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Numero do processo: 10865.908901/2009-71
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/04/2004
PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
Em processo de compensação, se o sujeito passivo não rebate as razões utilizadas no despacho decisório para negar o direito de crédito, incide o art. 17 do Decreto 70.235/72 por não haver impugnação (entendida como contestação, resistência) à matéria suscitada.
Numero da decisão: 3802-003.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes auto.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mercia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Paulo Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/04/2004 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Em processo de compensação, se o sujeito passivo não rebate as razões utilizadas no despacho decisório para negar o direito de crédito, incide o art. 17 do Decreto 70.235/72 por não haver impugnação (entendida como contestação, resistência) à matéria suscitada.
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Em processo de compensação, se o sujeito passivo não rebate as razões utilizadas no despacho decisório para negar o direito de crédito, incide o art. 17 do Decreto 70.235/72 por não haver impugnação (entendida como contestação, resistência) à matéria suscitada. Vistos, relatados e discutidos os presentes auto. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mercia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 89 01 /2 00 9- 71 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Paulo Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão n° 14 30.156, lavrado pela 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO), em que não foi conhecida a Manifestação de Inconformidade da interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados, valendome, por oportuno, do relatório da decisão recorrida, por bem resumir as etapas processuais até então ocorridas e as alegações do sujeito passivo: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face doDespacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep. Por intermédio do despacho decisório de fls. 6, não foi reconhecido qualquer direito credit6rio a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 10/20, na qual alegou, em síntese: 1. Preliminar de nulidade: a DRF de Limeira simplesmente limitouse a aduzir de forma vaga e genérica que não reconheceu como declaradas ou transmitidas as PER/DCOMPs acima especificadas. A decisão recorrida sequer se deu ao trabalho de detalhar e especificar minuciosamente porque o contribuinte não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam nos autos outros fartos documentos que, se analisados, lhe permitiria inferir de modo diverso. Assim sendo é incontroversa a afronta basilar ao principio da ampla defesa do contribuinte: primeiro porque as decisões em um processo administrativo devem obedecer a um mínimo formalismo, tendo que possuir fundamentação legal, exposição de raciocínio lógico e análise detida de toda a documentação; segundo, porque a decisão recorrida é genérica, não apresenta dados específicos sobre suas razões de decidir e não faz alusão a outros documentos que seguem carreados ao processo administrativo. A falta destes elementos concretos implicam na anulação da decisão, que avilta também o principio do devido processo legal; Fl. 92DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.908901/200971 Acórdão n.º 3802003.920 S3TE02 Fl. 112 3 2. Fez uma longa exposição, citando juristas, ato declaratório normativo e copiosa jurisprudência de diversos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça defendendo a tese de que o prazo para restituição e compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior do que devido é decenal (dez anos) e não qüinqüenal, por se tratar de autolançamento; 3. No mérito, alegou que o ADIN n° 14170 declarou inconstitucional a expressão contida no art. 17, da Lei n° 9.715, de 1998: "aplicandose aos fatos geradores a partir de 01/10/1995" sendo que, posteriormente o Secretário da Receita Federal reconheceu em parte esta inconstitucionalidade através da Instrução Normativa n.° 6, de 2000, que vedou a constituição de crédito tributário e determinou o cancelamento de lançamento baseado na aplicação do disposto na Medida Provisória n° 1212, de 1995, a fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1 de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996; 4. Com a inconstitucionalidade parcial do artigo 18, se estabelece a impossibilidade total de cobrança do tributo, seja pelo estabelecimento do elemento temporal do fato gerador, a partir da publicação da Lei 9.715/98, seja pela impossibilidade da aplicação da Lei Complementar n° 07/70, ao mesmo tempo da vigência da MP n° 1212, de 1995. Assim, durante todo o período em que se sucedem as diversas republicações da MP n° 1212/95, o fisco não possui hipótese de incidência para embasar sua cobrança; 5. Efetivamente temse que a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998; 6. A esfera administrativa equivocouse, de forma acintosa, ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que efetivamente a recorrente faz jus; 7. O poder público não pode descumprir o principio da legalidade dos atos administrativos sonegando ao ora contribuinte fruição de um direito assegurado de suspensão da exigibilidade dos créditos em tela, como prevê também o artigo 151, do Código Tributário Nacional. Assim, deve ficar sobrestada a cobrança das compensações realizadas até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. 8. Requer o regular processamento, ulterior apreciação e provimento total A presente manifestação de inconformidade, com homologação de todas as compensações pleiteadas nos autos. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Ao analisar a manifestação de inconformidade, a 4ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO) entendeu por não conhecer da manifestação de inconformidade, considerando que é necessário que haja previsão legal para a existência de crédito de PIS/COFINS e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido Em seu Recurso Voluntário que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, questionando a decadência suscitada pela DRJ. Com base nesses argumentos, a Recorrente pede pela procedência de seu recurso para que sejam reconhecidos os créditos glosados. Os autos, após negativa de seguimento pela própria DRJ, seguiram ao CARF por odem judicial no Mandado de Segurança 000236188.2011.403.6109, para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto Verificase que o presente Recurso Voluntário é tempestivo, porém dele não tomo conhecimento, pelos motivos abaixo. A Recorrente traz em sua peça recursal os seguintes argumentos: (a) a nulidade da decisão recorrida por preterição do direito de defesa, bem como (b) a ausência de decadência suscitada pela DRJ. Compulsando os autos, verificase que a DRJ não deixou de conhecer a manifestação de inconformidade por decadência do crédito alegado, mas sim por não haver impugnação às razões para negativa de seu crédito em sede de despacho decisório. Assim, não só não há o que se cogitar de nulidade da decisão recorrida, a teor do art. 59 do Decreto 70.235/72, como também é nítido que os argumentos expendidos pelo sujeito passivo não podem ser conhecidos em virtude de determinação expressa do RPAF, que diz em seu artigo 17, in verbis: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” A rigor, foi exatamente pela ausência de impugnação às razões do despacho decisório que a DRJ não acolheu a manifestação de inconformidade, conforme excerto transcrito abaixo: Fl. 94DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.908901/200971 Acórdão n.º 3802003.920 S3TE02 Fl. 113 5 Porém, conforme relatado, observase que a contribuinte, em sua defesa, elencou argumentos que não tem qualquer ligação nem com o fato, nem com o período de apuração. Há uma extensa argumentação, repleta de jurisprudências e citações de jurisconsultos defendendo o prazo decadencial de 10 anos para pedir restituição, sendo que não há qualquer hipótese de decadência sendo aventada pela Receita Federal do Brasil no despacho decisório que não homologou a declaração de compensação. (...) Argumentou, em outra senda, que a esfera administrativa equivocouse de forma acintosa ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que a recorrente faz jus porque a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998. Ora, o pagamento que a recorrente declarou como indevido no PER/DCOMP é relativo ao período de apuração 28/02/2005, sem nenhuma correlação com o período anterior a outubro de 1998. E seguiu em descompasso fazendo alusão a documentos que não estão nos autos e argumentando que o despacho decisório teria considerado as DCOMPs como não declaradas ou transmitidas. Igualmente por esse descompasso a DRJ equivocadamente negou seguimento ao Recurso Voluntário, que seguiu por acertada determinação judicial para processamento neste Conselho. Aplicase, ao caso em tela, interpretação analógica do art. 17 por se tratar de manifestação de inconformidade. Desta feita, não havendo sido aduzidos na reclamação os argumentos ora sob exame, não podem eles ser objeto de conhecimento em sede de Recurso Voluntário, operandose o fenômeno da preclusão ao caso em tela. Assim, entendo que o Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente não pode ser conhecido, pela total ausência de identificação entre suas razões e a decisão que ele pretende combater. Conclusão Isto posto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Fl. 95DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10783.004076/86-23
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 1987
Ementa: IRPJ AUMENTO DE CAPITAL SOCIAL - A não com provação da origem e efetiva,entrega dos recursos aplicados na integralização de capital autoriza presumir que eles sejam original rios de receitas omitidas pela pessoa jurídica Tratando-se de início de atividade uma vez que a tributação se efetua, no caso,
por presunção relativa (JURIS TANTUM), não justifica exigir-se prova da origem de tais recursos ante a impossibilidade factual de ter havido desvio de receitas tributáveis. Despesa/custo operacional Impõe-se o restabelecimento da despesa/custo
glosado por falta de hábil comprovação de serviço, quando a efetiva prestação do mesmo é evidenciada de modo inconteste.
Não retira idoneidade da nota fiscal emitida por pessoa jurídica o fato de a emitente vir a ter, posteriormente, suspensa sua inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes. Não são documentos hábeis á comprovação de despesas/custos as notas fiscais emitidas por empresas comprovadamente inexistentes ou não
inscritas no Cadastro Geral de Contribuintes.
Notas fiscais simplificadas e cupons de maquina registradora não são documentos hábeis á comprovação de despesas operacionais.
Despesas com viagens de sócios diretores,quando não se demonstre vinculação da necessidade delas com os objetives sociais não configuram despesas operacionais da empresa.
Despesa com jantar na residência do sócio, comprovada com documento emitido em nome da pessoa física não e despesa operacional da empresa.
Presentes de bens com significativo valor comercial não constituem "brindes" cujo valor seja dedutível como despesa operacional. São despesas operacionais dedutiveis aquelas
referentes a bens que, sendo necessários á empresa, tenham tempo de vita útil inferior a um ano conforme atestado em "laudo técnico.
Mantém-se a tributação sobre valores expressamente
excluidos do contraditório pela recorrente.
- Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 101-77.273
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria , de votos, dar provimento, em parte, ao recurso, para excluir da tributação as importâncias de Cz$ 25.622,10, Cz$ 13.794,76, Cz$ 468,19 e Cz$ 15.843,64 nos exercícios de 1982, 1983, 1984 e 1-.985, respectivamente. Vencidos os Conselheiros Cristóvão Anchieta de Paiva (Relator), Carlos Alberto Gonçalves Nunes e Urgel Pereira Lopes que, no exercicio de 1982, proviam menos Cz$ 14.100,00. Designado para redigir o veto vencedor o Conselheiro Raul Pimentel
Nome do relator: Raul Pimentel
1.0 = *:*
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ementa_s : IRPJ AUMENTO DE CAPITAL SOCIAL - A não com provação da origem e efetiva,entrega dos recursos aplicados na integralização de capital autoriza presumir que eles sejam original rios de receitas omitidas pela pessoa jurídica Tratando-se de início de atividade uma vez que a tributação se efetua, no caso, por presunção relativa (JURIS TANTUM), não justifica exigir-se prova da origem de tais recursos ante a impossibilidade factual de ter havido desvio de receitas tributáveis. Despesa/custo operacional Impõe-se o restabelecimento da despesa/custo glosado por falta de hábil comprovação de serviço, quando a efetiva prestação do mesmo é evidenciada de modo inconteste. Não retira idoneidade da nota fiscal emitida por pessoa jurídica o fato de a emitente vir a ter, posteriormente, suspensa sua inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes. Não são documentos hábeis á comprovação de despesas/custos as notas fiscais emitidas por empresas comprovadamente inexistentes ou não inscritas no Cadastro Geral de Contribuintes. Notas fiscais simplificadas e cupons de maquina registradora não são documentos hábeis á comprovação de despesas operacionais. Despesas com viagens de sócios diretores,quando não se demonstre vinculação da necessidade delas com os objetives sociais não configuram despesas operacionais da empresa. Despesa com jantar na residência do sócio, comprovada com documento emitido em nome da pessoa física não e despesa operacional da empresa. Presentes de bens com significativo valor comercial não constituem "brindes" cujo valor seja dedutível como despesa operacional. São despesas operacionais dedutiveis aquelas referentes a bens que, sendo necessários á empresa, tenham tempo de vita útil inferior a um ano conforme atestado em "laudo técnico. Mantém-se a tributação sobre valores expressamente excluidos do contraditório pela recorrente. - Recurso parcialmente provido.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria , de votos, dar provimento, em parte, ao recurso, para excluir da tributação as importâncias de Cz$ 25.622,10, Cz$ 13.794,76, Cz$ 468,19 e Cz$ 15.843,64 nos exercícios de 1982, 1983, 1984 e 1-.985, respectivamente. Vencidos os Conselheiros Cristóvão Anchieta de Paiva (Relator), Carlos Alberto Gonçalves Nunes e Urgel Pereira Lopes que, no exercicio de 1982, proviam menos Cz$ 14.100,00. Designado para redigir o veto vencedor o Conselheiro Raul Pimentel
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ACORDÃO . =7:7_,.273 Recurso n.° 91.369 - IRPJ - Exercícios de 1982 a 1986. Recorrente BLOKOS ENGENHARIA LTDA. Recorrida DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM VITÓRIA (ES) IRPJ AUMENTO DE CAPITAL SOCIAL - A nãO com provação da origem e efetiva,entrega dós re- cursos aplicados na integralização de capi- tal autoriza presumir que eles sejam originã • rios de receitas omitidas pela pessoa jurí- dica Tratando-se de início de atividade uma vez que a tributação se efetua, no caso, por presunção relativa (jURIS TANTUM), não justifica exigir-se prova da_ origem de tais recursos ante a impossibilidade factual de ter havido desvio de receitas tributáveis. . - Despesa/custo operacional Impõe-se o restabelecimento da despesa/custo glosado por falta de hábil comprovação de serviço, quando a efetiva prestação do mesmo é evidenciada de modo inconteste. Não retira idoneidade da nota fiscal emitida por pessoa jurídica o fato de a emitente vir a ter, posteriormente, suspensa sua inscri- ção no Cadastro Geral de Contribuintes. Não são documentos hábeis ã comprovação de despesas/custos as notas fiscais emitidas por empresas comprovadamente inexistentes ou não inscritas no Cadastro Geral de Contribuintes. Notas fiscais simplificadas e cupons de ma.-+- quina registradora não são documentos hábeis ã comprovação de despesas operacionais. Despesas com viagens de sócios diretores,quan do não se demonstre vinculação da necessida- de delas com os objetives sociais não confi- guram despesas operacionais da empresa. ;22 4"--) V.v. Despesa com jantar na residência do sócio, comprovada com documento emitido em nome da pessoa física não e despesa operacional da empresa. Presentes de bens com significativo valor comercial não constituem "brindes" cujo va lar seja dedutivel como despesa operaciol nal. São despesas operacionais dedutiveis aque- las referentes a bens que, sendo necessã-- rios ã empresa, tenham tempo de vita útil' inferior a um ano conforme atestado em "laudo t6cnic6". Mantém-se a tributação sobre valores ex- pressamente excluidoS do contraditório pe- la recorrente. - Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por BLOKOS ENGENHARIA LTDA.: ACORDAM os Membros da Primeira Cãmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maiOra , cle votos, dar provi-- mento, em parte, ao recurso, para excluir da tributação as impor tãncias de Cz$ 25.622,10, Cz$ 13.794,76, Cz$ 468,19 e Cz$ 15.843,64 nos exercícios de 1982, 1983, 1984 e 1-.985, respectivamente. Ven- cidos os Conselheiros Cristóvão Anchieta de Paiva (Relator), Car los Alberto Gonçalves Nunes e Urgel Pereira Lopes que, no exerci cio de 1982, proviam menos Cz$ 14.100,00. Designado para redigir o veto vencedor o Conselheiro Raul Pimentel. Sala das (DF), em 17 de agosto de 1987. URGEL - - PRESIDENTE IM - RELATOR DESIGNADO # - - AGOSTINHO •RES - PROCURADOR DA FAZENDA NACIO- VISTO EM NAL ui- 1SESSÃO DE: 1 , ' Q, RECURSO DA FAZENDASACIONAL N9 RP/101-0.069 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Canse-- lheiros: FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, CELSO ALVES FEITOSA, ALCEU DE AZEVEDO FONSECA PINTO e JOSÊ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN. 2 . . SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N c? 10783-004.076/86-23 RECURSO N9: 91.369 ACÓRDÃO N9: 101-77.273 RECORRENTEN9: BLOKOS ENGENHARIA LTDA. RELATõRIO BLOKOS ENGENHARIA LTDA., contribuinte jurisdicio nada à". DRF de Vit6ria (ES)', recorre a este Conselho inconformada k com a decisão de primeiro grau. Segundo o Auto (fls. 2), lavrado em 27.06.86 e notificado à contribuinte na mesma data, a fiscalização levantou as infrações seguintes, em resumo: 1. Omissões de receita: 1.1 - apurada através de integralização de capital sem a ne cessaria prova da origem e efetiva entrega dos recursos Ex 1982, base 1981: Cr$14.100.000 (fls.56/57-Intimação fls. 173) Ex 1983, base 1982: Cr$22.390.000 (fls.56/61-Intimação fls. 173) Ex 1984, base 1983: Cr$15.600.000 (fls.165/167 - Intimação fls. 49) 1.2 - Apurada através de passivo não comprovado (Quadro De monstrativo-QD n9 4-fls.21) no balanço de 31.12.83: - Ex 1984, base 1983: Cr$ 21.869.899. 2. Glosa de despesa/custo por não comprovação com documento hábil (' k .,"") (1.74/V DMF•DF/1 0 C C Secgraf 1600/75 3 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783-004.076/86-23 Accirdão n9 101-77.273 da efetiva prestação dos serviços de terraplenagem por Penta-Ter raplenagem Engenharia Ltda. (Docts.fls.55-62/69-89/109 - Intima ção: 174) Ex 1982, base 1981: Cr$ 6.550.000 Ex 1983, base 1982: Cr$ 13.794.764 3. Glosa de despesas/custos corroborados por notas fiscais emitidos por EMCATEL, Empresa Capixaba de Terraplenagem e Escavações Ltda. em situação irregular (fls.70) no Cadastro da Receita Federal des de o exercício de 1982, base 1981 (fls.55-70/88) Ex 1982, base 1981: Cr$ 4.972.103 4. Glosa de despesas/custos corroborados por documentação inidõnea, já que as empresas tidas como emitentes (Vila Capixaba Auto Pe ças Ltda. e Mecânica Texas Ltda.) negam terem emitido as notas fiscais relacionadas no Termo de Retenção de fls.171, conforme consta dos termos de intimação de fls.172 e 173. Ex 1984, base 1983: Cr$ 62.998.238 Ex 1985, base 1984: Cr$ 236.991.705 5. Glosa de despesas/custos corroborados por documentação inidõnea, já que as empresas tidas como emitentes (DISMAC Ltda. e Minas Box Ltda. - Termo fls. 225) são inexistentes, conforme diligência pro cedida pela DRF de Belo Horizonte (fls.210/224) Ex 1984, base 1983: Cr$ 105.638.600 Ex 1986, base 1985: Cr$ 33.552.000 (fls.391) 6. Glosa de despesas/custos acobertados por documentação inidõnea já que as empresas tidas como emitentes (Cerâmica Barro Vermelho Ltda. Casa Santa Luzia Ltda. e Empresa Madeiras do Vale Ltda)não constam do Cadastro da Secretaria da Receita Federal (Doc.fls.55- 225-236A/242-247/248 e 379/383) Ex 1984, base 1983: Cr$ 53.043.500 Ex 1986, base 1985: Cr$ 258.000.000 7. Glosa de despesas/custo acobertados por documentação inidOnea, , 4 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783-004.076/86-23 AcOrdão n9 101-77.273 já que as empresas tidas como emitentes (Monte Paschoal Indústria e Comercio de Madeiras Ltda., Madeiras São Gonçalo Ltda. e Serra ria e Indústria Ouro Verde) não existem, segundo diligencia proce dida nas supostas sedes das referidas empresas (fls.55-224-249 / 254-374-392/394) Ex 1985, base 1984: Cr$ 276.385.128 Ex 1986, base 1985: Cr$ 6.576.000. 8. Glosa de despesas/custos acobertados por Notas Fiscais inidõneas, já que o CGC nelas apresentado (fls.384/390) como sendo da emiten te Dismacel Ltda., pertence em verdade a outra empresa (fls.383 - A-ficha on une) Ex 1986, base 1985: Cr$ 317.970.890 9. Exclusão do lucro líquido do exercício feita indevidamente na de claração, uma vez que a autuada não procedeu a necessária discri- minação no LALUR, por não o possuir. Ex 1983, base 1982: Cr$ 4.354.786. 10. Despesas indevidamente deduzidas e não adicionadas na apuração do lucro real: 10.1 - despesas estranhas e desnecessárias à empresa referentes a refeições e lanches comprovadas com notas fiscais simplifi cadas e cupons de máquina registradora. (Q.D.1 - item 1 - fls.15). Ex 1984, base 1983: Cr$ 51.270 10.2 - despesas particulares de só-cios (telefone, energia eletri ca, alugueis, impostos, cartões de credito, consertos, via gens de familiares e outras) Ex 1984, base 1983: Cr$ 9.944.584(QD1,item2, fls. 15/18- 110/124) Ex 1985, base 1984: Cr$ 10.845.867 , Qp5„.11,f1s22 e 132/139) 10.3 - Brindes e Presentes (RelOgio, Conjunto de Som, calculadora, televisor, gargantilhas) ! 5 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783-004.076/86-23 Ac6rdão n9 101-77.273 Ex 1985, base 1984: Cr$ 2.056.000 (fls.23 e 140/143A) 10.4 - Multas do DETRAN (fls.23) Ex 1985, base 1984: Cr$ 241.399. 10.5 - Imobilizações escrituradas como despesas - Ex 1984, base 1983: Cr$ 509.735 (QD 2-fls.19) Ex 1985, base 1984: Cr$ 13.810.000 (Qp 6-fls.24,144/154) 11. Falta de Correção ~etária das imobilizações não registradas, constantes do subitem anterior (10.5) - Ex 1984, base 1983: Cr$ 468.195 (QD 3-fls.20) Ex 1985, base 1984: Cr$ 4.383.606 (QD 7-fls.25) 12. Postergação de imposto de renda do exercício de 1984, base 1983, para o exercício seguinte, em decorrência da apropriação em 1983 da despesa de Cr$ 1.273.218 relativa a publicidade e pro paganda paga no ano seguinte a Eldorado Publicidade Ltda. - Ex 1984, base 1983: 77,43 ORTN's (imposto, multa e juros) A ação fiscal encerrou-se em 27.06.86 (Termo-fls.395) Às fls. 398, consta um pedido de prorrogação por 15 dias do prazo de defesa, o qual ' foi deferido por despacho de fls. 401. Tempestivamente, o contribuinte ofereceu a impugnação de fls.404, onde, em síntese, alega (obedecendo a mesma numeração an — tenor): 1. Omissões de Receita: Confessa expressamente a ocor rencia de receita omitida "caracterizada por passivo fictício", mas impugna aquelas autuadas em decorrência das integralizações de capi tal. Afirma, para tanto, que os recursos utilizados se originaram das disponibilidades pessoais do sOcio, conforme se pode ver de suas declarações de rendimentos e que a efetiva entrega, no que diz - respeito ã integralização de 1982, se evidencia através do extrato bancário de fls.500. Ademais, salienta com base no accirdão número 101-73.861/82 deste Conselho que há impossibilidade factual de des vio de receitas no início do negOcio. Diz, ainda que o prOprio flu xo de caixa evidencia o ingresso, yá que sem eles não haveria como efetuar ('/Vi 6 serviço palico federal PROCESSÓ N9 10783-004.076/86-23 Ac6rdão n9 101-77.273 os pagamentos feitos. 2: Efetividade dos serviços de terraplenagem prestados por Penta Terraplenagem Engenharia Ltda. — Afirma não poder negar— se a efetividade de tais serviços, cuja materialidade pode ser vis ta a olho nu. Com efeito, a impugnante contratou com a COHAB-ES a construção do conjunto habitacional Linhares V e. naexecução de suas obrigações fez o preparo do terreno mediante os serviços de Penta Terraplenagem e Engenharia Ltda. Para fins de prova anexa: a) Con- trato de repasse firmado com a COHAB-ES (fls.454) b) Estudo do Tra balho e Realização de Aterro para Edificações em Linhares (ES) de Sologeo (fls.466 a 492; c) cá-pias datilográficas de cheques nomi nais a Penta e a Bancos com os respectivos canhotos (fls.493 a 520); d) atestado da COHAB-ES de que a impugnante realizou, de agosto de 1981 a março de 1983, infra estrutura e urbanização do Conjunto Li nhares V (fls.521). 3. Glosa das Notas Fiscais de EMCATEL, por estar a re ferida empresa em situação cadastral irregular desde o exercício de 1982, baste 1981. Sustent.a . a. improcedência da glosa, a um, porque não tem acesso aos cadastros da receita e, a dois, porque, em 1981, epoca da contratação e prestação dos serviços, a empresa EMCATEL estava em situação regular, posto que a irregularidade surgiu em 1982 (fls. 70). Ademais, protesta contra a responsabilidade que lhe é transfe- rida, sem amparo legal, jâ que a documentação se reveste de todas as formalidades legais. 4. Glosa das despesas embasadas em documentos cuja e missão e negada por Vila Capixaba Auto Peças Ltda. e Mecânica Texas Ltda., apresentadas como emitentes. A glosa não pode prosperar, uma vez que os documentos apreendidos apresentam todos os requisitos legais e que, por isso, não é. dado ã impugnante advinhar a falsidade dos documentos que a cobertam operações efetivamente realizadas. O que a reclamante ga rante que os materiais constantes dos documentos foram efetivamen ,JAAP 7 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783-004.076/86-23 AcOrdão n? 101-77.273 te utilizados em reparações de seus bens, o que justifica a pertinen cia das despesas nos anos base de 1983 e 1984. 5. a 8. Glosas de despesas porque embasadas em documen tação inidõnea, seja porque inexistam as empresas emitentes, ou es tas não constem do cadastro da Receita Federal, ou dele se divorciam A impugnante não concorda com as glosas e as refuta em' bloco de fls. 435 a 440. Aduz, em primeiro lugar, que os materiais constantes dos documentos foram efetivamente aplicados nas obras exe cutadas. Estas, por si scis, evidenciam a necessidade daqueles mate riais. E, para comprovar, junta de fls. 532/545 um laudo técnico de aplicação de materiais em obras, firmado por gerente e engenheiro da prOpria impugnante. Ora, continua a defesa, adquiridos, recebidos e pagos os materiais devidamente conferidos e acobertados por documentos que con tenham todos os requisitos legais, como que poderia ela, impugnan te, supor que as empresas emitentes estariam irregular perante a S,R,F.? Isso lhe era impossível, uma vez que as notas fiscais esta vam "vistadas" pelas fiscalizações estaduais e os preços eram os nor malmente praticados no mercado de então. Assim, ã impugnante era im possível visualizar Irregularidades documentais. De outra parte, a simples pesquisa do sistema "on-line" não constitui prova da inexis tência de empresa, mas simples indicio, não suficiente para fundamen tar a ocorrência de infração. Desta forma, a contabilidade da impug- nante deve prevalecer, deixando de ter procedência o procedimento fiscal sobre os presentes fatos. 9. Exclusão indevida do lucro liquido na declaração,por falta de discriminação no LALUR. Entende a impugnante que a autuação indevida, jã que seu procedimento, relativo a execução de obra por prazo superior a 12 meses, está em perfeita sintonia com as disposições da Instrução 7 14)Pi SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783-004.076/86-23 8 Aceirdão n9 101-77.273 Normativa 21/79. Aplicadas estas regras aos dados constantes dos re- gistros contábeis, chega-se à exclusão constante da Declaração. Quan to ao LALUR, achava-se ele em transcrição rascunhada e será apresen- tado, na forma em que se encontra, como elemento de prova. 10.1 - Despesas desnecessárias (refeições e lanches) (fo lhas 15). Afirma a impugnante que despesas com "refeições e lan- ches" não podem ser tidas como "estranhas e desnecessárias" à ativida de da empresa. Ora, tais gastos são "representação" e trazem grandes dividendos à empresa, embora tenham sido de muito pequeno valor (Cr$' 51.270,00). E exatamente por ser de pequeno valor é de ser admitida a comprovação por meio de notas fiscais simplificadas e com ticktes de caixa. Assim, e a vista do Parecer Normativo CST 10/76, é de se ter por razoável a despesa de Cr$ 51.270,00 em face da receita do e- xercício (Cr$ 2.211.376.525,00) 10.2 - Despesas particulares de sécios. A impugnante reconhece a procedência do feito no que diz respeito ao exercício de 1984, base 1983, no valor constante do auto (Cr$ 9.944.584). Quanto ao exercício de 1985, base 1984, reconhe ce como válidas as glosas que menciona no item 4.1 (fls. 406) da defe- sa, mas contesta as demais relacionadas no Q.D. n9 5 de fls. 22/23. (Pagamento de viagens de familiares).Com efeito, os gastos de passa- gens aéreas (Notas 07724, 09700 e 07893) devem ser aceitos como dedu- tíveis no que dizem respeito aos sécios Pedro Alcântara Costa e Maria Luiza Studart Alcântara Costa, posto que têm relação com a ativida- de da empresa. Ambos exercem gerência na empresa e devem constantemen te locomoverem-se em atenção ao objetivo social. Igualmente dedutivel deve ser a despesa carroborada pe- lo documento de fls. 138 (NF de José Neffa Hoteis e Turismo S.A). A despesa em questão (jantar na residência) foi realizada em 31.12.1983, dia de confraternização. No caso,- usou-se a residência do sécio para /7 i/( ? , 4M SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783-004.076/86-23 9 AcOrdão n9 101-77.273 integração de funcionários e patrões, com minimização de custos. A despesa é irrisOria em face da receita da empresa. A glosa não pode ser mantida. 10.3 Brindes e Presentes (QD 5 - fls. 23). Os brindes e presentes visaram promover a empresa e seus objetivos, premiando clientes e pessoas de projeção social com a divulgação dos empreendimentos empresariais. Os brindes e presentes foram comprovados e em montante compatível com o resultado da empre- sa. Diante disso e do acOrdão 101-66.464/74 e do PN 15/76, é de se de clarar a improcedência da glosa. 10.4 Multas do DETRAN A impugnante reconhece a procedência da autuação. 10.5 Imobilizações escrituradas como despesas (QD 6 -fo lhas 24). Também aqui a autuada reconhece a procedência do feito com relação ao exercício de 1984, base 1983, na totalidade, e, em par te, quanto ao exercício de 1985, base 1984. Deste, entende correta a exigência relativa aos documentos de fls. 144, 150 e 151. Os demais i tens (fls. 24) reportam-se a bens com vida útil inferior a um ano e como tal, eles têm dedutibilidade assegurada pelo artigo 193 do RIR/ /80. Para fins de prova, juntou-se à pãg. 531 um laudo técnico da en- genheira chefe do Departamento Técnico da prOpria impugnante, que re- laciona como de vida útil inferior a um ano ,os bens arrolados no Q.D. de fls. 24 e objeto da contestação deste subitem (vibradores, guin- chos, máquinas de corte rápido, carretas). 11. Correção Monetária das Imobilizações do subitem ante- rior. Da parte reconhecida pela impugnante há procedência da v` SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783-004.076/86-23 10 Acérdão n9101-77.273 exigência. Os demais itens, não reconhecidos, não hã o efeito decor- rente da correção monetãria, por não subsistir a infração principal. 12. Postergação no Exercício de 1984, base 1983. A infração expressamente reconhecida pela impugnante' ãs fls. 405 da peça impugnatOria. Impõe-se, por fim, relatar que a autuada promete efe- tuar o pagamento referente aos itens não contestados nos 30 dias se guintes ã decisão de 19- instância. A informação fiscal (fls. 147) opina pela dispensa da exigência relativa à glosa de exclusão do lucro liquido (infração 9) requerida na declaração,., em face do documento de fls. 524 e pede a ma nutenção da cobrança que resulta dos demais itens autuados. Para tanto, diz em relação aos itens contestados na im- pugnação: 1. Omissões de receita. Os argumentos da defesa não podem prosperar. Eis que o acOrdão invocado refere-se a integralização de capital na constitui-- ção de empresa. Quanto às integralizações subseqüentes, a empresa su jeita-se ao dever de provar a origem e efetiva entrega dos recursos sob pena de tê-los tributados como receita omitida. r o que ocorre neste feito: a primeira integralização autuada ocorreu 5 meses apcis o início do empreendimento, havendo pois tempo para desvio de receita. Ademais, o doc. de fls. 500, em que a impugnante se estriba para jus- tificar a efetiva entrega, não é documento hãbil, jã que se trata de mero extrato bancário, em que, sobre não haver indicação do depositan te, não ocorre coincidência de data com a alteração contratual. 2. Efetividade dos serviços de Penta Terraplenagem. A impugnante,intimada a apresentar as notas fiscais (fo /V) SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783-004.076/86-23 11 Acérdão n9 101-77,273 lhas 174) que corroborassem a prestação dos serviços, não o fez, nem no curso da ação fiscal, nem agora na reclamação. Limitou-se a apre- sentar faturas, que, atendendo ã lei comercial, não obedece ã lei fiscal. Além disso há de se considerar que os documentos de folhas 452/524 são emitidos por empresa que não Penta Terraplenagem e En genharia Ltda. 3. Glosa relativa EMCATEL. A empresa EMCATEL teve seu CGC suspenso e, assim, não está regularmente inscrita. Ora, para que custos/despesas sejam dedu tiveis ante a legislação do imposto de renda, "é indispensável que o pagamento seja feito a beneficiário identificado e regularmente ins- crito no cadastro da S.R.F. A glosa, pois, deve ser mantida. 4. Glosa relativa as notas fiscais ditas como de emissão de Vila Capixaba Auto Peças Ltda. e Mecânica Texas Ltda. A inidoneidade das notas fiscais foi comprovada pela dilig8ncia efetuada pelos autuantes. Por ela, as empresas Vila Ca pixaba e Mecânica Texas (fls. 172/173) negam que os ditos efeitos fiscais sejam de sua emissão. Por seu turno, a impugnante contentou- se em dizer que os materiais deles constantes foram efetivamente ad- quiridos. Porém, nada se provou. Não disse de quem os comprou,, pos to que de Vila Capixaba e Mecânica Texas não foi. Assim, os documen- tos referentes as despesas glosadas não indicam, como legalmente im posto, o nome, endereço e o número da inscrição cadastral do emiten- te. A glosa deve ser mantida. 5/8. Glosas relativas a DISMAC, MINAS BOX; MONTE PASCHOAL SÃO GONÇALO, OURO VERDE, MADEIRAS DO VALE, BARRO VERME LHO, SANTA LUZIA E DISMACEL. A áadorld.dâde, das notas não foi destruida. As empre- sas não existem, conforme se pode verificar através das diligências' fiscais efetuadas em relação as 5 primeiras e através do sistema OR- CA (ON UNE de recuperação de cadastro) em relação as restantes. Ade SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783-004.076/86-23 12 Ac6rdão n9 10.1-77.273 mais, os documentos, que apresentam DISMACEL como emitente, trazem o CG C que, em verdade, e de outra empresa: Companhia Industrial Paolet ti. Para infirmar o recebimento das mercadorias, invocado' pela defendente, leio para o plenário a parte da informação fiscal n9 1 a 5 que consta de fls. 551/553. - Lida em plenário - 9. Exclusão indevida Como dito antes o informante pediu a procedência da de fesa quanto a este item. 10.1 - Despesas desnecessárias (refeições e lanches). No caso, não se trata de despesas ocasionais, como quer a impugnante, mas de despesas incorridas, e que poderiam ser compro- vadas, não, porem, com notas fiscais simplificadas ou cupons de má- quina registradora, como afirma o P.N. CST n9 83/76. 10.2 - Despesas particulares dos secios. Este item deve ser integralmente considerado proceden- te e não apenas as parcelas confessadas. A autuada contesta a glo- sa das despesas com viagens dos sõcios diretores Pedro A. Costa e sua mulher, alegando, sem provar, que elas se realizaram em benefi- cio da empresa. A falta de prova justifica a glosa. Com referência ao jantar na residência do secio Pedro A. Costa, o documento de fls. 138 não corrobora o alegado na defesa: jantar de confraternização entre funcionários e patrões. O jantar foi oferecido pelo secio em sua residência, como atesta aquele docu- mento. Do Sr. Pedro A. Costa e pois a despesa, não da empresa. 10.3 - Brindes e Presentes - Não se trata de "brindes" segundo conceituação do P.N. (21 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783-004.076/86-23 13 Acérdão n9 101-77.273 CST n9 15/76, isto e, de ofertas promocionais da empresa de diminuto ou nenhum valor comercial, mas de "presentes", como relégio, apare- lho de som, televisores, jOias (doc. fls. 140/143 A) e, como tais , indedutíveis. 10.4 - A impugnante concorda com a glosa referente às multas do DETRAN. 10.5 - Imbolizações escrituradas como despesas. A autuação deve ser mantida tanto em relação â. parce- la confessada, quanto em relação à contestada. Para justificar sua defesa parcial, a impugnante junta um laudo tecnico, atestando que os bens mencionados são de vida útil inferior a um ano. Como, porém, o laudo firmado por engenheira da prOpria impugnante, não possui ele valor probante. 11. Correção Monetária. Trata-se de mera decorrência do item 10.5 anterior. 12. Postergação. A infração e confessada na defesa. Apés a informação, a autuada fez juntar ceipias xerogrã ficas de cheques emitidos por ela a favor de Bancos, de Penta Terra- - plenagem e Engenharia Ltda., Carlos Alberto Ramos Alves e Wilson Ra- mos (fls. 555/573). A autoridade de 19- instância, pela decisão de folhas 574/598, julgou procedente em parte a ação fiscal, para, à luz dos argumentos da informação, excluir de tributação no exercício de 1983, base 1982, a importância de Cr$ 4.354.786 relativa à exclusão do lu cro líquido não discriminada no LALUR (infração n9 9), mantido todo o restante autuado. A SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783-004.076/86-23 14 Acôrdão n9 101-77.273 Para maior esclarecimento do plenário, leio os "consi- deranda" de fls. 592/597 que fundamentaram o decidido. - Lidos - A decisão foi intimada ao sujeito passivo em 28.04.87, (fls. 600). Em 25.05.87 (fls. 692) foram anexados ao processo o re curso e elementos de instrução de fls. 601/692. A recorrente reitera de inicio-)todas as razões expendi das através da impugnação, como se integrantes fossem da peça recur sal. Em seguida passa a desenvolver os argumentos de seu apelo, os quais assim sintetizo: 1. Omissões de receita. a) Ex. 1982, base 1981: Cr$ 14.100.000,00. Em 10.04.81 elevou seu capital social com aumento su- portado pelos s6cios Pedro A. Costa (Cr$ 13.570.000) e sua mulher Maria Luiza S.A. Costa (Cr$ 530.000,00) perfazendo o total de Cr$ 14.100.000,00. A integralização não pode indiciar omissão de receita, seja porque os cinco meses que medeiam entre o arquivamento dos atos constitutivos da sociedade (09.12.80) e a data da alteração contra tual (10.04.81) são meses insuficientes para ensejar omissão de re- ceita de tão grande valor, mormente se se levar em conta que sua ati vidade é a construção civil. de se destacar a propOsito desta infração, que sua autuação deveu-se a falta de prova da origem e efetiva entrega dos recursos,J-ã a decisão 'ampliou_ o fato autuado para exigir documenta- ção hábil e idônea coincidente em datas e valores. Em defesa a re- corrente diz que a prova se faz mediante o lançamento contãbil da integralização, frisando haver coincidência de datas entre a eleva- ção do capital e seu registro contãbil. No que diz respeito a docu- mentos hábeis e idôneos, a recorrente se louva em acôrdão da n- Cãma :7)3 , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783-004.076/86-23 15 AcOrdão n9 101-77.273 ra deste Conselho, segundo o qual o acréscimo patrimonial de um exer cicio é justificado pelos recursos constantes da declaração da pes- soa física do ano anterior. "Mutatis Mutandis", a situação é a mes- ma: Se os sócios t8m disponibilidades em sua declaração, estas justi ficam o investimento de capital que se fez na jurídica. Ademais, a tributação é feita com base no artigo 181 do RIR/80. Tal dispositivo, porém, não acoberta o fato presente, se- ja porque sua disposição requer indícios de omissão de receita (coi- sa que o fisco não demonstrou), seja porque ele se refere a suprimen tos de caixa, enquanto o fato é de integralização de capital. Outro aspecto a considerar é que houve erro na identi- ficação do sujeito passivo. A pesquisa deveria alcançar o sócio, não a empresa. E se se pesquisar a declaração do sócio ver-se-á que ali se lançou o investimento e que este não gerou aumento patrimonial.As sim, o sócio tinha suporte para integralizar. Quanto ã origem, o recorrente indica como tal, a alie- nação: 1) em 12.02.81 de cotas de participação societária; 2) em 19.03.81 de um lote em Brasília; e ainda 3) o recebimento de uma doa ção do sogro (2.000.000) e 4) outros recursos prOprios (Cr$ 900.000). Todos estes fatos constam da declaração da pessoa física. Assim, en- tende provada a origem extra-empresarial dos recursos aplicados. b) Ex. 1983, base 1982: Cr$ 22.390.000,00 O lançamento contábil foi feito em 31.10.82. A propOsi to desta integralização, a recorrente aduz os mesmos argumentos an- tes mencionados e afirma que a origem está comprovada através da dis ponibilidade de recursos evidenciada na declaração da pessoa física' do sécio referente ao mesmo período-base e que a efetiva entrega es tã esclarecida através do extrato bancário (fls. 675) e os lançamen- tos no Diário. O cheque de n9 206626, constante do referido extrato, como depósito em1,9.10.82,no valor da integralização (Cr$ 22.390.000,00) não foi apresentado. 4 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783-004.076/86-23 16 Aceirdão n9 101-77,273 c) Ex. 1984, base 1983: Cr$ 15.600.000,00. Renovando argumentos anteriores, afirma que os recur- sosda integralização de 15.06.83 originaram-se de desimobilizações do só- cio, constantes da declaração pessoa fisica;, para o fim de go- zar dos favores do Decreto-lei n9 1950. A efetiva entrega se demons- tra pelos lançamentos no Diário (fls. 689/690). Ademais, cumpre observar que a exigência deste item re presenta uma dupla incidência, já que o valor autuado estaria inclu- so nos Cr$ 21.869.899 de receita omitida resultante do passivo ficti cio autuado e confessado como procedente pela recorrente. 2. Efetiva prestação de serviços por Penta Terraplenagem e Engenharia Ltda. Ex. 1982, base 1981: Cr$ 6.550.000,00 Ex. 1983, base 1982: Cr$13.794.764,00 Segundo o auto, as faltas ensejadoras das glosas foram a não comprovação da efetiva prestação dos serviços, através de do cumentação hábil. Inobstante isso, a decisão de 19 grau pretendeuman ter a glosa sobre pretexto de que dedutiveis são apenas as despesas' que guardam relação com a atividade explorada. Ocorre, porem, que tu do gira em torno da efetiva prestação dos serviços, como se pode ler do último considerandum da decisão: "considerando que parte dos documentos acostados às fo lhas 554/559 comprovam o pagamento a Penta Terraplera gem e Engenharia Ltda. e o auto em questão questiona a efetiva prestação dos serviços, assim os mesmos são insuficientes como prova a favor do contribuinte." Entretanto, os serviços foram prestados no Conjunto Ha bitacional Linhares V, conforme faturas (fls. 62/69 e 90) e o relat6 rio de fls. 52 firmado pela profissional encarregada, este indevida- mente desconsiderado pela decisão de 19 grau. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783-004.076/86-23 17 AcOrdão n9 101-77.273 Resta evidenciar que os pagamentos foram feitos. E o faz fazendo referências às cOpias xerogrãficas dos cheques nominais a Penta, emitidos pela recorrente e que afirma estarem acostados ao processo (Diga-se, parenteticamente, que de fato existem CrS6.000.000' emitidos em 1981 -fls. 562, 570, 564, 561- e Cr$ 9.394.764 emitidos em 1982 fls. 556, 563, 565/568 alem de outros que tem Bancos por be neficiãrios). Para maior comprovação dos serviços, acosta às fls.653 Declaração firmada pela COHAB-ES de que Penta Terraplenagem Engenha- ria Ltda. foi empreiteira da recorrente na construção do Empreendi-- mento Habitacional Linhares V. Assim, diz a recorrente, faturas, che ques nominais, declaração da engenheira lançamentos contãbeis e de claração da COHAB-ES evidenciam a efetiva prestação dos serviços. E mais: de fls. 654/659 juntam-se os documentos de contratação dos ser viços de Penta. 3. Glosa correspondente à EMCATEL - Ex. 1982: Cr$ 4.972.103,00 Diz a recorrente que a defesa não foi acolhida porvea au toridade de 19 grau entendeu: a) que a empresa emitente das notas fiscais estava irregular perante o imposto de renda e b) que a empre sa emitente não teria oferecido à tributação os valores corresponden tes. Quanto ao primeiro fundamento a recorrente alega que não tem o "munus" fiscalizador para aprofundar indagações. Contenta-se com os documentos que exteriorizem os elementos legais exigidos. Quanto ao segundo, cumpria a fiscalização exigir o tributo de quem auferiu a renda e não de quem suportou a despesa. A propOsito, cabe ressaltar o acOrdão 103-05.851/83 do 19 C.C. que fez observar que o comporta-- mento condenãvel de uma empresa, não se transmite às demais que com ela mantiveram relações comerciais,mormente se o fato condenãvel era desconhecido das outras. Ora, no presente caso, a recorrente s6 sou- be da irregularidade da EMCATEL em 1986, enquanto o fato autuado e de 1981. Espera a revisão do julgado. 4 a 8. Glosas relativas a notas fiscais inidõneas e/ou empre- 7K7 eo: SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783-004.076/86-23 18 Ac6rdão n9 101-77,273 sas inexistentes e/ou não constarem do cadastro da SRF. Exercícios de 1982 a 1986. A recorrente volta a invocar o ac6rdão 103-05.851 para sustentar que a inidoneidade das empresas não podem afetar aquelasou tras que com elas transacionem. Não cabe ao comprador examinar a si- tuação fiscal do fornecedor, desde que o documentário fiscal apre- sente os elementos legalmente exigidos. 9. Não mais e objeto de litígio. 10.1. Despesas com lanches e refeições Ex. 1984, base 1983. A recorrente alega ter sido autuada por impertinência da despesa. Mas, obviamente não podem ser tidas como tais gastos com lanchonete, mormente quando em percentual mínimo (Cr$ 51.270,00) e destinados a compensar funcionários que ultrapassassem o expediente normal. Quanto a menção feita no QD. 1 a notas fiscais simpli- ficadas e de se ter em mente que o P.N. 83/76, item 3, convalida tais documentos perante o fisco federal. 10.2. Despesas Particulares de só-cios (viagens e jantar de confraternização) Exercício de 1985, base 1984. O recurso invoca todo o alegado na defesa, para dizer que as viagens do sOcio Pedro A. Costa e sua mulher são de interes- se da empresa, posto que ambos são empresários. Tambem pertinente e o jantar de confraternização de pa trões e empregados. O dispêndio deve ser tido por dedutível, de vez que em valor mínimo. O fato de a nota fiscal ter sido emitida em no_ me do sOcio deveu-se ao "estreito relacionamento" deste com o dono do "buffet". " 7 PP/r 1 SERVIDO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10783-004.076/86-23 19 AcOrdão n9 101-77.273 10.3. Brindes e Presentes - Ex. 1985, base 1984 Cr$ 2.056.000,00. Com base no montante da despesa relacionada com a re- ceita bruta da empresa, pretende a recorrente ver restabelecida a despesa, jã que aquela relação evidencia o diminuto valor da despesa, em sintonia com o acOrdão -101-66.464/74 do 19 C.C. e Parecer Norma- tivo 15/76. 10.4. Não foi objeto do recurso. 10.5. Imobilizações como despesa Ex. 1985, base 1984. A parcela contestada na defesa teve a impugnação funda da no atestado da engenheira da empresa e acostado ãs fls. 531. Por ser funcionário da recorrente, a autoridade de 19 grau negou valor probante ao documento. Com certeza, diz a recorrente, o mesmo argu- mento não pode recair na declaração de empresa especializada no ramo e conceituada na praça, coonestando o antes afirmado no documento de Lis. 531. Tal declaração consta do anexo 23 do recurso (fls. 691) e certifica que os bens que menciona tem vida útil inferior a um ano. 11. Correção Monetária das Imobilizações Ex. 1985. Dada a relação de causa e efeito, a sorte deste item dependerá daquela do subitem anterior. Pede sejam acolhidas as razões do recurso com reforma da decisão de ]A- instância. o relatOrio. 41,4v ( SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10783-004.076/86-23 20 Acórdão n9 101-77.273 VOTO VENCEDOR_ . Conselheiro RAUL PIMENTEL, Relator Designado para o Acórdão Estamos de acordo com o nobre Relator sorteado, sal vo no que se refere ã parcela de omissão de receita no valor de Cr$ 14.100.000, caracterizada pelo aumento de capital social ocorridoem 07.04.81, cujo ingresso e a origem do numerário utilizado na sua in tegralização deixaram de ser satisfatoriamente comprovados. Na realidade, os suprimentos de caixa, considerados assim também aqueles destinados às integralização do capital social da pessoa jurídica, representam forte indício de que receitas do gi ro normal da empresa foram desviadas da tributação. As provas indiciãrias, embora não reunindo caracte- rística da melhor qualidade, vem sendo aceitas no direito com a fi- nalidade de provar fatos de difícil comprovação, como o desvio de receitas do crivo da tributação. É preciso levar em consideração, todavia, que a acu sação de omissão de receita, nesses casos, se faz por mera presun- ção fiscal, admitindo-se, por se tratar de presunção relativa iuris tantum, a prova de sua improcedência. Pode ser que a origem e o efetivo ingresso do nume- rário não estejam suficientemente comprovados, na apreciação feitape lo nobre relator, porém labora em favor da recorrente o fato de que o aumento do capital social da empresa e sua integralização ocorre ram no início de suas atividades: fundada em dezembro de 1980 com o capital inicial de Cr$ 4.400.000, seu aumento ocorreu em 07.04.1981. Acrescente-se, ainda, o fato de tratar-se de atividade cujo retorno de investimento não é imediato e o capital inicial e o prazo decor- ridõ até o ingresso do numerário não permitem retorno financeiro no montante questionado. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10783-004.076/86-23 21 Acórdão n9 101-77.273 De forma que, tendo ocorrido essa circunstância, a base da imputação fiscal, no que diz respeito ao suprimento para au mento de capital no ano-base de 1981, exercício financeiro de 1982, ficou irremediavelmente comprometida, com o surgimento de uma outra presunção, essa agora em favor do contribuinte, que é a impossibili dade factual de ter havido desvio de receitas tributáveis no perío- do de janeiro a abril de 1981. A respeito do enfraquecimento da presunção fiscal de omissão de receita com base em suprimentos de caixa realizados no início de atividade, assevera o Conselheiro SYLVIO RODRIGUES no Vo- to que embasou o Acórdão n9 101-74.799: "I- ão se deve olvidar que a eficácia do direi- to depende sempre da prova dos fatos que ser vem de base às causas jurídicas. As vezes, co mo são fatos de difícil demonstração, a lei, em certas hipóteses, facilita a prova, estabe- lecendo presunções, que não são arbitrárias mas correspondem ao que Ordinariamente aconte- ce, ou deixa a cargo da parte a demonstração de prova precisa a respeito do fato alegado. Em qualquer dessas hipóteses, a fonte da prova es -Lá na indução que parte de um fato conhecido 7. na espécie, os indícios estabelecidos com base no valor dos recursos dados por fornecido caixa da empresa, em busca de outro desconheci do. Os efeitos do fato conhecido, em seus as--- pectos e circunstâncias, oferecem indícios de outro fato; deixando,-os, porém, sob penumbra sem expô-los claramente. A razão toma, então, tais indícios e, para esclarece-los, em torno deles elabora conjeturas, faz perquirições, es tabelece opiniões, tira conclusões e assim se formam as presunções. Estas, todavia, não po dem ser fugazes à certeza do fato, a qual um estado subjetivo de convicção,- para não ver, aquele que delas se serve, desmoronar-se todo o arcabouço da causa perseguida. Os indícios e as presunções têm, pois, de ser veementíssi- mos para afastar em definitivo as possibilida- des contrárias. Para esse efeito, sobreleva-se o princípio ontológico da prova, em que o ordi nário se presume (presunção "hominis", fundada naquilo que ordinariamente acontece) e o ex- traordinário se demonstra. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10783-004.076/86-23 22 Acórdão n9 101-77.273 É partindo desse princípio que os precedentes jurisprudenciais inadmitem a omissão de recei- ta no início de negócio, por inexistência ma terial, concreta de receita. Aí, na ocasião d-6 início do negócio, presume-se não haver o que omitir como receita operacional, mesmo que ha ja recursos fornecidos à empresa para simple-s- reforço de numerário de caixa. A esse propósi- to atua a presunção "hominis", pois ordinaria- mente acontece não existir mesmo receita ope- racional, quando a exploração do negócio tem i nício. São essas as razões pelas quais deixo de acompanhar o nobre relator sorteado, concordando, todavia, com o seu Voto no que pertine às outras matérias trazidas a julgamento. Ante o exposto, voto no sentido de dar-se provimen- to parcial ao Recurso para excluir da tributação as parcelas de Cz$ 25.622.10, Cz$ 13.794,76; Cz$ 468,19 e Cz$ 15.843,60, nos exercí- cios de 1982, 1983, 1984 e 1985,_x.esp-ctivamente. ,•n IMEN - RELATOR — , _„ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10783-004.076/86-23 23 Acórdão n9 101-77.273 VOTO VENCIDO DO CONSELHEIRO CRISTÓVÃO ANCHIETA DE PAIVA O recurso é tempestivo. Conheço dele. No que diz respeito as autuadas omissões de recei- tas é de se salientar, de início, que a recorrente em momento ai gum, seja na reclamação, seja no recurso, desenvolveu argumentos ten dentes a ilidir à cobrança correspondente à receita detectada atra- vés de passivo fictício no valor de Cr$ 21.869.899 no exercício de 1984, base 1983. Ao contrário, ela com a autuação se conformou tan-, to na primeira, quanto nesta instância. Diante disso, a exigência deve ser mantida. Também procedentes são a meu ver as caracterizações de omissões de receitas apuradas por meio das integralizações de ca pital efetuadas nos períodos-base de 1981, 1982 e 1983, nos valores de Cr$ 14.100.000,00; Cr$ 22.390.000,00 e Cr$ 15.600.000,00, respec tivamente. Com efeito, prescreve o artigo 181 do RIR/80. "Provada, por indícios na escrituração do contri buinte ou qualquer outro elemento de prova, a omi-s- são de receita, a autoridade tributária poderá ar--- bitrá-la com base no valor dos recursos de cai xa fornecidos à empresa por administradores, s3 cios da sociedade não anónima, titular da empre- sa individual ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstra- das". Essa é a base legal da imposição. Seu fim é propi ciar meios à Administração Tributária de surpreender, e consequente mente tributar, receitas que não transitem pelos registros contá- beis da empresa. Para tanto, a lei erigiu, nesse dispositivo, a pre sunção de que os recursos de caixa fornecidos à empresa pelas pes- soas que menciona são originários da própria empresa, salvo se a SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10783-004.076/86-23 24 Acórdão n9 101-77.273 procedência extra-empresarial desses recursos for comprovadamente de monstrada. Essa comprovação é o único meio de que dispõe o con- tribuinte para, derrubando a presunção, contestar com eficiência a infração que lhe é imputada. Não lhe socorre o argumento de que a disposição com templa unicamente os chamados suprimentos de caixa. O objetivo da disposição não seria alcançado. Os "recursos de caixa fornecidos ã empresa" de que fala o texto são quaisquer disponibilidades a ela entregues, seja diretamente sob a forma de suprimentos, seja indire- tamente mediante aumento de capital com integralização em dinheiro. Tudo constitui "recurso de caixa fornecido ã empresa". Não lhe socorre, também, conforme copiosa jurispru- dênciadeste Conselho, a alegação de que o fisco para autuar deve, aprioristicamente, indiciar a omissão e, em seguida, arbitrá-la se gundo os recursos fornecidos. Não, a própria int:egralização, quan- do não comprovadamente demonstradas a origem extra-empresarial dos recursos e a efetividade da entrega deles ã empresa, constitui por si só caracterização de receita omitida. Ê por issó que a empresa deve, ao proceder a integra lização de capital, não só municiar-se com os elementos comprobató-- rios da origem externa dos recursos, como também recebê-los por meios capazes de evidenciar aquela origem extra-empresarial. A falta ,de comprovação traduz omissão de receita da pessoa jurídica. E é por is so que não acolho o argumento de que houve erro na identificação do sujeito passivo. No caso do presente feito, nem a origem, nem a efeti vidade da entrega dos recursos utilizados nas três integralizaçõesfo ram comprovadamente demonstradas. Para a integralização de abril de 1981, a recorrente indicou os recursos como sendo originários de venda, em fevereiro, (51 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10783-004.076/86-23 25 Acórdão n9 101-77.273 de participação societária; em março, de um lote em Brasília; e ain- da, de uma doação e outros recursos. Mas a efetiva entrega não foi demonstrada. Assim, não há elo entre aqueles recursos e o ativo da empresa. Aqueles recursos representam, pois, mera capacidade finan- ceira do sócio, não origem dos valores integralizados. E está assen- te na jurisprudência deste Conselho que disponibilidade econômica e financeira não é 6bastante para demonstrar origem de recurso. A propósito dessa integralização de abril de 1981 não aceito como válido o argumento de que 5 meses -- a quanto monta a distância no tempo entre a integralização e o arquivamento dos a- tos constitutivos da empresa -- seriam insuficientes para se perpe trar omissões de receitas. O tempo, inobstante curto, ensejava reali zação de operações e ;pois, de omissões. A empresa, então, já esta- va obrigada a comprovar a origem e a efetividade da entrega. Quanto à integralização de outubro de 1982, a empre- sa invocou como origem a disponibilidade evidenciada na declaração da pessoa física do sócio. Ora, como já visto, isso não é bastan- te para esclarecer a origem e, pois, para afastar a responsabilidade da empresa. A propósito da efetividade da entrega é de se esclarecer que mero "extrato bancário" não é documento hábil para vincular o re curso depositado com origens externas. O alegado cheque n9 206626 não foi juntado aos autos. No que diz respeito à integralização de junho de 1983, também ficaram indemonstradas a origem e a efetividade da en trega, já que para tanto a recorrente se louvou apenas nos lançamen- tos de seu Diário e na disponibilidade financeira da pessoa física do sócio, entrevista na declaração dele. Uns e outra por si sós na da demonstram. "A prova deve ser idônea, objetiva, precisa em dados ou elementos coincidentes em datas e valores, de forma a ficar ple- namente atendida a indagação fiscal sobre a proveniência das impor táncias supridas e conferidas no aumento de capital", conforme acen- tuou o (acórdão 19 CC 101-73.601/82). Também não logra acolhimento a ponderação do recur- 7 / (,í,;1 nÇ 26 sERvico PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10783-004.076/86-23 Acórdão n9 101-77.273 so de que a exigência, ora objeto de pesquisa, constituiria dupla in cidência, já que o valor autuado estaria compreendido nos Cr$ 21.869.899,00 de receita omitida resultante do passivo fictício au tuado e confessado como procedente pela recorrente. Ora, não há co mo misturar o conteúdo das duas infrações. A receita omitida é a so ma das parcelas encontradas em cada uma dessas rubricas. Essa foi a lição do acórdão CSRF/01-0.292/83. Diante de tudo isso, considero procedente a cobran- ça relativa às omissões de receitas autuadas. 2. Já com referência à infração relativa aos serviços que teriam sido prestados à recorrente por Penta Terraplenagem e En- genharia Ltda., entendo que o auto não pode prosperar. A não com- provação da efetividade de prestação desses serviços foi o fato de terminante da autuação. Penso, todavia, que os documentos acostados não ad- mitem semelhante conclusão. Os serviços foram efetivamente presta dos. Aí estão de fls. 654/659 os documentos relativos à contratação dos referidos serviços,A COHAB-ES atesta (fls. 653) que Penta Terra- plenagem Engenharia Ltda. foi empreiteira da recorrente na execução do Empreendimento Habitacional Linhares V, em Linhares, E. Santo. De fls. 62/69 encontram-se as faturas comerciais em sintonia com esses elementos. E mais: de fls. 556/570 foram juntados cópias xerográfi-- cas de cheques nominativos emitidos pela recorrente em favor de Pen- ta Terraplenagem Engenharia Ltda., que totalizam parcela substancial do valor autuado. Para a diferença a empresa tem outras explicações. Mas isso não importa. Se foi autuada por falta de comprovação dos serviços, ante as provas anexadas não se pode deixar de reconhecer a efetividade dos serviços. Dou provimento, neste tópico. 3. A glosa dos valores correspondentes às notas fiscais emitidas por EMCATEL - Empresa Capixaba de Terraplenagem e Escava_ ções Ltda. também não procede. A autuação, que é relativa ao exerci cio de 1982, base 1981, fundamentou a glosa na irregularidade da si (?./x(4:2 , Processo n9 10783-004.076/86-23 27 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Acórdão n9 101-77.273 tuação da empresa emitente perante o cadastro da Receita Federal,con forme se vê da ficha do Sistema on une de recuperação de cadastro (fls. 70). Ora, por esta mesma ficha, contudo, se constata que a suspensão cadastral da empresa ocorreu em 31.12.82 por ter sido ela omissa "no exercício de 1982 Ora, a suspensão não retroage para ma- cular a legitimidade dos efeitos fiscais anteriormente emitidos. Ne nhuma empresa, que com ela transacionasse em 1981, estaria obriga- da a prever que em 1982 seu CGC ficaria suspenso. Este e o caso da recorrente, que não pode ter glosados os documentos de 1981, porque a emitente teve em 31.12.82 seu CGC suspenso. Dou provimento, tam bém neste tópico. 4/8. Diverso, porém, é o meu entender com relação às de mais glosas efetuadas pela fiscalização em face da inidoneidade dos ddcumehtos. corroboradores dos respectivos assentamentos contábeis (in frações de n9 4 a 8 no relatório). Entendo, em conformidade com a recorrente, que o comportamento condenável de uma empresa não se transmite àquelas ou tras que, com ela mantendo transações comerciais, desconheçam o fato condenável. De tal verdade, porém, não se pode extrair a cômoda con clusão, como faz a recorrente, de que perante uma "nota fiscal iirTs sa com todos os elementos legalmente exigidos", o documento é idô- neo e hábil a corroborar assentamentos. Com tamanha inocência não se compadece o direito. Tanto quanto mais estranha seja a outra parte contratante, mais se impõem os devidos cuidados para que a empresa não se apanhe negociando com entidades fantasmas. É o que vemos nes — te feito em relação a esta série de irregularidades autuadas: a) na infração de n9 4, deparamos com Vila Capixaba Auto Peças Ltda. e Me- cânica Texas Ltda negando categoricamente às fls. 172/173 haverem emitido as notas fiscais constantes do termo de retenção de fls.171; b) nas infrações 5 e 7, defrontamo-nos com diligências fiscais a a- testar a falsidade de endereçosdas notas autuadas e, pois, a inexis- tência das empresas tidas como delas emitentes; c) nas infrações 6 e 8, constatamos que as empresas ditas emitentes não se encontram' inscritas no cadastro devido e, portanto, elas não existem. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10783-004.076/86-23 28 Acórdão n9 101-77.273 De tal sorte, concluo que os documentos referidos no auto são em verdade inidOneos para corroborarem assentamentos contá- beis. As despesas/custos neles embasadas devem ser objeto de glosa . E não se diga, como faz a recorrente, de que ela não tem o "munus fiscalizador" para verificar a autenticidade de documentos. Inscrita que é no CGC, a recorrente:~muito bem que tipo de documento exis- te para comprovar tal inscrição. Diante de tudo isso e da falta de demonstração, por parte da recorrente, de que as empresas emitentes dos documentos existem e de que os documentos retidos pela fiscaliza ção possuem regularidade intrínsicae nego provimento neste tópico. 9. Exclusão do lucro líquido: a infração foi desqualifi cada pela decisão de 19 grau, não sendo, póis, objeto do recurso. 10.1. Despesas referentes a refeições e lanches. A glosa é procedente, apesar de o auto descrever a infração como despesa "estranha e desnecessária". É que a imprecisão terminológica, aí constante, se esclarece no QD 1 de fls. 15 (ane- xo ao auto), ao fazer menção aos documentos comprobatórios das despe sas: notas fiscais simplificadas e cupons de máquinas registradoras. Por isso a infração autuada é de ser entendida como glosa de despe- sa não habilmente comprovada e portanto estranha ã empresa. E foi exatamente isso o que a recorrente entendeu, pois tanto na reclama- ção, quanto no recurso, procurou justificar a nota fiscal simplifica da e o cupon como documentos hábeis ã comprovação de despesas. Entretanto, não o são. O Parecer Normativo CST 83/76, citado pela recorren- te, diz expressamente em seu item 5: "Em face do exposto, é de se concluir que a nota fiscal simplificada e o cupon de máquina regis tradora não são documentos hábeis para comprovar despesas operacio - nais, de vez que não possuem elementos materiais capazes de ajuizar- se se os gastos atendem as condições de dedutibilidade." Nego provimento, neste item, ao recurso. (?). 29 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10783-004.076/86-23 Acórdão n9 101-77.273 10.2. Despesas particulares dos sócios: O auto é proceden- te tanto na parte em que expressamente não se estabeleceu o lití- gio, quanto naquela contestada e recorrida, relativa a viagens dos sócios e jantar em 31 de dezembro. Quanto às viagens, a recorrente li mitou-se a dizer que elas foram efetivadas pelos sócios gerentes Pe dro A. Costa e sua mulher, sem contudo demonstrar qualquer vinculo entre os deslocamentos e a atividade da empresa. O que era imprescin divel, posto que nem toda viagem de pessoa física e feita em benefl cio de empresa de que seja gerente, como acontece com as viagens de passeio e turismo. Quanto ao jantar de confraternização ocorrido em 31.12.83, o documento de fls. 138 é por demais explícito: foi emiti- do em nome da pessoa física do sócio e refere-se a um jantar na resi dencia dele. Dele, portanto, é a despesa, não da empresa. Nego, pois, provimento neste tópico. 10.3. Brindes e Presentes. Não merece censura, neste item, a decisão recorrida A natureza das mercadorias a que se referem os documentos de fls. 140/143-A (relógio, aparelho de som, televisores, jóias) não constituem ofertas de diminuto ou nenhum valor comercial destinadas a promover a empresa. Trata-se de presentes valiosos e não "brindes", na conceituação do Parecer Normativo n9 15/76. Nego provimento, aqui. 10.4. Multas cic) DETRAN. Expressamente a contribuinte con- cordou com a glosa, não estabelecendo o litígio. 10.5. Imobilizações escrituradas como despesas. A impugnan te e recorrente concorda com a glosa referente ao exercício de 1984 e, em parte, com aquela do exercício de 1985. Neste não refuta, as glosas relativas ao 19, 59 e 69 item do QD n9 6 de fls. 24. Contesta os demais itens, no valor de Cr$ 11.460.000, por se referirem a bens com vida útil inferior a um ano. Entendo que a recorrente está com a razão, quanto aos itens que contesta. A fiscalização não fez juntar nenhum "laudo SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10783-004.076/86-23 30 Acórdão n9 101-77.273 técnico" corroborador da assertiva de que os bens têm vida útil sti- perior a um ano. Em sentido contrário, a empresa anexou, com a recla mação, o documento de fls. 531 firmado pela engenheira chefe de seu departamento técnico e, com o recurso o documento de fls. 691 firma do por profissional inscrito no CREA. Ante tais fatos, fico com es- tes documentos para excluir de tributação no exercício de 1985, ba- se 1984, o valor de Cr$ 11.460.000,00 referente aos elementos de n9 2, 3, 4, 7, 8 e 9 do QD n9 6 de fls. 24; mantida a tributação sobre as demais imobilizações contabilizadas como despesa e que não foram objeto de litígio. 11. Correção monetária das Imobilizações (Ex. 1984: Cr$ 468.195 e Ex. 1985: Cr$ 4.383.606). Entendo que a imposição aqui é, em sua totalidade,im procedente. Com efeito, em virtude do nexo causal existente entre es te e o item precedente, impõe-se excluir de tributação as correções monetárias dos valores ali considerados verdadeiras despesas. Mas não é só. Também improcede a tributação das correções relativas às imobilizações não efetuadas, porque as referidas correções do ativo se anulariam em face da correção do passivo criado com a efetivação' da glosa. Não é justo que, efetuada a glosa da despesa, se faça uni- camente a correção do ativo. Por isso excluo da incidência do tribu- to a totalidade dos valores de que trata este item. 12. Postergação. Esta infração também não foi objeto do litígio. Com ela expressamente se conformou a recorrente. Por todo o exposto, voto no sentido de se dar provi mento parcial ao recurso a fim de, reformando a decisão de 19 grau, excluir da tributação os seguintes valores, em cruzeiros: Exercício Infração 1982 1983 1984 ' 1985 1986 - n9 2 - PENTA Cr$6.550.000 13.794.7.64 - n9 3 —Etuuml, 4.972.103 - n910.5-Imobil. 11.460.000 - n9 11-Corr. 468.195 4.383.606 - TOTAL 11.522.103 13.794.764 468.195 15.843.606 V:V e,or Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1 _0002400.PDF Page 1 _0002500.PDF Page 1 _0002600.PDF Page 1 _0002700.PDF Page 1 _0002800.PDF Page 1 _0002900.PDF Page 1 _0003000.PDF Page 1 _0003100.PDF Page 1
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Numero do processo: 13603.900485/2006-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 2003 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA. BALANCETE SUSPENSÃO/REDUÇÃO.
Devidamente comprovado que o recolhimento realizado a título de estimativa (código 2484) mostrou-se indevido em razão do levantamento de balancete suspensão/redução, é cabível empregá-lo na compensação de estimativas apuradas em meses subsequentes no mesmo ano-calendário.
Numero da decisão: 1401-000.646
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 8.407,53, bem como homologar as compensações dele decorrentes, nos termos do voto do Relator.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: Eduardo Martins Neiva Monteiro
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COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA. BALANCETE SUSPENSÃO/REDUÇÃO. Devidamente comprovado que o recolhimento realizado a título de estimativa (código 2484) mostrouse indevido em razão do levantamento de balancete suspensão/redução, é cabível empregálo na compensação de estimativas apuradas em meses subsequentes no mesmo anocalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 8.407,53, bem como homologar as compensações dele decorrentes, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Eduardo Martins Neiva Monteiro. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13603.900485/200690 Acórdão n.º 140100.646 S1C4T1 Fl. 52 2 Relatório Tratase de análise de PER/DCOMP transmitido em 15/08/03 (fls.01/05). O crédito originase de suposto recolhimento de CSLL (código 2484), realizado em 30/05/03, tendo sido apontados, para fins de compensação, débitos de estimativas de maio e junho do mesmo ano. Por meio do Despacho Decisório de fls.13/15 a compensação foi indeferida sob o fundamento de que “...o valor pago a título de CSLL apurado por estimativa não configura pagamento a maior que o devido”. De acordo com o raciocínio na oportunidade desenvolvido, deveria ter sido levado à apuração ao final do respectivo anocalendário, quando o contribuinte poderia requerer a restituição/compensação a partir do saldo negativo. Em primeira instância tal decisão foi mantida, tendo o acórdão nº 0214.089 recebido a seguinte ementa (fls.38/39): DIREITO CREDITÓRIO. O montante da contribuição paga por estimativa a maior, apurado em 31 de dezembro, só poderá ser restituído contribuinte após a entrega da declaração de rendimentos. No Recurso Voluntário (fls.42/47) alegase em síntese: a própria unidade de origem reconhecera que de acordo com a DIPJ não houve, com relação ao mês de abril de 2003, estimativa devida; tratarseia de restituição/compensação de pagamento indevido por erro do contribuinte; tal pagamento não teria integrado o “saldo negativo” de CSLL apurado ao final do ano calendário 2003; o art.890 do RIR/99 trataria de pagamento indevido, “...sem excepcionar as hipóteses decorrentes de pagamentos de estimativas”; “somente após a edição da IN SRF nº 460, de 18.10.2004 (revogada e substituída pela IN – SRF nº 600, de 30.12.2005), é que houve expressa determinação no sentido de que o pagamento indevido ou a maior, a título de estimativa mensal, pela pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, passe a compor o saldo negativo do períodobase, conforme disposto no art.10, do referido ato normativo (atualmente art.10, da cit. IN SRF nº 600/2005)”; de acordo com o Ato Declaratório SRF nº 3, de 07/01/00, “...o r. despacho decisório equivocouse ainda ao esposar, com base no superado disposto no art.1º, II, do art.858, do RIR/99, o entendimento de que o eventual saldo negativo de CSLL apurado no encerramento do períodobase, só poderia ser compensado com o valor da contribuição a ser paga a partir do mês de abril do ano subseqüente”. É o que importa relatar. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13603.900485/200690 Acórdão n.º 140100.646 S1C4T1 Fl. 53 3 Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. O recurso é tempestivo e dele se toma conhecimento. De acordo com a DIPJ as estimativas foram apuradas no anocalendário 2003 com base em balancete redução/suspensão (fls.07/09), tendo sido as relativas aos meses de maio e junho parcialmente objeto de compensação, indicada na PER/DCOMP que ora se analisa e também informada em DCTF (fls.29/30). O valor declarado a título de “CSLL Mensal Paga por Estimativa” R$21.006,11 na Ficha 17 da DIPJ (“Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido”) (fl.10), utilizado como dedução no mês de dezembro, coincide com a totalidade das estimativas apuradas até o mês de novembro (Ficha 16, Linha 10 da DIPJ – “CSLL a Pagar”). Cabe frisar que em momento algum a Receita Federal do Brasil pôs em cheque as apurações do contribuinte, razão pela qual não se pode agora, sem elementos outros, questionálas a ponto de não se aceitar, por exemplo, com relação ao mês de abril, que tenha havido algum vício no respectivo balancete com base no qual o recolhimento mostrouse indevido. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Contagem (MG) atestou que “No mês de abril do anocalendário de 2003, o contribuinte não apurou contribuição a pagar a título de estimativa mensal, conforme declaração de rendimentos registrada sob o nº 0912206”. Com a devida vênia os artigos 222 e 858 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, mencionados na decisão recorrida e aplicados à CSLL por força do art.28 da Lei nº 9.430/96, não representam óbice à restituição/compensação em situações como a dos autos. O recolhimento, mesmo com o código de estimativa, partindose da premissa que não houve apuração de CSLL a pagar conforme balancete redução/suspensão, pode ser caracterizado como pagamento indevido. Na realidade, tais dispositivos, que inclusive remetem ao cálculo das antecipações a partir de uma base de cálculo estimada, não na hipótese de apuração com base em balancete, apenas asseguram a restituição do saldo negativo apurado ao final do ano. Vejamos: Art. 222. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada (Lei n.° 9.430, de 1996, art. 2°). ..... Art. 858. O imposto devido, apurado na forma do art. 222, deverá ser pago até o ultimo dia útil do mês subsequente àquele a que se referir (Lei n.° 9.430, de 1996, art. 6°). Fl. 3DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13603.900485/200690 Acórdão n.º 140100.646 S1C4T1 Fl. 54 4 § 1° O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será (Lei n.° 9.430, de 1996, art. 6°, §1º): ..... II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Por sua vez, o art.230 daquele mesmo Regulamento, ao tratar da “Suspensão, Redução e Dispensa do Imposto Mensal”, e o art.231, voltado às “Deduções do Imposto Anual”, não impedem a restituição/compensação em debate. O pagamento que seria relativo à estimativa do mês de abril mostrouse indevido em razão da demonstração de não ter sido apurado qualquer valor de CSLL a pagar naquele mês, conforme atestou a própria Receita Federal do Brasil, daí advindo a certeza do crédito. A liquidez, por sua vez, decorre do valor recolhido e confirmado à fl.12. Dispõe o Código Tributário Nacional: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no §4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; É importante verificar que até a edição da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, havia dispositivo que permitia a utilização de valores pagos indevidamente a título de estimativa apenas na composição do saldo negativo do IRPJ ou da CSLL apurada ao final do anocalendário: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (destaquei) Com a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, tal restrição deixou de ser prevista. Vejamos: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13603.900485/200690 Acórdão n.º 140100.646 S1C4T1 Fl. 55 5 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Nesse contexto, vale mencionar o recente voto proferido pelo Cons. José Sérgio Gomes, Relator do acórdão nº 110200.335, de 11 de novembro de 2010, que, ao abordar a questão sob ótica distinta, até mesmo em razão de o contexto ser um pouco diferente do caso ora analisado, assim se posicionou: “(...) Com base na receita, então, estimase o lucro, daí a denominação de pagamentos por estimativa. Exercida a opção, com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou do início de atividade e que, a propósito, é de caráter irretratável (RIR/99, art.232), a pessoa jurídica somente poderá suspender ou reduzir os recolhimentos devidos em cada mês se demonstrar, através de balanços e balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive o adicional, calculado com base no lucro real do período em curso (RIR/99, art. 230). Apurado o imposto devido no anocalendário, mediante o levantamento do balanço em 31 de dezembro, dele deduzse, entre outros elementos, as antecipações efetuadas. Acaso a somatória dessas quantias ultrapassar aquele valor estará exteriorizada a figura do saldo de imposto a ser restituído ou compensado (RIR, art.231), também chamado de saldo negativo de IRPJ; inversamente, afigurase o saldo de imposto a pagar. Aflorada, então, a figura do saldo negativo do IRPJ, este sim é passível de restituição ou compensação com o próprio IRPJ de períodos subseqüentes ou outros tributos e sobre o qual incidirão juros à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados entre o mês de janeiro subseqüente até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que for restituído ou em que estiver sendo efetuada a compensação. No caso dos autos, porém, não há busca de compensação de saldo negativo do anocalendário de 2005, mas sim do "excesso” do mês de janeiro daquele ano. Para tanto a contribuinte laborou, via retificações das declarações DCTF e DIPJ, em alterar o valor originariamente declarado e efetivamente recolhido. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13603.900485/200690 Acórdão n.º 140100.646 S1C4T1 Fl. 56 6 O artigo 230 do RIR199, ao abrir a possibilidade da interrupção das antecipações mensais através de balanço ou balancete que demonstrem que o valor até então pago já supera o valor do imposto no período não desnaturou o caráter de antecipação do eventual excesso até ali realizado, tanto que não abre a possibilidade de restituição. Assim, antecipação que o é, não recepciona as figuras do pagamento indevido ou pagamento a maior que o devido, estes sim passíveis de repetição tributária. Com efeito, o fato gerador do IRPJ, para quem opta pelo regime de apuração anual, se aperfeiçoa em 31 de dezembro. Até essa data não há pagamento, modalidade extintiva de obrigação tributária, e sim recolhimentos, meras antecipações do tributo que venha a ser apurado, daí porque, inclusive, o marco inicial de contagem de decadência para repetição ou para o lançamento se dá no último dia do exercício e não nas datas em que realizadas as antecipações. Dessa forma, repetir antecipação caracteriza flagrante impropriedade, eis que ela só se torna pagamento na data do fato gerador do tributo, pois não se concebe extinção de obrigação tributária que ainda não nasceu, Em decorrência, só a partir do pagamento a maior que o devido surge o direito de restituição e seus consectários. Ainda, seria deslocar a base de cálculo para a periodicidade mensal, patente extravagância na medida em que a norma de regência estipula em sentido diametralmente oposto, é dizer, fixa a base de cálculo como sendo o lucro anual e determina o marco temporal de apuração, qual seja, em 31 de dezembro. Contudo, afigurame perfeitamente exeqüível uma segunda modalidade de compensação, se é que assim possa ser chamada, de eventuais excessos recolhidos em meses que compões esse específico regime de apuração do lucro real com estimativas afetas aos períodos de apuração mensais subseqüentes, desde que limitada ao mês de dezembro do ano calendário em curso, e isso porque envolvidas parcelas de antecipação, mesmo gênero. No caso dos autos, a pretensão trazida encontrase no sentido de compensar "excesso” de estimativa de janeiro de 2005 com parcelas, igualmente de cunho de estimativa, devidas nos meses de agosto e outubro do próprio anocalendário de 2005. Tenho, então, que a pretensão revelase mero ajuste, sem qualquer conotação repetitória, pois intrínseca à metodologia de apuração do imposto pelo lucro real anual, cuja opção deuse com o recolhimento da parcela de janeiro de 2005, sob código de receita especifico. Noutras palavras: eventual restituição tributária só se materializará no final do anocalendário e na hipótese de aflorar a circunstância de saldo negativo de IRPJ, consoante exaustivamente alinhavado. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13603.900485/200690 Acórdão n.º 140100.646 S1C4T1 Fl. 57 7 Em suma, considerese o alegado "excesso” recolhido em janeiro como integrante desse mês ou migrese o mesmo para os meses de agosto e outubro é fato inafastável que, em ambas hipóteses, servirá aquele como dedução do tributo apurado no dia 31 de dezembro, a gerar mitigação do quantum a ser adimplido ou então saldo negativo de IRPJ.” (destaquei) Mencionese, ainda, o acórdão nº 140100.420, de 26 de janeiro de 2011, desta Turma, de relatoria do Cons. Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, que reafirma a possibilidade de restituição de valores pagos a título de estimativas, que se mostraram indevidos à vista de balancete mensal. In verbis: “(...) A controvérsia posta em debate é saber se, antes da vigência da IN nº 900/08, poderia a contribuinte que recolheu indevidamente valores a título de estimativa mensal, não aproveitáveis na composição do saldo de tributo devido no ajuste anual por ter optado pela apuração das estimativas mediante balanço suspensão/redução, pode utilizarse de referidos créditos para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Segundo se extrai da sistemática instituída pela lei n° 9.430/96, a pessoa jurídica poderá optar por apurar o imposto de renda e a CSLL pelo período anual, devendo, no entanto, efetuar recolhimentos mensais sobre bases estimadas de apuração. Nessa sistemática, o contribuinte promove recolhimentos mensais mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais previstos na lei n° 9.249/95, conjugando, a estes percentuais, a alíquota do tributo, variável de acordo com o montante alcançado (15% ou 25%). No entanto, o art. 230 do RIR/99, respaldado no art. 2° da lei n° 9.430/96, permite que o contribuinte apure as estimativas mediante a composição de balancetes de suspensão/redução, nos seguintes termos: Art. 230. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 22). §1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, §1º): I deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no Livro Diário; II somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto devido no decorrer do anocalendário. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13603.900485/200690 Acórdão n.º 140100.646 S1C4T1 Fl. 58 8 §2º Estão dispensadas do pagamento mensal as pessoas jurídicas que, através de balanços ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário (Lei nº 8.981, de 1995, art.35, §2º, e Lei nº 9.065, de 1995, art.1º). §3º O pagamento mensal, relativo ao mês de janeiro do anocalendário, poderá ser efetuado com base em balanço ou balancete mensal, desde que fique demonstrado que o imposto devido no período é inferior ao calculado com base nas disposições das Subseções II a IV (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, §3º, e Lei nº 9.065, de 1995, art.1º). §4º O Poder Executivo poderá baixar instruções para aplicação do disposto neste artigo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, §4º, e Lei nº 9.065, de 1995, art.1º). Dentro dessa sistemática, a apuração do montante a ser pago a cada mês a titulo de estimativa não se faz pela mera composição do percentual de estimativa com a receita bruta; mas sim pela composição do percentual de estimativa com a receita bruta, deduzido o montante pago no mês anterior apurado segundo o balancete de suspensão/redução. Dessa feita, caso o contribuinte recolha, à titulo de estimativa, montante superior àquele devido segundo o balancete por ele registrado, referido excesso não será levado à composição do tributo adiantado para fins do ajuste anual, tratandose, pois, de tributo pago indevidamente, podendo o mesmo ser restituído. Segundo se depreende da IN SRF nº 460/04, assim como da IN no 600/05, a restituição de valores pagos a título de estimativa de IRPJ e CSLL não eram passíveis de restituição. No entanto, não havia nenhuma outra previsão legal que dispunha sobre como deveriam ser tratados referidos pagamentos a maior. Do que se extrai da decisão recorrida, por não existir previsão em instrução normativa da Receita Federal, permissa venia, referidos valores simplesmente não seriam passíveis de devolução, passando a integrar os cofres públicos de forma definitiva, ainda que injustificada. Referido entendimento, salvo melhor juízo, implicaria em enriquecimento injustificado do Estado. Segundo o disposto no art. 165, inciso I, do CTN, o contribuinte que promove pagamento espontâneo de tributo indevido tem direito à restituição do mesmo. Da mesma forma o art. 74 da lei n° 9.430/96 garante a devolução de valores pagos a titulo de tributo que se mostraram indevidos. Em verdade, a vedação das instruções normativas em reconhecer a possibilidade de devolução de valores pagos indevidamente a titulo de estimativa e que, repisese, não integraram o crédito de tributo pago no curso do ano pelo regime de balancete suspensão/redução, torna referidas instruções normativas ilegais. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13603.900485/200690 Acórdão n.º 140100.646 S1C4T1 Fl. 59 9 E essa ilegalidade veio a ser corrigida, como bem observou o voto vencido proferido no âmbito da DRJ, com a edição da IN n° 900/08. Nesse sentido, segue precedente deste Conselho, in verbis: Número do Recurso:152056 Câmara:QUINTA CÂMARA Número do Processo: 14033.000213/200581 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: CONTRIBUIÇA0 SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO Recorrente: CENTRAIS ELÉTRICAS BRASILEIRAS S.A. Data da Sessão:17/08/2006 00:00:00 Relator: José Clovis Alves Decisão: Acórdão 10515942 Resultado: DPU DAR PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Spencer Daltro de Miranda Filho OAB DF 17.615. Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA A MAIOR QUE O DEVIDO O valor do recolhimento a titulo de estimativa maior que o devido segundo as regras a que está submetido o lucro real anual, é passive l de compensação/restituição, a partir do mês seguinte. O valor que está vinculado à apuração no final do ano é a estimativa recolhida de acordo com a legislação de regência do referido sistema. E a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em julgamento realizado em 25 de agosto de 2009, in verbis: Exercício: 2005 Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA A MAIOR QUE O DEVIDO. O valor do recolhimento a título de estimativa que supera o valor devido a título de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regas previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo. (acórdão CSRF 910100.338). Observo que, para que a Recorrente tenha direito ao crédito, o pagamento a maior não poderá ter sido carregado para a composição do ajuste anual ao final do exercício. Pelo exposto, dou parcial provimento ao recurso, para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir valores recolhidos a maior daqueles estabelecidos por lei a título de antecipação em balancete suspensão/redução e, por conseguinte, determinar que retornem Fl. 9DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13603.900485/200690 Acórdão n.º 140100.646 S1C4T1 Fl. 60 10 os autos à DRF para que sejam verificadas a existência, suficiência, e disponibilidade do crédito pretendido na compensação.” Reconhecida, então, a possibilidade de se realizar a compensação. Antes de efetivála, porém, caberá à Receita Federal do Brasil, na execução do acórdão, verificar se o recolhimento de fl.12 encontrase disponível em seus sistemas informatizados. Pelo exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso para reconhecer o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 8.407,53, bem como homologar as compensações dele decorrentes, nos termos acima. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 10DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER
score : 1.0
Numero do processo: 17546.001018/2007-49
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/03/2003
GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO
Presentes os pressupostos para a configuração de grupo econômico, as empresas envolvidas são solidárias com o débito apurado.
FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO IN NATURA SEM ADESÃO AO PAT - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO
O valor referente ao fornecimento de alimentação in natura aos empregados, sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho - PAT, não integra o salário de contribuição por possuir natureza indenizatória, conforme parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 aprovado pelo Exmo Sr Ministro da Fazenda.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-004.188
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para excluir as parcelas referentes a alimentação.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 31/03/2003 GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO Presentes os pressupostos para a configuração de grupo econômico, as empresas envolvidas são solidárias com o débito apurado. FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO IN NATURA SEM ADESÃO AO PAT - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO O valor referente ao fornecimento de alimentação in natura aos empregados, sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho - PAT, não integra o salário de contribuição por possuir natureza indenizatória, conforme parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 aprovado pelo Exmo Sr Ministro da Fazenda. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para excluir as parcelas referentes a alimentação. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
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CONFIGURAÇÃO Presentes os pressupostos para a configuração de grupo econômico, as empresas envolvidas são solidárias com o débito apurado. FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO IN NATURA SEM ADESÃO AO PAT NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO O valor referente ao fornecimento de alimentação in natura aos empregados, sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho PAT, não integra o salário de contribuição por possuir natureza indenizatória, conforme parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 aprovado pelo Exmo Sr Ministro da Fazenda. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para excluir as parcelas referentes a alimentação. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 10 18 /2 00 7- 49 Fl. 485DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 3 2 assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a notificação fiscal lavrada, referente a contribuições devidas referentes a adicional de risco e distribuição de alimentos sem a inscrição no PAT. O r. acórdão – fls 385 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo a Notificação lavrada. Inconformada com a decisão, a devedora principal e dois solidários apresentaram recurso, vejamos. Recorrente Empresa Frigorífico Campos de São José Ltda – André Luiz Nogueira. · Que o recurso é tempestivo e o depósito recursal desnecessário, MP 413 e AD 16/07 SRF; · Que as empresas nunca atuaram concomitantemente, sendo as constituições sucessivas, havendo latente ilegalidade na decisão guerreada, pois deturpa os elementos de sucessão e formação de grupo econômico; · Que o relatório reconhece que a Frigosef em 2003 e 2004 entregou declarações de IR como inativa, desta forma não poderia fazer parte de grupo e o Mantiqueira fica em outra cidade sob a administração de outra pessoa, não exercendo atividades concomitantes as empresas Frigosef; Mantiqueira e Frigovalpa, não havendo sucessão, pois nunca houve transferência do fundo de comércio, sendo os equipamento e as instalações arrendadas; · Que a sucessão e a formação de grupo econômico são incompatíveis entre si, havendo um, não cabe o outro, pois não há existência concomitante, não implicando a falta de baixa na receita em exercício de atividade, uma vez que a declarações eram entregues sem atividade; · Que não há confusão patrimonial, que cada qual tem sua personalidade e suas obrigações, que houve cessão de uso do nome fantasia “Mantiqueira” e que tal de seu de modo informal, pois na lei civil os contratos podem ser formais ou tácitos, não podendo o só uso do nome gerar grupo econômico, que o fato de um pessoa sem empregado de uma empresa e dona de outra não as tornam parte de um grupo; · Que houve equivoco por parte do fisco ao fundamentar o ato fiscal no artigo 179 da INSRP 03, pois posterior a fiscalização e ao início do contencioso, não podendo retroagir, não havendo no artigo 124 do Fl. 487DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 5 4 CTN referência a grupo ou confusão patrimonial, sendo imprestável fundamentação por IN, uma vez que estas são fazem o papel da lei; · Que o artigo 30, IX, da Lei 8.112/91 não se refere a solidariedade, mas apenas em arrecadação e recolhimento, devendo a caracterização de grupo fundarse na lei de regência em não em IN, estando equivocada a citação do artigo 2º, § 2º da CLT, pois aqui não se cuida de crédito trabalhista, mas de relação tributária, verificase no relato fiscal a referência a sucessão e não a grupo; · Requer: a) recebimento do recurso; b) reforma da decisão a quo; c) declaração de nulidade da caracterização, participação e formação de grupo de fato; d) exclusão da recorrente do polo passivo de eventuais débitos. Recorrente Empresa Frigosef – Frigorífico SEF de São José dos Campos Ltda. · Que o arrolamento de bens e o depósito recursal são desnecessários, MP 413 e AD 16/07 SRF; · Que o fisco aplicou INRP 03 de forma retroativa e não respeitou a hierarquia das leis, pois só a Lei 6.404/76 serve para fundamentar a formação de grupo, não possuindo norma trabalhista o condão de fundamentar grupo; · Que a decisão se equivoca quanto a interpretação do artigo 30, IX, da Lei 8.112/91 c/c o artigo 124 do CTN c/c o artigo 50 CC, pois o artigo do CTN tara de solidariedade e não de grupo econômico, sendo que o embasamento da solidariedade em IN mácula a lei, o que afasta o artigo 30 não caracterizando grupo ou solidariedade; · Que a recorrente não participou de grupo, pois como reconhece a decisão em 2003 e 2004 esta inativa, não podendo participar de grupo com empresas formadas no anos de sua inatividade, não mantendo relação comercial com as demais empresas, não podendo ser responsabilizada por débitos dois quais não participou da formação, não havendo transferência de fundo de comércio, pois os bens, maquinário e estabelecimento eram arrendados; · Que tanto o cadastro da RFB como da SEFAZ – SP apontam para a inatividade da empresa, sendo que nunca houve transação comercial entre as empresas, dizendo o julgado que se trata de sucessão, não podendo, assim, ser grupo, pois não houve funcionamento concomitante; · Requer ao fim: a) provimento do recurso, com a reforma da decisão; b) declaração de inexistência da formação e participação da recorrente no grupo econômico c) julgar inexistente o lançamento do débito quanto a cobrança de contribuição ao INCRA. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 6 5 Recorrente – André Luiz Nogueira Júnior– ME. Mérito. · Que a decisão de primeiro grau não apresentou fundamentação para a manutenção da recorrente no polo passivo, o que acarreta cerceamento de defesa, devendo tal decisão ser fundamentada, não se referindo a decisão a ora recorrente, sendo que o relatório fiscal e decisão a quo não trazem evidência da participação da recorrente no grupo econômico; · Que a administração sempre foi exercida por uma só pessoa o proprietário André Luiz Nogueira Júnior; · Que a não aplicação da lei 6404/74 fere o princípio da legalidade, pois grupo econômico só está caracterizado nesta lei e assim não se aplica as demais sociedades, mormente a uma ME, sendo que no presente caso todas são limitadas e individual, não tendo nenhuma delas uma S/A como sócia, mostrandose a participação acionária como fator determinante da formação do grupo, não havendo direção econômica única, sendo a recorrente independente; · Que, também, não se aplica a recorrente o inciso IX, artigo 30 da Lei 8.212/91 c/c o artigo 124 do CTN, pois esta não tem qualquer interesse comum com as demais empresas, estando a empresa devidamente constituída sob a leis civis, não sendo negócio simulado e estando em atividade a algum tempo, não podendo esta ser responsabilizada por solidariedade em débitos de terceiros, sendo parte ilegítima da relação jurídica; · Requer ao final: a) recebimento do recurso e seu processamento; b) provimento com a reforma da decisão, excluindo a recorrente do grupo e a sua responsabilidade; É o relatório. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. 1. DO GRUPO ECONÔMICO Acerca do tema, adoto as razões da decisão atacada, que esclarecem a situação configuradora do grupo econômico de fato apresentado, senão vejamos. O lançamento fiscal em análise tem como um de seus pressupostos essenciais a constatação da suposta existência de um "grupo econômico de fato", do que resultou a responsabilização tributária por solidariedade das entidades integrantes de tal grupo. Assim, além dos demais aspectos, a serem adiante e oportunamente considerados, é necessário analisar previamente a própria viabilidade legal da hipótese de responsabilização tributária, em face da constatação da existência de um "grupo econômico de fato". Para tanto, serão abordados os seguintes aspectos da questão: • A legislação previdenciária relativa a "grupo econômico". • A compatibilidade da legislação previdenciária e o Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172/66), em matéria de "grupo econômico". • As características do "grupo econômico de fato" e demais leis pertinentes. "Grupo Econômico" Legislação Previdenciária A Auditorafiscal usou como fundamento da caracterização do "grupo econômico de fato" as disposições constantes do inciso IX do art. 30 da Lei n°. 8.212, de 24/07/1991, que estabelece: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem ás seguintes normas: () IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Fl. 490DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 8 7 Tal dispositivo é repetido pelo art. 222 do Regulamento da Previdência Social (Decreto n°. 3.048, de 06/05/1999): Art. 222. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, bem como os produtores rurais integrantes do consórcio simplificado de que trata o art. 200A, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto neste Regulamento (redação dada pelo Decreto n° 4.032, de 2001). E também pela Instrução Normativa SRP no 3, de 14/07/2005, que estabelece: Art. 179. São responsáveis solidários pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal: I as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, entre si, conforme previsto no inciso IX do art. 30 da Lei n° 8.212, de 1991 (nova redação dada pela IN no 20, de 11.01.07); (.) Em face deste arcabouço legal, identificada a existência de "grupo econômico de qualquer natureza" (portanto, inclusive os "de fato"), é exigível a contribuição previdenciária de qualquer de seus integrantes, por força da responsabilidade solidária. Código Tributário Nacional — "Grupo Econômico" e demais leis pertinentes Estabelecida a possibilidade jurídica da vinculação dos entes integrantes de um "grupo econômico" em relação à obrigação tributária previdenciária, é necessário analisar a consonância entre as respectivas disposições legais e o CTN. De inicio, vale ressaltar que a responsabilidade tributária por solidariedade encontrase expressamente fundamentada no próprio CTN. Com efeito: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta beneficio de ordem. Tal dispositivo estabelece, portanto, a responsabilidade solidária em duas hipóteses: • Das pessoas com interesse comum na situação que constitua fato gerador. • Das pessoas designadas por lei. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 9 8 A sujeição passiva tributária por solidariedade, em razão do "interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação principal", deve, portanto, ser necessariamente demonstrada no caso concreto, em face da ausência de pressupostos legais precisos ou préestabelecidos. Disso se tratará adiante. Vejamos primeiro a hipótese de responsabilização tributária por solidariedade relativa às "pessoas designadas por lei". Ora, como já se destacou, a Lei n°. 8.212/1991, seu regulamento (o Decreto n°. 3.048/1999) e a Instrução Normativa SRP no 3/2005 fazem exatamente isso: estabelecem, nos exatos termos da autorização do inciso II do art. 124 do CTN, que "as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei". Não resta, portanto, dúvidas de que, caracterizada a existência de "grupo econômico", seus integrantes são solidariamente responsáveis pelas contribuições previdenciárias apuradas, nos termos da aludida (e transcrita) legislação previdenciária, com a devida e expressa autorização do CTN. Devese agora, portanto, investigar se as empresas consideradas como integrantes do "grupo econômico" podem, efetivamente, ser consideradas como tal. Para isso é necessário tentar estabelecer e, se possível, precisar o que sejam "grupos econômicos". Grupos Econômicos "de direito" e "de fato" características A legislação brasileira e, especificamente, a Lei 6.404/76 (Lei das Sociedades Anônimas) trata, nos seus arts. 116 e 265 a 277, dos "grupos econômicos" que poderiam ser considerados "de direito", uma vez que constituídos segundo os requisitos legais e por deliberada e expressa vontade de seus controladores. Entretanto, tem sido cada vez mais freqüente a constatação da existência de empresas controladas direta ou indiretamente pela(s) mesma(s) pessoa(s), sem que estejam formalmente revestidas da condição (nem com os mesmos objetivos) do grupo econômico de que trata a Lei 6.404/76. Estes são os que se podem denominar "grupos econômicos de fato". A Instrução Normativa SRP no 3/2005, assim define "grupo econômico": Art. 748. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Não vincula, portanto, a existência de "grupo econômico" ao cumprimento das formalidades da Lei 6.404/76, do que se infere, evidentemente, que a Instrução Normativa SRP no 3/2005 não se Fl. 492DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 10 9 refere apenas e necessariamente aos grupos formalmente constituídos, mas a hipótese geral de "quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas". Para a caracterização e identificação de "grupo econômico", importa, portanto, investigar a situação real (verificação dos vínculos entre as empresas e das circunstâncias em que se constituíram e realizam suas atividades) e não apenas a situação meramente formal (de estarem ou não constituídas como "grupo econômico" da forma da Lei 6.404/76). Constatada, assim, a possibilidade jurídica dos "grupos econômicos de fato", passemos A sua análise. Em que pese a existência de "grupos econômicos", constituídos informalmente e criados até mesmo por razões legitimas (planejamento tributário, por exemplo), muitas vezes, tais grupos vão se consolidando paulatinamente, e o que, em principio poderia ser "planejamento tributário" vai se desvirtuando, tornandose uma tentativa de ocultação ou dissimulação dessa condição de pertencerem ao(s) mesmo(s) proprietário(s)/controlador(es). E ocultam ou dissimulam a identificação da caracterização de grupo por vários motivos, dentre os quais (que podem ocorrer, e na maioria das vezes, ocorrem simultaneamente): • Razões tributárias: visam A prática sistemática de inadimplencia ou evasão/sonegação fiscal, com os inevitáveis e conseqüentes prejuízos à: 1. Livre concorrência: podem oferecer "melhores preços" e "condições de pagamento" a seus clientes, na medida deixam de pagar tributos; e 2. Isonomia tributária: a inadimplência acaba por se refletir em maior carga tributária, que é suportada apenas por aqueles que realmente pagam os tributos. • Razões comerciais: vão se constituindo com o objetivo de frustrar cobrança de dividas assumidas por um de seus entes integrantes. Neste caso, é usualmente constatável, inclusive, a situação em que as empresas, encontrandose com dividas vultuosas, sucessivamente transferem (ou tentam transferir) seus patrimônios para "terceiros" (familiares, exempregados, pessoas próximas, "laranjas" etc). Nestas circunstâncias, as empresas integrantes de "grupo econômico de fato" invariavelmente apresentam, além de algumas características inerentes aos "grupos econômicos formais", algumas peculiaridades próprias: • São controladas — como as empresas de "grupos econômicos formais" — por uma mesma pessoa ou grupo de pessoas. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 11 10 • Adotam o procedimento de criar novas empresas, que vão se sucedendo no mesmo local, mantendo a mesma atividade, utilizando os mesmos equipamentos e pessoal. • Realizam operações financeiras que visam transferir recursos de uma para a outra, nem sempre de forma regular (na maioria das vezes drenando recursos — equipamentos e matériasprimas — da empresa em dificuldades — já altamente endividada e inadimplente — para as demais, em melhor situação financeira), sem que se dê a regular formalização destas transferências, seja pela prática de pagamento puro e simples das despesas de uma por outra empresa, sej a pela formalização de contratos ("de mútuo", por exemplo), que permanecem indefinidamente em aberto. t justamente nestas circunstâncias que se constata o que pode chamar de "confusão patrimonial", situação em que empresas e pessoas físicas pagam contas, umas das outras, sem que tais operações sejam realizadas (e contabilizadas) com os rigores legais e técnicos (jurídicos e contábeis) pertinentes. E neste contexto — o da ocorrência e constatação da "confusão patrimonial" entre empresas, e destas com seus proprietários — é que se pode, inclusive, admitir que a responsabilidade tributária por solidariedade possa também se dar com fundamento no inciso I do art. 124 do CTN ("interesse comum no fato gerador"), já que se estaria verdadeiramente diante da circunstância em que o patrimônio poderia ser considerado como se fosse "único" ("caixa único") e, por conseqüência, as obrigações (inclusive tributárias), podem ser atribuídas a todos os integrantes, diretos ou indiretos, do "grupo". Ora, a questão da "confusão patrimonial" entre pessoas físicas (sócios e administradores) e suas empresas, tem assumido tamanha importância, que o Código Civil (Lei 10.406, de 10/01/2002), adotando formulação do direito americana (ou quiçá inglês), estabelece: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. A autonomia patrimonial é legalmente assegurada ao empresário, em relação a empresa da qual seja sóciodirigente, para garantir que, quando administra regularmente seu negócio, não seja penalizado com seu patrimônio pessoal pelas incertezas do mercado, constituindose, assim, importante instrumento de estimulo para a realização de empreendimentos (tão essenciais â economia nacional). Entretanto, na medida em que o empresário pratique irregularidades, seja nas relações comerciais, societárias ou mesmo no âmbito tributário, a legislação reiteradamente afasta tal autonomia. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 12 11 Assim, na medida em que o administrador realize práticas que constituam "abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial", existe, no âmbito civil, o remédio correspondente à possibilidade da "desconsideração da personalidade jurídica", na medida em que "os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica" (neste caso, por decisão judicial). Os fundamentos éticos e jurídicos que justificam tais disposições do Direito Privado são igualmente válidos para o Direito Público. Para corroborar tal proposição vale lembrar, por exemplo, o art. 135 do CTN: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A confusão patrimonial, que legitima a desconsideração da personalidade jurídica e atribui responsabilidade a terceiros (que, em principio ou em condições normais estariam isentos) demonstra e até mesmo reforça a razoabilidade da responsabilização tributária por solidariedade entre integrantes de um "grupo econômico" (mesmo "de fato"). Ora, a constatação da prática de simulação na constituição de pessoas jurídicas formalmente autônomas, mas, na realidade, sujeitas a comando único, invariavelmente se revestem das máculas do "abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial" (art. 50, Código Civil) ou "atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos" (art. 135, CTN), o que justifica plenamente o procedimento de considerálas como pertencentes à(s) mesma(s) pessoa(s) — seu(s) controlador(es) — e, portanto, passíveis de responsabilização, independentemente dos seus quadros societários formais. Assim, a possibilidade da responsabilização tributária por solidariedade entre integrantes de um "grupo econômico", seja ela "de direito" ou "de fato" tem fundamento: • No inciso II do art. 124 do CTN (por expressa determinação legal), que nos leva ao inciso IX do art. 30 da Lei 8.212/1991. • No inciso I do art. 124 do CTN, nos casos em que se constata a "confusão patrimonial" (interesse comum no fato gerador). Mas o "abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial" (art. 50, Fl. 495DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 13 12 Código Civil) ou "atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos" (art. 135, CTN), assim como a prática de simulação, levanos diretamente ao dirigentes/administradores da empresas. Quanto à simulação, esta por si só, já está sujeita A repressão legal, e, A falta de um conceito especifico no CTN, devese recorrer novamente, nos termos do seu art. 110, ao Código Civil: Art. 104. A validade do negócio jurídico requer: I agente capaz; II objeto licito, possível, determinado ou determinável; III forma prescrita ou não defesa em lei. (.). Art 166. t nulo o negócio jurídico quando: (); VI tiver por objetivo fraudar lei imperativa; (.). Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirei o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1° Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas its quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; (..).(meus negritos) Ora, a prática de atos viciados merece do CTN algumas e importantes disposições: Art. 116. (.) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderei desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (meus negritos, parágrafo incluído pela Lei Complementar 104, de 10/01/01) (.) Art. 149. 0 lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: Fl. 496DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 14 13 (..); IV. quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; VII. quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; (..).(meus negritos) Evidenciase, ainda, portanto, que não apenas as pessoas jurídicas, integrantes do "grupo econômico de fato" são passíveis de responsabilização tributária. Tal responsabilidade, por vários outros dispositivos legais vigentes, é também atribuída aos sócios e dirigentes, exatamente nos termos e condições do art. 135 do CTN. Ora, por tais razões, em se tratando de "grupo econômico de fato", é sempre recomendável que se investigue a eventual prática de "excesso de poderes ou infração a lei, contrato social ou estatuto" e, se presentes os pressupostos legais, caberá, também, a responsabilização solidária dos mandatários, administradores e dirigentes (especialmente os "informais") das empresas integrantes do grupo. Refletindo as disposições do art. 135 do CTN, a Lei 8.884, de 11/06/1994, que dispõe sobre a prevenção e repressão is infrações contra a ordem econômica, estabelece: Art. 16. As diversas formas de infração da ordem econômica implicam a responsabilidade da empresa e a responsabilidade individual de seus dirigentes ou administradores, solidariamente. Art. 17. Serão solidariamente responsáveis as empresas ou entidades integrantes de grupo econômico, de fato ou de direito, que praticarem infração da ordem econômica. Art. 18. A personalidade jurídica do responsável por infração da ordem econômica poderá ser desconsiderada quando houver da parte deste abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato, ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. A desconsideração também será efetivada quando houver falência, estado de insolvência, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração.(meus grifos e negritos). Ora, tais disposições legais, não obstante voltadas às infrações contra a ordem econômica, corroboram todas as ilações anteriormente extraídas da legislação mencionada e transcrita, especialmente em se levando em conta que ora se cuida de lançamento fiscal relativo às contribuições previdenciárias, que gozam claramente de idêntica relevância social. Vejamos: Fl. 497DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 15 14 • Art. 16 — atribui expressamente a responsabilidade solidária dos dirigentes e administradores em relação a empresa; • Art. 17 — não apenas estabelecem a responsabilidade solidária entre "integrantes de grupo econômico", como admitem expressamente, a possibilidade da existência de "grupos econômicos de fato ou de direito"; • Art. 18 — permitem a "desconsideração de personalidade jurídica do responsável por infração", destacandose que tal possibilidade pode ocorrer se houver "abuso de direito, excesso de poder, infração a lei, fato ou ato ilícito" ou em caso de "estado de insolvência, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica". Aliás, especificamente quanto A responsabilização dos administradores em relação As contribuições previdencidrias, é oportuno destacar o que a respeito determina a Lei 8.620, de 05/01/1993: Art. 13. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto a Seguridade Social. Parágrafo único. Os acionistas controladores, os administradores, os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente, com seus bens pessoais, quanto ao inadimplemento das obriga cães para com a Seguridade Social, por dolo ou culpa. A prática de atos administrativos contrários ao estatuto ou contrato social ou, ainda, contrários A lei, são, As vezes, de tal ordem e gravidade que acabam caracterizando até mesmo ilícitos penais. Com efeito, sob este aspecto, convém destacar as disposições da Lei 8.137, de 27/12/1990, que define crimes contra a ordem tributária, econômica e contra as relações de consumo: Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I omitir informação, ou prestar declaração falsa as autoridades fazendcirias; II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; III falsificar ou alterar nota fiscal, fatura, duplicata, nota de venda, ou qualquer outro documento relativo à operação tributável; IV elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato; Fl. 498DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 16 15 V negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota fiscal ou documento equivalente, relativa a venda de mercadoria ou prestação de serviço, efetivamente realizada, ou fornecêla em desacordo com a legislação. Pena reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. Parágrafo único. A falta de atendimento da exigência da autoridade, no prazo de 10 (dez) dias, que poderá ser convertido em horas em razão da maior ou menor complexidade da matéria ou da dificuldade quanto ao atendimento da exigência, caracteriza a infração prevista no inciso V. art. 2° Constitui crime da mesma natureza: I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; II deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição social, descontado ou cobrado, na qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria recolher aos cofres públicos; III exigir, pagar ou receber, para si ou para o contribuinte beneficiário, qualquer percentagem sobre a parcela dedutivel ou deduzida de imposto ou de contribuição como incentivo fiscal; IV deixar de aplicar, ou aplicar em desacordo com o estatuído, incentivo fiscal ou parcelas de imposto liberadas por órgão ou entidade de desenvolvimento; V utilizar ou divulgar programa de processamento de dados que permita ao sujeito passivo da obrigação tributária possuir i nformação contábil diversa daquela que é , por lei, fornecida el Fazenda Pública. Pena detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. Mas não se trata apenas disso. As ilicitudes comumente praticadas, nestas circunstâncias, pelos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado podem eventualmente caracterizar práticas previstas no próprio Código Penal: Apropriação indébita previdenciária (AC) Art. 168A. Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos contribuintes, no prazo e forma legal ou convencional: (AC) Pena reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. (AC) §1º Nas mesmas penas incorre quem deixar de: (AC) Fl. 499DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 17 16 I recolher, no prazo legal, contribuição ou outra importância destinada à previdência social que tenha sido descontada de pagamento efetuado a segurados, a terceiros ou arrecadada do público; (AC) II recolher contribuições devidas a previdência social que tenham integrado despesas contábeis ou custos relativos a venda de produtos ou à prestação de serviços; (AC) III pagar beneficio devido a segurado, quando as respectivas cotas ou valores já tiverem sido reembolsados à empresa pela previdência social. (AC) § 22 É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara, confessa e efetua o pagamento das contribuições, importâncias ou valores e presta as informações devidas à previdência social, na forma definida em lei ou regulamento, antes do inicio da ação fiscal. (AC) § 3Q É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa se o agente for primário e de bons antecedentes, desde que: (AC) I tenha promovido, após o inicio da ação fiscal e antes de oferecida a denúncia, o pagamento da contribuição social previdenciciria, inclusive acessórios; ou (AC) II o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido pela previdência social, administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais. (AC) Inserção de dados falsos em sistema de informações (AC) Estelionato Art. 171 Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artificio, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento: Pena reclusão, de um a cinco anos, e multa. § 3 0 A pena aumentase de um terço, se o crime é cometido em detrimento de entidade de direito público ou de instituto de economia popular, assistência social ou beneficência. Art. 297. (.) § 32 Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: (AC) I na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório; (AC) Fl. 500DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 18 17 na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita; (AC) III em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. (AC) § 42 Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no § 32, nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços. (AC) (.). Sonegação de contribuição previdencidria (AC) Art. 337A Suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (AC) I — omitir de folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdencidria segurados empregado, empresário, trabalhador avulso ou trabalhador autônomo ou a este equiparado que lhe prestem serviços; (AC) II — deixar de lançar mensalmente nos títulos próprios da contabilidade da empresa as quantias descontadas dos segurados ou as devidas pelo empregador ou pelo tomador de serviços; (AC) III — omitir, total ou parcialmente, receitas ou lucros auferidos, remunerações pagas ou creditadas e demais fatos geradores de contribuições sociais previdencicirias: (AC) Pena — reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. (AC) § I° E extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara e confessa as contribuições, importâncias ou valores e presta as informações devidas a previdência social, na forma definida em lei ou regulamento, antes do inicio da ação fiscal. (AC) § 2° E facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa se o agente for primário e de bons antecedentes, desde que.(AC) I— (VETADO) II— o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido pela previdência social, administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais. (AC) Fl. 501DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 19 18 § 3° Se o empregador não é pessoa jurídica e sua folha de pagamento mensal não ultrapassa R$ 1.510,00 (um mil, quinhentos e dez reais), o juiz poderá reduzir a pena de um terço até a metade ou aplicar apenas a de multa.(AC) § 4° 0 valor a que se refere o parágrafo anterior será reajustado nas mesmas datas e nos mesmos indices do reajuste dos beneficios da previdência social. (AC) (.) Finalmente, vale destacar que a responsabilidade solidária de integrantes de "grupo econômico" não representa inovação, pois a própria CLT — Consolidação das Leis do Trabalho (Decreto Lei 5.452/1943) a prevê, sem fazer qualquer distinção entre "grupo econômico de fato ou de direito". Com efeito: Art. 2°(.). § 2° Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. (meus negritos). Portanto, está claro que mesmo a CLT não faz qualquer distinção entre "grupo econômico de fato ou de direito", o que, aliás, pode ser facilmente constatado pelos reiterados (certamente unânimes) julgados da Justiça do Trabalho, vinculando invariavelmente as demais empresas de um grupo econômico, ainda que não formalmente constituído, A reclamatória trabalhista, desde que demonstrada a relação, mesmo informal, entre o empregador direto e demais empresas vinculadas. Assim, a possibilidade (ou mesmo a determinação) legal da vinculação por solidariedade dos integrantes de "grupos econômicos", sejam eles formais ou informais, se justifica em ambos os casos — cobrança de direitos trabalhistas ou de contribuições previdenciárias — pelo relevante interesse social que os casos envolvem, respectivamente: • Satisfação dos direitos do trabalhador (o que se constata pela existência de um sistema legal claramente protetivo). • Viabilização legal da cobrança das contribuições sociais relativas â Previdência Social, que também tem finalidades institucionais com óbvia conotação de proteção social. Feitas essas considerações para contextualizar o "grupo econômico de fato", passemos â análise do caso concreto. A auditoriafiscal, da qual resultou o lançamento em análise, foi realizada entre fevereiro e dezembro de 2006, sendo inicialmente dirigida ao Frigorifico Mantiqueira Ltda. Mas, em razão dos Fl. 502DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 20 19 fatos e circunstâncias, adiante considerados, foi estendida As demais empresas, que, ao final, foram consideradas integrantes de um "grupo econômico de fato". Analisandose o Relatório Fiscal, os seus anexos e também os demais documentos coligidos na auditoriafiscal, depreendese o que segue. A existência de um "grupo econômico de fato" o caso concreto. Consta que no mesmo endereço, Rodovia São José dos Campos — Campos do Jordão, s/n°, km 100, Bairro Buquirinha, em São José dos Campos/SP, foram constituídas, sucessivamente, as seguintes empresas: • Frigovalpa Comércio e Indústria de Carne Ltda: constituída em 1972. Consta que, presentemente, tem sede na Avenida Perseu, n° 108, sala 1, Jd. Satélite, S. J. dos Campos/SP, • Frigosef Frigorífico Sef de São José dos Campos Ltda: constituída em 1994. Consta que estaria "inapta" (deixou de entregar declarações de imposto de renda para os anos calendário de 1998 a 2002); • Frigorífico Mantiqueira Ltda: constituída em 1998. Consta que, presentemente, tem sede na Estrada dos Vasconcelos, s/n°, km 12, Bairro Vasconcelos, em S. J. dos Campos/SP. • Frigorífico Campos de Sao José Ltda: constituída em 2003. Consta que está instalada na Rodovia Sao José dos Campos — Campos do Jordão, s/n°, km 100, Bairro Buquirinha, em S. J. dos Campos/SP. Assim, ao se iniciar auditoria fiscal, foi encontrada no local a empresa Frigorífico Campos de São José Ltda. Releva, de inicio, considerar que a auditoriafiscal enfrentou consideráveis dificuldades, decorrentes não apenas das graves irregularidades constatadas (tanto no âmbito tributário, quanto trabalhista, adiante destacadas), mas também especialmente relativas A falta de cumprimento de diversas obrigações tributárias previdenciárias acessórias, que ensejaram farta lavratura de Autos de Infrações. Para melhor aquilatar as infrações apuradas na auditoria fiscal, é necessário fazer uma consolidação das autuações realizados, em face dos contribuintes considerados integrantes do grupo: FRIGOVALPA COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE CARNE LTDA AUTO DE INFRAÇÃO MOTIVO 37.044.6780 Deixou de prestar informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do INSS, bem ! como esclarecimentos necessários A fiscalização 37.044.6771 Deixou de apresentar os livros contábeis e diversos documentos relacionados com as Fl. 503DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 21 20 contribuições previdenciárias. 37.044.6801 Deixou de informar mensalmente ao INSS através de GFIP os dados cadastrais, informações e i fatos geradores das contribuições previdenciárias nas competências 01/1999 a 08/2000; 09/2002 :a 03/2003 e 02 e 03/2006. 37.044.6798 Apresentou GFIP corn dados não correspondentes a todos os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas seguintes competências: 06/1999 a 08/2006. FRIGOSEF FRIGORÍFICO SEF DE SAO JOSÉ DOS CAMPOS LTDA AUTO DE INFRAÇÃO MOTIVO 35.941.8910 Deixou de apresentar os livros contábeis e diversos documentos relacionados com as contribuições previdenciárias. 37.941.8945 Deixou de informar mensalmente ao INSS através de GFIP os dados cadastrais, informações e fatos geradores das contribuições previdenciárias nas competências 06 a 10/2005, 01 e 02/2006. 35.895.8750 Apresentou GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de todas as contribuições previdencidrias, nas seguintes competências: 01/1999 a 12/2005. 35.895.8768 Apresentou GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas em relação a dados não ' relacionados com fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências 10 a 12/1999 e 01/2003. FRIGORÍFICO CAMPOS DE SAO JOSÉ LTDA AUTO DE INFRAÇÃO MOTIVO 37.036.2080 Deixou de incluir em diversas folhas de pagamento: • Segurados obrigatórios da Previdência Social; • Parte da remuneração de segurados obrigatórios da Previdência Social. 37.036.2098 Deixou de prestar informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do INSS, bem como esclarecimentos necessários a fiscalização. 37.036.2101 Deixou de apresentar os livros contábeis e diversos documentos relacionados com as contribuições previdenciárias. 37.044.2636 Deixou de inscrever (registrar), em época própria, empregados: • Ana Rosa Pedro Guedes • Rosana de Fátima Costa • Rosemara Goretti da Costa • Nelson Luiz Lúcio • Carlos Severo Lopes da Fonseca 37.036.2110 Deixou de informar mensalmente ao INSS através de GFIP os dados cadastrais, informações e fatos geradores das contribuições previdenciárias nas competências 05/2005 a 02/2006. 37.036.2128 Apresentou GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de todas Fl. 504DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 22 21 as contribuições previdenciárias, nas seguintes competências: 01/1999 a 02/2006. 37.044.2628 Apresentou GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas em relação a dados não relacionados com fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências 04/1999 a 08/2005. 7.044.2644 Deixou de elaborar e manter atualizado o Perfil Profissiográfico Profissional — PPP para funcionários expostos a riscos ambientais. ANDRÉ LUIZ NOGUEIRA JUNIOR AUTO DE INFRAÇÃO MOTIVO 37.036.1679 Deixou de prestar informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do INSS, bem como esclarecimentos necessários A fiscalização. 37.036.1733 Deixou de apresentar os livros contábeis e diversos documentos relacionados com as contribuições previdencidrias. 37.036.1768 Deixou de inscrever (registrar) empregado: Nelson Alves dos Santos. 37.036.1750 Deixou de informar mensalmente ao INSS através de GFIP os dados cadastrais, informações e fatos geradores das contribuições previdenciárias, nas competências 04/2003 e 07/2006. 37.036.1741 Apresentou GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas seguintes competências: 08/2004 a 05/2005. TÂNIA PEREIRA LOPES AUTO DE INFRAÇÃO MOTIVO 37.036.1687 Deixou de prestar informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do INSS, bem como esclarecimentos necessários A fiscalização. 37.036.1636 Deixou de apresentar os livros contábeis e diversos documentos relacionados com as contribuições previdenciárias. 37.036.1660 Deixou de inscrever (registrar) empregados: • Antonio Denilson Mendes • Josiane Fátima dos Santos • José Celso dos Santos • Shirley Aparecida dos Santos 37.036.1652 Deixou de informar mensalmente ao INSS através de GFIP os dados cadastrais, informações e fatos geradores das contribuições previdencidrias nas competências 01/2004 a 10/2004 e 11/2005 a 07/2006. 37.036.1644 Apresentou GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas seguintes competências: 11/2004 a 12/2005. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 23 22 Vêse, assim, que foram lavrados, no conjunto, a expressiva quantidade de 31 (trinta e um) Autos de Infrações, sendo que as faltas cometidas apresentam praticamente um padrão de procedimento: • Falta de apresentação de documentos à auditoriafiscal (especialmente os livros contábeis ou, se fosse o caso, livros caixa, além da maioria dos respectivos documentos fiscais). • Falta de prestação de informações formalmente solicitadas pela Auditorafiscal. • Falta de entrega, em algumas competências, de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP ou sua entrega, em outras competências, com erros, falhas e omissões. • Contratação de empregados: 1. Sem a formalização dos contratos de trabalho, ou seja, sem as devidas anotações nas carteiras de trabalho e Livros de Registro de Empregados 2. Formalização dos contratos de trabalho em data posterior ao do inicio da efetiva prestação de serviços. Os casos consolidados, a seguir, foram extraídos dos lançamentos realizados na mesma auditoriafiscal, da qual resultou o lançamento em análise, e confirmam a prática de irregularidades nos contratos de trabalho: André Luiz Nogueira Jr. ME • Nelson Alves dos Santos: admitido em 15/04/2003 e registrado em 01/04/2004. Monalisa Pereira Lopes Nogueira — ME • Neide Lopes Arantes: admitida em 29/03/2006, sem registro. • Bendito Dimas Alves: admitido em 01/10/2005 e registrado em 01/12/2005. • Décio Sidney do Carmo: admitido em 01/05/2006, sem registro. • Robson C. Oliveira: admitido em 05/05/2006, sem registro. • Luiz Carlos M. Rodrigues: admitido em 07/09/2005 e registrado em 28/11/2005. Tânia Pereira Loves ME • José Celso dos Santos: admitido em 05/05/2004 e registrado em 19/11/2004. • Shirley Ap. dos S. Uyete: sem registro. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 24 23 • Márcio Teixeira dos Santos: admitido em 17/01/2005 e registrado em 28/03/2006 na empresa Monalisa Pereira Lopes Nogueira — ME. • Josiane Fátima dos Santos: admitida em 05/05/2004 e registrada em 19/11/2004. • Antonio Denilson Mendes: admitido em 01/2004 e registrado em 19/11/2004. O conjunto de práticas e omissões, especialmente as relativas A negativa de exibição dos livros contábeis, formalmente constituídos e acompanhados dos devidos e competentes documentos fiscais, certamente representaram dificuldades adicionais A Auditora fiscal, que, assim, viuse compelida a realizar verdadeira atividade investigatória e, eventualmente, dedutiva, na medida em que não se admite que o contribuinte possa se beneficiar das suas próprias omissões. Neste sentido vale destacar o brocardo jurídico, segundo o qual, "nemo auditur propriam turpitudinem allegans", ou seja: "a ninguém é dado alegar a própria torpeza em seu proveito". Ou, para refletir o caso especifico: "ninguém pode se beneficiar da própria torpeza (omisslio)", na medida em que não se pode admitir que o contribuinte inadimplente se valha justamente de suas omissões para impedir a apuração de todos os fatos e circunstâncias relevantes na auditoriafiscal, seja para investigar a ocorrência de fatos geradores de contribuições previdencidrias, seja para identificar as reais circunstâncias em que o contribuinte realizou seus negócios jurídicos e se relacionou com as demais empresas integrantes do "grupo econômico" considerado. Assim, à falta de outras informações e respectivos elementos documentais, constitui procedimento legal previsto — art. 33 e §§ da Lei n°. 8.212/1991 o estabelecimento de presunções legais, com base nos razoáveis elementos de prova coligidos, especialmente documentais, como se viu. Presunções estas suscetíveis de eventual retificação, se (e quando) apresentados oportunamente os elementos idôneos necessários e suficientes para afastar as conclusões, que, em face das omissões cometidas pelo contribuinte, foram levantadas pela auditoriafiscal. Não bastassem as práticas de infrações administrativas, é oportuno destacar que, segundo reiterados relatos feitos pela Auditorafiscal no conjunto dos lançamentos fiscais, foram encontradas indícios da prática, em tese, dos seguintes tipos penais (todos previstos no Código Penal — DecretoLei 2.848/1940, com suas posteriores alterações): • Art. 168A — apropriação indébita previdenciária. • Art. 297, § 40. •Art. 337A, inciso I sonegação de contribuições previdenciárias. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 25 24 Apesar das infrações administrativas (especialmente a falta de exibição dos livros contábeis), que, sem inviabilizar, prejudicaram sobremaneira a auditoriafiscal na coleta de dados e informações, é possível, com base nas informações e documentos levantados na ação fiscal, constatar claras evidencias da existência de um "grupo econômico de fato". Passase, assim, ã analise sistemática de tais evidências, constituídas por informações e documentos (ainda que esparsos), integrantes dos lançamentos fiscais realizados. A existência concomitante das empresas integrantes do "grupo econômico Nas impugnações apresentadas é recorrentemente defendida a tese de que as empresas não poderiam ser consideradas como integrantes de um "grupo econômico", na medida em que não tiveram funcionamento concomitante. Contudo, tal afirmação é derrubada pela comparação dos dados cadastrais constantes dos registros informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, tendo como base as próprias declarações de imposto de renda entregues pelos próprios contribuintes. Vejamos: • Frigovalpa: consta funcionamento ininterrupto até hoje e, pelo menos, desde 1995. • Frigosef: entregou declarações para os anos de 1994 a 1997. Deixou de entregar as declarações relativas ao período de 1998 a 2002 (não consta que estivesse "inativa"). Entregou declarações como "inativa" 2003 e 2004 e de "lucro real" em 2005. Não consta a entrega da declaração de 2006. • Frigorífico Mantiqueira: desde 1998 (ano que consta ter sido constituída) vem entregando suas declarações de imposto de renda (até a relativa a 2006). • Frigorífico Campos de São José: desde 2003 (ano que consta ter sido constituída) vem entregando suas declarações de imposto de renda (até a relativa a 2006). • André Luis Nogueira Junior — ME: desde 2003 (ano que consta ter sido constituída) vem entregando suas declarações de imposto de renda (até a relativa a 2006). • Tânia Pereira Lopes — ME: desde 2004 (ano que consta ter sido constituída) vem entregando suas declarações de imposto de renda (até a relativa a 2006). • Monalisa Pereira Lopes Nogueira — ME: desde 2004 (ano que consta ter sido constituída) vem entregando suas declarações de imposto de renda (até a relativa a 2006). Fl. 508DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 26 25 • Rosa Maria Maciel Rodrigues — ME: pelo menos desde 1995 vem entregando suas declarações de imposto de renda (até a relativa a 2006), sendo inativas as relativas aos anos de 2000, 2001, 2005 e 2006. Local de funcionamento das empresas Atividades dos integrantes do "Grupo Econômico" Máquinas e equipamentos utilizados — O pessoal empregado Composição dos quadros societários — a existência do "controlador" —A utilização do mesmo "nome fantasia" Como já se destacou, todos os frigoríficos integrantes do "grupo econômico", assim considerado na auditoriafiscal, funcionam ou funcionaram originariamente no mesmo imóvel, de propriedade de Frigovalpa: Rodovia Selo José dos Campos/Monteiro Lobato (ou Sao José dos Campos/Campos do Jordão), s/n°, km 100, no Bairro Buquirinha, em São José dos Campos/SP. Com efeito, consta que no local inicialmente funcionou a Frigovalpa, que, em 01/02/1995, locou o imóvel, através de "contrato de arrendamento de imóvel com instalações industriais", para a Frigosef. Posteriormente, em 20/04/2006, consta que o mesmo imóvel foi locado para o Frigorífico Campos de São José Ltda. Consta, entretanto, que antes da assinatura deste contrato, funcionou no mesmo local o Frigorífico Mantiqueira (constituído em 1998 e para o qual não consta nem mesmo a formalização de contrato de locação), depois, finalmente, o Frigorífico Campos de Sio José (desde 2003, quando foi constituído), que funcionava no local, quando da realização da auditoriafiscal. Portanto, foram instaladas sucessivas empresas (respectivamente, Frigovalpa, Frigosef, Frigorífico Mantiqueira e Frigorífico Campos de São José), no mesmo local, para realização exatamente das mesmas atividades e utilização dos mesmos equipamentos, empresas essas que, com exceção da Frigovalpa, são pertencentes, controladas ou têm a participação societária de André Luiz Nogueira e de: • Joao Raymundo Costa (Frigosef e no Frigorífico Mantiqueira). •Benedito Carlos Americano (Frigorífico Mantiqueira e Frigorífico Campos de São José). • Ivan Rodrigues de Araújo (Frigorífico Mantiqueira). Outra circunstância bastante significativa — além das similaridades entre o local de funcionamento, da atividade realizada, dos equipamentos utilizados e dos sócios — é quanto ao pessoal empregado no local, podendose extrair do Relatório Fiscal as seguintes informações: Fl. 509DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 27 26 • Consulta ao sistema CNISA (Cadastro Nacional de Informações Sociais) revela que os empregados do Frigorífico Mantiqueira foram (ou eram) empregados do Frigosef. • O Frigosef informou em GFIP, até julho de 2000, a quantidade média de vínculos e a maioria desses empregados foi transferida para o Frigorífico Mantiqueira em agosto de 2000. • 0 Frigorífico Mantiqueira declarou empregados na RAIS até 2004, a partir de quando a declaração passou a ser feita pelo Frigorífico Campos de São José (considerado na ação fiscal sucessor daquele). • Nas competências de maio a julho de 2000 os mesmos empregados foram informados em RAIS pelo Frigorífico Mantiqueira e em GFIP pelo Frigosef. • Em maio de 2005, conforme operações constatadas no Livro de Registro de Empregados — LRE, os empregados, até então registrados no Frigorífico Mantiqueira, foram transferidos para o Frigorífico Campos de São José. • Constatouse que, em ação desenvolvida pela fiscalização do Ministério do Trabalho, os valores das remunerações dos empregados das empresas Frigosef, Frigorífico Mantiqueira e Frigorífico Campos de São José foram somados para efeito de determinação da base de cálculo do FGTS. Portanto, não apenas as empresas se instalaram sucessivamente no mesmo local, mas os empregados (ou pelo menos parte deles) foram sendo sucessivamente transferidos de uma para outra, do que, analisado o conjunto dos lançamentos fiscais realizados na auditoriafiscal, resulta a constatação de que os empregados foram sendo utilizados por uma empresa, enquanto Id funcionava outra; assim como foram sendo transferidos de uma para outra, numa situação de inadimplência quanto ao cumprimento das obrigações legais (recolhimento das contribuições previdenciárias e de FGTS; sem a devida formalização dos contratos de trabalho e nem a regular prestação das informações legais — GFIP e RATS, tudo isso no contexto da suposta falta de escrituração contábil). Tais circunstancias evidenciam a ocorrência de verdadeira "confusão patrimonial" entre os Frigoríficos, na medida em que não é possível estabelecer uma clara relação entre os vínculos empregatícios e as correspondentes despesas de pessoal ou passivos trabalhistas e tributários e as respectivas responsabilidades individualizadas, por Frigorífico, em cada período de funcionamento, ressalvandose que as empresas não afastaram a confusão patrimonial com a devida e regular apresentação dos livros contábeis (e respectivos documentos fiscais), observadas as demais formalidades legais pertinentes. A "confusão patrimonial" Fl. 510DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 28 27 Em que pese, reiterando, todas as dificuldades enfrentadas na auditoria fiscal, em face da falta de apresentação dos já aludidos elementos, a Auditorafiscal teve acesso a alguns documentos que merecem análise pelas evidencias que deles se pode extrair: • Foram constatadas as emissões de cheques, por André Luiz Nogueira (como pessoa física), em favor de Antonio Denilson Mendes (exempregado de Tânia Pereira Lopes — ME — fl. 116) e Raul Reno Vergueiro (fl. 117). A prática de pagamentos de despesas de pessoas jurídicas por pessoas físicas, especificamente os sócios e, neste caso, pelo controlador do "grupo econômico" denotam a ocorrência de "confusão patrimonial", especialmente em se considerando que não foram apresentados os livros contábeis (ou, eventual e alternativamente, os livroscaixa, quando substituíveis) e respectivos documentos fiscais que pudessem demonstrar a regularidade dos atos praticados. • Consta, também, a assinatura, por André Luiz Nogueira (considerado na auditoriafiscal o controlador do "grupo econômico") em documentos de outras empresas (integrantes do "grupo econômico"), que, supostamente, segundo alegam as impugnações, seriam dotadas de "administração própria": aviso prévio e termo de rescisão de contrato de trabalho do empregado Genésio dos Santos (fl. 118)e termo de rescisão de contrato de trabalho da empregada Fernanda Enedina Reis Prado (exempregados de Tânia Pereira Lopes — ME — fl. 119). Não foram apresentados os documentos idôneos que pudessem demonstrar a legitima representação, que suposta e eventualmente teria ocorrido. • André Luiz Nogueira que, reiterando, foi considerado o real controlador do "grupo econômico", assina também os termos de abertura do Livro de Inspeção do Trabalho (fl. 120) e do Livro de Registro de Empregados (fl. 121), ambos também da firma individual Tânia Pereira Lopes — ME, novamente desacompanhados dos documentos idôneos que pudessem demonstrar a legitima representação, que suposta e eventualmente teria ocorrido. • A ficha do SIF — Serviço de Inspeção Federal de no 222 (fl. 122) informa que aquele órgão público limitouse a cadastrar sucessivamente, no mesmo endereço (e na mesma ficha), o Frigovalpa, o Frigosef, o Frigorífico Mantiqueira e o Frigorífico Campos de S. José, no ramo "matadouro Frigorífico". • André Luiz Nogueira promove o pagamento, mediante emissão de cheque pessoal, para o mesmo Valtencir Carneiro Mendes, então empregado de André Luiz Nogueira Junior — ME (fls. 123). Tratase novamente da prática de pagamentos de despesas de pessoas jurídicas por pessoas físicas, especificamente os sócios e, neste novamente caso, pelo controlador do "grupo econômico", denotando a ocorrência de "confusão patrimonial", especialmente, reiterando, em se considerando que não foram apresentados os livros contábeis (ou, eventual e Fl. 511DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 29 28 alternativamente, os livroscaixa) e respectivos documentos fiscais que pudessem eventualmente demonstrar a regularidade dos atos praticados. • André Luiz Nogueira assina, também, a folha de rosto de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações h Previdência Social GFIP (fl. 124) da empresa individual Tânia Pereira Lopes — ME. • André Luiz Nogueira assina, também, os termos de rescisões de contratos de trabalhos de Luiz Carlos dos Santos (fl. 125), Maria Cristiane Teixeira (fl. 126)e José Maria Rodrigues Galvdo (fl. 127), que constam ser exempregados da empresa Monalisa Pereira Lopes Nogueira — ME, igualmente desacompanhados dos documentos idôneos que pudessem demonstrar a legitima representação, que supostamente pudesse ter ocorrido. • André Luiz Nogueira firmou, em nome pessoal, contrato de locação de imóvel, tendo como locadora, Rosa Maria Maciel Rodrigues (fls. 128/134). 0 contrato é relativo ao imóvel no qual seria instalado um estabelecimento filial da empresa Monalisa Pereira Lopes Nogueira — ME e em cujo estabelecimento consta estar também instalada a empresa Rosa Maria Maciel Rodrigues (estabelecimento matriz) e, na mesma data, o mesmo André Luiz Nogueira firma, com Rosa Maria Maciel Rodrigues, contrato de "compromisso de compra e venda de maquinário, equipamento e outras avenças (fls. 135/140). Ambos os negócios indicam novamente que André Luiz Nogueira assumiu pessoalmente a responsabilidade pela locação de imóvel destinado à empresa Monalisa Pereira Lopes Nogueira — ME, como também assumiu pessoalmente a responsabilidade pelos pagamentos das respectivas máquinas e equipamentos existentes no local. Convém destacar as estipulações do parágrafo único da cláusula terceira, do contrato de "compromisso de compra e venda de maquinário, equipamento e outras avenças, no qual André Luiz Nogueira assume a obrigação de pagar o total devido com a emissão de cheques de sua conta corrente pessoal, junto ao Banco Bradesco (conta 34819 da agência 31330). Tratase novamente de práticas que denotam a ocorrência de "confusão patrimonial" (assunção de obrigações financeiras por pessoa considerada controladora do "grupo econômico"), sem que se possa apurar nem mesmo a regularidade contábil das operações. Além dessas, outras evidências reais da existência de um "grupo econômico de fato" foram apontadas no Relatório Fiscal: • Consta que foi detectada a existência do documento fiscal n° 7.296, emitido em 08/07/2003, valor de R$ 5.550,00, por Geraldo Salaroli, relativo à venda de animais, em favor de Frigorífico Mantiqueira Ltda e registrado no livro de registro de entradas do Frigorífico Campos de Sio José Ltda (em 08/2003). • Tanto o Frigorífico Mantiqueira Ltda, quanto o Frigorífico Campos de Sic) José Ltda adoram o "nome fantasia" de "Frigorífico Mantiqueira", sem que haja prova da alegada e suposta "cessão de direitos". Fl. 512DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 30 29 • Os titulares das respectivas firmas individuais, André Luiz Nogueira Junior — ME e Monalisa Pereira Lopes Nogueira — ME são empregados do Frigorífico Campos de São José Ltda, sendo que: 1. André Luiz Nogueira Junior é filho de André Luiz Nogueira (que consta ser o real controlador de todo o empreendimento); 2. Tânia Pereira Lopes é esposa do mesmo André Luiz Nogueira; e 3. Monalisa Pereira Lopes Nogueira é filha de André Luiz Nogueira e de Tânia Pereira Lopes. • Os açougues (correspondentes às aludidas firmas individuais) adquirem carne exclusivamente do mesmo Frigorífico (atualmente Frigorífico Campos de São José Ltda, que adota exatamente, como já se destacou, o nome fantasia de "Frigorífico Mantiqueira") e utilizam o nome fantasia "Distribuidora de Carnes Mantiqueira", que é colocado com destaque nas fachadas dos estabelecimentos, sendo (segundo registra os dados cadastrais extraídos do sistema informatizado da Previdência Social — "CONEST — CONSULTA DADOS DO ESTABELECIMENTO"): 1. Distribuidora de Carnes Mantiqueira I: André Luiz Nogueira Junior — ME (matriz). 2. Distribuidora de Carnes Mantiqueira II: Tânia Pereira Lopes — ME. 3. Distribuidora de Carnes Mantiqueira III: Monalisa Pereira Lopes Nogueira — ME (matriz). 4. Distribuidora de Carnes Mantiqueira IV: André Luiz Nogueira Junior — ME (filial 2). 5. Distribuidora de Carnes Mantiqueira IV: Monalisa Pereira Lopes Nogueira — ME (filial 2). As supostas cessões do direito de uso dos nomes fantasias "Frigorífico Mantiqueira" e "Casa de Carnes Mantiqueira", ainda que a titulo gratuito, não foram apresentadas, mas, de qualquer forma, oferecem nova evidência da intima relação (ainda que "informal") entre as empresas. Arrematando, passase à análise das alegações formuladas nas respectivas impugnações, pelo contribuinte e demais integrantes do assim considerado "grupo econômico": De inicio, releva destacar que os argumentos apresentados por Frigorifico Campos de São José Ltda, Frigosef Frigorifico Sef de São José dos Campos Ltda, André Luiz Nogueira Junior — ME, Tânia Pereira Lopes — ME e Monalisa Pereira Lopes — ME (excetuado, portanto, apenas o Frigovalpa Comércio e Indústria de Carnes Ltda) são basicamente os mesmos, incluindo, aliás, trechos literalmente idênticos, o que constitui mais um indicio da Fl. 513DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 31 30 intima relação que há entre as correspondentes empresas. Por isso, quando possivel,os respectivos argumentos serão analisados conjuntamente. Realização de atividades concomitantes Os contribuintes, considerados integrantes do "grupo econômico", segundo se comprova pelos registros relativos As declarações de imposto de renda, permanecem, todos eles, legalmente em funcionamento. Aliás, quanto ao ritiona uto—dos—Frigorificos_Frigosef Mantiqueira e Campos de Sao José, as observações relativas As irregularidades cometidas quanto a apresentação de RAIS; as omissões, erros e falhas nas GFIP; a reiterada prática de contratação de empregados sem a formalização dos contratos de trabalho e as transferencias de empregados entre empresas demonstram que, além de coexistirem, realizaram operações que verdadeiramente impossibilitam a precisa identificação da data em que um Frigorifico deixou de funcionar no local, para que outro, formalmente, passasse a fazêlo. 0 fato de ter havido baixa (ou transferência) de inscrição no "Serviço de Inspeção Federal — SIF" não afasta absolutamente a possibilidade da coexistência das empresas, pois representa tão somente um procedimento administrativo do qual nem mesmo são apresentados (e comprovados) quais requisitos ou formalidades foram atendidas para que a transferência se formalizasse. Não bastassem tais circunstâncias, a falta de apresentação dos livros contábeis e dos respectivos documentos fiscais afastam total e definitivamente a possibilidade de constatação de que tais empresas (que, reiterando, constam ainda estarem em funcionamento) teriam promovido a formal transferência do negócio, em datas especificas. Não obstante o argumento de que poderia ter havido "confusão da razão social", quando da emissão "equivocada" de GTA — Guia de Transporte de Animais, podese, por outro lado, entenderse que justamente dada a confusão entre as empresas que funcionam (ou funcionaram) no local, os fornecedores nem mesmo "sabiam" ou era indiferente o nome da empresa, para o qual deveria ser emitido o documento. É irrelevante, para a caracterização de "grupo econômico" se houve ou não transferência do"fundo de comércio". Alias, há, neste sentido, mera assertiva do impugnante,_ não comprovada pelos registros contábeis. Participação da Frigovalpa no "grupo econômico" Sob o argumento da existência de contrato de locação com o Frigorífico Comércio e Indústria de Carnes Ltda nega também que, com esta empresa, se pretendesse constituir "grupo econômico". Fl. 514DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 32 31 A eventual participação do Frigovalpa no "grupo econômico" sell objeto de avaliação oportunamente (ainda neste acórdão, quando da análise da respectiva impugnação). Grupos econômicos e a Lei 6.404/76 O tema já foi abordado no presente, restando firmado o entendimento de que é juridicamente possível a caracterização de "grupos econômicos", mesmo quando não formalmente constituídos, ou seja, quando não constituídos segundo as exigências da Lei 6.404/76, em cuja hipótese teríamos os "grupos econômicos de fato". As administrações "autônomas" Anteriormente foram relatados, demonstrados e documentados casos em que André Luiz Nogueira figurou como representante legal, assinando documentos e assumindo obrigações contratuais (a titulo oneroso) em nome das firmas individuais (André Luiz Nogueira Junior — ME e Monalisa Pereira Lopes Nogueira — ME). Além do mais, consta que o mesmo André Luiz Nogueira usou recursos pessoais para promover pagamentos de várias despesas de responsabilidades daquelas. Novamente, a falta de apresentação de documentos idôneos, corroborados pelos regulares registros contábeis, impede que se possa constatar a alegação da defesa de que tais práticas e operações tenham se dado de forma regular. Ainda, não obstante a constituição das firmas individuais, consta que pelo menos André Luiz Nogueira Junior e Monalisa Pereira Lopes Nogueira são (ou teriam sido) empregados do Frigorífico Campos de SA() José Ltda, encontrandose assim na sugestiva posição de serem "empregados" da empresa que se constitui no seu maior fornecedor (exclusivo em se tratando de carnes e derivados de bovinos e suínos), enquanto firmas individuais. A exclusividade no fornecimento de carnes e derivados de bovinos e suínos, analisada isoladamente, não poderia efetivamente ser determinante (e não 6) na caracterização do "grupo econômico". No entanto, dado o vasto, veemente e plenamente convincente conjunto de evidências da existência do "grupo econômico de fato", tal circunstância deve ser avaliada como apenas mais um indicio, assim como o 6, também, a contratação, por todas as empresas, do mesmo profissional de contabilidade para realizar os respectivos serviços ou apresentação de impugnações quase que literalmente idênticas ou a utilização, ainda que "autorizada" (mas não demonstrada) de nome fantasia. A circunstância de os proprietários das firmas individuais não serem sócios doFrigorífico Campos de São José Ltda não afasta a possibilidade da existência do "grupo econômico", que não Fl. 515DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 33 32 exige a absoluta coincidência dos quadros societários entre seus componentes, Feitas essas considerações relativas aos argumentos comuns dos impugnantes, passase, agora, à análise de alguns argumentos específicos ou particulares da contribuinte, em face da qual foi realizado o lançamento em análise e dos demais impugnantes (considerados, na auditoriafiscal, integrantes do "grupo"). Monalisa Pereira Lopes Nogueira ME Não pode ser considerada a alegação de que realizaria o resgate dos pagamentos realizados por André Luiz Nogueira com "o lucro obtido por sua empresa", pois a aceitação de tal assertiva pressupõe necessariamente a comprovação contábil e documental, não realizada pelo contribuinte. É razoável afirmar que os pais devem prestar (ou prestam) "ajuda" aos filhos no inicio de suas atividades empresariais (argumento também utilizado no caso da firma individual de André Luiz Nogueira Junior — ME). Mas, no âmbito jurídico, das obrigações e das formalidades legais, é necessário que esta "ajuda" esteja devidamente retratada, formalizada e comprovada nos registros contábeis a que estão obrigados os contribuintes, em geral, o que não se verificou em relação a nenhuma das empresas tidas como integrantes do "grupo econômico". Na auditoriafiscal a firma individual Rosa Maria Maciel Rodrigues — ME (CNPJ 45.810.702/000179) foi considerada como tendo sido sucedida por Monalisa Pereira Lopes Nogueira — ME, contra o que esta se insurge na impugnação apresentada. Entretanto, como o lançamento em análise não versa sobre débitos previdenciários impotáveis a firma individual Rosa Maria Maciel Rodrigues, de tal questão — a sucessão — tratar seá na análise dos lançamentos pertinentes. Tânia Pereira Lopes — ME É de pasmar a justificativa apresentada pela impugnante, em relação aos pagamentos feitos em favor da firma individual Tânia Pereira Lopes — ME com recursos próprios por André Luiz Nogueira. São tão desconcertantes, que merecem nova reprodução: "ocorre que, por algumas vezes com a devolução de mercadorias não aceitas pela impugnante, esta fica com certo crédito junto ao aludido Frigorífico Campos de Silo Jose, que é seu fornecedor dentre outros; assim este devolve valores, sendo que algumas datas coincidem com o pagamento de algumas verbas rescisórias, e, como forma de economia e facilitação para a impugnante que é ME, foram solicitados cheques no valor da rescisões sendo que eventuais diferenças eram pagas por outros cheques ou mesmo em dinheiro; esclarecendo que essa pratica de devolução de mercadorias não conforme e comum, eis que alguns produtos não Fl. 516DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 34 33 atendem as especificações exigidas pela Impugnante, que então procede a devolução da mercadoria e recebe o estorno do pagamento". Tratase claramente de verdadeira confissão da confusão patrimonial que impera nos negócios dos integrantes do "grupo econômico" (agora também com a confissão do expresso envolvimento do Frigorífico Campos de Sio José Ltda). Aliás, essa no mínimo curiosa versão pressupõe, inclusive, pagamentos adiantados ou à vista, pois não seria assim que resultariam os créditos na forma de devoluções e compensações mediante a emissão de cheques para pagamentos a terceiros? Mas pressupõe, também, que o controlador do "grupo econômico" — André Luiz Nogueira — ao realizar pagamentos (ou emitir cheques) com recursos pessoais, estaria também resgatando débitos do Frigorífico Campos de Sic, José Ltda? Então, estamos diante da confissão de que André Luiz Nogueira, além de controlar o Frigorífico Campos de São José Ltda, estaria, também com recursos pessoais, promovendo pagamentos de suas obrigações? Descontado o inusitado de tais alegações, estas poderiam ter sido devidamente comprovadas pelos registros contábeis não apresentados. A relação matrimonial entre André Luiz Nogueira e a titular da firma individual Tânia Pereira Lopes — ME não é considerada no presente, nem mesmo de forma indireta, como fator determinante (mas eventualmente circunstancial) da possibilidade de identificação da existência de um "grupo econômico". Reiterese: marido e mulher (assim como pais, filhos e irmãos) podem, evidentemente, realizar atividades empresariais (e o fazem amiúde), em conjunto ou separados. O que pode ser objeto de ressalvas é a forma (regular ou não, licita ou não) como eventualmente desenvolvem seus negócios e as correspondentes relações societárias. Assim, somente a partir da criteriosa análise das especificas circunstâncias em que se dão os negócios é que se pode, eventualmente, considerar a possibilidade do surgimento, por exemplo, de um "grupo econômico de fato", entre os cônjuges. Frigovalpa Comércio e Indústria de Carnes Lida Em que pese os louváveis esforços da Auditorafiscal e, ao contrário dos casos dos demais contribuintes, considerados como componentes de um "grupo econômico de fato", não é possível identificar, a partir dos fatos e elementos apurados na auditoriafiscal (mesmo considerada em seu conjunto) as evidencias de que possa integrar o tal "grupo", em relação ao Frigorífico Frigovalpa. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 35 34 Com efeito, não consta que tenham sido apuradas relações, diretas ou indiretas, entre os integrantes do quadro societário do Frigorífico Frigovalpa e o controlador (André Luiz Nogueira) ou com os outros sócios das demais empresas. Não obstante algumas peculiaridades apontadas pela Auditora fiscal nos contratos de "arrendamento" firmados entre os frigoríficos Frigovalpa e Frigosef/Frigorífico Campos de São José (que tern como objeto a locação do imóvel onde anteriormente se encontrava instalado o Frigorífico locador e a simultânea locação de máquinas e equipamentos), tratase de um negócio jurídico aparentemente revestido das formalidades e licitudes cabíveis, em que pese, inclusive, a circunstância de que o prazo da locação tem sido sucessivamente prorrogado. Outrossim, não se logrou identificar quaisquer outros negócios e operações que pudessem apontar a existência de relações societárias entre o Frigorífico Frigovalpa e os demais (como operações financeiras — empréstimos, mútuos, pagamentos a qualquer titulo, por exemplo). Enfim, e ratificando, não se vislumbra nos autos em análise e tampouco nos demais autos que resultaram da mesma auditoria fiscal, a efetiva ou razoável constatação de qualquer dos indicativos caracterizadores da constituição de "grupo econômico de fato" entre o Frigorífico Frigovalpa e as demais empresas. Ainda quanto à defesa apresentada por Frigovalpa Comércio e Indústria de Carne Ltda, releva ressaltar: • Como a sua notificação se deu nos termos do art. 749 da Instrução Normativa SRP no 3, de 14/07/2005, não se vislumbra a ocorrência do cerceamento de defesa. • Por serem genéricas as assertivas relativas ao pleito de que "seja deferida esta defesa e impugnação para declarar e julgar indevidos os lançamentos fiscais, correção monetária, juros e multa em questão" não há o que considerar, sendo certo que os acréscimos legais (correção monetária, juros e multa), foram aplicados regularmente, nos termos da legislação aplicável. A sucessão do Frigorífico Mantiqueira Ltda pelo Frigorífico Campos de Silo José Lida A sucessão do Frigorifico Mantiqueira Ltda, pelo contribuinte, Frigorifico Campos de Sao José Ltda (em relação ao qual foi lavrado o lançamento em análise) tem fundamento nos arts. 129 e 133 do Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172, de 25/10/66 recepcionada como lei complementar pelo sistema legislativo brasileiro vigente) e arts. 750 e 751 da Instrução Normativa SRP n° 3, de 14/07/2005, considerando os seguintes fatos, já abordados no presente e constantes do Relatório Fiscal do lançamento: Fl. 518DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 36 35 · O Frigorifico Campos de Sao José Ltda, sem solução de continuidade, passou a funcionar no mesmo local, em que, até então funcionava o Frigorifico Mantiqueira Ltda. · O Frigorífico Campos de São José Ltda, ao se instalar passou a se utilizar exatamente das mesmas máquinas e equipamentos, até então utilizados pelo Frigorifico Mantiqueira Ltda. · Os empregados que mantinham contrato de trabalho com o Frigorifico Mantiqueira Ltda foram "transferidos" para o Frigorifico Campos de São José Ltda. · O Frigorífico Campos de São José Ltda "sucedeu", para efeitos cadastrais, o Frigorifico Mantiqueira Ltda junto ao Serviço de Inspeção Federal — SIF do Ministério da Agricultura. · O Frigorífico Campos de São José Ltda continuou a usar o "nome fantasia" de "Frigorífico Mantiqueira", assim como as firmas individuais, consideradas integrantes do "grupo econômico" utilizam o "nome fantasia" de "Distribuidora de Carnes Mantiqueira". · Documentos emitidos em nome do Frigorifico Mantiqueira Ltda foram registrados em livro do Frigorifico Campos de São José Ltda (como, por exemplo, o documento fiscal n° 7.296, emitido em 08/07/2003, valor de R$ 5.550,00, por Geraldo Salaroli, relativo à venda de animais). Finalmente, quanto ao objeto do lançamento, registro que: · Os valores lançados; as respectivas fontes de informação, com base nas quais foram apurados e respectivos levantamentos realizados encontramse devidamente identificados no lançamento fiscal e estão compatíveis com a legislação enunciada no aludido FLD. · Os anexos constantes dos autos (devidamente enumerados no Relatório Fiscal), demonstram adequadamente a composição do débito e de seus acréscimos legais. Assim sendo, devidamente formalizado o lançamento fiscal, e em face das razões e circunstâncias, ora aduzidas, e tudo o mais que dos autos consta, voto: • Pelo reconhecimento da existência de um "grupo econômico" de fato, composto por Frigosef Frigorifico SEF de São José dos Campos Ltda, Frigorifico Campos de São José Ltda, André Luiz Nogueira Junior — ME, Tânia Pereira Lopes — ME e Monalisa Pereira Lopes Nogueira ME • Pela exclusão, portanto, de Frigovalpa Comércio e Indústria de Carnes Ltda do "grupo econômico", assim considerado no lançamento fiscal. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 37 36 · Pela procedência do lançamento (com a ressalva da exclusão do item anterior). Continuando este Relator, quanto às alegações de inatividade das empresas Frigorífico Campos e Frigosef, não foram juntados aos autos os elementos configuradores de tal inatividade, tendo a decisão atacada inclusive apontando que o Frigorífico Campos desde 2003 (ano que consta ter sido constituída) vinha entregando suas declarações de imposto de renda (até a relativa a 2006) e Frigosev entregou declarações como "inativa" nos anos de 2003 e 2004, e de "lucro real" em 2005. Não consta a entrega da declaração de 2006. Do que exposto, não há elementos que justifiquem a retirada dos recorrentes do pólo passivo, como requerido. Finalmente, a questão do grupo econômico, envolvendo as empresas retrocitadas, já foi exaustivamente analisada por este Colegiado, tanto nas 1ª e 4ª Turmas Ordinárias da Quarta Câmara, processos 17546.000917/200724 e 17546.000740/200766, respectivamente, quanto na 1ª Turma Ordinária da Terceira Câmara, processo 17546.000903/200719, sempre no sentido de reconhecer o grupo econômico de fato. Também acórdão 280301.445, desta Turma Julgadora, de lavra do Cons. Eduardo de Oliveira, envolvendo as mesmas empresas. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD. REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS DESCONTADAS DOS SEGURADOS. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. EXISTENTE. RECURSO RECEBIDO.VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INEXISTÊNCIA. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. RECONHECIDA. Processo 17546.000915/200735 DAS CONTRIBUIÇÕES AO INCRA Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. A legislação corrente, em especial o art. 94, da Lei n° 8212/91, o DecretoLei n° 1.146, de 31 de dezembro de 1970, e a Lei Complementar n°11/71, (art. 15, II), disciplinam a matéria. O DecretoLei n° 1.146, dê 31 de dezembro de 1970, que consolidou as disposições legais criadas pela Lei n°2.613/55, incluindose o INCRA, manteve o adicional de 0,4% sobre a contribuição das empresas, "verbis": Art 1º As contribuições criadas pela Lei nº 2.613, de 23 de setembro 1955, mantidas nos têrmos dêste DecretoLei, são devidas de acôrdo com o artigo 6º do DecretoLei nº 582, de 15 de maio de 1969, e com o artigo 2º do DecretoLei nº 1.110, de 9 julho de 1970: I Ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA: Fl. 520DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 38 37 1 as contribuições de que tratam os artigos 2º e 5º dêste DecretoLei; 2 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o art. 3º dêste Decretolei. II Ao Fundo de Assistência do Trabalhador Rural FUNRURAL, 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o artigo 3º dêste Decretolei. Art 2º A contribuição instituída no " caput " do artigo 6º da Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955, é reduzida para 2,5% (dois e meio por cento), a partir de 1º de janeiro de 1971, sendo devida sôbre a soma da fôlha mensal dos salários de contribuição previdenciária dos seus empregados pelas pessoas naturais e jurídicas, inclusive cooperativa, que exerçam as atividades abaixo enumeradas: ... Art.3". É mantido o adicional de 0.4% (quatro décimos por cento) à contribuição prvidenciária das empresas instituido no §4º, do artigo 6" da lei n. 2.613, de 23 de setembro de 1955, com a modificação do artigo 35, §2°, item VIII, da Lei n. 4.683, de 29 de novembro de 1965. Art.4°. Cabe ao Instituto Nacional de Previdência Social 1NSS arrecadar as contribuições de que tratam os artigos 2° e 3º deste DecretoLei(...). A Lei Complementar n° 11/71, (art. 15, II), elevou o adicional ao FUNRURAL para 2,4% (dois e quatro décimos por cento), determinando a contribuição ao INCRA em 0,2% (dois décimos por cento): Art. 15. Os recursos para o Custeio do Programa de Assistência ao Trabalhador Rural provirão das seguintes fontes: I da contribuição de 2% (dois por cento) devida pelo produtor sabre o valor comercial dos produtos /trais, e recolhida: a) pelo adquirente, Consignatário ou cooperativa que ficam sub rogados, Para êsse fim, em tôdas as obrigações do produtor; b) pelo produtor, quando ele próprio industrializar seus produtos vendêlos, no varejo, diretamente ao consumidor. II da contribuição de que trata o art. 3º do Decretolei n" 1.146, de 31 de dezembro de 1970 a qual fica elevada para 2,6% (dois e seis décimos por cento), cabendo 2,4% dois e quatro décimos por cento) ao FUNRURAL". Com o advento da Lei n° 7.787/89 (art. 3°, §1°), foram suprimidas as alíquotas pertinentes ao PRORURAL/FUNRURAL, sendo mantida a destinada ao INCRA, no valor de 0,2% sendo irrelevante o fato do Impetrante não estar vinculado ao meio rural para ser contribuinte da Exação em evidência, ante aos princípios da universalidade do custeio da Seguridade Social (arts.194, I, e 195 da CF/88) e da igualdade tributária. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 39 38 Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça. PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E INCRA EMPRESA URBANA LEGALIDADE ORIENTAÇÃO DESTA PRIMEIRA SEÇÃO, SEGUINDO A JURISPRUDÊNCIA DO STF RECURSO NÃO ADMITIDO SÚMULA 168/STJ AGRAVO REGIMENTAL AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA MERA REPETIÇÃO DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA IRRESIGNAÇÃO MANIFESTAMENTE INFUNDADA RECURSO NÃO CONHECIDO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. 1. Nos termos da orientação desta Primeira Seção e do Supremo Tribunal Federal, é legítimo o recolhimento da contribuição social para o FUNRURAL e INCRA pelas empresas urbanas. Considerando que o acórdão embargado corroborou esse entendimento, correta é a aplicação da Súmula 168 desta Corte Superior. 2. Não tendo a agravante rebatido especificamente os fundamentos da decisão recorrida, limitandose a reproduzir as razões oferecidas nos embargos de divergência, é inviável o conhecimento do recurso. 3. Tratandose de agravo interno manifestamente infundado, impõese a condenação da agravante ao pagamento de multa de 10% (dez por cento) sobre o valor corrigido da causa, nos termos do art. 557, § 2º, do Código de Processo Civil. 4. Agravo interno não conhecido, com aplicação de multa. (AgRg nos EREsp 530802/GO. Primeira Seção. Relatora Ministra DENISE ARRUDA. Julgamento 13/04/2005. DJ 09/05/2005, p. 291) (sem grifos no original). Ainda o STJ: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. INCRA. CONTRIBUIÇÃO. EXIGIBILIDADE. NATUREZA JURÍDICA. CIDE. NÃOREVOGAÇÃO PELAS LEIS N. 8.212/91 E 8.213/91. 1. É pacífico o entendimento desta Corte Superior acerca da exigibilidade da contribuição devida ao Incra, mesmo em relação às empresas urbanas, a qual não foi revogada pelas Leis n. 8.212/91 e 8.213/91, tendo em conta a natureza dessa exação (de intervenção no domínio econômico). Precedentes. 2. Recurso especial nãoprovido.” (REsp 733.747/CE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/09/2008, DJe 29/10/2008) Fl. 522DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 40 39 Assim sendo, são devidas as contribuições destinadas ao INCRA. DO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR, NÃO ADESÃO AO PAT Acerca da matéria – pagamento de alimentação in natura sem a regular adesão ao PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT, reproduzo ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011, de seguimento obrigatório por parte dos membros do CARF, consoante art. 62,II, ”a” do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria nº 256, de 22 de junho de 2009: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Dessarte, não se considerando o auxílio alimentação in natura como salário de contribuição, tenho como improcedente a presente autuação, nesse ponto. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe parcial provimento para excluir as parcelas referentes a alimentação. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 17546.001018/200749 Acórdão n.º 2803004.188 S2TE03 Fl. 41 40 Fl. 524DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 13027.000111/2007-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
RECIBO MÉDICO. IRREGULARIDADE FORMAL. Tendo o contribuinte corrigido a irregularidade formal do recibo, apontada como o único motivo para a não dedutibilidade, exonera-se o crédito tributário dele decorrente. Caso dos autos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-002.672
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
MARIA CLECI COTI MARTINS - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), MARA EUGENIA BUONANNO CARAMICO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EWAN TELES AGUIAR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEAO
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. MARIA CLECI COTI MARTINS - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), MARA EUGENIA BUONANNO CARAMICO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EWAN TELES AGUIAR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEAO
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IRREGULARIDADE FORMAL. Tendo o contribuinte corrigido a irregularidade formal do recibo, apontada como o único motivo para a não dedutibilidade, exonerase o crédito tributário dele decorrente. Caso dos autos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), MARA EUGENIA BUONANNO CARAMICO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EWAN TELES AGUIAR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEAO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 02 7. 00 01 11 /2 00 7- 44 Fl. 47DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 14/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário que visa reverter a decisão do Acórdão 18 11.000 da 2a. Turma da DRJ/STM que julgou procedente em parte a impugnação da contribuinte, mantendo o tributo no valor de R$ 687,40, de um total exigido de R$ 2.458,10, sendo que R$ 396,10 não foi considerado litigioso pois o contribuinte assentiu com o lançamento. A ciência ao Acórdão de Impugnação ocorreu em 18/08/2009 e o Recurso Voluntário foi interposto em 04/09/2009. O lançamento de ofício decorreu de revisão de malha fiscal aonde o motivo para a glosa dos recibos, conforme o auto de infração seria: Glosa do valor de R$ 8.940,00, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Pagamentos declarados à UNIMED Erechim : sem comprovação R$ 7.500,00 recibos não apresentam identificação do tomador e/ou do prestador dos serviços. (glosa) O julgador a quo não considerou o recibo no valor de R$ 2.500,00, de 06/06/2004 devido à falta de identificação de quem efetuou o pagamento. O recorrente juntou aos autos o recibo não aceito, mas emendado com as informações faltantes e com uma declaração do profissional que prestou os serviços atestando a execução dos mesmos. Assim, entende que está sanada a irregularidade apontada no lançamento e também reconhecida pelo julgador de primeiro grau. É o relatório. Voto Conselheira MARIA CLECI COTI MARTINS O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e dele conheço. Considerando que o único argumento apontado no lançamento para a não dedução do recibo médico referese a aspectos formais do recibo, isto é, o recibo não apresentava identificação do tomador e/ou prestador dos serviços, entendo que tal irregularidade está suprida tanto pela compleição do recibo pelo prestador dos serviços, quanto pela declaração do mesmo à fl. 37. Voto pelo provimento do recurso. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 14/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13027.000111/200744 Acórdão n.º 2101002.672 S2C1T1 Fl. 3 3 MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora Fl. 49DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 14/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10805.722298/2012-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2401-000.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Presidente em Exercício
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .7 22 29 8/ 20 12 -4 2 Fl. 1891DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 10805.722298/201242 Resolução nº 2401000.435 S2C4T1 Fl. 1.892 2 Relatório Tratase de retorno da diligência comandada pela Resolução n.º 2401000.367, de 14/05/2014, fls. 1.863/1.872, na qual o colegiado determinou o retorno dos autos à autoridade lançadora para que esta se manifestasse sobre Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP colacionadas pela recorrente. Em resposta a determinação do CARF foi exarada a Informação Fiscal de fls. 1.874/1.890, na qual o fisco concluiu que os documentos acostados não eram hábeis a modificar o lançamento. Deste manifestação o sujeito passivo não foi cientificado e os autos retornaram para julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 1892DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 10805.722298/201242 Resolução nº 2401000.435 S2C4T1 Fl. 1.893 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Conversão em Diligência No curso da instrução do processo, após a apresentação do recurso do contribuinte, o feito foi baixado em diligência para que para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse acerca da documentação que acompanhou o recurso. Fruto de tal incidente processual, foi emitida Informação Fiscal, a qual veiculou parecer conclusivo acerca do objeto da diligência em apreço, moldado nos seguintes termos: "CONCLUSÃO: Pelos motivos expostos, as GFIP's juntadas no recurso pelo contribuinte são inválidas para efeito da constituição do crédito tributário. Assim sendo, entendemos ter suprido todas os questionamentos acima suscitados pelo CARF, consequentemente, encaminhamos a presente manifestação à apreciação e julgamento daquela Corte Administrativa.” Compulsando os autos, todavia, não logrei me deparar com qualquer indício de prova material que demonstrasse ter sido o sujeito passivo em tela devidamente cientificado da juntada da Informação Fiscal referida nos parágrafos precedentes. Nesse panorama, verificase que a lide prosseguiu sem que tenha sido oportunizada ao sujeito passivo a faculdade de se manifestar a respeito do resultado da diligência fiscal em questão. A privação do conhecimento das razões aduzidas pela fiscalização, as quais se serão fundamentais no julgamento do recurso, configurou, ao meu sentir, hipótese de cerceamento do direito de defesa, pela efetiva exclusão do contraditório. Nesse contexto, encaminho pela conversão do julgamento em diligência, para que o órgão de origem dê ciência à recorrente do teor da Informação Fiscal acima mencionada, devendolhe ser facultado o prazo normativo para se manifestar nos autos. Conclusão Voto por converter o julgamento em diligência nos termos acima propostos. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 1893DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15563.000232/2007-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA - Presidente. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior.
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Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 63 .0 00 23 2/ 20 07 -4 4 Fl. 655DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15563.000232/200744 Resolução nº 2301000.487 S2C3T1 Fl. 337 2 Relatório Tratase de lançamento fiscal previdenciário em desfavor da Recorrente, relativo as contribuições patronais devidas à Seguridade Social, bem como as contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, a contribuição adicional para a aposentadoria especial e as contribuições por lei devidas a terceiros, provenientes de empresa ou equiparados, previstas no art. 94, ambos da Lei n.° 8.212 de 24/0711991, que deixaram de ser recolhidas integralmente. Constituem fatos geradores: i) remunerações pagas ou creditadas a qualquer título aos segurados empregados, constantes das folhas de pagamento; ii) remunerações pagas ou creditadas aos administradores a título de honorários da diretoria; iii) pagamentos efetuados a autônomos/contribuintes individuais; e, iv) pagamentos efetuados a cooperativas de trabalho, apurado nas notas fiscais. Noticiada do lançamento apressouse em impugnálo, com suas razões, juntando cópia de ações judiciais, que segundo a Recorrente haveria concomitância, razão pela qual deveria ser anulado o lançamento. A autoridade julgadora de piso verificou que no Relatório Fiscal não havia sido mencionado se as diferenças apuradas com base nas Folhas de Pagamento foram objeto de compensação em ambos, ou algum dos três processos. Diz ainda que ‘...a existência de autorização judicial para realizar a compensação não é impeditivo do lançamento do débito, mas é imprescindível citar a existência de tais ações judiciais, bem como a sua situação processual, a fim de se verificar se de fato as sentenças de primeira instância, ambas favoráveis ao contribuinte, estão eficazes, ou se o débito está sendo lançado como glosa de compensação. Imprescindível também verificar se as compensações realizadas estão de acordo com os parâmetros estabelecidos nas decisões judiciais. Notese ainda que estando o contribuinte amparado pelo direito de compensarse, o lançamento pode ser feito apenas para apurar valores devidos, sem poder ser executado até que se obtenha o trânsito em julgado dos processos’. Por esta razão determinou diligência, retornando ao Auditor notificante para que ele esclarecesse se a Recorrente realizou alguma compensação judicial nas competências do crédito, e, caso afirmativo, que indiquem quais valores do lançamento são correspondentes a esta compensação, e em que parâmetros, bem como informando a situação processual das ações judiciais que amparam as eventuais compensações, a fim de que se defina se o crédito pode ser executado ou não. Ao diligenciar a Fiscalização assim informou: a) Quando da realização do procedimento fiscal a empresa alegou que estava efetuando compensação em decorrência de ações judiciais, porém não apresentou os documentos necessários para que justificasse tais compensações, por esse motivo que não se considerou glosa de compensação e simplesmente falta de recolhimento, mesmo porque não havia lançamento de compensação no campo próprio das GFIP's; Fl. 656DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15563.000232/200744 Resolução nº 2301000.487 S2C3T1 Fl. 338 3 b) Foi solicitado da empresa as Certidões de Objeto e pé relativas aos processos judiciais em que a mesma apresentou defesa, alegando possuir decisão em primeira instancia com julgamento procedente e com direito a efetuar compensações; c) Apresentou as seguintes certidões (as quais foram anexadas), relativas aos seguintes processos e que em nenhuma dessas certidões possui a indicação de que a empresa teve decisão em primeira instancia e muito menos possui Liminar para efetuar o procedimento de compensação: Processo 2000.61.00.0136520 – 20ª Vara Federal Estado de São Paulo Processo 2000.61.00.0136488 – 6ª Vara Federal Estado de São Paulo Processo 2000.51010098687 – 2ª Vara federal do Estado do Rio de Janeiro Processo 2000.5101.0098833 22 a Vara federal do Estado do Rio de Janeiro Processo 2000.5101.0098742 – 3ª Vara federal do Estado do Rio de Janeiro Processo 2000.71.00.018733 da 2ª Vara Federal Tributária de Porto Alegre; Processo 2000.5101.0098833 da 22ª Vara Federal do Rio de Janeiro; A Unidade Preparadora entendeu a necessidade de novo retorno à diligência para que o auditor Fiscal esclarecesse a situação do processo 2000.51.01.0098810, pronunciandose sobre a existência de eventual compensação realizada com base na sentença de procedência, a fim de que se defina se o crédito pode ser executado ou não, naquele momento, ou se devesse ser desmembrado. Respondeu a Fiscalização: a) Quanto a verificação do andamento do processo, da ação judicial 2000.51.01.0098810 em curso na 8ª Vara Federal do Rio de Janeiro: que o mesmo foi remetido em 27/09/2001 para TRF — 2ª Região por motivo de processar e julgar recurso (anexada certidão extraída dos autos em 24/07/2006 ) ; b) Quanto a realização de compensações em virtude de sentença favorável ao contribuinte para realização de compensação, no processo 2000.51.01.0098810 em curso na 8ª" Vara Federal do Rio de Janeiro: Informo que no procedimento de auditoria realizada na empresa com base na análise dos documentos contábeis foi verificado que a mesma não efetuou compensação mesmo tendo decisão favorável, nesse processo, para se compensar. Após os procedimentos acima a Recorrente foi notificada para se pronunciar das diligências e dos documentos juntados. Foi noticiada em 21 de dezembro de 2007 e mantevese inerte, conforme certidão de fls. 265, comprovado pelo AR n°. RA 90831275 0 BR, de Fls. 264. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15563.000232/200744 Resolução nº 2301000.487 S2C3T1 Fl. 339 4 Através do Acórdão sob nº 1220.142 a 15ª Turma da DRJ/RJ01 considerou o lançamento procedente mantendo o crédito tributário. Em 10 de novembro de 2008 foi intimada da decisão de piso. Às fls. 633 consta certidão da Unidade Preparadora informando que o Recorrente apresentou Recurso Especial dentro do prazo legal com protocolo postal datado de 17/09/2008, anexado aos autos das fls.280 as fls. 313 O Recurso foi aviado com suas razões. É a síntese do necessário. Fl. 658DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15563.000232/200744 Resolução nº 2301000.487 S2C3T1 Fl. 340 5 Voto Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator Antes de adentrar aos quesitos de defesa, não posso afirmar à Turma que o recurso acode as exigências processuais, mormente a tempestividade. A Recorrente tomou ciência do Acórdão sob nº 1220.142 a 15ª Turma da DRJ/RJ01 em 10 de novembro de 2008, conforme AR acostado às fls. 154 (PDF) do 2º v. E às fls. 160 (PDF) do mesmo volume há um envelope postado na ECT sem comprovação de data, o que impede de dizer da tempestividade. Para este Julgador, fica mais nebulosa ainda a tempestividade, quando a Unidade Preparadora informa que o Recorrente aviou Recurso Especial em 17/09/2008, ou seja, antes mesmo da decisão de piso ser exarada. Assim, imperioso é que o presente PAF seja encaminhado à Unidade Preparadora para que ela informe como chegou à conclusão de que o Recurso aviado foi na data de 17/09/2008, antes da intimação de 10 de novembro de 2008. E se for o caso, que oficie a Empresa de Correios e Telégrafos para que ela informe qual foi a data da postagem que tomou como registro o nº FC0928J38 752403763. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, converto em diligência para que a Autoridade Preparadora informe onde se encontra nos autos que a data da postagem do presente Recurso foi no dia 17 de setembro de 2008. devendo ainda oficiar a Empresa de Correios e Telégrafos para que ela informe qual foi a data da postagem que tomou como registro o nº FC0928J38 752403763. É como Voto. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA – Relator (assinado digitalmente) Fl. 659DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA
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Numero do processo: 10283.001012/96-56
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1991
RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE.
O recurso especial de divergência previsto no Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, tem como requisito a demonstração da divergência entre casos com identidade de situações fáticas, comprovada mediante confronto de acórdãos. Se não preenchido o pressuposto, o recurso, nesse aspecto não há de ser admitido.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido
Numero da decisão: 9303-002.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Maria Teresa Martínez López Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE. O recurso especial de divergência previsto no Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, tem como requisito a demonstração da divergência entre casos com identidade de situações fáticas, comprovada mediante confronto de acórdãos. Se não preenchido o pressuposto, o recurso, nesse aspecto não há de ser admitido. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Maria Teresa Martínez López – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 10 12 /9 6- 56 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado pela Fiscalização de Manaus (fl. 03), em que o Sr. Fiscal entendeu, no ato do desembaraço aduaneiro das mercadorias constantes da DI 004844 de 05/04/91, ter ocorrido a falta e o excesso de capacitores fixos eletrolíticos alumínio. O enquadramento legal mencionado pela Fiscalização, com referência ao Imposto de Importação, esta nos artigos 83, 86 e 87, inciso 1, 467, incisos II e III e 473, parágrafos 1° e 2° do Decreto nº 91.030/85; art. 19 da Lei nº 5.172/76; e 501, inciso III, do Decreto nº 91.030/85 (a ordem dos dispositivos é da própria Fiscalização). No que diz respeito ao Imposto sobre Produtos Industrializados, o enquadramento foi baseado no art. 29, inciso I, do Decreto nº 87.981/82 c/c art. 467, inciso III, do mesmo Decreto. Por meio do Acórdão nº 30329.506, por unanimidade de votos, foi dado provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir a multa administrativa. A decisão guerreada possui a seguinte redação: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO – ALEGADA FALTA DE GUIA DE IMPORTAÇÃO – I – A divergência nas características intrínsecas das mercadorias importadas, não configura importação sem Guia de Importação, se a descrição e classificação tarifária dessas correspondem às submetidas ao despacho aduaneiro. II A Multa prevista no art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n.º 91.030/85, é incabível quando o fato não está devidamente tipificado, por ausência dos elementos necessários (comportamento humano, resultado e nexo causal) para que seja caracterizada a conduta como passível de penalidade. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência, alegando, em suma, que a multa prevista no art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/85, é cabível. Traz como paradigma divergente fundamentos do Acórdão nº 30233.428. A ementa dessa decisão está assim redigida: “Infração Administrativa ao Controle das Importações. Não ficando provada a discriminação da mercadoria na GI apresentada pela importadora e havendo divergência entre a mercadoria importada (descrição e número de referência), tal como descrita na Declaração de Importação, e a mercadoria constante da GI, é de se considerar a importação ao desamparo de Guia, sujeitandose o importador ao recolhimento dos tributos devidos e acréscimos legais cabíveis, juros e multa de mora, bem como das multas capituladas nos arts. nº. 526, II, do RA, e nº. 364, II, do RIPI”. (Acórdão 30233.428) Alega a recorrente que: Fl. 266DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10283.001012/9656 Acórdão n.º 9303002.745 CSRFT3 Fl. 238 3 A divergência jurisprudencial encontrase configurada, no caso em tela, porquanto o v. Acórdão paradigma entendeu que para efeitos de aplicação da multa prevista no art. 526, II, do RA, configurase como “fato típico” a divergência entre a mercadoria importada e a descrição quanto ao número da referência constante da Gl. (...) Dessa forma, se a descrição da mercadoria nos documentos de importação for omissa, incorreta ou imprecisa quanto aos elementos de identificação do produto importado, deve ser aplicada a multa pela falta de GI, prevista no art. 526, II, do RA. Por meio do Despacho de fls 195D, e sob o entendimento de estarem presentes os requisitos de admissibilidade deuse seguimento ao recurso interposto. Contrarrazões apresentadas pela contribuinte às fls. 205 a 210 D. Pede para que o recurso não seja conhecido por ausência de divergência. Aduz que: (SIC) “O Acórdão 30233.428 tratou de uma situação que evidentemente configura falta de guia ou documento de importação equivalente, posto que não havia na GI ou DI a descrição da mercadoria questionada, ou seja, o produto era realmente diverso da descrição apontada pelo contribuinte como a correspondente.” E mais: “8. A situação atual da RECORRENTE é infinitamente mais simples! 9. É consabido que a autuação inicial tinha como motivação a falta e o excesso de 520 mil capacitores fixos eletrolíticos alumínio. 10. A falta de mercadorias na importação foi afastada no julgamento de primeira instância, permanecendo assim apenas o excesso com a cobrança do II e do IPI e da multa do art. 526, II do RA. 11. Referida multa é aplicada no caso de ocorrer para a importação sem guia ou documento equivalente.” 12. Com o julgamento de primeira instância ficou claro que a importação foi realizada ao amparo da GI n° 900187502 e DI n° 004844 de 05104/91 e que apenas ocorreu uma declaração inadequada das mercadorias, um erro na voltagem de cada um dos capacitores. 13. Ora, já ficou assentado no Conselho de Contribuintes, bem como nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais, que pequenas divergências ou erros que não interfiram em preço, classificação fiscal, alíquota, função da mercadoria não podem ser enquadrados no art. 526, II do RA. (...) 16. Verificase, portanto, que ainda que exista erro na voltagem (NÃO HOUVE ERRO NA REFERÊNCIA, MAS APENAS NA VOLTAGEM DOS CAPACITORES) ou inexatidão da descrição Fl. 267DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 não há como se considerar importação ao desamparo de licenciamento e, muito menos, implicar tal fato na perda do beneficio fiscal. (...) 19. Assim sendo, considerando que o acórdão mencionado como paradigma pela RECORRENTE não se aplica ao caso e que já existe posição firmada que pequenos erros na descrição não devem ter aplicação da multa do art. 526, II do RA, deve ser julgado improvido o Recurso Especial interposto. O processo foi redistribuído por 4 vezes, em face dos precedentes não mais integrarem mais o órgão administrativo. É o relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora Passo à apreciação da preliminar dos pressupostos processuais. ADMISSIBILIDADE Este exame preliminar sobre o cabimento do recurso denominase juízo de admissibilidade, transposto o qual, em sentido favorável ao recorrente, passará o órgão recursal ao juízo de mérito do recurso. Dispõe o Regimento Interno dos então Conselhos de Contribuintes, à época vigente, ser cabível recurso especial à CSRF de decisão que tenha dado à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha de outra Câmara de Conselho de Contribuintes ou desta CSRF. Traz a recorrente (Fazenda Nacional) como paradigma, o Acórdão nº 302 33.428 (integra), cuja ementa está assim redigida: “Infração Administrativa ao Controle das Importações. Não ficando provada a discriminação da mercadoria na GI apresentada pela importadora e havendo divergência entre a mercadoria importada (descrição e número de referência), tal como descrita na Declaração de Importação, e a mercadoria constante da GI, é de se considerar a importação ao desamparo de Guia, sujeitandose o importador ao recolhimento dos tributos devidos e acréscimos legais cabíveis, juros e multa de mora, bem como das multas capituladas nos arts. nº. 526, II, do RA, e nº. 364, II, do RIPI”. (Acórdão 30233.428)”. De fato, cada processo deve ser analisado independentemente, em virtude de suas características próprias. O paradigma apresentado no processo diverge do caso sob análise. O Acórdão 30233.428 tratou de uma situação que evidentemente configura falta de guia ou documento de importação equivalente, posto que não havia na GI ou DI a descrição da Fl. 268DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10283.001012/9656 Acórdão n.º 9303002.745 CSRFT3 Fl. 239 5 mercadoria questionada, ou seja, o produto era realmente diverso da descrição apontada pelo contribuinte como a correspondente. Confirase excertos do relatório do acórdão citado como paradigma: Constatamos que, o item Matriz de Cortar Peça em Bruto para coluna interna dianteira, lados esquerdo / direito , 52285077/78 , não encontravase relacionado na Guia de Importação n. 001 87/0258972 (aditivo 001871150551), estando portanto, descoberto de guia. Assim sendo, o importador identificado no verso , constituiu uma infração administrativa ao controle das importações, ficando sujeito à multa prevista no art. 169 do Decretolei nº. 37/66., alterado pelo art 2o. da Lei nº.6562/78 , regulamentado pelo art. 526 , inc. II , do Decreto nº 91030/85. Já, consta do Voto, do suposto paradigma apresentado: É inquestionável que existem vários tipos de “Matrizes” , cada uma tendo sua finalidade especifica variando as mesmas em tamanho, peso, forma , características técnicas de formatação e acabamento dos produtos , entre outras especificações. Estas mercadorias evidentemente apresentam pregos diferenciados , por suas próprias características e destinações. Desta maneira, uma “Matriz de Cortar Peças em Bruto “ de um conjunto de ferramentas “para coluna interna dianteira lados esquerdo/direito”, não pode ser igualada a uma “Matriz de Cortar” de um conjunto de ferramentas “para reforço do painel de pedais superior'. Estas “Matrizes” não são a mesma mercadoria. Salientese , ademais , que as referencias das mesmas também divergem. Ocorreu, assim, na hipótese vertente , não apenas divergência do número de referência do produto, mas divergência do próprio produto em si . Já, no presente processo sob análise, claro que a importação foi realizada ao amparo da GI n° 900187502 e DI n° 004844 de 05104/91 e que apenas ocorreu uma declaração inadequada das mercadorias, um erro na voltagem de cada um dos capacitores. Nesse sentido, extraise do voto guerreado: “Houve, sem dúvida, uma declaração inadequada das mercadorias importadas, mas que não pode ser classificada como uma importação sem Guia de Importação. As mercadorias importadas são efetivamente, capacitores, tal como descrito na Declaração de Importação, com a mesma classificação fiscal e incidência tributária, divergindo, tãosomente, em relação à referência. Para uma melhor compreensão reproduzo parte das razões de decidir do Conselheiro: Quanto à importação dos produtos que não se enquadram na descrição da Declaração de Importação, não há argumentos que Fl. 269DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 possam sustentar a tese da Recorrente, uma vez que não ha dúvidas que os capacitores qualificados pela fiscalização como importados em excesso, não conferem com as referências dos referidos na Declaração de Importação. Houve, sem dúvida, uma declaração inadequada das mercadorias importadas, mas que não pode ser classificada como uma importação sem Guia de Importação. As mercadorias importadas são efetivamente, capacitores, tal como descrito na Declaração de Importação, com a mesma classificação fiscal e incidência tributária, divergindo, tãosomente, em relação à referência. Inquestionável que a Recorrente importou 520.000 capacitores, amparados pela Guia de Importação n° 900187502, sendo que, houve uma inadequada descrição desses capacitores no que tange à referência. A alegada falta de Guia de Importação perde substância ao confrontar as DI e GI à mercadoria importada, pois em quantidade se equiparam. Portanto, no caso da penalidade aplicada com base no art. 526, inciso II, entendo incabível, uma vez que o fato típico hipoteticamente previsto na norma penal não foi verificado no mundo dos fatos, tanto que a Guia de Importação foi emitida para importação dos 520.000 capacitores em apreço. Não se tratou, portanto, de “importar mercadoria do exterior sem guia de importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer (ônus financeiros ou cambiais: multa de 30% (trinta por cento)) do valor da mercadoria”, uma vez que do ponto de vista da operação de importação a guia de importação foi apresentada, regularmente. O Direito Penal (artigol° do C.P.) e o direito tributário penal (artigo 970, II, do C.T.N.) estão subordinados ao principio que decorre do inciso XXXIX do artigo 5° da Constituição da tipicidade da norma, i.e., o tipo de conduta ilegal deve estar perfeitamente identificado na norma jurídica. Nullum crimen nulla poena sine lege é o brocardo que, na sua simplicidade, se insere na busca de justiça para o caso em julgamento. Assim, para aplicação da norma penal, deve o fato presumível encaixar se rigorosamente dentro do tipo descrito na lei. Em suma, o tipo infracional a ser punível seria o art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, o seguinte: “Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas (DL n° 37/66, art. 169. alterado pela Lei n°6.562/78, art. 2°): II importar mercadoria do exterior sem guia de importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria; Salta aos olhos que o dispositivo, supra transcrito, não se adequa ao fato tido como delituoso, i.e., a distinção entre a Fl. 270DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10283.001012/9656 Acórdão n.º 9303002.745 CSRFT3 Fl. 240 7 conduta dita como delituosa e a descrição normativa do fato punível é manifesta, o que afasta de imediato a exigência desta multa. A lei penal não admite interpretações que não sejam aquelas objetivas e restritivas decorrente do texto punitivo. 0 dispositivo penal tributário não pode ser aplicada sobre uma presunção de fato que, na realidade não se verificou, como no caso, que para incidência do art. 526, II, do RA, seria necessário a inexistência da Guia de Importação, efetivamente. De acordo com Damásio E. de Jesus, in “Comentários ao Código Penal”, fato delituoso é aquele que se encaixa, se amolda à conduta criminosa descrita pelo legislador. Tipo é o conjunto de elementos descritivos do crime contido na lei penal. Concluise, após análise da norma legal transcrita supra, ser incabível a aplicação da penalidade sobre o Imposto de Importação, que deixou de ser pago, pelo fato de que a mesma é aplicável na falta de Guia de Importação. Assevera Victor Villegas, com propriedade, que “A punibilidade de uma conduta exige sua exata adequação a uma figura legal. Contudo, tal adequação claudicará se a descrição do procedimento punível for incompleta ou confusa, não revelando conteúdo especifico e expressão determinada”. Gerd W. Rothmann, por sua vez, (in “A Extinção da Punibilidade nos Crimes contra a Ordem Tributária” RT 718/95, pg. 536/549) destaca que: “Tanto o crime fiscal como a mera infração administrativa se caracterizam pela antijuridicidade da conduta, pela tipicidade das respectivas figuras penais ou administrativas e pela culpabilidade (dolo ou culpa). A antijuridicidade envolve a indagação pelo interesse ou bem jurídico protegido pelas normas penais e tributárias relativas ao ilícito fiscal. A tipicidade é outro requisito do ilícito tributário penal e administrativo. 0 comportamento antijuridico deve ser definido por lei, penal ou tributária. Segundo RICARDO LOBO TORRES (Curso de Direito Financeiro e Tributário, 1993, pg. 268), a tipicidade é a possibilidade de subsunção de uma conduta no tipo de ilícito definido na lei penal ou tributária. (...)Nisto reside a grande problemática do direito penal tributário: leis penais, freqüentemente mal redigidas, estabelecem tipos penais que precisam ser complementados por leis tributárias igualmente defeituosas, de dificil compreensão e sujeitas a constantes alterações.” E, na mesma esteira doutrinada pelo festejado penalista Basileu Garcia (Instituições de Direito Penal, vol. I, Tomo I, Ed. Max Limonad, 4a edição, pg. 195): Fl. 271DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 “No estado atual da elaboração jurídica e doutrinária, há pronunciada tendência a identificar, embora com algumas variantes, o delito como sendo a ação humana, antijuridica, típica, culpável e punível. 0 comportamento delituoso do homem pode revelarse por atividade positiva ou omissão. Para constituir delito, deverá ser ilícito, contrário ao direito, revestirse de antijuricidade. Decorre a tipicidade da perfeita conformidade da conduta com a figura que a lei penal traça, sob a injunção do principio nullum crimen, nula poena sine lege. Só os fatos típicos, isto é, meticulosamente ajustados ao modelo legal, se incriminam.” Já tivemos oportunidade de apreciar tese paralela em outro feito perante este mesmo E. Conselho, consignando no nosso voto que tais elementos fáticos estavam ausentes naqueles processos, como também estão ausentes no caso presente. Dai não ser punível a conduta do agente. Não será demais reproduzir mais uma vez a lição do já citado mestre de Direito Penal Damásio de Jesus, que ao estudar o FATO TÍPICO (obra citada 1° volume Parte Geral (Ed. Saraiva 15a Ed. pág. 197) ensina: “Por último, para que um fato seja típico, é necessário que os elementos acima expostos (comportamento humano, resultado e nexo causal) sejam descritos como crime” e complementa: “Faltando um dos elementos do fato típico, a conduta passa a constituir em indiferente penal. E um fato atípico.” Nesta mesma linha de raciocínio, nos ensina CLEIDE PREVITALLI CAIS, in 0 Processo Tributário, assim preleciona o principio constitucional da tipicidade: “Segundo Alberto Xavier, “tributo, imposto, é pois o conceito que se encontra na base do processo de tipificação no Direito Tributário, de tal modo que o tipo, como é de regra, representa necessariamente algo de mais concreto que o conceito, embora necessariamente mais abstrato do que o fato da vida.” Vale dizer que cada tipo de exigência tributária deve apresentar todos os elementos que caracterizam sua abrangência. “No Direito Tributário a técnica da tipicidade atua não só sobre a hipótese da norma tributária material, como também sobre o seu mandamento. Objeto da tipificação são, portanto, os fatos e os efeitos, as situações jurídicas iniciais e as situações jurídicas finais. O principio da tipicidade consagrado pelo art. 97, do CTN e decorrente da Constituição Federal, já que tributos somente podem ser instituídos, majorados e cobrados por meio da lei, aponta com clareza meridiana os limites da Administração neste campo, já que lhe é vedada toda e qualquer margem de discricionariedade.” (Grifo nosso) Como nos ensinou Cleide Previtalli Cais: “... cada tipo de abrangência tributária deve apresentar todos os elementos que Fl. 272DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10283.001012/9656 Acórdão n.º 9303002.745 CSRFT3 Fl. 241 9 caracterizam sua abrangência...”, já que “... lhe é vedada (A Administração) toda e qualquer espécie de discricionariedade.” Não pode a administração tributária desqualificar o documento fiscal, válido e regularmente emitido, sob a alegação de que as mercadorias importadas não atendem A. referência das descrições, se a materialidade da importação corresponde h. descrição das mercadorias. 0 fato típico deve encaixarse por completo na hipótese da norma penal, sob o risco de a aplicação pairar no instável plano da presunção. Em não tendo sido comprovada a divergência entre o confronto de acórdãos, não há como se conhecer do recurso especial. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, de forma a manter a exclusão da multa prevista no art. 526, inciso II do RA, em face da inexistência de tipicidade da penalidade. Maria Teresa Martínez López Fl. 273DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 19515.720116/2013-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n° 2).
LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES.
Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa e ao contraditório.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIO-GERENTE SEM EXERCÍCIO EFETIVO DE ADMINISTRAÇÃO.
Constatado que o sócio-gerente formal não desempenhava qualquer atividade na empresa, identificando-se, inclusive, o real administrador da pessoa jurídica, somente sobre este deve recair eventual responsabilidade tributária, devendo aquele ser excluído do polo passivo da lide.
SUJEIÇÃO PASSIVA. EXTINÇÃO IRREGULAR DO CONTRIBUINTE. CONTINUIDADE DA ATIVIDADE DESEMPENHADA. IDENTIDADE DE SÓCIOS E ENDEREÇO. CORRESPONSABILIDADE.
Identificada a extinção irregular do contribuinte e constatando-se que nova pessoa jurídica, com identidade de sócios, passou a desempenhar as atividades no mesmo endereço da empresa extinta, e ainda no mesmo endereço, a nova pessoa jurídica deve responder pelo crédito tributário da empresa extinta, nos termos do art. 132, parágrafo único do CTN.
PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. NÃO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO.
^A perícia não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratando-se da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de perícia. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis.
Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
LUCRO ARBITRADO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LrVROS E DOCUMENTOS.
A não apresentação de livros contábeis e fiscais, bem como da documentação correspondente, implica o arbitramento de lucros.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS
A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa.
MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DOLO. IMPOSSIBILIDADE.
Ausente a comprovação de dolo necessária à ocorrência de sonegação ou fraude, não subsiste a cominação da penalidade de 150%. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF n° 14).
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de Io de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF n° 4).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-001.878
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso nas questões atinentes à constitucionalidade de normas, indeferir o pedido de perícia, rejeitar as arguições de nulidade, e, no mérito, por maioria de votos: (i) dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício a 75%; e: (ii) determinar a extinção da sujeição passiva solidária de Lucas de Souza Ferreira. Vencida a Conselheira Cristiane Silva Costa que dava provimento em maior extensão para cancelar a sujeição passiva solidária da empresa Carangola Distribuidora de Alimentos. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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Numero do processo: 10730.004441/2002-60
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1997, 1998
MATÉRIA PROCESSUAL. CONHECIMENTO. RESCURSO ESPECIAL.
Não se conhece de recurso especial cujos acórdãos apresentados para demonstrar a divergência se baseiem em legislação diferente, ou em fatos diversos daqueles que ensejaram o lançamento tributário discutido no acórdão recorrido, ou que não tenham o condão de afetá-lo.
Quando do julgamento do recurso especial pela Turma competente, o tema da admissibilidade sempre pode ser revistitado, podendo as premissas da admissibildiade serem reavaliadas pela Turma que decide o mérito.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9101-002.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1) Quanto à preliminar de impossibilidade de reanálise da admissibilidade: preliminar rejeitada por maioria de votos. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Karem Jureidini Dias, Antônio Carlos Guidoni Filho e Marcos Vinícius Barros Ottoni (Suplente Convocado). 2) Quanto ao conhecimento: recurso não conhecido por maioria de votos. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri e Karem Jureidini Dias. O Conselheiro João Carlos de Lima Junior declarou-se impedido de participar do julgamento, sendo substituído pelo Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni (Suplente Convocado). Declaração de voto: C. Karem Jureidini Dias.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO- Presidente
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado)
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1997, 1998 MATÉRIA PROCESSUAL. CONHECIMENTO. RESCURSO ESPECIAL. Não se conhece de recurso especial cujos acórdãos apresentados para demonstrar a divergência se baseiem em legislação diferente, ou em fatos diversos daqueles que ensejaram o lançamento tributário discutido no acórdão recorrido, ou que não tenham o condão de afetálo. Quando do julgamento do recurso especial pela Turma competente, o tema da admissibilidade sempre pode ser revistitado, podendo as premissas da admissibildiade serem reavaliadas pela Turma que decide o mérito. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1) Quanto à preliminar de impossibilidade de reanálise da admissibilidade: preliminar rejeitada por maioria de votos. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Karem Jureidini Dias, Antônio Carlos Guidoni Filho e Marcos Vinícius Barros Ottoni (Suplente Convocado). 2) Quanto ao conhecimento: recurso não conhecido por maioria de votos. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri e Karem Jureidini Dias. O Conselheiro João Carlos de Lima Junior declarouse impedido de participar do julgamento, sendo substituído pelo Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni (Suplente Convocado). Declaração de voto: C. Karem Jureidini Dias. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 44 41 /2 00 2- 60Fl. 4604DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado) Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório do acórdão recorrido: Recorrem a este Conselho a 3' TURMA DA DRJ/BELO HORIZONTE MG, de Ofício, em conseqüência de haver considerado improcedente, em parte, os lançamentos formalizados através dos Autos de Infração de fls. 59/67 e 109/111 (IRPJ), 115/121 (PIS)), 122/128 (COF1NS) e 129/140 (CSLL), lavrados contra a CONCESSIONARIA DA PONTE RIO NITERÓI S. A., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob n.° 00.358.042/000107, dado que o valor do crédito tributário exonerado o foi em montante superior ao limite estabelecido pela legislação de regência, com fundamento no artigo 34, do Decreto n.° 70.235, de 1972, com alterações introduzidas pela Lei n.° 8.748, de 1993, e a CONCESSIONÁRIA DA PONTE RIO NITERÓI S/A., dado não se haver conformando com a decisão proferida por aquela DRJ, com fundamento no disposto no art. 33 do Decreto n° 70.235/72, com as alterações posteriores. Versa o presente processo do Auto de Infração de fls. 59/67 e 109/111 do Volume I, intercalado pelo Termo de Verificação e de Constatação Fiscal de fls. 68/108 do Volume I, lavrado contra a contribuinte em epígrafe, para exigência do crédito tributário no valor de R$ 13.935.011 1 90, a titulo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ, juros de mora e multa proporcional, referente a infrações apuradas nos anos calendário de 1997 e de 1998. Em decorrência, exigiramse também os créditos tributários nos valores de R$ 252.285,82; R$ 776.264,16 e R$ 4.507.605,88 (Autos de Infração de fls. 115/121; 122/128 e 129/140 do Volume I), relativos, respectivamente, à Contribuição para o PIS/Pasep, Contribuição para o Financiamento de Seguridade Social — Cofins e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, acrescidos, todos eles, de juros de mora e multa proporcional. De acordo com a descrição dos fatos constante do Auto de Infração de fls. 61/66 do Volume I, os lançamentos decorreram de ação fiscal levada a efeito junto à contribuinte, que apontou Fl. 4605DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 3 3 irregularidades e infrações à legislação tributária, apresentados na seqüência do auto de infração: Os fundamentos (bases de cálculo) dos lançamentos decorrentes encontramse nas seguintes peças dos autos: Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins De acordo com a descrição dos fatos às fls. 117/119 e 124/126 do Volume I, o lançamento do PIS e da COFINS teve por base as infrações enunciadas nos itens "1" e "2" do Auto de Infração do IRPJ (Omissão de Receitas — Passivo Fictício e Depósitos Bancários sem Comprovação da Origem dos Recursos/Manutenção no Passivo de Obrigação Inexistente), sendo que em relação a esta última matéria, foi aplicada multa agravada de 150% (...). Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL De acordo com a descrição dos fatos às fls. 131/137 do Volume I, o lançamento da CSLL teve por base todas as infrações enunciadas no Auto de Infração do IRPJ, tendo sido aplicadas também, multas agravadas de 150% (cento e cinqüenta por cento) em relação às matérias cujas exigências de multas de ofício foram majoradas no lançamento do IRPJ. A contribuinte foi cientificada dos autos de infração em 25 de setembro de 2002. Inconformada com as exigências, por seu procurador, instrumentos de mandato às fls. 394 do Volume I; 1119, 1187 e 1253 do Volume V apresentou impugnações aos lançamentos do IRPJ, do PIS, da CSLL e da Cofins, mediante petições recepcionadas em 25 de outubro de 2002 (fls. 339/393 do Volume I; 1062/1063, 1128/1129 e 1196/1197 do Volume V)., acompanhadas dos documentos de fls. 403 a 1059 dos Volumes II a IV. Submetidos os autos à apreciação da Delegacia Regional de Julgamen4 Belo Horizonte, esta, por sua Terceira Turma, manteve em parte a exigência fisca 1392 a 1548), consignando na ementa: ‘Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Anocalendário: 1997, 1998 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS PASSIVO FICTÍCIO. Constitui presunção de omissão de receita a manutenção, no exigível, de obrigações incomprovadas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. MANUTENÇÃO NO PASSIVO DE OBRIGAÇÃO INEXISTENTE. Fl. 4606DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Os valores creditados em conta corrente bancária, cuja origem dos recursos utilizados o titular não logra comprovar com apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receitas. CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS. GLOSAS DE CUSTOS E DE DESPESAS. A admissibilidade de despesas como dedutíveis está condicionada a que elas sejam comprovadas com documentação hábil e idônea e que, simultaneamente, preencham os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade. CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS. ENCARGOS COM FINANCIAMENTOS EM MOEDA ESTRANGEIRA Não são dedutíveis como despesas operacionais as importâncias declaradas como pagas a título de juros sobre empréstimo obtido do exterior, quando não for comprovada, com documentação hábil e idônea, a efetividade da contratação da obrigação e demonstrada a normalidade, usualidade e necessidade de tais encargos para o tipo de atividade desenvolvida pelo sujeito passivo. OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS. Se a contribuinte não comprova que os dispêndios que o fisco questionou guardam relação com as atividades da empresa, que são necessárias e que estão suportadas por documentação hábil e idônea, afiguramse indedutíveis as despesas particulares de administradores. BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS COMO CUSTO OU DESPESA. Constatada a apropriação como despesa operacional de gastos que, por sua natureza, valor unitário e vida útil se caracterizam como ativo fixo, impõese exigir o imposto, de oficio, sobre a redução indevida do resultado tributável. Lançamentos Decorrentes Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 28/02/1997, 31/1211997 Ementa: DECORRÊNCIA. Dada a intima relação de causa e efeito que vincula um ao outro, a decisão proferida no lançamento do IRPJ é aplicável ao lançamento reflexivo. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 28/0211997, 31/12/1997 Fl. 4607DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 4 5 Ementa: DECORRÊNCIA. Dada a intima relação de causa e efeito que vincula um ao outro, a decisão proferida no lançamento do 1RPJ é aplicável ao lançamento reflexivo. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL Anocalendário: 1997, 1998 Ementa: DECORRÊNCIA. Dada a intima relação de causa e efeito que vincula um ao outro, a decisão proferida no lançamento do 1RPJ é aplicável ao lançamento reflexivo. Lançamento Procedente em Parte.’ Cientificada dessa decisão em 09/01/2004 (sextafeira, fls.1552) e, não se conformando com a decisão na parte que manteve a exigência fiscal, a contribuinte apresentou o recurso de fls. 1558/1726, em 10/02/04, portanto, dentro do prazo legal. Arrolou como garantia de instância, a totalidade dos bens que integram seu ativo permanente e que, segundo o Contrato de Concessão já juntado aos autos, poderiam ser onerados sem comprometer a lisura do que foi avençado junto ao Poder Público, embora o seu montante não corresponda a 30% (trinta por cento) do débito atualizado, como ela própria expõe às fls. 1555/557. As relações de bens arrolados se encontram às fls. 1731 a 1749 Em face da extensão do TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL (41 págs), RAZOES ES DE IMPUGNAÇÃO (51 págs.), da grande quantidade de documentos que já constavam dos autos e ainda dos que foram juntados com a impugnação, da DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU (157 págs.), onde foram transcritas as principais peças, quer do TERMO, quer da DEFESA, e também onde foram analisados todos os documentos e, da extensa peça recursal (169. páginas) e ainda dos documentos acostados com o recurso, ambos lidos na íntegra, apresentase um resumo dos fundamentos da autuação, das razões que fundamentaram a exclusão de certos itens ou de suas parcelas e a manutenção de outras e das razões de recurso, relacionadas por grupos, a fim de se possa ter uma visão de conjunto de cada parcela submetida à tributação, dado que esta Câmara terá de apreciar o Recurso de Oficio e o Voluntário. Do Passivo Fictício — Fornecedores de Serviços O primeiro item indicado no Auto de Infração referese Fornecedores de Serviços no Valor de R$ 311.093,83. No item 6.4.1.1 do "TVCF", sob o titulo de "Fornecedores de Serviços, a fiscalização minudencia que a omissão de receitas, no valor global de R$ 311.093,83, caracterizouse: pela constatação da ocorrência de lançamento indevido na composição do Passivo, correspondente ao anocalendário de 1997, de valores referentes ao ano calendário de 1998, cujo valor importava em R$ 295.318,34; Fl. 4608DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 pela não apresentação de documentos comprobatórios de obrigações com fornecedores registradas no Passivo, no valor de R$ 15.775,49. A decisão recorrida, após a análise da documentação de cada fornecedor constante dos autos, excluiu e manteve glosas. (...) Consigna o D. Relator da decisão recorrida que, examinando a documentação coligida aos autos pela fiscalização no curso da ação fiscal, consubstanciada em cópias reprográficas de notas fiscais de serviços e recibos de pagamento a autônomos — RPA (fls. 14/27 do Anexo III), constatase que, à exceção da nota fiscal n° 024, da Lightech Engenharia Consultoria e Serviços EletroMecânicos Ltda e da nota fiscal n° 135 da Gynx Engenharia Ltda, em nenhum outro documento há qualquer referência de que a obrigação tenha sido assumida em 1997. Ao contrário, em termos de subjetividade, o dado concreto que emerge do exame de tais documentos é que eles foram assumidos em janeiro e fevereiro de 1998. A propósito, duas notas fiscais de serviços apresentadas, quais sejam as de n's 136 e 137, da Gynx Engenharia Ltda, foram emitidas em 05 de fevereiro de 1998. Ao analisar a situação de cada um dos 16 (dezesseis) valores submetidos à tributação dos fornecedores, verificase que as parcelas daqueles que foram excluídos se assenta, além da documentação específica apresentada: (a) na sistemática de o contribuinte assumir obrigações relativas a serviços que lhe foram prestados no mês anterior, como é o caso da MCF; (b) no fato de no contrato se estabelecerem cláusulas que somente autorizem o faturamento após determinado dia da prestação de serviço, como ocorre com a PROCONSULT, e (c) ter sido acostado aos autos boletim de medição relativo o período de dezembro de 1997; como é o caso da METHOD. No que se refere às parcelas mantidas, estas o foram porque, no caso: (a) da Cláudia Maria, a cópia reprográfica, não autenticada, do Recibo de Pagamento a Autônomo — RPA, n° 14 (fls. 14 do anexo III), cujas datas de emissão, vencimento, pagamento e baixa ocorreram em 05/01/1998 (fl. 08 do Anexo III), não elide a infração; (b) da Lightech, embora na nota fiscal n° 024, emitida em 02/01/1998, no valor de R$ 59.126,34, foi especificado que se trata de "Serviços prestados na manutenção dos sistemas de distribuição de energia elétrica e iluminação nos BR 101, trecho divida ES/RJ; divisa RJ/SP; subtrecho NiteróiRJ/Ponte Presidente Costa e Silva. 12a Medição de serviços referente ao período de 01/12/1997 a 31/12/1997, conforme contrato com a Fl. 4609DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 5 7 Concessionária da Ponte RioNiterói", não foram apresentados: contrato de prestação de serviços, boletim de medição, nem comprovantes de pagamento; (c) da Vertix, não foram apresentados documentos comprobatórios da obrigação, nem mesmo a cópia do cheque nominal n° 586, contra o Bradesco, que teria sido utilizado para pagamento em 09/01/1998 foi aportada aos autos como quer fazer crer a interessada na impugnação (fl. 404 do Volume II); (d) da Ômega cópia reprográfica, não autenticada, da nota fiscal n° 1435 (fl. 19 do Anexo III), cuja data de emissão é o dia 02/01/1998, evidencia que a:"Saída dos Serviços" de impressão de carnês, de extratos, de etiquetas etc., ocorreu no dia 02 de janeiro de 1998, nem sequer a cópia de cheque comprovando que o pagamento foi efetuado a beneficiária foi aportada aos autos pela defendente com a impugnação, tendo sido encaminhada apenas cópia reprográfica, não autenticada, da requisição do cheque n° 601 ao Banco Bradesco (Fl. 404 do Volume II); (e) do João Augusto, o RPA n° 22 (fl. 20 do Anexo III), cujas datas de vencimento e de pagamento ocorreram em 12/01/1998 (fl. 10 do Anexo III), e na ausência de documento que desse conta de tal obrigação estivesse em aberto em 31/12/97, não elide a infração; (f) da Gynx, embora na Nota Fiscal 135, cuja data de emissão é o dia 02/01/1998 (fl. 21 do Anexo III), discrimina a cobrança da "Parcela referente a medição período de 01 a 31/12/1997 da prestação de serviços de instalação de um sistema de drenagem entre os pilares P139 e P141 — Proposta GN — 373/97"; nota fiscal n° 136, no valor de R$ 78.307,20, cuja data de emissão é o dia 05/02/1997 (fl. 25 do Anexo III), discrimina a cobrança da "Parcela referente a 3a medição da prestação de serviços de iluminação das rampas de acesso Niterói" —Obra GN — 279/97"; a nota fiscal n° 137, no valor de R$ 6.406,00, cuja data de emissão é o dia 05/02/1998 (fl. 26 do Anexo III), discrimina a cobrança de "Prestação de Serviços de tratamento da pintura de postes de iluminação — GN 349/97". Contudo, não foram apresentados quaisquer outros documentos indispensáveis tais como, contrato de prestação de serviços, boletim de medição, comprovantes de pagamento etc. Havendo contradição entre a data de emissão e de pagamento; (g) da Newcamp, por si só, desacompanhada que está de outras evidências, a cópia reprográfica, não autenticada, da nota fiscal n° 23, de 02/01/1998 (fl. 22 do Anexo III), que discrimina a cobrança de "prestação de serviços de consultoria", cujas datas de pagamento e baixa ocorreram em 12/01/1998 (fl. 10 do Anexo III), não elide a infração. Acresçase que a prestação de serviços de consultoria tanto pode se dar no decorrer de um lapso de tempo determinado (semana, mês etc.), ou mesmo em um único ato no mesmo dia; Fl. 4610DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 (h) do Raul Oscar, a defendente não apodou aos autos com a impugnação nenhum documento hábil para asseverar a obrigação em 31/12/1997. O cheque, no valor de R$ 1.640,00, para pagamento foi emitido em 13 de janeiro de 1998 e depositado em 16/01/1998. O "RPA", além de não especificar quais os serviços prestados e respectiva época, padece também do vício de não constar data de emissão; (i) do Maurício Diniz, o RPA de R$ 600,00, evidencia que se trata de remuneração pagas a autônomo, em 12/01/98x Não se conformando com as glosas mantidas, sustenta a Recorrente que%a presunção que dá ensejo à omissão de receita é o passivo fictício ou inexistente e não o passivo contabilizado anteriormente ao recebimento do documento fiscal que lhe corresponde. Nesse contexto, reprisese, o Passivo Fictício é aquele que cujo respectivo pagamento não foi contabilizado ou aquele que somente foi contabilizado como contrapartida de valor ingressado na sociedade sem comprovação de origem. Assim, fosse admitido o fato de a Recorrente ter registrado indevidamente no anocalendário de 1997 um Passivo referente a serviços que lhe seriam prestados no início do ano seguinte, certo é que esse fato não serve como indício para que a fiscalização apure uma suposta omissão de receitas. Com efeito, considerando que (como é incontroverso) os serviços relacionados pela fiscalização no item 6.4.1.1 do TVCF são verdadeiros, caso a Recorrente tivesse registrado o Passivo correspondente antes do momento adequado (sob a ótica da fiscalização e das autoridades julgadoras), teria ocorrido, na pior das hipóteses, apenas o reconhecimento "antecipado" de uma dívida, que ainda não poderia ser exigida pelo credor, mas nunca uma omissão de receitas. E esse fato — registro de uma divida incorrida, por exemplo, em decorrência da adequada adoção do regime de competência (obrigatório para as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real) — não serve para o contribuinte encobrir a receita omitida. De ver está que, quando o artigo 40, da Lei n° 9.430/96, estabelece que "a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receitas", o termo "exigibilidade" não deverá ser compreendido como a impossibilidade de o credor exigir seu crédito perante o devedor, por exemplo, na acepção dispensada pelo artigo 151 do Código Tributário Nacional, mas sim como sinônimo de dívida inexistente. Vale observar que, se o significado desse termo indicasse as "dívidas que ainda não podem ser cobradas pelo credor", fato é que todos os passivos registrados segundo o regime de competência caracterizariam a omissão de receitas. Evidentemente que não é isso que o legislador tinha em mente quando erigiu essa nova hipótese de presunção! Em verdade, a hipótese tratada pela lei envolve a manutenção de uma dívida inexistente na contabilidade, o que, por si só, serve para afastar a presunção levada a efeito pelo Fisco, eis que os registros em questão correspondem a obrigações verdadeiras e efetivas. Fl. 4611DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 6 9 Não fosse suficiente o fato de a fiscalização não questionar a verdade ou legitimidade dos serviços em questão, convém salientar que a existência dos referidos documentos fiscais já seria prova suficiente da existência obrigação, o que descaracterizaria a figura do passivo fictício. Além disso, como é possível observar da relação de notas fiscais e recibos de pagamento a autônomos de fls. 787 e 788, a maioria dos documentos fiscais que comprovam o registro desse Passivo foi emitida nos primeiros dias de janeiro (dias 02, 05 e 13), sendo que apenas dois desses documentos foram emitidos em 05 de fevereiro de 1998. A teor da decisão proferida em relação à empresa "Lightech Engenharia —Consultoria e Serviços Eletro Mecânicos Ltda", que no caso representa um dos maiores valores, consigna a Recorrente parecer que para o Fisco, o documento fiscal não possui nenhum valor, pois, embora a medição dos serviços realizada em dezembro de 1997 conste na Nota Fiscal por ela emitida (em 2 de janeiro de 1998), a fiscalização ainda assim manteve a exigência fiscal. Para melhor esclarecimento, confira se a descrição dos serviços na referida Nota Fiscal: ‘Serviços prestados na manutenção dos sistemas de distribuição de energia elétrica e iluminação nos BT 101 — Trechos Divisa ES/RJ, Divisa RJ/SP, SubTrecho Niterói/RJPonte Presidente Costa e Silva. 12° Medição de Serviços referente ao período de 01.12.97 a 31.12.97 conforme contrato com a Concessionária da Ponte Rio Niterói’ (NF 24 fls. 15 do Anexo III). Diante de todo o exposto, não fosse suficiente o fato de o registro de um passivo decorrente de uma obrigação já incorrida não servir como presunção de omissão de receitas, certo é que a autoridade julgadora ignorou o postulado da competência, condicionado o reconhecimento de um passivo à emissão dos documentos fiscais correspondentes, os quais, por sua natureza (e, em decorrência das legislações municipais), devem ser emitidos apenas após os serviços. Além disso, especificamente com relação à empresa "Lightech Engenharia — Consultoria e Serviços Eletro Mecânicos Ltda", a autoridade julgadora ignorou também a informação constante do documento fiscal no sentido de que ocorreu uma medição dos serviços durante o mês de dezembro de 1997, o que automaticamente gera a obrigação de pagar e, conseqüentemente, justifica o registro do Passivo correspondente. Passivo Fictício — Repasses a Efetuar O segundo item do AI arrolado como passivo fictício, intitulado de Repasses a Efetuar, constante do item 6.4.1.2 do TVCF, foi mantido integralmente. Resumindo, segundo o Relato dos fatos, a Recorrente contratou a empresa estrangeira Amtech World Corporation para a aquisição de equipamentos eletrônicos que seriam utilizados na cobrança de pedágio. Fl. 4612DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Segundo os termos do contrato firmado com a Amtech, esta, além de fornecer os equipamentos também concedeu um empréstimo à Recorrente para que os referidos bens pudessem ser adquiridos, ou seja, financiou a venda dos equipamentos por ela fornecidos. Esses valores foram remetidos para o país em duas parcelas: a primeira, em 13/05/1996, de US$ 640.000,00, a segunda, em 17/09/1996, de US$ 270.000,00. Essas remessas totalizam de R$ 907.742,00 e, à medida que a Amtech remeteu os recursos ao país, a Recorrente os registrou no Ativo na Conta Bancos e no Passivo, em conta de Obrigações. Paralelamente ao contrato firmado com a Amtech, a Recorrente houve por bem contratar a empresa Seagull Tecnologia Ltda — que figura, inclusive, como interveniente no contrato anteriormente mencionado — para prestar diversos serviços relacionados com a importação propriamente dita dos equipamentos, além de fornecer equipamentos complementares àqueles adquiridos da Amtech. Essa empresa também foi responsável pela instalação do sistema eletrônico de pedágio, pelos testes de comissionamento e pelo fornecimento de toda a documentação pertinente ao referido sistema. Esta empresa, além figurar como interveniente no contrato firmado com a Amtech, também era representante dessa empresa no Brasil. Assinala a decisão recorrida que, de acordo com o esquema contábil reportado pela defendente na impugnação, em relação à presente transação, a obrigação relativa ao empréstimo contraído no valor de R$ 907.742,00, estaria representada na sua escrituração, por dois registros contábeis singulares, quais sejam: um, pela assunção do empréstimo, com o crédito à conta analítica da Amtech, no grupamento de Fornecedores e o respectivo débito em conta de disponibilidade bancária, em face da entrada do numerário do empréstimo para capital de giro em "Bancos", no valor de R$ 907.742,00. outro, pelo reconhecimento da "obrigação" de repassar para a Seagull, interveniente, o valor recebido da Amtech a título de empréstimo para capital de giro, valor este que deduzido dos repasses efetivos perfazia, em 31/12/1997, o saldo de R$ 234.386,47. Portanto, a obrigação que era de R$ 907.742,00, estaria representada por dois saldos perfazendo R$ 1.142.128,47. Tal conta de Ativo presumivelmente deveria ser uma conta redutora, de forma a neutralizar o efeito de tal registro no grupamento do Ativo. Por outro lado, ainda que por si só também não fosse suficiente para elidir a infração de passivo fictício, nenhuma documentação, hábil e idônea, que comprovasse o alegado registro nos livros Diário ou no Razão, do lançamento a débito do imobilizado e a crédito da sobredita conta de Ativo relativa ao Repasse a Efetuar à Seagull, foi aportada aos autos pela defendente. Fl. 4613DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 7 11 Também, nenhuma documentação relativa aos desembolsos efetivos que a defendente alega terem sido repassados à Seagull, nos valores de R$ 389.796,71 + R$ 250.143,66 + R$ 33.415,16, que reduziram o saldo da conta de "Repasses a Efetuar" de R$ 907.742,00 para R$ 234.386,47, foi juntada à impugnação para corroborar o mérito das razões de discordância expendidas. O lançamento que a defendente diz ter efetuado para refletir a obrigação de repassar para a Seagull o dinheiro do empréstimo para capital de giro obtido da • Amtech, consubstanciada no débito de conta de Equipamentos do Ativo Imobilizado e no crédito de conta de "Repasses a Efetuar" desse mesmo Ativo, ainda que não comprovado, mesmo assim, não reflete adequadamente o fato contábil, eis que não corresponde, ainda, a nenhuma inversão de capital próprio, ou de terceiros, para dotação do ativo imobilizado. Em suas razões de recurso, a Recorrente confirma que foram abertas duas Contas em sua contabilidade com o intuito de controlar a aquisição e implantação desses bens: a primeira delas, no ativo, Conta 1.3.2.03.0096 Contratos Assinados; a outra, no passivo, Conta 2.1.2.02.0002 — Repasses a Efetuar. (...) Assinala a Recorrente que, pelo esquema de contabilização acima demonstrado, está evidente que a intenção da Recorrente — ao registrar os valores relativos à aquisição dos equipamentos em duas contas distintas (D Contratos Assinados / C Repasses a Efetuar) — tinha como objetivo controlar os valores que, posteriormente, seriam imobilizados. Assinala que o registro desses valores envolve apenas contas de controle (ou "de compensação", como vulgarmente conhecidas) e não envolve a percepção de quaisquer receitas. Com a utilização dessas contas, a Recorrente pretendia manter um controle contábil dos valores que seriam aplicados na implantação do sistema eletrônico de pedágios. Em síntese, a idéia inicial era realizar dois lançamentos distintos sempre que algum gasto fosse realizado com a aquisição e implantação desse equipamento. (...) Essa metodologia de contabilização justifica o porquê do lançamento de dois registros contábeis diferentes no Passivo da Recorrente (Empréstimo / Repasses) para os valores de R$ 633.152,00 (lançamentos '1' e '2') e R$ 274.590,00 (lançamentos '3' e '4'). O primeiro desses registros destinavase ao empréstimo, que, convém informar, foi regularmente quitado pela Recorrente. O segundo, relativo ao controle dos gastos com a aquisição dos equipamentos. E é sobre o saldo existente no final de 1997 desta última Conta (Repasses a Efetuar) que a fiscalização aponta a existência de um passivo fictício e, segundo ela, de omissão de receitas. , Fl. 4614DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 O saldo no valor de R$ 234.386,46 decorre de lapsos cometidos pela Recorrente na escrituração da Conta Repasses a Efetuar. Como afirmado, sempre que algum gasto fosse incorrido com a aquisição dos equipamentos, a Recorrente promoveria dois lançamentos. Porém, desde o início esse esquema de controle se revelou falho! Com efeito, ao contrário do imaginado, essa metodologia de contabilização não foi corretamente observada, o que foi responsável pela existência de saldo na Conta Repasses a Efetuar. Isto ocorreu porque, em vez de realizar todos esses lançamentos por intermédio da Conta Repasses a Efetuar, a Recorrente sempre registrou os gastos incorridos com a aquisição do imobilizado diretamente como um Débito na Conta Obra em Andamento. (...) Em decorrência desse procedimento, findaram erroneamente "em aberto", naquele período, as rubricas de Repasses a Efetuar (Passivo) e Contratos Assinados (Ativo). Pois essas contas — criadas com o único propósito de controlar as referidas aquisições, não foram utilizadas pela Recorrente para os fins colimados. Mas, isso não significa dizer que houve qualquer efeito — positivo ou negativo —no resultado daquele exercício de 1997; ao contrário, insistase novamente, apenas foram mantidos em aberto (erroneamente) saldos nas contas de compensação de ativo (Contratos Assinados) e passivo (Repasses a Efetuar), não tendo ocorrido trânsito desses valores no resultado do exercício e, conseqüentemente, sem qualquer efeito no resultado passível de tributação. Passivo Fictício Financiamentos (...) A exigência referente a este item foi inteiramente excluída, pois, após analisar toda a documentação referente aos financiamentos do BNDES, da FINEP, do SUDAMERIS e do BRADESCO, inclusive a aportada com a impugnação, concluiu a decisão recorrida pela comprovação integral do passivo existente em 31/12/97, no montante de R$ 17.526.286,63. Passivo Fictício — Outros Débitos —Via Lagos A parcela arrolada como passivo fictício, intitulada de Outros Débitos — Via Lagos, constante do item 6.4.3 do TVCF, foi mantida parcialmente, em face de o Fisco concluir que somente deveriam ser excluídos R$ 25.760,70, dado que nos termos estipulados no Convênio, levando em conta o prazo de 30 dias para efetuar o repasse, deveriam figurar em aberto para serem repassados para a Via Lagos apenas os valores relativos às cobranças cujos vencimentos ocorreram no prazo de 30 dias antecedentes, qual seja, a partir de 01/12/1997 e que se efetivaram até 25/12/1997 Fl. 4615DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 8 13 Atentese que, ao contrário do procedimento adotado pela defendente, não há que se falar, que os valores relativos aos Lotes n's 29, 30, 31 e 32, pudessem compor, em 31/12/1997, o saldo a repassar à Via Lagos. Isso porque, na sistemática da cláusula Quarta do Convênio, a obrigação da Ponte surge, não com a emissão dos lotes de cobrança (data de emissão), mas sim com o recebimento, via débito em conta corrente dos usuários, devendo então ser repassada a via Lagos no prazo de 30 dias. Portanto, as cobranças relativas aos lotes 29 a 32 que ocorreriam somente a partir de 01/01/1998, de maneira alguma poderiam se constituir em obrigação a repassar em 31/12/1997, eis que, na prática, ainda nem sequer haviam sido efetuados os recebimentos juntos aos usuários e, só a partir daí é que nasce a "obrigação" do repasse, que deve ser efetuado em 30 dias. Averbese que, inclusive em louvor à observância estrita dos princípios contábeis de competência e de realização da receita, não deve haver confusão entre o momento do reconhecimento contábil da receita que pertence à Via Lagos, com o momento do registro contábil da obrigação do valor a ser futuramente repassado. O registro da receita, de fato, é simultâneo à emissão do Relatório de cobrança. Todavia, a obrigação efetiva, conforme já mencionado, surge somente com o débito na conta corrente do usuário, débito este que, via de regra, coincide com a data de vencimento. Por fim, releva considerar, ainda, que a Segunda e última evidência de fonte externa apresentada, foram 03 (três) documentos de emissão da Via Lagos, intitulados "Relatório de emissão de Lote de Cobrança — AVI, datados de 28/10/1997, 05/11/1997 e 09/12/1997, cujos valores individuais de cobranças: R$ 58.265,05, R$ 52.500,30 e R$ 25.760,70 (fls. 475/477 do Volume II), constam da composição do supracitado documento da Ponte, à fl. 474 do Volume II. Os dois primeiros, nos termos das estipulações da cláusula Quarta do Convênio teriam sido recebidos (ou seja debitados em conta corrente dos usuários em 10/11/1997 e em 16111/1997) e conseqüentemente, não mais comporiam o saldo em 31/12/1997, eis que já deveriam ter sido repassados a Via Lagos no prazo de 30 dias subseqüentes à sua realização pela Ponte, qual seja em 10/12/1997 e em 16/12/1997. Concluindo, resta, pois, comprovado e apto a compor o saldo, em 31/12/1997, da obrigação a ser repassada à Via Lagos, apenas o valor de R$ 25.760,70. Inconformada a Recorrente alega que, por meio de seus sistemas registra a passagem dos usuários nas Rodovias administradas pela Via Lagos e efetua a cobrança do pedágio correspondente. Posteriormente, os valores assim arrecadados são repassados, no prazo contratual de 30 dias, para a Via Lagos. Mas é evidente que esse prazo, embora fixado no Fl. 4616DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 contrato, comporta toda sorte de dilações, prorrogações e negociações entre as partes, razão pela qual não serve ele como parâmetro para mensurar os efeitos contábeis decorrentes dessa atividade. A propósito, vale enfatizar que a Recorrente promove a cobrança do pedágio em nome da Via Lagos, repassando a ela os valores correspondentes. Daí porque existir uma conta no Passivo da Recorrente referente aos valores que esta deve repassar para a Via Lagos, ou seja, um Contas a Pagar. Do mesmo modo, a contabilidade da Via Lagos registra um Contas a Receber em relação à Recorrente, que é a Conta 1.1.3.01.0007. Confirase, a propósito, a cópia de folha do balancete analítico extraído dos registros da Via Lagos, no qual está demonstrada a existência dessa Conta. (Balancete Analítico Via Lagos — Período de 01/12/97 a 31/12/97 e Período de 01/01/98 a 31/01/98 — Docs. n.° 96). Seja como for, com o intuito de contraditar a argumentação exposta na decisão recorrida, a Recorrente junta os comprovantes eletrônicos emitidos pela Via Lagos que demonstram a composição de cada um dos lotes de cobrança do pedágio cobrado pelo Sistema administrado pela Recorrente. (Relatórios de Emissão de Lote de Cobrança —AVI — Lotes n°01 a 32— Docs. N°98 a 105). A acusação fiscal é de OMISSÃO DE RECEITAS ! Essa acusação está fundamentada em uma presunção de que os valores registrados pela Recorrente são inexistentes. Para evitar qualquer dúvida elaborou relatório baseado na emissão dos lotes de cobrança e nos pagamentos efetuados à Via Lagos. Nesse relatório está demonstrada a composição da origem do saldo de R$ 217.253,65, existente na referida Conta no final do anocalendário de 1997.(Relatório de Emissão de Lotes de Cobrança de Pedágio Automático — Doc. n.° 107). Os valores consolidados (mensais) indicados no referido relatório poderão ser confrontados com os razões analíticos mensais da Recorrente e da Via Lagos, nos quais é possível constatar a evolução dos saldos e dos pagamentos (ou a falta deles) a cada período. (Razões Analíticos Mensais Via Lagos — Evolução dos Saldos — Doc. n° 109 e Razões Analíticos Mensais Recorrente — Evolução dos Saldos — Doc. n° 110). Sustenta a Recorrente que, para justificar o posicionamento adotado em sua decisão, a autoridade julgadora manifesta a sua perplexidade com o fato de que a Recorrente teria registrado em seu Passivo valores que não eram exigíveis pela Via Lagos. Nessa linha de argumentação, segundo o decisum, a omissão de receitas estaria caracterizada pelo simples fato de os valores registrados no Passivo ao final de dezembro de 1997 não serem exigíveis — é dizer, efetivamente cobráveis 31/12/1997. E continua, nesse sentido, tomese como exemplo os valores que compõem os lotes 29 a 32, no valor total de R$ 65.679.90, relativos às tarifas de pedágio apuradas pelo na Via Lagos pelo Sistema "Onda Livre" nos últimos dias de dezembro de 1997. Pelo entendimento do Julgador, esses valores não poderiam compor o saldo do Passivo junto à Via Lagos em 31 de dezembro Fl. 4617DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 9 15 de 1997, porque, segundo consta às fls. 1451, "a obrigação da Ponte surge, não com a emissão dos lotes de cobrança (data de emissão), mas sim com o recebimento, via débito em conta corrente dos usuários, devendo então ser repassada a via Lagos no prazo de 30 dias". E segue, afirmando que pelo entendimento da decisão recorrida "as cobranças relativas aos lotes 29 a 32 que ocorreriam somente a partir de 01/01/1998, de maneira alguma poderiam se constituir em obrigação a repassar em 31/12/1997, eis que, na prática, ainda nem sequer haviam sido efetuados os recebimentos juntos aos usuários e, só a partir daí é que nasce a 'obrigação' do repasse (...)". Em suma, portanto, a autoridade julgadora entende que o valor referente aos pedágios somente deveria ser registrado quando do efetivo recebimento dos valores cobrados junto aos usuários. Em outras palavras, antes do efetivo recebimento, esses valores (já incorridos pelos usuários e consolidados nos lotes) não poderiam ser objeto de registro contábil. Com um entendimento como esse, ou a autoridade julgadora defende que os lançamentos promovidos pela Recorrente devem ser efetuados pelo regime de caixa, e não pelo regime de competência, ou está caracterizado um equívoco entre os conceitos de "passivo incorrido" e "passivo vencido" na decisão recorrida. Ademais, desconsideraram totalmente — a fiscalização e a autoridade julgadora que — em contrapartida de cada um desses lançamentos contábeis, havia o débito em conta a receber de usuários da Via Lagos. Ou em outras palavras, um recebível da Recorrente (usuários que passaram pelas vias administradas pela Via Lagos, cuja conta bancária ainda não havia sido debitada), contra um exigível (obrigação de • repasse desses mesmos valores para a Via Lagos). Sem qualquer efeito, portanto, para o resultado tributável da Recorrente e tampouco sujeita à qualquer absurda presunção de omissão de receitas. Para demonstrar inequivocamente a existência de um registro de Contas a Receber referente ao repasse do pedágio na Via Lagos no final do anocalendário de 1997 — idêntico ao valor registrado no passivo da Recorrente, ou seja, R$ 217.253,65 — basta examinar a cópia de folha do balancete analítico da Via Lagos, juntado ao presente Recurso. (Balancete Analítico Via Lagos — Período de 01/12/97 a 31/12/97 —Doc. n.° 96). E são esses mesmos valores contabilizados no passivo da Recorrente que compõem o saldo da Conta 2.1.8.02.002 — Via Lagos AVI e que, no entendimento da autoridade julgadora, representariam a omissão de receitas pelo simples fato de que estes valores não seriam exigíveis pela Via Lagos em 31 de dezembro de 1997. Não é demais reiterar que esses mesmos valores estão registrados na contabilidade da Via Lagos, Fl. 4618DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 16 Daí porque a decisão proferida pelo ínclito Julgador não merece prosperar, pois, além de ignorar que o relacionamento comercial existente entre essas empresas seria suficiente para afastar a presunção de omissão de receitas, parte da premissa de que os valores que a Recorrente deve repassar à Via Lagos deve ser objeto de registro contábil apenas quando do seu efetivo recebimento. Seja como for, adotando o entendimento firmado pela autoridade julgadora, teria ocorrido, na pior das hipóteses, apenas o reconhecimento antecipado (o que se admite apenas para fins de argumentação) de uma dívida, que ainda não poderia ser exigida pelo credor, mas nunca uma omissão de receitas. E esse fato registro antecipado de uma dívida absolutamente não serve para o contribuinte encobrir a receita omitida e, por essa razão, demonstra a absoluta ilegalidade das exigências fiscais correspondentes. Da Omissão de Receita — Depósitos Bancários e Encargos de Financiamento O item do AI referente à Omissão de Receita se fundamentou em "Depósitos Bancários sem comprovação da origem dos recursos/Manutenção no Passivo de obrigação inexistente", a seguir mencionados, conforme item 6.1 do TVCF: (...) E, no mesmo TCVF, item 6.7.1, fls. 82 do Vol. I, consignouse que "a Fiscalizada remeteu ao Uruguai, por via de conta "CC5", o montante que teria sido pactuado com o Banco Safra Bahamas acrescido de juros e atualização cambial, para a própria empresa, ou seja, efetuou uma mera transferência de disponibilidades, conforme se comprova através de informação do Juízo da 4º Vara da Justiça Federal em Niterói, expedida nos autos do processo n° 99.02074774 (fls. 85 a 104 do Anexo II). Justificando a existência desses depósitos consignou a autuada que a origem estava na venda de títulos do Tesouro Americano "TBills", adquiridos através de um Purchase Agreement com o Crédit Lyonnais do Uruguay, mediante a transferência bancária, cuja origem foi um empréstimo de US$ 9,5000,000.00, obtido em 18/02/97, junto ao Banco Safra (Bahmas), títulos esses vendidos às firmas remetentes dos depósitos efetuados no Banco Safra (BRASIL), tudo de acordo com uma operação estruturada prepara e apresentada pelo Banco Safra no Brasil, o qual teve as seguintes renovações, encargos e vencimentos: (...) Indissociavelmente vinculado à comprovação da origem dos depósitos bancários e, por decorrência, do aludido contrato de empréstimo e suas renovações, também está a glosa dos encargos de Financiamentos —ME e parte da liquidação (embora glosado como se de juros de tratasse), remetidos para o exterior, conforme item 6.7.1 do TVCF. (...) Fl. 4619DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 10 17 Os R$ 592.100,00 corresponde aos US$ 500,000.00 amortizados na última renovação. Segundo a Recorrente foi ainda remetida para o exterior a seguinte parcela de juros não glosados que compuseram a parcela do resgate final do empréstimo. (...) Assim, dada a estreita vinculação entre os Depósitos Bancários, considerados como produto da omissão de receitas, e as glosas dos encargos dos empréstimos, estes apresentados pela Recorrente como justificativas da origem daqueles depósitos, farseá, a seguir, um resumo dos argumentos do Fisco, para a efetuar a o lançamento e da decisão recorrida para a manutenção da exigência, e da Recorrente, alegando a improcedência dessas alegações. Para a justificar a formalização da exigência, diz o Fisco que : ‘A Fiscalizada, devidamente intimada através do Termo de 10/05/2001, não logrou comprovar, mediante documentação hábil e idôneo a existência legal e efetiva do referido empréstimo. Esta apresentou à fiscalização cópias xerográficas da nota promissória avalizada e das traduções juramentadas do contrato (fls. 74 a 108 do Anexo I), contrato este que teria sido firmado com o Banco Safra (Bahamas) Limited, em 18/02/1997, e renovado sucessivamente em 18/08/1997, 17/02/1998 e 17/08/1998’. Embora devesse possuílo, a Fiscalizada não apresentou a esta fiscalização o Certificado de Registro no Banco Central do Brasil da alegada operação firmada com o Banco Safra Limited, documento, ressaltese, obrigatório nos casos de operações financeiras internacionais do tipo em tela. Constatouse, ainda, através das traduções dos aludidos contratos, coincidentemente, em todos, inicial e renovações, a falta de identificação dos representantes do mutuante (Banco Safra (Bahamas) Limited.) e uma das avalistas (Construtora Andrade Gutierrez S/A — sócia da Fiscalizada). A análise da fundamentação apresentada pela fiscalizada ratifica a improcedência do suprimento de numerário alocado na conta BANCOS com contrapartida da conta EMPRÉSTIMOS, bem como o caráter simulatório da operação com que se lhe pretendeu dar causa, porquanto: 4 a) A Fiscalizada teria celebrado contrato de empréstimo com NI Safra (Bahamas) Limited., em 18 de fevereiro de 1997, no valor de 9.500.000,00; b) A Fiscalizada teria adquirido do Banco Credit Lyonnais (Uruguai) S/A, com os recursos oriundos do suposto empréstimo com o Banco Safra das Bahamas, Notas do Fl. 4620DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 18 Tesouro NorteAmericano no mesmo valor de US$ 9.500.000,00, na mesma data de 18 de fevereiro de 1997; c) A Fiscalizada, agora na suposta posse dos títulos do Tesouro Norte Americano, os teria alienado a duas empresas domiciliadas no Brasil nos seguintes valores: Propex Comercial lnteramericana Ltda, inscrita no CNPJ sob o n° 61.446.324/000142, valor de R$ 4.945.188,00 e à Hodmil Agropecuária e participações S/A, inscrita no CNPJ sob o n° 000.469.857/000155, no valor de R$ 4.950.000,00, na mesma data de 18 de fevereiro de 1997; d) A Fiscalizada, como prova da "sui generis" operação, apresentou cópias dos contratos de compra e venda que teriam sido celebrados com as citadas empresas, na mesma data 18 de fevereiro de 1997 e onde se constata que a numeração dos supostos títulos seria para ambas as negociações, 70505400103/01. A aludida resposta pretende fazer crer a esta fiscalização que, no dia 18 de fevereiro de 1997, a Fiscalizada obteve empréstimo nas Bahamas, transferiu este empréstimo para o Uruguai, adquiriu do banco interveniente, para onde teriam sido transferidos os recursos Credit Lyonnais Títulos do Tesouro NorteAmericano e os vendeu a duas empresas não financeiras, transferindolhes a posse. Embora a velocidade das transações financeiras permita fazer ilações sobre tal proceder, os elementos e alegações apresentados pela Fiscalizada põem por terra sua pretensão de tentar comprovar a origem dos depósitos na Conta Corrente n° 033.1330 do Banco Safra S/A, pois: 1° A empresa Propex Comercial Interamericana Ltda., inscrita no CNPJ sob o n° 61.446.324/000142, tratase de sociedade inexistente de fato —denominada LARANJA — conforme atestou diligência realizada pela Delegacia Especial de Instituições Financeiras de São Paulo, (fls. 108 a 263 do Anexo II), cujos trechos mais importantes destacamos: ‘A empresa Propex Comercial Interamericana Ltda., possuía como sócios as sociedades Windward Comercial Corp., sediada nas Ilhas Virgens Britânicas e Hudson Holdings Ltd., sediada nas Bahamas. Estes sócios delegaram poderes de administração e gerência ao senhor SIE HERSIL DRESDNER, brasileiro, casado, comerciante, portador da cédula de identidade RG. 2.987.472 e inscrito no CPF sob o n° 129.552.37876. Que tal pessoa caracterizouse como "testa de ferro" de empresas Laranjas utilizadas por doleiros, e que no caso da Propex realizou operação com a Concessionária Ponte RioNiterói S/A, conta corrente 033.1330, agência 00600 — candelária — RJ’. 2° A Fiscalizada não comprovou, e nem poderia comprovar pois a operação inexistiu. Não há prova material de que teria sido detentora/possuidora de "TBills", por meio da respectiva custódia, até porque a Fiscalizada não pode atuar como Fl. 4621DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 11 19 Corretora de Títulos e Valores Mobiliários, sem autorização do Banco Central do Brasil, e, ademais, em sua contabilidade não consta, ainda que transitoriamente, o lançamento de tais títulos no seu ativo; 3° A Fiscalizada, no mesmo diapasão, não comprovou de forma inequívoca a transação que teria sido efetuada com a empresa Hodmil Agropecuária e Participações Ltda., CNPJ n° 000.469.857/000155, que no ano calendário de 1997 denominavase MTD Holding S/A, e, atualmente, Montego Holding S/A"; 4° Como corolário de que a operação revestiuse de ato de simulação para cobrir, de modo fraudulento, o suprimento bancário sem origem e sem procedência, esta fiscalização oficiou ao Banco Central do Brasil em 08 de abril de 2002, pelo ofício n° 058/ DRF/NIT e reiterou em 17 de maio de 2002, pelo ofício n° 139/DRF/NIT/Gabinete, indagando se estavam devidamente registrados naquela Instituição os supostos empréstimos contraídos no exterior pela empresa Concessionária da Ponte Rio Niterói S/A (fls. 84 a 106 do Anexo II); (...) 6° Em resposta às demandas desta Delegacia (...) o Banco Central do Brasil, em correspondência datada de 30 de agosto de 2002, (Fls. 105 do Anexo II), respondeu: "que não foram encontrados no âmbito deste Banco Central registros de empréstimos em nome da Concessionária da Ponte Rio Niterói S/A com as características apontadas nos ofícios em exame". Em outras palavras, a operação de empréstimo entre a Fiscalizada e o Banco Safra Bahamas não existiu , e, portanto não pode embasar e justificar o depósito bancário realizado em 18 de fevereiro de 1997. Por derradeiro, a Fiscalizada remeteu ao Uruguai, por via de conta "CC5", o montante que teria sido pactuado com o Banco Safra Bahamas acrescido de juros e atualização cambial, para a própria empresa, ou seja, efetuou uma mera transferência de disponibilidades, conforme se comprova através de informação do Banco Central do Brasil à Receita Federal, obtida por determinação do Juízo da 4 a Vara da Justiça Federal em Niterói, expedida nos autos do processo n° 99.02074774 (fls. 85 a 104 do Anexo II). Resumindo, a Fiscalizada, ao remeter, repitase, indevidamente, os montantes, não o fez para quitar o empréstimo, até porque ele não se operou, mas para transferir disponibilidades". Acrescentou o Relator da decisão recorrida que: a) ‘de forma insólita não são grafados nos documentos os locais e datas efetivas em que foram lavrados’; Fl. 4622DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 20 b) o "Purchase Agreement" firmado entre a Recorrente e o CYrtfR Lyonnais (Uruguay) S.A. teria sido grafado em língua inglesa, e não em espanhát ou português como seria esperado; c) os contratos de empréstimo "Guaranteed Promissory Notes" e o "Purchase Agreement" não apresentariam "formalidades essenciais mínimas, tais como timbre, logotipo, etc., tal como é comum e de praxe nos negócios entre instituições financeiras e tomadores de empréstimos"; d) haveria supostos "vícios intransponíveis" nos contratos de empréstimo, que seriam a ausência de identificação dos representantes que assinam pela instituição financeira, à exceção da renovação de 17/02/1998 — BHS064 (fls. 109/114) do Anexo I), onde foram apostos carimbos com nomes por extenso dos titulares do Banco Safra (Bahamas) Limited e também não constariam por extenso e cargo dos titulares que assinaram por uma das avalistas (a Construtora Andrade Gutierrez); e) tanto no contrato representado pelo "Guaranteed Promissory Note", como no "Purchase Agreement, que é o contrato de aquisição das "TBills", com o Credit Lyonnais", faltariam a autenticação de Notário Público, a legalização consular e o registro em cartório de títulos e documentos O também não teriam sido apresentadas à Fiscalização as notas de corretagem, notas de compra, aviso de crédito ou débito, boletos de compensações bancárias relativos à transação; g) inexistir evidência de que o Credit Lyonnais (Uruguay) S.A. teria a custódia dos Tbills, h) foram apresentadas cópias não autenticadas de diversas cartas e ausência de reconhecimento de firma em alguns documentos; i) Existem nos autos documentos do Credit Lyonnais dirigidos à autuada, quando vertido no idioma espanhol foi objeto de legalização notarial e consular, no entanto a versão em inglês é desprovido dessas formalidades; j) Ausência de apresentação do contrato de empréstimo BHMS 042, de 18/08/97, e ausência de menção a ele em comunicações anteriores. Após o D. Relator relacionar o conjunto de documentos apresentados, quer durante a fiscalização, quer com a impugnação, ou ainda juntados com o aditivo a esta, consigna que ‘Não obstante a substância de que parece revestir o conjunto de peças probatórias supra referenciado, uma apreciação mais acurada irá demonstrar que tais elementos padecem de mácula, pois eivados de vícios de origem insanáveis, como a seguir alinhados’ Assinala que comporta realçar que, como é sabido de todos, requisito essencial de validade de documento estrangeiro no Brasil é que ele tenha sido legalizado por Tabelião (Notary Public), cuja assinatura deverá, por sua vez, ser reconhecida pelo Secretário de Estado, ou autoridade equivalente, e Fl. 4623DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 12 21 submetido a legalização consular, para que sua validade seja reconhecida no Brasil. Acrescentando ser imprescindível que o Notário Público indique claramente no documento que os signatários, cujos nomes devem estar impressos ou datilografados, compareceram em pessoa ao Cartório (Notary Public) a fim de ter sua assinatura reconhecida. E que a fundamentação legal é o art. 30 do Decreto n° 84.451, de 31 de janeiro de 1980, que excetua da legalização consular obrigatória, tãosomente os documentos expedidos por autoridades de outros países, desde que encaminhados por via diplomática, por governo estrangeiro ao governo brasileiro. Que as "Guaranteed Promissory Note" somente foram objeto de tradução juramentada após cerca de três ou quatro anos. Que, não foi apresentado o documento original, em inglês, a que corresponde a respectiva tradução juramentada da "Guaranteed Promissory Note" n° BHMS042, de 18/08/1997; Que, reputase inepta a tradução do "Purchase Agreement" – (Contrato de Compra), relativo à alegada aquisição dos "T Bills" junto ao Credit Lyonnais no Uruguai, haja vista que as traduções em apreço apresentadas (fls. 173/179 do Anexo 1 e 54/60 do Anexo II), atribuídas ao tradutor Bernardo Kamergorodski prescindem dos requisitos formais mínimos indispensáveis que as legitimem, especialmente o fato de que a tradução não é juramentada. Que, tratando de forma dos atos jurídicos e da sua prova, o Código Civil preceitua reputarse inválido qualquer ato que deixar de revestir a forma especial determinada em lei, quando a lei expressamente exigir. Que, de acordo com o art. 127 c/c o item 6° do art. 129 e art. 148 da Lei n° 6.015, de 31 de dezembro de 1973 Lei de Registros Públicos , para surtir efeitos em relação a terceiros, é indispensável que documentos de procedência estrangeira sejam registrados no Registro de Títulos e Documentos. Que, ao contrário' do que afirmara a fiscalizada em resposta à primeira intimação, quando somente apontou três operações de empréstimo, em resposta à intimação datada de 04/10/2001 (fls. 187/191 do Anexo I), a defendente assegurou que o: ‘Mútuo celebrado com o Banco Safra (Bahamas) Limite no valor de US$ 9,500,000.00, renovado sucessivamente em agosto de 1997, fevereiro de 1988, agosto de 1988, quando foi parcialmente amortizado, ocorrendo sua liquidação em setembro de 1998.’ Consignase na decisão que "Compulsandose os "Anexos" em referência, verificase que: Fl. 4624DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 22 o Anexo 9 é a tradução juramentada do BHMS020 (fls. 202/229 do Anexo I); o Anexo 9/A é a tradução juramentada do BHMS042 (fls. 230/256 do Anexo I); o Anexo 9/B é a tradução juramentada do BHMS064 (fls. 02/27 do Anexo II); o Anexo 9/C é a tradução juramentada do BHMS087 (fls. 28/53 do Anexo II)." O Relator da decisão recorrida, após dizer que cumpre considerar que para o mister de registro de toda operação representativa da obtenção de recursos no território nacional a partir da assunção de uma obrigação financeira no exterior, em que há interveniência de compra e venda de títulos mobiliários, é imperioso refletir na escrituração todos os passos da transação, quais sejam:1) 1. a contratação do empréstimo/financiamento; 2. a compra dos títulos; 3. a venda desses títulos, no Brasil, e que, consoante documento de fl. 67 do Anexo II), foram contabilizados em 18/02/1997, três ingressos de numerário, consubstanciados em três DÉBITOS na conta "Bancos" (cta. 111209 — Banco Safra — Ag. Candelária — 00600 — Rio de Janeiro — Brasil), relativos às entradas das seguintes disponibilidades: R$ 850.000,00, R$ 4.950.000,00 e R$4.095.188,00. Como contrapartida do lançamento contábil foram efetuados três CRÉDITOS na conta Financiamentos em Moeda Estrangeira (cta. 211203 — Banco Safra — Ag. Candelária 00600 — Rio de Janeiro — Brasil) nesses mesmos valores, tendo por histórico "Empréstimo Financiamento Safra". Averbese que nomenclatura da conta contábil adotada pela empresa é "Financiamentos em Moeda Estrangeira", e que ela não específica se são recursos em moeda estrangeira contraídos no mercado interno, nos moldes da Resolução BACEN n° 63, ou se são recursos em moeda estrangeira contraídos diretamente do exterior, por intermédio de instituição financeira. Que, tal nomenclatura contábil "Financiamentos", afigurase atípica por não se compatibilizar com a obtenção de recursos na modalidade de empréstimo, tal como o "Guaranteed Promissory Note". No "empréstimo", via de regra, ocorre a entrega dos recursos ao tomador propriamente. Já no "financiamento", o que ocorre é a entrega dos recursos a um fornecedor, prestador de serviços, ou qualquer outro terceiro, por conta e ordem do tomador. Que na contabilidade da Recorrente não se faz qualquer distinção quando o credor é o Banco Safra Bahamas e o Banco Safra Brasil, pois no Diário Geral (fls. 78 do Anexo II), evidencia que no mesmo dia do ingresso na c/c bancária no Banco Safra dos três valores de R$ 850.000,00 — R$ Fl. 4625DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 13 23 4.950.000,00 — R$ 4.095.188,00, que compõem R$ 9.895.188,00, ocorreu também a saída de R$ 7.454.103,26, relativo a "Quitação financiamento Votorantim" e a "Aplicação Financeira no Banco Safra", de R$ 2.441.084,74, que perfazem, exatamente, os mesmos R$ 9.895.188,00. O mesmo ocorreu com a assunção de nova obrigação financeira, em face da liberação de empréstimo pelo Banco Safra (Brasil), no valor de R$ 10.602.000,00; e pagamento de empréstimo ao Banco Safra (que o Relator acrescenta ser Safra Brasil) no valor de R$ 10.763.710,52. Assim, decididamente, registro contábil dessa natureza não espelha a contabilização de ingresso de numerário em conta bancária relativo a recebimento de venda de títulos." Que, em se tratando de aquisição de títulos ao portador, a prova da entrega material, qual seja o recibo, a nota de transferência de custódia etc., advinda do recebedor (aceitante ou accipiens) dos títulos — no caso a Propex e a Holdmil , ou de fonte externa (no caso o Banco "custodiante" — Credit Lyonnais) afigurase pressuposto imprescindível para que se possa provar que eles foram tradicionados. O que nada prova é o documento autorizando transferência de titularidade, expedido pelo vendedor — sujeito que é mero "detentor" e não proprietário; que não exibiu e portanto não possui nem sequer certificado de custódia; não possui nada enfim. Em regra, o domínio de coisas móveis, tais como títulos ao portador, se transfere pela tradição. Os contratos de compra e venda de Notas do Tesouro dos Estados Unidos — "T Bills", celebrados com Propex e com Holdmil, por si só, não comprovam a tradição dos títulos. (fls. 61/62 e 63/64 do Anexo II). Com relação necessidade do registro, declarase na decisão recorrida que todo capital estrangeiro deve ser registrado no Banco Central do Brasil, mesmo porque tal registro é essencial para a remessa de juros, o repatriamento do capital ou eventual conversão em investimento no País. Acrescentase na decisão recorrida que a pessoa jurídica nacional proponente a mutuário de empréstimo externo nos moldes da Lei n° 4.131, de 1962, devida, dentre outras providências, encaminhar ao Banco Central do Brasil "Pedido de Autorização Prévia" para a contratação de empréstimo externo, indicando as condições da operação pretendida, tais como o nome do credor, o valor, a taxa de juros, e outros, juntando ainda a cópia da carta do credor externo confirmando as condições apresentadas. A propósito, a destacar a relevância e o caráter indispensável da prévia e expressa autorização do Banco Central para a contratação de empréstimos com pessoas físicas ou pessoas Fl. 4626DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 24 jurídicas domiciliadas no exterior, cumpre considerar que ela somente veio a ser dispensada no ano de 2000, mediante o disposto no art. 30 da Resolução BACEN n° 2.770, de 30 de agosto de 2000. Levando em conta, ainda, que era necessário aguardar a autorização formal do BACEN, externada por meio do "Certificado de Autorização Prévia", afigurase autêntico despautério que, à falta desse pedido e da obtenção de tal autorização, a "Ponte" tenha contraído a suposta obrigação, e mais ainda, que o contrato (Nota Promissória Garantida) contivesse estipulações tais como aquelas que são inferidas na tradução juramentada do BHMS020 (fls. 80/108 do Anexo I), onde está disposto como segue: (fl. 89 do Anexo I) — alínea "c" da "Seção 3— Representações e Garantias": ‘(c) Nenhuma autorização ou aprovação (inclusive aprovação referente a controle cambial) ou outra medida por, e nenhuma notificação a, ou apresentação ¡unto a, qualquer autoridade ou organismo regulador governamental é exigida para a devida assinatura, entrega e cumprimento, por parte da MUTUÁR IA, desta Nota Promissória.’ (sic) (fl. 94 do Anexo I) — alínea "b" da "Seção 4— Cláusulas": ‘(d) outras Medidas e Apresentações. Tomar todas e quaisquer medidas e assinar e entregar todas as notificações e arquivamentos junto a repartições governamentais, autoridades reguladoras ou qualquer outra pessoa ou entidade, na medida exigida a fim de permitir que a MUTUÁRIA cumpra suas obrigações nos termos do presente instrumento (..)’ (sic) Por oportuno, aditese que há frontal impropriedade entre tais avenças e a 4 sujeição a prévia análise e verificação pelo Banco Central. Diferentemente do que quer fazer crer a impugnante, não se vislumbra no texto da Lei, em especial na dicção dos arts. 3°, alínea "a" e art. 4°, que o registro do empréstimo no Banco Central do Brasil tenha como pressuposto necessário o ingresso físico da moeda estrangeira no País. E continua o voto, "Na situação fática em tela, o tomador — "Ponte", que é pessoa jurídica não financeira domiciliada no país, diz ter tomado um empréstimo em moeda estrangeira, diretamente de uma instituição financeira no exterior. Com esses recursos ela diz ter adquirido bens no exterior. Diante de tal artifício, a moeda estrangeira liberada pela instituição credora não vai de fato entrar no Brasil fisicamente, pois será entregue à entidade fornecedora dos bens adquiridos — no caso uma instituição financeira dado se tratar de aquisição de títulos mobiliários. Aí, então, diz ter efetuado a venda desses bens no País para duas empresas nacionais que efetuaram o pagamento • em R$ (Reais). Fl. 4627DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 14 25 Parece olvidar a defendente que o texto legal é claro ao dispor que não tem relevância a forma pela qual se processa a entrada do capital estrangeiro no país. No presente caso, em que pese não haver a entrada física de moeda estrangeira, é inequívoca a entrada do capital estrangeiro corporificada nos bens (no caso os títulos —"TBills"), que foram adquiridos com a moeda estrangeira respectiva (ativo fixo, títulos etc.). O parágrafo único do art. 4°, preceitua que nesse caso "Se o capital estrangeiro que deva ser registrado for representado por bens, o registro será feito pelo seu preço no país de origem ...". Claro está que não há dispensa de tal registro, há hipótese de o elemento que tiver ingressado no país corresponder a bens, quaisquer que sejam eles (no caso títulos — "T —Bills"). Portanto, claro está que a circunstância de ter se processado um financiamento' externo com um Banco das Bahamas, para aquisição de "TBills" no Uruguai, títulos estes que posteriormente vieram a ser alienados no Brasil, tanto que o depósito foi efetuado em R$ (Reais) na conta corrente da "Ponte", apenas afirma que de fato ocorreu "o ingresso de capitais estrangeiro no Pais". A aquisição dos "TBills" pela contribuinte equivale à aquisição de bens, financiada com recursos obtidos em empréstimo direto contraído com instituição financeira no exterior, bens estes que, nos termos do art. 1° da Lei n° 4.131, de 1962, são considerados capitais estrangeiros. Estes bens entraram no Brasil e aqui foram realizados, mediante sua conversão em dinheiro (R$), para aplicação no capital de giro da atividade de prestação de serviços. Portanto, era imprescindível o registro no BACEN da entrada de tais bens ("T Bills"), mesmo que não ocorresse fisicamente, pois são, teoricamente, bens entrados no país, só que demudados em Direitos — Créditos — "TBills", enfim, cujo preço era expresso em moeda do país de origem (US$). A própria defendente em expediente datado de 05/07/2001, encaminhado à fiscalização em resposta ao termo de Intimação de 07/06/2001, afirma expressamente que ocorreu a venda dos títulos (TBills) no Brasil. À reflexão, outras referências expressas de que, teoricamente, os títulos ingressaram no País afloram dos autos. A primeira delas é o fato de que eles teriam sido vendidos no Brasil para duas empresas nacionais não financeiras, sendo a transação em R$ (Reais). Ora, até esse momento o que havia entrado no País e que constava do patrimônio da "Ponte", em contrapartida à obrigação assumida em moeda estrangeira, era justamente os bens (títulos) cuja compra foi financiada e equivaliam à moeda estrangeira US$ (dólares). Isso é o que se infere dos "Contratos de Compra e Venda de Notas do Tesouro dos Estados Unidos", firmados com a Propex e a Hold mil • (fls. 61/64 do Anexo II), cujas cláusulas 5.2 e 5.3 endossam a ilação. Fl. 4628DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 26 Percuciente no caso em tela é que a conduta da interessada denota que ela agiu em consonância com interesses inconfessados e valeuse de práticas atípicas, com fito único de descaracterizar determinado certame de operação financeira. Portanto, há que se dar ao ato promovido os efeitos fiscais que lhe são próprios, seja lá qual tenha sido a intenção que lhe tenha inicialmente motivado. Isso posto, releva, pois, considerar que a argumentação da defendente não reveste preceptivos mínimos para prosperar, eis que não se pode admitir que o uso abusivo ou irregular de formas legais, resultante da interpretação literal e restritiva de algumas normas jurídicas, produza efeitos não autorizados em outros contextos normativos. Após analisar as presunções, conclui o Relator quanto a este item que, nas circunstâncias, a fiscalização carreou aos autos consistente conjunto de evidências e indícios veementes, suficientemente revestidos dos caracteres de gravidade, p concordância, convergindo na direção de que ocorreu omissão de receitas. Com relação ao item decorrente Encargos de Financiamento não necessários, arrolados no TVCF (item 6.7.1 (GLOSA DE DESPESA JUROS —EMPRÉSTIMOS SAFRA/BAHAMAS) às fls. 82 e no AI, como CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS (fls. 65/66), com suporte no art. 242 do RIR194, se conclui da decisão às fls. 1509 que: ‘Reputase, pois procedente a exigência em relação a essa matéria, haja vista que para se comprovar uma despesa, de modo a tornála dedutível face à legislação do imposto de renda, não basta comprovar que ela foi assumida e que houve o desembolso. De fato, é indispensável, principalmente, comprovar que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido e que, por isso, mesmo, torna o pagamento devido. Assim, não são dedutíveis como despesas operacionais as importâncias declaradas como pagas a titulo de juros sobre empréstimo obtido do exterior, quando não for comprovada a efetividade da contratação do alegado mútuo e demonstrada a normalidade, usualidade e necessidade para o tipo de atividade desenvolvida pelo sujeito passivo’. Contraditando as alegações da Fiscalização e da decisão recorrida, diz a Recorrente ser absolutamente indevido considerar o denominado "Guaranteed Promisory Note" tomado pela Recorrente junto ao Banco Safra Bahamas, na data de 18/02/97, no valor de US$ 9.500.000,00, como se de omissão de receita se tratasse, enquadrandoa no artigo 42 da Lei n.° 9.430/96. Que tal fato decorre do completo desconhecimento das autoridades julgadoras • acerca da situação real da Recorrente, do histórico de suas atividades e transações, dos motivos operacionais que a levaram a buscar recursos de terceiros para permitir a manutenção do seu objeto, bem como dos diversos órgãos a cuja fiscalização se encontra sujeita, dada a sua condição de concessionária de serviços públicos. Fl. 4629DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 15 27 Com efeito, embora tenha firmado com o DNER o Contrato de Concessão, em 29/12/94, no qual se estabelecia que, para ter direito à cobrança de pedágio, a Recorrente deveria executar a recuperação, o reforço e a monitoração das estruturas da Ponte RioNiterói, responsabilizandose ainda pelo melhoramento, manutenção, conservação e operação da referida ponte e dos seus acessos, pelo prazo da Concessão, constando ainda da Cláusula 21 desse contrato a realização de obras e serviços especiais denominados "Trabalhos Iniciais", cuja execução era prevista para seis meses, antes do início da cobrança do pedágio. Em razão do aguardo da decisão do TCU quanto à existência ou não de irregularidade na fase III da Licitação, e, em vista decisão judicial que concedera liminar em Mando de Segurança a uma concorrente, decisão esta que somente teve decisão definitiva em 29/12/95, a execução das obras especiais que propiciariam a cobrança do pedágio foi postergada para janeiro de 1996 e a cobrança do pedágio somente foi autorizada a partir de 17/08196. Durante todo esse período, desde a assinatura do contrato, alegando impossibilidade prática de promover licitação e contratar novas empresas para prosseguir com os trabalhos de manutenção da Ponte RioNiterói, o DNER solicitou à Recorrente que continuasse a executar referidos serviços, o que ocorreu, certa de que qualquer que fosse a sentença decorrente do Mandado de Segurança impetrado, seria de alguma forma restituída pelos seus préstimos. Evidentemente, a Recorrente incorreu nesse período em diversos custos e despesas com a manutenção e operação da Ponte Rio Niterói, tais como, organização, administração, manutenção, conservação, atendimento e usuários, como restou • demonstrado pelos registros contábeis da sociedade, auditados pela Directa BDO (Doc. 17). Além do mais, em virtude da interposição do Mandado de Segurança referido acima, a Recorrente ficou impossibilitada de captar os recursos necessários à execução dos "Trabalhos Iniciais" previstos. Por conseguinte, após o esgotamento dos recursos oriundos do aporte de capital realizado pelos acionistas antes da assinatura do Contrato de Concessão, em dezembro de 1994, no valor de R$ 3.240.000,00, a Recorrente viuse obrigada a recorrer a empréstimos junto às instituições financeiras do seu relacionamento de modo a cumprir com suas obrigações nos prazos precisamente estipulados, bem como suprir suas necessidades imediatas de caixa, em virtude da falta de geração de receita de pedágio. Em face dessas questões, bem como, no intuito de obter as melhores linhas de crédito e as menores taxas de juros disponíveis, a Recorrente analisava as condições de empréstimo que lhe eram oferecidas, decidindo, em acordo com as estruturas Fl. 4630DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 28 propostas pelas instituições financeiras (nacionais ou estrangeiras) concedentes dos empréstimos, em favor das que apresentavam as melhores condições. Ressaltese que a obtenção desses recursos sempre foi autorizada expressamente pelo Conselho de Administração da Recorrente conforme Atas de suas Reuniões registradas na JUCERJA (Docs. 23 a 27), demonstrando que a Recorrente em nenhum momento procurou omitir a necessidade de obtenção de recursos externos para manter a sua atividade. Entre os sucessivos recursos obtidos pela Recorrente junto ao mercado financeiro, antes do empréstimo junto ao Banco Safra Bahamas em 18/02/97, listamse os efetuados com: (a) Banco Bamerindus Brasil S/A — Empréstimos de curto prazo em Contas Garantidas no valor total de R$ 2.000.000,00, obtido em 20/10/95, renovado em 04/01/96 por um total de R$ 3.000.000,00, e vencidti 03/04196 (docs. 28 e 29); (b) BV Trading S/A — Assunção de dívida da Citrovita Agroindustrial Ltda. no valor de US$ 7.088.081,00, obtido em 15/02/96 e vencida em 17/02/97 (Doc. 30 a 32); (c) Banco Lloyds S.A. — Cessões de dividas da Procter & Gamble do Brasil S.A. no valor de US$ 2.052.653,39, obtido em 12/04/96 e vencidas em 07/04/97 (Docs. 35 e 36). Esclareçase que o montante do empréstimo obtido junto ao Banco Safra Bahamas, foi utilizado justamente para quitar a obrigação existente junto ao Banco Votorantin Trading, sendo que a parcela remanescente foi devidamente aplicada para cumprir as obrigações a vencer junto ao Banco Lloyds. Estes lançamentos encontram se evidenciados inclusive no Anexo li do Auto de Infração, à fl. 78. Acrescentese, ainda, que o desequilíbrio econômico e financeiro do Contrato de Concessão, em decorrência da impossibilidade temporária de cobrança das tarifas de pedágio, restou amplamente demonstrado no Relatório Técnico CEPRES 00 148/96 REL de 04/06/96 da Proposta de Tarifa de adequação 6 (Doc. 37, fls. 40). Com o intuito de elucidar essa sucessão de acontecimentos a Recorrente traça uma linha das ocorrências e dos empréstimos. A Recorrente, além de sujeita à fiscalização rotineira do Poder Concedente e do TCU, por força do contrato de concessão firmado e da própria atividade desenvolvida, também está sujeita a fiscalização diuturna do órgão financiador de suas operações, o que pode ser confirmado pelo contrato firmado com o BNDES (Docs. 47 a 49), e com base nas Resoluções 665/87 (Disposições aplicáveis aos contratos do BNDES) , em seu artigo 34, VI, e 660/87 (normas e instruções de acompanhamento) em seu item 3 (Doc. 46), bem como pelos relatórios que foram submetidos à sua apreciação (e • devidamente aprovados), conforme (Docs. 50 a 53). Adicionalmente, ainda, a empresa — por obrigação formal — está sujeita à emissão de parecer de auditoria sobre suas Fl. 4631DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 16 29 demonstrações financeiras, sendo certo que os pareceres dos anos de 1996 a 1998 foram emitidos sem ressalvas por auditores independentes contratados (BDO Directa Auditores S/C) (Docs. 17 a 19). Portanto, desnecessário mencionar que a omissão de receitas de US$ 9.500.000,00 jamais poderia ter passado despercebida de alguma das fiscalizações acima comentadas em uma empresa com as características e movimentos da Recorrente. Com o fim de se demonstrar claramente a estrutura da operação contratada pela Recorrente e cada um de seus passos, consigna que em vista da evidente necessidade de captação recursos pela Recorrente, como demonstrado acima, a Recorrente analisou propostas de diversas instituições financeiras e acabou por aceitar operação estruturada pelo Banco Safra para obtenção de empréstimo no valor de US$ 9,500,000.00. Conforme ata de reunião do Conselho de Administração da Recorrente realizada em 14/02/97, e registrada na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro, foi deliberada a autorização à Diretoria da Recorrente para "contrair financiamento junto ao Banco Safra (Bahamas) Limited, de acordo com a estrutura de empréstimo proposta por esta instituição". Em anexo, ata de reunião do Conselho de Administração da Recorrente de 14/02/97 — doc. 54). Assim, em 18/02/97, a Recorrente firmou o contrato de empréstimo denominado "Guaranted Promissory Note" com o Banco Safra (Bahamas) Limited, no valor de US$ 9.500.000,00. O principal deveria ser pago em 18/08/97 juntamente com os juros, calculados à taxa de 9,7% ao ano. Foram avalistas desse empréstimo as empresas Construções e Comércio Camargo Corrêa S.A. e Construtora Andrade Gutierrez S.A. (Anexo contrato BHMS020 doc. 55). Os recursos emprestados pela Banco Safra (Bahamas) Limited foram entregues, por ordem da Recorrente, diretamente ao Credit Lyonnais (Uruguay) S.A., conforme comprova a carta enviada por essa instituição à Recorrente em 19/08/2002.(Anexo carta do Credit Lyonnais (Uruguay) S.A. de 19/08/2002 doc. 56/A, 561B e 561C). No mesmo dia 18102197, esses recursos entregues ao Credit Lyonnais (Uruguay) S.A. foram usados, por solicitação da Recorrente, para aquisição de notas do tesouro norte americano, denominados '7bílis", nos termos do "Purchase Agreement" firmado entre a Recorrente e o Credit Lyonnais (Uruguay) S.A., pelo valor de US$ 9.500.000,00. (Em anexo carta do Credit Lyonnais (Uruguay) S.A. de 19/08/2002 doc. 56/A, 56/B e 56/C; Purchase Agreement — doc. 57/A e Purchase Agreement — Tradução Juramentada doc. 57/B). A Recorrente, titular dos Tbills no Uruguai, na mesma data, vendeu os títulos no Brasil a duas empresas denominadas Propex Comercial lnteramericana Ltda. e Holdmil Agropecuária e Participações S.A., conforme Contratos de Compra e Venda de Fl. 4632DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 30 Notas do Tesouro dos Estados Unidos firmado entre a Recorrente e cada uma dessas empresas. A venda dos títulos para a Propex Comercial Interamericana Ltda. foi acordada pelo preço de R$ 4.945.188,00 e a Holdmil Agropecuária Participações S.A. adquiriu os títulos pelo preço de R$ 4.950.000,00. (Em anexo Contratos de Compra e Venda de Notas do Tesouro dos Estados Unidos (Propex— doc. 58 e com Holdmil— doc. 59). Tendo sido celebrado o negócio de compra e venda dos títulos no Brasil, a Recorrente enviou carta ao Credit Lyonnais (Uruguay) S.A., entidade responsável pela transferência da titularidade dos Tbills, informando a venda dos títulos à Propex Comercial lnteramericana Ltda. e à Holdmil Agropecuária Participações S.A. e solicitou que a titularidade dos Tbills fosse transferida a essas empresas. Em confirmação ao quanto solicitado, o Credit Lyonnais (Uruguay) S.A. ratificou a mencionada transferência de titularidade dos Tbills em sua carta de 19/08/2002 (Anexo carta do Credit Lyonnais (Uruguay) S.A. de 19/08/2002 doc. 56/A, 56/B e 56/C). A venda dos títulos pela Recorrente à Propex Comercial Interamericana Ltda. e à Holdmil Agropecuária e Participações S.A. resultou no pagamento, no Brasil, por essas empresas à Recorrente do valor total de R$ 9.895.188,00, valor este que corresponde ao valor em reais do principal do empréstimo tomado pela Recorrente naquela data perante o Banco Safra (Bahamas) Limited. Esse montante foi recebido pela Recorrente em sua conta corrente junto ao Banco Safra S.A. por meio de depósitos, como se observa do quadro já apresentado que ora se reproduz: (...) Documentos de comprovação: extrato da conta corrente da Recorrente — doc. 60; cheque n° 737365 — doc. n° 61/A e 61/B; comprovante de depósito de cheque n° 737365 — doc. n° 62; aviso de crédito referente a DOC eletrônico — doc. 63 e aviso de crédito referente a ordem de pagamento — fls. 64. A contabilização dessas transações foi feita de modo a refletir a dívida da Recorrente perante o Banco Safra (Bahamas) Limited e o ingresso dos recursos no caixa da empresa, conforme se verifica às fls. 78 do livro diário (Anexo II do Auto de Infração de IRPJ) Que o empréstimo contratado junto ao Banco Safra (Bahamas) Limited, nos termos do contrato denominado "Guaranteed Promissory Note", BHMS020, tinha data de vencimento em 18/08/97. Pelos motivos já descritos acima (item I), a Recorrente contratou sucessivas renovações semestrais de mencionado empréstimo. (...) Ratificando a prova já acostada aos autos, a Recorrente para a comprovação desses empréstimos, na fase recursal apresenta os seguintes documentos: do BHMS 020, doc. 55/A e 551B — Fl. 4633DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 17 31 tradução; do BHMS042, doc. 65/A e 65/B — tradução; do BHMS064, doc. 66/A e 66/B — tradução; proposta de empréstimo (BHMS087) — doc. 82; contrato de empréstimo BHMS087, fls. 67/A e 67/B — tradução,carta do Banco Safra (Bahamas) Limited confirmando BHMS87 — doc. n° 86 a 89 — com tradução, notarização e consularização Nas datas próximas a cada um dos vencimentos, a Recorrente efetuou o pagamento dos juros devidos ao Banco Safra (Bahamas) Limited, a seguir descritos, com a respectiva retenção do IRF. (...) A liquidação do principal e dos juros foi efetuada por meio de transferência internacional em reais, com uso de contas de não residentes: (...) A última operação, a de quitação do empréstimo, a remessa foi feita por meio de transferência internacional de reais, com uso da conta de não residente do ABN Amro Bank NY Montevideo Uruguay detida junto ao ABN Amro S.A., sob a natureza de disponibilidade no exterior, conforme carta de instrução enviada pela Recorrente ao ABN Amro S.A. e posteriormente, ao ABN Amro Bank NY Montevideo Uruguay, com ordem para transferência dos valores para a conta em nome do Banco Safra (Bahamas) Limited junto ao Safra National Bank of New York. Para comprovar as operações acima, além dos documentos acostados anteriormente foram acostados na fase recursal mais outros: (...) Acrescenta a Recorrente que, como para pagamento do valor do principal em 04/09/98, a Recorrente, não dispunha de caixa suficiente na ocasião, tomou junto ao Banco Safra S.A. empréstimo local amparado pela Resolução 63 do Banco Central, de 21/08/67, nos termos do Contrato de Repasse de Empréstimo Externo, firmado também em 04109/98. Esse novo empréstimo foi tomado junto ao Safra S.A. no valor de US$ 9.540.000,00 ( ), com vencimento em 03/03/99, para possibilitar o pagamento do empréstimo tomado junto ao Banco Safra (Bahamas) Limited. O valor recebido é equivalente a R$ 10.602.000,00, conforme extrato. Em anexo: Contrato de Empréstimo— Res. 63 — doc. anexo e extrato da conta da Recorrente — doc. fls. 82 do Anexo II. Ressalta a Recorrente que a contratação do empréstimo com base na Resolução 63 junto ao Banco Safra S.A. também foi objeto de deliberação do Conselho de Administração da Recorrente, em reunião de 04/09/98, registrada na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro, autorizando a Diretoria da sociedade para "de acordo com a estrutura de empréstimo Fl. 4634DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 32 proposta por esta instituição, no valor de US$ 9.540.000,00". Em anexo ata de reunião do Conselho de Administração da Recorrente de 04/09/98 —doc. 83. Em suma, a Recorrente contraiu um empréstimo junto ao Banco Safra (Bahamas) Limited utilizou os recursos para 'a consecução de suas atividades sociais e efetuou o pagamento do empréstimo e respectivos encargos financeiros, bem como do IRRF sobre eles incidentes, sendo certo que, quando muito, a estrutura sugerida pelo Banco Safra possa ser considerada atípica. Esses os fatos. Quanto aos supostos "vícios insanáveis", declara a Recorrente que nada mais são do que meras questões formais que não resultam em prejuízo à comprovação dos fatos que envolvem a Recorrente, dado o extenso conjunto probatório trazido aos autos, que inclui não somente os documentos de posse da Recorrente, como ta " manifestações dos terceiros envolvidos na operação. Dentre as afirmações da autoridade julgadora de primeira instância, acima relacionadas, percebese somente se pode cogitar de imperfeições de natureza formal, o que, de plano, afastaria qualquer hipótese de inexistência ou anulabilidade de referidos negócios jurídicos. Logo, é no âmbito das nulidades que devem ser avaliados os supostos "vícios" nos documentos, alegados na decisão de primeira instância, sendo que nos termos do artigo 145 do Código Civil de 1916, vigente à época dos fatos, de todos os ditos "vícios insanáveis" arrolados pela autoridade julgadora de primeira instância, não se encontra qualquer deles que diga respeito a ato praticado por incapaz, a objeto ilícito ou impossível ou a declaração taxativa de nulidade pela lei. Sendo assim, cumpre analisar eventuais hipóteses de nulidade relativas à forma prescrita em lei ou a alguma solenidade essencial. Nos termos dos arts. 82 do Código Civil de 1916 e 130 da mesma lei se estabelece que somente se houver forma especial prevista lei, o ato jurídico que não a observar não terá validade. Partindose dessas premissas, ao se analisar detidamente os óbices levantados pela autoridade julgadora para a aceitação dos documentos trazidos pela Recorrente aos autos, verificase que: (a) o "Purchase Agreement" é um contrato de compra e venda de bem móvel, a que a lei não impõe nenhuma forma especial nem solenidade. Nem mesmo há aspectos que pudessem indicar referência a alguma norma de ordem pública, porque se trata meramente de negócio envolvendo direitos disponíveis de agentes capazes. Ainda que assim não fosse, ressaltese que se (b) as ditas formalidades essenciais mínimas (timbre, logotipo, etc.) que adviriam da praxe de negócios entre instituições financeiras e tomadores de empréstimos não são, nem nunca foram, reqài41.1.5, legais de validade de quaisquer contratos, incluindo os de empréstimo ou de compra e venda de títulos, objeto do presente processo. Nitidamente sem fundamento a alegação nesse sentido; Fl. 4635DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 18 33 (c) quanto à ausência de identificação dos representantes das partes nos contratos de empréstimo, mais uma vez a Recorrente ressalta que esse requisito formal não é previsto na legislação, ou seja, não se trata de forma ou solenidade essencial, passível de gerar a nulidade do ato. De todo modo, tal análise deveria ser feita sob a ótica da legislação americana, aplicável ao contrato. Independentemente, verificase que, no caso das avalistas, é nitidamente a mesma pessoa que assina em todas as renovações e somente em um dos contratos não consta seu nome. Quanto aos demais aspectos apontados pela autoridade julgadora, verifica se que a Recorrente apresenta anexo ao presente as versões dos documentos que contêm todas as assinaturas das partes (docs. 55,65, 66); (d) O documento juntado como doc. n° 85 (e verso) — que está devidamente notarizado e consularizado — serviu como folha de rosto para o encaminhamento dos contratos de empréstimo acima mencionados, notadamente, daqueles juntados como docs. n° 55, 65 e 66; (e) notas de corretagem, notas de compra, aviso de crédito ou débito, boletos de compensações bancárias relativos à transação formalizada pelo "Purchase Agreemenr não são elementos essenciais do negócio de compra e venda de títulos e a ausência desse tipo de documentos não é, em hipótese alguma, vício que afete sua validade ou que reduza sua condição de elemento de prova da transação realizada; (f) a ausência de evidência de que o Credit Lyonnais (Uruguay) S.A. teria a custódia dos títulos não afeta a validade do negócio jurídico de compra e venda dos títulos, tendo em vista que o Credit Lyonnais (Uruguay) S.A. é parte no contrato e ainda que não tivesse a custódia dos títulos, ficou obrigado a promover a entrega dos títulos à Recorrente, o que pressupõe que, como entidade custodiante, registraria a transferência dos títulos para a Recorrente ou tomaria as medidas para fazêlo. Sendo assim, a ausência de prova de quem detém a custódia dos títulos não afeta a validade do negócio jurídico de compra e venda. Mais ainda, como já mencionado, o negócio objeto desse contrato não requer forma especial nem há solenidades adicionais que pudessem não terem sido cumpridas; (g) quanto aos documentos estrangeiros é preciso esclarecer que a falta das formalidades previstas em lei para sua eficácia no Brasil, pode (e deve) ser objeto de suprimento, quando necessário, conforme determinam inúmeras decisões judiciais. Isso porque, mais uma vez, essas formalidades conferem eficácia ao negócio jurídico no Brasil, mas não afetam a existência e a validade do negócio jurídico em si. Ou seja, apenas para fins de prova do negócio jurídico no Brasil é que essas formalidades são exigidas e, portanto, não se supõe que absolutamente todos os negócios firmados no exterior devam prontamente estar revestidos das formalidades que prevê a lei brasileira para a qualquer tempo serem exibidos como prova. Tanto é assim, que muitas vezes, é comum que a data da legalização do notário e do Fl. 4636DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 34 consulado sejam bastante posteriores à data de assinatura do ato, o que não configura qualquer irregularidade. Portanto o que se está falando em eficácia do documento estrangeiro para fim de prova no Brasil, posto que o negócio jurídico no exterior não padece de qualquer vício, deve ser permitido o suprimento da falta de formalidades, conforme jurisprudência sobre o assunto que transcreve. (h) a ausência de apresentação de cópias autenticadas não configura "vício" do negócio jurídico e muito menos é insanável. Justificase perfeitamente, diante do volume dos documentos apresentados pela Recorrente, das dificuldades de obtenção dos documentos de posse de terceiros e do fato de que a falta de autenticação de documentos pode ser suprida. Confirase a redação do artigo 383 do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao processo administrativo: (i) nos mesmos termos do item anterior, a ausência de reconhecimento de firma não é vício do negócio jurídico, nem afasta seu valor probatório, dado que em caso de dúvida quanto à autenticidade de assinaturas, poderá ser requerida à parte que providencie o reconhecimento de firma. (j) a Recorrente apresenta anexa cópia do contrato de empréstimo BHMS042, de 18/08/97, (doc. 65), cuja existência é questionada pela autoridade julgadora tendo em vista a falta de menção a ele em correspondências anteriores da Recorrente.na fase recursal. Assim, esclarecidos os principais aspectos formais apontados pela autoridade julgadora como supostos vícios insanáveis, verificase que, de fato, restringemse a meras imperfeições formais, sem maiores conseqüências em relação à validade ou à eficácia do conjunto probatório apresentado pela Recorrente. Ao contrário, todos os defeitos reclamados pela autoridade julgadora são plenamente sanáveis e os documentos que representam os negócios jurídicos discutidos no presente processo evidenciam nitidamente a ocorrência desses negócios e sua licitude. Concluise, portanto, que é cabal a prova da existência do empréstimo e das transações que lhe sucederam, não se permitindo, por nenhum dos argumentos trazidos pelos agentes autuantes ou pela autoridade julgadora se cogitar da inexistência da operação. Quanto ao fato de que não se teria provado que o Credit Lyonnais (Uruguay) S.A. teria a custódia dos títulos e que não houve prova da tradição dos Tbills à Recorrente, que portanto, não seria proprietária e não poderia vendêlos, cumpre esclarecer que os documentos carreados para os autos comprovam o contrário do quanto alegado pela autoridade julgadora. De início, esclareçase que os Tbills são títulos escriturais, ocorrendo a transferência de titularidade por simples registro em sistema computadorizado — não há cártulas ou certificados desde 1986, conforme informa o Governo NorteAmericano em Fl. 4637DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 19 35 página da intemet sobre os títulos (www.publicdebt.treas.gov/of/basics.htm). Pois bem. O Purchase Agreement por meio do qual se formalizou a compra dos Tbills pela Recorrente contém cláusula expressa de que o Credit Lyonnais (Uruguay) S.A. assumiu a obrigação de entregar os títulos à Recorrente. Notese que essa "entrega" é escriturai e, portanto, somente o Credit Lyonnais (Uruguay) S.A. poderia emitir um documento comprovando a transferência, como o fez, em documento (extrato)que a autoridade julgadora pretende desconsiderar por falta de tradução juramentada. Além disso, mais uma vez, o Credit Lyonnais (Uruguay) S.A. em carta endereOtffin Recorrente de 19/08/02 confirma não só a compra dos títulos pela Recorrente como também a transferência de titularidade para as compradoras subseqüentes, a saber, a Propex Comercial Interamericana Ltda. e a Holdmil Agropecuária e Participações S.A. Por fim, cumpre esclarecer que a fiscalização questiona o negócio de venda dos Tbills para a Propex Comercial Interamericana Ltda. por se tratar, nas palavras da fiscalização, de "empresa inexistente de fato", conforme apurado em relatório da Delegacia Especial de Instituições Financeiras de São Paulo, emitido em 2001. Devese ter em mente que a Recorrente ao contratar a venda dos títulos com a Propex Comercial Interamericana Ltda. estava realizando um negócio jurídico em que o preço seria pago no ato. Além disso, a aproximação entre a Recorrente e referida empresa fora providenciada pelo Banco Safra S.A. como parte da operação de empréstimo estruturada por essa instituição. Sendo assim, não houve, por parte da Recorrente, investigações sobre a situação da compradora, posto que não se tratava 111 de negócio em que se recomenda a análise e crédito ou a apresentação documentos que comprovem a idoneidade da parte. Portanto, bastou à Recorrente saber que a Propex Comercial Interamericana Ltda. tinha personalidade jurídica e era inscrita no CNPJ na data do negócio entre elas, fatos esses comprovados pelo próprio relatório da Delegacia Especial de Instituições Financeiras de São Paulo. Como é sabido, ao contratar as partes devem ter a diligência do "homem médio" para demonstrar sua boafé. Ora, não haveria qualquer pessoa ou empresa que fosse averiguar outras informações sobre a parte com quem contrata num negócio em que a única obrigação dessa parte seria o pagamento e este seria feito no próprio ato. Ademais, quando a intermediação de tal negócio se faz por instituição sólida e tradicional como o Banco Safra S.A. menos se espera que haja alguma desconfiança da parte envolvida no contrato. Lembrese ainda que essa empresa era titular de conta corrente e fez parte do pagamento em cheque de sua titularidade, conforme provas acostadas aos autos, o que corrobora sua existência. Fl. 4638DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 36 Por outro lado, a própria fiscalização, ao revelar à Recorrente (que até então 411 desconhecia qualquer irregularidade relativa à Propex Comercial lnteramericana Ltda.) que essa empresa era "inexistente de fato", reforça o argumento de que a Recorrente jamais poderia saber dessa situação, dado que sob o aspecto jurídico, ou seja, de direito se tratava de sociedade regular. Quanto à apontada deficiência na contabilização apontado pela decisão recorrida, ou seja, que se os lançamentos contábeis efetuados demonstrariam, de fato, a contratação pela Recorrente de obrigação financeira por empréstimo junto ao Banco Safra (Brasil), em moeda estrangeira, mas nos moldes da Resolução 63 do BACEN, contradiz todo o sustentando nessa decisão, dado conduzir à conclusão do reconhecimento de que não ocorreu omissão de receita, pois, se a própria decisão de primeira instância reconhece que os recursos contabilizados pela Recorrente têm uma origem, não poderia, portanto, considerá los como omissão de receita. A compra e venda de Tbills, nada mais foi do que um instrumento oferecido pela instituição financeira contratante — Banco Safra Bahamas — para possibilitar a disponibilidade de empréstimo em moeda estrangeira no Brasil de maneira ágil e eficiente. A compra desses títulos no exterior e a sua conseqüente venda no Brasil, foi a forma utilizada para gerar essa disponibilidade e, como reconhece a decisão recorrida, não precisaria ser contabilizada, em virtude da substância da operação 4, á fn obtenção de um empréstimo no exterior. Que a sua contabilidade bem representa a substância dos fatos a obrigação decorrente de empréstimo no exterior e os recursos efetivamente recebidos em contrapartida ao empréstimo. Quanto à alegação de que o Comunicado FIRCE n° 10 preveria a necessidade de autorização prévia para contratação de empréstimo externo e posterior registro da operação no Banco Central do Brasil, com fundamento no artigo 3° da Lei n° 4.131/62 e que de acordo com o artigo 1° da Resolução n° 2.337, de 28/11/96, a obrigação de efetuar o registro se estenderia para operações com recursos oriundos do exterior em moeda nacional ou estrangeira. Diz a Recorrente que o mencionado artigo 30 da lei n° 4.131 institui um serviço de registro de capitais estrangeiros no Banco Central do Brasil que abrangerá qualquer forma de seu ingresso no País. Em nenhum momento a lei expressamente obriga aos contratantes que providenciem o registro dos capitais estrangeiros. Ou seja, o Banco Central está obrigado a registrar os capitais estrangeiros, mas aqueles que promovem seu ingresso no País não foram expressamente obrigados a registrálo no Banco Central. Ainda que assim não fosse, a própria lei n° 4.131/62 estabelece no parágrafo único do artigo 6° que a penalidade para a falta de fornecimento de informações ou imperfeições nessas informações é meramente multa e não a desqualificação ou inexistência do negócio jurídico. Ainda que assim não fosse, a própria lei n° 4.131/62 estabelece no parágrafo único do artigo 6° que a penalidade para a falta de Fl. 4639DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 20 37 fornecimento de informações ou imperfeições nessas informações é meramente multa e não a desqualificação ou inexistência do negócio jurídico. O Comunicado FiRCE n° 10, por sua vez, regulamenta o pedido de anuência prévia para a contratação de câmbio relativa a ingressos de divisas sob a forma de empréstimos de que trata a lei n° 4.131/62, não se requerendo nenhuma espécie de registro para o ingresso de recursos sem contratação de câmbio, o que também não era proibido. Para corroborar a ausência de obrigatoriedade do registro de empréstimos externos no Banco Central, citese a disposição da Circular n° 3.039, de 8/6/2001, que divulga a realização de Censo de Capitais estrangeiros do ano de 2001: ‘Art. 3. Devem prestar as declarações requeridas no Censo: (...) II — as pessoas jurídicas sediadas no Pais, devedoras de créditos concedidos por não residentes, independentemente da moeda em que sejam denominados e de serem tais obrigações objeto de registro no Banco Central do Brasil, cujo saldo devedor de principal seja superior ao equivalente a R$ 10.000,00 (dez mil reais), em 31 de dezembro de 2000.’ (grifos da Recorrente) Ora, se o próprio Banco Central edita norma prevendo empréstimos registrados ou não, é patente a existência das duas alternativas. Outros exemplos podem ser ainda extraídos da legislação brasileira para demonstrar que em diversas circunstâncias se prevêem as duas situações: capitais estrangeiros registrados e não registrados no Banco Central, de que são exemplos o art. 22 da Lei n° 9.430, de 27/12/96 e o disposto no art. 394 do RIR/94. Também não procederia a invocação do disposto no art. 1° da Rdselt~° 2.337 do Conselho Monetário Nacional, de 28/11/96, eis que essa norma tflif por finalidade justamente instituir o registro declaratório eletrônico, que posteriormente viria a ser criado pelo Banco Central, tratandose de norma de caráter autorizador, como decorre da interpretação conjugada do art. 1° e 2° dessa Resolução. Que o pagamento dos juros e do principal devido ao Banco Safra (Bahamas) Limited, foi efetuado no ambiente da Circular n° 2.677 do Banco Central do Brasil, que regula as transferências internacionais de reais, dado que esses pagamentos não poderiam ser cursados por meio de contratação de câmbio, posto que esse tipo de remessa ao exterior pressupõe o registro da operação no Banco Central, o que não se aplica ao empréstimo contratado pela Recorrente. Fl. 4640DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 38 A transferência internacional de reais para pagamentos a credor externo surge como o meio único (e lícito) para a efetivação dessas remessas, posto que não pressupõe registro. Notese que a transferência de recursos sob a rubrica de "disponibilidades no exterior" é a forma mais usada de se realizar essas operações e a responsabilidade por atribuir uma natureza de operação a uma transação é dos bancos depositários, que têm obrigação de analisar os documentos de suporte e manter o dossiê da operação, quando necessário, nos termos da Circular n° 2.677, sujeitandose à multas pelo descumprimento de suas disposições. Ser contraditório que a fiscalização e a autoridade julgadora de primeira instância persistem em desconsiderar a existência do empréstimo para tentar presumir suposta omissão de receitas, glosar as despesas decorrentes dos pagamentos de juros e, por outro lado, ao reconhecer a natureza de juros, imputar a retenção de imposto de renda na fonte sobre esses pagamentos à alíquota de 35% sob o fundamento de que o beneficiário seria inexistente, posto que as remessas teriam sido feitas sob a natureza de disponibilidades no exterior. Por esse mecanismo previsto na antiga CartaCircular n° 5 e atualmente regulado pela Circular n° 2.677, permitese que residentes no País remetam recursos ao exterior livremente, bastando que ordenem crédito de valor em reais em conta de instituição financeira não residente detida em banco no País. Não obstante essas transações não sejam registradas no Banco Central, essas transferências internacionais de reais estão sujeitas a registro de informações no S1SBACEN (Sistema de Informações do Banco Central), quando em valor superior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). Conforme disposto no artigo 8° da Circular n° 2.677, essas informações são a identificação da proveniência e destinação dos recursos, da natureza dos pagamentos e da identidade dos depositantes de valores nessas contas, bem como dos beneficiários das transferências efetuadas. Em conclusão, diz a Recorrente que em nenhum momento a decisão recorrida indica quais foram os indícios da alegada omissão de receita pela Recorrente. Ressalvese, os indícios de que tratamos no presente caso não se limitam à comprovação da origem dos depósitos bancários — já extensivamente comprovados por meio documental pela Recorrente — mas, sob pena de ferir o princípio da verdade material, estendemse também à comprovação da omissão da receita. Consultorias e Assessorias e Glosa de Despesas — Serviços Prestados por Pessoas Jurídicas O item Consultorias e Assessorias, constante do Auto de Infração (fl. 63 do Volume I), onde se declara que foi apurado valor tributável de R$ 2.400,00, relativo a glosa de apropriação indevida como "Outros Custos", na conta 3.4.2.01.0017, no mês de fevereiro de 1997 e o item Glosa de Despesas Serviços Prestados por Pessoas Jurídicas, constante do Auto de Infração (fl. 64 do Volume I), onde se consigna que foi apurado valor tributável de R$ 29.963,12, em 31/12/1997, relativo a glosa de Fl. 4641DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 21 39 apropriação indevida como "outras despesas operacionais", a título de "Prestação de Serviços por PJ" devem ser analisados e conjunto. No item 6.5.1. do "TVCF", sob o titulo de "Falta de Apresentação de Documentos", a fiscalização minudencia que se trata de consultoria apropriada com base na nota fiscal de 28/02/1997, no valor de R$ 2.400,00, de emissão da empresa Method, lançada no livro Diário n°04, às fls. V.1 212. No item 6.6.1. do "TVCF", sob o titulo de "Falta de Apresentação de Documentos", a fiscalização diz que se trata de outras despesas operacionais com base na nota fiscal de 28/0211997, no valor de R$ 29.963,12, de emissão da empresa Method, lançada no livro Diário n° 04, às fls. V.I 212. A presente infração que no Auto de Infração é a de n° "003 Custos ou Despesas não Comprovadas — Glosas de Despesas — Prestação e Serviços por PJ", foi impugnada em conjunto com aquela que no Auto de Infração é a de n° "002 — Custos ou Despesas não Comprovadas — Glosas de Custos — Serviços de Assessoria e Consultoria", por comungar com aquela as mesmas razões de discordância. Segundo a fiscalização, os referidos encargos não foram comprovado, efetivamente, com a apresentação do documento pertinente. A tese da defendente é a de que se trata uma única nota fiscal, a de n° 000360, de emissão da empresa Method Engenharia e Sistemas Ltda.., CNPJ 70.994.129/0001 G 33, cujo valor de R$ 32.363,12, em face da natureza do gasto — "caráter intangível", foi desmembrado e alocado, parte (R$ 2.400,00) em conta de custos, e parte (R$ 29.363,12) em conta de despesa. Em face do rateio, não haveria documentação específica no valor de R$ 2.400,00, o que teria levado o fisco a considerar que a despesa não estava suportada com documentação hábil e idônea. Definitivamente, nenhuma cópia da aludida nota fiscal n° 000360 foi juntada à impugnação pela defendente, nem foi aportada anteriormente ao processo no curso da ação fiscal. Por tudo isso, conclui a decisão recorrida, não merece reparos a autuação nesse particular, pois, em face da não apresentação do documento fiscal correspondente implica na indedutibilidade da despesa, em face da impossibilidade de o fisco aquilatar a exatidão da despesa apropriada. Nas razões de recurso, esclarece a Recorrente esse serviço foi prestado à Recorrente em cumprimento ao disposto no item 2 do Termo Aditivo n° 2 ao Contrato de Prestação de Serviços assinado em 20/Janeiro/1995 entre a Concessionária da Ponte RioNiterói S/A e a referida empresa. Pela análise do referido documento, a atividade em questão compreende o "fornecimento de um sistema de monitoramento de instalações para as atividades de vistoria, inspeção, manutenção e conserva ção '64 Fl. 4642DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 40 instalações da Ponte RioNiterói.. ( Termo Aditivo n° 2 ao Contrato de Prestação de Serviços assinado em 20/Janeiro/1995 entre a Concessionária da Ponte RioNiterói S/A e a Method Engenharia e Sistemas S/A — Doc n° 111). A materialidade do referido serviço poderá ser constatada pelo exame da nota fiscal n° 360, emitida em 03 de março de 1997, concluindo a fase dos serviços prestados pela Method à Recorrente realizados em decorrência do 2° aditivo ao Contrato de Prestação de serviços original, cujo prazo era o dia 28 de fevereiro, anexando a Nota Fiscal de Serviços n° 360, emitida em 03 de março de 1997 — Doc n° 112). O pagamento dos valores decorrentes desse serviço pode ser constatado a partir da cópia de microfilmagem do cheque emitido para o pagamento desse serviço — do Banco Geral do Comércio — e também pela análise do extrato bancário que demonstra a compensação do referido cheque. Convém esclarecer que esse cheque foi emitido no valor de R$ 31.877,67 pois esse é o valor total dos serviços contemplados na nota fiscal n° 360. Anexa cópia microfilmada do cheque do Banco Geral do Comércio — Doc. n.° 113 e cópia de extrato de conta corrente — Doc n° 114). Diante do exposto, evidenciado está que não procede a glosa da referida despesa, pois o serviço em questão está inequivocamente comprovado. Encargos de Depreciação e Amortização Como se verifica do Auto de Infração, a Recorrente foi autuada pela glosa da parcela de ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO, conforme auto de infração, às fls. 63/64 do Volume I, em razão do cotejo entre o montante indicado na ficha 04, linha 32 da DIPJ de 1998 "Encargos de Depreciação e Amortização — R$ 2.627.891,70" com o valor da planilha do cálculo da amortização dos valores 41, apresentada pelo contribuinte , registrado no Balanço/Imobilizado Diferido que, no ano calendário de 1997 totalizou somente, o valor de R$ 1.914.880,62, resultando na falta de comprovação efetiva, com documentação hábil e idônea que lhes possam conferir exatidão, da importância de R$ 713.011,00. Na impugnação a defendente juntou demonstrativo analítico da composição das contas de depreciação e de amortização do ano calendário de 1997. Tal demonstrativo à fl. 407 do Volume II, apresentava o saldo de R$ 4.861,51, na conta sintética n° 13202, intitulada "Imobilizado Próprio — Depreciação Acumulada"; o saldo de R$ 1.914.880,62, na conta sintética n° 13204, intitulada "Imobilizado de Terceiros — Amortização Acumulada"; e o saldo de R$ 3.061.609,92 na conta sintética n° 13302, intitulada "Amortização Acumulada — Diferido". Compulsandose os autos, em especial as fls. 60/202 do Anexo III, constatase que, para efeito de determinar como comprovado apenas o valor de R$ 1.914.880,62, a fiscalização louvouse, exclusivamente, na "Planilha" intitulada "RESUMO" (fl. 61 do Anexo III), em que referido valor foi consignado pela defendente Fl. 4643DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 22 41 como sendo o "Total de 1997" correspondente à amortização do Imobilizado de Terceiros. No entanto, não se pode olvidar que, de fato, consoante o próprio "Razão Analítico de 01101/1997 a 3111211997", cuja cópia reprográfica, não autenticada, á defendente juntou aos autos com a impugnação (fls. 408/424 do Volume II), a defendente comprova, com elementos formais e objetivos da sua escrituração, qual seja o próprio livro Razão, que além do montante de R$ 1.914.880,62 (fl. 407 do Volume II), que corresponde ao somatório dos acréscimos, em 1997, das contas analíticas 1.3.2.04 (0001 a 0028); para efeito de composição do valor de R$ 2.627.891,70 (fl. 60 do Anexo III), que ela consignou no item 32 da Ficha 04 da DIPJ do anocalendário de 1997, e do valor de R$ 2.353.460,35 (fl. 203 do Anexo III), consignado no item 18 da Ficha 05 da aludida DIPJ, cuja soma importa em R$ 4.981.352,05, devem ser computados, também, o somatório dos acréscimos, em 1997, das contas analíticas 1.3.2.02. (0004 a 0006), que perfez R$ 4.861,51 (fl. 407 do Volume II); mais o somatório dos acréscimos em 1997, das contas analíticas 1.3.3.02 (0001 a 0003), que perfez R$ 3.061.609,92 (fl. 407 do Volume II), o que totalizaria então, exatamente o sobredito valor de R$ 4.981.352,05. Reforça a convicção o fato de que na "Demonstração de Origens e Aplicações de Recursos" (fl. 456 do Volume II), componente das Demonstrações Financeiras do exercício social de 1997, auditada pelos auditores independentes "BDO Directa Auditores S/C", cuja cópia reprográfica, não autenticada, a defendente juntou aos autos com a impugnação às fls. 452/461 do Volume II, tratados como "Origens de Recursos" que ajustaram o "Resultado do Exercício", foram computados os valores de R$ 1.914 milhões, a título de "Amortização e Depreciação do Imobilizado" e de R$ 3.062 milhões, a título de "Amortização das Despesas Pré Operacionais", que perfazem o somatório de R$ 4.976 milhões. Portanto, assiste razão à defendente, devendo ser ratificado o demonstrativo abaixo que ela apresentou na impugnação: Assoma indubitável que, no presente caso, a fiscalização não levou em conta as "Manilhas" de fls. 147 e 148 do Anexo III, que ela própria coligiu aos autos, os quais lhe foram apresentados pela contribuinte no curso da ação fiscal em atendimento ao requerido no item "1", inciso IIC, da Intimação de 31/10/2000, e atevese, exclusivamente, à "Planilha" de fl. 61 do Anexo III. Em face de todos esses fatos, a decisão recorrida conclui pela improcedência da exigência. Serviços não comprovados ou não necessários — Documentos de Empresas Inexistente Na glosa por DOCUMENTOS INEXISTENTES (Custos e Outras Despesas Operacionais falta de comprovação da necessidade e Fl. 4644DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 42 Efetiva Prestação de Serviços), são arroladas as seguintes firmas: ACL Consultoria e Assessoria Empresarial Soalb Consultoria e Montagens Elétricas Livel Conservadora Ltda. LF Comunicação e Eventos Ltda. Red Flaq Ltda. Semape Ltda ME Service Quality Consultoria Ltda. Copiadora Estrela Ltda. ME Presença Consultoria Empresarial Ltda. Atmost Alta Tecnologia em Op. e Man.Sistemas. Rolink Tractores Comércio e Serviços Account Publicidade e Eventos Ltda. M.C.F. Asses.Cons.Plan. e Pesquisas Guilher Luiz Xavier O subitem 6.7.2. do Termo de Verificação e de Constatação Fiscal, às fls. 82/95, do Volume I, intitulado "Falta de Comprovação da Necessidade e Efetividade da Prestação dos serviços", se declara que apesar de intimada mais de uma vez, tal como evidenciado no Termo de Constatação de 25/06/2001 (fl. 56 do Anexo IH), a fiscalizada não logrou comprovar a necessidade e efetividade da prestação dos serviços por determinadas empresas que, adiante serão identificadas. A fiscalização salienta que "no decorrer da ação fiscal foram realizadas diligências fiscais nos endereços constantes dos documentos apresentados, quando então foi constatada a inexistência física das citadas empresas". (sic) Referidas diligências estão devidamente formalizadas nos respectivos Termos de Verificação e Constatação Fiscal às fls. 02 a 17 do Anexo IV, tendo a fiscalização ajuizado, então, que "ficou caracterizada a incapacidade operacional das seguintes empresas para a prestação dos serviços contratados". A fiscalização assevera, ainda, que: ‘Além disso, analisandose os documentos apresentados (Fls. 18 a 249 do Anexo IV; fls. 02 a 245 do Anexo V; fis. 02 a 221 do Anexo VI;e fls. 02 a 227 do Anexo VII), verificase que são notas fiscais, fracionadas e apropriadas em diversos centros de custo, conforme descrito no item 5 deste Termo, e com descrições genéricas, tais como "Serviços de Prestação de Consultoria em Instalações Elétricas, Serviços de Assessoria, Comunicação e Marketing, Serviço de Rádio Ponte, Serviço e Monitoramento do Teleponte, Serviços Prestados no Mês, Serviços Prestados de Consultoria,", carentes de comprovação no que tange à efetiva prestação dos aludidos serviços, notadamente quanto às especificações de quais serviços teriam sido prestados à fiscalizada, bem como carentes de comprovação quanto à necessidade de ditos serviços para a manutenção da prestação de serviços objeto da concessão. Fl. 4645DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 23 43 Destarte, efetivamente não restam comprovados que os serviços foram realizados ou executados, sendo indedutiveis na determinação do lucro real, os outros custos no valor de R$ 982.181,58, e outras despesas operacionais no valor de R$ 903.241,96, no valor total de R$ 1.885.423,54, referentes aos valores e períodos abaixo indicados’. A decisão recorrida, porém, após a análise da documentação de cada firma constante dos autos, excluiu e manteve as glosas que, em resumo, são apresentadas no quadro acima. Ao analisar a situação de cada um dos fornecedores, verificase que as parcelas daqueles que FORAM EXCLUÍDOS se assenta, além da documentação específica apresentada, no caso da: (a) SOALB, o cadastro da Receita Federal contém informação de que, de 24/04/2000 a 07/01/2003, a defendente manteve como seu endereço a Rua Júlia Itabaiana de Oliveira Rocha, 47, parte, Bela Vista, Rio Bonito — RJ. Porém, na época da prestação dos serviços em questão, o endereço era Estrada do Dendê, 1933/201, Ilha do Governador— RJ. A cópia reprográfica, não autenticada, de página do livro "Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências/ISS", dá conta de que ocorreu "encerramento da atividade de serviços exercida no município do Rio de Janeiro — RJ, por motivo de baixa de inscrição, em 24/08/2000", o que, no mínimo, corrobora não se tratar de firma inexistente ao menos até esta época. (b) LF, a cópia de Contrato de Prestação de Serviços (fls. 706/713 do Volume III), de Distrato Social (fls. 714/716 do Volume III), de Alvará de Localização Municipal (fl. 717 do Volume III), de Certidão de Baixa no CNPJ (fl. 718 do Volume III), de Certidão Negativa de Débitos do INSS (fl. 719 do Volume III), de folhas do Livro Registro de Empregados e de exemplar da publicação "Ponte 2000", para a qual, segundo alega, contribuíram os serviços da LF. A tela do sistema CNPJ da Receita Federal, à fl. 34 do Volume I, informa que a situação cadastral da firma "LF Comunicação e Eventos Ltda" é "CANCELADA", desde 16/06/1998. Ademais, está claro pelo contrato social que o endereço da LF é o mesmo endereço residencial de seus sócios. Isso para não falar que o Alvará de Localização, expedido em 25/03/1996, confirma o endereço da Rua Andrade Pertence, 25, apartamento 501, Catete Rio de Janeiro, e contém a seguinte ressalva expressa "Sem prestação de serviço no local" — "Ponto de referência". Por outro lado, as certidões da SRF e do INSS, datadas de agosto e dezembro de 1999, dão conta de que a firma foi baixada em 1999, anteriormente à diligência ocorrida em 09/08/2001. Portanto, infirmada esta questão atinente a problemas na localização do domicílio da prestadora de serviços, resta, ainda, Fl. 4646DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 44 analisar aspectos relativos à generalidade da descrição dos serviços prestados, da carência de comprovação quanto à efetividade da prestação; da não especificação sobre quais foram os serviços prestados enacjnA comprovação quanto à necessidade de tais serviços para a manutenção do obfêtW5 social. Há elementos razoáveis que evidenciam conexão entre o "Contrato de Prestação de Serviços" juntado pela defendente com a impugnação (fls. 706/710 do Volume III), com a documentação comprobatória que a fiscalização coligiu aos autos no curso da ação fiscal às fls. 199/249 do Anexo IV e 02/66 do Anexo V. O objeto do contrato de prestação de serviços é "a prestação de serviços de Assessoria de Comunicação e Marketing, englobando os serviços de Assessoria e Marketing; Assessoria de Mídia; RádioPonte e Teleponte". O contrato contém definições específicas das assessorias de marketing e de mídia e dos serviços de RádioPonte e Tele Ponte. Além de acompanhadas de anexos, constituídos pelas "folhas de pagamento" dos funcionários de atendimento, as notas fiscais de prestação de serviços coligidas pela fiscalização no curso da ação fiscal (Anexo IV e Anexo V), contêm, na discriminação dos serviços, descrições bem definidas em termos tais como: "Serviço de Operação e Monitoramento dos Serviços de Telemarketing — Onda Livre"; "Serviços de RPs na Praça de Pedágio"; "Diferença do Jornal da Ponte 2000"; "Prestação de Assessoria, Comunicação e Marketing para RP 124"; "Prestação de Serviços de Entrega de Passes Eletrônicos"; "Monitoramento de Serviço de TeleOnda"; "Serviço de Digitação da PRF"; "Distribuição de Panfletos e Pesquisa Mediana Móvel" etc., que são compatíveis com o objeto do contrato e com a consecução dos objetivos sociais da fiscalizada. Os demais documentos ofertados com a impugnação, tais como o exemplar do informativo "Ponte 2000", os apontamentos do livro de registro de empregados, registros de ponto etc., correlacionados com respectivas "folhas de pagamento", evidenciam, com razoabilidade, a efetividade da prestação dos serviços. © Rede Flag, foi anexa cópia de contrato de prestação de serviços, de certidão da Junta Comercial e situação cadastral do CNPJ (fls. 752/755 do Volume III). Cumpre reconhecer que existe relação estrita entre o contrato de prestação de serviços, cujo objeto é a prestação de serviços médicos aos empregados da Ponte, com as notas fiscais de serviços, cuja discriminação dos serviços é "serviços de medicina ocupacional prestados durante o mês de (...)". Por outro lado, do expediente do Ministério do Trabalho, à fl. 754 do Volume III, inferese que em 09103/2000, o órgão efetuou registro e habilitação do "Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho" da fiscalizada, integrado, dentre outros, Fl. 4647DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 24 45 pelo médico Dr. Renato Loureiro Janot Pacheco, que figura no contrato de prestação de serviços supra mencionado, como sócio gerente da RedFlag; (d) SEMAPE, foram juntadas cópias reprográficas, não autenticadas, de Contrato de Prestação de Serviços (Fls. 757/759 do Volume III); de Certidão da JUCERJA (fl. 760 do Volume III), de Folha de Pagamento e de Prestação e de Rescisão de Contrato (Fls. 761/765 do Volume III); de Contrato de Cessão de Trabalhadores Temporários e respectivas Rescisões (fls. 767/778, do Volume III). Nos documentos apresentados pela defendente no curso da ação fiscal, às 'flS. 173/245 do Anexo V, e 02/17 do Anexo VI, constam dois endereços, quais sejam: Nas notas fiscais, o endereço é Rua Anselmo Andrade, 146 — Comp. Lat. 01 — Raul Veiga —São Cristóvão — RJ. Nos demais expedientes, assinados, o endereço é Rua Cap. Antônio Martins, 132, sala 206. Esse endereço vem a ser o mesmo endereço de todos os documentos que a defendente anexou à impugnação. No cadastro da Receita Federal, até 12/07/2001, data contemporânea à diligência efetuada no endereço da Rua Cap. Antônio Martins, 132, sala 206, Alcântara— São Gonçalo — RJ, a defendente não havia providenciado a alteração do endereço. De acordo com a documentação juntada com a impugnação pela defendente (Volume III), o objeto do contrato é a prestação de serviços temporários (locação de mão de obra). As notas fiscais (Volumes V e VI), contêm na discriminação dos serviços, indicação de que se trata de "Serviços Prestados no Mês (...), conforme demonstrativos 010 em anexo)". Referidos demonstrativos especificam a mão de obra locada, por centro de custo, detalhando o nome das pessoas, a atividade exercida, a remuneração etc. Portanto, à vista de referidos documentos, e dos demais ofertados com a impugnação, tais como, extratos analíticos de folhas de pagamento de empregados da Semape cedidos em locação de mão de obra, contrato de cessão de trabalhadores temporários e termos de rescisão, fica evidenciada, com razoabilidade, a efetividade da prestação dos serviços, a natureza destes e a sua utilidade para a manutenção da fonte produtora. (e) SERVICE QUALITY, consigna o Relator que examinando a documentação efetivamente anexada aos autos com a impugnação, verificase que foram ofertadas cópias reprográficas, não autenticadas, de Contrato de Prestação de Serviços (fls. 781/790 do Volume III); da respectiva Planilha de Preços (fl. 791 do Volume III); da Especificação de Serviços — Anexo II (fls. 792/794 do Volume III); do Instrumento Particular de Alteração Contratual (Fls. 795/797 do Volume III); de Curriculum Vitae dos consultores da Service e Quality Consultores Ltda (fls. 798/800 do Volume III); do Cronograma Fl. 4648DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 46 de Trabalho (fls. 801/803 do Volume III); de expediente interno sobre levantamento de horas de consultoria (fl. 804 do Volume III); de Cronograma de Atividades (Fls. 805/813 do Volume III); de Relatório de Desempenho (Fls. 814/818 do Volume III); de Planilhas de apropriação de horas dos consultores da Service e Quality (Fls. 819/820 do Volume III); de Alvará de Licença para Estabelecimento (fl. 821 do Volume III). Aqui, em que pese até a presente data a empresa não ter providenciado mudança na sua situação cadastral perante o fisco, e nem sequer tenha efetuado alteração do aludido endereço, que ainda consta no cadastro da Receita Federal (fl. 153 do Anexo VI), não se pode olvidar que os autos foram instruídos também com documento em que a Secretaria da Fazenda da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, em dezembro de 1993, emitiu Alvará de Licença para Estabelecimento da empresa na Rua da Assembléia, 10, Grupo 3.405 — Centro, Rio de Janeiro — RJ, para prestação, dentre outros, de "Serviço de Consultoria Técnica". Quanto à efetiva prestação dos serviços a documentação originalmente coligidã aos autos pela fiscalização (fls. 108/152 do Anexo VI), consistente em cópias reprográficas não autenticadas de cópia de cheque, de depósito bancário, de notas fiscais de prestação de serviços que noticiam a cobrança de "prestação de serviços de consultoria"; "treinamento — módulo comunicação"; "treinamento — módulo liderança transformadora"; de correspondências que noticiam a cobrança de "prestação de serviços de treinamento — módulo I do programa de desenvolvimento gerencial; "projeto ISSO 9000"; "projeto de multiplicadores", espelham razoáveis elementos de conexão com o "Contrato de Prestação de Serviços", "Planilha de Preços" e "Anexo de Especificações de Serviços", juntados pela defendente com a impugnação (Fls. 781/794 do Volume III), haja vista que: O objeto do contrato é a prestação de serviços de consultoria para implantação de sistema de qualidade, conforme as normas ISSO 9000; Na cláusula sexta do contrato de prestação de serviços há referência à emissão de Relatório de Serviços, para acompanhamento e medição dos serviços. Tais relatórios também são referenciados nas correspondências de encaminhamento das notas fiscais; A planilha de preços e o anexo de especificação de serviços detalham e minudenciam os serviços prestados; Os currículos dos consultores atestam, em tese, sua capacidade técnica para realização dos serviços propostos; Os cronogramas de atividades e o relatório de desempenho evidenciam a rotina da execução dos respectivos serviços. Assim sendo, certo está que a documentação evidencia, com razoabilidade, a efetividade da prestação dos serviços, a natureza destes, sua utilidade para a manutenção da fonte Fl. 4649DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 25 47 produtora, bem como de que eles são compatíveis com objeto do contrato e com a consecução dos objetivos sociais da fiscalizada. Em síntese, também, são apresentados a seguir os fundamentos para a MANUTENÇÃO DAS GLOSAS DAS DEMAIS EMPRESAS, quanto à: a) A.C. L., apesar de a defendente haver anexado à impugnação cópia de contrato de prestação de serviços, de alteração do contrato social e de processos trabalhistas (fls. 552/606 do Volume III); Até a presente data, a empresa não providenciou alteração do aludido endereço, que ainda consta no cadastro da Receita Federal (Fl. 23 do Volume I). Examinando os documentos anexados à impugnação verificase que a 4' Alteração Contratual da ACL que a defendente juntou aos autos com a impugnação (Fls. 558/560 do Volume III) não tem qualquer efeito probatório nas circunstâncias dos presentes autos, pois, além de nem sequer constar o endereço da ACL, é datada de 02 de junho de 2000, data defasada cerca de cinco anos posteriores aos fatos geradores de que cuida a exigência que se reporta a 31/12/1997. Por outro lado, nos contratos de prestação de serviços (Fls. 552/557 do y ft1 111) nos contratos de cessão de trabalhadores temporários (fls. 564/569 e 586/591 do Volume III), e nas petições de reclamações trabalhistas (fls. 571/573 , 593/596 do Volume III), consta o endereço da Av. Emani do Amaral Peixoto, 467, sala 805 Niterói —RJ, à exceção do contrato de fls. 554 do Volume III, onde consta endereço da Av. Ernani Amaral Peixoto, 60, sala 715 — Centro — Niterói — RJ. Acresçase que aludidos contratos de prestação de serviços e os contratos de cessão de trabalhadores temporários não contêm referências que permitam estabelecer correlação entre o objeto deles com os serviços cobrados a título de "Serviços prestados no mês", que é a discriminação genérica constante das notas fiscais de serviços coligidas aos autos pela fiscalização (fls. 110/194 do Anexo IV e 18/107 do Anexo VI). A cláusula sétima "Medição" do contrato de prestação de serviços de 27/03/1996, estipula que "as medições serão caracterizadas através dos cartões de ponto de cada 111 trabalhador temporário, devidamente aprovado por elemento credenciado da contratante com apuração das horas trabalhadas". No entanto, nos documentos anexados às notas fiscais de serviços, intitulados "Demonstrativo de Pagamento Ref. ao Mês (...) " (fls. 110/194 do Anexo IV e 18/107 do Anexo VI), de janeiro a dezembro de 1997, não há evidências de aprovação por parte de elemento credenciado da Ponte S/A, nem da ACL. O cunho eminentemente genérico e inespecífico da discriminação dos serviços prestados constantes das notas Fl. 4650DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 48 fiscais da ACL que é "Valor referente a serviços prestados no mês de (...)", nem sequer propicia aquilatar quais são os serviços cobrados por meio delas à Ponte e, precipuamente, se os gastos por elas retratados são necessários à sua atividade de concessionária e à manutenção dos serviços objeto da concessão, tal como exige o art. 242 caput, do RIR de 1980. Relembrese que a dedutibilidade da despesa e do custo com prestação de serviços exige a comprovação inequívoca do gasto, mediante apresentação da nota fiscal ou documento equivalente, que contenha a descrição exata da natureza, da 411P extensão e da época em que os serviços foram prestados, aliada, ainda, à documentação fática que embase a efetividade da prestação. b) LIVEL CONSERVADORA, Justifica o Relator a manutenção, consignando que: Em relação à documentação comprobatória ofertada, cumpre considerar que o Contrato de Prestação de Serviços (fls. 662/666 do Volume III) não tem qualquer efeito probatório nas circunstâncias dos presentes autos, eis que os fatos geradores do auto de infração reportamse a 31/12/1997, enquanto o aludido contrato somente veio a ser assinado em 01/05/1998. Resta prejudicado também o Aditamento, juntado às fls. 668/669 do Volume III, que se refere a contrato de fevereiro de 2000. Também, quanto às cópias das Guias de Recolhimento da Previdência Social —GRPS, da Live!, que a defendente juntou aos autos às fls. 672/681 do Volume III, adite se que são eficazes para comprovar regularidade perante a previdência social. Todavia, não são aptas a comprovar efetividade da prestação e ou necessidade dos serviços para a consecução dos objetivos sociais da Ponte. A cópia reprográfica da declaração de rendimentos do IRPJ, juntada Tãszn 682/683 do Volume III, também nenhum efeito surte, dado que se refere ao arV calendário de 1996, anterior, portanto, à data do fato gerador da exigência que é 31/12/1997. Quanto às cópias reprográficas, não autenticadas das "Folhas analíticas de pagamento de salário" da Livel (fls. 687/704 do Volume III), restam também prejudicadas, por se tratarem de documentos desprovidos de assinatura. No entanto, de acordo com a tela do sistema CNPJ da Receita Federal (fl. 31 do Volume I), perante o fisco, a empresa figura no respectivo endereço até 12/07/2001. c) COPIADORA ESTRELA. Examinando a documentação efetivamente anexada aos autos com a impugnação, verificase que foram ofertadas cópias reprográficas, não autenticadas, de "Contrato de Prestação de Serviços n° DC195103" (fls. 825/826 do Volume IV); da "Ordem de Serviço n° 009/95" (fl. 827 do Volume IV); da Proposta n° 008/95 (fls. 828/831 do Volume IV); de folhas do "Livro de Registro de Empregados (fls. 832/835 do Volume IV); de Certidão da JUCERJA (fl. 836 do Volume IV). No Cadastro da Receita Federal, consta que a pessoa jurídica Copiadora Estrela Ltda — ME, CNPJ 74.175.415/000132, foi Fl. 4651DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 26 49 constituída em 05/01/1994. Porém, desde essa mesma data de 05/0111994, a situação cadastral da Copiadora Estrela figura no cadastro como "CANCELADA", tendo por motivo o "Não início da Atividade" (fl. 54 do Volume I). Os documentos societários registrados na JUCERJA (fls. 838/846 do Volume IV) que a defendente anexou aos autos com a impugnação, não se referem à Copiadora Estrela Ltda. — ME, mas sim à Copiadora Estrela do Oriente Ltda., cujo CNPJ é o de n° 33.760.091/000112, estabelecida à Rua Senador Dantas, 117, sobrelojas 215 e 216, Centro, Rio de Janeiro — RJ. De acordo com o cadastro "CNPJ" da Receita Federal a Copiadora Estrela do Oriente Ltda., CNPJ 33.760.091/000112, cuja situação cadastral é "Ativa Regular", foi constituída em 21/11/1972, domiciliada à Rua Senador Dantas, 117, sobrelojas 215 e 216, Centro, Rio de Janeiro — RJ, tendo como responsável o Sr. Álvaro Cabral de Oliveira, CPF n° 437.599.55420. De acordo com o cadastro "CNPJ" da Receita Federal a Copiadora Estrela Ltda. (CNPJ 74.175.415/000132, cuja situação cadastral é "cancelada" foi constituída em 05/01/1994, domiciliada à Rua Senador Dantas, 117, sala 231, Centro — Rio de Janeiro RJ, tendo como responsável o Sr. Álvaro Cabral de Oliveira, CPF n° 437.599.55420 Inferese do Contrato de Prestação de Serviços n° DC/95/003; da Ordem de Serviço n° 009/95 e da Proposta n° 008/95 (fls. 825/831 do Volume IV) que a impugnante juntou à impugnação, que a contratação e a autorização para início da execução da prestação de serviços, ocorreu em 13/06/1995; tendo sido pactuadas com a empresa Copiadora Estrela Ltda., supra qualificada. No entanto, examinando documentação suporte da escrituração das des042 com prestação de serviços e com reproduções gráficas que a fiscalização coligiu aos autos no curso da ação fiscal, constante às fls. 187/227 do Anexo VII, verificase que: a Copiadora Estrela Ltda — ME, mudou de endereço, a partir de abril de 1997, para Rua da Candelária 80, 2° andar, sem que fosse procedida qualquer alteração no cadastro da SRF; os serviços foram contratados com a Copiadora Estrela Ltda — ME. No entanto, a partir da medição relativa ao mês de maio de 1997, cobrada por meio da nota fiscal n° 45003 (fl. 206 do Anexo VII), quem passou a emitir a nota fiscal foi a Copiadora Estrela do Oriente Ltda; daí em diante a fiscalizada (Ponte) também passou a emitir o Boletim de Medição em nome desta última; as cópias de cheques evidenciam que os cheques até então emitidos nominais à Copiadora Estrela Ltda — ME, passaram a ser emitidos na forma nominativa para a "Copiadora Estrela". Fl. 4652DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 50 No presente caso, a defendente não logrou infirmar a questão atinente a formalidades legais da situação jurídico, tributária e societária das emitentes da documentação apresentada, muita menos comprovar que tivesse contrato de prestação de serviços com a Copiadora Estrela do Oriente Ltda. De tal modo, diante das irregularidades apontadas acima, não há como acatar referida documentação para comprovar a efetividade da prestação dos serviços, eis que a Copiadora Estrela Ltda — ME nunca iniciou suas atividades, enquanto a Copiadora Estrela do Oriente Ltda, não foi a pessoa jurídica que firmou contrato com a fiscalizada (Ponte); d) Presença Consultoria Ltda. No Alvará para Licença para Estabelecimento (fl. 872 do Volume IV), verificase que a Secretaria Municipal de Fazenda da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, expediu alvará datado de 2710211997, para que a firma Presença Consultoria Empresarial Ltda prestasse consultoria para empresas no endereço da Rua Silva Pinto, 49, sala 801, Vila Isabel, Rio de Janeiro — RJ. Os documentos coligidos aos autos pela fiscalização, às fls. 141/162 do Anexo VII, quais sejam cópias reprográficas de notas fiscais de prestação de serviços e de cheques, justamente aqueles que suportaram a apropriação da despesa de prestação de serviços, discriminam apenas a cobrança de "serviços de consultoria no mês de (...)",sem especificação detalhada de quais serviços foram prestados, à exceção de três documentos em que há detalhamento tais como "acompanhamento do projeto de multiplicadores" e "ISO 9000" (fls. 155/157 do Anexo VII). Abstraindose da questão de localização no endereço, que não é objeto de discussão em relação ao prestador de serviço em referência, os documentos que a defendente juntou aos autos com a impugnação, quais sejam as datas de reuniões de fls. 873/879 do Volume IV, não são suficientes, por si só, para estabelecer um liame objetivo entre os pagamentos efetuados e os serviços executados que as atas poderiam evidenciar. Isso porque, nem sequer há um contrato, uma medição etc., que estabelQ conexão entre os pagamentos e o conteúdo das atas. Portanto, a defendente não logrou comprovar, com documentação hábil e idônea, quais e que tipo de serviços teriam sido tomados junto à Presença Consultoria Empresarial Ltda; nem a efetividade da prestação desses serviços, muito menos a relação desses serviços com a consecução dos seus objetivos sociais. e) Atomst Alta Tecnologia Ltda. Foi efetuada glosa da apropriação, a titulo de Despesas com Prestação de Serviços por Pessoa Jurídica, de duas notas fiscais de emissão da Atomst Alta Tecnologia em Operação e Manutenção de Sistemas de Transportes S/C Ltda., CNPJ 62.449.392/000128, cujas cópias reprográficas coligidas aos autos pela fiscalização constam às fls. 173/178 do Anexo VII dos autos. Em exame das referidas notas fiscais de prestação de serviços (n°s 108 e 114 de • 23/01/1997 e 28/02/1997, respectivamente), verificase que na discriminação dos serviços consta apenas Fl. 4653DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 27 51 "Referente a medição do período de 25 de dezembro a 24 de janeiro de 1997" e "Referente a medição do período de 25 de janeiro a 24 de fevereiro de 1997". Não há qualquer evidência acerca do que foi medido, e a que instrumento formal de avença tal cobrança estaria vinculada. Pois bem, na impugnação a defendente que está juntando aos autos cópia de proposta e de contrato de prestação de serviços. Examinando os documentos efetivamente aportados aos autos com a impugnação (Fls. 883/934 do Volume IV), verificase que: foi apresentada cópia reprográfica, não autenticada de documento intitulado "Proposta de Prestação de Serviços para Elaboração de Projetos e Implantação dos Serviços de Operação e Manutenção da Ponte Rio Niterói —Revisão 02 — Junho/1995", contendo o escopo dos serviços, cronograma de atividades e custo e forma de pagamento; foi apresentada cópia reprográfica, não autenticada do "Contrato de Prestação de Serviços — Contrato n° 005, firmado em 01/06/1995, para prestação dos serviços referenciados na proposta; foi apresentada cópia reprográfica, não autenticada de correspondência da Ponte para a Atomst, encaminhando minuta do contrato supra referenciado, dentre outros entendimentos. Ora, além das peculiaridades que adiante serão demonstradas, cumpre desde já considerar que não há qualquer referência que estabeleça nexo entre as notas fiscais que capearam as apropriações de despesas com os respectivos documentos supra citados, que a defendente anexou aos autos com a impugnação. A propósito, de acordo com as cláusulas Sexta e sétima do contrato de prestação de serviços apresentado, o valor dos serviços de que ele trata, foi convencionado em R$ 734.927,57 (Setecentos e trinta e quatro mil, novecentos e vinte e sete reais e cinqüenta e sete centavos), a serem pagos em 07 (sete) parcelas mensais e consecutivas, nos valores de R$ 146.985,51, as três primeiras; e de R$ 73.492,76, as 04 (quatro) últimas, vencíveis, a primeira no início dos trabalhos e as subseqüentes 30/06/1995, 30/07/1995, 30/08/1995, 30/09/1995, 30110/1995 e 30/11/1995. Assim sendo, levando em conta que de acordo com a cláusula 10.1 do contrato em questão, "os prazos de execução dos serviços eram de 180 dias, contados a partir da autorização dos serviços", então nenhum pagamento e nenhum serviço restariam para ser objeto de medição em janeiro e fevereiro de 1997, vinculados ao contrato de prestação de serviços e à proposta em referência, eis que o período abrangido no escopo de tais documentos não ultrapassava o mês de novembro de 1995. Aditese, por relevante, que a cláusula 7.7 do contrato (fl. 907 do Volume IV, preceitua que "Não é devida nenhuma outra remuneração pelos serviços contatados, além das aqui estabelecidas." Fl. 4654DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 52 e) Rolink Tractors Comércio e Serviços. Não há qualquer evidência que estabeleça nexo entre a nota fiscal de emissão da Rolink Tractors Comércio e Serviços Ltda., à fl. 181 do Anexo VII, com as ordens de serviços de fls. 936/939 do Volume IV, que a defendente juntou à impugnação. Também não há conexão entre a referida nota fiscal e o "Relatório Comparativo dos Equipamentos para Manutenção e Inspeção de Pontes". A uma, porque nem há evidência de que ele seja de emissão da Rolink Tractors. A duas porque sua emissão é de abril de 1997, ou seja, três meses defasado do faturamento ocorrido em janeiro de 1997. f) Account Publicidade e Eventos Ltda. As notas fiscais fatura de serviços nos 1411 e 1436 (fls. 67/68 do Anexo V), coligidas aos autos pela fiscalização no curso da ação fiscal, contém, no campo discriminação dos serviços apenas a seguinte descrição "Conforme Proposta n° 1010/96" e "Conforme Contrato n° 1315/97", respectivamente. Contudo, em relação ao custo com prestador de serviço, no valor de R$ 45.573,06, que a fiscalização glosou, a defendente não apodou aos autos com a impugnação, referida proposta nem referido contrato, ou qualquer outro documento que • especificasse qual a natureza do serviço prestado e comprovasse a regularidade do encargo apropriado, no que concerne à utilidade, necessidade e efetividade da prestação. g) M.C.F. Assessoria, Consultoria, Planejamento e Pesquisas Sociedade Civil Ltda. Foi efetuada glosa da apropriação, a título de Despesas com Prestação de Serviços por Pessoa Jurídica, de onze notas fiscais de emissão da MCF Ltda., CNPJ 31.610.231/000140, cujas cópias reprográficas coligidas aos autos pela fiscalização constam às fls. 132/156 do Anexo V dos autos. Em exame das referidas notas fiscais de prestação de serviços, verificase que na discriminação dos serviços consta apenas a expressão "Serviços Prestados". Não há qualquer evidência acerca do que foi medido, e a que instrumento formal de avença tal cobrança estaria vinculada. Ademais, além de não haver também qualquer referência que estabeleça conexão entre as notas fiscais que capearam as apropriações de despesas, a defendente não apodou aos autos com a impugnação, qualquer outro documento que especificasse qual a natureza do serviço prestado e comprovasse a regularidade encargo apropriado, no que concerne à utilidade, necessidade e efetividade da prestação. h) Guilher Luiz Xavier. Foi efetuada glosa da apropriação, a titulo de Despesas com Prestação de Serviços por Pessoa Jurídica, de cinco notas fiscais de emissão da firma Guilherme Luiz Xavier, CNPJ 01.504.389/000175, cujas cópias reprográficas coligidas aos autos pela fiscalização constam às fls. 163/172 do Anexo VII dos autos. Em exame das referidas notas fiscais de prestação de serviços, verificase que na discriminação dos serviços consta apenas a Fl. 4655DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 28 53 expressão "Consultoria ISO 9002", sem, pois, qualquer evidência acerca de qual instrumento formal de avença tal cobrança estaria vinculada. Ademais, além de haver também qualquer referência que estabeleça conexão • entre as notas fiscais que capearam as apropriações de despesas, a defendente não apodou aos autos com a impugnação, qualquer outro documento que especificasse qual a natureza do serviço prestado e comprovasse a regularidade do encargo apropriado, no que concerne à utilidade, necessidade e efetividade da prestação. Em suas razões de recurso, declara a Recorrente que de acordo com o entendimento da fiscalização, expresso no item 6.7.2 do Termo de Verificação e Constatação Fiscal, a Recorrente não teria comprovado a necessidade e efetividade da prestação dos serviços com diversas empresas. Todas essas empresas, segundo informado pela fiscalização, não teriam sido localizadas quando realizadas as diligências fiscais nos endereços constantes dos documentos fiscais que teriam sido emitidos por essas empresas, ou seja, a fiscalização alega que não foi constatada a existência física das citadas empresas, o que caracterizaria a "incapacidade operacional para a prestação dos serviços". Observese, por oportuno, que os serviços tomados pela Recorrente — que deram origem às despesas por ela computadas em sua apuração — foram prestados durante o ano calendário de 1997. Além disso, a autoridade julgadora, "esclarecendo" tudo o quanto alegado na autuação, observa que são diversos os aspectos que levaram às exigências fiscais, dentre os quais, o fato de os documentos fiscais conterem apenas descrições genéricas dos serviços prestados, a carência de comprovação quanto à efetiva prestação dos serviços e a não comprovação acerca da necessidade dos referidos serviços para a manutenção das atividades da empresa. Nesse tocante, em que pese o entendimento da fiscalização e da autoridade julgadora, as Notas Fiscais de Serviços não se prestam a uma descrição detalhada das atividades desenvolvidas pelo prestador de serviços. Na verdade, para os fins a que esses documentos foram criados — o controle da arrecadação do Imposto sobre Serviços — é suficiente a indicação da natureza do serviço prestado. Cabe reiterar tudo o quanto firmado pela Coordenadoria do Sistema de Tributação ao proferir o Parecer Normativo CST n° 10/76, segundo a qual "A comprovação dessas despesas qualquer que seja sua natureza, há de ser feita com os documentos de praxe, isto é, recibos, notas fiscais, canhotos de passagens, etc., desde que a lei não impõe forma especial. (...) Pode ocorrer, toda74Z o fato de a despesa ser de pequeno valor e, ocasionalmente, de difícil comprovação. Nesse caso, essa despesa poderá ser tida como acessória, admissível ante a Fl. 4656DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 54 razoabilidade e comprovação das principais" (destaques da Recorrente). Nesse sentido, como já alegado na impugnação, no que tange à comprovação da efetiva prestação serviços, existem diversas atividades que não podem ser comprovadas a posteriori porque elas não deixam "marcas" após a sua conclusão. Nesse particular, a atividade de limpeza é exemplo claro de que os vestígios de muitos serviços, após algum tempo, se esvai. Além disso, existem diversos serviços que são realizados à margem de um contrato escrito, que não é — efetivamente — condição necessária para a prestação de um serviço. Dai porque é plenamente sustentável o entendimento manifestado no Acórdão 110 10191.892, onde se declarou que, tratando de questões relativas à omissão de receitas, "se a pessoa jurídica consegue provar, por qualquer meio lícito de prova, a real existência do passivo, ainda que mediante cópias de cheques, recibos ou notas fiscais, deve o seu montante ser subtraído da incidência tributária". E esses documentos — notas fiscais, recibos, comprovantes de pagamento, etc. —estão acostados aos autos. De todo modo, para melhor avaliação das alegações fiscais, convém analisar, exemplificativamente, a situação dos principais prestadores contratados pela Recorrente, cujas despesas foram contestadas pela fiscalização. ACL Consultoria e Assessoria Empresarial S/C Primeiramente, cumpre destacar que o fato de a ACL Consultoria e Assessoria Empresarial S/C não ter sido localizada no mês de março de 1999 não é suficiente para inibir a dedutibilidade de uma despesa referente a um serviço prestado dois anos antes, em 1997. Com efeito, a mudança de endereço de uma empresa é evento absolutamente normal. Além de uma diligência no antigo endereço nada foi realizado pela fiscalização com o intuito de localizar o referido prestador. Como é natural, a verificação de um fato dessa natureza e gravidade deveria ser comprovada por inúmeras diligências e documentos, sem os quais não se pode ter como válida a afirmação de que o prestador não existe! Esse fato caracteriza a precariedade da acusação fiscal e, por si só, serve para macular a exigência feita a esse título. De todo modo, pelos contratos de cessão de mãodeobra firmados entre a Recorrente e o referido prestador, este último estava obrigado a fornecer mãodeobra qualificada para as atividades da Recorrente. Segundo a autoridade julgadora, as notas fiscais emitidas pelo prestador seriam genéricas ao mencionar "serviços prestados no mês". Ora, se existe um contrato de prestação de serviços entre as empresas, que outro seria o serviço prestado à Recorrente A verdade é que, aliadas aos contratos, as notas fiscais emitidas pela ACL Consultoria e Assessoria Empresarial S/C permitem Fl. 4657DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 29 55 vislumbrar a natureza das atividades prestadas por esta última à Recorrente: cessão de mãodeobra. Nesse tocante, a Recorrente juntou à impugnação diversos demonstrativos relativos aos pagamentos realizados à empresa. Além disso, nos documentos juntados a partir das fls. 110 do Anexo IV ao Auto de Infração, estão demonstradas inúmeras evidências dos serviços prestados à Recorrente: controles de ponto, valesrefeição, notas fiscais de serviços, duplicatas de serviços, relação de exames psicotécnicos realizados no mês, demonstrativos de pagamentos, etc. Ocorre que, ao argumento de que "não há evidências acerca de quem elaborou referidos demonstrativos", a autoridade julgadora entendeu que estes documentos seriam imprestáveis. Se esse argumento é procedente, qual seria o documento necessário para comprovar uma cessão de mãodeobra? Ora, o que espera a autoridade julgadora: que os contribuintes • registrem seus documentos em cartório, ou que, como alegado na impugnação, os contribuintes registrem em vídeo suas atividades? Além disso, não se pode pretender que documentos elaborados no curso das atividades (por exemplo, os registros de ponto) sejam assinado por representantes de ambos os contratantes, como pretende a autoridade julgadora. Esses demonstrativos, que são produzidos pelos particulares segundo suas próprias necessidades, são elaborados, muitas vezes, com um certo grau de informalismo e confiança mútua, razão pela qual a falta de assinaturas não serve como justificativa para que não seja reconhecida a despesa correspondente. Por fim, ignorando a "consistência material contida nos documentos acima referidos, ainda assim a autoridade julgadora menciona que a descrição genérica dos serviços no documento fiscal não permite avaliar a necessidade da despesa para a manutenção das atividades da Recorrente. Quanto a isso, é incabível qualquer dúvida 410 acerca da necessidade da mão deobra para o desenvolvimento das atividades sociais! É evidente que a contratação de mãodeobra é necessária, sem ela, pergunta se, como seriam realizadas as atividades de conservação, manutenção, atendimento ao público, etc, na Ponte RioNiterói? Em outras palavras, a remuneração pela mãodeobra é despesa necessária para a atividade produtiva. Pelo exposto, as exigências fiscais formalizadas a esse título merecem ser excluídas. Copiadora Estrela Ltda — ME Na decisão recorrida, ficou demonstrado que o prestador acima epigrafado mudou de endereço a partir de abril de 1997 sem que fosse efetuada a devida alteração nos cadastros mantidos pela Secretaria da Receita Federal. A irregularidade do prestador de serviços junto aos órgãos fazendários, porém, serviu como fundamento para que fosse glosada a despesa. Fl. 4658DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 56 Ocorre que esse fato — a irregularidade do prestador de serviços — não obsta a dedutibilidade da despesa. Com efeito, como salientado pelo SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA no julgamento do RESP n° 85.888/SP, não cabe ao adquirente de um serviço arcar com os ônus decorrentes da infração cometida por terceiros, pois cabe à Fazenda "exigir o tributo do contribuinte de fato, autor do desvio, e não do comerciante vendedor, por este não ter meios legais de fiscalizar o comportamento do adquirente do produto.". E, se a despesa está comprovada — e quanto a isto as cópias de cheques, notas fiscais, demonstrativos de medição dos serviços juntados a partir das fls. 187 do Anexo VII não deixa dúvidas — então, desde que necessária, ela pode ser deduzida da base de cálculo do lucro real. A propósito, o serviço contratado pela Recorrente é a reprodução 004 de cópias reprográficas ("xerox"), o que, evidentemente, é necessário para o desenvolvimento das atividades da administração de uma empresa. Para tanto, basta considerar a quantidade de documentos que foram reproduzidos pela Recorrente para satisfazer às exigências da fiscalização (para juntar cópias ao presente processo) ou para manter em arquivo todos os comprovantes necessários para a comprovação da dedutibilidade de suas despesas (ou aqueles exigidos pela fiscalização como prova da efetividade das despesas), que está plenamente caracterizada a dedutibilidade dessa despesa. De todo modo, ao manter a exigência fiscal relativa aos serviços de reprodução reprográfica, a autoridade julgadora salientou que a partir de maio de 1997 esses serviços passaram a ser prestados — e faturados — pela empresa Copiadora Estrela do Oriente Ltda. Nesse particular, a própria autoridade julgadora destaca que essa é uma empresa em situação regular perante o Fisco, que executou e faturou normalmente os serviços à Recorrente a partir daquele período. Ocorre que, não obstante a efetividade e necessidade desses serviços, os valores referentes às notas fiscais emitidas pela Copiadora Estrela do Oriente Ltda. (relacionados às fls. 94 e 95 do TVCF) foram glosados pela fiscalização e mantidos pela autoridade julgadora. Nesse particular, ainda que não se possa condicionar a efetividade e dedutibilidade de uma despesa à regularidade fiscal daqueles com quem contrata, para afastar quaisquer dúvidas acerca da regularidade da Copiadora Estrela do Oriente Ltda., a .Recorrente junta diversos outros documentos relativos a essa empresa, além daqueles que constam das fls. 837 a 846 do Volume IV, demonstrando sua regularidade perante o Fisco. (Cartão de CNPJ — Doc. n.° 116 e Certidão Negativa de Débitos de Tributos e Contribuições Federais — Doc. n° 117) Ora, se existem documentos que comprovam a prestação de serviços por uma empresa regular perante o Fisco, dentre os quais as notas fiscais n°: 45003 (fls. 206 do Anexo VII), 46185 (fls. 209 do Anexo VII), 46403 (fls. 213 do Anexo VII), 46654 (fls. 217 do Anexo VII), 46904 (fls. 221 do Anexo VII) e 47123 (fls. 225 do Anexo VII) e receptivos boletins de medição elaborados pela Recorrente, como então manter a exigência fiscal ? De todo modo, para melhor evidenciar a efetividade das Fl. 4659DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 30 57 despesas, a Recorrente também junta, apenas exemplificativamente, os comprovantMo pagamento desses serviços: (notas fiscais, boletins de medição, cópia cheques duplicatas — Docs. n.° 118 a 135). O único argumento utilizado pela autoridade julgadora é o fato de não existir um contrato escrito entre a Recorrente e a Copiadora Estrela do Oriente Ltda. Nesse aspecto, cabe destacar que a lei civil não exige que os contratos de prestação de serviços sejam reduzidos a termo, vale dizer, a forma desses contratos é nãosolene, não depende de nenhuma formalidade. O que caracteriza a prestação do serviço não é a existência de um contrato escrito, e sim o documento fiscal e outros documentos auxiliares que suportam a emissão do próprio documento fiscal, bem como a efetiva prestação do serviço em si. Se os documentos utilizados na praxe comercial estão nos autos, juntamente com a • cópia dos cheques utilizados para o pagamento dos serviços, como poderia ser mantida a exigência fiscal nesse tocante? Desse modo, por todas essas razões, as exigências fiscais formalizadas contra a Recorrente nesse tocante também não merecem prosperar. Presença Consultoria Empresarial Ltda No tocante aos serviços prestados pela Presença Consultoria Empresarial Ltda., a autoridade julgadora argumenta que os documentos que serviram para a dedução da despesa discriminariam a cobrança de serviços de "consultoria no mês de ", mas sem especificação detalhada de quais serviços teriam sido efetivamente prestados, exceção feita a três documentos em que haveria a detalhamento no tocante a "acompanhamento do projeto de multiplicadores "e "ISO 9000". Primeiramente, observese que em relação ao referido prestador a autoridade julgadora nada opõe acerca de sua regularidade cadastral, notadamente, do endereço em que estava localizado durante o anocalendário de 1997. De acordo com o seu contrato social (fls. 849/863 do Volume IV), essa sociedade tem como objeto a prestação de serviços de consultoria, especialmente na área de planejamento organizacional, implementação de sistemas de qualidade, capacitação de recursos humanos, recrutamento e seleção de pessoal (Cláusula Segunda — Objeto). (Contrato social de Presença Consultoria Empresarial Ltda. — Doc. n.° 136). Os documentos acostados aos autos, especificamente às fls. 141/162 do Anexo VII abrangem diversas notas fiscais emitidas pelo referido prestador, além dos cheques que foram utilizados para o pagamento dos serviços. Nesse particular, é bem verdade Fl. 4660DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 58 que a maioria das notas fiscais, ao discriminar os serviços, simplesmente indicam "serviços de consultoria do mês ...”. Evidentemente que a autoridade julgadora não atentou para a particularidgie41t5"° notas fiscais de serviço, em cujo canto superior direito constam os campos "CódiSo' Fiscal / Natureza do Serviço". Essas informações, se levadas em consideração, possibilitam a identificação da atividade desenvolvida pelo prestador.Além disso, se o prestador é uma empresa de consultoria de planejamento organizacional, que outro serviço poderia ela prestar. De todo modo, de que valeria para a autoridade julgadora a menção especifica da atividade desenvolvida pelo prestador se a exigência fiscal foi mantida inclusive no tocante às duas notas fiscais que detalham as atividades, a saber, as notas fiscais n° 025 e 026, nas quais estão indicadas, precisamente, qual o projeto desenvolvido pelo prestador? (Notas fiscais n° 25 e 26 — Docs. N° 137 e 138). Diante disso, e dos demais documentos que instruíram a impugnação, não merecem prosperar as exigências fiscais nesse tocante. Livel Conservadora Ltda. No que pertine aos serviços prestados pela Livel Conservadora Ltda., a autoridade julgadora manteve a autuação ao argumento de que o contrato juntado aos autos teria sido firmado em 15 de maio de 1998 enquanto que a Recorrente incorreu nas despesas contestadas durante o anocalendário de 1997. Nesse tocante, se o contrato acima mencionado não serve para comprovar a efetividade das despesas porque ele é posterior à data em que elas foram incorridas, o que se dirá quando for constatado que desde o mês de janeiro de 1997 a Recorrente e a Livel Conservadora Ltda. já haviam firmado um contrato de prestação de serviços? (Contrato de Prestação de Serviços datado de 10 de Janeiro de 1997— Doc. n.° 139). O contrato firmado entre as empresas tinha por objeto a prestação de serviços de limpeza e conservação no estabelecimento da Recorrente mediante a locação de mão de obra, o que é uma espécie de negócio comum entre empresas. O preço a ser pago pelos referidos serviços estavam previstos no anexo I ao contrato. Para conferir maior materialidade aos serviços, a Recorrente apresenta as cópias das notas fiscais emitidas pelo prestador, na qual poderá ser constatada a natureza dos valores por ele cobrados (locação de mãodeobra, horasextras e vale alimentação), os quais estão suportados por demonstrativos analíticos, elaborados pela própria Livel, nos quais é possível verificar o preço atribuído ao trabalho de cada funcionário, de acordo com cada uma das verbas acima referidas. O pagamento desses valores ao prestador está suportado por cópias dos cheques emitidos para o pagamento. (notas fiscais, demonstrativos analíticos e cheques — Docs. n.° 140 a 176). Fl. 4661DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 31 59 Para auxiliar a análise das notas fiscais e demonstrativos, a Recorrente elaborou as planilhas que seguem abaixo, exemplificativamente, nas quais se evidencia a composição dos valores cobrados pela Livel: Além disso, o decisum menciona que a juntada de Guias de Recolhimento da Previdência Social não serviria para infirmar a suposta irregularidade fiscal dessa empresa, exceto no que tange à própria Previdência Social. Sem questionar o argumento adotado pela fiscalização, as GRPS são elementos contundentes na prova de existência desse prestador, especialmente quando confrontadas com os demonstrativos retro mencionados. Isto porque, nas GRPS são mencionados os nomes de diversos funcionários da Live!, nomes esses que também estão mencionados nos referidos demonstrativos, tendo em vista que esses funcionários prestavam serviços nos estabelecimentos da Recorrente. Dentre outros, destaquemse os seguintes nomes: Amys de Miranda, Cleide S. Souza, Pedro Paulo, Ademir F. Ricardo, Manoel Cruz dos • Anjos, Ana C. Nery. Todos eles trabalhavam para a Live( e prestavam seus serviços nas dependências da Recorrente! (GRPS de maio/97 — Doc. n° 177 a 180). A fiscalização conclui que a referida empresa seria uma empresa irregular pois, segundo informações obtidas em diligência — as quais não foram corroboradas por nenhuma outra evidência, além da prova testemunhal — o referido prestador "jamais" teria se instalado no local indicado nos cadastros da Receita Federal. Diante da prova testemunhal, o que dizer de um contrato de locação do imóvel diligenciado, assinado em 01 0 de novembro de 1995, com prazo de locação até 31 de outubro de 1997. O que dizer também do cartão de inscrição municipal. Diante de todas as evidências, não há como negar a efetividade da despesa incorrida pela Recorrente com o pagamento dos serviços prestados pelos funcionários da Livel. A exigência fiscal, nesse tocante, portanto, merece ser cancelada. Account Publicidade e Eventos Ltda. A Account Publicidade e Eventos Ltda. é uma empresa que desenvolve serviços de agenciamento de propaganda e marketing. Nesse sentido, para fundamentar a manutenção das exigências fiscais relativas às despesas incorridas com os serviços que lhe foram prestados, a autoridade julgadora argumenta que as NFFS n° 1411 e 1436 (fls. 67/68 do Anexo V), em vez de identificar a natureza dos serviços, reportarse iam à "Proposta n° 1010/96" e ao "Contrato n° 1315/97", respectivamente. Nesse sentido, se essa é a razão de decidir, que não admite a comprovação das despesas pelos meios usuais (recibos, notas fiscais, etc), mas exige também a comprovação de contratos escritos, medições, etc, mister colacionar aos autos os documentos indicados pela Ilustre Autoridade Julgadora, os quais evidenciam a efetiva natureza dos serviços prestados à Fl. 4662DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 60 Recorrente. Daí porque a exigência fiscal nesse tocante merece ser cancelada. (Proposta n° 1010/96 e a Contrato n° 1315/97 — Docs. N.° 181 e 182) Demais Prestadores 64 Em relação aos demais prestadores de serviços relacionados nesse item da autuação e respectiva decisão recorrida, o que precisa estar presente que é absolutamente normal no diaadia de qualquer sociedade (quanto mais uma sociedade que é uma prestadora de serviços) a contratação de diversos serviços para as mais diversas atividades a que se propõem, a exemplo de consultoria geral, publicidade, pintura, planejamento, pesquisa, reparos e consertos, seminários sobre aspectos específicos da área, informática, dentre tantos outros que aqui se poderiam relacionar. Tais serviços são contratados pelos mais diversos departamentos da sociedade e se prestam a manter intactas a continuidade e o bom andamento das suas operações. Muitos desses serviços, é óbvio, não implicam contratação expressa, mas meramente tácita, através das quais contratado e contratante combinam o preço, o serviço é prestado e dado como satisfatório e a contraprestação pecuniária é paga, 41, mediante a apresentação do documento fiscal pertinente. O mesmo vale para o cidadão comum; para ilustrar temse que, quando uma pessoa física vai a um médico e paga a consulta, via de regra apenas solicita o recibo de pagamento, no qual — no mais das vezes — é observado no campo próprio "serviços médicos", sem qualquer discriminação quanto à especialidade do médico, os exames por ele realizados e a comprovação da necessidade (ou não) da consulta. Nem por isso a despesa não se realizou e não era necessária à continuidade da vida. E é justamente nessa mesma categoria que se enquadram as demais prestações de serviços contratadas pela Recorrente — situações diversas do cotidiano da sociedade que provocaram a contratação — às vezes até mesmo ocasional — de prestadores específicos para serviços necessários ao dia a dia, cujos valores, isoladamente examinados, não são materiais ou relevantes o suficiente para a adoção de outras providências (jurídicas, legais ou societárias) que não a verificação do serviço e a obtenção da respectiva nota fiscal. Tomemse como exemplo os serviços prestados por Guilherme Luiz Xavier, objeto de análise por parte da decisão recorrida às fls. 1526, o argumento utilizado para a manutenção da glosa da despesa é a ausência de um contrato assinado! Qual é o fundamento legal que exige um contrato assinado para a dedutibilidade da despesa? É necessário, sempre, o documento fiscal: a nota fiscal, o recibo de pagamento de autônomo, etc; esses documentos não podem ser menosprezados pela fiscalização tal como procedeu a autoridade julgadora. Afinal, que vantagens teria a sociedade em remunerar serviços que não lhe foram prestados ou que não satisfizeram o objeto para o qual foram contratados ? Nenhum, obviamente. Fl. 4663DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 32 61 Por essas razões que, embora não satisfeito o formalismo aplicado pela fiscalização e as autoridades julgadoras (aspecto já longamente abordado no presente Recurso), reafirmase que os serviços foram efetivamente prestados e kile—M documentos fiscais que lhe deram origem devidamente apresentados. Confirase, nesse sentido, o bom senso demonstrado em alguns exemplos de jurisprudência do próprio Conselho de Contribuintes: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS — Ao fisco, em princípio, cabe fundamentar a pretensão tributária, ou seja, dizer o porquê do seu convencimento quando afirma que uma despesa é indedutível, desnecessária, anormal. Alegar apenas que a prestação de um serviço não foi comprovada carece, no mínimo, de consistência, até porque o serviço é um bem imaterial e ele em si, o serviço, é insuscetível de comprovação (Ac. 1° CC 107206/93 — DO 07/01/97). No mesmo sentido, confirase idêntico teor no Ac. 1º CC 107445/03— DO 02/01/97 (DESPESAS NÃO COMPROVADAS). PROVA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS — Na comprovação dos gastos com prestação de serviços, é de se levar em conta a complexidade das atividades empresariais, devendo o fisco aprofundar a investigação para melhor avaliação e comprovação, quer da efetividade, quer da necessidade das despesas (Ac. 1° CC 10188548/95 DO 13/02/96) Diante do exposto, também não merecem prosperar as exigências fiscais impostas à Recorrente no que se refere a esse item. Falta de comprovação da necessidade e efetividade da prestação dos serviços de apoio técnico administrativo, jurídico e financeiro dos principais acionistas da empresa. Development Fee — "Sponsor's Fee". Nesse subitem do auto de infração consta que foi efetuada glosa da importância de R$ 474.161,64 (fl. 66 do Volume I), importância esta que a contribuinte apropriou, indevidamente, em contas de despesas operacionais no anocalendário de 1997. Concluiu a fiscalização que: "Efetivamente, não restam comprovados que os serviços pagos aos sócios, na importância de R$ 474.161,64 a titulo de outras despesas operacionais com base em 1% da Receita do pedágio, foram realizados ou executados, caracterizando mera liberalidade, sendo indedutiveis na determinação do lucro real, referentes aos valores e períodos abaixo indicados": (...) Na impugnação, às fls. 388/389 do Volume li, sob o título de "Glosas de Despesas `SPONSOR'S FEE", a defendente desenvolve, em quatro subitens (155 a 158), argumentação no Fl. 4664DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 62 sentido de que o que a "prestação de serviços de apoio técnico administrativo, jurídico e financeiro" que a fiscalização glosou, equivale a 1% (um por cento) da receita de pedágio, sendo que a necessidade e normalidade de tais serviços na operação de seu negócio é evidente; que não pode prescindir do apoio técnico e administrativo recebido dos acionistas em questão; que a opção foi adotada visando não inflar a folha de pagamentos; que a remuneração concertada com os acionistas foi idealizada por eles, com vistas a limitar e prevenir oscilações de custos, seja qual for a natureza e volume dos serviços prestados; A discussão cingese ao ajuizamento da fiscalização da falta de comprovação da necessidade, usualidade e efetividade da prestação dos serviços de "apoio técnico administrativo, jurídico e financeiro" que foram pagos aos prestadores Construtora Andrade Gutierrez S/A e Camargo Corrêa S/A, na razão de 1% da receita de pedágio. Tendo em conta que os aludidos prestadores são os dois principais acionistas, a fiscalização reputou a documentação apresentada carente de comprovação quanto à efetividade da prestação, quanto à utilidade e sobretudo quanto à sua necessidade para a manutenção de sua atividade operacional precípua que é a operação da Ponte Rio Niterói. Pois bem, desprovidos que estão de quaisquer elementos de comprovação, os argumentos de defesa da defendente não passam de meras conjecturas. Ora, a teor do art. 242 de parágrafos do RIR de 1994, os requisitos de admissibilidade da dedução de uma despesa não cogitam de ela estar circunscrita a um percentual ( no caso de 1% da receita total do pedágio), que deve ser paga ao prestador independentemente, quer da • prestação efetiva em qualquer quantidade; quer da falta de prestação efetiva; quer da prestação efetiva em maior intensidade seja de horas de trabalho, seja de complexidade. De fato, uma despesa operacional qualquer (no caso prestação de serviços), até pode, individualmente, ultrapassar 1% (um por cento) ou qualquer outro percentual da receita, ou até mesmo ultrapassála. Isso porque, para ser dedutível, o serviço deverá ter sido efetivamente prestado, ser especificado, medido, e precipuamente, ser usual, útil e necessário, tal como requer o já transcrito art. 242 do RIR de 1994. No entanto, basta compulsar os documentos de fls. 228/247 do Anexo VII e 02/16 do Anexo VIII, para verificar que as notas fiscais emitidas pela Camargo Corrêa e pela Andrade Gutierrez, respectivamente, discriminam apenas "Serviços prestados — Medição n° ...", e que a "Planilha de Medição" anexa, embora especifique se tratar de "prestação de serviços de apoio técnico administrativo, jurídico e financeiro" não é propriamente uma medição de serviços prestados, mas tão somente o ato que formaliza a aplicação do percentual de 1% (um por cento) sobre a receita do pedágio, que vem a ser a "Base de Cálculo dos Serviços". Em suma, se houve ou não a efetiva prestação dos serviços é irrelevante, pois eles serão cobrados à razão de um por cento des exista receita. Fl. 4665DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 33 63 A natureza do gasto a título de "sponsor fee" é de mera remuneração, de uma taxa auferida pelo patrocinador/investidor, calculada com base em percentual da receita, que independe da efetiva contraprestação de quaisquer serviços. Isso posto, insta considerar, ainda, em que pese na impugnação a defendente argumentar que aportaria aos autos, oportunamente, "fartos elementos de convicção que comprovariam a efetividade da prestação dos serviços por técnicos pertencentes ao quadro de pessoal das pessoas jurídicas acionistas" (Construtora Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa), até a data da prolação desse voto, a interessada retornou ao processo uma única vez para aportar tão somente dois documentos distintos (Fls. 1268/1279 e 1281/1389 do Volume V), que vieram anexos ao aditamento de fls. 1265/1266 do Volume V. Com relação à documentação verificase às fls. 1280/1389 do Volume V, se tratar do "Dossiê Relativo ao Projeto Mediana Móvel", projeto esse que tem por objetivo a implantação de um novo modelo operacional para a Ponte RioNiterói, ampliando a capacidade viária da Ponte conforme o sentido de maior movimentação do fluxo de tráfego". Acurada análise dos documentos acostados com o aditamento, quais sejam Ofícios; Atas de Reunião com o DNER; Deliberações; Análises de Proposta; Concepção Básica do projeto; Fotos; Ofícios de terceiros; Análise de Viabilidade de Implantação e Operação da Mediana Móvel; Programação dos Testes; Resultados dos Testes; Recortes de matérias jornalísticas etc., não propicia estabelecer nenhum liame entre a evolução do aludido projeto da mediana móvel com presumida prestação efetiva de serviços por parte do corpo técnico das pessoas jurídicas controladoras. Aliás, ao contrário, nas últimas referências atinentes a responsáveis pela evolução, desenvolvimento e implementação do projeto da mediana móvel, inferese do dossiê que foram técnicos da "PONTE S/A", somente eles, que efetuaram vista técnica 40 ao exterior para observar pontes em que o sistema Mediana Móvel era utilizado em outros países (vide item "3 — Experiência Internacional" da "Concepção Básica do Projeto Mediana Móvel", às fls. 1294 e 1337 do Volume V). Inferese também do item "6— Coordenação para Implantação do Evento" da "Programação dos Testes — Maio/97", que participaram pessoas, da Ponte S/A, da Lightech e da CAVO, sem referência a pessoas da Andrade Gutierrez e da Camargo Corrêa. Nesse contexto, tendo em vista que não há nos autos nem foram ofertadas com a impugnação para corroborar as razões de discordâncias apresentadas, quaisquer elementos e evidências de que os serviços foram prestados pelas pessoas jurídicas controladoras, muito menos de que são necessários à manutenção da fonte produtora das receitas, nem de que são Fl. 4666DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 64 usuais ou normais para a operação da concessão da Ponte Rio Niterói, deve ser mantida incólume a exigência em relação à presente matéria. Nas razões de recurso, sustenta a Recorrente que a fiscalização entendeu que a autuada não teria comprovado a necessidade e efetividade dos serviços de apoio técnico administrativo, jurídico e financeiro prestado pela Construtora Andrade Gutierrez S/A e a Construtora Camargo Corrêa S/A., empresas de notórios conhecimento e experiência na construção civil pesada e, inclusive, na administração de Rodovias concedidas pelo Poder Público. Essas empresas, cumpre confirmar, fazem parte do quadro societário da Recorrente. Nesse sentido, a autoridade julgadora resume a controvérsia afirmando que a dedutibilidade de uma despesa "está condicionada a que a tomadora dos serviços comprove, com documentação hábil e idônea, a efetividade da prestação, a usualidade e a necessidade de tal serviço para a consecução do objetivo social da empresa." (fls. 1529). A propósito, convém destacar que a comprovação de uma despesa é realizada por qualquer meio licito de prova, ainda que por meio de cópias de cheques, recibos ou notas fiscais, o que está de inteiro acordo com a orientação manifestada em acórdãos do Conselho de Contribuintes, dentre os quais, pelo Acórdão 10191832. Esse é o mesmo entendimento contido no Parecer Normativo CST n° 10/76, quando salienta que os documentos necessários para a comprovação de uma despesa são os documentos • utilizados segundo a praxe comercial. Assim é que os documentos acostados aos autos, especialmente os documentos juntados às fls. 228 a 247 do Anexo II e fls. 02 a 16 do Anexo VIII, abrangem, dentre outros, as cópias das notas fiscais, duplicatas de serviço, planilhas de medição, além da cópia dos cheques emitidos pela Recorrente para o pagamento dos serviços, são documentos hábeis e idôneos para a comprovação desses serviços. Além desses documentos, por ocasião do aditamento à impugnação foram juntados aos autos cópias de diversos documentos relativos aos projetos desenvolvidos pelos prestadores de serviços contratados pela Recorrente, notadamente, o dossiê de fls. 12801389 do Volume V, relativo a um novo projeto de operação para a Ponte Rio Niterói, (confirase, para ilustração, as informações constantes de: http://www.ponte.com.br/projetos.htm). O sistema de Mediana Móvel seria um sistema de controle de tráfego que consiste numa barreira formada por blocos de concreto interligados por elos metálicos, que deveriam ser deslocados lateralmente na pista por equipamentos especiais. A Mediana Móvel tem como premissa básica a abertura de mais uma faixa de rolamento para a pista de maior fluxo nos horários de pico. Dessa forma, ampliase a capacidade do sistema viário, possibilitando maior fluidez do tráfego e minimizando o impacto negativo dos congestionamentos na vida dos usuários. A concepção desse projeto apenas foi possível graças à Fl. 4667DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 34 65 experiência acumulada pelas empresas que compõem o controle da Recorrente. Está, portanto, comprovada a materialidade de um dos muitos projetos desenvolvidos em conjunto com as referidas empresas. Nesse particular, é também preciso registrar que as empresas Construtora Andrade Gutierrez S/A e Construtora Camargo Corrêa S/A são altamente qualificadas e capacitadas no ramo da construção civil, razão pela qual constantemente são vitoriosas em licitações envolvendo obras públicas de grandes proporções no Brasil e no exterior. Tais vitórias não ocorrem por sorte ou acaso — ocorrem em vista da alta tecnologia que possuem e da certificação técnica conferida nas obras de que participaram. Seu corpo de técnicos, conseqüentemente, é treinado e experiente nas mais diversas ati da construção civil, especialmente aquelas de caráter público. Essa a razão pela qual suas acionistas tiveram preferência na contratação dos serviços, em detrimento de outros prestadores (talvez não tão qualificados ou interessados no bom desempenho da Ponte RioNiterói). Ademais, não se pode olvidar que a Recorrente estava em seus primeiros anos de concessão, os mais complexos a serem ultrapassados, em razão da precariedade com que as vias eram anteriormente administradas (a até por isso foram privatizadas). Nessas condições, faziase mais que necessária a prestação contínua de serviços por profissionais qualificados em engenharia civil de grande porte e, sob essa ótica, o apoio rotineiro dos profissionais do corpo das acionistas tomavase quase que imprescindível. Obviamente, se a Ponte RioNiterói tivesse que contratar terceiros para a execução dos serviços que lhe foram prestados rotineiramente, em algumas situações, e especificamente, em outras (como é o caso do Sistema Mediana Móvel), pelos técnicos que pertencem ao corpo de suas acionistas, fatalmente teria que despender quantias muito maiores que aquelas cobradas para a assessoria e execução dos serviços, além de não necessariamente poder contar com a mesma qualidade e presteza. Aliás, nesse particular, registrese que — ao contrário do que concluíram as autoridades julgadoras — é óbvio que as Construtoras não são mencionadas no projeto, já que a sua condutora é a Recorrente (Ponte RioNiterói); as Construtoras foram contratadas para prestar serviços à Recorrente no que se referia a esse Sistema, não fazendo parte dele diretamente. Ademais, registrese, os trabalhos de apoio, consultoria e assistência eram praticamente diários nos primeiros tempos da concessão, em vista do volume de obras e reparos que tinham que ser realizados, muitos deles por obrigação contratual prevista no próprio Contrato de Concessão. Mas, ainda assim, às fls. 96, a fiscalização menciona que os documentos apresentados pela Recorrente não descrevem quais seriam os serviços a ela prestados, eis que, em seu entendimento, Fl. 4668DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 66 as descrições contidas nas notas fiscais seriam genéricas. E arremata, afirmando que "para tais serviços a empresa mantém e/ou contrata pessoal especializado para a mesma finalidade". Ora, Senhores Conselheiros, se a fiscalização — como alega — não tem conhecimento da natureza das atividades desenvolvidas pelos prestadores de serviço contratados pela Recorrente, como poderia ela sustentar que a Recorrente possui profissionais especializados nessas mesmas atividades? Ora (i) se as despesas incorridas com o pagamento dos salários dos empregados responsáveis pela condução desses trabalhos é necessária, normal e usual para sua atividade, quando tais empregados são diretamente contratados pela Recorrente, pela mesma razão (ii) as despesas incorridas com a prestação de serviços nas mesmas atividades, desenvolvida por terceiros —ou seja, por profissionais empregados em empresas de notório conhecimento e experiência no ramo de atividade explorada pela Recorrente, como é o caso da Construtora Camargo Corrêa S/A e da Construtora Andrade Gutierrez S/A, também devem ser tidas como necessárias, normais e usuais para sua atividade. Aliás, quando a questão é observada sob outra ótica — a das Construtoras — é sempre preciso lembrar que seus profissionais são remunerados e que essa remuneração constitui custo ou despesa na condução das atividades sociais. Quando esses profissionais dedicamse à prestação de serviços a outras empresas (a Recorrente, na situação sob análise), em nome das Construtoras, e tal serviço não é remunerado, os custos com sua remuneração seria de plano considerado indedutível na apuração do resultado tributável A cobrança desses serviços, conseqüentemente, está em absoluta consonância com o resultado decorrente dos trabalhos por eles realizados. Outra questão relevante diz respeito ao fato da Recorrente e da contratada 11, terem profissionais com a mesma especialização. Sob essa ótica, o que faz claramente transparecer é um esperado desconhecimento técnico das diversas especializações possíveis, por exemplo, na área de engenharia civil (calculista, construção, projetos, segurança, segurança de tráfego, sondagem, fundações, desenhos, fachadas, instalações elétricas, instalações hidráulicas, estrutura, portos, canais, dentre outros tantos). Ou seja, o fato da Recorrente empregar engenheiros e o fato das Construtoras elegerem engenheiros do seu corpo de profissionais para prestar serviços à Recorrente não significa que ambos tenham a mesma qualificação e capacitação técnica e profissional. E, apenas para fazer um paralelo simples, seria o mesmo que entender que um só advogado esta absolutamente apto e preparado para cuidar adequadamente das mais diversas áreas do direto brasileiro (família, crime, direito econômico, falência, dentre tantas outras). Diante disso, e até porque a fiscalização — implicitamente — reconhece a natureza das atividades desenvolvidas pelas empresas contratadas pela Recorrente, que 111 incorreu em despesas necessárias — mas que se materializaram em avanços consideráveis em sua prestação de serviços, como o projeto mediana móvel — o simples fato de os prestadores de serviço em Fl. 4669DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 35 67 questão serem controladores da Recorrente não serve como argumento, nem mesmo como indício, para a manutenção das exigências fiscais. A verdade é que, pela argumentação exposta na decisão, está evidenciado que as exigências fiscais decorrem de mera suspeita de irregularidades na contratação dessas empresas. A seguir cita diversos julgados cuja conclusão se aplicaria ao caso, nos quais se concluiu pela improcedência da exigência. Em suma, é bastante usual em diversos setores de atividade e é especialmente comum diante de serviços realizados entre empresas de mesmo grupo econômico que compartilham os custos e despesas com atividades que interessam a todas. E mais, não se esqueça que em grandes grupos internacionais, é absolutamente comum a cobrança de valores, por parte das controladoras estrangeiras, como decorrência dos chamados contratos de assistência técnica e administrativa, firmados muitas vezes com base em determinado percentual de receita. Isso nada mais siã ifrt2 que arcar (justificadamente, repisese) com um custo por ter à disposição (e utilizar rotineiramente) um grupo de técnicos experientes do corpo de funcionários das empresas acionistas/quotistas, devidamente treinado para opinar sobre a adequada condução das atividades empresariais, especialmente no primeiros anos de funcionamento da sociedade. Com efeito, a própria legislação fiscal contém regra especifica nesse sentido, abaixo transcrita: ‘Art. 354. As importâncias pagas a pessoas jurídicas ou físicas domiciliadas no exterior a títulos de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, quer fixas, quer como percentagem da receita ou do lucro, somente poderão ser deduzidas como despesas operacionais quando satisfizerem aos seguintes requisitos: ,(..) Parágrafo 1° As despesas de assistência técnica, científica, administrativa e semelhantes somente poderão ser deduzidas nos cinco primeiros anos de funcionamento da empresa ou da introdução do processo especial de produção, quando demonstrada sua necessidade, podendo esse prazo ser prorrogado até mais cinco anos por autorização do Conselho Monetário Nacional.’ (Regulamento do Imposto de Renda/99 RIR/94 art. 293 e parágrafo 1° — grifos da Recorrente) Diante do exposto, está evidenciada a execução de atividades por parte dos contratados da Recorrente, a competência técnica dos contratados e a integral licitude de contratálos para a realização desses trabalhos, bem como a dedutibilidade dos gastos assim despendidos, mesmo quando a Recorrente possua pessoal próprio (mas insuficiente) para desempenhar essas Fl. 4670DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 68 funções, razão pela qual devem ser canceladas as exigências fiscais formalizadas a esse titulo. 006. BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS COMO CUSTO OU DESPESA. Glosa de Outros Custos e de Outras Despesas Operacionais classificáveis no Diferido. No item 6.8. do Termo de Verificação e de Constatação Fiscal, às fls. 97/108 do Volume I, sob o titulo de "Dedução Indevida de Custos e Despesas Operacionais Classificáveis no Ativo Diferido", a fiscalização minudencia, pormenorizadamente, as razões que ensejaram a glosa, que por sua relevância são a seguir transcritas: ‘O contribuinte foi intimado e reintimado, conforme Termo de Constatação de 25/06/2001 (fls. 56 do Anexo Ill), a apresentar a documentação comprobatória de Outros Custos e Outras Despesas Operacionais apropriados no anocalendário de 1997’. ‘Analisandose os documentos apresentados (fls. 17 a 246 do Anex15 VIII, fls. 02 a 110 do Anexo XIX), verificouse dentre eles que alguns se referem a gastos que, por sua natureza, deveriam ser classificados no Ativo Diferido e amortizados pelo prazo de até 10 (dez) anos, conforme dispõe a Lei n° 6.404/76 (arts. 178, 179 e 183 da Lei n° 6.404/76, e o RIR de 1994 (arts. 220 e 244)’. ‘Em suma, são gastos relacionados a diversos investimentos efetuados na ponte objeto de concessão, relativos a consultoria de plano de implantação de informatização da manutenção, prestação de serviços com objetivo de capacitar a área operacional com recursos adequados ao correto desempenho das atividades fins da Ponte S/A, remanejamento de garagem, consultoria 1SO 9002, consultoria GQT, consultoria 1SO 9000, consultoria para desenvolvimento do planejamento e projeto executivo de engenharia para as obras de recuperação da ponte RioNiterói, gerenciamento, planejamento e controle, análise de licenciamento, fiscalização, implantação do sistema de arrecadação de pedágio e controle de tráfego, Serviços de desenvolvimento e implantação de um sistema informatizado de manutenção e sistema de controle de ocorrências, consultoria técnica de planejamento das atividades de concessão da Ponte, consultoria de pavimentação e foto aérea, todos relacionados e incorporados à ponte objeto da concessão, devido não só a sua natureza, como também às condições estipuladas no contrato de concessão da ponte’. ‘Pelo exposto, e considerando a natureza dos gastos (investimentos) realizados na ponte, bem como o período em que estes contribuirão para a formação do lucro de diversos exercícios, considerando ainda que o contrato, além de condicionar a exploração comercial da ponte à execução de tais obras e serviços, contém cláusulas determinando que todos os bens, direitos e privilégios decorrentes da concessão revertam ao poder concedente na extinção do contrato, mediante pagamento, pelo poder concedente ao contribuinte dos investimentos vinculados à ponte, conforme cláusula 98, concluise, então, que Fl. 4671DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 36 69 os gastos realizados na Ponte RioNiterói contabilizados diretamente como Outros Custos e Outras Despesas Operacionais, referentes aos valores e períodos abaixo indicados, devem ser classificados no ativo diferido, onde devem ser amortizados pelo prazo de até dez anos, em virtude de sua natureza e do período em que serão usufruídos seus benefícios’. Os valores de Custos ou Despesas Operacionais que a Fiscalização arrolou como BENS DE NATUREZA PERMANENTE constam do seguinte quadro: (...) Tratando do tema "Aplicações de Capital", o caput do art. 244 do RIR de 1994 preceitua que "o custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a ...". No § 2° do supracitado dispositivo legal está disposto que "salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das mbj_h01 realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser ativado para ser depreciado ou amortizado". Tendo em vista que o conceito e a natureza jurídica dos institutos legais do "Ativo Permanente", do "Diferido", e da "Amortização", advêm da legislação comercial e societária, a fiscalização citou no "TVCF" os seguintes dispositivos da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976 — Lei das Sociedades por Ações — (arts. 178, § 1°, "c"; 179, V; 183, VI, § 2° "b", § 3°). Ao contrário, impõese a rigorosa observância dos preceitos da lei comercial e fiscal, sendo que os critérios de classificação a serem observados devem ser aqueles consubstanciados nos arts. 178 a 182 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplicável por expressa determinação do § 4° do art. 7° do Decretolei n° 1.598/77". Também sobre o tratamento tributário a ser dispensado à apropriação de tais gastos de capital ao resultado, dispõe o RIR de 1994, nos arts. 265 a 268 e seu parágrafo único. Nesse contexto, cumpre apreciar a seguir as razões de discordância e os documentos apresentados pela defendente em relação a cada caso singular: Serviços de Consultoria e Assessoria — (R$ 821.564,88) 1) Odécio Eduardo de Oliveira — R$ 21.916,31. Alega, expressamente, tratarse de "consultoria de gestão de projetos, ou seja, caracteristicamente, uma despesa operacional do exercício em que é incorrida". Juntou aos autos com a impugnação (fls. 960/967 e 970/971 do Volume IV), cópias reprográficas, não autenticadas, de Contrato de Prestação de Fl. 4672DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 70 Serviços e de respectivos Termos Aditivos, celebrados entre a "Ponte" e o engenheiro Odécio Eduardo de Oliveira, cujo objeto, segundo cláusula primeira seria "a prestação de serviços de consultoria para confecção, implantação e acompanhamento de um plano de gestão da manutenção da Ponte Rio Niterói, de um plano de estabilização do Sistema Onda Livre e de um plano de multagem para a ponte RioNiterói". Ao contrário do entendimento da defendente, referido documento apenas reforça a conclusão fiscal acerca da natureza do gasto. 2) Carlos Alberto Schultz — R$ 36.000,00. Alega, expressamente, tratarse de "consultoria na área de crédito, portanto também caracteristicamente uma despesa do exercício". Juntou aos autos com a impugnação (fls. 968/969 e 973/976 do Volume IV), cópias reprográficas, não autenticadas, de Contrato de Prestação de Serviços e de respectivos Termos Aditivos, celebrados entre a "Ponte" e o consultor de empresas Carlos Alberto Schultz, cujo objeto, segundo cláusula primeira seria "a prestação de serviços de consultoria na área de crédito e cobrança no sistema Onda Livre". Tais documentos não infirmam a natureza da infração detectada pelo fisco. 3) Guilherme Luiz Xavier —R$ 9.015,37. Alega, expressamente, tratarse de "prestação de serviços complerrienarfig aos da empresa Service & Quality, atuando como consultor associado no Projetã de qualidade ISO 9000 também neste caso, portanto, uma despesa operacional do exercício". No entanto, tais alegações estão desprovidas de comprovação, eis que a defendente não juntou aos autos com a impugnação nenhum documento objetivo que corroborasse as razões de discordância expendidas. De qualquer forma há uma evidente superposição, eis que compulsando os documentos que a defendente juntou à impugnação para contestar a glosa das despesas representadas por notas fiscais de serviços do prestador de serviços Service e Quality Consultoria Ltda., constatase, às fls. 800, 801, 804/813 do Volume III, que o administrador de empresas Guilherme Luiz Xavier fazia parte do grupo de consultores daquela empresa que desenvolveram atividades visando, exatamente, a certificação de um sistema de qualidade em conformidade com as normas ISO 9000. 4) João Luís Brancoli Orives — R$ 6.000,00. Alega, expressamente, tratarse de "prestação de serviços complementares aos da empresa Service & Quality, atuando como consultor associado do projeto de qualidade ISO 9000 também neste caso, portanto, uma despesa operacional do exercício". Juntou aos autos com a impugnação (fls. 978/980 do Volume IV), cópias reprográficas, não autenticadas, de Contrato de Prestação de Serviços, celebrado entre a "Ponte" e João Luís Brancoli Orives, cujo objeto, segundo cláusula primeira seria "a apresentação de serviços de consultoria em gestão de Qualidade Total — Certificação ISO 9000", documento este que não infirma a natureza da infração detectada pela fiscalização. 5) Raul Oscar Rauter — R$ 39.509,50. Fl. 4673DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 37 71 Alega, expressamente, tratarse de "prestação de serviços complementares aos da empresa Service & Quality, atuando como consultor associado no projeto de qualidade ISO 9000 também neste caso, portanto, uma despesa operacional do exercício". No entanto, tais alegações estão desprovidas de comprovação, eis que a defendente não juntou aos autos com a impugnação nenhum documento objetivo que corroborasse as razões de discordância expendidas. De qualquer forma há uma evidente superposição, eis que compulsando os documentos que a defendente juntou à impugnação para contestar a glosa das despesas representadas por notas fiscais de serviços do prestador de serviços Service e Quality Consultoria Ltda., constatase, à fl. 798 do Volume III, que o engenheiro industrial de metalurgia Raul Oscar Rauter fazia parte do grupo de consultores daquela empresa que desenvolveram, exatamente, atividades visando a certificação de um sistema de qualidade em conformidade com as normas ISO 9000. 6) Ana Beatriz Moraes — R$ 22.330,00. Alega, expressamente, que se trata de "atuação conjunta com a Service e Quality, tendo como foco a elaboração de procedimentos para a área de atendimento de enfermaria". Juntou aos autos com a impugnação (fls. 982/985 do Volume IV), apenas uma cópia reprográfica, não autenticada, de "Relatório" de atividades da Sra. Ana Beatriz Moraes na elaboração de procedimentos do Sistema de Qualidade da Área de Saúde, documento este que não in natureza da infração detectada pelo fisco. 7) Method Engenharia e Sistemas Ltda — R$ 113.052,08. Alega, expressamente, tratarse de "serviços de gerenciamento, planejamento e controle, análise, diligenciamento, fiscalização da implantação do sistema de arrecadação de pedágio e controle de tráfego. Assim, também uma despesa operacional". Juntou aos autos com a impugnação (fls. 987/1000 do Volume IV), cópias reprográficas, não autenticadas, de Contrato de Prestação de Serviços e de respectivos Termos Aditivos, celebrados entre a "Ponte" e a Method Engenharia e Sistemas Ltda, cujo objeto seria "serviços de assessoria geral envolvendo Coordenação Geral, Planejamento, Programação e Controle, em relação às atividades da implantação da Concessão da Ponte RioNiterói". Referidos documentos não infirmam a natureza da infração. 8) Projconsult Engenharia Ltda. — R$ 553.616,62. Alega, expressamente, tratarse de "serviços de detalhamento do planejamento técnico, projetos executivos e métodos construtivos das obras e serviços que seriam executados por terceiros. Função essencialmente de gestão". Juntou aos autos com a impugnação (fls. 1002/1011 do Volume IV), cópia reprográfica, não autenticada, da Proposta PC — Fl. 4674DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 72 5407/0058, documento este cuja força probatória é atenuada, pois, nem sequer consta o "De acordo" da "Ponte". 9) LOAR Engenharia Ltda — R$ 14.950,00. Alega, expressamente, tratarse de "concepção e implantação de sistemas de custos e compilação de dados e acompanhamento dos serviços e elaboração de demonstrativos para atualizações e revisões de tarifa. Uma despesa corrente". Juntou aos autos com a impugnação (fls. 1013/1015 do Volume IV), cópias reprográficas, não autenticadas, de correspondências da prestadora de serviços Loar Engenharia, que tratam de proposta de prestação de serviços de planejamento e custo ("concepção, implantação e gerenciamento do sistema de custo da Concessionária; compilação de dados, acompanhamento dos serviços e elaboração de demonstrativos para atualização e revisões de tarifa") e de "prestação de serviços complementares de apoio aos serviços de revisão da Tarifa Básica de Pedágio". Referidos documentos não infirmam a natureza da infração. 10) Projeta Engenharia Ltda. — R$ 55.175,00 Alega, expressamente, tratarse de "serviço de consultoria de pavimentação". Juntou aos autos cópias reprográficas, não autenticadas de cheque de pagamento, da Nota Fiscal de Serviços respectiva, referente a "parcela única referente ao serviço de consultoria de pavimentação" e de fax da Ordem de Serviço (fls. 1017/1020 do Volume IV). Referidos documentos, por si só, não infirmam a natureza da infração. Serviços de Empreitada — (R$ 379.548,01): 1) Companhia Auxiliar de Viação e Obras CAVO — R$ 379.543,01 Alega, expressamente, tratarse de "serviço de manutenção de jus N.(dilatação, reparação de trincas do caixão metálico e manutenção de guardaco guardarodas, medianas e outras estruturas civis, conforme contrato. Ou seja, tipicamente, a manutenção, uma despesa operacional". Às fls. 1022/1048 do Volume IV, constam cópias reprográficas, não autenticadas de documentos que anexou aos autos, a saber: dois Contratos de Prestação de Serviços, e respectivos Anexos, datados de agosto de 1995 e de maio de 1996 e de uma correspondência. De acordo com as cópias de documentos que a fiscalização coligiu aos autos durante a ação fiscal (fls. 38/80 do Anexo VIII), todos os valores glosados (vide TVCF às fls. 99/103 do Volume 1), referemse a medições vinculadas apenas ao Contrato n° DC/96/010 de abril de 1996. Referido contrato tem por objeto a execução de "serviços de manutenção de juntas de dilatação, reparação de trincas do caixão metálico e manutenção de guardacorpo, guarda rodas, medianas e outras estruturas civis (PEP 5, 41, 58, 6, 66 e 67)", e seu valor contratual é de R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais), pagáveis mediante medição mensal. Referido documento apenas reforça a convicção de que se trata de gasto efetivamente capitalizável. Fl. 4675DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 38 73 2) York Engenharia e Comércio Ltda. — R$ 58.622,70. Alega, expressamente, tratarse de "serviços de manutenção e operação de sistemas de iluminação e controle de trânsito". Juntou aos autos cópia reprográfica, não autenticada do "Contrato de Prestação de Serviços n° DC/95/001" e respectivos Aditivos 10 ao 50 e de fax da Ordem de Serviço, para "execução dos serviços de manutenção e operação dos sistemas de distribuição de energia elétrica, iluminação geral e dos sistemas eletrônicos e eletromecânicos de controle de trânsito", documentos estes que apenas ratificam o entendimento da fiscalização. Serviços de Fotografia Aérea — (R$ 15.498,00): 1) Foto Aérea Serviços Especiais de Fotografia Ltda. Alega, expressamente, tratarse de "fotografia aérea para a produção de posters, ou seja, atividade caracteristicamente relacionada com iniciativas de divulgação, pertinentes à área de marketing, o que lhe atrai atributos de despesa operacional do exercício". No entanto, tal alegação está desprovida de comprovação, eis que a defendente não juntou aos autos com a impugnação nenhum documento objetivo que a corroborasse. De qualquer forma, a infração detectada pela fiscalização está adequadamente comprovada pela documentação coligida aos autos por ela no curso da ação fiscal (fls. 75/107 e 109/110 do Anexo IX). Apreciados os argumentos de defesa apresentados pontualmente, cumpre verificar que nem sequer é preciso despender muito esforço para verificar que referidos gastos têm por natureza, justamente, a reorganização, a modernização e o melhoramento da operação, bem como a ampliação dos serviços aos usuários da "Ponte", após a contribuinte ter assumido a concessão, com o compromisso de realizar tais gastos previstos no "Contrato de Concessão". Inferese da circunstanciada descrição dos autuantes no Termo de Verificação e de Constatação Fiscal (Anexo do Auto de Infração), à fl. 68: ‘ — que (...) de acordo com o referido contrato de concessão, pai'à ter direito a cobrança de pedágio, o contribuinte é obrigado a executar a recuperação, o reforço, a monitoração das estruturas, o melhoramento a conservação e a operação da Ponte Presidente Costa e Silva, durante todo o prazo de concessão da Ponte". "2 — que na forma do contrato de concessão, a ponte em si, suas melhorias, todos os demais bens reversíveis e os direitos e privilégios decorrentes da concessão revertem ao DNER na extinção da concessão com o pagamento, pelo DNER, das parcelas dos investimentos vinculados aos bens adquiridos pela Concessionária, ainda não amortizados, conforme cláusula 98’. Fl. 4676DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 74 Averbese que a fiscalização coligiu aos autos às fls. 03/68 do Anexo I, cópias reprográficas não autenticadas do "Contrato de Concessão" e dos 1 0, 2°, 3° e 40 "Termos Aditivos de Re ratificação", de onde se infere os seguintes aspectos: Quanto ao objeto: colhese da cláusula "7" (fl. 08 do Anexo I) do aludido documento, que: ‘Este Contrato tem por objeto a recuperação, o reforço e a monitoração das estruturas, o melhoramento, a manutenção, a conservação e a operação da Ponte Presidente Costa e Silva (Rio de Janeiro — Niterói), e respectivos acessos, integrantes da BR 101/RJ, mediante cobrança de pedágio’ Assoma indubitável que os valores que a fiscalização glosou, são de fato gastos capitalizáveis, relacionados à reorganização ou reestruturação da operação da ponte, até por força da nova metodologia de operação, via concessão, que contribuirão para a formação do resultado de períodos subseqüentes que implicarão em acréscimo na eficiência ou a redução de custos operacionais. Releva destacar, por oportuno, que uma característica básica de tais gastos, que • justifica e reforça o entendimento do fisco de que eles devam ser apropriadas no ativo diferido é o fato de que são gastos já consumidos, que devem remanescer capitalizados para serem transferidos aos resultados de períodosbase subseqüentes, no decorrer do prazo de concessão, em virtude de que os benefícios deles advindos serão usufruídos durante o período de 20 (vinte) anos. Tal é o que acontece no caso dos gastos com implantação, reorganização e modernização, tais como aqueles efetuados com consultorias especializadas em implantação de planos de gestão; consultoria na área de crédito e cobrança do sistema "Onda Livre"; consultoria em gestão de Qualidade Total Certificação ISO 9000; elaboração de procedimentos do Sistema de Qualidade; assessoria geral envolvendo coordenação geral, planejamento, programação e controle, em relação às atividades da implantação da concessão da ponte; desenvolvimento dos trabalhos de planejamento, detalhamento do planejamento técnico, projetos executivos e métodos construtivos das obras e serviços que serão realizados em cinco fases da concessão, envolvendo trabalhos iniciais, recuperação e reforço, monitoração, manutenção e melhoramentos; concepção, implantação e gerenciamento do sistema de custo e de revisão da tarifa; consultoria de pavimentação; serviços de manutenção de juntas de dilatação, reparos de trincas etc.; serviços de manutenção e operação dos sistemas de distribuição de energia elétrica, iluminação e dos sistemas eletrônicos e eletromecânicos de cont trânsito etc., como no presente caso. Por conseguinte, mantida a exigência. Nas suas razões de recurso, declara a apelante ,sem ofensa às autoridades julgadoras, supor que gastos de pequeno valor, tais como serviços de consultoria, assessoria e gerenciamento poderiam causar qualquer efeito aos bens objeto de devolução ao Poder Concedente ao final da concessão — em 20 anos, Fl. 4677DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 39 75 portanto —corresponderia a um desconhecimento total do quanto está envolvido em uma concessão de vias ou rodovias pedagiadas. O que reverte ao Poder Público — ao final da concessão — é o bem em si (a Ponte Rio Niterói) e suas acessões físicas, bem como o sistema de arrecadação e controle das praças de pedágio. Quaisquer outros gastos porventura realizados nesse período comporão o resultado da concessionária. Portanto, totalmente irrelevante é, para o caso em questão, o fato de que os bens objeto da concessão reverterão ao Poder Público ao final do prazo da concessão. Na realidade, o que se nota é que as D. autoridades julgadoras têm como ponto central da discussão a obrigatoriedade da ativação dos gastos, intitulados de "investimentos", realizados pela Recorrente na Ponte RioNiterói (na forma do art. 266, I, "b" do RIR194) e das despesas incorridas na reestruturação, reorganização ou modernização da empresa (art. 299, II, "h" do RIR/94), sem, contudo, se ater devidamente à natureza dos serviços ora tratados, bem como ao fato deles virem ou não a implicar um aumento da vida útil da ponte em prazo superior a um ano. Ressaltese que a análise mais detida dos itens questionados pela fiscalização evidencia claramente se tratar de serviços comuns, essencialmente de natureza de consultoria, gerenciamento, na maioria das vezes prestados por profissionais autônomos ou pequenas empresas, conforme a própria fiscalização pode apurar em seu demonstrativo analítico transcrito na decisão recorrida. De plano, importa destacar que, muito embora exista certa dificuldade na compreensão de quais serviços devem ser ativáveis em se tendo como objeto a "ponte", fato é que este ônus da prova compete à fiscalização, até em vista do princípio da verdade material. De toda forma, o que se espera é que haja certa razoabilidade na definição de quais elementos podem ser considerados como prova do aumento da vida útil de um determinado bem (no caso, a Ponte RioNiterói), o que, digase, não foi observado no caso em tela. Ora, se partirmos das assertivas tecidas pelas autoridades julgadoras em relação, por exemplo, aos serviços contratados junto ao Sr. Carlos Alberto Schultz e cujo contrato de prestação de serviço e respectivos aditivos foram juntados aos autos, não há qualquer justificativa plausível capaz de fundamentar satisfatoriamente o convencimento pela necessidade de ativação destes gastos com "consultoria na área de crédito e cobrança no sistema Onda Livre". Simplesmente foi afirmado que "Tais documentos não infirmam a natureza da infração detectada pelo fisco". Este mesmo entendimento foi manifestado, exemplificativamente, em relação à contratação de serviços de assessoria geral junto à empresa Method Engenharia e Sistemas Ltda., no tocante aos serviços de "detalhamento do planejamento técnico, projetos Fl. 4678DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 76 executivos e métodos construtivos das obras e serviços que seriam executados por terceiros", bem como quanto aos serviços de "manutenção de juntas de dilatação, reparação de trincas do caixão metálico e manutenção de guardacorpo, guardaltoblà medianas e outras estruturas civis", tomados junto à Projconsult Engenharia Ltda.. A Recorrente não pode admitir é que as despesas incorridas com consultoria, assessoria geral, manutenção e gerenciamento da ponte, ou ainda com a divulgação da ponte (ligadas à área de marketing), sejam entendidas genericamente como ligadas à reorganização e reestruturação da ponte, impondose seu lançamento em contas do ativo diferido, para fins de amortização. Na realidade, aplicandose o entendimento defendido pelas d. autoridades julgadoras chegarseia à absurda conclusão de que, como o objeto do contrato de concessão é a "recuperação, o reforço e a monitora ção das estruturas, o melhoramento, a manutenção, a conservação e a operação da Ponte Presidente Costa e Silva (Rio de Janeiro — Niterói)...", as despesas incorridas com a pintura das faixas de sinalização das vias deveriam ser capitalizadas para a devida amortização; o que não se pode admitir! Há que se considerar que as atividades ligadas à manutenção da ponte — como, por exemplo, os serviços "de manutenção e operação dos sistemas de distribuição de energia elétrica, iluminação geral e dos sistemas eletrônicos e eletromecânicos de controle de trânsito" contratados junto à empresa York Engenharia e Comércio Ltda. —não necessariamente implicam aumento de sua vida útil em prazo superior a um ano. Ora, além da manutenção e conservação da ponte serem atividades integrantes do objeto do contrato de concessão, há que se considerar que todo serviço de manutenção tem um caráter preventivo, que visa precipuamente manter intocáveis as condições de uso do bem — considerando, principalmente, o fato deste bem ter de ser devolvido ao Poder Público ao final do contrato de concessão. Aliás, dada a localização geográfica da ponte e em se tratando de uma via pública cuja quantidade diária de usuários é extremamente elevada, as atividades de manutenção são imprescindíveis e rotineiras, até por questões de segurança — como se destacam, por exemplo, os serviços de manutenção das estruturas civis contratados junto à Companhia Auxiliar de Viação e Obras CAVO — sendo realizadas todos os anos, ou seja, são serviços que não • aumentam o valor da ponte em si, mas o conservam. Em suma, em sua maioria, tais gastos são realizados anualmente ou até em periodicidade menor, para manter as pistas em adequadas condições de uso, conforto e segurança para os seus usuários. A Projconsult Engenharia Ltda. presta meramente serviços de gestão. Efetivamente, a empresa atua na análise e detalhamento de planejamento técnico e projetos executivos. Não é ela quem executa as obras ou realiza o planejamento. Trata se apenas de mera análise e estudos sobre os projetos. Logo, não há dúvidas de que é mera consultoria o serviço tomado pela Recorrente Fl. 4679DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 40 77 nesse caso. Serviço esse que é diversas vezes necessário e que se exaure a cada novo projeto. Portanto, não há que se falar em bem ativável. Igualmente, a Companhia Auxiliar de Viação e Obras CAVO presta serviços rotineiros de manutenção e reparo de juntas de dilatação. Em outras palavras, é comum haver necessidade desses serviços de tempos em tempos. É fato que o tráfego, as chuvas e outros fatores climáticos, além dos normais sinistros e acidentes de automóveis e caminhões acabam por demandar reparos, que decorrido certo prazo são novamente necessários pois surgem novos pontos para manutenção das juntas. Não são obviamente ativáveis. Também como exemplo, a Method Engenharia e Sistemas Ltda. presta serviços de gerenciamento, análise e fiscalização de sistema de arrecadação de pedágio e controle de tráfego essas as atividades mais sensíveis no gerenciamento de vias públicas. É certo que se trata de consultoria. Não agrega valor aos bens do ativo, não lhes aumenta a vida útil. Simplesmente são serviços de que a Recorrente necessita no diaadia e portanto não se tratam de bens ativáveis, da mesma forma que os anteriores. Em meio a este cenário, fazse desnecessária qualquer assertiva adicional referente à correção do procedimento da Recorrente, em relação às despesas incorridas com serviços de fotografia aérea com cunho voltado unicamente à área de marketing. E isso, sem atentar para o fato de que aqui estaríamos diante de mera situação de postergação de imposto, nos termos do artigo 219 do RIR194, já que ad argumentandum tantum, todos os exercícios subseqüentes (a já se passaram 6 anos) teriam diminuído, de modo a garantir a dedutibilidade proporcional dessas despesas em cada exercício. Assim, ainda que passíveis de ativação — o que se admite apenas para fins de argumentação — todos os efeitos subseqüentes das amortizações haveriam de ser recalculados, de modo a imputar à Recorrente apenas a parcela adequada e devida dos tributos que ora lhe são indevidamente imputados. É O RELATÓRIO. O acórdão foi assim ementado: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO EX OFFÍCIO Tendo o Julgador a quo ao decidir o presente litígio, se atido às provas dos Autos e dado correta interpretação aos dispositivos aplicáveis às questões submetidas à sua apreciação, negase provimento ao Recurso de Ofício. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — PROVA — a documentação em que lastreia as operações de compra e venda de títulos americanos, os T — Bills, deve conter, obrigatoriamente, a indicação do nome da instituição financeira americana que os custodiem. Fl. 4680DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 78 IRPJ — PRESUNÇÃO LEGAL — OMISSÃO DE RECEITAS —; DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM — OPERAÇÕES COM T —BILLS para dar suporte a depósitos bancários em contas da recorrente, que deram causa a acusação de omissão de receita, as operações de compra e venda de títulos do Tesouro Americano deveriam estar registradas em sua contabilidade e os documentos que as lastreiam deveriam conter os requisitos formais próprios dos documentos de sua espécie. Ausente desses títulos um dos requisitos essenciais para sua formalização (a indicação do nome da instituição financeira custodiante nos EUA), bem como não estando estes contabilizados, não resta comprovada a origem dos depósitos bancários que deram causa à aplicação da presunção legal de omissão de receitas, estabelecida pelo artigo 42 da lei n° 9.430/1996. IRPJ — DESPESAS FINANCEIRAS — DEDUTIBILIDADE— PROVA DA EXISTÊNCIA DO EMPRÉSTIMO —comprovada a inexistência do empréstimo realizado no exterior, devem ser glosadas as despesas financeiras indicadas como dele decorrentes. IRPJ — INDEDUTIBILIDADE — SPONSER'S FEE — não tendo sido comprovada a "prestação de serviços de apoio técnico administrativo, jurídico e financeiro", por documentos hábeis e idôneos, que descaracterizassem a mera transferência de parcela fixa da receita para as pessoas jurídicas que formavam o consórcio, correta as glosas das despesas, por serem indedutíveis da base de cálculo do IRPJ. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL A impropriedade ou inobservância técnica da escrituração contábil da empresa da qual não resulta prejuízo, traduzido em redução ou postergação do pagamento do imposto, não justifica qualquer tipo de autuação, portanto, somente quando possam levar a um resultado diferente e legítimo é que justifica a intervenção fiscal. PASSIVO FICTÍCIO CUSTOS INCORRIDOS Segundo o regime de competência, registramse no passivo as obrigações correspondentes aos custos incorridos, mesmo que ainda não faturados. IMOBILIZAÇÕES. AUMENTO DE VIDA ÚTIL (EX. 91). — PROVA. — O aumento de vida útil em bem do ativo permanente imobilizado deve ser comprovado pela autoridade lançadora. Meras despesas de manutenção e conservação não acarretam o aumento da vida útil do bem. AUTUAÇÃO REFLEXA. A autuação de CSLL deve seguir o decidido quanto ao IRPJ, naquilo que couber. A decisão, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, para manter a tributação apenas sobre: 1) o montante de R$ 15.775,49, a título de passivo fictício (fornecedores de serviços); 2) o montante de R$ 16.805,00 referente a glosas ou falta de comprovação de serviços; 3) a omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários sem comprovação da origem dos recursos; 4) os encargos com financiamentos em Fl. 4681DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 41 79 moeda estrangeira; e 5) a importância de R$ 474.161,64, a título de "outras despesas operacionais"; a contribuinte peticionou recurso especial às fls. 3.283/3.374, Inconformada a recorrente apresentou recurso especial alegando divergência de decisões quanto a: 1) omissão de receitas presunção do art. 42 da lei nº 9.430/96 desconsideração de empréstimo obtido no exterior para justificar a origem dos recursos; 2) glosa de encargos financeiros no exterior; 3) simulação; e 4) glosa dos serviços prestados por PJ. O recurso foi inadmitido pelo presidente da 1ª Câmara do 1º Conselho por meio de despacho às fls. 3.675/3683. Irresignada, a contribuinte interpôs agravo à decisão, fls. 3.688/3.742, o qual foi parcialmente admitido pelo presidente da CSRF, para permitir a subida dos autos à instância superior apenas quanto a: 1) omissão de receitas presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 desconsideração de empréstimo obtido no exterior para justificar a origem dos recursos; 2) glosa de encargos financeiros no exterior e 3) simulação. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 3.773/3.783. É o Relatório. Voto Conselheiro MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior, referese a 1) omissão de receitas presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 desconsideração de empréstimo obtido no exterior para justificar a origem dos recursos; 2) glosa de encargos financeiros no exterior e 3) simulação, nos termos da decisão recorrida. Contudo entendo que o mérito não pode ser analisado por esta Turma da CARF, pois o recurso carece dos pressupostos de admissibilidade, pelos seguintes aspectos que passo a considerar. Contudo, antes de fazêlo destaco que análise se faz à luz do Regimento Interno da Câmara Superior de Recurso Fiscais (RICSRF), que se aplica ao caso em virtude do que dispõe o artigo 4º da Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, atual Regimento Interno do CARF. Tema 1) Omissão de receitas presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Em seu recurso especial o Recorrente apresentou três paradigmas para este tema, contudo, só foram corretamente levados em consideração os dois primeiros, consoante dispunha o art. 15, § 2º do RICSRF. Quando da análise de admissibilidade, o primeiro ponto que diz respeito à omissão de receitas presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 – foi negado seguimento sob o argumento de que os dois paradigmas apresentados, os Acórdãos 20177.174 Fl. 4682DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 80 e 10704.542 não se prestavam a este intento. Passo a considerar os aspectos e argumentos trazidos á baila pelo contribuinte e pela PGFN, dos quais extraio as conclusões seguintes. Em seu agravo o contribuinte basicamente reitera seus argumentos do recurso especial destacando especialmente a “desnecessidade do empréstimo no BACEN quando os recursos ingressam no Brasil em moeda nacional” (fls. 3.723), e alega também que tal aspecto não foi objeto do voto vencedor do acórdão recorrido sustentando que: “Notese que o voto vencedor simplesmente ignorou este fato, silenciando sobre o mesmo. Basta atentar aos fundamentos genéricos e presuntivos que lastrearam referido voto...” (fls. 3.724). De pronto cabe destacar dois aspectos: o ponto controverso que o recorrente alega existir foi sequer analisado pelo acórdão recorrido, como o próprio recorrente admite, porém não foi objeto de embargos. O recorrente sob este mesmo ponto aduz outros argumentos, mas que não são pertinentes em sede de pedido de revisão do especial posto que transbordam dos argumentos dos paradigmas. No despacho que reanalisou a admissibilidade, em sede agravo, o primeiro paradigma, Ac. de n. 20177.174, foi descartado sob o argumento de que “Não há divergência pois no atacado a rejeição da comprovação dos empréstimos se deu em razão da análise das provas contidas nos autos.” (fls. 3.763), corroborando a análise de admissibilidade neste aspecto. Concordo com a argumentação ao que acrescento a falta de divergência da matéria legal, pois o acórdão recorrido trata de IRPJ e o Ac. paradigma trata de IOF – legislações de tributos diferentes, com pressupostos legais de análise e intepretação da incidência tributária diferentes, mormente quando se questiona a respeito do fato gerador do tributo – são, portanto, decisões incontrastáveis sob este aspecto. Não geram, por conseguinte, divergência a ensejar o especial. No segundo Ac. Paradigma, de n. 10704.542, o mesmo se repete, há também discussão de provas, sendo que foi este o aspecto superado por via de agravo sob o argumento central de que “A divergência em relação a essa questão — possibilidade de geração da receita omitida em data pretérita à acusação de omissão de receitas está patente, pois enquanto o acórdão recorrido entendeu ser possível, embora demonstrada a impossibilidade no voto vencido, no acórdão paradigma entendeuse que tal questão é fundamental para que haja a acusação de omissão de receitas.” (fls. 3764). Contudo isto não procede, mesmo porque a legislação utilizada para sustentar o lançamento no acórdão recorrido, a Lei n° 9.430/1996 (art. 42) sequer existia quando feito o lançamento deste acórdão tido como paradigma (ciência do AI foi em 17/05/1995), que obviamente sequer cogita desta lei em suas fundamentações, mas apenas da matéria fática (não existência da transação). Aliás, lêse no suposto acórdão paradigma, em voto vencido do C. Paulo Cortez: “Como visto acima, o trabalho fiscal foi exaustivo, tendo, inclusive, investigado a origem dos depósitos que culminaram no auto de infração. Não há, pois, como falarse em autuação por presunção.”. Contudo o acórdão recorrido se baseia, em norma superveniente, que adota a presunção legal. Não há, evidentemente, divergência de interpretação que enseje recurso especial, pois as normas que embasaram os lançamentos são diferentes. Assim ambos os paradigmas devem ser afastados, carecendo de suporte divergencial o recursal o especial, não o conheço neste ponto. Tema 2) glosa de encargos financeiros no exterior Em relação a este tema o despacho do agravo, ao reconhecer a admissibilidade decide da seguinte forma (fls. 3.764): Fl. 4683DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 42 81 Desnecessário tratar do tema que deve ter seguimento automático em vista do seguimento do item anterior, visto que, se admitida a impossibilidade da geração dos valores relativos aos empréstimos no interregno entre o início d cobrança de pedágio e a efetivação das referidas obrigações, por decorrência assim como tratou o relator do voto vencedor, deverá se admitir as despesas decorrentes. Assim, pelos mesmos motivos que não se conhece do tema precedente também não se conheceria do tema 2, pois esta foi a única razão da admissibilidade constante do despacho do agravo com o que não se pode concordar, já que demonstramos ser errada a premissa. Ademais, há que se reconhecer que não é o caso de decorrência, pois como bem apontou a PGFN em suas contrarrazões (fls. 3.779): O fato de se vislumbrar divergência quanto a uma presunção de omissão de receitas não importa em automática divergência acerca da dedutibilidade de uma despesa financeira. Mesmo que fosse comprovada a existência do empréstimo, não seria ele, necessariamente, uma despesa dedutível. Adicionalmente, notese que os paradigmas utilizados para tentar demonstrar a divergência (Ac. n. 10419.532 e Ac. 10707.542) claramente não se prestam a tal fim. Não há identidade fática (não tratam de glosa de despesas pelos mesmos motivos), além do que o Ac. n. 10419.532 trata de “de exigência do imposto de renda na fonte com fundamento no artigo 61; 1°, da Lei n° 8.981, de 1995”, sendo que o Ac. recorrido não se baseia em tal legislação. Em vista do exposto, não havendo como cotejar decisões diferentes aqui, tratamse, neste ponto de matérias fáticas sem semelhança, e em decorrência não se materializa a divergência. Assim não conheço do tema 2. Tema 3) Simulação Há que se concordar com argumentos expendidos pela PGFN em suas contrarrazões e com o despacho de admissibilidade negando seguimento neste ponto, argumentos que, no meu entender, não são suplantados pelos argumentos contidos no recurso especial, no agravo e no despacho de agravo. Por outro lado, neste ponto a não admissibilidade se mostra singela. É que embora o voto vencido tenha se manifestado pela não existência da simulação, conforme assevera o contribuinte em seu recurso (fls. 3.360), o voto vencedor se pautou por outros fundamentos, em especial pela presunção legal. Vejase que os temas da qualificação da multa e da decadência não estão sendo objeto de discussão, pois sequer foram objeto da decisão recorrida, conforme contatado no Despacho n. 101126/2008 às fls. 3.681 que diz: Constatase, nos autos, que as matérias alocadas nos itens IV e V (multa exasperada e decadência) não foram objeto do decisum ora recorrido, razão pela qual incabível a apreciação e o seguimento à instância superior. (Negrito no original) Fl. 4684DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 82 Assim, este tema não pode ser objeto de recurso. Outrossim, se o tema da simulação for conhecido e na discussão do mérito for afastada a simulação por este colegiado, em reanálise do mérito, em nada será alterado o resultado final do julgamento. Isto porque o tema da qualificação e consequente aplicação do art. 173, I, foi mantido por outro fundamento. Assim, há uma evidente perda de objeto. A comprovação desse aspecto disto é hialina; basta ler o voto vencedor e o voto vista de fls. 3.1773.185, em que o tema da simulação é sequer discutido, sequer mencionado em obter dicta. Observese, também que a acusação fiscal ao qualificar a multa remete ao art. 44, inciso II da Lei n. 9.430/96 (na redação da época), que por sua vez remete aos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964, e estes dispositivos não mencionam a figura da simulação, mas da sonegação, fraude e conluio. Se o contribuinte quisesse ver o tema discutido neste aspecto (simulação), que diz respeito à discussão dos fatos do processo, deveria ter oposto embargos de declaração tempestivamente, que obviamente já estão preclusos – e, portanto, preclusa está a discussão. Além desse aspecto, os paradigmas apresentados não se prestam a dar suporte ao especial, isto porque nos paradigmas, o afastamento da simulação ocorre em operações que foram entendidas como comprovadas e consideradas como não simuladas, resultando em afastamento da qualificação, o que não acontece nos presentes autos, pois a operações foram consideradas como não comprovadas. Só para deixar bem claro este ponto vejase que o voto vencedor do acórdão recorrido tem como fundamento o seguinte (fls. 3.178): Não consta dos contratos de compra e venda dos T—Bills apresentados com vista a comprovar a referida transação, o nome da instituição financeira custodiante, tal instituição financeira tem de ser obrigatoriamente norteamericana e é quem assegura a identificação do proprietário dos títulos, através da confirmation. Assim, as operações de compra e venda de títulos americanos indicadas pela recorrente com vista a comprovar a origem dos depósitos em sua conta corrente, além de não estarem registradas em sua contabilidade, também não estão documentalmente provadas. O contrato, por si só, sem corroborado por outros elementos, não é hábil para comprovar a aquisição dos títulos. Não há indicação nos contratos, da instituição financeira custodiante, nem foi indicada a corretora americana que intermediou as operações. Não comprovada a compra e venda dos títulos públicos americanos, não restou comprovada a origem dos depósitos, concretizandose a hipótese legal de presunção de omissão de receitas, estatuída pelo artigo 42 da lei n° 9.430/1996. Ou seja, o acórdão recorrido concluiu que a operação não existiu. Por outro lado, no caso dos pretensos paradigmas, Acórdãos ns. 10704.542 e 0420.364, as operações restaram efetivamente comprovadas efetivamente e teriam sido desconsideradas em virtude da acusação de simulação, o que foi rechaçado pelos paradigmas – o que implica não haver semelhança fática com o caso do recorrido. Em conclusão, não deve ser conhecido o recurso, pois não há divergência a ser discutida. Em vista do exposto nego conhecimento em relação ao 3 tema. Fl. 4685DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 43 83 Prelminar de conhecimento relativamente à decisão agravada Em plenária, na sessão de julgamento, foi discutida a possibilidade de esta Turma analisar a admissibilidade deste recurso especial na presente circunstância, ou seja, a circunstância na qual o recurso não admitido quando da análise do recurso especial tal decisão pela inadmissibilidade foi objeto de agravo, o qual, analisado pela Turma resultou em admissibilidade parcial do recurso, sob a égide do Regimento anterior da CSRF (RICSRF). Tal argumento foi suscitado na tribuna pelo patrono e em memoriais da recorrente e objeto de análise específica pela Conselheira Karem Jureidini Dias, que apresentou declaração de voto por escrito. Considerando esses aspectos segue o meu pensamento sobre este tema. Entendo que esta preliminar de conhecimento é facilmente superável por dois singelos motivos. Primeiramente deve ser lembrado que o processo foi a mim distribuído, sou, por conseguinte, o relator do recurso especial de divergência e, portanto, tenho que analisar seus pressupostos de admissibilidade. Vejase que a admissibilidade só ocorre com a existência de divergência. Isto por uma impossibilidade lógica, pois se não vislumbro divergência, não há o que julgar, sob meu ponto de vista. A decisão anterior, em sede de agravo, pela admissibilidade, se refere à subida do recurso especial, e o recurso subiu, cumpriuse a garantia do contribuinte no âmbito previsto pelo Regimento aplicável. Não se pode, no momento do julgamento, imporse ao relator o conhecimento se ele demonstra que divergência não há e que, portanto, não há o que julgar reiterese o recurso é de divergência (que visa dirimir conflitos jurisprudenciais no âmbito do CARF). Assim a análise da divergência e da admissibilidade do recurso especial é um pressuposto lógico do processo de relatoria do recurso especial, pois sem esta análise prévia manietase o papel do relator e se lhe impõe uma decisão da qual não tomou parte e com qual pode não concordar. Ou seja, a possibilidade da análise da admissibilidade pelo relator é um pressuposto lógico do papel processual do relator, que deve submetêlo à Turma que irá também analisar o mérito (se isto for possível). Tratase de um corolário do princípio do juiz natural, aplicável ao processo administrativo tributário nesta circunstância. Em segundo, tratase de um problema tipicamente regimental, ou melhor, de interpretação do Regimento. Os dispositivos do Regimento aplicável ao caso (RICSRF), quando tratam do agravo, aqui objeto de discussão em relação á definitividade da admissão do recurso especial, ao qual foi negado seguimento, traz a seguinte redação: Art. 17. Cabe agravo do despacho que negar seguimento ao recurso especial. § 1º O reexame de admissibilidade de recurso especial será requerido em petição dirigida ao Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no prazo de cinco dias contado da ciência do despacho que lhe negou seguimento. § 2º Não cabe pedido de reexame de admissibilidade do recurso especial nos casos em que o indeferimento tenha decorrido de: I inobservância de prazo; II falta de juntada do inteiro teor do acórdão ou cópia da publicação da ementa que comprove a divergência, nos termos do § 2º do art. 15; Fl. 4686DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 84 III utilização de acórdão da própria Câmara do Conselho de Contribuintes que apreciou o recurso; IV utilização de acórdão que já tenha sido reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais; V falta de prequestionamento da matéria, no caso de recurso interposto pelo sujeito passivo; ou VI observância, pelo acórdão recorrido, de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais. § 3º O Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais rejeitará liminarmente o agravo nas hipóteses previstas no § 2º. § 4º No agravo não será admitida a produção de novas provas da divergência. § 5º O Presidente distribuirá os autos a um dos membros da Turma que, em despacho fundamentado, acolherá ou rejeitará o pedido de reexame. § 6º Será definitivo o despacho do relator, após aprovado pelo Presidente e se este discordar, a admissibilidade do recurso será apreciada pelo colegiado, que decidirá como matéria de expediente, não sujeita à prévia publicação. § 7º Se, no despacho de que trata o § 5º ou na decisão a que se refere o § 6º forem declarados atendidos os pressupostos de admissibilidade, os autos terão a tramitação normal, como se o recurso tivesse sido admitido pelo Presidente da Câmara recorrida, vedado o reexame de admissibilidade, intimandose o sujeito passivo ou o Procurador da Fazenda Nacional, este pessoalmente, para apresentar contrarazões no prazo de quinze dias. (Negritos e sublinhado acrescentado). Vejase que o § 7º do art. 17, acima citado, ao contrário do que foi alegado, quando diz que é “vedado o reexame de admissibilidade” não remete ao colegiado, mas ao Presidente da Câmara (vide § 1º do mesmo artigo), i.e., é o Presidente da Câmara que está proibido pelo Regimento antigo de fazêlo após a decisão colegiada (no regimento atual esta atribuição cabe ao Presidente da CSRF, mas não há agravo). Por outro lado, mas no mesmo sentido, o § 6º diz que o colegiado neste caso “‘decidirá como matéria de expediente, não sujeita à prévia publicação”. Ou seja, não é sessão pública, as partes interessadas não foram sequer intimadas da sessão. Há uma clara violação do direito de defesa e do devido processo legal, decidindose em sessão interna, como matéria de expediente, vaise de encontro ao art. 31, § 13 e seguintes do RICSRF, em vigor à época, que tem a seguinte redação: Art. 31. Anunciado o julgamento de cada recurso, o Presidente dará a palavra, sucessivamente: [...] § 13. A sessão de julgamento será pública, salvo quando a Turma resolver que deva ser reservada para exame de matéria sigilosa, admitida a presença das partes ou de seus procuradores. (Negritouse). Fl. 4687DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 44 85 Sendo contrário também ao art. 32 do RICARFAnexo II, que trata dos julgamentos na CSRF em vigor atualmente. Ou seja, as sessões devem ser públicas e as pautas devem ser previamente publicadas. Assim, uma intepretação sistemática dos Regimentos aplicáveis impõe a possibilidade, e mesmo a necessidade, da análise da admissibilidade do recurso especial quando do seu julgamento, e também, por obediência ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa (aplicáveis ao processo administrativo fiscal, art. 5º, LV, da Constituição), e ao princípio da publicidade (art. 37 da Constituição), sendo que sua revisão preserva a moralidade administrativa, também prevista no art. 37 da Constituição. Em vista desses argumentos entendese que a CSRF pode rever, em sessão aberta, pública, com pauta publicada, uma decisão colegiada, precária, tomada em sessão administrativa, decidida como “matéria de expediente”. Isto me parece uma decorrência da lógica do processo administrativo tributário e dos princípios que o regem. Assim, quando do julgamento do recurso, se revisitadas as bases em que foi apresentado o recurso especial, e nelas não se vislumbrar a necessária discordância com os paradigmas apresentados suficiente para ensejar o conhecimento do recurso especial de divergência, desse recurso não se deve conhecer. Em conclusão, não conheço do recurso especial do contribuinte em sua totalidade. (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator Declaração de Voto Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte às fls. 3283/3374, em face do Acórdão nº 10195.122, proferido pela Primeira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, em sessão do dia 11 de agosto de 2005. No Despacho nº 101126/2008 às fls. 3675/3683, ao r. recurso foi negado seguimento, sob o fundamento de que o Contribuinte não logrou êxito em demonstrar a divergência jurisprudencial nos pontos atacados. Irresignado, o Contribuinte interpôs Agravo (fls. 3688/3742) em face do despacho que negou seguimento ao seu Recurso Especial, o qual foi objeto do Despacho nº 352/2008 (fls. 3762/3766), submetido à votação em sessão da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 4688DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 86 É justamente nesse ponto e por questão processual que me atento para, então passar a análise meritória. Quando do Agravo, o contribuinte alegou haver divergência jurisprudencial em relação a quatro temas expostos em seu Recurso Especial, a saber: (i) omissão de receitas, por desconsideração de empréstimo obtido no exterior para justificar a origem dos recursos; (ii) glosa de encargos financeiros no exterior; (iii) simulação; e, (iv) glosa de serviços prestados por pessoa jurídica. Assim, em votação do despacho proposto, esta Turma entendeu por dar seguimento parcial ao Recurso Especial do Contribuinte, conforme se extrai: “Nesta ordem de juízo, atendidos, em parte, os pressupostos para a admissibilidade do Recurso Especial, ACOLHO APRCIALMENTE O PEDIDO DE REEXAME EM RELAÇÃO AOS TEMAS: 1) OMISSÃO DE RECEITAS – PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96 – DESCONSIDERAÇÃO DE EMPRÉSTIMO OBTIDO NO EXTERIOR PARA JUSTIFICAR A ORIGEM DOS RECURSOS; 2) GLOSA DE ENCARGOS FINANCEIROS NO EXTERIOR E 3) SIMULAÇÃO, conforme prerrogativa contida no parágrafo 6º, do artigo 17 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria MF 147/2007.” Adicionalmente, conforme consta da Ata da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da sessão do dia 11 de novembro de 2008, o Agravo foi objeto de votação pela Turma, que decidiu pelo seguinte resultado: “Decisão: 1) por maioria de votos, ACOLHER, o agravo do contribuinte e DAR seguimento parcial ao recurso especial, nos termos do despacho do Conselheiro José Clovis Alves, proferido em 28/08/2008, às fls. 37623766dos autos. Vencidos os conselheiros Antonio Praga, Marcos Neder, Mário Sérgio Fernandes Barroso e Karem Jureidini Dias, que negavam seguimento ao recurso.” Neste passo, o Recurso Especial foi objeto de duplo exame de admissibilidade, o primeiro, pelo Despacho nº 101126/2008 às fls. 3675/3683, o qual negou seguimento ao recurso, e, o segundo, que se iniciou pela proposta de Despacho nº 352/2008 (fls. 3762/3766), que, submetido ao exame do colegiado, deu provimento parcial ao Agravo, para definitivamente conhecer do Recurso Especial nas matérias: (i) omissão de receitas; (ii) glosa de encargos financeiros no exterior; e, (iii) simulação; e não conhecer do Recurso Especial na matéria de glosa de encargos financeiros. Sobre os Recursos Especiais, cujo exame de admissibilidade foi exarado antes da publicação do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (publicado em 22 de junho de 2009), são aplicadas as disposições do Regimento antigo, conforme art. 5º do atual Regimento, confirase: “Art. 5° As negativas de admissibilidade dos recursos especiais exaradas até a data de publicação desta Portaria observarão o rito estabelecido no art. 17 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF n° 147, de 2007.” (Destaquei.) Tendo sido o segundo despacho exarado em 11/11/2008 (conforme Ata da sessão), aplicase a ele as disposições do Regimento antigo, quais sejam: Fl. 4689DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10730.004441/200260 Acórdão n.º 9101002.075 CSRFT1 Fl. 45 87 “Art. 17. Cabe agravo do despacho que negar seguimento ao recurso especial. (...) § 6º Será definitivo o despacho do relator, após aprovado pelo Presidente e se este discordar, a admissibilidade do recurso será apreciada pelo colegiado, que decidirá como matéria de expediente, não sujeita à prévia publicação. § 7º Se, no despacho de que trata o § 5º ou na decisão a que se refere o § 6º forem declarados atendidos os pressupostos de admissibilidade, os autos terão a tramitação normal, como se o recurso tivesse sido admitido pelo Presidente da Câmara recorrida, vedado o reexame de admissibilidade, intimandose o sujeito passivo ou o Procurador da Fazenda Nacional, este pessoalmente, para apresentar contrarazões no prazo de quinze dias.” (Destaquei.) Sendo assim, tendo em vista que, conforme o Regimento aplicável ao Recurso Especial e ao Agravo, o julgamento que reexamina a admissibilidade do Recurso Especial é definitivo, até porque foi apreciado por todo esse colegiado, o que não pode ser ignorado. De se esclarecer que o §7º do artigo transcrito acima, quando menciona que “os autos terão tramitação normal”, não autoriza uma nova análise de admissibilidade, pelo contrário, o dispositivo veda o reexame. Por isso, não há outra interpretação a ser dada para “os autos terão tramitação normal” que não a de que os autos serão julgados conforme despacho a que se refere o § 6º, lembrando que, neste caso, houve julgamento, em expediente, por esta Turma. Tendo isso em vista, não consigo dividir a preliminar de conhecimento do recurso em duas partes, para conhecer e não conhecer do Recurso Especial. Assim sendo, o reexame de admissibilidade me leva à conclusão de que estão definitivamente admitidas as matérias conhecidas e definitivamente não admitidas aquelas não conhecidas quando do julgamento pelo colegiado. In casu, temos Recurso Especial, cujo prosseguimento foi apreciado nos termos do Regimento anterior, o qual foi objeto de agravo. Por haver discordância quanto a admissibilidade entre Relator e Presidente, o mesmo foi submetido à apreciação do colegiado. Por esta razão, o que restou lá julgado não pode ser mais apreciado sob pena de tornar ineficaz, sem interposição de recurso, uma decisão tomada pelo mesmo colegiado, ainda que em composição diferente. Justamente por essa razão é que, a meu ver, o Regimento Interno, vigente à época, expressamente determinava que a decisão adotada nesse caso, em matéria de expediente era definitiva. Assim, mesmo tendo sido vencida quando da análise do Agravo, quanto a negativa do seguimento do Recurso Especial, permaneci votando pelo conhecimento do Recurso Especial. Sala das Sessões, em 20 de janeiro de 2015. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Fl. 4690DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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