imponível. O “interesse comum”, a que se refere o art. 124, I, do CTN, não se resume em interesse econômico, devendo existir para que se configure a solidariedade passiva tributária o interesso jurídico na realização da situação que deu origem ao fato gerador do tributo. Fl. 32983DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 16 3) Toda a ação fiscal foi calcada em presunções, não havendo qualquer prova de que Pedro Luís Alves Costa tenha se beneficiado do suposto ilícito tributário, tenha contribuído na execução do mesmo ou tenha qualquer ligação com o fato gerador. 4) A responsabilidade por multa decorrente de infração tributária não pode ser repassada ao impugnante, já que o art. 124 do CTN faz referência somente à solidariedade em relação à obrigação principal gerada pelo fato imponível. Reinaldo de Paiva Grillo, representado por seu advogado Sr. Guilherme de Azevedo Camargo, apresentou impugnação alegando, em preliminar, decadência sobre todo o período autuado e cerceamento de defesa configurado pela falta de acesso aos autos, além de alegações totalmente insubsistentes e provas precárias. Sustentou que a imputação de coresponsabilidade é totalmente indevida, pois nunca participou do contrato social da empresa autuada, nem da respectiva administração ou negócios, limitandose apenas à prestação de serviços de logística, sendo nula sua inclusão no polo passivo da presente cobrança. Acrescentou que a inexistência de sua relação com os fatos imputados na autuação corroborase pela absoluta ausência de provas concretas de qualquer participação sua no fato danoso e as provas utilizadas ofendem os preceitos constitucionais dispostos no art. 5º da Constituição Federal. E que, no ano de 2003, a empresa What’s Up Business sequer existia, tendo sido aberta em 2005. Além disso, argumenta que a jurisprudência dominante tem entendido que a responsabilidade é subjetiva, devendo ser comprovada cabalmente a intenção do agente em suprimir tributos, omitir declarações e deixar de pagálos pontualmente. Carlos Roberto Carnevali, representado pelo escritório Martins Chamon e Franco Advogados, apresentou sua impugnação alegando que não existe qualquer prova que demonstre que o impugnante foi (ou é) sócio ou se beneficiou das supostas operações simuladas praticadas pela MUDE, tampouco que comprove qualquer participação na administração da autuada e que sua vinculação não passa daquelas pertinentes à sua função profissional como funcionário da empresa Cisco do Brasil Ltda. Defendeu haver evidente violação do princípio de ampla defesa e do contraditório na imposição de sujeição passiva, porque embora tenha sido notificado de sua inclusão no pólo passivos da autuação no dia 19.12.2008, somente lhe foi concedido o direito de vista dos autos em 9.1.2009, apenas 11 dias para o término do prazo de defesa. Também protestou pela violação do princípio da verdade material, alegando que a autoridade fiscal não procedeu a investigação minuciosa para verificar se efetivamente teria responsabilidade solidária sobre o valor exigido na autuação, baseandose em meras suposições e ilações de que teria interesse comum na importação supostamente fraudulenta. Teceu breve histórico de sua carreira profissional, argumentando que sempre teve conduta digna na condução das empresas que presidiu e que a imputação do art. 124, I, do CTN é incompatível com os fatos narrados, pois os sujeitos que possuem interesse comum na situação que constituía o fato gerador sempre se revestem na qualidade de contribuintes, assim Fl. 32984DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10803.000133/200850 Acórdão n.º 3401002.220 S3C4T1 Fl. 32.977 17 como os coproprietários e condôminos em relação aos tributos imobiliários e nem mesmo a inverídica alegação de sua condição de sócio poderia levar a autuação, ainda que de sócio se tratasse (o que não é verdade), pois a sua eventual responsabilidade repousaria em outra fundamentação jurídica, a do art. 135 do CTN. Argumentou que a fiscalização tentou embasar a acusação de que o impugnante teria vínculo com a empresa autuada por meio de interpretações distorcidas e equivocadas dos emails e conversas telefônicas mantidas com os executivos da MUDE, que na verdade demonstram apenas o interesse empresarial condizente com a função e cargo de presidente que ocupava no Brasil. Contudo, nenhum destes diálogos constituem indícios de que o impugnante exercia atos executórios ou de coordenação de gerenciamento dos negócios realizados pela Mude. A atribuição de responsabilidade solidária pela fiscalização decorre de meras deduções baseadas em: 1) Fatos circunstanciais; 2) Documentos que não constituem nexo causal para imputação da sujeição passiva solidária; 3) Emails que apenas demonstram a relação de amizade entre o executivo da Mude (Hélio Pedreira) e o impugnante, comprovada, até mesmo pela linguagem coloquial utilizadas pelos interlocutores ao se comunicarem. E acrescenta que, embora evidente a existência de um vínculo de amizade entre o impugnante e o Sr. Hélio, tal fato não pode ser utilizado como premissa ou indicio de que o impugnante atuava como sócio oculto da Mude. A fiscalização não conseguiu demonstrar o nexo da causalidade entre os supostos indícios apurados e o fato que se desejou demonstrar. Alegou que a União Digital somente passou a revender os produtos da Cisco no Brasil em razão da incorporação pela Cisco norteamericana da empresa Newport. A União Digital era a principal revendedora dos produtos na Newport no Brasil, tornandose parceira da Cisco por um fato aleatório e circunstancial, ou seja, não houve um planejamento arquitetado pelo impugnante e pelo Sr. Hélio para que a União Digital fosse constituída e se tornasse a principal revendedora dos produtos Cisco no país e antes mesmo da constituição da Cisco no Brasil, a União Digital já comercializava equipamentos de telecomunicações, distribuindo produtos da Newport. Acrescentou que a União Digital foi constituída em 1992, enquanto o impugnante somente ingressou na Cisco do Brasil em 1994. O impugnante era sócio da empresa Storm Ventures com sede nos USA e durante muito tempo realizou aporte de capital para investir em empreendedorismo de sua titularidade. Em razão do lucro que vinha sendo auferido pela empresa, O Sr. Hélio Pedreira se interessou em adquirir participações para tornarse sócio do empreendimento, mas jamais houve aporte de capital por parte do impugnante e na empresa JDTC. Citou também que não merece prosperar a interpretação da fiscalização quanto aos emails transcritos às págs. 13, 14 e 15 do termo de sujeição passiva, pois tratam de Fl. 32985DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 18 aspectos relativos ao investimento e administração da empresa TORNADO, que nada tem a ver com a Mude. Sustentou que estava afastado das operações diárias da Cisco do Brasil à época dos fatos, já que em 2002 assumiu a vicepresidência da Cisco na América Latina, função encarregada por desenvolver novos mercados e não mais teve qualquer relação com os denominados “canais” implementados pela Cisco Inc. e, a partir de 2007, afastouse quase que definitivamente da Cisco do Brasil, iniciando um novo ciclo em sua carreira profissional, prestando consultoria a diversas empresas, entre elas a Mude que, no caso, objetivava a possível venda da empresa ou a realização de abertura de capital. Alegou que o organograma utilizado como meio de prova pela fiscalização para imputar responsabilidade tributária ao impugnante decorre exatamente desta época em que estudava várias propostas para voltar ao mercado de trabalho, inclusive a de integrar o Conselho de Administração da Mude. Destacou, ainda, que no termo de verificação, no capítulo intitulado “PESSOAS QUE EFETIVAMENTE DIRIGEM A MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA.” não se mencionou a pessoa do impugnante, embora sejam citados todos os demais executivos do grupo. Por fim, esclareceu que deixa de manifestarse quanto ao mérito da autuação em si, por profundo desconhecimento de qualquer questão operacional das autuadas, protestando por provas por todos os meios de provas admitidos e pela posterior juntada de documentos que se fizerem necessários. Cid Gaurdia Filho e Ernani Bertino Maciel, representados pelo escritório Dias de Souza Advogados Associados, apresentaram impugnações similares quanto ao Termo de Sujeição Passiva Solidária, alegando sua nulidade na medida em que não atenderia aos preceitos constitucionais e legais necessários a atividade fiscal de lançamento e de constituição de crédito tributário. Em suma, sustentaram que todos os elementos fundamentadores da autuação foram obtidos exclusivamente no âmbito da investigação em curso nos autos do procedimento criminal nº 2005.61.009851, o que é vedado, já que a utilização de prova emprestada do processo criminal, destinadas exclusivamente a fins penais, não pode substituir os procedimentos de fiscalização que são próprios da administração, além de violar os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Afirmaram ser incabível a responsabilidade solidária, na medida em que o impugnante sequer em tese teria participado das operações no mercado interno, objeto da autuação originária, inexistindo o requisito do “interesse comum”, previsto no art. 124, I, do CTN e que os indícios colacionados pela fiscalização, a par de não serem dotados de clareza, precisão e concordância, não demonstram que o impugnante seria sócio das empresas importadoras. No que tange ao auto de infração, defenderam que este seria nulo, por ter também se baseado em provas emprestadas, destinadas exclusivamente a fins penais, sendo imprestáveis os indícios e presunções apontados pela fiscalização. Sustentaram que a importadora D’Luck Com. Imp. e Exportação Ltda. teve sua regularidade fiscal comprovada no bojo do procedimento fiscal previsto na IN nº 228/2002, sendo vedada a alteração do critério jurídico do lançamento, nos termos do art. 146 do CTN e os indícios correlacionados pela fiscalização não demonstram a ocorrência da importação por conta e ordem de terceiros. Fl. 32986DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10803.000133/200850 Acórdão n.º 3401002.220 S3C4T1 Fl. 32.978 19 Defenderam, ainda, que os valores relativos aos períodos anteriores a 18.12.2003 foram atingidos pela decadência. Em 16.11.2010, a 8ª Turma da DRJ/RPO julgou o conjunto de impugnações improcedente, tendo em vista a ementa que abaixo transcrevo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não configura cerceamento do direito de defesa quando o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontram plenamente assegurados. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE FISCALIZATÓRIA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa antes de iniciado o prazo para a impugnação do lançamento, haja vista que, no decurso da ação Fiscal, inexiste litígio ou contraditório, por força do artigo 14 do Decreto nº 70.235/1972. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE É lícito ao Fisco Federal valerse de informações colhidas por outras autoridades fiscais, administrativas ou judiciais para efeito de lançamento, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. Descabe a alegação de ilicitude na obtenção de prova ou de quebra de sigilo quando as informações e documentos que instruem processo criminal são compartilhados em processo administrativo fiscal por expressa autorização Judicial. PROVAS INDICIÁRIAS. A comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, em regra, por uma de duas vias: ou por uma prova única, direta, concludente por si só; ou por um conjunto de elementos/indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. Fl. 32987DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 20 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EXCLUSÃO DE PESSOAS. FALTA DE COMPETÊNCIA. Não compete às Delegacias da Receita Federal de Julgamento a apreciação da exclusão de pessoas arroladas como responsáveis solidárias pelos tributos exigidos do sujeito passivo. CONTRADITÓRIO. INÍCIO. Somente com a impugnação iniciase o litígio, quando devem ser observados os princípios da ampla defesa e do contraditório. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. IMPEDIMENTO DE APRECIAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O protesto pela juntada posterior de documentação não obsta a apreciação da impugnação e somente é possível em casos especificados na lei. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário: 2003 PRAZO DECADENCIAL. FRAUDE. Nos lançamentos por homologação, o prazo decadencial começa a fluir a partir do fato gerador. Porém, na hipótese de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação a contagem do referido prazo se inicia no primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador. EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. O estabelecimento importador de produtos de procedência estrangeira que dá saída a esses produtos equiparase a estabelecimento industrial, estando sujeito à obrigação principal, que consiste no pagamento do tributo, e às obrigações acessórias, consistentes, por exemplo, na emissão de nota fiscais com o lançamento do IPI e na escrituração de livros fiscais. SAÍDA DE PRODUTO TRIBUTADO DE ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. Ocorre o fato gerador do IPI na saída, a qualquer título, inclusive transferência, de produtos do estabelecimento que os tenha importado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003 Fl. 32988DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10803.000133/200850 Acórdão n.º 3401002.220 S3C4T1 Fl. 32.979 21 JUROS DE MORA. SELIC. A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Mantémse a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovada a sonegação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Cientificadas da decisão, as partes protocolaram Recurso Voluntário tempestivamente. A contribuinte MUDE alegou, em síntese, que: 1) A contribuinte apresentou a competente Impugnação, por meio da qual mesmo ser ter tido acesso aos autos, procurou demonstrar cabalmente, que não merece prosperar o lançamento tributário em discussão; 2) Após o processamento do feito, os autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto, a qual, furtandose do seu dever de analisar de forma isenta e imparcial as provas e argumentos aduzidos na defesa, em 9.12.2009, decidiu, por unanimidade de votos determinar a realização de diligência para mesmo reconhecendo a ofensa ao contraditório e à ampla defesa, gerado em função da não disponibilização do processo à recorrente, conceder prazo para que ela obtivesse acesso aos autos e, a partir de 30 dias da data da vista, apresentasse Impugnação Complementar. 3) Não obstante todas as provas e alegações em favor da contribuinte, a DRJ julgou o lançamento integralmente procedente com fundamento em justificativas absolutamente duvidosas, ilegais, arbitrárias e, portanto, não jurídicas. 4) A decisão da DRJ é nula, tendo em vista que não foram analisados diversos argumentos, tais como: (i) o fato das supostas provas e documentos apresentados dizerem respeito a períodos posteriores ao da ocorrência dos fatores geradores que foram objeto da autuação; (ii) a ausência de prova individualizada dos fatos geradores; (iii) a contabilidade como prova em favor da contribuinte; (iv) a obediência ao Fl. 32989DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 22 Ato Declaratório Interpretativo nº7/2; (v) o fato de as mercadorias terem sido submetidas a um procedimento regular de despacho aduaneiro e terem sido liberada; (vi) o vício no motivo e na publicidade do lançamento; (vii) os comentários quanto ao modelo de negócios da recorrente; (viii) os autos de infração novos, que tratam da importação de software e o auto de infração lavrado em face da BRASTEC. 5) A DRJ deixou também de analisar todas as impugnações apresentadas por aqueles envolvidos no presente processo como responsáveis solidários, sob o fundamento de que essa discussão deve ser tratada na esfera judicial. Esse entendimento, todavia, está evidentemente equivocado, já que a Constituição Federal, em seu art. 5º, Inc. LV, garante aos litigantes em processo judicial ou administrativo o direito ao contraditório e à ampla defesa. 6) Deve essa Turma Julgadora determinar o retorno dos autos à instância de origem para a prolação de decisão válida, o que se dará pelo necessário enfrentamento de todos os argumentos apresentados pela Recorrente na Impugnação, na Impugnação Complementar e nas demais petições apresentadas. Isso, evidentemente, apenas na hipótese de o mérito não puder ser decidido em seu favor (conforme art. 59, §3º do Decreto 70.253/72). 7) Tanto a lavratura da autuação da maneira como foi praticada, bem como a manutenção da autuação, com base nos poucos críveis e tendenciosos argumentos apresentados pelos julgadores na DRJ, também podem, em tese, tipificar hipótese de prática criminosa do excesso de exação, previsto no parágrafo primeiro do art. 316 do Código Penal, uma vez que trata de exigência de tributo pelo qual é sabido ser indevido e feito por meio vexatório e gravoso, não autorizado por lei. 8) Não pode prosperar a alegação tendenciosa da DRJ de que a recorrente desenvolveu alegações genéricas sobre os documentos dos autos. Com efeito, quando se analisa a Impugnação Complementar de forma imparcial em obediência ao princípio constitucional da moralidade dos atos administrativos, verificase que a recorrente rebateu, um a um, todos os elementos utilizados para acusála das mais fantásticas fraudes. Para tanto, basta analisar a planilha constante das páginas 31 a 42 dos autos, pela qual os documentos e argumentos anexados ao processo foram minuciosamente contestados. 9) Nenhum dos responsáveis solidários do processo sequer foi intimado para se manifestar sobre a diligência. Esse fato, por si só, também caracteriza Fl. 32990DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10803.000133/200850 Acórdão n.º 3401002.220 S3C4T1 Fl. 32.980 23 novo cerceamento de defesa, impondo a decretação da nulidade da decisão ora recorrida. 10) Quanto às provas emprestadas em processo na esfera judicial, a utilização desses elementos em processo administrativo deveria passar por um juízo de validade a ser realizado pela Administração, que obrigatoriamente deveria estar vinculado ao deveres que constam no art. 37 da Constituição Federal, sobretudo o princípio da legalidade, ou seja, deveria a fiscalização ter observado o art. 5º, Inc. XII, da Carta Magna e, o art. 10 da Lei nº 9.296/96. Sendo assim, não pode prevalecer a exigência lavrada com base em elementos não apenas emprestados, mas com finalidade diversa, devendo, portanto, ser cancelada a exigência combatida. 11) Merece destaque a afirmação da DRJ de que matéria de jornal constitui prova de participação de pessoa em esquema fraudulento. Ora, o Administrador Público ser induzido por notícia de jornal e ainda utilizála como suposta prova em processo em que existem acusações tão graves contra os sujeitos passivos é fato que não pode passar despercebido por esse Conselho e pelas Autoridades fiscalizadoras das atividades funcionais dos Auditores Fiscais. 12) No que se refere à falta de transcrição na íntegra das escutas telefônicas e dos arquivos telemáticos, aduziuse simplesmente que “não criam qualquer dificuldade para a defesa, não viciando o lançamento”. Assim, é possível verificar, novamente, a ocorrência de total cerceamento ao direito de defesa pelo total descaso da DRJ em analisar o mérito do argumento. Conforme demonstrado na Impugnação Complementar, o prejuízo causado à Recorrente ainda decorre da total manipulação desse meio de prova, que é utilizado apenas com resumos, imputações e impressões dos próprios Auditores Fiscais, sem que seja concedida à Recorrente chance de analisar a íntegra das escutas e mensagens telemáticas utilizadas para lhe acusar. 13) No presente caso, o núcleo da motivação do Auto de Infração é a suposta antecipação de recursos aos importadores por parte da recorrente. No entanto, mesmo após analisar toda a documentação juntada aos autos, a contribuinte está segura de que não se identifica sequer um único documento capaz de provar a alegada antecipação de recursos. A recorrente desafia qualquer autoridade fiscal a demonstrar isto, requerendo, desde já, que este Conselho solicite toda e qualquer diligência que entender necessária para tanto. Fl. 32991DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 24 14) Na decisão recorrida, fica claro que a DRJ não poupa esforços para condenar a recorrente de forma préconcebida, criando fatos que não ocorreram e laborando em grave ofensa aos princípios basilares da administração pública. No entanto, não pode apagar a verdade dos autos: o processo foi, efetivamente, baixado em diligência e isso ocorreu com o intuito de salvar nulidade existente no lançamento – a ausência de publicidade acerca do motivo do Ato Administrativo. 15) Há o reconhecimento explicito de que a DRJ se desincumbiu de fundar suas decisões em provas reais e bastantes de que houve simulação, preferindo utilizarse tão somente de presunção legal para se chegar à conclusão pela interposição fraudulenta, diferentemente do que teria feito a fiscalização, que levianamente afirmava ter provado este fato, posteriormente desmentido pelo exaustivo trabalho contratado pela recorrente e apresentado junto com a impugnação; 16) Nenhuma justificativa de ordem técnica, econômica ou jurídica que tenha sido apresentada pela Recorrente será digna de crédito, já que toda e qualquer explanação acerca das particularidades do modelo de negócios adotado em relação aos produtos CISCO será, no entender da DRJ, mera descrição de artifícios que ocultam a verdadeira aparência da operação, que é, em essência e imune a provas em contrário, totalmente ilícita e simulada, pois este fora seu convencimento, ainda que tal convencimento não esteja suportado em nenhum fato que venha a demonstrar a existência ou a prática da suposta antecipação de recursos. 17) As acusações sobre o suposto adiantamento de valores, bem como o acompanhamento da cadeia por parte da recorrente, como justificativas de interdependência, nada mais são que frutos de uma visão equivocada do modelo Just in Time, o qual se funda na intensa e rápida interação entre os membros da cadeia produtiva. Em última hipótese, se fosse possível dizer que um ou mais agentes controlavam a cadeia de distribuição, sem dúvida eles só poderiam ser o fabricante ou o usuário final, pois são esses agentes que “empurram” (fabricante) e “puxam” (usuário final) a cadeia produtiva/distributiva. Todos os demais elos da cadeia de distribuição trabalham impulsionados, estimulados ou pressionados por esses dois pontos. 18) Quanto à alegação de que o Sr. Devair Santos emprestou o nome parAfazer parte da empresa D’LUCK a pedido de seu irmão, a recorrente não tem relação alguma com tal pessoa e não possui meios nem a obrigação de investigar a composição societária de importadoras que estão regulares no CNPJ, SISCOMEX e Junta Comercial, sendo que os senhores Cid Guardia Filho (“Kiko”) e Ernani Bertino Maciel sempre foram as pessoas que representavam tais empresas nas tratativas Fl. 32992DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10803.000133/200850 Acórdão n.º 3401002.220 S3C4T1 Fl. 32.981 25 comerciais com a Recorrente. O mesmo argumento vale para a constatação nº 5 da decisão: a falta de registros de funcionários pela D’LUCK, se verdadeira, é um ilícito que apenas diz respeito àquela empresa e não pode ser atribuído à Recorrente. 19) No que se refere à declaração do Sr. Devani dos Santos que se diz sócio fundador da empresa D’LUCK de que os recursos referentes a frete, seguros e tributos aduaneiros eram adiantados pelos clientes, ou seja, MUDE, as constatações da decisão da DRJ colidem fortemente com tal declaração e, ainda, colidem com a acusação de que eram os Srs. Ernani e Kiko os reais gerentes dessa empresa, não a recorrente. E mais, os documentos e provas que suportaram o Laudo Pericial apresentado demonstram de modo irrefutável, não ser verídica essa afirmação. 20) No que tange à afirmação da Sra. Daniela Wink Ruiz de que os pedidos de produtos CISCO importados pela D’LUCK eram feitos diretamente pela MUDE, de fato, era função da recorrente efetivar e controlar pedidos junto à fabricante, mas esses pedidos eram feitos pelos clientes da MUDE e da CISCO e apenas repassados pela MUDE para dois destinatários específicos: o site de comércio eletrônico da CISCO e os distribuidores locais. Como demonstrado à saciedade na Impugnação, tais pedidos consistiam no preenchimento de um formulário eletrônico no sistema da CISCO, que precisava ser feito por profissional técnico dada a complexidade das informações que precisavam ser apresentadas e a necessidade de profundo conhecimento de engenharia para que não houvesse equívocos nas solicitações, o que poderia atrasar ou inviabilizar todo um projeto desenvolvido pelos integradores. Daí o fato de esta função ser mesmo exercida pela recorrente. 21) Quanto às planilhas de câmbio supostamente encontradas no computador pessoal do diretor financeiro da MUDE, Sr. Marcílio Lemos, de fato, a recorrente acompanhava de perto a logística as operações de importação e quaisquer deslocamentos dos produtos, atividade indispensável para medir a eficiência da cadeia e que jamais pode ser entendida como ingerência na atividade das importadoras. É possível que esse acompanhamento fosse mesmo feito pelo Sr. Marcílio, na qualidade de gerente financeiro da Recorrente, mas isto não significa qualquer forma de inerência e não representa prova de qualquer antecipação de recursos aos importadores. Além disso, acompanhamento semelhante era feito por vários elos da cadeia de comércio, incluindo a CISCO, os integradores, os revendedores e, a depender do porte do destinatário, o próprio usuário final. Fl. 32993DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 26 22) No que se refere à alegação da CISCO, em sua impugnação, de que cabia à MUDE proceder à importação dos produtos CISCO e que também lhe cabia distribuílos no Brasil, conforme o modelo de negócios do grupo CISCO, não era a MUDE quem importava e isso está provado documentalmente, ao contrário do que se tem acusado. 23) Em obediência ao princípio da nãocumulatividade do IPI, o imposto “será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores”. Ocorre que, no presente caso, a fiscalização, para exigência do tributo que entende devido, equiparou a recorrente a estabelecimento comercial e exigiulhe o IPI sobre o valor total das mercadorias vendidas, considerando como crédito apenas as entradas a título de devolução. 24) Há vícios no lançamento por ausência de procedimento prévio, regulado pela IN SRF nº 228/02. 25) Os créditos fiscais lançados foram atingidos pela decadência, tanto de acordo com o disposto no art. 150 do CTN, quanto seguindose a redação dada pelo art. 173 do mesmo código. 26) A matriz legal da multa agravada ora imputada foi revogada pelo art. 40 da Lei nº 11.488/07, de modo que não poderá prevalecer qualquer cobrança com fundamento legal em dispositivo revogado expressamente. Ainda que pudesse prevalecer qualquer argumentação no sentido de que as operações da MUDE eram simuladas e que essa suposta simulação teve como objetivo deliberado de fraudar o fisco, não se pode exigir da contribuinte a multa agravada de 150%, por absoluta ilegalidade desse procedimento. 27) Conforme demonstrado na Impugnação, alguns NCM utilizados pela fiscalização não existem, o que não permitem à Recorrente a adequada verificação quanto a correção dos cálculos utilizados. 28) Na remota hipótese de prevalecer a cobrança da multa de ofício, o que se admite apenas a título argumentativo, não poderá incidir sobre ela os juros de mora calculados pela Administração Tributária, já que é ilegal sua cobrança, por ausência de previsão legal. Fl. 32994DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10803.000133/200850 Acórdão n.º 3401002.220 S3C4T1 Fl. 32.982 27 29) Considerandose a natureza remuneratória da Taxa Selic, não há que se admitir a sua utilização no presente caso com a natureza de juros de mora. 30) Por fim, a contribuinte requer a reforma integral da decisão proferida pela DRJ/RPO, julgando procedente o presente Recurso Voluntário e, consequentemente, cancelando in totum o Auto de Infração correlatado, bem como determinando o seu arquivamento em definitivo. Em 4.3.2011, a contribuinte Cisco do Brasil Ltda. protocolou Recurso Voluntário, reiterando os argumentos apresentados nas Impugnações anteriormente protocoladas. Acrescentou ainda: 1) Cabia à MUDE no Brasil proceder a importação para o país dos produtos fabricados e vendidos pela CSI nos EUA a preços de mercado, tal como o grupo Cisco procede em relação a centenas de outros adquirentes de seus produtos. Cabia ainda à MUDE proceder a distribuição desses produtos no Brasil, conforme o modelo de negócios do grupo Cisco. 2) De acordo com o art. 27 da Lei nº 10.637/2002, “a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste” e de acordo com o art. 79 da MP nº 2.158/2001 “equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora”, o que denota que a ora Recorrente – CdB – haveria de ter adiantado recursos para a aquisição de mercadorias importadas, que, de acordo com o reconhecido pela própria fiscalização, jamais ocorreu. 3) A Recorrente esperava que seus argumentos contra o TSPS fossem devidamente analisados pelas autoridades julgadoras de primeira instância, em observância aos princípios constitucionais de ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. Como se verifica no acórdão proferido, as autoridades julgadoras da DRJ/RPO consideramse incompetentes para analisar a questão da sujeição passiva solidária e Fl. 32995DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 28 simplesmente não manifestaram qualquer juízo sobre as razões de defesa da recorrente, deferindo tal decisão, no futuro, à douta Procuradoria da Fazenda Nacional. A recorrente, no entanto, não pode concordar com a conclusão da DRJ. Isso porque, não se trata de mera indicação de sujeito passivo solidário, mas de efetivo ato formal de lançamento formalizado contra a recorrente, com fundamentos próprios e independentes do auto de infração principal, cuja análise não pode ser simplesmente afastada pelos órgãos julgadores administrativos. Sendo assim, a contribuinte requer que seja reconhecida a nulidade da decisão proferida, em vista da inobservância dos princípios de ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. 4) Com a transferência irregular de provas emprestadas, de cuja produção a recorrente jamais tomou parte, restou violado o princípio do contraditório e a ampla defesa, o que representa claro cerceamento de defesa. As provas, evidências e indícios daí obtidos serão necessariamente inválidos e não podem embasar uma medida de sanção contra a empresa. 5) Em momento algum foi apontado benefício auferido pela Recorrente ou sua controladora além de uma vago e impreciso aumento de vendas, cujas causas, no entanto, ficam longe de se relacionar a práticas ilícitas. 6) A solidariedade veiculada pelo art. 124, inciso I, do CTN não trata da transferência de responsabilidade tributária a terceiros. Exige, ao contrário, que as partes tidas como solidárias estejam igualmente ligadas ao fato que deu ensejo ao nascimento da relação jurídica cujo resultado é o pagamento do tributo previsto em lei. 7) A Cisco não é declarada pela fiscalização como a real importadora das mercadorias em pauta. Sendo assim, não haveria como aplicar a solidariedade passiva prevista no art. 124, I, do CTN para fim de exigir da recorrente o pagamento do IPI como se essa fosse contribuinte desse imposto incidente na importação de mercadorias declaradamente efetuada por terceiros. Por fim, a CISCO do Brasil requer que seja reconhecida a nulidade da decisão proferida , tendo em vista à omissão da DRJ no que tange à análise da questão da sujeição passiva solidária ou o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária, como conseqüente exclusão de seu nome do rol dos devedores solidários ao pagamento de IPI lançado contra a empresa Mude Comércio e Serviço Ltda. Finalmente, protocolaram Recurso Voluntário as pessoas físicas: Fernando Machado Grecco, Marcelo Naoki Ikeda, Marcílio Palhares Lemos, Moacyr Álvaro Sampaio, Hélio Benetti Pedreira, Gustavo Henrique Castellari Procópio, José Roberto Pernomian Fl. 32996DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10803.000133/200850 Acórdão n.º 3401002.220 S3C4T1 Fl. 32.983 29 Rodrigues, Luiz Scarpelli Filho, Pedro Luiz Alves Costa, Reinaldo de Paiva Grillo, Carlos Roberto Carnevalli, Cid Guardia Filho e Ernani Bertino Maciel. Em suma, os sujeitos passivos solidários reiteram os argumentos apresentados nas Impugnações anteriores e acrescentam que o fato de a DRJ não se pronunciar acerca de suas manifestações representa claramente cerceamento de defesa das pessoas físicas envolvidas. Os recorrentes demandam o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária, excluindo as contribuintes do pólo passivo do caso em tela ou ainda que os argumentos de improcedência dos créditos tributários desenvolvidos pela MUDE sejam acolhidos e que se cancele o Auto de Infração e, consequentemente, os Termos de Sujeição Passiva Solidária. É o Relatório. Voto Conselheiro Relator Em suma, o presente processo trata de auto de infração lavrado para cobrança de IPI, por alegada falta de recolhimento na modalidade qualificada, por saídas de produtos eletrônicos e de telecomunicações do estabelecimento equiparado a industrial, relativo aos períodos de 10.1.03 a 31.12.03, tendo como sujeito passivo a MUDE COMÉRCIO E SERVIÇO LTDA. além dos seguintes sujeitos passivos solidários: a CISCO DO BRASIL LTDA.; FERNANDO MACHADO GRECCO; MARCELO NAOKI IKEDA; MARCILIO PALHARES LEMOS; MOACYR ALVARO SAMPAIO; HELIO BENETTI PEDREIRA; GUSTAVO HENRIQUE CASTELLARI PROCÓPIO; JOSÉ ROBERTO PERNOMIAN RODRIGUES; LUIZ SCARPELLI FILHO; PEDRO LUIS ALVES COSTA; REINALDO DE PAIVA GRILLO; CARLOS ROBERTO CARNEVALI; CID GUARDIA FILHO e ERNANI BERTINO MACIEL. Com base no art. 59 do Regimento Interno do CARF, passo a julgar a preliminar de nulidade suscitada em relação ao ponto SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. O acórdão recorrido de nº 1431.550 evidencia que a Oitava Turma da DRJ/RPO, furtandose ao seu dever de emitir sua opinião, optou por não enfrentar a discussão, fazendo constar em sua decisão a assertiva de que "caberá à Procuradoria da Fazenda Nacional, órgão incumbido da inscrição da dívida ativa, a análise das circunstâncias relatadas pela fiscalização, bem como da legislação apontada e, entendendo que aqueles senhores realmente se encontram na condição prevista no CTN, fazer constar seus nomes como responsáveis. Em hipótese contrária, proceder de forma diversa." Fl. 32997DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 30 Tal decisão é totalmente contrária à jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), desde 2007, quando este Conselho ainda se denominava Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Como exemplo da referida jurisprudência do CARF, cito: NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Apresenta vicio de nulidade o julgado proferido em preterição ao direito de defesa, caracterizado a partir da omissão na análise da responsabilidade solidária. Inteligência do art. 59, inciso II, fine do Decreto n° 70235/72. Recurso provido. (Acórdão 10516.302, relator Daniel Sahagoff, em 28/02/2007); ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Exercício: 2001 Ementa: NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Apresenta vício de nulidade o julgado proferido em preterição ao direito de defesa, caracterizado a partir da ausência de análise dos argumentos do sujeito passivo acerca da responsabilidade solidária. Inteligência do art. 59, inciso II, in fine, do Decreto n° 70.235/72. (Acórdão 10517.039, relator Waldir Veiga Rocha, em 29/05/2008); ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004 Ementa. NULIDADE. Nula a decisãode1ª instância que não analisa ao argumentos dos sujeitos passivos solidários que, intimados, apresentam impugnação tempestiva. (Acórdão 130200.329, relator Marcos Rodrigues de Mello, em 04/08/2010); e Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004, 2005 NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTANCIA, AUSÊNCIA DE JULGAMENTO DA RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA. Apresenta vicio de nulidade o julgado proferido sem análise da sujeição passiva por substituição do responsável tributário identificado pela autoridade fiscal no ato de constituição do crédito tributário, dos argumentos atinentes sua imputação de responsabilidade. (Acórdão 110200.371, relator Frederico de Moura Theophilo, em 26/01/2011). Fl. 32998DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10803.000133/200850 Acórdão n.º 3401002.220 S3C4T1 Fl. 32.984 31 É importante destacar o disposto no art. 121 do CTN, o qual abaixo reproduzo, que elege o contribuinte e os responsáveis como sujeitos passivos da obrigação tributária: “Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei”. Também devemos atentar sobre o quanto disposto no art. 142 do mesmo diploma legal, a seguir transcrito, que é condição imprescindível fazerse a identificação do(s) sujeito(s) passivo(s). “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. Em obediência ao disposto no art. 48 da Lei 9784/99 que abaixo reproduzo, os julgadores da Oitava Turma da DRJ/RPO tinham que ter enfrentado todas as questões trazidas pelos recorrentes, inclusive pelos sujeitos passivos solidários: “Art. 48. A Administração tem o dever de explicitamente emitir decisão nos processos administrativos e sobre solicitações ou reclamações, em matéria de sua competência”. A seguir, transcrevo ensinamentos a respeito que contribuíram para que eu formasse minha convicção: "... que a Administração está obrigada a emitir decisões nos processos, bem como responder às solicitações ou reclamações em matéria de sua competência. (...). A ideia que a lei transmite com esse termo é a de que o dever de decidir e de responder tem de ser exercido formalmente, cabendo ao agente competente Fl. 32999DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 32 pronunciarse expressamente dentro do processo administrativo ou para responder ao que foi solicitado ou ao que foi objeto da reclamação. A formalização da atividade administrativa estampa, na espécie, a comprovação de que lei foi respeitada pela autoridade competente." ('in' Processo Administrativo Federal Comentários à Lei nº 9.784, de 29/1/1999, FILHO, José dos Santos Carvalho Editora Lumen Juris RJ, 2001, p. 217 destaques no original)” Os referidos julgadores administrativos, ao não enfrentarem as alegações trazidas pelas recorrentes,procederam evidente transgressão ao princípio constitucional da ampla defesa e do contraditório (artigo 5º, LV, Constituição Federal de 1988) e, consequentemente, ao artigo 2º, caput, da já citada Lei 9.784/99, abaixo reproduzidos: Art. 5º CF/88 “Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (Copiar Art. 2º da Lei 9784/89) [...] LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes” Art. 2º Lei 9784/99 “Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência”. Vale lembrar que, em tese, até poderíamos enfrentar ao mérito com base no § 3º do art. 59 do Decreto 70.235/72 (PAF), afastando, consequentemente preliminar de nulidade, mas esta decisão, no presente caso, não me parece ser a mais prudente quer para a segurança jurídica das partes, quer para este Colegiado. Neste sentido, lembro os seguintes ensinamentos: a) Quanto ao afastamento da nulidade “Esta providência todavia, deve ser cercada dos cuidados necessários, porquanto a decisão de mérito dos Conselhos de Contribuintes ainda é passível de revisão pela instância especial. Existem julgados na Câmara Superior de Recursos Fiscais em que a questão de mérito foi reformada em razão da apreciação de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, mas a decisão recorrida não tinha apreciado as preliminares alegadas na impugnação em razão de ter decidido, diretamente, o mérito em favor do contribuinte. Fl. 33000DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10803.000133/200850 Acórdão n.º 3401002.220 S3C4T1 Fl. 32.985 33 Cabe lembrar que, no caso de recurso especial, a Câmara Superior de Recursos Fiscais tem a sua apreciação limitada pelo efeito devolutivo restrito do recurso. Surge, então, a dúvida se seria admitido à instância especial conhecer da nulidade alegada na instância 'a quo' e não apreciada por força do artigo 59, § 3º, mesmo que esta matéria não fosse abrangida pelo efeito devolutivo do recurso especial. Parecenos que sim. Não há como permitir o trânsito em julgado da decisão de mérito desfavorável ao sujeito passivo, se há uma nulidade ainda não apreciada no processo e que poderia levar à inscrição em dívida ativa de crédito tributário constituído de forma ilegal. A apreciação pela Câmara Superior de Recursos Fiscais da referida preliminar decorre do exercício do controle da legalidade do ato administrativo. ('in' Processo administrativo fiscal federal comentado: (decreto nº 70.235/72 e lei nº 9.784/99), NEDER, Marcos Vinicius e LÓPEZ, Maria Teresa Martínez, Editora Dialética SP, pp. 483/484)” b) Quanto à segurança jurídica “O cidadão deve ter condições de poder prever as possíveis intervenções do Estado sobre as pessoas, para poder se preparar convenientemente. Deve, ainda, confiar que seu comportamento, de acordo com o direito vigente, seguirá sendo reconhecido pelo ordenamento jurídico com todos os efeitos jurídicos existentes quando da ocorrência do fato considerado juridicamente relevante. Para o cidadão, segurança jurídica significa, primeiro e fundamentalmente, a proteção de sua confiança. Assim, o agravamento inesperado da situação jurídica de um contribuinte pressupõe a violação do Princípio da Segurança Jurídica. ('in' Jurisdição Constitucional Tributária: Reflexos nos Processos Administrativo e Judicial / Rafael Pandolfo. São Paulo : Noeses, 2012, p. 90)” Assim, enfrento a preliminar, dando provimento aos recursos interpostos, votando, assim, por ANULAR a decisão da DRJ, a fim de que esta aprecie a legitimidade ou não de constarem no polo passivo como sujeitos passivos solidários: CISCO DO BRASIL LTDA.; FERNANDO MACHADO GRECCO; MARCELO NAOKI IKEDA; MARCILIO PALHARES LEMOS; MOACYR ALVARO SAMPAIO; HELIO BENETTI PEDREIRA; GUSTAVO HENRIQUE CASTELLARI PROCÓPIO; JOSÉ ROBERTO PERNOMIAN RODRIGUES; LUIZ SCARPELLI FILHO; PEDRO LUIS ALVES COSTA; REINALDO DE PAIVA GRILLO; CARLOS ROBERTO CARNEVALI; CID GUARDIA FILHO e ERNANI BERTINO MACIEL. Da decisão então proferida devem ser cientificadas todas as pessoas relacionadas na autuação como sujeitos passivos solidários: CISCO DO BRASIL LTDA.; FERNANDO MACHADO GRECCO; MARCELO NAOKI IKEDA; MARCILIO PALHARES LEMOS; MOACYR ALVARO SAMPAIO; HELIO BENETTI PEDREIRA; GUSTAVO HENRIQUE CASTELLARI PROCÓPIO; JOSÉ ROBERTO PERNOMIAN RODRIGUES; LUIZ SCARPELLI FILHO; PEDRO LUIS ALVES COSTA; REINALDO DE Fl. 33001DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 34 PAIVA GRILLO; CARLOS ROBERTO CARNEVALI; CID GUARDIA FILHO e ERNANI BERTINO MACIEL. É como voto. Relator Relator Fl. 33002DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
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Numero do processo: 10880.979199/2009-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3302-000.219
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 30DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10880.979199/200932 Resolução n.º 330200.219 S3C3T2 Fl. 25 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário (fls. 17 a 18) apresentado em 04 de janero de 2011 contra o Acórdão no 1627.532, de 3 de novembro de 2010, da 5ª Turma da DRJ/SP1 (fls. 12 a 15), cientificado em 07 de dezembro de 2010, que, relativamente a declaração de compensação de Cofins do período de março de 2001, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 12/04/2001 DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente A declaração de compensação foi transmitida em 17 de novembro de 2005 e inicialmente apreciada pelo despacho eletrônico decisório de fl. 3, segundo o qual não haveria saldo de crédito em relação ao Darf compensado. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 01 e 02) relativa ao pagamento indevido ou maior de COFINS– cód. 2172, no montante de R$ 74,07, ocorrido em 12/04/2001, com débito próprio de COFINS – cód. 2172. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 17/11/2005, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório de fl. 03, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada por inexistência do crédito. Segundo o Despacho Decisório o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Inconformado, o contribuinte por meio de seu representante legal, impugnou o despacho decisório manifestando a sua inconformidade às fls. 07, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas A requerente tem como objeto social o transporte rodoviário de cargas e na execução desses serviços seus veículos estão sujeitos ao pagamento de pedágio nas diversas estradas brasileiras. Por força do artigo 2º da Lei nº 10.209/2001, o valor do vale pedágio não é considerado receita operacional ou rendimento tributável da empresa não constituindo base de incidência de contribuições social ou previdenciárias. Fl. 31DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10880.979199/200932 Resolução n.º 330200.219 S3C3T2 Fl. 26 3 Portanto os valores recebidos a título de pedágio pela Requerente, obrigatoriamente destacados no campo especifico do conhecimento de transporte rodoviário, conforme prevê o § único do mesmo artigo 2º da Lei nº 10.209/2001, não deveriam ter composto a base de cálculo do PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Ocorre que por desconhecimento até então pela Requerente desse fato, os valores relativos ao pedágio vinham sendo considerados como receita da empresa e, conseqüentemente, incluídos na base de calculo de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Tendo tomado conhecimento da não incidência dos impostos federais sobre os valores recebidos a título de pedágio, a Requerente efetuou levantamento dos valores pagos a maior relativos ao prazo prescricional, e efetuou pedido de restituição conforme PER/DCOMP nº 00914.78893.141105.1.2.048361, relativo ao período de apuração mar/2001. Nesse período, conforme poderá ser constatado pela planilha anexa, foram destacados nos conhecimentos de transporte o valor correspondente a R$ 2.468,90, relativo ao pedágio, valor esse que não deveria ter integrado a base de cálculo do imposto. Sendo feita a verificação poderá ser constatado que o percentual do imposto aplicado sobre a diferença acima informada corresponde exatamente ao crédito pleiteado e compensado pela Requerente. A DRJ considerou não ter havido prova do indébito. No recurso, a Interessada repetiu as alegações da manifestação de inconformidade e acrescentou que “A confirmação de que os valores relativos ao pedágio constavam do referidos conhecimentos de transporte e por consequência foram considerados na apuração da receita operacional tributável poderia, a critério do órgão julgador de primeira instância, ter sido feita através de diligência junto a Recorrente”. É o relatório. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10880.979199/200932 Resolução n.º 330200.219 S3C3T2 Fl. 27 4 VOTO Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Em que pese não terem sido apresentadas todas as provas do alegado direito, a Interessada juntou à impugnação documentos que trazem indícios de que houve recolhimento a maior da contribuição, uma vez que o dispositivo legal citado pela Interessada garante a não incidência da contribuição sobre os valores de valorpedágio. Dessa forma, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, para que a Fiscalização intime a Interessada e adote os demais procedimentos necessários para verificar a correta apuração dos valores, obedecendo, quanto à diligência, das disposições do Decreto n. 7.574, de 2011, concedendo, após a lavratura de relatório de conclusão, o prazo de trinta dias para resposta. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 33DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
score : 1.0
Numero do processo: 10725.001887/00-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1998
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO.
Existindo pagamento antecipado, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, decai em 5 anos, a contar da data da ocorrência do fato gerador, o direito de a Fazenda Nacional constituir, pelo lançamento, crédito tributário de PIS.
Súmula Vinculante no 8, do STF.
CRÉDITOS APURADOS DE OFÍCIO PELA FISCALIZAÇÃO. UTILIZAÇÃO.
O pagamento a maior, ou indevido, feito no período fiscalizado e apurado pela Fiscalização, deve ser compensado pela autoridade fiscal lançadora, desde que disponível para alocação nos sistemas da RFB, com débitos apurados nos períodos fiscalizados e posteriores ao do pagamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-001.601
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Existindo pagamento antecipado, nos termos do art. 150, § 4o, do CTN, decai em 5 anos, a contar da data da ocorrência do fato gerador, o direito de a Fazenda Nacional constituir, pelo lançamento, crédito tributário de PIS. Súmula Vinculante no 8, do STF. CRÉDITOS APURADOS DE OFÍCIO PELA FISCALIZAÇÃO. UTILIZAÇÃO. O pagamento a maior, ou indevido, feito no período fiscalizado e apurado pela Fiscalização, deve ser compensado pela autoridade fiscal lançadora, desde que disponível para alocação nos sistemas da RFB, com débitos apurados nos períodos fiscalizados e posteriores ao do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 31/05/2012 Fl. 612DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas. Relatório Contra a empresa recorrente foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de PIS, relativo a fatos geradores ocorridos entre janeiro de 1995 e dezembro de 1998, tendo em vista que a Fiscalização constatou a falta de recolhimento da exação. A ciência do lançamento ocorreu no dia 26/12/2000, conforme AR de fle.1 56 Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 4a Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro RJ, após a realização de diligência, julgou parcialmente procedente o lançamento, nos termos do Acórdão nº 13 14.798, de 28/12/2006 flse. 546/551. Ciente desta decisão em 10/04/2007 (fle. 555), a interessada ingressou, no dia 10/05/2007, com o recurso voluntário de flse. 557/567, no qual alega, em síntese, que a decisão recorrida deixou de considerar os pagamentos efetuados antes do início da ação fiscal e os valores incluídos no âmbito do parcelamento PAES. Solicita a realização de diligência para constatar o alegado. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro Relator. Nos termos da Resolução nº 330200.022, de 20/10/2009, o julgamento foi convertido em diligência para a RFB confirmar a existência dos pagamentos efetuados antes do início da ação fiscal e se existe parcelamento de débito lançado que tenha sido solicitado antes da lavratura do auto de infração, especialmente no parcelamento especial PAES (flse. 586/588). Realizado a diligência, ficou comprovado a existência de pagamentos a maior antes do início da fiscalização (exceção feita a dois Darf informados no Relatório de Diligência) e que nenhum débito lançado foi objeto de parcelamento solicitado antes da lavratura do auto de infração e, ainda, que o parcelamento Paes foi solicitado em 27/06/2003 (posterior à ciência do auto de infração) e nele foi incluído o débito do PA 05/96, no valor original de R$ 13,92 (flse. nº 603/605). Ciente do Relatório de Diligência em 22/08/2011 (fle. 608) a empresa Recorrente não se manifestou. É o Relatório. 1 Numeração eletrônica das folhas do processo. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10725.001887/0041 Acórdão n.º 330201.601 S3C3T2 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O julgamento do recurso voluntário do contribuinte teve início na sessão do dia 20/10/2009, quando foi convertido em diligência à repartição de origem para apurar os pagamentos efetuados e os parcelamentos solicitados pela recorrente. Realizado a diligência, foi confirmado os pagamentos, exceto dois, e a inexistência de parcelamentos antes do início da ação fiscal e, também, que os débitos lançados não foram incluídos em parcelamentos, exceto o do PA 05/96, que foi incluído no Paes em 27/06/2003. Por tratarse de matéria de interesse público, levanto, de ofício, a preliminar de decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário do PIS pelo lançamento, relativamente aos fatos geradores ocorridos até o dia 26/12/1995, à luz da Súmula Vinculante no 8, do STF, abaixo reproduzida, e das razões sobre a contagem do prazo decadencial, abaixo aduzidas. Súmula Vinculante no 8 – São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5o do DecretoLei no 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei no 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Relativamente à contagem do prazo decadencial, o STJ decidiu, em sede de recurso repetitivo previsto no art. 543C do CPC (RESP 973.733, Min. Luiz Fux), cuja aplicação é obrigatória pelo CARF (art. 62A do Regimento Interno do CARF), que para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, inexistindo pagamento antecipado, aplicase o art. 173, inciso I, e não o art. 150, § 4º, ambos do CTN. No presente caso, houve pagamento antecipado nos PA de 01/1995 a 11/1995 e a ciência do lançamento ocorreu no dia 26/12/2000. Aplicase, portanto, a regra do art. 150, § 4o do CTN e, desta forma, estão extintos pela decadência os créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram até o PA 11/1995, inclusive. Quanto à utilização dos pagamentos efetuados a maior, a recorrente reclama que a Fiscalização deveria ter considerado, na apuração da diferença devida de PIS, os pagamentos efetuados a maior em outros meses do período fiscalizado. Tais pagamentos decorreram de erro na apuração da exação em diversos períodos de apuração. Os mesmos foram detectados pela Fiscalização, que apurou contribuição devida menor que a efetivamente paga pela recorrente. Tais os pagamentos foram confirmados nas diligências realizadas após a lavratura do auto de infração. Houve, portanto, a apuração de ofício de pagamentos a maior, cuja diferença pode ou não ter sido compensada pela fiscalizada em períodos posteriores ou até ter sido objeto de restituição. Para qualquer um desses eventos a RFB tem os devidos controles, de fácil constatação. Fl. 614DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Constatado, no curso da ação fiscal, a existência de crédito decorrente de pagamento a maior e que o mesmo não foi utilizado pela fiscalizada e, havendo débitos apurados por ela Fiscalização, entendo que, no curso da ação fiscal, este fato deve ser comunicado à fiscalizada e solicitado autorização para efetuar a compensação, de ofício, dos créditos com os débitos apurados. Tal procedimento não foi efetuado pela Fiscalização. No caso em tela, após tomar ciência da apuração realizada pela Fiscalização, na qual ficou constatado a existência de pagamentos maior que o devido, a recorrente pleiteou a compensação quando da apresentação da impugnação, reiterado no recurso voluntário. Nestas circunstâncias, entendo que devem os indébitos da recorrente, relativos a pagamentos efetuados a maior a partir do dia 26/11/1995 (os períodos de apuração anteriores a esta data não poderiam ser objeto de ação fiscal e, consequentemente, de lançamento ou compensação), serem utilizados para compensar os débitos dos períodos de apuração posteriores, apurados pela Fiscalização. Procede, portanto, somente o lançamento dos débitos remanescentes após a compensação. Ademais, independente de prévio protesto, a recorrente tem direito à restituição do pagamento indevido apurado pela Fiscalização, por expressa determinação do CTN que, em seu art. 165, assim determina: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Esclareço que a forma de efetivar o que acima se fixou é irrelevante para o exercício do direito da recorrente de ver, se assim o quiser, seus créditos serem compensados com débitos que ela reconhece. Cabe à RFB dispor quais os meios para se efetivar a compensação de ofício, acima determinada por este Colegiado. No caso dos autos, é evidente que os pagamentos a maior foram apurados, de ofício, pela Fiscalização. Esta constatou que a recorrente calculou, declarou e pagou o PIS a maior nos períodos de apuração de 01/96 a 06/96, 02/97, 04/97, 09/97, 11/97, 01/98, 02/98 e 12/98. No entanto, a Fiscalização deixou de apurar se valores pagos a maior foram aproveitados pela recorrente (restituídos ou compensados). Portanto, o aproveitamento desses créditos para compensar os débitos lançados e controlados neste processo depende da verificação de sua efetiva utilização ou não pela recorrente, atividade que pode ser feita no curso da execução desta decisão. Quanto à existência de débitos incluídos em parcelamento, ficou comprovado que nenhum débito lançado foi incluído em parcelamento solicitado antes da lavratura do auto de infração. Correto, portanto, o lançamento efetuado. Fl. 615DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10725.001887/0041 Acórdão n.º 330201.601 S3C3T2 Fl. 3 5 Estas são as razões pelas quais voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para determinar que seja efetuado a compensação dos créditos disponíveis referentes a pagamento a maior dos PA de 01/96 a 06/96, 02/97, 04/97, 09/97, 11/97, 01/98, 02/98 e 12/98, apurados pela Fiscalização, com os débitos apurados nos PA subseqüentes, objeto do lançamento, sendo procedente o lançamento dos débitos remanescentes após a compensação. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 616DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10314.000168/2011-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do Fato Gerador: 22/10/2007,23/10/2007
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REALOCAÇÃO DA NCM. TIPI. TEC.
A realocação da classificação fiscal promovida pela TIPI não enseja a necessidade de alteração da TEC.
MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO E POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. DUPLICIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não há duplicidade na exigência de multa por falta de licença de importação e por classificação incorreta, já que punem situações distintas.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-000.963
Decisão: ACORDAM os membros da 2ªCâmara/1ªTurma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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ementa_s : Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do Fato Gerador: 22/10/2007,23/10/2007 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REALOCAÇÃO DA NCM. TIPI. TEC. A realocação da classificação fiscal promovida pela TIPI não enseja a necessidade de alteração da TEC. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO E POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. DUPLICIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há duplicidade na exigência de multa por falta de licença de importação e por classificação incorreta, já que punem situações distintas. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do Fato Gerador: 22/10/2007,23/10/2007 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REALOCAÇÃO DA NCM. TIPI. TEC. A realocação da classificação fiscal promovida pela TIPI não enseja a necessidade de alteração da TEC. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO E POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. DUPLICIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há duplicidade na exigência de multa por falta de licença de importação e por classificação incorreta, já que punem situações distintas. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 23/05/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mara Regina Sefuentes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Judith do Amaral Marcondes Armando e Daniel mariz Gudiño. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados para a cobrança de Imposto sobre a Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, COFINS e PIS/PASEP na Importação, multas e acréscimos legais. A interessada através das Declarações de Importação de n°s 07/14566688, de 23/10/2007 e 07/14476000, de 22/10/2007, submeteu a despacho as mercadorias descritas como Unidades Condensadoras para sistema de Ar Condicionado, classificando as na Tarifa Externa Comum no código Tarifário NCM 8418.69.99., com a alíquota do II de 14% e IPI de 5% e 0% (ex 02). Em face do teor do Memorando 574/2007/GAB/TRFSPO de 30/10/2007, que faz menção ao processo n° 2007.61.00.028426 5, Ia Subseção Judiciária de São Paulo, da ABRA VA, que obteve liminar, de 11/10/2007, onde foi deferido "para o fim tão somente de determinar que a impetrada cumpra o que dispões o artigo 150, 111, "c" da Constituição Federal, sendo que apesar do Decreto 6225/07 ter sido publicado em 05/10/2007, sua eficácia em relação ao dispositivo que aumenta ou institui o IPI terá inicio somente após 90 dias da sua publicação. O Decreto n° 6.225, de 04/01/2007, publicado no D.O.U. de 05/10/2007, determina a alíquota de 18% (dezoito por cento) para o II de 20% (vinte por cento) e de IPI para as mercadorias enquadradas no código NCM 8418.69.40 "Ex01" desta classificação tarifária, o qual não foi recolhido pelo importador, em conseqüência gerando um recolhimento a menor de PIS e Cofins. Assim, a fim de prevenir a decadência, à qual se refere o artigo 173, da Lei n° 5.172/66 Código Tributário Nacional, a fiscalização da IRF/SP lavrou o Auto de Infração ora impugnado. Cobrouse além do II, EPI, PIS e Cofins, a multa de lançamento de ofício, juros de mora e a multa por falta de LI prevista no art. 633, inciso II, do Decreto 4543/02. A interessada apresentou a impugnação de fls. 125 e ss, alegando em síntese que: a) em relação às multas por falta de licença de importação e classificação incorreta capitulação incorreta em decorrência do erro de classificação fiscal, com fundamento no ADN n° 12/97 e a existência de multa específica.. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10314.000168/201104 Acórdão n.º 3201000.963 S3C2T1 Fl. 2 3 inexistência do débito, uma vez que sua classificação está de acordo com o Parecer da COANAn0 170/00 ocorrência de "bis in idem" b) em relação à exigência do II • descrição dos fatos não se aplica ao direito invocado c) em relação à exigência do IPI cerceamento do direito de defesa. Inexistência do débito Existência de liminar em mandado de segurança d) Verbas reflexas, PIS e COFINS são indevidas em face da correção dos valores recolhidos a título de II e ff I • mesmo se os valores recolhidos fossem incorretos, não deveria prosperar a exigência em face da inconstitucionalidade e) afastamento da exigência da multa em face da boa fé Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo/SP deferiu parcialmente o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/SP2 n.º 44.618, de 22/10/2010:: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do Fato Gerador: 22/10/2007,23/10/2007 CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial, por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do processo administrativo, importa renúncia às instâncias administrativas. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS. Falece competência à autoridade julgadora de se manifestar acerca da inconstitucionalidade de dispositivos legais, por ser matéria de exclusiva competência do Poder Judiciário. A atividade do lançamento é obrigatória e vinculada, devendo a legislação tributária ser aplicada em todos os seus termos, sob pena de responsabilidade funcional. MULTAS DE OFÍCIO A interposição de medida judicial anterior ao registro das DFs, mantém a espontaneidade, nos termos do ADI SRF n° 18/04, sendo incabíveis as multas aplicadas nos caso de concomitância. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. Havendo Licença de Importação e comprovado que a interessada descreveu corretamente o produto, é incabível a imposição da multa do controle administrativo em face do teor do ATO DECLARATÓRIO COSIT N° 12/97. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 4 MULTA POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. Imposição da multa proporcional ao valor aduaneiro por classificação fiscal incorreta. Impugnação Procedente em Parte. Em face da decisão, o contribuinte é intimado, interpondo recurso voluntário. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Discutese nos autos lançamento em face da importação de unidades condensadoras para sistemas de ar condicionado. O lançamento se deu em face da alteração de classificação fiscal e alíquotas da referida mercadoria, o que ensejou o lançamento de PIS, COFINS, II, IPI, multa de ofício, juros, multa por falta de LI e multa por classificação fiscal incorreta. No julgamento proferido pela DRJ, não foi conhecido o debate quanto ao IPI, e em decorrência do PIS e COFINS, em face de concomitância. Foram afastadas as multas de ofício e por falta de LI, em face do lançamento ter ocorrido para evitar a decadência e por não haver divergência na descrição da mercadoria. Foram mantidos os lançamentos referentes ao II e a multa de 1% por classificação fiscal incorreta. A recorrente alega, dentre outras questões, que a TEC não teria sido alterada em relação à classificação 8418.6940 ora debatida, mas apenas a TIPI, o que impactaria no lançamento do II. Recorre ainda da impossibilidade de lançar as multas por falta de LI e de 1% pela classificação fiscal incorreta, pois seria exigência em duplicidade. Apesar da insurgência da recorrente, entendo que a decisão deve ser mantida. Em verdade, no presente caso não houve alteração da classificação fiscal, com a instituição de uma nova classificação, mas simplesmente a realocação da classificação fiscal a ser adotada, não havendo necessidade de alteração da TEC. A decisão da DRJ também esclarece a situação: Conforme já descrito a exigência do Imposto de Importação é decorrente da alteração de alíquota promovida pela edição do Decreto n° 6.225, de 04/01/2007, que determinou: (...) Sendo que, para a posição 841968 40 a alíquota estabelecida para o II é de 18%. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10314.000168/201104 Acórdão n.º 3201000.963 S3C2T1 Fl. 3 5 Assim, a partir da edição deste Decreto, o PARECER COANA n. 170/00, perde sua eficácia normativa, haja vista que o Decreto n° 6225/07, posterior à edição do respectivo parecer, tem o condão de determinar a nova classificação do produto, no caso "ar condicionado". Descabe, pois, a alegação da contribuinte da inexistência do débito, em face do teor do Parecer da COANA no 170/00, havendo ofensa ao principio Assim, correto o julgamento neste tópico. Quanto às multas, entendo não ocorrer duplicidade, já que a multa por falta de LI é uma punição administrativa pela importação sem os documentos necessários, enquanto a de 1% é específica pela classificação incorreta, ou seja, punem situações diferentes. Neste sentido, bem esclarece a decisão da DRJ: Verificase claramente que uma multa é por falta de licença de importação e a outra multa é por classificação incorreta, fatos claramente distintos, não caracterizando de forma alguma bis in idem. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Sala de sessões, 24 de abril de 2012. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 383DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES
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Numero do processo: 10983.901453/2006-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3401-000.095
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Gerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Antonio Mário de Abreu Pinto (Suplente). Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão que manteve despacho decisório denegando compensação objeto de PER/Dcomp transmitido em 07/07/2003 e retificado em 27/11/2003. O crédito alegado é oriundo de pagamento indevido ou a maior do PIS Faturamento, período de apuração 12/2002, enquanto o débito, da mesma espécie, ao período 05/2003. Conforme o despacho decisório eletrônico de fl. 16, datado de 28/02/2007, a retificação não foi admitida por apresentar aumento do débito, em relação ao original. No sistema SIEF/PERDCOMP, o PER/Dcomp ficou como “NÃO FORMULADO/NÃO DECLARADA” (fl. 15). Fl. 1DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 22/02/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 04/03/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10983.901453/200696 Resolução n.º 340100.095 S3C4T1 Fl. 71 2 Como base na Informação Fiscal de fls. 17/19, que levou em conta os arts. 59 da IN SRF nº 600/2005, 58 da IN SRF nº 460/2004 e 8º da IN SRF nº 360/2003 – segundo os quais a retificação não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado – e a igualdade entre o valor constante da DCTF e o DARF recolhido no período de apuração 12/2002 (ambos no valor de R$ 1.714.047,29), o órgão de origem concluiu pela não homologação da compensação, tendo sido prolatado em 10/04/2007 o Despacho Decisório de fl. 20. Na Manifestação de Infonformidade a contribuinte alegou que recolheu a maior a Contribuição e entregou DCTF retificadora (a entrega desta ocorreu em 09/05/2007, conforme a fl. 29). A 4ª Turma da DRJ manteve o indeferimento, por não considerar para efeito da compensação pleiteada a retificação da DCTF. Afirmou o seguinte: É de se perceber de que não se trata aqui de invalidar a retificação efetuada pela contribuinte tanto em sua forma quanto em seu conteúdo , mas simplesmente de afirmar que a compensação ora pleiteada só poderia ser validada no caso em que, à data da apresentação da DCOMP, já tivesse a contribuinte retificado a DCTF e, com isso, conformada juridicamente a existência do pagamento indevido. Com efeito, como no regime atual as compensações operam efeitos imediatos, não se poderia dizer que, entre a data da apresentação da DCOMP e a data de apresentação da DCTF retificadora, houvesse compensação regularmente formalizada. No Recurso Voluntário, tempestivo, a interessada insiste na compensação, inicialmente argüindo que a inversão nos procedimentos (ou seja, primeiro a compensação e depois a demonstração do crédito com a DCTF retificadora) não altera o seu direito ao crédito oriundo do pagamento a maior. Em seguida introduz alegação ausente da Manifestação de Inconformidade, afirmando que caso perdure o não reconhecimento do indébito restarão afrontados os princípios da capacidade contributiva, do nãoconfisco e do direito de propriedade. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço. Tdavia, não se encontra em condições de ser julgado por demandar diligência acerca da DCTF retificadora. Como destacado no voto do acórdão recorrido, a retificação da DCTF não foi invalidada – nem na forma nem no conteúdo. Apesar disso, os autos não noticiam se essa retificadora foi acatada e substituiu a original integralmente, como previsto no § 1º do art. 9º da IN RFB nº 974/2009, ou se prevaleceu a primeira. Se prevalecer a DCTF retificadora que reduziu, em relação ao declarado originalmente, o valor do PIS Faturamento devido no período de apuração 12/2002 , surgirá o indébito corrrespondente, que a Recorrente pretende seja aproveitado na compensação em discussão. Se mantida a DCTF original, restará certa a Fl. 2DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 22/02/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 04/03/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10983.901453/200696 Resolução n.º 340100.095 S3C4T1 Fl. 72 3 inexistência do indébito e a solução do litígio fica facilitada, mantendose o indeferimento da compensação independentemente da interpretação adotada pela DRJ. O acórdão recorrido, no que entendeu só caber homologar a compensação caso a retificação da DCTF fosse anterior à DCOMP, suscita controvérsias neste Colegiado. Dessarte, levando em conta a dúvida quanto à retificação da DCTF, entendendo conveniente esclarecêla, antes de se adentrar no debate acerca da interpretação adotada no acórdão recorrido. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem se pronuncie sobre a DCTF retificadora, informando, de modo conclusivo, sobre o seu acatamento e substituição da original ou não, e sobre a existência de pagamento a maior ou não. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindoselhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. (assinado digitalmente) Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 3DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 22/02/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 04/03/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10314.001362/99-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3201-000.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sérgio Celani e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
RELATÓRIO
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sérgio Celani e Luciano Lopes de Almeida Moraes. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da impugnação, transcrevese o relatório da instância a quo, seguido da ementa da decisão recorrida e das razões do Recurso Voluntário ora examinado: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 14 .0 01 36 2/ 99 -1 3 Fl. 627DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10314.001362/9913 Resolução nº 3201000.360 S3C2T1 Fl. 628 2 “Trata o presente processo de auto de infração, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de formalizando a exigência de Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescidos de multa e juros de mora, perfazendo um total de R$ 35.125,89, em face dos fatos a seguir descritos. A empresa acima qualificada foi autuada em relação à procedimentos de importação e exportação na modalidade DRAWBACK SUSPENSÃO, no que tange aos seguintes Atos Concessórios: Da análise da documentação apresentada, foi observado que apenas uma parte dos Registros de Exportação está vinculada ao Drawback, em obediência ao artigo 325 do Regulamento Aduaneiro Decreto 91.030/85. Os seguintes Registros de Exportação não fazem menção ao regime: RE cód. 80000 ( exportação normal ) 94/1129684; 94/1176446; 94/1179956; 94/1225998; 94/1241908; 95/0031345; RE cód. 81101 ( exportação drawback ) 94/1267921; 95/0031385; 95/0066539; Considerado os Registros de Exportação vinculados, chegouse ao valor de US$ 82.196,31 válidos para esse Ato Concessório. A SECEX aceitou o compromisso como cumprido apenas para US$ 29.200,00 FOB ( 33,5054% do firmado no Ato Concessório). Aplicando essa proporção para as exportações, o compromisso seria baixado de US$ 475.015,63 FOB para US$ 159.155,89 FOB (475.015,63 * 33,5054%) de mercadorias a exportar. Todavia, dos US$ 159.155,89, a empresa exportou 82.196,31 válidos para o Ato Concessório, conforme acima salientado. Desta feita, restam 48,3548% descumpridos. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10314.001362/9913 Resolução nº 3201000.360 S3C2T1 Fl. 629 3 Aplicando o índice 48,3548% na importação feita ( DI 164.623 ), chegase ao valor do Auto de Infração em questão. O lançamento está sujeito aos juros legais e a multa prevista no artigo 44, I, da Lei 9.430. Cientificado do auto de infração, pessoalmente em 29/03/1999 (fls. 1verso), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 28/04/1999, de fls. 180 à 367, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que:; Ato Concessório 1893/7001 1)A importação foi autorizada pela Guia de Importação 1893/1181839 e efetivada pela declaração de importação nº 4.022 de 20/01/1994; 2)O adimplemento da operação foi comprovado mediante a apresentação dos Registros de Exportação nº 94/0615900 e nº 94/0609650; 3)Tais exportações foram classificadas como uma operação de exportação normal (cód. 80000) e não como Drawback – SUSPENSÃO (cód. 81101); 4)Pelo erro material cometido, a fiscalização descaracterizou as exportações realizadas ao amparo do anexo 3001 do Relatório Final de Comprovação 1894/0016497; Ato Concessório 1894/6505 1)Ato Concessório com validade até 01/09/2005, cujo beneficiário era a antiga Dixie Lalekla S/A, sucedida por Dixie Toga S/A; 2)O relatório final de comprovação 1896/6288, de 20/06/96, indica que a importação foi realizada através da DI 134.623 de 02/11/1994, e as exportações arroladas no anexo 3001; 3)Do fato de que apenas uma parte das exportações estaria vinculada ao Drawback, explicase que se procedeu incorretamente com uma operação de exportação normal (cód. 80000) e não como Drawback – SUSPENSÃO (cód. 81101); A impugnante ainda esclarece que: 1)O presente Auto de Infração é nulo porque os Auditores Fiscais da Secretaria da Receita Federal são incompetentes para a fiscalização das condições e requisitos do regime especial de Drawback, sendo tal competência da DECEX, conforme o artigo 2o da Portaria nº 4 de 11/07/1997; 2)As importações e as exportações da impugnante atenderam todas as normas pertinentes à matéria; Fl. 629DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10314.001362/9913 Resolução nº 3201000.360 S3C2T1 Fl. 630 4 3)O entendimento da fiscalização é equivocado por desconsiderar o erro em relação às exportações foram classificadas como uma operação de exportação normal (cód. 80000) e não como Drawback – SUSPENSÃO (cód. 81101); 4) Tal erro é passível de correção, inclusive administrativamente, não podendo a impugnante ser penalizada; 5) O Banco do Brasil informou que não existe compromissos de Drawback em aberto, perante àquela instituição; 6 O erro em análise não causou qualquer dano; 7)A legislação permite, nos casos de sucessão legal, devidamente comprovada, que seja autorizada a alteração da empresa beneficiária de Ato Concessório de Drawback. Entretanto, não foi o que ocorreu, devido o SISCOMEX, não permitir tal alteração Pugna a impugnante pelo cancelamento do Auto de Infração e da exigência fiscal respectiva, com o conseqüente arquivamento do presente Processo Administrativo, tal qual, seja considerado liquidado o compromisso de exportação vinculado ao regime especial de Drawback. É o Relatório.” O pleito foi julgado improcedente, no julgamento de primeira instância, nos termos do Acórdão DRJ/SPO II no 1717.135, de 21/12/2006, proferido pelos membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, cuja ementa dispõe, verbis: “Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 20/01/1994 DRAWBACK Falta de vinculação do Registro de Exportação ao Ato Concessório. Competência da Secretaria da Receita Federal para a fiscalização do Regime Especial de Drawback. Responsabilidade tributária no Regime Especial de Drawback quanto à sucessão legal. Lançamento Procedente.” Inconformado o interessado apresenta recurso voluntário, tempestivamente e documentos, onde repisa basicamente os termos da impugnação. Através da Resolução de n° 310200.034, em 20/05/2009, foi convertido o julgamento em diligência para que a repartição de origem, ou melhor, a fiscalização explicasse se quando, há a menção, no relatório fiscal, por exemplo, à fl. 13, após desconsideração das exportações, desta forma, procedeuse a nacionalização “EX OFFICIO”de DI; indago quando da nacionalização foi considerado extinto o regime drawback na mesma proporção; e que o relator de decisão de 1ª instância explicasse, quando menciona à fl. 382 no 3° parágrafo sobre Resolução de n° 57, que a Resolução de n° 57 de 28/02/02 é esta? E, onde se encontra nos autos? Ou seja, diligência solicitada por quem? E, por derradeiro, que seja solicitada a DECEX/SECEX/MDIC se os atos concessórios referidos nos autos foram cumpridas as condições suspensivas, tendo em vista alegações da recorrente que o Banco do Brasil aprovou a baixa dos respectivos Atos Concessórios. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10314.001362/9913 Resolução nº 3201000.360 S3C2T1 Fl. 631 5 Foi dada ciência à empresa do resultado da diligência e a mesma manifestou se. O processo digitalizado foi redistribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o relatório. VOTO Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de Auto de Infração relativo à exigência de crédito tributário de II, IPI, multa e juros de mora, decorrente de importação sob amparo do regime de Drawback, modalidade suspensão. Observada uma falha processual, e em respeito ao princípio do contraditório, mas passível de ser sanada, constatada a ausência da ciência a PGFN do resultado da diligência e manifestação da mesma, se assim desejar. Dessa forma, voto por que se CONVERTA O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para: que seja dada ciência, também, a PGFN do resultado da diligência demandada, através da Resolução 310200.034, proposta anteriormente. Por fim, devem os autos retornar a esta Conselheira para prosseguimento no julgamento. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 631DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/04/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 37284.005677/2006-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/11/2001
AUTO DE INFRAÇÃO - DIRIGENTE PÚBLICO -OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES.
Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91.
RETROATIVIDADE BENIGNA. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO
O infrator tem direito à redução da penalidade oriunda da alteração da legislação, conforme previsto no art. 106 do CTN.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-000.300
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / lª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Edgar Silva Vidal
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S2-C3TI 05 Fl. 244 O MINISTÉRIO DA FAZENDA Ttor.tz‘i CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS t-fit SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO ^t* Processo n° 37284.005677/2006-17 Recurso n° 142.675 Voluntário Acórdão n° 2301-00.300 — 3' Câmara / 1* Turma Ordinária Sessão de 07 de maio de 2009 Matéria Auto de Infração: Dirigente Público Recorrente JUSSARA SILVEIRA DE ANDRADE GUEDES Recorrida DRP/DISTRITO FEDERAL/DF ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01104/2001 a 30/11/2001 AUTO DE INFRAÇÃO - DIRIGENTE PÚBLICO -OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5°, da Lei n°8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO O infrator tem direito à redu, to da penalidade oriunda da alteração da legislação, conforme previsto 10; . 106 do CTN. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e dis . I tidos is presentes autos. Processo n°37284.005677/2006-17 52-C3T1 Acórdão m° 2301-00300 Fl. 245 ACORDAM os membros da 3' Câmara / l' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. 11i e JULI s VIEIRA OMES Presid drail EIVA' S AVID L : -lator • Participaram do julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira, Edgar Silva Vidal (Suplente), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). Ausentes os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Marcelo Oliveira. 2 Processo n° 37284.005677/2006-17 S2-C3T1 Acórdão n.• 2301-00300 Fl. 246 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto por Jussara Silveira de Andrade Guedes (fls. 97/108) contra a DN n° 23.401.4/0362/2006, de 18/09/2006, da DRP-DF (fls. 82/92), que manteve em parte o lançamento constante do Auto de Infração-AI n° n°35.805.325- 0, de 04/07/2005. O AI foi lavrado em nome da recorrente, ex Superintendente de Recursos Humanos da Agência Nacional de Energia Elétrica j-ANEEL, por ter deixado aquela autarquia de incluir nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social — GFIP, nas competências 04/2001 a 11/2001, os valores correspondentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. o que constitui infração ao art. 32, inciso IV, parágrafo quinto, da Lei 8.212/91 (fls. 04 e 07) A ciência da DN ocorreu em 10/10/2006 e o Recurso Voluntário foi interposto em 09/11/2006, dentro do prazo regulamentar. No Recurso, preliminarmente a recorrente alega, em síntese: I _ que apesar da carência de pessoal efetivo treinado para tal fim, envidou esforços para regularizar as GFIPs, acreditando ter obtido a correção total desejada; II — de posse das informações das omissões pendentes, procedeu à regularização das GFIPs, buscando sanar de vez todas as irregularidades apontadas. Junta cópias de GFIPs (fls. 109/233), e requer a relevação da multa, de acordo com o parágrafo único do art. 291, do Decreto 3.048/99; III — coloca-se contra a atribuição de responsabilidade objetiva ao dirigente de entidade administrativa pelo descumprimento da Lei 8.212/91, entendendo ser necessária em respeito aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, a demonstração de ter este agido com dolo ou culpa, transcrevendo jurisprudência e doutrina neste sentido; IV — refuta decisão administrativa de primeira instância que, segundo seu entendimento, concedeu interpretação gramatical ao disposto no art. 136 do CTN, ao defender a responsabilidade objetiva do dirigente de entidade por infrações da legislação tributária independentemente de se verificar dolo ou culpa; e V — afirma que, ainda que a literalidade do art. 136 do CTN aponte para a responsabilidade objetiva do contribuinte, a norma extraível do preceito precisa não só guardar correspondência lógica com o texto, mas também compatível com o ordenamento jurídico, especialmente com a Constituição Federal, e com as finalidades a que se destina, razão pela qual menciona que Poder Judiciário afastou reiteradas vezes, a responsabilidade objetiva na aplicação do art. 136 do CTN. Colaciona jurisprudência. No mérito, pede: 3 Processo rr 37284.005677/2006-17 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00300 Fl. 247 I — decretar-se a extinção do referido crédito previdenciário, haja vista estar fimdado em Auto de Infração maculado de vicio de legalidade na medida em que impôs à autuada penalidade sem a observância das garantias constitucionais da ampla defesa e do contraditório, bem como atribui-lhe, em desconformidade com o direito vigente, responsabilidade objetiva por infrações à legislação previdenciária; II — de modo alternativo, acaso não se entenda pela nulidade do crédito constituído em desfavor da recorrente, seja ele relevado nos termos do que estabelece o artigo 291 § 1°, do Decreto 3.048/99. Nas Contra-Razões (fls. 146/156), a DRP-DF, assim se manifesta: I — A responsabilidade objetiva do dirigente de entidade, por infração à legislação tributária, independentemente da verificação de dolo ou culpa, encontra-se claramente fundamentada nos art. 41 da Lei 8.212/91 e 136 do CTN, respectivamente, verbis: Art. 41 — O dirigente de órgão ou entidade da administração federal,estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e de seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção, do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Apesar da insurgéncia da recorrente, não assiste à P Instância, diante dos dispositivos legais citados, outra alternativa a não ser reconhecer sua responsabilidade objetiva pelo descumprimento de obrigação acessória, uma vez que deixou de informar em GEFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, infringindo, assim, o disposto no parágrafo 5° iciso IV do art. 32 da Lei 8.212/91. Com relação ao pedido de relevação da multa, entende a DRP que este não pode ser acatdo tendo em vista o disposto no artigo 291 do Decreto n° 3.048/99, corroborado pelo PARECER/MPS/CJ/N° 3194/2003. Pede para que seja mantida a autuação. É o relatório./ 4 • Processo n°37284.005677/2006-17 S2-C3T1 Acórdão n.• 2301-00300 Fl. 248 Voto Conselheiro EDGAR SILVA VIDAL , Relator O recurso foi apresentado tempestivamente e preenche os requisito para sua admissibilidade. Entendo que deva ser observada a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n 08.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n 0 449 de 2008. Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. (Revogado pela Medida Provisória n° 449, de 2008) Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; • c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo que há cabimento do art. 106, inciso II, alíneas "a" e "h" do CTN. A Medida Provisória n " 449, ao revogar o art. 41 da Lei n " 8.212, implica a não responsabilização do dirigente nas omissões e ações que geram o descumprimento de obrigações acessórias. A aplicação de uma penalidade terá como componentes: a conduta, omissiva ou comissiva; o responsável pela conduta; e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. O próprio caput do art. 106 informa que o que será julgado é o ato, e nesse momento estamos julgando o ato do dirigente, portanto caracterizada a aplicação do art. 106 do CTN. Mesmo porque, nenhum ato que implica em uma conduta humana existe per si, sempre estará atrelado a um agente. Em relação ao dirigente do órgão público, especificamente esse agente, a MP deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional. Basta uma análise singela, caso a fiscalização fosse autuar a Superintendente de Recursos Humanos da Agência Nacional de Energia Elétrica —ANEEL na data de hoje, por fatos pretéritos, não poderia fazê-lo em função justamente da MP n 449. Assim, e elação ao 5 Processo tf 37284.00567712006-17 S2-C3T1 •Acórdão n.• 2301-00300 Fl. 249 dirigente, a MP é, sem dúvida, mais benéfica; se antes da MP a autuação era em nome do dirigente, após a referida MP não cabe tal autuação. Além do mais, a MP n ° 449 deixou de tratar o ato do dirigente como contrário à exigência de ação ou omissão. In casu, não houve configuração de fraude pelo dirigente no relatório fiscal. Não bastasse, a própria Procuradoria da Fazenda, em virtude de consulta formulada pela Receita Federal do Brasil, emitiu o Parecer PGFN/CDAJCAT n o 190 de 2009, por meio do qual reconhece a retroatividade benigna surgida com a MP n ° 449 de 2008. Assim, a própria Receita deixará de efetuar tais lançamentos e ainda em decisões de primeira instância aplicará a retroatividade benévola. A repercussão da retroatividade em relação às obrigações acessórias, como na hipótese de haver urna obrigação sem responsável, não cabe a este Colegiado apreciar; quem fez a escolha por não autuar o dirigente do órgão público foi o Chefe do Executivo por meio de Medida Provisória, se é justo ou injusto não interessa, como esse órgão é componente do Poder Executivo cabe apenas a aplicação objetiva dos atos normativos sem realizar juizo de valor. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso da notificada para no mérito CONCEDER-LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessõ - em 07 d aio de 2009 4, 1 n EDG ' SI V • VIDA - Relator 6 _ _ Page 1 _0006000.PDF Page 1 _0006100.PDF Page 1 _0006200.PDF Page 1 _0006300.PDF Page 1 _0006400.PDF Page 1
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